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Numero do processo: 11080.928474/2009-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 11 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 3302-000.149
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: ALAN FIALHO GANDRA
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Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente. (Assinado digitalmente) Alan Fialho Gandra Relator. EDITADO EM: 19/08/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Alan Fialho Gandra, Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório A empresa CERAN Companhia Energética Rio das Antas transmitiu, em 22/01/2009, o PER/DCOMP n°. 37885.81467.220109.1.3.043581 (fls. 01 e ss.), pretendendo compensar débitos próprios de tributos administrados pela Receita Federal com crédito de PIS. A DRF, através de Despacho Decisório (fls. 06), não homologou a compensação sob a fundamentação de inexistência de crédito para realização desta operação. A ciência do despacho decisório deuse em 20/10/2009 (AR às fls. 07). Irresignada, a Recorrente apresentou, em 16/11/2009, Manifestação de Inconformidade (fls. 08) contra referida decisão, afirmando, em suma, que faz jus a Fl. 305DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/08/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 20/08/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 19/08/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Processo nº 11080.928474/200938 Despacho n.º 330200.149 S3C3T2 Fl. 2 2 compensação em questão eis que, com a apresentação, em 10/11/2009, da DCTF retificadora (fls. 14 e ss.), referente ao 2º semestre/2005, o valor do crédito original da PER/DCOMP tornouse disponível para compensação dos débitos informados. O colegiado de primeira instância, por unanimidade de votos, negou provimento a manifestação de inconformidade, mantendo integralmente a decisão prolatada pela unidade de origem, sob o fundamento de que a DCTF retificadora ter sido apresentada em 10/11/2009, após o despacho decisório e visto que, até aquele momento processual, a empresa apenas menciona a existência de erro em sua DCTF sem indicar sua origem ou mesmo juntar qualquer prova que confirme o novo valor indicado. O acórdão da decisão de primeira instância tem a seguinte ementa: “DIREITO CREDITÓRIO. CERTEZA E LIQUIDEZ. A restituição e/ou compensação de indébito fiscal com créditos tributários está condicionada à comprovação da certeza e liquidez do respectivo indébito. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido”. Cientificada do acórdão, a interessada insurgese contra seus termos interpondo recurso voluntário a este Eg. Conselho. Em síntese, sustenta que a decisão de primeiro grau deve ser reformada, declarandose a homologação da compensação em baila, visto que na apreciação da compensação levouse em consideração tão somente o que estava informado na DCTF, sem considerar o informado no DACON retificador (apresentado em 11/08/2008, antes, portanto, da emissão do Despacho Decisório, que ocorreu em 07/10/2009), juntando vasta documentação. Sucessivamente, aduz a necessidade de diligência e, também, a nulidade da decisão de primeira instância por preterição do direito de defesa, visto que não foi determinada a realização de diligência. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este Relator. É o relatório. Voto Conselheiro Relator, Alan Fialho Gandra O presente Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Como se verifica do relatório acima o presente processo trata de compensação declarada, cujo crédito utilizado teria sido efetuado a maior no período de apuração 07/2005. Com o Recurso Voluntário vieram aos autos diversos documentos fiscais que podem comprovar a veracidade das afirmações apresentadas pela Recorrente em seu recurso, e a partir de uma análise inicial, constatouse que a diferença entre o valor recolhido inicialmente Fl. 306DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/08/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 20/08/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 19/08/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Processo nº 11080.928474/200938 Despacho n.º 330200.149 S3C3T2 Fl. 3 3 e o valor que se entende devido decorreria de utilização de créditos de aquisição de insumos que não haviam sido considerados inicialmente. Pelo exposto e em respeito ao princípio da Verdade Material, norteador do processo administrativo, voto no sentido de converter o julgamento em diligência à repartição de origem para que a autoridade fiscal verifique a veracidade das informações prestadas e dos alegados créditos lançados pelo Recorrente em suas DCTF e DACON retificadoras, intimando o se necessário, para apresentar informações e documentos complementares. Do resultado desta diligência deve ser o Recorrente intimado para se manifestar. Alan Fialho Gandra – Relator (Assinado digitalmente) Fl. 307DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/08/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 20/08/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 19/08/2011 por ALAN FIALHO GANDRA
score : 1.0
Numero do processo: 10830.720402/2011-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Aug 03 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2006, 2007
PRESTAÇÃO DE SERVIÇO POR PESSOA JURÍDICA. A existência da empresa previamente à prestação do serviço e a não exclusividade de atendimento descaracteriza o vínculo empregatício.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2101-002.418
Decisão: Vistos e relatados os autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Francisco Marconi de Oliveira e Luiz Eduardo de Oliveira Santos, que votaram por negar provimento ao recurso.
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente
Maria Cleci Coti Martins - Redatora ad hoc
Presentes na sessão de julgamento: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (Presidente), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, EIVANICE CANARIO DA SILVA, GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 2006, 2007 PRESTAÇÃO DE SERVIÇO POR PESSOA JURÍDICA. A existência da empresa previamente à prestação do serviço e a não exclusividade de atendimento descaracteriza o vínculo empregatício. Recurso Voluntário Provido
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decisao_txt : Vistos e relatados os autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Francisco Marconi de Oliveira e Luiz Eduardo de Oliveira Santos, que votaram por negar provimento ao recurso. Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente Maria Cleci Coti Martins - Redatora ad hoc Presentes na sessão de julgamento: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (Presidente), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, EIVANICE CANARIO DA SILVA, GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2006, 2007 PRESTAÇÃO DE SERVIÇO POR PESSOA JURÍDICA. A existência da empresa previamente à prestação do serviço e a não exclusividade de atendimento descaracteriza o vínculo empregatício. Recurso Voluntário Provido Vistos e relatados os autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Francisco Marconi de Oliveira e Luiz Eduardo de Oliveira Santos, que votaram por negar provimento ao recurso. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente MARIA CLECI COTI MARTINS Redatora ad hoc Presentes na sessão de julgamento: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (Presidente), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, EIVANICE CANARIO DA SILVA, GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 04 02 /2 01 1- 76 Fl. 7582DF CARF MF Impresso em 03/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 17/07/ 2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 03/08/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 Recurso voluntário interposto em 04/08/2011 para reverter a decisão no Acórdão 0533993 4a. Turma da DRJ/CPS que considerou improcedente a impugnação do contribuinte para o lançamento tributário deste processo. O recorrente tomou ciência do Acórdão em 06/07/2011. O lançamento tributário baseouse em duas infrações: Multas isoladas por falta de retenção ou recolhimento do IRRF, e Juros isolados por falta/atraso na retenção/recolhimento do IRRF. O procedimento fiscal fazendário originouse de documentação enviada à Receita Federal pelo Ministério Público Federal em Campinas/SP pois, em tese, conforme fiscalização do Ministério do Trabalho, o contribuinte estaria praticando crimes de sonegação fiscal e frustração de direitos trabalhistas por utilização de falsas PJ´s. O contribuinte contratava empregados como "prestadores de serviços", firmando contratos e remunerandoos através de Notas Fiscais de Serviços de pessoas jurídicas. Tais profissionais emitiam notas de prestação de serviços, entretanto, atuavam na atividade principal do empregador e desempenhavam suas funções em caráter pessoal, de modo não eventual e nas instalações da empresa ou dos clientes da mesma. Utilizandose deste expediente para "maquiar" salários sob a forma de parcelas de "prestação de serviços", a empresa sonegou os recolhimentos do FGTS, Contribuição Social, Contribuição Previdenciária e Imposto de Renda da Pessoa Física Retido na Fonte, causando prejuízo aos cofres públicos. A autoridade fiscal constatou que, diante da existência de processamento de "Folha de Pagamento" para quitação dos serviços supostamente prestados por Pessoas Jurídicas com todas as rubricas necessárias ao processamento de Folha de Pagamento da empresa, 1566 empresas existentes na "RELAÇÃO DE EMPREGADOS SEM INSCRIÇÃO" são funcionários disfarçados de pessoa jurídicas, e as 132 pessoas jurídicas relacionadas na "REL EMPREGADOS 'HÍBRIDOS PJ CLT" tem seus sócios como funcionários registrados que também recebem valores como pessoas jurídicas. O Acórdão de Impugnação está assim ementado. TRIBUTAÇÃO DE RENDIMENTOS. PESSOA FÍSICA. Os rendimentos pagos a profissionais contratados para a prestação de serviços, para os quais é elaborada Folha de Pagamento, caracterizando o efetivo controle da remuneração individual das pessoas físicas, separada e individualmente, além da coincidência da nomenclatura dos proventos e descontos com os utilizados em folha de pagamento, devem ser tributados na fonte conforme a legislação aplicável às pessoas físicas, ainda que contratados sob a forma de pessoas jurídicas. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. FATO GERADOR. O fato gerador do imposto de renda é o acréscimo patrimonial, decorrente da aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou de quaisquer proventos, não importando se tais proventos decorrem do capital, do trabalho, da combinação de ambos, ou de outras fontes. A tributação do imposto de renda obedece ao princípio da generalidade, sendo indiferente a nomenclatura utilizada para o benefício recebido pelo empregado/dirigente ou beneficiário. O que se tributa é a Fl. 7583DF CARF MF Impresso em 03/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 17/07/ 2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 03/08/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10830.720402/201176 Acórdão n.º 2101002.418 S2C1T1 Fl. 3 3 remuneração ou qualquer forma de vantagem ou rendimento, independentemente de sua denominação, origem ou do título em que é recebido. Os rendimentos pagos em dinheiro aos empregados, não albergados por isenção, relativos a benefícios indiretos, bônus, auxíliocreche, transporte, valetransporte, refeições, alimentação, valealimentação, auxílio faculdade, educação, cursos, aluguel e moradia, apresentam caráter remuneratório, constituemse em fato gerador do imposto de renda, portanto, sujeitos à retenção e ao recolhimento do IRRF pela fonte pagadora. MULTA ISOLADA. JUROS DE MORA ISOLADOS. FALTA DE RETENÇÃO. Constatada a falta de retenção do IRRF, que tiver a natureza de antecipação, depois da data fixada para a entrega da declaração de ajuste anual, são exigidas da fonte pagadora a multa de ofício e os juros de mora isolados, estes calculados desde a data prevista para o recolhimento do imposto que deveria ter sido retido até a data fixada para a entrega da declaração de ajuste anual. Irresignado, o recorrente apresenta as seguintes razões para a revisão do decisium. As empresas que realizavam serviços para a recorrente são idôneas, algumas foram criadas muito antes do início da prestação de serviços para a recorrente e a grande maioria delas (88%) ainda estava operando á época da interposição do recurso. Apresentou levantamento feito pela consultoria Ernst & Young Terco sobre a existência das empresas que prestaram serviços. Pelo relatório, 166 empresas ainda faziam, à época, publicidade na internet para gerar novos negócios. Não se pode desconsiderar a personalidade jurídica dessas empresas sem a decisão judicial, conforme art. 50 do Código Civil. Assim, é imperioso o cancelamento do auto de infração. Várias empresas prestaram serviços de forma não continuada, com intervalos de meses entre um trabalho e outro, e corroborados com notas fiscais em ordem não sequencial. Apresenta relação demonstrativa dessas empresas. Também informa que muitas das empresas emitiram notas fiscais já com numeração avançada, indicando que existiam antes da prestação dos serviços à recorrente. Adicionalmente, os valores das notas fiscais emitidas no período da prestação do serviço não eram os mesmos. O valor total das notas fiscais que constam na referida planilha (doc. 9 da impugnação) é de R$ 60.694.845,95, ou seja, 58,53% do valor utilizado na base de cálculo pela autoridade fiscal. Afirma que as empresas relacionadas na planilha anexa à impugnação (doc.9) não possuem vínculo empregatício com a recorrente, pois teria restado comprovado que também prestavam serviços a outras empresas, e não exclusivamente à Stefanini, devido a Fl. 7584DF CARF MF Impresso em 03/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 17/07/ 2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 03/08/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 emissão de notas fiscais não sequenciais à recorrente e pela numeração avançada das notas fiscais de algumas prestadoras. Informa que das 1566 empresas, durante o período fiscalizado, 414 empresas emitiram até 6 notas fiscais à Setefanini, 579 empresas emitiram até 9 notas fiscais e 812 emitiram até 12 notas fiscais, o que comprovaria a não existência de relação empregatícia. Entende que deve ser provado o vínculo trabalhista para então descaracterizar (ou desconsiderar) a existência da pessoa jurídica das 1566 empresas que prestaram serviços à recorrente. Tal vínculo não teria sido provado. A autoridade fiscal argumenta com possível identidade de nomenclatura constante nos documentos relativos aos pagamentos (folha de pagamento, etc. ), como por exemplo, "Ajuda de Custo Seguro Prof. Dit PJ", que se refere a um seguro de vida em grupo que garante o pagamento de diárias de incapacidade temporária ao segurado por motivo de doença ou acidente pessoal. No caso das notas fiscais sem número, informa que a autoridade fiscal não solicitou mais informações sobre os documentos, pois do contrário teria verificado que as notas fiscais referentes ao relatório "REL VENCIMENTO DESC" não possuem numeração iniciada com 001 e não possuem numeração ausente. Argumenta que para a comprovação do vínculo trabalhista devem ser provados os requisitos de onerosidade, pessoalidade, subordinação e continuidade, o que não ocorreu no processo. Ou seja, o fisco não teria exaurido os esforços para a configuração do suposto ilícito. Cita jurisprudência e decisões deste Conselho. Observa que o inquérito civil similar, relativo a processo na 15a. Procuradoria Regional do Trabalho foi arquivado, pois aquela PRT concluiu que "o simples fato de a Stefanini contratar empresas para a prestação de serviços determinados e específicos em sua área de atuação, dada a abrangência de seu objeto social, por si só não é capaz de configurar fraude na relação de emprego. " Considerando a falta de comprovação da existência de vínculo empregatício entre a empresa e os prestadores de serviço, também não há que se falar em juros e multa. Os valores constantes da folha de pagamento sobre os quais não foram feitas retenções de IRRF seriam referentes a rendimentos isentos ou não tributáveis, nos termos da legislação em vigor e que também teriam sido decorrentes de Convenção Coletiva de Trabalho. Relaciona os valores pagos a título de despesas com transporte de pessoal, alimentação, auxílio educação, ajuda aluguel/moradia. Em 18 de março de 2014, o presente recurso foi objeto de julgamento pela 1a. Turma Ordinária da 1a. Câmara da 2a. Seção de Julgamento deste CARF, oportunidade em que o Colegiado decidiu, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Entretanto, o Conselheiro Relator teve seu mandato encerrado antes de formalizar a referida decisão. Assim, foi necessária a designação de Redator ad hoc, conforme o art. 17, inciso III, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF no 256, de 22 de junho de 2009, vigente à época da decisão. É o relatório. Fl. 7585DF CARF MF Impresso em 03/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 17/07/ 2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 03/08/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10830.720402/201176 Acórdão n.º 2101002.418 S2C1T1 Fl. 4 5 Voto Conselheira Maria Cleci Coti Martins O recurso é tempestivo, atende aos requisitos legais e foi conhecido pela Turma julgadora. A recorrente comprovou que as empresas arroladas como prestadoras de serviços já existiam anteriormente à contratação, sendo que mais de 80% das empresas continuavam a operar à época da impugnação. Adicionalmente, as notas fiscais emitidas pelas prestadoras à recorrente não configuravam exclusividade de atendimento e, portanto, tais prestadoras possuíam outros clientes. Entendo que tais motivos podem ter sido a causa de decidir da maioria da Turma. Faço notar que: a) a presente Conselheira não participava deste Colegiado à época do julgamento do Recurso e da conseqüente prolação do Acórdão aqui formalizado; b) foram improfícuas as tentativas de obtenção das razões de decidir adotadas pelo voto condutor e encampadas pela maioria do Colegiado, sendo que o Conselheiro Relator não mais compõe o presente Colegiado. Destarte, me limito, na presente formalização, a reproduzir o decisum constante em ata. Recurso Voluntário provido. Maria Cleci Coti Martins Redatora Ad Hoc Fl. 7586DF CARF MF Impresso em 03/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 17/07/ 2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 03/08/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 10980.723757/2009-89
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Jul 31 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006
DIREITO CREDITÓRIO. DESPESAS COM FRETE INTERNACIONAL.
Não geram direito de crédito as despesas incorridas com transportadores não domiciliados no País, ainda que, por escolha do contribuinte, estas sejam creditadas a agente marítimo que os represente.
ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. VIGÊNCIA DO ART. 31 DA LEI 10.865/2004.
Não fere direito adquirido nem contraria regra de lei a regra do art. 31 da lei 10.865/2004, a qual, para períodos de apuração posteriores a 01/05/2004, veda o aproveitamento dos encargos de depreciação como descontos.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3802-004.192
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONHECER do Recurso Voluntário pra NEGAR-LHE o provimento.
(assinado digitalmente)
Joel Miyazaki - Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015).
