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Numero do processo: 10680.932852/2009-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jan 12 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1301-000.224
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator.
documento assinado digitalmente
Valmar Fonseca de Menezes
Presidente
documento assinado digitalmente
Wilson Fernandes Guimarães
Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. documento assinado digitalmente Valmar Fonseca de Menezes Presidente documento assinado digitalmente Wilson Fernandes Guimarães Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. “documento assinado digitalmente” Valmar Fonseca de Menezes Presidente “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 80 .9 32 85 2/ 20 09 -5 6 Fl. 136DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/0 9/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10680.932852/200956 Resolução nº 1301000.224 S1C3T1 Fl. 114 2 Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação, por meio da qual a contribuinte pretende extinguir débito de sua titularidade com crédito relativo a pagamento indevido ou a maior efetuado sob o código 2362 (ESTIMATIVA MENSAL – IRPJ), relativamente ao período de apuração de abril de 2005. A Delegacia da Receita Federal em Belo Horizonte, unidade administrativa que primeiro apreciou o pedido formulado pela contribuinte, decidiu pela não homologação da compensação (Despacho Decisório nº 848544198, de 07/10/2009 – fls. 30). No Despacho Decisório acima mencionado resta consignado: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a titulo de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o Saldo Negativo de IRPJ ou CSLL do período. Inconformada, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 01 a 09), momento em que argumentou: que apurou o IRPJ Estimativa Mensal no mês de abril/2005 no montante de R$ 5.882.244,10, informou o valor apurado em DCTF e efetuou o recolhimento da importância correspondente, mas, posteriormente, constatou erro na referida apuração; que apurou uma nova estimativa de IRPJ para o período em referência no valor de R$5.568.688,47, gerando, assim, um recolhimento indevido no montante de R$ 313.555,63; que a DCTF originalmente apresentada foi retificada e os valores apurados como devidos estão em conformidade com as informações prestadas em DIPJ; que o indébito apurado foi utilizado em compensações de débito declaradas em DCOMP; que o entendimento esposado no Despacho Decisório destoa dos pronunciamentos do então Conselho de Contribuintes sobre a matéria; que não há qualquer impedimento legal à compensação pleiteada; que a Instrução Normativa n° 900, de 2008, que revogou a IN SRF n° 600, de 2005 revogou a hipótese de vedação à compensação dentro do próprio ano, o que demonstra uma mudança de entendimento dentro da própria Receita Federal em relação ao tema em questão. Fl. 137DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/0 9/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10680.932852/200956 Resolução nº 1301000.224 S1C3T1 Fl. 115 3 A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte, Minas Gerais, apreciando as razões trazidas pela contribuinte, decidiu, por meio do acórdão nº 0226.058, de 17 de março de 2010, pela improcedência da Manifestação de Inconformidade. O referido julgado restou assim ementado: DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Na Declaração de Compensação somente podem ser utilizados os créditos comprovadamente existentes, passíveis de restituição ou ressarcimento, respeitadas as demais regras determinadas pela legislação vigente para a sua utilização. COMPENSAÇÃO PAGAMENTOS POR ESTIMATIVA As estimativas mensais, ainda que pagas em valor superior ao calculado na forma da lei não se caracterizam, de imediato, como tributo indevido ou a maior passível de restituição/compensação. A opção pelo pagamento mensal por estimativa difere para o ajuste anual a apuração do possível indébito, quando ocorre a efetiva apuração do imposto devido. Irresignada, a contribuinte interpôs o recurso voluntário de fls. 77/97, em que, em apertada síntese, sustenta a nulidade do acórdão recorrido, em razão de uma suposta confusão sobre o período de ocorrência do fato gerador do tributo e erro na indicação da fundamentação; e a necessidade de reforma da decisão de primeira instância e o conseqüente cancelamento da cobrança, haja vista a regularidade da compensação efetuada. Esclarece que fez um pedido alternativo em sua manifestação de inconformidade com o intuito de preservar o seu direito à restituição do indébito, caso a compensação não fosse homologada, e que, por meio da peça recursal, reitera tal pedido. É o Relatório. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/0 9/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10680.932852/200956 Resolução nº 1301000.224 S1C3T1 Fl. 116 4 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães Embora não conste dos autos a data em que o recurso voluntário foi protocolizado, o despacho de fls. 112 esclarece que ele foi interposto tempestivamente, motivo pelo qual dele conheço. Cuida o presente processo de Declaração de Compensação, por meio da qual a contribuinte pretende extinguir débito de sua titularidade com crédito relativo a suposto pagamento indevido ou a maior, efetuado sob o código 2362 (ESTIMATIVA MENSAL – IRPJ), referente ao período de apuração de abril de 2005. Penso que, em virtude do fato de o indeferimento da compensação pleiteada pela contribuinte estar amparado basicamente no entendimento de que não é possível reconhecer pagamento indevido de antecipações obrigatórias (estimativas) que não seja por meio do correspondente saldo negativo apurado após o encerramento do período de apuração, não encontramse reunidos ao processo elementos capazes de efetivamente demonstrar que, no presente caso, estamos diante de tal circunstância (pagamento indevido). Notese que para efeito de apreciação da pretensão da Recorrente é necessário, antes mesmo de qualquer análise acerca da legislação de regência, que fique devidamente aclarado que estamos diante de pagamento indevido, isto é, que a contribuinte, tomando por base a legislação aplicável, promoveu o cálculo da antecipação obrigatória segundo uma das modalidades previstas (receita bruta ou balanços de suspensão/redução), e, posteriormente, considerando essa mesma modalidade, constatou ter incorrido em erro na apuração do valor devido e, por conseqüência, no recolhimento efetuado. Diante das considerações antes expostas, conduzo meu voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que a unidade administrativa de origem, tomando por base documentos colhidos junto à contribuinte, informe se efetivamente estamos diante de erro na apuração da antecipação obrigatória recolhida em 31/05/2005, conforme comprovante de fls. 32 e, em caso positivo, qual o montante que deve ser considerado como PAGAMENTO INDEVIDO. Solicitase que o resultado da diligência que ora se requer seja refletido em relatório e que a documentação que lhe serviu de suporte seja carreada ao processo. A contribuinte deve ser cientificada das conclusões da diligência para, se assim desejar, aditar razões. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Fl. 139DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/0 9/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES
score : 1.0
Numero do processo: 15563.000866/2008-88
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jan 02 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2004 a 30/11/2004
AUTOS DE INFRAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. COFINS. PROCESSO ÚNICO. NULIDADE. AUSÊNCIA.
A lavratura de autos de infração para exigência de Contribuição para o PIS/PASEP e de COFINS em um único processo é lícita, possível, e normativamente estabelecida na Portaria MF no 666, de 24/04/2008, observados os requisitos ali estabelecidos, não havendo nulidade no procedimento.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. ANÁLISE ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 2/CARF.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
ESCRITURAÇÃO. AFASTAMENTO. DOCUMENTOS HÁBEIS.
A empresa que apresenta escrituração ao fisco, escrituração essa utilizada e acolhida pela própria fiscalização para efetuar lançamento, ao questionar os valores por ela própria escriturados deve fazê-lo com amparo em documentos hábeis.
Numero da decisão: 3403-003.457
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. O Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida participou do julgamento em substituição ao Conselheiro Alexandre Kern.
ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente.
ROSALDO TREVISAN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Fenelon Moscoso de Almeida (em substituição a Alexandre Kern), Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2004 a 30/11/2004 AUTOS DE INFRAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. COFINS. PROCESSO ÚNICO. NULIDADE. AUSÊNCIA. A lavratura de autos de infração para exigência de Contribuição para o PIS/PASEP e de COFINS em um único processo é lícita, possível, e normativamente estabelecida na Portaria MF no 666, de 24/04/2008, observados os requisitos ali estabelecidos, não havendo nulidade no procedimento. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. ANÁLISE ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 2/CARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. ESCRITURAÇÃO. AFASTAMENTO. DOCUMENTOS HÁBEIS. A empresa que apresenta escrituração ao fisco, escrituração essa utilizada e acolhida pela própria fiscalização para efetuar lançamento, ao questionar os valores por ela própria escriturados deve fazê-lo com amparo em documentos hábeis.
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CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. COFINS. PROCESSO ÚNICO. NULIDADE. AUSÊNCIA. A lavratura de autos de infração para exigência de Contribuição para o PIS/PASEP e de COFINS em um único processo é lícita, possível, e normativamente estabelecida na Portaria MF no 666, de 24/04/2008, observados os requisitos ali estabelecidos, não havendo nulidade no procedimento. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. ANÁLISE ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 2/CARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. ESCRITURAÇÃO. AFASTAMENTO. DOCUMENTOS HÁBEIS. A empresa que apresenta escrituração ao fisco, escrituração essa utilizada e acolhida pela própria fiscalização para efetuar lançamento, ao questionar os valores por ela própria escriturados deve fazêlo com amparo em documentos hábeis. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. O Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida participou do julgamento em substituição ao Conselheiro Alexandre Kern. ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 56 3. 00 08 66 /2 00 8- 88 Fl. 217DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por ROSALDO TREVISAN 2 ROSALDO TREVISAN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Fenelon Moscoso de Almeida (em substituição a Alexandre Kern), Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista. Relatório Versa o presente sobre autos de infração, lavrados em 23/12/2008 (fls. 122 a 127 a 568, e 131 a 136, com ciência em 30/12/2008, cf. fls. 127 e 136)1 para exigência, respectivamente, de Contribuição para o PIS/PASEP (de janeiro a dezembro de 2005, acrescida de juros de mora e multa de 75%, no total de R$ 451.450,54), e de COFINS (referente ao mesmo período, com acréscimo de juros de mora e multa de 75%, no total de R$ 2.083.618,06). Ambas as contribuições são exigidas no regime cumulativo. No Termo de Verificação Fiscal (TV) de fls. 120/121, narra a fiscalização que a partir do exame da documentação contábil referente às operações realizadas pela empresa no ano calendário de 2005 (no qual houve opção de tributação pelo lucro presumido), verificouse que houve movimentação financeira incompatível com a receita declarada, tendo sido o contribuinte intimado a fornecer, entre outros, extratos bancários, sem sucesso, o que ensejou a Requisição de informações sobre Movimentação Financeira (RMF) junto a sete bancos. Tendo em vista que nos livros Diário e Razão (assim como nos extratos bancários) há registro de valores muito superiores aos declarados nas DACON do período (fls. 3 a 26), foi gerado “Demonstrativo de Apuração do PIS e da COFINS a Pagar” (fls. 118/119), oportunizandose à empresa manifestação sobre tal demonstrativo, que não ocorreu. A empresa apresenta impugnação em 26/01/2009 (fls. 147 a 162), argumentando, em síntese, que: (a) houve constituição indevida de lançamentos nos mesmos autos, devendo o fisco “providenciar autuações em processos separados”; (b) houve quebra indevida de sigilo bancário, já que o fisco “possuía todos os elementos necessários para a análise fiscal”, não sendo “indispensável” a quebra de sigilo (como exige o art. 6o da Lei Complementar no 105/2001, regulamentado pelo Decreto no 3.724/2001), e que a quebra depende de decisão judicial (sendo inconstitucional a Lei Complementar no 105/2001, pois o sigilo bancário é garantia fundamental assegurada constitucionalmente); e (c) o lançamento decorre de interpretação equivocada do fisco, que considerou como receitas escrituradas e não declaradas os valores extraídos do livro Razão (não tendo a empresa sido intimada a apresentar as notas fiscais de venda correspondentes). Em 19/07/2012 ocorre o julgamento de primeira instância (fls. 176 a 180), no qual se decide unanimemente pela improcedência da impugnação, nos seguintes termos: (a) “os lançamentos do PIS e da COFINS foram efetuados com base nos mesmos fatos, quais sejam: divergência entre as receitas escrituradas e aquelas declaradas, portanto, não há qualquer equivoco no fato de serem autuados no mesmo processo”; (b) “os créditos tributários lançados foram determinados unicamente com base nos dados originais da escrita fiscal da 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 218DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 15563.000866/200888 Acórdão n.º 3403003.457 S3C4T3 Fl. 218 3 autuada, especificamente o Livro Razão Analítico, posto que, a escrituração da interessada, apresentada depois da requisição dos extratos bancários, era compatível com a movimentação financeira”, mas, ainda que tivessem sido utilizados os dados dos extratos bancários, a solicitação foi efetuada nos termos de lei vigente, cuja constitucionalidade não pode ser apreciada administrativamente; e (c) a escrita fiscal regular retrata o registro de todos os lançamentos contábeis da interessada, inclusive das notas fiscais referidas, sendo prescindível a análise de tais notas. Cientificada do acórdão da DRJ em 31/07/2012 (cf. AR à fl. 187), a empresa apresenta Recurso Voluntário em 29/08/2012 (fls. 194 a 213), basicamente reiterando as considerações expostas em sua impugnação, e acrescentando que: (a) nenhuma das contribuições (COFINS e Contribuição para o PIS/PASEP) é reflexa da outra, e a autuação não as considerou como reflexas da exigência de IRPJ e CSLL (processo administrativo no 15563.000868/200877), trazendo inclusive enquadramentos diversos nos respectivos processos, devendo os autos de COFINS e de Contribuição para o PIS/PASEP serem apartados; (b) a discussão sobre a quebra indevida de sigilo bancário não é matéria estranha ao processo, como afirma a DRJ, que cerceou a defesa da empresa ao não se manifestar sobre a nulidade arguida; (c) a escrituração, conforme art. 923 do Regulamento do Imposto de Renda/1999, faz prova dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis (como as notas fiscais que não foram solicitadas pelo fisco). É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, pelo que dele se toma preliminar conhecimento. Há basicamente três temas contenciosos: a necessidade de apartamento dos autos de COFINS e da Contribuição para o PIS/PASEP, a regularidade da quebra de sigilo bancário e a questão probatória. Da autuação conjunta em relação à COFINS e à Contribuição para o PIS/PASEP e da questão reflexa da vinculação entre processos A recorrente insurgese em relação ao fato de as autuações referentes à COFINS e à Contribuição para o PIS/PASEP terem sido lavradas em um único processo, considerando que “sendo a tributação baseada em insuficiência de recolhimento, deveria a Fiscalização providenciar as autuações em processos distintos permitindo à interessada apresentar suas contestações separadamente” (fl. 200), acrescentando que a autuação conjunta ocasiona “equívoco irrecuperável e acarretando a total improcedência dos correspondentes autos de infração”. Fl. 219DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por ROSALDO TREVISAN 4 Comungase aqui, preliminarmente, do entendimento da DRJ de que a junção dos autos em um único processo não é causa de nulidade prevista no art. 59 de Decreto no 70.235/1972. Aliás, poderia ter a empresa apresentado neste mesmo processo impugnações distintas para o auto de infração de COFINS e para o auto de infração referente à Contribuição para o PIS/PASEP, assim como a fiscalização apartou em planilhas diversas os demonstrativos e os valores lançados. Mas a argumentação para o lançamento é absolutamente a mesma nos dois autos. E se que se adotada a alternativa sugerida pela recorrente de apartamento, não se concebe que seriam diferentes as demais argumentações de defesa (pois em ambas houve RMF e em ambas tomouse como base a escrituração). Ausente assim qualquer cerceamento de defesa, sendo inclusive a providência de juntada das autuações medida de eficiência administrativa, evitando a duplicação de julgados sobre idêntico fundamento. Nesse sentido a expressa previsão normativa para a junção das duas autuações à época da lavratura (art. 1o, I, “b” da Portaria MF no 666, de 24/04/2008): “Art. 1 º Serão objeto de um único processo administrativo: I as exigências de crédito tributário do mesmo sujeito passivo, formalizadas com base nos mesmos elementos de prova, referentes: (...) b) à Contribuição para o PIS/Pasep e à Cofins, que não sejam decorrentes do IRPJ;” (grifo nosso) No caso, é inequívoco que as autuações referentes à COFINS e à Contribuição para o PIS/PASEP são em relação a um mesmo sujeito passivo, e com base nos mesmos elementos de prova. Ademais, a própria recorrente reconhece que a autuação não é decorrente do IRPJ (que possui inclusive enquadramento diverso: “receita escriturada e não declarada”). Em nome da verdade material (e apenas para verificar se as presentes autuações são reflexas ou decorrentes de outras referentes a IRPJ/CSLL), consultei no sistema “eprocessos” o processo administrativo referente a IRPJ e CSLL (no 15563.000.868/200877), percebendo que a autuação lá efetuada tem por objeto o confronto entre os valores registrados na contabilidade, livros Diário e Razão, e os informados na DIPJ. Assim, tem escopo/objeto diverso da autuação aqui apreciada, na qual o confronto dos registros contábeis é em relação às DACON. Poderia perfeitamente existir uma infração sem a outra (no caso de as incorreções estarem presentes somente em DACON, ou somente em DIPJ). Também naquele processo relatase que a empresa se insurgiu contra a lavratura dos dois autos (IRPJ e CSLL) em processo único: “b.1 que o presente processo é constituído de dois autos de infração (IRPJ e CSLL). Ao proceder desta forma, a fiscalização considerou o auto de infração de CSLL como reflexo da tributação relativa ao IRPJ, incorrendo em flagrante contradição, uma vez que no Termo de Verificação descreve a infração como insuficiência de recolhimento, o que, por conseqüência, não permite tributação reflexa; b.2 que no caso em pauta somente seria possível a tributação reflexa da CSLL caso a infração fosse efetivamente caracterizada como receita escriturada e não declarada, fato impossível de se ter certeza; Fl. 220DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 15563.000866/200888 Acórdão n.º 3403003.457 S3C4T3 Fl. 219 5 b.3 que deveria a fiscalização ter providenciado autuações em processos separados, permitindolhe apresentar suas impugnações separadamente;” Registrese, por fim, que o processo referente à autuação de IRPJ/CSLL foi apreciado em 09/04/2013 no âmbito da Primeira Seção de Julgamento deste CARF, tendo sido proferido o Acórdão no 1202000.956, pelo qual se nega unanimemente provimento ao recurso voluntário apresentado pela empresa. O processo se encontra atualmente no aguardo da apreciação de Recurso Especial interposto pela recorrente. A verificação efetuada no outro processo corrobora o que reconhece a própria recorrente, endossada pelo fisco. É incontroverso, assim, que as autuações lavradas para exigência de COFINS e da Contribuição para o PIS/PASEP não são reflexas ou decorrentes da constante do processo administrativo no 15563.000.868/200877 (que trata de IRPJ/CSLL). Então, não cabe, nos presentes autos, manifestação quanto à exigência referente a IRPJ/CSLL, submetida a outra autoridade julgadora, e versando sobre tema diverso. Cabe aqui somente analisar, como demanda a recorrente, se os autos de infração para exigência de COFINS e de Contribuição para o PIS/PASEP poderiam ser efetuados em um único processo. E, pelo exposto, resta óbvio que não só podiam, mas deviam, não havendo aí qualquer causa de nulidade ou de cerceamento de defesa. Da quebra de sigilo bancário Sustenta a recorrente que houve quebra indevida de sigilo bancário, já que o fisco “possuía todos os elementos necessários para a análise fiscal”, não sendo “indispensável” a quebra de sigilo (como exige o art. 6o da Lei Complementar no 105/2001, regulamentado pelo Decreto no 3.724/2001), e que a quebra depende de decisão judicial (sendo inconstitucional a Lei Complementar no 105/2001, pois o sigilo bancário é garantia fundamental assegurada constitucionalmente). Já de início, é preciso esclarecer que a tutela que envolve inconstitucionalidade de lei vigente não é possível na via administrativa (a não ser nas hipóteses previstas no art. 26A do Decreto no 70.235/1972, ou enquadradas no art. 62A do Anexo II do Regimento do CARF, aprovado pela Portaria MF no 256/2009). A matéria é inclusive sumulada no âmbito deste CARF: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Assim, resta tratar do argumento de defesa segundo o qual o fisco “possuía todos os elementos necessários para a análise fiscal”, não sendo “indispensável” a quebra de sigilo. Dispõe o art. 6o da Lei Complementar no 105/2001: “Art. 6o As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições Fl. 221DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por ROSALDO TREVISAN 6 financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária.” (grifo nosso) Não há controvérsia sobre estar instaurado o procedimento fiscal, residindo o contencioso somente na aplicação ao caso concreto da parte final do texto (“sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente”). Ressaltese, já de início, que a intimação inicial efetuada à empresa, em 07/05/2008 (fl. 27) demandava, no item 3, “extratos de contas correntes bancárias no Brasil e no exterior e, no item 2, livros, entre os quais o Diário e o Razão. Em resposta, a empresa encaminhou somente cópias de contrato social e informou (fl. 28) que enviou cartas a 3 instituições bancárias solicitando os extratos (fls. 29 a 31). Reintimada a apresentar extratos de contas correntes bancárias no Brasil e no exterior” e livros (entre os quais o diário e o Razão) em 28/05/2008 (fl. 32), a empresa envia alguns livros (entre os quais não se encontravam o Diário e o Razão) e solicita prorrogação de prazo por 15 dias para apresentar os extratos bancários solicitados. Diante da ausência de resposta às intimações, o fiscal responsável solicita à autoridade competente, em 19/06/2008, autorização para “emissão de requisição de informação sobre movimentação financeira RMF” (fls. 37 a 40), enquadrando a solicitação no art. 3o, V do Decreto no 3.724/2001 (que regulamenta o art. 6o da Lei Complementar no 105/2001): Art.3o Os exames referidos no § 5o do art. 2o somente serão considerados indispensáveis nas seguintes hipóteses: (Redação dada pelo Decreto nº 6.104, de 2007) (...) V realização de gastos ou investimentos em valor superior à renda disponível; (...) (grifo nosso). E, diante do enquadramento no comando normativo, e da ausência de atendimento de intimações (no que se refere a extratos bancários, que a empresa afirmava reiteradamente que apresentaria, e no que trata dos livros Diário e Razão), a autoridade competente autoriza a solicitação de emissão de RMF (fl. 40). Cumprido o preceito legal, são expedidos ofícios às instituições bancárias (fls. 41 a 89), ainda em junho de 2008. Contudo, em dezembro de 2008 a empresa apresenta os livros Diário e Razão (fl. 90), o que possibilitou a visualização individualizada dos lançamentos contábeis em tais livros, percebendo o fisco que os valores correspondentes a tais lançamentos eram superiores àqueles declarados nas DIPJ, DACON e DCTF apresentadas para o período (fl. 117), sequer utilizando na fiscalização os dados bancários da empresa. O fisco intima a empresa a justificar as diferenças encontradas, em 03/12/2008 (ainda à fl. 117), sem obter resposta, o que leva à elaboração do Termo de Verificação de fls. 120/121 e à lavratura das autuações em apreciação. Fl. 222DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 15563.000866/200888 Acórdão n.º 3403003.457 S3C4T3 Fl. 220 7 E vejase que os dados bancários acabam não sendo supedâneo para o lançamento fiscal. Isso porque com a apresentação dos livros Diário e Razão, a divergência encontrada pela fiscalização sequer se refere a valores ingressados em conta não declarados, mas a valores escriturados e não declarados em DACON. Como afirma a fiscalização (fl. 121): As autuações aqui apreciadas, reiterese, não resultam de incompatibilidade de movimentação financeira em relação ao escriturado/declarado, mas de divergência entre a escrituração fiscal (livros Diário e Razão) e DACON. Daí ter a DRJ, no julgamento de piso, afirmado (fl. 179) que: “A esse respeito, no entanto, examinando os autos do presente processo, verificase que os créditos tributários lançados foram determinados unicamente com base nos dados originais da escrita fiscal da autuada, especificamente o Livro Razão Analítico, posto que, a escrituração da interessada, apresentada depois da requisição dos extratos bancários, era compatível com a movimentação financeira da mesma (sic). Nesse contexto, a argumentação dirigida à violação do sigilo bancário é estranha a matéria objeto do presente processo, que se vincula a exigência apurada exclusivamente a partir de elementos constantes da escrita fiscal.” (grifo nosso) Sobre tal excerto do julgamento de primeira instância, entende a empresa em sua peça recursal que houve cerceamento do direito de defesa, por não ter o julgador se manifestado sobre a nulidade suscitada em relação à quebra de sigilo bancário. No entanto, a DRJ especificamente se manifesta sobre o tema, na sequência do excerto transcrito (ainda à fl. 179): “Por outro lado, ainda que o autuante tivesse utilizado os referidos extratos bancários, a investida da impugnante contra a referida quebra do sigilo bancário, sob o argumento de que tal medida teria que ter sido autorizada pelo Judiciário, não procede, já que a Lei Complementar nº 105/2001, permite o acesso pelas autoridades fiscais à movimentação financeira. No que concerne às alegações de inconstitucionalidade e ilegalidade, esclareçase que, por estar devidamente fundamentada a exigência em normas validamente editadas, não cabe a este órgão administrativo perquirir de sua constitucionalidade, dado este controle não ser da alçada dos órgãos administrativos, mas sim, exclusivamente, do Poder Judiciário. Enquanto a norma não é declarada inconstitucional pelos órgãos competentes do Poder Judiciário e não é eliminada do sistema normativo, tem presunção de validade vinculante para a Administração Pública.” (grifo nosso) Fl. 223DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por ROSALDO TREVISAN 8 Ou seja, afirma a DRJ que havendo norma vigente que autorize a RMF, e estando o caso entre as hipóteses em que se permite a requisição, não cabe ao julgador administrativo afastar a exigência sob pretexto de inconstitucionalidade. Não se vê aí cerceamento de defesa ensejador de nulidade. A DRJ não é obrigada a apreciar argumentos que entende irrelevantes para solução da lide ou alegações para as quais há impedimento legal/regimental de apreciação (inconstitucionalidade). Nesse sentido, além de não identificar a nulidade apontada, acordamos com o julgador de piso no sentido de que a questão referente à requisição de dados bancários (que seria protagonista caso a empresa não tivesse apresentado posteriormente os livros Diário e Razão) acabou nem fazendo parte do corpo probatório da autuação, pelo que, se nulidade houvesse (e já se esclareceu aqui que não houve, tendo sido cumpridos os requisitos da Lei Complementar no 105/2001 e do Decreto no 3.724/2001) na RMF, esta não teria qualquer impacto no teor da autuação. Assim, improcedentes as alegações da recorrente nesse tópico. Das provas Por fim, questiona a recorrente o fato de o fisco ter efetuado o lançamento tão somente com base nos dados de sua escrituração, sem intimar a empresa a apresentar as notas fiscais correspondentes. E a escrituração não constituiria prova sem tais notas fiscais. Sobre o assunto, decidiu a DRJ (fl. 179) que: “Nos termos do art. 923 do RIR/99 a escrituração regular (mantida com observância das disposições legais) faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados. Ora, se a escrita fiscal é confiável e retrata o registro de todos os lançamentos contábeis da interessada naquele ano calendário, inclusive das notas fiscais referidas, não é obrigatório o exame das mesmas (sic), logo, esta mesma escrituração, pelas razões expostas, serve de base para o Fisco proceder a lançamentos fiscais, restando infundadas as alegações a esse respeito.” (grifo nosso) Na peça recursal, a empresa afirma que é preciso ler a integralidade do art. 923 do RIR/1999, “que fala exatamente da necessidade da prova com base em documentos hábeis, e vem corroborar de forma inconteste o entendimento da recorrente”, reiterando que “em momento algum a recorrente foi intimada para apresentar as notas fiscais de vendas correspondentes e, consequentemente, a fiscalização jamais examinou tais documentos”. A argumentação da recorrente beira ao absurdo, e equivale a dizer que ela própria não confia na regularidade de sua escrita, pedindo que seja checada com as notas fiscais correspondentes. Ou melhor, que confia menos em sua escrituração do que o próprio fisco confiou. Vejase o que dispõe, na íntegra, o art. 923 do RIR/1999 (Decreto no 3.000/1999): Fl. 224DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 15563.000866/200888 Acórdão n.º 3403003.457 S3C4T3 Fl. 221 9 “Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (Decreto Lei n º 1.598, de 1977, art. 9 º , §1 º ).” A leitura da recorrente sobre o dispositivo mostrase equivocada. Não incumbe ao fisco fazer a prova em favor da recorrente, para afastar a escrituração. O fisco, para afastar a escrituração, deve sim fazer prova (como atesta o artigo seguinte art. 924 do RIR/1999), mas não faz sentido algum que o fisco busque prova para mantêla. De qualquer sorte, também é improcedente a afirmação da recorrente de que “em momento algum a recorrente foi intimada para apresentar as notas fiscais de vendas correspondentes e, consequentemente, a fiscalização jamais examinou tais documentos”. Reparese que ao detectar as divergências entre a escrituração as DACON, o fisco expressamente intimou a empresa a manifestarse sobre as divergências (fl. 117): Esse foi um momento hábil (ainda antes da autuação) para que a empresa justificasse as diferenças, comprovando (se fosse o caso, mediante a apresentação das notas fiscais correspondentes) que sua escrituração não era regular, estando incorretos os valores lançados, fazendo “prova a seu favor”. Após a autuação, persistiu, no curso do contencioso, a possibilidade de a autuada comprovar que sua escrituração era irregular, e incompatível com as notas fiscais correspondentes. Mas a empresa permaneceu inerte em todas essas ocasiões, limitandose a discutir questões processuais secundárias, sem adentrar no mérito da autuação. Enfim, a empresa que apresenta escrituração ao fisco, escrituração essa utilizada e acolhida pela própria fiscalização para efetuar lançamento, ao questionar os valores por ela própria escriturados deve fazêlo com amparo em documentos hábeis. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário apresentado. Fl. 225DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por ROSALDO TREVISAN 10 Rosaldo Trevisan Fl. 226DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por ROSALDO TREVISAN
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Numero do processo: 10314.013371/2010-51
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Dec 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 09/11/2010
CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE VÍCIO. POSSIBILIDADE.
É lícito ao Fisco, visando a prevenir a decadência, proceder a lançamento mediante a lavratura de auto de infração para constituir crédito tributário cuja exigibilidade encontrava-se suspensa por força de antecipação de tutela em ação ordinária. O crédito assim constituído deve permanecer com a exigibilidade suspensa, enquanto não modificados os efeitos da medida judicial.
INTIMAÇÕES. ATOS PROCESSUAIS. PROCURADOR
As normas do Processo Administrativo Fiscal não têm previsão para que a Administração Tributária efetue as intimações de atos processuais administrativos na pessoa e no domicílio profissional do advogado constituído pelo sujeito passivo da obrigação tributária.
Numero da decisão: 3803-006.633
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração e em não conhecer do recurso quanto à matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Paulo Renato Mothes de Moraes.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 09/11/2010 CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE VÍCIO. POSSIBILIDADE. É lícito ao Fisco, visando a prevenir a decadência, proceder a lançamento mediante a lavratura de auto de infração para constituir crédito tributário cuja exigibilidade encontrava-se suspensa por força de antecipação de tutela em ação ordinária. O crédito assim constituído deve permanecer com a exigibilidade suspensa, enquanto não modificados os efeitos da medida judicial. INTIMAÇÕES. ATOS PROCESSUAIS. PROCURADOR As normas do Processo Administrativo Fiscal não têm previsão para que a Administração Tributária efetue as intimações de atos processuais administrativos na pessoa e no domicílio profissional do advogado constituído pelo sujeito passivo da obrigação tributária.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração e em não conhecer do recurso quanto à matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Paulo Renato Mothes de Moraes.
