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Numero do processo: 10680.902786/2010-23
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu May 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
Perdcomp. Indébito Reconhecido. Utilização. Prazo Prescricional. Inaplicabilidade
O prazo prescricional de cinco anos previsto no artigo 168 do Código Tributário Nacional se aplica ao direito do contribuinte de pleitear a restituição ou ressarcimento. Se o contribuinte apresentou, dentro do prazo legal, PERDCOMP e o indébito nele indicado foi reconhecido pelo Fisco, não cabe aplicar novo prazo prescricional aos PERDCOMP posteriormente apresentados para utilização do saldo do direito creditório já reconhecido anteriormente.
O sujeito passivo poderá apresentar Declaração de Compensação que tenha por objeto crédito apurado ou decorrente de pagamento efetuado há mais de 5 (cinco) anos, desde que referido crédito tenha sido objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento apresentado à RFB antes do transcurso do referido prazo (IN SRF nº. 1.300, de 2012, art. 41, § 10).
Numero da decisão: 1801-001.450
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Maria de Lourdes Ramirez Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otávio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto, Leonardo Mendonça Marques e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: MARIA DE LOURDES RAMIREZ
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2002 Perdcomp. Indébito Reconhecido. Utilização. Prazo Prescricional. Inaplicabilidade O prazo prescricional de cinco anos previsto no artigo 168 do Código Tributário Nacional se aplica ao direito do contribuinte de pleitear a restituição ou ressarcimento. Se o contribuinte apresentou, dentro do prazo legal, PERDCOMP e o indébito nele indicado foi reconhecido pelo Fisco, não cabe aplicar novo prazo prescricional aos PERDCOMP posteriormente apresentados para utilização do saldo do direito creditório já reconhecido anteriormente. O sujeito passivo poderá apresentar Declaração de Compensação que tenha por objeto crédito apurado ou decorrente de pagamento efetuado há mais de 5 (cinco) anos, desde que referido crédito tenha sido objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento apresentado à RFB antes do transcurso do referido prazo (IN SRF nº. 1.300, de 2012, art. 41, § 10).
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INDÉBITO RECONHECIDO. UTILIZAÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL. INAPLICABILIDADE O prazo prescricional de cinco anos previsto no artigo 168 do Código Tributário Nacional se aplica ao direito do contribuinte de pleitear a restituição ou ressarcimento. Se o contribuinte apresentou, dentro do prazo legal, PERDCOMP e o indébito nele indicado foi reconhecido pelo Fisco, não cabe aplicar novo prazo prescricional aos PERDCOMP posteriormente apresentados para utilização do saldo do direito creditório já reconhecido anteriormente. O sujeito passivo poderá apresentar Declaração de Compensação que tenha por objeto crédito apurado ou decorrente de pagamento efetuado há mais de 5 (cinco) anos, desde que referido crédito tenha sido objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento apresentado à RFB antes do transcurso do referido prazo (IN SRF nº. 1.300, de 2012, art. 41, § 10). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 90 27 86 /2 01 0- 23 Fl. 86DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 09/05/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otávio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto, Leonardo Mendonça Marques e Ana de Barros Fernandes. Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto contra acórdão da 3a. Turma de Julgamento da DRJ em Belo Horizonte/MG que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório que não homologou as compensações pleiteadas nos autos. Tratase de PERDCOMP retificador, transmitido em 30/10/2009, pelo qual pretende a interessada extinguir débitos próprios de sua responsabilidade, utilizandose de direito creditório relativo a saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2002. O saldo negativo indicado no PERDCOMP, no valor de R$ 76.910,73, foi integralmente reconhecido no despacho decisório proferido pela DRF em Belo Horizonte (fl. 11 processo digital). Mas as compensações foram não homologadas, ao fundamento de que o crédito reconhecido foi insuficiente para quitar todos os débitos indicados para compensação. De acordo com o “Detalhamento do Crédito” anexado aos autos, a compensação não teria sido homologada, uma vez que parte do crédito teria sido utilizado fora do prazo previsto no art. 168 do CTN, razão que teria motivado a não homologação do PERDCOMP n º 08099.43725.301009.1.7.020460. Na manifestação de inconformidade tempestivamente apresentada a interessada afirmou que o valor utilizado, de R$ 39.860,03, já teria sido informado no PERDCOMP inicial n º34121.30504.041007.1.7.027706. Apresentou planilha identificando os PERDCOMP’s que utilizaram como crédito o saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2002, assim como a soma dos débitos compensados em cada um deles atribuindo a não homologação à pendência de análise da totalidade destas declarações, afirmando, assim, a suficiência do crédito para homologação das compensações declaradas. Na apreciação do litígio a Turma Julgadora de 1a. instância consignou que o indébito relativo a saldo negativo é apurado em 31 de dezembro de cada ano. No caso dos autos o indébito teria se formado em 31/12/2002, no ajuste anual, ficando disponível para utilização no prazo de cinco anos, a partir de 1o. de janeiro de 2003. Como parte do valor do saldo negativo, a parcela de R$ 39.860,03 tratada nos autos, somente teria sido utilizada em 2009, mais de cinco anos depois da formação do indébito, o direito à sua utilização estaria prescrito, ainda que tenha sido confirmada a certeza e liquidez do direito creditório. Notificada da decisão, em 23/11/2011, como demonstra a cópia do AR à fl. 64 do processo digital, apresentou a interessada, em 20/12/2011, recurso voluntário. Em sua defesa alega que o indébito, no caso de saldo negativo de IRPJ, não surge com o pagamento do tributo, mas com a homologação do pagamento antecipado. Assim, caso não haja homologação expressa desse pagamento, a homologação tácita ocorre cinco anos a contar da data do fato gerador. Fl. 87DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 09/05/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.902786/201023 Acórdão n.º 1801001.450 S1TE01 Fl. 3 3 Nesse contexto, a homologação tácita do pagamento antecipado relativo ao saldo negativo de IRPJ de 2002 teria ocorrido em 2007 e, só então, a partir desse período, teria começado a fluir o prazo prescricional para restituição do indébito. Colaciona julgado do STJ. Ao final, pugna pelo acolhimento do recurso. É o relatório. Voto Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, Relatora. O recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. Como se verifica dos autos a recorrente pleiteou no PERDCOMP de nº. 08099.43725.301009.1.7.020460, a utilização de parte do saldo negativo apurado no ano calendário 2002. O saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2002, no valor total de R$ 76.910,73, foi integralmente reconhecido no despacho decisório proferido pela DRF em Belo Horizonte. Contudo, as compensações foram não homologadas pela unidade de origem, ao fundamento de que o direito à utilização da parcela de R$ 39.860,03 desse saldo negativo no referido PERDCOMP, estaria prescrita pelo decurso do prazo. Esse posicionamento também foi adotado pela Turma Julgadora de 1a. instância. Nos termos da legislação em vigor, somente podem ser utilizados em compensação, indébitos passíveis de restituição. A propósito: Lei n º 9.430, de 1996: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. ... (destaques acrescidos) A partir de outubro de 2002, com as alterações na legislação tributária federal, passouse a exigir que o contribuinte que desejasse se utilizar de indébitos tributários na compensação de tributos apresentasse tal solicitação ao Fisco. Como, nos termos da legislação, somente indébitos passíveis de restituição podem ser utilizados em compensações, havia a necessidade de o interessado apresentar, primeiro, um pedido de restituição para, só então, apresentar um pedido de compensação e, posteriormente, a declaração de compensação. Fl. 88DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 09/05/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 Atualmente, o PERDCOMP é o instrumento eletrônico por meio do qual o contribuinte interessado pleiteia a restituição de determinados indébitos tributários e a sua utilização em compensações com créditos tributários. A sigla do documento significa PEDIDO ELETRÔNICO DE RESTITUIÇÃO/DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. Assim, todo PERDCOMP encerra, primeiramente, um pedido de restituição. Encontrase anexada aos autos cópia do PERDCOMP RETIFICADOR de n º 34121.30504.041007.1.7.027706 (fls. 22 e ss. do processo digital) que a interessada apresentou em 04/10/2007 (o PERDCOMP retificado data de 22/12/2004). Nesse PERDCOMP retificador a recorrente já havia consignado o valor do direito creditório relativo a saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2002, no valor de R$ 76.910,73, apesar de terse utilizado, nesse documento, da parcela de R$ 1.229,66 do saldo negativo. Em outras palavras, com o PERDCOMP de n º 34121.30504.041007.1.7.02 7706, a recorrente já havia apresentado ao Fisco o seu pedido de restituição do indébito a título de saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2002, no valor de R$ 76.910,73. Esse documento foi apresentado dentro do prazo prescricional previsto no artigo 168 do CTN: Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; II na hipótese do inciso III do artigo 165, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória. No caso dos autos, uma vez reconhecido o indébito a título de saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2002, no valor integral de R$ 76.910,73, como de fato o foi tanto pelo despacho decisório, como pela Turma Julgadora de 1a. instância, a interessada dele pode se aproveitar enquanto houver saldo disponível. Esse, inclusive, é o entendimento da própria administração tributária, como se verifica do teor da IN SRF nº. 1.300, de 2012: Art. 41. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o crédito decorrente de decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela RFB, ressalvadas as contribuições previdenciárias, cujo procedimento está previsto nos arts. 56 a 60, e as contribuições recolhidas para outras entidades ou fundos. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada pelo sujeito passivo mediante apresentação à RFB da Declaração de Compensação gerada a partir do programa PER/DCOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante a apresentação à RFB do formulário Declaração de Compensação constante do Anexo VII a esta Instrução Normativa, ao qual deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. ... Fl. 89DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 09/05/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.902786/201023 Acórdão n.º 1801001.450 S1TE01 Fl. 4 5 § 5º O sujeito passivo poderá compensar créditos que já tenham sido objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento apresentado à RFB, desde que, à data da apresentação da Declaração de Compensação: I o pedido não tenha sido indeferido, mesmo que por decisão administrativa não definitiva, pela autoridade competente da RFB; e II se deferido o pedido, ainda não tenha sido emitida a ordem de pagamento do crédito. ... § 10. O sujeito passivo poderá apresentar Declaração de Compensação que tenha por objeto crédito apurado ou decorrente de pagamento efetuado há mais de 5 (cinco) anos, desde que referido crédito tenha sido objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento apresentado à RFB antes do transcurso do referido prazo e, ainda, que sejam satisfeitas as condições previstas no § 5º. ... É inadmissível que se pretenda reiniciar a contagem do prazo prescricional de cinco anos previsto no artigo 168 do CTN, a cada novo PERDCOMP apresentado para utilização do saldo disponível do indébito tributário já reconhecido como tal pela Fazenda Pública. E não há qualquer dispositivo legal que permita tal interpretação. Uma vez reconhecida a liquidez e certeza do indébito tributário a título de saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2002, deve ser deferida a utilização da parcela de R$ 39.860,03 nas compensações declaradas no PERDCOMP de nº. 08099.43725.301009.1.7.02 0460, até o limite aqui deferido. Por todo o exposto voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 90DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 09/05/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 Fl. 91DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 09/05/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 35464.004644/2006-06
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 28 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/06/1996 a 31/01/1999 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QÜINQÜENAL. SALÁRIO INDIRETO. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. OCORRÊNCIA.
O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria. In casu, aplicou-se o prazo decadencial insculpido no artigo 150, § 4º, do CTN, eis que restou comprovada a ocorrência de antecipação de pagamento, por tratar-se de salário indireto, tendo a contribuinte efetuado o recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração reconhecida (salário normal).
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-002.220
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/1996 a 31/01/1999 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QÜINQÜENAL. SALÁRIO INDIRETO. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. OCORRÊNCIA. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria. In casu, aplicou-se o prazo decadencial insculpido no artigo 150, § 4º, do CTN, eis que restou comprovada a ocorrência de antecipação de pagamento, por tratar-se de salário indireto, tendo a contribuinte efetuado o recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração reconhecida (salário normal). Recurso especial negado.
