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Numero do processo: 10580.728934/2009-26
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Aug 15 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1202-000.213
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros deste Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto Donassolo Presidente em Exercício
(documento assinado digitalmente)
Plínio Rodrigues Lima - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Plínio Rodrigues Lima, Viviane Vidal Wagner, Marcelo Baeta Ippolito e Orlando Jose Gonçalves Bueno. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Nereida de Miranda Finamore Horta.
Nome do relator: PLINIO RODRIGUES LIMA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros deste Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Presidente em Exercício (documento assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima - Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Plínio Rodrigues Lima, Viviane Vidal Wagner, Marcelo Baeta Ippolito e Orlando Jose Gonçalves Bueno. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Nereida de Miranda Finamore Horta.
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score : 1.0
Numero do processo: 10880.955945/2008-11
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Aug 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Exercício: 2000
Ementa:
Manifestação de Inconformidade Intempestiva Efeitos
A manifestação de inconformidade apresentada fora do prazo legal não instaura a fase litigiosa dôo procedimento nem comporta julgamento de primeira instância quanto às alegações de mérito, porque dela não se conhece.
Numero da decisão: 3202-003.046
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do presente recurso e negar-lhe provimento, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim- Presidente.
(assinado digitalmente)
Cláudio Augusto Gonçalves Pereira- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Sólon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: Relator Cláudio Augusto Gonçalves Pereira
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Exercício: 2000 Ementa: Manifestação de Inconformidade Intempestiva Efeitos A manifestação de inconformidade apresentada fora do prazo legal não instaura a fase litigiosa dôo procedimento nem comporta julgamento de primeira instância quanto às alegações de mérito, porque dela não se conhece.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do presente recurso e negar-lhe provimento, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim- Presidente. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira- Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Sólon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do presente recurso e negarlhe provimento, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Sólon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 95 59 45 /2 00 8- 11 Fl. 148DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 13a Turma da DRJ/SPO I, a qual, por unanimidade de votos julgou pelo não conhecimento da manifestação de inconformidade apresentada, tendo em vista que sua protocolização fora feita fora do prazo legal. Em ato contínuo, o processo de Declaração de Compensação fora realizado pelo contribuinte por meio eletrônico (PER/DCOMP nº 06616.70467.220904.1.3.04 7804), na data de 22/09/2004, no qual pretendia quitar os débitos declarados no referido documento, com créditos decorrentes de recolhimento indevido realizado, por meio de DARF, na data de 01/01/2000, no valor de R$ 524,19 no código de recita: 8109, nos termos do Acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 01/01/2000 Manifestação de Inconformidade Intempestiva Efeitos A manifestação de inconformidade apresentada fora do prazo legal não instaura a fase litigiosa dôo procedimento nem comporta julgamento de primeira instância quanto às alegações de mérito, porque dela não se conhece. Manifestação de Inconformidade Não Conhecida Direito Creditório Não Reconhecimento. Em sede de impugnação e de recurso, o contribuinte apresenta os mesmos argumentos, que, em síntese, se referem à: (i) comprovação da existência do crédito para fins de compensação, (ii) existência do direito constitucional do direito de petição, (iii) não existência de natureza litigiosa no processo administrativo de compensação, e (iv) prevalência do princípio da verdade material no processo administrativo. É o relatório. Voto Admissibilidade do Recurso. Admito o presente Recurso Voluntário em virtude do preenchimento dos requisitos regulares para o seu desenvolvimento positivo. Mérito. O recorrente, inconformado com a decisão de primeira instância, interpôs o presente Recurso Ordinário para que este Órgão analisasse novamente suas pretensões. Porém, razão alguma assiste a ele, porquanto o processo administrativo está morto desde sua fase inaugural de apresentação da manifestação de inconformidade. Explico! Para minhas convicções como Julgador administrativo, o fato que determinou sua não admissão está centrado na ocorrência da preclusão temporal, quando da apresentação intempestiva da impugnação administrativa, alcunhada de manifestação de inconformidade. Fl. 149DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA Processo nº 10880.955945/200811 Acórdão n.º 3202003.046 S3C2T2 Fl. 141 3 Veja, a Lei nº 10.822/2003 incluiu o § 9º ao artigo 74 da Lei nº 9.430 de 27/12/1996 e, assim, facultou ao sujeito passivo, no prazo de 30 dias, o exercício do direito subjetivo de apresentar a manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação requerida. Além disso, o § 7º da referida legislação determinou também que, em casos de não homologação da compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de trinta dias, contado da ciência do ato que não a homologou, ao pagamento dos débitos indevidamente compensados. Portanto, cruzando as normas extraídas do instrumento legal de regência, o contribuinte deveria apresentar sua manifestação de inconformidade no prazo de 30 (trinta) dias, contado da intimação do ato que não homologou seu pedido de compensação, caso quisesse discutir a decisão contrária aos seus interesses. De modo que, em termos de prova concreta existente nos autos, se verifica que o contribuinte foi notificado dos Despachos Decisórios em 02/12/2008, e vindo somente a apresentar sua manifestação de inconformidade no dia 07/10/2009. Ou seja, quase um ano depois. Portanto, para fundamentar e noticiar os termos que me levaram a concluir pelo não conhecimento do presente recurso, trago aqui o que dispõe o Ato Declaratório Normativo COSIT nº 15, de 12 de julho de 1996: “a impugnação intempestiva não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância, salvo caracterizada ou suscitada tempestividade, como preliminar”. Nesse sentido, tendo em vista o que dos autos consta e pelas razões por mim aqui expostas, CONHEÇO do recurso ora interposto e NEGOLHE PROVIMENTO, mantendo, assim, em sua integralidade, a decisão a quo que reconheceu a intempestividade da manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte e, portanto, não foi instaurada a fase litigiosa do processo administrativo. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relator Fl. 150DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10940.900534/2011-32
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Aug 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/01/2007
INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. CERTEZA E LIQUIDEZ.
Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, cabendo a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões.
COMPENSAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA
O instituto da denuncia espontânea não se aplica nos casos de débitos indevidamente compensados de tributos sujeitos a lançamento por homologação anteriormente declarados pelo contribuinte e que já se encontravam vencidos na data do pedido de compensação.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-004.031
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/01/2007 INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. CERTEZA E LIQUIDEZ. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, cabendo a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. COMPENSAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA O instituto da denuncia espontânea não se aplica nos casos de débitos indevidamente compensados de tributos sujeitos a lançamento por homologação anteriormente declarados pelo contribuinte e que já se encontravam vencidos na data do pedido de compensação. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
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SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. CERTEZA E LIQUIDEZ. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, cabendo a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. COMPENSAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA O instituto da denuncia espontânea não se aplica nos casos de débitos indevidamente compensados de tributos sujeitos a lançamento por homologação anteriormente declarados pelo contribuinte e que já se encontravam vencidos na data do pedido de compensação. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 0. 90 05 34 /2 01 1- 32 Fl. 74DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 09/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10940.900534/201132 Acórdão n.º 3801004.031 S3TE01 Fl. 75 2 Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 09/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10940.900534/201132 Acórdão n.º 3801004.031 S3TE01 Fl. 76 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório nº rastreamento 916017119 emitido eletronicamente em 01/04/2011, referente ao PER/DCOMP nº 38919.32034.220607.1.3.040519. A Declaração de Compensação gerada pelo programa PER/DCOMP foi transmitida com o objetivo de compensar o(s) débito(s) discriminado(s) no referido PER/DCOMP com crédito de PIS/Pasep, Código de Receita 6912, no valor original na data de transmissão de R$113,92, decorrente de recolhimento com Darf efetuado em 15/02/2007. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório por meio de edital, o interessado apresentou a manifestação de inconformidade em 31/05/2011, tendo feito um resumo dos fatos. Em seguida, tece considerações acerca da inconstitucionalidade da incidência do PIS e da Cofins sobre o ICMS, fazendo referência à legislação pertinente, à jurisprudência do Judiciário e a entendimentos doutrinários que tratam do assunto em pauta, para concluir que as “receitas” provenientes do ICMS não podem integrar a base de cálculo das contribuições para o PIS e da Cofins, ante ao fato de não representarem receita ou faturamento do contribuinte, mas sim do ente tributante. Diante das razões invocadas, o manifestante requer seja reconhecido o seu direito à compensação referente aos indevidos pagamentos a título de PIS/Pasep, em virtude da não dedução da base de cálculo daquelas exações, na época própria, da totalidade das despesas operacionais incorridas em cada mês de competência, decorrentes das atividades do contribuinte, bem Fl. 76DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 09/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10940.900534/201132 Acórdão n.º 3801004.031 S3TE01 Fl. 77 4 como não haja a incidência de multa moratória, tendo em vista o instituto da denúncia espontânea. Anexa aos autos um “Relatório aproveitamento”, no qual indica o valor do ICMS e o valor de PIS/Pasep correspondente. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/01/2007 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência e suficiência do crédito postulado. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. ACRÉSCIMOS LEGAIS. Os débitos indevidamente compensados serão exigidos com os respectivos acréscimos legais. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso voluntário apresentado, no qual alega, em síntese, que não pode haver qualquer diferenciação entre o tratamento tributário dado às instituições financeiras e as demais pessoas jurídicas sujeitas ao recolhimento da COFINS e do PIS, conforme o disposto nos artigos 5o e 150, II, ambos da Constituição, e de acordo com jurisprudência dominante do STF, devendo ser reconhecido o seu direito à restituição referente aos indevidos pagamentos a título de PIS/COFINS, em virtude da nãodedução da base de cálculo daquelas exações, na época própria, da totalidade das despesas operacionais incorridas em cada mês de competência, decorrentes das suas atividades, bem como, não haja a incidência da multa moratória, tendo em vista o instituto da denúncia espontânea. É o relatório. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 09/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10940.900534/201132 Acórdão n.º 3801004.031 S3TE01 Fl. 78 5 Voto Conselheiro Relator Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos já declarados. Diante da inexistência do crédito, a compensação declarada não foi homologada. No mérito, a recorrente alega que os créditos pleiteados referemse a pagamentos indevidos a título de PIS/COFINS, em virtude da nãodedução da base de cálculo daquelas exações, na época própria, da totalidade das despesas operacionais incorridas em cada mês de competência, decorrentes das suas atividades. A recorrente defende a isonomia de tratamento fiscal no que diz respeito à exclusão da base de cálculo do PIS e da Cofins de despesas operacionais previstas na legislação aplicável às instituições financeiras. Isto posto, no mérito, veremos que não assiste razão à recorrente. A Lei nº 9.718/98, que dispõe sobre as contribuições para o PIS/Pasep e para a Cofins, em seu art. 3º, § 6º, explicita as exclusões e deduções facultadas para fins de determinação da base de cálculo das referidas contribuições para as instituições financeiras, seguradoras e assemelhadas, além daquelas facultadas as demais pessoas jurídicas. A recorrente alega que esse tratamento tributário diferenciado ofende ao princípio da igualdade encontrado no art. 5º, caput, da Constituição Federal, bem como o conseqüente princípio da isonomia ou igualdade tributária assegurado na Carta Magna, em seu art. 150, II.. No entanto, o referido tratamento está baseado em disposição literal de norma válida legitimamente inserida no ordenamento jurídico nacional cuja apreciação acerca de eventual inconstitucionalidade foge à alçada da autoridade administrativa de qualquer instância, não dispondo esta de competência legal para examinar tais hipóteses. Com efeito, a apreciação dessas questões achase reservada ao Poder Judiciário, pelo que qualquer discussão quanto aos aspectos de validade das normas jurídicas deve ser submetida àquele Poder. Portanto, é inócuo suscitar tais alegações na esfera administrativa, pois à autoridade administrativa é vedado desrespeitar textos legais em vigor, sob pena de responsabilidade funcional, sendo defeso a apreciação da matéria por esse órgão julgador. Para firmar esse entendimento, o Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 256/2009, por força do disposto no Anexo II, art. 62, caput, veda aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo Fl. 78DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 09/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10940.900534/201132 Acórdão n.º 3801004.031 S3TE01 Fl. 79 6 internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, ressalvadas hipóteses de decisão vinculante do STF ou acolhida pela administração tributária. A alegação de inconstitucionalidade de lei também é objeto da abaixo transcrita súmula n° 2 do CARF, de observância obrigatória por parte de seus membros, por força do disposto no art. 72, caput, do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 256/2009: Súmula CARF nº 2 (D.O.U de 22/12/2009, Seção 1) O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária No mais, considerandose que em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso I, cabe a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões, o que não ocorreu no caso em tela, faltando ao crédito indicado pelo contribuinte certeza e liquidez, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, que são indispensáveis para a compensação pleiteada. No tocante ao instituto da denuncia espontânea, de que trata o art. 138 do Código Tributário Nacional, este não se aplica ao caso vertente uma vez que tratamse os débitos indevidamente compensados de tributos sujeitos a lançamento por homologação anteriormente declarados pelo contribuinte e que já se encontravam vencidos na data do pedido de compensação, sujeitos portanto aos acréscimos moratórios previstos no artigo 61, da Lei nº 9.430/96. Nesse sentido, segundo a Súmula 360 do STJ, “o benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo”, mesmo que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco. Assim, voto por negar provimento ao presente recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Antônio Borges Fl. 79DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 09/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10580.725754/2009-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Sep 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
Ementa:
PAF. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA.
O julgador administrativo não está obrigado a rebater todas as questões levantadas pela parte, mormente quando os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão.
INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2.
Falece competência a este órgão julgador para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. RESPONSABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 12.
Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção.
IRRF. COMPETÊNCIA.
A repartição do produto da arrecadação entre os entes federados não altera a competência tributária da União para instituir, arrecadar e fiscalizar o Imposto sobre a Renda.
IMPOSTO DE RENDA. DIFERENÇAS SALARIAIS. URV.
Os valores recebidos por servidores públicos a título de diferenças ocorridas na conversão de sua remuneração, quando da implantação do Plano Real, são de natureza salarial, razão pela qual estão sujeitos aos descontos de Imposto de Renda.
ISENÇÃO. NECESSIDADE DE LEI.
Inexistindo lei federal reconhecendo a isenção, incabível a exclusão dos rendimentos da base de cálculo do Imposto de Renda.
IRPF. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS ACUMULADAMENTE. TABELA MENSAL. APLICAÇÃO DO ART. 62-A DO RICARF.
O imposto de renda incidente sobre os rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente deve ser calculado com base nas tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, conforme dispõe o Recurso Especial nº 1.118.429/SP, julgado na forma do art. 543-C do CPC. Aplicação do art. 62-A do RICARF (Portaria MF nº 256/2009).
IRPF. MULTA. EXCLUSÃO. SÚMULA CARF Nº 73.
Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício.
IRPF. JUROS DE MORA SOBRE VERBAS TRIBUTADAS. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO.
No julgamento do REsp 1.227.133/RS, sob o rito do art. 543C do CPC, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que apenas os juros de mora pagos em virtude de decisão judicial proferida em ação de natureza trabalhista, por se tratar de verba indenizatória paga na forma da lei, são isentos do imposto de renda, por força do inciso V do art. 6º da Lei n° 7.713/1988.
Numero da decisão: 2201-002.500
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para que sejam aplicadas aos rendimentos recebidos acumuladamente as tabelas progressivas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido pagos à Contribuinte, bem como para excluir da exigência a multa de ofício. Acompanhou o julgamento pela Contribuinte a Dra. Vanessa Barbosa Freitas, OAB/BA 34.774. O julgamento foi antecipado para a sessão de 13/08/2014, às 14:00 horas, a pedido da Contribuinte.
Assinado Digitalmente
Maria HELENA Cotta Cardozo - Presidente.
Assinado Digitalmente
EDUARDO TADEU FARAH - Relator.
EDITADO EM: 28/08/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), EDUARDO TADEU FARAH, GUSTAVO LIAN HADDAD, GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA e NATHALIA MESQUITA CEIA.
Nome do relator: Eduardo Tadeu Farah
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 Ementa: PAF. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA. O julgador administrativo não está obrigado a rebater todas as questões levantadas pela parte, mormente quando os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2. Falece competência a este órgão julgador para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. RESPONSABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 12. Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. IRRF. COMPETÊNCIA. A repartição do produto da arrecadação entre os entes federados não altera a competência tributária da União para instituir, arrecadar e fiscalizar o Imposto sobre a Renda. IMPOSTO DE RENDA. DIFERENÇAS SALARIAIS. URV. Os valores recebidos por servidores públicos a título de diferenças ocorridas na conversão de sua remuneração, quando da implantação do Plano Real, são de natureza salarial, razão pela qual estão sujeitos aos descontos de Imposto de Renda. ISENÇÃO. NECESSIDADE DE LEI. Inexistindo lei federal reconhecendo a isenção, incabível a exclusão dos rendimentos da base de cálculo do Imposto de Renda. IRPF. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS ACUMULADAMENTE. TABELA MENSAL. APLICAÇÃO DO ART. 62-A DO RICARF. O imposto de renda incidente sobre os rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente deve ser calculado com base nas tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, conforme dispõe o Recurso Especial nº 1.118.429/SP, julgado na forma do art. 543-C do CPC. Aplicação do art. 62-A do RICARF (Portaria MF nº 256/2009). IRPF. MULTA. EXCLUSÃO. SÚMULA CARF Nº 73. Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício. IRPF. JUROS DE MORA SOBRE VERBAS TRIBUTADAS. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO. No julgamento do REsp 1.227.133/RS, sob o rito do art. 543C do CPC, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que apenas os juros de mora pagos em virtude de decisão judicial proferida em ação de natureza trabalhista, por se tratar de verba indenizatória paga na forma da lei, são isentos do imposto de renda, por força do inciso V do art. 6º da Lei n° 7.713/1988.
