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Numero do processo: 10530.724648/2009-87
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Sep 24 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/10/2009
MULTA. NÃO EXIBIÇÃO DE DOCUMENTOS.
Constitui infração a empresa deixar de exibir documentos ou informações relacionados com as contribuições previstas na Lei nº 8.212/91.
ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE.
Tendo a fiscalização demonstrado o cometimento da infração, cabe ao contribuinte o ônus da prova em contrário.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-003.726
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente
Nereu Miguel Ribeiro Domingues - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Thiago Taborda Simões, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES
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NÃO EXIBIÇÃO DE DOCUMENTOS. Constitui infração a empresa deixar de exibir documentos ou informações relacionados com as contribuições previstas na Lei nº 8.212/91. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE. Tendo a fiscalização demonstrado o cometimento da infração, cabe ao contribuinte o ônus da prova em contrário. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente Nereu Miguel Ribeiro Domingues Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Thiago Taborda Simões, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 72 46 48 /2 00 9- 87 Fl. 106DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES 2 Relatório Tratase de auto de infração constituído em 16/12/2009 (fls. 50), para exigência de multa por ter a Recorrente deixado de exibir documentos relacionados com as contribuições previstas na Lei nº 8.212/91. Consta do Relatório Fiscal o seguinte (fls. 06/07): “2. Mediante Termo de Início de Procedimento Fiscal TIPF, 24092009 e de Termo de Intimação Fiscal TIF, de 2611 2009 (anexados a este Relatório), o ente Municipal foi instado a apresentar documentos relacionados com as contribuições sociais previdenciárias compensadas. 3. Restringiuse a apresentar ofício (Documento 1) que não se sabe ao certo se provém efetivamente do requerido, com parte da documentação anexa ao mesmo, porém apresentada em cópias xerografadas sem autenticação. As planilhas de cálculos anexadas (Documentos 2 a 9), em originais, não constam de evidência que possa se garantir que provém do requerido. 4. Não apresentou os documentos comprobatórios que lastrearam os recolhimentos indevidos das contribuições compensadas, no prazo estabelecido. 5. Todas essas condutas impediram as análises necessárias ao escopo de execução do Procedimento Fiscal, infringindo ao [que] determina a Lei nº 8.212, de 24071991, Art. 33, §§ 2º e 3º, combinado com os Art. 232 e Art. 233, Parágrafo Único do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06051999.” Em razão disso, e por não ter havido circunstâncias agravantes, a autoridade fiscal aplicou a multa mínima prevista na Lei nº 8.212/91, c/c os arts. 283, II, “j” e 373 do RPS, e art. 7º, VI, da Portaria Interministerial MPS/MF nº 48/09. A Recorrente apresentou Impugnação (fls. 53/57), argumentando, em síntese, que: (i) a autuação não subsiste, pois entregou toda a documentação solicitada, conforme Ofícios nº 180/09 e 271/09; (ii) não há embasamento legal que obrigue a entrega da documentação em cópias autenticadas; e (iii) em nenhum momento recusou informações ou causou embaraços à fiscalização. A d. Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador/BA – DRJ/SDR, julgou improcedente a Impugnação e manteve o crédito tributário (fls. 66/69), entendendo, em suma, que: (i) a Administração Tributária tem o poder e dever de exigir o cumprimento das obrigações previstas em Lei; (ii) verificado o descumprimento de obrigação tributária principal ou acessória, a fiscalização efetua o lançamento do credito previdenciário através do Auto de Infração, nos termos do art. 142 do CTN; (iii) o sujeito passivo não cumpriu a obrigação acessória de exibir todos os documentos solicitados, tais como os documentos comprobatórios dos recolhimentos indevidos das contribuições compensadas nas GFIP das competências 05/2009, 07/2009 a 10/2009, o que por si só já justifica a imputação da multa; (iv) sobre tais documentos a Recorrente não apresentou contestação e nem justificou a não entrega, apenas juntando planilhas sem a documentação que dá suporte aos valores elencados; e (v) independentemente de pagar os tributos, os contribuintes têm a obrigação de registrar e formalizar as suas operações contábeis através de livros e escrituração específica e quando requisitados entregálos à autoridade fiscal, fato este que não fora observado pela Recorrente. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 10530.724648/200987 Acórdão n.º 2402003.726 S2C4T2 Fl. 107 3 Intimada dessa decisão em 08/05/2012 (fls. 72), a Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 06/06/2012 (fls. 73/97), sustentando, em síntese, que: (i) desde que lhe foi oportunizada manifestação apresentou todos os documentos que lhe foram requeridos; (ii) num primeiro momento entregou parcialmente os documentos conforme Ofício nº 180/09, no qual também requereu dilação de prazo para apresentação dos documentos restantes, haja vista a substituição do sistema de processamento de dados pela qual passava; (iii) não obstante a dilação requerida, mantevese expressamente à disposição do fisco para apresentação da documentação in loco, caso o acesso a tais informações fosse considerado de máxima urgência, manifestando postura colaboradora e solidária na presteza das informações, nos termos do art. 229 do RPS; (iv) num segundo momento entregou toda a documentação restante, conforme Ofício nº 271/09, cumprindo com isso rigorosamente tudo o que lhe foi requerido; (v) a autoridade fiscal, ao invés de analisar os documentos entregues, preocupouse em lhes questionar a autenticidade (vi) a DRJ/SDR imputoulhe a não apresentação dos documentos, quando os mesmos foram todos entregues, ignorando assim a completude das informações prestadas pela Recorrente; (vii) a autuação é totalmente insubsistente, devendo ser reformado o acórdão recorrido. Considerado tempestivo o recurso (fls. 103), foram os autos encaminhados a este Conselho para julgamento (fls. 104/105). É o relatório. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES 4 Voto Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Relator O presente recurso é tempestivo e preenche a todos os requisitos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. A autoridade fiscal capitulou a infração com base no art. 33, §§ 2º e 3º da Lei nº 8.212/91, com redação dada pela MP nº 449/08, convertida na Lei nº 11.941/09, que estabelece o seguinte: “Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. (...) § 2º A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. § 3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. (...)” (destaquei) Analisando o processo e a documentação acostada aos autos, entendo que não assiste razão à Recorrente. A Recorrente foi sucessivamente intimada do início do procedimento fiscal em várias datas diferentes, conforme se constata dos diversos TIPFs juntado aos autos (fls. 39/47). Tanto no primeiro TIPF, com intimação ocorrida em 28/09/2009 e prazo de 8 dias úteis (fls. 45/47), quanto no segundo TIPF, com intimação ocorrida em 06/10/2009 e prazo de 5 dias úteis (fls. 42/44), foram solicitados essencialmente os mesmos documentos e informações à Recorrente, quais sejam: (i) GFIPs com comprovantes de entrega e eventuais retificações, dos períodos aos quais se referiram os valores compensados nas competências apontadas; (ii) guias de recolhimentos que originaram os créditos compensados; (iii) lei orgânica do município; (iv) memória de cálculo de compensações efetuadas; e (v) diploma ou termo de posse no cargo, de cada agente público abrangido nos períodos aos quais se referem as compensações, inclusive do Prefeito à época da intimação. Consta dos autos que tais solicitações foram atendidas de forma parcial pela Recorrente no dia 07/10/2009 (ou seja, dentro do prazo concedido em ambos os TIPFs), mediante Ofício nº 180, de 07/10/2009, trazido aos autos pela própria autoridade fiscal (fls. 08/29), e também mencionado pela Recorrente tanto em sua Impugnação (fls. 54) quanto em seu Recurso Voluntário (fls. 76, 93/94). Fl. 109DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 10530.724648/200987 Acórdão n.º 2402003.726 S2C4T2 Fl. 108 5 De se observar que apesar de não ter apresentado imediatamente todos os documentos e informações requeridos em ambos os TIPFs, consta do referido Ofício que a Recorrente solicitou prazo adicional para a apresentação do restante que ficou pendente, em virtude da substituição do sistema de processamento de dados pela qual passava e que dificultava a sua respectiva localização, justificando com isso a não entrega imediata de tudo o que foi requerido. A Recorrente também informou expressamente no mesmo Ofício que todas as informações requeridas estavam disponíveis para desarquivamento e fiscalização na sede da Recorrente, solidarizandose na presteza das informações e com isso demonstrando interesse no cumprimento do seu dever de colaboração. Prosseguindose na análise cronológica dos acontecimentos, constatase que na sequência sobreveio um terceiro TIPF (fls. 39/41), com intimação ocorrida em 29/10/2009 e prazo de 1 dia útil; bem como o primeiro Termo de Intimação Fiscal – TIF nº 1, com intimação ocorrida em 30/11/2009 (fls. 30/32) e prazo de cinco dias úteis, que renovaram cada um a intimação da Recorrente para apresentar essencialmente os mesmos documentos já requeridos nos TIPFs anteriores. Alega a Recorrente que essas solicitações e a entrega dos documentos e informações restantes também foram atendidas em 08/12/2009 (ou seja, somente um dia após o prazo concedido no TIF nº 1), conforme Ofício nº 271, de 08 de dezembro de 2009, somente trazido aos autos pela Recorrente por ocasião de seu Recurso Voluntário (fls. 96/97). Nesse tocante, de se observar desde já que é entendimento pacífico deste Conselho a possibilidade de conhecimento de documentos trazidos aos autos em fase recursal, em homenagem ao princípio do formalismo moderado (nesse sentido: Acórdão nº 2802002.108, Sessão de 19/02/2013; PAF nº 10183.003172/200853, Sessão de 21/11/2012; Acórdão nº 2802001.509, Sessão de 17/04/2012; CSRF, Acórdão nº 102140.820, Sessão de 07/10/2008). Não obstante, verificase que o Ofício nº 271/09, trazido pela Recorrente com o seu Recurso Voluntário (fls. 96/97), e com o qual alega ter apresentado os documentos e informações restantes, está desprovido de qualquer evidência mínima de recepção pela autoridade fiscal (carimbo, assinatura, protocolo etc.). Esse ofício, portanto, não lhe socorre nesta fase recursal, pois não é capaz de comprovar que a documentação restante foi efetivamente entregue para o fisco. O princípio do formalismo moderado até poderia ser aplicado para se conhecer do Ofício nº 271/09 nesta fase recursal, mas não serve para validar o documento quando ausente de requisitos mínimos que demonstrem sua efetiva entrega para a repartição pública ou autoridade fiscal competente. Tivesse a Recorrente demonstrado com certeza que a entrega da documentação restante efetivamente ocorreu, teria cumprido integralmente a intimação e com isso seria possível dar provimento ao Recurso Voluntário, com fulcro no princípio da busca pela verdade material, de observância indeclinável da Administração tributária no âmbito de suas atividades procedimentais, e que recomenda tivesse havido a análise dos documentos pela Fl. 110DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES 6 autoridade fiscal, mesmo diante do que foi apontado no Relatório Fiscal (questionamentos formais quanto a origem, a ausência de autenticação das cópias, a apresentação apenas um dia após o prazo da última intimação). Contudo, não tendo feito tal comprovação, resta configurada a infração apontada pela autoridade fiscal, qual seja, a não exibição dos documentos relacionados com as contribuições previstas na Lei nº 8.212/91, pois cabia à Recorrente o ônus da prova em contrário, o que não logrou efetuar. Diante do exposto, voto pelo CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO para NEGARLHE PROVIMENTO, nos termos da fundamentação acima. É o voto. Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES
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Numero do processo: 10830.001840/2006-74
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Oct 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/05/1999 a 28/02/2001
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. AUSÊNCIA DE OMISSÃO, OBSCURIDADE, CONTRATIDIÇÃO OU ERRO MATERIAL. DESCABIMENTO.
Não havendo omissão, obscuridade, contradição ou erro material, devem ser rejeitados os Embargos de Declaração.
Embargos rejeitados.
Numero da decisão: 3402-002.176
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em conhecer e rejeitar os embargos.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
João Carlos Cassuli Junior Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo d'Eça, Luiz Carlos Shimoyama (Suplente), Winderley Morais Pereira (Substituto), João Carlos Cassuli Júnior (Relator) e Leonardo Mussi da Silva (Suplente). Ausentes justificadamente as conselheiras Nayra Bastos Manatta e Silvia de Brito Oliveira.
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Matéria: Cofins- proc. que não versem s/exigências de cred.tributario
Nome do relator: JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/05/1999 a 28/02/2001 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. AUSÊNCIA DE OMISSÃO, OBSCURIDADE, CONTRATIDIÇÃO OU ERRO MATERIAL. DESCABIMENTO. Não havendo omissão, obscuridade, contradição ou erro material, devem ser rejeitados os Embargos de Declaração. Embargos rejeitados.
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decisao_txt : ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em conhecer e rejeitar os embargos. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo d'Eça, Luiz Carlos Shimoyama (Suplente), Winderley Morais Pereira (Substituto), João Carlos Cassuli Júnior (Relator) e Leonardo Mussi da Silva (Suplente). Ausentes justificadamente as conselheiras Nayra Bastos Manatta e Silvia de Brito Oliveira. .
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1650; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 315 1 314 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.001840/200674 Recurso nº Embargos Acórdão nº 3402002.176 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 22 de agosto de 2013 Matéria COFINS Embargante MINASA TRADING INTERNATIONAL S.A. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/05/1999 a 28/02/2001 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. AUSÊNCIA DE OMISSÃO, OBSCURIDADE, CONTRATIDIÇÃO OU ERRO MATERIAL. DESCABIMENTO. Não havendo omissão, obscuridade, contradição ou erro material, devem ser rejeitados os Embargos de Declaração. Embargos rejeitados. ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em conhecer e rejeitar os embargos. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Substituto (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior – Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo d'Eça, Luiz Carlos Shimoyama (Suplente), Winderley Morais Pereira (Substituto), João Carlos Cassuli Júnior (Relator) e AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 18 40 /2 00 6- 74 Fl. 315DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/0 9/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO 2 Leonardo Mussi da Silva (Suplente). Ausentes justificadamente as conselheiras Nayra Bastos Manatta e Silvia de Brito Oliveira. . Fl. 316DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/0 9/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 10830.001840/200674 Acórdão n.º 3402002.176 S3C4T2 Fl. 316 3 Relatório Tratase de Embargos Declaratórios (fls. 655/658) opostos pelo contribuinte, por suposta omissão no v. Acórdão nº 3402001.600, exarado por esta 2ª Turma da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF (fls. 294/304 constante de arquivo em PDF sem numeração de páginas do processo físico) de minha relatoria que, em sessão de 22/01/12, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso voluntário, declarando estar aingido pela decadência o direito de pleitear o indébito tributário de pagamentos de Cofins em questão, por ter sido protocolado o pedido após 05 (cinco) anos dos pagamentos indevidos e após 09 de junho de 2005, aos seguintes fundamentos sintetizados nas seguintes ementa, súmula e conclusão: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/05/1999 a 28/02/2001. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. LEI COMPLEMENTAR No 118/2005. PEDIDO PROTOCOLIZADO APÓS SUA VACATIO LEGIS. PRESCRIÇÃO. OBSERVÂNCIA DO ART. 62A, DO RICARF. Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4o, segunda parte, da Lei Complementar no 118/05, considerase válida a aplicação do prazo reduzido para repetição, ressarcimento ou compensação de indeb́itos tributários, quanto aos pedidos protocolizados após o decurso do prazo de vacatio legis de 120 (cento e vinte) dias da publicação da referida Lei Complementar, ocorrido em 09 de junho de 2005. Aplicação do entendimento proferido pelo Supremo Tribunal Federal no RE no 566.621, Rel. Ministra Ellen Gracie, nos termos do art. 62A, do RICARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso. (...) Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Nayra Bastos Manatta, Fernando Luiz da Gama Lobo D’Eça, Gilson Macedo Rosenburg Filho, João Carlos Cassuli Junior, Silvia de Brito Oliveira e Helder Masaaki Kanamaru.” Aduz a Embargante que o v. Acórdão se omitiu de apreciar as razões de recurso, especificamente no que diz respeito à tese de que o prazo para pleitear o indébito tributário deva ser contado da decisão judicial que reconheceu a inconstitucionalidade do tributo. Afirma que a inconstitucionalidade do “alargamento da base de cálculo” da contribuição ao PIS, foi declarada pelo STF em 09.11.2005, sendo este o termo inicial para contagem do prazo para pleitear o indébito tributário, de modo que o seu pedido, protocolizado em 19.04.2006, estaria dentro do prazo decadencial. Fl. 317DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/0 9/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO 4 Em razão disso afirma que o Acórdão embargado incorreu em omissão, pedindo que sejam enfrentadas todas as questões postas no Recurso, inclusive para deixar expresso o entendimento quanto a contagem do prazo decadencial para pleitear o indébito no caso de declaração de inconstitucionalidade de Lei. É, em síntese, o Relatório. Fl. 318DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/0 9/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 10830.001840/200674 Acórdão n.º 3402002.176 S3C4T2 Fl. 317 5 Voto Conselheiro João Carlos Cassuli Junior, Relator. Os Embargos de Declaração datados de 20 de agosto de 2012, foram juntados aos autos em 21.08.2012 (cf. Termo de Solicitação de Juntada de fls. 307), após ciência relativa ao Acórdão recorrido, dada ao contribuinte em 10 de agosto do mesmo ano, de modo que tenho por tempestivos, devendo ser conhecido do recurso. No mérito, porém, não merecem acolhida. Entendo que as omissões apontadas pela Embargante não se materializaram no caso concreto, pois que restou claro pela decisão embargada, que se estava tratando de termo de início do prazo decadencial (ou prescricional) para que o sujeito passivo deduzisse o seu pleito de Restituição de Indébito Tributário. Ficou claro na decisão embargada, que o Supremo Tribunal Federal, ao declarar a inconstitucionalidade do efeito retroativo pretendido pelo art. 4o, da Lei Complementar nº 118/05, reconheceu expressamente a constitucionalidade do art. 3o, da referida Lei, que reduzira o prazo decadencial para 05 anos, contados do pagamento indevido (observe que a Ementa do v. Acórdão alterou “fato gerador” para “pagamento”). A tese quanto ao termo inicial de contagem do prazo decadencial, nos casos em que houvera declaração de inconstitucionalidade de Lei, proferida pelo Supremo Tribunal Federal, não foi aventada no caso em concreto simplesmente porque a Embargante não figurou como parte dos referidos processos judiciais que culminaram na sobredita inconstitucionalidade, caso em que, aí sim, assistiria razão quanto ao termo “a quo” desta contagem do prazo decadencial. Consequentemente, é sintomático que não se aplica à Embargante a tese por ela aventada, pelo fato de que as ações judiciais que culminaram no reconhecimento da inconstitucionalidade do parágrafo 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, não tiveram a Embargante no pólo ativo, e, ainda, não há nos autos comprovação de que a mesma seja titular de decisão proferida em processo por ela movido judicialmente, buscando esse referido direito. Em consequência, se está diante de “Restituição de Indébito” calcado em pagamentos indevidos ou a maior, mas sem decorrerem de reconhecimento judicial em provimento de que seja titular o próprio sujeito passivo. Daí porque aplicouse a regra geral prevista na Lei Complementar nº 118/05, com vigência para os pedidos protocolizados a partir de 09 de junho de 2005, conforme decisão do STF, citada no acórdão embargado. O que se vê, portanto, é que a Embargante está buscando rediscutir o mérito em sede de Embargos de Declaração, o que em regra não é possível, mas apenas em caso em que tenha havido erro material, o que não se mostra ter ocorrido no caso em concreto. Fl. 319DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/0 9/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO 6 Assim, não havendo omissão, tampouco obscuridade, contradição ou erro material, não há como acolher os Embargos de Declaração, voto no sentido de conhecer e no mérito, rejeitar os embargos de declaração. (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator Fl. 320DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/0 9/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 12466.003780/2009-06
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 30 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 07/10/2006, 19/10/2006, 16/12/2006
ILEGITIMIDADE PASSIVA. AGÊNCIA DE NAVEGAÇÃO. INFRAÇÃO POR ATRASO NA PRESTAÇÃO DA INFORMAÇÃO SOBRE CARGA TRANSPORTADA. INOCORRÊNCIA.
A agência de navegação ou marítima que, na condição de representante do transportador estrangeiro, comete a infração por atraso na informação sobre carga transportada responde pela multa sancionadora da referida infração.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
A multa regulamentar sancionadora da infração por omissão ou atraso na prestação de informação sobre a carga transportada por empresa de transporte internacional de carga deve ser aplicada uma única vez por viagem do veículo transportador e não por cada manifesto de carga da mesma viagem, como fora consignado na autuação.
MULTA ADMINISTRATIVA. INFRAÇÃO ADUANEIRA. INFORMAÇÃO EXTEMPORÂNEA DA CARGA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE.
1. O instituto da denúncia espontânea é incompatível com o descumprimento extemporâneo de obrigação acessória concernente à prestação de informação ou entrega de documentos à administração aduaneira, uma vez que tal fato configura a própria infração.
2. A multa por atraso na prestação de informação sobre a carga descarregada em porto alfandegado nacional não é passível de denúncia espontânea, porque o fato infringente consiste na própria denúncia da infração.
Numero da decisão: 3102-001.988
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, pelo voto de qualidade, dar parcial provimento ao recurso para excluir o valor de R$ 15.000,00, correspondente ao somatório do valor das três multas indevidamente aplicadas, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Álvaro Almeida Filho, Andréa Medrado Darzé e Nanci Gama, que acolhiam a arguição de ilegitimidade passiva e reconheciam a denúncia espontânea da infração e davam provimento integral ao recurso. Fez sustentação oral: o advogado Sérgio Piqueira Pimentel Maia, OAB/RJ 24968.