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BENEFICIENTE DE SENHORAS HOSPITAL SÍRIO LIBANÊS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 09/11/2010 MATÉRIA SUBMETIDA AO JUDICIÁRIO. RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Súmula CARF nº 1. INTIMAÇÕES. ATOS PROCESSUAIS. PROCURADOR As normas do Processo Administrativo Fiscal não têm previsão para que a Administração Tributária efetue as intimações de atos processuais administrativos na pessoa e no domicílio profissional do advogado constituído pelo sujeito passivo da obrigação tributária. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 09/11/2010 CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE VÍCIO. POSSIBILIDADE. É lícito ao Fisco, visando a prevenir a decadência, proceder a lançamento mediante a lavratura de auto de infração para constituir crédito tributário cuja exigibilidade encontravase suspensa por força de antecipação de tutela em ação ordinária. O crédito assim constituído deve permanecer com a exigibilidade suspensa, enquanto não modificados os efeitos da medida judicial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 01 33 71 /2 01 0- 51 Fl. 294DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração e em não conhecer do recurso quanto à matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Paulo Renato Mothes de Moraes. Relatório O presente processo é constituído de autos de infração, lavrado para exigência de crédito tributário referente a Imposto de Importação, Imposto sobre Produtos Industrializados, CofinsImportação e PISImportação, incidentes sobre a importação de equipamentos de procedência estrangeira destinados, conforme declarado pela Interessada, à utilização nas atividades essenciais da entidade. Conforme a descrição dos fatos, os desembaraços das Declarações de Importação sem o recolhimento dos tributos incidentes na importação, em cumprimento da decisão nos autos do processo judicial 2004.61.00.0289717, aviado na 22ª Vara Federal de São Paulo, em que foi determinado que se procedesse ao desembaraço aduaneiro das mercadorias importadas por esta pessoa jurídica. O objeto da ação judicial é a declaração da inexistência da relação jurídico tributária que a obrigue a recolher impostos e contribuições sociais federais devidos na importação, tendo como fundamento a imunidade de que goza em relação aos impostos e isenção às contribuições. Houve decisão favorável ao deferimento de tutela antecipada, e, posteriormente, a confirmação por meio de sentença, sem decisão definitiva transitada em julgado até a data das autuações. Ante este provimento, os autos de infração foram lavrados com o fito de prevenir a decadência, sendo informando que a exigibilidade estava suspensa até a decisão final. Em impugnação apresentada, a Autuada arrazoou, em síntese, que: a) o Auto de Infração é meio que se configura inadequado à constituição do crédito tributário, nas circunstâncias do caso. Se não houve prática de infrações por parte do contribuinte, não se trata o caso de aplicação de penalidade, decorrendo disso que o instrumento jurídico correto é a Notificação de Lançamento; b) os juros moratórios devem ser afastados, pois inexistem os pressupostos de fato que autorizariam a sua imposição; Fl. 295DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10314.013371/201051 Acórdão n.º 3803006.633 S3TE03 Fl. 295 3 c) é uma entidade de assistência social, que atua na área da saúde, tendo sido declarada de utilidade pública federal, fazendo jus, portanto, à imunidade prevista na Constituição Federal; d) o Ato Declaratório n° 9/06 do Procurador Geral da Fazenda Nacional reconhece a imunidade de entidades como a da Impugnante, encerrando qualquer discussão; Em julgamento da lide, a DRJ/Florianópolis assentou, em síntese, que: a) a interessada indicou na declaração de importação não haver valor de crédito tributário a ser recolhido. O benefício que pleiteou não foi reconhecido pela Autoridade Aduaneira; b) a lavratura de Auto de Infração não pode ser considerada inadequada, visto que sob a ótica da Fazenda a interessada deixou de recolher, por ocasião do registro da declaração de importação, os tributos em questão; c) dos dispositivos do art. 9º e 10º do Decreto n° 70.235/72 tanto a exigência do crédito tributário quanto a aplicação de penalidade isolada podem ser formalizados por Auto de Infração ou Notificação de Lançamento; visto que a redação do dispositivo legal não permite estabelecer limites ao alcance de cada espécie de instrumento para formalização; d) a formalização do presente crédito tributário mediante a lavratura de Auto de Infração assegura maior benefício ao exercício do direito de defesa e do contraditório à Interessada, pois este instrumento possui não apenas a Disposição Legal Infringida, mas a Descrição do Fato; Quanto ao mérito: a) da incidência dos tributos na importação, em face de imunidade não conheceu do recurso, por ter sido a matéria levada à apreciação do Judiciário, o que implica em renúncia às instâncias administrativas. b) da incidência dos juros de mora no lançamento sustentou que mesmo inexigível o crédito tributário, o prazo de pagamento do tributo não é alterado, prevalecendo tal prazo para fins de sua incidência no caso de decisão judicial final desfavorável ao contribuinte. Considerou que, a rigor, os juros de mora não precisam ser indicados na autuação para serem exigidos, porque, como acessório, seguem o principal. O destaque dos juros de mora incidentes até a data da lavratura da autuação é apenas demonstrativo. A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 09/11/2010 AÇÃO JUDICIAL. EFEITOS. LANÇAMENTO DESTINADO A PREVENIR DECADÊNCIA. FORMALIZAÇÃO CABÍVEL. A discussão da matéria tributável na esfera judicial não elide o dever da autoridade administrativa de constituir o crédito tributário. A propositura de qualquer ação judicial anterior, concomitante ou posterior a procedimento fiscal, com o mesmo Fl. 296DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 objeto da autuação, importa em renúncia ou desistência à apreciação da mesma matéria na esfera administrativa, porém a matéria divergente terá prosseguimento normal. Cientificada da decisão em 02/10/2013, irresignada, a Interessada apresentou recurso voluntário, em 15/10/2013, em que reitera os mesmos termos da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa, Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, dele conheço. Preliminar de Nulidade Auto de Infração como meio inadequado à constituição do crédito tributário A Recorrente apela para a nulidade da constituição do crédito tributário, em virtude de ter sido formalizada por meio de Auto de Infração e não Notificação de Lançamento, uma vez que o crédito constituído encontrase com a exigibilidade suspensa, não tendo cometido qualquer infração à legislação. Vista unicamente sob o seu ângulo, tem razão a Defendente quando afirma não ter cometido infração, considerando que se encontra amparada pelo provimento judicial provisório antecipatório da tutela, obtido em 29//11/2004. Sob o olhar do Fisco, porém, a subsistência da lide, o mérito da controvérsia em aberto e a possibilidade (não importa em que medida) de resultado favorável à Fazenda, são os eventos que motivaram a constituição do crédito tributário. Neste prisma, o campo Descrição dos Fatos do Auto de Infração consigna o registro tanto do fato jurídico tributário como do fato jurídico da ocorrência da infração consistente na falta de recolhimento, ao desamparo da imunidade invocada. 001 IMPORTAÇÃO NÃO AMPARADA POR IMUNIDADE II 001 IMPORTAÇÃO NÃO AMPARADA POR IMUNIDADE IPI 001 FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA COFINS IMPORTAÇÃO DI 001 FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DO PIS/PASEP IMPORTAÇÃO DI 0 importador submeteu a despacho aduaneiro de importação, pleiteando IMUNIDADE TRIBUTARIA para o Imposto de Importação (II), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e para as contribuições sociais (PIS e COFINS) incidentes na importação das mercadorias descritas e amparadas pelas declarações de importação no 09/02330394 e 10/12642404 (anexo I). Cumpre observar que a alegada imunidade abrange apenas os impostos sobre patrimônio, renda e serviços das entidades previstas na alínea "c", do inciso VI do art. 150 da Constituição Fl. 297DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10314.013371/201051 Acórdão n.º 3803006.633 S3TE03 Fl. 296 5 Federal. Este entendimento tem como fundamento o disposto na alínea "a" do inciso III do art. 146 da Constituição Federal, que remete a Lei Complementar a definição das diversas espécies de tributos. Esta definição, por sua vez, é tratada pelo Código Tributário Nacional (aprovado pela Lei no 5.172/66 e recepcionado pelo atual texto constitucional) em seu Titulo III. [...] Além de todo o exposto acerca da não extensão da imunidade constitucional, o importador ao pleitear a imunidade dos tributos não apresentou, no curso do despacho, documentação que atestasse o cumprimento dos requisitos necessários para obtenção da renuncia fiscal dos tributos bem como Certificado de Entidade de Assistência Social válido, documento que atesta seu caráter de assistência social, pleiteando a liberação das mercadorias com base na ação judicial preventiva supracitada. Portanto, entende esta fiscalização que o beneficio fiscal da imunidade não pode ser concedido à autuada. [...] A multa prevista no art. 44, inciso I da Lei no 9.430/96 não foi aplicada em cumprimento ao disposto no § 1º do artigo 63 do mesmo dispositivo Legal (a Decisão Judicial suspendeu a exigibilidade do crédito tributário em 29/11/2004, anterior ao registro das DI's). O registro do fato jurídico tributário implicou no lançamento, que corresponde ao valor dos tributos que deveriam ter sido recolhidos no desembaraço aduaneiro. O registro do fato jurídico da ocorrência da infração, traz na esteira a sustação do seu efeito que corresponderia à imposição da multa de ofício, em face da tutela antecipada obtida na ação judicial aviada sob o nº 2004.61.00.0289717[1]. Assim, não obstante descrita a infração, o Auto de Infração deixa de fixar apenas a relação jurídica quanto à imposição da penalidade. Dado o contorno sob o qual se lavra Auto de Infração para prevenção de decadência quando sua materialidade encontrase em discussão na esfera judicial e presente a infração, ante o não reconhecimento do direito pleiteado, pela Autoridade aduaneira , podese sustentar que este instrumento não é impróprio para a constituição do crédito tributário, pelo fato de seu conteúdo estar adstrito unicamente ao lançamento. Este entendimento encontrase bem ajustado ao que dispõe o art. 9º do Decreto nº 70.235/72, que não distingue os usos do Auto de Infração e da Notificação de Lançamento seja para tributo ou penalidade, verbis: Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. (Grifos acrescidos) 1 Em cumprimento ao art. 63, § 1º, da Lei nº 9.430/96. Fl. 298DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 Entre os requisitos obrigatórios do Auto de Infração está a descrição do fato, ausente das exigências para a Notificação de Lançamento, ao tempo em que o seu inciso III aponta para a necessidade de indicação da disposição legal infringida (ainda que na condição de "se for o caso"), denotando que este instrumento pode veicular também penalidade: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Parágrafo único. Prescinde de assinatura a notificação de lançamento emitida por processo eletrônico. A doutrina, por sua vez, apenas identifica o uso indistinto de um ou outro instrumento de que as Administrações Tributárias tem se servido para introduzir suas imposições, tanto tributárias como sancionatórias. Assim, esclarece James Marins: "O auto de infração, no âmbito da Receita Federal e a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD), utilizada pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), são espécies de documentos fiscais elaborados pela Administração para corporificar atos de imposição. O auto de infração ou a NFLD frequentemente engloba no mesmo suporte físico vários atos impositivos referentes a diversas relações jurídicas, ora não sancionatórias, como o lançamento, ou relações jurídicas sancionatórias, como aplicação de multa por Paulo de Barros Carvalho, na mesma vertente, noticia o uso do auto de infração como peça portadora não só do ato de imposição de penalidade: Em súmula, dois atos administrativos, ambos introdutores de norma individual e concreta no ordenamento positivo: um, de Fl. 299DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10314.013371/201051 Acórdão n.º 3803006.633 S3TE03 Fl. 297 7 lançamento, produzindo regra cujo antecedente é fato lícito e o consequente uma relação jurídica de tributo; outro, o auto de infração, veiculando u'a norma que tem, no suposto, a descrição de um delito e, no consequente, a instituição de liame jurídico sancionatório, cujo conteúdo da prestação tanto pode ser um valor pecuniário (multa) como uma conduta de fazer ou não fazer. Tudo seria simples, realmente, se o auto de infração apenas conduzisse para o ordenamento a mencionada regra individual e concreta que mencionei. Nem sempre é assim. Que, de vezes, sob a epígrafe "auto de infração", deparamonos com dois atos: um de lançamento, exigindo o tributo devido; outro, de aplicação de penalidade, pela circunstância de o sujeito passivo não ter recolhido, em tempo hábil, a quantia pretendida pela Fazenda. Dáse a conjunção, num único instrumento material, sugerindo até possibilidades híbridas. Mera aparência. Não deixam de ser normas jurídicas distintas postas por expedientes que, por motivos de comodidade administrativa estão reunidas no mesmo suporte físico. Pela frequência com que ocorrem essas conjunções, falam alguns, em "auto de infração" em sentido largo (dois atos no mesmo instante) e "auto de infração"stricto sensu", para denotar a peça portadora de norma individual e concreta de aplicação de penalidade a quem cometeu ilícito tributário. A lição acima destaca a natureza distinta dos atos administrativos do lançamento e da imposição sancionatória e a decorrente autonomia destes. Uma vez autônomos e, via de regra, postos no mesmo instrumento de constituição das exigências, o Auto de Infração, não se deve ver inadequação se vier veicular apenas um desses atos: a formalização da relação jurídica tributária tendente a prevenir decadência, mesmo que inexista a penalidade. Pelo exposto, rejeito a preliminar. Mérito Da incidência dos tributos na importação, em face de imunidade Travase no processo judicial nº 2004.61.00.0289717 discussão sobre a in/existência de relação jurídica tributária que obrigue a Recorrente ao pagamento de tributos tais como os lançados no presente Auto de Infração , que não estejam classificados no rol dos impostos obre o patrimônio, na acepção restrita que dá a Fazenda a esta classe de tributos. Corroboro o entendimento já assentado na decisão recorrida, segundo o que este debate não pode ser travado no âmbito deste processo administrativo. O provimento que aqui se der ou negar tornarseá sem efeito ante decisão superveniente em rumo diverso no aludido processo. Logo, de raso, devese aplicar a Súmula CARF nº 1, eis que presente a conexão de matérias[2]. 2 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, Fl. 300DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 Pedido de intimação no endereço do advogado Quanto a este pedido, no rito do Processo Administrativo Fiscal não há respaldo legal para que a Administração Tributária efetue as intimações na pessoa e no domicílio do advogado constituído pelo contribuinte. Este entendimento é assente nos julgamentos no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). O princípio do informalismo é próprio do processo administrativo, e nesse pressuposto os administrados detêm a capacidade de postular, sendo facultativa a representação por advogado. Em observância das disposições do art. art. 23 do Decreto nº 70.235/72, as intimações devem ser feitas diretamente ao administrado, em seu domicílio tributário, não implicando em nulidade do acórdão o desatendimento deste pleito da Contribuinte: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. [...] § 2° Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; III se por meio eletrônico: a) 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; b) na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alínea a; ou c) na data registrada no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; IV 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Fl. 301DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10314.013371/201051 Acórdão n.º 3803006.633 S3TE03 Fl. 298 9 § 3o Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. § 5o O endereço eletrônico de que trata este artigo somente será implementado com expresso consentimento do sujeito passivo, e a administração tributária informarlheá as normas e condições de sua utilização e manutenção. § 6o As alterações efetuadas por este artigo serão disciplinadas em ato da administração tributária. [grifos aqui] Pelo exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração; por não conhecer do recurso quanto à matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário. (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 302DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 10166.008756/2010-48
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Dec 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
IRPF. RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE. APLICAÇÃO DO REGIME DE COMPETÊNCIA.
O Imposto de Renda incidente sobre os rendimentos pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2801-003.865
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para cancelar a exigência fiscal. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin Presidente.
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Flavio Araujo Rodrigues Torres, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2009 IRPF. RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE. APLICAÇÃO DO REGIME DE COMPETÊNCIA. O Imposto de Renda incidente sobre os rendimentos pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para cancelar a exigência fiscal. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Flavio Araujo Rodrigues Torres, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
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RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE. APLICAÇÃO DO REGIME DE COMPETÊNCIA. O Imposto de Renda incidente sobre os rendimentos pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para cancelar a exigência fiscal. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Presidente. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Flavio Araujo Rodrigues Torres, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 00 87 56 /2 01 0- 48 Fl. 181DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 09/ 12/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIER RE Processo nº 10166.008756/201048 Acórdão n.º 2801003.865 S2TE01 Fl. 182 2 Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 3a Turma da DRJ/BSB (Fls. 141), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Contra o contribuinte em epígrafe foi emitida Notificação de Lançamento do Imposto de Renda da Pessoa Física – IRPF (fls. 59/64), referente ao exercício 2009, anocalendário 2008, por Auditor Fiscal da Receita Federal, da DRF/BrasíliaDF. Após a revisão da Declaração foi apurado: 1 Imposto a Restituir Apurado na Declaração após a Revisão 33.695,37 2 – Imposto já Restituído 0,00 3 – Saldo do Imposto a Restituir Ajustado (12) 33.695,37 O lançamento acima foi decorrente das seguintes infrações: Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica Decorrentes de Ação Trabalhista. Da análise das informações e documentos apresentados pelo contribuinte, e das informações constantes dos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, constatouse omissão de rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente em virtude de processo judicial trabalhista, no valor de R$189.814,62. Na apuração do imposto devido, foi compensado Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF sobre os rendimentos omitidos no valor de R$0,00. Enquadramento legal nos autos. O contribuinte apresenta impugnação (fls. 01/02), acompanhada da documentação, na qual, em síntese, expõe os motivos de fato e de direito que se seguem: O contribuinte não concorda com a tributação dos rendimentos decorrentes do precatório n. 449/1994, recebidos em 2008, eis que, no ano do recebimento, já se encontrava aposentado. Em fevereiro de 2010, o contribuinte foi considerado portador de Cardiopatia grave, desde abril de 1998, fazendo jus à isenção de imposto de renda, retroativa a 02/04/1998. Além disso, a tributação recaiu também sobre os juros, o que é vedado por lei. Portanto, como referido numerário só integrou o patrimônio do contribuinte em 2007, não pode ser tributado em razão de, na data do recebimento e disponibilidade econômica e jurídica art. 43 do CTN já ser aposentado e isento. Nesse sentido tem decidido a Justiça Federal e o STJ (Apelação Cível 378554/PE, TRF 5a Região e STJ RESP 872095PE). Fl. 182DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 09/ 12/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIER RE Processo nº 10166.008756/201048 Acórdão n.º 2801003.865 S2TE01 Fl. 183 3 Mesmo que se retroaja à data dos salários ou do precatório (1994), já teria ocorrido a decadência/prescrição. Assim, impugna o lançamento efetuado e requer a isenção de tributos sobre o precatório e seus juros. O processo foi baixado em diligência (fls. 68/69), pois, na descrição da infração (fls. 69/74), há menção de documentos diversos, relacionados à infração de Omissão de Rendimentos Tributáveis decorrentes de Decisão da Justiça do Trabalho, no valor de R$189.814,62, da Ação Trabalhista nº 001620063.1986.5.10.004, Precatório nº 449/1994, impetrada contra a FHDF, CNPJ Nº 00.394.68400153, recebidos no ano calendário 2008. Ao compulsar os autos, verificouse que não estavam presentes os documentos que serviram de base para a apuração das infrações e diante das flagrantes divergências entre os valores declarados pelo contribuinte, as informações encaminhadas em DIRF pela fonte pagadora e as que serviram como fundamento para a autuação, retornou o processo à Delegacia de origem para: • Que fosse juntado aos autos o dossiê completo porventura lá arquivado, contendo os documentos que serviram de base à autuação, contendo as provas do contribuinte e da Secretaria de Educação, com a descrição pormenorizada das parcelas tributáveis, isentas, nãotributáveis, bem como o Imposto de Renda Retido na Fonte; • Que fosse intimado o contribuinte a apresentar a Memória de Cálculo Judicial, ou outro documento correlato emitido pela Justiça, onde esteja indicado, pormenorizadamente, o(s) período(s) a que correspondem os valores recebidos da ação judicial. Como resultado da diligência supracitada, foram juntados o dossiê fiscal, resposta e documentos do contribuinte (fls. 71/156). Passo adiante, a 3ª Turma da DRJ/BSB entendeu por bem julgar a impugnação improcedente, em decisão que restou assim ementada: MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. NÃO RECONHECIMENTO. Somente é reconhecida a isenção do imposto de renda aos contribuintes, quando preenchidos todos os requisitos exigidos na legislação tributária. Pelo extrato de acompanhamento do SEDEX às fls. 169, o Recorrente deve ter sido Cientificado em 21/03/2012, embora não conste a cópia da carta AR assinada, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 13/04/2012 (fls. 170 e 173), reforçando os argumentos usados quando da impugnação e alegando em síntese: (...) Fl. 183DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 09/ 12/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIER RE Processo nº 10166.008756/201048 Acórdão n.º 2801003.865 S2TE01 Fl. 184 4 A persistir tal entendimento, é de se verificar que estão sendo usados dois pesos e duas medidas para indeferir a impugnação, eis que, se o regime é o de caixa, à época do recebimento 2008 o contribuinte já era aposentado e isento de recolhimento de imposto de renda, por ser portador de cardiopatia grave, conforme fartos documentos juntados aos autos, razão bastante para ser isentado do recolhimento também desse imposto. Desta forma, insiste o contribuinte em que, ou se retroage ao tempo do reconhecimento do crédito ou dos meses dos salários devidos e aí já teria ocorrido a decadência/prescrição . ou se considera o regime de caixa e aí teria ocorrido a isenção. O contribuinte comprovou que está aposentado desde 23 de março de 1994 e que em fevereiro de 2010 foi considerado portador de cardiopatia grave, fazendo jus à isenção de imposto de renda, retroativa a 02 de abril de 1998 ( data da doença), conforme farta documentação comprobatória, entregue pessoalmente pelo contribuinte à Receita Federal, a qual instruiu a notificação ora questionada. Consoante o CTN, o fato gerador da obrigação principal é a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência. Portanto, como referido numerário só integrou o patrimônio do contribuinte em 2008,não pode ser tributado em razão de, NA DATA DO RECEBIMENTO E DISPONIBILIDADE ECONÔMICA E JURÍDICA art. 43 do CTN , JÁ SER APOSENTADO E ISENTO. Nesse sentido tem decidido a Justiça Federal e o STJ (Apelação Cível 378554/PE, TRF 5a Região e STJ RESP 872095PE). Por outro lado, é de se observar que a tributação recaiu indevidamente sobre os juros do montante reclamado na ação trabalhista, conforme se infere da decisão a quo, que teve como parâmetro para os cálculos a certidão 067/2010, juntada aos autos, na qual consta o valor de R$ 601.347,40 de juros. Nesse sentido, o STJ já pacificou ser indevida a tributação sobre tais juros, (...) É o relatório. Voto Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. Conforme se verifica nos autos, o litígio se refere apenas ao lançamento relativo aos rendimentos recebidos acumuladamente, em razão de ação trabalhista intentada contra a Fundação Hospitalar do Distrito Federal, no valor de R$ 189.814,62. Fl. 184DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 09/ 12/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIER RE Processo nº 10166.008756/201048 Acórdão n.º 2801003.865 S2TE01 Fl. 185 5 Também observo que a fiscalização realizou o lançamento utilizando o regime de caixa e não o de competência, conforme regra estabelecida no art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988. Ocorre que o Superior Tribunal de Justiça, em recurso repetitivo, firmou o entendimento de que, no caso de recebimento acumulado de valores, decorrente de ações trabalhistas, revisionais, e etc., o Imposto de Renda da Pessoa Física – IRPF não deve ser calculado por regime de caixa, mas sim por competência; obedecendose as tabelas, as alíquotas, e os limites de isenção de cada competência (mês a mês). Processo: REsp 1118429 / SP RECURSO ESPECIAL 2009/00557226 Relator: Ministro Herman Benjamin (1132) ÓRGÃO JULGADOR: S1 – PRIMEIRA SEÇÃO Data do julgamento: 24/03/2010 Data da Publicação/Fonte: DJe 14/05/2010 Ementa TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008. Acórdão Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça: "A Seção, por unanimidade, negou provimento ao recurso especial, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator." Os Srs. Ministros Mauro Campbell Marques, Benedito Gonçalves, Hamilton Carvalhido, Eliana Calmon, Luiz Fux, Castro Meira e Humberto Martins votaram com o Sr. Ministro Relator. Ausente, justificadamente, a Sra. Ministra Denise Arruda. Notas: Julgado conforme procedimento previsto para os Fl. 185DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 09/ 12/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIER RE Processo nº 10166.008756/201048 Acórdão n.º 2801003.865 S2TE01 Fl. 186 6 Recursos Repetitivos no âmbito do STJ. Tal entendimento é de aplicação obrigatória pelos Conselheiros do CARF, conforme disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações das Portarias MF nºs 446, de 27 de agosto de 2009, e 586, de 21 de dezembro de 2010, in verbis: Artigo 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Por oportuno, esclareço que o Superior Tribunal de Justiça, em inúmeras recentes decisões, tem entendido que o recurso repetitivo se aplica, inclusive quando o rendimento acumulado é oriundo de ação trabalhista; conforme se verifica neste julgado: Data da Publicação12/02/2014 AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL Nº 465.580 SE (2014/00135374) RELATOR : MINISTRO ARNALDO ESTEVES LIMA AGRAVANTE : FAZENDA NACIONAL ADVOGADO : PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL AGRAVADO : MARCOS ANTONIO MOURA SALES ADVOGADOS : WILLIAM DE OLIVEIRA CRUZ ANTÔNIO JOSÉ LIMA JÚNIOR DECISÃO Tratase de agravo interposto de decisão que não admitiu recurso especial manifestado pela FAZENDA NACIONAL, com base no art. 105, III, a, da Constituição Federal, contra acórdão proferido pelo Tribunal Regional Federal da 5ª Região assim ementado (fl. 117e): TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. VERBA TRABALHISTA RECEBIDA JUDICIALMENTE DE FORMA ACUMULADA. INCIDÊNCIA EM CADA COMPETÊNCIA. O STJ pacificou o entendimento segundo o qual "(...) quando o pagamento dos benefícios previdenciários é feito de forma acumulada e com atraso, a incidência do Imposto de Renda deve ter como parâmetro o valor mensal do benefício, e não o montante integral creditado extemporaneamente, além de observar as tabelas e as alíquotas vigentes à época em que deveriam ter sido pagos. Fl. 186DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 09/ 12/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIER RE Processo nº 10166.008756/201048 Acórdão n.º 2801003.865 S2TE01 Fl. 187 7 Precedente do STJ, em sede de recursos repetitivos (STJ. 1ª Seção. Rel. Min. Herman Benjamin. Resp 1118429. DJ, 14/05/10). "Não se pode prejudicar o contribuinte que, em virtude do atraso do empregador, recebeu um valor acumulado, quando deveria ter percebido mensalmente os valores devidos. Destarte, as alíquotas a incidirem no tributo devem levar em conta as parcelas mensais que deveriam ser pagas, e não o valor cumulado." (TRF 5ª Região. 2ª Turma. APELREEX 15694. DJ, 31/03/11). Remessa oficial e apelação da Fazenda Nacional improvidas. Opostos embargos de declaração (fls. 121/122e), foram rejeitados (fls. 124/129e). Nas razões do especial, sustenta a agravante, em resumo, que "A aplicação da alíquota oriunda da tabela do imposto de renda na fonte sobre rendimentos recebidos cumulativamente em um mesmo mês não significa alteração de alíquota, muito menos por meio de artifício, mas da tributação pura e simples dos rendimentos efetivamente recebidos em determinado mês, aplicandose o princípio constitucional da progressividade para o imposto sobre a renda" (fl. 136e). Pugna pela reforma do julgado. Sem contra razões e inadmitido o recurso especial na origem (fls. 146/147e), fora interposto o presente agravo. Decido. Inicialmente, verifico que a parte recorrente não indicou, nas razões de seu recurso especial, qual dispositivo de lei teria sido violado pelo acórdão recorrido. Assim, nos termos da jurisprudência pacífica deste Tribunal, a indicação de violação genérica a lei federal, sem particularização precisa dos dispositivos violados, implica deficiência de fundamentação do recurso especial, atraindo a incidência da Súmula 284/STF. Neste sentido: AgRg no AG 586.236/RJ, Rel. Min. HAMILTON CARVALHIDO, Sexta Turma, DJ 1º/7/05. Ainda que assim não fosse, quanto ao mérito, o recurso não merece acolhimento, uma vez que a pretensão recursal está em desconformidade com a jurisprudência desta Corte, formalizada, inclusive, sob a sistemática do julgamento dos recursos repetitivos. Sobre o tema. Confirase: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. Fl. 187DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 09/ 12/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIER RE Processo nº 10166.008756/201048 Acórdão n.º 2801003.865 S2TE01 Fl. 188 8 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008 (Resp 1.118.429/SP, Rel. Min. HERMAN BENJAMIN, Primeira Seção DJe 14/5/10) TRIBUTÁRIO IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA – BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO PAGO EM ATRASO REGIME DE COMPETÊNCIA – RESP 1.118.429/SP JULGADO SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC – REPERCUSSÃO GERAL SOBRESTAMENTO DO FEITO IMPOSSIBILIDADE RESERVA DE PLENÁRIO INAPLICABILIDADE. 1. Nos termos da jurisprudência da Primeira Seção desta Corte, a incidência do imposto de renda sobre o pagamento de benefício previdenciário pago a destempo e acumuladamente, deve observar as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, considerandose a renda auferida mês a mês pelo segurado. (REsp 1.118.429/SP, Rel. Min. Herman Benjamin, Primeira Seção, DJe 14/5/2010). 2. O reconhecimento de repercussão geral em recurso extraordinário não implica direito ao sobrestamento de recursos no âmbito do Superior Tribunal de Justiça. Precedentes. 3. "Decidida a questão jurídica sob o enfoque da legislação federal, sem qualquer juízo de incompatibilidade vertical com a Constituição Federal, é inaplicável a regra da reserva de plenário prevista no art. 97 da Carta Magna." (AgRg no REsp 1.313.077/SC, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, DJe 13/06/2013) 4. Agravo regimental a que se nega provimento (AgRg no AREsp 269.125/RS, Rel. Min. SÉRGIO KUKINA, Primeira Turma, DJe 19/8/13) Incide, pois, o verbete sumular 83/STJ, aplicável, também, aos recursos interpostos pela alínea a do permissivo constitucional. Ante o exposto, conheço do agravo para negarlhe provimento. Intimemse. Brasília (DF), 10 de fevereiro de 2014. MINISTRO ARNALDO ESTEVES LIMA Relator Ainda, no Resp 783.724/RS Recurso Especial 2005/01589590, Relator Ministro Castro Meira, data do julgamento em 15/08/2006, o Relator bem demonstra que a aplicação da interpretação que deve ser dada ao artigo 12 da Lei nº 7.713/1988, em relação à Fl. 188DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 09/ 12/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIER RE Processo nº 10166.008756/201048 Acórdão n.º 2801003.865 S2TE01 Fl. 189 9 forma de apurar o valor do tributo incidente sobre rendimentos recebidos acumuladamente, não se distingue em relação ao motivo da demora no recebimento, sejam benefícios previdenciários, onde a fonte pagadora seria o INSS, ou verbas trabalhistas, com fonte pagadora privada, citando, indiscriminadamente, como fundamento para decidir, uma e outra situação. Transcrevo do Voto: (...) O artigo 12 da Lei 7.713/88 dispõe que o imposto de renda é devido na competência em que ocorre o acréscimo patrimonial (art. 43 do CTN), ou seja, quando o respectivo valor se tornar disponível para o contribuinte. Prevê o citado dispositivo: "Art. 12. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá, no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos, diminuídos do valor das despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização." O dispositivo citado não fixa a forma de cálculo, mas apenas o elemento temporal da incidência. Assim, no caso de rendimentos pagos acumuladamente em cumprimento de decisão judicial, a incidência do imposto ocorre no mês de recebimento, como dispõe o art. 12 da Lei 7.713/88, mas o cálculo do imposto deverá considerar os meses a que se referirem os rendimentos. Nesse sentido, há inúmeros precedentes de ambas as Turmas de Direito Público, como se observa das seguintes ementas(...) (sublinhei) Considerando que a jurisprudência do Tribunal Superior, a quem compete promover a interpretação última da lei federal, já se posicionou pela forma como deve ser interpretado o art. 12 da Lei nº 7.713/1988, esclarecendo que não se trata de negarlhe aplicação ou muito menos de conferirlhe inconstitucionalidade, verifico então que existe erro de cunho material na apuração do montante devido, por aplicação incorreta da legislação, destoante de interpretação dada pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de Recurso Especial. Assim, tendo o lançamento sido fundamentado regra estabelecida no art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, é dever julgálo improcedente. Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por dar provimento ao recurso para cancelar a exigência fiscal. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 189DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 09/ 12/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIER RE Processo nº 10166.008756/201048 Acórdão n.º 2801003.865 S2TE01 Fl. 190 10 Fl. 190DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 09/ 12/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIER RE
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Numero do processo: 10855.907031/2012-38
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Feb 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 30/12/2008
SIMPLES. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. RETENÇÃO. RESTITUIÇÃO. REQUISITOS.
O pedido de restituição de tributos retidos e recolhidos indevidamente cabe a pessoa jurídica que de fato assumiu o ônus da exação.
Numero da decisão: 1802-002.458
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. O conselheiro José de Oliveira Ferraz Correa vai apresentar declaração de voto para expor suas razões quanto a negativa.
(assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Correa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gustavo Junqueira Carneiro Leão - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Darci Mendes de Carvalho Filho, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Henrique Heiji Erbano, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel. Ausente justificadamente o conselheiro Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira.
