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Numero do processo: 14090.000417/2007-08
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/03/2000
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. PRODUTOS QUE NÃO SE SUBMETERAM A OPERAÇÃO DE INDUSTRIALIZAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
Nos termos do art. 3º, parágrafo único, da Lei nº 9.363/96, a definição de estabelecimento produtor, para efeito de aplicação do incentivo fiscal ali definido, deve ser buscada na legislação do IPI, sendo de rigor a observância das prescrições da Tabela de Incidência do imposto, que vincula de toda a Administração. Não sendo industrializado o produto exportado, descabe o direito ao benefício.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-001.115
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama e Álvaro Almeida Filho. Ausente justificadamente o Conselheiro Luciano Pontes de Maya Gomes.
Nome do relator: Paulo Sergio Celani
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RESSARCIMENTO. PRODUTOS QUE NÃO SE SUBMETERAM A OPERAÇÃO DE INDUSTRIALIZAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Nos termos do art. 3º, parágrafo único, da Lei nº 9.363/96, a definição de estabelecimento produtor, para efeito de aplicação do incentivo fiscal ali definido, deve ser buscada na legislação do IPI, sendo de rigor a observância das prescrições da Tabela de Incidência do imposto, que vincula de toda a Administração. Não sendo industrializado o produto exportado, descabe o direito ao benefício. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama e Álvaro Almeida Filho. Ausente justificadamente o Conselheiro Luciano Pontes de Maya Gomes. Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. Paulo Sergio Celani Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Marcelo Guerra de Castro, Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa, Luciano Pontes de Maya Gomes, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Paulo Sergio Celani. Fl. 177DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/09/2011 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 2 Relatório Para historiar os fatos, transcrevo o relatório do acórdão recorrido: “Cingese a presente lide ao indeferimento do ressarcimento de crédito presumido de IPI de que trata a Lei nº 9.363, de 13/12/1996, referente ao 1º trimestre do anocalendário de 2000, cujo pedido no montante de R$37.727,05 foi formalizado, em 03/12/2002, por intermédio de transmissão da PER/DCOMP nº 19698.00849.021203.1.1.017862. Instruída pela Informação Fiscal de fls. 54/55, de 06/12/2007, a autoridade competente da Delegacia da Receita Federal em Cuiabá, MT, exarou, às fls. 84/86, Despacho Decisório indeferindo o crédito presumido pleiteado, sob o argumento de que as exportações da contribuinte, todas realizadas por intermédio da Amaggi Importação e Exportação, referiamse à soja em grãos, produto que é não tributado(NT) pelo IPI. Regularmente notificada, a requerente apresenta a manifestação de inconformidade de fls. 89/94, para alegara que: 9. Não há na legislação qualquer restrição ao direito do crédito ser ou não ser o produto nacional industrializado e exportado, tributado no final da cadeia pelo Imposto sobre Produtos Industrializados, Aliás, todos os produtos exportados são desonerados do IPI, por previsão constitucional. 10. O benefício instituído pela Lei n° 9.363/96 é claro sim em referir que faz jus ao crédito presumido do IPI tão somente os produtores e exportadores de produtos nacionais, como preceitua o artigo 10 desse dispositivo legal, e em nenhum momento fazse qualquer alusão a restrições, vejamos: [...] 11. A Recorrente é produtora e exportadora de produtos nacionais e por essa razão faz jus ao direito supradescrito, e o fato do produto final por ela produzido não se sujeitar à incidência do IPI, não lhe tira o direito ao crédito presumido, aliás a própria legislação que o instituiu indicou como seria tratado aquele contribuinte que tivesse um produto final não tributado pelo IPI. [...] 12. Ora, a previsão do artigo 4° da Lei n° 9.363/96 só comprova que o legislador ao instituir o crédito presumido do IPI tinha como objetivo a recuperação das contribuições do PIS e da COFINS que tivessem onerado as matérias primas, produtos intermediários e ou material de embalagem adquiridos no mercado interno, para utilização no processo produtivo de produtos exportados, sem lhe interessar ser ou não ser o produtor exportador contribuinte do IPI. 13. Assim, a empresa que não possui débitos de IPI, em conseqüência da não incidência desse imposto sobre o seu produto final tem a possibilidade, conforme estabelece o artigo 4º da Lei na 9.363/96, de requerer por trimestrecalendário o seu ressarcimento em moeda corrente, por fazer jus ao credito presumido do IPI. 14. Dessa forma, temse que a Recorrente tem direito ao ressarcimento do crédito presumido do IPI, uma vez que não há qualquer vedação legal para utilização desta espécie de crédito. Esse é, inclusive o entendimento da Câmara Superior de Recursos [...]. Fl. 178DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/09/2011 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 14090.000417/200708 Acórdão n.º 3102000.115 S3C1T2 Fl. 131 3 Por fim, a contribuinte requereu a procedência do pedido formulado relativamente ao crédito presumido de IPI.” A unidade julgadora de primeira instância indeferiu a solicitação contida na manifestação de inconformidade, mantendo o indeferimento do crédito presumido pleiteado, conforme decisão anterior da unidade da RFB. A ementa do acórdão recorrido está assim redigida: “Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/2000 a 31/03/2000 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. EXPORTAÇÃO DE PRODUTO NT. O direito ao crédito presumindo do IPI instituído pela Lei nº 9.363/96 condicionase a que os produtos estejam dentro do campo de incidência do imposto, não estando, por conseguinte, alcançados pelo benefício os produtos nãotributados (NT). Solicitação Indeferida” Contra esta decisão, a contribuinte interpôs recurso voluntário, repetindo o que contido na manifestação de inconformidade. Acrescenta pedido de correção do crédito pleiteado, vez que não o aproveitou, compensandoo com obrigação tributária, e a Administração Tributária, por sua vez, ao indeferir o pleito, teria causado postergação ilegítima no ressarcimento de valores já recolhidos aos cofres públicos. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade,e matéria é da competência da 3a. Seção de Julgamento, devendo ser conhecido. Inicialmente, esclareço que, em nenhum momento, a contribuinte questionou a classificação fiscal indicada pelo Fisco para o produto exportado, nem tampouco sua caracterização como não tributado (NT) na TIPI. A controvérsia restringese à possibilidade de serem considerados no cálculo do créditoprêmio de que trata a Lei n.º 9.363/96 as aquisições de insumos utilizados na obtenção de produtos classificados na TIPI como NT. A esse respeito, com fundamento em voto muito bem lançado pelo Conselheiro Júlio César Alves Ramos, no Acórdão 20403.428, de 04/09/2008, a 4a. Câmara do 2o.Conselho de Contribuintes, em decisão por voto de qualidade, ao julgar processo que tratava Fl. 179DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/09/2011 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 4 de pedido de ressarcimento do crédito presumido de IPI previsto na Lei nº 9.363/96, formulado por uma cooperativa exportadora de café cru não descafeinado, classificado na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados – TIPI – como não tributado (NT), decidiu que, não sendo industrializado o produto exportado, não caberia o direito ao benefício. Por concordar com este entendimento e considerálo aplicável no presente caso, em que o produto exportado, soja em grão, também consta na TIPI como NT, transcrevo, nas linhas que seguem, trechos daquele voto, cujas razões de decidir adoto. “Entendo não assistir razão à recorrente. É que, como ela mesma reconhece, a lei instituidora do benefício exigiu a ocorrência de produção. De fato, o seu art. 1º apenas o confere a quem seja empresa produtora e exportadora. Confirase: Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior. Mas, diferentemente do que ela afirma, a mesma Lei estabelece sim o que seja “produção” para esses efeitos, remetendo o intérprete e aplicador do direito às disposições da “legislação” do IPI. Tratase, como se sabe, do parágrafo único do art. 3º a seguir transcrito: Art. 3o Para os efeitos desta Lei, a apuração do montante da receita operacional bruta, da receita de exportação e do valor das matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem será efetuada nos termos das normas que regem a incidência das contribuições referidas no art. 1o, tendo em vista o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtor exportador. Parágrafo único. Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem. Com isso, pareceme fora de qualquer discussão que o beneficiário do instituto criado em 1996 tem de ser um estabelecimento produtor na forma do que preceitua a legislação do imposto. Como o próprio contribuinte afirma, nas palavras de Ulhoa Conta, não há necessidade de interpretar esse comando: ele é, por si só, cristalino. Ora, a legislação do IPI referida na norma tem como âncora a Lei nº 4.502 que, desde 1964, define o que seja produção para efeitos do IPI em seu art. 3º. ART.3 Considerase estabelecimento produtor todo aquele que industrializar produtos sujeitos ao imposto. Parágrafo único. Para os efeitos deste artigo, considerase industrialização qualquer operação de que resulte alteração da natureza, funcionamento, utilização, acabamento ou apresentação do produto, salvo: I o conserto de máquinas, aparelhos e objetos pertencentes a terceiros; Fl. 180DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/09/2011 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 14090.000417/200708 Acórdão n.º 3102000.115 S3C1T2 Fl. 132 5 II o acondicionamento destinado apenas ao transporte do produto. III o preparo de medicamentos oficinais ou magistrais, manipulados em farmácias, para venda no varejo, diretamente e consumidor, assim como a montagem de óculos, mediante receita médica. * Inciso III acrescido pelo DecretoLei n. 1.199, de 27/12/1971. IV a mistura de tintas entre si, ou com concentrados de pigmentos, sob encomenda do consumidor ou usuário, realizada em estabelecimento varejista, efetuada por máquina automática ou manual, desde que fabricante e varejista não sejam empresas interdependentes, controladora, controlada ou coligadas. * Inciso IV acrescido pela Lei n. 9.493, de 10/09/1997 (DOU de 11/09/1997, em vigor desde a publicação). Mas nesse conceito original, cabia sim interpretar o alcance das expressões “alterar o acabamento ou a apresentação do produto”. Os diversos decretos que aprovaram regulamentos do IPI (RIPI) delimitaram o alcance das expressões contidas na lei ao definir, com precisão, cinco modalidades de industrialização. No período das exportações promovidas pela recorrente, o que vigia era ainda o RIPI baixado pelo decreto de nº 87.981, em 1982. Seu art. 4º assim regulamentava a definição de industrialização (disposição repetida em todos os regulamentos posteriores): Art. 4º Caracteriza industrialização qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para consumo, tal como (Lei nº 4.502, de 1964, art. 3º, parágrafo único, e Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, art. 46, parágrafo único): I a que, exercida sobre matériasprimas ou produtos intermediários, importe na obtenção de espécie nova (transformação); II a que importe em modificar, aperfeiçoar ou, de qualquer forma, alterar o funcionamento, a utilização, o acabamento ou a aparência do produto (beneficiamento); III a que consista na reunião de produtos, peças ou partes e de que resulte um novo produto ou unidade autônoma, ainda que sob a mesma classificação fiscal (montagem); IV a que importe em alterar a apresentação do produto, pela colocação da embalagem, ainda que em substituição da original, salvo quando a embalagem colocada se destine apenas ao transporte da mercadoria (acondicionamento ou reacondicionamento); ou V a que, exercida sobre produto usado ou parte remanescente de produto deteriorado ou inutilizado, renove ou restaure o produto para utilização (renovação ou recondicionamento). Parágrafo único. São irrelevantes, para caracterizar a operação como industrialização, o processo utilizado para obtenção do produto e a localização e condições das instalações ou equipamentos empregados. Como se observa, a regulamentação, embora aprofundasse o alcance das expressões originais, ainda deixava aberto o campo de interpretação quanto aos Fl. 181DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/09/2011 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 6 limites das alterações que devem ser promovidas pelo “produtor” sobre o produto para que se configure uma industrialização. Por esse motivo, esta Câmara, por maioria, tem entendido possível ao contribuinte demonstrar o cumprimento dos requisitos previstos nesse dispositivo para enquadrarse como “produtor”, ainda que o seu produto esteja indicado na TIPI como NT. Dentre as modalidades ali definidas – ressalvese que de modo exemplificativo – duas parecem cogitáveis ao caso concreto: o beneficiamento e o acondicionamento. É também por esse motivo que se firmou o entendimento de que não cabe excluir a receita de exportação de produtos NT do total daquela receita que integra o numerador da relação utilizada para apurar a base de cálculo (receita de exportação sobre receita total). Assim, caso deferido o benefício, caberia também a revisão desse critério adotado pela fiscalização. Divirjo desse entendimento, embora deixando registrado que não concordo com o simples argumento de que basta o produto ser NT na TIPI para que o benefício se torne incogitável. Cumpre esclarecer esse meu posicionamento. É que entendo que aquela tabela, igualmente baixada por meio de decreto regulamentar expedido pela Presidência da República, vem exatamente para impedir interpretações divergentes, no âmbito administrativo, acerca do que seja industrialização para efeito do IPI.” Após tecer tais considerações e transcrever doutrina de Hely Lopes Meirelles e Celso Antônio Bandeira de Mello, extraídas de suas reconhecidas obras, respectivamente, Direito Administrativo Brasileiro e Curso de Direito Administrativo, com vistas a realçar a força normativa dos decretos e regulamentos, por conseguinte, a força normativa da TIPI, vez que veiculada por meio de decreto, o ilustre Conselheiro conclui que dúvidas sobre o que seria industrialização se resolveriam pela utilização da TIPI, não sendo permitido ao agente administrativo considerar industrializado produto que nesta tabela conste como não tributado. Prossegue o voto com as seguinte palavras: “Trocando em miúdos, sempre que uma dada operação aparentemente puder enquadrarse como industrialização é aquela norma regulamentar que dirimirá, no âmbito das obrigações atinentes ao IPI, o correto entendimento (ao menos o correto na visão do Poder Executivo, de onde provém), e de forma vinculante a todos os aplicadores do direito integrantes de sua estrutura administrativa. E é claro que esse entendimento pode ser contestado pelos contribuintes, mas então há de ser objeto de apreciação pela instância constitucionalmente capaz: o Poder Judiciário. Nessa esteira é que entendo que não podem os aplicadores do direito não integrantes do Poder Judiciário ultrapassar as definições emanadas da TIPI no que se refere ao alcance do conceito de industrialização para efeito do IPI. Mas, como disse, esse posicionamento tampouco autoriza que se remeta automática e acriticamente à TIPI para desconfigurar o direito do postulante ao crédito presumido de que trata a Lei nº 9.363/96, apenas porque na TIPI o produto apareça como NT. E isso porque nem todos os produtos que ali aparecem com tal expressão o fazem por serem produtos não industrializados. De fato, muitos, sem dúvida a maioria, o são. Mas ao lado deles há também os casos da imunidade conferida a Fl. 182DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/09/2011 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 14090.000417/200708 Acórdão n.º 3102000.115 S3C1T2 Fl. 133 7 alguns produtos. Para eles também a TIPI reserva a expressão NT, desde que aquela não incidência não dependa de qualquer condição. No que respeita apenas à aplicação do IPI não faz qualquer diferença o motivo: sendo NT, o produto está fora do campo de incidência daquele imposto e quem o produz nenhuma obrigação tem com respeito ao tributo. Mas, quando se examina a TIPI com olhos no benefício da Lei 9.363/96, isso faz sim diferença, pois ela não exigiu, e nisso a recorrente tem inteira razão, que os produtos exportados estejam no campo de incidência do IPI. O que ela exige é que eles tenham sido submetidos a uma operação de industrialização. E, como espero ter deixado claro, uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa. Essa ressalva, porém, não afeta a situação sob exame. O produto exportado pela empresa é definido na TIPI como NT exatamente porque os processos a que se possa submeter não foram considerados pelo legislador suficientes para caracterizar uma industrialização. Vale enfatizar que nessa caracterização a existência ou não de maquinário é inteiramente irrelevante. Com efeito, tanto um estabelecimento pode ser definido como industrial mesmo sem dispor de qualquer maquinário, como outro, que o detenha, nem por isso se torna “produtor”. Por isso, não sendo o recorrente estabelecimento produtor nos termos exigidos pela legislação concessiva do favor fiscal, não tem direito a ele. Correta a decisão que o denegou, ao recurso do contribuinte deve ser negado provimento. No caso deste processo, em que o produto exportado também não foi submetido a processo de industrialização, nos termos da legislação do IPI, especialmente, porque consta na TIPI como não tributado, a recorrente não tem direito ao crédito presumido de que trata a lei n.º 9.363/96, logo, não há que se falar em atualização monetária ou acréscimos de juros. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Paulo Sergio Celani. Fl. 183DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/09/2011 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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Numero do processo: 13746.000160/2003-38
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Apr 22 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 12/02/2003
COMPENSAÇÃO DE CRÉDITOS DE CONTRIBUINTE COM DÉBITOS DE TERCEIROS. INAPLICABILIDADE DA HIPÓTESE NORMATIVA QUE TRATA DA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA DO PEDIDO DE COMPENSAÇÃO.
A homologação tácita a que alude o § 5º do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 diz respeito unicamente aos casos em que a compensação pleiteada pode ser admitida como declaração de compensação, não alcançando os pleitos de compensação de créditos com débitos de terceiros, já que o caput do citado artigo 74, a partir da alteração trazida pela Medida Provisória nº 66/2002, se restringe à compensação de créditos do contribuinte com seus próprios débitos.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI RECONHECIDO POR MEDIDA JUDICIAL. COMPENSAÇÃO COM DÉBITOS DE TERCEIROS DO PRÓPRIO IMPOSTO. LIMITES DA COISA JULGADA.
Realidade em que, por força de provimentos jurisdicionais, foi autorizada a utilização de créditos presumidos do IPI exclusivamente para a compensação com o IPI devido no final do processo industrial, inclusive com a possibilidade de transferência de aludido direito para terceiros, não se aplicando ao caso a restrição de que trata a nova regra contida no artigo 74 da Lei n° 9.430/96 após a alteração que lhe foi dada pelo artigo 49 da Medida Provisória nº 66, de 29/08/2002, convertida na Lei n° 10.637/02, já que o direito anteriormente reconhecido está amparado pela coisa julgada.
Não obstante, o pleito envolve realidade em que o sujeito passivo buscava a compensação do crédito judicial com débitos de terceiros distintos do IPI, o que não se pode admitir uma vez que aludido intento extrapolou os limites do direito reconhecido pelo Poder Judiciário.
Recurso ao qual se nega provimento
Numero da decisão: 3802-004.236
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, no seguinte sentido:
a) por maioria de votos, para rejeitar o argumento em favor da homologação tácita da compensação; vencidos os conselheiros Solon Sehn e Bruno Curi, que entenderam haver ocorrido aludida homologação;
b) superada a questão atinente à homologação tácita, nos termos acima, votaram os membros, por unanimidade, para negar provimento ao recurso.
O conselheiro Solon Sehn declarou voto.
Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Ricardo Alexandre Hidalgo Pace, OAB/SP 182.632.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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INAPLICABILIDADE DA HIPÓTESE NORMATIVA QUE TRATA DA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA DO PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. A homologação tácita a que alude o § 5º do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 diz respeito unicamente aos casos em que a compensação pleiteada pode ser admitida como declaração de compensação, não alcançando os pleitos de compensação de créditos com débitos de terceiros, já que o caput do citado artigo 74, a partir da alteração trazida pela Medida Provisória nº 66/2002, se restringe à compensação de créditos do contribuinte com seus próprios débitos. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI RECONHECIDO POR MEDIDA JUDICIAL. COMPENSAÇÃO COM DÉBITOS DE TERCEIROS DO PRÓPRIO IMPOSTO. LIMITES DA COISA JULGADA. Realidade em que, por força de provimentos jurisdicionais, foi autorizada a utilização de créditos presumidos do IPI exclusivamente para a compensação com o IPI devido no final do processo industrial, inclusive com a possibilidade de transferência de aludido direito para terceiros, não se aplicando ao caso a restrição de que trata a nova regra contida no artigo 74 da Lei n° 9.430/96 após a alteração que lhe foi dada pelo artigo 49 da Medida Provisória nº 66, de 29/08/2002, convertida na Lei n° 10.637/02, já que o direito anteriormente reconhecido está amparado pela coisa julgada. Não obstante, o pleito envolve realidade em que o sujeito passivo buscava a compensação do crédito judicial com débitos de terceiros distintos do IPI, o que não se pode admitir uma vez que aludido intento extrapolou os limites do direito reconhecido pelo Poder Judiciário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 74 6. 00 01 60 /2 00 3- 38 Fl. 965DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por SOLON SEHN 2 Recurso ao qual se nega provimento Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, no seguinte sentido: a) por maioria de votos, para rejeitar o argumento em favor da homologação tácita da compensação; vencidos os conselheiros Solon Sehn e Bruno Curi, que entenderam haver ocorrido aludida homologação; b) superada a questão atinente à homologação tácita, nos termos acima, votaram os membros, por unanimidade, para negar provimento ao recurso. O conselheiro Solon Sehn declarou voto. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Ricardo Alexandre Hidalgo Pace, OAB/SP 182.632. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 3ª Turma da DRJ Juiz de Fora (fls. 302/322 da cópia digitalizada do eprocesso doravante utilizada como padrão de referência), a qual não homologou a compensação vislumbrada pelo sujeito passivo, nos termos do seguinte acórdão: Acordam os membros da 3ª Turma de Julgamento, por maioria de votos, NÃO HOMOLOGAR A COMPENSAÇÃO de fls.02, nos termos do voto da relatora. Pela homologação tácita da compensação votaram os julgadores Alessandro Saggioro Oliveira, Antônio Carlos Lombello Braga e Carlos Romero Cezar do Amaral, nos termos da Declaração de Voto apresentada pelo último. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório objeto da decisão recorrida, a seguir transcrito na sua integralidade: A empresa Nitriflex S.A. Indústria e Comércio apresentou o requerimento de fls. 01, onde declara haver transmitido créditos para a pessoa jurídica MAXIMILIANO GAIDZINSKI S.A. ELIANE S.A. REVESTIMENTOS CERÂMICOS, créditos esses que a Nitriflex S.A. estaria autorizada judicialmente a transferir a terceiros em virtude de decisão favorável obtida no Mandado de Segurança n° 2001.02.01.0352326 (processo originário n° 2001.51.1.00010250), onde foi pedido o Fl. 966DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por SOLON SEHN Processo nº 13746.000160/200338 Acórdão n.º 3802004.236 S3TE02 Fl. 966 3 afastamento dos efeitos da IN SRF n° 41, de 2000, que vedava a utilização de créditos de terceiros na compensação. Utilizandose destes créditos a MAXIMILIANO GAIDZINSKI S.A. ELIANE S.A. REVESTIMENTOS CERÂMICOS acima qualificada apresentou através de seu procurador, o formulário de fls. 02, com o objetivo de compensar os débitos nele apontados, com créditos de terceiros, pertencentes a Nitriflex S.A. e constantes do processo administrativo n° 10735.000001/9918. O Parecer Seort n° 570, de 2008 e respectivo Despacho Decisório (fls. 48/54) ambos proferidos pela Delegacia da Receita Federal em Nova Iguaçu/RJ, concluíram em síntese que: A sociedade empresária Nitriflex S A Indústria e Comércio ajuizou ... a Ação Mandamental (Mandado de Segurança) n° 98.00166580 no sentido de reconhecer o seu direito ao crédito presumido de IPI ... referente às aquisições de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagens isentos, não tributados ou que foram tributados à alíquota zero ..., bem como seu direito de compensálo com o imposto (IPI) a recolher no final do processo industrial, obtendo decisão favorável, transitada em julgado em 18.04.2001 após acórdão exarado pelo Tribunal Regional Federal da Segunda Região. Como a decisão transitada em julgado no Mandado de Segurança n° 98.00166580 somente lhe permitia utilizar o seu crédito ... com débitos relativos a este mesmo imposto, sociedade empresária Nitriflex S A Indústria e Comércio impetrou junto à 5ª Vara Federal de São João de Meriti RJ um outro Mandado de Segurança (MS), o de n° 2001.51100010250, esse visando afastar a incidência dos efeitos da Instrução Normativa SRF n°41/2000, obtendo sentença favorável que, em 12.09.2003, também transitou em julgado no sentido de reconhecer e de declarar o seu direito de ceder parte do seu crédito a terceiros para que estes utilizem em compensação tributária. ... a sociedade empresária Nitriflex S.A. ... realizou diversas compensações tributárias de débitos próprios e, além disso cedeu grande parte do saldo remanescente a terceiros... ... a Procuradoria ajuizou ... a Ação Rescisória n° 2198 visando desconstituir a sentença proferida no Mandado de Segurança n° 98.00166580 transitada em julgado, obtendo vitória parcial, uma vez que houve mudança no tocante ao período sobre o qual recaiu o direito ao crédito, que passou de 10 (dez) para 5 (cinco) anos, o que também reduziu em muito o valor primitivo do crédito. Após ter sido proferida a sentença da ação rescisória e já na vigência da IN SRF n° 517, de 2005, a Nitriflex S A Indústria e Comércio pretendeu habilitar créditos junto Secretaria da Receita Federal para prosseguir realizando compensações tributárias com débitos de terceiros. O pedido de habilitação (processo nº 13746.000191/200551) foi indeferido administrativamente, sendo que, mais uma vez a Nitriflex S A buscou na via judicial o reconhecimento do direito à habilitação do crédito, não obtendo êxito na 1ª instância de julgamento. O Seort da DRF Nova Iguaçu/RJ indeferiu o pedido de habilitação contido no processo n° 13746.000191/200551. O Parecer Seort n° 570, de 2008, continua seu relato aduzindo que: ... o ponto nevrálgico ... repousa em saber se o contribuinte pode ou não compensar seus débitos tributários mediante a utilização de crédito que lhe foi cedido pela Nitriflex SA ..., pois numa época em que não havia lei mas apenas norma infralegal (IN/SRF n° 41/2000) vedando a utilização de crédito de um contribuinte para compensar débito de outro, a pessoa jurídica cedente do Fl. 967DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por SOLON SEHN 4 crédito obteve sentença transitada em julgado reconhecendo o seu direito de cedêlo a terceiro... ...sobre o assunto, a Procuradoria Seccional da Fazenda Nacional em Nova Iguaçu RJ se pronunciou no sentido de que a nova regra contida no artigo 74 da Lei n° 9.430/96 após a alteração que lhe foi dada pelo artigo 49 da MP 66, de 29.08.2002 convertido no artigo 49 da Lei n° 10.637/02 tem o condão de restringir a utilização do crédito em questão, sem contudo ofender à autoridade da coisa julgada e sem que represente aplicação retroativa da lei. ... quando o Mandado de Segurança n° 2001.51.10.0010250 ... foi ajuizado inexistia lei expressa que dispusesse sobre a compensação tributária de débito de um contribuinte mediante a utilização de crédito de terceiros, embora a Instrução Normativa SRF n° 41/2000 já vedasse esta espécie de compensação tributária. Assim, ... somente os pedidos de compensação tributária formalizados antes do dia 29.08.2002, data da publicação da Medida Provisória n° 66/02 ... é que estão amparados pelo MS nº 2000.51100010250 e, desta forma, somente naqueles pedidos é que pode ser utilizado crédito cedido pela sociedade empresária Nitriflex S A. A DRF/Nova Iguaçu RJ, continua em sua decisão, transcrevendo partes do parecer expedido pela PSFN/Nova Iguaçu/RJ, dentre as quais cumpre evidenciar: ... quando ajuizado o MS 2001.51.100010250, vigorava a IN SRF n° 41/00, cujo artigo 1° vedava a compensação de débitos do sujeito passivo com créditos de terceiros, administrados pela SRF, sendo que a Lei n° 9.430/96 em seus arts. 73 e 74, dispositivos estes expressamente mencionados no voto do relator, eram omissos a respeito, daí a razão pela qual ter o tribunal ad quem afastado a limitação imposta pela IN SRF 41/00. Entretanto, os referidos arts. 73 e 74 sofreram total reformulação através do art. 49 da MP n° 66/02, convertida na Lei n° 10.637/2002 ... ... se de uma decisão judicial decorre a coisa julgada, é certo que este efeito não prevalecerá se ocorrerem mudanças nas normas jurídicas que tratam da questão transitada em julgado. ... hoje a situação fática jurídica é diversa. A Lei n° 9.430/96 que era omissa sobre o tema, a partir de 30 de agosto de 2002 passou a ser clara ao prever como única possibilidade de compensação de tributos administrados pela SRF, inclusive os judiciais transitados em julgado, a efetividade entre créditos e débitos do próprio sujeito passivo. ... Assim, a coisa julgada não pode ser invocada quando direito superveniente repercute na relação jurídica sobre o qual a coisa julgada se operou. Ressalvamse, pois, os efeitos jurídicos dos pedidos de compensação efetivamente realizados por conta da decisão judicial considerados fatos consumados, até a edição da MP 66, de 29.08.2002, convertida na Lei n° 10.637/2002. Registrese: a lei nova não está a alcançar fatos passados, compensações efetivadas perante a ordem jurídica anterior e com espeque em decisão judicial transitada em julgado. A nova lei alcança, isto sim, os fatos novos ocorridos sob a sua égide e sobre a qual a coisa julgada não pode surtir efeitos, já que estamos diante de novos regramentos jurídicos. Logo, após as alterações da MP 66/02, convertida na Lei n° 10.637/02, as pretendidas compensações com débitos de terceiros não podem ser admitidas eis que não permitidas pela Lei, não sendo a mesma objeto de qualquer discussão judicial. Não há que se falar de violação à coisa julgada e o suposto direito adquirido, como evidente, relacionase às compensações requeridas fatos consumados sob efeitos da coisa julgada, jamais aos pedidos de compensação formulados depois das alterações legislativas supervenientes à coisa julgada. Ao final o parecerista houve por bem adotar o entendimento da PSFN para propor a não homologação da compensação pleiteada. Fl. 968DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por SOLON SEHN Processo nº 13746.000160/200338 Acórdão n.º 3802004.236 S3TE02 Fl. 967 5 O Despacho Decisório de fls. 54, aprovou integralmente o parecer e determinou fosse dada continuidade à cobrança e tomadas as demais providências cabíveis. O processo foi encaminhado à ARF/Criciúma/SC, domicílio fiscal da interessada para ciência da decisão. A interessada tomou ciência do Parecer Seort/DRF/NIU/RJ n° 570, de 2008 e respectivo Despacho Decisório em 05/09/2008 (fls. 58). Pelo requerimento de fls. 50/60 e arrazoado de fls. 61/94, a interessada manifestou sua inconformidade alegando em síntese que: Não se tratando de hipótese do art. 74, § 12, da Lei 9.430/96, requer o processamento da presente com efeito suspensivo... Além de negar prazo para sua defesa, indevidamente determina o encaminhamento do processo ... para continuidade da cobrança. A recorrente teve ciência do r. Despacho decisório recorrido em 05/09/2008, ou seja, após 5(cinco) anos do protocolo da declaração de compensação. Com o decurso de mais de 5 (cinco) anos entre o pedido de compensação e a manifestação formal da Fazenda Pública, com a ciência do contribuinte, ocorre a homologação tácita dos créditos tributários compensados, nos termos dos §§4º e 5º do art. 74, da Lei nº 9.430/96 ... Desta forma, deve ser considerado homologado o pedido de compensação em questão, com a conseqüente extinção dos débitos compensados. O MS 98.00166580 (Nitriflex) teve por objeto o reconhecimento do direito ao crédito de IPI, no período de 08/1988 até 07/1998, decorrente da aquisição de insumos isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero... ... a Nitriflex lançou mão de medida judicial para afastar a aplicação da IN/SRF 41/00 (que passou a proibir a cessão de crédito para terceiros não optantes do REFIS). Foi impetrado o MS 2001.51.10.0010250 para se alcançar tal desiderato... Em 12/09/2003 transitou em julgado o v. acórdão proferido pelo E. TRF da 2ª Região que, convalidando a medida liminar deferida initio litis e concedendo a ordem, decidiu pela irretroatividade da legislação então limitadora do direito à plena disponibilidade do crédito (IN/SRF 41/00) para alcançar fatos consumados sob a égide de normas que o garantiam expressamente, a saber, art. 170 do CTN e arts. 73 e 74 da Lei n.° 9.430/96, regulamentados pela IN/SRF 21/97 Por fim, foi ajuizada pelo Fisco, em 15/04/2003, a ação rescisória 2003.02.01.0056758 visando a desconstituição da coisa julgada produzida no MS 98.00166580. Embora o pedido tenha sido julgado parcialmente procedente pelo E. TRF da 2ª Região, foram interpostos pela Nitriflex recursos pendentes de análise, e não foi concedida tutela de urgência para suspender a execução da coisa julgada, que, por isto, continua produzindo efeitos. Outra alegação trazida ao processo e que se refere à propriedade dos créditos foi assim aduzida: A coisa julgada ... reconheceu o direito ao crédito de IPI ... Ou seja, a coisa julgada reconheceu o direito à propriedade do crédito. Definindo o conteúdo e alcance do direito à propriedade, ... o art. 1.228 do Código Civil ... Não podendo a legislação tributária alterar o conteúdo e alcance dos institutos e conceitos de direito privado utilizados para fixar competências tributárias dos entes políticos (art. 110 do CTN). Fl. 969DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por SOLON SEHN 6 A propósito do mesmo tema, entende, ainda, a interessada, que a coisa julgada material impede a aplicação da Lei nº 10.637, de 2002, que limita a disponibilidade do crédito do IPI, porque, no caso, esse crédito foi reconhecido por decisão judicial transitada em julgado. Alega que a limitação legal apontada no despacho decisório só é aplicável aos créditos nascidos posteriormente à sua entrada em vigor, acrescentando que, admitir o contrário, resultaria no descumprimento de uma ordem judicial, no desrespeito à coisa julgada material e aos princípios da nãocumulatividade do IPI e da irretroatividade das leis. Ressalta, a requerente, que também foi proposto o Mandado de Segurança nº 2001.51.10.0010250, para impedir que a IN SRF nº 41, de 2000, obstasse a livre disposição do crédito do IPI, conquistado, em juízo, pela Nitrifiex S/A Indústria e Comércio. Diz ainda que, em 12 de setembro de 2003, transitou em julgado acórdão proferido pelo TRF da 2ª Região, confirmando o direito de livre disposição do crédito decorrente da decisão judicial relativa ao processo n° 98.00166580. Prosseguindo em sua contestação: Noutros falares, o E. TRF da 2ª Região fundamentou sua decisão de afastar a aplicação da IN/SRF 41/00 com base no princípio constitucional da irretroatividade das leis, segundo o qual a lei nova não pode retroagir para afetar fatos consumados antes de sua entrada em vigor. Entendeu a E. Corte que a instrução normativa, sobre ser ilegal, não poderia retroagir para afetar fatos consumados sob a égide de legislação que permitia a cessão para terceiros do crédito de IPI reconhecido no MS 98.00166580, no caso o art. 170 do CTN e arts. 73 e 74 da Lei n° 9.430/96, regulamentados pela IN/SRF 21/97. E dizer, a coisa julgada estabilizou, entre a Nitriflex e o Fisco, relação jurídica segundo a qual o crédito de IPI, no tocante ao seu aproveitamento, sujeitase à legislação em vigor na época da ocorrência dos fatos geradores (crédito), ocorridos entre 08/88 e 07/98. A corroborar sua tese referente à irretroatividade da nova redação do art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, trouxe ao processo doutrina de Roque Antonio Carrazza, Geraldo Ataliba e Vicente Rao. A reclamante se utilizou do princípio constitucional que trata da irretroatividade da lei como base de argumentação a respaldar a não utilização, no caso concreto, da nova redação do art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, trazida pela Lei n° 10.637, de 2002, salientando trecho da ADIMC 172, DJ 19/02/1993, p. 2.032, do Relator Min. Celso de Melo. A reclamante transcreve, dentre outras, ementa do EREsp 488.992/MG, DJ 07/06/2004, p. 156, cuja relatoria pertenceu ao Min. Teori Albino Zavascki: É inviável, na hipótese, apreciar o pedido à luz do direito superveniente, porque os novos preceitos normativos, ao mesmo tempo em que ampliaram o rol das espécies tributárias compensáveis, condicionaram a realização da compensação a outros requisitos, cuja existência não constou da causa de pedir e nem objeto de exame nas instâncias ordinárias. .. . E prossegue em seus argumentos: É sabido que em 25/02/2005 foi publicada a IN/SRF 517, que passou a exigir a habilitação de créditos reconhecidos por decisões judiciais transitadas em julgado. Para não inviabilizar seus procedimentos de compensação é que a Nitriflex sujeitouse à mencionada regra. ... a bem da verdade, a IN/SRF 517 só produz efeitos para fatos posteriores à entrada em vigor da regra. No presente caso, a decisão judicial transitada em julgado que reconheceu o direito ao crédito de IPI transitou em julgado em Fl. 970DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por SOLON SEHN Processo nº 13746.000160/200338 Acórdão n.º 3802004.236 S3TE02 Fl. 968 7 18/04/2001, anteriormente à entrada em vigor da IN/SRF 517, por isto inaplicável. Portanto, a inexistência de habilitação do crédito de IPI não é óbice para sua utilização... No que tange à ação rescisória a empresa, em sua peça de defesa, argumentou transcrevendo o artigo 489 do CPC e concluindo que "somente o deferimento de tutela de urgência" ou "o trânsito em julgado da decisão rescindente tem o condão de impedir o cumprimento da decisão rescindida". Ao final, pede a reforma da decisão com a conseqüente homologação das compensações e a extinção dos créditos tributários compensados. Em despacho anexado às fls. 147/149, a DRF/Florianópolis/SC evidenciou a existência do processo administrativo nº 11610.002615/2003 60 com créditos de terceiros idênticos aos do presente processo e, às fls. 116/119, se encontra cópia do Despacho Decisório proferido pela DRF/Florianópolis/SC que decidiu o processo nº 11610.002615/200360, não homologando as compensações nele pleiteadas. Tendo em vista que o processo nº 11610.002615/200360 se encontrava na DRJ/Ribeirão Preto/SP, o presente foi encaminhado também àquela DRJ. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP emitiu o despacho de fls. 141/146 onde concluiu que não detinha competência para apreciar o presente processo. O presente processo retornou à DRF/Florianópolis/SC que, por sua vez, questionou a Superintendência da 9ª Região Fiscal a respeito dos procedimentos a serem adotados face à existência de dois processos com o mesmo pedido. A DISIT da 9ª Região Fiscal exarou o documento de fls. 112/114 que pode ser assim resumido: ... houve a apresentação de duas vias de cada pedido de compensação, uma perante a DRFNova lguaçuRJ (domicílio fiscal do credor) e outra perante a DRFFlorianópolisSC (domicílio fiscal do devedor). Pela sistemática da IN (art. 15, §4°), quem analisaria o pedido seria a DRFNova lguaçuRJ, tendo a via entregue à DRFFlorianópolis apenas o caráter de comunicado. A DRFNova lguaçuRJ analisou os pedidos, não os homologando, com fundamento na impossibilidade de compensação do crédito de um com o débito de outro, eis que embora não aplicável a IN SRF 412000, sobreveio posteriormente a Medida Provisória n° 66, de 2002, convertida na lei 10.637, de 2002, vedando tal tipo de compensação. Ou seja, segundo a DRFNova Iguaçu, a coisa julgada não teria eficácia contra a vedação imposta por ato legal. Contra tais decisões, o contribuinte apresentou manifestações de inconformidade. A DRJ competente para julgála seria a DRJJuiz de ForaMG (eis que se trataria de decisão exarada na 7ª Região Fiscal relativa a crédito de IPI). ... a DRFFlorianópolis já havia julgado as suas vias dos pedidos apresentados pelo devedorcedente ..., também não homologando as compensações, sendo que tendo ocorrido apresentações de manifestações de inconformidade seguiram para a DRJRibeirão Preto (competente para as decisões exaradas na 8ª Região Fiscal). Em relação a estas manifestações de inconformidade, em alguns casos estão aguardando julgamento, sendo que em outros já foram Fl. 971DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por SOLON SEHN 8 julgadas, com a apresentação de recursos voluntários ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Por essa razão, dado o interrelacionamento entre os processos (e de modo a se evitar julgamentos conflitantes), encaminhou também as manifestações de inconformidade que atacavam as decisões da DRFNova lguaçuRJ para a DRJ Ribeirão Preto ... A DRJRibeirão Preto, por seu turno, devolveu os processos dizendo não ser competente para as causas que tenham por objeto decisões proferidas pela 7ª Região Fiscal. A Disit da 9ª Região Fiscal concluiu seu parecer determinando àquela DRF/Florianópolis/SC que encaminhasse o presente processo à DRJ/JFA e o de nº 11610.002615/200360 ao CARF se houve a apresentação de recurso voluntário e que fosse evidenciado em cada um dos mesmos a existência do outro. Adotados os procedimentos acima, no tocante a este processo, o mesmo foi encaminhado a esta DRJ/JFA para apreciação. Os argumentos aduzidos pelo sujeito passivo, no entanto, não foram acatados pela instância a quo, que indeferiu o pleito da interessada em Acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 12/02/2003 a 28/02/2003 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE TERCEIROS. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA. TÍTULO JUDICIAL. INAPLICABILIDADE 1. Não ocorre a homologação tácita em compensações baseadas em créditos de terceiros na vigência da Lei nº 10.637, de 2002. 2. As compensações declaradas a partir de 1º de outubro de 2002, de débitos do sujeito passivo com crédito de terceiros, esbarram em inequívoca disposição legal MP nº 66, de 2002, convertida na Lei nº 10.637, de 2002 impeditiva de compensações da espécie. É descabida a pretensão de legitimar compensações de débitos do requerente, com crédito de terceiros, declaradas após 1º de outubro de 2002, pretensão essa fundada em decisão judicial proferida anteriormente àquela data, que afastou a vedação, outrora existente, em instrução normativa. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 12/02/2003 a 28/02/2003 PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. DOUTRINA E JURISPRUDÊNCIA. 1.Não cabe apreciar questões relativas à ofensa a princípios constitucionais, tais como da legalidade, da nãocumulatividade ou da irretroatividade de lei, competindo, no âmbito administrativo, tão somente aplicar o direito tributário positivado. 2.A doutrina trazida ao processo não é texto normativo, não ensejando, pois, subordinação administrativa. 3.A jurisprudência administrativa e judicial colacionadas não possuem legalmente eficácia normativa, não se constituindo em normas gerais de direito tributário. Manifestação de Inconformidade Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 972DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por SOLON SEHN Processo nº 13746.000160/200338 Acórdão n.º 3802004.236 S3TE02 Fl. 969 9 Cientificada da referida decisão em 18/08/2010 (conforme AR de fls. 328), a interessada, em 03/09/2010 (fls. 330), apresentou o recurso voluntário de fls. 330/408, onde, com base nos argumentos já aduzidos na primeira instância, reforçado por respeitável jurisprudência, doutrina e em parecer do prof. Paulo de Barroso Carvalho, requer seja homologada a compensação pleiteada, de forma tácita (por força dos §§ 4º e 5º do artigo 74 da Lei nº 9.430/96) ou expressa, em vista da legitimidade do crédito reconhecido pela via judicial. Quanto à ação rescisória nº 2003.02.01.0056758, ajuizada pela União, junto ao TRF da 2ª Região, para desconstituir a coisa julgada objeto do Mandado de Segurança nº 98.00166580, asseverou a recorrente que a Nitriflex ajuizou a Reclamação Constitucional nº 9.790, na qual a Exma. Min. Cármen Lúcia proferiu decisão liminar determinando a suspensão da aludida Ação Rescisória, por entender que o TRF da 2ª Região desrespeitou decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal nos autos do Agravo de Instrumento nº 313.481 e da Ação Rescisória nº 1.788, que manteve incólume o direito reconhecido judicialmente em favor da recorrente. Às fls. 455/467 foi anexada consulta feita pelo SEORT da DRF Nova Iguaçu RJ à Procuradoria da Fazenda Nacional relativamente à suposta perda de eficácia da ordem judicial que reconheceu o crédito e o direito de compensação com débitos de terceiros, em face da superveniência da Lei nº 10.637/2002, que alterou a redação do artigo 74 da Lei nº 9.430/96. Às fls. 469/569 foi acostado Parecer do Prof. Paulo de Barros Carvalho em resposta a consulta formulada pela pessoa jurídica Nitriflex S/A Indústria e Comércio. Em 07/08/2014 a interessada apresentou petição (fls. 572/583) mediante a qual informa a ocorrência de fatos novos, quais sejam, a extinção em definitivo das ações rescisórias movidas pelo Fisco, reforçando ainda os argumentos já aduzidos em seu recurso voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios Da admissibilidade do recurso O recurso é tempestivo e há que ser conhecido por preencher os demais requisitos formais e materiais exigidos para sua aceitação. Do argumento em defesa da homologação tácita da compensação Por uma questão de lógica trato primeiramente do argumento em defesa da homologação tácita da compensação. De início, vêse que o formulário em que o pleito foi formalizado, Pedido de Compensação de Crédito com Débito de Terceiros, não mais vigia à época da protocolização do pedido, ou seja, em 12/02/2003. Fl. 973DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por SOLON SEHN 10 Com efeito, no rodapé do formulário em tela (fls. 04) consta que aludido formulário foi "aprovado pela Instrução Normativa SRF/Nº 21/97 Anexo IV", em sintonia com o que dispunha o artigo 15 da citada Instrução Normativa, abaixo transcrito: COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO DE UM CONTRIBUINTE COM DÉBITO DE OUTRO Art. 15. A parcela do crédito a ser restituído ou ressarcido a um contribuinte, que exceder o total de seus débitos, inclusive os que houverem sido parcelados, poderá ser utilizada para a compensação com débitos de outro contribuinte, inclusive se parcelado. § 1º A compensação de que trata este artigo será efetuada a requerimento dos contribuintes titulares do crédito e do débito, formalizado por meio do formulário "Pedido de Compensação de Crédito com Débito de Terceiros", de que trata o Anexo IV. § 2º Se os contribuintes estiverem sob jurisdição de DRF ou IRFA diferentes, o formulário a que se refere o parágrafo anterior deverá ser preenchido em duas vias, devendo cada contribuinte protocolizar uma via na DRF ou IRFA de sua jurisdição. § 3º Na hipótese do parágrafo anterior, a via do Pedido de Compensação de Crédito com Débito de Terceiros, entregue à DRF ou IRFA da jurisdição do contribuinte titular do débito terá caráter exclusivo de comunicado. § 4º Na hipótese do § 2º, a competência para analisar o pleito, efetuar a compensação e adotar os procedimentos internos de que trata o § 2º do art. 13 é da DRF ou IRFA da jurisdição do contribuinte titular do crédito. § 5º Nas compensações de que trata este artigo, o Documento Comprobatório de Compensação de que trata o Anexo V será emitido em duas vias, devendo ser entregue uma via para cada contribuinte. § 6º A utilização de crédito decorrente de sentença judicial, transitada em julgado, para compensação, somente poderá ser efetuada após atendido o disposto no art. 17. (grifo nosso) Muito embora a Instrução Normativa SRF nº 21/97 só tenha sido revogada em 1º/10/2002 (data da publicação da IN SRF nº 210, de 30/09/2002, cujo artigo 46 revogou formalmente a citada IN 21/97), todo o artigo 15 da IN 21/97, ou seja, a integralidade do dispositivo que tratava da possibilidade de utilização de créditos de um contribuinte para compensação com débitos de outrem, já havia sido revogado pela IN SRF nº 41, de 07/04/2000 (publicada no DOU de 10/04/2000), e que assim dispôs sobre a questão: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições, e tendo em vista o disposto no art. 170 da Lei Nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional), no art. 66 da Lei Nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, com a redação dada pelo art. 58 da Lei Nº 9.069, de 29 de junho de 1995, e nos arts. 73 e 74 da Lei Nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, resolve: Art. 1º É vedada a compensação de débitos do sujeito passivo, relativos a impostos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, com créditos de terceiros. Parágrafo único. A vedação referida neste artigo não se aplica aos débitos consolidados no âmbito do Programa de Recuperação Fiscal REFIS e do parcelamento alternativo instituídos pela Medida Provisória Nº 2.0045, de 11 de fevereiro de 2000, bem assim em relação aos pedidos de compensação Fl. 974DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por SOLON SEHN Processo nº 13746.000160/200338 Acórdão n.º 3802004.236 S3TE02 Fl. 970 11 formalizados perante a Secretaria da Receita Federal até o dia imediatamente anterior ao da entrada em vigor desta Instrução Normativa. Art. 2º Fica revogado o art. 15, caput e parágrafos, da Instrução Normativa SRF Nº 021, de 10 de março de 1997. Art. 3º Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua publicação. (grifos nossos) Conforme abordado adiante de forma mais detalhada, foi essa nova limitação à compensação que motivou a empresa Nitriflex S/A Indústria e Comércio a impetrar Mandado de Segurança (n° 2001.02.01.0352326 processo originário n° 2001.51.1.00010250), onde pleiteou o afastamento dos efeitos da IN SRF n° 41/2000. Reiterese que o Poder Judiciário, por força de decisão no Mandado de Segurança nº 98.00166580, transitada em julgado em 18/04/2001, já tinha reconhecido, em favor da Nitriflex, o direito ao crédito do IPI decorrente da aquisição de insumos isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero. Segundo o artigo 74, § 1º, da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, "a compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados" (grifei). Tal dispositivo vigora desde 30/08/2002, data da publicação da Medida Provisória nº 66/2002, que incluiu aludido preceito1. Quanto ao caput do preceito em evidência, o mesmo, na redação à época vigente (dada pela MP nº 66/2002), já tratava exclusivamente da compensação de créditos com débitos próprios, o que pode ser conferido pela simples leitura do dispositivo em questão: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Medida Provisória nº 66, de 2002) (grifo nosso) Restrição nesse sentido de autorizar a compensação tributária somente com débitos próprios foi mantida na redação do preceito em comento desde então. Assim, não poderia ser dado ao pedido objeto dos autos pedido de compensação de crédito com débito de terceiros a natureza da declaração a que alude o § 1º do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 ("a compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados"). Também a realidade presente não se enquadra no disposto no § 4º do aludido dispositivo, segundo o qual "os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo". Primeiro porque o pleito envolve forma de compensação (de créditos com débitos de terceiros) não prevista pelo caput do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 (ora, é regra básica de hermenêutica que parágrafos, incisos e alíneas são fragmentos subordinados ao caput de um artigo, tendo seu 1 Vale lembrar que a MP nº 66/2002 foi posteriormente convertida na Lei nº 10.637/2002, cujo artigo 68 estabelece a produção de efeitos da prescrição em tela a partir de 1º/10/2002. Fl. 975DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por SOLON SEHN 12 âmbito de aplicabilidade, em princípio, ao disposto no caput); segundo porque o pleito foi formalizado posteriormente à edição da MP nº 66/2002, ou seja, em 12/02/20032. Em consequência, não se aplica ao caso em exame o disposto no § 5º do mesmo artigo 74, segundo o qual "o prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação". Pelo que foi acima exposto resta claro que o preceito em evidência é restrito aos casos em que a compensação pleiteada pode ser admitida como declaração de compensação, que, como dito, aborda unicamente a compensação de créditos com débitos próprios, ou seja, a hipótese legal de que trata o caput do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 a partir da alteração trazida pela MP nº 66/2002. Não bastasse isso, o § 5º que trata do prazo de cinco anos para a homologação da compensação declarada só veio a ser incluído no artigo 74 da Lei nº 9.430/96 pela Medida Provisória nº 135, de 30/10/2003 (posteriormente convertida na Lei nº 10.833/2003), publicada em 31/10/2003, a partir de quando o dispositivo em questão passou a viger. Ou seja, posteriormente à protocolização do pleito da interessada. Evidente, portanto, que o caso em exame não se subsume à homologação tácita a que se refere o artigo 74 da Lei nº 9.430/96. Rejeitase, portanto, o argumento da interessada nesse sentido. Vale lembrar, por fim, que com o advento da Lei nº 11.051, de 29/12/2004 (que, dentre outras alterações, incluiu o § 12 no artigo 74 da Lei nº 9.430/963), a apresentação de pedido de compensação de créditos com débitos de terceiros passou a ser considerada como compensação não declarada. Tal preceito passou a viger a partir de 30/12/2004, data da publicação da norma em evidência. Apesar disso, não é razoável entender que, por conta do aludido preceito, até então todo o pedido de compensação deveria ser declarado como declaração de compensação. Com efeito, a edição exagerada de leis no Brasil recomenda prudência na adoção do brocardo jurídico segundo o qual "a lei não contém frase ou palavra inútil, supérflua ou sem efeito", já que não é rara, em nosso País, a edição de dispositivos destinados unicamente a fechar brechas interpretativas, notadamente no âmbito tributário, de lamentável elevada complexidade. No mais, interpretação nesse sentido me parece ferir o raciocínio lógico, seja pela falta de premissas que alicercem tal conclusão, seja em vista de o caput do dispositivo (artigo 74 da Lei nº 9.430/96) há muito (desde a edição da MP nº 66/2002) abordar outra realidade, ou seja, a compensação de créditos com débitos próprios, conforme já ressaltado. Do direito decorrente dos provimentos jurisdicionais em favor da pessoa jurídica Nitriflex S.A. Indústria e Comércio Conforme relatado, vêse que a lide diz respeito a pedido de compensação de créditos da empresa Nitriflex S.A. Indústria e Comércio (conforme requerimento de fls. 01) em favor da recorrente, a pessoa jurídica Eliane S/A Revestimentos Cerâmicos (nova denominação 2 Como dito, a redação do caput do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, que passou a explicitar o alcance do dispositivo em tela apenas em relação a compensação com débitos próprios, vigora desde 30/08/2002, data da publicação da Medida Provisória nº 66/2002. 3 § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: [...] II em que o crédito: a) seja de terceiros; [...] Fl. 976DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por SOLON SEHN Processo nº 13746.000160/200338 Acórdão n.º 3802004.236 S3TE02 Fl. 971 13 de Maximiliano Gaidzinsk S/A Indústria de Azulejos Eliane), créditos esses reconhecidos judicialmente em favor da Nitriflex S.A., a qual, por força da aludida decisão, estaria autorizada a transferilos para terceiros. Às fls. 04 foi anexado o formulário de Pedido de Compensação de Crédito com Débito de Terceiros, onde a empresa Nitriflex S.A. Indústria e Comércio figura como contribuinte detentor do crédito e a pessoa jurídica Maximiliano Gaidzinsk S/A Indústria de Azulejos Eliane a ora recorrente (hoje Eliane S/A Revestimentos Cerâmicos) aparece como contribuinte devedor, ou seja, o beneficiário da compensação. Os débitos apontados no pedido de compensação dizem respeito a PIS Faturamento (código 8109) e a COFINS (código 2172), ambos do mês de janeiro de 2003. Examino, primeiramente, a situação da Reclamação nº 9.790, formalizada junto ao STF pela Nitriflex S/A Indústria e Comércio. Conforme relatado vêse que o STF havia determinado liminarmente a "suspensão da Ação Rescisória n. 2003.02.01.0056758, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, até a decisão final desta Reclamação". De acordo com o extrato de consulta fornecido pelo sítio do STF4, aludida ação transitou em julgado em 25/10/2012. O acórdão correspondente foi publicado no DJE de 27/09/2012, constando da referida consulta decisão no seguinte sentido: Decisão: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto da Relatora, julgou procedente a reclamação, contra o voto do Presidente, Ministro Cezar Peluso. Ausente, justificadamente, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Falou pela reclamante o Dr. Ricardo Alexandre Hidalgo Pace. Plenário, 28.03.2012. Não foi possível obter no sítio do STF o inteiro teor do acórdão em tela. Não obstante, diante da informação acima colacionada, não há razão para se cogitar de eventual rescisão do provimento jurisdicional em favor do reconhecimento do crédito que subsidia a compensação objeto dos autos. Vale ressaltar que consta dos autos informação de que, por força da Ação Rescisória nº 2198, ajuizada pela Fazenda Pública visando desconstituir a sentença proferida no Mandado de Segurança nº 98.00166580, teria havido mudança no tocante ao período sobre o qual recaiu o direito ao crédito, que, segundo informado, fora reduzido de 10 (dez) para 5 (cinco) anos. Não obstante, eventual provimento nesse sentido terá reflexo unicamente quando da execução das decisões favoráveis ao sujeito passivo, já que a matéria relativa ao direito em si foi preservada. Quanto aos provimentos favoráveis ao sujeito passivo há que se fazer algumas considerações. De acordo com a cópia do acórdão da Terceira Turma do TRF da 2ª Região na apelação em mandado de segurança nº 024199/RJ (processo nº 98.02.497398, processo originário nº 98.00166580), acostada às fls. 52/55 do processo nº 10735.000001/9918 (fls. 61/64 da cópia digitalizada do eprocesso), em nome da pessoa jurídica Nitriflex S.A. Indústria e Comércio, foi reconhecido judicialmente o direito de a impetrante "compensar o crédito 4 http://www.stf.jus.br/portal/processo/verProcessoAndamento.asp?incidente=3824716 (consulta realizada em 05/03/2015, às 20:01) Fl. 977DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por SOLON SEHN 14 presumido de IPI com o crédito a recolher no final do processo industrial". A decisão em tela foi fundamentada na não cumulatividade do IPI objeto do artigo 153, § 3º, inciso II, da Constituição Federal. O acórdão em evidência foi assim ementado: CONSTITUCIONAL E TRIBUTÁRIO. