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Numero do processo: 11610.002970/2007-62
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Jun 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jul 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/12/2001 a 31/12/2001 A entrega de DCOMP original ou retificadora deverá ser efetuada por meio da utilização do programa PER/DCOMP, de acordo com as normas estatuídas pela IN SRF n° 600/2005, sem a qual a compensação informada será considerada como não declarada. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3302-004.475
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE

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3302­004.475  –  3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  30 de junho de 2017  Matéria  PIS  Recorrente  BANDEIRANTE ENERGIA S/A  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Período de apuração: 01/12/2001 a 31/12/2001  A entrega de DCOMP original ou retificadora deverá ser efetuada por meio  da utilização do programa PER/DCOMP, de acordo com as normas estatuídas  pela  IN  SRF  n°  600/2005,  sem  a  qual  a  compensação  informada  será  considerada como não declarada.  Recurso Voluntário Negado.  Direito Creditório Não Reconhecido.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso voluntário.  (assinado digitalmente)  Paulo Guilherme Déroulède  Presidente e Relator  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Paulo  Guilherme  Déroulède  (Presidente),  José  Fernandes  do  Nascimento,  Walker  Araújo,  Maria  do  Socorro  Ferreira  Aguiar,  Lenisa  Rodrigues  Prado,  Charles  Pereira  Nunes,  Sarah  Maria  Linhares  de  Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.  Relatório     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 0. 00 29 70 /2 00 7- 62 Fl. 181DF CARF MF Processo nº 11610.002970/2007­62  Acórdão n.º 3302­004.475  S3­C3T2  Fl. 182          2 Trata  o  presente  de  não­admissão  de  pedido  de  cancelamento  de  PER/DCOMP nº 27081.91678.130504.1.7.04­2974, por ter apresentado aumento de débito em  relação ao documento original.  Em  recurso  administrativo,  a  recorrente  alegou  que  transmitiu  equivocadamente  a  Declaração  de  Compensação  no  27081.91678  como  RETIFICADORA,  quando devia informar que tal documento era ORIGINAL, conforme e­fl. 2.   Informou  que  devido  a  mensagem  de  erro  no  programa  PER/DCOMP,  impossibilitando a transmissão de PER/Dcomp original com marca de retificadora, a recorrente  apresentou  Dcomp  em  formulário  de  papel,  pugnando  pelo  seu  acatamento  e  reforma  do  despacho decisório, e­fl. 4/5.  Em  decisão,  a  DIORT/DERAT/SPO  considerou  como  não  declarada  a  Dcomp apresentada em papel, por não ter sido gerada a partir do sistema eletrônico, bem como  decidiu  não  haver  vício  no  despacho  de  não­admissão  da  Dcomp  retificadora  27081.91678,  informando ainda não caber manifestação de inconformidade do referido despacho.  Em nova petição, a recorrente reiterou os fatos e alegações já deduzidas em  homenagem aos princípios do informalismo e verdade material, requerendo a homologação da  Dcomp considerada não declarada.  Referida  petição  foi  julgada  pela  DRJ/SP  como  manifestação  de  inconformidade,  em  virtude  de  decisão  liminar  no  Mandado  de  Segurança  nº  2008.61.00.000929­5  (posteriormente  confirmada  em  sentença),  mediante  o  Acórdão  nº  16­ 17.091, cuja ementa transcreve­se abaixo:  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP  Ano­calendário: 2002  DCOMP ­ RETIFICAÇÃO  A  retificação  de  DCOMP  deverá  ser  efetuada  por  meio  da  utilização do programa PER/DCOMP, de acordo com as normas  estatuídas pela IN SRF n° . 600/2005, sem a qual a compensação  informada será considerada como não declarada.  Compensação não Declarada  Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reiterando que:  1.  Enviou  tempestivamente  em  13/02/2004,  declaração  de  compensação  de  créditos de PIS decorrente de pagamento a maior, efetuado em 15/03/2002;  2. Entregou a Dcomp 27081.91678.130504.1.7.04­2974, utilizando o sistema  PER/DCOMP no prazo legal, garantindo seu direito ao aproveitamento do crédito;  3. O  erro  no  preenchimento  da  referida Dcomp,  inserindo  a  informação  de  retificadora no lugar de original é mero erro formal, incapaz de restringir o exercício do direito  à compensação;  Fl. 182DF CARF MF Processo nº 11610.002970/2007­62  Acórdão n.º 3302­004.475  S3­C3T2  Fl. 183          3 4. Em atenção aos princípios da verdade material e do informalismo, devem  ser reconhecidas a tempestividade e regularidade dos procedimentos;  5.  Com  o  advento  da  Lei  nº  9.784/1999,  não  podem  os  agentes  públicos  deixarem de aplicar os princípios constitucionais;  6. Cumpriu  os  requisitos  da  IN SRF nº  600/2005,  especialmente no  que  se  refere  à  impossibilidade  de  transmitir  um  Dcomp  eletronicamente,  em  razão  de  falha  no  programa, conforme disposto no artigo 26, §1 da referida instrução normativa;  7. A inaplicabilidade da taxa Selic.  Em 26/10/2012, a DIORT/SERAT/SP juntou aos autos  representação fiscal,  informando que foram transmitidos quatro PERDCOMPS utilizando créditos de PIS relativo a  dezembro/2001,  incluindo  o  de  nº  38674.39848.130204.1.3.04­4010,  que  foi  o  objeto  da  Dcomp  retificadora  não  admitida  de  nº  27081.91678.130504.1.7.04­2974,  conforme  e­fls.  168/179.  As  outras  três  Dcomps  foram  analisadas  no  processo  10880.724918/2011­02,  cujo  despacho decisório reconheceu a homologação parcial das três Dcomps.  Na forma regimental, o processo foi distribuído a este relator.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède.  O  recurso  atende  aos  pressupostos  de  admissibilidade  e  dele  tomo  conhecimento.  Em  13/02/2004,  a  recorrente  transmitiu  a  DCOMP  38674.39848.130204.1.3.04­4010,  ORIGINAL,  e­fl.  36,  compensando  débito  de  PIS  da  competência  de novembro/2003 no  valor  de R$ 154.342,43,  e­fl.  92,  com crédito  de PIS  de  12/2001.  O crédito de PIS de 12/2001 foi originalmente declarado em DCTF no valor  de R$ 3.214.615,63, e­fl. 170, e, posteriormente retificado em DCTF, e­fl. 25, para o valor de  857.389,37, em 22/09/2006, ND 048233132, com as seguintes vinculações de pagamentos:  Valor do Principal: 898.980,73  Valor do Principal: 332.442,56  Valor do Principal: 1.096.333,51  Valor do Principal: 886.858,83  Valor total: 3.214.615,63  Em  13/05/2004,  a  recorrente  transmitiu  a  DCOMP  27081.91678.130504.1.7.04­2974,  como  RETIFICADORA,  e­fl.  35,  retificando  a  DCOMP  Fl. 183DF CARF MF Processo nº 11610.002970/2007­62  Acórdão n.º 3302­004.475  S3­C3T2  Fl. 184          4 38674.39848.130204.1.3.04­4010,  compensando  débito  de  PIS  de  11/2003  no  valor  de  R$  211.325,66 com crédito de PIS de 12/2001 no valor de R$ 2.433.292,46 (DARFs informados  de 3.214.615,63 menos o utilizado na DCTF de 12/2001 – 781.323,17), conforme informações  da DCTF nas e­fls. 37/38.  Esta DCOMP não  foi  admitida conforme Despacho Decisório eletrônico de  fl.  33,  em  razão  de  a  tentativa  de  retificar  ocorreu  com  aumento  do  valor  do  débito,  o  que  impede considerar a retificadora como tal, nos termos do art. 59 da IN SRF nº 600/2005:  Art. 58. A retificação da Declaração de Compensação gerada a  partir  do  Programa  PER/DCOMP  ou  elaborada  mediante  utilização  de  formulário  (papel)  somente  será  admitida  na  hipótese de  inexatidões materiais  verificadas no  preenchimento  do  referido  documento  e,  ainda,  da  inocorrência  da  hipótese  prevista no art. 59.   Art. 59. A retificação da Declaração de Compensação gerada a  partir  do  Programa  PER/DCOMP  ou  elaborada  mediante  utilização de  formulário (papel) não será admitida quanto tiver  por objeto a inclusão de novo débito ou o aumento do valor do  débito  compensado mediante a apresentação da Declaração de  Compensação à SRF.   Parágrafo  único.  Na  hipótese  prevista  no  caput  ,  o  sujeito  passivo que desejar compensar o novo débito ou a diferença de  débito  deverá  apresentar  à  SRF  nova  Declaração  de  Compensação.   Constata­se,  efetivamente,  que  o  valor  de  débito  da  DCOMP  38674.39848.130204.1.3.04­4010,  original,  foi  de  R$  154.342,43,  enquanto  da  DCOMP  27081.91678.130504.1.7.04­2974,  não  admitida,  foi  de  R$  211.325,66.  O  impedimento  justifica­se  porque  a  data  de  valoração  da  compensação  na  retificadora  é  a  data  da  original  transmitida, e por isso o débito compensado não pode ser alterado sob pena de se considerar a  nova  DCOMP  como  original  e  nova  data  de  valoração,  conforme  art.  61  da  IN  SRF  nº  600/2005:  Art. 61. A retificação da Declaração de Compensação não altera  a data de valoração prevista no art. 28, que permanecerá sendo  a  data  da  apresentação  da  Declaração  de  Compensação  original.   Esclareça­se  que  o  despacho  decisório  informou  que  a  DCOMP  38674.39848.130204.1.3.04­4010 permaneceu ativa, não surtindo efeitos a entrega da DCOMP  27081.91678.130504.1.7.04­2974. Portanto, correto o despacho de não admissão desta última  DCOMP mencionada.  De outro giro, em 05/04/2007, e­fls. 30/31, a recorrente protocolou, em papel,  Declaração  de  Compensação  informando  crédito  utilizado  de  R$  154.342,43  (informando  DARF de valor total R$ 906.813,15 de PIS de 12/2001, o qual corresponde ao DARF de valor  original  de  886.858,83,  e­fl.  24))  compensando  débito  de  PIS  de  11/2003  no  valor  de  R$  211.325,66 , informando que se tratava de declaração RETIFICADORA e a DCOMP retificada  como  sendo  27081.91678.130504.1.7.04­2974,  informando  que  esta  DCOMP  fora  indevidamente transmitida como retificadora, mas que deveria ser original. Esta declaração em  Fl. 184DF CARF MF Processo nº 11610.002970/2007­62  Acórdão n.º 3302­004.475  S3­C3T2  Fl. 185          5 papel  foi  considerada  não  declarada  por  Despacho  Decisório,  ao  qual  foi  dada  ciência  em  26/11/2007.  Tal decisão fundamentou­se nos artigos 26, §1º, 31, cujos dispositivos abaixo  transcrevem­se:  Art.  26.  O  sujeito  passivo  que  apurar  crédito,  inclusive  o  reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo  a  tributo  ou  contribuição  administrados  pela  SRF,  passível  de  restituição  ou  de  ressarcimento,  poderá  utilizá­lo  na  compensação  de  débitos  próprios,  vencidos  ou  vincendos,  relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela  SRF.  §  1º  A  compensação  de  que  trata  o  caput  será  efetuada  pelo  sujeito passivo mediante apresentação à SRF da Declaração de  Compensação  gerada  a  partir  do  Programa  PER/DCOMP  ou,  na impossibilidade de sua utilização, mediante a apresentação à  SRF  do  formulário  Declaração  de  Compensação  constante  do  Anexo  IV,  ao  qual  deverão  ser  anexados  documentos  comprobatórios do direito creditório.  [...]  Art.  31.  A  autoridade  competente  da  SRF  considerará  não  formulado  o  pedido  de  restituição  ou  de  ressarcimento  e  não  declarada  a  compensação  quando  o  sujeito  passivo,  em  inobservância ao disposto nos §§ 2º a 4º do art.  76, não  tenha  utilizado  o  Programa  PER/DCOMP  para  formular  pedido  de  restituição ou de ressarcimento ou para declarar compensação.  [...]  Art. 76. Ficam aprovados os formulários Pedido de Restituição,  Pedido  de  Cancelamento  ou  de  Retificação  de  Declaração  de  Importação e Reconhecimento de Direito de Crédito, Pedido de  Ressarcimento  de  IPI  ­  Missões  Diplomáticas  e  Repartições  Consulares,  Declaração  de  Compensação  e  Pedido  de  Habilitação  de  Crédito  Reconhecido  por  Decisão  Judicial  Transitada em Julgado constantes, respectivamente, dos Anexos  I, II, III, IV e V.  [...]  § 2º Os formulários a que se refere o caput somente poderão ser  utilizados pelo sujeito passivo nas hipóteses em que a restituição,  o  ressarcimento  ou  a  compensação  de  seu  crédito  para  com  a  Fazenda  Nacional  não  possa  ser  requerida  ou  declarada  eletronicamente  à  SRF  mediante  utilização  do  Programa  PER/DCOMP.  § 3º A SRF caracterizará como impossibilidade de utilização do  Programa PER/DCOMP, para fins do disposto no § 2º, no § 1º  do art. 3º, no § 3º do art. 16, no § 1º do art. 22 e no § 1º do art.  26,  a  ausência  de  previsão  da  hipótese  de  restituição,  de  ressarcimento  ou  de  compensação  no  aludido  Programa,  bem  Fl. 185DF CARF MF Processo nº 11610.002970/2007­62  Acórdão n.º 3302­004.475  S3­C3T2  Fl. 186          6 como a existência de falha no Programa que impeça a geração  do  Pedido  Eletrônico  de  Restituição,  do  Pedido  Eletrônico  de  Ressarcimento ou da Declaração de Compensação.  § 4º A falha a que se refere o § 3º deverá ser demonstrada pelo  sujeito passivo à SRF no momento da entrega do formulário, sob  pena  do  enquadramento  do  documento  por  ele  apresentado  no  disposto no art. 31.  Assim,  o  meio  para  se  efetuar  a  compensação  era  a  entrega  de  DCOMP  mediante  a  utilização  do  sistema  eletrônico,  podendo,  excepcionalmente,  entregar  em  formulário de papel, desde caracterizada a ausência de previsão da hipótese de compensação no  sistema ou de falha no sistema, a ser comprovada pelo sujeito passivo.  A  suposta  falha  do  sistema  alegada  pela  recorrente,  que  teria  impedido  a  transmissão da declaração, foi a seguinte:  Mensagem do programa PERD/COMP 2.2:  RELATóRIO  DE  VERIFICAÇÃO  DE  PENDÊNCIAS  DO  PER/DCOMP 2.2 / Página 1   ERRO >» IMPEDE a gravação do documento.  TOTAL DE ERROS = 1 TOTAL DE AVISOS = 0  Cadastro­ Dados Iniciais  Erro  ­  Número  do  PER/DCOMP  Retificado  deve  ser  de  documento original.  Percebe­se, na realidade, que não houve falha alguma, mas inobservância das  instruções de preenchimento da DCOMP. O ajuda do PERDCOMP assim dispunha:  AJUDA  11)  Nº  do  PER/DCOMP  Retificado:  Uma  vez  assinalado  o  campo  “PER/DCOMP  Retificador”,  o  contribuinte  deverá  preencher  esse  campo  com  o  número  do  Pedido  Eletrônico  de  Ressarcimento,  do  Pedido  Eletrônico  de  Restituição,  Pedido  Eletrônico  de  Reembolso  ou  da  Declaração  de  Compensação  original que o contribuinte deseja  retificar,  independentemente  de já tê­lo retificado anteriormente.  Atenção! O Programa PER/DCOMP não admite a retificação de  documento  retificador,  apenas  a  retificação  de  documento  original.  Como  visto,  a  DCOMP  27081.91678.130504.1.7.04­2974  foi  corretamente  não  admitida,  por  ter  aumentado  o  débito  declarado  em  relação  à  DCOMP  38674.39848.130204.1.3.04­4010, a qual permaneceu ativa no sistema como original. Assim,  ao  tentar  entregar  uma  nova  DCOMP,  tentando  retificar  a  DCOMP  27081.91678.130504.1.7.04­2974,  e­fl.  30,  incorreria  no  erro  acima,  pois  a  declaração  a  ser  retificada deveria  ser a original,  em razão do disposto no artigo 61 da  IN SRF 600/2005, ou  seja, manutenção da data de valoração original.   O  procedimento  correto  deveria  ser  o  cancelamento  da  DCOMP  original  38674.39848.130204.1.3.04­4010 e a entrega de uma nova original com o aumento de débito  compensado pretendido.  Fl. 186DF CARF MF Processo nº 11610.002970/2007­62  Acórdão n.º 3302­004.475  S3­C3T2  Fl. 187          7 Portanto,  também  não  houve  falha  no  sistema,  mas  descumprimento  dos  requisitos para  transmissão das declarações de  compensação, o que  afasta a possibilidade de  entrega de declaração de compensação em formulário, confirmando­se a decisão recorrida.  Frise­se,  ainda  e  corroborando  a  decisão  recorrida,  que  a  alegação  da  recorrente quanto  à  intenção  de  informar  a DCOMP 27081.91678.130504.1.7.04­2974  como  original não se confirma com os dados informados na própria DCOMP, nem na DCTF relativa  ao débito de 11/2003.   Verifica­se que o PIS de 11/2003 declarada em DCTF, e­fl. 37/38 foi de R$  1.600.003,16, com as seguintes extinções:  DARFs  30/11/2003 8109 15/12/2003 5,31  30/11/2003 8109 15/12/2003 131.838,20  30/11/2003 8109 15/12/2003 28.445,76  COMPENSAÇÕES:  ­ Valor Principal: 14.374.627,24 Valor Compensado do Débito:  1.217.657,68.  Formalização  do  pedido  DCOMP  :  087457192313050417045054  ­  Valor Principal:  2.433.292,46 Valor Compensado do Débito:  211.325,66.  Formalização  do  pedido  DCOMP  :  270819167813050417042974  ­  Valor  Principal:  783.356,87.  Valor  Compensado  do  Debito:  10.730,55.  Formalização  do  pedido  DCOMP  :  049213376919090617044708  Se a recorrente pretendia entregar uma DCOMP original com débitos de R$  211.325,66 (seja a 27081.91678.130504.1.7.04­2974 ou em papel) e, ao mesmo tempo, manter  uma DCOMP original de R$ 154.342,43, então o débito total compensado incluiria a soma das  duas e isto deveria se refletir na DCTF do débito. Entretanto, conforme acima exposto, a DCTF  do débito  contém apenas  a  informação de  extinção da DCOMP 27081.91678.130504.1.7.04­ 2974  e  nada  sobre  a  DCOMP  38674.39848.130204.1.3.04­4010,  a  original  entregue  em  13/02/2004.  Isto demonstra que o valor que efetivamente se queria compensar era de R$  211.325,66,  e  exatamente,  por  isso,  a  recorrente  apresentou  uma  DCOMP  retificadora  para  alterar o débito originalmente informado de R$ 154.342,43 para o correto de R$ 211.325,66.  Entretanto, tal procedimento não é permitido, conforme o artigo 59 da IN SRF nº 600/2005. A  alegação de que a DCOMP 27081.91678.130504.1.7.04­2974 fora informada equivocadamente  como  original  é  incompatível  com  a  existência  da  DCOMP  original  38674.39848.130204.1.3.04­4010,  à vista dos  valores  compensados  informados  na DCTF de  11/2003.  Salienta­se,  por  fim,  que  a  DCOMP  38674.39848.130204.1.3.04­4010,  originalmente  entregue,  está  aparentemente  ativa  e  sem  decisão.  Além  desta,  há  mais  três  Fl. 187DF CARF MF Processo nº 11610.002970/2007­62  Acórdão n.º 3302­004.475  S3­C3T2  Fl. 188          8 DCOMPs  apresentadas  pela  recorrente,  relativas  ao  mesmo  direito  creditório  de  PIS  de  12/2001, conforme representação de e­fl. 168:  PERDCOMP  PROCESSO  LOCALIZAÇÃO  00895.27298.210906.1.3.04­2650  10880.724918/2011­02  EQITD/DIORT/DERAT  08586.29621.140409.1.7.04­1817  10880.724919/2011­49  EQITD/DIORT/DERAT  01721.10410.280307.1.7.04­1004  10880.676751/2009­33  EQITD/DIORT/DERAT  38674.39848.130204.1.3.04­4010  11610.002970/2007­62  CARF    Quanto  à  observância  dos  princípios  constitucionais,  não  vislumbro  ter  ocorrido  tal  inobservância  nos  despachos  decisórios,  mas  apenas  aplicação  das  normas  veiculadas na IN SRF nº 600/2005.   Por  fim,  a  recorrente  propugna  pela  ilegalidade  e  inconstitucionalidade  da  aplicação  da  taxa  Selic  como  juros  de mora.  Pontue­se  que  a matéria  foi  objeto  da  Súmula  CARF nº 4:  Súmula  CARF  nº  4:  A  partir  de  1º  de  abril  de  1995,  os  juros  moratórios  incidentes  sobre  débitos  tributários  administrados  pela  Secretaria  da Receita Federal  são  devidos,  no  período  de  inadimplência,  à  taxa  referencial  do  Sistema  Especial  de  Liquidação e Custódia ­ SELIC para títulos federais.  Portanto, devida a incidência de juros de mora à taxa Selic.  Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário.          (assinado digitalmente)  Paulo Guilherme Déroulède                              Fl. 188DF CARF MF

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Numero do processo: 10882.907177/2012-56
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/07/2010 ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO. O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrando, portanto, o conceito de receita bruta. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.212
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA

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3302­004.212  –  3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  23 de maio de 2017  Matéria  CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. BASE DE CÁLCULO. ICMS.  Recorrente  INDÚSTRIA DE MÁQUINAS MIRUNA LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Data do fato gerador: 31/07/2010  ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO.  O  ICMS  compõe  a  base  de  cálculo  da  contribuição  para  o  PIS/Pasep  e  da  COFINS, integrando, portanto, o conceito de receita bruta.  Recurso Voluntário Negado.      Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao Recurso Voluntário.  (assinado digitalmente)  Ricardo Paulo Rosa ­ Presidente e Relator  Participaram da  sessão de  julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa,  José  Fernandes  do  Nascimento,  Domingos  de  Sá  Filho,  Maria  do  Socorro  Ferreira  Aguiar,  Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de  Souza e Walker Araújo.    Relatório  Trata­se de pedido de PER/DCOMP para restituição de créditos de PIS, cujo  pedido foi indeferido, via despacho decisório.  Inconformada,  a  contribuinte  apresentou  manifestação  de  inconformidade  alegando,  em  síntese:  que  o  ICMS  destacado  nas  vendas  não  pode  ser  considerado  como     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 71 77 /2 01 2- 56 Fl. 46DF CARF MF Processo nº 10882.907177/2012­56  Acórdão n.º 3302­004.212  S3­C3T2  Fl. 3          2 faturamento ou como receita bruta, não devendo, por  isso, ser incluído na base de cálculo do  PIS  e  da  COFINS;  que  a  inclusão  do  ICMS  na  base  de  cálculo  das  contribuições  em  tela  desrespeita  o  preceito  do  artigo  110  do  CTN;  que  o  STF,  por  meio  do  RE  240.785/MG,  manifestou o entendimento de excluir o ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS.  Sobreveio,  então,  julgamento  da  DRJ/Belo  Horizonte,  que  indeferiu  a  manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 02­050.815.  A contribuinte, então, apresentou recurso voluntário repisando os argumentos  da manifestação de inconformidade.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de  junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido no Acórdão 3302­004.158, de  23 de maio de 2017, proferido no julgamento do processo 10283.902818/2012­35, paradigma  ao qual o presente processo foi vinculado.  Transcreve­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  o  entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302­004.158):  "1. Dos requisitos de admissibilidade  O  Recurso  Voluntário  foi  apresentado  de  modo  tempestivo,  a  ciência do acórdão ocorreu em 28 de agosto de 2014, fls. 50, e o recurso  foi protocolado em 29 de setembro de 2014,  fls. 52. Trata­se, portanto,  de recurso tempestivo e de matéria que pertence a este colegiado.   2. Do mérito  2.1. Do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e  da COFINS  A controvérsia cinge­se sobre a inclusão ou não do ICMS na base  de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. A situação  que  permeia  os  tribunais  na  atualidade  é  de  dois  posicionamentos  conflitantes quanto à  inclusão ou não do  tributo na base de cálculo do  PIS e da COFINS.  O  Superior  Tribunal  de  Justiça  no  REsp  1.144.469/PR,  em  sistema de recursos repetitivos assim decidiu:  RECURSO  ESPECIAL  DO  PARTICULAR:  TRIBUTÁRIO.  RECURSO  REPRESENTATIVO  DA  CONTROVÉRSIA.  ART.  543­C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO.  RECEITA OU FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS.  Fl. 47DF CARF MF Processo nº 10882.907177/2012­56  Acórdão n.º 3302­004.212  S3­C3T2  Fl. 4          3 1. A Constituição Federal de 1988 somente veda expressamente a  inclusão  de  um  imposto  na  base  de  cálculo  de  um  outro  no  art.  155,  §2º,  XI,  ao  tratar  do  ICMS,  quanto  estabelece  que  este  tributo:  "XI  ­  não  compreenderá,  em  sua  base  de  cálculo,  o  montante  do  imposto  sobre  produtos  industrializados,  quando  a  operação,  realizada  entre  contribuintes  e  relativa  a  produto  destinado à  industrialização ou à  comercialização,  configure  fato  gerador dos dois impostos".  2.  A  contrario  sensu  é  permitida  a  incidência  de  tributo  sobre  tributo  nos  casos  diversos  daquele  estabelecido  na  exceção,  já  tendo sido reconhecida jurisprudencialmente, entre outros casos, a  incidência:  2.1.  Do  ICMS  sobre  o  próprio  ICMS:  repercussão  geral  no  RE  n.  582.461  /  SP,  STF,  Tribunal  Pleno,  Rel.  Min.  Gilmar Mendes, julgado em 18.05.2011.  2.2. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre as próprias  contribuições ao PIS/PASEP e COFINS: recurso representativo da  controvérsia  REsp.  n.  976.836  ­  RS,  STJ,  Primeira  Seção,  Rel.  Min. Luiz Fux, julgado em 25.8.2010.  2.3.  Do  IRPJ  e  da  CSLL  sobre  a  própria  CSLL:  recurso  representativo  da  controvérsia  REsp.  n.  1.113.159  ­  AM,  STJ,  Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 11.11.2009.  2.4. Do IPI sobre o ICMS: REsp. n. 675.663 ­ PR, STJ, Segunda  Turma,  Rel.  Min.  Mauro  Campbell  Marques,  julgado  em  24.08.2010;  REsp.  Nº  610.908  ­  PR,  STJ,  Segunda  Turma,  Rel.  Min.  Eliana  Calmon,  julgado  em  20.9.2005,  AgRg  no  REsp.Nº  462.262 ­ SC, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins,  julgado em 20.11.2007.  2.5. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre o ISSQN:  recurso  representativo  da  controvérsia  REsp.  n.  1.330.737  ­  SP,  Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015.  3. Desse modo, o ordenamento jurídico pátrio comporta, em regra,  a incidência de tributos sobre o valor a ser pago a título de outros  tributos ou do mesmo tributo. Ou seja, é legítima a incidência de  tributo  sobre  tributo  ou  imposto  sobre  imposto,  salvo  determinação  constitucional  ou  legal  expressa  em  sentido  contrário, não havendo aí qualquer violação, a priori, ao princípio  da capacidade contributiva.  4.  Consoante  o  disposto  no  art.  12  e  §1º,  do  Decreto­Lei  n.  1.598/77, o ISSQN e o ICMS devidos pela empresa prestadora de  serviços na condição de contribuinte de direito fazem parte de sua  receita bruta e, quando dela excluídos, a nova rubrica que se tem é  a receita líquida.  5.  Situação  que  não  pode  ser  confundida  com  aquela  outra  decorrente da retenção e recolhimento do ISSQN e do ICMS pela  empresa  a  título  de  substituição  tributária  (ISSQN­ST  e  ICMS­ ST).  Nesse  outro  caso,  a  empresa  não  é  a  contribuinte,  o  contribuinte é o próximo na cadeia, o substituído. Quando é assim,  a  própria  legislação  tributária  prevê  que  tais  valores  são  meros  Fl. 48DF CARF MF Processo nº 10882.907177/2012­56  Acórdão n.º 3302­004.212  S3­C3T2  Fl. 5          4 ingressos  na  contabilidade  da  empresa  que  se  torna  apenas  depositária de tributo que será entregue ao Fisco, consoante o art.  279 do RIR/99.  6.  Na  tributação  sobre  as  vendas,  o  fato  de  haver  ou  não  discriminação na fatura do valor suportado pelo vendedor a título  de tributação decorre apenas da necessidade de se informar ou não  ao Fisco, ou ao adquirente, o valor do tributo embutido no preço  pago.  Essa  necessidade  somente  surgiu  quando  os  diversos  ordenamentos  jurídicos  passaram  a  adotar  o  lançamento  por  homologação  (informação  ao  Fisco)  e/ou  o  princípio  da  não­ cumulatividade  (informação  ao  Fisco  e  ao  adquirente),  sob  a  técnica específica de dedução de imposto sobre imposto (imposto  pago sobre imposto devido ou "tax on tax").  7. Tal é o que acontece com o  ICMS, onde autolançamento pelo  contribuinte  na  nota  fiscal  existe  apenas  para  permitir  ao  Fisco  efetivar  a  fiscalização  a  posteriori,  dentro  da  sistemática  do  lançamento  por  homologação  e  permitir  ao  contribuinte  contabilizar  o  crédito  de  imposto  que  irá  utilizar  para  calcular  o  saldo do tributo devido dentro do princípio da não cumulatividade  sob a  técnica de dedução de  imposto sobre  imposto. Não se trata  em momento algum de exclusão do valor do  tributo do preço da  mercadoria ou serviço.  8. Desse modo, firma­se para efeito de recurso repetitivo a tese de  que:  "O  valor  do  ICMS,  destacado  na  nota,  devido  e  recolhido  pela empresa compõe seu faturamento, submetendo­se à tributação  pelas  contribuições  ao  PIS/PASEP  e COFINS,  sendo  integrante  também  do  conceito maior  de  receita  bruta,  base  de  cálculo  das  referidas exações".  9.  Tema  que  já  foi  objeto  de  quatro  súmulas  produzidas  pelo  extinto Tribunal  Federal  de Recursos  ­  TFR  e  por  este  Superior  Tribunal  de  Justiça  ­  STJ:  Súmula  n.  191/TFR:  "É  compatível  a  exigência da contribuição para o PIS com o  imposto único sobre  combustíveis  e  lubrificantes".  Súmula  n.  258/TFR:  "Inclui­se  na  base  de  cálculo  do  PIS  a  parcela  relativa  ao  ICM".  Súmula  n.  68/STJ: "A parcela relativa ao ICM inclui­se na base de cálculo do  PIS". Súmula n. 94/STJ: "A parcela relativa ao ICMS inclui­se na  base de cálculo do FINSOCIAL".  10. Tema que  já  foi  objeto  também do  recurso  representativo da  controvérsia REsp. n. 1.330.737  ­ SP  (Primeira Seção, Rel. Min.  Og  Fernandes,  julgado  em  10.06.2015)  que  decidiu  matéria  idêntica para o ISSQN e cujos fundamentos determinantes devem  ser respeitados por esta Seção por dever de coerência na prestação  jurisdicional previsto no art. 926, do CPC/2015.  11.  Ante  o  exposto,  DIVIRJO  do  relator  para  NEGAR  PROVIMENTO  ao  recurso  especial  do  PARTICULAR  e  reconhecer a  legalidade da  inclusão do  ICMS na base de cálculo  das  contribuições  ao  PIS/PASEP  e  COFINS.  RECURSO  ESPECIAL  DA  FAZENDA  NACIONAL:  TRIBUTÁRIO.  Fl. 49DF CARF MF Processo nº 10882.907177/2012­56  Acórdão n.º 3302­004.212  S3­C3T2  Fl. 6          5 RECURSO  REPRESENTATIVO  DA  CONTROVÉRSIA.  ART.  543­C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO.  INCLUSÃO  DOS  VALORES  COMPUTADOS  COMO  RECEITAS  QUE  TENHAM  SIDO  TRANSFERIDOS  PARA  OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº  9.718/98.  NORMA  DE  EFICÁCIA  LIMITADA.  NÃO­ APLICABILIDADE.  12. A Corte Especial deste STJ já firmou o entendimento de que a  restrição legislativa do artigo 3º, § 2º,  III, da Lei n.º 9.718/98 ao  conceito de faturamento (exclusão dos valores computados como  receitas  que  tenham  sido  transferidos  para  outras  pessoas  jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico já que dependia de  regulamentação  administrativa  e,  antes  da  publicação  dessa  regulamentação, foi revogado pela Medida Provisória n. 2.158­35,  de  2001.  Precedentes:  AgRg  nos  EREsp.  n.  529.034/RS,  Corte  Especial, Rel. Min. José Delgado,  julgado em 07.06.2006; AgRg  no Ag  596.818/PR,  Primeira Turma, Rel. Min.  Luiz  Fux, DJ  de  28/02/2005; EDcl no AREsp 797544  /  SP,  Primeira Turma, Rel.  Min.  Sérgio  Kukina,  julgado  em  14.12.2015,  AgRg  no  Ag  544.104/PR,  Rel.  Min.  Humberto  Martins,  Segunda  Turma,  DJ  28.8.2006;  AgRg  nos  EDcl  no  Ag  706.635/RS,  Rel.  Min.  Luiz  Fux,  Primeira  Turma,  DJ  28.8.2006;  AgRg  no  Ag  727.679/SC,  Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 8.6.2006; AgRg no  Ag 544.118/TO, Rel. Min.  Franciulli Netto,  Segunda Turma, DJ  2.5.2005;  REsp  438.797/RS,  Rel.  Min.  Teori  Albino  Zavascki,  Primeira Turma, DJ 3.5.2004; e REsp 445.452/RS, Rel. Min. José  Delgado, Primeira Turma, DJ 10.3.2003.   13.  Tese  firmada  para  efeito  de  recurso  representativo  da  controvérsia: "O artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9718/98 não teve  eficácia  jurídica,  de  modo  que  integram  o  faturamento  e  também o conceito maior de receita bruta, base de cálculo das  contribuições  ao  PIS/PASEP  e  COFINS,  os  valores  que,  computados como receita, tenham sido transferidos para outra  pessoa jurídica".  14.  Ante  o  exposto,  ACOMPANHO  o  relator  para  DAR  PROVIMENTO ao recurso especial da FAZENDA NACIONAL.  (REsp 1144469/PR; Relator: Napoleão Nunes Maia Filho; Relator  para o acórdão: Mauro Campbell Maques) (grifos não constam no  original)  Já  o  Supremo Tribunal Federal,  no RE 574.706­RG/PR,  julgou,  no dia 15.03.2017, no sentido de que:   O  Tribunal,  por  maioria  e  nos  termos  do  voto  da  Relatora,  Ministra  Cármen  Lúcia  (Presidente),  apreciando  o  tema  69  da  repercussão  geral,  deu  provimento  ao  recurso  extraordinário  e  fixou a  seguinte  tese:  "O ICMS não compõe a base de  cálculo  para a incidência do PIS e da Cofins".   Vencidos  os  Ministros  Edson  Fachin,  Roberto  Barroso,  Dias  Toffoli e Gilmar Mendes. Nesta assentada o Ministro Dias Toffoli  aditou seu voto. Plenário, 15.3.2017.  Fl. 50DF CARF MF Processo nº 10882.907177/2012­56  Acórdão n.º 3302­004.212  S3­C3T2  Fl. 7          6 (grifos não constam do original)  No  âmbito  do  regimento  interno  deste  Egrégio  Tribunal  Administrativo,  existe  previsão  normativa  em  seu  artigo  62,  anexo  II,  sobre  a  obrigatoriedade  de  se  observar  os  precedentes  em  sistema  de  repetitivos e/ou repercussão geral na análise dos casos:  RICARF  Art.  62.  Fica  vedado  aos membros  das  turmas  de  julgamento  do  CARF  afastar  a  aplicação  ou  deixar  de  observar  tratado,  acordo  internacional,  lei  ou  decreto,  sob  fundamento  de  inconstitucionalidade.   § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo  internacional, lei ou ato normativo:   (...)  II ­ que fundamente crédito tributário objeto de:  (...)  b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior  Tribunal de Justiça,  em sede de julgamento  realizado nos  termos  dos  arts.  543­B  e  543­C  da  Lei  nº  5.869,  de  1973,  ou  dos  arts.  1.036  a  1.041  da Lei  n  º  13.105,  de  2015  ­ Código  de  Processo  Civil,  na  forma  disciplinada  pela  Administração  Tributária;  (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016)   O  RICARF  prevê  o  requisito  da  decisão  definitiva  para  a  obrigatoriedade da aplicação do precedente; no caso em análise, o REsp  1.144.469/PR  transitou  em  julgado  em  10.03.2017  e  o  RE  574.706­ RG/PR  ainda  espera  a  modulação  de  seus  efeitos,  não  havendo,  portanto,  trânsito  em  julgado.  Logo,  deve­se  observar  a  decisão,  já  transitada em julgado, do Superior Tribunal de Justiça.  Em razão da obrigatoriedade por parte do conselheiro em aplicar  o  RICARF,  acima  exposto,  os  argumentos  da  Recorrente  de  desnecessidade de previsão legal para a exclusão do ICMS por respeito  ao  princípio  da  capacidade  contributiva  e  da  impossibilidade  de  considerar o ICMS como parte integrante do faturamento encontram­se,  desde  já,  fundamentados  com  a  aplicação  do  precedente  obrigatório.  Portanto, em conformidade com o REsp 1.144.469/PR, que firmou para  efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado  na  nota,  devido  e  recolhido  pela  empresa  compõe  seu  faturamento,  submetendo­se  à  tributação  pelas  contribuições  ao  PIS/PASEP  e  COFINS,  sendo  integrante  também do  conceito maior  de  receita  bruta,  base de cálculo das referidas exações", é negado provimento ao recurso  voluntário.  3. Conclusão  Por todo o exposto, conheço do recurso voluntário, mas, no mérito, nego  provimento."  Da mesma forma que no caso do paradigma, no presente processo o recurso  voluntário também foi apresentado tempestivamente.  Fl. 51DF CARF MF Processo nº 10882.907177/2012­56  Acórdão n.º 3302­004.212  S3­C3T2  Fl. 8          7 Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática  prevista  nos  §§  1º  e  2º  do  art.  47  do  RICARF,  nego  provimento  ao  recurso  voluntário.  assinado digitalmente  Ricardo Paulo Rosa                                Fl. 52DF CARF MF

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Numero do processo: 13888.908656/2011-47
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. O contencioso administrativo instaura-se com a impugnação ou manifestação de inconformidade, que devem ser expressas, considerando-se preclusa a matéria que não tenha sido diretamente contestada. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria atinente à glosa não contestada por ocasião da manifestação de inconformidade. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos para fins de creditamento das contribuições sociais não cumulativas são todos aqueles bens e serviços pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, considerando como parâmetro o custo de produção naquilo que não seja conflitante com o disposto nas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03. FRETE E ARMAZENAMENTO. CUSTO DE AQUISIÇÃO DO ADQUIRENTE. CRÉDITO VÁLIDO INDEPENDENTEMENTE DO REGIME DE CRÉDITO DO BEM TRANSPORTADO/ARMAZENADO. A apuração do crédito de frete e de armazenamento não possui uma relação de subsidiariedade com a forma de apuração do crédito do produto transportado/armazenado. Não há qualquer previsão legal neste diapasão. Uma vez provado que o dispêndio configura custo de aquisição para o adquirente, ele deve ser tratado como tal, i.e., custo e, por conseguinte, gerar crédito em sua integralidade. INSUMOS. CREDITAMENTO. EMBALAGENS. TRANSPORTE. POSSIBILIDADE. Os itens relativos a embalagem para transporte, desde que não se trate de um bem ativável, deve ser considerado para o cálculo do crédito no sistema não cumulativo de PIS e Cofins, eis que a proteção ou acondicionamento do produto final para transporte também é um gasto essencial e pertinente ao processo produtivo, de forma que o produto final destinado à venda mantenha-se com características desejadas quando chegar ao comprador. Recurso voluntário parcialmente conhecido e, na parte conhecida, provido.