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NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA. O julgador administrativo não está obrigado a rebater todas as questões levantadas pela parte, mormente quando os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2. Falece competência a este órgão julgador para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. RESPONSABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 12. “Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção”. IRRF. COMPETÊNCIA. A repartição do produto da arrecadação entre os entes federados não altera a competência tributária da União para instituir, arrecadar e fiscalizar o Imposto sobre a Renda. IMPOSTO DE RENDA. DIFERENÇAS SALARIAIS. URV. Os valores recebidos por servidores públicos a título de diferenças ocorridas na conversão de sua remuneração, quando da implantação do Plano Real, são de natureza salarial, razão pela qual estão sujeitos aos descontos de Imposto de Renda. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 57 54 /2 00 9- 92 Fl. 262DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 2 ISENÇÃO. NECESSIDADE DE LEI. Inexistindo lei federal reconhecendo a isenção, incabível a exclusão dos rendimentos da base de cálculo do Imposto de Renda. IRPF. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS ACUMULADAMENTE. TABELA MENSAL. APLICAÇÃO DO ART. 62A DO RICARF. O imposto de renda incidente sobre os rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente deve ser calculado com base nas tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, conforme dispõe o Recurso Especial nº 1.118.429/SP, julgado na forma do art. 543C do CPC. Aplicação do art. 62A do RICARF (Portaria MF nº 256/2009). IRPF. MULTA. EXCLUSÃO. SÚMULA CARF Nº 73. “Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício”. IRPF. JUROS DE MORA SOBRE VERBAS TRIBUTADAS. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO. No julgamento do REsp 1.227.133/RS, sob o rito do art. 543C do CPC, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que apenas os juros de mora pagos em virtude de decisão judicial proferida em ação de natureza trabalhista, por se tratar de verba indenizatória paga na forma da lei, são isentos do imposto de renda, por força do inciso V do art. 6º da Lei n° 7.713/1988. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para que sejam aplicadas aos rendimentos recebidos acumuladamente as tabelas progressivas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido pagos à Contribuinte, bem como para excluir da exigência a multa de ofício. Acompanhou o julgamento pela Contribuinte a Dra. Vanessa Barbosa Freitas, OAB/BA 34.774. O julgamento foi antecipado para a sessão de 13/08/2014, às 14:00 horas, a pedido da Contribuinte. Assinado Digitalmente Maria HELENA Cotta Cardozo Presidente. Assinado Digitalmente EDUARDO TADEU FARAH Relator. EDITADO EM: 28/08/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), EDUARDO TADEU FARAH, GUSTAVO LIAN HADDAD, GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA e NATHALIA MESQUITA CEIA. Fl. 263DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10580.725754/200992 Acórdão n.º 2201002.500 S2C2T1 Fl. 3 3 Relatório Adoto o relatório de primeira instância por bem traduzir os fatos da presente lide até aquela decisão. Tratase de auto de infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF correspondente aos anos calendário de 2004, 2005 e 2006, para exigência de crédito tributário, no valor de R$ 136.520,48, incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal constantes no auto de infração, o crédito tributário foi constituído em razão de ter sido apurada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. Os rendimentos foram recebidos do Ministério Público do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 08 de setembro de 2003. As diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994, conseqüentemente, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento. Na apuração do imposto devido não foram consideradas as diferenças salariais que tinham como origem o décimo terceiro salário, por estarem sujeitas à tributação exclusiva na fonte, nem as que tinham como origem o abono de férias, em atendimento ao despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 16 de novembro de 2006, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ nº 2.140/2006. Foi atendido, também, o despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 11 de maio de 2009, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ nº 287/2009, que dispõe sobre a forma de apuração do imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente. O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal e apresentou impugnação, alegando, em síntese, que: a) o lançamento fiscal teve como objeto verbas recebidas pelo impugnante a título de diferenças de URV, que não representaram qualquer acréscimo patrimonial, mas sim o ressarcimento por erro cometido pela fonte pagadora no cálculo da remuneração paga no período de 1º de abril de 1994 a 31 de agosto de 2001; b) o referido erro ocorreu no procedimento de conversão de cruzeiro real para URV a que eram submetidos os salários pagos aos membros do Ministério Público Estadual. Tal procedimento tinha o intuito de preservar o ganho mensal, compensando as perdas em face dos altos índices de inflação, o que evidencia a feição indenizatória da URV; c) o acordo para o pagamento das diferenças de URV se deu através da Lei Estadual Complementar nº 20, de 08 de setembro de 2003, tendo o impugnante recebido tais valores ao longo dos anos de 2004, 2005 e 2006; Fl. 264DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 4 d) a referida diferença consistiu apenas em correção do capital, ou seja, recomposição de quantias que deveriam integrar a remuneração ao longo do tempo passado. Não correspondeu a qualquer permuta do trabalho/serviço por moeda que configurasse a natureza salarial. Assim, por ser mera atualização do principal, e por não ter sido implementada em tempo certo, não deveria ser levada à tributação, haja vista o entendimento doutrinário e jurisprudencial, que veda a tributação da correção monetária; e) a mera correção monetária não aumenta ou acresce patrimônio do contribuinte, apenas lhe torna indene das perdas inflacionárias, portanto, não integra a base de cálculo do imposto de renda; f) havia um evidente caráter compensatório da URV desde sua gênese, e as diferenças recebidas representaram uma reparação por danos, tendo clara natureza de indenização, e não de salário. Dessa maneira, por não caracterizar aumento patrimonial, a verba recebida não subsume nos conceitos de renda e proventos de qualquer natureza, previstos no art. 43 do CTN; g) o STF, através da Resolução nº 245, de 2002, deixou claro que o abono conferido aos magistrados federais em razão das diferenças de URV tem natureza indenizatória, e que por esse motivo está isento da contribuição previdenciária e do imposto de renda; h) apesar da citada resolução ter sido dirigida à magistratura federal, é impositiva e legítima a equiparação do tema por analogia às verbas recebidas pelos magistrados estaduais, conforme preceitua o art. 108 do CTN. Negar o caráter indenizatório destas verbas é afrontar o princípio constitucional da isonomia, não só na sua concepção geral, mas, também, no que tange a tratamento diferenciado entre membros do Ministério Público Federal da União e Estadual. Viola, também, o disposto no inciso II do art. 150 da Constituição Federal que proíbe o tratamento desigual entre os contribuintes que se encontrem em situação equivalente; i) o Estado da Bahia abriu mão da arrecadação do imposto ao estabelecer no art. 3º da Lei Estadual Complementar nº 20, de 2003, a natureza indenizatória da verba paga. Implementou todos os pagamentos sem qualquer retenção de IR e informou aos beneficiários dos rendimentos a natureza desta parcela como indenizatória; j) o sujeito passivo da obrigação de tributária, na condição de responsável, era a fonte pagadora, que estava obrigada a reter o imposto. Desta forma, a discussão acerca da classificação dos rendimentos pagos deveria ser travada entre o fisco federal e a fonte pagadora. Entretanto, não se instaurou qualquer procedimento fiscal contra a fonte pagadora, mas sim contra o impugnante, que sofreu os dissabores e ônus da ação fiscal, inclusive com a imposição de multa de ofício e juros moratórios; l) de forma transversa o Estado Membro devedor da obrigação mensal de retenção não exauriu sua obrigação e gerou para o contribuinte o dever de pagar mais imposto; conseqüentemente o Estado se beneficia com os acréscimos que sua inação causou. Assim, ao lançar o tributo nos termos da autuação gera quebra da capacidade contributiva do signatário; m) o impugnante não agiu com intuito de fraude, simulação ou conluio, simplesmente seguiu a informação prestada pela fonte pagadora, e fez constar em suas declarações de rendimentos relativas aos períodos bases de 2004 a 2006 as parcelas recebidas como isentas de tributação. Isto posto, mantida a exigência fiscal, devese observar o princípio da boafé, da qual estava imbuído o impugnante, e afastar a exigência da multa de ofício e juros de mora; Fl. 265DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10580.725754/200992 Acórdão n.º 2201002.500 S2C2T1 Fl. 4 5 n) a informação prestada pela fonte pagadora estava fundamentada na Lei Estadual Complementar nº 20, de 2003, que dispunha acerca da natureza indenizatória das diferenças de URV. Portanto, os valores declarados pelo impugnante tratase de informação lastreada em ato normativo expedido por autoridade administrativa, que se enquadra na hipótese do inciso I do art. 100 do CTN. Assim, de acordo com o parágrafo único do mesmo artigo, devem ser afastados a multa de ofício e os juros de mora; o) o lançamento fiscal tributou isoladamente os rendimentos apontados como omitidos, deixando de considerar os rendimentos e deduções já declarados, conforme determina o art. 837 do RIR/1999. Caso fosse mantida a tributação das verbas recebidas, caberia sujeitálas ao ajuste anual, o que resultaria em um imposto devido menor; p) nos anos de 1994 e 1998, a alíquota do imposto de renda que vigorava era de 25%, e não as alíquotas de 26,6% e 27,5% aplicadas no lançamento fiscal; q) parte dos valores recebidos a título de URV se referia à correção incidente sobre 13º salários e férias indenizadas (abono férias), que respectivamente estão sujeitas à tributação exclusiva e isentas, conseqüentemente, mesmo que prevalecesse o entendimento do órgão fiscalizador, caberia a exclusão de tais parcelas na apuração da base de cálculo sujeita ao lançamento fiscal; r) os juros de mora constantes no cálculo da diferença de URV representam um indenização pelos danos emergentes do não uso do patrimônio. Assim, os juros de mora têm natureza distinta da originária do principal ao qual incidiu acessoriamente, porque não se constituíram em aquisição de disponibilidade de renda, produto do trabalho remunerado pelo Estado da Bahia. A 3ª Turma da DRJ em Salvador/BA julgou procedente o lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas: DIFERENÇAS DE REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA IRPF. As diferenças de remuneração recebidas pelos Magistrados do Estado da Bahia, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003, estão sujeitas à incidência do imposto de renda. MULTA DE OFÍCIO. INTENÇÃO. A aplicação da multa de ofício no percentual de 75% sobre o tributo não recolhido independe da intenção do contribuinte. Impugnação Procedente Crédito Tributário Mantido Intimada da decisão de primeira instância, Railda Rodrigues Suzart apresenta tempestivamente Recurso Voluntário, sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação. O processo em apreço foi julgado em 13 de agosto de 2013 e os membros da Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), por meio da Resolução nº 2201000.162, decidiram sobrestar o recurso, conforme a Portaria CARF nº 1, de 2012. Fl. 266DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 6 É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Tadeu Farah O recurso reúne os requisitos de admissibilidade. Cuidam os autos de lançamento originário de verbas recebidas a título de “Valores Indenizatórios de URV”, no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006. De início, cumpre esclarecer que a Portaria MF n° 545/2013 revogou os parágrafos 1º e 2º do art. 62A do anexo II do RICARF (Portaria MF n° 256/2009). Assim, o procedimento de sobrestamento não é mais aplicado neste Órgão Administrativo. Antes de se entrar no mérito da questão insta examinar, de antemão, as preliminares suscitadas pela defesa. Nulidade da Decisão Recorrida No que tange à alegação de nulidade da decisão recorrida, verifico que não assiste razão à defesa. Analisando detidamente o Acórdão da Delegacia de Julgamento, constatase que, ao contrário do afirmado, a decisão singular apreciou, ainda que de forma sucinta, a matéria em litígio. No que toca a alegada legitimidade ativa, a decisão recorrida concluiu que é da competência exclusiva da União exigir o imposto de renda incidente sobre rendimentos da pessoa física (IRPF). Sobre a suposta quebra na capacidade contributiva, entendeu o julgador a quo que a tributação independe da denominação do rendimento, e que as indenizações não gozam de isenção indistintamente. Ressaltese que o julgador não está obrigado a rebater todas as questões levantadas na peça recursal, mormente quando os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão (art. 31 do Decreto nº. 70.235/1972). Esse entendimento é pacifico neste Órgão Administrativo, consoante a ementa destacada: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – DEFESA DO CONTRIBUINTE APRECIAÇÃO Conforme cediço no Superior Tribunal de Justiça STJ, a autoridade julgadora não fica obrigada a manifestarse sobre todas as alegações do recorrente, nem a todos os fundamentos indicados por ele ou a responder, um a um, seus argumentos, quando já encontrou motivo suficiente para fundamentar a decisão. (REsp 874793/CE, julgado em 28/11/2006). (Acórdão 10248620) Afastase, portanto, essa preliminar. Ilegitimidade da União Federal Quanto à alegada ilegitimidade ativa para exigir o tributo, penso que o inciso III do art. 153 da Constituição Federal atribui à União competência exclusiva para legislar sobre imposto de renda e proventos de qualquer natureza. Em que pese o produto da arrecadação do IRRF pertencer ao Estado da Bahia, conforme prevê o inciso I do art. 157 da CF, tal fato não tem o condão de alterar a competência da União relativa ao Imposto sobre a Fl. 267DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10580.725754/200992 Acórdão n.º 2201002.500 S2C2T1 Fl. 5 7 Renda, conforme prevê o parágrafo único do art. 6º do Código Tributário Nacional (CTN). Com efeito, o contribuinte, na qualidade de beneficiário dos rendimentos, não pode se furtar da tributação do imposto. A lei, ao disciplinar a elaboração da Declaração Anual de Ajuste, expressamente determina a inclusão na base de cálculo do imposto de todos os rendimentos percebidos no ano, independentemente de ter ou não havido retenção na fonte (arts. 7º e 8º da Lei nº 9.250/1995). É nesse sentido a Súmula CARF nº 12: Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. Portanto, não há relação entre o dever de reter o imposto e o fato de o produto da arrecadação do imposto retido pertencer ao Estado da Bahia. Dessarte, estéril o argumento suscitado pela defesa para anular a exigência. Quebra do Princípio Constitucional da Capacidade Contributiva e Outros Sobre a alegação de quebra do princípio constitucional da capacidade contributiva entre outros, cumpre destacar que os referidos princípios dirigemse ao legislador, que deve observálos quando da elaboração das leis tributárias. Os Órgãos da Administração não podem deixar de aplicar as leis aprovadas pelo Congresso Nacional e sancionadas pelo Presidente da República, ao qual estão vinculados pelo poder hierárquico. Essa tarefa é reservada pela Constituição Federal ao poder Judiciário. Dessa forma, é vedada à administração declarar a inconstitucionalidade de norma legal, conforme dispõe a Súmula nº 02 do CARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Citase, outrossim, a lição do Jurista Hugo de Brito Machado na obra “O Devido Processo Legal Administrativo e Tributário e o Mandado de Segurança”, publicada no volume “Processo Administrativo Fiscal” coordenado por Valdir de Oliveira Rocha Dialética 1995: Se um órgão do Contencioso Administrativo Fiscal pudesse examinar a argüição de inconstitucionalidade de uma lei tributária, disso poderia resultar a prevalência de decisões divergentes sobre um mesmo dispositivo de uma lei, sem qualquer possibilidade de uniformização. Acolhida a argüição de inconstitucionalidade, a Fazenda não pode ir ao judiciário contra a decisão de um órgão que integra a própria administração. O contribuinte por seu turno, não terá interesse processual, nem fato para fazêlo. A decisão tornarseá assim definitiva, ainda que o mesmo dispositivo tenha sido ou venha a ser considerado constitucional pelo Supremo Tribunal Federal, que é, em nosso ordenamento jurídico, o responsável maior pelo deslinde de todas as questões de constitucionalidade, vale dizer, o 'guardião da Constituição'. Fl. 268DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 8 Assim, diferentemente do que alega a defesa, a autoridade fiscal não deseja receber tributo superior ao efetivamente devido, visto que os dispositivos fiscais foram aplicados em estrita obediência às atividades específicas da administração tributária. Rejeitase, pois, a suscitada preliminar. No que tange à alegação de constituição inadequada da exigência, bem como a arguição de que as alíquotas utilizadas foram incorretas, como as matérias se confundem com o mérito, serão examinadas mais adiante. No mérito, verifico que as verbas recebidas a título de “Valores Indenizatórios de URV” advêm de diferenças salariais ocorridas na conversão da remuneração do servidor público, quando da implantação do Plano Real. Logo, tais valores se referem a salários (vencimentos) não recebidos ao longo dos anos. Nesse passo, o objetivo da ação judicial e/ou da Lei do estado da Bahia foi simplesmente pagar ao recorrente aquilo que antes deixou de ser pago. E o que antes deixou de ser pago é salário. Assim, o que veio a ser posteriormente pago é salário. Nessa ordem de idéias, penso que a verba trazida à discussão configura acréscimo patrimonial e, consequentemente, sujeita à incidência do IR, consoante dispõe o art. 43 do CTN: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1o A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) Portanto, a definição prevista no art. 43 do CTN se subsume ao caso em questão, isso porque as quantias percebidas pelo contribuinte de fato constitui produto do trabalho (salário). Quanto à alegada afronta ao princípio constitucional da isonomia, percebo que a Resolução do Supremo Tribunal Federal (STF) nº 245/2002 conferiu natureza jurídica indenizatória ao abono variável apenas aos Magistrados do Poder Judiciário Federal e, posteriormente, aos membros do Ministério Público da União (Lei nº 9.655/1998 e Lei nº 10.474/2002). Embora alegue a defesa que a verba recebida pelos servidores estaduais é exatamente igual àquela percebida pelos seus pares da União e, portanto, não se poderia dispensar tratamento diferenciado àqueles que se encontram em mesma situação, penso que não há como estender o entendimento a outros contribuintes, haja vista inexistir lei federal determinando o mesmo tratamento tributário, pois a norma que concede isenção deve ser interpretada sempre literalmente, conforme inciso II do art. 111 do CTN. Com efeito, o Código Tributário veda o emprego da analogia ou de interpretações extensivas para alcançar sujeitos passivos em situação semelhantes. Pensar diferente implicaria concessão de isenção sem lei federal própria, o que ofenderia o § 6º do art. 150 da CF e o art. 176 do CTN. Fl. 269DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10580.725754/200992 Acórdão n.º 2201002.500 S2C2T1 Fl. 6 9 Ressaltese que a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, por meio do Parecer PGFN/Nº 529/2003, aprovado pelo Ministro da Fazenda, reconheceu a natureza indenizatória do abono apenas para a Magistratura Federal e MP Federal, respeitando a interpretação do STF. Pelos fundamentos expostos, entendo que a verba em exame deve ser tributada. No que tange à tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente, verificase que a autoridade lançadora aplicou sobre o total do crédito, a tabela do imposto de renda vigente no mês do recebimento. Contudo, de acordo com o art. 62A do RICARF (Portaria MF nº 256/2009), devese aplicar à espécie o REsp nº 1.118.429/SP, julgamento sob o rito do art. 543C do CPC. Na ocasião, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que o Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. Vejase: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008. Resp 1.118.429/SP, julgado em 24/03/2010. (grifei) Pelo que se vê, o REsp nº 1.118.429/SP versa exatamente sobre o caso dos autos, ou seja, parcelas atrasadas recebidas acumuladamente. Assim, devese aplicar sobre os rendimentos recebidos acumuladamente as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido pagos. No que toca à imposição da multa de ofício, penso que a penalidade deve ser excluída, pois o sujeito passivo foi de fato induzido ao erro pela fonte pagadora. É cediço que o comprovante de rendimento elaborado pela fonte pagadora classificou a referida verba como rendimentos isentos e não tributável, e ao apresentar sua Declaração de Ajuste o sujeito passivo meramente copiou os dados constantes do comprovante, acreditando estar agindo de forma correta. Assim, se houve erro no apontamento da natureza dos rendimentos auferidos, esse erro não foi provocado pelo sujeito passivo. Desse modo, o erro é escusável e, consequentemente, inaplicável a multa de ofício, conforme dispõe a Súmula CARF nº 73: Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício. Nessa conformidade, deve ser excluída a multa de ofício aplicada ao lançamento. Fl. 270DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 10 Em relação à incidência do imposto de renda sobre juros de mora, as recentes decisões do STJ, no julgamento do REsp 1.227.133/RS, sob o rito do art. 543C do CPC, restringiu o entendimento de que é inexigível o imposto de renda sobre os juros de mora decorrentes do pagamento a destempo de verbas trabalhistas de natureza indenizatória, oriundas de condenação judicial, por força da norma isentiva prevista no inciso V do art. 6º da Lei nº 7.713/1988: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. INCIDÊNCIA. JUROS DE MORA. CARÁTER REMUNERATÓRIO. TEMA JULGADO PELO STJ SOB A SISTEMÁTICA DO ART. 543C D O CPC. 1. Por ocasião do julgamento do REsp 1.227.133/RS, pelo regime do art. 543C do CPC (recursos repetitivos), consolidou se o entendimento no sentido de que "não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais em decorrência de sua natureza e função indenizatória ampla." Todavia, após o julgamento dos embargos de declaração da Fazenda Nacional, esse entendimento sofreu profunda alteração, e passou a prevalecer entendimento menos abrangente. Concluiuse neste julgamento que "os juros de mora pagos em virtude de decisão judicial proferida em ação de natureza trabalhista, devidos no contexto de rescisão de contrato de trabalho, por se tratar de verba indenizatória paga na forma da lei, são isentos do impo sto de renda, por força do art. 6º, V, da Lei 7.713/88, até o limite da lei". 2. Na hipótese, não sendo as verbas trabalhistas decorrentes de despedida ou rescisão contratual de trabalho, assim como por terem referidas verbas (horas extras) natureza remuneratória, deve incidir o imposto de renda sobre os juros de mora. Agravo regimental improvido. (AgRg no REsp 1235772 RS – julgado em 26/06/2012) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM RECURSO ESPECIAL. IMPOSTO DE RENDA. JUROS DE MORA DECORRENTES DO PAGAMENTO EM ATRASO DE VERBAS TRABALHISTAS. NÃO INCIDÊNCIA. MATÉRIA JÁ PACIFICADA PELA PRIMEIRA SEÇÃO. RECUR SO ESPECIAL REPETITIVO 1.227.133/RS. 1. A Primeira Seção, por ocasião do julgamento do REsp 1.227.133/RS, sob o rito do art. 543C do CPC, fixou orientação no sentido de que é inexigível o imposto de renda sobre os juros de mora decorrentes do pagamento a destempo de verbas trabalhistas de natureza indenizatória, oriundas de condenação judicial. 2. Agravo regimental não provido.” (AgRg nos REsp 1163490 SC – julgado em 14/03/2012) Da análise do julgamento do Recurso Repetitivo 1.227.133/RS, verificase que são isentos do imposto de renda os juros de mora decorrentes do pagamento a destempo de verbas trabalhistas de natureza indenizatória, oriundas de condenação judicial, conforme a regra do “accessorium sequitur suum principale”. Fl. 271DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10580.725754/200992 Acórdão n.º 2201002.500 S2C2T1 Fl. 7 11 Dessarte, não sendo as verbas trabalhistas de natureza indenizatória, o imposto de renda deve incidir sobre os juros de mora. Por fim, cumpre registrar que as decisões administrativas ou judiciais, sem caráter vinculante, não obrigam os julgadores dos processos administrativos fiscais, assim como os pareceres emitidos por ilustres doutrinadores, a exemplo do Dr. Edimar Azevedo Monteiro Filho. Ante ao exposto, voto no sentido de rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para que sejam aplicadas aos rendimentos recebidos acumuladamente as tabelas progressivas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido pagos, bem como excluir da exigência a aplicação da multa de ofício. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 272DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH
score : 1.0
Numero do processo: 10920.906345/2012-92
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/05/2002
EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DA COFINS.
Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo da COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-003.900
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/05/2002 EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DA COFINS. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo da COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
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Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo da COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. 1 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 90 63 45 /2 01 2- 92 Fl. 37DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 28/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 9 (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. 2 Fl. 38DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 28/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 9 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão, julgado pela 2ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Belo Horizonte (DRJ/BHE), em que foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte, sendo indeferida a restituição pleiteada. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: “O presente processo trará de manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório emitido eletronicamente referente ao PER/DCOMP. O pedido de restituição gerado pelo programa PER/DCOMP foi transmitido com o objetivo de ter reconhecido direito creditório correspondente a COFINS – Código de Receita 2172, tendo sido pleiteado crédito, correspondente ao DARF recolhido. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para a quitação de créditos do contribuinte, não restando crédito disponível para a restituição. Assim, diante da inexistência de crédito, o Pedido de Ressarcimento foi indeferido. Como o enquadramento legal citouse: art. 165 da Lei Nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN) Cientificado do Despacho Decisório em 16/08/2012, o interessado apresentou a manifestação de inconformidade, tendo feito referência à legislação que trata da COFINS e do PIS, além de disposições da Constituição Federal e do Código Tributário Nacional (CTN). Concluiu o manifestante que tais contribuições só podem incidir sobre o fat7uramento que representa, unicamente, o somatório dos valores das opções negociadas. Prosseguindo, argumentou que descabe assentar que os contribuintes do PIS e da COFINS “ faturam ICMS”, uma vez que o ICMS não é receita da empresa e sim um desembolso a beneficiar o Estado, que tem a competência para cobrálo. Asseverou também que não se pode aceitar a incidência do PIS e da COFINS sobre outro imposto. Ao final, requer seja acatado o Pedido de Restituição. 3 Fl. 39DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 28/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 9 A DRJ de Belo Horizonte (DRJ/BHE) decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade, cuja ementa do acórdão está assim redigida: ASSUNTO: Contribuição Para Financiamento da Segurança SocialCofins PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDTTO NÃO COMPROVADO Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de restituição. Inconformada com a improcedência da impugnação, a contribuinte interpôs, recurso a qual denominou de Recurso Voluntário, onde em suas razões, requer seja concedido o pedido de restituição. É o sucinto relatório. 4 Fl. 40DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 28/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 9 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Tanto na manifestação de inconformidade apresentada, quanto no recurso voluntário interposto, a contribuinte manteve o argumento de que deveria ser excluído o ICMS da base de cálculo da COFINS. Primeiramente, necessário destacar se há necessidade ou não de sobrestamento do processo. Ocorre que o Supremo Tribunal Federal, em ação declaratória de constitucionalidade proposta pelo Presidente da República (ADC n° 18), deferiu, por maioria, medida cautelar para determinar que juízos e tribunais suspendam o julgamento dos processos em trâmite que envolvam a aplicação do art. 3º, § 2º, I, da Lei 9.718/1998, até o julgamento final da ação pelo Plenário do STF. (MCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito, 13.8.2008) Contudo, em sessão plenária do dia 4.2.2009, o Tribunal, resolvendo questão de ordem, por maioria, prorrogar o prazo da decisão liminar concedida, nos termos do voto do relator. (QOMCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito) Após, em sessão plenária do dia 16.9.2009, o Tribunal, resolvendo questão de ordem, por maioria, decidiu novamente por prorrogar o prazo da decisão liminar concedida. (2ª QOMCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito) Por fim, em sessão plenária do dia 25.03.2010, o Tribunal, por maioria, resolveu questão de ordem no sentido de prorrogar, pela última vez, por mais 180 dias (cento e oitenta) dias, a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. (3ª QOMCADC 18/DF, rel. Min. Celso de Mello) Deste modo, entendese que após decorrido o prazo de 180 dias, a contar de 25.03.2010, perdeu a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. Assim, entendese que não deve haver o sobrestamento da matéria. Outrossim, cabe ainda destacar que o § 1º do Art. 62A do Regimento Interno do CARF que faz referência a contribuinte no presente Recurso Voluntário (interposto em 19/12/2013), estava inclusive já revogado pela Portaria MF nº 545, de 18 de novembro de 2013. Cumpre ressaltar inclusive que a presente Turma ao apreciar a mesma matéria já se manifestou no sentido de não sobrestar o processo. Tal decisão ocorreu por unanimidade nos autos do processo administrativo n° 10950.003104/201071, de Relatoria do Conselheiro José Luiz Bordignon, em sessão de 27 de novembro de 2012, onde foi lavrado o acórdão n° 3801001.593. No referido acórdão, assim restou decidido: 5 Fl. 41DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 28/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 9 “Acordam os membros do colegiado: (I) Por unanimidade de votos, não sobrestar o processo; (II) Por unanimidade votos, negar provimento ao recurso em relação às preliminares de cerceamento de defesa e de que o crédito tributário já sido constituído pelo contribuinte; (III) Pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso em relação à preliminar de vício do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que reconheciam a nulidade; (IV) Por unanimidade de votos, no mérito, negar provimento ao recurso.” (grifouse) Deste modo, entendo por não sobrestar o presente processo. Analisando o mérito, verificase que a recorrente alega que o ICMS não deve incluir na base de cálculo da COFINS com base no art. 155, inciso II, da CF/88, colacionando precedente de repercussão geral. Apesar de entendimento diverso desse relator, o pedido do contribuinte vai de encontro com a jurisprudência dominante e sumulada do STJ. Importante referir que o pedido da recorrente não possui respaldo no Superior Tribunal de Justiça, que já editou Súmula com o seguinte teor: STJ Súmula nº 68 15/12/1992 DJ 04.02.1993 ICM Base de Cálculo do PIS A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS. Em igual sentido o Tribunal Regional Federal da 4ª. Região assim tem se manifestado: EMENTA: PIS. COFINS. ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. INADMISSIBILIDADE. Os encargos tributários integram a receita bruta e o faturamento da empresa. Seus valores são incluídos no preço da mercadoria ou no valor final da prestação do serviço. Por isso, são receitas próprias da contribuinte, não podendo ser excluídos do cálculo do PIS/COFINS, que têm, justamente, a receita bruta/faturamento como sua base de cálculo. É constitucional e legal a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, nos termos do art. 3º, §2º, I, da Lei 9.718/98. (TRF4, AC 5008959 23.2010.404.7000, Primeira Turma, Relatora p/ Acórdão Maria de Fátima Freitas Labarrère, D.E. 12/09/2013) 6 Fl. 42DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 28/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 9 Deste modo, entendese que os encargos tributários integram a receita bruta e o faturamento da empresa. Assim, seus valores são incluídos no preço da mercadoria ou no valor final da prestação do serviço. Diante disso, são receitas próprias da contribuinte, não podendo deixar de ser incluídos no cálculo da COFINS, que tem, justamente, a receita bruta/faturamento como sua base de cálculo. Assim, incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo da COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Em face do exposto, encaminho o voto para NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É assim que voto. Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator Relator 7 Fl. 43DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 28/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10935.906175/2012-87
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 14/12/2004
Recurso Voluntário não conhecido
A manifestação de inconformidade apresentada fora do prazo legal não instaura a fase litigiosa do procedimento nem comporta julgamento de primeira instância quanto às alegações de mérito.
Numero da decisão: 3802-003.142
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o presente recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim- Presidente.