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS. NÃOCUMULATIVIDADE (ART. 153, § 3º, II, C.F.; DECR. Nº 97.410/88) 1. O art. 153, § 3º, II, da Constituição Federal, dispõe sobre a não cumulatividade do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), determinando a compensação do que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores. 2. O Decreto nº 97.410/88, que estabelece o privilégio da isenção, ou mesmo incidência de alíquota zero em crédito do IPI, tem como propósito impedir o acúmulo de carga tributária, abatendo o tributo presumidamente devido em cada fase de industrialização, com o seu valor final. 3. Direito líquido e certo da empresa em compensar o crédito presumido de IPI com o crédito a recolher ao final do processo industrial. 4. Apelação improvida. (grifo nosso) Consta do processo administrativo nº 13736.000533/200117 (também em nome da Nitriflex S.A. Indústria e Comércio) a petição inicial no Mandado de Segurança nº 2001.51100010250, em que a impetrante, fundada no aludido crédito reconhecido no processo judicial nº 98.02.497398 (processo originário nº 98.00166580), pleiteia o direito de transferir tais créditos para terceiros, "sendo afastada a limitação imposta pela Instrução Normativa SRF nº 41 de 07/04/00" (v. fls. 168/177 do citado processo administrativo; fls. 176/185 da cópia digitalizada anexa ao eprocesso). No julgamento dos embargos de declaração de embargos de declaração objeto do mandado de segurança nº 2001.02.01.0352326 (fls. 178/191 do processo administrativo nº 13746.000533/200117; fls. 186/199 do eprocesso) processo originário nº 2001.51.10.0010250 , o TRF da 2ª Região deu provimento ao recurso da impetrante para invalidar "[...] o ato administrativo fundado na limitação normativa da Secretaria da Receita Federal de nº 41/00 à compensação de créditos da Impetrante reconhecido (sic) às fls. 63, com débitos de terceiros". O mesmo Tribunal não admitiu o recurso especial interposto pela União Federal (fls. 192/193 do processo administrativo nº 13746.000533/200117; fls. 200/201 do e processo), tendo a decisão em tela transitado em julgado em 12/09/2003 (conf. fls. 197 do processo administrativo nº 13746.000533/200117; fls. 205 do eprocesso). Com efeito, extraise do voto i. Desembargador Federal Rogério Carvalho na apelação no Mandado de Segurança nº 2001.02.01.0352326 (ver fls. 204/206 do processo administrativo nº 13746.000533/200117; fls. 212/214 do eprocesso): Em suas razões de apelo, a Embargante pediu expressamente para esta E. Câmara conceder a segurança, para reconhecer o direito líquido e certo de compensar o crédito de IPI reconhecido na ação nº 98.00166580, com débitos de terceiros não optantes pelo REFIS, afastada a limitação imposta pela IN SRF 41/00, direito este já reconhecido por este E. Tribunal, por ocasião da análise do efeito suspensivo ativo proferido no Agravo de Instrumento nº 76961 (Proc. nº 2001.02.01.0166075): "Tratase de decidir a sorte deste requerimento, reiterado, às fls. 68/71, de efeito suspensivo ativo, deferindo medida liminar, em mandado de segurança, "para que seja assegurado o direito líquido e certo da impetrante de transferir o citado crédito para terceiros, ainda que não optantes pelo REFIS, sendo afastada a Fl. 978DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por SOLON SEHN Processo nº 13746.000160/200338 Acórdão n.º 3802004.236 S3TE02 Fl. 972 15 limitação imposta pela Instrução Normativa SRF nº 41 de 07.04.00" (fls. 26). [...]. Justificase o provimento do recurso de apelação diante da irretroatividade da Instrução Normativa, para alcançar fatos consumados sob a égide de normas que garantem o pleno direito da Embargante de compensar seu crédito (art. 170 do CTN, arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430/96, regulamentado pela IN/SRF nº 21/97) [...]. ISTO POSTO: Dou provimento ao recurso, para sanando omissão do v. acórdão de fls. 180, declarar que o efetivo aprimoramento da prestação jurisdicional, no caso, implica em aplicação da regra, de conteúdo interpretativo, constante do parágrafo 3º do art. 515 do CPC, e, em consequência, atribuindo efeitos modificativos ao v. acórdão de fls. 154, dou integral provimento ao apelo invalidando a limitação prevista na IN SRF 41/00, à compensação de créditos da Impetrante reconhecido às fls. 63, com débitos de terceiros. (os grifos não constam do original) Por fim, como a própria interessada alude nos novos argumentos trazidos à lide, em resposta à sua petição nos autos do processo judicial nº 2001.51.10.0010250, em que a mesma alega descumprimento da ordem judicial e desobediência à coisa julgada, decidiu a MM. Juíza Titular da 1ª Vara de Execução Fiscal de São João de Meriti, Vellêda Bivar Soares Dias Neta, em 25/03/2014, no seguinte sentido (v. fls. 828): Por conseguinte, considerando que a impetrada não trouxe aos autos qualquer alegação capaz de relativizar os efeitos da coisa julgada, DEFIRO O PEDIDO de fls. 1272/1279, para determinar que cumpra imediatamente a r. decisão transitada em julgado, adotando todas as providências necessárias nos autos dos processos administrativos relativos às compensações objeto da ação nº 98.00166580 (PA 10735.000001/9918 e apensos), efetuando em definitivo a análise dos pedidos de compensação com débitos de terceiros não optantes do REFIS, conforme limites objetivos do título judicial exequendo, atentando para o fato de que o advento da Lei n. 10.637/02 não pode ser óbice à homologação do pedido de compensação da impetrante. (o grifo em sublinhado não consta do original) Apresentados os fatos relevantes para a análise do litígio, podese afirmar o seguinte: a) que foi reconhecido judicialmente, em favor da pessoa jurídica Nitriflex S.A. Indústria e Comércio (Mandado de Segurança n° 98.00166580), o direito de a mesma "compensar o crédito presumido de IPI com o crédito a recolher no final do processo industrial" (grifei); b) também em função de decisão judicial, que aludido direito creditório poderia ser transferido para terceiros, sendo afastada, portanto, restrição nesse sentido objeto da IN SRF nº 41/00 (Mandado de Segurança nº 2001.02.01.0352326 TRF 2ª Região , processo originário nº 2001.51.10.0010250). Fl. 979DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por SOLON SEHN 16 É evidente, pois, que por força dos provimentos jurisdicionais em favor da pessoa jurídica Nitriflex S.A. Indústria e Comércio foi reconhecido direito creditório a título do IPI (crédito presumido), o qual poderá ser utilizado exclusivamente para a compensação com o IPI devido no final do processo industrial, seja da própria empresa, seja de empresas terceiras para onde o crédito poderá ser transferido. Entendo, ainda, que tal crédito poderá ser utilizado até o seu completo exaurimento, não se aplicando ao caso a restrição de que trata a nova regra contida no artigo 74 da Lei n° 9.430/96 após a alteração que lhe foi dada pelo artigo 49 da Medida Provisória nº 66, de 29/08/2002, convertida na Lei n° 10.637/02. E digo isso em respeito ao direito adquirido e à coisa julgada. Não obstante, os débitos apontados no pedido de compensação, em nome da recorrente (Eliane S/A Revestimentos Cerâmicos nova denominação de Maximiliano Gaidzinsk S/A Indústria de Azulejos Eliane), dizem respeito a PIS Faturamento (código 8109) e a COFINS (código 2172), ambos do mês de janeiro de 2003. Aludida compensação, portanto, não está autorizada pelos provimentos judiciais em favor da interessada, os quais, muito embora tenham outorgado a compensação de créditos com débitos de terceiros, o fizeram estritamente no âmbito da compensação do IPI com o próprio IPI, conforme ressaltado. Da conclusão Por todo o exposto, e considerando: a) que o pleito não se enquadra em hipótese passível de homologação tácita de compensação; e, b) que o pedido de compensação não está alicerçado pelos provimentos judiciais em favor da interessada, já que os mesmos, muito embora tenham outorgado a compensação de créditos com débitos de terceiros, o fizeram estritamente no âmbito da compensação do IPI com o próprio IPI; voto para negar provimento ao recurso voluntário formulado pelo sujeito passivo. Sala de sessões, em 18 de março de 2015. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios – Relator Fl. 980DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por SOLON SEHN Processo nº 13746.000160/200338 Acórdão n.º 3802004.236 S3TE02 Fl. 973 17 Declaração de Voto Peço vênia ao eminente Relator para divergir em relação à nãocaracterização da homologação tácita, fundado nas razões apresentadas no Acórdão nº 3802000.617, decidido por unanimidade pela Turma na Sessão de 10/08/2011: [...] antes de ingressar no exame desses temas e das demais matérias ventiladas na petição recursal, cumpre apreciar a alegação de homologação tácita da compensação. Esta, consoante destacado, foi afastada pelo acórdão recorrido, assentando no Parecer PGFN/CDA/CAD nº 1.499/2005 (fls. 368/v369/v) e nas seguintes considerações: O entendimento manifestado no Parecer PGFN/CDA/CAD n° 1.499, de 2005, explicita com clareza a questão sobre a compensação com créditos de terceiros relativa aos Pedidos de Compensação entregues anteriormente a 1o/10/2002, no entanto, conclui que o "novel regime de compensação" instituído pela Lei no 10.637, de 2002, "não alcança, sob hipótese alguma, os casos de compensação com créditos de terceira pessoa", lançando, assim, suas conclusões inclusive sobre os formulários "Declarações de Compensação" iguais aos deste processo, ou seja, entregues após 1o/10/2002 e antes de 29/12/2004. [...] E mais, a corroborar o entendimento de que jamais foram DCOMP's, conforme salientado no item 50 acima, a Secretaria da Receita Federal do Brasil passou a considerar como não declaradas as compensações da espécie, apresentadas após o advento da Lei n° 11.051, de 2004, ou seja, a partir de então, surgiu a possibilidade jurídica, através da Lei n° 11.051, de 2004, de sequer considerar tais requerimentos como "Declarações de Compensação", retirando inclusive sua sujeição ao rito processual do Decreto n° 70.235, de 1972. Frisese que as conclusões do Parecer PGFN/CDA/CAD n° 1.499, de 2005, notadamente as dos itens 41, 42 e 45, são neste voto adotadas, tendo em vista que o requerimentos em análise se utilizaram de créditos apurados por terceiros para compensar créditos tributários próprios. [...] Pelo exposto, concluise que o documento intitulado "Declaração de Compensação" deste processo não se caracteriza como tal por expressa vedação legal, e, em assim sendo, a homologação tácita não alcança o presente caso. A decisão recorrida, como se vê, faz referência aos §§ 12 e 13 do art. 74 da Lei no 9.430/1996, que foram introduzidos na ordem jurídica pela Lei nº 11.051/2004, resultante da conversão da Medida Provisória nº 219/2004: Art. 4º O art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação: (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) Art. 74. ............................................................................ [...] § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: I previstas no § 3º deste artigo; II em que o crédito: a) seja de terceiros; Fl. 981DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por SOLON SEHN 18 [...] § 13. O disposto nos §§ 2º e 5º a 11 deste artigo não se aplica às hipóteses previstas no § 12 deste artigo. Todavia, por ocasião do protocolo do pedido (10/04/2003), data do encontro de contas, o art. 74 da Lei nº 9.430/1996 apresentava a seguinte redação: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002). § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 3º Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação: (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) [...] § 4o Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 5º A Secretaria da Receita Federal disciplinará o disposto neste artigo. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002). Notase, portanto, que não havia previsão legal, no momento do encontro de contas, para que a compensação fosse considerada não declarada. A rigor, na época, a legislação tributária (IN SRF nº 226/2002, revogada pela IN SRF nº 460/2004) limitavase a prever o indeferimento liminar do pedido de compensação: Art. 1º Será liminarmente indeferido: [...] II o pedido ou a declaração de compensação cujo direito creditório alegado tenha por base: [...] c) crédito de terceiros, cujo pedido ou declaração tenha sido protocolizado a partir de 10 de abril de 2000. Apesar disso, embora o protocolo tenha ocorrido em 10 de abril de 2003 – antes do início da vigência da Lei nº 11.051/2004 –, o acórdão da DRJ entendeu que o documento intitulado “Declaração de Compensação” deste processo não se caracteriza como tal por expressa vedação legal, e, em assim sendo, a homologação tácita não alcança o presente caso (fls. 369/v). Essa interpretação, no entanto, diverge da Jurisprudência desse Conselho e do Superior Tribunal de Justiça, que fixa a data do encontro de contas como o marco juridicamente relevante para fins de aplicação intertemporal das regras de compensação (1º CC. Recurso Voluntário 158.483. PAF nº 13851.000099/200593; 1º CC. 2ª C. Recurso Voluntário Fl. 982DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por SOLON SEHN Processo nº 13746.000160/200338 Acórdão n.º 3802004.236 S3TE02 Fl. 974 19 136.257. PAF nº 10980.006685/200316; 1ª CC. Recurso Voluntário nº 158.533. PAF nº 16327.001377/200475). Nessa linha, cf. o seguinte julgado: TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. "MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE". APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE NO MOMENTO DO ENCONTRO DE CONTAS. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO. PRECEDENTES. 1. O processamento da compensação subordinase à legislação vigente no momento do encontro de contas, sendo vedada a apreciação de eventual “pedido de compensação” ou “declaração de compensação” com fundamento em legislação superveniente. Precedente: EREsp 488.992/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Seção, DJU de 07.06.04. 2. Em conseqüência, o marco a ser considerado na definição das normas aplicáveis na regência do "recurso de inconformidade" é a data em que protocolizado o pedido de compensação de crédito com débito de terceiros, o que, na hipótese, deuse em 15 de fevereiro de 2001 e 14 de março de 2001. 3. A "manifestação de inconformidade" foi prevista, pela primeira vez, como meio impugnativo da decisão que não homologa a compensação, na Instrução Normativa SRF 210, de 30 de setembro de 2002, passando a ser normatizada legalmente a partir da Lei 10.833/03 conversão da MP 135/03 (cf. REsp 781.990/RJ, Rel. Min. Denise Arruda). 4. A Primeira Seção, ao julgar o EREsp 850.332/SP, Rel. Min. Eliana Calmon, examinando a matéria à luz da redação original do art. 74 da Lei 9.430/96, portanto, sem as alterações estabelecidas pelas Leis 10.637/02, 10.833/03 e 11.051/04, concluiu que o pedido de compensação e o recurso interposto contra o seu indeferimento suspendem a exigibilidade do crédito tributário, já que a situação enquadrase na hipótese do art. 151, III, do CTN. Precedentes. 5. Ressaltese que, neste âmbito judicial, não há emissão de juízo de valor quanto à própria validade da compensação efetuada, mas, tão somente, no que tange à aplicação da jurisprudência do Tribunal em relação aos efeitos em que devem ser recebidas as impugnações apresentadas na esfera administrativa anteriormente à Lei 10.833/03 (conversão da MP 135/03). 6. Embargos de divergência providos. (STJ. 1ª S. EREsp 977083/RJ. Rel. Min. CASTRO MEIRA. DJe 10/05/2010. Grifamos) Esse critério, evidentemente, não é absoluto, porquanto em alguns casos – notadamente naqueles envolvendo ações judiciais – a compensação pode se submeter a regras ou parâmetros formais ou materiais diferenciados. Todavia, para efeitos da apreciação da ocorrência da homologação, a regra geral já é suficiente para afastar a validade do critério empregado pelo acórdão da DRJ. Com efeito, o próprio Parecer PGFN/CDA/CAD nº 1.499/2005, invocado na fundamentação da decisão recorrida, desautoriza a interpretação adotada no julgado a quo. O estudo (itens 88 e 90 e “c.4”, das conclusões) é expresso ao ressaltar que a aplicação da Lei nº 11.051/2004 restringese às declarações protocolizadas após o início de sua vigência: 88. Em síntese, cumpre destacar, na linha do já disposto no item V, que o novel regime da compensação, instituído pela Medida Provisória nº 66/02 e pela Medida Provisória nº 135/03, que é realizada por meio de declaração (DCOMP) prestada à SRF (RFB), não alcança, sob hipótese Fl. 983DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por SOLON SEHN 20 alguma, os casos de pedidos de compensação com créditos de terceira pessoa. [...] 90. Outrossim, cumpre reiterar que a compensação em que o crédito esteja nas condições do item 88, desde que a declaração seja apresentada após a entrada em vigor da Lei nº 11.051/04, será considerada não declarada, a teor dos § 12, II, da Lei nº 9.430/96, acrescentando pela já citada Lei nº 11.051/04. [...] c.4) com a entrada em vigor do art. 4º da Lei nº 11.051/04, as compensações, pretendidas a partir desta data, em que os créditos sejam de terceiros (assim como aqueles que se encontrem nas situações elencadas no item anterior), serão consideradas não declaradas (vide, a respeito, os recém incluídos §§ 12 e 13 da Lei nº 9.430/96, que disciplinam a situação); A decisão recorrida, na verdade, interpretou de forma equivocada o parecer da PGFN, que, segundo demonstrado, foi expresso em afirmar que a qualificação “não declarada” – e os efeitos jurídicos correspondentes – somente tem lugar para os expedientes encaminhados após a entrada em vigor da Lei nº 11.051/2004, o que não é o caso dos autos. A compensação, assim, deve ser considerada declarada para todos os efeitos legais, de acordo com o entendimento também acolhido pelo voto divergente (fls. 381382): Se há despacho de nãohomologação, e se tal condição jurídica não lhe foi extirpada, o documento de extinção de débitos via compensação terá forçosamente de ser reconhecido como uma Dcomp. Juridicamente outro caminho não se mostra legitimo. [...] o parecer PGFN/CAT n° 1499/2005 veio, em realidade, no sentido de marcar o inicio dos efeitos pretendidos pela Lei nº 11.051/2004 que determinou fossem consideradas nãodeclaradas as compensações que tinham como lastro creditório as hipóteses discriminadas de forma exaustiva. Significa dizer que, a partir da entrada em vigor da lei citada, as petições protocolizadas como Dcomp perderiam esse status caso o crédito oferecido estivesse vinculado aos eventos arrolados nos parágrafos 3º e 12 do art. 74 da Lei nº 9.430/96, o que traria a reboque a possibilidade de exigência imediata dos débitos nelas consignados. Usei a expressão “perderiam o status” no entendimento de que a utilização dos meios procedimentais formais imanentes à apresentação de uma declaração de compensação reveste o pedido de tal perfil, sendo que extirpar essa condição jurídica para gerar cobrança imediata dos débitos exige previsão expressa, previsão essa que veio exatamente com a entrada em vigor da nova lei (11.051/2004); não antes. Nesse ordem de idéias, sendo certo que a compensação se submete ao regime jurídico vigente no momento do encontro de contas, não há dúvidas de que a decisão recorrida não poderia ter considerado “não declarada” a compensação pretendida pelo Recorrente. Por outro lado, é igualmente induvidoso que o interessado foi intimado do despacho decisório em 14/04/2008 (fls. 28), após o decurso de cinco anos do protocolo de declaração de compensação, ocorrido no dia 10/04/2003 (fls. 01). Resta saber, no entanto, se isso implica a homologação tácita da declaração de compensação, uma vez que, na época do encontro de contas, não havia previsão legal expressa do prazo de cinco anos. Este, com efeito, foi positivado apenas com a edição da Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003: Fl. 984DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por SOLON SEHN Processo nº 13746.000160/200338 Acórdão n.º 3802004.236 S3TE02 Fl. 975 21 Art. 17. O art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, alterado pelo art. 49 da Lei nº 10.637, de 2002, passa a vigorar com a seguinte redação: “Art. 74 .................................................................................. .............................................................................................. § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de cinco anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. § 12. A Secretaria da Receita Federal disciplinará o disposto neste artigo, podendo, para fins de apreciação das declarações de compensação e dos pedidos de restituição e de ressarcimento, fixar critérios de prioridade em função do valor compensado ou a ser restituído ou ressarcido e dos prazos de prescrição." (NR) Esse quadro normativo, aliado à mesma premissa de que a compensação submetese ao regime jurídico previsto na data do protocolo do pedido, poderia levar à conclusão de que, antes da Medida Provisória nº 135/2003, não havia prazo para homologação. Há um julgado do 2o Conselho de Contribuintes, de 26 de abril de 2007, que interpretou dessa forma. Devido à importância da matéria para a adequada apreciação da controvérsia, cabe reproduzir a fundamentação do voto do relator: [...] Agora analiso o art. 17 da MP n° 135, de 30/10/2003 e publicada em 31/10/2003, no que modificou a redação do § 5° do art. 74 da Lei n° 9.430/96 e introduziu o § 6°. O primeiro estipulou que "o prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação", enquanto o segundo determinou que "A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados." Segundo o art. 68, III, da MP n° 135/2003 (equivalente ao art. 93, VI, da Lei n° 10.833/2003), o seu art. 17 entra em vigor na data de sua publicação. Ou seja. 31 de outubro de 2003 já que, conforme jurisprudência iterativa do STF, medida provisória convertida em lei tem eficácia desde sua edição. Os §§ 5° e 6° do art. 74 da Lei n° 9.430/96, na redação dada pela MP n° 135/2003, não podem mesmo ser aplicados antes de 31 de outubro de 2003 porque isto implicaria em submeter o regime jurídico atual com prazo preclusivo de cinco anos para homologação da compensação, que corre contra a Fazenda pública, e com confissão de dívida em relação aos débitos do sujeito passivo declarados aos pedidos de compensação (aqueles entregues até setembro 2002, antes da MP n° 66/2002) e às declarações de compensação (PERD/DCOM, entregues a partir de 10 de outubro de 2002). A aplicação retroativa constituiria ofensa ao primado da segurança jurídica e à irretroatividade das leis. Apesar disto, a Receita Federal editou as IN SRF n°s n°s 460, de 18/10/2004, e 600, de 28/12/2005 (esta, em vigor, revogou a primeira), que dispõem o seguinte (os arts. abaixo, da IN em vigor, repetem os da IN revogada): Art. 29. A autoridade da SRF que não homologar a compensação cientificará o sujeito passivo e intimáloá a efetuar, no prazo de trinta dias, contados da ciência do despacho de nãohomologação, o pagamento dos débitos indevidamente compensados. Fl. 985DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por SOLON SEHN 22 (...) § 2° O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de cinco anos, contados da data da entrega da Declaração de Compensação. (...) Art. 64. Serão considerados Declaração de Compensação, para os efeitos previstos no art. 74 da Lei no 9.430, de 1996, com a redação determinada pelo art. 49 da Lei no 10.637, de 2002, e pelo art. 17 da Lei no. 10.833, de 2003, os pedidos de compensação, que, em 12 de outubro de 2002, encontravamse pendentes de decisão pela autoridade administrativa da SRF. (...) Art. 68. A unidade da SRF na qual for proferido o despacho de não homologação da compensação objeto de pedido de compensação convertido em Declaração de Compensação, bem como da compensação objeto de Declaração de Compensação apresentada à SRF até 30 de outubro de 2003, promoverá o lançamento de oficio do crédito tributário que ainda não tenha sido lançado nem confessado, cientificará o sujeito passivo da nãohomologação da compensação e, se for o caso, do lançamento de oficio (simultaneamente) e intimá loá a efetuar, no prazo de trinta dias, o pagamento do débito indevidamente compensado. (...) Art. 70. A data de inicio da contagem do prazo previsto no § 2° do art. 29, na hipótese de pedido de compensação convertido em Declaração .de Compensação, é a data da protocolização do pedido na SRF. Consoante as disposições acima, o prazo de cinco, para homologação da compensação tanto a solicitada por meio dos pedidos entregues antes de 1° de outubro de 2002, mas não decididos pela autoridade administrativa até essa data, quanto a declarada por meio de PER/DCOMP entregues a partir da mesma data , está sendo contado a partir da data do protocolo do pedido original ou da transmissão da PER/DCOMP (arts. 64, 70 e § 2 0 do art. 29, combinados). Tal contagem, contrária à Fazenda Pública, implica em retroagir a eficácia do art. 17 da MP n° 135/2003 de modo a extinguir, em definitivo, todo e qualquer crédito tributário informado em pedido de compensação protocolizado até 1° de outubro de 1997 (cinco anos de 1o de outubro de 2002), mas não analisado pela autoridade administrativa até esta última data. Num Estado de Direito como é o Brasil, o principio da segurança jurídica e a irretroatividade das leis impedem que tal assim aconteça. Afinal, tal contagem implica em fixar, de forma retroativa, o termo inicial de um prazo preclusivo (seja ele decadencial, em relação aos créditos tributários não confessados, ou prescricional, acaso confessados), sem que a pessoa contra a qual corria tal prazo (a Fazenda Pública), dele tivesse conhecimento. Neste ponto importa destacar que, se a administração tributária soubesse de tal prazo preclusivo, certamente envidaria esforços no sentido de analisar todos os pedidos antes do prazo fatal, em cumprimento ao principio da eficiência. É o que acontece, por exemplo, quando se aproxima o termo final do prazo decadencial para o lançamento de determinado tributo. A fim de evitar a preclusão, as fiscalizações são ultimadas e os autos de infração são lavrados. De todo modo, mesmo supondose que a Receita Federal não fosse tão diligente e não cumprisse com rigor o princípio da eficiência, ainda assim não caberia impor ao Estado (União, no caso) perda de tão grande monta. [...] Fl. 986DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por SOLON SEHN Processo nº 13746.000160/200338 Acórdão n.º 3802004.236 S3TE02 Fl. 976 23 Pelo exposto, concluo o seguinte: pedidos de compensação protocolizados antes de 01/10/2002: há suspensão da exigibilidade do crédito tributário compensado e inexiste confissão de divida; declarações de compensação (DCOMP) protocolizadas entre 01/10/2002 e 30/10/2003: há extinção do crédito tributário compensado, sob ulterior homologação da autoridade administrativa, inexiste confissão de divida, mas a administração tributária não tem prazo para homologação da DCOMP; DCOMP protocolizadas a partir de 31/10/2003: há extinção do crédito tributário compensado, sob ulterior homologação da autoridade administrativa, existe, sim, confissão de divida e a administração tem o prazo preclusivo de cinco anos a contar do protocolo, para homologação expressa ou tácita da compensação. (2o CC. Acórdão 20312.015. Recurso no 136.159. Processo 10880.000999/9978) Todavia, com a devida vênia ao entendimento divergente, os princípios da segurança jurídica e da irretroatividade da lei são direitos fundamentais do cidadão em face do Poder Público (CF, art. 5o, caput). A ordem constitucional não veda a aplicação retroativa da lei, mas apenas a irretroatividade em prejuízo do direito adquirido, da coisa julgada e do ato jurídico perfeito (CF, art. 5º, XXXVI). Não cabe a invocação dessa garantia constitucional por parte do Estado, porque este não é titular de direitos individuais, mas de competência para instituir normas jurídicas ou para expedir atos administrativos em consonância com as regras jurídicas vigentes. Se estas foram alteradas, não se afigura juridicamente viável o recurso ao princípio do direito adquirido por parte de agente administrativo inconformado com o teor das novas disposições normativas, notadamente quando editadas pelo mesmo ente federativo. Não parece acertado, destarte, o afastamento da aplicação das disposições da IN SRF no 460/2004 ou de qualquer outra com base em ofensa ao primado da segurança jurídica e à irretroatividade das leis, quando a norma é editada beneficia o particular. A Jurisprudência do Supremo Tribunal Federal tem entendimento consolidado sobre a matéria: A garantia da irretroatividade da lei, prevista no art 5º, XXXVI, da CF, não é invocável pela entidade estatal que a tenha editado (Súmula 654). O princípio insculpido no inciso XXXVI do art. 5º da Constituição (garantia do direito adquirido) não impede a edição, pelo Estado, de norma retroativa (lei ou decreto) em benefício do particular. (RE 184.099, Rel. Min. Octavio Gallotti, julgamento em 10121996, Primeira Turma, DJ de 1841997.) A rigor, segundo ensina o eminente Professor Paulo de Barros Carvalho, no parecer disponibilizado nos autos, a incompatibilidade com a ordem jurídica não está na aplicação do prazo de cinco anos, mas no entendimento que nega a existência de prazo para a homologação da compensação: Na hipótese de tributo sujeito a lançamento por homologação, a Fazenda Pública, no exercício de sua função fiscalizadora, deve acompanhar de perto o comportamento dos seus administrados, zelando pela observância das obrigações a que estão submetidos. Caso identifique prestações não recolhidas ou irregularidade que implique falta de pagamento de tributos, Fl. 987DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por SOLON SEHN 24 há de proceder à constituição ou modificação dos créditos a que tem direito dentro do prazo decadencial fixado pelo direito positivo, expresso no art. 150, § 4°, do Código Tributário Nacional. Referido dispositivo estabelece o período de 5 anos, a contar da ocorrência do "fato gerador", para que se proceda à fiscalização e eventual constituição do crédito tributário. Transcorrido esse prazo sem que a autoridade administrativa se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o direito do Fisco. Esse mesmo prazo, como não poderia deixar de ser, aplicase a todas as hipóteses extintivas de débitos tributários. Encontra, portanto, inteiro cabimento nas situações de compensação tributária. Ora, a compensação entre débitos e créditos tributários exige a constituição desses dois vínculos relacionais e, ainda, de um terceiro em que se faz o encontro de contas. Tudo isso, é certo, sujeitase à fiscalização das autoridades competentes, de modo que a extinção do liame obrigacional (assim como do crédito do contribuinte) operase mediante anuência do Fisco. E essa anuência nada mais é que ato homologatório, disciplinado pelo art. 150, § 4°, do Código Tributário Nacional. Quaisquer outras disposições sobre o assunto, veiculadas em lei ordinária (como é o caso do art. 74, § 5o, da Lei n° 9.430/96) encontram suporte nessa prescrição do CTN que, como se sabe, foi recepcionado com força de lei complementar e é o instrumento hábil para dispor sobre a extinção do vinculo obrigacional tributário. O art. 150, § 4°, do Código Tributário Nacional encontra, por conseguinte, perfeito enquadramento à situação da presente Consulta. Nem se alegue que o disposto nesse preceito só teria aplicabilidade para fins de constituição de débitos tributários, inexistindo disposição que estabeleça prazo para fiscalizar os créditos do contribuinte perante a Fazenda Pública. Sabemos que nenhum dispositivo legal pode ser analisado isoladamente, sem considerar a totalidade e unidade do ordenamento. Ademais, o sistema jurídico não convive com a insegurança e instabilidade das relações, o que torna inviável entendimento acerca da inexistência de prazo para alterar as normas individuais e concretas expedidas pelo contribuinte5. Ademais, vale lembrar que a Lei nº 10.637/2002, ao alterar o art. 74 da Lei nº 9.430/1996, teve por objetivo unificar o regime de compensação, extinguindo a compensação realizada na Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), na escrituração contábil ou condicionada ao deferimento de pedido administrativo. Todas essas modalidades foram substituídas pelo regime autocompensação, que – ressaltadas as contribuições previdenciárias compensadas na GFIP (Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social) – é aplicável aos tributos administrados pela Receita Federal. Foi realizada, dentro desse escopo de uniformização, um “corte” temporal, em função do qual todos os pedidos compensação apresentados à luz da legislação pretérita foram convertidos em declaração de compensação, desde o seu protocolo, ou seja, com efeito retroativo, na forma do § 4o, incluído pelo art. 49 da Lei no 10.637/2002: Art. 49. O art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação: Art. 74. [...] § 4o Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo. 5 p. 4445 Fl. 988DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por SOLON SEHN Processo nº 13746.000160/200338 Acórdão n.º 3802004.236 S3TE02 Fl. 977 25 Essa particularidade foi prevista no art. 73 da IN SRF no 460/2004, consoante entendimento exarado na Solicitação de Consulta Interna no 01/2006: Art. 73. Considerase pendente de decisão administrativa, para fins do disposto nos arts. 57, 62 e 64, a Declaração de Compensação, o Pedido de Restituição ou o Pedido de Ressarcimento em relação ao qual ainda não tenha sido intimado o sujeito passivo do despacho decisório proferido pelo titular da DRF, Derat, Deinf, IRFClasse Especial ou ALF competente para decidir sobre a compensação, a restituição ou o ressarcimento. Solicitação de Consulta Interna no 01/2006 EMENTA : Pedido de compensação convertido em declaração de compensação. Prazo de cinco anos para homologação tácita da compensação. Inexistência de homologação tácita para pedidos de compensação não convertidos em declaração de compensação. Obrigatoriedade de exame do pedido de restituição. Cabimento de manifestação de inconformidade contra o não reconhecimento do crédito objeto do pedido de restituição. O prazo para a homologação de compensação requerida à Secretaria da Receita Federal tem sua contagem iniciada na data do protocolo do pedido de compensação convertido em declaração de compensação. Será considerada tacitamente homologada, mediante despacho proferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal, a compensação objeto de pedido de compensação convertido em declaração de compensação que não seja objeto de despacho decisório proferido no prazo de cinco anos, contado da data do protocolo do pedido, independentemente da procedência e do montante do crédito. Por essa razão, decisões mais recentes têm afastado a interpretação acolhida no precedente destacado anteriormente. Nesse sentido, cabe registrar o seguinte acórdão da 2a Turma Ordinária, 3a Câmara, da 3a Seção, no julgamento do Recurso Voluntário no 501.809, da lavra do eminente Conselheiro Alexandre Gomes: PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CONVERSÃO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. Lei 9.430/96, art. 74, § 4o. Será considerada tacitamente homologada a compensação objeto de pedido de compensação convertido em declaração de compensação que não seja objeto de despacho decisório proferido no prazo de cinco anos, contado da data do protocolo do pedido, independentemente da procedência e do montante do crédito. DCOMP. PRAZO DE CINCO ANOS PARA APRECIAR. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Lei 9.430/96, art. 74, § 5o. Será considerada tacitamente homologada a compensação objeto de declaração de compensação (Dcomp), que não seja objeto de despacho decisório proferido, e cientificado o sujeito passivo, no prazo de cinco anos, contado da data de seu protocolo6. Nesse contexto, se o legislador tributário determinou a aplicação do prazo de cinco anos de forma retroativa – a todos as compensações apresentadas na vigência da legislação pretérita, que foram convertidas em declaração de compensação –, não faz o menor sentido, dentro de uma 6 Acórdão 330200.841 – 3a Câmara / 2a Turma Ordinária. Sessão de 28 de fevereiro de 2011. PAF 10909.002842/0063. Relator Conselheiro Alexandre Gomes. Fl. 989DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por SOLON SEHN 26 interpretação sistemática e teleológica, afastar a aplicação do prazo de cinco anos apenas para as declarações protocolizadas entre 01/10/2002 e 30/10/2003. Sequer há previsão legal para essa interpretação, porque as instruções normativas que disciplinam o tema, inclusive a IN SRF no 460/2004, determinaram a aplicação do prazo de cinco anos a todas as declarações de compensação, irrestritamente e sem exceção: Art. 29. A autoridade da SRF que nãohomologar a compensação cientificará o sujeito passivo e intimáloá a efetuar, no prazo de trinta dias, contados da ciência do despacho de nãohomologação, o pagamento dos débitos indevidamente compensados. [...] § 2º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de cinco anos, contados da data da entrega da Declaração de Compensação. Ora, se a legislação não diferencia, não cabe ao intérprete fazêlo, sobretudo quando o resultado dessa exegese conduz a uma conclusão incompatível com o primado da segurança jurídica e da estabilidade das relações jurídicas. Portanto, deve ser reconhecida a homologação tácita da compensação. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 990DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por SOLON SEHN
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Numero do processo: 10932.000389/2006-20
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Dec 10 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Data do fato gerador: 31/12/2001
MULTA ISOLADA POR RECOLHIMENTO INTEMPESTIVO
Com a nova redação dada ao art. 44, da Lei n.° 9.430, de 1996, não há mais previsão legal para a exigência da multa isolada do art. 44 da Lei n.° 9.430, de 1996, no caso de não-pagamento da multa de mora em recolhimentos intempestivos.
Recurso de ofício desprovido
Crédito tributário exonerado
Numero da decisão: 3102-00.873
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto da relatora. Ausente a Conselheira Nanci Gama.
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: Beatriz Veríssimo de Sena
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/12/2001 MULTA ISOLADA POR RECOLHIMENTO INTEMPESTIVO Com a nova redação dada ao art. 44, da Lei n.° 9.430, de 1996, não há mais previsão legal para a exigência da multa isolada do art. 44 da Lei n.° 9.430, de 1996, no caso de não-pagamento da multa de mora em recolhimentos intempestivos. Recurso de ofício desprovido Crédito tributário exonerado
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Interessado Fazenda Nacional ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/12/2001 MULTA ISOLADA POR RECOLHIMENTO INTEMPESTIVO Com a nova redação dada ao art. 44, da Lei n.° 9.430, de 1996, não há mais previsão legal para a exigência da multa isolada do art. 44 da Lei n.° 9.430, de 1996, no caso de não-pagamento da multa de mora em recolhimentos intempestivos. Recurso de ofício desprovido Crédito tributário exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto da relatora. Ausente a Conselheira Nanci Gama. LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO - Presidente BEATRIZ VERÍSSIMO DE SENA - Relatora Fl. 621DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/01/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA Assinado digitalmente em 11/02/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA, 16/02/2011 por LUIS MARCELO GUERR A DE CASTRO Processo nº 10932.000389/2006-20 Acórdão n.º 3102-000.873 S3-C1T2 Fl. 2 2 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros José Fernandes do Nascimento, Ricardo Paulo Rosa e Luciano Pontes Maya Gomes. Relatório O presente processo se refere lançamento de multa de ofício isolada em razão do recolhimento em atraso da Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS em 31 de dezembro de 2001. Por bem relatar os fatos e o direito concernente à lide, adoto parte do relatório (fls. 265 verso à 268) proferido pela DRJ de origem: O Termo de Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fls. 174 caracteriza a infração apurada nos seguintes dizeres: "Em procedimento fiscal de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo contribuinte supracitado, foram apuradas infrações abaixo descritas, aos dispositivos legais mencionados. MULTAS ISOLADAS FALTA DE RECOLHIMENTO DA MULTA DE MORA (PIS) Contribuição para o Programa de Integração Social — PIS, recolhida após o vencimento do prazo legal, sem o pagamento da respectiva multa de mora, conforme demonstrado no "Termo de Verificação e Constatação Fiscal" em anexo. Data Valor Multa Isolada 31/12/2001 R$2.334.568,79 Enquadramento Legal: Arts. 43, 44, § 1°, inciso II, e art. 61, §§ 1° e 2°, da Lei n° 9.430/96." O citado Termo de Verificação e Constatação Fiscal se acha acostado às fls. 169/170, dele constando todo o procedimento de auditoria, na seguinte descrição: "No exercício regular das funções de Auditor-Fiscal da Receita Federal e em cumprimento ao Procedimento Fiscal de Revisão Interna n° 0811900- 2006-00890-2 (Anexo II), Fl. 622DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/01/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA Assinado digitalmente em 11/02/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA, 16/02/2011 por LUIS MARCELO GUERR A DE CASTRO Processo nº 10932.000389/2006-20 Acórdão n.º 3102-000.873 S3-C1T2 Fl. 3 3 determinado pelo Sr. Delegado da Receita Federal, em São Bernardo do Campo, executamos os atos necessários para atender à Representação formalizada pelo Serviço de Orientação e Análise Tributária — SEORT, em relação ao processo administrativo n° 13819.001750/2002-04, cujas conclusões passamos a expor 1) A empresa tem por objeto a indústria, comércio, representação, importação, exportação de automóveis e outros veículos a motor, motores, peças, acessórios e congêneres; bem como atividades conexas e correlatas ou subsidiárias que, direta e/ou indiretamente, se relacionem com a atividade declarada, cujos atos constitutivos e alterações estatutárias encontram-se devidamente registradas nos órgãos competentes, incluindo-se o registro no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ) — artigo 214 do RIR/99 cuja situação encontra-se regular e ativa; 2) O contribuinte manifestou o interesse em compensar os débitos tributários relacionados no Anexo I, com o pedido de restituição postulado através do processo administrativo n° 13819.001707/00-34; 3) Como houve o indeferimento do crédito, desconstituiu- se, conseqüentemente, os pedidos de compensações vinculados a ele; 4) Em 31/07/2002, a empresa optou em recolher os débitos pendentes, utilizando-se do beneficio previsto no artigo 11 da Medida Provisória n° 38, de 14/05/2002; 5) Referidos pagamentos foram efetuados apenas com os Juros, sem a inclusão das respectivas multas moratórias; 6) A condição sine quae non para a sua adoção, se oportuna, seria a comprovação da desistência da ação judicial em que se litigasse o referido tributo, contra a União, acompanhado do seu recolhimento; 7) Ressalve-se, entretanto, que a matéria abordada no Mandado de Segurança n° 91.0654036-8, informado nos recolhimentos dos débitos do Anexo I, dizia respeito à diferença do fator de correção monetária (IPC/BTNF) utilizada na apuração do resultado do ano-calendário 1.990 (vulgo Plano Collor), repercutindo na análise dos fatos geradores relacionados ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica e à Contribuição Social sobre o Lucro Liquido devida no exercício 1.991; Fl. 623DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/01/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA Assinado digitalmente em 11/02/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA, 16/02/2011 por LUIS MARCELO GUERR A DE CASTRO Processo nº 10932.000389/2006-20 Acórdão n.º 3102-000.873 S3-C1T2 Fl. 4 4 8) Não se vislumbrou a possibilidade de se estender os efeitos da renúncia desta medida para outros tributos, como PIS, COFINS, IR.R.Fonte, I0F, IPI, etc., que não foram abordados no âmbito do respectivo Mandado de Segurança; 9) Neste sentido, o despacho decisório n°246/2003, do Sr. Delegado da Receita Federal em São Bernardo do Campo, que indeferiu o expediente utilizado pela empresa para extinguir os débitos do Processo n° 13819.001707/00-34, cuja fundamentação se aproveita aos débitos indicados no "Anexo I” 10) Através de consulta realizada ao SEORT/DRF/SBCAMPO, cuja maniftstação foi exarada em fl. 166 do processo administrativo 13819.001750/2002-04, mantivemos a convicção, agora compartilhada pelo Serviço competente, de que é perfeitamente cabível a aplicação da multa de oficio (isolada, no caso) prevista no inciso Ido art. 44 da Lei n°9.430/96, em razão do disposto no inciso II do ,¢ 1° do mesmo art. 44, já que os recolhimentos foram efetuados sem as multas moratórias devidas (devendo ser lançada e cobrada multa de oficio). Diante do exposto, formalizamos, com base no artigo 142 do Código Tributário Nacional, aprovado pela Lei Complementar n° 5.172/66, os lançamentos das multas de ofício devidas, conforme descrito nos Autos de Infração que seguem em anexo, cujo Termo de Verificaç'do e Constatação Fiscal fará parte integrante e imprescindível dos mesmos. O crédito tributário devido se encontra resumido no quadro abaixo: TRITUBO PROCESSO VALOR PIS 10932.000389/2006-20 R$ 2.334.568,79 COFINS 10932.000390/2006-54 R$ 7.872.472,22 IPI 10932.000391/2006-07 R$ 3.314.958,03 I.R.R.FONTE 10932.000392/2006-43 R$ 1.935.346,76 IOF 10932.000393/2006-98 R$ 79.900,12 TOTAL DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO APURADO R$15.537.245,92 Fica ressalvado o direito da Fazenda Nacioizal de promover ulteriores verificações sobre a matéria aqui Fl. 624DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/01/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA Assinado digitalmente em 11/02/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA, 16/02/2011 por LUIS MARCELO GUERR A DE CASTRO Processo nº 10932.000389/2006-20 Acórdão n.º 3102-000.873 S3-C1T2 Fl. 5 5 abordada ou qualquer outra, se, por razão de fatos ou circunstâncias não conhecidas ou cogitadas nesta oportunidade, não foram questionados. E, para constar e produzir seus efeitos legais, lavramos este termo em três vias de igual teor e forma, que vão assinados por mim, Auditor Fiscal da Receita Federal, sendo que uma das vias será encaminhada ao contribuinte por remessa postal com Aviso de Recebimento."Inconformada com a exigência fiscal, da qual foi cientificada em - 27/12/2006, conforme AR de fls. 179, a contribuinte, por seus advogados legalmente habilitados, interpôs, em 25/01/2007, impugnação de fls. 181/198, expondo em sua defesa as razões de fato e de direito a seguir sintetizadas: 1) afirma, inicialmente, ser necessário traçar um histórico que remonta ao Plano Collor, para se compreender a autuação contestada, por sua vinculação com fatos passados; 2) diz que, em 2001, foi impetrado pela interessada, um Mandado de Segurança, para assegurar o direito de recolher o IRPJ e a CSLL, do ano-calendário de 1990, considerando a variação do IPC do período, em vez do BTNf, previsto na legislação, tendo obtido liminar favorável; 3) com a apuração de prejuízo fiscal, em decorrência da aplicação do IPC para correção monetária, os recolhimentos de IRPJ antecipados foram classificados como indevidos; . 4) a fiscalização procedeu, então, ao lançamento dos valores das diferenças de tributos, originados da correção monetária pelo IPC, para prevenir a decadência, sem considerar as antecipações de IRPJ, realizadas ao longo do ano-calendário de 1990 (processo administrativo fiscal de n° 13819.004286/95-55); 5) Como não havia sido restituído, até o ano-calendário 2000, o valor do RPJ recolhido a maior, foi apresentado o competente pedido e informadas diversas compensações de tributos, dando origem ao processo administrativo fiscal de n° 13819.001707/00-34; 6) Em meados de 2002 e considerando o precedente desfavorável do STF sobre o Plano Collor,-além da entrada em vigor da Medida Provisória n° 38, de 14 de maio de 2002, a impugnante desistiu dos processos já Fl. 625DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/01/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA Assinado digitalmente em 11/02/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA, 16/02/2011 por LUIS MARCELO GUERR A DE CASTRO Processo nº 10932.000389/2006-20 Acórdão n.º 3102-000.873 S3-C1T2 Fl. 6 6 citados, promovendo o pagamento dos tributos, com os benefícios previstos na citada Medida Provisória; 7) diz que a autoridade administrativa, ao verificar os pagamentos feitos, reconheceu a suficiência em relação aos valores discutidos no processo 13819.004286/95-55, o mesmo não ocorrendo quanto aos débitos do segundo feito, que não estariam dentre as hipóteses previstas de serem pagos com os benefícios da MP 38, de 2002; 8) foi realizada, então, a imputação dos pagamentos, com a cobrança da multa moratória de 20%, não incluída nos recolhimentos, razão pela qual remanesceram débitos, que ainda estão sendo discutidos no processo n° 13819.001707/00-34, atualmente na Câmara Superior de Recursos Fiscais; 9) não obstante a existência do litígio descrito, a contribuinte foi surpreendida com a exigência da multa de ofício isolada, prevista no inciso I, do art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996, que entende indevida, como se propõe a demonstrar; 10) esclarece que o presente feito é mera decorrência do processo n° 13819.001707/00-34, motivo porque solicita que a defesa já apresentada nesse último seja inteiramente considerada na apreciação dos autos de multa de ofício isolada; 11) enfatiza que a desistência no processo citado, bem como os pagamentos dos débitos a ele vinculados estavam cobertos pelos benefícios da MP n° 38, de 2002, que afastava qualquer multa, fosse moratória ou punitiva; 12) mesmo que assim não fosse, estaria caracterizada uma denúncia espontânea da infração, nos termos do artigo 138, do CTN, que exclui a responsabilidade e, com ela, as multas por mora ou de ofício; 13) reiterando que a presente exigência fiscal é mera decorrência do processo administrativo 13819.001707/00- 34, do qual transcreve parte do Termo de Verificação e Constatação Fiscal, informa que, no feito original, a autoridade fiscal entendeu ser necessário o recolhimento da multa moratória de 20% sobre o total dos débitos envolvidos: 14) após decorridos quase 5 (cinco) anos, exige o Fisco pagamento de multa de ofício de 75% sobre os mesmos débitos, configurando alteração de critério jurídico, quanto Fl. 626DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/01/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA Assinado digitalmente em 11/02/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA, 16/02/2011 por LUIS MARCELO GUERR A DE CASTRO Processo nº 10932.000389/2006-20 Acórdão n.º 3102-000.873 S3-C1T2 Fl. 7 7 a fato gerador ocorrido anteriormente à sua introdução, em desobediência ao artigo 146, do CTN, que reproduz; 15) cita doutrina, analisa o despacho decisório proferido nos autos originais e reproduz trecho do despacho do SEORT, que reanalisou a matéria, verbis: "4) é perfeitamente cabível a aplicação da multa de oficio (..). Se lançadas as multas de oficio, para cada um dos pagamentos efetuados sem a moratória devem ser cancelados os saldos remanescentes do processo n° 13819.001707/00-34, que, em tese, corresponderiam às multas moratórias não recolhidas." (fls.168) 16) realça que a administração tributária, quando da imputação de pagamentos, com relação aos recolhimentos efetivados, já poderia ter optado pela aplicação da multa de ofício isolada, mas não o fez, preferindo cobrar a multa moratória de 20%, implícita nos cálculos de alocação dos valores pagos; 17) portanto, ao lançar a multa isolada de 75%, há clara mudança de entendimento jurídico sobre o mesmo fato, contrariando a doutrina e jurisprudência dominante, da qual transcreve algumas ementas de acórdãos proferidos pelo antigo Conselho de Contribuintes, hoje Conselho Administrativo de Recursos Fiscais; 18) diz que os débitos constantes do processo n° 13819.001707/00-34 estão com sua exigibilidade suspensa, nos termos do art. 74, da Lei n° 9.430, de 1996, do que deriva a regularidade fiscal da contribuinte, impossibilitando a aplicação da multa punitiva de 75%, destinada aos contribuintes em situação de débitos fiscais em aberto, exigíveis e não recolhidos; 19) aduz que eventual multa, se cabível, seria a moratória de 20%, que corresponde exatamente à quantia que deixou de ser recolhida pela contribuinte, corroborada pela imputação de pagamentos, feita pela autoridade administrativa, citando trecho de voto proferido pelo Conselheiro Neycir de Almeida; 20) pondera, ainda, que, se devida fosse a multa de ofício de 75%, ela deveria ser aplicada apenas sobre os saldos remanescentes dos débitos compensados, apurados após a imputação de pagamentos; 21) resume, ao final, todos os argumentos expostos e solicita o cancelamento do auto de infração. Em expediente datado de 16/03/2009 (fls. 258/262), a contribuinte traz um Fl. 627DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/01/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA Assinado digitalmente em 11/02/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA, 16/02/2011 por LUIS MARCELO GUERR A DE CASTRO Processo nº 10932.000389/2006-20 Acórdão n.º 3102-000.873 S3-C1T2 Fl. 8 8 aditamento à impugnação, em que, após fazer um breve resumo dos fundamentos da autuação, afirma ter havido alteração na legislação que rege o assunto, introduzida pela Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007.1.0 Reproduz o artigo 44, da Lei n° 9.430, de 1996, pelo exame do qual se, conclui que não mais existe a redação que determinaria a cominação da multa de ofício de 75% no caso de pagamento ou recolhimento de tributo após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória. Transcreve a exposição de motivos da MP n° 351, de 22 de janeiro de 2007, convertida na Lei n° 11.488, de 2007, verbis: "8. A alteração do art. 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, efetuada pelo art. 14 do Projeto, tem o objetivo de reduzir o percentual da multa de oficio lançada isoladamente, nas hipóteses de falta de pagamento mensal devido pela pessoa física a título de carnê-leão ou pela pessoa jurídica a título de estimativa, bem como retira a hipótese de incidência da multa de ofício no caso de pamamento do tributo após o vencimento do prazo, sem o acréscimo da multa de mora" (destaque da contribuinte) Transcreve ementas do antigo Conselho de Contribuintes, atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, bem como de algumas Delegacias de Julgamento da RFB, enfatizando que não se poderá efetivar a simples redução da multa isolada para multa moratória de 20%, tendo em vista que essa já está sendo exigida nos autos do processo de restituição/compensação n° 13819.001707/00-34, para não configurar dupla cobrança pela prática do mesmo suposto ilícito tributário, por ser incorreto. Requer, ao final, seja cancelado o auto de infração e reconhecida a extinção do crédito tributário, face à aplicação do princípio da retroatividade benéfica, previsto no artigo 106, II, "a" e "c", do Código Tributário Nacional, conforme a pacífica jurisprudência administrativa sobre o tema. Analisando a questão, a DRJ julgou improcedente o lançamento, por entender que “Com a nova redação dada ao art. 44, da Lei n.° 9.430, de 1996, não há mais previsão nem fundamento legal para a exigência da multa isolada, no caso de não-pagamento da multa de mora em recolhimentos intempestivos” (fl. 269) Os autos vieram a reexame por este Conselho em sede de recurso de ofício. É o relatório. Fl. 628DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/01/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA Assinado digitalmente em 11/02/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA, 16/02/2011 por LUIS MARCELO GUERR A DE CASTRO Processo nº 10932.000389/2006-20 Acórdão n.º 3102-000.873 S3-C1T2 Fl. 9 9 Voto Conselheira Beatriz Veríssimo de Sena, Relatora Observo que o lançamento pautou-se na legislação então vigente para exigir a multa de ofício no recolhimento em atraso do débito vencido no decorrer do ano calendário de 2001, no qual não houve o acréscimo da multa de mora correspondente. No entanto, em 22 de janeiro de 2007, a redação do art. 44 da Lei n.° 9.430, de 1996, foi alterada pelo art. 14 da Medida Provisória n.° 351, convertida na Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007, afastando a possibilidade de manutenção da exigência da multa. Transcrevo o dispositivo legal: "Art. 14. O art. 44 da Lei n°9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação: Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas: 1 - de setenta e cinco por cento sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II - de cinqüenta por cento, exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8° da Lei n° 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2° desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano-calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1° O percentual de multa de que trata o inciso I do caput será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n°4.502, de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 2° Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1°, serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: 1- prestar esclarecimentos; Fl. 629DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/01/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA Assinado digitalmente em 11/02/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA, 16/02/2011 por LUIS MARCELO GUERR A DE CASTRO Processo nº 10932.000389/2006-20 Acórdão n.º 3102-000.873 S3-C1T2 Fl. 10 10 II - apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei n° 8.218, de 29 de agosto de 1991; III - apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38." Com a nova redação dada ao art. 44, da Lei n.° 9.430, de 1996, não há mais previsão nem fundamento legal para a exigência da multa isolada, no caso de não-pagamento da multa de mora em recolhimentos intempestivos. Em face do princípio da retroatividade benigna, consagrado no art. 106, inciso II, alínea "a", do Código Tributário Nacional, é cabível a exoneração da multa isolada, tendo em conta a revogação do dispositivo legal que amparava sua exigência. Ressalto, por oportuno, que multa de mora que deveria ter sido recolhida quando do pagamento do principal encontra-se em discussão no processo administrativo fiscal de n° 13819.001707/00-34. - Conclusão Pelo exposto, nego provimento ao recurso de ofício. Sala das Sessões, em 10 de dezembro de 2010. Relatora Beatriz Veríssimo de Sena Fl. 630DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/01/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA Assinado digitalmente em 11/02/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA, 16/02/2011 por LUIS MARCELO GUERR A DE CASTRO
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Numero do processo: 13655.000034/91-71
Turma: Quinta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Apr 18 00:00:00 UTC 1996
Ementa: F1NSOCIAL - LANÇAMENTO REFLEXO - NULIDADE - É nula a
decisão de primeiro grau que não apreciou argumentos relevantes e
provas produzidas na impugnação, por configurar cerceamento do
direito de ampla defesa.
