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Numero do processo: 10480.908661/2012-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2006
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
É vedada a compensação de débitos com créditos que não possuam os atributos da liquidez e certeza.
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado.
PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL.
A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação dos créditos alegados.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3201-002.282
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votou pelas conclusões o Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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DCOMP. Recorrente MAUES LOBATO COMERCIO E REPRESENTACOES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2006 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos que não possuam os atributos da liquidez e certeza. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL. A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação dos créditos alegados. Recurso Voluntário Negado. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votou pelas conclusões o Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 90 86 61 /2 01 2- 25 Fl. 68DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10480.908661/201225 Acórdão n.º 3201002.282 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório MAUES LOBATO COMERCIO E REPRESENTACOES LTDA transmitiu PER/DCOMP alegando indébito de Contribuição para o PIS/Pasep. A DRF/Recife emitiu o Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, em virtude de o pagamento informado ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Em Manifestação de Inconformidade a contribuinte alegou que os créditos em questão seriam "relativos a pagamentos a maior ou indevidos de PIS ou COFINS", originados "da retificação dos DACON da empresa, após a realização de auditoria interna", onde teria sido constatado que diversos créditos, oriundos das contribuições PIS e COFINS não cumulativas, não teriam sido contabilizados. Afirmou que realizou a retificação de suas DACON para, posteriormente, apresentar as respectivas PER/DComp. Assim, sustenta que os créditos oriundos dos alegados indébitos estariam plenamente demonstrados nos DACON retificadores entregues eletronicamente à SRF, o que dispensaria a juntada desta demonstração ao processo, conforme determinaria o Art. 37 da Lei 9.784/99. Ao final, alegou que o erro de não ter retificado tempestivamente suas DCTF´s não implica na inexistência de seus créditos. A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, nos termos do Acórdão 03059.555, cuja ementa segue transcrita, na parte essencial: APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO RETIFICADORA. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábilfiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A compensação de créditos tributários (débitos do contribuinte) só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo, sendo que a compensação somente pode ser autorizada nas condições e sob as garantias estipuladas em lei; no caso, o crédito pleiteado é inexistente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 69DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10480.908661/201225 Acórdão n.º 3201002.282 S3C2T1 Fl. 4 3 Em seu recurso voluntário a contribuinte traz, em resumo, os seguintes argumentos: a) reitera que a origem de seu direito creditório estaria demonstrada no DACON, e que os valores que originaram os pagamentos a maior e retenções já estariam na base de dados da SRF. Neste ponto, aduz que não lhe foi dada oportunidade de conversão do julgamento em diligência, nem teria sido intimada a juntar novas provas, o que teria prejudicado seu direito ao contraditório e à ampla defesa. Por tudo isto, alega, preliminarmente, que teria havido cerceamento de seu direito de defesa, solicitando a anulação da decisão da DRJ; b) reclama que bastaria uma simples comparação dos DACON com os valores recolhidos pela empresa para verificar a procedência do direito pleiteado, alegando que o parágrafo único do Art. 26 do Decreto 7.574/2011 determina que a prova da inveracidade dos fatos registrados caberia à autoridade fiscal. Desta forma, estaria se impondo um ônus injustificado ao contribuinte; c) reclama, ainda, que não teria havido uma recusa fundamentada acerca do pedido de produção de prova posterior, conforme determinaria o Art. 39, par. único, da Lei 9.784/99, que regula o processo administrativo. Portanto, a decisão recorrida deveria ser anulada, conforme determinaria o Art. 53 do mesmo diploma legal. Neste sentido, sustenta que as diretrizes da verdade material devem ser observadas pelos agentes da administração e transcreve ementas de julgados que ilustram seus argumentos; d) solicita, ao final, a anulação da decisão recorrida por violações aos princípios da razoabilidade, proporcionalidade, informalidade e verdade material. Pede, ainda, que após a anulação da decisão da DRJ seja reconhecido seu direito creditório com a conseqüente homologação das compensações declaradas, ou seja o julgamento convertido em diligência. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.265, de 24/08/2016, proferido no julgamento do processo 10480.908649/201211, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201002.265): "Observados os pressupostos recursais, a petição de fls. 43 a 52 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJ/Brasília/4ª Turma, nº 0359.543, de 27 de fevereiro de 2014. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10480.908661/201225 Acórdão n.º 3201002.282 S3C2T1 Fl. 5 4 O recorrente invoca, preliminarmente, o princípio processual da verdade material. O que deve ficar assente é que o referido princípio destinase à busca da verdade que está para além dos fatos alegados pelas partes, mas isto num cenário dentro do qual as partes trabalharam proativamente no sentido do cumprimento do seu ônus probandi. Em outras palavras, o principio da verdade material autoriza o julgador a ir além dos elementos de prova trazidos pelas partes, quando tais elementos de prova induzem à suspeita de que os fatos ocorreram não da forma como esta ou aquela parte afirma, mas de uma outra forma qualquer (o julgador não está vinculado às versões das partes). Mas isto, à evidência, nada tem a ver com propiciar à parte que tem o ônus de provar o que alega/pleiteia, a oportunidade de produzir algo que, do ponto de vista estritamente legal, já deveria compor, como requisito de admissibilidade, o pleito desde sua formalização inicial. Dito de outro modo: da mesma forma que não é aceitável que um lançamento seja efetuado sem provas e que se permita posteriormente, em sede de julgamento ou por meio de diligências, tal instrução probatória, também não é aceitável que um pleito, onde se objetiva a restituição de um alegado crédito, seja proposto sem a devida e minuciosa demonstração e comprovação da efetiva existência do indébito e que posteriormente, também em sede de julgamento, se oportunize tais demonstração e comprovação. Com essa introdução, entendo que deve ser afastada a insinuação recursal, implícita no brado pelo princípio da verdade material, de que esta instância de julgamento estaria obrigada a acolher todos e quaisquer documentos que por ventura acompanhem o recurso, primeiro porque existe um evidente limite temporal para a apresentação de provas no rito instituído pelo Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 – PAF que no presente caso é o momento processual da apresentação da manifestação de inconformidade, segundo porque o ônus probatório aqui é do contribuinte, quando este pleiteia um ressarcimento ou uma restituição de indébito, tem a obrigação de comprovar inequivocamente o seu alegado direito creditório no momento que contesta o despacho decisório e instaura o contencioso. No caso, a decisão recorrida não acolheu a alegação de erro na apuração da contribuição social, nem a simples retificação do DACON para efeito de alterar valores originalmente declarados, porque o declarante, em sede de manifestação de inconformidade, não se desincumbiu do ônus probatório que lhe cabia e não juntou nos autos seus registros contábeis e fiscais, acompanhados de documentação hábil, para infirmar a motivo que levou a autoridade fiscal competente a não homologar a compensação ou mesmo para eventualmente comprovar a alegada inclusão indevida de valores na base de cálculo das contribuições, que poderiam levar à reduções de valores dos débitos confessados em DCTF. Novamente, agora já em sede de recurso voluntário, o interessado não aportou aos autos qualquer documentação probatória, limitandose a bradar contra alegadas violações à princípios constitucionais e também a afirmar que todas as informações já constariam na base de dados da SRF, que portanto não haveria necessidade da juntada de quaisquer outros documentos e ainda, que caso tais informações se revelassem insuficientes, deveria ter sido solicitada a realização de diligência. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10480.908661/201225 Acórdão n.º 3201002.282 S3C2T1 Fl. 6 5 Conforme bem apontou a decisão da DRJ, a declaração do contribuinte em DCTF constituise em confissão de dívida, o que confere liquidez e certeza à obrigação tributária. No atual momento processual, para se comprovar a liquidez e certeza do crédito informado na Declaração de Compensação seria imprescindível uma cabal demonstração na escrituração contábilfiscal da contribuinte, baseada em documentos hábeis e idôneos, da alegada diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. As alegações de defesa são faculdades do demandado, mas constituemse em verdadeiro ônus processual, uma vez que a juntada das provas aos autos dever ser praticada no tempo certo, sob pena de preclusão, isto porque o processo é um caminhar para a frente, não se admitindo, em regra, ressuscitar questões já ultrapassadas em fases anteriores. Conforme o § 4º do art. 16 do PAF, só é lícito deduzir novas alegações em supressão de instância quando: relativas a direito superveniente, demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Compete ainda ao julgador administrativo conhecer de ofício de matérias de ordem pública, a exemplo da decadência; ou por expressa autorização legal. Finalmente, o § 5º do mesmo dispositivo legal exige que a juntada dos documentos deve ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior.(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (...) Fl. 72DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10480.908661/201225 Acórdão n.º 3201002.282 S3C2T1 Fl. 7 6 Contudo, no caso desses autos, o recorrente sequer se preocupou em trazer oportunamente os documentos que comprovariam suas alegações, ônus que lhe competia, segundo o sistema de distribuição da carga probatória adotado pelo Processo Administrativo Federal: o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, segundo o disposto na Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 36. Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido o art. 330 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC). Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. A comprovação do valor do tributo efetivamente devido (e, por conseqüência, do direito à restituição de eventual parcela recolhida a maior) no caso concreto deveria ter sido efetuada mediante apresentação oportuna de documentos contábeis e/ou fiscais capazes de efetivamente demonstrar que o valor da contribuição do período de apuração de interesse não teria atingido o valor informado na DCTF vigente quando da emissão do Despacho Decisório aqui analisado, mas apenas o valor informado na DCTF retificadora (que no presente caso sequer efeitos surte quanto à redução deste débito) e no DACON retificador, de caráter meramente informativo. Como o contribuinte sequer procurou juntar aos autos qualquer tipo de documentação na intenção de demonstrar que efetivamente seria titular do alegado direito creditório, eventuais créditos do contribuinte contra a Fazenda Pública ficam sem a devida comprovação de sua certeza e liquidez, atributos indispensáveis para a homologação da compensação pretendida, nos termos do art. 170 do CTN. Restam, portanto, descabidas as demais alegações quanto às supostas violações à ampla defesa, bem como aos demais princípios constitucionais da razoabilidade, proporcionalidade e informalidade. Sobre a jurisprudência trazida à colação pelo recorrente, devese contrapor que se tratam de decisões isoladas, que não se enquadram ao caso em exame e nem vinculam o presente julgamento, podendo cada instância decidir livremente, de acordo com suas convicções. Além disso, tratamse de precedentes que não constituem normas complementares, não têm força normativa, nem efeito vinculante para a administração tributária, pela inexistência de lei nesse sentido, conforme exige o art. 100, II, do CTN. Alertandose para a estrita vinculação das autoridades administrativas ao texto da lei, no desempenho de suas atribuições, sob pena de responsabilidade, motivo pelo qual tais decisões não podem ser aplicadas fora do âmbito dos processos em que foram proferidas. Com essas considerações, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do Contribuinte, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação das compensações." Fl. 73DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10480.908661/201225 Acórdão n.º 3201002.282 S3C2T1 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação das compensações. Winderley Morais Pereira Fl. 74DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Numero do processo: 16327.000483/2004-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 1999
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. AUTO DE INFRAÇÃO COMPLEMENTAR. EMPRÉSTIMOS A CONTROLADA NO EXTERIOR.
Sendo o caso de lançamento complementar ao que versado no processo principal e uma vez que ambos os lançamentos, principal e reflexo, estão apoiados nos mesmos elementos de convicção e tendo a decisão recorrida se baseado na improcedência contida em aresto não modificado na parte em que impacta a exigência complementar, deve-se acompanhar o decidido no processo principal.
Numero da decisão: 1301-001.057
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas - demais presunções legais
Nome do relator: Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr.
