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Numero do processo: 10830.913868/2009-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 30 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/05/2005 a 31/05/2005
COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. DECLARAÇÃO RETIFICADA EXTEMPORANEAMENTE. PROVA. NECESSIDADE.
O direito creditório deve ser reconhecido, se comprovado o erro na declaração apresentada originalmente.
É ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art.170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência, e, por conseguinte, o afirmado erro na valoração dos créditos.
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Numero da decisão: 3201-001.378
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
JOEL MIYAZAKI Presidente
LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES - Relator.
EDITADO EM: 24/09/2013
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Mercia Helena Trajano D Amorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carlos Alberto Nascimento e Adriana Oliveira e Ribeiro.
Nome do relator: LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/05/2005 a 31/05/2005 COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. DECLARAÇÃO RETIFICADA EXTEMPORANEAMENTE. PROVA. NECESSIDADE. O direito creditório deve ser reconhecido, se comprovado o erro na declaração apresentada originalmente. É ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art.170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência, e, por conseguinte, o afirmado erro na valoração dos créditos. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
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DIREITO CREDITÓRIO. DECLARAÇÃO RETIFICADA EXTEMPORANEAMENTE. PROVA. NECESSIDADE. O direito creditório deve ser reconhecido, se comprovado o erro na declaração apresentada originalmente. É ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art.170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência, e, por conseguinte, o afirmado erro na valoração dos créditos. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. JOEL MIYAZAKI – Presidente LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES Relator. EDITADO EM: 24/09/2013 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Mercia Helena Trajano D’ Amorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carlos Alberto Nascimento e Adriana Oliveira e Ribeiro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 91 38 68 /2 00 9- 07 Fl. 98DF CARF MF Impresso em 30/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES 2 Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: Tratase de Despacho Decisório que não homologou Declaração de Compensação eletrônica. Na fundamentação do ato, consta: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Cientificada, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade alegando, em síntese, o seguinte: Conforme apuração e informações declaradas pela manifestante em DACON e em DCTF, cujos documentos foram juntados aos autos, há saldo de crédito disponível para a compensação feita, tendo em vista que o PIS apurado e o recolhimento feito via DARF, também anexado aos autos, referemse a pagamento indevido. Desta forma, não prospera a não homologação da compensação declarada no PER/DCOMP com a fundamentação de inexistência de saldo disponível para compensação. Como a manifestante somente tardiamente constatou que efetuou o pagamento do PIS indevidamente, o DACON foi posteriormente retificado e transmitido, informando à autoridade fazendária o seu montante apurado. Assim sendo houve recolhimento indevido, restando claro o saldo de crédito disponível para a utilização em compensações. Diante do exposto requer que a compensação declarada seja integralmente homologada, e que os efeitos do Despacho Decisório sejam suspensos até julgamento final desta Manifestação de Inconformidade. Na decisão de primeira instância, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Campinas/SP não acolheu a defesa ofertada, conforme Decisão DRJ/CPS n.º 36.337, de 14/12/2011: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/05/2005 a 31/05/2005 DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS (DACON). APURAÇÃO DO CRÉDITO NO Fl. 99DF CARF MF Impresso em 30/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES Processo nº 10830.913868/200907 Acórdão n.º 32011.001.378 S3C2T1 Fl. 99 3 MOMENTO DO DESPACHO DECISÓRIO. RETIFICAÇÃO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. Inexiste pagamento indevido quando o DARF indicado no PER/DCOMP como origem do crédito compensado foi utilizado para quitar débito apurado em DACON e confessado em DCTF, devendo a aferição da comprovação da disponibilidade de crédito ser considerada no momento da decisão exarada pela autoridade competente. A comprovação de erro existente em DACON deve estar devidamente demonstrada nos autos. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Cientificado o contribuinte, apresenta recurso voluntário. É o relatório. Voto O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade. Discutese nestes autos a existência de direito creditório suficiente para validar as compensações pretendidas pela recorrente. Embora o principal fundamento da improcedência da manifestação de inconformidade tenha sido a retificação extemporânea da DACON, o fato é de que o CARF vem relativizando esse entendimento, sempre buscando a chamada verdade material. Entretanto, para que esta busca chegue ao resultado esperado, o contribuinte deve comprovar o erro ocorrido e o seu direito creditório pleiteado. Nesse sentido, há diversos julgados: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário:2003 DCTF. RETIFICAÇÃO CONSIDERADA NÃO ESPONTÂNEA EM PROCESSO ANTERIOR. VERDADE MATERIAL. DCTF retificadora apresentada de forma não espontânea, em virtude de transmissão efetivada após a ciência de despacho decisório de não homologação de compensação, que não reconhecer o direito creditório alegado, viabiliza compensações posteriores, relativas a esse mesmo crédito se for comprovada através dos documentos fiscais competentes em virtude do princípio da verdade material. Fl. 100DF CARF MF Impresso em 30/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES 4 DÉBITOS CONFESSADOS. RETIFICAÇÃO. NECESSIDADE DE ESCRITA FISCAL. COMPROVAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Eventual retificação dos valores confessados em DCTF deve ter por fundamento, como no caso, os dados da escrita fiscal do contribuinte, para a comprovação da existência de direito creditório decorrente de pagamento indevido (Acórdão 130201.015– 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária) Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2004 PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da DCTF, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado. A simples retificação, desacompanhada de suporte probatório, não autoriza a homologação da compensação do crédito tributário. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. (Acórdão3802001.550– 2ª Turma Especial) Na medida em que a recorrente não comprovou nos autos as bases para sua alegação de erro no envio original dos valores devidos, não á como validar o crédito pleiteado. Em face do exposto, voto por negar provimento ao recurso interposto, prejudicados os demais argumentos. Sala de sessões, 20 de agosto de 2013. Luciano Lopes de Almeida Moraes Relator Fl. 101DF CARF MF Impresso em 30/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES
score : 1.0
Numero do processo: 11065.915440/2009-71
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Oct 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2003 a 31/07/2003
INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo durante a realização da diligência determinada pela Delegacia de Julgamento.
INOVAÇÃO DOS ARGUMENTOS DE DEFESA. PRECLUSÃO.
Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante na primeira instância administrativa.
Numero da decisão: 3803-004.589
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2003 a 31/07/2003 INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo durante a realização da diligência determinada pela Delegacia de Julgamento. INOVAÇÃO DOS ARGUMENTOS DE DEFESA. PRECLUSÃO. Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante na primeira instância administrativa.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2003 a 31/07/2003 INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo durante a realização da diligência determinada pela Delegacia de Julgamento. INOVAÇÃO DOS ARGUMENTOS DE DEFESA. PRECLUSÃO. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante na primeira instância administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 91 54 40 /2 00 9- 71 Fl. 125DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/10/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Relatório Esta Contribuinte transmitiu a Declaração de Compensação DComp nº 08287..14112.240706. 1.3.04518, fls. 32/37, utilizando como crédito pagamento supostamente a maior de Cofins Cumulativa, relativa ao mês de junho de 2003, no valor de R$ 277,80. Despacho Decisório eletrônico, de 21 de setembro de 2009, da DRF/Novo Hamburgo, fl. 2, não homologou a DComp pelo fato de o pagamento informado já ter sido integralmente utilizado na quitação do débito declarado em DCTF. Em manifestação de inconformidade apresentada, fls. 3/5, a Contribuinte argüiu que efetuara uma revisão nos seus cálculos tributários tendo apurado R$ 12.516,63 de Cofins a pagar em vez de R$ 12.794,43. Afirmou ter incorrido em erro de fato no preenchimento da DCTF, não saneado à época por meio de retificação. Pretendeu comprovar a alegação apresentando o razão da conta Cofins Paga a Maior. Alegou, ainda, que, em decorrência do princípio da verdade material, a Autoridade administrativa devia considerar todas as provas produzidas no processo administrativo, ainda que não tenham sido colacionadas no momento próprio. A DRJ/Porto Alegre, fl. 47, identificando elementos indicadores da plausibilidade do erro de fato alegado, solicitou diligência à Repartição de origem no sentido de analisar e demonstrar a composição da base de cálculo do crédito referente ao período de apuração em apreço. Em análise dos esclarecimentos, documentos e balancete de apuração, a Repartição de origem concluiu que “toda receita auferida pela pessoa jurídica, independentemente de sua natureza ou classificação contábil submetiase à tributação da Cofins e do PIS, ressalvadas apenas as exclusões taxativamente previstas no § 2° do art. 3° da Lei n° 9.718, de 1998”. Em resultado, apurou Cofins devida no valor de R$ 12.754,78 sobre a base de cálculo de R$ 425.159,18, conforme excerto abaixo do Relatório de Diligência: “Faturamento/receita bruta: R$ 547.611,31 dado pela soma das receitas com vendas mercado interno (RS 509.908,31), das receitas com exportações (RS 30.181,44), das receitas com revendas (RS 1.118,30) e das receitas financeiras (R$ 6.403,26). Documentação: Balancete de Apuração de 01/07/2003 a 31/07/2003 (fls. 49 e 51); Isenções e Exclusões: R$ 122.452,13 dado pela somadas com exportações (R$ 30.181,44) e das devoluções de vendas (R$ 92.270,69). Documentação: Balancete de Apuração de 01/07/2003 a 31/07/2003 (fls. 49). Resulta: Faturamento Isenções e Exclusões = R$ 547.611,31 – R$ 122.452.13=R$ 425.159,18 e, em decorrência, Cofins (à alíquota de 3%) de R$ 12.754,78. Cientificado do resultado da diligência, a Contribuinte manifestouse defendendo o seu procedimento sob o argumento de que o seu crédito teria suporte na decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que declarou inconstitucional o alargamento da base de cálculo da contribuição determinada pela Lei nº 9.718, de 1998, decisão essa que deveria ser Fl. 126DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/10/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11065.915440/200971 Acórdão n.º 3803004.589 S3TE03 Fl. 126 3 seguida pela Administração Pública, por força do contido no art. 26A, § 6°, do Decreto nº 70.235, de 1972, com redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Eis os seus termos, em resumo: Em resumo, o crédito utilizado pela manifestante deve ser validado, não podendo ser a ela imputada a tributação de uma parcela já tida como indevida por inconstitucionalidade. A DRJ/Porto Alegre deu razão à interessada quanto à alegação de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998. Entretanto, fundada no resultado da diligência e afirmando que a Manifestante não contestara expressamente os cálculos ali conduzidos limitandose a se opor contra a inclusão na base de cálculo das receitas financeiras, considerou improcedente a manifestação de inconformidade. A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2003 a 31/07/2003 ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO DA COFINS. INCONSTITUCIONALIDADE. Deve ser afastada a aplicação do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998, tendo em vista que o diploma legal em análise foi julgado inconstitucional em decisão definitiva do plenário do STF (art. 59 do Decreto nº 7.574/2011) e houve sua expressa revogação pelo art. 79 da Lei nº 11.941/2009. Em observância ao art. 26A, §6º, inciso I, do Decreto nº 70.235, de 1972, reconhecese o crédito advindo de recolhimento efetuado sobre receitas financeiras, que não se enquadrem no conceito de faturamento, adotado pela Lei complementar nº 70, de 1991. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. NÃO COMPROVAÇÃO. EFEITO. A falta de comprovação do crédito objeto da Declaração de Compensação apresentada impossibilita a homologação das compensações declaradas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Cientificada da decisão em 9 de março de 2012, irresignada, apresentou recurso voluntário, 97/139, em 5 de abril de 2012, em que afirma que: a) o cálculo apurado na diligência está duplamente errado, seja porque manteve a inclusão das receitas financeiras, seja porque tributou, então, as parcelas das vendas para a Zona Franca de Manaus (ZFM); Fl. 127DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/10/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 b) embora a decisão recorrida tenha acolhido a não tributação das receitas financeiras, contrariando o reconhecimento não foi deferido o direito creditório pretendido, sob alegação de que a base de cálculo da Cofins estava errada e que a apurada pela Fiscalização teria encontrado um débito maior; c) deve ser debatida novamente a validade da tributação das receitas financeiras pela Cofins Cumulativa. d) quaisquer discussões sobre a tentativa de alteração da base de cálculo da Cofins são indevidas, pois a apuração já foi homologada tacitamente, bem como não é objeto deste processo. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Belchior Melo de Sousa O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. A controvérsia nesta instância cingese ao fato de a diligência ter procedido, indevidamente, a apuração da base de cálculo e, adicionalmente, dela não ter excluído as receitas financeiras e as vendas para a ZFM. Compulsando os autos verificase da manifestação de inconformidade e de seu complemento que a Contribuinte não alegou ter sido tributada sobre vendas para a Zona Franca de Manaus. Isso está atestado pelo julgador de primeira instância ao firmar que a Manifestante e Diligenciada restringiu sua contrariedade à inclusão das receitas financeiras na base de cálculo da contribuição. No recurso voluntário, a Recorrente não efetua o cálculo da Cofins, de sorte a demonstrar e provar o que alegara: débito de julho de 2003 no valor de R$ 12.516,63. Na diligência, foi apurada receita financeira de R$ 6.403,26. Estas receitas financeiras já foram reconhecidas como excludentes da base de cálculo da contribuição, pela decisão de piso. Logo, nada há a acrescer ou reformar ao que já fora decidido, pelo que transcrevo o teor do acórdão recorrido em que acresce R$ 192,10 aos R$ 39,65 concedidos anteriormente pela Autoridade Administrativa. Deve ter por definitivos os cálculos efetuados pela Fiscalização na diligência, salvo o acréscimo decorrente das receitas financeiras procedido pela decisão de primeira instância: a) a uma, por falta de expressa impugnação, seja ao valor da receita bruta apurada, seja ao valor identificado das receitas financeiras, R$ 6.403,26, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 19721; b) a duas, pelo fato de os argumentos acerca da exclusão das receitas de vendas para a ZFM terem sido apresentados em momento posterior ao definido na legislação, configurandose a preclusão processual. 1 Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 128DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/10/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11065.915440/200971 Acórdão n.º 3803004.589 S3TE03 Fl. 127 5 Decorre disso, que a matéria relativa às vendas para a ZFM não poderia ter sido apreciada pela decisão de primeira instância. E aqui não se há de conhecer, por inovação na defesa. Pelo exposto, voto por NÃO CONHECER da matéria trazida apenas no recurso voluntário, por preclusa, e, na parte conhecida, por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, por ausência de prova. Sala das sessões, 25 de setembro de 2013 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 129DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/10/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 15940.000001/2011-72
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Oct 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 01/01/2010
INCONSTITUCIONALIDADE. INEXISTÊNCIA. MULTA DE OFÍCIO E MORATÓRIA. CONFISCATÓRIA. INOCORRÊNCIA. POSSIBILIDADE DE AFASTAMENTO DE LEI INCONSTITUCIONAL PELA JURISDIÇÃO ADMINISTRATIVA. OS ÓRGÃOS JULGADORES DO PAF CARECEM DE COMPETÊNCIA PARA RECONHECEREM INCONSTITUCIONALIDADE NA SEARA ADMINISTRATIVA. MULTA DE OFÍCIO E MORATÓRIA, ESTABELECIDA POR LEI E DENTRO DO PATAMAR LEGAL E JUDICIALMENTE RECONHECIDO VÁLIDO. CONSTITUCIONALIDADE E LEGALIDADE DA EXIGÊNCIA. RECONHECIMENTO. ASSOCIAÇÃO EQUIPARAÇÃO À EMPRESA PARA FINS DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIA. LANÇAMENTO ATIVIDADE PLENAMENTE VINCULADA. AUSÊNCIA DE DISCRICIONARIEDADE. OPORTUNIDADE E CONVENIÊNCIA.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2803-002.736
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator, visando o recálculo da multa do AI 37.068.292-0, tendo em vista a nova determinação do artigo 32 - A, I, da Lei 8.212/91 introduzido pela Lei 11.941/2009. Vencido o Conselheiro Amilcar Barca Teixeira Junior quanto aos 15% das notas fiscais da cooperativa.
(Assinado digitalmente).
Helton Carlos Praia de Lima. -Presidente
(Assinado digitalmente).
Eduardo de Oliveira. - Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira Santos, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato.