Numero da decisão: 102-40.011
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, anular a decisão de primeira instância, e determinar a remessa dos autos à repartição de origem para que nova decisão seja prolatada, nos termos do
relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Ramiro Heise
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Numero do processo: 16004.001550/2008-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Sep 04 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003, 2004, 2005, 2006
DECADÊNCIA - ESCRITURAÇÃO IMPRESTÁVEL PARA A APURAÇÃO DO LUCRO REAL - LUCRO ARBITRADO
Havendo prova de dolo, o prazo decadencial conta-se pela regra inscrita no art. 173, I, do CTN. Caso o contribuinte não apresente escrituração regular, apta à apuração do lucro real, a base de cálculo do imposto de renda deve ser apurada pelo lucro arbitrado
MULTA QUALIFICADA
A multa deve ser qualificada (150%) quando ficar caracterizada a ocorrência de sonegação, fraude ou conluio.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA
Somente é cabível a atribuição de responsabilidade solidária àqueles que tiverem interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação tributária apurada.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOI3RE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL
AUTO REFLEXO
Quanto à impugnação de auto de infração lavrado como reflexo de fatos apurados para o lançamento do IRPJ, são aplicáveis as mesmas razões que deram fundamento à decisão acerca da impugnação a este, quando não houver alegação especifica no tocante ao auto reflexo.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
AUTO REFLEXO
Quanto à impugnação de auto de infração lavrado como reflexo de fatos apurados para o lançamento do IRPJ, são aplicáveis as mesmas razões que deram fundamento à decisão acerca da impugnação a este, quando não houver alegação específica no tocante ao auto reflexo.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
AUTO REFLEXO
Quanto à impugnação de auto de infração lavrado como reflexo de fatos apurados para o lançamento do IRPJ, são aplicáveis as mesmas razões que deram fundamento à decisão acerca da impugnação a este, quando não houver alegação específica no tocante ao auto reflexo.
Numero da decisão: 1401-001.417
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade e, pelo voto de qualidade, afastar a decadência, vencidos os Conselheiros Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Maurício Pereira Faro e Karem Jureidini Dias que acolhiam a decadência pelo art. 150, parágrafo 4º do CTN. No mérito, DAR provimento PARCIAL ao recurso, nos seguintes termos: 1 - Por unanimidade de votos, manter o arbitramento do ano-calendário de 2006; 2 - Por maioria de votos, manter o arbitramento dos anos-calendários 2003, 2004 e 2005. Vencida a Conselheira Karem Jureidini Dias; 3 - Por maioria de votos, manter as responsabilidades tributárias do Sr. Nivaldo Fortes Peres, do Sr. Luciano da Silva Peres e do Sr. Rodrigo da Silva Peres, vencido o Conselheiro Maurício Pereira Faro que retirava a atribuição de responsabilidade de cada um deles; 4 - Por unanimidade de votos, cancelar a responsabilidade da Sra. Maria Helena La Retondo, do Sr. José Roberto Giglio, do Sr. Pedro Giglio Sobrinho e do Sr. Antônio Giglio Sobrinho; e 5 - Pelo voto de qualidade, manter a qualificação da multa, vencidos os Conselheiros Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Maurício Pereira Faro e Karem Jureidini Dias, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura (Presidente), Mauricio Pereira Faro, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Karem Jureidini Dias, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos.
Nome do relator: FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003, 2004, 2005, 2006 DECADÊNCIA - ESCRITURAÇÃO IMPRESTÁVEL PARA A APURAÇÃO DO LUCRO REAL - LUCRO ARBITRADO Havendo prova de dolo, o prazo decadencial conta-se pela regra inscrita no art. 173, I, do CTN. Caso o contribuinte não apresente escrituração regular, apta à apuração do lucro real, a base de cálculo do imposto de renda deve ser apurada pelo lucro arbitrado MULTA QUALIFICADA A multa deve ser qualificada (150%) quando ficar caracterizada a ocorrência de sonegação, fraude ou conluio. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA Somente é cabível a atribuição de responsabilidade solidária àqueles que tiverem interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação tributária apurada. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOI3RE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL AUTO REFLEXO Quanto à impugnação de auto de infração lavrado como reflexo de fatos apurados para o lançamento do IRPJ, são aplicáveis as mesmas razões que deram fundamento à decisão acerca da impugnação a este, quando não houver alegação especifica no tocante ao auto reflexo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS AUTO REFLEXO Quanto à impugnação de auto de infração lavrado como reflexo de fatos apurados para o lançamento do IRPJ, são aplicáveis as mesmas razões que deram fundamento à decisão acerca da impugnação a este, quando não houver alegação específica no tocante ao auto reflexo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP AUTO REFLEXO Quanto à impugnação de auto de infração lavrado como reflexo de fatos apurados para o lançamento do IRPJ, são aplicáveis as mesmas razões que deram fundamento à decisão acerca da impugnação a este, quando não houver alegação específica no tocante ao auto reflexo.
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Caso o contribuinte não apresente escrituração regular, apta à apuração do lucro real, a base de cálculo do imposto de renda deve ser apurada pelo lucro arbitrado MULTA QUALIFICADA A multa deve ser qualificada (150%) quando ficar caracterizada a ocorrência de sonegação, fraude ou conluio. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA Somente é cabível a atribuição de responsabilidade solidária àqueles que tiverem interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação tributária apurada. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOI3RE O LUCRO LÍQUIDO CSLL AUTO REFLEXO Quanto à impugnação de auto de infração lavrado como reflexo de fatos apurados para o lançamento do IRPJ, são aplicáveis as mesmas razões que deram fundamento à decisão acerca da impugnação a este, quando não houver alegação especifica no tocante ao auto reflexo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 00 15 50 /2 00 8- 10 Fl. 8995DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 16004.001550/200810 Acórdão n.º 1401001.417 S1C4T1 Fl. 3 2 AUTO REFLEXO Quanto à impugnação de auto de infração lavrado como reflexo de fatos apurados para o lançamento do IRPJ, são aplicáveis as mesmas razões que deram fundamento à decisão acerca da impugnação a este, quando não houver alegação específica no tocante ao auto reflexo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP AUTO REFLEXO Quanto à impugnação de auto de infração lavrado como reflexo de fatos apurados para o lançamento do IRPJ, são aplicáveis as mesmas razões que deram fundamento à decisão acerca da impugnação a este, quando não houver alegação específica no tocante ao auto reflexo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade e, pelo voto de qualidade, afastar a decadência, vencidos os Conselheiros Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Maurício Pereira Faro e Karem Jureidini Dias que acolhiam a decadência pelo art. 150, parágrafo 4º do CTN. No mérito, DAR provimento PARCIAL ao recurso, nos seguintes termos: 1 Por unanimidade de votos, manter o arbitramento do anocalendário de 2006; 2 Por maioria de votos, manter o arbitramento dos anoscalendários 2003, 2004 e 2005. Vencida a Conselheira Karem Jureidini Dias; 3 Por maioria de votos, manter as responsabilidades tributárias do Sr. Nivaldo Fortes Peres, do Sr. Luciano da Silva Peres e do Sr. Rodrigo da Silva Peres, vencido o Conselheiro Maurício Pereira Faro que retirava a atribuição de responsabilidade de cada um deles; 4 Por unanimidade de votos, cancelar a responsabilidade da Sra. Maria Helena La Retondo, do Sr. José Roberto Giglio, do Sr. Pedro Giglio Sobrinho e do Sr. Antônio Giglio Sobrinho; e 5 Pelo voto de qualidade, manter a qualificação da multa, vencidos os Conselheiros Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Maurício Pereira Faro e Karem Jureidini Dias, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Presidente (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura (Presidente), Mauricio Pereira Faro, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Karem Jureidini Dias, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos. Fl. 8996DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 16004.001550/200810 Acórdão n.º 1401001.417 S1C4T1 Fl. 4 3 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto e transcrevo parcialmente o relatório que integra a decisão de piso, fls. 1678716807: Em ação fiscal levada a efeito no contribuinte acima identificado, apurouse que, para os anos de 2003, 2004 e 2005, a escrituração por ele mantida é imprestável para a determinação do lucro real. Alem disso, o contribuinte deixou de apresentar livros e documentos de sua escrituração relativos ao ano de 2006. Como conseqüência, o IRPJ relativo aos anos calendário de 2003 a 2006 foi apurado consoante as regras do lucro arbitrado, assim como a CSLL. O PIS e a COFINS, para todos os meses dos anos de 2003 a 2006, foram apurados pelo regime cumulativo, tendo em vista o arbitramento do lucro promovido pela autoridade administrativa. As infrações apuradas estão minudentemente descritas no "Termo de Descrição dos Fatos" de fls. 62566447 e serão a seguir resumidas: Os fatos apurados estão narrados no "Termo de Descrição dos Fatos" de fls. 23682457. A ação fiscal foi desenvolvida no âmbito da chamada "Operação Grandes Lagos", por meio da qual foi desbaratada uma organização criminosa criada para fraudar a administração tributária, por diversas formas. Houve 'determinação judicial para que todas as pessoas físicas e jurídicas envolvidas fossem fiscalizadas dela .Receita Federal. Dentre as empresas envolvidas estava a RIO PRETO ABATEDOURO DE BOVINOS LTDA (doravante apenas "RIO PRETO ABATEDOURO"). A RIO PRETO ABATEDOURO foi constituída em 09/05/2002, com o capital de apenas R$ 50.000,00, tendo por objeto social o abate próprio de bovinos e suínos, a prestação de serviços de abate de bovinos c de suínos a terceiros, bem como a comercialização e distribuição de carnes e subprodutos derivados do abate. As quotas do capital social, quando da constituição da empresa, foram distribuídas ao Sr. Elizeu Machado Filho e ao Sr. Gilberto Soriano Lopes. Esta empresa movimentou, ao longo dos anos de 2003 a 2006, R$ 233.338.957,87, em 16 contas bancárias de 5 instituições financeiras distintas, sendo que 11 destas contas foram movimentadas por procuração. A despeito disso, recolheu à Fazenda apenas cerca de R$ 500.000,00 em tributos. O Sr. Elizeu Machado Filho foi utilizado como "laranja" na constituição da RIO PRETO ABATEDOURO, empresa integrante do grupo Nivaldo, assim chamado em razão do fato de que o Sr. Nivaldo Fortes Peres é o "cabeça" do grupo, constituído por várias empresas e no qual atuam várias pessoas Fl. 8997DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 16004.001550/200810 Acórdão n.º 1401001.417 S1C4T1 Fl. 5 4 físicas. Em depoimentos prestados à Policia Federal e à Receita Federal, o Sr. Elizeu Machado Filho não soube discriminar os principais clientes da empresa. Tampouco soube informar o faturamento mensal ou o lucro da RIO PRETO ABATEDOURO. Quanto indagado acerca das contas bancárias da empresa, afirmou que ela possuía uma ou duas contas em apenas um banco, fato este que revela seu total desconhecimento dos negócios, pois a empresa é titular de 16 contas bancárias, distribuídas em 5 instituições financeiras. Intimado a comprovar a efetiva integralização do capital social da RIO PRETO ABATEDOURO, o Sr. Elizeu Machado Filho apresentou o cheque n° 020684 (agência 3252, c/c 000286, Banco Bradesco), cheque este que sequer foi compensado. As DIRFs atestam que o Sr. Elizeu não tinha recursos suficientes para integralizar suas quotas na empresa, devendose ressaltar que, ao longo do ano de 2002, ele movimentou apenas R$ 37.696.81. O Sr. Gilberto Soriano Lopes figurou no contrato social da RIO PRETO ABATEDOURO no período de maio de 2002 a novembro de 2003. Desde 1977, tem histórico de vínculos empregatícios nas empresas que compõem o grupo Nivaldo. Em depoimentos prestados à Polícia Federal e à Receita Federal, o Sr. Gilberto reconheceu que emprestou seu nome para a constituição da RIO PRETO ABATEDOURO em troca do emprego (cargo de encarregado de departamento pessoal). Ao longo de todo o ano de 2002, o Sr. Gilberto movimentou irrisórios R$ 8.308,19. Em sua DIRPF do anocalendário 2002, exercício 2003, informou haver recebido rendimentos tributáveis de pessoas físicas. Porém, declarou à fiscalização que nunca integralizou suas quotas no capital social da empresa e sequer sabia qual o conteúdo de sua DIRPF e quem a apresentou. Afirmou que sua única fonte pagadora era a NORTE RIOPRETENSE (até março de 2002) e a RIO PRETO) ABATEDOURO (após maio de 2002). O Sr. Nivaldo Fortes Feres é o cabeça do grupo, controlando, diretamente ou por meio de "laranjas", diversas empresas. É pai de Luciano da Silva Peres e de Rodrigo da Silva Feres e cônjuge de Maria Helena La Retondo. O Sr. Luciano da Silva Peres é sócioproprietário das empresas FEISP LTDA e SOL EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS RIO PRETO LTDA (doravante apenas "SOL EMPREENDIMENTOS"). O Sr. Rodrigo da Silva Feres é sócioproprietário das empresas PORTAL BRASIL PARTICIPAÇÕES E ADMINISTRAÇÃO LTDA, SOL EMPREENDIMENTOS e FEISP LTDA. Diversos imóveis urbanos e rurais de propriedade do Sr. Nivaldo foram transferidos para a Sra. Maria Helena La Retondo nos anos de 2004 e 2005. Porém, este bens não foram pagos por ela, já que o Sr. Nivaldo apenas declarou o crédito que tem a receber dela. O Sr. Silvio Giglio, já falecido, foi o fundador da SEBO SOL LTDA (antiga denominação da SOL EMPREENDIMENTOS) e era o patrão do Sr. Nivaldo, que era contador desta empresa, na qual, atualmente, há uma sociedade entre as famílias Peres (Nivaldo e seus filhos) e Giglio (José Roberto, Cláudia Maria, Fl. 8998DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 16004.001550/200810 Acórdão n.º 1401001.417 S1C4T1 Fl. 6 5 Pedro Giglio Sobrinho e Antônio Giglio Sobrinho, que atualmente não faz mais parte da sociedade). O Sr. José Roberto Giglio participa ativamente de todas as operações praticadas pelo grupo Nivaldo, sendo uma espécie de "braço direito" do Sr. Nivaldo na condução da SOL EMPREENDIMENTOS. Juntamente com seu irmão Pedro Giglio Sobrinho, o Sr. José Roberto Giglio adquiriu da FEISP LTDA imóveis rurais localizados em Votuporanga/SP (Fazenda Santa Izabel) e em Estrela D'Oeste/SP (Fazenda São Pedro), pelo valor total de R$ 4.000.000,00. A origem desses recursos teria sido a distribuição de lucros da SOL EMPREENDIMENTOS. Porém, os valores utilizados na aquisição da Fazenda São Pedro (R$ 3.000.000,00) originaramse da venda, pela SOL EMPREENDIMENTOS, da Fazenda Boa Sorte para a empresa MALIBU CONFINAMENTO DE BOVINOS LTDA. O Sr. Pedro Giglio Sobrinho é sócio quotista das empresas SOL EMPREENDIMENTOS, FABRIL PAULISTA PERFUMARIA LTDA e GIGLIO S/A INDÚSTRIA E COMÉRCIO. Apresenta movimentação financeira incompatível com os rendimentos declarados para os anoscalendário de 2002 e 2003 e recebeu diversos recursos supridos pelas contas bancárias da MEGA DISTRIBUIDORA DE GORDURAS LTDA (doravante apenas "MEGA DISTRIBUIDORA") nos anos de 2004, 2005 e 2006. A MEGA DISTRIBUIDORA movimentou, nos anoscalendário de 2004 a 2006, R$ 29.483.861,67, mas declarou, neste período, tributos no total de apenas R$ 287.560,41. Constatouse, ainda, que a MEGA DISTRIBUIDORA efetuou diversos depósitos nas empresas FABRIL PAULISTA PERFUMARIA LTDA e GIGLIO S/A INDÚSTRIA E COMÉRCIO. O Sr. Antônio Giglio Sobrinho também recebeu recursos supridos pela MEGA DISTRIBUIDORA nos anos de 2004, 2005 e 2006. Constatouse, ademais, que ele tem movimentação financeira incompatível com os rendimentos declarados. Apurouse que diversas pessoas físicas foram utilizadas corno "laranjas" na constituição de empresas que integram o grupo Nivaldo. Nesse sentido, a Sra. Cláudia Maria Giglio foi utilizada na constituição da CMG TRANSPORTES RIO PRETO LTDA (doravante apenas "CMG"), assim como o Sr. Carlos Alberto Ortega Marques. O Sr. Célio Piola foi utilizado na constituição da MEGA DISTRIBUIDORA, assim corno o Sr. André Ferreira de Almeida. O Sr. João Francisco Fernandes foi utilizado na constituição da SEBO SOL INDÚSTRIA DE SUB PRODUTOS DE BOVINOS LTDA (doravante apenas "SEBO SOL"), assim como sua mãe, Sra. Aparecida dos Santos Fernandes, e sua filha, Sra. Aline Caroline Marques Fernandes. O Sr. Paulo Bueno de Camargo foi utilizado na constituição da SOL IMPORTADORA E EXPORTADORA DE COUROS LTDA (doravante apenas "SOL COUROS"), assim como a Sra. Márcia Helena de Oliveira, que também foi utilizada para integrar o quadro social da AGRO RIO PRETO REPRESENTAÇÃO COMERCIAL LTDA (doravante apenas "AGRO RIO PRETO"), juntamente como Sr. Fl. 8999DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 16004.001550/200810 Acórdão n.º 1401001.417 S1C4T1 Fl. 7 6 Edemir Egídio e com o Sr. Gilberto Giraldo Rodrigues Jardim Gouveia. O Sr. Juventino Marques Ferreira foi utilizado na constituição da SOL EMPREENDIMENTOS. O Sr. Rogério Alves Ferreira foi utilizado na constituição da VALENTIM GENTIL ABATEDOURO DE BOVINOS E SUÍNOS LTDA (doravante apenas "VALENTIM GENTIL"), assim como a Sra. Nilvana Fortes Peres Caliman. O Sr. Carlos Roberto Alves foi utilizado na constituição da FRIGO VALE INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE CARNES LTDA (doravante apenas "FRIGO VALE"), assim como a Sra. Nilce Fortes Peres Alves. Constatouse que o grupo Nivaldo valeuse amplamente de notas fiscais "frias" emitidas pela DISTRIBUIDORA DE CARNES E DERIVADOS SÃO PAULO LTDA (doravante apenas "DISTRIBUIDORA"), controlada pelo Sr. Valder Antônio Alves. A atuação desta empresa no fornecimento de notas fiscais "frias" a terceiros foi confirmada inclusive por suas próprias empregadas, Sras. Ana Cláudia Valente Fioravante, Monique de Medeiros Vendas e Maria dos Anjos de Medeiros. A SOL EMPREENDIMENTOS foi constituída em 24/11/1970, tendo como sócios o Sr. Silvio Giglio (86%), o Sr. Nivaldo Fortes Peres (10%) e o Sr. Juventino Marques Ferreira (4%). Seu objeto social era o comércio varejista de artigos não especificados. Em 24/04/2000, o objeto social foi alterado para corretagem no aluguel de imóveis, incorporação de empreendimentos imobiliários e construção de edifícios. Nesta mesma data, foram encerradas a filial da Rua Lúcia A. Gonçalves Vieira, 3111, Distrito Industrial, São José do Rio Preto e a filial da Rodovia Br 153, Km 46, zona rural, sendo que nestes mesmos endereços foram estabelecidas, respectivamente, a AGRO RIO PRETO e a SOL COUROS, ambas abertas em 03/01/2000. Nos anos de 2002 a 2006 SOL EMPREENDIMENTOS optou pelo lucro presumido. A FEISP LTDA foi constituída em 01/06/2001, tendo por objeto o serviço de pulverização e controle de pragas agrícolas. A despeito disso, esta é a empresa holding da família Peres, vale dizer, é nela que está concentrada a maior parte dos imóveis da família. Seus sócios são o Sr. Nivaldo Fortes Peres e seus filhos Rodrigo e Luciano da Silva Peres. A VIENA EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS RIO PRETO LTDA foi constituída em 27/10/1988, tendo por objeto social o aluguel de imóveis próprios. Já passaram por seu quadro societário Nivaldo Fortes Peres, Cláudia Maria Giglio, Pedro Giglio Sobrinho, Luciano da Silva Peres e Silvio Giglio. A empresa foi baixada em 29/02/2008, quando constavam do seu quadro societário os Srs. José Roberto Giglio e Rodrigo da Silva Peres. Foi no imóvel desta empresa que esteve estabelecido o frigorífico da RIO PRETO ABATEDOURO. A empresa FORTES EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS RIO PRETO LTDA foi constituída em 04/05/1995, sob a denominação FRIGORÍFICO N. D. LTDA. Foi baixada em Fl. 9000DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 16004.001550/200810 Acórdão n.º 1401001.417 S1C4T1 Fl. 8 7 08/10/2004, quando constavam do quadro societário os Srs. Luciano e Rodrigo da Silva Peres. Posteriormente à baixa da empresa, os proprietários da planta industrial alugaram o frigorífico para a empresa VALENTIM GENTIL ABATEDOURO DE BOVINOS E SUÍNOS LTDA. Além da SOL EMPREENDIMENTOS, da FEISP, da VIENA EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS RIO PRETO LTDA e da FORTES EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS RIO PRETO LIDA que são as empresas ostensivas do grupo Nivaldo, já que no quadro social delas estão os membros da família Peres, há várias outras empresas paralelas, abertas em nome de "laranjas", com o fim de fraudar a administração tributária, pois seus sócios não têm capacidade econômicofinanceira de honrar os créditos tributários e trabalhistas provenientes das receitas a elas imputadas. Compõem esse grupo a RIO PRETO ABATEDOURO, a SOL COUROS, a AGRO RIO PRETO:a SEBO SOL, a CMG, a MEGA, a VALENTIM GENTIL, a COMERCIAL DE. CARNES E DERIVADOS VALENTIM GENTIL LTDA, a RPMC; a FRIGO VALE, a AMÉRICA INDUSTRIAL E COMERCIAL LTDA e a AGROALTO INDUSTRIALIZAÇÃO E DISTRIBUIÇÃO LTDA. A Polícia Federal, com autorização judicial, realizou diversas buscas e apreensões no curso das investigações. É curioso notar que, por diversas vezes, havia incompatibilidade entre os documentos apreendidos e os locais onde foram encontrados. Esta incompatibilidade, contudo, é aparente, já que os titulares de fato do grupo Nivaldo valeramse de diversas empresas paralelas e de diversos "laranjas" com o fim de transferir o faturamento das empresas de sua titularidade às empresas sem patrimônio, de modo a frustrar futuras execuções fiscais e blindar o patrimônio dos titulares de fato. Na Rua Lúcia Gonçalves Vieira Giglio, 3111, domicilio fiscal das empresas SEBO SOL e CMG, foram apreendidos talões de cheques da SOL EMPREENDIMENTOS e da SOL COUROS, assim como formulários contínuos de cheques destas duas empresas. Foram apreendidos, ainda, formulários para impressão de boletos de cobrança tendo como cedente a MEGA e a DISTRIBUIDORA, além de procuração conferida pela SEBO SOL ao Sr. Gilberto G. R. Jardim Gouveia. utilizado como "laranja" na AGRO RIO PRETO. No curso da ação fiscal constatouse coincidência de parentesco entre diversas pessoas integrantes do grupo Nivaldo, bem como coincidência de datas de abertura de contas bancárias. 1lá intensa migração de vínculos empregatícios entre empresas integrantes do grupo Nivaldo. Além disso, há coincidências de endereços de empresas do grupo, como no caso da SOL EMPREENDIMENTOS, da SOL COUROS e da RPMC, que conviveram, simultaneamente, no período de 14/02/2000 a 14/04/2000, na Rodovia BR 153, s/n, Km 46, São José do Rio Preto/SP. A Rua Lúcia Gonçalves V. Giglio, n° 3111, São José do Rio Preto/SP também serviu de endereço para as empresas Fl. 9001DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 16004.001550/200810 Acórdão n.º 1401001.417 S1C4T1 Fl. 9 8 SOL EMPREENDIMENTOS, AGRO RIO PRETO, SEBO SOL, CMG e RPMC. É curioso notar que o telefone (17) 32246477, declarado à Receita Federal como sendo da SEBO SOL, consta dos dados cadastrais de diversas contas bancárias de pessoas físicas e jurídicas que integram o grupo Nivaldo. São elas: João Francisco Fernandes, Carlos Alberto Ortega Marques, CMG, AGRO RIO PRETO, SOL EMPREENDIMENTOS, José Roberto Giglio, Gilberto Giraldo R. J. Gouveia e CIA DE CARNES VALENTIM GENTIL. Nas fichas cadastrais bancárias da empresa MEGA consta como referência comercial as empresas FABRIL PAULISTA PERFUMARIA LTDA e GIGLIO S/A INDÚSTRIA E COMÉRCIO. Além disso, em algumas fichas cadastrais da MEGA foi indicado como endereço comercial a Rua Rio Preto, 77, Vila Vivaldi, São Bernardo do Campo/SP, mesmo endereço da FABRIL PAULISTA PERFUMARIA LTDA. Constatou a autoridade autuante que a maior parte das operações bancárias do grupo era feita simultaneamente, em moeda corrente. Ou seja, os saques eram feitos "na boca" do caixa, e os recursos eram pulverizados, principalmente para as empresas integrantes do grupo. Os titulares de fato das empresas do grupo Nivaldo receberam, direta ou indiretamente, os frutos oriundos do esquema fraudulento utilizado. Tal constatação foi possível graças à quebra do sigilo bancário dos integrantes do grupo, autorizada pela Justiça Federal em Jales/SP. Dentre as transferências diretas de recursos entre as contas bancárias das pessoas físicas e jurídicas envolvidas, cabe destacar. por exemplo, que o Sr. Nivaldo Fortes Peres recebeu, em suas contas bancárias, vultosos recursos da RIO PRETO ABATEDOURO, da DISTRIBUIDORA e da COMERCIAL DE CARNES BASCO DE VOTUPORANGA. O Sr. Rodrigo da Silva Peres recebeu valores da DISTRIBUIDORA, da RIO PRETO ABATEDOURO, do Sr. Nivaldo Fortes Peres, do Sr. Luciano da Silva Peres, do Sr. Vinicius dos Santos Vulpini e do Sr. José Roberto Giglio. A Sra. Maria Helena La Retondo recebeu depósito do Sr. Nivaldo Fortes Peres e o Sr. José Roberto Giglio recebeu depósito da AGRO RIO PRETO. Os Srs. Pedro Giglio Sobrinho e Antônio Giglio Sobrinho receberam recursos da MEGA, que também efetuou depósitos em favor da GIGLIO S/A INDÚSTRIA E COMÉRCIO e da FABRIL PAULISTA PERFUMARIA LTDA. O Sr. Pedro Giglio Sobrinho recebeu, ademais, depósitos do Sr. José Roberto Giglio e da RIO PRETO ABATEDOURO. Também foram beneficiárias de depósitos provenientes das empresas e pessoas físicas integrantes do grupo as seguintes pessoas físicas: Cláudia Maria Giglio, Elizeu Machado Filho, Carlos Alberto Ortega Marques, André Ferreira de Almeida, Paulo Bueno de Camargo, Edemir Egídio, Gilberto Giraldo Rodrigues Jardim Gouveia, Nilvana Fortes Peres, Carlos Alberto Alves, Valder Antônio Alves, Renata Cristina Motta Tofolo e Ricardo Musegante. Fl. 9002DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 16004.001550/200810 Acórdão n.º 1401001.417 S1C4T1 Fl. 10 9 Ressaltese, ainda, que foram constatados diversas transferências bancárias entre contas de empresas integrantes do grupo, tendo sido beneficiárias em tais transações a SOL EMPREENDIMENTOS, a FEISP LTDA, a VIENA EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS RIO PRETO LTDA, a SOL COUROS, a AGRO RIO PRETO, a CMG, a RPMC e a FRIGO VALE. Dentre as transferências indiretas de recursos, a autoridade autuante constatou diversas aquisições de imóveis por valores sub faturados. Nesse sentido, os Srs. Rodrigo e Luciano da Silva Peres adquiriram o apto. 402, localizado no Residencial Juliana II, Vila Imperial, São José do Rio Preto/SP, assim como a Fazenda São Francisco, localizada em Itapura/SP, por valores subfaturados. Apurou a autoridade autuante que a Fazenda Guará, localizada em Guzolândia/SP, foi adquirida pela SOL EMPREENDIMENTOS, em 10/12/2004, com o auxílio de recursos provenientes da SOL COUROS e da RIO PRETO ABATEDOURO, em negócio subfaturado fechado pelo Sr. Nivaldo Fortes Peres quando este já não figurava como sócio da SOL EMPREENDIMENTOS. Também na aquisição de 50% da Fazenda "Varejão Grande", localizada em Caçu/G0 pela FEISP LTDA comprovouse que os recursos foram supridos por várias empresas e pessoas físicas integrantes do grupo, quais sejam: AGROALTO INDUSTRIALIZAÇÃO E DISTRIBUIÇÃO LTDA, AMÉRICA INDUSTRIAL E COMERCIAL LTDA, DISTRIBUIDORA, José Roberto Giglio, Nivaldo Fortes Peres e RIO PRETO ABATEDOURO. O imóvel rural denominado "Fazenda Ranchão", localizado em São João das Duas Pontes/SP, adquirido pela FEISP LTDA, em 24/07/2003, foi subfaturado e parte dos recursos utilizados na aquisição foram supridos pelo FRIGORÍFICO SANTA ESMERALDA LTDA, empresa colaboradora do grupo Nivaldo. Apurouse que a Fazenda "Santa Izabel", localizada em Votuporanga/SP, e a Fazenda "Três Corações", localizada em Guzolândia/SP foram adquiridas com recursos do Sr. Nivaldo Fortes Peres e, de forma simulada, as escrituras foram passadas em nome da FEISP LTDA, sendo que os recursos relativos aos cheques utilizados para simular esta operação foram sacados e depositados nas contas bancárias da RIO PRETO ABATEDOURO e da AMÉRICA INDUSTRIAL E COMERCIAL LTDA. Constatouse que também a Fazenda "São José", localizada no município de Paranapuã/SP, foi adquirida pelo Sr. Nivaldo Fortes Peres por valor subfaturado. O mesmo se passou com a aquisição, pelo Sr. Nivaldo Fortes Peres, da Fazenda "Sítio Barra Funda II", localizada no município de Ipiguá/SP. A FEISP LTDA simulou a aquisição do imóvel residencial situado na Rua A, 262, lote 25, quadra C, no Jardim Maria Cândida, São José Fl. 9003DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 16004.001550/200810 Acórdão n.º 1401001.417 S1C4T1 Fl. 11 10 do Rio Preto/SP, já que os recursos utilizados na aquisição foram, na verdade, destinados a liquidar obrigações da SOL EMPREENDIMENTOS e da VIENA EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS RIO PRETO LTDA e também remetidos à COMERCIAL DE CARNES E DERIVADOS VALENTIM GENTIL LTDA. A partir da análise das fitasdetalhe fornecidas pelo Banco Bradesco foi possível apurar que os recursos utilizados na na integralização do capital da RIO PRETO ABATEDOURO foram supridos pela COMERCIAL DE CARNES E DERIVADOS VALENTIM GENTIL LTDA. Aliás, a análise demonstrou também que os recursos desta empresa foram utilizados para liquidar obrigações previdenciárias da SOL EMPREENDIMENTOS e do Sr. Nivaldo Fortes Peres e para transferências às contas bancárias dos Srs. Juventino Marques Ferreira, Carlos Alberto Ortega Marques e da RPMC. A prática de simulação na integralização do capital das empresas é prática recorrente no grupo Nivaldo. Nesse sentido, a integralização do capital social da VALENTIM GENTIL ocorreu com recursos provenientes da RIO PRETO ABATEDOURO, ocorrendo na integralização do capital social da CMG e da SEBO SOL. Há diversas outras irregularidades relacionadas às demais empresas do grupo. Os dados bancários obtidos revelaram também que as aquisições de veículos da CMG junto à SOL EMPREENDIMENTOS foi simulada. Registrese, inicialmente, que tais aquisições ocorreram todas em 11/08/2003 e os pagamentos respectivos ocorreram em diversas datas, sendo a última em 05/06/2006, vale dizer, quase três anos após a compra. Este fato foge à normalidade das operações de mercado. Em 21/10/2003, a CMG escriturou pagamento, com lançamento a crédito da conta Caixa, à SOL EMPREENDIMENTOS pela aquisição de veículos. A análise da fita detalhe, porém, revela que os recursos que ingressaram na conta da SOL EMPREENDIMENTOS têm por origem contas da RIO PRETO ABATEDOURO e da DISTRIBUIDORA, sendo que a conta deste última que foi utilizada na operação pertence, de fato, ao grupo Nivaldo. Os pagamentos à SOL EMPREENDIMENTOS efetuados em 28/11/2003, por meio de cheques, foram supridos, consoante os lançamentos contábeis, por adiantamentos de pagamentos feitos pela RIO PRETO ABATEDOURO, já que, caso contrário, a empresa não teria fundos suficientes para a remessa. No dia 05/06/2006, a CMG pagou, por meio de cheque. R$ 44.000.00 à SOL EMPREENDIMENTOS . Para dar lastro a este cheque, a CMG escriturou diversos pagamentos dos clientes RIO PRETO ABATEDOURO e INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE CARNES MINERVA LTDA. Porém, a análise das fitas detalhe demonstra que os recursos que ingressaram na conta da CMG têm por origem a DISTRIBUIDORA e a RIO PRETO Al3ATEDOURO. Fl. 9004DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 16004.001550/200810 Acórdão n.º 1401001.417 S1C4T1 Fl. 12 11 Outro elemento que atesta a ligação entre as empresas integrantes do grupo Nivaldo são os contratos de arrendamento firmados entre empresas ostensivas e paralelas, cujos termos fogem completamente à normalidade do mercado. Exemplo é o contrato de arrendamento de prédio industrial com instalações, máquinas, equipamentos e utensílios, firmado, em 08/05/2002, entre a VIENA EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS RIO PRETO LTDA (arrendante) e a RIO PRETO ABATEDOURO (arrendatária), por meio do qual estipulouse que os maquinários novos incluídos no complexo industrial por esta não poderão ser retirados findo ou rescindido o contrato e não serão indenizados pela arrendante. A contabilidade da RIO PRETO ABATEDOURO registra aquisições de óleo diesel, ao longo dos anoscalendário de 2004 e 2005, no montante total de R$ 1.862.426,68. Porém, de acordo com o demonstrativo de utilização de créditos de ICMS, entregues pela Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo, foram adquiridos da PETROBRÁS DISTRIBUIDORA S/A, quase três bilhões de reais em óleo diesel entre janeiro de 2004 e junho de 2006. Isso é mais uma demonstração das graves deficiências contidas na escrituração do contribuinte. Constatouse que as empresas do grupo Nivaldo foram uma das principais beneficiárias do esquema de emissão de notas fiscais "frias" pela DISTRIBUIDORA. Os valores relativos à movimentação financeira das pessoas físicas e jurídicas integrantes do grupo Nivaldo são muito superiores aos rendimentos declarados no período de 2002 a 2006. Além disso, algumas das empresas do grupo informam valores em DIPJ, mas não recolhem os tributos devidos sobre as receitas declaradas. A análise das fitasdetalhe obtidas traz outras revelações importantes. Observase que as empresas e pessoas físicas do grupo Nivaldo fazem operações seqüenciais, no mesmo dia em momentos muito próximos. No dia 03/12/2004, 10 empresas e pessoas físicas integrantes do grupo efetuaram operações seqüenciais. Fato semelhante também é revelado pelas fitasdetalhe dos dias 20/01/2003 e 04/12/2003. As fitas detalhe revelaram transferências de recursos entre as empresas integrantes do grupo, transferências estas realizadas por meio de cheques, sacados na "boca do caixa", sendo os recursos, ato contínuo, depositados nas contas bancárias das pessoas físicas e jurídicas do grupo. A análise das fitasdetalhe comprovou, ainda, que despesas pessoais da família Giglio foram pagas com recursos da RIO PRETO ABATEDOURO e da DISTRIBUIDORA. Nesse sentido, constatouse que foi pago o INSS da Sra. Fabiana Cristina Alves de Souza, cujo domicílio fiscal é a Rua Luiz Nicoleti, 344, Vivendas, São José do Rio Preto/SP, mesmo domicílio de Pedro Giglio Sobrinho. Também foram pagos os débitos INSS dos senhores Francisco Edson da Silva e José Soares dos Santos, empregados do Sr. José Roberto Giglio. Fl. 9005DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 16004.001550/200810 Acórdão n.º 1401001.417 S1C4T1 Fl. 13 12 Outra fraude constatada consiste na simulação de aquisição pelo RIO PRETO ABATEDOURO de gado do Sr. José Alves Lemes. A análise das fitasdetalhe revelou que os cheques nominais a este senhor foram sacados c os recursos retornaram imediatamente ao próprio frigorífico. Ao assim proceder, o RIO PRETO ABATEDOURO gerou créditos de PIS e de COFINS não cumulativos e reduziu a base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Após a deflagração da operação "Grandes Lagos", verificase que os recursos das empresas do grupo Nivaldo foram progressivamente sendo retirados das instituições financeiras, por meio de saques na "boca" do caixa, com o fim de impedir o rastreamento dos beneficiários. Parte dos recursos, inclusive da RIO PRETO ABATEDOURO e da MEGA foi destinada à aquisição de cheques administrativos utilizados pelo grupo Nivaldo e parte foi utilizada para pagamento de obrigações do próprio grupo. É curioso notar que, dentre as operações rastreadas, constatouse que recursos provenientes da RIO PRETO ABATEDOURO e da MEGA foram utilizados para a aquisição de cheques administrativos empregados no pagamento de auto de infração lavrado pela Secretaria da Fazenda de São José do Rio Preto/SP contra a empresa AMÉRICA INDUSTRIAL E COMERCIAL LTDA. Constatouse, ainda, que o Sr. Antônio Giglio Sobrinho recebeu cheque administrativo, no valor de R$ 90.000,00, suprido por diversos saques efetuados junto à SOL COUROS. Merece destaque, ademais, o fato de que um cheque no valor de R$ 46.000,00, sacado junto à conta do Sr. Nivaldo Fortes Peres, em 28/01/2005, foi utilizado para pagamento de tributos federais da Sra. Maria Helena La Retondo e das empresas FEISP LTDA e VIENA EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS RIO PRETO LTDA, sendo que nesta ocasião o Sr. Nivaldo já não fazia parte do quadro societário desta empresa. Apurouse que os cheques nºs 005105 a 005111, emitidos nominalmente à FEISP LTDA, foram escriturados pela SOL EMPREENDIMENTOS como sendo referentes ao pagamento de parcelas relativas à aquisição do imóvel rural denominado Fazenda "Santa Izabel", mas os recursos foram destinados a diversas pessoas e empresas integrantes do grupo, tal como a AMÉRICA INDUSTRIAL E COMERCIAL LTDA. Ressaltese que os cheques foram assinados pelo Sr. José Roberto Giglio e endossados pelo Sr. Nivaldo Fortes Peres, fato este que demonstra o envolvimento deles nas fraudes perpetradas. Constatouse que o Sr. Rodrigo da Silva Peres utilizou recursos da RIO PRETO ABATEDOURO para adquirir gado junto à Sra. Ireni Luiz Barcelos. Além disso, apurouse que o Sr. Nivaldo Fortes Peres indicou no livro caixa da atividade rural que recebeu recursos provenientes da venda de bovinos à SANTANA AGROINDUSTRIAL LTDA, mas, na verdade, tais valores foram supridos pela RIO PRETO ABATEDOURO. O Sr. Nivaldo também escriturou no livro caixa da atividade rural supostas vendas de bovinos à DISTRIBUIDORA. Porém, esta empresa foi declarada inapta, por meio do Ato Declaratório Executivo Fl. 9006DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 16004.001550/200810 Acórdão n.º 1401001.417 S1C4T1 Fl. 14 13 DRF/SÃO JOSÉ DO RIO PRETO n° 53/2008, com efeitos a partir de 01/01/1999, de modo que os documentos por ela emitidos são inidôneos. No curso da ação fiscal, constatou a autoridade autuante que os Livros Diário e Razão continham a escrituração da conta Bancos por partidas mensais, razão pela qual foi solicitada ao contribuinte a apresentação de Livros Auxiliares, com o registro individualizado das operações relativas à conta Bancos. Os Livros Auxiliares, porém, não foram apresentados, a despeito de reiteradas intimações. Constatouse, ainda, que o contribuinte escriturou apenas quatro contas bancárias, quando, na verdade, era titular de dezesseis. Mais que isso, as contas escrituradas não pode ser identificadas, já que na descrição da conta consta apenas "Banco Bradesco S/A". Tampouco registrou as operações relativas às onze contas por ele controladas por procuração. Ademais, o contribuinte não atendeu as intimações para comprovar algumas despesas operacionais consignadas nas DIPJs dos anoscalendário de 2003 a 2006, mormente as classificadas como "outras despesas operacionais". A falta de apresentação de todos os referidos elementos e as diversas falhas constatadas na escrituração impedem uma análise detalhada da contabilidade e, por conseguinte, a verificação da autenticidade do lucro real apurado. Ressaltese, ainda, que as provas colhidas no curso da ação fiscal demonstraram que o contribuinte atuou no sentido de fraudar sua contabilidade para não apresentar lucro e também para eximirse do pagamento do PIS e da COFINS não cumulativos. Nesse sentido, comprovouse que o contribuinte simulou operações de compras junto ao Sr. José Alves Lemes, com o objetivo de reduzir a base de cálculo do IRPJ e da CSLL e de gerar créditos de PIS e de COFINS não cumulativos. Isso foi evidenciado pelo fato de que os cheques utilizados no pagamento das supostas compras foram creditados nas próprias contas da RIO PRETO ABATEDOURO. Em conclusão, foi comprovado que a escrituração do contribuinte contém evidentes indícios de fraudes que a tornam imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive a bancária, e também para determinar o lucro real. Como conseqüência, o lucro foi arbitrado com base na receita bruta conhecida. Para o anocalendário de 2006, o contribuinte sequer apresentou os livros Diário e Razão, de modo que também efetuouse o arbitramento do lucro com base na receita bruta conhecida. Para a apuração da receita bruta conhecida, foram considerados os valores informados nas DIPJs, nas DACONs e nas GIAs, já que constatouse a compatibilidade com as receitas escrituradas nos livros fiscais e contábeis do contribuinte. As fraudes constatadas na escrituração consistiram em simular operações por meio das contas "Caixa" e "Bancos" e também operações de compras. As primeiras tinham o objetivo de transferir recursos às pessoas ligadas ao grupo Nivaldo, Fl. 9007DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 16004.001550/200810 Acórdão n.º 1401001.417 S1C4T1 Fl. 15 14 enquanto a segunda tinha por objetivo reduzir a base de cálculo do IRPJ e da CSLL e gerar créditos de PIS e de COFINS não cumulativos. Portanto, para a apuração da receita bruta conhecida foram considerados os valores declarados nas DIPJs e nas DACON. Os débitos de IRPJ e de CSLL declarados em DCTF foram compensados com os débitos apurados com base no lucro arbitrado. Nos termos do art. 8°, II, da Lei 10.637/2002 e do art. 10, II, da Lei 10.833/2003, o fato de o cálculo do IRPJ e da CSLL ter sido efetuado com base no lucro arbitrado traz como conseqüência a necessidade de apuração do PIS e da COFINS pelo regime cumulativo. Também para estas contribuições, na apuração dos débitos a serem lançados foram compensados os valores já declarados em DCTF. Sobre os créditos tributários apurados foi aplicada multa qualificada (150%), em virtude das fraudes apuradas. Finalmente, com base no art. 124, I, do CTN, foi atribuída responsabilidade solidária pelos créditos tributários lançados aos senhores Nivaldo Fortes Peres, Luciano da Silva Peres, Rodrigo da Silva Peres, Maria Helena La Retondo, José Roberto Giglio, Pedro Giglio Sobrinho e Antônio Giglio Sobrinho, tendo em vista que todos estes tiveram interesse comum nas situações que constituíram os fatos geradores das obrigações tributárias apuradas, pelo fato de que foram os principais beneficiários das fraudes perpetradas, já que o produto da sonegação de tributos foi utilizado por eles para a aquisição de patrimônio, bem como para pagamento de despesas pessoais. Inconformados, a RIO PRETO ABATEDOURO (fls. 65336552) e os responsáveis solidários, senhores Antonio Giglio Sobrinho (fls. 65536582), Pedro Giglio Sobrinho (fls. 67016734), José Roberto Giglio (fls. 67556790), Nivaldo Fortes Peres (fls. 6823 6851), Rodrigo da Silva Peres (fls. 69867009), Luciano da Silva Peres (fls. 70417062) e Maria Helena La Retondo (fls. 7090 7106), apresentaram impugnações. Na impugnação apresentada pela RIO PRETO ABATEDOURO são deduzidas as alegações a seguir sintetizadas: Parte do que foi descrito no "Termo de Constatação" lavrado está baseada em conclusões policiais, sem provas materiais a robustecêlas, de modo que não podem ser tomadas como verdade material. Além disso, o material apreendido pela Polícia Federal não foi submetido a perícia para verificação da respectiva autenticidade. O IRPJ, a CSLL, o PIS e a COFINS são tributos sujeitos a lançamento por homologação. Tendo em vista que a aplicação de multa qualificada (150%) na situação de que trata o presente processo administrativo é descabida, o prazo decadencial dos tributos lançados é aquele previsto no art. 150, § 4º, do CTN, vale dizer, é de cinco anos, contado da data de ocorrência do fato gerador. Para o IRPJ e a CSLL, os créditos tributários lançados para os fatos geradores relativos aos três primeiros trimestres do ano de 2003 estão decaídos, já que a ciência dos Fl. 9008DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 16004.001550/200810 Acórdão n.º 1401001.417 S1C4T1 Fl. 16 15 autos de infração lavrados ocorreu apenas em 17/11/2008. Relativamente ao PIS e à COFINS, houve decadência para os lançamentos relativos aos meses de janeiro a outubro de 2003, pois os fatos geradores destas exações é mensal. O arbitramento do lucro é medida excepcional, que só tem lugar nas hipóteses rigorosamente previstas na legislação. Somente em última hipótese a contabilidade deve ser desconsiderada ou desclassificada sob o argumento de ser imprestável para a determinação do lucro real. Deve a autoridade envidar todos os esforços no sentido de fazer os ajustes necessários na escrituração diante das falhas ou incongruências possivelmente detectadas. A autoridade autuante consignou que não encontrou indícios de omissão de receitas na escrituração, de modo que o ponto de partida para a apuração do lucro real se revela seguro. Isso revela que a falta de contabilização de contas bancárias não interferiu no resultado apurado, razão pela qual os lançamentos que deixaram de ser contabilizados se reportam a operações de natureza patrimonial, que não influenciam na apuração do resultado. A autoridade autuante reconheceu que todas as operações praticadas transitaram pela conta "Caixa", mais uma demonstração de que não houve omissão de registros fiscais. Tendo em vista que o arbitramento do lucro não foi efetuado com base na movimentação financeira, concluise que a falta de escrituração de contas bancárias não alterou o resultado. As contas bancárias movimentadas por procuradores eram utilizadas por pessoas envolvidas na compra do gado para abate, em pagamentos diretos, adiantamentos ou mesmo prestação de caução. Estas contas eram supridas pelas contas normais que transitaram pela contabilidade, de modo que não houve distorção nos registros contábeis ou na apuração do resultado do período. A escrituração das operações bancárias por partidas mensais não torna a escrituração imprestável, pois as operações correspondentes são lançadas diariamente na conta "Caixa" e os extratos bancários suprem a falta de livro auxiliar. Não houve intimação para a reconstituição da escrita fiscal. A suposta simulação na compra de gado não autoriza a desclassificação da escrita, pois os valores apontados não são significativos frente aos custos totais e as operações listadas estão registradas no "Caixa”. Ademais, a falta de comprovação de custos e despesas pode ensejar a respectiva glosa e não o arbitramento do lucro. Portanto, não houve razão para a desclassificação da. escrita relativamente aos anoscalendário de 2003 a 2005. A empresa foi intimada em 29/10/2008 a, no prazo de 20 dias, apresentar os Livros Razão e Diário relativos ao anocalendário de 2006. Porém, em 17/11/2008, antes que estivesse esgotado o prazo da intimação, foi lavrado o "Termo de Descrição dos Fatos e os respectivos autos de infração. Diante disso, devem ser cancelados os autos de infração lavrados para os fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2006. Os tributos lançados estão baseados na receita declarada, de modo que é descabida a afirmação de que houve fraude. A Fl. 9009DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 16004.001550/200810 Acórdão n.