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Numero do processo: 16327.004117/2002-90
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 19 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Imposto de Renda Pessoa Jurídica — IRPJ
Fatos Geradores: 31.12.1999, 31.12.2000 e 31.12.2001
Ementa:
Cooperativa de Crédito. Atos cooperados e não-cooperados. Incidência de IRPJ.
Decisões da Câmara Superior do Conselho de Contribuintes e do Superior Tribunal de Justiça, entendendo pela tributação no presente caso, resta vencida a posição da Recorrente.
Quanto a questão "da dedução de custos diretos e indiretos da base de cálculo do IR", não foi apresentada na impugnação e por esta razão não foi objeto de análise em primeira instância, razão pela qual trata-se de matéria preclusa.
Não é dado a este órgão julgador analisar matéria que não foi objeto de debate em primeira instância.
Decisão de Primeira Instância e lançamentos mantidos.
Lançamento procedente.
Negado provimento ao recurso.
Numero da decisão: 1802-000.014
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso no tocante à matéria alegada em sede de recurso, por ser preclusa e, no restante, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado
Nome do relator: Cheryl Berno
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Atos cooperados e não-cooperados. Incidência de IRPJ. Decisões da Câmara Superior do Conselho de Contribuintes e do Superior Tribunal de Justiça, entendendo pela tributação no presente caso, resta vencida a posição da Recorrente. Quanto a questão "da dedução de custos diretos e indiretos da base de cálculo do IR", não foi apresentada na impugnação e por esta razão não foi objeto de análise em primeira instância, razão pela qual trata-se de matéria preclusa. Não é dado a este órgão julgador analisar matéria que não foi objeto de debate em primeira instância. Decisão de Primeira Instância e lançamentos mantidos. Lançamento procedente. Negado provimento ao recurso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso no tocante à matéria alegada em sede de recurso, por ser preclusa e, no restante, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. \\\Processo o' 16327,004117/2002-90Acórdão rh° 1802-00.014 SI-TE02 FI, 2 ocu Xfvvre,3 'Ciwr•enteAdriana Gomes Régo jC.K i I \Í\heryl -no - Relatora EDITADO EM: Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Adriana Gomes Rego ( Presidente), Éster Marques Lins de Sousa, Cheryl Bemo e Natanael Vieira dos Santos (Suplente Convocado). Relatório Trata-se de lançamento tributário, auto lavrado em 23/07/2002, ciência em 25/07/2002, no qual se procedeu ao lançamento de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica — IRPJ, fatos geradores, 31.12.1999, 31.12.2000 e 31.12.2001. O Fiscal concluiu pela existência de crédito tributário do IRPJ em questão porque a autuada não segrega em sua contabilidade as receitas decorrentes de atos cooperados e não cooperados. Entende a autuada que a totalidade das receitas auferidas (empréstimos, aplicações financeiras e outras de natureza operacional) são decorrentes de atos cooperados essenciais à sua finalidade, não gerando base de cálculo para o IRPJ, por terem objetivo mais social do que econômico. Segundo, o Auditor Fiscal, as aplicações financeiras diárias e a prazo efetuadas pela autuada rios bancos comerciais não estão abrangidas pela definição de ato cooperado. Assim, o IRPJ incide sobre o resultado auferido, que foi considerado pela Autuante como decorrente de atos não cooperados, senda a tributação efetuada com base no lucro real de acordo com as normas financeiras aplicáveis às demais instituições financeiras. A Autuante alega que as bases de cálculo levantadas para IRPJ consideram apenas o ganho auferido nas aplicações financeiras diárias e a prazo, ou seja, foram excluídas as despesas de capitação, de forma proporcional ao percentual do volume de recursos direcionados à aplicação financeira sobre o total de recursos aplicados, de acordo com as planilhas fornecidas pelo contribuinte, estas exclusões não foram aceitas, pois as mesmas são reembolsadas pelas associadas na rubrica "Receitas de Rateio Orçamentário". A Autuada apresentou Impugnação, fls. 62 a 70, alegando que os fundamentos do autuante estão incorretos, pois, é urna sociedade cooperativa sujeita à legislação específica, Lei n° 5.764/71, que assegura o devido respaldo constitucional às Cooperativas, conceituando-se desta forma as pessoas jurídicas que "reciprocamente se obrigam a contribuir com bens ou serviços para o exercício de uma atividade econômica, de proveito comum, sem objetivo de lucro" (art. 3° da Lei n ° 5.764/71). Processo n° 16327.004117/2002-90 S1-TE02 Acórdão n.° 1802-00.014 Fl. 3 "sociedade de pessoas, com forma e natureza jurídica própria, de natureza civil, não sujeitas à falência, constituídas para prestar serviços aos associados, distinguindo-se das demais sociedades pelas seguintes características:... III- Retorno das sobras líquidas do exterior, proporcionalmente às operações realizadas pelos associados, salvo deliberação em contrário da Assembléia Geral". Já quanto à existência de receitas decorrentes de rendimentos em aplicações financeiras diárias e em CDBs nos Bancos do Brasil, Bradesco e BANCOOB, a autuada argumenta que tratam-se de operações com finalidade essencial de complementação de propósitos sociais das cooperativas de crédito, na forma do art. 88, da Lei n° 5.764/71, respeitando as disposições regulamentares ditadas pelo Conselho Monetário Nacional, não podendo ter caráter restritivo ou de desestímulo. Segundo a autuada na situação específica das cooperativas de crédito que têm como objeto estatutário proporcionar, pela mutualidade, a assistência financeira aos associados, fomentando a circulação creditícia, entende-se que as mesmas não estão obrigadas ao recolhimento do IRPJ. A autuada ainda argumenta que as cooperativas de crédito ao praticarem sua atividade essencial, integrada pelos atos cooperativos não auferem lucros, rendas ou receitas. As receitas e as despesas, na verdade, são dos cooperados (associadas) e o resultado positivo obtido pela cooperativa é a sobra, que é dividida na proporção dos serviços usufruídos a cada associado. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, fls. 99 a 105, julgou procedente o lançamento, por entender que os rendimentos de aplicações financeiras, em quaisquer de suas modalidades, operados por soCiedades cooperativas estão fora do campo da não-incidência e se submetem à tributação. A autuada interpôs Recurso Voluntário, fls. 108 a 122, no qual alega que as cooperativas de crédito não se desviam de sua finalidade quando aplicam recursos no mercado financeiro, pois segundo a autuada estas operações fazem parte do objeto social das cooperativas de crédito não gerando nenhuma base de cálculo para incidência de tributos. ikf É o relatório. 3 Processo n° 16327.004117/2002-90 S1-TE02 Acórdão n.° 1802-00.014 FL 4 Voto Conselheira CHERYL BERNO, Relatora Conforme se extrai do Auto de Infração a Auditora Fiscal concluiu que a autuada não realiza a segregação em sua contabilidade de atos cooperados dos não cooperados, não recolhendo assim o Imposto de Renda devido. A Auditora Fiscal considerou atos não cooperados as aplicaçõe .s financeiras diárias e a prazo efetuadas pela Cooperativa Central nos bancos comerciais, por isso a mesma afirma que o IRPJ incide sobre o resultado auferido e a tributação foi realizada com base no lucro real, de acordo com as normas aplicáveis às demais instituições financeiras. A autuada é urna Cooperativa de Crédito e na sua atividade econômica o crédito é um bem envolvido que deve ser aumentado para o beneficio dos fins sociais da cooperativa. A operação de mercado no caso de urna cooperativa de crédito, constitui sua atividade econômica, portanto, a mesma não deveria ser tributada. As operações de mercado realizadas por urna cooperativa de crédito são negócios jurídicos decorrentes do objeto social da cooperativa e são realizadas em proveito de seus cooperados. A referida operação não é realizada em proveito da própria sociedade e sim de seus associados. Assim, deveriam ser considerados atos cooperados e como tais não deveriam sofrer a incidência do Imposto de Renda. Ocorre, que a jurisprudência judicial e administrativa se consolidou de forma contrária à tese posta no recurso, considerando que as operações em discussão são tributáveis por serem consideradas como atos não cooperados. Os atos entendidos como cooperados são as aplicações de recursos efetuadas dentro do sistema cooperativo associado, estas sim isentas do Imposto sobre a Renda, para melhor compreensão seguem algumas decisões. Para melhor compreensão da posição vencedora, transcreve as ementas de dois acórdãos da Câmara Superior de Recursos Fiscais: COOPERATIVAS DE CRÉDITO — RESULTADO DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS COM NÃO-ASSOCIADOS — TRIBUTAÇÃO — As aplicações de recursos realizadas pelas cooperativas de crédito dentro do sistema cooperativo associado são as únicas que devem ser tratadas corno efetivos atos cooperativos, isentos do imposto sobre a renda e não geradores de lucros tributáveis pela contribuição social, mas sim sobras. A verdadeira essência da cooperativa de crédito não é servir de intermediário do cooperado com o mercado financeiro, mas sim permitir, dentro da cooperativa e seus associados, maior acesso ao crédito, captando recursos com esses mesmos associados. Quando, por questões de mercado ou de sobra de reservas, aplicar tais valores em outras instituições financeiras, esta0, realizando ato não cooperativo, cujo resultado positivo deve ser tributado." e 4 Processo n° 16327.004117/2002-90 S1-TE02 Acórdão ri.° 1802-00.014 Fl. 5 Recurso negado.(ACÓRDÃO CSRF/01-05.153 de 29/11/2004, Processo no 10680.014998/95-70, Relator: Mário Junqueira Franco Júnior). COOPERATIVAS — APLICAÇÕES FINANCEIRAS — ATOS NÃO COOPERATIVOS — As aplicações financeiras são atos não cooperados, praticados com não associados, sujeitando-se ao imposto de renda. Recurso especial negado. (ACÓRDÃO CSRF/01-05.348 de 05/12/2005, Relator Marcos Vinícius Neder de Lima, Processo n° 10665.000517/97-26). Segue também uma das muitas decisões do Superior Tribunal de Justiça no mesmo sentido: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. APLICAÇÕES FINANCEIRAS REALIZADAS POR COOPERATIVAS. LEI N° 5.764/71. ISENÇÃO. NÃO APLICÁVEL. ATOS NÃO COOPERATIVOS. INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. C S L. I - Esta Corte Especial vem-se posicionando no sentido de que a isenção tributária instituída pela Lei n° 5.764/71 somente se refere àqueles atos ditos cooperativos stricto sensu. II - As aplicações financeiras distanciam-se da finalidade precípua da associação cooperativa, razão pela qual são tidas como atos não cooperativos, estando à margem da isenção tributária supra-referida. III - Precedentes. IV - Recurso especial a que se nega seguimento." (Recurso Especial 408515/PR, Relator Ministro Francisco Falcão, Data do Julgamento 04/11/2003) Assim, diante das decisões da Câmara Superior do Conselho de Contribuintes e do Superior Tribunal de Justiça, entendendo pela tributação no presente caso, resta vencida a posição do Recorrente. Quanto a questão "da dedução de custos diretos e indiretos da base de cálculo do IR", não foi apresentada na impugnação e por esta razão não foi objeto de análise em primeira instância, razão pela qual trata-se de matéria preclusa. Não é dado a este órgão julgador analisar matérias que não foram objeto de debate em primeira instânciaje Portanto, nego provimento ao Recurso Voluntário. e X. F heryl B-ino 5 0-i Processo tf 16327.004117/2002-90 SI-TE02 Acórdão n. 0 1802-00.014 Fl, 6 6
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Numero do processo: 11610.720993/2012-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 11 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 2202-000.772
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurelio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto.
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurelio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 16 10 .7 20 99 3/ 20 12 -1 0 Fl. 98DF CARF MF Processo nº 11610.720993/201210 Resolução nº 2202000.772 S2C2T2 Fl. 99 2 RELATÓRIO Contra a contribuinte acima identificada foi emitida a Notificação de Lançamento de fls. 6/11, referente ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, anocalendário 2008, para apurar o imposto a restituir declarado de R$ 5.510,97, em razão da constatação das seguintes infrações: Rendimentos indevidamente considerados como isentos por moléstia grave no valor de R$ 144.968,50, recebidos da São Paulo Previdência; Omissão de rendimentos recebidos a título de resgate de contribuições à previdência privada, PGBL e Fapi, no valor de R$ 6.000,00, recebidos de Santander Seguros S.A. A autuada apresentou impugnação (fls. 14/30) alegando ser portadora de moléstia grave (CID10 C76.0) desde julho de 2007, sendo assim isenta do imposto de renda. A DRJ no Rio de Janeiro (RJ) julgou improcedente a impugnação, cuja decisão foi assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2009 MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. RECONHECIMENTO. A comprovação da moléstia grave deverá ser realizada mediante laudo pericial, assim entendido como documento emitido por médico legalmente habilitado ao exercício da profissão de medicina, integrante de serviço médico oficial da União, dos estados, do Distrito Federal ou dos municípios, independentemente de ser emitido por médico investido ou não na função de perito, observadas a legislação e as normas internas especificas de cada ente. O laudo pericial deve conter, no mínimo, as seguintes informações: a) o órgão emissor; b) a qualificação do portador da moléstia; c) o diagnóstico da moléstia (descrição; CID10; elementos que o fundamentaram; a data em que a pessoa física é considerada portadora da moléstia grave, nos casos de constatação da existência da doença em período anterior à emissão do laudo); d) caso a moléstia seja passível de controle, o prazo de validade do laudo pericial ao fim do qual o portador de moléstia grave provavelmente esteja assintomático; e e) o nome completo, a assinatura, o nº de inscrição no Conselho Regional de Medicina (CRM), o nº de registro no órgão público e a qualificação do(s) profissional(is) do serviço médico oficial responsável(is) pela emissão do laudo pericial. Fl. 99DF CARF MF Processo nº 11610.720993/201210 Resolução nº 2202000.772 S2C2T2 Fl. 100 3 A DRJ concluiu que a Contribuinte não atendeu a nenhum dos requisitos para a concessão da isenção, ou seja, não comprovou que os rendimentos eram decorrentes de aposentadoria, pensão ou reforma, nem apresentou laudo médico oficial com os requisitos mínimos. Cientificado da decisão em 10/01/2014, por via postal (A.R. de fl. 93), a Contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 30/01/2014 (fls. 56/65), no qual afirma que está aposentada desde janeiro de 1991 e que foi acometida de neoplasia maligna (CID 76.0), desde julho de 2007, conforme laudo médico pericial, emitido pelo Instituto de Previdência do Estado de São Paulo IPESP (cópia anexa), estando assim isenta do imposto de renda. Defende, ainda, que os rendimentos recebidos de PGBL são isentos do imposto de renda. É o relatório. VOTO Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Relator. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. São necessárias duas condições para que os rendimentos recebidos por portadores de moléstias graves definidas em lei sejam isentos do imposto sobre a renda: (i) ser a moléstia atestada em laudo emitido por serviço médico oficial da União, Estados, DF ou Municípios; (ii) os rendimentos serem provenientes de aposentadoria, pensão ou reforma. No presente caso, apesar de a Contribuinte ter apresentado documentos em que se constata que ela é aposentada, pela leitura do informe de rendimentos de fl. 84 percebese que existem pagamentos de diárias e ajuda de custo, além de indenizações, o que pode significar que há rendimentos de trabalho aí incluídos. Notese que a natureza do rendimento especificada é TRABALHO ASSALARIADO / INATIVO / COMPLEMENTAÇÃO DE APOSENTADORIA / COMPLEMENTAÇÃO DE PENSÃO. Ademais, a DRJ constatou (fl. 51) o seguinte: Com relação à natureza dos valores recebidos , não foi trazido o comprovante de rendimentos recebidos e de retenção na fonte relativo a fonte pagadora São Paulo Previdência. Ressaltese que em pesquisa efetuada nos sistemas da RFB a interessada desde 2008 até a presente data vem Fl. 100DF CARF MF Processo nº 11610.720993/201210 Resolução nº 2202000.772 S2C2T2 Fl. 101 4 sendo descontada do IRRF sobre os rendimentos desta fonte pagadora. É de se estranhar uma vez que o Oficio IP 111nº254/2008 fl. 28 mencionava um pedido de isenção, e até o ano 2013 há o desconto. Levando a crer que os rendimentos informados na DIRF não seriam abrangidos por isenção. Portanto, tornase necessário esclarecer qual a natureza dos rendimentos recebidos pela Contribuinte do Governo do Estado de São Paulo (São Paulo Previdência). Dessa forma, entendo que o processo ainda não se encontra em condições de ter um julgamento justo, razão pela qual voto no sentido de ser convertido em diligência para que a repartição de origem tome as seguintes providências: 1) elabore relatório circunstanciado, discriminando a natureza dos valores recebidos pela Contribuinte do Governo do Estado de São Paulo (São Paulo Previdência), no anocalendário de 2008, podendo intimar a fonte pagadora e/ou a Contribuinte, conforme entender necessário; 2) dê vista a Recorrente, com prazo de 30 (trinta) dias para, querendo, se pronunciar sobre a diligência. Após vencido o prazo, os autos deverão retornar a esta Turma para inclusão em pauta de julgamento. É o meu voto. (assinatura digital) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Relator Fl. 101DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10925.902910/2011-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jun 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2007
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPROVAÇÃO
Não pode ser homologada uma compensação, cujos créditos não foram comprovados.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-003.501