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Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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FATOS GERADORES E AUTO DE INFRAÇÃO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS EM GERAL E COOPERATIVA DE TRABALHO Recorrente AFAS ASSOCIAÇÃO DOS FAZENDEIROS DA ALTA SOROCABANA. Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 01/01/2010 INCONSTITUCIONALIDADE. INEXISTÊNCIA. MULTA DE OFÍCIO E MORATÓRIA. CONFISCATÓRIA. INOCORRÊNCIA. POSSIBILIDADE DE AFASTAMENTO DE LEI INCONSTITUCIONAL PELA “JURISDIÇÃO” ADMINISTRATIVA. OS ÓRGÃOS JULGADORES DO PAF CARECEM DE COMPETÊNCIA PARA RECONHECEREM INCONSTITUCIONALIDADE NA SEARA ADMINISTRATIVA. MULTA DE OFÍCIO E MORATÓRIA, ESTABELECIDA POR LEI E DENTRO DO PATAMAR LEGAL E JUDICIALMENTE RECONHECIDO VÁLIDO. CONSTITUCIONALIDADE E LEGALIDADE DA EXIGÊNCIA. RECONHECIMENTO. ASSOCIAÇÃO EQUIPARAÇÃO À EMPRESA PARA FINS DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIA. LANÇAMENTO ATIVIDADE PLENAMENTE VINCULADA. AUSÊNCIA DE DISCRICIONARIEDADE. OPORTUNIDADE E CONVENIÊNCIA. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator, visando o recálculo da multa do AI 37.068.2920, tendo em vista a nova determinação do artigo 32 A, I, da Lei 8.212/91 introduzido pela Lei 11.941/2009. Vencido o Conselheiro Amilcar Barca Teixeira Junior quanto aos 15% das notas fiscais da cooperativa. (Assinado digitalmente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 94 0. 00 00 01 /2 01 1- 72 Fl. 749DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15940.000001/201172 Acórdão n.º 2803002.736 S2TE03 Fl. 750 2 Helton Carlos Praia de Lima. Presidente (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira Santos, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato. Fl. 750DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15940.000001/201172 Acórdão n.º 2803002.736 S2TE03 Fl. 751 3 . Relatório O presente Processo Administrativo Fiscal – PAF contempla o Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP DEBCAD 37.068.2947, que objetiva o lançamento da contribuição social previdenciária decorrente da remuneração paga, devida ou creditada aos trabalhadores cooperados, que prestaram serviços ao sujeito passvio, por intermédio de cooperativas de trabalho. Faz parte, também, deste PAF os autos de infração de obrigação acessória DEBCAD Nº 37.068.2920, CFL.68 apresentar a empresa o documento a que se refere a Lei 8.212, de 24.07.91, art. 32, inciso IV, parágrafo 3º, acrescentados pela Lei n. 9.528, de 10.12.97, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, conforme previsto na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, IV, parágrafo 5º., também, acrescentado pela Lei 9.528, de 10.12.97, combinado com o art. 225, IV e parágrafo 4º., do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, bem como o DEBCAD’s Nº 37.068.2939, CFL.38 deixar a empresa, o segurado da previdência social, o serventuário da justiça ou o titular de serventia extrajudicial, o síndico ou seu representante, o comissário ou o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial de exibir qualquer documento ou livro relacionados com as contribuições previstas na Lei n. 8.212, de 24.07.91, ou apresentar documento ou livro que não atenda as formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira, conforme previsto no art. 33, parágrafos 2. e 3. da referida Lei, combinado com os artigos 232 e 233, parágrafo único do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, conforme Relatório Fiscal do Processo Administrativo Fiscal – REFISC, de fls. 50 a 57, com período de apuração de 01/2006 a 12/2009, conforme Termo de Início de Procedimento Fiscal TIPF, de fls. 33 e 34. O Auto de Infração de Obrigação principal é composto pelos levantamentos denominados L1 – COOPERATIVAS DE TRABALHO, período de débito de 01/2006 a 11/2008 e L12 – COOPERATIVAS DE TRABALHO, período de débito de 12/12008 a 12/2009, conforme DD – Discriminativo do Débito, de fls. 16 a 22. O sujeito passivo foi cientificado da autuação, em 04/01/2011, Folha de Rosto do Auto de Infração de Obrigação Acessória – AIOA, de fls. 01 e 08, e em 30/12/2010, pela Folha de Rosto do Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP, de fls. 12. O contribuinte apresentou sua defesa/impugnação, as fls. 449 a 474, recebida, em 03/02/2011, acompanhada dos documentos, de fls. 475 a 493, em relação ao DEBCAD Nº 37.068.2920, CFL.68. O contribuinte apresentou sua defesa/impugnação, as fls. 495 a 508, recebida, em 03/02/2011, acompanhada dos documentos, de fls. 509 a 528, em relação ao DEBCAD Nº 37.068.2939, CFL.38. O contribuinte apresentou sua defesa/impugnação, as fls. 529 a 553, recebida, em 03/02/2011, acompanhada dos documentos, de fls. 554 a 612, em relação ao DEBCAD Nº 37.068.2947. Fl. 751DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15940.000001/201172 Acórdão n.º 2803002.736 S2TE03 Fl. 752 4 A três defesas foram consideradas tempestivas, fls. 614 e 615. O órgão julgador de primeiro grau emitiu o Acórdão Nº 1250.105 10ª, Turma DRJ/RJ1, em 17/10/2012, fls. 700 a 714. No qual a impugnação foi considerada procedente em parte, tendo ocorrido retificação da base de cálculo do levantamento L1 – Cooperativa de trabalho e do levantamento L12 – Cooperativa de Trabalho, no auto de infração da obrigação principal. A retificação esta consubstanciada no Discriminativo Analítico de Débito Retificado – DADR, de fls. 693 a 699. O contribuinte tomou conhecimento desse decisório, em 14/11/2012, AR, de fls. 722. Irresignado o contribuinte impetrou o Recurso Voluntário, petição de interposição com razões recursais, as fls. 724 a 743, recebido, em 14/12/2012, conforme carimbo de recepção, as fls. 724, acompanhado dos documentos, de fls. 744 e 745. Mérito. · que a decisão recorrido entendeu que apesar de ser a recorrente entidade civil sem fins lucrativos é ela contribuinte da exação em vista do artigo 15, parágrafo único, da Lei 8.212/91, porém cooperativa não é empresa mercantil, não têm folha de salários, apenas intermediando a prestação de serviços dos cooperados, sem relação de emprego, cita o parecer da Dr. Ana Lúcia Amaral – Procuradora Regional da República no AG 2000.0300.0403189; · que empresa e cooperativa divergem em sua formação, pois aquela tem o objetivo de lucro, pelo exercício de atividade econômica e a esta busca promover a união de pessoas, sem objetivo, sem exercício profissional de atividade econômico e sem finalidade lucrativa; · que apesar do julgador administrativo não poder decidir pela inconstitucionalidade da norma, porém tem ele o dever de considerar que o artigo 22, IV, da Lei 8.212/91 não obedece o texto constitucional, cita o RE 595.838, com parecer da PGR pelo acolhimento do recurso; · que a lei criou uma contribuição sobre o valor bruto da nota ou fatura de prestação de serviços de cooperados por intermédio de cooperativa, o que faz inserir uma nova base de cálculo para a contribuição social, fora do artigo 195, I, da CF, revelandose, assim, inconstitucional o dispositivo legal, sendo que a relação jurídica ocorre entre a tomadora do serviço e a cooperativa, ficando o cooperado de fora desta relação, o que demonstra a inconstitucionalidade da incidência de INSS sobre os serviços, devendo o dispositivo ser afastado; · que a notas fiscais e faturas de cooperativas foram entregues em 01/12/2010, uma vez que o livros fiscais estavam de posse da Polícia Civil de São Paulo, tendo sido imediatamente apresentados, quando devolvidos, conforme auto de entrega, de fls. 566; Fl. 752DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15940.000001/201172 Acórdão n.º 2803002.736 S2TE03 Fl. 753 5 · que para elaborar o auto de infração o fiscal usou os relatórios da Unimed, conforme RL, em especial as competências 05/2006 e 07/2006, mas tais notas não existem, havendo apenas uma duplicata que não se reportar aos fatos, bem como o processo 563/01 citado pelo fisco se refere a uma ação judicial movida pela contribuinte em face da Unimed em razão do pagamento de despesas hospitalares não havendo emissão de notas ou faturas, conforme prova publicação no DOE, estando o trabalho fiscal suportado, exclusivamente, por documentos emitidos por terceiros, sendo este apenas marcos iniciais para apuração, não havendo no TVF menção sobre providências a comprovar, que os valores referendados pela cooperativa são de notas ou faturas de prestação de serviços em favor da recorrente e tal fato não foi apreciado pelo instância inaugural; · que a multa aplicada não tem respaldo no ordenamento jurídico ante uma interpretação sistemática, pois não respeita a CF, pois não há ilegalidade no não recolhimento da contribuição, quando existe dúvida sobre sua constitucionalidade e se a recorrente é empresa, não se aplicando apenas a proibição do confisco, mas a não imposição de multa que extrapola a finalidade de punição e adentra no patrimônio, enriquecendo o Estado sem causa justa, cita o artigo 150, IV, da CF, devendo a multa ser proporcional a infração, cita decisão do TRF2 e a ADI 10751/DF; · que a aplicação da multa deve respeitar a capacidade contributiva, a proporcionalidade, ser racional, permitindo o não confisco, decorrente da legalidade impeça que a autoridade administrativa exerça ato arbitrário, limitando a sua discricionariedade, para que haja pertinência entre oportunidade e conveniência adotada como finalidade do ato administrativo, cita TRF4; · que a multa é abusiva, pois supera o valor do tributo arrecadado com o ICMS, bem como pela aplicação de juros e multa, não podendo a autuação fiscal ultrapassar os limites da legalidade, pois viola a propriedade privada, a proporcionalidade, a razoabilidade, a capacidade contributiva, vedando atos administrativos desprovidos de pertinência, conveniência e oportunidade; · que apesar da previsão legal para aplicação da multa esta deve ser reduzida em razão do principio da proporcionalidade, bem como a simples aplicação dos juros de mora deveria afastar a multa punitiva · No pedido: espera e requer a recorrente: a) acolhimento do recurso, julgandoo integralmente procedente, cancelandose o débito fiscal. A autoridade preparadora reconheceu a tempestividade do recurso voluntário, fls. 747. Os autos subiram ao CARF, fls. 748. Fl. 753DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15940.000001/201172 Acórdão n.º 2803002.736 S2TE03 Fl. 754 6 É o Relatório. Fl. 754DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15940.000001/201172 Acórdão n.º 2803002.736 S2TE03 Fl. 755 7 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira. O recurso voluntário é tempestivo e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade ele merece ser apreciado. Necessário se faz esclarecer que não cabe a este colegiado pronunciarse quanto as questões de inconstitucionalidade de atos jurídicos infraconstitucionais, ante a expressa vedação legal como transcrito a seguir. Decreto 70.235/72 Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) RICARF PT/MF 256/2009 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Todavia, o contrário não é vedado, isto é, reconhecer a constitucionalidade afinal de contas esta é presumida, até prova em contrário e declaração pelo órgão competente. A razão é muito simples no Poder Executivo – Administração Pública vige o princípio da hierarquia e quem exerce sua chefia máxima é o Senhor Presidente da República, aquém a Constituição da República Federativa do Brasil atribui em primeiro mão a competência de por intermédio da sanção em projeto de lei aprovado pelo Congresso Nacional, introduzir a norma no mundo jurídico, dandolhe existência, estipulando sua vigência e atribuindolhe eficácia. Logo, não é cabível que um servidor que lhe é subordinado, subalterno e lhe deve obediência possa desfazer de um ato da maior autoridade do Poder Executivo, pois assim estaríamos subvertendo o regime. Além do que, os projetos de normas legais emanadas do Poder Legislativo e que recebem a sanção do chefe do Poder Executivo Federal são presumivelmente constitucionais e assim devem ser respeitadas e obedecidas até que o órgão competente diga o contrário. Além do que, a própria CRFB/88 no artigo 102, caput, estabeleceu que o seu guardião é o Supremo Tribunal Federal – STF. Fl. 755DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15940.000001/201172 Acórdão n.º 2803002.736 S2TE03 Fl. 756 8 Assim, cabe, exclusivamente a este órgão o controle concentrado de constitucionalidade da leis e aos demais órgãos do judiciário o difuso. A CRFB/88 não atribui competência para órgão julgador administrativo seja ele qual for, exercer o controle de constitucionalidade das leis. A Lei 8.212/91 equipara diversas entidades à empresa para os efeitos nela previsto e entre estas estão as associações, a lei jamais disse que tais entidades devam ter fins lucrativos ou que não tenham fins lucrativos para a lei isto é irrelevante, do ponto de vista das contribuições previdenciárias, pois o que interessa e se a entidade utiliza mão de obra de pessoa física e que tal pessoa física receba algo tipo de retribuição financeira, independentemente da denominação. Aliás, o parecer da D. Procuradoria Regional da República citado pela recorrente veste a tese como uma luva. A lei diz que a empresa deve recolher quinze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, realizados por cooperados por intermédio de cooperativa. Observese o parecer. Para este a cooperativa é intermediária da relação jurídica cooperado/empresa, sendo aquele cooperado pessoa física e a empresa o tomador do serviço, que paga a remuneração do prestador. Ora o artigo 195, I, “a”, da CRFB/88 diz, conforme abaixo transcrito, que a entidade equiparada, na forma da lei e a associação é equiparada, na forma da lei, artigo 15, parágrafo único, da Lei 8.212/91, deve contribuir sobre os rendimentos a qualquer título pago as pessoas físicas, que lhe prestem serviços e foi isso que o agente lançador fez, ou seja, aplicou a lei e nada mais. Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) O reconhecimento de repercussão geral do RE suscitado, apenas indica que o recurso será conhecido e julgamento pelo tribunal e nada mais. Além disso o parecer do D. PGR é meramente opinativo, isto é, não vincula a nenhum dos membros da corte. Não há nova base de cálculo na exação do artigo 22, IV, da Lei 8.212/91, uma vez que como foi esclarecido, acima, cuida de exigir a contribuição do valor da contraprestação aos trabalhadores, ou seja, os cooperados pessoas físicas, somente o Fl. 756DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15940.000001/201172 Acórdão n.º 2803002.736 S2TE03 Fl. 757 9 documento de definição deste valor é outro no lugar das folhas de salário ou da RPA ou da conta de prólabore do livro diário, se está buscado o valor na nota fiscal ou fatura só isso. O cooperado pessoa física não fica fora da relação como quer fazer crer a recorrente. A cooperativa apenas angaria os clientes para os cooperados, mas quem presta o serviços são os trabalhadores a cooperativa apenas organiza a atividade e distribui o valor arrecadado O parecer trazido pela recorrente é explicito quanto a relação tomador de serviço/cooperado, basta ver sua transcrição. “A Cooperativa é instituto intermediário entre o Cooperado e a Empresa, envolvendo a pessoas física que presta serviço e o tomador, sendo que a remuneração é dada pela tomadora dos serviços. . . . Destarte, a nota ou fatura atesta o valor retributivo do trabalho dos cooperados, efetivamente, ou seja, o valor contido na nota é apenas retribuição do trabalho dos cooperados, retribuição esta que é paga pelo tomador de serviços, sendo que dessa quantia estão excluídas quaisquer despesas da Cooperativa.” No que tange, a aplicação de multa pela não entrega de documentos especificamente as notas fiscais ou faturas o fiscal lançador esclarece no item 5 de seu REFISC, o que transcrevo. 5 Por não ter exibido os documentos solicitados, conforme Termos: de Inicio de Procedimento Fiscal TIPF, de 19/04/2010 e de Intimações Fiscal TIF's n°s 2, 3 e 4, emitidos, respectivamente: em 12/08/2010, 07/10/2010 e 13/12/2010, foi lavrado o Al Auto de Infração DEBCAD: N° 37.068.2939, com o Código de Fundamentação Legal CFL 38; Segundo consta do que foi acima citado os documentos foram inicialmente solicitados, em 12/08/2010, sendo reiterada sua apresentação em duas ocasiões 07/10/2010 e 13/12/2010, ou seja, entre a primeira é a última solicitação se passaram quatro meses, bem como o auto de infração só foi lavrado, em 30/12/2010, fls. 01, e nada foi entregue até essa data. Devese observar, também, do Auto de Entrega – Ref. IP 162/06 5º DP, de fls. 494 e 573, que as notas fiscais/faturas não figuram entre os documentos devolvidos pelo Polícia Civil, bem como o período dos documentos devolvidos 01/2005 a 12/2006, não bate, in totum, com o fiscalizado, que é 01/2006 a 12/2009. 7.1.2 Por ter deixado de exibir as notas fiscais / faturas de serviços contratuais junto a UNIMED de Dracena Cooperativa de Trabalho Médico, razão pela qual foi lavrado o Al Auto de Infração DEBCAD: N° 37.068.2939, as Bases de Cálculos utilizadas para o Lançamento das contribuições devidas à Seguridade Social, referente às notas fiscais n°s: 011702, 011718, 011838, 011860, 011979, 012002, 012116, 012131, 012255, 012270, 012533, 012416, 012534, 012541, 012556, 012677, 012678, 012694, 012827, 012842, 012974, 012988, 013117, 013132, 013265, 013281, 013412, 013426, 013558, Fl. 757DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15940.000001/201172 Acórdão n.º 2803002.736 S2TE03 Fl. 758 10 013572, 009058, 013704, 013720, 013850, 013864, 013994, 014014, 014145, 014164, 014301, 014321, 014449, 014471, 014600, 014618, 014657, 014773, 009383, 014907, 014924, 015059, 015073, 015205, 015218, 08001161, 08001197,08000002,08000015, 08001331, 09000430, 09000156, 09000575 e 09001279, foram extraídas dos Demonstrativos emitidos pela UNIMED de Dracena Cooperativa de Trabalho Médico. 13.2.1 Relatório Fiscal da Infração:: a) A empresa mesmo tendo sido devidamente Intimada, conforme Termos: de Inicio de Procedimento Fiscal TIPF, de 19/04/2010 e de Intimações Fiscal TIF's n°s 2, 3 e 4, emitidos, respectivamente: em 12/08/2010, 07/10/2010 e 13/12/2010, deixou de exibir as notas fiscais / faturas de serviços contratuais junto a Cooperativas de Trabalho de Atividades de Saúde (UNIMED de Dracena Cooperativa de Trabalho Médico) n°s: 011702, 011718, 011838, 011860, 011979, 012002, 012116, 012131, 012255, 012270, 012533, 012416, 012534, 012541, 012556, 012677, 012678, 012694, 012827, 012842, 012974, 012988, 013117, 013132, 013265, 013281, 013412, 013426, 013558, 013572, 009058, 013704, 013720, 013850, 013864, 013994, 014014, 014145, 014164, 014301, 014321, 014449, 014471, 014600, 014618, 014657, 014773, 009383, 014907, 014924, 015059, 015073, 015205, 015218, 08001161, 08001197, 08000002, 08000015, 08001331, 09000430, 09000156, 09000575 e 09001279, o que caracteriza infração aos parágrafos 2o e 3o do artigo 33, da Lei n° 8.212/91, com redação da MP n° 449, de 03/12/08, convertida na Lei n° 11.941, de 27/05/09, combinado com os artigos 232 e 233, parágrafo único do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/99. Na competência 05/2006 no Relatório de Lançamentos – RL, não se verifica citação do processo 563/01, observase apenas a citação a quatro notas fiscais/faturas 04428/06; 012270; 012533; 012255 e nada mais. O fato do trabalho fiscal estar baseado, também, na relação de notas fiscais/faturas emitida pela Unimed, fls. 386 a 389, em nada afetação o lançamento, uma vez que tal documento foi emitido pela cooperativa com base em seus registros e documentos, estando corroborada pelas faturas, de fls. 256 a 385. Aliás, tal procedimento era necessário, pois diversas faturas como acima citadas não foram apresentadas. Na parte referente a multa é necessário ter em mente que o presente Processo Administrativo Fiscal encerra um Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP e dois Autos de Infração de Obrigação Acessória – AIOA. No AIOP até a competência 11/2008 a multa moratória é de vinte e quatro por cento, nos termos do artigo 35, da Lei 8.212/91, na redação anterior a Lei 11.941/2009. Fl. 758DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15940.000001/201172 Acórdão n.º 2803002.736 S2TE03 Fl. 759 11 No que tange ao período de 12/2008 a 12/2009 a multa deixou se ser moratória para ser a de ofício, uma vez que o contribuinte não declarou e não adimpliu espontaneamente a contribuição, ocorrendo o lançamento apenas com a presença do fisco. Os dois patamares de multa estão dentro do que o próprio Supremo Tribunal Federal – STF considera perfeitamente aceitável, observese as decisões. EXECUÇÃO FISCAL. EMBARGOS. AGRAVO RETIDO. DECADÊNCIA. READEQUAÇÃO DO LAUDO PERICIAL. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. AFERIÇÃO INDIRETA. EXCESSO DE EXECUÇÃO. TAXA SELIC. MULTA. RETROATIVIDADE DA LEI MAIS BENÉFICA. CONFISCO NÃO CARACTERIZADO. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS E PERICIAIS. 7. Não se realiza a hipótese de confisco quando aplicado o índice de 75%. Precedente do STF no sentido de que multas aplicadas até o limite de 100% não configuram confisco (ADI nº 551 voto do Ministro Marco Aurélio). 10. Honorários advocatícios a carga da União arbitrados em 1% sobre o valor correspondente à parcela da dívida declarada inexigível, em consonância com o artigo 20, § 4º, do CPC. 11. Mantida a condenação da parte embargante ao pagamento dos honorários periciais, à luz do princípio da causalidade. (AC 00039920320044047009, LUCIANE AMARAL CORRÊA MÜNCH, TRF4 SEGUNDA TURMA, 12/05/2010) PROCESSO CIVIL, CONSTITUCIONAL E TRIBUTÁRIO. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. PRETENSÃO INICIAL. LIMITES. FALÊNCIA. SÓCIO. EXCLUSÃO DA MULTA E DE JUROS DE MORA. NÃO APROVEITAMENTO. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. CONSTITUCIONALIDADE E LEGALIDADE. CAPITALIZAÇÃO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. DUPLA INCIDÊNCIA DE CORREÇÃO MONETÁRIA. INEXISTÊNCIA. MULTA. PERCENTUAL DE 30%. CONSTITUCIONALIDADE. 7. Quanto à multa de 30% incidente sobre o débito tributário do Apelante, o próprio STF (STF, 1.ª Turma, RE n.º 241.074/RS, Relator Ministro Ilmar Galvão, DJ 19.12.2002) já entendeu constitucional multa no percentual de 80%, sendo o percentual da multa ora examinado justificado pela necessidade de esta servir tanto de punição como de fator de dissuasão em relação à prática dos atos caracterizados como infração para fins de sua incidência. 8. Não provimento da apelação. (AC 200182000032880, Desembargador Federal Emiliano Zapata Leitão, TRF5 Primeira Turma, 24/09/2009) A lei 10.406/2002 no artigo 412 admite cláusula penal de até cem por cento do valor da obrigação principal. Fl. 759DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15940.000001/201172 Acórdão n.º 2803002.736 S2TE03 Fl. 760 12 No caso dos Autos de Infração de Obrigação Acessória o de DEBCAD 37.068.2939 tem seu valor de multa tarifada na lei, sendo este de R$ 14.317,78, não havendo mácula em sua aplicação, pois o lançamento tributário e atividade administrativa plenamente vinculada, não havendo espaço para a discricionariedade, conveniência e oportunidade do administrador ou da Administração, nos termos do artigo 37, caput, da CRFB c/c o artigo 142, parágrafo único da Lei 5.172/66 c/c o artigo 116, III, da Lei 8.112/91. Todavia, o Auto de Infração de Obrigação Acessória de DEBCAD 37.068.2920 foi calculado de forma incorreta. A Lei 11.491/2009 introduziu o artigo 32 A, I e este trouxe nova sistemática de cálculo para essa infração, qual seja R$ 20,00 reais para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas, assim basta aplicar o novo preceito secundário, sem a necessidade de aplicar somatórias de quaisquer outras multas. Assim sendo, não há razões fáticas ou jurídicas para acatar os pleitos da recorrente, porém, ainda, que por motivo diverso determino que a multa do AI 37.068.2920 seja recalculada, levando em consideração apenas o artigo 32 A, I, da Lei 8.212/91 introduzido pela Lei 11.941/2009. CONCLUSÃO: Pelo exposto voto por conhecer do recurso, para no mérito darlhe provimento parcial, visando o recálculo da multa do AI 37.068.2920, tendo em vista a nova determinação do artigo 32 A, I, da Lei 8.212/91 introduzido pela Lei 11.941/2009. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 760DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 11065.724910/2011-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 22 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PERDA DE OBJETO.