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1999 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. AUTO DE INFRAÇÃO COMPLEMENTAR. EMPRÉSTIMOS A CONTROLADA NO EXTERIOR. Sendo o caso de lançamento complementar ao que versado no processo principal e uma vez que ambos os lançamentos, principal e reflexo, estão apoiados nos mesmos elementos de convicçãoe tendo a decisão recorrida se baseado na improcedência contida em aresto não modificado na parte em que impacta a exigência complementar, devese acompanhar o decidido no processo principal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr. Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 04 83 /2 00 4- 31 Fl. 406DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 25/11/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/12/2012 p or ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 Participaram do julgamento os Conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Relatório Tratase de Recurso de Ofício manuseado contra decisão proferida 3ª Turma da DRJ no Rio de Janeiro/RJ, ante a exoneração de auto de infração lavrado contra Boston Comercial e Participações Ltda., (sucedido). Verificase pela análise do presente processo administrativo que em desfavor do contribuinte foram lavrados Autos de Infração (fls. 199 – 210), consoante descrição das ocorrências contidas no Termo de Verificação Fiscal (fls. 195 198), realizado pela Delegacia Especial de Assuntos Internacionais, em 15/04/2004, para a exigência de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), no valor de R$ 2.297.345,40, de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), no valor de R$ 59.730,98 e de Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins), no valor de R$ 275.681,44, todos com multa de 75% e juros de mora, sendo o crédito total lançado e posteriormente exonerado, equivalente R$ 6.538.717,30. Depreendese ainda, que o lançamento foi efetuado porquanto em procedimento fiscal fora apurada omissão de receita financeira, caracterizada pela falta de contabilização de variação cambial, conforme descrito no precitado Termo de Verificação Fiscal, motivado por determinação da DRJ SPO — I que, após análise do processo de n° 16327.002639/200338 (vide fls. 146 – 194) verificou a existência de elementos que acarretaram o agravamento da exigência inicial e determinou um lançamento na forma de auto de infração complementar. Ciente das imputações, o contribuinte apresentou Impugnação (fls. 243 – 280), alegando em síntese a nulidade dos Autos de Infração, pois reputou que o ato foi viciado, tendo em vista que no MPF foi incluído o período de apuração de 01/1998 a 12/1998, alcançado pela decadência, afirmando que as variações monetárias decorreram de operações realizadas sob o regime de transferência internacional de reais e não se enquadraram na espécie variação monetária cambial. Afirmou ainda, que não comprou ou vendeu moeda estrangeira e, consequentemente, não violou o disposto no artigo 378 do RIR/1999, sendo que a Fiscalização utilizou, para a apuração das variações monetárias, as taxas de venda do dólar. Arrazoou ser o BACEN o responsável para autorizar e fiscalizar as operações de transferência internacional de reais, as quais se subsumem os contratos de mútuo ora discutidos, e tendo aquela autoridade homologado, tacitamente, as taxas de câmbio registradas no SIBACEN, não poderia utilizar taxas de câmbio diferentes daquelas, sendo que não caberia à Fiscalização definir as taxas de câmbio que devem ser utilizadas nas operações de mútuo contratadas e que pretender aplicar taxas diferentes daquelas registradas no SISBACEN é exigir tributo sobre variação cambial ativa inexistente. Sustentou ainda, que a autoridade julgadora singular afastou os argumentos articulados na impugnação alegando não ter o Auto de Infração tratado de variações cambiais, mas de receitas de juros, à luz do art. 22 da Lei n° 9.430/1996 e que, embora tenha reconhecido a legalidade da utilização das taxas de câmbio efetivas, registradas no SISBACEN, recorreu ao Fl. 407DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 25/11/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/12/2012 p or ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16327.000483/200431 Acórdão n.º 1301001.057 S1C3T1 Fl. 3 3 Ato Declaratório nº 1/99 para sustentar sua tese de que deveriam ser adotadas as taxas de câmbio de compra e venda disponíveis no SISBACEN, reputando que o referido AD não trata de transferência internacional de reais e equiparouse as operações de transferência internacional de reais com as decorrentes de crédito em moeda estrangeira, o que se mostra equivocado. No mais, teceu outros tantos argumentos e pugnou pelo cancelamento do auto de infração. 3ª Turma da DRJ no Rio de Janeiro/RJ, nos termos do acórdão e voto de folhas 350 a 356, julgou improcedentes as acusações fiscais, cancelando o auto de infração, afastandose as preliminares, mas, no mérito, tendo em vista que o presente processo decorreu do que fora decidido no PA n° 16327.002639/200338 e considerando que o Conselho de Contribuintes deu provimento ao recurso da contribuinte naquele processo, não prosperaria a exigência, relativa à omissão de receitas de variações monetárias ativas pelos fundamentos apresentados no Acórdão mencionado, devendo o lançamento de IRPJ ser julgado improcedente, por não restar configurada a ocorrência da infração que foi imputada ao interessado. Em vista da exoneração total da autuação, como já mencionado, foi viabilizado o Recurso de Ofício, cuja primitiva análise ficou a cargo da 5ª Câmara do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes, expedindose a Resolução nº 1051.402 (fls. 364 ), por meio da qual converteuse o julgamento em diligência, já que a decisão impugnada pautouse em acórdão daquele Conselho (no PA n° 16327.002639/200338), que pendia de julgamento na Câmara Superior de Recursos Fiscais. Em cumprimento à diligência mencionada acima, juntouse aos autos o acórdão nº 910100.420 da Câmara Superior de Recursos Fiscais (fls. 399 – 404), proferido no âmbito do PA n° 16327.002639/200338, que deu origem ao presente processo, por meio da qual modificouse a decisão anteriormente proferida. É o relatório. Fl. 408DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 25/11/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/12/2012 p or ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 Voto Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr., Relator. O Recurso de Ofício atende aos pressupostos regulamentares, razão pela qual, admitoo para julgamento. Temse na espécie que o lançamento foi efetuado em virtude da constatação de omissão de receitas caracterizada pela falta de contabilização de variação cambial, conforme Termo de Verificação Fiscal, sendo certo que o lançamento foi efetuado por determinação da DRJ SPO — I, que após análise do processo de n° 16327.002639/200338 (vide fls. 146 – 194) verificou a existência de elementos que acarretaram o agravamento da exigência inicial e determinou um lançamento na forma de auto de infração complementar. Em resumo, portanto, o caso aqui apreciado é de lançamento decorrente do entendimento de que as taxas de câmbio a serem aplicadas na apuração da variação cambial deveriam ser as de venda do dólar (câmbio livre), e não aquelas efetivamente praticadas nas operações de mútuo e consignadas nos registros contábeis da recorrente, nem aquelas adotadas pela fiscalização por ocasião da lavratura do Auto de Infração formalizado no PAF nº 16327.002639/200338 (processo dito principal). Foi neste cenário, que ao analisar a Impugnação da contribuinte, a 3ª Turma da DRJ no Rio de Janeiro/RJ (fls. 350 – 356), julgou improcedentes as acusações fiscais tendo em vista, justamente, que o presente processo decorreu do que fora decidido no PA n° 16327.002639/200338, registrando que o Conselho de Contribuintes dera provimento ao recurso da contribuinte naquele processo, situação que revelaria não prosperar a exigência complementar, relativa à omissão de receitas de variações monetárias ativas pelos fundamentos apresentados no Acórdão mencionado, devendo o lançamento de IRPJ ser julgado improcedente, por não restar configurada a ocorrência da infração que foi imputada ao interessado. Ocorre, que o Conselho de Contribuintes, ao analisar primitivamente a decisão aqui apreciada, salientou que a decisão servida para fundamento do acórdão recorrido pendia de julgamento pela Câmara Superior de Recursos Fiscais. Anotese, por oportuno, o que mencionouse na Resolução nº 1051.402 (fls. 364 ), in verbis: (...) Como se verificou pelo relatório, a decisão de primeiro grau pautouse em decisão não transitada em julgado, já que pende recurso dela. Por outro lado, o presente processo revelase verdadeira exigência por decorrência, uma vez que depende diretamente da decisão a ser prolatada no processo n° 16327.002639/200338 e tal decisão determinará certamente o destino da exigência constante do presente processo. Dessa forma, pareceme prudente a conversão do julgamento em diligência para que o processo retorne à Repartição de origem e lá fique aguardando o trânsito em julgado do processo n° Fl. 409DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 25/11/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/12/2012 p or ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16327.000483/200431 Acórdão n.º 1301001.057 S1C3T1 Fl. 4 5 16327.002639/200338, para depois do trâmite administrativo final, retorne a este Colegiado para, prosseguindose o julgamento, receber a decisão adequada. É que somente a Repartição de jurisdição do contribuinte terá o controle e adequado acompanhamento acerca da conclusão do feito correspondente ao processo n° 16327.002639/200338, uma vez que a ela caberá a liquidação da decisão a ser prolatada na CSRF. Assim, diante dessas considerações, voto por conhecer do recurso voluntário e converter o julgamento em diligência na forma do presente voto. (...) (meus os grifos) Na linha do que corretamente decidido na Resolução citada acima, devese considerar que sobreveio ao presente processo decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais no âmbito do processo originário (fls. 399 – 404), cuja ementa, transcrevo por oportuno, in verbis: IRPJ. EMPREGO DE LUCROS DE CONTROLADA NO EXTERIOR. Conforme Lei n. 9532/97, os lucros auferidos por controlada no exterior serão considerados disponibilizados para sua controladora no Brasil quando ocorrer, dentre outras hipóteses previstas, o emprego do valor dos lucros em favor da contribuinte. Se a contribuinte opta por atribuir, às quotas que detinha na controlada estrangeira, o valor patrimonial destas, que inclui os valores de seus lucros acumulados, isto para fins de transferência de aludidas quotas como integralização de quotas em nova sociedade no Brasil, ocorre o emprego do valor dos lucros em favor da contribuinte. Na medida em que as quotas são integralizadas pelo valor patrimonial da controlada no exterior, os lucros acumulados desta já passam a produzir efeitos jurídicos e econômicos definitivos em favor da contribuinte, com reflexos na apuração de eventual ganho de capital ou perdas no novo investimento. Ao analisar de início a questão, cheguei a me inclinar pela conclusão de que o fundamento sob o qual está inserida a decisão recorrida, consistente na improcedência do lançamento que originou o presente processo, não mais existiria, porquanto aquela decisão teria sido modificada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, considerando, sobretudo, que a decisão recorrida fundouse nos seguintes argumentos: (...) No Termo de Verificação Fiscal, a fiscalização aponta que o presente "MPF foi motivado por determinação da DRJ — SPO — I que, após análise do processo de n° 16327.002639/200338 verificou a existência de elementos que acarretariam o Fl. 410DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 25/11/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/12/2012 p or ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 6 agravamento da exigência inicial e determinou um lançamento na forma de auto de infração complementar". A seguir a fiscalização apresenta um breve relato referente ao processo de nº 16327.002639/200338. Informa que: . a operação pela qual o interessado transferiu reais para o exterior originouse em contratos de mútuo; . o interessado reconheceu como receita financeira um valor menor de variação cambial; . a diferença em relação à variação cambial calculada pela fiscalização (adotando a taxa de venda do câmbio livre divulgada pelo BC, nas datas dos termos inicial e final dos contratos) e a oferecida à tributação foi objeto de lançamento (processo de n° 16327.002639/200338); . o Acórdão DRJ/SPI n° 4.897, de 26 de fevereiro de 2004, juntado as fls. 146/194, determinou que os parâmetros a serem utilizados para a apuração da variação cambial deveriam ser: a) o valor registrado em cada PCAM260, líquido da CPMF cobrada pelo remetente, até 22/01/1999, e o valor registrado em cada PCAM260, após 22/01/1999, em lugar da PTAX de venda do câmbio flutuante, para as remessas; b) a PTAX de compra do câmbio flutuante até 29/01/1999 e, a partir de 01/02/1999, a PTAX de compra, para remessas, saldos e liquidações. em decorrência, apurouse o valor tributável de R$ 9.189.381,62 para o ano calendário de 1999, que será objeto de lançamento. O interessado recorreu da decisão proferida no processo de nº 16327.002639/200338. O Conselho de Contribuintes já decidiu a matéria — Ac. 103 22330, sessão de 22/03/2006. Reproduzo, abaixo, a parte do Voto que abordou a questão. (...) Chegouse, inclusive a reproduzir o trecho do acórdão do Conselho de Contribuintes, e concluiu o aresto impugnado que por terse afastado a autuação originária, o presente processo deveria seguir o mesmo caminho. Citase abaixo o coincidente trecho mencionado na decisão recorrida. (...) No mérito, a primeira questão a ser enfrentada diz respeito à apontada omissão de variação cambial ativa. Neste ponto a discussão gira única e exclusivamente acerca da taxa cambial que deve ser utilizada para valorar os dólares emprestados com vistas à apuração da variação cambial, Fl. 411DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 25/11/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/12/2012 p or ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16327.000483/200431 Acórdão n.º 1301001.057 S1C3T1 Fl. 5 7 sustentando a recorrente que devem ser utilizadas as taxas efetivas e não as taxas de venda do câmbio livre e/ou flutuante. A autoridade lançadora adotou as taxas de venda do dólar, câmbio livre, divulgadas pelo Banco Central do Brasil, nas datas dos termos inicial e final dos contratos, apurando como não oferecidos à tributação os valores de R$ 5.922.166,51, no ano calendário de 1998 e de R$ 1.200615,50, no anocalendário de 1999. A autoridade julgadora, por sua vez, presumindo que os dólares foram comprados e vendidos no segmento de taxas flutuantes, já que as remessas foram efetuadas por meio de operações de conta CC5, adotou, para as remessas, até 22/01/1999, o valor registrado, líquido da CPMF e, após 22/01/1999 o valor bruto registrado; para as amortizações, saldos remanescentes e liquidações, até 29/01/1999, a taxa de compra do câmbio flutuante, e, a partir de 01/02/1999, com a unificação das taxas do câmbio livre e do câmbio flutuante, a taxa de compra; e, para os saldos existentes em 31/12/1998, a taxa de compra do câmbio livre, apurando o valor tributável de R$ 4.846.844,30 no anocalendário de 1998 e o valor tributável de R$ 10.390.007,12 no anocalendário de 1999, exonerando, assim, R$ 1.075.321,71 referentes ao ano calendário de 1998 e apontando, como valor tributável adicional, R$ 9.189.381,62, referentes ao anocalendário de 1999, a ser objeto de auto de infração complementar. Nada impede que, para calcular as variações cambiais, sejam utilizadas as taxas de câmbio efetivamente praticadas, como, aliás, expressamente reconhecido pela decisão recorrida. As taxas de fechamento do câmbio livre do último dia do mês, divulgadas pelo Banco Central do Brasil, adotadas pela SRF, somente se prestam para fins de apropriação de despesas e receitas financeiras pelo regime de competência e de atribuição de valor a ativos e passivos no exterior, por ocasião da elaboração do balanço. Em que pese esse entendimento, no sentido da legalidade da utilização das taxas efetivas, a decisão recorrida o adotou tão somente para as remessas, ao argumento de que não há no processo quaisquer comprovantes das amortizações e/ou liquidações contabilizadas, e portanto, das respectivas taxas de câmbio. Admitindose, ad argurnentandum tantun, a inexistência, no processo, da comprovação das taxas praticadas nas amortizações e liquidações, entendo que isto, por si só, não autoriza o uso de taxas diversas das praticadas, cabendo ao julgador diligenciar para que viesse aos autos a comprovação que entendeu faltante. Fl. 412DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 25/11/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/12/2012 p or ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 8 Ademais, a se crer no contido no Termo de Verificação Fiscal, inexiste a alegada falta de comprovação das amortizações e liquidações, pois nele, às fls. 289, está afirmado que: ".1.5 Em atendimento A. solicitação, em 15/07/2002, a empresa apresentou documentação informando que as aplicações financeiras praticadas por ela diretamente no exterior referemse somente a contratos de mútuo firmados com pessoas vinculadas no exterior. Nesta data recebemos também os registros contábeis e os contratos de mútuo. 