(assinado digitalmente)
Cláudio Augusto Gonçalves Pereira- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Sólon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 14/12/2004 Recurso Voluntário não conhecido A manifestação de inconformidade apresentada fora do prazo legal não instaura a fase litigiosa do procedimento nem comporta julgamento de primeira instância quanto às alegações de mérito.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o presente recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim- Presidente. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira- Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Sólon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1705; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE02 Fl. 11 1 10 S1TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10935.906175/201287 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1802003.142 – 2ª Turma Especial Sessão de 27 de maio de 2014 Matéria NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Recorrente L A G MATERIAIS DE CONSTRUÇÕES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 14/12/2004 Recurso Voluntário não conhecido A manifestação de inconformidade apresentada fora do prazo legal não instaura a fase litigiosa do procedimento nem comporta julgamento de primeira instância quanto às alegações de mérito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o presente recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Sólon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 61 75 /2 01 2- 87 Fl. 55DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 3a Turma da DRJ/CTA, a qual, por unanimidade de votos julgou pelo não acolhimento da manifestação de inconformidade apresentada. Em ato contínuo, o despacho decisório pela DRF de Cascavel/PR, que indeferiu o pedido de restituição formulado por meio do PER/DCOMP, devido à inexistência de crédito pleiteado, já que o pagamento de PIS/PASEP, do período acima indicado, estaria totalmente utilizado na extinção, por pagamento, de débito da contribuinte o mesmo fato gerador, nos termos do Acórdão assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 14/12/2004 PIS/PASEP. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PERD/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e à COFINS, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE NORMAS VIGENTES JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Não Conhecida Direito Creditório Não Reconhecimento. Em sede de impugnação e de recurso, o contribuinte apresenta os mesmos argumentos, que, em síntese, se referem à inconstitucionalidade da cobrança do PIS e da COFINS, sem a exclusão do ICMS da base de cálculo, já que o conceito de faturamento trazido pela Lei nº 9.718, de 1998 não pode ser alargado ao ponto de abranger o conceito de ingresso. É o relatório. Voto Admissibilidade do Recurso. Tendo em vista que a matéria posta para análise – inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, não está afeta à competência desse Fl. 56DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906175/201287 Acórdão n.º 1802003.142 S1TE02 Fl. 12 3 colegiado, já que não é permitido aos Conselheiros do CARF se pronunciarem sobre os aspectos constitucionais de lei tributária. É de rigor a aplicação da Súmula CARF nº 02 que determina: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Precedentes: Acórdão nº 10194876, de 25/02/2005 Acórdão nº 10321568, de 18/03/2004 Acórdão nº 10514586, de 11/08/2004 Acórdão nº 10806035, de 14/03/2000 Acórdão nº 10246146, de 15/10/2003 Acórdão nº 20309298, de 05/11/2003 Acórdão nº 201 77691, de 16/06/2004 Acórdão nº 20215674, de 06/07/2004 Acórdão nº 20178180, de 27/01/2005 Acórdão nº 20400115, de 17/05/2005. Portanto, pelas razões por mim aqui expostas, NÃO CONHEÇO do recurso ora interposto (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relator Fl. 57DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 13963.001000/2009-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 22 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008
LANÇAMENTO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, com esteio na legislação que disciplina a matéria, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento.
INCONSTITUCIONALIDADE - ILEGALIDADE DA MULTA PALIÇADA E TAXA SELIC - IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO
A verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
APLICAÇÃO DE JUROS SELIC - MULTA - PREVISÃO LEGAL.
Dispõe a Súmula nº 03, do 2º Conselho de Contribuintes, aprovada na Sessão Plenária de 18 de setembro de 2007, publicadas no DOU de 26/09/2007, Seção 1, pág. 28: É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia - Selic para títulos federais.
O contribuinte inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-003.522
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento; e II) no mérito, negar provimento ao recurso.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Ricardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 LANÇAMENTO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, com esteio na legislação que disciplina a matéria, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. INCONSTITUCIONALIDADE - ILEGALIDADE DA MULTA PALIÇADA E TAXA SELIC - IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO A verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. APLICAÇÃO DE JUROS SELIC - MULTA - PREVISÃO LEGAL. Dispõe a Súmula nº 03, do 2º Conselho de Contribuintes, aprovada na Sessão Plenária de 18 de setembro de 2007, publicadas no DOU de 26/09/2007, Seção 1, pág. 28: É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia - Selic para títulos federais. O contribuinte inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos. Recurso Voluntário Negado.
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Além de ter indicado no relatório fiscal, qual seria a fundamentação para o lançamento por aferição da comissões sobre fretes, procedeu a autoridade fiscal a anexação de uma série de cópias, não apenas de reclamatórias trabalhistas (fls. 252 a 398), sentenças (ex: fl. 347, 373), termos de rescisão contratual, cópias de depoimentos de empregados junto ao Ministério Público do Trabalho (fls. 235 a 243) e Copias de acertos de contas de motoristas (fls. 244 a 251), onde consta o pagamento de comissões da ordem de 10% do frete. Assim, não se trata de lançamento por mera presunção, mas consubstanciado numa série de documentos que demonstram adoção de práticas de pagamentos extra folha de pagamentos. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 LANÇAMENTO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, com esteio na legislação que disciplina a matéria, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 96 3. 00 10 00 /2 00 9- 37 Fl. 644DF CARF MF Impresso em 22/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 INCONSTITUCIONALIDADE ILEGALIDADE DA MULTA PALIÇADA E TAXA SELIC IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO A verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. APLICAÇÃO DE JUROS SELIC MULTA PREVISÃO LEGAL. Dispõe a Súmula nº 03, do 2º Conselho de Contribuintes, aprovada na Sessão Plenária de 18 de setembro de 2007, publicadas no DOU de 26/09/2007, Seção 1, pág. 28: “É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia Selic para títulos federais.” O contribuinte inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento; e II) no mérito, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Ricardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 645DF CARF MF Impresso em 22/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13963.001000/200937 Acórdão n.º 2401003.522 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório O presente Auto de Infração de Obrigação Principal, lavrado sob o n.37.237.5944, tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela contribuições patronais e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (SAT/RAT), no período de 01/2006 a 12/2008. Destacase que conforme descrito no relatório fiscal, fl. 42 e seguintes, o procedimento de auditoria em questão baseou no artigo 149 do CTN, isto é, na existência de simulação. Como resultado da análise documental e dos procedimentos de auditoria fiscal da Receita Federal do Brasil, ficou configurado os seguintes pontos: 1. A despeito da aparente distinção formal entre o sujeito passivo e as sete pessoas jurídicas abrangidas pelo procedimento fiscal, todas constituem única empresa, posto que exploram a mesma atividade econômica (transporte rodoviário de carga) com suas sedes sociais no mesmo imóvel, utilizandose indistintamente da mesma frota de veículos e quadro de funcionários, sob gestão centralizada do verdadeiro empregador — Irmãos Da Rolt Transportes, Importação e Exportação Ltda, empresa administrada pelo Sr. Valdemiro Da Rolt.. 2. Tratase de fatos que configuram simulação de negócios, mediante a utilização de empresas interpostas, para usufruir indevidamente dos benefícios estabelecidos no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das empresas de Pequeno Porte — SIMPLES, instituído pela Lei n°9.317, de 05 de dezembro de 1996 e do Simples Nacional instituído através da LC123/2006 com vigência a partir de 07/2007. 3. O emprego de simulação com evidente objetivo de elidir a contribuição previdenciária patronal retira a validade do ato formal, devendo prevalecer a real situação fática, com base no principio da verdade material. 4. É inconcebível que o sujeito passivo, que congrega tal quantidade de trabalhadores, com faturamento acima dos parâmetros legais, tenha usufruído indevidamente dos benefícios instituídos pelo sistema simplificado. 0 tratamento tributário instituído pela lei 9.317/96, não é dirigido a empreendimento deste porte. 5. Finalmente, será encaminhada representação fiscal para fins penais ao Ministério Público Federal pela ocorrência, em tese, do crime de sonegação de contribuição previdenciária. Além do sujeito passivo acima identificado foram também abrangidas pela auditoria fiscal as seguintes pessoas jurídicas: · RMG Transportes Ltda ME · RA Transportes Ltda ME Fl. 646DF CARF MF Impresso em 22/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 · Transportes e Reforma de Carretas Da Rolt Ltda ME · ULIS Transportes Ltda ME · FJB Transportes Ltda ME · JCMF Transportes Ltda ME · RPRM Transportes Ltda ME Dando início ao procedimento fiscal o auditor conseguiu contatar a o R. Valdemiro Dal Rolt, administrador da empresa notificada, que disse desconhecer qualquer aspecto relacionado as empresas que prestavam serviços na empresa, responsabilizandose apenas pela empresa notificada. Foi mantido contato com o contador Sr. Pedro Rampinelli, que disse efetuar a contabilidade das empresas, mas recusouse a passar os contatos dos sócios das demais empresas, responsabilizandose por colher a assinatura dos sócios das mesmas, o que o fez em data posterior. Notese que para a empresa RMG a assinatura foi realizada (em 2009) por pessoa não mais integrante da sociedade, conforme alteração contratual de 2004. No relatório fiscal enfatiza a autoridade por meio de ampla e detalhada pesquisa, que os ditos sócios da empresas, constam apenas formalmente de suas constituições, sem contudo, ter qualquer participação efetiva, desconhecendo aspectos relacionados as mesmas. Vejamos alguns trechos do relato do auditor: RMG Transportes Rossi da Silva Gomes, Adailton da Silva Gomes e Denise da Silva Gomes , são filhos de Maria da Silva Gomes e conforme instrumentos contratuais teriam residência à rua Breno Cardoso, 753, no bairro São Luiz em Sombrio. Rossi integrou o quadro social da RMG Transportes Ltda ME na função de administrador (99%) no período de 04/1997 a 11/2004. Possui ainda registro de contratualidade com a Transportes Rodavan Ltda, onde teria exercido a função de auxiliar de escrit ório no período de 03/1994 a 0111999, conforme registros do Cadastro Nacional de Informações Sociais CNIS. Embora não abrangida pelo procedimento fiscal, a empresa Rodavan integra o grupo empresarial dos irmãos Da Rolt. A Sra. Matilde confirma que realmente a sua sobrinha Denise da Silva Gomes com sua mãe Maria da Silva Gomes estão radicados nos EUA a mais de sete anos e que Denise até já casou por !A. Assegurou que a sobrinha Denise nunca foi empregada da Irmãos Da Rolt Transportes Importação e Exportação Ltda e muito menos ter participado, de fato, na condição de empresaria ou sócia de qualquer empresa no segmento de transportes de cargas. Casualmente, no momento, passa defronte à loja o Sr. Pedro Oclides Gomes, pai de Denise, que ainda permanece na cidade de Sombrio trabalhando em escritório de despachante — Despachante Gomes. 0 Sr. Pedro ratificou as informações já transmitidas pela Sr. Matilde e destacou que esta situação, ou seja, a sua filha constar Fl. 647DF CARF MF Impresso em 22/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13963.001000/200937 Acórdão n.º 2401003.522 S2C4T1 Fl. 4 5 como dona de empresa, deve ter sido manobra praticada pela transportadora dos Irmãos Da Rolt. Marieta Borges de Barcelos e Fabio Juner Borges Barcelos são irmãos. Ocupam formalmente as funções de administradores. Este, desde 03/2001, junto à pessoa jurídica FJB Transportes Ltda ME com 50% do capital e aquela na RMG Transportes Ltda ME, desde 04/1997, com participação de 1% do capital. Consta ainda o registro de Fábio na condição de empregado da RMG Transportes Ltda ME, no período de 12/2000 a 02/2001 na função de auxiliar de escritório. Rosangela Vieira, companheira de Fábio Juner Borges Barcelos, era menor e foi assistida por sua mãe Maria de Lourdes Carvalho Vieira quando da constituição da pessoa jurídica FJBTransportes Ltda ME, onde assume formalmente a condição de sócia cotista, com 50% na participação societária a partir de 03/2001. Em contato mantido em 24/08/2009 na sua própria residência no bairro Retiro da Unido na cidade de Sombrio, Rosangêla Vieira declarou que desconhece qualquer aspecto relacionado com a empresa FJB Transportes Ltda ME, pois sempre se dedicou aos afazeres domésticos no seu lar e na criação dos seus filhos. Lembra que somente assinou os papéis de constituição da empresa, assistida por sua mãe. Por último destaca que o seu companheiro Fábio não divide com ela assuntos relativos a sua atuação junto aos Irmãos Da Rolt. André de Souza Gonçalves protagoniza atuação polivalente. Figura na qualidade de sócio administrador das pessoas jurídicas RA Transportes Ltda ME com 99% do capital desde 04/2004 e na ULIS Transportes Ltda ME com 1% desde 02/2004. André assumiu a titulação da pessoa jurídica RA Transportes Ltda ME, no lugar do seu colega Rogério Alexandre Anastácio, que inicialmente lhe propôs o negócio. As condições e a maneira de gerir a empresa foram definidas por Valdemiro Da Rolt, conforme declaração feita pelo próprio André em depoimento prestado em 25/08/2009 Auditoria Fiscal, na Agência da Receita Federal do Brasil em Araranguá. Venicio Almeida da Silva, morador da rua do Mercado Araras, s/n, no bairro Mato Alto em Sombrio, embora tenha feito parte do quadro social da pessoa jurídica Transportes e Reforma de Carretas Da Rolt Ltda, lapso de 03/1999 a 08/2000, na condição de cotista com 1% do capital, está registrado formalmente como empregado na função de mecânico, desde 01/09/1999 conforme anotação à fls. 47 (cópia anexa) do livro de registro de empregados n° 1. Ulisses Marcon figura como administrador (99%) da pessoa jurídica Ulis Transportes Ltda ME no período de 09/1999 a 02/2004 e possui registro de vinculo empregaticio com o sujeito passivo a partir de 02/2005 na função de mecânico, conforme Cadastro Nacional de Informações Social — CNIS. João Manoel Fagundes com residência à rodovia BR101, KM 423, estrada geral, Lagoa do Caverá, bairro Sanga da Toca 1, Fl. 648DF CARF MF Impresso em 22/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 em Ararangud, consta como sócio administrador (50%) da pessoa jurídica JCMF Transportes Ltda ME, juntamente com o Sr. Bento Costa Joaquim na função de sócio cotista, desde 12/2005. Está registrado como empregado da Irmãos Da Rolt Transportes Importação e Exportação Ltda, no período de 08/2004 a 01/2006 na função de lavador de caminhão, conforme anotado fls. 35 (cópia anexa) do livro de registro de empregados n° 1 apresentado à auditoria fiscal. Em 24/08/2009 foi realizada nova tentativa de contato com o Sr. João Manoel Fagundes, desta feita, na sede do sujeito passivo onde, conforme informações obtidas, continuava a trabalhar. Nesta oportunidade foram protagonizadas novas demonstrações a fim de obstaculizar o procedimento fiscal. 0 Sr. João Manoel Fagundes chegou a ser abordado no seu posto de trabalho (rampa — lavação e lubrificação de caminhões), sem que os auditores soubessem de quem se tratava. Posteriormente, por suas características (pessoa na faixa dos 40 anos, baixa estatura e peculiar marca próxima ao supercilio, entre outras), ficou claramente definida a sua identidade. Joao Manoel Fagundes, esquivandose de contato, encaminha a auditoria para o Sr. Angelo Da Rolt, um dos irmãos de Valdemiro Da Rolt. 0 Sr. Angelo, fingindo indiferença, sugere que os auditores fiscais busquem informação junto ao setor administrativo da empresa. (...)Declaração categórica da moradora Mazilda Pereira Serafim4, vizinha defronte A residência, restaura a verdade dos fatos. Assegurou aos auditores que se tratava realmente da residência da família do Sr. Joao Manoel Fagundes. Alinhou as características físicas e afiançou que ele trabalha na Irmãos Da Rolt Transportes, Importação e Exportação Ltda. Destacou a moradora que o Sr. João Manoel Fagundes é um trabalhador incansável no sustento de sua família e que carrega na sua roupa, suja de graxa, a marca do seu trabalho. De fato o Sr. João Manoel Fagundes trabalha na chamada rampa, nos serviços de lavagdo/lubrificação dos veículos da transportadora Da Rolt. A filha da vizinha Mazilda busca complementar as informações da mãe e esclarece que naquele dia, momento antes de ali chegarmos, o Sr. João Manoel Fagundes estava conversando com alguém numa caminhonete preta. Bento Costa Joaquim seria outro sócio (cotista), com 50% do capital, da pessoa jurídica JCMF Transportes Ltda ME com atuação desde 12/2005. A despeito da impossibilidade/dificuldade alegada pelo contador do sujeito passivo, Sr. Pedro Rampinelli, conseguimos manter contato com o Sr. Bento. A entrevista ocorreu defronte a sua residência, no mesmo enderego5 da sede contratual da pessoa jurídica JCMF Transportes Ltda, conforme já ilustrado na foto constante em item próprio.Tratase de pessoa modesta que, secundado por sua esposa, declarou categoricamente à auditoria fiscal que: Nunca foi dono ou fez parte de fato de qualquer empresa; Tinha conhecimento que a empresa constava em seu nome, porém nunca se considerou sócio de nada e também não recebeu nada por isto; Simplesmente assinava os papéis que lhe apresentavam; Acreditava que a sua parte na empresa teria sido transferida para o outro sócio, Sr. Joao Manoel Fagundes; Desde uns dois meses atrás está aposentado e que trabalhava para o sujeito Fl. 649DF CARF MF Impresso em 22/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13963.001000/200937 Acórdão n.º 2401003.522 S2C4T1 Fl. 5 7 passivo na função de borracheiro e que ratificaria suas declarações em qualquer foro ou instância em que fosse chamado. Renan Prudêncio José, 20 anos, e Raquel Pereira Matheus José, ambos residentes estrada geral s/n, bairro Lagoa do Cavera, em Ararangud, representam formalmente a pessoa jurídica RPRM Transportes Ltda ME, com 99% e 1% das cotas do capital social, a partir de 07/2007. Três meses depois, em 10/2007, Raquel Pereira Matheus • José foi registrada como auxiliar de escritório do sujeito passivo Irmãos Da Rolt Transportes Importação e Exportação Ltda, conforme fls. 25, cópia anexa, do livro de registro de empregados n°3. No dia 04/08/2007. DOS LAUDOS E AMBIENTE DE TRABALHO Os Laudos" Técnicos das Condições Ambientais do Trabalho — LTCAT's de 2009, identifica todo o grupo, ou seja, o sujeito passivo Irmãos Da Rolt Transporte Importação e Exportação Ltda e demais pessoas jurídicas abrangidas pelo procedimento fiscal que constituem uma só empresa, exatamente no mesmo estabelecimento, situado na cidade de Araranguá. De resto, fica evidente a semelhança na estrutura dos documentos relativos as condições ambientais do trabalho bem como a atividade desenvolvida, endereço e funções envolvidas. Quanto aos livros de registros de empregados, constatouse que até os termos de abertura e encerramento dos livros referentes tanto ao sujeito passivo quanto as pessoa jurídicas RMG Transportes Ltda ME e FJB Transportes Ltda ME foram assinadas pelo próprio administrador da Irmãos Da Rolt, empresário Valdemir Da Rolt, sob designação de "procurador". Ainda que na forma aparentam alguma distinção, a realidade demonstra que os trabalhadores laboravam num mesmo estabelecimento, dedicados a uma mesma atividade econômica, subordinados ao mesmo empregador. Concretamente, em outras palavras temos: a) Idêntica atividade econômica: Tanto o sujeito passivo quanto as pessoas jurídicas abrangidas pelo procedimento fiscal, dedicamse a mesma atividade econômica, qual seja, o transporte rodoviário de cargas — CNAE 49.302. b) Mesmo endereço: A sede do sujeito passivo e demais pessoas jurídicas, é representada por um só estabelecimento, qual seja, a sede da empresa Irmãos Da Rolt Transportes Importação e Exportação Ltda, situada As margens da rodovia BR101, s/n, altura do KM423, bairro Sanga da Toca, na cidade de Ararangud/SC. c) Uma só empresa ou empregador Todas as provas indicam a existência de um único empregador: Irmãos Da Rolt Transportes, Importação e Exportação Ltda, sujeito passivo do lançamento. Fl. 650DF CARF MF Impresso em 22/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 DA DECLARAÇÃO DO CONTADOR DA EMPRESA Embora o contador Pedro Rampinelli possua o escritório de contabilidade no centro de Sombrio, dedica o período matutino aos afazeres contábeis do sujeito passivo e demais pessoas jurídicas abrangidas pelo procedimento fiscal, na própria sede da Irmãos Da Rolt Ltda em sala e com equipamentos próprios a este mister. Também da mesma forma, indagado pela auditoria fiscal a respeito da configuração da empresa e o estreito relacionamento com as demais pessoas jurídicas, o contador demonstra visível desconforto. Chegou a ponto de declarar categoricamente que aquelas pessoas jurfdicas não emitem qualquer tipo de documento. Possuem apenas as folhas de pagamentos e não auferem qualquer tipo de receita ou faturamento. Em resumo: Inexistira origem de recursos para suportar as despesas com a folha de pagamento. As pessoas jurídicas optantes pelo SIMPLES, que integram visceralmente o empreendimento Dal Rolt, não possuem caminhões próprios, sede social, nem tampouco faturamento pelos serviços prestados. Os conhecimentos de fretes são emitidos pelo sujeito passivo. Demonstração clara que as pessoas jurídicas subsistem apenas no papel e são utilizadas somente para abrigar os registros de vínculos empregaticios do sujeito passivo que, desta forma, vem obtendo indevidamente o tratamento tributário favorecido com a conseqüente sonegação de contribuições previdenciárias. Diante da manifesta ilegalidade da situação, o contabilista Pedro Rampinelli reconheceu sua resignação perante os fatos, justificando que apenas cumpre as determinações do empresário Valdemir Da Rolt. Confidenciou que estava com a saúde abalada a exigir doses diárias de comprimidos. Evidente que não se trata de empresas distintas funcionando de "per si" e desenvolvendo cada qual a sua atividade na sede social respectiva. Estamos diante de um s6 empreendimento econômico a desenvolver a mesma atividade de transporte rodoviário de cargas, utilizandose da mesma frota de caminhões, quadro comum de funcionários, sob a mesma administração de fato, na pessoa do empresário Valdemir Da Rolt. Em resumo, uma só empresa. SÓCIOS LARANJAS X EMPRESAS FANTASMAS X PRIMAZIA DA REALIDADE; RMG Transportes Ltda ME – foto fl. 62 Imóvel tipicamente residencial . Os atuais moradores e vizinhos residentes já há muito tempo no local declararam que ali nunca foi sede de qualquer empresa, nem tampouco no ramo de transportes . Observou se que inexiste na parte dos fundos da residência qualquer tipo de edificação passível de abrigar sede de empresa. RA Transportes Ltda ME mesmo endereço onde está estabelecido o sujeito passivo. Fl. 651DF CARF MF Impresso em 22/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13963.001000/200937 Acórdão n.º 2401003.522 S2C4T1 Fl. 6 9 Transportes e Reforma de Carretas Da Rolt Ltda O cenário se repete. Também o mesmo endereço do sujeito passivo, apenas com aespecificação de que ocupa o galpão ou pavilhão n° 2. ULIS Transportes Ltda ME Da mesma forma, tratase de imóvel com característica residencial. A sala que aparece em primeiro plano, desocupada já há bastante tempo seria uma espécie de dormitório, conforme declaração prestada a auditoria fiscal pelo morador da residência que se vê ao fundo e que já foi ocupada, antigamente, pelo Sr. Ângelo Da Rolt, um dos sócios da empresa Irmãos Da Rolt Transportes Importação e Exportação Ltda.Aliás, a residência nos fundos é atualmente ocupada por empregado do sujeito passivo. FJB Transportes Ltda – repetese o endereço anterior, apenas com a supressão de sala. Outra encenação do jogo de faz de conta praticado à exaustão pelo sujeito passivo. JCMF Transportes Ltda ME Tratase na verdade da residência do Sr. Bento Costa Joaquim, exempregado do sujeito passivo onde exercia a função de borracheiro. Hoje aposentado, prestou declaração à auditoria fiscal, objeto de relato anterior. RPRM Transportes Ltda ME – É a pessoa jurídica de constituição mais recente, 23/07/2007, tendo por administrador contratual o sócio Renan Prudêncio José e sócia cotista a Sra. Raquel Pereira Matheus José, sua esposa e empregada do sujeito passivo Irmãos Da Rolt Transportes, Importação e Exportação Ltda, onde foi admitida 16 em 11/10/2007 para a função de auxiliar de escritório. Como nas demais pessoas jurídicas abrangidas pelo procedimento fiscal, a constituição desta foi como mesmo objetivo — ser utilizada para abrigar formalmente os registros de contratos de trabalho do sujeito passivo, fracionar de forma simulada a folha de pagamento deste e continuar obtendo indevidamente o tratamento tributário favorecido instituído pela lei do SIMPLES, às custas do emprego de simulação. Em 04/08/2009 a auditoria fiscal conseguiu contato pessoal com o administrador contratual da RPRM", Sr. Renan Prudêncio José. Pessoa ainda jovem, transmitiu espontaneidade e sinceridade durante a entrevista realizada. Lembrou que seu pai já conhecia o Sr. Valdemiro Da Rolt, e em contato com este, conhecido por Tola, numa barbearia, passa a freqüentar a sede da empresa Irmãos Da Rolt. Declara Renan que inicialmente passou a ajudar de maneira informal, sem carteira assinada, nos afazeres da oficina no interior da empresa, sob comando de Ângelo Da Rolt 18, conhecido por Angelin. Decorrido algum tempo, o Sr. Valdemiro lhe propôs negócio no sentido de abrir uma empresa em seu nome. Desempregado e com filha ainda pequena, vislumbrou na proposta a possibilidade real de melhorar sua situação. Aceitoua, • portanto. Buscou definir a atuação da sua empresa como uma espécie de terceirização. Fl. 652DF CARF MF Impresso em 22/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 Evidentemente não se trata desta figura, terceirização, mormente na espécie in casu, mera intermediação de mão de obra, vedada a empresas optantes pelo sistema simplificado, caso da RMG Transportes Ltda ME. Renan prossegue a narrativa: Declarou que tem conhecimento de que algo em torno de 38 (trinta e oito) motoristas estariam formalmente registrados na pessoa jurídica RPRM Transportes Ltda ME, mas que a empresa não é proprietária de nenhum veículo. Nas suas palavras, o sócio contratual Renan informou que tira cerca de R$ 2.000,00 (dois mil reais) mensais e que sua atuação consiste em atender os motoristas, procurando resolver alguns problemas que possam surgir. Confessou que desconhece os aspectos documentais relativos a gestão da empresa. Encerrado o encontro , o Sr. Renan nos conduziu até a sua residência foto abaixo,definida também como sede social da pessoa jurídica RPRM Transportes Ltda ME.