A adesão do recorrente ao parcelamento de que trata a Lei nº 12.688 de 18 de julho de 2012, importa renúncia ao recurso.
DECADÊNCIA. ART. 173, I, CTN.
A contagem do prazo decadencial, na forma do art. 173, I, do CTN, deve se iniciar a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em poderia ter sido efetuado o lançamento de ofício, nos exatos termos do aludido dispositivo.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. HIPÓTESES DE IMPUTAÇÃO. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE.
A imputação de responsabilidade solidária por crédito tributário só pode ocorrer nas hipóteses e nos limites fixados na legislação, que a restringe às pessoas expressamente designadas em lei e àquelas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. A exigência da tributação é incompatível com a imputação de responsabilidade solidária a terceiros por suas meras participações, como prepostos ou administradores, nos acontecimentos que caracterizaram o pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado.
CONCEITUAÇÃO DE RECEITA TRIBUTÁVEL. POSSIBILIDADE DE DEDUÇÃO DE OUTRAS RECEITAS.
É possível afastar as receitas não operacionais e financeiras da entidade prestadora de serviços, para fins de base de cálculo para as contribuições para o PIS e à Cofins.
Numero da decisão: 1302-001.157
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, a) por unanimidade, em negar provimento ao recurso de ofício; b) por maioria, em afastar a preliminar de decadência, vencidos os conselheiros Marcio Rodrigo Frizzo (Relator) e Cristiane Silva Costa; c) por unanimidade, em não conhecer do recurso voluntário da CESLP, conhecer do recurso interposto pelo responsável solidário e manter a sujeição passiva do responsável solidário Ruben Eugen Becker. Designado redator o conselheiro Alberto Pinto Souza Junior para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
EDUARDO DE ANDRADE - Presidente.
(assinado digitalmente)
MARCIO RODRIGO FRIZZO - Relator.
(assinado digitalmente)
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: EDUARDO DE ANDRADE (Presidente em Exercício), MARCIO RODRIGO FRIZZO, CRISTIANE SILVA COSTA, LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA.
Nome do relator: MARCIO RODRIGO FRIZZO
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PERDA DE OBJETO. A adesão do recorrente ao parcelamento de que trata a Lei nº 12.688 de 18 de julho de 2012, importa renúncia ao recurso. DECADÊNCIA. ART. 173, I, CTN. A contagem do prazo decadencial, na forma do art. 173, I, do CTN, deve se iniciar a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em poderia ter sido efetuado o lançamento de ofício, nos exatos termos do aludido dispositivo. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. HIPÓTESES DE IMPUTAÇÃO. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. A imputação de responsabilidade solidária por crédito tributário só pode ocorrer nas hipóteses e nos limites fixados na legislação, que a restringe às pessoas expressamente designadas em lei e àquelas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. A exigência da tributação é incompatível com a imputação de responsabilidade solidária a terceiros por suas meras participações, como prepostos ou administradores, nos acontecimentos que caracterizaram o pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado. CONCEITUAÇÃO DE RECEITA TRIBUTÁVEL. POSSIBILIDADE DE DEDUÇÃO DE OUTRAS RECEITAS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 72 49 10 /2 01 1- 12 Fl. 15238DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/1 0/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assina do digitalmente em 17/10/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 É possível afastar as receitas não operacionais e financeiras da entidade prestadora de serviços, para fins de base de cálculo para as contribuições para o PIS e à Cofins. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, a) por unanimidade, em negar provimento ao recurso de ofício; b) por maioria, em afastar a preliminar de decadência, vencidos os conselheiros Marcio Rodrigo Frizzo (Relator) e Cristiane Silva Costa; c) por unanimidade, em não conhecer do recurso voluntário da CESLP, conhecer do recurso interposto pelo responsável solidário e manter a sujeição passiva do responsável solidário Ruben Eugen Becker. Designado redator o conselheiro Alberto Pinto Souza Junior para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) EDUARDO DE ANDRADE Presidente. (assinado digitalmente) MARCIO RODRIGO FRIZZO Relator. (assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: EDUARDO DE ANDRADE (Presidente em Exercício), MARCIO RODRIGO FRIZZO, CRISTIANE SILVA COSTA, LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA. Relatório Tratase de recurso voluntário e de ofício. A ação fiscal originouse a partir da determinação judicial contida na Ação Popular de nº 2009.71.12.0016249/RS, a qual determinou que se efetuasse o lançamento de todos os créditos tributários devidos pela CELSP. Assim, em desfavor da CELSP foram lavrados os autos de infração das fls. 12.561/12.593 para CSLL; 12.594/12.608 para PIS; 12.609/12.622 para COFINS; e 12.623/12.654 para IRPJ, todos com multa qualificada para 150%. Foi também elaborado termo de sujeição passiva solidária (TSPS), à fl. 12.762, nos termos dos arts. 124, inciso I e 135, inciso III, da Lei nº 5.172/1966 – Código Tributário Nacional, em desfavor de Ruben Eugen Becker, cuja responsabilidade estaria caracterizada no Relatório de Procedimento Fiscal. Fl. 15239DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/1 0/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assina do digitalmente em 17/10/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11065.724910/201112 Acórdão n.º 1302001.157 S1C3T2 Fl. 15.239 3 O motivo da inclusão do Sr. Ruben Eugen Becker como sujeito passivo solidário, de acordo com o relatório de procedimento fiscal, foi que na condição de exreitor da ULBRA e procurador da CELSP, autorizou pagamentos às empresas “prestadoras de serviços” que não teriam sido prestados. Pagamentos a “prestadoras” que se revelaram recursos/patrimônio em favor dele próprio, tais como os utilizados para aquisição de veículo e imóvel em nome de empresas cujas propriedades de fato eram suas. Salientase, ainda, os pagamentos à empresa RME Administração e Sociedades Educacionais Ltda. na qual era sócio majoritário, quando esta não teria prestado quaisquer serviços à CELSP. O Sr. Ruben tinha amplos poderes para gerir os negócios da fiscalizada e os utilizou em diversas situações irregulares presentes no relatório de procedimento fiscal: assinatura em contratos antedatados, rubricas em notas fiscais materialmente falsas, autorização de pagamentos a empresas não constituídas, autorizações de pagamentos em negócio imobiliário fraudulento, etc. Assim, sua atuação em negócios que o beneficiavam pessoalmente já implicavam sua sujeição passiva solidária no teor do art. 124, inciso I, do CTN. Além disso, como reitor ou representante das instituições, seria ele também responsável pessoalmente pelos créditos gerados por obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei ou estatutos, agora na dicção do art. 135, inciso III, do mesmo CTN. Por essas razões foi lavrado o termo de sujeição passiva solidária contido à fl. 12.762. A CESLP e o responsável solidário apresentaram impugnação à Delegacia Regional de Julgamento. Como será visto adiante, a CESLP desistiu do recurso voluntário e parcelou os débitos. Dessa forma, é conveniente apenas apreciar os argumentos do Sr. Rubens na impugnação (fls. 14.299/14.348): (i) O impugnante ataca o caráter unilateral do procedimento fiscal, com ausência de contraditório na apuração das provas. O procedimento seria inquisitorial, “suplantando as determinações do Decreto 70.235/72”. Tais considerações se prendem principalmente à forma como foram desconsideradas as notas fiscais pelo agente fiscal; (ii) Alega inexistência de prova nos autos, nos moldes do Código de Processo Civil, que viessem a tornar imprestáveis os documentos fiscais glosados pela fiscalização. Afirma que a negativa de autoria dos supostos emitentes de notas fiscais não afastaria a validade legal destas; (iii) Afirma inexistirem provas técnicas das acusações, mas apenas presunções dos agentes fiscais, quanto às letras de preenchimento das notas, autorização do reitor para os pagamentos pela Ulbra, coloração das notas fiscais que evidenciaram falsidade, compra da Fazenda Montana, com intermediação da CPZ Consultoria e Assessoria Empresarial Ltda., e compra do veículo Audi através de pagamento a empresas prestadoras de serviços; (iv) Alega ter ocorrido apenas presunção sem a apresentação de prova concreta pela fiscalização em diversas análises feitas no relatório fiscal; (v) Afirma ter sido atingido pela decadência parte do crédito tributário lançado, correspondente aos períodos de 2005 e 2006, haja vista que a ciência do Auto de Infração só teria ocorrido em 30/12/2011. Afirma que a Fl. 15240DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/1 0/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assina do digitalmente em 17/10/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 tese do fisco seria da aplicabilidade do art. 173, inciso I, do CTN, mas que esta não seria aplicável ao caso concreto de tributo com período de apuração mensal; (vi) Alega, ainda, que a solidariedade prevista no art. 124, inciso I, do CTN, é conceito jurídico indeterminado, inaplicável a toda e qualquer situação. O interesse comum previsto neste dispositivo, que levaria à solidariedade, dependeria da comprovação de ser o reclamante o beneficiário dos pagamentos e disso não haveria provas; (vii) Afirma também que a sistemática de imputação de responsabilidade solidária utilizada pela fiscalização é inadequada, uma vez que a solidariedade passiva não é forma de inclusão de terceiros na relação jurídicotributária, mas tipo de nexo que se estabelece entre codevedores; (viii) Argumenta que a identificação dos beneficiários por meio dos cheques por eles sacados, demonstra no relatório de procedimento fiscal, a falta de documentos que comprovem ter ele sido beneficiado pelos referidos saques ou pagamentos e a ausência de causa para os pagamentos demonstrariam que ele nada teria recebido, afastando o “interesse comum” previsto no inciso I do art. 124 do CTN. Os registros contábeis seriam prova de que o reclamante era a única pessoa que nada teria recebido, relativamente aos pagamentos efetuados; (ix) Com referência ao art. 135, incisos II e III, do CTN, alega a impossibilidade de atribuir a responsabilização exclusiva a uma terceira pessoa sem a exclusão do contribuinte do polo passivo da relação obrigacional, o que não fora procedido no caso concreto. Apreciando os argumentos dos interessados, a DRJ entendeu pela manutenção das autuações, exceto em relação à parte do PIS e da Cofins, cujo entendimento foi de que se excluísse as receitas não operacionais e financeiras da base de cálculo dessas contribuições, a partir do advento da Lei nº 11.941/2009, como se nota da ementa (fl. 14.424): ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2009 SUSPENSÃO DA IMUNIDADE E DA ISENÇÃO. Suspendese a imunidade e isenção da instituição educacional e filantrópica quando fica comprovada a ocorrência de desvio da aplicação das receitas e dos patrimônios da entidade das suas finalidades institucionais. Quando há prática de atos que configuram crime de sonegação, afastasse igualmente a isenção relativa ao programa Prouni voltado às entidades de finalidade educacional. SUJEIÇÃO PASSIVA. CONTRIBUINTE A desoneração do contribuinte com sujeito passivo não pode ocorrer por obra de mera interpretação extensiva; demanda, rigorosamente, norma expressa de desoneração. A manutenção da contribuinte como obrigada ao pagamento da obrigação não afasta a exigência de pagamento também do terceiro responsável. Fl. 15241DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/1 0/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assina do digitalmente em 17/10/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11065.724910/201112 Acórdão n.º 1302001.157 S1C3T2 Fl. 15.240 5 SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE. O administrador ou representante que pratica atos com excesso de poderes ou infração à lei, contrato social ou estatuto, responde solidariamente pelos créditos correspondentes às obrigações tributárias resultantes. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2009 INDÍCIOS. PRESUNÇÕES. PAGAMENTOS SEM CAUSA. Fartos indícios coincidentes e convergentes direcionados à ocultação das reais razões dos pagamentos realizados permitem presumir a ocorrência dos fatos geradores previstos na norma tributária e penal. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. A ausência de pagamento e a existência de dolo remetem o “dies a quo” do prazo decadencial para o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado, em caso de tributo sujeito ao lançamento por homologação. APURAÇÃO TRIMESTRAL Ficando a entidade, em decorrência da suspensão da imunidade, sujeita às regras gerais de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas, é cabível a incidência do tributo com base de cálculo apurada trimestralmente. DEDUTIBILIDADE DE TRIBUTOS DA BASE DE CÁLCULO DO IRPJ E DA CSLL. Para que sejam dedutíveis do lucro real, as contribuições sociais não podem ter sua exigibilidade suspensa por recursos em processos administrativos fiscais. DEDUTIBILIDADE. COMPROVAÇÃO. As deduções na apuração do lucro real devem ser comprovadas pela contribuinte quando impugna os créditos lançados, não bastando indicar valores obtidos em relatório de auditoria contábil, sem a apresentação da documentação que daria suporte àquele relatório. PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS. COMPROVAÇÃO DAS CONDIÇÕES. As deduções de despesas relativas a perdas no recebimento de créditos só podem ser realizadas em atendimento às condições legais, que devem ser comprovadas pelo demandante. MULTA AGRAVADA. Fl. 15242DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/1 0/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assina do digitalmente em 17/10/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 6 Cabível a aplicação da multa de 150% quando são utilizados documentos com o objetivo de impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, bem como quando há a tentativa de retardar o conhecimento da autoridade fazendária da condição pessoal da contribuinte. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2009 Ementa: INDEDUTIBILIDADE DE DESPESAS E CUSTOS OPERACIONAIS. PLANO DE SAÚDE. ATENDIMENTO AOS PRÓPRIOS BENEFICIÁRIOS. A legislação não permite que as operadoras de planos de assistência à saúde deduzam da base de cálculo da contribuição para o PIS as despesas e custos operacionais relacionados com os atendimentos médicos realizados em seus próprios beneficiários (clientes), por meio de estabelecimento próprio ou pela rede conveniada/credenciada de profissionais e empresas da área de saúde, visto que tais contribuições incidem sobre o faturamento (receita bruta) mensal e não sobre o resultado. FATURAMENTO. AFASTAMENTO DAS RECEITAS NÃO OPERACIONAIS E FINANCEIRAS. JULGADOS COM REPERCUSSÃO GERAL. Mesmo diante de julgado do STF com repercussão geral, não cabe à delegacia de julgamento extinguir os créditos tributários constituídos em conformidade com a legislação válida à época dos fatos geradores, por falta de previsão legal para tanto, uma vez que a fazenda não manifesta concordância com a tese julgada pelos tribunais superiores, devendo apenas sustar a cobrança destes créditos. ALTERAÇÃO LEGISLATIVA NA CONCEITUAÇÃO DA RECEITA TRIBUTÁVEL. POSSIBILIDADE DE DEDUÇÃO DE OUTRAS RECEITAS. A partir da edição de legislação que reduz o âmbito das receitas tributáveis pelas contribuições sobre o faturamento, é possível afastar as receitas não operacionais e financeiras de entidade prestadora de serviços de educação e saúde, desde que estas receitas sejam passíveis de comprovação através dos registros contábeis que deram azo aos lançamentos. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Na parte julgada procedente, o entendimento da douta DRJ foi de que desde 28/05/2009, quando entrou em vigor a Lei nº 11.941/2009 suprimindo o § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998, caberia a interpretação mais restritiva do que seria faturamento, excluindo, portanto, as receitas não operacionais e financeiras. Sobre este ponto, em atendimento ao disposto na Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008, houve recurso de ofício desta parte exonerada pela DRJ. Contra este entendimento está voltado o recurso de ofício. Fl. 15243DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/1 0/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assina do digitalmente em 17/10/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11065.724910/201112 Acórdão n.º 1302001.157 S1C3T2 Fl. 15.241 7 Seguindo a sequência dos fatos, vêse que a CESLP e o Sr. Ruben interpuseram, então, recurso voluntário. Porém, antes que o processo entrasse na pauta de julgamentos, foi apresentado pelo CELSP requerimento de desistência do recurso voluntário (fls. 15.207/15.209) para fins de adesão ao parcelamento de que dispõe a Lei nº 12.688/2012. Assim, persiste apenas a necessidade de verificar os argumentos apresentados pelo Sr. Rubens em seu recurso voluntário, que, em síntese, são os mesmos elencados na impugnação. Após, o responsável solidário, Sr. Ruben, juntou ainda aos autos, decisão prolatada pela 2ª Turma da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento deste Conselho, cuja matéria decidida considera idêntica à examinada no presente feito. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Marcio Rodrigo Frizzo Os recursos voluntário e de ofício apresentados são tempestivos e apresentam todos os requisitos de admissibilidade, então deles conheço. 1. Do Recurso da CELSP Tendo a CELSP comunicado sua adesão ao parcelamento especial previsto na Lei nº 12.688/2012, e expressamente manifestado sua desistência ao Recurso Voluntário (fls. 15.207/15.209), concluise pela perda de seu objeto. Assim, voto pelo seu não conhecimento. 2. Do Recurso de Ruben Eugen Becker I. Da Responsabilidade Pessoal e da Solidariedade Acerca das afirmações do recorrente sobre a necessidade de as provas produzidas administrativamente serem “judicializadas” (§6), como afirma o recorrente na fl. 14517, entendo que o argumento não se sustenta ante ao poder de fiscalização autorizado pelo Código Tributário Nacional nos artigos 194 e seguintes. Sobre as arguições de inconstitucionalidade este Conselho está impedido de emanar qualquer juízo de convencimento com fulcro em inconstitucionalidade, como determina a súmula CARF n. 2, que assim determina: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 15244DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/1 0/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assina do digitalmente em 17/10/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 8 Em verdade, há matérias em que a inconstitucionalidade é reconhecida quando já declarada por outras vias (ex. súmula vinculante), mas as hipóteses não se encaixam no pleito do recorrente. Desse modo, abstenhome de apreciar as considerações do recorrente neste sentido, considerando que a súmula do CARF é de observância obrigatória (v. art. 45, inc. VI, c.c. art. 72, do Regimento Interno deste Conselho Portaria MF n. 256/09, Anexo II). No que diz respeito ao tema da responsabilidade do recorrente, vêse do relatório fiscal (item VI – Da Sujeição Passiva – fl. 12558) que foram empregados os artigos 124, inc. I, e 135, inc. III, ambos do Código Tributário Nacional, como fundamento legal, observese (fl. 12762): No exercício das funções de AuditorFiscal da Receita Federal, nos termos dos artigos 910, 911 e 928 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo decreto n. 3000/1999, e tendo em vista o Relatório de Procedimento Fiscal, constante do processo administrativo acima citado, resto caracterizada a sujeição passiva solidária, nos termos dos art. 124, I, e art. 135, III, da Lei n. 5.172, de 25 de outubro de 2966 (Código Tributário Nacional). Destaco que o art. 124, inciso I, do CTN não é aplicável à hipótese dos autos. O dispositivo trata das pessoas que são responsáveis solidários em razão do “interesse comum”. Consoante entendimento que vem sendo adotado, exigese que a situação que consubstancia o fato gerador do tributo seja praticada pelos sujeitos cuja solidariedade se pretende atribuir. Exemplificando os casos de interesse comum, Leandro Paulsen afirma que “têm interesse comum aqueles que figuram conjuntamente como contribuintes, como os coproprietários de um imóvel relativamente ao IPTU ou à taxa de recolhimento de lixo”1. Mutatis mutandis, é o entendimento aplicado nos casos de empresas de um mesmo grupo econômico, como demonstra o seguinte julgado: TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. ISS. LEGITIMIDADE PASSIVA. GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE. INEXISTÊNCIA. SÚMULA 7/STJ. 1. A jurisprudência do STJ entende que existe responsabilidade tributária solidária entre empresas de um mesmo grupo econômico, apenas quando ambas realizem conjuntamente a situação configuradora do fato gerador, não bastando o mero interesse econômico na consecução de referida situação. (...)(STJ. AgRg no AREsp 21.073/RS, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 18/10/2011, DJe 26/10/2011) No mesmo caminho trilhou o Superior Tribunal de Justiça no julgado abaixo, em que o então Min. Luiz Fux, fundamentandose em doutrina abalizada, discorre sobre o termo “interesse comum”, observese: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. ISS. EXECUÇÃO FISCAL. TÍTULOS DA DÍVIDA PÚBLICA (LETRAS FINANCEIRAS DO TESOURO). AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA. RECUSA. POSSIBILIDADE. MENOR ONEROSIDADE. ART. 620 DO CPC. SÚMULA 7/STJ. 1 PAULSEN, Leandro. Curso de Direito Tributário Completo. 5ª ed. rev., atual. e ampl. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2013. p. 166. Fl. 15245DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/1 0/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assina do digitalmente em 17/10/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11065.724910/201112 Acórdão n.º 1302001.157 S1C3T2 Fl. 15.242 9 LEGITIMIDADE PASSIVA. EMPRESAS DO MESMO GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE. INEXISTÊNCIA. (...) 6. Deveras, o instituto da solidariedade vem previsto no art. 124 do CTN, verbis: "Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei." 7. Conquanto a expressão "interesse comum" encarte um conceito indeterminado, é mister procederse a uma interpretação sistemática das normas tributárias, de modo a alcançar a ratio essendi do referido dispositivo legal. Nesse diapasão, temse que o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal implica que as pessoas solidariamente obrigadas sejam sujeitos da relação jurídica que deu azo à ocorrência do fato imponível. Isto porque feriria a lógica jurídicotributária a integração, no pólo passivo da relação jurídica, de alguém que não tenha tido qualquer participação na ocorrência do fato gerador da obrigação. 