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Numero do processo: 11610.002504/00-67
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1997
Perc. Momento da Comprovação da Regularidade Fiscal
Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC) a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindo-se a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto n º 70.235/72. (Súmula CARF n º 37).
Numero da decisão: 1801-001.825
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Marcos Vinicius Barros Ottoni.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Maria de Lourdes Ramirez Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, e Ana de Barros Fernandes
Nome do relator: MARIA DE LOURDES RAMIREZ
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Instância proferida com observância dos pressupostos legais e não havendo prova da violação das disposições contidas no artigo 59 do Decreto no. 70.235, de 1972, não há que se falar em nulidade da decisão. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1997 PERC. MOMENTO DA COMPROVAÇÃO DA REGULARIDADE FISCAL Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC) a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto n º 70.235/72. (Súmula CARF n º 37). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Marcos Vinicius Barros Ottoni. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 0. 00 25 04 /0 0- 67 Fl. 492DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 24/01/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, e Ana de Barros Fernandes Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto contra acórdão da 2a. Turma de Julgamento da DRJ em São Paulo/SPI que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada contra despacho que indeferiu o PERC apresentado pela interessada em 29/09/2000. Trata, assim, o processo, de pedido de emissão de incentivos fiscais – PERC, protocolizado pela interessada em 29/09/2000, com destinação de parte do IRPJ apurado ao FINOR em investimentos direcionados à Lever Igarassú S/A, estabelecida na área da SUDENE, no valor total de aplicação de R$ 909.148,35, conforme opção que teria sido feita na respectiva DIRPJ do anocalendário 1997, ficha 10. (fls. 01/02). Por meio de Despacho Decisório (fls. 318 e ss.) o pedido foi indeferido, ao argumento de que a empresa possuiria pendências – débitos em aberto relativos a FGTS, PROFISC, SIEF, PGFN – que a impediriam de usufruir do benefício fiscal. Afirmou a autoridade que a interessada teria sido intimada a regularizar as pendências, conforme intimação n º 1.260, cientificada em 10/03/2008 (fls. 118 e verso) Consignouse que, após a intimação, foram feitas novas análises e, ainda assim, persistiriam pendências, conforme relatório à fl. 360 débitos na PGFN, débitos no Sief, débitos no Profisc, e FGTS. Como não houve regularização da situação, o pedido foi indeferido. Em manifestação de inconformidade tempestivamente apresentada a interessada invocou, preliminarmente, a nulidade do despacho decisório por cerceamento do direito de defesa e, no mérito, alegou ter apresentado, ao longo do andamento dos autos, certidões positivas com efeito de negativas, da SRF, PGFN e INSS, que teriam sido ignoradas pela autoridade administrativa competente, entendendo, dessa forma, haver cumprido com o que lhe fora solicitado. Apreciando o litígio a 2a. Turma de Julgamento da DRJ em São Paulo /SPI afastou a preliminar de nulidade do despacho decisório. No mérito observou que a certidão apresentada e anexada à fl. 52 trataria, apenas, de débitos administrados pela então SRF, o que não comprovaria a regularidade perante outros órgãos como PGFN, INSS e FGTS. Argumentou aquela turma julgadora que a aferição da regularidade da situação fiscal do contribuinte deve se referir ao momento em que é proferida a decisão que lhe conferirá o benefício e que, naquele momento, a interessada não estava com sua situação fiscal regular, razão pela qual julgou improcedente o pedido (fls. 402/413). Notificada da decisão, em 30/10/2009 (AR fl. 414, verso), apresentou a interessada, em 30/11/2009, recurso voluntário. Em sua defesa invoca, novamente, a nulidade do despacho decisório por considerálo genérico e superficial na motivação, caracterizando, Fl. 493DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 24/01/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11610.002504/0067 Acórdão n.º 1801001.825 S1TE01 Fl. 3 3 assim, cerceamento do direito de defesa. Nesse aspecto afirma que a DRF de origem não teria especificado as pendências e restrições verificadas em seu nome, o que teria prejudicado o seu direito de oferecer a correta defesa. Entende que o Despacho Decisório deveria ter trazido os elementos necessários à identificação dos débitos pendentes junto à RFB e PGFN, e não ter se referido, genericamente, às pendências, como o fez, sem apontálas expressamente. No mérito aduz que obteve, no dia 23/11/2009, nova certidão conjunta positiva com efeitos de negativa, perante a RFB e PGFN, além de nova certidão, em 21/08/2009, perante o INSS. Ressalta que sempre possuiu situação regular perante a Receita Federal do Brasil, tendo apresentado documentos fiscais em momentos distintos para comprovar a sua regularidade desde o protocolo do PERC. No entanto, devido à burocracia enfrentada perante as repartições da RFB, se viu impossibilitada de renovar constantemente suas CNDs, o que não significa que a sua situação estava irregular perante os órgãos e repartições públicas. Alega possuir atividade empresarial notoriamente conhecida em diversos segmentos comerciais, e muitas sociedades empresárias incorporadas e considerando a dimensão de sua atividade empresarial, juntamente com a burocracia enfrentada perante as repartições públicas responsáveis pela emissão de Certidões Negativas de Débito, não seria razoável que a autoridade fiscal lhe exigisse a constante renovação das referidas certidões como único meio de prova da sua regularidade fiscal. Invoca a inconstitucionalidade do art. 60 da Lei n º 9.069, de 1995, que teria instituído sanção política ou indireta, violando os princípios da razoabilidade e proporcionalidade e, conseqüentemente, as disposições do art. 5o., LIV, da CF. Esclarece que independentemente das CNDs já apresentadas, também seriam aptos a comprovar sua regularidade fiscal os demais documentos apresentados ao longo do processo, uma vez que o artigo 60 da Lei n° 9.069/95, se valido fosse, exige mera comprovação, mediante qualquer meio adequado, de situação de regularidade fiscal, sem fazer qualquer menção à apresentação de CND. E acrescenta que, exigir isso de contribuinte que, em diversos momentos anteriores, já havia obtido CND para esse fim, seria postura ainda mais descabida, concluindo que, além das certidões já apresentadas no passado, os demais documentos apresentados, sendo legítimos, válidos, idôneos, e englobando inclusive documentos oficiais do Poder Judiciário, não poderiam ser recusados ou ignorados pelas autoridades administrativas como forma de comprovação da situação de regularidade fiscal. Quanto ao momento da aferição da comprovação da regularidade fiscal observa que o entendimento adotado pela Turma Julgadora de 1a.instância seria incabível, uma vez que o artigo 60 da Lei n° 9.069/95, não traria qualquer previsão quanto ao referido momento. A referida norma limitaria a estabelecer a necessidade de comprovação de regularidade fiscal do contribuinte como condição para a concessão de incentivos fiscais. É o relatório. Fl. 494DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 24/01/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 Voto Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, Relatora. O recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. 1 Preliminarmente. 1.1 NULIDADE DA DECISÃO DA DRF A recorrente alega que a decisão do órgão de origem a respeito de seu pleito foi “genérica e superficial” e “não forneceu subsídios que viabilizassem suas defesa”. Aduz que o indeferimento do PERC não trouxe “qualquer mínimo detalhe acerca dos eventuais débitos questionados”. A afirmação não é verdadeira. Antes da emissão do referido parecer, a DRF/SPO efetuou inúmeras pesquisas juntos aos sistemas internos da RFB, PGNF e FGTS. Como resultado foram produzidos e anexados aos autos: 1) o extrato obtido junto à CEF, datado de 29/02/2008, do qual constam o apontamentos de diversas pendências em empresas do grupo da recorrente, nos seguintes termos: As informações disponíveis não são suficientes para a comprovação automática da regularidade do empregador perante o FGTS. Solicitamos comparecer a uma das Agências da Caixa, para obter esclarecimentos adicionais... (fls. 87/117); 2) o extrato obtido junto aos sistemas internos da SRF e PGNF (fls. 121/216, também datado de 29/02/2008 apontando várias pendências existentes junto aos referidos órgãos – débitos em cobrança junto ao PROFISC (fls. 177, 208), débitos inscritos em DA na PGFN (fls. 123/124, 142, 186; 196/204) e débitos em cobrança junto ao SIEF (fl. 190/192). Tendo constatado tais irregularidades a DRF em São Paulo/SP, providenciou a intimação da interessada para que regularizasse referidas pendências. Assim, foi emitida a intimação n º 1.260, de 03/03/2008 (fl. 118), cientificada em 10/03/2008 (AR fl. 118, verso) da qual constou a seguinte solicitação: Por este instrumento, fica o contribuinte acima identificado intimado a solucionar as pendências constantes dos itens assinalados com "X": ... (X) Débito(s) inscrito(s) na Dívida Ativa da União. (Apresentar Certidão Negativa ou Positiva com efeito de Negativa quanto a Dívida Ativa da União emitida pela PFN) . (X) Pendência junto ao FGTS. (Apresentar Certificado de Regularidade na CV dos CNPJ:61.068.276/000104; 00.797.015/000122; 01.811.558/000110; 56.911.506/000107; 59.274.068/000101; 61.339.529/000129; 60.397.387/0001 93; 92.238.211/000185; 66.644.170/000117 e 60.397.395/000130). (X) Débito(s) em cobrança no SIEF, conforme consulta anexa. (Efetuar as devidas regularizações). Fl. 495DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 24/01/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11610.002504/0067 Acórdão n.º 1801001.825 S1TE01 Fl. 4 5 (X) Débito(s) em cobrança no PROFISC, conforme consultas anexas. (Efetuar as devidas regularizações). E a advertência, ao final da intimação: O prazo para estas providências será de trinta dias, a contar da data da assinatura no Aviso de Recebimento do Correio. O não atendimento a esta intimação provocará o indeferimento do Pedido de Revisão de Emissão de Incentivos Fiscais, exercícios 1998 (PERC/ 1998). Um dos documentos apresentado pela recorrente é o de fls. 52 E a resposta da recorrente, à fl. 120, que consignou a impossibilidade de atender à intimação pois (i) não poderia apresentar certidão de regularidade fiscal em nome de Kibon, que havia sido incorporada pela Gessy Lever que, posteriormente, passou a chamar Unilever e, (ii) o PERC já havia sido apresentado com todas as certidões de regularidade fiscal pertinentes. As certidões mencionadas pela empresa, na resposta a intimação, tratamse, na verdade, de uma única certidão positiva com efeitos de negativa de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal anexada à fl. 52 e não engloba os débitos existentes perante a PGFN. Posteriormente, em 24/07/2008, foram efetuadas novas pesquisas junto aos sistemas internos da RFB, PGFN e CEF, conforme extratos às fls. 219/348, e as pendências persistiam, como constou do quadro resumo à fl. 360. Portanto, o parecer da DRF em São Paulo/SP, emitido em 28/07/2008, que indeferiu o PERC, foi exaustivamente fundamentado e devidamente motivado nas diversas pesquisas efetuadas e na intimação encaminhada à interessada, cuja solicitação não foi atendida. Todos os fatos e dados foram devidamente deduzidos no parecer atacado e se encontram amplamente demonstrados nos autos, que sempre estiveram à disposição da parte interessada para análise. Afasto, portanto, a alegação de nulidade do parecer da DRF em São Paulo/SP, por cerceamento do direito de defesa. 2 Mérito. 2.1 INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 60 DA LEI N º 9.069, DE 1995. Não serão apreciadas as alegações a respeito de ilegalidade e inconstitucionalidade de lei, em virtude da existência de posicionamento consolidado deste órgão, como se verifica da seguinte súmula: Súmula CARF n º 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 496DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 24/01/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 2.2 REGULARIDADE FISCAL E MOMENTO DE SUA COMPROVAÇÃO. Afirmou a recorrente que “esteve com sua situação fiscal em perfeita regularidade desde o momento em que foi apresentado o PERC para o exame das autoridades fiscais, tendo elas simplesmente ignorado toda a documentação anteriormente apresentada pela...” Como já foi consignado em parágrafos anteriores, a documentação a que se refere a Recorrente tratase, em verdade, de uma única certidão – não conjunta – emitida pela SRF, positiva com efeitos de negativa. A certidão da SRF, sozinha, não prova a regularidade fiscal de nenhum contribuinte, que pode possuir débitos de tributos administrados pela SRF, mas que se encontram em aberto perante a PGFN, por terem sido inscritos em Dívida Ativa, ou por se encontrarem em fase de cobrança amigável. Nesse ponto específico a própria certidão documento apresentada pela defesa foi clara, consignando ao final a seguinte observação: Esta certidão referese exclusivamente à situação do contribuinte no âmbito da Secretaria da Receita Federal, não constituindo por conseguinte, prova de inexistência de débitos inscritos em divida ativa da União, administrados pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional. Nessas condições, a certidão apresentada pela recorrente, à fl. 52, por ocasião da protocolização de seu pedido, não provou, na época, a regularidade de sua situação fiscal. Assim, desde a data do protocolo dos autos até a data de emissão do parecer do órgão de origem, datado de 28/07/2008 (fl. 361), que analisou o pedido, a interessada não se encontrava em situação regular e possuía diversos débitos e pendências em aberto, junto ao FGTS (Caixa Econômica Federal), SIEF, PROFISC e PGFN. E, como consignado acima, todas essas pendências foram perfeitamente identificadas por ocasião da intimação n º 1.260/2008 (fl. 118), pela qual foram solicitadas as devidas regularizações. E nada foi acrescentado aos autos, comprovando a regularidade da situação fiscal da recorrente, até o momento em que foi proferida a decisão da DRJ em São Paulo – DRJ/SPI, em 29/09/2009. Contudo, por ocasião da apresentação do recurso voluntário, a recorrente providenciou a apresentação e anexação aos autos das certidões de fls. 441 e 442 que se referem, respectivamente, a (i) certidão conjunta positiva com efeitos de negativa de débitos relativos aos tributos federais e à dívida ativa da União (fl. 441) e (ii) certidão positiva com efeitos de negativa de débitos relativos às contribuições previdenciárias e às de terceiros. A Portaria Conjunta PGFN/RFB, n º 3, de 2 de maio de 2007, com as alterações introduzidas pela Portaria Conjunta n º 01, de 2010, que estabelece a forma como deverá ser comprovada a regularidade fiscal do contribuinte, determina: Art. 1º A prova de regularidade fiscal perante a Fazenda Nacional será efetuada mediante apresentação de: I certidão específica, emitida pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), com informações da situação do sujeito passivo quanto às contribuições sociais previstas nas alíneas "a", "b" e "c" do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, às contribuições instituídas a título de substituição, e às contribuições devidas, por lei, a terceiros, inclusive às inscritas em dívida ativa do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS); e Fl. 497DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 24/01/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11610.002504/0067 Acórdão n.º 1801001.825 S1TE01 Fl. 5 7 II certidão conjunta, emitida pela RFB e Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), com informações da situação do sujeito passivo quanto aos demais tributos federais e à Divida Ativa da União, por elas administrados. § 1º A comprovação de inexistência de débito de que trata o art. 257 do Decreto nº 3.048, de 6 de maio de 1999, farseá mediante apresentação da certidão a que alude: I o inciso I do caput, em relação às contribuições de que tratam os incisos I, III, IV e V do parágrafo único do art. 195 do referido Decreto; II o inciso II do caput, em relação às contribuições de que tratam os incisos VI e VII do parágrafo único do art. 195 do referido Decreto. § 2º A certidão de que trata o inciso I do caput será emitida conforme os modelos constantes nos Anexos XI a XVIII a esta Portaria, nos termos do disposto na Instrução Normativa RFB Nº 971, de 13 de novembro de 2009. § 3º O direito de obter certidão nos termos desta Portaria é assegurado ao sujeito passivo, devidamente inscrito no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) ou no Cadastro Nacional da Pessoa Física (CPF), independentemente do pagamento de taxa. § 4º No caso de pessoa jurídica, a certidão será emitida em nome da matriz e abrangerá todas as suas filiais. Assim, as referidas certidões apresentadas pela recorrente, emitidas em agosto e novembro de 2009, demonstram a regularidade fiscal da empresa, naquele momento, e atendem às exigências do artigo 1o. da Portaria Conjunta n º 3, de 2007, acima transcrito. Quanto ao momento processual para comprovação da regularidade fiscal este órgão de julgamento já possui entendimento consolidado e pacificado, como se verifica da seguinte Súmula: Súmula CARF n º 37. Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC) a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto n º 70.235/72. Antecipandome àqueles que entendem que antes de sua aplicação devese extrair o sentido da referida Súmula, à luz dos fatos processuais, assinalo que todas as interpretações possíveis a respeito do tema foram exaustivamente feitas ao longo dos anos, neste próprio órgão colegiado e o teor da Súmula resume, com precisão, todas essas posições. Entendo pertinente, neste momento, reproduzir, apenas a título ilustrativo, trechos de acórdãos que serviram de paradigma na edição da Súmula. Fl. 498DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 24/01/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 8 Com efeito, o Acórdão n º 10809.808, de 19/12/2008, do então 1o. Conselho de Contribuintes, 8a. Câmara, de relatoria do Conselheiro Orlando José Gonçalves Bueno, encontrase assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURIDICA 1RPJ Exercício: 1996 INCENTIVOS FISCAIS PERC REGULARIDADE FISCAL. MOMENTO DA COMPROVAÇÃO. CERTIDÃO DE REGULARIDADE FISCAL. Não deve persistir o indeferimento do PERC quando o contribuinte comprova sua regularidade fiscal através de certidões negativas ou positivas com efeitos de negativa dentro do prazo de validade, no momento do despacho denegatório do seu pleito. – É ilegal o indeferimento de PERC em razão de débitos posteriores ao exercício da opção pela aplicação nos Fundos de Investimento. Recurso Voluntário Provido, Do voto proferido pelo Ilustre Conselheiro, extraio os seguintes trechos: Ora, conforme aduzido pelo próprio Recorrente, a regularidade fiscal do contribuinte deve ser aferida quanto ao período relacionado à opção, que, no presente caso, deveria ser de 1995 ou, no máximo de 1996, ano de entrega da declaração de rendimentos. Noutro falar, não deve prevalecer o indeferimento do PERC, quando o contribuinte comprova sua regularidade fiscal com a indicação de existência de certidão negativa ou positiva com efeito de negativa, no momento do despacho denegatório de seu pleito. Isto porque, o momento em que deve ser comprovada a regularidade fiscal, pelo sujeito passivo, com vistas ao gozo do beneficio fiscal, deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica onde se deu a opção pelo incentivo, inclusive o primeiro despacho decisório se deu em 2000, sendo a retificadora entregue em 1996 (fls. 85), evidenciando, naquela oportunidade, que o débito encontravase suspenso por medida liminar, tendo sido inscrito na dívida ativa equivocadamente, conforme consta a fls.258 verso e clara petição do sujeito passivo a fls. 256/257. Este entendimento foi adotado em recente julgamento deste E. I° Conselho de Contribuintes, que em caso semelhante, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso, restando assim ementado: "INCENTIVOS FISCAIS PERC — REGULARIDADE FISCAL. MOMENTO DA COMPROVAÇÃO. CERTIDÃO DE REGULARIDADE FISCAL. Não deve persistir o indeferimento do PERC quando o contribuinte comprova sua regularidade fiscal através de certidões negativas ou positivas com efeitos de negativa dentro do prazo de validade, no momento do despacho denegatá rio do seu pleito. É ilegal o indeferimento de PERC em razão de débitos posteriores ao exercício da opção pela aplicação nos Fundos de Investimento. Recurso Provido". (Recurso n" 159255; 7a. Câmara; Relatora Silvana Rescigno Guerra Barreto; Sessão 06/03/2008; Acórdão 10709323). Fl. 499DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 24/01/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11610.002504/0067 Acórdão n.º 1801001.825 S1TE01 Fl. 6 9 E ainda o Acórdão n º 19500.110, de 10/12/2008, do então 1o. Conselho de Contribuintes 5a. Turma Especial de relatoria do Conselheiro Luciano Inocêncio dos Santos, que tem a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2001 Ementa: INCENTIVOS FISCAIS "PERC" – COMPROVAÇÃO DA REGULARIDADE FISCAL A comprovação da regularidade fiscal deve se reportar à data da opção do beneficio, pelo contribuinte, com a entrega da declaração de rendimentos. Comprovada a regularidade fiscal em qualquer fase do processo ou não logrando a administração tributária comprovar irregularidades que se reportem ao momento da opção pelo beneficio, deve ser deferida a apreciação do Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais PERC. E do voto: Destarte, que este conselho reiteradamente tem se manifestado no sentido de que não é razoável exigir do contribuinte a comprovação de sua regularidade fiscal no momento (incerto) de exame do PERC, devendo esta comprovação se reportar ao momento da opção pelo incentivo fiscal, com a entrega da DIPJ. Por outro lado, a falta de definição legal acerca do momento em que a regularidade fiscal deve ser comprovada, torna possível (ao contribuinte) que essa comprovação se faça em qualquer fase do processo. Com efeito, esse entendimento já se encontra assentado neste conselho, como se extrai do brilhante voto da lavra do Conselheiro Caio Marcos Cândido, no acórdão n° 10196.863 de 13/08/2008, da l° Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, que assevera (in verbis): "O sentido da lei não é impedir que o contribuinte em débito usufrua o beneficio fiscal, mas sim, condicionar seu gozo à quitação do débito. Dessa forma, a comprovação da regularidade fiscal, visando o deferimento do PERC deve recair sobre aqueles débitos existentes na data da entrega da declaração, o que poderá ser feito em qualquer fase do processo." (Nossos Grifos) Corrobora essa assertiva também a brilhante decisão que teve como relator o Ilustre Conselheiro Antonio Bezerra Neto da 3a. Câmara do 1° Conselho de contribuintes, cuja ementa, peço vênia para transcrever (in verbis): "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário:1997 Ementa: PERC — DEMONSTRAÇÃO DE REGULARIDADE FISCAL. Fl. 500DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 24/01/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 10 Para obtenção de beneficio fiscal, o artigo 60 da Lei 9.069/95 prevê a demonstração da regularidade no cumprimento de obrigações tributárias em face da Fazenda Nacional. Em homenagem à decidibilidade e ao princípio da segurança jurídica, o momento da aferição de regularidade deve se dar na data da opção do beneficio, entretanto, caso tal marco seja deslocado pela autoridade administrativa para o momento do exame do PERC, da mesma forma também seria cabível o deslocamento desse marco pelo contribuinte, que se daria pela regularização procedida enquanto não esgotada a discussão administrativa sobre o direito ao benefício fiscal. Publicado no D.O.U. n°226 de 20/11/2008. Acórdão n°10323569 da 3a. Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, na sessão de 17/09/2008 Relator Conselheiro Antonio Bezerra Neto. (Nossos Grifos). No caso tratado nos presentes autos, a autoridade administrativa deslocou a aferição da regularidade fiscal da empresa para o momento em que examinou o PERC. Nessas condições, devese admitir a comprovação da regularidade fiscal, pela defesa, no momento da apresentação do recurso voluntário, já que ainda não esgotada a discussão acerca de seu pleito na esfera administrativa. Por todo o exposto voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 501DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 24/01/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 11020.000004/2009-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Nov 25 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2005
ITR. ISENÇÃO. ÁREAS DE MATA NATIVA.