1.6 Em 24/04/2003 o contribuinte foi regularmente intimado a nos fornecer planilhas referentes às operações de mútuo entre a Boston Comercial e Participações e o Boston Latin América Finance Company com informações a respeito de datas, valores em reais e na moeda contratada, taxas de câmbio utilizadas, taxas de juros pactuadas e montantes pagos e/ou recebidos entre outras informações. Recebemos esta documentação em 06/06/2003. 1.7 Em 24/04/2003 o contribuinte também foi intimado a detalhar as contas variações cambiais ativas/passivas e rendimentos e juros de capital auferidos no exterior. Recebemos esta documentação em 28/07/2003". Comprovadas as taxas efetivamente praticadas, não só para as remessas, mas também para as amortizações e liquidações, e, inexistindo óbice legal a que as variações cambiais sejam apuradas com base nas mesmas, não prospera a exigência. Quanto à incidência da CPMF sobre os valores das remessas, conquanto seja natural a presunção de que o banco incumbido da operação de conversão dos dólares para reais recolheu a contribuição cobrandoa do remetente, não é verdadeira a conclusão de que este ônus tenha sido suportado pela recorrente, pois ela não é o remetente. A incidência da CPMF suportada pela recorrente foi aquela ocorrida no momento em que transferiu da sua conta bancária os valores em reais para a instituição financeira depositária sediada no País. Por sua vez, a instituição financeira sediada no exterior, depositária dos reais em nome do não residente, titular de conta corrente na instituição sediada no País, sofre a incidência da CPMF no momento em que efetua a compra de moeda estrangeira em favor do não residente. Assim, é evidente que quem responde, de fato, pela CPMF incidente nas operações de compra de moeda estrangeira é o não residente, não a recorrente, visto que ela não tem Fl. 413DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 25/11/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/12/2012 p or ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16327.000483/200431 Acórdão n.º 1301001.057 S1C3T1 Fl. 6 9 qualquer relação com a instituição depositária, que age em nome do mutuário não residente, e não da mutuante. Por isto mesmo, descabe excluir da variação cambial os valores relativos à CPMF em tela, como o fez a decisão recorrida. A outra questão de mérito se prende à disponibilização dos lucros auferidos no exterior. (...) Face ao exposto, voto no sentido de rejeitar as preliminares de decadência e de nulidade do lançamento suscitadas pela recorrente e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar as exigências relativas à Omissão de Variações Monetárias Ativas, item 01 do Auto de Infração. Quanto ao recurso de ofício, tenhoo por prejudicado no ponto em que exonerou parcialmente as exigências relativas à Omissão de Variações Monetárias Ativas e lhe nego provimento na parte em que exonera a multa de ofício incidente sobre o crédito tributário relativo à CSLL, cuja exigibilidade se acha suspensa. (...) Aliás, como bem destacou a Contribuinte em Memorias, por ocasião do julgamento do PAF nº 16327.002639/200338 (decisão que serviu de base para improcedência da presente autuação), realizado em sessão de 22/03/2006, a Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes já decidiu a matéria ora em questão, conforme ementa do Acórdão 10322330 a seguir transcrita: “EMPRÉSTIMOS A CONTROLADA NO EXTERIOR. OMISSÃO DE RECEITAS FINANCEIRAS DE VARIAÇÕES CAMBIAIS ATIVAS. Inexiste óbice legal a que as variações cambiais sejam apuradas com base nas taxas efetivamente praticadas para as remessas e para as amortizações e liquidações. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. A decisão relativa ao auto de infração matriz deve ser igualmente aplicada no julgamento do auto de infração decorrente e reflexo, uma vez que ambos os lançamentos, matriz e reflexo, estão apoiados nos mesmos elementos de convicção. (Acórdão nº 10322.330, de 22/03/06)” (grifo nosso); Analisando a questão e descortinando o que decidido pela CSRF no acórdão nº 910100.420 da Câmara Superior de Recursos Fiscais (fls. 399 – 404), proferido no âmbito do PA n° 16327.002639/200338, vêse que a matéria aqui versada, consistente na glosa relativa às taxas de câmbio a serem aplicadas na apuração da variação cambial, não sofreu qualquer modificação. Confirase os principais fundamentos, da decisão dita modificadora no PA n° 16327.002639/200338: Fl. 414DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 25/11/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/12/2012 p or ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 10 (...) A matéria sob exame referese a existência ou não de disponibilização de lucros na alienação de cotas de empresa controlada, sediada no exterior, à luz do que dispõe a Lei nº 9.532/97. De início, assim, rejeito a preliminar de não conhecimento do recurso suscitada pela contribuinte, pois o que ora se aprecia é exatamente a ofensa ou não de referido diploma legal. (...) Segundo o Termo de Verificação Fiscal, a transferência da participação societária da contribuinte na Boston Latin América Finance Company, para a Boston Investimentos e Participações Ltda, implicaria na disponibilização de lucros, com base no art. 1°, § 2°, "b", 4, acima transcrito. Para melhor compreensão dos fatos, mister esclarecer o seguinte: (a) conforme instrumento particular de constituição da Boston Investimentos e Participações Ltda, a contribuinte subscreveu quotas, nesta sociedade, em valor de R$ 58.650.229,00, as quais integralizou mediante transferências de todas as quotas que detinha na Boston Latin América Finance Company, que correspondia a 100% do capital social desta, tudo conforme fls. 362/369; (b) conforme Balanço Patrimonial da Boston Latin América Finance Company, apurado em 31.08.1999, o patrimônio líquido desta sociedade correspondia exatamente a R$ 58.650.229,18, sendo R$ 28.738.500,00 correspondentes ao capital social e, R$ 29.911.729,18, aos lucros acumulados existentes naquela data, tudo conforme fls. 249. Deste modo, entendo, houve empregos dos lucros da sociedade estrangeira em favor da contribuinte, na medida em que esta optou por atribuir as quotas que detinha na empresa estrangeira, para fins de integralização das quotas na nova sociedade, o valor patrimonial da controlada no exterior, que incluía os valores de seus lucros acumulados, tendo sido este o correspondente valor das quotas subscritas na nova sociedade brasileira, a Boston Investimento e Participações Ltda. o emprego do valor dos lucros em favor da contribuinte resta caracterizado pelo acréscimo patrimonial permitido a esta. Na medida em que as quotas são integralizadas pelo valor patrimonial da controlada, os lucros acumulados desta já passam a produzir efeitos jurídicos e econômicos definitivos em favor da contribuinte, na medida em que seu investimento na nova sociedade passa a ter custo correspondente ao valor majorado pelos lucros da controlada, com reflexos na apuração de futuro ganho de capital na alienação das participações e na possibilidade de dedução de perdas decorrentes da redução dos lucros da sociedade estrangeira. Isto posto, VOTO no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso especial. Fl. 415DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 25/11/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/12/2012 p or ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16327.000483/200431 Acórdão n.º 1301001.057 S1C3T1 Fl. 7 11 Sendo este lançamento mero complemento ao que versado no processo principal e tendo a decisão recorrida se baseado na improcedência contida em aresto, cuja parte que impacta neste processo não foi modificada, de fato o fundamento da decisão subsiste incólume. Diante disso, encaminho meu voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso de Ofício. Sala das Sessões, em 02 de outubro de 2012 (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr. Fl. 416DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 25/11/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/12/2012 p or ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10830.008040/2010-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 18 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Sep 22 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. AÇÃO JUDICIAL.OBRIGATORIEDADE DE COMPROVAÇÃO.
Somente podem ser acatadas as deduções de despesas médicas decorrentes de sentença ou acordo homologado judicialmente se efetivamente comprovadas através da juntada da cópia da decisão judicial respectiva.:
Numero da decisão: 2201-003.317
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário.
Assinado digitalmente.
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
Assinado digitalmente.
Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Denny Medeiros da Silveira (Suplente Convocado), Daniel Melo Mendes Bezerra, Carlos César Quadros Pierre e Ana Cecília Lustosa da Cruz.
Nome do relator: DANIEL MELO MENDES BEZERRA
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AÇÃO JUDICIAL.OBRIGATORIEDADE DE COMPROVAÇÃO. Somente podem ser acatadas as deduções de despesas médicas decorrentes de sentença ou acordo homologado judicialmente se efetivamente comprovadas através da juntada da cópia da decisão judicial respectiva.: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado digitalmente. Carlos Henrique de Oliveira Presidente. Assinado digitalmente. Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Jose Alfredo Duarte Filho (Suple nte Convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Denny Medeiros da Silveira (Suplente Convocado), Daniel Melo Mendes Bezerra, Carlos César Quadros Pierre e Ana Cecília Lustosa da Cruz. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 80 40 /2 01 0- 61 Fl. 70DF CARF MF Impresso em 22/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2016 por DANIEL MELO MENDES BEZERRA, Assinado digitalmente em 17/0 9/2016 por DANIEL MELO MENDES BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OL IVEIRA 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra a decisão de primeira instância, que julgou procedente em parte a impugnação do contribuinte, ofertada em face da lavratura de Notificação de Lançamento de IRPF. Os aspectos principais do lançamento estão delineados no relatório da decisão de primeira instância, nos seguintes termos: Através da Notificação de Lançamento está sendo exigido do contribuinte o imposto suplementar no valor de R$ 734,58 relativos ao exercício de 2009 em decorrência da apuração de dedução indevida de despesas médicas. A descrição dos fatos e a legislação infringida constam da referida Notificação. Na impugnação o contribuinte alega que as despesas médico hospitalares no valor de R$ 10.528,93 foram informadas no comprovante de rendimentos pagos e de retenção na fonte anexado ao processo. Também não foi considerado o valor de R$ 5.972,55 depositado em sua conta/hollerith em nome da beneficiária Maria Helena Sanches (mãe da deficiente física Daniela Sanches Sales). Tendo em vista o disposto na Portaria RFB nº 453, de 11 de abril de 2013 (DOU 17/04/2013) e no art. 2º da Portaria RFB nº 1.006, de 24 de julho de 2013 (DOU 25/07/2013) e conforme definição da CoordenaçãoGeral de contencioso Administrativo e judicial da RFB, o presente eprocesso foi encaminhado para essa DRJ/POA/RS para julgamento. A DRJ julgou procedente em parte a impugnação do contribuinte restabelecendo o montante de R$ 10.526,93 O comprovante de rendimentos pagos e de retenção na fonte (fl.11) fornecido pelo Banco Central do Brasil demonstrou a regularidade das despesas médicoodontohospitalares do titular, no caso o recorrente. Em relação à dedução das despesas médicas da dependente o contribuinte não logrou êxito, eis que não trouxe ao processo cópia da decisão ou acordo judicial para comprovar que, além do pagamento da pensão alimentícia, ficou estabelecido o pagamento de plano de saúde e/ou despesas médicas. Cientificado do acórdão da DRJ em 18/03/2014, o contribuinte apresentou em 31/03/201, Recurso Voluntário, no qual alega que sua exexposa e filha têm direito à dedução das despesas com saúde, oportunidade em que junta documentos. É o Relatório. Voto Daniel Melo Mendes Bezerra, Conselheiro Relator Admissibilidade Fl. 71DF CARF MF Impresso em 22/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2016 por DANIEL MELO MENDES BEZERRA, Assinado digitalmente em 17/0 9/2016 por DANIEL MELO MENDES BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OL IVEIRA Processo nº 10830.008040/201061 Acórdão n.º 2201003.317 S2C2T1 Fl. 71 3 Como relatado, o Recurso Voluntário é tempestivo. Ademais, preenche os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Da dedução de despesas com saúde através de decisão judicial A matéria de fundo se relaciona à dedutibilidade das despesas médicas efetuadas pelas alimentadas (exesposa e filha do contibuinte). Argumenta o recorrente que essa obrigação encontra previsão em decisão judicial. Por outro lado, a autoridade lançadora e a decisão consubstanciada no acórdão recorrido entendem que a glosa deve ser efetuada, face a ausência de documentos comprobatórios de sua regularidade. As despesas médicas ou de hospitalização dedutíveis restringemse aos pagamentos efetuados pelo contribuinte para o seu próprio tratamento ou o de seus dependentes relacionados na Declaração de Ajuste Anual, incluindose os alimentandos, em razão de decisão judicial ou de escritura pública. Os documentos colacionados pelo sujeito passivo comprovam a obrigatoriedade do pagamento de pensão alimentícia. Entretanto, não se infere do acordo homologado judicialmente por sentença, a obrigação do contribuinte em custear despesas com saúde das alimentadas. Desse modo, ausente a comprovação da determinação judicial, há de ser mantida a decisão recorrida, não prosperando as razões recursais. Conclusão Diante de todo o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Fl. 72DF CARF MF Impresso em 22/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2016 por DANIEL MELO MENDES BEZERRA, Assinado digitalmente em 17/0 9/2016 por DANIEL MELO MENDES BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OL IVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 15504.019042/2010-09
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 11 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Oct 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
COFINS. INSTITUIÇÕES DE EDUCAÇÃO.
A receita da atividade própria, objeto da isenção da Cofins prevista no art. 14, X, c/c art. 13, III, da MP nº 2.158-35, de 2001, alcança as receitas obtidas em contraprestação de serviços educacionais prestados pelas entidades de educação sem fins lucrativos a que se refere o art. 12 da Lei nº 9.532, de 1997 (Súmula CARF nº 107).
Recurso Especial do Procurador negado.
Numero da decisão: 9303-004.234
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza, Valcir Gassen, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 COFINS. INSTITUIÇÕES DE EDUCAÇÃO. A receita da atividade própria, objeto da isenção da Cofins prevista no art. 14, X, c/c art. 13, III, da MP nº 2.158-35, de 2001, alcança as receitas obtidas em contraprestação de serviços educacionais prestados pelas entidades de educação sem fins lucrativos a que se refere o art. 12 da Lei nº 9.532, de 1997 (Súmula CARF nº 107). Recurso Especial do Procurador negado.