8. Segundo doutrina abalizada, in verbis: "... o interesse comum dos participantes no acontecimento factual não representa um dado satisfatório para a definição do vínculo da solidariedade. Em nenhuma dessas circunstâncias cogitou o legislador desse elo que aproxima os participantes do fato, o que ratifica a precariedade do método preconizado pelo inc. I do art 124 do Código. Vale sim, para situações em que não haja bilateralidade no seio do fato tributado, como, por exemplo, na incidência do IPTU, em que duas ou mais pessoas são proprietárias do mesmo imóvel. Tratandose, porém, de ocorrências em que o fato se consubstancie pela presença de pessoas em posições contrapostas, com objetivos antagônicos, a solidariedade vai instalarse entre sujeitos que estiveram no mesmo pólo da relação, se e somente se for esse o lado escolhido pela lei para receber o impacto jurídico da exação. É o que se dá no imposto de transmissão de imóveis, quando dois ou mais são os compradores; no ICMS, sempre que dois ou mais forem os comerciantes vendedores; no ISS, toda vez que dois ou mais sujeitos prestarem um único serviço ao mesmo tomador." (Paulo de Barros Carvalho, in Curso de Direito Tributário, Ed. Saraiva, 8ª ed., 1996, p. 220) (...) (STJ. REsp 859.616/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 18/09/2007, DJ 15/10/2007, p. 240) Retornando ao caso dos autos, foram lavrados autos de infração de CSLL, PIS/Pasep, Cofins e IRPJ em razão da suspensão da imunidade/isenção da CESLP por meio do Ato Declaratório Executivo n. 46/2011. Como se sabe, esses tributos possuem como fato gerador, de modo geral, o lucro e o faturamento (receita bruta). Entendo que o recorrente, pessoa física, ainda que tenha alguma responsabilidade pelas irregularidades desvendadas pelos agentes fiscais, jamais poderia participar da realização dos fatos geradores acima mencionados, daí a impossibilidade de Fl. 15246DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/1 0/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assina do digitalmente em 17/10/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 10 considerálo como responsável solidário. Assim, voto pelo afastamento do art. 124, inc. I, do Código Tributário Nacional. No que diz respeito ao art. 135, inc. III, do Código Tributário Nacional, entendo que este sim se revela capaz de subsidiar a responsabilidade do Sr. Rubens. Ou seja, o recorrente é pessoalmente responsável pelos atos praticados com excesso de poderes, em infração à lei ou ao estatuto social. A redação do dispositivo é a seguinte: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: (...) III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Entendo que o processo está repleto de provas comprovam a prática dos atos que podem ser encartados no art. 135 do CTN, tanto é que, em alguns momentos, o recurso voluntário chega a se contradizer e a confessar a prática de atos ilegais. É o que se percebe dos comentários sobre a ordem do Sr. Ruben ao departamento financeiro para que não retivesse o ISS sobre os pagamentos feitos à empresa “Alexandre O. Dahmer” (CNPJ 97.166.854/000184) (fl. 667). Consta no recurso voluntário que esta seria uma “ordem contra a lei” e que não deveria ser observada pelo departamento financeiro (§ 11) (fl. 14519). Afirma ainda que se a ordem foi observada pelo departamento financeiro, é porque ali existiam pessoas sem habilitação para o cargo. É evidente a afirmativa, além de não ter qualquer coerência, milita contra os interesses do recorrente, pois este acaba por confessar que proferiu ordens ilegais, o que se ajusta na hipótese de responsabilidade pessoal constante no art. 135 do CTN. Em que pese essa contradição, o recurso voluntário não traz novos elementos que possam descaracterizar os incontáveis documentos e procedimentos verificados pela autoridade fiscalizadora. E mais, em ambas as oportunidades (impugnação e recurso voluntário), o recorrente se dedica a contestar a aplicação do art. 124 do CTN, sem atacar o art. 135, CTN, que também subsidiou a sua responsabilização. Dessa forma, entendo que é cabível a responsabilização do recorrente com fulcro no art. 135, inc. III, do CTN. Em tempo, o recorrente peticionou em 28/05/2013 requerendo a juntada do acórdão 2202002.173 proferido no proc. 11065.724908/201135, em que foi afastada sua responsabilidade tributária assentada no art. 124 e no art. 135, ambos do CTN. A ementa do julgado tem o seguinte teor (fl. 15219): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Período de apuração: 28/12/2005 a 11/05/2009 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL PERDA DE OBJETO. A adesão do recorrente ao Parcelamento de que trata a Lei No. 12.688 de 18 de julho de 2012, importa renúncia ao recurso. RESPONSABILIDADE SOLIDARIA. HIPÓTESES DE IMPUTAÇÃO. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. Fl. 15247DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/1 0/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assina do digitalmente em 17/10/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11065.724910/201112 Acórdão n.º 1302001.157 S1C3T2 Fl. 15.243 11 A imputação de responsabilidade solidária por crédito tributário só pode ocorrer nas hipóteses e nos limites fixados na legislação, que a restringe às pessoas expressamente designadas em lei e àquelas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. A exigência de tributação exclusivamente na fonte, com base no art. 61 da Lei no 8.981, de 1995, é incompatível com a imputação de responsabilidade solidária a terceiros por suas meras participações, como prepostos ou, administradores, nos acontecimentos que caracterizaram o pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado. Recurso do Contribuinte não conhecido. Recurso do Responsável Tributário Provido. Destaco que o acórdão acima foi prolatado em face de debates sobre a responsabilidade do Sr. Ruben pelo recolhimento do IRRF em razão de pagamentos pela pessoa jurídica a beneficiários não identificados (art. 61 da Le n. 8.981/95). Diferente, portanto, o contexto legal do precedente. No que se refere ao art. 124, inc. I, do CTN, a posição adotada no referido acórdão foi semelhante ao que expus acima. Entretanto, no que cinge ao art. 135, inc. III, do CTN, o entendimento da respectiva Turma foi o seguinte: O referido artigo [135] do CTN versa, expressamente, sobre responsabilidade pessoal, portanto, exclusiva. E dizer, no caso de aplicação do referido comando legal, o Contribuinte deve ser, necessariamente, excluído do pólo passivo da relação obrigacional. Não foi o que ocorreu no caso concreto, que apontou a pessoa jurídica como sujeito passivo e que, como se verá mais adiante, na condição de responsável, o Sr, Ruben Eugen Becker. Para admitirse, no caso, a responsabilidade solidária, com fundamento no 135, II e III terseia, necessariamente, que excluir a contribuinte CELSP. do pólo passivo. Pelo simples fato de essa imputação ser incompatível com o próprio fundamento da autuação. Refirome ao fato de que se cuida de lançamento com base no art. 61 da lei n. 8.981, de 1996 que versa sobre tributação exclusiva na fonte. O entendimento novamente foi construído sob a possibilidade do Sr. Ruben arcar com o imposto de renda retido na fonte em razão de pagamentos a beneficiários não identificados. Portanto, trata de matéria que não é da competência desta Turma. Apenas observo que as hipóteses do art. 135 do Código Tributário Nacional tratam de situação em que determinados sujeitos contrariam os interesses da pessoa jurídica. Ou seja, praticam atos dos quais resultam o tributo. Esse é o teor do dispositivo: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos Fl. 15248DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/1 0/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assina do digitalmente em 17/10/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 12 praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: (...) (grifo não original) Como dito acima, o recorrente colaborou para a prática de diversos atos contra a lei e estatuto. Esses mesmos atos prejudicaram a imunidade/isenção da CELSP. Logo, dos atos do recorrente resultaram os créditos tributários, nos termos do art. 135, inc. III, do CTN. É certo que a hipótese do art. 135 do CTN trata de responsabilidade pessoal do agente. Há correntes que defendem (i) a exclusividade da responsabilidade do agente, com exclusão a sociedade; (ii) a responsabilidade da sociedade nos casos em que foi beneficiada pelos atos ilícitos; (iii) a hipótese de o art. 135 do CTN tratar de responsabilidade tributária pessoal e solidária, concomitantemente, entre outras correntes. Não tenho dúvidas de que a responsabilidade do Sr. Rubens perduraria em qualquer dessas análises, pois são induvidosamente de sua autoria os atos de que resultaram os créditos tributários. O que seria possível discutir é se a CELSP também pode ser responsabilizada. Vale dizer, a responsabilidade pessoal do Sr. Rubens é certa e está comprovada. Apenas poderia se questionar a responsabilidade da CELSP pelos atos realizados pelo seu representante, questão esta que ficou prejudicada pela desistência do recurso voluntário. Em tempo, apesar das divergências existentes, opto por adotar a nomenclatura do art. 121 do CTN para afirmar que o recorrente jamais poderá ser considerado “contribuinte”. Ele jamais poderá auferir lucro ou faturamento pela CELSP. O máximo que lhe pode ser imputada é a condição de “responsável”, por força do art. 135, inc. III, CTN. Assim, no contexto dos tributos discutidos nestes autos, entendo possível a responsabilização do recorrente, com base no art. 135, inc. III, do CTN, razão pela qual voto pela manutenção da responsabilidade do Sr. Ruben Augusto Becker, uma vez que foram detectados incontáveis atos que infringem o estatuto social e representam infração à lei. II. Da Decadência Sobre a decadência, o recorrente afirma que o prazo deveria obedecer ao art. 150, §4º, do CTN. De outro lado, o acórdão da DRJ afirma que não ocorreu a decadência, pois o dispositivo legal aplicável é o art. 173, inc. I, CTN. Sobre o tema, não se tem dúvidas que o dispositivo aplicável é o art. 173, inc. I, CTN. Há evidente intuito de fraude em todas as condutas reveladas pela fiscalização. Na legislação, a fraude é assim conceituada: Lei 4.502/64. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Fl. 15249DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/1 0/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assina do digitalmente em 17/10/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11065.724910/201112 Acórdão n.º 1302001.157 S1C3T2 Fl. 15.244 13 No caso, restou configurada que a CELSP desobedeceu, dentre outros, os incisos I e II do art. 14 do Código Tributário Nacional, e por isso foi suspensa sua imunidade. A redação do dispositivo é a seguinte: Art. 14. O disposto na alínea c do inciso IV do artigo 9º é subordinado à observância dos seguintes requisitos pelas entidades nele referidas: I – não distribuírem qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a qualquer título; (Redação dada pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) II aplicarem integralmente, no País, os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais; A fraude, que neste caso é a ação que impede totalmente a ocorrência do fato gerador, é a situação de praticar atos incompatíveis com a finalidade da imunidade das entidades de educação (art. 150, inc. IV, alínea “c”, da Constituição Federal), sem comunicar à Receita Federal. Caracterizase, por exemplo, quando há distribuição de parcela da renda, o que se verifica por meio dos pagamentos a empresas sem que haja a efetiva contraprestação do serviço. Tais condutas foram exaustivamente descritas no relatório fiscal. Evidente que o fato certamente não se enquadra, também, nos objetivos institucionais da CELSP. Em havendo a intenção distribuir parcela da renda, a CELSP deveria ter comunicado a intenção à Receita Federal para que sua imunidade fosse suspensa, o que não ocorreu, daí a constatação de uma ação que impede totalmente a ocorrência do fato gerador e, consequentemente, da fraude, que faz incidir o prazo decadencial do art. 173, inc. I, CTN. Ocorre que a CESLP e o recorrente (Sr. Ruben) foram notificados do lançamento em 29/11/2011 e 30/12/2011, respectivamente (fl. 12765 e 12763). Dentre os créditos tributários constituídos, há fatos geradores relativos ao mês de dezembro de 2005 (v. auto de infração de fls. 12561 e ss.). Adotando a regra do art. 173, inc. I, CTN, os fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2005 podem ser lançados a partir de 1º/01/2006 até 31/12/2010. Logo, houve a consumação do prazo decadencial relativamente ao mês de dezembro de 2005, razão pela qual voto pelo seu reconhecimento. III. Da quebra do sigilo fiscal No que diz respeito ao pedido de suspensão do julgamento em razão da quebra do sigilo fiscal, esta Turma tem defendido o entendimento de que se deve aguardar o pronunciamento definitivo pelo Supremo Tribunal Federal acerca da constitucionalidade do acesso direto pela Receita Federal a tais informações, sem a prévia autorização do Poder Judiciário. Ocorre que, no caso dos autos, não se pode determinar o sobrestamento. Importante destacar que a CELSP expressamente autorizou a quebra do sigilo fiscal de diversas Fl. 15250DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/1 0/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assina do digitalmente em 17/10/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 14 contas correntes, em diversos bancos, nos termos das autorizações de folhas n. 180 a 187, que foram entregues aos auditores fiscais. Rastreando uma dessas movimentações bancárias da CELSP, alcançaramse pagamentos relativos ao veículo Audi A8, cuja propriedade “de fato” é imputada ao Sr. Ruben (v. fls. 12495 a 1205). Como se percebe do relatório fiscal (fls. 12374 a 12560), em nenhum momento é apresentada qualquer informação bancária do Sr. Ruben relativamente à aquisição do referido veículo. Aliás, o próprio recorrente informou em sua impugnação que a quebra do sigilo bancária teria ocorrido em face da CELSP, momento em que transcreveu passagem do relatório fiscal comprovando tal fato (fl. 14323 §29). De fato, foram investigadas apenas as informações bancárias da CELSP, como comprova a seguinte passagem do relatório Fiscal (fl. 12497): Rastreando alguns cheques emitidos pela CELSP, especificamente aqueles no mês de novembro de 2007, verificamos que foram utilizados para aquisição de um automóvel AUDI A*, cujo proprietário de fato foi o exreitor da ULBRA, o Sr. Ruben Eugen Becker. Os fatos que nos permitiram assim concluir estão minuciosamente descritos a seguir, cujos documentos encontramse às folhas 3815 a 3914. Logo, no máximo, seria a CELSP a interessada em arguir a quebra do sigilo bancário, e não o recorrente. Ocorre que a CELSP permitiu a quebra de seu sigilo bancário e, como dito, também desistiu de seu recurso voluntário. Dessa forma, voto pela improcedência do argumento e pelo não sobrestamento do feito. 3. Do Recurso de Ofício O recurso de ofício recai sobre a exclusão das receitas não operacionais e financeiras da base de cálculo do PIS e da Cofins cumulativos, nos termos da Lei n. 9.718/98, que em seu art. 3º , §1º, assim determinava: Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. § 1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) Notese que o §1º artigo supratranscrito foi revogado pela Lei n. 11.941/09. De outro lado, foi dada ciência ao contribuinte acerca do auto de infração em 29/12/2011 (fl. 12560). Portanto, já à época da constituição do crédito tributário não havia permissivo legal que autorizasse a tributação dessas receitas não operacionais e financeiras. Ademais, desde 28/11/2008 imperava a decisão do Supremo Tribunal Federal acerca da inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei n. 9.718/98, julgada definitivamente sob o manto da repercussão geral (art. 543B, CPC), observese: EMENTA: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Fl. 15251DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/1 0/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assina do digitalmente em 17/10/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11065.724910/201112 Acórdão n.º 1302001.157 S1C3T2 Fl. 15.245 15 Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. (STF. RE 585235 QORG, Rel. Min. Cezar Peluso. Publ. 28112008). Posteriormente, como dito acima, em 28/05/2009, entrou em vigência a Lei n. 11.941/09 para extirpar de vez a inconstitucional §1º do art. 3º da Lei n. 9.718/98, observese: Art. 79. Ficam revogados: (...) XI – a partir da instalação do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: (...) XII – o § 1o do art. 3o da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998; (...). Como se sabe, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais está obrigado a observar as decisões definitivas de mérito do Supremo Tribunal Federal quando julgadas pelo rito do art. 543B do Código de Processo Civil (art. 62A do Regimento Interno do CARF – Anexo II da Portaria MF n. 256/09). No caso em tela, a decisão recorrida apenas suspendeu a cobrança dos tributos cujos fatos geradores anteriores a abril de 2009, e extinguiu os créditos posteriores a maio de 2009 (vigência da Lei n. 11.941/09). É o que se percebe da seguinte passagem (fl. 14487): Em face das decisões em recursos repetitivos, relativamente à exclusão das receitas não operacionais e financeiras na apuração das contribuições do PIS e da Cofins pleiteada pela contribuinte, no período de outubro de 2005 e abril de 2009, alertase à DRF de origem dos lançamentos para a suspensão da cobrança e para a realização de controle do prazo prescricional dos créditos correspondentes, conforme exposto no item 7.1.3.3 do voto. A decisão merece reparos. O STF declarou inconstitucional o §1º do art. 3º da Lei n. 9.718/98 já em 28/11/2008, pelo rito do art. 543B do CPC, o que vincula este Conselho, como dito acima. Por isso, este Conselho tem determinado a extinção de créditos tributários dessa natureza, como se percebe das seguintes ementas, as quais transcrevo em sua parte pertinente, por questão de objetividade: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/08/2004 a 31/08/2004 PIS. BASE DE CÁLCULO. ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. INCONSTITUCIONALIDADE DE DECLARADA PELO STF. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO. O §1º do art. 3º da Lei Fl. 15252DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/1 0/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assina do digitalmente em 17/10/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 16 nº 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo STF no julgamento do RE nº 346.084/PR e no RE nº 585.235/RG, este último decidido em regime de repercussão geral (CPC, art. 543 B). Assim, deve ser aplicado o disposto no art. 62A do Regimento Interno do Carf, o que implica a obrigatoriedade do reconhecimento da inconstitucionalidade do referido dispositivo legal. (...). Recurso Voluntário Provido em Parte. Aguardando Nova Decisão. (CARF. Acórdão 3802001.614. Cons. Solon Sehn. Sessão 27/02/2013). Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 31/01/2002 a 31/01/2004 (...) COFINS FATURAMENTO. RECEITAS FINANCEIRAS BASE DE CÁLCULO. LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE DO ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO JULGADA EM REPERCUSSÃO GERAL. Em apreciação a Recurso Extraordinário com Repercussão Geral reconhecida, o STF julgou inconstitucional a base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, no que amplia o significado do termo faturamento. Assim, a COFINS tributada na forma da Lei nº 9.718/98 não incide sobre as receitas financeiras. (...) (CARF. Acórdão 3401002.234. Cons. Jean Cleuter Simões Mendonça. Sessão 25/04/2013). Assunto: (...) ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. APLICAÇÃO DA DECISÃO PLENÁRIA DO STF. COFINS. BASE DE CÁLCULO AMPLIADA. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF. REPERCUSSÃO GERAL. O Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade do art. 3º, § 1°, da Lei 9.718/98, por entender que a ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins por lei ordinária violou a redação original do art. 195, I, da Constituição Federal, ainda vigente ao ser editado o mencionado dispositivo legal. As receitas financeiras, no caso concreto, extrapolam o conceito de faturamento. A repercussão geral da matéria relativa à inconstitucionalidade do referido dispositivo foi reconhecida pelo Tribunal Pleno da Suprema Corte. (...) (CARF. Acórdão 1401000.935. Cons. Antônio Bezerra Neto. Sessão 05/12/2012) Evidente que concordar com a determinação da DRJ, no sentido de haver a “suspensão para a cobrança” dos tributos flagrantemente inconstitucionais importa em grave oneração da contribuinte, além de ser um procedimento inexistente na legislação tributária. Em tese, a referida “suspensão para a cobrança” determinada pela DRJ implicaria suspensão da exigibilidade. Ou seja, seria uma hipótese que deveria estar prevista no art. 151 do Código Tributário Nacional, mas não está. Não é possível, portanto, consentir com o acórdão recorrido. Ante ao exposto, voto por conhecer o recurso de ofício e negar provimento, especificamente para determinar a extinção de todos os créditos tributários de PIS e COFINS constituídos sobre as receitas não operacionais e financeiras, eis que reconhecida a Fl. 15253DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/1 0/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assina do digitalmente em 17/10/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11065.724910/201112 Acórdão n.º 1302001.157 S1C3T2 Fl. 15.246 17 inconstitucionalidade pelo rito da repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal, vinculando este Conselho. 4. Conclusão Ante ao exposto, voto por não conhecer do recurso voluntário da CESLP pela desistência do contribuinte. Voto por conhecer do recurso voluntário, apresentado pelo responsável solidário, e no mérito o julgar parcialmente procedente para determinar a decadência do exercício de 2005. (assinado digitalmente) Marcio Rodrigo Frizzo Relator Fl. 15254DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/1 0/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assina do digitalmente em 17/10/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 18 Voto Vencedor Conselheiro ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR. Com a devida vênia do ilustre Relator, divirjo do seu voto, tãosomente, no ponto em que acolheu a preliminar de decadência relativa ao fato gerador do mês de dezembro de 2005. Ora, o Relator sustenta, com toda razão, que, ao presente caso, aplicase a regra decadencial do art. 173, I, do CTN. Assim sendo, para o fato gerador de dezembro de 2005, o Fisco poderia efetuar o lançamento em 2006, logo, o primeiro dia do exercício seguinte era 01/01/2007 (dies a quo), findando o prazo decadencial de 5 anos (do direito de a Fazenda Nacional efetuar o lançamento) em 31/12/2007 (dies ad quem). Destarte, tendo sido a CESLP e o recorrente (Sr. Ruben) notificados do lançamento em 29/11/2011 e 30/12/2011, respectivamente (fl. 12765 e 12763), não há falar que o crédito tributário relativo ao fato gerador de dezembro de 2005 estivesse extinto pela decadência. Por essa razão, divirjo, neste ponto, do voto do Relator, pois afasto inteiramente a preliminar de decadência. ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Redator designado. Fl. 15255DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/1 0/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assina do digitalmente em 17/10/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 11128.002365/2007-33
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Sep 10 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3202-000.114
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Júnior declarou-se impedido.