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. Recorrente COMERCIAL PARISENTI LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2007 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPROVAÇÃO Não pode ser homologada uma compensação, cujos créditos não foram comprovados. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas. Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação DCOMP, apresentada pela contribuinte acima qualificada Em análise da compensação intentada, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joaçaba/SC decidiu não homologála em razão de que o valor recolhido via DARF, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 29 10 /2 01 1- 11 Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10925.902910/201111 Acórdão n.º 3301003.501 S3C3T1 Fl. 3 2 indicado como fonte do crédito contra a Fazenda Nacional, já havia sido integralmente utilizado para o pagamento de débito da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos valores informados no PER/DCOMP. Inconformada com a não homologação de sua compensação, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade, na qual defende, inicialmente, que os débitos exigidos não compensados devem ficar com a exigibilidade suspensa em razão da apresentação da manifestação de inconformidade. Quanto ao mérito, a contribuinte alega, em síntese, que apurou créditos, passíveis de compensação, oriundos do recolhimento indevido de tributos, uma vez reconhecido seu direito de recolher as contribuições – PIS e Cofins – nos moldes previstos no artigo 3º, §2º, inciso III, da Lei nº 9.718/98. A DRJ em Florianópolis (SC) julgou improcedente a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 07030.900. O fundamento adotado foi o de que, quando a compensação declarada pelo sujeito passivo está associada à alegação de que o valor declarado em DCTF e recolhido é indevido, só se pode homologar tal compensação, independentemente de eventuais outras verificações, nos casos em que o contribuinte, previamente à apresentação da DCOMP, retifica regularmente a DCTF. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, em que alega o seguinte: a) que o débito, cuja compensação não foi homologada, deve permanecer com a exigibilidade suspensa, em razão da apresentação do recurso voluntário; b) que não há dispositivo legal que vede a compensação de tributos, nos casos em que a DCTF retificadora, em que foi demonstrada a existência do pagamento indevido, tenha sido apresentada após a transmissão da Declaração de Compensação (DCOMP); e c) que a multa de ofício de 150% cobrada da Recorrente não se aplica a compensações indevidas e que não poderia ser superior a 20%, além de afrontar os princípios da proporcionalidade e finalidade dos atos da administração pública e a própria Consituição Federal, em razão de seu caráter confiscatório. Em relação à alegação mencionada na letra "c", cumpre destacar que o débito, cuja compensação não foi homologada, está sendo cobrado, acrescido de multa de mora de 20% e não de multa de ofício de 150%, além de juros Selic. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.444, de Fl. 62DF CARF MF Processo nº 10925.902910/201111 Acórdão n.º 3301003.501 S3C3T1 Fl. 4 3 27 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 10925.901334/201276, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.444): "O recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Tratase de Despacho Decisório que não homologou compensação pleiteada por meio de DCOMP, em razão de o alegado pagamento a maior não constar nos registros da Receita Federal do Brasil (RFB). Nos autos, encontramse a DCOMP, o Despacho Decisório e extratos da RFB, contendo detalhamento da compensação e histórico da transmissão da DCOMP. Não há cópias de Declarações de Débitos e Créditos Federais Tributários Federais (DCTF). Na manifestação de inconformidade, a Recorrente informou que efetuara pagamentos a maior e apresentou as bases legais que dariam suporte à compensação. Nada dispôs sobre a DCTF original, na qual teria sido incluído o DARF indicado na DCOMP como fonte do crédito (pagamento a maior), e tampouco se fora retificada. Também não carreou aos autos cópias de DCTF. A DRJ (fls. 37 a 40) ratificou o Despacho Decisório, sob a alegação de que na data da protocolização da DCOMP, a DCTF que constava no banco de dados da RFB não indicava a existência de crédito, consistente em pagamento a maior de tributo. E que uma DCTF retificadora somente pode suportar uma compensação, cuja DCOMP tenha sido apresentada na mesma data ou posteriormente. No recurso voluntário, foram apresentados os seguintes argumentos para sustentar a compensação: a) que o débito cuja compensação não foi homologada deve permanecer com a exigibilidade suspensa, em razão de apresentação do recurso voluntário; b) que não há dispositivo legal que vede a compensação de tributos, nos casos em que a DCTF retificadora, em que foi demonstrada a existência do pagamento indevido, tenha sido apresentada após a transmissão da Declaração de Compensação (DCOMP); e c) que a multa de ofício de 150% cobrada da Recorrente não se aplica a compensações indevidas e que não poderia ser superior a 20%, além de afrontar os princípios da proporcionalidade e finalidade dos atos da administração pública e a própria Constituição Federal, em razão de seu caráter confiscatório. Em relação à letra "a", nada há que se falar, pois nenhuma controvérsia há sobre a questão: o inc. III do art. 151 da Lei n° 5.172/66 (Código tributário Nacional CTN) dispõe que a apresentação de recurso, nos termos das normas que regulam o processo administrativo, suspende a exigibilidade do crédito tributário. O disposto na letra "c" também não merece comentários, haja vista que não houve lançamento de ofício e, por conseguinte, multa dele derivada. O débito originalmente compensado com o crédito não comprovado está sendo cobrado com o acréscimo de multa de mora de 20% e juros Selic. Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10925.902910/201111 Acórdão n.º 3301003.501 S3C3T1 Fl. 5 4 Finalmente, sobre o tema central, a adequação ou não da compensação realizada, parcialmente tratada pela Recorrente na letra "b", voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Não resta dúvida acerca da possibilidade legal defendida pela Recorrente de compensar tributos pagos a maior com débitos tributários. Também não me oporia a legitimar a compensação pretendida, pelo simples fato de que a DCTF retificadora, com indicação do pagamento a maior, tivesse sido apresentada após a protocolização da DCOMP, desde que restasse comprovado que o crédito tributário já existia à época da liquidação do débito tributário. Com efeito, regra geral, a compensação é possível até mesmo se o crédito tiver surgido após o vencimento do débito, desde que a este sejam acrescidos os devidos encargos moratórios. Porém, no caso em tela, não se encontram os elementos probatórios essenciais à confirmação do crédito, quais sejam: a DCTF retificadora propriamente dita e a demonstração do cálculo do débito e sua comparação com o DARF pago, indicando o pagamento a maior. Temos apenas as alegações da Recorrente de que retificara a DCTF e que detinha o crédito. Alegações, contudo, desacompanhadas das devidas comprovações. Desta forma, não me resta alternativa que não a de negar provimento ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo não se encontram os elementos probatórios essenciais à confirmação do crédito, quais sejam: a DCTF retificadora propriamente dita e a demonstração do cálculo do débito e sua comparação com o DARF pago, indicando o pagamento a maior. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 64DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.004193/2007-81
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jul 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2002, 2003
RECURSO ESPECIAL. CONHECIMENTO. SITUAÇÕES FÁTICAS EQUIVALENTES. COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA.
O Recurso Especial da Divergência deve ser conhecido se restar comprovado que, em face de situações equivalentes, a legislação de regência foi aplicada de forma divergente, por diferentes colegiados.
LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
Quando da constatação de depósitos bancários cuja origem reste não comprovada pelo sujeito passivo, de se aplicar o comando constante do art. 42 da Lei no 9.430, de 1996, presumida, assim a omissão de rendimentos.
Numero da decisão: 9202-005.325
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri (relatora) e Patrícia da Silva, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior.
Julgamento iniciado em 22/02/2017 e concluído na sessão de 30/03/2017, na qual as conselheiras Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Ana Paula Fernandes alteraram seu entendimento em relação à sessão anterior.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
(assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Júnior - Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2002, 2003 RECURSO ESPECIAL. CONHECIMENTO. SITUAÇÕES FÁTICAS EQUIVALENTES. COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. O Recurso Especial da Divergência deve ser conhecido se restar comprovado que, em face de situações equivalentes, a legislação de regência foi aplicada de forma divergente, por diferentes colegiados. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Quando da constatação de depósitos bancários cuja origem reste não comprovada pelo sujeito passivo, de se aplicar o comando constante do art. 42 da Lei no 9.430, de 1996, presumida, assim a omissão de rendimentos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri (relatora) e Patrícia da Silva, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior. Julgamento iniciado em 22/02/2017 e concluído na sessão de 30/03/2017, na qual as conselheiras Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Ana Paula Fernandes alteraram seu entendimento em relação à sessão anterior. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Júnior - Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado SAMUEL SEMTOB SEQUERRA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2002, 2003 RECURSO ESPECIAL. CONHECIMENTO. SITUAÇÕES FÁTICAS EQUIVALENTES. COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. O Recurso Especial da Divergência deve ser conhecido se restar comprovado que, em face de situações equivalentes, a legislação de regência foi aplicada de forma divergente, por diferentes colegiados. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Quando da constatação de depósitos bancários cuja origem reste não comprovada pelo sujeito passivo, de se aplicar o comando constante do art. 42 da Lei no 9.430, de 1996, presumida, assim a omissão de rendimentos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri (relatora) e Patrícia da Silva, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior. Julgamento iniciado em 22/02/2017 e concluído na sessão de 30/03/2017, na qual as conselheiras Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Ana Paula Fernandes alteraram seu entendimento em relação à sessão anterior. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 41 93 /2 00 7- 81 Fl. 5818DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Júnior Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Relatório Com base nas informações prestadas no relatório do acórdão recorrido, esclareço que tratase de Auto de Infração para exigência de IRPF em razão da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada, fundada no artigo 42 da Lei nº 9.430/96. "O Termo de Verificação Fiscal esclarece que o procedimento fiscal teve origem em documentação recebida no âmbito da CPI do Banestado, quando, em razão de determinação judicial extraída dos autos de processo judicial foi determinada a quebra do sigilo bancário de conta mantida em instituição bancaria no exterior, em razão de indícios de que doleiros brasileiros estivessem movimentando as referidas contas para a realização de câmbio ilegal. Entre as contas encontradas, estavam as de titularidade das empresas Laurel Finance Ltd. (conta 311045) e Sinkel Financial Ltd. (conta 311197). O Recorrente e Jan Sidney Murachovsky figuravam em tais contas como representantes das referidas empresas – consideradas pela fiscalização como empresas de fachada, com sede nas Ilhas Virgens Britânicas, conhecido paraíso fiscal – razão pela qual o montante dos créditos bancários foi dividido entre ambos." Em sede de Impugnação (efls. 185) o contribuinte alegou: preliminares de decadência do crédito tributário e ilegitimidade do sujeito passivo, e no mérito afirma que jamais negou que manteve relação comercial com as empresas Laurel ,e Sinkel, mas na qualidade de procurador, sendo o responsável apenas pela parte contábil, subsidiariamente afirma que a base adotada pelo lançamento está equivocada, eventual tributação deveria incidir apenas sobre o valor referente a contrapartida que teria recebido pelo desempenho de suas funções de intermediador. A DRJ manteve o lançamento em sua totalidade. Foi interposto Recurso Voluntário (efls. 293) onde foi reiterada a tese de defesa. A 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, por unanimidade, deu provimento ao recurso sob o fundamento de que por se tratar de atividade comercial, seria incabível a aplicação da presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/96. O Acórdão foi registrado sob o nº 2101 01.361 e recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Fl. 5819DF CARF MF Processo nº 19515.004193/200781 Acórdão n.º 9202005.325 CSRFT2 Fl. 5.819 3 Exercício: 2002, 2003 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM ORIGEM COMPROVADA. TRANSFERÊNCIAS BANCÁRIAS REALIZADAS NO EXTERIOR. Comprovado que os valores creditados em conta bancária têm origem em atividade empresarial, a exigência tributária deve ser dirigida ao lucro auferido nas operações. Recurso Voluntário Provido A Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial. Citando acórdão paradigma de nº 220100.396 a divergência foi assim resumida: O colegiado a quo, entendendo restar caracterizado que o contribuinte exercia a atividade de doleiro, adotou a tese de que a fiscalização deveria ter efetuado a equiparação a pessoa jurídica, bem como ter apurado as diferenças entre o valor de compra e o de venda da moeda estrangeira para fins de tributação, afastando a aplicação da presunção do artigo 42 da Lei 9.430/96. Por outro lado, a Segunda Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF, prolatora do acórdão paradigma, mesmo reconhecendo que o contribuinte exercia a atividade de doleiro, entendeu que a .fiscalização agiu acertadamente ao efetuar o lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física e tributar a totalidade das operações, salientando que é plenamente aplicável a presunção de omissão de rendimentos do artigo 42 da Lei 9.430/96, cabendo ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação da origem dos recursos. Intimado o contribuinte apresentou contrarrazões pugnando pelo não conhecimento do recurso por ausência de similitude fática e, no mérito, a manutenção do acórdão por sues próprios fundamentos. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Do conhecimento: Conforme exposto no relatório a Fazenda Nacional apresenta Recurso Especial sob a alegação de que o acórdão recorrido, ao afastar a presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/96 sob a fundamentação de que a atividade exercida pelo contribuinte seria atividade comercial, contrariou interpretação dada por outro colegiado quanto ao dispositivo legal em questão. Fl. 5820DF CARF MF 4 Para o Contribuinte a matéria do acórdão recorrido é diversa do acórdão paradigma, na medida em que, naquele se reconheceu que a fiscalização já sabia, pela documentação recebida dos inquéritos e processos judiciais, que a origem dos créditos estava relacionada com a atividade legal exercida pelos autuados, enquanto que no paradigma os documentos não se prestaram, por si só, a comprovar o alegado. Em que pese o argumento do Contribuinte, entendo que embora se possa defender a existência de diferença entre os fatos e provas que envolvem os julgados, essa diferença não anula a divergência de interpretação dada ao dispositivo legal em questão, qual seja, o citado art. 42. Isso porque no acórdão paradigma ainda que o Colegiado tenha concordado que o volume de valor movimentado pelas contas o contribuinte seja um indicativo que o mesmo realizava operação comercial, tal fato, por si só, não afasta o ônus de o contribuinte ter que comprovar que os depósitos realizados em sua conta eram vinculados a essa atividade comercial. Vale citar parte do voto condutor do acórdão paradigma: Sobre o mérito da questão, a alegada origem para os depósitos bancários relacionada à atividade de doleiro, a alegação não está acompanhada da devida identificação individualizada dos depósitos com esta atividade. Não se espera que o Contribuinte relacione cada um dos depósitos, mas, pelo menos, parte significativa destes, apontandolhes as origens. O que não se admite é a prova em tese, a mera indicação genérica de uma atividade econômica como justificativa para a movimentação financeira. É óbvio e dispensa comprovação, que uma movimentação financeira intensa como era a do ora Recorrente está relacionada a alguma atividade econômica. O que a Lei pede, entretanto, é que o Contribuinte apresente elementos que identifiquem os depósitos com as operações, de forma individualizada, permitindo ao fisco apurar, com base na legislação especifica, eventual incidência tributária. No caso, o que o Contribuinte faz é apenas referirse genericamente à atividade de doleiro, que seria exercida por intermédio de uma pessoa jurídica. Quanto aos documentos apresentados que comprovariam a atividade de doleiro, em especial a denúncia do Ministério Público de fls. 478/484 e a sentença de fls. i 280/295, estas se referem a denúncia feita em 2004 sobre fatos ocorridos nos anos de 1997 a 2000, quando a autuação se refere ao ano de 2003. Portanto, os documentos não se prestam, por si só, a comprovar o fato alegado. O Contribuinte não comprova, portanto, a origem dos depósitos bancários, pairando incólume, pois, a presunção de omissão de rendimentos. Em contrapartida, para o acórdão recorrido a origem dos valores depositados foi explicada pela comprovação, por meio dos fatos e documentos narrados, que a atividade do contribuinte era uma atividade comercial, dado suficiente para afastar a presunção e concluir que a base de cálculo do IRPF deveria ser apenas o valor relativo ao montante efetivamente pertencente a pessoa física. Vejamos o entendimento do relator: Fl. 5821DF CARF MF Processo nº 19515.004193/200781 Acórdão n.