Em 2005, as áreas de mata nativa somente poderiam ser excluídas da base de cálculo do imposto se fossem efetivamente caracterizadas como áreas de preservação permanente ou de reserva legal, nos termos dos artigos 2o. e 16 do Código Florestal, o que não se verificou no presente caso.
A partir de 2007, não integram a área tributável desde que observem o disposto no art. 10, parágrafo 1o. , inciso II, alínea e, da Lei n.° 9.393, de 1996.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2101-002.322
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente
(assinado digitalmente)
ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Celia Maria de Souza Murphy, Francisco Marconi de Oliveira, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA - Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Celia Maria de Souza Murphy, Francisco Marconi de Oliveira, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage.
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ISENÇÃO. ÁREAS DE “MATA NATIVA”. Em 2005, as áreas de “mata nativa” somente poderiam ser excluídas da base de cálculo do imposto se fossem efetivamente caracterizadas como áreas de preservação permanente ou de reserva legal, nos termos dos artigos 2o. e 16 do Código Florestal, o que não se verificou no presente caso. A partir de 2007, não integram a área tributável desde que observem o disposto no art. 10, parágrafo 1o. , inciso II, alínea “e”, da Lei n.° 9.393, de 1996. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 00 04 /2 00 9- 12 Fl. 142DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 17/10/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11020.000004/200912 Acórdão n.º 2101002.322 S2C1T1 Fl. 142 2 Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Celia Maria de Souza Murphy, Francisco Marconi de Oliveira, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 117/135) interposto em 28 de outubro de 2011 contra o acórdão de fls. 109/112, do qual o Recorrente teve ciência em 10 de outubro de 2011 (fl. 116), proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande (MS), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o auto de infração de fls. 71/73, lavrado em 05 de janeiro de 2009, em virtude da falta de recolhimento do imposto sobre a propriedade territorial rural, verificada no exercício de 2005. O acórdão teve a seguinte ementa: “Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR Exercício: 2005 PRESERVAÇÃO PERMANENTE. Além de constar de ADA tempestivo, a área de preservação permanente deve também ser comprovada com Laudo Técnico, que deve discriminar as áreas, com o pertinente enquadramento previsto na Lei n° 4.771/1965 (arts. 2º e 3º), com as alterações da Lei n° 7.803/1989. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” (fl. 109) Não se conformando, o Recorrente interpôs o recurso voluntário de fls. 117/135, pedindo a reforma do acórdão recorrido, para cancelar o crédito tributário. É o relatório. Voto Conselheiro ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Relator O recurso preenche seus requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. O Recorrente aduz, basicamente, em seu recurso voluntário, ter comprovado nos autos que a área de mata nativa apontada foi comprovada por meio de laudo técnico, motivo pelo qual deveria ser considerada área de preservação permanente, para efeitos do cálculo do ITR. Tendo em vista que a matéria no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) é recorrente, cumpre tecer alguns breves esclarecimentos antes de adentrar na questão especificamente debatida nestes autos. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 17/10/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11020.000004/200912 Acórdão n.º 2101002.322 S2C1T1 Fl. 143 3 De fato, como é cediço, o imposto sobre a propriedade territorial rural, de competência da União, na forma do art. 153, VI, da Constituição, incide nas hipóteses previstas no art. 29 do Código Tributário Nacional, ora trazido à baila, in verbis: “Art. 29. O imposto, de competência da União, sobre a propriedade territorial rural tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, como definido na lei civil, localizado fora da zona urbana do Município.” À guisa do disposto pelo Código Tributário Nacional, a União promulgou a Lei Federal n.º 9.393/96, que, na esteira do estatuído pelo art. 29 do CTN, instituiu, em seu art. 1º, como hipótese de incidência do tributo, a “propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana do município”. Sem adentrar especificamente na discussão a respeito da eventual ampliação do conceito de propriedade albergado pela Constituição Federal pelo disposto nos artigos citados, ao incluírem como fato gerador do ITR o domínio útil e a posse (cum animus domini), tema que não releva na análise do presente recurso, verificase que não há qualquer discussão a respeito da incidência do tributo no que toca às áreas de preservação permanente ou de reserva florestal legal. Com efeito, muito embora em tais áreas a utilização da propriedade deva observar a regulamentação ambiental específica, disso não decorre a consideração de que referida parcela do imóvel estaria fora da hipótese de incidência do ITR. Isso porque, como se sabe, o direito de propriedade, expressamente garantido no inciso XXII do art. 5º da CF, possui limitação constitucional assentada em sua função social (art. 5º, XIII, da CF). Nesse sentido, consoante salienta Gilmar Mendes (et. al.), possui o legislador uma relativa liberdade para conformação do direito de propriedade, devendo preservar, contudo, “o núcleo essencial do direito de propriedade, constituído pela utilidade privada e, fundamentalmente, pelo poder de disposição. A vinculação social da propriedade, que legitima a imposição de restrições, não pode ir ao ponto de colocála, única e exclusivamente, a serviço do Estado ou da comunidade.” (MENDES, Gilmar Ferreira (et. al.). Curso de direito constitucional. 4ª ed. São Paulo: Saraiva, 2009. p. 483). No que atine à regulação ambiental, deste modo, verificase que a legislação, muito embora restrinja o uso do imóvel em virtude do interesse na preservação do meio ambiente ecologicamente equilibrado, na forma como estabelecido pela Constituição da República, não elimina as faculdades de usar, gozar e dispor do bem, tal como previstas pela legislação cível. Com fundamento no exposto, não versando os autos sobre hipótese de não incidência do tributo, mas, sim, de autêntica isenção ou, como querem alguns, redução da base de cálculo do ITR, dispôs a Lei Federal n.º 9.393/96, em seu art. 10, o seguinte: “Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: [...] Fl. 144DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 17/10/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11020.000004/200912 Acórdão n.º 2101002.322 S2C1T1 Fl. 144 4 II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989” (grifei). Havendo referido dispositivo legal feito expressa referência a conceitos desenvolvidos em outro ramo do Direito, mais especificamente no que toca à seara ambiental, oportuno se faz recorrer ao arcabouço legislativo desenvolvido neste campo específico, na forma indicada pelo art. 109 do CTN, para o fim de compreender, satisfatoriamente, o que se entende por áreas de preservação permanente e de reserva legal, estabelecidas como hipótese de isenção do ITR (redução do correspondente aspecto quantitativo). A respeito especificamente da chamada “área de preservação permanente” (APP), dispõe o Código Florestal, Lei n.º 4.771/65, atualmente regulada, também, pelas Resoluções CONAMA n. 302 e 303 de 2002, o seguinte: “Art. 2° Consideramse de preservação permanente, pelo só efeito desta Lei, as florestas e demais formas de vegetação natural situadas: a) ao longo dos rios ou de qualquer curso d'água desde o seu nível mais alto em faixa marginal cuja largura mínima será: 1 de 30 (trinta) metros para os cursos d'água de menos de 10 (dez) metros de largura; 2 de 50 (cinquenta) metros para os cursos d'água que tenham de 10 (dez) a 50 (cinquenta) metros de largura; 3 de 100 (cem) metros para os cursos d'água que tenham de 50 (cinquenta) a 200 (duzentos) metros de largura; 4 de 200 (duzentos) metros para os cursos d'água que tenham de 200 (duzentos) a 600 (seiscentos) metros de largura; 5 de 500 (quinhentos) metros para os cursos d'água que tenham largura superior a 600 (seiscentos) metros; b) ao redor das lagoas, lagos ou reservatórios d'água naturais ou artificiais; c) nas nascentes, ainda que intermitentes e nos chamados "olhos d'água", qualquer que seja a sua situação topográfica, num raio mínimo de 50 (cinquenta) metros de largura; d) no topo de morros, montes, montanhas e serras; e) nas encostas ou partes destas, com declividade superior a 45°, equivalente a 100% na linha de maior declive; f) nas restingas, como fixadoras de dunas ou estabilizadoras de mangues; g) nas bordas dos tabuleiros ou chapadas, a partir da linha de ruptura do relevo, em faixa nunca inferior a 100 (cem) metros em projeções horizontais; h) em altitude superior a 1.800 (mil e oitocentos) metros, qualquer que seja a vegetação. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 17/10/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11020.000004/200912 Acórdão n.º 2101002.322 S2C1T1 Fl. 145 5 Parágrafo único. No caso de áreas urbanas, assim entendidas as compreendidas nos perímetros urbanos definidos por lei municipal, e nas regiões metropolitanas e aglomerações urbanas, em todo o território abrangido, observarse á o disposto nos respectivos planos diretores e leis de uso do solo, respeitados os princípios e limites a que se refere este artigo. Art. 3º Consideramse, ainda, de preservação permanente, quando assim declaradas por ato do Poder Público, as florestas e demais formas de vegetação natural destinadas: a) a atenuar a erosão das terras; b) a fixar as dunas; c) a formar faixas de proteção ao longo de rodovias e ferrovias; d) a auxiliar a defesa do território nacional a critério das autoridades militares; e) a proteger sítios de excepcional beleza ou de valor científico ou histórico; f) a asilar exemplares da fauna ou flora ameaçados de extinção; g) a manter o ambiente necessário à vida das populações silvícolas; h) a assegurar condições de bemestar público. § 1° A supressão total ou parcial de florestas de preservação permanente só será admitida com prévia autorização do Poder Executivo Federal, quando for necessária à execução de obras, planos, atividades ou projetos de utilidade pública ou interesse social. § 2º As florestas que integram o Patrimônio Indígena ficam sujeitas ao regime de preservação permanente (letra g) pelo só efeito desta Lei.” Verificase, à luz do que se extrai dos artigos em referência, que a legislação considera como área de preservação permanente, trazendo à baila a lição de Edis Milaré, as “florestas e demais formas de vegetação que não podem ser removidas, tendo em vista a sua localização e a sua função ecológica” (MILARÉ, Edis. Direito do ambiente: doutrina, jurisprudência, glossário. 5ª ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2007. p. 691). Vale notar, nesse sentido, que nas áreas de preservação permanente, consoante esclarece o disposto pelo §1º do art. 3º, citado supra, não há qualquer possibilidade de supressão das florestas, apenas excetuada tal regra nos casos de execução de obras, planos, atividades ou projetos de utilidade pública ou interesse social. Não se confunde com a área de preservação permanente, no entanto, a chamada área de reserva legal, ou reserva florestal legal, cujos contornos são estabelecidos igualmente pelo Código Florestal, mais especificamente em seu art. 16, que, na redação vigente, isto é, com a redação que lhe foi dada pela MP 2.16667/2001, assim dispõe: “Art. 16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: Fl. 146DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 17/10/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11020.000004/200912 Acórdão n.º 2101002.322 S2C1T1 Fl. 146 6 I oitenta por cento, na propriedade rural situada em área de floresta localizada na Amazônia Legal; II trinta e cinco por cento, na propriedade rural situada em área de cerrado localizada na Amazônia Legal, sendo no mínimo vinte por cento na propriedade e quinze por cento na forma de compensação em outra área, desde que esteja localizada na mesma microbacia, e seja averbada nos termos do § 7o deste artigo; III vinte por cento, na propriedade rural situada em área de floresta ou outras formas de vegetação nativa localizada nas demais regiões do País; e IV vinte por cento, na propriedade rural em área de campos gerais localizada em qualquer região do País. § 1o O percentual de reserva legal na propriedade situada em área de floresta e cerrado será definido considerando separadamente os índices contidos nos incisos I e II deste artigo. § 2o A vegetação da reserva legal não pode ser suprimida, podendo apenas ser utilizada sob regime de manejo florestal sustentável, de acordo com princípios e critérios técnicos e científicos estabelecidos no regulamento, ressalvadas as hipóteses previstas no § 3o deste artigo, sem prejuízo das demais legislações específicas. § 3o Para cumprimento da manutenção ou compensação da área de reserva legal em pequena propriedade ou posse rural familiar, podem ser computados os plantios de árvores frutíferas ornamentais ou industriais, compostos por espécies exóticas, cultivadas em sistema intercalar ou em consórcio com espécies nativas. § 4o A localização da reserva legal deve ser aprovada pelo órgão ambiental estadual competente ou, mediante convênio, pelo órgão ambiental municipal ou outra instituição devidamente habilitada, devendo ser considerados, no processo de aprovação, a função social da propriedade, e os seguintes critérios e instrumentos, quando houver: I o plano de bacia hidrográfica; II o plano diretor municipal; III o zoneamento ecológicoeconômico; IV outras categorias de zoneamento ambiental; e V a proximidade com outra Reserva Legal, Área de Preservação Permanente, unidade de conservação ou outra área legalmente protegida. § 5o O Poder Executivo, se for indicado pelo Zoneamento Ecológico Econômico ZEE e pelo Zoneamento Agrícola, ouvidos o CONAMA, o Ministério do Meio Ambiente e o Ministério da Agricultura e do Abastecimento, poderá: I reduzir, para fins de recomposição, a reserva legal, na Amazônia Legal, para até cinqüenta por cento da propriedade, excluídas, em qualquer caso, as Áreas de Preservação Permanente, os ecótonos, os sítios e ecossistemas especialmente protegidos, os locais de expressiva biodiversidade e os corredores ecológicos; e II ampliar as áreas de reserva legal, em até cinqüenta por cento dos índices previstos neste Código, em todo o território nacional. Fl. 147DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 17/10/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11020.000004/200912 Acórdão n.º 2101002.322 S2C1T1 Fl. 147 7 § 6o Será admitido, pelo órgão ambiental competente, o cômputo das áreas relativas à vegetação nativa existente em área de preservação permanente no cálculo do percentual de reserva legal, desde que não implique em conversão de novas áreas para o uso alternativo do solo, e quando a soma da vegetação nativa em área de preservação permanente e reserva legal exceder a: I oitenta por cento da propriedade rural localizada na Amazônia Legal; II cinqüenta por cento da propriedade rural localizada nas demais regiões do País; e III vinte e cinco por cento da pequena propriedade definida pelas alíneas "b" e "c" do inciso I do § 2o do art. 1o. § 7o O regime de uso da área de preservação permanente não se altera na hipótese prevista no § 6o. § 8o A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. § 9o A averbação da reserva legal da pequena propriedade ou posse rural familiar é gratuita, devendo o Poder Público prestar apoio técnico e jurídico, quando necessário. § 10. Na posse, a reserva legal é assegurada por Termo de Ajustamento de Conduta, firmado pelo possuidor com o órgão ambiental estadual ou federal competente, com força de título executivo e contendo, no mínimo, a localização da reserva legal, as suas características ecológicas básicas e a proibição de supressão de sua vegetação, aplicandose, no que couber, as mesmas disposições previstas neste Código para a propriedade rural. § 11. Poderá ser instituída reserva legal em regime de condomínio entre mais de uma propriedade, respeitado o percentual legal em relação a cada imóvel, mediante a aprovação do órgão ambiental estadual competente e as devidas averbações referentes a todos os imóveis envolvidos. (...) Art. 44. O proprietário ou possuidor de imóvel rural com área de floresta nativa, natural, primitiva ou regenerada ou outra forma de vegetação nativa em extensão inferior ao estabelecido nos incisos I, II, III e IV do art. 16, ressalvado o disposto nos seus §§ 5o e 6o, deve adotar as seguintes alternativas, isoladas ou conjuntamente: I recompor a reserva legal de sua propriedade mediante o plantio, a cada três anos, de no mínimo 1/10 da área total necessária à sua complementação, com espécies nativas, de acordo com critérios estabelecidos pelo órgão ambiental estadual competente; II conduzir a regeneração natural da reserva legal; e III compensar a reserva legal por outra área equivalente em importância ecológica e extensão, desde que pertença ao mesmo ecossistema e esteja localizada na mesma microbacia, conforme critérios estabelecidos em regulamento. Fl. 148DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 17/10/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11020.000004/200912 Acórdão n.º 2101002.322 S2C1T1 Fl. 148 8 § 1o Na recomposição de que trata o inciso I, o órgão ambiental estadual competente deve apoiar tecnicamente a pequena propriedade ou posse rural familiar. § 2o A recomposição de que trata o inciso I pode ser realizada mediante o plantio temporário de espécies exóticas como pioneiras, visando a restauração do ecossistema original, de acordo com critérios técnicos gerais estabelecidos pelo CONAMA. § 3o A regeneração de que trata o inciso II será autorizada, pelo órgão ambiental estadual competente, quando sua viabilidade for comprovada por laudo técnico, podendo ser exigido o isolamento da área. § 4o Na impossibilidade de compensação da reserva legal dentro da mesma microbacia hidrográfica, deve o órgão ambiental estadual competente aplicar o critério de maior proximidade possível entre a propriedade desprovida de reserva legal e a área escolhida para compensação, desde que na mesma bacia hidrográfica e no mesmo Estado, atendido, quando houver, o respectivo Plano de Bacia Hidrográfica, e respeitadas as demais condicionantes estabelecidas no inciso III. § 5o A compensação de que trata o inciso III deste artigo, deverá ser submetida à aprovação pelo órgão ambiental estadual competente, e pode ser implementada mediante o arrendamento de área sob regime de servidão florestal ou reserva legal, ou aquisição de cotas de que trata o art. 44B. (...)” O Código Florestal estabelece, em sua essência, como lembra MILARÉ, a idéia de disciplinar a supressão tanto das florestas e demais formas de vegetação nativa, excetuadas as áreas de preservação permanente, vistas anteriormente, como, igualmente, das florestas não sujeitas ao regime de utilização limitada, ou já objeto de legislação específica (MILARÉ, Edis. op. cit. p. 702). Nesse sentido, lembra o referido ambientalista que “ao permitir tal supressão [de florestas] determina que se mantenha obrigatoriamente uma parte da propriedade rural com cobertura florestal ou com outra forma de vegetação nativa”, delimitando, assim, “a porção a ser constituída como Reserva da Floresta Legal” (Op. cit. p. 702). A reserva florestal legal, portanto, sendo um percentual determinado por lei para a preservação da vegetação nativa do imóvel rural, constitui, como afirma Paulo de Bessa Antunes, “uma obrigação que recai diretamente sobre o proprietário do imóvel, independentemente de sua pessoa ou da forma pela qual tenha adquirido a propriedade”, estando, assim, “umbilicalmente ligada à própria coisa, permanecendo aderida ao bem” (ANTUNES, Paulo de Bessa. Poder Judiciário e reserva legal: análise de recentes decisões do Superior Tribunal de Justiça. In: Revista de Direito Ambiental n.º 21. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2001, p. 120). À luz do exposto, verificase que as restrições ambientais, tanto nos casos de áreas de preservação permanente, como naqueles em que há reserva legal, decorrem, explicitamente, da ocorrência ou verificação, in loco, dos pressupostos legais apontados pela legislação, inexistindo, portanto, qualquer discricionariedade por parte do proprietário ou agente público. Nesse passo, consoante se extrai da legislação ambiental trazida à baila, não há a exigência, para o cumprimento das normas relativas às áreas de preservação permanente Fl. 149DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 17/10/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11020.000004/200912 Acórdão n.º 2101002.322 S2C1T1 Fl. 149 9 ou de reserva legal, de qualquer ato público que as constitua, mas, apenas e tãosomente, da ocorrência das hipóteses legais previstas pelo Código Florestal, bem como pelos demais atos normativos primários que disponham sobre o tema. À guisa do exposto, portanto, a averbação à margem da matrícula do imóvel da área de reserva florestal legal, com a devida vênia daqueles que entendem de forma diversa, não tem natureza constitutiva, mas simplesmente declaratória, tendo em vista que, excetuadas as hipóteses especificamente mencionadas na legislação, a observância do percentual de 20% previsto em lei independe de qualquer averbação, estando apenas sujeita à aprovação da sua localização por órgão ambiental estadual competente ou, mediante convênio, pelo órgão ambiental municipal ou outra instituição devidamente habilitada, na forma do §4º do art. 16 da Lei n.º 4.771/65. Nesse sentido, oportuno afirmar que, muito embora a legislação preveja a necessidade de averbação da reserva legal, de acordo com o que dispõe o §8º do art. 16 da Lei n.º 4.771/65, a sanção decorrente da falta de averbação da área de reserva legal, prevista pelo art. 55 do Decreto n.º 6.514/2008, encontrase atualmente prorrogada para 2011, de acordo com o que estatui o Decreto Federal n.º 7.029/2009, razão pela qual se infere que a legislação concedeu um período de adaptação aos proprietários, a fim de que possam cumprir referida determinação legal, deixando de cominarlhes qualquer penalidade em decorrência da falta de averbação de referida área. Por tais razões, especialmente por entender que a observância dos percentuais fixados em lei para exploração de área rural decorre de normas de ordem pública, que não podem ser afastadas pelo contribuinte pelo simples fato de que não procedeu este à competente averbação, tenho para mim que esta última possui caráter nitidamente declaratório, sendo necessária para conferir publicidade ao gravame fixado que, como já se verberou oportunamente, decorre diretamente da legislação ambiental. Além da desnecessidade de averbação, para o fim específico de constituir as áreas de reserva florestal legal, igualmente não havia, até o exercício de 2000, qualquer fundamento legal para a exigência da entrega do Ato Declaratório Ambiental (ADA) para o fim de reduzir a base de cálculo do ITR. Nesse sentido, aliás, dispunha o art. 17O, da Lei Federal n.