Numero da decisão: 3402-004.031
Decisão: Acordam os membros do colegiado, em dar provimento ao recurso da seguinte forma: a) por unanimidade de votos, foram revertidas as glosas relativas às aquisições de paletes "one way"; e b) por maioria de votos, foram revertidas as glosas sobre fretes e despesa de armazenagem sobre as aquisições de insumos. Vencidos os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra e Maria Aparecida Martins de Paula. Assinatura Digital Antonio Carlos Atulim - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Renato Vieira de Avila, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2061; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C4T2  Fl. 2          1  1  S3­C4T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  13888.908656/2011­47  Recurso nº  1   Voluntário  Acórdão nº  3402­004.031  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  25 de abril de 2017  Matéria  COFINS ­ RESSARCIMENTO  Recorrente  AJINOMOTO DO BRASIL INDUSTRIA E COMERCIO DE ALIMENTOS  LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005  PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO.  O contencioso administrativo instaura­se com a impugnação ou manifestação  de  inconformidade,  que  devem  ser  expressas,  considerando­se  preclusa  a  matéria que não tenha sido diretamente contestada. Inadmissível a apreciação  em grau de recurso de matéria atinente à glosa não contestada por ocasião da  manifestação de inconformidade.  NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO.   Insumos para fins de creditamento das contribuições sociais não cumulativas  são  todos  aqueles  bens  e  serviços  pertinentes  e  essenciais  ao  processo  produtivo ou à prestação de serviços, considerando como parâmetro o custo  de  produção  naquilo  que  não  seja  conflitante  com  o  disposto  nas  Leis  nºs  10.637/02 e 10.833/03.  FRETE  E  ARMAZENAMENTO.  CUSTO  DE  AQUISIÇÃO  DO  ADQUIRENTE.  CRÉDITO  VÁLIDO  INDEPENDENTEMENTE  DO  REGIME DE CRÉDITO DO BEM TRANSPORTADO/ARMAZENADO.  A apuração do crédito de frete e de armazenamento não possui uma relação  de  subsidiariedade  com  a  forma  de  apuração  do  crédito  do  produto  transportado/armazenado.  Não  há  qualquer  previsão  legal  neste  diapasão.  Uma  vez  provado  que  o  dispêndio  configura  custo  de  aquisição  para  o  adquirente, ele deve ser tratado como tal, i.e., custo e, por conseguinte, gerar  crédito em sua integralidade.  INSUMOS.  CREDITAMENTO.  EMBALAGENS.  TRANSPORTE.  POSSIBILIDADE.   Os itens relativos a embalagem para transporte, desde que não se trate de um  bem ativável, deve ser considerado para o cálculo do crédito no sistema não     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 86 56 /2 01 1- 47 Fl. 215DF CARF MF Processo nº 13888.908656/2011­47  Acórdão n.º 3402­004.031  S3­C4T2  Fl. 3          2  cumulativo  de  PIS  e  Cofins,  eis  que  a  proteção  ou  acondicionamento  do  produto  final  para  transporte  também  é  um  gasto  essencial  e  pertinente  ao  processo  produtivo,  de  forma  que  o  produto  final  destinado  à  venda  mantenha­se com características desejadas quando chegar ao comprador.  Recurso voluntário parcialmente conhecido e, na parte conhecida, provido.      Acordam  os  membros  do  colegiado,  em  dar  provimento  ao  recurso  da  seguinte forma: a) por unanimidade de votos, foram revertidas as glosas relativas às aquisições  de  paletes  "one  way";  e  b)  por  maioria  de  votos,  foram  revertidas  as  glosas  sobre  fretes  e  despesa  de  armazenagem  sobre  as  aquisições  de  insumos.  Vencidos  os  Conselheiros  Jorge  Freire, Waldir Navarro Bezerra e Maria Aparecida Martins de Paula.   Assinatura Digital  Antonio Carlos Atulim ­ Presidente e Relator.  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  Conselheiros  Antonio  Carlos  Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Renato Vieira de Avila, Maria Aparecida Martins de Paula,  Thais  De  Laurentiis  Galkowicz,  Waldir  Navarro  Bezerra,  Diego  Diniz  Ribeiro  e  Carlos  Augusto Daniel Neto.    Relatório  Trata­se  de  recurso  voluntário  em  face  do  Acórdão  14­052.628­  da  DRJ/RPO,  que  julgou  improcedente  a  manifestação  de  inconformidade  da  contribuinte,  conforme ementa abaixo:  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005  NÃO­CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS.  Os insumos utilizados no processo produtivo somente dão direito  a  crédito  no  regime  de  incidência  não­cumulativa,  se  incorporados  diretamente  ao  bem  produzido  ou  se  consumidos/alterados no processo de industrialização em função  de ação exercida diretamente  sobre o produto e desde que não  incorporados ao ativo imobilizado.  NÃO­CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS.  Somente  dão  direito  a  crédito  no  regime  de  incidência  não­ cumulativa,  os gastos  expressamente previstos na  legislação de  regência.  Manifestação de Inconformidade Improcedente   Direito Creditório Não Reconhecido  Versa  o  processo  sobre  pedido  de  ressarcimento,  relativamente  ao  saldo  credor de COFINS não cumulativo(a) ­ exportação.  Fl. 216DF CARF MF Processo nº 13888.908656/2011­47  Acórdão n.º 3402­004.031  S3­C4T2  Fl. 4          3  Mediante  despacho  decisório,  a DRF/Piracicaba  reconheceu  parcialmente  o  direito creditório, em face das glosas de créditos referente aos seguintes itens:  a) aquisição de produtos químicos,  fertilizantes  e defensivos  agropecuários,  tributados à alíquota zero;  b)  gastos  relativos  a  transporte  e  armazenamento  de  insumos  importados  ocorridos após o desembaraço aduaneiro;  c) gastos com embalagens de transporte (paletes);  d) comissões de compra;  e) despesas de energia térmica  A contribuinte  apresentou manifestação de  inconformidade sustentando,  em  síntese,  que  foram  indevidas  as  glosas  relativas  às:  i)  despesas  de  frete  e  armazenagem  de  insumos importados após o desembaraço aduaneiro e ii) aquisições de paletes.  Os  argumentos  da  manifestante  não  foram  acatados  pela  Delegacia  de  Julgamento, em síntese, sob os seguintes fundamentos:  ­ Quanto às gastos com embalagens, só podem ser considerados insumos se elas se  incorporarem ao produto  em  fabricação ou  sofrer alteração em suas propriedades  em  função da ação  diretamente  exercida  sobre  ele,  ou  seja,  somente  as  embalagens  de  apresentação  do  produto  geram  direito  ao  crédito,  posto  que  estas  se  incorporam  ao  produto  em  fabricação.  Assim,  as  embalagens  destinadas  apenas  a  proteger  ou  transportar  o  produto  acabado  não  dão  direito  a  crédito  da  não  cumulatividade, mesmo que descartáveis e/ou de utilização obrigatória.  ­  De  acordo  com  o  art.  3º,  IX  da  Lei  nº  10.833/2003,  apenas  os  gastos  com  armazenagem e frete na operação de venda dão direito a créditos da não cumulatividade, portanto não  se aplica às aquisições de insumos importados, como ocorreu com as glosas aplicadas no caso concreto.  ­ O “valor aduaneiro” definido pela Lei como base de cálculo do crédito relativo aos  insumos importados, abrange apenas os gastos ocorridos até a importação, ou seja, até a realização do  desembaraço aduaneiro. De forma que procedeu corretamente a autoridade a quo ao glosar os créditos  referentes a gastos com armazenagem e frete relativos aos  insumo importados, mas realizados após o  desembaraço das mercadorias.  A contribuinte apresentou recurso voluntário, aduzindo, em síntese:  1. Da  interpretação do conceito de Insumo para efeitos de tomada de créditos  de pis e de cofins  ­  O  conceito  de  insumo  para  fins  de  crédito  de  PIS  e  de  COFINS  não  pode  ser  restrito ao que está estabelecido nas Instruções Normativas da SRF, devendo ser entendido como todos  os  custos  diretos  e  indiretos  incorridos,  abrangendo,  inclusive,  outras despesas  tidas  como  essenciais  para o desenvolvimento da atividade empresarial.  2.  Da  glosa  indevida  de  créditos  relativos  à  aquisição  de  produtos  químicos,  fertilizantes e defensivos agropecuários, tributados à alíquota zero  A  aquisição  dos  produtos  químicos,  fertilizantes  e  defensivos  agropecuários  tributados à  alíquota  zero gera,  sim,  créditos de PIS  e de COFINS, uma vez que  tais  insumos  foram  previamente sujeitos a incidência em cascata dos tributos, nas etapas anteriores da circulação. Pode­se  considerar  que  não  há  de  fato  uma  alíquota  zero,  mas,  sim,  uma  antecipação  do  pagamento  das  contribuições, um desvio de finalidade do modelo de tributação que fora concebido para esses tributos,  porquanto se tributará valor além do agregado, caso a glosa de tais créditos seja mantida.  Fl. 217DF CARF MF Processo nº 13888.908656/2011­47  Acórdão n.º 3402­004.031  S3­C4T2  Fl. 5          4  3.  Da  glosa  indevida  de  créditos  relativos  a  despesas  com  frete  e  com  armazenagem de insumos importados  ­ A apropriação creditória  referente aos dispêndios com frete e com armazenagem  dão direito a crédito per se, sem que seja necessário vinculá­los à importação. o simples desembolso de  valores, a esse título, permite a tomada de créditos, como técnica de realização da não cumulatividade  das contribuições em foco.  ­ Há muitas decisões administrativas que entendem pela possibilidade de tomada de  crédito das despesas de frete, conforme se verifica nas ementas  transcritas. No que  tange às despesas  com armazenagem, é plenamente possível a tomada de crédito de PIS e COFINS, conforme o julgado  firmado  pelo  e.  Tribunal  Regional  Federal  da  4ª  Região  na  Apelação  Cível  n°  0029040­ 40.2008.404.7100/RS Relator : Des. Federal Joel Ilan Paciornik.  A própria Receita Federal  do Brasil  já  assegurou,  em Resposta  a Consulta Fiscal,  que a apropriação de créditos calculados sobre expensas com frete e com armazenagem é válida per se,  desde que comprovados tais dispêndios. A incidência ou não das contribuições sobre as operações de  entrada  e  de  saída,  assim  como  a  inclusão  destes  custos  na  base  de  cálculo  dos  tributos,  é  completamente  irrelevante.  Não  fosse  assim,  não  se  permitiria  o  creditamento  nos  casos  em  que  a  tributação é monofásica, conforme Solução de Consulta nº 323, de 19 de Dezembro de 2012.  4. Da glosa indevida de créditos na aquisição de pallets  ­ A  recorrente  adquire pallets de madeira,  do  tipo  "One Way", que  são  utilizados  como  materiais  de  embalagem  para  possibilitar  as  vendas,  principalmente  as  exportações  de  seus  produtos,  sendo  certo  que não  os  recebe  em  retorno.  Portanto,  tais pallets não  são  contabilizados  no  ativo da recorrente. Em tal cenário, esses pallets compõem o custo de fabricação e comercialização dos  produtos exportados, configurando insumo essencial a estas atividades. É completamente irrelevante o  fato de o pallet não compor a compleição final das mercadorias, mormente porquanto tal critério não  está posto por qualquer lei, quer complementar, quer ordinária.  5. Da glosa indevida de créditos sobre os pagamentos de comissões de compra  ­ As comissões compõem o custo de compra das mercadorias, de maneira a integrar  a base de cálculo do creditamento correlato ao insumo.  ­ Os artigos 3º, § 1º, inciso I das Leis n° 10.637/2002 e 10.833/2003 são claros ao  dispor que "o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2°  desta Lei  sobre o valor dos  itens mencionados  no  inciso  II  do  caput,  adquiridos  no mês". Dizer  em  sentido contrário corresponderia a mitigar a não­cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS,  diferenciando parcelas de composição do custo de aquisição que a lei não quis segregar.  6. Da glosa indevida de créditos sobre despesas de energia térmica, por falta de  previsão legal  A  tomada  de  crédito  de PIS  e  de COFINS  calculados  em  relação a  despesas  com  energia  térmica  está  elencada  nos  artigos  3o,  incisos  III,  das  Leis  n° 10.637/2002  e  10.833/2003.  A  corroborar com o dispositivo legal há a Solução de Consulta n° 61, de março de 2013.  7. Da busca da verdade material no processo administrativo tributário  Os  documentos  que  instruem  a  manifestação  de  inconformidade,  bem  como  os  julgados e soluções de consultas transcritos, atestam, de maneira clara e inequívoca, a possibilidade de  tomada  dos  créditos  de  PIS  e  COFINS  oriundos  das  despesas  com  armazenamento  e  frete  das  Fl. 218DF CARF MF Processo nº 13888.908656/2011­47  Acórdão n.º 3402­004.031  S3­C4T2  Fl. 6          5  mercadorias  importadas  pela  ora  recorrente,  bem como da  aquisição  de pallets de madeira,  utilizado  como material de embalagem para possibilitar as exportações de seus produtos industrializados.  Em  atenção  ao  princípio  da  verdade  material,  tem  a  autoridade  administrativa  o  dever de apurar a verdade dos fatos, que, neste caso, é a possibilidade de tomada de créditos de PIS e  COFINS em nome da recorrente e, por conseguinte, a realização do ressarcimento da forma correta.  É o relatório. Voto             Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator.  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de  junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido no Acórdão 3402­004.008, de  25 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 13888.907915/2011­12, paradigma  ao qual o presente processo foi vinculado.  Transcreve­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  os  entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3402­004.008):  "Atendidos  os  requisitos  de  admissibilidade,  toma­se  conhecimento do recurso voluntário.  Cotejando­se o conteúdo da manifestação de inconformidade  com o do recurso voluntário, verifica­se que a recorrente inova  neste último relativamente a várias matérias.   Na manifestação de  inconformidade, além das alegações de  ordem  genérica  acerca  do  conceito  de  insumos  para  fins  de  creditamento  das  contribuições  e  do  princípio  da  verdade  material,  a  manifestante  somente  tinha  contestado  as  glosas  referentes  às:  i)  despesas  de  frete  e  armazenagem  de  insumos  importados  após  o  desembaraço  aduaneiro  e  ii)  aquisições  de  paletes. Posteriormente, no recurso voluntário, a recorrente traz  outras  alegações  de  defesa  e  contesta  expressamente  todas  as  glosas  efetuadas  pela  fiscalização,  conforme  tópicos  do  Relatório acima.  A  possibilidade  de  conhecimento  e  apreciação  de  novas  alegações  e  novos  documentos  deve  ser  avaliada  à  luz  das  normas  que  regem  o Processo Administrativo Fiscal  ­ Decreto  n.º 70.235/72, o qual dispõe:  Art.  14.  A  impugnação  da  exigência  instaura  a  fase  litigiosa do procedimento.  Art.  15.  A  impugnação,  formalizada  por  escrito  e  instruída com os documentos em que se fundamentar, será  apresentada ao órgão preparador no prazo de  trinta dias,  contados  da  data  em  que  for  feita  a  intimação  da  exigência.  Fl. 219DF CARF MF Processo nº 13888.908656/2011­47  Acórdão n.º 3402­004.031  S3­C4T2  Fl. 7          6  (...)  Art. 16. A impugnação mencionará:  (...)  III  –  os  motivos  de  fato  e  de  direito  em  que  se  fundamenta,  os  pontos  de  discordância  e  as  razões  e  provas que possuir; (Redação dada pela Lei n.º 8.748, de  1993)  (...)  §  4º  A  prova  documental  será  apresentada  na  impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê­lo  em outro momento processual, a menos que:  a)  fique  demonstrada  a  impossibilidade  de  sua  apresentação  oportuna,  por  motivo  de  força  maior;(Incluído pela Lei no 9.532, de 1997):  b)  refira­se  a  fato  ou  a  direito  superveniente;(Incluído  pela Lei n.º 9.532, de 1997);  c)  destine­se  a  contrapor  fatos  ou  razões  posteriormente  trazidas aos autos.(Incluído pela Lei n.º 9.532, de 1997)  (...)  Art.  17.  Considerar­se­á  não  impugnada  a  matéria  que  não  tenha  sido  expressamente  contestada  pelo  impugnante. (Redação dada pela Lei n.º 9.532, de 1997).  Assim, nos termos dos arts. 14 a 17 do Decreto nº 70.235/72,  acima  transcritos,  a  fase  litigiosa  do  processo  administrativo  fiscal  somente  se  instaura  se  apresentada  a  manifestação  de  inconformidade  ou  impugnação  contendo  as  matérias  expressamente  contestadas,  de  forma  que  são  os  argumentos  submetidos  à  primeira  instância  que  determinam  os  limites  do  litígio, não se devendo conhecer de inovação recursal.  A  competência  do  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  ­ CARF  circunscreve­se  ao  julgamento  de  "recursos  de  ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como  recursos de natureza especial”, de  forma que não  se aprecia a  matéria não impugnada ou não recorrida.  Nesse sentido, tem este CARF decidido por não conhecer de  matéria  que  não  tenha  sido  objeto  de  litígio  no  julgamento  de  primeira instância, como nas ementas que ora se transcreve:  Acórdão nº 9303­004.566 – 3ª Turma /CSRF  Sessão de 08 de dezembro de 2016   Relator: Demes Brito   Assunto:  Contribuição  para  o  Financiamento  da  Seguridade Social ­ Cofins  Período de apuração: 01/09/1998 a 31/12/2003  Fl. 220DF CARF MF Processo nº 13888.908656/2011­47  Acórdão n.º 3402­004.031  S3­C4T2  Fl. 8          7  PRECLUSÃO.  JULGAMENTO  PELO  COLEGIADO  DE  SEGUNDA  INSTÂNCIA  DE  MATÉRIA  NÃO  SUSCITADA  PELO  SUJEITO  PASSIVO.  IMPOSSIBILIDADE.  O  julgamento  da  causa  é  limitado  pelo  pedido,  devendo  haver  perfeita  correspondência  entre  o  postulado  pela  parte  e  a  decisão,  não  podendo  o  julgador  afastar­se  do  que  lhe  foi  pleiteado,  sob  pena  de  vulnerar  a  imparcialidade  e  a  isenção,  conforme  teor  do  art.  17  do  Decreto  nº  70.235/72,  considera­se  não  impugnada  a  matéria  não  deduzida  expressamente  no  recurso  inaugural, o que, por consequência, redunda na preclusão  do direito de fazê­lo em outra oportunidade.  (...)  Acórdão 3301­002.475 – CARF 3º Seção/3ª Câmara  / 1ª  Turma Ordinária, Relator: Sidney Eduardo Stahl, j. 11/11/  2014  ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  PRODUTOS  INDUSTRIALIZADOS­ IPI   Ano calendário: 2006, 2007   PROCESSO  ADMINISTRATIVO  FISCAL.  PRECLUSÃO.  O  contencioso  administrativo  instaura­se  com  a  impugnação, que deve ser expressa, considerando­se não  impugnada  a  matéria  que  não  tenha  sido  diretamente  contestada  pelo  impugnante.  Inadmissível  a  apreciação  em grau de recurso de matéria não suscitada na instância  a  quo. Não  se  conhece  do  recurso  quando  este  pretende  alargar os  limites do  litígio  já consolidado,  sendo defeso  ao  contribuinte  tratar  de  matéria  não  discutida  na  impugnação.  (...)  Assim,  não  conheço  das  inovações  recursais  trazidas  no  recurso voluntário sob os seguintes tópicos: 2. Da glosa indevida  de  créditos  relativos  à  aquisição  de  produtos  químicos,  fertilizantes  e  defensivos  agropecuários,  tributados  à  alíquota  zero;  5. Da  glosa  indevida  de  créditos  sobre  os  pagamentos  de  comissões  de  compra;  e  6. Da  glosa  indevida de  créditos  sobre  despesas de energia térmica, por falta de previsão legal.  Passa­se a analisar somente a matéria do recurso voluntário  que  esteja  contida  na  lide  delimitada  pela  manifestação  de  inconformidade.  "Da interpretação do conceito de Insumo para efeitos  de tomada de créditos de pis e de cofins"  Este Conselho Administrativo não tem adotado, para fins de  aproveitamento  de  créditos  do  PIS/Pasep  e  da  Cofins,  a  Fl. 221DF CARF MF Processo nº 13888.908656/2011­47  Acórdão n.º 3402­004.031  S3­C4T2  Fl. 9          8  interpretação  restrita  de  insumos  veiculada  pelas  Instruções  Normativas SRF nºs 247/2002 e 404/2004, e nem tão amplo, de  acordo com a legislação do Imposto de Renda.  Filio­me  ao  entendimento  que  tem  aceitado  os  créditos  de  PIS/Cofins  relativos  a  bens  e  serviços  utilizados  como  insumos  que  são  pertinentes  e  essenciais  ao  processo  produtivo  ou  à  prestação de serviços, considerando como parâmetro o custo de  produção  naquilo  que  não  seja  conflitante  com  o  disposto  nas  Leis  nºs  10.637/02  e  10.833/03,  conforme  conceito  de  insumo  delineado  no  Voto  do  Conselheiro  Antonio  Carlos  Atulim  no  Acórdão nº 3403­002.816– 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária, de  27 de fevereiro de 2014, abaixo transcrito:  (...)  Já  no  regime não  cumulativo  das  contribuições  ao PIS  e  à  Cofins,  o  crédito  é  calculado,  em  regra,  sobre  os  gastos  e  despesas  incorridos  no mês,  em  relação  aos  quais  deve  ser  aplicada  a mesma alíquota que  incidiu  sobre o  faturamento  para  apurar  a  contribuição  devida  (art.  3º,  §  1º  das Leis  nº  10.637/02  e  10.833/04).  E  os  eventos  que  dão  direito  à  apuração do crédito estão exaustivamente citados no art. 3º e  seus  incisos,  onde  se  nota  claramente  que  houve  uma  ampliação do número de eventos que dão direito ao crédito  em relação ao direito previsto na legislação do IPI.  Essa distinção entre os regimes jurídicos dos créditos de IPI  e das contribuições não cumulativas permite vislumbrar que  no IPI o direito de crédito está vinculado de forma imediata  e direta ao produto industrializado, enquanto que no âmbito  das contribuições está relacionado ao processo produtivo, ou  seja, à fonte de produção da riqueza.  Assim, a diferença entre os contextos da legislação do IPI e  da  legislação  das  contribuições,  aliada  à  ampliação  do  rol  dos eventos que ensejam o crédito pelas Leis nº 10.637/02 e  10.833/04, demonstra a impropriedade da pretensão fiscal de  adotar  para  o  vocábulo  “insumo”  o  mesmo  conceito  de  “produto intermediário” vigente no âmbito do IPI.  Contudo,  tal  ampliação  do  significado  de  “insumo”,  implícito  na  redação  do  art.  3º  das  Leis  nº  10.637/02  e  10.833/04,  não  autoriza  a  inclusão  de  todos  os  custos  e  despesas  operacionais  a  que  alude  a  legislação  do  Imposto  de  Renda,  pois  no  rol  de  despesas  operacionais  existem  gastos  que  não  estão  diretamente  relacionados  ao  processo  produtivo  da  empresa.  Se  a  intenção  do  legislador  fosse  atribuir o direito de calcular o crédito das contribuições não  cumulativas  em  relação  a  todas  despesas  operacionais,  seriam desnecessários os dez  incisos do art. 3º, das Leis nº  10.637/02  e  10.833/04,  onde  foram  enumerados  de  forma  exaustiva os eventos que dão direito ao cálculo do crédito.  Portanto,  no  âmbito  do  regime  não  cumulativo  das  contribuições,  o  conteúdo  semântico  de  “insumo”  é  mais  amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do  que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os  Fl. 222DF CARF MF Processo nº 13888.908656/2011­47  Acórdão n.º 3402­004.031  S3­C4T2  Fl. 10          9  “bens” e “serviços” que, não sendo expressamente vedados  pela lei, forem essenciais ao processo produtivo para que se  obtenha o bem ou o serviço desejado.  Na busca de um conceito adequado para o vocábulo insumo,  no âmbito das contribuições não cumulativas, a tendência da  jurisprudência no CARF caminha no sentido de considerar o  conceito  de  insumo  coincidente  com  conceito  de  custo  de  produção, pois além de vários dos  itens descritos no art. 3º  da  Lei  nº  10.833/04  integrarem  o  custo  de  produção,  esse  critério oferece segurança jurídica tanto ao fisco quanto aos  contribuintes, por estar expressamente previsto no artigo 290  do Regulamento do Imposto de Renda.  Nessa  linha  de  raciocínio,  este  colegiado  vem  entendendo  que  para  um bem  ser  apto  a  gerar  créditos  da  contribuição  não  cumulativa,  com  base  no  art.  3º,  II,  das  Leis  nº  10.637/2002  e  10.833/2002,  ele  deve  ser  aplicado  ao  processo produtivo (integrar o custo de produção) e não ser  passível de ativação obrigatória à luz do disposto no art. 301  do RIR/991.  Se for passível de ativação obrigatória, o crédito deverá ser  apropriado  não  com  base  no  custo  de  aquisição,  mas  sim  com  base  na  despesa  de  depreciação  ou  amortização,  conforme normas específicas.  (...)  ...  "Da  glosa  indevida  de  créditos  na  aquisição  de  pallets"  Acerca  das  glosas  relativas  aos  paletes  de madeira do  tipo  "One  Way",  entendo  que  elas  devem  ser  revertidas,  acompanhando  o  voto  do  Ilustre  Conselheiro  Waldir  Navarro  Bezerra,  proferido  em  face  da  recorrente  no  processo  nº  13878.000213/2005­87 (Acórdão nº 3402­002.826– 4ª Câmara /  2ª Turma Ordinária, Sessão de 25 de janeiro de 2016, conforme  extrato abaixo:  (...)  A decisão recorrida, como se vê, foi além do conceito restrito  de  insumo  das  Instruções  Normativas  n°  247/2002  e  n°  404/2004.  Aplicando  diretamente  as  disposições  do  Regulamento  do  IPI  (Decreto  nº  4.544/2002),  restringiu  o  direito  ao  crédito  apenas  às  embalagens  incorporadas  ao  produto no processo de industrialização.  Trata­se,  porém,  de  interpretação  que  não  tem  respaldo  na  legislação,  à medida  que  a  IN  SRF  nº  247/2002,  não  opera  com a distinção adotada pela decisão recorrida:  (...)                                                              1 Art. 301. O custo de aquisição de bens do ativo permanente não poderá ser deduzido como despesa operacional,  salvo se o bem adquirido tiver valor unitário não superior a trezentos e vinte e seis reais e sessenta e um centavos,  ou prazo de vida útil que não ultrapasse um ano (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 15, Lei nº 8.218, de 1991, art.  20, Lei nº 8.383, de 1991, art. 3º, inciso II, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 30).  Fl. 223DF CARF MF Processo nº 13888.908656/2011­47  Acórdão n.º 3402­004.031  S3­C4T2  Fl. 11          10  E  mais.  Neste  caso,  entendo  que  trata­se,  assim,  diferentemente dos casos em que ocorre especificamente para  a etapa de transporte, e sim de acondicionamento diretamente  relacionado  à  produção  do  bem  e  que  afasta  o  seu  enquadramento  com  bem  do  ativo  imobilizado,  pois  são  descartáveis.  A  recorrente  fabrica  e  exporta  seus  produtos,  que  notoriamente  são  sensíveis  e  facilmente  afetados  por  situações cotidianas, como por exemplo contatos físicos com  outros  produtos,  deterioração  por  contatos  de  produtos  naturais, como água, umidade, produtos químicos, etc.  No presente caso, verifica­se que a paletização que envolve o  acondicionamento (pallet, papelão e os filmes strech) não é  realizada  apenas  para  fins  de  transporte, mas  para  a  própria  estocagem no estabelecimento industrial. Isso porque, devido  ao  tamanho  reduzido  das  embalagens  individuais,  não  há  como estocar o produto na fábrica sem a sua paletização. Do  contrário,  haveria  o  desmoronamento  das  pilhas  de  armazenagem, por exemplo.  Ademais, a paletização, além de indispensável à estocagem e  ao transporte da mercadoria, constitui exigência de normas de  controle sanitário na área de alimentos.  Com efeito, de acordo com a Portaria SVS/MS (Secretaria de  Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde) nº 326, de 30 de  julho  de  1997,  que  aprova  o  Regulamento  Técnico;  “Condições  Higiênicos  Sanitárias  e  de  Boas  Práticas  de  Fabricação  para  Estabelecimentos  Produtores/Industrializadores de Alimentos”:  “5.3.10  Os  insumos,  matérias  primas  e  produtos  terminados  devem  estar  localizados  sobre  estrados  e  separados  das  paredes  para permitir a correta higienização do local.”  “8.8  –   Armazenamento  e  transporte  de  matérias  primas  e  produtos acabados:  8.8.1  –   As  matéria  primas  e  produtos  acabados  devem  ser  armazenados e transportados segundo as boas práticas respectivas  de  forma  a  impedir  a  contaminação  e/ou  a  proliferação  de  microorganismos  e  que  protejam  contra  a  alteração  ou  danos  ao  recipiente  ou  embalagem.  Durante  o  armazenamento  deve  ser  exercida uma inspeção periódica dos produtos acabados, a  fim de  que  somente  sejam  expedidos  alimentos  aptos  para  o  consumo  humano  e  sejam  cumpridas  as  especificações  de  rótulo  quanto  as  condições e transporte, quando existam.” (g.n.)  A  paletização,  portanto,  atende  exigência  de  acondicionamento  dos  produtos  acabados  em  estrados  (item  5.3.10),  de  forma  a  impedir  a  contaminação  do  produto  e  a  ocorrência de alteração ou danos ao recipiente ou embalagem  (item  8.8.1),  nos  termos  previstos  na  Portaria  SVS/MS  nº  326/1997.  Fl. 224DF CARF MF Processo nº 13888.908656/2011­47  Acórdão n.º 3402­004.031  S3­C4T2  Fl. 12          11  Trata­se,  assim,  diferentemente  dos  casos  em  que  ocorre  especificamente  para  a  etapa  de  transporte,  de  acondicionamento  diretamente  relacionado  à  produção  do  bem e que decorre de exigências sanitárias.  Foi  informado  ainda  pela  recorrente  que  o  pallet  têm  natureza  one  way  (sem  retorno),  o  que  afasta  o  seu  enquadramento com bem do ativo imobilizado.  (...)  "Da  busca  da  verdade  material  no  processo  administrativo tributário"  Por  fim,  a  invocação  do  princípio  da  verdade material  em  nada auxilia a  recorrente no presente processo, eis que não há  aqui  controvérsia  sobre  matérias  de  fato,  mas  tão  somente  divergências quanto à qualificação jurídica dos fatos.  Assim, em face do exposto, voto no sentido de não conhecer  o  recurso  voluntário  no  que  concerne  às  inovações  recursais  (alíquota  zero,  comissões  de  compra  e  energia  térmica)  e,  na  parte  conhecida,  dar­lhe  provimento  parcial  para  reverter  as  glosas relativas às aquisições de paletes "one way".   (...)2  "Da  glosa  indevida  de  créditos  relativos  a  despesas  com frete e com armazenagem de insumos importados"  1. Com a devida vênia,  ousei divergir  da douta relatora do  caso apenas em relação ao creditamento nas operações de frete  e armazenamento, haja vista as razões que passo a expor   2. Convém destacar que, segundo o que restou apurado nos  autos, a  fiscalização e o contribuinte convergem em relação ao  fato  de  que  os  dispêndios  em  questão  (frete  e  armazenamento)  foram  arcados  pela  Recorrente,  configurando,  pois,  custo  em  relação  à  tomada  de  tais  serviços.  Em  suma,  a  recorrente  e  a  fiscalização admitem que os dispêndios citados são formalmente  custeados pela recorrente, o que torna este fato inconteste.  3.  A  discussão,  todavia,  gravita  em  torno  do  fato  da  fiscalização  ter  partido  da  premissa  que  tais  dispêndios  não  dariam  direito  a  crédito,  uma  vez  que  o  insumo  transportado/armazenado  não  estaria  sujeito  à  incidência  da  COFINS.  Por  outro  giro  verbal,  o  que  a  fiscalização  sustenta,  indevidamente, é que o crédito de frete e de armazenamento deve  seguir  a  mesma  sistemática  de  creditamento  do  bem  transportado, como se houvesse uma relação de subsidiariedade  entre tais créditos.                                                              2 Não foi transcrita a parte do voto da relatora do paradigma que tratou do direito de crédito relativo a despesas  com frete e com armazenagem, por ser entendimento que restou vencido na votação, e por constar, na íntegra, do  acórdão do processo paradigma. Transcreveu­se, tão­somente, o entendimento que prevalesceu sobre a questão.  Fl. 225DF CARF MF Processo nº 13888.908656/2011­47  Acórdão n.º 3402­004.031  S3­C4T2  Fl. 13          12  4.  Tal  entendimento,  todavia,  é  indevido.  A  apuração  dos  créditos em tela não possui uma relação de subsidiariedade com  a  forma  de  apuração  do  crédito  do  produto  transportado/armazenado. Não há qualquer previsão legal neste  diapasão, até que porque não haveria qualquer sentido nisso, já  que o frete e o armazenamento sofreram a incidência integral da  contribuição  e,  por  isso,  não  podem  ser  comparados  ao  procedimento  aplicável  ao  bem  transportado/armazenado.  Não  se comparam elementos distintos por absoluta impropriedade de  meio e inconsistência de conclusão.  5.  Logo,  uma  vez  provado  que  o  frete  e  o  armazenamento  configuram  custo  de  aquisição  para  o  adquirente,  ele  deve  ser  tratado  como  tal  e,  por  conseguinte,  gerar  crédito  em  sua  integralidade. Inclusive, é assim que tem decidido este Tribunal  administrativo,  consoante  se  observa  das  ementas  abaixo  transcritas:  Ementa  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Período de apuração: 01/10/2008 a 30/09/2009  (...).  CRÉDITO.  FRETE  DE  INSUMOS.  POSSIBILIDADE.  INEXISTÊNCIA DE VINCULAÇÃO AO CRÉDITO DO  BEM ADQUIRIDO.  É  permitido  ao  contribuinte  tomar  crédito  do  custo  do  transporte de insumos quando ainda em fase de produção.  Neste  diapasão,  uma  vez  que  o  frete  em  si  é  tributado  pelas contribuições, ainda que os objetos transportados se  refiram a insumos que não sofreram a incidência do PIS e  COFINS, o custo do serviço gera direito a crédito.  (...).  Recurso Voluntário Provido em Parte.  (CARF; Acórdão n. 3302­002.780; 2a T. da 3a Câmara da  3a Seção; j. em 11/12/2014).    Ementa  Assunto:  Contribuição  para  o  Financiamento  da  Seguridade Social ­ Cofins  Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007  (...).  CRÉDITO. FRETE NA AQUISIÇÃO.  INEXISTÊNCIA  DE  VINCULAÇÃO  AO  CRÉDITO  DO  BEM  ADQUIRIDO.  Tratando­se  de  frete  tributado  pelas  contribuições,  ainda  que se  refiram a  insumos adquiridos que não sofreram a  incidência, o custo do serviço gera direito a crédito.  (...).  Fl. 226DF CARF MF Processo nº 13888.908656/2011­47  Acórdão n.º 3402­004.031  S3­C4T2  Fl. 14          13  (CARF; Acórdão n. 3302­001.916; 2a T. da 3a Câmara da  3a Seção; j. em 29/01/2013)  6.  Neste  sentido,  inclusive,  é  o  recentíssimo  julgado  desta  turma julgadora, conforme se observa da seguinte ementa:  Ementa  Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep  Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004  (...).  FRETE. CUSTO DE AQUISIÇÃO DO ADQUIRENTE.  CRÉDITO  VÁLIDO  INDEPENDENTEMENTE  DO  REGIME DE CRÉDITO DO BEM TRANSPORTADO.  A apuração do crédito de frete não possui uma relação de  subsidiariedade  com  a  forma  de  apuração  do  crédito  do  produto  transportado.  Não  há  qualquer  previsão  legal  neste  diapasão.  Uma  vez  provado  que  o  frete  configura  custo de aquisição para o adquirente, ele deve ser tratado  como  tal  e,  por  conseguinte,  gerar  crédito  em  sua  integralidade.  Recurso  voluntário  parcialmente  provido.  Direito  creditório reconhecido em parte.  (Acórdão n. 3402­003.968; sessão de 28 março de 2017).  7.  Assim,  com  base  em  tais  fundamentos  reconheço  como  válidos  os  créditos  de  frete  e  armazenamento  vindicados  pela  recorrente, motivo pelo qual, na parte reconhecida, dou integral  provimento ao recurso voluntário interposto."   Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática prevista nos  §§ 1º  e 2º do  art.  47 do RICARF,  conheço parcialmente do  recurso  voluntário, e na parte conhecida, dou integral provimento.  assinado digitalmente  Antônio Carlos Atulim                           Fl. 227DF CARF MF

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Numero do processo: 36216.005713/2005-02
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jul 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/2001 a 31/08/2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE. EXIGÊNCIA DE DISCRIMINAÇÃO DE BENEFICIÁRIOS DE ASSISTÊNCIA MÉDICA. DESNECESSIDADE. O Código Tributário Nacional, a Lei de Custeio da Previdência e o Decreto nº 70.235/72, este último que regula o processo administrativo fiscal e contém regras adjetivas sobre o lançamento tributário, não exigem - nem de modo indireto - que haja individualização de empregado por empregado para higidez de lançamento tributário em que se considera que determinada verba integre o salário de contribuição das contribuintes previdenciárias. PROCESSO ADMINISTRATIVO. CONCOMITÂNCIA. INTELIGÊNCIA DA SÚMULA CARF nº 1. A expressão “mesmo objeto” constante do texto sumulado diz respeito àquilo sobre o qual recairá o mérito da decisão, quando sejam idênticas as demandas. Portanto, tem-se como critérios de aplicação da impossibilidade do prosseguimento do curso normal do processo administrativo, em vista da concomitância com processo judicial, tanto o pedido como a causa de pedir, e não somente o pedido.