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano Dmorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi (Relator), Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 DIREITO CREDITÓRIO. DESPESAS COM FRETE INTERNACIONAL. Não geram direito de crédito as despesas incorridas com transportadores não domiciliados no País, ainda que, por escolha do contribuinte, estas sejam creditadas a agente marítimo que os represente. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. VIGÊNCIA DO ART. 31 DA LEI 10.865/2004. Não fere direito adquirido nem contraria regra de lei a regra do art. 31 da lei 10.865/2004, a qual, para períodos de apuração posteriores a 01/05/2004, veda o aproveitamento dos encargos de depreciação como descontos. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONHECER do Recurso Voluntário pra NEGARLHE o provimento. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 37 57 /2 00 9- 89 Fl. 570DF CARF MF Impresso em 31/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 31/07/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 31/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D’morim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi (Relator), Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn. Relatório Preliminarmente, ressaltase que nos termos do artigo 17, inciso III, do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF/2015, fui designado como redator ad hoc (fl. 569), para formalização do respectivo Acórdão, considerando o resultado do julgado, conforme o constante da ATA da respectiva sessão de julgamento. O contribuinte WOODGRAIN DO BRASIL LTDA. interpôs o presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 0633.991, proferido em primeira instância pela 3ª Turma da DRJ de Curitiba/PR, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada por insuficiência de direito creditório, negandoo. Por bem explicitar os atos e fases processuais ultrapassados até o momento da análise da manifestação de inconformidade, adotase o relatório elaborado pela autoridade julgadora a quo: “Trata o presente processo do pedido de ressarcimento de crédito da Cofins não cumulativo vinculado às receitas de exportação do 2º trimestre de 2006, no valor de R$ 577.978,96 (quinhentos e setenta e sete mil e novecentos e setenta e oito reais e noventa e seis centavos), formalizado através do PER/DCOMP nº 25065.33248.020908.1.1.090137. A análise do referido pedido foi realizada pelo Serviço de Orientação e Análise Tributária, da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Curitiba, que, em conclusão aos trabalhos realizados, emitiu o Despacho Decisório DRF/CTA, de 30 de junho de 2010, o qual reconheceu parcialmente o direito creditório pleiteado, no valor de R$ 373.595,45 (trezentos e setenta e três mil e quinhentos e noventa e cinco reais e quarenta e cinco centavos). Ressalte se que a análise do pedido foi efetuada em atendimento a liminar proferida no Mandado de Segurança nº 2009.70.00.0210978/PR. Conforme consta da decisão mencionada, a autoridade fiscal realizou, primeiramente, um ajuste nos valores das receitas informadas no DACON. Foram considerados como receitas de exportação e do mercado interno os valores constantes dos Livros de Registro de Saídas, excluindose os valores das receitas financeiras; e do valor da receita bruta foram excluídos os descontos concedidos pela empresa de forma incondicional, pelo fato de os mesmos não integrarem a base de cálculo das contribuições (PIS e Cofins). Em conseqüência dessas correções, a autoridade procedeu a um novo cálculo do rateio proporcional a ser aplicado sobre os valores dos créditos da nãocumulatividade. No tocante aos créditos da nãocumulatividade a autoridade administrativa realizou glosas nas seguintes rubricas: Fl. 571DF CARF MF Impresso em 31/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 31/07/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 31/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10980.723757/200989 Acórdão n.º 3802004.192 S3TE02 Fl. 571 3 a) Bens Utilizados como Insumos: relativamente às Notas Fiscais de Entrada das empresas Seven Madeiras Ltda., CNPJ nº 06.136.813/000190, e Cyklop do Brasil Embalagens S/A, CNPJ nº 56.993.512/000150, para as quais constam CFOP (5.501 e 6.501) que indicam aquisições com o fim específico de exportação. Nessa situação descritas, as aquisições teriam ocorrido sem a incidência das contribuições (PIS/PASEP e a COFINS), ficando impedido o aproveitamento dos créditos, conforme estabelece o artigo 3º, § 2º, inc. II das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003. b) Serviços Utilizados como Insumo: relativamente ao mês de junho, tendo em vista comprovação em valor menor do que o informado no DACON; c) Despesas de Energia Elétrica: relativamente às despesas constantes das faturas que não correspondam ao consumo de energia elétrica, tais como encargos moratórios (juros, multa e correção monetária) e taxa de iluminação pública; d) Despesas de Fretes pagos na operação de venda: nesta rubrica foram considerados somente os fretes internacionais pagos pela empresa exportadora a transportador domiciliado no Brasil (empresa nacional); foram glosados, portanto, os valores de fretes internacionais cujos pagamentos foram realizados a agentes nacionais, que representam transportador não domiciliado no Brasil, em atendimento ao disposto no inciso II, § 3º, art. 3º das Lei 10.637/2002 e 10.833/2003; e) Encargos de Depreciação de Bens do Ativo Imobilizado: relativamente aos encargos de depreciação de bens adquiridos antes de 01/05/2004, em atendimento ao artigo 31 da Lei nº 10.865/2004. Por fim, a autoridade fiscal realizou a apuração dos créditos do mercado interno e do mercado externo do trimestre, levandose em consideração os ajustes anteriormente mencionados (nas receitas, no rateio proporcional e nos créditos) e o Saldo de Crédito do Mês Anterior (relativo ao mercado interno), e descontandose dos créditos apurados os valores da contribuição devida do próprio trimestre, gerada em decorrência das saídas tributadas. A contribuinte foi cientificada do despacho decisório em 02/07/2010 e apresentou, em 03/08/2010, a manifestação de inconformidade, cujo conteúdo é resumido a seguir. Após um breve relato dos fatos, a interessada defende no primeiro tópico (“Do Princípio da NãoCumulatividade”) a aplicação plena da não cumulatividade. Argumenta que o legislador ordinário não pode restringir a nãocumulatividade da contribuição, uma vez que a mesma tem status constitucional, implementado através da Emenda Constitucional nº 42/2003, que deu nova redação ao § 12, artigo 195, da Constituição Federal. Sustenta que a nãocumulatividade aplicada ao PIS e a Cofins “se opera de forma diversa daquela aplicada ao IPI e ao ICMS, isso porque para as contribuições, referida sistemática consiste em uma redução da base de cálculo com a respectiva dedução de créditos relativos às contribuições que foram recolhidas sobre bens e/ou serviços objeto de faturamento em etapas Fl. 572DF CARF MF Impresso em 31/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 31/07/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 31/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 4 anteriores.” Em resumo, argumenta a interessada “que o regime não cumulativo das referidas contribuições não pode ser restringido, pois os contribuintes tem o direito ao crédito da contribuição exigidos anteriormente, como forma de minorar a carga tributária sobre o faturamento, objetivo primordial dessa sistemática.” Nos dois tópicos seguintes (“Das Despesas com Fretes Internacionais” e “Do Princípio da Estrita Legalidade”) a contribuinte dirige sua inconformidade contra as glosas relativas às despesas com fretes internacionais. Relata que no despacho decisório a autoridade fiscal proferiu o entendimento “de que o crédito de PIS/COFINS decorrente de despesas com fretes internacionais é passível de aproveitamento, desde que o seu pagamento seja feito ao transportador domiciliado no Brasil, não bastando para tal que o seu agente o seja.”. Sustenta que o entendimento da autoridade fiscal é equivocado e não merece manutenção em face dos princípios da legalidade e da estrita legalidade tributária (art. 5º, inciso II e art. 150, inciso I da Constituição Federal). Argumenta que “não se vislumbra nos regramentos aplicáveis ao caso (Lei 10.637/02 e 10.833/03) qualquer dispositivo que obstaculize ou mesmo limite o aproveitamento do crédito oriundo de despesas com frete internacional, mesmo que praticada por agente transportador”, e que para se realizar o aproveitamento do crédito as referidas leis exigem somente: que o ônus do pagamento do frete seja suportado pelo vendedor, e; que o frete seja pago ou creditado à pessoa jurídica domiciliada no país. Sustenta que estas exigências foram atendidas pela empresa, “uma vez que, na qualidade de vendedora, arcou com os custos relativos ao frete para a remessa de sua mercadoria ao exterior e referida despesa foi paga à empresa estabelecida no território brasileiro, pouco importando se tais empresas correspondem a agentes transportadores.” Para sustentação de sua tese colaciona cópia das ementas das Soluções de Consulta nº 169/2006 da 10º RF e nº 175/07 da 9º RF. Na seqüência, no tópico “Dos Encargos de Depreciação – Bens Adquiridos antes de 01/05/2004”, a interessada defende a inconstitucionalidade do art. 31, da Lei 10.865/2004, que trata da vedação de desconto de créditos relativos à depreciação de bens e direitos de ativos imobilizados adquiridos antes de 01/05/2004. Argumenta que referido artigo atingiu fatos pretéritos e afrontou os princípios constitucionais do direito adquirido, da irretroatividade da lei tributária e da segurança jurídica. Em corroboração a sua tese colaciona cópia de parte do Acórdão do processo judicial nº 2005.71.010.0044698. Por fim, nos últimos dois tópicos (“Das Demais Glosas” e “Das Provas”), a contribuinte aduz que: discorda das demais glosas realizadas, dizendo que a improcedência das mesmas “será comprovada oportunamente através da juntada de documentos hábeis e idôneos, os quais certamente ensejarão no reconhecimento integral do crédito reclamado”; e que em face do direito à ampla defesa e ao contraditório “pretende provar o alegado por meio de todos as prova em direito admitidas, principalmente através da juntada de novos documentos, a fim de evidenciar melhor a idoneidade do crédito ora guerreado.” Diante dos argumentos apresentados, a contribuinte requer que seja dado provimento à manifestação de inconformidade e que o despacho decisório Fl. 573DF CARF MF Impresso em 31/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 31/07/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 31/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10980.723757/200989 Acórdão n.º 3802004.192 S3TE02 Fl. 572 5 seja reformado, de modo que seja reconhecido integralmente o crédito pleiteado. É o relatório.” Indeferida a manifestação de inconformidade apresentada, o órgão julgador de primeira instância sintetizou as razões para a rejeição ao direito creditório na forma da ementa que segue: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 INCONSTITUCIONALIDADE. ARGÜIÇÃO. ESFERA ADMINISTRATIVA. NÃO CABIMENTO. O exame da legalidade e da constitucionalidade de normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional compete ao poder judiciário, restando inócua e incabível qualquer discussão, nesse sentido, na esfera administrativa. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. DIREITO DE CRÉDITO. FRETE INTERNACIONAL. Os gastos com fretes internacionais arcados pela vendedora, decorrentes da exportação de seus produtos, não dão direito a crédito para desconto dos valores devidos a título de PIS/PASEP, na sistemática de não cumulatividade, se o transportador for pessoa jurídica domiciliada no exterior, mesmo se o agente do transportador tiver domicílio no País. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. CRÉDITOS DO ATIVO IMOBILIZADO. Com a edição da Lei nº 10.865, de 2004, somente poderão ser aproveitados os créditos dos encargos de depreciação ou amortização de bens e direitos de ativo imobilizado adquiridos a partir de 1º de maio de 2004. PROVAS. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. A apresentação de provas deve ser realizada junto à impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outra ocasião, ressalvada a impossibilidade por motivo de força maior, quando se refira a fato ou direito superveniente ou no caso de contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada acerca da decisão exarada pela 3ª Turma da DRJ de Curitiba – DRJ/CTA, a interessada interpôs o presente Recurso Voluntário, no qual reitera os argumentos apresentados em sua manifestação de inconformidade, e requer o reconhecimento da homologação de compensação. Fl. 574DF CARF MF Impresso em 31/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 31/07/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 31/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 6 É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, redator ad hoc designado para formalizar a decisão (fl. 569), uma vez que o Conselheiro Relator Bruno Maurício Macedo Curi, não mais compõe este colegiado, retratando hipótese de que trata o artigo 17, inciso III, do Anexo II, do Regimento Interno deste CARF, aprovado pela Portaria MF no 343, de 09 de junho de 2015. Ressalvado o meu entendimento pessoal, no sentido de dar a este e a outros processos nessa situação tratamento diverso. Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso e passo à análise das razões recursais. O Recurso Voluntário, assim como a manifestação de inconformidade, combate as glosas realizadas em basicamente dois itens: Despesas com fretes internacionais (objeto de dois tópicos do recurso); Encargos de depreciação. Relativamente à digressão sobre o princípio da nãocumulatividade que inaugura a argumentação de mérito do Recurso Voluntário, como se trata de argumentação ampla e, a rigor, principiológica (que não pode ser apreciada pelo CARF, conforme verbete Sumular nº 02), não adentrarei em sua análise pormenorizadamente. O Recurso Voluntário não ataca frontalmente as glosas referentes a insumos adquiridos (i) com fim específico de exportação; (ii) junto a empresa preponderantemente exportadora; além de (iii) encargos financeiros decorrentes de pagamento em atraso de faturas de energia elétrica (despesas com multas, juros e correção monetária) e contribuição para o custeio do serviço de iluminação pública. Isso pois, diferentemente da manifestação de inconformidade, não há o questionamento quanto às “demais glosas”, pelo que reputo como não mais contestadas tais vedações, nos termos do art. 17 do RPAF, aplicável mutatis mutandi ao Recurso Voluntário. De toda forma, no que tange às duas glosas combatidas pelo Recorrente, passase às considerações de mérito. 1. Despesas com fretes internacionais Foram glosadas despesas incorridas com fretes nas operações de venda, pagos a agentes nacionais que representam transportador estrangeiro. A glosa dessas despesas embasouse no art. 3o, § 3o, II, das leis 10.637/2002 (para o PIS) e 10.833/2003 (para a COFINS), o qual assim dispõe: § 3oO direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: (...) Fl. 575DF CARF MF Impresso em 31/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 31/07/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 31/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10980.723757/200989 Acórdão n.º 3802004.192 S3TE02 Fl. 573 7 II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; A decisão recorrida entendeu correta a glosa procedida pela autoridade administrativa, ante a presunção de que Conforme a legislação citada, para que o dispêndio possa gerar crédito, é preciso que as despesas sejam pagas ou creditadas a pessoa jurídica domiciliada no País, o que não ocorre no caso em tela. Na verdade a interessada contrata pessoas jurídicas domiciliadas no País que se dedicam à atividade de agenciamento de fretes internacionais (agente marítimo) e faz o pagamento do serviço de transporte para elas, sendo de ser ressaltado que o agente marítimo não presta o serviço de transporte e não é ele que recebe o pagamento por tal serviço; o valor entregue para o agente, na verdade corresponde ao pagamento do armador. Ocorre que o agente marítimo (agente do armador) é mero preposto do armador, para gerir ou administrar seus negócios, inclusive cobrando os respectivos fretes, que são o pagamento do proponente pela prestação do serviço de transporte. Portanto, para que a exigência legal (custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País) fosse atendida, seria preciso que o transportador (o prestador do serviço de transporte marítimo internacional) fosse domiciliado no País, donde, nos casos em que o transportador não tenha domicilio no País, não há o direito a crédito, mesmo que o agente do transportador tenha domicílio no País. O Recorrente, ao seu turno, defende a legitimidade do aproveitamento das referidas despesas como desconto ante a premissa de que há “apenas dois requisitos que merecem observância para que se faça jus aos créditos, quais sejam: 1) o ônus dos valores despendidos com o frete deve ser suportado pelo vendedor, no caso a Recorrente; e 2) os custos relativos ao frete devem ser pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País”. A celeuma se restringe, portanto, à definição se a utilização de agente marítimo brasileiro se enquadra no inciso II do § 3o do art. 3o das leis 10.637/2002 e 10.833/2003. Entendo, diferentemente do que supõe o Recorrente, que as despesas incorridas no caso não devem ser aproveitadas como desconto. Explico. No caso em tela, consta dos autos que o frete foi prestado por transportador estrangeiro (pessoa jurídica não domiciliada no Brasil, portanto). Tal é a essência da despesa incorrida pelo Recorrente. Apesar de todas as ressalvas cabíveis ao caso do ponto de vista principiológico, inclusive de ordem isonômica em acordos internacionais comerciais celebrados pelo Brasil, fato é que ao CARF é vedado apreciar a inconstitucionalidade das normas tributárias. Todavia, do ponto de vista puramente legal, o comando vigente permite o aproveitamento de despesas como desconto apenas se estas forem incorridas com pessoa jurídica domiciliada no Brasil. Fl. 576DF CARF MF Impresso em 31/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 31/07/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 31/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 8 Fato é que a norma se refere a despesas incorridas, pagas ou creditadas a pessoa jurídica domiciliada no País, e concretamente o crédito se deu a um agente marítimo domiciliado no País. Ocorre, contudo, que esse crédito se refere a uma prestação de serviços efetivada por estrangeiro, e a utilização de um intermediário por este não reflete a materialidade da despesa incorrida. Notese que a Recorrente em momento algum afirma que o agente marítimo lhe prestou qualquer serviço de transporte, mas apenas se pauta na expressão legal e do fato de ter havido crédito em favor de pessoa jurídica domiciliada no País. Ora, o agente marítimo em termos concretos nada mais é do que um mero mandatário do transportador domiciliado fora do País. A respeito de sua caracterização, trago digressão da Em. Min. Eliana Calmon no RESP 731226 (DJ de 20/09/2007): (...)pessoasencarregadaspelosarmadores,ouporquemassuas vezes faça em cada caso particular, temporária ou permanentemente, do mandato de realizar as operações comerciais que originalmente corresponderiam ao capitão ou armador,nosportosdecargaoudescarga,deajudarocapitão emqualqueroperaçãoedecuidardosinteressesdonavioedacarga,nãosóperantea sautoridades,mastambémnasrelações privadas(SOARES, Luiz Dantas de Souza Soares. Agente de navegação responsabilidade civil. In: Revista de direito mercantil,n.º34,abril/junho1979,p.54).Oagentemarítimo compromete se a representar o navio em terra, praticando em nome do armador ou capitão os atos que esse teria de realizar pessoalmente. Valese, para isso, de contrato consensual, bilateral e oneroso que corresponde perfeitamente àidéia domandato profissional, figurajurídica tratada no art. 658 do CC de 2002.” Assim, havendo mera relação de mandato (ou seja, simples intermediação) entre o agente marítimo e o Recorrente, não se pode caracterizar que o frete tenha sido pago a pessoa jurídica domiciliada no País. Concretamente o frete foi pago a pessoa jurídica domiciliada no estrangeiro, todavia por intermédio de um representante legal seu. Noutras palavras, a natureza do creditamento feito em favor do agente marítimo se deu em razão de atividade de intermediação, dado que este fornecedor efetivamente não prestou serviço de transporte para o Recorrente. O transportador está domiciliado fora do País, de modo que a opção de pagar a um intermediário domiciliado no Brasil é ato de mera escolha, ação volitiva da Recorrente, sem essência econômica suficiente e apta a alterar o critério de tributação (que se percebe no discrímen legal entre a contratação de uma empresa transportadora domiciliada no País ou no exterior). O CARF já se posicionou no mesmo sentido, conforme se verifica do Acórdão 3403002.718, de relatoria do Em. Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz (sessão de 29 de janeiro de 2014), cuja ementa segue abaixo: PIS NÃOCUMULATIVO. FRETE INTERNACIONAL. TRANSPORTADOR ESTRANGEIROREPRESENTADOPORAGENTEMARÍTIMOSEDIADONO PAÍS.DIREITODECRÉDITO. Sujeito passivo que contrata frete internacional junto a transportador marítimodomiciliadoforadoPaís,emborarepresentadoporagentemarítimo Fl. 577DF CARF MF Impresso em 31/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 31/07/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 31/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10980.723757/200989 Acórdão n.º 3802004.192 S3TE02 Fl. 574 9 estabelecido no Brasil. Agente marítimo que atua na condição de mandatário profissional do armador. Direito de crédito inexistente. Diante do exposto, não merece acolhida o pleito da Recorrente quanto a tais despesas. 2. Dos encargos de depreciação O item remanescente discute a glosa de encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado, adquiridos anteriormente a 01/05/2004, nos termos do art. 31 da lei nº 10.865/2004. Dispõe a referida norma: Art. 31. É vedado, a partir do último dia do terceiro mês subseqüente ao da publicação desta Lei, o desconto de créditos apurados na forma doinciso III do § 1odo art. 3odas Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e10.833, de 29 de dezembro de 2003, relativos à depreciação ou amortização de bens e direitos de ativos imobilizados adquiridos até 30 de abril de 2004. § 1o Poderão ser aproveitados os créditos referidos noinciso III do § 1odo art. 3odas Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e10.833, de 29 de dezembro de 2003, apurados sobre a depreciação ou amortização de bens e direitos de ativo imobilizado adquiridos a partir de 1ode maio. § 2o O direito ao desconto de créditos de que trata o § 1odeste artigo não se aplica ao valor decorrente da reavaliação de bens e direitos do ativo permanente. § 3o É também vedado, a partir da data a que se refere o caput, o crédito relativo a aluguel e contraprestação de arrendamento mercantil de bens que já tenham integrado o patrimônio da pessoa jurídica. A decisão recorrida foi bastante objetiva nesse aspecto, apenas indicando que necessita obedecer as regras vigentes, e que quaisquer formas de contestação do texto legal devem ser obtidas pela via própria, que não a administrativa. O Recorrente, ao seu turno, constrói argumento de cronologia das normas, indicando que desde o início da vigência das Medidas Provisórias que restaram convertidas nas leis 10.637/2002 e 10.833/2003, foi permitido aos contribuintes aproveitar como descontos créditos relativos a encargos de depreciação. Prossegue afirmando que, já que as normas existem desde o nascedouro do regime não cumulativo, o contribuinte teria direito adquirido aos créditos (fl. 629 dos autos), de modo que houve ato jurídico perfeito prócontribuinte em relação aos plurimencionados créditos (fl. 630). Entendo que o contribuinte teria razão em seus fundamentos, caso estivéssemos diante de glosa retroativa de créditos aproveitados antes da vigência da lei 10.865/2004. Porém, esse não é o caso: nos autos tratase de encargos de depreciação em período posterior ao início da vigência da lei 10.865/2004. Fl. 578DF CARF MF Impresso em 31/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 31/07/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 31/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 10 Dessa forma, não me parece ser o caso de se considerar que o contribuinte teria direito imutável e irrevogável aos créditos decorrentes dos encargos de depreciação, sendo certo que eventual aumento na carga tributária (oriundo da vedação ao aproveitamento dos encargos a partir de maio de 2004, nos termos do art. 31 da lei 10.865/2004) é, em última análise, resultado da autotributação imposta pela própria sociedade, por intermédio de seus mandatários no Congresso Nacional. Não há, nesse sentido, nenhuma vedação legal (como é o caso do art. 178 do CTN, que veda a revogação de isenções concedidas por prazo certo e em caráter oneroso) à alteração no aproveitamento de créditos. A título ilustrativo valhome, a propósito, da fundamentação adotada no Mandado de Segurança 2005.71.000044698, cujas razões de decidir foram trazidas à lume pelo Recorrente quando da concessão de liminar: Quanto à análise da sucessão de regimes estabelecidos para a não cumulatividade do PIS e da COFINS, tenho que o princípio da irretroatividade e da segurança jurídica não alcançam a dimensão preconizada na inicial. O legislador não fica eternamente vinculado à extensão e ao alcance do benefício fiscal concedido em determinado momento, podendo, da mesma forma com que é permitida a revogação da isenção, reduzilo ou suprimilo, na presença de motivação suficiente e adequada para tanto. Existem diversos graus de retroatividade, e a que aqui se trata é a retroatividade mínima referindose ao efeito futuro dos atos passados. Em se tratando de depreciação e amortização, o tratamento contábil e financeiro que lhes é dispensada pode assumir uma feição semelhante a uma relação continuativa. Existem financiamentos que são amortizados no longuíssimo prazo, e certos bens mais refratários ao processo de obsolescência podem gerar encargos de depreciação que venham a superar dez anos. Ora, os princípios constitucionais trazidos à lume pela impetrante não tutelam planejamentos tributários desta amplitude, visam a proteger direitos de bruscas alterações de curto e médio prazo, não se podendo engessar a atividade legislativa de tal forma que se impeça a adequação dos benefícios concedidos aos imperativos de uma política industrial, ou à situação estrutural (não conjuntural) da política econômicofiscal. Em suma, entendo ser lícito ao legislador que implanta regime tributário totalmente novo (como o PIS/Cofins não cumulativo) algumas alterações e correções de rota, quando não evidenciado lesão aos princípios da retroatividade média (contraprestações estatais descumpridas quando da alteração legislativa) e máxima (situações consumadas no passado). Somese a isso a noção de que a depreciação que visa a compensar o desgaste de máquinas e equipamentos em face do decurso do tempo e a amortização tocante ao prazo em que é imputado determinado custo financeiro são apropriadas em quotas mensais, ou seja, apenas incorporamse ao patrimônio do beneficiado á medida em que passam a integrar a sua contabilidade. Inexistindo a possibilidade da amortização ou da depreciação imediata, não há violação ao princípio da irretroatividade ou da Segurança Jurídica, pois há uma expectativa de benefício fiscal que só se transmuda em direito adquirido à medida em que cada período contabilmente relevante para a amortização/depreciação é atingido. Destarte, não entendo haver guarida aos argumentos do contribuinte, quanto a este item de seu Recurso. Fl. 579DF CARF MF Impresso em 31/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 31/07/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 31/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10980.723757/200989 Acórdão n.º 3802004.192 S3TE02 Fl. 575 11 Conclusão Isto posto, CONHEÇO do Recurso Voluntário para NEGARLHE o provimento. Formalizado o voto em razão do disposto no artigo 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015, subscrevo o presente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Redator ad hoc. Fl. 580DF CARF MF Impresso em 31/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 31/07/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 31/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Numero do processo: 11080.918919/2012-77
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon May 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 24/12/2010
PROCESSO ADMINISTRATIVO. DESPACHO DECISÓRIO. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. NÃO ACATADA.
Não é nulo o Despacho Decisório que contém os elementos essenciais do ato administrativo.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO.
Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito.
MULTA E JUROS DE MORA.
Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora.
INCONSTITUCIONALIDADE. DE NORMA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2.