º 9202005.325 CSRFT2 Fl. 5.820 5 Da leitura destes trechos – em conjunto com todas as provas e informações constantes dos autos, é forçoso concluir ser inquestionável que os representantes das subcontas Laurel e Sintel, de fato, exerciam a atividade de câmbio “paralelo”, isto é, a margem do sistema financeiro oficial brasileiro. As contas que geraram este lançamento eram utilizadas justamente para este fim. É de se concluir, portanto, que o montante lá movimentado pertenciam às pessoas que os contratavam para efetivar o cambio. Por isso que, se algum dinheiro movimentado pertencia a eles, este dinheiro corresponderia não à integralidade da movimentação, mas sim ao percentual que os mesmos cobravam em troca da realização das operações (o chamado “spread”). Tal entendimento está em consonância com diversos julgados deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, Acórdão nº 210200.329 (sessão de 23/09/2009), 210200.609 (Sessão de 14/05/2010) e nº 2101000.708 (sessão de 19/08/2010), dentre outros, que tiveram origem na mesma operação da Polícia Federal. Não tendo o lançamento levado em consideração este fator de extrema relevância, não pode ele prosperar, pois não se aperfeiçoou, no caso, a presunção a que alude o art. 42 da Lei nº 9.430/96, pois a fiscalização já sabia, pela documentação recebida dos inquéritos e processos judiciais, que a origem dos créditos estava relacionada com a atividade ilegal exercida pelos autuados. Caberia às autoridades fiscais ter efetuado o lançamento com o arbitramento da base de cálculo correspondente à remuneração auferida pelo recorrente, ou seja, da parcela que ele recebia a título de comissão pelo trabalho de cambio paralelo, realizado em conjunto com Jan Sidney Murachovsky. Assim, no entender desta Relatora o que se pretende discutir é: diante das provas juntadas aos autos é possível concluir que valores que circularam pelas contas do Recorrente decorrem de atividade comercial ou, ainda que haja este indício deve o contribuinte juntar provas que demonstrem a correlação (origem) dos valores com a atividade em si. Além do aspecto acima é relevante destacar que os acórdãos recorrido e paradigma, possuem como característica comum o fato de serem autuações decorrentes dos desdobramos da operação deflagrada pela Polícia Federal, em parceria com a Receita Federal e a qual ficou conhecida como caso "Beacon Hill". Tal aspecto reforça a semelhança fática entre os julgados. Diante do exposto, conheço do recurso. Do mérito: Quanto ao mérito, entendo que não merece reparos o acórdão recorrido. Fl. 5822DF CARF MF 6 O lançamento é um procedimento administrativo privativo das autoridades fiscais que devem proceder nos termos da lei para sua formalização. Proceder nos termos da lei, na hipótese de lançamento tributário e nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, é se pautar nos seguintes passos: i) verificar a ocorrência do fato gerador; ii) determinar o crédito tributário; iii) calcular o imposto devido; iv) identificar o sujeito passivo; e v) identificar a penalidade (propor a penalidade a ser aplicada de acordo com a norma legal própria). Excepcionalmente, e nos termos da lei, presentes fortes indícios, vestígios e indicações claras da ocorrência do fato gerador sem o devido pagamento do tributo, admitese na atividade de lançamento o uso de presunções como meios indiretos de prova na impossibilidade de se apurar concretamente o crédito tributário. A presunção é uma ilação que se tira de um fato conhecido para se provar, no campo do Direito Tributário, a ocorrência da situação que se caracteriza como fato gerador do tributo. Notese que a utilização de presunção não fere o Princípio da Estrita Legalidade ou da Tipicidade Cerrada pois não há alargamento da hipótese de incidência do tributo, tão pouco aumento da base de cálculo. Nestes casos, importante destacar que a utilização de presunção pelo Fisco não inibe a apresentação de provas por parte do Contribuinte em sentido contrário ao fato presumido. Antes pelo contrário, faz crescer a necessidade de apresentação de tal prova a fim de refutar a presunção do Fisco. Sobre a questão a Doutora Lídia Maria Lopes Rodrigues Ribas, em seu livro “Processo Administrativo Tributário”, assim se manifesta: “Quando a lei estabelece a presunção para abranger pela tributação certas realidades econômicas, o contribuinte deve provar que o ato que praticou se encontra fora da previsão legal. Nesses casos é a lei que dispensa a Administração Fiscal da prova direta de certos fatos – o que permite concluir que os julgadores, então, não podem deixar de aplicar tais normas, até prova em contrário do contribuinte.” O Prof. Sandro Marino Duarte ao discorrer acerca do tema ensina: “A denominada presunção juris tantum permite a utilização de prova em contrário para ilidila. Portanto, se a legislação admite presunção de veracidade em relação a determinados efeitos provenientes de relação jurídica, também determinada, a despeito do ordenamento positivo, podese produzir prova em contrário, realizandose o intento de fazer que a lei não incida sobre aquele determinado caso concreto e provandose que a relação jurídica não existiu, ou seus efeitos não foram aqueles que a legislação teve por presumivelmente apuráveis”. Assim, as presunções legais juris tantum têm o condão de transferir o ônus da prova da Fiscalização para o Sujeito Passivo da relação jurídicotributária, cabendo a este comprovar a não ocorrência da infração presumida. Esse é exatamente o caso do art. 42 da Lei nº 9.430/96, o qual dispõe: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente Fl. 5823DF CARF MF Processo nº 19515.004193/200781 Acórdão n.º 9202005.325 CSRFT2 Fl. 5.821 7 intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Analisando o teor do dispositivo tenho uma interpretação menos restrita do que a construída pela Recorrente para o caso concreto, isso porque, nos moldes do acórdão recorrido entendo que há nos autos embora inexista, por exemplo, documento especifico que correlacione deposito com contratos firmados entre contribuinte e clientes provas de que as contas bancárias em questão eram utilizadas com fins comerciais (atividade de "câmbio paralelo"), recebendo conforme apurado em robusta fiscalização valores de terceiros que não representam incremento ao patrimônio do contribuinte. O próprio autuado faz essa afirmação que juntamente com outros elementos não pode ser classificada como mera alegação genérica. Pertinente transcrever as razões de decidir do acórdão recorrido que demonstram o fato de haver nos autos a comprovação da origem dos valores transacionados: Da leitura destes trechos – em conjunto com todas as provas e informações constantes dos autos, é forçoso concluir ser inquestionável que os representantes das subcontas Laurel e Sintel, de fato, exerciam a atividade de câmbio “paralelo”, isto é, a margem do sistema financeiro oficial brasileiro. As contas que geraram este lançamento eram utilizadas justamente para este fim. É de se concluir, portanto, que o montante lá movimentado pertenciam às pessoas que os contratavam para efetivar o cambio. Por isso que, se algum dinheiro movimentado pertencia a eles, este dinheiro corresponderia não à integralidade da movimentação, mas sim ao percentual que os mesmos cobravam em troca da realização das operações (o chamado “spread”). Tal entendimento está em consonância com diversos julgados deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, Acórdão nº 210200.329 (sessão de 23/09/2009), 210200.609 (Sessão de 14/05/2010) e nº 2101000.708 (sessão de 19/08/2010), dentre outros, que tiveram origem na mesma operação da Polícia Federal. Não tendo o lançamento levado em consideração este fator de extrema relevância, não pode ele prosperar, pois não se aperfeiçoou, no caso, a presunção a que alude o art. 42 da Lei nº 9.430/96, pois a fiscalização já sabia, pela documentação recebida dos inquéritos e processos judiciais, que a origem dos créditos estava relacionada com a atividade ilegal exercida pelos autuados. Caberia às autoridades fiscais ter efetuado o lançamento com o arbitramento da base de cálculo correspondente à remuneração auferida pelo recorrente, ou seja, da parcela que ele recebia a título de comissão pelo trabalho de cambio paralelo, realizado em conjunto com Jan Sidney Murachovsky. E conclui, fazendo menção aos princípio da verdade material que: O princípio da verdade material decorre do princípio da oficialidade: é do interesse da administração tributária que o Fl. 5824DF CARF MF 8 lançamento seja efetuado com base na verdade real. Em voto proferido no Acórdão nº 10247.457, o ilustre Conselheiro Naury Fragoso Tanaka faz as seguintes ponderações: (...) a verdade material deve sempre constituir objeto de busca pelo procedimento fiscal, mesmo nas situações em que a lei permite ao fisco obter o fato gerador por intermédio da ocorrência de outros que a ele estão ligados logicamente. (...) a busca da verdade material que se externa obrigatória pela ordem contida no artigo 142, do CTN, e para que, por utilização inadequada da base presuntiva, evitese formalização de créditos exorbitantes e em descompasso com aquele que realmente seria devido. Essa análise constitui passo obrigatório para evitar ofensas à capacidade contributiva e o enriquecimento ilícito da União em razão de eventual formalização de crédito tributário em descompasso com aquele efetivamente devido, caso desprezada essa investigação. À evidência de que a movimentação bancária resulta da venda de bens ou serviços – e a movimentação financeira diária, intensa e expressiva, denota tal ocorrência, pois será improvável que resulte de renda líquida a ser tributada – por força do princípio da verdade material e da tipicidade cerrada, deve o fisco verificar a efetiva renda percebida, para exigir o tributo em acordo com as normas específicas de tributação, consoante determina o § 2º do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Diante do exposto, havendo nos autos a comprovação da origem dos depósitos, consubstanciada na atividade de "doleiro" desempenhada pelo Recorrido e seu sócio, devese afastar a presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/96, razão pela qual, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Voto Vencedor Conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior, Redator designado Com a devida vênia, ouso discordar do posicionamento de mérito esposado pela nobre Relatora. A propósito da matéria em litígio (caracterização de omissão de rendimentos a partir de depósitos bancários de origem não comprovada), estabelece o art. 42 da Lei no 9.430, de 1996, verbis: Art.42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de Fl. 5825DF CARF MF Processo nº 19515.004193/200781 Acórdão n.º 9202005.325 CSRFT2 Fl. 5.822 9 investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais).(Vide Medida Provisória nº 1.5637, de 1997)(Vide Lei nº 9.481, de 1997) §4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. §5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) §6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) Quanto à aplicação do referido dispositivo, adoto posicionamento bastante restritivo no que diz respeito à comprovação capaz de elidir a aplicação da presunção, que, para tal fim, deve ser feita de forma individualizada, com correspondência de datas e valores e através de documentação hábil e idônea que comprove não só a procedência, mas a origem dos recursos, aqui abrangida sua natureza. Fl. 5826DF CARF MF 10 Mais detalhadamente a propósito, é cediço que, a partir de 1997, a Lei nº 9.430, de 27 de dezembro 1996, em seu art. 42 e parágrafos, estabeleceu uma presunção legal (g.n.) de omissão de rendimentos, autorizando o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprovasse, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. Do dispositivo acima, defluem: a) a força probatória de extratos onde constem créditos em contas titularizados pelo contribuinte, bem como, b) a nítida inversão do ônus da prova, característica das presunções legais, ou seja, o contribuinte titular da conta de depósito bancário é quem deve demonstrar a origem do numerário creditado (dos depósitos), sob pena da autoridade fiscal poder, com base na presunção legal, caracterizálos como renda tributável deste, que é o contribuinte legalmente determinado. Caberia ao autuado, na forma disposta pela Lei, refutar a presunção legal através de documentação hábil e idônea, pois a previsão legal em favor do Fisco transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação da origem de seus créditos bancários. Tratase, afinal, de presunção relativa passível de prova em contrário. No texto abaixo reproduzido, extraído de Imposto sobre a Renda – Pessoas Jurídicas – JUSTECRJ1979 pg. 806, José Luiz Bulhões Pedreira defende com muita clareza essa posição: “O efeito prático da presunção legal é inverter o ônus da prova: invocandoa, a autoridade lançadora fica dispensada de provar, no caso concreto, que ao negócio jurídico com as características descritas na lei corresponde, efetivamente, o fato econômico que a lei presume – cabendo ao contribuinte, para afastar a presunção (se é relativa) provar que o fato presumido não existe no caso.” Por comprovação de origem, aqui, há de se entender a apresentação de documentação hábil e idônea que possa identificar não só a fonte (procedência) do crédito, mas também a natureza do recebimento, a que título o beneficiário recebeu aquele valor, de modo a poder ser identificada a natureza da transação, se tributável ou não. Com a devida vênia aos que adotam entendimento diverso, entendo como incabível que se quisesse, a partir da edição do referido art. 42, se estabelecer o ônus para a autoridade fiscal de, uma vez identificada a fonte dos recursos creditados, sem que tenha restada comprovada sua natureza (se tributável/tributado ou não), provar que se tratavam de recursos tributáveis, afastandose, assim, a presunção através da mera identificação de procedência do fluxo financeiro. Ainda quanto à citada presunção, entendo, também, que decorre de disposição expressa do §3o. do art. 42 em questão a necessidade de se comprovar cada depósito de forma individualizada, vedado assim que se tente justificar determinado somatório de depósitos de forma genérica. Quanto à necessidade de coincidência de datas e valores, entendo que se deva, porém, fazer ressalva. Em meu entendimento, o que deve haver é uma correspondência (e não coincidência) unívoca entre cada depósito realizado e a respectiva documentaçãosuporte, hábil e idônea comprobatória de sua origem (abrangendo sua natureza), permitido, assim, haver divergência entre datas e valores dos documentos comprobatórios e dos depósitos realizados, Fl. 5827DF CARF MF Processo nº 19515.004193/200781 Acórdão n.º 9202005.325 CSRFT2 Fl. 5.823 11 mas somente, notese, no caso em que tal divergência seja devidamente esclarecida pelo autuado, também com base em suporte probatório hábil e idôneo. Assim, tanto quanto ao valor principal constante da documentaçãosuporte e àquele que compõe eventual diferença, necessária a anexação, pelo autuado, de elementos que comprovem que os recursos, provenientes da transação alegada como origem de recursos, transitaram pela contacorrente em questão. Exemplificando sob uma ótica prática, entendo que possa se aceitar que o valor da nota fiscal de determinada operação mercantil sirva como comprovação para depósito de valor mais elevado realizado posteriormente à transação, uma vez que se deva esta diferença a encargos pactuados pela dilação do prazo de pagamento, desde que, notese, reste devidamente comprovada a incidência de tais encargos e o pagamento de principal e encargos pelo devedor referente à transação na conta do credor. Incabível, assim, em meu entendimento, que a autoridade fiscal ou o julgador possa assumir que a não coincidência individual se deva a este ou àquele motivo, considerandose, aqui, o ônus da prova claramente estabelecido pelo dispositivo de forma a recair, in casu, sobre o contribuinte. Para o caso em questão, a partir da análise dos autos, verifico que: a) Inicialmente, de se ressaltar a existência de farto indício probatório, a meu ver suficientemente robusto a ponto de afastar qualquer alegação da movimentação objeto de autuação não pertencer ao autuado (rejeitandose, assim, aqui, a argumentação de ilegitimidade passiva constante de impugnação de efls. 185 a 190), uma vez que (vide efls. 144 a 148 e Anexos ao Volume I dos autos): a.1) O autuado foi, na forma de Laudos do Instituto Nacional de Criminalística anexados aos autos, identificado como um dos dois responsáveis pela movimentação das contas 31197, denominada SINKEL FINANCIAL S.A. e 311045, denominada LAUREL FINANCIAL LTD., tendo sido imputado a sua pessoa somente o valor de 50% da movimentação objeto de tributação em cada uma das contas; a.2) consoante declaração de efls. 142 a 144 o próprio autuado reconheceu que : Preencheu diversos documentos de abertura das referidas contascorrentes na BEACON HILL, tudo supostamente sob a orientação da Sra. Margarida Dias, de nacionalidade uruguaia; Estava, todavia, inscrito como procurador da BEACON HILL, sendo que, embora alegasse ter apenas as funções de conciliação bancária, a procuração que detinha de tais empresas lhe concediam poderes muito mais amplos; Eram suas as assinaturas apostas em cartões de assinatura da empresa BEACON HILL SERVICE Corp., bem como outras documentações da mesma empresa, tais como Contrato de Prestação de Serviço, bem como a assinatura aposta em documento encontrado nos arquivos da BEACON HILL em que assina como "Secretary of the Corporation" da LAUREL FINANCE LTD., não sabendo, porém, sequer identificar tal função; Fl. 5828DF CARF MF 12 Era sua a assinatura aposta em documento encontrado nos arquivos da BEACON HILL em que a LAUREL tem como endereço principal o Brasil, muito embora saliente que não é sua a letra dos escritos relativo ao endereço; Eram seus os manuscritos apostos em ficha de questionário de cliente, no qual consta que a LAUREL teria como endereço a Av. Angélica 1814, conj. 1004, São Paulo SP; Eram seus os manuscritos apostos em contratos de prestação de serviços relativos a SINKEL, muito embora algumas assinaturas apresentem pontos de divergência com a sua; Tinha conhecimento de todas as ordens de pagamento que lhe eram mandadas pela LAUREL e SINKEL em cópias, sendo o original encaminhado por tais empresas diretamente à BEACON HILL e que mesmo sabendo os valores das operações, precisava confirmar a efetivação das mesmas para efetuar sua atividade, alegadamente contábil; a.3) Há comunicação de 13/08/1998, encontrada nos arquivos da BEACON HILL, na qual o signatário confirma o recebimento do "Test Key" (senha) e de Tabela de Cálculo; b) A partir de tal cenário e, uma vez tendo sido regularmente o contribuinte intimado a comprovar a origem dos créditos em USD ocorridos nas referidas contas LAUREL e SINKEL, este se limitou a argumentar, sem qualquer documentação adicional, que se tratavam de recursos que não eram de sua titularidade, uma vez que lhe cabia tão somente a função de conciliação das referidas contas, sem, no entanto, carrear aos autos quaisquer elementos adicionais que pudessem comprovar: b.1) esta hipótese de se tratarem os recursos de titularidade de terceiros ou, b.2) conforme hipótese levantada pelo recorrido e adotada no voto vencido, de se tratarem de recursos relacionados à atividade comercial de "doleiro", supostamente exercida pelo autuado, cabendolhe assim tão somente a titularidade de parte da movimentação tributada. Diante de tal cenário fáticoprobatório, escorreita a aplicação da presunção contida no art. 42 da Lei no. 9.430, de 1996, sendo, assim, de se manter o lançamento efetuado em sua integralidade. Assim, a partir do acima disposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Fl. 5829DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12585.000190/2011-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005
DESCUMPRIMENTO DE PRAZO PARA APRECIAÇÃO. CONSEQUÊNCIAS.
A impossibilidade de observância do prazo estabelecido no art. 24 da Lei no 11.457(2007 no julgamento de processos administrativos fiscais não enseja nulidade de autuação/despacho decisório, nem aproveitamento tácito de crédito.
PROCESSO ADMINISTRATIVO. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI VIGENTE. VEDAÇÃO. SÚMULA CARF 2.