Numero da decisão: 2201-003.667
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário, para na parte conhecida, negar-lhe provimento (assinado digitalmente) CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Presidente e Relator. EDITADO EM: 19/06/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA

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2201­000.667  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  06 de junho de 2017  Matéria  Contribuições Sociais Previdenciárias  Recorrente  VOLKSWAGEN DO BRASIL INDUSTRIA DE VEICULOS  AUTOMOTORES LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/04/2001 a 31/08/2004  PROCESSO  ADMINISTRATIVO  TRIBUTÁRIO.  INEXISTÊNCIA  DE  NULIDADE.  EXIGÊNCIA DE DISCRIMINAÇÃO DE  BENEFICIÁRIOS  DE ASSISTÊNCIA MÉDICA. DESNECESSIDADE.  O Código Tributário Nacional, a Lei de Custeio da Previdência e o Decreto  nº  70.235/72,  este  último  que  regula  o  processo  administrativo  fiscal  e  contém regras adjetivas sobre o lançamento tributário, não exigem ­ nem de  modo indireto ­ que haja individualização de empregado por empregado para  higidez de lançamento tributário em que se considera que determinada verba  integre o salário de contribuição das contribuintes previdenciárias.  PROCESSO  ADMINISTRATIVO.  CONCOMITÂNCIA.  INTELIGÊNCIA  DA SÚMULA CARF nº 1.  A expressão “mesmo objeto” constante do texto sumulado diz respeito àquilo  sobre  o  qual  recairá  o  mérito  da  decisão,  quando  sejam  idênticas  as  demandas.  Portanto,  tem­se  como  critérios  de  aplicação  da  impossibilidade  do prosseguimento do curso normal do processo administrativo, em vista da  concomitância com processo judicial, tanto o pedido como a causa de pedir, e  não somente o pedido.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer  parcialmente do recurso voluntário, para na parte conhecida, negar­lhe provimento   (assinado digitalmente)  CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA ­ Presidente e Relator.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 36 21 6. 00 57 13 /2 00 5- 02 Fl. 897DF CARF MF     2 EDITADO EM: 19/06/2017  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Carlos  Henrique  de  Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho,  Marcelo  Milton  da  Silva  Risso,  Carlos  Alberto  do  Amaral  Azeredo,  Daniel  Melo  Mendes  Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.    Relatório  Trata­se  de  recurso  voluntário  interposto  contra  decisão  que  manteve  o  lançamento tributário referente às contribuições previdenciárias supostamente incidentes sobre  valores pagos a título de auxílio saúde.  Utilizo,  com  a  devida  permissão,  o  relatório  constante  da  Resolução  205­ 00.015, de lavra da 5ª Câmara do 2º Conselho de Contribuintes, por sua precisão e clareza (fls.  190):  O  presente  lançamento  refere­se  ao  período  de  04/2001  a  08/2004,  e  de  acordo  com o Relatório Fiscal  (fls.  42  a  45),  os  fatos  geradores  das  contribuições  apuradas  no  lançamento  de  crédito,  foram  verificados  mediante  apresentação  das  remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados a  título  de  reembolso,  conforme  Planilha  de  Reembolsos  PAME  (fls. 46 a 49), apresentada pela empresa.  A Auditoria Fiscal menciona  que  a  empresa  fornece  planos  de  saúde  aos  funcionários  da  empresa  em  função  do  cargo,  não  observando a regra de isonomia. A opção pela escolha do plano  é da empresa e não do empregado. O diferencial entre os planos  horistas/mensalistas e executivos é que para os executivos existe  a  possibilidade  de  reembolso  odontológico,  reembolso  de  medicamentos,  reembolso  de  psicoterapia  e  reembolso  de  consultas  médicas  de  livre  escolha.  Esses  reembolsos  não  são  extensivos  à  totalidade  dos  empregados  da  empresa,  contrariando o disposto na Lei n° 8.212/91, art. 28, § 9o, alínea  "q",  que  determina  que  o  valor  relativo  à  assistência  prestada  por  serviço  médico  ou  odontológico,  próprio  da  empresa  ou  daquele a ela conveniado, não integra a remuneração desde que  a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da  empresa.  A  interessada  apresentou  impugnação  dentro  do  prazo  regulamentar,  às  fls.  52  a  68  do  presente,  com  juntada  de  documentos, às fls. 69 a 92, alegando em síntese que:  (i)  A  fiscalização  não  expõe  de  maneira  clara  e  precisa  como  apurou  os  valores  lançados  na  Notificação  e  a  base  para  calcular os recolhimentos devidos; (ii) Se está sustentando a tese  de  que  diversos  trabalhadores  da  empresa  teriam  recebido  reembolso  de  despesas  médicas  integrante  do  salário  de  contribuição,  deveria  mencionar:  (a)  os  nomes  dos  referidos  trabalhadores  e  (b)  os  respectivos  salários  de  contribuição  individualizados,  para  que  ao  preparar  a  sua  defesa  a  ora  Fl. 898DF CARF MF Processo nº 36216.005713/2005­02  Acórdão n.º 2201­000.667  S2­C2T1  Fl. 898          3 impugnante pudesse discutir o acerto ou não da decisão tomada,  tendo como referência os empregados efetivamente incluídos no  objeto da autuação;  (iii) Apesar de reconhecer que a Volkswagen dispõe de plano de  saúde para todos os seus empregados, a fiscalização aduziu que  parte  dos  benefícios  decorrentes  desse  plano  de  saúde,  concedidos a alguns empregados, teria natureza salarial por não  estarem  de  acordo  com  o  princípio  da  isonomia;  (iv)  a  Lei  n°  8.212/91  apenas  destaca  que  a  assistência  médica  terá  que  abranger  a  totalidade  de  empregados  e  dirigentes,  sem,  no  entanto,  obrigar  a  empresa  a  fornecer  plano  de  saúde  idêntico  para  todos;  (v)  salienta  que  o  PAME  (Plano  de  Assistência  Médica  dos  Executivos),  que  permite  o  reembolso  de  despesas  médicas, exige que os empregados participem com 30% de todo  o  custo  mensal  desse  benefício,  na  forma  de  um  rateio;  (vi)  acrescenta o fato de que os planos básicos disponibilizados aos  não­executivos  também  garantem  o  reembolso  de  despesas  médicas,  variando  apenas  o  percentual  desse  reembolso;(vii)  o  intuito  do  legislador  ordinário,  é  que  todos  os  empregados  tenham  acesso  à  assistência  médica,  para  evitar  que  se  dê  o  benefício  apenas  para  determinada  categoria  de  trabalho.  Agora,  os  tipos  de  plano  de  saúde  deverão  ser  oferecidos  de  acordo  com  a  necessidade  e  a  capacidade  econômica  de  cada  empregado;  (viii)  a  Volkswagen  possui  um  único  Plano  de  Saúde, registrado na SUSEP sob o n° 31163, disponível a todos  os  empregados;  (ix) ainda que  se observe a questão do ângulo  mais obtuso possível, a Volkswagen disponibiliza o mesmo plano  para todos os empregados, dividindo­os em categorias de acordo  com a necessidade e capacidade econômica;  (x)  destaca  que  o  Parecer  CJ/n°  107/92,  concluiu  que  a  Assistência  Médica  concedida  pelas  empresas  aos  seus  empregados,  seja  de  forma  gratuita  ou  não,  representa  uma  prestação assistencial e não salarial; (xi) o Poder Judiciário já  teve  a  oportunidade  de  se  manifestar  especificamente  sobre  a  modalidade de Plano de Saúde fornecido pela empresa, onde se  constata  que  o  benefício  do  plano  médico  sequer  pode  ser  entendido como habitual, pois o trabalhador pode passar meses  ou  até mesmo  anos  sem  utilizá­lo;  (xii)  não  se  pode  perder  de  vista  que  o  Plano  de  Assistência Médica  disponibilizado  é  em  parte  custeado  pelos  empregados;  (xiii)  a  própria  legislação  trabalhista já reconheceu o caráter assistencial do Plano Médico  conferido a empregados, desvinculando­o do salário para todos  os  fins  de  direito;  (xiv)  impugnou­se,  outrossim,  o  valor  apontado como devido ao Seguro contra Acidentes de Trabalho,  na medida que foi utilizada pela fiscalização a alíquota de 2%,  entretanto,  deveria  ser  aplicada  a  alíquota  de  1%,  já  que  se  tratam de valores pagos aos executivos da empresa, que laboram  nos estabelecimentos administrativos.  Em 10 de novembro de 2005, foi prolatada Decisão­Notificação  n. 21.434­ 4/0115/2005 [fls. 96 a 120] que, em síntese, refutou os  argumentos colacionados na impugnação e julgou procedente o  lançamento:  Fl. 899DF CARF MF     4 DIREITO PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO.  Contribuição da Empresa Sobre a Remuneração de Empregados.  Contribuição  das  Empresas  para  Financiamento  dos  Benefícios  em Razão da Incapacidade Laborativa.  Contribuições destinadas aos Terceiros.  DA  POSSIBILIDADE  DE  LAVRATURA  DA  NFLD.  DA  INOCORRÊNCIA DE NULIDADE.  O Relatório Fiscal explica detalhadamente a verba que compõe a  base de cálculo das exações em comento.  Os  elementos  basilares  indicados,  dão  ao  contribuinte  o  norte  necessário  à  sua  contestação,  tendo  em  vista  que  é  de  seu  conhecimento,  quais  os  empregados  (empregados  de  nível  executivo)  e  qual  a  verba  paga  (Reembolso  de  Despesas  Médicas),  sobre  a  qual  está  incidindo  a  contribuição  previdenciária em comento.   O  lançamento  cumpriu  todos  os  seus  requisitos,  a  partir  do  momento em que o fato gerador é explicitado, a base de cálculo é  quantificada, a fundamentação legal é elencada, as alíquotas são  definidas e o período é discriminado.  DA  LEGALIDADE  DA  AUTUAÇÃO.  ISONOMIA  NÃO  COMPROVADA.  Observamos que o fato da impugnante admitir que há divisão de  seus  empregados  em  categorias,  já  desnatura  a  essência  da  norma.  Não se discute aqui, a abrangência da assistência médica, mas o  modo como é oferecida.  Cumpre à impugnante trazer aos autos, elementos que afastem o  caráter remuneratório da rubrica lançada a título de reembolso de  despesas médicas.  A impugnante menciona que os planos médicos disponibilizados  aos  não­executivos  também  garantem  o  reembolso  de  despesas  médicas, variando apenas o percentual desse reembolso, contudo,  não traz aos autos, prova de tal afirmação.  DO CARÁTER ASSISTENCIAL DO BENEFÍCIO.  O Parecer/CJ  n°  107/92,  preconiza  o  descabimento  da  inclusão  do pagamento do reembolso de despesa médicas, no conceito de  salário­de­contribuição,  face  apreciação  do  conceito  na  legislação  vigente  a  partir  da  Lei  n"  8.212,  de  24  de  julho  de  1991.  Até  a  alteração  da  Lei  n°  8.212/91,  pela  MP  n°  1.596­14,  de  10/11/1997, convertida na Lei n" 9.528, de 10/12/1997, inexistia  a  preocupação  do  legislador  com  a  verdadeira  natureza  salarial  de  determinadas  parcelas  pagas  aos  trabalhadores,  como  a  que  está  sendo  analisada,  referente  ao  reembolso  de  despesas  médicas.  Fl. 900DF CARF MF Processo nº 36216.005713/2005­02  Acórdão n.º 2201­000.667  S2­C2T1  Fl. 899          5 Demonstrado que o reembolso de despesas médicas, é extensivo  à totalidade dos empregados e dirigentes da empresa, certamente  a  questão  estará  pacificada,  e  haveremos  de  mudar  nosso  entendimento,  afastando  a  hipótese  de  a  rubrica  lançada,  ser  integrante  da  remuneração,  e  como  conseqüência,  não  ser  integrante do salário­de­contribuição.  DA  NÃO  HABITUALIDADE  DO  BENEFÍCIO  ­  JURISPRUDÊNCIA.  Em  relação  ao  Plano  Médico  oferecido  pela  empresa  a  seus  empregados,  vemos  que  o  fato  de  se  sub­rogar  no  dever  do  Estado  de  ministrar  o  atendimento  à  saúde  não  justifica  a  hipótese de incidência da exação previdenciária.  Rubrica  ­  Reembolso  de  Despesas  Médicas.  Sob  tal  titulo,  a  impugnante  reembolsa  despesas  que  os  empregados  (apenas  os  integrantes do Plano Médico ­ Padrão PAME)  tenham nas  áreas  de  odontologia, medicamentos,  psicoterapia  e  consultas  médicas  de  livre  escolha,  desvirtuando  tal  cobertura,  como contido na legislação em vigor.  DA ONEROSIDADE DO BENEFÍCIO. DA APLICAÇÃO DA  CLT.  O foco da discussão do presente lançamento, são os reembolsos  de  despesas  médicas,  e  não  a  assistência  médica/odontológica  prestada, sobre a qual já nos manifestamos, mencionando acerca  da hipótese de inexistência de contribuição previdenciária.  O que contraria a legislação vigente, e por isso, está efetivamente  ocorrendo a hipótese de  incidência, diz  respeito aos  reembolsos  de  despesas  médicas,  tendo  em  vista  que  não  abrangem  a  totalidade dos empregados e dirigentes da empresa.  O parágrafo 9o do artigo 28 da Lei n" 8.212/91 cuidou, de maneira  exaustiva, das hipóteses excludentes de tributação sendo que, as  parcelas não sujeitas à incidência de contribuição previdenciária,  quando  pagas  ou  creditadas  em  desacordo  com  a  legislação  pertinente,  integram o salário­de­contribuição para todos os fins  e efeitos.  DO VALOR DO DÉBITO. SAT.  A Lei n.°8.212/91, no art. 22, inciso II, estabelece as alíquotas de  contribuição  de  acordo  com  o  grau  de  risco  acidentário,  em  conformidade com a atividade exercida.  Verificamos  também,  que  o  Decreto  Regulamentador  não  extrapolou  a  Lei,  pois  esta  já  faz  referência  à  contribuição  em  acordo  com  o  grau  de  risco  atinente  à  atividade  exercida  pela  empresa.  A  definição  de  atividade  preponderante,  ou  seja,  aquela  que  ocupa  o maior  número  de  segurados  empregados,  vem  desde  o  Fl. 901DF CARF MF     6 Decreto  n.  °  83.081/79  com  as  alterações  do  Decreto  n.°  90.817/85.  LANÇAMENTO PROCEDENTE  Devidamente  intimada,  a Notificada  interpôs  recurso  voluntário  tempestivo  [fls.123­136],  sob  os  mesmos  argumentos  da  impugnação.  Essa  não  efetuou  o  necessário  depósito recursal para garantia de instância, por força de decisão do e. TRF da 3  a Região, nos  autos do AI n. 2005.03.00.098841­4.  Instada  a  se  manifestar,  a  DRP  em  São  Paulo,  repisou  a  fundamentação  constante da DN (fls. 156)  A  Resolução  205­00.015,  de  lavra  da  5ª  Câmara  do  2º  Conselho  de  Contribuintes,  de  onde  ­  como  dito  ­  se  reproduziu  o  relatório,  culminou  com  a  seguinte  determinação:  "Após analisar o feito, uma questão merece destaque e deve ser  apreciada antes do  julgamento da  lide, qual  seja,  existência de  decisão  judicial  [sentença]  prolatada  pela  16a Vara Federal  de  São  Paulo,  nos  autos  dos  processos  n.  97.0058739­8  e  98.0003379­3,  que  declarou  ter  a  assistência  médica  objeto  dessa NFLD natureza meramente assistencial [fls. 73­78].  Assevera a Recorrente que [fl. 132]:  [...]  Da  acertada  decisão  acima  transcrita,  proferida  em  processo em que se discute exatamente a mesma controvérsia da  presente  autuação  (natureza  jurídica  do  plano  de  assistência  médica  da  empresa),  constata­se  que  o  benefício  do  plano  médico  sequer  pode  ser  entendido  como  habitual,  pois  o  trabalhador pode passar meses ou até mesmo anos sem utilizá­ lo.  Como bem observado pelo juízo, a utilização de plano médico é  esporádica,  sendo  inadmissível  considerar  esse  beneficio  como  um ganho habitual do empregado, revestido de natureza salarial.  Poder­se­ia  alegar  que  o  INSS  não  participou  da  lide  acima  numerada,  não  existindo  vinculação  quanto  ao  entendimento  judicial  exarado.  Entretanto,  salvo  melhor  entendimento,  qual  seja,  de  buscar  a  verdade  material  e  julgar  a  controvérsia  administrativa  com  percuciência,  entendo  necessária  a  conversão  do  julgamento  em  diligência  para  que  sejam  esclarecidas algumas questões de fato:  (i) os autos sejam remetidos à Delegacia da Receita Federal do  Brasil  em  São  Paulo,  com  trânsito  pela  Procuradoria  da  Fazenda Nacional. para que seja juntada aos autos informação  do  andamento,  dos processos  n.  97.0058739­8  e  98.0003379­3,  em  trâmite  na  16a  Vara  Federal  de  São  Paulo  e  as  decisões  judiciais posteriores;  (ii)  intime­se o  sujeito passivo para, querendo, manifeste­se em  relação  a  informação  processual  e  apresente  cópia  da  petição  inicial da ação declaratória;  Fl. 902DF CARF MF Processo nº 36216.005713/2005­02  Acórdão n.º 2201­000.667  S2­C2T1  Fl. 900          7 (iii)  após  à  realização  desses  procedimentos,  devem  os  autos  serem remetidos a esta 5 a Câmara para julgamento, ressalvado o  disposto no §2°, do art. 308, do Decreto n.° 3.048/99"  Em  resposta,  foi  produzida  a  Informação  Fiscal  prestada  pelo  SECAT  da  Delegacia da Receita Federal do Brasil em São Bernardo do Campo, constante de folhas 894  do processo digital:  Conforme  pode  ser  visto  no  entendimento  prolatado  na  Resolução nº  205­  00.015 do  órgão  retromencionado  (fls.  189­ 196), o  julgamento que por este seria realizado  fora convertido  em  diligência,  devido  à  necessidade  de  esclarecer  questões  de  fato correlatas ao PAF em epígrafe.  Para  tanto,  fora  solicitado  que  os  autos  fossem  “remetidos  à  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  em  São  Paulo,  com  trânsito pela Procuradoria da Fazenda Nacional, para que seja  juntada  aos  autos  informação  do  andamento  dos  processos  n.  97.0058739­8 e 98.0003379­3, em  trâmite na 16ª Vara Federal  de São Paulo e as decisões judiciais posteriores” (fl. 194).  Registre­se,  preliminarmente,  que  o  contribuinte  citado  está  circunscrito à Delegacia da Receita Federal de São Bernardo do  Campo/SP.  Compulsando  o  presente  PAF,  fora  verificado  que,  em  19/02/2008, houve o encaminhamento dos autos à Procuradoria  da  Fazenda  Nacional,  a  quem  competia  o  cumprimento  da  diligência. Porém, por equívoco, em vez de esta encaminhar as  informações solicitadas e juntadas aos autos ao órgão solicitante  (CARF), estes foram devolvidos à Delegacia da Receita Federal  do Brasil em São Bernardo do Campo/SP, conforme despacho de  30/07/2010 (fl. 274).  Dessa  forma,  visando  atender  à  diligência  citada,  passa­se  à  análise dos processos judiciais em epígrafe, com o fornecimento  de  informações  atualizadas  sobre  o  andamento  processual  dos  mesmos.  Registre­se,  de  pronto,  que  os  citados  processos  judiciais  possuem  litisconsórcio  ativo,  sendo  seus  autores  Ford  Brasil  Ltda e Volkswagen do Brasil Ind de Veículos Automotores Ltda,  sendo  que  o  presente  PAF  tem  como  interessado  este  último  apenas.  Nas  demandas  judiciais  em  comento,  buscam  as  autoras  provimento jurisdicional que declare nula a decisão proferida no  auto  do  processo  administrativo  n'  35433­10713/92,  aplicado  por  suposta  infringência  do  disposto  no  art.  23,  par.  1'  da  Lei  8.036/90.  Alegam  as  autoras  que  disponibilizaram  aos  seus  empregados  um  plano  de  assistência  médica,  que  varia  de  acordo  com  a  classe em que inserido o trabalhador, mas que em comum possui  o  fato  de  ser  em  parte  custeado  pela  empresa  e  em  parte  pelo  operário, não sendo, portanto, gratuito.  Fl. 903DF CARF MF     8 D'outra  banda,  a  ré  (União)  entende  que  o  referido  benefício  possui natureza salarial.  Conforme pode ser visto nos extratos processuais em anexo (fls.  870­878),  a  liminar  fora  deferida  e  a  sentença  a  confirmou,  julgando procedentes os pedidos formulados na ação ordinária e  na  medida  cautelar  para  anular  o  auto  de  infração  n'  17430813/92 (fl. 879). Contra a mencionada sentença, a União  interpôs  recurso  de  Apelação.  A  esta,  porém,  fora  negado  provimento,  sendo  dado  parcial  provimento  à  remessa  oficial  apenas para reduzir os honorários advocatícios, conforme pode  ser  visto  em  acordão  prolatado  pelo  TRF3  (fls.  880­887).  A  União  opôs  Embargos  de  Declaração,  porém  estes  não  foram  providos (fls.888­892). Ato contínuo , a União interpôs recursos  excepcionais,  quais  sejam Recurso Especial  e Extraordinário.  Porém, hodiernamente, os mesmos encontram­se conclusos ao  Desembargador Federal Vice­Presidente do TRF3 para decisão  quanto à admissibilidade.  Por  fim,  deve­se  registrar  que,  conforme  extrato  anexo  (fls.  893), o débito 358305136 encontra­se com a sua exigibilidade  suspensa  devido  às  decisões  relatadas,  assim  como,  devido  à  apresentação  pelo  contribuinte  de  Cartas­Fiança,  resguardando o débito em comento (fls. 850­868)".   (destaques nossos)  O  presente  processo  administrativo  foi  distribuído,  por  meio  de  sorteio  eletrônico para este Conselheiro em razão da extinção da turma que determinou a diligência e  do término do mandato do Conselheiro Relator originário.  É o relatório do necessário.    Voto             Conselheiro Relator Carlos Henrique de Oliveira  O recurso é tempestivo. Passo a apreciá­lo na ordem de suas alegações.  Antes, porém, mister tecer algumas considerações até em razão da diligência  determinada pela extinta 5ª Câmara do 2º Conselho de Contribuintes.  Como relatado o lançamento tributário em discussão versa sobre a incidência  de  contribuições  previdenciárias  sobre  auxílio  saúde  fornecido  pela  Recorrente  aos  seus  funcionários e diretores que, no ver da Fiscalização, contrariam disposição da Lei de Custeio  da Previdência.  Desde sua impugnação ao lançamento o agora Recorrente, afirma (fls. 63)  Nesse sentido, o Poder Judiciário já teve a oportunidade de se  manifestar  especificamente  sobre  a  modalidade  de  Plano  de  Saúde fornecido pela empresa, concluindo que:  Fl. 904DF CARF MF Processo nº 36216.005713/2005­02  Acórdão n.º 2201­000.667  S2­C2T1  Fl. 901          9 "As  prestações  pagas  "in  natura",  tal  como  o  é  a  assistência  médica oferecida, somente integram o salário quando revestidas  dos  requisitos  da  habitualidade  e  da  gratuidade,  pois  se  o  empregador  cobra  pelo  usufruto  de  tais  benefícios,  evidentemente  não  ingressam  no  patrimônio  do  trabalhador  e,  consequentemente, não podem ser tidas como salário. "In casu",  o próprio perito, à fls. 802/803, esclarece, ao analisar o Manual  do Plano Médico Volkswagen, que os empregados participavam  do  custeio  do  plano  de  assistência  oferecido  pelas  autoras  da  seguinte forma: "nos planos C e D, os empregados participavam  com  1%  (um  por  cento)  do  salário  nominal  mensal,  não  incluindo  férias,  13°  salário,  etc.  No  plano  F  os  custos  são  integralmente  rateados  entre  todos  os  participantes  inscritos  nesse plano, subtraindo­se o valor correspondente ao custo per  capita  do  plano  C.  Em  relação  ao  Plano  Pame,  a  autuada  assume  70%  dos  custos  desse  plano,  sendo  a  parte  restante  ­  30%  ­  rateada  entre  todos  os  empregados  inscritos.".  Afirma,  ainda,  que  analisando  a  Folha  de  Pagamento  dos  meses  de  novembro  e  dezembro  de  1991  (período  objeto  da  autuação),  pôde  verificar  o  efetivo  desconto  de  participação  no  Plano  Médico.  A  par  da  ausência  do  requisito  da  gratuidade,  também  não  se  pode dizer sê­lo habitual, pois a toda evidência sua utilização é  esporádica."  (Processo  97.0058739­8,  16a  VF/SP,  Ford  e  Volkswagen x União Federal)  Da  acertada  decisão  acima  transcrita,  proferida  em  processo  em  que  se  discute  exatamente  a  mesma  controvérsia  da  presente  autuação  (natureza  jurídica  do  plano  de  assistência  médica  da  empresa),  constata­se  que  o  benefício  do  plano  médico  sequer  pode  ser  entendido  como  habitual,  pois  o  trabalhador pode passar meses ou até mesmo anos sem utilizá­ lo."   (negritos e sublinhados nossos)  Verifica­se,  portanto,  que  há  demanda  judicial  instaurada  com  o  mesmo  objeto, ou seja, a natureza jurídica do plano de assistência médica da empresa.  Forçoso, portanto, analisarmos se há coincidência de objetos entre o presente  processo  administrativo  e  os  processos  n.  97.0058739­8  e  98.0003379­3,  em  trâmite  na  16ª  Vara  Federal  de  São  Paulo  e  as  decisões  judiciais  posteriores”  (fl.  194),  ressaltando  que  foi  exatamente este o questionamento formulado na Resolução 205­00.015.  Antes,  porém,  em  acréscimo  as  informações  prestadas  pela  Autoridade  Lançadora, verifico, por meio de consulta realizada em 22 de abril de 2017, às 11:59hs, no sitio  da  Justiça  Federal  que  os  processos  acima  mencionados  se  encontram  no  STJ,  em  fase  de  recurso especial proposto pela União, consoante se observa pela página da consulta processual  abaixo, parcialemente, reproduzida:  Número de origem  97.00587398  Classe  1018914 ApelReex ­ SP  Fl. 905DF CARF MF     10 Vara  12 SAO PAULO ­ SP  Data de autuação  07/02/2003  Partes    Nome  Apelante   Uniao Federal (FAZENDA NACIONAL)   Advogado  MARLY MILOCA DA CAMARA GOUVEIA E AFONSO GRISI NETO   Apelado(A)  FORD BRASIL LTDA   Advogado  MARCELO PEREIRA GOMARA   Relator   DES.FED. ANDRÉ NEKATSCHALOW  Assuntos    Descrição  Assunto   FGTS/Fundo de Garantia por Tempo de Serviço ­ Contribuições Especiais ­  Contribuições ­ Direito Tributário   Detalhe  1++   PROCEDIMENTO COMUM   Órgão julgador  QUINTA TURMA  Localização  SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTICA (GR)    A  análise  da  concomitância  é  determinante  em  face  da  determinação  da  Súmula CARF nº 1. Recordemos:  "Importa  renúncia  às  instâncias  administrativas  a  propositura  pelo  sujeito passivo de ação  judicial  por qualquer modalidade  processual,  antes  ou  depois  do  lançamento  de  ofício,  com  o  mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas  a  apreciação,  pelo  órgão  de  julgamento  administrativo,  de  matéria  distinta  da  constante  do  processo  judicial."  (destaques  nossos)  Claríssima a disposição que consolidou entendimento praticamente unânime  deste Colegiado: há tácita  renúncia ao processo administrativo a propositura, antes ou depois  do lançamento, de medida judicial com o mesmo objeto do processo administrativo. Assim,  mister entendermos o que é o objeto do processo administrativo e cotejá­lo com o objeto do  processo judicial que se analisa.  Segundo  o  dicionário  Michaelis  'online',  publicado  no  sitio  uolBusca  (http://dic.busca.uol.com.br/result.html?q=objeto&group=0&t=10),  o  verbete  objeto,  em  sua  acepção jurídica:  "objeto •sm(lat objectu)  Tudo que se oferece aos nossos sentidos ou à nossa alma.  Coisa  material:Havia  na  estante  vários  objetos.Col:  bateria,trem(quando agrupados para o mesmo fim).  Motivo, causa.  Tudo que constitui a matéria de ciências ou artes.  Assunto, matéria.  Intenção, desígnio, mira.  Fim a que se mira ou que se tem em vista.  Fl. 906DF CARF MF Processo nº 36216.005713/2005­02  Acórdão n.º 2201­000.667  S2­C2T1  Fl. 902          11 FilosAquilo  que  é  pensado,  por  oposição  ao  próprio  ato  de  pensar.  DirTudo  aquilo  sobre  que  recai  um  direito,  ou  uma  ação,  ou  obrigação." (sublinhamos)  Também no mesmo  sentido,  um  tanto  amplo  para os  fins  do  nosso  estudo,  caminha  o  dicionário  jurídico.  Para  objeto  do  processo,  encontramos  a  seguinte  significação  (Diccionario Básico Jurídico, 7ª ed. Comares Editorial):  "Conjunto  de  fatos  que  integrando  o  processo,  o  levam  a  conseguir as diversas finalidades que o mesmo persegue (...)"  Das  significações  apresentadas,  podemos  inferir  que  o  objeto  da  demanda  processual é aquilo que com ela se pretende obter, o que se quer alcançar.  Porém,  somente  tal  entendimento  é  suficiente  para  se  verificar  a  concomitância? Não nos parece.  O Professor Moacyr Amaral Santos, no clássico Primeira Linhas de Direito  Processual Civil ( 1º Vol., Ed. Saraiva, 20ª ed., p. 163), leciona que objeto da ação:  "é o pedido do autor  (Cod Proc. Civil, art  282,  IV),  ou  seja,  o  que ele solicita que lhe seja assegurado pelo órgão jurisdicional.  (...) Assim, o objeto, isto é, o pedido (res, petitum) é imediato ou  mediato.  O  pedido  imediato  consiste  na  providência  jurisdicional  solicitada:  sentença  condenatória,  declaratória,  constitutiva  ou  mesmo providência executiva, cautelar ou preventiva.  O  pedido  mediato  é  a  utilidade  que  se  quer  alcançar  pela  sentença, ou providencia jurisdicional, isto é, o bem material ou  imaterial pretendido"  Continuando sua lição, o emérito Professor das Arcadas, ensina que o pedido  deve  estar  sempre  apoiado, deve  sempre corresponder a uma causa de pedir, pois "quem  invoca  uma providência  jurisdicional  quanto  a  um bem pretendido,  cumpre  dizer  no  que  se  funda seu pedido" (ob. cit., pag. 164).  Recorda  o  Mestre  que  o Códex  Processual  exige  que  o  autor  exponha  na  inicial não só o seu pedido, mas também os fundamentos jurídicos deste. Com tal exigência, a  lei processual requer a exposição não só a causa próxima de pedir ­ os fundamentos jurídicos ­  como também a causa remota ­ o fato gerador do direito.  No  caminhar  de  sua  lição,  com  a  didática  exemplar  que  sempre  o  caracterizou,  o  Professor Moacyr Amaral,  explica  que  a  identificação  de  ações  (  o  cerne  de  nosso problema) exige que se examine detalhadamente a identidade, a individualidade de uma  demanda.  Para tanto, leciona o saudoso Professor:  "(...) duas ações são idênticas quando em ambas seus elementos  são  os mesmos. Assim, duas  ações  são  idênticas  quando  entre  Fl. 907DF CARF MF     12 elas há: a) identidade de partes (eadem personae); b) identidade  de objeto  (eadem res); c)  identidade de causa de pedir  (eadem  causa petendi)."  Exsurge a distinção.   Tem­se  identidade  entre  ações  quando  as  mesmas,  intrinsecamente,  coincidem, ou seja, são iguais. Para tanto, necessariamente convergem para a mesma solução a  partir de divergências sobre o mesmo bem da vida mas ­ forçosamente ­ com essa divergência  decorrente do mesmo motivo, da mesma causa.  Tal exigência decorre não só de um imperativo processual, mas  também de  um  imperativo  lógico. Não  basta  a  demanda  reunir mesmas  partes,  sobre  o mesmo  bem  em  discussão: o motivo da disputa deve ser o mesmo.   Por  exemplo  se pode  entender melhor. Dois  senhores  podem discutir  sobre  um imóvel, mais acuradamente sobre a posse e propriedade de um imóvel. Imaginemos que se  trate de um imóvel comercial, onde o proprietário, por contrato de locação, passou a posse do  imóvel a um comerciante.  Tempos  depois,  o  comerciante  propôs  a  compra  do  imóvel.  Firmam  um  contrato  de  compra  e  venda,  com  pagamento  parcelado.  Ajustam  que  durante  o  pagamento  parcelado da compra, o locatário, agora promitente comprador, continuaria a pagar o aluguel.  Iniciados  os  pagamentos,  o  comprador  vê­se  em  dificuldades  financeiras  e  atrasa algumas parcelas. O vendedor, opta pela resolução contratual unilateral e vende, à vista,  o  imóvel  a  outrem,  porém  ajustando  com  o  novo  comprador,  que  entregará  o  imóvel  desocupado.  Ingressa  com medida  judicial,  ação  de  despejo,  visando  a  retomada  do  imóvel.  Nesse caso o objeto é a posse do imóvel.  O  locatário,  aqui  ainda  promitente  comprador,  inconformado  com  o  desfazimento do contrato de promessa de compra e venda, ingressa com ação judicial buscando  fazer valer seu direito decorrente do contrato de compra e venda firmado e portanto anular a  segunda venda. Objeto da ação: a propriedade do imóvel.  Partes  envolvidas:  as  mesmas.  Resultado,  objeto  ,  de  uma  e  de  outra:  o  imóvel.  Importante  recordar  que  se  o  direito  de  promitente  comprador  for  reconhecido,  por  óbvio que a segunda decisão  terá  seu  resultado  impactando na primeira, na ação de despejo.  Mesmo assim, há coincidência de ações? Por óbvio que não.  A distinção  é  flagrante  quanto  à  causa de  pedir. Em uma  e  em outra  ação,  embora o objeto seja o mesmo, o fundamento jurídico do pedido é distinto.  Esses  requisitos  para  que  se  reconheça  a  identidade  de  ações  e  portanto,  a  concomitância também é reconhecido por Julio Fabbrini Mirabete (Processo Penal, Ed. Atlas,  10ª ed., p. 217), processualista de renome que explicita, ao examiniar a litispendência:  "Os elementos que identificam a demanda, impedindo outra por  litispendência são: a) o pedido (petitum), o que o autor pede; b)  as partes (personae), são as partes em litígio; a causa de pedir  (causa  petendi),  a  razão  de  fato  pela  qual  o  autor  pede  a  condenação,  no  processo  penal  o  fato  criminoso.  Numa  expressão  bem  simples,  se  o  mesmo  autor,  com  o  mesmo  fundamento de fato, faz o mesmo pedido, contra o mesmo réu,  a demanda é a mesma que a anterior" (destacamos)  Fl. 908DF CARF MF Processo nº 36216.005713/2005­02  Acórdão n.º 2201­000.667  S2­C2T1  Fl. 903          13 Não é outra a lição de Cândido Rangel Dinamarco, outro ícone da Faculdade  de Direito do Largo São Francisco, que em sua  importantíssima obra,  Instituições de Direito  Processual Civil ( Vol III, 2ª ed. Ed. Malheiros p. 136), assevera:  "Didaticamente  e  seguindo  uma  linha  tradicional  no  processo  civil  brasileiro,  o  Código  de  Processo  Civil  afirma  que  uma  ação  é  precisa  reprodução  de  outra  quando  em  ambas  coincidem os três elementos constitutivos, tendo elas as mesmas  partes,  a  mesma  causa  de  pedir  e  o  mesmo  pedido  (...)"  (destacamos)  Outro  simples  raciocínio  demonstra  a  importância  da  causa  de  pedir  como  traço  elementar,  e  portanto  distintivo,  de  uma  ação.  Pensemos  agora  em  hipótese  de  lide  tributária clássica, ou seja, insurgência contra a tributação.  Decerto  que  nessas  ações  tributárias,  dois  elementos  serão  sempre  coincidentes:  i)  as  partes,  pois  sempre  se  analisará  a  demanda  de  determinado  contribuinte  contra a Administração Tributária;  ii) o pedido, o próprio objeto, pois  sempre o  contribuinte  buscará se esquivar da exação como pretendida pelo Fisco.  Ora,  nesses  casos,  ao  prevalecer  entendimento  alargado,  ou  seja,  havendo  concomitância  quando  o  contribuinte  puder  alcançar  na  via  judicial  o mesmo  resultado  que  teria na esfera administrativa, qualquer tipo de lide judicial afastaria qualquer demanda na fase  administrativa,  uma  vez  que  ­  pelo  nosso  pressuposto  ­  ao  conseguir  judicialmente  o  afastamento  da  pretensão  fiscal  como  pretendida  pela  Administração  Tributária,  a  esfera  administrativa nunca teria função.  Imaginemos  que  o  contribuinte  tenha  ingressado  com  uma  ação  de  inexistência de  relação  tributária  acerca  de determinado  tributo. Tempos  depois,  ao  perceber  que  aquele  contribuinte  não  estava  recolhendo  os  valores  devidos  sobre  aquele  determinado  tributo, o Fisco inicia procedimento fiscalizatório.   Ao  ser  cientificado  da  existência  da  demanda  judicial,  a  autoridade  fiscal,  visando  cumprir  a  determinação  legal,  opta  por  lançar  o  tributo  em  litígio  somente  para  prevenir a decadência. Na impugnação, o contribuinte se insurge sobre o lançamento tributário  em razão da existência, em sua opinião, de nulidade no procedimento do lançamento.  A prevalecer a posição que dispensa a análise da causa de pedir, por ser certo  que o resultado da lide judicial pode ser a declaração da inexistência da relação tributária entre  o Fisco e o contribuinte, a processo administrativo tributário não poderia ser conhecido pois se  observaria a concomitância, com consequente renuncia. Resultado: a Administração Tributária  deixou de examinar, de controlar, a legalidade de determinado ato por ela produzido, expondo  assim ao mundo um ato eivado de ilegalidade, nulo portanto, realizado por quem está adstrito  ao princípio da legalidade, que determina que a Administração Pública só pode fazer o que a  lei permite.  Por óbvio que não pode ser esse o conceito de concomitância.  Ao  aplicarmos  aos  exemplos  acima  a  clássica  doutrina  processualista,  que  exige para que se tenha identidade de ações a presença dos três elementos essenciais da ação  (mesmas partes, mesma causa de pedir  e mesmo pedido), não se verificaria a concomitância  havendo, portanto, o exame dos processos por serem distintos.  Fl. 909DF CARF MF     14 Outro não é o entendimento da própria Administração Tributária. Vejamos o  trecho  do  conteúdo  do  Parecer  Normativo  Cosit  nº  7,  de  22  de  agosto  de  2014,  que  versa  exatamente sobre o tema aqui analisado:  "Da  identidade  de  objetos  dos  processos  administrativo  e  judicial   9.  Poder­se­ia  questionar  quanto  à  definição  da  expressão  “mesmo objeto” a que se reportam o ADN Cosit nº3, de 1996, a  Súmula nº1 do CARF e a Portaria MF nº341, de 2011. Aqui,  faz­se  mister  diferenciar  o  objeto  da  relação  jurídica  substancial  ou  primária  do  objeto  da  relação  jurídica  processual. Aquele consiste no bem da vida sobre o qual recaem  os interesses em conflito, in casu, o patrimônio do contribuinte;  este,  por  sua  vez,  diz  respeito  ao  serviço  que  o  Estado  tem  o  dever de prestar, e nos procedimentos de que este se utiliza para  tanto, resultando no proferimento de decisões administrativas ou  judiciais  em  cada  processo,  guardando  relação  de  instrumentalidade  com  a  real  demanda  do  autor  (JUNIOR,  Nelson  Nery;  NERY,  Rosa  Maria  de  Andrade.  Constituição  Federal  Comentada.  2.  ed.  São  Paulo:  Editora  Revista  dos  Tribunais, 2009. p. 179).  9.1. Assim,  só  produz  o  efeito  de  impedir  o  curso  normal  do  processo administrativo a existência de processo judicial para o  julgamento  de  demanda  idêntica,  assim  caracterizada  aquela  em que se verificam as mesmas partes, a mesma causa de pedir  (fundamentos de fato – ou causa de pedir remota ­ e de direito  –  ou  causa  de  pedir  próxima)  e  o mesmo  pedido  (postulação  incidente  sobre  o  bem  da  vida)  ­  a  chamada  teoria  dos  três  eadem, conforme definida no art. 301, § 2ºda Lei nº5.869, de 11  de  janeiro  de  1973  (Código  de Processo Civil  – CPC),  o  qual  ora se aplica por analogia.  9.2.  Leva­se  em  consideração  o  objeto  da  relação  jurídica  substancial;  se  a  discussão  judicial  se  refere  a  questões  instrumentais  do  processo  administrativo,  contra  as  quais  se  insurge o sujeito passivo da obrigação tributária, não há que se  falar  em  desistência  da  instância  administrativa  nem  em  definitividade  da  decisão  recorrida,  quando  nesta  se  discute  alguma questão de direito material. Se, no entanto, a discussão  administrativa  gira  em  torno  de  alguma  questão  processual,  como  a  tempestividade  da  impugnação,  por  exemplo,  questão  esta  também  levada  à  apreciação  judicial,  configura­se  a  renúncia à esfera administrativa quanto a este ponto específico.  9.3.  Seguindo  esse  raciocínio,  encontra­se  entendimento  na  doutrina  e  na  jurisprudência  de  que  só  se  caracteriza  a  identidade  de  ações  quando  se  verificam  as mesmas  partes,  o  mesmo pedido e a mesma causa de pedir:  19. Identidade de ações: caracterização. As partes devem ser as  mesmas, não importando a ordem delas nos pólos das ações em  análise.  A  causa  de  pedir,  próxima  e  remota  [...],  deve  ser  a  mesma  nas  ações,  para  que  se  as  tenha  como  idênticas.  O  pedido,  imediato  e mediato,  deve  ser  o mesmo:  bem  da  vida  e  tipo de sentença judicial. Somente quando os três elementos, com  suas  seis  subdivisões,  forem  iguais  é  que  as  ações  serão  Fl. 910DF CARF MF Processo nº 36216.005713/2005­02  Acórdão n.º 2201­000.667  S2­C2T1  Fl. 904          15 idênticas.  (JUNIOR,  Nelson  Nery;  NERY,  Rosa  Maria  de  Andrade.  Código  de  Processo  Civil  Comentado.  11.  ed.  São  Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2010. p. 595)  Litispendência.  Identidade  de  pedidos.  A  identidade de  pedidos  não  caracteriza  a  litispendência.  Somente  se  verifica  a  litispendência  com a  identidade de  ações:  as mesmas  partes,  o  mesmo  pedido  e  a  mesma  causa  de  pedir.  (TRF­5ª,  1ª  T.,  Ap  17299­RN,  rel.  Juiz  Ridalvo  Costa,  v.u.,  j.  10.12.1992,  JSTJ  47/583)  9.4. Vale reproduzir o seguinte excerto do Parecer PGFN/Cocat  nº2/2013:  49.  Dito  disso,  conferimos  ao  instituto  da  concomitância  no  PAF  o mesmo  tratamento  da  litispendência  no  processo  civil,  pois  a  verificação  da  ausência  desses  dois  pressupostos  negativos têm como finalidade precípua evitar o processamento  de causas iguais quando houver: (i)  identidade das partes, (ii)  da causa de pedir e (iii) do pedido (art. 301, §§ 1ºe 2º, do CPC;  e Súmula nº1/CARF).  50. Com efeito, na linha do que foi afirmado no item 26, tanto a  concomitância  quanto  a  litispendência  constituem  requisitos  de  validade  objetivos  extrínsecos  da  relação  processual.  São  pressupostos  negativos,  ou  seja,  fatos  que  não  podem  ocorrer  para que o procedimento se  instaure validamente. Representam  acontecimentos  estranhos  à  relação  jurídica  processual  (daí  o  adjetivo  "extrínseco")  que,  uma  vez  existentes,  impedem  a  formação  válida  do  processo  (procedimento).  (grifos  conforme  original)  9.5.  Feitos  esses  esclarecimentos,  e  à  vista  da  terminologia  utilizada  nos  normativos  retromencionados,  adotar­se­á,  neste  parecer, o entendimento de que a expressão “mesmo objeto” diz  respeito  àquilo  sobre  o  qual  recairá  o  mérito  da  decisão,  quando  sejam  idênticas  as  demandas.  Portanto,  tem­se  como  critérios de aplicação da impossibilidade do prosseguimento do  curso  normal  do  processo  administrativo,  em  vista  da  concomitância  com  processo  judicial,  tanto  o  pedido  como  a  causa de pedir, e não somente o pedido.  9.6. Seguindo essa lógica, caso o processo administrativo fiscal  contenha pedido mais abrangente que o do processo judicial, ele  deve ter seguimento somente em relação à parte que não esteja  sendo discutida  judicialmente. Se, por exemplo, a ação  judicial  requer a anulação de um lançamento em relação a determinada  multa,  mas  nada  diz  sobre  a  base  de  cálculo  do  tributo,  e  a  impugnação administrativa tratar também da discussão sobre a  base  de  cálculo,  esta  parte  deverá  ser  objeto  de  julgamento  administrativo.  10.A prevalência, nesses casos, do curso do processo judicial se  deve  ao  princípio  constitucional  da  unicidade  de  jurisdição,  insculpido no art. 5º, inciso XXXV, da Constituição Federal (“a  lei  não  excluirá  da  apreciação  do  Poder  Judiciário  lesão  ou  Fl. 911DF CARF MF     16 ameaça a direito;”), segundo o qual o Poder Judiciário detém o  monopólio  do  controle  jurisdicional,  não  sendo  necessário  que  se configure a efetiva lesão a direito, bastando a simples ameaça  para que se dê o  ingresso em juízo. Ademais, o caráter de não  definitividade  das  decisões  administrativas  consiste  na  possibilidade  de  sua  apreciação  pelo  Judiciário.  Registre­se,  ainda,  a  desnecessidade  do  esgotamento  da  via  administrativa  para  o  acesso  ao  Poder  Judiciário,  como  ocorria  no  sistema  constitucional  revogado  (CF/1967,  art.  153,  §  4º).  (CINTRA,  Antônio  Carlos  de  Araújo;  GRINOVER,  Ada  Pellegrini;  DINAMARCO, Cândido Rangel. Teoria Geral do Processo. 26.  ed. São Paulo: Malheiros, 2010. p. 312).  10.1.  Outra  justificativa  que  se  pode  invocar  para  a  inadmissibilidade da concomitância entre as discussões sobre a  mesma matéria nas instâncias judicial e administrativa, sob pena  de se admitir um dispêndio desnecessário de recursos públicos,  além  do  risco  de  se  obterem  decisões  conflitantes,  passa  pelo  princípio  da  economia  processual,  o  qual,  segundo  lecionam  Cintra,  Grinover  e  Dinamarco  (CINTRA,  Antônio  Carlos  de  Araújo;  GRINOVER,  Ada  Pellegrini;  DINAMARCO,  Cândido  Rangel. Teoria Geral do Processo. 26. ed. São Paulo: Malheiros,  2010.  p.  79),  “preconiza  o  máximo  resultado  na  atuação  do  direito  com  o  mínimo  emprego  possível  de  atividades  processuais”. Trata­se do mesmo princípio que inspira os efeitos  do instituto da litispendência no processo civil (arts. 219, 267 e  301 do CPC)." (destaques não constam do Parecer mencionado)  Nesse  mesmo  caminho  segue  o  STJ.  Afirma  o  voto  condutor  da  decisão  proferida  no  Ag  Rg  no  Agravo  em  Recurso  Especial  nº  702.892­SP,  de  Relatoria  do  Min  Sérgio Kukina, julgado em 15/03/16 pela Primeira Turma.  "Há  litispendência  quando  se  repetem  ações  em  curso  com  as  mesmas  partes,  a  mesma  causa  de  pedir  e  o  mesmo  pedido;  ainda que sejam causas de natureza diversa, como são mandado  de segurança e processo de conhecimento, induvidosa a réplica  proibida pela lei processual."  Assentes  quanto  ao  conceito  de  concomitância  entre  a  ação  judicial  e  o  processo administrativo tributário, passemos ao caso concreto.  No  caso  em  apreço,  a  determinação  da  identidade  de  ações  se  torna  ainda  mais necessária posto que as ações propostas objetivam discutir a natureza jurídica do auxílio  saúde ofertado pela empresa.  Como  bem  apontado  pelo  nobre  Relator  da  Resolução,  o  contribuinte  impetrou  ação  judicial  pelo  qual  obteve  decisão  favorável  no  sentido  da  não  incidência  da  quota  patronal  da  contribuição  previdenciária  sobre  as  verbas  pagas  a  título  de  assistência  médica.  Ora, o lançamento tributário que aqui se analisa foi efetuado justamente pela  oferta de tal auxílio saúde.  Vejamos a questão da concomitância.  Para tanto, destaquemos as controvérsias existentes.  Fl. 912DF CARF MF Processo nº 36216.005713/2005­02  Acórdão n.º 2201­000.667  S2­C2T1  Fl. 905          17 No plano  judicial,  encontramos duas  ações propostas pela Recorrente  e por  outra  empresa  em  face  da Administração Tributária  que  tem  por  objeto  a  não  incidência  da  quota  patronal  de  contribuição  previdenciária  sobre  os  valores  de  seus  planos  de  assistência  médica em razão da ausência de caráter remuneratório nessas verbas.  No plano  administrativo,  observamos  que  o Recorrente  se  insurge  contra  o  lançamento tributário decorrente da incidência de contribuição previdenciária sobre tais verbas,  no entender do Fisco.  Ao buscarmos os elementos essenciais das duas demandas encontraremos:    Administrativo  Judicial  Partes  Recorrente e Fisco  Recorrente, terceiro e União  Pedido  Nulidade/Cancelamento lançamento  Não incidência da contribuição  Causa de pedir  Nulidade/ não incidência  Verbas não remuneratórias    A simples leitura do quadro acima demonstra a inexistência de coincidência  entres  os  elementos  caracterizadores  das  lides,  o  que  torna  despiciendo  que  o  contribuinte  possa a vir obter a improcedência do lançamento como resultado da demanda judicial proposta.  Assim, mister que  se  conheça  do  recurso  apresentado,  uma vez  que  não  se  pode,  sob ofensa  ao primado da  lógica  jurídica,  aplicar­se  a Súmula CARF nº 1  ao  caso  em  apreço, vez que nem mesmo o objeto, o pedido em si, é o mesmo. Na via judicial, se discute  incidência. Na via administrativa o pedido é cancelamento do  lançamento, seja por nulidade,  seja por regularidade na compensação.  Não obstante o  exposto, mister  realçar que a  concomitância de ações  exige  além da identidade do pedido, a identidade da causa de pedir.  Em consequência, entendo pelo conhecimento do recurso, afastando, porém,  a  parte  do  recurso  que  versa  exatamente  sobre  a  natureza  jurídica  da  assistência  .médica  ofertada pela Recorrente, aqui sim, nos exatos limites da Súmula CARF nº 1.  Passemos, então a analisar o Recurso na ordem de suas alegações.  PRELIMINARES  NULIDADE  ABSOLUTA  DA  NFLD:  AUSÊNCIA  DE  IDENTIFICAÇÃO  DOS  BENEFICIÁRIOS  Alega a Recorrente que a NFLD lançada é nula em face da não discriminação  de cada um dos beneficiários do plano de saúde ofertado.  São seus argumentos (fls. 126):  "Basta  uma  simples  leitura  da  NFLD  para  concluir  que  a  fiscalização não expõe de maneira clara e precisa como apurou  Fl. 913DF CARF MF     18 os  valores  lançados  na  Notificação  e  a  base  para  calcular  os  recolhimentos devidos.  Se  o  Sr.  Fiscal  está  sustentando  a  tese  de  que  diversos  trabalhadores  da  empresa  teriam  recebido  reembolso  de  despesas médicas integrante do salário de contribuição, deveria  mencionar:  (i)  os  nomes  dos  referidos  trabalhadores  e  (ii)  os  respectivos  salários  de  contribuição  individualizados,  para  que  ao  preparar  a  sua  defesa  a  ora  impugnante  pudesse  discutir  o  acerto  ou  não  da  decisão  tomada  pelo  Sr.Fiscal,  tendo  como  referência  os  empregados  efetivamente  incluídos  no  objeto  da  autuação.  Assim sendo,  torna­se praticamente impossível discutir o acerto  ou  não  do  Sr.  Fiscal,  especialmente  quanto  aos  valores  que  serviram  como  base  de  cálculo  das  contribuições  ora  em  cobrança,  pois  sequer  foram  individualizados  os  nomes  dos  trabalhadores envolvidos na NFLD e os respectivos salários de  contribuição."  (sublinhei)  Sobre esse ponto, assim se manifestou a decisão de piso (fls. 106):  Em que pesem os  esforços  expendidos pela  Impugnante em seu  arrazoado,  os  mesmos  não  t  êm  o  condão  de  elidir  o  procedimento fiscal, pelas razões a seguir.  10.­ Observando­se as peças do lançamento, constatamos que o  Relatório Fiscal explica detalhadamente a verba que compõe a  base de cálculo das exações em comento. O item 2, do Relatório  Fiscal,  menciona  que  os  fatos  geradores  das  contribuições  lançadas,  foram  as  remunerações  pagas  ou  creditadas  aos  segurados  empregados  a  título  de  reembolso,  conforme  Planilha de Reembolsos PAME, apresentada pela empresa (fls.  46 a 49).  11 . ­ Como vemos, trata­se de elemento fornecido pelo próprio  contribuinte.  Entendemos  diante  disso,  desnecessária  a  quantificação  dos  trabalhadores  envolvidos  na  mencionada  planilha, que por  certo,  são de  conhecimento da  Impugnante,  tendo  em  vista,  serem  Integrantes  do  Plano  de  Assistência  Médica Executivo ­ PAME, destinado aos empregados de nível  executivo,  secretárias  de  diretoria  e  seus  dependentes,  como  veremos adiante.  12.­  Além  disso,  observamos  nos  autos,  a  descrição  da  fundamentação  legal completa  em anexo próprio  (fls.  22  e 23).  Havendo a dupla motivação do ato administrativo (de fato e de  direito),  não  nos  parece  plausível  a  alegação  do  contribuinte,  quanto a impossibilidade de discussão quanto ao acerto ou não  do lançamento.  13.­  Certamente  os  elementos  basilares  indicados,  dão  ao  contribuinte o norte necessário à sua contestação, tendo em vista  que  é  de  seu  conhecimento,  quais  os  empregados  (empregados  de nível executivo) e qual a verba paga (Reembolso de Despesas  Medicas),  sobre  a  qual  está  incidindo  a  contribuição  previdenciária em comento."   Fl. 914DF CARF MF Processo nº 36216.005713/2005­02  Acórdão n.º 2201­000.667  S2­C2T1  Fl. 906          19 (destaques não constam da decisão recorrida)  Assiste razão a decisão de piso. Não há a nulidade apontada. Não se verifica  nenhuma afronta ao direito constitucional da ampla defesa.  Como  bem  apontado  pelo  julgador  'a  quo',  o  lançamento  foi  baseado  em  planilha apresentada pela empresa em face da intimação recebida.  Ora,  os  dados  dela  constantes,  ou  seja,  o  nome  dos  funcionários  que  perceberam o auxílio saúde, o tipo de cobertura desse auxílio, o valor despendido pela empresa  no fornecimento dessa utilidade, são informações que a empresa conhece, que fazem parte dos  seus registros de folha de pagamento, de seus prontuários de cada empregado e diretor.  Impende ainda mencionar que tanto o Código Tributário Nacional, quanto a  Lei  de Custeio  da  Previdência  e  o Decreto  nº  70.235/72,  este  último  que  regula  o  processo  administrativo fiscal e contém regras adjetivas sobre o lançamento tributário, não exigem nem  de  modo  indireto  que  haja  um  individualização  de  empregado  por  empregado  para  o  lançamento  tributário  em  que  se  considera  que  determinada  verba  paga  integre  o  salário  de  contribuição das contribuintes previdenciárias.  Ressalte­se que, ao reverso do que quer fazer crer o recorrente, ao efetuar o  lançamento tributário e considerar que determinada verba integra o salário de contribuição, o  Fisco  autua  o Contribuinte  em  face  do  erro  constante  na Guia  de  Informação  à  Previdência  Social e ao FGTS para que ele, contribuinte, seja forçado a corrigir a informação erroneamente  prestada  no  que  tange  a  base  de  cálculo  das  contribuições  previdenciárias  decorrente  da  remuneração  de  cada  trabalhador,  ou  seja,  o  salário  de  contribuição  de  cada  um  se  torna  individualizado.  Recurso voluntário negado nessa parte.  MÉRITO  Nas questões de mérito, o Recorrente passa a tecer considerações, embasado  sempre  em  alguma  doutrina  e  posicionamento  jurisprudencial,  sobre  a  ilegalidade  de  se  considerar os planos médicos como salário. O faz, sobre a alegação do princípio da isonomia,  do caráter assistencial do benefício, da não habitualidade desse benefício, de sua onerosidade e  da  aplicação  do  inciso  IV do  parágrafo  2º  do  artigo  458  da CLT,  que  textualmente  afasta  o  caráter salarial da utilidade ofertada como assistência médica.  Como  mencionado  acima,  deixo  de  me  pronunciar  sobre  tais  questões  em  face da discussão sobre a natureza jurídica da verba auxílio saúde constar das ações judiciais  acima mencionadas.  Não  cabe  ao  julgador  administrativo  se  pronunciar  sobre  temas  levados  a  discussão perante o Poder Judiciário em face da prevalência deste Poder na solução de litígios.  Flagrante a insegurança jurídica decorrente da coexistência, em instâncias diversas da mesma  discussão, que poderia ensejar decisões contraditórias.  Nesse sentido, a determinação da Súmula CARF nº 1.  Não  obstante  todo  o  exposto,  mister  recordar  o  registro  constante  da  informação fiscal de folhas 895, que reproduzimos em face de sua relevância:  Fl. 915DF CARF MF     20 "Por  fim,  deve­se  registrar  que,  conforme  extrato  anexo  (fls.  893), o débito 358305136 encontra­se com a sua exigibilidade  suspensa  devido  às  decisões  relatadas,  assim  como,  devido  à  apresentação  pelo  contribuinte  de  Cartas­Fiança,  resguardando o débito em comento (fls. 850­868)."  (destaquei)    CONCLUSÃO  Diante  do  exposto  e  pelos  fundamentos  apresentadas,  voto  por  conhecer  parcialmente do recurso e no mérito da parte conhecida, negar­lhe provimento.    (assinado digitalmente)   Carlos Henrique de Oliveira ­ Relator                                      Fl. 916DF CARF MF

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6841501 #
Numero do processo: 16004.001267/2008-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jul 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/08/2005 a 31/07/2006 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. Incide em descumprimento de obrigação acessória apresentar a empresa GFIP com informações inexatas, incompletas ou omissas, em relação aos dados não relacionados aos fatos geradores.