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INSTITUIÇÕES DE EDUCAÇÃO. A receita da atividade própria, objeto da isenção da Cofins prevista no art. 14, X, c/c art. 13, III, da MP nº 2.15835, de 2001, alcança as receitas obtidas em contraprestação de serviços educacionais prestados pelas entidades de educação sem fins lucrativos a que se refere o art. 12 da Lei nº 9.532, de 1997 (Súmula CARF nº 107). Recurso Especial do Procurador negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza, Valcir Gassen, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de recurso especial de divergência, tempestivo, interposto pela Fazenda Nacional ao amparo do art. 67, Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 90 42 /2 01 0- 09 Fl. 1936DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 13/10/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 15504.019042/201009 Acórdão n.º 9303004.234 CSRFT3 Fl. 1.937 2 junho de 2009, em face do Acórdão nº 3403002.280, de 25/06/2013, cuja ementa transcrevese a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 COFINS. IMUNIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES PARA A PREVIDÊNCIA SOCIAL. ART. 195, § 7º, CF. ART. 55 DA LEI 8.212/91. CEBAS. Na vigência do art. 55 da Lei nº 8.212/91, a imunidade prevista no art. 195, § 7º, da Constituição estava condicionada, dentre outros requisitos, a que a instituição fosse portadora do Registro e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS), fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos. COFINS. ISENÇÃO. ENTIDADE EDUCACIONAL SEM FINS LUCRATIVOS. ART. 14 DA MP 2.158/01. RECEITA DA ATIVIDADE PRÓPRIA. A isenção da Cofins prevista no art. 14, X, c/c art. 13, III e IV, da MP no 2.15835/ 2001, ao se referir às “receitas relativas às atividades próprias”, aplicase principalmente em relação às receitas auferidas em contraprestação pelo desempenho das atividades para as quais foram constituídas as entidades, no caso, pela prestação de serviços educacionais, culturais e científicos. Precedentes (CSRF, acórdãos 930301.486 e 9303001.869). Recurso provido. Em face da decisão acima, a Fazenda Nacional interpôs o já referido recurso especial, alegando que os paradigmas colacionados deram tratamento divergente quanto à isenção prevista no aludido art. 14, X, da MP 2.15835/2001, aduzindo que esta alcança apenas as receitas próprias da atividade que não ostentem cunho contraprestacional. O recurso especial da Fazenda Nacional foi admitido através do despacho de fls. 1.907/1.908. Cientificado, o contribuinte apresentou contrarrazões às fls. 1.919/1.931, retornando o processo para prosseguimento. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O recurso interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele conheço. Fl. 1937DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 13/10/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 15504.019042/201009 Acórdão n.º 9303004.234 CSRFT3 Fl. 1.938 3 A controvérsia aduzida nos presentes autos cingese à isenção da Cofins instituída pelo art. 14 da Medida Provisória 2.15835/2001 sobre as receitas que tenham caráter contraprestacional, para a entidade em questão. Como se pode depreender do voto do relator no acórdão recorrido, o entendimento firmado foi de que a isenção prevista no art. 14, X, da MP nº 2.158/2001 abrange as mensalidades escolares por configurarem receitas relativas às atividades próprias de uma entidade educacional. A Fazenda Nacional, em seu Recurso Especial, alega que não se pode conceber como "receitas próprias" aquelas decorrentes de contraprestação de serviços oferecidos e a decisão recorrida, portanto, além de negar aplicação ao § 2º do art. 47 da IN SRF 247/2002, busca dar interpretação extensiva aos arts. 13, III, c/c 14, X, da MP nº 2.158 35/2001 (editada inicialmente sob o nº 1.858/99), para abarcar na isenção da Cofins receitas da entidade autuada que nada têm de "próprias" da assistência social. Assim dispõe os arts. 13, III, e 14, X, da MP nº 2.15835/2001: Art.13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: (...) III instituições de educação e de assistência social a que se refere oart. 12 da Lei no9.532, de 10 de dezembro de 1997; (...) Art.14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1ode fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: (...) X relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13. A Instrução Normativa SRF nº 247/2002, em seu art. 47, § 2°, ora transcrito, estabelece as receitas que poderiam ser consideradas como derivadas das "atividades próprias" para fins de fruição do benefício fiscal: Art. 47. As entidades relacionadas no art. 9º desta Instrução Normativa: (...) e II são isentas da Cofins em relação às receitas derivadas de suas atividades próprias. § 1º Para efeito de fruição dos benefícios fiscais previstos neste artigo, as entidades de educação, assistência social e de caráter filantrópico devem possuir o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social expedido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos, de acordo com o disposto no art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 1938DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 13/10/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 15504.019042/201009 Acórdão n.º 9303004.234 CSRFT3 Fl. 1.939 4 § 2º Consideramse receitas derivadas das atividades próprias somente aquelas decorrentes de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por lei, assembléia ou estatuto, recebidas de associados ou mantenedores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao seu custeio e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais. (grifei) O STJ pronunciouse no recurso especial nº 1353111/RS, de relatoria do Ministro Mauro Campbell Marques, publicado em 18/12/2015 no Diário de Justiça Eletrônico, no sentido de reconhecer aplicável a isenção da Cofins, prevista no art. 14, X, da Medida Provisória n. 1.858/99 (atual MP n. 2.15835/ 2001), sobre as receitas decorrentes de atividades próprias das entidades sem fins lucrativos e da ilegalidade da IN nº 247/2002, conforme a ementa abaixo, in verbis: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. COFINS. CONCEITO DE RECEITAS RELATIVAS ÀS ATIVIDADES PRÓPRIAS DAS ENTIDADES SEM FINS LUCRATIVOS PARA FINS DE GOZO DA ISENÇÃO PREVISTA NO ART. 14, X, DA MP N. 2.15835/ 2001. ILEGALIDADE DO ART. 47, II E § 2º, DA INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF N. 247/2002. SOCIEDADE CIVIL EDUCACIONAL OU DE CARÁTER CULTURAL E CIENTÍFICO. MENSALIDADES DE ALUNOS. 1. A questão central dos autos se refere ao exame da isenção da COFINS, contida no art. 14, X, da Medida Provisória n. 1.858/99 (atual MP n. 2.15835/ 2001), relativa às entidades sem fins lucrativos, a fim de verificar se abrange as mensalidades pagas pelos alunos de instituição de ensino como contraprestação desses serviços educacionais. O presente recurso representativo da controvérsia não discute quaisquer outras receitas que não as mensalidades, não havendo que se falar em receitas decorrentes de aplicações financeiras ou decorrentes de mercadorias e serviços outros (vg. estacionamentos pagos, lanchonetes, aluguel ou taxa cobrada pela utilização de salões, auditórios, quadras, campos esportivos, dependências e instalações, venda de ingressos para eventos promovidos pela entidade, receitas de formaturas, excursões, etc.) prestados por essas entidades que não sejam exclusivamente os de educação. 2. O parágrafo § 2º do art. 47 da IN 247/2002 da Secretaria da Receita Federal ofende o inciso X do art. 14 da MP n° 2.15835/ 01 ao excluir do conceito de "receitas relativas às atividades próprias das entidades", as contraprestações pelos serviços próprios de educação, que são as mensalidades escolares recebidas de alunos. 3. Isto porque a entidade de ensino tem por finalidade precípua a prestação de serviços educacionais. Tratase da sua razão de existir, do núcleo de suas atividades, do próprio serviço para o qual foi instituída, na expressão dos artigos 12 e 15 da Lei n.º 9.532/97. Nessa toada, não há como compreender que as Fl. 1939DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 13/10/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 15504.019042/201009 Acórdão n.º 9303004.234 CSRFT3 Fl. 1.940 5 receitas auferidas nessa condição (mensalidades dos alunos) não sejam aquelas decorrentes de "atividades próprias da entidade", conforme o exige a isenção estabelecida no art. 14, X, da Medida Provisória n. 1.858/99 (atual MP n. 2.15835/ 2001). Sendo assim, é flagrante a ilicitude do art. 47, §2º, da IN/SRF n. 247/2002, nessa extensão. 4. Precedentes do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF: Processo n. 19515.002921/200639, Acórdão n. 20312738, 3ª TURMA / CSRF / CARF / MF / DF, Rel. Cons. Rodrigo Cardozo Miranda, publicado em 11/03/2008; Processo n. 10580.009928/200461, Acórdão n. 3401002.233, 1ªTO / 4ª CÂMARA / 3ª SEJUL / CARF / MF, Rel. Cons. Emanuel Carlos Dantas de Assis, publicado em 16/08/2013; Processo n. 10680.003343/200591, Acórdão n. 3201001.457, 1ªTO / 2ª CÂMARA / 3ª SEJUL / CARF / MF, Rel. Cons. Mércia Helena Trajano Damorim, Rel. designado Cons. Daniel Mariz Gudiño, publicado em 04/02/2014; Processo n. 13839.001046/200558, Acórdão n. 3202000.904, 2ªTO / 2ª CÂMARA / 3ª SEJUL / CARF / MF. Rel. Cons. Thiago Moura de Albuquerque Alves, publicado em 18/11/2013; Processo n. 10183.003953/200414 acórdãos 930301.486 e 9303001.869, 3ª TURMA / CSRF, Rel. Cons. Nanci Gama, julgado em 30.05.2011; Processo n. 15504.019042/201009, Acórdão 3403002.280, 3ªTO / 4ª CÂMARA / 3ª SEJUL / CARF / MF, Rel. Cons. Ivan Allegretti, publicado em 01/08/2013; Processo: 10384.003726/200775, Acórdão 3302001.935, 2ªTO / 3ª CÂMARA / 3ª SEJUL / CARF / MF, Rel. Cons. Fabiola Cassiano Keramidas, publicado em 04/03/2013; Processo: 15504.019042/201009, Acórdão 3403002.280, 3ªTO / 4ª CÂMARA / 3ª SEJUL / CARF / MF, Rel. Cons. Ivan Allegretti, julgado em 25.06.2013; Acórdão 9303001.869, Processo: 19515.002662/200484, 3ª TURMA / CSRF / CARF / MF, Rel. Cons. Julio Cesar Alves Ramos, Sessão de 07/03/2012. 5. Precedentes em sentido contrário: AgRg no REsp 476246/RS, 2ª Turma, Rel. Min. Humberto Martins, DJ 12/11/2007, p. 199; AgRg no REsp 1145172/RS, 2ª Turma, Rel. Min. Humberto Martins, DJe 29/10/2009; Processo: 15504.011242/201013, Acórdão 3401002.021, 1ªTO / 4ª CÂMARA / 3ª SEJUL / CARF / MF, Rel. Cons. Odassi Guerzoin Filho, publicado em 28/11/2012; Súmula n. 107 do CARF: "A receita da atividade própria, objeto de isenção da COFINS prevista no art. 14, X, c/c art. 13, III, da MP n. 2.15835, de 2001, alcança as receitas obtidas em contraprestação de serviços educacionais prestados pelas entidades de educação sem fins lucrativos a que se refere o art. 12 da Lei n. 9.532, da 1997". 6. Tese julgada para efeito do art. 543C, do CPC: as receitas auferidas a título de mensalidades dos alunos de instituições de ensino sem fins lucrativos são decorrentes de "atividades próprias da entidade", conforme o exige a isenção estabelecida no art. 14, X, da Medida Provisória n. 1.858/99 (atual MP n. 2.15835/ 2001), sendo flagrante a ilicitude do art. 47, §2º, da IN/SRF n. 247/2002, nessa extensão. Fl. 1940DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 13/10/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 15504.019042/201009 Acórdão n.º 9303004.234 CSRFT3 Fl. 1.941 6 7. Recurso especial não provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1353111/RS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 23/09/2015, DJe 18/12/2015) (grifouse) Esta decisão proferida pela sistemática dos recursos repetitivos (art. 543C do Código de Processo Civil de 1973, então vigente), é de observância obrigatória por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, nos termos do art. 62, § 2º, do Anexo II à Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, que aprovou o seu Regimento Interno, com redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016. Nessa mesma linha, a matéria encontrase, hoje, pacificada pela jurisprudência do CARF, consolidada na Súmula nº 107 de Enunciado: A receita da atividade própria, objeto da isenção da Cofins prevista no art. 14, X, c/c art. 13, III, da MP nº 2.15835, de 2001, alcança as receitas obtidas em contraprestação de serviços educacionais prestados pelas entidades de educação sem fins lucrativos a que se refere o art. 12 da Lei nº 9.532, de 1997. Assim, nesse contexto, entendo que as receitas que remanesceram no presente processo após a decisão de primeira instância são decorrentes da atividade própria da recorrente, em consonância ao seu objeto social, mormente as receitas obtidas pela contraprestação de atividades educacionais. Pelo exposto, voto por negar provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 1941DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 13/10/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 10183.002696/2007-46
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Nov 24 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jan 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2003, 2004, 2005
ARL. ÁREA DE RESERVA LEGAL. AUSÊNCIA DE AVERBAÇÃO.
Para que a propriedade, o domínio útil ou a posse de área classificada como ARL não caracterize hipótese de incidência do imposto é necessário que o imóvel rural preencha as condições, no presente caso, previstas na então vigente Lei nº 4.771/65.
Averbação das áreas de Reserva Legal é exigência prevista no art. 16, §8º da Lei nº 4.771/65, trata-se de requisito constitutivo da referida área e como decorrência lógica de ato imprescindível para efeito de redução do valor a pagar do ITR.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9202-004.624
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento.
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2003, 2004, 2005 ARL. ÁREA DE RESERVA LEGAL. AUSÊNCIA DE AVERBAÇÃO. Para que a propriedade, o domínio útil ou a posse de área classificada como ARL não caracterize hipótese de incidência do imposto é necessário que o imóvel rural preencha as condições, no presente caso, previstas na então vigente Lei nº 4.771/65. Averbação das áreas de Reserva Legal é exigência prevista no art. 16, §8º da Lei nº 4.771/65, trata-se de requisito constitutivo da referida área e como decorrência lógica de ato imprescindível para efeito de redução do valor a pagar do ITR. Recurso Especial do Contribuinte Negado.