(assinado digitalmente)
Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé e Nanci Gama.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 07/10/2006, 19/10/2006, 16/12/2006 ILEGITIMIDADE PASSIVA. AGÊNCIA DE NAVEGAÇÃO. INFRAÇÃO POR ATRASO NA PRESTAÇÃO DA INFORMAÇÃO SOBRE CARGA TRANSPORTADA. INOCORRÊNCIA. A agência de navegação ou marítima que, na condição de representante do transportador estrangeiro, comete a infração por atraso na informação sobre carga transportada responde pela multa sancionadora da referida infração. Recurso Voluntário Provido em Parte. A multa regulamentar sancionadora da infração por omissão ou atraso na prestação de informação sobre a carga transportada por empresa de transporte internacional de carga deve ser aplicada uma única vez por viagem do veículo transportador e não por cada manifesto de carga da mesma viagem, como fora consignado na autuação. MULTA ADMINISTRATIVA. INFRAÇÃO ADUANEIRA. INFORMAÇÃO EXTEMPORÂNEA DA CARGA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. 1. O instituto da denúncia espontânea é incompatível com o descumprimento extemporâneo de obrigação acessória concernente à prestação de informação ou entrega de documentos à administração aduaneira, uma vez que tal fato configura a própria infração. 2. A multa por atraso na prestação de informação sobre a carga descarregada em porto alfandegado nacional não é passível de denúncia espontânea, porque o fato infringente consiste na própria denúncia da infração.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, pelo voto de qualidade, dar parcial provimento ao recurso para excluir o valor de R$ 15.000,00, correspondente ao somatório do valor das três multas indevidamente aplicadas, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Álvaro Almeida Filho, Andréa Medrado Darzé e Nanci Gama, que acolhiam a arguição de ilegitimidade passiva e reconheciam a denúncia espontânea da infração e davam provimento integral ao recurso. Fez sustentação oral: o advogado Sérgio Piqueira Pimentel Maia, OAB/RJ 24968. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento - Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé e Nanci Gama.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 17/07/2008 MULTA REGULAMENTAR. INFORMAÇÃO EXTEMPORÂNEA DA VINCULAÇÃO DO MANIFESTO À ESCALA DA EMBARCAÇÃO EM PORTO NACIONAL. MATERIALIZAÇÃO DA INFRAÇÃO. IMPOSIÇÃO DA MULTA. POSSIBILIDADE. A vinculação extemporânea do manifesto de carga à escala da embarcação em porto no País configura prestação de informação fora do prazo, punível com a correspondente multa regulamentar. MULTA POR ATRASO NA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE A CARGA. APLICAÇÃO POR MANIFESTO DE CARGA. IMPOSSIBILIDADE. A multa regulamentar sancionadora da infração por omissão ou atraso na prestação de informação sobre a carga transportada por empresa de transporte internacional de carga deve ser aplicada uma única vez por viagem do veículo transportador e não por cada manifesto de carga da mesma viagem, como fora consignado na autuação. MULTA ADMINISTRATIVA. INFRAÇÃO ADUANEIRA. INFORMAÇÃO EXTEMPORÂNEA DA CARGA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. 1. O instituto da denúncia espontânea é incompatível com o descumprimento extemporâneo de obrigação acessória concernente à prestação de informação ou entrega de documentos à administração aduaneira, uma vez que tal fato configura a própria infração. 2. A multa por atraso na prestação de informação sobre a carga descarregada em porto alfandegado nacional não é passível de denúncia espontânea, porque o fato infringente consiste na própria denúncia da infração. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 00 37 80 /2 00 9- 06 Fl. 80DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 26 /09/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 2 Data do fato gerador: 07/10/2006, 19/10/2006, 16/12/2006 ILEGITIMIDADE PASSIVA. AGÊNCIA DE NAVEGAÇÃO. INFRAÇÃO POR ATRASO NA PRESTAÇÃO DA INFORMAÇÃO SOBRE CARGA TRANSPORTADA. INOCORRÊNCIA. A agência de navegação ou marítima que, na condição de representante do transportador estrangeiro, comete a infração por atraso na informação sobre carga transportada responde pela multa sancionadora da referida infração. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, pelo voto de qualidade, dar parcial provimento ao recurso para excluir o valor de R$ 15.000,00, correspondente ao somatório do valor das três multas indevidamente aplicadas, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Álvaro Almeida Filho, Andréa Medrado Darzé e Nanci Gama, que acolhiam a arguição de ilegitimidade passiva e reconheciam a denúncia espontânea da infração e davam provimento integral ao recurso. Fez sustentação oral: o advogado Sérgio Piqueira Pimentel Maia, OAB/RJ 24968. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé e Nanci Gama. Relatório Tratase de auto de infração (fls. 2/14), em que formalizada a aplicação da multa regulamentar, no valor de R$ 20.000,00, motivada pela prática de infração por prestação extemporânea de informação sobre carga transportada, tipificada na alínea “e” do inciso IV do art. 107 do Decretolei nº 37, de 1966, com redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833, de 2003. Segundo a descrição dos fatos integrante do citado auto infração os 4 (quatro) manifestos de carga que acobertava carga de passagem pelo Porto de Suape com destino ao Porto de Vitória, transportada no navio Pegasus, viagem 827, foram vinculados a primeira escala no País, no Porto de Suape, cerca de 1 (uma) hora após a atracação do navio, descumprindo o prazo dos artigos 22 e 50 da Instrução Normativa RFB no 800, de 27 dezembro de 2007. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 26 /09/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO Processo nº 12466.003780/200906 Acórdão n.º 3102001.988 S3C1T2 Fl. 21 3 Na peça impugnatória (fls. 33/35), a autuada alegou a improcedência da autuação, com base nos argumentos que foram assim resumidos no relatório encartado no acórdão recorrido: Devido a mudança de rota, os manifestos programados para descarga em Vitória foram vinculados fora do prazo, mas antes que ocasionassem prejuízo à fiscalização. Tratase de movimentação de carga que devido troca de rota, fato comum no meio marítimo, não é de responsabilidade da agência de navegação, uma vez que a troca de rota atende as necessidades dos armadores elencados na operação marítima, não havendo prejuízo de causar dano ou burlar à fiscalização. A impugnante não deixou de prestar informação sobre veiculo ou carga nele transportada, não havendo embaraço à fiscalização. Por ser uma agente de navegação, não pode a impugnante ser cominada a penalidade em questão por não ser empresa transportadora internacional ou prestadora de serviço de transporte internacional expresso portaaporta ou agente de carga. Em 26/8/2011, foi proferida a decisão primeira instância (fls. 46/49), em que, por unanimidade de votos, a impugnação foi julgada improcedente e mantido o crédito tributário, sob fundamento de que a recorrente, na condição de representante do transportador estrangeiro no País, fora quem prestara a informação extemporaneamente e, portanto, cometera a infração, cuja configuração independia da intenção, natureza e extensão dos danos causados. Em 28/11/2011 (fl. 52), a recorrente foi cientificada da decisão primeiro grau. Em 16/12/2011, protocolou o recurso voluntário de fls. 53/59, em que reafirmou as alegações aduzidas na fase impugnatória. Em aditamento, alegou que houve equívoco na autuação, porque a multa foi aplicada por manifesto e não por embarcação. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Da preliminar de ilegitimidade passiva. Alegou a recorrente que a penalidade prevista na alínea “e” do inciso IV do art. 107 do DecretoLei n° 37/66, com a redação dada pelo art. 77 da Lei n° 10.833, de 2003, objeto do auto de infração em apreço, não podia serlhe cominada, pois era apenas agência de navegação ou agência marítima, representante da empresa transportadora internacional, mas não era a ela equiparada nem responsável solidária para fins tributários. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 26 /09/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 4 Não procede a alegação da recorrente, pois, na condição de representante do transportador estrangeiro, no País, era ela quem detinha a responsabilidade pela prestação das informações, no Siscomex, sobre os manifestos e respectivos conhecimentos de carga, relativos as cargas descarregadas no navio Pegasus da empresa de navegação por ela representada. Da análise dos dados consignados nos extratos dos manifestos de carga colacionados aos autos (fls. 17/28), verificase que o nome da recorrente encontrase consignado no campo “agência de navegação”, o que evidencia que ela era a representante, no País, do transportador/armador estrangeiro e quem informou os dados da carga nos referidos manifestos. É oportuno ressaltar que, no concernente à prestação de informação sobre o navio e a carga transportada, a agência de navegação representante no País de empresa de navegação estrangeira equiparase ao transportador, conforme determina os arts. 4º e 5º da Instrução Normativa RFB nº 800, de 2007, a seguir transcritos: Art. 4º A empresa de navegação é representada no País por agência de navegação, também denominada agência marítima. § 1º Entendese por agência de navegação a pessoa jurídica nacional que represente a empresa de navegação em um ou mais portos no País. § 2º A representação é obrigatória para o transportador estrangeiro. § 3º Um transportador poderá ser representado por mais de uma agência de navegação, a qual poderá representar mais de um transportador. Art. 5º As referências nesta Instrução Normativa a transportador abrangem a sua representação por agência de navegação ou por agente de carga. No caso em tela, tratandose de infração à legislação aduaneira e tendo em vista que a recorrente concorreu para a prática da infração em questão, induvidosamente, ela responde pela correspondente penalidade aplicada, conforme dispõe o inciso I do art. 95 do Decretolei nº 37, de 1966, a seguir transcrito: Art. 95 Respondem pela infração: I conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie; (...). No mesmo sentido, dispõe o art. 1351, II, do CTN que a responsabilidade é exclusiva do infrator em relação aos atos praticados pelo mandatário ou representante com infração à lei. Em consonância com esse comando legal, determina o caput do art. 94 do Decretolei n° 37, de 1966, que constitui infração aduaneira toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que “importe inobservância, por parte da pessoa natural ou jurídica, de norma 1 "Art. 135 São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: [...] II os mandatários, prepostos e empregados; [...]." Fl. 83DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 26 /09/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO Processo nº 12466.003780/200906 Acórdão n.º 3102001.988 S3C1T2 Fl. 22 5 estabelecida neste Decretolei, no seu regulamento ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completálos”. No caso, as provas coligidas aos autos comprova que a recorrente descumpriu o prazo determinado para prestação da informação de vinculação do manifesto à escala da embarcação em porto alfandegado nacional, obrigação expressamente determinada na Instrução Normativa RFB nº 800, de 2007, ato normativo complementar do referido Decreto lei. Em suma, na condição de representante do transportador estrangeiro, a recorrente estava obrigada a prestar, tempestivamente, as informações no Siscomex sobre o veículo Pegasus e a carga nele transportada. Como descumprido essa obrigação, cometeu a infração capitulada na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei n° 37, de 1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei n° 10.833, de 2003, logo, deve responder pessoalmente pela infração em apreço. Uma vez demonstrada a legitimidade passiva da recorrente, rejeitase a preliminar de ilegitimidade por ela suscitada. Do mérito. No mérito, a controvérsia limitase à questão atinente à subsunção do fato imputado à recorrente à conduta abstrata descrita na alínea “e” do inciso IV do art. 107 do Decretolei nº 37, de 1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003, a seguir transcrito: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: [...] IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): [...] e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso porta aporta, ou ao agente de carga; e [...]. (grifos não originais) Tratase de norma penal em branco, cuja aplicação exige a complementação do seu conteúdo por outro diploma normativo de natureza administrativa, a ser expedido pelo Secretário da Receita Federal do Brasil (RFB). No caso em tela, a norma complementar que disciplina a forma e o prazo da prestação de informação sobre a carga transportada pelo modal marítimo é a Instrução Normativa RFB nº 800, de 27 de dezembro de 2007. Em relação forma, dispõe o art. 1º da citada Instrução Normativa que a informação sobre o navio e a carga será prestada por meio eletrônico diretamente no Siscomex Carga ou por intermédio do Sistema Mercante, conforme estabelecido no parágrafo único do. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 26 /09/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 6 No que ao prazo, previamente, é oportuno esclarecer o que é considerado informação sobre a carga, para fins de registro no Siscomex. Para tanto recorrese ao disposto no art. 10 da referida Instrução Normativa, que relaciona todos os tipos de informação que são considerados “informação da carga transportada”, com os seguintes dizeres, in verbis: Art. 10. A informação da carga transportada no veículo compreende: I a informação do manifesto eletrônico; II a vinculação do manifesto eletrônico a escala; III a informação dos conhecimentos eletrônicos; IV a informação da desconsolidação; e V a associação do CE a novo manifesto, no caso de transbordo ou baldeação da carga. [...]. Por sua vez, os prazos mínimos para prestação das mencionadas informações foram estabelecidos nos incisos II e III do art. 22 da mencionada Instrução Normativa, a seguir transcritos: Art. 22. São os seguintes os prazos mínimos para a prestação das informações à RFB: I as relativas ao veículo e suas escalas, cinco dias antes da chegada da embarcação no porto; e II as correspondentes ao manifesto e seus CE, bem como para toda associação de CE a manifesto e de manifesto a escala: a) cinco horas antes da saída da embarcação, para os manifestos e respectivos CE a carregar em porto nacional, em caso de cargas despachadas para exportação, quando o item de carga for granel; b) dezoito horas antes da saída da embarcação, para os manifestos e respectivos CE a carregar em porto nacional, em caso de cargas despachadas para exportação, para os demais itens de carga; c) cinco horas antes da saída da embarcação, para os manifestos CAB, BCN e ITR e respectivos CE; d) quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação, para os manifestos e respectivos CE a descarregar em porto nacional, ou que permaneçam a bordo; e III as relativas à conclusão da desconsolidação, quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação no porto de destino do conhecimento genérico. [...].(grifos não originais) Na data da ocorrência da infração em apreço, ainda estava em vigência os prazos transitórios fixados no art. 50 da mesma Instrução Normativa, a seguir transcrito: Fl. 85DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 26 /09/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO Processo nº 12466.003780/200906 Acórdão n.º 3102001.988 S3C1T2 Fl. 23 7 Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009.(Redação dada pela IN RFB nº 899, de 29 de dezembro de 2008) Parágrafo único. O disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre: I a escala, com antecedência mínima de cinco horas, ressalvados prazos menores estabelecidos em rotas de exceção; e II as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. (grifos não originais) Logo, na fase de transição, as informações sobre a carga transportada, que compreende a informação sobre a vinculação do manifesto a escala, deve ser feita antes da atração da embarcação no primeiro porto no País. Há provas nos autos (fls. 15/16) que a recorrente descumpriu esse prazo, consequentemente o fato a ela imputado subsumese perfeitamente à descrição da infração estatuída no art. 107, IV, “e”, do Decretolei nº 37, de 1966, com a nova redação da Lei nº 10.833, de 2003. Entretanto, a multa foi aplicada incorretamente. Da leitura do comando legal em destaque, inferese que ele trata apenas uma única infração: não prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Assim, a multa em apreço de ser aplicada por viagem do veículo transportador e não por cada manifesto de carga, como entendeu a fiscalização. Da mesma forma foi o entendimento manifestado pela CoordenaçãoGeral de Tributação (Cosit), por meio da Solução de Consulta Interna nº 08, de 14 de fevereiro de 2008, de extraise o item 16 que segue transcrito: 16.. Restaria, assim, a dúvida se a cada informação não prestada, sobre cada uma das declarações de exportação, geraria uma multa de R$ 5.000,00 ou se a multa seria pelo descumprimento de obrigação acessória de deixar o transportador de informar os dados sobre a carga, como um todo, transportada. Ora, o transportador que deixou de informar os dados de embarque de uma declaração de exportação e o que deixou de informar os dados de embarque sobre todas as declarações de exportação cometeram a mesma infração, ou seja, deixaram de cumprir a obrigação acessória de informar os dados de embarque. Nestes termos, a multa deve ser aplicada uma única vez por veículo transportador, pela omissão de não prestar as informações exigidas na forma e no prazo estipulados. (grifos não originais) Dessa forma, neste ponto, acolhese o argumento da recorrente, para reconhecer o equívoco da autuação e determinar o cancelamento da cobrança das três de multas indevidamente aplicadas, no valor total de R$ 15.000,00. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 26 /09/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 8 Da denúncia espontânea da infração. Alegou a recorrente que, no caso em tela, era incabível a aplicação de qualquer penalidade, porque às informações sobre a carga transportada e vinculação de manifesto à escala, após a atracação dos navios, fora feita a tempo e antes de qualquer intimação ou de qualquer outra notificação porventura expedida pela fiscalização aduaneira, o que configurava denúncia espontânea da infração, nos termos do art. 138 do CTN e art. 102 do Decretolei nº 37, de 1966. Não procede a alegação da recorrente, pois, no caso em comento, não se aplica o instituto da denúncia espontânea da infração previsto no art. 138 do CTN e tampouco a norma específica relativa à infração à legislação aduaneira estabelecida no art. 102 do Decreto lei n° 37, de 1966, com as novas redações dadas pelo Decretolei nº 2.472, de 01 de setembro de 1988 e pela Lei nº 12.350, de 20 de dezembro de 2010, a seguir reproduzido: Art. 102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2o A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) (grifos não originais) O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). Fl. 87DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 26 /09/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO Processo nº 12466.003780/200906 Acórdão n.º 3102001.988 S3C1T2 Fl. 24 9 No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez. Fl. 88DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 26 /09/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 10 Da mesma forma, em situação análoga, relacionada ao descumprimento de obrigação acessória de natureza tributária, caracterizada pelo atraso na entrega de declaração, a jurisprudência deste e. Conselho firmou o entendimento no sentido da inaplicabilidade do instituto da denúncia espontânea, previsto no art. 138 do CTN, nos termos do enunciado da Súmula Carf nº 49, a seguir transcrita: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. No mesmo sentido, tem se firmado a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ), conforme enunciado da ementa a seguir transcrita: TRIBUTÁRIO. PRÁTICA DE ATO MERAMENTE FORMAL. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DCTF. MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. I A inobservância da prática de ato formal não pode ser considerada como infração de natureza tributária. De acordo com a moldura fática delineada no acórdão recorrido, deixou a agravante de cumprir obrigação acessória, razão pela qual não se aplica o benefício da denúncia espontânea e não se exclui a multa moratória. "As responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138, do CTN" (AgRg no AG nº 490.441/PR, Relator Ministro LUIZ FUX, DJ de 21/06/2004, p. 164). II Agravo regimental improvido. (STJ, ADRESP 885259/MG, Primeira Turma, Rel. Min Francisco Falcão, pub. no DJU de 12/04/2007). Portanto, segundo o entendimento do STJ, o cumprimento extemporânea de qualquer tipo de obrigação acessória configura infração formal, não passível do benefício do instituto da denúncia espontânea da infração, previsto no art. 138 do CTN, por se tratar de responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138 do CTN. Com esse mesmo entendimento, existem vários julgados do e. Tribunal Superior em que foi declarada a impossibilidade de aplicação dos benefícios da denúncia espontânea aos casos em que configurada a infração por atraso na entrega da declaração (DCTF, DIPJ etc). Com base nessas considerações, fica demonstrado que o efeito da denúncia espontânea da infração, previstos no art. 102 do Decretolei n° 37, de 1966, não se aplica às infrações aduaneiras de natureza acessória, caracterizadas pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira, em especial, a infração por informação extemporânea da carga descarregada em porto alfandegado do País, objeto da presente autuação. Da conclusão. Por todo o exposto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso, para excluir o valor de R$ 15.000,00, correspondentes ao somatório do valor das três multas indevidamente aplicadas. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 89DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 26 /09/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO Processo nº 12466.003780/200906 Acórdão n.º 3102001.988 S3C1T2 Fl. 25 11 Fl. 90DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 26 /09/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO
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Numero do processo: 13639.000597/2010-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Nov 21 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2008
Ementa:
CONTRIBUIÇÕES A CARGO DA EMPRESA INCIDENTES SOBRE A
REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS.
A empresa deve recolher as contribuições previdenciárias a seu cargo,incidentes sobre a remuneração de segurados contribuintes individuais.
MULTA MORATÓRIA RETROATIVIDADE BENIGNA.
Em conformidade com o artigo 35, da Lei 8.212/91,na redação vigente à época da lavratura, a contribuição social previdenciária está sujeita à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso.
O benefício da retroatividade benigna constante da alínea ‘c’ do inciso II do art. 106 do CTN é de ser observado quando uma nova lei cominar a uma determinada infração tributária uma penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração.
Nos casos de lançamento de ofício de tributo devido e não recolhido, o mecanismo de cálculo da multa de mora introduzido pela MP n° 449/08 deve operar como um limitador legal do valor máximo a que a multa poderá alcançar, eis que, até a fase anterior ao ajuizamento da execução fiscal, a metodologia de cálculo fixada pelo revogado art. 35 da Lei nº 8.212/91 se
mostra mais benéfico ao contribuinte, devendo ser aplicado até a competência 11/1998.
A partir da competência 12/2008, há que ser aplicado o artigo 35-A, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941, multa de ofício.
Numero da decisão: 2302-002.220
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando as disposições do art. 35 da Lei nº 8.212 de 1991
para o período anterior à entrada em vigor da Medida Provisória n. 449 de 2008.
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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ementa_s : Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2008 Ementa: CONTRIBUIÇÕES A CARGO DA EMPRESA INCIDENTES SOBRE A REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS. A empresa deve recolher as contribuições previdenciárias a seu cargo,incidentes sobre a remuneração de segurados contribuintes individuais. MULTA MORATÓRIA RETROATIVIDADE BENIGNA. Em conformidade com o artigo 35, da Lei 8.212/91,na redação vigente à época da lavratura, a contribuição social previdenciária está sujeita à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso. O benefício da retroatividade benigna constante da alínea ‘c’ do inciso II do art. 106 do CTN é de ser observado quando uma nova lei cominar a uma determinada infração tributária uma penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração. Nos casos de lançamento de ofício de tributo devido e não recolhido, o mecanismo de cálculo da multa de mora introduzido pela MP n° 449/08 deve operar como um limitador legal do valor máximo a que a multa poderá alcançar, eis que, até a fase anterior ao ajuizamento da execução fiscal, a metodologia de cálculo fixada pelo revogado art. 35 da Lei nº 8.212/91 se mostra mais benéfico ao contribuinte, devendo ser aplicado até a competência 11/1998. A partir da competência 12/2008, há que ser aplicado o artigo 35-A, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941, multa de ofício.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando as disposições do art. 35 da Lei nº 8.212 de 1991 para o período anterior à entrada em vigor da Medida Provisória n. 449 de 2008.
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A empresa deve recolher as contribuições previdenciárias a seu cargo, incidentes sobre a remuneração de segurados contribuintes individuais. MULTA MORATÓRIA RETROATIVIDADE BENIGNA. Em conformidade com o artigo 35, da Lei 8.212/91,na redação vigente à época da lavratura, a contribuição social previdenciária está sujeita à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso. O benefício da retroatividade benigna constante da alínea ‘c’ do inciso II do art. 106 do CTN é de ser observado quando uma nova lei cominar a uma determinada infração tributária uma penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração. Nos casos de lançamento de ofício de tributo devido e não recolhido, o mecanismo de cálculo da multa de mora introduzido pela MP n° 449/08 deve operar como um limitador legal do valor máximo a que a multa poderá alcançar, eis que, até a fase anterior ao ajuizamento da execução fiscal, a metodologia de cálculo fixada pelo revogado art. 35 da Lei nº 8.212/91 se mostra mais benéfico ao contribuinte, devendo ser aplicado até a competência 11/1998. A partir da competência 12/2008, há que ser aplicado o artigo 35A, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela MP n.º 449/2008, convertida na Lei n.º 11.941, multa de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/ 01/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando as disposições do art. 35 da Lei nº. 8.212 de 1991 para o período anterior à entrada em vigor da Medida Provisória n. 449 de 2008. LIEGE LACROIX THOMASI Presidente. MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR RELATOR. EDITADO EM: 22/01/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), ARLINDO DA COSTA E SILVA, ADRIANA SATO, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, PAULO ROBERTO LARA DOS SANTOS. Relatório Tratase de Auto de Infração de Obrigação Prinicipal (AIOP) relativo às contribuições previdenciárias da empresa, não declaradas em GFIP e não recolhidas para o período de 07/2007 a 12/2008. Os fatos geradores das contribuições lançadas referemse aos pagamentos efetuados a contribuintes individuais, conforme cópia de recibos apresentadas. Em atenção ao disposto na Lei n. 11.941/2009 e o disposto no art. 106, II, “c” do CTN, foi aplicada a multa mais benéfica ao contribuinte [75%]. Cientificado da autuação em 26/11/2010, o Contribuinte apresentou impugnação [fls. 63/75] que, em síntese, alega: (i) a divergência entre os valores declarados em GFIP e os efetivamente recolhidos se deu em razão da perda de documentos do período de 01/2005 a 12/2008 com as enchentes ocorridas em Cataguases em 2007 e 2008, conforme laudo de ocorrência da Defesa Civil do município, de 02/01/2009; (ii) diante do caso fortuito, deve ser excluída a responsabilidade da impugnante quanto às divergências encontradas, devendo o lançamento ser anulado; e (iii) alternativamente, pugna pela atenuação da penalidade imposta, visto não ter a impugnante incorrido em reincidência e a inexistência de circunstância agravante pelo que a multa deve ser reduzida ao seu valor mínimo. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/ 01/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 13639.000597/201018 Acórdão n.º 2302002.220 S2C3T2 Fl. 2 3 Em 01/06/2011, a 5ª Turma da DRJ em Juiz de Fora prolatou acórdão que julgou procedente em parte a autuação [fls. 85 e ss]. Intimado do decisum em 26/07/2011 [fl. 92], o sujeito passivo interpôs recurso voluntário tempestivo [17/08/2011] que reitera os argumento de defesa. É o relatório. Voto Conselheiro MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR Relator Sendo tempestiva a interposição e preenchidos os demais requisitos para conhecimento da peça recursal, passo ao exame das questões de mérito. 1 NULIDADE – NÃO ACOLHIMENTO O lançamento, como ato de aplicação do direito, envolve a interpretação da lei, a caracterização do fato previsto na hipótese normativa e a sua ulterior subsunção no tipo legal. Tal procedimento tributário tem por fito nuclear a investigação dos fatos tributários, com o intuito de prova e caracterização [XAVIER, Alberto. Do lançamento no direito tributário brasileiro. 3. ed. Rio de Janeiro, Forense, 2005, p. 131.] Ocorre que, por serem submissos à aplicabilidade e observância do princípio da legalidade, com o objetivo de resguardar os interesses dos particulares contra os arbítrios do poder, entretanto, o Direito Tributário e Previdenciário utilizamse, para proceder à investigação e valoração dos fatos, o princípio inquisitório e o da verdade material. Ora, o dever de cumprimento do disposto em lei é um mecanismo de proteção do interesse do administrado, dessa forma, a observância ao princípio da legalidade é ínsita ao ato administrativo, principalmente aquele relativo ao lançamento de crédito tributário. Da leitura do Relatório da Notificação, denotase, de início, que a autoridade fiscal buscou por diversos meios de provas a determinação da realidade do fato previdenciário encontrado, favorecendo, por conseguinte, o contraditório e ampla defesa por parte do sujeito passivo. Não vislumbro a tese de nulidade da autuação, argüida pela recorrente, pois não foi observado qualquer vício no procedimento da fiscalização e formalização do lançamento. Foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; Fl. 83DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/ 01/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 4 III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. A recorrente foi devidamente intimada de todos os atos processuais que trazem fatos novos, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar;(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou as alegações pertinentes do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). Fl. 84DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/ 01/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 13639.000597/201018 Acórdão n.º 2302002.220 S2C3T2 Fl. 3 5 “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216) Portanto, em razão do exposto e nos termos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Superadas as questões preliminares para exame do cumprimento das exigências formais, passo à apreciação do mérito. 