Numero da decisão: 2201-003.612
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negar-lhe provimento. (Assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente  (Assinado digitalmente)  Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: Relator

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2201­003.612  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  09 de maio de 2017  Matéria  Contribuições Sociais Previdenciárias  Recorrente  M4 LOGISTICA LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL      ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/08/2005 a 31/07/2006  OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO.   Incide  em  descumprimento  de  obrigação  acessória  apresentar  a  empresa  GFIP  com  informações  inexatas,  incompletas  ou  omissas,  em  relação  aos  dados não relacionados aos fatos geradores.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em  conhecer  do recurso voluntário e, no mérito, negar­lhe provimento.         (Assinado digitalmente)   Carlos Henrique de Oliveira ­ Presidente           (Assinado digitalmente)   Daniel Melo Mendes Bezerra ­ Relator     Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros:  Carlos  Henrique  de  Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho,  Marcelo  Milton  da  Silva  Risso,  Carlos  Alberto  do  Amaral  Azeredo,  Daniel  Melo  Mendes  Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.       AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 00 12 67 /2 00 8- 80 Fl. 138DF CARF MF Processo nº 16004.001267/2008­80  Acórdão n.º 2201­003.612  S2­C2T1  Fl. 138          2     Relatório  Trata­se  de  Recurso  Voluntário  interposto  pelo  sujeito  passivo contra o Acórdão  nº  14­26.609  ­  8a Turma da DRJ/RPO,  que  julgou  improcedente  a  impugnação apresentada para desconstituir o seguinte lançamento:       ­  Auto  de  Infração  por  descumprimento  de  Obrigação  Principal  ­  DEBCAD  37.172.482­1,  consolidada  em 03/10/2008, no valor de R$ 313,70, por  ter  apresentado GFIP  com informações inexatas, incompletas ou omissas, em relação aos dados não relacionados aos  fatos  geradores  de  contribuições  previdenciárias,  conforme  previsto  na  Lei  nº  8.212,  de  24.07.91,  art.  32,  IV  e  parágrafo  6º,  também  acrescido  pela  Lei  n.  9.528,  de  10.12.97,  combinado com o art. 225,  IV e parágrafo 4., do Regulamento da Previdência Social  ­ RPS,  aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, nas competências de l3/2005, 01/2007, 04/2007,  05/2007 e 06/2007.            Na mesma ação fiscal foram lançados os seguintes documentos de débitos:    Auto de Infração  35.172.478­3  Obrigações principais. Contribuições patronais.  Auto de Infração  35.172.475­9  Obrigações acessórias. Deixou de contabilizar todos os fatos  geradores das obrigações previdenciárias.  Auto de Infração  35.172.476­7  Obrigação Acessória. Apresentou folha de pagamento a  autônomos em desacordo com as normas estabelecidos pela  Receita Federal do Brasil.  Auto de Infração  35.172.480­5  Obrigação Acessória. Deixou de informar mensalmente  através das GFIP’s todos os fatos geradores de contribuições  previdenciárias e outras informações de interessa da RFB.  Auto de Infração  35.172.482­1  Obrigação Acessória. Apresentou GFIP’s com  informações inexatas, incompletas ou omissas, em  relação aos dados não relacionados aos fatos geradores.  Auto de Infração  35.172.483­0  Obrigação Acessória. Entregou Guias de Recolhimento do  FGTS e Informações à Previdência Social ­ GFIP em  desconformidade com o Manual de Orientação  Auto de Infração  35.172.477­5  Contribuições descontadas dos contribuintes individuais.  Apropriação Indébita.  Auto de Infração  35.172.479­1  Contribuições destinadas aos Terceiros­ SEST e SENAT  Auto de Infração  35.172.474­0  Deixou de declarar em GFIP’s os fatos geradores das  obrigações previdenciárias até inicio da ação fiscal.  Fl. 139DF CARF MF Processo nº 16004.001267/2008­80  Acórdão n.º 2201­003.612  S2­C2T1  Fl. 139          3         A  interessada  apresentou  impugnação,  julgada  improcedente  pela  DRJ,  nos  termos da seguinte ementa:  MULTA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.  Constitui  infração à  legislação previdenciária apresentar GFIP  com informações inexatas, incompletas ou omissas em relação a  dados  não  relacionados  a  fatos  geradores  de  contribuições  previdenciárias.   ALEGAÇÕES  DESPROVIDAS  DE  PROVAS.  REJEIÇÃO.  A  impugnação deve  trazer provas que  fundamentam as alegações  apresentadas, não podendo estas serem aceitas sem aquelas.   RESPONSABILIDADE  POR  INFRAÇÕES.  AFERIÇÃO  OBJETIVA.  Salvo  disposição  de  lei  em  contrário,  a  responsabilidade  por  infrações  da  legislação  tributária  é  da  empresa  e  independe  da  intenção,  da  efetividade,  natureza  e  extensão dos efeitos do ato.   DOLO,  FRAUDE OU  SIMULAÇÃO.  FALTA DE  PROVA.  Não  se presume dolo, fraude ou simulação, não tendo sido carreadas  pela fiscalização, provas de sua ocorrência.        Cientificada  do  inteiro  teor do  acórdão  da DRJ em 04/03/2010,  a  contribuinte  interpôs Recurso Voluntário, tempestivamente, em 24/03/2010, alegando, em síntese, que:       Por conta do elevado volume de trabalho, a recorrente não estava conseguindo  atender a toda demanda de trabalho e, diante desta situação celebrou contrato de terceirização  de  serviço  com  a  empresa MARLON  S.  BALIEIRO­ME.,  para  que  pudesse  atender  a  toda  demanda de trabalho.       Ora, se existia empresa terceirizada para prestação de serviço, não há de se falar  em recolhimento de verbas fundiárias aos funcionários por ela contratados, pois não há relação  jurídica que fundamente o  recolhimento cobrado da Recorrente,  eis que  ausente a  relação de  emprego entre os funcionários da empresa MARLON S. BALIEIRO­ME e a Recorrente.       Se  existiram  lançamentos  contábeis  que  espelhassem  situação  diversa  da  estabelecida  entre  a  Recorrente  e  a  empresa  terceirizada  MARLON  S.  BALIEIRO­ME,  tal  responsabilidade  deve  ser  imputada  ao Contador  da Recorrente,  pois  a Recorrente  não  tinha  conhecimento  de  tais  fatos,  não  havendo  concorrido  com  a  infração  tributária  objeto  do  presente  processo.  Não  existiam  sequer  contratos  de  prestação  de  serviço  autônomo  entre  a  Recorrente e os funcionários da empresa terceirizada.       Nos autos não existem provas da responsabilidade da Recorrente, na medida que  sequer conhece as pessoas físicas (terceiros) mencionados no Auto de Infração.       Na  legislação  tributária  brasileira,  prevalece  o  princípio  da  verdade  material,  desta forma, todos os fatos considerados favoráveis ao contribuinte devem ser levados a efeito,  sob pena de lesão ao princípio do contraditório e da ampla defesa.  Fl. 140DF CARF MF Processo nº 16004.001267/2008­80  Acórdão n.º 2201­003.612  S2­C2T1  Fl. 140          4      Nos  autos,  a  Recorrida  não  conseguiu  comprovar  a  responsabilidade  da  Recorrente, que limitou­se apenas a imputar a responsabilidade da infração à Recorrente, com  base na teoria objetiva que, certamente não se aplica ao caso em tela.       Por fim, requer seja acolhido o presente recurso administrativo, determinando a  reforma do v. acórdão, por ser medida de Direito e Justiça.        É o relatório.  Voto                  Daniel Melo Mendes Bezerra, Conselheiro Relator    Admissibilidade      O  Recurso  Voluntário  é  tempestivo  e  preenche  aos  demais  requisitos  de  admissibilidade, devendo, pois, ser conhecido.  Do Mérito      A recorrente traz diversos argumentos que não guardam nenhuma relação com o  presente  auto  de  infração,  especialmente  os  que  dizem  respeito  a  lançamentos  contábeis  e  à  empresa Marlon S. Balieiro ­ ME, que não serão apreciados.       Consta  do  relatório  fiscal  que  o  sujeito  passivo  apresentou  GFIP  relativas  às  competências 13/2005, 01/2007, 04/2007, 05/2007 e 06/2007 com o Código FPAS incorreto,  ou seja, 507 em vez de 612, o que ensejou a presente autuação.        Dessa  forma,  a  recorrente  descumpriu  o  mandamento  legal  (Lei  nº  8.212,  de  24.07.91, art. 32, IV e parágrafo 6º), estando, pois, correta a autuação fiscal.      Assim, cabe a este  julgador apreciar a questão da aplicação de penalidade, em  função da alteração legislativa ocorrida após a emissão do presente Auto de Infração.       Antes  da  publicação  da Lei  n°  11.941/09,  a multa  pela  (i)  não  declaração  em  GFIP de fatos geradores da contribuição previdenciária, (ii) pela não apresentação de GFIP e  (iii) pelo preenchimento incorreto da GFIP estava prevista no art. 32, § 5° da Lei n° 8.212/91.       Com a publicação da Lei  n° 11.941/09, o mencionado artigo  foi  revogado e  a  multa do art. 32, § 5° da Lei n° 8.212/91 restou substituída por aquela prevista no art. 32­A da  Lei n° 8.212/91, ou seja, (i) R$ 20,00 para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou  omitidas na GFIP; ou (ii) 2% (dois por cento), ao mês­calendário ou fração, incidentes sobre o  montante das contribuições  informadas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega  após o prazo, limitada a 20%, observado o disposto no § 3° deste artigo. Vale dizer que a multa  aplicada no presente Auto de Infração, após a publicação da Lei n° 11.941/09, foi reduzida de  forma substancial.  Fl. 141DF CARF MF Processo nº 16004.001267/2008­80  Acórdão n.º 2201­003.612  S2­C2T1  Fl. 141          5      Diante disso, com supedâneo no princípio da retroatividade benigna positivado  em matéria tributária no art. 106, II, “c”, do Código Tributário Nacional ­ CTN entendo que a  penalidade lançada contra o contribuinte prevista no art. 32, inciso IV e parágrafos 3. e 9.da Lei  n°  8.212/91  restou  substituída  pela  multa  do  art.  32­A  da  Lei  n°  8.212/91,  que  deverá  ser  aplicada  inclusive nos casos de descumprimento de obrigação acessória anteriores à vigência  da Lei n° 11.941/09.       Assim,  no  que  tange  à  regra  aplicável  ao  caso  em  análise,  tendo  em  vista  a  superveniência de legislação mais benéfica no que se refere à penalidade por descumprimento  de obrigação acessória, entendo que a penalidade deve ser reduzida para adequá­la ao art. 32­ A, caso seja mais benéfica ao contribuinte. Porém, nos casos em que a multa contida no auto de  infração  for  inferior  à  que  seria  aplicada  pelas  novas  regras,  não  há  que  se  falar  em  retroatividade.       Em relação a esse entendimento, a decisão de piso já se manifestou no sentido  de manter o valor da multa, nos seguintes termos:       Por derradeiro, tendo em vista que a Medida Provisória n° 449/2008, convertida  na  Lei  11.941/2009,  alterou  de  as  penalidades  aplicáveis  tanto  para  o  descumprimento  de  obrigações acessórias quanto de obrigações principais, é necessário que se faça, por previsão  do  artigo  106  do CTN,  a verificação  de  qual  legislação  é mais  benéfica  ao  contribuinte. No  caso, como a legislação superveniente prevê que o valor mínimo da multa é de R$ 500,00 por  competência (Art. 32­A, §3°, II da Lei 8.212/91, alterada pela MP 449/2008), conclui­se que a  penalidade aplicada pela fiscalização é a mais benéfica.       Todavia, deve ser ressaltado que tanto a presente autuação, quanto a prevista no  processo nº 16004.001260/2008­68, que antes eram isoladas, atualmente compõe uma mesma  hipótese de descumprimento de obrigação acessória, no denominado código de fundamentação  legal nº 78.       Para  fins  de  aplicação  da  retroatividade  benéfica,  se  deve  comparar  àquela  antiga multa por descumprimento de obrigação acessória (regrada na forma da anterior redação  do art. 32, inciso IV, § 4o ou §5o da Lei n° 8.212, de 1991), quando somada à multa aplicada  no  âmbito  do(s)  NFLD(s)  ou  AI(s)  de  obrigação  principal  conexo(s)  (regrada  na  forma  da  anterior redação do art. 35, inciso II da Lei n° 8.212, de 1991), a multa estabelecida pelo art.  44, da mesma Lei n° 9.430, de 1996, e atualmente aplicável quando dos lançamentos de ofício,  consoante disposto no art. 35­A, da Lei n° 8.212, de 1991.       Portanto, no presente caso, deve­se comparar  (i) o resultado da soma da multa  lançada  mediante  os  Autos  de  Infração  por  descumprimento  de  obrigação  acessória  relacionados  a  GFIP  e  a  multa  lançada  nos  autos  de  obrigação  principal  com  (ii)  a  multa  estabelecida pelo art. 35­A da Lei n° 8.112, de 1991, que remete ao art. 44 da Lei n° 9.430, de  1996, que é de 75%, prevalecendo a menor, que deverá ser verificada pela unidade preparadora  no momento do pagamento.   Conclusão      Diante  de  todo  o  exposto,  voto  por  conhecer  do  recurso  voluntário,  para,  no  mérito, negar­lhe provimento.  Daniel Melo Mendes Bezerra ­ Relator  Fl. 142DF CARF MF Processo nº 16004.001267/2008­80  Acórdão n.º 2201­003.612  S2­C2T1  Fl. 142          6                               Fl. 143DF CARF MF

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Numero do processo: 16682.720072/2010-65
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2005 NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO ESPECIAL. O conhecimento do recurso especial pressupõe a existência de acórdãos hábeis a evidenciar divergência de interpretação quanto à mesma matéria.
Numero da decisão: 9101-002.879
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em não conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que conheceram do recurso. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Cristiane Silva Costa. (assinatura digital) Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente em Exercício (assinatura digital) Luís Flávio Neto - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício), José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado em substituição aos impedimentos da conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio).
Nome do relator: LUIS FLAVIO NETO

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Acórdão nº  9101­002.879  –  1ª Turma   Sessão de  6 de junho de 2017  Matéria  Retificação de declarações fiscais.  Recorrente  BANCO NACIONAL S/A ­ EM LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL  Interessado  UNIÃO (FAZENDA NACIONAL)    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Ano­calendário: 2005  NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO ESPECIAL.  O  conhecimento  do  recurso  especial  pressupõe  a  existência  de  acórdãos  hábeis a evidenciar divergência de interpretação quanto à mesma matéria.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em não conhecer  do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo,  Daniele  Souto  Rodrigues  Amadio  e  Gerson  Macedo  Guerra,  que  conheceram  do  recurso.  Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Cristiane Silva Costa.    (assinatura digital)  Marcos Aurélio Pereira Valadão ­ Presidente em Exercício    (assinatura digital)  Luís Flávio Neto ­ Relator    Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego,  Cristiane  Silva Costa, André Mendes  de Moura,  Luís  Flávio Neto,  Rafael Vidal  de Araújo,  Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Marcos Aurélio  Pereira Valadão  (Presidente em Exercício), José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado em substituição  aos impedimentos da conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio).     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 00 72 /2 01 0- 65 Fl. 1986DF CARF MF     2 Relatório  Trata­se de  recurso especial  interposto por Banco Nacional S/A  (doravante  “contribuinte” ou “recorrente”), em face do acórdão n. 1101­00.756 (doravante “acórdão a  quo”  ou  “acórdão  recorrido”),  proferido  pela  1a  Turma  Ordinária  da  1a  Câmara  desta  1a  Seção (doravante “Turma a quo”).  O  recurso especial versa  sobre a  retificação de declaração  fiscal  em virtude  de  determinação,  emanada  por  órgão  regulador  e  fiscalizador  federal  das  instituições  financeiras  (BACEN) para  a  alteração  de  critérios  contábeis. O acórdão  recorrido,  citando o  relato do acórdão da DRJ, assim apresenta os fatos presentes neste caso (e­fls. 1.760):  "Registrou a Fiscalização que a Interessada não alterou a contabilidade, nem  as demonstrações financeiras de 2005, mas retificou a DIPJ para excluir, das  bases fiscais, parte do ajuste da dívida PROER efetuado em Junho/2006.  Entendeu a fiscalização que os efeitos do ajuste determinados pelo BACEN só  poderiam  afetar  os  resultados  do  próprio  período  ou  posteriores,  e  nunca  retroagir a 2005, uma vez que tratou o caso de mudanças de estimativas, sendo  que  o Banco Central  levou  todo  o  ajuste  dos  saldos  dos  créditos PROER ao  resultado de 2006.  Com  base  nestas  informações,  a  Fiscalização  entendeu  que  ocorreram  as  seguintes infrações:  Infração  001.  Glosa  de  prejuízos  compensados  indevidamente  pela  inobservância do limite de 30%.  Infração 002. Exclusões/compensações não autorizadas na apuração do lucro  real,  referentes  a  créditos  baixados  como  perdas  de  dedutibilidade  não  comprovada,  e  embutidos  no  valor  excluído  pela  contribuinte  a  título  de  "reversão de provisões" no LALUR, DIPJ ac 2005, Ficha 09­B, linha 22, e na  D1PJ ac 2006, Ficha 09­B, linha 21;  Infração 003. Exclusões/compensações não autorizadas na apuração do lucro  real por meio de  juros produzidos por NTN­A3, não beneficiados pela  lei  de  isenção, gerando a redução indevida do Lucro Real, conforme LALUR; D1PJ  AC 2005, Ficha 09­B, linha 32; e DIPJ AC 2006, Ficha 09­B, linha 31;  Infração  004.  Exclusões/compensações  não  autorizadas  pela  legislação  do  imposto de renda, de valores do lucro liquido do exercício. Valor identificado  como parte do ajuste de divida PROER efetuado em Junho/2006, cujo efeito a  Interessada pretendeu trazer para o resultado fiscal de 2005 (LALUR e DIPJ  AC 2005, Ficha 09­B, linha 33)."  A 8ª Turma da DRJ/RJ1,  julgou a  impugnação administrativa integralmente  improcedente (e­fls. 1.584 e seg.). A decisão restou assim ementada:  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2004  COMPENSAÇÃO  DE  PREJUÍZOS  FISCAIS  E  BASE  DE  CÁLCULO  NEGATIVA. LIMITE. 30%.  A limitação de 30% do  lucro  líquido ajustado para compensação de prejuízos  fiscais  e  base  de  cálculo  negativa  não  excepciona  a  entidade  em  fase  de  liquidação extrajudicial.  INSTITUIÇÕES  FINANCEIRAS.  REGIME  DE  LIQUIDAÇÃO  EXTRAJUDICIAL. NORMAS APLICÁVEIS.  As  instituições  financeiras  submetidas  a  regime  de  liquidação  extrajudicial  sujeitam­se às mesmas normas da legislação tributária aplicáveis às instituições  ativas, relativamente aos impostos e contribuições administrados pela Secretaria  da Receita Federal.  JUROS DE NOTAS DO TESOURO NACIONAL. ISENÇÃO.  Fl. 1987DF CARF MF Processo nº 16682.720072/2010­65  Acórdão n.º 9101­002.879  CSRF­T1  Fl. 1.987          3 A  isenção  dirigida  aos  juros  produzidos  por  Notas  do  Tesouro  Nacional,  (NTN), prevista no artigo 4º da Lei nº 10.179, de 2001, aplica­se apenas às da  série A, sub­série 1 ­ NTN­A1.   Lei nº 10.179, de 2001, artigos 1º a 4º. e Decreto nº. 3.540, de 2000, artigos 6º e  7º, combinados com CTN, artigo 111, inciso II.  PROVISÃO. REVERSÃO. EXCLUSÃO.  A reversão de uma provisão que, quando da sua constituição, foi adicionada ao  lucro  real  (oferecida à  tributação),  somente não constituirá  receita passível de  tributação, se forem cumpridos os  requisitos do artigo 9º., da Lei nº.9.430, de  1996.  Impugnação Improcedente  Crédito Tributário Mantido.    Nesse seguir, foi interposto recurso voluntário pelo contribuinte (e­fls. 1611 e  seg.), ao qual foi dado provimento parcial pela Turma a quo, “para excluir da base imponível  dos  lançamentos  de  IRPJ  e CSLL no  ano­calendário  2005  a  parcela  de R$ 287.779,22,  bem  como exonerar as exigências de IRPJ e CSLL relativas ao ano­calendário 2006” (e­fls. 1.754 e  seg.). O acórdão recorrido restou assim ementado:    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­  IRPJ  Ano­calendário: 2005, 2006  CONEXÃO.  Não  sendo  mais  possível  a  reunido  dos  processos  conexos,  para julgamento conjunto, os efeitos da conexão são determinados em razão  das infrações verificadas. REITERAÇÃO DE CONDUTA EM PERÍODOS  DE  APURAÇÃO  POSTERIORES.  FATO  JURÍDICO  TRIBUTÁRIO  SUBMETIDO A NOVA ANALISE DA AUTORIDADE  LANÇADORA.  APRECIAÇÃO  INDEPENDENTE DO LITÍGIO. A  reiteração de conduta  em  mais  de  um  período  de  apuração  não  dispensa  a  apreciação  dos  contornos próprios da infração verificada no período autuado. Os efeitos de  um  mesmo  fato  jurídico  tributário  exigem  apreciação  especifica  no  contencioso  administrativo  tributário  se  outra  foi  a  motivação  fiscal  para  exigência do crédito tributário dele decorrente.  MUDANÇA  DE  ESTIMATIVA  CONTÁBIL.  RETIFICAÇÃO  DE  DIPJ  EM  PERÍODO  ANTERIOR.  IMPOSSIBILIDADE.  A  mudança  de  estimativa  contábil  não  consiste  em  retificação  de  erro,  e  não  autoriza  o  reconhecimento de seus efeitos tributários em períodos anteriores, mediante  ajustes  ao  lucro  real  veiculados  em  retificação  da DIPJ.  LANÇAMENTO  QUE TAMBÉM ALCANÇA PERÍODO NO QUAL É CONTABILIZADO  0  AJUSTE.  FALTA  DE  CERTEZA  E  LIQUIDEZ  DO  CRÉDITO  TRIBUTÁRIO.  Não  subsiste  o  lançamento  decorrente  de  outras  infrações  no  ano­calendário  em  que  promovido  o  ajuste  contábil  que  ensejou  a  exclusão  glosada  em  período  anterior,  quando  ausente  motivação  que  inviabilize a dedução do ajuste no período em que contabilizado.  PERDAS  NO  RECEBIMENTO  DE  CRÉDITOS.  Correta  a  glosa  das  parcelas que a autoridade lançadora demonstrou corresponder à exclusão de  perdas da base tributável não suportada pelas provas exigidas na legislação  tributária, mas não subsiste a exigência no ano­calendário 2006, em razão da  falta de certeza e liquidez decorrente dos ajustes por mudança de estimativa  contábil.  COMPENSAÇÃO  DE  PREJUÍZOS  FISCAIS.  LIMITE  DE  30%  DO  LUCRO LÍQUIDO AJUSTADO. A limitação de 30% do lucro liquido  Fl. 1988DF CARF MF     4 ajustado, para compensação de prejuízos fiscais, não excepciona a entidade  em fase de liquidação extrajudicial. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS.  REGIME  DE  LIQUIDAÇÃO  EXTRAJUDICIAL.  NORMAS  APLICÁVEIS.  As  instituições  financeiras  submetidas  a  regime  de  liquidação  extrajudicial  se  sujeitam  as  mesmas  normas  da  legislação  tributária  aplicáveis  às  instituições  ativas,  relativamente  aos  impostos  e  as  contribuições administrados pela Receita Federal do Brasil.  INFLUÊNCIA  DE  OUTRA  INFRAÇÃO  IMPUTADA  NO  MESMO  LANÇAMENTO.  Improcedente  a  exigência  no  ano­calendário  2006,  em  razão  da  falta  de  certeza  e  liquidez  decorrente  dos  ajustes  por  mudança  de  estimativa  contábil.  JUROS DE NOTAS DO TESOURO NACIONAL.  ISENÇÃO. A  isenção  dirigida  aos  juros  produzidos  por  Notas  do  Tesouro  Nacional  (NTN),  prevista  no  artigo  4°  da Lei  n°  10.179/01,  aplica­se  apenas  as  da  série A  subsérie 1  ­ NTN ­ Al. LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL. APLICAÇÃO  DE  MULTA  DE  OFÍCIO.  MULTA  DE  OFÍCIO.  POSSIBILIDADE.  A  questão  sobre  a  exigibilidade  ou  não  da multa  de oficio  das  empresas  em  regime  de  liquidação  extrajudicial  deve  ser  tratada  somente  na  fase  de  execução e no foro competente, até mesmo porque a situação de liquidação  extrajudicial ou falência pode ser cessada antes da realização da execução.  JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A partir de 1° de abril de 1995, os juros  moratórios  incidentes  sobre  débitos  tributários  administrados  pela  Receita  Federal  do  Brasil  são  devidos,  no  período  de  inadimplência,  a  taxa  referencial  do  Sistema  Especial  de  Liquidação  e  Custódia  ­  SELIC  para  títulos federais.  A PFN interpôs embargos de declarações (e­fls. 1.789 e seg.), os quais foram  rejeitados.   O  contribuinte  interpôs  recurso  especial,  arguindo  divergência  de  interpretação  quanto  à  validade  das  retificações  de  anos  anteriores  em  virtude  de  suposta  determinação do órgão regulador e fiscalizador federal das instituições financeiras ­ BANCEN  (e­fls. 1.847 e seg.)  O  recurso  especial  foi  integralmente  admitido  por  despacho  (e­fls.  1.959  e  seg.). Em breve síntese, em seu recurso, alega o contribuinte:  ­ O acórdão recorrido teria considerado ilegítima a retificação apenas quanto ao  ano de 2005 (ano pretérito), sendo considerado legítimo em 2006. Tal decisão  teria justificativa no fato de que, por se tratar de critério contábil, não poderia  retroagir  para  períodos  pretéritos.  Este  posicionamento  divergiria  de  outras  decisões,  em  que  permitiu­se  tal  retificação.  “Devido  à  obrigação  superveniente,  torna­se  possível  e  devida  a  retificação  da  declaração  de  rendimentos para adequar os fatos à realidade” (e­fls. 1859).   Cientificada,  a  PFN  apresentou  contrarrazões  ao  recurso  especial  do  contribuinte (e­fls. 1.965 e seg.), argumentando, em breve síntese, que:  ­  Há  oposição  ao  conhecimento  do  recurso  do  contribuinte.  Não  haveria  similitude  com  os  paradigmas  n.  1302­000.596  e  1302­000.597,  pois,  enquanto  estes  analisam  a  possibilidade  de  apresentação  de  declaração  de  retificadora, o presente processo analisaria os efeitos da revisão dos critérios  contábeis.    ­ “Como se observa, as normas contábeis determinam que o reconhecimento  da  mudança  de  estimativa  afeta  os  resultados  do  próprio  período  ou  Fl. 1989DF CARF MF Processo nº 16682.720072/2010­65  Acórdão n.º 9101­002.879  CSRF­T1  Fl. 1.988          5 posteriores,  e  nunca  retroagem  a  períodos  anteriores,  justamente  por  não  serem retificações de erros, conforme vimos acima” (e­fls. 1.972).  Conclui­se, com isso, o relatório.  Voto             Conselheiro Luís Flávio Neto, Relator  A  PFN  se  opõe  ao  conhecimento  do  recurso  especial,  pois  não  haveria  similitude  com  os  paradigmas  n.  1302­000.596  e  1302­000.597.  Enquanto  estes  teriam  analisado  puramente  a  possibilidade  de  apresentação  de  declaração  de  retificadora  (sem  adentrar no mérito da retificação), o acórdão recorrido teria analisado justamente o mérito da  retificação.  No caso, ambos os acórdãos indicados como paradigmas (sequenciais e com  mesma redação) consignam expressamente:  "Nota­se  que  o  litígio  de  restringe  à  admissibilidade  do  envio  de  declaração  retificadora, vez que a autoridade fiscal não questionou o mérito da retificação  que levou à exclusão procedida naquela declaração retificadora."  O  tema  central  dos  acórdão  paradigmas,  portanto,  é  a  possibilidade  do  contribuinte  retificar  declarações  anteriores.  Partindo­se  da premissa que  o  contribuinte  teria  justificativas para rever os seus exercícios anteriores, discutiu­se a possibilidade de retificação  das declarações fiscais.  Por  sua  vez,  no  acórdão  recorrido,  a  i.  Conselheira Relatora  consigna  que,  diversamente,  a  matéria  sob  julgamento  constitui  o  próprio  mérito  retificação,  ou  seja,  a  necessidade desta ser realizada. Para tanto, o acórdão restou fundamentado em extensa análise  dos  novos  critérios  contábeis  determinados  pelo  BACEN,  concluindo  eficácia  prospectiva  destes. Ainda que possível a  retificação de declarações anteriores, da ordem do BACEN não  decorreria a necessidade da revisão dos critérios contábeis adotados no passado.  Nesse  cenário,  compreendo  que  os  acórdãos  paradigmas  não  evidenciam  divergência de interpretação quanto à mesma matéria.  Voto, portanto, por NÃO CONHECER o recurso especial.    (assinatura digital)  Luís Flávio Neto              Declaração de Voto  Fl. 1990DF CARF MF     6 Conselheira Cristiane Silva Costa  Com a devida vênia, divirjo do entendimento do Ilustre Relator, para concluir  pelo conhecimento do recurso especial. Isto porque o caso ora analisado trata de fatos similares  aos do acórdão nº 1302­00596.  Extrai­se do Termo de Verificação Fiscal que acompanha o Auto de Infração  no presente processo administrativo:  Limitamos  nossa  análise  aos  períodos  objeto  do  presente  procedimento  fiscal,  os  anos  de  2005  e  2006.  Veremos  que  o  contribuinte não alterou a contabilidade, nem as demonstrações  financeiras  de  2005,  mas  retificou  a  DIPJ  para  excluir,  das  bases  fiscais,  parte  do  ajuste  da  dívida  PROER  efetuado  em  Junho/2006. (...)  Vejamos  agora  o  procedimento  adotado  pela  contribuinte,  o  BANCO NACIONAL. O NACIONAL, na condição de devedor de  obrigações  contraídas  no  PROER,  ajustou  os  saldos  destas  obrigações em sua contabilidade, em Junho de 2006. (...)  Contudo,  o  BANCO  NACIONAL  pretendeu,  por  meio  de  retificação  de  DIPJ,  levar  o  efeito  destas  alterações  aos  resultados fiscais de anos anteriores. (...)  Entendemos que não há suporte para a exclusão pretendida no  ano­calendário  de  2005.  A  contabilidade  de  2005  reflete  as  despesas  com  encargos  PROER  calculadas  pela  sistemática  então  vigente,  em  perfeito  paralelo  com  a  contabilidade  do  credor destas obrigações ­ o BANCO CENTRAL.  Em  Junho  de  2006,  o  BANCO  CENTRAL  anunciou  uma  mudança  de  estimativa  contábil,  derivada  da  necessidade  de  adequar os saldos dos créditos PROER, a receber de instituições  em liquidação, à nova legislação de Falências. Como resultado,  os  saldos  foram ajustados, primeiro registrando­se os encargos  calculados pelas taxas contratuais, e em seguida, promovendo­se  o  acerto  a  valor  justo  (valor  de  mercado  /  realização  das  garantias). O BANCO CENTRAL levou as contrapartidas destes  ajuste inteiramente ao resultado de Junho de 2006. Vale lembrar  que, a teor do Pronunciamento Técnico CPC 23, que traz para o  âmbito nacional a Norma  Internacional de Contabilidade 8,  os  efeitos  das  mudanças  de  estimativas  só  se  produzem  sobre  o  resultado do período em que efetuadas ou naquele e seguintes.  Consideramos que as  liquidandas devedoras das obrigações do  PROER, entre estas o NACIONAL, não podem dar ao ajuste da  dívida PROER  tratametno  diverso  daquele  adotado pelo  órgão  regulador, e também pelo seu credor, o BANCO CENTRAL.  Pelos  motivos  expostos,  efetuamos  a  glosa  da  exclusão  informada na DIPJ retificadora, Ficha 09­B, linha 33.  O  acórdão  recorrido  contem  em  sua  ementa  a  seguinte  síntese  do  quanto  decidido a respeito da possibilidade de retificação de DIPJ:  MUDANÇA DE ESTIMATIVA CONTÁBIL. RETIFICAÇÃO DE  DIPJ  EM  PERÍODO  ANTERIOR.  IMPOSSIBILIDADE.  A  Fl. 1991DF CARF MF Processo nº 16682.720072/2010­65  Acórdão n.º 9101­002.879  CSRF­T1  Fl. 1.989          7 mudança  de  estimativa  contábil  não  consiste  em  retificação  de  erro, e não autoriza o reconhecimento de seus efeitos tributários  em  períodos  anteriores,  mediante  ajustes  ao  lucro  real  veiculados em retificação da DIPJ.   Para melhor elucidar a orientação da Turma a quo trago à colação trecho do  voto condutor, de lavra da ex­Conselheira Edeli Pereira Bessa, no que foi acompanhada pelo  Colegiado:  Em que pese o extenso trabalho fiscal na busca do conteúdo do  ajuste procedido e das normas que regem o seu registro contábil,  a recorrente dirige boa parte de seus argumentos no sentido do  reconhecimento  da  validade  da  retificação  de  declaração  de  rendimentos antes do lançamento de oficio. Defende a busca da  verdade  material,  mas  olvida  que  o  lucro  real  e  a  base  de  calculo  da  CSLL  são  apurados  mediantes  ajustes  (adições,  exclusões e compensações) ao lucro liquido contábil, inexistindo  outros parâmetros, para além dos fixados na legislação contábil  e  fiscal,  para  determinação  da  real  situação  patrimonial  do  sujeito passivo.  Relevante,  portanto,  para  decidir  a  questão  aqui  presente  é  identificar  em  que momento  a  legislação  permite  o  registro  do  ajuste realizado pela contribuinte. Defende a interessada que se  trata,  aqui,  de  critério  de  apuração  que  foi  aplicado  de  forma  errada,  gerando  saldo  a  menor  de  prejuízo  fiscal  no  ano­ calendário  de  2005,  ao  passo  que  a  autoridade  lançadora  entende  que  os  efeitos  de  mudança  de  estimativa  não  se  caracterizam  como  erro  e  não  afetam  a  apuração  de  períodos  anteriores.  A interessada destaca o disposto no §1 ° do art. 186 da Lei n°  6.404/76: (...)  E  entende  que  a  revisão  de  cálculos  promovida  pelo  BACEN  impôs  a  retificação  das  informações  prestadas  ao  Fisco,  admitida no art. 832 do RIR/99:   Art.  832.  A  autoridade  administrativa  poderá  autorizar  a  retificação da declaração de rendimentos, quando comprovado  erro nela contido, desde que sem interrupção do pagamento do  saldo do imposto e antes de iniciado o processo de lançamento  de ofício (Decreto­Lei n° 1.967, de 1982, art. 21, e Decreto­Lei  n° 1.968, de 23 de novembro de 1982, art. 6°).  Parágrafo  único.  A  retificação  prevista  neste  artigo  será  feita  por  processo  sumário,  mediante  a  apresentação  de  nova  declaração  de  rendimentos,  mantidos  os  mesmos  prazos  de  vencimento do imposto.  O  art.  832  do  RIR/99  trata  de  erro  no  preenchimento  da  declaração  de  rendimentos,  ou  seja,  na  hipótese  de  a  pessoa  jurídica,  tributada com base no  lucro real, prestar  informações  em  descompasso  com  a  contabilidade  ou  com  os  ajustes  escriturados no LALUR. (...)  Fl. 1992DF CARF MF     8 Assim,  em  caso  de  erro  ou  de  inobservância  do  regime  de  competência,  admite­se  a  retificação  da  declaração  de  rendimentos  pertinente  ao  período  afetado,  e  a  adição  ou  exclusão do valor correspondente na apuração do lucro real.   A  lei  societária,  por  sua  vez,  sempre  remete  para  a  conta  de  Lucros  ou  Prejuízos  Acumulados  estes  ajustes  de  exercícios  anteriores, de modo a não influenciar o resultado do período em  curso. Contudo, limita estes registros às hipóteses de retificação  de erro e mudança de critério contábil.  Ocorre que a mudança na estimativa contábil, representa apenas  a adoção de novos referenciais para registros contábeis, e não a  retificação  de  um  erro  passado.  Significa  dizer,  tão  só,  que  a  entidade  reconhecia  fatos  contábeis  mediante  determinados  critérios,  e  passou  a  se  conduzir  de  outra  forma, que  entendeu  mais  adequada.  Consoante  as  lições  de  Sérgio  de  Iudicibus  et  alli  (in  Manual  de  Contabilidade  das  Sociedades  por  Ações,  Editora Atlas, 6ª  edição, São Paulo: 2003, p.  371),  somente há  erro quando a empresa tinha os dados e as condições para fazer  o certo e não o fez.  Neste sentido também, o Pronunciamento Técnico do Comitê de  Pronunciamentos Contábeis n° 23, que faz a correlação com as  Normas  Internacionais  de Contabilidade —  IAS  8,  deixa  claro  em  suas  definições  que  a  mudança  na  estimativa  contábil  não  representa retificação de erro. (grifamos)  Percebe­se,  assim,  que  o  acórdão  recorrido  funda­se  na  interpretação  do  artigo 832, do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto 3.000/1999), analisando o que é o  erro  em  declaração  de  rendimentos  que  justifique  a  retificação  desta  declaração.  De  fato,  a  Turma a quo ultrapassa esta definição para analisar cada documento da parte  ­ o que não há  que  se  fazer  em  fase  de  análise  de  conhecimento  do  recurso  especial.  No  entanto,  repiso,  a  análise documental parte da premissa fixada pela Turma a quo da  interpretação conferida ao  artigo 832, colacionado expressamente no voto da ex­Conselheira Relatora Edeli.  Com efeito, a legitimidade de retificação de declaração foi questionada pela  Receita Federal com fundamento no artigo 832, acima referido. A possibilidade de retificação é  também  tratada  pelo  artigo  147,  do Código  Tributário Nacional,  expressamente mencionado  pelo acórdão paradigma. Prevê o artigo 147, verbis:  Art.  147. O  lançamento  é  efetuado com base na declaração do  sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da  legislação  tributária,  presta  à  autoridade  administrativa  informações  sobre  matéria  de  fato,  indispensáveis  à  sua  efetivação.  §  1º  A  retificação  da  declaração  por  iniciativa  do  próprio  declarante,  quando  vise  a  reduzir  ou  a  excluir  tributo,  só  é  admissível  mediante  comprovação  do  erro  em  que  se  funde,  e  antes de notificado o lançamento.  § 2º Os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame  serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a que  competir a revisão daquela.  Fl. 1993DF CARF MF Processo nº 16682.720072/2010­65  Acórdão n.º 9101­002.879  CSRF­T1  Fl. 1.990          9 Pois  bem.  A  Recorrente  indicou  dois  acórdãos  paradigmas:  1302­00596  e  1302­00597.  Analisarei  o  primeiro  destes  acórdãos,  que  me  parece  suficiente  para  o  conhecimento do recurso especial.  O  acórdão  paradigma  nº  1302­00596,  proferido  nos  autos  do  processo  administrativo  nº  19740.000006/2008­15  trata  da  seguinte  situação  de  fato,  descrita  em  seu  relatório (cópia acompanha o recurso especial):  Por  bem  descrever  os  fatos  ocorridos,  adoto  o  relatório  da  DRJ/RJO (...)   Além disso, a fiscalização verificou divergência entre os valores  declarados  na  sua  DIPJ/2005  e  no  Lalur,  tendo  em  vista  o  interessado ter apresentado uma retificação naquela declaração,  na  qual  levou  em  conta  uma  alteração  de  entendimento  determinada  pelo  Bacen  quanto  á  forma  de  remuneração  dos  empréstimos do Proer de que era detentor. Como consequencia  deste ajuste, houve uma exclusão indevida da base de cálculo do  lucro real do ano­calendário de 2004.  Neste caso, a fiscalização negou a possibilidade de o interessado  retificar  a  sua  declaração  para  aumentar  o  seu  prejuízo  fiscal  acumulado,  tornando­o  maior  que  o  declarado  originalmente,  pois  considerou  que  não  houve  erro  no  preechimento  da  declaração original, que na época em que foi feita obedeceu aos  critérios então vigentes, não sendo permitida a retificação para  aumentar prejuízos fiscais compensáveis.(grifo nosso)  Diante  do  quadro  fático  acima  referido,  o  acórdão  paradigma  nº  1302­ 00596 decidiu pela aplicação da lei tributária da forma seguinte:  A fiscalização concluiu indevida a retificação da declaração do  recorrente porque,  segundo entendeu, não  ficou demonstrado o  erro  necessário  para  legitimá­la,  nos  termos  do  artigo  147  do  CTN. Entende que o erro deve ser grosseiro, não bastando para  caracterizá­lo a produção de valores incorretos devido à falta de  informação  que  sobrevenha  ulteriormente,  para  garantir  a  precisão do recálculo. (...)  O acórdão da DRJ considerou improcedente a exação porquanto  entendeu  que  a  retificação  promovida  pelo  recorrente,  que  motivou o lançamento, é acertada, já que não é mais necesssária  manifestação prévia da RFB à entrega da declaração, porque a  declaração foi processada e aceita, porque foi prestada antes de  procedimento fiscal, e porque foi motivada com base em decisão  prolatada  pelo  órgão  regulador  federal  das  instituições  financeiras.  Adiciono  a  tais  argumentos,  com  os  quais  concordo,  que  a  autuação baseada no art. 147 é anacrônica, e não se aplica ao  caso,  considerando­se  que  o  referido  artigo  se  destina  aos  lançamentos  por  declaração,  situação  que  não  se  verifica  no  caso do IRPJ e da CSLL, em que a contribuição do contribuinte  é  máxima,  devendo  apurar  referidos  tributos,  lançá­los  devidamente na contabilidade, efetuar e prestar a declaração de  Fl. 1994DF CARF MF     10 rendimentos  e  a  DCTF,  e  os  recolher  no  prazo  legal,  aguardando mera homologação tácita ou expressa.  Percebe­se que tanto o acórdão paradigma acima citado quanto o acórdão  recorrido  tratam  de  situações  fáticas  similares,  quais  sejam,  retificação  de  declaração  de  rendimentos decorrente de alteração de entendimento determinada pelo Bacen quanto à forma  de  remuneração  dos  empréstimos  do  Proer.  Em  ambos  os  casos,  a  fiscalização  entendeu  indevida  a  retificação.  É  sempre  bom  lembrar  que  se  busca  a  similitude  entre  os  casos,  não  identidade.  Em  análise  da  lei  tributária,  concluiu  a  Turma  julgadora  do  acórdão  recorrido  que  a  alteração  de  entendimento  do  Bacen  não  configuraria  erro  para  justificar  a  retificação  de  declaração  de  rendimentos,  com  a  aplicação  do  artigo  832,  do  RIR/1999.  A  possibilidade de retificação de declaração é tratada tanto pelo artigo 832, do RIR, como pelo  artigo 147, do CTN. A Turma  julgadora do acórdão paradigma, por outro  lado,  interpretou a  legislação tributária de forma distinta, concluindo pelo cancelamento do auto de infração.   Sem  adentrar  o  mérito  (da  existência  ou  não  de  erro  nos  casos  relatados,  bastante  similares,  ou mesmo  da  aplicabilidade  ou  não  dos  artigos  147,  do  CTN  e  832,  do  RIR),  vislumbro  nítida  divergência  na  interpretação  da  lei  tributária,  que  justifica  o  conhecimento  do  recurso  especial  e  o  pronunciamento  desta  Turma  da  Câmara  Superior  de  Recursos Fiscais.  Nesse  panorama,  voto  pelo  conhecimento  do  recurso  especial,  diante  da  similitude  entre  os  fatos  descritos  nos  presentes  autos  e  aqueles  mencionados  pelo  acórdão  paradigma, como também pela evidente divergência na interpretação da lei tributária.    (assinado digitalmente)  Cristiane Silva Costa      Fl. 1995DF CARF MF

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Numero do processo: 10516.720018/2012-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II Período de apuração: 01/01/2008 a 31/05/2012 SUBFATURAMENTO. PROVAS DA OCORRÊNCIA DOS FATOS RELATADOS PELA FISCALIZAÇÃO. Como se depreende do detalhado relatório fiscal, para cada uma das operações de importação abrangidas, foram cruzados os dados encontrados nas planilhas e documentos apreendidos na sede do contribuinte. De acordo com o novo Código de Processo Civil, art. 373, de aplicação subsidiária ao processo administrativo, conforme determina o seu art.15, o ônus probatório assume feição dinâmica, em função do caso concreto. In casu, a Recorrente dispõe de melhores condições para o esclarecimento referentes aos documentos que ela mesma produziu, por conseguinte, não restando qualquer fundamento para que afirme a sua imprestabilidade. MULTA POR SUBFATURAMENTO. MULTA POR CONVERSÃO DO PERDIMENTO. De acordo com o Decreto n. 8.010/2013, em casos de aplicação de perdimento da mercadoria ou a multa por conversão aos casos caracterizados como de subfaturamento, afasta-se a multa administrativa de cem por cento sobre a diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado na importação ou entre o preço declarado. COFINS E PIS/PASEP IMPORTAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DA PARTE FINAL DO INCISO I DO ARTIGO 7º DA LEI Nº 10.865/2004. O Supremo Tribunal Federal, no julgamento do Recurso Extraordinário nº 559.007, ao qual foi aplicado o regime da repercussão geral, declarou a inconstitucionalidade da parte final do inciso I do artigo 7º da Lei nº 10.865, de 30/04/2004, tendo afastado da norma, consequentemente, o alargamento do conceito de valor aduaneiro, delineado no Acordo de Valoração Aduaneira, da Organização Mundial do Comércio, incorporado à ordem jurídica brasileira.