No processo administrativo, o julgador não tem competência para se manifestar sobre eventual alegação de inconstitucionalidade de lei vigente.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005
AQUISIÇÃO DE VEÍCULOS E AUTOPEÇAS PARA REVENDA. ALÍQUOTA ZERO. LEI N. 10.485/2002. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. VEDAÇÃO EXPRESSA EM LEI.
As aquisições de veículos e autopeças, tributados à alíquota zero, em função da Lei no 10.485/2002, para revenda, não geram créditos em função de expressa vedação nas leis de regência das contribuições (Lei no 10.637/2002 - Contribuição para o PIS/PASEP, e Lei no 10.833/2003 - COFINS), nos artigos 3o, I, b, combinados com os artigos 1o, § 2o, III e IV. E tal situação não foi alterada pela legislação superveniente: nem pelo art. 16 da Medida Provisória no 206/2004 (atual art. 17 da Lei no 11.033/2004) que somente esclareceu que o fato de a alíquota na venda ser zero não impede a manutenção do crédito (obviamente nas hipóteses em que ele já existia), nem pelo art. 16 da Lei no 11.116, de 18/05/2005, que apenas limitou temporalmente a utilização do saldo credor acumulado no trimestre.
Numero da decisão: 3401-003.521
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado.
(Assinado com certificado digital)
ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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CONSEQUÊNCIAS. A impossibilidade de observância do prazo estabelecido no art. 24 da Lei no 11.457/2007 no julgamento de processos administrativos fiscais não enseja nulidade de autuação/despacho decisório, nem aproveitamento tácito de crédito. PROCESSO ADMINISTRATIVO. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI VIGENTE. VEDAÇÃO. SÚMULA CARF 2. No processo administrativo, o julgador não tem competência para se manifestar sobre eventual alegação de inconstitucionalidade de lei vigente. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 AQUISIÇÃO DE VEÍCULOS E AUTOPEÇAS PARA REVENDA. ALÍQUOTA ZERO. LEI N. 10.485/2002. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. VEDAÇÃO EXPRESSA EM LEI. As aquisições de veículos e autopeças, tributados à alíquota zero, em função da Lei no 10.485/2002, para revenda, não geram créditos em função de expressa vedação nas leis de regência das contribuições (Lei no 10.637/2002 Contribuição para o PIS/PASEP, e Lei no 10.833/2003 COFINS), nos artigos 3o, I, “b”, combinados com os artigos 1o, § 2o, III e IV. E tal situação não foi alterada pela legislação superveniente: nem pelo art. 16 da Medida Provisória no 206/2004 (atual art. 17 da Lei no 11.033/2004) que somente esclareceu que o fato de a alíquota na venda ser zero não impede a manutenção do crédito (obviamente nas hipóteses em que ele já existia), nem AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 58 5. 00 01 90 /2 01 1- 81 Fl. 193DF CARF MF Processo nº 12585.000190/201181 Acórdão n.º 3401003.521 S3C4T1 Fl. 3 2 pelo art. 16 da Lei no 11.116, de 18/05/2005, que apenas limitou temporalmente a utilização do saldo credor acumulado no trimestre. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. (Assinado com certificado digital) ROSALDO TREVISAN – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Relatório Versa o presente sobre Pedido de Ressarcimento de crédito referente a contribuição nãocumulativa, versando sobre receitas tributadas à alíquota zero, de incidência monofásica (revenda de veículos e autopeças), com fundamento no artigo 17 da Lei no 11.033/2004. O pedido foi indeferido em Despacho Decisório, por haver expressa vedação legal à tomada de créditos, no caso (artigo 3o, I, ”b”, c/c artigo 2o, § 1o, III e IV das Leis no 10.637/2002 e no 10.833/2003, e Lei no 10.485/2002, que trata da incidência monofásica, para veículos e autopeças, com alíquota zero para as receitas apuradas), e por tratar o artigo 17 da Lei no 11.033/2004 de manutenção de créditos existentes, e não de criação de créditos novos. Ciente do despacho, a empresa apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que: (a) está sujeita à tributação das contribuições nos termos da Lei no 9.718/1998; (b) com a edição da Lei no 10.485/2002, houve a pretensão de se criar uma tributação chamada supostamente de “monofásica”, que objetivou atribuir, para a cadeia produtiva automobilista, uma alíquota elevada para um elo (indústria/importador), e alíquota zero para os demais elos, gerando equívocos de interpretação; (c) na veiculação das leis de regência das contribuições não cumulativas (Lei no 10.637/2002 e Lei no 10.833/2003), foi mantida a sistemática anterior (Lei no 10.485/2002), e restou vedada a possibilidade de tomada de créditos; (d) a situação desigual foi corrigida na Medida Provisória no 206, de 09/08/2004 (no art. 16), posteriormente convertida na Lei no 11.033, de 22/12/2004 (art. 17), que foi alastrada à Instrução Normativa SRF no 594/2005 (art. 38); (e) não há qualquer norma de PIS/COFINS que tenha previsão de tributação monofásica (com incidência em uma fase e nãoincidência em todas as demais) para os produtos da empresa, sendo juridicamente vazia qualquer tentativa de retirála do campo da não cumulatividade (com alíquota zero, que pode, em tese, ser majorada), baseado em suposição que existe uma “monofasia” na sua cadeia produtiva; (f) o creditamento das contribuições, por utilizar o método subtrativo indireto, independe de quanto foi, ou sequer se houve, tributação na cadeia anterior, ou mesmo se o elo Fl. 194DF CARF MF Processo nº 12585.000190/201181 Acórdão n.º 3401003.521 S3C4T1 Fl. 4 3 anterior estava no regime da não cumulatividade; (g) negar o direito ao crédito, no caso, ofende não apenas a legalidade estrita, mas a não cumulatividade, a moralidade e a segurança jurídica, pois não se coadunava com a sistemática constitucional a anterior vedação de tomar créditos, o que ficou afastado a partir do art. 17 da Lei no 11.033/2004 (confirmado pelo art. 16 da Lei no 11.116/2005); (h) o art. 17 da Lei no 11.033/2004 é especial e não geral, e se destina exatamente aos casos que tinham vedação expressa nas leis de regência das contribuições, porque os demais não precisavam, justamente porque não estavam vedados, então o creditamento era tranquilo, aceito pelo próprio fisco; (i) outro reforço à tese que permite o direito de crédito foi a revogação, pela Lei no 11.727/2008, do inciso IV do § 3o do art. 1o, entre outros, das leis de regência das contribuições; e (j) quando o legislador desejou excluir a aplicação do art. 17 da Lei no 11.033/2004 ele o fez expressamente, como nas Medidas Provisórias no 413/2008 e no 451/2008, nenhuma delas convertida em lei no que se refere a tais dispositivos. A empresa apresenta, posteriormente, nova manifestação, no sentido de que sequer seria necessária a análise de mérito de seus argumentos de defesa, em face do reconhecimento tácito do direito. No julgamento de primeira instância, a DRJ decidiu, unanimemente, pela improcedência da manifestação de inconformidade, sob os seguintes fundamentos: (a) o prazo de cinco anos para o pronunciamento da autoridade administrativa diz respeito apenas à compensação declarada pelo contribuinte, não se aplicando aos casos de restituição e/ou ressarcimento o reconhecimento tácito do direito dos créditos pleiteados; (b) a Lei no 10.485/2002 concentrou a tributação nas pessoas dos fabricantes e importadores de máquinas, veículos e autopeças, sendo denominada de tributação monofásica ou concentrada, sendo as receitas de venda obtidas pelas concessionárias desoneradas com a aplicação da alíquota zero; (c) as leis de regência das contribuições, ao criarem o sistema da não cumulatividade, excluíram da novel sistemática determinadas receitas, cuja apuração deveria ser realizada nos termos da legislação anterior, entre estas a que concentrava a tributação monofásica (Lei no 10.485/2002), sendo expressamente vedado o direito ao crédito em tais aquisições (art. 3o, I das leis de regência); (d) o art. 17 da Lei no 11.033/2004, não ampara o creditamento das contribuições, com base na sistemática da não cumulatividade, pelas revendedoras de veículos automotores, em decorrência da vedação legal expressa, que persiste, para o aproveitamento do crédito nas vendas submetidas à incidência monofásica, desde a sua definição; e (e) a tributação monofásica não se confunde com a apuração cumulativa, tendo a tributação monofásica também natureza não cumulativa, quando a pessoa jurídica está submetida ao regime de apuração não cumulativa das contribuições, como é o caso dos autos, o que lhe permite o aproveitamento de créditos, inerente ao regime da não cumulatividade, mas somente em relação aos créditos que são passíveis de utilização, como energia elétrica, aluguéis, depreciação, e não em relação aos créditos expressamente vedados, os referentes a veículos e autopeças adquiridos para revenda. Tendo ciência da decisão da DRJ, a empresa apresenta recurso voluntário, alegando que: (a) o prazo para decidir os processos de restituição não é eterno, como defendeu a DRJ, e está sujeito aos ditames do artigo 74 da Lei no 9.430/1996, além de dever respeito ao prazo de 360 dias (cf. artigo 24 da Lei no 11.457/2007), consolidado pelo STJ na sistemática dos recursos repetitivos, no REsp no 1.138.206/RS; (b) a empresa está sujeita ao regime da não cumulatividade, e adquire produtos com alíquota zero (e não com monofasia), tendo sido a vedação existente nas leis de regência das contribuições revista no artigo 17 da Lei no 11.033/2004 (norma multitemática), endossado pelo artigo 16 da Lei no 11.116/2005; (c) Fl. 195DF CARF MF Processo nº 12585.000190/201181 Acórdão n.º 3401003.521 S3C4T1 Fl. 5 4 quando a lei nova altera a situação legal, ela deve ressalvar os casos que permanecem na dicção antiga (como se tentou fazer, por duas vezes, em relação ao o artigo 17 da Lei no 11.033/2004, que é norma específica aos casos para os quais havia vedação ao creditamento); e (d) o direito de crédito é coerente com a técnica de não cumulatividade para as contribuições (método indireto subtrativo), e independe de haver tributação na etapa anterior. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401003.517, de 25 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 12585.000182/201135, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401003.517): "O recurso voluntário atende os requisitos de admissibilidade, pelo que dele se toma conhecimento. Dos prazos para a Administração se manifestar sobre pedidos de restituição/ressarcimento e da consequência pelo descumprimento Na peça apresentada em complemento a sua manifestação de inconformidade, a recorrente sustentou que seria de cinco anos o prazo máximo para análise de seu pedido, sob pena de atendimento tácito, com fundamento no § 5o do artigo 74 da Lei no 9.430/1996. O PER em análise, recordese, foi transmitido em 30/04/2008. E a DRJ, ainda que sequer tenha verificado a efetiva data de ciência do despacho decisório (15/02/2013, cf. fl. 92), que foi equivocadamente informada pela recorrente como sendo 02/07/2013, resultando na contagem incorreta do prazo, respondeu acertadamente que o prazo a que se refere o § 5o do artigo 74 da Lei no 9.430/1996 se refere a homologação tácita de compensações, e não a restituição/ressarcimento delas desacompanhado. Aliás, tal conclusão deriva da simples leitura da norma: “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (...) Fl. 196DF CARF MF Processo nº 12585.000190/201181 Acórdão n.º 3401003.521 S3C4T1 Fl. 6 5 § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação.” (grifo nosso) Inaplicável, assim, o comando legal invocado ao caso em análise neste processo. Adicionese que a mesma questão, referente à mesma empresa, e abrangendo as contribuições no ano de 2004, entre outros, foi submetida à Segunda Turma desta Quarta Câmara, tendo o colegiado chegado a conclusão unânime sobre a matéria: “GLOSA DE CRÉDITOS. AUTO DE INFRAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INAPLICABILIDADE. A homologação tácita, prevista no art. 73, § 5o, da Lei no 9.430/1996, limitase às compensações formalizadas em Dcomp, não atingindo o direito de a Fiscalização, em procedimento autônomo, examinar a existência dos créditos e glosar, mediante auto de infração, aqueles para os quais não haja suficiente comprovação. (Acórdão no 3402 003.660, Rel. Cons. Jorge Olmiro Lock Freire, unânime, sessão de 13 dez. 2016)” No recurso voluntário, a empresa adiciona o argumento de que lhe favorece, no presente caso, a decisão do STJ, na sistemática dos recursos repetitivos (REsp no 1.138.206/RS), no sentido de que se aplica ao processo administrativo tributário o disposto no artigo 24 da Lei no 11.457/2007, que estabelece o prazo de 360 dias para as decisões administrativas: “Art. 24. É obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte.” É cediço que o comando legal indicado inserese em um contexto que busca dotar de maior celeridade o processo administrativo, em consonância com os princípios constitucionais que regem a matéria. Contudo, é preciso reconhecer que não atribuiu o legislador consequência (v.g., reconhecimento tácito do crédito, como demanda a recorrente) ao processo em desacordo com o comando. E poderia têlo feito, se o desejasse, visto que a mesma Lei no 11.457/2007 promove alterações ao Decreto no 70.235/1972, que disciplina o processo administrativo fiscal. Neste Decreto é que se arrolam, por exemplo, as causas de nulidade (art. 59). Também é sabido que no processo há prazos próprios e impróprios, e que estes não acarretam consequências processuais, embora possam ensejar discussões sobre responsabilização funcional, caso o retardo não seja justificável. Vejase, a título ilustrativo, o art. 226 do novo Código de Processo Civil – CPC (artigo 189 do antigo CPC), que também tem por escopo a celeridade nos julgados: “Art. 226. O juiz proferirá: Fl. 197DF CARF MF Processo nº 12585.000190/201181 Acórdão n.º 3401003.521 S3C4T1 Fl. 7 6 I os despachos no prazo de 5 (cinco) dias; II as decisões interlocutórias no prazo de 10 (dez) dias; III as sentenças no prazo de 30 (trinta) dias.” Embora se possa entender o objetivo do artigo, afigurase irrazoável dele deduzir que um processo com decisão judicial proferida após trinta dias seria, por exemplo objeto de nulidade, ou subtração de custas ou atualizações, ou ainda reconhecimento de direitos de crédito. No mesmo sentido as observações em relação ao art. 24 da Lei no 11.457/2007. Ademais, o art. 24 da Lei no 11.457/2007 possuía dois parágrafos que foram vetados pelo Poder Executivo (veto mantido). Um deles exatamente porque atribuía efeitos ao processo no caso de descumprimento (o § 2o dispunha que “haverá interrupção do prazo, pelo período máximo de 120 dias, quando necessária à produção de diligências administrativas, que deverá ser realizada no máximo em igual prazo, sob pena de seus resultados serem presumidos favoráveis ao contribuinte”). Na mensagem no 140, de 16/3/2007, são esclarecidas as razões do veto presidencial, proposto pelos Ministérios da Fazenda e da Justiça: “Razões do veto “Como se sabe, vigora no Brasil o princípio da unidade de jurisdição previsto no art. 5o, inciso XXXV, da Constituição Federal. Não obstante, a esfera administrativa tem se constituído em via de solução de conflitos de interesse, desafogando o Poder Judiciário, e nela também são observados os princípios do contraditório e da ampla defesa, razão pela qual a análise do processo requer tempo razoável de duração em virtude do alto grau de complexidade das matérias analisadas, especialmente as de natureza tributária. Ademais, observase que o dispositivo não dispõe somente sobre os processos que se encontram no âmbito do contencioso administrativo, e sim sobre todos os procedimentos administrativos, o que, sem dúvida, comprometerá sua solução por parte da administração, obrigada a justificativas, fundamentações e despachos motivadores da necessidade de dilação de prazo para sua apreciação. Por seu lado, devese lembrar que, no julgamento de processo administrativo, a diligência pode ser solicitada tanto pelo contribuinte como pelo julgador para firmar sua convicção. Assim, a determinação de que os resultados de diligência serão presumidos favoráveis ao contribuinte em não sendo essa realizada no prazo de cento e vinte dias é passível de induzir comportamento não desejável por parte do contribuinte, o que poderá fazer com que o órgão julgador deixe de deferir ou até de solicitar diligência, em razão das consequências de sua não realização. Ao final, o prejudicado poderá ser o próprio contribuinte, pois o julgamento poderá ser levado a efeito sem os esclarecimentos necessários à adequada apreciação da matéria.” Fl. 198DF CARF MF Processo nº 12585.000190/201181 Acórdão n.º 3401003.521 S3C4T1 Fl. 8 7 Derradeiramente, não devemos confundir a celeridade procedimental com a duração razoável do processo (ambas garantidas pelo Texto Constitucional): “Embora seja difícil conceituar precisamente a noção de razoável duração do processo, percebese que tal conceito não está relacionado única e exclusivamente ao “processo rápido” propriamente dito. O processo deve ser rápido o suficiente para dar a resposta apropriada à lide, porém adequadamente longo para garantir a segurança jurídica da demanda. Por tal motivo, o princípio da razoável duração do processo é dúplice, pois tanto a abreviação indevida como o alongamento excessivo são potencialmente danosos ao indivíduo.” 1 Improcedente, assim, o pleito no sentido de atribuição de efeitos à inobservância do prazo estabelecido no art. 24 da Lei no 11.457/2007. Reparese que nem a norma e nem o julgado na sistemática dos recursos repetitivos (REsp no 1.138.206/RS) objetivam as consequências da inobservância, como deseja a recorrente. Nesse sentido já me manifestei em processos julgados neste tribunal, sempre com acolhida unânime da turma: DESCUMPRIMENTO DE PRAZO PARA JULGAMENTO. CONSEQUÊNCIAS. A impossibilidade de observância do prazo estabelecido no art. 24 da Lei n. 11.457/2007 no julgamento de processos administrativos fiscais não enseja nulidade, nem diminuição dos consectários legais do crédito tributário. (Acórdão no 3403002.782, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, sessão de 25 fev. 2014) NULIDADE. DESCUMPRIMENTO DE PRAZO PARA JULGAMENTO. A impossibilidade de observância do prazo estabelecido no art. 24 da Lei n. 11.457/2007 no julgamento de processos administrativos fiscais não enseja nulidade. (Acórdão no 3403002.746, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, sessão de 30 jan. 2014) NULIDADE. DESCUMPRIMENTO DE PRAZO PARA JULGAMENTO. A impossibilidade de observância do prazo estabelecido no art. 24 da Lei n. 11.457/2007 no julgamento de processos administrativos fiscais não enseja nulidade. (Acórdão no 3403002.374, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, sessão de 24 jul. 2013) Portanto, não merecem prosperar as alegações de defesa no que se refere a prazos para a Administração se manifestar sobre pedidos de restituição/ressarcimento, ensejando consequências pelo descumprimento. Das considerações preliminares sobre o cerne do contencioso 1 MARINS, James. Direito Processual Tributário Brasileiro (Administrativo e Judicial). 8.ed. São Paulo: Dialética, 2015, p.194195. Fl. 199DF CARF MF Processo nº 12585.000190/201181 Acórdão n.