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Numero do processo: 19515.000056/2004-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue May 12 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1801-000.348
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, em declinar da competência em razão do valor do litígio ultrapassar o limite de alçada para o julgamento pelas Turmas Especiais..
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Wipprich Presidente
(assinado digitalmente)
Neudson Cavalcante Albuquerque Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, em declinar da competência em razão do valor do litígio ultrapassar o limite de alçada para o julgamento pelas Turmas Especiais.. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich Presidente (assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, em declinar da competência em razão do valor do litígio ultrapassar o limite de alçada para o julgamento pelas Turmas Especiais.. (ASSINADO DIGITALMENTE) Ana de Barros Fernandes Wipprich– Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Neudson Cavalcante Albuquerque – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich. Relatório CAOA COMÉRCIO DE VEÍCULOS IMPORTADOS LTDA,, pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida no Acórdão nº 188.978 (fl. 326), pela DRJ Santa Maria, interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. O processo trata de quatro autos de infração realizados para exigir créditos tributários relativos ao ano 1998, conforme os valores contidos na tabela seguinte: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .0 00 05 6/ 20 04 -2 4 Fl. 374DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH Processo nº 19515.000056/200424 Resolução nº 1801000.348 S1TE01 Fl. 375 2 TRIBUTO PRINCIPAL JUROS DE MORA MULTA DE OFÍCIO (75%) TOTAL FLS. IRPJ 40.877,64 37.578,81 30.658,22 109.114, 67 207 PIS/PASEP 16.579,39 15.241,43 12.434,54 44.255, 36 211 COFINS 51.013,52 46.896,72 38.260,14 136.170,38 215 CSLL 20.760,84 19.085,44 15.570,63 55.416,91 219 A empresa foi autuada por ter deixado de comprovar a origem de numerário introduzido em seu patrimônio. Conforme a narrativa contida no Termo de Constatação Fiscal 23, item 2.2 (fl. 184), foram identificados os seguintes “créditos não comprovados quanto à origem, somente quanto à efetividade”: datas montantes Unibanco conta 0520115.5693 11/03/1998 1.185,00 11/03/1998 1.185,00 17/03/1998 8.000,00 17/03/1998 8.000,00 08/04/1998 9.429,19 08/04/1998 9.429,19 18/05/1998 2.223,95 18/05/1998 2.223,95 31/08/1998 894.213,91 31/08/1998 894.213,91 03/09/1998 1.485.500,00 03/09/1998 1.485.000,00 05/10/1998 10.000,00 05/10/1998 10.000,00 04/11/1998 20.084,03 04/11/1998 20.084,03 07/12/1998 120.040,00 07/12/1998 120.040,00 soma 2.550.676,08 2.550.676,08 O autuado apresentou impugnação, cujas razões foram assim resumidas, no relatório da decisão recorrida (fl. 329): Inconformado com os lançamentos, o Contribuinte apresenta a impugnação de fls. 213217, com os documentos de fls. 218297, onde faz sua defesa. Seus argumentos são os seguintes: 2.1. Incoerentemente, a presente autuação decorre do valor de R$ 2.550.676,08 (dois milhões, quinhentos e cinqüenta mil, seiscentos e setenta e seis Reais e oito centavos), como omissão de receita, onde, este mesmo valor acima aludido, considerado como omissão, foi excluída a parcela de R$ 2.291.165,50, prejuízo fiscal e base de cálculo negativa da CSLL do ano calendário corrente de 1998. Segunda. Fatos e dispositivos legais invocados. 3.0 Pálida e fática de fundamento material e de direito, mostrase a fiscalização em tela, pois autuar o lucro fiscal remanescente de R$ 259.510,58 (duzentos e cinqüenta e nove mil, quinhentos e dez Reais e cinqüenta centavos), pois deste saldo remanescente foram desconsiderados, para efeito de compensação: 3.1. Primeiro: Fl. 375DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH Processo nº 19515.000056/200424 Resolução nº 1801000.348 S1TE01 Fl. 376 3 Os prejuízos fiscais e as bases de cálculo negativas realizadas desde os anos base de 1992 a 1994, acumulados e corrigidos em 31/12/1995, estão devidamente escriturados. 3.1. Inferese da leitura da parte “b " do Livro de Apuração do Lucro Real (Lalur), a seguir demonstrado, situação em 31/12/1997 e 31/12/1998: Anos base Prejuízos fiscais – BCNCSLL 1992/1992 20.802.810,77 21.186.865,72 saldos em 31/12/1997 e 31/12/1998 1992/1994 20.802.810, 77 21.186.865,72 3. 2. Segundo Pasmese, por medida de pura observação fática e material, sequer o limite de 30% para a compensação de prejuízos fiscais e da base de cálculo negativa da CSLL, introduzida pela medida provisória n” 812, de 31/12/1994, transformada na Lei n° 8981/95, limite esse de 30% aplicado ao arrepio do princípio constitucional da anterioridade, pois os contribuintes somente tomaram conhecimento da nova legislação tributária no primeiro dia útil de janeiro de 1995, o que faz com que a lei não possa ser aplicada retroativamente ao ano calendário de 1994, foi observado pela fiscalização, pois se assim fosse pelo menos 30% da matéria tributável teria sido excluída; 3.3. Terceiro. De forma que a lei nº 8981/95 fere o princípio constitucional da irretroatividade tributária, pois seus dispositivos legais só poderiam dispor sobre os prejuízos fiscais e as bases de cálculo negativa da CSLL apurados a partir de 01/01/1995, sendo inconstitucional portanto, a limitação por ela imposta retroativamente, por ferir: o direito adquirido e o ato jurídico perfeito protegidos pela constituição, posto que, pelo princípio da anterioridade, um tributo só pode ser exigido no ano seguinte à criação da lei que 0 instituiu; 3. 4. Quarto. Portanto do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa da CSLL de R$ 2.550.676,08 (dois milhões, quinhentos e cinqüenta mil, seiscentos e setenta e seis Reais e oito centavos) contabilizados e registrados no Lalur, em 31/12/1998, seqüencialmente devem ser excluídos os seguintes valores: 1') o prejuízo fiscal e a base de cálculo negativa da CSLL realizados no ano calendário de 1998 no valor de R$ 2.191.165,50 (Dois milhões, duzentos e noventa e um mil, cento de sessenta e cinco Reais e cinqüenta centavos); 2°) os prejuízos fiscais e as bases de cálculo negativas da CSLL, realizadas nos anos base de 1992 e 1994, pois os mesmos, ao se submeterem à legislação vigente à época de sua realização, absorvem integralmente 0 saldo remanescente tributável de R$259.510,58 (duzentos e cinqüenta e nove mil, quinhentos e dez Reais e cinqüenta centavos): Anos base Prejuízos fiscais – BCNCSLL 1992/1992 20.802.810,77 21.186.865,72 1998 + R$259.510,58 + 259.510,48 saldo R$20. 543.300,19 20.91 7.355,14 3.5. compensação de 100% (cem por Fl. 376DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH Processo nº 19515.000056/200424 Resolução nº 1801000.348 S1TE01 Fl. 377 4 cento) do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa da CSLL dos anos base de 1992 1994 ou se for, pelos menos os 30% de compensação devem ser assegurados à impugnante, tanto para o IRPJ como para a CSLL. Terceira. Quanto ao mérito. 4.0 Não há base legal para a autuação do IRPJ e da CSLL, como constou do auto de infração, mas sim uma flagrante desconsideração do princípio constitucional da anterioridade, já que: 4.1. Os prejuízos fiscais realizados no valor de R$20.802.810,77 (vinte milhões, oitocentos e dois mil, oitocentos de dez Reais e setenta e sete centavos) e as bases de cálculo negativas da CSLL realizadas no valor de R$21.186.865,72 (vinte e um milhões, cento de oitenta e seis mil, oitocentos e sessenta e cinco Reais e setenta e dois centavos), absorvem integralmente o lucro real remanescente e a base de cálculo negativa da CSLL no valor de R$259.510,58 (duzentos e cinqüenta e nove mil, quinhentos e dez Reais e cinqüenta e oito centavos), pois os anos base de 1992 a 1994 estão excluídos do limite de 30% (trinta por cento), sobre o lucro real apurado, limite esse vigente a partir ao ano calendário de 1995; 4.2. a constituição federal e o CTN proíbem a aplicação da lei a fato gerador ocorrido antes. O artigo 105 do CTN dispõe que a legislação tributária aplicase imediatamente aos fatos geradores futuros e aos pendentes, assim entendidos aqueles cuja ocorrência tenha sido início mas não esteja completa nos termos do artigo 116. Por sua vez, o artigo 106 permite a aplicação da lei nova a ato ou fato pretérito somente para beneficiar o contribuinte. Finalizando, requer o arquivamento do processo. A DRJ considerou a impugnação procedente em parte para determinar que fosse feita a compensação com prejuízos acumulados, uma vez que somente havia sido realizada a compensação com prejuízos do próprio exercício. A decisão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ. Anocalendário: 1998 OMISSAO DE RECEITA. SUPRIMENTOS DE NUMERÁRIO NÃO COMPROVADOS Se, devidamente intimada, a pessoa jurídica não comprovar cumulativamente, com documentação hábil e idônea, coincidentes em datas e valores, a origem e a efetiva entrega dos recursos, as importâncias supridas pelos seus sócios, quando não produzidas essas provas, são tributadas como omissão de receita. COMPENSAÇÃO DE PREjUÍZOS FISCAIS. LIMITE DE 30%. A partir de 1° de janeiro de 1995, para efeito de determinar o lucro real, O lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas ou autorizadas pela legislação do Imposto sobre a Renda, poderá ser reduzido em, no máximo, trinta por cento. Fl. 377DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH Processo nº 19515.000056/200424 Resolução nº 1801000.348 S1TE01 Fl. 378 5 LANÇAMENTOS DECORRENTES PIS, COFINS E CSLL A solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, aplicase, no que couber, aos lançamentos decorrentes, quanto não houver fatos ou argumentos novos a ensejar decisão diversa. CSLL COMPENSAÇÃO DE BASE DE CÁLCULO NEGATIVA. LIMITE DE 30%. A partir de 1° de janeiro de 1995, para efeito de determinação da base de cálculo da CSLL, O lucro líquido ajustado poderá ser reduzido por compensação da base de cálculo negativa, apurada em períodosbase anteriores em, no máximo, trinta por cento. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 1998 INCONSTITUCIONALIDADE As autoridades administrativas não podem negar aplicação às leis regularmente emanadas do Poder Legislativo. O exame da constitucionalidade ou legalidade das leis é tarefa estritamente reservada aos órgãos do Poder Judiciário. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. Os princípios constitucionais tributários são endereçados aos legisladores e devem ser observados na elaboração das leis tributárias, não comportando apreciação por parte das autoridades administrativas responsáveis pela aplicação destas, seja na constituição, seja no julgamento administrativo do crédito tributário. Cientificado dessa decisão em 26/08/1998, por via postal (fl. 350), o contribuinte interpôs o presente Recurso Voluntário (fl. 351), em 17/09/2008, repisando os mesmos argumentos já apresentados em sede de impugnação. É o relatório Voto Conselheiro Neudson Cavalcante Albuquerque, Relator. O recurso voluntário apresentado atende aos pressupostos de admissibilidade, sendo digno de conhecimento. Antes de abordar as questões postas pela oposição entre os fundamentos do lançamento e as razões de defesa, é necessário analisar algumas questões prejudiciais. Os fatos geradores dos créditos tributários aqui exigidos ocorreram todos no ano 2008, conforme já relatado. Para esse ano, o contribuinte apresentou a DIPJ de fl. 13, em que faz a apuração do IRPJ pelo lucro real anual. Nesse documento, o contribuinte declarou prejuízo fiscal em todos os meses (fls. 22/27) e declarou que houve recolhimento de IRRF no total de R$ 693.860,98, gerando um saldo negativo de igual valor. Também informou que apurou e pagou PIS e Cofins em todos os meses do ano. Por outro lado, a ciência dos presentes lançamentos ocorreu em 29/01/2004 (fls. 207, 211, 215 e 219), portanto, mais de cinco anos após a ocorrência dos fatos geradores. Fl. 378DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH Processo nº 19515.000056/200424 Resolução nº 1801000.348 S1TE01 Fl. 379 6 O artigo 150, §4º, do Código Tributário Nacional determina que, na ausência de determinação legal diversa, devese considerar homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito quando transcorrido o prazo de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, ressalvados os casos de comprovada ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o que não ocorreu na espécie. Considerando que houve retenção de IRPJ na fonte pagadora e que houve pagamento de PIS e Cofins, é mister afirmar que os créditos tributários aqui exigidos já estavam extintos no momento em que os lançamentos tributários foram consumados. Embora tal fato não tenha sido aventado em nenhum momento do presente processo, a verificação da decadência é mister de toda autoridade julgadora, conforme inteligência do artigo 295, IV, do Código de Processo Civil pátrio: Art. 295. A petição inicial será indeferida:(Redação dada pela Lei nº 5.925, de 1º.10.1973) ... IV quando o juiz verificar, desde logo, a decadência ou a prescrição (art. 219, § 5o); (Redação dada pela Lei nº 5.925, de 1º.10.1973) Quanto às exigências de PIS e Cofins, percebese que a autoridade lançadora descontou de suas bases de cálculo o valor do prejuízo fiscal do período, o que não possui fundamento legal, uma vez que a base de cálculo dessas contribuições é a receita bruta. Ainda em relação ao PIS e Cofins, salta aos olhos o fato de a autoridade autuante ter exigido todo o crédito tributário na data de 31/12/1998, quando se sabe que o período de apuração dessas contribuições é mensal e os fatos geradores ocorreram, em verdade, durante todo o ano. O erro na determinação da data do fato gerador do tributo é vício que enseja a anulação da correspondente exigência. Uma última questão prejudicial também deve ser levantada: o valor da presente lide não se restringe aos valores exigidos nos autos de infração, mas alcança também os valores de IRPJ e CSLL compensados dos prejuízos fiscais do exercício e dos prejuízos fiscais de anos anteriores, o que supera o valor de um milhão de reais, situando a presente causa além do limite de alçada desta Turma Especial de Julgamento. Diante do exposto, voto por declinar da competência de julgar a presente lide e devolver o processo para distribuição a uma das turmas ordinárias de julgamento da 1ª Seção deste CARF. (ASSINADO DIGITALMENTE) Neudson Cavalcante Albuquerque Fl. 379DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH
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Numero do processo: 12266.720165/2011-21
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 27 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue May 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 23/07/2008
MULTA REGULAMENTAR. DIREITO ADUANEIRO. AGENTE MARÍTIMO E TRANSPORTADOR. LEGITIMIDADE PASSIVA
A legislação prevê que o agente marítimo, assim como o transportador internacional, respondem solidariamente por quaisquer infrações que tenham concorrido para a prática, solidariamente, sendo, pois, o agente parte legítima a figurar no polo passivo de auto de infração.
MULTA REGULAMENTAR. DIREITO ADUANEIRO. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES FORA DO PRAZO.
A multa por prestação de informações fora do prazo encontra-se prevista na alínea "e", do inciso IV, do artigo 107 do Decreto Lei n 37/1966 prescindindo, para a sua aplicação, de que haja prejuízo ao Erário, sobretudo por se tratar de obrigação acessória em que as informações devem ser prestadas na forma e prazo estabelecidos pela Receita Federal.
MULTA REGULAMENTAR. DESCUMPRIMENTO DE DEVER INSTRUMENTAL. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO.
A denúncia espontânea não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de deveres instrumentais caracterizados pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37/1966, decorrente do art. 40 da Lei nº 12.350/2010. A aplicação deste dispositivo deve-se considerar o conteúdo da obrigação acessória violada. Isso porque nem todas as infrações pelo descumprimento de deveres instrumentais são compatíveis com a denúncia espontânea, como é o caso das infrações caracterizadas pelo fazer ou não fazer extemporâneo do sujeito passivo. Nestas a aplicação da denúncia espontânea implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-004.851
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que davam provimento integral ao recurso. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Marcos Antônio Borges.