Numero da decisão: 3201-002.831
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, para afastar a multa de 100% referente ao subfaturamento e parcialmente o PIS-Importação e Cofins-Importação, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira – Presidente (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo- Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Mercia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO

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3201­002.831  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  22 de maio de 2017  Matéria  MULTAS ADUANEIRAS   Recorrente  FILM IN COMÉRCIO DE PELÍCULAS LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO ­ II  Período de apuração: 01/01/2008 a 31/05/2012  SUBFATURAMENTO.  PROVAS  DA  OCORRÊNCIA  DOS  FATOS  RELATADOS PELA FISCALIZAÇÃO.  Como  se  depreende  do  detalhado  relatório  fiscal,  para  cada  uma  das  operações  de  importação  abrangidas,  foram  cruzados  os  dados  encontrados  nas planilhas e documentos apreendidos na sede do contribuinte.   De  acordo  com  o  novo  Código  de  Processo  Civil,  art.  373,  de  aplicação  subsidiária  ao  processo  administrativo,  conforme  determina  o  seu  art.15,  o  ônus  probatório  assume  feição  dinâmica,  em  função  do  caso  concreto.  In  casu,  a  Recorrente  dispõe  de  melhores  condições  para  o  esclarecimento  referentes  aos  documentos  que  ela  mesma  produziu,  por  conseguinte,  não  restando qualquer fundamento para que afirme a sua imprestabilidade.  MULTA  POR  SUBFATURAMENTO.  MULTA  POR  CONVERSÃO  DO  PERDIMENTO.  De  acordo  com  o  Decreto  n.  8.010/2013,  em  casos  de  aplicação  de  perdimento da mercadoria ou a multa por conversão aos casos caracterizados  como de subfaturamento, afasta­se a multa administrativa de cem por cento  sobre a diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado na  importação ou entre o preço declarado.   COFINS  E  PIS/PASEP  IMPORTAÇÃO.  BASE  DE  CÁLCULO.  INCONSTITUCIONALIDADE  DA  PARTE  FINAL  DO  INCISO  I  DO  ARTIGO 7º DA LEI Nº 10.865/2004.   O  Supremo  Tribunal  Federal,  no  julgamento  do  Recurso  Extraordinário  nº  559.007,  ao  qual  foi  aplicado  o  regime  da  repercussão  geral,  declarou  a  inconstitucionalidade da parte final do inciso I do artigo 7º da Lei nº 10.865,  de  30/04/2004,  tendo  afastado  da norma,  consequentemente,  o  alargamento  do  conceito  de  valor  aduaneiro,  delineado  no  Acordo  de  Valoração     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 6. 72 00 18 /2 01 2- 17 Fl. 1885DF CARF MF     2 Aduaneira,  da  Organização  Mundial  do  Comércio,  incorporado  à  ordem  jurídica brasileira.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  parcial  provimento  ao  recurso  voluntário,  para  afastar  a  multa  de  100%  referente  ao  subfaturamento e parcialmente o PIS­Importação e Cofins­Importação, nos termos do voto da  Relatora.    (assinado digitalmente)  Winderley Morais Pereira – Presidente  (assinado digitalmente)  Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo­ Relatora  Participaram  da  sessão  de  julgamento,  os  Conselheiros: Winderley  Morais  Pereira  (Presidente),  Paulo  Roberto  Duarte  Moreira,  Marcelo  Giovani  Vieira,  Tatiana  Josefovicz  Belisario,  Mercia  Helena  Trajano  Damorim,  Ana  Clarissa  Masuko  dos  Santos  Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.  Relatório  Refere­se  o  presente  processo  administrativo  a  auto  de  infração  para  a  cobrança de tributos incidentes sobre a importação, com multa qualificada, e multa prevista no  artigo 23, §3º, do Decreto­lei nº 1.455/1976.  Para bem relatar os fatos, transcreve­se o relatório da decisão proferida pela  autoridade a quo:  Trata  o  presente  processo  de  Auto  de  Infração  lavrado  em  decorrência  da  caracterização  da  prática  de  subfaturamento  e  ocultação  do  real  adquirente,  relativamente  às Declarações  de  Importação (DI) relacionadas na peça impositiva, registradas no  período  entre  22/08/2008  a  04/04/2012,  perfazendo  o  valor  do  crédito tributário exigido R$ 8.403.011,93.   Segundo  Relatório Fiscal  (fls.  1.346/1.406),  no  ano  de  2009,  o  Departamento  de  Polícia  Federal  (DPF)  realizou  a  operação  "HÉRCULES",  que  identificou  condutas  criminosas  contra  o  sistema financeiro nacional, praticadas de forma contumaz pelos  responsáveis  por  duas  casas  de  câmbio  de  Porto  Alegre,  bem  como  por muitos  de  seus  clientes.  Por meio  desse Relatório,  a  Receita  Federal  do  Brasil  (RFB)  identificou  integrantes  de  várias  sociedades  empresárias  importadoras  que  cometeram  ilícitos contra o sistema financeiro nacional, ordenando o envio  de  divisas  ao  exterior  à  margem  do  sistema  oficial  de  câmbio  brasileiro.   Fl. 1886DF CARF MF Processo nº 10516.720018/2012­17  Acórdão n.º 3201­002.831  S3­C2T1  Fl. 94          3 A  fim  de  apurar  a  participação  de  tais  pessoas  em  fraudes  no  comércio  exterior,  foi  deflagrada,  em  novembro  de  2011,  operação  conjunta  do  DPF  e  da  RFB,  chamada  "HERÁCLIDAS". Por meio dessa operação,  foram apreendidos  diversos documentos  e arquivos magnéticos no  estabelecimento  da autuada, em cumprimento ao Mandado de Busca e Apreensão  (MBA) n° 7343732 (fl. 851). A análise desses documentos levou  a  fiscalização  a  constatar  a  existência  de  provas  de  subfaturamento,  ocultação  do  real  adquirente  das mercadorias  importadas, por meio de interposição fraudulenta de terceiros, e  evasão de divisas.   Sobre  os  meios  de  prova  utilizados,  o  fisco  observa  que  apresentar  cópia  de  todos  os  documentos  relativos  aos  fatos  afirmados  seria  uma  repetição  desnecessária  e  maçante.  Facilmente  o  leitor  identificará  em  um  e­mail,  por  exemplo,  quem  efetuava  os  pedidos  de  importação,  a  pessoa  que  representava  o  exportador  estrangeiro,  o  subfaturamento  dos  preços declarados, o envio de documentos falsos fabricados pelo  exportador  para  serem  utilizados  no  despacho  de  importação  das mercadorias estrangeiras, pagamentos efetuados ao exterior  de forma ilícita, etc.   Quanto ao modus operandi  da  empresa,  esclarece que a FILM  IN  COMÉRCIO  DE  PELÍCULAS  LTDA.  ME  (doravante  denominada  FILM  IN),  importa  e  comercializa  filmes  de  controle  solar,  tanto  para  o  ramo  automotivo  como  para  o  de  arquitetura,  bem  como  ferramental  próprio  para  aplicação  desses filmes. Atualmente tem como único proprietário VANDRÉ  RICARDO  KESTERKE,  CPF  694.113.280­91,  mas  VALDIR  OLIVEIRA, CPF 012.378.020­91, foi sócio de VANDRÉ desde a  abertura  da  sociedade  (15/08/2002)  até  o  dia  16/04/2012  (fl.  863).   VANDRÉ era quem negociava com o exterior,  tanto no que diz  respeito  às  encomendas  quanto  aos  pagamentos.  De  trinta  operações  efetuadas,  vinte  e  nove  tiveram  como  exportador  estrangeiro a OCEANBORN ENTERPRISE INC, domiciliada em  Miami, Flórida, nos Estados Unidos da América. VANDRÉ fazia  pedidos  diretamente  a  ELI  JORGE  RAFAEL  DA  SILVA,  CPF  163.207.609­82,  vice­presidente  da  empresa.  O  presidente  era  RICARDO  HAGGI  SILVA,  CPF  006.628.039­73,  e  AISSAR  CURI  RAFAEL  DA  SILVA,  CPF  366.199.579­00,  seu  gerente  comercial (fls. 864, 874, 880 a 886).   Em  apenas  uma  operação  de  importação,  o  exportador  foi  a  COMQUEST  CORPORATION.  Nesta  operação,  o  pedido  foi  feito por VANDRÉ a FABIANO OLIVEIRA,  também brasileiro,  mas domiciliado em Orlando, na Flórida, EUA (fls. 887 e 888).  FABIANO  também  intermediou  algumas  importações  da  FILM  IN do exportador OCEANBORN.   Quanto  aos  pagamentos  ao  exterior,  o  fisco  relata  que  o  pagamento  total de cada  importação compreendia duas ou  três  parcelas:  uma  parcela  relativa  ao  valor  do  fechamento  de  Fl. 1887DF CARF MF     4 câmbio  da  respectiva  DI;  mais  uma  ou  duas  parcelas  correspondentes  à  diferença  entre  o  preço  total  a  pagar  e  o  preço total declarado na DI. As parcelas relativas ao fechamento  dos contratos de câmbio sempre estiveram a cargo do escritório  da  GRACO  CORRETORA  DE  CÂMBIO  S.A.,  CNPJ  65.982.589/0001­16, em Porto Alegre. Já as parcelas relativas à  parte  do  preço  total  não  declarado,  enviadas  ao  exterior  por  meio  de  operações  ilegais  conhecidas  como  "dólar­cabo",  ficaram  a  cargo  de  RODINEI  FRAGA  PEREIRA,  CPF  206.673.700­30  (fl.  898),  até  junho  de  2009,  quando  foi  realizada a operação "HÉRCULES". Quem assume este papel a  partir desta data é CARLOS JULCEMAR SILVA DE BEM, que  assina os e­mails como CARLOS DE BEM, com a ajuda de seu  sócio  SÉRGIO  OLIVEIRA  CARDOZO,  que  assina  SÉRGIO  CARDOZO.   Sobre  a  apuração  dos  preços  efetivamente  praticados,  a  fiscalização  informa  que,  em  vinte  DI  e  também  em  duas  importações  via  encomenda  internacional,  foi  possível  determinar  o  real  valor  aduaneiro,  nos  termos  do  Artigo  1  do  AVA­GATT,  por  meio  dos  respectivos  controles  de  importação  encontrados  na  sede  da  FILM  IN.  Aduz  apenas  que,  em  duas  dessas DI,  como envolviam diversos  itens,  foi  preciso apurar o  valor  aduaneiro  de  forma  mista,  ou  seja,  utilizando  também  o  inciso  I  do  art.  88  da  MP  2.158­35/01  (preço  de  mercadoria  idêntica  ou  similar).  Com  relação  às  outras  seis  DI,  o  valor  aduaneiro foi arbitrado com base no inciso I do art. 88 da MP n°  2.158­35/01,  utilizando­se  como  paradigma  de  outras  importações da própria FILM IN.   Foram encontrados também os preços efetivamente pagos pelas  mercadorias importadas aos seus exportadores estrangeiros nas  duas  DI  registradas  pela  FIS  INTERNATIONAL  CONSULTORIA E LOGÍSTICA LTDA., CNPJ 10.339.468/0001­ 69  (doravante  denominada  FIS).  Apesar  dessas  duas DI  terem  sido  registradas  em  nome  da  FIS,  o  real  adquirente  das  mercadorias importadas, real importador, foi a FILM IN.   Todas  as  DI  autuadas  são  objeto  de  análise  individual  no  Relatório  Fiscal,  o  qual  faz  remissão  aos  elementos  de  prova  atinentes às infrações perpetradas, bem como explica a forma de  apuração  dos  valores  considerados  como  efetivamente  praticados.   As  condutas  ilícitas  dos  dirigentes  da  FILM  IN  foram  assim  resumidas pelo fisco: (i) utilização de faturas comerciais falsas;  (ii)  pagamento  dos  tributos  devidos  apenas  em parte, mediante  artifício  doloso  (fraude  e  conluio);  (iii)  ocultação  do  real  responsável  pela  operação  de  importação,  mediante  fraude  ou  simulação (duas DI registradas pela FIS).   Como resultado de tais condutas, tipificadas pelo Decreto­Lei nº  1.455/76 como dano ao Erário, foi lançada multa equivalente ao  valor  aduaneiro  da mercadoria  (§  3°  do  art.  23),  bem  como  a  diferença  de  tributos  devida  em  razão  do  subfaturamento  praticado, acrescida de multa qualificada e juros de mora.   Fl. 1888DF CARF MF Processo nº 10516.720018/2012­17  Acórdão n.º 3201­002.831  S3­C2T1  Fl. 95          5 A importadora FIS foi autuada como responsável solidária pelos  créditos  lançados  relativamente  às  duas  operações  em  que  a  FILM IN tratava­se da real adquirente oculta (fls. 1.417/1.418).   Cientificada  do  Auto  de  Infração  em  28/09/2012  (fls.  1.407/1.414),  a  interessada  FILM  IN  apresentou  impugnação,  em  29/10/2012,  juntada  às  fls.  1.477  e  seguintes,  alegando  em  síntese:   1)  é  inconcebível  que  a  vontade  da  administração  pública,  em  especial  na  seara  tributária,  seja  resultado  de  interpretações  fundadas  exclusivamente  em  meios  de  prova  indiretos,  desdenhando do princípio da segurança jurídica e da legalidade;   2)  a  fim  de  demonstrar  o  suposto  subfaturamento,  a  SRFB  se  baseou em documentos particulares da impugnante, apreendidos  no  seu  estabelecimento, entre  eles:  i)  documentos denominados  “conta  corrente  –  arquivo  digital  em  Excel  (fl.  899)  e  fax  (fl.  1.129);  ii)  e­mail’s  e  iii)  simples  planilhas  –  arquivos  digitais.  Considerando  que  cada  uma  das  Declarações  de  Importação  trata­se de fatos geradores autônomos, que devem ser analisados  em  seus  pressupostos  de  fato  e  de  direito,  fará  uma  análise  individual de cada uma delas;   3) DI  08/1305980­6  (invoice  1098) =  com  base  no  documento  denominado “conta­corrente”  (fl. 899), a SRFB concluiu que o  valor  real  da  operação  foi  de  US$  9.242,62,  enquanto  que  o  valor da DI foi de US$ 3.694,04. O valor de US$ 5.523,00 teria  sido remetido ao exterior em 02/07/2008, enquanto que o saldo  remanescente  (US$ 3.719,62),  com o  fechamento de  câmbio da  DI,  ficou  em  apenas US$  25,58  (fls.  914/917).  Essa  conclusão  não merece prosperar, porque: i) o documento de fl. 899 trata­se  de  documento  interno  da  impugnante,  informal,  com  dados  aleatórios, que não representa a operação de importação, tanto  que os valores não fecham nem com os das operações nem com  os dos câmbios realizados; ii) a fatura 1098 é posterior à data de  02/07/2008,  razão  pela  qual  não  se  poderia  saber  com  antecedência  o  valor  da  operação  para  fins  de  remessa  dos  valores;  iii)  os  docs.  de  fls.  914/917  estão  ilegíveis  e  não  representam  o  fechamento  de  câmbio  da  fatura  acima  (1098),  mas sim da fatura 1139, em razão do valor de $ 37.090,38; iv) a  RFB não conseguiu provar que o  fechamento de câmbio de  fls.  914/917  corresponde  à  fatura  1098;  v)  a  RFB  não  demonstra  que se operaram remessas oficiais e extraoficiais de recursos ao  exterior, pois  se o valor da DI é de US$ 3.694,04, como que a  impugnante mandaria, oficialmente, o valor de US$ 25,58 ou de  $ 37.090,38. Não existe lógica na conclusão da RFB e as simples  anotações no documento de fl. 899 não comprovam a remessa de  valores;   4) DI  08/1442154­1  (invoice  1114) =  com  base  no  documento  denominado “conta­corrente”  (fl. 899), a SRFB concluiu que o  valor  real  da  operação  foi  de  US$  51.131,30,  enquanto  que  o  valor  da  DI  foi  de  US$  25.180,26.  O  valor  de  US$  25.266,86  teria  sido  remetido  ao  exterior  em  11/08/2008,  nos  termos  do  Fl. 1889DF CARF MF     6 fechamento  de  câmbio  (fls.  923/926),  enquanto  que  o  saldo  remanescente (US$ 25.818,00) foi enviado ilegalmente, restando  a  importância  de  US$  46,44.  Essa  conclusão  não  merece  prosperar,  porque:  i)  inexistem  provas  de  que  a  remessa  extraoficial  tenha  sido  feita,  baseando­se  a  RFB  em  simples  anotações  internas da  impugnante,  que não  representam a real  operação,  tratando­se  de  meros  dados  aleatórios;  ii)  pergunta  onde está no conta­corrente a remessa de US$ 46,44, e como que  o  valor  de  US$  25.818,00  foi  remetido  extraoficialmente  se  houve despesa com taxa de transferência “WT FEE”;   5) DI  08/1699192­2  (invoice  1139) =  com  base  no  documento  denominado “conta­corrente”  (fl. 899), a SRFB concluiu que o  valor  real  da  operação  foi  de  US$  67.810,00,  enquanto  que  o  valor  da  DI  foi  de  US$  33.396,40.  O  valor  de  US$  33.396,40  teria  sido  remetido  ao  exterior  em  14/07/2008,  nos  termos  do  fechamento de câmbio, enquanto que o saldo remanescente (US$  34.419,00)  foi  enviado  ilegalmente,  restando  a  importância  de  US$  5,34.  Observa  que  o  valor  que  consta  no  conta­corrente  com data de 14/07/2008 é US$ 37.090,38 e não US$ 33.396,40, e  mesmo assim os valores não  fecham,  implicando uma sobra no  valor  de  US$  5,34.  Ademais,  somando  US$  37.090,38  e  US$  34.429,00, temos $ 71.519,38 e não o valor alegado pela RFB de  US$ 67.810,00. Pergunta como que o valor de US$ 34.429,00 foi  remetido  extraoficialmente  se  houve  despesa  com  taxa  de  transferência “WT FEE”. Por fim, o doc. de fls. 939 corresponde  a  cotação  de  produtos  e  não  a  efetivação  da  operação  e  não  corresponde  ao  e­mail  de  fl.  938.  Inclusive,  a  data  da  cotação  (30/06/2008)  é  diferente  da  data  do  e­mail  (02/07/2008),  a  descrição dos produtos não é a mesma e não há preço individual  dos produtos, o que inviabiliza a sua apuração;   6) DI  09/0088903­3  (invoice  1143) =  com base  na planilha  de  controle “SO#1143” (fl. 949), a SRFB concluiu que o valor real  da operação foi de US$ 72.471,25, enquanto que o valor da DI  foi de US$ 35.906,10. Nos termos do conta­corrente de fl. 899, i)  em  10/10/2008,  foi  remetido  ao  exterior  o  valor  de  US$  12.969,00, ii) no dia 17/11/2008, o valor de US$ 24.264,00, iii)  no  dia  04/12/2008,  o  valor  de  US  35.871,00  e  ii)  no  dia  16/12/2008,0 valor de US$ 600,00. Essa conclusão não merece  prosperar,  porque:  i)  o  fato  de  a  SRFB  não  utilizar  mais  os  dados do conta­corrente de fl. 899, mas sim os da planilha de fl.  949,  denota  a  fragilidade  de  suas  informações,  ao  considerar  aqueles  dados  incorretos  para  abarcar  essa  operação;  ii)  a  planilha  de  controle  “SO#1143”  é  documento  interno  que  não  representa  o  valor  real  da  operação;  iii)  dessa  vez,  a  SRFB  sequer faz referência ao meio pelo qual as remessas ao exterior  foram  feitas  e  sequer  as  provou;  iv)  os  valores,  quantidades,  datas, etc, nada fecha;   7) DI  09/0187182­0  (invoice  1166) =  com  base  no  documento  denominado “conta­corrente”  (fl. 899), a SRFB concluiu que o  valor  real da operação  foi  de US$ 137.045,00,  enquanto que o  valor da DI foi de US$ 49.586,00. Relativamente à remessa dos  valores,  i)  em  28/11/2008,  foi  remetido  ao  exterior  o  valor  de  US$ 39.990,00, ii) em 15/01/2009, o valor de US$ 50.825,00 e ii)  em 15/01/2009, o valor de US$ 49.551,00 (possivelmente, para o  fechamento do cambio). Essa  conclusão não merece prosperar,  Fl. 1890DF CARF MF Processo nº 10516.720018/2012­17  Acórdão n.º 3201­002.831  S3­C2T1  Fl. 96          7 porque:  i)  tanto  o  documento  de  fl.  899 como  a  planilha  de  fl.  957  são  documentos  internos  da  impugnante,  que  podem  representar o custo do produto ou o valor da operação em reais,  não  denotando  a  operação  de  importação  devidamente  amparada na DI; ii) o e­mail de fl. 959 é mero repasse de swift  do  fechamento  de  câmbio,  não  traz  como  anexo  o  doc.  de  fls.  957/958,  sendo  sua  data  de  19/01/2009,  enquanto  que  as  planilhas de fls. 957/958 têm data de 11/12/2008 e a fatura é de  20/12/2008. Portanto, não seria posterior à invoice; iii) a SRFB  sequer faz referência ao meio pelo qual as remessas ao exterior  foram feitas e sequer as provou, sendo que as remessas oficiais  consideradas  seriam  em  valor  superior  ao  declarado  na DI,  o  que é impossível;   8) DI 09/0608329­4 = com base na planilha “FILM IN ORDER  1” (fl. 979), anexa ao e­mail de fl. 976, a SRFB concluiu que o  valor  real  da  operação  foi  de  US$  9.650,42,  enquanto  que  o  valor  da  DI  foi  de  US$  4.190,68.  Essa  conclusão  não  merece  prosperar,  porque:  i)  a  planilha  de  fl.  979  não  passa  de mera  cotação  de  preço,  não  comprovando  a  efetivação  do  negócio  nem  seus  preços;  ii)  se  a  SRFB  admite  que  a  planilha  trouxe  mercadoria não albergada na DI,  então como pode  ter  certeza  de  que  a  negociação  se  deu  nos  termos  da  planilha?;  iii)  comparando  a  planilha  e  a  DI  os  produtos,  os  preços  e  as  quantidades divergem, além de não ter sido trazido aos autos a  comercial  invoice  e  não  ter  sido  demonstrado  o  vínculo  de  Fabiano; iv) a SRFB sequer faz referência ao meio pelo qual as  remessas ao exterior foram feitas e sequer as provou;   9) DI 09/0640853­3 = com base na planilha “PEDIDO KOREA  MARÇO 09” (fl. 979 e 980), a SRFB concluiu que o valor real  da operação foi de US$ 159.112,00, enquanto que o valor da DI  foi  de  US$  58.007,45.  Para  apurar  esse  valor,  a  SRFB  desenvolveu raciocínio que parte de ilações forçadas, utilizando­ se de elementos constantes de documentos irrelevantes (fls. 979,  980 e 899), sem vinculação com as importações, uma vez que os  valores,  as  descrições  das  mercadorias  e  as  quantidades  não  fecham. Dessa  vez,  a SRFB sequer  faz  referência ao meio pelo  qual as remessas ao exterior foram feitas e sequer as provou;   10)  DI  09/1638472­6  =  com  base  na  planilha  “compra  ferramentas  novembro  09  aéreo”  (fl.  1006),  a  SRFB  concluiu  que o valor real da operação foi de US$ 9.204,18, enquanto que  o valor da DI  foi de US$ 3.443,14. Essa conclusão não merece  prosperar, porque: i) assentada em mera planilha interna; ii) em  um  comparativo  entre  a  planilha  e  a  DI  não  há  similitude  de  produtos e quantidade; iii) a SRFB sequer faz referência ao meio  pelo  qual  as  remessas  ao  exterior  foram  feitas  e  sequer  as  provou;   11)  DI  10/1004156­0  =  com  base  na  planilha  “pedido  ferramentas  FILM  IN  Eli  junho  2010”  e  “Filmin  Tools  essa”  (fls. 1017 e 1018), a SRFB concluiu que o valor real da operação  foi  de  US$  3.719,38,  enquanto  que  o  valor  da  DI  foi  de  US$  1.724,39.  Essa  conclusão  não  merece  prosperar,  porque:  i)  Fl. 1891DF CARF MF     8 assentada em meras planilhas  internas;  ii)  enquanto a planilha  de  fl.  1017  representa  a  comercial  invoice  nos  seus  exatos  termos, a planilha de fl. 1018 a reproduz com valores diferentes,  ou seja, a planilha de fl. 1017 representa o custo do produto; iii)  a SRFB sequer faz referência ao meio pelo qual as remessas ao  exterior foram feitas e sequer as provou;   12)  DI  10/1450754­7  =  com  base  na  fatura  comercial  nº  0341797­IN de fls. 1035/1037, a SRFB concluiu que o valor real  da operação foi de US$ 8.061,58, enquanto que o valor da DI foi  de US$ 3.494,92. Essa conclusão não merece prosperar, porque:  i) referida fatura não tem como destinatária a impugnante, mas  pessoa diversa que não se trata de sua filial; ii) os e­mails de fls.  1038/1039  tratam  apenas  de  cotação;  iii)  a  SRFB  sequer  faz  referência  ao  meio  pelo  qual  as  remessas  ao  exterior  foram  feitas e sequer as provou;   13)  DI  10/1602998­7  =  com  base  na  planilha  “COTAÇÃO  KOREA MAIO 10” (fl. 1046), a SRFB concluiu que o valor real  da operação foi de US$ 175.337,20, enquanto que o valor da DI  foi  de  US$  73.653,48.  Essa  conclusão  não  merece  prosperar,  porque:  i)  assentada  em  meras  planilhas  internas;  ii)  em  um  comparativo  entre  a  planilha  e  a  DI  não  há  similitude  de  produtos e quantidade; iii) a SRFB sequer faz referência ao meio  pelo  qual  as  remessas  ao  exterior  foram  feitas  e  sequer  as  provou;   14)  DI  10/2052301­0  =  com  base  na  planilha  “COTAÇÃO  KOREA AGOSTO 10”  (fl. 1053), a SRFB concluiu que o valor  real da operação  foi  de US$ 178.998,80, enquanto que o  valor  da  DI  foi  de  US$  75.810,30.  Essa  conclusão  não  merece  prosperar, porque: i) assentada em meras planilhas internas; ii)  em um comparativo entre a planilha e a DI não há similitude de  produtos e quantidade; iii) a SRFB sequer faz referência ao meio  pelo  qual  as  remessas  ao  exterior  foram  feitas  e  sequer  as  provou;   15) DI 10/2171830­2 = com base na planilha “FILME SOLAR  GARD  SETEMBRO  2010”  (fl.  1059),  a  SRFB  concluiu  que  o  valor  real  da  operação  foi  de  US$  47.850,00,  enquanto  que  o  valor da DI  foi  de US$ 23.100,00. Essa  conclusão não merece  prosperar, porque: i) assentada em meras planilhas internas; ii)  em um comparativo entre a planilha e a DI não há similitude de  produtos e quantidade; iii) a SRFB sequer faz referência ao meio  pelo  qual  as  remessas  ao  exterior  foram  feitas  e  sequer  as  provou;   16)  DI  10/2326790­1  =  com  base  na  planilha  “cotação  ferramentas  dezembro  10”  (fl.  1074),  a  SRFB  concluiu  que  o  valor  real  da  operação  foi  de  US$  9.823,09,  enquanto  que  o  valor  da  DI  foi  de  US$  3.723,08.  Essa  conclusão  não  merece  prosperar, porque: i) assentada em meras planilhas internas; ii)  em um comparativo entre a planilha e a DI não há similitude de  produtos e quantidade; iii) a SRFB sequer faz referência ao meio  pelo  qual  as  remessas  ao  exterior  foram  feitas  e  sequer  as  provou;   Fl. 1892DF CARF MF Processo nº 10516.720018/2012­17  Acórdão n.º 3201­002.831  S3­C2T1  Fl. 97          9 17)  DI  11/0336809­7  =  com  base  na  planilha  “COTAÇÃO  KOREA MARÇO 2011” (fl. 1083), a SRFB concluiu que o valor  real da operação  foi  de US$ 201.948,96, enquanto que o  valor  da  DI  foi  de  US$  84.636,16.  Essa  conclusão  não  merece  prosperar, porque: i) assentada em meras planilhas internas; ii)  em um comparativo entre a planilha e a DI não há similitude de  produtos e quantidade; iii) a SRFB sequer faz referência ao meio  pelo  qual  as  remessas  ao  exterior  foram  feitas  e  sequer  as  provou;   18) DI 11/0613938­2 = com base na planilha “ferramentas abril  2011” (fl. 1101), a SRFB concluiu que o valor real da operação  foi  de  US$  5.876,33,  enquanto  que  o  valor  da  DI  foi  de  US$  2.329,49.  Essa  conclusão  não  merece  prosperar,  porque:  i)  assentada  em meras  planilhas  internas;  ii)  em um comparativo  entre  a  planilha  e  a  DI  não  há  similitude  de  produtos  e  quantidade; iii) a SRFB sequer faz referência ao meio pelo qual  as remessas ao exterior foram feitas e sequer as provou;   19)  DI  11/0980571­5  =  com  base  na  planilha  “COTAÇÃO  KOREA MARÇO 2011 ELI”  (fl. 1109), a SRFB concluiu que o  valor  real da operação  foi  de US$ 214.094,40,  enquanto que o  valor da DI  foi  de US$ 95.348,12. Essa  conclusão não merece  prosperar, porque: i) assentada em meras planilhas internas; ii)  em um comparativo entre a planilha e a DI não há similitude de  produtos e quantidade; iii) a SRFB sequer faz referência ao meio  pelo  qual  as  remessas  ao  exterior  foram  feitas  e  sequer  as  provou;   20)  DI  11/1177414­7  =  com  base  na  planilha  “Compra  ferramentas junho 2011” (fl. 1128), a SRFB concluiu que o valor  real da operação foi de US$ 15.514,23, enquanto que o valor da  DI  foi de US$ 6.468,63. Essa conclusão não merece prosperar,  porque:  i)  assentada  em  meras  planilhas  internas;  ii)  em  um  comparativo  entre  a  planilha  e  a  DI  não  há  similitude  de  produtos, quantidade e valores; iii) a SRFB sequer faz referência  ao meio pelo qual as remessas ao exterior foram feitas e sequer  as provou;   21)  DI  11/1806622­9  =  com  base  na  planilha  “COMPRA  KOREA  SETEMBRO  2011”  (fl.  1138),  a  SRFB  concluiu  que  o  valor  real da operação  foi  de US$ 254.761,44,  enquanto que o  valor da DI foi de US$ 102.874,14. Essa conclusão não merece  prosperar, porque: i) assentada em meras planilhas internas; ii)  em um comparativo entre a planilha e a DI não há similitude de  produtos e quantidade;  iii) a própria SRFB admite que o valor  apurado  na  planilha  de  fl.  1109  não  corresponde  ao  valor  no  conta­corrente  de  fl.  1.129,  aduzindo  que  a  diferença  pode  ser  um possível adiantamento, o que coloca em dúvida as conclusões  da SRFB com base nos conta­correntes;  iv) a SRFB sequer  faz  referência  ao  meio  pelo  qual  as  remessas  ao  exterior  foram  feitas e sequer as provou;   22) DI 11/2049367­8 = com base na cópia de faz de fl. 1148, a  SRFB  concluiu  que  o  valor  real  da  operação  foi  de  US$  Fl. 1893DF CARF MF     10 183.134,40,  enquanto que o  valor da DI  foi  de US$ 80.802,19.  Essa conclusão não merece prosperar, porque: i) a cópia do fax  nada mais é do que uma planilha e essas planilhas internas não  têm o condão de representar a operação; ii) em um comparativo  entre  a  planilha  e  a  DI  não  há  similitude  de  produtos  e  quantidade; iii) a SRFB ora adota o valor constante na planilha,  ora desconsidera esse valor e utiliza aquele constante no conta­ corrente,  fazendo  adaptação  inclusive  quanto  às  faturas  comerciais,  o  que  revela  que  não  existe  um  critério  e  portanto  depõe contra a credibilidade/legitimidade das informações; iv) a  SRFB  sequer  faz  referência  ao meio  pelo  qual  as  remessas  ao  exterior foram feitas e sequer as provou;   23) os autos do processo administrativo revelam que durante a  fase  de  fiscalização  inexistiu  de  parte  de  Autoridade  Administrativa  diligências  junto  à  impugnante,  de  modo  que  o  crédito  tributário  foi  constituído  exclusivamente  com  base  nos  documentos  apreendidos.  A  Administração  Pública,  portanto,  optou  pela  comodidade  probatória  ao  se  utilizar  de  raciocínio  presuntivo  que  franqueou  um  alargamento  da  regra  matriz  de  incidência para  fatos  tributários não provados. Cita doutrina  e  jurisprudência  sobre  o  tema  da  prova  e  dos  limites  das  presunções em matéria tributária;   24) mesmo que se admita, por amor ao debate, a subsistência do  lançamento,  ainda  assim  deve  ser  redimensionada  a  base  de  cálculo, posto que, conforme entendimento consolidado do TRF  da 4ª Região, a base de cálculo das contribuições para o PIS e  COFINS deverá compreender exclusivamente o valor aduaneiro,  sem  considerar  o  montante  das  próprias  contribuições  e  impostos respectivos, como previsto pela Lei nº 10.865/2004, que  padece de flagrante inconstitucionalidade;   25)  cita  jurisprudência  do E.  TRF da  4ª Região,  no  sentido  de  que, na hipótese de subfaturamento, é descabida a aplicação da  pena de perdimento,  tratando­se antes de caso de aplicação da  multa administrativa correspondente ao percentual de 100% da  diferença  entre  o  preço  declarado  e  o  preço  efetivamente  praticado (art. 633, I, do RA/02) e da cobrança da diferença de  tributação;   26)  requer,  ao  final,  que  seja  afastada  a  valoração aduaneira,  ante  a  inexistência  de  provas  a  respeito  do  subfaturamento  e,  não sendo esse o entendimento, então que seja excluído do valor  aduaneiro as exações decorrentes da importação. Requer, ainda,  seja afastada a multa igual ao valor aduaneiro.   Intimada  do Auto  de  Infração  em  03/10/2012  (fls.  1.417/18),  a  interessada FIS apresentou impugnação, em 05/11/2012, juntada  às fls. 1.544 e seguintes, alegando em síntese:   a)  seu  dirigente,  FREDERICO  IRACET  DOS  SANTOS,  CPF  003.563.510­09, afirma que, conforme  indicação, apresentou­se  perante os diretores da FILM IN, os quais mostraram interesse  de que a FIS realizasse importações para eles, havendo recebido  nesse mesmo dia, uma Proforma Invoice da FILM IN com todas  as  informações  da  importação  (valor  da  mercadoria,  NCM,  pesos, país de origem e demais), para que a FIS elaborasse uma  Fl. 1894DF CARF MF Processo nº 10516.720018/2012­17  Acórdão n.º 3201­002.831  S3­C2T1  Fl. 98          11 planilha com as estimativas de custos para a nacionalização da  carga no dia 17/06/2009;   b) descreve detalhadamente toda a comunicação realizada entre  FILM  IN  e  FIS  e  demais  trâmites  relacionados  às  duas  operações de importação realizadas pela FIS para a FILM IN;   c)  no  tocante  à  importação  realizada  por  meio  da  DI  10/0104036­0, parametrizada em canal vermelho, esclarece que  ao informar ao fiscal da Receita Federal que faria a revenda da  carga após a nacionalização para a empresa FILM IN, com base  em contrato de compra e venda das mercadorias, foi­lhe dito que  deveria ter feito (registrado) a importação por conta e ordem de  terceiros, mas já não foi possível fazer a retificação no SISCOM       EX.  Após  alguns  dias,  foi  informado  que  a  pena  era  o  "perdimento da carga", o que foi repassado à FILM IN;   d)  contrataram,  então,  um  advogado  para  tentar  mostrar/justificar  para  os  fiscais  que  a  carga  era  da  empresa  FILM  IN  e  a  FIS  não  informou  esse  fato  por  falta  de  conhecimento  da  legislação  aduaneira.  