2 MÉRITO FATO GERADOR Tratase de Auto de Infração de Obrigação Acessória (AIOP) relativo às contribuições previdenciárias da empresa, não declaradas em GFIP e não recolhidas para o período de 07/2007 a 12/2008. Os fatos geradores das contribuições lançadas referemse aos pagamentos efetuados a contribuintes individuais, conforme cópia de recibos apresentadas. Em que pese o inconformismo do Notificado, seu clamor não pode ser atendido por falta de esteio probatório material a lhe conferir a consistência necessária. Inauguramos a fundamentação da opinio iuris que ora se escultura na consolidada premissa de que os atos administrativos, assim como seu conteúdo, gozam de presunção legal iuris tantum de legalidade, legitimidade e veracidade. Na arguta visão de Maria Sylvia Zanella Di Pietro, a presunção de veracidade e legitimidade consiste na "conformidade do ato à lei. Em decorrência desse atributo, presumemse, até prova em contrário, que os atos administrativos foram emitidos com observância da lei" (Direito Administrativo, 18ª Edição, 2005, Atlas, São Paulo). Ainda de acordo com a citada autora, "A presunção de veracidade diz respeito aos fatos. Em decorrência Fl. 85DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/ 01/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 6 desse atributo, presumemse verdadeiros os fatos alegados pela Administração." (op. cit. pág. 191). Dessarte, a aplicação da presunção de veracidade tem o condão de inverter o ônus da prova, cabendo ao particular comprovar de forma cabal a inocorrência dos fatos descritos pelo agente público, ou circunstância que exima sua responsabilidade administrativa, nos termos dos art. 333, inciso I do Código de Processo Civil. Deflui da interpretação sistemática dos dispositivos encartados nos artigos 19, II da CF/88 e 364 do CPC que os fatos consignados em documentos públicos carregam consigo a presunção de veracidade atávica aos atos administrativos, ostentando estes fé pública, a qual não pode ser recusada pela Administração Pública, devendo ser admitidos como verdadeiros até que se produza prova válida em contrário. Constituição Federal de 1988 Art. 19. É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) II recusar fé aos documentos públicos; (...) Código de Processo Civil Art. 364. O documento público faz prova não só da sua formação, mas também dos fatos que o escrivão, o tabelião, ou o funcionário declarar que ocorreram em sua presença. A Suprema Corte de Justiça já irradiou sem em seus arestos a interpretação que deve prevalecer na pacificação do debate em torno do assunto, sendo extremamente convergente a jurisprudência dela promanada, como se pode verificar nos julgados a seguir alinhados, cujas ementas rogamos vênia para transcrevêlas. AgRg no RMS 19918 / SP Relator(a) Ministro OG FERNANDES Órgão Julgador T6 SEXTA TURMA Data da Publicação/Fonte: DJe 31/08/2009 MANDADO DE SEGURANÇA IMPETRADO CONTRA ATO ADMINISTRATIVO CASSATÓRIO DE APOSENTADORIA. CERTIDÃO DE TEMPO DE SERVIÇO SOBRE A QUAL PENDE INCERTEZA NÃO RECEPCIONADA PELO TRIBUNAL DE CONTAS DO MUNICÍPIO. EXTINÇÃO DO MANDAMUS DECRETADO POR MAIORIA. VÍNCULO FUNCIONAL. IMPOSSIBILIDADE DE COMPROVAÇÃO ATRAVÉS DOS ARQUIVOS DA PREFEITURA. MOTIVO DE FORÇA MAIOR. INCÊNDIO. EXISTÊNCIA DE CERTIDÃO DE TEMPO DE SERVIÇO EXPEDIDA PELA PREFEITURA ANTES DO SINISTRO. DOCUMENTO PÚBLICO. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE. 1. Esta Corte Superior de Justiça possui entendimento firmado no sentido de que o documento público merece fé até prova em contrário. No caso, o recorrente apresentou certidão de tempo de serviço expedida pela Prefeitura do Município de Itobi/SP a qual comprova o trecho temporal de 12 anos, 3 meses e 25 dias relativos ao serviço público prestado à referida Prefeitura entre Fl. 86DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/ 01/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 13639.000597/201018 Acórdão n.º 2302002.220 S2C3T2 Fl. 4 7 10/3/66 a 10/2/78 que teve firma do então Prefeito e Chefe do Departamento Pessoal e foi reconhecida pelo tabelião local. 2. Ademais, é incontroverso que ocorreu um incêndio na Prefeitura Municipal Itobi/SP em dezembro de 1992. 3. Desse modo, a certidão expedida pela Prefeitura de Itobi, antes do incêndio, deve ser considerada como documento hábil a comprovar o tempo de serviço prestado pelo recorrente no período de 10/3/66 a 10/2/78, seja por possuir fé pública uma vez que não foi apurada qualquer falsidade na referida certidão , seja porque, em virtude do motivo de força maior acima mencionado, não há como saber se os registros do recorrente foram realmente destruídos no referido sinistro. 4. Agravo regimental a que se nega provimento. EREsp 265552 / RN Relator(a) Ministro JOSÉ ARNALDO DA FONSECA Órgão Julgador S3 TERCEIRA SEÇÃO Data da Publicação/Fonte: DJ 18/06/2001 p. 113 EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. PREVIDENCIÁRIO. REVISÃO DE BENEFÍCIO. LIQUIDAÇÃO DA SENTENÇA. PLANILHA APRESENTADA PELO INSS EM QUE CONSTA PAGAMENTO ADMINISTRATIVO DAS DIFERENÇAS RECLAMADAS. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE. "As planilhas de pagamento da DATAPREV assinadas por funcionário autárquico constituem documento público, cuja veracidade é presumida." (REsp 183.669) O documento público merece fé até prova em contrário. Recurso que merece ser conhecido e provido para excluir da liquidação as parcelas constantes da planilha, apresentada pelo INSS e não impugnada eficazmente pela parte exadversa, prosseguindo a execução por eventual saldo remanescente. Embargos conhecidos e acolhidos. Nessa prumada, existindo no mundo jurídico um ato administrativo comprovado por documento público, passa a militar em favor do ente público a presunção de legitimidade e veracidade das informações nele assentadas. Como prerrogativa inerente ao Poder Público, presente em todos os atos de Estado, a presunção de veracidade subsistirá no processo administrativo fiscal como meio de prova hábil a comprovar as alegações do órgão tributário, cabendo à parte adversa demonstrar, ante a sua natureza relativa, por meio de documentos idôneos, a desconformidade com a realidade dos assentamentos em realce. Configurandose o Auto de Infração de Obrigação Principal como um documento público representativo de Ato Administrativo formado a partir da manifestação da Administração Tributária, levada a efeito através de agentes públicos, não há como se negar a veracidade do conteúdo. Num plano paralelo, cumpre salientar que a lei não elegeu a escrituração contábil de uma empresa como o único documento de assentamento e apuração de fatos Fl. 87DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/ 01/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 8 geradores de contribuições previdenciárias, tampouco o primeiro a ser analisado pela fiscalização. Há outros documentos que a legislação previdenciária consigna como idôneos, apropriados e imperiosos para o registro da matéria tributável em debate, dentre eles, as folhas de pagamento e as Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 32. A empresa é também obrigada a: I preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social; (grifos nossos) II lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; (grifos nossos) III prestar ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e ao Departamento da Receita FederalDRF todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse dos mesmos, na forma por eles estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização. IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Inciso acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (grifos nossos) (...) §2º As informações constantes do documento de que trata o inciso IV, servirão como base de cálculo das contribuições devidas ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, bem como comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (grifos nossos) Nesse panorama, um mesmo fato gerador tem que ser informado não só na folha de pagamento, como igualmente na GFIP, e no título próprio da contabilidade, de forma discriminada, segundo o regime da competência. As informações contidas nas folhas de pagamento, relativas aos fatos geradores de contribuições previdenciárias, devem ser, por imposição legal, analiticamente compatíveis com aquelas declaradas nas GFIP e com os assentamentos registrados na contabilidade, e viceversa. Nesse particular, em relação à escrituração contábil, não basta que os livros fiscais registrem todos os fatos geradores em destaque. A lei exige um plus: que os aludidos fatos geradores sejam lançados, mensalmente, segundo o critério da competência, de forma descriminada, em títulos próprios da contabilidade, assim como as quantias descontadas dos segurados, as contribuições a cargo da empresa e os totais recolhidos. Mais ainda. Impõe a legislação que os registros contábeis estejam calçados de documentos idôneos que comprovem e legitimem os registros lançados, comprovantes esses que devem ser conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram, como assim determina o parágrafo único do art. 195 do CTN. Fl. 88DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/ 01/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 13639.000597/201018 Acórdão n.º 2302002.220 S2C3T2 Fl. 5 9 Código Tributário Nacional Art. 195. Para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibilos. Parágrafo único. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram. Da regra matriz acima revisitada defluem as normas assentadas no art. 37 da Lei nº 9.430/96 e no §11 do art. 32 da Lei nº 8.212/91, devendo, neste último caso, ser relembrado que o art. 45 da lei de custeio da seguridade social previa prazo decadencial de 10 anos para a seguridade social apurar e constituir seus créditos. Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Guarda de Documentos Art. 37. Os comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, serão conservados até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) §11. Os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações de que trata este artigo devem ficar arquivados na empresa durante dez anos, à disposição da fiscalização. (Parágrafo renumerado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). Outra não é a determinação contida no art. 4º do DecretoLei nº 486/69, que dispõe sobre a escrituração e livros mercantis, ad litteris et verbis: DecretoLei nº 486, de 3 de março de 1969. Art. 4º O comerciante é ainda obrigado a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, a escrituração, correspondência e demais papéis relativos à atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial. No mesmo norte também apontam as diretrizes fixadas no art. 126, II da Lei Complementar nº 123/2006, que Instituiu o Estatuto Nacional da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte. Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006 Fl. 89DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/ 01/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 10 Art. 26. As microempresas e empresas de pequeno porte optantes pelo Simples Nacional ficam obrigadas a: (...) II manter em boa ordem e guarda os documentos que fundamentaram a apuração dos impostos e contribuições devidos e o cumprimento das obrigações acessórias a que se refere o art. 25 desta Lei Complementar enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes. Os preceptivos acima destacados não se atritam com as disposições encartadas no art. 264 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Dec. 3000/99. Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 Conservação de Livros e Comprovantes Art. 264. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial §1º Ocorrendo extravio, deterioração ou destruição de livros, fichas, documentos ou papéis de interesse da escrituração, a pessoa jurídica fará publicar, em jornal de grande circulação do local de seu estabelecimento, aviso concernente ao fato e deste dará minuciosa informação, dentro de quarenta e oito horas, ao órgão competente do Registro do Comércio, remetendo cópia da comunicação ao órgão da Secretaria da Receita Federal de sua §2º A legalização de novos livros ou fichas só será providenciada depois de observado o disposto no parágrafo anterior §3º Os comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, serão conservados até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios. Nesse contexto, deflui dos dispositivos legais ora selecionados que a empresa é obrigada a manter a guarda e conservação de todos os documentos e comprovantes dos quais resultaram lançamentos contábeis, cuja ausência esvazia o conteúdo do lançamento contábil efetuado. Nessa perspectiva, a mera discordância das informações assentadas nos documentos e comprovantes aludidos nos parágrafos precedentes já se configura motivo justo, bastante, suficiente e determinante para a desconsideração não somente da contabilidade, mas, também, dos demais documentos, exigindo a lei que a autoridade fiscal garimpe nos demais meios de prova coletados na empresa, ou fora dela, a efetiva ocorrência de fatos jurígenos tributários. Fl. 90DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/ 01/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 13639.000597/201018 Acórdão n.º 2302002.220 S2C3T2 Fl. 6 11 Por um outro prisma, merece ser iluminado que, de acordo com os princípios basilares do direito processual, incumbe ao autor o ônus de comprovar os fatos constitutivos do Direito por si alegado, e à parte adversa, a prova de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. No caso em foco, encontrase o direito creditório do fisco plenamente consignado, com todos os seus elementos, no Relatório Fiscal do AIOP e nos demais documentos que integram o lançamento em pauta. Reiterese que, por intermédio do Discriminativo Analítico de Débito e do Relatório de Lançamentos honrou a fiscalização trazer a lume todos os fatos geradores por ela apurados e seus respectivos valores. Fez mais. Louvou a Autoridade Lançadora consignar em seu anexo I todas as remunerações de segurados que não foram lançadas nas respectivas GFIP. Ainda, promoveu o arrolamento em seu anexo II de todos os segurados empregados cujas remunerações houveramse por informadas na Guia Declaratória em realce, favorecendo assim o contraditório e a ampla defesa. Noticiese que os fatos geradores ora lançados foram apurados diretamente da análise das folhas de pagamento da empresa apresentadas pelo sujeito passivo à fiscalização, elaboradas sob o seu domínio e responsabilidade, e confeccionadas sob seu comando e orientação, circunstância que torna irrelevante o arrolamento integral e pormenorizado de todos os fatos geradores nos relatórios fiscais, eis que tal conteúdo já figura como de inteiro conhecimento do Recorrente. Dessarte, fulguram os assentamentos consignados no lançamento como bastantes e suficientes para fazer prova do fato afirmado pela fiscalização, em razão da debatida presunção de veracidade dos Atos Administrativos. Ostentando, todavia, tal presunção eficácia relativa, esta admite prova em contrário a ônus da parte interessada, encargo este não adimplido pelo Contribuinte, o qual não logrou afastar a fidedignidade do conteúdo do Auto de Infração de Obrigação Principal em debate. O Órgão Julgador de 1ª Instância já havia asserido no aresto recorrido que a negativa de provimento ao pleito formulado pela empresa teve por fundamento a total ausência de provas materiais que fornecessem alicerce probatório às suas alegações. Nada obstante, retorna à carga o Recorrente para infirmar, tão somente, que o crédito previdenciário aqui exigido difere completamente dos valores lançados na sua contabilidade, sem, no entanto, ornamentar tal afirmativa com qualquer plataforma demonstrativa ou meio de prova idôneo e hábil para tanto. Todavia, a defesa por negativa geral não se apruma com a dinâmica do Processo Administrativo Fiscal cujo mecanismo de contradita às autuações do fisco exige que o sujeito passivo instrua o instrumento de bloqueio à imputação fiscal com todos os motivos de fato e de direito em que se fundamentar a defesa, os pontos de discordância, as razões e as provas que possuir. Mas não pára por aí: Impõe ao impugnante o ônus de rechear a peça impugnatória com todas as provas documentais garantidoras de seu direito, sob pena de preclusão do direito de fazêlo em momento futuro, ressalvadas, excepcionalmente, as hipóteses taxativamente arroladas em lei. Fl. 91DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/ 01/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 12 Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (grifos nossos) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) §1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) §2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) §3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) §4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (grifos nossos) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) §5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (grifos nossos) §6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto Fl. 92DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/ 01/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 13639.000597/201018 Acórdão n.º 2302002.220 S2C3T2 Fl. 7 13 recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (grifos nossos) Salientese que as diretivas ora enunciadas não conflitam com as normas perfiladas no art. 302 do CPC, que não admite a contestação pela simples negativa geral, ressalvados o curador especial, ao advogado dativo e ao Ministério Público, entendendo que impugnação assim formulada equivaleria a uma não contestação, ensejando a revelia e seus efeitos. O ordenamento jurídico pátrio impõe ao sujeito passivo o ônus de manifestarse precisamente sobre cada um dos fatos alegados, pois aqueles não refutados serão considerados como verdadeiros, passando a ser fato incontroverso. Nesse contexto, mesmo ciente de que sua impugnação houvera sido refutada pela Autoridade Julgadora a quo em razão da carência da comprovação material do Direito alegado, o Recorrente quedouse inerte no sentido de suprir a falta em destaque, não fazendo acostar aos autos as demonstrações substanciais e os elementos de prova aptos a contrapor o conjunto probatório trazido à balha pela fiscalização, apoiandose única e exclusivamente na fugacidade e efemeridade das palavras, em eloquente exercício de retórica, tão somente, gravitando ao redor dos reais motivos ensejadores do lançamento tributário que ora se opera, não logrando se desincumbir, dessarte, do ônus que lhe era avesso. Assim, havendo um documento público devidamente fundamentado e com presunção de veracidade não impugnado eficazmente pela parte contrária, o desfecho há de ser em favor dessa presunção. Disso isso, importa registrar que não obstante a informação de que a documentação da empresa relativa ao período objeto da autuação foi perdida, foram examinados na ação fiscal o contrato social e alterações, Livro de Registro de Empregados, Folhas de Pagamento, Rescisões de Contrato de Trabalho, recibos de férias, razão, livros Diário n. 03 e 04, GFIP e documentos de caixa conforme explicitado no relatório fiscal. Outrossim, verificase que os valores lançados foram apurados em recibos de pagamento e outros documentos apresentados pela própria empresa, conforme relatório fiscal e cópias anexas as fls. 32/37. Depreeendese, do exposto, que a eventual ocorrência de fato fortuito não interferiu na ação fiscal nem na apuração das contribuições devidas pelo que não pode prosperar o argumento da empresa quanto à necessária exclusão de sua responsabilidade. 3 DA MULTA DE OFÍCIO Argumenta com razão o Recorrente ser é indevida a multa de ofício de 75% sobre tributo recolhido fora do prazo, referente a fatos geradores ocorridos em data anterior à vigência da Lei nº 11.941/2009. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/ 01/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 14 Conforme enaltecido no tópico que a este antecede, vigora no Direito Tributário o princípio tempus regit actum, nos termos assinalados no art. 144 do CTN, de modo que o lançamento tributário é regido pela lei vigente à data de ocorrência do fato gerador, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Acontece que as normas jurídicas que disciplinavam a cominação de penalidades pecuniárias decorrentes do não recolhimento tempestivo de contribuições previdenciárias sofreram profundas alterações pela Medida Provisória nº 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009. Tais modificações legislativas resultaram na aplicação de sanções que se mostraram mais benéficas ao infrator no caso do recolhimento espontâneo a destempo pelo obrigado, porém mais severas para o sujeito passivo, no caso de lançamento de ofício, do que aquelas então derrogadas. Nesse panorama, a supracitada Medida Provisória, ratificada pela Lei nº 11.941/2009, revogou o art. 34 e deu nova redação ao art. 35 ambos da Lei nº 8.212/91, estatuindo que os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212/91, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, seriam acrescidos de multa de mora e juros de mora nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430/96. Mas não parou por ai. Na sequência da lapidação legislativa, a mencionada Medida Provisória, ratificada pela Lei nº 11.941/2009, fez inserir no texto da Lei de Custeio da Seguridade Social o art. 35A que fixou, nos casos de lançamento de ofício, a aplicação de multa de ofício de 75%, Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido Fl. 94DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/ 01/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 13639.000597/201018 Acórdão n.º 2302002.220 S2C3T2 Fl. 8 15 apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) §1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) III (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) V (revogado pela Lei no 9.716, de 26 de novembro de 1998). (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) §2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o §1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea "a", pela Lei nº 11.488, de 2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea "b", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Renumerado da alínea "c", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) §3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. §4º As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/ 01/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 16 §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Nessa perspectiva, o regramento da penalidade pecuniária a ser aplicada ao recolhimento espontâneo feito a destempo e ao lançamento de ofício de contribuições previdenciárias que, antes da metamorfose legislativa promovida pela MP nº 449/2008, encontravamse acomodados em um mesmo dispositivo legal, o art. 35 da Lei nº 8.212/91, agora se encontram dispostos em separado, respectivamente nos artigos 61 e 44 da Lei nº 9.430/96, por força dos preceitos inscritos nos art. 35 e 35A da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009. Dispensando um enfoque, exclusivamente, ao lançamento de ofício, que é a matéria posta em apreciação no vertente caso, observamos que a novel legislação severizou a penalidade a ser aplicada ao descumprimento total ou parcial da obrigação tributária principal. Com efeito, enquanto que a legislação anterior previa multa pecuniária variando de 24% a 50%, em função da fase processual em que se encontrar o correspondente Processo Administrativo Fiscal de constituição do crédito tributário, a legislação atual prevê, em qualquer caso, a multa de ofício no valor fixo de 75%, circunstância que demonstra que a novel legislação sempre se mostrará mais gravosa ao sujeito passivo do que a legislação então revogada. Ocorre que a Secretaria da Receita Federal do Brasil editou a IN RFB nº 1.027/2010, que assim dispôs em seu art. 4º: Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 22 de abril de 2010 Art. 4º A Instrução Normativa RFB nº 971, de 2009, passa a vigorar acrescida do art. 476A: Art. 476A. No caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos: I até 30 de novembro de 2008, deverá ser aplicada a penalidade mais benéfica conforme disposto na alínea “c” do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), cuja análise será realizada pela comparação entre os seguintes valores: a) somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009, e das aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. II a partir de 1º de dezembro de 2008, aplicamse as multas previstas no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/ 01/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 13639.000597/201018 Acórdão n.º 2302002.220 S2C3T2 Fl. 9 17 §1º Caso as multas previstas nos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. §2º A comparação de que trata este artigo não será feita no caso de entrega de GFIP com atraso, por se tratar de conduta para a qual não havia antes penalidade prevista. Óbvio está que os dispositivos selecionados encartados na IN RFN nº 1.027/2010 extravasaram o campo reservado pela CF/88 à atuação dos órgãos administrativos, que não podem ultrapassar o âmbito da norma que rege a matéria ora em relevo, tampouco inovar o ordenamento jurídico. Para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP nº 449/2008, não vislumbramos existir motivo para serem somadas as multas por descumprimento da obrigação principal e com aquelas decorrentes da inobservância de obrigações acessória, para, em seguida, se confrontar tal somatório com o valor da multa calculada segundo a metodologia descrita no art. 35A da Lei nº 8.212/1991, para, só então, se apurar qual a pena administrativa se revela mais benéfica ao infrator. Entendo que, no caso, o exame da retroatividade benigna deve adstringirse ao confronto entre a penalidade imposta pelo descumprimento de obrigação principal, calculada segundo a lei vigente à data de ocorrência dos fatos geradores e a penalidade pecuniária prevista na novel legislação pelo descumprimento da mesma obrigação, não havendo que se imiscuir com a multa decorrente de lançamento de ofício de obrigação tributária acessória. Cada macaco no seu galho. A análise da lei mais benéfica não pode superar tais condições de contorno, pois, como já afirmado alhures, tratase de obrigação principal que é absolutamente independente de qualquer obrigação acessória a ela associada. Notese que o princípio tempus regit actum somente será afastado quando a lei nova cominar ao FATO PRETÉRITO, in casu, o descumprimento de obrigação principal, penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Dessarte, nos termos do CTN, para fins de retroatividade de lei nova, é incabível a comparação entre (a) o somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 e das multas aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32, ambos da Lei nº 8.212/991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e (b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212/91, acrescido pela Lei nº 11.941/2009, inexistindo regra de hermenêutica que nos autorize a extrair dos documentos normativos acima revisitados interpretação jurídica que admita a comparação entre a multa derivada do somatório previsto na alínea ‘a’ do inciso I do art. 476A da IN RFB nº 971/2009 e o valor da penalidade prevista na alínea ‘b’ do inciso I do mesmo dispositivo legislativo suso aludido, para fins de retroatividade de lei tributária mais benéfica. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/ 01/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 18 De outro eito, mas trigo de outra safra, o art. 97 do CTN estatui que somente a lei formal pode dispor sobre a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos e tratar de hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. Código Tributário Nacional CTN Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: I a instituição de tributos, ou a sua extinção; II a majoração de tributos, ou sua redução, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; III a definição do fato gerador da obrigação tributária principal, ressalvado o disposto no inciso I do §3º do artigo 52, e do seu sujeito passivo; IV a fixação de alíquota do tributo e da sua base de cálculo, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; V a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas; VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Mostrase flagrante que a alínea ‘a’ do inciso I do art. 476A da Instrução Normativa RFB nº 971/2009, acrescentado pela IN RFB nº 1.027/2010, é tendente a excluir, sem previsão de lei formal, penalidade pecuniária imposta pelo descumprimento de obrigação acessória nos casos em que a multa de ofício, aplicada pelo descumprimento de obrigação principal, for mais benéfica ao infrator. Tal hipótese não se enquadra, de forma alguma, na situação de retroatividade benigna prevista pelo art. 106, II, ‘c’ do CTN, pois emprega como parâmetros de comparação penalidades de natureza jurídica diversa, uma pelo descumprimento de obrigação principal e a outra, pelo de obrigação acessória. Há que se reconhecer que as penalidades acima apontadas são autônomas e independentes entre si, pois que a aplicação de uma não afasta a incidência da outra e vice versa. Nesse contexto, não se trata de retroatividade da lei mais benéfica, mas, sim, de dispensa de penalidade pecuniária estabelecida mediante Instrução Normativa, favor tributário que somente poderia emergir da lei formal, a teor do inciso VI, in fine, do art. 97 do CTN. É mister ainda destacar que o art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela Medida Provisória nº 449/2008, apenas se refere ao lançamento de ofício das contribuições Fl. 98DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/ 01/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 13639.000597/201018 Acórdão n.º 2302002.220 S2C3T2 Fl. 10 19 previdenciárias previstas nas alíneas ‘a’, ‘b’ e ‘c’ do parágrafo único do art. 11 dessa mesma Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a outras entidades e fundos, não produzindo qualquer menção às penalidades administrativas decorrentes do descumprimento de obrigação acessória, assim como não o faz o remetido art. 44 da Lei nº 9.430/96. Assim, em virtude da total independência e autonomia entre as obrigações tributárias principal e acessória, o preceito inscrito no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008, não projeta qualquer efeito sobre os Autos de Infração lavrados em razão exclusiva de descumprimento de obrigação acessória associada às Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social. Uma vez que as disciplinas acerca da imposição de penalidades pelo descumprimento de obrigações acessória e principal encontramse previstas em lei, somente o Poder Legislativo dispõe de competência para dela dispor. A legislação complementar, na forma de Instrução Normativa emanada do Poder Executivo, é pai pequeno no terreiro, não podendo dispor autonomamente de forma contrária a diplomas normativos de mais graduada estatura na hierarquia do ordenamento jurídico, in casu, a lei formal, e assim extrapolar os limites de sua competência concedendo anistia para exclusão de crédito tributário, em flagrante violação às disposições insculpidas no §6º do art. 150 da CF/88, o qual exige lei em sentido estrito. Vislumbrase inaplicável, portanto, a referida IN RFB nº 1.027/2010, por ser flagrantemente ilegal. Como demonstrado, é possível a aplicação da multa isolada em GFIP, mesmo que o sujeito passivo haja promovido, tempestivamente, o exato recolhimento do tributo correspondente, conforme assentado no art. 32A da Lei nº 8.212/91. Nesse contexto, afastada por ilegalidade a norma estatuída pela IN RFB nº 1.027/2010, por representar a novel legislação encartada no art. 35A da Lei nº 8.212/91 um tratamento mais gravoso ao contribuinte, inexistindo hipótese de a legislação superveniente impor multa mais branda que aquela revogada, sempre incidirá ao caso o princípio tempus regit actum, devendo ser aplicada em cada competência, a legislação pertinente à multa por descumprimento de obrigação principal vigente à data de ocorrência do fato gerador não adimplido. Assim, para os fatos geradores ocorridos até a competência novembro/2008, inclusive, devese observância aos comandos inscritos no art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela lei nº 9.876/99. Na sequência, para os fatos geradores ocorridos a partir da competência dezembro/2008, inclusive, incide a regra estampada nos artigos 35 e 35A da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009. Além disso, não caberá a agravante da multa [adicional de 50%] consubstanciada no §2º, do art. 44, da Lei n. 9.430/96, haja vista que o fato gerador objeto do presente lançamento está devidamente especificado no auto de infração lavrado. CONCLUSÃO Fl. 99DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/ 01/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 20 Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, devendo a multa ser aplicada na forma do artigo 35 da Lei n.º 8.212/91, na redação vigente à época dos fatos geradores, para as competências até 11/2008. A partir da competência 12/2008, há que ser aplicado o artigo 35A, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela MP n.º 449/2008, convertida na Lei n.º 11.941, multa de ofício. É como voto. MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR Relator Fl. 100DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/ 01/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI
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Numero do processo: 11065.914605/2009-98
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/11/2002 a 30/11/2002
INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo durante a realização da diligência determinada pela Delegacia de Julgamento.
INOVAÇÃO DOS ARGUMENTOS DE DEFESA. PRECLUSÃO.
Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante na primeira instância administrativa.