º 6.938/81, com a redação que lhe foi conferida pela Lei n. 9.960/2000, o seguinte: "Art. 17O. Os proprietários rurais, que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao Ibama 10% (dez por cento) do valor auferido como redução do referido Imposto, a título de preço público pela prestação de serviços técnicos de vistoria." (AC) "§ 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é opcional." Por esta razão, portanto, isto é, por inexistir qualquer fundamento legal para a entrega tempestiva do ADA, como requisito para a fruição da redução da base de cálculo prevista pela legislação atinente ao ITR, a 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais aprovou a seguinte súmula, extraída do texto da Portaria n.º 106/2009: “A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000.” Fl. 150DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 17/10/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11020.000004/200912 Acórdão n.º 2101002.322 S2C1T1 Fl. 150 10 Pois bem. Muito embora inexistisse, até o exercício de 2000, qualquer fundamento para a exigência da entrega do ADA como requisito para a fruição da isenção, com o advento da Lei Federal n.º 10.165/2000 alterouse a redação do §1º do art. 17O da Lei n.º 6.938/81, que passou a vigorar da seguinte forma: “Art. 17O. (...) § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória.” Ora, de acordo com uma interpretação evolutiva do referido dispositivo legal, isto é, cotejandose o texto aprovado quando da edição da Lei n.º 9.960/00, em contraposição à modificação introduzida pela Lei n.º 10.165/00, verificase que, para o fim específico da legislação tributária, passouse a exigir a apresentação do ADA, como requisito inafastável para a fruição da redução da base de cálculo prevista pela Lei n.º 9.393/96, mais especificamente por seu art. 10, §1º, II. Assim, sendo certo que as normas que instituem isenções devem ser interpretadas de forma estrita, ainda que não se recorra somente ao seu aspecto literal, como se poderia entender de uma análise superficial do art. 111, do Código Tributário Nacional, fato é que, no que atine às regras tratadas como exclusão do crédito tributário pelo referido codex, a legislação não pode ser interpretada de maneira extensiva, de maneira que não há como afastar a exigência do ADA para o fim específico de possibilitar a redução da base de cálculo do ITR. Importante gizar, outrossim, ainda no que concerne à obrigatoriedade de apresentação do ADA, que não há que se falar em revogação do referido dispositivo pelo §7º do art. 10 da Lei n.º 9.393/96, instituído pela Medida Provisória n.º 2.16667/01, tendo em vista que a inversão do ônus da prova prevista no referido dispositivo referese justamente às declarações feitas pelo contribuinte no próprio Ato Declaratório Ambiental (ADA), de modo que não estabelece referido dispositivo legal qualquer desnecessidade de apresentação deste último. Feita esta observação, relativa, portanto, à obrigatoriedade de apresentação do ADA, cumpre mover à análise do prazo em que poderia o contribuinte protocolizar referida declaração no órgão competente. No que toca a este aspecto específico, tenho para mim que é absolutamente relevante uma digressão a respeito da mens legis que norteou a alteração do texto do art. 17O da Lei n.º 6.938/81. Analisandose, nesse passo, o real intento do legislador ao estabelecer a obrigatoriedade de apresentação do ADA, podese inferir que a mudança de paradigma deveu se a razões atinentes à efetividade da norma isencional, especialmente no que concerne à aferição do real cumprimento das normas ambientais pelo contribuinte, de maneira a permitir que este último possa usufruir da redução da base de cálculo do ITR. Em outras palavras, a efetiva exigência do ADA para o fim específico da fruição da redução da base de cálculo do ITR foi permitir uma efetiva fiscalização por parte da Receita Federal da preservação das áreas de reserva legal ou de preservação permanente, utilizandose, para este fim específico, do poder de polícia atribuído ao IBAMA. Fl. 151DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 17/10/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11020.000004/200912 Acórdão n.º 2101002.322 S2C1T1 Fl. 151 11 Em síntese, podese afirmar que a alteração no regramento legal teve por escopo razões de praticabilidade tributária, a partir da criação de um dever legal que permita, como afirma Helenílson Cunha Pontes, uma “razoável efetividade da norma tributária” (PONTES, Helenílson Cunha. O princípio da praticidade no Direito Tributário (substituição tributária, plantas de valores, retenções de fonte, presunções e ficções, etc.): sua necessidade e seus limites. In: Revista Internacional de Direito Tributário, v. 1, n.º 2. Belo Horizonte, jul/dez2004, p. 57) , no caso da norma isencional. De fato, no caso da redução da base de cálculo do ITR, mais especificamente no que atine às áreas de interesse ambiental lato sensu, além da necessidade de fiscalizar um número extenso de contribuintes, exigirseia, não fosse a necessidade da obrigatória protocolização do ADA, que a Receita Federal tomasse para si o dever de fiscalizar o extenso volume de propriedades rurais compreendido no território nacional, o que, do ponto de vista econômico, não teria qualquer viabilidade. Por esta razão, assim, passouse, com o advento da Lei Federal n.º 10.165/00 a exigir, de forma obrigatória, a apresentação do ADA para o fim de permitir a redução da base de cálculo do ITR, declaração esta sujeita ao poder de polícia do IBAMA. Tratandose, portanto, da interpretação do dispositivo em comento, deve o aplicador do direito, neste conceito compreendido o julgador, analisar o conteúdo principiológico que norteia referido dispositivo legal, a fim de conferirlhe o sentido que melhor se amolda aos objetivos legais. Partindose desta premissa basilar, verificase que o art. 17O da Lei n.º 6.938/81, em que pese o fato de imprimir, de forma inafastável, o dever de apresentar o ADA, não estabelece qualquer exigência no que toca à necessidade de sua protocolização em prazo fixado pela Receita Federal para o fim específico de permitir a redução da base de cálculo do ITR. A exigência de protocolo tempestivo do ADA, para o fim específico da redução da base de cálculo do ITR, não decorre expressamente de lei, mas sim do art. 10, §3º, I, do Decreto n.º 4.382/2002, que, inclusive, data de setembro de 2002, posterior à data da ocorrência do fato gerador, no caso que ora se trata. Querse com isso dizer, portanto, que, muito embora a legislação tratasse, de maneira inolvidável, a respeito da entrega do Ato Declaratório Ambiental, para o fim específico da redução da base de cálculo do ITR, não havia, sequer no âmbito do poder regulamentar, disposição alguma a respeito do prazo para sua apresentação, e, menos ainda, que possibilitasse à Receita Federal desconsiderar a existência de áreas de preservação permanente ou de reserva legal no caso de apresentação intempestiva do ADA. Com efeito, sendo certo que a instituição de tributos ou mesmo da exclusão do crédito tributário, na forma como denominada pelo Código Tributário Nacional, são matérias que devem ser integralmente previstas em lei, na forma como estatuído pelo art. 97, do CTN, mais especificamente no que toca ao seu inciso VI, não poderia sequer o poder regulamentar estabelecer a desconsideração da isenção tributária no caso da mera apresentação intempestiva do ADA. Repisese, nesse sentido, que não se discute que a lei tenha instituído a obrigatoriedade da apresentação do ADA, mas, sim, que o prazo de seis meses, contado da Fl. 152DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 17/10/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11020.000004/200912 Acórdão n.º 2101002.322 S2C1T1 Fl. 152 12 entrega da DITR, foi instituído apenas por instrução normativa, muito posteriormente embasada pelo Decreto n.º 4.382/2002, o que, com a devida vênia, não merece prosperar. Em virtude, portanto, da ausência de estabelecimento de um critério rígido quanto ao prazo para a apresentação do ADA, eis que não se encontra previsto em lei, cumpre recorrer aos mecanismos de integração da legislação tributária, de maneira a imprimir eficácia no disposto pelo art. 17O da Lei n.º 6.398/81. Dentre os mecanismos de integração previstos pelo ordenamento jurídico, dispõe o Código Tributário Nacional, em seu art. 108, I, que deve o aplicador recorrer à analogia, sendo referida opção vedada apenas no que toca à instituição de tributos não previstos em lei, o que, ressaltese, não é o caso. Nesse esteio, recorrendose à analogia para o preenchimento de referida lacuna, devese recorrer à legislação do ITR relativa às demais declarações firmadas pelo contribuinte, mais especificamente no que atine à DIAT e à DIAC, expressamente contempladas pela Lei n.º 9.393/96, aplicadas ao presente caso tendose sempre em vista o escopo da norma inserida no texto do art. 17O da Lei n.º 6.398/81, isto é, imprimir praticabilidade à aferição da existência das áreas de reserva legal e preservação permanente, para o fim específico da isenção tributária. Pois bem. Sendo certo que a apresentação do ADA cumpre o papel de imprimir praticabilidade à apuração da área tributável, verificase que cumpre o escopo da norma a sua entrega até o início da fiscalização, momento a partir do qual a apresentação já não mais cumprirá seu desiderato. De fato, até o início da fiscalização em face do contribuinte, verificase que a entrega do ADA possibilitará a consideração, por parte da Receita Federal, da redução da base de cálculo do ITR, submetendo as declarações do contribuinte ao pálio do órgão ambiental competente e retirando referida aferição do âmbito da Receita Federal do Brasil. A entrega, portanto, ainda que intempestiva, muito embora pudesse ensejar a aplicação de uma multa específica, caso existisse referida norma sancionatória, seria equivalente à retificação das demais declarações relativas ao ITR, isto é, da DIAT e da DIAC, devendo, pois, ter o mesmo tratamento que estas últimas, em consonância com o que estatui o brocardo jurídico “ubi eadem ratio, ibi eaedem legis dispositio”, isto é, onde há o mesmo racional, a legislação não pode aplicar critérios distintos. À guisa do exposto, portanto, no que toca à entrega do ADA, tenho para mim que cumpre seu desiderato até o momento do início da fiscalização, a partir do qual a omissão do contribuinte ensejou a necessidade de fiscalização específica relativa ao recolhimento do ITR, o que implica nos custos administrativos inerentes a este fato. Assim, aplicase ao ADA, de acordo com este entendimento basilar, a regra prevista pelo art. 18 da Medida Provisória n.º 2.18949/01, que assim dispõe, verbis: “Art. 18. A retificação de declaração de impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nas hipóteses em que admitida, terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, independentemente de autorização pela autoridade administrativa.” Fl. 153DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 17/10/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11020.000004/200912 Acórdão n.º 2101002.322 S2C1T1 Fl. 153 13 De acordo com a interpretação que ora se sustenta, pois, é permitida a entrega do ADA, ainda que intempestivamente, desde que o contribuinte o faça até o início da fiscalização. Poderseia sustentar, inclusive, que o ADA poderia ser substituído por outros documentos que comprovassem efetivamente as áreas de preservação permanente e de reserva legal, à luz do que se extrai do próprio “Manual de Perguntas e Respostas” do Ato Declaratório Ambiental (ADA) editado pelo IBAMA em 2010. De fato, de acordo com a pergunta e resposta n. 10, não seria possível a apresentação retroativa do ADA, o qual, a partir do exercício de 2007, tornouse anual. Assim, a pergunta e resposta n. 11 orienta o administrado a adotar o seguinte procedimento, em virtude da impossibilidade de apresentação retroativa do ADA: “Em virtude da impossibilidade de procederse à apresentação de ADA, de um ou mais Exercícios anteriores – por não haver retroatividade –, recomendase que seja efetuado o preenchimento do formulário referente ao Exercício em vigor, mesmo porque a apresentação, a partir do ADA – Exercício 2007 tornouse ANUAL. É necessário, também, munirse de mapa(s) georreferenciado(s) da propriedade e respectivos laudos técnicos, se disponíveis. Sua apresentação, em um primeiro momento, não é necessária ao Ibama, porém, caso haja notificação pela Receita Federal do Brasil ao proprietário rural – pela não apresentação do ADA no Exercício devido –, à ela deverão ser apresentados.” Mais adiante, em resposta à pergunta n. 40 (“Que documentação pode ser exigida para comprovar a existência das áreas de interesse ambiental?”), o IBAMA relaciona os seguintes documentos: “● Ato Declaratório Ambiental – ADA e o comprovante da entrega do mesmo; ● Ato do Poder Público declarando as florestas e demais formas de vegetação natural como Área de Preservação Permanente, conforme dispõe o Código Florestal em seu artigo 3.; ● Laudo técnico emitido por engenheiro agrônomo ou florestal, acompanhado da Anotação de Responsabilidade Técnica – ART, que especifique e discrimine as Áreas de Interesse Ambiental (Área de Preservação Permanente; Área de Reserva Legal; Reserva Particular do Patrimônio Natural; Área de Declarado Interesse Ecológico; Área de Servidão Florestal ou Ambiental; Áreas Cobertas por Floresta Nativa; Áreas Alagadas para fins de Constituição de Reservatório de Usinas Hidrelétricas); ● Laudo de vistoria técnica do Ibama relativo à área de interesse ambiental; ● Certidão do Ibama ou de outro órgão de preservação ambiental (órgão ambiental estadual) referente às Áreas de Preservação Permanente e de Utilização Limitada; ● Certidão de registro ou cópia da matrícula do imóvel com averbação da Área de Reserva Legal; Fl. 154DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 17/10/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11020.000004/200912 Acórdão n.º 2101002.322 S2C1T1 Fl. 154 14 ● Termo de Responsabilidade de Averbação da Área de Reserva Legal (TRARL) ou Termo de Ajustamento de Conduta (TAC); ● Declaração de interesse ecológico de área imprestável, bem como, de áreas de proteção dos ecossistemas (Ato do Órgão competente, federal ou estadual – Ato do Poder Público – para áreas de declarado interesse ecológico): Se houver uma área no imóvel rural que sirva para a proteção dos ecossistemas e que não seja útil para a agricultura ou pecuária, pode ser solicitada ao órgão ambiental federal ou estadual a vistoria e a declaração daquela como uma Área de Interesse Ecológico. ● Certidão de registro ou cópia da matrícula do imóvel com averbação da Área de Servidão Florestal; ● Portaria do Ibama de reconhecimento da Área de Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN).” Podese concluir, portanto, que a própria Administração Pública, que não pode venire contra factum proprium, entende que tanto o ADA como a averbação da reserva legal têm efeito meramente declaratório, não sendo os únicos documentos comprobatórios das áreas de preservação permanente e de reserva legal, o que remete a solução da controvérsia, nas hipóteses em que ausentes a apresentação do referido ADA ou a averbação da reserva legal, à análise de cada caso concreto. No presente caso, o auto de infração foi lavrado pelos seguintes motivos: “De acordo com o Laudo Técnico apresentado, o levantamento planimétrico efetuado para demarcação das áreas de APP's, conforme o art. 2o. do Código Florestal (Lei n° 4.771/65), demonstrou que estas áreas totalizam 344,80 ha, constituindose em áreas que margeiam rios e arroios (202,57 ha), áreas de açudes, lagoas, lagos e banhados (128,88 ha) e áreas que circulam nascentes d'água (13,35 ha). Entretanto, em sua DITR o.contribuinte informou uma área de APP de 762 ha, excedendo, portanto, em 417,20 ha, que, segundo o Laudo Técnico, constituemse, genericamente, em área de "mata nativa". Essas áreas denominadas de matas nativas passaram a poder beneficiarse de isenção de ITR apenas a partir do exercício de 2007 e se em acordo com a legislação pertinente (Lei n°11.428/2006 que introduziu a alínea "e" no inciso II, § 1o., do art. 10 da Lei n° 9.393/96). Para efeitos tributários esta área, de 417,2 ha, que não se enquadra como área de preservação permanente e nem em nenhuma outra hipótese de.isenção prevista na Lei 9.393/96, não pode ser excluída da tributação de ITR.” A DRJ julgou improcedente a impugnação, confirmando esse entendimento, nos seguintes termos: “Na impugnação e no Laudo apresentado, a justificativa apresentada para a declaração da área como de preservação permanentes é que se trata de área de mata nativa. Registrese que as áreas cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração, não averbadas como reserva legal ou não enquadradas nas outras definições de áreas afastadas da tributação, somente foram afastadas da tributação pelo ITR. com o advento da Lei n.° 11.428, de 2006, que acrescentou a alínea "e" ao art. 10, parágrafo 1o. , inciso II, da Lei n.° 9.393, de 1996, anteriormente transcrito. E, portanto, não há justificativa Fl. 155DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 17/10/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11020.000004/200912 Acórdão n.º 2101002.322 S2C1T1 Fl. 155 15 para se reconhecer que as referidas áreas estavam isentas de ITR antes dessa alteração no artigo citado. Não há que se falar em retroação, pois a norma que estipula isenção somente tem validade para fatos geradores futuros e deve ser interpretada literalmente (Código Tributário Nacional, art. 111).” Em seu recurso, o Recorrente pede que a área de “mata nativa” seja considerada “área de preservação permanente” para os efeitos do cálculo do ITR. Ocorre, todavia, que, em 2005, ano do fato gerador do tributo, a área de “mata nativa” somente poderia ser excluída da base do cálculo do tributo se fosse efetivamente caracterizada como área de preservação permanente nos exatos termos do artigo 2o. do Código Florestal ou como área de reserva legal, à luz do artigo 16 do mesmo Código, o que não se verificou na hipótese dos autos. Assim, a decisão recorrida deve ser mantida por seus próprios fundamentos. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 156DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 17/10/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 10921.000340/2009-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Feb 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 16/01/2005 a 28/03/2005
INFORMAÇÕES SOBRE A CARGA TRANSPORTADA. RESPONSABILIDADE DA AGÊNCIA MARÍTIMA.
A agência marítima, por ser representante, no país, de transportadora estrangeira, é solidariamente responsável pelas infrações previstas no Decreto-lei nº 77, de 1966.
CORRETA DESCRIÇÃO DOS FATOS. FALTA DE MOTIVO PARA DECLARAÇÃO DE NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO.
Quando o auditor-fiscal relata com clareza e precisão os fatos ocorridos, não há motivo para declarar a nulidade do auto de infração com fundamento em falha na descrição dos fatos.
INFORMAÇÃO SOBRE O EMBARQUE PRESTADA FORA DO PRAZO. CONDUTA DESCRITA NO ART. 107, INCISO IV, ALÍNEA E, DO DECRETO-LEI Nº 37/66.
O contribuinte que tiver prestado as informações sobre as mercadorias embarcadas somente após o prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal comete a infração descrita no art. 107, inciso IV, alínea e, do Decreto-lei nº 37/66.
MULTA PREVISTA NA LEGISLAÇÃO. CÁLCULO CORRETO.
No caso em tela, foi aplicada a multa de R$ 5.000,00 por cada embarque com informação prestada fora do prazo, conforme previsão do art. 107, inciso IV, alínea e, do Decreto-lei nº 37/66. Portanto, não há que se falar em montante desproporcional ou desarrazoado.
INFORMAÇÃO SOBRE AS MERCADORIAS EMBARCARDAS PRESTADAS FORA DO PRAZO, MAS ANTES DO PROCEDIMENTO FISCAL. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICABILIDADE. EXCLUSÃO DA MULTA.
Aplica-se a denúncia espontânea, nos termos do § 2º, do art. 102, do Decreto-lei nº 37/66 c/c o art. 138, do CTN, excluindo-se a multa aplicada, quando a agência marítima presta informação sobre a carga embarcada fora do prazo, mas antes do procedimento fiscal.
Numero da decisão: 3401-002.442
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário interposto.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente.
JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl (Substituto), Jean Cleuter Simões Mendonça, Fernando Marques Cleto Duarte, Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente) e Angela Sartori
Nome do relator: JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 16/01/2005 a 28/03/2005 INFORMAÇÕES SOBRE A CARGA TRANSPORTADA. RESPONSABILIDADE DA AGÊNCIA MARÍTIMA. A agência marítima, por ser representante, no país, de transportadora estrangeira, é solidariamente responsável pelas infrações previstas no Decreto-lei nº 77, de 1966. CORRETA DESCRIÇÃO DOS FATOS. FALTA DE MOTIVO PARA DECLARAÇÃO DE NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. Quando o auditor-fiscal relata com clareza e precisão os fatos ocorridos, não há motivo para declarar a nulidade do auto de infração com fundamento em falha na descrição dos fatos. INFORMAÇÃO SOBRE O EMBARQUE PRESTADA FORA DO PRAZO. CONDUTA DESCRITA NO ART. 107, INCISO IV, ALÍNEA E, DO DECRETO-LEI Nº 37/66. O contribuinte que tiver prestado as informações sobre as mercadorias embarcadas somente após o prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal comete a infração descrita no art. 107, inciso IV, alínea e, do Decreto-lei nº 37/66. MULTA PREVISTA NA LEGISLAÇÃO. CÁLCULO CORRETO. No caso em tela, foi aplicada a multa de R$ 5.000,00 por cada embarque com informação prestada fora do prazo, conforme previsão do art. 107, inciso IV, alínea e, do Decreto-lei nº 37/66. Portanto, não há que se falar em montante desproporcional ou desarrazoado. INFORMAÇÃO SOBRE AS MERCADORIAS EMBARCARDAS PRESTADAS FORA DO PRAZO, MAS ANTES DO PROCEDIMENTO FISCAL. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICABILIDADE. EXCLUSÃO DA MULTA. Aplica-se a denúncia espontânea, nos termos do § 2º, do art. 102, do Decreto-lei nº 37/66 c/c o art. 138, do CTN, excluindo-se a multa aplicada, quando a agência marítima presta informação sobre a carga embarcada fora do prazo, mas antes do procedimento fiscal.