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Cassio Schappo, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 23/07/2008 MULTA REGULAMENTAR. DIREITO ADUANEIRO. AGENTE MARÍTIMO E TRANSPORTADOR. LEGITIMIDADE PASSIVA A legislação prevê que o agente marítimo, assim como o transportador internacional, respondem solidariamente por quaisquer infrações que tenham concorrido para a prática, solidariamente, sendo, pois, o agente parte legítima a figurar no polo passivo de auto de infração. MULTA REGULAMENTAR. DIREITO ADUANEIRO. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES FORA DO PRAZO. A multa por prestação de informações fora do prazo encontra-se prevista na alínea "e", do inciso IV, do artigo 107 do Decreto Lei n 37/1966 prescindindo, para a sua aplicação, de que haja prejuízo ao Erário, sobretudo por se tratar de obrigação acessória em que as informações devem ser prestadas na forma e prazo estabelecidos pela Receita Federal. MULTA REGULAMENTAR. DESCUMPRIMENTO DE DEVER INSTRUMENTAL. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. A denúncia espontânea não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de deveres instrumentais caracterizados pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37/1966, decorrente do art. 40 da Lei nº 12.350/2010. A aplicação deste dispositivo deve-se considerar o conteúdo da obrigação acessória violada. Isso porque nem todas as infrações pelo descumprimento de deveres instrumentais são compatíveis com a denúncia espontânea, como é o caso das infrações caracterizadas pelo fazer ou não fazer extemporâneo do sujeito passivo. Nestas a aplicação da denúncia espontânea implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo. Recurso Voluntário Negado.
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DIREITO ADUANEIRO. AGENTE MARÍTIMO E TRANSPORTADOR. LEGITIMIDADE PASSIVA A legislação prevê que o agente marítimo, assim como o transportador internacional, respondem solidariamente por quaisquer infrações que tenham concorrido para a prática, solidariamente, sendo, pois, o agente parte legítima a figurar no polo passivo de auto de infração. MULTA REGULAMENTAR. DIREITO ADUANEIRO. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES FORA DO PRAZO. A multa por prestação de informações fora do prazo encontrase prevista na alínea "e", do inciso IV, do artigo 107 do Decreto Lei n 37/1966 prescindindo, para a sua aplicação, de que haja prejuízo ao Erário, sobretudo por se tratar de obrigação acessória em que as informações devem ser prestadas na forma e prazo estabelecidos pela Receita Federal. MULTA REGULAMENTAR. DESCUMPRIMENTO DE DEVER INSTRUMENTAL. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. A denúncia espontânea não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de deveres instrumentais caracterizados pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, decorrente do art. 40 da Lei nº 12.350/2010. A aplicação deste dispositivo devese considerar o conteúdo da “obrigação acessória” violada. Isso porque nem todas as infrações pelo descumprimento de deveres instrumentais são compatíveis com a denúncia espontânea, como é o caso das infrações caracterizadas pelo fazer ou não fazer extemporâneo do sujeito passivo. Nestas a aplicação da denúncia espontânea implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 26 6. 72 01 65 /2 01 1- 21 Fl. 246DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 12266.720165/201121 Acórdão n.º 3801004.851 S3TE01 Fl. 3 2 Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que davam provimento integral ao recurso. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Marcos Antônio Borges. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Cassio Schappo, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente). Fl. 247DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 12266.720165/201121 Acórdão n.º 3801004.851 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Tratase de o presente processo de Auto de Infração lavrado face ao descumprimento da obrigação acessória de prestar informação sobre veículo ou carga transportada ou sobre operações que executar, no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, de acordo com o que dispõe o art. 107, inciso IV, alínea “e”, do Decreto lei37, de 1966, com a redação dada pelo art. 77 da Lei 10.833, de 2003. Regularmente cientificada, a interessada apresentou a impugnação na qual alega, em breve síntese, que não é parte legitima para figurar no pólo passivo, tendo em vista que atuou na qualidade de mera agência de navegação marítima da empresa transportadora e que não responde por eventuais tributos e/ou obrigações acessórias devidos por esta. Afirma que o agente marítimo age em nome do Armador e com este não se confunde, razão pela qual não pode ser pessoalmente responsabilizada pela autuação em tela, até porque a própria Lei (art. 107, IV "e" do Decreto Lei 37/66) assim não prevê. Alega ausência de tipicidade, porque não deixou de prestar informação no prazo previsto em Regulamento. Apenas retificou posteriormente a sua informação, o que é uma hipótese diferenciada da penalidade estipulada e não se encontra tipificada na alínea 'e' do inciso IV, do art. 107 do Decreto Lei 37/66, com a redação dada pela Lei 10.833/03. Aduz que a autuação carece de elemento essencial de validade, pois, conforme o art. 113, § 2º do CTN, não há um fim específico e próprio que justificasse a penalidade, ou seja, o eventual descumprimento de prestar informações no prazo estipulado não gera qualquer prejuízo ao Fisco. Afirma que o lançamento fere o princípio da Reserva Legal, porque fundamentado em dispositivo constante em Instrução Normativa. Argui que não existe amparo legal para aplicação de penalidade para a ação de alteração/correção de dados no Sistema Sicarga. Alega que o procedimento fiscalizatório somente foi iniciado após ter formalizado a denúncia espontânea, o que a exime de qualquer penalidade, conforme o disposto no parágrafo 2 do art. 102, do Decreto Lei n 37, de 18 de novembro de 1966, cuja redação foi alterada pela Medida Provisória n 497, de 27 de julho de 2010, bem como o art. 138, caput, do Código Tributário Nacional. Requer seja anulado ou cancelado o auto de infração. A DRJ em Fortaleza (CE) decidiu pela improcedência da impugnação, mantendo o crédito. Colaciono a ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 23/07/2008 REGISTRO SOBRE CARGA TRANSPORTADA. RETIFICAÇÃO APÓS O PRAZO PARA PRESTAR INFORMAÇÕES. MULTA. A retificação de registro sobre carga transportada, após o prazo legal para prestar informações sobre ela, confirma que o dado correto não foi apresentado tempestivamente, fato que é tipificado como infração, punível com multa específica, independente da intenção do agente. INOBSERVÂNCIA DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. DESCABIMENTO. Fl. 248DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 12266.720165/201121 Acórdão n.º 3801004.851 S3TE01 Fl. 5 4 A prestação de informação sobre veículo, operação ou carga, na forma e no prazo legalmente fixados, é obrigação acessória autônoma, cujo atraso no cumprimento causa dano irreversível e já consuma a infração, razão pela qual não lhe é aplicável a denúncia espontânea. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 23/07/2008 NORMA EM PLENO VIGOR. INOBSERVÂNCIA POR CONTA DE SUPOSTO VÍCIO NAS OBRIGAÇÕES INSTITUÍDAS. VEDAÇÃO. A IN RFB nº 800/2007 foi regularmente inserida no ordenamento jurídico, razão pela qual não pode ser afastada pelo julgador administrativo, cuja atuação é pautada pelo princípio da legalidade, nem descumprida por conta de suposto vício nas obrigações estabelecidas. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com improcedência de sua impugnação, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, expondo que: Por ser uma agência de navegação da transportadora não poderia ser considerado representante do transportador para fins de responsabilidade tributária não lhe correndo os efeitos do Decreto Lei 37/66; Alega que a sua declaração extemporânea teria os mesmos efeitos que a denúncia espontânea e esta seria aplicável às obrigações acessórias; Entende que a Instrução Normativa nº 800/07, infringe o princípio da reserva legal, conforme art. 97, V do CTN; Entende que sua conduta, retificação, seria atípica com relação à sanção prevista no art. 107 do Decreto Lei nº 37/66; Alega que a multa regulamentar, enquanto obrigação acessória, carece de validade essencial, por não estar demonstrado o interesse da arrecadação ou fiscalização de tributos, não sendo assim justificada aplicação da mesma; Entende que não deixou de apresentar informações dentro do prazo referido pela IN nº800/07, mas promoveu a retificação destas. É o sucinto relatório. Fl. 249DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 12266.720165/201121 Acórdão n.º 3801004.851 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Vencido Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo os demais requisitos de admissibilidade, dele conheço, portanto. Ilegitimidade Passiva Muito embora compartilhe do entendimento que as agências marítimas não possam ser sujeitas da multa prevista pelo art. 107, IV, alínea “e” do DecretoLei nº 37/66, devendo ser estas serem impostas somente ao transportador, tenho que no presente caso tal argumentação não se aplica. A recorrente é empresa transportadora, conforme demonstra o seu CNPJ e objeto social, que assim determina a Cláusula Segunda que: A sociedade tem por objeto a navegação marítima de longo curso marítima (...) o exercício das atividades de agente de transporte multimodal, assessoria ao transporte marítimo e terrestre de cargas em todo o território nacional (...) Face a isto, afasto o argumento da Recorrente de que, por ser a empresa uma agência marítima, e não uma transportadora, não está configurada sua responsabilidade quanto à prática da infração objeto dos autos. Diversos são os julgados deste Conselho onde foi compreendido que a obrigação do transportador, de prestar as informações à RFB, encontrase estabelecida no art. 37 do DecretoLei nº 37/66, com a redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833, de 2003, in verbis: Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. § 1º O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. Ultrapassados tais argumentos, entendo que a penalidade não deve ser aplicada no presente caso por motivos diversos. Denúncia Espontânea Inicio a análise do argumento da denúncia espontânea, pois uma vez julgado o seu provimento, todas as demais matérias se tornarão prejudicadas. Fl. 250DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 12266.720165/201121 Acórdão n.º 3801004.851 S3TE01 Fl. 7 6 O Recorrente alega que as informações foram prestadas antes da lavratura do auto de infração. Portanto, nos termos do art. 138, caput, do Código Tributário Nacional (CTN), a multa deveria ter sido excluída em razão da caracterização da denúncia espontânea: “Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora,ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentado após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração.” Ocorre que, muito embora típica e perfeitamente subsumido o fato à norma, no caso em tela se está diante de uma excludente da punibilidade, haja vista a Recorrente estar amparada pela hipótese legal da chamada denúncia espontânea. Esse instituto jurídico tem lugar quando o contribuinte informa à administração as infrações por ele praticadas, antes de iniciado qualquer procedimento fiscalizatório. A vantagem dessa confissão prévia e espontânea para o contribuinte está na consequência legal que o instituto lhe garante. No presente caso temse que o pedido de retificação prestado pela recorrente foi anterior lavratura do Auto de Infração, bem como de qualquer outra intimação da RFB. Deste modo, aplicase ao presente caso o instituto da denúncia espontânea. O Código Tributário Nacional disciplina no art. 138 a exclusão da responsabilidade quando a denúncia espontânea for acompanhada do pagamento do tributo e dos juros de mora, restringindo tal hipótese quando caracterizado o início do procedimento administrativo ou qualquer medida de fiscalização, nos termos do parágrafo único. Destacase também que até a edição da Medida Provisória nº 497, de 27 de julho de 2010, convertida na Lei nº 12.350, de 20 de dezembro de 2010, a caracterização da denúncia espontânea não contemplava as obrigações acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com o fato gerador do tributo. Porém, com a vigência da norma acima, foi modificado o § 2º, do art. 102 do DecretoLei nº 37/66, incluindo as penalidades administrativas dentre aquelas possíveis de aplicação da denúncia espontânea, in verbis: Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. Fl. 251DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 12266.720165/201121 Acórdão n.º 3801004.851 S3TE01 Fl. 8 7 § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (grifouse) No presente caso, temos, portanto que a retificação foi apresentada antes de qualquer procedimento de fiscalização, caracterizando a denúncia espontânea, devendo ser excluída a penalidade ora discutida, de natureza administrativa, conforme previsão do § 2º do artigo 102 do DecretoLei nº 37/66. Ainda, cabe observar que, sendo o fato gerador anterior a Medida Provisória nº 497, de 27 de julho de 2010, necessário aplicar in casu a retroatividade benigna da alteração legislativa processada pela referida Medida Provisória, conforme determina o artigo 106 do CTN. Logo, aplicável à referida legislação ao presente caso. Acrescentase ainda que este Egrégio Conselho tem compartilhado deste entendimento, consoante se verifica pelos arestos abaixo: DENÚNCIA ESPONTÂNEA CONFIGURAÇÃO A retificação de informação prestada em registro de conhecimento de carga antes de qualquer procedimento da fiscalização aduaneira, está amparada pela denúncia espontânea prevista no art. 102, do mesmo diploma legal (Acórdão 3101001.138, 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, sessão de 22/05/2012, Relator Conselheiro Luiz Roberto Domingo) DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO AS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. A alteração do art. 102 do DecretoLei nº 37/66 promovida pela Medida Provisória nº 497/2010, posteriormente convertida na Lei nº 12.350/2010, que incluiu as penalidades de natureza administrativa, dentre aquelas alcançadas pela denúncia espontânea é aplicada aos casos ainda pendentes de julgamento, em razão da retroatividade benigna, nos termos do art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN. (Acórdão 3102001.663, 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, sessão de 25/10/2012, Relator Conselheiro Álvaro Arthur L. de Almeida Filho) Cabe analisar a restrição imposta pelo art. 683, §3º do Decreto nº 6.759, de 05 de fevereiro de 2009, que regulamenta a administração das atividades aduaneiras, e a fiscalização, o controle e a tributação das operações de comércio exterior. Este determina que: Art. 683. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento dos tributos dos acréscimos legais, excluirá a imposição da correspondente penalidade (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 102, caput, com a redação dada pelo DecretoLei no 2.472, de 1988, art. 1o; e Lei nº 5.172, de 1966, art. 138, caput). (…) Fl. 252DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 12266.720165/201121 Acórdão n.º 3801004.851 S3TE01 Fl. 9 8 §3o Depois de formalizada a entrada do veículo procedente do exterior não mais se tem por espontânea a denúncia de infração imputável ao transportador. O texto original do Decreto nº 6.759/2009 previa em seu §3oque a espontaneidade era afastada depois de formalizada a entrada do veículo procedente do exterior e por conseqüência igualmente afastada seria a denúncia espontânea. Notese que esta redação deve ser lida em consonância com o disposto na Lei nº 12.350, de 20 de dezembro de 2010 que passou a ter a seguinte redação: Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (grifouse) Notese que o Decreto nº 6.759/2009 deve ser lido em conformidade com a Lei nº 12.350/2010. Tratase de norma superior e posterior. Assim, tanto pelo critério da hierarquia, quanto pelo critério cronológico deve prevalecer a norma posterior. Da leitura da lei posterior se nota que não há a restrição prevista no §3o, do art. 683 do Decreto nº 6.759/2009, de tal modo que onde não houve restrição legal não poderá a norma regulamentadora restringir, sob pena de ofensa ao princípio da estrita legalidade. Diante da aplicação do instituto da denúncia espontânea, entendo pelo provimento do recurso e passo a analisar as demais matérias, não obstante prejudicadas, para fins de privilégio do devido processo legal. Reserva Legal A infração em tese cometida pela recorrente se encontra caracterizada pela apresentação de declaração de informações sobre o veículo e carga transportada fora do prazo estabelecido, por força do art. 107 do DecretoLei 37/66, com redação dada pela Lei nº 10.833/03, c/c art. 44 da Instrução Normativa 28/94, com redação dada pela Instrução Normativa 510/05 e art. 22 da Instrução Normativa 800/07. No que tange a tipificação da conduta do recorrente, a sua descrição consta igualmente e inicialmente tipificada no art. 107 do DecretoLei 31/66, que estabelece a aplicação de multa para quem deixar de prestar a declaração sobre veículo e carga transportada, bem como quem de forma omissiva ou comissiva embaraçar ação de fiscalização. Fl. 253DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 12266.720165/201121 Acórdão n.