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DECADÊNCIA. PRAZO QÜINQÜENAL. SALÁRIO INDIRETO. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. OCORRÊNCIA. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria. In casu, aplicouse o prazo decadencial insculpido no artigo 150, § 4º, do CTN, eis que restou comprovada a ocorrência de antecipação de pagamento, por tratarse de salário indireto, tendo a contribuinte efetuado o recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração reconhecida (salário normal). Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/07/2 012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIO R 2 (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres – Presidente Substituto (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Júnior– Relator EDITADO EM: 04/07/2012 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (PresidenteSubstituto), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório A Fazenda Nacional, inconformada com o decidido no Acordão n° 206 01.331, proferido pela então Sexta Câmara do então 2° CC em 05/09/2008 (fls. 297/309), interpôs recurso especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais, fls. 314/322, com fulcro no art. 7°, inciso I, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 25 de junho de 2007. Salientese que, não obstante o aludido recurso não encontrar previsão no atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a Portaria Ministerial MF nO. 256, de 22 de junho de 2009, em suas disposições transitórias (artigo 4°), prevê que os recursos com base no inciso I do art. 70 e do art. 90 do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 25 de junho de 2007, interpostos em face de acórdãos proferidos nas sessões de julgamento ocorridas em data anterior a 1° de julho de 2009, serão processados de acordo com o rito previsto nos arts. 15 e 16 e nos arts. 43 e 44 daquele Regimento. O Acórdão foi recepcionado na Procuradoria da Fazenda Nacional em 28/04/2009, segundo RM n° 10.497, fls. 312, considerandose intimada 30 (trinta) dias após (§§ 7° ao 9°, do artigo 23, do Decreto n° 70.235/72, com a redação dada pela Lei n° 11.457, de 16/03/2007, D.O.U. de 19/03/2007). Recurso especial apresentado em 08/05/2009, segundo RM n° 11.469, fls. 313, dentro, portanto, do prazo de 15 (quinze) dias estabelecido no §1° do artigo 15 do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Insurgese a Fazenda Nacional contra a parte da decisão que, por maioria de votos, declarou a decadência das contribuições apuradas até a competência 01/1999. Segue abaixo a ementa da decisão recorrida, verbis: Fl. 2DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/07/2 012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIO R Processo nº 35464.004644/200606 Acórdão n.º 920202.220 CSRFT2 Fl. 2 3 "PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. NFLD CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. DECADÊNCIA. 05 ANOS. SUMULA VINCULANTE. STF. I — Na esteira da jurisprudência do STJ, bem como da Câmara Superior de Recursos Fiscais, e da própria sumula vinculante n°8 do Egrégio STF é de 05 anos a decadência das contribuições sociais. Recurso Voluntário Provido." Assevera a Fazenda Nacional, em síntese, que: o acórdão nãounânime aplicou a regra contida no artigo 150, § 4° do CTN, mesmo inexistindo pagamento, ainda que parcial, para as contribuições exigidas; e deve prevalecer no caso concreto a regra contida no art. 173, I do CTN, em razão da ausência de pagamentos feitos peio contribuinte, ainda que parciais, conforme DAD, fls. 04/09, e relatório fiscal, fls. 32/39, pois quando não há antecipação de pagamento por parte do contribuinte, não há o que homologar, incumbindo ao fisco o lançamento de oficio dos valores devidos e não pagos. Por fim, a Fazenda Nacional requer o provimento do presente recurso, para afastar a decretação da decadência declarada nas competências 12/1998 e 01/1999. Submetido ao exame de admissibilidade, o i. Presidente da 4ª Câmara, da Segunda Seção resolveu, por meio do Despacho n. 2400250/2009 [fls. 323/324], dar seguimento ao Especial interposto: [...] Após análise dos autos, verifico que foi demonstrado fundamentadamente em que, no entender da Fazenda Nacional, a decisão recorrida seria contrária à lei e à evidência da prova, consoante o disposto no inciso I do artigo 7° do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Desse modo, no uso da competência prevista no § 6°, do artigo 15 do RICSRF, DOU SEGUIMENTO ao recurso especial manejado pela Fazenda Nacional. Encaminhemse os autos ao órgão de origem, para dar ciência deste despacho ao contribuinte, assegurandoselhe o prazo de 15 (quinze) dias para que ofereça contrarazões, nos termos do art. 16, inciso I do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Intimado do decisum e recurso interposto, o Contribuinte apresentou contra razões [fls. 335/343] que repisa os argumentos dispostos no acórdão recorrido. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/07/2 012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIO R 4 Voto Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior, Relator Primeiramente, há que ser declarada a tempestividade do Recurso Especial, tendo em vista sua interposição no prazo estabelecido pelo artigo 68, caput, do Regimento acima mencionado. Já manifestei meu entendimento em diversas oportunidades segundo o qual a Contribuição Previdenciária é tributo sujeito ao lançamento por homologação, sendo que o prazo decadencial para efetuar o lançamento de tal tributo seria, em regra, o do art.150, §4º do CTN. Dessa forma, o prazo decadencial para o lançamento seria de cinco anos a contar do fato gerador. No tocante à decadência é mister analisarmos o instituto à luz da Súmula Vinculante nº 8, do Supremo Tribunal Federal, publicada no Diário Oficial da União, de 20/06/2008, em consonância com as disposições do art. 103A da Constituição Federal, in verbis: Súmula Vinculante nº 8 – São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.5691997 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004) (Vide Lei nº 11.417, de 2006). O art. 2º da Lei nº 11.417, de 19/12/2006, que regulamenta o dispositivo constitucional supratranscrito, assim dispõe sobre os efeitos da Súmula Vinculante editada pelo Supremo Tribunal Federal: Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. Quanto ao teor da Súmula Vinculante editada, esta declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que previam, respectivamente, prazos decadencial e prescricional de 10 anos para as contribuições devidas à Seguridade Social. O fundamento da decisão foi que lei ordinária não pode dispor sobre prazos de Fl. 4DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/07/2 012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIO R Processo nº 35464.004644/200606 Acórdão n.º 920202.220 CSRFT2 Fl. 3 5 decadência e prescrição de tributo, questões reservadas à lei complementar (artigo 146, III, “b”, da Constituição Federal). Além do entendimento manifesto pelo Supremo Tribunal Federal, para deslinde da questão há de ser considerada também a previsão contida no art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, alterado pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, abaixo transcrito: “62A – As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infracontitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Dessa forma, no tocante à matéria prazo decadencial, o Superior Tribunal de Justiça, julgando os recursos submetidos à sistemática de repetitivos, proferiu o Acórdão no Resp 973733, pacificando a matéria, cujo ementa transcrevo: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, Fl. 5DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/07/2 012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIO R 6 "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). Nesse sentido, considerando a existência de decisão emanada do egrégio Tribunal, em sede de Recursos Repetitivos, passo a análise do caso concreto. Notese, inicialmente que, diferente da tese dominante nesse Conselho em relação ao fato de que a atividade desenvolvida pelo sujeito passivo tendente a praticar as ações previstas no art. 142 do CTN, independente de pagamento, seria o objeto da homologação pela autoridade tributária, verificase que a teor da decisão do STJ, o que deve ser homologado é o pagamento eventualmente antecipado pelo sujeito passivo. Feitas essas considerações, para solução da lide ora proposta, resta dirimir se houve ou não recolhimento da parte do contribuinte. Dessa forma, com o advento da decisão acima referida, temse que nos casos em que não houve antecipação de pagamento devese aplicar a regra do art. 173, I, do CTN, ou seja, contarse o prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Nos casos em que há recolhimento, ainda que parcial, aplicase a regra do art. 150, § 4º do CTN, ou seja, o prazo iniciase na data do fato gerador. No presente caso, consta dos autos informação quanto ao recolhimento nas competências objeto do lançamento [fls. 64/86 e 184/188]. Nesse sentido, existindo recolhimento aplico ao presente o art. 150, §4, do CTN. DISPOSITIVO Pelo exposto, voto pelo CONHECIMENTO DO RECURSO interposto, para, então, NEGAR PROVIMENTO, para decretar o cancelamento do lançamento realizado. (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Júnior Fl. 6DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/07/2 012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIO R Processo nº 35464.004644/200606 Acórdão n.º 920202.220 CSRFT2 Fl. 4 7 Fl. 7DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/07/2 012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIO R
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Numero do processo: 10783.900167/2006-60
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu May 16 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1802-000.206
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho.
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 83 .9 00 16 7/ 20 06 -6 0 Fl. 58DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10783.900167/200660 Resolução nº 1802000.206 S1TE02 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro – DRJ/RJ I, que manteve a negativa de homologação em relação a declaração de compensação – DCOMP apresentada pela Contribuinte, nos mesmos termos que já havia decidido anteriormente a Delegacia de origem. Os fatos que deram origem ao presente processo estão assim descritos no relatório da decisão recorrida, Acórdão nº 1221.969, às fls. 38 a 40: A empresa em epígrafe apresentou manifestação de inconformidade (fls. 02), acompanhada de documentos (fls. 03/13), contra o Despacho Decisório Eletrônico de fls. 01, da DRF Vitória/ES, que não homologou a compensação pleiteada, em razão de inexistir crédito disponível para compensação dos débitos informados na PER/DCOMP, já que o DARF utilizado como instrumento creditório havia sido utilizado em outro débito (código 6106, PA 01/12/2002). A interessada em sua defesa alega que: a) Em agosto de 2003 recebeu o Ato Declaratório Executivo DRF/VITÓRIA, comunicando a exclusão da empresa do Simples a partir de 01/01/2002; b) Providenciou a apuração dos impostos a partir da data da exclusão (01/01/2002) pelo regime de apuração do Lucro Presumido; c) Utilizou os recolhimentos efetuados com o código 6106 para compensação dos impostos apurados de conformidade com a apuração pelo regime do Lucro Presumido; d) O DARF em questão, originalmente utilizado para pagamento do Simples, com a exclusão da empresa do regime, ficou como pagamento indevido, utilizando, portanto, estes recolhimentos para compensar os impostos devidos pelo novo regime de tributação, vez que não existe mais débito de imposto para o código 6106 utilizado no DARF pago. Como mencionado, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro – DRJ/RJ I manteve a negativa em relação à compensação, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA QUANTO AO CRÉDITO. O ônus da prova do indébito tributário é do sujeito passivo, mormente quando em consulta aos sistemas informatizados da Receita Federal não há como se constatar que realmente para os fatos geradores em que a interessada fora excluída do Simples havia duplicidade de Fl. 59DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10783.900167/200660 Resolução nº 1802000.206 S1TE02 Fl. 4 3 recolhimento efetuado, para o mesmo período, com base no Lucro Presumido. Rest/Ress: indeferido Comp. não homologada Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 30/04/2009 (quinta feira), conforme AR às fls. 47, a Contribuinte apresentou em 02/06/2009 o recurso voluntário de fls. 48 a 51, onde basicamente reitera os mesmos argumentos de sua impugnação, conforme descrito nos parágrafos anteriores. Este é o Relatório. Fl. 60DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10783.900167/200660 Resolução nº 1802000.206 S1TE02 Fl. 5 4 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. A ciência da decisão de primeira instância ocorreu em 30/04/2009, uma quinta feira. Como o dia 1º de maio é feriado nacional, a contagem do prazo para apresentação de recurso só foi iniciada em 04/05/2009 (segundafeira). O recurso foi apresentado em 02/06/2009 e é, portanto, tempestivo. Também está dotado dos demais pressupostos de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Conforme relatado, a Contribuinte questiona a não homologação de declaração de compensação por ela apresentada. O PER/DCOMP nº 09586.72412.190903.1.3.048119 (fls. 08 a 12) foi transmitido em 19/09/2003. A Contribuinte utilizou crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior a título de SIMPLES, referente ao período de apuração – PA dezembro/2002, para quitar, por compensação, débitos de IRPJ e CSLL do 4º trimestre de 2002 e Cofinsdezembro/2002, informados com códigos relativos ao regime do lucro presumido. A Delegacia de origem, por meio do Despacho Decisório Eletrônico de fls. 01, não homologou a compensação pleiteada, em razão de inexistir crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP, já que o DARF utilizado como instrumento creditório havia sido utilizado em outro débito (código 6106, PA 01/12/2002). Desde o início, a Contribuinte vem alegando que foi excluída do Simples, com efeitos a partir de 01/01/2002, conforme o Ato Declaratório Executivo DRF/VIT nº 421.283, de 07 de agosto de 2003 (fls. 03), e que, em razão disso, utilizou os recolhimentos efetuados com o código 6106 para compensação dos impostos apurados de acordo com o regime do Lucro Presumido. A Delegacia de Julgamento manteve a negativa em relação à compensação, porque não foi teria sido possível constatar, pelos sistemas da Receita Federal, “que realmente para os fatos geradores em que a interessada fora excluída do Simples havia duplicidade de recolhimento efetuado, para o mesmo período, com base no Lucro Presumido”. Transcrevo a seguir o conteúdo do voto que orientou a decisão em primeira instância administrativa: Quanto à razão do indeferimento do seu pedido, a interessada alega que efetuou já para o anocalendário de 2002 recolhimentos com base no Lucro Presumido. Entretanto, em consulta ao Sistema SIEF — PAGAMENTOS — CONSULTA, foi verificado que entre o período de 2002 e 2004 foram efetuados recolhimentos tanto de Simples como de Lucro Presumido a partir de 2003. Ocorre que a interessada, cujo ônus lhe pertencia, deveria ter demonstrado de que forma este pagamento de Simples teria sido Fl. 61DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10783.900167/200660 Resolução nº 1802000.206 S1TE02 Fl. 6 5 indevido, já que não o sistema aloca o respectivo DARF para recolhimento também de Simples do período anterior (sic). Portanto, como seria ônus da interessada a comprovação de que realmente tais pagamentos de Simples foram indevidos, entendo que não há liquidez e certeza nos créditos pleiteados, bem como insuficiência do mesmo para quitar os débitos declarados na PER/DCOMP. Dessa forma, como os alegados créditos não gozam dos pressupostos de liquidez e certeza previstos no art. 170 do CTN, visto não ter o contribuinte trazido aos autos as provas a seu favor, INDEFIRO a solicitação e NÃO HOMOLOGO A COMPENSAÇÃO. O pleito da interessada não está fundado em alegação de duplicidade de pagamento. O que ela busca é o aproveitamento de pagamento realizado com o código 6106 (Simples), relativo a período para o qual ela fora excluída do Simples, visando a quitação, mediante compensação, de tributos apurados com as regras do lucro presumido, regime que teria passado a adotar justamente em razão de sua exclusão do Simples. A decisão de primeira instância administrativa produz uma contradição. Por meio da declaração de compensação, a Contribuinte reconheceu débitos no regime do lucro presumido, justamente porque havia sido excluída do regime de tributação simplificada. Tudo indica que a Contribuinte, conformada com sua exclusão do Simples, pretendeu apenas utilizar pagamento que não mais poderia ficar vinculado a débito do regime simplificado para quitar tributos apurados com as regras do lucro presumido, relativamente ao mesmo período de apuração do mencionado pagamento. Mas ao manter a vinculação do pagamento ao débito no código 6106, a DRJ acabou mantendo o débito do Simples, conforme originalmente apurado pela Contribuinte. Restou então, para um mesmo período, uma incorreta cumulação de débitos, ou seja, débito de Simples e débitos apurados de acordo com o regime do Lucro Presumido. É oportuno registrar que nos casos de lançamento de ofício para exigência de diferenças de tributos apuradas em decorrência de exclusão do Simples com efeitos retroativos, o aproveitamento dos pagamentos feitos sob o regime simplificado costuma se dar até mesmo de ofício, independentemente de apresentação de PER/DCOMP pelo contribuinte. E quando isto não é feito de ofício, esta instância administrativa manda fazêlo. A matéria já está inclusive sumulada no âmbito do CARF: Súmula CARF nº 76: Na determinação dos valores a serem lançados de ofício para cada tributo, após a exclusão do Simples, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados nessa sistemática, observandose os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada. Fl. 62DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10783.900167/200660 Resolução nº 1802000.206 S1TE02 Fl. 7 6 O fato é que o Simples não se caracteriza como um tributo, mas apenas como uma forma simplificada e unificada de recolhimento dos vários tributos que engloba, dentre eles o IRPJ e as contribuições CSLL, PIS e COFINS, que mantêm, cada um deles, sua perfeita identidade, mesmo nesse regime de tributação, inclusive sob o aspecto quantitativo, uma vez que a lei especifica as parcelas relativas a cada imposto ou contribuição, em termos percentuais. É por isso que em muitos casos o aproveitamento de pagamento feito sob o regime simplificado (para quitação de débitos decorrentes do regime de tributação adotado em substituição àquele) nem mesmo exige compensação via PER/DCOMP, porque este pagamento referese aos mesmos tributos e períodos dos “novos” débitos. No caso aqui examinado, a Contribuinte, conformandose com sua exclusão do Simples, procurou aproveitar pagamento a título de Simples do PA dezembro/2002 para quitar débitos de IRPJ e CSLL do 4º trimestre de 2002 e Cofinsdezembro/2002, apurados, segundo ela, de acordo com o regime do lucro presumido. A decisão sobre este encontro de contas não pode estar fundamentada na convalidação do débito apurado e declarado no código 6106, relativo ao Simples. Se foi o próprio Fisco que excluiu a Contribuinte do Simples, e com efeitos a partir de 01/01/2002 (fls. 3), este não pode negar o reconhecimento do crédito argumentando a existência de débito no código 6106 referente a período em que já se operavam os efeitos da exclusão. Também não serve a esse fim o argumento de que não houve comprovação de duplicidade no pagamento, até porque não é esta a alegação da Contribuinte. A solução do presente processo depende de uma instrução complementar, a ser realizada pela Delegacia de origem. O exame do encontro de contas depende: 1 da decomposição do pagamento no código 6106, para identificação das parcelas referentes a cada um dos tributos englobados neste pagamento unificado; e 2 da confrontação destas parcelas com os débitos relativos ao regime de tributação que substituiu o Simples (que a contribuinte alega ser o Lucro Presumido), identificando eventuais excessos, caso existam. Só depois disso é que se poderá verificar em que medida os débitos informados no PER/DCOMP objeto destes autos podem ser quitados pelo alegado crédito. As informações devem ser prestadas em relatório circunstanciado, com a ciência da Contribuinte para que se manifeste no prazo de trinta dias. Fl. 63DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10783.900167/200660 Resolução nº 1802000.206 S1TE02 Fl. 8 7 Diante do exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para que a DRF Vitória/ES atenda ao acima solicitado. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 64DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 13855.000666/2006-52
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 3401-000.373
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade,converter o julgamento em diligencia.