Nome do relator: GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO
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PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. RETENÇÃO. RESTITUIÇÃO. REQUISITOS. O pedido de restituição de tributos retidos e recolhidos indevidamente cabe a pessoa jurídica que de fato assumiu o ônus da exação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. O conselheiro José de Oliveira Ferraz Correa vai apresentar declaração de voto para expor suas razões quanto a negativa. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Correa Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Darci Mendes de Carvalho Filho, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Henrique Heiji Erbano, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel. Ausente justificadamente o conselheiro Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 90 70 31 /2 01 2- 38 Fl. 95DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10855.907031/201238 Acórdão n.º 1802002.458 S1TE02 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto (SP), que por unanimidade de votos julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela ora Recorrente. Por economia processual passo a adotar o suscinto relatório elaborado pela DRJ, in verbis: “Tratase de Pedido de Restituição das contribuições sociais retidos na fonte por ocasião de pagamento de serviços de terceiros. Na fundamentação do Despacho Decisório que indeferiu o Pedido, consta: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição (...) Diante da inexistência do crédito, INDEFIRO o Pedido de Restituição. Cientificada, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade alegando, em síntese, que: o crédito, cuja restituição se pretende decorrente de retenção indevida praticada pela Impugnante referente a serviço prestado por pessoa jurídica optante do SIMPLES Nacional, nos termos em que instituído pela Lei Complementar nº 123/2006. ... Consoante relatado e conforme comprovam os respectivos documentos fiscais, a Impugnante contratou a prestação de serviços da pessoa jurídica de direito privado ‘Guarapuã Florestal Ltda – EPP’ (...). Com base nas disposições do Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99 e da Lei nº 10.833/2003, a Impugnante é obrigada a reter os valores concernentes ao imposto de renda e às contribuições sociais CSLL, PIS e COFINS Fl. 96DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10855.907031/201238 Acórdão n.º 1802002.458 S1TE02 Fl. 4 3 incidentes sobre as operações e repassálos (...) na condição de substituta tributária. Todavia, a Impugnante constatou posteriormente que a pessoa jurídica substituída fornecedora dos serviços contratados à época dos fatos geradores ora considerados, era optante do Simples Nacional, instituído pela Lei Complementar nº 123/2006, situação em que permaneceu no período de 11/07/2008 a 31/12/2011, como bem comprovam os documentos inclusos. ... Por esta peculiar sistemática, o adimplemento dos mencionados tributos dáse de modo unificado, por meio de uma alíquota única, ao encargo da pessoa jurídica optante do SIMPLES, o que indelevelmente a desonera as empresas porventura obrigadas às retenções de IRPJ, PIS, COFINS e CSLL, como a Impugnante, a assim procederem. ... Nesta esteira, a retenção praticada pela Impugnante não teve sentido algum e o montante recolhido por ela por ocasião da operação retratada notadamente constitui indébito, cuja restituição se justifica (...).” A DRJ de Ribeirão Preto (SP) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, consubstanciando sua decisão na seguinte ementa: “ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Data do fato gerador: 30/12/2008 SIMPLES. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. RETENÇÃO. RESTITUIÇÃO. REQUISITOS. Ainda que indevida a retenção de tributos devidos por prestadora de serviços optante pelo Simples, a restituição de valores depende da demonstração da assunção do ônus tributário por parte da tomadora dos serviços que efetuou as retenções por ocasião do pagamento das respectivas notas fiscais, sem o que esta última não preenche os requisitos para que lhe sejam restituídos os valores eventual e indevidamente recolhidos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Dessa decisão da qual tomou ciência em 29/10/2013, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário em 27/11/2013. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10855.907031/201238 Acórdão n.º 1802002.458 S1TE02 Fl. 5 4 No Recurso faz arrazoado sobre os motivos pelo qual o acórdão exarado pela DRJ não deve prosperar, reiterando em seguida as alegações feitas por ocasião da sua manifestação de inconformidade e, no fim, pugnando pelo provimento do seu Recurso Voluntário, eis que tem autorização expressa da empresa para a qual o encargo foi transferido para pleitear a devolução do indébito. Este é o Relatório. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10855.907031/201238 Acórdão n.º 1802002.458 S1TE02 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, pelo que dele tomo conhecimento. A análise feita sobre o pedido apresentado pela contribuinte se deu no âmbito do processamento eletrônico de declarações, meio legítimo e eficiente de verificação dos pleitos formalizados pelos sujeitos passivos, também de forma eletrônica, em busca dos créditos que entendem possuir contra a Fazenda Pública. Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. Especialmente nos processos iniciados pelo Contribuinte, como o aqui analisado, há toda uma dinâmica na apresentação de elementos de prova, uma vez que a Administração Tributária se manifesta sobre esses elementos quando profere os despachos e decisões com caráter terminativo, e não em decisões interlocutórias, de modo que não é incomum a carência de prova ser suprida nas instâncias seguintes. É por isso também que antes de proferir o despacho decisório, ainda na fase de auditoria fiscal, pode e deve a Delegacia de origem inquirir o Contribuinte, solicitar os meios de prova que entende necessários, diligenciar diretamente em seu estabelecimento (se for o caso), enfim, buscar todos os elementos fáticos considerados relevantes para que na sequ ência, na fase litigiosa do procedimento administrativo (fase processual), as questões envolvam mais a aplicação das normas tributárias e não propriamente a prova de fatos. Desse modo, para a homologação desse crédito a Administração Fazendária solicitou que o contribuinte juntasse ao seu pedido a documentação contábil que deu suporte ao preenchimento ao pedido de restituição. A Recorrente por ocasião de sua Manifestação de Inconformidade juntou: a) consulta feita na internet em que consta a informação de que a empresa Guarapuã Florestal Ltda – ME estaria compreendida no Simples no período de 11/07/2008 a 31/12/2011, o que abarca os pagamentos tidos por indevidos. b) notas fiscais emitidas pela prestadora de serviços nas quais estão destacadas as parcelas referentes aos tributos que teriam sido indevidamente retidos. Os valores segundo análise da DRJ são compatíveis com o montante do crédito inscrito no Pedido de Restituição. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10855.907031/201238 Acórdão n.º 1802002.458 S1TE02 Fl. 7 6 c) documento endereçado à contribuinte, no qual consta a seguinte solicitação: “GUARAPUÃ FLORESTAL LTDA – EPP, cadastrada no CNPJ sob o nº 10.296.543/000151, estabelecida à Rua Ruy Barbosa, nº 685 – Centro, município de Buri/SP, vem solicitar através desta a restituição de imposto descontado indevidamente em notas fiscais devido empresa ser optante do SIMPLES NACIONAL, conf. Demonstrativo abaixo” Com isso a Recorrente requer a restituição de apenas uma parcela do valor recolhido por meio do DARF inscrito no Pedido, razão pela qual não foi possível a verificação, a partir dos valores, da exata composição do DARF de forma a aferir se o valor recolhido corresponde efetivamente ao tido por indevido. Uma demonstração da composição do DARF seria indispensável para a efetiva comprovação da inclusão dos valores eventualmente indevidos nos recolhimentos efetuados. Seria caso de baixar esse processo em diligência, caso a Recorrente não viesse reiteradamente se evadindo em demonstrar que de fato assumiu o ônus do tributo retido da prestadora de serviço indevidamente. Pelo contrário, deu todos os indícios, inclusive com a declaração da empresa Guarapuã Florestal Ltda – EPP, que não assumiu o ônus, mas que apenas se prendeu a parte final do CTN, artigo 166, onde mediante autorização de quem sofreu o ônus do tributo, haveria a possibilidade de efetuar o pedido de restituição em nome próprio. Art. 166. A restituição de tributos que comportem, por sua natureza, transferência do respectivo encargo financeiro somente será feita a quem prove haver assumido o referido encargo, ou, no caso de têlo transferido a terceiro, estar por este expressamente autorizado a recebêla. Nesse sentido a Lei nº 9.430/96, art, 74, § 12, II, “a” veda expressamente a trasferência de créditos tributários para terceiros. A esse respeito já há jurisprudência consolidada, senão vejamos: "TRIBUTÁRIO – COMPENSAÇÃO DE TRIBUTOS TRANSFERÊNCIA DE CRÉDITOS A TERCEIROS – LEI 9.430/96 – IN SRF 21/97 E 41/2000 – LEGALIDADE. A Lei 9.430/96 permitiu que a Secretaria da Receita Federal, atendendo a requerimento do contribuinte, autorizasse a utilização de créditos a serem restituídos ou ressarcidos para a quitação de quaisquer tributos e contribuições sob sua administração. O art. 15 da IN 21/97, permitiu a transferência de créditos do contribuinte que excedessem o total de seus débitos, o que foi posteriormente proibido com o advento da IN 41/2000 (exceto se se tratasse de débito consolidado no âmbito do REFIS) e passou a constar expressamente do art. 74, § 12, II, "a" da Lei 9.430/96. Dentro do poder discricionário que lhe foi outorgado, a Secretaria da Receita Federal poderia alterar os critérios da compensação, sem que isso importe em ofensa à Lei Fl. 100DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10855.907031/201238 Acórdão n.º 1802002.458 S1TE02 Fl. 8 7 9.430/96. (REsp 677874/PR Ministra ELIANA CALMON DJ 24.04.2006)". A autorização de restituição a quem não teve o ônus seria o mesmo que a Administração Fazendária anuir com o enriquecimento ilícito ou sem causa, também denominado enriquecimento indevido, ou locupletamento, pois configuraria aumento patrimonial sem causa jurídica, ou o que se perderia sem causa legítima. Isso porque em momento algum está estabelecido que o produto da restituição será repassado a quem teve o ônus. Nesse sentido prescreve o Código Civil: “Art. 884. Aquele que, sem justa causa, se enriquecer à custa de outrem, será obrigado a restituir o indevidamente auferido, feita a atualização dos valores monetários. Parágrafo único. Se o enriquecimento tiver por objeto coisa determinada, quem a recebeu é obrigado a restituíla, e, se a coisa não mais subsistir, a restituição se fará pelo valor do bem na época em que foi exigido.” Isso porque a despesa já incorrida foi integralmente registrada em conta de resultado atribuida ao fornecedor, sendo sua contrapartida registrada em conta de passivo, uma parte devida ao fornecedor e o restante em tributos retidos de terceiro. A recuperação do crédito tributário daria ensejo ao registro em conta redutora de passivo com a contrapartida em caixa / bancos. Essa prática daria ensejo a obteção de uma receita decorrente da cessão de créditos tributários, essa vedada pela legislação ora em vigor, sem qualquer tributação. No presente caso, havendo crédito tributário a ser restituído, caberia somente a empresa GUARAPUÃ FLORESTAL LTDA – EPP, contribuinte do tributo para solicitar a restituição. Sendo assim, resta claro que a parte final do caput do art. 166 do CTN deve ser interpretado de acordo com o restante do sistema jurídico que rege a matéria, em especial os citados anteriormente. Por oportuno cabe salientar ainda que se trata apenas de “Pedido de Restituição”, pois em caso de “Pedido de Compensação” a Recorrente estaria sujeita à multa correspondente a compensação não declarada, nos termos do diploma legal supra citado. Por todo o exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso, mantendo a decisão da delegacia de origem. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Fl. 101DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10855.907031/201238 Acórdão n.º 1802002.458 S1TE02 Fl. 9 8 Declaração de Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa. Faço a presente declaração de voto para demonstrar os fundamentos que me levam a acompanhar o relator no não provimento do recurso voluntário. O art. 166 do Código Tributário Nacional – CTN, trazido à baila para o exame das questões suscitadas, guarda relação com a antiga classificação dos contribuintes em “contribuinte de direito” e “contribuinte de fato”. O chamado “contribuinte de fato”, na lógica dos tributos indiretos (p/ ex., IPI e ICMS), desimportante para o direito tributário num primeiro momento, adquire relevância nos casos de restituição de indébito, eis que de acordo com o referido artigo: Art. 166. A restituição de tributos que comportem, por sua natureza, transferência do respectivo encargo financeiro somente será feita a quem prove haver assumido o referido encargo, ou, no caso de têlo transferido a terceiro, estar por este expressamente autorizado a recebêla. O problema é que essa lógica não se aplica aos tributos retidos na fonte. Ocorrida a retenção de tributo e presente o respectivo beneficiário do pagamento que ensejou essa retenção, tal situação refoge ao campo do art. 166 do CTN. A fonte pagadora é encarregada de cumprir um dever administrativo (de reter e recolher o tributo), na condição de mero responsável, mas não ocupa a posição do chamado “contribuinte de direito” (que se perfaz na pessoa do fabricante, no caso do IPI, e do comerciante, no caso do ICMS). Tratandose de retenção na fonte, a condição de contribuinte, desde o início, cabe ao beneficiário do pagamento/rendimento, ou seja, àquele que sofreu a retenção do tributo, e é somente ele quem poderá reivindicar a repetição do tributo retido e que se configurou como indébito tributário. Nesse caso, a fonte pagadora não possui legitimidade para figurar no pólo ativo da repetição de indébito. Não se aplica aqui a autorização mencionada no art. 166 do CTN, eis que a situação seria de apropriação/aproveitamento de crédito de terceiro, o que não é admitido pela legislação (Lei nº 9430, art. 74), e a referida autorização não poderia servir a esse fim – transferência de direito creditório de um contribuinte para outro. Por essas razões, acompanho o relator e também nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 102DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10855.907031/201238 Acórdão n.º 1802002.458 S1TE02 Fl. 10 9 Fl. 103DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA
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Numero do processo: 13864.000243/2010-18
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jan 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2006, 2007, 2008
COFINS. INCIDÊNCIA. FATURAMENTO.
Constituem faturamento das Operadoras de Plano de Saúde (sejam ou não cooperativas), para efeito de incidência da COFINS, os valores cobrados a título de mensalidades/prestações dos clientes (beneficiários do plano de saúde), e das prestações de serviços médicos com sua rede própria (hospitais, clínicas, pronto socorros, ambulatórios, consultórios, etc.) por terceiros (pessoas físicas ou jurídicas, inclusive outras operadoras de saúde).
COFINS. OPERADORA DE PLANO DE SAÚDE. DEDUÇÕES DA BASE DE CÁLCULO.
A dedução prevista no art. 3o, § 9o, III da Lei no 9.718/1998 alcança não só não só os pagamentos efetuados por eventos realizados em associados de outras operadoras, mas também os pagamentos efetuados à rede credenciada e ao SUS (não congêneres), deduzido dos valores recebidos a título de transferência de responsabilidade.
Numero da decisão: 3403-003.124
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito de o contribuinte incluir na dedução prevista no inciso III do § 9o do art. 3o da Lei no 9.718/1998 não só os pagamentos efetuados em relação a associados de outras operadoras, mas também os pagamentos efetuados à rede credenciada e ao SUS (não congêneres), deduzidos dos valores recebidos a título de transferência de responsabilidade, não acatando a dedução de valores referentes a atendimento com a rede própria. Vencidos os Conselheiros Domingos de Sá Filho (relator) e Luiz Rogério Sawaya Batista. Designado o Conselheiro Rosaldo Trevisan. Apresentaram declarações de voto os Conselheiros Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti. Sustentou pela recorrente a Dra. Mirian Teresa Pascon, OAB/SP no 132.073.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Domingos de Sá Filho - Relator.
Rosaldo Trevisan - Redator designado.
Luiz Rogério Sawaya Batista
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho (relator), Rosaldo Trevisan (redator designado), Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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INCIDÊNCIA. FATURAMENTO. Constituem faturamento das Operadoras de Plano de Saúde (sejam ou não cooperativas), para efeito de incidência da Contribuição para o PIS/PASEP, os valores cobrados a título de mensalidades/prestações dos clientes (beneficiários do plano de saúde), e das prestações de serviços médicos com sua rede própria (hospitais, clínicas, pronto socorros, ambulatórios, consultórios, etc.) por terceiros (pessoas físicas ou jurídicas, inclusive outras operadoras de saúde). CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. OPERADORA DE PLANO DE SAÚDE. DEDUÇÕES DA BASE DE CÁLCULO. A dedução prevista no art. 3o, § 9o, III da Lei no 9.718/1998 alcança não só não só os pagamentos efetuados por eventos realizados em associados de outras operadoras, mas também os pagamentos efetuados à rede credenciada e ao SUS (não congêneres), deduzido dos valores recebidos a título de transferência de responsabilidade. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2006, 2007, 2008 COFINS. INCIDÊNCIA. FATURAMENTO. Constituem faturamento das Operadoras de Plano de Saúde (sejam ou não cooperativas), para efeito de incidência da COFINS, os valores cobrados a título de mensalidades/prestações dos clientes (beneficiários do plano de saúde), e das prestações de serviços médicos com sua rede própria (hospitais, clínicas, pronto socorros, ambulatórios, consultórios, etc.) por terceiros (pessoas físicas ou jurídicas, inclusive outras operadoras de saúde). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 86 4. 00 02 43 /2 01 0- 18 Fl. 366DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 10/12/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por R OSALDO TREVISAN 2 COFINS. OPERADORA DE PLANO DE SAÚDE. DEDUÇÕES DA BASE DE CÁLCULO. A dedução prevista no art. 3o, § 9o, III da Lei no 9.718/1998 alcança não só não só os pagamentos efetuados por eventos realizados em associados de outras operadoras, mas também os pagamentos efetuados à rede credenciada e ao SUS (não congêneres), deduzido dos valores recebidos a título de transferência de responsabilidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito de o contribuinte incluir na dedução prevista no inciso III do § 9o do art. 3o da Lei no 9.718/1998 não só os pagamentos efetuados em relação a associados de outras operadoras, mas também os pagamentos efetuados à rede credenciada e ao SUS (não congêneres), deduzidos dos valores recebidos a título de transferência de responsabilidade, não acatando a dedução de valores referentes a atendimento com a rede própria. Vencidos os Conselheiros Domingos de Sá Filho (relator) e Luiz Rogério Sawaya Batista. Designado o Conselheiro Rosaldo Trevisan. Apresentaram declarações de voto os Conselheiros Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti. Sustentou pela recorrente a Dra. Mirian Teresa Pascon, OAB/SP no 132.073. Antonio Carlos Atulim Presidente. Domingos de Sá Filho Relator. ROSALDO TREVISAN Redator designado. Luiz Rogério Sawaya Batista Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho (relator), Rosaldo Trevisan (redator designado), Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti. Relatório Tratase Recurso Voluntário interposto visando modificar a decisão de piso que manteve na integra o lançamento exigindo Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) e ao Programa de Integração Social (PIS), formalizada no auto de infração de fls. 144/178, relativos aos fatos geradores do período de 01.01.2006 a 31.12.2008. Cuidase de operadora de planos de assistência à saúde, cuja acusação é de que houve deduções indevidas de despesas operacionais da receita bruta que compõe à base de cálculo na apuração do PIS e da COFINS, estranhas àquelas permitidas pela norma do § 9o do Fl. 367DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 10/12/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por R OSALDO TREVISAN Processo nº 13864.000243/201018 Acórdão n.º 3403003.124 S3C4T3 Fl. 367 3 art. 3o da Lei no 9.718/98, coresponsabilidade cedidas; a parcela das contraprestações pecuniárias destinadas à constituição de provisões técnicas e o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pagos, deduzidos das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades. Diz o agente fiscal que o procedimento indevido encontra na dedução total de despesas e custos relativamente ao atendimento dos clientes da recorrente e de outras operadoras em rede própria: “Verificase assim que, nos anos de 2006 e de 2007, a título de "indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pagos, deduzidos das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades", a empresa efetuou deduções correspondentes a todos os pagamentos que fez a hospitais, médicos, clínicas, laboratórios e outros profissionais da saúde “associados ao plano de saúde Policlin, S/A pelos atendimentos por eles feitos tanto aos conveniados com o próprio plano de saúde Policlin S/A, como aos conveniados com outras operadoras transferidos para o plano de saúde Policlin S/A.”. 2.1.13. Verificase também que, no ano de 2008, a titulo de "indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pagos, deduzidos das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades", a empresa, além de efetuar deduções correspondentes a todos os pagamentos que fez a hospitais, médicos, clínicas, laboratórios e outros profissionais da saúde associados ao plano de saúde Policlin S/A pelos atendimentos por eles feitos tanto aos conveniados com o próprio plano de saúde Policlin S/A, como aos conveniados com outras operadoras transferidos temporariamente para o plano de saúde Policlin S/A, também efetuou deduções referentes aos custos dos atendimentos feitos pelo Hospital Policlin tanto aos conveniados com o próprio plano de saúde Policlin S/A, como aos conveniados com outras operadoras transferidos para o plano de saúde Policlin S/A. Nesse ano, a empresa, também efetuou deduções referentes as corresponsabilidades transferidas (valores cobrados da operadora Policlin S/A pela operadora de outra região pela assunção do risco de atendimento aos beneficiários do plano de saúde Policlin S/A, que lhe foram repassados). 2.1.14. Esse procedimento da empresa, referente às "indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pagos, deduzidos das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades", não está correto, conforme será demonstrado a seguir” Textualmente a Recorrente só diverge do lançamento quanto ao inciso III do parágrafo 9o do art. 3o da Lei no 9.718/98, inexistindo qualquer discussão relativa aos incisos I e II. Fl. 368DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 10/12/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por R OSALDO TREVISAN 4 Assim, a matéria submetida ao exame está concentrada: “o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzidos das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades”. A discordância trazida pela interessada centra, segundo consta da Impugnação, quanto à conclusão do AuditorFiscal de que nenhum valor pode ser deduzido com base no inciso III do parágrafo 9o do art. 3o da Lei no 9.718/98, referente aos custos dos atendimentos feitos pelos hospitais, médicos, clinicas, laboratórios e outros profissionais ou serviços relacionados à saúde aos associados ao plano de quando tais serviços (eventos), são prestados aos conveniados do próprio plano de saúde Policlin. Sustenta a recorrente que inexiste dispositivo legal condicionante capaz de constituir obstáculo as deduções e tampouco há margem para uma interpretação restritiva — onde restrição não existe — do inciso Ill do parágrafo 9o do artigo 3o da Lei no 9.718/1998. Diz ainda: “Importante destacar, para um perfeito entendimento da problemática do assunto, o texto do inciso III do § 9o em duas partes. Primeiramente: devemos consolidar a compreensão da expressão ‘indenizações correspondentes aos eventos ocorridos’. E o que são eventos? Com a palavra a ANS, órgão regulador das atividades de assistência suplementar à saúde. A Agência, a quem cabe regulamentar, normatizar, controlar e fiscalizar as atividades de assistência suplementar à saúde (art. 1 2 da Lei n. 9.961, de 28/01/2000), já se manifestou a respeito, ao responder consulta de empresa regularmente registrada naquela autarquia — Vida Saudável S/C Ltda. Vejamos o extrato do Oficio nº 53/2007/DIR.ADJ/DIOPE/ANS, de 19 de junho de 2007 (Anexo 3)”: "Neste sentido, cumpre enfatizar que os eventos indenizáveis correspondem a toda e qualquer forma de cobertura de custos médicos oferecidos por uma operadora de planos de assistência de saúde e seus associados, tais como, consultas, exames laboratoriais, diagnósticos por imagens, procedimentos cirúrgicos, internações, fornecimento de próteses e órteses, etc. Estas coberturas podem ser oferecidas pelas operadoras através de uma rede de profissionais médicos, centros diagnóstico, hospitais e clinicas credenciada, ou através de unidades próprias de atendimento. A adoção da nomenclatura "Eventos Indenizáveis" — para classificar a cobertura de custos médicos oferecidos pelas operadoras — baseiase na relação estabelecida entre esta e seus clientes, no momento da celebração do contrato que rege esta operação. Com efeito, através deste instrumento contratual, a operadora, mediante o pagamento de uma mensalidade ou prêmio, constitui a obrigação de indenizar ou cobrir os custos médicos realizados por seus clientes, seja na rede terceirizada (credenciada) seja nas unidades próprias de atendimento." Argumenta, ainda, ser nulo o lançamento em decorrência de consulta a COSIT sobre a matéria pelo Sindicato Nacional das Empresas de Medicina de Grupo – SINAMGE, ao qual é filiada, buscando uma interpretação a respeito da legislação tributaria, motivo pelo qual não poderiam ter sido aplicados multa e juros de mora. Fl. 369DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 10/12/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por R OSALDO TREVISAN Processo nº 13864.000243/201018 Acórdão n.º 3403003.124 S3C4T3 Fl. 368 5 Por derradeiro, solicita realização de diligência com o objetivo de esclarecer as questões formuladas às fls. 221/222. A decisão recorrida aborda inicialmente alegação de nulidade em razão da consulta, e, rejeita com arrimo no entendimento expresso pela Instrução Normativa no 740, de 2007, reportando ao art. 14: “Art. 14. A consulta eficaz, formulada antes do prazo legal para recolhimento de tributo, impede a aplicação de multa de mora e de juros de mora, relativamente à matéria consultada, a partir da data de sua protocolização até o trigésimo dia seguinte ao da ciência, pelo consulente, da Solução de Consulta. § 1o Quando a solução da consulta implicar pagamento, este deverá ser efetuado no prazo referido no caput. § 2o Os efeitos da consulta que se reportar a situação não ocorrida, somente se aperfeiçoarão se o fato concretizado for aquele sobre o qual versou a consulta previamente formulada. § 3o Os efeitos da consulta formulada pela matriz da pessoa jurídica estenderseão aos demais estabelecimentos. § 4o No caso de consulta formulada por entidade representativa de categoria econômica ou profissional em nome dos associados ou filiados, os efeitos referidos neste artigo somente os alcançarão depois de cientificada a consulente da solução da consulta”. Conclui, assim, que a instalação do procedimento fiscal bem como a constituição do crédito tributário foram legítimos do ponto de vista do Processo Administrativo Fiscal. No mérito, rechaça os argumentos trazidos em Impugnação, sustentando que os valores demonstrados pela fiscalização tratamse de deduções indevidas em razão de se referirem a desembolsos realizados pela operadora de plano de assistência à saúde a profissionais e a empresas conveniadas por eventos (consultas, exames, internações, etc) ocorridos com seus próprios associados. Assim como entende não dedutíveis despesas por evento ocorridos com associados e atendidos no hospital do próprio plano de assistência. Em razões recursais a empresa reprisa os argumentos de impugnação, pede nulidade do lançamento, informa que o processo de consulta tomou o número 11610.004105/200912, que foi intimada da decisão em dezembro de 2010, e tece também os fatos mencionados na consulta, informando que apresentou pedido de esclarecimento. Supervenientemente, fez juntar alteração produzida pela Lei no 12.873, de 24 de outubro de 2013, que emprestou interpretação ao inciso III do § 9o do art. 3o da Lei no 9.718/98. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Domingos de Sá Filho, relator Fl. 370DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 10/12/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por R OSALDO TREVISAN 6 Tratase de recurso tempestivo e atende os demais pressupostos de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. Há sustentação de nulidade do lançamento e, no mérito, a contenda se refere deduções de custo e despesas não autorizadas pela norma do parágrafo 9o do art. 3o da Lei no 9.718/98. Preliminarmente – examinase a alegação de nulidade. Sustenta a Recorrente que a matéria objeto do lançamento se encontrava em consulta, período esse que constitui óbice ao procedimento fiscal, principalmente à exigência de multa de mora e de juros de mora. Diz que tomou conhecimento da solução de consulta em dezembro de 2010. O julgado recorrido analisou e concluiu que a consulta no caso destes autos não irradia os efeitos previstos em razão do que disciplina o art. 14 da Instrução Normativa no 740 de 2007. O instituto da consulta no âmbito da Receita Federal do Brasil encontrase disciplinado pelo Decreto no 70.235, de 1972, que dispõe que nenhum procedimento fiscal deve ser instaurado contra o sujeito passivo em relação à matéria submetida à consulta a partir do momento do protocolo. É o que se infere da dicção do art. 48, bem como do art. 51 do mesmo diploma legal: “Art. 48. Salvo o disposto no artigo seguinte, nenhum procedimento fiscal será instaurado contra o sujeito passivo relativamente à espécie consultada, a partir da apresentação da consulta até o trigésimo dia subseqüente à data da ciência...” “Art. 51. No caso de consulta formulada por entidade representativa de categoria econômica ou profissional, os efeitos referidos no artigo 48 só alcançam seus associados ou filiados depois de cientificado o consulente da decisão.” A norma do art. 48 aqui transcrita é mais abrangente do que a norma da IN no 740/2007, que afasta a aplicação da multa de mora e dos juros de mora. Trata de mácula direta no lançamento. Em sendo assim, é preciso averiguar se a Recorrente se encontrava abrigada entre os associados ou filiados, e não simplesmente se estava incluída na categoria econômica ou profissional correspondente. Alegado como matéria de defesa, impõe certificar se há prova da condição de associado ou filiado. A Interessada fez juntar a título de comprovação da qualidade de associado ou filiado boleto de pagamento no valor de R$ 518,21, quitado em 28 de maio de 2010, e cópia dos estatutos da associação. A cópia do estatuto em nada ajuda, restando dos documentos juntados o comprovante de pagamento. A consulta de fl. 268 foi protocolizada em 19/05/2009, isto é, antes do início da fiscalização, que aconteceu em 30/11/2009. Acresce esclarecer que o Mandado de Procedimento Fiscal teria sido emitido em 25/09/2009. Como é de sabença comum que a Fl. 371DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 10/12/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por R OSALDO TREVISAN Processo nº 13864.000243/201018 Acórdão n.º 3403003.124 S3C4T3 Fl. 369 7 espontaneidade é suspensa no momento que se toma conhecimento do início da ação fiscal, no caso concreto isso ocorreu em 30/11/2009, depois do protocolo da consulta. Acontece que quando do início da ação fiscal a recorrente não se encontrava abrigada pela consulta, visto que só passou a fazer parte da associação consulente após o início da ação fiscal, conforme a data consignada no comprovante de pagamento, isto é, 28/05/2010, tendo a ação fiscal iniciado em 30/11/2009. Sendo assim, inexistia naquela ocasião obstáculo a ação fiscal. Portanto, o lançamento é não está maculado por vício. Assim, conheço da preliminar e rejeitoa. No mérito, a matéria de fundo deve ser examinada em conformidade com a legislação pertinente. A fiscalização demonstrou por intermédio da planilha de fl. 204 que os custos e despesas deduzidas ali consignadas não estariam contempladas entre aquelas autorizadas pelo inciso III do § 9o do art. 3o da Lei no 9.718/98, em razão de os serviços prestados a clientes de outras operadoras terem sido prestado pela unidade própria da recorrente. Ao mesmo tempo em que junta planilha demonstrando o que pode ser deduzido e o que entendeu deduzido indevidamente; no caso, os custos aqui mencionados. O fato é que a discussão gira em torno da dedução dos custos. 2.3.3.1.2: Devese notar que: • 2.3.3.1.2.1. Não ha valores a serem subtraídos dessas contas (o subtraendo referido • nas Decisões de Consulta acima referenciadas), visto que, conforme item• 1.10.5, no caso de atendimento feito pelos hospitais, médicos, clinicas, laboratórios e outros profissionais da saúde associados ao plano de saúde Policlin S/A, quem lhes faz o pagamento é o próprio plano de saúde Policlin" S/A, conforme estabelecido na negociação dessa transferência, sem gerar qualquer ressarcimento de despesas por parte das outras operadoras. Ou seja, não ha quantias recebidas de outra operadora, a quem caberia a responsabilidade pelos eventos que se transferiram, a titulo de ressarcimento pelos, desembolsos efetivamente realizados para indenizar seus conveniados por eventos realizados em associados com outra operadora. O entendimento e o critério adotado pela fiscalização são de que as operadoras de plano de assistência à saúde não podem deduzir os custos com a rede conveniada e honorários médicos, etc..., quando esses são realizados em unidade própria em atendimento a segurados de outras operadoras. E a tese defendida pela recorrente é de que todos os custos dos atendimentos, mesmo aqueles realizados com cliente da própria operadora, podem ser deduzido da base de cálculo. Fl. 372DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 10/12/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por R OSALDO TREVISAN 8 Assim, cabe examinar a glosa realizada pela fiscalização em relação ao assunto tratado no item abaixo: 2.3.3.1.2.2. Os valores referentes aos custos dos atendimentos feitos pelo Hospital Policlin aos conveniados com outras operadoras transferidos para o plano de saúde Policlin S/A, contabilizados em. contas do grupo 41111, com contrapartida na conta 4438993 que, conforme item 1.11.4.4, é uma 'conta retificadora de despesa, utilizada para transferência dos custos dos atendimentos feitos pelo Hospital Policlin tanto' aos conveniados com o próprio plano de saúde Policlin S/A, como aos conveniados com outras operadoras transferidos para o plano de saúde Policlin S/A, não podem ser utilizados como dedução da base de calculo do PIS e da COFINS. Isto porque, conforme item 1.10.7, no caso de atendimento feito pelo Hospital Policlin, não ha pagamentos, assim o que não correspondem a eventos ocorridos efetivamente pagos. 