Numero da decisão: 3803-004.410
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/11/2002 a 30/11/2002 INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo durante a realização da diligência determinada pela Delegacia de Julgamento. INOVAÇÃO DOS ARGUMENTOS DE DEFESA. PRECLUSÃO. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante na primeira instância administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 91 46 05 /2 00 9- 98 Fl. 151DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/09/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11065.914605/200998 Acórdão n.º 3803004.410 S3TE03 Fl. 152 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto para se contrapor à decisão da DRJ Porto Alegre/RS que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada em decorrência da emissão de despacho decisório que não reconhecera o direito creditório pleiteado, relativo à Cofins, no valor de R$ 862,29, e não homologara a respectiva declaração de compensação (PER/DCOMP), pelo fato de que o pagamento informado já havia sido integralmente utilizado na quitação de débitos da titularidade do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento do direito creditório e a homologação da compensação, alegando que teria ocorrido erro de fato no preenchimento das declarações (DCTF, DIPJ e Dacon), erros esses não saneados à época por meio de retificação. Alegou o então Manifestante que tal equívoco poderia ser comprovado em sua contabilidade, pois que a contribuição devida se encontraria devidamente escriturada, e que, em decorrência do princípio da verdade material, que autoriza a autoridade administrativa a considerar todas as provas produzidas no processo administrativo, ainda que não declaradas no momento próprio, os novos dados apontados deveriam ser considerados na apuração dos fatos efetivamente ocorridos. Junto à Manifestação de Inconformidade o contribuinte trouxe aos autos, dentre outras, cópias do comprovante de pagamento e de folhas do seu livro Razão. Tendo sido detectados pela DRJ Porto Alegre/RS elementos indicadores da plausibilidade do erro de fato alegado, o presente processo foi remetido em diligência à repartição de origem, para que se analisasse e demonstrasse a composição da base de cálculo dos créditos referentes ao período de apuração sob comento. Em resposta à diligência requerida, a repartição de origem, a par dos esclarecimentos e documentos apresentados pelo interessado, concluiu que, de acordo com o balancete, apurouse que não fora incluída na base de cálculo da contribuição a totalidade das receitas auferidas, dentre as quais, as receitas financeiras, o que, segundo a Fiscalização, contrariaria o disposto no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. Cientificado do resultado da diligência, o contribuinte manifestouse no sentido de que o Supremo Tribunal Federal (STF), em julgamento submetido à sistemática da repercussão geral, já havia declarado inconstitucional a majoração da base de cálculo da contribuição determinada pela Lei nº 9.718, de 1998, decisão essa que deveria ser seguida pela Administração Pública, por força do contido no art. 26A, § 6°, do Decreto nº 70.235, de 1972, com redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. A DRJ Porto Alegre/RS não acolheu a manifestação de inconformidade, tendo sido o acórdão ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Fl. 152DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/09/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11065.914605/200998 Acórdão n.º 3803004.410 S3TE03 Fl. 153 3 Período de apuração: 01/11/2002 a 30/11/2002 Ementa: ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO DA COFINS. INCONSTITUCIONALIDADE. Deve ser afastada a aplicação do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998, tendo em vista que o diploma legal em análise foi julgado inconstitucional em decisão definitiva do plenário do STF (art. 59 do Decreto nº 7.574/2011) e houve sua expressa revogação pelo art. 79 da Lei nº 11.941/2009. Em observância ao art. 26A, §6º, inciso I, do Decreto nº 70.235, de 1972, reconhecese o crédito advindo de recolhimento efetuado sobre receitas financeiras, que não se enquadrem no conceito de faturamento, adotado pela Lei complementar nº 70, de 1991. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. NÃO COMPROVAÇÃO. EFEITO. A falta de comprovação do crédito objeto da Declaração de Compensação apresentada impossibilita a homologação das compensações declaradas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Apontou o relator a quo que, não obstante caber razão ao contribuinte quanto à alegação de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, no presente caso, apurouse um valor original total da contribuição a recolher de R$ 49.068,50, valor esse que, após a exclusão do valor da contribuição apurado sobre receitas financeiras, no montante de R$ 540,25, contrastado com o recolhido de R$ 37.347,74, indicaria que o valor total a recolher apurado na diligência seria superior à soma do valor originalmente recolhido com o crédito obtido pela exclusão das receitas financeiras da base de cálculo da contribuição. Arguiu, ainda, que o contribuinte, embora tivesse alegado a ocorrência de erro material para justificar a existência do suposto crédito, não contestara expressamente os cálculos do resultado da diligência, limitandose a reclamar contra o alargamento da base de cálculo da contribuição promovido pela Lei nº 9.718, de 1998, não tendo rebatido nem mesmo a afirmação contida no relatório de diligência quanto à insuficiência da comprovação dos alegados créditos. Cientificado da decisão da DRJ Porto Alegre/RS, o Recorrente reiterou seu pedido de reconhecimento total do direito creditório e respectiva homologação da compensação, alegando que, na realização da diligência, a Fiscalização equivocarase duas vezes: a primeira, quando não excluíra dos cálculos da contribuição as receitas financeiras e, a segunda, por não ter considerado o fato, devidamente comprovado na Manifestação de Inconformidade, de que a apuração por ele efetuada se dera pelo regime de caixa e não pelo regime de competência, de acordo com a autorização prevista no art. 14 da Instrução Normativa SRF nº 247, de 21 de novembro de 2002. Alegou, também, o Recorrente, que o pagamento da contribuição devida em novembro de 2002 já se encontrava homologado tacitamente em novembro de 2007, em razão do que a apuração por ele efetuada já havia se tornado definitiva, não sendo passível de revisão por parte da Fazenda Pública, conforme jurisprudência do CARF. Fl. 153DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/09/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11065.914605/200998 Acórdão n.º 3803004.410 S3TE03 Fl. 154 4 Aduziu, ainda, que outro motivo que o levara a não rebater os cálculos procedidos pela Fiscalização foi o fato de que tal discussão não seria objeto deste processo, uma vez que a controvérsia se restringiria à incidência ou não da contribuição sobre receitas financeiras. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme acima relatado, restou controvertida nesta instância apenas a existência ou não do direito creditório reclamado, uma vez que a exclusão das receitas financeiras da base de cálculo, decorrente da inconstitucionalidade já declarada pelo Pleno do Supremo Tribunal Federal (STF), já fora acolhida pela autoridade julgadora de primeira instância. Primeiramente, o Recorrente alega que, com base na autorização prevista no art. 14 da Instrução Normativa SRF nº 247, de 21 de novembro de 20021, ele teria calculado a contribuição pelo regime de caixa, decorrendo daí a divergência na apuração por ele efetuada e a realizada pela Fiscalização. O cálculo da contribuição com base no regime de caixa já se encontrava autorizado pelo art. 2º da IN SRF nº 104, de 24 de agosto de 1998, aplicandose, portanto, à contribuição apurada até o dia 21 de novembro de 2002, quando a matéria passou a ser regida pela Instrução Normativa SRF nº 247, de 2002. Segundo o Recorrente, essa particularidade (apuração pelo regime de caixa) encontrarseia comprovada desde a Manifestação de Inconformidade. Contudo, compulsando os autos, não se constata da Manifestação de Inconformidade, nem de seus anexos, nem mesmo da Manifestação de Inconformidade Complementar, que o contribuinte tivesse comprovado ou alegado tal condição. Conforme o julgador de primeira instância já havia atestado, o então Manifestante não se insurgira quanto aos cálculos efetuados na diligência fiscal, restringindose sua contrariedade à inclusão das receitas financeiras na base de cálculo da contribuição. Temse por definitiva, portanto, a questão relativa aos cálculos efetuados pela Fiscalização em procedimento de diligência por falta de expressa impugnação por parte do interessado, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 19722, configurandose a preclusão 1 Art. 14. As pessoas jurídicas optantes pelo regime de tributação do Imposto de Renda com base no lucro presumido poderão adotar o regime de caixa para fins da incidência do PIS/Pasep e da Cofins. Parágrafo único. A adoção do regime de caixa, de acordo com o caput , está condicionada à adoção do mesmo critério em relação ao Imposto de Renda e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). 2 Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 154DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/09/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11065.914605/200998 Acórdão n.º 3803004.410 S3TE03 Fl. 155 5 processual, pelo fato de os argumentos terem sido apresentados em momento posterior ao definido na legislação processual administrativa. Além disso, ainda que se superasse a preclusão, nos termos do parágrafo único do art. 14 da Instrução Normativa SRF nº 247, de 21 de novembro de 2002, assim como do art. 2º da IN SRF nº 104, de 24 de agosto de 1998, para se valer do regime de caixa na apuração da Cofins e da contribuição para o PIS, o sujeito passivo deveria ser optante pelo lucro presumido na apuração do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), condição essa não satisfeita, pois, de acordo com a página 4 do PER/DCOMP, o débito de IRPJ que se pretendia compensar fora calculado sobre o lucro real (estimativa mensal), inexistindo outro elemento de prova nos autos que infirme tal constatação. Nesse sentido, além do fato de a discussão da matéria já ter se tornado definitiva na esfera administrativa por ausência de expressa contestação, não assiste razão ao Recorrente ao alegar o direito à apuração da contribuição com base no regime de caixa, tendo em vista tanto a falta de prova de tal alegação, quanto o não preenchimento dos requisitos para essa opção. No que tange à alegação do Recorrente de que o pagamento da contribuição devida em novembro de 2002 já se encontrava homologado tacitamente, desde novembro de 2007, em razão do que a apuração por ele efetuada já havia se tornado definitiva, não sendo passível de revisão por parte da Fazenda Pública, há que se ressaltar que, se de um lado tal argumento lhe favorece, de outro, vai de encontro a seus argumentos de defesa. Não obstante tal matéria relativa à decadência não ter sido apresentada na instância anterior, por se tratar de matéria de ordem pública, ela deve ser apreciada neste julgamento. Efetivamente, na data da realização da diligência requerida pela Delegacia de Julgamento (19/9/2011), o pagamento efetuado relativo à contribuição devida em novembro de 2002 já se encontrava homologado tacitamente. Contudo, a repartição de origem, a par dos recálculos efetuados, não pretendeu exigir do sujeito passivo a diferença de tributo então apurada, tendo procedido ao exame da base de cálculo justamente para verificar se o direito creditório pleiteado encontrarseia confirmado na escrituração contábilfiscal, tudo em conformidade com o regramento do art. 74 da Lei nº 9.430, de 19963. Tal verificação é condição inerente ao procedimento de homologação dos pleitos da espécie, sem o qual, não se poderia confirmar o que fora declarado pelo interessado. Efetuado o cálculo da contribuição devida, com base na escrituração contábil fiscal, cujo valor apurado fora confrontado com o pagamento efetuado pelo sujeito passivo, 3 Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) (Vide Medida Provisória nº 608, de 2013) § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) Fl. 155DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/09/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11065.914605/200998 Acórdão n.º 3803004.410 S3TE03 Fl. 156 6 concluiu a Fiscalização pela inexistência do crédito declarado, situação essa que remanesceu mesmo após a exclusão das receitas financeiras da base de cálculo procedida pela Delegacia de Julgamento. Além da inexistência de prova infirmativa dos resultados da diligência realizada, temse que a DCTF retificadora, manejada para possibilitar “a abertura” do crédito informado na PER/DCOMP”, conforme o próprio Recorrente alegara, não produziu nenhum efeito, pois, na data de sua transmissão (28/10/2009), o pagamento efetuado relativo à contribuição devida em novembro de 2002 já se encontrava homologado tacitamente, não sendo mais passível de alteração, conforme o próprio Recorrente atestara. Aqui, vale destacar que a alegação de que a controvérsia presente nos autos se restringiria à incidência ou não da contribuição sobre receitas financeiras, não abarcando a discussão sobre os cálculos efetuados na apuração da contribuição, se mostra desfavorável à defesa do Recorrente, pois, nessa situação, uma vez descabida a retificação da DCTF, conforme acima apontado, temse que todos os dados declarados em sua DCTF original deverão prevalecer, desfavorecendo de todo o seu pleito, pois, foi com base nesses dados declarados que se emitiu o despacho decisório denegatório do direito creditório sobre o qual se controverte nos autos. Conforme já dito, mesmo após a exclusão das receitas financeiras da base de cálculo da contribuição, o pagamento efetuado não foi suficiente para quitar o débito apurado. Nesse sentido, constatase que todos os argumentos de defesa do Recorrente não encontram respaldo nos elementos fáticos presentes nos autos, nem na legislação tributária aplicável. Vale ressaltar, portanto, que o ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo durante a realização da diligência requerida pela DRJ Porto Alegre/RS. Nos termos do art. 16 do Decreto n° 70.235/19724, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), aplicável na discussão de processos envolvendo compensação 4 Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Fl. 156DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/09/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11065.914605/200998 Acórdão n.º 3803004.410 S3TE03 Fl. 157 7 tributária, cabe ao impugnante o ônus da prova de suas alegações contrapostas à decisão de não homologação baseada em ampla auditoria fiscal. Em seu Recurso Voluntário, quando já poderia ter robustecido sua defesa com a demonstração do erro alegado e a apresentação de elementos de prova hábeis e idôneos que infirmasse os cálculos da Fiscalização, o contribuinte nada traz aos autos. Nesse contexto, voto por NÃO CONHECER dos argumentos de defesa trazidos aos autos apenas em sede de recurso, em razão da preclusão processual, e, na parte conhecida, por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, por ausência de prova do direito creditório reclamado. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Fl. 157DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/09/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS
score : 1.0
Numero do processo: 10980.726375/2011-21
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Oct 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2010
MULTA ATRASO NA ENTREGA DCTF. DENÚNCIA ESPONTÂNEA.
A teor da Súmula CARF nº 49, a denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração.
INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI TRIBUTÁRIA.
Conforme entendimento da Súmula CARF nº 2, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1803-001.857
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Walter Adolfo Maresch Relator e Presidente Substituto.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch (presidente da turma), Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Marcos Antonio Pires e Sérgio Luiz Bezerra Presta.
Nome do relator: WALTER ADOLFO MARESCH
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DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A teor da Súmula CARF nº 49, a denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI TRIBUTÁRIA. Conforme entendimento da Súmula CARF nº 2, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch – Relator e Presidente Substituto. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch (presidente da turma), Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Marcos Antonio Pires e Sérgio Luiz Bezerra Presta. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 63 75 /2 01 1- 21 Fl. 82DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 02/10/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH 2 Relatório COTRANS LOCAÇÃO DE VEICULOS LTDA, ,pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida pela DRJ Curitiba (PR), interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. Trata o presente processo de notificação eletrônica de lançamento (fl. 35) emitida em virtude de entrega intempestiva da DCTF. Alega a impugnante a nulidade da ação fiscal e do auto de infração, capitulação legal equivocada, decadência e cobrança abusiva dos juros de mora. A DRJ CuritibaPR , através do acórdão nº 0640.010, de 27 de março de 2013 (fls. 47/51), julgou procedente o lançamento, ementando assim a decisão: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/06/2010 a 30/06/2010 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS DCTF. A entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa moratória correspondente. NULIDADE. PRESSUPOSTOS. Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. DECADÊNCIA. O prazo para o lançamento da multa por atraso na apresentação da DCTF é de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte ao da data prevista para a entrega da respectiva declaração. Ciente da decisão em 26/04/2013, conforme Aviso de Recebimento – AR (fl. 55), apresentou o recurso voluntário em 21/05/2013, onde pugna pela improcedência do lançamento alegando estar albergada pelo instituto da denúncia espontânea e o caráter confiscatório da multa aplicada. É o relatório Fl. 83DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 02/10/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10980.726375/201121 Acórdão n.º 1803001.857 S1TE03 Fl. 83 3 Voto Conselheiro Walter Adolfo Maresch O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele conheço. Trata o presente processo de multa por atraso na entrega de DCTF. Alega a recorrente que estaria albergada pelo instituto da denúncia espontânea preconizada no art. 138 do CTN, pois entregou a DCTF antes de qualquer procedimento fiscal. Alude também quanto ao caráter confiscatório da multa de ofício aplicada, o que ensejaria a sua inconstitucionalidade e conseqüente desconstituição do lançamento. Não assiste razão à interessada. As matérias alegadas no recurso voluntário não foram objeto de prequestionamento na impugnação, mas em homenagem ao amplo direito de defesa serão apreciadas no presente voto. Com relação ao caráter confiscatório da multa de ofício aplicada, temse que é defeso ao colegiado julgador administrativo enveredar na análise da constitucionalidade da lei tributária, conforme entendimento cristalizado na Súmula CARF nº 02: Súmula CARF nº 2: o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Melhor sorte não colhe a recorrente no que tange ao instituto da denúncia espontânea (art. 138 do CTN). Com efeito, o acolhimento da tese da denúncia espontânea quando presentes seus pressupostos, somente se aplica em relação à multa de mora incidente sobre tributos pagos em atraso e não sobre obrigações acessórias (multa pelo atraso na entrega de declarações por exemplo). Neste sentido, a Súmula CARF nº 49: Súmula CARF nº 49, a denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch – Relator Fl. 84DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 02/10/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH 4 Fl. 85DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 02/10/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH
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Numero do processo: 15374.916975/2009-27
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 25/08/2001
INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa baseada em dados declarados pelo sujeito passivo, não infirmada com documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 3803-004.540
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. O conselheiro Juliano Eduardo Lirani votou pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 25/08/2001 INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa baseada em dados declarados pelo sujeito passivo, não infirmada com documentação hábil e idônea.
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RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa baseada em dados declarados pelo sujeito passivo, não infirmada com documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. O conselheiro Juliano Eduardo Lirani votou pelas conclusões. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 91 69 75 /2 00 9- 27 Fl. 147DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/10/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 15374.916975/200927 Acórdão n.º 3803004.540 S3TE03 Fl. 148 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte em contraposição à decisão da DRJ Rio de Janeiro I/RJ que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada em decorrência da não homologação da compensação declarada. O contribuinte havia transmitido Pedido de Restituição e Declaração de Compensação (PER/DCOMP) em 15 de junho de 2005, referente a crédito decorrente de alegado pagamento a maior de IOF, no valor atualizado de R$ 3.086,79, destinado a quitar débito de sua titularidade. Por meio de despacho decisório eletrônico, cientificado pelo contribuinte em 4/5/2009, a repartição de origem não homologou a compensação, pelo fato de que o pagamento declarado no PER/DCOMP já havia sido integralmente utilizado na quitação de outros débitos da titularidade do sujeito passivo. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu a homologação da compensação declarada, alegando, aqui apresentado de forma sucinta, o seguinte: a) o crédito utilizado teve origem em equívoco cometido no cálculo do IOF nas operações de empréstimos, conforme atestaria laudo técnico anexo; b) no preenchimento da última DCTF enviada à Receita Federal, não demonstrara a existência do crédito de IOF, tendo sido declarado como devido exatamente o valor que havia sido recolhido; c) a existência do crédito poderia ser facilmente observada a partir da comparação entre os valores apresentados como devidos na base de cálculo, conforme planilha anexa, e a guia de recolhimento da mesma competência; d) os equívocos cometidos no preenchimento das declarações não criam tributos, não podendo, uma vez comprovado o erro de fato, gerar obrigação tributária, pois a quantia recolhida a maior não pode ser considerada como receita do Estado, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da moralidade administrativa. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias de documentos societários, de correspondências emitidas por ALL Consultoria Ltda., da DCTF, do despacho decisório, do PER/DCOMP, do comprovante de arrecadação e de planilha por ele elaborada. A DRJ Rio de Janeiro I/RJ não reconheceu o direito creditório, tendo sido o acórdão ementado da seguinte forma: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. A prova documental deve ser apresentada na manifestação de inconformidade, precluindo o direito de o interessado fazêlo em outro momento processual. Fl. 148DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/10/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 15374.916975/200927 Acórdão n.º 3803004.540 S3TE03 Fl. 149 3 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. IOF. ANOCALENDÁRIO DE 2001. DIREITO CREDITóRIO NÃO COMPROVADO. Mantémse o Despacho Decisório se não elidido o débito ao qual o alegado pagamento indevido ou a maior foi alocado. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. I0F. ANOCALENDÁRIO 2001. EMPRÉSTIMOS. LEGITIMIDADE. O responsável tributário tem direito à restituição do IOF que recolheu nessa condição, desde que autorizado por aquele que efetivamente suportou tal encargo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Arguiu o julgador de piso que, não tendo sido retificado o valor do débito confessado em DCTF, o pagamento informado na Dcomp teria permanecido integralmente alocado ao débito confessado, do que se concluiria pela inexistência de crédito. Destacouse, também, que, em nome da verdade material, ainda que se superasse a falta da DCTF retificadora, não haveria previsão normativa para que a escrituração contábil da pessoa jurídica e os documentos que a embasam fossem substituídos por planilha, como a que o interessado trouxe aos autos, planilha essa desacompanhada dos contratos a que se reporta, não se tendo por identificadas as pessoas a quem os empréstimos teriam sido concedidos. Por fim, ressaltouse que, mesmo tendo o interessado recolhido o IOF, quem arcara com o encargo teria sido o tomador do empréstimo, sendo que, se restituição houvesse, seria desse último a legitimidade para a requerer, ou para autorizar o interessado que assim o fizesse. Cientificado do acórdão da DRJ Rio de Janeiro I/RJ em 8 de outubro de 2011, o contribuinte postou o Recurso Voluntário em 8 de novembro do mesmo ano, e reiterou seu pedido de homologação da compensação, repisando os mesmos argumentos de defesa, sendo informado que, mediante decisão do Conselho Deliberativo da pessoa jurídica, o Recorrente havia sido autorizado a buscar a repetição do indébito e, uma vez recuperado o valor pago indevidamente, que este fosse devolvido aos participantes, conforme constaria de sua contabilidade; Ao final de sua peça recursal, o contribuinte faz o pedido alternativo de conversão do julgamento em diligência à repartição de origem, para que, caso fossem considerados insuficientes os elementos probatórios até então trazidos aos autos, se apurasse o crédito efetivamente existente. Fl. 149DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/10/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 15374.916975/200927 Acórdão n.º 3803004.540 S3TE03 Fl. 150 4 Junto a sua peça recursal, o Recorrente traz aos autos cópias de correspondência enviada à Diretora da pessoa jurídica, de deliberação do Conselho, de planilhas de cálculo e de documentos societários. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme se verifica do relatório supra, a compensação declarada por meio de PER/DCOMP não foi homologada pela repartição de origem pelo fato de que o crédito pleiteado já se encontrava vinculado a outro débito da titularidade do contribuinte, decisão essa mantida pela DRJ Rio de Janeiro I/RJ, em razão da falta de comprovação do alegado erro ocorrido no preenchido da DCTF. Para se apreciarem pleitos da espécie, não basta que se alegue, em tese, o direito assegurado pela ordem jurídica, havendo necessidade de que os argumentos fáticos trazidos aos autos sejam demonstrados e comprovados, sob pena de total inviabilidade da apreciação do pedido. No que tange ao material probatório do seu direito, o contribuinte trouxe aos autos apenas cópias de documentos societários, do despacho decisório, do PER/DCOMP, do comprovante de arrecadação, da DCTF, de correspondências e de planilhas por ele elaboradas, documentos esses insuficientes à plena comprovação do indébito reclamado, dado que desacompanhados de elementos da escrituração contábilfiscal e da documentação que a lastreia, estes, sim, consistentes em prova hábil e idônea. Notese que, mesmo após ter sido alertado pela julgador de primeira instância quanto à necessidade de apresentação da escrita fiscal, dos contratos de empréstimo e da identificação dos beneficiários, o Recorrente se predispôs a instruir os autos com documentos hábeis e idôneos, sendo juntadas apenas cópias de planilhas, de correspondências e de uma deliberação que, segundo ele, comprovariam sua defesa. Contudo, as planilhas trazidas aos autos na fase recursal não se encontram acompanhadas dos registros contábeis e nem dos documentos fiscais que os embasam, constando de uma delas inúmeros registros sem a identificação de sua vinculação com a matéria sob análise neste processo, não sendo os demais elementos juntados aos autos hábeis à comprovação do indébito reclamado. A correspondência do Recorrente datada de 29/3/2005, endereçada à DIFIN, sugere a necessidade de se formalizar consulta junto à Receita Federal para dirimir dúvidas quanto aos detalhes técnicos da recuperação dos valores recolhidos a maior, mas não consta dos autos que essa providência tenha sido tomada. Fl. 150DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/10/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 15374.916975/200927 Acórdão n.º 3803004.540 S3TE03 Fl. 151 5 Não consta dos autos a demonstração da alteração do critério de apuração do imposto que acarretara o surgimento do indébito, havendo apenas uma fórmula que, segundo o contribuinte, teria sido por ele utilizada sem respaldo na legislação tributária. Mesmo considerando o princípio da verdade material, em que a apuração da verdade dos fatos pelo julgador administrativo vai além das provas trazidas aos autos pelo interessado, nos casos da espécie ao ora analisado, a prova encontrase em poder do próprio sujeito passivo, e uma vez que foi dele a iniciativa de instauração do processo, pois que relativo a um direito que ele alega ser detentor, não se vislumbra razão à alegada violação do princípio. Em processos da espécie ao ora analisado, não cabe a inversão do ônus da prova, como pretende o Recorrente ao requerer a conversão do julgamento em diligência à repartição de origem, para que a autoridade administrativa busque as provas do direito alegado, provas essas, repitase, que se encontram sob sua guarda, não se podendo imputar ao Fisco o dever de coletálas, em face da inércia do interessado. A não apresentação de provas dos fatos apontados e o requerimento de realização de diligência encontramse em total desacordo com a disciplina do art. 16, inciso III, e § 4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF) 1, e com os princípios constitucionais da celeridade processual e da eficiência, princípios esses que 1 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 151DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/10/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 15374.916975/200927 Acórdão n.º 3803004.540 S3TE03 Fl. 152 6 regem a atuação da Administração Pública, previstos, respectivamente, no art. 5º, inciso LXXVIII, e no art. 37, caput, da Constituição Federal de 1988. Não se pode perder de vista que o ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo, presentes nos sistemas da Receita Federal no momento da emissão do despacho decisório. Nesse contexto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, em razão da ausência de prova hábil e idônea do direito creditório reclamado. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 152DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/10/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 11065.722492/2011-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Aug 28 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2009
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU DE ATO NORMATIVO. RECONHECIMENTO. IMPOSSIBILIDADE JURÍDICA.
Escapa à competência deste Colegiado a declaração, bem como o reconhecimento, de inconstitucionalidade de lei ou de ato normativo, eis que tal atribuição foi reservada, com exclusividade, pela Constituição Federal, ao Poder Judiciário.
CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADO EMPREGADO. SUBSUNÇÃO DO FATO À HIPÓTESE NORMATIVA.
Impera no Direito Previdenciário o princípio da primazia da realidade sobre a forma, sendo necessária e suficiente a subsunção do fato à hipótese legal prevista no art. 12, inciso I, letra "a" da Lei n° 8.212/91 para que se opere a caracterização de segurado empregado.
EMPREGADOS. CONTRATAÇÃO POR INTERPOSTA PESSOA. SIMULAÇÃO.
A contratação de empregados por interposta pessoa jurídica é conduta ilícita, sendo possível à fiscalização efetuar o lançamento de ofício, conforme previsão no art. 149, inciso VII do CTN.
GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA.
As empresas que integram grupo econômico são responsáveis solidárias pelas contribuições previdenciárias.
GRUPO ECONÔMICO. CARACTERIZAÇÃO. PRIMAZIA DA REALIDADE.
Caracteriza-se grupo econômico quando duas ou mais empresas estiverem, de fato, sob a direção, o controle ou a administração de uma delas, compondo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica.
TERCEIROS
São devidas as contribuições arrecadadas para as terceiras entidades, FNDE, INCRA, SENAI, SESI e SEBRAE, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados.
JUROS CALCULADOS À TAXA SELIC. APLICABILIDADE.
A cobrança de juros estava prevista em lei específica da Previdência Social, art. 34 da Lei n ° 8.212/1991, desse modo foi correta a aplicação do índice pela fiscalização federal. Para lançamentos posteriores à entrada em vigor da Medida Provisória n º 449, convertida na Lei n º 11.941, aplica-se o art. 35 da Lei n º 8.212 com a nova redação.
No sentido da aplicabilidade da taxa Selic, o Plenário do 2º Conselho de Contribuintes aprovou a Súmula de nº 3.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 2302-002.195
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
LIEGE LACROIX THOMASI - Presidente.
MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR - Relator.
EDITADO EM: 20/08/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), ARLINDO DA COSTA E SILVA, ADRIANA SATO, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, PAULO ROBERTO LARA DOS SANTOS.