º 3801004.851 S3TE01 Fl. 10 9 Ademais, as instruções normativas tem como finalidade de preencher lacunas que por vezes se encontram dentro dos procedimentos fiscais, no caso específico de normas que estabelecem prazo para a apresentação ou recolhimento de obrigações acessórias, não estão sujeitas a reserva legal do art. 97 do CTN, por não compreenderem o rol de matérias lá estabelecido, cabendo, portanto, o estabelecimento dos prazos por norma de hierarquia inferior, como as Portarias e Instruções Normativas, conforme tem se posicionado o CARF. ASSUNTO: OBRIGAÇÕESACESSÓRIAS Datadofatogerador:31/12/1998 OBRIGAÇÃO ACESSORIA. PRAZO. INSERÇÃO SISCOMEX DE DECLARAÇÃO DE EMBARQUE DE MERCADORIAS. O prazo de inserção das informações do embarque de mercadoria no SISCOMEX é de sete dias, contados do dia do efetivo embarque. Não se aplica a norma processual do artigo 210 do Código Tributário Nacional, neste caso prevalece o prazo fixado em Portarias e Instruções Normativas em razão de que não contemplam aspectos da hipótese de incidência, estão fora da reserva legal prevista no artigo 97 do CTN. Constado inserção além do prazo fixado, impõe negar provimento ao recurso. RecursoNegado. Ressalto que o entendimento seria pela carência de razão do contribuinte caso não estivesse prejudicada a análise desta matéria. Obrigação Acessória Carece de razão a alegação da recorrente quanto à carência de elemento essencial na autuação por descumprimento de obrigação acessória. Isto porque as obrigações acessórias não possuem uma relação de dependência de uma obrigação principal. Como o próprio artigo citado pela recorrente são prestações positivas ou negativas, fazer ou não fazer algo em benefício do interesse arrecadatório ou fiscalizatório. No caso dos autos, a declaração que gerou a autuação da recorrente era uma obrigação acessória, positiva e com finalidade fiscalizatória, pois se caracteriza em um dever de declarar o bem carregado e cujas informações contidas auxiliam o fisco a verificar a adequada descrição de bem importado pelo importador, se houve emissão de notas fiscais, se a importadora estaria correta em sua escrituração fiscal. Logo, a responsabilidade de declarar a mercadoria transportada pela empresa, conforme art. 107 do Decreto lei 37/66, é uma obrigação acessória de declaração ao fisco e cujo descumprimento implica na aplicação de multa por embaraço à fiscalização. Nestes termos, não sendo prestada a obrigação de declaração de mercadorias dentro do prazo legal, houve prejuízo na fiscalização aduaneira, devida, portanto, a multa pelo descumprimento. Fl. 254DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 12266.720165/201121 Acórdão n.º 3801004.851 S3TE01 Fl. 11 10 Ressalto que este seria o entendimento caso não estivesse prejudicada a análise. Tipificação A recorrente alega que não incorreu no tipo específico de descumprimento de declaração de mercadoria, conforme art.37 e 107, IV, “e” do DecretoLei 37/66, posto que não deixou de prestar informações sobre o veículo ou sobre a carga transportada entendendo que retificação, conduta que afirma ter praticado seria diferente de deixar de informar. Entendo que não assiste razão a recorrente, tendo em vista que no auto de infração é possível verificar que o recorrente apresentou Conhecimento de Embarque, promovendo a alteração de NCM fora dos prazos de atracação do navio e conforme art.37 do Decretolei 37/66 “o transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecido, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado”. O entendimento deste Conselho, inclusive para esta empresa em autuação pretérita foi o seguinte: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 05/04/2006 a 15/01/2009 MULTA REGULAMENTAR. DIREITO ADUANEIRO. AGENTE MARÍTIMO E TRANSPORTADOR. LEGITIMIDADE PASSIVA A legislação prevê que o agente marítimo, assim como o transportador internacional, respondem solidariamente por quaisquer infrações que tenham concorrido para a prática, solidariamente, sendo, pois, o agente parte legítima a figurar no polo passivo de auto de infração. MULTA REGULAMENTAR. DIREITO ADUANEIRO. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES FORA DO PRAZO. A multa por prestação de informações fora do prazo encontrase prevista na alínea "e", do inciso IV, do artigo 107 do Decreto Lei n 37/1966 prescindindo, para a sua aplicação, de que haja prejuízo ao Erário, sobretudo por se tratar de obrigação acessória em que as informações devem ser prestadas na forma e prazo estabelecidos pela Receita Federal. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES FORA DO PRAZO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Não há que se falar em denúncia espontânea de obrigação acessória se a norma em comento tem como finalidade a prestação de informações na forma e, sobretudo, no prazo fixado pela legislação, prazo esse que não seria observado se se considerar que a prestação de informações fora do prazo configuraria denúncia espontânea. Fl. 255DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 12266.720165/201121 Acórdão n.º 3801004.851 S3TE01 Fl. 12 11 Recurso Voluntário Negado. Nesta senda, uma vez não cumprindo o prazo de apresentação das declarações o transportador já incorre no fato gerador da multa regulamentar, resta devidamente enquadrada a conduta da recorrente à infração referida, não havendo qualquer traço de atipicidade. Ressalto que este seria o entendimento caso não estivesse prejudicada a análise. Art. 50 da Instrução Normativa 800/2007 Entendo que não assiste razão ao recorrente. Conforme a redação do artigo 50 da IN 800/07, informa que os prazos de antecipação de informação previstos no art. 22º da mesma instrução somente serão obrigatórios a partir de 1 de janeiro de 2009. Vejamos: Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1ºde janeiro de 2009. Parágrafoúnico. O disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre: I a escala, com antecedência mínima de cinco horas, ressalvados prazos menores estabelecidos em rotas de exceção; e II as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País.(grifonosso) Este dispositivo, ao mesmo tempo em que prevê que os prazos mínimos para a prestação de informações à RFB previstos no artigo 22 da IN RFB nº 800/2007 somente são obrigatórios a partir de 1ºde janeiro de 2009, dispõe que o transportador tem a obrigação de prestar informações sobre as cargas transportadas antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. Resta claro, portanto, que já a partir do momento em que se inicia a produção de efeitos da IN RFB nº 800/2007, qual seja 31 de março de 2008, as informações sobre as cargas transportadas devem ser prestadas pelas transportadoras antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País, conforme art. 52 da Instrução Normativa, prazo também descumprido pelo contribuinte. Em adição, havendo prazo que estabeleça o início da vigência das antecipações, nos caso dos fatos geradores que antecedem a vigência da Instrução Normativa 800/07, o contribuinte deveria ter cumprido o prazo de sete dias descritos art. 37 da Instrução Normativa SRF n° 28, de 1994, com a redação dada pela IN SRF n° 510, de 2005, para a apresentação da declaração, no que ultrapassou demasiado. Ressalto que este seria o entendimento caso não estivesse prejudicada a análise. Penalidade Aplicada Por Viagem Fl. 256DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 12266.720165/201121 Acórdão n.º 3801004.851 S3TE01 Fl. 13 12 A recorrente se insurge contra a aplicação da multa regulamentar contra cada uma das declarações de forma extemporânea, tendo em vista que o entendimento da Receita Federal sobre o assunto em Consulta Interna teria determinado que o transportador fosse multado uma única vez pela prestação de informações fora do prazo, referindo a COSIT SCI nº 8 de 14 de fevereiro de 2008. Não obstante os auditores fiscais tenham interpretado, em sua maioria, a legislação como que a multa deveria ser aplicada por cada declaração fora do prazo, o dispositivo legal deixa brecha para tanto interpretar que a penalidade deve ser aplicada por viagem quanto por declaração, visto que o dispositivo aborda apenas o aspecto quantitativo da multa, a tipificação da conduta, no caso, deixar de apresentar informações nos prazo estabelecidos à Receita Federal e identificação do infrator, qual seja a empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de transporte internacional expresso ou agente de carga. Neste sentido, entendo que se deve interpretar a norma de forma mais favorável ao contribuinte quando esta determina penalidade ao tipo de conduta, conforme resta estabelecido no art. 112, do Código Tributário Nacional – CTN, segundo o qual “a lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto”: à capitulação legal do fato; à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou natureza ou extensão de seus efeitos; à autoria, imputabilidade ou punibilidade; e à natureza da penalidade, aplicação, ou à sua gradação. Sobre o tema em comento, temse decidido nas sessões deste Conselho a interpretação da norma em favor do infrator. Vejamos: Assunto: Obrigações Acessórias Anocalendário: 2006 ILEGIMITIDADE PASSIVA. MULTA. REGISTRO DE DADOS DE EMBARQUE MARÍTIMO EM ATRASO. EXPORTAÇÃO. RESPONSABILIDADE DO TRANSPORTADOR. É legitimo para figurar no polo passivo da autuação, o transportador que registou os dados de embarque fora do prazo estabelecido no art. 37, §2º, da Instrução Normativa SRF nº 28/94. Inteligência dos arts. 107, inciso IV, alínea “e” e 37 do DecretoLei nº 37/66 c/c arts. 37, §2º, 44 e 46 da Instrução Normativa SRF nº 28/94. REGISTRO DE DADOS DE EMBARQUE MARÍTIMO EM ATRASO. PENALIDADE APLICADA POR VIAGEM EM VEÍCULO TRANSPORTADOR.Ocorrendo dúvida quanto à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão de seus efeitos; à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; e à natureza da penalidade aplicação, ou à sua gradação, deve ser aplicada a interpretação mais favorável ao acusado (art. 112, CTN).A multa prescrita no art. 107, inciso IV, alínea “e”, do DecretoLei nº 37/66 referente ao atraso no registro dados de embarque de mercadorias destinadas à exportação no Siscomex é aplicada por viagem do veículo transportador e não por carga (Declaração para Despacho de Exportação). DUPLICIDADE DA COBRANÇA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Não comprovada documentalmente o alegado bis in idem, improcedente a alegação de duplicidade da cobrança e a consequente identidade de objetos entre dois processos administrativos fiscais. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ART. 138, CTN. MULTA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INAPLICABILIDADE. Não alegado Fl. 257DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 12266.720165/201121 Acórdão n.º 3801004.851 S3TE01 Fl. 14 13 em momento oportuno, o argumento está precluso, pelo que não merece ser conhecido, ex vi dos arts. 16, inciso III e 17, do Decreto nº 70.235/72. (Recurso Voluntário nº 11968.001039/200717, Relator Bruno Mauricio Macedo Curi, da 2ª Câmara da 3ª Sessão de Julgamento do Carf, Publicada em 11/09/2013) Nestes termos, entendo que a penalidade do art. 107, IV, alínea “e” do Decreto Lei nº 37/66, deve ser aplicada por viagem e não por declaração de carga, devendo as penalidades aplicadas por declaração excluídas para que fiquem apenas a multa aplicada por viagem apurada no auto de infração. Ressalto que este seria o entendimento caso não estivesse prejudicada a análise. Em face do exposto, encaminho o voto para DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. É assim que voto. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira – Relator Fl. 258DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 12266.720165/201121 Acórdão n.º 3801004.851 S3TE01 Fl. 15 14 Voto Vencedor Conselheiro Marcos Antonio Borges, Em que pese o entendimento do relator, ouso dele discordar em relação à aplicação do instituto da denúncia espontânea. Da aplicação do instituto da denúncia espontânea No entendimento do STJ, conforme comprovam diversos julgados, a entrega extemporânea de qualquer tipo de obrigação acessória (DCTF, por exemplo) configura infração formal, não podendo ser considerada como infração de natureza tributária apta a atrair o instituto da denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN. A prestação de informações no Siscomex, como é o caso, é uma obrigação acessória e, aplicandose essa linha de raciocínio, deveria se observar a aplicação da Súmula CARF n° 49, que adota a mesma interpretação: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do CTN) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. No entanto, essa discussão foi reaberta em face da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, decorrente do art. 40 da Lei nº 12.350/2010: Art.102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2o A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) Apesar de alguns julgados recentes do CARF estarem admitindo a caracterização da denúncia espontânea com fundamento da nova redação do dispositivo, entendo que na aplicação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, devese analisar o conteúdo da “obrigação acessória” violada. Isso porque nem todas as infrações pelo descumprimento de deveres instrumentais são compatíveis com a denúncia espontânea, como é o caso das infrações caracterizadas pelo fazer ou não fazer extemporâneo do sujeito passivo. Fl. 259DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 12266.720165/201121 Acórdão n.º 3801004.851 S3TE01 Fl. 16 15 Esse entendimento, do qual eu compartilho, foi evidenciado em voto do eminente Conselheiro José Fernandes do Nascimento, no Acórdão 310200.988. 3a S/1a C/2a TO. S. de 22/08/2013: O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2°, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser Fl. 260DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 12266.720165/201121 Acórdão n.º 3801004.851 S3TE01 Fl. 17 16 citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez. Assim, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo, no caso a prestação de informação no Siscomex na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, implicaria no esvaziamento do dever instrumental, comprometendo o controle aduaneiro efetuado pela autoridade administrativa no exercício do seu Poder de Polícia. Entendese, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de obrigações acessórias caracterizadas pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira. Desta forma, em virtude de todos os motivos apresentados e dos fatos presentes no caso concreto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Fl. 261DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 12266.720165/201121 Acórdão n.º 3801004.851 S3TE01 Fl. 18 17 (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 262DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 13709.001897/2003-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jun 01 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1998
COMPENSAÇÃO.
A Lei nº 10.637, de 2002 alterou o artigo 74, da Lei nº.9.430, de 1996, determinando que os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa seriam considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo.
Antes da ciência do despacho, a Lei nº 10.833, de 29/12/2003, veio determinar que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados.
MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. RETROATIVIDADE BENIGNA.
A Lei nº 9.430/96, artigo 44, § 1º, inciso II, revogado pela MP nº 303/2006. Aplica-se a fato pretérito a legislação que deixa de considerar o fato como infração, consoante dispõe o artigo 106, inciso II, "a", do Código Tributário Nacional.
Recurso de ofício conhecido e não provido.
Numero da decisão: 1201-001.100
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao Recurso de Ofício.
(documento assinado digitalmente)
RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
RAFAEL CORREIA FUSO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rafael Vidal de Araújo (Presidente), Marcelo Cuba Netto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado e Joselaine Boeira Zatorre.