º 1401001.417 S1C4T1 Fl. 17 16 fraude não foi provada. Não houve demonstração do dolo. As supostas irregularidades apontadas no "Termo de Descrição dos Fatos" não ensejaram tributação, vale dizer, delas não resultaram omissão de receitas, glosa de custos ou de despesas ou outra infração de qualquer natureza. Isso se aplica à contabilização de operações bancárias por partidas mensais, à ausência de contabilização de contas bancárias utilizadas por procuradores e à contabilização de operações de compra de produtores nas quais foram apuradas inconsistências nos pagamentos. O art. 72 da Lei 4.502/1964 exige, para a caracterização da fraude, a prova da ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar a ocorrência do fato gerador ou a modificar suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido ou a evitar ou diferir o respectivo pagamento. A fraude não se presume. Aos lançamentos decorrentes deve ser dado o mesmo destino do lançamento principal. Por fim, pede que sejam declarados insubsistentes os autos de infração lavrados, ou, caso assim não se entenda, requer o desagravamento da penalidade aplicada. O Sr. Antonio Giglio Sobrinho apresenta, em resumo, as seguintes alegações em seu recurso: Antonio Giglio Sobrinho, nascido em 10/10/1964, é o único filho do primeiro casamento de Silvio Giglio, cujo desquite foi formalizado em 27/02/1967. Antonio foi criado em São Paulo e sustentado apenas por sua mãe, Maria Virginia Giannini, tendo seu pai, Silvio, mudado para São José do Rio Preto/SP, onde constituiu nova família e residiu até sua morte, em 19/03/1999. Esta nova família é composta por Silvio Giglio, sua companheira Lúcia Gonçalves Vieira Giglio (falecida) e pelos filhos Silvio Giglio Filho (falecido), José Roberto Giglio, Pedro Giglio Sobrinho e Claudia Maria Giglio, todos residentes em São José do Rio Preto. Antonio Giglio Sobrinho é músico profissional e praticamente não teve contato com a família Giglio de São José do Rio Preto e com suas empresas e negócios. Com o falecimento de Silvio Giglio, Antonio Giglio Sobrinho, na qualidade de herdeiro daquele, recebeu: 1 417.903 quotas da empresa SEBO SOL LTDA, que incorporou a COURO SOL LTDA e a AGRO SOL LTDA; 2 11.250 quotas da VIENA EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS, atual ABATEDOURO VIENA LTDA; 3 1.375 quotas da FABRIL PAULISTA PERFUMARIA LTDA; 4 11.400 ações ordinárias da GIGLIO S/A INDÚSTRIA E COMÉRCIO. Ao final de 2001, Antonio Giglio Sobrinho retirouse das empresas SEBO SOL LTDA e VIENA EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS RIO PRETO LTDA. No tocante às empresas GIGLIO S/A INDÚSTRIA E COMÉRCIO e FABRIL PAULISTA PERFUMARIA LTDA, Antonio Giglio Sobrinho não chegou a um acordo financeiro com os demais herdeiros para retirarse das sociedades, mas não participou da gerência delas. Os valores recebidos por Fl. 9010DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 16004.001550/200810 Acórdão n.º 1401001.417 S1C4T1 Fl. 18 17 Antonio Giglio Sobrinho, indicados no "Termo de Descrição dos Fatos", referemse a adiantamentos de dividendos e/ou distribuição de lucros da FABRIL PAULISTA PERFUMARIA LTDA. Tais pagamentos são reconhecidos por declaração firmada pelo representante legal desta empresa e ocorreram inclusive por meio de transferências bancárias e/ou cheques emitidos pela MEGA, empresa esta totalmente. desconhecida de Antonio Giglio Sobrinho, razão pela qual não tem condições de esclarecer as relações entre estas empresas. Antonio Giglio Sobrinho não tem conhecimento das atividades do Sr. Nivaldo Fortes Peres, com quem manteve contato apenas em razão do falecimento de seu pai, Silvio Giglio, já que este era sócio daquele. Portanto, é absurda a ilação de que Antonio Giglio Sobrinho é proprietário de fato da RIO PRETO ABATEDOURO ou de qualquer outra empresa mencionada no "Termo de Descrição dos Fatos", jamais tendo participado da administração ou assinado quaisquer documentos destas empresas. Antonio Giglio Sobrinho sequer foi intimado, no curso da ação fiscal, a prestar esclarecimentos sobre os créditos que lhe foram feitos. Não há interesse comum entre Antonio Giglio Sobrinho e os integrantes do grupo Nivaldo, de modo que não há que se falar em responsabilidade solidária, tal como prevista no art. 124 do CTN. O interessa referido por esta norma não é o interesse econômico no resultado ou no proveito da situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, mas o interesse jurídico, vinculado à atuação comum ou conjunta nessa situação. Antonio Giglio Sobrinho não é sócio de fato da RIO PRETO ABATEDOURO, mas ainda que assim se considerasse, a atribuição de responsabilidade deveria ocorrer com base no art. 135 do CTN, desde que fosse provada a infração à lei, ou estatuto social ou a atuação com excesso de poderes. O patrimônio de Antonio Giglio Sobrinho foi adquirido legitimamente, de modo que é descabida a afirmação de incompatibilidade da movimentação financeira. Houve violação ao princípio da isonomia, pois não foi atribuída responsabilidade solidária pelos créditos tributários apurados á Sra. Claudia Maria Giglio, que é sócio da CMG e recebeu recursos das pessoas e empresas diretamente envolvidas. Antonio Giglio Sobrinho impugna, por negativa geral, o auto de infração lavrado, tendo em vista que, por não ter qualquer ligação com a RIO PRETO ABATEDOURO, não dispõe de dados. elementos ou documentos contábeis e fiscais para argumentar sobre os fatos a ela atribuídos. A multa qualificada não pode prosperar, por falta de prova de fraude, dolo ou simulação., condutas estas que não podem ser comprovadas por presunção ou indícios. Por fim, pede Antonio Giglio Sobrinho sua exclusão do Termo de Sujeição Passiva e a anulação total do lançamento. Requer, ademais, a realização de perícia nas empresas SEBO SOL LTDA e FABRIL PAULISTA PERFUMARIA LTDA, com a finalidade de corroborar a origem dos valores que lhe foram atribuídos, protestando pela oportuna indicação de seu perito e formulação de quesitos. Fl. 9011DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 16004.001550/200810 Acórdão n.º 1401001.417 S1C4T1 Fl. 19 18 Pedro Giglio Sobrinho apresenta impugnação na qual aduz, resumidamente, os seguintes argumentos: Tece o impugnante extensas considerações acerca do princípio da legalidade para concluir que a sujeição passiva solidária a ele atribuída não tem qualquer vínculo, fático ou obrigacional, de modo que houve violação àquele principio. Não foi dada oportunidade de manifestação antes da lavratura do auto de infração, violando o disposto no art. 38 da Lei 9.784/1999, bem como os princípios do contraditório e da cientificação. A atribuição de responsabilidade solidária pelos créditos tributários lançados não foi devidamente motivada. Afirmouse que Pedro Giglio Sobrinho recebeu recursos de contas bancárias da MEGA, mas os valores listados foram recebidos por meio de depósitos efetuados por conta e ordem da FABRIL PAULISTA PERFUMARIA LTDA e se referem a adiantamento de lucros futuros, conforme prova o oficio expedido por esta empresa. Tais depósitos se justificam pela participação societária de Pedro Giglio Sobrinho nesta empresa, adquirida por herança. Por esta mesma razão, Pedro Giglio Sobrinho é sócio da SOL EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS RIO PRETO LTDA e acionista da GIGLIO S/A INDÚSTRIA E COMÉRCIO, mas recebeu destas empresas apenas lucros ou dividendos em bens ou dinheiro. Jamais atuou corno administrador nestas empresas ou teve procuração para atuar em nome delas. Não houve prova do interesse comum de Pedro Giglio Sobrinho na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, conforme expressamente prevê o art. 124. I, do CTN. Não há corno imputar a terceiro desvinculado dos fatos geradores dos tributos o dever solidário de recolhêlos em nome da sociedade da qual não faz ou fez parte, sem que haja comprovação de fraude ou outras práticas ilícitas. Não há na legislação tributária nenhum dispositivo que atribua responsabilidade direta a pessoas que não tenham qualquer participação societária ou gerencial na empresa. O art. 134 do CTN autoriza a atribuição de responsabilidade apenas aos sócios, e não a um terceiro, e exclusivamente nos atos em que intervieram ou pelas omissões que forem responsáveis. Ademais, a responsabilidade só é cabível quando for impossível exigência do cumprimento da obrigação principal pelo contribuinte. A responsabilização com base no art. 124, I, do CTN tampouco é cabível, pois Pedro Giglio Sobrinho não tem qualquer vínculo com a RIO PRETO ABATEDOURO e não tem interesse nos resultados das vendas efetuadas por esta empresa. A prova do interesse comum é ônus da autoridade administrativa. A MEGA não é parte no presente processo administrativo, no qual foram lavrados autos de infração contra a RIO PRETO ABATEDOURO, de modo que as operações daquela empresa não têm validade como prova contra Pedro Giglio Sobrinho. A responsabilidade foi atribuída com base em presunção e indícios, sem que fossem apontados fatos concretos. As supostas Fl. 9012DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 16004.001550/200810 Acórdão n.º 1401001.417 S1C4T1 Fl. 20 19 provas que amparam a atribuição de responsabilidade não são conclusivas e não foram concluídas, pois pendentes de apreciação judicial, emprestadas que foram da operação policial denominada "Grandes Lagos", cujo inquérito sequer possui relatório final, sendo que Pedro Giglio Sobrinho não é parte nele como indiciado. Diante disso, o Termo de Sujeição Passiva Solidária é nulo. Por fim, pede o cancelamento do Termo de Sujeição Passiva Solidária. José Roberto Giglio, no recurso apresentado às fls. 67556790, reproduz as alegações já deduzidas na impugnação apresentada por Pedro Giglio Sobrinho. Quanto aos fatos, assevera que a autoridade administrativa não menciona qual o motivo que a levou à conclusão de que a "Fazenda São Pedro" e a "Fazenda Santa Izabel" não foram adquiridas com recursos provenientes da distribuição de lucros da SOL EMPREENDIMENTOS, mas com recursos originados da venda da "Fazenda Boa Sorte", feita pela SOL EMPREENDIMENTOS à MALIBU CONFINAMENTO DE BOVINOS LTDA. Afirma que a distribuição de lucros efetuada pela SOL EMPREENDIMENTOS é provada pela cláusula segunda da alteração do contrato social desta empresa, firmada em 26/12/2005 e registrada na Jucesp em 28/12/2005, além de constar dos registros contábeis do Razão Analítico e do Livro Diário Geral. Tais fatos são, ademais, provados pelas Escrituras Públicas de Dação em Pagamento, para Desintegralização de Capital e pelas certidões de matrícula dos imóveis. Aduz que as ligações entre as famílias Giglio e Peres na SOL EMPREENDIMENTOS é unicamente " empresarial, não havendo qualquer ilegalidade e que esta empresa tem atividade diversa da RIO PRETO ABATEDOURO, de modo que os fatos relacionados à SOL EMPREENDIMENTOS não repercutem no presente processo administrativo. Alega que não é réu em qualquer processo advindo da operação "Grandes Lagos". Ao final, pede o cancelamento do Termo de Sujeição Passiva Solidária. Nivaldo Fortes Peres, em sua impugnação (fls. 68236851), argumenta, em síntese, que: O art. 16, § 2°, do Decreto 70.235/1972 veda o emprego de expressões injuriosas pelo impugnante. Da mesma forma, também a autoridade administrativa não pode denegrir a imagem do contribuinte por meio de retórica desrespeitosa, como quando afirma que havia uma "... organização criminosa chefiada pelo sr. Nivaldo Fortes Peres...", que o Sr. Nivaldo ocultou "... os fatos escusos praticados neste período..." e que "... há fortes indícios de que estes contribuintes foram orientados pelos integrantes do grupo Nivaldo a não apresentarem os documentos solicitados...". A autoridade administrativa deve buscar fatos, obter provas, e não simplesmente tergiversar ou insinuar, de modo que as expressões injuriosas devem ser riscadas dos autos. Fl. 9013DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 16004.001550/200810 Acórdão n.º 1401001.417 S1C4T1 Fl. 21 20 Nos termos do art. 6° da Lei Complementar n° 105/2001, o acesso a documentos, livros e registros de instituições financeiras somente é possível se houver instauração de procedimento fiscal regular. A regularidade do procedimento depende da emissão de Mandado de Procedimento Fiscal, conforme prescreve o art. 2° do Decreto 3.724/2001. Assim, são nulos os procedimentos fiscais que se iniciam, se desenvolvem ou são concluídos com fundamento em ato administrativo inexistente ou inválido. O MPF é imprescindível à definição da competência da autoridade administrativa. Consoante o estabelecido no art. 7° da Portaria RFB n° 11.371/2007, a realização de ação fiscal requer a emissão de MPF Fiscalização. Não foi emitido MPFF com o objetivo de investigar a participação do Sr. Nivaldo Fortes Peres na administração da RIO PRETO ABATEDOURO, razão pela qual não é possível a atribuição a ele de responsabilidade pelos tributos devidos pela pessoa jurídica. O Sr. Nivaldo Fortes Peres não foi identificado como sujeito passivo no MPFF emitido para a realização da ação fiscal que resultou na lavratura dos autos de infração de que trata o presente processo administrativo, de modo que não pode ter o crédito tributário constituído em seu desfavor. O MPFD n° 08.01.01.002008 00444 foi expedido com base no art. 70, § 4°, da Portaria RFB n° 11.371/2007, quando deveria ser expedido fundado no art. 7º, I a IV e §§ 1º e 4° desta Portaria. Posteriormente, com o fim de convalidar os atos já praticados, foi emitido o MPFF n° 08.1.90.00200804691. Porém, tal convalidação é descabida, já que, nos termos do art. 55 da Lei 9.784/1999, não se admite a convalidação de vícios insanáveis. Assim, devem ser excluídas todas as informações obtidas pela autoridade administrativa com fundamento no MPFD n° 08.01.01.00200800444 e no MPFF n° 08.1.90.00200804691. As conclusões da autoridade autuante só se sustentam caso sejam desconsiderados os negócios praticados pela RIO PRETO ABATEDOURO, especialmente aqueles destinados a dissimular o responsável tributário. Ao assim proceder, a autoridade atuou com base no art. 116, parágrafo único do CTN, norma esta que nunca foi regulamentada por lei ordinária, razão pela qual é descabida a desconsideração dos negócios jurídicos e, como conseqüência, são nulos os autos de infração lavrados. Os vícios e arbitrariedades apontados revelam que houve abuso de poder, já que houve o objetivo predeterminado de prejudicar o Sr. Nivaldo Fortes Peres. Não houve prova de dolo, fraude ou simulação, de modo que o prazo decadencial dos tributos lançados regulase pelo art. 150, § 4°, do CTN. Ocorreu a decadência do direito de lançar os créditos tributários relativos aos fatos geradores ocorridos antes de 30/10/2003, pois a ciência por via postal dos autos de infração lavrados ocorreu somente em 21/11/2008 e o prazo de cinco anos previsto no art. 150, § 4°, do CTN contase da data da ocorrência do fato gerador. Fl. 9014DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 16004.001550/200810 Acórdão n.º 1401001.417 S1C4T1 Fl. 22 21 A jurisprudência do Conselho de Contribuintes firmou o entendimento de que a atribuição de responsabilidade com base no art. 124, I, do CTN requer a prova inequívoca do interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal.Essa prova não foi produzida no presente processo administrativo. Não procede o raciocínio da autoridade administrativa de que todo e qualquer negócio mantido entre o impugnante e as empresas de propriedade da família Giglio seja indício de que há interesse comum entre as partes. Não há prova do envolvimento do Sr. Nivaldo Fortes Peres com as empresas CMG e RPMC, que pertencem e são administradas exclusivamente pela família Giglio. Igual raciocínio se aplica à VALENTIM GENTIL, já que as próprias evidências reunidas pela autoridade administrativa referemse exclusivamente ao Sr. Valder Antônio Alves. A acusação de ter interesse comum com as empresas SOL COUROS, AGRO RIO PRETO, SEBO SOL, VALENTIM GENTIL ABATEDOURO DE BOVINOS E SUÍNOS LTDA, FRIGOVALE INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE CARNES LTDA, AMÉRICA INDUSTRIAL E COMERCIAL LTDA e AGROALTO INDUSTRIALIZAÇÃO E DISTRIBUIÇÃO LTDA deve ser desconsiderada, já que o presente processo administrativo trata de tributos lançados contra a RIO PRETO ABATEDOURO, de modo que as eventuais relações do Sr. Nivaldo Fortes Peres com aquelas empresas não tem qualquer repercussão no tocante aos créditos tributários aqui discutidos. O impugnante admite que tem ou teve participação societária nas empresas SOL EMPREENDIMENTOS, FEISP, VIENA EMPREENDIMENTOS LTDA e FEIRP LTDA, mas devese averiguar no presente processo apenas a existência de eventual interesse comum na situação que é fato gerador dos tributos supostamente devidos pela RIO PRETO ABATEDOURO. As supostas coincidências entre funcionários, referências bancárias, endereços, telefones e parentescos, quando não relacionadas à SOL COUROS, são irrelevantes. Resta apenas que os senhores André Santana, José Carlos Polizeli e Benedito Domingos Bat trabalharam para a RIO PRETO ABATEDOURO. As planilhas elaboradas pela autoridade, relativas às relações de emprego, estão desacompanhadas das supostas informações obtidas no sistema DATAPREV/CNIS, de modo que não há suporte fático para as afirmações. Apenas merecem destaque os extratos do sistema DATAPREV/CNIS nos quais consta que o Sr. José Carlos Polizeli trabalhou na empresa VALENTIN GENTIL. Porém, esta empresa tem relação apenas com o Sr. Valder Antônio Alves, de modo que não é possível extrair qualquer ilação quanto ao impugnante. O Sr. Nivaldo Fortes Peres manteve movimentação financeira com a RIO PRETO ABATEDOURO, mas sua origem é lícita, qual seja, a comercialização de gado para abate, conforme provam provam as cópias de notas fiscais de entrada, de notas fiscais de produtor, do romaneio do gado, do laudo da vigilância Fl. 9015DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 16004.001550/200810 Acórdão n.º 1401001.417 S1C4T1 Fl. 23 22 sanitária e do pagamento de cada um dos lançamentos relacionados pela autoridade administrativa. Portanto, o fato econômico efetivamente ocorreu. É irrelevante, em razão do disposto no art. 118 do CTN, se a pessoa jurídica teve seu registro cassado posteriormente, de modo que a inidoneidade da RIO PRETO ABATEDOURO não afasta a ocorrência dos negócios e os respectivos efeitos tributários. A afirmação de que houve subfaturamento na aquisição da Fazenda Guará pela SOL EMPREENDIMENTOS baseiase no valor da terra nua para pastagem, do ano de 2004, fornecido pelo Instituto de Economia Agrícola do Estado de São Paulo (IEA/SP). Entretanto, os dados referemse ao município de General Salgado e a fazenda está situada no município de Guzolândia. Ademais, há grande diferença entre o valor médio, referido pela autoridade, e os valores mínimos e máximos. Examinandose os dados do IEA/SP, verificase que, no ano de 2004, os valores do hectare de terra nua na região de Guzolândia variou entre R$ 3.719,00 e R$ 4.958,00. Diante de tal variação, nada impede que a SOL EMPREENDIMENTOS tenha conseguido um preço ainda mais vantajoso. O valor apurado pela autoridade administrativa (R$ 2.092,00) correspondem a 56% do menor preço do hectare na região, conforme estimado pelo lEA/SP. Há vários outros elementos que podem influir na definição do preço, de modo que não há nada de excepcional no valor que consta da escritura pública lavrada. Ainda que houvesse subfaturamento, tal dado é irrelevante para o convencimento acerca do interesse comum nas situações que constituem os fatos geradores dos tributos devidos pela RIO PRETO ABATEDOURO, podendo resultar apenas em lançamento de IRPF na pessoa física do impugnante e de IRPJ na SOL EMPREENDIMENTOS. O termo das declarações prestadas pelo Sr. Aldino Palla, acerca da venda da Fazenda Guará, é inválido, pois as declarações foram reduzidas a termo pela mesma autoridade que imputou responsabilidade solidária pelos créditos tributários lançados ao Sr. Nivaldo Fortes Peres, de modo que houve violação ao princípio da impessoalidade. Ademais, as declarações foram colhidas sem a presença do Sr. Nivaldo e do seu defensor, infringindo o direito ao contraditório. Finalmente, os depoimentos pessoais não são modalidade de prova prevista no Decreto 70.235/1972 e a Lei 9.784/1999, em seu art. 41, estabelece que o interessado tem direito de ser informado do dia e local da diligência, sendolhe, pois, possível participar do ato processual, sob pena de invalidade. Os recursos utilizados para a aquisição da Fazenda Guará pela SOL EMPREENDIMENTOS foram supridos com os recursos provenientes da venda da participação societária na empresa MALIBU CONFINAMENTO DE BOVINOS LTDA. Os pagamentos efetuados pela RIO PRETO ABATEDOURO à VIENA EMPREENDIMENTOS são fruto do arrendamento das instalações frigoríficas desta para aquela. As acusações de subfaturamento na aquisição de imóveis urbanos e rurais por Nivaldo Fortes Peres, Luciano da Silva Fl. 9016DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 16004.001550/200810 Acórdão n.º 1401001.417 S1C4T1 Fl. 24 23 Peres, Rodrigo da Silva Peres e pela FEISP LTDA são irrelevantes ao convencimento do interesse comum nos tributos devidos pela RIO PRETO ABATEDOURO, já que as supostas omissões podem acarretar, exclusivamente, lançamentos de IRPF das pessoas físicas e de IRPJ da FEISP LTDA. Da afirmação de que o capital da RIO PRETO ABATEDOURO foi integralizado com recursos provenientes da VALENTIM GENTIL não se pode extrair qualquer ilação relativa a Nivaldo Fortes Peres, pois o relatório fiscal aponta que esta empresa tem relação, exclusivamente, com o Sr. Valder Antônio Alves. A cláusula contratual, no contrato de arrendamento celebrado entre a VIENA EMPREENDIMENTOS LTDA (arrendante) e a RIO PRETO ABATEDOURO (arrendatária), segundo a qual os maquinários novos incluídos pela arrendatária não poderão ser retirados findo ou rescindido o contrato e não serão indenizados está de acordo com o art. 578 do Código Civil, de modo que é descabida a afirmação de que a cláusula não é razoável. A afirmação de que há incompatibilidade entre a movimentação financeira das pessoas físicas e jurídicas que a autoridade especula pertencerem a um único grupo econômico não tem relevância para fins de determinação do interesse comum do Sr. Nivaldo Fortes Peres nos fatos geradores apurados. Além disso, ele nada tem a ver com os negócios praticados pela família Giglio e pelo Sr. Valder. As supostas omissões podem implicar, exclusivamente, no lançamento de IRPF e de IRPJ das pessoas envolvidas. É descabida a afirmação de que a Sr. Renata Tofolo, funcionária do frigorífico Rio Preto, teria autorização para movimentar a conta bancária do Sr. Nivaldo Fortes Peres. Esta afirmação está fundada em supostas assinaturas dela no verso dos cheques por ele emitidos. Porém, as fotocópias dos cheques atestam que não há assinatura, mas registro do nome e telefone do local de trabalho. Deve ser produzida prova grafotécnica, para aferir a autoria das anotações. Ademais, a Sra. Renata está à disposição para prestar depoimento sobre o fato. O Sr. Nivaldo Fortes Peres refuta a acusação de que teria havido transferências de recursos da RIO PRETO ABATEDOURO para ele, por meio de inúmeras operações bancárias. Requer a realização de prova pericial, com análise das fitas de caixa obtidas pela fiscalização. É falsa a acusação de que o frigorífico Rio Preto pertence ao Sr. Nivaldo Fortes Peres e esta falsidade será provada quando autorizado o depoimento da Sra. Ana Cláudia Fioravante. Não há prova da suposta relação entre o Sr. Valder Alves e o Sr. Nivaldo Fortes Peres. Há apenas referências a supostas interceptações telefônicas, sendo que nenhuma foi juntada aos autos. Apenas cópia de caderno, onde há anotações manuscritas das ligações recebidas pela DISTRIBUIDORA, foram anexadas. Nestas anotações, há singelas referências a ligações do "sr. Fl. 9017DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 16004.001550/200810 Acórdão n.º 1401001.417 S1C4T1 Fl. 25 24 Nivaldo (SEBO SOL)", mas não é possível concluir quem seria este senhor. Ademais, a SEBO SOL tinha contratado um funcionário também chamado Nivaldo. Portanto, não há como presumir que as ligações eram feitas por Nivaldo Fortes Peres e tampouco que o contato tinha algum fim ilícito. As acusações não contraditadas explicitamente não o foram porque são irrelevantes ao convencimento acerca da aplicação do art. 124, I, do CTN. Estas acusações dão conta de que as empresas SOL COUROS, AGRO RIO PRETO, SEBO SOL, VALENTIM GENTIL, FRIGOVALE, AMÉRICA INDUSTRIAL E COMERCIAL LTDA e AGROALTO INDUSTRIALIZAÇÃO E DISTRIBUIÇÃO LTDA formariam um grupo econômico. Tal afirmação será rechaçada em eventuais autos de infração lavrados em desfavor dessas pessoas jurídicas. A jurisprudência do Conselho de Contribuintes consolidou o entendimento de que irregularidades na escrituração contábil, per si, não justificam o arbitramento do lucro, quando possível a apuração do lucro real. Também assentou que erros formais do Lalur e do Inventário não autorizam o arbitramento, assim como a utilização de notas fiscais inidôneas, porquanto ,apenas elas não se prestam à dedução de despesas, não contaminando o restante)da contabililidade. As falhas apontadas pela autoridade administrativa não impedem a apuração do lucro líquido, sobretudo diante da omissão em impugnar o passivo contabilizado pela RIO PRETO ABATEDOURO e tendo em conta que foi validado seu lucro operacional em razão do reconhecimento de que não há indícios de omissão nas receitas declaradas. Estando confessado que a movimentação financeira do contribuinte é digna de fé, que seu passivo é indefectível, uma vez que não houve contestação dele, é forçoso concluir que seu lucro real pode ser aferido diretamente, sendo descabido o arbitramento do lucro. A aplicação de multa qualificada (150%) só é cabível quando ficar comprovado dolo específico. Não foi demonstrada a participação do Sr. Nivaldo nas supostas omissões e/ou supressões de tributos praticadas pela RIO PRETO ABATEDOURO, de modo que deve ser afastada a multa qualificada. Requer a realização de diligências, consistentes no depoimento das seguintes pessoas físicas, com a presença e participação do impugnante e, se for o caso, do seu procurador: Sr. Aldino Palia, Sra. Ana Cláudia Valente Fioravante e Sra. Renata Cristina Motta Tofolo. Pede que seja realizada perícia grafotécnica e contábil, indicando como assistente técnico o Sr. Jorge Paulete Vanrell, com os seguintes quesitos: a) o impugnante requer ao senhor perito que sejam colhidos os paradigmas da grafia das. Sras. Renata Cristina Motta Tofolo e Márcia Helena de Oliveira; Fl. 9018DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 16004.001550/200810 Acórdão n.º 1401001.417 S1C4T1 Fl. 26 25 b) o impugnante requer ao senhor perito que examine os escritos nos versos dos documentos de fls. 461514634 e 4667/4668, onde se registram os nomes "Renata" e "Márcia", respectivamente; c) após, o impugnante requer ao senhor perito que responda se as anotações realizadas no verso das cártulas, especialmente as de no 4617, 4620, 4623, 4627, 4630 e 4633, originaramse do punho de Renata Cristina Mota Tofolo e Márcia Helena de Oliveira; d) responda o senhor perito a autoria dos lançamentos realizados no verso das cártulas, referidas no quesito anterior; e) responda o senhor perito se a Sra. Renata Cristina Motta Tofolo, em razão de suas atividades no frigorífico Rio Preto Abatedouro de Bovinos Ltda, autorizava o pagamento de cheques de terceiros; f) responda o senhor perito se existem registros de voz das ligações telefônicas entre a Sra. Renata Cristina Motta Tofolo e os funcionários da agência bancária 2825 do Banco Bradesco S/A, localizada na Av. Nossa Senhora da Paz, em São José do Rio Preto; g) descreva o senhor perito o procedimento adotado pelos funcionários da referida agência bancária para o pagamento de cheques, expedidos pelo frigorífico Rio Preto Abatedouro de Bovinos Ltda. Para a perícia contábil, o impugnante indica como assistente o Sr. José Antonio Neves, formulando os seguintes quesitos: a) queira o sr. perito individualizar todos os lançamentos de débitos e créditos constantes das fitas bancárias, de todo o período constante dos autos, estabelecendo: o número do terminal; a identificação da operação; o número da conta, dígito e razão; a agência destinatária; o valor1/cheque; o valor 2/Din; o func/aut; o caixa; a hora; os minutos e segundos; b) de posse dessa informação, queira o senhor perito diligenciar junto à agência bancária 2825 do Banco Bradesco S/a, localizada na Av. Nossa Senhora da Paz, em São José do Rio Preto, com o objetivo de elaborar fluxo de percurso dos numerários envolvidos pelo terminal do caixa operacional do banco. P. ex: na fita bancária do dia 06/07/2005, através do terminal n° 106, transação DP21, foi efetuado um crédito de R$ 30.000,00 (R$ 25.000,00 + R$ 5.000,00) dos honorários das 12:34:42 e 12:35:15 e este numerário foi transferido para o caixa de reserva 03 (CS03), somente às 15:11:04 e 15:11:34; c) respondidos os quesitos anteriores, queira o senhor perito responder qual o motivo desse intervalo nas operações e se esse procedimento é adotado, normalmente, na agência bancária; d) ainda em diligência na referida agência, queira o senhor perito averiguar se a movimentação de malote é feita em caixa Fl. 9019DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 16004.001550/200810 Acórdão n.º 1401001.417 S1C4T1 Fl. 27 26 apartado dos demais. Se na movimentação desse caixa, há uma seqüência de atendimento exclusiva para um determinado cliente. Em caso positivo, é possível que as operações bancárias de outros clientes sejam realizadas durante o processamento de determinado malote. Em caso positivo, os pedidos se originavam dos próprios clientes e/ou de outros funcionários da agência; e) atentando ao quesito n° 1. queira o senhor perito responder se há coincidência entre os créditos e os débitos diários em um mesmo terminal. P. ex.: em 06/07/2005, no terminal n° 107, há um crédito no valor de R$ 81.682,00 (SQ21, aut. 191 a 194) e um débito no valor de R$ 39.951,89 (CB45, AR32. CB41, AR01. DP06, DP01, DP21 e PD21, aut. 196 a 206, 218 a 221 e 22 a 233); f) atentando ao quesito n° 1, queira o senhor perito responder, dos lançamentos de débitos e créditos, quais são os que têm correlação de valores e documentos que podem ser atribuídos para uma só empresa; g) queira o senhor perito responder se, do simples exame da fita bancária, é possível imputar o beneficiário dos valores nela constantes, quando não existe identificação através da autenticação do caixa. Protesta o impugnante pela indicação de quesitos complementares. Por fim pede o impugnante que seja decretada a nulidade dos autos de infração lavrados, seja julgada improcedente a responsabilidade solidária a ele atribuída, seja declarada a decadência dos tributos para os fatos geradores que ocorreram antes de 30/10/2003, seja rejeitado o arbitramento do IRPJ e da CSLL e seja rejeitado o agravamento da multa. No recurso apresentado pelo Sr. Rodrigo da Silva Peres às fls. 6.9867.009, são apresentadas as mesmas alegações contidas no recurso protocolizado pelo Sr. Nivaldo Fortes Peres. Acrescentase apenas a alegação de que é descabida a acusação de subfaturamento na aquisição da "Fazenda Guará" pela SOL EMPREENDIMENTOS, pois tal fato não foi reputado omissão de receita quando da lavratura do auto de infração contra esta empresa de que trata o processo administrativo 16004.001549/200887. Ao final, pede a realização de diligência, consistente na colheita de depoimento do Sr. Aldino Palla, com a presença e participação do Sr. Rodrigo da Silva Peres e, se for o caso, de seu procurador. Requer, ademais, que seja decretada a nulidade dos autos de infração lavrados, seja julgada improcedente a responsabilidade solidária a ele atribuída, seja declarada a decadência dos tributos para os fatos geradores que ocorreram antes de 30/10/2003, seja rejeitado o arbitramento do IRPJ e da CSLL e seja rejeitado o agravamento da multa. Fl. 9020DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 16004.001550/200810 Acórdão n.º 1401001.417 S1C4T1 Fl. 28 27 Na impugnação apresentada pelo Sr. Luciano da Silva Peres (fls. 7.0417.062). são reiterados os mesmos argumentos já deduzidos nos recursos apresentados pelos senhores Nivaldo Fortes Peres e Rodrigo da Silva Peres. A Sra. Maria Helena La Retondo, em sua impugnação, reproduz os argumentos já invocados nos recursos apresentados pelos senhores Nivaldo Fortes Peres, Rodrigo da Silva Peres e Luciano da Silva Peres. Inova apenas em algumas alegações relativas às transferências de imóveis do seu marido para ela nos anoscalendário de 2004 e 2005. Afirma que já mantinha união estável com o Sr. Nivaldo Fortes Peres há mais de 15 anos, fato este que veio a ser reconhecido por meio de escritura pública em 2008. Diante disso, com base no art. 5°, da Lei 9.278/2006, tem direito à metade dos bens adquiridos durante a mantença da união estável, de modo que as transferências de imóveis apontadas pela autoridade administrativa referemse a seus direitos conjugais. As contas da Sra. Maria Helena La Retondo foram pagas com recursos provenientes de contas bancárias do Sr. Nivaldo Fortes Peres, razão pela qual não há prova de que ela tenha interesse comum nas situações que são os fatos geradores dos tributos devidos pela RIO PRETO ABATEDOURO. Por fim pede o impugnante que seja decretada a nulidade dos autos de infração lavrados, seja julgada improcedente a responsabilidade solidária a ele atribuída. Seja declarada a decadência dos tributos para os fatos geradores que ocorreram antes de 30/10/2003, seja rejeitado o arbitramento do IRPJ e da CSLL e seja rejeitado o agravamento da multa. Rodrigo da Silva Peres apresentou, às fis. 71257127, pedido de juntada de cópia do "Termo de Descrição dos Fatos", constante do processo administrativo n° 16004.000064/200957, no qual foi lavrado auto de infração contra ele para lançamento de IRPF. Afirma, com base nesses documentos, que não se sustenta a acusação de que ele teria adquirido imóveis com valores supridos pela RIO PRETO ABATEDOURO e por outras empresas "paralelas". Sustenta que, caso a acusação fosse procedente, teria havido omissão de rendimentos e acréscimo patrimonial injustificado, de modo que seria cabível o lançamento de IRPF. Porém, no auto de infração de IRPF lavrado foram verificadas apenas quatro supostos fatos geradores, quais sejam: não comprovação da origem de depósitos bancários; omissão de rendimento de ganho de capital da venda do apto. 402 do residencial Juliana II, em São José do Rio Preto/SP; apuração incorreta do resultado da atividade rural; omissão de rendimento da atividade rural. Nenhum desses fatos geradores corresponde a lançamento pelos fatos a ele imputados no presente processo administrativo, de modo que a acusação é infundada. Daí sua conclusão no sentido de que não há prova do seu interesse comum nas situações que constituem os fatos geradores dos tributos lançados contra a RIO PRETO ABATEDOURO. Fl. 9021DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 16004.001550/200810 Acórdão n.º 1401001.417 S1C4T1 Fl. 29 28 Luciano da Silva Peres também apresenta petição às fls. 7162 7163, deduzindo alegação similar àquela de Rodrigo da Silva Peres. Pede a juntada de cópia do "Termo de Descrição dos Fatos" constante do processo administrativo 16004.000060/200979, no qual foi lavrado contra ele auto de infração de IRPF. Afirma que neste processo administrativo foram constatados apenas dois fatos geradores, quais sejam: não comprovação da origem de depósitos bancários; omissão de rendimento de ganho de capital na venda do apto. 402 do residencial Juliana II, em São José do Rio Preto/SP. Conclui que é infundada a acusação, feita no presente processo administrativo, de que teria adquirido imóveis com recursos supridos pela RIO PRETO ABATEDOURO e por outras empresas "paralelas", pois tais fatos caracterizariam omissão de rendimentos e acréscimo patrimonial injustificado, sujeitos a lançamento de IRPF. Como não houve lançamento sob este fundamento, a acusação não se sustenta. Daí sua conclusão no sentido de que não há prova do seu interesse comum nas situações que constituem os fatos geradores dos tributos lançados contra a RIO PRETO ABATEDOURO. Também o Sr. Nivaldo Fortes Peres pleiteia, às fls. 71887190, a juntada de cópia do "Termo de Descrição dos Fatos" constante do processo administrativo 16004.000134/200977, no qual foi lavrado contra ele auto de infração de IRPF. Afirma que neste processo administrativo foram constatados apenas quatro fatos geradores, quais sejam: omissão de rendimento de alugueres de um imóvel comercial/industrial em Novo Hamburgo/SP; omissão de ganho de capital na venda deste imóvel; não comprovação da origem de depósitos bancários; declaração indevida de rendimentos nas DIRPF dos anoscalendário 2003 e 2004. Conclui que é infundada a acusação, feita no presente processo administrativo, de que teria adquirido imóveis com recursos supridos pela RIO PRETO ABATEDOURO e por outras empresas "paralelas", pois tais fatos caracterizariam omissão de rendimentos e acréscimo patrimonial injustificado, sujeitos a lançamento de IRPF. Como não houve lançamento sob este fundamento, a acusação não se sustenta. Daí sua conclusão no sentido de que não há prova do seu interesse comum nas situações que constituem os fatos geradores dos tributos lançados contra a RIO PRETO ABATEDOURO. A 1ª Turma da DRJ Ribeirão Preto, por unanimidade, julgou improcedentes as impugnações, por meio de Acórdão que recebeu a seguinte ementa, fls. 1678516786: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ [...] DECADÊNCIA ESCRITURAÇÃO IMPRESTÁVEL PARA A APURAÇÃO DO LUCRO REAL LUCRO ARBITRADO – MULTA QUALIFICADA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA Fl. 9022DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 16004.001550/200810 Acórdão n.º 1401001.417 S1C4T1 Fl. 30 29 Havendo prova de dolo, o prazo decadencial contase pela regra inscrita no art. 173, I, do CTN. Caso o contribuinte não apresente escrituração regular, apta à apuração do lucro real, a base de cálculo do imposto de renda deve ser apurada pelo lucro arbitrado A multa deve ser qualificada (150%) quando ficar caracterizada a ocorrência de sonegação, fraude ou conluio. É cabível a atribuição de responsabilidade solidária àqueles que tiverem interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação tributária apurada. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOI3RE O LUCRO LÍQUIDO CSLL [...] AUTO REFLEXO Quanto à impugnação de auto de infração lavrado como reflexo de fatos apurados para o lançamento do IRPJ, são aplicáveis as mesmas razões que deram fundamento à decisão acerca da impugnação a este, quando não houver alegação especifica no tocante ao auto reflexo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS AUTO REFLEXO Quanto à impugnação de auto de infração lavrado como reflexo de fatos apurados para o lançamento do IRPJ, são aplicáveis as mesmas razões que deram fundamento à decisão acerca da impugnação a este, quando não houver alegação específica no tocante ao auto reflexo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP AUTO REFLEXO Quanto à impugnação de auto de infração lavrado como reflexo de fatos apurados para o lançamento do IRPJ, são aplicáveis as mesmas razões que deram fundamento à decisão acerca da impugnação a este, quando não houver alegação específica no tocante ao auto reflexo. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificada do referido Acórdão em 11/06/2010 (fls. 15392), a contribuinte apresentou em 12/07/2010 o recurso voluntário de fls. 1540015435, basicamente reiterando os argumentos apresentados na fase impugnatória. O responsável solidário Rodrigo da Silva Peres foi cientificado em 11/06/2010 (fls. 15393) e apresentou recurso voluntário em 12/07/2010 (fls 1560115628), também reiterando as alegações de defesa apresentadas na fase impugnatória. Adicionalmente, argüiu a nulidade dos autos de infração por suposto impedimento das autoridades autuantes e Fl. 9023DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 16004.001550/200810 Acórdão n.º 1401001.417 S1C4T1 Fl. 31 30 por nulidade de provas. Argüiu, outrossim, a nulidade do acórdão de piso, por deslealdade processual e descrição de fatos deturpada/inverídica. O responsável solidário Luciano da Silva Peres foi cientificado em 11/06/2010 (fls. 15394) e apresentou recurso voluntário em 12/07/2010 (fls 1566715694), também reiterando as razões de defesa apresentadas em sua impugnação. Adicionalmente, argüiu a nulidade do acórdão recorrido, por suposta preterição de seu direito de defesa, consubstanciada na rejeição de produção de prova testemunhal. O responsável solidário Pedro Giglio Sobrinho foi cientificado em 11/06/2010 (15396) e apresentou recurso voluntário em 13/07/2010 (fls. 1600916044), reiterando as alegações apresentadas na fase processual anterior. O responsável solidários Antonio Giglio Sobrinho foi cientificado em 14/06/2010 (fls. 15397) e apresentou recurso voluntário em 12/07/2010 (fls. 1605116094), também reiterando as alegações apresentadas em sua impugnação. Adicionalmente, argüiu a nulidade do acórdão recorrido, por suposta preterição de seu direito de defesa. O responsável solidário Nivaldo Fortes Peres foi cientificado em 14/06/2010 (fls. 15398) e apresentou recurso voluntário em 12/07/2010 (fls. 1549515523), reiterando os argumentos apresentados na fase impugnatória. A responsável solidária Maria Helena La Retondo foi cientificada em 14/06/2010 (fls. 15399) e apresentou recurso voluntário em 12/07/2010 (fls. 1595115962), reiterando os argumentos apresentados na fase impugnatória. Por fim, o responsável solidário José Roberto Giglio foi cientificado em 15/06/2010 (fls. 15395) e apresentou recurso voluntário em 15/07/2010 (fls. 1597516008), também reiterando os argumentos apresentados na fase impugnatória. Em 16/02/2012 os responsáveis solidários Luciano da Silva Peres, Maria Helena La Retondo, Nivaldo Fortes Peres e Rodrigo da Silva Peres trouxeram aos autos novos documentos, relativos a fatos supervenientes, dentre os quais se destacam: a) laudo pericial produzido pelo economista José Aparecido Firmino, b) diversos depoimentos de pessoas físicas, versando sobre fatos que foram objeto dos presentes lançamentos; c) certidões de objeto e pé dos inquéritos policiais, d) sentença proferida pelo Juízo Federal de São José do Rio Preto, determinando o arquivamento da ação penal nº 2006.61.24.0018733, resultante da operação policial “Grandes Lagos”, que deu origem às presentes autuações. É o relatório. Fl. 9024DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 16004.001550/200810 Acórdão n.º 1401001.417 S1C4T1 Fl. 32 31 Voto Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator Os recursos atendem aos requisitos legais, razão pela qual devem ser conhecidos. Preliminares Argüição de decadência Os recursos voluntários alegam que os presentes autos tratam de tributos sujeitos a lançamento por homologação. Assim sendo, considerando a inocorrência de dolo, fraude ou simulação, entendem que o prazo decadencial deve ser contado segundo a regra prevista pelo art. 150, § 4º, do CTN. Tais alegações não merecem prosperar. Conforme resultará demonstrado no corpo do presente voto, existe nos autos provas robustas de que o contribuinte praticou atos simulados e agiu dolosamente, com o claro intuito de evitar o recolhimento de tributos devidos sobre suas operações. Conseqüentemente, no presente caso a decadência deve ser examinada consoante a regra prevista no art. 173, I, do CTN, a qual estabelece como o termo inicial do prazo decadencial o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Os fatos mais antigos que foram objeto dos presente lançamentos ocorreram no anocalendário de 2003. Segundo o art. 173, I do CTN, para os fatos geradores ocorridos em 2003, a contagem do prazo decadencial teve início em 1° de janeiro de 2004, encerrandose apenas em 31/12/2008. Considerando que os presentes lançamentos foram cientificados ao contribuinte e aos responsáveis solidários em 22/11/2008, concluise que na data do lançamento ainda não havia se operado a decadência. Pelas razões expostas, considero que em relação a esta argüição, os recursos voluntários não merecem provimento. Arguições de nulidade A recorrente alegou que parte do que foi descrito no "Termo de Constatação" lavrado está baseada em simples conclusões policiais, desacompanhadas de provas, de modo que não podem ser tomadas como verdade material. Afirmou, outrossim, que o material apreendido pela Polícia Federal não foi submetido a perícia para confirmação da sua autenticidade. Fl. 9025DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 16004.001550/200810 Acórdão n.