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Recorrente AGRO PECUARIA COMERCIAL E INDUSTRIAL CAARAPÓ S.A. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2003, 2004, 2005 ARL. ÁREA DE RESERVA LEGAL. AUSÊNCIA DE AVERBAÇÃO. Para que a propriedade, o domínio útil ou a posse de área classificada como ARL não caracterize hipótese de incidência do imposto é necessário que o imóvel rural preencha as condições, no presente caso, previstas na então vigente Lei nº 4.771/65. Averbação das áreas de Reserva Legal é exigência prevista no art. 16, §8º da Lei nº 4.771/65, tratase de requisito constitutivo da referida área e como decorrência lógica de ato imprescindível para efeito de redução do valor a pagar do ITR. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 00 26 96 /2 00 7- 46 Fl. 656DF CARF MF 2 Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório Tratase de auto de infração lavrado contra o Contribuinte e por meio do qual se exige a complementação do pagamento do Imposto Territorial Rural ITR relativo ao exercício de 2003, 2004 e 2005. Segundo apurado, o contribuinte mesmo intimado não logrou êxito em comprovar (descrição dos fatos fl. 08): Exercício 2003 e 2004: a) áreas de preservação permanente, b) área de utilização limitada, c) área de manejo sustentado para exploração extrativa e cronograma físicofinanceiro previsto no plano. Exercício 2005: a) áreas de preservação permanente, b) área de reserva legal, c) área declarada como de benfeitorias úteis e necessárias destinadas à atividade rural, d) por meio de laudo de avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14653 da ABNT, o valor da terra nua declarado. Assim cobrase o imposto sobre o valor total da área apurada, qual seja, 168.726,3ha. Em sua impugnação (fls. 27) o Contribuinte arguiu: 1) que a área de preservação permanente foi totalmente declarada no respectivo ADA; 2) quanto a área de utilização limitada (reserva legal), a sua comprovação existe tanto no ADA, como nas certidões das matrículas extraídas do Cartório do 6° Oficio da cidade de Cuiabá (MT) e do Laudo Técnico. 3) com relação a área de exploração extrativa, a Impugnante tem 7.975,4326 hectares com Plano de Manejo Florestal Sustentado, derivado dos protocolos de PMFS n.'s 0507/9962, 0508/9925 e 2.701/87. 4) no tocante a área de benfeitoria, Laudo Técnico Agropecuário nos itens 7.9 e 10.7, comprova que a mencionada área está perfeitamente em consonância com o Documento de Informação e Apuração do ITR (DIAT), e 5) discorda do valor arbitrado para terra nua, dos acréscimos legais, multa e juros de mora (SELIC) constantes do auto de infração. Segundo entendimento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (fls. 163) para a exclusão da tributação sobre áreas de preservação permanente e/ou de utilização limitada, além de comprovação efetiva da existência dessas áreas, é necessário o reconhecimento específico pelo IBAMA ou órgão estadual competente, mediante Ato Fl. 657DF CARF MF Processo nº 10183.002696/200746 Acórdão n.º 9202004.624 CSRFT2 Fl. 657 3 Declaratório Ambiental (ADA) protocolado no prazo previsto na legislação tributária, destacando que considerase reserva legal apenas a área devidamente averbada como tal à margem da matrícula do imóvel na data do respectivo fato gerador. A DRJ defende que o ônus quanto a existência da área de benfeitorias declaradas e quanto ao Valor da Terra Nua é do contribuinte e que somente pode ser considerada como de exploração extrativa a área explorada com produtos vegetais, objeto de plano de manejo sustentado, e desde que esse tenha sido aprovado pelo IBAMA até 31 de dezembro do ano anterior ao de ocorrência do fato gerador do ITR e cujo cronograma esteja sendo cumprido pelo contribuinte. Assim foi mantido em parte o lançamento, admitindose diante dos comprovantes apresentados, com relação aos Exercícios 2003 e 2004, a isenção sobre a área de reserva legal de 74.115,4 ha. e, para o Exercício 2005, a área de reserva legal passou a ser 75.765,4 ha. Tal decisão trouxe reflexos para a apuração do VTN o qual também foi ajustado pela decisão da DRJ. Da decisão foi apresentado recurso de ofício e recurso voluntário (fls. 179). Em seu Recurso Voluntário o contribuinte reitera seus argumento de defesa, especialmente em relação: a dispensa de apresentação de ADA haja vista as alterações promovidas pela Medida Provisória nº 2.16667/2001 no art. 10 da Lei nº 9.393/96. Após o retorno dos autos da diligência proposta pelo Colegiado competente, os recursos foram julgados por meio do acórdão nº 210201.278. A 1ª Câmara/ 2ª Turma Ordinária da Segunda Secção de Julgamento (fls. 217), negou provimento ao Recurso de Ofício e deu provimento parcial ao Recurso Voluntário para reconhecer, para fins de cálculo do ITR devido, a área de preservação permanente de 34.400,0 ha, para os exercícios 2003 a 2005, e a área ocupada com benfeitorias de 2.000,0 ha, para o exercício 2005. Referido acórdão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2003, 2004, 2005 ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO. ADA. Devese reconhecer, para fins de cálculo do ITR devido, as áreas de reserva legal averbadas à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente e informadas em Ato Declaratório Ambiental (ADA). ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. COMPROVAÇÃO. LAUDO. Devese reconhecer, para fins de cálculo do ITR devido, as áreas de preservação permanente, informadas em Ato Declaratório Ambiental (ADA), cuja existência seja confirmada mediante apresentação de laudo técnico, elaborado por engenheiro agrônomo, acompanhado de anotação de responsabilidade técnica (ART). ÁREA OCUPADA COM BENFEITORIAS. COMPROVAÇÃO. LAUDO. Fl. 658DF CARF MF 4 Acolhese, para fins de cálculo do ITR devido, área ocupada com benfeitorias, cuja existência seja confirmada mediante apresentação de laudo técnico, elaborado por engenheiro agrônomo, acompanhado de anotação de responsabilidade técnica (ART). ÁREA DE EXPLORAÇÃO EXTRATIVA. PLANO DE MANEJO SUSTENTADO. Somente pode ser considerada área de exploração extrativa, sem aplicação de índices de rendimento por produto, a área do imóvel rural explorada com produtos vegetais extrativos, mediante plano de manejo sustentado aprovado pelo IBAMA até o dia 31 de dezembro do ano anterior ao de ocorrência do fato gerador do ITR, e cujo cronograma esteja sendo cumprido pelo contribuinte. VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO. O arbitramento do VTN, apurado com base nos valores do Sistema de Preços de Terra (SIPT), deve prevalecer sempre que o contribuinte deixar de comprovar o VTN informado na Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (DITR). por meio de laudo de avaliação, elaborado nos termos da NBRABNT 146533. RO Negado e RV Provido em Parte. Contribuinte apresentou Embargos de Declaração (fls. 251) alegando omissão do julgado em relação aos questionamentos feitos sobre acréscimos ilegais supostamente constantes do lançamento. O recurso que foi acolhido, sem efeitos infringentes. Inconformada a Fazenda Nacional interpôs recurso especial de divergência (fls. 271) ao qual foi negado seguimento nos termos do respectivo despacho de admissibilidade. Foi interposto Recurso Especial pelo Contribuinte o qual foi recebido apenas em relação a matéria: necessidade de averbação da Área de Reserva Legal na matrícula do imóvel para fins de isenção do ITR. Citando como paradigmas os acórdão nº CSRF/0304.325 e CSRF/0304.792, afirma o Recorrente que não existe necessidade de averbação da área de reserva legal para fins de sua exclusão da base de cálculo do ITR, bastando somente a afirmação do sujeito passivo. Em contrarrazões a Fazenda Nacional requer seja negado provimento ao Recurso Voluntário afirmando, com base na jurisprudência do STJ e no art. 16 da Lei nº 4.771/65, ser a averbação no registro do imóvel requisito imprescindível à caracterização de áreas de reserva legal. É o relatório. Voto Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Fl. 659DF CARF MF Processo nº 10183.002696/200746 Acórdão n.º 9202004.624 CSRFT2 Fl. 658 5 Conforme exposto no relatório, o objeto do recurso é a discussão acerca da necessidade de averbação no registro do imóvel das áreas classificadas como de Reserva legal para fins do cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, nos termos do art. 10, §1º inciso II, 'a' da Lei nº 9.393/96, que até 1º de janeiro de 2013, possuía a seguinte redação: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: (...) II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; (...) Sabese que o ITR, previsto no art. 153, VI da Constituição Federal e no art. 29 do CTN, é imposto de apuração anual que possui como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana de município, em 1º de janeiro de cada ano. Analisando as característica da base de cálculo eleita pelo legislador conjuntamente com o teor do art. 10 da Lei nº 9.393/96 é possível concluir fato que coaduna com a característica extrafiscal do ITR, que somente há interesse da União que sejam tributadas áreas tidas como produtivas/aproveitáveis, havendo ainda uma preocupação em se favorecer aqueles que um vez tolhidos do exercício pleno de sua propriedade sejam ainda mais onerados pela incidência de um tributo. As áreas caracterizadas como de preservação permanente e de reserva legal diante das limitações que lhe são impostas, por expressa determinação legal são excluídas do cômputo do VTN – Valor da Terra Nua, montante utilizado para a obtenção da base de cálculo do ITR. Por essa razão, no entendimento desta Relatora, o inciso II acima citado ao conceituar “área tributável” não prevê uma isenção, ele nos traz na verdade uma hipótese de não incidência do ITR. Entretanto, para que a propriedade, o domínio útil ou a posse dessas áreas não caracterize fato gerador do imposto é necessário que o imóvel rural preencha as condições, no presente caso, previstas na então vigente Lei nº 4.771/65. As características da Área de Preservação Permanente e da Área de Reserva Legal estavam descritas, respectivamente no art. 2º (com redação dada pela Lei nº 7.803/89) e 16 (com redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) do Código Florestal de 1965: Art. 2° Consideramse de preservação permanente, pelo só efeito desta Lei, as florestas e demais formas de vegetação natural situadas: Fl. 660DF CARF MF 6 a) ao longo dos rios ou de qualquer curso d'água desde o seu nível mais alto em faixa marginal cuja largura mínima será: 1 de 30 (trinta) metros para os cursos d'água de menos de 10 (dez) metros de largura; 2 de 50 (cinquenta) metros para os cursos d'água que tenham de 10 (dez) a 50 (cinquenta) metros de largura; 3 de 100 (cem) metros para os cursos d'água que tenham de 50 (cinquenta) a 200 (duzentos) metros de largura; 4 de 200 (duzentos) metros para os cursos d'água que tenham de 200 (duzentos) a 600 (seiscentos) metros de largura; 5 de 500 (quinhentos) metros para os cursos d'água que tenham largura superior a 600 (seiscentos) metros; b) ao redor das lagoas, lagos ou reservatórios d'água naturais ou artificiais; c) nas nascentes, ainda que intermitentes e nos chamados "olhos d'água", qualquer que seja a sua situação topográfica, num raio mínimo de 50 (cinquenta) metros de largura; d) no topo de morros, montes, montanhas e serras; e) nas encostas ou partes destas, com declividade superior a 45°, equivalente a 100% na linha de maior declive; f) nas restingas, como fixadoras de dunas ou estabilizadoras de mangues; g) nas bordas dos tabuleiros ou chapadas, a partir da linha de ruptura do relevo, em faixa nunca inferior a 100 (cem) metros em projeções horizontais; h) em altitude superior a 1.800 (mil e oitocentos) metros, qualquer que seja a vegetação. i) nas áreas metropolitanas definidas em lei. Parágrafo único. No caso de áreas urbanas, assim entendidas as compreendidas nos perímetros urbanos definidos por lei municipal, e nas regiões metropolitanas e aglomerações urbanas, em todo o território abrangido, obervarseá o disposto nos respectivos planos diretores e leis de uso do solo, respeitados os princípios e limites a que se refere este artigo. (...) Art. 16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) (Regulamento) Fl. 661DF CARF MF Processo nº 10183.002696/200746 Acórdão n.º 9202004.624 CSRFT2 Fl. 659 7 I oitenta por cento, na propriedade rural situada em área de floresta localizada na Amazônia Legal; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) II trinta e cinco por cento, na propriedade rural situada em área de cerrado localizada na Amazônia Legal, sendo no mínimo vinte por cento na propriedade e quinze por cento na forma de compensação em outra área, desde que esteja localizada na mesma microbacia, e seja averbada nos termos do § 7o deste artigo; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) III vinte por cento, na propriedade rural situada em área de floresta ou outras formas de vegetação nativa localizada nas demais regiões do País; e (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) IV vinte por cento, na propriedade rural em área de campos gerais localizada em qualquer região do País. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) § 1o O percentual de reserva legal na propriedade situada em área de floresta e cerrado será definido considerando separadamente os índices contidos nos incisos I e II deste artigo. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) § 2o A vegetação da reserva legal não pode ser suprimida, podendo apenas ser utilizada sob regime de manejo florestal sustentável, de acordo com princípios e critérios técnicos e científicos estabelecidos no regulamento, ressalvadas as hipóteses previstas no § 3o deste artigo, sem prejuízo das demais legislações específicas. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) § 3o Para cumprimento da manutenção ou compensação da área de reserva legal em pequena propriedade ou posse rural familiar, podem ser computados os plantios de árvores frutíferas ornamentais ou industriais, compostos por espécies exóticas, cultivadas em sistema intercalar ou em consórcio com espécies nativas. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) § 4o A localização da reserva legal deve ser aprovada pelo órgão ambiental estadual competente ou, mediante convênio, pelo órgão ambiental municipal ou outra instituição devidamente habilitada, devendo ser considerados, no processo de aprovação, a função social da propriedade, e os seguintes critérios e instrumentos, quando houver: (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) I o plano de bacia hidrográfica; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) II o plano diretor municipal; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) Fl. 662DF CARF MF 8 III o zoneamento ecológicoeconômico; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) IV outras categorias de zoneamento ambiental; e (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) V a proximidade com outra Reserva Legal, Área de Preservação Permanente, unidade de conservação ou outra área legalmente protegida. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.166 67, de 2001) § 5o O Poder Executivo, se for indicado pelo Zoneamento Ecológico Econômico ZEE e pelo Zoneamento Agrícola, ouvidos o CONAMA, o Ministério do Meio Ambiente e o Ministério da Agricultura e do Abastecimento, poderá: (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) I reduzir, para fins de recomposição, a reserva legal, na Amazônia Legal, para até cinqüenta por cento da propriedade, excluídas, em qualquer caso, as Áreas de Preservação Permanente, os ecótonos, os sítios e ecossistemas especialmente protegidos, os locais de expressiva biodiversidade e os corredores ecológicos; e (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) II ampliar as áreas de reserva legal, em até cinqüenta por cento dos índices previstos neste Código, em todo o território nacional. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) § 6o Será admitido, pelo órgão ambiental competente, o cômputo das áreas relativas à vegetação nativa existente em área de preservação permanente no cálculo do percentual de reserva legal, desde que não implique em conversão de novas áreas para o uso alternativo do solo, e quando a soma da vegetação nativa em área de preservação permanente e reserva legal exceder a: (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) I oitenta por cento da propriedade rural localizada na Amazônia Legal; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) II cinqüenta por cento da propriedade rural localizada nas demais regiões do País; e (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) III vinte e cinco por cento da pequena propriedade definida pelas alíneas "b" e "c" do inciso I do § 2o do art. 1o. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) § 7o O regime de uso da área de preservação permanente não se altera na hipótese prevista no § 6o. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) § 8o A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) Fl. 663DF CARF MF Processo nº 10183.002696/200746 Acórdão n.