Nome do relator: ANGELA SARTORI
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligencia. JULIO CESAR ALVES RAMOS Presidente. RELATOR ANGELA SARTORI Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Emanuel Carlos Dantas de Assis, Odassi Guerzoni Filho, Angela Sartori, Adriana Oliveira e Ribeiro, Jean Cleuter Simões Mendonça, Julio Cesar Alves Ramos Relatório A interessada transmitiu, em 20/05/2004, a PER/DCOMP eletrônica principal de fls. 03/46, tendo como direito creditório o crédito presumido de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), no montante de R$ 1.301.740,81, respeitante ao 3 trimestre calendário de 2001. O processo em exame tem protocolo de 20/02/2006. Fl. 200DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 12/04/2012 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13855.000666/200652 Resolução n.º 3401.000.373 S3C4T1 Fl. 2 2 Em 15/03/2006, foi exarado, no âmbito da Delegacia da Receita Federal em Franca, SP, o Despacho Decisório de fl. 70 com o indeferimento do pedido de ressarcimento à vista da informação fiscal de fls. 62/68. Nos termos da sobredita informação fiscal, o pedido do trimestre em questão teria sido formulado com esteio na Lei n° 10.276, de 10 de setembro de 2001, com apuração baseada em custo integrado. Contudo, consoante "quadro demonstrativo de apuração do crédito presumido do IPI, com custo integrado", de fls. 52/55, elaborado pela Recorrente não teria sido apurado saldo passível de ressarcimento de crédito presumido no trimestre em tela, a despeito de que o PER/DCOMP, de número final 2991, indique o montante de R$ 1.301.740,81. O DCP inserto em DCTF, de fls. 59/61, referese ao 3 trimestre de 2001. Ainda, conforme o relatório fiscal: "(.) o contribuinte não logrou êxito em comprovar os valores das MP, PI e ME e demais custos utilizados na industrialização nos meses em que houve apuração de crédito presumido de IPI com custo integrado, pois, conforme carta de 08/02/2006 notificou a esta fiscalização que a escrituração contábil não está de acordo com o sistema de custo integrado como foi declarado e que em razão disso vai retificar as DCTF e as DCP apresentadas e que fará as novas apurações dos créditos presumidos de IPI de 2000 a 2003, sem custo integrado, (..)". A aludida carta está à fl. 48. Foi proposto, então, o indeferimento integral do crédito presumido do trimestre em causa em virtude de a contribuinte não ter apresentado um sistema fidedigno de custos coordenado e integrado com a escrituração comercial apto a evidenciar ao fim de cada mês as quantidades de matérias primas, produtos intermediários, materiais de embalagem, energia elétrica, combustíveis e prestação de serviços para a industrialização por encomenda. Insatisfeita com a decisão administrativa de cujo teor teve ciência em 06/12/2006, conforme aviso de recebimento nos autos, a interessada ofereceu, em 03/01/2007, a manifestação de inconformidade de fls. 74/80 subscrita pelo procurador da pessoa jurídica, qualificado no instrumento legal de fl. 81, em que aduz, em síntese, que cabe ao representante do Fisco Federal a auditoria completa dos fatos objeto da demanda e, referindose à Lei n° 9.363/1996, e ao 3° trimestre de 2001, que a apuração foi refeita pela interessada segundo a contabilidade não integrada e gerado o PER/DCOMP retificador n° 01172.05897.070306.1.5.013729, no qual o valor do crédito presumido seria de R$ 1.292.963,08 em oposição ao valor original de R$ 1.301.740,81, o que implica uma diferença Fl. 201DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 12/04/2012 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13855.000666/200652 Resolução n.º 3401.000.373 S3C4T1 Fl. 3 3 irrisória de R$ 8.777,73; colaciona jurisprudência administrativa e, por fim, requer que seja reformado o Despacho Decisório, com o reconhecimento do crédito presumido de que trata a Lei n° 9.363/1996 quanto ao 3° trimestre de 2001, e protesta pela produção de todas as provas em direito admitidas, notadamente a juntada de documentos complementares, a apresentação de memoriais e a sustentação oral do pleito. A DRJ decidiu em síntese: RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO. “A falta de apresentação de dados ou documentos solicitados ao interessado, indispensáveis para a escorreita apreciação de pedido formulado, implica o indeferimento do pleito. RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA. É ônus processual da interessada fazer a prova dos fatos constitutivos de seu direito”. No Recurso Voluntário o Recorrente procurou demonstrar os valores pleiteados, as diferenças apuradas, juntando as retificações do Perd/Comp, Acórdãos do antigo Conselho de Contribuintes, além de reiterar os argumentos da manifestação de inconformidade disposto acima requerendo com isto o deferimento do pleito de ressarcimento do IPI. É o relatório Voto Conselheiro Relator Angela Sartori O recurso segue os requisitos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Voto no sentido de converter o presente julgamento em diligencia para que a Delegacia de origem analise a contabilidade apresentada antes do despacho decisório juntamente com a PERD/COMP. (assinado digitalmente) Relator Angela Sartori Relator Fl. 202DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 12/04/2012 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
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Numero do processo: 11971.000241/2007-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon May 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2002 a 30/04/2002
DÉBITOS. PAGAMENTO. AÇÃO JUDICIAL. DESISTÊNCIA. ADESÃO AO PAES. MULTA DE MORA.
A multa de mora incidente sobre débitos vinculados à ação judicial em que se discute sua exigência, constituídos após 1º de janeiro de 1999 ou contra majoração após aquela data, pagos em parcela única, deve ser dispensada por força de disposição legal.
JUROS DE MORA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PAGAMENTOS A MENOR.
As diferenças entre os valores dos juros de m ora efetivamente devidos e os pagos pelo contribuinte são passíveis de exigência por meio de lançamento de ofício.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3301-001.798
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Adão Vitorino de Morais - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Paulo Guilherme Déroulède e Andréa Medrado Darzé.
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2002 a 30/04/2002 DÉBITOS. PAGAMENTO. AÇÃO JUDICIAL. DESISTÊNCIA. ADESÃO AO PAES. MULTA DE MORA. A multa de mora incidente sobre débitos vinculados à ação judicial em que se discute sua exigência, constituídos após 1º de janeiro de 1999 ou contra majoração após aquela data, pagos em parcela única, deve ser dispensada por força de disposição legal. JUROS DE MORA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PAGAMENTOS A MENOR. As diferenças entre os valores dos juros de m ora efetivamente devidos e os pagos pelo contribuinte são passíveis de exigência por meio de lançamento de ofício. Recurso Voluntário Provido em Parte
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2002 a 30/04/2002 DÉBITOS. PAGAMENTO. AÇÃO JUDICIAL. DESISTÊNCIA. ADESÃO AO PAES. MULTA DE MORA. A multa de mora incidente sobre débitos vinculados à ação judicial em que se discute sua exigência, constituídos após 1º de janeiro de 1999 ou contra majoração após aquela data, pagos em parcela única, deve ser dispensada por força de disposição legal. JUROS DE MORA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PAGAMENTOS A MENOR. As diferenças entre os valores dos juros de m ora efetivamente devidos e os pagos pelo contribuinte são passíveis de exigência por meio de lançamento de ofício. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 97 1. 00 02 41 /2 00 7- 72 Fl. 121DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 27 /03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Paulo Guilherme Déroulède e Andréa Medrado Darzé. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da DRJ Recife que julgou improcedente a impugnação interposta contra o lançamento de multa de mora e juros moratórios incidentes sobre pagamentos a destempo da contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins). O lançamento decorreu de diferenças apuradas entre os valores dos juros moratórios e das multas de mora, pagos pelo contribuinte, e os efetivamente devidos, incidentes sobre as parcelas daquela contribuição, vencidas entre as data de 15/02/2002 e 15/05/2002, pagas na data de 29/11/2002, conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal às fls. 17 e demonstrativos às fls. 19/22 e 23. Cientificada do lançamento, a recorrente impugnouo, alegando razões assim resumidas por aquela DRJ: “3.1 a Contribuinte recolheu integralmente as parcelas da COFINS, conforme atestam os DARF em anexo (doe. n° 03); 3.2 esclarece a Contribuinte que em relação a COFINS, a empresa havia recolhido inicialmente as parcelas da Cofins à alíquota de 2% (dois por cento) e com base no faturamento, assim como as parcelas do PIS à alíquota de 0,65% do faturamento, posto que obtivera liminar judicial para tais recolhimentos; 3.3 posteriormente a contribuinte desistiu da ação judicial e aderiu ao benefício previsto no art. 14 da Medida Provisória n° 75 de 24 de outubro de 2002, que prorrogou os benefícios do artigo 21 da Medida Provisória n° 66 de 29 de agosto de 2002, autorizando as empresas a procederem ao complemento de alíquota e base de cálculo, apenas com os encargos de juros e atualização, isentando de multa pelo atraso; 3.4 nessas condições, a contribuinte assim recolheu os tributos devidos sem os encargos normais, aproveitandose do benefício fiscal. Desta forma, os valores devidos foram tempestivamente pagos, e declarados corretamente na DCTF do período, não procedendo a cobrança em apreço.” Analisada a impugnação, aquela DRJ julgoua improcedente, conforme Acórdão nº 1129.830, datado de 18 de maio de 2010, às fls. 63/66, sob as seguintes ementas: “MULTA DE MORA. Os débitos para com a União, de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, não pagos nos prazos previstos na legislação especifica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. JUROS DE MORA. Somente a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do imposto ou das contribuições administrados pela RFB é que comporta o pagamento de juros de mora.” Fl. 122DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 27 /03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11971.000241/200772 Acórdão n.º 3301001.798 S3C3T1 Fl. 122 3 Inconformada com a decisão da DRJ, a recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 81/86), requerendo a sua a reforma a fim de que se julgue improcedente o lançamento, alegando, em síntese, que os juros foram pagos, com os acréscimos legais, conforme darf em anexo, e a desistência da ação judicial (mandado de segurança nº 99.52242) e sua homologação também foram anexadas a esse recurso. É o relatório. Voto Conselheiro José Adão Vitorino de Morais O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim, dele conheço. A autoridade julgadora de primeira instância manteve o lançamento sob os fundamentos de que os juros foram recolhidos a menor e a desistência da ação judicial com o objetivo de aderir ao PAES não foi comprovada. Nesta fase recursal, a recorrente carreou aos autos às fls. 112/113, copias de 4 (quatro) darfs, comprovando o recolhimento de juros moratórios, no valor de R$1.669,02, na data de 25 de julho de 2011, e às fls. 114, cópia do requerimento dirigido ao Exmo Sr. Desembargador Federal do Tribunal Regional Federal da 5ª Região, expondo que optou pelo regime especial de quitações de tributos federais previsto no art. 21 da Medida Provisória (MP) nº 66 (c/c MP 75) e, por força disto, requereu a desistência da Apelação no Mandado de Segurança 2000.05.00.0152859 (proc. orig. 9952242). Às fls. 117, foi anexada a cópia da homologação da desistência pelo Presidente do TRF da 5ª Região. Em relação à multa, sobre débitos parcelados via PAES, a MP nº 66, de 22 de agosto de 2002, assim dispôs: “Art. 21. Os débitos de que trata o art. 20, relativos a fatos geradores vinculados a ações judiciais propostas pelo sujeito passivo contra exigência de imposto ou contribuição instituído após 1° de janeiro de 1999 ou contra majoração, após aquela data, de tributo ou contribuição anteriormente instituído, poderão ser pagos em parcela única até o último dia útil de setembro de 2002 com a dispensa de multas moratória e punitivas. § 1º Para efeito deste artigo, o contribuinte ou o responsável deverá comprovar a desistência expressa e irrevogável de todas as ações judiciais que tenham por objeto os tributos a serem pagos na forma do caput, e renunciar a qualquer alegação de direito sobre as quais se fundam as referidas ações. § 2° O benefício de que trata este artigo somente poderá ser usufruído caso o contribuinte ou o responsável pague integralmente, no mesmo prazo estabelecido no caput, os débitos Fl. 123DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 27 /03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 nele referidos, relativos a fatos geradores ocorridos de maio de 2002 até o mês anterior ao do pagamento. § 3º Na hipótese deste artigo, os juros de mora devidos serão determinados pela variação mensal da Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP).” Posteriormente, em 24 de outubro de 2002, foi editada a MP nº 75, assim dispondo: "Art. 14. Ficam reabertos, para até o último dia útil do mês de novembro de 2002, os prazos referidos nos arts. 20, 21 e 24 da Medida Provisória n° 66, de 2002, observado o disposto nos arts. 22 e 23 desta mesma Medida. Parágrafo único. Relativamente ao art. 20 da Medida Provisória n° 66, de 2002, o disposto neste artigo aplicase, inclusive, a débitos decorrentes de fatos geradores ocorridos até 30 de abril de 2002 e vinculados a ação judicial ajuizada até esta data, hipótese em que a pessoa jurídica deverá comprovar a desistência expressa e irrevogável de todas as ações judiciais que tenham por objeto os tributos a serem pagos e renunciar a qualquer alegação de direito sobre a qual se fundam as referidas ações.” Assim, os valores lançados e exigidos a título de multa de mora sobre os débitos de Cofins deverão ser excluídos do lançamento em discussão. Quanto aos juros de mora, conforme demonstrado no auto de infração, mais especificamente nas planilhas às fls. 19/21, os valores recolhidos pelo contribuinte foram inferiores aos efetivamente devidos. Assim, as diferenças apuradas são passíveis de exigência por meio de lançamento de oficio. A Lei nº 9.430, de 27/12/1996, assim dispõe: “Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.” Em face do exposto, dou provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do total do crédito tributário, o valor exigido a título de multa de mora, mantendose a exigência dos juros de mora, cabendo à autoridade administrativa utilizar, na liquidação do crédito tributário mantido, os pagamentos estampados nos darfs às fls. 112/113, fazendo a imputação daqueles valores. (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 27 /03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11971.000241/200772 Acórdão n.º 3301001.798 S3C3T1 Fl. 123 5 Fl. 125DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 27 /03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 10875.902996/2008-10
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon May 06 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/06/2001 a 30/06/2001
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3403-002.083
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antônio Carlos Atulim Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Relator