Irene Souza da Trindade Torres Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza e Adriene Maria de Miranda Veras.
Nome do relator: IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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Recorrente HÉRCULES DO BRASIL PRODUTOS QUÍMICOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Júnior declarouse impedido. Irene Souza da Trindade Torres – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza e Adriene Maria de Miranda Veras. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, o qual passo a transcrever: “Trata o presente processo de autos de infração, lavrados em face do contribuinte em epígrafe, formalizando a exigência de recolhimento do imposto de importação, do imposto sobre produtos industrializados, de multas de ofício, de multa do controle administrativo das importações e de multa por classificação incorreta da mercadoria na Nomenclatura Comum do Mercosul, devido à apuração dos fatos a seguir descritos. A empresa acima qualificada submeteu a despacho aduaneiro, por meio das declarações de importação n° 03/00956740, registrada em 04/02/03, cópia de fls. 20 a 25, e n° 03/01003860, registrada em 05/02/03, cópia de fls. 40 a 45, mercadoria que foi assim descrita: DIETILENOTRIAMINA E SEUS SAIS. NOME COMERCIAL: DIETHYLENETRIAMINE. USO: TRATAMENTO DE ÁGUAS INDUSTRIAIS, e classificada no código NCM 2921.29.10, com alíquota de II de 3,5% e IPI de 0%. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 11 28 .0 02 36 5/ 20 07 -3 3 Fl. 224DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 07/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11128.002365/200733 Resolução nº 3202000.114 S3C2T2 Fl. 225 2 Amostras dos produtos importados foram coletadas para análise laboratorial, Pedido de Exame n° LAB 309/03/GCOF, na fl. 26, e n° LAB 310/03/GCOF, na fl. 46. Do exame dos laudos n° 2787.01, de fls. 27 a 37, e n° 2788.01, de fls. 47 a 57, esclarecendo que a mercadoria tratavase de mistura de reação constituída de Dietilenotriamina e N(2Aminoetil) Piperazina, a autoridade fiscal classificou a mercadoria no código NCM 3824.90.89, com alíquota de imposto de importação de 15,5% e imposto sobre produtos industrializados de 10%. Informam ainda os supracitados laudos técnicos, a concentração dos dois constituintes nos produtos importados: no Laudo n° 2787.01, 89,2% de Dietilenotriamina e 10,8% de N(2Aminoetil) Piperazina; e no Laudo n° 2788.01, 90,3% e 9,7%, respectivamente. Diante do exposto, foram lavrados os presentes autos de infração, formalizando a exigência do recolhimento de imposto de importação, imposto sobre produtos industrializados, de multas de ofício, de multa por falta de licença de importação e de multa por classificação incorreta da mercadoria na NCM, totalizando, com juros calculados até 30/03/07, o valor de R$275.592,80. Cientificado da lavratura do auto de infração em 27/04/07 (fls. 65verso), o contribuinte por intermédio de sua procuradora (Instrumento de Mandato na fl. 82) protocolizou impugnação, de fls. 66 a 81, tempestivamente, em 28/05/07, alegando, resumidamente, que: 1) solicitou da empresa QMS Consultoria e Laudos Técnicos de Produtos Químicos Ltda, a emissão de parecer técnico do produto "Diethylenetriamine", de fls. 113 a 132, que informa que o produto importado pela impugnante, "DETA Commercial Grade", é obtido por meio da reação química de monoetanolamina e amônia, resultando etilenoaminas lineares e cíclicas, incluindo a Dietilenotriamina (DETA), N(2 Aminoetil) Piperazina (AEP), Aminoetiletanoamina, Etilenodiamina e Piperazina; esse produto é submetido a um processo de destilação, por uma série de torres, visando à produção de aminas, incluindo a "DETA commercial grade"; ' 2) desta forma, o "DETA Commercial Grade" é composto por DETA e AEP, sendo que este último é resultado do processo de fabricação, incluindo a etapa de purificação; a AEP não é adicionada ou misturada à Dietilenotriamina para a produção de DETA commercial grade, a AEP é um subproduto decorrente do processo de fabricação da dietilenotriamina, uma substância resultante exclusiva e diretamente do processo de fabricação e que se inclui entre as impurezas admissíveis; o parecer revela que o produto importado possui constituição química definida, mesmo contendo impurezas; 3) admitindose que tivesse havido equívoco quanto à classificação tarifária, nem assim a multa por falta de licença de importação poderia ser aplicada à impugnante, em face da orientação expressa no Ato Declaratório Normativo COSIT n° 12/97; que forneceu todas as informações necessárias (nome científico, nome comercial, embalagem, aplicação, uso, etc), sendo nítida a sua boafé ao efetuar a classificação tarifária; aplicase ao caso o Parecer 477/88, dispondo que não há pena a ser aplicada, vez que o enquadramento incorreto na TAB, por si só, não se acha tipificado como infração; 4) no caso, a discussão gira em torno de eventual equívoco da classificação tarifária, não ensejando a aplicação de penalidades, ainda mais se for levado em consideração que, em relação aos produtos classificados nos códigos NCM objeto da Fl. 225DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 07/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11128.002365/200733 Resolução nº 3202000.114 S3C2T2 Fl. 226 3 discussão, o licenciamento dáse de forma automática, quando do respectivo registro da declaração de importação do SISCOMEX; 5) não são cabíveis a multa proporcional e a multa regulamentar, haja vista que tais multas teriam amparo no art. 84, I, da MP n° 2.15835, que tem como pressuposto a classificação incorreta da NCM por ação ou omissão dolosa do contribuinte, o que não é o caso; 6) requer a conversão do julgamento em diligência ao Labana/ALFSantos, a fim de que seja retificado o entendimento firmado nos laudos técnicos oficiais, nos quais o produto importado pela impugnante foi considerado, de forma equivocada, como Outros Produtos e Preparações à base de Compostos Orgânicos, não especificados nem compreendidos em outras posições, formulando, para tanto, quesitos no item 48 da impugnação, na fl. 80, e indicando o seu perito e respectivo endereço no item 49, nas fls. 80/81.” A DRJSão Paulo II/SP julgou improcedente a impugnação (fls. 152/159), cuja decisão restou assim ementada: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 04/02/2003,05/02/2003 CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIA. Mistura de reação constituída de Dietilenotriamina e N(2Aminoetil) Piperazina, na proporção aproximada de 90% e 10%, respectivamente, classificase no código NCM 3824.90.89. MULTAS. Correta a aplicação da multa de ofício do II, prevista no art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430/96, e da multa de ofício do IPI, preceituada no art. 80, inciso I da Lei n° 4.502/64, com a redação dada pelo artigo 45 da Lei n° 9.430/96, pela falta de recolhimento do tributo no prazo estabelecido pela legislação de regência. Cabível a multa do controle administrativo das Importações, capitulada no art. 169, inciso I, alínea "b", do DecretoLei n° 37/66, alterado pelo art. 2º da Lei n° 6.562/78, por falta de Licença de Importação, quando a descrição da mercadoria na licença de importação não retrata exatamente aquela que foi efetivamente importada, ensejando a necessidade de novo licenciamento que, de acordo com a legislação vigente à época da ocorrência dos fatos, resumiase a automático ou não automático. Cabível a multa prevista no inciso I do artigo 84 da Medida Provisória 2.15835/2001 se o importador não logrou classificar corretamente a mercadoria na Nomenclatura Comum do Mercosul. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário a este Colegiado (fls. 185/189), alegando, em síntese: Fl. 226DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 07/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11128.002365/200733 Resolução nº 3202000.114 S3C2T2 Fl. 227 4 (a) preliminarmente, que houve cerceamento em seu direito de defesa em razão do indeferimento do pedido de perícia pela autoridade julgadora a quo. Assevera que, nos laudos elaborados pela FUNCAMP, os quais fundamentaram a autuação, não constam quaisquer quesitos quanto a existência de impurezas no material analisado, bem como não esclarecem se referidas impurezas são decorrentes do processo de produção da mercadoria analisada. Por tal razão, entende necessário serem respondidos os quesitos suplementares os quais apresentou. (b) no mérito, repisa os mesmos argumentos trazidos na impugnação, quais sejam: que, levandose em conta as definições constantes nas NESH, o produto importado DIETHYLENETRIAMINE foi corretamente classificado sob o código 2921.2910, por ser um composto orgânico de constituição química definida apresentado isoladamente, mesmo contendo impureza; que a AEP (N2 Aminoetil Piperazina) não é adicionada ou misturada à dietilenotriamina para a produção do DETA commercial grade, mas simplesmente um subproduto decorrente do processo de fabricação da dietilenotriamina; que o parecer juntado aos autos, elaborado pela empresa QMS Consultoria e Laudos Técnicos de Produtos Químicos Ltda, demonstra que o produto importado "Diethlylenetriamine uso: Tratamento de águas industriais"(o qual denomina simplesmente como DETA) é uma modalidade de "DETA commercial grade",obtida por meio da reação de substâncias químicas; que, conforme informa o laudo elaborado pela Fundação de Desenvolvimento da UNICAMP (FUNCAMP), o DETA commercial grade é composto pela DETA e pela AEP [N(2Aminoetil) Piperazina], nas proporções ali consignadas, mas repisa que a AEP não é adicionada ou misturada à Dietilenotriamina para a produção do DETA commercial grade, mas simplesmente um subproduto decorrente do processo de fabricação da dietilenotriamina; que, mesmo que se considerasse incorreta a classificação fiscal adotada pela contribuinte, serlheia inaplicável a multa do controle administrativo, por falta de licença de importação, em razão do que dispõe o Ato Declaratório COSIT nº. 12/1997, vez que descreveu os produtos importados conforme sua qualificação técnica, dando todas as informações necessárias (nome científico, nome comercial, embalagem, aplicação, uso, etc ), sendo nítida sua boafé ao efetuar a classificação tarifária; que também lhe seria inaplicável a multa proporcional de 1% sobre o valor aduaneiro da mercadoria, por classificação incorreta na Nomenclatura Comum do Mercosul NCM, haja vista que tal multa teria amparo no art. 84, I , da MP nº 2.158/01, o qual teria como pressuposto a classificação incorreta na NCM por ação ou omissão dolosa do contribuinte, o que não ocorreu; e que também seria incabível a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, na medida em que, por definição, se os juros remuneram o credor pela privação do uso de seu capital, devem eles incidir somente sobre o que deveria ter sido recolhido no prazo legal e não o foi. Fora dessa hipótese, qualquer incidência de juros mostrase abusiva e arbitrária, por ausência de seu pressuposto de fato, bem como por falta de previsão legal. Fl. 227DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 07/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11128.002365/200733 Resolução nº 3202000.114 S3C2T2 Fl. 228 5 Ao final, requereu a anulação da decisão proferida pela DRJ, para que seja deferido o pedido de perícia formulado. No mérito, requereu o provimento integral do recurso, para que seja cancelado o auto de infração e, por conseqüência, extinto o crédito tributário nele exigido. É o Relatório. Voto Conselheira Irene Souza da Trindade Torres, Relatora O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, razões pelas quais dele conheço. Tratase de Autos de Infração lavrados contra a empresa HÉRCULES DO BRASIL PRODUTOS QUÍMICOS LTDA, em 09/04/2003, para exigência da diferença que deixou de ser recolhida relativa ao Imposto de Importação e Imposto sobre Produtos Industrializados, bem como da multa de oficio, multa do controle administrativo por falta de licença de importação e multa regulamentar por classificação incorreta na NCM, no valor total de R$ 275.592,80, decorrente da reclassificação fiscal procedida pelo Fisco da mercadoria identificada como "DIETILENOTRIAMINA E SEUS SAIS. NOME COMERCIAL: DIETHYLENETRIAMINE. USO: TRATAMENTO DE ÁGUAS INDUSTRIAIS", assim descrita na única adição das DI nº. 03/00956740 e 03/01003860, registradas em 04 e 05/02/2003, respectivamente. A contribuinte classificou as mercadorias no código NCM 2921.29.10, enquanto que a Fiscalização pretende a reclassificação para o código 3824.90.89. Os textos da posições são os seguintes: 2921.29.10 Dietilenotriamina e seus sais, 3824.90.89 – Outros produtos e preparações à base de compostos orgânicos, não especificados nem compreendidos em outras posições A reclassificação amparouse nos laudos laboratoriais n° 2787.01 (fls.27/37) e n° 2788.01 (fls. 47/57), elaborados pela FUNCAMP, em 13/02/2003, os quais concluíram que a mercadoria não se tratava de Dietilenotriamina de constituição química definida, apresentado isoladamente, mas sim de uma mistura de reação, constituída por Dietilenotriamina e N(2 Aminoetil)Piperazina. Informaram, ainda, referidos laudos, que essa mistura encontrada, de acordo com a literatura técnica ali juntada, bem com outros laudos anteriormente elaborados, identificarseia com o produto denominado “Diethylnetriamine Commercial Grade”, que é um composto obtido pela adição de Aminoetilpiperazina à Dietilenotriamina, e que possui teor de Dietilenotramina entre 89 e 93% e de Aminoetilpiperazina entre 7 e 11%, sendo que a Dietilenotriamina teria o nome comercial de “D.E.H. 20”, e teria teor de Dietilenotriamina de 98,5%. Por outro lado, a contribuinte, a todo o tempo, alega que a Aminoetilpiperazina encontrada constituise em mera impureza, incapaz de desconfigurar a Dietilenotriamina importada como produto químico de constituição definida. No intuito de amparar sua alegação, Fl. 228DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 07/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11128.002365/200733 Resolução nº 3202000.114 S3C2T2 Fl. 229 6 a contribuinte juntou aos autos Parecer Técnico, elaborado pela empresa QMS Consultoria e Laudos Técnicos de Produtos Químicos em maio de 2007, constante às fls. 114/127. No meu entendimento, tal parecer não pode ser considerado como elemento probatório nestes autos. Explico. Não se questiona aqui o grau de especialização da empresa que elaborou o laudo particular, mas o que se verifica é que, de fato, o Parecer discorre sobre o produto de nome comercial DIETHYLENETRIAMINE, sem que, no entanto, tenha sido elaborado em função de amostra extraída dos produtos efetivamente importados em fevereiro de 2003, referentes às DI 03/00956740 e 03/01003860, diferentemente dos Laudos elaborados pela FUNCAMP, que analisaram exatamente as mercadorias que constavam dos containers importados. Assim, as conclusões trazidas no parecer baseiamse nas características do produto em tese, de nome comercial Diethylenetriamine, mas não é capaz de atestar que, de fato, as importações realizadas foram efetivamente daquele produto sobre o qual discorre. Em razão disso, entendo que não pode ser considerado para fins de classificação fiscal das mercadorias ora sob análise. Entretanto, em razão da identificação do produto efetivamente importado procedida pela FUNCAMP, entendo que certos aspectos, relativos aos esclarecimentos constantes das NESH, ainda necessitam ser aclarados. Vejamos. A Nota 1a do Capítulo 29 assim esclarece: 1. Ressalvadas as disposições em contrário, as posições do presente Capítulo apenas compreendem: a) os compostos orgânicos de constituição química definida apresentados isoladamente, mesmo contendo impurezas; Já as Considerações Gerais acerca do Capítulo 29 afirmam: CONSIDERAÇÕES GERAIS O Capítulo 29, em princípio, inclui apenas os compostos de constituição química definida apresentados isoladamente, ressalvadas as disposições da Nota 1 do Capítulo. A) Compostos de constituição química definida (Nota 1 do Capítulo) Um composto de constituição química definida apresentado isoladamente é uma substância constituída por uma espécie molecular (covalente ou iônica, por exemplo) cuja composição é definida por uma relação constante entre seus elementos e que pode ser representada por um diagrama estrutural único. Numa rede cristalina, a espécie molecular corresponde ao motivo repetitivo. Os compostos de constituição química definida apresentados isoladamente contendo substâncias que foram acrescentadas deliberadamente durante ou após a sua fabricação (incluída a purificação) estão excluídos do presente Capítulo. Por conseqüência, um produto constituído, por exemplo, por sacarina misturada com Fl. 229DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 07/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11128.002365/200733 Resolução nº 3202000.114 S3C2T2 Fl. 230 7 lactose, a fim de que possa ser utilizado como edulcorante, está excluído do presente Capítulo (ver Nota Explicativa da posição 29.25). Estes compostos podem conter impurezas (Nota 1 a). O texto da posição 29.40 cria uma exceção a esta regra porque, relativamente aos açúcares, restringe o âmbito da posição aos açúcares quimicamente puros. O termo “impurezas” aplicase exclusivamente às substâncias cuja presença no composto químico distinto resulta, exclusiva e diretamente, do processo de fabricação (incluída a purificação). Essas substâncias podem provir de qualquer dos elementos que intervêm no curso da fabricação, e que são essencialmente os seguintes: a) matérias iniciais não convertidas, b) impurezas contidas nas matérias iniciais, c) reagentes utilizados no processo de fabricação (incluída a purificação), d) subprodutos. No entanto, convém referir que essas substâncias não são sempre consideradas “impurezas” autorizadas pela Nota 1 a). Quando essas substâncias são deliberadamente deixadas no produto para tornálo particularmente apto para usos específicos de preferência a sua aplicação geral, não são consideradas impurezas admissíveis. Assim excluise o produto constituído por uma mistura de acetato de metila com o metanol, deliberadamente deixado para tornálo apto a ser utilizado como solvente (posição 38.14). Relativamente a alguns produtos (por exemplo, etano, benzeno, fenol e piridina), há critérios específicos de pureza que são indicados nas Notas Explicativas das posições 29.01, 29.02, 29.07 e 29.33. (sublinhados não constantes do original) Em razão dessas disposições, persistem ainda, nesta julgadora, alguns questionamentos que demandam a elaboração de novo laudo técnico, a fim de complementar as informações fornecidas pelos laudos anteriormente firmados, para que sejam respondidas as seguintes indagações, exatamente como abaixo postas: Levandose em consideração a identificação da composição química dos produtos informada pelos laudos da FUNCAMP, qual seja: a) Amostra da DI nº 03/00956740 à Dietilenotriamina, no percentual de 89,2% , e N(2Aminoetil)Piperazina, no percentual de 10,8%; e b) Amostra referente da DI nº 03/01003860 à Dietilenotriamina, no percentual de 90,3% , e N(2Aminoetil)Piperazina, no percentual de 9,7%, perguntase: 1) a Aminoetilpiperazina, identificada nos laudos da FUNCAMP como N(2 Aminoetil)Piperazina, encontrada juntamente com a Dietilenotriama, é Fl. 230DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 07/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11128.002365/200733 Resolução nº 3202000.114 S3C2T2 Fl. 231 8 substância cuja presença resulta, exclusiva e diretamente, do processo de fabricação (ou do processo de purificação) da Dietilenotriamina? Explique. 2) podese afirmar que a Aminoetilpiperazina [N(2Aminoetil)Piperazina] encontrada foi adicionada após ou durante o processo de fabricação da Dietilenotriamina, ou após ou durante o processo de purificação da Dietilenotriamina? Explique 3) a Aminoetilpiperazina [N(2Aminoetil)Piperazina] é substância que pode ter sido acrescida à Dietilenotriamina para tornála particularmente apta para o uso específico no tratamento de águas industriais? Explique. 4) a Aminoetilpiperazina [N(2Aminoetil)Piperazina] é substância que, acrescida à Dietilenotriamina, pode tornar a Dietilenotriamina particularmente apta para outro uso que não seja no tratamento de águas industriais? 5) Se afirmativa a resposta ao item anterior, que outro uso seria este? Explique. Assim, voto no sentido de que seja CONVERTIDO O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que a autoridade preparadora providencie a elaboração de novo Laudo Técnico, em complementação aos Laudos Técnicos anteriores elaborados pela FUNCAMP, a ser expedido, preferencialmente, pela mesma instituição (FUNCAMP), ou, não sendo possível, por outro instituto credenciado pela Receita Federal, a fim de que sejam respondidas as indagações acima formuladas, na forma como postas. Ao término do procedimento, deve a autoridade preparadora oportunizar manifestação à Fiscalização para pronunciarse sobre o resultado da diligência, bem como sobre a existência de outras informações e/ou observações que julgar pertinentes para o esclarecimento dos fatos. Encerrada a instrução processual, a contribuinte deverá ser intimada para, querendo, manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, antes da devolução do processo para julgamento. Salientese, entretanto, que a sua manifestação devese restringir absolutamente ao resultado da diligência, não sendo cabível revolver questões de defesa já suscitadas quando do oferecimento do recurso voluntário. É como voto. Irene Souza da Trindade Torres Fl. 231DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 07/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 10120.720203/2012-55
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 30 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2007,2008
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA.