Não compete aos julgadores administrativos pronunciar-se sobre a inconstitucionalidade de leis ou atos normativos.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-005.102
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Participou do julgamento o Conselheiro Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo em substituição ao Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que se declarou impedido
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Sérgio Celani - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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DESPACHO DECISÓRIO. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. NÃO ACATADA. Não é nulo o Despacho Decisório que contém os elementos essenciais do ato administrativo. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito. MULTA E JUROS DE MORA. Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora. INCONSTITUCIONALIDADE. DE NORMA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 89 19 /2 01 2- 77 Fl. 124DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918919/201277 Acórdão n.º 3801005.102 S3TE01 Fl. 3 2 Não compete aos julgadores administrativos pronunciarse sobre a inconstitucionalidade de leis ou atos normativos. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Participou do julgamento o Conselheiro Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo em substituição ao Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que se declarou impedido (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo. Relatório Inicialmente, esclarecese que estão em julgamento nesta 1ª Turma Especial da 3ª Seção de Julgamento do CARF cento e quarenta e oito processos da mesma contribuinte, em que o cerne da discussão é o mesmo: a certeza e liquidez de crédito pleiteado, decorrente de pagamento indevido ou a maior de Cofins, ou contribuição para o PIS/Pasep ou IPI, e o ônus da prova deste direito. Feitas estas observações, passase ao relato propriamente dito. Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em CuritibaDRJ/CTA que julgou improcedente manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem. O processo se iniciou com PER/DCOMP, por meio do qual a contribuinte pleiteou o reconhecimento de direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo e a compensação de débitos tributários com o crédito pleiteado. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918919/201277 Acórdão n.º 3801005.102 S3TE01 Fl. 4 3 De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF informado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível suficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência/insuficiência de crédito, a compensação declarada não foi homologada ou foi homologada apenas parcialmente. Como enquadramento legal foram citados os arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional CTN), e o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, conforme quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório “ Extraio do relatório da decisão recorrida resumo das alegações apresentadas pela contribuinte contra o despacho decisório: “Na manifestação apresentada, a contribuinte argúi em preliminar a nulidade do Despacho Decisório, alegando o não atendimento ao requisito constitucional da fundamentação do ato administrativo, além de ferir os princípios de ampla defesa, contraditório e do devido processo legal, estando, outrossim, revestido de desvio de finalidade. Expõe que o ato administrativo resumiuse a informar a não homologação da compensação declarada com o parco fundamento da inexistência de crédito disponível; entende que o procedimento correto da fiscalização seria o de intimar a contribuinte para que prestasse informações sobre a origem do crédito, bem como do fundamento de validade; e ressalta a necessidade de fundamentação ou motivação dos atos administrativos para o exame de sua legalidade, finalidade e moralidade administrativa. Alega que o Despacho Decisório não se presta a dar início ao contraditório administrativo, eis que carente de fundamentação, restando prejudicado o seu direito de defesa, e que também extrapolou sua função precípua, tornandose meio oblíquo pelo qual a fiscalização buscou interromper o prazo de homologação da compensação declarada. Diz que a autoridade preparadora deixou de cumprir seu dever de ofício de bem instruir o procedimento fiscal, como a solicitação de informações, apreensão de documentos, diligências, dentre outros expedientes. Sob o tema “Do Mérito”, discorre especificamente sobre o princípio da verdade material, citando diversos doutrinadores. Mas nada aduz sobre o origem do suposto crédito, apenas alegando a posterior juntada de documentos que comprovariam as ‘alegações trazidas na presente manifestação’, eis que o direito creditório, diz, pode ser comprovado a qualquer tempo. Por fim, argumenta sobre a inaplicabilidade da multa de mora em face do princípio constitucional de não confisco e dos princípios administrativos da razoabilidade e da proporcionalidade.. A ementa do acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em CuritibaDRJ/CTA que julgou improcedente a manifestação de inconformidade contém o seguinte teor: “ASSUNTO: ... Data do Fato Gerador: ... CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INTIMAÇÃO PARA ESCLARECIMENTOS. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918919/201277 Acórdão n.º 3801005.102 S3TE01 Fl. 5 4 A ausência de pedido de esclarecimentos ou realização de diligência na fase preparatória do procedimento fiscal não caracteriza cerceamento do direito de defesa, que é assegurado na fase do contraditório, inaugurada com a manifestação de inconformidade. 1PIS/PASEP. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que não homologou a compensação declarada por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito está integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. PAGAMENTO A MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO. A mera alegação do direito creditório, desacompanhada de provas baseadas na escrituração contábil/fiscal do período, não é suficiente para demonstrar a existência de direito creditório pleiteado. MULTA E JUROS DE MORA. DÉBITOS NÃO HOMOLOGADOS. Os débitos indevidamente compensados sofrem a incidência de multa e juros de mora, nos percentuais determinados pela legislação, calculados a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento da contribuição até o dia em que se efetivar o seu pagamento, uma vez que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos não homologados.” No recurso voluntário a recorrente repete as alegações da manifestação de inconformidade. É o relatório. 1 Nos processos em que o crédito alegado se refere à Cofins, consta COFINS. Nos processos em que o crédito seria originado de Contribuição para o PIS/Pasep, consta PIS/PASEP. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918919/201277 Acórdão n.º 3801005.102 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. Admissibilidade do recurso voluntário. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para julgamento nesta turma especial. Preliminar de nulidade do despacho decisório. O processo se iniciou com PER/DCOMP da contribuinte, no qual informou ter realizado pagamento indevido ou a maior do tributo em discussão. A Secretaria da Receita Federal do BrasilRFB, baseandose em dados constantes de seus sistemas informatizados, alimentados por informações prestadas pelo próprio contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias, constatou que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Isto está claro no quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório, no qual constam os artigos 165 e 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/66 (CTN), e o artigo 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, como fundamentos para a não homologação da compensação. No mesmo quadro 3, consta que diante da inexistência do crédito não se homologava a compensação declarada, bem como o valor devedor consolidado, correspondente aos débitos indevidamente compensados, e a data para pagamento. Há, ainda, a informação de que para verificação de valores devedores e emissão de DARF, deveria ser consultado o endereço da internet “www.receita.fazenda.gov.br”, na opção “Onde Encontro” ou através de certificação digital na opção “eCAC”, assunto “PER/DCOMP Despacho Decisório”. Logo, não procede a alegação de que o despacho decisório não contém fundamentação e de que houve desvio de finalidade. Por outro lado, a manifestação de inconformidade, a qual, por força do art. 74, §§ 9º a 11 da Lei nº 9.430, de 1996, aplicamse as regras previstas no Decreto nº 70.235, de 1972, demonstra que a contribuinte exerceu plenamente seu direito ao contraditório, sem nenhuma dificuldade, provando que não houve cerceamento do direito de defesa. Por estas razões, votase por negar provimento às alegações preliminares. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918919/201277 Acórdão n.º 3801005.102 S3TE01 Fl. 7 6 Certeza e liquidez do crédito pleiteado. Conforme visto acima: i) O processo se iniciou com PER/DCOMP da contribuinte, no qual informou ter realizado pagamento indevido ou a maior de tributo; ii) Foi constatado pela RFB que o pagamento informado como indevido ou a maior fora integralmente utilizado para quitar tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido; iii) Isto está claro no quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório; iv) Esta constatação baseouse em dados constantes do sistemas informatizados da RFB, alimentados por informações prestadas pelo próprio contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias. Uma vez que o pagamento informado como indevido ou a maior estava totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF como devido, o DARF a ele relativo não prova a existência de crédito algum A DRJ/CTA, tendo em vista que a contribuinte não apresentou documentação fiscal e contábil hábil e suficiente para comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado, manteve o despacho decisório. As decisões da DRF e da DRJ estão amparadas no fato de a legislação tributária dispor que a DCTF é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário (art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984) e que a compensação de débitos tributários somente pode ser efetuada mediante existência de créditos líquidos e certos do interessado perante a Fazenda Pública (art. 170 do Código Tributário NacionalCTN), e de a lei que trata do processo administrativo tributário federal estabelecer que a prova documental deve ser apresentada na impugnação (art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235, de 1972). Apesar de a decisão de primeira instância ter sido fundamentada de modo a dar a conhecer à contribuinte as razões de fato e de direito que levaram ao indeferimento de sua manifestação de inconformidade, nenhum documento ou livro fiscal ou contábil foi apresentado com o recurso voluntário. A recorrente limitouse a discorrer sobre o princípio da verdade material. Tratandose de despacho eletrônico, admitese a apresentação destes documentos e livros após a decisão da DRJ, pois alguns Conselheiros entendem que o princípio da verdade material assim autoriza, outros entendem que se está diante de caso em que a prova se destina a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, hipótese prevista no art. 16, §4º, letra “c” do Decreto nº 70.235, de 1972. O importante é que a contribuinte, até o presente, não apresentou nenhum documento ou livro, fiscal ou contábil, que pudesse comprovar seu direito. Logo, não comprovou a certeza e liquidez do crédito pleiteado. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918919/201277 Acórdão n.º 3801005.102 S3TE01 Fl. 8 7 Não é só isso. A recorrente sequer argumentou sobre os fatos ou direito que ensejariam o crédito. Por estas razões, com fundamento no art. 170 do CTN e no art. 333 do CPC, aplicável subsidiariamente ao caso, que determina que o ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito, não cabe o reconhecimento do crédito pleiteado. Sobre multa e juros de mora Os artigos 61 e 74 da Lei nº 9.430, de 1996, deixam claro que são devidos juros de mora e multa no presente caso. Cito: “Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Medida Provisória nº 1.725, de 1998) (Vide Lei nº 9.716, de 1998)” “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) §1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) §2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) (...) §6º A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos Fl. 130DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918919/201277 Acórdão n.º 3801005.102 S3TE01 Fl. 9 8 indevidamente compensados. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §7º Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §8º Não efetuado o pagamento no prazo previsto no §7º, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no §9º. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §9º É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7º, apresentar manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) (...)” Vejase que os §§ 6º a 8º acima dispõem que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados e que, não homologada a compensação e não efetuado o pagamento no prazo previsto no §7º, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, sendo devidos juros de mora e multa. A exigência do pagamento destes débitos não se submete a julgamento administrativo. Além disso, os membros do CARF não podem afastar aplicação ou deixar de observar lei sob fundamento de inconstitucionalidade, salvo em casos excepcionais não presentes, a teor do disposto no art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/6/2009, e do disposto no art. 26A da Decreto nº 70.235, de 1972, com redação dada pela Lei nº 11.941, de 27/5/2009. O mesmo se conclui do enunciado da Súmula CARF nº 2, verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918919/201277 Acórdão n.º 3801005.102 S3TE01 Fl. 10 9 Conclusão Pelo exposto, em especial, pela não comprovação da existência de direito de crédito líquido e certo, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendose a decisão recorrida. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 12266.720065/2011-02
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 27 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue May 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 27/07/2011
MULTA REGULAMENTAR. DIREITO ADUANEIRO. AGENTE MARÍTIMO E TRANSPORTADOR. LEGITIMIDADE PASSIVA
A legislação prevê que o agente marítimo, assim como o transportador internacional, respondem solidariamente por quaisquer infrações que tenham concorrido para a prática, solidariamente, sendo, pois, o agente parte legítima a figurar no polo passivo de auto de infração.
MULTA REGULAMENTAR. DIREITO ADUANEIRO. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES FORA DO PRAZO.
A multa por prestação de informações fora do prazo encontra-se prevista na alínea "e", do inciso IV, do artigo 107 do Decreto Lei n 37/1966 prescindindo, para a sua aplicação, de que haja prejuízo ao Erário, sobretudo por se tratar de obrigação acessória em que as informações devem ser prestadas na forma e prazo estabelecidos pela Receita Federal.
MULTA REGULAMENTAR. DESCUMPRIMENTO DE DEVER INSTRUMENTAL. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO.
A denúncia espontânea não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de deveres instrumentais caracterizados pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37/1966, decorrente do art. 40 da Lei nº 12.350/2010. A aplicação deste dispositivo deve-se considerar o conteúdo da obrigação acessória violada. Isso porque nem todas as infrações pelo descumprimento de deveres instrumentais são compatíveis com a denúncia espontânea, como é o caso das infrações caracterizadas pelo fazer ou não fazer extemporâneo do sujeito passivo. Nestas a aplicação da denúncia espontânea implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-004.850
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que davam provimento integral ao recurso. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Marcos Antônio Borges.
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Cassio Schappo, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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DIREITO ADUANEIRO. AGENTE MARÍTIMO E TRANSPORTADOR. LEGITIMIDADE PASSIVA A legislação prevê que o agente marítimo, assim como o transportador internacional, respondem solidariamente por quaisquer infrações que tenham concorrido para a prática, solidariamente, sendo, pois, o agente parte legítima a figurar no polo passivo de auto de infração. MULTA REGULAMENTAR. DIREITO ADUANEIRO. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES FORA DO PRAZO. A multa por prestação de informações fora do prazo encontrase prevista na alínea "e", do inciso IV, do artigo 107 do Decreto Lei n 37/1966 prescindindo, para a sua aplicação, de que haja prejuízo ao Erário, sobretudo por se tratar de obrigação acessória em que as informações devem ser prestadas na forma e prazo estabelecidos pela Receita Federal. MULTA REGULAMENTAR. DESCUMPRIMENTO DE DEVER INSTRUMENTAL. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. A denúncia espontânea não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de deveres instrumentais caracterizados pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, decorrente do art. 40 da Lei nº 12.350/2010. A aplicação deste dispositivo devese considerar o conteúdo da “obrigação acessória” violada. Isso porque nem todas as infrações pelo descumprimento de deveres instrumentais são compatíveis com a denúncia espontânea, como é o caso das infrações caracterizadas pelo fazer ou não fazer extemporâneo do sujeito passivo. Nestas a aplicação da denúncia espontânea implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 26 6. 72 00 65 /2 01 1- 02 Fl. 236DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 12266.720065/201102 Acórdão n.º 3801004.850 S3TE01 Fl. 3 2 Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que davam provimento integral ao recurso. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Marcos Antônio Borges. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Cassio Schappo, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente). Fl. 237DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 12266.720065/201102 Acórdão n.º 3801004.850 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Tratase de o presente processo de Auto de Infração lavrado face ao descumprimento da obrigação acessória de prestar informação sobre veículo ou carga transportada ou sobre operações que executar, no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, de acordo com o que dispõe o art. 107, inciso IV, alínea “e”, do Decreto lei37, de 1966, com a redação dada pelo art. 77 da Lei 10.833, de 2003. Regularmente cientificada, a interessada apresentou a impugnação na qual alega, em breve síntese, que não é parte legitima para figurar no pólo passivo, tendo em vista que atuou na qualidade de mera agência de navegação marítima da empresa transportadora e que não responde por eventuais tributos e/ou obrigações acessórias devidos por esta. Afirma que o agente marítimo age em nome do Armador e com este não se confunde, razão pela qual não pode ser pessoalmente responsabilizada pela autuação em tela, até porque a própria Lei (art. 107, IV "e" do Decreto Lei 37/66) assim não prevê. Alega ausência de tipicidade, porque não deixou de prestar informação no prazo previsto em Regulamento. Apenas retificou posteriormente a sua informação, o que é uma hipótese diferenciada da penalidade estipulada e não se encontra tipificada na alínea 'e' do inciso IV, do art. 107 do Decreto Lei 37/66, com a redação dada pela Lei 10.833/03. Aduz que a autuação carece de elemento essencial de validade, pois, conforme o art. 113, § 2º do CTN, não há um fim específico e próprio que justificasse a penalidade, ou seja, o eventual descumprimento de prestar informações no prazo estipulado não gera qualquer prejuízo ao Fisco. Afirma que o lançamento fere o princípio da Reserva Legal, porque fundamentado em dispositivo constante em Instrução Normativa. Argui que não existe amparo legal para aplicação de penalidade para a ação de alteração/correção de dados no Sistema Sicarga. Alega que o procedimento fiscalizatório somente foi iniciado após ter formalizado a denúncia espontânea, o que a exime de qualquer penalidade, conforme o disposto no parágrafo 2 do art. 102, do Decreto Lei n 37, de 18 de novembro de 1966, cuja redação foi alterada pela Medida Provisória n 497, de 27 de julho de 2010, bem como o art. 138, caput, do Código Tributário Nacional. Requer seja anulado ou cancelado o auto de infração. A DRJ em Fortaleza (CE) decidiu pela improcedência da impugnação, mantendo o crédito. Colaciono a ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 27/07/2011 PRESTAÇÃO INTEMPESTIVA DE INFORMAÇÃO SOBRE CARGA TRANSPORTADA. MULTA. DELIMITAÇÃO DA INCIDÊNCIA. Em conformidade com o disposto no Ato Declaratório Executivo Corep nº 3, de 28/3/2008 (DOU 1/4/2008), a prestação intempestiva de informação sobre veículo, operação ou carga transportada é punida com multa específica que, em regra, é aplicável em relação a cada escala, manifesto, conhecimento Fl. 238DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 12266.720065/201102 Acórdão n.º 3801004.850 S3TE01 Fl. 5 4 eletrônico ou item incluído ou retificado após o prazo, independentemente da quantidade de campos alterados. INOBSERVÂNCIA DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. DESCABIMENTO. A prestação de informação sobre veículo, operação ou carga, na forma e no prazo legalmente fixados, é obrigação acessória autônoma, cujo atraso no cumprimento causa dano irreversível e já consuma a infração, razão pela qual não lhe é aplicável a denúncia espontânea. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 27/07/2011 NORMA EM PLENO VIGOR. INOBSERVÂNCIA POR CONTA DE SUPOSTO VÍCIO NAS OBRIGAÇÕES INSTITUÍDAS. VEDAÇÃO. A IN RFB nº 800/2007 foi regularmente inserida no ordenamento jurídico, razão pela qual não pode ser afastada pelo julgador administrativo, cuja atuação é pautada pelo princípio da legalidade, nem descumprida por conta de suposto vício nas obrigações estabelecidas. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com improcedência de sua impugnação, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, expondo que: · Por ser uma agência de navegação da transportadora não poderia ser considerado representante do transportador para fins de responsabilidade tributária não lhe correndo os efeitos do Decreto Lei 37/66; · Alega que a sua declaração extemporânea teria os mesmos efeitos que a denúncia espontânea e esta seria aplicável às obrigações acessórias; · Entende que a Instrução Normativa nº 800/07, infringe o princípio da reserva legal, conforme art. 97, V do CTN; · Entende que sua conduta, retificação, seria atípica com relação à sanção prevista no art. 107 do Decreto Lei nº 37/66; · Alega que a multa regulamentar, enquanto obrigação acessória, carece de validade essencial, por não estar demonstrado o interesse da arrecadação ou fiscalização de tributos, não sendo assim justificada aplicação da mesma; · Entende que não deixou de apresentar informações dentro do prazo referido pela IN nº800/07, mas promoveu a retificação destas. Fl. 239DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 12266.720065/201102 Acórdão n.º 3801004.850 S3TE01 Fl. 6 5 É o sucinto relatório. Fl. 240DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 12266.720065/201102 Acórdão n.º 3801004.850 S3TE01 Fl. 7 6 Voto Vencido Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo os demais requisitos de admissibilidade, dele conheço, portanto. Ilegitimidade Passiva Muito embora compartilhe do entendimento que as agências marítimas não possam ser sujeitas da multa prevista pelo art. 107, IV, alínea “e” do DecretoLei nº 37/66, devendo ser estas serem impostas somente ao transportador, tenho que no presente caso tal argumentação não se aplica. A recorrente é empresa transportadora, conforme demonstra o seu CNPJ e objeto social, que assim determina a Cláusula Segunda que: A sociedade tem por objeto a navegação marítima de longo curso marítima (...) o exercício das atividades de agente de transporte multimodal, assessoria ao transporte marítimo e terrestre de cargas em todo o território nacional (...) Face a isto, afasto o argumento da Recorrente de que, por ser a empresa uma agência marítima, e não uma transportadora, não está configurada sua responsabilidade quanto à prática da infração objeto dos autos. Diversos são os julgados deste Conselho onde foi compreendido que a obrigação do transportador, de prestar as informações à RFB, encontrase estabelecida no art. 37 do DecretoLei nº 37/66, com a redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833, de 2003, in verbis: Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. § 1º O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. Ultrapassados tais argumentos, entendo que a penalidade não deve ser aplicada no presente caso por motivos diversos. Denúncia Espontânea Inicio a análise do argumento da denúncia espontânea, pois uma vez julgado o seu provimento, todas as demais matérias se tornarão prejudicadas. Fl. 241DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 12266.720065/201102 Acórdão n.