Participaram do julgamento os conselheiros Antônio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/2001 a 30/06/2001 ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA O PEDIDO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/06/2001 a 30/06/2001 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern Relator Participaram do julgamento os conselheiros Antônio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 29 96 /2 00 8- 10 Fl. 72DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN 2 Relatório INDÚSTRIAS BRASILEIRAS DE ARTIGOS REFRATÁRIOS IBAR LTDA. transmitiu o Pedido de Restituição/ Declaração de Compensação PER/DCOMP nº 16802.44508.250906.1.7.046749, visando à extinção de débito(s) de Cofins com crédito oriundo de pagamento indevido ou maior do que o devido de Cofins, referente ao período de apuração de 01/06/2001 a 30/06/2001. O Despacho Decisório Eletrônico nº 781208838 indeferiu o pleito restituitório e não homologou a compensação porque o pagamento informado como origem do direito creditório estava integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Sobreveio reclamação, fls. 3 a 13, por meio da qual o interessado alega, em síntese, que o direito creditório provém das pagamentos da contribuição incidente sobre as vendas para a Zona Franca de Manaus, no seu entender, alcançadas por isenção por equiparem se a exportações, nos termos do DecretoLei nº 288, de 28 de fevereiro de 1967. Tacha de ilegal e inconstitucional qualquer diploma legal tendente a obstar o exercício desse direito, já que o benefício teria ganhado status constitucional por força do artigo 40 do ADCT da Constituição Federal, que manteve sob sua proteção todos os benefícios concedidos à ZFM por um prazo de 25 (vinte e cinco) anos, ou seja, até 2013. A 8ª Turma da DRJ/CPS julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente. O Acórdão nº 05035.722, de 9 de novembro de 2011, fls. 40 a 48, teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Período de apuração: 01/06/2001 a 30/06/2001 INCONSTITUCIONALIDADE. INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. COMPETÊNCIA. RECEITAS DE VENDAS A ZONA FRANCA DE MANAUS. TRIBUTAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no Pais, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade, restringindose a instância administrativa ao exame da validade jurídica dos atos praticados pelos agentes do Fisco. A isenção do PIS e da Cofins prevista no art. 14 da Medida Provisória n° 2.03725, de 2000, atual Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, quando se tratar de vendas realizadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, aplicase às receitas de vendas enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do referido artigo. Não existindo evidências documentais de que o direito de crédito tenha origem na indevida apuração de tributo a pagar sobre tais receitas, não se reconhece direito de crédito nela baseado e não se homologa a compensação que dele se aproveita. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Credit6rio Não Reconhecido Fl. 73DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10875.902996/200810 Acórdão n.º 3403002.083 S3C4T3 Fl. 73 3 Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da 8ª Turma da DRJ/CPS. O arrazoado de fls. 53 a 67, após síntese dos fatos relacionados com a lide, retoma, ipsis litteris, as alegações já apresentadas na Manifestação de Inconformidade. Conclui, requerendo a reforma in totum do Acórdão recorrido, homologando se as compensações feitas, excluindose, por conseguinte, as multas e demais penalidades. Alternativa e sucessivamente, requer seja convertido o presente julgamento em diligência a fim que seja verificado documentalmente a procedência dos créditos. Protesta ta,bem por todos os tipos de prova admitidas, bem como a sustentação oral do alegado. O processo administrativo correspondente foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração estabelecida no processo eletrônico. É o Relatório. Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 53 a 67 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJ/CPS 8ª Turma nº 05035.722, de 9 de novembro de 2011. Como destacado na decisão recorrida, a não homologação da DCOMP em tela decorreu do fato de o DARF indicado como origem do crédito aproveitado na compensação ter sido integralmente utilizado na quitação de débitos informados pela própria contribuinte. Em sede de manifestação de inconformidade a interessada, para além de contestar a vinculação do pagamento a débito anterior, avança na questão, discutindo as razões pelas quais entende que parte do recolhimento seria indevida. A questão da isenção à Cofins das vendas destinadas à Zona Franca de Manaus não é nova para esta 3ª Turma Ordinária. Nada obstante, esquivarmeei de abordála, bem assim as arguições de ilegalidade e inconstitucionalidade de subsidiam as teses do recorrente, até porque, nos termos da Súmula CARF nº 2, não detenho competência para tanto: Súmula CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Determeei em questão prejudicial: a falta de prova do direito creditório. Matéria de extremada importância em sede processual é a referente à repartição do ônus da prova nas questões litigiosas. Com efeito, da delimitação do onus probandi depende a definição de grande parte das responsabilidades processuais. Assim é nas relações de direito privado e, igualmente, nas relações de direito público, dentre as quais as relacionadas à imposição tributária. Neste campo, a legislação processual administrativotributária inclui disposições que, em regra, reproduzem aquele que é, por assim dizer, o principio fundamental Fl. 74DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN 4 do direito probatório, qual seja o de que quem acusa e/ou alega deve provar. Assim é que, nos casos de lançamentos de oficio, não basta a afirmação, por parte da autoridade fiscal, de que ocorreu o ilícito tributário; pelo contrário, é fundamental que a infração seja devidamente comprovada, como se depreende da parte final do caput do artigo 9° do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 PAF, que determina que os autos de infração e notificações de lançamento "deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito". De outro lado, ao contribuinte a legislação impõe o ônus de provar o que alega em face das provas carreadas pela autoridade fiscal, como expresso no inciso III do artigo 16 do mesmo Decreto nº 70.235, de 1972, que determina que a impugnação conterá "os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir". Esse, portanto, o quadro nos lançamentos de oficio: à autoridade fiscal incumbe provar, pelos meios de prova admitidos pelo direito, a ocorrência do ilícito; ao contribuinte, cabe o ônus de provar o teor das alegações que contrapõe às provas ensejadoras do lançamento. Já nos casos de repetição de indébito, como no presente processo, entretanto, o quadro resta um pouco modificado, como a seguir se verá. Quando a situação posta se refere à restituição, compensação ou ressarcimento de créditos tributários, como no caso que ora se apresenta, é atribuição do contribuinte a demonstração da efetiva existência do indébito. Tanto é assim que a Instrução Normativa SRF nº 900, de 30 de dezembro de 2008, que regia, à época da transmissão do PER/DComp, os processos de restituição, compensação e ressarcimento de créditos tributários, assim expressa em vários de seus dispositivos: Art. 3° A restituição a que se refere o art. 2° poderá ser efetuada: I a requerimento do sujeito passivo ou da pessoa autorizada a requerer a quantia; ou II mediante processamento eletrônico da Declaração de Ajuste Anual do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (DIRPF). § Iº A restituição de que trata o inciso I do caput será requerida pelo sujeito passivo mediante utilização do programa Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação (PER/DCOMP). § 2º Na impossibilidade de utilização do programa PER/DCOMP, o requerimento será formalizado por meio do formulário Pedido de Restituição, constante do Anexo I, ou mediante o formulário Pedido de Restituição de Valores Indevidos Relativos a Contribuição Previdenciária, constante cio Anexo II, conforme o caso, aos quais deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. [..1 § 4° Tratandose de pedido de restituição formulado por representante do sujeito passivo mediante utilização do programa PER/DCOMP, os documentos a que se refere o § 3° serão apresentados à RFB após intimação da autoridade competente para decidir sobre o pedido. [..1 Fl. 75DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10875.902996/200810 Acórdão n.º 3403002.083 S3C4T3 Fl. 74 5 Art. 65. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito. inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada. mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. Como se percebe, em qualquer dos tipos de repetição é exigida a apresentação dos documentos comprobatórios da existência do direito creditório como prerrequisito ao conhecimento do pleito. E o que se deve ter por documentos comprobatórios do crédito? Por óbvio que os documentos que atestem, de forma inequívoca, a origem e a natureza do crédito. Sem tal evidenciação, o pedido repetitório fica inarredavelmente prejudicado. Não é lícito ao julgador, tanto em sede de apreciação de lançamento de oficio, quanto em sede de pleito repetitório, dispensar a autoridade lançadora ou o pleiteante, conforme o caso, do ônus que a lei impõe a cada um deles; tanto quanto não lhe é lícito valer se das diligências e perícias para, por vias indiretas, suprir o ônus probatório que cabia a cada parte. Diligências existem para resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica. Já as perícias existem para fins de que sejam dirimidas questões para as quais exigese conhecimento técnico especializado, ou seja, matéria impassível de ser resolvida a partir do conhecimento das partes e do julgador. De se ressaltar, igualmente, que o fato de o processo administrativo ser informado pelo principio da verdade material, em nada macula tudo o que foi até aqui dito. É que o referido princípio – de natureza estritamente processual, e não material destinase a busca da verdade que está para além dos fatos alegados pelas partes, mas isto num cenário dentro do qual as partes trabalharam proativamente no sentido do cumprimento do seu ônus probandi. Em outras palavras, o principio da verdade material autoriza o julgador a ir além dos elementos de prova trazidos pelas partes, quando tais elementos de prova induzem à suspeita de que os fatos ocorreram não da forma como esta ou aquela parte afirma, mas de uma outra forma qualquer (o julgador não está vinculado às versões das partes). Mas isto, à evidência, nada tem a ver com propiciar à parte que tem o ônus de provar o que alega/pleiteia, a oportunidade de, por via de diligências, produzir algo que, do ponto de vista estritamente legal, já deveria compor, como requisito de admissibilidade, o pleito desde sua formalização inicial. Dito de outro modo: da mesma forma que não é aceitável que um lançamento seja efetuado sem provas e que se permita posteriormente, em sede de julgamento e por meio de diligências, tal instrução probatória, também não é aceitável que um pleito repetitório seja proposto sem a minudente demonstração e comprovação da existência do indébito e que posteriormente, também em sede de julgamento e por via de diligências, se oportunize tais demonstração e comprovação. Pergunto ao recorrente: existe, nos autos, alguma prova de que o valor das vendas para a ZFM já não tenha sido excluído da base de cálculo do débito de Cofins PIS, confessado na DCTF vigente? A resposta, evidentemente, é negativa. Fl. 76DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN 6 Se, de um lado é certo que o DARF informado no PER/Dcomp comprova um recolhimento, de outro, inexiste nos autos qualquer prova de que o pagamento seja indevido. Há tãosomente a alegação do requerente, ora recorrente. À exceção de algumas notas fiscais de venda, que nada provam quanto a comporem ou não a base de cálculo da contribuição por fazeremse desacompanhadas da escrituração contábilfiscal, nada mais há. E, em sede de prova, nada alegar e alegar, mas não provar o alegado se equivalem (allegare nihil et allegatum non probare paria sunt). A esse propósito, reportome à Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. De acordo com o seu art. 36, que regulamenta o sistema de distribuição da carga probatória no Processo Administrativo Federal: o ônus de provar a veracidade do que afirma é do requerente: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido o art. 330 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC). A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça também corrobora esse entendimento: Allegare nihil et allegatum non probare paria sunt — nada alegar e não provar o alegado, são coisas iguais.(HABEAS CORPUS Nº 1.1710 — RJ, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 4, (39): 211276, novembro 1992, p. 217) Alegar e não provar significa, juridicamente, não dizer nada.(INTERVENÇÃO FEDERAL Nº 83 — PR, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 7, (66): 93116, fevereiro 1995. 99) RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA – APOSENTADORIA – NEGATIVA DE REGISTRO – TRIBUNAL DE CONTAS – ATOS ADMINISTRATIVOS NÃO COMPROVADOS – ART. 333, INCISO II, DO CPC – PAGAMENTO DOS PROVENTOS DE NOVEMBRO/96 E DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO DAQUELE MESMO ANO – IMPOSSIBILIDADE – SÚMULAS 269 E 271 DA SUPREMA CORTE – 1. O ônus da prova incumbe ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (art. 333, II, do Código de Processo Civil). Incumbe às Secretarias de Educação e da Fazenda a demonstração de que a professora havia sido notificada da suspensão de sua aposentadoria. 2. Não cabe em mandado de segurança para cobrança de proventos não recebidos, a teor das súmulas 269 e 271 da Suprema Corte. 3. Recurso parcialmente provido. (STJ – ROMS 9685 – RS – 6ª T. – Rel. Min. Fernando Gonçalves – DJU 20.08.2001 – p. 00538)JCPC.333 JCPC.333.II TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IMPOSTO DE RENDA – VERBAS INDENIZATÓRIAS – FÉRIAS E LICENÇAPRÊMIO – NÃO INCIDÊNCIA – COMPENSAÇÃO – AJUSTE ANUAL – ÔNUS DA PROVA – O ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito e ao réu quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Cabe ao contribuinte comprovar a ocorrência de retenção na fonte do imposto de renda incidente sobre verbas indenizatórias e à Fazenda Nacional incumbe a prova de eventual compensação do imposto de renda retido na fonte no ajuste anual da declaração de rendimentos. Recurso provido. (STJ – REsp 229118 – DF – 1ª T. – Rel. Min. Garcia Vieira – DJU 07.02.2000 – p. 132) Fl. 77DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10875.902996/200810 Acórdão n.º 3403002.083 S3C4T3 Fl. 75 7 PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO – EXECUÇÃO FISCAL – EMBARGOS DO DEVEDOR – NOTIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO – IMPRESCINDIBILIDADE – ÔNUS DA PROVA – 1. Imprescindível a notificação regular ao contribuinte do imposto devido. 2. Incumbe ao embargado, réu no processo incidente de embargos à execução, a prova do fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (CPC, art. 333, II). 3. Recurso especial conhecido e provido. (STJ – REsp 237.009 – (1999/00996607) – SP – 2ª T. – Rel. Min. Francisco Peçanha Martins – DJU 27.05.2002 – p. 147) TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IRPF – REPETIÇÃO DE INDÉBITO – VERBAS INDENIZATÓRIAS – RETENÇÃO NA FONTE – ÔNUS DA PROVA – VIOLAÇÃO DE LEI FEDERAL CONFIGURADA – DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO COMPROVADA – SÚMULA 13/STJ PRECEDENTES – Cabe ao autor provar que houve a retenção do imposto de renda na fonte, por isso que é fato constitutivo do seu direito; ao réu competia a prova de eventual compensação na declaração anual de rendimentos dos recorrentes, do imposto de renda retido na fonte, fato extintivo, impeditivo ou modificativo do direito do autor – Incidência da Súmula 13 STJ – Recurso especial conhecido pela letra a e provido. (STJ – RESP 232729 – DF – 2ª T. – Rel. Min. Francisco Peçanha Martins – DJU 18.02.2002 – p. 00294) À falta da prova do erro, capaz de afastar o atributo de irretratabilidade da confissão de dívida, milita contra a alegação do requerente a presunção de que o pagamento não lhe confere qualquer direito creditório porque foi alocado a débito espontaneamente confessado em DCTF. Com essas considerações, voto por negar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 23 de abril de 2013 Alexandre Kern Fl. 78DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN
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Numero do processo: 13117.000201/2007-26
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/07/2001 a 31/12/2001
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. TERMO A QUO.