º 3401003.521 S3C4T1 Fl. 9 8 Antes de se ingressar, propriamente, nas matérias contenciosas, há que se registrar o que é inconteste, no presente processo. Tanto a recorrente quanto a fiscalização acordam que as operações para as quais se demanda crédito são aquisições de veículos e autopeças, tributados à alíquota zero, em função da Lei no 10.485/2002, para revenda. E ambas também reconhecem que o direito de crédito foi expressamente vedado pelas leis de regência das contribuições (Lei no 10.637/2002 Contribuição para o PIS/PASEP, e Lei no 10.833/2003 – COFINS), nos artigos 3o, I, “b”, combinados com os artigos 1o, § 2o, III e IV: “Art. 2o Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento): (...) § 1o Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (...) III no art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; IV no inciso II do art. 3o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, de autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (...) Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (...) b no § 1o do art. 2o desta Lei.” (grifo nosso) Não há nenhuma controvérsia, nos autos, como exposto, sobre estarem as aquisições inseridas no contexto da Lei no 10.485/2002, e sobre haver a vedação nas leis de regência. Tampouco há divergência sobre o fato de que as contribuições em apreço são não cumulativas. Antes do advento da Medida Provisória no 206, de 09/08/2004, posteriormente convertida na Lei no 11.033, de 22/12/2004, então, o único inconformismo manifestado pela recorrente se refere a eventual incompatibilidade das restrições com o mecanismo inerente à não cumulatividade das contribuições, ou com princípios constitucionais. Fl. 200DF CARF MF Processo nº 12585.000190/201181 Acórdão n.º 3401003.521 S3C4T1 Fl. 10 9 No que se refere a tal inconformismo, é de se destacar, preliminarmente, que a Constituição não assegura nãocumulatividade irrestrita ou ilimitada. E sequer diz que a lei fixará os casos de cumulatividade, sendo a contrário senso os demais casos de não cumulatividade. O texto constitucional permite à lei definir exatamente os setores para os quais operará a nãocumulatividade. E também não dispõe que para tais setores a nãocumulatividade será irrestrita ou ilimitada. É nesse contexto que surgem os dispositivos legais que regem as contribuições nãocumulativas, basicamente as Leis no 10.637/2002 (Contribuição para o PIS/PASEP) e no 10.833/2003 (COFINS), que limitam/restringem a nãocumulatividade referida no texto constitucional. Portanto, o simples fato de apurarse a contribuição pela sistemática nãocumulativa não garante à empresa créditos em relação a quaisquer operações, mas somente àquelas para as quais exista previsão legal de amparo, e não estejam contempladas em vedações nas leis de regência. Sobre a afronta a princípios constitucionais por norma legal vigente, não cabe manifestação desta corte administrativa, em função da Súmula CARF no 2: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Basta, assim, que sejam examinadas administrativamente as normas legais vigentes, assumidas como constitucionais (salvo em caso de expressa declaração de inconstitucionalidade pelo juízo competente). É essa tarefa que se empreende a seguir, com especial destaque para o cerne da controvérsia, que se refere à natureza do comando presente no artigo 17 da Lei no 11.033/2004. Da natureza do comando presente no artigo 17 da Lei no 11.033/2004 No próprio despacho decisório, destaca a autoridade fiscal que o artigo 17 da Lei no 11.033/2004 trata de manutenção de créditos existentes, e não de criação de créditos novos. Por outro lado, a recorrente dispõe que a Medida Provisória no 206, de 09/08/2004 (no art. 16), posteriormente convertida na Lei no 11.033, de 22/12/2004 (art. 17), alastrada à Instrução Normativa SRF no 594/2005 (art. 38), veio a corrigir situação desigual entre os diferentes elos da cadeia produtiva automobilística, que, de fato, não é monofásica, mas com um dos elos sujeitos à alíquota zero. Sobre o correto emprego do termo “monofásico”, é de se informar que a legislação aqui já transcrita não se preocupou efetivamente em definilo, precisamente, mas expressamente estabeleceu vedação ao desconto de créditos em relação a determinadas situações (sejam elas ou não “monofásicas”, na acepção restrita do termo, defendida pela recorrente) previstas em lei, entre as quais a Lei no 10.485/2002, na qual indiscutivelmente se enquadram as operações da recorrente. Fl. 201DF CARF MF Processo nº 12585.000190/201181 Acórdão n.º 3401003.521 S3C4T1 Fl. 11 10 Assim, é irrelevante ao deslinde do presente contencioso a discordância terminológica, visto que as menções da lei não são simplesmente a operações monofásicas, mas a operações expressamente previstas em determinadas leis, entre as quais aquela na qual se enquadra a situação da operação realizada pela recorrente. Aliás, o termo “monofásica” aparece uma única vez na Lei no 10.833/2003, no artigo 12, § 7o (que trata do desconto correspondente ao estoque de abertura). E basta a leitura de tal parágrafo para que se perceba que o legislador não teve a mesma visão restritiva do termo albergada pela recorrente: “§ 7o O disposto neste artigo aplicase, também, aos estoques de produtos que não geraram crédito na aquisição, em decorrência do disposto nos §§ 7o a 9o do art. 3o desta Lei, destinados à fabricação dos produtos de que tratam as Leis nos 9.990, de 21 de julho de 2000, 10.147, de 21 de dezembro de 2000, 10.485, de 3 de julho de 2002, e 10.560, de 13 de novembro de 2002, ou quaisquer outros submetidos à incidência monofásica da contribuição.” (grifo nosso) Portanto, as discussões suscitadas pela recorrente em relação a monofasia, ou à sistemática de apuração das contribuições, assumem reduzida importância diante dos textos expressos dos comandos legais, que indiscutivelmente vedavam o desconto de créditos para as operações em análise, textos legais esses que não podem ser afastados pelo julgador administrativo em função de eventuais inconstitucionalidades apontadas pela empresa, como aqui já destacado. Resta, assim, à defesa, um único argumento que não esbarraria na discussão sobre a constitucionalidade das vedações existentes, de que teria a Lei no 11.033/2004, resultante da conversão da Medida Provisória no 206/2004, efetivamente criado uma nova hipótese de desconto de crédito, derrogando a existente nas leis de regência das contribuições. Sobre a alegação, cabe salientar que, em 09/08/2004 foi publicada a Medida Provisória no 206/2004 (vigente a partir de 09/08/2004), que, em seu art. 16, dispôs:2 “Art. 16. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou nãoincidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações.” A Exposição de Motivos da Medida Provisória (EM No 00111/2004 MF) parece não deixar dúvidas sobre o caráter declaratório (e não constitutivo) do comando: “19. As disposições do art. 16 visam esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS.”(sic) (grifo nosso) 2 Com a conversão da Medida Provisória no 206/2004 na Lei no 11.033/2004, o comando passou a figurar no art. 17 da lei, com idêntico teor. Fl. 202DF CARF MF Processo nº 12585.000190/201181 Acórdão n.º 3401003.521 S3C4T1 Fl. 12 11 Não se cria obrigação, assim, com o art. 16, nem se derroga eventual vedação existente nas leis de regência das contribuições. Apenas se garante a “manutenção” (palavra essa que já sugere o caráter interpretativo do comando) dos créditos vinculados, já se destacando que a “manutenção” do crédito pressupõe a prévia existência do direito ao crédito. E isso decorre claramente da conclusão lógica/semântica de que é impossível “manter” aquilo que não se tem. E, com a publicação da Lei no 11.116, de 18/05/2005 (vigente a partir de 19/05/2005), também não há revogação de vedação ou alteração substancial no direito de crédito previsto nas leis de regência das contribuições. Já enfrentamos o tema em mais de uma oportunidade, chegando a entendimento consolidado no sentido de que: “Sintetizando nosso entendimento: é possível a apuração de créditos previstos nas Leis no 10.637/2002 e no 10.833/2003 em relação a insumos tributados na aquisição (ainda que a saída do produto final esteja sujeita a alíquota zero), cabendo apenas observar se tal direito de crédito não encontra óbice nas vedações estabelecidas no corpo das próprias leis (v.g. inciso II do § 2o do art. 3o). E tal situação não foi alterada pela legislação superveniente: nem pelo art. 16 da Medida Provisória no 206/2004 (atual art. 17 da Lei no 11.033/2004), que somente esclareceu que o fato de a alíquota na venda ser zero não impede a manutenção do crédito (obviamente nas hipóteses em que ele já existia), nem pelo art. 16 da Lei no 11.116, de 18/05/2005, que apenas limitou temporalmente a utilização do saldocredor acumulado no trimestre.” (grifo nosso) (Acórdão no 3403003.488, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação ao entendimento em apreço, sessão de 27 jan. 2015) No mesmo sentido, de que não houve revogação de vedação a direito de crédito existente nas leis de regência pela Lei no 11.033/2004, em casos de revendedora de veículos e autopeças, já decidiu unanimemente este tribunal administrativo: “COFINS. TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. REVENDEDORA DE VEÍCULOS. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. A aquisição de máquinas e veículos relacionados no art. 1º da Lei 10.485/02, para revenda, quando feita por comerciantes atacadistas ou varejistas desses produtos, não gera direito a crédito do PIS e da Cofins,, dada a expressa vedação, consoante o art. 3o , inciso I, alínea "b”” das Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03, respectivamente. A previsão contida no art. 17 da Lei n° 11.033/04 tratase de regra geral não se aplicando nos casos de tributação monofásica por força da referida vedação legal.” (grifo nosso) (Acórdãos n. 3801004.111 a 139, todos unânimes, Rel. Cons. Marcos Antonio Borges, sessão de 19 ago. 2014) “DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA COM ALÍQUOTA ZERO NAS OPERAÇÕES DE REVENDA. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO NOS TERMOS DO ART. 17 DA LEI 11.033/2004. Os artigos 2º, Fl. 203DF CARF MF Processo nº 12585.000190/201181 Acórdão n.º 3401003.521 S3C4T1 Fl. 13 12 parágrafo 1º, VIII e 3º, I, b, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003 vedam expressamente o direito ao creditamento das referidas contribuições em relação a bebidas adquiridas para revenda. O benefício contido no artigo 17 da Lei 11.033, de 2004, de que o vendedor tem direito a créditos vinculados às vendas efetuadas com alíquota zero do PIS e COFINS, não se aplica no caso de os bens adquiridos não estarem sujeitos ao pagamento das contribuições.” (Acórdão n. 3302002.272, unânime, Rel. Cons. Gileno Gurjão Barreto, sessão de 21 ago. 2013) Em síntese, a falta de uniformidade sobre o que se designa exatamente como “monofásico” é absolutamente marginal diante das vedações, que remetem a dispositivos legais, e não à “monofasia”, em geral. E a Lei no 11.033/2004 não afetou a vigência de tais vedações, previstas nas leis de regência das contribuições. Não socorre a recorrente, a nosso ver, então, a tese de que a Lei no 11.033/2004 teria revogado dispositivos legais que vedavam o aproveitamento de créditos, nas leis de regência das contribuições. A Lei no 11.033/2004 não traz disposição “mais específica” que as constantes nas leis de regência, mas disciplina adicional a elas, com caráter explicativo, e não derrogador de disposição legal expressa, não sendo difícil concluir que a palavra “manterão”, nem de longe, parece ter o condão de transformar vedação expressa em permissão. Derradeiramente, adicionese que as disposições constantes em medidas provisórias diversas, e que não foram convertidas em lei, relacionadas pela recorrente, não se prestam a formar conclusões a contrário senso. O complexo processo que leva à não conversão de medidas provisórias em lei (de concordância parcial, discordância, desnecessidade, irrelevância, inadequação redacional, entre outros) não pode ser simploriamente resumido à conclusão de que cada comando da MP não convertida em lei deveria ser interpretado como comando legal vigente com a redação oposta. Destarte, são totalmente improcedentes as alegações de defesa. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário apresentado." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário apresentado. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 204DF CARF MF
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Numero do processo: 13888.901476/2014-87
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Jun 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jul 14 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 23/12/2008
NULIDADE. AUSÊNCIA. MOTIVAÇÃO EXISTENTE NO DESPACHO DECISÓRIO. INOCORRÊNCIA DO CERCEAMENTO DE DEFESA.
É incabível a argüição de nulidade do despacho decisório por cerceamento de defesa quando presente a motivação para o indeferimento do pedido de compensação.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA
Incumbe à interessada o ônus processual de provar o direito resistido.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.465
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE DIREITO DE CRÉDITO. Recorrente FISCHER INDÚSTRIA MECÂNICA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 23/12/2008 NULIDADE. AUSÊNCIA. MOTIVAÇÃO EXISTENTE NO DESPACHO DECISÓRIO. INOCORRÊNCIA DO CERCEAMENTO DE DEFESA. É incabível a argüição de nulidade do despacho decisório por cerceamento de defesa quando presente a motivação para o indeferimento do pedido de compensação. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA Incumbe à interessada o ônus processual de provar o direito resistido. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 14 76 /2 01 4- 87 Fl. 53DF CARF MF Processo nº 13888.901476/201487 Acórdão n.º 3302004.465 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de declaração de compensação, não homologada em razão de o DARF informado na Dcomp ter sido utilizado para quitar outros débitos da recorrente, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP, conforme despacho decisório constante nos autos. Em manifestação de inconformidade, a recorrente alegou que: 1. O despacho decisório é nulo, pois sem maiores esclarecimentos, indeferiu a compensação sem se dar ao trabalho de intimar a recorrente para esclarecer os fatos, considerando o pagamento indisponível, sem motivar o porquê da indisponibilidade, causando cerceamento de defesa por ausência de motivação; 2. O despacho deveria explicar o significado da expressão "disponibilidade do crédito", pois o que parece à recorrente é que se trata de encontro de contas entre o débito recolhido mediante DARF e o crédito declarado em DCTF; 3. No mérito, a recorrente defendeu que incluiu na base de cálculo do IPI não somente receitas de faturamento, mas também outras que não compuseram o faturamento, conforme teses abarcadas pelo STF sobre a ampliação do conceito de faturamento, tendo o pedido como base a declaração de inconstitucionalidade, em consonância com o disposto na Lei nº 9.430/1996; 4. Necessária a produção posterior de provas, uma vez que, de acordo com o artigo 16 do Decreto nº 70.235/1972, não foi possível à recorrente entender a motivação do indeferimento do despacho, razão pela qual não produziu as provas na impugnação. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 14055.547. O fundamento adotado, em síntese, foi a inexistência de nulidade e a necessidade de comprovação pelo contribuinte do direito creditório pretendido. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reiterando as razões aduzidas na impugnação, quanto à falta de motivação do despacho decisório, da decisão da DRJ, causando cerceamento de defesa. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.452, de Fl. 54DF CARF MF Processo nº 13888.901476/201487 Acórdão n.º 3302004.465 S3C3T2 Fl. 4 3 30 de junho de 2017, proferido no julgamento do processo 13888.900063/201485, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.452): O recurso voluntário interposto atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. A recorrente alega apenas nulidades em seu recurso voluntário, nada referindo ao mérito, como fizera em manifestação de inconformidade. Concernente à nulidade do despacho, está claro que o indeferimento foi causado pela indisponibilidade do valor pleiteado pela recorrente, referente ao DARF de julho/2008 uma vez que fora utilizado no PA de julho/2008, conforme e fls. 38, não restando assim saldo disponível, restando evidente a motivação do indeferimento. Em manifestação, a recorrente alegou, no mérito, que se tratava de erro na base de cálculo do IPI, em razão de a tese do alargamento da base de cálculo ter sido declarada inconstitucional pelo STF. Inicialmente, esclareçase que a matéria de direito, superficialmente levantada pela recorrente em sua manifestação, se referia à PIS/Pasep e Cofins faturamento, pelo que se pode depreender, não se aplicando ao IPI, cujos fatos geradores estavam dispostos no artigo 341 do Decreto nº 4.544/2002 (vigente à época dos fatos) e não referiam a faturamento, mas a saídas dos estabelecimentos industriais, ou equiparados a industrial, e ao desembaraço aduaneiro de produto de procedência estrangeira. Quanto à alegação de nulidade da decisão da DRJ, não há reparos a se fazer na decisão que já havia exposto a motivação do despacho, acrescentando que caberia à recorrente a produção de prova de eventual pagamento indevido ou a maior que devido. O procedimento correto a ser tomado pela recorrente seria a retificação da DCTF, gerando assim um saldo credor, ou, na fase de manifestação de inconformidade, ter apresentado as provas de seu direito, como preceitua o artigo 16 do Decreto nº 70.235/1972 e o artigo 333 da Lei nº 5.869/1973 (antigo CPC) vigente à época dos fatos. Ocorre que a recorrente não se desincumbiu de tal ônus, restando não comprovadas suas alegações. Diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário. Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, em razão do pagamento indevido ou a maior de Imposto sobre Produtos Industrializados IPI. 1 Art. 34. Fato gerador do imposto é (Lei nº 4.502, de 1964, art. 2º): I o desembaraço aduaneiro de produto de procedência estrangeira; ou II a saída de produto do estabelecimento industrial, ou equiparado a industrial. Fl. 55DF CARF MF Processo nº 13888.901476/201487 Acórdão n.º 3302004.465 S3C3T2 Fl. 5 4 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 56DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.900249/2014-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 23/12/2011
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE IPI PAGOS INDEVIDAMENTE OU A MAIOR COM DÉBITOS DA COFINS. AUSÊNCIA DE PROVAS DO CONTRIBUINTE. ÔNUS QUE LHE INCUMBE. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Contribuinte que pede compensação, instruindo seu pedido com a DCOMP; sobrevindo decisão dizendo que não há mais créditos a serem aproveitados tem o dever de provar a sua existência por outros meios, dentre outros, por intermédio de DARF, DCTF, Livro de Apuração e Registro do IPI, mas não o fez.