(foto 66) DAS RECLAMATÓRIAS TRABALHISTAS (fl. 67 a 80) A pluralidade no pólo passivo das demandas, relatos de unicidade empresarial ou grupo econômico, práticas simulatórias ou abusivas, além de pagamentos extrafolhas de comissões (10%) sobre o valor do frete, são temas recorrentes nas reclamatórias processadas perante a Vara do Trabalho de Ararangué, envolvendo o sujeito passivo e pessoas jurídicas abrangidas pelo procedimento fiscal. "Na realidade, todas as demandadas atuam no ramo de transporte de cargas e pertencem ao mesmo grupo econômico, ou melhor, aos mesmos sócios. Estas pessoas físicas se acobertam sob uma pessoa jurídica, dificultando a descoberta de quem, na verdade, responde pelas obrigações da sociedade, causando embaraço e confusão. 0 cedo é que durante o contrato mantido pelo de cujus, quem sempre comandou e lhe deu ordens foi à mesma pessoa, Senhor Valdemiro Darolt, proprietário de fato das empresas, embora na CTPS do Reclamante, no período que abaixo reclamará, conste anotações com pessoas jurídicas diferentes". Relatos acerca da unicidade empresarial, relação trabalhista extravagante e pagamento de comissões "por fora" estão presentes na reclamatória n° 186/02 proposta pelo motorista Rodrigo da Costa Matos contra o sujeito passivo — primeira reclamada, pessoa jurídica FJB Transportes Ltda ME — segunda reclamada e os • representantes legais do sujeito passivo, pessoas fisicas21 . quatro rés pertencem a mesma família; não se recorda para qual empresa trabalhou, apesar de haver anotação na CTPS; na prática todas as rés constituíam uma única empresa, operando no mesmo local, com a mesma atividade; todas as rés só tem um escritório e eram dirigidas pelos irmãos da família Da Rolt, entre os quais, o Sr. Tola (Valdemiro), Angelo, Nine (Valdemir) e Neca (Valdemar); o acerto com todos os caminhoneiros era feito Fl. 653DF CARF MF Impresso em 22/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13963.001000/200937 Acórdão n.º 2401003.522 S2C4T1 Fl. 7 11 pelo Sr. Nino, também da família Da Rolt; ( ) na CTPS era anotado salário fixo, mas a remuneração era somente a base de comissão de 10% sobre o valor do frete". A reclamatória trabalhista n° 181/02 proposta pelo motorista Rubens Mello de Oliveira em face de FJB Transportes Ltda ME e Irmãos Da Rolt Transportes, importação e Exportação Ltda, sujeito passivo do lançamento ora relatado, versa igualmente sobre a unicidade da empresa e do indigitado pagamento de comissões "por fora". Na esteira de outras demandas: utilização de empresas interpostas, comissões pagas • "por fora" e a introdução de testas de ferro na administração dos negócios do sujeito passivo, são causas em que se funda a reclamatória trabalhista n° 399/06, proposta pelo motorista Jovelino Gomes da Rosa contra RA Transportes Ltda ME e Irmãos Da Rolt Transportes, Importação e Exportação Ltda. 0 trabalhador Valcirlei Casagrande, motorista, ingressou em 05/10/2006 com reclamatória trabalhista no 657/06 contra FJB Transportes Ltda ME e Irmãos Da Rolt Transportes, Importação e Exportação Ltda trazendo relatos de confusão entre as empresas e prática de pagamentos de comissões de 10% do frete bruto, fora da folha. Constantino da Silva Caetano pleiteia a retificação da sua CTPS para incluir a remuneração de fato recebida, através de reclamatória trabalhista de no 568/08 de 04/08/2008 ajuizada contra FJB Transportes Ltda ME. Informa o reclamante: "( ) foi contratado em 01.09.2004, para exercer a função de motorista, com término do pacto labora! em 18/10/2006, por iniciativa da empresa, sendo que as verbas rescisórias foram calculadas com base no valor anotado na CTPS e não no valor (extrafolha) efetivamente recebido pelo autor, havendo diferenças de valores no pagamento das referidas verbas. (....) A remuneração pactuada era a base de comissões, no importe de 10%, que resultava uma remuneração média mensal de R$ 1.200,00 (hum mil e duzentos reais), em toda a contratualidade. No entanto, a CTPS foi anotada com o valor de R$ 658,00 (seiscentos e cinqüenta e oito reais), devendo ser retificada, informando a forma de recebimento de salário.". MANIFESTAÇÃO DE JUIZA DO TRT: "Além disso, as reclamadas possuem o mesmo preposto, o mesmo procurador, ofereceram contestação conjunta e as citações de fls. 24 e 25 foram assinadas pela mesma pessoa que afirmou ser o sócio das demandadas, o que demonstra a relação havida entre elas. Dessarte, devem prevalecer as alegações do reclamante no sentido de que foi admitido em 20022001, ou seja, em data anterior àquela anotada na sua CTPS (1°62001), Fl. 654DF CARF MF Impresso em 22/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 12 e que prestou serviço a ambas as demandadas, pertencentes ao mesmo grupo econômico. Quanto a este último aspecto, como bem elucidado na sentença, o Sr. Valdomiro Da Rolt recebeu as duas citações iniciais de fls. 24/25 se dizendo sócio das empresas. De outro lado, o Sr. Rossi da Silva Gomes, na audiência de fL 26, foi o preposto nomeado pelas empresas para representálas na audiência inicial (cartas de preposição de fls. 29 e 30). Além disso, o procurador das rés é o mesmo, tendo estas contestado a ação em pega Onica". SUJEITO PASSIVO NO ÂMBITO DO MINISTÉRIO PÚBLICO DO TRABALH0 Representação formulada pelo Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários do Vale do Ararangud, que noticia discriminação de trabalhador em virtude de ajuizamento de reclamatória trabalhista, não pagamento de férias e gratificação natalina e ausência do controle da jornada de trabalho, dá causa a instauração do inquérito civil público 39.2009.12.002/0 pela Procuradoria do Trabalho em Criciúma onde figura o sujeito passivo na condição de inquirido. "( .... ) que teve audiência judicial no mês tal de 2009 em relação as reclamatórias acima, sendo cento que, logo a seguir a audiência, o depoente foi chamado no departamento de pessoal da empresa Irmãos Darolt Ltda, tendo sido comunicado pelo senhor Valdemiro Darolt de que deveria desistir da ação trabalhista sob pena de ser dispensado; que diante da "proposta" do empregador o depoente afirmou que não aceitaria a renúncia do seu direito de ação e que a empresa, se assim entendesse deveria demitilo; que ato contínuo o depoente foi demitido pelo senhor Valdemiro; que no mesmo dia dos fatos o depoente registrou a ocorrência em órgão da Polícia Judiciária; ( ..... ) que a remuneração do depoente correspondia a 10% sobre o valor do frete contratado; (. .... ) que a CTPS do depoente, no último contrato, era assinada pela empresa tal, a qual integra o grupo Irmãos Darolt; que o acerto de contas era feito pela empresa Irmão Darolt Ltda; que mensalmente o depoente assinava recibo de pagamento no valor do piso salarial da categoria; que efetivamente sua remuneração correspondia ao comissionamento sobre os fretes observados os PARTICIPAÇÃO DO SR. VALDEMIRO NA GESTÃO DAS DEMAIS EMPRESAS Valdemiro Da Rolt — Administrador do sujeito passivo Irmãos Da Rolt Transportes, Importação e Exportação Ltda, pratica com freqüência atos de verdadeira comunhão administrativa com as demais pessoas jurídicas abrangidas pelo procedimento fiscal, com as quais alega suposta distinção. Quer assinando termos de rescisão de contrato de trabalho, notificando empregados a respeito de férias ou firmando contrato de experiência e declaração de opção do FGTS, dentre outros atos típicos da gestão administrativa. Aliás, não pode prosperar eventual alegação no sentido de que estaria atuando na condição de procurador. Fl. 655DF CARF MF Impresso em 22/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13963.001000/200937 Acórdão n.º 2401003.522 S2C4T1 Fl. 8 13 De qualquer forma citamos, para ilustrar, a participação de Valdemiro Dal Rot assinando documentos como representante de outras pessoas jurídicas, com as quais alega não possuir qualquer vinculo. (VER TABELA FL. 89). E mais: As informações de remessa da GFIP — Guia de Recolhimento do FGTS e Informações a Previdência Social relativas a cada uma das pessoas jurídicas abrangidas pelo procedimento fiscal estão registradas em nome de um só responsável— Irmãos Da Rolt Transportes, Importação e Exportação Ltda. 0 nome da pessoa designada para contato é invariavelmente Valdemiro Da Rolt. CONTRATAÇÃO DE SEGURO COLETIVO – Em 02 de maio de 2007 o sujeito passivo Irmãos Da Rolt Transportes, Importação e Exportação Ltda, através do seu administrador Waldemiro Da Rolt, celebrou com a Bradesco Vida e Previdência S/A contrato25 de seguro coletivo de pessoas com as seguintes coberturas: Morte, morte acidental, auxilio emergencial e inclusão de cônjuge. 0 grupo segurável abrange todos os funcionários, sócios, diretores e gerentes do estipulante — Irmãos Da Rolt Transportes, Importação e Exportação Ltda e dos subestipulantes. Inusitadamente o sujeito passivo indicou como subestipulantes as seguintes pessoas jurídicas: Transportes Anva Ltda, Transportes Rodavan Ltda, RA Transportes Ltda ME, Ulis Transportes Ltda ME, RMG Transportes Ltda ME, Reforma de Carreta Da Rolt LtdaME, FJB Transportes Ltda ME e JCMF Transportes Ltda ME. Ou seja, as pessoas jurídicas abrangidas pelo procedimento fiscal que integradas de fato ao sujeito passivo, constituem a unicidade empresarial de Irmãos Da Rolt Transportes, Importação e Exportação Ltda. EXAMES ADMISSIONAIS – Os atestados de saúde ocupacional abaixo discriminados, ilustram sobremaneira a unicidade do sujeito passivo. Embora os ASO's, relativos a exames admissionais e • demissionais sejam destinados a Irmãos Da Rolt Transportes, Importação e Exportação Ltda, referemse a empregados com registros de contratualidade nas diversas pessoas jurídicas abrangidas pelo procedimento fiscal. Ou seja, o sujeito passivo providencia os exames médicos, adota as providencias administrativas de praxe e distribui os empregados entre as diversas pessoas jurídicas, a fim de fragmentar a folha de pagamento, sonegando contribuições previdenciárias mediante obtenção indevida do tratamento tributário favorecido, instituído pela lei 9.317/96 — Lei do SIMPLES. CANDIDATURA A VÍNCULO DE EMPREGO – Derradeiras demonstrações da unicidade empresarial do sujeito passivo podem ser verificadas nas informações prestadas (preenchimento obrigatório) pelos candidatos a emprego junto a Fl. 656DF CARF MF Impresso em 22/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 14 empresa Irmãos Da Rolt Transportes, Importação e Exportação Ltda. MASSA SALARIAL X FATURAMENTO Quando examinada de forma isolada a empresa Irmãos Da Rolt apresenta uma evolução coerente, tanto da massa salarial quanto no número de empregados e respectivo faturamento. No conjunto, ou seja, quando se apresenta a empresa na sua real dimensão, é flagrante o contraste dos valores em comparação com as demais pessoas jurídicas abrangidas pelo procedimento fiscal. Notese que, com exceção da pessoa jurídica Transportes e Reforma de Carretas Da Rolt ME, as demais não declaram qualquer faturamento. Com efeito, o próprio contador Pedro Rampinelli afirmou categoricamente que elas não emitem mesmo qualquer documento fiscal. Fato absurdo já que teriam, em tese, que suportar com os encargos trabalhistas dentre os quais destacamse os salários (massa salarial) abaixo discriminados. Como poderiam tais empresas serem responsáveis pelo pagamento de salários e ao mesmo tempo declararem que não auferem qualquer tipo de receita? 0 emprego da simulação e da fraude produz situações inusitadas. Mesmo quanto a pessoa jurídica Transportes e • Reforma de Carretas Da Rolt Ltda ME se observa flagrante contradição na relação entre os valores com encargos da massa trabalhista, que superam os da receita declarada. CONCLUSÃO – Repetese a partilha: Empregados e respectivos encargos para as optantes do SIMPLES e faturamento resguardado para o verdadeiro empregador. A constituição e a existência meramente formais das pessoas jurídicas abrangidas pelo procedimento fiscal se destinam a: Servir de abrigo para registro da mão de obra e conseqüente encargo com a massa salarial, usufruindo indevidamente do tratamento tributário simplificado e favorecido do sistema SIMPLES, e resguardar o faturamento para o verdadeiro empregador — Irmãos Da Rolt Transportes, Importação e Exportação Ltda. O que fica patente é que toda a movimentação de empregados ocorre dentro de uma • mesma empresa, ou seja, do sujeito passivo. Tratase de um só empreendimento, perseguindo a mesma atividade econômica com a utilização da mão de obra integrada na unicidade da empresa Irmãos Da Rolt Transportes, Importação e Exportação Ltda. Não pode prosperar eventual alegação no sentido de que as pessoas jurídicas referidas atuam como "empresa terceirizada". A pratica da terceirização é comum no mundo moderno e no Brasil não poderia ser diferente. As empresas buscam através desta técnica administrativa maior produtividade; diminuição de custos; respostas rápidas as mudanças no mercado; foco no seu negócio; descentralização de decisões; entre outras vantagens. Desde que não constatada a fraude, a terceirização é manifestação de moderna técnica competitiva, e para tanto, deve atender aos preceitos legais vigentes em nosso pais. Foi observado anteriormente, no tópico dedicado as procurações, Fl. 657DF CARF MF Impresso em 22/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13963.001000/200937 Acórdão n.º 2401003.522 S2C4T1 Fl. 9 15 que o empresário Valdemiro Da Rolt estaria atuando em nome de supostas terceirizadas, o que representaria verdadeiro paradoxo, já que a finalidade precipua da terceirização é justamente o foco no seu próprio negócio. Além do mais, todos os requisitos do vinculo empregaticio são identificados na relação entre aqueles trabalhadores formalmente registrados nas pessoas jurídicas abrangidas pelo procedimento fiscal, que realizam as atividades fins do sujeito passivo, mediante subordinação e de forma permanente. a) Pessoa física os serviços são prestados pelos próprios trabalhadores que foram treinados para as atividades de transporte rodoviário de cargas, que se constituem em atividades típicas do objetivo social do sujeito passivo. b) Não eventualidade Os serviços prestados não são de natureza eventual eis que visam atender uma necessidade social permanente do sujeito passivo. c) Subordinação A própria natureza dos serviços e as condições em que são prestados não permitem garantir ao trabalhador a autonomia que afastaria o vinculo de subordinação ao sujeito passivo. Além do mais, a qualidade e o padrão dos trabalhos são definidos pelo sujeito passivo, responsável pelos seus serviços perante sua clientela. A subordinação se define independentemente da afirmação contrária das partes, ela se estabelece em função das próprias condições em que o trabalho é realizado. d) Remuneração — Ocorre com o correspondente pagamento dos salários. A existência meramente formal das pessoas jurídicas abrangidas pelo procedimento fiscal, não tem o condão de garantir a inexistência de vinculo empregaticio com o sujeito passivo. Não é suficiente para descaracterizar a relação de emprego, pois estão presentes os requisitos legais que estabelecem o vinculo. A constatação pela Auditoria Fiscal da Receita Federal do Brasil de que determinados trabalhadores são empregados, não constitui invasão da Justiça do Trabalho. Mesmo porque a competência da Justiça do Trabalho consiste no julgamento de controvérsias entre empregados e empregadores decorrentes da relação de emprego, o que não se confunde com ato de fiscalização da Receita Federal do Brasil. É aplicável também o principio da primazia da realidade, que significa que os fatos relativos ao contrato de trabalho devem prevalecer em relação à aparência que, formal ou documentalmente, possam oferecer. É licito à Receita Federal do Brasil pesquisar a relação de trabalho para encontrar, na • sua verdadeira configuração, a relação de emprego e cobrar a contribuição legalmente devida, pois a cogência das normas de ordem pública impede que se adote regime jurídico apenas formalmente, para frustrar os Fl. 658DF CARF MF Impresso em 22/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 16 objetivos nelas perseguidos, quando a prática da relação jurídica de direito material indica tratarse de relação de emprego. DAS PROCURAÇÕES Pesquisa realizada junto aos cartórios de Sombrio e Ararangud redundou em várias procurações outorgadas por pessoas jurídicas abrangidas pelo procedimento fiscal e por seus representantes contratuais, transferindo poderes ao Sr. Valdemiro Da Rolt, administrador do sujeito passivo. Os mandados versam sobre representações perante estabelecimentos bancários e para a completa gestão das empresas outorgantes. Os termos dos mandatos conforme amostragem abaixo, revelam a unicidade empresarial, onde o outorgado, representante legal do sujeito passivo, é o verdadeiro empregador.Importante, destacar que a lavratura da NFLD deuse em 10/09/2009, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 11/09/2009. 14. PAGAMENTO POR FORA DE COMISSÕES SOBRE 0 VALOR DO FRETE Remunerar extrafolha os seus motoristas através de comissão de 10% (dez por cento) sobre o valor dos fretes realizados, é prática antiga do sujeito passivo. 0 fato é sobejamente noticiado nas reclamatórias trabalhistas e ratificado em diversos depoimentos prestados a auditoria fiscal. Tratase, infelizmente, de mecanismo perniciosamente incrustado no segmento de transportes de cargas, reconhecido pelos próprios profissionais que atuam no ramo. E pois, fato público e notório. Desta feita, entretanto, logramos êxito no desafio que imperava até então: A comprovação 410 material. Evidente que matéria relativa a remuneração extrafolha é eminentemente fáticoprobatória, posto que depende da comprovação ou não de pagamentos "por fora". No caso presente, a indigitada praxe fica comprovada a partir, principalmente, dos seguintes documentos abaixo descritos.Não conformada com a notificação, foi apresentada defesa pela notificada, fls. 629 a 703. O recorrente anexou diversos documentos que entende pertinentes a comprovação do alegado, fl. 692 a 4588. a) Acerto de Contas Irmãos Da Rolt: Tratamse de relatórios que identificam os veículos e respectivos motoristas, data de saída e chegada da viagem. Contém ainda a discriminação das despesas (borracharia, agenciamento, outros serviços) e pedágios, valores de fretes e comissões (10% sobre o valor do frete). No final do extrato consta um campo destinado a assinatura do motorista que confirma o recebimento da comissão sobre o valor do frete. Conforme já reiteradamente manifestado ao longo do relatório, as comissões incidentes sobre o valor do frete, na aliquota de 10% (dez por cento) embora seja uma praxe do sujeito passivo já a muito tempo, são pagas em dinheiro e não figuram na folha de pagamento ou na contabilidade apresentadas a auditoria fiscal. Tratase de remuneração Fl. 659DF CARF MF Impresso em 22/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13963.001000/200937 Acórdão n.º 2401003.522 S2C4T1 Fl. 10 17 praticada por fora ou extrafolha, clássico exemplo de sonegação fiscal. para Controle de Viagens: Tratase de relatório juntado pelo motorista Antonio Claudino, apelido Tonhão, nos autos da reclamatória trabalhista n° 748/06 proposta contra RMG Transportes Ltda ME e Irmãos Da Roit Transportes, Importação e Exportação Ltda. 0 relatório destacase como importante elemento de prova. Intitulado Relatório para controle de Viagens Período de 01/12/2002 a 20/05/2003 — Laerte Da Rolt, foi emitido pelo próprio sujeito passivo Irmãos Da Rolt Transportes, Importação e Exportação Ltda no dia 19/05/2003 As 18:04 horas, através do Sistema de Controle de Frotas 2003 para o veiculo placa LXV8140, dirigido pelos motoristas Antonio Claudino (autor da demanda) e outro motorista de apelido Pedrão. 0 documento que contém mais de quinze colunas, revela minucioso controle das despesas e lucro incidentes sobre os fretes realizados. No caso do relatório sob análise, para o valor total do frete no período — R$ 80.439,90, foi destacada uma comissão no valor total de R$ 7.353,03. Aliás, a prática ilegal de pagamento "por fora" de comissões sobre o valor dos fretes continua, conforme ficou demonstrado no extrato acostado a procedimento perante a Procuradoria do Trabalho em Criciúma, examinado anteriormente. DA BASE DE CÁLCULO DAS COMISSÕES – Diante do exposto, as bases de cálculo foram indiretamente aferidas a partir da receita mensal de prestação de serviços apurada com base nos conhecimentos de transportes (contas contábeis — 1170 a 1175 e 1185 — vendas de serviços de transportes) emitidos pelo sujeito passivo, deduzidas as despesas com selo pedágio (conta contábil 1635 selo pedágio) e fretes realizados por terceiros (conta contábil 1406 fretes e carretos de terceiros). Aos valores resultantes foi aplicada a aliquota de 10% (dez por cento) a titulo de comissão. 15. APURAÇÃO DO CRÉDITO — FATOS GERADORES LEVANTAMENTOS No auto de infração ora relatado, foram utilizados levantamentos, consoante quadro abaixo, tendo por fatos geradores: a) Levantamento SMP: Referente remunerações pagas aos segurados empregados do sujeito passivo, cujos valores foram apurados através das folhas de pagamentos confeccionadas em nome das pessoas jurídicas abrangidas pelo procedimento fiscal, relativas ao período de janeiro/2006 a dezembro/2008, conforme em planilha anexa intitulada Demonstrativo do Salário de Contribuição, cujos valores mensais (totais) encontramse registrados no Discriminativo Analítico de Débito — DAD, que figura como anexo do lançamento. Levantamento COM: Relativo remunerações pagas por fora aos empregados do sujeito passivo, na função de motoristas, a titulo de comissões sobre o valor dos fretes realizados, cujos valores Fl. 660DF CARF MF Impresso em 22/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 18 foram apurados através dos conhecimentos de frete, relativos ao período de janeiro/2006 a dezembro/2008, conforme Discriminativo Analítico de Débito — DAD, que figura como anexo do lançamento. 16. DOLO, SONEGAÇÃO, FRAUDE E CONLUIO Já no primeiro contato com o sujeito passivo, na pessoa do sócio administrador Valdemiro Da RoIt, por ocasião da coleta das assinaturas nos Termos de Inicio do Procedimento Fiscal, constatouse o emprego de manobras a fim de encobrir a verdade dos fatos, revelada posteriormente no decorrer da ação fiscal. 0 representante do sujeito passivo em conluio com o contabilista buscou obstaculizar o exercício legal da atividade de fiscalização omitindo informações acerca da real configuração da sua empresa e do estreito relacionamento que mantinha com os sócios contratuais e das pessoas jurídicas abrangidas pelo procedimento fiscal. Foram apurados basicamente dois levantamentos: COM – COMISSÕES e SMP – FOLHA EMPRESAS ABRANGIDAS. Importante, destacar que a lavratura da NFLD deuse em 10/09/2009, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 11/09/2009. Não conformada com a notificação, foi apresentada defesa pela notificada, fls. 484 a 518. A impugnação, foi apresentada nos seguintes termos: o ceme da autuação fiscal, que tem como resultado a atribuição de responsabilidade à impugnante pelo pagamento das contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações pagas por terceiras empresas a trabalhadores considerados pe a fiscalização como empregados daquela, está adstrito basicamente a uma suposta simulação, que presumidamente teria o intuito de se furtar ao recolhimento das contribuições previdenciárias e sociais; o auto de infração está focado em indícios e presunções improcedentes, posto que não há a identificação precisa do fato gerador da obrigação principal e que a contabilidade demonstra de maneira contrária a presunção fiscal de pagamento a terceiros das "ditas comissões de frete"; no entanto, mesmo que as conclusões sejam verdadeiras, não se caracterizam em prova cabal e irrefutável de que o vínculo empregatício, efetiva e concretamente, davase diretamente com a empresa autuada; no processo administrativo de lançamento tributário, o autor é o fisco, e a ele cabe a prova da alegação de ocorrência do fato gerador e da dimensão da base de cálculo, nada impedindo que o contribuinte alegue, na impugnação, que o fisco não comprovou a • ocorrência do fato gerador e, com base nisso, requeira o seu cancelamento; é fundamental observar que, enquanto a prova deve ser definitiva, convencendo plenamente zo :aplicador da lei,' a contraprova basta ser suficiente para trazer de volta a dúvida acerca dos fatos alegados; Fl. 661DF CARF MF Impresso em 22/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13963.001000/200937 Acórdão n.