ENTENDIMENTO DO STJ. ART. 150, PARÁGRAFO 4º DO CTN.
HOMOLOGAÇÃO TÁCITA.
O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991.
Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n º 8.212, há que serem observadas as regras previstas no CTN.
As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação, assim devem, em regra, observar o disposto no art. 150, parágrafo 4º do CTN. Havendo, então o pagamento antecipado, observar-se-á a regra de extinção prevista no art. 156, inciso VII do CTN.
No caso, houve pagamento antecipado, ainda que parcial, sobre as rubricas lançadas.
Encontram-se atingidos pela fluência da homologação tácita todos os fatos geradores apurados pela fiscalização.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2302-000.843
Decisão: ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda
Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Arlindo da Costa e Silva que entendeu aplicar-se o art. 173, inciso I do
CTN para todo o período.
Nome do relator: MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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Recorrente SÃO SEBASTIÃO DO TOCANTINS PREFEITURA MUNICIPAL Recorrida SRP SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2001 a 31/12/2001 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. TERMO A QUO. ENTENDIMENTO DO STJ. ART. 150, PARÁGRAFO 4O DO CTN. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n º 8.212, há que serem observadas as regras previstas no CTN. As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação, assim devem, em regra, observar o disposto no art. 150, parágrafo 4o do CTN. Havendo, então o pagamento antecipado, observarseá a regra de extinção prevista no art. 156, inciso VII do CTN. No caso, houve pagamento antecipado, ainda que parcial, sobre as rubricas lançadas. Encontramse atingidos pela fluência da homologação tácita todos os fatos geradores apurados pela fiscalização. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Arlindo da Costa e Silva que entendeu aplicarse o art. 173, inciso I do CTN para todo o período. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 17/02/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Marco André Ramos Vieira Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco André Ramos Vieira (Presidente), Liege Lacroix Thomasi, Arlindo da Costa e Silva, Thiago D Avila Melo Fernandes, Manoel Coelho Arruda Júnior, Adriana Sato. Relatório Tratase de NFLD referente às contribuições sociais destinadas à Seguridade, e dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, no período de julho a dezembro de 2001; conforme relatório fiscal às fls. 20 a 21. Inconformada com o lançamento, a entidade apresentou impugnação na forma das fls. 26 a 33. Decisão proferida pela Receita Previdenciária, fls. 43 a 47, manteve o lançamento em sua integralidade. Não concordando com a decisão a quo, o sujeito passivo interpôs recurso voluntário, fls. 53 a 62. Não foram apresentadas contrarazões pelo órgão fazendário. É o relato suficiente. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 17/02/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 13117.000201/200726 Acórdão n.º 230200.843 S2C3T2 Fl. 70 3 Voto Conselheiro Marco André Ramos Vieira, Relator O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 65. Pressuposto superado, passo para o exame das questões preliminares ao mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES AO MÉRITO: Quanto à questão preliminar relativa à fluência do prazo decadencial, a mesma deve ser reconhecida. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991, nestas palavras: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme previsto no art. 103A da Constituição Federal a Súmula de n º 8 vincula toda a Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála. Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n º 8.212, há que serem observadas as regras previstas no CTN. As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação, assim devem, em regra, observar o disposto no art. 150, parágrafo 4o do CTN. Havendo, então o pagamento antecipado, observarseá a regra de extinção prevista no art. 156, inciso VII do CTN (homologação tácita). Se não houver pagamento antecipado sobre a rubrica há que ser observado o disposto no art. 173, inciso I do CTN. Nessa hipótese, o crédito tributário será extinto em função do previsto no art. 156, inciso V do CTN. Caso tenha ocorrido dolo, fraude ou simulação não será observado o disposto no art. 150, parágrafo 4o do CTN, sendo aplicado necessariamente o disposto no art. 173, inciso I, independentemente de ter havido o pagamento antecipado. Na hipótese concretizada, houve pagamento antecipado, ainda que parcial, sobre as rubricas, conforme relatório fiscal; fls. 05 e 06. Desse modo, a contar dos fatos geradores, a fiscalização federal teria o prazo de cinco anos para efetuar o lançamento fiscal. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 17/02/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Encontramse atingidos pela fluência do prazo decadencial todos os fatos geradores apurados pela fiscalização. Conforme comprovante à fl. 23, o sujeito passivo foi cientificado do lançamento em 12 de janeiro de 2007. CONCLUSÃO: Pelo exposto voto por CONHECER do recurso voluntário, para no mérito CONCEDERLHE PROVIMENTO, reconhecendo a extinção do crédito tributário pela homologação tácita (art. 150, parágrafo 4º do CTN). É o voto. Marco André Ramos Vieira Fl. 75DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 17/02/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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Numero do processo: 13896.001549/2010-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri May 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS.
São admitidas as deduções pleiteadas com a observância da legislação tributária e que estejam devidamente comprovadas nos autos.
As deduções de despesas médicas restringem-se aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes.
É do contribuinte o ônus da prova das despesas médicas declaradas como deduções da base de cálculo do IRPF.
GUARDA DE DOCUMENTOS. PRAZO.
Os documentos comprobatórios das informações constantes da declaração de ajuste anual do IRPF devem ser guardados até que decaia o direito da Fazenda efetuar o lançamento relativo ao ano-calendário da respectiva declaração.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2201-002.107
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente.
Assinado digitalmente
Walter Reinaldo Falcão Lima - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Rodrigo Santos Masset Lacombe, Odmir Fernandes (Suplente Convocado), Walter Reinaldo Falcão Lima, Guilherme Barranco de Souza (Suplente Convocado) e Pedro Paulo Pereira Barbosa. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad.
Nome do relator: WALTER REINALDO FALCAO LIMA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006 DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. São admitidas as deduções pleiteadas com a observância da legislação tributária e que estejam devidamente comprovadas nos autos. As deduções de despesas médicas restringem-se aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes. É do contribuinte o ônus da prova das despesas médicas declaradas como deduções da base de cálculo do IRPF. GUARDA DE DOCUMENTOS. PRAZO. Os documentos comprobatórios das informações constantes da declaração de ajuste anual do IRPF devem ser guardados até que decaia o direito da Fazenda efetuar o lançamento relativo ao ano-calendário da respectiva declaração. Recurso Voluntário Negado.
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DESPESAS MÉDICAS. São admitidas as deduções pleiteadas com a observância da legislação tributária e que estejam devidamente comprovadas nos autos. As deduções de despesas médicas restringemse aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes. É do contribuinte o ônus da prova das despesas médicas declaradas como deduções da base de cálculo do IRPF. GUARDA DE DOCUMENTOS. PRAZO. Os documentos comprobatórios das informações constantes da declaração de ajuste anual do IRPF devem ser guardados até que decaia o direito da Fazenda efetuar o lançamento relativo ao anocalendário da respectiva declaração. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente. Assinado digitalmente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 00 15 49 /2 01 0- 14 Fl. 75DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 03/ 05/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 Walter Reinaldo Falcão Lima Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Rodrigo Santos Masset Lacombe, Odmir Fernandes (Suplente Convocado), Walter Reinaldo Falcão Lima, Guilherme Barranco de Souza (Suplente Convocado) e Pedro Paulo Pereira Barbosa. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad. Relatório Por descrever bem os fatos, adoto o relatório do acórdão de primeira instância (fls. 55 e 56), que reproduzo a seguir: “Contra o contribuinte acima identificado, foi lavrada a notificação de lançamento de fls. 05 a 07, relativa ao imposto sobre a renda das pessoas físicas do anocalendário 2005, que apurou dedução indevida de despesas médicas, no valor de R$ 48.682,00 e compensação indevida de imposto de renda retido na fonte, no valor de R$ 52.979,65, referente à fonte pagadora R. Duprat R S/A. Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 03 a 04, alegando a tempestividade da impugnação, apresentando cópia do DARF do IRRF e com relação às despesas médicas, afirma que não tem como no momento anexar os comprovantes todos, reservandose o direito de entregálos a posteriori. Requer, ainda, prioridade na análise do caso com base no Estatuto do Idoso. Foi procedida a revisão de ofício da DIRPF do anocalendário 2005, exercício 2006 do impugnante, com base na Instrução Normativa RFB n.º 1.061, de 04 de agosto de 2010, cujo resultado se vê as fls. 37/40, sendo deferida em parte a proposta de cancelamento da exigência, alterandose o valor a pagar apurado na Notificação de R$ 65.922,96 para R$ 11.390,18, acrescido de multa de ofício. Tal resultado é decorrente da comprovação de que o contribuinte teve o IRRF no valor de R$ 52.979,65 e da comprovação de despesas médicas no valor de R$ 5.647,75 pagos a empresa Bradesco Saúde S/A. Foi mantida a glosa de despesas médicas no valor de R$ 43.034,25, conforme demonstrativo de cálculos de fl. 38. O contribuinte foi cientificado do resultado da revisão de ofício em 12/05/2011 (AR a fl. 43), apresentando em 01/06/2011, a impugnação de fls. 45/46, alegando que: mudou de residência por duas vezes e somente tomou conhecimento do lançamento quando tratou de outros assuntos na própria Receita; não sabia que só poderia deduzir as despesas médicas gastas somente com ele, já que o total de R$ 20.960,03 pagos a Bradesco Saúde saiu de seu bolso. Afirma que não lhe parece Fl. 76DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 03/ 05/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 13896.001549/201014 Acórdão n.º 2201002.107 S2C2T1 Fl. 76 3 justo não poder deduzir ao menos os gastos de sua esposa, pelo fato dela ter feito a declaração em separado com opção pelo desconto simplificado; apresenta demonstrativo de valores que teriam sido encontrados em canhotos de cheques, nos valores de R$ 250,00 cada um, nas datas de 30/05/2005, 20/07/2005, 29/08/2005 e 15/09/2005 (discriminação dos cheques a fl. 46), totalizando R$ 1.000,00 que teriam sido pagos a Clínica Dra. Silvia Aguiar, CNPJ n.º 04.996.015/000102; ninguém melhor que a Receita Federal para cruzar os dados por ele apresentados para verificar as pessoas, checandoas se recebeu ou não os valores; embora seus filhos não constassem mais como dependentes, pois maiores de 21 anos, os dois menores, na época, continuavam morando em sua residência e dependiam financeiramente dele. Daí ter deduzido o total do Saúde Bradesco; o prazo de um mês é pequeno para que ele possa pesquisar entre os médicos que já tem seus documentos entre o Arquivo Morto depois de 05 anos; se por último concluírem assim mesmo pela sua culpa, que lhe poupem da multa ou lhe dêem mais tempo para a pesquisa.” A 4a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo II julgou a impugnação procedente em parte, para restabelecer a dedução de despesas médicas no valor de R$ 5.647,56, correspondente ao valor do plano de saúde pago pelo contribuinte à sua esposa, que apresentou declaração de ajuste anual em separado, no modelo simplificado, mas sem utilizálo, por não ter declarado rendimentos tributáveis (fls. 35). Confirase a ementa do respectivo acórdão: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005 PRELIMINAR. TEMPESTIVIDADE DA IMPUGNAÇÃO. Uma vez que o contribuinte constou como dependente em declaração de ajuste anual apresentada anteriormente ao lançamento na qual constava o seu domicílio fiscal atual, fato não observado quando da elaboração de Edital, deve ser considerada tempestiva a impugnação apresentada. DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS. A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea dos gastos efetuados. MULTA DE OFÍCIO. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 03/ 05/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 A multa de ofício é prevista em disposição legal específica e tem como suporte fático à revisão de lançamento pela autoridade administrativa competente, que implique imposto ou diferença de imposto a pagar. A responsabilização por infração independe da intenção do agente. Apurada a infração é devido o lançamento da multa de ofício. GUARDA DE DOCUMENTOS. Os documentos comprobatórios das informações constantes da declaração de ajuste anual devem ser guardados até que decaia o direito da Fazenda efetuar o lançamento relativo ao ano calendário a que esta declaração se refere. JUNTADA DE DOCUMENTOS A POSTERIORI. Inadmissível a juntada posterior de provas quando a impossibilidade de sua apresentação oportuna não for causada pelos motivos especificados na legislação de regência. Não compete ao órgão julgador de primeira instância produzir prova que legalmente compete ao sujeito passivo. Impugnação Procedente em Parte” Cientificado do acórdão de primeira instância em 19/10/2011 (Aviso de Recebimento de fls. 70), o Interessado interpôs em 18/11/2011 o Recurso de fls. 65 a 67, alegando, em suma, que: a) a intimação do auto de infração por edital, realizada sem suporte legal, e o seu conhecimento desse documento mais de um ano após esse procedimento, acarretou o término do prazo para que os beneficiários dos pagamentos guardassem os comprovantes das deduções glosadas, prejudicando, também, que conseguisse os comprovantes solicitados; b) a apresentação dos canhotos de cheques constituem documentos aptos a comprovar as deduções glosadas, por conterem o valor, a data, o destinatário, seu endereço, CGC/CPF, conforme dispõe a legislação; c) a Receita Federal do Brasil poderia efetuar o cruzamento de informações para confirmar a veracidade dos valores declarados; d) as despesas relativas aos planos de saúde de seus filhos foram efetivamente realizadas, sendo que aqueles moravam em sua residência e eram totalmente seus dependentes economicamente. Diante do exposto acima requer o cancelamento do débito fiscal. É o Relatório. Voto Conselheiro Walter Reinaldo Falcão Lima, Relator O recurso é tempestivo e atende as demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 03/ 05/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 13896.001549/201014 Acórdão n.º 2201002.107 S2C2T1 Fl. 77 5 Cumpre informar, inicialmente, que o lançamento ocorreu dentro do prazo decadencial previsto no Código Tributário Nacional. Assim toda a documentação que embasou a declaração de ajuste anual do IRPF fiscalizada deveria ser guardada pelo Contribuinte, posto que, enquanto não decaído do direito de a Fazenda Nacional realizar o lançamento, o Contribuinte deve possuir meios de comprovar as informações prestadas em sua respectiva declaração. Não se deve olvidar que o ônus da prova recai sobre aquele de cujo benefício se aproveita. Convém ressaltar que a intimação do auto de infração por edital em nada prejudicou o Contribuinte, pois sua impugnação foi acatada como tempestiva. Determina o art. 8º, inc. II, alínea “a”, §§ 2º e 3º da Lei nº 9.250, de 1995, abaixo reproduzido, que na declaração de ajuste anual do IRPF poderão ser deduzidos da base de cálculo do imposto de renda os pagamentos relativos às despesas médicas ali especificadas, desde que efetuados pelo contribuinte relativos ao seu tratamento e ao de seus dependentes. Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: (...) II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 03/ 05/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 6 § 3o As despesas médicas e de educação dos alimentandos, quando realizadas pelo alimentante em virtude de cumprimento de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente ou de escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil, poderão ser deduzidas pelo alimentante na determinação da base de cálculo do imposto de renda na declaração, observado, no caso de despesas de educação, o limite previsto na alínea b do inciso II do caput deste artigo. (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) Pelo dispositivo legal acima transcrito, resta claro que a dedução de despesas médicas restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes. No caso em pauta, embora o Recorrente afirme que seus filhos, beneficiários do plano de saúde por ele pago, são seus dependentes econômicos, não foram carreadas aos autos provas de que eles podem se enquadrar nas condições previstas na legislação do imposto de renda para figurarem como dependentes. Convém ressaltar que o Contribuinte não os declarou como dependentes na declaração de ajuste anual do IRPF relativo ao exercício 2006, anocalendário 2005 (fls. 31). Assim correta a glosa das despesas médicas cujos beneficiários foram os filhos do Recorrente. É importante destacar que, de acordo com o art. 11, § 3º, do DecretoLei nº 5.844, de 1943, o contribuinte pode ser instado a comprovar ou justificar as deduções, deslocando para ele o ônus probatório. O referido dispositivo constitui a matriz legal do art. 73 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, in verbis: “Art.73.Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, §3º).” § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º).” Dessa forma descabida a alegação do Contribuinte de que a Receita Federal poderia efetuar o cruzamento de informações com as declarações de ajuste anual do IRPF dos prestadores de serviços para fins de comprovação das despesas médicas glosadas. A tarefa de comprovar a realização das despesas é de quem as pleiteou e, neste caso, não foram apresentadas pelo Recorrente quaisquer provas das despesas médicas que não foram restabelecidas pelo órgão julgador de primeira instância. Por fim cumpre assinalar que a simples discriminação de canhotos de cheques não é suficiente como comprovante de despesas médicas, mas somente cópia de cheque nominal, em que exista correspondência entre os valores declarados e aqueles contidos nos respectivos cheques e entre o beneficiário do cheque e o prestador de serviços. No caso em discussão o Contribuinte não apresentou cópia de qualquer cheque relativo ao pagamento das despesas glosadas. Diante do exposto acima voto por NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Walter Reinaldo Falcão Lima Fl. 80DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 03/ 05/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 13896.001549/201014 Acórdão n.º 2201002.107 S2C2T1 Fl. 78 7 Fl. 81DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 03/ 05/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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Numero do processo: 10166.721715/2010-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI
Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006
GLOSA DE CRÉDITOS.