Para  retirar  a  carga,  tiveram que pagar o valor CIF correspondente à mesma que foi  de R$ 153.017,43, valor que foi transferido pela empresa FILM  IN;   e)  sobre  as  negociações  com  o  fornecedor,  informa  que  todas  foram  feitas diretamente  pela  empresa FILM  IN,  só  lhes  sendo  enviada  a  documentação  para  revisão  sobre  legislação  aduaneira;   f) declara que fizeram erroneamente a nacionalização em nome  da FIS INTERNATIONAL não informando que o real adquirente  era a empresa FILM IN, por não saberem que era necessário e  por  não  conhecerem  a modalidade  de  importação  por  conta  e  ordem  de  terceiros,  em  virtude  da  pouca  experiência  de  seu  dirigente,  inexistindo a  intenção de má  fé ou ocultação do  real  adquirente, tanto que a partir daí todas as operações da empresa  foram corretamente registradas;   g)  pleiteia  seja  retirada  a  multa  aplicada,  pois  não  fizeram  nenhuma negociação com o  fornecedor,  todas foram feitas pela  FILM IN diretamente e, se aconteceu algum tipo de sonegação,  não tinha conhecimento.   Ambas as empresas autuadas foram intimadas para regularizar  sua  representação  processual  (fls.  1.727/1.730),  havendo  apresentado os documentos de fls. 1.732/1.747 e 1.754/1.797.   Todos  os  números  de  folhas  citados  neste  acórdão  são  os  atribuídos pelo “e­processo”.     A  Delegacia  de  Julgamento  julgou  improcedente  a  impugnação, em decisão assim ementada:    Fl. 1895DF CARF MF     12  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO ­ II   Período de apuração: 01/01/2008 a 31/05/2012   SUBFATURAMENTO   Os fatos apontados e as provas coligidas pela fiscalização são  contundentes  no  sentido  de  demonstrar  a  ocorrência  de  subfaturamento  dos  preços  de  mercadorias  e  remessa  de  divisas  de  forma  ilícita  ao  exterior  em  pagamento  de  tais  importações.   INTERPOSIÇÃO  FRAUDULENTA  DE  TERCEIROS.  OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE.   Caracterizadas  como  por  conta  e  ordem  as  operações  de  comércio  exterior  declaradas  pela  importadora  como  sendo  por  conta  própria,  o  que  implicou  ocultação  da  real  adquirente  das  mercadorias,  resta  tipificada  a  figura  da  interposição  fraudulenta,  sujeitando  tanto  a  importadora  como  a  real  adquirente,  à  penalidade  de  perdimento  das  mercadorias,  a  ser  convertida  em  multa  equivalente  ao  respectivo valor aduaneiro, nos casos em que estas não sejam  localizadas ou tenham sido consumidas.   Impugnação Improcedente   Em  sede  de  recurso  voluntário,  foram  reiterados  os  argumentos  de  impugnação.  É o relatório.      Voto               Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Relatora   O presente recurso preenche as condições de admissibilidade, pelo que deles  tomo conhecimento.  Conforme o relatório, trata o presente caso de auto de infração para aplicação  de multas aduaneiras, em virtude da imputação da conduta de subfaturamento nas operações de  importação  de  películas  em  grande  parte  das  declarações  compreendidas  na  autuação,  bem  como imputação da conduta de interposição fraudulenta, em duas das operações de importação.  |Preliminarmente, deve ser consignado que a o sujeito passivo solidário não  apresentou recurso voluntário, não tendo sido contestada a conduta e interposição fraudulenta,  nem a aplicação das multas de ofício, razão pela qual não serão reapreciados esses aspectos do  lançamento, por preclusos.  Como se depreende do relatório da fiscalização, a autuação teve como origem  operação da Polícia Federal, assim descrita :   Fl. 1896DF CARF MF Processo nº 10516.720018/2012­17  Acórdão n.º 3201­002.831  S3­C2T1  Fl. 99          13 1. No ano de  2009,  o Departamento de Polícia Federal  (DPF)  realizou  a  operação  “HÉRCULES”.  O  Relatório  sobre  a  operação  identificou  condutas  criminosas  contra  o  sistema  financeiro  nacional  praticadas  de  forma  contumaz  pelos  responsáveis  das  casas  de  câmbio CASA BRANCA CÂMBIO E  TURISMO LTDA. e VASQUES TURISMO, bem como por muitos  de  seus  clientes.  Por meio  desse Relatório,  foram  identificados  pela  Receita  Federal  do  Brasil  (RFB)  integrantes  de  várias  sociedades  empresárias  importadoras,  principalmente  do  Rio  Grande do Sul, mas  também de algumas sociedades paulistas e  catarinenses, que cometeram ilícitos contra o sistema financeiro  nacional, ordenando o envio de divisas ao exterior à margem do  sistema oficial de câmbio brasileiro.  2. A fim de apurar a participação de  tais  integrantes e de  suas  sociedades  importadoras  em  fraudes  no  comércio  exterior  brasileiro,  foi  deflagrada,  em  novembro  de  2011,  operação  conjunta  do  DPF  e  da  RFB,  chamada  “HERÁCLIDAS”.  Este  Relatório trata da fiscalização da sociedade importadora FILM  IN  COMÉRCIO  DE  PELÍCULAS  LTDA.  ME,  CNPJ  05.243.805/000180,  identificada  na  operação  “HÉRCULES”  e  que  foi  alvo  da  operação  “HERÁCLIDAS”,  obedecendo  ao  Mandado de Busca e Apreensão (MBA) nº 7343732, fl. 851.    A Recorrente constava como cliente das empresas de câmbio, que remetiam  dinheiro ilegalmente ao exterior, ou, no jargão do mercado, faziam "cabo". E no âmbito dessa  operação  e  com  base  nos  documentos  apreendidos  na  sede  da  Recorrente,  foi  constatada  a  ocorrência de subfaturamento.  Para  cada  uma  das  operações  de  importação,  foram  cruzados  os  dados  encontrados  nas  planilhas  e  documentos  apreendidos,  conforme  se  verifica  da  transcrição  de  excerto do TVF:  19. No documento  excel  intitulado  “Conta Corrente  Eli Março  09”, fl. 899, temos um controle histórico de 7 (sete) importações  da  FILM  IN.  A  primeira  operação  de  importação  deste  conta  corrente  faz  referência  à  “INV#  1098  FERRAMENTAS”  no  valor  de  US$  9.242,62.  A  DI  que  foi  amparada  na  fatura  comercial  nº  1098  foi  a  de  nº  08/13059806  (ferramentas  para  aplicação de filmes de controle solar), no valor de US$ 3.694,04,  fls.  900  a  913.  Ou  seja,  a  FILM  IN  pagou  efetivamente  US$  9.242,62 pelas mercadorias importadas, mas declarou à Aduana  brasileira o valor de US$ 3.694,04. Esta DI foi registrada no dia  22/08/2008,  mas  pelo  conta  corrente,  no  dia  02/07/2008  foi  remetido ao exterior o valor de US$ 5.523,00 (US$ 10,00 de taxa  de  transferência,  “WT  FEE”),  quase  um  mês  e  meio  antes  do  registro da DI.  20. A FILM IN ainda ficou devendo a quantia de US$ 3.719,62  que, com o fechamento de câmbio vinculado a esta DI, tornaria  esta  quantia  em  apenas  US$  25,58.  E  foi  isto  mesmo  que  aconteceu, pois no email de SÉRGIO para a FILM IN temos em  anexo  um  contrato  de  câmbio  para  pagamento  das  faturas  Fl. 1897DF CARF MF     14 comerciais nº 1096 e nº 1098, no valor total de US$ 37.090,38,  com  liquidação  até  14/07/2008,  fls.  914  a  917.  A  fatura  comercial nº 1098 corresponde à nossa DI nº 08/13059806, no  valor de US$ 3.694,04, o que deixaria para a fatura comercial nº  1096  US$  33.396,34.  Não  houve  importação  da  FILM  IN  amparada  na  fatura  comercial  nº  1096,  mas  no  valor  de  US$  33.396,40  (diferença de US$ 0,06) temos a DI nº 08/16991922,  registrada em 27/10/2008, com a fatura comercial nº 1139.  21.  Desta  forma,  o  preço  total  efetivamente  pago  pelas  mercadorias  importadas por meio da DI nº 08/13059806  foi de  US$  9.242,62,  enquanto  que  a  FILM  IN  declarou  à  Aduana  brasileira o preço total (falso) de US$ 3.694,04. Isto representa  um  subfaturamento  de  60,0%  dos  preços  efetivamente  negociados entre FILM IN e OCEANBORN. Como veremos mais  à  frente, o valor aduaneiro (no caso do tipo de  importações da  FILM  IN)  das  mercadorias  importadas  é  composto  pelo  preço  total dessas mercadorias mais o seu frete, seguro e despesas de  manuseio da carga até o local de descarga no Brasil. Para esta  DI temos um frete internacional de US$ 109,12 (as despesas de  manuseio  foram  incluídas no  frete  e  não  houve  contratação de  seguro), sendo então o valor aduaneiro real da DI igual a US$  9.351,74,  enquanto  que  a  FILM  IN  declarou  este  valor  aduaneiro como sendo igual a US$ 3.803,16, o que resultou em  uma subvaloração de 59,3%.  E assim se procedeu com cada umas das DIs.  Em sua defesa, a Recorrente limita­se a refutar as alegações, afirmando que  não houve comprovação do subfaturamento e de envio de valores, de forma ilegal, ao exterior,  como se depreende de seu recurso, em diversas ocasiões, como se verifica:         É  de  se  apontar  que  em  nenhum  momento  a  Recorrente  fez  contraprovas  referentes às conclusões da fiscalização, que, aliás, foram fundadas em documentos produzidos  Fl. 1898DF CARF MF Processo nº 10516.720018/2012­17  Acórdão n.º 3201­002.831  S3­C2T1  Fl. 100          15 por  ela  própria,  embora  na  sua  argumentação  é  praticamente  olvidado  esse  fundamental  detalhe, diminuindo o valor probante dos documentos, por terem sido "criados unilateralmente,  com dados aleatórios". Mas, então, caberia­lhe trazer alguma explicação, para a existência de  diversas planilhas, e­mails, faturas, que convergem para o fato do subfaturamento.  Frise­se que embora caiba ao Fisco comprovar os fatos jurídicos que estribam  o  auto  de  infração,  isso  não  implica  que  o  contribuinte  possa  se  desincumbir  totalmente  do  ônus probatório, mormente no caso concreto, em que, paradoxalmente, os documentos são da  sua  própria  lavra.  Além  de  ser  hipótese,  no mínimo,  contraditória,  desconsidera  que  houve,  sim,  a  constituição  dos  fatos  alegados,  cabendo  ao  contribuinte,  no  passo  seguinte,  trazer  elementos probatórios que os desconstituíssem.  Ainda que assim não fosse, sob a égide do novo Código de Processo Civil, a  leitura de situações quetais, deve ser inserida em um contexto diverso, pois o ônus probatório  assume feição dinâmica, em função do caso concreto.  Com  efeito,  os  parágrafos  do  art.373  do  novo  Código  de  Processo  Civil,  alteraram significativamente a disciplina do ônus da prova, em relação à Lei n. 5.689/1973 (em  seu art.333), o anterior código processual. Prescreve o dispositivo:  Art. 373. O ônus da prova incumbe:  I ­ ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito;  II ­ ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo  ou extintivo do direito do autor.  § 1o Nos casos previstos em lei ou diante de peculiaridades da  causa  relacionadas  à  impossibilidade  ou  à  excessiva  dificuldade  de  cumprir  o  encargo  nos  termos  do caput ou  à  maior facilidade de obtenção da prova do fato contrário, poderá  o  juiz atribuir  o  ônus  da prova  de modo diverso,  desde  que o  faça por decisão fundamentada, caso em que deverá dar à parte  a  oportunidade  de  se  desincumbir  do  ônus  que  lhe  foi  atribuído.  §  2o A  decisão  prevista  no  §  1o deste  artigo  não  pode  gerar  situação  em  que  a  desincumbência  do  encargo  pela  parte  seja  impossível ou excessivamente difícil.    Destarte, os incisos I e II do referido dispositivo reproduzem o texto do diploma  normativo anterior, prescrevendo que o ônus da prova é do autor “quanto ao fato constitutivo  de seu direito” e do réu, “quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do  direito do autor”, de maneira estanque, ou seja, o critério de determinação do ônus probatório  era objetivo.  Contudo,  os  parágrafos  do mencionado  dispositivo,  trazem  hipótese  em que  a  regra geral é relativizada, quando o juiz, em face ao caso concreto, entenda que a outra parte  tem melhores condições de esclarecimento dos fatos, invertendo o ônus probatório, em decisão  devidamente fundamentada.  Fl. 1899DF CARF MF     16 Nesse  contexto,  e,  considerando­se  a  aplicação  subsidiária  do  Código  de  Processo  Civil,  por  inexistir  dispositivo  específico  aplicável  ao  processo  administrativo,  conforme determina o art.15, outra interessante novidade expressa no novo diploma, deverá ser  sopesada a aplicação das novas regras de formação de provas, nos casos concretos submetidos  à jurisdição administrativa.  No caso concreto, indubitavelmente, a Recorrente dispõe de melhores condições  para  o  esclarecimento  referentes  aos  documentos  que  ela mesma  produziu,  por  conseguinte,  não  restando  qualquer  fundamento  para  que  afirme  a  sua  imprestabilidade  e  a  ausência  de  comprovação dos fatos, pelo Fisco.   No  que  tange  as  penalidades,  contesta  a  Recorrente  a  aplicação  da  multa  equivalente  ao  valor  aduaneiro  da  mercadoria,  por  conversão  da  pena  de  perdimento,  pela  existência de penalidade específica para o subfaturamento.  O parágrafo único do  art.88 da MP 2158­35/2001,  reproduzido no art.  703 do  atual Regulamento Aduaneiro, prescreve que:   Art. 88. No caso  de  fraude,  sonegação ou conluio,  em que  não  seja  possível  a  apuração  do  preço  efetivamente  praticado  na  importação,  a  base  de  cálculo  dos  tributos  e  demais  direitos  incidentes será determinada mediante arbitramento do preço da  mercadoria,  em  conformidade  com  um  dos  seguintes  critérios,  observada a ordem seqüencial:  [...]  Parágrafo  único.Aplica­se  a multa  administrativa  de  cem  por  cento  sobre  a  diferença  entre  o  preço  declarado  e  o  preço  efetivamente  praticado  na  importação  ou  entre  o  preço  declarado  e  o  preço  arbitrado,  sem  prejuízo  da  exigência  dos  impostos, da multa de ofício prevista no art. 44 da Lei no 9.430,  de 1996, e dos acréscimos legais cabíveis. (g.n.)    Posteriormente, o Decreto n. 8.010/2013, modificou o dispositivo normativo,  nos seguintes termos:   §  1º­A  Verificando­se  que  a  conduta  praticada  enseja  a  aplicação tanto de multa referida neste artigo quanto da pena  de  perdimento  da  mercadoria,  aplica­se  somente  a  pena  de  perdimento. (Incluído  pelo  Decreto  nº  8.010,  de  2013)  (grifo  nosso)    Assim, no caso em apreço, deve ser afastada a multa por subfaturamento, por  descabida a cumulação.  Finalmente, a Recorrente aduz que a base de cálculo do lançamento deve ser  redimensionada, haja vista que jurisprudência consolidada do TRF da 4ª Região entende que a  base de cálculo das contribuições para o PIS e COFINS deverá compreender exclusivamente o  valor aduaneiro, sem considerar o montante das próprias contribuições e impostos respectivos,  como previsto pela Lei nº 10.865/2004, que padece de flagrante inconstitucionalidade.  Fl. 1900DF CARF MF Processo nº 10516.720018/2012­17  Acórdão n.º 3201­002.831  S3­C2T1  Fl. 101          17 Sobre  esse  aspecto,  também  é  de  se  dar  provimento  ao  recurso  voluntário,  pois em consonância com o entendimento em repercussão geral, do Supremo Tribunal Federal,  as  contribuições  sociais  incidentes  sobre  as  importações,  terão  como base de  cálculo o valor  aduaneiro, prescrito pelas regras do AVA­GATT.   No  julgamento do RE nº 559.937/RS,  sob  regime de  repercussão geral  (art.  543B  do  CPC),  tendo  sido  decidido  pela  inconstitucionalidade  da  expressão  “acrescido  do  valor do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação  de Serviços de Transporte  Interestadual  e Intermunicipal e de Comunicação ICMS incidente  no desembaraço aduaneiro e do valor das próprias contribuições”, contida no inciso I do art.  7º da Lei nº 10.865/04, nos termos dos trechos do enunciado da ementa que segue transcrita:  Tributário.  Recurso  extraordinário.  Repercussão  geral.  PIS/COFINS – importação. Lei nº 10.865/04. Vedação de bis in  idem.  Não  ocorrência.  Suporte  direto  da  contribuição  do  importador (arts. 149, II, e 195, IV, da CF e art. 149, § 2º, III,  da  CF,  acrescido  pela  EC  33/01).  Alíquota  específica  ou  ad  valorem.  Valor  aduaneiro  acrescido  do  valor  do  ICMS  e  das  próprias  contribuições.  Inconstitucionalidade.  Isonomia.  Ausência de afronta.  [...]  5. A referência ao valor aduaneiro no art. 149, § 2º, III, a , da  CF  implicou  utilização  de  expressão  com  sentido  técnico  inequívoco, porquanto já era utilizada pela legislação tributária  para indicar a base de cálculo do Imposto sobre a Importação    6. A Lei  10.865/04,  ao  instituir o PIS/PASEP  Importação  e  a  COFINS Importação, não alargou propriamente o conceito de  valor aduaneiro, de modo que passasse a abranger, para fins de  apuração  de  tais  contribuições,  outras  grandezas  nele  não  contidas.  O  que  fez  foi  desconsiderar  a  imposição  constitucional  de  que  as  contribuições  sociais  sobre  a  importação que  tenham alíquota ad valorem sejam calculadas  com  base  no  valor  aduaneiro,  extrapolando  a  norma  do  art.  149, § 2º, III, a, da Constituição Federal.  7. Não  há  como  equiparar,  de modo  absoluto,  a  tributação da  importação  com  a  tributação  das  operações  internas.  O  PIS/PASEP Importação e a COFINS Importação incidem sobre  operação  na  qual  o  contribuinte  efetuou  despesas  com  a  aquisição  do  produto  importado,  enquanto  a  PIS  e  a  COFINS  internas  incidem  sobre  o  faturamento  ou  a  receita,  conforme o  regime. São tributos distintos.  8.  O  gravame  das  operações  de  importação  se  dá  não  como  concretização  do  princípio  da  isonomia,  mas  como  medida  de  política  tributária  tendente  a  evitar  que  a  entrada  de  produtos  desonerados tenha efeitos predatórios relativamente às empresas  sediadas  no  País  visando,  assim,  ao  equilíbrio  da  balança  comercial.  Fl. 1901DF CARF MF     18 9.  Inconstitucionalidade  da  seguinte parte  do  art.  7º,  inciso  I,  da  Lei  10.865/04:  “acrescido  do  valor  do  Imposto  sobre  Operações  Relativas  à  Circulação  de  Mercadorias  e  sobre  Prestação  de  Serviços  de  Transporte  Interestadual  e  Intermunicipal  e  de  Comunicação  –  ICMS  incidente  no  desembaraço aduaneiro e do valor das próprias contribuições ,  por violação do art. 149, § 2º, III, a, da CF, acrescido pela EC  33/01.  10. Recurso extraordinário a que se nega provimento.  (RE  559937,  Relator(a):  Min.  ELLEN  GRACIE,  Relator(a)  p/  Acórdão:  Min.  DIAS  TOFFOLI,  Tribunal  Pleno,  julgado  em  20/03/2013) (grifo nosso)  Considerando  tratar­se de  decisão  definitiva de mérito,  proferida  pelo STF,  sob  regime  de  repercussão  geral,  previsto  no  art.  543B  do  CPC  e,  em  cumprimento  ao  Regimento  de  Interno  deste Conselho,  aprovado  pela  Port. MF  nº  343/2015,  art.  62,  II,  ´b´,  adota­se os seus fundamentos, para que no cálculo do PIS/Pasep –  Importação e da Cofins –  Importação, para que incida apenas sobre o valor aduaneiro.   Em face do exposto, julgo parcialmente procedente o recurso voluntário.    (assinado digitalmente)  Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo                            Fl. 1902DF CARF MF

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Numero do processo: 13896.911329/2009-59
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1302-000.480
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Declarou-se impedido o Conselheiro Rogério Aparecido Gil. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e José Roberto Adelino da Silva. RELATÓRIO Versa o presente processo sobre recurso voluntário, interposto pelo contribuinte em face do Acórdão nº 12-62.734 da 6ª Turma da DRJ/RJ1, o qual foi assim ementado: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano-calendário: 2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. REMUNERAÇÃO DE SERVIÇOS PROFISSIONAIS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS RETIDAS NA FONTE. Comprovado que as importâncias pagas pela prestação dos serviços profissionais estão sujeitas à retenção das contribuições sociais, não há direito creditório a ser reconhecido. Manifestação de Inconformidade Improcedente  A recorrente, cientificada do Acórdão nº 12-62.734 em 05/03/2015 (Termo a fls. 233), interpôs, em 30/03/2015 (vide Termo a fls. 328), recurso voluntário (doc. a fls. 235 e segs.), o qual aduz, em apertada síntese, as seguintes razões de defesa: 1. Trata-se, na origem, de declaração de compensação de débito com crédito decorrente de pagamento indevido, efetuado em 14/11/2006, a título de Contribuições Sociais Retidas na Fonte (codigo 5952), no valor original de R$ 17.247,10.  2. Com efeito, a Recorrente é pessoa juridica de direito privado que se dedica à prestação de serviços de credenciamento de estabelecimentos comerciais e de estabelecimentos prestadores de serviços para a aceitação de cartões de crédito e de débito, bem como outros meios de pagamento ou meios eletrônicos para registro e aprovações de transações não-financeiras. 3. Para consecução de suas atividades empresariais, a Recorrente firmou contrato de prestação de serviços de tecnologia com a empresa Eds Data Systems do Brasil Ltda. ("EDS" - fls. 77/140) e Visa do Brasil Empreendimentos Ltda. (“Visa” – fls. 141/154), que, para sua remuneração, emitia fatura mensalmente, discriminando os serviços prestados. 4. Nesse cenário, durante os meses de setembro e outubro de 2006. Os mencionados prestadores de serviços emitiram faturas para que fossem remunerados os serviços prestados, as quais podem ser verificadas no quadro abaixo: 5. Ao receber as faturas para pagamento destes serviços, a Recorrente, de forma automática (mas precipitada), calculou a retenção na fonte dos tributos devidos por cada um dos pagamentos, chegando aos seguintes valores (totais): 6. Diante disso, sobre as mencionadas faturas, a Recorrente procedeu à retenção do valor de R$ 112.106,12, pagando aos prestadores de serviços apenas a diferença das faturas comerciais e recolhendo os tributos retidos. 7. Ocorre que os serviços tomados pela Recorrente relativos às mencionadas faturas (processamento de dados e marketing) não estão sujeitos à retenção das contribuições sociais, justamente por não estar incluído na lista de serviços constante do artigo 30 da Lei n° 10.833/2003. Confira-se o teor do dispositivo legal: (...) 8.Ao notar o equívoco, a Recorrente efetuou a devolução dos valores indevidamente retidos às prestadoras de serviços, conforme comprovado nos autos. 9. Assim, considerando que foram pagos ao fisco os valores indevidamente retidos nas mencionadas faturas e, posteriormente, foi efetuada a devolução deste montante às prestadoras de serviços, a Recorrente faz jus ao reconhecimento do direito creditório, porquanto restou configurado o pagamento indevido, nos termos do inciso I do artigo 165 do Codigo Tributário Nacional. 10. Por estas razões, a Recorrente transmitiu declaração de compensação de débitos com crédito decorrente de pagamento indevido de CSRF, no valor original de R$ 17.247,10, relativamente a CSLL indevidamente retida por ocasião do pagamento das mencionadas faturas. 11. No entanto, tendo em vista a ausência de retificação da DCTF, foi proferido despacho decisório eletrônico não homologando a compensação declarada. 12. Em face deste despacho decisório, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, sustentando, preliminarmente, a nulidade do despacho decisório por preterição do direito de defesa e, no mérito, demonstrou, através de farta documentação a origem do direito creditório pleiteado. 13.A par de toda a argumentação e da farta documentação acostada aos autos pela Recorrente, a r. decisão recorrida recusou a nulidade alegada na manifestação de inconformidade, ao argumento de que "a contestação das informações contidas no Despacho Decisório, dos documentos juntados ou até mesmo de eventuais irregularidades dever ser realizada no momento posterior a decisão, com a apresentação de manifestação de inconformidade, iniciando o devido processo administrativo " (fl. 216). 14. Quanto ao mérito, a r. decisão recorrida manteve o indeferimento do direito creditório, ao argumento de que a recorrente não teria comprovado que os serviços prestados pela EDS diziam respeito ao serviço de processamento de dados e, ainda, que os serviços de marketing prestados pela VISA seriam equivalente aos serviços de “assessoria mercadológica”, previsto no caput do art. 30 da Lei 10.833/03 como sujeito à retenção das contribuições sociais. (...) 17. Após a prolação do despacho decisório que não reconheceu o direito creditório pleiteado, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade demonstrando a sua nulidade, em razão da ausência de intimação prévia para apresentação de informações e documentos que se fizessem necessários para o esclarecimento da origem do direito creditório pleiteado. 18. Ocorre, porém, que, em atitude inovadora no processo administrativo e violadora do §3° do artigo 59 do Decreto n° 70.235/72, a 6ª Turma da DRJ/RJ1 superou a nulidade do despacho decisório (em desfavor da Recorrente) e, o que é pior, manteve o indeferimento do direito creditório por argumento absolutamente diverso daquele invocado pelo despacho decisório. 19. Vale dizer, a 6ª Turma da DRJ/RJ1 decidiu: (I) recusar a nulidade do despacho decisório, ignorando o fato concreto de que a Recorrente jamais foi intimada pela Receita Federal do Brasil para apresentação de documentos ou informações sobre a origem do direito creditório pleiteado; e (II) manteve o indeferimento do direito creditório ao (novo) argumento de que a Recorrente não teria apresentado provas suficientes para o reconhecimento do direito creditório, o que jamais havia sido suscitado no curso do processo administrativo. 20. Evidentemente, ao superar a nulidade do despacho decisório e manter o indeferimento do direito creditório pleiteado por argumentos absolutamente diversos dos invocados pelo despacho decisório, a 6ª Turma da DRJ/RJ1 efetivamente causou prejuízo a Recorrente, cerceando o seu direito de defesa e violando o disposto no §3° do artigo 59 do Decreto n° 70.235/72. 21. Por estas razões, o recurso voluntário deve ser provido para decretar a nulidade tanto do despacho decisório quanto da r. decisão recorrida, tendo em vista que efetivamente causaram prejuizo para a Recorrente, cerceando o seu direito de defesa e impedindo a devida e necessária comprovação do direito creditório pleiteado. (...) 23. Por sua vez, na manifestação de inconformidade, a Recorrente demonstrou (e comprovou documentalmente) a origem do direito creditório, acostando para tanto os seguintes documentos para suportar sua argumentação: (I) cópia do Contrato de Prestação de Serviços firmado entre a Recorrente e a "EDS" (fls. 77/140); (II) cópia do Contrato de Prestação de Serviços firmado entre a Recorrente e a "VISA" (fls. 141/154); (III) cópia das faturas emitidas pelos prestadores de serviços, nas quais era discriminado qual o serviço que estaria sendo remunerado (fl. 155/158); (IV) cópias dos registros contábeis das retenções realizadas de forma equivocada (fls. 159/183); (V) cópias dos registros contábeis das retenções realizadas de forma equivocada (fls. 159/183); (VI) cópias dos DARFs indevidaemnte recolhidos pela recorrente a título de CSRF (fl.190); (VII) cópia da DCTF Retificadora relativa ao periodo de apuração de outubro de 2006, afastando a motivação do despacho decisório para o indeferimento do direito creditório (fls. 184/189). 24. No entanto, sobreveio a r. decisão recorrida mantendo o indeferimento do direito creditório pleiteado ao argumento de que, no que diz respeito às faturas emitidas pela prestadora EDS, a despeito do que consta expressamente nas faturas comerciais objeto de retenção indevida, não seria possível concluir que estas faturas teriam sido emitidas apenas e tão somente para remunerar os serviços de processamento de dados, e não todos os serviços compreendidos pelo Contrato de Prestação de Serviços entre a Recorrente e a "EDS" e a VISA. Confira-se trecho da decisão recorrida: (...) 25.Entretanto, e em vista deste (novo) entendimento manifestado pela 6ª Turma da DRJ/RJ1, fato é que, no curso do processo administrativo, a Recorrente jamais foi intimada para apresentar documentos adicionais, para esclarecimento da dúvida suscitada na r. decisão recorrida. 26. Ora, diante das informações prestadas na manifestação de inconformidade e do incontestável acervo probatório acostado aos autos, persistindo dúvidas quanto à origem do direito creditório pleiteado ou havendo a necessidade de novos esclarecimentos e documentos, é evidente, razoável e jurídico que a 6° Turma da DRJ/RJ1 deveria ter, ao menos devolvido os autos a repartição de origem e determinado a realização de diligência, intimando a Recorrente a apresentar as informações e os documentos que se fizessem necessários, e não simplesmente manter o indeferimento do direito creditório pleiteado... 27. Além de ter optado pelo "caminho mais curto e, também, mais curto", a 6ª Turma da DRJ/SP manteve o indeferimento do direito creditório pleiteado ao argumento de que não haveria, nos autos, prova de fatos em momento algum contestados pelo despacho decisório e dos quais, no curso do processo administrativo e da diligência fiscal, jamais o Recorrente foi intimada especificamente para se manifestar. 28. Também por essas razões, a prolação de decisão administrativa sem o correto exame do direito creditório pleiteado violou o disposto no artigo 76 da Instrução Normativa n° 1.300/2012, que estabelece o dever da autoridade administrativa de realizar as diligências necessárias para o esclarecimento do direito creditório pleiteado. Confira-se: "Art. 76. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório a apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. " (destaques da Recorrente) (...) 35. Assim, deve ser decretada a nulidade tanto do despacho decisório quanto da r. decisão recorrida, nos termos do inciso II do artigo 59 do Decreto n° 70.235/72, para que o crédito pleiteado pela Recorrente seja corretamente analisado pela autoridade administrativa competente. II.2 - DO MÉRITO II.2.1 - Dos Serviços Remunerados Pelas Faturas Emitidas pela “EDS” (...) 39.Por exemplo, para remuneração dos serviços prestados a título de suporte técnico em informática, em 17/12/2008, a "EDS" emitiu a Fatura n° 019754 (doc. 02), discriminando o serviço prestado de acordo com o Contrato de Prestação de Serviços, e informando as retenções, inclusive da CSRF, uma vez que este serviço específico está sujeito a retenção das contribuições sociais, de acordo com a inteligência do artigo 30 da Lei n° 10.833/2003. 40. Por outro lado, quando a "EDS" prestava os serviços de processamento de dados, era emitida fatura discriminando o serviço prestado, sem, contudo, o destaque das contribuições sociais retidas na fonte, porquanto este serviço específico nao está sujeito a esta retenção nos termos da legislação tributária de regência. 41. Neste contexto, em 06/10/2006 e 26/09/2006, a "EDS" emitiu as Faturas n°s 00000106, 11927 e 00000012, tendo em vista a prestação de serviços de processamento de dados e de assessoria em centrais de atendimento (Call Center), conforme discriminado na própria fatura comercial e, em razão de estes serviços não se enquadrarem nas hipóteses de retenção de que trata o artigo 30 da Lei n° 10.833/2003, a prestadora não destacou a CSRF. 42. No entanto, ao receber a fatura, a Recorrente, de forma automática (mas precipitada), calculou a retenção das contribuições sociais, pagando à EDS apenas a diferença da fatura e pagando ao fisco os tributos indevidamente retidos. Por decorrência, registrou a retenção em sua contabilidade (fls. 159/183). 43.Ao notar o equívoco cometido, a Recorrente procedeu à imediata devolução dos valores indevidamente retidos a "EDS" (fls. 192/197), conforme comprovado nos autos inclusive com a juntada dos documentos contábeis. 