Nome do relator: RAFAEL CORREIA FUSO
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A Lei nº 10.637, de 2002 alterou o artigo 74, da Lei nº.9.430, de 1996, determinando que os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa seriam considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo. Antes da ciência do despacho, a Lei nº 10.833, de 29/12/2003, veio determinar que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. RETROATIVIDADE BENIGNA. A Lei nº 9.430/96, artigo 44, § 1º, inciso II, revogado pela MP nº 303/2006. Aplicase a fato pretérito a legislação que deixa de considerar o fato como infração, consoante dispõe o artigo 106, inciso II, "a", do Código Tributário Nacional. Recurso de ofício conhecido e não provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao Recurso de Ofício. (documento assinado digitalmente) RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 9. 00 18 97 /2 00 3- 14 Fl. 119DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 19/05 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 2 (documento assinado digitalmente) RAFAEL CORREIA FUSO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rafael Vidal de Araújo (Presidente), Marcelo Cuba Netto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado e Joselaine Boeira Zatorre. Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado em 21/06/2003, contra o contribuinte, em decorrência de inexatidão de valores declarados por meio de DCTF no segundo, terceiro e quarto de 1998, lavrados pela Demac do Rio de Janeiro. No auto de infração foi formalizada a exigência de IRRF, no valor de R$570.857,03, multa de 75%, juros de mora calculados até 30062003, bem como juros pagos a menor, R$443,57, e multa isolada, R$33.857,12. Conforme descrição dos fatos, enquadramento legal e anexos do auto de infração, a autuação resultou de procedimento de auditoria interna de DCTF na qual foi apurado que, em determinados períodos do ano de 1998, ocorreu falta ou recolhimento a menor de IRRF, códigos 0561, 1708, 8045 e 5706, conforme Anexo I, Anexo II, e Anexo III. A fiscalização, ao analisar os autos do processo administrativo, constatou que parte do débito no valor de R$ 546.034,52, código de receita 5706, períodobase de 12/1998, com vencimento em 06/01/1999, faz parte do processo administrativo nº 13709.000378/9964. Inconformada com o lançamento, a Interessada apresentou impugnação em 05/09/2003, após ciência ocorrida em 15/08/2003, fls.82/83, alegando que: recolheu os débitos em questão, como se pode verificar através dos DARFs em anexo; o débito referente ao código 5706, foi compensado através do processo n.° 13709.000378/9964. Às fls.62 e 63, consta que o processo foi remetido à EQCOR/DIORT da Demac RJ, para que fosse analisada a compensação residente no PA nº 13709.000378/9934. Às fls.72/74, consta cópia de decisão que tratou da referida compensação. E, às fls.80, consta cópia de manifestação de inconformidade referente a dita decisão. Às fls.89/90, consta despacho em revisão de ofício dando conta que: de acordo com as informações apresentadas pela Demac/RJO/Diort (fls.81), foi constatada a procedência da compensação referente ao débito n° 10016460 (fls.21). Fl. 120DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 19/05 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 13709.001897/200314 Acórdão n.º 1201001.100 S1C2T1 Fl. 3 3 Quanto aos demais débitos do demonstrativo de fls.20/21, todos os valores correspondentes estavam disponíveis na Rede Local; desta forma foi efetuado novo cálculo (fls.85/88) e, tendo em vista que não foi possível informar no SIEF a compensação, uma vez que este débito foi vinculado na DCTF como “Pagamentos” e não como “Compensações sem DARF”, (fls.84), foi gerado um saldo remanescente no valor total de R$ 955.560,41 = R$ 546.034,52 (principal) + RS 409.525,89 (multa vinculada). Diante do exposto, foi constatada a improcedência de parte do lançamento, no valor total de R$ 43.439,43 = R$ 24.822,51 (principal) + R$ 18.616,92 (multa vinculada). Foram mantidos os débitos relacionados no Anexo IV, (fls.22) e o saldo remanescente de fls.88. A DRJ entendeu pela procedência parcial do lançamento, conforme voto abaixo transcrito: A impugnação é tempestiva e atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972, portanto, dela tomo conhecimento. Da compensação Conforme fls.27 e 81, o débito referente ao código de receita 5706, PA 0512/1998, vencido em 06/01/1999, no valor de R$546.034,52, está sendo analisado no âmbito do processo de compensação PA13709.000378/9964. Registrese que consta às fls.72/74, que o despacho decisório da Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária, DERAT, reconheceu a existência de crédito da Interessada, autorizando a restituição de R$931.620,17. Consta às fls.74, que o despacho foi proferido em 17/12/2003, e a ciência do mesmo ocorreu em 21/12/2004, fls.75. Ocorre que, antes desta data, a Lei nº 10.637, de 2002, já havia alterado o artigo 74, da Lei nº.9.430, de 1996, determinando que os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa seriam considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo. Da mesma forma, também antes da ciência do despacho, a Lei nº 10.833, de 29/12/2003, veio determinar que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Conforme consta às fls.81, o pedido de compensação foi entregue antes da lavratura do presente auto de infração, devendo, assim, o controle deste débito demonstrado às fls.88, ser realizado no âmbito do PA nº 13709.000378/9964. Registrese que consta no Sistema SIEF que parte do débito foi extinto por compensação e o restante está sendo cobrado no Fl. 121DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 19/05 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 4 âmbito do PA nº 16682.721099/201156, a título de confissão espontânea. Portanto, não cabe a exigência do referido débito no âmbito do presente processo. Da falta de recolhimento Quanto aos demais débitos do demonstrativo de fls.20/21, do exame dos extratos de fls.85/88, constatase que os mesmos foram espontaneamente recolhidos, devendo ser a Interessada exonerada desta cobrança, juntamente com a multa vinculada. Da multa isolada Quanto à multa isolada no valor de R$33.857,12, anexo IV, (fls.22), lançada com fundamento no artigo 44, parágrafo 1º., inciso II, da Lei nº.9.430, de 1996, esta também não deve ser cobrada uma vez que tal dispositivo foi revogado, aplicandose ao caso a retroatividade benigna prevista no CTN. Dos juros pagos a menor. Com base no que consta nos autos deve ser mantido tão somente a cobrança dos juros pagos a menor no valor de R$443,57, anexo IV(fls.22). Conclusão. Do exposto, VOTO no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL À IMPUGNAÇÃO DA INTERESSADA, para exigir o crédito tributário abaixo demonstrado. Juros pagos a menor no valor de R$443,57. Houve interposição de Recurso de Ofício. A contribuinte foi intimada em 01/02/2012 da decisão da DRJ. Não interpôs Recurso Voluntário. Esse é o relatório. Voto Conselheiro Rafael Correia Fuso O Recurso é tempestivo e atende aos requisitos legais, por isso o conheço. Entendo que a decisão recorrida não merece reparos, pois está em perfeita sintonia com o entendimento dessa Colenda Turma. Inicialmente, a questão da compensação é inquestionável, visto que a própria Receita Federal reconheceu a existência de crédito da interessada, autorizando a restituição de R$ 931.620,17. Fl. 122DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 19/05 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 13709.001897/200314 Acórdão n.º 1201001.100 S1C2T1 Fl. 4 5 Contudo, antes da decisão que reconheceu o crédito, proferida em 17/12/2003, com ciência ao contribuinte em 21/12/2004, a Lei nº 10.637/2002, já havia alterado o artigo 74 da Lei nº 9.430/96, determinando que os pedidos de compensação pendentes seriam considerados declaração de compensação, sendo que a Lei nº 10.833/2003, editada também antes do despacho, veio considerar a declaração de compensação como confissão de dívida. Destacase ainda que o pedido de compensação foi entregue antes da lavratura do Auto de Infração, o que implica em considerar que o controle do débito descrito à fl. 88, deve ser realizado no âmbito do PA 13709.000378/9964. No sistema do SIEF parte do débito foi extinto por compensação e o restante está sendo cobrado no processo administrativo nº 16682.721099/201156, a título de confissão espontânea da dívida. Nestes termos, se os débitos estão sendo tratados em outros dois processos, não há como manter o referido débito neste processo. Quanto aos demais débitos, demonstrados às fls. 20/21, do exame dos extratos de fls. 85/88, os mesmos foram extintos pelo pagamento, de forma espontânea, com multa e juros. Por fim, restanos analisar a multa isolada, apontada no Anexo IV, lançada com fundamento no artigo 44, parágrafo 1º, inciso II, da Lei nº 9.430/96, que não deve ser cobrada porque o dispositivo foi revogado, sendo caso de aplicabilidade de retroatividade benigna, nos termos 106, inciso II, do CTN. Esse inclusive é o entendimento dessa Colenda Corte MULTA DE OFÍCIO ISOLADA – RETROATIVIDADE BENIGNA – Lei nº 9.430/96, artigo 44, § 1º, inciso II, revogado pela MP nº 303/2006 – Aplicase a fato pretérito a legislação que deixa de considerar o fato como infração, consoante dispõe o artigo 106, inciso II, "a", do Código Tributário Nacional.”(Acórdão 10195713, Proc. 16327.001870/0091, 1ª. Câmara) Por fim, quanto aos juros pagos a menor, em razão de não existir Recurso Voluntário, mantémse a decisão da DRJ. Diante do exposto, conheço do recurso de ofício, e no mérito negolhe provimento. É como voto! (documento assinado digitalmente) Rafael Correia Fuso Relator Fl. 123DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 19/05 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 6 Fl. 124DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 19/05 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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Numero do processo: 11128.003816/2002-45
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 20 00:00:00 UTC 2009
Numero da decisão: 3102-000.038
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA
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conteudo_txt : Metadados => date: 2010-06-16T12:02:44Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-06-16T12:02:44Z; Last-Modified: 2010-06-16T12:02:44Z; dcterms:modified: 2010-06-16T12:02:44Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2010-06-16T12:02:44Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-06-16T12:02:44Z; meta:save-date: 2010-06-16T12:02:44Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-06-16T12:02:44Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-06-16T12:02:44Z; created: 2010-06-16T12:02:44Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2010-06-16T12:02:44Z; pdf:charsPerPage: 1158; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-06-16T12:02:44Z | Conteúdo => S3-C1T1 F I 29 ,,, - ---'* rfSav &_ MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS nr• TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO ‘CÌ151.lisrz Processo n° 11128.003816/2002-45 Recurso n° 139.424 Resolução n° 3102-00.038 — P Câmara / r Turma Ordinária Data 20 de maio de 2009 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente HOKKO DO BRASIL IND QUIM AGROPEC LTDA Recorrida DRJ-SÃO PAULO/SP Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator. A MIA L NA T4JAIN90 DAMOrRIM - Presidente ' h IR'\X-k-Q1C L. . 1 LIM ,Ltkilirdn) , -CELO RIBEIRO NOGUEIRA - Rejgkor EDITADO EM: Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Ricardo Paulo Rosa, Corintho Oliveira Machado, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Marcelo Ribeiro Nogueira (Relator), Beatriz Veríssimo de Sena, Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro e Judith do Amaral Marcondes Armando. Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância por entender que o mesmo resume bem os fatos dos autos até aquele momento processual: 1 Trata-se de ação fiscal relativa ao despacho aduaneiro de mercadoria descrita como "FOLPAN AGRICUR TECNICO, nome químico: Folpêt, nome químico científico: N-(Tricorometiltio)-Ftalimicla". O importador classificou a mercadoria no código TEC 2930.90.29, à alíquota 3,5% para o Imposto de Importação e de 0% para o Imposto sobre Produtos Industrializados. O desembaraço da mercadoria foi feito mediante assinatura de "Termo de Responsabilidade", nos termos da Instrução Normativa 14/85, precedida de retirada de amostra para exame pericial. Com base no laudo do Laboratório Nacional de Análises, a fiscalização entendeu haver divergência entre a mercadoria descrita na Declaração de Importação e aquela efetivamente ingressada no país. O laudo afirma que "não se trata somente de Folpet, mas sim de "Preparação Fungicida constituída de Folpet e Composto com Caráter Aniónico (dispersante), utilizada como preparação fungicida. Consta, ainda, na fl. 32, laudo técnico que compara a mercadoria em epígrafe com a substância referência e a bibliografia, havendo diferença no aspecto, na faixa de fusão, na solubilidade em diclorometano e em água, sendo parcialmente solúvel no primeiro e formando suspensão com espuma no segundo. Em conseqüência, entendeu correta a classificação 3808.20.29, com &ignota de 8% para o Imposto de Importação e de 4% para o IPI Dessa forma, lavrou-se o Auto de Infração cie fis. 01 a 11, pelo qual a autuada foi intimada a recolher ou impugnar o crédito tributário relativo ao IPI , ao Imposto de Importação, juros de mora, multa do art. 44, Ida Lei 9430/96, do art. 526, II do Regulamento Aduaneiro e do art. 84, Ida Medida Provisória 2158/2001. A autuada, devidamente cientificada do lançamento, ofereceu impugnação requerendo o cancelamento da exigência dos tributos e de seus acréscimos, alegando, em síntese: conforme registrado no Ministério da Agricultura, trata-se de material técnico destinado exclusivamente à obtenção de pré-misturas ou formulações de pronto uso, não podendo ser usados nas lavouras na forma em que se encontra; o próprio Ministé,rio da Agricultura considera a mercadoria importada produto técnico obtido diretamente da matéria-prima por processo químico, físico ou biológico, sendo contemplado tanto o produto como seus inertes,. a mercadoria é um produto técnico sem produção nacional com 880 gramas de ingrediente ativo e 120 gramas de ingredientes inertes por quilo, sendo estes Ultimas impurezas do processo de obtenção; - o produto não contém sais de ésteres sulfdnicos, fosfóricos ou sabão, o que não deixa ser considerada uma adição de surfactantes; - a mercadoria é básica para formulação de Folpan .Álgricur 500 lu muito importante para as culturas agrícolas indicadas; - requer produção de provas. A decisão recorrida recebeu de seus julgadores a seguinte ementa: 2 Processo n° M128.00381612002-45 83-C/ T1 Resolução a.° 3102-00.038 A. 30 Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 14/05/2002 FOLPET Produto identificado como uma mistura de FOLPET, princípio ativo de fungicida, e composto com caráter aniónico, se classifica no código IVCM 3808.20.29 por se tratar de urna preparação intermediária para formulação de fungicida. Lançamento procedente. O contribuinte, restando inconformado com a decisão de primeira instância, apresentou recurso voluntário no qual ratifica e reforça os argumentos trazidos em sua peça de impugnação. Os autos foram enviados ao antigo Terceiro Conselho de Contribuintes e fui designado como relatei- do presente recurso voluntário, na forma regimental. Tendo sido criado o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pela Medida Provisória n° 449, de 03 de dezembro de 2008, e mantida a competência deste Conselheiro para atuar como relator no julgamento deste processo, na forma da Portaria n° 41, de 15 de fevereiro de 2009, requisitei a inclusão em pauta para julgamento deste recurso. É o Relatório. Voto Conselheiro MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Relator Entendo que o recurso é temPestivo e atende aos requisitos legais. Inicialmente, aponto a meus pares que a presente classificação fiscal já foi apreciada pela Terceira Câmara do antigo Conselho de Contribuintes, em decisão unânime, da lavra do ilustre Conselheiro Zenaldo Loibman, no acórdão n° 303-31.536, cuja ementa foi a seguinte: CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Produto identificado como sendo o fungicida agrícola folpet em grau técnico, a ser utilizado na formulação de preparações fungicidas. Ficou caracterizado no laudo técnico produzido pelo INT que as impurezas presentes no produto técnico são todas provenientes do processo de obtenção do folpet. Trata-se, pois, de um composto orgânico de constituição química definida, apresentado, isoladamente, em grau técnico, e não se trata de produto vendido em retalho. Classifica-se no Capitulo 29 do SH. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Ocorre que, já em fase recursal, o contribuinte trouxe aos autos cópia do laudo feito pelo INT, cru atendimento a diligência determinada pela Colenda Terceira Câmara do 3 antigo Conselho de Contribuintes, que chega a conclusões distintas e conflitantes daquelas obtidas através do laudo elaborado a pedido da fiscalização. Existindo nos autos notícia e cópia do mencionado laudo, entendo que não há como proceder ao julgamento do presente feito sem apurar se as mesmas são ou não aplicáveis aqui também, por este motivo, VOTO por converter o julgamento em diligência para que a delegacia a que está submetido o contribuinte providencie a realização de novo laudo técnico pelo Instituto Nacional de Tecnologia, respondendo os seguintes quesitos: 1) O produto sob exame é FOLPAN AGRICUR TÉCNICO, nome químico: Folpet, nome químico científico: N-(Tricorometiltio)-Ftalimida, foimula C9H4C13NO2S, concentração do IA. 880G/KG? Em caso negativo, favor fornecer os dados corretos. 2) O produto sob exame é uma pré-mistura? Qual o processo utilizado para sua obtenção? Favor informar qual a função ou propriedade conferida ao produto por cada componente e o processo de fabricação do mesmo. 3) Qual a aplicação principal ou predominante do produto? Se houver outras aplicações, favor informar. 4) O produto contem impurezas decorrentes ou provenientes do processo de fabricação? 5) Na confecção do produto foi adicionado (ou deixado) ao mesmo algum componente por motivo de segurança, por necessidade de transporte ou indispensável à sua conservação? Em caso afirmativo, esta substância atribuiu alguma caracteristica especial ou o tomou especialmente apto a algum uso especifico? Favor especificar. 6) Favor acrescentar os comentários e informações que no entender do técnico responsável são importantes para a correta classificação fiscal do produto ou sua identificação não abrangidas nos quesitos anteriores. Com o recebimento do laudo técnico, a delegacia a que está submetido o contribuinte deverá intimar o mesmo para, querendo, se manifestar no prazo de 15 (quinze) dias. Após, retomem os autos a este Conselho, devendo a Secretaria intimar a douta Procuradoria da Fazenda Nacional a se manifestar, no prazo de 15 (quinze) dias, sobre o resultado da diligência e, finalmente, devem retomar os autos para continuidade regular do julgamento. É como voto. n. r2 f?vil aka -44\rnetaci„,-;) CELO RIBEIRO NOGUEIRA 4
score : 1.0
Numero do processo: 15521.000132/2010-18
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jun 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2006
DECISÃO DEFINITIVA
É definitiva a decisão de primeira instância pela inexistência de litígio em sede de recurso voluntário interposto.