º 2401003.522 S2C4T1 Fl. 11 19 a doutrina e a jurisprudência mais idôneas condenam o uso puro e simples de presunções jurídicas para efeitos de proceder ao lançamento de tributos. Ocorre a presunção quando por meios indiretos de prova, postos à disposição da fiscalização, constatase determinado fato e deduzse através dele a ocorrência de um outro fato que não se possa provar, mas que, ante sua relação direta e particular com o fato constatado, permita estabelecer um raciocínio da sua existência; o emprego das presunções legais no âmbito do direito tributário não pode ser feito de maneira aleatória e indiscriminada, a ponto de que sua aplicação acabe por implicar numa distorção das hipóteses de incidência previstas em lei e .de suas correspectivas bases de cálculo; a fiscalização enaltece dois eventos como suscetíveis de ensejar a responsabilização da impugnante pelas contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações pagas por terceiras empresas, em face da confusão patrimonial e de pessoal, o que dificulta a individualização ou o que de fato pertence às respectivas unidades, fato este que macula o presente AI, o que pode redundar em débito incerto e inexigível. o primeiro deles é o fato de explorarem a mesma atividade econômica (transporte rodoviário de carga), com suas sedes sociais no mesmo imóvel, utilizandose indistintamente da mesma frota de veículos e quadro de funcionários. O segundo é o fato de as sete empresas terem, simuladamente, o mesmo administrador, não configurando este acontecimento em si mesmo elemento suficiente para implicar na ligação e interdependência entre as empresas; assim, a simples relação de parentesco havida entre as pessoas físicas sócias das empresas, bem como a eventual identificação da pessoa física do administrador das mesmas não é elemento capaz de implicar na responsabilidade da impugnante por eventuais débitos de contribuições previdenciárias e sociais das terceiras empresas, afastando, via de consequência, a incidência ao caso ern tela, conforme arts 8.212/91; 2° § 2° da CLT, e 30, IV, da Lei n° questiona a inconstitucionalidade/ilegalidade da multa em face de seu caráter confiscatório, como também da aplicação da taxa SELIC aos tributos exigidos. Ante o exposto, requer a nulidade do AI ou o cancelamento do lançamento, por já estar devidamente recolhido, como também a exclusão da representação fiscal para fins penais, uma vez que o lançamento é baseado em presunção. A Decisão de 1 instância confirmou a procedência total do lançamento, fls. 526 a 541. Fl. 662DF CARF MF Impresso em 22/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 20 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 AIOP DEBCAD n° : 37..237.5944 SIMULAÇÃO. EVASÃO FISCAL. A fiscalização atribuiu ao sujeito passivo as contribuições sociais que tiveram subsunção da hipótese de incidência ao fato material concretamente detectado. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária. MATÉRIA INCONTROVERSA Pela regra do artigo 302 do CPC, artigo 17 do decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, tornase incontroverso o fato declarado pelo autor e não contestado pelo impugnante. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI Não cabe à esfera administrativa apreciar inconstitucionalidade de dispositivo de lei, competência esta, reservada ao Poder Judiciário. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 544 a 586. Em síntese, a recorrente em seu recurso alega o seguinte: 6. O objeto a desqualificação de fatos e o arbitramento de pagamento de comissão de fretes aos motoristas, e a conseqüente incidência da norma tributária, sobre tais fatos arbitrados e a constituição do crédito tributário de ofício pela autoridade fiscal, ou seja, todo crédito tributário constituído o acerca do arbitramento de pagamento de comissões sobre o frete. 7. Logo, a matéria objeto do recurso referese ao arbitramento, de pagamento de comissões sobre o frete para os motoristas, bem como a multa e juros correspondentes. 8. Inobstante o entendimento adotado pelo julgador no sentido de restar comprovado o pagamento de 10% (dez por cento) sobre o valor dos fretes realizados aos empregados, incidindo assim a contribuição previdenciária, tais fatos não ocorreram nem tão pouco foram comprovados pela autoridade fiscal no decorrer do procedimento fiscalizatório e na apresentação do relatório final de verificação fiscal a fls. 44 a 99, sendo impossível a admissibilidade deste entendimento como pressuposto de ocorrência do fato gerador da obrigação principal, conforme será demonstrado em item a seguir. 9. Não há nem relatório final, nem tampouco na decisão recorrida, a identificação precisa do fato gerador da obrigação principal, ou seja, além de utilizarse da presunção simples (para inverter o ônus da prova), a autoridade fiscal tem o dever de identificar o fato gerador da obrigação tributária e, identificandoa, deve constar no relatório final para que seja dada oportunidade de ampla defesa e contraditório ao contribuinte, sujeito passivo do crédito tributário lançado de oficio. 10. Traça um paralelo com o art. 42 da lei 9430/96, embora destaque não possuir relação direta com o lançamento. Fl. 663DF CARF MF Impresso em 22/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13963.001000/200937 Acórdão n.º 2401003.522 S2C4T1 Fl. 12 21 11. Desta forma, podemos afirmar que no relatório de folhas 50 a 105, não houve por parte do auditor fiscal identificação do fato gerador, apenas aplicou a inversão do ônus da prova, aplicando o percentual de 10% (dez por cento) sobre o faturamento, conforme fls. 86, para fins de arbitrar o referido valor tido como pago aos motoristas. 12. No relatório fiscal, folhas 92, afirma a autoridade fiscal que (—) as bases de cálculo foram indiretamente aferidas a partir da receita mensal de prestação de serviços apurada com base nos conhecimentos de transporte (contas contábeis 1170 a 1175 e 1185 vendas de serviços de transportes) emitidos pelo sujeito passivo, ( ... ). Aos valores resultantes foi aplicada a alíquota de 10% (dez por cento) a título de comissão(...)': 13. Assim, conforme acima, fica evidenciado que houve a utilização de presunção por parte da autoridade fiscal, que, utilizandose desta presunção fez nascer o fato imponível levando este a presunção de ocorrência do fato gerador dos tributos. 14. A presunção legal deve ser utilizada quando o contribuinte tenta ludibriar a autoridade fazendária, e a presunção existe para,no caso do Direito Tributário, inverter o ônus da prova, contudo não pode existir somente a presunção, esta deve coexistir com a ocorrência do fato gerador, que e o fato imponível disposto na legislação. Em outras palavras a mera presunção legal em lei não indica ocorrência do fato gerador, apenas a possibilidade do fisco presumir que tal fato ocorrido é fato gerador de tributo. 15. Outrossim a, decisão ora recorrida não demonstra a ocorrência do fato gerador, pois apenas reiterou o que fora exposto na verificação fiscal. Contudo, a autoridade administrativa não faz prova da ocorrência do fato gerador, 16. A autoridade fiscal relacionou a fls 73 a 86, um gama de informações em processos do âmbito trabalhista, contudo, tais fatos, em quase • sua totalidade, são de processos que tramitaram antes da data de inicio dos procedimentos de fiscalização e, portanto, não podem ser usados como prova fáticoprobatória de ocorrência de fatos geradores. 17. No âmbito do processo trabalhista, é notório que o demandante sempre relaciona fatos que não condizem com a realidade dos fatos, cabendo ao juizo do processo a constatação dos fatos elencados e foram esses fatos que foram destacados pela autoridade fiscal para desconsiderar a necessidade de identificação de pagamento de comissão, ou seja, o fato gerador. 18. A natureza da multa moratória fiscal tem um perfil nitidamente sancionatório, isto 6, visa a punição, e não o ressarcimento como leva a crer o seu rótulo. Assim, por óbvio, a mora do devedor provoca danos ao patrimônio do credor, do Fisco em se tratando de tributos, que devem ser indenizados. 19. A imposição da penalidade de 100% é absolutamente imprópria, pois configura confisco, o que é expressamente refutado pela Constituição Federal de 1988. Assim, a previsão dessa multa em percentual tão elevado configura ato legislativo da mais absoluta inconstitucionalidade, eivandose, por conseguinte, a sua aplicação do mesmo vicio. 20. Resta claro que a taxa SELIC não pode ser exigida na composição dos débitos tributários. 21. Face ao exposto, requer o Contribuinte a este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que seja conhecido e provido o presente Recurso, para reformar a Fl. 664DF CARF MF Impresso em 22/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 22 decisão proferida pela 5a Turma de Julgamento, para o fim de cancelar os Autos de Infração, face à improcedência dos mesmos. Foi realizado desmembramento do débito, tendo em vista a apresentação de recurso parcial, para inclusão da parte do lançamento em parcelamento especial da lei 11.941/09. A Delegacia da Receita Federal do Brasil, encaminhou o processo a este Conselho sem o oferecimento de contrarrazões. É o relatório. Fl. 665DF CARF MF Impresso em 22/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13963.001000/200937 Acórdão n.º 2401003.522 S2C4T1 Fl. 13 23 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 595. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES: Entendo que no procedimento em questão a AUTORIDADE FISCAL EM IDENTIFICANDO a condição de vínculo empregatício com empresa que simulou a contratação por intermédio de empresas interpostas, procedeu o auditor fiscal ao redirecionamento do vínculo empregatício para efeitos previdenciários na empresa autuada, que era a verdadeira empregadora de fato, assumindo gerenciamento direto ou indireto de todos os segurados. Contudo, embora, tenha sido o cerne da autação, não há o que ser apreciado sobre a questão considerando, não ter o recorrente impugnado a matéria, pelo contrário, procedeuse ao desmembramento do débito considerando a adesão a parcelamento especial. Vejamos, o termos do próprio recurso: Gizese que os demais créditos constituídos de ofício correspondente ao arbitramento de "simulação na atuação das pessoas jurídicas abrangidas" serão parcelados na legislação pertinente ao assunto. PRELIMINAR DE NULIDADE DO LANÇAMENTO Destacase, ainda em sede de preliminar que o procedimento fiscal atendeu todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por cerceamento de defesa, ou ofensa ao princípio do contraditório e da ampla defesa, tampouco pela falta de fundamentação legal. Destacase que todos os passos necessários a realização do procedimento: encontramse devidamente descritos no processo, inclusive com encontramse anexados os respectivos termos que não apenas demonstram a regularidade do procedimento, como as devidas intimações, Quando do encerramento do procedimento, foram entregues ao recorrentes os relatórios e documentos descrevendo os fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do AI ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes. Notese, que as alegações de que o procedimento não poderia prosperar por não ter a autoridade realizado a devida identificação do fato gerador, baseandose em presunções, não lhe confiro razão. Não só o relatório fiscal se presta a esclarecer as contribuições objeto de lançamento, como também o DAD – Discriminativo analítico de débito, que descreve mensalmente, a base de cálculo apuradas por meio da aferição indireta, as contribuições e respectivas alíquotas. Fl. 666DF CARF MF Impresso em 22/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 24 Merece destaque, ainda, o fato de além de ter indicado no relatório fiscal, qual seria a fundamentação para o lançamento por aferição da comissões sobre fretes, procedeu a autoridade fiscal a anexação de uma série de cópias, não apenas de reclamatórias trabalhistas (fls. 252 a 398), sentenças (ex: fl. 347, 373), termos de rescisão contratual, cópias de depoimentos de empregados junto ao Ministério Público do Trabalho (fls. 235 a 243) e Copias de acertos de contas de motoristas (fls. 244 a 251), onde consta o pagamento de comissões da ordem de 10% do frete. Ora, não se trata de lançamento por mera presunção, mas consubstanciado numa série de documentos que demonstram adoção de práticas de pagamentos extra folha de pagamentos. Vejamos, trecho do relatório fiscal: 14. PAGAMENTO POR FORA DE COMISSÕES SOBRE O VALOR DO FRETE Remunerar extrafolha os seus motoristas através de comissão de 10% (dez por cento) sobre o valor dos fretes realizados , é prática antiga do sujeito passivo . O fato é sobejamente noticiado nas reclamatórias trabalhistas e ratificado em diversos depoimentos prestados a auditoria fiscal. Trata se, infelizmente , de mecanismo perniciosamente incrustado no segmento de transportes de cargas , reconhecido pelos próprios profissionais que atuam no ramo . É pois , fato público e notório . Desta feita, entretanto , logramos êxito no desafio que imperava até então : A comprovação material . Evidente que matéria relativa a remuneração extrafolha é eminentemente fáticoprobatória , posto que depende da comprovação ou não de pagamentos "por fora". No caso presente, a indigitada praxe fica comprovada a partir, principalmente, dos seguintes documentos abaixo descritos . Embora já tenham sido comentados anteriormente, enfatizamos: a) Acerto de Contas Irmãos Da Rolt : Tratam se de relatórios que identificam os veículos e respectivos motoristas, data de saída e chegada da viagem . Contém ainda a discriminação das despesas (borracharia , agenciamento , outros serviços) e pedágios, valores de fretes e comissões (10% sobre o valor do frete ). No final do extrato consta um campo destinado a assinatura do motorista que confirma o recebimento da comissão sobre o valor do frete. Conforme já reiteradamente manifestado ao longo do relatório , as comissões incidentes sobre o valor do frete, na alíquota de 10% (dez por cento) embora seja uma praxe do sujeito passivo já a muito tempo, são pagas em dinheiro e não figuram na folha de pagamento ou na contabilidade apresentadas a auditoria fiscal. Tratase de remuneração praticada por fora ou extrafolha, clássico exemplo de sonegação fiscal. b) Relatório para Controle de Viagens : Tratase de relatório juntado pelo motorista Antonio Claudino, apelido Tonhão, nos autos da reclamatória trabalhista n° 748/06 proposta contra RMG Transportes Ltda ME e Irmãos Da Roit Transportes, Importação e Exportação Ltda. O relatório destacase como importante elemento de prova. Intitulado Relatório para controle de Viagens Período de 01/12/2002 a 20/05/2003 — Laerte Da Rolt, foi emitido pelo próprio sujeito passivo Irmãos Da Rolt Transportes, Importação e Exportação Ltda no dia 19/05/2003 Fl. 667DF CARF MF Impresso em 22/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13963.001000/200937 Acórdão n.º 2401003.522 S2C4T1 Fl. 14 25 às 18:04 horas, através do Sistema de Controle de Frotas 2003 para o veículo placa LXV8140, dirigido pelos motoristas Antonio Claudino (autor da demanda) e outro motorista de apelido Pedrão. O documento que contém mais de quinze colunas, revela minucioso controle das despesas e lucro incidentes sobre os fretes realizados. No caso do relatório sob análise, para o valor total do frete no período — R$ 80.439,90, foi destacada uma comissão no valor total de R$ 7.353,03. Aliás, a prática ilegal de pagamento "por fora" de comissões sobre o valor dos fretes continua, conforme ficou demonstrado no extrato acostado a procedimento perante a Procuradoria do Trabalho em Criciúma, examinado anteriormente. É sabido que parcela de remuneração auferida por empregado, independentemente da denominação ou rubrica que lhe for atribuída, integra o salário de contribuição por expressa determinação legal nos termos do artigo 28, inciso 1 da Lei 8.212/91: Assim, identificando aa prática de pagamento por fora, simplesmente, aferiu o auditor indiretamente a base de cálculo com base nas contas contábeis, que demonstram o valor do faturamento com os fretes. Quanto ao argumento de que as reclamatórias trabalhistas não seriam do período englobado no lançamento, razão pela qual não poderiam consubstanciar o lançamento, não acato os argumentos do recorrente. Observase primeiramente, que em todos os documentos apresentados, consta por parte dos trabalhadores o recebimento de frete por comissionamento da ordem de 10%. (por fora) Isso por si só, já seria o suficiente, no meu entender para consubstanciar o lançamento realizado, contudo, ainda merece destaque que existem sim reclamatórias contemporâneas ao lançamento, conforme verificase a folha 308, 335, 359, 383, 386 etc) Ou seja, entendo totalmente infundados os argumentos trazidos pelo recorrente, posto que não pautouse o lançamento em mera presunção, pelo contrário CONSTATOU a autoridade fiscal a prática de simulação (RECONHECIDA PELO RECORRENTE AO NÃO RECORRER DA QUESTÃO), bem como de pagamentos extra folha. Notese que o recurso do recorrente, mesmo após enfrentada a questão pelo julgador de primeira instância, não trouxe qualquer novo elemento capaz de alterar a decisão proferida, limitandose a repetir suas alegações. Assim, entendo correto o procedimento adotado pela autoridade fiscal, afastando a pretensa nulidade argüida pelo recorrente. DO MÉRITO Quanto a mérito em si do lançamento, em relação aos fatos geradores, não há mais o que apreciar. As preliminares enfrentadas acabaram por abordar a questão meritória trazida pelo recorrente, qual seja a inexistência do fato gerador. Ao restar enfrentada a questão de comprovação material dos pagamentos de fretes por fora, procedente o lançamento em relação ao mérito. QUANTO A MULTA IMPOSTA Fl. 668DF CARF MF Impresso em 22/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 26 Em relação ao questionamento acerca do caráter confiscatório da multa, observamos, que o item 5 do relatório fiscal, foi muito esclarecedor em relação a multa aplicada. Conforme descrito no referido relatório, a multa originalmente prevista era a do art. 35 da Lei n ° 8.212/1991: No caso, a multa moratória é bem aplicável pelo não recolhimento em época própria das contribuições previdenciárias. Ademais, o art. 136 do CTN descreve que a responsabilidade pela infração independe da intenção do agente ou do responsável, e da natureza e extensão dos efeitos do ato, sendo que o fato de entender que a verba não constituiria salário de contribuição não é argumento válido para afastar a penalidade. O art. 35 da Lei n ° 8.212/1991 dispõe, nestas palavras: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99) I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). Fl. 669DF CARF MF Impresso em 22/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13963.001000/200937 Acórdão n.º 2401003.522 S2C4T1 Fl. 15 27 c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). § 1º Nas hipóteses de parcelamento ou de reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o Caput e seus incisos. (Parágrafo acrescentado pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) § 2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar. (Parágrafo acrescentado pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) § 3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo. (Parágrafo acrescentado pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) § 4º Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.876/99) Contudo, também como enfatizado pelo auditor, não só a ausência de recolhimento ensejava a aplicação de multa moratória, mas a ausência de informação em GFIP ensejava aplicação de multa, pelo descumprimento de obrigação acessória. Contudo, no que tange ao cálculo da multa, é necessário tecer algumas considerações, face à edição da referida MP 449, convertida na lei 11.941. A citada MP alterou a sistemática de cálculo de multa por infrações relacionadas à GFIP. Para tanto, a MP 449/2008, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: Fl. 670DF CARF MF Impresso em 22/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 28 I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício (como no presente caso), a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, qual seja, aplicação de multa de ofício de 75%. Contudo, ao observar o auditor a ausência de pagamento e ausência de informação em GFIP, procedeu ao auditor ao comparativo da antiga legislação com a atual, de forma, que se aplicasse a multa mais benéfica ao contribuinte. Fl. 671DF CARF MF Impresso em 22/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13963.001000/200937 Acórdão n.º 2401003.522 S2C4T1 Fl. 16 29 Assim, na planilha as fls. 35, o auditor detalha competência a competência qual a multa seria mais favorável ao recorrente, pois que a aplicação da multa pela ausência e GFIP e a multa de ofício ensejariam bis in idem. Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. Nesse sentido, entendo que a multa imposta, obedeceu a legislação pertinente, não havendo caráter confiscatório na sua aplicação, posto o estrito cumprimento dos ditames legais. Também entendo que, o fato de ter reconhecido a simulação pela contratação de empresas interpostas, (FATO GERADOR não contestado, objeto de desmembramento para parcelamento, também enseja procedência da multa imposta.) APLICAÇÃO DA TAXA SELIC Com relação à cobrança de juros está prevista em lei específica da previdência social, art. 34 da Lei n ° 8.212/1991, abaixo transcrito, desse modo foi correta a aplicação do índice pela autarquia previdenciária: Art.34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de CustódiaSELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Artigo restabelecido, com nova redação dada e parágrafo único acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Parágrafo único. O percentual dos juros moratórios relativos aos meses de vencimentos ou pagamentos das contribuições corresponderá a um por cento. Nesse sentido já se posicionou o STJ no Recurso Especial n ° 475904, publicado no DJ em 12/05/2003, cujo relator foi o Min. José Delgado: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. CDA. VALIDADE. MATÉRIA FÁTICA. SÚMULA 07/STJ. COBRANÇA DE JUROS. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. A averiguação do cumprimento dos requisitos essenciais de validade da CDA importa o revolvimento de matéria probatória, situação inadmissível em sede de recurso especial, nos termos da Súmula 07/STJ. No caso de execução de dívida fiscal, os juros possuem a função de compensar o Estado pelo tributo não recebido tempestivamente. Os juros incidentes pela Taxa SELIC estão previstos em lei. São aplicáveis legalmente, portanto. Não há confronto com o art. 161, § 1º, do CTN. A aplicação de tal Taxa já está consagrada por esta Corte, e é devida a partir da sua instituição, isto é, 1º/01/1996. (REsp 439256/MG). Recurso especial parcialmente conhecido, e na parte conhecida, desprovido. Fl. 672DF CARF MF Impresso em 22/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 30 Não tendo o contribuinte recolhido à contribuição previdenciária em época própria, tem por obrigação arcar com o ônus de seu inadimplemento. Caso não se fizesse tal exigência, poderseia questionar a violação ao principio da isonomia, por haver tratamento similar entre o contribuinte que cumprira em dia com suas obrigações fiscais, com aqueles que não recolheram no prazo fixado pela legislação. Dessa forma, não há que se falar em excesso de cobrança de juros, estando os valores descritos na NFLD, em consonância com o prescrito na legislação previdenciária. Nesse sentido, dispõe a Súmula nº 03, do CARF: “É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic para títulos federais.” INCONSTITUCIONALIDADES APONTADAS Ademais, mesmo tange a argüição de inconstitucionalidade de legislação previdenciária que dispõe sobre o recolhimento de contribuições, frisese que incabível seria sua análise na esfera administrativa. Não pode a autoridade administrativa recusarse a cumprir norma cuja constitucionalidade vem sendo questionada, razão pela qual são aplicáveis os prazos regulados na Lei n ° 8.212/1991. Dessa forma, quanto à ilegalidade/inconstitucionalidade na multa imposta, não há razão para a recorrente. Como dito, não é de competência da autoridade administrativa a recusa ao cumprimento de norma supostamente inconstitucional, razão pela qual são exigíveis a aplicação da taxa de juros SELIC, e a multa pela inadimplência conforme o fez a autoridade fiscal. Toda lei presumese constitucional e, até que seja declarada sua inconstitucionalidade pelo órgão competente do Poder Judiciário para tal declaração ou exame da matéria, deve o agente público, como executor da lei, respeitála. Nesse sentido, entendo pertinente transcrever trecho do Parecer/CJ n ° 771, aprovado pelo Ministro da Previdência Social em 28/1/1997, que enfoca a questão: Cumpre ressaltar que o guardião da Constituição Federal é o Supremo Tribunal Federal, cabendo a ele declarar a inconstitucionalidade de lei ordinária. Ora, essa assertiva não quer dizer que a administração não tem o dever de propor ou aplicar leis compatíveis com a Constituição. Se o destinatário de uma lei sentir que ela é inconstitucional o Pretório Excelso é o órgão competente para tal declaração. Já o administrador ou servidor público não pode se eximir de aplicar uma lei, porque o seu destinatário entende ser inconstitucional, quando não há manifestação definitiva do STF a respeito. A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições. No mesmo sentido posicionase este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF ao publicar a súmula nº. 2 aprovada em sessão plenária de 08/12/2009, sessão que determinou nova numeração após a extinção dos Conselhos de Contribuintes. Fl. 673DF CARF MF Impresso em 22/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13963.001000/200937 Acórdão n.º 2401003.522 S2C4T1 Fl. 17 31 SÚMULA N. 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por todo o exposto o lançamento fiscal seguiu os ditames previstos, devendo ser mantido nos termos acima expostos, haja vista que os argumentos apontados pelo recorrente são incapazes de refutar em sua totalidade o lançamento. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento e no mérito voto por NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 674DF CARF MF Impresso em 22/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 10218.720189/2007-43
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Sep 18 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2801-000.313
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
Relatório
Trata-se de Notificação de Lançamento relativa ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR por meio da qual se exige crédito tributário no valor de R$ 81.784,74, incluídos multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora.