A prática reiterada de omissão de receitas conduz necessariamente ao preenchimento automático das condições previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964, sendo cabível a duplicação do percentual da multa de que trata o inciso I do art.44 da Lei nº 9.430/96, com nova redação dada pela Medida Provisória nº 351, de 22 de janeiro de 2007.
Numero da decisão: 1401-001.004
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, NEGARAM provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Maurício Pereira Faro e Sérgio Luiz Bezerra Presta.
.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva Presidente
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Karem Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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A prática reiterada de omissão de receitas conduz necessariamente ao preenchimento automático das condições previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964, sendo cabível a duplicação do percentual da multa de que trata o inciso I do art.44 da Lei nº 9.430/96, com nova redação dada pela Medida Provisória nº 351, de 22 de janeiro de 2007. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, NEGARAM provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Maurício Pereira Faro e Sérgio Luiz Bezerra Presta. . (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva – Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 02 03 /2 01 2- 55 Fl. 258DF CARF MF Impresso em 30/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 08/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10120.720203/201255 Acórdão n.º 1401001.004 S1C4T1 Fl. 259 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Karem Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva. Fl. 259DF CARF MF Impresso em 30/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 08/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10120.720203/201255 Acórdão n.º 1401001.004 S1C4T1 Fl. 260 3 Relatório Tratase de recurso voluntário contra Acórdão da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de BrasíliaDF. Adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância, compondo em parte este relatório: Contra a contribuinte identificada no preâmbulo foram lavrados os autos de infração às fls. 168/221, formalizando lançamento de oficio do crédito tributário abaixo discriminado, relativo aos anoscalendário de 2007 e 2008, incluindo juros de mora e multa qualificada, totalizando R$ 896.904,11: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ 588.868,40 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL 308.035,71 De acordo com a descrição dos fatos, a contribuinte, optante pela tributação com base no lucro presumido, teve o lucro arbitrado sobre as receitas coligidas dos livros fiscais de apuração do ICMS, cujos valores coincidem com os informados pelo sujeito passivo em DPI apresentadas ao Fisco Estadual. O arbitramento foi efetuado com fundamento no art. 530, inciso III, do RIR/99, pela falta de apresentação dos livros de escrituração (Diário/Razão ou Caixa), os quais, após intimada e reintimada, a fiscalizada declarou expressamente não os possuir. Consta que a contribuinte informou débitos de IRPJ e CSLL em DCTF e DIPJ, pelo lucro presumido, apurados reiterada e continuadamente sobre uma pequena fração da receita bruta auferida escriturada nos livros fiscais e declarada ao Fisco Estadual (cerca de 1,9%), e, diante desta conduta, praticada com o flagrante objetivo de reduzir o recolhimento de tributos federais, utilizandose de declarações inverídicas, o autor do procedimento entendeu aplicável a multa de oficio qualificada de 150%, pela evidência do intuito de fraude prevista no art. 72 da Lei n°. 4.502, de 1964, formalizando, em conseqüência, processo de Representação Fiscal para Fins Penais. Intimada pessoalmente das exigências em 27/01/2012, conforme declaração de ciência aposta no campo próprio dos autos de infração, a autuada apresentou em 27/02/2012 a petição impugnativa acostada às fls. 229/230, na qual argumenta que: a) de acordo com o art. 224 e parágrafo único do RIR/99, cuja redação reproduz, não se incluem na receita bruta os valores dos quais o vendedor dos bens ou o prestador de serviços seja mero depositário; b) a característica de "mero depositário" é peculiar e exclusiva da atividade que exerce como transportadora, que, por não possuir frota própria, no ato de contratar um serviço assume junto a terceiros o compromisso de fazer o transporte de determinado produto, e, então, subcontrata e remunera uma pessoa física proprietária de um veículo para executar o trabalho de transporte; c) nesta circunstância, o fato gerador do tributo tem como base de cálculo a comissão que recebe sobre o agenciamento do frete, que corresponde a 1,9% do valor contratado, tal como declarou à Fazenda Nacional; e Fl. 260DF CARF MF Impresso em 30/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 08/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10120.720203/201255 Acórdão n.º 1401001.004 S1C4T1 Fl. 261 4 d) as razões acima expostas a amparam da inexistência de má conduta, e, por esse motivo, requer a desqualificação da multa de 150%. A DRJ Manteve os lançamentos, nos termos das ementas abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008 LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. CONCEITO DE RECEITA BRUTA. No regime do lucro presumido, a base de cálculo do imposto é o percentual previsto na legislação, calculado sobre a receita bruta, sem a dedução de eventuais custos pela utilização de serviços de terceiros. DÉBITOS DECLARADOS A MENOR. CONFRONTO COM OS LIVROS FISCAIS. MULTA QUALIFICADA. A sistemática apresentação de declarações com valores inferiores ao escriturado nos livros fiscais é motivo suficiente para caracterizar conduta dolosa que justifica a qualificação da penalidade. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2007, 2008 LANÇAMENTO DECORRENTE DA MESMA MATÉRIA FÁTICA Aplicase ao lançamento da contribuição social o decidido em relação ao IRPJ lançado a partir da mesma matéria fática Irresignada com a decisão de primeira instância, a interessada interpôs recurso voluntário a este CARF, limitandose a discutir a qualificação da multa. É o relatório. Fl. 261DF CARF MF Impresso em 30/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 08/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10120.720203/201255 Acórdão n.º 1401001.004 S1C4T1 Fl. 262 5 Voto Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade. Cientificada da decisão, a Recorrente contesta apenas parcialmente a infração, questionando a qualificação da multa de ofício em 150%. Nesse sentido apresentou recurso voluntário, solicitando que, na aplicação da multa, seja dado tratamento com as observações do Código Civil vigente em seus artigos 138 e 139, inciso I e na interpretação mais benéfica prevista no artigo 112 do CTN, para então desqualificar a multa. Em função disso, consta às fls. 512 Termo de Representação para a formalização de autos apartados com o fim de imediata cobrança da parte não contestada, qual seja, o valor do principal acrescido de juros de mora. Portanto, a lide circunscrevese à multa de ofício qualificada. .MULTA QUALIFICADA – 150% Segundo o TVF: A Fiscalização verificou que existem débitos do IRPJ declarados nas DCTFs, onde constam apenas valores parciais e muito abaixo dos efetivamente devidos (fls. 153/157). Verificou também, no Sistema SINAL, que existem vários pagamentos, porém, em valores muito inferiores ao devido (fls. 158). A Fiscalização verificou também que o Contribuinte entregou as DIPJs, do período em referência, com valores de Receita Bruta e valores do IRPJ apurados muito abaixo do valores efetivamente devidos (fls. 18/43). Fazendo um comparativo entre a Receita Bruta informada à Receita Federal e a escriturada nos Livros Fiscais e informada à Secretaria da Fazenda do Estado de GoiásSEFAZ, notase que, para o Fisco Federal, o Contribuinte declarou apenas 1,9% (um virgula nove porcento) do valor efetivo auferido, conforme planilha de apuração da Receita Bruta (fls. 159/160) O Contribuinte prestou informações inexatas ou deixou de prestálas nas declarações citadas acima, de modo reiterado e continuado durante o período de 07/2007 a 12/2008, declarando, para o Fisco Federal, Receita Bruta muito menor que o informado para a Secretaria da Fazenda do Estado de Goiás SEFAZ, através das Declarações Periódicas de InformaçõesDPIs. Assim, evidenciase o intuito de fraude contra a ordem tributária, prevista no art. 72, da Lei n° 4.502/64. Estes procedimentos demonstram a consciência da conduta do Contribuinte, visando eximirse do pagamento de parte dos tributos e contribuições, neste caso o IRPJ, pela omissão de declaração de grande parte da Receita Bruta da empresa, o qual serviria de base para apuração do Lucro Presumido da empresa. Por este Fl. 262DF CARF MF Impresso em 30/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 08/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10120.720203/201255 Acórdão n.º 1401001.004 S1C4T1 Fl. 263 6 motivo, a Multa de Oficio foi qualificada para 150% e elaborada a Representação Fiscal para Fins Penais. Assoma claro nos autos que a empresa, de forma intencional e reiterada, buscou ocultar receitas com o fim de eximirse do devido recolhimento dos tributos, o que, por si só, caracterizaria ação dolosa visando a impedir ou retardar o conhecimento da obrigação tributária por parte da Fazenda Pública, nos termos do art. 71 da Lei nº 4.502, de 1964, adiante reproduzido: “Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente.” Tenho pautado os meus votos no sentido de que a “prática reiterada” de omissão de receitas constitui condição suficiente para a caracterização do evidente intuito de fraude, não porque o intuito de fraude apenas se concretize com a repetição, mas porque com a repetição é que se exterioriza objetivamente o evidente intuito de fraude. Cabe salientar ainda que a partir da nova redação do art.44 da Lei n° 9.430/96, conferida definitivamente pela Lei n° 11.488/07, essa tese ganha até mais força, pois pela nova redação seria suficiente para a qualificação da multa de ofício a caracterização, em tese, de uma das condutas previstas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64, não mais substindo a necessidade de provar ”evidente intuito de fraude”. Nestes termos, como nos autos está devidamente evidenciado que o contribuinte, ao longo de vários períodos de apuração ocultou do Fisco Federal o efetivo valor dos tributos e contribuições a recolher, deixando de declarar valores expressivos de receitas, conforme TVF. E não se alegue que o caso não comportaria a consciência do ilícito praticado. Embora não seja o caso aqui de se rediscutir o mérito, cabe salientar que a impugnação não foi convincente a esse respeito, como deixou bem claro a decisão de piso, tanto é que em sede de recurso voluntário a Recorrente nem mais tenta se defender do mérito. Eis as palavras da DRJ: Quanto à discrepância da qual resultaram as significativas insuficiências de recolhimento constatadas, não é crível que, por períodos consecutivos, a empresa tenha considerado um conceito de receita nas informações nas declarações apresentadas à RFB, enquanto que, de outra parte, as DPI transmitidas ao Fisco Estadual tenham retratado com exatidão os valores escriturados em seus livros fiscais, que constituem seu real faturamento. Esta situação apenas revela que a contribuinte, pelos dados de sua escrita fiscal, tinha conhecimento pleno dos valores devidos à Fazenda Nacional, tendo ajustado as informações prestadas em suas declarações aos valores ínfimos recolheu. Não é nenhum exagero afirmar que, não fosse a presença oportuna do fisco para verificar o cumprimento de suas obrigações tributárias, a tempo de formalizar as exigências objeto dos autos de infração, o transcurso do prazo decadencial provocaria irreparável perda para o erário federal. Fl. 263DF CARF MF Impresso em 30/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 08/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10120.720203/201255 Acórdão n.º 1401001.004 S1C4T1 Fl. 264 7 A respeito da matéria, oportunizase trazer à balha o decidido pelo então Primeiro Conselho de Contribuinte no Acórdão n°. 10707747, proferido em sessão de 12/08/2004, encimado pela seguinte ementa: IRPJ DECLARAÇÕES APRESENTADAS, SISTEMATICAMENTE,COM RECEITA MENORES QUE AS ESCRITURADAS EM LIVROS FISCAIS MULTA AGRAVADA – CABIMENTO • O dolo, elemento imprescindível à caracterização das figuras que justificam a exasperação da penalidade, resta comprovado pela conduta reiterada e sistemática, consistente em calcular os tributos e contribuições e informálo nas Declarações prestadas à administração tributária, tomando como base para apuração uma parcela ínfima da receita bruta efetivamente auferida e escrituradas em livros fiscais. É inaceitável o argumento com que o sujeito passivo tenta explicar o procedimento que adotou para reduzir indevidamente a apuração dos valores devidos à Fazenda Nacional sobre sua receita bruta, até mesmo porque na hipótese de dúvida a respeito da aplicação da legislação tributária aos casos concretos, o contribuinte tem à sua disposição o instrumento do processo de consulta, regido pelo art. 48 e seguintes da Lei n°. 9.430, de 1996. Além do mais, a justificativa que a impugnante invoca para explicar o seu procedimento limitase ao discurso impugnativo, sem a apresentação de nenhuma prova documental que lhe empreste credibilidade. Caberia à interessada comprovar sua justificativa, instruindo a impugnação com a apresentação dos conhecimentos de transporte que emitiu, os quais decerto conteriam o valor do frete, a identificação do veículo e do transportador, acrescentando as citados documentos fiscais o comprovante dos alegados pagamentos efetuados ao proprietário do veículo utilizado. Dessa forma, a prática de omitir receitas de forma reiterada (elemento objetiva) denota concretamente o “evidente intuito de fraude”. Nesse contexto muito bem ressaltado pela decisão de piso, de fato não se pode imaginar que o agente que pratica “erros” de forma contínua por um longo tempo não possua a intenção de retardar/impedir ou afetar as características essenciais da ocorrência do fato gerador. Diante desse contexto, deve ser mantida a multa qualificada de 150%. Por todo o exposto, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 264DF CARF MF Impresso em 30/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 08/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA
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Numero do processo: 13839.906075/2008-51
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Sep 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2003
COMPENSAÇÃO. RETENÇÃO NA FONTE. COMPROVAÇÃO.
Admite-se a comprovação da retenção na fonte, para fins de compensação, por outros meios que não aquele referido na Lei, desde que essa comprovação seja, efetivamente, da retenção efetuada, e não apenas do auferimento de receita.
Numero da decisão: 1803-001.808
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Walter Adolfo Maresch Presidente-substituto
(assinado digitalmente)
Sérgio Rodrigues Mendes - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes, Marcelo de Assis Guerra e Maria Elisa Bruzzi Boechat.