Numero da decisão: 1803-002.204
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário pela inexistência de litígio no procedimento, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Artur José André Neto e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário pela inexistência de litígio no procedimento, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Artur José André Neto e Carmen Ferreira Saraiva. Relatório Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às fls. 0511, com a exigência do crédito tributário no valor de R$45.908,44 a título de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), juros de mora e multa de ofício proporcional referente ao terceiro trimestre do anocalendário de 2005 de apurado pelo regime de tributação com base no lucro real. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 52 1. 00 01 32 /2 01 0- 18 Fl. 100DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15521.000132/201018 Acórdão n.º 1803002.204 S1TE03 Fl. 101 2 O lançamento fundamentase na falta de recolhimento do tributo apurado a partir do cotejo entre o valores informados na Declaração de Informações EconômicoFiscais (DIPJ e aqueles escriturados no Livro de Notas Fiscais de Prestação de Serviços e na falta confissão do débito na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais, em conformidade com o Termo de Verificação Fiscal, fls. 0622. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 247 e art. 841 do Regulamento do Imposto de Renda constante no Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR, de 1999). Cientificada, a Recorrente apresenta a impugnação, fls. 3443, com as alegações abaixo sintetizadas. Em relação ao Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) suscita que: 2. Referente ao IRPJ constatado no Termo de Verificação elaborado pelo Sr. AuditorFiscal, que totaliza o valor R$45.908,44, em levantamento anterior realizado pela empresa já havia sido constatado tal dívida. Contudo, não foi paga anteriormente pelo motivo que o Sr. AuditorFiscal estava elaborando o Termo de Verificação não podendo resolver tal pendência de pronto. Desta feita, houve o pagamento integral do valor mencionado, conforme se comprova pelo comprovante em anexo, quando do recebimento do Auto de Infração em questão, demonstrando a boafé da empresa na resolução de tal verificação. No que se refere à Apelação em Mandado de Segurança n° 2005.70.09.0034820/PR, que se encontra pendente de trânsito em julgado, diz que: Pleiteia a empresa o reconhecimento da inconstitucionalidade e ilegalidade da cobrança do PIS, COFINS, CSLL E IRPJ sobre o total da fatura emitida quando da prestação de serviços de intermediação de mão de obra temporária nos termos da Lei 6.019174, requerendo a conseqüente repetição de indébito. Não há, pois, qualquer controvérsia sobre o fato de que a empresa presta serviços de intermediação de mão de obra temporária , nos termos do disposto na Lei 6.019174, matéria esta que é objeto da presente ação. E a forma de tributação defendida pela Autora do Mandado de Segurança, conforme já demonstrado, já foi pacificada pelo Superior Tribunal de Justiça, conforme adiante são citados os julgados, quando da prestação de serviços de intermediação de mão de obra temporária. Procura demonstrar as especificidades de sua atividade de prestação de serviços no seguinte sentido: Então, tendo a Recorrente por objeto social a "locação de mão de obra temporária, nos termos da Lei 6.019/74", é certo que a mesma se trata de empresa de trabalho temporário, nos termos da Lei 6.019/74, independentemente de seu objeto social referirse à outros objetos sociais além da locação de mãodeobra temporária. [...] Não há, então, que se considerar que a Recorrente simplesmente presta serviços especializados, ignorandose que. tanto o seu contrato social quanto os contratos firmados e faturas emitidas demonstram inequivocamente que a mesma presta serviços de "intermediação de mãodeobra temporária, nos termos da Lei Fl. 101DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15521.000132/201018 Acórdão n.º 1803002.204 S1TE03 Fl. 102 3 6.019/1974", de forma que o preço do serviço prestado é a chamada "taxa de administração". A equiparação da prestação de serviços especializados à prestação de serviços de "intermediação de mão de obra temporária, nos termos da Lei 6.019/1974" implica em omissão, eis somente a prestação dos serviços de "intermediação de mãodeobra temporária, nos termos da Lei 6.019/1974" são objeto do presente mandamus. [...] Ora, quando o artigo 4º da Lei 6.019/1974 dispõe que os trabalhadores serão "por elas remunerados e assistidos", referese às empresas tomadoras dos serviços, ou, nas palavras do próprio artigo, às "outras empresas" que não a empresa de trabalho temporário. Então, ao contrário do que entendeu o E. Tribunal a quo, em verdade os trabalhadores temporários, apesar de contratados e registrados pela empresa de trabalho temporário, são remunerados pelas empresas tomadoras do serviço, na esteira do disposto no artigo 4º da Lei 6.019/1974. Não há que se falar que tais trabalhadores sejam remunerados pela Impetrante, sendo os mesmos apenas por si contratados. [...] Percebese que o próprio Fisco reconhece que a receita dos contribuintes, nestes casos, somente pode estar relacionada com o preço do serviço ou bem comercializado, frisando que qualquer valor estranho à base de cálculo deverá ser excluído, notadamente quanto a valores de propriedade de terceiros. [...]. Percebese, aqui, que também o STJ faz a necessária distinção entre valores pertencentes a terceiros e despesas operacionais. E, nos julgados que se seguem, notase facilmente o mesmo posicionamento quanto à ilegalidade da tributação, a cargo das empresas, de verbas salariais pertencentes a terceiros e encargos, a menos que se trate da normal incidência da contribuição social sobre folha. [...] Assim, qualquer decisão diversa afronta o entendimento do Supremo Tribunal Federal quando do julgamento do RE n° 112.0401/RJ, do Superior Tribunal de Justiça quando do julgamento do REsp nº 411.580 e do REsp no 399.596, bem como do Tribunal Regional Federal da 1 Região, no julgamento do Recurso de Apelação n° 1999.01.00.0177146/DF. [...] No mesmo sentido não houve Crime contra a Ordem Tributária, posto que não houve máfé da empresa em nenhum momento, haja vista que entregou todos os documentos requisitados pelo Sr. AuditorFiscal e se houvesse qualquer ilícito não haveria esse pronto atendimento ao fiscal. A DIPJ entregue zerada pelo Sr. Contador foi um equívoco, haja vista que a empresa estava em mudanças internas de sistemas contábeis e para não entregar valores errôneos o Sr. Contador preferiu (sem consulta a empresa) entregar tal documento zerado. [...] Apesar dos erros do seu contador, restou demonstrado em todo o processo fiscal a boafé da empresa, que após demitir o contador que apresentou a DIPJ zerada, contratou empresa de auditoria contábil justamente para levantar possíveis erros efetuados e regularizar a situação. Pagou a dívida incontroversa apurada e aguarda decisão judicial quanto a parte controversa. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15521.000132/201018 Acórdão n.º 1803002.204 S1TE03 Fl. 103 4 Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui: 8. ISTO POSTO, requer seja a presente impugnação conhecida, reconhecendo de imediato a total improcede a da autuação fiscal pelas razões acima aduzidas; 9. Alternativamente ao pedido anterior, por amor ao princípio da argumentação, caso, excepcionalmente, não seja aquele o entendimento de Vossas Senhorias, seja suspenso o presente processo administrativo até final decisão judicial transita em julgado da demanda judicial que tem por objeto a discussão dos débitos que foram imputados à Recorrente, por ocasião da lavratura do presente Mandado de Procedimento Fiscal; 10. Requer, finalmente, sejam enviados todos os despachos, intimações e comunicados a respeito do presente processo administrativo aos ora procuradores da empresa, com escritório profissional na Avenida Sete de Setembro, no 5793, Batel, CuritibaPR, CEP 80.240001, sob pena de nulidade dos atos que assim não forem praticados. Está registrado como resultado do Acórdão da 1ª TURMA/DRJ/RJO I/RJ nº 1235..751, de 17.02.2011, fls. 7071: “Impugnação Improcedente”. Restou ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 DIFERENÇA APURADA ENTRE O VALOR ESCRITURADO E O DECLARADO/PAGO. O lançamento se consolida administrativamente no que se refere à matéria não impugnada. Notificada em 18.04.2011, fl. 75, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 17.05.2011, fls. 7782, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge e reitera os argumentos apresentados na impugnação. Conclui: 9. Em suma, constatase que a Recorrente efetuou o pagamento em momento pretérito, quando do recebimento do auto de infração, sendo que não consta saldo residual de tal dívida. 10. ISTO POSTO, requer seja a conhecida a presente impugnação / defesa, sendo reformado o acórdão no 1235.751 1ª Turma da DRJ/RJ1, para fins de reconhecimento do pagamento do débito tributário e, consequente, extinção do crédito tributário. 11. Por derradeiro, requer sejam enviados todos os despachos, intimações e comunicados a respeito do presente processo administrativo aos ora procuradores da Fl. 103DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15521.000132/201018 Acórdão n.º 1803002.204 S1TE03 Fl. 104 5 empresa, com escritório profissional na Avenida Sete de Setembro, no 5793, Batel, CuritibaPR, CEP 80.240001, sob pena de nulidade dos atos que assim não forem praticados. (grifos acrescentados) Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora Em preliminar tem cabimento o exame da instauração do litígio em sede de recurso voluntário interposto. As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes são asseguradas aos litigantes em processo administrativo. Por esta razão há previsão de que a pessoa jurídica seja intimada para apresentar sua defesa. Assim, no presente caso se aplicam as disposições do processo administrativo fiscal que estabelece que a peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses e instruída com os todos documentos em que se fundamentar. Serão também definitivas as decisões de primeira instância na parte que não for objeto de recurso voluntário1. Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática. Consta no Voto condutor do Acórdão da 1ª TURMA/DRJ/RJO I/RJ nº 12 35..751, de 17.02.2011, fls. 7071: Primeiramente, observo que este processo trata tãosomente do lançamento de IRPJ. Houve lançamento em face de ter sido apurada diferença entre o valor escriturado e o declarado/pago, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal. O interessado não apresenta qualquer alegação ou documentação de forma a demonstrar a inexistência da infração que lhe foi imputada. Ao contrário, alega que, referente ao IRPJ, já havia constatado a dívida e estava aguardando o relatório da fiscalização para resolver a pendência, efetuando o pagamento integral do valor lançado. Eventual pagamento efetuado após o lançamento não tem o condão de elidilo, devendo ser considerado pela autoridade lançadora na extinção do crédito.. Portanto, como o interessado deixa de contestar a infração que lhe foi imputada, tornase, assim, incontroverso o lançamentoo lançamento se consolida administrativamente no que se refere à matéria não impugnada. Deste modo, deve ser mantido o lançamento. A Recorrente requer tãosomente o “reconhecimento do pagamento do débito tributário e, consequente, extinção do crédito tributário”. 1 Fundamentação legal: incisos LIV e LV do art. 5º da Constituição Ferderal, art. 16 e art. 42 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15521.000132/201018 Acórdão n.º 1803002.204 S1TE03 Fl. 105 6 Em conformidade com o inciso IX art. 224 do Anexo do Regimento Interno da RFB, aprovado pela Portaria MF nº 203, de 14 de maio de 2012, cabe à DRF que jurisdiciona a Recorrente “desenvolver as atividades relativas à cobrança, recolhimento de créditos tributários e direitos comerciais, parcelamento de débitos, retificação e correção de documentos de arrecadação”. Logo, restando evidenciada a apresentação da petição sem que seja oposto qualquer argumento de competência do CARF para seu julgamento em face da decisão de primeira instância, essa decisão tornouse definitiva pela inexistência de litígio em sede de recurso voluntário interposto, caso em que o procedimento considerase findo na esfera administrativa. Em assim sucedendo, voto por não conhecer do recurso voluntário pela inexistência de litígio no procedimento. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 105DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
score : 1.0
Numero do processo: 11080.900075/2008-21
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Jun 30 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/04/1996 a 30/04/1996
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. PAGAMENTO A MAIOR. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. INEFICÁCIA DO DISPOSITIVO LEGAL.
Os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, previsto pela Lei nº 9.718/98, para fins de determinação da base de cálculo do PIS e da Cofins, não pode ser utilizado como argumento de defesa para reivindicar crédito no bojo de suposto pagamento efetuado anteriormente à vigência do dispositivo legal.
Numero da decisão: 3803-006.870
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, Paulo Renato Mothes de Moraes, Samuel Luiz Manzotti Riemma e Carolina Gladyer Rabelo.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/04/1996 a 30/04/1996 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. PAGAMENTO A MAIOR. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. INEFICÁCIA DO DISPOSITIVO LEGAL. Os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, previsto pela Lei nº 9.718/98, para fins de determinação da base de cálculo do PIS e da Cofins, não pode ser utilizado como argumento de defesa para reivindicar crédito no bojo de suposto pagamento efetuado anteriormente à vigência do dispositivo legal.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/1996 a 30/04/1996 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. CONDIÇÃO. PROVA. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. A extinção de débitos mediante compensação declarada pelo sujeito passivo condicionase a ulterior comprovação da certeza do crédito utilizado. A ausência da prova da existência do pagamento impossibilita o conhecimento do recurso. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/1996 a 30/04/1996 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. PAGAMENTO A MAIOR. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. INEFICÁCIA DO DISPOSITIVO LEGAL. Os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, previsto pela Lei nº 9.718/98, para fins de determinação da base de cálculo do PIS e da Cofins, não pode ser utilizado como argumento de defesa para reivindicar crédito no bojo de suposto pagamento efetuado anteriormente à vigência do dispositivo legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 90 00 75 /2 00 8- 21 Fl. 90DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, Paulo Renato Mothes de Moraes, Samuel Luiz Manzotti Riemma e Carolina Gladyer Rabelo. Relatório Trata o presente de recurso voluntário contra o acórdão da DRJ/Porto Alegre que considerou improcedente a manifestação de inconformidade Despacho decisório da DRF/Porto Alegre não homologou a compensação declarada pela Contribuinte por inexistência do crédito da Contribuição para o PIS/Pasep perante a Fazenda Nacional, não tendo o órgão de origem localizado o DARF indicado na DComp. Em manifestação de inconformidade a Interessada alegou que o crédito utilizado era decorrente de pagamento indevido sobre valores repassados a terceiros, que deveriam ter sido excluídos da base tributável, com base no art. 3°, § 2º, inciso III, da Lei 9.718/1998. Também foi alegado que houve burla à lei pela falta de regulamentação do dispositivo retrocitado, o que geraria majoração. Em julgamento da lide, a DRJ Porto Alegre considerou que o dispositivo legal invocado não atuou em sua eficácia, dada a falta de sua regulamentação pela RFB, tendo sido revogado em julho de 2000. Aduziu também que a Contribuinte não trouxe aos autos qualquer documento comprobatório dos repasses, e, portanto, do direito alegado. A decisão foi ementada com segue: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/03/2003 a 31/03/2003 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO Direitos creditórios pleiteados via Declaração de Compensação — Nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, essencial a comprovação da liquidez e certeza dos créditos para a efetivação do encontro de contas. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE O controle de constitucionalidade da legislação que fundamenta o lançamento é de competência exclusiva do Poder Judiciário e, no sistema difuso, centrado em última instância revisional no STF. Compensação não Homologada Cientificada da decisão em 13 de agosto de 2008, irresignada, a Interessada apresentou recurso voluntário em 11 de setembro de 2008, em que reitera os mesmos argumentos da manifestação de inconformidade, sustentando, adicionalmente, o seu direito com base na vacatio legis resultante da declaração de inconstitucionalidade da parte final do art. 15, in fine, da MP nº 1.212/95 (art. 18, in fine, da Lei nº 9.715/98). É o Relatório. Fl. 91DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11080.900075/200821 Acórdão n.º 3803006.870 S3TE03 Fl. 91 3 Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa, Relator O recurso é tempestivo. Tenhase que somente no recurso voluntário foi apresentado o fundamento da ocorrência de vacatio legis, resultante da declaração de inconstitucionalidade da parte final do art. 15, in fine, da MP nº 1.212/95 (art. 18, in fine, da Lei nº 9.715/98), para sustentar a legitimidade do crédito utilizado na DComp. Esta matéria não foi prequestionada perante a primeira instância, não se tendo instaurado quanto a ela o litígio. Portanto, não pode ser conhecida. Na parte que se conhece, gizese que passou ao largo da observação do d. Julgador a quo que o motivo da não homologação da compensação declarada foi o DARF originador do crédito indicado na DComp não ter sido localizado. O DARF é de junho de 1996. Consta na DComp ter sido pago em 15 de junho de 2003. Improvável que seja fato esta declaração. Daí o sistema não têlo localizado. Assim, apresentavase para a Manifestante, primeiramente, a necessidade de provar o seu recolhimento, ainda que tivesse ocorrido em julho de 1996. Esta prova haveria de estar presente para que a Manifestante pudesse sustentar qualquer argumento de pagamento a maior relativo a ele, além da demonstração contábil/fiscal do alegado indébito Em vista desse lapso, a manifestação de inconformidade poderia ter sido declarada inepta, podendo a decisão de primeira instância ter sido produzida apenas em torno desta prejudicial de mérito, na medida em que a mera prova da existência do pagamento, para contraporse ao resultado da busca feita pelos sistemas da RFB, estava ausente na peça. Entretanto, adentrou no mérito quanto ao fundamento jurídico do pretendido crédito, o art. 3º, § 2º, inciso III, da Lei nº 9.718/98. No recurso voluntário, novamente não há prova de que o DARF indicado existe. Sendo ele referente ao período de apuração junho de 1996, o teor da defesa pela exclusão, da base de cálculo, dos valores transferidos a terceiros computados como receitas, uma vez prevista por um uma lei promulgada e publicada anos após, 1998, não se coaduna com a pretensão da Recorrente. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 92DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 Fl. 93DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 10070.001227/2002-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri May 29 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001
COMPENSAÇÃO - SALDO NEGATIVO - IRRF - RETENÇÕES COMPROVADAS POR DIRF - DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO
Comprovadas as retenções que integraram o saldo negativo apurado pela contribuinte, de rigor reconhecer o direito creditório apontado, homologando-se as compensações pretendidas até o limite do crédito confirmado.
Numero da decisão: 1201-001.194
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso voluntário, a fim de reconhecer a totalidade do direito creditório no montante de R$ 151.310.083,40, tal como inicialmente pleiteado, homologando-se as compensações até o limite do crédito a que a Recorrente faz jus.
(documento assinado digitalmente)
RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO - PRESIDENTE
(documento assinado digitalmente)
JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR - RELATOR
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rafael Vidal de Araújo (Presidente), Marcelo Cuba Netto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Lima Junior (Vice Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2001 COMPENSAÇÃO - SALDO NEGATIVO - IRRF - RETENÇÕES COMPROVADAS POR DIRF - DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO Comprovadas as retenções que integraram o saldo negativo apurado pela contribuinte, de rigor reconhecer o direito creditório apontado, homologando-se as compensações pretendidas até o limite do crédito confirmado.