Consta da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, à fl. 3 deste processo digital, que, após ser regularmente intimado, o contribuinte não comprovou a isenção da área declarada a título de preservação permanente e da área de utilização limitada no imóvel rural, motivo pelo qual o Documento de Informação e Apuração do ITR - DIAT foi alterado, conforme Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, acostado aos autos à fl. 4.
Acrescenta a Autoridade lançadora, ainda, que, após ser regularmente intimado, o contribuinte não comprovou, por meio de laudo de avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.653 da ABNT, o Valor da Terra Nua - VTN declarado. Por esta razão, o VTN foi arbitrado tendo como base nas informações do Sistema de Preços da Terra SIPT da RFB.
A impugnação apresentada pelo contribuinte foi julgada improcedente por intermédio do acórdão de fls. 39/47, assim ementado:
Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2004
DAS ÁREAS DE RESERVA LEGAL E DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE.
Para serem excluídas do ITR, exige-se que essas áreas, informadas na DITR/2004 e glosadas pela autoridade fiscal, sejam objeto de Ato Declaratório Ambiental - ADA, protocolado, em tempo hábil, junto ao IBAMA, além da averbação tempestiva da área de reserva legal.
DA ÁREA INDÍGENA.
Para fazer jus à imunidade tributária constitucionalmente prevista, a pretendida área de preservação permanente deveria, também, estar comprovadamente localizada em área indígena, demarcada e formalizada por Decreto Presidencial, até a data do fato gerador do imposto.
DO VALOR DA TERRA NUA - VTN.
Deverá ser mantido o VTN arbitrado para o ITR/2004 pela autoridade fiscal com base no SIPT, por falta de laudo técnico de avaliação com ART, em consonância com a NBR 14.653-3 da ABNT, que atingisse fundamentação e grau de precisão II, demonstrando inequivocamente o valor fundiário do imóvel à época do fato gerador do imposto e suas peculiaridades desfavoráveis, que justificassem o valor declarado.
Cientificado da decisão de primeira instância em 28/03/2012 (fl. 52), o Interessado interpôs, em 11/04/2012, o recurso de fls. 53/76, acompanhado dos documentos de fls. 77/87. Na peça recursal aduz, em síntese, que:
Inexigibilidade de Ato Declaratório Ambiental e inexistência de capacidade contributiva decorrente da limitação legal ao uso da propriedade em razão da reserva legal de 80% na Amazônia
- Tanto a NL quanto o acórdão recorrido lastrearam o lançamento e sua manutenção na exigência de ADA para exclusão das áreas de reserva legal e de utilização limitada, mas tal exigência afronta direta e abertamente os termos do § 7° e da alínea "a" do inciso II do § 1º do art. 10 da Lei n° 9.393/1996.
- Por outro lado, a RFB não provou que a declaração do Recorrente não é verdadeira, conforme exige o § 7º para imputar-lhe responsabilidade e refutar a sua declaração, pois se limitou a exigir o Ato Declaratório ao arrepio da Lei nº 9.393/1996.
- O Ato Declaratório Ambiental não é exigível no caso de Reserva Legal, tanto em razão da expressa dispensa pelo § 7º do art. 10 da Lei 9.393/1996, quanto pelo fato de que a alínea a não faz referência a qualquer ato administrativo, ao contrário das hipóteses de áreas de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas (alínea b do inciso II do § 1º do art. 10) ou comprovadamente imprestáveis, declaradas de interesse ecológico (alínea c), para as quais há clara exigência de ato administrativo reconhecendo o interesse ecológico e a imprestabilidade.
- A introdução do § 7º no art. 10 da Lei nº 9.393/1996 teve apenas o objetivo de esclarecer a inexigibilidade do ato declaratório ambiental prévio para excluir-se da tributação pelo ITR as áreas de reserva legal e de preservação permanente, o que já decorria com clareza das alíneas a do inciso II do § 1° do art. 10.
- A expressão utilizada na Lei (caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira), significa: cabe ao fisco provar a falsidade da declaração do contribuinte.
- O Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26/03/1999, estabelece que Cabe à autoridade administrativa a prova da inveracidade dos fatos registrados com observância do disposto no artigo anterior (art. 924).
- A NL e o acórdão que indeferiu a impugnação tomaram como premissa que a não tributação das áreas de preservação permanente e de utilização limitada seria espécie de isenção, "benefício fiscal", a merecer interpretação literal, quando, em verdade, trata-se de hipótese de não incidência, posto presente limitação administrativo-ambiental de base legal, a qual impede a plena utilização econômica da parcela de 80% dos imóveis rurais incluídos na Amazônia Legal, nos termos do inciso I do art. 16 da Lei n° 4.771/1965 (e parágrafos).
- Em decorrência, a tributação pelo Estado sobre áreas que a própria legislação estatal impede o proprietário de exercer em plenitude seu domínio, para obtenção de utilidade econômica, sobre ser um absurdo lógico, uma afronta ao senso comum, representa afronta aos princípios constitucionais da capacidade contributiva e da não utilização de tributo com efeito confiscatório.
- Menciona jurisprudência do STJ sobre a inexigibilidade do ADA e cita manifestações doutrinárias acerca do ônus probatório em processos administrativos.
Área indígena
- Os julgadores da instância de piso incorreram em equívoco ao entender que área indígena só pode ser compreendida como tal após "demarcada, criada e homologada por meio de Decreto Presidencial, em data anterior a do fato gerador do imposto".
- Desde 06 de novembro de 1991 a FUNAI, nos processos FUNAI/BSB/948/86 e FUNAI/BSB/115/89, com referência à área indígena APYTEREWA, por despacho do Sr. Presidente da FUNAI (DESPACHO nº 39, 06 de dezembro de 1991, publicado no Diário Oficial da União, em 10.12.91), aprovou a delimitação da área indígena e remeteu o processo de demarcação ao Ministério da Justiça (anexo 01).
- O Sr. Ministro de Estado de Justiça, através da Portaria nº 267, publicada no Diário Oficial de 29 de maio de 1992, declarou como de posse permanente indígena, para efeito de demarcação, a área indígena APYTEREWA, determinando que a FUNAI promovesse a demarcação e proibindo o ingresso, o trânsito e a permanência de pessoas ou grupos de não índios dentro do perímetro a ser demarcado (anexo 02).
- O Sr. Ministro da Justiça, através da Portaria nº 1192, de 31 de dezembro de 2001, publicada no Diário Oficial em 04 de janeiro de 2002, considerando que a terra indígena APYTEREWA ficou identificada nos termos do § 1º do art. 231 da Constituição Federal e inciso 1 do art. 17 da Lei 6.001/1973, como sendo tradicionalmente ocupada pelo grupo APYTEREWA, declarou como de posse permanente a área indígena APYTEREWA, com superfície de aproximadamente 773.000 ha (anexo 03). A Portaria 2581, 21 de setembro de 2004 declarou de posse permanente a área de 773.000 ha (anexo 04).
- Em Decreto de 19 de abril de 2007, o Sr. Presidente da República homologou a demarcação administrativa promovida pela FUNAI da terra destinada à posse permanente do grupo indígena denominado APYTEREWA (anexo 05).
- Não restam dúvidas de que a área em apreço estava, à época, ocupada por indígenas, sendo, portanto, inalienável e não possível de posse.
- O imóvel - LOTE 54 - está situado à margem esquerda do Rio Bacajá, descrito no memorial constante do Decreto de 19 de abril de 2007 que homologou a demarcação (anexo nº 04) e a planta do LOTE 54 (anexo 06).
Pedidos
Ao final, requer a total procedência do recurso voluntário, face à inexigibilidade do ITR, como também a anulação da cobrança consubstanciada na notificação constante do presente processo.
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin - Presidente. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Trata-se de Notificação de Lançamento relativa ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR por meio da qual se exige crédito tributário no valor de R$ 81.784,74, incluídos multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Consta da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, à fl. 3 deste processo digital, que, após ser regularmente intimado, o contribuinte não comprovou a isenção da área declarada a título de preservação permanente e da área de utilização limitada no imóvel rural, motivo pelo qual o Documento de Informação e Apuração do ITR - DIAT foi alterado, conforme Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, acostado aos autos à fl. 4. Acrescenta a Autoridade lançadora, ainda, que, após ser regularmente intimado, o contribuinte não comprovou, por meio de laudo de avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.653 da ABNT, o Valor da Terra Nua - VTN declarado. Por esta razão, o VTN foi arbitrado tendo como base nas informações do Sistema de Preços da Terra SIPT da RFB. A impugnação apresentada pelo contribuinte foi julgada improcedente por intermédio do acórdão de fls. 39/47, assim ementado: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2004 DAS ÁREAS DE RESERVA LEGAL E DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. Para serem excluídas do ITR, exige-se que essas áreas, informadas na DITR/2004 e glosadas pela autoridade fiscal, sejam objeto de Ato Declaratório Ambiental - ADA, protocolado, em tempo hábil, junto ao IBAMA, além da averbação tempestiva da área de reserva legal. DA ÁREA INDÍGENA. Para fazer jus à imunidade tributária constitucionalmente prevista, a pretendida área de preservação permanente deveria, também, estar comprovadamente localizada em área indígena, demarcada e formalizada por Decreto Presidencial, até a data do fato gerador do imposto. DO VALOR DA TERRA NUA - VTN. Deverá ser mantido o VTN arbitrado para o ITR/2004 pela autoridade fiscal com base no SIPT, por falta de laudo técnico de avaliação com ART, em consonância com a NBR 14.653-3 da ABNT, que atingisse fundamentação e grau de precisão II, demonstrando inequivocamente o valor fundiário do imóvel à época do fato gerador do imposto e suas peculiaridades desfavoráveis, que justificassem o valor declarado. Cientificado da decisão de primeira instância em 28/03/2012 (fl. 52), o Interessado interpôs, em 11/04/2012, o recurso de fls. 53/76, acompanhado dos documentos de fls. 77/87. Na peça recursal aduz, em síntese, que: Inexigibilidade de Ato Declaratório Ambiental e inexistência de capacidade contributiva decorrente da limitação legal ao uso da propriedade em razão da reserva legal de 80% na Amazônia - Tanto a NL quanto o acórdão recorrido lastrearam o lançamento e sua manutenção na exigência de ADA para exclusão das áreas de reserva legal e de utilização limitada, mas tal exigência afronta direta e abertamente os termos do § 7° e da alínea "a" do inciso II do § 1º do art. 10 da Lei n° 9.393/1996. - Por outro lado, a RFB não provou que a declaração do Recorrente não é verdadeira, conforme exige o § 7º para imputar-lhe responsabilidade e refutar a sua declaração, pois se limitou a exigir o Ato Declaratório ao arrepio da Lei nº 9.393/1996. - O Ato Declaratório Ambiental não é exigível no caso de Reserva Legal, tanto em razão da expressa dispensa pelo § 7º do art. 10 da Lei 9.393/1996, quanto pelo fato de que a alínea a não faz referência a qualquer ato administrativo, ao contrário das hipóteses de áreas de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas (alínea b do inciso II do § 1º do art. 10) ou comprovadamente imprestáveis, declaradas de interesse ecológico (alínea c), para as quais há clara exigência de ato administrativo reconhecendo o interesse ecológico e a imprestabilidade. - A introdução do § 7º no art. 10 da Lei nº 9.393/1996 teve apenas o objetivo de esclarecer a inexigibilidade do ato declaratório ambiental prévio para excluir-se da tributação pelo ITR as áreas de reserva legal e de preservação permanente, o que já decorria com clareza das alíneas a do inciso II do § 1° do art. 10. - A expressão utilizada na Lei (caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira), significa: cabe ao fisco provar a falsidade da declaração do contribuinte. - O Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26/03/1999, estabelece que Cabe à autoridade administrativa a prova da inveracidade dos fatos registrados com observância do disposto no artigo anterior (art. 924). - A NL e o acórdão que indeferiu a impugnação tomaram como premissa que a não tributação das áreas de preservação permanente e de utilização limitada seria espécie de isenção, "benefício fiscal", a merecer interpretação literal, quando, em verdade, trata-se de hipótese de não incidência, posto presente limitação administrativo-ambiental de base legal, a qual impede a plena utilização econômica da parcela de 80% dos imóveis rurais incluídos na Amazônia Legal, nos termos do inciso I do art. 16 da Lei n° 4.771/1965 (e parágrafos). - Em decorrência, a tributação pelo Estado sobre áreas que a própria legislação estatal impede o proprietário de exercer em plenitude seu domínio, para obtenção de utilidade econômica, sobre ser um absurdo lógico, uma afronta ao senso comum, representa afronta aos princípios constitucionais da capacidade contributiva e da não utilização de tributo com efeito confiscatório. - Menciona jurisprudência do STJ sobre a inexigibilidade do ADA e cita manifestações doutrinárias acerca do ônus probatório em processos administrativos. Área indígena - Os julgadores da instância de piso incorreram em equívoco ao entender que área indígena só pode ser compreendida como tal após "demarcada, criada e homologada por meio de Decreto Presidencial, em data anterior a do fato gerador do imposto". - Desde 06 de novembro de 1991 a FUNAI, nos processos FUNAI/BSB/948/86 e FUNAI/BSB/115/89, com referência à área indígena APYTEREWA, por despacho do Sr. Presidente da FUNAI (DESPACHO nº 39, 06 de dezembro de 1991, publicado no Diário Oficial da União, em 10.12.91), aprovou a delimitação da área indígena e remeteu o processo de demarcação ao Ministério da Justiça (anexo 01). - O Sr. Ministro de Estado de Justiça, através da Portaria nº 267, publicada no Diário Oficial de 29 de maio de 1992, declarou como de posse permanente indígena, para efeito de demarcação, a área indígena APYTEREWA, determinando que a FUNAI promovesse a demarcação e proibindo o ingresso, o trânsito e a permanência de pessoas ou grupos de não índios dentro do perímetro a ser demarcado (anexo 02). - O Sr. Ministro da Justiça, através da Portaria nº 1192, de 31 de dezembro de 2001, publicada no Diário Oficial em 04 de janeiro de 2002, considerando que a terra indígena APYTEREWA ficou identificada nos termos do § 1º do art. 231 da Constituição Federal e inciso 1 do art. 17 da Lei 6.001/1973, como sendo tradicionalmente ocupada pelo grupo APYTEREWA, declarou como de posse permanente a área indígena APYTEREWA, com superfície de aproximadamente 773.000 ha (anexo 03). A Portaria 2581, 21 de setembro de 2004 declarou de posse permanente a área de 773.000 ha (anexo 04). - Em Decreto de 19 de abril de 2007, o Sr. Presidente da República homologou a demarcação administrativa promovida pela FUNAI da terra destinada à posse permanente do grupo indígena denominado APYTEREWA (anexo 05). - Não restam dúvidas de que a área em apreço estava, à época, ocupada por indígenas, sendo, portanto, inalienável e não possível de posse. - O imóvel - LOTE 54 - está situado à margem esquerda do Rio Bacajá, descrito no memorial constante do Decreto de 19 de abril de 2007 que homologou a demarcação (anexo nº 04) e a planta do LOTE 54 (anexo 06). Pedidos Ao final, requer a total procedência do recurso voluntário, face à inexigibilidade do ITR, como também a anulação da cobrança consubstanciada na notificação constante do presente processo.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Tratase de Notificação de Lançamento relativa ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR por meio da qual se exige crédito tributário no valor de R$ 81.784,74, incluídos multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Consta da “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal”, à fl. 3 deste processo digital, que, após ser regularmente intimado, o contribuinte não comprovou a isenção da área declarada a título de preservação permanente e da área de utilização limitada no imóvel rural, motivo pelo qual o Documento de Informação e Apuração do ITR DIAT foi alterado, conforme Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, acostado aos autos à fl. 4. Acrescenta a Autoridade lançadora, ainda, que, após ser regularmente intimado, o contribuinte não comprovou, por meio de laudo de avaliação do imóvel, conforme RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 02 18 .7 20 18 9/ 20 07 -4 3 Fl. 91DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10218.720189/200743 Resolução nº 2801000.313 S2TE01 Fl. 92 2 estabelecido na NBR 14.653 da ABNT, o Valor da Terra Nua VTN declarado. Por esta razão, o VTN foi arbitrado tendo como base nas informações do Sistema de Preços da Terra – SIPT da RFB. A impugnação apresentada pelo contribuinte foi julgada improcedente por intermédio do acórdão de fls. 39/47, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2004 DAS ÁREAS DE RESERVA LEGAL E DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. Para serem excluídas do ITR, exigese que essas áreas, informadas na DITR/2004 e glosadas pela autoridade fiscal, sejam objeto de Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolado, em tempo hábil, junto ao IBAMA, além da averbação tempestiva da área de reserva legal. DA ÁREA INDÍGENA. Para fazer jus à imunidade tributária constitucionalmente prevista, a pretendida área de preservação permanente deveria, também, estar comprovadamente localizada em área indígena, demarcada e formalizada por Decreto Presidencial, até a data do fato gerador do imposto. DO VALOR DA TERRA NUA VTN. Deverá ser mantido o VTN arbitrado para o ITR/2004 pela autoridade fiscal com base no SIPT, por falta de laudo técnico de avaliação com ART, em consonância com a NBR 14.6533 da ABNT, que atingisse fundamentação e grau de precisão II, demonstrando inequivocamente o valor fundiário do imóvel à época do fato gerador do imposto e suas peculiaridades desfavoráveis, que justificassem o valor declarado. Cientificado da decisão de primeira instância em 28/03/2012 (fl. 52), o Interessado interpôs, em 11/04/2012, o recurso de fls. 53/76, acompanhado dos documentos de fls. 77/87. Na peça recursal aduz, em síntese, que: Inexigibilidade de Ato Declaratório Ambiental e inexistência de capacidade contributiva decorrente da limitação legal ao uso da propriedade em razão da reserva legal de 80% na Amazônia Tanto a NL quanto o acórdão recorrido lastrearam o lançamento e sua manutenção na exigência de ADA para exclusão das áreas de reserva legal e de utilização limitada, mas tal exigência afronta direta e abertamente os termos do § 7° e da alínea "a" do inciso II do § 1º do art. 10 da Lei n° 9.393/1996. Por outro lado, a RFB não provou que a declaração do Recorrente não é verdadeira, conforme exige o § 7º para imputarlhe responsabilidade e refutar a sua declaração, pois se limitou a exigir o Ato Declaratório ao arrepio da Lei nº 9.393/1996. O Ato Declaratório Ambiental não é exigível no caso de Reserva Legal, tanto em razão da expressa dispensa pelo § 7º do art. 10 da Lei 9.393/1996, quanto pelo fato de que a Fl. 92DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10218.720189/200743 Resolução nº 2801000.313 S2TE01 Fl. 93 3 alínea “a” não faz referência a qualquer ato administrativo, ao contrário das hipóteses de áreas de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas (alínea “b” do inciso II do § 1º do art. 10) ou comprovadamente imprestáveis, declaradas de interesse ecológico (alínea “c”), para as quais há clara exigência de ato administrativo reconhecendo o interesse ecológico e a imprestabilidade. A introdução do § 7º no art. 10 da Lei nº 9.393/1996 teve apenas o objetivo de esclarecer a inexigibilidade do ato declaratório ambiental prévio para excluirse da tributação pelo ITR as áreas de reserva legal e de preservação permanente, o que já decorria com clareza das alíneas “a” do inciso II do § 1° do art. 10. A expressão utilizada na Lei (caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira), significa: cabe ao fisco provar a falsidade da declaração do contribuinte. O Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26/03/1999, estabelece que “Cabe à autoridade administrativa a prova da inveracidade dos fatos registrados com observância do disposto no artigo anterior” (art. 924). A NL e o acórdão que indeferiu a impugnação tomaram como premissa que a não tributação das áreas de preservação permanente e de utilização limitada seria espécie de isenção, "benefício fiscal", a merecer interpretação literal, quando, em verdade, tratase de hipótese de não incidência, posto presente limitação administrativoambiental de base legal, a qual impede a plena utilização econômica da parcela de 80% dos imóveis rurais incluídos na Amazônia Legal, nos termos do inciso I do art. 16 da Lei n° 4.771/1965 (e parágrafos). Em decorrência, a tributação pelo Estado sobre áreas que a própria legislação estatal impede o proprietário de exercer em plenitude seu domínio, para obtenção de utilidade econômica, sobre ser um absurdo lógico, uma afronta ao senso comum, representa afronta aos princípios constitucionais da capacidade contributiva e da não utilização de tributo com efeito confiscatório. Menciona jurisprudência do STJ sobre a inexigibilidade do ADA e cita manifestações doutrinárias acerca do ônus probatório em processos administrativos. Área indígena Os julgadores da instância de piso incorreram em equívoco ao entender que área indígena só pode ser compreendida como tal após "demarcada, criada e homologada por meio de Decreto Presidencial, em data anterior a do fato gerador do imposto". Desde 06 de novembro de 1991 a FUNAI, nos processos FUNAI/BSB/948/86 e FUNAI/BSB/115/89, com referência à área indígena APYTEREWA, por despacho do Sr. Presidente da FUNAI (DESPACHO nº 39, 06 de dezembro de 1991, publicado no Diário Oficial da União, em 10.12.91), aprovou a delimitação da área indígena e remeteu o processo de demarcação ao Ministério da Justiça (anexo 01). O Sr. Ministro de Estado de Justiça, através da Portaria nº 267, publicada no Diário Oficial de 29 de maio de 1992, declarou como de posse permanente indígena, para efeito de demarcação, a área indígena APYTEREWA, determinando que a FUNAI promovesse a demarcação e proibindo o ingresso, o trânsito e a permanência de pessoas ou grupos de não índios dentro do perímetro a ser demarcado (anexo 02). Fl. 93DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10218.720189/200743 Resolução nº 2801000.313 S2TE01 Fl. 94 4 O Sr. Ministro da Justiça, através da Portaria nº 1192, de 31 de dezembro de 2001, publicada no Diário Oficial em 04 de janeiro de 2002, considerando que a terra indígena APYTEREWA ficou identificada nos termos do § 1º do art. 231 da Constituição Federal e inciso 1 do art. 17 da Lei 6.001/1973, como sendo tradicionalmente ocupada pelo grupo APYTEREWA, declarou como de posse permanente a área indígena APYTEREWA, com superfície de aproximadamente 773.000 ha (anexo 03). A Portaria 2581, 21 de setembro de 2004 declarou de posse permanente a área de 773.000 ha (anexo 04). Em Decreto de 19 de abril de 2007, o Sr. Presidente da República homologou a demarcação administrativa promovida pela FUNAI da terra destinada à posse permanente do grupo indígena denominado APYTEREWA (anexo 05). Não restam dúvidas de que a área em apreço estava, à época, ocupada por indígenas, sendo, portanto, inalienável e não possível de posse. O imóvel LOTE 54 está situado à margem esquerda do Rio Bacajá, descrito no memorial constante do Decreto de 19 de abril de 2007 que homologou a demarcação (anexo nº 04) e a planta do LOTE 54 (anexo 06). Pedidos Ao final, requer a total procedência do recurso voluntário, face à inexigibilidade do ITR, como também a anulação da cobrança consubstanciada na notificação constante do presente processo. Voto Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Relator As folhas citadas neste voto referemse à numeração do processo digital, que difere da numeração de folhas do processo físico. Ilustres Conselheiros, o presente processo, a meu juízo, não se encontra em condições de julgamento, pelos seguintes motivos: O processo está cadastrado no eProcesso sob o número 10218.720189/2007 43. Contudo, no acórdão da instância de piso, anexado aos autos em fls. 39/47, consta o número 10218.720146/200768. A folha de rosto da Notificação de Lançamento, à fl. 1, revela que o imóvel objeto de tributação é o Lote 54 da Fazenda Tucumanzeira, ao passo que o Termo de Intimação Fiscal – TIF de fls. 9/10 e a declaração do ITR de fls. 18/21 referemse ao Lote 14 da mesma fazenda. O Extrato do Processo de fl. 48 está identificado com o número 10218.720146/200768. No recurso apresentado pelo contribuinte a referência é ao processo 10218.720189/200743. À fl. 89 foi anexado despacho da Unidade de origem com o seguinte teor: Fl. 94DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10218.720189/200743 Resolução nº 2801000.313 S2TE01 Fl. 95 5 PROCESSO: 10010.005397/041256 INTERESSADO: JOAO SOARES ROCHA DESTINO: PA REDENÇÃO ARF Receber processo triagem DESPACHO DE ENCAMINHAMENTO Tratase de Recurso Voluntário a ser anexado ao processo 10218.720189/200743. Tal processo encontrase excluído no e processo, por isso não foi possível analisar a tempestividade, nem a suspensão dos débitos no sistema. Processo da Jurisdição da ARF Redenção. DATA DE EMISSÃO: 12/04/2012 À evidência, da forma como está instruído o processo, penso ser temerário o julgamento por este Conselho. Nesse contexto de divergência documental, proponho a conversão do julgamento em diligência a fim de que a DRF de origem instrua o processo adequadamente, verifique se o mesmo está cadastrado no eProcesso corretamente e intime o Interessado para, caso queira, apresentar as razões que entender de direito. Após, os autos deverão retornar a este Conselho para a conclusão do julgamento. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Fl. 95DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN
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Numero do processo: 16327.001642/2010-63
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Sep 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2005 a 31/12/2005
DECADÊNCIA. STF. SÚMULA VINCULANTE Nº 8. APLICAÇÃO DAS REGRAS DO CTN. PAGAMENTO ANTECIPADO. SÚMULA CARF Nº 99.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, como é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras decadenciais previstas no CTN. Comprovado o pagamento parcial, aplica-se o disposto no artigo 150, § 4º do CTN. Aplicação da Súmula CARF nº 99.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS.