2.3.4. Desta forma, as deduções possíveis das bases de calculo do PIS e da COFINS, no termos dos incisos I e III do parágrafo 9o do artigo 3o da Lei 9.718/98 estão demonstrados na planilha • 2 anexa. Para permitir comparação com a forma equivocada que a empresa adotou para • efetuar as deduções em seus DACONs, conforme explicado no item 2.1.8; nessa mesma • planilhas estão demonstradas as deduções possíveis de serem feitas diretamente dos valores, apurados de PIS e de COFINS. DAS EXCLUSÕES NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS CONCEDIDAS ÀS OPERADORAS DE PLANO DE SAÚDE – LEI N. 9.656/98. O artigo 1o da Lei no 9.656/98 assim disciplina: “Art. 1o Submetemse às disposições desta Lei as pessoas jurídicas de direito privado que operam planos de assistência à saúde, sem prejuízo do cumprimento da legislação específica que rege a sua atividade, adotandose, para fins de aplicação das normas aqui estabelecidas, as seguintes definições. I Plano Privado de Assistência á Saúde: prestação continuada de serviços ou cobertura de custos assistenciais a preço pré ou pósestabelecido, por prazo indeterminado, com a finalidade de garantir, sem limite financeiro, a assistência à saúde, pela faculdade de acesso e atendimento por profissionais ou serviços de saúde, livremente escolhidos, integrantes ou não de rede credenciada, contratada ou referenciada, visando à assistência médica, hospitalar e odontológica, a ser paga integral ou parcialmente a expensas da operadora contratada, mediante reembolso ou pagamento direto ao prestador, por conta e ordem do consumidor. II Operadora de Plano de Assistência à saúde: pessoa jurídica constituída sob a modalidade de sociedade civil ou comercial, cooperativa, ou entidade de autogestão, que opere produto, serviço ou contrato de que trata o inciso I deste artigo; (...) Fl. 373DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 10/12/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por R OSALDO TREVISAN Processo nº 13864.000243/201018 Acórdão n.º 3403003.124 S3C4T3 Fl. 370 9 § 2o Incluemse na abrangência desta Lei as cooperativas que operem os produtos de que tratam inciso I e o § 1o deste artigo, bem assim as entidades ou empresas que mantém sistemas de assistência à saúde, pela modalidade de autogestão ou de administração.” Consta do manual ANS Agência Nacional de Saúde Suplementar, anexo, capítulo I Normas Gerais, 7.2.5, que os eventos/sinistros conhecidos ou avisados devem ser apropriados a despesas, vejamos: “Os Eventos/Sinistros Conhecidos ou Avisados devem ser apropriados à despesa, considerandose a data de apresentação da conta médica, do aviso pelos prestadores ou do Aviso de Beneficiários identificados ABI, pelo seu valor integral, no primeiro momento da identificação da ocorrência da despesa médica, independente da existência de qualquer mecanismo, processo ou sistema de intermediação da transmissão, direta ou indiretamente por meio de terceiros, ou da análise preliminar das despesas médicas”. Tenho como certa a aplicação das disposições da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998, combinado com o art. 1o, inciso I, da Lei no 9.656/98: “Art. 3o § 9o Na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, as operadoras de planos de assistência à saúde poderão deduzir: (Incluído pela Medida Provisória no 2.15835, de 2001). I coresponsabilidades cedidas; (Incluído pela Medida Provisória no 2.15835, de 2001). II a parcela das contraprestações pecuniárias destinadas à constituição de provisões técnicas; (Incluído pela Medida Provisória no 2.15835, de 2001). III o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pagos, deduzidos das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades. (Incluído pela Medida Provisória no 2.158 35, de 2001). Recentemente foi editado a Lei no 12.873, de 24/10/2013 com o objetivo de dar interpretação a eventos ocorridos de que trata o inciso III do § 9o: “Para efeito de interpretação, o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos de que trata o inciso III do § 9o entendese o total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindose neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida.” A leitura do relatório fiscal demonstra que se apurou a receita bruta, tal como definida no art. 3o, § 1o da Lei no 9.718/98, e se permitiu a dedução prevista no inciso III, mas Fl. 374DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 10/12/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por R OSALDO TREVISAN 10 entendeuse que os custos realizados no atendimento a segurados de outras operadoras no hospital da Policlin não poderiam ter sido deduzidos em razão de não existir pagamento da operadora à unidade hospitalar, em razão de pertencer à própria operadora, aqui recorrente. Na discussão sobre os custos dos atendimentos feitos pelo Hospital Policlin, de propriedade da recorrente, aos conveniados (outras operadoras de assistência à saúde), constante do item 2.3.3.1.2.2: valores referentes aos custos dos atendimentosfeitos pelo Hospital Policlin aos conveniados com outras operadoras transferidas para o plano de saúde Policlin S/A, entendese que trata de atendimento aos clientes de plano de assistência à saúde de outra operadora, pela operadora Policlin, sendo assim parece desacertada a decisão que permite a dedução da base de cálculo desde que, efetivamente tenham sido pago e deduzidos dos recebimentos a título de transferência de responsabilidade. O fato de os associados de outras operadoras terem sido atendidos no hospital pertencente à operadora Policlin não possui o condão de afastar a dedução permitida pelo inciso III do § 9o do art. 3o da Lei no 9.718/98. A toda evidência que o argumento da fiscalização não pode prosperar, pois se trata de custo incorrido com o atendimento de clientes de outras operadoras de assistência à saúde. Em sendo assim, os dispêndios encontramse encartados na autorização que permite serem deduzidos. A glosa decorreu de inexistência de pagamento conforme afirma a fiscalização: “Isto porque, conforme item 1.10.7, no caso de atendimento feito pelo Hospital Policlin, não há pagamentos, assim o que não correspondem a eventos ocorridos efetivamente pagos”. A intenção do legislador é de um tratamento igualitário, se o atendimento tivesse ocorrido pela rede assistencial contratada pela Policlin, isso é o custo com a rede contratada pode, mas o custo em unidade própria não. O que se vislumbra da afirmação é de que inexiste pagamento porque os clientes de outra operadora foram atendidos em unidade própria da recorrente. No entanto, todo e qualquer atendimento gera custo, e engloba medicamento, honorários médicos, hotelaria, etc. Assim, tenho que, neste caso, os custos efetivados no atendimento de outras operadoras podem ser deduzidos. A outra alegação se refere glosa dos custos mencionados no item 2.3.3.1.2.1 Custos com os Assegurados do Plano de Saúde Policlin, conforme se vê do relato do auditor fiscal: “2.3.3.1.2.1. Não ha valores a serem subtraídos dessas contas (o subtraendo referido • nas Decisões de Consulta acima referenciadas), visto que, conforme item• 1.10.5, no caso de atendimento feito pelos hospitais, médicos, clinicas, laboratórios e outros profissionais da saúde associados ao plano de saúde Policlin S/A, quem lhes faz o pagamento é o próprio plano de saúde Policlin" S/A, conforme estabelecido na negociação dessa transferência, sem gerar qualquer ressarcimento de despesas por parte das outras operadoras. Ou seja, não ha quantias recebidas de outra operadora, a quem caberia a responsabilidade pelos eventos que se transferiram a titulo de ressarcimento pelos desembolsos efetivamente Fl. 375DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 10/12/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por R OSALDO TREVISAN Processo nº 13864.000243/201018 Acórdão n.º 3403003.124 S3C4T3 Fl. 371 11 realizados para indenizar seus conveniados por eventos realizados em associados com outra operadora.” No caso aqui relatado pela fiscalização essa dedução até recentemente vinha sendo entendida como indevida, pois tratava de custo inerente aos clientes da própria operadora de saúde atendida em sua unidade hospitalar. Entretanto, com o advento da Lei no 12.873/2013, com o objetivo de dar interpretação a eventos ocorridos de que trata o inciso III do § 9o, impõe se nova reflexão em relação ao assunto. A redação desse dispositivo interpretativo é a seguinte: “Para efeito de interpretação, o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos de que trata o inciso III do § 9º entendese o total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindose neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida.” A redação do inciso III do § 9o do art. 3o mencionava valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pagos..., que faz pressupor que só se poderiam deduzir os custos que restassem efetivamente pagos, e, tratando de unidade própria, esse pagamento não ocorria. Assim consta da redação do inciso III: III o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pagos, deduzidos das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades. (Incluído pela Medida Provisória no 2.158 35, de 2001). Observa da redação interpretativa que o legislador não menciona os eventos “efetivamente pagos”, se refere tãosó “o total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindose neste total os custos de beneficiários das próprias operadoras. Parece que a interpretação se ajusta ao anseio do segmento de assistência à saúde, que reivindicava o direito de deduzir os custos inerentes aos assegurados realizados em unidades próprias. Ao afastar o termo efetivamente pago não resta dúvida de que se refere puramente a custos e não exige pagamento, o que só acontecia quando os atendimentos eram realizados por terceiros. Assim, a leitura que passo a fazer da redação do inciso III do § 9o do art. 3o da Lei no 9.718/98 é de que se trata de custo e não mais de pagamento efetivamente a terceiros como condição de possibilitar a dedução da receita. Portanto, existindo os custos decorrentes de atendimentos aos clientes do plano de assistência à saúde realizado em unidade própria, podem ser deduzidos da base de cálculo para determinação da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. Fl. 376DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 10/12/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por R OSALDO TREVISAN 12 Com essas razões acolho os argumentos da recorrente de que os custos desprendidos concretizados em unidades próprias com atendimentos de clientes do plano de assistência a saúde é passível de dedução da base de cálculo. As deduções são aquelas traçadas pela norma do inciso III do § 9o do art. 3o, substituindo a expressão “efetivamente pagos” pela “o total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindose neste total os custos de beneficiários da própria operadoras”. Ante ao exposto, conheço do recurso e dou provimento para reconhecer o direito da recorrente de excluir da base de cálculo a totalidade dos eventos ocorridos, líquidos das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidade realizadas em sua unidade própria com clientes de outras operadoras e os custos assistenciais decorrentes da utilização pelos próprios beneficiários da operadora em unidade própria. É como voto. Domingos de Sá Filho Fl. 377DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 10/12/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por R OSALDO TREVISAN Processo nº 13864.000243/201018 Acórdão n.º 3403003.124 S3C4T3 Fl. 372 13 Voto Vencedor Conselheiro Rosaldo Trevisan, redator designado Não havendo aparas em relação à conclusão externada no voto do relator sobre as preliminares suscitadas pela recorrente, externo no presente voto vencedor divergência em relação ao entendimento demonstrado sobre a matéria, no mérito, pelo nobre relator, divergência esta que foi acompanhada pela maioria do colegiado, vencidos o relator e o Conselheiro Luiz Rogério Sawaya Batista. O posicionamento adotado pelo relator em seu voto, no mérito, diverge daquele que vem sendo ultimamente externado nesta turma de forma unânime (inclusive acompanhado pelo próprio relator em ocasiões anteriores), antes e depois na norma explicativa/declaratória constante na Lei no 12.873, de 24/10/2013. Em março de 2013, esta turma apreciou o fenômeno ocorrido com a alteração da legislação em 2001, pois a autuação, naqueles autos, abarcava períodos anteriores (nos quais a análise era feita com base nos arts. 79, 85, 86, 87, 88 e 111 da Lei no 5.764/1971) e posteriores à inclusão do inciso III ao § 9o do art. 3o da Lei no 9.718/1998, pela MP no 2.158 35/2001: “Conforme entendimento assentado administrativamente no CARF e judicialmente no STJ, e disciplinado nos arts. 79, 87 e 111 da Lei no 5.764/1971, incide a Contribuição para o PIS/Pasep sobre atos não cooperativos. (...) Há que se destacar ainda que ao art. 3o da Lei no 9.718/1998 foi alterado pela Medida Provisória no 2.15835/2001, acrescentandose um § 9o, com o seguinte teor: (...) Conforme o art. 92, IV, “a” da Medida Provisória (MP), a alteração produz efeitos relativamente aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de dezembro de 2001, cabendo destacar que o texto não estava nas (re) edições anteriores da mesma MP. Considerando a presente autuação, a maior parte do período objeto da exigência fiscal já estaria sob o manto do novel diploma. Vejase que no novo comando legal é irrelevante ser a operadora uma cooperativa ou não, pelo que não há que se prosseguir, novamente, na distinção entre ato cooperativo e não cooperativo (caso a operadora seja também uma cooperativa, e se entenda pela impossibilidade de tributação do ato cooperativo, por óbvio não poderia a operadora/cooperativa se beneficiar duas vezes da mesma exclusão). Dos itens 2 e 3 da exposição de motivos da referida Medida Provisória se extrai que o objetivo do parágrafo adicionado foi Fl. 378DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 10/12/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por R OSALDO TREVISAN 14 estabelecer tratamento isonômico entre a tributação das operadoras de plano de saúde e das operadoras de seguro. E é nessa analogia (que já havia sido incidentalmente sugerida tanto no entendimento da COSIT quanto na autuação, ao se referir a “traços de segurosaúde”) que se deve pautar a interpretação do texto legal. Pode então a operadora de saúde (seja cooperativa ou não) deduzir da base de cálculo (faturamento), os montantes enquadráveis nos incisos I a III do novo parágrafo. (...) Diante da delimitação legal do binômio hipótese de incidência consequente (especificamente no que se refere à base de cálculo) da contribuição, não resta muito o que discutir em relação à possibilidade de incidir a contribuição sobre empresas como a recorrente. A argumentação exposta no recurso voluntário no sentido de que não incidem tributos sobre a modalidade operacional das sociedades cooperativas, pois estas não têm atuação própria relativa a seu objeto econômico, agindo apenas em nome dos seus sócios, fica afastada diante da clareza dos dispositivos legais, que só poderiam ser superados se tidos como inconstitucionais (esclarecendose que tal análise excederia a competência deste tribunal, conforme entendimento já consolidado na Súmula CARF no 2: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”).” (Acórdão n. 3403001.987, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, sessão de 20.mar.2013) (grifo nosso) Ainda em março de 2013, analisando autuação exclusivamente referente a período posterior à MP no 2.15835/2001 (como é o caso dos presentes autos), a turma buscou identificar o sentido dos incisos (com destaque para o III) do § 9o do art. 3o da Lei no 9.718/1998: “O fato de os pagamentos realizados pela cooperativa configurarem ou não um ato cooperativo é indiferente para a apuração da Cofins, pois se trata de uma contribuição que incide sobre o faturamento ou receita bruta, ou seja, que se refere ao ingresso de recursos na entidade e não à saída de recursos. (...) As deduções da base de cálculo previstas em relação às operadoras de planos de saúde também se aplicam às cooperativas de serviço médico que desenvolvem esta mesma atividade. Configuram indenizações de eventos ocorridos, para o efeito da dedução da base de cálculo prevista no art. 3º, § 9º, III, da Lei no 9.718/98, os pagamentos realizados pelas cooperativas para terceiros (tais como médicos, clínicas, hospitais e laboratórios credenciados), para suportar os atendimentos (tais como consultas médicas, exames laboratoriais, hospitalização, cirurgias, terapias etc), a que deram causa os usuários dos planos de saúde, independente de se tratar de usuários da própria operadora ou de outras operadoras, desde que tenham Fl. 379DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 10/12/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por R OSALDO TREVISAN Processo nº 13864.000243/201018 Acórdão n.º 3403003.124 S3C4T3 Fl. 373 15 sido efetivamente pagos, reduzidos dos valores reembolsados pelas outras operadoras.” (Acórdão n. 3403001.986, Rel. Cons. Ivan Allegretti, unânime, sessão de 20.mar.2013) (grifo nosso) Mas tais julgados são a consequência, e não a causa da formação de convicção desta turma. O verdadeiro divisor de águas na discussão do tema neste CARF, citado por ambos os Acórdãos aqui referidos, é um julgamento proferido na Segunda Turma da Terceira Câmara desta Terceira Seção, no qual a questão foi analisada com detalhamento exemplar: “Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2003. (...) COOPERATIVAS MÉDICAS PIS/COFINS MEDIDA PROVISÓRIA Nº 2.15835 POSSIBILIDADES DE EXCLUSÃO CORESPONSABILIDADE CEDIDA CONCEITO Nas operadoras de planos de saúde OPS entendese por despesas decorrentes de coresponsabilidade cedidas aquelas resultantes dos valores pagos à outras operadores para que estas façam o atendimento de seus beneficiários, sendo que neste caso ocorre a transferência de responsabilidade ou transferência de risco para esta segunda operadora que vai atender os beneficiários. Em outras palavras, tratase de valor mensal, pago a operadoras contratadas chamadas congêneres para estas assumirem a responsabilidade pela cobertura de assistência à saúde de determinados grupos de beneficiários ou usuários dos planos de saúde da OPS contratante. (...) COOPERATIVAS MÉDICAS PIS/COFINS MEDIDA PROVISÓRIA Nº 2.15835 POSSIBILIDADES DE EXCLUSÃO INDENIZAÇÕES REFERENTES A EVENTOS OCORRIDOS CONCEITO Grande polêmica alcança a exclusão de base de cálculo prevista no inciso III, § 9o, artigo 2o da MP 2.15835, que assim determina: III o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pagos, deduzido das importâncias recebidas a titulo de transferência de responsabilidades. Este dispositivo diverge, por consectário lógico, não equivale ao inciso I, que possibilita a exclusão de valores repassados para as congêneres contratadas com transferência de responsabilidade. O inciso III permite a exclusão dos valores repassados aos credenciados, sem transferência de responsabilidade, que ao invés de receberem valores fixos mensais, recebem indenizações por eventos efetivamente ocorridos. Em nenhuma hipótese se permite a exclusão da base de cálculo de valores referentes à rede própria. (...) No presente caso não há controvérsia sobre o fato de que a Recorrente fatura, contra terceiros não cooperados, os valores correspondentes a serviços prestados diretamente por seus Fl. 380DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 10/12/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por R OSALDO TREVISAN 16 cooperados. O valor que a Recorrente arrecada é repassado aos cooperados por meio de atos cooperados (não tributáveis), mas sofre a incidência tributária, quando recebido pela Recorrente sob pena de, sobre tais valores, não ocorrer incidência tributária alguma. Ora, se o cooperado recebesse os valores diretamente do terceiro (para quem presta seus serviços) tais valores também seriam tributados, quando do recebimento pelo cooperado. Caso admitíssemos a não incidência no recebimento do valor pela cooperativa e no repasse ao cooperado, estaríamos admitindo que serviços prestados através de cooperativas jamais seriam tributados o que não me parece lógico, ou legal (em especial considerando o princípio da isonomia). Assim, o cooperado pode escolher o modelo que melhor lhe convém para receber os valores correspondentes à sua prestação de serviços: (i) prestar os serviços e receber diretamente do terceiro contratante, tributando os valores quando deste recebimento, ou; (ii) receber os valores através da cooperativa, sem submetêlos à tributação nesta etapa do fluxo financeiro (pois estarseá diante de ato cooperado), mas ciente de que na remessa dos valores do terceiro (tomador de seus serviços), para a cooperativa (que fatura o valor diretamente ao tomador) esta deverá oferecer a quantia à tributação. Importante ressaltar que não há prejuízo para os cooperados, porque eles já pagariam uma vez a tributação. Uma incidência é devida e garantida pela própria legislação que trata do ato cooperado. O que a legislação garante é que os cooperados, que ao meu ver são considerados uma espécie de “hipossuficientes”, utilizem do mecanismo do agrupamento para prestar seu serviço e fazer frente aos grandes concorrentes sem que, para isso, sofram ônus, majorações do custo operacional. No presente caso a Recorrente recebe de terceiros (beneficiários) valores que, embora de titularidade dos cooperados, devem ser tributados nesta etapa do fluxo financeiro, pois se consubstanciam faturamento, sem que haja disposição legal que autorize a não incidência tributária. Logo, nego provimento à alegação da Recorrente de inexistência de base tributável por ser totalmente decorrente de ato cooperado, vez que é devido o PIS sobre os valores recebidos pela Recorrente, ainda que em nome de seus cooperados, sendo tais quantias faturamento tributável, por configurar resultados de operações com não cooperados. (...) Pois bem. Em primeiro lugar fazse necessário consolidar o entendimento do que é faturamento para uma operadora de saúde, nos termos da interpretação consolidada pelo Supremo Tribunal Federal (“receita da venda de produtos e serviços”). Pareceme evidente que uma OPS tem como faturamento todos os valores cobrados a título de: (i) prestações mensais faturadas contra seus clientes, pessoas físicas ou jurídicas, de direito Fl. 381DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 10/12/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por R OSALDO TREVISAN Processo nº 13864.000243/201018 Acórdão n.º 3403003.124 S3C4T3 Fl. 374 17 público ou privado, bem como (ii) prestação de serviços médicos com a utilização de sua rede própria (hospitais, clínicas, pronto socorros, ambulatórios, consultórios, etc) por terceiros, aqui entendidos quaisquer pessoas físicas ou jurídicas, inclusive outras operadoras de saúde. (...) É de sumária nitidez a determinação contida na Lei nº 9.718/98 (introduzida pela Medida Provisória nº 2.15835), sobre a possibilidade de exclusão, da base de cálculo do PIS e Cofins das operadoras de saúde (OPS), dos valores referentes às co responsabilidades cedidas. Neste ponto, crucial é saber o que são “coresponsabilidades cedidas”. Conforme esclarecido, as empresas que operam a saúde podem fazêlo por meio de sua rede própria e/ou com o auxílio de terceiros ou ainda cooperados. Ocorre que esses terceiros, também denominados de “credenciados” ou “congêneres” podem ser contratados de forma direta ou indireta. Os credenciados contratados de forma direta (ou simplesmente credenciados) prestam o serviço “em nome” e sob a responsabilidade da OPS contratante. Aqui, não há transferência de responsabilidade da cobertura de assistência à saúde dos beneficiários ou usuários dos planos de saúde. O credenciado é contratado para a prestação de serviços específicos a serem prestados consoante sua especialidade médica, trata da saúde dos beneficiários do plano por evento. Por exemplo, médicos cardiologistas que atendem os usuários do plano de saúde em seus consultórios particulares e são remunerados pelas OPS, em função da quantidade de horas dispendidas (sic) ou pela quantidade de consultas efetuadas. Já as congêneres credenciados contratados de forma indireta são outras OPS (denominadas de congêneres por serem do mesmo gênero da contratante) que são contratadas para assumir a responsabilidade pela cobertura de assistência à saúde de determinados grupos de beneficiários ou usuários dos planos de saúde da OPS contratante. Aqui se identifica a TRANSFERÊNCIA DE RESPONSABILIDADE ou TRANSFERÊNCIA DE RISCO. Essas congêneres prestam o serviço contratado em seu próprio nome e, por isso, respondem diretamente pelo serviço prestado. As congêneres obrigatoriamente devem ser OPS, porque apenas as operadoras registradas na ANS podem assumir riscos em saúde suplementar. A congênere assume o risco de tratar permanentemente da saúde dos usuários que assumiu de outra OPS, cobrando para tanto uma taxa mensal para “cuidar” dos beneficiários que foram “transferidos” aos seus cuidados. Portanto, recebe um valor fixo contratado entre as partes, sendo este valor devido ainda que o serviço não seja utilizado pelo beneficiário. De forma sumária temse que no primeiro caso (“credenciado”), a responsabilidade é da OPS contratante e o pagamento do serviço é feito mensalmente, pelos eventos ocorridos, enquanto Fl. 382DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 10/12/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por R OSALDO TREVISAN 18 no segundo caso (“congêneres”), a responsabilidade pelo atendimento médico é da OPS contratada e o pagamento é realizado mensalmente apurado de acordo com a quantidade de beneficiários transferidos/cobertos pela congênere. Esta questão da responsabilidade é regulada pela própria ANS, que para garantir os beneficiários exige, cada vez que a OPS credencia um prestador de serviço, uma série de documentos/informações. (...) Toda esta introdução é necessária porque a redação do “inciso I” do citado § 9º, menciona que serão excluídos da base os valores referentes à “coresponsabilidade cedida”. Trata, portanto, de responsabilidade e de cessão. Neste aspecto, o dispositivo legal mencionado permite que sejam excluídos da base de cálculo os valores pagos justamente para estas congêneres, que se responsabilizam por determinados beneficiários da OPS contratante, do que se conclui, por dedução lógica inversa, que os valores pagos aos credenciados (contratados de forma direta) não se enquadram neste “inciso I”. (...) (iii) Indenizações Referentes a Eventos Ocorridos Este é, seguramente, dos conceitos trazidos pela legislação, o de mais difícil interpretação. As maiores divergências estão justamente no entendimento de sua significação. A simples leitura do inciso III é suficiente para constatar que se trata de uma DEDUÇÃO seguida de uma ADIÇÃO. Poderão ser excluídas as referidas indenizações, mas deverão ser incluídos os valores recebidos a título de transferência de responsabilidades. (...) De pronto, afasto o entendimento de que o inciso III está vinculado aos eventos decorrentes de “cessão de responsabilidade”. Em primeiro lugar porque não existe evento com “cessão de responsabilidade”, esta apenas é possível, inclusive por determinação da ANS, quando se opera a “transferência da responsabilidade pelo beneficiário”. Inclusive, o pagamento por cessão da responsabilidade independe de qualquer evento, é devido simplesmente porque a responsabilidade foi transferida. O simples fato do pagamento para CONGÊNERES e para simples CREDENCIADOS ser realizado de forma diferente (o primeiro fixo por mês, o segundo por evento ocorrido e comprovado) já é suficiente para se constatar a diferença do inciso I e III neste particular. (...) Neste diapasão, em termos operacionais, quando se trata de indenização por evento, automaticamente se exclui a cessão de responsabilidade, razão pela qual todos os valores referentes à Fl. 383DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 10/12/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por R OSALDO TREVISAN Processo nº 13864.000243/201018 Acórdão n.º 3403003.124 S3C4T3 Fl. 375 19 transferência de responsabilidade estão localizados no inciso I do citado § 9º. Por idêntica forma, aparto a interpretação de que o legislador não pretendeu excluir da base de cálculo o valor pago a terceiros, pois não resta dúvida de que o inciso I do § 9º refere se a terceiros (CONGÊNERES), que como dito alhures são espécie de credenciados contratados de forma indireta. Neste sentido, que é possível a exclusão da base de cálculo de valores pagos a terceiros, não tenho dúvida, e em afirmação a isto está o próprio inciso I do dispositivo legal analisado. (...) Conforme se depreende do texto legal, o inciso III permite a dedução do “...valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pagos...” O que significa indenizações de eventos ocorridos efetivamente pagos? Mais uma vez socorrome dos aspectos técnicos específicos do setor. Em aspectos práticos, para fim de atender as determinações da ANS, a sistemática de procedimento das empresas de saúde geralmente obedece ao seguinte critério: (1) O credenciado presta o serviço para o beneficiário. Janeiro /X1 (2) Após o serviço prestado, este credenciado informa à OPS, apresentando a documentação suporte necessária para o ressarcimento do custo, já que a credenciada trabalha por evento (ao contrário da congênere). A OPS reconhece a despesa quando desse aviso/notificação. Fevereiro /X1 (3) Apenas após validar a informação da credenciada a OPS realiza o pagamento. Março /X1 (...) Neste diapasão, os eventos ocorridos em janeiro/X1, serão reconhecidos contabilmente em fevereiro/X1, quando AVISADOS, e efetivamente pagos a partir de março/X1, quando da validação e aprovação final das contas apresentadas para a OPS, sendo impossível qualquer outro procedimento. Este procedimento específico tem uma razão de ser. Até o momento do pagamento podem ocorrer e efetivamente ocorrem – glosas. Assim, na hipótese de o legislador permitir a contabilização e dedução do valor AVISADO, estaria utilizando valor não definitivo. Por outro giro, ao utilizar o valor PAGO, a legislação adota o custo efetivo do evento, não o valor Fl. 384DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 10/12/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por R OSALDO TREVISAN 20 informado pelo credenciado, mas aquele efetivamente aceito pela OPS contratante e efetivamente pago. Podese dizer que, com este procedimento, o legislador buscou os números finais mais objetivos possíveis, pois a partir do pagamento entendese incabível qualquer tipo de reajuste. Esta “apuração do número final”, inclusive, permite a rastreabilidade dos valores envolvidos, por ser um número definitivo. Procedimento diverso significaria a contabilização de números preliminares sujeitos a ajustes nos meses seguintes, o que macularia a objetividade da apuração da referida exclusão. É uma espécie de exceção aos regimes de caixa e competência, e por isso que se tornou imperioso ao legislador reconhecer a especificidade do setor e determinar que apenas poderia ser deduzido o valor das “indenizações referentes a evento ocorrido efetivamente pago”, sob pena de (i) o benefício não poder ser aplicado ao setor; (ii) causar grande confusão nos controles ou, no limite, (iii) serem deduzidos valores preliminares, ainda não pagos, e reconhecidos contabilmente. É exatamente em razão desta especificidade de procedimento do setor que discordo do raciocínio de exclusão total e genérica da conta 4.1.1. É que não são todos os eventos registrados naquela rubrica que podem, a meu ver, ser considerados como “indenizações” ou ‘eventos ocorridos, efetivamente pagos”. A Rede Própria consiste no exercício direto do serviço médico, incluindo portanto todos os custos e despesas operacionais decorrentes da utilização de hospitais, clínicas, ambulatórios, laboratórios, serviços de imagem, inclusive folha de salário dos empregados médicos e paramédicos, depreciação dos imóveis operacionais,...., das OPS. Para tais, não há como tratálos nos limites de definição ao termo “indenização”. Não me parece, ao conhecer o procedimento do setor, que os valores referentes à rede própria estejam dentre aqueles imaginados pelo legislador, e esta interpretação decorre justamente da análise dos termos legais. Todavia, é visível a identidade dos dizeres apostos no inciso III com o procedimento adotado para os credenciados. Indiscutível que são estes os valores cuja exclusão foi pretendida pelo legislador. Os credenciados – não congêneres – atuam por evento, e recebem o pagamento para cada serviço prestado, após estar efetivamente confirmado pela OPS contratante. Todavia, é preciso atentar para o fato de que não são todos os eventos AVISADOS pelos terceiros que serão deduzidos, mas apenas aqueles efetivamente pagos, por isso se considera a conta contábil de resultado. Reitero que não se trata de discutir o conceito de faturamento para as OPS, esta questão já foi superada quando definida a base de cálculo. Tratase de dar efetividade à intenção do legislador que foi, claramente, beneficiar esse setor de saúde com a exclusão de determinados valores da base de cálculo constituída para pagamento dos tributos em tela (justamente do valor total do faturamento). Fl. 385DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 10/12/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por R OSALDO TREVISAN Processo nº 13864.000243/201018 Acórdão n.