º 1401001.417 S1C4T1 Fl. 33 32 Tais alegações não merecem prosperar. Tratase de alegação genérica, posto que a recorrente sequer aponta quais fatos descritos no Termo de Constatação estariam desacompanhados de provas. Sobre o tema, manifestouse com muita propriedade o acórdão de piso, fls. 16808: Ressaltese que a autoridade autuante faz referências a documentos lavrados pela Polícia Federal e a buscas e apreensões por realizadas por esta instituição, mas tomou o cuidado de acostar aos autos as provas dos fatos apontados. Em outras palavras, não importou do inquérito policial as conclusões. Apenas trouxe aos autos provas produzidas pela Polícia Federal, mas avaliou esses elementos juntamente com os demais colhidos no curso da ação fiscal para chegar a suas próprias conclusões. Finalmente, há que se esclarecer que não há exigência legal de que documentos apreendidos pela Polícia Federal sejam submetidos a perícia para verificação da respectiva autenticidade. O contribuinte sequer tem o cuidado de apontar quais documentos têm autenticidade duvidosa. A oportunidade de contraditálos é oferecida precisamente por ocasião da apresentação de impugnação aos autos de infração lavrados, de modo que o contribuinte, caso efetivamente vislumbrasse algum documento falso nos autos, deveria pronunciarse nessa oportunidade. Convém frisar que na fase recursal a contribuinte também se absteve de apontar quais fatos estariam desacompanhados de provas e/ou quais documentos teriam origem questionável ou duvidosa. Diante dos fatos, a presente preliminar de nulidade merece ser rejeitada. O responsável solidário Rodrigo da Silva Peres, por sua vez, argüiu a nulidade dos autos de infração por suposto impedimento das autoridades autuantes e por nulidade de provas. Argüiu, outrossim, a nulidade do acórdão de piso, por deslealdade processual e descrição de fatos deturpada/inverídica. Não assiste razão ao aludido responsável solidário. O suposto impedimento das autoridades autuantes decorreria de uma representação apresentada à Corregedoriageral da Receita Federal, pelo sr. Rodrigo da Silva Peres, em face dos AFRFB Jeferson de Lima Garcia, Paulo César Martinasso e Valmir da Cruz, com o objetivo de apurar supostas infrações disciplinares. Ora, a simples existência desta representação não tem o condão de impedir o prosseguimento da ação fiscalizadora por parte das retrocitadas autoridades fiscais, posto que não se enquadra de “litigância judicial ou administrativa” a que se refere o art. 18, III da Lei nº 9.784/99. Se assim fosse, todos os contribuintes, quando estivessem sob auditoria fiscal, utilizariam do expediente de representar contra as autoridades encarregadas dos trabalhos de fiscalização, impedindoos de concluir seu trabalho. Fl. 9026DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 16004.001550/200810 Acórdão n.º 1401001.417 S1C4T1 Fl. 34 33 Ressaltese, por oportuno, que não há nos autos qualquer prova no sentido de que efetivamente tenha sido instaurado algum procedimento por parte da Corregedoriageral da Receita Federal em face daqueles auditoresfiscais. E, ainda que tal procedimento tivesse sido instaurado, quem iria litigar com aquelas autoridades seria a Administração Pública, e não o contribuinte. Tal fato comprova que, in casu, é inaplicável a regra prevista no art. 18, III da Lei nº 9.784/99. Também não merecem prosperar as argüições de nulidade da autuação por suposta nulidade de provas, posto que tal alegação não resultou comprovada. Além disso, a eventual nulidade de alguma prova não ensejaria a nulidade do auto de infração, mas simplesmente implicaria a desconsideração da aludida prova para fins de julgamento do presente processo. Por fim, o referido responsável solidário argüiu a nulidade da decisão de piso, por alegada deslealdade processual e descrição de fatos deturpada/inverídica. Também em relação a esta tema, cumpre frisar que eventuais erros de análise cometidos pelo colegiado julgador a quo não teria o condão de tornar nulo o Acórdão de piso. Verificada tal hipótese, este colegiado de 2ª instância iria, simplesmente, reformar o Acórdão recorrido, em estrita conformidade com as normas de regência do processo administrativo fiscal. Pelas razões expostas, considero que estas preliminares de nulidade também merecem ser rejeitadas. Por fim, alguns responsáveis solidários, dentre os quais Luciano da Silva Peres e Antonio Giglio Sobrinho argüiram a nulidade do acórdão recorrido, por suposta preterição do seu direito de defesa, consubstanciada na rejeição de produção de provas periciais e/ou testemunhais. Não assiste razão aos citados recorrentes. Compete exclusivamente ao colegiado julgador a análise da necessidade e/ou conveniência de produção de provas perícias e testemunhais. Se o colegiado julgador considera que é possível formar sua convicção com base nas provas já carreadas aos autos, a rejeição de pedidos de perícia e/ou de produção de provas testemunhais não implica a nulidade da decisão regularmente proferida. Por este motivo, também voto pela rejeição destas preliminares. Alguns responsáveis solidários, tais como Nivaldo Fortes Peres, Rodrigo da Silva Peres, Luciano Silva Peres e Maria Helena La Retondo sustentam a nulidade do lançamento, posto que deveria ter sido emitido MPF — Fiscalização autorizando a investigação da participação deles na administração da Rio Preto Abatedouro. Esta alegação foi corretamente enfrentada pela decisão de piso, fls. 16813, razão pela qual adoto e transcrevo as suas razões de decidir: [...] Equivocamse, já que não há exigência legal de emissão de MPF Fiscalização para a atribuição de responsabilidade solidária a terceiros nos termos do art. 124, I, do CTN. O MPF Fiscalização tem o objetivo de dar transparência à atuação da Administração Tributária e esse fim é cumprido mediante a intimação do contribuinte. A responsabilidade solidária é Fl. 9027DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 16004.001550/200810 Acórdão n.º 1401001.417 S1C4T1 Fl. 35 34 atribuída àqueles que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal e esse interesse pode ser apurado no curso da ação fiscal levada a efeito diante do contribuinte. O reconhecimento da responsabilidade solidária no curso da ação fiscal cumpre a função de garantir ao responsável o exercício do direito de defesa na esfera administrativa, além de subsidiar a Procuradoria da Fazenda Nacional no direcionamento de eventual execução fiscal a ser interposta para a satisfação do crédito tributário lançado. Em suma, basta a emissão de MPF Fiscalização prevendo que a ação fiscal se desenvolva no contribuinte. Para os responsáveis solidários não há necessidade de emissão de MPF — Fiscalização. Eventualmente, pode ser emitido MPF — Diligência, diante da necessidade de colheita de provas junto aos responsáveis solidários. Nestes termos, também rejeito a presente preliminar de nulidade. Os recorrentes questionaram, também, o fato de os presentes autos de infração terem sido preparados antes do prazo de vencimento da última intimação. Tal alegação não merece prosperar. O auto de infração somente se aperfeiçoa com a ciência dos autuados e eventuais responsáveis solidários. No caso em apreço, é inquestionável que a aludida ciência ocorreu após o encerramento do prazo para que a interessada prestasse as informações reiteradamente solicitadas pelo Fisco. Vale dizer que o referido prazo transcorreu in albis, e somente então as autoridades fiscais cientificaram os sujeitos passivos dos presentes lançamentos. Pelas razões expostas, considero que também esta preliminar merece ser rejeitada. Mérito Arbitramento do lucro A recorrente insurgiuse contra o arbitramento do lucro, alegando tratarse de medida excepcional, que só teria lugar nas hipóteses rigorosamente previstas na legislação. Afirmou que deve a autoridade envidar todos os esforços no sentido de fazer os ajustes necessários na escrituração diante das falhas ou incongruências possivelmente detectadas. Asseverou que, no presente caso, a autoridade autuante não encontrou indícios de omissão de receitas na escrituração, de modo que a própria escrituração seria um ponto de partida seguro para a apuração do lucro real. No mesmo sentido, afirmou que a falta de contabilização de contas bancárias não interferiu no resultado apurado, pois os lançamentos que deixaram de ser contabilizados se reportariam a operações de natureza patrimonial, que não teriam nenhuma influência na apuração do resultado. Alegou que as contas bancárias movimentadas por procuradores eram utilizadas por pessoas envolvidas na compra do gado para abate, em pagamentos diretos, adiantamentos ou mesmo prestação de caução e que tais contas eram supridas pelas contas Fl. 9028DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 16004.001550/200810 Acórdão n.º 1401001.417 S1C4T1 Fl. 36 35 normais que transitaram pela contabilidade. Consequentemente, não teria havido nenhuma distorção nos registros contábeis ou na apuração do resultado do período. Acrescentou que a escrituração das operações bancárias por partidas mensais não torna a escrituração imprestável, pois as operações correspondentes são lançadas diariamente na conta "Caixa" e os extratos bancários suprem a falta de livro auxiliar. Afirmou que não houve intimação para a reconstituição da escrita fiscal e que a suposta simulação na compra de gado não autoriza a desclassificação da escrita, pois os valores apontados não são significativos frente aos custos totais e as operações listadas estão registradas no "Caixa". Conclui afirmando que a falta de comprovação de custos e despesas pode ensejar a respectiva glosa e não o arbitramento do lucro, de modo que não houve razão para a desclassificação da escrita relativamente aos anoscalendário de 2003 a 2005. Vários responsáveis solidários, tais como Nivaldo Fortes Peres, Rodrigo da Silva Peres, Luciano da Silva Peres e Maria Helena La Retondo, também se insurgiram contra o arbitramento do lucro. Alegaram que a jurisprudência do Conselho de Contribuintes consolidou o entendimento de que irregularidades na escrituração contábil, per si, não justificam o arbitramento do lucro, quando possível a apuração do lucro real. Afirmaram, outrossim, que erros formais do Lalur e do Inventário não autorizam o arbitramento, assim como a utilização de notas fiscais inidôneas, porquanto estas apenas devem ser glosadas, não contaminando o restante da contabilidade. Concluíram afirmando que, no presente caso, as falhas apontadas pela autoridade administrativa não impedem a apuração do lucro líquido, sobretudo diante da omissão em impugnar o passivo contabilizado pela RIO PRETO ABATEDOURO e tendo em conta que foi validado seu lucro operacional em razão do reconhecimento de que não há indícios de omissão nas receitas declaradas. Ao abordar este tema, o colegiado julgador inicialmente apresentou um profundo e interessante estudo teórico sobre o instituto do arbitramento de lucro. Rendendome à precisão deste estudo, adoto e transcrevo parcialmente os seus principais argumentos, fls. 1680916811: A propósito dessas alegações, cabe esclarecer que o lucro arbitrado caracterizase como uma base de cálculo excepcional e subsidiária do imposto de renda. A subsidiariedade do lucro arbitrado é amplamente reconhecida pela doutrina. Rubens Gomes de Sousa ("A Retificação das Declarações de Impôsto de Renda Viciadas por Erro de Direito". In: Estudos de Direito Tributário. São Paulo: Saraiva, 1950, pp. 275291) afirma que a Administração só pode recorrer a esta figura depois de demonstrar a impossibilidade de determinação do imposto devido pelo sistema normal de tributação. Também Alberto Xavier (Do Lançamento: Teoria Geral do Ato, do Procedimento e do Processo Tributário. 2 ed.. Rio de Janeiro: Forense, 2002, pp. 138139) afirma que a existência de escrituração regular impede a Administração de utilizar a base de cálculo subsidiária. Mesmo na hipótese de constatação de incorreções em alguns lançamentos contábeis, se houver possibilidade de apuração do lucro real, deve a Administração proceder às correções necessárias e lançar as diferenças apuradas com base nas regras pertinentes ao lucro real. Daí a afirmação do caráter excepcional do arbitramento. O autor Fl. 9029DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 16004.001550/200810 Acórdão n.º 1401001.417 S1C4T1 Fl. 37 36 adverte também que, quando a escrituração mostrarse imprestável para a apuração do lucro real, o recurso ao arbitramento do lucro é obrigatório e vinculado à Administração, que não pode tentar reconstituir analiticamente o lucro real. Este caráter obrigatório e vinculado do arbitramento decorre do princípio da segurança jurídica, que não pode conviver com a excessiva liberdade ou discricionariedade probatória que haveria se à Administração fosse permitido reconstituir o lucro real sem o recurso a provas elaboradas pelo contribuinte. Quanto a esta última advertência, é necessário esclarecer que o recurso ao arbitramento do lucro é obrigatório e vinculado no sentido de que, uma vez demonstrada a impossibilidade de reconstrução do lucro real por meio da escrituração contábil e fiscal e dos documentos pertinentes, à autoridade administrativa cabe utilizar tãosomente os índices acolhidos na lei para a apuração do lucro arbitrado, sendolhe vedada a utilização de quaisquer outros indícios para inferir o montante do lucro auferido pelo contribuinte. Em outras palavras, o arbitramento do lucro não pode ser realizado com o recurso a índices livremente escolhidos pela autoridade administrativa, mas apenas com base nos instrumentos que o legislador entendeu aptos para tanto. A subsidiariedade do arbitramento do lucro se refletiu na Súmula76 do TFR segundo a qual "em tema de imposto de renda, a desclassificação da escrita somente se legitima na ausência de elementos concretos que permitam a apuração do lucro real da empresa, não a justificando o simples atraso na escrita." O legislador, diante da falta de cumprimento do dever de colaboração pelo contribuinte, estabeleceu uma base de cálculo excepcional c subsidiária que permite à Administração constituir o crédito tributário respectivo. O lucro arbitrado é excepcional pelo fato de que sua adoção tem como conseqüência a aferição da manifestação de capacidade contributiva média, normal ou potencial, afastandose, portanto, da capacidade contributiva efetiva, atual, real, de modo que, para ter legitimidade constitucional no sistema, sua adoção só pode ser admitida em casos extremos. A subsidiariedade decorre do fato de que o lucro só pode ser arbitrado quando a Administração estiver impossibilitada de apurar o lucro real ou o lucro presumido (nas hipóteses em que o contribuinte tenha validamente optado por este método). A excepcionalidade e a subsidiariedade da figura, ademais, têm fundamento no princípio da igualdade, pois não poderia o legislador privilegiar o contribuinte faltoso com seus deveres instrumentais, submetendo à tributação apenas aquele que os cumpre de maneira zelosa. Tais características não vinculam apenas o aplicador da lei, mas também o legislador, que não poderá criar hipóteses de aplicação do lucro arbitrado que não sejam excepcionais e subsidiárias. Fixadas estas idéias, é preciso avaliar, abstratamente, quais características devem estar presentes no caso concreto para que Fl. 9030DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 16004.001550/200810 Acórdão n.º 1401001.417 S1C4T1 Fl. 38 37 a Administração tenha que recorrer ao arbitramento do lucro. Sustenta Alberto Xavier (Do Lançamento: Teoria Geral do Ato, do Procedimento e do Processo Tributário. 2ª ed.. Rio de Janeiro: Forense, 2002, pp. 140141) que o critério de distinção entre os vícios nos lançamentos contábeis e a imprestabilidade da escrituração é funcional. Devese verificar se resta impossibilitado o exercício do dever de investigação pela Administração, com o objetivo de retificar a escrituração. Para o autor, apenas quando este objetivo resultar absolutamente impossível, e que essa impossibilidade decorra do descumprimento do dever de colaboração pelo contribuinte, fica a Administração autorizada a recorrer ao arbitramento. Tal como adverte Alberto Xavier ("I. R. Lançamento por Arbitramento: Pressupostos e Limites". In: Revista de Direito Tributário. São Paulo: RT, n. 31, 1985, pp. 174185), a excepcionalidade do arbitramento decorre da preferência que a lei dá às provas préconstituídas corno meio de consecução da verdade material. A afirmação de Alberto Xavier de que o lançamento efetuado com base no lucro arbitrado só terá validade quando resultar "absolutamente impossível" retificar a escrituração pode conduzir à inaplicabilidade da figura. É preciso ter presente que a escrituração do contribuinte não é a única fonte de informações para a autoridade administrativa, que pode recorrer também a elementos de prova oferecidos por terceiros. A demonstração da absoluta impossibilidade de retificação da escrita poderia exigir em alguns casos diligências tão complexas e numerosas que, na prática, impediriam o lançamento do crédito tributário. Evidentemente, a avaliação do respeito à subsidiariedade do lucro arbitrado dependerá da apreciação das circunstâncias do caso concreto. É importante, porém, deixar claro que o arbitramento não pode ser realizado unicamente com o objetivo de facilitar a apuração do crédito tributário. De outra parte, tampouco é razoável exigir a demonstração da absoluta impossibilidade de reconstituir a escrita contábil e fiscal. Deve ser encontrado, entre estes dois extremos, um ponto de equilíbrio que, simultaneamente, não torne impraticável o arbitramento do lucro e garanta o contribuinte contra arbitrariedades Esta avaliação dependerá das características apresentadas pelo caso concreto. Por fim, é importante ressaltar que atualmente o dever de colaboração do contribuinte exerce papel fundamental na atividade administrativa de lançamento. Portanto, quando a Administração se encontra privada das informações e provas que o contribuinte tinha a obrigação legal de apresentar, as dificuldades para a reconstituição da escrita são tão grandes que dificilmente será admissível a alegação de que não havia impossibilidade absoluta para tanto. Após este estudo profundo e abrangente sobre o instituto do arbitramento do lucro, o voto condutor da decisão de piso procedeu à uma análise bastante consistente do caso concreto, com vistas a demonstrar a necessidade do arbitramento do lucro. Por concordar com os fundamentos desta análise, adoto e transcrevo as suas razões de decidir, fls. 1681116812: Fl. 9031DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 16004.001550/200810 Acórdão n.º 1401001.417 S1C4T1 Fl. 39 38 Na situação de que trata o presente processo administrativo, a autoridade autuante constatou que os Livros Diário e Razão continham a escrituração da conta Bancos por partidas mensais, razão pela qual foi solicitada ao contribuinte a apresentação de Livros Auxiliares, com o registro individualizado das operações relativas à conta Bancos. Os Livros Auxiliares, porém, não foram apresentados, a despeito de reiteradas intimações. Constatouse, ainda, que o contribuinte escriturou apenas quatro contas bancárias, quando, na verdade, era titular de dezesseis. Mais que isso, as contas escrituradas não pode ser identificadas, já que na descrição da conta consta apenas "Banco Bradesco S/A". Tampouco registrou as operações relativas às onze contas por ele controladas por procuração. Ademais, o contribuinte não atendeu as intimações para comprovar algumas despesas operacionais consignadas nas DIPJs dos anoscalendário de 2003 a 2006, mormente as classificadas como "outras despesas operacionais. A falta de apresentação de todos os referidos elementos e as diversas falhas constatadas na escrituração impedem uma análise detalhada da contabilidade e, por conseguinte, a verificação da autenticidade do lucro real apurado. Registrese que é descabida a alegação de que os extratos bancários substituem a escrituração de Livros Auxiliares com o registro individualizado das operações relativas à conta Bancos. Os extratos bancários não contém informações precisas acerca do fato econômico que ensejou a movimentação financeira. É essencial, para a apuração do lucro real, saber a que título houve o ingresso ou a saída de recursos. Somente com esta informação é possível concluir se a movimentação financeira influi na apuração do resultado da empresa. Um depósito em dinheiro, por exemplo, pode representar uma receita, quando proveniente da venda de um produto a um cliente, ou apenas uma transferência da conta caixa para a conta bancos. É importante ressaltar que, para a apuração do lucro real, além da escrituração regular dos livros, deve o contribuinte manter os documentos que comprovam as operações realizadas. Portanto, além dos Livros Auxiliares referidos, deveria o contribuinte manter em seu poder todos os documentos que serviram de suporte às movimentações financeiras realizadas. Além disso, as provas colhidas no curso da ação fiscal demonstraram que o contribuinte atuou no sentido de fraudar sua contabilidade para não apresentar lucro e também para eximirse do pagamento do PIS e da COFINS não cumulativos. Nesse sentido, comprovouse que o contribuinte simulou operações de compras junto ao Sr. José Alves Lemes, com o objetivo de reduzir a base de cálculo do IRPJ e da CSLL e de gerar créditos de PIS e de COFINS não cumulativos. Isso foi evidenciado pelo fato de que os cheques utilizados no pagamento das supostas compras foram creditados nas próprias contas da RIO PRETO ABATEDOURO. Todos esses fatos revelam que a apuração do lucro real, com base nos elementos colhidos no curso da ação fiscal, não era possível. O contribuinte sustenta que a ausência de apuração de Fl. 9032DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 16004.001550/200810 Acórdão n.º 1401001.417 S1C4T1 Fl. 40 39 receitas omitidas revela a existência de um ponto de partida seguro para a apuração do lucro real. A alegação não procede, já que para a apuração do lucro real são fundamentais informações confiáveis acerca dos custos e despesas incorridos. Com efeito, as receitas compõem apenas parte das informações necessárias à apuração do lucro real. Sem dados fidedignos sobre custos e despesas não há como apurar o lucro real. Conforme amplamente demonstrado, foram constatadas fraudes praticadas com o fim de inflar custos e a movimentação bancária não foi devidamente retratada na escrituração. Especificamente para o anocalendário de 2006, o contribuinte sequer apresentou os livros Diário e Razão. Portanto, não restou à autoridade administrativa outra alternativa senão arbitrar o lucro a partir da receita bruta conhecida. Para a apuração da receita bruta conhecida, foram considerados os valores informados nas DIPJs, nas DACONs e nas GIAs, já que constatouse a compatibilidade com as receitas escrituradas nos livros fiscais e contábeis do contribuinte. As fraudes constatadas na escrituração consistiram em simular operações por meio das contas "Caixa" e "Bancos" e também operações de compras. As primeiras tinham o objetivo de transferir recursos às pessoas ligadas ao grupo Nivaldo, enquanto a segunda tinha por objetivo reduzir a base de cálculo do IRPJ e da CSLL e gerar créditos de PIS e de COFINS não cumulativos. Portanto, para a apuração da receita bruta conhecida foram considerados os valores declarados nas DIPJs e nas DACON. Alega a RIO PRETO ABATEDOURO que foi intimada em 29/10/2008 a, no prazo de 20 dias, apresentar os Livros Razão e Diário relativos ao anocalendário de 2006. Porém, em 17/11/2008, antes que estivesse esgotado o prazo da intimação, foi lavrado o "Termo de Descrição dos Fatos" e os respectivos autos de infração. Diante disso, devem ser cancelados os autos de infração lavrados para os fatos geradores ocorridos no ano calendário de 2006. A argumentação do contribuinte omite o fato de que foram reiteradas as intimações para apresentação dos livros Razão e Diário relativos ao anocalendário de 2006. Com efeito, a primeira intimação para tanto foi recebida pelo contribuinte em 28/03/2008 (fls. 7981). Em 24/04/2008, recebeu Termo de Reintimação Fiscal (fls. 8385) solicitando os referidos livros. Mais uma vez, em 23/06/2008, recebeu novo Termo de Reintimação Fiscal (fls. 8789) solicitando os mesmos elementos. Finalmente, em 29/10/2008, recebeu a reintimação (fls. 9193) a que se refere em sua alegação. A seqüência de intimações a ele enviadas com solicitação para apresentação dos mesmos elementos demonstra a falta de colaboração com que agiu no curso da ação fiscal. É curioso notar que, a despeito de alegar que a autoridade administrativa não observou o prazo constante da intimação, sequer na impugnação os livros referidos foram apresentados. De qualquer forma, a alegação não procede, tendo em vista que Fl. 9033DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 16004.001550/200810 Acórdão n.º 1401001.417 S1C4T1 Fl. 41 40 a ciência do "Termo de Descrição dos Fatos" e dos autos de infração lavrados ocorreu apenas em 22/11/2008, vale dizer, após o prazo de 20 dias consignado na intimação, recebida pelo contribuinte em 29/10/2008. É preciso esclarecer que o "Termo de Descrição dos Fatos" e os autos de infração são atos administrativos que só se completam com a intimação do contribuinte. Antes da intimação, não há que se falar em lançamento. Portanto, é descabida a alegação de desrespeito ao prazo consignado na intimação. Sujeição passiva solidária Nivaldo Fortes Peres, Rodrigo da Silva Peres e Luciano da Silva Peres As razões de recurso destes três responsáveis solidários são muito semelhantes entre si, razão pela qual as alegações comuns serão analisadas em conjunto. Posteriormente, serão analisadas as alegações específicas de cada um destes responsáveis solidários. No entender destes responsáveis solidários, as conclusões da autoridade autuante só poderiam se sustentar caso procedessem a desconsideração dos negócios praticados pela RIO PRETO ABATEDOURO, especialmente aqueles destinados a dissimular os verdadeiros responsáveis tributários. Prosseguindo nesta linha afirmam que, ao assim proceder, a autoridade atuou com base no art. 116, parágrafo único do CTN, norma esta que nunca foi regulamentada por lei ordinária. Desta forma, consideraram descabida a desconsideração dos negócios jurídicos e, como conseqüência, são nulos os autos de infração lavrados. Alegação desprovida de sentido. No presente processo, verificouse que a RIO PRETO ABATEDOURO foi constituída por interpostas pessoas, com o fim de ocultar seus verdadeiros titulares, a fim de evitar eventual responsabilização pelos tributos devidos. Não se trata, portanto, da hipótese de que trata o art. 116, parágrafo único, do CTN. As pessoas físicas arroladas como responsáveis solidárias atuaram dolosamente na constituição da RIO PRETO ABATEDOURO por meio de interpostas pessoas, conforme ficou comprovado nos autos, a fim de resguardar os respectivos patrimônios de eventuais execuções fiscais pelos tributos devidos pela empresa. Convém observar que o CTN, nas hipóteses em que há dolo, fraude ou simulação, faz expressa referência a essas ocorrências, como nos casos dos arts. 149, VII, 150, § 4 0, 154, parágrafo único, 155, I e 180, I. A situação contemplada no presente processo administrativo, portanto, não requer a aplicação da regra disposta no art. 116, parágrafo único, do CTN. Alegam os responsáveis solidários que a jurisprudência do Conselho de Contribuintes firmou o entendimento de que a atribuição de responsabilidade com base no art. 124, I, do CTN requer a prova do interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Afirmam que essa prova não foi produzida no presente processo administrativo. Fl. 9034DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 16004.001550/200810 Acórdão n.º 1401001.417 S1C4T1 Fl. 42 41 Não assiste razão à recorrente. Com efeito, consta da redação do art. 124, I, do CTN que é responsável solidário aquele que tiver interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Portanto, a aplicação da regra exige a ocorrência no mundo fenomênico da hipótese nela contemplada. O Conselho de Contribuintes já entendeu pela possibilidade de responsabilização solidária da pessoa física na condição de verdadeira sócia da pessoa jurídica, com fundamento no artigo 124,1 do CTN: RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA — Comprovado nos autos os verdadeiros sócios da pessoa jurídica, pessoas físicas, acobertados por terceiras pessoas (laranjas) que apenas emprestavam o nome para que eles realizassem operações em nome da pessoa jurídica, da qual tinham ampla procuração para gerir seus negócios e suas contascorrentes bancárias, fica caracterizada a hipótese prevista no art. 124, I do Código Tributário Nacional, pelo interesse comum na situação que constituía o fato gerador da obrigação principal. (Processo n° 13603.002869/200301, Recurso n° 148917, Sessão de 16 de agosto de 2006, Acórdão n° : 10708692) A decisão de piso analisou com grande precisão e objetividade a estratégia de defesa adotada por estes três responsáveis solidários, fls. 1653416535: As provas que levaram à conclusão de que os senhores Nivaldo Fortes Peres, Rodrigo da Silva Peres e Luciano da Silva Peres [...] têm interesse comum nas situações que constituem os fatos geradores das obrigações tributárias apuradas estão relatadas de maneira minudente no "Termo de Descrição dos Fatos". Aliás, observase que o recurso apresentado pelos responsáveis solidários têm uma característica curiosa, qual seja, a tendência de tomar os fatos apurados de maneira isolada, de modo a que se perca a visão do contexto geral. Ao assim proceder, buscase atribuir às operações referidas pela autoridade autuante foros de regularidade. Porém, quando se observa com rigor a imbricação entre os fatos apurados, as teses apresentadas no recurso não se sustentam, pois fica perfeitamente caracterizados o modus operandi do grupo Nivaldo. Exemplificando esta estratégia de defesa, podese mencionar a alegação dos recorrentes de que os autos de infração objeto do presente processo administrativo foram lavrados contra a RIO PRETO ABATEDOURO, de modo que quaisquer acusações sobre atos praticados pelas empresas SOL COUROS, AGRO RIO PRETO, SEBO SOL, VALENTIM GENTIL, FRIGOVALE, AMÉRICA INDUSTRIAL E COMERCIAL LTDA e AGROALTO INDUSTRIALIZAÇÃO E DISTRIBUIÇÃO LTDA poderiam resultar, exclusivamente, em lançamentos de ofício de tributos que estas pessoas jurídicas eventualmente não tenham recolhido. No entender destes responsáveis solidários, os fatos relacionados a estas empresas não têm serventia para a elucidação da responsabilidade solidária dos impugnantes. Da mesma forma, alegaram que as participações que têm em outras empresas são irrelevantes para a prova de eventual interesse comum na situação que é fato gerador dos tributos devidos Fl. 9035DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 16004.001550/200810 Acórdão n.º 1401001.417 S1C4T1 Fl. 43 42 pela RIO PRETO ABATEDOURO. Por fim, afirmaram que as supostas coincidências entre funcionários, referências bancárias, endereços, telefones e parentescos, quando não relacionadas à RIO PRETO ABATEDOURO, são irrelevantes. Tais alegações foram refutadas com grande precisão pela decisão de piso, razão pela qual adoto e transcrevo as suas razões de decidir, fls. 1653516536: O raciocínio, evidentemente, é simplório. Todo o esforço probatório da autoridade autuante foi desenvolvido precisamente no sentido de desvendar as relações entre as diversas empresas que compõem o grupo Nivaldo, de modo a saber a função desempenhada por cada qual no esquema desbaratado e, sobretudo, perquirir onde os resultados econômicos provenientes das atividades desenvolvidas se encontram. Ressaltese que, conforme foi apurado, não se trata apenas de reconhecer que a RIO PRETO ABATEDOURO não recolheu os tributos devidos. Para que os tributos devidos sejam realmente recolhidos aos cofres públicos é essencial saber para onde foram canalizados os recursos. Isto porque os fatos apurados demonstram grande sofisticação da organização na constituição de empresas por meio de "laranjas" e na migração de recursos entre estas empresas. Daí a relevância de se perquirir como se deu a constituição de cada uma das empresas do grupo, qual o papel por elas desempenhado e quais as pessoas físicas que arquitetaram a organização. É descabida, portanto, a pretensão de que os fatos apurados pela autoridade autuante relacionados às empresas SEBO SOL, VALENTIM GENTIL, SOL EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS, FE1SP, CMG, RPMC, SOL COUROS, FRIGOVALE, AMÉRICA INDUSTRIAL E COMERCIAL LTDA, AGROALTO INDUSTRIALIZAÇÃO E DISTRIBUIÇÃO LTDA, VIENA EMPREENDIMENTOS LTDA e FEIRP LTDA sejam sumariamente desconsiderados. O mesmo raciocínio se aplica à alegação de que são irrelevantes as supostas coincidências entre funcionários, referências bancárias, endereços, telefones e parentescos, quando não relacionadas à RIO PRETO ABATEDOURO. Confirme dito anteriormente, ao conduzir a argumentação no sentido de isolar os fatos pertinentes à RIO PRETO ABATEDOURO dos fatos pertinentes às demais empresas que compõem o grupo Nivaldo, os responsáveis solidários deixam de contestar diversas provas da maior gravidade. Nesse sentido, não há uma palavra sequer em seus recursos sobre a coincidência de endereços entre diversas empresas do grupo. Tampouco contestam os fatos relacionados às buscas e apreensões realizadas pela Polícia Federal que demonstram as relações entre as empresas integrantes do grupo Nivaldo. A propósito, na Rua Lúcia Gonçalves Vieira Giglio, 3111, domicílio fiscal das empresas SEBO SOL e CMG, foram apreendidos cinco talões de cheques e formulário contínuo de cheques da SOL EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS RIO PRETO LTDA, quatro talões de cheques [ilegível] e formulários para impressão boletos de cobrança tendo como cedente a DISTRIBUIDORA. Foram apreendidos, ainda, formulários para Fl. 9036DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 16004.001550/200810 Acórdão n.º 1401001.417 S1C4T1 Fl. 44 43 impressão de boletos de cobrança tendo como cedente a MEGA e a DISTRIBUIDORA, além de procuração conferida pela SEBO SOL ao Sr. Gilberto G. R. Jardim Gouveia, utilizado como "laranja" na AGRO RIO PRETO. Portanto, está fartamente provada nos autos a existência de um grupo econômico, constituído por várias empresas, dentre as quais a RIO PRETO ABATEDOURO, sendo que beneficiaramse das fraudes praticadas pelas empresas do grupo todos os responsáveis solidários apontados pela autoridade autuante. [...] Constatou a autoridade autuante que a maior parte das operações bancárias do grupo era feita simultaneamente, em moeda corrente. Ou seja, os saques eram feitos "na boca" do caixa, e os recursos eram pulverizados, principalmente para as empresas integrantes do grupo. Os titulares de fato das empresas do grupo Nivaldo receberam, direta ou indiretamente, os frutos oriundos do esquema fraudulento utilizado. Tal constatação foi possível graças à quebra do sigilo bancário dos integrantes do grupo, autorizada pela Justiça Federal em Jales/SP. A análise das fitasdetalhe obtidas traz outras revelações importantes. Observase que as empresas e pessoas físicas do grupo Nivaldo fazem operações seqüenciais, no mesmo dia e em momentos muito próximos. No dia 03/12/2004, 10 empresas e pessoas físicas integrantes do grupo efetuaram operações seqüenciais. Fato semelhante também é revelado pela fita detalhe do dia 04/12/2003. As fitasdetalhe revelaram transferências de recursos entre as empresas integrantes do grupo, transferências estas realizadas por meio de cheques, sacados na "boca do caixa", sendo os recursos, ato contínuo, depositados nas contas bancárias das pessoas físicas e jurídicas do grupo. Às fls. 1653616542 a decisão de piso enfrentou, de maneira objetiva e precisa, cada uma das alegações de defesa apresentadas por estes responsáveis solidários, que consistiu em tomar cada um dos fatos apurados de maneira isolada, de modo a que se perca a visão do contexto geral. Concordo integralmente com todas estas considerações que constam do voto condutor de piso. Abstenhome, porém, de transcrevêlas, por razões de economia processual. Pelas razões de fato e de direito até aqui expostas, considero amplamente demonstrado que houve intensa migração de recursos entre estas empresas. Mais que isso, considero amplamente demonstrado que a RIO PRETO ABATEDOURO funcionou como verdadeiro caixa geral. Portanto, diante da confusão patrimonial promovida pelas pessoas físicas apontadas como responsáveis solidários, não apenas entre eles, mas sobretudo entre as empresas integrantes do grupo, resulta claro que eles controlavam as empresas do grupo, que os recursos migravam intensamente entre elas, umas suprindo as outras quando necessário, e que eles auferiram benefícios diretos e indiretos dos ilícitos praticados, inclusive adquirindo imóveis. Fl. 9037DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 16004.001550/200810 Acórdão n.º 1401001.417 S1C4T1 Fl. 45 44 Assim, considero forçosa a conclusão de que há interesse comum nas situações que constituem os fatos geradores apurados, o que justifica amplamente a atribuição de responsabilidade solidária a estas pessoas físicas. Pelas razões expostas, nego provimento aos recursos voluntários apresentados pelos responsáveis solidários Nivaldo Fortes Peres, Rodrigo da Silva Peres e Luciano da Silva Peres. Maria Helena La Retondo, Antonio Giglio Sobrinho, Pedro Giglio Sobrinho e José Roberto Giglio No que tange à sra. Maria Helensa La Retondo, ela mantinha união estável com o Sr. Nivaldo Fortes Peres há mais de 15 anos, fato este que veio a ser reconhecido por meio de escritura pública em 2008. Assim, é razoável admitir que as transferências de imóveis apontadas pela autoridade administrativa referemse a seus direitos conjugais, inexistindo prova cabal de que ela tivesse interesse comum nas situações que foram fatos geradores dos tributos devidos pela RIO PRETO ABATEDOURO. O senhor Antonio Giglio Sobrinho, em seu recurso, afirma que é o único filho do primeiro casamento de Silvio Giglio, cujo desquite foi formalizado em 27/02/1967. Assevera que foi criado em São Paulo e sustentado apenas por sua mãe, Maria Virginia Giannini, tendo seu pai, Silvio, mudado para São José do Rio Preto/SP, onde constituiu nova família. Alegou, outrossim, que é músico profissional e praticamente não teve contato com a família Giglio de São José do Rio Preto e com suas empresas e negócios. Sustenta que, com o falecimento de Silvio Giglio, recebeu na qualidade de herdeiro daquele: 1 417.903 quotas da empresa SEBO SOL LTDA, que incorporou a COURO SOL LTDA e a AGRO SOL LTDA; 2 11.250 quotas da VIENA EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS, atual ABATEDOURO VIENA LTDA; 3 1.375 quotas da FABRIL PAULISTA PERFUMARIA LTDA; 4 : 11.400 ações ordinárias da GIGLIO S/A INDÚSTRIA E COMÉRCIO. Afirmou que, ao final de 2001, retirouse das empresas SEBO SOL LTDA e VIENA EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS RIO PRETO LTDA, e, no tocante às empresas GIGLIO S/A INDÚSTRIA E COMÉRCIO e FABRIL PAULISTA PERFUMARIA LTDA, não chegou a um acordo financeiro com os demais herdeiros para retirarse das sociedades, mas não participou da gerência delas. No que tange aos valores recebidos, indicados no "Termo de Descrição dos Fatos", afirmou que se tratam de adiantamentos de dividendos e/ou distribuição de lucros da FABRIL PAULISTA PERFUMARIA LTDA, sendo tais pagamentos reconhecidos por declaração firmada pelo representante legal desta empresa. Reconhece que tais pagamentos ocorreram por meio de transferências bancárias e/ou cheques emitidos pela MEGA, empresa esta totalmente desconhecida dele, razão pela qual não tem condições de esclarecer as relações entre estas empresas. Fl. 9038DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 16004.001550/200810 Acórdão n.º 1401001.417 S1C4T1 Fl. 46 45 Aduz que não tem conhecimento das atividades do Sr. Nivaldo Fortes Peres, com quem manteve contato apenas em razão do falecimento de seu pai, Silvio Giglio, já que este era sócio daquele. Conclui que é absurda a ilação de que é proprietário de fato da RIO PRETO ABATEDOURO ou de qualquer outra empresa mencionada no "Termo de Descrição dos Fatos", pois jamais participou da administração ou assinou quaisquer documentos destas empresas. Considero procedentes tais alegações. Também em relação ao senhor Antonio Giglio Sobrinho, considero que inexistem provas cabais de que ele tivesse interesse comum nas situações que foram fatos geradores dos tributos devidos pela RIO PRETO ABATEDOURO. Pedro Giglio Sobrinho e José Roberto Giglio Pedro Giglio Sobrinho sustentou que os recursos por ele recebidos de contas bancárias da MEGA referemse a adiantamentos de lucros futuros da FABRIL PAULISTA PERFUMARIA LTDA, conforme prova o oficio expedido por esta empresa. Asseverou que tais depósitos se justificam por sua participação societária nesta empresa, adquirida por herança. Aduz que, por esta mesma razão, é sócio da SOL EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS RIO PRETO LTDA e acionista da GIGLIO S/A INDÚSTRIA E COMÉRCIO, mas recebeu destas empresas apenas lucros ou dividendos em bens ou dinheiro. Alegações similares foram apresentadas pelo senhor José Roberto Giglio. Também em relação a estes senhores, considero que os elementos constantes dos autos não são suficientes para revelar interesse comum nos fatos geradores dos tributos apurados para a RIO PRETO ABATEDOURO, de modo que é incorreta a atribuição a eles de responsabilidade solidária pelos créditos tributários lançados. Diante do exposto, voto no sentido de cancelar a responsabilidade da Srª Maria Helena La Retondo, do Sr. José Roberto Giglio, do Sr. Pedro Giglio Sobrinho e do Sr. Antônio Giglio Sobrinho. Multa qualificada Os recorrentes apresentaram diversas alegações contra a multa qualificada. Nesse sentido, afirmaram que os tributos lançados estão baseados na receita declarada, de modo que é descabida a afirmação de que houve fraude. Argumentaram, outrossim, que a fraude não foi provada e que tampouco houve demonstração do dolo. Alegaram, também, que as supostas irregularidades apontadas não ensejaram tributação, ou seja, não resultaram omissão de receitas, glosa de custos ou de despesas ou infração de qualquer natureza. Dentre tais irregularidades, mencionou a contabilização de operações bancárias por partidas mensais, a ausência de contabilização de contas bancárias utilizadas por procuradores e a contabilização de operações de compra de produtores nas quais foram apuradas inconsistências nos pagamentos. No entender da recorrente, a multa qualificada (150%) só é cabível quando ficar comprovado dolo especifico. Afirmase que não foi demonstrada a participação dos Fl. 9039DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 16004.001550/200810 Acórdão n.º 1401001.417 S1C4T1 Fl. 47 46 responsáveis solidários nas supostas omissões e/ou supressões de tributos praticadas pela RIO PRETO ABATEDOURO, de modo que deve ser afastada a multa qualificada. Concluiu seus argumentos afirmando que a fraude não se presume. As alegações dos recorrentes não devem prosperar. Conforme relatado, os procedimentos dolosos utilizado pelos integrantes do grupo Nivaldo na consecução dos ilícitos tributários resultou amplamente demonstrado. Inúmeras empresas do grupo foram constituídas por sócios "laranjas". Houve utilização de notas fiscais "frias" pelo grupo. A escrituração da RIO PRETO ABATEDOURO revelouse imprestável para a apuração dos tributos devidos e sequer refletia a movimentação financeira ocorrida, revelando a tentativa de ocultar os fatos efetivamente ocorridos. Resultou demonstrada a ocorrência de operações simuladas de compra de gado, com o intuito de aumentar os custos da RIO PRETO ABATEDOURO e gerar créditos de PIS e COFINS. Em resumo, há um vasto conjunto de ilícitos tributários, que revelam claramente a atuação dolosa do contribuinte. Consequentemente, revelase amplamente justificada a aplicação da multa qualificada, razão pela qual, em relação à presente matéria, voto no sentido de negar provimento aos recursos voluntários. Conclusão Diante de todo o exposto, voto no sentido de rejeitar as preliminares de nulidade, afastar a decadência e, no mérito, dar provimento parcial aos presentes recursos voluntários, apenas para cancelar a responsabilidade tributária da Sra. Maria Helena La Retondo, do Sr. José Roberto Giglio, do Sr. Pedro Giglio Sobrinho e do Sr. Antônio Giglio Sobrinho. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Fl. 9040DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
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Numero do processo: 13866.000151/2003-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 26 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri May 22 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3302-000.226
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator.