Correta a glosa de créditos de produtos que, embora necessários ao pleno funcionamento do equipamento, a ele não se integram, não se constituindo em matérias primas, produtos intermediários ou materiais de embalagem.
RESSARCIMENTO. AQUISIÇÕES DE OPTANTES PELO SIMPLES.
As aquisições de produtos de empresas optantes pelo Simples não ensejarão, aos adquirentes, direito a escrituração ou a fruição de créditos do imposto.
IMPORTAÇÃO. EQUIPARAÇÃO A INDUSTRIAL. SAÍDA DOS PRODUTOS. INCIDÊNCIA DO IPI.
A empresa que importar produtos tributados é equiparada a industrial e é contribuinte do IPI, tanto no desembaraço aduaneiro como na saída destes do estabelecimento, ainda que tais produtos não sejam submetidos a qualquer processo de industrialização.
Numero da decisão: 3201-000.955
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar o recurso voluntário.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 GLOSA DE CRÉDITOS. Correta a glosa de créditos de produtos que, embora necessários ao pleno funcionamento do equipamento, a ele não se integram, não se constituindo em matérias primas, produtos intermediários ou materiais de embalagem. RESSARCIMENTO. AQUISIÇÕES DE OPTANTES PELO SIMPLES. As aquisições de produtos de empresas optantes pelo Simples não ensejarão, aos adquirentes, direito a escrituração ou a fruição de créditos do imposto. IMPORTAÇÃO. EQUIPARAÇÃO A INDUSTRIAL. SAÍDA DOS PRODUTOS. INCIDÊNCIA DO IPI. A empresa que importar produtos tributados é equiparada a industrial e é contribuinte do IPI, tanto no desembaraço aduaneiro como na saída destes do estabelecimento, ainda que tais produtos não sejam submetidos a qualquer processo de industrialização.
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Correta a glosa de créditos de produtos que, embora necessários ao pleno funcionamento do equipamento, a ele não se integram, não se constituindo em matérias primas, produtos intermediários ou materiais de embalagem. RESSARCIMENTO. AQUISIÇÕES DE OPTANTES PELO SIMPLES. As aquisições de produtos de empresas optantes pelo Simples não ensejarão, aos adquirentes, direito a escrituração ou a fruição de créditos do imposto. IMPORTAÇÃO. EQUIPARAÇÃO A INDUSTRIAL. SAÍDA DOS PRODUTOS. INCIDÊNCIA DO IPI. A empresa que importar produtos tributados é equiparada a industrial e é contribuinte do IPI, tanto no desembaraço aduaneiro como na saída destes do estabelecimento, ainda que tais produtos não sejam submetidos a qualquer processo de industrialização. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar o recurso voluntário. Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente. Mércia Helena Trajano DAmorim Relator. Fl. 329DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 3/05/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Judith do Amaral Marcondes Armando,Marcelo Ribeiro Nogueira, Adriana Oliveira e Ribeiro e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Ausência justificada de Daniel Mariz Gudiño Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador/BA. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir “O estabelecimento acima identificado formalizou pedido de ressarcimento nº 19116.03245.150708.1.1.013107, para aproveitamento de créditos do IPI, oriundos de aquisição de insumos utilizados na fabricação de bens de informática, relativos ao 4°trimestre de 2006, no valor de R$ 204.497,25, cumulado com declarações de compensação relacionadas à fl. 239. No Relatório de Fiscalização, fls. 222 a 235, o fiscal diligente relata que apurou as seguintes irregularidades: (i) aproveitamento indevido de créditos referentes a bens que não se enquadram no conceito de matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem; (ii) aproveitamento indevido de créditos de compras oriundas de optantes pelo SIMPLES; (iii) aproveitamento indevido de créditos de compras oriundas de comércio varejista nãocontribuinte do IPI; (iv) notas fiscais de Saída escrituradas com IPI nulo – Isenção; e (v) Notas fiscais de saída escrituradas com IPI nulo – revenda de mercadorias importadas. Ao final, o diligente relata que considerou passível de ressarcimento o saldo credor, relativo ao 4º trimestre de 2006, no valor de R$ 198.877,56, conforme planilha “apuração do IPI”, fls. 218 a 221. A Delegacia da Receita Federal em Ilhéus, proferiu Despacho Decisório nº 205, de 09/08/2010, fls. 239/240, reconhecendo parcialmente o pedido de ressarcimento, no valor de R$ 198.877,56, e homologando as compensações até o limite do crédito reconhecido, com base no Relatório de Fiscalização e na Fundamentação deste Despacho Decisório. Cientificada da decisão em 20/08/2010, conforme “AR” à fl. 242, a contribuinte apresentou a Manifestação de Inconformidade em 17/09/2010, fls. 243 a 270, alegando, em síntese, que: * o relatório de diligência fiscal que baseou a decisão ora contestado é nulo de pleno direito, uma vez que não foi acompanhado de nenhum documento probatório das alegações do fisco que comprovassem a glosa de créditos efetuada e a suposta falta de recolhimento do IPI nas saídas destacadas; * assim, por ter sido abalizada em relatório nulo por falta de provas de suas conclusões, a decisão administrativa também é nula; Fl. 330DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 3/05/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10166.721715/201041 Acórdão n.º 3201000.955 S3C2T1 Fl. 2 3 * muito embora a impugnante entendesse que a utilização dos créditos nas operações de entradas – referentes aos materiais enquadrados como matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem, ou mesmo, referentes às compras oriundas de optantes pelo Simples, ou ainda, referentes às entradas de produtos importados – fosse absolutamente legítima e amparada pelo regulamento do imposto, o fato é que acabou por estornar referidos créditos do seu livro de apuração do imposto; * desta forma, requer a procedência da MI, tendo em vista a ilegalidade da autuação, que deixou de considerar os estornos dos créditos realizados pela empresa impugnante; * a incorporação de novos componentes ao produto final da impugnante é considerada como industrialização pelo conceito legalmente definido. Para comprovar sua tese cita o § único do art. 46 do CTN e o art. 4º do Dec. nº 4.544/02; * a agregação de componentes eletrônicos é forma de industrialização, pois gera um novo produto. Tratase de espécie de montagem, já reconhecida pela jurisprudência administrativa como forma de industrialização; * não resta dúvida de que os teclados, mouse, caixas acústicas, transformadores, monitores, microfones com pedestal, cadeados, etc. são, na verdade, insumos adquiridos pela Novadata para a industrialização, na modalidade montagem, dos equipamentos fabricados, que compõem o produto final “computador”; * não resta dúvida de que os créditos de IPI requeridos são legítimos, pois todos os produtos mencionados são insumos essenciais utilizados no processo de industrialização por montagem do produto final computador; * o direito de crédito do IPI, como supedâneo do princípio da nãocumulatividade, não pode sofrer qualquer limitação por ato administrativo ou legislação infra constitucional, sendo certo que qualquer norma que assim o faça está em manifesto confronto com a Constituição Federal (inciso II, do § 3º, do art. 153); * a Constituição Federal somente faz restrição ao creditamento quando há isenção no meio da cadeia produtivo no caso do ICMS, conforme art. 155, § 2º, inciso II “a” e “b”, nada falando acerca do IPI. Afirma que este entendimento restou confirmado pelo STF, no julgamento do RE 212.4842/RS, relator ministro Nelson Jobim, DJU 27.11.1998. * em relação às aquisições de produtos de empresas varejistas ou optantes pelo SIMPLES, os créditos jamais poderiam ser glosados, sob pena de afronta ao próprio princípio da não cumulatividade que cerca o IPI; * ora, se mesmo na entrada de produtos isentos é admitida a tomada do crédito, o que se dirá da aquisição de produtos de empresas optantes pelo SIMPLES que, apesar de escrituração diferenciada e unificada de seus impostos, não são desonerados do IPI, o que leva ao fato de que os preços dos produtos adquiridos destas empresas estão com os valores dos tributos neles inseridos. Também nesse aspecto se revela improsperável a pretensão da fiscalização de glosa dos créditos relativos aos insumos adquiridos de comerciantes supostamente varejistas; Fl. 331DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 3/05/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 4 * a condição jurídica da empresa fornecedora jamais poderia afetar um direito constitucional de crédito do IPI, sob pena de violação a todo o arcabouço jurídico que cerca este tributo; * em relação a alegação de que a impugnante teria promovido a saída de modelos de computadores que não estariam na lista emitida pelo Ministério das Ciências e Tecnologia – MCT, (portaria nº 6/02, 519/02 e 895/02), a conclusão do auditor fiscal não procede, uma vez que todos os produtos comercializados pela impugnante estão abrangidos pelo benefício fiscal exposto no art. 56 do RIPI/02; * a fiscalização fez incidir o IPI na saída do produto “SUR BULL NOVASCALIE 4040”, mencionado na nota fiscal nº 112385, como se fosse fabricação própria; * esclareceu que o referido produto foi internado através da nota fiscal nº 1849, de 12/11/2004 e, posteriormente, transferido para a matriz em Brasília, através da nota fiscal 80077, de 12/11/2004, com o destaque do referido imposto. Assim, não houve destaque do imposto na nota fiscal considerada pela fiscalização, que seria a segundo operação realizada, uma vez que amparada pelo disposto no art. 37, II, do RIPI (vigente à época dos fatos); * assim, deve ser afastado o imposto constituído através das ilegítimas conclusões adotadas pela Auditor Fiscal; * com relação a suposta falta de recolhimento do IPI nas revendas de mercadorias importadas, como destacou o agente fiscal no relatório de diligência, os créditos decorrentes destas operações foram estornados pois não se tratavam de matérias primas, produtos intermediários ou materiais de embalagem; * assim, pela não apropriação dos créditos nestas operações, não houve destaque do imposto nas conseqüentes saídas, não havendo o que se falar em falta de recolhimento do IPI; de fato, pela própria forma de constituição do IPI, a ausência de tomada de crédito, como no caso das mercadorias importadas, acarreta em anulação do imposto incidente na saída; o recolhimento no desembaraço aduaneiro, cumulado com o fato de não haver crédito na entrada da mercadoria importada, anula, pela própria forma de cálculo do tributo, qualquer débito que possa ocorrer; ainda que não exista destaque do imposto na saída, a ausência de crédito em conta gráfica, na entrada da mercadoria, do tributo recolhido no desembaraço aduaneiro, o que justifica o procedimento da impugnante, pois, de fato, o IPI destacado seria nulo; por fim, requer o deferimento do pedido de ressarcimento em sua totalidade, homologação de todas as compensações realizadas pela impugnante e restituição do saldo remanescente; Protesta ainda pela juntada de novos documentos e declarações, bem como pela produção de outras provas que se fizerem necessárias, como perícia, ofícios, declarações, constatações e diligências.” Fl. 332DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 3/05/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10166.721715/201041 Acórdão n.º 3201000.955 S3C2T1 Fl. 3 5 O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/SDS no 1526.161, de 16/02/2011, proferida pelos membros da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador/BA, cuja ementa dispõe, verbis: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. Não há ofensa à garantia constitucional do contraditório e da ampla defesa quando todos os fatos estão descritos e juridicamente embasados, possibilitando à contribuinte contestar todas razões de fato e de direito elencadas no despacho decisório. GLOSA DE CRÉDITOS. Correta a glosa de créditos de produtos que, embora necessários ao pleno funcionamento do equipamento, a ele não se integram, não se constituindo em matérias primas, produtos intermediários ou materiais de embalagem. RESSARCIMENTO. AQUISIÇÕES DE OPTANTES PELO SIMPLES. As aquisições de produtos de empresas optantes pelo Simples não ensejarão, aos adquirentes, direito a escrituração ou a fruição de créditos do imposto. IMPORTAÇÃO. EQUIPARAÇÃO A INDUSTRIAL. SAÍDA DOS PRODUTOS. INCIDÊNCIA DO IPI. A empresa que importar produtos tributados é equiparada a industrial e é contribuinte do IPI, tanto no desembaraço aduaneiro como na saída destes do estabelecimento, ainda que tais produtos não sejam submetidos a qualquer processo de industrialização. PEDIDO DE JUNTADA POSTERIOR DE PROVAS. As provas devem ser produzidas juntamente com a impugnação, exceto nos casos previstos no inciso III, do art. 16, do Decreto nº 70.235, de 1972, situação não demonstrada pela contribuinte. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito creditório Não reconhecido” O julgamento foi no sentido indeferir a solicitação, não reconhecendo o direito creditório, tampouco homologar as compensações declaradas. Regularmente cientificado do Acórdão proferido, o Contribuinte, tempestivamente, protocolizou o Recurso Voluntário, no qual, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. Enfatizando, a nulidade da diligência fiscal pela ausência de decisão conclusiva e da possibilidade de apreciação de inconstitucionalidade também no contencioso administrativo. O processo digitalizado foi distribuído e encaminhado a esta Conselheira. É o relatório. Voto Fl. 333DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 3/05/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 6 Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Trata o presente processo de inconformidade contra indeferimento parcial de pedido inicial de ressarcimento para aproveitamento de créditos do IPI, oriundos de aquisição de insumos utilizados na fabricação de bens de informática, relativos ao 4°trimestre de 2006, no valor de R$ 204.497,25, cumulado com declarações de compensação. Foi reconhecido parcialmente o seu pedido, no valor de R$ 198.877,56, e homologando as compensações até o limite do crédito reconhecido, com base no Relatório de Fiscalização. Foram apuradas as seguintes irregularidades: aproveitamento indevido de créditos referentes a bens que não se enquadram no conceito de matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem; aproveitamento indevido de créditos de compras oriundas de optantes pelo SIMPLES; aproveitamento indevido de créditos de compras oriundas de comércio varejista nãocontribuinte do IPI; notas fiscais de Saída escrituradas com IPI nulo – Isenção; e Notas fiscais de saída escrituradas com IPI nulo – revenda de mercadorias importadas. Inicialmente, a recorrente alega nulidade por ausência de documento probatório que comprovassem a glosa de créditos efetuada e a falta de recolhimento do IPI nas saídas destacadas. Não há qualquer hipótese ensejando a aplicação do dispositivo do art. 59 do Decreto de n° 70.235/72, pois a fiscalização foi consequência do pedido de ressarcimento da empresa. Consta, nos autos, o Relatório Fiscal, cujo início da ação fiscal foi em 29/01/2010, ciência pela empresa e entrega em 08/03/2010, pela mesma, de toda documentação solicitada para análise que teve como fim a verificação do montante do saldo credor para o reconhecimento do direito creditório. No relatório fiscal do IPI, há a descrição detalhada das infrações, cujos valores estão demonstrados nas planilhas, onde constam todas as informações (nº NF, data de emissão, fornecedor, NCM, CFOP, alíquota, etc...) necessárias à perfeita identificação da operação, do produto, da nota fiscal, do crédito glosado, do débito lançado e do saldo do IPI apurado pela fiscalização. Logo, não procede a pretensão de nulidade requerida, uma vez que todo levantamento fiscal se baseou nos livros e documentos fiscais da própria empresa. Fl. 334DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 3/05/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10166.721715/201041 Acórdão n.º 3201000.955 S3C2T1 Fl. 4 7 Quanto à questão de inconstitucionalidade das normas, carece de competência para sua apreciação; tendo inclusive já pacificado o entendimento em relação ao tema com a edição da Súmula nº 02 abaixo transcrita: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Quanto a glosa de créditos do IPI, referentes à aquisição de teclados, mouse, caixas acústicas, transformadores, monitores, microfones com pedestal, cadeados, estabilizador, conversores, impressora matricial, headfhone, cadeado papaiz, etc. Defendese que esses produtos são insumos essenciais utilizados no processo de industrialização por montagem do produto final computador. A empresa afirma que não obstante entendesse que a utilização dos créditos nas operações de entradas fosse legítima e amparada, estornou os referidos créditos do seu livro de apuração do imposto. Esclarece o Relatório Fiscal, quanto ao estorno do crédito: • em resposta a indagação feita por esta fiscalização (fl. ), através do Termo de Intimação Fiscal nº001, quanto ao embasamento legal no qual o contribuinte se apoiou para aproveitar os créditos de IPI referentes à aquisição de teclados, mouse,... etc., nitidamente itens que não se integram aos computadores fabricados nem são consumidos no processo fabril, o contribuinte afirma que, apesar de entender ser legítima a utilização desses créditos, para não conflitar com o entendimento do FISCO, efetuou o estorno dos mesmos no livro de apuração do IPI, conforme demonstrado nas planilhas apresentadas (fls.___ a___) e no próprio livro (fls. ___ a ___). • Ao analisar as planilhas entregues pelo contribuinte, verifiquei que constam nelas diversas notas fiscais de entradas de produtos acabados e de compras de produtos de empresas optantes pelo SIMPLES, que deveriam ter o crédito estornado, e ainda, de notas fiscais de entrada de produtos importados, que foram vendidos pela empresa, que como veremos mais adiante, não devem ser estornados. • Diante do exposto acima, e como a glosa de créditos de IPI não gera nenhuma penalidade(multa) ao contribuinte (a multa por cobertura de crédito incide apenas sobre as saídas), além dos valores não baterem exatamente, esta fiscalização resolveu desconsiderar os estornos feitos pelo contribuinte na apuração do IPI e glosar todos os créditos escriturados no Livro de Registro de Entradas referentes às aquisições de produtos considerados como acabados, já que nenhum deles se integra aos Fl. 335DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 3/05/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 8 computadores montados pela Novadata, nem são consumidos no processo de fabricação dos mesmos. Não houve glosa em duplicidade dos créditos no período, pois na reconstituição do livro de apuração de IPI a fiscalização considerou apenas os créditos escriturados pela contribuinte nos livros fiscais e glosou os produtos não classificados como MP, PI e ME, sendo desconsiderados, como estorno de crédito no livro RAIPI emitido por processamento de dados. Esses produtos não se subsumem no conceito de MPmatériaprima, PI produto intermediário ou MEmaterial de embalagem, conforme disposto no inciso I, do art. 164, do RIPI/2002: “Art. 164. Os estabelecimentos industriais, e os que lhes são equiparados, poderão creditarse (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25): I – do imposto relativo a MP, PI e ME, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose, entre as matériasprimas e produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente;” Ou seja, o dispositivo transcrito referese à matériaprima ou produto intermediário empregados na industrialização, que somente geram direito ao crédito quando se integrem ao novo produto fabricado ou que, embora não se integrando ao novo produto, sejam consumidos no processo de industrialização. Como já ressaltado, pela DRJ: nesse caso, que não houve a glosa de crédito do IPI sobre a aquisição de MP ou PI, que compõem as “unidades digitais de processamento montadas em um mesmo corpo ou gabinete – microcomputadores”, tais como processadores, discos rígidos, memórias, placas de rede, placas de vídeo e placas de modem, mas sobre a aquisição de equipamentos periféricos destinados à entrada e à saída de dados, não enquadrados no conceito de matériaprima ou produto intermediário (teclado, mouse, caixa acústicas, monitores, microfones, etc.). Quanto aos demais equipamentos externos ao microcomputador (estabilizadores de tensão, transformadores, conversores, cadeados, mídia, auto travo, etc...), os quais, embora necessários ao seu funcionamento, não configuram matériaprima do equipamento. Quanto a glosa de créditos através de aquisições de empresas optantes pelo SIMPLES. O Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples) é um regime tributário diferenciado, simplificado e favorecido, aplicável às pessoas jurídicas consideradas como microempresas (ME) e empresas de pequeno porte (EPP), nos termos definidos na Lei n° 9.317, de 1996, e alterações posteriores. Assim sendo, a empresa optante pelo Simples (fornecedor) não pode escriturar crédito de IPI e, na emissão de nota fiscal, não menciona a classificação fiscal do produto, nem destaca o imposto devido, já que inclui o imposto no custo de produção. O Fl. 336DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 3/05/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10166.721715/201041 Acórdão n.º 3201000.955 S3C2T1 Fl. 5 9 adquirente não pode escriturar e usar este imposto, conforme determina o artigo 166 do RIPI/2002. Os artigos 118, 119, 120 e 166 do RIPI, aprovado pelo Dec. nº 4.544, de 2002, dispõem: “Vedação de Crédito Art. 118. Aos contribuintes do imposto optantes pelo SIMPLES é vedada a utilização ou destinação de qualquer valor a título de incentivo fiscal, bem assim a apropriação ou a transferência de créditos relativos ao imposto (Lei n.º 9.317, de 1996, art. 5º, § 5º). Obrigações Acessórias Art. 119. Nas notas fiscais emitidas pelos contribuintes do imposto optantes pelo SIMPLES não será mencionada a classificação fiscal dos produtos e nem destacado o imposto, devendo constar, sem prejuízo de outros elementos exigidos neste Regulamento, a declaração: "OPTANTE PELO SIMPLES". Art. 120 – Ficam dispensados da escrituração fiscal e do cumprimento das demais obrigações acessórias os optantes pelo SIMPLES. (...) Art. 166. As aquisições de produtos de estabelecimentos optantes pelo SIMPLES, de que trata o art. 117, não ensejarão aos adquirentes direito a fruição de crédito de MP, PI e ME (Lei nº 9.317, de 1996, art. 5º, § 5º). Logo, a inscrição no Simples veda a utilização ou a transferência de créditos relativo ao imposto. Logo, correto o procedimento da fiscalização. Quanto a revenda de produtos importados sem destaque do IPI (cartucho de fita, gatewaysestação de rede e internet, impressora térmica, Intel raid controller, server board Intel dual xeon, etc.) sem destaque do IPI, conforme planilha. Consta do relatório fiscal que, intimada para justificar o não destaque do IPI na saída das mercadorias importadas, a contribuinte alega que fez o estorno dos créditos, inicialmente aproveitados, decorrentes das importações destas mercadorias, não estaria obrigado a destacar o IPI na revenda. A empresa alega que não houve destaque do IPI nas saídas desses produtos porque fez o estorno dos créditos correspondentes, pois não se tratavam de MP, PI ou ME. Assim, pela não apropriação dos créditos nestas operações, não houve destaque do imposto nas saídas, não havendo o que se falar em falta de recolhimento do IPI; Há incidência do IPI na saída do produto do estabelecimento industrial, nos termos dos art. 46 e 51 do Código Tributário Nacional – CTN. Fl. 337DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 3/05/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 10 O RIPI/2002 assim dispõe: “Art. 9º Equiparamse a estabelecimento industrial: I os estabelecimentos importadores de produtos de procedência estrangeira, que derem saída a esses produtos (Lei nº 4.502, de 1964, art. 4º, inciso I); (...) Art. 24. São obrigados ao pagamento do imposto como contribuinte: I o importador, em relação ao fato gerador decorrente do desembaraço aduaneiro de produto de procedência estrangeira (Lei nº 4.502, de 1964, art. 35, inciso I, alínea b ); (...) III o estabelecimento equiparado a industrial, quanto ao fato gerador relativo aos produtos que dele saírem, bem assim quanto aos demais fatos geradores decorrentes de atos que praticar (Lei nº 4.502, de 1964, art. 35, inciso I, alínea a); (...) Art. 34. Fato gerador do imposto é (Lei nº 4.502, de 1964, art. 2º): I o desembaraço aduaneiro de produto de procedência estrangeira; ou II a saída de produto do estabelecimento industrial, ou equiparado a industrial. (...) Art. 38. O imposto é devido sejam quais forem as finalidades a que se destine o produto ou o título jurídico a que se faça a importação ou de que decorra a saída do estabelecimento produtor (Lei nº 4.502, de 1964, art. 2º, § 2º).” Destarte, a empresa que importar produtos tributados é equiparada a industrial e é contribuinte do IPI, tanto no desembaraço aduaneiro como na saída destes do estabelecimento, ainda que tais produtos não sejam submetidos a qualquer processo de industrialização. Logo, correto o procedimento da fiscalização. À vista do exposto, nego provimento ao recurso voluntário, prejudicados os demais argumentos. Mércia Helena Trajano DAmorim Relator Fl. 338DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 3/05/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10166.721715/201041 Acórdão n.º 3201000.955 S3C2T1 Fl. 6 11 Fl. 339DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 3/05/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 11020.902244/2011-78
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon May 06 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2005 a 31/07/2005
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado.
DILAÇÃO PROBATÓRIA. DILIGÊNCIAS.