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RESPONSABILIDADE DA AGÊNCIA MARÍTIMA. A agência marítima, por ser representante, no país, de transportadora estrangeira, é solidariamente responsável pelas infrações previstas no Decretolei nº 77, de 1966. CORRETA DESCRIÇÃO DOS FATOS. FALTA DE MOTIVO PARA DECLARAÇÃO DE NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. Quando o auditorfiscal relata com clareza e precisão os fatos ocorridos, não há motivo para declarar a nulidade do auto de infração com fundamento em falha na descrição dos fatos. INFORMAÇÃO SOBRE O EMBARQUE PRESTADA FORA DO PRAZO. CONDUTA DESCRITA NO ART. 107, INCISO IV, ALÍNEA “E”, DO DECRETOLEI Nº 37/66. O contribuinte que tiver prestado as informações sobre as mercadorias embarcadas somente após o prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal comete a infração descrita no art. 107, inciso IV, alínea “e”, do Decretolei nº 37/66. MULTA PREVISTA NA LEGISLAÇÃO. CÁLCULO CORRETO. No caso em tela, foi aplicada a multa de R$ 5.000,00 por cada embarque com informação prestada fora do prazo, conforme previsão do art. 107, inciso IV, alínea “e”, do Decretolei nº 37/66. Portanto, não há que se falar em montante desproporcional ou desarrazoado. INFORMAÇÃO SOBRE AS MERCADORIAS EMBARCARDAS PRESTADAS FORA DO PRAZO, MAS ANTES DO PROCEDIMENTO FISCAL. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICABILIDADE. EXCLUSÃO DA MULTA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 1. 00 03 40 /2 00 9- 49 Fl. 132DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 30 /01/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA 2 Aplicase a denúncia espontânea, nos termos do § 2º, do art. 102, do Decreto lei nº 37/66 c/c o art. 138, do CTN, excluindose a multa aplicada, quando a agência marítima presta informação sobre a carga embarcada fora do prazo, mas antes do procedimento fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário interposto. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente. JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl (Substituto), Jean Cleuter Simões Mendonça, Fernando Marques Cleto Duarte, Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente) e Angela Sartori Fl. 133DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 30 /01/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 10921.000340/200949 Acórdão n.º 3401002.442 S3C4T1 Fl. 133 3 Relatório Trata o presente processo de auto de infração, pelo qual foi lançada multa de R$ 50.000,00, em razão de a Autuada ter, supostamente, prestado informações fora do prazo, em relação a exportações realizadas no ano de 2005. A Autuada apresentou impugnação, mas a DRJ em Florianópolis/SC manteve o lançamento ao prolatar acórdão com a seguinte ementa: “AGENTE MARÍTIMO. REPRESENTANTE DO TRANSPORTADOR ESTRANGEIRO. RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÕES. LEGITIMIDADE PASSIVA. Respondem pela infração à legislação aduaneira, conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para a sua prática. DADOS DE EMBARQUE. INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA. PENALIDADE APLICADA POR VIAGEM EM VEÍCULO TRANSPORTADOR. A penalidade que comina a prestação intempestiva de informação referente aos dados de embarque de mercadorias destinadas à exportação é aplicada por viagem do veiculo transportador. ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. Não compete às autoridades administrativas proceder à análise da constitucionalidade ou legalidade das normas tributárias que regem a matéria sob apreço, posto que essa atividade é de competência exclusiva do Poder Judiciário. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido”. A Contribuinte foi intimada do acórdão da DRJ em 11/10/2011 (fl. 84) e interpôs Recurso Voluntário em 09/11/2011, com as alegações resumidas abaixo: 1 Ilegitimidade passiva, haja vista a Recorrente não ser transportador, mas sim agente de navegação; 2 O auto de infração é nulo porque a descrição dos fatos está incorreta, vez que a Recorrente está sendo indicada como transportadora quando, na verdade, é agente marítima; Fl. 134DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 30 /01/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA 4 3 A infração descrita na legislação é deixar de prestar informação, contudo, a Recorrente prestou informação, ainda que intempestivamente, de modo que não se pode aplicar a multa por conduta diversa da prevista na legislação; 4 A multa aplicada é irrazoável e desproporcional; 5 A prestação de informação fora do prazo, mas antes do início do procedimento fiscal constitui denúncia espontânea; Ao fim, a Recorrente pediu que o auto de infração seja anulado, em razão das preliminares apontadas, ou julgado insubsistente. Alternativamente, pediu a redução da multa. Voto Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. A Recorrente combate a manutenção do auto de infração, lavrado em razão de ela ter prestado informação sobre operações de exportação fora do prazo. No recurso voluntário, são suscitadas as seguintes matérias: (1) ilegitimidade passiva; (2) nulidade do auto de infração por erro na descrição dos fatos; (3) conduta descrita na lei diversa da praticada; (4) irrazoabilidade e desproporcionalidade da multa aplicada; (5) denúncia espontânea. Limitadas as matérias, podese passar a análise. 1. Da ilegitimidade passiva A Recorrente alega sua ilegitimidade passiva, por ser mera agência de navegação marítima. Todavia a alegação da Recorrente não prospera. Conforme elucida o art. 4º, da IN/SRF nº 800, de 28 de dezembro de 2007, as agências marítimas são as representantes da empresa de navegação estrangeira no país. Por sua vez, o parágrafo único, inciso II, do art. 32, do Decretolei nº 37/66 dispõe que é responsável solidário pelo imposto “o representante, no país, do transportador estrangeiro”. Nessa linha, é inquestionável que a Recorrente é responsável solidária, nos termos do art. 128, do CTN. Portanto, não resta dúvida quanto à responsabilidade passiva da Recorrente. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 30 /01/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 10921.000340/200949 Acórdão n.º 3401002.442 S3C4T1 Fl. 134 5 2. Da nulidade do auto de infração por erro na descrição dos fatos A Recorrente sustenta que o auto de infração é nulo em razão da incorreta descrição dos fatos, pois no auto de infração ela é indicada como transportadora quando, na realidade, é agência marítima. A alegação da Recorrente não é suficiente para causar a nulidade do auto de infração, pois, como mencionado acima, ela é representante da transportadora internacional e, como tal, é responsável pelas informações, figurando, assim, como transportadora no SISCOMEX. Logo, não há motivo para declarar o auto de infração nulo. 3. Da descrição legal da conduta O enquadramento legal da infração praticada pela Recorrente é o art. 107, inciso IV, alínea “e”, do Decretolei nº 37, de 18 de novembro de 1966, que assim dispõe: “Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga”. A Recorrente alega que, muito embora tenha prestado as informações intempestivamente, não praticou o ato descrito no decretolei, pois não deixou de prestar a informação. Todavia a alegação apresentada não corresponde à melhor interpretação da norma. A tipificação da conduta não é apenas deixar de prestar informação, mas também deixar de prestar na forma ou no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal. Nessa linha, se o sujeito apresentar as informações depois do prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal, estará cometendo a infração de “deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal”. No caso em tela, não se discute se a informação foi prestada tempestiva ou intempestivamente, pois o descumprimento do prazo foi confessado pela Recorrente. O que Fl. 136DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 30 /01/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA 6 se discute é se o atraso na informação é a conduta tipificada no art. 107, inciso IV, alínea “e”, do Decretolei nº 37/66 e, como já analisado, a conduta da Recorrente está enquadrada de forma correta, de modo que não cabe o cancelamento do auto de infração. 4. Da multa aplicada A Recorrente argumenta que a multa aplicada é desproporcional e irrazoável. Foi aplicada a multa de R$ 5.000,00 (cinco mil reais), em consonância com a previsão do art. 107, inciso IV, alínea “e”, do Decretolei nº 37/66, por cada embarque, cuja informação foi prestada fora do prazo. O valor da autuação chegou ao patamar R$ 50.000,00 (cinquenta mil reais) porque foram 10 (dez) embarques em datas e em navios diferentes. Em outras palavras, não existiu lançamento desproporcional ou desarrazoado, o montante de autuação somente ficou alto por causa do grande número de embarques com descumprimento da legislação. Outrossim, a multa está prevista na legislação e não existe previsão para a redução do valor aplicado. 5. Da denúncia espontânea A Recorrente sustenta que ocorreu a denúncia espontânea, em razão de ela ter prestado as informações antes da lavratura do auto de infração. A denúncia espontânea é instituto previsto no art. 138, do CTN, a qual exclui a responsabilidade do sujeito passivo, quando este cumpre a obrigação e, se for o caso, paga o tributo e os juros antes do início do procedimento fiscal. Nessa hipótese, a multa pela infração cometida é excluída. A infração tratada nestes autos, por ser infração administrativa, até o ano de 2010, não gozava do benefício da denúncia espontânea. Contudo, no ano de 2010, com o advento da Medida Provisória nº 497/2010, posteriormente convertida na Lei nº 12.350/2010, o § 2º, do art. 102, do Decretolei nº 37/66 passou a prever a exclusão da multa na denúncia espontânea também para as infrações administrativas, conforme é possível verificar abaixo: “§ 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento”. Fl. 137DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 30 /01/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 10921.000340/200949 Acórdão n.º 3401002.442 S3C4T1 Fl. 135 7 Muito embora a nova redação acima transcrita seja posterior aos fatos que ensejaram a multa, sua aplicação é retroativa, nos termos do art. 106, II, “a”, do CTN. No caso ora analisado, não resta dúvida de que as informações sobre os embarques, não obstante tenham sido prestadas depois do prazo, foram informadas antes da lavratura do auto de infração, cediço que a lavratura ocorreu somente em 2009, enquanto as informações de todos os embarques foram prestadas ainda no ano de 2005, conforme exposto pelo próprio auditorfiscal na planilha elaborada na fl. 11. Diante desses fatos, é clara a existência de denúncia espontânea, motivo de declaração de insubsistência do auto de infração. Ex positis, dou provimento ao Recurso Voluntário interposto, para reformar o acórdão da DRJ e declarar insubsistente o auto de infração objeto deste processo. Jean Cleuter Simões Mendonça Relator Fl. 138DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 30 /01/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA
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Numero do processo: 35415.000026/2006-64
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jan 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2000 a 30/09/2005
PREVIDENCIÁRIO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL.DIREITO DE DEFESA. CERCEAMENTO. NULIDADE.
É nulo o lançamento realizado sem a exposição clara e precisa dos fatos geradores da obrigação previdenciária, por caracterizar cerceamento do direito ao contraditório e à ampla defesa do sujeito passivo, dificultar a adequada análise por parte dos órgãos julgadores administrativos e não revestir o crédito dos atributos da certeza e liquidez para garantia de futura execução fiscal.
Processo Anulado.
Numero da decisão: 2403-002.295
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso de Ofício para determinar a nulidade do lançamento em razão da presença de vício material "ab initio" Fez sustentação oral o Dr. Ricardo Krakowiak- OAB/ SP nº13.8192
CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI - Presidente.
IVACIR JÚLIO DE SOUZA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Marcelo Freitas de Souza Costa e Maria Anselma Coscrato dos Santos.
Nome do relator: IVACIR JULIO DE SOUZA
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PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL.DIREITO DE DEFESA. CERCEAMENTO. NULIDADE. É nulo o lançamento realizado sem a exposição clara e precisa dos fatos geradores da obrigação previdenciária, por caracterizar cerceamento do direito ao contraditório e à ampla defesa do sujeito passivo, dificultar a adequada análise por parte dos órgãos julgadores administrativos e não revestir o crédito dos atributos da certeza e liquidez para garantia de futura execução fiscal. Processo Anulado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso de Ofício para determinar a nulidade do lançamento em razão da presença de vício material "ab initio" Fez sustentação oral o Dr. Ricardo Krakowiak OAB/ SP nº13.8192 CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Presidente. IVACIR JÚLIO DE SOUZA Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 41 5. 00 00 26 /2 00 6- 64 Fl. 532DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/12/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Marcelo Freitas de Souza Costa e Maria Anselma Coscrato dos Santos. Fl. 533DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/12/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 35415.000026/200664 Acórdão n.º 2403002.295 S2C4T3 Fl. 533 3 Relatório Com início em 31/03/2005 e término em 20/12/2005, a junta fiscal composta por 3 Auditores, definida no Mandado de Procedimento Fiscal MPF n° 09230037 às fls. 45, concluiu a ação fiscal na forma do Relatório de fls. 51. Aduz que no sobredito Relatório o crédito em comento fora constituído em razão de se observarem : “ Diferenças de contribuições a cargo da empresa destinadas á Seguridade Social e destinadas a Terceiros incidentes sobre a remuneração de empregados pelo fornecimento de veículos” Nos itens 3.1 a 3.8, reproduzidos na íntegra com grifos de minha autoria, a Junta Fiscal registra todos demais detalhes que motivaram o lançamento: “ DÉBITO PREVIDENCIÁRIO 3.1 Tratase de débito previdenciário lançado, contra a empresa acima identificada, referente às diferenças de contribuições a cargo da empresa destinadas à Seguridade Social contribuição da empresa na qualidade de empregador e contribuição da empresa para financiamento dos benefícios concedidos em razão da incapacidade laborativa e destinadas às Entidades e Fundos (Terceiros), incidentes sobre a remuneração de segurados empregados. 3.2 0 valor do débito previdenciário é de R$ 2.237.763,48 (dois milhões, duzentos e trinta e sete mil, setecentos e sessenta e três reais e quarenta e oito centavos) consolidado em 19/12/2005, abrangendo o período de 07/2000 a 09/2005. 3.3 0 débito previdenciário tem por base em pagamentos efetuados a segurados empregados. 3.4 Os pagamentos e ou créditos mensais efetuados a segurados empregados no período de 01/2000 a 09/2005 a titulo de disponibilização pela empresa de veículos blindados para a diretoria e veículos convencionais para alguns funcionários da alta administração. Os funcionários trabalham no escritório, não sendo, desta forma, os veículos fundamentais para o desenvolvimento de suas atividades. 3.5 Este beneficio concedido por liberalidade deve ser oferecido tributação previdenciária em face de legislação não dispor sobre a isenção fiscal pelo fornecimento de veículos a empregados. Lançamos o crédito previdenciário pelo valor das depreciações mensais dos veículos. 3.6 Em planilha anexa detalhamos os valores mensais das depreciações. Fl. 534DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/12/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 3.7 Não foram incluídos no presente levantamento os gastos com veículos oferecidos a empregados que exerçam atividades em que o uso do carro é imprescindível. 3.8 A ausência de recolhimento das contribuições previdenciárias citadas acima foram constatadas durante auditoria de diagnóstico.” DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com o lançamento, a empresa interpôs impugnação de fls 120, na qual alega, em síntese, que: a) o crédito previdenciário relativo ao período de janeiro a novembro de 2000 já se encontrava, abrangido pela decadência a que alude o § 4° do art. 150 do Código Tributário Nacional; b) em momento algum o auditor fiscal notificante aponta quais são os critérios que o levaram a considerar as atividades cujo "uso do carro é imprescindível" e as atividades cuja utilização do veiculo seria "prescindível", bem como não aponta quais são os funcionários em relação aos quais o fornecimento de veiculo foi considerado verba salarial, o que caracteriza absoluto cerceamento do direito de defesa do impugnante; c) os vícios apontados no item anterior caracterizam inobservância do disposto no art. 9° do Decreto n° 70.235/72, da qual resulta a falta de liquidez e de exigibilidade do crédito lançado; d) a depreciação é a diminuição do valor dos bens corpóreos que integram o patrimônio de alguém, em decorrência de desgaste ou perda de utilidade pelo uso, ação da natureza ou obsolescência, além de ser um fenômeno ligado A propriedade, razões pelas quais não pode ela (a depreciação) servir de critério para apurar o crédito tributário; e) desta forma, a eleição dos valores de depreciação dos veículos, como de cálculo das contribuições exigidas, além de não encontrar amparo na legislação, não vem acompanhada da necessária motivação, o que também constitui um vicio do procedimento fiscal; f) de todo modo, o fornecimento de veículos não tem, no caso, natureza salarial, seja porque eles são utilizados para deslocamento "residênciatrabalho", seja porque, mesmo quando utilizados de forma particular, a jurisprudência do Tribunal Superior do Trabalho afasta aquela natureza; g) é totalmente desprovida de fundamento a exigência da contribuição ao INCRA, uma vez que a Lei n° 7.787/89, no § 1° de seu art. 3°, suprimiu as contribuições incidentes sobre a folha de salários destinadas ao PRORURAL, com o que restaram extintas as contribuições àquela autarquia e ao FUNRURAL, previstas no inciso II do art. 15 da Lei Complementar n° 11/71; DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Após analisar aos argumentos da impugnante, na forma do registro de fls.522, a 6ª Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil de Campinas (SP) DRJ/CPS, em 18 de julho de 2008, exarou o Acórdão n° 0522.425 , decidindo por Fl. 535DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/12/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 35415.000026/200664 Acórdão n.º 2403002.295 S2C4T3 Fl. 534 5 unanimidade de votos, em ANULAR o lançamento, extinguindose o crédito constituído sem julgamento de mérito. DO RECURSO DE OFÍCIO Com base no inciso I do art. 34 do Decreto n° 70.235, de 631972, c/c o inciso I do art. 366 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 651999, e o art. 1° da Portaria n° 03, de 312008, do Ministro de Estado da Fazenda , a instância a quo recorreu de oficio da decisão que tomara. DO RECURSO VOLUNTÁRIO. Não constam nos autos que a Recorrente tenha interposto Recurso Voluntário. Fl. 536DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/12/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 Voto Conselheiro Ivacir Júlio de Souza DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE Não consta nos autos que a empresa tenha interposto Recurso Voluntário. Aduz que o Recurso de Ofício reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DAS PRELIMINARES DAS DILIGÊNCIAS Às fls. 375, solicitaramse diligência onde no item 2 se exigia atentar para o fato de a demonstração deficiente da ocorrência do fato gerador ou omissão de requisitos essenciais no lançamento fiscal seria capaz de acarretar preterição do direito de defesa do contribuinte, verbis: “ 2. Lembrando que, no lançamento fiscal, a motivação é a demonstração, nos autos, dos fundamentos fáticos e jurídicos da exigência, sendo a demonstração deficiente da ocorrência do fato gerador ou omissão de requisitos essenciais no lançamento fiscal capaz de acarretar preterição do direito de defesa do contribuinte e que o processo administrativo, como espécie de procedimento em contraditório, exige reabertura de prazo para a audição da outra parte, na seguinte forma” Às fls. 396, uma segunda diligência, reiterando as observações que se fizeram na primeira, registrou que : “ Não constam nos autos os segurados beneficiados com os veículos disponibilizados pela empresa; b. A contribuição referente a segurados foi calculada utilizando se a alíquota mínima de oito por cento, sem levar em consideração o valor recolhido pelo empregado e a aplicação da tabela de contribuição mensal; 2. Em relação à diligência anterior, tratada no despacho de fls. 375/376, fazse necessária a juntada dos seguintes documentos: a. Telas do Girafa Siscol referentes ao Relatório Coresp e Vínculos; b. MPFC 0923003703; 3. Lembrando que, no lançamento fiscal, a motivação é a demonstração, nos autos, dos fundamentos fáticos e jurídicos Fl. 537DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/12/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 35415.000026/200664 Acórdão n.º 2403002.295 S2C4T3 Fl. 535 7 da exigência, sendo a demonstração deficiente da ocorrência do fato gerador ou omissão de requisitos essenciais no lançamento fiscal capaz de acarretar preterição do direito de defesa do contribuinte e que o processo administrativo, como espécie de procedimento ” ( grifos de minha autoria) Analisando o econômico Relatório Fiscal de fls. 51, contraposto às alegações do Contribuinte efetuadas em sede de impugnação, a instância a quo requereu as sobreditas diligências cujos resultados foram criticados às fls. 526 pelo Julgador a quo nos seguintes termos: “ Enfim, do conjunto de vícios acima apontados os quais, salientese, restaram não saneados em qualquer das duas diligencias requeridas ” Às fls. 170, o Contribuinte colacionou documento denominado TERMO DE RESPONSABILIDADE PELO USO DE VEICULO onde os usuários concordam e declaram que o veiculo é ferramenta de trabalho e seu uso é vedado para fins particulares ou desvinculados de suas funções contratuais e, ainda, que o veiculo é de utilização exclusiva do funcionário, não sendo autorizado seu empréstimo para familiares e/ou terceiros : “Declaro, ainda, ter conhecimento e concordar com a Política de Concessão de Veículos, da qual este Termo é parte integrante, tendo ciência expressa de que o veiculo é ferramenta de trabalho e seu uso é vedado para fins particulares ou desvinculados de minhas funções contratuais. Autorizo expressamente meu empregador a descontar de minha remuneração e de minhas verbas rescisórias quaisquer valores correspondentes a danos causados ao veiculo que me foi confiado, ou a terceiros, e que decorram de dolo, imperícia, imprudência ou negligência e aqueles causados pel o. uso em desconformidade com a referida Política, incluindo os montantes referentes a multas por infração de trânsito. UTILIZAÇÃO DO VEÍCULO O veiculo é de utilização exclusiva do funcionário, não sendo autorizado seu empréstimo para familiares e/ou terceiros.” DO VALOR DA DEPRECIAÇÃO DOS VEÍCULOS COMO BASE DE CÁLCULO No item 3.5 do Relatório Fiscal de fls. 51 , a Junta Fiscal registra que o crédito previdenciário foi constituído pelo valor das depreciações mensais dos veículos: 3.5 Este beneficio concedido por liberalidade deve ser oferecido tributação previdenciária em face de legislação não dispor sobre a isenção fiscal pelo fornecimento de veículos a empregados. Lançamos o crédito previdenciário pelo valor das depreciações mensais dos veículos. Por depreciação podese entender como sendo o custo ( na produção ) ou a despesa decorrentes do desgaste ou da obsolescência dos ativos imobilizados (máquinas, Fl. 538DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/12/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 veículos, móveis, imóveis e instalações) da empresa. Ao longo do tempo, com a obsolescência natural ou desgaste com uso na produção, os ativos vão perdendo valor, essa perda de valor é apropriada pela contabilidade periodicamente até que esse ativo tenha valor reduzido a zero. Tratandose os veículos de bens que compõem o ativo imobilizado do contribuinte e que sequer sofreram transferência de propriedade para os empregados as depreciações havidas não podem de modo algum constituir pagamento indireto para formar critério para apurar o crédito tributário. Isto posto não há como anuir o procedimento. DO VOTO “AD QUOD” Na condução do voto aquo, o i. Julgador assim se manifestou: “Não pode este Colegiado abstrairse dos vícios de natureza formal a seguir enumerados, os quais, pela sua gravidade, são passíveis de acarretar a nulidade do lançamento. 1°) Da ausência de identificação dos trabalhadores Conforme ressaltado pela impugnante, a fiscalização não identifica, em momento algum, os trabalhadores que fizeram uso de veículos de propriedade da empresa e foram, por tal motivo, contemplados no lançamento. Neste aspecto, o relatório fiscal limitase à afirmação de que se tratam de membros da diretoria e "alguns funcionários da alta administração", que trabalham no escritório e em relação aos quais os veículos não são fundamentais para o desenvolvimento das respectivas atividades. 2°) Da não aplicação das faixas de saláriosdecontribuição e do limite estabelecidos, respectivamente, no art. 20 e no § 5° do art. 28 da Lei n° 8.212/91 Da não especificação dos trabalhadores cujo salárioutilidade foi utilizado como base de cálculo na NFLD decorreu, naturalmente, a não aplicação das alíquotas previstas no art. 20 da lei de custeio, segundo a faixa de salário de contribuição mensal de cada um deles, bem como do limite máximo referido no § 5° do art. 28 do mesmo diploma. A esse respeito, os agentes do Fisco limitamse a dizer, no item 4.1 de seu relatório, que "a contribuição dos segurados foi calculada pela alíquota mínima", sem apontar as razões pelas quais este procedimento de exceção foi adotado. Com o intuito de sanear este vicio, é emitido o TIAD de fls. 398, em que, segundo vimos, a impugnante é intimada a apresentar "planilha onde constem os empregados beneficiados com os veículos disponibilizados pela empresa, com salários e respectivas retenções para a previdencia ...". Todavia, o AFRFB que subscreve o despacho de fls. 516 diz somente que: Supõese que os valores que constam nessa planilha sejam as que figuram na contabilidade da empresa (mais especificamente na conta de depreciação de veículos), mas, além disto não poder ficar apenas suposto nos autos ao contrário, era imperioso que se o dissesse explicitamente, acrescentamos que não é Fl. 539DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/12/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 35415.000026/200664 Acórdão n.º 2403002.295 S2C4T3 Fl. 536 9 informado se os mesmos valores correspondem a depreciação mensal da totalidade dos veículos da empresa, ou somente dos cedidos aos empregados que deles não tinham necessidade para exercer as suas atividades laborativas (...) Enfim, do conjunto de vícios acima apontados — os quais, salientese, restaram não saneados em qualquer das duas diligencias requeridas ” Corroborando as razões do “decisium” a quo, inclusive a ementa, por economia processual, descabe expor arrazoado sinônimo para ao final meramente anuir àquelas bem estruturadas motivações. CONCLUSÃO Por tudo que foi exposto, conheço do Recurso de Ofício, para DARLHE PROVIMENTO PARCIAL determinando a nulidade do lançamento em razão da presença de VÍCIO MATERIAL "ab initio. É como voto. Ivacir Júlio de Souza Relator Fl. 540DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/12/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 15374.902490/2008-75
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 03 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Dec 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do Fato Gerador: 30/04/2001
PROCESSO DE COBRANÇA. MATÉRIA NÃO CONHECIDA.