º 3403003.124 S3C4T3 Fl. 376 21 Ante os esclarecimentos expostos, entendo que o inciso III, do parágrafo 9º, do artigo 3º, da Lei nº 9.718/98 determinou com absoluta clareza a exclusão dos valores efetivamente pagos aos terceiros (rede credenciada e SUS), não congêneres, os quais se coadunam exatamente com os dispositivos legais mencionados. No que se refere à mencionada ADIÇÃO, também presente neste inciso, mais uma vez deparamonos com o conceito de transferência de responsabilidade. Conforme já analisado, tem se a transferência de responsabilidade quando a outra OPS e exerce a função de CONGÊNERE, ou seja, a mesma função da OPS que a contratou, respondendo inclusive civil e penalmente pela prestação do serviço médico. No caso, assim como a Recorrente contrata terceiros para lhe prestar serviços, no exercício de suas atividades é contratada por outras empresas para atender aos beneficiários destas. A OPS contratada assume a totalidade dos RISCOS no atendimento médico hospitalar de determinados usuários da OPS contratante. Dessa forma, as partes estabelecem o valor que a contratada deverá faturar contra a contratante, usualmente em função das quantidades de beneficiários a serem assistidos e o tipo do plano de saúde (hospitalar, ambulatorial,...). É cediço que tais contratações são muito comuns neste segmento em virtude da necessária abrangência geográfica dos planos de saúde. É certo que as pessoas estão em constante movimento, e esta mobilidade faz com que, às vezes, tenham que ser atendidas em locais (cidades/estados) diversos daqueles onde a OPS que mantém seu plano de saúde possui estabelecimento, bem como os clientes corporativos que mantém filiais e empregados em vários municípios brasileiros, onde a OPS contratada pelo cliente empresarial, não tem estabelecimento. Assim, para poder atender aos seus beneficiários, e com a devida autorização da ANS, as OPS se servem de outras empresas de saúde, as quais terão condições de atender o beneficiário de acordo com as especificidades e nos locais que estes necessitem. A meu ver, é evidente que esta receita – mensalidade recebida pela Recorrente para atender beneficiários, ainda que de terceiros – é faturamento da Recorrente. (...) Ao obrigar a tributação sobre os valores recebidos a título de transferência de responsabilidades, a legislação garante que aquele que efetivamente prestou o serviço, seja tributado. (...)” (Acórdão n. 3302001.765, Rel. Cons. Fabiana Cassiano Keramidas, unânime, sessão de 21.ago.2012) (grifo nosso) Tal votoparadigma tem norteado os julgamentos desta turma desde março de 2013 (v.g., nos Acórdãos n. 3403002.049, 3403002.051 e 3403002.466). Fl. 386DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 10/12/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por R OSALDO TREVISAN 22 Em novembro de 2003 chegamos inclusive a elaborar representação gráfica simplificada das conclusões externadas, facilitando a visualização das situações tratadas nos incisos I e III do § 9o do art. 3o da Lei no 9.718/1998 (Acórdão n. 3403002.590): E seguimos transcrevendo o nosso voto, externado naquela ocasião, e acompanhado integralmente por todos os membros do colegiado, inclusive o relator agora vencido: “Assim, constituem faturamento das Operadoras de Plano de Saúde (sejam ou não cooperativas), para efeito de incidência das contribuições, os valores cobrados a título de mensalidades/prestações dos clientes (beneficiários do plano de saúde), e das prestações de serviços médicos com sua rede própria (hospitais, clínicas, pronto socorros, ambulatórios, consultórios, etc.) por terceiros (pessoas físicas ou jurídicas, inclusive outras operadoras de saúde). E os valores recebidos destinamse a terceiros (que podem ou não ser cooperados), que são contratados diretamente (credenciados), ou indiretamente, para assegurar a cobertura de assistência aos beneficiários (congêneres, que são outras OPS).” (Acórdão n. 3403002.590, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, sessão de 26.nov.2013) (grifo nosso) Na análise do inciso III do § 9o do art. 3o da Lei no 9.718/1998, partese, naquele voto, da disposição normativa: “§ 9o Na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, as operadoras de planos de assistência à saúde poderão deduzir: (...) III o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades”. (grifo nosso) Fl. 387DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 10/12/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por R OSALDO TREVISAN Processo nº 13864.000243/201018 Acórdão n.º 3403003.124 S3C4T3 Fl. 377 23 O inciso III do § 9o do art. 3o da Lei no 9.718/1998 se refere, como exposto no votoparadigma aqui reproduzido (Acórdão n. 3302001.765), à exclusão dos valores efetivamente pagos aos terceiros credenciados (rede credenciada/SUS). E é absolutamente irrelevante se os pagamentos são efetuados por eventos realizados em associados da própria operadora ou de outras operadoras (como já decidiu esta turma unanimemente, v.g., nos Acórdãos n. 3403002.049, 3403002.051 e 3403002.466): “Configuram indenizações de eventos ocorridos, para o efeito da dedução da base de cálculo prevista no art. 3º, § 9º, III, da Lei nº 9.718/98, os pagamentos realizados pelas cooperativas para terceiros (tais como médicos, clínicas, hospitais e laboratórios credenciados), para suportar os atendimentos (tais como consultas médicas, exames laboratoriais, hospitalização, cirurgias, terapias etc), a que deram causa os usuários dos planos de saúde independente de se tratar de usuários da própria operadora ou de outras operadoras, desde que tenham sido efetivamente pagos, reduzidos dos valores reembolsados pelas outras operadoras.” (Acórdão n. 3403002.049, Rel. Cons. Ivan Allegretti, unânime quanto ao tema, sessão de 23.abr.2013) (grifo nosso) “Excluise da base de cálculo da contribuição devida pelas operadoras de planos de saúde o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pagos a credenciados e a médicos cooperados, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades.” (Acórdão n. 3403002.051, Rel. Cons. Antonio Carlos Atulim, unânime quanto ao tema, sessão de 24.abr.2013) (grifo nosso) “A dedução prevista no art. 3º, § 9º, III da Lei nº 9.718/98 alcança não só não só os pagamentos efetuados por eventos realizados em associados de outras operadoras, mas também os pagamentos efetuados à rede credenciada e ao SUS (não congêneres), deduzido dos valores recebidos a título de transferência de responsabilidade.” (Acórdão n. 3403002.466, Rel. Cons. Antonio Carlos Atulim, unânime, sessão de 25.set.2013) (grifo nosso) E em um dos últimos julgamentos sobre o tema no âmbito desta turma, com resultado novamente unânime (o citado Acórdão n. 3403002.590, de novembro de 2013), foi apresentada a alteração efetuada recentemente no art. 3o da Lei no 9.718/1998 pela Lei no 12.873, de 24/10/2013, que incluiu um § 9o–A, com caráter declaradamente interpretativo, dispondo que: “Para efeito de interpretação, o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos de que trata o inciso III do § 9o entendese o total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindose neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida”. (grifo nosso) Fl. 388DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 10/12/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por R OSALDO TREVISAN 24 E a conclusão unânime da turma, em relação ao novel dispositivo, foi no sentido de que: “Tendo em vista que a fiscalização somente aceitou, a título de dedução, os valores efetivamente pagos por eventos realizados em associados de outras operadoras, já deduzidos dos valores recebidos a título de transferência de responsabilidade, devem ser incluídos na dedução ainda os valores efetivamente pagos à rede credenciada e ao SUS (não congêneres)”. (Acórdão n. 3403002.590, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, sessão de 26.nov.2013) (grifo nosso) Assim, mantemos o entendimento de longa data predominante nesta turma de que a dedução a que se refere o III do § 9o do art. 3o da Lei no 9.718/1998 abarca os pagamentos efetuados em relação a associados de outras operadoras e os pagamentos efetuados à rede credenciada e ao SUS (não congêneres), deduzidos dos valores recebidos a título de transferência de responsabilidade. Não há, assim, qualquer autorização para dedução de valores referentes a atendimento com a rede própria da recorrente. Acatamse, assim, todas as deduções com amparo no inciso III do § 9o do art. 3o da Lei no 9.718/1998 que se refiram a pagamentos efetuados em relação a associados de outras operadoras, e a pagamentos efetuados à rede credenciada e ao SUS (não congêneres). Contudo, rechaçase qualquer dedução de valores referentes a atendimento com a rede própria da recorrente. Como a votação acabou versando exclusivamente sobre questões de direito, e foi narrado que nos autos existiam as duas situações, a acolhida (pagamentos efetuados em relação a associados de outras operadoras, e a pagamentos efetuados à rede credenciada e ao SUS não congêneres) e a rechaçada (dedução de valores referentes a atendimento com a rede própria da recorrentes), o provimento foi parcial, para que a distinção seja efetuada em sede de liquidação. Objetivando facilitar tal liquidação pela unidade local, passo a verificar exatamente a matéria autuada, para possibilitar o desmembramento da autuação nas categorias aqui discutidas. Os autos de infração relativos à COFINS (fls. 147 a 1671) e à Contribuição para o PIS/PASEP (fls. 168 a 188) fundamse em um mesmo Termo de Verificação Fiscal, inserido às fls. 192 a 208. Em tal termo, são apresentadas ainda três planilhas, uma (Planilha 1) com os valores deduzidos pela recorrente (contas contábeis 221, 212, 3117 e 4438993), outra (Planilha 2) com os valores entendidos pelo fisco como dedutíveis (contas 41113.1000, 41111.1100 e 3117 inciso I do § 9o do art. 3o da Lei no 9.718/1998; e conta 4115 – inciso III do mesmo parágrafo), e uma última (Planilha 3) indicando as diferenças ensejadoras da autuação, sendo o conteúdo das contas o seguinte: Contas 221 e 212 Contas de passivo, utilizadas para registrar os valores a pagar, aos hospitais, médicos, clinicas, laboratórios e outros profissionais da saúde associados ao plano de saúde Policlin S/A pelos atendimentos por eles feitos tanto aos conveniados com o próprio plano de saúde Policlin S/A, como aos conveniados com outras operadoras transferidos temporariamente para o plano de saúde Policlin S/A. Conta 3117 Conta retificadora de receita, utilizada no ano de 2008 para registrar os valores cobrados da operadora Policlin S/A pela operadora de outra região pela assunção do risco de atendimento aos beneficiários do piano de saúde Policlin S/A que lhe foram repassados 1 Todos os números de folhas indicados neste voto vencedor são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 389DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 10/12/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por R OSALDO TREVISAN Processo nº 13864.000243/201018 Acórdão n.º 3403003.124 S3C4T3 Fl. 378 25 (corresponsabilidade transferida) S/A. Conta 4438993 Conta retificadora de despesa, utilizada para transferência dos custos dos atendimentos feitos pelo Hospital Policlin tanto aos conveniados com o próprio plano de saúde Policlin S/A. como aos conveniados com outras operadoras transferidos para o plano de saúde Policlin S/A. Conta 4115 Conta de despesa, utilizada para registrar os custos dos atendimentos feitos pelos hospitais, médicos, clinicas, laboratórios e outros profissionais de saúde associados ao plano de saúde Policlin S/A aos conveniados com outras operadoras transferidos para o plano de Saúde Policlin S/A. Contas 41113.1000 e 41111.1100 Contas de despesa, utilizadas, nos anos de 2006 e 2007, respectivamente, para registrar tanto os valores cobrados da operadora Policlin S/A pela operadora de outra região pela assunção do risco de atendimento aos beneficiários do plano de saúde Policlin S/A que !he foram repassados (corresponsabilidade transferida), como também todas as demais despesas assistenciais dos atendimentos aos beneficiários do plano de saúde Policlin S/A. Conta 4111 Conta de despesa, utilizada para registrar os custos dos atendimentos feitos pelos hospitais, médicos, clínicas, laboratórios e outros profissionais da saúde associados ao plano de saúde Policlin S/A aos conveniados com o próprio piano de saúde Policlin S/A. Conta 3113 Conta de receita, utilizada para registrar os valores cobrados da operadora de outra região pela PoliclinS/A pela assunção do risco de atendimento aos beneficiários, da operadora de outra região que lhe foram repassados (corresponsabilidade assumida). A recorrente cobra valores para atendimento médico a conveniados com o plano de saúde Policlin S/A designados por empresascliente (assim entendidas as que possuem contrato com a recorrente, operadora do plano de saúde, para atendimento a funcionários ou associados), atendimento este que é prestado tanto por hospitais, médicos, clínicas, laboratórios e outros profissionais de saúde associados ao plano de saúde Policlin S/A (registro como obrigações a pagar nas contas 221 e 212, com débito na conta 4111), quanto pelo Hospital Policlin (caso em que não há pagamentos, sendo a contabilização do custo gerado com atendimento aos conveniados nas contas do grupo 41111, com contrapartida nas contas do grupo 4438993). O Relatório Fiscal trata ainda das coresponsabilidades transferidas (fl. 193) e das coresponsabilidades assumidas (fl. 194). Pela explicação da forma de contabilização constante às fls. 194/195, percebese que havia segregação em relação aos atendimentos com rede própria (Hospital Policlin) e credenciados (hospitais, médicos, clínicas, laboratórios e outros profissionais de saúde associados ao plano de saúde Policlin S/A). Ao ser indagada sobre o teor da rubrica “outras deduções” das fichas do DACON denominadas “resumo” de janeiro de 2006 a outubro de 2008 (depois estendida a dezembro de 2008), a empresa apresentou o demonstrativo de fl. 98, retificado pelos documentos de fls. 106/108, e complementado pelo documento de fl. 127, levando aos valores totalizados na Planilha 1, anexa ao Relatório Fiscal (fl. 206). Em tais demonstrativos, há registros de “indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pagos, deduzidos das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades” (inciso III do § 9o do art. 3o da Lei no 9.718/1998) nas contas 221 e 212 (anos de 2006 e 2007, referentes a credenciados), e nas contas 212 e 4438993 (ano de 2008, esta utilizada para transferência de custos referentes a atendimentos feitos pela rede própria). Há ainda, em 2008, deduções a título de “corresponsabilidades cedidas” (inciso I do § 9o do art. 3o da Lei no 9.718/1998). A interpretação restritiva do fisco ao teor do inciso III do § 9o do art. 3o da Lei no 9.718/1998, alicerçada em soluções de consulta (SRRF/3 no 20/2003 e SRRF/4 no 4/2004), no sentido de que o dispositivo não alcança o atendimento de beneficiários do plano Fl. 390DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 10/12/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por R OSALDO TREVISAN 26 na rede credenciada, mas somente o atendimento de associados de outras operadoras na rede credenciada, não se coaduna com o entendimento desta turma, nem com o comando do § 9o–A do art. 3o da Lei no 9.718/1998, acrescentado em caráter declaratório/interpretativo pela Lei no 12.873/2013. O inciso III, como já afirmamos neste voto, abarca tanto os pagamentos efetuados em relação a associados de outras operadoras quanto os pagamentos efetuados à rede credenciada e ao SUS (não congêneres), deduzidos dos valores recebidos a título de transferência de responsabilidade. Só restam excluídos da dedução os valores referentes a atendimentos realizados em rede própria. Na Planilha 2 (fl. 207), anexa ao Relatório Fiscal, o fisco acata as deduções registradas nas rubricas 41113.1000, 41111.1100 e 3117 (inciso I do § 9o do art. 3o da Lei no 9.718/1998) e 4115 inciso III do § 9o do art. 3o da Lei no 9.718/1998). Contudo, a nosso ver, não procede a razão alegada na autuação (e no termo que lhe fundamenta), no que se refere ao inciso III do § 9o do art. 3o da Lei no 9.718/1998, para afastar as deduções relativas a pagamentos efetuados à rede credenciada e ao SUS (não congêneres). Assim, as glosas às deduções referentes aos registros nas contas 212 e 221 são indevidas (sendo improcedente o lançamento efetuado em relação a elas), em virtude de não conterem motivação consistente na autuação, e as glosas referentes a registros efetuados na conta 4438993 são devidas (sendo procedente o lançamento correspondente), tendo em vista que é incabível a dedução em relação a valores referentes a atendimentos realizados em rede própria. E, em relação aos registros na conta 3117, a matéria restou incontroversa, no sentido da possibilidade de dedução, inclusive acatada na autuação. Contudo, há um fator complicador: as deduções acatadas pelo fisco em relação ao inciso III do § 9o do art. 3o da Lei no 9.718/1998 estão contidas na conta 4115, que é uma conta de contrapartida às contas 212 e 221. Assim, a unidade local, na liquidação desta decisão, deve tomar cuidado para que não sejam acolhidas deduções em duplicidade (subtraindo os valores já acatados pelo fisco conta 4115 com a parcela correspondente a eventual contrapartida destes nas contas 212 e 221). Delimitada a abrangência da acolhida parcial, para facilitar o trabalho de liquidação, é de se reiterar, em síntese, que esta turma, no mérito, em relação ao conteúdo do inciso III do § 9o do art. 3o da Lei no 9.718/1998, rechaça as deduções em relação a atendimentos efetuados com a rede própria da recorrente (Hospital Policlin), mas acolhe tais deduções em relação atendimentos com a rede credenciada (hospitais, médicos, clínicas, laboratórios e outros profissionais da saúde associados ao plano de saúde Policlin), seja a beneficiários da operadora (Policlin) ou a associados de outras operadoras. Assim, voto por dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito de o contribuinte incluir na dedução prevista no inciso III do § 9o do art. 3o da Lei no 9.718/1998 não só os pagamentos efetuados em relação a associados de outras operadoras, mas também os pagamentos efetuados à rede credenciada e ao SUS (não congêneres), deduzidos dos valores recebidos a título de transferência de responsabilidade, não acatando a dedução de valores referentes a atendimento com a rede própria. Rosaldo Trevisan Fl. 391DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 10/12/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por R OSALDO TREVISAN Processo nº 13864.000243/201018 Acórdão n.º 3403003.124 S3C4T3 Fl. 379 27 DECLARAÇÃO DE VOTO – IVAN ALLEGRETTI É preciso esclarecer qual é o efeito prático do § 9ºA do art. 3º da Lei nº 9.718/98, incluído pela Lei nº 12.873/2013, o qual busca explicitar a interpretação a ser dada à hipótese de dedução prevista no § 9º, III, do mesmo dispositivo da Lei nº 9.718/98. Confirase o texto dos dispositivos envolvidos: § 9º Na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, as operadoras de planos de assistência à saúde poderão deduzir: (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) I coresponsabilidades cedidas; (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) II a parcela das contraprestações pecuniárias destinada à constituição de provisões técnicas; (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) III o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades. (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 9ºA. Para efeito de interpretação, o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos de que trata o inciso III do § 9º entendese o total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindose neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida. (Incluído pela Lei nº 12.873, de 2013) (grifos editados) O texto do novo dispositivo, como visto, é expresso em dizer que a sua finalidade é a de dar efeito interpretativo à hipótese de dedução já existente, ficando claro que pretende explicar a amplitude dos conceitos já utilizados por aquela hipótese préexistente. Embora seja clara a sua intenção, ao mesmo tempo, interpretativa e ampliativa, pareceme que os efeitos buscados pelo § 9ºA coincide com a abrangência que já vinha sendo reconhecida por este Conselho na interpretação do referido inciso III. O novo dispositivo não autoriza estender o alcance da dedução, pura e simplesmente, para toda e qualquer despesa, inclusive as despesas internas, com a manutenção de serviços próprios. A referência ao termo “custos assistências decorrentes da utilização da cobertura oferecida pelos planos de saúde” não significa uma autorização para que todas as despesas internas da entidade possam configurar custo da cobertura. São alcançado apenas e exclusivamente os custos tipicamente assistenciais, quais sejam os pagamentos de consultas, Fl. 392DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 10/12/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por R OSALDO TREVISAN 28 internações e materiais e implementos de aplicação medicinal, pagos a profissionais ou pessoas jurídicas. Já era neste sentido a interpretação deste Conselho, conforme se confere exemplificativamente nos seguitnes juglados: (...) OPERADORA DE PLANO DE SAÚDE. DEDUÇÕES DA BASE DE CÁLCULO. A dedução prevista no art. 3º, § 9º, III da Lei nº 9.718/98 alcança não só não só os pagamentos efetuados por eventos realizados em associados de outras operadoras, mas também os pagamentos efetuados à rede credenciada e ao SUS (não congêneres), deduzido dos valores recebidos a título de transferência de responsabilidade. (...) (Acórdào 3403002.466, PA 16682.720404/201192, Rel. Cons. Antonio Carlos Atulim, j. 24/09/2013) (...) COFINS. COOPERATIVAS DE SERVIÇOS MÉDICOS. DEDUÇÕES DAS OPERADORAS DE PLANO DE SAÚDE. ART. 3º, § 9º, III, DA LEI 9.718/98. indenizações correspondentes aos eventos ocorridos. PAGAMENTOS AOS MÉDICOS COOPERADOS. Os pagamentos realizados pelas cooperativas aos médicos, clínicas, hospitais e laboratórios credenciados, para suportar os atendimentos (tais como consultas médicas, exames laboratoriais, hospitalização, cirurgias, terapias, medicamentos etc) a que deram causa os usuários, desde que tenham sido efetivamente pagos, configuram indenizações de eventos ocorridos, para o efeito da dedução da base de cálculo prevista no art. 3º, § 9º, III, da Lei nº 9.718/98. (...) (Acórdão 3403002.369, Processo 10245.001197/200506, Rel. Cons. Ivan Allegretti, j. 24/07/2013) “(...)COFINS. COOPERATIVAS DE SERVIÇOS MÉDICOS. DEDUÇÕES DAS OPERADORAS DE PLANO DE SAÚDE. ART. 3º, § 9º, I, II e III, DA LEI 9.718/98. coresponsabilidades cedidas. constituição de provisões. indenizações correspondentes aos eventos ocorridos. As deduções da base de cálculo previstas em relação às operadoras de planos de saúde também se aplicam às cooperativas de serviço médico que desenvolvem esta mesma atividade. Configuram indenizações de eventos ocorridos, para o efeito da dedução da base de cálculo prevista no art. 3º, § 9º, III, da Lei nº 9.718/98, os pagamentos realizados pelas cooperativas para terceiros (tais como médicos, clínicas, hospitais e laboratórios credenciados), para suportar os atendimentos (tais como consultas médicas, exames laboratoriais, hospitalização, cirurgias, terapias etc), a que deram causa os usuários dos planos de saúde, independente de se tratar de usuários da própria operadora ou de outras operadoras, desde que tenham sido efetivamente pagos, reduzidos dos valores reembolsados pelas outras operadoras. (...)” Fl. 393DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 10/12/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por R OSALDO TREVISAN Processo nº 13864.000243/201018 Acórdão n.º 3403003.124 S3C4T3 Fl. 380 29 (Acórdão nº 3403986, PA 10580.724883/201188, Rel. Cons. Ivan Allegretti, j. 20/03/2013) “(...)PIS/COFINS. COOPERATIVAS DE SERVIÇOS MÉDICOS. DEDUÇÕES DAS OPERADORAS DE PLANO DE SAÚDE. APLICAÇÃO. ART. 3º, § 9º, III, DA LEI 9.718/98. indenizações correspondentes aos eventos ocorridos. CONCEITO. ALCANCE. Configuram indenizações de eventos ocorridos, para o efeito da dedução da base de cálculo prevista no art. 3º, § 9º, III, da Lei nº 9.718/98, os pagamentos realizados pelas cooperativas para terceiros (tais como médicos, clínicas, hospitais e laboratórios credenciados), para suportar os atendimentos (tais como consultas médicas, exames laboratoriais, hospitalização, cirurgias, terapias etc), a que deram causa os usuários dos planos de saúde independente de se tratar de usuários da própria operadora ou de outras operadoras, desde que tenham sido efetivamente pagos, reduzidos dos valores reembolsados pelas outras operadoras. (...)” (Acórdão 3403002.049, PA 13063.000694/200858, Rel. Cons. Ivan Allegretti, j. 23/04/2013) “(...) COOPERATIVAS MED́ICAS PIS/COFINS MEDIDA PROVISOŔIA Nº 2.158/35 POSSIBILIDADES DE EXCLUSAÕ INDENIZAÇÕES REFERENTES A EVENTOS OCORRIDOS CONCEITO Grande polêmica alcança a exclusão de base de cálculo prevista no inciso III, § 9º, artigo 2º da MP 2.15835, que assim determina: “III o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pagos, deduzido das importâncias recebidas a titulo de transferência de responsabilidades”. Este dispositivo diverge, por consectário lógico, não equivale ao inciso “I”, que possibilita a exclusão de valores repassados para as congêneres contratadas com transferência de responsabilidade. O inciso “III” permite a exclusão dos valores repassados aos credenciados, sem transferência de responsabilidade, que ao invés de receberem valores fixos mensais, recebem indenizações por eventos efetivamente ocorridos. Em nenhuma hipótese se permite a exclusão da base de cálculo de valores referentes à rede própria. (...) (Acórdão nº 3302001.765, PA nº 13971.002373/200411, Rel. Cons. Fabíola Cassiano Keramidas, j. 21/08/2012) Entendo pois, que o § 9ºA pretende dar ao inciso III a mesma interpretação e alcance que este Conselho já vinha dando a este último dispositivo, de maneira que não autoriza a dedução de despesas internas realizadas pela entidade gestora plano de saúde (rede própria), mas somente os pagamentos realizados a terceiros para a cobertura do plano de saúde (rede credenciada). É como voto. Fl. 394DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 10/12/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por R OSALDO TREVISAN 30 Ivan Allegretti DECLARAÇÃO DE VOTO – Luiz Rogério Sawaya Batista A controvérsia gira em torno da interpretação do inciso III, do §9º, do artigo 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, abaixo reproduzido: § 9o Na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, as operadoras de planos de assistência à saúde poderão deduzir: Icoresponsabilidades cedidas; IIa parcela das contraprestações pecuniárias destinada à constituição de provisões técnicas; IIIo valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades. § 9oA. Para efeito de interpretação, o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos de que trata o inciso III do § 9oentendese o total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindose neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida.(Incluído pela Lei nº 12.873, de 2013) § 9oB. Para efeitos de interpretação docaput, não são considerados receita bruta das administradoras de benefícios os valores devidos a outras operadoras de planos de assistência à saúde. Mais especificamente, se a Recorrente teria ou não direito à dedução de custos e despesas correspondentes aos valores pagos a título de indenizações decorrentes de eventos ocorridos, efetivamente pagos. Mas não é só! A discussão reside na possibilidade ou não de dedução desses valores, quando pagos a terceiros, e. g., terceiras operadoras, ou quando incorridos pela rede própria da Recorrente. A autuação não diferenciou tais quantias — terceiros e rede própria —, lançando as Contribuições supostamente devidas sobre todos os valores descontados pela Recorrente. Inicialmente, não é demais ressaltar que a Contribuição ao Financiamento da Seguridade Social (“PIS”) e para o Financiamento da Seguridade Social (“COFINS”) incide, no presente caso, sob o regime cumulativo, tanto que reguladas pela Lei nº 9.718/1998, que determina a incidência às alíquotas de 0,65% e 4%. Aliás, a alíquota da COFINS foi majorada de 3% para 4% pela Lei nº 12.873, de 24 de outubro de 2013, que introduziu o parágrafo 9ºA na Lei nº 9.718/1998, com caráter expressamente interpretativo. Fl. 395DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 10/12/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por R OSALDO TREVISAN Processo nº 13864.000243/201018 Acórdão n.º 3403003.124 S3C4T3 Fl. 381 31 O inciso III, do § 9º do artigo 3º chama a atenção do intérprete, pois ele se refere ao valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pagas, deduzidas das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidade. E o questionamento surge porque o §9º, do artigo 3º se refere aos planos de saúde, que prestam serviços de assistência médica a seus usuários e, conforme o caso, usuários de outras operadoras, em conformidade com as diversas modalidades de atendimento e de planos de saúde previstas pela Agência Nacional de Saúde. Rigorosamente o plano de saúde não paga indenização a seus usuários nem a terceiros, mas sim a seguradora de saúde, conforme preveem os artigos 757 e seguintes do Código Civil, conforme segue: Art. 757. Pelo contrato de seguro, o segurador se obriga, mediante o pagamento do prêmio, a garantir interesse legítimo do segurado, relativo a pessoa ou a coisa, contra riscos predeterminados. Parágrafo único. Somente pode ser parte, no contrato de seguro, como segurador, entidade para tal fim legalmente autorizada. .... Art. 763. Não terá direito a indenização o segurado que estiver em mora no pagamento do prêmio, se ocorrer o sinistro antes de sua purgação. Ou seja, no Contrato de Seguro, a seguradora, entidade legalmente autorizada a funcionar de tal forma, mediante o pagamento de prêmio, se obriga a garantir o interesse legítimo do seguro, contra riscos predeterminados. Ocorrendo o sinistro, o evento determinado no contrato de seguro, a seguradora se obriga a indenizar o segurado. Naturalmente que o legislador incorreu foi atécnico ao endereçar o dispositivo para as operados de planos de assistência à saúde, tratando de dedução de base de cálculo, um tema deveras sensível, mencionando termo jurídico que, em realidade, não se aplicaria às operadoras, mas sim às seguradoras. Talvez a justificativa, além da atecnia pura e simples do legislador, resida no fato de que houve a intenção de se equiparar a seguradora de saúde e as operadoras de planos de assistência à saúde, sobretudo por conta da precária situação financeira em que se encontram essas últimas pessoas jurídicas, não raro, obrigadas a arcar com eventos não previstos expressamente em contrato e, por outro lado, sujeitas às majorações contratuais autorizadas pela ANS. Analisando a exposição de motivos da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, verificase que esse era realmente o intento do legislador que, diante da presente discussão, não atingiu o seu objetivo, pois não reconhecido pela próprio Fisco, não permitindo tal dedução, seja ela com terceiros, seja ela com a rede própria. De qualquer forma, não se pode perder de vista que o dispositivo não se assenta exclusivamente na palavra “indenização”, mas antes se refere ao “valor referente às indenizações”, indicando, portanto, que a dedução se aplica a todo evento que a operadora de saúde for obrigada a contratualmente cobrir. Fl. 396DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 10/12/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por R OSALDO TREVISAN 32 Há, pois, uma aproximação da operadora e da segura de saúde, posto que a operadora de plano de saúde não paga indenização, mas, de forma semelhante, se obriga a, ocorrendo o evento contratualmente previsto, cobrir um risco de saúde determinando, mediante o atendimento voltado à saúde de seu usuário. Por essa razão que, em meu entendimento, o dispositivo utiliza as palavras “indenização” e “evento ocorrido” e, ainda, “efetivamente pago”, indicando que apenas os valores arcados pelas operadoras de planos de saúde poderão ser deduzidos das bases de cálculo do PIS e da COFINS. Não há outra interpretação! As operadoras de planos de saúde não percebem indenização e nos casos de transferência de responsabilidade, o que ocorre é o atendimento de usuários transferidos de outras operadoras, daí a expressão transferência de responsabilidade, em que, conforme o caso, há obrigação da operadora original de arcar com o os custos e despesas do atendimento (sinistro ocorrido). Como se tal não fosse bastante para a resolução da controvérsia, diante da discussão que o tema gerou, foi inserido o §9ºA ao artigo 3º da Lei nº 9.718/1998, que expressamente previu que o valor referente às indenizações corresponde ao total dos custos assistenciais decorrentes da utilização, pelos usuários, da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindose os custos da própria operadora e de outras operadoras atendidos a título de transferência de responsabilidade: § 9oA. Para efeito de interpretação, o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos de que trata o inciso III do § 9oentendese o total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindose neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida.(Incluído pela Lei nº 12.873, de 2013) Ora, se antes, como argumentam, não havia razão para permitir a dedução dos valores incorridos com a rede própria, mas tãosomente com terceiros, a partir da Lei nº 12.873/2013 tornase difícil, senão impossível, defender o oposto, visto que expressamente há a menção de que o “o valor referente às indenizações” corresponde aos custos próprios e custos com terceiros. E não se trata de equiparação da palavra, ou melhor, do termo jurídico indenização, ao termo jurídico “custo”, proveniente da seara contábil, e próprio da legislação do Imposto de Renda, pois, como vimos, tal palavra foi utilizada para efeito de equiparação e o legislador não foi feliz ao empregála. Não! O dispositivo inserido, com fim interpretativo, portanto, de aplicação retroativa, expressamente determina que o valor referente às indenizações se refere a todo o evento arcado pelas operadoras de planos de saúde, que, nesse sentido, podem tanto deduzir os custos com rede própria exclusivamente relacionados ao atendimento, como os custos com terceiros. Não posso deixar de ressaltar que tal interpretação, fundada no Código Civil, e no § 9º, do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998, que leva em conta a correta utilização dos termos empregados no dispositivo, resulta efetivamente em um regime tributário diferenciado de recolhimento do PIS e da COFINS, em que as operadoras de planos de saúde podem deduzir tais valores (custos e despesas) na determinação de suas bases de cálculo. Fl. 397DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 10/12/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por R OSALDO TREVISAN Processo nº 13864.000243/201018 Acórdão n.º 3403003.124 S3C4T3 Fl. 382 33 De qualquer forma, tal regime não se apresenta não usual, pois empresas de publicidade, empresas securitizadoras, financeiras, incluindose as próprias seguradoras, tem direito a determinadas deduções, o que, no presente caso, se justifica economicamente, uma vez que o objetivo primordial desse tipo de tratamento é a redução do preço do plano de saúde oferecido ao usuário, reconhecendo o Poder Público, conforme determinação constitucional, que o acesso à saúde ocorre por rede pública ou privada. Tal assertiva não é propriamente jurídica, no sentido puro, mas assume relevância quando se utiliza o tratamento diferenciado para afastála, apartado do próprio dispositivo. E em meu entendimento, o Direito não constitui um fim em si mesmo, devendo ser interpretado em seu contexto econômico, de tal forma que, no presente caso, da denominada interpretação econômica a conclusão não poderia ser diferente daquela anteriormente descrita. Por essas razões que dou provimento ao Recurso Voluntário, de tal maneira que a Recorrente possa deduzir das bases de cálculo do PIS e da COFINS os valores relacionados aos custos/despesas decorrentes da cobertura aos seus usuários tanto de rende própria como de terceiros. É como voto. (assinado digitalmente) Luiz Rogério Sawaya Batista Fl. 398DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 10/12/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por R OSALDO TREVISAN
score : 1.0
Numero do processo: 15374.917292/2008-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jan 22 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/07/2004 a 31/07/2004
DCOMP. INEXATIDÕES MATERIAIS. RETIFICAÇÃO. POSSIBILIDADE.
A retificação de Declaração de Compensação será admitida na hipótese de inexatidões materiais verificadas no preenchimento de referido documento e desde que o pedido ou a declaração se encontre pendente de decisão administrativa à data do envio do documento retificador.
INEXISTÊNCIA DE RETIFICAÇÃO. PROCEDIMENTO DE OFÍCIO. IMPOSSIBILIDADE.