Nome do relator: SERGIO RODRIGUES MENDES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2003 COMPENSAÇÃO. RETENÇÃO NA FONTE. COMPROVAÇÃO. Admitese a comprovação da retenção na fonte, para fins de compensação, por outros meios que não aquele referido na Lei, desde que essa comprovação seja, efetivamente, da retenção efetuada, e não apenas do auferimento de receita. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 90 60 75 /2 00 8- 51 Fl. 174DF CARF MF Impresso em 18/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 21/08/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 13839.906075/200851 Acórdão n.º 1803001.808 S1TE03 Fl. 163 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch – Presidentesubstituto (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes, Marcelo de Assis Guerra e Maria Elisa Bruzzi Boechat. Fl. 175DF CARF MF Impresso em 18/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 21/08/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 13839.906075/200851 Acórdão n.º 1803001.808 S1TE03 Fl. 164 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido (fls. 129 a 130): Trata o presente processo de PER/DCOMP, por meio do qual a interessada apontou direito creditório com origem em saldo negativo de CSLL do ano calendário de 2002, exercício 2003, para a compensação de débitos declarados. A autoridade fiscal não homologou as compensações declaradas no PER/DCOMP, nos termos do Despacho Decisório Eletrônico (DDE) com número de rastreamento 804840237, emitido em 07/11/2008, acostado às fls. 34, que se transcreve: “..... PER/DCOMP COM DEMONSTRATIVO DO CRÉDITO PERÍODO DE APURAÇÃO DO CRÉDITO 35968.66198.210906.1.7.030625 Exercício 2003 01/01/2002 a 31/12/2002 TIPO DE CRÉDITO Nº DO PROCESSO DE CRÉDITO Saldo Negativo de CSLL 13819906.075/200851 Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado e considerando que a soma das parcelas de composição do crédito informadas no PER/DCOMP deve ser suficiente para comprovar a quitação da contribuição social devida e a apuração do saldo negativo, verificouse: PARCELAS DE COMPOSIÇÃO DO CRÉDITO INFORMADAS NO PER/DCOMP Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$ 36.520,00 Somatório das parcelas de composição do crédito na DIPJ: R$ 36.520,00 CSLL devida: R$ 0,00 Valor do saldo negativo disponível = (Parcelas confirmadas limitado ao somatório das parcelas na DIPJ) – (CSLL devida), observado que quando este cálculo resultar negativo, o valor será zero. PAR. IR RETENÇÕES ESTIM. COMP ESTIM. DEM. ESTIM.COMP. SOMA CRÉDITO EXTERIOR FONTE PAGAMENTOS SNPA PARCELADAS PARC. CRED. PER/DCOMP 0,00 36.520,00 0,00 0,00 0,00 0,00 36.520,00 CONFIRMADAS 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 Fl. 176DF CARF MF Impresso em 18/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 21/08/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 13839.906075/200851 Acórdão n.º 1803001.808 S1TE03 Fl. 165 4 Valor do saldo negativo disponível: R$ 0,00 Diante do exposto, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada no PER/DCOMP acima identificado. Valor devedor consolidado, correspondente aos débitos indevidamente compensados, para pagamento até 28/11/2008. PRINCIPAL MULTA JUROS 4.446,32 889,26 2.952,80 Para informações complementares da análise de crédito, verificação de valores devedores e emissão de DARF, consultar o endereço www.receita.fazenda.gov.br, na opção Serviços ou através de certificação digital na opção eCAC, assunto PER/DCOMP Despacho Decisório. Enquadramento Legal: Art. 168 da Lei nº 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional), Inciso II do Parágrafo 1º do art. 6º da Lei 9.430, 1996. Art. 5º da IN SRF 600, de 2005. Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Dada ciência do Despacho Decisório Eletrônico em 17/11/2008, conforme comprova o documento de fl. 35, a contribuinte Empresa Brasileira Industrial, Comercial e Serviços Ltda., CNPJ 68.950.385/000191, (atual denominação social da HYPERCOM DO BRASIL INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA. e sucessora por incorporação da Hypercom do Brasil Comercial Ltda., CNPJ 74.607.276/000179), por intermédio de seus representantes legais, conforme documento de fls. 90/91, apresentou sua manifestação de inconformidade em 16/12/2008, anexada às fls. 03/12, acompanhada dos documentos de fls. 13/91, com as alegações a seguir sintetizadas. Após defender a tempestividade da defesa ofertada e requerer a suspensão da exigibilidade do crédito tributário até o julgamento deste e demais recursos porventura interpostos, resume os fatos e, já de saída, diz que apurou, no exercício de 2002, crédito decorrente de saldo negativo de CSLL, relacionando o PER/DCOMP 35968.66198.210906.1.7.030625 e respectivo processo nº 13839.906620/200817. A seguir, argúi nulidade, porquanto o Despacho Decisório Eletrônico (DDE) revelouse viciado, pois não oferece uma clara descrição dos argumentos, como também da indicação da fundamentação legal respectiva e causas que motivaram a nãohomologação do crédito, em detrimento aos princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório. Diz ser o DDE um ato administrativo e, como tal, haveria de ser devidamente fundamentado. Respalda seu argumento no art. 9º do Decreto nº 70.235, de 1972. Cita julgados do Conselho de Contribuintes e transcreve ementas. Prosseguindo, acrescenta que, em afronta ao art. 113, § 1º, do CTN, a não homologação do crédito pleiteado decorreu de mera presunção, calcada apenas na inexistência do crédito, sem se consultar as bases de dados da RFB, para se confirmar os valores de CSLL retidos na fonte, sendo certo que, pelo princípio da tipicidade cerrada, o fato gerador do tributo não há que ser presumido, pelo que pugna pelo cancelamento do DDE. Cita doutrina. Fl. 177DF CARF MF Impresso em 18/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 21/08/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 13839.906075/200851 Acórdão n.º 1803001.808 S1TE03 Fl. 166 5 Quanto ao direito, assevera que a Recorrente, no início de 2003, apurou pagamento a maior de CSLL, e que tal pagamento foi objeto do PER/DCOMP acima citado, o qual por sua vez, retificou o PER/DCOMP 10648.28225.130504.1.3.03 8839 e, também, afirma ter relacionado tais informações nas fichas 16 e 17 da DIPJ. Acrescenta que os valores declarados nas respectivas DIPJs encontram suporte nas Notas Fiscais de prestações de serviços ao Ministério da Saúde, no Comprovante de Rendimento e Retenção enviado por esse mesmo órgão público e nas planilhas contábeis da Requerente. Alega que, a par da certeza e liquidez do direito creditório, a Requerente sequer foi intimada para prestar esclarecimentos, preferindo a autoridade fiscal indeferir a compensação pleiteada. Ao final, repete os argumentos acima e requer a homologação da compensação declarada no PER/DCOMP 35968.66198.21096.1.7.030625. 2. A decisão da instância a quo foi assim ementada (fls. 128 e verso): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2002 CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Oferecida oportunidade de defesa, ocasião em que poderia o contribuinte demonstrar e comprovar que, independentemente da motivação apontada no Despacho Decisório (nãoconfirmação das retenções na fonte formadoras do saldo negativo), o crédito pretendido teria sido efetivamente apurado e estaria disponível, resta superada a alegação de cerceamento de defesa. SALDO NEGATIVO. O saldo negativo, passível de restituição ou compensação, é aquele apurado ao final do período, a partir do confronto entre o imposto devido e as parcelas já antecipadas. A utilização do IRRF na formação do crédito pretendido condicionase à comprovação da retenção por meio do correspondente comprovante de rendimento (condição que pode ser suprida pela confirmação da retenção em DIRF da fonte pagadora), bem como do oferecimento à tributação dos respectivos rendimentos. Não confirmada, nos sistemas informatizados, a retenção a título de IRRF formador do saldo negativo, e não apresentados pela interessada comprovante de rendimentos e de retenção emitido pela fonte pagadora, tendo por beneficiária a empresa na qual originado o crédito indicado na DCOMP, não há como admitir crédito passível de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido 3. Cientificada da referida decisão em 01/04/2011 (fls. 145), a tempo, em 29/04/2011, apresenta a interessada Recurso de fls. 146 a 156, instruído com os documentos de fls. 157 e 158, nele reiterando os argumentos anteriormente expendidos e aduzindo mais os seguintes: Fl. 178DF CARF MF Impresso em 18/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 21/08/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 13839.906075/200851 Acórdão n.º 1803001.808 S1TE03 Fl. 167 6 a) que não se mostra razoável a alegação do V. Acórdão recorrido de que a Recorrente não logrou êxito em demonstrar a existência das retenções na fonte mencionadas; b) que peca pelo formalismo o entendimento estreito de que somente as declarações em DIRF seriam capazes de comprovar referida retenção; c) que esse entendimento, inclusive, é acolhido pelo E. Conselho de Contribuintes, que reconhece a possibilidade de comprovação das retenções de tributos por meio de outros documentos que comprovam a efetividade da retenção; e d) que, diante da comprovação das retenções alegadas, é imperioso reconhecer a existência do crédito pleiteado e a consequente homologação da compensação declarada por meio da DCOMP nº 35968.66198.21096.1.7.030625, motivo pelo qual o V. Acórdão recorrido deve ser reformado.. Em mesa para julgamento. Fl. 179DF CARF MF Impresso em 18/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 21/08/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 13839.906075/200851 Acórdão n.º 1803001.808 S1TE03 Fl. 168 7 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. Preliminares de nulidade 4. Argúi a Recorrente, preliminarmente, a falta da descrição clara e precisa dos argumentos que fundamentam o Despacho Decisório. 5. Em relação a essa preliminar, já na manifestação de inconformidade afirmava a própria Recorrente o seguinte (fls. 6 – grifouse): 6. Entretanto, o Despacho Decisório de fls. deixou de homologar a referida compensação sob a justificativa de não haver comprovação das retenções da CSL na fonte, que originaram o crédito informado nas declarações fiscais. 6. Pelo acima descrito, não há dúvidas de que a Recorrente entendeu perfeitamente o fundamento da não homologação da compensação pleiteada. Fundamento, esse, que ela mesma reiterou em seu Recurso Voluntário (fls. 149 – sublinhouse): 6. Em relação a isso, sobreveio o Despacho Decisório de fls., que deixou de homologar a referida compensação sob a justificativa de não haver comprovação das retenções da CSLL na fonte, que originaram o crédito informado nas declarações fiscais. 7. Argúi a Recorrente, ainda, a preliminar de impossibilidade de utilização de mera presunção para o indeferimento do pleito. 8. Como foi visto anteriormente, estáse diante de questão de prova: ou se provam as retenções na fonte de CSLL, objeto do pleito da Recorrente de reconhecimento de direito creditório e de compensação, e cujo ônus é, portanto, dela mesma; ou não se provam. 9. Não há, portanto, qualquer “presunção” no indeferimento do pleito da Recorrente, mas, antes, “falta de comprovação” por parte desta. 10. Como bem afirma a própria Recorrente, “É princípio basilar de Direito que o ônus da prova cabe a quem alega” (fls. 153). Podendose acrescentar ainda: [...] (a quem alega) possuir direito creditório contra a Fazenda Nacional. 11. Urge ressaltar, por outro lado, que toda a copiosa doutrina e jurisprudência transcritas pela Recorrente em seu arrazoado se limita a situação diversa, em que ao Fisco compete provar os fundamentos de lançamento tributário por ele efetuado, o que não é o presente caso, que trata de pedido de compensação. Fl. 180DF CARF MF Impresso em 18/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 21/08/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 13839.906075/200851 Acórdão n.º 1803001.808 S1TE03 Fl. 169 8 12. Improcedem as preliminares de nulidade arguidas. Mérito 13. Dispõe a Súmula CARF nº 80, aplicável por analogia à CSLL (grifouse): Na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto. 14. A própria Recorrente assim entende, quando afirma que (fls. 155 – sublinhouse): 31. Esse entendimento, inclusive, é acolhido pelo E. CONSELHO DE CONTRIBUINTES, que reconhece a possibilidade de comprovação das retenções de tributos por meio de outros documentos que comprovam a efetividade da retenção, [...]. 15. Antes, porém, cumpre observar como o fez a decisão recorrida, não contraditada nessa parte que “consta do Cadastro da Receita Federal (fls. 126/127) que, na data de 31/07/2005, a ora interessada (CNPJ 68.950.385/000191) incorporou a empresa Hypercom do Brasil Comercial Ltda., de CNPJ 74.607.276/000179”. 16. Ainda, como bem destacado pela decisão recorrida (fls. 131 e 132 – grifou se): O crédito pretendido na DCOMP retificadora ativa referese a SN CSLL do AC 2002, exercício 2003, apurado pela interessada de CNPJ 68.950.385/000191, e foi demonstrado como sendo composto de CSLL retida na fonte por órgão público, fonte pagadora de CNPJ 00.394.544/000851, sob código de receita 6190 – água, telefone, correios, vigilância, limpeza, locação de mão de obra, locação e demais serviços (IN 306/2003). [...]. No presente caso, embora tivesse sido cientificada da não confirmação das retenções de R$ 36.520,00, a interessada apresenta, apenas cópias de notas fiscais emitidas por ela própria Hypercom do Brasil Ind. e Com. Ltda. CNPJ 68.950.385/000191 (fls. 58/64) e pela empresa Hypercom do Brasil Comercial Ltda., CNPJ 74.607.276/000179 (fls. 65/85), cópia de Comprovante (Siafi) de Rendimentos pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte, para a beneficiária Hypercom do Brasil Comercial Ltda., CNPJ 74.607.276/0001 79, (fl. 86) e planilhas com relação de notas fiscais (fls. 87/88). 17. Ora, tratandose de fonte relativa ao anocalendário de 2002, de início, é de se rejeitar os documentos correspondentes à empresa Hypercom do Brasil Comercial Ltda., de CNPJ 74.607.276/000179, incorporada pela Recorrente apenas em data de 31/07/2005. 18. Restam, para análise, portanto, tão somente as notas fiscais de fls. 58 a 64. Fl. 181DF CARF MF Impresso em 18/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 21/08/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 13839.906075/200851 Acórdão n.º 1803001.808 S1TE03 Fl. 170 9 19. Estas, por sua vez, não trazem qualquer indicação de retenção na fonte. As únicas anotações tributárias que nelas constam são de ISS (no caso de prestação de serviços de software) e de IPI e ICMS (no caso de venda de TAS terminal de atendimento à saúde). 20. É certo que é admissível a comprovação da retenção na fonte, para fins de compensação, por outros meios que não aquele referido na Lei, desde que essa comprovação seja, efetivamente, da retenção efetuada, e não apenas do auferimento de receita, como no presente caso. 21. Vejase que, do acórdão mencionado pela Recorrente (de nº 10249.328, de 9 de outubro de 2008), constou o seguinte, no voto condutor do julgamento (grifouse): Em sede de recurso a contribuinte juntou aos autos cópias de faturas, fls. 252/260, das quais inferese que a interessada prestou serviços e que, quando do recebimento dos valores correspondentes aos serviços prestados, ocorreram retenções na fonte. Verificase, ainda, que os valores do IRRF consignados nas referidas faturas correspondem àqueles relacionados no Pedido de Compensação. [...]. Entretanto, as faturas apresentadas pela interessada, até que se prove em contrário, são documentos hábeis que comprovam as retenções de imposto de renda ali discriminadas. 22. Dessa forma, no caso concreto, as notas fiscais apresentadas não são hábeis a comprovar eventual retenção na fonte, que poderia ter sido feita, por exemplo, com a apresentação dos extratos bancários ou de outros documentos indicativos dos créditos efetivamente recebidos pela Recorrente, líquidos de eventual retenção na fonte. Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 182DF CARF MF Impresso em 18/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 21/08/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH
score : 1.0
Numero do processo: 10580.720499/2007-20
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 30 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO.
Considera-se a dedução referente a despesas médicas, quando comprovada pela documentação apresentada pelo contribuinte.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2102-002.676
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente.
Assinado digitalmente
NÚBIA MATOS MOURA Relatora.
EDITADO EM: 19/08/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho.
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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COMPROVAÇÃO. Considerase a dedução referente a despesas médicas, quando comprovada pela documentação apresentada pelo contribuinte. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Assinado digitalmente JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS – Presidente. Assinado digitalmente NÚBIA MATOS MOURA – Relatora. EDITADO EM: 19/08/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 04 99 /2 00 7- 20 Fl. 103DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 23/08/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10580.720499/200720 Acórdão n.º 2102002.676 S2C1T2 Fl. 104 2 Relatório Contra NILZA BARBOSA DA SILVA foi lavrada Notificação de Lançamento, fls. 47/50, para formalização de exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), relativa ao anocalendário 2003, exercício 2004, no valor total de R$ 3.978,62, incluindo multa de ofício e juros de mora, estes últimos calculados até 31/01/2007. A infração apurada pela autoridade fiscal foi dedução indevida de despesas médicas, no valor de R$ 18.240,85. Inconformada com a exigência, a contribuinte apresentou impugnação, fls. 02, e a autoridade julgadora de primeira instância considerou matéria não impugnada despesas médicas, no valor de R$ 9.255,00, restabeleceu despesas médicas, no valor de R$ 8.550,00 e manteve a glosa, no que se refere ao valor de R$ 2.505,47 (INSS – R$ 1.943,47 e GEAP R$ 562,00), conforme Acórdão DRJ/SDR nº 1525.750, de 06/01/2011, fls. 81/82. Cientificada da decisão de primeira instância, por via postal, em 16/05/2011, Aviso de Recebimento (AR), fls. 86, a contribuinte apresentou, em 02/06/2011, recurso voluntário, fls. 90/92, onde esclareceu que suas contribuições para o plano de saúde da GEAP foram descontadas em folha pelo INSS, conforme consta do comprovante de rendimentos, de modo que entende que devem ser acolhidas as despesas médicas pagas à GEAP, no valor de R$ 1.943,47. A recorrente faz cálculo dos valores que entende devidos. É o Relatório. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 23/08/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10580.720499/200720 Acórdão n.º 2102002.676 S2C1T2 Fl. 105 3 Voto Conselheira Núbia Matos Moura, relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. De imediato, cumpre dizer que depois da decisão de primeira instância, que manteve a glosa das despesas médicas, com o INSS e com a GEAP, nos valores de R$ 1.943,47 e R$ 562,00, respectivamente, restou devido imposto de renda suplementar, no valor de R$ 747,42, já depois de alocado o pagamento de R$ 107,12, feito pela contribuinte. Com a apresentação do recurso, ocasião em que a recorrente reconhece como devida a importância de R$ 212,97 (relativa a glosa, no valor de R$ 562,00), a autoridade que jurisdiciona a contribuinte transferiu para o processo 10580.731343/201151 tal quantia, de modo que o crédito tributário controlado por este processo se refere apenas a glosa, no valor de R$ 1.943,47, relativa ao INSS, extrato, fls. 99, que corresponde a R$ 534,45. No recurso, a contribuinte esclareceu que os pagamentos para seu plano de saúde, GEAP, eram descontados de seus rendimentos recebidos do INSS e para comprovar as alegação trouxe aos autos Comprovante de Rendimentos, fls. 95, fornecido pelo INSS, onde consta discriminado, nas informações complementares, despesas médicas, no valor de R$ 1.943,47, as quais devem ser restabelecidas conforme pretendido pela defesa. Ante o exposto, voto por DAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 105DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 23/08/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 15374.916997/2009-97
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Oct 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 16/11/2002
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. EMPRÉSTIMOS. LEGITIMIDADE.
O responsável tributário tem direito à restituição do IOF que recolheu nessa condição, desde que autorizado por aquele que efetivamente suportou tal encargo.
Numero da decisão: 3803-004.523
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. O conselheiro Juliano Eduardo Lirani votou pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 16/11/2002 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. EMPRÉSTIMOS. LEGITIMIDADE. O responsável tributário tem direito à restituição do IOF que recolheu nessa condição, desde que autorizado por aquele que efetivamente suportou tal encargo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. O conselheiro Juliano Eduardo Lirani votou pelas conclusões. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
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RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 16/11/2002 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. EMPRÉSTIMOS. LEGITIMIDADE. O responsável tributário tem direito à restituição do IOF que recolheu nessa condição, desde que autorizado por aquele que efetivamente suportou tal encargo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. O conselheiro Juliano Eduardo Lirani votou pelas conclusões. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 91 69 97 /2 00 9- 97 Fl. 139DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/10/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Esta Contribuinte transmitiu a Declaração de Compensação DComp nº 42046.67610.030805.1.3.044059, fls.1/5, em que utilizou como crédito pagamento a maior de Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e SegurosIOF relativo ao fato gerador ocorrido em 16 de novembro de 2002, no valor de R$ 1.559,10, do DARF pago de R$ 22.226,13. Despacho Decisório Eletrônico da Derat/São Paulo, fl. 7, de 9 de abril de 2009, não homologou a DComp, visto que o crédito já teria sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não tendo restado créditos disponíveis, conforme o DARF discriminado no PeR/DComp. Em manifestação de inconformidade apresentada, fls. 13/18, a Contribuinte alegou, em síntese, que: a) o crédito utilizado teve origem na apuração de equivoco no procedimento adotado para cálculo do IOF nas operações de empréstimos, conforme laudo técnico em anexo (doc.01); b) equivocouse no preenchimento da Declaração de Débitos e Créditos Tributários FederaisDCTF e não demonstrou a existência de crédito de I0F, e declarou como devido exatamente o valor recolhido; c) os equívocos nas declarações não criam tributos, e não podem, comprovado erro de fato, gerar obrigação tributária; d) se a confissão do contribuinte não estiver de acordo com a lei e com a realidade fática, nenhum valor terá para o juízo tributário, e se o valor confessado não corresponde às hipóteses de incidência, a confissão de divida e o consequente pagamento são absolutamente irrelevantes, não gerando qualquer obrigação tributária; f) o valor realmente devido para esta competência é de R$ 7.469,02, e não R$ 22.226,13, como erroneamente declarado em DCTF". Sustentou que "a existência deste crédito pode ser facilmente observada, bastandose comparar os valores apresentados como devidos, conforme planilha em anexo (doc.2), com a guia de recolhimento da mesma competência (doc.3)”. Em julgamento da lide, a DRJ/Rio de Janeiro I, fls. 102/110, manifestouse pela validade do despacho decisório, aduzindo que: a) na forma da legislação de regência, o instrumento que veicula alteração na DCTF é a DCFT Retificadora, inexistindo previsão normativa para que tal declaração seja substituída por Dcomp, ou pleiteada em sede de manifestação de inconformidade; b) ainda que, em nome da verdade material, a falta de DCTF Retificadora fosse superada, como requer o interessado, não há previsão normativa para que a escrituração contábil da pessoa jurídica e os documentos que a embasam sejam substituídos por planilha, como a que o interessado traz, fls. 65/67; Fl. 140DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/10/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 15374.916997/200997 Acórdão n.º 3803004.523 S3TE03 Fl. 140 3 c) aos autos, não foram juntados nem os contratos de empréstimos (relacionados nas ditas planilhas) que deram origem ao I0F, nem a prova da escrituração dos lançamentos contábeis correspondentes; d) tratandose de operações de crédito, como é o caso, o contribuinte do IOF é a pessoa física ou jurídica tomadora do crédito (art. 3º, inciso I, da Lei n° 8.894, de 21 de junho de 1994); ocorre que nas dezenas de operações de empréstimos concedidos as pessoas estão identificadas por números de matriculas na mencionada planilha; e) na forma do art.166 do CTN, a restituição do IOF só pode ser feita a quem suportou tal encargo, ou a quem este houver autorizado. Assim, ainda que o interessado tivesse logrado demonstrar que houve erro na metodologia utilizada no calculo do IOF, tal não o aproveitaria, porque não foi autorizado por aqueles que, efetivamente, suportaram o IOF. A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. A prova documental deve ser apresentada na manifestação de inconformidade, precluindo o direito de o interessado fazêlo em outro momento processual. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. I0F. ANOCALENDÁRIO DE 2002. DIREITO CREDITÓRIO NÃO COMPROVADO. Mantémse o Despacho Decisório se não elidido o débito ao qual o alegado pagamento indevido ou a maior foi alocado. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. I0F. ANOCALENDÁRIO 2002. EMPRÉSTIMOS. LEGITIMIDADE. O responsável tributário tem direito à restituição do IOF que recolheu nessa condição, desde que autorizado por aquele que efetivamente suportou tal encargo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Cientificada da decisão em 8 de outubro de 2011, irresignada, apresentou recurso voluntário, 116/123, em 8 de novembro de 2011, em que reitera os mesmos termos da Fl. 141DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/10/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 manifestação de inconformidade e, adicionalmente, pede a realização de diligência para apuração do crédito existente, caso não se ache suficiente o que consta dos autos. É o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. A questão dos autos diz respeito à prova da alegação de direito ao crédito utilizado na compensação, tanto do erro em que incorrera na apuração do imposto, como de sua autorização dos aplicadores/poupadores. A decisão recorrida foi clara ao dispor, com correção, que a planilha anexada à defesa pudesse substituir a escrituração contábil, bem como sobre a necessidade de estarem anexas aos autos cópias dos contratos de mútuo. Mesmo diante dessas balizas legais colocadas pela decisão de primeiro grau, a Recorrente não os traz aos autos, e, ademais, não teve o desvelo, ao menos, de apresentar qualquer justificativa de impossibilidade de cumprir tais exigências processuais. Argumenta a Recorrente que, por ser entidade de previdência fechada, estaria autorizada pelo contribuinte de direito, o Conselho Deliberativo da entidade, para pleitear a restituição. O argumento é insubsistente e não está ao abrigo da exigência do art. 166 do CTN, já evocado pela decisão de piso, na medida em que aquele que suportou o ônus do imposto é o sujeito apto a autorizar o pedido de restituição. Acrescentese que, conquanto estivesse cumprida tal exigência, ainda estaria prejudicada pela falta de comprovação do indébito. Quanto ao pedido de diligência, pontuese que esta providência de instrução do processo não se presta para levantar as provas que haveriam de estar nos autos desde a apresentação da manifestação de inconformidade, ressalvadas as hipóteses de posterior apresentação constantes do art. 16 do Decreto nº 70.235/721. Ante o que, não pode ser deferido. 1 Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Fl. 142DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/10/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 15374.916997/200997 Acórdão n.º 3803004.523 S3TE03 Fl. 141 5 Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das sessões, 24 de setembro de 2013 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito). Fl. 143DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/10/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 11610.000833/2002-89
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Aug 30 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 31/12/2001
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL. OMISSÃO. EFEITOS INFRINGENTES.