No processo administrativo cuja essência é exclusivamente a cobrança do débito decorrente de crédito julgado insuficiente para sua compensação e extinção, inexiste mérito a ser analisado, eis que a matéria (Pedido de Restituição e Declaração de Compensação - PER/DCOMP) fora objeto do processo em que se analisou o direito creditório e a declaração de compensação não-homologada ou homologada parcialmente. Assim, NÃO SE CONHECE do processo de cobrança do débito do saldo devedor por se tratar de matéria decorrente da análise do processo principal submetido ao rito processual do Decreto nº 70.235/72. Consequentemente, devem os presentes autos ser encaminhados para juntada ao processo principal (15374.901577/2008-25), com observância da decisão definitiva nele proferida.
Numero da decisão: 1802-001.904
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER do recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel e Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho e Marciel Eder Costa.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do Fato Gerador: 30/04/2001 PROCESSO DE COBRANÇA. MATÉRIA NÃO CONHECIDA. No processo administrativo cuja essência é exclusivamente a cobrança do débito decorrente de crédito julgado insuficiente para sua compensação e extinção, inexiste mérito a ser analisado, eis que a matéria (Pedido de Restituição e Declaração de Compensação PER/DCOMP) fora objeto do processo em que se analisou o direito creditório e a declaração de compensação nãohomologada ou homologada parcialmente. Assim, NÃO SE CONHECE do processo de cobrança do débito do saldo devedor por se tratar de matéria decorrente da análise do processo principal submetido ao rito processual do Decreto nº 70.235/72. Consequentemente, devem os presentes autos ser encaminhados para juntada ao processo principal (15374.901577/200825), com observância da decisão definitiva nele proferida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER do recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel e Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho e Marciel Eder Costa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 90 24 90 /2 00 8- 75 Fl. 127DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/ 12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 Relatório Por economia processual e bem resumir os fatos adoto o relatório da decisão recorrida, fl.49, que a seguir transcrevo: Tratase de DCOMP Eletrônica n° 130313.79481.311003.1.3.045012, onde a interessada declara, resumidamente, a compensação utilizando o seguinte crédito: Crédito Pagamento Indevido ou a Maior de IRPJ Data de Arrecadação : 30/04/2001 Valor Original do Crédito Inicial: R$ 251.513,01 Crédito Original da Data da Transmissão : R$ 251.513,01 Total do Crédito Original Utilizado nesta DCOMP: R$ 251.513,01 O crédito teria origem no DARF recolhido em 30/04/2001, de IRPJ (código 2362), no valor de R$ 484.822,34. A DCOMP foi analisada em procedimentos informatizados, resultando em HOMOLOGAÇÃO PARCIAL DA COMPENSAÇÃO. De acordo com o Despacho Decisório de fls. 07, n° de rastreamento 757785945, o julgamento teve a seguinte fundamentação: "Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: R$ 251.513,01. Analisando as informações prestadas no documento acima identificado, constatouse a procedência do crédito original informado no PER/DCOMP, reconhecendose o valor do crédito pleiteado. Entretanto, considerando que o crédito reconhecido revelouse insuficiente para quitar os débitos informados no PER/DCOMP, HOMOLOGO PARCIALMENTE a compensação pleiteada." A ciência do Despacho Decisório ocorreu em 05/05/2008, conforme AR, fls. 06. Inconformada, a interessada apresentou impugnação em 04/06/2008, fls.09/12, alegando: para efeitos da compensação realizada, atualizou o crédito tributário disponível, com base na evolução da taxa SELIC, até a data do efetivo vencimento dos débitos fiscais compensados. todavia, a administração fazendária resolveu incluir encargos moratórios sobre os débitos fiscais, objeto da compensação realizada, não obstante a existência de recursos mais do que Fl. 128DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/ 12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15374.902490/200875 Acórdão n.º 1802001.904 S1TE02 Fl. 3 3 suficientes, na época da apresentação do pedido, quitação dos tributos. não concorda que sejam cobrados encargos moratórios sobre tributas liquidados, em tempo hábil, com créditos disponíveis a seu favor, na data da compensação efetivada. A 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ/Rio de Janeiro/RJI) indeferiu o pleito, conforme decisão proferida mediante o Acórdão nº 1237.361 de 20 de maio de 2011 (fls.48/51). A decisão recorrida possui a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 30/04/2001 COMPENSAÇÃO HOMOLOGAÇÃO PARCIAL ENCARGOS MORATÓRIOS DO DÉBITO DATA DE VALORAÇÃO. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão acrescidos de juros compensatórios com base na taxa SELIC, e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos moratórios, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação. Cientificada da mencionada decisão em 15/09/2011, conforme o Aviso de Recebimento, a pessoa jurídica interpôs recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em 13/10/2011, alegando, essencialmente, os mesmos argumentos expendidos na manifestação de inconformidade perante a DRJ, portanto, desnecessário repeti los. Finalmente requer provimento do recuso voluntário para que se dê a integral compensação pleiteada. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa O recurso voluntário é tempestivo, porém dele não conheço por lhe faltar requisitos de admissibilidade como será visto adiante. O litígio do presente processo se apresenta com a Manifestação de Inconformidade (fls.09/12), interposta em face do Despacho Decisório (fl.07) vinculado ao processo nº 15374.901577/200825 no qual constatouse a procedência do crédito pretendido no valor de R$ R$ 251.513,01 informado no PER/DCOMP nº 130313.79481.311003.1.3.045012. Entretanto, considerando que o crédito reconhecido revelouse insuficiente para quitar os Fl. 129DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/ 12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 débitos informados no PER/DCOMP, a autoridade administrativa HOMOLOGOU PARCIALMENTE a compensação declarada. O contribuinte, nos presentes autos, contesta a cobrança do débito, em que restou não homologada a compensação no valor de R$ 53.870,27 e acréscimos legais, conforme detalhado às fls.39/40. A Instrução Normativa RFB nº 900/2008 ao disciplinar a restituição e a compensação de quantias recolhidas a título de tributo administrado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, assim dispõe: (...) Art. 37. O sujeito passivo será cientificado da nãohomologação da compensação e intimado a efetuar o pagamento dos débitos indevidamente compensados no prazo de 30 (trinta) dias, contados da ciência do despacho de nãohomologação. § 1º Não ocorrendo o pagamento ou o parcelamento no prazo previsto no caput, o débito deverá ser encaminhado à PGFN, para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvada a apresentação de manifestação de inconformidade prevista no art. 66. (...) Art. 38 . O tributo objeto de compensação não homologada será exigido com os respectivos acréscimos legais ... Art. 55. Homologada a compensação declarada, expressa ou tacitamente, ou consentida a compensação de ofício, a unidade da RFB adotará os seguintes procedimentos: I debitará o valor bruto da restituição, acrescido de juros, se cabíveis, ou do ressarcimento, à conta do tributo respectivo; II creditará o montante utilizado para a quitação dos débitos à conta do respectivo tributo e dos respectivos acréscimos e encargos legais, quando devidos; III registrará a compensação nos sistemas de informação da RFB que contenham informações relativas a pagamentos e compensações. IV certificará, se for o caso: a) no pedido de restituição ou de ressarcimento, qual o valor utilizado na quitação de débitos e, se for o caso, o saldo a ser restituído ou ressarcido; b) no processo de cobrança, qual o montante do crédito tributário extinto pela compensação e, sendo o caso, o saldo remanescente do débito; e V expedirá aviso de cobrança, na hipótese de saldo remanescente de débito, ou ordem bancária, na hipótese de Fl. 130DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/ 12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15374.902490/200875 Acórdão n.º 1802001.904 S1TE02 Fl. 4 5 remanescer saldo a restituir ou a ressarcir depois de efetuada a compensação de ofício. (...) Art. 66. É facultado ao sujeito passivo, no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data da ciência da decisão que indeferiu seu pedido de restituição, ressarcimento ou reembolso ou, ainda, da data da ciência do despacho que não homologou a compensação por ele efetuada, apresentar manifestação de inconformidade contra o não reconhecimento do direito creditório ou a não homologação da compensação. § 1º O disposto neste artigo não se aplica à compensação de contribuição previdenciária. § 2º A competência para julgar manifestação de inconformidade é da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em cuja circunscrição territorial se inclua a unidade da RFB que indeferiu o pedido de restituição ou ressarcimento ou não homologou a compensação, observada a competência material em razão da natureza do direito creditório em litígio. § 3º Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. § 4º A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam o caput e o § 3º obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. § 5º A manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação, bem como o recurso contra a decisão que julgou improcedente essa manifestação de inconformidade, enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 do CTN relativamente ao débito objeto da compensação. (...) (G.N) Portanto, cabe a manifestação de inconformidade e o recurso a ser obedecido o rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 contra o não reconhecimento do direito creditório ou a nãohomologação da compensação. Desse modo, no processo nº 15374.901577/200825, em que analisado o crédito, foi proferido o Despacho Decisório (fl.07) que resultou na homologação parcial da compensação declarada no PER/DCOMP nº 130313.79481.311003.1.3.045012, ficando o sujeito passivo CIENTIFICADO desse despacho e INTIMADO a, no prazo de 30(trinta) dias, contados a partir da ciência deste, efetuar o pagamento dos débitos indevidamente compensados, com os respectivos acréscimos legais, facultada a apresentação de manifestação de inconformidade à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, no mesmo prazo, nos termos dos §§ 7º e 9º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com alterações posteriores. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/ 12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 Vêse que, o processo de cobrança de que tratam os presentes autos indica os fatos e os elementos de comprovação que lastrearam o processo nº 15374.901577/200825, inclusive a manifestação de inconformidade de fls.09/12, traz em epígrafe o número do mencionado processo. Nesse passo, depreendese que o processo nº 15374.901577/200825 em que se discutiu o crédito e a compensação do débito objeto do PER/DCOMP em comento, é principal (apreciado primeiro) e o presente processo é dele decorrente. Portanto, o objeto desse é o resultado (reflexo) daquele outro. Sobre procedimentos conexos, assim dispõe o § 1º do artigo 9º do Decreto nº 70.235/72: Art. 9o (...) § 1o Os autos de infração e as notificações de lançamento de que trata o caput deste artigo, formalizados em relação ao mesmo sujeito passivo, podem ser objeto de um único processo, quando a comprovação dos ilícitos depender dos mesmos elementos de prova. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) (G.N) Assim, dada a íntima relação entre o processo principal e o dele decorrente, devem os presentes autos ser juntados ao processo nº 15374.901577/200825 a fim de que não sejam proferidas decisões contraditórias, no que tange à compensação nãohomologada versada nos mesmos processos. A teor da Instrução Normativa RFB nº 900/2008, acima transcrita, concluise por inadmissível que o processo nº 15374.901577/200825 trate da análise do PER/DCOMP com decisão pela homologação parcial submetida ao rito processual do Decreto nº 70.235/72, e o processo de cobrança do saldo devedor resultante da nãohomologação seja novamente submetido ao rito processual do Decreto nº 70.235/72, o que significa dizer que a mesma matéria seria duplamente discutida nas instâncias administrativas, sem que haja qualquer previsão normativa. Com efeito, no presente processo administrativo cuja essência é exclusivamente de cobrança do débito decorrente de crédito julgado insuficiente para sua compensação e extinção, inexiste mérito a ser analisado, eis que a matéria (Pedido de Restituição e Declaração de Compensação PER/DCOMP) fora objeto do processo em que se analisou o direito creditório e a declaração de compensação homologada parcialmente. Diante do exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER da cobrança do débito do saldo devedor por se tratar de matéria decorrente da análise do processo principal submetido ao rito processual do Decreto nº 70.235/72, consequentemente, devem os presentes autos ser encaminhados para juntada ao processo nº 15374.901577/200825, com observância da decisão definitiva nele proferida. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/ 12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15374.902490/200875 Acórdão n.º 1802001.904 S1TE02 Fl. 5 7 Fl. 133DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/ 12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 11080.731763/2012-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Feb 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 30/01/2008 a 31/12/2011
MULTA DUPLICADA. OCORRÊNCIA DE FRAUDE
Demonstrado que o contribuinte, sistematicamente, creditava-se de valor inverossímil e que, por outras vezes, declarava em DCTF e recolhia imposto a menor do que o calculado em sua escrita fiscal, sem contestação por este, caracterizada está a fraude.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3202-001.027
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Assinado digitalmente
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira - Presidente.
Assinado digitalmente
Tatiana Midori Migiyama - Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Júnior, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama (Relatora). .