º 9202004.624 CSRFT2 Fl. 660 9 § 9o A averbação da reserva legal da pequena propriedade ou posse rural familiar é gratuita, devendo o Poder Público prestar apoio técnico e jurídico, quando necessário. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) § 10. Na posse, a reserva legal é assegurada por Termo de Ajustamento de Conduta, firmado pelo possuidor com o órgão ambiental estadual ou federal competente, com força de título executivo e contendo, no mínimo, a localização da reserva legal, as suas características ecológicas básicas e a proibição de supressão de sua vegetação, aplicandose, no que couber, as mesmas disposições previstas neste Código para a propriedade rural. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) § 11. Poderá ser instituída reserva legal em regime de condomínio entre mais de uma propriedade, respeitado o percentual legal em relação a cada imóvel, mediante a aprovação do órgão ambiental estadual competente e as devidas averbações referentes a todos os imóveis envolvidos. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) Interpretando os dispositivos percebemos além das diferenças ecológicas existentes entre uma APP e uma ARL, uma diferença formal/procedimental na constituição dessas áreas. Em relação a Área de Preservação Permanente, salvo as hipóteses previstas no art. 3º da Lei nº 4.771/65 as quais requerem declaração do Poder Público para sua caracterização, nos demais casos estando área pleiteada localizada nos espaços selecionados pelo legislador, caracterizada estava pelo só efeito da lei, sem necessidade de cumprimento de qualquer outro requisito uma APP. Em contrapartida, por força dos §§4º e 8º do art. 16 para caracterização de uma Área de Reserva Legal, além dos requisitos ecológicos, exigiase i) aprovação prévia do Poder Público quanto a localização da área limitada e ainda ii) que essa área definida fosse devidamente averbada à margem da inscrição da matrícula do imóvel, averbação essa que era substituída por Termo de Ajustamento de Conduta nos casos em que o Contribuinte fosse apenas possuidor do bem. Faziase necessária a realização desses esclarecimentos, pois as diferenças formais apontadas traz impactos diretos no estudo dos requisitos para aplicação da não incidência do ITR especificamente acerca da necessidade de averbação prévia da área junto ao registro do imóvel. Ora, considerando a redação da Lei nº 4.771/65 afirmase que o ato de averbação em nada afeta a constituição de uma área de preservação permanente a qual existe e pode ser comprovada por qualquer meio capaz de demonstrar que aquele imóvel ou parte dele está localizado em áreas com a função ambiental de preservar os recursos hídricos, a paisagem, a estabilidade geológica, a biodiversidade, o fluxo gênico de fauna e flora, proteger o solo e assegurar o bemestar das populações humanas. A própria Receita Federal do Brasil nos documentos "Perguntas e Respostas do ITR" manifestava expressamente no sentido de a legislação do ITR não exigir a averbação da área de preservação permanente no Cartório de Registro de Imóveis. Fl. 664DF CARF MF 10 Por outro lado a necessidade de averbação das áreas de Reserva Legal é exigência prevista na própria Lei nº 4.771/65, razão pela qual filiome a corrente cujo entendimento é no sentido de ser a averbação requisito constitutivo da referida área. A averbação, precedida da outra exigência legal de ser a área reconhecida pelo poder público, é condição imprescindível para a existência da Área de Reserva Legal, sendo que tal fato nos leva a conclusão lógica de que para fins de cálculo do ITR tal averbação deve ser anterior ao fato gerador. O Superior Tribunal de Justiça já pacificou o citado entendimento, valendo citar parte do voto proferido pelo Ministro Benedito Gonçalves, no RESP nº 1.125.632PR: Ao contrário da área de preservação permanente, para as áreas de reserva legal a legislação traz a obrigatoriedade de averbação na matrícula do imóvel. Tal exigência se faz necessária para comprovar a área de preservação destinada à reserva legal. Assim, somente com a averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel é que se poderia saber, com certeza, qual parte do imóvel deveria receber a proteção do art. 16, § 8º, do Código Florestal (...) Assim, considerado que a norma de apuração do ITR prevista no art. 10, §1º inciso II, 'a' da Lei nº 9.393/96 a qual nos remete aos conceitos e requisitos da então nº Lei nº 4.771/65 podemos afirmar que a averbação da área delimitada pelo Poder Público no registro do imóvel em data anterior a ocorrência do fato gerador é requisito essencial para fim de não incidência do ITR sobre as áreas tidas como de Reserva Legal. Diante do exposto, nego provimento ao recurso do Contribuinte. (Assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 665DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.007200/2004-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Oct 20 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1998
IRPF. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. TITULAR DAS CONTAS BANCÁRIAS FALECIDO ANTES DO INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. LANÇAMENTO LAVRADO CONTRA O ESPÓLIO. IMPOSSIBILIDADE.
O artigo 42 da Lei n° 9.430/96 encerra uma presunção de omissão de rendimentos que se aplica quando o contribuinte, devidamente intimado, não comprova mediante documentação hábil e idônea a origem dos valores creditados em conta de depósito ou de investimento de que seja titular.
A responsabilidade pela comprovação da origem dos recursos, para efeito do disposto no artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996, por ser uma obrigação personalíssima, deve ser imputada, exclusivamente, ao titular de direito c/ou de fato da conta-corrente. Portanto, não há como imputar ao espólio a obrigação de comprovar depósitos bancários feitos época em que o contribuinte titular da conta-corrente era vivo.
Numero da decisão: 2202-003.578
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA - Presidente.
(Assinado digitalmente)
DILSON JATAHY FONSECA NETO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar, Wilson Antônio de Souza Correa (Suplente convocado) e Márcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: DILSON JATAHY FONSECA NETO
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PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. TITULAR DAS CONTAS BANCÁRIAS FALECIDO ANTES DO INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. LANÇAMENTO LAVRADO CONTRA O ESPÓLIO. IMPOSSIBILIDADE. O artigo 42 da Lei n° 9.430/96 encerra uma presunção de omissão de rendimentos que se aplica quando o contribuinte, devidamente intimado, não comprova mediante documentação hábil e idônea a origem dos valores creditados em conta de depósito ou de investimento de que seja titular. A responsabilidade pela comprovação da origem dos recursos, para efeito do disposto no artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996, por ser uma obrigação personalíssima, deve ser imputada, exclusivamente, ao titular de direito c/ou de fato da contacorrente. Portanto, não há como imputar ao espólio a obrigação de comprovar depósitos bancários feitos época em que o contribuinte titular da contacorrente era vivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 72 00 /2 00 4- 14 Fl. 331DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 15/1 0/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIV EIRA BARBOSA 2 (Assinado digitalmente) DILSON JATAHY FONSECA NETO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar, Wilson Antônio de Souza Correa (Suplente convocado) e Márcio Henrique Sales Parada. Relatório Tratase, em breves linhas, de auto de infração lavrado em desfavor do Recorrente pela identificação de depósitos bancários de origem não comprovada. Intimado, o Contribuinte apresentou impugnação, que foi julgada improcedente pela DRJ. Novamente intimado, interpôs Recurso Voluntário. Chegando ao CARF, foi determinada realização de diligência, que já foi devidamente concluída. Feito o breve resumo, passamos ao relato pormenorizado. Conforme o Termo de Verificação Fiscal (fls. 11/15), a fiscalização decorreu de quebra de sigilo bancário por determinação da justiça criminal. A inventariante, por sua vez, foi intimada do Termo de Início de Ação Fiscal (fls. 24/25) em 26/07/2004 (fl. 26), na qual foi solicitada a comprovação da origem dos depósitos feitos em favor do Contribuinte em 1998. Após uma série de respostas do Contribuinte e de intimações fiscais, a autoridade fiscalizadora lançou, em 10/12/2004, auto de infração (fl. 5/9) em desfavor do Espólio de Airton de Almeira Rezende para constituir IRPF no valor de R$ 267.762,79, além de juros e multa, pela identificação da seguinte infração: “DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA Omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósito ou de investimento, mantidas em instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme detalhado no Termo de Verificação Fiscal, parte integrante e inseparável do presente feito administrativo.” – fl. 6 Intimado do lançamento, o Contribuinte apresentou Impugnação (fls. 264/176). Levada a julgamento em 1º grau, a DRJ proferiu o acórdão nº 1729.521 (fls. 278/292), que restou assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Fl. 332DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 15/1 0/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIV EIRA BARBOSA Processo nº 10830.007200/200414 Acórdão n.º 2202003.578 S2C2T2 Fl. 332 3 Anocalendário: 1998 PRELIMINAR. DECADÊNCIA. Preliminar que se afasta tendo em vista que, tratandose de lançamento ex officio, a regra aplicável na contagem do prazo decadencial é a estatuída pelo art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, iniciandose o prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. PRELIMINAR. APLICAÇÃO DA LEI NO TEMPO. Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A Lei n° 9.430/1.996, no seu art. 42, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que impõe o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. Lançamento Procedente” Intimado da decisão em 26/02/2009 (fl. 298), o Contribuinte protocolou Recurso Voluntário em 30/03/2009 (fls. 299/308), argumentando, em síntese: · Que é inconstitucional e ilegal a quebra do sigilo bancário; · Que não é possível aplica retroativamente as regras da Lei nº 10.174/2001; · Que a decisão recorrida foi omissa, ao deixar de apreciar os argumentos de comprovação da origem dos depósitos; · Que houve decadência do direito de lançar; · Que a identificação de depósitos bancários não é suficiente para configurar a ocorrência de renda; e · Que o Contribuinte comprovou a origem de parte dos depósitos, os quais não foram excluídos da base de cálculo do lançamento. Chegando os autos ao e.CARF, foi proferida a Resolução nº 2202000.585 (fls. 314/318), de 17/07/2014, determinando a conversão do julgamento em diligência para que fosse juntada a certidão de óbito do de cujus, possibilitando a identificação da data do falecimento do mesmo. Explicou que: “É assente a jurisprudência nessa Câmara de que a presunção estabelecida no artigo 42 da Lei 9.430/96 tem natureza Fl. 333DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 15/1 0/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIV EIRA BARBOSA 4 personalíssima e intransmissível, portanto, a obrigação deve recair exclusivamente sobre a pessoa do sujeito passivo, ou seja, o efetivo titular dos depósitos bancários objeto de autuação no período fiscalizado.” – fl. 317/318. Intimado em 06/10/2014 (fl. 325), o Recorrente apresentou a referida certidão em 17/10/2014 (fl. 326/327), atestando que o Sr. Airton de Almeida Rezende faleceu em 21/09/2000. É o relatório. Voto Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Da nulidade do lançamento: Conforme o relatório supra, o auto de infração ora combatido constituiu IRPF referente ao anocalendário de 1998. Por sua vez, a fiscalização teve início em 2004, sendo intimada a inventariante. Enfim, do resultado da diligência determinada por este e.CARF, restou comprovado que o Contribuinte faleceu em 2000, antes, portanto, do início da fiscalização. A verdade é que o art. 42 da Lei nº 9.430/1996 estabelece uma presunção (relativa) em favor do fisco, invertendo o ônus da prova. Por meio dele, cabe ao Contribuinte comprovar que os recursos depositados em suas contas bancárias representam a renda declarada ou que não representam renda. Para que se configure a presunção, entretanto, é necessário que se observe todos os requisitos estabelecidos no referido comando legal: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Percebese, portanto, que a presunção somente será observada quando o titular da conta bancária for intimado, antes do lançamento, para comprovar a origem dos recursos. A situação concreta, entretanto, apresenta um obstáculo intransponível: os depósitos bancários ocorreram em 1998; o titular da conta bancária faleceu em 2000; e a fiscalização tributária teve início em 2004. Logo, não apenas o titular da conta não foi como efetivamente nem poderia ser intimado a comprovar a origem dos recursos depositados ou creditados em suas contas bancárias. Consequentemente, não foi nem poderia ser adimplido o requisito para a configuração da presunção em desfavor do sujeito passivo, sendo inaplicável, portanto, o art. 42 da Lei nº 9.430/1996 ao caso concreto. Fl. 334DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 15/1 0/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIV EIRA BARBOSA Processo nº 10830.007200/200414 Acórdão n.º 2202003.578 S2C2T2 Fl. 333 5 A questão já foi analisada diversas vezes nesse e.CARF. Concluiuse que a obrigação de comprovar a origem dos recursos depositados ou creditados na conta bancária é personalíssima. Logo, se os recursos foram depositados enquanto o sujeito passivo era vivo, não se transfere para seus herdeiros o ônus de comprovar a sua origem. A Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) tem jurisprudência consolidada nesse sentido: Acórdão CSRF nº 9202002.598, de 07/03/2013: IRPF PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA TITULAR DAS CONTAS BANCÁRIAS FALECIDO ANTES DO INÍCIO DA AÇÃO FISCAL LANÇAMENTO LAVRADO CONTRA O ESPÓLIO IMPOSSIBILIDADE. O artigo 42 da Lei n° 9.430/96 encerra uma presunção de omissão de rendimentos que se aplica quando o contribuinte, devidamente intimado, não comprova mediante documentação hábil e idônea a origem dos valores creditados em conta de depósito ou de investimento de que seja titular. A responsabilidade pela comprovação da origem dos recursos, para efeito do disposto no artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996, por ser uma obrigação personalíssima, deve ser imputada, exclusivamente, ao titular de direito c/ou de fato da conta corrente. Portanto, não há como imputar ao espólio a obrigação de comprovar depósitos bancários feitos época em que o contribuinte titular da contacorrente era vivo. Acórdão CSRF nº 920202.047, de 21/03/2012: IRPF PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA TITULAR DAS CONTAS BANCÁRIAS FALECIDO ANTES DO INÍCIO DA AÇÃO FISCAL LANÇAMENTO LAVRADO CONTRA O HERDEIRO IMPOSSIBILIDADE. O artigo 42 da Lei n° 9.430/96 encerra uma presunção de omissão de rendimentos que se aplica quando o contribuinte, devidamente intimado, não comprova mediante documentação hábil e idônea a origem dos valores creditados em conta de depósito ou de investimento de que seja titular. Contudo, para a formação desta presunção de omissão de rendimentos, devem estar presentes todos os elementos previstos no caput do artigo 42 da Lei n° 9.430/96, inclusive a intimação do titular ou dos titulares (e não do espólio ou do responsável) das contas bancárias, a quem cabe, com exclusividade, o ônus probandi. No caso, em razão do falecimento do titular das contas bancárias em momento anterior ao início da ação fiscal, não Fl. 335DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 15/1 0/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIV EIRA BARBOSA 6 pode prosperar o lançamento efetuado contra o herdeiro com fundamento no artigo 42 da Lei n° 9.430/96. Enfim, considerando que a autuação recaiu sobre exercício anterior ao falecimento do sujeito passivo, e que a fiscalização só teve início após o seu falecimento, então o auto de infração deve ser cancelado, porquanto fundamentado exclusivamente na presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/1996. Dispositivo: Diante de tudo quanto exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário para cancelar o auto de infração nos termos do voto. (assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto relator Fl. 336DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 15/1 0/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIV EIRA BARBOSA
score : 1.0
Numero do processo: 18471.002487/2004-16
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2000
RECURSO DE OFÍCIO. ALTERAÇÃO DO LIMITE DE ALÇADA.
Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância (súmula CARF nº 103).
Numero da decisão: 9202-004.521
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Gerson Macedo Guerra - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri
Nome do relator: GERSON MACEDO GUERRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri
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ALTERAÇÃO DO LIMITE DE ALÇADA. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância (súmula CARF nº 103). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatório Iniciouse o presente processo com a lavratura de Auto de Infração contra o contribuinte em epígrafe, para cobrança de IRPF, relativo ao ano calendário 1999, acrescido de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 24 87 /2 00 4- 16 Fl. 499DF CARF MF 2 multa e juros legais, diante da constatação de omissão de rendimentos, pela verificação de acréscimo patrimonial a descoberto, bem como de depósitos bancários com origem não comprovada. Inconformado com a autuação, o contribuinte apresentou regularmente Impugnação, que foi julgada parcialmente procedente, em sessão realizada em 04/05/2007 (Fl. 372). Assim sendo, tempestivamente, foi apresentado Recurso Voluntário pelo contribuinte e Recurso de Ofício pela autoridade fiscal. No julgamento dos Recursos Voluntário e de Ofício, a 1ª Turma Especial, da 2ª Seção de Julgamento deu provimento ao recurso do contribuinte, por unanimidade de votos, diante da verificação da decadência do direito da Fazenda realizar o lançamento, conforme ementa abaixo: Assunto: Imposto s o b r e a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2000 AJUSTE ANUAL. PRELIMINAR. DECADÊNCIA. A regra do art. 150, §4°, do CTN, deve ser adotada somente nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação. Preliminar Acolhida Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para acolher a preliminar de decadência, nos termos do voto da Relatora. Ao Recurso de Ofício foi negado seguimento, conforme se pode depreender da seguinte passagem do voto condutor do Acórdão: Inicialmente, no tocante ao recurso de ofício interposto, cumpre registrar que o imposto suplementar exonerado, acrescido de multa de ofício, conforme demonstrado às fls. 135, totalizou R$803.800,24, valor esse inferior ao atual limite de alçada, que é de R$1.000.000,00, nos termos da Portaria MF n° 3, de 3 de janeiro de 2008. Assim sendo, não preenchidos os requisitos de admissibilidade, negase prosseguimento ao recurso de ofício. Regularmente intimada da decisão a Fazenda Nacional, tempestivamente, apresentou Recurso Especial de divergência, visando rediscutir o não prosseguimento do Recurso de Ofício. Para demonstrar o cabimento de seu Recurso Especial trouxe como paradigma os Acórdãos de nº 180300.312 e 340300.078. Alega a União que, ao contrário do acórdão a quo, que privilegiou a norma processual vigente à época do julgamento pelo CARF, os acórdãos paradigmas assentaram que o juízo de admissibilidade recursal deve levar em conta a norma vigente na data em que foi praticado o ato processual. Fl. 500DF CARF MF Processo nº 18471.002487/200416 Acórdão n.º 9202004.521 CSRFT2 Fl. 500 3 Em suas razões, a União alega que a questão a ser discutida trata de hipótese de aplicação do direito intertemporal processual. Alega que, não resta dúvida de que a teoria geral do processo, que também rege o processo administrativo, ensina que é a norma em vigor à época da decisão recorrida que rege o juízo de admissibilidade recursal. Nessa esteira, conclui que o recurso de ofício atinge plenamente os requisitos de alçada, devendo ser conhecido, uma vez que o valor exonerado excedeu o limite de alçada vigente à época do julgamento de primeira instância (R$ 500.000,00). Na análise de admissibilidade, foi dado seguimento ao Recurso Especial interposto, dada a demonstrada divergência. Regularmente intimado, o Contribuinte apresentou contrarrazões, alegando, em apertada síntese: 1. Preliminarmente, nulidade da intimação a ele feita, posto que a peça recursal da União não integrou a intimação o que tolheu seu direito à defesa, na medida em que não teve conhecimento dos termos do recurso, apenas do exposto na decisão e análise de admissibilidade do recurso; assim, requereu que nova intimação fosse realizada, abrindo se novamente seu prazo de contrarrazões; 2. No mérito, alega que a decisão que reconheceu a decadência não foi enfrentada pela União, fazendo coisa julgada, não alcançável pelo Recurso de Ofício; 3. Alega ainda, que a Portaria que alterou o limite de alçada para fins de recurso de ofício é uma norma que beneficia o contribuinte, podendo, portanto, retroagir, a teor do artigo 106, II, c, do CTN. É o relatório. Voto Conselheiro Gerson Macedo Guerra, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, o Recurso deve ser conhecido. Conforme relatado, a questão a ser aqui debatida referese ao limite de alçada aplicável, para fins de conhecimento do recurso de ofício da Delegacia de Julgamento, se o limite vigente à época da decisão de primeira instância ou o limite instituído anteriormente à data da prolação do acórdão da turma julgadora do CARF. Tal questão se resolve por meio da súmula CARF nº 103, que assim dispõe: Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Fl. 501DF CARF MF 4 Importante frisar que, por ter sido a referida súmula aprovada pelo Pleno da CSRF somente em 08/12/2014, na data da elaboração do despacho de admissibilidade (25/05/2012), ainda não era possível verificar a possibilidade de aplicação do § 10 do art. 67 do Anexo II do anterior RICARF, este aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, de modo que o não merece reparo o despacho de admissibilidade do Recurso. De acordo com o art. 72, caput, do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, "[as] decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF".(g.n) Dessa forma, voto por negar provimento ao Recurso Especial de Divergência interposto pela União. (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Fl. 502DF CARF MF
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Numero do processo: 10665.000787/94-58
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Mon Aug 16 00:00:00 UTC 1999
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Decisão: RESOLVEM os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: Sergio Gomes velloso
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Numero do processo: 10882.001681/2003-50
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 03 00:00:00 UTC 2010
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E
CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO
PORTE - SIMPLES
Exercício: 2003
OPÇÃO, PERMISSIVO LEGAL. É permitida a opção pelo Simples à pessoa
jurídica que preste serviços de digitação e cobrança.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 1801-000.302
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
1.0 = *:*
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Exercício: 2003 OPÇÃO, PERMISSIVO LEGAL. É permitida a opção pelo Simples à pessoa jurídica que preste serviços de digitação e cobrança. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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Recorrida iiArtretit. ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Exercício: 200.3 OPÇÃO, PERMISSIVO LEGAL. É permitida a opção pelo Simples à pessoa jurídica que preste serviços de digitação e cobrança. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. ANA DE BARROS FERNANDES - Presidente CARMEN FERREIRA SARAIVA - Relatora EDITADO EM: 12 NOV 2010 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Maria de Lourdes Ramirez, André Almeida Blanco, Rogério Garcia Peres e Ana de Barros Fernandes. FAZENDA NACIONAL Relatório A Recorrente formalizou o Pedido de Inclusão Retroativa no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples, fl. 01, a partir de 28/03/2001, ou seja, início das atividades, ao argumento de que demonstrou sua intenção inequívoca de opção pela apresentação das DSPJ — Simples e efetivação dos pagamentos mensais por intermédio do Darf-Simples. Em conformidade com o Despacho Decisório, fls. 28/29, as informações relativas à opção pelo Simples foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido. Restou esclarecido que a Recorrente apresentou as DSP3 — Simples e efetivou os pagamentos mensais por intermédio do Darf-Simples, fls. 18/19 e 24/25. Entretanto ela se dedica à prestação de serviço vedado de "escritório e apoio administrativo" (inciso XIII do art. 9" da Lei n" 9.317, de 05 de dezembro de 1996). Cientificada em 20/06/2007, fl. 35, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade em 18/07/2007, fls. 36/38. Esclarece que demonstra sua intenção inequívoca de opção pela apresentação das DSPJ — Simples e efetivação dos pagamentos mensais por intermédio do Darf-Simples a partir 01/01/2002 (Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 16, de 02 de outubro de 2002). Informa que não exerce atividade impeditiva para o Simples. Conclui A empresa está convicta que não existe impedimento à sua opção pelo SIMPLES a partir de 28/03/2001 e aguarda que seja reconsiderado o parecer DRF/OSA/SECAT n 0 279/2007. Está registrado como resultado do Acórdão da la TURMA/DRJ/CAMPINAS/SP n° 05-18.819, de 17/08/2007, fls, 119/120: "Solicitação Indeferida". Restou esclarecido que A atividade da interessada, conforme está descrito em seu contrato social 39), diz "o objeto da sociedade será o desenvolvimento e manutenção de sistema de arquivos em geral". A profissão de arquivista é regulamentada pela Lei n° 6.546, de 4 de julho de 1978, e pelo Decreto e 82.590, de 06/11/1978. Assim sendo, a atividade de controle e organização de arquivo, por caracterizar a prestação de serviço profissional de arquivista, cujo exercício depende de habilitação legalmente exigida, impede a pessoa jurídica de optar pelo Simples, nos termos do art. 9°, inciso XIII, da Lei n°9.317. de 5 de dezembro de 1996. Assim, para que a empresa possa ser inclusa no Simples, torna- se imprescindível que novos elementos sejam juntados aos autos 2 Processo n° 10882 001681/2003-50 SI-TE01. Acórdão ri ° 1801-00302 El 241 (notas .fiscais) para que seja possível de,sconstituir a força impressa no seu ato constitutivo. Notificada em 14/09/2007 (sexta-feira), fl, 128, a Recorrente apresentou o recurso voluntário, fis, 129/131, em 15/10/2007, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade, Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge Pode-se verificar que todo a atividade desenvolvida pela empresa demonstra única e exclusivamente atividades que permitem a sua inclusão no Simples, sendo atividades que não necessitam de habilitação profissional. E é através destas atividades que é composta a totalidade da sua Receita linda, não se enquadrando portanto em nenhum dos impedimentos descritos pela Lei 9,317/96 e suas alterações ou em seus atos normativos as Secretaria d Receita Federal que regulamentam o acesso a SIMPLES. Conclui Diante do exposto, EMPRESA DE SERVIÇOS DM LTDA ME, pessoa jurídica de direito privado, constituiria sob a .forma de sociedade simples limitada, encontra-se desde a data de sua constituição nas condições previstas em lei que lhe permitiriam tal opção não incorrendo em nenhuma das vedações a opção do Simples ,federal, nos termos da Lei 9.317/96 A empresa está convicta que não existe impedimento à sua opção pelo SIMPLES e espera e requer que seja acolhido o presente recurso para o .fim de ser julgado procedente e que seja . feita a inclusão da empresa como optante pelo Simples a partir de 28/03/2001. É o Relatório. 62- 3 Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência. Assim, dele tomo conhecimento. A Recorrente discorda do procedimento de oficio. O tratamento diferenciado, simplificado e favorecido aplicável às microempresas e às empresas de pequeno porte relativo aos impostos e às contribuições estabelecido em cumprimento ao que determina o disposto no art. 179 da Constituição Federal de 1988 pode ser usufruído desde que as condições legais sejam preenchidas. O Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 16, de 02 de outubro de 2002, determina: Artigo único. O Delegado ou o Inspetor da Receita Federal, comprovada a ocorrência de erro de fato, pode retificar de oficio tanto o Termo de Opção (TO) quanto a Ficha Cadastral da Pessoa Jurídica (FCPJ) para a inclusão no Simples de pessoas jurídicas inscritas no Cadastro Nacional das Pessoas Jurídicas (CNPJ), desde que seja possível identificar a intenção inequívoca de o contribuinte aderir ao Simples, Parágrafo único., São instrumentos hábeis para se comprovar a intenção de aderir ao Simples os pagamentos mensais por intermédio do Documento de Arrecadação do Simples (Darf- Simples) e a apresentação da Declaração Anual Simplificada. Verifica-se que a Recorrente apresentou as DSPI — Simples e efetivou os pagamentos mensais por intermédio do Darf-Simples, fis. 18/19 e 24/25, a partir do ano- calendário de 2002. Cabe ressaltar que no ano-calendário de 2001 apresentou DSPJ — Inativa, fl. 03. Contudo, estas não são as únicas condições que devem ser implementadas pela Recorrente para que o seu pedido de inclusão retroativa seja deferido. No mérito, a questão litigiosa se restringe à solicitação de inclusão retroativa a partir de 28/03/2001. Cabe esclarecer que o tratamento diferenciado, simplificado e favorecido aplicável às microempresas e às empresas de pequeno porte relativo aos impostos e às contribuições estabelecido em cumprimento ao que determina o disposto no art. 179 da Constituição Federal de 1988 pode ser usufiuido desde que as condições legais sejam preenchidas. A Lei n°9.317, de 1996, fixa: Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica.: 4 Processo n' 10882 001681/2003-50 SI -TE01 Adm. dão n " 1801 -00302 El 242 XIII - que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, físico, químico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor, jornalista, publicitário, ,fisicultor, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida; O referido diploma legal impede a opção pelo Simples por parte das pessoas jurídicas: listados; - que prestem os serviços profissionais expressamente listados; - que