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso voluntário, a fim de reconhecer a totalidade do direito creditório no montante de R$ 151.310.083,40, tal como inicialmente pleiteado, homologandose as compensações até o limite do crédito a que a Recorrente faz jus. (documento assinado digitalmente) RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO PRESIDENTE (documento assinado digitalmente) JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR RELATOR AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 0. 00 12 27 /2 00 2- 72 Fl. 1438DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/0 4/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rafael Vidal de Araújo (Presidente), Marcelo Cuba Netto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Lima Junior (Vice Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado. Relatório Tratase de retorno de diligência, determinada, por unanimidade, pelos membros deste colegiado em sessão de julgamento realizada em 17 de junho de 2009. Antes de os presentes autos serem remetidos à inferior instância para realização da diligência supra, foram assim relatados (fls. 1202/1204 – paginação manual): “Tratase de pedido de restituição e pedidos de compensação convertidos em Declarações de Compensação Dcomp e Dcomp eletrônicas. O recorrente pleiteava a restituição de R$ 160.043.790,86 (cento e sessenta milhões, quarenta e três mil, setecentos e noventa reais e oitenta e seis centavos), referente a saldo negativo de Imposto de Renda Pessoa Jurídica, atualizado, apurado na Declaração de Imposto de Renda, ano calendário 2001; e a posterior compensação deste valor com débitos de IRRF, IPI, PIS e COFINS. Através do Despacho Decisório Parecer n° 65/2007 (fls. 1043/1047), houve o reconhecimento parcial do crédito e foram homologadas as compensações, até o limite do direito creditório reconhecido. O Despacho decisório reconheceu à recorrente o direito creditório no valor de R$ 150.299.201,06 (cento e cinquenta milhões, duzentos e noventa e nove mil, duzentos e um reais e seis centavos). A recorrente, então, apresentou manifestação de inconformidade (fls. 1080/1085), na qual alegou que o valor do crédito, em 31/12/2001, não seria de apenas R$ 150.299.201,06 (cento e cinquenta milhões, duzentos e noventa e nove mil, duzentos e um reais e seis centavos), mas sim de R$ 151.310.083,43 (cento e cinquenta e um milhões, trezentos e dez mil e oitenta e três reais e quarenta e três centavos). A diferença seria oriunda de erro na elaboração dos cálculos, especificamente, de erro constante no quadro de fls. 1045, em relação ao valor do IRRF código de retenção 3426. Alegou, ainda, que a divergência em relação ao valor de R$ 8.742.489,20 (oito milhões, setecentos e quarenta e dois mil, quatrocentos e oitenta e nove reais e vinte centavos) seria oriunda da atualização do crédito, feita com base na variação da taxa SELIC. A Delegacia de Receita Federal de Julgamentos indeferiu a solicitação da recorrente (fls. 1121/1123), sob argumento de que a Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte apresentada, tendo o recorrente como interessado, espelha exatamente os números Fl. 1439DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/0 4/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O Processo nº 10070.001227/200272 Acórdão n.º 1201001.194 S1C2T1 Fl. 1.438 3 considerados pela fiscalização, qual seja, o valor de R$ 150.299.201,06 (cento e cinquenta milhões, duzentos e noventa e nove mil, duzentos e um reais e seis centavos). Assim o quadro demonstrativo de fls. 1045 estaria rigorosamente de acordo com a DIRF. Intimada em 05/11/2007, a recorrente apresentou, tempestivamente, Recurso Voluntário, no qual alega que o problema em relação aos valores do crédito se resume ao montante retido por duas fontes pagadoras: Bradesplan Participações S/A e Ita Energética S/A. Segundo o recorrente, os valores informados pelas empresas não correspondem ao valor informado pela fiscalização no quadro de fls. 1045. Para comprovar o alegado, traz a recorrente aos autos os documentos de fls. 1173/1191/e 1194/1196, quais sejam, cópia da ficha 43 da DIPJ 2002 e comprovantes de rendimentos pagos ou creditados e de retenção de imposto de renda na fonte, onde constam os valores supostamente não considerados pela fiscalização; e cópia do recibo de entrega da Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte enviada pelo contribuinte Bradesplan Participações S/A, respectivamente. Requer, então, a realização de diligências para que sejam verificados os valores retidos informados e, após a confirmação da exatidão dos mesmos, seja reconhecido o crédito e autorizadas as compensações.” Como supramencionado, deferida, na sessão de julgamento de 17 de junho de 2009, a realização da diligência requerida pela Recorrente, os autos retornaram à pauta de julgamento com os documentos e conclusão fiscal de fls. 1410/1420 e 1425/1427, respectivamente. É o relatório. Voto Conselheiro JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR RELATOR O Recurso é tempestivo, dele tomo conhecimento. Inicialmente, para que não mais pairem dúvidas, impende esclarecer que, de fato, não há lide no que toca à diferença, decorrente da atualização do saldo negativo constante de DIPJ/2002, entre o direito creditório pleiteado e o reconhecido, senão vejamos: Às fls. 1049/1074 (paginação manual) foram acostados extratos que demonstram as compensações que foram efetuadas por ocasião do reconhecimento parcial do direito creditório através do despacho decisório. Fl. 1440DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/0 4/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O 4 Da leitura dos extratos depreendese que o crédito manejado para as compensações fora devidamente atualizado pela Taxa SELIC, incidente no período compreendido entre a data do ajuste anual e a data de transmissão dos pedidos de compensação de fls. 17, 21, 27, 33, 38, 42, 46, 81, 85, 90, 96, 101, 104, 251, 255, 257, 258, 260, 266, 270, 288, 291, 293, 296, 298, 300, 303, 305, 309, 310 e 313 (paginação manual). Afinal, em que pese o extrato apontar o valor do crédito no montante de R$150.299.201, 06, cada uma das compensações realizadas se deu em valor superior a parcela de crédito utilizada, deflagrando, pois, sua clara e inconteste atualização. Posto isso, passase à análise do mérito do presente Recurso Voluntário. A controvérsia que remanesce cingese à matéria de fato, consubstanciada na necessidade de comprovação, através de apresentação de DIRF, das retenções que dariam ensejo ao reconhecimento da integralidade do crédito propugnado pela Recorrente. A Recorrente alega que a diferença entre os R$ 151.310.083,40 inicialmente pleiteados e o montante de R$ 150.299.201,06, reconhecido pelas instâncias administrativas inferiores, referese às retenções sofridas sob os códigos de receita 1708 e 3426, feitas pelas empresas Itá Energética S/A e Bradesplan Participações S.A nos valores de R$ 2.103,51 e R$1.022.842,68, respectivamente. A diligência fiscal trouxe a lume os documentos de fls. 1410/1420, documentos estes que se prestam a demonstrar todas as retenções sofridas pela Recorrente no anocalendário 2001. Nesse passo, há que se destacar as informações constantes da consulta às DIRFs das empresas retentoras, acostadas às fls. 1419 e 1420: Fl. 1441DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/0 4/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O Processo nº 10070.001227/200272 Acórdão n.º 1201001.194 S1C2T1 Fl. 1.439 5 Corroborando o direito creditório pleiteado pela contribuinte, destaquese, ainda, a informação fiscal colacionada às fls. 1425/1427, resultado da diligência, que concluiu pela efetividade das retenções sofridas, senão vejamos: “CNPJ: 33.042.730/000104 (...) CNPJ: 33.042.730/011572 CÓDIGO REND. BRUTO IMP. RETIDO 1708 140.233,72 2.103,51 TOTAL 140.233,72 2.103,51 (...) CÓDIGO REND. BRUTO IMP. RETIDO 1708 458.473,63 6.877,11 3426 8.779.158,25 1.755.828,93 5273 153.025.996,64 30.605.199,31 5706 6.435,18 965,14 6800 594.703.391,94 118.940.677,93 8045 855.151,93 12.495,32 TOTAL 757.828.607,57 151.322.043,74 Fl. 1442DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/0 4/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O 6 2.) Com relação ao valor retido pela empresa Bradesplan Participações S/A, CNPJ: 61.782.769/000101, Código: 3426, constatouse que o mesmo foi devidamente lançado na DIRF de fl.1419, conforme determina a legislação; 3.) Quanto ao valor retido pela empresa Ita Energética S/A, CNPJ: 01.355.994/000121, Código 1708, constatouse que foi devidamente lançado na DIRF pela recorrente na filial: 33042.730/011572 à fl.1420, conforme previsto em lei.” De se notar, portanto, que a soma das retenções coadunamse exatamente aos valores apontados pela Recorrente. Assim, à luz dos documentos trazidos pela diligência fiscal, mormente as DIRFs de fls. 1419 e 1420, que comprovam cabalmente que as empresas Itá Energética e Bradesplan efetuaram as retenções a que aludiu a Recorrente, de rigor dar provimento ao presente Recurso Voluntário, a fim de reconhecer a totalidade do direito creditório no montante de R$ 151.310.083,40, tal como inicialmente pleiteado, homologandose as compensações até o limite do crédito a que a Recorrente faz jus. É como voto. (documento assinado digitalmente) JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR RELATOR Fl. 1443DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/0 4/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O
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Numero do processo: 16327.001467/2009-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 12 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue May 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2005
Autos de Infração sob N° 37.265.7818
Consolidados em 30/12/2009
BÔNUS DESEMPENHO.
Tratando de pagamento eventual de futuro incerto, onde várias circunstâncias há de ocorrer para que o evento ocorra, independente do labor, não pode ser considerado pagamento de natureza salarial remuneratória.
No caso em tela trata-se de pagamento realizado a segurado empregado e ou dirigente, por conta de Acordo Coletivo de Trabalho, onde o seu pagamento estava consubstanciado a diversos fatores para que obtivesse resultado desejado e acordado, fazendo jus ao recebimento por merecimento, de natureza eventual, portanto, não incidindo contribuição previdenciária.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2301-004.330
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado: I) Por maioria de votos: a) em dar provimento ao recurso, pela ausência de demonstração do fato gerador da contribuição previdenciária, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Daniel Mendes Melo Bezerra e Cleberson Alex Friess, que votaram em converter o julgamento em diligência, a fim de anexar relatório fiscal e documentos relativos a lançamento diverso, formalizado em relação ao mesmo sujeito passivo, citado pela fiscalização nos autos, para a comprovação dos ilícitos.
MARCELO OLIVEIRA Presidente
(assinado digitalmente)
WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA Relator
(assinado digitalmente)
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marcelo Oliveira (Presidente), Daniel Melo Mendes Bezerra, Cleberson Alex Friess, Natanael Vieira dos Santos, Manoel Coelho Arruda Junior e Wilson Antonio de Souza Correa.
Nome do relator: WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2005 Autos de Infração sob N° 37.265.7818 Consolidados em 30/12/2009 BÔNUS DESEMPENHO. Tratando de pagamento eventual de futuro incerto, onde várias circunstâncias há de ocorrer para que o evento ocorra, independente do labor, não pode ser considerado pagamento de natureza salarial remuneratória. No caso em tela tratase de pagamento realizado a segurado empregado e ou dirigente, por conta de Acordo Coletivo de Trabalho, onde o seu pagamento estava consubstanciado a diversos fatores para que obtivesse resultado desejado e acordado, fazendo jus ao recebimento por merecimento, de natureza eventual, portanto, não incidindo contribuição previdenciária. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado: I) Por maioria de votos: a) em dar provimento ao recurso, pela ausência de demonstração do fato gerador da contribuição previdenciária, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Daniel Mendes Melo Bezerra e Cleberson Alex Friess, que votaram em converter o julgamento em diligência, a fim de anexar relatório fiscal e documentos relativos a lançamento diverso, formalizado em relação ao mesmo sujeito passivo, citado pela fiscalização nos autos, para a comprovação dos ilícitos. MARCELO OLIVEIRA – Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 14 67 /2 00 9- 71 Fl. 320DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 11/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA 2 WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA – Relator (assinado digitalmente) Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marcelo Oliveira (Presidente), Daniel Melo Mendes Bezerra, Cleberson Alex Friess, Natanael Vieira dos Santos, Manoel Coelho Arruda Junior e Wilson Antonio de Souza Correa. Fl. 321DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 11/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA Processo nº 16327.001467/200971 Acórdão n.º 2301004.330 S2C3T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Auto de Infração(ai) DEBCAT nº 37.265.7761, lavrado à constituição de crédito tributário previdenciário relativo às contribuições destinadas a outras entidades e fundos(terceiros) SALÁRIO EDUCAÇÃO (FNDE Fundo Nacional do Desenvolvimento da Educação), incidentes sobre valores pagos, pelo incorporado BANCO SANTANDER BRASIL, aos empregados, a título de BÔNUS, não declarados em GFIP, relativas as competências de 12/2003 a 12/2005. Alega o Relatório Fiscal que: (i) a Recorrente não considerou como verba incidentes de contribuições para a previdência social a remuneração paga aos segurados empregados referente aos levantamentos BD1 BÔNUS DE DESEMPENHO e BO1 BÔNUS, (ii) os conceitos de remuneração e salário estão previstos nos artigos 457 e 458 da CLT, e do salário de contribuição para o empregado, está estabelecido no artigo 28, inciso I da Lei nº 8.212/1991 e no artigo 214, I, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/1999. Devidamente noticiada do lançamento, apressouse em impugnar, com suas razões, cujas quais não foram suficientes para modificarem o lançamento. Em 03 de junho de 2013 tomou ciência eletrônica da decisão de piso e no dia 02 de julho do mesmo ano aviou o presente remédio recursivo alegando: PRELIMINARES: a) decadência relativo ao período anterior a novembro de 2004; MÉRITO: i) não incidência das contribuições ao FNDE sobre o bônus e o bônus desempenho, j)da necessária aplicação da retroatividade benigna da Lei nº 11.941/2009 Fl. 322DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 11/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA 4 Voto Conselheiro WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA – Relator O presente Recurso Voluntário acode os pressupostos de admissibilidade, inclusive a tempestividade, razão pela qual, desde já, dele conheço. Passo para análise das razões. QUESTÃO DE MÉRITO NÃO INCIDÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS SOBRE O BÔNUS E BÔNUS DESEMPENHO A Fiscalização lançou no presente AI os valores pagos aos empregados segurados da REcorrente a título de 'Bônus' e Bônus Desempenho, pois para ela os valores pagos a estes títulos não estariam previstos no rol de verbas excluídas de saláriocontribuição estampado no Artigo 28, § 9º da Lei 8.212/91, eis que se trata de uma contraprestação de serviço, incidindo a contribuição ao FNDE. Segundo a Recorrente não assiste tal à Fiscalização, eis que os bônus pagos por ela a seus empregados e dirigentes dependem da ocorrência de vários fatores, sendo que a maioria fora do controle de quem paga e de quem recebe, como o resultado obtido pela empresa, o resultado de cada área específica, contando ainda com resultados obtidos pelo esforço próprio do empregado ou dirigente. Este fatores todos são cumulativos e, caso não seja cumprido um quesito, o segurado empregado e ou dirigente não fará jus. Além de haver previsão no Manual de Instrução da Recorrente os bônus em destaque foram acordados com ACT do PPR realizado com a CONTEC, e estas condições todas demonstram a eventualidade dos referidos 'bônus'. Neste sentido vejo que os 'bônus' pagos pela REcorrente, conforme documentos acostados, mormente o ACT que o evento pagamento de 'bônus' está ligado a uma série de fatores, cujos quais, em não acontecendo não haverá tal pagamento, o que configura evento possível e não certo, independente de ocorrência de ter o segurado empregado ou dirigente laborado. Vejamos que a Carta Maior prevê contribuições sociais de natureza previdenciária, em seu art. 195, I, “a”; sobre determinadas verbas trabalhistas. Assim, a contribuição é devida pelo empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício. Entretanto, não olvidemos que nem todas as verbas recebidas pelos empregados ou prestadores de serviço sofrem a incidência da contribuição previdenciária, entre elas destacamos as verbas trabalhistas de natureza eventual, como é o caso em destaque. VEjamos que no § 9º do art. 214, do Decreto 3048/99 trás um rol exemplificativo das verbas que não possuem natureza salarial. Entre elas destacamos: · os benefícios da previdência social; · a ajuda de custo; · as férias indenizadas, · o abono e respectivo terço constitucional; (DN) · aviso prévio indenizado; · participação nos lucros e resultados, · auxílio doença, etc. Fl. 323DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 11/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA Processo nº 16327.001467/200971 Acórdão n.º 2301004.330 S2C3T1 Fl. 4 5 Não olvidemos que todas as verbas de caráter não salarial, indenizatória ou encargo social, assim como a verbas percebidas de forma eventual, estão fora do âmbito de incidência da contribuição previdenciária, independente de expressa previsão legal. O STF em vários julgados8 já se manifestou no sentido de que a contribuição previdenciária só incide sobre o salário (espécie) e não sobre o total da remuneração (gênero) e expressamente exclui do seu âmbito de incidência as parcelas cuja natureza jurídica sejam indenizatórias e não habituais. 'In verbis': RE 166.172, ADI1.6596. O Ministro Marco Aurélio, Relator do RE 166.7722 RS, nas folhas de nº 722 e ss. dos autos, assim se posicionou quanto a natureza jurídico constitucional do salário: “Descabe dar a uma mesma expressão – salário – utilizada pela carta relativamente a matérias diversas, sentidos diferentes, conforme os interesses em questão. Salário, tal como mencionado no inciso I do artigo 195, não se pode configurar em algo que discrepe do conceito que se lhe atribui quando cogita, por exemplo, da irredutibilidade salarial – inciso VI do artigo 7º da Carta, considerase que, na verdade, a lei ordinária mesclou institutos diversos ao prever a contribuição. Após alusão, no caput do artigo 3º, à expressão utilizada na própria carta federal – folha de salário – ao versar sobre o que pago aos administradores avulsos e autônomos, refere a remuneração, talvez mesmo pelo fato de o preceito a que se atribui a pecha de constitucional englobar, também, os segurados empregados. Desconheceuse que salário e remuneração não são expressões sinônimas. Uma coisa é a remuneração, gênero do qual salário, vencimentos, soldo, subsídios, prólabore e honorários são espécies. Seria fácil darse à previsão constitucional em questão o alcance dado pelo Instituto, no que se fugiria até mesmo da necessidade de balizarse, de maneira precisa e clara, as bases de incidências das contribuições sociais. Suficiente seria, ao invés de utilizarse a expressão “folha de salários”, a expressão “empregador”, aludirse ao tomador de serviços e à remuneração por estes satisfeita. Com acerto, enquadraram à matéria constitucionalistas e tributaristas, dentre os quais destaco Ives Gandra, Geraldo Ataliba, Ruy Barbosa Nogueira e a também professora Misabel Abreu Machado Dersi. Esta última emitiu parecer sobre a contribuição social incidente sobre a remuneração e o prólabore pagos a autônomos e administradores. De forma proficiente, apontou as diferenças entre o vocábulo “empresa” e o vocábulo “empregador”, afirmando que o uso das expressões “empregador” e “folha de salários”, contidas na Carta de 1988, exclui as relações de trabalho não subordinado, como as que envolvem autônomos em geral e administradores. Aduziu ainda que as constituições brasileiras sempre usaram os termos empregador e salário no sentido próprio e técnico em que encontrados no direito do trabalho, o que, aliás, está consagrado jurisprudencialmente. Já disse linhas atrás, que está em tela uma ciência. Assim enquadrado o direito, o meio justifica o fim, mas não este aquele. Compreendo as grandes dificuldades de caixa que decorrem do sistema de seguridade social pátrio. Contudo, estas não podem ser potencializadas, a ponto de colocarse em segundo plano a segurança, que é o objetivo maior de uma Lei Básica, especialmente no embate cidadão/Estado, quando as forças em jogo exsurgem em descompasso”. Pelas razões expostas, tenho que os 'bônus' pagos aos segurados empregados e ou dirigentes é um evento possível de ocorrer, consubstanciados a vários fatores, não podendo ser Fl. 324DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 11/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA 6 considerado verba remuneratória, eis que não é suficiente somente o trabalho, mas, sobretudo o resultado, de caráter esporádico e eventual. Nesta seara, concluo, portanto, que a Fiscalização não conseguiu demonstrar o fato gerador da contribuição previdenciária. Com razão a REcorrente. CONCLUSÃO Diante do exposto tenho que o Recurso aviado encontrase em consonância com a legislação processual, razão pela qual dele conheço, para no mérito DARLHE PROVIMENTO. É como voto. WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA Relator (assinado digitalmente) Fl. 325DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 11/05/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA
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Numero do processo: 10715.721344/2011-14
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri May 22 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2009
Ementa MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE. PRESTAÇÃO DA INFORMAÇÃO EXTEMPORÂNEA DE FORMA ESPONTÂNEA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. POSSIBILIDADE.