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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OCORRÊNCIA DE FRAUDE Demonstrado que o contribuinte, sistematicamente, creditavase de valor inverossímil e que, por outras vezes, declarava em DCTF e recolhia imposto a menor do que o calculado em sua escrita fiscal, sem contestação por este, caracterizada está a fraude. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Assinado digitalmente Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente. Assinado digitalmente Tatiana Midori Migiyama Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Júnior, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama (Relatora). . Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 73 17 63 /2 01 2- 11 Fl. 1104DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/12/2013 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 24/12/2 013 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 11080.731763/201211 Acórdão n.º 3202001.027 S3C2T2 Fl. 94 2 Tratase de recurso voluntário interposto por SULGRÁFICA EMBALAGENS LTDA. contra Acórdão nº 1041.902, de 17 de dezembro de 2012 (de fls. 1029 a 1035), proferido pela 3ª Turma da DRJ/POA, que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório integrante da decisão recorrida, a qual transcrevo a seguir: Tratase de impugnação ao lançamento de fls. 956/982, o qual tem por objeto a cobrança de IPI, com fundamento na glosa de créditos básicos indevidos (de 31/01/2008 a 31/12/2011) e cobrança da diferença entre o declarado e recolhido em relação ao saldo devedor apurado e o escriturado no Livro Registro de Apuração do IPI (LAIPI) (de 31/03/2009 a 31/05/2009), com acréscimo de juros moratórios e multa de 150 %. O Termo de Encerramento de Ação Fiscal (fls. 983/995) motiva as duas infrações. Em relação aos créditos glosados, afirma o agente fiscal que no período de janeiro de 2008 a dezembro de 2011 foram escriturados créditos de IPI com base em notas fiscais emitidas pelo próprio estabelecimento, conforme relação constante às fls. 984/985, onde consta o nº da NF emitida, data de emissão e o valor do crédito de IPI. Aduz que essas notas fiscais foram registradas no LAIPI e no Livro Registro de Entrada. No período de nov/2009 a jan/2010 os referidos créditos não foram registrados no Livro de Entrada. Esclarece a fiscalização, em sequência, que o contribuinte foi intimado, em 28/11/2011, a apresentar cópia das notas fiscais de entrada emitidas pelo estabelecimento, para fins de verificação da origem e base legal dos créditos. Em 20/12/2011 o contribuinte respondeu nos seguintes termos: “a base legal para a escrituração extemporânea dentro do prazo prescricional dos créditos de IPI relacionados, é relativa a insumos comprados e consumidos no processo de produção segundo ao princípio da não cumultatividade insculpido pela Constituição Federal do Brasil, como base também na jurisprudência do próprio CARF subordinado ao Ministério da Fazenda, nos acórdãos....entre outros”. Posteriormente, em 26/12/2011, o contribuinte foi intimado a apresentar os dados das notas fiscais de aquisições que serviram de suporte para a escrituração dos créditos de IPI no ano de 2010, tendo aquele apresentado, em 14/02/2012, “planilha exemplificativa” (fl. 48 e segs.) contendo dados de notas fiscais de aquisições efetuadas pela empresa no período de janeiro/2005 a dez/2010, “totalizando créditos de IPI no valor de R$ 46.467,98”. Conclui o Fisco que “o contribuinte apresentou como origem para a escrituração de créditos de IPI no ano de 2010 no valor de R$ 1.024.412,36, planilhas exemplificativas com dados de notas fiscais de aquisições que totalizam créditos de IPI no valor de R$ 46.467,98”. Afirma a fiscalização que em análise da escrita contábil do autuado, constatou que nos períodos de 2008, 2009 e 2011 “também foram escriturados créditos de IPI com base em notas fiscais emitidas pelo próprio estabelecimento”, o que levou aquela a intimar o contribuinte para que apresentasse planilhas “com os dados das notas fiscais de aquisições que serviram de base para escrituração de créditos de IPI no período de jan/2008 a dez/2011”. Averba o Fisco que “as planilhas apresentadas pelo contribuinte (312 pgs), contendo dados de notas fiscais de aquisições, totalizam créditos de IPI no valor de R$ 229.005,02”. Em análise dessas planilhas, constatou o agente fiscal autuante “que constam dados de notas fiscais de aquisições relativas a bens que não geram direito a créditos de IPI”. E exemplifica os bens adquiridos: “rolamentos, serra manual, lâmpada mista, filtro óleo, faca, correias, mangueira, tomada sobrepor, atilho, saco plástico, tomada, lavatório, fita isolante, tesoura, arruela, ...etc.”. Nesse ponto, a fiscalização sacou a primeira conclusão: Fl. 1105DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/12/2013 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 24/12/2 013 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 11080.731763/201211 Acórdão n.º 3202001.027 S3C2T2 Fl. 95 3 Portanto, o contribuinte apresentou como origem para a escrituração de créditos de IPI no período de jan/2008 a dez/2011 no valor de R$ 3.489.301,86, planilhas com dados de notas fiscais de aquisições que totalizam crédito de IPI no valor de R$ 275.473,00 (1ª planilha apresentada de R$ 46.467,98 + 2ª planilha apresentada de R$ 229.005,02). Nesta planilhas constam bens que não geram direito a créditos de IPI. Com base nesses fatos, foi lavrado Termo constando os mesmos, cujo teor leio em Sessão, cientificando o autuado de que se dados adicionais não fossem apresentados, seria adotado o seguinte procedimento. 13.1 – Todos os créditos extemporâneos de IPI, escriturados pelo contribuinte, correspondem a bens que não se caracterizam como matéria prima, produtos intermediários e materiais de embalagem, não gerando portanto direito a créditos de IPI. 13.2 – Para a maior parte do valor dos créditos extemporâneos de IPI, não foram atendidos os artigos 190 do RIPI/2002 e 251 do RIPI/2010. 13.3 – Os créditos extemporâneos de IPI foram escriturados sem base legal, resultando no estorno dos mesmos da escrita fiscal do contribuinte. A empresa não apresentou resposta a esse Termo de Intimação, datado de 25/07/2012. Assim, entendeu a fiscalização que o contribuinte não comprovou a origem dos créditos de IPI, escriturado no valor de R$ 3.489.301,86, tendo como base notas fiscais emitidas pelo próprio estabelecimento ante o fato de que “não foram apresentadas pelo contribuinte as planilhas com os dados das notas fiscais de aquisições que serviram de base para a escrituração dos créditos de IPI”, bem como “não apresentou as notas fiscais de aquisições que serviram de base para a escrituração dos créditos de IPI”. Diante disso, os “créditos” de IPI no valor de R$ 3.489.301,86 foram estornado pela fiscalização. A segunda infração constatada pela fiscalização foi que, no período 31/03/2009 a 31/05/2009, o imposto recolhido e declarado em DCTF o foi em valor inferior ao IPI devido apurado pelo contribuinte no Livro Registro de Apuração do IPI, conforme quadro à fl. 989. Intimado, em 11/07/2012, a esclarecer tais divergências, que totalizaram R$ 184.478,89, o contribuinte quedouse silente. Por fim, o autuante aplicou a multa a que alude o inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96 com a exasperação do § 1º daquele artigo, que determina que “o percentual de que trata o inciso I do caput será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis”. Consignou o agente do Fisco que “as condutas descritas evidenciam a intenção do contribuinte em reduzir ao percentual aproximado de 10% do IPI devido...”, conforme tabela às fls. 991 e 992, onde o fiscal demonstra que a reiterada prática de se creditar de valores de IPI com base em notas fiscais emitidas pelo estabelecimento autuado, reduziu o valor do IPI declarado em DCTF e recolhido a valores em torno de 10 % do que deveria ter sido recolhido sem essa prática, considerando os estornos perpetrados. O mesmo é demonstrado em relação à outra infração, quando os valores declarados em DCTF e recolhidos foram exatamente 10 % do IPI apurado pelo contribuinte no Livro Registro de Apuração do IPI, conforme o quadro de fl. 992. Não resignado com o lançamento, foi o mesmo impugnado (fls. 999/1004) exclusivamente em relação à exasperação da multa, sendo admitida a ocorrência das infrações narradas naquele. Ao analisar o teor do art. 72 da Lei 4.502, a impugnante faz leitura da norma no sentido de que ela “visa atingir somente as infrações relacionadas com o fato gerador da obrigação principal dos tributos” e que no caso do IPI “tal norma visa abarcar as infrações relacionadas com as saídas de produtos industrializados ou Fl. 1106DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/12/2013 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 24/12/2 013 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 11080.731763/201211 Acórdão n.º 3202001.027 S3C2T2 Fl. 96 4 importados do estabelecimento industrial ou importador, o que não ocorre no caso dos fatos descritos no Auto de Infração supramencionado”. Entende que a norma não se subsume aos fatos narrados no lançamento, uma vez que “as infrações cometidas pela impugnante não afetaram o fato gerador da obrigação principal do ...IPI”. Assevera que “as infrações cometidas pela Impugnante não se enquadram no conceito de fraude”, pugnando que a “sanção adequada para suas infrações é a que está prevista no artigo 44, inciso I da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que é de 75%”, sob o fundamento de que em matéria tributária, nos termos do art. 112, IV, do CTN, “a autoridade fiscal deve aplicar a penalidade menos gravosa ao contribuinte”. Consigna que o art. 112, IV, do CTN “tem como fonte os princípios da razoabilidade e proporcionalidade, expresso no artigo 150, inciso IV, da Constituição Federal”. Finaliza averbando “que o enquadramento pela Fiscalização das infrações cometidas pela Impugnante como fraude é inaplicável, porque a norma que trata do preceito tributário de fraude não se enquadra aos fatos descritos”, pelo que requer “o reconhecimento da aplicação da sanção prevista no artigo 44, inciso I, da Lei supramencionada, que trata da multa de 75 % (setenta e cinco por cento)”. É o relatório. A DRJ não acolheu as alegações do contribuinte, considerando acórdão com a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 30/01/2008 a 31/12/2011 MULTA DUPLICADA ANTE À OCORRÊNCIA DE FRAUDE Provado, e sequer contestado, que o contribuinte, sistematicamente, creditava se de valor inverossímil e que, por outras vezes, declarava em DCTF e recolhia imposto a menor do que o calculado em sua escrita fiscal, caracterizada está a fraude no sentido de evitar ou diferir o pagamento do IPI. MULTA DE OFÍCIO INCONSTITUCIONALIDADE. A multa aplicada pelo Fisco decorre de previsão legal vigente e eficaz, descabendo ao agente fiscal perquirir se o percentual escolhido pelo legislador é exacerbado ou não. Para que se afira a natureza confiscatória da multa ou se ela afronta a capacidade contributiva do contribuinte, é necessário que se adentre no mérito da constitucionalidade da mesma, competência esta que não têm os órgãos administrativos julgadores. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Cientificada da referida decisão, por decurso de prazo de 15 dis a contar da disponibilizarão através da Caixa Postal, Módulo eCAC do site da Receita Federal em 02/01/2013, conforme fl. 1040, a interessada, em 30/01/2013, apresentou o recurso voluntário de fls. 1042 1053, onde se insurge contra o lançamento. Voto Fl. 1107DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/12/2013 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 24/12/2 013 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 11080.731763/201211 Acórdão n.º 3202001.027 S3C2T2 Fl. 97 5 Conselheira Tatiana Midori Migiyama, Relatora Das preliminares Da admissibilidade Por conter matéria desta E. Turma da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte, considerando que a recorrente teve ciência da decisão de primeira instância em 02/01/2013, quando, então, iniciouse a contagem do prazo de 30 (trinta) dias para apresentação do presente recurso voluntário apresentando a recorrente recurso voluntário em 30/01/2013. Da multa Consta da peça de defesa da empresa que cuidase de discussão sobre o percentual da multa aplicada, pois a autoridade fazendária aplicou a de 150%, enquanto a recorrente entende que o correto seria a multa no patamar de 75 %, alegando que os fatos não se subsumemse ao descrito na norma legal que trata da definição de fraude (art. 72 da Lei 4.502/64). Aduz a recorrente que a sanção aplicada pela autoridade fazendária e corroborada pela DRJ/POÁ para as infrações cometidas é inadequada porque os fatos não se enquadram ao descrito na norma jurídica, haja vista que o art. 72 da lei 4.502/64 – in verbis: “Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou diferir o seu pagamento.” Entende a recorrente que tratase de uma norma, de natureza sancionatória de exceção, que deve ser interpretada e aplicada de forma estrita, ou seja, circunscrita a situações e conduta que inequivocadamente, se enquadram na hipótese legal, reduzindose ao máximo as avaliações subjetivas que possam cercar a hipótese material da conduta. O que, no que tange ao Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, o fato gerador da obrigação principal se materializa com a saída de produtos industrializados ou importados do estabelecimento industrial ou do estabelecimento importador – não se lhes aplicando o dispositivo em questão. Insurge que, de acordo com as regras de hermenêutica, para que ocorra a incidência de norma jurídica sobre um caso concreto, todas as circunstâncias do caso concreto devem se refletir na norma jurídica (Lei), caso contrário a norma seria inaplicável ao caso concreto. Em síntese, com tais argumentações, pleiteia, considerando que as infrações em questão não se enquadram no conceito de fraude, a aplicação da multa de 75%, conforme reza o art. 44, inciso I, da Lei 9.430/96. Fundamenta seu pedido expondo que em matéria de infrações a legislação tributária, a autoridade fazendária deve aplicar a penalidade menos Fl. 1108DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/12/2013 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 24/12/2 013 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 11080.731763/201211 Acórdão n.º 3202001.027 S3C2T2 Fl. 98 6 gravosa ao contribuinte. Para tanto, frizase no art. 112, inciso IV, da Lei 5.172/66 – CTN, in verbis: “Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhes comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: (...) IV – a natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação.” Importante trazer que a recorrente concorda ter praticado as infrações a si imputadas no auto de infração objeto deste processo administrativo fiscal, não trazendo defesa para tanto no recurso voluntário ora apresentado. Sendo assim, após descrever sinteticamente suas argumentações, depreendendose da análise do processo e das planilhas e demonstrações trazidas à fiscalização, entendo não assistir razão à recorrente – o que concordo integralmente com o entendimento exarado pela DRJ – o qual passo a transcrever parte do voto: “(...) Não prosperam as alegações da recorrente. A um porque o agente do Fisco, nos termos do art. 142, vinculase à Lei. Portanto, já neste ponto afasta se a aplicação do art. 112, IV, do CTN, pois esta norma só incidiria se não houvesse outra que, às claras, determinasse a aplicação de uma penalidade específica. O § 1º do artigo 44 da Lei 9.430, vincula o agente, restando a este o ônus de demonstrar em que artigo (71, 72 ou 73 da Lei 4.502/64) o agir do contribuinte se subsume, o que foi feito e não contestado quanto aos fatos narrados. De outro turno, faz leitura incompleta do artigo 72 da lei 4.502, uma vez entender que esta norma só alcançaria o fato gerador da obrigação principal, qual seja, a saída do produto industrializado do estabelecimento fabril, no seu caso. Não são esses os termos da referida norma, em seu todo, pois alem de frisar que “fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal” ela prossegue com “ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento”. Ora, cediço que um fato é a incidência da norma impositiva do IPI e outro o cálculo do valor a ser pago, que no caso desse imposto é mais complexo, pois em atenção aos preceitos constitucionais e legais, isso se faz com base em conta gráfica, com a confrontação entre seus débitos pela ocorrência do fato gerador do IPI e seus créditos passíveis, nos termos legais e regulamentares, de escrituração. Para o contribuinte, o art. 72 da 4.502, só incidiria quando ele fraudasse a ocorrência do fato gerador, diminuindo o débito do imposto calculado na saída do produto industrializado. Contudo, para ele, quando a fraude de se dá, como in casu, do que não há dissenso, no lado dos créditos ou se o valor declarado em DCTF e recolhido for inferior ao apurado no LAIPI, de fraude não se trataria, ao menos nos termos daquele artigo. Com a devida vênia, o legislador teve ótica mais abrangente, fazendo incidir o mencionado art. 72 da 4.502 não somente em relação à burla na ocorrência do fato gerador da obrigação principal, seja pela forma que for, mas, igualmente, a faz incidir quando essa fraude tivesse por mote “reduzir o montante do imposto devido...”. E foi isso que, sistematicamente, a defendente fez, quer “criando” créditos inverossímeis, cuja glosa não discute, quer apurando um valor a pagar na escrita fiscal do IPI, mas declarando ao Fisco em DCTF e recolhendo valores a menor. Fl. 1109DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/12/2013 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 24/12/2 013 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 11080.731763/201211 Acórdão n.º 3202001.027 S3C2T2 Fl. 99 7 O auditor fiscal demonstrou às escâncaras essa atitude fraudulenta com o evidente dolo, elemento subjetivo do tipo, de reduzir o montante do imposto devido, ação abarcada pelo teor do art. 72 da 4.502. Na hipótese do valor declarado e recolhido a menor nos períodos exacionados (março, abril e maio de 2009), o quadro da fl. 992 demonstra que o valor recolhido foi de 10% do valor escriturado e devido. A mesma tendência se dá quanto aos créditos glosados, conforme demonstrado pela fiscalização na motivação da duplicação da multa às fls. 991/992, quando os valores recolhidos, considerando os créditos “criados” pela empresa a partir de notas fiscais próprias de entrada ( sem qualquer lastro documental da efetiva compra de mercadorias), representam de 9 a 75% (com a moda em 10%) do total do IPI devido. Com base nesses fatos incontestes, é evidente a ação dolosa, premeditada, da recorrente no sentido de pagar menos imposto do que o devido, usando os meios fraudulentos já relatados.” Da Conclusão Ante todo o exposto, por conseguinte, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Assinado digitalmente Tatiana Midori Migiyama Fl. 1110DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/12/2013 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 24/12/2 013 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES
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Numero do processo: 11020.003640/2005-72
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 27 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
Period° de apuração: 01101/2005 a 31/03/2005
CRÉDITOS DE 1CMS VINCULADOS As RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. CESSÃO ONEROSA. RECEITA ATÍPICA SUJEITA A INCIDÊNCIA DA COFINS NÃO-CUMULATIVA. PERÍODO DE ABRANGÊNCIA.
A cessão onerosa dos créditos de ICMS, decorrentes das receitas da exportação, configura receita atípica do alienante sujeita a incidência da Cofins não-cumulativa.
Somente a partir de 1º de janeiro de 2009, por força do disposto no art. 17, c/c o art. 33, I, "d", da Lei n° 11.945, de 2009, a referida receita foi expressamente excluída da base de cálculo da citada Contribuição.
COFINS NÃO-CUMULATIVA. SALDO DE CRÉDITO REMANESCENTE. DÉBITO SUPLEMENTAR. DEDUÇÃO DO VALOR DOS CRÉDITOS DO PERÍODO. OBRIGATORIEDADE.
Somente após a dedução do valor total da contribuição a recolher, apurado no mês ou no trimestre, o valor do saldo remanescente dos créditos da Cofins não-cumulativa, originados das receitas de exportação, poderá ser utilizado na compensação de débitos do próprio contribuinte, referente a quaisquer tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB).
Se na fase de análise do procedimento compensatório for comprovada a existência de débito suplementar a pagar, o valor apurado deverá ser deduzido do saldo de crédito do período, para fins de apuração do saldo remanescente passível de compensação.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-000.790
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidas as Conselheiras Beatriz Verissimo de Sena e Nanci Gama.
Nome do relator: José Fernandes do Nascimento
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MF rl. S3-C112 ri 95 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 11020.003640/2005-72 Recurso n° 265.055 Voluntário Acórdão n° 3102-00.790 — 1° Câmara / 2 Turma Ordinária Sessão de 27 de outubro de 2010 Matéria COFINS - COMPENSAÇÃO Recorrente RAM DO BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL- COFINS Period° de apuração: 01101/2005 a 31/03/2005 CRÉDITOS DE 1CMS VINCULADOS As RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. CESSÃO ONEROSA. RECEITA ATÍPICA SUJEITA A INCIDÊNCIA DA COFINS NÃO-CUMULATIVA. PERÍODO DE ABRANGÊNCIA. A cessão onerosa dos créditos de ICMS, decorrentes das receitas da exportação, configura receita atípica do alienante sujeita a incidência da Cofins não-cumulativa. Somente a partir de 1 0 de janeiro de 2009, por força do disposto no art. 17, c/c o art. 33, I, "d", da Lei n° 11.945, de 2009, a referida receita foi expressamente excluída da base de cálculo da citada Contribuição. COFINS NÃO-CUMULATIVA. SALDO DE CRÉDITO REMANESCENTE. DÉBITO SUPLEMENTAR. DEDUÇÃO DO VALOR DOS CRÉDITOS DO PERÍODO. OBRIGATORIEDADE. Somente após a dedução do valor total da contribuição a recolher, apurado no mês ou no trimestre, o valor do saldo remanescente dos créditos da Cofins não-cumulativa, originados das receitas de exportação, poderá ser utilizado na compensação de débitos do próprio contribuinte, referente a quaisquer tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). Se na fase de análise do procedimento compensatório for comprovada a existência de débito suplementar a pagar, o valor apurado deverá ser deduzido do saldo de crédito do período, para fins de apuração do saldo remanescente passive l de compensação. Recurso Voluntário Negado. Aseinado dicilL.slinente ern 17/11/2010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO. 02/12/2010 poi LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO Autenticado ciigitelmente ern 17/11/2010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Env ein 24/12/2010 peto lani:;tario do Fazcncla F I. 2 DF CARE ME Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntasio . Vencidas as Conselheiras Beatriz Verissimo de Sena e Nanci Gama, (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento - Relator. EDITADO EM: 17/11/2010 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Beatriz Verissimo de Sena, Jose Fernandes do Nascimento, L onardo Mussi da Silva e Nanci Gama. e R L Trata-se de Recurso Voluntário interposto pela Interessada visando a reforma do Acórdão n° 10-17.247, de 25 de setembro de 2008 (fls. 73/74v), proferido pelos membros da 2°1 Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Porto Alegre/RS (DRJ/POA), cuja ementa ficou a assim redigida, in verbis: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Período de apurafilo. 