A retificação ex officio de Declaração de Compensação, por parte da autoridade julgadora, carece de base legal.
VERDADE MATERIAL. PROVA NÃO PRODUZIDA. INAPLICABILIDADE.
Não havendo a retificação da referida declaração, por iniciativa da interessada, o princípio da verdade material é inaplicável. Ainda que essa fato pudesse ser superado, a interessada não fez prova do erro alegado com documentos e livros fiscais e contábeis.
Numero da decisão: 3201-001.754
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
JOEL MIYAZAKI - Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
DANIEL MARIZ GUDIÑO - Relator.
EDITADO EM: 09/01/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Daniel Mariz Gudiño, Winderley Morais Pereira e Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto.
Nome do relator: DANIEL MARIZ GUDINO
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/07/2004 a 31/07/2004 DCOMP. INEXATIDÕES MATERIAIS. RETIFICAÇÃO. POSSIBILIDADE. A retificação de Declaração de Compensação será admitida na hipótese de inexatidões materiais verificadas no preenchimento de referido documento e desde que o pedido ou a declaração se encontre pendente de decisão administrativa à data do envio do documento retificador. INEXISTÊNCIA DE RETIFICAÇÃO. PROCEDIMENTO DE OFÍCIO. IMPOSSIBILIDADE. A retificação ex officio de Declaração de Compensação, por parte da autoridade julgadora, carece de base legal. VERDADE MATERIAL. PROVA NÃO PRODUZIDA. INAPLICABILIDADE. Não havendo a retificação da referida declaração, por iniciativa da interessada, o princípio da verdade material é inaplicável. Ainda que essa fato pudesse ser superado, a interessada não fez prova do erro alegado com documentos e livros fiscais e contábeis.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (ASSINADO DIGITALMENTE) JOEL MIYAZAKI - Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) DANIEL MARIZ GUDIÑO - Relator. EDITADO EM: 09/01/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Daniel Mariz Gudiño, Winderley Morais Pereira e Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto.
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INEXATIDÕES MATERIAIS. RETIFICAÇÃO. POSSIBILIDADE. A retificação de Declaração de Compensação será admitida na hipótese de inexatidões materiais verificadas no preenchimento de referido documento e desde que o pedido ou a declaração se encontre pendente de decisão administrativa à data do envio do documento retificador. INEXISTÊNCIA DE RETIFICAÇÃO. PROCEDIMENTO DE OFÍCIO. IMPOSSIBILIDADE. A retificação ex officio de Declaração de Compensação, por parte da autoridade julgadora, carece de base legal. VERDADE MATERIAL. PROVA NÃO PRODUZIDA. INAPLICABILIDADE. Não havendo a retificação da referida declaração, por iniciativa da interessada, o princípio da verdade material é inaplicável. Ainda que essa fato pudesse ser superado, a interessada não fez prova do erro alegado com documentos e livros fiscais e contábeis. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (ASSINADO DIGITALMENTE) JOEL MIYAZAKI Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 91 72 92 /2 00 8- 14 Fl. 175DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 21/01/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 09/01/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO 2 (ASSINADO DIGITALMENTE) DANIEL MARIZ GUDIÑO Relator. EDITADO EM: 09/01/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Daniel Mariz Gudiño, Winderley Morais Pereira e Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto. Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até o julgamento da instância a quo, transcrevese abaixo o relatório do acórdão recorrido, seguido da sua ementa e das razões recursais: Tratase de Declaração de Compensação Eletrônica nº 32307.09042.150904.1.3.046659, transmitida em 15/09/2004,– nãohomologada de débito de PIS (cód. 69121), relativo ao período de apuração de 09/2004, com crédito oriundo de pagamento a maior, a título de PIS (cód. 6912), recolhido em 13/08/2004, atinente ao Período de Apuração: 31/07/2004, tudo conforme se verifica na cópia da PerdComp constante dos autos. Por meio do Despacho Decisório (fl. 10) emitido eletronicamente, a DERATRio de JaneiroRJ, não homologou a compensação declarada, alegando não restar crédito disponível para a compensação dos débitos informados, em virtude de o pagamento do qual seria oriundo já ter sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificada em 22/08/2008 (fl. 09), a Interessada ingressou, em 10/09/2008, com manifestação de inconformidade (fls. 12/14), na qual alega, em síntese, que: 1. Informou o DARF errado na Dcomp e que o credito na verdade é oriundo do DARF relativo ao PIS do período de apuração 31/07/2004, no valor de R$ 3.027,20, que foi recolhido em 13/08/2004, com código 8109. 2. A empresa Green Motors está com a situação suspensa no cadastro da RFB e por esta razão não conseguiu transmitir a PER/DCOMP retificadora. 3. Também é necessária a retificação da DCTF relativa ao 3º trimestre de 2004, onde foi informado incorretamente o valor de R$ 3.027,20 do débito de PIS de julho de 2004, quando o correto seria R$ 1.130,83, conforme DIPJ . 4. Requer a produção de provas em direito admitidas, em especial a juntada de documentos e a realização de diligências a fim de que seja apurada a verdade material dos fatos. Fl. 176DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 21/01/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 09/01/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO Processo nº 15374.917292/200814 Acórdão n.º 3201001.754 S3C2T1 Fl. 176 3 A contribuinte requer o reconhecimento do direito creditório e a homologação da compensação declarada. A 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro II (RJ) julgou improcedente a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 13 39.455, de 25/01/2012, que restou assim ementado: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/07/2004 a 31/07/2004 PERÍCIA/DILIGÊNCIA DENEGADAS A perícia e a diligência se reservam à elucidação de pontos duvidosos que requerem conhecimentos especializados para o deslinde de litígio, não se justificando a sua realização quando o fato probando puder ser demonstrado pela juntada de documentos. PROVA. MOMENTO. PRECLUSÃO. A prova do crédito, que suporta Declaração de Compensação, cabe à contribuinte, devendo ser apresentada até o momento da Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão, salvo em casos excepcionais legalmente previstos. DCOMP. RETIFICAÇÃO. A retificação de Declaração de Compensação somente será admitida na hipótese de inexatidões materiais verificadas no preenchimento de referido documento e desde que o pedido ou a declaração se encontre pendente de decisão administrativa à data do envio do documento retificador. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Novamente inconformada com o resultado do julgamento, a Recorrente interpôs recurso voluntário tempestivamente, reiterando, em suma, os argumentos suscitados em sua defesa original. O processo foi distribuído e sorteado a este Conselheiro, seguindo o rito regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Daniel Mariz Gudiño Fl. 177DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 21/01/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 09/01/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO 4 O recurso voluntário atende os pressupostos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 1972, e alterações posteriores, razão pela qual deve ser conhecido. A controvérsia veiculada pela peça recursal diz respeito à possibilidade de a autoridade fiscal homologar a compensação formalizada com erro material escusável no preenchimento da DCOMP e da DCTF. Segundo a Recorrente, o crédito utilizado na compensação seria decorrente de recolhimento a maior de PIS cumulativo referente ao período de apuração de 31/07/2004. O valor recolhido foi R$ 3.027,20, quando o correto seria R$ 1.130,83. Ainda de acordo com a Recorrente, os valores relativos a PIS cumulativo seria originado pela venda de veículos usados, conforme comprovantes acostados em sua peça recursal. O valor correto estaria informado em DIPJ, que, por sua vez, seria documento hábil à comprovação dos valores e cálculos por ela alegados. A Recorrente também defende que o erro material constante da DCTF não gera qualquer prejuízo ao Erário Público, devendo prevalecer a verdade material no processo administrativo fiscal. Cita jurisprudência do extinto Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda para fundamentar as suas alegações. De fato, a jurisprudência administrativa ainda hoje considera – como não poderia deixar de ser – o princípio da verdade material como vetor do processo administrativo fiscal. Com efeito, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF tem sido flexível acerca do assunto, admitindo a retificação extemporânea da DCTF, desde que o interessado prove o equívoco cometido, ou seja, a existência do crédito à época em que a DCOMP foi transmitida. Confirase: PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. DESPACHO DECISÓRIO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. A simples retificação, desacompanhada de qualquer prova, não autoriza a homologação da compensação. (Acórdão nº 3802002.345, Rel. Cons. Solon Sehn, Sessão de 29/01/2014) ......................................................................................................... DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITOS. A DCTF retificadora apresentada após a ciência da contribuinte do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito tributário pretendido, sendo indispensável à comprovação do erro em que se funde o que não ocorreu. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. Fl. 178DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 21/01/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 09/01/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO Processo nº 15374.917292/200814 Acórdão n.º 3201001.754 S3C2T1 Fl. 177 5 (Acórdão nº 3801002.926, Rel. Cons. Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Sessão de 25/02/2014) ......................................................................................................... DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. (Acórdão nº 3302002.124, Rel. Cons. Alexandre Gomes, Sessão de 22/05/2013) No caso concreto, todavia, a Recorrente sequer retificou a PER/DCOMP, inviabilizando, pois, a correta análise do seu pedido de compensação. Conforme decidido pela instância a quo, “... inexiste a possibilidade de proceder de ofício a retificação solicitada pelo (sic) interessada na presente manifestação de inconformidade...”. Em respeito ao princípio da verdade material, o momento da retificação poderia até ser relevado, mas não a inexistência de retificação. O fato de o CNPJ da Recorrente encontrarse suspenso ao tempo em que supostamente tentou proceder à retificação da PER/DCOMP somente reforça a existência de inconsistências nas suas rotinas fiscais, não podendo ser utilizado como argumento para abrandar o rigor da legislação relativa à compensação de créditos e débitos de natureza tributária, afinal, os antigos já ensinavam que não se pode invocar a própria torpeza em benefício próprio (nemo potest venire contra factum proprium). Ainda que tudo isso pudesse ser relevado, convém destacar que a flexibilidade jurisprudencial não exime a interessada de provar o suposto erro escusável com documentos e livros fiscais e contábeis. Também como registrou a relatora da decisão recorrida, a Recorrente não juntou aos autos qualquer comprovação da tentativa de transmissão de PER/DCOMP retificador e também não juntou cópia da escrituração para comprovar a alteração do valor do débito declarado em DCTF. Diante do exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário, mantendo a decisão recorrida integralmente. (ASSINADO DIGITALMENTE) Daniel Mariz Gudiño Relator Fl. 179DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 21/01/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 09/01/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO 6 Fl. 180DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 21/01/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 09/01/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO
score : 1.0
Numero do processo: 16327.000192/2009-58
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jan 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
NULIDADE DO PROCEDIMENTO FISCAL. RMF
Não há, na legislação que regulamenta a RMF, qualquer determinação no sentido de que essas requisições deverão instruir os autos dos processos administrativos que resultarem de autuações com base em dados bancários obtidos por intermédio dessas requisições. E a ausência da RMF não pode significar que deixaram de ser observados os procedimentos traçados pela legislação infraconstitucional para a quebra de sigilo bancário.
LUCRO ARBITRADO.
Quando o contribuinte, obrigado à tributação pelo lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixa de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação, ou ainda, deixa de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, configurada está a hipótese de arbitramento do lucro.
DECORRÊNCIA. CSLL. PIS. COFINS.
A decisão relativa ao lançamento principal se aplica, no que couber, As exigências de CSLL, PIS e COFINS, devido A estreita relação de causa e
efeito existente entre eles.
MULTA QUALIFICADA.
Constatado que as declarações de IRPJ entregues são mera ficção contábil, e de que a empresa, além de não manter sua escrituração segundo as normas legais vigentes, forneceu relação parcial de suas operações sujeitas à tributação, correta a aplicação de multa qualificada conforme previsão legal.
CSLL NA BASE DE CÁLCULO DO IRPJ
O STF, no Recurso Extraordinário nº 582525 (Relator: Min. Joaquim Barbosa, Tribunal Pleno, Julgado em 09/05/2013, Acórdão Eletrônico Repercussão Geral - Mérito Dje-026 Divulg 06-02-2014 Public 07-02-2014), declarou a constitucionalidade do art. 1º e par. ún. da Lei 9.316/1996, que proíbe a dedução do valor da CSLL para fins de apuração do lucro real, base de cálculo do Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas - IRPJ.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Inteligência da Súmula CARF nº 4.
Numero da decisão: 1801-002.108
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Alexandre Fernandes Limiro (Relator) que, em preliminar, acatou a nulidade suscitada pela recorrente; no mérito, a decisão é unânime em negar provimento ao recurso. Designada a Conselheira Maria de Lourdes Ramirez para redigir o Voto Vencedor no que concerne à matéria de nulidade dos lançamentos tributários.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Wipprich- Presidente.
(assinado digitalmente)
Alexandre Fernandes Limiro - Relator.
(assinado digitalmente)
Maria de Lourdes Ramirez Redatora Designada
Participaram da sessão de julgamento, os conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cristiane Silva Costa, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Ana de Barros Fernandes Wipprich.
Nome do relator: ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006 NULIDADE DO PROCEDIMENTO FISCAL. RMF Não há, na legislação que regulamenta a RMF, qualquer determinação no sentido de que essas requisições deverão instruir os autos dos processos administrativos que resultarem de autuações com base em dados bancários obtidos por intermédio dessas requisições. E a ausência da RMF não pode significar que deixaram de ser observados os procedimentos traçados pela legislação infraconstitucional para a quebra de sigilo bancário. LUCRO ARBITRADO. Quando o contribuinte, obrigado à tributação pelo lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixa de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação, ou ainda, deixa de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, configurada está a hipótese de arbitramento do lucro. DECORRÊNCIA. CSLL. PIS. COFINS. A decisão relativa ao lançamento principal se aplica, no que couber, As exigências de CSLL, PIS e COFINS, devido A estreita relação de causa e efeito existente entre eles. MULTA QUALIFICADA. Constatado que as declarações de IRPJ entregues são mera ficção contábil, e de que a empresa, além de não manter sua escrituração segundo as normas legais vigentes, forneceu relação parcial de suas operações sujeitas à tributação, correta a aplicação de multa qualificada conforme previsão legal. CSLL NA BASE DE CÁLCULO DO IRPJ O STF, no Recurso Extraordinário nº 582525 (Relator: Min. Joaquim Barbosa, Tribunal Pleno, Julgado em 09/05/2013, Acórdão Eletrônico Repercussão Geral - Mérito Dje-026 Divulg 06-02-2014 Public 07-02-2014), declarou a constitucionalidade do art. 1º e par. ún. da Lei 9.316/1996, que proíbe a dedução do valor da CSLL para fins de apuração do lucro real, base de cálculo do Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas - IRPJ. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Inteligência da Súmula CARF nº 4.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Alexandre Fernandes Limiro (Relator) que, em preliminar, acatou a nulidade suscitada pela recorrente; no mérito, a decisão é unânime em negar provimento ao recurso. Designada a Conselheira Maria de Lourdes Ramirez para redigir o Voto Vencedor no que concerne à matéria de nulidade dos lançamentos tributários. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich- Presidente. (assinado digitalmente) Alexandre Fernandes Limiro - Relator. (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez Redatora Designada Participaram da sessão de julgamento, os conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cristiane Silva Costa, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Ana de Barros Fernandes Wipprich.
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RMF Não há, na legislação que regulamenta a RMF, qualquer determinação no sentido de que essas requisições deverão instruir os autos dos processos administrativos que resultarem de autuações com base em dados bancários obtidos por intermédio dessas requisições. E a ausência da RMF não pode significar que deixaram de ser observados os procedimentos traçados pela legislação infraconstitucional para a quebra de sigilo bancário. LUCRO ARBITRADO. Quando o contribuinte, obrigado à tributação pelo lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixa de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação, ou ainda, deixa de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, configurada está a hipótese de arbitramento do lucro. DECORRÊNCIA. CSLL. PIS. COFINS. A decisão relativa ao lançamento principal se aplica, no que couber, As exigências de CSLL, PIS e COFINS, devido A estreita relação de causa e efeito existente entre eles. MULTA QUALIFICADA. Constatado que as declarações de IRPJ entregues são mera ficção contábil, e de que a empresa, além de não manter sua escrituração segundo as normas legais vigentes, forneceu relação parcial de suas operações sujeitas à tributação, correta a aplicação de multa qualificada conforme previsão legal. CSLL NA BASE DE CÁLCULO DO IRPJ O STF, no Recurso Extraordinário nº 582525 (Relator: Min. Joaquim Barbosa, Tribunal Pleno, Julgado em 09/05/2013, Acórdão Eletrônico AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 01 92 /2 00 9- 58 Fl. 589DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 03/10/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIR O, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Repercussão Geral Mérito Dje026 Divulg 06022014 Public 07022014), declarou a constitucionalidade do art. 1º e par. ún. da Lei 9.316/1996, que proíbe a dedução do valor da CSLL para fins de apuração do lucro real, base de cálculo do Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas IRPJ. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Inteligência da Súmula CARF nº 4. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Alexandre Fernandes Limiro (Relator) que, em preliminar, acatou a nulidade suscitada pela recorrente; no mérito, a decisão é unânime em negar provimento ao recurso. Designada a Conselheira Maria de Lourdes Ramirez para redigir o Voto Vencedor no que concerne à matéria de nulidade dos lançamentos tributários. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich Presidente. (assinado digitalmente) Alexandre Fernandes Limiro Relator. (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Redatora Designada Participaram da sessão de julgamento, os conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cristiane Silva Costa, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Ana de Barros Fernandes Wipprich. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por correio com postagem no dia 8/02/2013 (fl. 581), face a acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São PauloSP (intimação em 11/01/2013, cf. efl. 528), com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. DESCABIMENTO. Fl. 590DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 03/10/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIR O, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 16327.000192/200958 Acórdão n.º 1801002.108 S1TE01 Fl. 3 3 É infundada a arguição de cerceamento do direito de defesa quando todas as etapas regulares do PAF são observadas, e a peça impugnatória é apresentada com desenvoltura suficiente para contradizer a autuação. LUCRO ARBITRADO. CONTRIBUINTE, OBRIGADO À TRIBUTAÇÃO PELO LUCRO REAL Ante não apresentação de documentação contábil, inexistência dos livros fiscais obrigatórios e os auxiliares, resta autorizado pela legislação tributária o arbitramento (art. 47 da Lei n° 8.981/95 e art. 530 do RIR/99). DECORRÊNCIA. CSLL. PIS. COFINS. A decisão relativa ao lançamento principal se aplica, no que couber, às exigências de CSLL, PIS e COFINS, devido à estreita relação de causa e efeito existente entre eles. MULTA QUALIFICADA. Diante da constatação da fiscalização de que as declarações de IRPJ entregues são mera ficção contábil, e de que a empresa, além de não manter sua escrituração segundo as normas legais vigentes, forneceu relação parcial de suas operações sujeitas à tributação, correta a aplicação de multa qualificada conforme previsão legal. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Cabimento dos juros determinados pela taxa Selic, com base na lei 9.065/95. INCONSTITUCIONALIDADE/ILEGALIDADE DE NORMAS. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no Pais, sendo incompetentes para a apreciação argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de normas. A decisão recorrida chancelou a exigência fiscal que, ante à falta de documentos fiscais e contábeis quanto ao exercício de 2006, arbitrou a base de cálculo com base na movimentação bancária do contribuinte. As planilhas do referido cálculo estão às efls. 364/367. O lançamento constitutivo de crédito tributário referente ao ano calendário de 2006, se deu nos valores de R$ 20.006,19 (IRPJ), R$ 10.003,04 (CSLL), R$ 2.268,97 (PIS) e R$ 10.473,11 (Cofins), incluídos multas e juros calculados até 30/01/2009. Os autos de infração constam às fls. 337340, 344347, 351354 e 359363, integrados pelos respectivos termos, demonstrativos e documentos neles mencionados. O enquadramento legal grafado no campo especifico de cada auto de infração aponta os seguintes dispositivos: art. 530, I, 532 e 537 do RIR199 (IRPJ), art.22 da lei 10.684/2003 e art.37 da lei 10.637/2002 (CSLL), art. 1° e 3° da LC 07/70, art.24, § 2.° da lei 9.249/05 e art.2.°, I, "a", II e parágrafo único 3.°, 10, 22, 51 e 91 do decreto 4.524/2002 (PIS e Cofins), art.86, § 1º, da lei 7.450/85, art. 2.° da lei 7.683/88, art.10, parágrafo único, da LC 70/91 e art.44, II, da lei 9.430/96 (multa). Em suas razões recursais alega, em síntese, o contribuinte: A) Preliminarmente: Fl. 591DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 03/10/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIR O, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 a.1) Cerceamento de defesa, por negativa de acesso aos autos evidenciada às fls. 377/384 quando ainda pendente o prazo de impugnação, o que teria impedido o exercício de sua plena defesa em sede de primeira instância, razão pela qual, sob pena de supressão de instância, requereu a declaração de nulidade do julgamento (acórdão n° 1622.667 8a Turma da DRJ/SP1) proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (SP), com o restabelecimento do prazo para apresentar impugnação; a.2) Declaração de vício formal insanável de todo o procedimento fiscal já a partir do relatório, posto “o próprio Auditor Fiscal reconhecer, explicitamente, que antes mesmo de providenciar os trâmites legais exigidos pela norma de regência para a quebra do sigilo bancário da MOR, já estava de posse de todos os dados e documentos” (parágrafos, 3º e 4º da fl. 5 dos autos). Argumenta que corrobora essa conclusão o fato de que “não consta dos autos deste processo as necessárias “Solicitações de Expedição de RMF” e a própria RMF expedida, como exigem o Decreto n° 3.724/2001 e a Portaria SRF n° 180/2001”; a.3) Nulidade por “ausência de páginas entre as fls. 06 e 07 dos autos no Relatório Fiscal apresentado pelo Senhor Auditor Fiscal ao seu superior hierárquico, como justificativa para proposição”, posto ser direito do contribuinte ter conhecimento do inteiro teor de todos os documentos juntados ou mencionados como embasamento à autuação fiscal a.4) que o Sr. Auditor Fiscal, tanto no Termo de Verificação Fiscal de fls. 369/374, assim como, no Relatório Fiscal de fls.03/08 e no Dossiê de fls. 52/56, muitas vezes se refere a manifestações fiscais, documentos e termos de outro processo administrativo ou ainda de documentos que não existem nestes autos, sem no entanto juntar a estes autos cópia dos mesmos, como lhe era de mister fazêlo, violando o direito de defesa. Elenca, neste sentido, as seguintes omissões: a) No Relatório Fiscal Proposta de Arbitramento (fls. 03 a 08): a.1) Fls. 03: ausência do Registro de Procedimento Fiscal n.° 08.1.66.00 2008004289; a.2) Fls. 06/07: ausência de páginas do relatório; b) No Termo de Verificação Fiscal de fls. 369/374: b.1) Fls. 369: Cita, no segundo parágrafo do Termo o autor do lançamento: "Para esta parte da auditoria valem todas as afirmações que foram feitas referentes à primeira parte (...)", sem juntar cópias dessas afirmações; b.2) Fls. 371: menciona ter efetuado "levantamento dos débitos registrados nos diversos contascorrentes dos diferentes bancos, dos quais teria separado os que poderiam ser desembolsos com a compra de títulos", sem nenhuma discriminação de quais seriam esses débitos, apresentando apenas totalização mensal; c) No Dossiê n° 5980/08 de fls. 52/56: c.1) Fls. 52: Não consta destes autos o MPF (Mandado de Procedimento Fiscal) ali citado. B) No mérito: b.1) Que atenta à evidência dos autos, em especial os documentos contidos às fls. 277/331, a afirmação do acórdão recorrido de que o contribuinte não apresentou documentação relativa às suas operações; Fl. 592DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 03/10/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIR O, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 16327.000192/200958 Acórdão n.º 1801002.108 S1TE01 Fl. 4 5 b.2) Que o contribuinte trouxe aos autos relatório circunstanciado (fls. 279/290) de cada uma das operações praticadas no ano de 2006, sendo que a fiscalização não cumpriu o papel que dela se esperava, pois, deveria ter investigado a origem de eventuais fatos geradores a serem imputados ao contribuinte e não ter elencado como único critério de apuração, os valores lançados nas contas correntes bancárias do contribuinte. Cita jurisprudência no sentido de que “a receita bruta das empresas de factoring corresponde à diferença entre o valor de aquisição e o valor de face do título ou direito creditório adquirido, não se prestando o somatório dos depósitos bancários não contabilizados como base de cálculo de arbitramento de lucros” (1º Conselho de Contribuintes/ 3a Câmara/Acórdão 10322.987 em 25.04.2007. DOU 29.08.2007). b.3) O não cabimento da multa qualificada no caso em comento, posto que ausente prova de evidente intuito de fraude; b.4) A reiteração do aduzido em sua impugnação (fl. 399/420) a respeito à CSLL, da aplicação da Taxa SELIC e, por se tratarem de autuações reflexas, a extensão das conclusões acima expostas aos lançamentos de PIS, COFINS e CSLL. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Alexandre Fernandes Limiro, Relator Preliminarmente, tenho que não assiste razão ao contribuinte por negativa de acesso aos autos ou ainda insuficiência de elementos no presente processo aptos a demonstrar a infração. Devera tenho que as razões que levaram à autoridade fiscal efetuar o lançamento encontramse devidamente justificadas. Tenho, todavia, que merece provimento o recurso do contribuinte quando argúi nulo ab initio por vícios no procedimento de quebra de sigilo bancário adotado. No presente caso, a autoridade formulou a exigência do crédito tributário arbitrandose a base de cálculo com base no Art. 532 do RIR, dispositivo aplicável quando “conhecida” a receita bruta: RIR, Art. 532. O lucro arbitrado das pessoas jurídicas, observado o disposto no art. 394, § 11, quando conhecida a receita bruta, será determinado mediante a aplicação dos percentuais fixados no art. 519 e seus parágrafos, acrescidos de vinte por cento (Lei nº 9.249, de 1995, art. 16, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 27, inciso I). Fl. 593DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 03/10/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIR O, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 A receita bruta conhecida, por sua vez, foi a obtida a partir de depósitos bancários, consoante revela a autoridade fiscal lançadora à efl. 406 dos autos (Termo de Verificação Fiscal): Estamos, portanto, assumindo os valores pagos pela empresa aos financiados através da movimentação dos débitos nos contascorrentes dos quatro bancos com os quais a empresa transacionou; assim chegamos aos valores que nos leva à base de cálculo dos tributos devidos pela caracterização das receitas de factoring e a aplicação de um percentual sobre a movimentação, percentual este obtido com as informações dadas pelo próprio contribuinte na relação fornecida por ele a esta Receita Federal do Brasil (vide folha 344 conjugada com a folha 345). Sobre esses valores aplicarseá a alíquota de 32% (trinta e dois por cento) mais o acréscimo de 20% (vinte por cento), o que resulta na aplicação de 38,4% (trinta e oito inteiros e quatro décimos por cento) para determinação da base de cálculo referente ao anocalendário de 2.006. Em particular, tenho como inafastável a observância da reserva de jurisdição para autorização de acesso a dados bancários, todavia, a incursão nessa seara encontrase aqui obstada por que caracterizaria afastamento, por inconstitucionalidade, do Art. 5º da Lei Complementar 105/2001, o que é vedado pelo Art. 26A do Decreto 70.235/1972 e Súmula 2 do CARF. O presente caso, entretanto, nos permite concluir que ainda que superada a questão constitucional da quebra de sigilo nos presentes autos, não foi sequer observada a legislação atinente ao caso, o que macula a conduta fiscal sob análise. Deveras, compulsando os autos, não se vê a presença da indispensável Requisição de Movimentação Financeira; antes apenas se observa a referência a seu número (nº N° 08.1.66.002008000542) como, por exemplo, se verifica à efl. 77. O procedimento traçado pela legislação infraconstitucional para a quebra de sigilo bancário não foi também devidamente obedecido pela autoridade lançadora, em especial as partes abaixo grifadas: LC 105/2001 Art. 6o As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Decreto nº 3.724/2001 Art. 4o. [...] § 5o A RMF será expedida com base em relatório circunstanciado, elaborado pelo AuditorFiscal da Receita Federal encarregado da execução do MPF ou por seu chefe imediato. § 6o No relatório referido no parágrafo anterior, deverá constar a motivação da proposta de expedição da RMF, que demonstre, com precisão e clareza, tratar se de situação enquadrada em hipótese de indispensabilidade prevista no artigo anterior, observado o princípio da razoabilidade. § 7o Na RMF deverão constar, no mínimo, o seguinte: Fl. 594DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 03/10/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIR O, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 16327.000192/200958 Acórdão n.º 1801002.108 S1TE01 Fl. 5 7 I nome ou razão social do sujeito passivo, endereço e número de inscrição no CPF ou no CNPJ; II número de identificação do MPF a que se vincular; III as informações requisitadas e o período a que se refere a requisição; IV nome, matrícula e assinatura da autoridade que a expediu; V nome, matrícula e endereço funcional dos AuditoresFiscais da Receita Federal responsáveis pela execução do MPF; VI forma de apresentação das informações (em papel ou em meio magnético); VII prazo para entrega das informações, na forma da legislação aplicável; VIII endereço para entrega das informações; IX código de acesso à Internet que permitirá à instituição requisitada identificar a RMF. § 8o A expedição da RMF presume indispensabilidade das informações requisitadas, nos termos deste Decreto O parágrafo 8ª do Art. 4º do Decreto nº 3.724/2001, além de ser ilógico, pois não faria sentido a norma elencar uma série de requisitos para a expedição da RMF e para após dispor que a simples expedição de RMF dispensaria a autoridade fiscal de qualquer motivação com base nas hipóteses de indispensabilidade, interpretado desta feita, tornase ilegal. Deveras, estaria anulando a motivação qualificada posta na LC 105, qual seja de que “tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente”. Mesmo assim, ainda que tudo isso fosse superado, não haveria nos autos a malsinada RMF exigida para configuração da presunção aludida no referido §8º do Art. 4º do Decreto nº 3.724/2001. Carecendo de validade, por vício formal, do procedimento de obtenção da receita bruta conhecida pelo contribuinte, mister se faz sua declaração, com a conseqüente anulação do presente processo. Insta destacar, que a anulação por vício formal não impede, neste momento, novo lançamento do tributo, contandose o prazo decadencial na forma do Art. 173, II do CTN. A nulidade acima apontada compromete a validade de todo o processo, sendo prejudicial em relação às nulidades argüidas quanto à negativa de acesso aos autos no prazo da impugnação e ausência de páginas a causar cerceamento de defesa. Deixo, portanto de analisá las. Superada a preliminar, todavia, tenho que, no mérito, não assiste razão ao contribuinte. Ante não apresentação de documentação contábil, inexistência dos livros fiscais obrigatórios e os auxiliares, resta autorizado pela legislação tributária o arbitramento (art. 47 da Lei n° 8.981/95 e art. 530 do RIR/99). De outro lado o relatório fiscal evidencia que a fiscalização efetuou levantamento dos débitos registrados nas contascorrente da empresa, identificando aqueles referentes a desembolsos com a compra de títulos, aplicando sobre esses valores um percentual obtido com base nas informações enviadas pelo próprio contribuinte na relação fornecida à Fl. 595DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 03/10/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIR O, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES 8 fiscalização. Para confirmar, registrese o seguinte trecho do Termo de Verificação Fiscal (e fl.10): Na pratica, sabemos, pela relação dos negócios fornecidos pelo próprio contribuinte, temos os dados de tempo e taxa aplicada pelo próprio contribuinte para realizar as operações; para configurar confiabilidade nos dados do contribuinte temos também a tabela publicada pela ANFAC — Associação Nacional das Sociedades de Fomento Mercantil para o cálculo de operações no período fiscalizado. Utilizando os dados fornecidos pelos contascorrentes bancários e os dados de prazos e taxas utilizados pela própria MOR, podemos obter a receita da empresa e, consequentemente, o valor da base de cálculo a ser considerada para a obtenção do valor do tributo Diferentemente, portanto, do que alega a recorrente, os elementos por ela trazidos foram considerados pela autoridade fiscal. Quanto à aplicação da multa qualificada, resta evidenciado o intuito de fraude pela ausência reiterada no cumprimento das obrigações acessórias na forma como evidenciado pela autoridade autuante à efl. 8: Não nos foi apresentada qualquer documentação contábil referente aos anos auditados e a Declaração do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica anocalendário de 2.005 é mera ficção; de outra parte, para o anocalendário de 2.005 consta a empresa como inativa, quando é claro que a empresa movimentou 'vultosos recursos no período. Não encontramos declaração de 2.006. Quanto à exclusão da CSLL da base de cálculo do IRPJ, o assunto resta superado ante a seguinte decisão tomada pelo E. STF: Ementa: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO SOBRE A RENDA E PROVENTOS DE QUALQUER NATUREZA DEVIDO PELA PESSOA JURÍDICA (IRPJ). APURAÇÃO PELO REGIME DE LUCRO REAL. DEDUÇÃO DO VALOR PAGO A TÍTULO DE CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO. PROIBIÇÃO. ALEGADAS VIOLAÇÕES DO CONCEITO CONSTITUCIONAL DE RENDA (ART. 153, III), DA RESERVA DE LEI COMPLEMENTAR DE NORMAS GERAIS (ART. 146, III, A), DO PRINCÍPIO DA CAPACIDADE CONTRIBUTIVA (ART. 145, § 1º) E DA ANTERIORIDADE (ARTS. 150, III, A E 195, § 7º). 