A realização de diligências destina-se a resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3403-002.089
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antônio Carlos Atulim Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Relator
Participaram do julgamento os conselheiros Antônio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2005 a 31/07/2005 ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. DILAÇÃO PROBATÓRIA. DILIGÊNCIAS. A realização de diligências destina-se a resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern - Relator Participaram do julgamento os conselheiros Antônio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2005 a 31/07/2005 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2005 a 31/07/2005 ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. DILAÇÃO PROBATÓRIA. DILIGÊNCIAS. A realização de diligências destinase a resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 90 22 44 /2 01 1- 78 Fl. 101DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN 2 (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern Relator Participaram do julgamento os conselheiros Antônio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório FUSOPAR PARAFUSOS LTDA. apresentou o Pedido Eletrônico de Ressarcimento/Declaração de Compensação (PER/DComp) no 39713.48069.290507.1.3.04 9214, por meio do qual requereu a restituição de indébito por pagamento indevido ou a maior do que o devido a título de PIS, efetuado em 15/09/2005, e declarou sua compensação com débito de PIS. O Despacho Decisório Eletrônico no de rastreamento 916029555, fl. 39, indeferiu o pleito e não homologou a compensação porque o pagamento indigitado foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Sobreveio reclamação, fls. 2 a 38, por meio da qual o declarante argui a nulidade do DDE por ausência de fundamentação, desvio de finalidade, ofensa ao contraditório, preterição do direito de defesa e violação do princípio do devido processo legal. No mérito, invoca o princípio da verdade material para que lhe seja facultada a juntada posterior de documentação comprobatória de suas alegações. Na continuação, contesta a multa aplicada sobre o montante dos débitos não compensados, em razão de sua natureza confiscatória e ofensiva dos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, bem assim a utilização da taxa Selic na sua correção. A DRJ/POA2ª Turma julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente. O Acórdão no 10036.241, de 21 de dezembro de 2011, fls. 64 a 68, teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2005 a 31/07/2005 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO Direitos creditórios pleiteados via Declaração de Compensação Nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, essencial a comprovação da liquidez e certeza dos créditos para a efetivação do encontro de contas, comprovação esta que é ônus do contribuinte, sendo incabível a transferência da responsabilidade ao Fisco. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cuidase agora de recurso interposto contra a decisão da DRJ/POA2ª Turma. O arrazoado de fls. 75 a 97, após protesto de tempestividade e síntese dos fatos relacionados com a lide, retoma a alegação de nulidade da decisão recorrida. No mérito, da mesma forma, Fl. 102DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11020.902244/201178 Acórdão n.º 3403002.089 S3C4T3 Fl. 102 3 repete a invocação do princípio da verdade material, para rechaçar o ônus de provar previamente seu direito ao crédito, alegando tratarse de objeto do próprio processo administrativo. Explica que, por ocasião da transmissão da declaração de compensação, o programa PER/DCOMP, versão 1.0, não permitiu a inclusão dos valores referentes à atualização do crédito, somente permitindo a informação do crédito original. Dessa forma, entende que, atualizando os valores com a SELIC acumulada no período, há crédito suficiente para a compensação dos débitos declarados no PER/DCOMP. Caso pairem dúvidas quanto ao montante de crédito declarado, requer que seja determinada a realização de diligência para correta aferição do crédito, tudo de modo a buscar a verdade material, objeto do processo administrativo. Tacha de nula a aplicação da multa de mora de 20% sobre os valores que diz serem indevidamente compensados. Concluindo, pede que seja declarada a nulidade do acórdão recorrido e o retorno dos autos à origem para novo julgamento, ou, caso não seja esse o entendimento, seja provido o presente recurso a fim de que seja considerado nulo o ato administrativo, em razão da não homologação de créditos existentes informados no PER/DComp efetuados pela ora Recorrente. O processo administrativo correspondente foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração estabelecida no processo eletrônico. É o Relatório. Voto Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 64 a 68 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJPOA2ª Turma nº 10036.241, de 21 de dezembro de 2011. Preliminar de nulidade do despacho decisório Nesse ponto, adoto os fundamentos da decisão recorrida, que, forte no § 1º do art. 50 da Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, passam a fazer parte integrante desse voto. O despacho decisório preenche todos os requisitos formais e materiais para sua validade, devendo ser refutada a argüição. Ainda que de forma sintética, o despacho decisório contém motivação, base legal e permitiu ao contribuinte total conhecimento das irregularidades imputadas a seu pleito, permitindolhe o exercício pleno do seu direito de defesa. Também não há que se falar em desvio de finalidade do ato administrativo, até mesmo porque este está corretamente fundamentado, sendo despropositada a ilação colocada pelo representante legal da interessada no sentido de que foi efetivado apenas para Fl. 103DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN 4 interromper a fruição do prazo para homologação tácita, muito embora seja esse um dos efeitos que operou. Mérito Matéria de extremada importância em sede processual é a referente à repartição do ônus da prova nas questões litigiosas. Com efeito, da delimitação do onus probandi depende a definição de grande parte das responsabilidades processuais. Assim é nas relações de direito privado e, igualmente, nas relações de direito público, dentre as quais as relacionadas à imposição tributária. Neste campo, a legislação processual administrativotributária inclui disposições que, em regra, reproduzem aquele que é, por assim dizer, o principio fundamental do direito probatório, qual seja o de que quem acusa e/ou alega deve provar. Assim é que, nos casos de lançamentos de oficio, não basta a afirmação, por parte da autoridade fiscal, de que ocorreu o ilícito tributário; pelo contrário, é fundamental que a infração seja devidamente comprovada, como se depreende da parte final do caput do artigo 9° do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que determina que os autos de infração e notificações de lançamento "deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito". De outro lado, ao contribuinte a legislação impõe o ônus de provar o que alega em face das provas carreadas pela autoridade fiscal, como expresso no inciso III do artigo 16 do mesmo Decreto nº 70.235, de 1972, que determina que a impugnação conterá "os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir". Esse, portanto, o quadro nos lançamentos de oficio: à autoridade fiscal incumbe provar, pelos meios de prova admitidos pelo direito, a ocorrência do ilícito; ao contribuinte, cabe o ônus de provar o teor das alegações que contrapõe às provas ensejadoras do lançamento. Já nos casos de repetição de indébito, como no presente processo, entretanto, o quadro resta um pouco modificado, como a seguir se verá. Quando a situação posta se refere à restituição, compensação ou ressarcimento de créditos tributários, é atribuição do contribuinte a demonstração da efetiva existência do indébito. Tanto é assim que a Instrução Normativa SRF nº 900, de 30 de dezembro de 2008, que rege atualmente os processos de restituição, compensação e ressarcimento de créditos tributários, assim expressa em vários de seus dispositivos: Art. 3° A restituição a que se refere o art. 2° poderá ser efetuada: I a requerimento do sujeito passivo ou da pessoa autorizada a requerer a quantia; ou II mediante processamento eletrônico da Declaração de Ajuste Anual do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (DIRPF). § Iº A restituição de que trata o inciso I do caput será requerida pelo sujeito passivo mediante utilização do programa Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação (PER/DCOMP). § 2º Na impossibilidade de utilização do programa PER/DCOMP, o requerimento será formalizado por meio do formulário Pedido de Restituição, constante do Anexo I, ou mediante o formulário Pedido de Restituição de Valores Fl. 104DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11020.902244/201178 Acórdão n.º 3403002.089 S3C4T3 Fl. 103 5 Indevidos Relativos a Contribuição Previdenciária, constante cio Anexo II, conforme o caso, aos quais deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. [..1 § 4° Tratandose de pedido de restituição formulado por representante do sujeito passivo mediante utilização do programa PER/DCOMP, os documentos a que se refere o § 3° serão apresentados à RFB após intimação da autoridade competente para decidir sobre o pedido. [..1 Art. 65. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito. inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada. mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. Como se percebe, em qualquer dos tipos de repetição é exigida a apresentação dos documentos comprobatórios da existência do direito creditório como prerrequisito ao conhecimento do pleito. E o que se deve ter por documentos comprobatórios do crédito? Por óbvio que os documentos que atestem, de forma inequívoca, a origem e a natureza do crédito; sem tal evidenciação, o pedido repetitório fica inarredavelmente prejudicado. É certo que as normas acima transcritas prevêem a realização de diligências, por parte da autoridade fiscal, destinadas à verificação da exatidão das informações trazidas pelos contribuintes, mas é preciso ter em conta que tal previsão não existe com o fim de suprir o ônus da prova colocado às partes, mas sim de elucidar questões pontuais mantidas controversas mesmo em face dos documentos trazidos pelo contribuinte/pleiteante; em outras palavras, as diligências servem para esclarecer pontos duvidosos específicos, e não para que a autoridade fiscal, diante da falta de comprovação da existência do crédito, supra tal omissão do contribuinte. No caso específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento de créditos tributários, o contribuinte cumpre o ônus que a legislação lhe atribui, quando traz os elementos de prova que demonstrem a existência do crédito. E tal demonstração, no caso das pessoas jurídicas, está, por vezes, associada a uma conciliação entre registros contábeis e documentos que respaldem tais registros. Assim, para comprovar a existência de um crédito vinculado a um registro contábil, não basta apresentar o registro, mas também indicar, de forma específica, que documentos estão associados a que registros; ainda, é importante, quando a natureza da operação escriturada/documentada for importante para a caracterização ou não do direito creditório, que a descrição da operação constante dos registros e documentos seja clara, sem abreviaturas ou códigos que dificultem ou impossibilitem a perfeita caracterização do negócio. Não é lícito ao julgador, tanto em sede de apreciação de lançamento de oficio, quanto em sede de pleito repetitório, dispensar a autoridade lançadora ou o pleiteante, conforme o caso, do ônus que a lei impõe a cada um deles; tanto quanto não lhe é lícito valer Fl. 105DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN 6 se das diligências e perícias para, por vias indiretas, suprir o ônus probatório que cabia a cada parte. Diligências existem para resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica. Já as perícias existem para fins de que sejam dirimidas questões para as quais exigese conhecimento técnico especializado, ou seja, matéria impassível de ser resolvida a partir do conhecimento das partes e do julgador. Dentro deste quadro, percebese que quando a Instrução Normativa SRF nº 900, de 2008, acima parcialmente transcrita, prevê a "realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas", não está querendo dizer que, diante de qualquer pleito repetitório apresentado, deve a autoridade fiscal diligenciar para fins de verificar, de oficio, a existência do crédito pleiteado. O que o ato legal quer dizer, e isto sim, é que, apresentado o pedido e constatado que o contribuinte demonstrou, por documentos e registros contábeis individualmente associados, a origem dos créditos pleiteados, pode a autoridade fiscal, se dúvidas remanescerem em relação a questões pontuais (natureza da operação em um ou outro registro, falta de clareza de algum documento ou registro etc.), demandar por diligências para dirimir tais dúvidas. Por certo que o ato legal não quer, com a previsão da realização das diligências, transferir para a autoridade fiscal ou para o julgador administrativo a responsabilidade pela produção probatória atribuída originariamente ao contribuinte no caso dos pedidos de repetição de indébito. E é isso que ocorreria, por exemplo, se fossem promovidas diligências no caso, por exemplo, em que o contribuinte, junto com seu pleito, nada aporta aos autos além de suas alegações, ou traz apenas uma listagem genérica de créditos e uma massa de documentos fiscais sem vinculação recíproca; neste caso, a promoção das diligências estaria suprindo, irregularmente, a omissão do contribuinte, o que não é processualmente admissível. De se ressaltar, igualmente, que o fato de o processo administrativo ser informado pelo principio da verdade material, em nada macula tudo o que foi até aqui dito. É que o referido princípio destinase a busca da verdade que está para além dos fatos alegados pelas partes, mas isto num cenário dentro do qual as partes trabalharam proativamente no sentido do cumprimento do seu ônus probandi. Em outras palavras, o principio da verdade material autoriza o julgador a ir além dos elementos de prova trazidos pelas partes, quando tais elementos de prova induzem à suspeita de que os fatos ocorreram não da forma como esta ou aquela parte afirma, mas de uma outra forma qualquer (o julgador não está vinculado às versões das partes). Mas isto, à evidência, nada tem a ver com propiciar à parte que tem o ônus de provar o que alega/pleiteia, a oportunidade de, por via de diligências, produzir algo que, do ponto de vista estritamente legal, já deveria compor, como requisito de admissibilidade, o pleito desde sua formalização inicial. Dito de outro modo: da mesma forma que não é aceitável que um lançamento seja efetuado sem provas e que se permita posteriormente, em sede de julgamento e por meio de diligências, tal instrução probatória, também não é aceitável que um pleito repetitório seja proposto sem a minudente demonstração e comprovação da existência do indébito e que posteriormente, também em sede de julgamento e por via de diligências, se oportunize tais demonstração e comprovação. Se, de um lado é certo que o DARF informado no PER/DComp nº 39713.48069.290507.1.3.049214 comprova um recolhimento, de outro, inexiste nos autos qualquer prova de que o pagamento seja indevido. Há tãosomente a alegação do requerente, ora recorrente. Nada mais. E, em sede de prova, nada alegar e alegar, mas não provar o alegado se equivalem (allegare nihil et allegatum non probare paria sunt). A esse propósito, reporto me à Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. De acordo com o seu art. 36, que regulamenta o Fl. 106DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11020.902244/201178 Acórdão n.º 3403002.089 S3C4T3 Fl. 104 7 sistema de distribuição da carga probatória no Processo Administrativo Federal: o ônus de provar a veracidade do que afirma é do requerente: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido o art. 330 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC). A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça também corrobora esse entendimento: Allegare nihil et allegatum non probare paria sunt — nada alegar e não provar o alegado, são coisas iguais.(HABEAS CORPUS Nº 1.1710 — RJ, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 4, (39): 211276, novembro 1992, p. 217) Alegar e não provar significa, juridicamente, não dizer nada.(INTERVENÇÃO FEDERAL Nº 83 — PR, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 7, (66): 93116, fevereiro 1995. 99) RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA – APOSENTADORIA – NEGATIVA DE REGISTRO – TRIBUNAL DE CONTAS – ATOS ADMINISTRATIVOS NÃO COMPROVADOS – ART. 333, INCISO II, DO CPC – PAGAMENTO DOS PROVENTOS DE NOVEMBRO/96 E DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO DAQUELE MESMO ANO – IMPOSSIBILIDADE – SÚMULAS 269 E 271 DA SUPREMA CORTE – 1. O ônus da prova incumbe ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (art. 333, II, do Código de Processo Civil). Incumbe às Secretarias de Educação e da Fazenda a demonstração de que a professora havia sido notificada da suspensão de sua aposentadoria. 2. Não cabe em mandado de segurança para cobrança de proventos não recebidos, a teor das súmulas 269 e 271 da Suprema Corte. 3. Recurso parcialmente provido. (STJ – ROMS 9685 – RS – 6ª T. – Rel. Min. Fernando Gonçalves – DJU 20.08.2001 – p. 00538)JCPC.333 JCPC.333.II TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IMPOSTO DE RENDA – VERBAS INDENIZATÓRIAS – FÉRIAS E LICENÇAPRÊMIO – NÃO INCIDÊNCIA – COMPENSAÇÃO – AJUSTE ANUAL – ÔNUS DA PROVA – O ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito e ao réu quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Cabe ao contribuinte comprovar a ocorrência de retenção na fonte do imposto de renda incidente sobre verbas indenizatórias e à Fazenda Nacional incumbe a prova de eventual compensação do imposto de renda retido na fonte no ajuste anual da declaração de rendimentos. Recurso provido. (STJ – REsp 229118 – DF – 1ª T. – Rel. Min. Garcia Vieira – DJU 07.02.2000 – p. 132) PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO – EXECUÇÃO FISCAL – EMBARGOS DO DEVEDOR – NOTIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO – IMPRESCINDIBILIDADE – ÔNUS DA PROVA – 1. Imprescindível a notificação regular ao contribuinte Fl. 107DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN 8 do imposto devido. 2. Incumbe ao embargado, réu no processo incidente de embargos à execução, a prova do fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (CPC, art. 333, II). 3. Recurso especial conhecido e provido. (STJ – REsp 237.009 – (1999/00996607) – SP – 2ª T. – Rel. Min. Francisco Peçanha Martins – DJU 27.05.2002 – p. 147) TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IRPF – REPETIÇÃO DE INDÉBITO – VERBAS INDENIZATÓRIAS – RETENÇÃO NA FONTE – ÔNUS DA PROVA – VIOLAÇÃO DE LEI FEDERAL CONFIGURADA – DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO COMPROVADA – SÚMULA 13/STJ PRECEDENTES – Cabe ao autor provar que houve a retenção do imposto de renda na fonte, por isso que é fato constitutivo do seu direito; ao réu competia a prova de eventual compensação na declaração anual de rendimentos dos recorrentes, do imposto de renda retido na fonte, fato extintivo, impeditivo ou modificativo do direito do autor – Incidência da Súmula 13 STJ – Recurso especial conhecido pela letra a e provido. (STJ – RESP 232729 – DF – 2ª T. – Rel. Min. Francisco Peçanha Martins – DJU 18.02.2002 – p. 00294) À falta da prova do erro, capaz de afastar o atributo de irretratabilidade da confissão de dívida, milita contra a alegação do requerente a presunção de que o pagamento não lhe confere qualquer direito creditório porque foi alocado a débito espontaneamente confessado em DCTF. Especificamente quanto ao mérito da insurgência contra o caráter confiscatório da multa de 20% sobre os valores indevidamente compensados, estando a mesma cominada no art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, não cabe aos agentes da Administração deixar de aplicála em face de argumentos de inconstitucionalidade. Com essas considerações, voto por negar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 23 de abril de 2013 Alexandre Kern Relator Fl. 108DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN
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