º 3801004.850 S3TE01 Fl. 8 7 O Recorrente alega que as informações foram prestadas antes da lavratura do auto de infração. Portanto, nos termos do art. 138, caput, do Código Tributário Nacional (CTN), a multa deveria ter sido excluída em razão da caracterização da denúncia espontânea: “Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora,ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentado após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração.” Ocorre que, muito embora típica e perfeitamente subsumido o fato à norma, no caso em tela se está diante de uma excludente da punibilidade, haja vista a Recorrente estar amparada pela hipótese legal da chamada denúncia espontânea. Esse instituto jurídico tem lugar quando o contribuinte informa à administração as infrações por ele praticadas, antes de iniciado qualquer procedimento fiscalizatório. A vantagem dessa confissão prévia e espontânea para o contribuinte está na consequência legal que o instituto lhe garante. No presente caso temse que o pedido de retificação prestado pela recorrente foi anterior lavratura do Auto de Infração, bem como de qualquer outra intimação da RFB. Deste modo, aplicase ao presente caso o instituto da denúncia espontânea. O Código Tributário Nacional disciplina no art. 138 a exclusão da responsabilidade quando a denúncia espontânea for acompanhada do pagamento do tributo e dos juros de mora, restringindo tal hipótese quando caracterizado o início do procedimento administrativo ou qualquer medida de fiscalização, nos termos do parágrafo único. Destacase também que até a edição da Medida Provisória nº 497, de 27 de julho de 2010, convertida na Lei nº 12.350, de 20 de dezembro de 2010, a caracterização da denúncia espontânea não contemplava as obrigações acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com o fato gerador do tributo. Porém, com a vigência da norma acima, foi modificado o § 2º, do art. 102 do DecretoLei nº 37/66, incluindo as penalidades administrativas dentre aquelas possíveis de aplicação da denúncia espontânea, in verbis: Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. Fl. 242DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 12266.720065/201102 Acórdão n.º 3801004.850 S3TE01 Fl. 9 8 § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (grifouse) No presente caso, temos, portanto que a retificação foi apresentada antes de qualquer procedimento de fiscalização, caracterizando a denúncia espontânea, devendo ser excluída a penalidade ora discutida, de natureza administrativa, conforme previsão do § 2º do artigo 102 do DecretoLei nº 37/66. Ainda, cabe observar que, sendo o fato gerador anterior a Medida Provisória nº 497, de 27 de julho de 2010, necessário aplicar in casu a retroatividade benigna da alteração legislativa processada pela referida Medida Provisória, conforme determina o artigo 106 do CTN. Logo, aplicável à referida legislação ao presente caso. Acrescentase ainda que este Egrégio Conselho tem compartilhado deste entendimento, consoante se verifica pelos arestos abaixo: DENÚNCIA ESPONTÂNEA CONFIGURAÇÃO A retificação de informação prestada em registro de conhecimento de carga antes de qualquer procedimento da fiscalização aduaneira, está amparada pela denúncia espontânea prevista no art. 102, do mesmo diploma legal (Acórdão 3101001.138, 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, sessão de 22/05/2012, Relator Conselheiro Luiz Roberto Domingo) DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO AS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. A alteração do art. 102 do DecretoLei nº 37/66 promovida pela Medida Provisória nº 497/2010, posteriormente convertida na Lei nº 12.350/2010, que incluiu as penalidades de natureza administrativa, dentre aquelas alcançadas pela denúncia espontânea é aplicada aos casos ainda pendentes de julgamento, em razão da retroatividade benigna, nos termos do art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN. (Acórdão 3102001.663, 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, sessão de 25/10/2012, Relator Conselheiro Álvaro Arthur L. de Almeida Filho) Cabe analisar a restrição imposta pelo art. 683, §3º do Decreto nº 6.759, de 05 de fevereiro de 2009, que regulamenta a administração das atividades aduaneiras, e a fiscalização, o controle e a tributação das operações de comércio exterior. Este determina que: Art. 683. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento dos tributos dos acréscimos legais, excluirá a imposição da correspondente penalidade (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 102, caput, com Fl. 243DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 12266.720065/201102 Acórdão n.º 3801004.850 S3TE01 Fl. 10 9 a redação dada pelo DecretoLei no 2.472, de 1988, art. 1o; e Lei nº 5.172, de 1966, art. 138, caput). (…) § 3o Depois de formalizada a entrada do veículo procedente do exterior não mais se tem por espontânea a denúncia de infração imputável ao transportador. O texto original do Decreto nº 6.759/2009 previa em seu § 3o que a espontaneidade era afastada depois de formalizada a entrada do veículo procedente do exterior e por conseqüência igualmente afastada seria a denúncia espontânea. Notese que esta redação deve ser lida em consonância com o disposto na Lei nº 12.350, de 20 de dezembro de 2010 que passou a ter a seguinte redação: Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (grifouse) Notese que o Decreto nº 6.759/2009 deve ser lido em conformidade com a Lei nº 12.350/2010. Tratase de norma superior e posterior. Assim, tanto pelo critério da hierarquia, quanto pelo critério cronológico deve prevalecer a norma posterior. Da leitura da lei posterior se nota que não há a restrição prevista no § 3o , do art. 683 do Decreto nº 6.759/2009, de tal modo que onde não houve restrição legal não poderá a norma regulamentadora restringir, sob pena de ofensa ao princípio da estrita legalidade. Diante da aplicação do instituto da denúncia espontânea, entendo pelo provimento do recurso e passo a analisar as demais matérias, não obstante prejudicadas, para fins de privilégio do devido processo legal. Reserva Legal A infração em tese cometida pela recorrente se encontra caracterizada pela apresentação de declaração de informações sobre o veículo e carga transportada fora do prazo estabelecido, por força do art. 107 do DecretoLei 37/66, com redação dada pela Lei nº Fl. 244DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 12266.720065/201102 Acórdão n.º 3801004.850 S3TE01 Fl. 11 10 10.833/03, c/c art. 44 da Instrução Normativa 28/94, com redação dada pela Instrução Normativa 510/05 e art. 22 da Instrução Normativa 800/07. No que tange a tipificação da conduta do recorrente, a sua descrição consta igualmente e inicialmente tipificada no art. 107 do DecretoLei 31/66, que estabelece a aplicação de multa para quem deixar de prestar a declaração sobre veículo e carga transportada, bem como quem de forma omissiva ou comissiva embaraçar ação de fiscalização. Ademais, as instruções normativas tem como finalidade de preencher lacunas que por vezes se encontram dentro dos procedimentos fiscais, no caso específico de normas que estabelecem prazo para a apresentação ou recolhimento de obrigações acessórias, não estão sujeitas a reserva legal do art. 97 do CTN, por não compreenderem o rol de matérias lá estabelecido, cabendo, portanto, o estabelecimento dos prazos por norma de hierarquia inferior, como as Portarias e Instruções Normativas, conforme tem se posicionado o CARF. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 31/12/1998 OBRIGAÇÃO ACESSORIA. PRAZO. INSERÇÃO SISCOMEX DE DECLARAÇÃO DE EMBARQUE DE MERCADORIAS. O prazo de inserção das informações do embarque de mercadoria no SISCOMEX é de sete dias, contados do dia do efetivo embarque. Não se aplica a norma processual do artigo 210 do Código Tributário Nacional, neste caso prevalece o prazo fixado em Portarias e Instruções Normativas em razão de que não contemplam aspectos da hipótese de incidência, estão fora da reserva legal prevista no artigo 97 do CTN. Constado inserção além do prazo fixado, impõe negar provimento ao recurso. Recurso Negado. Ressalto que o entendimento seria pela carência de razão do contribuinte caso não estivesse prejudicada a análise desta matéria. Obrigação Acessória Carece de razão a alegação da recorrente quanto à carência de elemento essencial na autuação por descumprimento de obrigação acessória. Isto porque as obrigações acessórias não possuem uma relação de dependência de uma obrigação principal. Como o próprio artigo citado pela recorrente são prestações positivas ou negativas, fazer ou não fazer algo em benefício do interesse arrecadatório ou fiscalizatório. No caso dos autos, a declaração que gerou a autuação da recorrente era uma obrigação acessória, positiva e com finalidade fiscalizatória, pois se caracteriza em um dever de declarar o bem carregado e cujas informações contidas auxiliam o fisco a verificar a adequada descrição de bem importado pelo importador, se houve emissão de notas fiscais, se a importadora estaria correta em sua escrituração fiscal. Fl. 245DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 12266.720065/201102 Acórdão n.º 3801004.850 S3TE01 Fl. 12 11 Logo, a responsabilidade de declarar a mercadoria transportada pela empresa, conforme art. 107 do Decreto lei 37/66, é uma obrigação acessória de declaração ao fisco e cujo descumprimento implica na aplicação de multa por embaraço à fiscalização. Nestes termos, não sendo prestada a obrigação de declaração de mercadorias dentro do prazo legal, houve prejuízo na fiscalização aduaneira, devida, portanto, a multa pelo descumprimento. Ressalto que este seria o entendimento caso não estivesse prejudicada a análise. Tipificação A recorrente alega que não incorreu no tipo específico de descumprimento de declaração de mercadoria, conforme art.37 e 107, IV, “e” do DecretoLei 37/66, posto que não deixou de prestar informações sobre o veículo ou sobre a carga transportada entendendo que retificação, conduta que afirma ter praticado seria diferente de deixar de informar. Entendo que não assiste razão a recorrente, tendo em vista que no auto de infração é possível verificar que o recorrente apresentou Conhecimento de Embarque, promovendo a alteração de NCM fora dos prazos de atracação do navio e conforme art.37 do Decretolei 37/66 “o transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecido, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado”. O entendimento deste Conselho, inclusive para esta empresa em autuação pretérita foi o seguinte: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 05/04/2006 a 15/01/2009 MULTA REGULAMENTAR. DIREITO ADUANEIRO. AGENTE MARÍTIMO E TRANSPORTADOR. LEGITIMIDADE PASSIVA A legislação prevê que o agente marítimo, assim como o transportador internacional, respondem solidariamente por quaisquer infrações que tenham concorrido para a prática, solidariamente, sendo, pois, o agente parte legítima a figurar no polo passivo de auto de infração. MULTA REGULAMENTAR. DIREITO ADUANEIRO. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES FORA DO PRAZO. A multa por prestação de informações fora do prazo encontrase prevista na alínea "e", do inciso IV, do artigo 107 do Decreto Lei n 37/1966 prescindindo, para a sua aplicação, de que haja prejuízo ao Erário, sobretudo por se tratar de obrigação acessória em que as informações devem ser prestadas na forma e prazo estabelecidos pela Receita Federal. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES FORA DO PRAZO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Fl. 246DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 12266.720065/201102 Acórdão n.º 3801004.850 S3TE01 Fl. 13 12 Não há que se falar em denúncia espontânea de obrigação acessória se a norma em comento tem como finalidade a prestação de informações na forma e, sobretudo, no prazo fixado pela legislação, prazo esse que não seria observado se se considerar que a prestação de informações fora do prazo configuraria denúncia espontânea. Recurso Voluntário Negado. Nesta senda, uma vez não cumprindo o prazo de apresentação das declarações o transportador já incorre no fato gerador da multa regulamentar, resta devidamente enquadrada a conduta da recorrente à infração referida, não havendo qualquer traço de atipicidade. Ressalto que este seria o entendimento caso não estivesse prejudicada a análise. Art. 50 da Instrução Normativa 800/2007 Entendo que não assiste razão ao recorrente. Conforme a redação do artigo 50 da IN 800/07, informa que os prazos de antecipação de informação previstos no art. 22º da mesma instrução somente serão obrigatórios a partir de 1 de janeiro de 2009. Vejamos: Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1ºde janeiro de 2009. Parágrafo único. O disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre: I a escala, com antecedência mínima de cinco horas, ressalvados prazos menores estabelecidos em rotas de exceção; e II as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. (grifo nosso) Este dispositivo, ao mesmo tempo em que prevê que os prazos mínimos para a prestação de informações à RFB previstos no artigo 22 da IN RFB nº 800/2007 somente são obrigatórios a partir de 1ºde janeiro de 2009, dispõe que o transportador tem a obrigação de prestar informações sobre as cargas transportadas antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. Resta claro, portanto, que já a partir do momento em que se inicia a produção de efeitos da IN RFB nº 800/2007, qual seja 31 de março de 2008, as informações sobre as cargas transportadas devem ser prestadas pelas transportadoras antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País, conforme art. 52 da Instrução Normativa, prazo também descumprido pelo contribuinte. Em adição, havendo prazo que estabeleça o início da vigência das antecipações, nos caso dos fatos geradores que antecedem a vigência da Instrução Normativa 800/07, o contribuinte deveria ter cumprido o prazo de sete dias descritos art. 37 da Instrução Normativa SRF n° 28, de 1994, com a redação dada pela IN SRF n° 510, de 2005, para a apresentação da declaração, no que ultrapassou demasiado. Fl. 247DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 12266.720065/201102 Acórdão n.º 3801004.850 S3TE01 Fl. 14 13 Ressalto que este seria o entendimento caso não estivesse prejudicada a análise. Penalidade Aplicada Por Viagem A recorrente se insurge contra a aplicação da multa regulamentar contra cada uma das declarações de forma extemporânea, tendo em vista que o entendimento da Receita Federal sobre o assunto em Consulta Interna teria determinado que o transportador fosse multado uma única vez pela prestação de informações fora do prazo, referindo a COSIT SCI nº 8 de 14 de fevereiro de 2008. Não obstante os auditores fiscais tenham interpretado, em sua maioria, a legislação como que a multa deveria ser aplicada por cada declaração fora do prazo, o dispositivo legal deixa brecha para tanto interpretar que a penalidade deve ser aplicada por viagem quanto por declaração, visto que o dispositivo aborda apenas o aspecto quantitativo da multa, a tipificação da conduta, no caso, deixar de apresentar informações nos prazo estabelecidos à Receita Federal e identificação do infrator, qual seja a empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de transporte internacional expresso ou agente de carga. Neste sentido, entendo que se deve interpretar a norma de forma mais favorável ao contribuinte quando esta determina penalidade ao tipo de conduta, conforme resta estabelecido no art. 112, do Código Tributário Nacional – CTN, segundo o qual “a lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto”: à capitulação legal do fato; à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou natureza ou extensão de seus efeitos; à autoria, imputabilidade ou punibilidade; e à natureza da penalidade, aplicação, ou à sua gradação. Sobre o tema em comento, temse decidido nas sessões deste Conselho a interpretação da norma em favor do infrator. Vejamos: Assunto: Obrigações Acessórias Anocalendário: 2006 ILEGIMITIDADE PASSIVA. MULTA. REGISTRO DE DADOS DE EMBARQUE MARÍTIMO EM ATRASO. EXPORTAÇÃO. RESPONSABILIDADE DO TRANSPORTADOR. É legitimo para figurar no polo passivo da autuação, o transportador que registou os dados de embarque fora do prazo estabelecido no art. 37, §2º, da Instrução Normativa SRF nº 28/94. Inteligência dos arts. 107, inciso IV, alínea “e” e 37 do DecretoLei nº 37/66 c/c arts. 37, §2º, 44 e 46 da Instrução Normativa SRF nº 28/94. REGISTRO DE DADOS DE EMBARQUE MARÍTIMO EM ATRASO. PENALIDADE APLICADA POR VIAGEM EM VEÍCULO TRANSPORTADOR.Ocorrendo dúvida quanto à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão de seus efeitos; à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; e à natureza da penalidade aplicação, ou à sua gradação, deve ser aplicada a interpretação mais favorável ao acusado (art. 112, CTN).A multa prescrita no art. 107, inciso IV, alínea “e”, do DecretoLei nº 37/66 referente ao atraso no registro dados de embarque de mercadorias destinadas à exportação no Siscomex é aplicada por viagem do veículo transportador e não por carga (Declaração para Despacho de Exportação). DUPLICIDADE DA COBRANÇA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Não comprovada documentalmente o Fl. 248DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 12266.720065/201102 Acórdão n.º 3801004.850 S3TE01 Fl. 15 14 alegado bis in idem, improcedente a alegação de duplicidade da cobrança e a consequente identidade de objetos entre dois processos administrativos fiscais. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ART. 138, CTN. MULTA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INAPLICABILIDADE. Não alegado em momento oportuno, o argumento está precluso, pelo que não merece ser conhecido, ex vi dos arts. 16, inciso III e 17, do Decreto nº 70.235/72. (Recurso Voluntário nº 11968.001039/200717, Relator Bruno Mauricio Macedo Curi, da 2ª Câmara da 3ª Sessão de Julgamento do Carf, Publicada em 11/09/2013) Nestes termos, entendo que a penalidade do art. 107, IV, alínea “e” do Decreto Lei nº 37/66, deve ser aplicada por viagem e não por declaração de carga, devendo as penalidades aplicadas por declaração excluídas para que fiquem apenas a multa aplicada por viagem apurada no auto de infração. Ressalto que este seria o entendimento caso não estivesse prejudicada a análise. Em face do exposto, encaminho o voto para DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. É assim que voto. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira – Relator Fl. 249DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 12266.720065/201102 Acórdão n.º 3801004.850 S3TE01 Fl. 16 15 Voto Vencedor Conselheiro Marcos Antonio Borges, Em que pese o entendimento do relator, ouso dele discordar em relação à aplicação do instituto da denúncia espontânea. Da aplicação do instituto da denúncia espontânea No entendimento do STJ, conforme comprovam diversos julgados, a entrega extemporânea de qualquer tipo de obrigação acessória (DCTF, por exemplo) configura infração formal, não podendo ser considerada como infração de natureza tributária apta a atrair o instituto da denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN. A prestação de informações no Siscomex, como é o caso, é uma obrigação acessória e, aplicandose essa linha de raciocínio, deveria se observar a aplicação da Súmula CARF n° 49, que adota a mesma interpretação: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do CTN) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. No entanto, essa discussão foi reaberta em face da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, decorrente do art. 40 da Lei nº 12.350/2010: Art.102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2o A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) Apesar de alguns julgados recentes do CARF estarem admitindo a caracterização da denúncia espontânea com fundamento da nova redação do dispositivo, entendo que na aplicação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, devese analisar o conteúdo da “obrigação acessória” violada. Isso porque nem todas as infrações pelo descumprimento de deveres instrumentais são compatíveis com a denúncia espontânea, como é o caso das infrações caracterizadas pelo fazer ou não fazer extemporâneo do sujeito passivo. Fl. 250DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 12266.720065/201102 Acórdão n.º 3801004.850 S3TE01 Fl. 17 16 Esse entendimento, do qual eu compartilho, foi evidenciado em voto do eminente Conselheiro José Fernandes do Nascimento, no Acórdão 310200.988. 3a S/1a C/2a TO. S. de 22/08/2013: O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2°, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser Fl. 251DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 12266.720065/201102 Acórdão n.º 3801004.850 S3TE01 Fl. 18 17 citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez. Assim, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo, no caso a prestação de informação no Siscomex na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, implicaria no esvaziamento do dever instrumental, comprometendo o controle aduaneiro efetuado pela autoridade administrativa no exercício do seu Poder de Polícia. Entendese, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de obrigações acessórias caracterizadas pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira. Desta forma, em virtude de todos os motivos apresentados e dos fatos presentes no caso concreto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Fl. 252DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 12266.720065/201102 Acórdão n.º 3801004.850 S3TE01 Fl. 19 18 (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 253DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10516.000036/2010-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue May 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 08/11/2006 a 04/08/2008
PROCESSO ADMINISTRATIVO. AUTO DE INFRAÇÃO. PROVA. IMPROCEDÊNCIA DA DESCONSIDERAÇÃO DE PROVA BASEADA EM ERRO DE SUA DENOMINAÇÃO OU CLASSIFICAÇÃO.
O que é apresentado como prova deve ser apreciado independente da denominação atribuída por aquele que a apresenta.
Numero da decisão: 3401-002.895
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, dar provimento ao recurso de ofício. Vencida a Conselheira Angela Sartori e os Conselheiros Jean Cleuter Simões Mendonça e Bernardo Leite de Queiroz Lima. Designado o Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira.
Júlio César Alves Ramos - Presidente.
Ângela Sartori- Relator.
Eloy Eros da Silva Nogueira - Redator designado.
EDITADO EM: 16/03/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente) Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simões Mendonça, Eloy Eros da Silva Nogueira, Angela Sartori, Bernardo Leite de Queiroz Lima.
Nome do relator: ANGELA SARTORI