1. O valor pago a título de contribuição social sobre o lucro líquido – CSLL não perde a característica de corresponder a parte dos lucros ou da renda do contribuinte pela circunstância de ser utilizado para solver obrigação tributária. 2. É constitucional o art. 1º e par. ún. da Lei 9.316/1996, que proíbe a dedução do valor da CSLL para fins de apuração do lucro real, base de cálculo do Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas – IRPJ. Recurso extraordinário conhecido, mas ao qual se nega provimento. (RE 582525, Relator(a): Min. JOAQUIM BARBOSA, Tribunal Pleno, julgado em 09/05/2013, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe026 DIVULG 06022014 PUBLIC 07022014) Devese também concluir pela manutenção da aplicação da taxa Selic, em conformidade com jurisprudência pacificada neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais consoante revela o verbete da Súmula nº 4: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Fl. 596DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 03/10/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIR O, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 16327.000192/200958 Acórdão n.º 1801002.108 S1TE01 Fl. 6 9 A decisão relativa ao lançamento principal se aplica, no que couber, às exigências de CSLL, PIS e COFINS, devido A estreita relação de causa e efeito existente entre eles. Vencido na preliminar, voto, no mérito, por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Alexandre Fernandes Limiro Voto Vencedor Conselheiro Maria de Lourdes Ramirez, Redatora Designada Divirjo do voto do Ilustre Conselheiro Alexandre Fernandes Limiro unicamente no que diz respeito à preliminar de nulidade argüida pela recorrente e admitida pelo Ilustre Conselheiro que considerou haver vícios insanáveis no procedimento de quebra de sigilo bancário. Entende a recorrente, acompanhada neste ponto pelo I. Relator, que seria indispensável a anexação, aos autos, das RMFs encaminhadas às instituições financeiras solicitando os dados das movimentações bancárias da empresa, o que comprovaria, segundo as alegações, a lisura do procedimento de quebra de sigilo bancário. A quebra de sigilo bancário do sujeito passivo está autorizada pelo art. 6o. da Lei Complementar n º 105, de 2001, nas condições em que estabelece: Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. A quebra de sigilo bancário foi regulamentada pelo Decreto n º 3.724, de 2001: Art. 1º Este Decreto dispõe, nos termos do art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 10 de janeiro de 2001, sobre requisição, acesso e uso, pela Secretaria da Receita Federal e seus agentes, de informações referentes a operações e serviços das instituições financeiras e das entidades a elas equiparadas, Fl. 597DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 03/10/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIR O, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES 10 em conformidade com o art. 1º , §§ 1º e 2º , da mencionada Lei, bem assim estabelece procedimentos para preservar o sigilo das informações obtidas. ... § 5º A Secretaria da Receita Federal do Brasil, por intermédio de servidor ocupante do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, somente poderá examinar informações relativas a terceiros, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis. ... § 2º Entendese por procedimento de fiscalização a modalidade de procedimento fiscal a que se referem o art. 7º e seguintes do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972., por não terem sido anexadas aos autos as, ... art. 3º Os exames referidos no § 5º do art. 2º somente serão considerados indispensáveis nas seguintes hipóteses: ... X negativa, pelo titular de direito da conta, da titularidade de fato ou da responsabilidade pela movimentação financeira; Art. 4ºPoderão requisitar as informações referidas no § 5º do art. 2º as autoridades competentes para expedir o TDPF. ... § 1º A requisição referida neste artigo será formalizada mediante documento denominado Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF) e será dirigida, conforme o caso, ao: I Presidente do Banco Central do Brasil, ou a seu preposto; II Presidente da Comissão de Valores Mobiliários, ou a seu preposto; III presidente de instituição financeira, ou entidade a ela equiparada, ou a seu preposto; IV gerente de agência. § 2º A RMF será precedida de intimação ao sujeito passivo para apresentação de informações sobre movimentação financeira, necessárias à execução do procedimento fiscal. A Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira – RMF, funciona, em verdade, como um ofício, uma comunicação entre a Receita Federal e a instituição financeira. Justamente por essa razão não há, na legislação que regulamenta a RMF, Fl. 598DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 03/10/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIR O, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 16327.000192/200958 Acórdão n.º 1801002.108 S1TE01 Fl. 7 11 qualquer determinação no sentido de que essas requisições deverão instruir os autos dos processos administrativos que resultarem de autuações com base em dados bancários obtidos por intermédio dessas requisições. Com efeito, o que obrigatoriamente deve instruir o processo administrativo fiscal formalizado nessas condições e que resulta de autuações com base em dados bancários obtidos pela quebra de sigilo é, justamente, o(s) documento(s) e elemento(s) entregue(s) espontaneamente pelo sujeito passivo ou obtido(s) através das RMF. É o que determina a Portaria SRF n º 180, de 2001, que dispõe sobre a RMF: Art. 1o. A Requisição de Informações sobre a Movimentação Financeira (RMF) de que trata o § 1o. do art. 4o. do “Decreto n º 3.724, de 10 de janeiro de 2001”, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2 A RMF somente será expedida quando em relação ao sujeito passivo: I exista procedimento de fiscalização em curso, instaurado mediante outorga de Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização (MPFF), de que trata a Portaria SRF nº 1.265, de 22 de novembro de 1999, com alteração introduzida pela Portaria SRF nº 1.614, de 30 de novembro de 2000; II tenha sido constatada hipótese de indispensabilidade, prevista no art. 3º do Decreto nº 3.724, de 2001 ; e III tenha havido intimação para apresentar as informações sobre sua movimentação financeira. ... Art. 5o. Incumbe ao Auditor Fiscal da Receita Federal (AFRF), responsável pela execução do procedimento de fiscalização em curso, solicitar a expedição da RMF Art. 7 O prazo máximo para atendimento da intimação de que trata o art. 2º, inciso III, e da RMF será de vinte dias, admitida prorrogação em virtude de justificação fundamentada, a critério da autoridade que expediu a intimação ou a requisição. Art. 8 Os documentos recebidos que não forem utilizados em processo administrativo fiscal serão, preferencialmente, restituídos ao sujeito passivo, mediante termo próprio. Art. 9 No caso de recebimento de informações em arquivos magnéticos, e após encerrado o procedimento de fiscalização, o AFRF responsável pela conservação e utilização desses arquivos procederá à sua destruição, por processo lógico ou físico que impossibilite sua recuperação, e a registrará em termo próprio. Art. 10 . As requisições, as intimações e os termos a que se referem os art. 8º e 9º integrarão, se constituído, o processo administrativo fiscal, procedendose ao arquivamento das Fl. 599DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 03/10/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIR O, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES 12 respectivas cópias na unidade da SRF jurisdicionante do sujeito passivo. Parágrafo único. Caso não seja constituído processo administrativo fiscal, serão arquivados na unidade da SRF jurisdicionante do sujeito passivo os originais dos documentos a que se refere este artigo. ... No voto proferido consignouse, ainda, que não teriam sido obedecidas, pela autoridade lançadora, os procedimentos traçados pela legislação infraconstitucional para a quebra de sigilo bancário, fazendose menção expressa aos seguintes trechos do art. 6o. da LC 105/2001 e as seguintes partes do Decreto n º 3.724/2001 Art. 6o As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Decreto nº 3.724/2001 Art. 4o. [...] § 5o A RMF será expedida com base em relatório circunstanciado, elaborado pelo AuditorFiscal da Receita Federal encarregado da execução do MPF ou por seu chefe imediato. § 6o No relatório referido no parágrafo anterior, deverá constar a motivação da proposta de expedição da RMF, que demonstre, com precisão e clareza, tratar se de situação enquadrada em hipótese de indispensabilidade prevista no artigo anterior, observado o princípio da razoabilidade. § 7o Na RMF deverão constar, no mínimo, o seguinte: I nome ou razão social do sujeito passivo, endereço e número de inscrição no CPF ou no CNPJ; II número de identificação do MPF a que se vincular; III as informações requisitadas e o período a que se refere a requisição; IV nome, matrícula e assinatura da autoridade que a expediu; V nome, matrícula e endereço funcional dos AuditoresFiscais da Receita Federal responsáveis pela execução do MPF; VI forma de apresentação das informações (em papel ou em meio magnético); VII prazo para entrega das informações, na forma da legislação aplicável; VIII endereço para entrega das informações; IX código de acesso à Internet que permitirá à instituição requisitada identificar a RMF. Fl. 600DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 03/10/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIR O, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 16327.000192/200958 Acórdão n.º 1801002.108 S1TE01 Fl. 8 13 § 8o A expedição da RMF presume indispensabilidade das informações requisitadas, nos termos deste Decreto O fato de não terem sido anexadas aos autos, as RMF – o que, voltase a repetir, não é obrigatório por lei, nem tampouco indispensável para a instrução dos lançamentos, consoante consignado acima, não pode levar a significar que deixaram de ser observados os procedimentos traçados pela legislação infraconstitucional para a quebra de sigilo bancário. Observese: Não pode existir RMF que não observe os requisitos mencionados no Decreto 3.724, de 2001. Ademais, a titulo de mera argumentação, uma análise dos elementos que compõe o presente processo administrativo fiscal permite concluir que a quebra do sigilo bancário da empresa recorrente se deu com estrita observância desses exatos requisitos previstos no Decreto 3.724, de 2001. E, mais. Não poderia ter procedido de outra maneira a autoridade fiscal. Vejamos: No relatório fiscal – Proposta de Arbitramento – fls. 6 e ss. O agente fiscal encarregado dos trabalhos de auditoria relatou: No exercício das funções de Auditor Fiscal da Receita Federal e com base nos artigos 904 a 911 do Decreto 3.000/99 (RIR /99), em ação realizada no contribuinte acima, cumprimos o que determinou o Registro de Procedimento Fiscal de No. 08.1.66.002008004289, de 22/07/2008, abrangendo o período de janeiro de 2.004 a dezembro de 2.006 e para o Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ seus reflexos. Tratase de dar continuidade a trabalho desenvolvido pelo colega AFRFB Ricardo Peres Martins, lotado da SEPAC desta DEINF. No decorrer da auditoria constatei que a fiscalizada não contabilizou suas operações segundo as normas legais vigentes para empresas submetidas à forma de apuração pelo Lucro Real; —inexistem os livros fiscais obrigatórios e os auxiliares e as declarações do IRPJ entregues são mera ficção contábil. Por sinal, o colega que nos antecedeu neste trabalho já havia constatado tal fato, tendo optado pela quebra de sigilo bancário para os anos de 2.004 e 2.005. Impossível, portanto, via registros contábeis, concluirmos a respeito da correção dos recolhimentos devidos a esta Receita Federal. Nossa proposta, pelas razões acima c pelo detalhamento das mesmas que faremos abaixo, é o arbitramento. Como a afirmamos no intróito deste a origem do processo de auditoria se deu na SEPAC/SPO tendo esta cotejado os valores movimentados pela empresa em diversos bancos através dos relatórios da CPMF com os recolhimentos de tributos efetuados pela mesma a favor desta Receita Federal do Brasil, recolhimentos estes praticamente nulos no período objeto da fiscalização. A SEPAC, através do colega Ricardo intimou, por diversas vezes a empresa e seu titular no sentido de oferecer os elementos necessários à fiscalização através de termos de Intimações, conforme consta nos autos do processo de Auto de Infração. Não alcançado o objetivo de ter em mãos elementos suficientes cumprir seu trabalho, efetuou a quebra do sigilo bancário da empresa para os anos de 2.004 e 2.005, encaminhando, através de sua chefia, os elementos colhidos ao Auditor que Fl. 601DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 03/10/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIR O, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES 14 subscreve o presente. Esta solicitação cumpria também as determinações contidas no Decreto no. 3.724 de 10 de janeiro de 2.001, em especial da Requisição sobre Movimentação Financeira, instrumento que eventualmente teríamos que utilizar. O parágrafo 2 °. do artigo 40 deste Decreto institui que tal intimação deve sempre preceder à requisição. Foi o que o colega fez, enriquecendo o processo com esses novos subsídios. Esclarecendo, o SEPAC é o “Serviço de Programação da Ação Fiscal”, órgão encarregado de analisar e selecionar contribuintes para ações fiscais que se enquadrem em determinados parâmetros de fiscalização elegidos pelos órgãos de Coordenação interna da RF. Assim, como constou do relatório acima reproduzido, o SEPAC da DEINF/SP já havia notado que a empresa se enquadrava em determinados parâmetros de fiscalização. Vejamos, a propósito, alguns dos trechos constantes de documento pertencente ao Dossiê n º 5980/08 produzido pelo SEPAC, anexado à fl. 55 e ss: DOSSIÊ N°: 5980/08 INTERESSADO: MOR FACTORING FOMENTO COMERCIAL LTDA ASSUNTO : Movimentação financeira incompatível com a DIPJ Em maio de 2008 foi aberta fiscalização com emissão de MPF n° 200800428 em face da contribuinte acima citada. A contribuinte em tela foi intimada em 03/04/2007, via AR, a regularizar a sua situação no sentido de que estava entregando DIPJ na circunstância de inativa, sendo que sua movimentação financeira não espelhava tal ocorrência. A correspondência encaminhada ao endereço constante nos dados do CNPJ, retornou com a observação de que "mudouse" (Av Brig Faria Lima, 2012 — conj 64 SP). Encaminhouse outra correspondência à residência do sócio responsável, ou seja, o Sr. Ricardo Teixeira, a qual foi recepcionada pelo Sr. José Carlos Medina Souza em 16/05/2007. O responsável pela Mor Factoring compareceu nesta Deinf/SP em junho e outubro de 2007, com a intenção de regularizar sua situação perante o Fisco. Contudo, ao passar do tempo, verificamos em nossos sistemas que nenhuma providência foi tomada por parte da interessada. Novamente a contribuinte foi intimada, bem como os seus sócios e o contador responsável. Segundo consta nos dados do Correio, as intimações foram entregues entre 06 e 11 de junho de 2008. As intimações encaminhadas para os possíveis endereços da contribuinte retornaram todas com a indicação de "mudouse". Verificamos que apenas um dos sócios, o Sr. Moacyr Teixeira foi intimado, bem como o contador responsável, o Sr. Luiz C Manfin. Nas intimações foram requeridos os seguintes documentos: +Cópia atualizada dos contratos sociais; +Livro diário relativo aos anos calendários de 2004, 2005 e 2006; Fl. 602DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 03/10/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIR O, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 16327.000192/200958 Acórdão n.º 1801002.108 S1TE01 Fl. 9 15 +Relatório indicativo dos dez (10) maiores cedentes de créditos (clientes) dos AC 2004, 2005 e 2006, indicando: Nome, CNPJ e atividade comercial; +Cópias dos extratos bancários dos AC 2004, 2005 e 2006; e +Qualquer outra informação que o contribuinte julgue pertinente, adequada, ou necessária ao pleno conhecimento fático de sua concreta situação. No dia 07 de julho de 2008, o Sr. Ricardo Teixeira, sócio responsável pela Mor Factoring, entrou em contato via telefone, para agendar uma reunião. Este encontro ficou marcado para o dia 10/07/08, às 10 horas nesta Deinf/SP. Alguns fatos importantes: Em 12/1999 o Sr. Orlando retirase da sociedade da Mor Factoring e o Sr. Ricardo Teixeira assume o cargo de sócio gerente. Neste mesmo período foi admitido na sociedade o Sr. Moacyr Teixeira, suposto pai do Sr. Ricardo. Uma de nossas indagações seria sobre a participação do Sr. Orlando Pedrazzoli Filho nesta sociedade. De 1999 a 2005, com exceção do ano calendário de 2004 em que a contribuinte entregou a DIPJ na forma de Lucro Real, nos demais anos citados todas as declarações forma entregues na condição de inativa. Ano base Movimentação Financeira Receita declarada/DIPJ 2003 6.475.209,03 Inativa 2004 7.545.312,25 35.846,00 2005 12.639.899,47 Inativa 2006 3.588.352,07 Omissa de DIPJ 2007 43.119,65 Também não constam DCTF's entregues em nossos sistemas. [...] No dia 10/07 o Sr. Ricardo Teixeira compareceu a esta Deinf/SP onde prestou alguns esclarecimentos. Confirmou que o Sr. Orlando além amigo intimo foi seu sócio na Mor Factoring, mas retirouse desta sociedade em 01/2000. [...] Percebemos que, não obstante atingir vultosas movimentações bancárias, não possuía qualquer tipo de contabilidade. [...] Fl. 603DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 03/10/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIR O, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES 16 Diante do exposto, proponho o encaminhamento deste Dossiê para o setor de fiscalização desta Deinf/SP para prosseguimento dos trabalhos. São Paulo, 18 de julho de 2008. Verificase, assim, da transcrição dos trechos acima, que todos os requisitos determinados para expedição da RMF se faziam presentes e foram estritamente observados. Foram feitas diversas intimações prévias para que a recorrente prestasse os esclarecimentos a respeito da divergência entre os valores movimentados em suas contascorrentes e aqueles informados em suas DIPJ. A esse respeito devese frisar que a recorrente apresentou diversas declarações de inatividade, foi omissa em um período e, em outro, declarou a pífia quantia de R$ 35.846,00, à vista do montante movimentado de R$ 7.545.312,25, para o mesmo período. Como se verifica do sistema de Consulta às declarações IRPJ (fl. 12) a recorrente tinha por costume apresentar, NO PRAZO LEGAL uma declaração de IRPJ na condição de INATIVA, para, aproximadamente 2 (dois) anos depois, retificar a declaração com opção de DIPJ pelo LUCRO REAL. Isso se deu em relação aos a/c 2005 e 2004. Nos a/c 1999 a 2003 foram apresentadas declarações apenas na condição de INATIVA. Na correspondência remetida à DEINF – fl. 48, a MOR FACTORING, na pessoa de seu representante legal, Sr. RICARDO TEIXEIRA, admitiu textualmente: 1. Já há alguns meses a empresa referida encontrase, de fato, inativa; 2. Porém, como constatado por V.Sas., no exercício de 2005 a empresa entregou DSPJ( Simples e Empresas inativas) incompatível, na oportunidade, com a movimentação corrente bancária da mesma, o que deverá ser imediatamente corrigido; Assim, solicitamos a V.Sas. o prazo de 90 dias para que a empresa cumpra com o exigido, apresentando todos os documentos solicitados, bem como proceder ao recolhimento dos tributos oficiais devidos, sanando, portanto, tão grave erro. (destaquei) Assim, a própria recorrente admitiu que as declarações de IRPJ apresentadas à RF eram incompatíveis com sua real situação econômicofinanceira, comprometendose a regularizar a situação, o que, por óbvio, não foi feito. Portanto, a argüição de nulidade do procedimento por ausência, nos autos, das RMF deve ser afastada: 1) porque não há, na legislação que rege a RMF qualquer determinação nesse sentido; 2) porque se encontra fartamente demonstrada, esclarecida e justificada, nestes autos, a motivação que determinou a expedição das RMF às instituições financeiras. Superada a preliminar, no mérito, esta relatora acompanha, integralmente, as razões de decidir adotadas pelo Ilustre Relator. Fl. 604DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 03/10/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIR O, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 16327.000192/200958 Acórdão n.º 1801002.108 S1TE01 Fl. 10 17 Em face do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez Fl. 605DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 03/10/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIR O, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 15374.970010/2009-80
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/05/2004 a 31/05/2004
NÃO-CUMULATIVIDADE. INDÚSTRIA FONOGRÁFICA. DIREITOS AUTORAIS.
Os direitos autorais pagos pela indústria fonográfica só dão direito a crédito da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep não cumulativas se tiverem se sujeitado ao pagamento da Cofins-importação e da Contribuição para o PIS/Pasep importação.
NÃO-CUMULATIVIDADE. INDÚSTRIA FONOGRÁFICA. CUSTOS DE GRAVAÇÃO. INSUMO. NÃO CARACTERIZAÇÃO.
Custos de gravação da indústria fonográfica que não se caracterizem gastos com bens e serviços efetivamente aplicados ou consumidos na fabricação de obras fonográficas destinadas à venda, na prestação de serviços fonográficos ou que não estejam amparados por expressa disposição legal não dão direito a créditos da contribuição para a Cofins ou PIS/Pasep não cumulativas.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO NÃO COMPROVADO DOCUMENTALMENTE. ÔNUS DA PROVA.
É do contribuinte o ônus de comprovar documentalmente o direito de crédito informado em declaração de compensação, o que não se limita a, simplesmente, juntar documentos aos autos, no caso em que há inúmeros registros associados a inúmeros documentos.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PERÍCIA CONTÁBIL. DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO.
Devem ser indeferidos os pedidos de perícia e de diligência, quando formulados como meio de suprir o ônus probatório não cumprido pela parte.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3801-003.638
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório referente apenas aos gastos com serviços de captação de imagens, mixagem, gravação e edição; locação de equipamentos; transporte de instrumentos musicais e equipamentos; serviços prestados por empresas de músicos instrumentistas, vocalistas e regentes, afinação de instrumentos; efetuados junto a pessoas jurídicas domiciliadas no país, cujas aquisições tenham se submetido ao pagamento da contribuição, com base nos documentos acostados aos autos, resguardando-se à RFB a apuração da idoneidade destes documentos. Vencidos os Conselheiros, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que convertiam o processo em diligência para a apuração do direito creditório. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Paulo Sérgio Celani. Após vista de mesa, o julgamento foi realizado no dia 24 de julho no período matutino. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Rafael de Paula Gomes, OAB/DF nº 26.345.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator.
(assinado digitalmente)
Paulo Sergio Celani Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/05/2004 a 31/05/2004 NÃO-CUMULATIVIDADE. INDÚSTRIA FONOGRÁFICA. DIREITOS AUTORAIS. Os direitos autorais pagos pela indústria fonográfica só dão direito a crédito da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep não cumulativas se tiverem se sujeitado ao pagamento da Cofins-importação e da Contribuição para o PIS/Pasep importação. NÃO-CUMULATIVIDADE. INDÚSTRIA FONOGRÁFICA. CUSTOS DE GRAVAÇÃO. INSUMO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Custos de gravação da indústria fonográfica que não se caracterizem gastos com bens e serviços efetivamente aplicados ou consumidos na fabricação de obras fonográficas destinadas à venda, na prestação de serviços fonográficos ou que não estejam amparados por expressa disposição legal não dão direito a créditos da contribuição para a Cofins ou PIS/Pasep não cumulativas. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO NÃO COMPROVADO DOCUMENTALMENTE. ÔNUS DA PROVA. É do contribuinte o ônus de comprovar documentalmente o direito de crédito informado em declaração de compensação, o que não se limita a, simplesmente, juntar documentos aos autos, no caso em que há inúmeros registros associados a inúmeros documentos. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PERÍCIA CONTÁBIL. DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. Devem ser indeferidos os pedidos de perícia e de diligência, quando formulados como meio de suprir o ônus probatório não cumprido pela parte. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório referente apenas aos gastos com serviços de captação de imagens, mixagem, gravação e edição; locação de equipamentos; transporte de instrumentos musicais e equipamentos; serviços prestados por empresas de músicos instrumentistas, vocalistas e regentes, afinação de instrumentos; efetuados junto a pessoas jurídicas domiciliadas no país, cujas aquisições tenham se submetido ao pagamento da contribuição, com base nos documentos acostados aos autos, resguardando-se à RFB a apuração da idoneidade destes documentos. Vencidos os Conselheiros, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que convertiam o processo em diligência para a apuração do direito creditório. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Paulo Sérgio Celani. Após vista de mesa, o julgamento foi realizado no dia 24 de julho no período matutino. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Rafael de Paula Gomes, OAB/DF nº 26.345. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
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INDÚSTRIA FONOGRÁFICA. DIREITOS AUTORAIS. Os direitos autorais pagos pela indústria fonográfica só dão direito a crédito da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep não cumulativas se tiverem se sujeitado ao pagamento da Cofinsimportação e da Contribuição para o PIS/Pasep importação. NÃOCUMULATIVIDADE. INDÚSTRIA FONOGRÁFICA. CUSTOS DE GRAVAÇÃO. INSUMO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Custos de gravação da indústria fonográfica que não se caracterizem gastos com bens e serviços efetivamente aplicados ou consumidos na fabricação de obras fonográficas destinadas à venda, na prestação de serviços fonográficos ou que não estejam amparados por expressa disposição legal não dão direito a créditos da contribuição para a Cofins ou PIS/Pasep não cumulativas. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO NÃO COMPROVADO DOCUMENTALMENTE. ÔNUS DA PROVA. É do contribuinte o ônus de comprovar documentalmente o direito de crédito informado em declaração de compensação, o que não se limita a, simplesmente, juntar documentos aos autos, no caso em que há inúmeros registros associados a inúmeros documentos. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PERÍCIA CONTÁBIL. DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. Devem ser indeferidos os pedidos de perícia e de diligência, quando formulados como meio de suprir o ônus probatório não cumprido pela parte. Recurso Voluntário Provido em Parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 97 00 10 /2 00 9- 80 Fl. 1234DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 18/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 15374.970010/200980 Acórdão n.º 3801003.638 S3TE01 Fl. 15 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório referente apenas aos gastos com serviços de captação de imagens, mixagem, gravação e edição; locação de equipamentos; transporte de instrumentos musicais e equipamentos; serviços prestados por empresas de músicos instrumentistas, vocalistas e regentes, afinação de instrumentos; efetuados junto a pessoas jurídicas domiciliadas no país, cujas aquisições tenham se submetido ao pagamento da contribuição, com base nos documentos acostados aos autos, resguardandose à RFB a apuração da idoneidade destes documentos. Vencidos os Conselheiros, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que convertiam o processo em diligência para a apuração do direito creditório. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Paulo Sérgio Celani. Após vista de mesa, o julgamento foi realizado no dia 24 de julho no período matutino. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Rafael de Paula Gomes, OAB/DF nº 26.345. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira – Relator. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani – Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 1235DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 18/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 15374.970010/200980 Acórdão n.º 3801003.638 S3TE01 Fl. 16 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão, julgado na sessão de 14 de agosto de 2013, pela 16ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento do Rio de Janeiro I (DRJ/RJ1), referente ao processo administrativo, em que foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte, sendo indeferida a compensação pleiteada. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: “Trata o presente processo do PER/DCOMP nº 41960.08795.200509.1.3.045602 (fls. 294 a 297), transmitido em 20/05/2009 pelo contribuinte acima identificado, no qual solicita a compensação da Cofins relativa ao período de apuração 04/2009. Informa como origem do direito creditório o pagamento referente ao COFINS, relativo ao período 05/2004, no valor total de R$ 926.440,11, pretendendo utilizar para fins desta compensação apenas R$ 61.992,62. À fl. 298 consta despacho decisório, o qual concluiu pela improcedência do crédito original informado no PER/DCOMP, sob o fundamento de que o pagamento relacionado havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificado desta decisão em 10/11/2009 (fl. 389), o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em 17/11/2009 (fls. 02 a 16), alegando, em resumo, que: Foi intimanda acerca da decisão atacada por correspondência com aviso de recebimento, recebido em 19/10/2009, sendo a presente manifestação tempestiva; A impugnante somente teve acesso a tal despacho quando checou eventuais pendências para obtenção de certidão negativa; Em observância ao princípio da economia processual, uma vez instaurado o processo, não deve ele ser considerado nulo diante da nulidade da citação, devendo ser aceita a presente manifestação, sanando o vício apontado; A impugnante, na apuração do valor recolhido por meio do DARF incluído na DCOMP em análise, observou que não havia se aproveitado dos créditos decorrentes de despesas, procedendo à revisão de sua escrita fiscal; Fl. 1236DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 18/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 15374.970010/200980 Acórdão n.º 3801003.638 S3TE01 Fl. 17 4 A empresa apurou valor devido menor que o recolhido, utilizando o crédito resultante para a presente compensação, retificando a DCTF e o DACON correspondentes; A decisão questionada foi proferida juntamente com 82 outras, tornando evidente que a impugnante não teve tempo hábil para exercer de forma ampla seu direito de defesa; Desde já requer a produção de prova documental e pericial para que a defesa da impugnante não seja prejudicada; As despesas que geraram os créditos objeto da compensação são decorrentes dos custos com gravação e dos pagamentos de direitos autorais, conforme já manifestado por meio da Solução de Consulta nº 33/05, da 2ª Região Fiscal; Sobre a questão tratam ainda as Leis nºs 10.637/2002, 10.833/2003 e 10.865/2004; A prova pericial pretendida tem por finalidade evidenciar a existência do crédito, apresentandose os correspondentes quesitos; A impugnante está apresentando 83 manifestações de inconformidade, o que evidencia hipótese excepcional constante do art. 16, § 4º, “a”, do Decreto nº 70.235/72; Com base nos princípios da verdade material, moralidade, eficiência, devido processo legal e ampla defesa, requer o deferimento de posterior juntada de documentação. É o relatório.” A manifestação de inconformidade foi conhecida pela DRJ de origem, sendo julgada improcedente. O acórdão da DRJ/RJ1 conta com a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/05/2004 a 31/05/2004 DESPACHO DECISÓRIO CIÊNCIA AO CONTRIBUINTE COMPROVAÇÃO Não restando comprovada documentalmente nos autos a ciência ao contribuinte na data informada pela ECT, deve ser considerada tempestiva a manifestação de inconformidade. PERÍCIA CONTÁBIL/DILIGÊNCIA INDEFERIMENTO Deve ser indeferido o pedido de perícia contábil/diligência formulado, quando os documentos comprobatórios do direito alegado estejam na posse do contribuinte, sendo dele o ônus de sua apresentação. DCOMP DIREITO CREDITÓRIO NÃO COMPROVADO DOCUMENTALMENTE ÔNUS DA PROVA É do contribuinte o ônus de comprovar documentalmente o direito creditório informado em declaração de compensação. Fl. 1237DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 18/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 15374.970010/200980 Acórdão n.º 3801003.638 S3TE01 Fl. 18 5 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com a improcedência da manifestação de inconformidade, a contribuinte interpôs recurso voluntário, onde em suas razões, requer “seja reconhecido o direito creditório e, por conseguinte, homologada a totalidade da compensação declarada nos autos”. Em pedido subsidiário, requer a contribuinte “a conversão do julgamento em diligência para que a unidade competente da Secretaria da Receita Federal analise a documentação acostada ao presente recurso, em conjunto com os demonstrativos que instruíram a manifestação de inconformidade apresentada nestes autos, para que corrobore a liquidez e certeza dos créditos”. Anexa a contribuinte ao recurso voluntário 972 páginas com documentos para provar o seu direito. É o relatório. Fl. 1238DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 18/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 15374.970010/200980 Acórdão n.º 3801003.638 S3TE01 Fl. 19 6 Voto Vencido Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário, foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. A recorrente apresenta no recurso voluntário as suas razões já expostas na manifestação de inconformidade, contudo apresenta desta vez documentos necessários para comprovar seu direito, quais sejam, 972 páginas com documento, incluindo livro razão, comprovantes de pagamento e outros. Analisandose os documentos juntados, verificase que com os documentos juntados em recurso voluntário se analisados em conjunto com os já apresentados pela contribuinte em manifestação de inconformidade são ao meu entender suficientes para averiguar a existência de crédito, sem prejuízo é claro de que outros documentos possam vir a ser necessários no decorrer do cálculo. Deste modo, conforme a jurisprudência deste Egrégio Conselho necessário que a contribuinte apresente a documentação adequada e suficiente para provar a certeza e a liquidez de seu crédito, sob pena de ser indeferido o seu pedido. Neste sentido, temos jurisprudência sedimentada deste Conselho, consoante se verifica pelo aresto abaixo: COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário: 2005 ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. DCTF E DACON RETIFICADORAS. EFEITOS. A DCTF e DACON quando retificadas após a ciência do despacho decisório que indeferiu o pedido de compensação não são suficientes para a comprovação do crédito tributário pretendido, sendo indispensável sua comprovação através da escrita fiscal e contábil do contribuinte. (Acórdão nº 3803004.284 – 3ª Turma Especial. Sessão de 26 de junho de 2013, grifouse) Diante disto, perante a extensa documentação juntada pela contribuinte, pelo princípio da verdade material, os documentos juntados em recurso voluntário devem ser recebidos como prova do alegado, devendo, contudo, ser convertido o julgamento em Fl. 1239DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 18/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 15374.970010/200980 Acórdão n.