EDITADO EM: 21/05/2015
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: Não se aplica
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Recorrente SÃO DOMINGOS SAÚDE ASSISTÊNCIA MÉDICA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA – Presidente e Relator. EDITADO EM: 21/05/2015 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Adotase o relatório do acórdão da 1ª Turma de Julgamento da DRJ RIBEIRÃO PRETO/SP: Trata o presente de Declaração de Compensação DCOMP na qual o interessado compensa débito da Cofins do período de apuração fev./2003 com crédito RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 66 .0 00 15 1/ 20 03 -8 1 Fl. 116DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13866.000151/200381 Resolução nº 3302000.226 S3C3T2 Fl. 3 2 decorrente de pagamento a maior ou indevido da Cofins, referente ao período de apuração jun.12002, crédito esse de valor declarado de R$ 2.179,06 fls. 1 e 2. A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em São José do Rio Preto, através do Despacho Decisório de fls. 51/53, não homologou a compensação, pela não comprovação do direito creditório do interessado, ressaltando que o contribuinte excluiu da base de cálculo da COFINS o valor de R$ 417.213,24 a título de Outras Exclusões e, intimado, informou que tal exclusão referese aos valores pagos aos prestadores de serviços, clínicas, hospitais, etc. Ressaltouse, na decisão, que o § 9ª , do art. 3°, da Lei n° 9.718, de 1998, permitiu deduções da base de cálculo às operadoras de planos de saúde, caso do interessado, apenas nas rubricas descritas no referido dispositivo (transcrito no Despacho Decisório, fls.52/53) e que a exclusão feita pelo interessado não se enquadra nas previstas legalmente. Cientificado em 09/05/2008 (sextafeira), fl. 57, o interessado apresenta manifestação de inconformidade em 09/06/2008, fls. 58/65, alegando, em síntese: a) Que a base de cálculo da Cofins é o faturamento nos termos previstos no art. 195, I, "b", da Constituição Federal, uma vez que foi julgado inconstitucional o conceito definido no art. 3° da Lei n° 9.718, de 1988, no julgamento do Recurso Extraordinário n° 357.950; b) Que é operadora de planos de assistência à saúde., atividade que se rege por regras próprias e não se confunde com outra qualquer; c) Que o conceito de faturamento advém do Direito Comercial e é decorrente do ato de emitir faturas, ato autorizado somente ao comerciante pela Lei n° 5.474/68, e que nos termos do disposto no art. 110 do CTN, a legislação tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o conceito utilizados no Direito Privado; d) Que é ilegal a cobrança do Cofins nos termos do art. 2° e 3° d Lei n° 9.718/98, pois afronta a determinação do art. 110 do CTN, no sentido de que receba como um tipo fechado o conceito de faturamento, termo utilizado no art. 195 da CF/88 para definir a competência da União para cobrar a Cofins; Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso, acordaram os Membros da 1ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, indeferir a solicitação. Intimada em 10/03/2009, irresignada a Recorrente, interpôs Recurso Voluntário em 23/03/2009. É o Relatório. Fl. 117DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13866.000151/200381 Resolução nº 3302000.226 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Relator ad hoc. O recurso é tempestivo, atende aos requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual, dele se conhece. Inicialmente, faço as devidas homenagens à Conselheira Fabiola Keramidas, cuja experiência no segmento permitiulhe contextualizarme os fatos ora discutidos, além de ter fornecido a esse conselheiro os dispositivos legais necessários à correta apreciação do tema. Conforme relatado, a discussão em tela referese à conceituação da base de cálculo, para as contribuições sociais de PIS e COFINS, das empresas do ramo de seguro de saúde1 operadoras (“OP’s”), as quais são fiscalizadas pela ANS Agência Nacional de Saúde Suplementar, vinculada ao Ministério da Saúde e criada pela Lei 9.961/00. Especialmente, interessa, para o caso em apreço, as operadoras de saúde denominadas como de “medicina de grupo”, a saber: RESOLUÇÃORDC Nº 39, DE 27 DE OUTUBRO DE 2000 Dispõe sobre a definição, a segmentação e a classificação das Operadoras de Planos de Assistência à Saúde. “SEÇÃO V DA MEDICINA DE GRUPO Art. 15. Classificamse na modalidade de medicina de grupo as empresas ou entidades que operam Planos Privados de Assistência à 1 RESOLUÇÃORDC Nº 39, DE 27 DE OUTUBRO DE 2000 Dispõe sobre a definição, a segmentação e a classificação das Operadoras de Planos de Assistência à Saúde. "Art. 10. As operadoras segmentadas conforme o disposto nos arts. 3º ao 9º desta Resolução deverão classificarse nas seguintes modalidades: I administradora; II cooperativa médica; III cooperativa odontológica; IV autogestão; V medicina de grupo; VI odontologia de grupo; ou VII filantropia." RESOLUÇÃO NORMATIVA – RN Nº 159, DE 3 DE JULHO DE 2007 "Art. 2º Para fins desta resolução, definese: I – operadora de planos privados de assistência à saúde OPS: a pessoa jurídica de direito privado constituída sob a forma de associação, sociedade simples ou empresária que opere produto, serviços ou contrato de planos privados de assistência à saúde definidos no inciso I do art. 1º da Lei nº 9.656, de 3 de junho de 1998." Fl. 118DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13866.000151/200381 Resolução nº 3302000.226 S3C3T2 Fl. 5 4 Saúde, excetuandose aquelas classificadas nas modalidades contidas nas Seções I, II, IV e VII2 desta Resolução.” destaquei. As operadoras de medicina de grupo oferecem basicamente dois tipos de serviços na área da saúde: planos de saúde e seguros saúde. Ambos são sistemas de assistência médicohospitalar. Os planos de saúde oferecem aos segurados serviço de assistência médica prestado por profissionais vinculados à operadora (denominados rede própria) e estabelecimentos terceiros, contratados pela operadora (denominados credenciados), nominalmente indicados em livro periódico (os livretos do plano). Na terminologia de mercado, estas são as “operadoras”, porque efetivamente “operam” o atendimento médico. Existem ainda àquelas que denomino “operadoras puras”, porque não possuem rede credenciada, apenas rede própria. Os seguros de saúde, por sua vez, proporcionam aos associados a livre escolha de profissionais, hospitais e laboratórios, cujos custos são ressarcidos por meio de reembolso (total ou parcial) e a utilização de rede credenciada, indicada em livro periódico. Tratase de típica atividade de seguro, denominandose vulgarmente de “seguradoras de saúde” porque não possuem rede própria. A diferença básica, portanto, consiste na existência ou não de rede própria. Ambas as empresas (que comercializam plano e seguro) utilizam os serviços de credenciados, mas apenas alguns possuem o custo de uma rede própria. 2 “SEÇÃO I DA ADMINISTRADORA Art. 11. Classificamse na modalidade de administradora as empresas que administram planos ou serviços de assistência à saúde, sendo que, no caso de administração de planos, são financiados por operadora, não assumem o risco decorrente da operação desses planos e não possuem rede própria, credenciada ou referenciada de serviços médicohospitalares ou odontológicos. SEÇÃO II DA COOPERATIVA MÉDICA Art. 12. Classificamse na modalidade de cooperativa médica as sociedades de pessoas sem fins lucrativos, constituídas conforme o disposto na Lei n.º 5.764, de 16 de dezembro de 1971, que operam Planos Privados de Assistência à Saúde. (...) SEÇÃO IV DA AUTOGESTÃO Art. 14. Classificamse na modalidade de autogestão as entidades de autogestão que operam serviços de assistência à saúde ou empresas que, por intermédio de seu departamento de recursos humanos ou órgão assemelhado, responsabilizamse pelo Plano Privado de Assistência à Saúde destinado, exclusivamente, a oferecer cobertura aos empregados ativos, aposentados, pensionistas ou exempregados, bem como a seus respectivos grupos familiares definidos, limitado ao terceiro grau de parentesco consangüíneo ou afim, de uma ou mais empresas, ou ainda a participantes e dependentes de associações de pessoas físicas ou jurídicas, fundações, sindicatos, entidades de classes profissionais ou assemelhados. (...) SEÇÃO VII DA FILANTROPIA Art. 17. Classificamse na modalidade de filantropia as entidades sem fins lucrativos que operam Planos Privados de Assistência à Saúde e tenham obtido certificado de entidade filantrópica junto ao Conselho Nacional de Assistência Social CNAS e declaração de utilidade pública federal junto ao Ministério da Justiça ou declaração de utilidade pública estadual ou municipal junto aos Órgãos dos Governos Estaduais e Municipais." Fl. 119DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13866.000151/200381 Resolução nº 3302000.226 S3C3T2 Fl. 6 5 No caso em análise a Recorrente é operadora de saúde (OP) que comercializa planos de saúde e, em razão deste fato, com base no parágrafo 9º, do artigo 3º, da Lei nº 9.718/98, pleiteou a restituição de valores que teria incluído indevidamente na base de cálculo do PIS e Cofins, sendo estes valores – pelo que averiguei dos autos referentes ao pagamento de credenciados e do custo de rede própria. Logo, a questão a discutirse é, se a legislação permite que os valores referentes à credenciados e rede própria sejam deduzidos da base de cálculo do PIS e Cofins. A Receita Federal vêm entendendo que não existe esta possibilidade, pois se existisse o PIS e a Cofins das OP’s incidiria sobre receita líquida, não sobre faturamento, elemento que efetivamente compõe o aspecto quantitativo da regra matriz de incidência tributária. In casu, o v. acórdão recorrido entendeu que a legislação não permite a dedução pretendida pela Recorrente, a saber: “Trecho do v. acórdão recorrido: (...) Verificase que no dispositivo transcrito não há previsão para a exclusão, da base de cálculo, dos valores pagos a prestadores de serviços, clínicas, hospitais, etc. Tais pagamentos são custos e despesas próprios e inerentes à atividade exercida pelo interessado.” destaquei. Posta a questão, passo ao voto. É indiscutível que o segmento de saúde é altamente específico, tanto que possui, inclusive, Plano de Contas Próprio, aprovado e “controlado” pela ANS. Tal fato é imprescindível para o deslinde da questão, pois as matérias fiscais em discussão apenas têm sentido se forem analisadas com base neste Plano de Contas, o qual reflete as especificidades do setor. Pois bem. Em primeiro lugar fazse necessário consolidar o entendimento do que é faturamento para uma operadora de saúde, nos termos da interpretação consolidada pelo Supremo Tribunal Federal (“receita da venda de produtos e serviços”). A empresa que opera saúde tem como faturamento todos valores recebidos a título: (i) das prestações pagas pelos seus beneficiários bem como (ii) da utilização de sua rede (hospitais, clínicas, etc) por terceiros, aqui entendidos empresas, outros operadoras de saúde, particulares e o próprio SUS. É esta, conceitualmente, toda a receita recebida pela operadora de saúde, logo, estes valores é que consistem no faturamento das OP’s. A problemática se inicia na análise prática deste conceito, justamente porque a ANS estabeleceu no Plano de Contas Contábil das Operadoras, (a) algumas rubricas de custos classificadas no mesmo Grupo de Contas do Faturamento/Receita das Operadoras e (b) outras rubricas de faturamento classificadas no mesmo Grupo de Contas de Despesas. É o caso, respectivamente : a) dos CUSTOS COM CONGÊNERES que são contabilizados no Grupo 3 – RECEITA (conta 3117 e 3118) junto com o Faturamento / Receitas Fl. 120DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13866.000151/200381 Resolução nº 3302000.226 S3C3T2 Fl. 7 6 Operacionais da Operadora, como contas redutoras do ativo, portanto reduzindo as; e b) das receitas advindas dos FATURAMENTO CONTRA AS CONGÊNERES que são classificadas no Grupo 4 – DESPESA (conta 4123 e 4124) junto com os custos e despesas dos eventos assistenciais, como contas redutoras do passivo, reduzindoos. Desta forma, o faturamento das OP’s, conforme conceito prédefinido (total dos valores referentes a venda de produtos e serviços), não é encontrado apenas na conta contábil do GRUPO 3, conta de RECEITA. Acrescido a este fato, o legislador optou, para fins de incidência das contribuições ao PIS e COFINS que sabidamente, no sistema cumulativo, incidem sobre o faturamento e de forma cumulativa a possibilidade de abatimentos na base de cálculo do tributo. Isso posto, não houve alteração no conceito de faturamento, como havia quando pretendeuse a equiparação do conceito de faturamento à receita bruta3 (o que foi julgado inconstitucional pela Suprema Corte), o legislador apenas adequou o plano contábil específico à incidência tributária e concedeu determinado benefício de diminuição de carga tributária, consubstanciado na redução da base de cálculo do tributo. Neste particular, erra a fiscalização, ao limitar a interpretação das deduções de base, sob pena de alterarse o conceito de faturamento. Diz o dispositivo legal: “Art. 2°. O art. 3º da Lei n° 9.718, de 27 de novembro de 1998, passa a vigorar com a seguinte redação: (...) § 9° Na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, as operadoras de planos de assistência à saúde poderão deduzir: I coresponsabilidades cedidas; II a parcela de contraprestações pecuniárias destinadas à constituição de provisões técnicas; 3 Tai equiparação foi declarada inconstitucional pelo Pleno do Supremo Tribunal Federal, no julgamento do Recurso Extraordinário n.° 357.950, em sessão de 09/11/2005. “Lei nº 9.718/98 (...) Art. 2º As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. § 1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. (Revogado pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009) (...)” Fl. 121DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13866.000151/200381 Resolução nº 3302000.226 S3C3T2 Fl. 8 7 III o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pagos, deduzido das importâncias recebidas a titulo de transferência de responsabilidades.” Importante a partir desse momento discutirse o alcance dos incisos I a III do parágrafo 9º. Para melhor compreensão desse Colegiado passarei a analisar cada inciso, com base na legislação específica do setor, bem como do Plano de Contas que se aplica a este segmento, definido pela Agência Nacional de Saúde. (i) CoResponsabilidades Cedidas. A determinação contida na Lei nº 9.718/98 claramente dispõe (introduzida pela Medida Provisória nº 2.15835), sobre a possibilidade de exclusão, da base de cálculo do PIS e Cofins das operadoras de saúde (OP’s), dos valores referentes às coresponsabilidades cedidas. Neste ponto, importante conceituarse o que são “coresponsabilidade cedidas”. Conforme esclarecido, as empresas que operam a saúde podem fazêlo por meio de sua rede própria ou com o auxílio de terceiros. Estes terceiros são, obrigatoriamente, credenciados perante a ANS. Ocorre que os credenciados podem ser contratados de forma direta ou indireta. Os credenciados contratados de forma direta (ou simplesmente credenciados), prestam o serviço “em nome” e sob a responsabilidade da operadora contratante. Aqui, não há transferência de responsabilidade. O credenciado é contratado por tarefa a ser prestada dentro de sua especialidade médica, trata da saúde por evento. Já os credenciados contratados de forma indireta (chamados de congêneres), são OP’s que prestam o serviço contratado em seu próprio nome e, por isso, respondem diretamente pelo serviço prestado. As congêneres (empresas de mesmo gênero) obrigatoriamente devem ser OP’s, porque apenas as operadoras registradas na ANS podem assumir riscos em saúde suplementar. A congênere assume o risco de tratar permanentemente da saúde das vidas que assumiu de outra operadora, cobrando para tanto uma taxa mensal para “cuidar” deste beneficiário que foi “transferido” aos seus cuidados, recebe portanto um valor fixo independente do serviço prestado, sendo este valor devido ainda que o serviço não seja utilizado pelo beneficiário. De forma sumária temse que no primeiro caso, a responsabilidade é da OP contratante, enquanto no segundo caso, a responsabilidade pelo atendimento médico é da contratada. Esta questão da responsabilidade é regulada pela própria ANS, que para garantir o beneficiário exige, cada vez que a OP credencia um prestador de serviço, uma série de documentos/informações. A troca da rede credenciada é procedimento complicado e burocrático que, caso desrespeitado, impõe severas multas às OPs, justamente porque transfere a responsabilidade do atendimento. Em termos técnicos, em razão da própria natureza do serviço, a rede credenciada consiste na espécie de produto oferecido, uma vez que se refere à abrangência geográfica da prestação do serviço. Logo, as regras aplicáveis às congêneres são denominadas regras de PRODUTO. Toda esta introdução é necessária porque o inciso I menciona “co responsabilidade cedida”. Trata portanto de responsabilidade e de cessão. Neste aspecto, o dispositivo legal mencionado permite a exclusão da base de cálculo dos valores pagos Fl. 122DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13866.000151/200381 Resolução nº 3302000.226 S3C3T2 Fl. 9 8 justamente para estas congêneres, credenciados contratados de forma indireta que se responsabilizam por parte dos beneficiários da operadora, do que se conclui, por dedução lógica inversa, que os valores pagos aos demais credenciados não se enquadram neste inciso primeiro. No Plano de Contas veiculado e imposto pela ANS, a percepção de qual seria este número está evidente – e por isso mesmo não costumam gerar dúvidas para a fiscalização, é que estes valores estão registrados separadamente nas já mencionadas contas 3117 e 3118. São os CUSTOS COM CONGÊNERES estão contabilizados“erroneamente” no Grupo 3 relativo à RECEITA. A mera análise do Plano Contábil – que peço vênia a esse Colegiado para juntar aos autos, em vista da imprescindibilidade das informações nele contidas – é suficiente para se constatar que, na prática, este valor já deveria ser deduzido das Receitas, uma vez que está indicado como “conta redutora” do ativo, com a necessária aposição do sinal negativo, verbis: “ CONTA: 3.1.1.7 () CONTRAPRESTAÇÕES DE CORRESPONSABILIDADE TRANSFERIDA DE ASSISTÊNCIA MÉDICO HOSPITALAR” A providência legislativa, portanto, ao definir a exclusão da conta 3.1.1.7, responsável pelo registro do “custo” com a contratação indireta de prestadores de serviços, ajustou o valor da base de cálculo da OP, retirando do total faturado o montante “repassado” aos terceiros que “assumiram” a assistência de parte de seus beneficiários. Assim sendo, resta inconteste que, por força de lei, houve a redução da base do PIS e Cofins para exclusão de valores pagos a credenciados, neste item em particular credenciados congêneres (que assumem a responsabilidade do serviço de saúde), mas sem dúvida terceiros. E este fato não significa que a legislação alterou o significado de faturamento, mas que definiu, isso sim, um benefício ao setor de saúde ao permitir a exclusão da base de cálculo, do valor repassado aos terceiros que efetivamente prestaram os serviços para os quais a OP foi contratada. Tratase apenas de exceção legal que, enquanto válida, vigente e eficaz no ordenamento jurídico, deve ser observada por toda administração pública. (ii) Provisões Técnicas. A possibilidade da exclusão de provisões técnicas também não gera dúvida, em virtude da setorização em rubrica contábil própria. As provisões técnicas são garantias exigidas pela ANS para a manutenção da atividade das OP’s em caso de risco de atendimento aos beneficiários, e se justificam pela característica social do serviço prestado. Neste aspecto, na hipótese de a empresa deixar de atender os beneficiários em virtude, por exemplo, de má administração da OP a ANS prevê diversas regras para a manutenção do serviço até a equalização do problema, regras estas que determinam, inclusive, a intervenção na direção da OP. Para estas situações, prevêse a utilização das provisões realizadas pelas empresas, na mesma linha do que ocorre com o sistema financeiro, sujeito à determinações deste tipo do Banco Central – BACEN. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13866.000151/200381 Resolução nº 3302000.226 S3C3T2 Fl. 10 9 Mais uma vez a rubrica precisa ser excepcionada por tratarse de conta do ativo, registrada no Grupo de RECEITAS, indicada expressamente na conta 3.1.2. Aqui não se faz a referência à conta redutora, até porque consiste, sem dúvida, em conta pertencente ao Ativo. Todavia, penso que não há discussão/dúvida sobre o fato de que a mencionada receita não se refere ao faturamento de uma OP, posto que totalmente desvinculada da “prestação de serviços médicos” razão pela qual a exclusão do cálculo do PIS e COFINS não causa qualquer surpresa. Mister lembrar que, à época da promulgação da Medida Provisória nº 2.13835, vigorava o § 1º, do artigo 3º, da Lei nº 9.718/98, que expressamente determinava que a base de cálculo do PIS e Cofins era “a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas.” Com esta determinação, se não houvesse expressa determinação legal para a exclusão da Conta 3.1.2., a tributação – prima facie deveria incidir sobre os valores consubstanciados nas Provisões Técnicas, ainda que se tratasse de receitas totalmente díspares de faturamento. Atualmente, após o julgamento da Suprema Corte e a revogação do mencionado dispositivo legal, estivesse a questão sob a análise deste Egrégio Tribunal, não haveria sequer a necessidade de dispositivo legal definindo a exclusão, posto que esta seria automática, visto o valor não constituir faturamento. Todavia, à época a realidade era outra. Ante o exposto, pareceme clara a exclusão, da base de cálculo do PIS e Cofins, dos valores referentes às Provisões Técnicas. E vez que os valores estão definidos em conta específica não costuma causar problemas de interpretação entre os agentes da Receita Federal. Entendo que a questão não está diretamente discutida nestes autos, mas é preciso analisar todas as hipóteses de exclusão para que seja possível concluir se o procedimento adotado pela Recorrente encontra supedâneo legal. (iii) Indenizações Referentes a Eventos Ocorridos. Este é, dos conceitos trazidos pela legislação, o mais difícil de se interpretar. As maiores divergências estão justamente no entendimento de sua significação. Isso porque, a despeito de, assim como nos itens analisados anteriormente, existir uma rubrica contábil indicando quais seriam/onde estariam os eventos ocorridos, fato é que os agentes administrativos entendem que esta não pode ter sido a intenção do legislador, uma vez que o PIS e Cofins incidem sobre o faturamento e ao praticar a exclusão de toda a conta, estarseia tributando apenas a receita líquida. Neste sentido, entende a administração que como não é possível a “mudança do conceito de faturamento”, não se admite qualquer exclusão neste inciso. De acordo com este raciocínio a fiscalização proferiu várias interpretações no sentido de que não é possível a exclusão da base de cálculo do valor pago aos credenciados. Esta interpretação não é possível, sob pena de expressa negativa à aplicação do dispositivo legal, o que não pode ser feito pela administração pública. Que o dispositivo pretendeu alguma espécie de exclusão, não resta dúvida, e para tal conclusão basta ler os termos da lei. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13866.000151/200381 Resolução nº 3302000.226 S3C3T2 Fl. 11 10 Vejamos os exatos termos trazidos sobre este assunto no parágrafo 9º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, a saber: “§ 9° Na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, as operadoras de planos de assistência à saúde poderão deduzir: (...) III — o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pagos, deduzido das importâncias recebidas a titulo de transferência de responsabilidades.” Da análise do texto citado, para alcançarmos o sentido da norma, é preciso repartir o dispositivo em duas partes: (a) indenizações de eventos ocorridos e efetivamente pagos e (b) valores recebidos a titulo de transferência de responsabilidades. A simples leitura do artigo III é suficiente para constatar que se trata de uma DEDUÇÃO seguida de uma ADIÇÃO. Poderão ser excluídas as referidas indenizações, mas deverão ser incluídos os valores recebidos a título de transferência de responsabilidades. A expressão “...poderão deduzir o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pagos...” é óbvia. Inconteste que é possível a exclusão de algum valor, cuja tarefa agora é a de encontrarmos qual o será. EM meu entendimento, impedir a exclusão de qualquer valor em relação a este inciso por entender que seria “tributação de receita líquida” é uma discussão que não pertence a este tribunal administrativo e uma interpretação defesa às autoridades administrativas. Se o questionamento é sobre a regularidade/constitucionalidade da lei, no sentido do desvirtuamento da intenção do legislador, é preciso que os órgãos competentes (no caso a Advocacia Geral da União – AGU) tome as medidas cabíveis para obter a invalidade do dispositivo normativo. Não compete ao auditor fiscal, assim como ao julgador administrativo, deixar de aplicar a lei, sob pena de responsabilidade funcional. É preciso que, ao menos, seja feita a interpretação do dispositivo mencionado. Somente se permite a restrição da redução definida pelo legislador se ela for pautada na interpretação do dispositivo legal. Assim, importante denotar que o posicionamento adotado pela fiscalização foi no sentido de que o pagamento aos credenciados e a rede própria não consistem em indenizações dos eventos ocorridos. Ora, então não restaria outra alternativa de interpretação. A intenção da lei foi desonerar o pagamento a terceiros, credenciados, o que significa o inciso I, que conforme consenso trata expressamente da Conta 3.1.1.7., a qual alcança os pagamentos aos credenciados, ainda que contratados de forma indireta. Com este raciocínio importante nesse momento conceituar o que seriam “eventos incorridos”. O que o legislador pretendeu, ao expressamente conceder a possibilidade de redução da base de cálculo dos tributos em discussão. A despeito do entendimento da fiscalização, conforme se depreende do Plano de Contas da ANS, os eventos ocorridos estão definidos na conta “4.1. EVENTOS INDENIZÁVEIS LÍQUIDOS / SINISTROS RETIDOS”. E tratase apenas de identidade de classificação, é exatamente este termo – eventos – que permite a interpretação que a intenção da lei é alcançar esta rubrica contábil. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13866.000151/200381 Resolução nº 3302000.226 S3C3T2 Fl. 12 11 Várias empresas do setor aplicam este entendimento de forma genérica e excluem da base de cálculo o valor referente ao inteiro teor da conta “4.1.1. EVENTOS CONHECIDOS / INDENIZAÇÕES AVISADAS DE ASSISTÊNCIA MÉDICOHOSPITALAR”. Todavia, também não coaduno com este entendimento. É que entendo que, como tratase de benefício fiscal, a lei deve ser analisada em seus termos literais4, lembrando que no ordenamento jurídico não há palavras inúteis. A rubrica 4.1.1. contém registros dos custos realizados com rede própria e rede contratada (no caso terceiros simplesmente credenciados, não congêneres). Ocorre que entendo que os custos com a rede própria não estão incluídos no dispositivo de desoneração legal. Explico. Conforme se depreende do texto legal, o inciso III permite a dedução do “... valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pagos ...” O que significa indenizações de eventos ocorridos efetivamente pagos? Mais uma vez socorrome dos aspectos técnicos específicos do setor. É cediço que o setor da saúde é diverso dos demais setores da sociedade, não apenas por tratar de serviço essencial e se sujeitar às regras definidas por Agência Reguladora, mas pela própria operação e exatamente por isso é que a legislação limitou à possibilidade de exclusão da base de cálculo aos eventos ocorridos efetivamente pagos. Em aspectos práticos, para fim de atender as determinações da ANS, a sistemática de procedimento das empresas de saúde obedece ao seguinte critério: (1) O credenciado presta o serviço para o beneficiário; Janeiro /2012 (2) após o serviço prestado, este credenciado informa a operadora, apresentando a documentação suporte necessária para o ressarcimento do custo, já que a credenciada trabalha por evento (ao contrário da congênere); Fevereiro/2012 (3) apenas após validar a informação da credenciada a operadora realiza o pagamento e reconhece a despesa. Março/2012 As operadoras de saúde possuem controles contábeis integrados com os controles da ANS, e toda esta informação é importante porque justamente com base nesta movimentação de faturamento/pagamento/despesas/utilização de rede credenciada que a ANS faz todos os seus controles, não necessariamente contábeis. Por exemplo, é com base nesta informação que são feitos os cálculos dos valores que precisarão ser provisionados (as mencionadas Provisões Técnicas que garante o atendimento aos beneficiários); assim como são 4 Código Tributário Nacional: "Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias." Fl. 126DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13866.000151/200381 Resolução nº 3302000.226 S3C3T2 Fl. 13 12 controladas as alterações de produto (descredenciamento/alteração de rede credenciada). Pode se citar, ainda, o cruzamento de informações com o SUS (que é uma espécie de terceiro, uma vez que as operadoras precisam ressarcir o SUS na hipótese dos hospitais público virem a atender um de seus beneficiados). Neste diapasão, os eventos ocorridos em janeiro/2012, apenas serão reconhecidos contabilmente e efetivamente pagos em março/2012, sendo impossível qualquer outro procedimento. É uma espécie de exceção aos regimes de caixa e competência, e por isso que se tornou imperioso ao legislador reconhecer a especificidade do setor e determinar que apenas poderia ser deduzido o valor das “indenizações referentes a evento ocorrido efetivamente pago”, sob pena de (i) o benefício não poder ser aplicado ao setor; (ii) causar grande confusão nos controles ou, no limite, (iii) serem deduzidos valores ainda não pagos e reconhecidos contabilmente. É exatamente em razão desta especificidade de procedimento do setor que discordo do raciocínio de exclusão total e genérica da conta 4.1.1. É que não são todos os eventos registrados naquela rubrica que podem, a meu ver, ser considerados como “indenizações” ou ‘eventos ocorridos, efetivamente pagos”. A rede própria consiste no exercício direto do serviço médico, incluindo portanto todos os custos decorrentes de hospitais, clínicas, inclusive folha de salário dos funcionários (médicos/enfermeiros/recepcionistas....). Ocorre que estes eventos não são “indenizados” pela operadora, mas sim custeados por ela. A folha de salário não precisa ser avisada ou aguardar qualquer procedimento de confirmação para ser “efetivamente paga”, é simplesmente paga, de forma automática, todos os meses. Não me parece, ao conhecer o procedimento do setor, que os valores referentes à rede própria estejam dentre aqueles imaginados pelo legislador, e este entendimento decorre justamente dos termos legais. Todavia, é visível a identidade do procedimento adotado com os credenciados com os dizeres apostos no inciso III. Indiscutível que são estes os valores cuja exclusão foi pretendida pelo legislador. Reitero que não se trata de discutir o conceito de faturamento para as operadoras de saúde, esta questão já foi superada quando foi definida a base de cálculo. Tratase de dar efetividade à intenção do legislador que foi, claramente, beneficiar o setor de saúde com a exclusão de determinados valores da base de cálculo constituída para pagamento do tributo (justamente do valor total do faturamento). Ante os esclarecimentos expostos, entendo que o inciso III, do parágrafo 9º, do artigo 3º, da Lei nº 9.718/98 determinou a exclusão dos valores pagos aos prestadores de serviços (rede credenciada e SUS), os quais se coadunam exatamente com os dispositivos legais mencionados. No que se refere à mencionada ADIÇÃO, também presente neste inciso, mais uma vez deparamonos com o conceito de responsabilidade e transferência. Conforme já analisado, temse a transferência de responsabilidade quando a OP é contratada indiretamente e exerce a função de CONGÊNERE, ou seja, a mesma função da operadora que a contratou, respondendo inclusive civil e penalmente pela prestação do serviço médico. No caso, assim Fl. 127DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13866.000151/200381 Resolução nº 3302000.226 S3C3T2 Fl. 14 13 como a Recorrente contrata terceiros para lhe prestar serviços, no exercício de suas atividades é contratada por outras empresas para atender aos beneficiários destas. É cediço que tais contratações são muito comuns neste segmento em virtude da necessária abrangência geográfica dos planos de saúde. É certo que as pessoas estão em constante movimento, e esta mobilidade faz com que, as vezes, tenham que ser atendidas em locais (cidades/estados) diversos daqueles onde a empresa de quem tomam serviços de saúde possui estabelecimento. Assim, para poder atender aos seus beneficiários e com a devida autorização da ANS, as OPs se servem de outras empresas de saúde, as quais terão condições de atender o beneficiário de acordo com as especificidades e nos locais que estes necessitem. A meu ver, é evidente que esta receita – mensalidade recebida pela Recorrente para atender beneficiários, ainda que de terceiros – é faturamento da operadora. Está vinculado ao objeto social da empresa e resulta de sua prestação de serviços. Todavia, assim como exposto alhures, os valores relativos a esta receita, nos termos do Plano de Contas da ANS, não estão registrados no GRUPO 3, que é o vinculado às RECEITAS, ao contrário, estão registrados no GRUPO 4, que é rubrica de DESPESA. Neste aspecto, as receitas advindas do FATURAMENTO CONTRA AS CONGÊNERES(empresas pertencentes ao mesmo gênero da Recorrente) compõe uma conta redutora do passivo, in verbis: “ CONTA: 4.1.2.3 () RECUPERAÇÃO / RESSARCIMENTO DE EVENTOS/ SINISTROS EM CORESPONSABILIDADE DE ASSISTÊNCIA MÉDICO HOSPITALAR” Registro que esta é a exata contraposição da conta contábil 3.1.1.7. conta redutora do ativo que está expressamente excluída da tributação, conforme inciso I – razão pela qual é necessário o seu reconhecimento e inclusão na base de cálculo do tributo. Ao obrigar a tributação sobre os valores recebidos a título de transferência de responsabilidades, a legislação garante que aquele que efetivamente prestou o serviço, seja tributado. Pareceme claro que, em relação a este item o legislador pretendeu “ajustar” a base de cálculo das empresas de saúde para que a tributação recaísse sobre o seu faturamento total, uma vez que a sua aposição em conta de passivo podia evitar que fosse tributado pelo PIS e Cofins, mesmo consistindo em faturamento da empresa. Outrossim, dito isso, verifico que às fls. 44 dos autos a SAORT ao efetuar a glosa considerou insubsistente o valor de R$ 417.213,24 por tratarse de valores a título de “outras exclusões”, referindose à DIPJ de fls. 34. Ocorre que, na informação do contribuinte em relação à sua base de cálculo, consta às fls. consta às fls. 39 que foram excluídos os valores de R$ 390.472,43 relativos às despesas das contas 4.1.1.1 (Eventos Conhecidos de Assistências Médicas) e R$ 22.345,69 relativos às despesas da conta 4.4.1.3.4, perfazendo valor inferior ao glosado, da ordem de R$ 412.818,12. Verificando o Plano de Contas do setor, a numeração adotada não nos permitiria correlacionálas ao que o referido Plano, combinado com a legislação, permitiria excluir pelas contas 3.1.1.7, muito embora sua redação seja parecida, ou seja, o contribuinte, ao invés de Fl. 128DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13866.000151/200381 Resolução nº 3302000.226 S3C3T2 Fl. 15 14 contabilizála em conta do grupo 3, como uma redutora de receitas, a contabilizaria numa conta de despesa, que poderia ser a 4.1.2.3 mas o fora em outra rubrica. Isso posto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência para que a fiscalização: i) verifique se o valor a ser glosado efetivamente é de R$ 417.213,24 ou de R$ 412.818,12, com base na Declaração do contribuinte, o que seria adequado; por outro lado, ii) intime o contribuinte a compor tais valores detalhadamente, de acordo com a sua natureza, para que demonstre ou não que os valores excluídos possuem a mesma natureza daqueles que poderiam ser contabilizados no grupo de contas 3.1.1.7 ou 4.1.2.3, o que pela sua natureza poderá determinar o adequado enquadramento dessas despesas na base de cálculo do tributo. É como voto, (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Relator ad hoc. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 10209.000503/2004-34
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 24 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE
Data do fato gerador: 17/04/2004
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. CIDE. ÔNUS DA PROVA.
Não comprovado pela contribuinte a legitimidade do direito creditório pleiteado, apesar da oportunidade que lhe foi dada mediante diligência solicitada por esta Turma, não é possível deferir-lhe o pleito.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-002.088
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatÓrio e voto que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo (Suplente).
Nome do relator: ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO
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CIDE. ONUS DA PROVA. Não comprovado pela contribuinte a legitimidade do direito creditório pleiteado, apesar da oportunidade que lhe foi dada mediante diligência solicitada por esta Turma, não é possível deferir-lhe o pleito. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos. em negar provimento ao recurso, ;1 \os termos do relatorio e voto que integram o presente .julgado. Vencido o Conselheiro Jac ues Mauricio Ferreira Veloso de Melo (Suplente). IICL 0 ROSA - Presidente em exercício h ALVARO ARTI !UR LOPES DE ALMEIDA FIL110 - Relator. EDITADO EM: 24/02/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro (presidente da turma), Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo (Suplente). Adriana Oliveira c Ribeiro (Suplente), Ricardo Paulo Rosa. Alvaro Almeida Filho e Jose Fernandes do Nascimento. Fl. 154DF CARF MF Impresso em 21/05/2015 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por FERNANDO ANDRADE SILVA Relatorio Trata-se de recurso voluntário visando a reforma do acórdão n° 08-15.697 da 2" Turma da DRJ/FOR, que indeferiu o pedido de restituição. De acordo corn o relato da decisão recorrida é possível identificar que: "Trata o presente processo de pedido de reconhecimento de direito creditório da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cicie), no valor de RS 9.990,31, relativo Declaração de Importação n° 03/03261476, registrada em 17/04/2003, conforme requerimentos dells. 01-03. 2. No despacho de lls. 19-26 são prestadas as seguintes htforniações: 2.1 a solicitação do contribuinte respeito à Ode devida em razão da importação de querosene de aviação, realizada na modalidade de despacho antecipado, sendo ckclarada a quantidade de 5.907.890,00 Kg, porém, conforme lamb técnico c/c fi. 13, a quantidade efetivamente descarregada foi de 5.687.590,00 Kg, equivalentes a 7.226,50 m3; 2.2 a interessada alega que o pedido cie reconhecimenio de direito creditório decorre da retificação du DI, tendo havido o pagamento a maior da Cicie no valor (le RS 9.990,31, em face das diferenças nas quantidades ckclarada e ckscarregada, considerando a aliquota fixa de RS 65,30 por in3 , nos termos do Decreto n°4.565/2003; 2.3 o comprovante do pagamento, emitido pelo sistema Sinal, consta à ft. 18; 2.4 confirme art. 7° cia Lei n°10.336/2001 e ari. 14 da Instrução Normativa SRF (IN SRF) n° 422/2004, a Cide- combustiveis possui sistemcitica semelhante aquela aplicável ao Impost() sobre Produtos Inchtstrializados (IPA no que concerne à dechweio c/c) valor pago na importação do tributo devido quando da comercialização da mercadoria no mercado interno; 2.5 aplica-se o art. 166 do Código Tributário Nacional (CTN) c/c com Pctrecer Cosh n° 47/2003, cabendo perquirir sobre a assunção cio encargo financeiro pelo contribuinte, relativo ao valor pago da Cicie, medicmte demonstração da descrição delalhacla dos langamentos contábeis rePrentes ao recolhimento do citado tributo, informando-se se foi utilizado como parcela declutivel, apropriado C01110 custo da mercadoria destinada a revenda ou qualquer outra situação que importe na integração ao prego do produto comercializado no mercado interno, apresentando ainda autorização expressa do terceiro que tenha arcado com o ônus fincmceiro, untcmcio-se ao.s• autos ct doc untentação coniprobatória. 3. No citado despacho Pram feitas ainda, considerações sobre a aventada necessicktde de conferência final de Illanif esto, reilficadas por meio cio despacho ci e fl. 43, no qual foi reiteracia a solicitação de diligência para verificar se o contribuinte assumiu o encargo fincmceiro ou. tendo trcuisjerido a terceiro, se 2 Fl. 155DF CARF MF Impresso em 21/05/2015 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por FERNANDO ANDRADE SILVA Processo n" I 0209.000503/2004-3 4 83-(•1'1 . 2 Acórao 3102-002.088 I I. 2 estalyl poi e.sle e.yressamerite crittoriatdo ci receber a restititiciio. Ent decorrencia, a enipresa foi intinicula a apresentcw. no prazo c/c cinco dias. Os registros canteibeis c fiscais referentes ao recolhimento da Cicie de que licita a cl/acha DI, tench) solicitach) prorrogacao por mais (has, ,foi deferida pela liscalizaccio (fls. 46-49). Ern resposta, apreseniados os documentos c/c /Is. 51-53. 4. Por meio do term() de 54, a empresa foi novamente intimada ct apresentar, no prazo c/c três &as, os registros contábeis e ,fiscais, com descrkao detalhada dos lanomentos e respectivas contrapartidas, referentes ao recolhimento chi Chle e c‘i mercadoria importada, inclusive a sua eventual revenchi, bent como carimbar e assinar os clocumentos jc apresenutdos, informando aincia se houve transferencia do ónus financeiro cl terceiro, ainvsentanclo expressei attiorizacilo deste para recebimento da reslituiçâo. !liens ulna vez a recpierente solicitou prorrogação cio prazo por incus de: diCis, com base no jitstificativa de que os doc iinientos seriam de "elite, complexhicide", estando localizados em sua seek no Rio de Janeiro 55). 5. Coliforme despacho de . 17.v. 56-57. foi indeferido o pedido de prorrogaccio cie prazo„ sendo infirmado (Undo que os documentos cpresentados eni decorrência da primeira intimaolo são cópias, sent carimbo item assincitura, de Mhos identificadas C01110 RaZa0 Geral nas quais nao estilo descritos clara e detalhadamente os lancamentos conicibeis solicitados. Consla lcuubjni que ci empresa apresentou os documentos exigidos e aqueles entregues hão demonstram Os registros conicibeis da operacilo. Cientificada eh) citado despacho, Cl pleiteante compareceu cios autos solicileindo reconsideracilo do indcferimento de prazo e autorizacrio para recebimentos dos documentos. 6. 0 Parecer de . fl.s. 63-68 relate, os lalos ocorriclos e odic os seguinleslioulanzenios: 6.1 o cwt. 60 e parágrafo finico (la Lei n° 10.336/2001 determinei que o pagamento da Cicie deve ser denude) na data de registro da DI e, ell1 CYISO comercializaolo no merecido inferno, o tributo deverá ser apitrado meliScill1leiile e pogo ate o dia álil da primeira quinzena c/o Ines subsequente ao de ocorrência do lato geraclor; 6.2 o art. 70 do MCS1110 diPlonia legal, cm seu inciso I, autoriza o contribuinte a deduzir do valor c/a Cicie incidente na comercialização no mercado interno o valor da Chic pogo na hit/unlace7o dos prochims; 6.3 o art. 8° da citadel lei permite a deciwilo do valor do Ode pago 11c1 ill1p011000 ou 110 C011ierchllialçao 110 Mercado ¡Wen/0 dOS valores da Contribuicilo parer o PIS/PASEP e da Cofins devidos em rectio da comercializacao no mercado interne) ate determinados limites, os quais. caso cie querovene de aviaci7o, firam rechcidos perm RS 11,60 e RS 53,70 por metro respectivamente, pelo Decreto n° 4.565/2003 (DOU 1°/01/2003), e depois para zero, pelo Decreto n°5.060/2004, Fl. 156DF CARF MF Impresso em 21/05/2015 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por FERNANDO ANDRADE SILVA para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de Mai° de 2004; 6.4 o art. 4° da IN SRF n° 210/2002 determinava que a autoridade administrativa competente para decidir sobre a restituição poderia determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo, a Jim de que fosse verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e a exatidão das informações prestadas; 6.5 o art. 8° do mesmo ato normativo vedava a restituição a um contribuinte cie crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela SRF cujo encargo financeiro lenha sido suportado por outro; 6.6 as referidas normas foram mantidas na IN SRF n° 460/2004 e na IN SRF n° 600/2005; 6.7 a Cicie, por sua natureza, envolve a transferência do encargo financeiro, de modo que, para ter direito ii restituição, o interessado deve comprovar haver assumido o referido encargo ou, em caso de transferência a terceiro, estar por este expressamente autorizado a recebê-la; 6.8 apesar os prazos razoáveis que foram concedidos e da tecnologia (Mud, que possibilita o acesso imediato aos dados contcibeis e fiscais, a empresa não atendeu à intimação para apresentação dos documentos, tais como registros conhibeis e fiscais referentes ao recolhimento da Cicie, bein C'onlo C.1 eventual revenda (la mercadoria, ou aincia, á autorização expressa cie terceiro que kiiha ass umiclo o ônus financeiro, na0 comprovando o alegado direito à restituição. 7. Assim, com base no citado Parecer, por não haver comprovado o atendimento da exigência prevista no art. 166 do CTN o pedido de reconhecimento de direito creditório foi incleferido, conforme despacho deciscirio dell. 55. 8. Cientificado do indeferimento em 09/11/2006; o contribuinte apresentou manifestação de inconfbriniciade de fis. 70-72, em 11/12/2006, argumentando, em síntese, que, tendo sido intimado para apresentckdo de registros contábeis e fiscais, devido à exigüidade cio prazo, agindo de boa-fé e coin a intenção c/c cnender a todas cis solicitações., fbrain apresentados documentos sem carimbo e assinatura referentes ci jblhas identificadas. como Razão Geral, que lido descreviam clara e detalhadamente os lcmçcunentos conicibeis exigidos. 9. Acrescenta que foi novamente intimado pela fiscalização, que lhe concedeu o prazo improrrogável de três dias ilteis, porém não conseguiu cumprir a solicitação no referido prazo, pedindo, então, nova prorrogação, a qual foi indefericici. Afirnict, que toda documelitação de comercialização da empresa não fica no escritório em Belém, servindo este apenas de base, onde fluxional'? alguns serviços cie apoio, de 'bona que o exíguo prazo impediu que fosse atenclida a solicitação, pois os documentos não chegaram ao escritório em tempo 10. Outrossim, sustenta que a prorrogação do prazo por mais dez dias fiteis, conforme requerido anteriormente en' nada impede o exame e jukcimento final cio pedido cie restituição, Manifestando-se, a requerente, contra a decisão huransigente que indeferiu a prorrogação de prazo. 4 • Fl. 157DF CARF MF Impresso em 21/05/2015 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por FERNANDO ANDRADE SILVA Processo n" 10209.000503/2004-34 S3-(' 112 Acórdão n.° 3102-002.088 Ii $ Por Jim, ressalta, a litigante, que toda a documentaçãojá se enconlra no escritório de Belém, de firma que, demonstrada a insubsistclncia do despacho decisório, requer seja reconsiderada a deeisCio anterior. concedendo-lhe novo pra::o para apresentar a documentação, julgando- se procedente o pedido de restififição." Após analisar a defesa ao auto de infração. decidiu a 2" Turma da DRJ/FOR. pela procedência do lançamento nos termos da ementa do voto abaixo: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do falo gerador: 17/04/2004 Ementa: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. C'ONTRIBUIGTO INTERVENCÃO NO DOMINIO WIDE). A restituição de tributos que comportem, por sua naturezo, transkrc;ncia do respectivo encargo jinanceiro somenle será jc.fila a quern prove luwer ass' miado referido encargo, ou, no caso de Fé-lo transferido a terceiro, estar por este expressamente autorifado a recebê-la. Solicifitção Inde. ferida Inconformada corn a decisão acima a recorrente apresenta recurso voluntário alegando em síntese que: 1 — Requereu a restituição da CIDE em razão da diferença entre a quantidade registrada na DI n° 03/0326147-6 e a quantidade descarregada a menor. lino este comprovado através de laudo de arqueação, apurando-se uma diferença de 7.226,50 111 3 . que representa um recolhimento a maior de CIDE no montante de R$ 9.990,31; 2 — Apesar de ser incontroverso que houve pagamento a maior da MI.:, o pleito foi indeferido pela inaplicável exigência do art. 166 do CTN, pois o pedido de restituição baseado em redução da base de cálculo, já que a mercadoria descarregada é inferior a declarada na DI. Assim, a PETROBRAS não tinha como transferir o encargo financeiro para terceiro já que não havia produto, e portanto não há fato gerador da diferença: 3 — Não persiste o argumento de transferência do encargo linanceiro a terceiros já que inexiste mercadoria; 4 — Inexiste fato gerador e base de calculo da CIDE já que o laudo de arqueação apontou uma diferença de 7.226,50 m 3 ; Colocado o presente processo em julgamento esse foi convertido em diligência, por intermédio da Resolução 3102-000.200, de 21/03/2012, para ser demonstrado se o montante do indébito de R$ 9.990,31 foi contabilizado como custo de mercadoria para consumo proprio , ou ainda, como dedução do valor devido na comercialização no mercado interno a titulo de CIDE ou PIS/PASEP e COFINS. É o relatório. _ Voto Fl. 158DF CARF MF Impresso em 21/05/2015 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por FERNANDO ANDRADE SILVA Conselheiro Alvaro Arthur Lopes de Almeida Filho Conheço do presente recurso por ser tempestivo e tratar de matéria de competência da terceira seção. Como explicitado no relato acima a recorrente visa o reconhecimento de direito creditório da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (CIDE), sob o argumento de que o próprio laudo da Receita aferiu a diferença entre o produto declaro na DI e o produto existente. A CIDE — Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico é de competência exclusiva da Unido, nos termos do art. 149 da CF, deve ser analisada observando os princípios gerais da atividade econômica insculpidos no art. 170, I a IX da Constituição. pois seu objetivo e incentivar a economia, o que demonstra seu caráter extrafiscal. Segundo o professor José Eduardo Soares de Meio': As contribuições interventivas têm por âmbito o dominio económico, cujo o conceit() não é de fCicil compreensão e delimitação, devendo ser examinadas na Constituição Federal as inúmeras ingerências do Estado na esfera econômica, abrangendo: a) serviços público; b) poder de policia; c) obras pliblicas; d) atividades monopolizadas; e) a excepcional exploração direta da atividade econômica; f) a regulação da atividade econômica — contrapostas às situações em que se outorga liberdade para a atuação dos particulares. A partir da emenda constitucional no 33/2001 ficou definido que as contribuições de intervenção no domínio econômico poderão incidir sobre a importação ou comercialização de petróleo, gas natural e seus derivados, com também sobre álcool combustive l observando os requisitos insculpidos no § 4° do referido artigo 177 da CF. Neste prisma surgiu a Lei n° 10.336/2001, a qual disciplinou a contribuição incidente sobre a importação e a comercialização de petróleo e outros combustíveis, definindo como contribuintes o produtor, o formulador e o importador nos termos do art. 2' da referida lei. Essa contribuição de intervenção no domínio econômico incidente sobre a importação e a comercialização de petróleo e seus derivados, gds natural e seus derivados, e álcool etílico combustive!, tem como fato gerador as operações descritas no art. 3° da referida norma nos semiintes termos: Art. 3 0 A Cide tent conto jams geradores as operações, realizadas pelos contribuintes referidos no art. 2°, de importação e de comercializctção no mercado intern° de: — gasolinas e suas correntes; II - diesel e suas correntes; III — querosene de aviação e outros querosenes; IV - óleos combustíveis ME1,0, José Eduardo Soares de. "Contribuições Sociais no Sistema Tributário", 6" ed. Editora Melheiros. Sao 6 Paulo 2010. p 135 Fl. 159DF CARF MF Impresso em 21/05/2015 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por FERNANDO ANDRADE SILVA Processo n° 10209.000503/2004-34 53-C112 Acórdão n.' 3102-002.088 H. 4 V - gas liquefeito de pelróleo, inclusive o derivado de gas natural C de nofia; e VI - álcool combustível. O contribuinte poderá realizar a dedução do valor da CIDE, pago na importação ou na comercialização no mercado interno, com os valores da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidos na comercialização, no mercado interno. dos produtos já referidos, conforme prescreve o art. 8° da Lei if 10.336/2001. o qual também define em seu § 1° que a CIDE a ser deduzida sera com as contribuições relativas a um mesmo período de apuração ou posteriores, nos seguintes termos: Art. 8° 0 contribuinte poderá, ainda, dedicir o valor da Ode. pogo 11(1 imporlação ou na comercialização, no mercado inferno, dos valores da contribuição para O PIS/Pasep e da Collar devidas na comercialização, mio mercado interno, dos prod/dos referidos no art. 50, até o de, respectircimente: 1" A dedução a que se refere este arago aplica-se as contribuições relativas a 11111 mesmo período de apuração out posteriores. A mesma redação da norma acima, observa-se. em quase sua integraliclade, no art. 77 2 do Decreto n° 4.524/2002, o qual regulamenta a contribuição para o PIS/PASEP e a COFINS devidas pelas pessoas jurídicas em geral. Observada a legislação mencionada, resta discutir se (5 imprescindível para o deferimento do pedido da recorrente, a comprovação de que o contribuinte não repassou o encargo fi nanceiro a terceira pessoa ou, se assim necessário e comprovado. se foi autorizado a pleitear a restituição nos termos do art. 166. Ora, de acordo com as normas acima citadas, especificamente o art. 8" da l.ei if 10.336/2001, e ainda o art. 76 da instrução normativa if 247/2002, a dedução do valor da CIDE paga na importação, poderá ser realizada quando da "comercialização - no mercado interno, ou seja, fica o contribuinte obstado a realizar a dedução com PIS e COFINS se não realizar a venda da mercadoria no mercado interno. No caso dos autos ficou comprovado que a quantidade descrita na declaração de importação é maior do que a quantidade de Diesel importada, fato este aferido através de laudo anexo ao processo, o que motivou a retificação da "DI - e o pedido de reconhecimento de crédito. pois foi identi ficada uma diferença a menor de 7.226,50 m 3 . Entretanto, a turma entendeu pela conversão do julgamento em dilip,éncia, para ser aferido se o montante do indébito de R$ 9.990.31 foi contabilizado como custo dc mercadoria para consumo próprio, ou, ainda, como dedução do valor devido na comercialização no mercado interno a titulo de CIDE ou PIS/PASEP e COFINS. visando assim obstar o ressarcimento em duplicidade. 2 Lei n° 10.336/2001 - Art. 77. A pessoa juridica sujeita à Contribuição de Intervenção no Domink) Nconômico instituída pela Lei n° 10.336, de 19 de dezembro de 2001, Ckle-combustíveis, poderá deduzir do valor da ('ide paga, até o limite estabelecido no art. 8° da referida Lei, observado o disposto no art. 2' do Decreto n" 4.066, de 27 de dezembro de 2001, o valor do PIS/Pasep e da Corms devidos em relação à receita da comercialização, no mercado interno, dos seguintes produtos (Lei n° 10.336. de 2001, art. 8', e Decreto n° 4.066, de 27 dc dezembro de 2001, art. 2° e Medida Provisória n° 75, de 2002, art. 33 7 Fl. 160DF CARF MF Impresso em 21/05/2015 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por FERNANDO ANDRADE SILVA De acordo com o relatório de diligência, a contribuinte foi intimada a apresentar os livros diário e razão, bem como outras informações para atendimento da diligência. Entretanto, apesar de apresentar resposta à intimação, nenhum dos documentos solicitados fbi anexado, obstando assim atingir o fim pretendido por esse Conselho, razão pela qual nega-se provimento ao recurso voluntário. Sala de sessões 24 de outubro de 2013. ,P.A.Lo.stt L.ALtaL Alvaro Arthur Lopes de Almeida Filho - Relator 8 Fl. 161DF CARF MF Impresso em 21/05/2015 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por FERNANDO ANDRADE SILVA
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Numero do processo: 10814.009726/2005-18
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Fri Jun 03 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO - II
Data do fato gerador: 09/01/2001
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. RECONHECIMENTO DO DIREITO À ISENÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
A isenção não concedida em caráter geral é efetivada, caso a caso, por despacho da autoridade administrativa, mediante requerimento do interessado, no qual comprove o preenchimento das condições e dos requisitos definidos em lei para a concessão do favor.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3102-001.065
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Nanci Gama.
Nome do relator: Ricardo Paulo Rosa
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1749; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C1T2 Fl. 1 1 S3C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10814.009726/200518 Recurso nº 874.522 Voluntário Acórdão nº 310201.065 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 03 de junho de 2011 Matéria Retificação de DI Recorrente SIEMENS VDO AUTOMOTIVE LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 09/01/2001 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. RECONHECIMENTO DO DIREITO À ISENÇÃO. ÔNUS DA PROVA. A isenção não concedida em caráter geral é efetivada, caso a caso, por despacho da autoridade administrativa, mediante requerimento do interessado, no qual comprove o preenchimento das condições e dos requisitos definidos em lei para a concessão do favor. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Nanci Gama. Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. Ricardo Paulo Rosa Relator. EDITADO EM: 03/06/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Luciano Pontes de Maya Gomes, Paulo Sergio Celani, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Nanci Gama. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 08/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 03/06/2011 por RICARDO PAULO ROSA 2 Trata o presente processo de pedido de restituição de Imposto de Importação alegadamente recolhido a maior, pago através de débito automático em conta corrente bancária na data do registro da DI n° 03/01987992, em 11/03/2003 (fls. 6/9), no valor de R$ 1.238,31 (Hum mil, duzentos e trinta e oito reais e trinta e um centavos). Seguese um breve histórico dos fatos, conforme documentos nos autos. Alega o interessado ter direito ao beneficio fiscal concedido pelo art. 5º das Medidas Provisórias n’s 193924 (de 06/01/00), 206837 (de 27/12/00) e 206838 (de Processo 10814.009726/200518 RJ/SP2 Acórdão n.° 1741.744 Ns. 96 25/01/01), convertidas em Lei n° 10.182, de 12 de fevereiro de 2001. Tal benefício consista redução de 40 % (quarenta por cento) do imposto de importação, para empresas devidamente habilitadas quanto ao mesmo no Sistema Integrado de Comércio Exterior SISCOMEX, referindose especificamente à importação de partes, peças, componentes, conjuntos e subconjuntos, acabados e semiacabados, e pneumáticos, destinadas aos processos produtivos das empresas e dos fabricantes de produtos relacionados no art. 5º, § 1º I a X (veículos leves: automóveis e comerciais leves, ônibus, caminhões, etc). Tendo em vista que, em nome do mesmo interessado, na mesma Unidade da RFB e tratando de assunto idêntico (mas para Declarações de Importação diferentes) há diversos processos em tramitação, inicialmente todos foram apensados ao de n° 10814006.463/200587. Posteriormente constatouse que parte dos processos apensados ao de n° 10814006.463/200587 apresentam registro no Programa PerdComp, de Declaração de Compensação, e outros não (tratam apenas de restituição, como é o caso do presente PAF) , o que exige rito processual diferente. Optouse pela separação do presente processo, o qual foi desapensado do PAF 10814006.463/200587 (fls. 42), para nele discutirse apenas a viabilidade de reconhecimento do direito creditório pleiteado (e não a compensação, a qual não foi objeto de Declaração respectiva). Voltemos à síntese dos fatos: PEDIDO DE RETIFICAÇÃO DE DI INDEFERIMENTO Em 11/03/2003 o interessado submeteu a despacho aduaneiro mercadorias beneficiárias da mencionada redução, pela Declaração de Importação n° 03/01987992, tendo deixado de pleitear o benefício em questão, e recolhido integralmente o Imposto de Importação. Em 24/11/2005, por requerimento de fls. 1/2, pleiteou a restituição do valor que entende recolhido a maior, no total de R$ 1.238,31 (Hum mil, duzentos e trinta e oito reais e trinta e um centavos), pelo Pedido de Restituição de fls. 1/2 e Pedido de Cancelamento de Declaração de Importação e Reconhecimento de Direito Creditório de fls. 3/4. Anexou às fls. 21 documento comprobatório fornecido pelo DECEX, segundo o qual a empresa está habilitada a fruir o benefício da Lei 10.182/2001 desde 18/01/2000. O processo tramitou pela Inspetoria da Receita Federal em São (IRFSP), para revisão aduaneira e eventual retificação de Declaração de Importação. Dentro do procedimento de análise da retificação prevista no art. 45 da In n° 680/2006, o contribuinte em tela foi intimado a apresentar as certidões negativas de débito (CND, FGTS e Divida Ativa da União) abrangendo as datas de registro da DI. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 08/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 03/06/2011 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10814.009726/200518 Acórdão n.º 310201.065 S3C1T2 Fl. 2 3 Em atendimento ao termo em questão o contribuinte apresentou tempestivamente resposta onde se manifestou pelo não cabimento da exigência de certidões negativas no caso em tela e também que caberia à administração verificar internamente se a empresa estaria ou não em regularidade com os tributos administrados pela União. Tendo em vista o previsto no artigo 120 do Regulamento Aduaneiro vigente à época dos fatos, aprovado pelo Decreto n° 4.543/2002, combinado com o artigo 60 da Lei 9.069, de 29/06/1995, entendeu a autoridade aduaneira que, da combinação dos dois dispositivo legais, fica caracterizado que a exigência de prova de quitação se renova a cada despacho objeto de redução pretendida e que a comprovação em questão deve ser feita pelo contribuinte, não se aplicando aqui o disposto no art. 37, da Lei 9.784/99. Em decorrência do exposto, foi indeferido o pedido de retificação da Declaração de Importação (fls. 45). Em 15/05/2008 foi proferido despacho indeferindo a retificação da Declaração de Importação (v. fls. 45). PEDIDO DE RECONSIDERAÇÃO DE DESPACHO DENEGATÓRIO DA RETIFICAÇÃO DE DI INDEFERIMENTO Ciente da decisão denegatória de seu pleito (retificação da DI), o interessado apresentou seu pedido de reconsideração de despacho. Apresentou, tempestivamente, seu pedido de reconsiderado de despacho para ser encaminhada ao Sr. InspetorChefe, nos termos do § 4º . art; n° 45 da IN/SRF n° 680/2006. Em seu pedido de reconsideração o impetrante manteve posição pelo não cabimento da exigência de certidão negativa no caso em tela. 01 Argumentou que a Lei in° 10.182 não exige a apresentação de CND para fruição da redução do imposto, porém a Notícia Siscomex n° 21, de 23/07/2001 não deixa qualquer dúvida quanto a aplicabilidade do disposto no art. 60 da Lei n° 9.069, de 29/06/1995, para as retificações constantes no processo em tela. 02 Reapresentou jurisprudência das 1ª e 2ª Turmas do STJ, que , conforme já mencionado, ,não valem para o caso em tela, por tratarem de benefícios referentes a mercadorias beneficiadas por drawback, benefício este de caráter objetivo, e não à redução ora discutida, que é um benefício condicional do tipo objetivosubjetivo ou misto (vinculado à qualidade do importador e à destinação do bem). Diante do exposto, e levandose em conta o previsto no artigo 120 do Regulamento Aduaneiro vigente à época dos fatos, aprovado pelo Decreto n° 4.543/2002, combinado com o artigo 60 da Lei 9.069, de 29/06/1995, foi mantido o indeferimento do pleito . O despacho denegatório do pleito encontrase às fls. 46/47 — Despacho Decisório IRF/SPO n° 034/2009, de 18 de fevereiro de 2009. PEDIDO DE RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO — INDEFERIMENTO Tendo o interessado tomado ciência do despacho decisório que manteve o indeferimento, e esgotado administrativamente o pedido de retificação, os autos foram enviados para a ALF/Aeroporto Internacional em São Paulo — Guarulhos SP, para prosseguimento, nos termos do artigo 58 da IN/RFB 900/2008, ou seja, apreciação relativo ao reconhecimento ou não do direito creditório e a restituição de Fl. 3DF CARF MF Emitido em 08/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 03/06/2011 por RICARDO PAULO ROSA 4 crédito relativo ao tributo administrado pela RFB, (no caso em estudo, o imposto de importação). Com base na mesma argumentação que servira de base ao indeferimento de seu pedido de retificação de DI ( posteriormente objeto de pedido de reconsideração), e levando em conta o referido indeferimento, que implicou em não ficar caracterizado terem os recolhimentos sido feitos a maior que o devido, foi indeferido também o pedido de reconhecimento de direito creditório. (fls. 48/51). Inconformado com o indeferimento de seu pleito, o interessado apresentou sua Manifestação de Inconformidade, tempestivamente. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Analisandose a Manifestação de Inconformidade de fls. 55/69, constatase que são os seguintes os principais argumentos do recorrente: 01 — A Lei 10.182/01, que instituiu o beneficio da redução de 40% do II na importação de determinados produtos , para empresas montadoras e dos fabricantes do setor automotivo não exige a apresentação de CND para a fruição da redução do imposto (comprovação já feita quando de sua habilitação ao regime , feita junto ao SECEX). 02 — Entende que não se aplica ao caso o art. 60 da Lei 9.069/95, que condiciona à apresentação de CND apenas a concessão ou reconhecimento de beneficio fiscal. Entende que o dispositivo legal prevê a apresentação em somente uma das ocasiões, e ele já apresentara as CND's quando da habilitação do beneficio. 03 — Alega que, pela doutrina, lei posterior derroga lei anterior e lei especial derroga lei geral. Portanto, a Lei 10182/2001 teria prelavência sobre a Lei 9.069/1995, já que lei posterior derroga a anterior. Também a derrogaria por ser a Lei 9.069/1995 geral, e a lei 10182/2001 especial. 04 — Considera que caberia à Receita Federal aferir a regularidade fiscal do interessado, pela simples verificação de seus sistemas informatizados, conforme art. 37 da Lei n° 9.784/99; 05 — Reapresenta jurisprudência administrativa e judicial, que entende reforçar seu ponto de vista. Resumindose os fatos, o indeferimento do pleito quanto à retificação da DI e do reconhecimento do direito creditório prendeuse basicamente à não apresentação das CNDs (Certidões Negativas de Débito) à época do fato gerador, e a Manifestação de Inconformidade de fls. 55/69 também foca o mesmo assunto, ou seja, a pretendida inadmissibilidade de exigência de CNDs (Certidões Negativas de Débito) a cada despacho aduaneiro de importação onde seja pleiteado beneficio de redução ou isenção de tributo. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 11/03/2003 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. ALEGAÇÃO DE RECOLHIMENTO A MAIOR POR NÃO UTILIZAÇÃO DA REDUÇÃO Fl. 4DF CARF MF Emitido em 08/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 03/06/2011 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10814.009726/200518 Acórdão n.º 310201.065 S3C1T2 Fl. 3 5 PREVISTA NA LEI 10.182/2001 (REGIME AUTOMOTIVO). NÃO RECONHECIDO O DIREITO CREDITÓRIO TENDO EM VISTA A NÃO COMPROVAÇÃO DE REGULARIDADE QUANDO AOS TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES FEDERAIS À ÉPOCA DO FATO GERADOR. Conforme art. 165 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional), cabe restituição de tributos recolhidos indevidamente ou a maior que o devido. Não caracterizado o recolhimento como indevido ou a maior que o devido, não cabe a restituição do mesmo ao sujeito passivo. APRESENTAÇÃO DE CND's POR OCASIÃO DO DESPACHO ADUANEIRO DE MERCADORIA BENEFICIADA POR ISENÇÃO/REDUÇÃO DE CARÁTER SUBJETIVO OU MISTO. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal de caráter subjetivo (vinculado à qualidade do importador) ou misto (vinculado tanto à qualidade e destinação da mercadoria quanto à qualidade do importador), relativos a tributos e contribuições administrados pela Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais, sendo cabível o disposto no artigo 60 da Lei n° 9.069, de 29 de junho de 1995. Insatisfeita com a decisão de primeira instância, a recorrente apresenta recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio do qual repisa argumentos contidos na impugnação ao lançamento. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso voluntário. A lide cingese à possibilidade de que o contribuinte usufrua da redução do imposto de importação própria do Regime Automotivo, independentemente da apresentação da Certidão Negativa de Débitos CND por ocasião do registro das importações correspondentes. Todas as demais questões estão pacificadas. Essa exigência está expressa no artigo 60 da Lei 9.069/95. Art. 60. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais. Segundo entende a recorrente, a administração não pode fazer uma exigência não especificada na legislação própria do Regime, que determinava a apresentação da CND apenas no momento da habilitação da empresa no Siscomex. Uma vez habilitada, estaria apta à fruição do benefício, para o que não é exigida a apresentação da CND, sendo esta vinculada à Fl. 5DF CARF MF Emitido em 08/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 03/06/2011 por RICARDO PAULO ROSA 6 concessão do mesmo, que, tudo segundo entende, ocorreu quando de sua habilitação no Siscomex. Por outro lado, sustenta que a lei mais específica, no caso a Lei 10.182/01, deve prevalecer ante uma Lei mais genérica, a 9.069/95. Não assiste razão à recorrente. Além de tudo o que até aqui já foi dito, cabe acrescentar o disposto no Código Tributário Nacional a respeito do processo de concessão de benefício fiscal. Art. 179. A isenção, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade administrativa, em requerimento com o qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para concessão. (grifos meus) § 1º Tratandose de tributo lançado por período certo de tempo, o despacho referido neste artigo será renovado antes da expiração de cada período, cessando automaticamente os seus efeitos a partir do primeiro dia do período para o qual o interessado deixar de promover a continuidade do reconhecimento da isenção. § 2º O despacho referido neste artigo não gera direito adquirido, aplicandose, quando cabível, o disposto no artigo 155. Depreendese do texto que (i) a isenção é efetivada por despacho da autoridade administrativa, em cada caso, e não, como advoga a recorrente, por meio da habilitação ao Regime e (ii) que cabe ao interessado fazer prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para concessão da isenção. Uma das condições definidas em lei é justamente a apresentação da Certidão Negativa de Débitos, sendo, conforme estabelecido no Código Tributário Nacional, de responsabilidade do contribuinte a adoção de tal providência, para que, somente depois de atestado o preenchimento da condição, a autoridade administrativa efetive a isenção prevista em lei. Quanto a isso, é óbvio que o Código estáse referindo à aplicação da isenção concedida por lei. Do contrário, não faria menção a despacho da autoridade administrativa, em requerimento, fazer prova, e em cada caso. A lei concede a isenção, e a administração efetiva a, analisando caso a caso, o pedido do administrado. Não há que se falar aqui em fruição. Essa depende de que o beneficiário mantenhase preenchendo as condições e requisitos, sob pena de revogação da isenção já efetivada. Assim determina o art. 155 do Código, ao qual faz remissão o artigo 179 acima transcrito. Art. 155. A concessão da moratória em caráter individual não gera direito adquirido e será revogado de ofício, sempre que se apure que o beneficiado não satisfazia ou deixou de satisfazer as condições ou não cumprira ou deixou de cumprir os requisitos para a concessão do favor, cobrandose o crédito acrescido de juros de mora: I com imposição da penalidade cabível, nos casos de dolo ou simulação do beneficiado, ou de terceiro em benefício daquele; II sem imposição de penalidade, nos demais casos. Parágrafo único. No caso do inciso I deste artigo, o tempo decorrido entre a concessão da moratória e sua revogação não se computa para efeito da prescrição do direito à cobrança do crédito; no caso do inciso II deste artigo, a revogação só pode ocorrer antes de prescrito o referido direito. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 08/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 03/06/2011 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10814.009726/200518 Acórdão n.º 310201.065 S3C1T2 Fl. 4 7 Se a isenção não foi se quer efetivada, não há que se falar em fruição. Também não se trata de aplicação de lei mais específica. As duas leis não estão em contradição, complementamse. Esse princípio seria oponível se a Lei 10.182/01 expressamente dispensasse a apresentação da CND, o que não é o caso. Neste mesmo contexto, importante destacar que o disposto no artigo 37 da lei 9.784/99 não é aplicável ao caso concreto, pois tratase de um comando genérico, regulador das situações que não dispõe de regulamentação própria, conforme ressalvado na própria Lei 9.784/99, artigo 69. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Art. 69. Os processos administrativos específicos continuarão a regerse por lei própria, aplicandoselhes apenas subsidiariamente os preceitos desta Lei. Finalmente, cumpre acrescentar que a decisão do Recurso Especial nº 1.047.237 – SP, tomada no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, em recurso repetitivo, referese textualmente ao Regime Aduaneiro Especial de Drawback, não sendo, por conseguinte, aplicável ao caso concreto. RECURSO ESPECIAL Nº 1.041.237 SP (2008/00604621) RELATOR : MINISTRO LUIZ FUX RECORRENTE : FAZENDA NACIONAL PROCURADORES : CLAUDIO XAVIER SEEFELDER FILHO MARIA FERNANDA DE FARO SANTOS E OUTRO(S) RECORRIDO : ROYAL CITRUS SA ADVOGADO : OSVALDO SAMMARCO E OUTRO(S) EMENTA PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. REGIME DE DRAWBACK. DESEMBARAÇO ADUANEIRO. CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITO (CND). INEXIGIBILIDADE. ARTIGO 60, DA LEI 9.069/95. 1. Drawback é a operação pela qual a matériaprima ingressa em território nacional com isenção ou suspensão de impostos, para ser reexportada após sofrer beneficiamento. 2. O artigo 60, da Lei nº 9.069/95, dispõe que: "a concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais" . 3. Destarte, ressoa ilícita a exigência de nova certidão negativa de débito no momento do desembaraço aduaneiro da respectiva importação, se a comprovação de Fl. 7DF CARF MF Emitido em 08/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 03/06/2011 por RICARDO PAULO ROSA 8 quitação de tributos federais já fora apresentada quando da concessão do benefício inerente às operações pelo regime de drawback (Precedentes das Turmas de Direito Público: REsp 839.116/BA, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 21.08.2008, DJe 01.10.2008; REsp 859.119/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 06.05.2008, DJe 20.05.2008; e REsp 385.634/BA, Rel. Ministro João Otávio de Noronha, Segunda Turma, julgado em 21.02.2006, DJ 29.03.2006). 4. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543 C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Ante o exposto, VOTO POR NEGAR provimento ao recurso voluntário apresentado pela recorrente. Sala de Sessões, 03 de junho de 2011. Ricardo Paulo Rosa – Relator. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 08/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 03/06/2011 por RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 19515.004748/2010-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Apr 28 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2007
SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. FALTA DE INTERESSE DE AGIR E DE LEGITIMIDADE DE PARTE.