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FRAUDE. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado DJ BIJOUTERIAS LTDA. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 08/11/2006 a 04/08/2008 PROCESSO ADMINISTRATIVO. AUTO DE INFRAÇÃO. PROVA. IMPROCEDÊNCIA DA DESCONSIDERAÇÃO DE PROVA BASEADA EM ERRO DE SUA DENOMINAÇÃO OU CLASSIFICAÇÃO. O que é apresentado como prova deve ser apreciado independente da denominação atribuída por aquele que a apresenta. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, dar provimento ao recurso de ofício. Vencida a Conselheira Angela Sartori e os Conselheiros Jean Cleuter Simões Mendonça e Bernardo Leite de Queiroz Lima. Designado o Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira. Júlio César Alves Ramos Presidente. Ângela Sartori Relator. Eloy Eros da Silva Nogueira Redator designado. EDITADO EM: 16/03/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente) Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simões Mendonça, Eloy Eros da Silva Nogueira, Angela Sartori, Bernardo Leite de Queiroz Lima. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 6. 00 00 36 /2 01 0- 17 Fl. 2527DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digital mente em 24/04/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 Relatório Tratase de lançamento de crédito tributário para exigibilidade de Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI e Imposto de Importação, bem como das contribuições do PIS e da COFINS, no importe total de R$ 2.867.113,58 (dois milhões, oitocentos e sessenta e sete mil, cento e treze reais e cinquenta e oito centavos). A autuação abrange o período de 08/11/2006 a 04/08/2008, tendo sido lavrado em dezembro de 2010 (12/2010), bem como cientificado o contribuinte na mesma data. Segundo o Auditor Fiscal, a DJ se utilizou de esquema fraudulento de importação de mercadorias estrangeiras. Segue os dispositivos legais supostamente praticados: 109. Posto isso, propomos no presente Auto de Infração, por tudo que foi provado, quanto ao imposto de importação, ao Pis importação e à Cofinsimportação, a aplicação da penalidade prevista no § 1 o do Art. 44 da Lei 9.430/96, por declaração inexata, e da penalidade prevista no inciso II do § 6 o do art. 80 da Lei 4.502/64, quanto ao IPI, por falta de lançamento do imposto devido, ambas por evidente intuito de fraudar o controle aduaneiro, por parte de DJ e de seus importadores de fachada (importadores por conta e ordem da DJ), quanto aos valores apurados por esta fiscalização em suas operações de importação. Em relação ao subfaturamento, dizia o inciso I do art. 633 do Regulamento Aduaneiro, Decreto n° 4.543, de 26 /12 /2002: Art. 633. Aplicamse, na ocorrência das hipóteses abaixo tipificadas, por constituírem infrações administrativas ao controle das importações, as seguintes multas (Decretolei no 37, de 1966, art. 169 e § 6o, com a redação dada pela Lei no 6.562, de 18 de setembro de 1978, art. 2o): I de cem por cento sobre a diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado na importação ou entre o preço declarado e o preço arbitrado (Medida Provisória no 2.15835, de 2001, art. 88, parágrafo único); (...) 62. Diz ainda o §5° do art. 633: § 5o Não constituem infrações, para os efeitos deste artigo (Decreto lei n" 37, de 1966, art. 169, § 7o, com a redação dada pela Lei n" 6.562, de 1978, art. 2°): I a diferença, para mais ou para menos, por embarque, não superior a dez por cento quanto ao preço, e a cinco por cento quanto à quantidade ou ao peso, desde que não ocorram concomitantemente; (...) Medida Provisória n° 497, de 27 de Julho de 2010, a qual em seu art. 19 traz o seguinte texto (grifo nosso): Fl. 2528DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digital mente em 24/04/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10516.000036/201017 Acórdão n.º 3401002.895 S3C4T1 Fl. 6 3 Art. 19. Os arfe. 23, 28, 29 e 30 do DecretoLei n° 1.455, de 7 de abril de 1976, passam a vigorar com a seguinte redação: "Art. 23. (...) § 3o As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972. De acordo com o Relatório de Fiscalização, fls. 1.316/1.354, e Relatório Fiscal anexo ao Auto de Infração, fls. 1.356/1.363. a ação fiscal é oriunda de retenção de mercadorias de origem estrangeira, realizada pela DIREP10 no posto fiscal do ICMS em Torres/RS, motivada por divergências entre os documentos fiscais e a carga, durante conferência física preliminar realizada. No dia 3 de julho de 2008, Auditoresfiscais da DIREP10 (Divisão de Repressão ao Contrabando e Descaminho, da 10ª Região Federal), em operação de repressão realizada no ponto fiscal do ICMS na cidade de Torres (RS), reteve uma grande quantidade de mercadorias estrangeiras, as quais estavam a bordo do caminhão de placas LZS 8379, com semireboque de placa ICG 2432. A retenção teve como motivação a constatação de divergência entre os documentos fiscais e a carga, após exame físico preliminar, formalizada por meio dos Termos de Retenção nºs 01 e 02. 2. Durante a investigação preliminar, já em Porto Alegre, a Direp10 decidiu realizar procedimento fiscal de diligência, para busca e apreensão de documentos na sede da sociedade empresária DJ Bijouterias, que a partir daqui será citada apenas como DJ, pois esta se mostrou como a real adquirente das mercadorias importadas, fato confirmado após a realização da diligência. 3. A diligência foi realizada no dia 14 de julho de 2008. Os resultados da retenção das mercadorias estrangeiras e do procedimento fiscal de diligência foram a propositura da pena de perdimento das mercadorias estrangeiras e do procedimento fiscal de diligência foram a propositura da pena de perdimento das mercadorias estrangeiras retidas à sociedade DJ (processo já julgado pela Inspetoria da Receita Federal do Brasil em Porto Alegre IRF POA, que confirmou a aplicação do perdimento) e o detalhamento de como funcionava todo o esquema fraudulento de importação, chefiado pela DJ. ... 2. DA ABERTURA DO PROCEDIMENTO DE FISCALIZAÇÃO Fl. 2529DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digital mente em 24/04/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 5. No dia 16 de julho de 2009, a IRF POA recebeu, por meio do Memorando nº 008/2009 DIREP10, datado de 9 de julho de 2009, a documentação e os arquivos magnéticos apreendidos na sede da sociedade DJ, o Relatório Fiscal Anexo ao Auto de Infração e Tagf nº 1015400/3150/2008 e outros Termos e documentos integrantes daquele procedimento fiscal de diligência, fl. 167. 6. O Relatório Fiscal Anexo ao Auto de Infração e Tagf nº 10015400/3150/2008, elaborado pela Direp10, fls. 168 a 180, apontou vários fatos do esquema fraudulento de importação de mercadorias estrangeiras do qual se utilizou a DJ. Listamos abaixo esses fatos, que podem ser confirmados pela simples leitura do referido Relatório: a) Quanto à operação comercial i. O real adquirente das mercadorias importadas era a sociedade empresária DJ, fls. 172 e 173; ii. A Sra. Vera Sensata Dornelles Pontes, sócia administradora da DJ, viajava à China para a realização da negociação das mercadorias estrangeiras diretamente com os fornecedores das mesmas. Feita a negociação, ela repassava os detalhes das compras para importadores de fachada, que ficavam encarregados do serviço de logística da importação daquelas mercadorias, fl. 169; iii. A Sra. Vera também declarou que não sabia como eram feitos os pagamentos, pois quem cuidava desses assuntos era seu marido, o Sr. Demontiez Ribeiro Pontes Júnior, fl. 169. b) Quanto às mercadorias estrangeiras importadas fraudulentamente i. As quantidades declaradas na DI eram muito menores do que as efetivamente importadas, fls. 170, 171 e 174; ii. Várias mercadorias não eram declaradas, fls. 170, 171 e 174; iii. As verdadeiras quantidades das mercadorias importadas constavam de documentos (faturas de compra) e arquivos magnéticos encontrados na sede da DJ, fls. 173 e 174; iv.Por meio desses documentos e arquivos magnéticos, verificou se que os preços declarados nos documentos que instruíam os despachos aduaneiros de importação de mercadorias estavam subfaturados, fls. 173 e 174. 7. Tendo em mãos todo esse conjunto probatório do esquema fraudulento de importação que a DJ utilizou, restou a esta fiscalização aduaneira identificar cada declaração de importação que amparou as mercadorias estrangeiras introduzidas em território nacional por meio deste esquema, para a apuração do débito tributário e a determinação das penalidades cabíveis a serem aplicadas. Doze declarações de importação foram registradas anteriormente à diligência fiscal e duas outras declarações foram registradas após essa diligência, a qual ocorreu no dia 14 de julho de 2008. Fl. 2530DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digital mente em 24/04/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10516.000036/201017 Acórdão n.º 3401002.895 S3C4T1 Fl. 7 5 3. DA IDENTIFICAÇÃO DAS DECLARAÇÕES DE IMPORTAÇÃO (DI) QUE AMPARARAM CADA OPERAÇÃO FRAUDULENTA DE IMPORTAÇÃO 3.1 Considerações Gerais 9. Nesta Etapa, várias foram as maneiras de se encontrar quais foram as declarações de importação (DI) que ampararam a internalização das mercadorias estrangeiras, tendo em mãos apenas o controle das faturas de mercadorias estrangeiras e os arquivos magnéticos contendo fotos destas mercadorias, apreendidos na sede da DJ. Essas fotos tornaram possível a identificação de cada mercadorias constante nas faturas comerciais reais, pois além da imagem, todas eram identificadas pelo mesmo código DJ das faturas. Tais arquivos foram gravados em um CD (compact disc), que se encontra anexo a este Auto de Infração. 10. As declarações foram encontradas usandose com filtro principal o modus operandi da DJ, aliado ao peso bruto e às quantidades de caixas informados nas faturas e nas DI. Determinada a DI, outras características iam se encaixando ao se comparar os itens da DI com os itens das faturas, levando à certeza da determinação efetuada por esta fiscalização. 11. Mas a confirmação da identidade das DI foi sempre realizada na comparação entre as mercadorias constantes nas faturas comerciais da DJ e as mercadorias declaradas na DI. Confirmações realizadas mais pelos tipos de mercadorias negociadas pela DJ com seu exportador estrangeiro do que pelo batimento item a item, pois como ficou demonstrado pela Direp10, fls. 168 a 180, a DJ declarava falsamente em suas DI as mercadorias importadas, alterando as quantidades e não declarando outras mercadorias. 12. O certo é que, cristalizando o que a Direp10 já tinha demonstrado em seu trabalho inicial sobre as operações da DJ, fls. 168 a 180, o modus operandi das fraudes cometidas manteve se em todas as operações de importação verificadas por esta fiscalização aduaneira, tais como: em todas as operações foram utilizados importadores de fachada; das 14 operações identificadas, em 9 foram utilizados adquirentes também de fachada; as quantidades de mercadorias constantes das faturas reais eram na esmagadora maioria das vezes bem maior do que as declaradas; em nenhuma DI identificada foram declarados todos os tipos de mercadorias constantes das faturas. 13. Mesmo com todas essas diferenças, em todas as operações que eram totalmente de propriedade da DJ, os pesos brutos e o número de caixas da DI eram exatamente os constantes nas faturas encontradas na sede da DJ (quando estes tinham estas informações). Mesmo naquelas operações em que a DI amparava mercadorias da DJ e de outros compradores, para todas elas conseguimos demonstrar que a DI encontrada correspondia à importação da fatura encontrada na da DJ. Fl. 2531DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digital mente em 24/04/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 6 14. No anexo único a este Auto de Infração, apresentamos, para cada operação de importação, identificada pela fatura apreendida na DJ e a correspondente DI, uma planilha com todas as mercadorias importadas, constantes das respectivas faturas comerciais, ligando cada mercadoria à sua adição na DI determinada por esta fiscalização como a DI que amparou a importação destas mercadorias. Passaremos agora a demonstrar, para cada fatura encontrada na sede da DJ, como determinamos a sua respectiva declaração de importação registrada no Siscomex. ... 5. DO SUBFATURAMENTO PRATICADO PELA DJ 71. Após a análise das catorze operações de importação realizadas pela DJ, verificamos que o valor declarado em suas DI, valor este utilizado como base de cálculo dos tributos incidentes na importação de mercadorias estrangeiras, foi de US$ 170.534,03, enquanto que o valor efetivamente pago pela DJ pelas mercadorias importadas foi de US$ 945.837,55 (excluímos os valores pagos à título de comissão, pois eles não compõem o valor aduaneiro das mercadorias, como explicaremos adiante). Ou seja, a DJ deixou de declarar à Receita Federal do Brasil um valor de US$ 775.303,52 em suas importações, resultando em um subfaturamento de aproximadamente 32%. Em outras palavras, a DJ declarava apenas 18% do valor real de suas mercadorias importadas. 6. DOS EFEITOS DESEJADOS COM O ESQUEMA FRAUDULENTO DE IMPORTAÇÕES 6.1 Considerações Gerais 72. Passamos agora a uma rápida análise das "vantagens" obtidas pela DJ e seus responsáveis com o esquema fraudulento de importações montado pelos mesmos, ao se ocultarem como reais adquirentes das mercadorias importadas, ao subfaturar preços e ao remeter de forma ilegal divisas ao exterior, quando do pagamento dessas importações. Usamos como base de cálculo os valores relativos às operações de importações compreendidas entre os meses de novembro de 2006 e agosto de 2008, tanto quanto aos valores declarados pelos importadores de fachada, quanto aos valores reais apurados por esta fiscalização. 6.2. Recolhimento a menor de tributos incidentes na importação 73. Os valores declarados pelos importadores de fachada, de novembro de 2006 a agosto de 2008, totalizaram R$ 301.950,47 (não computamos os valores à DI da pena de perdimento), enquanto que o valor real dessas importações apurado por esta fiscalização foi de R$ 1.444.805,49. Foram recolhidos aproximadamente R$ 192.250,00 entre imposto de importação, IPI, PISimportação, COFINSimportação e ICMS. Mas, pelo valor real importado, deveria ter sido o valor de R$ 857.700,00, ou seja, foi sonegado aproximadamente um valor de R$ 665.450,00 em 21 meses de operações de importação por conta e ordem da DJ. Fl. 2532DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digital mente em 24/04/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10516.000036/201017 Acórdão n.º 3401002.895 S3C4T1 Fl. 8 7 6.3 Quebra da cadeia do IPI 74. A legislação nacional equipara à industrial o adquirente de mercadorias importadas por sua conta e ordem, para efeito de incidência de IPI nas saídas destas mercadorias. A ocultação, mediante simulação fraudulenta, permitiu à DJ passar despercebida ao fisco sem nunca ter recolhido este tributo ao longo de sua existência. Além disso, como os importadores de fachada "vendiam" as mercadorias importadas a repassadores desta à DJ, por valores que cobriam apenas os custos de importação, praticamente não era recolhido IPI na saída dessas mercadorias dos importadores de fachada. 75. O valor das mercadorias importadas (sem margem de lucro, digase de passagem), com alíquota de 12% para o ICMS na saída, pode ser estimado em aproximadamente R$ 2.100.000,00, o que deveria ocasionar um recolhimento de R$ 210.000,00, a uma alíquota média de 10% de IPI, na saída dessas mercadorias. 76. Ou seja, em 21 meses a DJ, conjuntamente com seus importadores por sua conta e ordem, sonegaram aos cofres públicos cerca de R$ 900.000,00 (arredondamos) entre a importação e a saída de seus produtos importados. Ou R$ 42.500,00 (arredondamos outra vez) por mês, em média. Chamamos a atenção para o fato de que esta estimativa de sonegação não incluiu as operações no mercado interno, ou seja, as vendas da DJ. Sabemos que são estimativas, mas como usamos a taxa média do IPI na saída, em comparação com a realidade brasileira, e não colocamos a margem de lucro, termos a certeza que o valor sonegado foi maior do que foi estimado aqui. 8. DA RELAÇÃO JURÍDICA ENTRE DJ (CONTRIBUINTE) E OS IMPORTADORES DE FACHADA (CONTRIBUINTES): SOLIDARIEDADE 87. Ao final de tudo que foi mostrado e comprovado até agora neste Relatório de fiscalização, perguntamos: quem foi o verdadeiro importador? Foram as sociedades empresárias.que registraram as declarações de importação com base em documentos fornecidos pela DJ, que procederam aos respectivos desembaraços, que emitiram notas fiscais de entrada, que emitiram notas fiscais de saída e que cobravam uma comissão da DJ para a prestação desses serviços; ou foi a DJ, que negociou a compra dessas mercadorias diretamente com os fornecedores estrangeiros e que pagou por essas mercadorias, sendo a diferença entre a parte cambial (valor subfaturado) e o valor real paga no exterior de forma fraudulenta? 88. Não parecem restarem dúvidas de que a DJ foi o real importador das mercadorias estrangeiras tratadas neste Relatório, sendo que Makomex Comércio, Importação e Exportação Ltda. e Posco Indústria, Comércio, Importação e Exportação Ltda. não passaram de meros prestadores de serviços fraudulentos para a DJ. Fraudulentos sim, pois sempre Fl. 2533DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digital mente em 24/04/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 8 souberam do subfaturamento dos preços que declaravam nas declarações de importação que declaravam para a DJ, simulando ainda uma situação jurídica falsa, pois nunca foram importadoras, proprietários das mercadorias importadas, sempre souberam quem era o real importador: DJ. Mas, apesar dessa real situação fática, devemos procurar na lei o caminho para a responsabilização tributária de todos os integrantes do esquema fraudulento de importações comandado pela DJ. Em análise à impugnação apresentada pela DJ, fls. 1697/1725, e a apresentada pela POSCO INDÚSTRIA COMÉRCIO IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA EPP, fls. 2356/2379, a Terceira Turma Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza/CE DRJ/FOR, prolatou, na sessão de 26 de setembro de 2013, o Acórdão n. 0826.922, fls. 2488/2513, julgando procedente a impugnação, exonerando o crédito tributário, nos seguintes termos: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 08/11/2006 a 04/08/2008 PROCESSO ADMINISTRATIVO. INCONSTITUCIONALIDADE. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. Não compete ao julgador administrativo apreciar alegações sobre supostas afrontas aos Princípios Constitucionais da proporcionalidade, da razoabilidade e do não confisco, em face da submissão da esfera administrativa ao princípio da legalidade. AUTO DE INFRAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. IMPROCEDÊNCIA. É improcedente o Auto de Infração quando os elementos de prova trazidos pela autoridade fiscal são insuficientes para demonstrar a ocorrência dos fatos narrados na acusação fiscal Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Tendo em vista o valor exonerado, a DRJ/FOR recorreu de ofício de sua decisão, baseada no art. 70, inciso I, do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011, em virtude de o crédito tributário exonerado ser superior ao limite da alçada previsto no artigo 1º da Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008. O sujeito passivo, por sua vez, não se pronunciou sobre a decisão de 1ª instância. Voto Vencido Conselheiro Ângela Sartori. O recurso preenche todos pressupostos para a sua admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Fl. 2534DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digital mente em 24/04/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10516.000036/201017 Acórdão n.º 3401002.895 S3C4T1 Fl. 9 9 A DRJ julgou procedente a impugnação apresentada em razão de não haver nos autos, provas suficientes a caracterizar a infração, da forma pela qual fez a autoridade autuante. A meu ver, não merece reforma o julgado da 2ª Turma de Julgamento da DRJ/FOR. Conforme bem salientado, a fiscalização fundamentou sua acusação em documentos por ela intitulados de “faturas”, a exemplo das fls. 1536 e seguintes dos autos. A partir da análise de tais documentos, em cotejo com informações extraídas da base de dados da RFB que foi concluído que os procedimentos de importação objeto dos autos teriam sido realizados com subfaturamento e com a ocultação do real adquirente. Ocorre que os documentos não são “faturas comerciais” nos termos do art. 497 do Regulamento Aduaneiro. As mesmas observações feitas pela DRJ quanto a este documento são as que faço, conforme abaixo: i) Nenhum deles possuem nome ou endereço das partes envolvidas; ii) Não há qualquer menção ao frete ou qualquer outra despesa relacionadas às mercadorias ali descritas, excetuando a comissão; iii) Não se sabe qual é o país de origem das mercadorias; iv) O valor do frete ou; v) O inconterm utilizado na suposta operação comercial; vi) Os documentos estão em língua estrangeira e não há como se identificar a moeda que estaria sendo utilizada na suposta negociação. Dessa forma, não há que se falar aqui em fatura comercial, o que, à míngua de prova, é insuficiente a comprovar a ocorrência da operação comercial. Resta demonstrado que a fiscalização não realizou prova efetiva das imputação por ela levantadas no Relatório de Fiscalização, devendo prevalecer a presunção de inocência do contribuinte, art. 5º, LVII da Constituição Federal. CONCLUSÃO Pelo exposto, conheço do Recurso de Ofício para, no mérito, julgálo improcedente. Conselheira Ângela Sartori Relator Voto Vencedor Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira. O processo chega a este colegiado, como bem resumiu a Conselheira relatora, por recurso de ofício dada a decisão de primeiro piso que considerou procedente as impugnações apresentadas pela contribuinte DJ Bijuterias Ltda (DJ) e pela contribuinte Posco Industria e Comércio Ltda. (POSCO). Os julgadores a quo rejeitaram todas as preliminares de nulidade, mas, no mérito, consideraram que a autoridade fiscal não apresentou elementos suficientes para sustentar a acusação de interposição fraudulenta e de subfaturamento. Assim, Fl. 2535DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digital mente em 24/04/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 10 concluíram que a exoneração do crédito tributário exigido beneficiaria inclusive as contribuintes autuadas por solidariedade e revéis. Tenho aqui a missão de redigir o voto vencedor da apreciação e conclusão desse colegiado no julgamento deste Recurso de Ofício. Espero conseguir reproduzir as considerações dessa ocasião, que divergiram da conclusão da mui ilustre Conselheira Ângela Sartori em seu voto condutor. Peço licença para expor, com brevidade, as razões para isso. O que constituiu o fato ou os fatos para que a autoridade fiscal justificasse a autuação? Inicialmente a constatação, em operação de repressão realizada em 03/07/2008, que o transporte de produtos estrangeiros estava acompanhado de documentos com informações divergentes. Tendo em vista essa constatação, além da retenção para averiguação fiscal, as autoridades competentes diligenciaram nos estabelecimentos da empresa apontada como beneficiária, responsável ou destinatária naquela operação de transporte. Essa diligência trouxe ao conhecimento da fiscalização documentos e informações que: 1º a empresa DJ tinha interesse e responsabilidade pelas mercadorias retidas; 2º que as divergências encontradas naquela ocasião, na estrada, não eram simples erros eventuais, mas eram de prévio conhecimento e controle da DJ; 3º que havia outras mercadorias estrangeiras com divergências do mesmo tipo àquela inicialmente encontrada na operação de repressão. Tudo isso não são especulações ou ilações, mas fatos constatados e que serviram de base para se verificar se haveria um modo de operação e quais seriam os atores responsáveis. Dentre as informações proporcionadas pela contribuinte DJ, havia documentos de controle, que a fiscalização passou a denominar de "controle de fatura" ou simplesmente de "fatura", e também arquivos em mídia e o depoimento da sócia administradora. A fiscalização, a seguir, constatou que os produtos estrangeiros identificados nos documentos encontrados na DJ e nos registros magnéticos correspondiam a importados por Declarações de Importação. Muitos foram os critérios adotados pela autoridade fiscal para chegar à identificação das declarações de importação. Ademais, ao analisar essas declarações de importação, pode constatar que os preços nelas constantes não seriam os verdadeiros. E que essas importações ocultariam o real interessado, no caso, a DJ, inclusive pelo fato que ela detinha uma a quantidade de informações de controle que ultrapassava a esfera de mera consumidora comercial, mas comprovava, em seu ponto de vista, que ela era a real interessada, adquirente e destinatária desses produtos e gerenciava todo esse processo de importações. Além disso, a comparação com o que consta da base de dados da Receita Federal que mantém registro de todas as importações feitas no Brasil , levou à fiscalização a analisar os preços informados nas DIs e os constantes dos documentos de controle encontrados na DJ, e concluir pela consistência destes em detrimento daqueles. Esses são alguns dos elementos que encontramos nos autos para explicar a convicção da autoridade lançadora de que houve um modo de operação comum às declarações de importação listadas, que a DJ era a real interessada, que os preços declarados não eram os Fl. 2536DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digital mente em 24/04/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10516.000036/201017 Acórdão n.º 3401002.895 S3C4T1 Fl. 10 11 efetivamente praticados, mas, sim, os valores constantes nos documentos de controle encontrados no estabelecimento da DJ, entre outros. A questão posta aqui não reside em classificar os documentos encontrados na posse da DJ como faturas comerciais ou como packing list, ou qualquer outro documento formalmente adotado nas operações comerciais internacionais. A meu ver, não é central, mas, sim, de ordem secundária se aquele documento é ou não uma fatura ou uma próforma. Poderiam ser emails, ou mensagens telefônicas, ou de outras formas e mídias. Aliás, os documentos encontrados não se limitam àqueles que foram denominados "faturas", mas há outros, que revelam se tratar de um conjunto, com dados de um controle sistemático e deliberado. A contribuinte não conseguiu afastar a constatação que esses documentos eram legítimos e válidos para os propósitos e motivos de estarem sendo usados e mantidos pela DJ. E essa validade é independente dele não corresponder ao que a legislação brasileira descreve como fatura. Ademais, a contribuinte não conseguiu afastar a constatação que as informações que dele constam era e são consistentes e poderiam ser vistas como verdadeiras. A denominação de "fatura" atribuída pela fiscalização a um desses documentos, equivocada ou não, não subtrai deles a validade de se constituírem em elemento de prova. O que consta desses documentos não pode ser ignorado. Eles trazem dados organizados, consolidados, pertinentes com operações de importação, reveladores de um esforço de gerenciamento e controle. Esses documentos, apesar de se referirem a datas diversas, são idênticos ou semelhantes entre si, apontando não se tratar de uma coincidência. Como se vê, argumento que não pode se sustentar a anulação da autuação somente por que não há correspondência do documento que foi denominado "fatura" com o que a legislação brasileira descreve como fatura comercial. Ao ler os documentos que instruem este processo vejo um conjunto de informações que nos levam, a priori, a conclusão diferente dos julgadores a quo. Aproveito a ocasião para expor que, em meu entendimento, a atribuição do crédito tributário devido por força da responsabilização dos importadores aqui apontados como solidários à DJ deveria ser determinada considerando as importações das quais eles foram os titulares das declarações de importação. Não me parece que corresponda ao sentido dado pela legislação aplicável à matéria atribuir a cobrança de crédito tributário e de penalidades ao importador por operação de importação da qual ele não foi o titular ou operador. Fl. 2537DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digital mente em 24/04/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 12 Por essas considerações que proponho a este Colegiado dar provimento ao recurso de ofício. Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira designado. Fl. 2538DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digital mente em 24/04/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
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Numero do processo: 10680.912877/2012-39
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue May 12 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3403-000.635
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinatura digital)
Antonio Carlos Atulim - Presidente
(assinatura digital)
Ivan Allegretti - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Jorge Freire, Ivan Allegretti e Luiz Rogério Sawaya Batista.
Nome do relator: IVAN ALLEGRETTI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinatura digital) Antonio Carlos Atulim - Presidente (assinatura digital) Ivan Allegretti - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Jorge Freire, Ivan Allegretti e Luiz Rogério Sawaya Batista.