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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RECONHECIMENTO. IMPOSSIBILIDADE JURÍDICA. Escapa à competência deste Colegiado a declaração, bem como o reconhecimento, de inconstitucionalidade de lei ou de ato normativo, eis que tal atribuição foi reservada, com exclusividade, pela Constituição Federal, ao Poder Judiciário. CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADO EMPREGADO. SUBSUNÇÃO DO FATO À HIPÓTESE NORMATIVA. Impera no Direito Previdenciário o princípio da primazia da realidade sobre a forma, sendo necessária e suficiente a subsunção do fato à hipótese legal prevista no art. 12, inciso I, letra "a" da Lei n° 8.212/91 para que se opere a caracterização de segurado empregado. EMPREGADOS. CONTRATAÇÃO POR INTERPOSTA PESSOA. SIMULAÇÃO. A contratação de empregados por interposta pessoa jurídica é conduta ilícita, sendo possível à fiscalização efetuar o lançamento de ofício, conforme previsão no art. 149, inciso VII do CTN. GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. As empresas que integram grupo econômico são responsáveis solidárias pelas contribuições previdenciárias. GRUPO ECONÔMICO. CARACTERIZAÇÃO. PRIMAZIA DA REALIDADE. Caracterizase grupo econômico quando duas ou mais empresas estiverem, de fato, sob a direção, o controle ou a administração de uma delas, compondo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 72 24 92 /2 01 1- 11 Fl. 780DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 2 TERCEIROS São devidas as contribuições arrecadadas para as terceiras entidades, FNDE, INCRA, SENAI, SESI e SEBRAE, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados. JUROS CALCULADOS À TAXA SELIC. APLICABILIDADE. A cobrança de juros estava prevista em lei específica da Previdência Social, art. 34 da Lei n ° 8.212/1991, desse modo foi correta a aplicação do índice pela fiscalização federal. Para lançamentos posteriores à entrada em vigor da Medida Provisória n º 449, convertida na Lei n º 11.941, aplicase o art. 35 da Lei n º 8.212 com a nova redação. No sentido da aplicabilidade da taxa Selic, o Plenário do 2º Conselho de Contribuintes aprovou a Súmula de nº 3. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. LIEGE LACROIX THOMASI Presidente. MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR Relator. EDITADO EM: 20/08/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), ARLINDO DA COSTA E SILVA, ADRIANA SATO, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, PAULO ROBERTO LARA DOS SANTOS. Relatório Adoto o relatório de fls. 675 e ss: FAZENDA TRADIÇÃO ALIMENTOS LTDA. teve lavrado contra si o Auto de Infração AI em epígrafe, relativo ao lançamento de contribuições destinadas a outras entidades e fundos, no caso, ao Fundo Nacional do Desenvolvimento da Educação FNDE (SalárioEducação), Instituto Nacional da Colonização e Reforma Agrária INCRA, Serviço Social da Indústria SESI, Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial SENAI e Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas SEBRAE, Fl. 781DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 11065.722492/201111 Acórdão n.º 2302002.195 S2C3T2 Fl. 37 3 incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas a segurados empregados. As contribuições lançadas referemse às competências janeiro de 2008 a dezembro de 2009, inclusive gratificações natalinas de 2008 e 2009 (competências 13/2008 e 13/2009). No Relatório Fiscal RF, a autoridade lançadora consigna inicialmente que, no curso da ação fiscal, examinadas diversas operações envolvendo a impugnante e uma de suas prestadoras de serviço, a empresa Skippi Indústria de Alimentos Ltda., restou constatado que, embora constituída regularmente, esta pessoa jurídica não é, de fato, sociedade independente da Fazenda Tradição Alimentos Ltda. Ao final, conclui a Fiscalização que a separação entre essas duas empresas deuse de forma artificial e “com um único e claro objetivo”, qual seja o de “criar uma situação jurídica com vistas à dissimulação dos fatos geradores de contribuições previdenciárias patronais relativas à empresa Fazenda Tradição Alimentos Ltda. Uma vez estando os empregados registrados na Skippi, a fiscalizada usufrui, irregularmente, do tratamento diferenciado, simplificado e favorecido, aplicável às micro e empresas de pequeno porte, SIMPLES NACIONAL”. Em assim sendo, foram lançados em nome da Fazenda Tradição Alimentos Ltda. os créditos correspondentes às contribuições previdenciárias, parte patronal, concernentes às folhas de pagamento da Skippi Indústria de Alimentos Ltda., aferidas as respectivas bases de cálculo utilizadas a partir das Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIPs dessa empresa, relativas ao período de janeiro de 2008 a dezembro de 2009. Foram cientificadas acerca da lavratura do presente auto de infração, na condição de responsáveis solidárias pelo crédito previdenciário, conforme Termos de Sujeição Passiva Solidária n.os 1 e 2, as empresas Skippi Indústria de Alimentos Ltda., CNPJ n.o 03.073.351/000110, e Segma Participações Ltda., CNPJ n.o 03.281.790/000119. […]Em preliminar, argüi a nulidade do lançamento, haja vista a ocorrência de vícios formais, quais sejam (a) a ausência de fundamentação e (b) a ausência de comprovação da existência dos pressupostos da relação empregatícia. [...]No mérito, aponta a insubsistência do lançamento, tendo em vista (a) a licitude da operação de industrialização por encomenda; (b) o princípio da tipicidade cerrada e a conseqüente impossibilidade de tributar com o uso de interpretação extensiva; (c) a regra matriz de incidência tributária da contribuição previdenciária patronal; (d) os valores recolhidos no regime simplificado de tributação – Simples; (e) os supostos indícios da ação fiscal; (f) a terceirização da industrialização; (g) a inexistência de grupo econômico; (h) a multa aplicada, e (i) a utilização da taxa Selic. Fl. 782DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 4 No tocante à licitude da operação de industrialização por encomenda, desenvolvida entre ela e a empresa Skippi Indústria de Alimentos Ltda., a impugnante faz breve digressão acerca do reconhecimento da Receita Federal do Brasil, a respeito dessamatéria, “que é o fato subjacente ao auto de infração”, atualmente consubstanciado no Ato Declaratório Interpretativo RFB n.o 26, de 25 de abril de 2008, que se reporta ao artigo 4.o do Decreto n.o 4.544, de 26 de dezembro de 2002, segundo o qual “caracterizase como industrialização qualquer operação que modifique a natureza do produto, através de atividade exercida sobre matériasprimas ou produtos intermediários, que importe obtenção de espécie nova”. Nesse sentido, também o parágrafo único do artigo 46 do CTN, segundo o qual “considerase industrializado o produto que tenha sido submetido a qualquer operação que lhe modifique a natureza ou a finalidade, ou o aperfeiçoe para o consumo”. A empresa listada no AI é fornecedora da autuada, realizando atividade de industrialização por encomenda. Não é possível deslocála para o setor de prestação de serviços, nem mesmo sob o fundamento de que, quando a matériaprima for fornecida pelo encomendante, haverá redução de custos para a empresa contratada, resultando em maior lucro operacional para esta última. Isto porque, a um, o preço da industrialização variará conforme se utilize matériaprima própria ou aquela fornecida pelo encomendante, “refletindo na base de cálculo do tributo”; e, a dois, porque a chamada interpretação econômica “jamais poderá implicar contrariedade ao critério jurídico que norteia a formulação da hipótese de incidência de cada tributo”. A atividade narrada no AI tem natureza jurídica de industrialização. Não se trata nem de cessão de mãodeobra nem de prestação de serviços, mas de industrialização, conforme definido em lei. A pretensão fiscal não procede nem sob o ponto de vista da responsabilidade principal, nem solidária. Não são devidas as contribuições previdenciárias reclamadas, porque não há incidência na espécie, dado que as empregadoras dos trabalhadores são optantes pelo Simples. E também não haveria como se reconhecer responsabilidade solidária à autuada, nem mesmo se eventualmente fosse procedente a alegação de existência de um grupo econômico de fato. Resta, portanto, isolado o entendimento expresso na autuação fiscal, sendo indevida a interpretação nele veiculada. Em relação às notas fiscais envolvidas no processo de industrialização, considera que cerca de 80% da receita auferida pela Skippi Indústria de Alimentos Ltda. é relativa à industrialização por encomenda efetuada para a Nestlé Brasil Ltda., de sorte que, no máximo, 20% de todo o faturamento daquela empresa “seria para a Fazenda Tradição”. No tocante ao princípio da tipicidade cerrada e a conseqüente impossibilidade de tributar com o uso de interpretação extensiva, afirma haver praticado “o ato com propósitos econômicos, movido pelo interesse de incrementar sua atividade Fl. 783DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 11065.722492/201111 Acórdão n.º 2302002.195 S2C3T2 Fl. 38 5 econômica, então há o planejamento tributário lícito”. “Sua intenção não foi a redução do tributo devido normalmente, não havendo simulação nem fraude para ocultar a real expressão do fato imponível.” Afirma que se não optasse por desmembrar a atividade, outra alternativa seria a contratação de todos os recursos humanos mediante contrato de trabalho, com vínculo celetista, o que seria inviável do ponto de vista econômicofinanceiro. “A incidência de encargos sociais seria igualmente insuportável.” Outra opção seria o encerramento das atividades empresariais das empresas envolvidas, com a extinção dos empregos correspondentes e da geração de riqueza e de tributos que vêm sendo rigorosamente recolhidos. Refere que o modelo adotado, embora modesto em sua envergadura, assemelhase às modernas tendências de “joint ventures” e criação de parques industriais, contemplando diversos fabricantes integrados em uma mesma unidade empresarial. Manifestase, ainda, acerca do artigo 116, parágrafo único, do CTN, “que não é autoaplicável e padece de regulamentação”. Assim também no tocante à doutrina da interpretação econômica das leis e dos fatos tributários, bem como a da aplicação analógica em casos de abuso de direito ou de abuso de formas. T em, assim,como“demonstradaa impossibilidadede utilização de interpretação extensiva das normas tributárias e da imposição de tributos não previstos em lei por meio da analogia e princípios gerais de direito”. No tocante à regra matriz de incidência tributária da contribuição previdenciária patronal, afirma “que é impossível a construção da regra matriz que suporte a exigência tributária veiculada no auto de infração. Isso porque faltam alguns requisitos, como o sujeito passivo da relação jurídica e porque não houve a prática do chamado ‘fato gerador’”. Mais especificamente, “Como se verifica da própria redação do auto de infração do respectivo relatório consta que não há nenhum único pagamento de salário diretamente da empresa Fazenda Tradição para qualquer trabalhador empregado. Aliás, nem mesmo há qualquer citação de nomes de qualquer empregado que tenha percebido qualquer salário da empresa. Não há referência a valores de salários praticados. Então se conclui que não ocorre o critério material da incidência tributária pretendida.” “Por outro lado, o critério pessoal, no que tange ao sujeito passivo não está preenchido, ou seja, a empresa Fazenda Tradição não é empregadora de trabalhadores vinculados a terceira empresa. Sem o comparecimento de sujeito passivo válido, novamente é impossível a tributação almejada.” Afirma que, para que fosse possível a aplicação da norma de tributação pretendida – dispositivos legais da Lei n.o 8.212/91 –, “primeiramente deveria ser criado o vínculo jurídico”, Fl. 784DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 6 providência que estaria condicionada à aplicabilidade do artigo 116, parágrafo único, do CTN, “que não tem eficácia jurídica porque não está regulamentado. Nem mesmo a título de lançamento de ofício por simulação, não se pode impor a exigência, porque não se trata de simulação no caso.” Conclui que “não há possibilidade de aplicação da tributação veiculada no auto de infração, bem como das respectivas penalidades acessórias, eis que o sujeito passivo do qual está sendo exigida não ocupa a posição de empregador na relação de emprego da qual decorreria o pagamento de salário, não sendo, portanto, contribuinte da exação”. Também “não procedeu pagamento de remuneração alguma, fato este que se constitui no ‘fato gerador’ das obrigações tributárias (principais e acessórias) exigidas”. No tocante aos valores recolhidos no regime simplificado de tributação – Simples, refere, inicialmente, que não há um único argumento ou alegação da parte da autoridade fiscal no sentido de que a empresa Skippi Indústria de Alimentos Ltda. não preenche os requisitos legais de adesão a esse regime. Conclui, destarte, que “tanto o faturamento da empresa em questão como as atividades por ela desenvolvidas não se consideram óbice à tributação privilegiada”. Ainda assim, por cautela, a prevalecer o entendimento adotado no lançamento ora impugnado, qual seja o de que “a empresa SKIPPI existe somente no papel e apenas para registrar a mão deobra pertencente à autuada”, entende que todos “os recolhimentos efetuados por tais empresas para o Simples Federal (Lei n.o 9.371/96) e para o Simples Nacional (LC 123/06) são indevidos e passíveis de repetição”. Nesse sentido, apresenta quadro demonstrativo concernente ao período de janeiro de 2008 a dezembro de 2009, totalizando o valor de R$ 534.056,13. Conclui que a Fiscalização, embora atribua à empresa autuada “a intenção de fraudar e de se locupletar, de iludir o Fisco”, ao mesmo tempo, de forma incoerente, “procura cobrar duplamente a contribuição previdenciária, sem ressalvar diferenças em favor do contribuinte, ou seja, sem se limitar à diferença daquilo que seria devido, acaso realmente procedessem suas alegações de que inexiste operação industrial pelas empresas que processam industrialização por encomenda para a autuada”. No tocante aos supostos indícios da ação fiscal, afirma, “ab initio”, que, examinada “a documentação acostada aos autos sob o foco do ordenamento vigente, constata se que as operações realizadas pela impugnante encontram respaldo e estão em perfeita consonância com as leis vigentes no País, nada podendo lhe ser imputado que contrarie norma legal, pois não existe lei que proíba a terceirização de atividades produtivas, bem como é evidente que todas as operações são realizadas às claras e com registro documental (contratos, notas fiscais etc.)”. “O fato é que a Fiscalização não logrou êxito em demonstrar que os atos praticados não foram realizados ou não eram Fl. 785DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 11065.722492/201111 Acórdão n.º 2302002.195 S2C3T2 Fl. 39 7 válidos. Também não demonstrou a existência de negócio jurídico oculto, sem o qual não há falar em simulação.” “Ou seja, não há provas concretas de que os atos negociais realizados entre as empresas tenham sido praticados com a finalidade de ocultar ao fisco a ocorrência de fato gerador ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária. Ademais, a terceirização está longe de ser aparente, tendo, na prática, efetivamente se consumado sob a forma de industrialização sob encomenda.” Reitera a inaplicabilidade da Lei Complementar n.o 104/2001, que abriu a possibilidade de as autoridades administrativas desconsiderarem atos ou negócios dos contribuintes, e que não se encontra, até a presente data, regulamentada por lei ordinária. Verificase, assim, que “os elementos de convicção relatados pelo fiscal autuante no Relatório Fiscal não demonstram, de forma clara e objetiva, o fato alegado, de que ‘o risco da atividade econômica assumido pela Skippi se deu de forma artificial e com um único e claro objetivo, criar uma situação jurídica com vistas à dissimulação dos fatos geradores de contribuições previdenciárias patronais relativas à empresa Fazenda Tradição Ltda.’”. Analisa, em seqüência, os supostos indícios da ação fiscal propriamente ditos, os quais, em nenhum momento, levam à presunção da ocorrência de uma simulação. Afirma, primeiro, quanto à situação cadastral, que ambas as empresas encontram se separadas fisicamente de fato e de direito. Esclarece que o terreno e os prédios industriais pertencem atualmente à empresa Segma Participações Ltda., e que existem contratos de locação e comodato firmados muito antes do início da ação fiscal, “não sendo papel da autoridade fiscal nterpretar contratos ou emitir juízo de valor sobre os mesmos, muito menos alegar tratarse de instrumento simples”. “A constatação do fato de que sócios das empresas são os mesmos ou seus parentes, não é suficiente para a descaracterização das relações empresariais entre elas existentes, se não concorrerem outros requisitos necessários, o que não se vê nos autos.” Afirma que a autoridade lançadora nada menciona no sentido de que “as pessoas físicas relacionadas são ou foram apenas ‘sócios aparentes’ das empresas industrializadoras”, limitando se a fazer insinuações com base na relação de parentesco, “como se fosse ilegal constituir uma sociedade empresária e prestar serviços de industrialização para uma empresa com a qual o sócio faça parte também do quadro social”. Em segundo lugar, sustenta, quanto à movimentação de empregados, que não houve “migração” de exempregados da autuada para a empresa Skippi Indústria de Alimentos Ltda., Fl. 786DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 8 mas, sim, “algumas demissões e contratações, de acordo com a necessidade das empresas, não representando qualquer ilegalidade ou simulação com intuito fraudulento. Até porque, se a intenção fosse essa, os trabalhadores teriam sido transferidos para as outras empresas, evitandose o custo com as rescisões contratuais”. Ressalta que o período analisado pela Fiscalização teve início em janeiro de 2002, muito embora o período fiscalizado tenha sido o de 2008 a 2009, “onde a autuada sequer tinha funcionários registrados”. Observa, finalmente, que, de todos os empregados existentes na Skippi Indústria de Alimentos Ltda., somente 36, de um total de 84 “colaboradores”, já foram “funcionários” da impugnante, em período não abrangido pela ação fiscal (2005). Em terceiro lugar, assevera, em relação à Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, que, novamente, a Fiscalização lança mão de período não abrangido pela autuação (2006 a 2007), a fim de fazer apontamentos no tocante ao incremento da receita da empresa. Ressalta que, “Embora esta alegação não tenha nenhum fundamento para o presente auto”, deve ser considerado que a análise abrangeu um período de quatro anos (sendo dois fora do período do Mandado de Procedimento Fiscal MPF), e que não pode a Fiscalização “apontar o quanto as empresas podem auferir de receitas e qual o incremento possível para cada atividade”. Em quarto lugar, sustenta, no tocante à contabilidade, que o Relatório Fiscal foi omisso acerca das compras de matérias primas, havendo apontado o valor de aquisições extraídas dos registros contábeis da empresa, “porém não chegou a qualquer conclusão, até mesmo porque não teria o que concluir”. Afirma que a impugnante compra a matériaprima, e a remete para a Skippi Indústria de Alimentos Ltda.; esta, por sua vez, faz o processamento, devolvendo o produto para a impugnante, para que esta realize a venda. Este o porquê das informações existentes na contabilidade. “Procedimento totalmente correto, tanto é que não houve qualquer manifestação por parte da fiscalização.” Em relação aos demais custos e despesas apontadas pelo Relatório Fiscal, afirma trataremse de valores irrisórios, que foram pagos pela impugnante, porém estão devidamente amparados pelo contrato existente entre as partes – conforme descrito no próprio RF, item 6, terceiro parágrafo –, onde a autuada se compromete a arcar com outras despesas da Skippi Indústria de Alimentos Ltda. Quanto à relação entre o custo da mãodeobra e o faturamento ressalta que, “em razão das peculiaridades das operações, quem compra a matériaprima e as remete à industrialização é a autuada. Posteriormente, faz a venda final do produto mandado industrializar por encomenda. Em razão da terceirização, visando unicamente a melhor eficiência de suas operações e, por Fl. 787DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 11065.722492/201111 Acórdão n.º 2302002.195 S2C3T2 Fl. 40 9 conseqüência, melhor competitividade, o custo com pessoal representa um menor peso em relação ao faturamento. As demais empresas arroladas no Relatório vendem os serviços de industrialização, cuja execução exige menos produtos intermediários e mais empregados, o que representa, logicamente, um maior peso em relação a sua receita, mesmo assim apresentaram lucro nos exercícios objeto da fiscalização”. Em seqüência, apresenta algumas conclusões, efetuadas a partir dos demonstrativos contábeis da Skippi Indústria de Alimentos Ltda., no sentido de demonstrar a independência financeira dessa empresa, “ou seja, não depende em nada da Fazenda Tradição”. Conclui, assim, que “todos os indícios apontados pela fiscalização não se prestam a tirar a ilação de que efetivamente ocorreu a terceirização de parte das atividades produtivas da autuada, e que esta é pessoa jurídica independente”. Em quinto lugar, reitera que existe contrato de industrialização por encomenda, firmado entre a autuada e a Skippi Indústria de Alimentos Ltda., em período anterior ao início da presente ação fiscal, e que “Referidos contratos prevêem que as contratadas respondem exclusivamente pelos passivos fiscais, trabalhistas e sociais”. “A marca Fazenda Tradição é conhecida no mercado de embutidos e, por isso, não pode ter produtos que não estejam de acordo com o que foi conquistado ao longo dos anos, portanto, embora atribua responsabilidade técnica à contratada, não pode deixar que essa fuja aos seus padrões, pois poderia colocar a perder anos de consolidação da marca.” Esclarece que a Fiscalização não desqualificou nenhum contrato, verbal ou escrito, realizado pela impugnante, nem tampouco constatou qualquer fraude documental ou formal, nem mesmo prova qualquer ilicitude ou falta de atendimento de requisito legal. Finalmente, em sexto lugar, quanto à empresa Segma Participações Ltda., afirma que esta foi criada em 1999, com objetivo de participação societária, administração e locação de bens próprios e de terceiros, representação comercial, dentre outros; e que, “Dentre os imóveis que aluga por conta própria, conforme devidamente autorizado pelo seu instrumento social, está o imóvel onde está localizada a Skippi”. Afirma, ainda, que o contrato de locação é de livre negociação entre as partes, podendo inclusive ser tácito. Além do mais, no período abrangido pela ação fiscal, “não houve sequer uma aquisição de imobilizado, o que demonstra que não houve interesse algum em criar uma empresa ‘de fachada’”. Quanto à sede da empresa Segma Participações Ltda., refere que esta “pode ser facilmente demonstrada pelo Alvará de funcionamento fornecido pela Prefeitura de Novo Hamburgo”. Fl. 788DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 10 No tocante à terceirização da industrialização, refere que “A denominada ‘ t e r c e ir iz a ç ã o ’ ,n ã op r o i b i d ap e loo r d e n a m e n t oju r íd i c o ,r e a l i z a d ae n t r ee mp r e s a sc o m personalidade jurídica distinta, em que uma é contratante e outra é industrializadora, não pode ser tipificada como operação simulada, sobretudo quando se teve por escopo a busca da melhor eficiência das operações da impugnante.” “Indica, no máximo, planejamento tributário, aceito tanto da doutrina como na jurisprudência.” Entende, portanto, que “o argumento de que a operação de terceirização (industrialização por encomenda) foi realizada apenas para economizar tributos não é apto para a desconsideração de negócios jurídicos praticados sem qualquer ilicitude”. A estrutura de negócio montada é legítima, “nada sendo realizado de forma oculta”. Refere, para corroborar tal entendimento, “que, apenas no período objeto da ação fiscal, foram emitidas pela impugnante diversas notas fiscais de remessa de matéria prima para industrialização por terceiros”. “Assim, na hipótese, o que se poderia supor, no máximo, é tratarse de um planejamento tributário, por meio de um negócio válido e lícito”, não cabendo à autoridade lançadora descaracterizálo para exigir tributo onde não existe hipótese de incidência. Registra, ainda, que a autoridade autuante é omissa no Relatório Fiscal, “deixando de demonstrar como chegou à conclusão de que a autuada é a verdadeira empregadora dos segurados empregados das empresas contratadas, eis que não comprova de forma inequívoca a presença dos pressupostos do vínculo empregatício, de modo a justificar o lançamento de valores apurados com base nas folhas de pagamento de tais empresas”. “Com efeito, nenhuma prova foi trazida aos autos pela fiscalização, com o fim de comprovar que a empresa contratante (‘Fazenda Tradição’) interferia em questões técnicas no sistema produtivo da empresa contratada (‘Skippi’), ônus que lhe incumbia”, restando afrontados os preceitos contidos no artigo 142 do CTN. Os elementos trazidos pela fiscalização não propiciam a certeza necessária para que prevaleça a exigência fiscal. “Ou seja, não são, por si só, indícios suficientes para autorizar a simples presunção de que inexiste relação empresarial entre a encomendante contratante (‘Fazenda Tradição’) e a empresa responsável pelo beneficiamento da matéria prima, chamada de ‘industrializadora da encomenda’ (‘Skippi’).” Finalmente, conclui que os indícios trazidos pela Fiscalização “não propiciam um convencimento seguro, porquanto comportam dúvida razoável e permitem que se extraia outra conseqüência possível, qual seja, autêntica relação de industrialização por encomenda (prestação de serviços para outros) entre pessoas jurídicas com estreita relação comercial e, por conseqüência, com algumas situações não usuais”. Fl. 789DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 11065.722492/201111 Acórdão n.º 2302002.195 S2C3T2 Fl. 41 11 Finalmente, quanto à existência de grupo econômico, consigna “ab initio” serem infundadas as alegações no sentido de que a empresa Segma Participações Ltda. “seria empresa ‘de fachada’” e de que a empresa Skippi Indústria de Alimentos Ltda. dependeria técnica e financeiramente da impugnante, eis que “baseadas em suposições, pois não se baseiam em perícias técnicas”. Afirma que, no caso dos autos, tal situação “não está lastreada em dados concretos, objetivos e sólidos em sua estruturação, de modo a demonstrar a intenção de simular uma terceirização”. Inexiste previsão legal para a presunção de simulação ou dissimulação a partir de uma relação terceirizada, qual seja a industrialização por encomenda, entre empresas cujos sócios sejam amigos, parentes ou excolegas. “Nem mesmo o faturamento exclusivo ou a relação entre o custo da mãodeobra podem, por si só, ensejar a tributação, pois tais elementos não passam de mera probabilidade daquilo que se alega.” Analisa, em seqüência, a questão da responsabilidade solidária por grupo econômico, no que se refere às contribuições previdenciárias, para, ao final, concluir que a impugnante e as empresas Segma Participações Ltda. e Skippi Indústria de Alimentos Ltda., “embora empresas de um grupo familiar, não podem ser consideradas um grupo econômico, pois cada uma possuía a sua independência econômica e financeira, assim como não há controladora e controladas entre elas, capaz de ensejar a responsabilidade solidária sustentada pelo agente fiscalizador”. No tocante à multa aplicada, entende seja ela descabida, tendo em vista (a) a inexistência de dolo específico; e (b) o seu efeito consficatório. Assim também no sentido da ilegalidade da taxa Selic. Em relação à inexistência de dolo específico, afirma que a multa qualificada de 150%, determinada pelo artigo 44, parágrafo 1.o, da Lei n.o 9.430/96, somente se justifica nos casos de evidente intuito de fraude, definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n.o 4.502/64, que deve ser interpretada restritivamente. No caso em tela, tal multa é inaplicável, na medida em que não ficou demonstrado nos autos o “evidente intuito de fraude” por parte da autuada, capaz de justificar a extrapolação da multa. A autuação “encontrase respaldada em meros indícios, interpretações e considerações subjetivas da autoridade fiscal, sem que tenha sido apresentada qualquer prova cabal do suposto dolo específico de fraude”. “Em verdade, todas as operações da impugnante foram praticadas de forma lícita, legítima e clara, não havendo qualquer ato ou negócio mascarado passível de imposição de multa qualificada por fraude.” Fl. 790DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 12 Refere, ainda, a incidência, na espécie, do disposto no artigo 112 do CTN. Em relação ao efeito consficatório, afirma que o procedimento de majoração da multa em 100%, ou mesmo se considerada isoladamente a multa de ofício de 75%, evidencia o seu caráter confiscatório. “Tratase, portanto, de uma abusividade, distante do caráter educativo e punitivo que deveria ter.” Entende que todos os princípios e vedações ao poder de tributar relativos ao tributo aplicamse também à multa de natureza tributária, inclusive o princípio da vedação ao confisco, insculpido no artigo 150, inciso IV, da Constituição Federal. No tocante à taxa Selic, entende ilegal a sua aplicação sobre débitos tributários, devendo incidir, na espécie, juros de mora à razão de 1% ao mês, na forma do artigo 161, parágrafo 1.o, do CTN. Entende, finalmente, forte no inciso IV do artigo 7.o da Portaria RFB n.o 10.875/2007, com vistas à busca da verdade material, seja necessária a realização de perícia, tendo em vista o grande volume de papéis envolvidos, cuja juntada com a presente impugnação seria impossível. Indica seu assistente técnico e formula quesitos. Ao final, requer seja acolhida a impugnação, declarandose a nulidade do AI por conta das preliminares de mérito apontadas. No mérito, postula seja declarada a improcedência do lançamento, cancelandose o crédito tributário. Alternativamente, requer, a um, seja determinada a realização de perícia na documentação acostada aos autos e na escrituração contábil das empresas fiscalizadas; a dois, seja determinado o afastamento da responsabilidade solidária das empresas Skippi Indústria de Alimentos Ltda. e Segma Participações Ltda.; a três, seja determinada a retificação do lançamento, compensandose, mês a mês, os valores relativos aos tributos federais recolhidos indevidamente pela empresa Skippi Indústria de Alimentos Ltda. por via do Simples Nacional, com os créditos ora constituídos; e, a quatro, seja determinado o afastamento da multa confiscatória de 150% e da taxa Selic como juros moratórios. Em 30/11/2011, a 7ª Turma da DRJ de Porto Alegre/RS julgou procedente a autuação: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2009 Auto de Infração n.o DEBCAD 37.312.4520 1. PRINCÍPIO DA PRIMAZIA DA REALIDADE. No tocante à relação previdenciária, os fatos devem prevalecer sobre a aparência que, formal ou documentalmente, possam oferecer, ficando a empresa autuada, na condição de efetiva beneficiária do trabalho dos segurados que lhe prestaram serviços através de empresa interposta, obrigada ao recolhimento das contribuições devidas. 