O cumprimento espontâneo de obrigação tributária acessória, consubstanciada na informação dos dados de embarque no Siscomex, subsume-se à hipótese de denúncia espontânea da obrigação tributária, devendo o contribuinte ser liberado do pagamento da multa.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3801-005.030
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Flávio de Castro Pontes e Marcos Antônio Borges (Relator) que negavam provimento ao recurso voluntário. Designada para elaborar o voto vencedor a Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Vanessa Ferraz Coutinho, OAB/RJ 134.407..
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Redatora designada.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Cassio Schappo, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE. PRESTAÇÃO DA INFORMAÇÃO EXTEMPORÂNEA DE FORMA ESPONTÂNEA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. POSSIBILIDADE. O cumprimento espontâneo de obrigação tributária acessória, consubstanciada na informação dos dados de embarque no Siscomex, subsumese à hipótese de denúncia espontânea da obrigação tributária, devendo o contribuinte ser liberado do pagamento da multa. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Flávio de Castro Pontes e Marcos Antônio Borges (Relator) que negavam provimento ao recurso voluntário. Designada para elaborar o voto vencedor a Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Vanessa Ferraz Coutinho, OAB/RJ 134.407.. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 72 13 44 /2 01 1- 14 Fl. 347DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 10715.721344/201114 Acórdão n.º 3801005.030 S3TE01 Fl. 3 2 Marcos Antonio Borges Relator. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Redatora designada. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Cassio Schappo, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente). Fl. 348DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 10715.721344/201114 Acórdão n.º 3801005.030 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos, em razão do princípio da economia processual: A presente autuação referese à exigência da multa capitulada no art. 107, IV, alínea “e”, do DecretoLei n.º 37/66, com a redação da Lei n.º 10.833/2003, no valor de R$ 60.000,00, aplicada por veículo/viagem, identificado pelo respectivo vôo, por não prestar as informações sobre a carga transportada no prazo estabelecido na IN SRF n.º 28/1994, alterada pela IN RFB n.º 510/2005. A fiscalização junta planilha de fls. 6 com os dados de embarque e as datas de informação dos dados. Junta também às fls. 11/48 extratos do Sistema Siscomex (consulta dados de embarque e consulta histórico despacho). Intimada da autuação, a interessada apresentou a impugnação alegando, em síntese, o que segue: 1Preliminarmente pela nulidade do auto de infração face ao erro na fundamentação legal da penalidade aplicada. A IN SRF n.º 28/94, em seu art. 44, prevê que o descumprimento dos prazos estabelecidos ao transportador para informação dos dados de embarque constitui embaraço à atividade de fiscalização aduaneira e por esta razão o enquadramento legal da multa deveria ser a alínea “c” do item IV, do art. 107, do DecretoLei n.º 37/66, e não a alínea “d” como constou na autuação. 2Pleiteia a nulidade também pela ausência de provas da infração. A fiscalização referese, no auto de infração, aos extratos do Siscomex. No entanto tais anexos não existem. A relação de DDE’s não possui valor probatório. 3Não há prova de que o registro dos dados foi efetuado a destempo, pois a planilha que acompanha o auto, na verdade, está informando a data de averbação, pela Receita Federal, do embarque da carga, e não a do registro, porque esta não consta do Siscomex. Alega que as informações são prestadas por diferentes agentes, podendo ocorrer erros durante este processo. Também o sistema contém falhas para armazenar as tentativas de registro. Relata um caso de prestação incorreta de informação por parte do exportador que acarretaria impossibilidade de registro dos dados de embarque por parte do transportador. Também alega que as alterações dos registros, como por exemplo, de divergência de peso, constavam como novos registros e que as retificações eram efetuadas comm autorização da fiscalização. Como o sistema não registrava a primeira data Fl. 349DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 10715.721344/201114 Acórdão n.º 3801005.030 S3TE01 Fl. 5 4 na qual foi informado os dados de embarque, ficava a data correspondente à retificação. Cita Soluções de Consulta/SRFF 9.ª RF n.ºs 215 e 218/2004, que tratam da multa por embaraço e alterações dos dados de embarque. 4 A constatação da infração não leva em consideração as indisponibilidades do sistema. Traz algumas Notícias da Anvisa sobre indisponibilidade do Siscomex nos anos de 2002 a 2005. 5Cita a IN RFB n.º 835/2008, que trata sobre regras de contingência na utilização do Siscomex no caos de problemas de ordem técnica. 6 Dentre os registros indicados pela fiscalização, um deles se deu dentro do prazo de 07 dias, consideração a contagem de prazo nos termos do art. 132 do Código Civil. O início da contagem deve se dar em dias de expediente normal, conforme Solução de Consulta n.º 215/2004. Portanto o vôo AAR/1255 do dia 17/02/2009 teve o registro dos dados de embarque tempestivamente no dia 25/02/2009.. 7 Protesta pela inexistência de embaraço à fiscalização, desoneração às exportações e violação à finalidade do ato administrativo. Alega que não houve prejuízo ao interesse público ou ao fisco. Argumenta que a multa não tem razão de existir, pois nenhum tributo deixou de ser recolhido e a conduta supostamente praticada pela impugnante é irrelevante para o direito tributário. 8 Protesta também pelos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade. 9Alega o incontestável caráter confiscatório das multas aplicadas à impugnante e relaciona às fls. 47/48 os processos administrativos fiscais de cobrança da referida multa no período de 2004 a 2009 que totalizam o valor absurdo de R$4.225.000,00. 10Requer, ao final, a nulidade do auto de infração. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (SC) julgou improcedente a Impugnação, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano calendário: 2009 Ementa: RESPONSABILIDADE OBJETIVA. LANÇAMENTO. ATIVIDADE VINCULADA E OBRIGATÓRIA. O registro dos dados de embarque no Siscomex após o prazo estabelecido pela legislação de regência constitui infração objetiva cominada com a multa de cinco mil reais por viagem cujos dados de embarque foram registrados intempestivamente, em face de expressa determinação legal. Impugnação Improcedente Fl. 350DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 10715.721344/201114 Acórdão n.º 3801005.030 S3TE01 Fl. 6 5 Crédito Tributário Mantido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho repisando as alegações ofertadas quando da impugnação, acrescentando que com a edição da Instrução Normativa n° 1.096/2010, que deixou de definir como infração a inserção de dados de embarque de mercadorias no Siscomex, quando realizada dentro do prazo de 07 dias, devese aplicar ao caso o instituto da retroatividade benigna. disposto no art. 106. II. do Código Tributário Nacional, alegando ainda que a edição da Lei n° 12.350 de 20 de dezembro de 2010, que alterou a redação do §2° doš art. 102 do DecretoLei n° 37/66, possibilitaria a aplicação do instituto da denúncia espontânea à infração em análise, considerandose a retroatividade benigna prevista no art. 106. II, Código Tributário Nacional. É o Relatório. Fl. 351DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 10715.721344/201114 Acórdão n.º 3801005.030 S3TE01 Fl. 7 6 Voto Vencido Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. No presente caso foi lavrado Auto de Infração para cobrança da multa prevista na alínea "e" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei n° 37/1966, com redação dada pela Lei n° 10.833/2003, abaixo transcrita, haja vista o descumprindo da obrigação acessória disposta no art. 37 da IN SRF no. 28/1994, o qual foi posteriormente alterado pela IN SRF n° 510/2005: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): e) por deixar de prestar informação sobre veiculo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada ir empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga. (Grifado) A IN SRF n° 28, de 27/04/1994, em seu art. 37, na redação dada pela IN SRF n° 510/2005, determinava que referido registro deveria ser efetuado no prazo de até dois dias da data do embarque: Art. 37. 0 transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de dois dias, contado da data da realização do embarque. (Grifado) Da aplicação do novo prazo previsto na IN RFB no 1.096, de 13/12/2010. Entretanto, no tocante à penalidade, cumpre ainda verificar que a IN SRF n° 28/1994, teve sua redação alterada pela IN RFB n° 1.096, de 13/12/2010, com vigência a partir de 14/12/2010, estabelecendo o novo prazo de sete dias para a prestação das informações sobre embarque de mercadoria, conforme abaixo: Art. 37. 0 transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de 7 (sete) dias,, contados da data da realização do embarque. (Redação dada pela Instrução Normativa RFB n°1.096, de 13 de dezembro de 2010) (grifei) Portanto, vêse, de fato, que a nova redação deixou de considerar como infração a prestação da informação em tela no prazo de até 7 dias da data do embarque, o que Fl. 352DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 10715.721344/201114 Acórdão n.º 3801005.030 S3TE01 Fl. 8 7 possibilita, em tais casos – desde que a lide não tenha sido definitivamente julgada – a aplicação da retroatividade benigna capitulada no artigo 106, inciso II, “b”, do CTN, in verbis: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo: c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Quanto a contagem do prazo previsto para se prestar a informação sobre veiculo ou carga transportada, no Siscomex, este deve ser contado de forma contínua, a partir da data da realização do embarque, conforme estipulado no caput do artigo 37 da IN/SRF 28/04, excluindose na sua contagem o dia de início e incluindose o de vencimento, em obediência a forma prevista no caput do artigo 210 do CTN, independente do expediente da repartição aduaneira, uma vez que o acesso ao referido sistema informatizado pelo responsável por prestar a informação ocorre de forma ininterrupta, sem a necessidade da intervenção da repartição aduaneira. Da análise da tabela acostada aos autos temse que o lançamento foi feito considerandose as Declarações de Despacho de Exportação – DDE nas quais ao menos uma das informações sobre o embarque foi prestada em prazo superior aos 7 dias previsto na nova redação do artigo 37 da IN SRF nº 28/94 dada pela IN RFB no 1.096, de 13/12/2010. Da aplicação do instituto da denúncia espontânea No entendimento do STJ, conforme comprovam diversos julgados, a entrega extemporânea de qualquer tipo de obrigação acessória (DCTF, por exemplo) configura infração formal, não podendo ser considerada como infração de natureza tributária apta a atrair o instituto da denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN. A prestação de informações no Siscomex, como é o caso, é uma obrigação acessória e, aplicandose essa linha de raciocínio, deveria se observar a aplicação da Súmula CARF n° 49, que adota a mesma interpretação: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do CTN) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. No entanto, essa discussão foi reaberta em face da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, decorrente do art. 40 da Lei nº 12.350/2010: Art.102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Fl. 353DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 10715.721344/201114 Acórdão n.º 3801005.030 S3TE01 Fl. 9 8 § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2o A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) Apesar de alguns julgados recentes do CARF estarem admitindo a caracterização da denúncia espontânea com fundamento da nova redação do dispositivo, entendo que na aplicação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, devese analisar o conteúdo da “obrigação acessória” violada. Isso porque nem todas as infrações pelo descumprimento de deveres instrumentais são compatíveis com a denúncia espontânea, como é o caso das infrações caracterizadas pelo fazer ou não fazer extemporâneo do sujeito passivo. Esse entendimento, do qual eu compartilho, foi evidenciado em voto do eminente Conselheiro José Fernandes do Nascimento, no Acórdão 310200.988. 3a S/1a C/2a TO. S. de 22/08/2013: O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração Fl. 354DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 10715.721344/201114 Acórdão n.º 3801005.030 S3TE01 Fl. 10 9 cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2°, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Fl. 355DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 10715.721344/201114 Acórdão n.º 3801005.030 S3TE01 Fl. 11 10 Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez. Assim, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo, no caso a prestação de informação no Siscomex na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, implicaria no esvaziamento do dever instrumental, comprometendo o controle aduaneiro efetuado pela autoridade administrativa no exercício do seu Poder de Polícia. Entendese, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de obrigações acessórias caracterizadas pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira. Quanto às alegações da recorrente de que a imposição da penalidade viola os princípios da finalidade e da proporcionalidade, respeitam a matéria cuja discussão é estranha à competência deste Colegiado. Com efeito, na via administrativa o exame da lide há de se ater apenas à aplicação da legislação vigente, sendo descabido pronunciarse sobre a validade ou constitucionalidade dos atos legais, matéria que se encontra afeta ao Supremo Tribunal Federal, como se verifica dos artigos 102, I, “a” e III, “b”, da CRFB. Matéria está pacificada no âmbito administrativo, tendo sido objeto da Súmula CARF no 2, consolidada na Portaria CARF no 52, de 21/12/2010 (DOU de 23/12/2010), que dispôs, verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Desta forma, em virtude de todos os motivos apresentados e dos fatos presentes no caso concreto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 356DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 10715.721344/201114 Acórdão n.º 3801005.030 S3TE01 Fl. 12 11 Voto Vencedor Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Com o devido acatamento, ouso divergir do voto do Exmo. Sr. Relator. Como bem se infere da análise do lançamento, tratase de imposição de Multa Regulamentar pelo descumprimento de obrigação acessória convertida em obrigação principal em relação à penalidade aplicável. Há decretolei em vigor prevendo a aplicação da multa na data da ocorrência da situação que constitui o fato gerador da obrigação acessória. No caso em questão, foi prestada a informação sobre veiculo ou carga transportada, no Siscomex, após o prazo especificado no artigo 37 da IN SRF n° 28/94 com redação dada pela IN SRF n° 510/2005, o que ensejaria a aplicação da Multa. Ocorre que o artigo 138 do Código Tributário Nacional assim dispõe: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração.” Trata o dispositivo transcrito da chamada denúncia espontânea. A denúncia espontânea, por sua vez, é o instrumento através do qual se exclui a responsabilidade pela prática de alguma infração tributária por parte do contribuinte, ou responsável, desde que sejam obedecidos os preceitos ali constantes, quais sejam, pagamento do tributo devido, se for o caso, e inexistência de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização por parte da autoridade fazendária. Deveras, o sujeito passivo tem determinadas obrigações para com o sujeito ativo da relação jurídico tributária, seja de pagamento de tributos no prazo correto, seja de prestar a informação sobre veiculo ou carga transportada, no Siscomex, dentro de prazo determinado pela norma tributária, dentre outros comportamentos legalmente previstos. É, pois, a infração tributária, uma ação ou omissão praticada pelo agente da relação jurídica que, seja de forma direta ou indireta, descumpra deveres jurídicos normatizados em legislações fiscais. Fl. 357DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 10715.721344/201114 Acórdão n.