01/03/2005 a 31/03/2005 CESSÃO DE ICMS - INCIDÊNCIA DE PIS/PASEP E CORNS A cessão de direitos de ICMS compõe a receita do contribuinte, sendo base de cálculo para o PIS/PASEP e a COF INS. Rest/Ress Indeferido Comp no homologada Por meio do presente processo, a Interessada informou a compensação do sido remanescente dos créditos da Cofins Exportação do 10 trimestre de 2005, discriminado nós Pedidos de Ressarcimento de fls, 02/05, com débitos do IRPJ e da CSLL, discriminados nas Declarações de Compensação (DComp) de fis, 01, 16 e 21/24. Ao analisar o pleito em tela, por intermédio do Parecer de fls. 27/31, a autoridade fiscal da Uniadade da Receita Federal de origem informou que, após análise da cicumentação apresentada e dos dados extraídos dos sistemas de comércio exterior administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFE1), chegou a conclusão que os valores dos créditos pleiteados pela Recorrente estavam corretos, entretanto, como os valores das receitas de transferências de créditos de ICMS, auferidas no período, não compuseram a base cálculo da Contribuição, opinou pela glosa da parcela dos créditos equivalentes aos débitos a recolher relativos a tais receitas. Por sua vez, acantando as conclusões exaradas no referido Parecer, em 11/08/2008, a autoridade da Unidade da RFB de origem, por delegação de competência, Assinado dproferiu iiespachD.ecisórioudeLEf1s 3)1. moonhecendo;1:parcialmente;i ,o1rdireito; creditório ERRA DE CASTRO Autent1OOdo tiJiijitaimente em 17i11 , 2010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO 2 Emitido em 29/12/2010 petotOlnistrid do Fazenda latdrio OP CARP MF Fl. 3 Processou' 11020 003640/2005-72 S3-C11 2 Ac6rd5o n *3102-00.790 Fl 96 pleiteado e homologando as compensações declaradas, até o limite do valor do crédito reconhecido. Em 22/08/200S, a Interessada foi cientificada, por via postal (fl. 40), dos referidos Parecer e Despacho Decisório, bem como da Carta Cobrança de fls. , exigindo-lhe a parcela dos débitos, cuja compensação não foi homologada, por insuficiência de valor de crédito. Descontente, ern 03/09/2008, apresentou a Manifestação de Inconformidade de fls. 41/51, aduzindo as razões defesa que foram assim resumidas no Relatório integrante do Acórdão recorrido, ipsis litteris: Alega que haveria uma alteração qualitativa da classificação que não implicaria em receita tributável, e, por isso, não existe previsão legal para a tributação . Admite, para fins de argumentação, que 5e de receita se tratasse, ela seria qualificada como receita de exportagdo e estaria isenta e imune à incidência das contribuições ao PIS e COFINS, pois a exportação é a causa imediata da manutenção dos creditas e de sua transferencia para terceiros doutrina e jurisprudência para fundamentar seus raciocínios de defesa Sobreveio o Acórdão recorrido, em que, os membros da Turma julgadora a quo, por unanimidade de votos, mantiveram o indeferimento da parcela do crédito não reconhecida e, em decorrência, a não homologação dos débitos compensados, com base nos seguintes argumentos: a) a cessão dos direitos de ICMS para terceiros era uma receita do cedente (contribuinte), independente de haver lucro ou prejuízo com a operação ,juridica/contibil; b) o fato gerador da Coflns é o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pala pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil; c) o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica; d) o negócio jurídico em tela não se enquadrava em nenhuma de exclusão da base de cálculo, prevista na legislação, para a referida Contribuição; e e) a cessão de créditos do ICMS não era uma operação de exportação de mercadorias ou serviços, como alegara a Interessada, logo, não estaria albergada por qualquer imunidade ou isenção em favor das exportações. Em 2111012008, a Recorrente foi cientificada, por via postal (fl. 79), do referido Acórdão e da Carta Cobrança de fls. 77/78. Inconformada, em 11/11/2008 (fl. 81), interpôs o Recurso Voluntário de fls. 81/91, reafirmando as razões de defesa aduzidas na peça impugnatória e requerendo integral provimento do presente Recurso . Aazinacio talmentaom 17/11r2010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO. 02/1212010 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO Amen:lc:ado rf gifatmente ern 1711112010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO 3 Enslido im 2011712010 pet° MmIsverio Faz(!nda Dr CA RF El. 4 F Ern cumprimento ao despacho de fl. 94 (ultima numerada), os presentes autos foram enviados a este e. Conselho. Ern cumprimento ao disposto no art. 49 do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria NW n°256, de 22 de junho de 2009, na Sessão de maio do cor rente ano, mediante sorteio, os presentes autos foram distribuídos para este ConseIheiro. E o relatório. V to Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator presente Recurso é tempestivo, preenche os demais requisitos de admissibilidade e trata de matéria da competancia deste Colegiado, portanto, dele tomo conhecimento. Trata o presente processo do pedido de ressarcimento do saldo remanescente do créditos da Cofins dos meses de janeiro a marco de 2005 (1° trimestre de 2005), que fora utilizado na compensação dos débitos do IRPJ e da CSLL, discriminados nas DComp de fls. OI T 16 e 21/24. }Id noticia nos autos de que o valor do crédito pleiteado corresponderia ao saldo remanescente dos créditos da Cofins — Exportação, decorrentes dos insumos vinculados reeeita de exportação auferida no citado trimestre. A presente compensação foi realizada sob a égide do inciso II do § 1 0, combinado com o § 3°, ambos do art. 6° da Lei n° 10,833, de 29 de dezembro de 2003, a seguir reproduzidos: "Art 6' A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de, I - exportação de mercadorias para o exterior ; II - prestação de serviços para pessoa fisica ou jut idica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; (Redação dada pela Lei n°10 865, de 2004) III - vendas a empresa comercial exportadora corn o fim eipecifico de exportação § 1° Na hipótese deste artigo, a pessoa juridica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3e, pare fins de: I - dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado infer no; compensação corn débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação especifica aplicável à matéria. sr 2' A pessoa jurídica que, até afinal de cada trimestre do ano civil, não conseguir utili:ar o crédito por qualquer das formas Assinado diglialmente em 17/11/2010 por JOSE FERNANDES DO NASC1tvIEN1C) 02 7 1212010 por LUIS MARCELO GLI ERRA DE CAFRO Autenticado ti gilalmente cm 17111/2010 co/ JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Einitido em 20/12/2010 pia Wistaria da Fazerda 4 M F Fl 5 DF CARF Processo n° 11020 003640/2005-72 S3-C1T2 AcOrdilo ri ° 3102-00.790 PI 97 previstas no .s; 1° poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislavao especifica aplicável a matéria. § 3 0 disposto nos §§ 12 e 2e aplica-se somente aos créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados receita de exportavao, observado o disposto nos §§ 82- e 95 do art. ) (grilos não originals) Na data da formalização do procedimento compensatório em tela, a legislação especifica que disciplinava o assunto, a que alude o dispositivo legal transcrito, era o art, 21 da Instrução Normativa SRF no 460, de 18 de outubro de 2004, com a redação e os acréscimos da Instrução Normativa RFB 563, de 23 de agosto de 2005. Segundo o Parecer de fls. 58/62, os valores dos créditos apurados no período estavam corretos, porém, os valores dos débitos a recolher não foram corretamente determinados, posto que a Interessada não incluiu na base de calulo da dita Contribuinção os valores das receitas referentes A alienação dos créditos do ICMS. Em decorrência, foram apurados novos valores da Cotins a pagar, os quais foram deduzidos do valor do saldo remanescente do crédito pleiteado. Por sua vez, o titular da Unidade da Receita Federal de origem, acatando as conclus6es apresentadas no mencionado Parecer, decidiu manter a glosa parcial do saldo remanescente do crédito pleiteado, com base no entendimento de que o valor da receita obtida na alienação dos créditos do ICMS integrava a base de cálculo da citada Contribuição. Os membros da Turma julgadora de primeiro grau, com base no mesmo entendimento, também mantiveram a glosa parcial do valor do saldo remanescentes do crédito pleiteado pela Recorrente. Com base no exposto, fica demonstrado que o cerne da presente controvérsia consiste em saber se os valores das receitas decorrentes das vendas dos créditos do ICMS comptiem ou não base de cálculo da Cotins não-cumulativa e, caso afirmativo, se os débitos a recolher concernentes A tais receitas devem ser deduzidos do valor do crédito vinculado a receita exportação, para fins de apuração do saldo remanescente passive] de compensação, conforme procedimento adotado pela autoridade fiscal da Unidade de origem. Da alienação de créditos de 1CMS: receita atípica. Antes de analisar se valor obtido na venda de créditos de ICMS integra ou não a base de cálculo da Cams não-cumulativa, entendo pertinente que seja deslindada a natureza da operação de alienação dos créditos de ICMS provenientes das vendas ao exterior. Segundo a Recorrente, tais valores não integrariam a base cálculo da referida Contribuição porque não se tratava de receita, mas de mera operação patrimonial. Não procede a alegação da Recorrente. Do ponto de vista contábil, toda opera* que altera quantitativa ou qualitativamente o patrimônio da pessoa jurídica (ou da entidade contábil, segundo os contabilistas) tem natureza patrimonial e deve ser registrada na contabide. Assinado ern /z li u 1 1/ ad por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO 02/12/2010 por LUIS MARCELO GU ERRA DE C.:f\STRO AtilenaJo digilzIlmento ern 17i 1 ii2010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO 5 ErnItiOz., sin 291i2/2010 polo Iviii-slolOsio do r ozards DP CARP MF FL 6 O que caracteriza uma operação como receita é a presença do ingresso de numerário (venda a vista) ou de um de um crédito (venda a prazo) no ativo da empresa, proveniente da alienação de um bem ou direito integrante do seu ativo circulante, realizável a longo prazo ou permanente, ou da prestação de serviço. Neste sentido, é a definição apresentada no inciso I do § 3° do art. 9° da Resolução do Conselho Federal de Contabilidade n° 750, de 1993, que disptie sobre os Princípios Fundamentais de Contabilidade (PFC), que tem o seguinte teor, in verbis: Ar t 9° As receitas e as despesas devem ser incluídas na apuravao do resultado do per iodo em que ocorrerem, sempre simullaneamente quando se correlacionarem, independentemente de recebimento ou pagamento. ) § 3° As receitas consideram-se realizadas. I — nas transag'des com terceiros, quando estes efetuarem o pagamento ou assumirem compromisso firme de efetivá-lo, que, pela investidura na prop, iedade de bens anterior mente pertencentes à ENTIDADE, quer pela fruicao de seivicos por esta prestados; ) Por sua vez, o subitem 2.6.3 da Resolução do Conselho Federal de C ntabilidade n° 774, de 1994, que aprovou o apêndice à Resolução CPC n° 750, de 1993, es larece o conteúdo e abrangência da definição de receita apresentada no referido inciso I do § 30 do art. 9°, com a seguinte dicção, ipsis litteris: 2 6 3 — Alguns detalhes sobre as receitas e seu reconhecimento A receita é considerada realizada no momenta em que Irá a venda de bens e direitos da Entidade entendida a palavra "bem" em sentido amplo, incluindo toda sorte de mercadorias, produtos, serviços, inclusive equipamentos e imóveis com a transferência da sua propriedade para terceiros, efetuando estes o pagamento em dinheiro ou assumindo compromisso firme de fazê-lo num pre= qualquer. Normahnente, a transactio é formalizada mediante a emissao de nota fiscal on documento equivalente, em que consta a quantificação e aformalização do valor de venda, pressupostamente o valor de ruem cada da coisa ou do serviço ) Com explicaçães, fica devidamente esclarecido que a venda a terceiros dos créditos de ICMS, um direito integrante do ativo circulante da contribuinte, mediante a emissão de nota fiscal, apresenta todas as características de receita da pessoa jurídica vendedora. Da definição do fato gerador da Cofins não-cumulativa: receita em geral. 0 fato gerador da Cofins, com a incidência não-cumulativa, encontra-se definido no capuz' e § 1 0 do art, 1° da Lei n° 10.833, de 2003, nos seguintes termos, verbis: Art. 1 2 A Contribuicao para o Financiamento da Seguridade Social - COFINS, com a incidência ,,o-cunndativa, tem como fato gerador frgliqvinetUo pjepsa, (its,rim entendfdo o total das Asoinado dip! almonto em 17/111.010 pur JoSL FLrinurelur.S Licj NA.SUlivrEN i 0..IT -12/20 por Wit; [vim:CUD GU ERRA DE C/iSTRO Autenticado clioitalmente cm 71112010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Ernitido em 29/1212010 polo Ministéria da Fazontlz M F Processo n° 11020 003640/2005-72 Acórdaon °3102-00.790 I . 7 S3-C112 Fl 98 DF CARP receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil § / a Para efeito da disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas opera em coma própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurldica ( ) (grifos não originais). De acordo os referidos preceitos legais, integram o fato gerador da Contribuição em apreço todas as receitas auferidas pela pessoa juridica, incluindo as receitas decorrentes da atividade principal ou típica (o faturamento ou receita bruta), bem como a da atividade atípica (as receitas não operacionais e operacionais esporádicas). A receita auferida na alienação dos créditos do ICY'S, originados de insumos vinculados is receitas de exportação, conforme o disposto no inciso II do §1 ° do art. 25 1 da Lei Complementar n 9 87, de 13 de setembro de 1996, com a redação dada pela Lei Complementar no 102, de 11 de julho de 2000, em sendo uma receita atípica, integra o fato gerador da mencionada Contribuição. Da exclusão da base cálculo da Corms não-cumulativa: fatos geradores até 31 de dezembro de 2008. Os tipos de receitas que não integravam a base de calculo da Contribuição em destaque, no período em que ocorreram os fatos geradores dos créditos objeto do presente pleito, constavam taxativamente discriminados no § 3 0 do art, 1° da Lei n° 10.833, de 2003, a seguir transcrito: Art. l‘z ,...,.,... (. ) § 2' A base de cálculo da contribuição é o valor do faturamento, conforme definido no caput § Não Integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: isentas ou não alcançadas pela incidência da contribuição ou sujeitas a al/quota 0 (zero); - nilo-operacionais, decorrente.s da venda de ativo permanente; "Art. 25. Para efeito de aplicaçflo do disposto no art. 24, os débitos e creditos devem ser apurados em cada estabelecimento, compensando-se os saldos credores e devedores entre os estabelecimentos do mesmo sujeito passivo localizados no Estado. § 1° Saldos credores acumulados a partir da data de publicação desta Lei Complementar por estabelecimentos que realizem operWes e prestaçOes de que tratam o incise 11 do art. 3° e seu paragrafo único podem ser, na proporção que estas saldas representem do total das saidas realizadas pelo estabelecimento: 1- imputados pelo sujeito passivo a qualquer estabelecimento seu no Estado; II - havendo saldo remanescente, transferidos pelo sujeito passivo a outros contribuintes do mesmo Estado, mediante a emissão nela autoriclude c,omnetente de document° que 'emit= o crédito Assinci oo digi cimenta ern ifilli2Ulu per ttiNANuEs rvASCImEN I L.) 02/12h:o1u per Lurs MARQL...Lb Gu ERRA DE Cf STIR° Autenticado digitalmente cm 1711112010 par -JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO 7 Emitido em 20/12,2010 pale hilniteria do Fazenda OF CA RI' H 8 auferidas pela pessoa jur idica revendedora, na revenda de mercadorias em relação às quais a cant, ibuição seja exigida da empresa vendedora, na condição de substituta tributária; IV - de venda dos produtos de que tratam as Leis n" 9 990, de 21 de firth° de 2000, 10. 147, de 21 de dezembro dg 2000, 10 485, de 3 de julho de 2002, e 10 560, de 13 de novembro de 2002, ou quaisquer outras submetidas ci incidência monofásica da contribuição; V- referentes a. a) vendas canceladas e aos descontos incondicionais concedidos; b) revetsões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do pan inrônio liquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição que tenham sido computados como receita. (grifos não originais) Da leitura do transcrito preceito legal, não se encontra qualquer menção receita proveniente da alienação dos créditos de 1CMS, o que conduz a conclusão de que esse tipo de receita não se encontrava contemplado no rol taxativo contido no transcrito parágrafo 3° Assim, fica demonstrado que, por falta de previsão legal, o referenciado tipo del receita integra a base de cálculo da Cotins não-cumulativa. Cabe ressaltar ainda que, para fins de incidência da refer ida Contribuição, a origem dos referidos créditos torna-se irrelevante. Com efeito, o que é determinante, no caso presente, é que a alienação ocorreu no mercado interno e gerou uma receita que, conforme definido em lei, integra a base de calculo da referida Contribuição. 0 fato de os referidos créditos estarem vinculados as receitas de exportação, que gozam de imunidade da Contribuição em apreço (art. 149, § 2°, 1, da CF/88), em nada al era o regime tributário atinente as receitas decorrentes da alienação dos citados créditos. Portanto, não procede a alegação da Recorrente de que a imunidade da receita e portação seria extensível a receita decorrente das vendas dos citados créditos. Não é demais ressaltar que, em se tratando de norma de natureza excepcional, por força do exposto no art. 150, § 5 0, da CF/88, a exclusão da receita auferida na alienação de créditos [CMS do campo incidência ou da base de calculo da Contribuição em apreço somente poderia ser efetivada mediante disposição legal expressa, veiculada em lei especifica. Dessa forma, demonstrado que na data do fato gerador não havia previsão legal para tal exclusão, a contrario sensii, é de se concluir que, no citado trimestre, a dita r ceita integrava a base de cálculo da Cofins não-cumulativa. Da previsão legal da exclusão da receita da venda de créditos do ICMS di base da Cofins: efeitos prospectivos. 0 art. 17 da Lei n° 11.945, de 4 de junho de 2009, deu nova redação ao art. 1° Assioad04 , .irtR.,iredrPt0,17idg 3902)saSIPP,999t.g. PJ9K991V,71,,a, PN.)Yts.-492491V$.:Ou..§.:413MarkaARARFalculd da ERRA OE CASTRO Auienticada ritilatmentr.". ern 17/112010 f-,c,r JOSE FERNAINIDES DO I1ASCIMENTO Ernaido eat 291 1212010 pele Mintstério da Fazenda Cofins não-cumulativa as receitas decorrentes de transferencia de créditos de 1CMS originados de operações de exportação, nos termos a seguir reproduzido: Art. 17. Os arts. 2R, 3", 10, 58-J e 58-0 da Lei na 10.833, de 29 de dezembro de 2003, passam a vigorar com a seguinte redação: "Art. .§ 3 R • - VI - decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas a Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e huermunicipal e de Comunicação - 'CMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do ,¢ J do art 25 da Lei Complementar n°87, de 13 de setembro de 1996." A referida norma não se aplica ao caso em tela, haja vista que os seus efeitos passaram ser produzidos somente a partir de 1 0 de janeiro de 2009, conforme expressamente determinado na alínea "d" do inciso I do art. 33 da referida Lei, a seguir reproduzida: Art, 33 Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos I - a partir de I' de janeiro de 2009, em relação ao disposto: d) no art 17, relativamente ao inciso I/1 do s5 32 do art la e ao art. 58-J da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003; ( A inclusão do novel inciso, acompanhado de previsão expressa de produção de efeitos apenas para os fatos geradores ocorridos a partir 1 0 de janeiro de 2009, vem ratificar o acerto das conclusões precedentemente apresentadas, no sentido de que, até 31 de dezembro de 2008, as receitas obtidas na venda dos citados créditos de ICMS comporiam a base de cálculo da Cofins não-cumulativa. Do direito de compensação do saldo remanescente dos créditos da Cofins Exportação. Somente após a dedução do valor total da contribuição a recolher, apurado no período (mês ou trimestre), o saldo remanescente dos créditos da Contribuição para o P1S/Pasep, referente a custos, despesas e encargos vinculados its receitas de exportação, poderá ser utilizado na compensação de débitos do próprio contribuinte, vencidos ou vincendos, referente aos demais tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), Neste sentido dispõe os incisos I e o § 5° do art. 21 da Instrução Normativa SRF n° 460, de 2004, com a redação dada pela Instrução Normativa RFB 563, de 2005, a seguir transcrito: Assinado ii9i aline:Me ern 1:1 /11/2010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO. 02/1212010 por LUIS MARCELO GlJ ERRA DE C/ STRO AineritFcado r iglialinente ern 1711 I/2010 or JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO 9 Ernitido ern 2011212010 pelt: M ■ disi&io da Fazencia DE CARE ME Process+) if 11020 00364012005-72 Ac6rd5o n° 3102-00,790 El. 9 S3-Cl'r2 Fl 99 I. I 0 MF Art. 21. Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Colitis apurados na forma do ai:, 32 das Leis n2 s 10637, de 30 de dezembto de 2002, e 10833, de 29 de dezembro de 2003, que não puderem ser utilizados na dedução de débitos das respectivas contribidOes, poderão ser utilizados na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuiçães de que trata esta Instrução Normativa, se decorrentes. (Redação dada pela IN SRP 563, de 23/08/2005) I - de custos, despesas e encargos vinculados its receitas decorrentes das operaçães de exportação de mercadorias para o exterior, prestação de serviços a pessoa finca ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas, e vendas a empresa comercial exportadora, com o fim especifico de exportação; ) § 52 Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Colins a que se refere o inciso I do capia, remanescentes da dedução de débitos dessas contribuições em um mês de apuração, embora não sejam passíveis de ressarcimento antes de encerrado o trimestre do ano-calendário a que se refere o crédito, podem ser utilizados na compensação de que trata o caput do art, 26 (grifos não originais). Em consonfincia com o disposto no referido dispositivo legal, previamente utilização na compensação, o contribuinte deve deduzir do valor total do crédito do período, relacionado com as receitas de exportação, o valor total da contribuição a recolher, apurada no respectivo período, referente As demais receitas tributadas no mercado interno Assim, somente o saldo remanescente dos créditos da Cofins, vinculados as operações de exportação, apurado após a dedução da valor a recolher da respectiva Contribuição, sera passível de compensação, Logo, eventual diferença a maior do valor da contribuição a recolher, apurada em procedimento de fiscalização, deve ser previamente deduzida do saldo dos créditos originados das operações de exportação, para fins de determinação do saldo remanescente passível de compensação. Em decorrência, somente no caso inexistência ou insuficiente de saldo remanescente, seria cabível lançamento de oficio do valor total ou da parcela no deduzida, conforme o caso. No presente caso, o valor do direito creditório, reconhecido pela autoridade fi cal da Unidade de origem, foi determinado tendo em conta o valor do crédito utilizado na compensação, após a dedução do valor do débito recolher, apurado na fase de análise do presente procedimento compensatório. No caso presente, evidentemente, não houve necessidade de lançamento, haja vista que o valor total do débito suplementar a recolher foi inferior ao valor do saldo re' anescente do credito utilizado na compensação em tela. Cabe esclarecer ainda que, no caso em tela, a realização do lançamento, além d contrariar orientação expressa no § 5° do art. 21 da instrução Normativa SRF n°460, de 2003, com a nova redação, agravaria a situação da Recorrente, imputando-lhe elevado ônus A.53irocio dfinanceiro,, umai2vez que déhit supJementarIt5eriaacrescidt deLn1ulta 14aSoflçio de 75% ERRA DE CASTRO AutentIcado cligitalmento ern 17/11/2010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO 10 Ei em 20/12/201D palQ hrlinistério do Fezencla , DE CAR P DE CARP' Processo n° 11020 003640/2005-72 S3-C I T2 Acórchlo n ° 3/f/2-01790 F1 100 (setenta e cinco por cento) e dos juros moratórios, calculados com base na taxa Selic, ao passo que o valor originário do saldo remanescente do crédito compensado (forma de ressarcimento crédito escritural), por falta de previsão legal, não teria nenhum acréscimo legal. Assim, fica demonstrado que a glosa parcial do crédito em questão foi realizada em consonância com a legislação tributiria ern vigor, por conseguinte, não merece reparo o Acórdão o recorrido. Da conclusão. Ern face do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao presente Recurso, devendo ser mantido na Integra o Acórdão recorrido. Sala das SessÉlies, em 27 de outubro de 2010, (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Assinado ditititatments il:tn 17/1112010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO 02/1212010 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO Aulenticado digitalmente ern I 711 1 ,2010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Emitido em 29112/2010 pelo Moisterio da Fazerda 11
score : 1.0
Numero do processo: 11080.720482/2010-71
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jan 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007
DECRETO Nº 4.524/02. Não é possível por Decreto ser criada exigência não prevista em lei, prejudicando o contribuinte, eis que não possui ele o poder de limitar, condicionar, ampliar ou reduzir o alcance de lei ordinária.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3801-002.483