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinatura digital) Antonio Carlos Atulim Presidente (assinatura digital) Ivan Allegretti Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Jorge Freire, Ivan Allegretti e Luiz Rogério Sawaya Batista. Relatório Tratase de Declaração de Compensação na qual o contribuinte apresenta como crédito valor de recolhimento a maior de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) em relação ao fato gerador ocorrido em 28/02/2005, recolhido em 15/03/2005. Houve homologação apenas parcial da compensação, por meio de Despacho Decisório Eletrônico – DDE (fl. 152), pelo fundamento de que “A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas parcialmente utilizados para quitação de deb́itos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação dos deb́itos informados no PER/DCOMP”. A utilização do crédito foi demonstrada por meio do seguinte quadro (fl. 152): RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 80 .9 12 87 7/ 20 12 -3 9 Fl. 233DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10680.912877/201239 Resolução nº 3403000.635 S3C4T3 Fl. 234 2 O contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 2/7) cujos argumentos são assim resumidos no relatório do acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Belo Horizonte/MG – DRJ (fls. 131/132): 5.2 Informa que apurou a COFINS referente ao mês de fevereiro/2005 no valor de R$16.481.740,00, recolhendo o valor apurado; posteriormente apurou erro na apuração da base de cálculo, apurando nova contribuição, no valor de R$ 10.540.771,21. Informa que retificou a DCTF mensal. O erro cometido deu origem ao pagamento a maior no importe de R$5.940.968,79. 5.3 Em 28/11/2005 apresentou a DCOMP de no 26246.70269.281105.1.3.044201, utilizando o crédito original de COFINS do mês de fevereiro/2005 no valor de R$ 3.553.209,38. “Entretanto, (...) o crédito não foi utilizado para quitação do débito mencionado, contudo, não houve o cancelamento formal do PER/DCOMP”. 5.4 Esclarece que, uma vez não utilizado o crédito na DCOMP de no 26246.70269.281105.1.3.044201, apresentou a DCOMP de no 08190.31710.031007.1.7.04 5790, utilizando parte do indébito então apurado. O cred́ito remanescente foi utilizado na DCOMP 13073.58228.031007.1.3.043338. 5.5 Informa que aos 26/09/2011 recebeu o Despacho Decisório no 952420657, que homologou parcialmente a compensação declarada na DCOMP 08190.31710.031007.1.7.04 5790; que apresentou manifestação de inconformidade à DRJ, que manteve o decidido pela DRF através do Acórdão 0237.909, de 12/03/2012; que apresentou recurso voluntário ao CARF, ainda pendente de julgamento. 5.5.1. Tece diversas considerações acerca da homologação parcial da DCOMP 08190.31710.031007.1.7.045790, argumentando que o decidido pela DRF na apreciação daquela DCOMP ocasionou a insuficiência do cred́ito utilizado na DCOMP de no 13073.58228.031007.1.3.043338, em análise neste processo. 5.5.2 Propugna pela suspensão da demanda administrativa em curso até a decisão definitiva do CARF acerca da DCOMP de no 08190.31710.031007.1.7.045790, em discussão no processo no 10680.918613/201116. 5.6. O manifestante menciona que a “ausência de cancelamento formal do PER/DCOMP no 26246.70269.281105.1.3.044201 tambeḿ Fl. 234DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10680.912877/201239 Resolução nº 3403000.635 S3C4T3 Fl. 235 3 concorreu para a insuficiência do crédito para a compensação da DCOMP no 13073.58228.031007.1.3.043338”. 5.6.1 Acerca do assunto, esclarece que o crédito reconhecido por meio do PER/DCOMP 26246.70269.281105.1.3.044201 não foi utilizado, de modo que “não seria razoável admitir que um crédito compensável devidamente constituído fosse desconsiderado pela ausência de procedimento de cancelamento de DCOMP, mera formalidade administrativa”.(negritos do original) 5.7 Por fim, requer: · O cancelamento de ofício da DCOMP de no 26246.70269.281105.1.3.044201. · A suspensão do julgamento da manifestação de inconformidade apresentada neste processo até a conclusão definitiva do processo 10680.918613/201116. · A homologação integral da compensação pleiteada por meio do PER/DCOMP 13073.58228.031007.1.3.043338. · Que a intimação de todos os atos processuais seja realizada atraveś de seus procuradores. A DRJ, por meio do Acórdão nº 0241.162, de 14 de novembro de 2012 (fls. 169/177), concluiu pela improcedência da manifestação de conformidade, mantendo o despacho decisório, resumindo seu o entendimento na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2005 a 28/02/2005 SOBRESTAMENTO DO JULGAMENTO. Inexistindo previsão legal, não podem as autoridades julgadoras administrativas decidir pelo sobrestamento do processo, sob pena de violar o princípio da legalidade inserto na Constituição Federal. RETIFICAÇÃO/CANCELAMENTO DA DCOMP A retificação ou o cancelamento da DCOMP somente e ́ possível na hipótese de inexatidões materiais cometidas no seu preenchimento, da forma prescrita na legislação tributária vigente e somente para as declarações ainda pendentes de decisão administrativa na data da sua apresentação. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Desde que respeitadas as normas vigentes para a sua utilização, o sujeito passivo que apurar cred́ito relativo a tributo ou contribuição administrado pela RFB, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos ou contribuições Fl. 235DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10680.912877/201239 Resolução nº 3403000.635 S3C4T3 Fl. 236 4 administrados por aquele Órgão, ressalvadas as contribuições previdenciárias. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 182/228), por meio do qual reitera os mesmos fundamentos de sua manifestação de inconformidade É o relatório. Voto Conselheiro Ivan Allegretti, Relator O recurso voluntário foi protocolado no dia 07/01/2013 (fl. 182), dentro do prazo de 30 dias contados da notificação do acórdão da DRJ, ocorrida em 06/12/2012 (fl. 181). Por ser tempestivo e por conter fundamentos de reforma do acórdão recorrido, conheço do recurso. A Declaração de Compensação em discussão no presente processo administrativo utiliza como crédito o valor remanescente de outra Declaração de Compensação, que é objeto de discussão em andamento no Processo Administrativo nº 10680.918613/201116. Assim, a existência do crédito utilizado no presente processo decorre de que, no referido Processo nº 10680.918613/201116 seja reconhecido o direito de crédito pleiteado, bem como que o débito corresponde estritamente ao valor neles indicado, de maneira que ocorra a sobra do saldo remanescente que se pretende utilizar neste caso. Voto, pois, pela conversão do presente julgamento em diligência para que o presente processo seja remetido para a Delegacia de origem para que lá se aguarde o julgamento final e definitivo do Processo nº 10680.918613/201116, quando, então, deverá ser anexado aos presentes autos a cópia integral do referido processo, bem como deverá a Autoridade preparadora elaborar relatório de diligência informando se da referida decisão restou saldo remanescente de crédito e demonstrando a sua aplicação em relação a este processo, informando se foi suficiente para a extinção do débito ou, se parcial, em que medida houve a extinção dos débitos compensados. O contribuinte deve ser intimado do relatório da diligência, para que, querendo, apresente manifestação em 15 (quinze) dias. Transcorrido o prazo, devem os autos ser devolvidos a este Conselho para julgamento. É como voto. (assinatura digital) Ivan Allegretti Fl. 236DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 10932.000078/2007-41
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Aug 25 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2004
PROVA. EXTINÇÃO DE DÉBITOS.
O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada, independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio.
A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, cabendo à autoridade a prova da não veracidade dos fatos registrados.
Numero da decisão: 1803-001.558
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório de voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Presidente e Redator para Formalização do Acórdão
Considerando que o Presidente à época do Julgamento não compõe o quadro de Conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) na data da formalização da decisão, que a 3ª Turma Especial da 1ª Seção foi extinta pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015 (que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF), e as atribuições dos Presidentes de Câmara previstas no Anexo II do RICARF, a presente decisão é assinada pelo Presidente da 4ª Câmara/1ª Seção André Mendes de Moura, para fins de formalização. Da mesma maneira, tendo em vista que, na data da formalização da decisão, o relator VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN não integra o quadro de Conselheiros do CARF, o Presidente André Mendes de Moura será o responsável pela formalização do voto.
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues e Selene Ferreira de Moraes (Presidente à Época do Julgamento). Ausente, justificadamente, a Conselheira Viviani Aparecida Bacchmi.
Nome do relator: VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2004 PROVA. EXTINÇÃO DE DÉBITOS. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada, independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, cabendo à autoridade a prova da não veracidade dos fatos registrados.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório de voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura - Presidente e Redator para Formalização do Acórdão Considerando que o Presidente à época do Julgamento não compõe o quadro de Conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) na data da formalização da decisão, que a 3ª Turma Especial da 1ª Seção foi extinta pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015 (que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF), e as atribuições dos Presidentes de Câmara previstas no Anexo II do RICARF, a presente decisão é assinada pelo Presidente da 4ª Câmara/1ª Seção André Mendes de Moura, para fins de formalização. Da mesma maneira, tendo em vista que, na data da formalização da decisão, o relator VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN não integra o quadro de Conselheiros do CARF, o Presidente André Mendes de Moura será o responsável pela formalização do voto. Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues e Selene Ferreira de Moraes (Presidente à Época do Julgamento). Ausente, justificadamente, a Conselheira Viviani Aparecida Bacchmi.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2287; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE03 Fl. 2 1 1 S1TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10932.000078/200741 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1803001.558 – 3ª Turma Especial Sessão de 06 de novembro de 2012 Matéria NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Recorrente VOSS AUTOMOTIVE LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2004 PROVA. EXTINÇÃO DE DÉBITOS. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada, independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, cabendo à autoridade a prova da não veracidade dos fatos registrados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório de voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Presidente e Redator para Formalização do Acórdão Considerando que o Presidente à época do Julgamento não compõe o quadro de Conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) na data da formalização da decisão, que a 3ª Turma Especial da 1ª Seção foi extinta pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015 (que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF), e as atribuições dos Presidentes de Câmara previstas no Anexo II do RICARF, a presente decisão é assinada pelo Presidente da 4ª Câmara/1ª Seção André Mendes de Moura, para fins de formalização. Da mesma maneira, tendo em vista que, na data AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 2. 00 00 78 /2 00 7- 41 Fl. 1362DF CARF MF Impresso em 25/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 21/08/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10932.000078/200741 Acórdão n.º 1803001.558 S1TE03 Fl. 3 2 da formalização da decisão, o relator VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN não integra o quadro de Conselheiros do CARF, o Presidente André Mendes de Moura será o responsável pela formalização do voto. Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues e Selene Ferreira de Moraes (Presidente à Época do Julgamento). Ausente, justificadamente, a Conselheira Viviani Aparecida Bacchmi. Relatório I Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às fls. 7580, com a exigência do crédito tributário no valor de R$303.383,05 a título de Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), juros de mora e multa de ofício proporcional apurado pelo regime de tributação com base no lucro real referente ao anocalendário de 2003. Consta na Descrição dos fatos e Enquadramento Legal: 001. Imposto de Renda Pessoa Jurídica. Diferença apurada entre o valor escriturado e o declarado/pago.[...] Arts. 247 e 841 do RIR/99. II Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às fls. 8183, com a exigência do crédito tributário no valor de R$134.832,98 a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), juros de mora e multa de ofício proporcional apurado pelo regime de tributação com base no lucro real referente ao ano calendário de 2003. Consta na Descrição dos fatos e Enquadramento Legal: 001. CSLL. Diferença apurada entre o valor escriturado e o declarado/pago. [...] Art. 77, inciso III, do DecretoLei no 5.844/43, art. 149 da Lei no 5.172/66, art. 2 0 e §§, da Lei no 7.689/88.; Art. 10 da Lei no 9.316/96 e Art. 28 da Lei no 9.430/96; Art. 37 da Lei no 10.637/02. Cientificada, a Recorrente apresentou impugnação, fls. 91113, com os argumentos que se transcrevem da decisão de primeira instância, por bem relatar: 5.1. Afirma que teria informado a autoridade fiscal que os débitos exigidos tinham sido extintos através de compensação, no plano contábil, com créditos dos mesmos tributos, acumulados em exercícios anteriores. 5.2. A autoridade fiscal formalizou os lançamentos apoiandose no fato de tais compensações não terem sido formalizadas por meio de declarações de compensação, tampouco informadas em DCTF. Fl. 1363DF CARF MF Impresso em 25/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 21/08/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10932.000078/200741 Acórdão n.º 1803001.558 S1TE03 Fl. 4 3 5.3. Disserta sobre o principio da verdade material e diz que a legalidade da tributação depende da verificação pela Administração Pública de tal principio, acerca dos elementos da obrigação tributária. 5.4. Acrescenta que a fiscalização não teria observado aquele principio, pois se negou a analisar devidamente os documentos que comprovavam a origem dos créditos utilizados na compensação das estimativas mensais de IRPJ e CSLL do ano calendário de 2002, sob o pretenso argumento de que a autuada teria omitido tais informações nas DCTF e declarações de compensação. Em suas palavras: "Portanto, concluise que a mera falta formal no preenchimento de alguns documentos fiscais, mesmo ante a existência de tantos documentos hábeis disponíveis para a comprovação da existência dos créditos da impugnante, não pode validamente ensejar a lavratura do presente auto de infração, exigindo créditos tributários manifestamente extintos." 5.5. Diz ser obrigação da autoridade administrativa considerar todas as provas e fatos de que tenha conhecimento. E que, ao ignorar os comprovantes de pagamentos das estimativas mensais recolhidas nos exercícios anteriores, houve desrespeito ao processo administrativo, contaminando de nulidade o lançamento. 5.6. Aduz a falta de motivação legal e Mica dos auto de infração, a teor do artigo 10, do Decreto n.° 70.235, de 1972, tendo em conta que a autoridade fiscal não verificou a fundo a materialidade dos créditos exigidos, atendose a meras faltas formais e acessórias, implicando a nulidade do lançamento. 5.7. Argumenta que os créditos utilizados na compensação dos valores exigidos tiveram origem nos períodos de 1997 a 1999, nos quais teria antecipado mensalmente quantias de IRPJ e CSLL superiores aos montantes apurados a pagar. 5.8. Referese às mudanças societárias que culminaram com sua criação, com o objetivo de aclarar sua propriedade sobre os créditos que alega, como sucessora de todos os direitos e obrigações tributárias das empresas Voss Ltda., HelerTec Ind. e Com. Ltda. e Voss HT Ltda.: 5.8.1. em 08 de julho de 1998, a empresa Voss Ltda. ingressou na sociedade HelerTec Indústria e comércio Ltda. como quotista majoritária e decidiu mudar o nome dessa sociedade para Voss HT Ltda. (Doc. 02); 5.8.2. em 13 de julho de 1999 e em 21 de julho de 1999, a Voss Ltda. adquiriu a totalidade das quotas da Voss HT Ltda. (Doc. 03); 5.8.3. em 03 de abril de 2001, a Voss HT Ltda. teve sua denominação social alterada para Voss Automotive Ltda. (Doc. 04); 5.8.4. em 30 de outubro de 2001, a Voss Ltda. foi extinta, tendo sido incorporada pela Voss Automotive Ltda. (Doc. 05). 5.9. Afirma que a empresa Voss Ltda. apurou IRPJ a pagar a menor que as estimativas recolhidas no anocalendário de 1997; e nos anos de 1998 a 1999 apurou prejuízo, antecipando igualmente valores mensais de IRPJ e CSLL. Elabora o demonstrativo de fl. 97, por meio do qual discrimina saldos credores do IRPJ (R$ 7.253,96, em 1997; R$ 24.106,95 em 1998; R$ 13.584,86, em 1999) e CSLL (R$ 151,51 em 1997; R$ 6.789,34 em 1998; R$ 3.602,22, em 1999). Fl. 1364DF CARF MF Impresso em 25/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 21/08/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10932.000078/200741 Acórdão n.º 1803001.558 S1TE03 Fl. 5 4 5.10. Dessa forma, tal empresa apurou créditos não utilizados e transferidos para a Voss Automotive em outubro de 2001, conforme se vê no balanço de incorporação e na DIPJ encerrada na data de incorporação (Doc. 06). 5.11. Relaciona os recolhimentos de estimativas efetuados, durante os anos calendário de 1997 a 1999, conforme planilhas de fls. 98/99. E acrescenta: "Somente com base nos DARFs já localizados e anexados il presente impugnação, é possível afirmar, por exemplo, que a impugnante fazia jus, ao final de 1997, a R$ 20.976,00 a titulo de IRPJ e a R$ 4.532,22 a titulo de CSLL (corrigidos pela SELIC até a data da primeira compensação com débitos apurados em 2002). Obviamente, muito embora alguns dos DARFs não tenham sido localizados pela impugnante dentro do prazo para a apresentação desta defesa, é dever da administração pública buscar em seus sistemas todas as informações relativas à origem do crédito em discussão, em respeito aos princípios da verdade material, da moralidade e razoabilidade que regem sua atividade. Assim, comparandose os valores pagos pela extinta Voss Ltda. a titulo de estimativa mensal de IR?] e CSLL, com o lucro real apurado nos períodos de 1997, 1998 e 1999, o qual foi devidamente informado nas correspondentes DIPJs (Doc. 06 précitado), não resta dúvidas quanto i2 origem e legitimidade dos créditos utilizados na compensação de parte dos débitos apurados pela impugnante, a titulo de estimativa mensal desses mesmos tributos durante o ano, calendário de 2002." 5.12. Desenvolve o mesmo raciocínio para as empresas HelerTec Ind. e Com. Ltda. e Voss HT Ltda., segundo qual disporia de créditos de IRPJ (R$ 24.515,61 em 1998; R$ 13.775,53 em 1999) e CSLL (R$ 19.116,87 em 1998; R$ 9.805,46 em 1999), conforme demonstrativo que elabora e documentos anexados (Doc. 08), créditos estes que não foram utilizados na compensação de quaisquer outros tributos. Também apresenta e descreve os DARFs correspondentes, fls. 101/102. 5.13. Diz que a autoridade fiscal também exigiu o valor principal de R$3.940,36, decorrente da aplicação da atualização monetária com base na SELIC sobre valores do IRRF incidente sobre aplicações financeiras, sob o pretexto de que não haveria amparo legal para tal correção. 5.14. No entanto, entende que tal conclusão contraria frontalmente o entendimento de que a taxa SELIC deve ser aplicada tanto na correção de débitos quanto de créditos tributários a serem restituídos. Cita o art. 13, da Lei n.° 9.065, de 1995, bem como o art. 6°, § 2°, combinado com o art. 50, § 3°, da Lei n.° 9.430, de 1996. Acrescenta que é inclusive o que dispõe o artigo 52, da Instrução Normativa SRF n.° 600, de 2005. Menciona jurisprudência do STJ. 5.15. Argumenta que todos os fatos expostos podem ser comprovados a partir de diligência em seu estabelecimento, e/ou, especialmente no que se refere aos DARFs não localizados, confirmados nos sistemas de dados da SRF. Formula os quesitos de fls. 105/106. 5.16. Finaliza requerendo a nulidade do lançamento ou então sua improcedência. Está registrado como ementa do Acórdão da 4ª TURMA/DRJ/CPS/SP nº 05 28.571, de 26.04.2010, fls. 12731294: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Fl. 1365DF CARF MF Impresso em 25/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 21/08/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10932.000078/200741 Acórdão n.º 1803001.558 S1TE03 Fl. 6 5 Anocalendário: 2002 FALTA DE RECOLHIMENTO. DIFERENÇA ENTRE 0 VALOR ESCRITURADO E OU DECLARADO/PAGO. Constatada a apuração de imposto a maior na escrituração da contribuinte, não declarado nem recolhido, mostrase correta a formalização da exigência fiscal. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. SALDO NEGATIVO. IRPJ. As retenções do Imposto de Renda Retido na Fonte realizadas durante o anocalendário constituem antecipação do IRPJ devido no período de apuração, sendo que eventual direito da contribuinte somente se consolida após o encerramento do período e o levantamento do balanço respectivo, com a determinação do lucro real e do IRPJ devido, quando então se pode falar de direito credit6rio, que se configura com a apuração de saldos negativos, e a possibilidade de pedidos de restituição e/ou de compensação. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. ATUALIZAÇÃO PELA SELIC. Nas compensações efetuadas sem processo, informadas em DCTF, os saldos negativos de períodos anteriores devem ser acrescidos de juros equivalentes A taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir da data do encerramento do anocalendário até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. No entanto, tal atualização não incide isoladamente sobre importâncias do IRRF recolhidas durante o ano calendário. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2003 FALTA DE RECOLHIMENTO. DIFERENÇA ENTRE O VALOR ESCRITURADO E OU DECLARADO/PAGO. Constatada a apuração de contribuição a maior na escrituração da contribuinte, não declarada nem recolhida, mostrase correta a formalização da exigência fiscal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 COMPENSAÇÃO. EXTINÇÃO DE DÉBITOS. ESTIMATIVAS. As compensações entre tributos e contribuições da mesma espécie, efetuadas durante a vigência da Instrução Normativa n.° 21, de 1997, embora pudessem ser efetuadas independente de requerimento à Receita Federal do Brasil, deviam ser comprovadas pelos meios adequados e hábeis, além da indicação, pela contribuinte, nas DCTF respectivas. Simples afirmações, despidas da necessária comprovação, não se prestam a caracterizar ou comprovar a existência do direito creditório utilizado, muito menos a liquidação de estimativas por meio de compensações. O início do procedimento de fiscalização caracteriza a perda da espontaneidade. Além disso, a apresentação da DCTF, por si só, não é suficiente para comprovar a alteração pretendida, relativa ao período de apuração em que teve origem o saldo negativo aproveitado para a liquidação de estimativas por meio de compensações, declarado em DCTF original pela própria contribuinte, quando desacompanhada dos livros contábeis e fiscais que sustentam a escrituração. Fl. 1366DF CARF MF Impresso em 25/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 21/08/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10932.000078/200741 Acórdão n.