º 3801005.030 S3TE01 Fl. 13 12 No caso em análise, de fato, o Recorrente cometeu uma infração, de natureza formal: a prestação da informação sobre veiculo ou carga transportada, no Siscomex, em atraso. Sempre que ocorrida uma infração tributária, fato seguinte é o surgimento de suas respectivas sanções, as quais fazem com que o contribuinte tenha a ele imputada determinada penalidade. Ocorrida a infração tributária, podem ser desencadeadas três distintas situações: 1) Na primeira, o agente responsável pela infração não realiza nenhum procedimento, quedandose silente e aguarda a eventual ocorrência da decadência do direito da Fazenda Pública em lançar tais valores. 2) A segunda possibilidade é a Fazenda Pública fiscalizar o agente infrator e, desta feita, lavrar o Auto de Infração, onde o sujeito passivo poderá impugnálo administrativamente, recorrer ao Poder Judiciário para anulálo ou, até, adimplir os valores devidos de pronto. 3) Terceira possibilidade é a chamada denúncia espontânea, ou seja, o agente se antecipa a qualquer procedimento fiscalizatório do Poder Público e efetua o pagamento dos valores de pronto, ou realiza a obrigação que deixou de cumprir, comunicandoo, após, do ocorrido. Neste último caso, como exposto acima, o CTN expressamente prevê que, para beneficiar tanto o contribuinte como o próprio Fisco, os contribuintes se valham de um instituto excludente de responsabilidade, desde que cumpram os requisitos lá constantes para sua fruição. A referida norma, art. 138 do CTN, nada mais é do que uma norma indutora de conduta, uma vez que sua hipótese de incidência conclama apenas uma atitude exclusiva do sujeito passivo, não havendo qualquer obrigação para forçálo a agir de tal forma. É uma faculdade do sujeito passivo em se autodenunciar perante a fiscalização e, desta feita, ser beneficiado pela exclusão da penalidade decorrente da infração cometida. E tal faculdade tem o dom de beneficiar tanto o sujeito passivo que recebe tal benesse, quanto à própria Fazenda. O primeiro é beneficiado porque a legislação lhe dá a oportunidade de ser perdoada a sanção, desde que satisfeitos os pressupostos daquele instituto, o que estimula o adimplemento volitivo de suas obrigações tributárias; enquanto que, para o segundo, representa um estímulo maior para o controle fiscal e o ingresso de divisas, sem que este tenha que ir fiscalizar as empresas e verificar a correição dos procedimentos adotados pelos contribuintes. Para que a denúncia espontânea surta seus efeitos, imprescindível a ocorrência de seus pressupostos. No caso ora analisado, todos os pressupostos foram observados, senão vejamos: Fl. 358DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 10715.721344/201114 Acórdão n.º 3801005.030 S3TE01 Fl. 14 13 Os pressupostos da denúncia espontânea são os seguintes: 1º) Denúncia espontânea da infração O primeiro pressuposto é a ocorrência da infração cometida – no caso, a prestação extemporânea da informação sobre veiculo ou carga transportada, no Siscomex, e, conseqüentemente, o surgimento da respectiva sanção – no caso, o pagamento de multa pelo descumprimento da obrigação fiscal. Passada esta parte, necessário se faz que o contribuinte realize a chamada “denúncia espontânea”, ou seja, que comunique à Fazenda a ocorrência da infração e o seu respectivo adimplemento. A comunicação solene foi realizada pela Recorrente, através da entrega da prestação da informação sobre veiculo ou carga transportada, no Siscomex, espontaneamente, em atraso. 2º) Pagamento do tributo devido e dos juros de mora, se for o caso. Como segundo pressuposto para a plena realização da denúncia espontânea, há a necessidade do adimplemento da obrigação que eventualmente não foi realizada a tempo correto. Neste sentido, mister é que o sujeito passivo, ao denunciarse espontaneamente para o Fisco, acompanhe junto desta comunicação o comprovante de que, ressalvada a multa, a obrigação que deveria ter sido adimplida épocas atrás tenha sido efetivamente cumprida. Vale ressaltar que, apesar de a norma referirse a “pagamento do tributo devido”, a aplicação do instituto da denúncia espontânea não fica reservado apenas para os casos de descumprimento da obrigação tributária principal, relacionada com o recolhimento do tributo efetivamente. A sanção decorrente da inobservância das regras instrumentais do Direito Tributário, notadamente aquelas relacionadas com as obrigações acessórias, também pode ser elidida pela aplicação do artigo 138 do Código Tributário Nacional. Esta assertiva resta absolutamente óbvia quando o legislador utiliza a expressão “se for o caso”. Com efeito, este pressuposto guarda íntima e direta relação com a chamada natureza das infrações fiscais, que podem ser tanto materiais, resultantes diretamente do não adimplemento de uma obrigação tributária principal ou de prestação pecuniária; quanto formais, decorrentes do não cumprimento de uma obrigação, seja através de uma atitude positiva ou negativa. Assim, o não cumprimento de uma obrigação tributária principal ou de prestação pecuniária acarretará no nascimento de uma infração tributária material, relacionada com a expressão “pagamento do tributo”. Já o de um dever instrumental, uma infração formal, está relacionada com a expressão “se for o caso”. Fl. 359DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 10715.721344/201114 Acórdão n.º 3801005.030 S3TE01 Fl. 15 14 Sempre que uma obrigação tributária principal for inadimplida, para os efeitos da aplicação do art. 138 do CTN, necessário será que se pague o tributo devido. Entretanto, se a infração ocorrida for de natureza formal, como no caso presente, a denúncia espontânea consiste simplesmente na formalização junto ao órgão fiscal, do descumprimento de sua obrigação de prestar informações tempestivamente. Não há dúvidas, portanto, que a Recorrente preencheu este segundo pressuposto necessário para que possa usufruir do instituto da denúncia espontânea como forma de afastar a responsabilidade (leiase, punição) pela infração formal cometida. Vale reiterar a importância do caput do artigo 138 do CTN, que abrange sua aplicação tanto para os casos em que há “pagamento do tributo devido”, quanto para os casos em que não há “pagamento do tributo”, como é o caso da expressão “se for o caso”, constante do final daquele texto. Qual a validade da expressão “se for o caso”, se não para as infrações em que não há qualquer relação com valores pecuniários, como são os casos dos deveres instrumentais? Se não se admitir esta possibilidade, a referida expressão seria letra morta no CTN, pois não teria aplicação alguma. Só haverá pagamento de tributo devido quando a infração tenha sido não pagálo. Nesse caso, o autodenunciante, ao confessarse, deverá pagar o tributo nãopago. Mas se a infração cometida tenha sido a não prestação de uma informação, a confissão do Recorrente não ensejará o pagamento de tributo, porquanto esse pagamento representaria a não observância do artigo 138 do CTN. 3º) Inexistência de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização relacionados com a infração. Último pressuposto para a configuração da denúncia espontânea se encontra na figura da ausência de fiscalização, por parte do Fisco, em relação ao tributo sobre o qual o contribuinte, ou o responsável, se autodenuncia. Em suma, entendo que a Recorrente preencheu correta e satisfatoriamente todos os requisitos inerentes ao instituto da denúncia espontânea. É justamente no afastamento da responsabilidade pela infração e, consequentemente, na escusa de toda forma de penalidade, de sanção, que age a denúncia espontânea. Ela funciona como uma “excludente da culpabilidade”. A infração continua existindo. Todavia, o contribuinte não é mais punível. Ou seja, as conseqüências oriundas desta nova relação jurídica (todas elas) não podem mais se externar, pois prejudicado jus puniendi em relação àquele infrator. Isto é o que diz o artigo 138 do Código Tributário Nacional ao dispor que o agente, uma vez realizada a denúncia espontânea, não pode mais ser responsabilizado pela infração cometida. A norma optou por ser o mais abrangente possível e excluiu a própria responsabilização do agente, o que impossibilita, de resto, a incidência de qualquer penalidade – ou seja, de qualquer medida que possa lhe prejudicar. Fl. 360DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 10715.721344/201114 Acórdão n.º 3801005.030 S3TE01 Fl. 16 15 Por todo o acima exposto, divirjo do voto do Exmo. Relator, e decido no sentido de dar provimento ao recurso voluntário apresentado, cancelando a exigência consubstanciada no auto de infração de fls.. É assim que voto. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Fl. 361DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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Numero do processo: 16095.000344/2008-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Jun 10 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2004 a 31/12/2006
DECISÃO CITRA PETITA. NULIDADE. É inválida a decisão que deixa de enfrentar e decidir causa de pedir ou alegação suscitada pela defesa, e que seja indispensável a sua solução, por ofensa ao aspecto substancial da garantia do contraditório, ao duplo grau de jurisdição e à exigência de motivação das decisões.
Decisão Recorrida Nula.
Numero da decisão: 2402-004.612
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância.
Julio César Vieira Gomes- Presidente
Luciana de Souza Espíndola Reis- Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Ausente o Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS
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NULIDADE. É inválida a decisão que deixa de enfrentar e decidir causa de pedir ou alegação suscitada pela defesa, e que seja indispensável a sua solução, por ofensa ao aspecto substancial da garantia do contraditório, ao duplo grau de jurisdição e à exigência de motivação das decisões. Decisão Recorrida Nula. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância. Julio César Vieira Gomes Presidente Luciana de Souza Espíndola Reis Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Ausente o Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 09 5. 00 03 44 /2 00 8- 11 Fl. 462DF CARF MF Impresso em 10/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão n.º 0524.120 da 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) Campinas (SP), fl. 434438, com ciência da autuada em 12/12/2008, fl. 440, que julgou improcedente a impugnação apresentada contra o Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) lavrado sob o Debcad no 37.153.5247, do qual o sujeito passivo foi cientificado em 02/07/2008, fl. 167. De acordo com o relatório fiscal de fl. 5763, o lançamento trata de exigência das contribuições patronais devidas para a Seguridade Social, inclusive a contribuição da empresa destinada ao custeio dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT/GILRAT), incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais nas competências 03/2004, 10/2004, 01/2005, 06/2006 e 12/2006, apuradas com base na diferença entre os valores informados em Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) e os informados em folha de pagamento, nos termos do “Anexo II – Demonstrativo das diferenças apuradas entre a GFIP e a folha de pagamento”, fl. 147149. A autuada apresentou impugnação parcial, fl. 177181, solicitando a nulidade do lançamento, alegando, em síntese, que é indevido o lançamento da competência 06/2006. Sustenta que nessa competência a base de cálculo informada em folha de pagamento corresponde a R$ 47.338,25, de modo que reconhece como devidas as seguintes contribuições: R$ 9.467,65 (20% empresa), R$ 946,76 (2% SAT), R$ 2.745,62 (5,8% terceiros), as quais afirma terem sido declaradas em GFIP. Explica que nessa competência deixou de apurar saldo a recolher a título de contribuição dos segurados e da empresa porque efetuou a compensação com seus créditos decorrentes de retenções destacadas nas notas fiscais de serviços, conforme comprovam os documentos em anexo, fls. 182428, e que recolheu as contribuições aos terceiros por meio de GPS. A DRJ julgou a impugnação improcedente e manteve integralmente o crédito tributário lançado, sob o fundamento de que a folha de pagamento juntada aos autos demonstra que está correta a base de cálculo da competência 06/2006, apurada no lançamento, no valor de R$ 53.429,07, e que o recolhimento das contribuições para os terceiros foi devidamente apropriado. Em 09/01/2009, a interessada interpôs recurso voluntário, fl. 446454, no qual alega, em preliminar, nulidade do acórdão recorrido por ter deixado de apreciar os documentos apresentadas com a impugnação, e, no mérito, reitera as razões da impugnação. É o relatório. Fl. 463DF CARF MF Impresso em 10/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 16095.000344/200811 Acórdão n.º 2402004.612 S2C4T2 Fl. 463 3 Voto Conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis, Relatora Recurso Voluntário Conheço do recurso por estar presentes os requisitos de admissibilidade. Preliminar de Nulidade do Acórdão Recorrido Vislumbro questões processuais que devem ser analisadas em primeiro plano para que seja assegurada a validade do processo. No voto condutor do acórdão recorrido foi afastada a alegação de que estaria incorreta a base de cálculo apurada no lançamento, relativa à competência junho/2006. Entretanto, a decisão recorrida deixou de se manifestar sobre a alegação de que as contribuições de R$ 9.467,65 (20% empresa), R$ 946,76 (2% SAT) e R$ 2.745,62 (5,8% terceiros) foram declaradas em GFIP, e, por conseguinte, não apresentou as razões para rejeição das GFIPs apresentadas na impugnação, juntadas às fls. 395 e seguintes. Essa questão é relevante porque o lançamento não abarca as contribuições declaradas em GFIP. O acórdão recorrido também deixou de enfrentar a afirmação de que as mencionadas contribuições, com exceção das destinadas aos terceiros, estariam extintas pela via da compensação com créditos do contribuinte, relativos às contribuições destacadas nas notas fiscais de serviço, conforme autorizado pelo § 1o do art. 31 da Lei 8.212/911, que, de acordo com as GFIPs apresentadas na impugnação, totalizariam R$ 14.923,13. Nas razões de decidir do voto condutor, há menção apenas quanto à apropriação do recolhimento das contribuições aos terceiros. A decisão que deixa de enfrentar e decidir causa de pedir ou alegação suscitada pela defesa, e que seja indispensável a sua solução, está contaminada por defeito que compromete a sua validade por ofensa ao aspecto substancial da garantia do contraditório, ao duplo grau de jurisdição, bem como à exigência de motivação das decisões (art. 93, IX, da CF/88). 1 Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mãodeobra, observado o disposto no § 5o do art. 33. (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). ... § 1º O valor retido de que trata o caput, que deverá ser destacado na nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, será compensado pelo respectivo estabelecimento da empresa cedente da mãodeobra, quando do recolhimento das contribuições destinadas à Seguridade Social devidas sobre a folha de pagamento dos segurados a seu serviço. (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). Fl. 464DF CARF MF Impresso em 10/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 O Decreto 70.235/72, em seu art. 59, inciso II, confere nulidade às decisões proferidas com preterição do direito de defesa. O Superior Tribunal de Justiça tem decidido que o vício gerado por decisão citra petita leva à anulação da decisão para que outra seja proferida em seu lugar, inclusive apontando para a natureza de nulidade absoluta do vício, com a consequente possibilidade de reconhecimento de ofício pelo órgão julgador2. No mais, considerando que o recurso é parcial, recomendase o desmembramento da parte do crédito tributário não contestada. Conclusão Com base no exposto, voto por anular o Acórdão n.º 0524.120 da 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Campinas (SP), na parte relativa ao Processo nº 16.095.000344/200811, cabendo, ao órgão julgador de primeira instância, proferir nova decisão suprindo as omissões apontadas. Luciana de Souza Espíndola Reis. 2 REsp 686.961/RJ, 2a Turma, rel Min. Eliana Calmon, j. 04.04.2006, DJ 16.05.2006; REsp 756844/SC, 5a Turma, rel. Min. José Arnaldo da Fonseca, j. 15.09.2005, DJ 17.10.2005. Fl. 465DF CARF MF Impresso em 10/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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