Afastado o erro material, faz-se necessário reconhecer os efeitos infringentes decorrentes do saneamento da omissão do acórdão embargado.
Numero da decisão: 1103-000.921
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, com efeitos infringentes, para alterar o dispositivo do Acórdão nº 1103-000.798/2012 para dar provimento ao recurso para reconhecer o direito creditório pleiteado e homologar as compensações até tal limite.
(assinado digitalmente)
Eduardo Martins Neiva Monteiro Relator
(assinado digitalmente)
Aloysio José Percínio da Silva - Presidente
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Marcos Shigueo Takata, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Marcelo Baeta Ippolito e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO
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ERRO MATERIAL. OMISSÃO. EFEITOS INFRINGENTES. Afastado o erro material, fazse necessário reconhecer os efeitos infringentes decorrentes do saneamento da omissão do acórdão embargado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, com efeitos infringentes, para alterar o dispositivo do Acórdão nº 1103 000.798/2012 para “dar provimento ao recurso para reconhecer o direito creditório pleiteado e homologar as compensações até tal limite”. (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro – Relator (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva Presidente Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Marcos Shigueo Takata, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Marcelo Baeta Ippolito e Aloysio José Percínio da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 0. 00 08 33 /2 00 2- 89 Fl. 840DF CARF MF Impresso em 30/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11610.000833/200289 Acórdão n.º 1103000.921 S1C1T3 Fl. 841 2 Relatório Tratase de Embargos de Declaração (fls.827/835) interpostos pelo contribuinte em face do acórdão nº 1103000.798, de 05/12/12, que recebeu a seguinte ementa: COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. PARTICIPANTES DO PROGRAMA BEFIEX. LIMITES. Os prejuízos fiscais apurados pelo próprio contribuinte na vigência do programa Befiex podem ser compensados sem limitação nos 6 (seis) anos calendário subsequentes. Após tal prazo, incide a regra geral que impõe a observância da trava de 30% (trinta por cento). O Embargante alega “evidente erro material e consequente omissões”, que produziriam efeitos modificativos. Em síntese: teria participado do programa Befiex por meio de dois contratos: (a) Termo de Aprovação BEFIEX nº 074/82 (janeiro/82 a maio/94 – cf. fls. 190/211); e (b) Termo de Aprovação BEFIEX nº 187/84 (março/84 a março/96 – cf. fls. 213/224), firmado inicialmente em nome da sociedade incorporada pela Recorrente, FNV Veículos e Equipamentos S/A, sendo que, após o ato de incorporação, houve a celebração de Termo de Compromisso Aditivo SPI/BEFIEX/Nº 242/I/94 (fl.215), quando se alterou a titularidade do programa para a Iochpe Maxion S/A; não obstante o acórdão embargado tenha prestigiado a correta interpretação da legislação, concluiu, partindo de uma premissa equivocada, decorrente de nítido erro material, que os prejuízos fiscais declarados no caso concreto não teriam sido apurados durante a sua participação no programa Befiex, que não perdurou apenas até 25/05/94; o erro material do acórdão embargado consistiria no fato de a FNV Veículos Equipamentos S/A ter sido considerada como incorporadora, não como incorporada, como já havia sido reconhecido pelo Despacho Decisório; sendo a Iochpe Maxion S/A a incorporadora, passou a ser a titular do programa Befiex firmado inicialmente com a FNV Veículos Equipamentos S/A, conforme Termo de Compromisso Aditivo referenciado à fl.215; em decorrência do erro material, o prejuízo fiscal apurado em 1995 não fora considerado na compensação do lucro real apurado em 2001; teria havido, inclusive, omissão “...quanto ao resultado da diligência fiscal [fls.689/690] realizada no caso concreto, que confirma e atesta que os prejuízos fiscais apurados até 1995 foram devidamente aproveitados pela Embargante em conformidade com o programa Befiex’, e que poderia ser aproveitado o IRRF pleiteado; “após toda a conciliação de documentos feita nos presentes autos pela Fiscalização da Receita Federal, concluiuse que os prejuízos provenientes do programa BEFIEX estariam de acordo com os dados constantes da Receita Federal do Brasil e devidamente escriturados (cf. fls.106/110 e 672/687 e 512/526). Além disso, com relação aos rendimentos e respectivo IRRF, os montantes estariam corretos com aqueles informados em DIPJ pela Recorrente, dando a documentação apresentada por ela quando da intimação do início do procedimento fiscal respaldo à existência do saldo credor pleiteado (cf. fls.135/140 e 141/147 e 540, 569, 581/596, 598/599 e 602/604)”; Fl. 841DF CARF MF Impresso em 30/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11610.000833/200289 Acórdão n.º 1103000.921 S1C1T3 Fl. 842 3 É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro, Relator. Do juízo de admissibilidade De acordo com Termo de fl..826, o contribuinte tomou ciência do acórdão embargado em 04/03/13. Os embargos de declaração foram protocolizados na ARF/Cruzeiro em 07/03/13, sendo, portanto, tempestivos, considerandose o prazo de 5 (cinco) dias para a interposição (art.65, §1º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF) Quanto ao erro material apontado e à consequente omissão na apreciação de algumas razões recursais, cabe razão ao Embargante. De fato, no Relatório e Voto do acórdão embargado, considerouse que a FNV Veículos Equipamentos S/A teria incorporado a Iochpe Maxion S/A, não o contrário. Vejamos: Relatório ..... No Despacho Decisório (fls.291/298), cientificado ao contribuinte em 04/01/07 (fl.329), concluiuse: ..... Tal decisão lastreouse nos fundamentos abaixo resumidos: ..... o contribuinte foi intimado a comprovar a sua participação no programa Befiex, quando se constatou a aprovação em 02/01/82 e encerramento em 25/05/94. Quanto à incorporadora, a aprovação deu se em 30/03/84 e o encerramento, em 31/01/96; ..... Voto ..... De acordo com Informação Fiscal (fl.289), confirmada no Despacho Decisório (fl.294), ‘...o contribuinte teve sua participação aprovada em 02/01/1982 e encerrada em 25/05/94, e de sua incorporadora (FNV Veículos Equipamentos S.A.) aprovada em 30/03/84 e encerrada em 31/01/96’ [...]”. (sublinhei) Fl. 842DF CARF MF Impresso em 30/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11610.000833/200289 Acórdão n.º 1103000.921 S1C1T3 Fl. 843 4 Entretanto, de acordo com a Informação Fiscal (fl.289), mencionada no acórdão embargado, informouse que a FNV Veículos Equipamentos S.A foi a sociedade incorporada: “ [...] O contribuinte foi intimado a comprovar a participação no Programa Befiex. Nos documentos entregues foi verificado que o contribuinte teve sua participação aprovada em 02/01/1982 e encerrada em 25/05/94, e de sua incorporada (FNV Veículos e Equipamentos S.A.) aprovada em 30/03/1984 e encerrada em 31/01/1996. Ambas foram encerradas por adimplência contratual.” De igual maneira, no Despacho Decisório (fl.294): “[...] O contribuinte foi intimado a comprovar a participação no Programa Befiex. Nos documentos entregues (fls.190 a 224) foi verificado que o contribuinte teve sua participação aprovada em 02/01/1982 e encerrada em 25/05/94 e de sua incorporada (FNV Veículos e Equipamentos S.A.) aprovada em 30/03/1984 e encerrada em 31/01/1996. Ambas foram encerradas por adimplência contratual.” Em razão de tal erro material, creditado a lapso quando da transcrição dos excertos, resta configurada, por consequência, a omissão quanto à apreciação da participação no programa Befiex decorrente da transferência de titularidade para o Embargante, inicialmente deferido à FNV Veículos e Equipamentos S/A. Portanto, estando equivocada a premissa adotada, os embargos de declaração devem ser admitidos. Do mérito Inicialmente, fazse necessário recapitular o que já foi decidido por este colegiado quando da apreciação do recurso voluntário. Reconheceuse o direito à compensação dos prejuízos fiscais apurados pelas “empresas industriais titulares de Programas Especiais de Exportação aprovados até 3 de junho de 1993, pela Comissão para Concessão de Benefícios Fiscais a Programas Especiais de Exportação – BEFIEX”, durante a sua vigência, integralmente nos seis anoscalendário subseqüentes. Na oportunidade, foi analisada a participação do contribuinte no programa apenas até 25/05/94, de maneira que “os prejuízos apurados durante a sua vigência, poderiam ser utilizados na compensação, sem a trava de 30% (trinta por cento) até o final de 2000”, o que seria “suficiente para se infirmar a pretensão da defesa”. Passase a analisar, agora, as consequências advindas do fato de a FNV Veículos e Equipamentos S/A ter sido incorporada pelo Embargante. Fl. 843DF CARF MF Impresso em 30/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11610.000833/200289 Acórdão n.º 1103000.921 S1C1T3 Fl. 844 5 De acordo com Certificado nº 242/84, expedido pela Comissão de Benefícios Fiscais a Programas Especiais de Exportação, o Sr. Ministro da Indústria e Comércio aprovou em 30/03/84 o Programa Especial de Exportação apresentado por FNV Veículos e Equipamentos S/A (fls.213/214). Conforme Termo de Compromisso Aditivo SPI/BEFIEX/Nº 242/I/94 (fls.215/216), celebrado entre a União e a Iochpe Maxion S.A, alterouse a “...titularidade do Programa, por força da incorporação da FNV – Veículos e Equipamentos S.A pela Iochpe Maxion S.A, de acordo com a ASSEMBLÉIA GERAL EXTRAORDINÁRIA de 30 de dezembro de 1993, registrada na Junta Comercial do Estado de São Paulo – JUCESP sob o nº 4.827/94 6, em 13.01.94”. Por meio do OFÍCIO/SPI/BEFIEX/Nº 021/96, de 20/03/96, do Sr. CoordenadorGeral Substituto de Programas BEFIEX, foi informado à Iochpe Maxion S/A (fl.224): “Atendendo solicitação dessa empresa informamos que o Secretário de Política Industrial, em despacho proferido em 31 de janeiro de 1996, encerrou por adimplência contratual, sujeito a verificação fiscal, o Programa BEFIEX firmado por essa empresa Certificado nº 242, de 30 de março de 1984”. (destaquei) Verificase, assim, considerandose a transferência de titularidade do programa que inicialmente beneficiava a FNV Veículos e Equipamentos S/A, que o Embargante participou do programa BEFIEX até 31/01/96 e não até 25/05/94. Por conseguinte, os prejuízos apurados durante a vigência do programa, e acumulados até aquela data, poderiam ser compensados integralmente nos seis anoscalendário subsequentes, de maneira que, quanto a eles não incidiria, ao final do anocalendário 2001, a trava de 30% (trinta por cento), conforme interpretação fixada no acórdão embargado. Em resposta à diligência requerida pela DRJ –São Paulo I (SP), a DRF – Taubaté (SP) informou : “[...] A parte B do Lalur às fls. 512 a 526 apresenta a utilização dos prejuízos informados na Parte A do Lalur, sendo que de janeiro de 93 a abril de 94 (fls.512 a 521) esses prejuízos foram utilizados, restando para compensação futura os prejuízos a partir de outubro e dezembro de 94 e dezembro de 1995. Quanto a utilização em outros anos calendários dos prejuízos no período abrangido pelo Befiex os controles apresentados pela interessada às fs.106 a 110 volume III conferem com aqueles próprios dos sistema de controle da RFB, as fls.672 a 687 do Volume IV do presente processo. Em relação aos rendimentos e respectivo IRF na DIPJ/2002, ficha 12A, linha 13, no valor de R$ 6.405.736,87 (fl.540, vol.III) demonstrado na ficha 43 (fl.569, Vol.III), a documentação pertinente encontrase às fls.581 a 596 do volume III onde os documentos das instituições financeiras conferem com os valores do IRF informado na DIPJ/2002, à exceção de documento do IRF Banco Votorantim, mês 06/2001, operação hedge no valor de R$ 2.401.059,92, o qual após contato com a empresa foi Fl. 844DF CARF MF Impresso em 30/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11610.000833/200289 Acórdão n.º 1103000.921 S1C1T3 Fl. 845 6 encaminhado e encontrase anexado ao presente, devidamente contabilizado. O IRF acima encontrase devidamente contabilizado à vista do razão contábil anexado as fls.598 e 599 do volume III e fls.602 a 604 do volume IV nas contas IRF s/ aplicações financeiras e Juros s/ Capital Próprio. No tocante aos rendimentos que originaram as retenções citadas os mesmos se encontram demonstrados as fls.135 a 140 e contabilizados as fls.141 a 147 do volume III. Dessa forma procede a utilização do prejuízo apurado no período Befiex e utilizado na DIPJ/2002 , bem como o IRF pleiteado na mesma, encerrando assim, a diligência solicitada pela DRJ SPO1.” A situação do saldo de prejuízos fiscais ao final do anocalendário 1995, conforme demonstrativo do sistema Sapli (fl.673), era: Histórico Valor (R$) Befiex 1989 0,00 Befiex 1990 0,00 PB/AC 1991/1994 20.428.790,67 AnoCalendário 1995 139.155.223,31 Cisão Parcial 0,00 Atividade Rural 0,00 Total 159.584.013,98 Podem, ainda, ser mencionados os seguintes eventos relacionados ao prejuízo fiscal apurado até 31/12/95 (fls.674/680): Anocalendário 1996: redução para R$148.146.441,99, tendo em vista a apuração de lucro real; Anocalendário 1997: manutenção do estoque de R$148.146.441,99, tendo em vista a apuração de prejuízo fiscal de R$ 5.513.834,10; Anocalendário 1998: manutenção do estoque de R$148.146.441,99, tendo em vista a apuração de prejuízo fiscal anual de R$ 35.438.786,04; Anocalendário 1999: manutenção do estoque de R$148.146.441,99, tendo em vista a apuração de prejuízo fiscal de R$ 52.166.363,52. Nesse ano, houve cessão de prejuízo fiscal a terceiro no valor de R$ 7.595.313,68; Anocalendário 2000: manutenção do estoque de R$148.146.441,99, tendo em vista a apuração de prejuízo fiscal de R$ 9.997.065,45. Quanto a esse ano, há outro demonstrativo em que se indica compensação de R$ 3.567.920,00, tendo em vista a apuração de lucro real de R$ 12.193.066,99; Anocalendário 2001: apuração de lucro real de R$51.781.405,46, compensado integralmente a título de “Indústrias Titulares de Prog. de Export. – BEFIEX até 03/06/93”. Comprovado, portanto, que ao final do anocalendário 2001, havia saldo de prejuízos fiscais apurados na vigência dos programas Befiex, poderia ser utilizado na compensação integral do lucro líquido ajustado. Fl. 845DF CARF MF Impresso em 30/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11610.000833/200289 Acórdão n.º 1103000.921 S1C1T3 Fl. 846 7 Inexistindo imposto devido, o saldo negativo decorreria unicamente do Imposto de Renda Retido na Fonte, que, de acordo com a DIPJ 2002 (Ficha 12 A, fl.540), totalizaria R$ 6.405.736,87. Conforme Despacho Decisório, após terem sido juntados vários processos, por versarem sobre o mesmo direito creditório, o saldo negativo pleiteado nos presentes autos totalizaria R$ 2.796.045,35 (dois milhões, setecentos e noventa e seis mil, quarenta e cindo reais e trinta e cinco centavos), conforme a tabela abaixo: Processos Valor original (R$) 11610.000833/200289 760.522,94 11610.009041/200270 1.274.915,38 11610.020100/200261 407.607,45 11610.022345/200222 23.059,98 11610.022345/200222 66.750,00 11610.004584/200381 94.118,64 11610.006008/200379 73.357,96 11610.006009/200313 95.713,00 Total 2.796.045,35 O fato de no Despacho Decisório não se ter apreciado o valor declarado de IRRF, poderia implicar na impossibilidade de, em segunda instância, procederse à análise pela primeira vez, como se tem decidido neste colegiado. Entretanto, há uma particularidade no caso concreto, a reclamar desfecho distinto, qual seja, o fato de a DRF – Taubaté (SP) já ter se pronunciado a respeito, quando, instada pela DRJ, que na oportunidade requereu algumas providências no seguinte sentido: “[...] Outro tópico que chama a atenção é a composição do saldo negativo apurado na DIPJ/2002, que em parte, provém de deduções de IRRF do IR a pagar no ajuste anual e nas estimativas mensais. Quanto a esse tópico requerse à Fiscalização: 1) Informe o montante do IRRF dedutível, para fins de cálculo do IR devido do anocalendário de 2001 com base nos informes de rendimentos, escrituração contábil e a DIPJ apresentada; 2) Informe se os valores dos rendimentos correspondentes ao IRRF dedutível foram oferecidos à tributação mediante a análise dos livros fiscais e comprovantes de retenção na fonte (extratos de rendimentos, notas fiscais, etc) para o anocalendário de 2001;” Após análise dos informes de rendimentos e escrituração, a fiscalização atestou: (a) que as retenções declaradas e os respectivos rendimentos foram devidamente contabilizados; e (b) que “procede a utilização do prejuízo apurado no período Befiex e utilizado na DIPJ/2002 , bem como o IRF pleiteado na mesma”. Assim, restou reconhecido pela própria Secretaria da Receita Federal do Brasil as retenções declaradas e a contabilização dos respectivos rendimentos. Fl. 846DF CARF MF Impresso em 30/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11610.000833/200289 Acórdão n.º 1103000.921 S1C1T3 Fl. 847 8 Em suma, identificado o cometimento de erro material no acórdão embargado, a sua retificação implicou no saneamento da omissão e consequente reconhecimento do direito creditório pleiteado neste processo, a partir da possibilidade de compensação dos prejuízos fiscais apurados durante a vigência do programa Befiex e do preenchimento dos requisitos legais para o aproveitamento do IRRF declarado, devidamente atestados pela RFB. Pelo exposto, voto no sentido de acolher os embargos, com efeitos infringentes, para alterar o dispositivo do Acórdão nº 1103000.798/2012 para “dar provimento ao recurso para reconhecer o direito creditório pleiteado e homologar as compensações até tal limite”. (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro Fl. 847DF CARF MF Impresso em 30/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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