º 1803001.558 S1TE03 Fl. 7 6 COMPENSAÇÕES EFETUADAS A PARTIR DE OUTUBRO DE 2002. DECLARAÇÕES DE COMPENSAÇÃO. Desde 1° de outubro de 2002, o documento apto a formalizar compensações é a Declaração de Compensação, com as informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados, cujo pleito está sujeito às normas jurídicas aplicáveis. Dessa forma, não há como acatar compensações de estimativas apuradas durante os meses de outubro a dezembro do anocalendário de 2002, não formalizadas por aquele documento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Notificada em 10.06.2010, fl. 1305, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 08.07.2010, fls. 130613018, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge suscitando. Do direito aos créditos utilizados nas compensações Os créditos utilizados para a compensação dos valores apurados a titulo de estimativas mensais de IRPJ e CSLL no anocalendário de 2002 foram originados nos anoscalendários de 1997, 1998 e 1999, pelas empresas Voss Ltda., da Heler Tec Ind. e Com. Ltda. e da Voss HT Ltda. todas sucedidas pela Recorrente, como comprovado pelos documentos societários anexos A impugnação (Docs. 2 a 5 da impugnação). Nesse contexto, a Recorrente passa a detalhar a origem e valor dos créditos de IRPJ e CSLL apropriados por estas empresas e, depois, utilizados pela Recorrente na compensação de seus débitos fiscais. Créditos gerados pela Voss Ltda. em 1997, 1998 e 1999 Visando a comprovar os créditos de IRPJ e CSLL originalmente detidos pela Voss Ltda., a Recorrente juntou a sua impugnação as DIPJs relativas aos exercícios de 1998, 1999 e 2000, bem como os DARFs comprovando o recolhimento das estimativas mensais de IRPJ e CSLL nesses períodos (Docs. 6 e 7 da impugnação). As dd. autoridades julgadoras parecem ter desconsiderado os documentos apresentados, tendo se limitado a afirmar que as DIPJs apresentadas pela Recorrente não demonstram a existência de saldo negativo de IRPJ e CSLL e que os sistemas da Receita Federal (que tem base nas DCTFs entregues pela Voss Ltda.) não confirmariam os créditos alegados pela Recorrente. A despeito de a Recorrente admitir a existência de equívocos nessas DIPJs (especialmente das relativas aos exercícios de 1999 e 2000, em que a empresa deixou de informar as estimativas mensais recolhidas) e nas respectivas DCTFs, a análise das DIPJs em conjunto com os DARFs revela claramente que em todos esses períodos o valor das estimativas mensais recolhidas pela Voss Ltda. superou os valores de IRPJ e de CSLL devidos ao final dos anoscalendário, o que gerou créditos fiscais em favor dessa empresa. De fato, no anocalendário de 1997 a Vossa Ltda. apurou IRPJ e CSLL em valor menor do que as antecipações mensais desses tributos; já em 1998 e 1999, a Voss Ltda. apurou prejuízo fiscal e base de cálculo negativa de CSLL, a despeito de ter realizado antecipações desses tributos no curso desses anoscalendário. [...] Fl. 1367DF CARF MF Impresso em 25/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 21/08/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10932.000078/200741 Acórdão n.º 1803001.558 S1TE03 Fl. 8 7 A análise das planilhas demonstrativas acima, em face dos documentos acostados à impugnação, revela claramente que a Voss Ltda. gerou créditos de IRPJ e CSLL nos anoscalendário de 1997, 1998 e 1999, sendo que esses créditos foram transferidos Recorrente por ocasião da incorporação da Voss Ltda. [...] Como se vê, a planilha acima resume os recolhimentos efetuados a titulo de antecipações mensais durante exercícios que, ao final, não geraram IRPJ e CSLL a recolher, o que resulta na inescapável conclusão de que a Recorrente, sucessora tributária das empresas em questão, fazia jus a esses créditos desde o momento dos respectivos ajustes finais. Conclusão Tal como mencionado repetidamente desde o procedimento fiscalizatório, a Recorrente entende que os documentos apresentados no curso do presente processo administrativo e sumarizados acima são absolutamente suficientes para que se verifique a existência de créditos de IRPJ e CSLL passíveis de compensação com débitos de tributos administrados pela Receita Federal do Brasil. Então, considerando que os lançamentos contábeis apresentados pela Recorrente As dd. autoridades fiscais demonstram a utilização desses créditos na compensação das estimativas mensais de IRPJ e CSLL do anocalendário de 2002, não se pode admitir que equívocos de natureza formal (que sejam na declaração dos créditos ou na declaração das compensações ao Fisco) resultem na desconsideração das compensações realizadas pela Recorrente. Cumpre mencionar, ainda, que as dd. autoridades julgadoras indicaram que a Recorrente teria utilizado os créditos de IRPJ e CSLL demonstrados acima em Declarações de Compensação apresentadas em junho de 2004 e parecem sugerir que a Recorrente teria utilizado esses créditos em duplicidade. A Recorrente, no entanto, não pode concordar com essa alegação das dd. autoridades julgadoras, uma vez que os créditos utilizados nas Declarações de Compensação indicadas na decisão recorrida decorreram de valores de Imposto de Renda Retido na Fonte revertidos em saldo negativo de IRPJ e CSLL, desvinculados aos créditos demonstrados acima. Além disso, cumpre mencionar que os créditos de IRPJ e CSLL acumulados pela Voss Ltda., HelerTec Ind. e Com. Ltda. e Voss HT Ltda. eram bastante superiores aos débitos de estimativas mensais de IRPJ e CSLL do anocalendário de 2002, o que, em tese, autorizaria a utilização do valor remanescente na compensação de quaisquer tributos federais. Para demonstrar a evolução desses créditos e a sua utilização nas compensações em exame, a Recorrente apresenta planilha ilustrativa elaborada com base nos valores indicados acima (Doc. 02). Assim, a Recorrente espera ter comprovado cabalmente a existência dos créditos de IRPJ e CSLL e a sua compensação com os débitos de estimativas mensais relativas ao anocalendário de 2002, de forma a evidenciar a total improcedência do lançamento fiscal. Da possibilidade de atualização monetária de créditos originados de retenções na fonte Fl. 1368DF CARF MF Impresso em 25/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 21/08/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10932.000078/200741 Acórdão n.º 1803001.558 S1TE03 Fl. 9 8 Uma pequena parcela do auto de infração decorreu da glosa do valor de R$ 3.940,35 utilizado pela Recorrente como dedução do IRPJ devido ao final do ano calendário. As dd. autoridades fiscais alegam que esse valor não poderia ser considerado na apuração do IRPJ devido, por se tratar de juros calculados de acordo com a taxa SELIC sobre valores de IRRF relativos a rendimentos de aplicações financeiras. A r. decisão recorrida manteve o lançamento fiscal alegando que os valores de IRRF não seriam passíveis de atualização com base na taxa SELIC por não consistirem em créditos fiscais. A Recorrente, no entanto, não pode concordar com essa conclusão na medida em que se trata de valores de IRRF retidos pelas instituições financeiras sobre rendimentos de instituições financeiras de períodos anteriores. Dessa forma, após o encerramento do anocalendário relativo à retenção, a Recorrente entende que os valores de IRRF passam a ser créditos fiscais, passíveis de atualização pela taxa SELIC. Mais uma vez, vale ressaltar que somente por um equivoco da Recorrente esses valores de IRRF não foram tratados como saldo negativo de IRPJ, tendo sido mantidos como créditos a recuperar de IRRF. Esse equivoco na classificação do tributo a recuperar, no entanto, não altera sua natureza de crédito fiscal, passível de compensação e de atualização. [...] Dessa forma, considerando que os valores de IRRF retidos por instituições financeiras em períodos anteriores têm a mesma natureza dos saldos negativos de IRPJ, fica clara a existência de autorização expressa para atualização desses valores com base na taxas SELIC. Da possibilidade de diligência nos autos para apuração dos fatos narrados Por fim, como mencionado em sede de impugnação, a Recorrente sugere que, caso os Ilustres Conselheiros entendam necessária a obtenção de qualquer outro documento ou informação sobre as compensações expostas acima, seja determinada diligência fiscal especifica, visando, inclusive, a suprir a deficiência do auto de infração. Em tal diligência, as dd. autoridades fiscais certamente poderiam concluir que: (i) as empresas Voss Ltda., nos anos de 1997 a 1999, e as empresas HelerTec Ind. e Com. Ltda. e Voss HT Ltda., nos anos de 1998 e 1999, todas elas sucedidas pela Recorrente, efetuaram o pagamento de estimativas mensais a titulo IRPJ e CSLL em valor superior ao montante devido a titulo desses mesmos tributos em tais anos, nos moldes em que afirmado neste processo administrativo; (ii) os registros contidos no sistema da Receita Federal do Brasil apontam o pagamento de estimativas mensais de IRPJ e CSLL cujos DARFs eventualmente não foram localizados pela Recorrente; e, por fim, (iii) a Recorrente e as empresas por ela sucedidas utilizaramse dos créditos fiscais na regular compensação de tributos administrativos pela Receita Federal do Brasil. Caso os pontos acima sejam analisados pelas dd. autoridades fiscais, Recorrente não resta dúvidas que, apesar dos equívocos de ordem estritamente Fl. 1369DF CARF MF Impresso em 25/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 21/08/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10932.000078/200741 Acórdão n.º 1803001.558 S1TE03 Fl. 10 9 formal por ela cometidos no passado, ficará comprovada a efetiva existência dos créditos fiscais e a sua compensação com os débitos ora exigidos e, conseqüentemente, a impossibilidade de exigirse o valor ora demandado. DO PEDIDO Em vista de todo o exposto, a Recorrente requer a total reforma da decisão de primeira instancia administrativa, reconhecendose a existência dos créditos de IRPJ e CSLL relacionados aos anoscalendário de 1997, 1998 e 1999 e a sua utilização na compensação dos débitos de estimativas mensais de IRPJ e CSLL exigidos no presente processo administrativo. Caso os Ilustres Conselheiros por ventura entendam que os documentos apresentados pela Recorrente no curso desse processo administrativo não são suficientes para evidenciar qualquer dos fatos essenciais ao deslinde do presente caso, a Recorrente requer seja determinada diligência para esclarecer tais informações, nos termos propostos acima. Cabe formalizar a presente decisão conforme apresentada em plenário, dado que o relator original não mais compõe o colegiado, nos termos do art. 17 e do art. 18 ambos do Anexo II do Regimento Interno aprovado pela Portaria MF nº 343, 09 de junho de 2015, que em seu art. 6º extinguiu as turmas especiais. Está registrada na Ata da Reunião de Julgamento formalizada no processo nº 15169.000109/201162: Aos seis dias do mês de novembro do ano de dois mil e doze, às nove horas, reuniramse os membros da 3ªTE/4ªCÂMARA/1ªSEJUL/CARF/MF/DF, estando presentes SELENE FERREIRA DE MORAES (Presidente), WALTER ADOLFO MARESCH, MEIGAN SACK RODRIGUES, VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, SERGIO RODRIGUES MENDES, e eu, MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES, Chefe da Secretaria, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente, justificadamente, a Conselheira Viviani Aparecida Bacchmi. [...] Relator(a): VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN Processo: 10932.000078/200741 Recorrente: VOSS AUTOMOTIVE LTDA e Recorrida: FAZENDA NACIONAL Acórdão 1803001.558 Decisão: Por unanimidade de votos, deram provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Questionamento: RECURSO VOLUNTARIO É o Relatório. Fl. 1370DF CARF MF Impresso em 25/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 21/08/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10932.000078/200741 Acórdão n.º 1803001.558 S1TE03 Fl. 11 10 Voto André Mendes de Moura, Redator para Formalização do Voto. Em face da necessidade de formalização da decisão proferida nos presentes autos, e tendo em vista que o relator originário do processo não mais integra o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, encontrome na posição de Redator, nos termos dos arts. 17 e 18, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015 (RICARF). Informo que, na condição de Redator, transcrevo literalmente a minuta que foi apresentada pelo Conselheiro durante a sessão de julgamento. Portanto, a análise do caso concreto reflete a convicção do relator do voto na valoração dos fatos. Ou seja, não me encontro vinculado: (1) ao relato dos fatos apresentado; (2) a nenhum dos fundamentos adotados para a apreciação das matérias em discussão; e (3) a nenhuma das conclusões da decisão incluindose a parte dispositiva e a ementa. A seguir, a transcrição do voto. O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. A Recorrente solicita a realização de todos os meios de prova. Sobre a matéria, vale esclarecer que no presente caso se aplicam as disposições do processo administrativo fiscal que estabelece que a peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses e instruída com os todos documentos em que se fundamentar, precluindo o direito de a Recorrente praticar este ato e apresentar novas razões em outro momento processual, salvo a ocorrência de quaisquer das circunstâncias ali previstas, tais como fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos1. A realização desses meios probantes é prescindível, uma vez que os elementos probatórios produzidos por meios lícitos constantes nos autos são suficientes para a solução do litígio. A justificativa arguida pela defendente, por essa razão, não se comprova. A Recorrente discorda do procedimento fiscal. A autoridade fiscal tem o direito de examinar a escrituração e os documentos comprobatórios dos lançamentos nela efetuados e a pessoa jurídica tem o dever de exibilos e conserválos até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial, bem como de prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos. 1 Fundamentação legal: art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 1371DF CARF MF Impresso em 25/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 21/08/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10932.000078/200741 Acórdão n.º 1803001.558 S1TE03 Fl. 12 11 O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada, independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, cabendo à autoridade a prova da não veracidade dos fatos registrados2. Caracterizase como falta de recolhimento de tributo a diferença apurada entre o valor escriturado e o declarado/pago, ressalvada à pessoa jurídica a prova da improcedência, oportunidade em que a autoridade determinará o valor dos tributos a serem lançados de acordo com o sistema de tributação a que estiver submetida no período de apuração correspondente. Consta no Termo de Verificação Fiscal, fls. 7274: Em 27/09/2006, demos ciência, via postal (AR RB161667201BR) do Termo de Início de Fiscalização(f1.05), intimando o contribuinte a apresentar documentos,declarações, Planilhas e Livros Contábeis necessários à análise dos créditos pleiteados em ressarcimento. [...] Das Verificações efetuadas, observamos algumas inconsistências entre os valores escriturados no Livro Razão, os declarados em DCTF e não recolhidos aos cofres públicos. [...] Em relação As Provisões mensais de IRPJ e de CSLL do ano calendário 2002, o contribuinte informou que a falta de Recolhimento decorreu de compensações 4110 diretas na escrita contábil, de tributos de mesma espécie, sem requerimento administrativo, apresentando Cópia do Livro Razão com os lançamentos compensatórios efetuados em 01/01/2003 (vide f1.20). Consultamos as DIPJs, dos anos calendário 1997 a 2001, da empresa e da empresa incorporada (VOSS LTDA — CNPJ: 01.232.009/000190) e não constatamos saldo a Restituir de IRPJ ou de CSLL, que justifiquem tais procedimentos. (vide fls. 43 a 61). Face às informações, verificamos que o contribuinte não apresentou DCOMP, nem informou as compensações em DCTF e observando que a DIPJ a partir do ano calendário 1999 é de natureza informativa, não alimentando os sistemas de cobrança da Receita Federal (de acordo com a Nota COFIS/COSAR n°002, de 30 de julho de 2001), verificamos que não cumpriu com as obrigações acessórias. Observamos que, em 18/01/2007, o contribuinte retificou a DCTF do ano calendário 2002, incluindo parte dos valores de IRPJ e de CSLL devidos como compensados sem processo. Tendo em vista a perda da espontaneidade por estar sob ação fiscal, iniciada em 27/09/2006, a DCTF Retificadora será desconsiderada, conforme inciso I do art. 7°, c/c §1° do art. 7° do Decreto 70.235/1972 e § único do art. 138 do Código Tributário Nacional. 2 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995, art. 6º e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 1372DF CARF MF Impresso em 25/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 21/08/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10932.000078/200741 Acórdão n.º 1803001.558 S1TE03 Fl. 13 12 Da análise da DIPJ do ano calendário 2002, vigente no inicio da ação Fiscal, confrontamos os valores informados como Imposto de Renda Retido na Fonte nos meses de abril e maio com os existentes nos sistemas da Receita Federal e constatamos diferenças. Portanto, em outro Termo de Intimação, cientificado em 22/02/2007, via postal (vide f1.64 e 65), solicitamos a comprovação das Retenções em Fonte. Em resposta ao Termo de Intimação o contribuinte informa que o Valor de R$ 3.806,49 referese as retenções de aplicações financeiras e R$ 3.940,35 decorre de atualização monetária de Retenções em Fonte de anos anteriores.( Vide f1.66) Pela análise da resposta do contribuinte à intimação, constatamos que os valores de IRRF das aplicações financeiras são regulares e serão admitidos para dedução na apuração do IRPJ devido, contudo o excedente utilizado a titulo de atualização monetária não será admitido por falta de amparo legal. Como resultado da fiscalização promovida nos assentamentos contábeis e fiscais do contribuinte, concluímos que o contribuinte apurou valores devidos de IRPJ e CSLL a pagar no ano calendário de 2002, não declarou tais valores em DCTF nem os recolheu aos cofres públicos, como era sua obrigação. [...] Após a desconsideração dos valores, observamos que na apuração anual, os valores de R$135.705,43 de IRPJ e R$60.311,77 de CSLL deixaram de ser recolhidos aos cofres públicos e/ou declarados e, portanto, objeto da lavratura de Auto de Infração, sendo que este Termo de Verificação Fiscal é parte integrante. A divergência entre o total de IRPJ apresentado na tabela de R$131.765,08 e o montante obtido de R$135.705,43 decorre do excedente de IRPJ utilizado pelo contribuinte a titulo de atualização monetária no valor de R$ 3.940,35. A Recorrente argumenta que os valores exigidos pelo lançamento formalizado teriam sido compensados com créditos dos mesmos tributo, acumulados em exercícios anteriores, especificamente nos anoscalendário de 1997 a 1999, das empresas que lhe antecederam, ou seja, Voss Ltda., HelerTec Indústria é Comércio Ltda. e Voss HT Ltda. Acrescenta que apesar de ter esclarecido a autoridade fiscal sobre tais compensações, elas não foram formalizadas em Declarações de Compensação, tampouco em DCTF, providências estas que se constituíram em simples irregularidades formais, insuficientes para dar suporte ao lançamento. Em relação às compensações das estimativas de junho a agosto, do IRPJ, bem como de abril a agosto, relativas a CSLL, as quais, segundo alegações da Recorrente, teriam sido compensadas de forma escritural, é importante esclarecer que a Recorrente informou nas DCTF originalmente entregues, em 14.08.2002, que parte delas teria sido compensada com saldo negativo do anocalendário de 1999. Conforme constam dos fundamentos da decisão recorrida, temse que ao serem consultados os sistemas informatizados da RFB constatouse que a Recorrente não apurou qualquer saldo negativo, seja de IRPJ ou CSLL, na DIPJ do anocalendário de 1999. Verificase também que somente em alguns meses houve a declaração em DCTF de que haveria estimativas a pagar de IRPJ ou de CSLL. Dessa forma, a partir dos elementos disponíveis nos sistemas informatizados da RFB, e diante da inconsistência e contradições existentes entre eles, concluise que não Fl. 1373DF CARF MF Impresso em 25/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 21/08/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10932.000078/200741 Acórdão n.º 1803001.558 S1TE03 Fl. 14 13 houve, com as necessárias certeza e liquidez, a apuração de créditos compensáveis, com origem em saldo negativo do IRPJ ou da CSLL, no anocalendário de 1999. Posteriormente, em 18.01.2007, após de iniciado o procedimento de fiscalização, o qual se deu em 27.09.2006, com a ciência do "Termo de Inicio de Fiscalização", e, portanto, já não amparada pela espontaneidade, a Recorrente apresentou DCTF retificadora, informando que aquelas estimativas teriam sido compensadas com saldos negativos do ano calendário de 1997. A Recorrente, por outro lado, afirma que os débitos exigidos teriam sido extintos com créditos cuja origem seria o período de 1997 a 1999, sem especificar os créditos e débitos correspondentes. Acrescentese que os únicos saldos negativos apurados que constam em DIPJ referemse ao anocalendário de 1997, atinente o CNPJ 01.232.009/000190 (Voss Ltda), nas importâncias de R$7.253,97 para o IRPJ e R$151,52, da CSLL. Ademais, a existência dos pagamentos relacionados pela Recorrente em sua defesa, para todos os anoscalendário referidos (1997 a 1999) a confirmar a existência de tal saldo negativo implica que ela, de fato, efetuou a compensação dos débitos objeto do lançamento nos Autos de Infração. A questão crucial para o deslinde da questão é a extinção dos débitos formalizados, para os quais a Recorrente evidencia terem sido compensados. A afirmação de que estavam extintas as estimativas em questão com créditos que teriam origem nos anoscalendário de 1997, 1999, ou de 1997 a 1999, é suficiente para a comprovação das compensações, porque está acompanhada da necessária comprovação documental e fundamentada em sua escrituração contábil. Da análise dos autos, o documento com origem na escrituração contábil da autuada é a cópia do Livro Razão Analítico, fls. 2324, onde consta, nas contas "2879 (21114108) IRPJ A PAGAR" e "2887 (2114109) CONTRIBUIÇÃO SOCIAL A PAGAR" a provisão do IRPJ e CSLL referentes às estimativas de abril, maio, junho, agosto, outubro, novembro e dezembro. Depreendese também que em dezembro de 2002 apurouse um saldo de R$137.791,40 na conta de provisão do IRPJ e de R$60.311,77 na conta de provisão da CSLL. E no início do anocalendário de 2003, a Recorrente escriturou débitos nas importâncias de R$137.791,40 (IRPJ) e R$60.311,77 (CSLL), sob os seguintes históricos: "Transferência do IRPJ apurado Ano 2002 Transf do Imposto Compensado com o apurado no Ano" e "Transferência da CS apurada ano 2002 Transf do Imposto Compensado com o apurado no Ano". Consta ainda em tal documento a escrituração de que tais débitos apurados de forma escritural tenham sido efetivamente compensados com créditos ou saldos negativos com origem nos anoscalendário de 1997 a 1999, pois a Recorrente juntou os assentos das contas dos créditos com origem em saldo negativo que estavam acumulados em sua contabilidade. Fl. 1374DF CARF MF Impresso em 25/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 21/08/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10932.000078/200741 Acórdão n.º 1803001.558 S1TE03 Fl. 15 14 No que se refere ao Balancete Contábil da empresa Voss Ltda., CNPJ 01.232.009/000190, fls. 131202, que foi incorporada pela Recorrente, a existência de "Impostos a Recuperar" quando da incorporação em outubro de 2001, na importância de R$21.306,49 para o IRPJ e de R$5.241,95 para a CSLL, também são fornecidos indícios de que os débitos exigidos foram compensados com tais saldos. Assim, os documentos apresentados mostramse suficientes para comprovar as compensações alegadas pela Recorrente. Em assim sucedendo, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Redator para Formalização do Voto Fl. 1375DF CARF MF Impresso em 25/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 21/08/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA
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Numero do processo: 10970.000910/2010-59
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. IDENTIDADE DE OBJETOS. INEXISTÊNCIA.
Não é obrigatória a reunião dos processos, e a conseqüente decisão conjunta, quando a caracterização da materialidade da infração está desvinculada da obrigação principal.
ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL INDIVIDUALIZADA DAS PARCELAS INTEGRANTES E NÃO INTEGRANTES DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. MATERIALIDADE DA INFRAÇÃO.
A materialidade da infração é caracterizada quando se demonstra que parcela da remuneração paga, devida ou creditada, pela empresa, aos segurados, foi registrada na contabilidade como se fosse pagamento de outra natureza, ainda que a parcela não integre o salário de contribuição, nos termos do inciso II, do § 13, do art. 225 do RPS/99.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-004.431
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Julio César Vieira Gomes- Presidente
Luciana de Souza Espíndola Reis- Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. IDENTIDADE DE OBJETOS. INEXISTÊNCIA. Não é obrigatória a reunião dos processos, e a conseqüente decisão conjunta, quando a caracterização da materialidade da infração está desvinculada da obrigação principal. ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL INDIVIDUALIZADA DAS PARCELAS INTEGRANTES E NÃO INTEGRANTES DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. MATERIALIDADE DA INFRAÇÃO. A materialidade da infração é caracterizada quando se demonstra que parcela da remuneração paga, devida ou creditada, pela empresa, aos segurados, foi registrada na contabilidade como se fosse pagamento de outra natureza, ainda que a parcela não integre o salário de contribuição, nos termos do inciso II, do § 13, do art. 225 do RPS/99. Recurso Voluntário Negado.