Numero da decisão: 3401-003.657
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado.
ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Augusto Fiel Jorge O'Oliveira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos (relator) e Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Augusto Fiel Jorge O'Oliveira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos (relator) e Tiago Guerra Machado.
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CRÉDITOS DE IPI PAGOS INDEVIDAMENTE OU A MAIOR COM DÉBITOS DA COFINS. AUSÊNCIA DE PROVAS DO CONTRIBUINTE. ÔNUS QUE LHE INCUMBE. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Contribuinte que pede compensação, instruindo seu pedido com a DCOMP; sobrevindo decisão dizendo que não há mais créditos a serem aproveitados tem o dever de provar a sua existência por outros meios, dentre outros, por intermédio de DARF, DCTF, Livro de Apuração e Registro do IPI, mas não o fez. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Augusto Fiel Jorge O'Oliveira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos (relator) e Tiago Guerra Machado. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 02 49 /2 01 4- 34 Fl. 63DF CARF MF Processo nº 13888.900249/201434 Acórdão n.º 3401003.657 S3C4T1 Fl. 3 2 Versam os autos sobre PER/DCOMP cujo direito creditório alegado seria oriundo de recolhimento indevido do IPI, a ser compensado com débito de tributo administrado pela RFB. O despacho decisório não homologou a compensação em razão do recolhimento indevido já ter sido integralmente quitado com outros débitos do contribuinte. O contribuinte apresentou tempestivamente sua manifestação de inconformidade, arguindo várias nulidades, mormente que o aludido Despacho não teria fundamentação, teria se desviado de sua finalidade e lhe causado cerceamento de defesa. Sobreveio decisão da DRJ de Ribeirão Preto/SP, na qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cuja ementa possui o seguinte teor: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 23/12/2011 NULIDADES. As causas de nulidade no âmbito do processo administrativo fiscal são somente aquelas elencadas na legislação de regência. O Despacho Decisório devidamente fundamentado é regularmente válido. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. A homologação das compensações declaradas requer créditos líquidos e certos contra a Fazenda Nacional. Não caracterizado o pagamento indevido, não há créditos para compensar com os débitos do contribuinte. ÔNUS DA PROVA. Cabe à defesa o ônus da prova dos fatos modificativos, impeditivos ou extintivos da pretensão fazendária. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A contribuinte interpôs tempestivamente o seu recurso voluntário, asseverando que a decisão não levou em consideração, nas razões de decidir a eficácia dos princípios constitucionais da motivação dos atos administrativos e da ampla defesa, impedindo que a Recorrente apresentasse defesa, bem como demonstrasse a existência do crédito, requerendo a nulidade da decisão, vez que não lhe foi oportunizado conhecer os motivos pelos quais sua compensação não foi homologada. É o relatório. Voto Fl. 64DF CARF MF Processo nº 13888.900249/201434 Acórdão n.º 3401003.657 S3C4T1 Fl. 4 3 Conselheiro Rosaldo Trevisan Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401003.652, de 25 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 13888.900243/201467, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401003.652): Como se viu do relatório, o presente recurso voluntário visa a nulidade da decisão da DRJ de Ribeirão Preto/SP, entendendo que esta não restou motivada, implicando seu cerceamento de defesa. Não merece prosperar as alegações da Recorrente. A uma, disse o Despacho Decisório: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. A duas, mencionou expressamente a decisão de piso que a Recorrente não trouxe qualquer prova (DARF, DCTF, Livro de Apuração e Registro do IPI), indício ou justificativa que permitisse comprovar o alegado recolhimento indevido. A propósito, merece destaque parte do voto do e. relator: Inicialmente vale verificar o que consta no Despacho Decisório, devidamente assinado pela autoridade competente: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Ou seja, o alegado pagamento indevido não foi restituído porque já tinha sido utilizado para quitar outros débitos. Com efeito, se há erro nos arquivos da Receita, bastaria o interessado juntar a idônea e hábil documentação contraditória (DARF, DCTF e Livro de Apuração e Registro do IPI), até em homenagem o princípio da verdade material tanto invocado, sendo que, se tratam de declarações e livros cuja boa guarda e apresentação imediata estão legalmente determinadas. A manifestação do interessado não traz qualquer prova, indício ou mesmo justificativa que permita comprovar o alegado Fl. 65DF CARF MF Processo nº 13888.900249/201434 Acórdão n.º 3401003.657 S3C4T1 Fl. 5 4 recolhimento indevido, limitandose, tão somente a colecionar julgados e doutrinas sobre nulidades. Considerando que nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, consta que os valores recolhidos no indigitado DARF já foram utilizados para quitar outros débitos e nada o contribuinte a isto contrapõe, não há o que reconsiderar ou anular, sendo que não se justifica a falta de apresentação de documentos que provassem seu direito creditório, na medida que a alegação de cerceamento da defesa não se sustenta. A três, vêse que a decisão fora motivada, embora cingiramse as assertivas da Recorrente apenas e tão somente na juntada da DCOMP, informando que detinha um crédito de IPI, oriundo de pagamento indevido, o qual seria compensado com débitos da COFINS. A quatro, temse que, sobrevindo a decisão da manifestação de inconformidade, deveria a Recorrente fazer prova deste suposto pagamento indevido ou a maior do IPI, conforme determinava o artigo 333 do CPC, vigente à época ademais, como ressalvada pela decisão da DRJ , porém, quedou silente a contribuinterecorrente. A quinto, o processo há de vir devidamente instruído para que o Colegiado possa apreciálo, de modo que, diante da ausência de qualquer prova, a conclusão que se chega é que a decisão de piso não merece reparos. Não maiores ilações a serem feitas e diante da ausência de provas, voto em negar provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 66DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10240.900338/2010-74
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2007 IRPJ ESTIMADO. RECOLHIMENTO INDEVIDO. COMPENSAÇÃO. O art. 11 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicando- se, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. (SCI Cosit nº 19, de 2011).
Numero da decisão: 1803-001.654
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para que a unidade de origem aprecie o pedido como recolhimento indevido de IRPJ nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: Walter Adolfo Maresch
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RECOLHIMENTO INDEVIDO. COMPENSAÇÃO. O art. 11 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicando se, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. (SCI Cosit nº 19, de 2011). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para que a unidade de origem aprecie o pedido como recolhimento indevido de IRPJ nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch – Relator e Presidente Substituto. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Sergio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Victor Humberto da Silva Maizman e Maria Elisa Bruzzi Boechat. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 0. 90 03 38 /2 01 0- 74 Fl. 41DF CARF MF Impresso em 09/05/2013 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 10/04/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH 2 Relatório MELT METAIS E LIGAS S/A, pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida pela DRJ BELÉM (PA), interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. Adoto o relatório da DRJ por bem retratar os fatos. Trata o presente processo de PER/DCOMP transmitido em 21.01.2008, através do qual foi efetivada a compensação de débitos da interessada acima identificada com crédito de IRPJ referente a pagamento indevido, no valor original de R$ 54.476,72. 2. A DRF/Porto Velho, através de despacho decisório eletrônico (fl. 05), indeferiu o pedido de restituição e considerou “não homologada” a referida compensação, sob o seguinte argumento: “Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a titulo de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período.” 3. Cientificada em 25.09.2010 (fl. 06) a interessada apresentou, tempestivamente, em 18.10.2010, manifestação de inconformidade (fl. 07/15) na qual alega: a) O entendimento da Delegacia da Receita Federal é equivocado, visto que o art.10 da, então vigente, Instrução Normativa RFB nº 600, de 2005, não encontra amparo legal, por ser essa instrumento de regulamentação que deve estar em conformidade com a Lei nº 9.430, de 1996; b) Referido ato normativo, contrariando o princípio da legalidade, trouxe restrição inexistente na lei, onde já consta rol de créditos e débitos que não podem ser objeto de compensação; c) “... a própria Receita Federal, tentando corrigir a ilegalidade constante na Instrução Normativa nº 600, editou a Instrução Normativa SRF nº 900/2008 que, alem de revogar integralmente aquela, não trouxe nenhum tipo de restrição à compensação com créditos oriundos de pagamentos indevidos ou a maior de IRPJ ou CSLL a titulo de estimativa mensal ...”. A DRJ BELÉM (PA), através do acórdão nº 0122.269, de 05 de julho de 2011 (fls. 21/23), julgou improcedente a manifestação de inconformidade, ementando assim a decisão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/01/2007 a 31/01/2007 Fl. 42DF CARF MF Impresso em 09/05/2013 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 10/04/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10240.900338/201074 Acórdão n.º 1803001.654 S1TE03 Fl. 42 3 RESTITUIÇÃO. ESTIMATIVAS MENSAIS. LUCRO REAL. Na vigência das Instruções Normativas SRF n° 460, de 2004 e nº 600, de 2005, os valores pagos a título de estimativa somente poderiam ser utilizados na dedução imposto devido ao final do período de apuração em que houve o pagamento indevido ou para compor o saldo negativo. Ciente da decisão em 14/11/2011, conforme Aviso de Recebimento – AR (fl. 27), apresentou o recurso voluntário em 06/12/2011 fls. 28/36, onde reitera os argumentos da inicial. É o relatório. Voto Conselheiro Walter Adolfo Maresch O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele conheço. Trata o presente processo de Pedido de Restituição cumulado com Declaração de Compensação (PER/DCOMP) eletrônico (fls. 01/04), cujo direito creditório se refere a pagamento indevido ou a maior de estimativa de IRPJ paga em 06/03/2007, não homologada sob fundamento de impossibilidade de utilização da estimativa antes do encerramento do ano calendário (fl. 05). Alega a recorrente em síntese que as disposições da Instrução Normativa SRF nº 600/2005, são inaplicáveis por ofensa ao princípio da legalidade, extrapolando o contido no Art. 74 da Lei nº 9.430/96. Assiste razão à interessada. Com efeito, o pressuposto utilizado como fundamento para o indeferimento do direito creditório contido no art. 10 da Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005, não mais persiste após a edição da Instrução Normativa RFB nº 900/2008, que contém preceito de caráter interpretativo aplicável retroativamente. Neste sentido, registrese a superveniência do entendimento contido na Solução de Consulta Interna Cosit nº 19, de 5/12/2011, assim ementada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Fl. 43DF CARF MF Impresso em 09/05/2013 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 10/04/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH 4 Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. Destarte, demonstrada a existência de recolhimento indevido de estimativa de IRPJ é cabível a sua restituição/compensação sem a restrição prevista na IN SRF nº 600/2005, vedandose contudo, a sua utilização em duplicidade como saldo negativo de IRPJ, fato que deverá ser observado pela Administração Tributária. No caso presente, não há comprovação suficiente de que houve efetivamente recolhimento a maior de estimativa pois inexistentes as demonstrações financeiras, LALUR e DIPJ, não permitindo concluir sobre o valor definitivo a que a recorrente faz jus, exigindo portanto a análise do valor pela unidade de origem. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch Relator Fl. 44DF CARF MF Impresso em 09/05/2013 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 10/04/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH
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Numero do processo: 10580.725988/2012-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 05 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri May 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
PROVA PERICIAL. INDEFERIMENTO. AVALIAÇÃO DO JULGADOR. NECESSIDADE E VIABILIDADE.
Desde que fundamentado pelo julgador, o indeferimento da perícia é motivo insuficiente para a declaração de nulidade da decisão de primeira instância. Como destinatário final da perícia, compete ao julgador avaliar a prescindibilidade e viabilidade da produção da prova técnica, não constituindo a realização do exame pericial um direito subjetivo do interessado. Tampouco a perícia é via que se destine a produzir provas de responsabilidade das partes, suprindo o encargo que lhes compete.
ÔNUS DA PROVA. DISTRIBUIÇÃO.
Ao afirmar o Fisco os fatos jurídicos e apresentar os elementos comprobatórios, cabe ao sujeito passivo demonstrar a inocorrência dos fatos alegados pela acusação fiscal, mediante argumentos sérios e convergentes, apoiados igualmente em linguagem de provas, sob pena de manutenção do lançamento fiscal.
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. OMISSÕES E/OU INCORREÇÕES EM GFIP. VALORES RECOLHIDOS EM MONTANTE SUPERIOR AO DECLARADO EM GFIP. MULTA MÍNIMA.
O recolhimento anterior ao início do procedimento fiscal, relativamente a fatos geradores identificados em folha de pagamento, em valor superior ao declarado na Guia do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP) caracteriza a infração por incorreções e/ou omissões de informações de que trata o art. 32-A da Lei nº 8.212, de 1991. Aplica-se a multa mínima de R$ 500,00 por competência, igual a periodicidade de apresentação da GFIP.
Numero da decisão: 2401-004.740
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso, rejeitar a preliminar de nulidade, e, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Márcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto e Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocado).