prestem os serviços profissionais assemelhados àqueles expressamente - que prestem serviços profissionais não expressamente listados, cujo exercício dependa de habilitação legalmente exigida. A norma de regência adota a interpretação analógica que abrange casos semelhantes por ela regulados e não a analogia, que é uma forma de integração de normas para suprir lacunas. A hipótese de indeferimento da opção da requerente pelo Simples com efeito desde 28/0.3/2001 fundamentada na atividade de "desenvolvimento e manutenção de sistemas de arquivos" pode ser atinente à prestação de serviços profissionais de agenciador de cargas e pode pressupor a obtenção de receita proveniente da prestação de serviço profissional de arquivista, qualquer que seja a sua proporção em relação à totalidade auferida pela pessoa jurídica, A Lei n° 6,546, de 04 de julho de 1978, prevê: Art. 20_ São atribuições dos Arquivistas: - planejamento, organização e direção de serviços de Arquivo,' II - planejamento, orientação e acompanhamento do processo documental e informativo; III- planejamento, orientação e direção das atividades de identificação das espécies documentais e participação no planejamento de novos documentos e controle de multicópias; IV - planejamento, organização e direção de serviços ou centro de documentação e informação constituídos de acervos arquivísticos e mistos; V - planejamento, organização e direção de serviços de microfilmagem aplicada aos arquivos; VI - orientação do planejamento da automação aplicada aos arquivos; 5 VII - orientação quanto à classificação, arranjo e descrição de documentos,. VIII - orientação da avaliação e seleção de documentos, para .fins de preservação,' LX - promoção de medidas necessárias à conservação de documentos; X - elaboração de pareceres e trabalhos de complexidade sobre assuntos arquivísticos; XI - assessorarnento aos trabalhos de pesquisa cient(fica ou técnico-administrativa; XII - desenvolvimento de estudos sobre documentos culturalmente importantes, O Ato Declaratório (Normativo) COSIT n" 07, de 23 de maio de 2000, prevê: DECLARA, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados que é permitida a opção pelo SIMPLES às pessoas jurídicas que prestem serviços de cobranças, desde que essas cobranças sejam extrajudiciais. O Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 35, de 29 de dezembro de 2004, fixa: Artigo único, Pode optar pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) a pessoa jurídica que exerce atividade de instalação de programas de computador desenvolvidos por terceiros, desde que não demande conhecimentos de analista de sistemas ou programador e observados os demais requisitos legais, No Contrato Social, fls. 12/16, está consignado o seguinte objeto: Desenvolvimento e manutenção de sistemas em arquivos em geral. Os autos estão instruídos com a cópia do Livro de Registro de Notas Fiscais de Serviços Prestados, Es, 159/200 e 203/237, como também com as cópias das Notas Fiscais de Prestação de Serviços, Es, 139/158, nas quais estão discriminados: "serviços prestadas". No Contrato de Prestação de Serviços, fls. 137/138, em que a Recorrente figura como CONTRATADA, consta: A contratada prestará a contratante serviços de digitação, preenchimento de formulários, cadastro de clientes e cobranças de faturas. Analisando a legislação citada e o conjunto probatório produzido nos autos, verifica-se que não restou evidenciada, de forma inequívoca, que a Recorrente presta serviço profissional de arquivista. A Recorrente efetivamente se dedica a prestação de serviços de digitação e cobrança, cujas atividades são permitidas para o opção pelo Simples. Logo, a Recorrente deve ser incluída no Simples a partir de a partir de 01/01/2002. 6 Processo n° 10882001681/2003-50 Acórdão n ° 1801-00.302 SI-TE01 Fl 243 Em face do exposto voto dar provimento em parte ao recurso voluntário para incluir a Recorrente no Simples a partir de a _partir de 01/01/2002. CARMEN FERREIRA SARAIVA - Relatora 7
score : 1.0
Numero do processo: 11080.915896/2008-62
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 23 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jan 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2004 a 21/12/2004
IPI. RESSARCIMENTO. DOCUMENTAÇÃO IDÔNEA. DIREITO AO CRÉDITO.
Tendo sido confirmado em diligência a idoneidade da documentação que embasa o crédito objeto de Pedido de Ressarcimento, deve-se reconhecer o direito do contribuinte aproveitar o referido crédito no quanto alcançar o débito tributário constante nas compensações discutidas no presente processo.
Recurso Voluntário provido.
Numero da decisão: 3402-003.459
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório do valor constante das notas fiscais avaliadas pela diligência de fls. 123 dos autos.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
(Assinado com certificado digital)
Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/10/2004 a 21/12/2004 IPI. RESSARCIMENTO. DOCUMENTAÇÃO IDÔNEA. DIREITO AO CRÉDITO. Tendo sido confirmado em diligência a idoneidade da documentação que embasa o crédito objeto de Pedido de Ressarcimento, deve-se reconhecer o direito do contribuinte aproveitar o referido crédito no quanto alcançar o débito tributário constante nas compensações discutidas no presente processo. Recurso Voluntário provido.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
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secao_s : Terceira Seção De Julgamento
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório do valor constante das notas fiscais avaliadas pela diligência de fls. 123 dos autos. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim - Presidente. (Assinado com certificado digital) Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1605; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 111 1 110 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.915896/200862 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402003.459 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 23 de novembro de 2016 Matéria IPI Recorrente FRANKENBERG & CIA. LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2004 a 21/12/2004 IPI. RESSARCIMENTO. DOCUMENTAÇÃO IDÔNEA. DIREITO AO CRÉDITO. Tendo sido confirmado em diligência a idoneidade da documentação que embasa o crédito objeto de Pedido de Ressarcimento, devese reconhecer o direito do contribuinte aproveitar o referido crédito no quanto alcançar o débito tributário constante nas compensações discutidas no presente processo. Recurso Voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório do valor constante das notas fiscais avaliadas pela diligência de fls. 123 dos autos. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente. (Assinado com certificado digital) Thais De Laurentiis Galkowicz Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 58 96 /2 00 8- 62 Fl. 129DF CARF MF 2 Relatório O presente Processo Administrativo foi objeto da Resolução n. 310100.212 depois de sua chegada ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (“CARF”). Dessa forma, o caso já foi bem relatado pelo Conselheiro Corintho Oliveira Machado, antes de ser a mim redistribuído pelo fato de o Relator originário não mais integrar nenhum dos Colegiados da 3ª Seção. Desta feita, peço licença para tomar emprestadas as suas palavras sobre o histórico do processo: Adoto o relato do órgão julgador de primeiro grau até aquela fase: O contribuinte acima identificado transmitiu, em 15/02/2005, pedido de ressarcimento do saldo credor do IPI, cumulado com declaração de compensação (PER/DCOMP), no valor de R$ 10.054,27, apurado no 4º trimestre de 2004. Cópia do referido PER/DCOMP, de nº 27962.95407.150205.1.3.018576, foi juntada nas fls. 22/29. 2.A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Porto Alegre, pelo Despacho Decisório Eletrônico da fl. 17, emitido em 24/11/2008, indeferiu parcialmente o pedido de ressarcimento, reconhecendo o direito creditório no valor de R$ 677,50, e homologando as compensações até o limite do crédito reconhecido, em razão da glosa de créditos considerados indevidos, e também da constatação de que o saldo credor passível de ressarcimento é inferior ao valor pleiteado. 3.Dessa decisão o interessado foi cientificado em 05/12/2008 (cópia do Aviso de Recebimento na fl. 16). Irresignado, apresentou, tempestivamente, manifestação de inconformidade, fls. 02/04, firmada por procurador (instrumento de procuração na fl. 07), e instruída com os documentos das fls. 05/15, contra a decisão acima referida, alegando, em síntese, que houve erro no registro do CNPJ de fornecedor, constando o nº de inscrição da filial 0002, quando o correto seria informar o nº do CNPJ da matriz, que consta nas notas fiscais relacionadas na fl. 03 e anexadas nas fls. 09/15. Diz, ainda, que o engano formal, antes referido, não é motivo para a glosa dos créditos. Ao final, requer seja desconsiderada a glosa, bem como seja acolhido o pedido de compensação e o cancelamento do aviso de cobrança. 4.Pela Resolução nº 248, desta 3ª Turma de Julgamento, fl. 31/32, o julgamento foi convertido em diligência, solicitandose à DRF/Porto Alegre informações a respeito do ingresso e utilização dos produtos discriminados nas notas fiscais das fls. 09/15, e também de valores informados no PER/DCOMP. 4.1 Em resposta, informou a unidade jurisdicionante, pela Informação Fiscal da fl. 45, que houve ingresso dos produtos discriminados nas notas fiscais das fls. 09/15, que tais produtos foram utilizados no processo produtivo, e que o valor informado no PER/DCOMP como “outros débitos” referese a ressarcimento de créditos. Fl. 130DF CARF MF Processo nº 11080.915896/200862 Acórdão n.º 3402003.459 S3C4T2 Fl. 112 3 A DRJ em PORTO ALEGRE/RS julgou parcialmente procedente a manifestação de inconformidade e reconheceu o direito ao ressarcimento complementar/compensação em parte, ementando assim o acórdão: "Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 RESSARCIMENTO DO SALDO CREDOR DO IPI. Mantida a glosa de crédito de IPI decorrente da aquisição de produtos, quando não comprovado seu ingresso no estabelecimento do adquirente. Constatado erro no preenchimento do PER/DCOMP, que resultou no deferimento parcial do crédito pleiteado, cabível o reconhecimento do direito creditório complementar. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte. Direito Creditório Reconhecido em Parte." Discordando da decisão de primeira instância, a interessada apresentou recurso voluntário, fls. 52 e seguintes, onde após breve sumário do contencioso diz que no tocante ao valor de R$ 4.597,00, que restou não comprovado, traz aos autos cópias das notas fiscais, bem como cópia das páginas do livro fiscal onde estão registradas as referidas notas, o que comprova o crédito, logo não cabe a manutenção desta glosa. Ao final pede a procedência do recurso voluntário, para reconhecer o direito aos créditos pleiteados e, via de consequência, a homologação da compensação encetada. Após alguma tramitação, a Repartição de origem encaminhou os presentes autos para apreciação deste órgão julgador de segunda instância. Em julgamento datado de 26 de janeiro de 2012 (Resolução n. 310100.212), a 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara dessa 3ª Seção determinou a conversão do julgamento em diligência “para que a autoridade competente emita juízo de valor acerca da alegada produção da prova reclamada na parte final do primeiro parágrafo do voto condutor do acórdão recorrido.” Isto porque, conforme se depreende do voto vencedor: No julgamento de primeira instância, logo no primeiro parágrafo do voto condutor do acórdão, a falta de comprovação dos créditos relativos às notas fiscais de folhas 12 a 15 é o motivo do julgamento improcedente de parte da manifestação de inconformidade, senão vejamos: “5. Em relação às notas fiscais que tiveram o crédito de IPI glosado pelo motivo 4 (estabelecimento emitente da nota fiscal na situação de cancelado no cadastrado CNPJ), o contribuinte alega erro no registro do CNPJ do fornecedor e junta a 3 a via Fl. 131DF CARF MF 4 dessas notas fiscais nas fls. 09/15. Comprova, com a juntada de cópia do Livro Registro de Entradas (fls. 41/43), a escrituração das notas fiscais das fls. 09/11. Não houve comprovação em relação às notas fiscais das fls. 12/15.” Todavia, no recurso voluntário, a ora recorrente alega que traz à colação documentos suficientes para a produção da prova então reclamada: fotocópias das folhas do livro registro de entradas nas quais escriturou as notas fiscais de folhas 12 a 15. As respostas pela repartição fiscal de origem foram apresentadas em fls 123. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Thais De Laurentiis Galkowicz Os requisitos de admissibilidade do recurso voluntários já foram anteriormente analisados e acatados por este Conselho, de modo que passo à apreciação do caso. Tratase aqui de questão de fato, que se resume à comprovação do direito creditório de IPI, objeto do pedido de ressarcimento que originou o presente processo administrativo. Foi justamente a falta dessa precisa comprovação que fez com que o antigo Relator deste processo convertesse o julgamento em diligência. A resposta a diligência de fls 123 foi categórica ao afirmar que os documentos de comprovação o crédito no valor total de R$ 4.597,00 são válidos e autênticos. Vejamos: Fl. 132DF CARF MF Processo nº 11080.915896/200862 Acórdão n.º 3402003.459 S3C4T2 Fl. 113 5 Sobre a utilização dos produtos constantes das notas fiscais, o contribuinte informou nos autos tratarse de poliester/estireno utilizados para a produção de botões de poliéster, conforme suas atividades industriais. Tal informação foi confirmada pela Autoridade Fiscal em informação de fls 56, ao atender à diligência solicitada pela DRJ. Não há dúvida, portanto, da sua capacidade de gerar direito ao crédito pleiteado, de acordo com a legislação do IPI (artigo 164, inciso I do Decreto n. 4.544/2002) DISPOSITIVO Diante do exposto, voto por dar provimento ao presente recurso voluntário, para reconhecer o direito creditório do valor constante das notas fiscais avaliadas pela diligência de fls 123. Relatora Thais De Laurentiis Galkowicz Fl. 133DF CARF MF
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