Não integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias os valores pagos a título de participação nos lucros ou resultados em consonância com os requisitos legais.
VALE TRANSPORTE. PAGAMENTO EM PECÚNIA.
A contribuição social previdenciária não incide sobre valores pagos a título de vale-transporte, mesmo que em pecúnia (Súmula CARF nº 89).
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-004.005
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em reconhecer a decadência de parte do valor lançado conforme artigo 150, §4º do CTN e, no mérito, em dar provimento ao recurso voluntário.
Julio César Vieira Gomes - Presidente
Nereu Miguel Ribeiro Domingues - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2005 a 31/12/2005 DECADÊNCIA. STF. SÚMULA VINCULANTE Nº 8. APLICAÇÃO DAS REGRAS DO CTN. PAGAMENTO ANTECIPADO. SÚMULA CARF Nº 99. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, como é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras decadenciais previstas no CTN. Comprovado o pagamento parcial, aplicase o disposto no artigo 150, § 4º do CTN. Aplicação da Súmula CARF nº 99. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. Não integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias os valores pagos a título de participação nos lucros ou resultados em consonância com os requisitos legais. VALE TRANSPORTE. PAGAMENTO EM PECÚNIA. A contribuição social previdenciária não incide sobre valores pagos a título de valetransporte, mesmo que em pecúnia (Súmula CARF nº 89). Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 16 42 /2 01 0- 63 Fl. 579DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 23/08/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em reconhecer a decadência de parte do valor lançado conforme artigo 150, §4º do CTN e, no mérito, em dar provimento ao recurso voluntário. Julio César Vieira Gomes Presidente Nereu Miguel Ribeiro Domingues Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 580DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 23/08/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 16327.001642/201063 Acórdão n.º 2402004.005 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de auto de infração constituído em 23/12/2010 (fl. 63), para exigência das contribuições devidas ao INCRA, incidentes sobre os valores pagos pela empresa a seus empregados a título de “Participação nos Lucros ou Resultados – PLR” no período de 02/2005 a 04/2005, 06/2005 e 08/2005 a 12/2005, bem como de “Vale Transporte – VT pago em pecúnia” no período de 02/2005 a 12/2005. O procedimento fiscal realizado e os fundamentos da autuação foram descritos no Relatório Fiscal de fl. 80/117. O Recorrente interpôs impugnação (fl. 125/346), requerendo a total improcedência do lançamento. A d. Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I – DRJ/SP1 julgou improcedente a impugnação e manteve o crédito tributário exigido (fl. 351/372), entendendo, em suma, que: (i) a autuação encontrase revestida das formalidades legais e goza de presunção de legitimidade, cabendo ao impugnante o ônus da prova em contrário; (ii) aplicase ao caso o prazo decadencial previsto no art. 173, I, do CTN, não havendo que se falar em decadência, nem mesmo parcial; (iii) a participação nos lucros ou resultados foi paga em desacordo com a legislação específica; (iv) o vale transporte foi pago em pecúnia, o que é vedado pela legislação; (v) não procedem as alegações do impugnante de que somente poderiam lhe ser imputadas multas incluídas em créditos tributários lançados antes da data de sucessão. O Recorrente interpôs recurso voluntário (fl. 396/567), argumentando, em síntese, que: (i) o crédito tributário relativo ao período de 02/2005 a 11/2005 foi alcançado pela decadência, nos termos do art. 150, § 4º, do CTN; (ii) os pagamentos efetuados a título de PLR atenderam a todos os requisitos legais exigidos pela Lei nº 10.101/00; (iii) o pagamento de vale transporte em dinheiro não desnatura o instituto, não possui natureza salarial e não integra o saláriodecontribuição; e (iv) as multas lançadas posteriormente ao ato de sucessão não podem ser imputadas à sucessora, ora Recorrente. É o relatório. Fl. 581DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 23/08/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 4 Voto Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Relator O recurso é tempestivo e preenche a todos os requisitos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. PRELIMINARMENTE Decadência Parcial Alega o Recorrente que o crédito tributário relativo ao período de 02/2005 a 11/2005 foi alcançado pela decadência, nos termos do art. 150, § 4º, do CTN. Assiste razão ao Recorrente. Na época da lavratura do auto de infração, o STF já havia editado a Súmula Vinculante nº 8, declarando a inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, que permitiam à Seguridade Social constituir e cobrar seus créditos no prazo de até 10 anos. Essa Súmula, por força do art. 103A da CF/88, tem efeito vinculante em relação à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, o que inclui este Conselho. Assim, e em consonância com o disposto no art. 62, § único, I, do Regimento Interno do CARF, fazse necessário afastar a aplicação do prazo decadencial decenal de que tratava o art. 45 da Lei nº 8.212/91, para que sejam aplicadas as regras sobre decadência previstas no CTN. Nesse tocante, cabe também esclarecer que o STJ, ao tratar sobre a regra decadencial aplicável às contribuições previdenciárias, na sessão de 12/08/2009, no julgamento do REsp nº 973.733/SC, afetado como representativo da controvérsia, nos termos do art. 543C do CPC, pacificou o entendimento de que o prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito, conforme o art. 173, I, do CTN; ou de 5 anos contados da ocorrência do fato gerador, caso tenha havido antecipação, mesmo que parcial, do pagamento do tributo devido, de acordo com a regra específica do art. 150, § 4º, do CTN. De se destacar que tal entendimento STJ deve ser reproduzido neste Conselho, por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF. Além disso, há que se atentar também para as determinações da recente Súmula nº 99 do CARF: “Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste Fl. 582DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 23/08/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 16327.001642/201063 Acórdão n.º 2402004.005 S2C4T2 Fl. 4 5 recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração.” (Ata da Sessão Extraordinária do Pleno e das Turmas da Câmara Superior de Recursos Fiscais realizada em 9 de dezembro de 2013, publicada no DOU de 18/12/2013, Seção 1, p. 31/32) Feitas essas considerações, e analisando os presentes autos, verifico que foi lavrado auto de infração para exigência de contribuições previdenciárias relativas aos fatos geradores de 02/2005 a 12/2005, conforme Discriminativo do Débito – DD (fl. 66/70) e Relatório de Lançamentos – RL (fl. 71/72). O Recorrente foi cientificado do lançamento em 23/12/2010 (fl. 63). Foram efetuados pagamentos antecipados a título de contribuições previdenciárias nas competências dos fatos geradores acima referidos, conforme comprovantes juntados às fl. 226/247. A DRJ/SP1 também pontua, por conta do que informa no item 3.1 da decisão de primeira instância (fl. 357), que “a Impugnante procedeu ao recolhimento das contribuições sociais que entendia devidas, relativamente ao período autuado, como se verifica dos comprovantes de recolhimento acostados à Impugnação.” Também não se vislumbra a comprovação da ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a ensejar a aplicação da regra decadencial prevista no art. 173, I, do CTN, nada tendo sido noticiado nos autos a esse respeito. Assim, no presente caso deve ser aplicada a regra decadencial prevista no art. 150, § 4º, do CTN, pela qual se verifica que transcorreram mais de cinco anos entre a ocorrência dos fatos geradores de 02/2005 a 11/2005 e a data do lançamento impugnado (23/12/2005), operandose, portanto, a decadência do direito do fisco de constituir os créditos tributários desses períodos pelo presente lançamento, os quais, portanto, devem ser excluídos do lançamento, devendo o presente julgamento prosseguir apenas com relação às exigências relativas a 12/2005. MÉRITO Participação nos Lucros ou Resultados PLR A participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa (PLR) está prevista na Constituição Federal de 1988 como direito social fundamental dos trabalhadores urbanos e rurais, nos seguintes termos: “Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) XI – participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei; (...)” Fl. 583DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 23/08/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 6 Para regulamentar esse direito dos trabalhadores, foi editada a MP nº 794/94 que, após sucessivas reedições, foi convertida na Lei nº 10.101/00, cujo art. 1º estabelece o seguinte: “Art. 1º Esta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7º, inciso XI, da Constituição.” A Lei nº 10.101/00, em seus arts. 2º e 3º, disciplinou os principais requisitos da PLR, abaixo transcritos, na redação vigente à época da autuação e no que interessa ao presente julgamento: “Art. 2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2º O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. (...) Art. 3º A participação de que trata o art. 2º não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. (...) § 2º É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. § 3º Todos os pagamentos efetuados em decorrência de planos de participação nos lucros ou resultados, mantidos espontaneamente pela empresa, poderão ser compensados com Fl. 584DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 23/08/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 16327.001642/201063 Acórdão n.º 2402004.005 S2C4T2 Fl. 5 7 as obrigações decorrentes de acordos ou convenções coletivas de trabalho atinentes à participação nos lucros ou resultados. (...)” Por sua vez, ao dispor sobre as contribuições previdenciárias, diz a Lei nº 8.212/91: “Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; (...)” No âmbito jurisprudencial, destacase o entendimento já consolidado de que, para não se sujeitarem às contribuições previdenciárias, os valores pagos a título de PLR devem observar os ditames da Lei nº 10.101/00 e do art. 28, § 9º, “j”, da Lei nº 8.212/91. Nesse sentido, os seguintes julgados do STF e do STJ: AgR no AgR no RE 505597, Rel. Min. Eros Grau, Segunda Turma, julgado em 01/12/2009, DJe 18/12/2009; RE 398284, Rel. Min. Menezes Direito, Primeira Turma, julgado em 23/09/2008, DJe 19/12/2008; AgRg no AREsp 95339/PA, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 20/11/2012, DJe 28/11/2012; REsp 1264410/PR, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 03/05/2012, DJe 11/05/2012; REsp 865489/RS, Rel. Min, Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 26/10/2010, DJe 24/11/2010. Precedentes da CSRF: Acórdãos nos 9202002.484, 9202002.485 e 9202 002.486, Sessão de 29/01/2013; 920201.607, Sessão de 10/05/2011; 920200.503, Sessão de 09/03/2010. Desse modo, para se concluir sobre a incidência ou não das contribuições previdenciárias, devese verificar se a participação nos lucros ou resultados foi ou não paga ou creditada de acordo com a Lei nº 10.101/00. Não obstante, ressalva a CSRF de que “se por um lado cabe ao fisco verificar se os requisitos legalmente estabelecidos estão sendo cumpridos pela empresa, por outro lado é defeso a este mesmo fisco exigir requisitos desprovidos de previsão legal.” (Acórdão nº 920200.503). Pois bem, no presente caso, verificase que as razões fundamentais apontadas na decisão de primeira instância para a manutenção da autuação sobre os valores pagos pelo Recorrente a título de PLR foram assim sintetizadas: “7.5. Em resumo, os pagamentos efetuados à título de PLR se mostraram vinculados a Acordo que não estabeleceu quaisquer metas ou índice de desempenho prévio, e, tampouco, vislumbraram a percepção de regras claras e objetivas para fixação dos direitos dos empregados. Com isso, inexistente uma Fl. 585DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 23/08/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 8 negociação pautada na Lei, os referidos pagamentos têm verdadeira natureza de comissões ou prêmio de produtividade, com cunho salarial.” Por sua vez, sustenta o Recorrente que os critérios, metas e forma de cálculo da PLR são cristalinos, que as regras são claras e objetivas, que estão em consonância com a Lei nº 10.101/00 e que os pagamentos não possuem caráter salarial. Analisando os autos, vêse que assiste razão ao Recorrente. De acordo com o Relatório Fiscal (itens 5.15, 5.16, 5.49, 5.58, 5.59), a PLR do Recorrente, para o anobase de 2005, foi regida pelo acordo assinado em 11/06/2001 (fl. 102/107 do PAF nº 16327.001640/201074 em apenso, referente ao auto de infração principal decorrente da mesma ação fiscal), que previa a sua prorrogação contínua e automática até que um novo acordo o substituísse – o que até então não havia ocorrido. Uma reunião realizada em 02/08/2005 (fl. 168/202 do PAF nº 16327.001640/201074) aprovou a manutenção do plano de 2001 e algumas adequações para o anobase de 2005. Analisando o acordo de 2001, constatase que nele foram fixadas as condições a serem satisfeitas (regras adjetivas) para a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa (direitos substantivos). A Cláusula Quarta é bastante clara ao estabelecer que a PLR será aferida de acordo com o Lucro Líquido publicado no balanço patrimonial anual, a avaliação individual de desempenho do empregado e o alcance de metas da sua área e da área imediatamente superior à sua. Os Anexos I, II e III do acordo de 2001 (fl. 108 do PAF nº 16327.001640/201074) detalham o método de aferição, definindo as faixas do Lucro Líquido a serem atingidos, as grades de trabalhadores e as metas percentuais da sua área e da área superior. O documento de fl. 109 do PAF nº 16327.001640/201074 traz um exemplo de cálculo. A divulgação do acordo se deu inicialmente pela Cartilha de fl. 113/128 do PAF nº 16327.001640/201074, que também detalha e exemplifica, com bastante propriedade, as regras da participação. Nesse tocante, um dos fundamentos da decisão de primeira instância para manter a autuação (item 7.2.6) foi de que o acordo condiciona as avaliações individuais dos trabalhadores aos objetivos atribuídos pelos gestores de cada área no início de cada ano, inclusive com a existência de avaliações qualitativas/subjetivas, concluindo daí que as metas estabelecidas entre gestor e funcionário não integram o acordo e que delas não participaram os representantes do sindicato. O entendimento merece reforma. No que diz respeito à avaliação individual, a ata da reunião ocorrida em 02/08/2005 deixa claro que houve uma adequação desse método para o anobase de 2005, estabelecendo que “as notas individuais de gestão de desempenho, anteriormente seccionadas em 25% no aspecto quantitativo e 25% no aspecto qualitativo, passam a ser unificadas em uma única nota de 50%” (fl. 168 do PAF nº 16327.001640/201074). Fl. 586DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 23/08/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 16327.001642/201063 Acórdão n.º 2402004.005 S2C4T2 Fl. 6 9 Logo, o aspecto qualitativo deixou de ser uma variável independente de avaliação, aprimorandose o método para afastar a perspectiva subjetiva na aferição do desempenho individual do trabalhador. Quanto ao argumento dos objetivos individuais serem atribuídos pelos gestores de cada área no início de cada ano, não integrando diretamente o acordo, já decidiu esta 2ª Turma, em caso semelhante ao presente, que tal procedimento não configura óbice para a validade da PLR, como se vê no trecho do voto abaixo transcrito, de relatoria do i. Conselheiro Marcelo Oliveira: “O Fisco, para justificar a integração ao Saláriode Contribuição (SC) do valor da PLR afirma que ‘a recorrente se reserva o direito de definir as metas de resultado e as formas de atingimento das mesmas sem a participação dos segurados e do sindicato’. Para o Fisco essa definição possibilita o direito da recorrente definir o valor a ser pago a cada empregado, ficando claro, para o Fisco, que esses dispositivos colidiram com o disposto na Lei 10.101/2000. Não concordamos com essa conclusão pois as metas por área de atuação são estabelecidas 45 dias após o início do período, fls. 01449, ou seja, muito antes do final do período/exercício, quando o cálculo do PLR será feito. Outro ponto que temos que deixar claro é que seria muito difícil, ou mesmo impossível, que uma empresa do porte da recorrente, que atua em dezenas de áreas, colocasse todas as metas desejadas em um acordo coletivo, mas essas metas são pactuadas previamente às suas possibilidades de atingimento e pagamento (45 dias após o início do período).” (PAF 35570.003656/200606, Acórdão nº 240200.125, Recurso nº 149.832, Sessão de 19/08/2009) Além disso, consta dos autos que durante a fiscalização foram apresentados, por amostragem, formulários de avaliação de alguns trabalhadores, conforme relação de fl. 346, anexo à Impugnação. Tal fato é corroborado pelos documentos de fl. 219/227 do PAF nº 16327.001640/201074, anexos à autuação, que evidenciam justamente a fixação das metas a serem atingidas e dos mecanismos de aferição. Se é verdade que alguns desses formulários não estão datados/assinados, conforme argumento também adotado pela decisão de primeira instância para manter a autuação (item 7.2.7), também é verdade que, por outro lado, parte dos formulários estão devidamente datados e assinados, o que comprova tal aspecto do acordo de PLR. Ao se considerar o conjunto probatório dos autos, é de se concluir que a deficiência de alguns desses documentos não pode chegar ao ponto de macular por completo o acordo de PLR da empresa. Outro argumento da decisão de primeira instância foi de que não houve participação do sindicato no acordo, asseverando (item 7.3.2) que “não obstante haver uma assinatura genérica (sem qualificação) em nome do Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região, não houve a comprovação do Registro e Arquivamento do acordo na entidade sindical da categoria.” Fl. 587DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 23/08/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 10 O argumento não prospera. Da análise dos autos, vêse que o acordo de PLR de 2001 (fl. 102/107 do PAF nº 16327.001640/201074) foi devidamente registrado no sindicato da categoria em 03/09/2001, tal como se infere pelo carimbo assinado do sindicato constante em todas as páginas do acordo. Do mesmo modo, constatase que também houve participação do sindicato na reunião ocorrida em 02/08/2005, que aprovou a manutenção do acordo de 2001 e suas adequações para o anobase de 2005, como se infere do seguinte trecho da ata dessa reunião (fl. 169 do PAF nº 16327.001640/201074): “O Sindicato fez suas considerações com relação a necessidade de estudos de melhorias no programa e apresentou uma pauta de reivindicações para o programa de 2006, distribuindoa aos membros participantes da reunião. Ficou acertado que o Banco vai iniciar os estudos, com base na pauta, até o final do ano de 2005, devendo concluir até março de 2006. O banco deverá providenciar a divulgação ampla acerca do Programa de Participação nos Lucros ou Resultados, seja através de Cartilhas Explicativas e/ou através da sua Rede de Intranet.” Houve, portanto, tutela dos interesses dos trabalhadores, reivindicadas por intermédio do respectivo sindicato, devidamente presente na reunião. O próprio Relatório Fiscal (item 5.60) salienta que apesar dos representantes sindicais não assinarem a ata propriamente dita, eles assinaram a respectiva Lista de Presenças. Acrescentese que os demais representantes da empresa e dos trabalhadores também assinaram a respectiva ata, não sendo crível, ante o conjunto probatório dos autos, que estivessem todos concordantes com o trecho da ata acima transcrito, caso a presença do sindicato realmente não tivesse ocorrido. Nesse contexto, a exigência fiscal quanto a assinatura do sindicato na referida ata configura preciosismo que não se coaduna com os objetivos da Lei nº 10.101/00. Nesse mesma linha de raciocínio já decidiu STJ, ao tratar sobre a participação do sindicato à luz da Lei nº 10.101/00: “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. CARACTERIZAÇÃO. MATÉRIA FÁTICO PROBATÓRIA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 07/STJ. PROCESSO CIVIL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. SÚMULA 07/STJ. 1. A isenção fiscal sobre os valores creditados a título de participação nos lucros ou resultados pressupõe a observância da legislação específica a que refere a Lei n.º 8.212/91. 2. Os requisitos legais inseridos em diplomas específicos (arts. 2º e 3º, da MP 794/94; art. 2º, §§ 1º e 2º, da MP 860/95; art. 2º, § 1º e 2º, MP 1.53934/ 1997; art. 2º, MP 1.69846/1998; art. 2º, da Lei n.º 10.101/2000), no afã de tutelar os trabalhadores, não podem ser suscitados pelo INSS por notória carência de interesse recursal, máxime quando deduzidos para o fim de fazer incidir contribuição sobre participação nos lucros, mercê tratarse de benefício constitucional inafastável (CF, art. 7º, IX). Fl. 588DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 23/08/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 16327.001642/201063 Acórdão n.º 2402004.005 S2C4T2 Fl. 7 11 3. A evolução legislativa da participação nos lucros ou resultados destacase pela necessidade de observação da livre negociação entre os empregados e a empresa para a fixação dos termos da participação nos resultados. 4. A intervenção do sindicato na negociação tem por finalidade tutelar os interesses dos empregados, tais como definição do modo de participação nos resultados; fixação de resultados atingíveis e que não causem riscos à saúde ou à segurança para serem alcançados; determinação de índices gerais e individuais de participação, entre outros. 5. O registro do acordo no sindicato é modo de comprovação dos termos da participação, possibilitando a exigência do cumprimento na participação dos lucros na forma acordada. 6. A ausência de homologação de acordo no sindicato, por si só, não descaracteriza a participação nos lucros da empresa a ensejar a incidência da contribuição previdenciária. 7. O Recurso Especial não é servil ao exame de questões que demandam o revolvimento do contexto fáticoprobatório dos autos, em face do óbice erigido pela Súmula 07/STJ. 8. In casu, o Tribunal local afastou a incidência da contribuição previdenciária sobre verba percebida a título de participação nos lucros da empresa, em virtude da existência de provas acerca da existência e manutenção de programa espontâneo de efetiva participação nos lucros da empresa por parte dos empregados no período pleiteado, vale dizer, à luz do contexto fáticoprobatório engendrado nos autos, consoante se infere do voto condutor do acórdão hostilizado, verbis: ‘Embora com alterações ao longo do período, as linhas gerais da participação nos resultados, estabelecidas na legislação, podem ser assim resumidas: a) deve funcionar como instrumento de integração entre capital e trabalho, mediante negociação; b) deve servir de incentivo à produtividade e estar vinculado à existência de resultados positivos; c) necessidade de fixação de regras claras e objetivas; d) existência de mecanismos de aferição dos resultados. Analisando o Plano de Participação nos Resultados (PPR) da autora, encontramse as seguintes características: a) tem por objetivo o atingimento de metas de resultados econômicos e de produtividade; b) há estabelecimento de índices de desempenho econômico para a unidade e para as equipes de empregados que a integram; c) fixação dos critérios e condições do plano mediante negociação entre a empresa e os empregados, conforme declarações assinadas por 38 (trinta e oito) funcionários (fls. 352/389); d) existência de regras objetivas de participação e divulgação destas e do desempenho alcançado. Comparandose o PPR da autora com as linhas gerais antes definidas, bem como com os demais requisitos legais, verifica se que são convergentes, a ponto de caracterizar os valores discutidos como participação nos resultados. Desse modo, estão isentos da contribuição patronal sobre a folha de salários, de Fl. 589DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 23/08/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 12 acordo com o disposto no art. 28, § 9.º, alínea "j", da Lei n.º 8.212/91’. (fls. 596/597) 9. Precedentes: AgRg no REsp 1180167/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, DJe 07/06/2010; AgRg no REsp 675114/RS, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, DJe 21/10/2008; AgRg no Ag 733.398/RS, Rel. Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, DJ 25/04/2007; REsp 675.433/RS, Rel. Ministra DENISE ARRUDA, DJ 26/10/2006; 10. Recurso especial não conhecido.” (REsp 865.489/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 26/10/2010, DJe 24/11/2010) Outro argumento adotado na decisão de primeira instância para a manutenção da autuação foi quanto a previsão sobre a garantia de um pagamento mínimo de PLR, conforme segue: “7.2.8. Acrescentese que o próprio acordo prevê que, independentemente de quaisquer metas individuais ou coletivas, será garantido a cada funcionário o pagamento de um valor mínimo de ‘PLR’ definido em Acordo Coletivo. Tal determinação desvirtua a inteligência na norma de regência (Lei nº 10.101/00) que teve claro intuito contraprestativo, não em função do trabalho prestado pelo funcionário, mas em virtude do seu comprometimento conjunto com o empregador, motivandoo e integrandoo na estrutura organizacional da empresa.” Ocorre que tal argumento deve ser afastado, pois não foi adotado na autuação, não havendo qualquer notícia no Relatório Fiscal a esse respeito, de modo que não poderia ter sido aplicado na decisão de primeira instância, que assim acabou inovando no lançamento, deixando de observar a instauração do contraditório e da ampla defesa em relação a esse ponto. Quanto a outro argumento da decisão recorrida, de que o Recorrente não apresentou as procurações dos representantes legais da empresa que subscreveram o acordo de 2001 (item 7.3.1), tratase de exigência não contida na Lei nº 10.101/00, que apenas determina que a PLR seja objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante – neste caso – comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante do sindicato. Embora seja verdade que a comissão deve ser integrada por representantes legítimos da empresa, a constatação de que o acordo de PLR de 2001 foi levado a registro no respectivo sindicato, que a reunião de 02/08/2005 também ocorreu com a presença de representantes do sindicato, e que foram efetuados pagamentos a título de PLR, levam à conclusão lógica de que as negociações de fato ocorreram com representantes legítimos da empresa, já que os sindicatos não validariam um acordo negociado com representantes ilegítimos, e a empresa jamais pagaria tais quantias caso elas tivessem sido pactuadas por quem não estivesse investido nesse direito. Por último, consta também na decisão de primeira instância (item 7.3.3.1) o argumento de que a reunião referente ao anobase de 2005 somente foi realizada no decorrer do próprio ano a que se refere, de modo que quaisquer alterações ou esclarecimentos daí decorrentes deixaram de ser prévias ao exercício corrente. Sobre o assunto, há tempos manifesto o entendimento de que, estando o programa de participação atrelado à existência de lucro e podendo este ser aferido Fl. 590DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 23/08/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 16327.001642/201063 Acórdão n.º 2402004.005 S2C4T2 Fl. 8 13 devidamente, ainda que o instrumento de acordo tenha sido formalizado no final do período base da PLR, não há que se exigir que o instrumento decorrente da negociação seja firmado e arquivado “previamente”, com uma antecedência não prevista na Lei nº 10.101/00. Nesse sentido, segue trecho do voto de minha relatoria, proferido no julgamento do PAF nº 13896.002988/201036, Acórdão nº 240203.048, Sessão de 15/08/2012, unânime na ocasião: “Analisando o processo, verificase que o único motivo que levou à fiscalização a desconsiderar o plano de participação no resultado da Recorrente, para exigir contribuição previdenciária, foi o fato de que o acordo relativo ao ano de 2005 foi assinado apenas em 27/10/2005 e protocolado no Sindicato competente em 03/11/2005, ou seja, no final do período aquisitivo. A fiscalização entendeu que a Recorrente não teria cumprido o disposto no art. 2º, inc. II, da Lei nº 8.212/91, segundo o qual os instrumentos decorrentes da negociação podem conter programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. (...) No presente caso, a Recorrente utilizou como critério para o pagamento da PLR a existência de Lucro antes do Custo Financeiro, Imposto de Renda, Depreciação e Amortização e Lucro antes da Depreciação e Amortização. Caso essa meta fosse atingida, o pagamento seria realizado a cada empregado com base num valor predeterminado, sujeito a alterações em virtude (i) do tempo do trabalhador na empresa ou (ii) das faltas injustificadas que possuir. Estando o programa de participação de resultado da empresa atrelado à existência de lucro e podendo este ser aferido devidamente ainda que o instrumento de acordo tenha sido formalizado no final do período base da PLR, não há qualquer plausibilidade em se exigir que o instrumento decorrente da negociação coletiva seja firmado e arquivado “previamente”, com mais antecedência, tal como sugere o art. 2, inc. II, da Lei nº 8.212/91. Caso assim não se entenda, estarseá criando interpretações restritivas ao arrepio da Lei nº 10.101/00, contribuindo para a instabilidade jurídica do direito constitucional do trabalhador ao recebimento da PLR desvinculada do salário, conforme prevê o art. 7º, inc. XI, da CF/88, haja vista que a referida Lei não prevê qual o prazo para se firmar e arquivar o instrumento decorrente da negociação coletiva. Outrossim, destacase que a única certeza que pode ser extraída da Lei, em relação ao período de formalização do instrumento de negociação, é de que este seja firmado antes do efetivo pagamento da PLR.” Fl. 591DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 23/08/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 14 Nesse mesmo sentido decidiu posteriormente a CSRF, nos Acórdãos nos 9202002.484, 9202002.485 e 9202002.486, Sessão de 29/01/2013, que trataram da questão envolvendo a data de assinatura dos acordos, concluindo conforme segue: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 11/09/2007 CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. INEXISTÊNCIA. AUTODE INFRAÇÃO. SALÁRIO INDIRETO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. OBSERVÂNCIA DA LEGISLAÇÃO REGULAMENTADORA. METAS. PRESCINDIBILIDADE. LUCROS. NEGOCIAÇÃO POSTERIOR AO SEU ADVENTO. INEXISTÊNCIA DE VEDAÇÃO LEGAL. I Ação fiscal precedente ao lançamento é procedimento é inquisitório, o que significa afastar qualquer natureza contenciosa dessa atuação, de forma que a prévia oitiva do contribuinte, quanto a eventuais dados levantados durante ação fiscal, podem ser plenamente descartados acaso a autoridade fiscal já se satisfaça com os elementos de que dispõe; II A discussão em torno da tributação da PLR não cingese em infirmar se esta seria ou não vinculada a remuneração, ate porque o texto constitucional expressamente diz que não, mas sim em verificar se as verbas pagas correspondem efetivamente a distribuição de lucros; III Para a alínea "j" do § 90 do art. 28 da Lei n° 8.212/91, e para este Conselho, PLR é somente aquela distribuição de lucros que seja executada nos termos da legislação que a regulamentou, de forma que apenas a afronta aos critérios ali estabelecidos, desqualifica o pagamento, tornandoo mera verba paga em decorrência de um contrato de trabalho, representando remuneração para fins previdenciários; IV Os instrumentos de negociação devem adotar regras claras e objetivas, de forma a afastar quaisquer dúvidas ou incertezas, que possam vir a frustrar o direito do trabalhador quanto a sua participação na distribuição dos lucros; VI A legislação regulamentadora da PLR não veda que a negociação quanto a distribuição do lucro, seja concretizada após sua realização, é dizer, a negociação deve preceder ao pagamento, mas não necessariamente advento do lucro obtido. Recurso especial negado.” Nesse ponto, é preciso considerar ainda que o acordo de PLR do Recorrente já vigorava desde o ano de 2001, sendo contínua e automaticamente prorrogado a cada ano, conforme antes mencionado, o que naturalmente criou uma expectativa de direito nos trabalhadores quanto a sua participação também nos lucros de 2005, em consonância com as condições de praxe, fundamento este, aliás, também adotado pela CSRF no julgado supratranscrito, conforme trecho do respectivo voto vencedor do i. Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior, abaixo reproduzido: Fl. 592DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 23/08/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 16327.001642/201063 Acórdão n.º 2402004.005 S2C4T2 Fl. 9 15 “Não bastasse isso, segundo informação constante dos autos [processo 001906713.2010.4.03.6100, em tramitação na 20ª Vara Federal de SP, a contribuinte vem pagando Participação nos Lucros e Resultados desde 2002, o que levanos a concluir que já existia um costume da empresa em conceder PLR aos funcionários, criando no decorrer dos anos uma expectativa de direito por parte destes, fazendo com que se empenhassem no bom desempenho de suas funções, uma vez já terem conhecimento de que havendo lucro a contribuinte, como de praxe, iria participálo aos empregados.” Para finalizar, vale transcrever o seguinte precedente judicial, transitado em julgado na forma abaixo, no sentido de que os requisitos da Lei nº 10.101/00 não devem ser interpretados de forma tão rígida a ponto de inviabilizar o direito fundamental de participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa: “AÇÃO ANULATÓRIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. REQUISITOS DA LEI Nº 10.101/2000. 1. Cingese a controvérsia a definir se o plano de participação nos resultados instituído pela CORSAN atende aos requisitos da Lei nº 10.101/00, para exclusão da base de cálculo da contribuição previdenciária e contribuição para terceiros, na forma do art. 28, § 9º, alínea "j", da Lei nº 8.212/91. 2. O art. 2º, § 1º, da Lei 10.101/00 não pode ser interpretado de forma rígida tal como pretende a União, sob risco de se inviabilizar o direito fundamental à participação nos lucros ou resultados. Na verdade, os requisitos mencionados indicam parâmetros a serem observados no curso da negociação coletiva. 3. Ademais, o Acordo Coletivo em comento atende os requisitos legais, adequandose ao conceito de "direitos substantivos de participação e das regras adjetivas". Com efeito, depreendese das cláusulas do instrumento coletivo a meta/resultado a ser atingido, o valor a ser pago, a época do pagamento, os beneficiários e os excluídos da vantagem. 4. Por outro lado, observase que a fixação de meta de arrecadação não desvirtua o instituto. Na hipótese sub judice, não se trata de participação nos lucros, mas sim de participação nos resultados, de forma que mesmo a empresa não obtendo lucro, assegurase o benefício econômico ao empregado uma vez atingidas as metas, prazos ou programas acordados. 5. Apelação e remessa oficial desprovidas.” (TRF4, Apelação/Reexame Necessário nº 2006.71.00.050434 3/RS, Rel. Juíza Federal Vânia Hack de Almeida, julgado em 26/01/2009, DJe de 04/03/2010) Por tudo isso, concluise que os pagamentos efetuados pelo Recorrente revestiram a natureza de PLR, em consonância com os ditames da Lei nº 10.101/00 e do art. Fl. 593DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 23/08/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 16 28, § 9º, “j”, da Lei nº 8.212/91, razão pela qual não se sujeitam à incidência das contribuições previdenciárias. Consequentemente, deve ser dado provimento ao Recurso Voluntário para fins de excluir do lançamento as parcelas remanescentes pagas pelo Recorrente a título de PLR. Vale transporte pago em pecúnia A decisão de primeira instância também concluiu que o vale transporte foi pago em pecúnia, entendendo que tal procedimento é vedado pela legislação de regência e que, por isso, os valores pagos pela empresa se sujeitam à incidência das contribuições previdenciárias, pois que não atendem ao disposto no art. 28, § 9º, “f”, da Lei nº 8.212/91, in verbis: “Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) f) a parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria; (...)” O Recorrente, por sua vez, alega que tais valores não possuem natureza salarial, não podendo compor a base de cálculo do referido tributo. Este Conselho já pacificou o entendimento quanto a não incidência das contribuições previdenciárias sobre o valores pagos a título de vale transporte, mesmo que em pecúnia, devendo ser aplicado ao caso a Súmula CARF nº 89, que diz: “A contribuição social previdenciária não incide sobre valores pagos a título de valetransporte, mesmo que em pecúnia.” Desse modo, devem ser excluídos do lançamento os valores remanescentes pagos pelo Recorrente a título de vale transporte em pecúnia. Por fim, dado total provimento ao recurso no mérito, deixo de apreciar as demais questões arguidas relativamente às multas. CONCLUSÃO Diante de todo o exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para DARLHE PROVIMENTO, nos termos da fundamentação acima. É o voto. Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 594DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 23/08/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES
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Numero do processo: 19515.004114/2008-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Sep 15 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2301-000.438
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Marcelo Oliveira - Presidente.
Adriano Gonzales Silvério - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (presidente da turma), Damião Cordeiro de Moraes, Bernadete de Oliveira Barros, Wilson Antonio de Souza Correa, Mauro José Silva e Adriano Gonzales Silvério.
Nome do relator: ADRIANO GONZALES SILVERIO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a). Marcelo Oliveira Presidente. Adriano Gonzales Silvério Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (presidente da turma), Damião Cordeiro de Moraes, Bernadete de Oliveira Barros, Wilson Antonio de Souza Correa, Mauro José Silva e Adriano Gonzales Silvério. Tratase de Auto de Infração nº 37.159.2577, o qual efetuou o lançamento das contribuições previdenciárias devidas pela empresa e destinadas aos Terceiros no valor total de R$ 382.256,86 (trezentos e oitenta e dois mil, duzentos e cinquenta e seis reais e oitenta e seis centavos), incidentes sobre a remuneração paga aos segurados empregados a título de “Participação nos Lucros ou Resultados” em desacordo com a Lei nº 10.101/2000, nas competências 01/2003 a 12/2005. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .0 04 11 4/ 20 08 -1 2 Fl. 494DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 03/07 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 19515.004114/200812 Resolução nº 2301000.438 S2C3T1 Fl. 3 2 Aponta o Relatório Fiscal, no que tange ao Acordo de Participação nos Resultados – Categorias Seniores, Executivos e Dirigentes, que: i) não existe instrumento de negociação para a PLR paga entre 07/2005 e 12/2005; ii) o acordo do ano 2004 foi apresentado sem a assinatura de diversos representantes; iii) somente o instrumento de 2003 foi apresentado em sua via original e os demais em cópias não autenticadas; iv) não há a comprovação de que os acordos cumpriram com as regras do artigo 2º, caput, inciso I e § 2º da Lei nº 10.101/2000; v) o acordo de 2002 foi assinado após o início do período de aferição dos resultados; vi) não foram apresentados os documentos intitulados “Melhoria de Desempenho” para o ano de 2002, e; vii) da análise dos documentos depreendese a existência de regras subjetivas, como melhoramento contínuo, assunção de responsabilidades e riscos e comprometimento pessoal, o que contraria o mandamento de que a PLR deve contar com normas claras e objetivas, passíveis de mensuração e acompanhamento. No que diz respeito ao Acordo de Participação nos Resultados – Categorias Horistas e Mensalistas, o Relatório Fiscal aponta: i) apenas o acordo do ano de 2005 foi apresentado em sua via original e os demais em cópias não autenticadas; ii) o acordo de 2002 foi apresentado em duas cópias (uma com data mas sem assinatura e outra sem data mas com assinaturas); iii) os acordos de 2003 e 2004 não apresentam a assinatura de alguns representantes; iv) não foram apresentados documentos para aferição do cumprimento das metas fixadas para pagamento da PLR; v) alguns empregados receberam quantias superiores ao estipulado nos acordos, e; vi) os acordos foram assinados após o início do período de aferição dos resultados. Devidamente notificada, a Recorrente opôs impugnação alegando, basicamente: i) preliminarmente, a nulidade do auto de infração em razão da afronta ao princípio da verdade material, e consequentemente, da legalidade e razoabilidade, pela análise superficial dos documentos e descaracterização do título e natureza dos pagamentos; ii) que pela imunidade constitucional, não seria nem mesmo necessária a existência de acordo de PLR para viabilizar tal pagamento; iii) que a Lei nº 10.101/2000 não obriga, mas somente sugere critérios a serem adotados para o pagamento da PLR; iv) que ainda assim, cumpriu com os requisitos; v) que houve a participação do sindicato nos acordos de PLR, conforme Declaração de participação expedida pelo sindicato; vi) que os acordos estipulam regras claras para pagamento da PLR, com base em avaliações individuais e/ou cumprimento de metas coletivas; vii) que foram apresentados documentos para comprovação dos mecanismos utilizados para aferição dos resultados; viii) que a fiscalização exigiu apresentação de documentos não previstos pela legislação, como atas de reunião e eleição de comissão para a elaboração dos acordos de PLR; ix) que os programas foram acordados desde o início do período de aferição dos resultados, ainda que tenham sido formalizados depois; x) que ainda que não haja a assinatura de todos os representantes em alguns acordos, houve a participação dos sindicatos, conforme já provado; xi) que alguns dos pagamentos realizados a título de PLR decorrem de equívoco, referindose, na verdade, à gratificação, razão pela qual alguns funcionários receberam valores de PLR maior do que previamente acordado; xii) que já foi efetuado o recolhimento das contribuições previdenciária devidas sobre o pagamento das referidas gratificações; xiii) que os pagamentos de PLR não se confundem com remuneração; xiv) que a falta de apresentação do acordo de PLR não poderia afetar a imunidade tributária, uma vez que a Constituição não exigiu a apresentação de qualquer acordo, e; xv) a decadência dos créditos tributários relativos aos períodos de janeiro de 2003 a agosto de 2003. A instância a quo julgou improcedente a impugnação, mantendose, dessa forma, o lançamento integralmente no período subsequente. Fl. 495DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 03/07 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 19515.004114/200812 Resolução nº 2301000.438 S2C3T1 Fl. 4 3 Objetivando a reforma da decisão a quo o sujeito passivo interpôs Recurso Voluntário a esse Conselho, por meio do qual reitera os argumentos já despendidos anteriormente. É o relatório. Conselheiro Adriano Gonzales Silvério O recurso reúne as condições de admissibilidade e dele conheço. Decadência Por se tratar a decadência de matéria cujo reconhecimento prejudica o mérito da demanda administrativa, passo apreciar esse tema em sede de preliminar. Cabe salientar que, de acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Verificase que a fiscalização lavrou a NFLD discutida com amparo na Lei 8.212, de 24 de julho de 1991 que, em seu art. 45, dispõe que o direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 10 (dez) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. No entanto, o Supremo Tribunal Federal, entendendo que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, nos termos do artigo 146, III, ‘b’ da Constituição Federal, negou provimento por unanimidade aos Recursos Extraordinários nº 5596664, 559882, 559943 e 560626, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei nº 8212/91. Na oportunidade, foi editada a Súmula Vinculante nº 08 na respeito do tema, publicada em 20/06/2008, transcrita abaixo: Súmula vinculante 8 “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário” Cumpre ressaltar que o art. 62, da Portaria 256/2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, veda o afastamento de aplicação ou inobservância de legislação sob fundamento de inconstitucionalidade. Porém, determina, no inciso I do § único, que o disposto no caput não se aplica a dispositivo que tenha sido declarado inconst6itucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal: Fl. 496DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 03/07 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 19515.004114/200812 Resolução nº 2301000.438 S2C3T1 Fl. 5 4 “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou” Portanto, em razão da declaração de inconstitucionalidade dos arts 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 pelo STF, restaram extintos os créditos cujo lançamento tenha ocorrido após o prazo decadencial e prescricional previsto nos artigos 173 e 150 do Código Tributário Nacional. É necessário observar ainda que as súmulas aprovadas pelo STF possuem efeitos vinculantes, conforme se depreende do art. 103A e parágrafo da Constituição Federal, que foram inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004, in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. §1º A Súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica. § 2º Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou cancelamento de súmula poderá ser provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade. § 3º Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgandoa procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e determinará que outra proferida com ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso (g.n.).” Da leitura do dispositivo constitucional acima, concluise que a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por consequência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. Ademais, nos termos do artigo 64B da Lei 9.784/99, com a redação dada pela Lei 11.417/06, as autoridades administrativas devem se adequar ao entendimento do STF, sob pena de responsabilidade pessoal nas esferas cível, administrativa e penal. “Art. 64B. Acolhida pelo Supremo Tribunal Federal a reclamação fundada em violação de enunciado da súmula vinculante, darseá Fl. 497DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 03/07 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 19515.004114/200812 Resolução nº 2301000.438 S2C3T1 Fl. 6 5 ciência à autoridade prolatora e ao órgão competente para o julgamento do recurso, que deverão adequar as futuras decisões administrativas em casos semelhantes, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal” Afastado, pois, o prazo previsto originalmente no citado artigo 45, cabe agora verificar o prazo aplicável, se aquele do artigo 150, § 4º ou 173, inciso I, ambos da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional. Temos adotado a posição doutrinária e jurisprudencial no sentido de que havendo pagamento antecipado por parte do contribuinte, em relação ao fato gerador posto em discussão, deve incidir o prazo decadencial quinquenal previsto no mencionado artigo 150, § 4º. Nesse sentido a decisão proferida pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça, na sistemática de recurso repetitivo, nos autos do Recurso Especial 973.733/SC, a qual deve ser atendida, por força do disposto no artigo 62A Portaria 256/2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050∕PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758∕SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142∕SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163∕210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro Fl. 498DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 03/07 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 19515.004114/200812 Resolução nº 2301000.438 S2C3T1 Fl. 7 6 dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa∕concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91∕104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396∕400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183∕199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08∕2008.” Recentemente foi editada a Súmula do CARF nº 99, cuja redação é a seguinte: “Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração.” Tendose em vista que o foco central da fiscalização foi verificar a adequação do programa de PLR ao atendimento da Lei nº 10.101/00 e considerando as questões acima citadas no que diz respeito à análise do prazo decadencial, VOTO no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, a fim de que a autoridade administrativa informe nos autos se no período compreendido pelo lançamento houve recolhimentos de contribuições previdenciárias, ainda que não seja de parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Após, intimese o sujeito passivo para no trintídio legal se manifestar a respeito, retornandose, após, os autos ao CARF para análise. Adriano Gonzales Silvério Relator Fl. 499DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 03/07 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO
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