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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INDEFERIMENTO. AVALIAÇÃO DO JULGADOR. NECESSIDADE E VIABILIDADE. Desde que fundamentado pelo julgador, o indeferimento da perícia é motivo insuficiente para a declaração de nulidade da decisão de primeira instância. Como destinatário final da perícia, compete ao julgador avaliar a prescindibilidade e viabilidade da produção da prova técnica, não constituindo a realização do exame pericial um direito subjetivo do interessado. Tampouco a perícia é via que se destine a produzir provas de responsabilidade das partes, suprindo o encargo que lhes compete. ÔNUS DA PROVA. DISTRIBUIÇÃO. Ao afirmar o Fisco os fatos jurídicos e apresentar os elementos comprobatórios, cabe ao sujeito passivo demonstrar a inocorrência dos fatos alegados pela acusação fiscal, mediante argumentos sérios e convergentes, apoiados igualmente em linguagem de provas, sob pena de manutenção do lançamento fiscal. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. OMISSÕES E/OU INCORREÇÕES EM GFIP. VALORES RECOLHIDOS EM MONTANTE SUPERIOR AO DECLARADO EM GFIP. MULTA MÍNIMA. O recolhimento anterior ao início do procedimento fiscal, relativamente a fatos geradores identificados em folha de pagamento, em valor superior ao declarado na Guia do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP) caracteriza a infração por incorreções e/ou omissões de informações de que trata o art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Aplicase a multa mínima de R$ 500,00 por competência, igual a periodicidade de apresentação da GFIP. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 59 88 /2 01 2- 35 Fl. 712DF CARF MF Processo nº 10580.725988/201235 Acórdão n.º 2401004.740 S2C4T1 Fl. 713 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso, rejeitar a preliminar de nulidade, e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Márcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto e Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocado). Fl. 713DF CARF MF Processo nº 10580.725988/201235 Acórdão n.º 2401004.740 S2C4T1 Fl. 714 3 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face da decisão da 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza (DRJ/FOR), cujo dispositivo julgou parcialmente procedente a impugnação, mantendo em parte o crédito tributário exigido. Transcrevo a ementa do Acórdão nº 0828.280 (fls. 644/654): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÕES PRINCIPAIS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS INCIDENTES SOBRE AS REMUNERAÇÕES DE SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. Constituem fatos geradores de obrigações tributárias as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados e as pagas ou creditadas as contribuintes individuais. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. APRESENTAÇÃO DE GFIP COM INCORREÇÕES OU OMISSÕES. CFL 78. Constitui infração a empresa apresentar GFIP com incorreções ou omissões, nos termos da Lei n° 8.212/91, art. 32, inciso IV, com a redação dada pela MP nº 449/08, convertida na Lei n° 11.941/09. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. EXIBIÇÃO DE DOCUMENTOS RELACIONADOS COM AS CONTRIBUIÇÕES PARA A SEGURIDADE SOCIAL. DESCUMPRIMENTO. Constitui infração a empresa deixar de exibir qualquer documento ou livro relacionado com as contribuições para a Seguridade Social, devidamente solicitados em termo próprio, nos termos do art. 33, §§ 2º e 3º, da Lei n.º 8.212/91. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte 2. Extraise do Relatório Fiscal, às fls. 125/142, que o processo administrativo é composto por 5 (cinco) autos de infração (AI), compreendendo o período de 01 a 12/2009, inclusive décimo terceiro salário, assim formalizados: (i) AI nº 51.001.0920, referente às contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações de segurados empregados, correspondentes à parte da empresa e às Fl. 714DF CARF MF Processo nº 10580.725988/201235 Acórdão n.º 2401004.740 S2C4T1 Fl. 715 4 destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, além da contribuição patronal incidente sobre as remunerações pagas ou creditadas aos segurados contribuintes individuais (fls. 3/22); (ii) AI nº 51.001.0938, relativo às contribuições previdenciárias devidas pelos segurados empregados e contribuintes individuais, não arrecadadas nem descontadas pela empresa do saláriodecontribuição do trabalhador (fls. 44/55); (iii) AI nº 51.001.0946, referente às contribuições devidas a terceiros, assim compreendidos entidades e fundos, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados: FPAS 612 Código 3139 (fls. 80/99); (iv) AI nº 51.001.0865 (obrigação acessória), referente à multa pela apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP) como incorreções e/ou omissões nos totais de contribuições devidas pelos segurados empregados e contribuintes individuais Código de Fundamento Legal CFL 78 (fls. 2); e (v) AI nº 51.001.0954 (obrigação acessória), relativo à multa pela falta de apresentação à fiscalização dos documentos de propriedade dos bens imóveis e veículos integrantes do ativo imobilizado da empresa, necessários para a elaboração do termo de arrolamento de bens e direitos CFL 38 (fls. 121). 2.1 Quanto às obrigações principais, expõe a fiscalização que a origem do crédito tributário correspondente a: (i) prestações de serviços por segurados empregados e contribuintes individuais identificados nas folhas de pagamento digitais, cujas remunerações sequer foram incluídas, ou foram declaradas a menor, em GFIP (fls. 245/404); (ii) diferenças de contribuições devidas a terceiros não declaradas em GFIP para o estabelecimento CNPJ 05.473.250/002384. 3. Cientificado pessoalmente das autuações em 12/3/2013, por meio do sócio, conforme fls. 2/3, 44, 80 e 121, o contribuinte impugnou as exigências fiscais de forma separada por auto de infração lavrado pela fiscalização (fls. 460/472, 505/517, 550/554, 573/576 e 595/607). Fl. 715DF CARF MF Processo nº 10580.725988/201235 Acórdão n.º 2401004.740 S2C4T1 Fl. 716 5 4. A decisão de piso exonerou parte do lançamento fiscal, especificamente tornou improcedente o AI nº 51.001.0954, por considerar não caracterizada a infração indicada pela autoridade lançadora. 5. Intimada por via postal, em 22/7/2014, da decisão do colegiado de primeira instância, às fls. 666/667, a recorrente apresentou recurso voluntário no dia 21/8/2014 (fls. 669/708). 5.1 Em síntese, aduz as seguintes razões de fato e direito contra a decisão de piso que manteve parcialmente a pretensão fiscal: (i) nulidade do acórdão de primeira instância, em face do cerceamento de defesa devido ao indeferimento do pedido para a realização de prova pericial; (ii) duplicidade de cobrança, vez que as obrigações tributárias objeto do lançamento de ofício já foram alvo de constituição de crédito em momento anterior, sob os nº 36.982.1874, 36.982.1882, 36.776.2714 e 36.776.2706, inclusive com demanda judicial em curso; (iii) não há diferenças entre os valores pagos aos empregados e colaboradores incluídos em folhas de pagamento e aqueles declarados em GFIP; (iv) a base de cálculo das contribuições apuradas pela fiscalização contém verbas de natureza indenizatória, que escapam à tributação; e (v) é inexistente a infração de que trata o AI nº 51.001.0865, porém caso assim não se entenda, o montante total da penalidade imposta deve ser reduzido à quantia de R$ 500,00 (quinhentos reais). É o relatório. Fl. 716DF CARF MF Processo nº 10580.725988/201235 Acórdão n.º 2401004.740 S2C4T1 Fl. 717 6 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess Relator Juízo de admissibilidade 6. Uma vez realizado o juízo de validade do procedimento, verifico que estão satisfeitos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário e, por conseguinte, dele tomo conhecimento. Preliminar Nulidade da decisão de primeira instância: indeferimento da prova pericial 7. Pondera a recorrente pela nulidade da decisão recorrida por ter havido o indeferimento da perícia requerida na peça vestibular, acarretandolhe o cerceamento do direito de defesa. 8. A fim de demonstrar as incorreções existentes na base de cálculo utilizada no lançamento fiscal, o sujeito passivo requereu a colaboração de um perito com vistas a responder o rol de quesitos a seguir copiado (fls. 606/607): ROL DE QUESITOS 1. Queira o perito informar se existe duplicidade de cobrança quando cotejados os créditos lançados por meio da presente autuação com os lançamentos consignados nas inscrições ns. 36.982.1874, 36.982.1882, 36.776.2714 e 36.776.2706. Favor indicar por competência, segregando contribuições em favor da Previdência e em favor de terceiros. 2. Queira o perito informar se as bases de cálculo utilizadas pelo agente autuador correspondem àquelas registradas em seus livros razão e diário do período. Caso exista divergência, favor indicar e quantificar, por competência, a diferença do montante da exação após a adequação da base de cálculo utilizada. 3. Queira o perito informar se as bases de cálculo utilizadas pelo agente autuador correspondem àquelas registradas nos extratos consolidados e individualizados da Caixa Econômica Federal. Caso exista divergência, favor indicar e quantificar, por competência, a diferença do montante da exação após a adequação da base de cálculo utilizada. 4. Queira o perito informar se as bases de cálculo utilizadas pelo agente autuador correspondem àquelas registradas nos extratos consolidados e individualizados da Caixa Econômica Federal. Caso exista divergência, favor indicar e quantificar, Fl. 717DF CARF MF Processo nº 10580.725988/201235 Acórdão n.º 2401004.740 S2C4T1 Fl. 718 7 por competência, a diferença do montante da exação após a adequação da base de cálculo utilizada. 5. Queira o perito informar se as bases de cálculo utilizadas pelo agente autuador correspondem àquelas registradas nas folhas de pagamentos físicas dos seus empregados. Caso exista divergência, favor indicar e quantificar, por competência, a diferença do montante da exação após a adequação da base de cálculo utilizada. 6. Queira o perito informar se as bases de cálculo utilizadas pelo agente autuador correspondem àquelas registradas no CAGED Cadastro Geral de Empregados e Desempregados e nas RAIS Relação Anual de Informações Sociais do período fiscalizado. Caso exista divergência, favor indicar e quantificar, por competência, a diferença do montante da exação após a adequação da base de cálculo utilizada. 7. Queira o perito informar se foram incluídas na base de cálculo da contribuição as verbas de natureza indenizatória (nãosalarial), tais como aquelas pagas aos seus funcionários nos 1t5 (quinze) primeiros dias de afastamento anteriores ao auxíliodoença (acidentário ou previdenciário) ou auxílio acidente; pagos a título de férias gozadas e indenizadas, de adicional de férias (1/3 constitucional) e respectivos abonos pecuniários; saláriomaternidade; auxíliocreche; auxílio funeral; auxíliofardamento; ajudas de custo; diárias de viagem não superiores a 50% (cinquenta por cento) da remuneração do funcionário; aviso prévio indenizado e o respectivo décimo terceiro salário proporcional, bem como aquelas previstas no art. 28, § 9º, da Lei n. 8.212/91, entre outras. Caso positivo, indicar a competência e quantificar e identificar, de forma comparativa, a diferença do montante da exação após a exclusão de tais verbas de sua base de cálculo. 9. O exame pericial é um meio de prova, necessário apenas quando a elucidação de fato ou o exame de matéria demanda o auxílio de um especialista em determinado ramo específico do conhecimento. É dizer que a realização da perícia não constitui direito subjetivo do interessado. 10. Desde que fundamentado pelo julgador, o indeferimento da perícia não é motivo suficiente para declaração de nulidade da decisão, tampouco para caracterizar o cerceamento do direito de defesa. 11. Como destinatário final da perícia, compete ao julgador avaliar a prescindibilidade e viabilidade da produção da prova técnica para a elucidação dos fatos e/ou como instrumento de convicção para a solução da lide. 12. Pois bem. Sem nenhum constrangimento, a recorrente pretende desvirtuar a utilização da perícia em matéria tributária, transferindo o encargo de provar fatos que dispensam o conhecimento especial de terceiro. 13. O exame pericial não se constitui em uma via destinada a produzir provas de responsabilidade das partes, suprindo o encargo que lhes compete. Fl. 718DF CARF MF Processo nº 10580.725988/201235 Acórdão n.º 2401004.740 S2C4T1 Fl. 719 8 14. De fato, o pedido de perícia da recorrente é medida com viés protelatório, porquanto a demonstração da inocorrência de fatos alegados pela autoridade lançadora se dá simplesmente por meio da juntada de provas documentais diretamente por parte do sujeito passivo. 15. Daí porque os esclarecimentos solicitados pela recorrente, quando pertinentes ao deslinde do feito administrativo, prescindem de análise pericial. 15.1 Para contestar a dupla cobrança sobre o mesmo fato gerador e período, situação ventilada pela recorrente, a empresa deve trazer aos autos cópia do termo de inscrição do crédito tributário em dívida ativa ou mesmo a cópia integral do processo de execução fiscal autuado sob o nº 1846396.2012.4.01.3300, em trâmite na 19ª Vara Federal da Seção Judiciária da Bahia. 15.2 No que tange à utilização de base de cálculo equivocada pela fiscalização para a incidência da contribuição previdenciária, inclusive acarretando a cobrança sobre parcelas despidas de natureza salarial, eis que não vinculadas à contraprestação laboral, a recorrente deveria juntar aos autos, de maneira organizada e conectada, as cópias das folhas e dos recibos de salários, da sua escrituração contábil e das GFIPs entregues, permitindo, desse modo, o confronto com os dados detalhados na planilha de fls. 245/404, os quais dão suporte ao lançamento do crédito tributário. 16. À primeira vista, o julgador administrativo está habilitado a apreciar a documentação relacionada às matérias controvertidas que deve ser carreada aos autos pela parte interessada, ficando dispensado o pronunciamento alheio para a apreensão de fatos, bem como para o convencimento do julgador a respeito do conjunto probatório como um todo existente no processo administrativo. 17. Não enxergo o motivo pelo qual a comprovação das alegações da recorrente não possa ser realizada no corpo dos autos, necessitando da colaboração de um perito, ou mesmo da realização de uma diligência, para elucidar as questões propostas. 18. Em princípio, a simples análise da prova documental que deve ser acostada aos autos pela recorrente, é suficiente para o exame dos fatos que alega com a finalidade de afastar integralmente a pretensão fiscal. 19. Logo, considero escorreita a decisão de piso que indeferiu o pedido de prova pericial nos termos requerido pela empresa fiscalizada. Mérito a) Obrigação Principal 20. Para justificar o lançamento tributário, a autoridade fiscal acostou aos autos a planilha de fls. 245/404, a qual contém, de forma discriminada, a competência do fato gerador, o nome do trabalhador, a categoria a que pertence, se empregado ou contribuinte individual, a remuneração identificada em folha de pagamento, a remuneração em GFIP e, quando existente, o valor da remuneração omitida e não declarada em GFIP. Além disso, consta a respectiva contribuição previdenciária devida pelo segurado. Fl. 719DF CARF MF Processo nº 10580.725988/201235 Acórdão n.º 2401004.740 S2C4T1 Fl. 720 9 21. Pois bem. O Fisco motivou o lançamento e descreveu os elementos comprobatórios da ocorrência do fato jurídico, assim como das circunstâncias em que foi verificado, respaldando o nascimento da relação jurídica por meio de suporte na linguagem das provas. 22. Compete ao autuado provar a inocorrência dos fatos alegados pela fiscalização, pela existência de fatos impeditivos, modificativos ou extintivos do direito invocado pela acusação fiscal, com amparo em prova material. 23. Em outros dizeres, ao afirmar a autoridade lançadora, por meio de linguagem de provas, que houve determinados fatos jurídicos, caberia ao sujeito passivo demonstrar a inocorrência desses fatos alegados, igualmente por meio de provas. 24. Contudo, a peça recursal é uma verdadeira negativa geral, como sublinhou a decisão de piso, construída mediante um discurso retórico, carente de qualquer indício sério e convergente que, ao final, possa constituir prova da existência dos fatos que a empresa fiscalizada tem interesse em fazer prevalecer. 25. Diz a autuada que a base de cálculo dos lançamentos não corresponde à realidade, uma vez que a fiscalização utilizou nos levantamentos valores estranhos e maiores do que a verdade. 25.1 Entretanto, deixou de colacionar aos autos um só elemento concreto dos equívocos cometidos pela fiscalização. Segundo afirma, a comprovação se daria mediante a produção de prova pericial. 25.2 Do discriminativo de fls. 245/404, a recorrente não apontou um único segurado empregado ou contribuinte individual cuja remuneração não declarada em GFIP, indicada pela autoridade lançadora, estivesse incorreta. 26. Por sua vez, também alega sobre a necessidade da expurgar do lançamento as verbas que não possuem natureza salarial, tendo em conta que a fiscalização teria considerado com base de cálculo o total dos valores pagos aos segurados empregados, sem diferenciar aquelas parcelas de natureza salarial ou não. 26.1 Todavia, não mostrou efetivamente quais foram as verbas indenizatórias pagas aos segurados, deixando de apontar a natureza de tais rubricas e dos seus respectivos valores, por segurado e competência do fato gerador, os quais teriam sido indevidamente incluídos no lançamento de ofício. 26.2 A recorrente declara apenas que todas as verbas não salariais serão demonstradas por intermédio da realização de perícia. 26.3 Como se percebe, a proposta da recorrente é uma deturpação da distribuição do ônus da prova no processo administrativo tributário, dado que cabe ao sujeito passivo, via de regra, instruir os autos com os elementos de prova de suas alegações de defesa. 27. Por derradeiro, no que tange à existência de débitos anteriores à presente ação fiscal, relacionados aos fatos geradores em discussão, é mais um argumento desprovido de qualquer prova. Fl. 720DF CARF MF Processo nº 10580.725988/201235 Acórdão n.º 2401004.740 S2C4T1 Fl. 721 10 27.1 Como bem pontuou a decisão de piso, ainda que possam corresponder às mesmas competências do lançamento de ofício, são débitos relativos a valores confessados em GFIP e, portanto, distintos dos fatos geradores deste processo administrativo, os quais não foram declarados em GFIP. 27.2 Também nesse ponto do recurso voluntário a empresa fiscalizada não fez o mínimo de esforço para exibir alguma prova séria e contundente dos fatos que alega, limitandose a reclamar a prova pericial. 28. Logo, mais uma vez, sem razão a recorrente. b) Obrigação Acessória (AI nº 51.001.0865) 29. Contesta a recorrente a multa aplicada pela apresentação de GFIP com informações incorretas e/ou omissas (CFL 78). 30. A infração constatada pela fiscalização encontra fundamento no inciso IV do art. 32 c/c inciso I e § 3º do art. 32A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, na redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009: Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV – declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS; (...) Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (...) § 2º Observado o disposto no § 3º deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação.. § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: Fl. 721DF CARF MF Processo nº 10580.725988/201235 Acórdão n.