º 3801003.638 S3TE01 Fl. 20 7 diligência para que seja apurada pela unidade de origem a certeza e liquidez dos créditos, sem prejuízo à unidade de origem que esta venha intimar a contribuinte para apresentar outros documentos que se fizerem necessários para realizar a apuração devida. Ante ao exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência, nos termos da fundamentação. Após o processo deve retornar a esse CARF para julgamento. É assim que voto. Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator Relator. Fl. 1240DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 18/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 15374.970010/200980 Acórdão n.º 3801003.638 S3TE01 Fl. 21 8 Voto Vencedor Conselheiro Paulo Sergio Celani, Redator Designado. A recorrente afirma que os créditos que pleiteia decorrem de: i) pagamento de royalties relativos à cessão de direitos autorais; ii) custos de gravação. Direitos autorais Quanto aos direitos autorais, amparome na Solução de Divergência nº 14 da Cosit, de 28/04/2010, para assentar que os pagamentos efetuados a pessoas jurídicas em operações internas de aquisição de direitos autorais para a produção de obras fonográficas não dão direito a crédito na determinação da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. Apesar de esta solução de divergência tratar de direitos autorais relativos a produção de livros, as partes que abaixo transcrevo, com grifos no original, aplicamse ao presente caso: “14. Como se constata, o legislador adotou para fins de utilização de crédito na modalidade não cumulativa, o critério de listar de forma exaustiva os bens, serviços e despesas capazes de gerar crédito e os atrelou a determinada atividade, assim como ao modo de produção no que respeita à questão do insumo. (...) 15.8. Ressaltese, ademais, que outro ponto que confirma a descaracterização de plano dos direitos autorais como insumo para efeitos de apuração de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, encontrase no disposto no §6º do art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, que determina que a configuração como insumo dos direitos autorais alcança tão somente àqueles pagos pela indústria fonográfica e desde que referidos direitos tenham se sujeitado ao pagamento da Contribuição para o PIS/PasepImportação e da Cofins Importação. 15.9. Ora, se os direitos autorais já estivessem contidos no conceito de insumo não haveria necessidade de citação expressa no §6º do art. 15 da Lei supracitada e nem mesmo restringirseia tal conceito apenas aos direitos autorais da indústria fonográfica. Resta evidente, portanto, que o referido dispositivo legal visou conceder um benefício tão somente para a indústria fonográfica, possibilitando o cálculo de créditos sobre o pagamento de direitos autorais que sofreram a tributação das citadas contribuições, na importação e não no mercado interno.” Fl. 1241DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 18/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 15374.970010/200980 Acórdão n.º 3801003.638 S3TE01 Fl. 22 9 A Cosit concluiu que não há amparo legal para apuração de créditos sobre valores pagos pela cessão de direitos autorais para a edição e produção de livros; que tais direitos não se enquadram no conceito restrito de insumo previsto no art. 66, §5º, inciso I, letra “a”, da IN SRF nº 247, de 2002, com suas alterações posteriores, e no art. 8º, §4º, inciso I, letra “a”, da IN SRF nº 404, de 2004, que, respectivamente, regulamentam a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins, nem em qualquer outra hipótese de crédito prevista na legislação tributária. Assim também no caso presente. Apenas os direitos autorais pagos pela indústria fonográfica em relação a importações sujeitas ao pagamento destas contribuições são alcançados pela permissão legal de aproveitamento de crédito tal como disposto no parágrafo 6º do artigo 15 da Lei nº 10.865, de 2004. Este parágrafo 6º, ao contrário do que afirma a recorrente, não diz que os direitos autorais constituem insumo da indústria fonográfica, e, porque o caput do art. 15 trata de importações, não se aplica a operações de mercado interno. Acrescentemse que os direitos autorais não se consomem no processo de fabricação dos produtos fonográficos. Também por este motivo não podem ser considerados bens ou serviços utilizados como insumos. Por estas razões, devese negar provimento ao recurso voluntário em relação ao pagamento de royalties relativos à cessão de direitos autorais. Custos de gravação Quanto aos custos de gravação, a recorrente não discorre sobre cada gasto efetuado, limitandose a afirmar ter apresentado: lançamentos no livro Razão; demonstrativo em forma de planilha com os pagamentos relativos a estes custos; cópias dos recibos e notas fiscais de pagamentos; exemplo da correlação de documentos para demonstração dos créditos de PIS e Cofins. De fato, muitos documentos foram juntados aos autos. Mas, nenhum argumento ou esclarecimento foi apresentado a favor da possibilidade de estes chamados custos de gravação serem aproveitados como créditos. Segundo o AFRFB Gilson Wessler Michels, julgador da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em FlorianópolisDRJ/FNS, documentos comprobatórios são aqueles que atestam, de forma inequívoca, a origem e a natureza do crédito. Transcrevo excertos do voto condutor do Acórdão nº 0713.480, de 15/8/2008 no processo nº 13986.000025/200611, da 4ª Turma da DRJ/FNS, proferido por aquele julgador. “Quando a situação posta se refere à restituição, compensação ou ressarcimento de créditos tributários, é atribuição do Fl. 1242DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 18/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 15374.970010/200980 Acórdão n.º 3801003.638 S3TE01 Fl. 23 10 contribuinte a demonstração da efetiva existência do indébito. (...) (...), em qualquer dos tipos de repetição é exigida a apresentação dos documentos comprobatórios da existência do direito creditório como prérequisito ao conhecimento do pleito. (...) Assim, para comprovar a existência de um crédito vinculado a um registro contábil, não basta apresentar o registro, mas também indicar, de forma específica, que documentos estão associados a que registros; ainda, é importante, quando a natureza da operação escriturada/documentada for importante para a caracterização ou não do direito creditório, que a descrição da operação constante dos registros e documentos seja clara, sem abreviaturas ou códigos que dificultem ou impossibilitem a perfeita caracterização do negócio (...) A atividade de "provar" não se limita, no mais das vezes, a simplesmente juntar documentos aos autos; nos casos em que se tem inúmeros registros associados a inúmeros documentos, provar significa associar registros e documentos de forma individualizada, do mesmo modo que, no caso das provas indiciárias, exigese a contextualização dos fatos por via do cruzamento dos indícios. Não é tarefa do julgador contextualizar os elementos de prova trazidos pelo contribuinte no caso de um pedido de restituição, compensação ou ressarcimento, tanto quanto não é contextualizar os elementos de prova trazidos pela autoridade fiscal no âmbito de um lançamento de ofício (...) Não é lícito ao julgador, tanto em sede de apreciação de lançamento de ofício, quanto em sede de pleito repetitório, dispensar a autoridade lançadora ou o pleiteante, conforme o caso, do ônus que a lei impõe a cada um deles; tanto quanto não lhe é lícito valerse das diligências e perícias para, por vias indiretas, suprir o ônus probatório que cabia a cada parte. Diligências existem para resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica. Já as perícias existem para fins de que sejam dirimidas questões para as quais exigese conhecimento técnico especializado, ou seja, matéria impassível de ser resolvida a partir do conhecimento das partes e do julgador (...) De se ressaltar, igualmente, que o fato de o processo administrativo ser informado pelo princípio da verdade material, em nada macula tudo o que foi até aqui dito. É que o referido Fl. 1243DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 18/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 15374.970010/200980 Acórdão n.º 3801003.638 S3TE01 Fl. 24 11 princípio destinase a busca da verdade que está para além dos fatos alegados pelas partes, mas isto num cenário dentro do qual as partes trabalharam proativamente no sentido do cumprimento do seu onus probandi. Em outras palavras, o princípio da verdade material autoriza o julgador a ir além dos elementos de prova trazidos pelas partes, quando tais elementos de prova induzem à suspeita de que os fatos ocorreram não da forma como esta ou aquela parte afirma, mas de uma outra forma qualquer (o julgador não está vinculado às versões das partes). Mas isto, à evidência, nada tem a ver com propiciar à parte que tem o ônus de provar o que alega/pleiteia, a oportunidade de, por via de diligências, produzir algo que, do ponto de vista estritamente legal, já deveria compor, como requisito de admissibilidade, o pleito desde sua formalização inicial. Dito de outro modo: da mesma forma que não é aceitável que um lançamento seja efetuado sem provas e que se permita posteriormente, em sede de julgamento e por meio de diligências, tal instrução probatória, também não é aceitável que um pleito repetitório seja proposto sem a minudente demonstração e comprovação da existência do indébito e que posteriormente, também em sede de julgamento e por via de diligências, se oportunize tais demonstração e comprovação. Por fim, da mesma forma que não se pode usar as diligências como meio de suprir o ônus probatório não cumprido pelas partes, também não se pode exigir que o julgador da questão controversa promova, ele próprio, a contextualização dos elementos de prova juntados ao processo. Por exemplo, usando se o caso já acima referido, se o contribuinte, para consubstanciar seu pleito repetitório, limitase a fornecer um demonstrativo de créditos em que não aparecem individualmente associados registros e documentos, não cabe ao julgador deter se sobre a massa de documentos e buscar, ele próprio, fazer aquilo que o contribuinte deveria ter feito. Ao julgador não cabe fazer a associação dos, não raramente, inúmeros registros e documentos; a ele deve ser oferecido o registro vinculado ao documento que o respalda, para que verifique se aquela operação específica dá ou não direito ao crédito pleiteado (esta é a sua função: apresentados os documentos que instrumentam um registro, analisar a natureza da operação para fins de deferimento ou não do pleito).” Estas palavras se aplicam ao caso em discussão. A relatora do acórdão recorrido, AFRFB Magda Cotta Cardozo, ao apreciar pedido de perícia formulado na manifestação de inconformidade, assentou que “No presente caso, tratandose de demanda iniciada pelo contribuinte, por meio da apresentação do PER/DCOMP que ora se analisa, é dele o ônus de demonstrar documentalmente o direito informado em tal documento, o que efetivamente não fez”. Fl. 1244DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 18/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 15374.970010/200980 Acórdão n.º 3801003.638 S3TE01 Fl. 25 12 Ciente disto, a recorrente juntou muitos documentos, por exemplo, ordens de compra; requisições, faturas, recibos, notas fiscais de serviços, porém não associou registros e documentos de forma individualizada e não contextualizou os elementos de prova. Demonstrar documentalmente não é apenas juntar documentos. Para os direitos autorais, que no presente caso não dá direito crédito, conforme seção específica acima, foi apresentado demonstrativo com informações sobre o registro contábil (data, valor, conta contábil), descrição do pagamento, CNPJ do favorecido, número do recibo, totalizado valores a recuperar de Cofins e contribuição para o PIS/Pasep. Porém, para os custos de gravação, demonstração semelhante não foi apresentada. Analisando os documentos contidos nos autos, com fundamento no art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, e tendo em vista interpretação restrita do conceito de insumo, que é a que prevalece nesta Turma Especial, por voto de qualidade, podese afirmar que os seguintes gastos não poderiam dar direito ao crédito pleiteado: Agência Brasileira de Comércio e Turismo; empresas de remessa expressa; reembolso de despesas com hotel, transporte e refeição de pessoas; locação de carros; pessoas físicas (músicos); pagamentos de INSS de autônomos; afinação de instrumentos. Outros gastos, em princípio, poderiam ensejar o direito ao crédito, desde que prestados por pessoas jurídicas domiciliadas no país e utilizados na produção de obras fonográficas destinadas à venda. São eles: serviços de captação de imagens, mixagem, gravação e edição; locação de equipamentos; transporte de instrumentos musicais e equipamentos; serviços prestados por empresas de músicos instrumentistas, vocalistas e regentes e de afinação de instrumentos. Quanto aos seguintes gastos, não se pode afirmar com certeza que se enquadram entre aqueles que possibilitam o direito ao crédito: serviços de supervisor, auxiliar técnico e produção executiva; serviços de arregimentação de coro e assistência de produção; tradução de áudio. Conclusão Por todo o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito de crédito referente apenas aos gastos com: serviços de captação de imagens, mixagem, gravação e edição; locação de equipamentos; transporte de instrumentos musicais e equipamentos; serviços prestados por empresas de músicos instrumentistas, vocalistas e regentes, afinação de instrumentos; efetuados junto a pessoas jurídicas domiciliadas no país, desde que as aquisições tenham se submetido ao pagamento da contribuição, com base nos documentos acostados aos autos, resguardandose à RFB a apuração da idoneidade destes documentos. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani – Redator Desinado. Fl. 1245DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 18/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 15374.970010/200980 Acórdão n.º 3801003.638 S3TE01 Fl. 26 13 Fl. 1246DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 18/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI
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Numero do processo: 10611.721025/2013-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Dec 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 02/02/2009 a 16/03/2011
BASE DE CÁLCULO. IMPORTAÇÃO. VALORES DO ICMS E DAS CONTRIBUIÇÕES PIS/COFINS. EXCLUSÃO.
Por força do disposto no art. 62A do RICARF. c/c a decisão do STF, no julgamento do RE 559.937/RS, sob o regime do art. 543B da Lei nº 5.869, de 11/01/1973 (CPC), reconhece-se a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS incidente no desembaraço aduaneiro de mercadorias estrangeiras e dos valores das próprias contribuições do PIS e da Cofins incidentes sobre importação de tais produtos na base de cálculo da COFINS-Importação.
Lançamento Procedente em Parte
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3101-001.766
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para excluir das bases de cálculo do PIS-importação e da COFINS-importação os valores do ICMS incidente sobre o desembaraço aduaneiro e das próprias contribuições para o PIS e Cofins incidentes na importação. Fez sustentação oral o Dr. Daniel Barros Guazzelli, OAB/MG 73.478, advogado do sujeito passivo.
Henrique Pinheiro Torres - Presidente
Rodrigo Mineiro Fernandes Relator.
EDITADO EM: 20/11/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, José Henrique Mauri, Elias Fernandes Eufrasio, José Mauricio Carvalho Abreu e Henrique Pinheiro Torres.
Nome do relator: RODRIGO MINEIRO FERNANDES
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TRIBUTOS. INCIDÊNCIA. Incidem os tributos da importação sobre mercadorias estrangeiras mesmo quando aplicada a multa equivalente a seu valor aduaneiro, nos casos de não localização, consumo ou revenda. DANO AO ERÁRIO. OCULTAÇÃO DO REAL VENDEDOR. APLICAÇÃO DA MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO DAS MERCADORIAS IMPORTADAS E NÃO LOCALIZADAS, CONSUMIDAS OU REVENDIDAS. Por configurar dano ao Erário, aplicase a multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, quando comprovada a ocultação do real vendedor, mediante fraude ou simulação. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 02/02/2009 a 16/03/2011 BASE DE CÁLCULO. IMPORTAÇÃO. VALORES DO ICMS E DAS CONTRIBUIÇÕES PIS/COFINS. EXCLUSÃO. Por força do disposto no art. 62A do RICARF. c/c a decisão do STF, no julgamento do RE 559.937/RS, sob o regime do art. 543B da Lei nº 5.869, de 11/01/1973 (CPC), reconhecese a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS incidente no desembaraço aduaneiro de mercadorias estrangeiras e dos valores AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 61 1. 72 10 25 /2 01 3- 39 Fl. 923DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 20/11 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 2 das próprias contribuições do PIS e da Cofins incidentes sobre importação de tais produtos na base de cálculo do PISImportação. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 02/02/2009 a 16/03/2011 BASE DE CÁLCULO. IMPORTAÇÃO. VALORES DO ICMS E DAS CONTRIBUIÇÕES PIS/COFINS. EXCLUSÃO. Por força do disposto no art. 62A do RICARF. c/c a decisão do STF, no julgamento do RE 559.937/RS, sob o regime do art. 543B da Lei nº 5.869, de 11/01/1973 (CPC), reconhecese a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS incidente no desembaraço aduaneiro de mercadorias estrangeiras e dos valores das próprias contribuições do PIS e da Cofins incidentes sobre importação de tais produtos na base de cálculo da COFINSImportação. Lançamento Procedente em Parte Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para excluir das bases de cálculo do PISimportação e da COFINS importação os valores do ICMS incidente sobre o desembaraço aduaneiro e das próprias contribuições para o PIS e Cofins incidentes na importação. Fez sustentação oral o Dr. Daniel Barros Guazzelli, OAB/MG 73.478, advogado do sujeito passivo. Henrique Pinheiro Torres Presidente Rodrigo Mineiro Fernandes – Relator. EDITADO EM: 20/11/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, José Henrique Mauri, Elias Fernandes Eufrasio, José Mauricio Carvalho Abreu e Henrique Pinheiro Torres. Relatório Fl. 924DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 20/11 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10611.721025/201339 Acórdão n.º 3101001.766 S3C1T1 Fl. 4 3 Trata o presente processo de autos de infração lavrados para exigência de crédito tributário no valor de R$ 1.162.965,97 referente a Imposto de Importação, Imposto sobre Produtos Industrializados, PIS/Pasepimportação, Cofinsimportação, multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias, multas de ofício e juros de mora. A autoridade fiscal relata que a interessada registrou 20 (vinte) Declarações de Importação, no período entre 02/02/2009 e 16/03/2011, para amparar importações de mercadorias adquiridas da empresa estrangeira “Aqua Lung America”, todavia declarou nas importações que o exportador teria sido “Boradis Distributors”, caracterizando a ocultação do real vendedor. Segundo o entendimento fiscal, os documentos que instruíram as Declarações de Importação, bem como pedidos, faturas proforma, e mensagens eletrônicas trocadas com o real vendedor comprovariam tal situação. Também foi constatado que os preços declarados nas importações correspondiam a um percentual de 30% a 40% do preço efetivamente pago pelas mercadorias importadas, o que ensejou o lançamento da diferença de Imposto de Importação, Imposto sobre Produtos Industrializados, PIS/Pasepimportação, Cofinsimportação, acrescidos de multas de ofício e juros de mora. Foi caracterizado, pela autoridade fiscal, a ocorrência de dano ao erário, pela ocultação do real vendedor, mediante fraude ou simulação, infração prevista no inciso V do art. 23 do Decretolei nº 1.455/1976. Como as mercadorias foram revendidas pela interessada, foi aplicada a multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias. Regularmente cientificada, a interessada apresentou impugnação na qual alega, em síntese: (i) dificuldades na administração da empresa devido ao falecimento do sócio administrador; (ii) impossibilidade de exigência cumulativa de tributos/multas de ofício com multa substitutiva da pena de perdimento; (iii) impossibilidade de aplicação do perdimento e da multa substitutiva, tendo em vista a existência de penalidade mais específica (Parágrafo único do art. 88 da Medida Provisória nº 2.15835/2001); (iv) aplicação da jurisprudência do STF acerca da base de cálculo do PIS/importação e da Cofins/importação. A 1ª turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis proferiu o Acórdão nº 0734.764, referente à sessão de julgamento ocorrida em 7 de maio de 2014, na qual julgou procedente o lançamento, por unanimidade de votos. O referido acórdão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 02/02/2009 a 16/03/2011 INFRAÇÃO. SUBSUNÇÃO DOS FATOS À NORMA. PENALIDADE. A subsunção dos fatos à norma legal que prevê a infração determina sua caracterização com conseqüente aplicação da penalidade prevista. PENA DE PERDIMENTO. MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO DAS MERCADORIAS IMPORTADAS E NÃO LOCALIZADAS, CONSUMIDAS OU REVENDIDAS. TRIBUTOS. INCIDÊNCIA. Fl. 925DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 20/11 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 4 Incidem os tributos da importação sobre mercadorias objeto de pena de perdimento ou de multa equivalente a seu valor aduaneiro, nos casos em que não sejam localizadas, tenham sido consumidas ou revendidas. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A interessada, regularmente cientificada do Acórdão da DRJ Florianópolis, interpôs o Recurso Voluntário, onde repisa os argumentos trazidos em sua impugnação. O processo foi encaminhado a esta Seção de Julgamento e posteriormente distribuído a este Conselheiro. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, Relator O recurso voluntário é tempestivo e, considerando o preenchimento dos requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Conforme relatado, o lançamento referese à diferença apurada no recolhimento dos tributos aduaneiros, acrescidos de multa de ofício e juros moratórios, tendo em vista o subfaturamento praticado, juntamente com a multa de valor equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias, pela constatação de ocultação do real vendedor das mercadorias estrangeiras, caracterizando dano ao erário. É ponto incontroverso que a empresa Somares Comércio de Artigos de Mergulho e Serviços Ltda – ME, realizou importações, no período entre 02/02/2009 e 16/03/2011, de mercadorias estrangeiras adquiridas da empresa AQUALUNG AMERICA, a qual ficou oculta nas declarações de importação registradas. A empresa que constou nas referidas DI’s foi a empresa BORADIS DISTRIBUTOR. A recorrente, durante o procedimento fiscal, apresentou correspondência comercial eletrônica (emails) entre o comprador e o real vendedor referente à negociação mantida para as transações comerciais, na qual ficou devidamente comprovado que somente a empresa AQUALUNG AMERICA, na pessoa de seu gerente de vendas para a América Latina, Sr. Miguel de las Casas, aparece como remetente ou destinatária da correspondência mantida junto a importadora (SOMARES). Conforme relatado pela autoridade fiscal, as correspondências mostram o vínculo comercial direto entre a SOMARES e a AQUALUNG AMERICA. Diversas questões mercantes são discutidas nos emails apresentados, como pedidos de mercadorias, encaminhamento de faturas proforma, lista de preços, solicitações de reuniões/encontros. Também ficou devidamente comprovado nos autos que as referidas Declarações de Importação constaram preços diferentes daqueles efetivamente praticados. Analisando as faturas apresentadas no curso dos despachos, verificase que os valores declarados representam cerca de 30% a 40% dos valores encontrados nos documentos comerciais entre a AQUALLUNG AMERICA e a SOMARES, que refletem as transações comerciais efetivamente ocorridas, conforme declaração apresentada pelo próprio importador. Fl. 926DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 20/11 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10611.721025/201339 Acórdão n.º 3101001.766 S3C1T1 Fl. 5 5 Entendo que restou comprovado pela autoridade fiscal que a recorrente utilizouse de operações com interposta pessoa (BORADIS DISTRIBUTORS) para dissimular o real vendedor das mercadorias estrangeiras (AQUALUNG AMERICA), utilizandose de simulação, com vistas a subfaturar os valores das mercadorias importadas e eludir, em parte, o recolhimento dos tributos devidos. A autoridade fiscal, pela constatação, em tese, de crime previsto no artigo 1º da Lei nº 8.137 de 27 de dezembro de 1990, efetuou a competente REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS, conforme processo 10611.721.026/201383. A recorrente não contesta as acusações da fiscalização, apenas discorda da exigência simultânea da multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias com a diferença de tributos, por entender que a multa lançada seria substitutiva da pena de perdimento e, portanto, não poderiam ser cobradas as diferenças de tributos, por não serem compatíveis com a pena de perdimento. Não assiste razão à recorrente. A infração foi perfeitamente caracterizada como dano ao erário, conforme tipo previsto no inciso V do art. 23 do Decretolei nº 1.455/1976: Art. 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: [...] V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) Em exame ao texto do inciso V do artigo 23 do DecretoLei nº 1.455/1976, após a alteração processada pela Lei 10.637/2002, percebese que a conduta dolosa reside em ocultar o real vendedor na operação de importação, utilizandose de artifícios fraudulentos ou simulatórios, inclusive mediante a interposição fraudulenta de terceiras pessoas. No caso em questão a empresa “Aqua Lung” foi ocultada nas declarações de importação registradas, interposta pela empresa “Boradis Distributor”. A sanção a ser aplicada, no caso de revenda da mercadoria, é aquela definida no parágrafo 3º do mesmo artigo 23: § 3º As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 20 de dezembro de 2010 ) Fl. 927DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 20/11 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 6 Nenhuma ressalva há que ser feita no lançamento efetuado e na decisão recorrida, acerca da aplicação da referida penalidade. O fato comprovado nos autos é aquele previsto no tipo infracional, resultando na multa aplicada. Quanto à incidência dos tributos, melhor razão não assiste à recorrente. Foi devidamente comprovado nos autos o subfaturamento praticado pela recorrente nas importações em questão, resultando no recolhimento a menor dos tributos aduaneiros. Apurada a real base de cálculo dos tributos, correto o lançamento de ofício efetuado. Tratase, inclusive, de uma atividade vinculada e obrigatória da autoridade, o AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil responsável pelo procedimento fiscal. A recorrente alega que a aplicação da pena de perdimento retiraria do importador sua capacidade contributiva, inexistindo autorização legal para a exigência dos tributos aduaneiros no caso. Mais uma vez não assiste razão à recorrente. Conforme já exposto pelo julgador a quo, a não incidência prevista no DecretoLei nº 37/66 é aquela em que a mercadoria tenha sido objeto da pena de perdimento. O próprio texto legal prevê a exceção na hipótese em que a mercadoria tenha sido revendida, o que seria o caso em questão. Art.1º O Imposto sobre a Importação incide sobre mercadoria estrangeira e tem como fato gerador sua entrada no Território Nacional. [...] § 4o O imposto não incide sobre mercadoria estrangeira: (Incluído pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) [...] III que tenha sido objeto de pena de perdimento, exceto na hipótese em que não seja localizada, tenha sido consumida ou revendida. As mercadorias não foram objeto de pena de perdimento, por terem sido revendidas. A penalidade aplicada foi a multa de valor equivalente ao valor aduaneiro, não existindo previsão legal para sua inaplicabilidade, nos casos de lançamento de tributos. Também não existe previsão legal para não se lançar o tributo devido (ou diferença de tributo devido), nos casos de aplicação da multa prevista no parágrafo 3º do artigo 23 do DecretoLei nº 1.455/1976. Destacase mais uma vez: a sanção aplicada não foi o perdimento da mercadoria, mas a multa de valor equivalente ao valor aduaneiro. Inexistindo disposição expressa de não incidência, não cabe à autoridade fiscal, deixar de aplicar a lei. Também não procede a alegação de que o lançamento da diferença dos tributos e da multa implicaria em conceder tratamento diferenciado às mercadorias que foram objeto da pena de perdimento em relação àquelas que não o foram em razão de não terem sido localizadas, terem sido consumidas ou revendidas. Contrário ao entendimento da recorrente, entendo que o lançamento dos tributos justificase também do ponto de vista econômico, tendo em vista que as mercadorias revendidas ingressaram efetivamente na economia nacional, com reflexos na capacidade contributiva do sujeito passivo, ao contrário daqueles casos em que o perdimento é aplicado, o qual as mercadorias ficam em poder da autoridade aduaneira, não entrando no ciclo econômico do País. Fl. 928DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 20/11 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10611.721025/201339 Acórdão n.º 3101001.766 S3C1T1 Fl. 6 7 Quanto à alegação de que o Supremo Tribunal Federal, por ocasião do julgamento do Recurso Extraordinário n° 559.937/RS, em 20 de março de 2013, decidiu, sob o regime de repercussão geral, que o valor do ICMS incidente no desembaraço aduaneiro de produtos estrangeiros importados e os valores das próprias contribuições incidentes na importação não integram a base de cálculo do PIS/COFINSImportação, assiste razão à recorrente. Reproduzimos abaixo a ementa e acórdão do referido julgado: “Tributário. Recurso extraordinário. Repercussão geral. PIS/COFINS – importação. Lei nº 10.865/04. Vedação de bis in idem. Não ocorrência. Suporte direto da contribuição do importador (arts. 149, II, e 195, IV, da CF e art. 149, § 2º, III, da CF, acrescido pela EC 33/01). Alíquota específica ou ad valorem. Valor aduaneiro acrescido do valor do ICMS e das próprias contribuições. Inconstitucionalidade. Isonomia. Ausência de afronta. 1. Afastada a alegação de violação da vedação ao bis in idem , com invocação do art. 195, § 4º, da CF. Não há que se falar sobre invalidade da instituição originária e simultânea de contribuições idênticas com fundamento no inciso IV do art. 195, com alíquotas apartadas para fins exclusivos de destinação. 2. Contribuições cuja instituição foi previamente prevista e autorizada, de modo expresso, em um dos incisos do art. 195 da Constituição validamente instituídas por lei ordinária. Precedentes. 3. Inaplicável ao caso o art. 195, § 4º, da Constituição. Não há que se dizer que devessem as contribuições em questão ser necessariamente nãocumulativas. O fato de não se admitir o crédito senão para as empresas sujeitas à apuração do PIS e da COFINS pelo regime não cumulativo não chega a implicar ofensa à isonomia, de modo a fulminar todo o tributo. A sujeição ao regime do lucro presumido, que implica submissão ao regime cumulativo, é opcional, de modo que não se vislumbra, igualmente, violação do art. 150, II, da CF. 4 Ao dizer que a contribuição ao PIS/PASEPImportação e a COFINS Importação poderão ter alíquotas ad valorem e base de cálculo o valor aduaneiro, o constituinte derivado circunscreveu a tal base a respectiva competência. 5. A referência ao valor aduaneiro no art. 149, § 2º, III, a , da CF implicou utilização de expressão com sentido técnico inequívoco, porquanto já era utilizada pela legislação tributária para indicar a base de cálculo do Imposto sobre a Importação. 6. A Lei 10.865/04, ao instituir o PIS/PASEP Importação e a COFINS Importação, não alargou propriamente o conceito de valor aduaneiro, de modo que passasse a abranger, para fins de apuração de tais contribuições, outras grandezas nele não contidas. O que fez foi desconsiderar a imposição constitucional de que as contribuições sociais sobre a importação que tenham alíquota ad valorem sejam calculadas com base no valor aduaneiro, extrapolando a norma do art. 149, § 2º, III, a, da Constituição Federal. Fl. 929DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 20/11 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 8 7. Não há como equiparar, de modo absoluto, a tributação da importação com a tributação das operações internas. O PIS/PASEP Importação e a COFINS Importação incidem sobre operação na qual o contribuinte efetuou despesas com a aquisição do produto importado, enquanto a PIS e a COFINS internas incidem sobre o faturamento ou a receita, conforme o regime. São tributos distintos. 8. O gravame das operações de importação se dá não como concretização do princípio da isonomia, mas como medida de política tributária tendente a evitar que a entrada de produtos desonerados tenha efeitos predatórios relativamente às empresas sediadas no País, visando, assim, ao equilíbrio da balança comercial. 9. Inconstitucionalidade da seguinte parte do art. 7º, inciso I, da Lei 10.865/04: “acrescido do valor do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação – ICMS incidente no desembaraço aduaneiro e do valor das próprias contribuições, por violação do art. 149, § 2º, III, a, da CF, acrescido pela EC 33/01. 10. Recurso extraordinário a que se nega provimento. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em sessão plenária, sob a presidência do Senhor Ministro Joaquim Barbosa, na conformidade da ata do julgamento e das notas taquigráficas, em negar provimento ao recurso extraordinário, que visava a reconhecer a inconstitucionalidade da expressão “acrescido do valor do imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre prestação de Serviços de Transporte interestadual e intermunicipal e de Comunicação – ICMS incidente no desembaraço aduaneiro e do valor das próprias contribuições”, contida no inciso I do art. 7º da Lei nº 10.865/04. Tendo em conta o reconhecimento da repercussão geral da questão constitucional no RE 559.607, acordam, ademais, os Ministros, em determinar a aplicação do regime previsto no § 3º do art. 543B do CPC, tudo nos termos do voto da Ministra Ellen Gracie (Relatora). Por fim, acordam os Ministros, em rejeitar questão de ordem da Procuradoria da Fazenda Nacional, que suscitava fossem modulados os efeitos da decisão. Foi designado para redigir o acórdão o Ministro Dias Toffoli Brasília, 20 de março de 2013.” Esta decisão foi publicada em 17 de outubro de 2013. Dessa forma, por força do disposto no art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), adotase para o presente julgamento, a decisão do STF, naquele recurso extraordinário, para excluir da base de cálculo das contribuições para o PIS/COFINSImportação os valores do ICMS incidente sobre as mercadorias importadas pela recorrente e também dos valores das próprias contribuições para o PIS/Cofins incidentes nas operações de importação em questão. Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para excluir das bases de cálculo do PISimportação e da COFINSimportação os valores do Fl. 930DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 20/11 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10611.721025/201339 Acórdão n.º 3101001.766 S3C1T1 Fl. 7 9 ICMS incidente sobre o desembaraço aduaneiro e das próprias contribuições para o PIS e Cofins incidentes na importação. Sala das sessões, em 11 de novembro de 2014. [assinado digitalmente] Rodrigo Mineiro Fernandes – Relator Fl. 931DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 20/11 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S
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