2. CONSTITUCIONALIDADE. A constitucionalidade das leis é vinculada para a Administração Pública. 3. GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Não cabe, em sede de julgamento de impugnação do devedor principal, apreciar oposição deduzida por este à imputação de Fl. 791DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 11065.722492/201111 Acórdão n.º 2302002.195 S2C3T2 Fl. 42 13 responsabilidade solidária a terceiros, na medida em que não detém legitimidade e nem interesse para tanto. 4. MULTA E JUROS. A inclusão de contribuições em lançamento fiscal dá ensejo à incidência de multa e juros equivalentes à taxa Selic. 5. MULTA QUALIFICADA. A multa de ofício de 150% é aplicável sempre que caracterizada a prática de ato com o objetivo de impedir o conhecimento da ocorrência do fato gerador pela autoridade fazendária. 6. PERÍCIA. Descabe a realização de perícia, quando a prova pretendida é irrelevante para o deslinde da controvérsia ou poderia ter sido feita mediante a juntada de documentos. No dia 16/01/2012, o sujeito passivo foi notificado do decisum, tendo interposto tempestivamente – 14/02/2012 – recurso voluntário que, em síntese, reitera os argumentos dispostos na peça de defesa. É o relatório. Voto Conselheiro MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR 1DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE No dia 16/01/2012, o sujeito passivo foi notificado do decisum, tendo interposto tempestivamente – 14/02/2012 – recurso voluntário. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso. Dele conheço. 2NULIDADE – NÃO ACOLHIMENTO O lançamento, como ato de aplicação do direito, envolve a interpretação da lei, a caracterização do fato previsto na hipótese normativa e a sua ulterior subsunção no tipo legal. Tal procedimento tributário tem por fito nuclear a investigação dos fatos tributários, com o intuito de prova e caracterização [XAVIER, Alberto. Do lançamento no direito tributário brasileiro. 3. ed. Rio de Janeiro, Forense, 2005, p. 131.] Ocorre que, por serem submissos à aplicabilidade e observância do princípio da legalidade, com o objetivo de resguardar os interesses dos particulares contra os arbítrios do poder, entretanto, o Direito Tributário e Previdenciário utilizamse, para proceder à investigação e valoração dos fatos, o princípio inquisitório e o da verdade material. Ora, o dever de cumprimento do disposto em lei é um mecanismo de proteção do interesse do administrado, dessa forma, a observância ao princípio da legalidade é ínsita ao ato administrativo, principalmente aquele relativo ao lançamento de crédito tributário. Da leitura do Relatório da Notificação, denotase, de início, que a autoridade fiscal buscou por diversos meios de provas a determinação da realidade do fato previdenciário encontrado, favorecendo, por conseguinte, o contraditório e ampla defesa por parte do sujeito passivo. Fl. 792DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 14 Não vislumbro a tese de nulidade da autuação, argüida pela recorrente, pois não foi observado qualquer vício no procedimento da fiscalização e formalização do lançamento. Foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. A recorrente foi devidamente intimada de todos os atos processuais que trazem fatos novos, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar;(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou as alegações pertinentes do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, Fl. 793DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 11065.722492/201111 Acórdão n.º 2302002.195 S2C3T2 Fl. 43 15 qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216) Portanto, em razão do exposto e nos termos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Superadas as questões preliminares para exame do cumprimento das exigências formais, passo à apreciação do mérito. 3MÉRITO 3.1Da competência da Fazenda Pública Argumenta o recorrente que o INSS é incompetente para estabelecer vínculos empregatícios. Nesse ponto, a razão assiste ao recorrente. O fisco federal não tem competência para estabelecer vínculo empregatício entre a empresa e as pessoas físicas que lhe prestam servicos. Ocorre todavia que a matéria tratada nos autos não se relaciona, de maneira alguma, com o estabelecimento de vínculos empregatícios, mas sim, da verificação da condição de segurado empregado, que é um conceito diverso do de empregado. Fl. 794DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 16 Muito embora semelhantes em alguns pequenos aspectos, as legislações trabalhista e previdenciária não se confundem. Tendo como assentada tal premissa, fácil é perceber que o segurado obrigatório do Regime Geral de Previdência Social RGPS qualificado com “segurado empregado” não é aquele definido no art. 3º da Consolidação das Leis do Trabalho CLT, mas sim, a pessoa física especificamente conceituada, para fins previdenciários, no inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, em seguimentos rememorados a seguir para facilitar a compreensão da questão posta em debate. Consolidação das Leis do Trabalho CLT Art. 3º Considerase empregado toda pessoa física que prestar serviços de natureza não eventual a empregador, sob a dependência deste e mediante salário. Parágrafo único. Não haverá distinções relativas à espécie de emprego e à condição de trabalhador, nem entre o trabalho intelectual, técnico e manual. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: I como empregado: a) aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado; b) aquele que, contratado por empresa de trabalho temporário, definida em legislação específica, presta serviço para atender a necessidade transitória de substituição de pessoal regular e permanente ou a acréscimo extraordinário de serviços de outras empresas; c) o brasileiro ou estrangeiro domiciliado e contratado no Brasil para trabalhar como empregado em sucursal ou agência de empresa nacional no exterior; d) aquele que presta serviço no Brasil a missão diplomática ou a repartição consular de carreira estrangeira e a órgãos a ela subordinados, ou a membros dessas missões e repartições, excluídos o nãobrasileiro sem residência permanente no Brasil e o brasileiro amparado pela legislação previdenciária do país da respectiva missão diplomática ou repartição consular; e) o brasileiro civil que trabalha para a União, no exterior, em organismos oficiais brasileiros ou internacionais dos quais o Brasil seja membro efetivo, ainda que lá domiciliado e contratado, salvo se segurado na forma da legislação vigente do país do domicílio; f) o brasileiro ou estrangeiro domiciliado e contratado no Brasil para trabalhar como empregado em empresa domiciliada no exterior, cuja maioria do capital votante pertença a empresa brasileira de capital nacional; g) o servidor público ocupante de cargo em comissão, sem vínculo efetivo com a União, Autarquias, inclusive em regime Fl. 795DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 11065.722492/201111 Acórdão n.º 2302002.195 S2C3T2 Fl. 44 17 especial, e Fundações Públicas Federais; (Alínea acrescentada pela Lei n° 8.647, de 13.4.93) i) o empregado de organismo oficial internacional ou estrangeiro em funcionamento no Brasil, salvo quando coberto por regime próprio de previdência social; (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). j) o exercente de mandato eletivo federal, estadual ou municipal, desde que não vinculado a regime próprio de previdência social; (Incluído pela Lei nº 10.887, de 2004). II como empregado doméstico: aquele que presta serviço de natureza contínua a pessoa ou família, no âmbito residencial desta, em atividades sem fins lucrativos; Os conceitos de “empregado” e “segurado empregado” presentes nas legislações trabalhista e previdenciária, respectivamente, são plenamente distintos. Esta qualifica como “segurado empregado” não somente os trabalhadores tipificados como “empregados” na CLT, mas, também, outras categorias de laboristas. De outro eito, malgrado o empregado doméstico ser tido, igualmente, como empregado pela Consolidação Laboral, para a Seguridade Social tal trabalhador integra a categoria de “segurado empregado doméstico”, absolutamente distinta da de “segurado empregado”, conforme tipificada no inciso II do mesmo art. 12 da Lei Orgânica da Seguridade Social LOSS. Dessarte, é irrelevante para fins de custeio da seguridade social o conceito de “empregado” estampado na Consolidação das Leis do Trabalho. Prevalecerá, sempre, para tais fins, a conformação dos segurados obrigatórios abrigada nos incisos do art. 12 da Lei nº 8.212/91. E para a verificação desse enquadramento, competentes são os auditores da, à época, Secretaria da Receita Previdenciária, hoje, Secretaria da Receita Federal do Brasil. Nesse panorama, o enquadramento, pelos agentes do fisco, de pessoas físicas na condição de segurado empregado, para os fins exclusivos de tributação das contribuições previdenciárias, não implica, de forma alguma, o estabelecimento de vínculo de emprego. 3.2Da prova indiciária no direito tributário A recorrente não admite a prova indiciária no direito tributário, o que nos induz a alguns considerações sobre tal tipo de elemento probatório. Fabiana Del Padre Tomé, autora com obra relativamente recente e que é freqüentemente citada no estudo das provas, é enfática ao afirmar que “toda prova é indireta, pois nunca se tem acesso aos fatos, que são sempre passados. Daí por que toda prova é uma conjectura, levando à presunção acerca da ocorrência ou não de certo fato”(A prova no direito tributário. São Paulo: Noeses, 2005, p. 94) e acrescente aque “ toda prova é indiciária, visto que jamais toca o objeto a que se refere”(op.cit., p. 94).Em outro trecho de sua obra, a autora destaca que “o indício em nada difere da prova”(op. cit., p. 138). A respeitável autora reconhece a existência de uma distinção tradicional entre indício e prova em função do grau de convicção que o fato provado acarrete no julgador, de modo que seria prova quando levar à certeza, e indício se dele decorrer mera possibilidade. Porém, sua lição é de que a verdade jurídica decorre da decisão do julgador após a análise do conjunto probatório. Fl. 796DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 18 Este, o conjunto probatório, pode ser composto por indícios que podem ser de duas espécies: indícios necessários e indícios contingentes. Os indícios necessários revelam, com alto grau de probabilidade, determinada situação. Os indícios contingentes indicam de forma mais ou menos provável a ocorrência de certo acontecimento. Além de necessários ou contingentes. Os indícios podem ser homogêneos ou heterogêneos. São homogêneos os indícios que tem conteúdo convergente, todos conduzindo ao mesmo resultado, ao passo que são heterogêneos os indícios que indicam fatos diversos. A autora conclui que “a força probatória de qualquer indício(...) deve ser avaliada no caso concreto, de modo que, havendo um único indício necessário(prova no sentido comumente empregado) ou vários indícios contingentes e convergentes, terseá por provado o fato”. (op. cit., p. 1389). É de ser observado que as lições de Fabiana Del Padre Tomé que adotamos divergem da doutrina de Marcus Vinicius Neder e Maria Teresa Martinez López(Processo administrativo fiscal federal comentado. 2. ed. São Paulo, Dialética, 2004, p. 173). O autor, em certo trecho de sua doutrina, exige que os indícios no direito tributário sejam graves, ou seja, sejam aceitos somente se tiverem como conseqüência apenas um único fato. Essa exigência, no entanto, é qualidade dos indícios chamados necessários e que se equiparam ao que comumente se denomina de prova. Deixam de ser indícios, portanto. Exigir tal qualidade dos indícios é o mesmo que negar a utilidade deles para o direito tributário, mesmo quando convergentes. Em outro trecho de sua obra, entretanto, Marcus Vinicius admite a prova indiciária. Vejamos: “O trabalho investigatório realizado pelo agente fiscal é muito parecido com o desenvolvido pelo paleontólogo que aproveita diversas peças análogas de um animal. Completandoas uma com outras para formar o esqueleto do animal. Nesse trabalho de reconstrução, Le não precisa obter todos os ossos do esqueleto para ter uma idéia clara e precisa do animal e a a certeza da espécie que foi descoberta. Basta que o conjunto de vestígios lhe dê segurança de suas conclusões. O julgador, de maneira análoga, vai reunindo indícios que permitem inferências sobre determinados fatos. Utilizase da combinação desse indícios que permitem inferências sobre determinados fatos. Utilizase da combinação desses indícios, sua comparação e a exclusão das hipóteses contraditórias, de modo a reconstruir o passado de forma segura.”(p. 173) Fácil notar, portanto, que mesmo Marcus Vinicius e Maria Teresa admitem a prova indiciária no direito tributário. Sobre o assunto, não poderíamos deixar de fazer referência ao mestre Alberto Xavier (Do Lançamento: Teoria Geral do Ato, do Procedimento e do Processo Tributário. Rio de Janeiro: Forense, 1997, p. 133), que assim expressa seu entendimento: “Nos casos em que não existe ou é deficiente a prova direta pré constituída, a Administração fiscal deve também investigar livremente a verdade material. É certo que ela não dispõe agora de uma base probatória fornecida diretamente pelo contribuinte ou por terceiros; e por isso deverá ativamente recorrer a todos os elementos necessários à sua convicção. Tais elementos serão, via de regra, constituídos por provas indiretas, isto é, por fatos Fl. 797DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 11065.722492/201111 Acórdão n.º 2302002.195 S2C3T2 Fl. 45 19 indiciantes, dos quais se procura extrair, com o auxílio de regras da experiência comum, da ciência ou da técnica, uma ilação quanto aos fatos indiciados. A conclusão ou prova não se obtém diretamente, mas indiretamente, através de um juízo de relacionação normal entre o indício e o tema da prova. Objeto de prova em qualquer caso são os fatos abrangidos na base de cálculo (principal ou substitutiva) prevista na lei: só que num caso a verdade material se obtém de um modo direto e nos outros de um modo indireto, fazendo intervir ilações, presunções, juízos de probabilidade ou de normalidade. Tais juízos devem ser, contudo, suficientemente sólidos para criar no órgão de aplicação do direito a convicção da verdade.” O que queremos destacar de tais abalizadas lições é que não somente as provas ou indícios necessários é que conduzem à certeza jurídica construída pelo julgador, mas também um conjunto de indícios contingentes e convergentes. Cada um dos indícios contingentes nunca se equipara, isoladamente, a um indício necessário (prova no sentido tradicional) e não pode ser excluído do conjunto probatório por tal razão. A análise de um conjunto de indícios contingentes deve ser feita em duas etapas. Na primeira, analisamos a existência em si de cada indício. Na segunda etapa, analisamos o conjunto de indícios para qualificarmos se tratamos de um conjunto de indícios contingentes e convergentes. Se forem contingentes e convergentes, os indícios que compõem o conjunto terão alto valor probatório, habilitandose a fundamentar o convencimento do julgador que emitirá sua decisão conformadora da verdade jurídica aplicável ao caso. Por óbvio, não podemos olvidar da possibilidade da utilização da análise do conjunto probatório baseado em indícios para o direito tributário. Que qualidade superior ao direito penal teria o direito tributário para negarmos a utilização de conjuntos indiciários, tendo em vista que no direito penal tal metodologia probatória é amplamente aceita? Se aqui lidamos com o patrimônio do contribuinte, no direito penal tratamos da liberdade do cidadão. Teria o patrimônio um valor mais nobre que a liberdade individual em nosso Estado Democrático Direito de tal sorte que na análise das provas no direito que pode afetar o patrimônio devemos ser mais restritivos do que no direito que afeta a liberdade? Teria a legalidade tributária uma força jurídicoaxiológica maior que a legalidade no direito penal? Com todo respeito aos que pensam diferente, nossa resposta é não! Se para o direito penal é assente a utilização da análise do conjunto indiciário, o direito tributário há de admitila. Talvez a busca por uma verdade material como corolário do princípio da legalidade seja o argumento dos que querem afastar do direito tributário a análise do conjunto indiciário. Mas voltandonos para as lições de Fabiana Del padre Tomé, é certo que “a verdade que se busca no curso do processo de positivação do direito, seja ele administrativo ou judicial, é a verdade lógica, quer dizer, a verdade em nome da qual se fala, alcançada mediante a constituição de fatos jurídicos, nos exatos termos prescritos pelo ordenamento: a verdade jurídica”. O que comumente é denominado princípio da verdade material se conforma na possibilidade de a administração pública carrear aos autos outras provas de modo a possibilitar que sua decisão se aproxime da realidade. Não se relaciona, portanto, com a vedação à análise do conjunto indiciário. Fl. 798DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 20 Registramos que no CARF, inclusive na Câmara Superior de Recursos Fiscais, há várias decisões que acatam a utilização da prova indiciária: Acórdão 10708326 PAF PROVA INDICIÁRIA A prova indiciária é meio idôneo para referendar uma autuação, quando a sua formação está apoiada num encadeamento lógico de fatos e indícios convergentes que levam ao convencimento do julgador. Acórdão 10707083 PAF – PROVA INDICIÁRIA A prova indiciária é aceita em matéria tributária, quando formada a partir de um juízo instrumental que leve em conta a existência de vários indícios convergentes. Acórdão CSRF/0105.132 PAF – PROVA INDICIÁRIA A prova indiciária é meio idôneo para referendar uma autuação, desde que ela resulte da soma de indícios convergentes. O que não se aceita no Processo Administrativo Fiscal é a autuação sustentada em indício isolado, o que não é o caso desses autos que está apoiado num encadeamento lógico de fatos e indícios convergentes que levaram ao convencimento do julgador. Tomando tais considerações jurídicas gerais sobre os indícios, passamos a outras questões de relevo para o caso. 3.3DO SIMPLES. Alega o recorrente que o INSS não tem competência para descaracterizar a opção de empresas enquadradas no SIMPLES, e que a NFLD desconsiderou totalmente os efeitos da adesão da empresa SKIPPI no Simples, o que inquinaria a autuação fiscal de nulidade insanável. A visão da empresa mostrase totalmente equivocada. A ação fiscal desencadeada na empresa não promoveu a exclusão desta do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte. A empresa SKIPPI Indústria de Alimentos Ltda., no curso da ação fiscal e após esta, permanecem vinculadas ao citado regime simplificado de tributação. Ocorre que no Direito Previdenciário, tanto quanto no Direito do Trabalho, vigora o Princípio da Primazia da Realidade sobre a Forma, o qual impõe a prevalência das circunstâncias e condições observadas no cotidiano sobre qualquer instrumento formal utilizado para documentar o contrato, mesmo que as partes hajam pactuado de forma mais ou menos solene ou expressa, aquilo que conste em documentos, formulários e instrumentos de controle em desvirtuamento do que se verifica efetivamente na prática. Sob a égide do princípio da primazia da realidade temse que, em caso de discordância entre o que ocorre na prática e o que emerge de documentos ou acordos, devese dar preferência ao primeiro, isto é, ao que se sucede no terreno dos fatos. No direito previdenciário, a essência do ato jurídico é o fato real e não a forma idealizada. Nesse panorama, constatando a fiscalização que a condição de segurado Fl. 799DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 11065.722492/201111 Acórdão n.º 2302002.195 S2C3T2 Fl. 46 21 empregado (não a de empregado, repisese, já que o recorrente confunde ambos os conceitos), nos termos perfilados no art. 12, I da Lei nº 8.212/91 c.c. art. 9, I do Regulamento da Previdência Social, se verifica de fato em relação à FAZENDA TRADIÇÃO e não em relação às outras empresas do grupo econômico, recaem sobre àquela e não sobre estas as obrigações previdenciárias previstas na Lei nº 8.212/91. 3.4 Da responsabilidade solidária pelo débito Sustenta que as empresas enquadrada no SIMPLES estão sendo responsabilizadas pelo débito, uma vez que figuram na notificação fiscal, na "relação de vínculos". Cumpre esclarecer que a responsabilidade direta pelas obrigações decorrentes da vertente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD é da empresa notificada. Ocorre que o inciso IX do art. 30 da Lei nº 8.212/91 dispõe as empresas que integram grupo econômico, de qualquer natureza, respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes dessa Lei. A relação de vínculos arrola, portanto, todas as pessoas físicas ou jurídicas de interesse da administração previdenciária em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, representantes legais ou não, indicando o tipo de vínculo existente e o período correspondente; Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 30 ... IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei; (grifos nossos) Como é cediço, a solidariedade não se presume. Ela decorre da vontade das partes, ou diretamente de disposição legal, como é o presente caso. Cumpre observar que a opção pelo SIMPLES, a todo saber, não afasta de modo algum a responsabilidade solidária da empresa optante pelas obrigações previdenciárias do grupo econômico. Cumpre ressaltar que a atividade fiscal tem caráter plenamente vinculado, característica que impinge ao Auditor Fiscal a atenção aos procedimentos de fiscalização fixados na legislação tributária. Nesse sentido, a Instrução Normativa SRP nº 3, de 14/07/2005, vigente por ocasião da lavratura da NFLD em tela, assim dispõe: Instrução Normativa SRP nº 3, de 14 de julho de 2005 Art. 638. A Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal. Parágrafo único. Integram a NFLD os relatórios e os documentos mencionados nos incisos I a XI, XVII e XVIII do art. 660. Fl. 800DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 22 Art. 660. Constituem peças de instrução do processo administrativofiscal previdenciário, os seguintes relatórios e documentos: (...) X Relação de CoResponsáveis CORESP, que lista todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação; XI Relação de Vínculos VÍNCULOS, que lista todas as pessoas físicas ou jurídicas de interesse da administração previdenciária em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, representantes legais ou não, indicando o tipo de vínculo existente e o período correspondente; Avulta, portanto, que a atuação do auditor fiscal notificante, no que tange à constituição da Relação de Vínculos não se encontra impregnada de qualquer discricionariedade nem, tampouco, ilegalidade. Ela decorre, pura e simplesmente, da natureza vinculada de seu oficio. Em relação ao grupo econômico, a fiscalização analisou atas e contratos sociais bem como a evolução histórica do capital social das sociedades empresárias em análise, verificando que existia a relação de controladora e controlada entre as elas, conforme se verifica abaixo do decisum recorrido [fls. 708 e ss]: […] Conforme destacado pela Fiscalização, com base nas alterações contratuais que compõem os Anexos II e IV e bem assim na informação prestada pela Skippi Indústria de Alimentos Ltda. (Anexo V), em resposta ao Termo de Intimação Fiscal n.o 3, verificase que esta empresa e a impugnante estiveram estabelecidas no mesmo endereço – Estrada do Quilombo, n.os 645/649 e 5000/5005, bairro Lomba Grande, no município de Novo Hamburgo/RS – nos períodos de 25 de outubro de 2001 a 22 de junho de 2007 e de 26 de novembro de 2009 a 09 de setembro de 2010. Notese também que, embora a impugnante tenha alterado seu endereço para a Rua Alberto Scherer, n.o 109, bairro Rio Branco, São Leopoldo/RS, conforme alteração de contrato social arquivada na Junta Comercial do Estado do Rio Grande do Sul em 1.o de setembro de 2010, a Fiscalização constatou, mediante diligência realizada no local, que nesse endereço havia “apenas um pavilhão, sem qualquer sinalização indicando o nome da empresa, o qual se encontrava fechado”. Aliás, ainda quanto ao real e efetivo endereço da impugnante, constatase, pelo exame do rótulo de um produto dessa empresa, a “Paleta Defumada de Suíno” (Anexo VI), fabricado em 14 de junho de 2011 – i.e., após a alteração de endereço para o município de São Leopoldo/RS, ocorrida a partir de setembro de 2010 –, que este apresenta a seguinte inscrição: “Fazenda Tradição Alimentos Ltda. Fábrica de Conserva de Produtos Cárneos Estrada do Quilombo, 5000 Lomba Grande Novo Hamburgo RS”, ou seja, o mesmo endereço da empresa Skippi Indústria de Alimentos Ltda. Fl. 801DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 11065.722492/201111 Acórdão n.º 2302002.195 S2C3T2 Fl. 47 23 Em relação ao quadro societário, verificase que tanto a impugnante quanto a Skippi Indústria de Alimentos Ltda. tiveram inicialmente, como sócioadministrador, Sérgio Luiz Kehl, que detinha 98% e 68% do capital dessas empresas, respectivamente. No tocante à empresa Skippi Indústria de Alimentos Ltda., observase que, por meio da alteração contratual arquivada na Junta Comercial em 25 de outubro de 2001, retirouse da sociedade a sócia Magda Suzana Dornelles, que transferiu sua cota de capital para seus filhos Daniel Dornelles Kehl e Marcelo Dornelles Kehl, então com 13 e 12 anos de idade, respectivamente, representados por seus pais Magda Suzana Dornelles e Sérgio Luiz Kehl. Posteriormente, através da alteração arquivada em 23 de setembro de 2005, retirouse dessa empresa também o sócio Sérgio Luiz Kehl, ficando a administração da sociedade a cargo do sócio Daniel Dornelles Kehl, então menor emancipado. Verificase, contudo, por meio do Termo de Constatação e de Intimação Fiscal n.o 1 (Anexo III) e respectiva resposta (Anexo IIIA), que essa última alteração contratual foi apenas formal, porquanto Daniel Dornelles Kehl, embora qualificado como sócioadministrador da Skippi Indústria de Alimentos Ltda., não administrava a empresa, ficando tal mister a cargo de Giovana Dutra Barth, empregada contratada como gerente administrativa. Quanto a Giovana Dutra Barth, observase (Anexo IIIA) que esta foi empregada da Fazenda Tradição Alimentos Ltda., no período de 14 de fevereiro de 2002 a 04 de junho de 2003. E também figurou como testemunha na alteração de contrato social dessa empresa arquivada em 19 de novembro de 2009, i.e., mais de seis anos após sair da Fazenda Tradição Alimentos Ltda., quando já trabalhava para a Skippi Indústria de Alimentos Ltda. Notese, finalmente, que ambos os sócios da Skippi Indústria de Alimentos Ltda. – Daniel Dornelles Kehl e Marcelo Dornelles Kehl – são qualificados como estudantes. Não procede, portanto, a afirmação da impugnante no sentido de que ela e a empresa Skippi Indústria de Alimentos Ltda. “encontramse separadas fisicamente de fato e de direito”. Por outras palavras, a empresa Skippi Indústria de Alimentos Ltda. não é, de fato, independente em relação à Fazenda Tradição Alimentos Ltda. Tratase, à evidência, de grupo de empresas de caráter familiar, em que o comando sempre permaneceu com o administrador e principal sócio da impugnante, Sérgio Luiz Kehl. Verificase, portanto, que o relatório fiscal foi detalhado ao especificar a existência e configuração do grupo econômico de fato. A caracterização do grupo econômico decorre da conformação fixada no §2º do art. 2º do DecretoLei n ° 5.452/43 CLT. Consolidação das Leis do Trabalho CLT Fl. 802DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 24 Art. 2º Considerase empregador a empresa, individual ou coletiva, que, assumindo os riscos da atividade econômica, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviço. (...) § 2º Sempre que uma ou mais empresas, tendo, embora, cada uma delas, personalidade jurídica própria, estiverem sob a direção, controle ou administração de outra, constituindo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica, serão, para os efeitos da relação de emprego, solidariamente responsáveis a empresa principal e cada uma das subordinadas. Nessa mesma toada estatui o art. 748 da Instrução Normativa SRP nº 3, de 14 de julho de 2005, vigente à ocasião dos fatos geradores, in verbis: Instrução Normativa SRP nº 3, de 14 de julho de 2005 Art. 748. Caracterizase grupo econômico quando duas ou mais empresas estiverem sob a direção, o controle ou a administração de uma delas, compondo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica. Art. 749. Quando do lançamento de crédito previdenciário de responsabilidade de empresa integrante de grupo econômico, as demais empresas do grupo, responsáveis solidárias entre si pelo cumprimento das obrigações previdenciárias na forma do art. 30, inciso IX, da Lei nº 8.212, de 1991, serão cientificadas da ocorrência. Tais elementos, ancorados por outros descritos em tópicos diversos neste voto, demonstram a existência, de fato, de grupo econômico, para fins de imputação de responsabilidade solidária, nos termos do art. 30, inciso IX da Lei n º 8.212 de 1991. 3.5dos fatos geradores de contribuições previdenciárias Alega o recorrente que o auto de infração sob exame é improcedente, em razão da ausência de provas da ocorrência do fato gerador. Com efeito, conforme já salientado alhures, a competência do fisco federal não se confunde com a da Justiça do Trabalho, não a substitui nem a ela se sobrepõe. Elas são distintas e possuem competências próprias, as quais não são excludentes. Nesse contexto, compete à Secretaria da Receita Federal do Brasil, à época Secretaria da Receita Previdenciária, dentre outras atribuições, zelar pelo correto enquadramento dos segurados obrigatórios do Regime Geral de Previdência Social, na conformidade estabelecida pelo art. 12 da Lei nº 8.212/91 c.c. art. 9º do Regulamento da Previdência Social, bem como cuidar do efetivo cumprimento das obrigações tributárias, principal e acessórias, previstas na legislação previdenciária. Compulsando as provas do caso em exame, amplamente coligidas aos autos, verificamos que o auditor fiscal notificante detalhou, pormenorizadamente, os motivos que o levaram a imputar à recorrente a condição de sujeito passivo pelas obrigações tributárias em apreço. Conforme já salientado, vigora no direito previdenciário o princípio da primazia da realidade sobre a forma, razão pela qual se ensejou caracterizar empregados (na visão do Direito do Trabalho) formalmente registrados na empresa SKIPPIcomo segurados Fl. 803DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 11065.722492/201111 Acórdão n.