º 2401004.740 S2C4T1 Fl. 722 11 I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (GRIFOUSE) 31. É cabível a autuação sob tal matriz legal na hipótese de recolhimento anterior ao início do procedimento fiscal em valor superior ao declarado em GFIP, desde que comprovada a existência de incorreções e/ou omissões de informações relacionadas ou não a fatos geradores de contribuição previdenciária. 32. A penalidade pelo descumprimento de obrigação acessória não pode ser cumulada, em relação a um mesmo fato gerador, com a multa de ofício, no percentual de 75% (setenta e cinco por cento), prevista no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 32.1 Em outros dizeres, a incorreção e/ou omissão identificada pela fiscalização não está relacionada às contribuições exigidas mediante os autos de infração de obrigação principal. 33. Nessa circunstância, a configuração da infração ficará evidenciada pela retificação da GFIP pelo sujeito passivo, após a intimação da autoridade fiscal, ou quando o próprio agente fiscal aponta de forma objetiva a omissão e/ou incorreção existente no documento. 34. No presente caso, o Relatório Fiscal indicou qual teria sido a omissão e/ou incorreção verificada na GFIP da empresa fiscalizada, conforme quadro elaborado às fls. 138/139. 34.1 Deixaram de ser incluídos nas declarações entregues, relativas às competências 01 a 13/2009, os totais das contribuições devidas aos segurados empregados e contribuintes individuais, conforme identificou a autoridade lançadora por intermédio do exame das folhas de pagamento, embora parte do montante devido tenha sido recolhido previamente à ação fiscal. 35. Portanto, a infração foi caracterizada pela autoridade lançadora, sem haver contraprova hábil da fiscalizada. 36. Quanto ao valor da multa, igualmente não assiste razão às ponderações efetuadas pela autuada. 37. A GFIP é um documento mensal (art. 225, inciso IV, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 6 de maio de 1999). Lembro que a GFIP relacionada ao décimo terceiro, competência 13, é distinta daquela a que corresponde o mês de dezembro (Manual da GFIP/SEFIP, aprovado pela Instrução Normativa RFB nº 880, de 16 de outubro de 2008, e pela Circular CAIXA nº 451, de 13 de outubro de 2008). 38 O valor da multa mínima, no patamar de R$ 500,00, a que faz alusão o § 3º do art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, é calculado por competência em que identificada a infração, na mesma periodicidade de declaração mensal. Fl. 722DF CARF MF Processo nº 10580.725988/201235 Acórdão n.º 2401004.740 S2C4T1 Fl. 723 12 39. Detectada a infração em 13 (treze) competências distintas, o montante total da penalidade não será inferior a R$ 6.500,00 (seis mil quinhentos reais), exatamente o que está registrado no AI nº 51.001.0865 (fls. 2). 40. Dessa forma, não há reparos a se fazer no lançamento do valor da penalidade pecuniária. Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER do recurso voluntário, REJEITAR a preliminar e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 723DF CARF MF
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Numero do processo: 11060.000838/2007-90
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 03 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LIQUIDO - CSLL
Período de apuração: 01/01/2002 a 30/09/2002
DENÚNCIA ESPONTÂNEA - MULTA DE MORA
A obrigação pecuniária relativamente à multa de mora surge para o
contribuinte pelo simples fato de não ter sido observado o prazo legal para o pagamento do tributo. Nesse caso, não é aplicável o instituto da denúncia espontânea previsto no art. 138 do Código Tributário Nacional - CTN, Não serve a denúncia espontânea para reverter o prejuízo da Fazenda em relação à mora, pois sua configuração jurídica é definitiva, uma vez que decorre
diretamente da inobservância do prazo para pagamento, e somente disso,
Numero da decisão: 1802-000.589
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORRÊA
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Nesse caso, não é aplicável o instituto da denúncia espontânea previsto no art. 138 do Código Tributário Nacional - CTN, Não serve a denúncia espontânea para reverter o prejuízo da Fazenda em relação à mora, pois sua configuração jurídica é definitiva, uma vez que decorre diretamente da inobservância do prazo para pagamento, e somente disso, Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os mpibros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos rní6s do relatório e votos que: e tela., ;, * presente julgado, st r-Marq.n-L--------:-:---T-----:"---rli i - - e-. , -----' (jOsé de Oliveira FP az Corrêa - Relator. .€' / EDITADO EM: O 2 SET 2011] Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior, Nelso Kichel, Alfredo Henrique Rebello Brandão, João Francisco Bianco. 1 Relatório Trata-se de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Santa Maria/RS, que considerou procedente o lançamento realizado para a constituição de crédito tributário relativo à multa de mora. Ao quitar CSLL trimestral após o vencimento, a Contribuinte deixou de recolher integralmente a multa de mora, e recolheu juros de mora a menor. O auto de infração de fls. 13 a 21, entregue ao Sujeito Passivo em 20/03/2007, exigiu o valor destes acréscimos legais Quanto aos juros, desde a primeira instância não houve contestação por parte da Contribuinte, remanescendo litígio, portanto, somente em relação à multa de mora. A infração foi apurada com base nos dados da Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF) do primeiro ao terceiro trimestres de 2002. De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal do referido AI, e com os demonstrativos a ele anexos, o débito recolhido em atraso e sem os devidos acréscimos são os de n° 257586604, 257586378 e 257586453 (cód. 2030 - CSLL - ENTIDADES FINANCEIRAS - BALANÇO TRIMESTRAL). Com a instauração da fase litigiosa, por meio da impugnação de fis, 1 a 9, a Contribuinte insurgiu-se contra a exigência fiscal, trazendo os seguintes argumentos, conforme apresentados na decisão de primeira instância, Acórdão n° 18-7,013, de fls. 58 a 64: („) sinteticamente, alega denúncia espontânea da infração, com recolhimento a destempo dos tributos declarados na(s) DCTF(S) indigitada(s), com acréscimo de juros de mora, e retificação das informaçõe.s prestadas nas declarações fiscais, antes de qualquer procedimento fiscal, fato que, de acordo com o art. 138 do CTN, elidiria a aplicação de qualquer penalidade Cita e transcreve excertos de doutrina e de jurispmdência Brada o principio da legalidade e da hierarquia das normas, pugnando por interpretação mais favorável, em face da dúvida quanto à natureza e às circunstâncias do fato. Pede a procedência de sua impugnação e a desconstituição do crédito tributário. Conforme já mencionado, a DRJ Santa Maria/RS considerou procedente o lançamento, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: ASSUNTO- CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LIQUIDO - CSLL Período de apuração: 01/01/2002 a 30/09/2002 DENÚNCIA ESPONTÂNEA, MULTA DE MORA, A denúncia espontânea não exclui a incidência da multa compensatória, quando verificado atraso no pagamento do tributo LANÇAMENTO DE OFICIO, FALTA DE CONTESTAÇÃO EXPRESSA DEFINITIVIDADE (2. 2 Processo rf 11060000838/2007-90 51-TE02 Acórdão n° 1802-00.589 El 2 Torna-se definitiva, na esfera administrativa, a parcela da exigência que não foi expressamente impugnada Lançamento Procedente Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 01/06/2007, a Contribuinte apresentou em 22/06/2007 o recurso voluntário de fls. 72 a 82, onde reitera os mesmos argumentos de sua impugnação, conforme descrito nos parágrafos anteriores. É importante registrar que nas peças de defesa, a Contribuinte sempre busca enfatizar que o "auto lançamento" (prestação de informações na DCTF) ocorreu após a extinção do crédito tributário (pagamento). Assim, o pagamento teria sido feito espontaneamente, antes do inicio de qualquer procedimento fiscal, e antes, inclusive, da declaração do débito na DCTF, o que reforçaria, segundo o seu entendimento, a aplicação do art. 1.38 do Código Tributário Nacional. Este é o Relatório (d( 3 Voto Conselheiro Relator José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Todas as questões suscitadas pela Recorrente dizem respeito à exigibilidade ou não da multa moratória no caso de recolhimento em atraso feito de forma espontânea. No presente caso, os juros de mora também não foram quitados no pagamento extemporâneo, de forma integral, e, por isso, as diferenças não recolhidas a esse titulo foram igualmente exigidas no auto de infração, juntamente com a multa de mora. Em sede de recurso voluntário, a Contribuinte informa que já efetuou o pagamento dos juros de mora não pagos ou pagos a menor, em 16/04/2007, conforme DARF à fl. 84. Sobre a exigibilidade da multa de mora, a Administração Tributária já manifestou o seu entendimento, por meio do Parecer Normativo CST n ° 61, de 26/10/1979, nos seguintes termos: 4.1- As multas fiscais ou são punitivas ou são compensatórias. 4.2- Punitiva é aquela que se fundamenta no interesse público de punir o inadimpknte, É a multa proposta por ocasião do lançamento. É aquela mesma cuja aplicação é exchtida pela denúncia espontânea a que se refere o art. 138 do Código Tributário Nacional, onde arrependimento, oportuno e formal, da infração faz cessar o motivo de punir. 4.3- A multa de natureza compensatória destina-se, diversamente, não a afligir o infrator, mas a compensar o sujeito ativo pelo prejuízo suportado em virtude do atraso no pagamento do que lhe era devido, È penalidade de caráter civil, posto que comparável à indenização prevista no direito civil. Em decorrência disso, nem a própria denúncia espontânea é capaz de excluir a responsabilidade por esses acréscimos, via de regra chamados nioratórios.." O Conselho de Contribuintes também proferiu acórdãos sustentando que o art. 138 do CTN não afasta a incidência da multa de mora, conforme ementas a seguir: MULTA DE MORA - DENÚNCIA ESPONTÂNEA - O pagamento do imposto devido fora dos prazos fixados pela legislação tributária, ainda que espontaneamente, obriga ao acréscimo de multa e juros moratórias (Ac 106-10930, de 23/09/1998) CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO - DENÚNCIA ESPONTÂNEA - ALCANCE DO ARTIGO 138 DO CTN - É devida a multa de mora nos casos de recolhimento de tributos e contribuições com atraso, uma vez que o instituto da denúncia espontânea, protege o sujeito passivo, tão-somente da imposição (f.1 4 Processo n° 11060.000838/2007-90 S1-TE02 Acórdão n.° 1802-00.589 Fi 3 de multa punitiva, decorrente de procedimentos de oficio., (Ac, 105-13504, de 29/05/2001) DENÚNCIA ESPONTÂNEA DA INFRAçÃo - MULTA DE MORA, Vencida e não paga a obrigação constitui em mora o devedor nos mesmos moldes de toda e qualquer obrigação civil, sendo portanto cabível a multa de mora mesmo que o tributo tenha sido recolhido espontaneamente, (Ac, 102-44873, de 20/06/2001) Além disso, encontra-se na doutrina manifestações consistentes que seguem essa mesma linha de entendimento. Registre-se aqui o pensamento de Paulo de Barros Carvalho: "Modo de exclusão da responsabilidade por 4-ação à legislação tributária é a denúncia espontânea do ilícito, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela Autoridade Administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração (CTN, art. 138). A confissão do infrator, entretanto, haverá de ser feita antes que tenha início qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização relacionado com o fato ilícito, sob pena de perder seu teor de espontaneidade (art. 138, § único).. A iniciativa do sujeito passivo, promovida com a observância desses requisitos, tem a virtude de evitar a aplicação de penas de natureza punitiva, porém não afasta os juros de mora e a chamada multa de mora, de índole indenizatória e destituída do caráter de punição. Entendemos, outrossim, que as duas medidas juros de mora e multa de mora - por não se exchdrenz mutuamente, podem ser exigidas de modo simultâneo: . uma e outra". (Paulo de Barros Carvalho, Curso de Direito Tributário, 2a ed., São Paulo, Saraiva, 1986, pp. 322/3) Nesse mesmo passo, os ensinamentos de Fábio Fanucehi: ...„"o atraso no recolhimento de tributos, quando o sujeito passivo providencia a regularização de sua situação perante a Fazenda Pública, sem que a isto seja compelido por ação fiscal, dá como resultado a necessidade de aduzir à parcela tributária multas moratórias e juros de mora, conforme preceitos expressa e geralmente integrados nos textos das diversas legislações tributárias específicas (federal, estaduais e municipais): Estas são penalidades de natureza civil, simplesmente repositivas que pretendem colocar o valor do crédito em situação idêntica àquela que ele possuía à época em que o seu pagamento deveria ter sido satisfeito, ou, que pretendem ressarcir a Fazenda Pública dos prejuízos causados pelo atraso no recebimento de valores que lhe caiba deter em época anterior". (Fábio Fanuechi, Curso de Direito Tributáio Brasileiro, 4' ed,, Resenha Tributária, p,453) 5 De fato, a multa moratória pelo atraso no pagamento de tributo é uma "penalidade" de natureza civil, cujos contornos são melhor compreendidos à luz da Teoria Geral das Obrigações. Seu sentido não é apenas reforçar o vínculo obrigacional legal (pagamento no prazo), mas também estabelecer uma pré-liquidação de perdas e danos, cuja ocorrência se dá por uma presunção legal absoluta. Deste modo, a obrigação pecuniária, relativamente à multa de mora, surge para o contribuinte pelo simples fato de não ter sido observado o prazo legal para o pagamento do tributo, ainda que aquele intente, por exemplo, comprovar a inexistência de prejuízo real para a Fazenda Pública, posto que, em relação a isso, não cabe prova em contrário. E por esse mesmo motivo, não serve a denúncia espontânea para reverter o prejuízo da Fazenda em relação à mora. Sua configuração jurídica é definitiva, uma vez que decorre diretamente da inobservância do prazo, e somente disso. A incidência da multa de oficio, ao contrário, dada a sua característica de verdadeira penalidade administrativa, fica condicionada a outros fatores, cuja ocorrência pode se dar após o vencimento do tributo, como a confissão do débito, a apresentação de pedido de parcelamento, o seu recolhimento extemporâneo, etc. Mas a multa moratória não, sua incidência independe de qualquer um destes fatos. Da mesma forma, também é irrelevante para a caracterização da mora (ou inadimplência) o fato de o débito vir a ser declarado em DCTF somente depois de realizado o pagamento extemporâneo. Com efeito, o desrespeito ao prazo legal para o recolhimento do tributo, uma vez configurado, não se desfaz em razão do cometimento de outras infrações à legislação tributária (p/ ex., omissão de informações ao fisco), estas sim passíveis de serem revertidas pelo instituto da denúncia espontânea. O próprio STJ, ao editar a Súmula 360, em 27/08/2008, consolidou o entendimento de que o instituto da denúncia espontânea não se aplica à inadimplência, para fins de afastar a multa de mora: O beneficio da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo Ainda com relação ao argumento de que os débitos só foram declarados após o pagamento extemporâneo, é preciso esclarecer, à parte o problema da extemporaneidade, que normalmente é isso o que ocorre, ou seja, os pagamentos são realizados, via de regra, antes da declaração dos débitos. Basta verificar que há tributos apurados mensalmente, ou com períodos de apuração ainda menores, enquanto que a maior parte dos contribuintes apresenta DCTF por períodos trimestrais. Sendo assim, a regra é que o débito seja pago antes mesmo de ser informado à Receita Federal, e nem por isso a falta de pagamento no prazo legal deixa de ser considerada como inadimplência. Do contrário, haveríamos de entender que, por exemplo, o contribuinte que paga um tributo em atraso, mas antes da data para a entrega da DCTF, não está em mora, 6 Processo n° 11060,000838/2007-90 S1-TE02 Acórdão n ° 1802-00.589 Fl 4 enquanto que se pagasse esse mesmo tributo após ter entregue a DCTF passaria, aí sim, a estar em mora e, somente nesse caso, excluído do art. 138 do CTN. Todavia, não é aceitável que se defina a mora do contribuinte pela entrega ou não da DCTF. Certamente, a inadimplência está configurada nas duas situações acima, ainda que a infração quanto ao prazo de recolhimento esteja (ou venha estar) acompanhada de outras infrações à legislação tributária. Nesse último caso, ou seja, havendo outras infrações, passa a ser aplicável o beneficio da denúncia espontânea, mas somente em relação a essas outras infrações. Esta é, a meu ver, a correta interpretação para a Súmula 360 do STJ. O fato é que para débitos regularmente declarados, a única infração que pode haver em relação à obrigação principal é a mora do contribuinte, e nenhuma outra. Assim, como o beneficio da denúncia espontânea não se aplica à mora, o STJ sumulou o assunto. Isso não implica dizer, entretanto, que a Súmula do STJ manifeste entendimento diverso em relação à mora pelo fato de ela estar acompanhada de outras infrações. Ou seja, uma vez revertidas essas outras infrações e evitada a punição administrativa prevista para elas, em razão da denúncia espontânea por parte do contribuinte, subsiste ainda a mora, dada a sua irreversibilidade, bem como a exigibilidade dos acréscimos legais dela decorrentes (juros e multa de mora). Finalmente, embora seja incomum o lançamento de oficio para se exigir multa de mora, e, ainda, isoladamente, é importante observar em relação a esse caso que os fatos geradores dos débitos em questão ocorreram durante a vigência da redação original do art. 44 da Lei 9.430/96, período em que a legislação adotava a imputação linear para os pagamentos. Assim, ultrapassado o prazo de vencimento do tributo, era dada a possibilidade de o contribuinte quitar apenas o principal, deixando em aberto as rubricas relativas aos acréscimos legais. E no caso de pagamento extemporâneo e sem os acréscimos legais, estando o débito declarado em DCTF como quitado, a Administração Tributária não podia fazer a imputação proporcional do pagamento, para que o remanescente do principal fosse exigido com base na própria DCTF, como acontece hoje em dia. A providência que cabia ao fisco em relação à ausência de recolhimento da multa de mora era a aplicação da penalidade isolada no percentual de 75% do valor do débito, conforme previsto no art. 44, § I", II, da Lei 9A30/96, em substituição àquela. Entretanto, essa penalidade isolada deixou de existir com a edição da Medida Provisória IV 303, de 29/06/2006, e embora essa MP não tenha sido convertida em lei, a extinção da referida penalidade restou confirmada na MP if 351, de 22/01/2007, convertida na Lei 11.488/2007. Portanto, a infração que estava prevista no dispositivo acima referido também deixou de existir. No caso, a solução da irregularidade foi dada pela própria lei. Ocorre que, 7 (11-' como já assentado anteriormente, o problema da mora subsiste, uma vez que para pagar o tributo em atraso e sem a multa moratória (conduta que deixou de ser apenada), antes disso, o contribuinte já tinha incorrido em mora, ou seja, tinha deixado de pagar o tributo na data de vencimento, fato esse que é irreversível., Deste modo, considerando que estamos tratando de débitos sujeitos à regra da imputação linear, entendo correto o lançamento da multa moratória, com amparo, inclusive, no art. 43 da Lei 9.430/96. Esta, a meu ver, é a única forma possível para se exigir o crédito tributário correspondente aos acréscimos legais não recolhidos pela Contribuinte. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 3 de agosto de 2010. 7Í't/ '',6'é de Oliveira Ferraz Ccçrrêa----- 7 8
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