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IDENTIDADE DE OBJETOS. INEXISTÊNCIA. Não é obrigatória a reunião dos processos, e a conseqüente decisão conjunta, quando a caracterização da materialidade da infração está desvinculada da obrigação principal. ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL INDIVIDUALIZADA DAS PARCELAS INTEGRANTES E NÃO INTEGRANTES DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. MATERIALIDADE DA INFRAÇÃO. A materialidade da infração é caracterizada quando se demonstra que parcela da remuneração paga, devida ou creditada, pela empresa, aos segurados, foi registrada na contabilidade como se fosse pagamento de outra natureza, ainda que a parcela não integre o salário de contribuição, nos termos do inciso II, do § 13, do art. 225 do RPS/99. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 0. 00 09 10 /2 01 0- 59 Fl. 136DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Julio César Vieira Gomes Presidente Luciana de Souza Espíndola Reis Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. Fl. 137DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10970.000910/201059 Acórdão n.º 2402004.431 S2C4T2 Fl. 137 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão n.º 0934.253 da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Juiz de Fora (MG), fl. 106111, com ciência ao sujeito passivo em 20/04/2011, que julgou improcedente a impugnação apresentada contra o Auto de Infração de Obrigação Acessória (AIOA) lavrado sob o Debcad no 37.270.4433, do qual o sujeito passivo foi cientificado pessoalmente em 10/12/2010, fl. 3. De acordo com o relatório fiscal de fl. 6062, e anexos, o AIOA trata de aplicação de penalidade por infração ao art. 32, inciso II, da Lei n.° 8.212/1991, e §§ 13 a 17 do art. 225 do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto n° 3.048/99. Relata, a autoridade lançadora, que a autuada deixou de lançar em contas contábeis específicas, relacionadas à remuneração e/ou às contribuições previdenciárias, os pagamentos efetuados a empregados, relativos às premiações de incentivo à produtividade, efetivados através de cartões flex, intermediados pela empresa Expertise Comunicação Total S/C Ltda, bem como os valores disponibilizados pela empresa aos motoristas, a título de diárias, no período de 01/2006 a 12/2006. Inconformada, a autuada impugnou o lançamento, alegando, em síntese, a conexão deste processo com os demais lançamentos de obrigação principal e a necessidade de reunião dos processos para julgamento, e, no mérito, que não existe suporte jurídico ou fático das exigências dos processos de obrigação principal atrelados a este processo, o que espera seja reconhecido, com o conseqüentemente cancelamento deste auto de infração. A DRJ julgou a impugnação improcedente e manteve integralmente o crédito tributário lançado. O julgado restou assim ementado: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 10/12/2010 INFRAÇÃO. FALTA DE LANÇAMENTO EM TÍTULOS PRÓPRIOS DA CONTABILIDADE. Constitui infração à legislação previdenciária, a empresa deixar de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. SOBRESTAMENTO DOS AUTOS. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. A norma administrativa não prevê sobrestamento dos autos, devendo a decisão de primeira instância ser fundada com observância do princípio da celeridade do julgamento. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 As obrigações previdenciárias acessórias não se confundem com as obrigações previdenciárias principais, possuindo objetos distintos e sujeitando o infrator, em caso de descumprimento, a penalidades específicas e próprias a cada uma delas. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Em 24/05/2011, a autuada, por meio de seus representantes legais e de advogado, interpôs recurso, fl. 116123, reiterando as razões já apresentadas na impugnação e pedindo o cancelamento do crédito tributário lançado. Sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, os autos foram enviados a este Conselho para julgamento. É o relatório. Fl. 139DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10970.000910/201059 Acórdão n.º 2402004.431 S2C4T2 Fl. 138 5 Voto Conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis, Relatora Conheço do recurso por estarem presentes os requisitos de admissibilidade. Preliminar Reunião dos Processos de Obrigação Principal e de Obrigação Acessória Na conformidade da norma processual vigente, configurase conexão entre duas ou mais ações quando há, entre elas, identidade do objeto ou da causa de pedir, impondo a reunião das ações para julgamento, evitando, assim, a prolação de decisões inconciliáveis (art. 105 do CPC1). O objeto do presente processo é a infração por descumprimento de obrigação instrumental, decorrente do fato de a empresa ter lançado em títulos impróprios de sua contabilidade os valores pagos, devidos ou creditados aos segurados a título de premiação e de diárias, enquanto o processo de obrigação principal tem por objeto a obrigação de a empresa recolher as contribuições incidentes sobre os pagamentos feitos a título de premiação e de diárias excedentes a cinquenta por cento da remuneração. Os dois processos são autônomos, têm objetos distintos, e a solução quanto à existência do fato gerador da obrigação principal não refletirá, necessariamente, na obrigação instrumental aqui tratada, pois, nos termos do inciso II, do § 13, do art. 225 do RPS/992, mesmo que a parcela da remuneração não integre o salário de contribuição, ela deve estar registrada na contabilidade de modo individualizado. 1 Art. 105. Havendo conexão ou continência, o juiz, de ofício ou a requerimento de qualquer das partes, pode ordenar a reunião de ações propostas em separado, a fim de que sejam decididas simultaneamente. 2 Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) II lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; Art. 225. A empresa é também obrigada a: (...) II lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; (...) § 13. Os lançamentos de que trata o inciso II do caput, devidamente escriturados nos livros Diário e Razão, serão exigidos pela fiscalização após noventa dias contados da ocorrência dos fatos geradores das contribuições, devendo, obrigatoriamente: I atender ao princípio contábil do regime de competência; e II registrar, em contas individualizadas, todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias de forma a identificar, clara e precisamente, as rubricas integrantes e não integrantes do saláriodecontribuição, bem como as contribuições descontadas do segurado, as da empresa e os totais recolhidos, por estabelecimento da empresa, por obra de construção civil e por tomador de serviços. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Portanto, a decisão conjunta dos processos não é obrigatória na espécie, considerando a inexistência de obstáculo à cognição exauriente de cada um deles, os quais se originam de fatos jurídicos distintos e têm critérios autônomos de apuração dos dados quantitativos, vale dizer, a multa apurada por descumprimento de obrigação acessória não tem relação com as contribuições apuradas no processo de obrigação principal. O julgamento separado não traz prejuízo ao sujeito passivo considerando que as impugnações e recursos devem ser opostos em relação às matérias de cada processo individualmente, sob pena de preclusão, conforme art. 17 do Decreto 70.235/72: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997). Entretanto, naquilo que for compatível, é recomendável adotar o resultado do julgamento dos processos de obrigação principal. Mérito Prêmios de Incentivo A escrituração contábil deve ser feita de forma a possibilitar à fiscalização a identificação dos fatos geradores de contribuições previdenciárias e dos montantes descontados, devidos e recolhidos a título de contribuições previdenciárias, apenas com base nos títulos das contas, nos termos do inciso II do artigo 32 da Lei 8.212/91 e no inciso II do § 13 do artigo 225 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99. A fiscalização, com base em contrato firmado entre a recorrente e a empresa Expertise Comunicação Total SC Ltda, identificou que a primeira, por intermédio da empresa contratada, efetuou pagamentos, a segurados empregados, a título de prêmios de incentivo profissional. Entretanto, na contabilidade da recorrente, os valores pagos a este título foram classificados como contraprestações a serviços prestados por pessoa jurídica, pois foram registrados nas contas contábeis denominadas “Serviços de Terceiros P. Jurídica” e “Fornecedores Bens e Serviços”. A materialidade da infração é caracterizada pela existência de parcela da remuneração paga, devida ou creditada aos segurados, impropriamente contabilizada com outra natureza (no caso, como contraprestação por serviços prestados por pessoa jurídica), ainda que a parcela não integre o salário de contribuição, nos termos do inciso II, do § 13, do art. 225 do RPS/993. A título de informação, convém mencionar que a incidência de contribuição previdenciária sobre essa parcela restou reconhecida no julgamento ao recurso voluntário do processo de obrigação principal4. Em suma, a infração está materializada, e, por conseguinte, incide a multa, nos termos do auto de infração. 3 Esse dispositivo determina, em síntese, que todos os pagamentos feitos aos segurados devem ser registrados em contas individualizadas, ainda que se trate de parcela não integrante do saláriodecontribuição. 4 Processo nº 10970.000918/201015, Acórdão nº 2402004.4364ª Câmara/2ª Turma Ordinária, Sessão de 05/11/2014, rel. Cons. Luciana de Souza Espíndola Reis. Recurso voluntário negado. Fl. 141DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10970.000910/201059 Acórdão n.º 2402004.431 S2C4T2 Fl. 139 7 Diárias A fiscalização identificou que a recorrente realizou pagamentos a título de diárias a seus empregados motoristas. Entretanto, na contabilidade da recorrente, os valores pagos a este título foram classificados como despesas de vendas de mercadorias, pois foram registrados nas contas contábeis denominadas “venda de mercadorias mercado interno” e “viagens na distribuição”. Conforme já mencionado neste voto, é suficiente para materializar a infração, a comprovação de parcela da remuneração paga, devida ou creditada aos segurados, impropriamente contabilizada com outra natureza (no caso, como despesa de venda de mercadorias), ainda que a parcela não integre o salário de contribuição, nos termos do inciso II, do § 13, do art. 225 do RPS/99. Em suma, a infração está materializada, de modo que há incidência de multa, nos termos do auto de infração. Conclusão Com base no exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Luciana de Souza Espíndola Reis. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 11080.010560/2006-40
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Jul 22 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005
COFINS. BASE DE CÁLCULO.
Nos termos do art. 1º da Lei 10.833/2003, a base de cálculo da COFINS não-cumulativa é a totalidade das receitas auferidas. Constituem receitas lançamentos em conta de resultado com saldo credor feitos em contrapartida de eventos que reduzam o Passivo.
Numero da decisão: 3401-002.883
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Jean Cleuter Simões Mendonça (Relator), Angela Sartori e Bernardo de Queiroz Lima. Designado o Conselheiro Júlio César Alves Ramos para redigir o voto vencedor.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente e redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Jean Cleuter Simões Mendonça, Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Angela Sartori e Bernardo Leite de Queiroz Lima.
Este recurso foi votado em fevereiro deste ano, tendo eu me designado para redigir apenas o voto vencedor, dado que o Conselheiro Jean entregou, como de praxe, dentro do prazo regimental, o seu voto à Secretaria. Não tendo eu, porém, conseguido elaborar o voto vencedor e formalizar o acórdão antes da renúncia do dr. Jean, mantenho, na íntegra, a seguir, os seus relatório e voto, registrando que apenas por esse motivo não constará sua assinatura no acórdão.
Nome do relator: JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA
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BASE DE CÁLCULO. Nos termos do art. 1º da Lei 10.833/2003, a base de cálculo da COFINS não cumulativa é a totalidade das receitas auferidas. Constituem receitas lançamentos em conta de resultado com saldo credor feitos em contrapartida de eventos que reduzam o Passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Jean Cleuter Simões Mendonça (Relator), Angela Sartori e Bernardo de Queiroz Lima. Designado o Conselheiro Júlio César Alves Ramos para redigir o voto vencedor. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS – Presidente e redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Jean Cleuter Simões Mendonça, Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Angela Sartori e Bernardo Leite de Queiroz Lima. Este recurso foi votado em fevereiro deste ano, tendo eu me designado para redigir apenas o voto vencedor, dado que o Conselheiro Jean entregou, como de praxe, dentro AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 01 05 60 /2 00 6- 40 Fl. 551DF CARF MF Impresso em 22/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 16/07/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 do prazo regimental, o seu voto à Secretaria. Não tendo eu, porém, conseguido elaborar o voto vencedor e formalizar o acórdão antes da renúncia do dr. Jean, mantenho, na íntegra, a seguir, os seus relatório e voto, registrando que apenas por esse motivo não constará sua assinatura no acórdão. Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP transmitida em 31/01/2006, pelo qual a Contribuinte pretende o ressarcimento de COFINS nãocumulativa vinculada a operações no mercado interno e a exportações do 4º trimestre de 2005 para compensar diversos débitos (fls. 190/237). A autoridade fiscal glosou parte dos créditos pelas seguintes razões: 1)A Contribuinte não inclui os valores referentes a recuperação de despesas na base de cálculo da contribuição; 2) A Contribuinte exclui da base de cálculo valores referentes às vendas de arroz em casca e arroz pronto biju, sem ter direito à suspensão da contribuição sobre esses produtos por não ser uma cerealista; 3) Inclusão indevida na apuração de créditos de valores relativos a combustíveis e lubrificantes não utilizados como insumos; 4) Compensação indevida de crédito presumido de atividades agroindustriais e 5) Apuração incorreta dos créditos vinculados às vendas com alíquota zero. Por essa razão, a autoridade fiscal reconheceu apenas parte do crédito pleiteado pela Contribuinte. A Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade contestando somente as glosas relativas às recuperações de despesas. Não obstante, a DRJ em Porto Alegre/RS manteve as glosas contestadas. A Contribuinte foi intimada do acórdão da DRJ em 04/05/2011 (fl.391) e interpôs recurso voluntário em 20/05/2011 (fls.392/405). O recurso foi apreciado pela primeira vez por esta Turma Julgadora, sob a relatoria do Conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis, ocasião na qual o julgamento foi convertido em diligência (fls. 410/413) com a seguinte fundamentação: (...) não se encontra em condições de ser julgado por demandar esclarecimento quanto às despesas recuperadas pela contribuinte, e por isso consideradas pela fiscalização como receitas tributadas. Observo, primeiro, que nem a planilha que acompanha o despacho decisório nem aquela elaborada posteriormente pela DRFB, após o ingresso da contribuinte no parcelamento, discrimina as receitas tributadas (ou despesas recuperadas). Segundo, que a ora Recorrente, desde a manifestação de inconformidade, alega inexistência de comprovação quanto à glosa que continua no litígio e corresponde ao item II.2.1 do despacho decisório, afirmando não ter compreendido quais as receitas recuperadas. E por último, que este Colegiado tem divergências sobre o tema e poderá decidir o litígio considerando quais, exatamente, são as despesas recuperadas. Fl. 552DF CARF MF Impresso em 22/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 16/07/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 11080.010560/200640 Acórdão n.º 3401002.883 S3C4T1 Fl. 561 3 Destarte, carece seja identificada a origem (ou origens) das receitas recuperadas cujos valores constam das colunas “Créd. Export.” e “Créd. Merc. Int. Comp.”, na planilha “VALORES IMPUGNADOS REFERENTES À RECUPERAÇÃO DE DESPESAS” (fl. 126). Pelo exposto, voto por converter o julgamento em diligência para a DRFB informe, além da classificação contábil, a origem dos valores discriminados na planilha “VALORES IMPUGNADOS REFERENTES À RECUPERAÇÃO DE DESPESAS”, descrevendo, se necessário ou julgar conveniente, as operações que resultaram em tais valores. Do resultado da diligência deve ser dada ciência à Recorrente para, querendo, se pronunciar sobre o feito no prazo de trinta dias. O resultado da diligência está presente na fl. 471. A Contribuinte se manifestou às fls. 473/476. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. O cerne da questão consiste em saber do que se tratam as receitas denominadas como “recuperação de despesas” e saber se elas estão ou não incluídas na base de cálculo da COFINS. Com o resultado da diligência verificouse o seguinte: “(...) o valor de R$ 21.781.352,51, relativo a outubro de 2005, se refere a redução de multas e de juros aplicados em auto de infração da Secretaria da Fazenda do Estado do Rio Grande do Sul, tendo como contrapartida dos lançamentos a conta de ‘Recuperação de Despesas´, que o valor de R$ 7.245.879,22. Relativo a maio de 2005, se refere a créditos de PIS e COFINS dos quais a interessada seria credora, que foram transferidos para a conta de “Recuperação de Despesas” e tendo como contrapartida a conta de “Resultado de Exercícios Futuros”. O contribuinte não apresentou a documentação comprobatória e também não informou a classificação contábil, a origem e as operações em relação aos demais valores das contas de Fl. 553DF CARF MF Impresso em 22/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 16/07/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 “Recuperação de Despesas das contas do balancete: 442.20 e 771.20)” Nas fls. 473/476 a Recorrente se manifestou reforçando as informações dadas pela autoridade quantos aos valores de R$ 21.781.352,51, referente a outubro de 2005, e de R$ 7.245.879,22, referente maio 2005, mas alegando que não conseguiu identificar os valores dos demais períodos, razão pela qual não pôde juntar os documentos comprobatórios. Em suma, a diligência demonstrou que o valor de R$ 21.781.352,51 são, de fato, descontos em juros e multa dados pela Secretaria de Fazenda do Estado do Rio Grande do Sul, em razão de parcelamento de valor lançado e que o valor de R$ 7.245.879,22, muito embora tenha sido lançado como recuperação de despesas tratase de crédito do PIS e COFINS. Nos dois casos, não existe incidência da Contribuição, vez que os descontos de multa e juros não compreendem, de fato, uma receita auferida. O debate consiste na interpretação do termo “receita”, disposto pelo art. 1º da Lei nº 10.637/02, que assim estabelecem: “Art. 1º A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil”. Devese destacar que por determinação do art. 110 do CTN, “a lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado”. Diante disso, cabe esclarecer que o termo “receita” podese dividir em receita operacional e em receita nãooperacional. A receita operacional é aquela auferida com a atividade principal da empresa (venda ou prestação de serviço), enquanto a receita não operacional consiste no valor adquirido esporadicamente com atividade diversa ao objeto social da pessoa jurídica. No presente caso, os descontos quanto aos juros e multa do ICMS, lançados como saída e, posteriormente, lançados na conta de recuperação de despesas não se classifica em nenhum tipo de receita, nem operacional, nem não operacional, vez que não trouxe nenhum incremento real ao caixa da empresa, de modo que não compõe a base de cálculo do PIS não cumulativo. Também não incide PIS sobre os créditos do PIS e da COFINS, vez que esses créditos não representam entrada de valores nos caixas da empresa, de forma que também não configura nem receita operacional nem receita não operacional. Quanto aos demais valores listados na fl. 417, como a Recorrente não comprovou a origem, devese calcular o crédito sem excluílos da base de cálculo da contribuição. Fl. 554DF CARF MF Impresso em 22/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 16/07/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 11080.010560/200640 Acórdão n.º 3401002.883 S3C4T1 Fl. 562 5 Ex positis, dou provimento parcial ao recurso voluntário para que o crédito pleiteado pela Contribuinte seja calculado sem a inclusão na base de cálculo dos valores de R$ 21.781.352,51, referente a recuperação de despesa de outubro de 2005, e de R$ 7.245.879,22, referente à recuperação de despesa de maio 2005. É como voto. Jean Cleuter Simões Mendonça Relator Voto Vencedor CONSELHEIRO JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Redator designado Ousei divergi do muito bem fundamentado, como de praxe, voto do i. relator por entender que as parcelas em discussão integram sim a base de cálculo das contribuições PIS e COFINS, desde que apuradas na sistemática não cumulativa, como é o caso. Isso porque as leis instituidoras dessa sistemática no caso da COFINS, a Lei 10.833 estabelecem: Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2o A base de cálculo da contribuição é o valor do faturamento, conforme definido no caput. § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: I isentas ou não alcançadas pela incidência da contribuição ou sujeitas à alíquota 0 (zero); II nãooperacionais, decorrentes da venda de ativo permanente; III auferidas pela pessoa jurídica revendedora, na revenda de mercadorias em relação às quais a contribuição seja exigida da empresa vendedora, na condição de substituta tributária; IV de venda dos produtos de que tratam as Leis nos 9.990, de 21 de julho de 2000, 10.147, de 21 de dezembro de 2000, 10.485, de 3 de julho de 2002, e 10.560, de 13 de novembro de 2002, ou Fl. 555DF CARF MF Impresso em 22/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 16/07/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 6 quaisquer outras submetidas à incidência monofásica da contribuição; V referentes a: a) vendas canceladas e aos descontos incondicionais concedidos; b) reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição que tenham sido computados como receita. Tampouco divirjo do dr. Jean aliás, nem poderia quando ele reafirma, citando o CTN, que a lei tributária não pode inovar conceitos do direito privado. Divirjo, todavia, da conclusão de que a Lei 10833 assim tenha feito. E isso porque, não comungo a interpretação acatada pelo relator que traz como condição para o reconhecimento de receita a ocorrência de um aumento no caixa, ou, como dizem outros, de um ingresso no caixa. Contabilmente, receita é a contrapartida contábil de um evento que tenha como consequência um aumento no Patrimônio Líquido. Esse aumento se dá sempre que algum elemento do Ativo (caixa ou qualquer outro) aumente sem que haja, concomitantemente, um aumento de mesma magnitude no Passivo, a via mais comum. Mas também se processa o mesmo quando um elemento do Passivo se reduz sem concomitante e equivalente redução no Ativo, como ocorreu aqui com as duas rubricas adicionadas. Ainda que se possa advogar a existência de conceitos outros que não o contábil para o fenômeno receita (tese com a qual também não concordo), entendo que é ele, sim, que o legislador teve em mente quando de sua edição. A não ser assim, sem qualquer sentido a exclusão prevista na alínea "b" do inciso V acima, dado que tais valores decorrem exclusivamente de obrigações contábeis. Destarte, a totalidade das receitas, no sentido contábil do termo, apuradas pela pessoa jurídica é que constitui a base de cálculo da COFINS nãocumulativa. E o que é essa totalidade? Também quanto a isso não divirjo do n. relator: a soma das receitas operacionais e das não operacionais, descartadas, dentre essas, apenas as expressamente previstas na lei como exclusões. As receitas operacionais compõem o que a Lei 4.506/64 chama de receita bruta operacional. Assim diz o art. 44 daquele vetusto ato legal: Art. 44. Integram a receita bruta operacional: I O produto da venda dos bens e serviços nas transações ou operações de conta própria; II O resultado auferido nas operações de conta alheia; III As recuperações ou devoluções de custos, deduções ou provisões; IV As subvenções correntes, para custeio ou operação, Fl. 556DF CARF MF Impresso em 22/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 16/07/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 11080.010560/200640 Acórdão n.º 3401002.883 S3C4T1 Fl. 563 7 recebidas de pessoas jurídicas de direito público ou privado, ou de pessoas naturais. É claro que todos esses conceitos contábeis foram construídos sempre tendo em conta a apuração do resultado da entidade: receitas menos custos e despesas. Nela, a Contabilidade, não se tomam as receitas sem considerarse no mesmo feito as despesas ou custos a elas correspondentes. Esse reconhecimento, no entanto, apenas nos leva a considerar, no mínimo, uma impropriedade técnica tributação que apenas leve em conta uma "perna" do resultado. Mas isso não muda o fato de que o legislador assim o fez e, especialmente, não nos autoriza a buscar conceituações inovadoras para afastar aquilo que o legislador não afastou, por mais que achemos isso justo. E é por isso que, pensandose no resultado, nada distingue a "recuperação de custos ou despesas" da receita: ambos indicam que houve aumento do Patrimônio líquido e como tal devem ser tratados. Em verdade, e a rigor, a expressão "recuperação de despesas" constitui uma contradição em termos. As recuperações (ou reembolsos) são eventos cuja natureza define se devem ser lançados a crédito de uma conta de resultado ou patrimonial. Neste último caso se está legitimamente falando de recuperação ou reembolso, mas não de despesas. No primeiro, de despesas, sim, de recuperação, não. Explicome. Quando a entidade efetua um pagamento cuja obrigação legal ou contratual não é sua (ou que contratualmente lhe deve ser reembolsado por quem de direito, normalmente o cliente) não deve registrar o débito em conta de resultado, já que, nesse caso, não é o seu patrimônio líquido que será, de forma definitiva, afetado. Deve fazêlo em conta patrimonial, que registre um direito seu contra aquele. O evento posterior em que o cliente lhe restitua a importância é, pois, recuperação, mas não de despesa. Esses lançamentos em contas patrimoniais não são, de ordinário, objeto de verificação fiscal na modalidade aqui executada (as chamadas verificações obrigatórias), devendose, por isso, supor que estavase, na verdade, cuidando de lançamentos em contas credoras de resultado. De registrar que o contribuinte teve várias oportunidades para demonstrar o contrário, a última delas por ocasião da diligência determinada por este colegiado, mas não o fez. Já quando de efetiva despesa sua se trata, isto é, quando legitimamente o pagamento efetuado deva ter como contrapartida uma conta de despesa da entidade que o efetuou porque se trata de valor essencial ao desempenho da atividade e que deva ser suportado pela própria entidade, ou seja, que reduz o seu patrimônio líquido, eventual "reembolso", "ressarcimento", ou "recuperação" que se caracterize por novo ingresso que o compense nada mais é do que receita, ainda que outro nome tenha nos livros contábeis. Afinal, a receita cumpre, sempre, exatamente esse papel de recuperar a despesa e os custos efetuados, preferencialmente excedendoos. Por isso é que, como dito antes, se há conta de resultado com saldo credor suportando o lançamento intitulado de recuperação, não importa o seu nome, é ela conta Fl. 557DF CARF MF Impresso em 22/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 16/07/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 8 representativa de receita e, como tal, o seu saldo deve integrar a base de cálculo das contribuições. É claro que o lançamento pode ter sido aí feio por equívoco. Nesse caso, porém, entendo que cabe sempre ao contribuinte demonstrar que se está no primeiro caso. Como já dito acima, o contribuinte teve várias oportunidades de fazer essa demonstração, silenciando, porém, em todas elas sobre a natureza das contas que suportaram os lançamentos. Em verdade, se a diligência foi útil em alguma coisa foi o de demonstrar que nem mesmo de "ressarcimento", "reembolso", ou "recuperação" de fato se tratou: há apenas redução do passivo sem concomitante redução no ativo. Receita, pois, na correta acepção do termo. Com essas considerações, decidiu o colegiado, por qualidade, negar provimento ao recurso do contribuinte. CONSELHEIRO JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Fl. 558DF CARF MF Impresso em 22/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 16/07/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
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