º 2302002.195 S2C3T2 Fl. 48 25 empregados (na acepção do Direito Previdenciário) diretamente na empresa notificada, em virtude de estarem presentes, no entender da fiscalização, os elementos essenciais caracterizadores de tal situação jurídica descritos na Lei nº 8.212/91. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: I como empregado: a) aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado; Para a configuração da relação securitária de segurado empregado é necessário que estejam presentes os requisitos da pessoalidade, da alteralidade, da não eventualidade, da onerosidade e da subordinação jurídica, de forma muito semelhante como ocorre na relação de emprego atávica ao Direito do Trabalho. O critério da subordinação jurídica ressalta o estado pessoal de sujeição do segurado ao poder hierárquico da empresa, pelo qual o empregado deve acolher o poder de direção do empregador no modo de realização de sua obrigação de fazer, quando, onde, com que eficiência e sob as ordens diretas de quem. O elemento “subordinação jurídica”, entretanto, deve ser entendido cum grano salis, temperado sobretudo pelo princípio da primazia da realidade, já abordado anteriormente. Isso porque, nem sempre quem figura como empregador no contrato formal de trabalho, é de fato, aquele que exerce o papel ativo na relação de subordinação. Por tal motivo, a relação de subordinação tem que ser estabelecida entre o subordinado e o real subordinante, isto é, aquele que, de fato, detém o poder superior de comando da atividade e pode exercer, ao seu único e exclusivo alvedrio, a faculdade de dispensar, mesmo sem justa causa, o empregado. Seja qual for a forma do trabalho subordinado, encontramse presentes, mesmo que potencialmente, os seguintes direitos do empregador: a)de direção e de comando, cabendolhe determinar as condições para a utilização e aplicação concreta da força de trabalho do empregado, nos limites do contrato; b)de controle, que é o de verificar o exato cumprimento da prestação do trabalho executado; c)de aplicar penas disciplinares, em caso de inadimplemento de obrigação contratual; d)de demissão, mesmo sem justa causa, observada a gama de direitos de titularidade do trabalhador. Não é surpresa alguma atribuirse a essa faculdade do empregador de demissão ad nutum do empregado a causa determinante da subordinação, que move o Fl. 804DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 26 empregado a seguir as orientações prescritas pelo empregador de fato, não por quem figura como tal no contrato de trabalho e não a detém ao seu livre arbítrio. No caso vertente, as provas trazidas aos autos demonstram que a empresa SKIPPI encontramse subordinadas à Fazenda Tradição Alimentos Ltda. [fl. 714]: Quanto à prova de que a impugnante interferia, não apenas em questões técnicas, mas em todo o sistema produtivo da Skippi Indústria de Alimentos Ltda., foi ela feita tanto pela Fiscalização, quanto pela própria Fazenda Tradição Alimentos Ltda., mediante a juntada, aos autos, do contrato de industrialização por encomenda, já examinado neste voto. Também não se pode olvidar a seqüência de alterações contratuais colacionadas pela Fiscalização, que demonstram a saída dos sócios principais das empresas envolvidas, em benefício de seus filhos – que, inicialmente, ainda menores de idade, foram representados por aqueles mesmos sócios, e que sempre mantiveram a qualificação de “estudantes”, não exercendo, efetivamente, a administração de “suas” empresas. Quanto aos documentos concernentes a remessas de matéria prima da impugnante para industrialização por terceiros, são estes inócuos em relação ao presente lançamento, na medida em que tais remessas não têm, em princípio, qualquer relação com aquelas supostamente ocorridas entre a Fazenda Tradição Alimentos Ltda. e a Skippi Indústria de Alimentos Ltda., objeto da verificação fiscal. Nada impede que a impugnante tenha real e efetivamente remetido matériasprimas para industrialização por outras empresas, a par daquelas operações de industrialização realizadas por ela mesma, utilizandose da Skippi Indústria de Alimentos Ltda. como empresa interposta no tocante à contratação de mãode obra. […] Examinado o contrato em apreço, constatase a total subordinação da Skippi Indústria de Alimentos Ltda. em relação à Fazenda Tradição Alimentos Ltda. E isto, porque a impugnante tem a seu cargo, a um, o fornecimento do plano de produção mensal; a dois, o fornecimento das “especificações técnicas e formulações” a serem observadas na industrialização de produtos alimentícios da marca “Fazenda Tradição”; a três, o fornecimento, conforme o plano de produção, das matérias primas e demais materiais necessários à industrialização, “proporcionando condições técnicas de produção”; a quatro, o fornecimento de máquinas especiais para industrialização de seus produtos, responsabilizando se, ainda, pela manutenção e inovação tecnológica dos maquinários e instalações da planta. Deve, ainda, contribuir para a implementação e, se necessário, assumir – o que, na prática, efetivamente ocorre – os encargos de energia elétrica, geração de vapor, “para garantir o bom andamento da qualidade que seus produtos demandam”. Tem, também, a obrigação de atender o plano de manutenção técnica do maquinário para não prejudicar o processo produtivo e de acompanhar todas as mudanças necessárias para o bom andamento das atividades produtivas. Já a Skippi Indústria de Alimentos Ltda., em última análise, responde tão somente pela entrega dos produtos industrializados nos prazos definidos pelo plano de produção Fl. 805DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 11065.722492/201111 Acórdão n.º 2302002.195 S2C3T2 Fl. 49 27 estabelecido pela Fazenda Tradição Alimentos Ltda., sujeitando se às multas e outros encargos originados pelo atraso nessa entrega. Notese que, mesmo em relação à responsabilidade técnica pela industrialização, a Skippi Indústria de Alimentos Ltda. está expressamente sujeita à “inspeção diária da contratante, que desenvolverá um plano de trabalho de acompanhamento do processo industrial, que contará com a verificação dos processos por profissionais indicados pela contratante”, profissionais esses que têm “livre acesso ao parque industrial da contratada” e bem assim “a liberdade de interferir no processo de maneira técnica para identificar e redimensionar procedimentos para minimizar eventuais problemas de produção, visando sempre o padrão de qualidade exigido pela contratante”. A Skippi Indústria de Alimentos Ltda. não tem autonomia nem mesmo em relação ao preço da industrialização, cuja fixação, na forma avençada, é definido levando em conta cada produto industrializado, considerando todos os itens constantes no contrato, e, ainda, todos os tributos incidentes sobre o valor da industrialização. A impugnante controla, portanto, toda a atividade de produção da empresa Skippi Indústria de Alimentos Ltda., ficando a cargo desta última tãosomente o fornecimento da mãodeobra necessária ao processo de industrialização. O Relatório Fiscalfoi rigoroso no mister de informar, detalhadamente, todos os motivos que desaguaram na caracterização de trabalhadores formalmente registrados na empresa SKIPPI (aspecto formal) como segurados empregados diretamente na empresa notificada (aspecto realidade), bem como sobre a interdependência financeira e administrativa entre as empresas do grupo [fls. 705 e ss]: No tocante à operação de industrialização por encomenda, apontada pela impugnante, cumpre observar, antes de mais nada, que o ADI RFB n.o 26/2008, transcrito na peça de impugnação, não se refere à industrialização por encomenda, mas, sim, ao conceito de industrialização, mais especificamente, à “caracterização de industrialização para fins de apuração das bases de cálculo do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido”, tanto que remete ao artigo 4.o do Decreto n.o 4.544, de 26 de dezembro de 2002 – atualmente vigente nos termos do Decreto n.o 7.212, de 15 de junho de 2010 –, que define “industrialização”. Ou seja, remete às definições de industrialização, contidas na legislação que trata do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, com vistas à apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. De qualquer sorte, “o fato subjacente ao auto de infração”, para usar a terminologia adotada pela impugnante, não corresponde a operações de industrialização, mas sim às relações de trabalho efetivamente existentes entre a Fazenda Tradição Alimentos Ltda. e os trabalhadores (segurados empregados e segurados contribuintes individuais) contratados pela empresa Skippi Indústria de Alimentos Ltda. Fl. 806DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 28 Evidentemente, a partir da correta identificação do efetivo tomador dos serviços dos trabalhadores contratados através dessa empresa, fica comprometida a suposta industrialização por encomenda, pois se há industrialização, o que não se discute, não há, todavia, que se falar em “encomenda”, na medida em que encomenda não há, mas, sim, a realização de operações de industrialização pela própria impugnante, através de trabalhadores contratados por meio da empresa interposta Skippi Indústria de Alimentos Ltda. Também por isso não há que se falar em cessão de mãodeobra ou prestação de serviços para a impugnante. No tocante ao princípio da tipicidade cerrada e à tributação com o uso de interpretação extensiva, não se vislumbra, em face da situação efetivamente verificada pela Fiscalização, onde, no presente lançamento, tenha havido a inobservância daquele princípio ou o uso dessa interpretação no tocante às normas que tratam da incidência das contribuições previdenciárias patronais. Evidentemente, os contribuintes não são obrigados a escolher a forma de tributação que lhes seja mais onerosa, podendo optar por aquela que mais lhes convenha, dentre as formas em direito admitidas, e desde que a forma jurídica adotada seja real. Não é, todavia, a simples prática do “ato com propósitos econômicos, movido pelo interesse de incrementar sua atividade econômica” que determina a licitude do “planejamento tributário” adotado pela impugnante, mormente quando verificada a contratação e pagamento de remuneração de trabalhadores através de empresa interposta, com o objetivo de evitar a obrigação de recolher as contribuições previdenciárias patronais devidas sobre a remuneração dos trabalhadores assim contratados. Também não há, sob pena de esvaziarse a obrigatoriedade das normas que estabelecem a incidência das contribuições previdenciárias patronais, como se aceitar o argumento de que o procedimento assim adotado estaria justificado em função dos altos custos gerados pela “incidência de encargos sociais”. Igualmente não se observa, em relação à impugnante, qualquer “otimização de suas estruturas produtivas e comerciais”, que continuaram as mesmas, passando, apenas documentalmente, a ser exploradas por outra pessoa jurídica. Também não se verifica tenha a “joint venture” em apreço atraído os investimentos de qualquer empresa para dentro do parque industrial. Este, à evidência, pelo que demonstra a Fiscalização, continuou basicamente o mesmo, apenas com a substituição da impugnante pela empresa Skippi Indústria de Alimentos Ltda. Na verdade, a impugnante confirma o porquê da adoção do “planejamento tributário”, qual seja o de que, para não encerrar suas atividades, o que ocorreria se contratasse empregados, pagando todas as contribuições incidentes sobre a folha de salários, optou por estabelecer em seu lugar uma outra empresa, enquadrada no Simples, a qual, embora contratando tais trabalhadores, não estaria sujeita aos mesmos encargos previdenciários, vale dizer, a todas as contribuições incidentes sobre a folha de salários. Fl. 807DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 11065.722492/201111 Acórdão n.º 2302002.195 S2C3T2 Fl. 50 29 […] No tocante à regra matriz de incidência tributária da contribuição previdenciária patronal, verificase que, efetivamente, não houve o pagamento de remuneração efetuado diretamente pela impugnante aos trabalhadores considerados no lançamento. Tal fato, contudo, não infirma o lançamento ora impugnado, na medida em que se mostra coerente com o procedimento adotado pela impugnante, que consiste exatamente na contratação, utilização e pagamento de trabalhadores através de empresa interposta. No caso em tela, conforme adiante se verá, tanto a contratação quanto o pagamento das remunerações dos trabalhadores considerados no lançamento foi efetuado pela impugnante, por meio da empresa interposta Skippi Indústria de Alimentos Ltda., havendo, em conseqüência, sido observado o critério material da hipótese de incidência das contribuições objeto do presente lançamento. […] no tocante à movimentação de empregados, verifica se que ocorreu a efetiva migração de trabalhadores da Fazenda Tradição Alimentos Ltda. para a Skippi Indústria de Alimentos Ltda., e não apenas “algumas demissões e contratações” como pretende a impugnante. Nesse sentido, a Fiscalização apresenta tabela comparativa (Anexo VII), elaborada com base nas GFIPs da impugnante, através da qual, observandose o número de segurados empregados das duas empresas no período de janeiro de 2002 a dezembro de 2009, constatase a redução do quadro de trabalhadores a serviço da Fazenda Tradição Alimentos Ltda. e o aumento do quadro de trabalhadores a serviço da Skippi Indústria de Alimentos Ltda. Percebese, ainda, que essas alterações nos quantitativos de trabalhadores das empresas envolvidas não ocorreram de forma aleatória, mas sim de maneira gradual e coordenada. Assim é que, primeiro, no início do período considerado (janeiro de 2002), a impugnante possuía 83 empregados, enquanto a Skippi Indústria de Alimentos Ltda. contava a seu serviço apenas três, perfazendo entre ambas, portanto, um total de 86 trabalhadores; ao final do período (dezembro de 2009), quase invertendose esses quantitativos, enquanto a Fazenda Tradição Alimentos Ltda. não possuía mais empregados, a Skippi Indústria de Alimentos Ltda. tinha a seu serviço o mesmo total de 86 trabalhadores. Segundo, que também houve coincidência nas alterações dos quantitativos de empregados ao longo do período, de sorte que à cada redução no número de trabalhadores de uma empresa correspondia, na mesma competência, o aumento no número de trabalhadores a serviço da outra. Assim, por exemplo, nas competências novembro de 2002 a janeiro de 2003, em que a impugnante reduziu o número de empregados de 71 para 50, enquanto a Skippi Indústria de Alimentos Ltda. passou de 13 para 35 empregados. E, terceiro, que por duas vezes, uma na competência novembro de 2002, envolvendo 18 trabalhadores, outra na competência novembro de 2005, também Fl. 808DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 30 englobando 18 trabalhadores, a impugnante demitiu empregados que foram contratados pela Skippi Indústria de Alimentos Ltda. nas competências janeiro de 2003 e dezembro de 2005, respectivamente. A relação dos 36 trabalhadores assim demitidos/contratados compõe o Anexo VIII. Assim, ante às evidências de interdependência administrativa e financeira entre as empresas, unicidade de comando exercida pelaFAZENDA TRADIÇÃO, registradas a fartura no curso da ação fiscal, e devidamente comprovadas no autos, outra opção não se mostrou viável ao auditor fiscal notificante, em razão do caráter vinculado de seu atuar de ofício, de proceder ao lançamento tributário em exame em face do ora recorrente, uma vez que as demais sociedades empresárias integrantes do grupo econômico, Skippi Indústria de Alimentos Ltda., revelouse meramente interpostas empresa na contrafação formal de mão de obra, a qual era utilizada, efetivamente, na produção da empresa controladora, com o principal objetivo de redução de encargos previdenciários, valendose de suas condições de empresas optantes pelo simples. As provas apuradas pela fiscalização e devidamente demonstradas no relatório fiscal e em seus anexos confirmam que o único objetivo da existência da sociedade empresária SKIPPIé o de reduzir a carga tributária e encargos trabalhistas da empresa Recorrente, eis que esta não poderia optar pelo Simples em função da receita bruta ser superior ao limite legal, conforme informação constante no relatório fiscal. Pelo exposto restou caracterizada a plena vinculação entre as empresas. Por todos os fatos apontados pela fiscalização e demonstrados nos autos é possível firmar com convicção que os atos praticados pelas empresas contratadas somente existiram no papel. Os documentos contrato social, notas fiscais, registros de empregados, contabilidade, etc. foram elaborados apenas para conferir aparência de regularidade a uma série de atos que efetivamente nunca existiram. Dessarte, em virtude da ampla dependência das contratadas em relação à empresa Recorrente, e considerando que de fato se tratou de interposta pessoa, andou bem a fiscalização ao estabelecer o vínculo previdenciário (não o vínculo trabalhista) dos segurados obrigatórios diretamente com a recorrente. Com efeito, ante a primazia da realidade sobre a forma, a subordinação, a remuneração, a pessoalidade e a não eventualidade restaram presentes na relação jurídica de fato existente entre a recorrente e os segurados contratados por meio das “empresas de fachada”. Uma relação jurídica sem qualquer objetivo econômico, considerandose a não operacionalidade das empresas contratadas, e cuja única finalidade seja de natureza tributária, in casu o não recolhimento da cota patronal das contribuições previdenciárias, mediante a constituição de empresas com faturamento adequado para figurar como microempresa ou empresa de pequeno porte, e assim, se subjugar ao regramento do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte, não pode ser chancelada como um comportamento lícito. As provas coletadas demonstram cabalmente que a empresa SKIPPI foi criada para prestar serviços à Recorrente, absorvendo a grande maioria dos empregados desta. É sabido que a intermediação de mão de obra é vedada pelo Direito do Trabalho, formandose o vínculo empregatício diretamente com o tomador dos serviços, salvo nas hipóteses de trabalho temporário ou nos casos de contratação de serviços de vigilância, conservação e limpeza, bem como de serviços especializados ligados à atividademeio do Fl. 809DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 11065.722492/201111 Acórdão n.º 2302002.195 S2C3T2 Fl. 51 31 tomador, desde que inexistentes a pessoalidade e a subordinação direta, nos termos do entendimento consubstanciado no Enunciado 331, incisos I e III, do TST, hipóteses em que, no regramento da Lei nº 8.212/91, se subjugam ao regime da retenção de contribuições previdenciárias prevista no art. 31 desse mesmo Diploma Legal. Enunciado nº 331 do TST Contrato de Prestação de Serviços Legalidade I A contratação de trabalhadores por empresa interposta é ilegal, formandose o vínculo diretamente com o tomador dos serviços, salvo no caso de trabalho temporário (Lei nº 6.019, de 03.01.1974). (grifos nossos) II A contratação irregular de trabalhador, mediante empresa interposta, não gera vínculo de emprego com os órgãos da administração pública direta, indireta ou fundacional (art. 37, II, da CF/1988). (Revisão do Enunciado nº 256 TST) III Não forma vínculo de emprego com o tomador a contratação de serviços de vigilância (Lei nº 7.102, de 2006 1983), de conservação e limpeza, bem como a de serviços especializados ligados à atividademeio do tomador, desde que inexistente a pessoalidade e a subordinação direta. IV O inadimplemento das obrigações trabalhistas, por parte do empregador, implica a responsabilidade subsidiária do tomador dos serviços, quanto àquelas obrigações, inclusive quanto aos órgãos da administração direta, das autarquias, das fundações públicas, das empresas públicas e das sociedades de economia mista, desde que hajam participado da relação processual e constem também do título executivo judicial (art. 71 da Lei nº 8.666, de 21.06.1993). (Alterado pela Res. 96/2000, DJ 18.09.2000) No âmbito previdenciário, os §§ 3º e 6º do art. 33 da Lei nº 8.212/91 oferece, nessas hipóteses, ferramentas para atuação fiscal conferindo ao auditor a competência para apurar, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, sempre que a escrituração contábil ou qualquer outro documento da empresa não registrar o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas d e e do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 2001). Fl. 810DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 32 (...) §3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) §6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. Nesse mesmo sentido, de maneira complementar, o CTN dispõe que, nos casos em que reste comprovados simulação, fraude ou dolo, a autoridade fazendária tem o poder/dever de efetuar o lançamento de ofício, a teor do art. 149, VII do CTN. Código Tributário Nacional CTN Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: (...) VII – quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; A fiscalização demonstrou a ocorrência de simulação para fins de fraude fiscal. Não é possível que uma empresa possa realizar sua atividade industrial sem a utilização de um quantitativo adequado de empregados. A terceirização é uma atividade lícita, mas somente nas hipóteses versadas no Enunciado 331 do TST, nunca na atividade fim. O único objetivo econômico com tal ato foi diminuir os encargos previdenciários por meio da contratação de interpostas pessoas jurídicas optantes pelo Simples. Para tanto, a recorrente passou a registrar seus empregados em nome de sociedade empresária, deixando de reconhecer, indevidamente, as contribuições sobre a folha de salários a cargo dos empregadores. A SKIPPI encontravase, de fato, sediada no mesmo endereço da Recorrente. No caso em tela, restou constatado que a impugnante utilizouse da empresa Skippi Indústria de Alimentos Ltda., com a finalidade específica (“quis o resultado”) de evitar o pagamento das contribuições previdenciárias patronais devidas e incidentes sobre a remuneração dos trabalhadores contratados através desta, na condição de empresa interposta. É o que se pode concluir à vista de todo o procedimento adotado pela impugnante, aqui consideradas as questões já examinadas no presente voto, especialmente aquelas atinentes à situação cadastral das empresas envolvidas no procedimento fiscal, à movimentação de empregados entre a impugnante e a Skippi Indústria de Alimentos Ltda. e ao contrato de industrialização por encomenda, em que se vislumbra a clara intenção de impedir o conhecimento por parte da autoridade fazendária acerca da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, ou seja, sonegar contribuições previdenciárias. Vislumbrase, no caso, a ocorrência de sonegação, como definida no artigo 71, inciso I, da Lei n.o 4.502/64, na medida em que todo o procedimento adotado pela Fl. 811DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 11065.722492/201111 Acórdão n.º 2302002.195 S2C3T2 Fl. 52 33 impugnante e pela empresa Skippi Indústria de Alimentos Ltda., levou a Receita Federal do Brasil a acreditar que a impugnante estava em dia com suas obrigações tributárias, mascarando a situação irregular em que se encontrava, somente identificada após o trabalho de fiscalização. Pelo exposto, não procede a tese de defesa de que inexistiria qualquer elemento a denotar a existência dos vínculos empregatícios entre a recorrente e os segurados. Não procede, igualmente, o argumento recursal de que haveria dúvida razoável sobre as circunstâncias materiais do fato e de que as conclusões emanadas pela fiscalização não passam de meros indícios e presunções. Primeiramente o fato gerador não é presumido, pois foi demonstrada a liame jurídico efetivamente com a autuada. Afinal a forma não pode prevalecer sobre a realidade. Uma vez que os fatos geradores ocorreram, deveriam ter sido contabilizados nos livros da Recorrente, bem como preparadas as respectivas folhas de pagamento. Não se pode confundir presunção com provas materiais. A presunção legal é uma das provas admitidas em direito, contudo esta não foi utilizada no presente caso. A fiscalização apurou e colacionou os elementos probatórios com base em documentação e fatos. A recorrente remunerou, de fato, segurados empregados por meio de interposta pessoa jurídica, configurandose nos termos da lei como o sujeito passivo das obrigações tributárias sub oculi. Não merece prosperar também o argumento da recorrente de que teria sido lícita a terceirização realizada. Conforme demonstrado, a terceirização somente será lícita nos casos de trabalho temporário, serviços de vigilância, conservação e limpeza, e contratação de serviços especializados ligados à atividademeio do tomador e, ainda assim, se inexistentes os pressupostos inerentes ao contrato de emprego, na forma insculpida no art. 3º da CLT, máxime a pessoalidade e a subordinação jurídica. No presente caso, não se cogita de contratação de serviços especializados ligados à atividademeio do tomador de serviços, mas sim de autêntico repasse da atividadefim, motivo pelo qual não se pode ter como lícita a terceirização havida. A subordinação jurídica é a nota distintiva, por excelência, do contrato de emprego, visto ser o seu elemento caracterizador. Na hipótese em exame, ao determinar as bases da relação empregatícia, estipulando o valor da remuneração, assumindo os riscos de seu empreendimento, colocando as dependências físicas, os instrumentos, equipamentos e materiais de trabalho à disposição do trabalhador, deixando a sua atividadefim sob a responsabilidade destes, a recorrente exercia, sem dúvida, sobre os segurados em tela os poderes de direção/comando e de controle, caracterizadores da subordinação jurídica. Patente verificase, pois, in casu, que entre a recorrente e os segurados existiu verdadeiro vínculo empregatício sob o rótulo de contrato de prestação de serviço, vez que realça desse vínculo a subordinação jurídica do obreiro à recorrente. Melhor sorte não se encontra reservada para o argumento recursal fundado na alegação de ausência de provas da ocorrência do fato gerador. As demonstrações e meios probatórios acostados aos autos constituemse provas documentais das alegações do fisco. Citese, por relevante, que o lançamento tributário consubstanciase num Ato Administrativo por excelência, gozando dos atributos de legitimidade e veracidade. Além disso, conforme consignado no relatório “Fundamentos Legais do Débito”, a fl. 73, o lançamento teve por espeque legal os §§ 3º e 6º do art. 33 da Lei nº 8.212/91, operando, por consequência, a inversão do ônus da prova. 3.6 TERCEIROS Fl. 812DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 34 Aduz, ainda, a recorrente que as contribuições devidas à Seguridade Social referentes aos FNDE, INCRA, SESC, SENAI e SEBRAE são inconstitucionais, não devendo, portanto, o débito lançado prosperar. Não obstante o bom arrazoado pela empresa, no meu entendimento, o decisum recorrido merece prosperar incólume. Isso porque, a apreciação de matéria constitucional em tribunal administrativo exacerba sua competência originária que é a de órgão revisor dos atos praticados pela Administração, bem como invade competência atribuída especificamente ao Judiciário pela Constituição Federal. No Capítulo III do Título IV, especificamente no que trata do controle da constitucionalidade das normas, observase que o constituinte teve especial cuidado ao definir quem poderia exercer o controle constitucional das normas jurídicas. Decidiu que caberia exclusivamente ao Poder Judiciário exercêla, especialmente ao Supremo Tribunal Federal. Permitir que órgãos colegiados administrativos reconhecessem a constitucionalidade de normas jurídicas seria infringir o disposto na própria Constituição Federal, padecendo, portanto, a decisão que assim o fizer, ela própria, de vício de constitucionalidade, já que invadiu competência exclusiva de outro Poder. O professor Hugo de Brito Machado in “Mandado de Segurança em Matéria Tributária”, Ed. Revista dos Tribunais, páginas 302/303, assim concluiu: “A conclusão mais consentânea com o sistema jurídico brasileiro vigente, portanto, há de ser no sentido de que a autoridade administrativa não pode deixar de aplicar uma lei por considerála inconstitucional, ou mais exatamente, a de que a autoridade administrativa não tem competência para decidir se uma lei é, ou não é inconstitucional.” No mais, o próprio Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e a súmula nº 02 do mesmo órgão trazem a regra proibitiva nesse sentido: Portaria nº 256, de 22 de junho de 2009 (que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais): “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.” “Súmula CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Diante do exposto, rejeito as alegações feitas pela empresa no que se refere à inconstitucionalidade. 3.7Da SELIC Quanto à inconstitucionalidade apontada pela recorrente, não cabe tal análise na esfera administrativa. Não é de competência da autoridade administrativa a recusa ao cumprimento de norma supostamente inconstitucional. Fl. 813DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 11065.722492/201111 Acórdão n.º 2302002.195 S2C3T2 Fl. 53 35 Toda lei presumese constitucional e, até que seja declarada sua inconstitucionalidade pelo órgão competente do Poder Judiciário para tal declaração ou exame da matéria, deve o agente público, como executor da lei, respeitála. A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições. De acordo com a Súmula n ° 2 aprovada pelo Conselho Pleno do 2º Conselho de Contribuintes não pode ser declarada a inconstitucionalidade de norma pela Administração. Súmula N ° 2 O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. No sentido da aplicabilidade da taxa Selic, o Plenário do 2º Conselho de Contribuintes aprovou a Súmula de n 3, nestas palavras: Súmula N º 3 É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic para títulos federais 4CONCLUSÃO Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR Relator Fl. 814DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI
score : 1.0
Numero do processo: 19515.000772/2007-54
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 22 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2002, 2003
CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP - COMPENSAÇÃO
A partir da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002, a compensação no âmbito da Receita Federal deve ser declarada, informando-se os créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados, mesmo que entre tributos da mesma espécie.