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, EM DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e dos votos que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Flávio de Castro Pontes que negava provimento ao recurso. Os Conselheiros Paulo Sérgio Celani e Marcos Antônio Borges votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes- Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 DECRETO Nº 4.524/02. Não é possível por Decreto ser criada exigência não prevista em lei, prejudicando o contribuinte, eis que não possui ele o poder de limitar, condicionar, ampliar ou reduzir o alcance de lei ordinária. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, EM DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e dos votos que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Flávio de Castro Pontes que negava provimento ao recurso. Os Conselheiros Paulo Sérgio Celani e Marcos Antônio Borges votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. 1 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 04 82 /2 01 0- 71 Fl. 231DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes. 2 Fl. 232DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão n° 1043.196, julgado na sessão de 04 de abril de 2013, pela 2ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Porto Alegre (DRJ/POA), referente ao processo administrativo n° 11080.720482/201071, em que foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresenta pela contribuinte, e, portanto, não sendo reconhecido o direito creditório pleiteado pela contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: “Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório que não reconheceu direito creditório pleiteado e não homologou as compensações declaradas. De acordo com a Informação Fiscal, a interessada vende parte de sua produção de carvão mineral as empresas CGTEE e Tractebel Energia, sendo que ambas atuam na como geradoras de energia através de usinas termoelétricas. Assim, entende o contribuinte que estaria amparado pelo art. 2º da Lei nº 10.312/2001 que estabelece a redução a zero da alíquota do PIS e da Cofins na venda de carvão mineral destinado à geração de energia elétrica e por isso teria direito ao ressarcimento de créditos das contribuições não cumulativas. Entretanto, observa a Fiscalização que a eficácia de tal redução está condicionada à publicação de um ato conjunto dos Ministros de Estado de Minas e Energia e da Fazenda, nos termos do art. 58, IX do Decreto nº 4.524/2002. A interessada interpôs Processo de Consulta junto à Superintendência da Receita Federal na 10ª Região Fiscal (processo nº 11080.002200/200836) a respeito deste assunto, a qual esclareceu por meio da Solução de Consulta SRRF/10ª RF/ DISIT nº 84 que a eficácia do art. 2º da Lei nº 10.312/2001 está condicionada à publicação de um ato conjunto dos Ministros de Estado de Minas e Energia e da Fazenda. Sendo assim, conclui a Fiscalização que as vendas efetuadas pela CRM são tributadas pelo PIS (alíquota de 1,65%) e pela Cofins (alíquota de 7,6%), sendo que os créditos vinculados a estas operações não são passíveis de ressarcimento e/ou compensação, servindo apenas para abater a própria contribuição. Observa ainda que os créditos apurados foram insuficientes para abater a própria contribuição, restando saldo 3 Fl. 233DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 devedor que está sendo exigido por meio de auto de infração constante do processo administrativo nº11080.721627/201051. Na manifestação, tempestivamente apresentada, a empresa argumenta que o Decreto nº 4.524/2002 carece de força legal hierárquica para afastar ou condicionar o vigor e aplicação da Lei nº 10.312/2001, sob pena de grave ofensa a princípios constitucionais. Disserta a respeito do objetivo governamental de baratear o combustível alternativo parageração de energia. Cita o art. 13 da Lei nº 10.438/2002 que cria em seu art. 13 a Conta de Desenvolvimento Energético, alegando que valores recebidos a título de reembolso,representando um subsídio ou uma subvenção não podendo ser classificados como receita, estando fora do campo de incidência das contribuições para a Cofins e para o PIS. Discute o conceito de receita, entendendo como receita apenas o ingresso de recursos que passe a fazer parte do patrimônio da empresa.” A manifestação de inconformidade foi conhecida pela DRJ de origem, sendo julgada improcedente, por entender que o art. 13 da Lei nº 10.438/2002 apenas cria a Conta de Desenvolvimento Energético, não havendo definição específica que indique serem os valores recebidos pela interessada das empresas geradoras de energia termoelétrica oriundos dessa Conta. Deste modo, concluiu a DRJ de origem que “tanto a Lei nº 10.637/2002, relativamente ao PIS, como a Lei nº 10.833/2003 referentemente à Cofins, ao conceituarem os valores que deveriam integrar a base de cálculo dessas contribuições foram bastante abrangentes em seus conceitos determinando que deveriam compor o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Toda e qualquer exclusão da base de cálculo destas contribuições deve necessariamente estar prevista na legislação, conforme ocorre com as situações dispostas no § 3º, art. 1º da Lei nº 10.637/2002 e também da Lei nº 10.833/2003, o que não é o caso dos valores em questão.” Quanto à alegação de que o Decreto nº 4.524/2002 careceria de força legal hierárquica para afastar ou condicionar a aplicação da Lei nº 10.312/2001, entendeu a DRJ/POA que o art. 7º da Portaria MF nº 58, de 17 de março de 2006, que disciplina a constituição das turmas e o funcionamento das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJs), estabelece que o julgador deve observar o disposto no art. 116, III, da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, dispositivo que lhe vincula às normais legais e regulamentares, bem assim ao entendimento da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), expresso em atos normativos, motivo pelo qual, na solução do presente litígio, deverá ser obrigatoriamente aplicado o disposto no Decreto nº 4.524/2002. Inconformada com a improcedência da manifestação de inconformidade, a contribuinte interpôs, em 13.05.2013, Recurso Voluntário a este Conselho, a fls. 203219, onde 4 Fl. 234DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 apresentou as suas razões, trazendo consigo precedente da 1ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da Terceira Seção de Julgamento (Acórdão nº 3401001.801). Em síntese, alega a recorrente que o Decreto 4.524/02 carece de força legal hierárquica para afastar ou condicionar o vigor da aplicação da Lei nº 10.312/01 aos fatos geradores ocorridos na forma do seu art. 4º, sob pena de grave ofensa aos princípios constitucionais da razoabilidade, da anterioridade da lei tributária, do ato jurídico perfeito, da capacidade contributiva do sujeito passivo, da irretroatividade da lei tributária, da hierarquia das leis (a supremacia da lei ordinária frente ao ato normativo administrativo. Diante disto, requer o acolhimento das razões recursais, para o fim de reformar o acórdão recorrido. É o relatório. 5 Fl. 235DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. No presente caso, pretende a contribuinte que lhe seja garantido o direito de restituição dos valores pagos a título de PIS e COFINS sobre a receita bruta decorrente da venda de carvão mineral destinado à geração de energia elétrica. Ocorre que a Lei nº 10.312/01, em seu art. 1º, estabeleceu que: “Art. 1º. Ficam reduzidas a zero por cento as alíquotas das Contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público – PIS/PASEP, e para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de gás natural canalizado, destinado à produção de energia elétrica pelas usinas integrantes do Programa Prioritário de Termoeletricidade, nos termos e condições estabelecidos em ato conjunto dos Ministros de Estado de Minas e Energia e da Fazenda” E no art. 2º da referida legislação estabeleceuse a alíquota zero para PIS e COFINS sobre a receita bruta decorrente da venda de carvão mineral destinado à geração de energia elétrica, sem restrições: “Art. 2º. Ficam reduzidas a zero por cento as alíquotas das contribuições referidas no art. 1º incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de carvão mineral destinado à geração de energia elétrica” Por sua vez, o Decreto nº 4.524/02, em seu art. 58, inciso IX, ao condicionar a alíquota zero à publicação de ato conjunto dos Ministros de Estado de Minas e Energia e da Fazenda, cria exigência não prevista na Lei nº 10.312/01. Vejamos: “Art. 58.As alíquotas do PIS/Pasep e da Cofins estão reduzidas a zero quando aplicáveis sobre a receita bruta decorrente (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 42, Lei nº 9.718, de 1998, art. 6º , parágrafo único, com a redação dada pela Lei nº 9.990, de 2000, Lei nº 10.147, de 2000, art. 2º , Lei nº 10.312, 6 Fl. 236DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 de 27 de novembro de 2001, Lei nº 10.336, de 19 de dezembro de 2001, art. 14, Lei nº 10.485, de 2002, arts. 2º , 3º e 5º , Medida Provisória nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001): (...) IX – da venda de gás natural canalizado e de carvão mineral, destinados à produção de energia elétrica pelas usinas integrantes do Programa Prioritário de Termoeletricidade, nos termos e condições estabelecidas em ato conjunto dos Ministros de Estado de Minas e Energia e da Fazenda; ” Embora a súmula nº 2 do CARF estabeleça claramente que este Conselho não seja competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. No presente caso, no entanto, como a contribuinte se posiciona contra uma exigência criada por decreto, entendo não ser aplicável a referida Súmula nº 2, consoante igualmente restou decidido no Acórdão nº 3401001.801 da 1ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da Terceira Seção de Julgamento. Deste modo, entendo que deve ser provido o recurso voluntário interposto pela contribuinte, pelas razões acima referidas, pois o pedido está em consonância com a jurisprudência deste Egrégio Conselho, inclusive pelo acórdão relacionado pela própria contribuinte em suas razões recursais (Acórdão nº 3401001.801), bem como pelos acórdãos nº 3401001.798, 3401001.799, 3401001.800, 3401001.802, 3401001.803, 3401001.804 e 3401001.805. Por oportuno, transcrevese a ementa de um destes acórdãos, haja vista que, por sua vez, são todas em igual sentido. Aliás, cumpre ressaltar que são todos de processos da contribuinte ora recorrente, julgados em sessão ocorrida em 22.05.2012 pela 1ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da Terceira Seção de Julgamento. 3401001.804 Acórdão Número do Processo: 11686.000170/200812 Data de Publicação: 19/11/2012 Contribuinte: COMPANHIA RIOGRANDENSE DE MINERACAO CRM Relator(a): FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE Período de Apuração: 4º trimestre de 2006 Ementa: DECRETO Nº 4524/02. Não pode Decreto criar exigência não prevista em lei, prejudicando o contribuinte. 7 Fl. 237DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 Em face do exposto, encaminho o voto para DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, reconhecendose o direito creditório pleiteado. É assim que voto. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. 8 Fl. 238DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10940.900032/2008-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 14 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Jan 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/02/2001 a 28/02/2001
PIS. Calculo. Isonomia com Instituições Financeiras. Impossibilidade.
A base de cálculo eleita pelo caput do art. 3o da Lei nº 9.718/98 (faturamento) encontra seu fundamento de validade no art. 195, inciso I, alínea b, da Constituição Federal de 5 de outubro de 1988, descabendo-se a pretensão de transformar o PIS em tributo sobre resultado.
Ademais, as exclusões previstas para as instituições financeiras estão afinadas com a tipicidade da atividade. Ainda que assim não o fosse, a pretensão de alterar a base de cálculo prevista em lei em razão da aplicação do princípio constitucional da isonomia esbarraria na restrição imposta pelo art. 62 do RICARF.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-001.379
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente e Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro (Presidente), Ricardo Rosa, Luciano Pontes de Maya Gomes (Relator), Winderley Morais Pereira, Álvaro Lopes de Almeida, Nanci Gama.
Nome do relator: LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES
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Calculo. Isonomia com Instituições Financeiras. Impossibilidade. A base de cálculo eleita pelo caput do art. 3o da Lei nº 9.718/98 (faturamento) encontra seu fundamento de validade no art. 195, inciso I, alínea ‘b’, da Constituição Federal de 5 de outubro de 1988, descabendose a pretensão de transformar o PIS em tributo sobre resultado. Ademais, as exclusões previstas para as instituições financeiras estão afinadas com a tipicidade da atividade. Ainda que assim não o fosse, a pretensão de alterar a base de cálculo prevista em lei em razão da aplicação do princípio constitucional da isonomia esbarraria na restrição imposta pelo art. 62 do RICARF. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente e Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro (Presidente), Ricardo Rosa, Luciano Pontes de Maya Gomes (Relator), Winderley Morais Pereira, Álvaro Lopes de Almeida, Nanci Gama. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 0. 90 00 32 /2 00 8- 14 Fl. 56DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 4/01/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10940.900032/200814 Acórdão n.º 3102001.379 S3C1T2 Fl. 55 2 Tratase de Recurso Voluntário que chega para exame deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF em razão da insurgência do contribuinte epigrafado ao Acórdão nº. 0628.231, de 15/09/2010, da 3ª. Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Curitiba/PR. Em instante prévio à apreciação da manifestação recursal, convém que sejam revisitados os atos e fases processuais já vencidas. Pois bem. Conforme bem descrito no relato empreendido pela autoridade julgadora de origem: Trata o processo de manifestação de inconformidade (fls. 08/23), apresentada em 25/03/2008, em face da nãohomologação da compensação declarada por meio do Per/Dcomp nº 25213.84901.130906.1.7.043927 (que retificou o Per/Dcomp nº 18003.63304.111103.1.3.046800) nos termos do despacho decisório emitido em 14/02/2008 pela DRF em Ponta Grossa/PR (cópia à fl. 06). Segundo o despacho decisório, cientificado em 28/02/2008 (fl. 07), a compensação não foi homologada porque o crédito indicado (pagamento de PIS de R$ 774,73) encontravase totalmente utilizado, não restando crédito disponível para os fins desejados. Na manifestação a contribuinte disserta sobre o crédito pleiteado, ressaltando que decorre de diferença de tratamento tributário em relação às instituições financeiras (ressalta que se deve estender o benefício concedido às instituições financeiras, de modo que as mesmas deduções de base de cálculo da Cofins e do PIS sejam passíveis de aplicação para as demais pessoas jurídicas). Esclarece que vem recolhendo a contribuição sem as exclusões a que tem direito, não restando dúvidas acerca do direito ao crédito correspondente aos pagamentos efetuados a maior. Juntamente com a manifestação, a interessada apresentou cópias de documentos societários (fls. 24/25). Às fls. 01/05, cópia do Per/Dcomp apresentado em 13/09/2006. À fl. 27, extrato de consulta ao sistema de controle de arrecadação federal. Após delimitar a matéria impugnada, a 3a. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Curitiba/PR, através do acórdão já referenciado, negou provimento à manifestação de inconformidade pelas motivações bem retratadas na ementa do referido julgamento: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. Período de apuração: 01/02/2001 a 28/02/2001. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INEXISTENTE. DCOMP. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Fl. 57DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 4/01/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10940.900032/200814 Acórdão n.º 3102001.379 S3C1T2 Fl. 56 3 Comprovado nos autos que o crédito informado como suporte para a compensação foi integralmente utilizado pela contribuinte na extinção de outros débitos, não se homologam as compensações requeridas. PIS. CÁLCULO. ISONOMIA COM INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. Nos termos da legislação de regência, a contribuição devida a título de PIS pelas pessoas jurídicas de direito privado deve ser calculada com base no faturamento, assim, o pleito para observância do princípio da isonomia em relação à forma de cálculo aplicável às instituições financeiras, não pode ser atendido.. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. Regularmente intimado, o contribuinte manejou competente recurso voluntário, pelo qual seguiu a linha da defesa de que suas despesas operacionais podem ser deduzidas da base de cálculo da contribuição ao PIS e da Cofins, tomando como paradigma as exclusões que são asseguradas às instituições financeiras pela mesma lei de regência das referidas contribuições. E concluiu, finalmente, que o tratamento desigual em relação aos demais contribuintes viria configurar comportamento vedado pelo art. 150, inciso II, da Constituição Federal de 1988. Em face do encerramento do mandato do conselheiro relator e de que, até a presente data, não foi formalizado o acórdão, me autodesignei para tal tarefa. É o relatório, em essência. Voto Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Redator Designado Reproduzo voto lido em sessão, que foi acompanhado pela unanimidade dos presentes: Estando preenchidos os pressupostos de admissibilidade recursal e sendo o tema afeto à competência da 3a. Seção do CARF, dele tomo conhecimento. Em princípio, devese delimitar o cerne da controvérsia do recurso em exame. Neste particular, apressome a observar que inexiste qualquer pendência fática a ser resolvida, sendo o exame proposto eminentemente de direito. Mais especificamente, pretende a recorrente assegurar o recolhimento da contribuição ao PIS e da Cofins sobre o lucro bruto, ou seja, deduzindo todas as suas despesas operacionais da sua receita bruta. Fl. 58DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 4/01/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10940.900032/200814 Acórdão n.º 3102001.379 S3C1T2 Fl. 57 4 Sob o ponto de vista constitucional, devese chamar a atenção que a base de cálculo da contribuição ao PIS e da Cofins, embora pudesse ter como signo de riqueza tributável o lucro, foi definida pelo art. 3o da Lei n º 9.718/1998 como o faturamento. Tal definição encontra fundamento de validade na alínea ‘b’, do inciso I, do art. 195 da Carta Magna. Destaquese que a discussão história sobre da amplitude da base de cálculo da contribuição ao PIS e da Cofins, cujo Supremo Tribunal Federal, reiteradamente, já reconheceu a impropriedade do alargamento da base, sob os auspícios da Lei n º 9.718/98, para além da receita operacional do contribuinte, não encontra eco nos autos. A pretensão do recorrente, por sua vez, vai bem além. Pretende transformar o tributo sobre faturamento em exação sobre o lucro, o que, como demonstramos, incompatibilizase com a base definida no art. 3o da Lei n º 9.718/98 (receita operacional), cujo fundamento de validade esta no art. 195, I, ‘b’, da CF/88. De outro giro, quanto à tentativa de legitimar sua pretensão nas exclusões prescritas na mesma Lei n º 9.718/98 para as instituições financeiras, além de entendermos que as previstas para tais atividades estão atreladas as suas respectivas particularidades do negócio desenvolvido pelas mesmas (de igual modo, por exemplo, como seria insensato imaginar em exclusão de valores referentes à vendas canceladas e descontos incondicionais para instituições financeiras), admitilas sob o argumento de ferir a norma do art. 150, inciso II, da CF/88 iria de encontro a restrição constante do art. 62 do Regimento Interno do CARF, assim vazado: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Isto posto, conheço do recurso voluntário para negarlhe provimento. Sala das Sessões, em 14 de fevereiro de 2012 Luis Marcelo Guerra de Castro Fl. 59DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 4/01/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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Numero do processo: 10680.913508/2009-68
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Feb 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2003
PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO.
Cabe ao interessado o ônus da prova dos fatos que tenha alegado em seu favor. Na falta de provas o direito creditório deve ser negado.
DCTF RETIFICADORA. EFEITOS.
A DCTF quando retificada após a ciência do despacho decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito tributário pretendido, sendo indispensável sua comprovação através da escrita fiscal e contábil do contribuinte.
Numero da decisão: 3803-004.640
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
João Alfredo Eduão Ferreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira e Juliano Eduardo Lirani. Ausente justificadamente o conselheiro Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2003 PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado o ônus da prova dos fatos que tenha alegado em seu favor. Na falta de provas o direito creditório deve ser negado. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS. A DCTF quando retificada após a ciência do despacho decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito tributário pretendido, sendo indispensável sua comprovação através da escrita fiscal e contábil do contribuinte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira e Juliano Eduardo Lirani. Ausente justificadamente o conselheiro Jorge Victor Rodrigues.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003 PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado o ônus da prova dos fatos que tenha alegado em seu favor. Na falta de provas o direito creditório deve ser negado. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS. A DCTF quando retificada após a ciência do despacho decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito tributário pretendido, sendo indispensável sua comprovação através da escrita fiscal e contábil do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 35 08 /2 00 9- 68 Fl. 36DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 27/ 01/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 2 João Alfredo Eduão Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira e Juliano Eduardo Lirani. Ausente justificadamente o conselheiro Jorge Victor Rodrigues. Relatório Tratase de PER/DComp transmitido em 13/01/2006, que buscou compensar créditos alegadamente pagos indevidamente ou a maior de COFINS, competência maio de 2003, com débitos de CSLL referentes ao 4º trimestre de 2005, no valor total de R$ 3.979,41. A DRF em Belo Horizonte/MG através de despacho decisório eletrônico não homologou o pedido do sujeito passivo, pois, apesar de localizar o pagamento indicado verificou que o mesmo estava totalmente alocado para pagamento de outros débitos, não restando saldo suficiente. Irresignado, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, onde alegou que: 1 A empresa possui créditos referentes ao Pis sobre Faturamento e Cofins recolhidos a maior no período de novembro de 2002 a setembro de 2005. 2 – Após a constatação dos créditos em virtude de recolhimento a maior dos impostos acima mencionados, a partir de 28/12/2005 procedemos a compensação de impostos federais utilizando os creditos mencionados através das Per/dcomps conforme legislação em vigor. 3 Por um lapso de nossa parte não retificamos a DCTF numero 0000.100.2003.41532969 de 14/08/2003 a qual deveria constar o valor correto do Pis e da Cofins a serem recolhidos. 4 Na data de 20/05/2009 efetuamos a retificação da DCTF mencionado no item 03, conforme recibo de entrega numero 03.98.97.56.66. Ao final requer homologação da compensação enviada. A DRJ/BHE julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, ementando como se segue: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/05/2003 DCTF RETIFICADORA APRESENTADA FORA DO PRAZO LEGAL. COMPENSAÇÃO INDEFERIDA. O prazo estabelecido pela legislação para o direito de constituir o crédito tributário deve ser o mesmo para que o contribuinte proceda à retificação da respectiva declaração. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 37DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 27/ 01/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10680.913508/200968 Acórdão n.º 3803004.640 S3TE03 Fl. 11 3 Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado, o sujeito passivo protocolou recurso voluntário onde, preliminarmente, atesta o cumprimento de prazos, no mérito alega que errou ao preencher DCTF e apresenta retificação. Afirma demonstrar a liquidez e certeza do alegado através de relatório sintético e analítico que comprovam o valor total de peças sob alíquota zero. Pede o acolhimento do recurso e homologação da compensação. É o relatório. Voto Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira – Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Do direito creditório. O contribuinte buscou compensar créditos de PIS/COFINS, porém reconhece erro no preenchimento da DCTF do período, fato que inviabilizou a compensação requerida. Após ciência do despacho decisório o contribuinte alega ter retificado a DCTF. O fato do contribuinte ter retificado a DCTF após a ciência do despacho decisório, por si só, não é motivo suficiente para provocar o não reconhecimento do seu crédito, entretanto, é indispensável a apresentação de provas suficientes a justificar o erro de cálculo inicialmente cometido, nos termos do § 1º do artigo 147 do CTN: “Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento.”Grifamos. O sujeito passivo não apresentou provas contábeis e fiscais suficientes para a comprovação do erro de preenchimento de DCTF, pelo que, tornase impossível reconhecer o crédito pretendido uma vez que desprovidos de elementos de prova indispensáveis. Da comprovação do crédito. As compensações se prestam ao encontro de contas, entre um débito tributário e um crédito líquido e certo da contribuinte contra a Fazenda Pública, conforme determina o artigo 170 do CTN. “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos Fl. 38DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 27/ 01/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 4 tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública.” Como alega a recorrente, é bem verdade que a simples entrega de uma obrigação acessória de forma equivocada não retira o direito de crédito que o contribuinte possa ter, contudo, é indispensável que o contribuinte faça prova do crédito pretendido, para isso é imprescindível que a liquidez e certeza do crédito tributário seja demonstrada através da escrituração contábil e fiscal do contribuinte, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração, conforme se extrai do art. 923 do RIR: “Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (Decreto Lei nº 1.598, de 1977, art. 9º, §1º).” O recorrente firmou sua defesa exclusivamente na afirmação de que apenas a DCTF retificadora seria suficiente para comprovar a existência do seu crédito, perdendo a oportunidade de produzir provas que sustentassem as suas alegações, ônus que lhe competia, No processo administrativo federal, assim como no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, é assim que dispõe a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 36: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido o art. 333 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973CPC: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Da conclusão O contribuinte anexa sua declaração retificada, posterior à ciência do despacho decisório que indeferiu seu pedido de compensação, porém, apenas traz aos autos relatórios sem valor contábil, quando deveria apresentar livros fiscais, livros contábeis e outros documentos que comprovem o crédito alegado, assim, concluímos não ter sido comprovado o direito creditório pretendido. Pelo exposto voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso e de NÃO RECONHECER o direito creditório. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira Relator Fl. 39DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 27/ 01/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10680.913508/200968 Acórdão n.º 3803004.640 S3TE03 Fl. 12 5 Fl. 40DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 27/ 01/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO
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