A pessoa jurídica, apontada no lançamento na qualidade de contribuinte, não possui interesse de agir nem legitimidade de parte para questionar a responsabilidade tributária solidária atribuída pelo Fisco a pessoa física, que não interpôs recurso voluntário. A falta de interesse de agir se evidencia porque, qualquer que fosse a decisão a ser tomada acerca dessa matéria, inexiste dano ou risco de dano aos interesses da pessoa jurídica. E, por não ter direitos ou interesses passíveis de serem afetados pela decisão a ser adotada quanto a esse ponto, não se qualifica como parte legítima, não podendo pleitear direito alheio em nome próprio. Não se há, portanto, de conhecer desse pedido.
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PROCEDÊNCIA.
Caracterizam omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
MULTA QUALIFICADA. OMISSÕES DE RECEITA. PRESUNÇÃO LEGAL. AUSÊNCIA DE OUTRAS CIRCUNSTÂNCIAS. REDUÇÃO DO PERCENTUAL. SÚMULA CARF Nº 25.
Tendo o lançamento sido efetuado exclusivamente com base nas receitas omitidas, apuradas e quantificadas por presunção legal, e não tendo o Fisco apontado qualquer outra circunstância, além da omissão em si, capaz de levar à conclusão do intuito de ocultar da autoridade administrativa a ocorrência do fato gerador tributário, a multa qualificada não pode subsistir, devendo ser reduzida ao percentual de 75%. Aplicação da Súmula CARF nº 25.
Numero da decisão: 1302-001.707
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reduzir o percentual de multa de 150% para 75%. Vencidos os Conselheiros Eduardo Andrade, que negava provimento, e Márcio Frizzo, que dava provimento em maior extensão.
(assinado digitalmente)
Alberto Pinto Souza Junior - Presidente
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Márcio Rodrigo Frizzo, Eduardo de Andrade, Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Alberto Pinto Souza Junior. Ausente o Conselheiro Guilherme Pollastri Gomes da Silva.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2007 SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. FALTA DE INTERESSE DE AGIR E DE LEGITIMIDADE DE PARTE. A pessoa jurídica, apontada no lançamento na qualidade de contribuinte, não possui interesse de agir nem legitimidade de parte para questionar a responsabilidade tributária solidária atribuída pelo Fisco a pessoa física, que não interpôs recurso voluntário. A falta de interesse de agir se evidencia porque, qualquer que fosse a decisão a ser tomada acerca dessa matéria, inexiste dano ou risco de dano aos interesses da pessoa jurídica. E, por não ter direitos ou interesses passíveis de serem afetados pela decisão a ser adotada quanto a esse ponto, não se qualifica como parte legítima, não podendo pleitear direito alheio em nome próprio. Não se há, portanto, de conhecer desse pedido. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PROCEDÊNCIA. Caracterizam omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, a origem dos recursos utilizados nessas operações. MULTA QUALIFICADA. OMISSÕES DE RECEITA. PRESUNÇÃO LEGAL. AUSÊNCIA DE OUTRAS CIRCUNSTÂNCIAS. REDUÇÃO DO PERCENTUAL. SÚMULA CARF Nº 25. Tendo o lançamento sido efetuado exclusivamente com base nas receitas omitidas, apuradas e quantificadas por presunção legal, e não tendo o Fisco apontado qualquer outra circunstância, além da omissão em si, capaz de levar à conclusão do intuito de ocultar da autoridade administrativa a ocorrência do fato gerador tributário, a multa qualificada não pode subsistir, devendo ser reduzida ao percentual de 75%. Aplicação da Súmula CARF nº 25.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reduzir o percentual de multa de 150% para 75%. Vencidos os Conselheiros Eduardo Andrade, que negava provimento, e Márcio Frizzo, que dava provimento em maior extensão. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior - Presidente (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Márcio Rodrigo Frizzo, Eduardo de Andrade, Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Alberto Pinto Souza Junior. Ausente o Conselheiro Guilherme Pollastri Gomes da Silva.
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EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Exercício: 2007 QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO SEM AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. EXTRATOS BANCÁRIOS FORNECIDOS PELO SUJEITO PASSIVO. INOCORRÊNCIA DE NULIDADE. Inexiste quebra de sigilo bancário, na situação em que os extratos bancários foram apresentados pela própria fiscalizada, mediante intimação, em cumprimento do dever de prestar ao Fisco as informações necessárias e indispensáveis ao procedimento de fiscalização. Inocorrência de nulidade. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PROCEDÊNCIA. Caracterizam omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, a origem dos recursos utilizados nessas operações. MULTA QUALIFICADA. OMISSÕES DE RECEITA. PRESUNÇÃO LEGAL. AUSÊNCIA DE OUTRAS CIRCUNSTÂNCIAS. REDUÇÃO DO PERCENTUAL. SÚMULA CARF Nº 25. Tendo o lançamento sido efetuado exclusivamente com base nas receitas omitidas, apuradas e quantificadas por presunção legal, e não tendo o Fisco apontado qualquer outra circunstância, além da omissão em si, capaz de levar à conclusão do intuito de ocultar da autoridade administrativa a ocorrência do fato gerador tributário, a multa qualificada não pode subsistir, devendo ser reduzida ao percentual de 75%. Aplicação da Súmula CARF nº 25. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 47 48 /2 01 0- 90 Fl. 656DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.004748/201090 Acórdão n.º 1302001.707 S1C3T2 Fl. 657 2 Exercício: 2007 SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. FALTA DE INTERESSE DE AGIR E DE LEGITIMIDADE DE PARTE. A pessoa jurídica, apontada no lançamento na qualidade de contribuinte, não possui interesse de agir nem legitimidade de parte para questionar a responsabilidade tributária solidária atribuída pelo Fisco a pessoa física, que não interpôs recurso voluntário. A falta de interesse de agir se evidencia porque, qualquer que fosse a decisão a ser tomada acerca dessa matéria, inexiste dano ou risco de dano aos interesses da pessoa jurídica. E, por não ter direitos ou interesses passíveis de serem afetados pela decisão a ser adotada quanto a esse ponto, não se qualifica como parte legítima, não podendo pleitear direito alheio em nome próprio. Não se há, portanto, de conhecer desse pedido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reduzir o percentual de multa de 150% para 75%. Vencidos os Conselheiros Eduardo Andrade, que negava provimento, e Márcio Frizzo, que dava provimento em maior extensão. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Márcio Rodrigo Frizzo, Eduardo de Andrade, Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Alberto Pinto Souza Junior. Ausente o Conselheiro Guilherme Pollastri Gomes da Silva. Relatório ZAPI COMERCIAL ELETRÔNICA LTDA. EPP, já qualificada nestes autos, inconformada com o Acórdão n° 1640.388, de 18/07/2012, da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I / SP, recorre voluntariamente a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito. Fl. 657DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.004748/201090 Acórdão n.º 1302001.707 S1C3T2 Fl. 658 3 Em decorrência de ação fiscal, a contribuinte acima identificada foi autuada em 21/12/2010 (fls. 394, 407, 418, 429 e 440) e intimada a recolher o crédito tributário constituído relativo aos tributos abrangidos pelo Simples: Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) e Contribuição para a Seguridade SocialINSS, multa proporcional e juros de mora, referentes a fatos geradores ocorridos em 2006. 2. Conforme descrito nos Autos de Infração, no Termo (07) de Verificação Fiscal e Responsabilidade Tributária Tributo Simples de 20/12/10 (fls. 367 a 370) e demonstrativos anexos, a contribuinte cometeu as seguintes infrações: 2.1. omissão de receitas caracterizada por depósitos bancários não escriturados cuja origem não foi comprovada pela contribuinte regularmente intimada; e 2.2. insuficiência de recolhimento decorrente da mudança de faixa de alíquota do Simples incidente sobre a receita declarada em função do aumento da receita bruta acumulada devido ao cômputo da receita omitida, conforme demonstrativos de fls. 371 a 380. 3. Tendo em vista o apurado, foram lavrados, conforme preceitua o artigo 9° do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972, os seguintes Autos de Infração: 3.1. IRPJSimples (fls. 393 a 397) [...]; 3.2. PIS (fls. 406 a 410) [...]; 3.3. CSLL (fls. 417 a 421) [...]; 3.4. COFINS (fls. 428 a 432) [...]; e 3.5. Contribuição para a Seguridade Social INSS (fls. 439 a 443) [...]. 4. Sobre a parcela do lançamento decorrente de insuficiência de recolhimento foi aplicada a multa de ofício regular (75%) e sobre a parcela do lançamento decorrente de receita omitida foi aplicada a multa de ofício qualificada (150%), com base no artigo 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, combinado com o artigo 19 da Lei n° 9.3 17/ 1996. O enquadramento legal dos juros de mora é o artigo 61, § 3°, da Lei n° 9.430/1996 (fls. 389, 402, 413, 424 e 435). O responsável solidário tributário qualificado no Termo de Verificação Fiscal e Responsabilidade Tributária Tributo Simples de 20/12/10 foi o sócioadministrador Sr. Cláudio Ramalhoso, CPF 060.116.06814. 5. Irresignada com os lançamentos, em 20/01/2011, a autuada apresentou, representada por procurador (fls. 471 a 480), a impugnação de fls. 449 a 471, instruída com os documentos de fls. 472 a 493, na qual alega, em síntese, o seguinte: 5.1. movimentação financeira não pode ser considerada receita omitida por não representar acréscimo patrimonial, lucro ou faturamento e porque não foi demonstrado pela autoridade autuante o efetivo ingresso de receita; 5.2. durante a fiscalização apresentou todas as informações relacionadas às apurações fiscais e demonstrações contábeis realizadas em 2006 e colocouse à disposição para apresentação de documentos suplementares que a fiscalização entendesse necessários; Fl. 658DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.004748/201090 Acórdão n.º 1302001.707 S1C3T2 Fl. 659 4 5.3. a Súmula 182 do Tribunal Federal de Recursos, acompanhada por jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais reproduzida, pacificou o entendimento de que é ilegítimo o lançamento de imposto de renda com base apenas em depósitos bancários e o artigo 9°, inciso VII, do Decretolei n° 2.471/1988, editado pelo próprio governo federal, determinou o cancelamento dos débitos de imposto de renda arbitrado exclusivamente em depósitos bancários; 5.4. a fiscalização foi ilegal e nula por ter sido a fiscalizada ameaçada com a lavratura de Termo de Embaraço à Fiscalização e Representação Fiscal para Fins Penais caso não apresentasse os extratos de suas contas bancárias, sem que existisse a indispensável autorização judicial prévia neste sentido, conforme decidido pelo Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial n° 121.642DF e pelo Supremo Tribunal Federal no Recurso Extraordinário n° 389.808PR (pesquisa de andamentos às fls. 482 e 483), o que macula a exigência do crédito tributário, já que a violação do sigilo de dados bancários ofende frontalmente o direito fundamental previsto no artigo 5°, inciso XII, da Constituição Federal; 5.5. o citado Recurso Extraordinário foi procedido do julgamento da Ação Cautelar n° 33 na qual foi concedido efeito suspensivo em razão da inconstitucionalidade da suposta autorização trazida pela Lei Complementar n° 105/2001 à Receita Federal para utilização e requisição diretamente às instituições financeiras de informações bancárias, impondose, desta forma, o cancelamento do auto de infração, sob pena de violação do caput do artigo 1° do Decreto n° 2.346/1997, segundo o qual as decisões do Supremo Tribunal Federal que fixem de forma inequívoca e definitiva interpretação do texto constitucional deverão ser uniformemente observadas pela Administração Pública; 5.6. por força do princípio da verdade material e dos artigos 36 e 38, §§ 1° e 2°, da Lei n° 9.784/1999, o julgamento deve ser convertido em diligência para que seja desconsiderada na apuração do crédito tributário a movimentação financeira das duas contas bancárias mantidas junto à Caixa Econômica Federal, já que, conforme declaração firmada pelo representante legal da empresa Montinc Montagens Técnicas Ltda. (fls. 485 a 493), estas contas foram abertas com o único fim de possibilitar movimentações financeiras daquela empresa que em 2006, por possuir cadastro negativo, não poderia obter créditos e financiamentos de outra forma, aplicandose o § 5° do artigo 42 da Lei n° 9.430/ 1996; 5.7. incabível a qualificação da multa aludida no § 1° do artigo 44 da Lei n° 9.430/1996 diante da comprovação ampla no curso de todo o processo administrativo da absoluta boafé da impugnante que em momento algum omitiu documentos e informações solicitados, tendo inclusive apresentado as informações bancárias, apesar de estarem protegidas pelo sigilo constitucional; 5.8. a imputação da multa qualificada de 150% ofende a vedação constitucional ao confisco, os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade e o parágrafo único do artigo 2° da Lei n° 9.784/1999, incisos I e VI, segundo os quais nos processos administrativos deve haver atuação conforme a lei e o Direito e é vedada a imposição de obrigações, restrições e sanções em medida superior àquelas estritamente necessárias ao atendimento do interesse público; 5.9. a Súmula 15 do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes diz que a simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo; Fl. 659DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.004748/201090 Acórdão n.º 1302001.707 S1C3T2 Fl. 660 5 5.10. caso seja mantido o lançamento, protesta pela adoção, como critério de graduação da penalidade, do critério legal da multa moratória (artigo 61 da Lei n° 9.430/ 1996), cujo percentual máximo é 20%; 5.11. a imputação de coresponsabilidade ao representante legal da impugnante é medida arbitrária e que viola a legislação, pois o próprio Código Tributário Nacional (artigos 134, inciso VII, e 135) define que a desconsideração da personalidade jurídica e a responsabilização dos sócios, administradores e representantes legais somente pode ocorrer na impossibilidade de exigência do cumprimento da obrigação tributária por parte do contribuinte (impugnante) em situação de liquidação de sociedades de pessoas, nos atos praticados com excesso de poderes, ou infração de lei e estatuto social e em infração cometida por conduta direta e dolosa; e 5.12. o auditor fiscal deve demonstrar por meio de provas robustas e de fundamentação fática e jurídica a presença de abuso de poder por parte das pessoas fisicas, conforme posicionamento do Superior Tribunal de Justiça reproduzido e doutrina citada. 6. Devido à ultrapassagem em 2006 do limite de receita para permanência no Simples, a autoridade autuante elaborou a Representação Fiscal para Exclusão de Ofício do Simples de fls. 359 e 360. Em 09/06/2011, foi emitido o Ato Declaratório Executivo Derat/Diort/Eqres n° 37/2011 excluindo a autuada do Simples a partir de 01 de janeiro de 2007 (fl. 508). Apesar de a contribuinte ter sido cientificada deste ato em 14/06/2011 (fls. 509 e 510), não consta dos autos manifestação de inconformidade contra a exclusão do Simples (fl. 517). A 1ª Turma da DRJ em São Paulo I / SP analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão nº 1640.388, de 18/07/2012 (fls. 534/557), considerou procedente o lançamento com a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/01/2006, 28/02/2006, 31/03/2006, 30/04/2006, 31/05/2006, 30/06/2006, 31/07/2006, 31/08/2006, 30/09/2006, 31/10/2006, 30/11/2006, 31/12/2006 PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. INVERSÃO. A instituição de uma presunção pela lei tributária transfere ao contribuinte o ônus de provar que o fato presumido pela lei não aconteceu em seu caso particular. INFORMAÇÕES BANCÁRIAS. UTILIZAÇÃO. QUEBRA DE SIGILO. INOCORRENCIA. A utilização de informações bancárias obtidas junto às instituições financeiras constitui simples transferência à administração tributária e não quebra do sigilo bancário dos contribuintes, não havendo, pois, que se falar na necessidade de autorização judicial para o acesso, pela autoridade fiscal, a tais informações. RESPONSABILIDADE PELO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. SÓCIO ADMINISTRADOR. Fl. 660DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.004748/201090 Acórdão n.º 1302001.707 S1C3T2 Fl. 661 6 As pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador, entre estas o sócioadministrador da empresa autuada, são solidariamente responsáveis pelo crédito tributário apurado. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/01/2006, 28/02/2006, 31/03/2006, 30/04/2006, 31/05/2006, 30/06/2006, 31/07/2006, 31/08/2006, 30/09/2006, 31/10/2006, 30/11/2006, 31/12/2006 DEPÓSITO BANCÁRIO. ORIGEM. FALTA DE COMPROVAÇÃO. RECEITA OMITIDA. Valores depositados em conta bancária, cuja origem a contribuinte regularmente intimada não comprova, caracterizam receitas omitidas. OMISSÃO DE RECEITAS. DETERMINAÇÃO DO IMPOSTO. REGIME DE TRIBUTAÇÃO Verificada a omissão de receita, o imposto a ser lançado de ofício deve ser determinado de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no periodo base a que corresponder a omissão. ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Data do fato gerador: 31/01/2006, 28/02/2006, 31/03/2006, 30/04/2006, 31/05/2006, 30/06/2006, 31/07/2006, 31/08/2006, 30/09/2006, 31/10/2006, 30/11/2006, 31/12/2006 LANÇAMENTO. IULGAMENTO. NORMAS APLICÁVEIS. IMPOSTO DE RENDA. As normas relativas ao imposto de renda devem ser aplicadas na determinação e exigência dos créditos tributários devidos em conformidade com o Simples. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/01/2006, 28/02/2006, 31/03/2006, 30/04/2006, 31/05/2006, 30/06/2006, 31/07/2006, 31/08/2006, 30/09/2006, 31/10/2006, 30/11/2006, 31/12/2006 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DOLO. MULTA. 150%. Em lançamento de ofício é devida multa qualificada de 150% calculada sobre a totalidade ou diferença do tributo que não foi pago ou recolhido quando demonstrada a presença de dolo na ação ou omissão do contribuinte. Fl. 661DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.004748/201090 Acórdão n.º 1302001.707 S1C3T2 Fl. 662 7 Ciente da decisão de primeira instância em 06/12/2012, conforme Aviso de Recebimento à fl. 560, a contribuinte Zapi Comercial Eletrônica Ltda. EPP apresentou recurso voluntário em 07/01/2013 conforme carimbo de recepção à folha 562. No recurso interposto (fls. 562/583), após historiar os fatos, por sua ótica, a recorrente alega preliminarmente a nulidade de todo o procedimento, em face da decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal pela inconstitucionalidade do acesso direto da Receita Federal aos dados bancários dos jurisdicionados. Referese a recorrente ao Recurso Extraordinário nº 389.808PR. Aduz razões contra a quebra de sigilo bancário sem autorização judicial, e reclama de violação ao sigilo de dados, em afronta ao inciso XII do art. 5º da Constituição Federal. No mérito, a interessada traz os argumentos abaixo sintetizados: · Afirma a impossibilidade de imputação de omissão de receita apenas com base em depósitos bancários, que não representam acréscimo patrimonial nem lucro ou faturamento. Traz à colação a Súmula 182 do extinto TFR e o art. 9º do DecretoLei nº 2.471/88, além de jurisprudência do CARF que entende suportarem sua tese. · Reitera a necessidade de desconsideração da movimentação financeira nas contas da Caixa Econômica Federal. Sustenta que tais contas teriam sido abertas com a única finalidade de permitir a movimentação financeira de valores pertencentes à empresa Montic Montagens Técnicas Ltda., o que seria confirmado por declaração prestada pelo representante legal daquela empresa. Entende assim demonstrado que a recorrente não é a titular de fato nem beneficiária daqueles valores. Reclama, ainda, contra o indeferimento, em primeira instância, da diligência que pleiteou. · Combate a multa qualificada de 150% aplicada ao lançamento. Sustenta que a mera omissão de receitas não poderia dar azo à qualificação da multa, e colaciona ementas de julgados do CARF nesse sentido, além da Súmula CARF nº 14. Afirma que teria sido mal interpretada sua declaração no curso da ação fiscal, não havendo prova de que teria conhecimento do ilícito mesmo antes da ação fiscal. Conclui que a suposta omissão de receita não teria advindo de fraude pela recorrente. Ademais, reclama que a alíquota máxima (150%) caracterizaria violação aos princípios administrativos da razoabilidade e da proporcionalidade, do que decorreria também o confisco. Pede, então, a limitação da multa a 20%. · Aduz razões pela inexistência da corresponsabilidade tributária em relação ao representante legal da recorrente, Sr. Cláudio Ribeiro Ramalhoso. O Sr. Cláudio Ribeiro Ramalhoso, apontado nos autos como responsável tributário, foi cientificado da decisão de primeira instância por via postal em 06/12/2012, conforme Aviso de Recebimento à fl. 561. Não encontro nos autos recurso voluntário por ele interposto. É o Relatório. Voto Fl. 662DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.004748/201090 Acórdão n.º 1302001.707 S1C3T2 Fl. 663 8 Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O recurso interposto por Zapi Comercial Eletrônica Ltda. EPP é tempestivo e dele conheço. Preliminarmente, a recorrente alega a nulidade de todo o procedimento, em face da decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal pela inconstitucionalidade do acesso direto da Receita Federal aos dados bancários dos jurisdicionados. Referese a recorrente ao Recurso Extraordinário nº 389.808PR. Aduz razões contra a quebra de sigilo bancário sem autorização judicial, e reclama de violação ao sigilo de dados, em afronta ao inciso XII do art. 5º da Constituição Federal. Sobre essa matéria, devese esclarecer que não houve qualquer quebra de sigilo, desde que os extratos bancários foram apresentados pela própria fiscalizada (fl. 84), mediante intimação (fls. 7/8, 81/82 e 302/303), em cumprimento do dever de prestar ao Fisco as informações necessárias e indispensáveis ao procedimento de fiscalização. Quanto ao Recurso Extraordinário nº 389.808/PR, em trâmite no Supremo Tribunal Federal, a discussão ali gira em torno da Lei nº 9.311/1996, da Lei Complementar nº 105/2001 e do Decreto nº 3.724/2001, mediante os quais o Fisco é autorizado a requisitar informações sobre movimentação bancária diretamente às instituições financeiras. O lançamento aqui examinado não se apoiou, de qualquer forma, na mencionada legislação. Ademais, ainda que assim não fosse, a ação em trâmite junto ao Poder Judiciário ainda não transitou em julgado e, quando isso vier a ocorrer, somente vinculará as partes, aí não incluída a aqui recorrente. Não existe, até a presente data, qualquer decisão judicial sobre a matéria com efeito erga omnis, que vincule a Administração Tributária. Até que isso venha a ocorrer, se vier a ocorrer, as decisões administrativas devem se pautar na legislação em vigor. As intimações se basearam na legislação vigente, diversa daquela discutida no Judiciário, sobre as quais recai a presunção de legitimidade. Quaisquer alegações de inconstitucionalidade se situam fora do poder de decisão deste órgão administrativo, a teor da Súmula CARF nº 2, a seguir transcrita. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Sobre a alegação de que teria sido coagida pelo Fisco a entregar os extratos bancários, assim se manifestou o Julgador a quo: 20. No caso dos autos, os extratos bancários foram fomecidos pela própria fiscalizada que afirma que foi coagida a assim agir por ter sido ameaçada com a lavratura de Termo de Embaraço à Fiscalização e Representação Fiscal para Fins Penais. Apesar de a autoridade autuante confirmar a elaboração de Representação Fiscal para Fins Penais no item 8 de fl. 369, o motivo desta lavratura não foi a não apresentação dos extratos bancários, mas sim porque a fiscalização entendeu ter constatado a prática de crime. De fato, em nenhuma das intimações contidas no processo (fls. 03, 04, 69, 70, 289 e 290) há a “ameaça” apontada pela impugnante. Mas ainda que houvesse infonnação de que poderia ser lavrado Termo de Embaraço à Fiscalização na hipótese de documentos e esclarecimentos não serem apresentados, isto não seria uma ameaça, mas simplesmente um esclarecimento sobre o ônus legal que a omissão da fiscalizada poderia resultar. O dever de colaborar com a fiscalização está previsto nos artigos 927 e 928 do RIR/1999: Fl. 663DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.004748/201090 Acórdão n.º 1302001.707 S1C3T2 Fl. 664 9 [...] Desde que nada de novo foi trazido, faço minhas as razões acima transcritas. Rejeito, com estes fundamentos, a preliminar de nulidade do procedimento fiscal, suscitada pelo recorrente. No mérito, o principal argumento da interessada é acerca da impossibilidade de imputação de omissão de receita apenas com base em depósitos bancários, que não representam acréscimo patrimonial nem lucro ou faturamento. Traz à colação a Súmula 182 do extinto TFR e o art. 9º do DecretoLei nº 2.471/88, além de jurisprudência do CARF que entende suportarem sua tese. A acusação trata de omissão de receitas, caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, nos termos do art. 42 da Lei n° 9.430, com a redação dada pela Lei n° 10.637/2002, a seguir transcrito: Art.42.Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). §4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou Fl. 664DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.004748/201090 Acórdão n.º 1302001.707 S1C3T2 Fl. 665 10 receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. § 6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. Tratase, como é cediço, de presunção relativa, que admite prova em contrário. Mas essa prova cabe à recorrente. Ao Fisco cabe provar o fato indiciário, definido na lei como necessário e suficiente ao estabelecimento da presunção, qual seja, a ocorrência de depósitos bancários de origem não comprovada. Não há dúvidas de que os depósitos efetivamente ocorreram. No entanto, regularmente intimada, a recorrente poderia afastar a presunção de omissão de receitas, desde que apresentasse, nos termos da lei, documentação hábil e idônea que comprovasse, individualizadamente, a origem dos valores creditados nas contascorrentes da pessoa jurídica. A obrigação de escriturar toda a movimentação financeira, inclusive bancária e, ainda, de guardar todos os documentos e demais papéis que sirvam de base para a escrituração está prevista na legislação fiscal, e aplicase, com pequenas variações, aos contribuintes tributados com base no lucro real, presumido ou optantes pelo SIMPLES, situação da interessada. Confirase o teor do § 1º do art. 7º da Lei nº 9.317/1996: Art. 7° [..] § 1° A microempresa e a empresa de pequeno porte ficam dispensadas de escrituração comercial desde que mantenham, em boa ordem e guarda e enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes: a) Livro Caixa, no qual deverá estar escriturada toda a sua movimentação financeira, inclusive bancária; b) [...] c) todos os documentos e demais papéis que serviram de base para a escrituração dos livros referidos nas alíneas anteriores. Ao descumprir a obrigação de escriturar, a interessada queda sem meios hábeis para comprovação da origem dos valores que transitaram por suas contascorrentes. Não tendo a interessada qualquer cautela em documentar adequadamente os fatos, ficam por sua conta e risco as conseqüências de tal negligência. No caso, a conseqüência é a aplicação da presunção legal de omissão de receitas, nos estritos termos da lei, conforme anteriormente mencionado. Resta, afinal, claramente demonstrada a inaplicabilidade ao caso em tela da Súmula 182 do extinto TRF, a qual se refere a legislação pretérita àquela que embasou a presente autuação. O mesmo se aplica ao DecretoLei nº 2.471/1988. Fl. 665DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.004748/201090 Acórdão n.º 1302001.707 S1C3T2 Fl. 666 11 Quanto às decisões administrativas trazidas aos autos pela recorrente (fls. 571/572), a primeira delas se refere à legislação anterior ao advento do art. 42 da Lei nº 9.430/1996; a segunda foi superada com a promulgação da Súmula CARF nº 261. Tenho, assim, que os fatos descritos e comprovados nos autos são aqueles necessários e suficientes para que se mantenha o presente lançamento de omissão de receitas. A seguir, a recorrente reitera a necessidade de desconsideração da movimentação financeira nas contas da Caixa Econômica Federal. Sustenta que tais contas teriam sido abertas com a única finalidade de permitir a movimentação financeira de valores pertencentes à empresa Montic Montagens Técnicas Ltda., o que seria confirmado por declaração prestada pelo representante legal daquela empresa. Entende assim demonstrado que a recorrente não é a titular de fato nem beneficiária daqueles valores. Reclama, ainda, contra o indeferimento, em primeira instância, da diligência que pleiteou. Eis como foi tratada essa matéria em primeira instância (fls. 539/540): 7. A impugnante requer que o feito seja convertido em diligência com o objetivo de retirar do montante tributário apurado os créditos bancários ocorridos nas duas contas mantidas junto à Caixa Econômica Federal, já que, conforme declaração de fls. 485 assinada por sócioadministrador da empresa Montic Montagens Técnicas Ltda., CNPJ 02.272.766/000150, Sr. José Alberto Ferreira Parente, CPF 035.920.69802, estas contas foram movimentadas por sua empresa, que, por se encontrar com cadastro negativo, não obtinha créditos e financiamentos, tendo a autuada aberto referidas contas para que sua empresa utilizasse a disponibilidade de crédito da impugnante. 8. O que a impugnante está a dizer é que o sujeito passivo desta parcela do lançamento não é ela, mas sim a outra empresa. Desta forma dispõe o artigo 123 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, localizado na seção “Disposições Gerais” do capítulo “Sujeito Passivo” do Código Tributário Nacional (CTN): Art. 123. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. 9. Assim, se até urna convenção particular que trata de responsabilidade sobre pagamento de tributo e que, em regra, é lícita, não pode ser oposta ao Fisco, com mais razão não pode ser aceito um acordo entre particulares que, conforme alegado, incluiu a prática de simulação perante uma instituição financeira pública. Além disto, não tem sentido algum invocar o princípio da verdade material e querer que o Fisco realize diligência, se desde o princípio o que a contribuinte quis foi justamente esconder do sistema financeiro e da administração tributária a agora prestigiada e importante verdade. Salientese que o alegado acordo não está provado, já que além da declaração de fl. 485, não foi apresentado nenhum outro documento que comprove que os valores depositados nas citadas contas bancárias pertenceram à outra empresa, especialmente que tenham sido escriturados e oferecidos à tributação por aquela empresa. De qualquer maneira, ao emprestar conta bancária de sua titularidade para outra empresa a fiscalizada tinha ciência das responsabilidades e 1 Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Fl. 666DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.004748/201090 Acórdão n.º 1302001.707 S1C3T2 Fl. 667 12 consequências não só bancárias mas também tributárias que as operações envolviam. [...] Nada de novo foi trazido no recurso voluntário. A declaração de fl. 500 (ou 485, na numeração manual), firmada pelo sócio da Montinc, permanece despida de qualquer comprovação, em especial de sua escrituração por aquela que alega ser a verdadeira titular dos recursos financeiros movimentados junto à Caixa Econômica Federal ou do oferecimento à tributação das receitas auferidas. Permanece, na ausência de prova em contrário, a convicção de que os recursos movimentados nessas contas pertencem à sua titular de direito, a ora recorrente Zapi Comercial Eletrônica Ltda. A interessada passa, então, a combater a multa qualificada de 150% aplicada ao lançamento. Sustenta que a mera omissão de receitas não poderia dar azo à qualificação da multa, e colaciona ementas de julgados do CARF nesse sentido, além da Súmula CARF nº 14. Afirma que teria sido mal interpretada sua declaração no curso da ação fiscal, não havendo prova de que teria conhecimento do ilícito mesmo antes da ação fiscal. Conclui que a suposta omissão de receita não teria advindo de fraude pela recorrente. Ademais, reclama que a alíquota máxima (150%) caracterizaria violação aos princípios administrativos da razoabilidade e da proporcionalidade, do que decorreria também o confisco. Pede, então, a limitação da multa a 20%. Conforme anteriormente ressaltado, a infração que motivou o lançamento foi a omissão de receitas, quantificada com base na presunção legal estatuída pela Lei nº 9.430/1996, art. 42, qual seja, depósitos bancários para os quais, regularmente intimado, o sujeito passivo não logrou comprovar suas origens. No que toca à multa aplicada, eis como se manifestou o AuditorFiscal autuante (Termo de Verificação Fiscal, fl. 382): 8) Dada a tipificação da infração cometida, como sonegação (artigo 71 da Lei 4502/64), caracterizada por haver omitido à RFB as informações sobre o total do seu faturamento, de forma sistemática e continuada durante todos os meses de 2006, como também deixou de efetuar os recolhimentos incidentes sobre esta receita omitida, fica o contribuinte sujeito a multa com percentual duplicado, passando a 150% sobre os valores devidos, conforme previsto no artigo 44, parágrafo 1°, da Lei 9.430/96. Como se vê, o Fisco levou em conta a conduta “sistemática e continuada” ao longo do ano, além da enorme disparidade entre o valor declarado (R$ 562.094,28) e as receitas omitidas por presunção legal (R$ 8.746.406,21). A Autoridade Julgadora em primeira instância se manteve na mesma linha, conforme se depreende da leitura do parágrafo 43 do voto condutor do acórdão recorrido (fl. 550): 43. No presente caso, o fato de a contribuinte ter apresentado Declaração Simplificada e escriturado Livro Caixa com receita anual no montante de R$562.094,28, escriturado Livro Registro de Saídas no montante de R$587.594,38, ao mesmo tempo em que auferiu receita bruta no importe anual de R$8.746.406,2l, conforme quadros de fls. 367 e 368, configura o dolo descrito no artigo 71 da Lei n° 4.502/ 1964, motivo para aplicação da multa qualificada de 150%, conforme atual § 1° (antigo inciso II) do artigo 44 da Lei n° 9.430/1996. Não é lógico, razoável ou proporcional afirmar que esta omissão tão grande decorra apenas de erro ou culpa. Fl. 667DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.004748/201090 Acórdão n.º 1302001.707 S1C3T2 Fl. 668 13 Das circunstâncias dos autos, tenho que se impõe a aplicação da Súmula CARF nº 25, verbis: Súmula CARF nº 25: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Com efeito, tendo o lançamento sido efetuado exclusivamente com base nas receitas omitidas, apuradas e quantificadas por presunção legal, e não tendo o Fisco apontado qualquer outra circunstância, além da omissão em si, capaz de levar à conclusão do intuito de ocultar da autoridade administrativa a ocorrência do fato gerador tributário, a multa qualificada não pode subsistir, devendo ser reduzida ao percentual de 75%. No que tange aos reclamos de violação aos princípios da razoabilidade, proporcionalidade e nãoconfisco, e ao pedido de redução da multa para 20%, já foi anteriormente esclarecida a falta de competência deste colegiado para a apreciação de questionamentos atinentes à constitucionalidade de leis. Desde que a multa foi imposta em procedimento de ofício, o percentual aplicável é 75%, descabendo cogitar de sua redução para 20%, percentual este reservado para procedimento de recolhimento espontâneo a destempo. Afinal, a recorrente Zapi Comercial Eletrônica Ltda. aduz razões pela inexistência da corresponsabilidade tributária em relação ao representante legal da recorrente, Sr. Cláudio Ribeiro Ramalhoso. De se observar que o Sr. Cláudio Ribeiro Ramalhoso, apesar de cientificado do lançamento, não apresentou impugnação. Da mesma forma, cientificado da decisão de primeira instância, não apresentou recurso voluntário. Entendo que a contribuinte Zapi Comercial Eletrônica Ltda. carece de interesse de agir e de legitimidade processual, no que toca à responsabilidade tributária atribuída ao Sr. Cláudio Ribeiro Ramalhoso. O Decreto nº 70.235/1972 não se refere de forma específica às condições de interesse e legitimidade para propor impugnação e recurso, mas, do conteúdo de seus artigos 14 e seguintes depreendese que é legitimado para tanto aquele indicado como sujeito passivo no lançamento. A Lei nº 9.784/1999, em seu artigo 9º, inciso II, traz de forma expressa o vínculo entre legitimidade no processo administrativo e interesse de agir, nos seguintes termos: Art. 9o São legitimados como interessados no processo administrativo: [...] II aqueles que, sem terem iniciado o processo, têm direitos ou interesses que possam ser afetados pela decisão a ser adotada; Releva, também, observar o que dispõe a Lei nº 5.869, de 11/01/1973 (Código de Processo Civil – CPC), aplicável de forma subsidiária ao processo administrativo fiscal. Transcrevo, abaixo, os artigos 2º, 3º e 6º. Fl. 668DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.004748/201090 Acórdão n.º 1302001.707 S1C3T2 Fl. 669 14 Art. 2o Nenhum juiz prestará a tutela jurisdicional senão quando a parte ou o interessado a requerer, nos casos e forma legais. Art. 3o Para propor ou contestar ação é necessário ter interesse e legitimidade. [...] Art. 6o Ninguém poderá pleitear, em nome próprio, direito alheio, salvo quando autorizado por lei. O interesse de agir e a legitimidade de parte são duas das três condições da ação2, segundo a teoria do Direito Processual Civil. Ensina Humberto Theodoro Júnior3 que: [...] a existência da ação depende de alguns requisitos constitutivos que se chamam “condições da ação”, cuja ausência, de qualquer um deles, leva à “carência de ação”, e cujo exame deve ser feito, em cada caso concreto, preliminarmente à apreciação do mérito, em caráter prejudicial. Nessa ordem de idéias, condições ou requisitos da ação, como os conceitua Arruda Alvim, “são as categorias lógicojurídicas, existentes na doutrina e, muitas vezes na lei (como é claramente o caso do direito vigente), mediante as quais se admite que alguém chegue à obtenção da sentença final”. Por conseguinte, à falta de uma condição da ação, o processo será extinto, prematuramente, sem que o Estado dê resposta ao pedido de tutela jurisdicional do autor, isto é, sem julgamento de mérito (art. 267, nº VI). Haverá ausência do direito de ação, ou, na linguagem corrente dos processualistas, ocorrerá carência de ação. Prossegue o Mestre4, especificamente acerca do interesse de agir: A segunda condição da ação é o interesse de agir, que também não se confunde com o interesse substancial, ou primário, para cuja proteção se intenta a mesma ação. O interesse de agir, que é instrumental e secundário, surge da necessidade de obter através do processo a proteção ao interesse substancial. Entendese, dessa maneira, que há interesse processual “se a parte sofre um prejuízo, não propondo a demanda, e daí resulta que, para evitar esse prejuízo, necessita exatamente da intervenção dos órgãos jurisdicionais”. Localizase o interesse processual não apenas na utilidade, mas especificamente na necessidade do processo como remédio apto à aplicação do direito objetivo no caso concreto, pois a tutela jurisdicional não é jamais outorgada sem uma necessidade [...]. Essa necessidade se encontra naquela situação “que nos leva a procurar uma solução judicial, sob pena de, se não o fizermos, vermonos na contingência de não podermos ter satisfeita uma pretensão (o direito de que nos afirmamos titulares)”. [...] Só o dano ou o perigo de dano jurídico, representado pela efetiva existência de uma lide, é que autoriza o exercício do direito de ação. Quanto à legitimidade de parte, o trecho a seguir transcrito5 é de clareza lapidar e, entendo, perfeitamente aplicável à situação sob exame: 2 A terceira condição da ação é a possibilidade jurídica do pedido, de que aqui não se trata. 3 THEODORO JÚNIOR, Humberto. Curso de Direito Processual Civil, 40ª Ed., vol. I. Rio de Janeiro: Forense, 2003, p. 49. 4 THEODORO JÚNIOR, Humberto. Obra citada, p. 52. 5 THEODORO JÚNIOR, Humberto. Obra citada, p. 54. Fl. 669DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.004748/201090 Acórdão n.º 1302001.707 S1C3T2 Fl. 670 15 Destarte, legitimados ao processo são os sujeitos da lide, isto é, os titulares dos interesses em conflito. A legitimação ativa caberá ao titular do interesse afirmado na pretensão, e a passiva ao titular do interesse que se opõe ou resiste à pretensão. De par com a legitimação ordinária, ou seja, a que decorre da posição ocupada pela parte como sujeito da lide, prevê o direito processual, em casos excepcionais, a legitimidade extraordinária, que consiste em permitirse, em determinadas circunstâncias, que a parte demande em nome próprio, mas na defesa de interesse alheio. Ressaltese, porém, a excepcionalidade desses casos que, doutrinariamente, se denominam “substituição processual”, e que podem ocorrer, por exemplo, com o marido na defesa dos bens dotais da mulher, com o Ministério Público na ação de acidente do trabalho, ou na ação civil de indenização do dano ex delicto, quando a vítima é pobre etc. A não ser, portanto, nas exceções expressamente autorizadas, em lei, a ninguém é dado pleitear, em nome próprio, direito alheio (art. 6º) [...]. Quanto à falta de interesse de agir, observo que o pedido, feito pela Zapi Comercial Eletrônica Ltda., de exclusão da responsabilidade solidária atribuída ao Sr. Cláudio Ribeiro Ramalhoso em nada aproveita à recorrente. Examinemos, por hipótese, a situação em que o crédito tributário fosse mantido, e excluída a responsabilidade da pessoa física indicada: a Zapi Comercial Eletrônica Ltda. ocuparia, sozinha, o pólo passivo da relação jurídico tributária, e somente dela poderia ser exigido o crédito mantido. Vejamos, agora, outra situação igualmente hipotética, em que o crédito tributário fosse mantido, e também assim a responsabilidade da pessoa física indicada: desde que a responsabilidade, no caso, é solidária, o crédito tributário mantido poderia ser exigido, integralmente, de qualquer um dos sujeitos passivos solidários, inclusive a Zapi Comercial Eletrônica Ltda., sem benefício de ordem. Uma terceira hipótese seria o afastamento integral do crédito tributário, caso em que não faria qualquer sentido se falar em responsabilidade tributária. Como se vê, esse pedido é absolutamente desnecessário aos interesses da recorrente Zapi Comercial Eletrônica Ltda. Não lhe adviria qualquer prejuízo, se negado, nem ganho algum, se provido. Não há dano nem perigo de dano jurídico, caracterizandose, assim, a falta de interesse de agir. Diretamente ligada ao exposto verifico a ilegitimidade da Zapi Comercial Eletrônica Ltda. como parte, no que toca à responsabilidade tributária. Aquele que teria direitos ou interesses passíveis de serem afetados pela decisão a ser adotada nessa matéria seria o Sr. Cláudio Ribeiro Ramalhoso. E este, conforme visto, não veio ao processo nem em sede de impugnação nem de recurso, apesar de regularmente intimado tanto do lançamento quanto da decisão de primeira instância. Ao pleitear a exclusão da responsabilidade tributária atribuída à pessoa física, a Zapi Comercial Eletrônica Ltda. pleiteia direito alheio em nome próprio, o que somente seria admissível em caráter excepcional, mediante expressa autorização legal. Em situação idêntica, este CARF já decidiu da mesma forma, como se verifica nos acórdãos nº 130100.067 e 130100.068, ambos de 13/05/2009, e no acórdão nº 1302001.421, de 04/06/2014. Pelos fundamentos acima desenvolvidos, não conheço dos argumentos e do pedido trazidos pela recorrente Zapi Comercial Eletrônica Ltda. acerca da responsabilidade tributária atribuída ao Sr. Cláudio Ribeiro Ramalhoso. Fl. 670DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.004748/201090 Acórdão n.º 1302001.707 S1C3T2 Fl. 671 16 Em conclusão, voto no sentido de não conhecer dos argumentos e do pedido acerca da responsabilidade tributária atribuída ao Sr. Cláudio Ribeiro Ramalhoso, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mais, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reduzir a multa ao patamar de 75%. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 671DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 19515.722319/2012-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Apr 24 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
NULIDADE. INCONSISTÊNCIA DO AUTO DE INFRAÇÃO COM O TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL. NÃO OCORRÊNCIA.
Não há qualquer dúvida de que o ano-calendário sob fiscalização se referia a 2008, tendo havido um equívoco na menção ao ano fiscalizado no relatório de encerramento da ação fiscal. Porém tal equívoco não justifica a nulidade do procedimento, pois todos os atos demonstram e o auto de infração ratifica o ano da autuação.
QUEBRA DE SIGILIO BANCÁRIO. REQUISIÇÃO DE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA EXPEDIDA À INSTITUIÇÃO BANCÁRIA. NÃO OCORRÊNCIA.
A questão relativa à alegada quebra de sigilo bancário, precisa ser enfrentada tendo em conta a plena vigência do artigo 6º, da Lei Complementar nº 105/2001, bem como a adstrição das decisões administrativas à legalidade, vedando-se a declaração de inconstitucionalidade na esfera administrativa, consoante pacificado na Súmula CARF nº 02.
DECADÊNCIA. FATOS GERADORES OCORRIDOS NO ANO-CALENDÁRIO 2008. CIÊNCIA DO LANÇAMENTO EM 2012. QÜINQUÊNIO LEGAL PARA APERFEIÇOAMENTO DO LANÇAMENTO NÃO CONCLUÍDO. HIGIDEZ DO LANÇAMENTO.
Quer se conte o prazo decadencial pelas balizas do art. 150, § 4º, do CTN ou do art. 173, I, do CTN, não se pode decretar a decadência de fatos geradores do ano-calendário 2008, quando o lançamento foi cientificado ao contribuinte e aos sujeitos passivos solidários em 2012, pela não fluência do quinquênio legal.
CRÉDITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DE COMO OS CRÉDITOS BANCÁRIOS, INCLUSIVE ORIUNDO DE CARTÕES DE DÉBITOS/CRÉDITOS, HAVIAM SIDO CONTABILIZADOS. OMISSÃO DE RECEITAS DEMONSTRADA.
O contribuinte teve os prazos do procedimento fiscal e da impugnação para comprovar a origem dos créditos bancários, inclusive dos cartões de crédito/débito, e demonstrar como eles haviam sido contabilizados. Fluídos tais prazos sem qualquer comprovação ou resposta do fiscalizado, as omissões de receitas devem ser mantidas e, por decorrência, o lançamento.
PRECLUSÃO.
À luz do que dispõe o artigo 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, na redação que lhe foi dada pela Lei nº 9.532, de 1997, a matéria que não tenha sido expressamente contestada, considerar-se-á não impugnada. Decorre daí que, não tendo sido objeto de impugnação, carece competência à autoridade de segunda instância para dela tomar conhecimento em sede de recurso voluntário.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. PROCEDÊNCIA.
Restando comprovado nos autos a dissolução irregular da pessoa jurídica, eis que a Fiscalização reuniu ao processo elementos que tornam inafastável tal conclusão, revela-se procedente a imputação de responsabilidade tributária ao seu sócio-gerente.
Numero da decisão: 1301-001.707
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Valmir Sandri, Carlos Augusto de Andrade Jenier e Edwal Casoni (Relator). Designado para redigir o voto vencedor, o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães.
(assinado digitalmente)
Valmar Fonseca de Menezes
Presidente
(assinado digitalmente)
Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior
Relator
(assinado digitalmente)
Wilson Fernandes Guimarães
Redator designado
Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR
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INCONSISTÊNCIA DO AUTO DE INFRAÇÃO COM O TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL. NÃO OCORRÊNCIA. Não há qualquer dúvida de que o anocalendário sob fiscalização se referia a 2008, tendo havido um equívoco na menção ao ano fiscalizado no relatório de encerramento da ação fiscal. Porém tal equívoco não justifica a nulidade do procedimento, pois todos os atos demonstram e o auto de infração ratifica o ano da autuação. QUEBRA DE SIGILIO BANCÁRIO. REQUISIÇÃO DE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA EXPEDIDA À INSTITUIÇÃO BANCÁRIA. NÃO OCORRÊNCIA. A questão relativa à alegada quebra de sigilo bancário, precisa ser enfrentada tendo em conta a plena vigência do artigo 6º, da Lei Complementar nº 105/2001, bem como a adstrição das decisões administrativas à legalidade, vedandose a declaração de inconstitucionalidade na esfera administrativa, consoante pacificado na Súmula CARF nº 02. DECADÊNCIA. FATOS GERADORES OCORRIDOS NO ANO CALENDÁRIO 2008. CIÊNCIA DO LANÇAMENTO EM 2012. QÜINQUÊNIO LEGAL PARA APERFEIÇOAMENTO DO LANÇAMENTO NÃO CONCLUÍDO. HIGIDEZ DO LANÇAMENTO. Quer se conte o prazo decadencial pelas balizas do art. 150, § 4º, do CTN ou do art. 173, I, do CTN, não se pode decretar a decadência de fatos geradores do anocalendário 2008, quando o lançamento foi cientificado ao contribuinte e aos sujeitos passivos solidários em 2012, pela não fluência do quinquênio legal. CRÉDITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DE COMO OS CRÉDITOS AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 23 19 /2 01 2- 60 Fl. 649DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/0 2/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 19515.722319/201260 Acórdão n.º 1301001.707 S1C3T1 Fl. 650 2 BANCÁRIOS, INCLUSIVE ORIUNDO DE CARTÕES DE DÉBITOS/CRÉDITOS, HAVIAM SIDO CONTABILIZADOS. OMISSÃO DE RECEITAS DEMONSTRADA. O contribuinte teve os prazos do procedimento fiscal e da impugnação para comprovar a origem dos créditos bancários, inclusive dos cartões de crédito/débito, e demonstrar como eles haviam sido contabilizados. Fluídos tais prazos sem qualquer comprovação ou resposta do fiscalizado, as omissões de receitas devem ser mantidas e, por decorrência, o lançamento. PRECLUSÃO. À luz do que dispõe o artigo 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, na redação que lhe foi dada pela Lei nº 9.532, de 1997, a matéria que não tenha sido expressamente contestada, considerarseá não impugnada. Decorre daí que, não tendo sido objeto de impugnação, carece competência à autoridade de segunda instância para dela tomar conhecimento em sede de recurso voluntário. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. PROCEDÊNCIA. Restando comprovado nos autos a dissolução irregular da pessoa jurídica, eis que a Fiscalização reuniu ao processo elementos que tornam inafastável tal conclusão, revelase procedente a imputação de responsabilidade tributária ao seu sóciogerente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Valmir Sandri, Carlos Augusto de Andrade Jenier e Edwal Casoni (Relator). Designado para redigir o voto vencedor, o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães. (assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Presidente (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior Relator (assinado digitalmente) Wilson Fernandes Guimarães Redator designado Fl. 650DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/0 2/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 19515.722319/201260 Acórdão n.º 1301001.707 S1C3T1 Fl. 651 3 Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 651DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/0 2/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 19515.722319/201260 Acórdão n.º 1301001.707 S1C3T1 Fl. 652 4 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima identificada, contra decisão proferida pela 4ª Turma da DRJ em Recife/PE. Extraise do presente processo administrativo que em desfavor da recorrente foi lavrado auto de infração (fl. 321), ante a constatação de: i) omissão de receitas de revenda de mercadorias, oriunda de vendas com cartões de crédito/débito, nos importes de R$ 1.036.268,83, R$ 1.259.305,87, R$ 1.230.282,20 e R$ 1.148.659,15, nos quatro trimestres de 2008; ii) omissão de receitas caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, nos importes de R$ 1.097.431,68, R$ 4.183.092,26, R$ 3.506.714,93 e R$ 957.756,28, nos quatros trimestres de 2008. Registrou a Fiscalização que as imputações implicaram no lançamento de IRPJ, CSLL, COFINS e PIS/PASEP, com multa agravada no percentual de 150% sobre o tributo lançado, para ambas as infrações. Houve a imputação dessas exações aos sujeitos passivos solidários: i) José Morales Ruis; ii) PMX Decorações Comércio e Importação Ltda, com ciência também em 09/11/2012 (fls. 308 e 311). No Termo de Início, o contribuinte foi intimado a apresentar, dentre outros documentos, o Livro de Registro de Saídas, Livro de Apuração de ICMS, Livro de Apuração do IPI, Livro de Registro de Inventário, Livro Caixa, Livros Diário e Razão, extratos de todas contas bancárias e dos operadores de cartões de crédito do anocalendário 2008, não tendo atendido à Fiscalização. Em decorrência disso, foi reintimado, mais uma vez sem sucesso, o que implicou na lavratura de termo de embaraço à Fiscalização (fls. 102 e 103). Diante dos fatos acima, a autoridade fiscal solicitou a emissão de Requisições de Informações sobre Movimentações Financeiras em detrimento das instituições financeiras detentoras das contas bancárias e de cartões de crédito/débito do fiscalizado. Indo além, narra a fiscalização que o fato de o contribuinte não ter apresentado a documentação solicitada, apesar de recebidas as intimações, levou a autoridade a comparecer ao endereço da empresa que constava na Junta Comercial de São Paulo, constatando que no local não funcionava a empresa, mas um escritório de contabilidade, em nome do constituído pelo fiscalizado para representalo neste feito. Em decorrência disso, a autoridade fiscal confeccionou uma representação fiscal para declaração de inaptidão do fiscalizado (processo nº 19515.721480/201216). De posse das informações bancárias do fiscalizado, em 11/09/2012, a autoridade fiscal intimouo a esclarecer as origens dos créditos lançados nas contas correntes e, com relação a esses mesmos créditos, e aos valores relativos às vendas com cartões de crédito/débito, que comprovasse onde estavam declarados, com as respectivas apurações dos tributos devidos (fls. 122 a 287). Fl. 652DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/0 2/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 19515.722319/201260 Acórdão n.º 1301001.707 S1C3T1 Fl. 653 5 Em petição recebida em 28/09/2012, o contribuinte requereu prorrogação do prazo de 20 dias para cumprimento da intimação, tendo a autoridade deferido apenas uma prorrogação até 05/10/2012. Decorrido o prazo sem resposta do fiscalizado, ausente a comprovação da origem dos depósitos bancários, ou como estes e as vendas com cartões de crédito/débito haviam sido contabilizadas, foi lavrado o auto de infração com as infrações já descritas, com ciência ao fiscalizado e aos sujeitos passivos solidários em 05/11/2012. A multa foi agravada ante a não apresentação dos livros e documentos da escrituração contábil, dos extratos das movimentações financeiras e operações com cartões de débito/crédito bem como a apresentação de DCTF zerada para o ano de 2008, de acordo com o parágrafo primeiro do artigo 44 da Lei 9430/96, com a redação dada pela Lei 11.488/07, e mais o artigo 71 da Lei 4502/64. Com fulcro nos artigos 124 e 135 do CTN, considerando os fatos antes relatados (e descritos especificamente no Termo de Sujeição Passiva Solidária de fls. 308 a 310), a fiscalização considerou o sócio administrador José Morales Ruis como responsável solidário, fundamento no artigo 132 do CTN, a responsabilidade solidária à empresa PMX, por entender que esta sucedeu a fiscalizada. Devidamente cientificados, a recorrente Max Decorações e o sujeito passivo solidário José Morales Ruis apresentaram impugnação conjunta ao lançamento, alegando em síntese que se deve afastar a solidariedade do sócio José Morales Ruis, porquanto não teria havido prática de ato ilegal pela fiscalizada ou pelo sócio que se revele em excesso de poderes ou infração ao contrato social, como exigido pelo art. 135 do CTN, defendendo ainda, que deve ser afastada a responsabilidade solidária da empresa PMX Decorações Comércio e Importação Ltda., vez que se trata de empresa distinta da recorrente, não sendo resultado de fusão, transformação ou incorporação dessa última, sendo que a PMX não deu continuidade à exploração do objeto social da fiscalizada, sendo inaplicável o art. 132 do CTN, a qual não foi intimada a apresentar qualquer esclarecimento, com Termo de Solidário lavrado com afronta ao princípio da ampla defesa e do contraditório. Aduziu ainda que deveria ser declarada a nulidade do auto de infração porquanto estaria em desacordo com o relatório de encerramento da ação fiscal, pois enquanto este descreve uma omissão de receitas no anocalendário 2007, o auto de infração versaria imputação de omissão no anocalendário 2008, situação que revelaria patente a contradição entre o relatório e o auto de infração, que deveriam ser harmônicos, a implicar na necessária declaração de nulidade. Defendeuse ainda, que a prova em que se alicerça o Auto de Infração, consistentes nas informações bancárias e das administradoras de cartão de crédito, foram obtidas de forma ilegal e inidônea, vez que a quebra de sigilo bancário deuse de forma unilateral e sem apreciação dos quesitos autorizadores pelo Poder Judiciário, e além de tudo, de forma desnecessária. No mais, pugnou pelo reconhecimento da decadência, na forma do art. 150, § 4º, do CTN, a incidir sobre as competências de janeiro a outubro de 2007 e, no mérito, aduziu que os depósitos bancários tiveram origem em fatores diversos de receitas tributáveis, como empréstimos realizados, resgates de aplicações financeiras, venda de ponto comercial, como Fl. 653DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/0 2/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 19515.722319/201260 Acórdão n.º 1301001.707 S1C3T1 Fl. 654 6 seria devidamente demonstrado se a autoridade fiscal tivesse prorrogado o prazo na forma solicitada no ofício de 28 de setembro. A PMX Decorações Comércio e Importação Ltda. apresentou impugnação ao lançamento, deduzindo as mesmas defesas relatadas acima, alegando ainda que houve cerceamento do direito de defesa, eis que caberia ao Fisco notificala para que apresentasse esclarecimentos, documentos e demais informações que comprovassem ou, de outra forma, a absolvesse sumariamente da responsabilidade solidária a que está sujeita, defendendo que tal medida seria de vital importância para o exercício da ampla defesa e do contraditório, já que, uma vez formalizado o Termo de Sujeição Passiva Solidária passa a existir um lançamento (aguardando apenas o trânsito em julgado administrativo) calcado em fatos, que sequer possuía conhecimento. A 4ª Turma da DRJ em Recife/PE, nos termos do acórdão e voto de folhas 572 a 584, julgou o lançamento procedente, assinalando que seriam definitivas, na esfera administrativa, as matérias que não foram expressamente impugnadas pelos recorrentes. Na sequência, a decisão recorrida cuidou de enfrentar cada tópico da defesa concluindo, em relação à solidarização do sócio José Morales Ruis, que a autoridade fiscal compareceu ao domicílio fiscal do contribuinte, cadastrado na RFB e na Junta Comercial de São Paulo, quando verificou que nele havia um escritório de contabilidade, do contador do autuado, como bem descrito no Termo de Sujeição Passiva (fl. 309), o que motivou a representação fiscal para declaração de inaptidão, com atos controlados no processo nº 19515.721480/201216, sendo, ainda, que a fiscalização identificou que, no domicílio da filial 005 da fiscalizada, na Avenida Ibirapuera, nº 3.103, funcionava a empresa PMX, do mesmo sócio responsável solidário, ficando claro que a MAX continua suas operações através da PMX, pois ambas têm o mesmo nome fantasia, mesmo sócio administrador com 90% das cotas em ambas as empresas e com poderes para isoladamente administrálas e mesmo objeto social. Pontuou a decisão recorrida que o endereço cadastral da PMX e no qual a mesma está operando com nome Morales Tapetes é mesmo endereço que consta do contrato de locação firmada entre a MAX e o Shopping Ibirapuera que consta do contrato de locação firmada entre a MAX e o Shopping Ibirapuera e, portanto onde deveria estar uma loja da MAX e não da PMX” (fl. 312), revelando que a empresa foi dissolvida irregularmente, pois não mais funcionava em seu domicílio fiscal, sem comunicação aos órgãos competentes, justificando o redirecionamento de eventual execução fiscal em face do sóciogerente, José Morales Ruis, na forma da Súmula STJ nº 435. Assinalou a decisão recorrida, ainda, que ficou comprovado que a PMX sucedeu de fato a MAX, pois funcionava com o mesmo nome fantasia, em imóvel locado pela MAX, em endereço de filial desta, com o sóciogerente detendo ambas as companhias, tendo a MAX encerrado de fato suas atividades, o que justifica a solidariedade passiva nestes autos da PMX, pois foi a sucessora de fato da MAX. Fundamentouse que não se deveria falar em cerceamento do direito de defesa da PMX, pois esta foi cientificada do auto de infração, abrindolhe os recursos inerentes à via administrativa fiscal, com respeito ao contraditório e a ampla defesa, quando poderia ter demonstrado o eventual equívoco do vínculo de solidariedade. Porém desse ônus não se desincumbiu, pois parece invencível a imputação fiscal de solidariedade, quando a PMX está tão umbilicalmente ligada à sucessão da MAX. Fl. 654DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/0 2/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 19515.722319/201260 Acórdão n.º 1301001.707 S1C3T1 Fl. 655 7 Na sequência passouse a analisar o item relativo ao pedido de declaração de nulidade do auto de infração, porque teria sido lavrado em desacordo com o relatório de encerramento da ação fiscal, pois enquanto este descreve uma omissão de receitas no ano calendário 2007, o auto de infração imputou ao impugnante a omissão no anocalendário 2008. Entendeu a decisão recorrida que, efetivamente, no relatório fiscal de encerramento do procedimento, a autoridade registrou as omissões de receitas em uma tabela como ocorridas no anocalendário 2007 (fl. 304), quando todos os demais termos dos autos indicam que as omissões ocorreram no anocalendário 2008, como se vê no auto de infração (fls. 321 a 357), no mandado de procedimento fiscal – MPF (fl. 2), no Termo de Início (fls. 4 a 8) e na intimação que solicitou a comprovação da origem dos créditos bancários e onde haviam sido contabilizados/declarados (fls. 122 a 287), concluindo assim, que não há qualquer dúvida de que o anocalendário sob fiscalização se referia a 2008, tendo havido um equívoco no relatório fiscal na tabela referida, sem o condão de justificar a nulidade do procedimento, pois todos os atos demonstram e o auto de infração ratifica o ano da autuação. Reputouse ainda, que um mero equívoco em uma tabela do relatório fiscal não pode anular o lançamento, pois o fiscalizado não demonstrou como tal equívoco tivesse prejudicado sua impugnação. Na sequência das verificações, cuidou a decisão recorrida de analisar a alegada quebra de sigilo bancário, esclarecendo nesse sentido, que o contribuinte foi intimado em 13/10/2011 a acostar aos autos os extratos de suas contas bancárias do anocalendário 2008 (fls. 4 a 8), tendo, na oportunidade, demonstrado que havia pedido os extratos aos bancos no começo de novembro de 2011, com pedido de prorrogação de prazo (fls. 9 a 15). Como não atendeu à fiscalização, foi reintimado em 08/12/2011 (fls. 98 a 101). Novamente não atendeu à fiscalização, culminando, em 16/03/2012, com a lavratura de Termo de Embaraço à Fiscalização (fls. 102 e 103). Sendo assim, entendeuse que estava claramente demonstrado que o contribuinte não pretendia atender à fiscalização, pois, passados quase 05 meses da primitiva intimação, em nenhum momento trouxe aos autos os extratos bancários que havia solicitado aos bancos, levando a fiscalização a emitir as Requisições de Informações de Movimentações Financeiras –RMF, concluindo, ainda, no tocante à necessidade de autorização judicial para transferência do sigilo bancário, igualmente falece razão ao fiscalizado, pois a matéria se encontraria em debate no Supremo Tribunal Federal no rito da repercussão geral, sendo que não há decisão definitiva do STF na controvérsia. Concluiuse assim, que até que o STF decida sobre a constitucionalidade, ou não, da Lei Complementar nº 105/2001, que autoriza a transferência dos dados bancários do contribuinte para o fisco, devese continuar aplicando a Lei na via administrativa, pelo princípio da presunção da legitimidade das leis e que não podem as turmas de julgamento do contencioso administrativo anteciparse ao próprio STF, decretando eventualmente a inconstitucionalidade da Lei. Em continuidade, entendeu a decisão recorrida, quanto à alegação de que houve violação do direito à ampla defesa e ao contraditório do contribuinte, quando a autoridade fiscal indeferiu a prorrogação do prazo de vinte dias para cumprimento do Termo de Intimação de 11/09/2012, pois a elasticidade do prazo seria de importância fundamental para que o contribuinte comprovasse a origem da movimentação bancária, tomada indevidamente como omissão de receitas, concluindo, quanto a este argumento, que não há falar em Fl. 655DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/0 2/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 19515.722319/201260 Acórdão n.º 1301001.707 S1C3T1 Fl. 656 8 cerceamento do direito de defesa, primeiro porque a autoridade fiscal não estava obrigada a prorrogar o prazo de cumprimento da intimação, apesar de ter assinado um prazo até 05/10/2012 (petição do contribuinte recebida em 28/09/2012 – fl. 288), e segundo porque o auto de infração somente foi lavrado em 05/11/2012 (fl. 325), ou seja, entre o prazo final assinado pela autoridade e a lavratura transcorreram 30 dias, sem que o contribuinte tivesse providenciado qualquer comprovação. E, por fim, cientificado do lançamento em 09/11/2012, o contribuinte teve mais 30 dias para instrumentalizar sua impugnação com a origem dos depósitos bancários, porém desse ônus não se desincumbiu. Relativamente à questão da invocada decadência, na forma do art. 150, § 4º, do CTN, a incidir sobre as competências de janeiro a outubro de 2007, entendeu a decisão recorrida que há que falar em decadência do crédito tributário lançado, porque os fatos geradores ocorreram no anocalendário 2008, como já se debateu nestes autos, e a decadência, contada na forma do art. 150, § 4º, do CTN, somente se aperfeiçoaria no curso do ano de 2013, ou se contada na forma do art. 173, I, do CTN, a partir de 01/01/2014. Para a decisão recorrida, ocorreu que o contribuinte e os sujeitos passivos solidários foram cientificados do lançamento em 09/11/2012, antes de qualquer termo decadencial. Quanto ao mérito, atinente aos depósitos bancários, entendeu a decisão recorrida que o contribuinte em nenhum momento atendeu a fiscalização, quer trazendo aos autos os documentos e livros solicitados, quer esclarecendo a origem e contabilização dos créditos bancários. Dessa forma, alegar que teria comprovado a origem dos depósitos bancários se houvesse sido deferida uma prorrogação de prazo de intimação é algo destituído de qualquer sentido, pois até aquele momento o fiscalizado nada comprovou. Registrouse ainda, que não se concebe como um contrato de confissão de dívida formalizado em 2005, trazido na impugnação, tendo a empresa MTO Decorações Comércio e Importação Ltda. como devedora da quantia de R$ 6.013.700,00 (representada pelo Sr. José Morales Ruiz, sócio proprietária), e como credora a empresa estrangeira Oriental Rug Company, pudesse justificar os créditos bancários da fiscalizada Max Decorações no ano calendário 2008, sendo que, no máximo, tal contrato, se houvesse confusão patrimonial entre a MTO e a fiscalizada, poderia justificar créditos bancários em período anterior a formalização (2005), jamais em 2008. Concluiuse assim, ser completamente destituído de sentido a justificativa de créditos bancários nas contas correntes da Max Decorações a partir de confissão da MTO, pois, no extremo, poderia haver algum débito na conta da Max para pagamento de tal mútuo (isso no caso de confusão patrimonial entre as empresas), e não um crédito. Por fim, quanto ao arrolamento de bens levado a efeito, na esteira dos precedentes, entendeu a decisão recorrida que devem os órgãos julgadores se absterem de debater a pertinência, ou não, do arrolamento de bens, matéria que deve ser deduzida junto à Delegacia da Receita Federal do Brasil que jurisdiciona o contribuinte. Os autuados foram devidamente cientificados da decisão acima relatada (fls. 589, 597, 601 e 605 a 607), apresentando, conjuntamente, o Recurso Voluntário de folhas 609 em diante, reiterando que deve ser afastada a responsabilidade solidária do sócio da contribuinte, Sr. JOSÉ MORALES RUIS, vez que nos termos do artigo 135 do Código Tributário Nacional, a imputação da responsabilidade está atrelada a prática de atos com Fl. 656DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/0 2/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 19515.722319/201260 Acórdão n.º 1301001.707 S1C3T1 Fl. 657 9 excesso de poderes ou infração à lei, contrato social ou estatutos, repetindo que no presente caso, José Morales Ruis não praticou qualquer ato de gerência, administração ou direção, no que condiz a empresa autuada e que ser sócio de empresas não faz de ninguém solidário a dívidas auferidas perante o Fisco Federal e que participar de empresas que se relacionam, tendo em vista determinada atividade econômica, não revela, por si só, a solidariedade descrita nos artigos 124, inciso I combinado com o artigo 135, inciso III, ambos do CTN. Insistiuse que há a necessidade, para a responsabilização solidária nos termos do artigo 124, inciso I, do CTN, da comprovação de que terceiros, mesmo que não ligados diretamente à sociedade, tenham, de alguma forma, servido como veículo para a prática do fato gerador do tributo e que não são presunções, apontamentos infundados, que tornam determinada pessoa física responsável solidária por aproximadamente cem milhões de reais, defendendo que poderia a Fiscalização ter exigido a apresentação de documentos ou informações visando demonstrar, inequivocamente, sua participação ou interesse no fato gerador do suposto ilícito tributário. Na sequência reiterouse os argumentos de ausência de responsabilidade solidária da empresa PMX, arrazoando que a “PMX” não seria resultado de fusão ou transformação da recorrente “MAX”. Insistiuse ainda, no argumento de parcial decadência, eis que no presente caso, conforme se verifica do Termo de Verificação Fiscal, foram fiscalizadas as competências de janeiro de 2007, estando, portanto, decaídas as competências de janeiro de 2007, fevereiro de 2007, março de 2007, abril de 2007, maio de 2007, junho de 2007, julho de 2007, agosto de 2007, setembro de 2007 e outubro de 2007, já que o Auto foi lavrado em novembro de 2012. Retomouse os argumentos de nulidade, de quebra de sigilo bancário, bem como as questões acerca do mérito, relativo aos depósitos bancários. É o relatório. Fl. 657DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/0 2/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 19515.722319/201260 Acórdão n.º 1301001.707 S1C3T1 Fl. 658 10 Voto Vencido Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, Relator. O Recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos de recorribilidade. Admitoo para julgamento. Como já assinalado no relatório acima foram lavrados autos de infração de IRPJ e seus reflexos (fl. 321), ante a constatação de: i) omissão de receitas de revenda de mercadorias, oriunda de vendas com cartões de crédito/débito, nos quatro trimestres de 2008; ii) omissão de receitas caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, nos quatros trimestres de 2008, sendo solidarizados os sujeitos passivos: i) José Morales Ruis; ii) PMX Decorações Comércio e Importação Ltda. Considerados os tópicos do Recurso Voluntário, passase abaixo a analisar as questões trazidas pelos recorrentes, iniciandose pelas preliminares de nulidade. I – NULIDADES Na análise das preliminares de nulidade aventadas pela contribuinte, para evitar desnecessárias repetições e remissões ao que se pode denominar de ponto pacífico no âmbito dos julgamentos administrativos, necessário registrarse que a configuração de uma nulidade reclama a aferição de ao menos uma das hipóteses descritas no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72, ou seja, a incompetência da autoridade que proferiu o ato administrativo ou a preterição ao direito de defesa do contribuinte. Sendo assim, as alegações dos recorrentes, como não versam questão relativa à incompetência, precisam ser analisadas sob uma ótica de efetivo prejuízo ao exercício da sua defesa, o qual tenha sido capaz de contaminar a marcha processual até o presente estágio recursal. Ou seja, se houve mera deficiência sanável ou se o prejuízo não comprometeu o enfrentamento material das imputações, por certo não se vai falar em decretação de nulidade. Dito isso, passase a verificar se das alegações dos recorrentes é possível depreender efetiva nulidade. I.1 – Inconsistência do Auto de Infração com o Termo de Verificação Fiscal O primeiro tópico de nulidade invocado pelos recorrente se relaciona à divergência apurada, no tocante ao período fiscalizado, entre o disposto no auto de infração e o Termo de Verificação Fiscal. Sustentam os recorrentes que a incongruência se revelaria na medida em que o Termo de Verificação Fiscal aponta que o período em que teria se dado a omissão de receitas foi de janeiro a dezembro de 2007 (conforme item 13 e planilha anexa do Termo de Verificação Fiscal — Relatório Fiscal), enquanto que o auto de infração teria mencionado período de janeiro a dezembro de 2008. Fl. 658DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/0 2/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 19515.722319/201260 Acórdão n.º 1301001.707 S1C3T1 Fl. 659 11 Neste ponto específico não há como se afastar do entendimento sufragado pela decisão recorrida. Conquanto exista mesmo a dita incongruência, ou seja, de fato o TVF e o auto de infração se refiram a períodos distintos, todos os demais termos dos autos indicam que a Fiscalização imputou as omissões como ocorridas no anocalendário 2008. Ademais, o instrumento de lançamento no qual se aperfeiçoa toda a incidência, é sabidamente o auto de infração (fls. 321 a 357), no qual consta o correto ano calendário 2008, bem como no mandado de procedimento fiscal – MPF (fl. 2), no Termo de Início (fls. 4 a 8) e na intimação que solicitou a comprovação da origem dos créditos bancários e onde haviam sido contabilizados/declarados (fls. 122 a 287), a revelar que que não há qualquer dúvida de que o anocalendário sob fiscalização se referia a 2008, ou seja, o equívoco contido entre o TVF e o auto de infração, não foi capaz de comprometer a ampla defesa da contribuinte, motivo pelo qual, não há falar em nulidade. I.2 – Nulidade – Quebra de sigilo bancário – RMF Na sequência das alegações preliminares cuidou a contribuinte de reputar como quebra ilegal do seu sigilo bancário o fato de a Fiscalização ter obtido seus extratos bancários, que fundamentaram a autuação de omissão de receitas, por meio da solicitação feita diretamente aos Bancos, mediante as ditas “RMF”. Acerca desta questão quando ainda vigiam as disposições regimentais dos §§ 1º e 2º, do artigo 62A, do Anexo II, do RICARF, era mister o sobrestamento do feito até que sobreviesse decisão definitiva, do Supremo Tribunal Federal, em âmbito de Repercussão Geral, no RE representativo da controvérsia (RE 601314). Todavia, a determinação regimental de sobrestamento foi suprimida, de sorte que a questão relativa à alegada quebra de sigilo bancário, abusividade e outras acepções tratadas pela contribuinte, precisam ser enfrentadas tendo em conta a plena vigência do artigo 6º, da Lei Complementar nº 105/2001, bem como a adstrição das decisões administrativas à legalidade, vedandose a declaração de inconstitucionalidade na esfera administrativa, consoante pacificado na Súmula CARF nº 02. Dito isso, conquanto seja eloquente e bem articuladas as razões trazidas pelos recorrentes, pouco resta senão reconhecer que o expediente das chamadas RMF, encontram suporte no ordenamento jurídico. Quanto ao procedimento adotado pela Fiscalização no caso concreto, a decisão recorrida cuidou de elaborar um histórico dos eventos e os fundamentos legais que autorizaram o Fisco a valerse do expediente de requisitar as informações diretamente às instituições financeiras, de sorte que entendo acertada a conclusão ao proclamar que a recorrente, de fato, não apresentou os extratos bancários solicitados, caracterizando assim, inegável embaraço à fiscalização, situação que deu ensejo e suporte fático, para as RMF. Sendo assim, legítima a obtenção dos extratos bancários pela fiscalização, valendose das requisições diretamente às instituições financeiras, de sorte que não subsistem as alegações preliminares da recorrente quanto ao tópico em questão. I.3 – Nulidade – Não prorrogação do prazo para apresentação de documentos Fl. 659DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/0 2/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 19515.722319/201260 Acórdão n.º 1301001.707 S1C3T1 Fl. 660 12 Ainda em sede de preliminar de nulidade, sustentam os recorrentes ter havido cerceamento ao seu direito de defesa, eis que o Fisco indeferiu o pedido de prorrogação de prazo por vinte dias para cumprimento da Intimação de 11 de setembro de 2012, o que seria, segundo defendeuse, de importância fundamental para que pudesse justificar e comprovar a movimentação bancária demonstrando de forma cabal os valores creditados nas contas bancáriasconsideradas. O argumento da contribuinte nem mesmo empolga. Com efeito, passados mais de dois anos, não é legítimo falar que a falta de prorrogação do prazo para esclarecer a origem dos depósitos bancários possa ter inquinado de nulidade o auto de infração. Aliás, bem reconheceu a decisão recorrida que a contribuinte dispôs do prazo de trinta dias para apresentar Impugnação e mesmo atualmente, em sede de Recurso Voluntário, a contribuinte não produziu as provas que alega teriam sido realizadas se prorrogado o prazo, impondo a rejeição da preliminar suscitada. II – DECADÊNCIA Superadas as alegações de nulidade, impende analisar o pleito da contribuinte pelo reconhecimento da parcial extinção do crédito tributário, ante a ocorrência do fato decadencial. Neste aspecto, defendem os recorrentes que conforme se verifica do Termo de Verificação Fiscal, foram fiscalizadas as competências de janeiro de 2007, estando, portanto, decaídas as competências de janeiro de 2007, fevereiro de 2007, março de 2007, abril de 2007, maio de 2007, junho de 2007, julho de 2007, agosto de 2007, setembro de 2007 e outubro de 2007, já que o Auto foi lavrado em novembro de 2012 Sem razão aos recorrentes. Já anotou a decisão impugnada e se apreciou no item I.1 deste voto, que em verdade o TVF cometeu o equívoco de mencionar o anocalendário 2007, quando todos os demais elementos constantes deste processo indicam autuação atinente ao AC 2008. Ou seja, não há glosa relativa a 2007, logo não há como falarse em parcial extinção por decadência. Demais disso, considerado que os fatos geradores ocorreram no ano calendário 2008, se contada na forma do art. 150, § 4º, do CTN, a decadência somente se aperfeiçoaria no curso do ano de 2013, ou se contada na forma do art. 173, I, do CTN, a partir de 01/01/2014, impondo o afastamento do pleito da contribuinte. III – MÉRITO – OMISSÃO DE RECEITAS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA Analisadas as questões preliminares e aquela atinente à extinção do crédito tributário por decadência, tendo sido elas sido rejeitadas, impende analisar se a imputação de omissão de receitas subsiste materialmente. Segundo apurou a Fiscalização, o contribuinte foi intimado a apresentar, dentre outros documentos, o Livro de Registro de Saídas, Livro de Apuração de ICMS, Livro de Apuração do IPI, Livro de Registro de Inventário, Livro Caixa, Livros Diário e Razão, extratos de todas contas bancárias e dos operadores de cartões de crédito do anocalendário Fl. 660DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/0 2/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 19515.722319/201260 Acórdão n.º 1301001.707 S1C3T1 Fl. 661 13 2008, não tendo atendido à Fiscalização. Em decorrência disso, foi reintimado, mais uma vez sem sucesso, o que implicou na lavratura de termo de embaraço à Fiscalização (fls. 102 e 103). No curso dos procedimentos fiscalizatórios, a autoridade fiscal solicitou a emissão de Requisições de Informações sobre Movimentações Financeiras em detrimento das instituições financeiras detentoras das contas bancárias e de cartões de crédito/débito, de sorte que a autoridade fiscalizadora ainda compareceu ao endereço da empresa que constava na Junta Comercial de São Paulo, constatando que no local não funcionava a empresa, mas um escritório de contabilidade, em nome do constituído pelo fiscalizado para representalo este feito. Em decorrência disso, a autoridade fiscal confeccionou uma representação fiscal para declaração de inaptidão do fiscalizado (processo nº 19515.721480/201216). De posse das informações bancárias do fiscalizado, em 11/09/2012, a autoridade fiscal intimou o contribuinte a esclarecer as origens dos créditos lançados nas contas correntes e, com relação a esses mesmos créditos, e aos valores relativos às vendas com cartões de crédito/débito, que comprovasse onde estavam declarados, com as respectivas apurações dos tributos devidos (fls. 122 a 287). Em petição recebida em 28/09/2012, o contribuinte requereu prorrogação do prazo de 20 dias para cumprimento da intimação, tendo a autoridade deferido apenas uma prorrogação até 05/10/2012, objeto de questionamento dos recorrentes como sendo o fato de não terem podido comprovar a efetiva origem. Decorrido o prazo sem resposta do fiscalizado, ausente a comprovação da origem dos depósitos bancários, ou como estes e as vendas com cartões de crédito/débito haviam sido contabilizadas, foi lavrado o auto de infração com as infrações já descritas. Os recorrentes, por sua vez, reiteraram os argumentos já manuseados por ocasião da Impugnação, consagradores de que os depósitos bancários tiveram origem em fatores diversos de receitas tributáveis, como empréstimos realizados, resgates de aplicações financeiras, venda de ponto comercial, como seria devidamente demonstrado se a autoridade fiscal tivesse prorrogado o prazo na forma solicitada no ofício de 28 de setembro. Diante deste cenário, conquanto os recorrentes defendam que os depósitos não teriam natureza jurídica de renda, porquanto seriam empréstimos realizados, resgates de aplicações financeiras, venda de ponto comercial, entendo que faltoulhes desincumbiremse dos elementos de prova que assim indicassem. Digo isso, dada a matriz sobre a qual repousa a autuação, consistente no artigo 42 da Lei nº 9.430/96, segundo o qual, presumese receita omitida, os valores mantidos em conta bancária cuja origem, intimado a fazêlo, o contribuinte não comprova. Sendo assim, para além de alegar tratarse de valores que não correspondiam à renda cumpria à contribuinte demonstrar o fidedigno liame documental que assim traduzisse, situação que não verifico na espécie. Como bem cotejou a decisão recorrida, em relação às justificativas apresentadas, não se concebe como um contrato de confissão de dívida formalizado em 2005, trazido na impugnação, tendo a empresa MTO Decorações Comércio e Importação Ltda. como Fl. 661DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/0 2/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 19515.722319/201260 Acórdão n.º 1301001.707 S1C3T1 Fl. 662 14 devedora da quantia de R$ 6.013.700,00 (representada pelo Sr. José Morales Ruiz, sócio proprietária), e como credora a empresa estrangeira Oriental Rug Company, pudesse justificar os créditos bancários da fiscalizada Max Decorações no anocalendário 2008, sendo que, no máximo, tal contrato, se houvesse confusão patrimonial entre a MTO e a fiscalizada, poderia justificar créditos bancários em período anterior a formalização (2005), jamais em 2008. Convém registrar ainda, que não se desconhece que os depósitos bancários por natureza e de imediato, não se constituem em sinônimos de receita. Por outro turno, como já registrado acima, também não é lícito olvidar a expressa disposição do artigo 42 da Lei nº 9.430/96 consagrador de que caracterizamse como omissão de receita ou de rendimento, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove mediante documentação hábil e idônea a origem dos recursos utilizados nessas operações. Temse na espécie, portanto, perfeita subsunção das circunstâncias fáticas à abstrata previsão de presunção legal de omissão de receitas, de sorte que o fato relevante para autuação, não foi a simples existência dos depósitos, como sugerem os recorrentes, o critério legal se dá com a ausência de comprovação, por documentação hábil e idônea, da origem da indigitada movimentação financeira, esta sim, a ensejar por disposição legal a presunção de que se omitiu receita. Para infirmar os trabalhos fiscalizatórios, portanto, cumprialhes afastar o motivo pelo qual se implementou a presunção, que como visto no parágrafo precedente, não era a existência dos depósitos ou sua natureza jurídica incompatível com a definição de receita, consistindo sim, na prova documental das origens de tais depósitos e a consequente demonstração de não se constituírem em parcela tributável. Ausente qualquer justificativa quanto à origem dos depósitos considerados pela Fiscalização, está incidir na espécie a presunção legal versada no artigo 42 da Lei nº 9.430/96 e consoante pacífico entendimento desse Conselho Administrativo Fiscal, observado, por exemplo, no verbete da Súmula CARF nº 26 abaixo reproduzida, o Fisco está dispensado até mesmo de comprovar o consumo da renda representada pelos aludidos depósitos, confira se: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. SÚMULAS VINCULANTES Acórdão nº CSRF/04 00.157, de 13/12/2005. Por essas razões, consideramse hígidas e suficientes as imputações realizadas pela Fiscalização, amparadas em presunção disposta na legislação de regência, considerandose suficientemente demonstrada a materialidade tributável apontada e reconhecida pela decisão recorrida. Quanto à multa qualificada, todavia, entendo que a decisão recorrida mereça ser reformada, pois na espécie, para além de ter apresentado a movimentação financeira e a DCTF “zerada”, a Fiscalização não comprovou o evidente intuito de fraude ou qualquer das figuras delituosas que permitiriam qualificar a reprimenda. Fl. 662DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/0 2/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 19515.722319/201260 Acórdão n.º 1301001.707 S1C3T1 Fl. 663 15 Nem se sugira ainda, que a solidarização supri essa necessária comprovação, porquanto era preciso evidenciar, com provas e elementos de convicção que não se tratou de mera omissão de receitas. Aliás, este é precisamente o entendimento contido no verbete da Súmula CARF nº 14, cujo teor segue abaixo transcrito: Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Sendo assim, entendo que no que no mérito o lançamento é parcialmente procedente, estando caracterizada a omissão de receitas, mas não comprovado qualquer fato que permita qualificar a sanção, de sorte que a multa deve ser reduzida ao patamar de 75%. IV – DA SOLIDARIZAÇÃO Verificado que o lançamento não contém nenhuma nulidade, é procedente do ponto de vista material e apenas a multa deve ser reduzida, impende agora analisar a questão afeta à solidarização do sócio José Morales Ruis e da empresa PMX Decorações Comércio e Importação Ltda, os quais figuram como recorrentes juntamente com a contribuinte “Max Decorações”. Antes de aferir a situação de cada um dos solidarizados, importa registrar que a questão deve ser brevemente analisada pelo viés da responsabilidade e da solidariedade tributária. Hugo de Brito Machado, em artigo intitulado “A Solidariedade na Relação Tributária e a Liberdade do Legislador no Art. 124, II, do CTN, cuidadosamente assentou que “para que seja cabível o lançamento com a consequente cobrança do tributo e da penalidade pecuniária correspondente, o sujeito passivo há de ter, além do dever de pagar o tributo, que não cumpriu, também a responsabilidade, assim compreendido como o estado de sujeição, de sorte que não se situará a discussão na esfera da liberdade, mas na esfera da coerção”. (Revista Dialética de Direito Tributário, edição 195, página 61). Ora, do raciocínio acima deduzido, vêse que para que se possa exigir a obrigação tributária de determinada pessoa, imperioso que se afira o estado de sujeição passiva para análise do consequente dever e responsabilidade. A questão que se põe, no entanto, dáse em panorama um tanto distinto, precisase aferir a sujeição passiva decorrente da solidarização, de sorte que alguns elementos extras, necessariamente, precisarão ser analisados. Como bem se sabe, tratandose de solidariedade no contexto da obrigação tributária, presente a unicidade da sujeição ativa do tributo, podese definila, falo da solidariedade, como vínculo estabelecido entre os sujeitos passivos da respectiva obrigação, que os une de tal forma que os aspectos matérias oponíveis a um (ou por um) aproveita os demais. Dito isso, não é despiciendo lembrar que o Código Tributário Nacional estabeleceu duas espécies de sujeição passiva, os ditos contribuintes, e os responsáveis tributários. Para os casos de solidarização, a exemplo do que aqui se analisa, interessa a Fl. 663DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/0 2/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 19515.722319/201260 Acórdão n.º 1301001.707 S1C3T1 Fl. 664 16 modalidade de sujeição passiva “contribuinte”, também chamado de sujeito passivo por excelência. Tratando, portanto, de sujeição passiva por solidarização na modalidade contribuinte, de bom alvitre visitar o que dispõe o artigo 121 do CTN, consagrador de que é contribuinte, a pessoa que tenha relação direta e pessoal com o fato gerador do tributo, sendo este o liame que se terá de atingir para classificação de determinada pessoa como contribuinte, não sendo diferente para o contribuinte solidarizado. Verificado que o norte para caracterização do contribuinte é a sua relação direta e pessoal com o fato gerador, devese mencionar que o artigo 124 do CTN, dispõe em seu inciso I, que sãos solidariamente responsáveis, as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador. Comungando ambas as regras, podese dizer que a figura da solidariedade não se afasta daquela contida no Código Civil, Livro I, Título I, Capítulo VI, “Das Obrigações Solidárias”, ou seja, há solidariedade quando na mesma obrigação concorre mais de um credor, ou mais de um devedor, cada um com um direito, ou obrigado, à dívida toda. Sendo assim, caso se tenha pluralidade de pessoas que tenham interesse na situação que constitua o fato gerador (regra do 124, I) e todas tenham mantido relação direta e pessoal com tal situação, apresentase possibilidade de solidarização. Luiz Antonio Caldeira Miretti in Comentários ao Código Tributário Nacional, 6ª edição, editora Saraiva, pág. 242 em diante, assevera que o instituto da solidariedade em matéria tributária, assegura o interesse do Fisco para a busca de seu direito de exigir do sujeito passivo o cumprimento da obrigação tributária, ocorrendo a solidariedade, consoante afirma o indigitado autor, sempre que se der a presença de mais de um sujeito passivo na mesma relação tributária, destacandose como premissa a existência de “interesse comum” das pessoas que participam da situação fática geradora da obrigação. Importante registrar, na ordem daquilo que argumentaram os recorrentes responsabilizados, que a solidariedade advinda do interesse comum, tal como esquadrinhada acima e prevista no CTN, dispensa previsão específica na lei que regular o determinado tributo, para apontar os devedores solidários, porquanto a distinção do CTN é de caráter geral, aplicandose aos tributos contidos no sistema tributário nacional. Feitas essas ponderações de ordem conceitual, registro que para aferir a prevalência ou não da solidarização devese perquirir apenas se houve, por parte dos solidarizados, interesse na situação que constitua o fato gerador e se mantiveram relação direta e pessoal com tal situação. Pois bem, cumprindo o propósito de verificar se a Fiscalização comprovou as necessárias condicionantes para a solidarização, convém analisar o Termo de Sujeição Passiva Solidária de folhas 308 em diante. Relativamente ao sócio José Morales Ruis, ao empreenderse a análise proposta acima, de verificar o que fora descrito no Termo de Sujeição Passiva Solidária, percebese que a Fiscalização relata rigorosamente as mesmas circunstâncias que motivaram a autuação de omissão de receitas. Ou seja, que teria intimado a contribuinte a apresentar a documentação, da diligência que realizou constatando que a contribuinte não funcionava no Fl. 664DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/0 2/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 19515.722319/201260 Acórdão n.º 1301001.707 S1C3T1 Fl. 665 17 local em que indicado e outras circunstâncias que já foram tratadas neste voto, e que serviram sim para validar as RMF e a conclusão de omissão de receitas, mas que são insuficientes, com o devido respeito, a validar a solidarização. Digo isso, porquanto após a narrativa dos eventos relativos à glosa de omissão de receitas, a Fiscalização dedicou apenas um parágrafo para imputar ao sócio a solidariedade pela obrigação tributária, sem ao menos aduzir qual seria o seu interesse na omissão de receitas, qual a sua relação com os eventos, transcrevendo os artigos 124 e 135 do CTN. Confirase a conclusão, que como dito é precedida apenas de uma narrativa dos eventos: [...] 15. Diante dos fatos relatados, cumpre a esta autoridade fazendária considerar a o sócio José Morales Ruis SOLIDARIAMENTE RESPONSÁVEL pelas infrações à lei, cometidas na administração do Sujeito Passivo, no decorrer do período fiscalizado, imputando àquele as obrigações que lhe competem, segundo a Lei 5.172/1966 (Código Tributário Nacional), arts. 124 e 135, abaixo transcrito: [...] A prevalecer a singela imputação da Fiscalização sobressairá um entendimento segundo o qual a constatação de qualquer infração, da pessoa jurídica, implica na solidarização de seu sócio, como se o contribuinte fosse, prescindido a necessária demonstração de que o contribuinte solidarizado tenha mantido relação direta e pessoal com as circunstâncias imputadas e sem demonstrar qual o seu interesse na ocorrência do fato gerador, circunstâncias que não podem ser presumidas pela mera condição de sócio e/ou administrador. Relativamente à empresa PMX Decorações Comércio e Importação Ltda., também solidarizada, diferentemente do que fora feito em relação ao sócio, entendo que a Fiscalização demonstrou o exato quadro fático que hospeda a solidarização, o que faz sobressair a prevalência da solidarização em relação a ela, PMX. Confirase a correta imputação realizada: [...] 14. Na Representação Fiscal – Pessoa Jurídica Inapta, citada no item 8 acima, fica claro que a MAX continuou suas operações através da PMX, pois ambas têm o mesmo nome fantasia, mesmo sócio administrador com 90% das cotas em ambas as empresas e com poderes para isoladamente administrálas e mesmo objeto social. O endereço cadastral da PMX e no qual a mesma está operando com nome de Morales Tapetes e mesmo endereço que consta do contrato de locação firmada entre a MAX e o shopping Ibirapuera e portanto onde deveria estar uma loja da MAX e não da PMX. [...] Fl. 665DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/0 2/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 19515.722319/201260 Acórdão n.º 1301001.707 S1C3T1 Fl. 666 18 Esta imputação sim revela interesse na ocorrência do fato gerador, bem como estrita e direta relação pessoal da PMX. Hipóteses que autorizam, melhor, reclamam a solidarização. V – CONCLUSÃO Considerados os itens analisados nos tópicos acima, encaminho meu voto no sentido de DAR PARCIAL provimento ao Recurso Voluntário, para os fins de: i) manter a autuação, por constatada omissão de receitas; ii) afastar a multa qualificada; iii) afastar a responsabilidade solidária do sócio José Morales Ruis e; iv) manter a solidarização da empresa PMX. Sala das Sessões, em 25 de novembro de 2014. (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior Fl. 666DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/0 2/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 19515.722319/201260 Acórdão n.º 1301001.707 S1C3T1 Fl. 667 19 Voto Vencedor Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães Não obstante os densos argumentos trazidos pelo Ilustre Conselheiro Relator em seu pronunciamento, o Colegiado, pelo voto de qualidade, decidiu de forma diversa, relativamente à qualificação da penalidade e à sujeição passiva solidária imputada pela Fiscalização ao Sr. José Morales Ruis. Quanto à qualificação da multa, sem adentrar ao mérito dos argumentos expendidos no voto vencido, o Colegiado pronunciouse no sentido de mantêla, eis que na decisão de primeiro grau restou ementado: MATÉRIA NÃO CONTESTADA. MULTA QUALIFICADA. MATÉRIA DEFINITIVA NA VIA ADMINISTRATIVA. O fiscalizado e os sujeitos passivos solidários não combateram a qualificação da multa de ofício vinculada aos tributos lançados, sendo matéria definitiva na via administrativa (art. 17 do Decreto nº 70.235/72. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante). Ora, tratandose de matéria que não foi objeto de contestação por meio da peça impugnatória anteriormente apresentada, falece competência a essa instância julgadora para sobre ela emitir qualquer juízo. Isso por força do disposto no art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, conforme referenciado no ato decisório a quo. O referido dispositivo assim dispõe: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante Considerada não impugnada a matéria, o crédito tributário que dela decorre revelase irreformável administrativamente. No caso, caberia à contribuinte trazer, em sede de recurso, razões no sentido de demonstrar que a matéria em questão havia sido objeto de contestação, o que, considerados os termos do voto vencido, não ocorreu, cabendo registrar que a simples alegação de que “as impugnações pedem o afastamento integral das acusações” não supre a omissão. Pronunciouse, assim, o Colegiado, pela manutenção da multa qualificada. Relativamente à imputação de responsabilidade tributária ao Sr. José Morales Ruis, que, nos termos do contrato social de fls. 19/21, era sóciogerente da fiscalizada, o Colegiado alinhouse ao entendimento esposado na decisão de primeira instância, sintetizado na ementa do ato decisório correspondente, que abaixo transcrevo. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. FISCALIZADO DISSOLVIDO IRREGULARMENTE. EXPLORAÇÃO CONTINUADA POR EMPRESA Fl. 667DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/0 2/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 19515.722319/201260 Acórdão n.º 1301001.707 S1C3T1 Fl. 668 20 LIGADA. VÍNCULO DE SOLIDARIEDADE IMPUTADO AO SÓCIO GERENTE E À EMPRESA SUCESSORA DE FATO. CORREÇÃO. A empresa fiscalizada foi dissolvida irregularmente, pois não mais funcionava em seu domicílio fiscal, sem comunicação aos órgãos competentes, justificando o redirecionamento de eventual execução fiscal em face do sóciogerente, na forma da Súmula STJ nº 435 (Presumese dissolvida irregularmente a empresa que deixar de funcionar no seu domicílio fiscal, sem comunicação aos órgãos competentes, legitimando o redirecionamento da execução fiscal para o sóciogerente), ou seja, se a jurisprudência hoje sumulada entende cabível o redirecionamento de eventual executivo fiscal, isso decorre do fato de o sóciogerente ter praticado atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos (art. 135 do CTN), pois estava obrigado a comunicar o encerramento de suas atividades ao fisco. Não o fazendo, deve responder com seu patrimônio em face da execução, o que justifica a manutenção desde logo do sóciogerente no pólo passivo da autuação. Indo além, ficou comprovado que houve sucessão de fato da atividade da fiscalizada, justificando a manutenção da sucessora no pólo passivo da presente autuação. Os fundamentos esposados no voto condutor da decisão de primeiro grau revelamse irretocáveis, cabendo ressaltar que, não obstante a densa argumentação expendida na peça recursal, nela não se identifica contestação aos referidos fundamentos. De igual forma, o voto vencido não aborda o fato de a empresa ter sido dissolvida irregularmente, o que, seguramente, autoriza a imputação de responsabilidade ao seu sóciogerente, vez que, nos termos da súmula STJ nº 435, é legítimo o redirecionamento da execução fiscal para este. Pelas razões expostas, decidiu o Colegiado NEGAR PROVIMENTO ao recurso. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Redator Fl. 668DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/0 2/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES
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