INCONSTITUCIONALIDADE DA MULTA DE OFÍCIO
Aplicação da Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3403-002.023
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Antonio Carlos Atulim - Presidente
Raquel Motta Brandão Minatel Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim (Presidente), Raquel Motta Brandao Minatel, Marcos Tranchesi Ortiz, Ivan Allegretti, Alexandre Kern e Rosaldo Trevisan.
Nome do relator: RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2002, 2003 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP - COMPENSAÇÃO A partir da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002, a compensação no âmbito da Receita Federal deve ser declarada, informando-se os créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados, mesmo que entre tributos da mesma espécie. INCONSTITUCIONALIDADE DA MULTA DE OFÍCIO Aplicação da Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido
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INCONSTITUCIONALIDADE DA MULTA DE OFÍCIO Aplicação da Súmula CARF nº 2: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2002, 2003 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP COMPENSAÇÃO A partir da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002, a compensação no âmbito da Receita Federal deve ser declarada, informandose os créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados, mesmo que entre tributos da mesma espécie. INCONSTITUCIONALIDADE DA MULTA DE OFÍCIO Aplicação da Súmula CARF nº 2: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 07 72 /2 00 7- 54 Fl. 561DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 25 /09/2013 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por ANTONIO CARLOS AT ULIM 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Antonio Carlos Atulim Presidente Raquel Motta Brandão Minatel – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim (Presidente), Raquel Motta Brandao Minatel, Marcos Tranchesi Ortiz, Ivan Allegretti, Alexandre Kern e Rosaldo Trevisan. Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado em 27/3/2007 para cobrança do Programa de Integração Social PIS (fls. 185/188), no período julho de 2002 a março de 2003, e da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social Cofins (fls. 193/196), no período julho de 2002 a dezembro de 2003, em razão de suposta insuficiência de recolhimento ou de diferenças entre o valor escriturado, o valor declarado e o valor pago, resultando em apuração de crédito tributário no montante de R$ 311.062,34 de PIS, e de R$ 3.855.815,85 de Cofins, inclusos os valores do principal, dos juros moratórios e da multa de ofício. De acordo com o Termo de Constatação Fiscal (fls. 179/181) o contribuinte teria apurado em sua contabilidade valores de PIS e Cofins superiores àqueles regularmente declarados e pagos. Durante o curso da ação fiscal o contribuinte teria transmitido DCTF´s, em 5/3/2007, declarando valores omitidos e comprovando o recolhimento do valor devido a título de IRPJ, além de parte dos débitos de PIS e de Cofins, sujeitandoa ao lançamento de ofício quanto ao remanescente de tais contribuições. A Recorrente tomou ciência da autuação em 29/3/2007 (fls. 197), apresentando Impugnação (fls. 213/265) em 27/4/2007, e Aditamento à Impugnação (fls. 315/336) em 12/6/2007, tidas como tempestivas (fls. 457). Na Impugnação, a Recorrente aduziu, entre outros argumentos, que todos os valores cobrados nos Autos de Infração foram quitados por meio de compensação, e que comprovaria a formalização dos respectivos PER/Dcomp´s, apresentados em 30/05/2007, 31/05/2007 e 10/06/2007, portanto após o protocolo da Impugnação, e foram juntados aos autos por meio de Aditamento à Impugnação, juntamente com a substituição das respectivas DCTF’s. No Aditamento à Impugnação, o contribuinte pugnou pelo seu cabimento e reiterou as assertivas expostas na Impugnação, acrescentando informações de que apurou créditos de pagamento a maior de Finsocial, IRPJ, CSLL, PIS e Cofins. Juntou documentos (fls. 337/453), dentre os quais se destacam os PER/Dcomp’s, transmitidos após a apresentação da Impugnação, de fls. 372/453. Inobstante as considerações e documentos juntados pela Recorrente, a 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo ISP, DRJSPO Fl. 562DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 25 /09/2013 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por ANTONIO CARLOS AT ULIM Processo nº 19515.000772/200754 Acórdão n.º 3403002.023 S3C4T3 Fl. 562 3 julgou improcedente a Impugnação, conforme se constata no acórdão n.º 1631.344, proferido em 11/5/2011, fls. 473/482. O supracitado acórdão, por unanimidade de votos, considerou procedente o lançamento e manteve o crédito tributário, sob as principais razões de que: 1. a escrita contábil da empresa, de fls. 155/177, revela quantias devidas a título de PIS e Cofins que, no período fiscalizado, não foram recolhidas nem confessadas em DCTF; 2. a Recorrente não comprovou a alegação de que comercializava produtos cujas receitas decorrentes estavam sujeitas a tributação com alíquota zero; 3. as planilhas de exclusão da base de cálculo do PIS e da Cofins, referentes aos produtos supracitados, carecem de valor probatório, pois não amparadas em livros e documentos contábeis e fiscais; 4. o ICMS compõe a receita bruta, nos termos do art. 279 do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto nº 3.000/99) e do art. 13, §1º, inciso I, da Lei Complementar nº 87/96; 5. os créditos apurados entre abril de 2003 e abril de 2007, referentes a PIS, Cofins, CSLL e IRPJ somente poderiam ser compensados a partir daquele momento com a entrega de Declarações de Compensação, nos termos do art. 74, §1º, da Lei nº 9.430/96; 6. não cabe análise, neste processo, das compensações efetuadas pela Recorrente; 7. a autoridade fiscal observou o dever de fiscalização, comprovado pelo “Termo de Solicitação de Esclarecimentos” de fls. 81/86; 8. a esfera administrativa não tem competência para analisar matérias que versem sobre a constitucionalidade ou ilegalidade de normas legais vigentes; e 9. a penalidade pela falta de recolhimento/declaração do tributo devido decorre da legislação de regência. A Recorrente, por sua vez, fora notificada do supracitado Acórdão em 14/10/2011, conforme Aviso de Recebimento (AR) de fls. 487 (verso). Irresignada, interpôs Recurso Voluntário (fls. 499/556) em 11/11/2011. Nessa oportunidade, a Recorrente reiterou e acrescentou, basicamente, os seguintes argumentos: 1. a Recorrente apurou créditos pelo pagamento indevido de contribuições sociais sobre a venda de produtos que, no período de abrangência do auto de infração sob exame, estavam sujeitos à alíquota zero pela legislação do PIS e da Cofins, a exemplo dos cigarros e dos produtos de higiene pessoal e toucador; 2. em períodos posteriores, a Recorrente apurou créditos de PIS e de Cofins através da exclusão do valor do ICMS da base de cálculo do PIS e da Cofins, procedendo, por sua conta e risco, à compensação dos débitos apurados com os referidos créditos; Fl. 563DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 25 /09/2013 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por ANTONIO CARLOS AT ULIM 4 3. os Autos de Infração são nulos de pleno direito, pois a fiscalização apurou débitos a recolher simplesmente porque os pagamentos não constavam nos dados da SRF e, portanto, descumpriram o dever de investigação contido no art. 142 do CTN; 4. o Auto de Infração é nulo de pleno direito, pois incluiu na base de cálculo do PIS e da Cofins a parcela referente ao ICMS e as receitas pela venda de produtos submetidos à alíquota zero. Dessa forma, apuraram quantias superiores às devidas; 5. a inclusão do valor do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins é inconstitucional, especialmente quanto às disposições das Leis nº 9.718/98, 10.637/02 e 10.865/04, pois subvertem o conceito de receita e faturamento esposado pela Constituição Federal, segundo variada coleção de argumentos, doutrina e jurisprudência; 6. a inclusão do valor do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins é igualmente inconstitucional por violar os princípios da imunidade recíproca (art. 150, VI, CF), da capacidade contributiva (art. 145, §1º, CF), da equidade, proporcionalidade e razoabilidade (art. 194, V, CF) e do nãoconfisco (art. 150, IV, CF); 7. a cobrança de multa de 75% é excessiva e confiscatória; 8. a compensação de tributos da mesma espécie pode ser feita pelo próprio contribuinte, sem necessidade de prévio requerimento ou autorização da autoridade fiscal; e 9. após as exclusões necessárias da base de cálculo das contribuições sociais, a Recorrente apurou os valores de PIS e de Cofins e compensouos integralmente. 10. a solicitação de diligência para comprovar as alegações da Recorrente fora desprezada no acórdão recorrido; 11. a Recorrente não anexou livros e documentos fiscais e contábeis por economia processual, tendo em vista que o volume de documentos seria impróprio e inadequado; 12. a autoridade fiscal deveria ter verificado de ofício o recolhimento indevido de PIS e Cofins sobre vendas de produtos submetidas à alíquota zero; e 13. o presente feito deveria ficar sobrestado até a conclusão dos processos administrativos relacionados às fls. 555, referentes às PER/DCOMP’s em andamento, sob o fundamento de que “a homologação destas compensações, anulam definitivamente a presente autuação” (fls. 556). Em seus pedidos, postulou pelo acolhimento do Recurso Voluntário apresentado, para que, assim, seja cancelado o débito fiscal e arquivado este processo administrativo. Em suma, é o relatório. Voto Conselheira Raquel Motta Brandão Minatel, Relatora Fl. 564DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 25 /09/2013 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por ANTONIO CARLOS AT ULIM Processo nº 19515.000772/200754 Acórdão n.º 3403002.023 S3C4T3 Fl. 563 5 Admissibilidade O recurso merece conhecimento, pois preenche os requisitos de tempestividade e adequação. 1 Do argumento de nulidade do auto de infração: A Recorrente alega que o auto de infração é nulo, pois a fiscalização não teria promovido a correta investigação dos fatos deixando de verificar que a contribuinte não era devedora de PIS e Cofins, mas sim credora em razão de recolhimentos dessas contribuições sobre o ICMS no preço das vendas e sobre receitas sujeitas à alíquota zero, segundo legislação de regência do PIS e da Cofins, e que as compensações foram feitas pela própria Recorrente entre tributos da mesma espécie. Ora, uma vez não provada violação das disposições contidas no art. 142 do CTN, tampouco nos artigos 10 e 59 do Decreto nº. 70.235/72 e não se identificando no instrumento de autuação nenhum vício prejudicial, não há que se falar em nulidade do lançamento. Por esse motivo, deixo de acolher a preliminar de nulidade. 2 Alegações de Mérito A primeira alegação da Recorrente é de que teria apurado créditos pelo pagamento indevido de contribuições sociais sobre a venda de produtos que, no período de abrangência da autuação, estavam sujeitos à alíquota zero ou à substituição tributária pela legislação do PIS e da Cofins, citando como exemplo cigarros e produtos de higiene pessoal e toucador. Contudo, a Recorrente não apresenta nenhuma prova de que teria receitas oriundas de produtos sujeitos à alíquota zero ou sujeitos à substituição tributária no período, seja por meio de cópia de nota fiscal, ou de livros fiscais, limitandose a juntar planilhas de apuração de base de cálculo sem qualquer lastro na contabilidade ou em documentos fiscais. Ademais, compulsando as DIPJ dos anos calendário de 2002 e 2003 acostadas aos autos é possível constatar que o contribuinte não informou possuir, neste período, receitas referentes a vendas de produtos sujeitos à substituição tributária ou alíquota zero (fls. 56/61, 68/73, 458/472) que já não tenham sido considerados pela fiscalização. Cabe ao contribuinte comprovar suas alegações e se eventualmente houve erro na sua apuração também deve demonstrálo, conforme já decidiu este Conselho no Acórdão 3301001.580, verbis: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/03/2005 a 31/12/2007 LANÇAMENTO. BASE DE CÁLCULO. VALORES ESCRITURADOS. PRESUNÇÃO. O lançamento da contribuição, efetuado com base nos valores escriturados na contabilidade do contribuinte, não configura presunção da base de cálculo. VALORES DECLARADOS/DEVIDOS. DIFERENÇAS APURADAS. As diferenças apuradas entre os Fl. 565DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 25 /09/2013 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por ANTONIO CARLOS AT ULIM 6 valores da contribuição, declarados nas respectivas DCTFs e os efetivamente devidos, apurados com base nos valores escriturados na contabilidade do contribuinte, estão sujeitas a lançamento de ofício, acrescidas das cominações legais. CRÉDITOS. VALORES GLOSADOS. RESTABELECIMENTO. BASES DE CÁLCULO. VALORES ESCRITURADOS. ERROS. PROVAS. ÔNUS. Cabe ao recorrente o ônus de provar erros nos valores escriturados e utilizados como bases de cálculo dos créditos dedutíveis da contribuição devida sobre o faturamento mensal. O restabelecimento dos valores glosados somente é possível mediante a apresentação de provas comprovando o erro na escrituração contábil. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO Assim, por absoluta falta de prova, não há como acolher esse argumento da Recorrente. O outro argumento da Recorrente, sobre o qual tece extensa argumentação, é no tocante à possibilidade de exclusão do ICMS da base cálculo do PIS e da COFINS, alegando, em síntese, que seu entendimento é baseado no voto da maioria dos ministros do Supremo Tribunal Federal, e que o ICMS é receita dos Estados e não dos contribuintes, e por esse motivo já teria o próprio agente fiscal que ter feito tais exclusões, e como não o fez, a Recorrente recalculou as contribuições e formulou diversas PER/Dcomp´s, todas apresentadas após o protocolo da Impugnação, para efetivar tais compensações. No tocante a essa matéria a própria Recorrente admite que se trata de questão que envolve a declaração de inconstitucionalidade das leis que que regem o PIS e a Cofins, e como o Supremo Tribunal Federal ainda não se pronunciou definitivamente sobre a matéria, só resta a este Conselho decidir de acordo com o disposto na Súmula nº 02, verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Os PER/Dcomp´s apresentados pela Recorrente após a data de protocolo da Impugnação também não podem ser objeto de análise nestes autos, a uma porque a entrega foi efetuada após a lavratura do auto de infração, e duas porque agora está em julgamento a apuração de ofício efetuada pela fiscalização, e naquele momento não havia ainda qualquer compensação declarada. Ademais, o direito à restituição de tributos não invalidam o lançamento já efetivado, nesse sentido já decidiu este Conselho por meio do Acórdão 20402.138, verbis: Ementa: FALTA DE RECOLHIMENTO COMPENSAÇÃO COMO TESE DE DEFESA. Não cabe alegação de compensação como argumento de defesa contra o lançamento. O direito à restituição ou ressarcimento de tributos não tem o condão de invalidar o lançamento perpetrado. ESPONTANEIDADE. COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. A declaração de compensação dos valores exigidos no lançamento, dentro do prazo de vinte dias contados a partir da lavratura do termo de início de fiscalização, não tem o mesmo efeito do pagamento. A incidência dos acréscimos legais aplicáveis nos casos de procedimento espontâneo, nos termos do art. 47 da Lei n. 9.430/96, somente se dá nos casos de pagamento em sentido estrito. Normas que disponham sobre exclusão parcial do crédito Fl. 566DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 25 /09/2013 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por ANTONIO CARLOS AT ULIM Processo nº 19515.000772/200754 Acórdão n.º 3403002.023 S3C4T3 Fl. 564 7 tributário devem ser interpretadas literalmente (art. 111 do CTN). Grifos acrescidos A Recorrente alega ainda que teria efetuado outras compensações com o PIS e COFINS lançados de ofício e relativos ao período de julho de 2002 a 2003, relativos a valores alegadamente pagos a maior das mesmas contribuições apuradas em anos subsequentes (2004, 2006 e 2007), sem, contudo declarar à Receita Federal, pois no seu entendimento as compensações efetuadas entre tributos da mesma espécie não precisam ser informadas ao Fisco, invoca para tanto a Lei 8.383/91 e IN 21/97. Na época das alegadas compensações internas, posteriores ao ano de 2004 (fls 546/547), a legislação aplicável já era a Lei 9.430/96, artigo 74, com a redação dada pelo artigo 49 da Lei 10.637/02, que assim dispõe: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) (grifos acrescidos) A entrega de declaração de compensação pelo contribuinte permite que o Fisco verifique se a extinção do crédito pela compensação foi efetuada de maneira adequada, ou não. Assim, após o ano de 2002, não pode o contribuinte efetuar compensação sem exteriorizála, ou seja, sem demonstrála ao Fisco, ainda que se trate de débitos e créditos do mesmo tributo. A Recorrente traz ainda outras alegações no Recurso Voluntário, tais como, compensação de crédito de Finsocial reconhecido por meio processo judicial já transitado em julgado (fls. 505), e compensação de IRPJ e CSSL recolhidos a maior pela não exclusão do ICMS pago antecipadamente no custo da aquisição de mercadorias vendidas (fls. 506), sem contudo juntar qualquer comprovação dos fatos alegados, limitandose a indicar acórdãos do CARF que autorizaram a compensação dessas matérias. Por fim, alega a Recorrente que a multa de ofício aplicada no auto de infração em julgamento não respeitaria o princípio da proporcionalidade e da razoabilidade, e que seria, portanto, inconstitucional. Também no tocante à alegação de inconstitucionalidade da multa de 75%, prevista na Lei 9.430/96, aplico a Súmula CARF nº 2: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Assim, por todo o exposto, nego provimento ao Recurso Voluntário. Fl. 567DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 25 /09/2013 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por ANTONIO CARLOS AT ULIM 8 Raquel Motta Brandão Minatel Fl. 568DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 25 /09/2013 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por ANTONIO CARLOS AT ULIM
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Numero do processo: 13603.721189/2012-72
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 29 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1402-000.222
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Leonardo de Andrade Couto – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 36 03 .7 21 18 9/ 20 12 -7 2 Fl. 926DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/10 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13603.721189/201272 Resolução nº 1402000.222 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório Contra o Contribuinte, pessoa jurídica, já qualificada nos autos, foi lavrado o Auto de Infração de fls. 03/05, que exige o Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ, no valor de R$678.408,69, cumulado com multa de ofício qualificada, no percentual de 150%, e juros de mora pertinentes calculados até 04/2012. Foi também formalizado o Auto de Infração de fls. 12/14, a título de Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido – CSLL, no montante total de R$261.736,05, cumulado com multa de ofício qualificada, no percentual de 150%, e juros de mora pertinentes calculados até 04/2012. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal foram glosadas as despesas com serviços de consultoria que teriam sido prestadas pela empresa EMBLEMA CONSULTORIA E PARTICIPAÇÕES. Devidamente intimado a apresentar contratos de prestação de serviços, notas fiscais e comprovantes de pagamentos referentes aos serviços de consultoria prestados pela EMBLEMA o Contribuinte não atendeu integralmente à solicitação do Fisco: os contratos de prestação de serviços e as notas fiscais de número 106, 108, 110, 114, 118, 119, 120, 122, 124, 125, 126, 185, 186, 189 e 192 (no valor total de R$376.700,00) não foram apresentados. Conforme Termo de Constatação Fiscal e Certidão de Baixa emitida pela Prefeitura Municipal de Rio Acima – MG (cidade onde a EMBLEMA teria seu cadastro fiscal, dados do CNPJ), ambos acostados aos autos, desde 30 de maio de 2006, a EMBLEMA está com as atividades formalmente encerradas, não podendo assim ter emitido notas fiscais de prestação de serviços ao longo do anocalendário de 2008. Na aludida Certidão de Baixa consta que a atividade da EMBLEMA era a prestação de serviços referente a aluguel de automóveis, e não consultoria, conforme consta nas notas fiscais por ela emitidas. Ainda conforme o mencionado Termo de Constatação Fiscal, a empresa EMBLEMA apenas iniciou o procedimento na Prefeitura de Rio Acima/MG, para obtenção de domicílio na Rua Afonso Pena, 818, sala 0244, Centro; mas nunca exerceu qualquer atividade nesse endereço; e não há qualquer informação sobre o paradeiro da EMBLEMA ou de seus sócios. Os tributos lançados (IRPJ e CSLL) com base na glosa de despesas tiveram a multa de ofício correspondente qualificada, nos termos do art. 44, II, da Lei nº 9.430, de 1996, posto que, em tese, o contribuinte incorreu no art. 71, da Lei nº 4.502, de 1964, ou seja, dolosamente, procurou impedir parcialmente a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, no momento em que se valeu de notas fiscais inidôneas para reduzir o montante do imposto e da contribuição devidos. A interessada manifestase em impugnação alegando em síntese que não poderia ser responsabilizada por irregularidades formais de seus fornecedores. Fl. 927DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/10 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13603.721189/201272 Resolução nº 1402000.222 S1C4T2 Fl. 4 3 Reclama que não foram realizadas diligências que demonstrassem a não ocorrência da prestação dos serviços limitandose o Fisco a buscar informações sobre a prestadora. Apresenta laudo pericial contábil em que se demonstraria a legitimidade das despesas regularmente escrituradas e a efetiva prestação dos serviços e indica jurisprudência administrativa e judicial que lhe seria favorável. Por fim questiona a imputação da multa qualificada pois os serviços foram prestados e não teria dado causa aos ilícitos cometidos por terceiros. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte prolatou o Acórdão 0242.130 negando provimento à impugnação em decisão consubstanciada na seguinte ementa : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 CUSTOS INDEDUTÍVEIS. A legislação fiscal exige que a determinação do lucro real não pode prescindir de documentação hábil e idônea que confira ao registro contábil a garantia mínima dos seus efeitos tributários. Os custos ou despesas operacionais somente serão dedutíveis na apuração do lucro real, desde que efetivos e se atendidas as condições gerais de dedutibilidade estabelecidas em lei, como necessidade, normalidade e comprovação por documentação hábil e idônea. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICADA A multa de ofício será qualificada, quando restar devidamente caracterizado em procedimento fiscal, o evidente intuito de fraude, nos termos da lei. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. A glosa de custo também repercute na exigência da CSLL. Por decorrência, o mesmo procedimento adotado em relação ao lançamento principal estendese ao reflexo. Devidamente cientificado, o sujeito passivo recorre a este Colegiado, ratificando as razões expedidas na peça impugnatória. É o Relatório. Fl. 928DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/10 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13603.721189/201272 Resolução nº 1402000.222 S1C4T2 Fl. 5 4 Voto Tendo em vista que foi suscitado durante o julgamento um possível erro de cálculo na apuração da exigência, comparei o Demonstrativo de Apuração do IRPJ com os dados da DIPJ e constatei o que se segue. A Fiscalização utilizou como Lucro Real das Atividades em Geral antes da Compensação de Prejuízos (LRCP) o valor de R$ 67.727,81 e considerou esse mesmo valor como Lucro Real após Compensação de Prejuízos (LR),ou seja, desconsiderou a existência de qualquer compensação de prejuízo porventura efetuado pela interessada na DIPJ. Ao apurar o valor da exigência, somou esse montante (R$ 67.727,81) ao valor da infração (R$ 1.030.000,00) e calculou imposto e adicional também sem considerar a existência de eventual saldo de prejuízo fiscal acumulado passível de compensação. Pelo exame da DIPJ, constatase que o LRCP informado foi de R$ 82.644,29 e o sujeito passivo compensou prejuízo de exercícios anteriores no montante de R$ 24.793,29; gerando o LR de R$ 57.851,00. Esse mesmo cálculo foi feito para a CSLL. Assim, além da autoridade lançadora ter considerado como lucro real o que na verdade seria lucro líquido antes da CSLL (Ficha 06 A, linha 57), não levou em consideração a provável existência de saldo de prejuízos anteriores compensáveis, parte desse saldo utilizado pela interessada (R$ 24.793,29). Sendo assim proponho o julgamento do recurso em diligência para que a autoridade lançadora: Retifique ou ratifique a informação referente ao lucro real declarado pelo sujeito passivo; Apresente os Demonstrativos (SAPLI) de saldo de prejuízos acumulados e base de cálculo negativa da CSLL; e: Intimar o sujeito passivo a apresentar o LALUR, cuja autenticidade deve ser atestada pela autoridade, para fins de comparação com os demonstrativos mencionados no item anterior; Pelo exame desses e quaisquer outros elementos que a Fiscalização entender necessários, a autoridade lançadora apresentará relatório quanto à existência de saldo de prejuízos anteriores e base de cálculo negativa de CSLL compensáveis, cientificando a interessada de suas conclusões. Leonardo de Andrade Couto Relator. Fl. 929DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/10 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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