44. Assim, considerando que foram recolhidos os valores indevidamente retidos e que, posteriormente, foi efetuada a devolução deste montante à EDS, restou configurado o pagamento indevido, nos termos do inciso I do art. 165 do CTN, de modo que a Recorrente faz jus ao direito creditório pleiteado. 45. Porém, segundo a r. decisão recorrida, pela documentação acostada aos autos, não seria possível concluir que as faturas nºs 00000106, 11927 e 00000012 se prestaram para remunerar somente os serviços de processamento de dados e de assessoria em centrais de atendimento, serviços estes, aliás, que conforme reconhecido, não está sujeito à retenção da CSRF. 46. Entretanto, a premissa adotada pela r. decisão recorrida, absolutamente não pode prosperar, pois, conforme se observa do Contrato de Prestação de Serviços (fls. 77/140), cada serviço prestado pela "EDS" era faturado separadamente, com a devida discrição na própria fatura. 47. Com efeito, o Contrato de Prestação de Serviços firmado pela Recorrente e a “EDS” abrangia, sim, diversos serviços de tecnologia a serem prestados, tais como suporte técnico em informática, processamento de dados, entre outros. 48. Este contrato abrangia todos os serviços de tecnologia que poderiam ser prestados pela "EDS”, de modo que cada serviço era faturado separadamente, discriminando-se cada serviço na respectiva fatura comercial, de acordo com o contrato de prestação de serviços firmado entre as partes. (...) 51. No caso concreto, por sua vez, na cláusula 9.10 do Contrato de Prestação de Serviços estão previstas regras de faturamento diversas para "Processamento de Dados Normal" e "Processamento de Dados nos Ambientes de Desenvolvimento e Homologação", evidenciando que cada serviço era faturado separadamente (fl.117). 52. De fato, para o serviço de "Processamento de Dados Normal", o Contrato de Prestação de Serviços previa a seguinte regra de faturamento: "Para cada mês, durante o prazo de vigência dos Serviços de Ambiente Mainframe a CBMP deverá pagar à EDS a remuneração mensal prevista neste Anexo 2.1-A. Tal remuneração será faturada até o 5º dia útil subsequente ao mês de prestação dos Serviços, devendo ser paga pela CBMP em até 07 (sete) dias após a sua data de emissão, ou dia útil imediatamente posterior, caso o dia subsequente seja sábado, domingo ou feriado na Cidade de São Paulo e desde que a CBMP tenha recebido a fatura com 06 (seis) dias de antecedência do seu vencimento, a CBMP poderá atrasar o seu pagamento na mesma proporção do atraso na entrega." (destaques da Recorrente) 53. Por sua vez, a regra de faturamento para o serviço de "Processamento de Dados nos Ambientes de Desenvolvimento e Homologação" prevista no Contrato de Prestação de Serviços era a seguinte: "Tendo em vista que o período de apuração dos volumes de recursos consumidos compreende o período do dia 16 de um determinado mês ao dia 15 do mês subsequente, a EDS poderá levar mais do que 20 (vinte) dias para apurar os volumes mensais. Neste caso os Preços por Insumos poderão ser faturados ao final do mês subsequente ao mês de apuração do volume de recursos consumidos, com vencimento para o 10° (décimo) dia subsequente a data de emissão da fatura, ou dia útil imediatamente posterior, caso o 10º dia subsequente seja sábado, domingo ou feriado na Cidade de São Paulo. Na hipótese de a EDS conseguir apurar os volumes mensais em um prazo menor do que 20 (vinte) dias, em qualquer mês, a EDS poderá antecipar o faturamento dos Preços por insumos, sendo o pagamento devido no 10º dia subsequente a data da emissão da fatura " (destaques da Recorrente) (...) 56. E, no caso dos autos, a "EDS" indicou nas faturas n°s 00000106, 11927 e 00000012 apenas os serviços de processamento de dados e assessoria em centrais de atendimento, sendo exatamente esta a prova cabal para definir qual foi a prestação remunerada. 57.Diante dessas considerações, fica absolutamente desarticulada (e mesmo sem sentido) a premissa da r. decisão recorrida, de que as Faturas n°s 00000106, 11927 e 00000012 "poderiam" representar a cobrança conjunta de todos os serviços objeto do contrato firmado entre a Recorrente e a "EDS". (...) 78. Em outras palavras, enquanto o contrato firmado entre a Recorrente e a Visa dispõe sobre a divulgação da marca, a descrição utilizada pela r. decisão recorrida gira em torno do “estudo do mercado”(isto sim, mercadologia). (...) 80. Diante disso, constata-se que a definição utilizada pela r. decisão recorrida – diga-se, para “forçar” a equiparação entre marketing e assessoria mercadológica – não é a mais adequada, de modo que os serviços objeto da Fatura nº 00000030, emitida pela “Visa”não está incluído no rol exposto no caput do artigo 30 da Lei nº 10833/2003. 81. Assim, o serviço objeto da Fatura nº 00000030, emitida pela Visa para remuneração de serviços de marketing (e não de assessoria mercadológica) não está sujeita à retenção da CSRF, de modo que a r. decisão recorrida deve ser reformada, para reconhecer o direito creditório pleiteado. (...) 83. Com efeito, o artigo 30 da Lei nº 10.833/2003 dispõe sobre a retenção de contribuições sociais. Confira-se: (...) 84. Da leitura do dispositivo legal, nota-se que o serviço tomado pela Recorrente (processamento de dados) não consta expressamente do rol de serviços sujeitos à retenção das contribuições sociais. 85. Contudo, ao final das hipóteses de retenção das contribuições sociais listadas pelo artigo 30 da Lei n° 10.833/2003, o legislador fez referência ao termo "remuneração de serviços profissionais" como um dos casos que se faz obrigatória a retenção da CSRF. 86.Diante da imprecisão do termo utilizado pelo legislador, sobreveio a Instrução Normativa n° 459/2004 dispondo sobre a retenção de tributos e contribuições nos pagamentos efetuados pelas pessoas jurídicas de direito privado a outras pessoas jurídicas pela prestação de serviços. Confira-se: "Art. 1° Os pagamentos efetuados pelas pessoas jurídicas de direito privado a outras pessoas jurídicas de direito privado, pela prestação de serviços de limpeza, conservação, manutenção, segurança, vigilância, transporte de valores e locação de mão-de-obra, pela prestação de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção e riscos, administração de contas a pagar e a receber, bem como pela remuneração de serviços profissionais, estão sujeitos à retenção na fonte da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofns) e da Contribuição para o PIS/Pasep (...). § 2° Para fins do disposto neste artigo, entende-se como serviços: (...) IV - profissionais aqueles relacionados no § 1° do art. 647 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 – Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999), inclusive quando prestados por cooperativas ou associações profissionais, aplicando-se, para fins da retenção das contribuições, os mesmos critérios de interpretação adotados em atos normativos expedidos pela Secretaria da Receita Federal para a retenção do imposto de renda. (destaques da Recorrente) 87. Como se observa, a própria Receita Federal do Brasil determinou que a interpretação do artigo 30 da Lei n° 10.833/2003 deve ser feita à luz do disposto no §1° do artigo 647 do Regulamento do Imposto de Renda. (...) 90. E nem se alegue que o serviço de processamento de dados estaria inserido no tópico de "programação", uma vez que estes se diferenciam. 91. Com efeito, a primeira oportunidade em que os serviços de programação e processamento de dados surgiram nos textos legais foi na Lei Complementar n° 56/87, na qual ja se dispunha separadamente os serviços em questão, o primeiro como item n° 23 e o segundo n° 22. Confira-se: (...) 92. Posteriormente, corroborando a ideia de que esses serviços não se confundem, a Lei Complementar n° 116/2003 também veicula esses serviços em itens separados, quais sejam, item 1.02 (programação) e 1.03 (processamento de dados). (...) 101. Pelo exposto, é a presente para requerer o provimento do recurso voluntário. para: (I) decretar a nulidade da r. decisão recorrida e, se o caso, também do despacho decisório, com a prolação de nova decisão administrativa; ou, caso assim não se entenda, (II) reformar a r. decisão recorrida, para reconhecer o direito creditório pleiteado e, por conseguinte, homologar a compensação declarada.” É o relatório. Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior - Relator.
Nome do relator: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Declarou-se impedido o Conselheiro Rogério Aparecido Gil. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e José Roberto Adelino da Silva. RELATÓRIO Versa o presente processo sobre recurso voluntário, interposto pelo contribuinte em face do Acórdão nº 12-62.734 da 6ª Turma da DRJ/RJ1, o qual foi assim ementado: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano-calendário: 2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. REMUNERAÇÃO DE SERVIÇOS PROFISSIONAIS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS RETIDAS NA FONTE. Comprovado que as importâncias pagas pela prestação dos serviços profissionais estão sujeitas à retenção das contribuições sociais, não há direito creditório a ser reconhecido. Manifestação de Inconformidade Improcedente  A recorrente, cientificada do Acórdão nº 12-62.734 em 05/03/2015 (Termo a fls. 233), interpôs, em 30/03/2015 (vide Termo a fls. 328), recurso voluntário (doc. a fls. 235 e segs.), o qual aduz, em apertada síntese, as seguintes razões de defesa: 1. Trata-se, na origem, de declaração de compensação de débito com crédito decorrente de pagamento indevido, efetuado em 14/11/2006, a título de Contribuições Sociais Retidas na Fonte (codigo 5952), no valor original de R$ 17.247,10.  2. Com efeito, a Recorrente é pessoa juridica de direito privado que se dedica à prestação de serviços de credenciamento de estabelecimentos comerciais e de estabelecimentos prestadores de serviços para a aceitação de cartões de crédito e de débito, bem como outros meios de pagamento ou meios eletrônicos para registro e aprovações de transações não-financeiras. 3. Para consecução de suas atividades empresariais, a Recorrente firmou contrato de prestação de serviços de tecnologia com a empresa Eds Data Systems do Brasil Ltda. ("EDS" - fls. 77/140) e Visa do Brasil Empreendimentos Ltda. (“Visa” – fls. 141/154), que, para sua remuneração, emitia fatura mensalmente, discriminando os serviços prestados. 4. Nesse cenário, durante os meses de setembro e outubro de 2006. Os mencionados prestadores de serviços emitiram faturas para que fossem remunerados os serviços prestados, as quais podem ser verificadas no quadro abaixo: 5. Ao receber as faturas para pagamento destes serviços, a Recorrente, de forma automática (mas precipitada), calculou a retenção na fonte dos tributos devidos por cada um dos pagamentos, chegando aos seguintes valores (totais): 6. Diante disso, sobre as mencionadas faturas, a Recorrente procedeu à retenção do valor de R$ 112.106,12, pagando aos prestadores de serviços apenas a diferença das faturas comerciais e recolhendo os tributos retidos. 7. Ocorre que os serviços tomados pela Recorrente relativos às mencionadas faturas (processamento de dados e marketing) não estão sujeitos à retenção das contribuições sociais, justamente por não estar incluído na lista de serviços constante do artigo 30 da Lei n° 10.833/2003. Confira-se o teor do dispositivo legal: (...) 8.Ao notar o equívoco, a Recorrente efetuou a devolução dos valores indevidamente retidos às prestadoras de serviços, conforme comprovado nos autos. 9. Assim, considerando que foram pagos ao fisco os valores indevidamente retidos nas mencionadas faturas e, posteriormente, foi efetuada a devolução deste montante às prestadoras de serviços, a Recorrente faz jus ao reconhecimento do direito creditório, porquanto restou configurado o pagamento indevido, nos termos do inciso I do artigo 165 do Codigo Tributário Nacional. 10. Por estas razões, a Recorrente transmitiu declaração de compensação de débitos com crédito decorrente de pagamento indevido de CSRF, no valor original de R$ 17.247,10, relativamente a CSLL indevidamente retida por ocasião do pagamento das mencionadas faturas. 11. No entanto, tendo em vista a ausência de retificação da DCTF, foi proferido despacho decisório eletrônico não homologando a compensação declarada. 12. Em face deste despacho decisório, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, sustentando, preliminarmente, a nulidade do despacho decisório por preterição do direito de defesa e, no mérito, demonstrou, através de farta documentação a origem do direito creditório pleiteado. 13.A par de toda a argumentação e da farta documentação acostada aos autos pela Recorrente, a r. decisão recorrida recusou a nulidade alegada na manifestação de inconformidade, ao argumento de que "a contestação das informações contidas no Despacho Decisório, dos documentos juntados ou até mesmo de eventuais irregularidades dever ser realizada no momento posterior a decisão, com a apresentação de manifestação de inconformidade, iniciando o devido processo administrativo " (fl. 216). 14. Quanto ao mérito, a r. decisão recorrida manteve o indeferimento do direito creditório, ao argumento de que a recorrente não teria comprovado que os serviços prestados pela EDS diziam respeito ao serviço de processamento de dados e, ainda, que os serviços de marketing prestados pela VISA seriam equivalente aos serviços de “assessoria mercadológica”, previsto no caput do art. 30 da Lei 10.833/03 como sujeito à retenção das contribuições sociais. (...) 17. Após a prolação do despacho decisório que não reconheceu o direito creditório pleiteado, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade demonstrando a sua nulidade, em razão da ausência de intimação prévia para apresentação de informações e documentos que se fizessem necessários para o esclarecimento da origem do direito creditório pleiteado. 18. Ocorre, porém, que, em atitude inovadora no processo administrativo e violadora do §3° do artigo 59 do Decreto n° 70.235/72, a 6ª Turma da DRJ/RJ1 superou a nulidade do despacho decisório (em desfavor da Recorrente) e, o que é pior, manteve o indeferimento do direito creditório por argumento absolutamente diverso daquele invocado pelo despacho decisório. 19. Vale dizer, a 6ª Turma da DRJ/RJ1 decidiu: (I) recusar a nulidade do despacho decisório, ignorando o fato concreto de que a Recorrente jamais foi intimada pela Receita Federal do Brasil para apresentação de documentos ou informações sobre a origem do direito creditório pleiteado; e (II) manteve o indeferimento do direito creditório ao (novo) argumento de que a Recorrente não teria apresentado provas suficientes para o reconhecimento do direito creditório, o que jamais havia sido suscitado no curso do processo administrativo. 20. Evidentemente, ao superar a nulidade do despacho decisório e manter o indeferimento do direito creditório pleiteado por argumentos absolutamente diversos dos invocados pelo despacho decisório, a 6ª Turma da DRJ/RJ1 efetivamente causou prejuízo a Recorrente, cerceando o seu direito de defesa e violando o disposto no §3° do artigo 59 do Decreto n° 70.235/72. 21. Por estas razões, o recurso voluntário deve ser provido para decretar a nulidade tanto do despacho decisório quanto da r. decisão recorrida, tendo em vista que efetivamente causaram prejuizo para a Recorrente, cerceando o seu direito de defesa e impedindo a devida e necessária comprovação do direito creditório pleiteado. (...) 23. Por sua vez, na manifestação de inconformidade, a Recorrente demonstrou (e comprovou documentalmente) a origem do direito creditório, acostando para tanto os seguintes documentos para suportar sua argumentação: (I) cópia do Contrato de Prestação de Serviços firmado entre a Recorrente e a "EDS" (fls. 77/140); (II) cópia do Contrato de Prestação de Serviços firmado entre a Recorrente e a "VISA" (fls. 141/154); (III) cópia das faturas emitidas pelos prestadores de serviços, nas quais era discriminado qual o serviço que estaria sendo remunerado (fl. 155/158); (IV) cópias dos registros contábeis das retenções realizadas de forma equivocada (fls. 159/183); (V) cópias dos registros contábeis das retenções realizadas de forma equivocada (fls. 159/183); (VI) cópias dos DARFs indevidaemnte recolhidos pela recorrente a título de CSRF (fl.190); (VII) cópia da DCTF Retificadora relativa ao periodo de apuração de outubro de 2006, afastando a motivação do despacho decisório para o indeferimento do direito creditório (fls. 184/189). 24. No entanto, sobreveio a r. decisão recorrida mantendo o indeferimento do direito creditório pleiteado ao argumento de que, no que diz respeito às faturas emitidas pela prestadora EDS, a despeito do que consta expressamente nas faturas comerciais objeto de retenção indevida, não seria possível concluir que estas faturas teriam sido emitidas apenas e tão somente para remunerar os serviços de processamento de dados, e não todos os serviços compreendidos pelo Contrato de Prestação de Serviços entre a Recorrente e a "EDS" e a VISA. Confira-se trecho da decisão recorrida: (...) 25.Entretanto, e em vista deste (novo) entendimento manifestado pela 6ª Turma da DRJ/RJ1, fato é que, no curso do processo administrativo, a Recorrente jamais foi intimada para apresentar documentos adicionais, para esclarecimento da dúvida suscitada na r. decisão recorrida. 26. Ora, diante das informações prestadas na manifestação de inconformidade e do incontestável acervo probatório acostado aos autos, persistindo dúvidas quanto à origem do direito creditório pleiteado ou havendo a necessidade de novos esclarecimentos e documentos, é evidente, razoável e jurídico que a 6° Turma da DRJ/RJ1 deveria ter, ao menos devolvido os autos a repartição de origem e determinado a realização de diligência, intimando a Recorrente a apresentar as informações e os documentos que se fizessem necessários, e não simplesmente manter o indeferimento do direito creditório pleiteado... 27. Além de ter optado pelo "caminho mais curto e, também, mais curto", a 6ª Turma da DRJ/SP manteve o indeferimento do direito creditório pleiteado ao argumento de que não haveria, nos autos, prova de fatos em momento algum contestados pelo despacho decisório e dos quais, no curso do processo administrativo e da diligência fiscal, jamais o Recorrente foi intimada especificamente para se manifestar. 28. Também por essas razões, a prolação de decisão administrativa sem o correto exame do direito creditório pleiteado violou o disposto no artigo 76 da Instrução Normativa n° 1.300/2012, que estabelece o dever da autoridade administrativa de realizar as diligências necessárias para o esclarecimento do direito creditório pleiteado. Confira-se: "Art. 76. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório a apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. " (destaques da Recorrente) (...) 35. Assim, deve ser decretada a nulidade tanto do despacho decisório quanto da r. decisão recorrida, nos termos do inciso II do artigo 59 do Decreto n° 70.235/72, para que o crédito pleiteado pela Recorrente seja corretamente analisado pela autoridade administrativa competente. II.2 - DO MÉRITO II.2.1 - Dos Serviços Remunerados Pelas Faturas Emitidas pela “EDS” (...) 39.Por exemplo, para remuneração dos serviços prestados a título de suporte técnico em informática, em 17/12/2008, a "EDS" emitiu a Fatura n° 019754 (doc. 02), discriminando o serviço prestado de acordo com o Contrato de Prestação de Serviços, e informando as retenções, inclusive da CSRF, uma vez que este serviço específico está sujeito a retenção das contribuições sociais, de acordo com a inteligência do artigo 30 da Lei n° 10.833/2003. 40. Por outro lado, quando a "EDS" prestava os serviços de processamento de dados, era emitida fatura discriminando o serviço prestado, sem, contudo, o destaque das contribuições sociais retidas na fonte, porquanto este serviço específico nao está sujeito a esta retenção nos termos da legislação tributária de regência. 41. Neste contexto, em 06/10/2006 e 26/09/2006, a "EDS" emitiu as Faturas n°s 00000106, 11927 e 00000012, tendo em vista a prestação de serviços de processamento de dados e de assessoria em centrais de atendimento (Call Center), conforme discriminado na própria fatura comercial e, em razão de estes serviços não se enquadrarem nas hipóteses de retenção de que trata o artigo 30 da Lei n° 10.833/2003, a prestadora não destacou a CSRF. 42. No entanto, ao receber a fatura, a Recorrente, de forma automática (mas precipitada), calculou a retenção das contribuições sociais, pagando à EDS apenas a diferença da fatura e pagando ao fisco os tributos indevidamente retidos. Por decorrência, registrou a retenção em sua contabilidade (fls. 159/183). 43.Ao notar o equívoco cometido, a Recorrente procedeu à imediata devolução dos valores indevidamente retidos a "EDS" (fls. 192/197), conforme comprovado nos autos inclusive com a juntada dos documentos contábeis. 44. Assim, considerando que foram recolhidos os valores indevidamente retidos e que, posteriormente, foi efetuada a devolução deste montante à EDS, restou configurado o pagamento indevido, nos termos do inciso I do art. 165 do CTN, de modo que a Recorrente faz jus ao direito creditório pleiteado. 45. Porém, segundo a r. decisão recorrida, pela documentação acostada aos autos, não seria possível concluir que as faturas nºs 00000106, 11927 e 00000012 se prestaram para remunerar somente os serviços de processamento de dados e de assessoria em centrais de atendimento, serviços estes, aliás, que conforme reconhecido, não está sujeito à retenção da CSRF. 46. Entretanto, a premissa adotada pela r. decisão recorrida, absolutamente não pode prosperar, pois, conforme se observa do Contrato de Prestação de Serviços (fls. 77/140), cada serviço prestado pela "EDS" era faturado separadamente, com a devida discrição na própria fatura. 47. Com efeito, o Contrato de Prestação de Serviços firmado pela Recorrente e a “EDS” abrangia, sim, diversos serviços de tecnologia a serem prestados, tais como suporte técnico em informática, processamento de dados, entre outros. 48. Este contrato abrangia todos os serviços de tecnologia que poderiam ser prestados pela "EDS”, de modo que cada serviço era faturado separadamente, discriminando-se cada serviço na respectiva fatura comercial, de acordo com o contrato de prestação de serviços firmado entre as partes. (...) 51. No caso concreto, por sua vez, na cláusula 9.10 do Contrato de Prestação de Serviços estão previstas regras de faturamento diversas para "Processamento de Dados Normal" e "Processamento de Dados nos Ambientes de Desenvolvimento e Homologação", evidenciando que cada serviço era faturado separadamente (fl.117). 52. De fato, para o serviço de "Processamento de Dados Normal", o Contrato de Prestação de Serviços previa a seguinte regra de faturamento: "Para cada mês, durante o prazo de vigência dos Serviços de Ambiente Mainframe a CBMP deverá pagar à EDS a remuneração mensal prevista neste Anexo 2.1-A. Tal remuneração será faturada até o 5º dia útil subsequente ao mês de prestação dos Serviços, devendo ser paga pela CBMP em até 07 (sete) dias após a sua data de emissão, ou dia útil imediatamente posterior, caso o dia subsequente seja sábado, domingo ou feriado na Cidade de São Paulo e desde que a CBMP tenha recebido a fatura com 06 (seis) dias de antecedência do seu vencimento, a CBMP poderá atrasar o seu pagamento na mesma proporção do atraso na entrega." (destaques da Recorrente) 53. Por sua vez, a regra de faturamento para o serviço de "Processamento de Dados nos Ambientes de Desenvolvimento e Homologação" prevista no Contrato de Prestação de Serviços era a seguinte: "Tendo em vista que o período de apuração dos volumes de recursos consumidos compreende o período do dia 16 de um determinado mês ao dia 15 do mês subsequente, a EDS poderá levar mais do que 20 (vinte) dias para apurar os volumes mensais. Neste caso os Preços por Insumos poderão ser faturados ao final do mês subsequente ao mês de apuração do volume de recursos consumidos, com vencimento para o 10° (décimo) dia subsequente a data de emissão da fatura, ou dia útil imediatamente posterior, caso o 10º dia subsequente seja sábado, domingo ou feriado na Cidade de São Paulo. Na hipótese de a EDS conseguir apurar os volumes mensais em um prazo menor do que 20 (vinte) dias, em qualquer mês, a EDS poderá antecipar o faturamento dos Preços por insumos, sendo o pagamento devido no 10º dia subsequente a data da emissão da fatura " (destaques da Recorrente) (...) 56. E, no caso dos autos, a "EDS" indicou nas faturas n°s 00000106, 11927 e 00000012 apenas os serviços de processamento de dados e assessoria em centrais de atendimento, sendo exatamente esta a prova cabal para definir qual foi a prestação remunerada. 57.Diante dessas considerações, fica absolutamente desarticulada (e mesmo sem sentido) a premissa da r. decisão recorrida, de que as Faturas n°s 00000106, 11927 e 00000012 "poderiam" representar a cobrança conjunta de todos os serviços objeto do contrato firmado entre a Recorrente e a "EDS". (...) 78. Em outras palavras, enquanto o contrato firmado entre a Recorrente e a Visa dispõe sobre a divulgação da marca, a descrição utilizada pela r. decisão recorrida gira em torno do “estudo do mercado”(isto sim, mercadologia). (...) 80. Diante disso, constata-se que a definição utilizada pela r. decisão recorrida – diga-se, para “forçar” a equiparação entre marketing e assessoria mercadológica – não é a mais adequada, de modo que os serviços objeto da Fatura nº 00000030, emitida pela “Visa”não está incluído no rol exposto no caput do artigo 30 da Lei nº 10833/2003. 81. Assim, o serviço objeto da Fatura nº 00000030, emitida pela Visa para remuneração de serviços de marketing (e não de assessoria mercadológica) não está sujeita à retenção da CSRF, de modo que a r. decisão recorrida deve ser reformada, para reconhecer o direito creditório pleiteado. (...) 83. Com efeito, o artigo 30 da Lei nº 10.833/2003 dispõe sobre a retenção de contribuições sociais. Confira-se: (...) 84. Da leitura do dispositivo legal, nota-se que o serviço tomado pela Recorrente (processamento de dados) não consta expressamente do rol de serviços sujeitos à retenção das contribuições sociais. 85. Contudo, ao final das hipóteses de retenção das contribuições sociais listadas pelo artigo 30 da Lei n° 10.833/2003, o legislador fez referência ao termo "remuneração de serviços profissionais" como um dos casos que se faz obrigatória a retenção da CSRF. 86.Diante da imprecisão do termo utilizado pelo legislador, sobreveio a Instrução Normativa n° 459/2004 dispondo sobre a retenção de tributos e contribuições nos pagamentos efetuados pelas pessoas jurídicas de direito privado a outras pessoas jurídicas pela prestação de serviços. Confira-se: "Art. 1° Os pagamentos efetuados pelas pessoas jurídicas de direito privado a outras pessoas jurídicas de direito privado, pela prestação de serviços de limpeza, conservação, manutenção, segurança, vigilância, transporte de valores e locação de mão-de-obra, pela prestação de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção e riscos, administração de contas a pagar e a receber, bem como pela remuneração de serviços profissionais, estão sujeitos à retenção na fonte da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofns) e da Contribuição para o PIS/Pasep (...). § 2° Para fins do disposto neste artigo, entende-se como serviços: (...) IV - profissionais aqueles relacionados no § 1° do art. 647 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 – Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999), inclusive quando prestados por cooperativas ou associações profissionais, aplicando-se, para fins da retenção das contribuições, os mesmos critérios de interpretação adotados em atos normativos expedidos pela Secretaria da Receita Federal para a retenção do imposto de renda. (destaques da Recorrente) 87. Como se observa, a própria Receita Federal do Brasil determinou que a interpretação do artigo 30 da Lei n° 10.833/2003 deve ser feita à luz do disposto no §1° do artigo 647 do Regulamento do Imposto de Renda. (...) 90. E nem se alegue que o serviço de processamento de dados estaria inserido no tópico de "programação", uma vez que estes se diferenciam. 91. Com efeito, a primeira oportunidade em que os serviços de programação e processamento de dados surgiram nos textos legais foi na Lei Complementar n° 56/87, na qual ja se dispunha separadamente os serviços em questão, o primeiro como item n° 23 e o segundo n° 22. Confira-se: (...) 92. Posteriormente, corroborando a ideia de que esses serviços não se confundem, a Lei Complementar n° 116/2003 também veicula esses serviços em itens separados, quais sejam, item 1.02 (programação) e 1.03 (processamento de dados). (...) 101. Pelo exposto, é a presente para requerer o provimento do recurso voluntário. para: (I) decretar a nulidade da r. decisão recorrida e, se o caso, também do despacho decisório, com a prolação de nova decisão administrativa; ou, caso assim não se entenda, (II) reformar a r. decisão recorrida, para reconhecer o direito creditório pleiteado e, por conseguinte, homologar a compensação declarada.” É o relatório. Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior - Relator.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1100; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C3T2  Fl. 331          1 330  S1­C3T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  13896.911329/2009­59  Recurso nº            Voluntário  Resolução nº  1302­000.480  –  3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária  Data  10 de abril de 2017  Assunto  Saneamento.  Recorrente  COMPANHIA BRASILEIRA DE MEIOS DE PAGAMENTO (ATUAL  CIELO S/A)  Interessado  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter  o  julgamento  em  diligência,  nos  termos  do  voto  do  relator.  Declarou­se  impedido  o  Conselheiro Rogério Aparecido Gil.    (assinado digitalmente)  Luiz Tadeu Matosinho Machado ­ Presidente.    (assinado digitalmente)  Alberto Pinto Souza Junior ­ Relator.      Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho  Machado  (Presidente),  Alberto  Pinto  Souza  Júnior,  Marcos  Antonio  Nepomuceno  Feitosa,  Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e José Roberto Adelino da Silva.               RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 96 .9 11 32 9/ 20 09 -5 9 Fl. 337DF CARF MF Processo nº 13896.911329/2009­59  Resolução nº  1302­000.480  S1­C3T2  Fl. 332            2 RELATÓRIO  Versa o presente processo sobre recurso voluntário, interposto pelo contribuinte  em face do Acórdão nº 12­62.734 da 6ª Turma da DRJ/RJ1, o qual foi assim ementado:  ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA  Ano­calendário: 2006  DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA.  REMUNERAÇÃO DE SERVIÇOS PROFISSIONAIS.  CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS RETIDAS NA FONTE.  Comprovado que as importâncias pagas pela prestação dos serviços  profissionais estão sujeitas à retenção das contribuições sociais, não há  direito creditório a ser reconhecido.  Manifestação de Inconformidade Improcedente     A recorrente, cientificada do Acórdão nº 12­62.734 em 05/03/2015 (Termo a  fls. 233), interpôs, em 30/03/2015 (vide Termo a fls. 328), recurso voluntário (doc. a fls. 235 e  segs.), o qual aduz, em apertada síntese, as seguintes razões de defesa:  1. Trata­se,  na origem, de declaração de compensação  de  débito  com crédito  decorrente  de  pagamento  indevido,  efetuado  em  14/11/2006,  a  título  de  Contribuições Sociais Retidas na Fonte (codigo 5952), no valor original de R$  17.247,10.   2. Com efeito, a Recorrente é pessoa juridica de direito privado que se dedica  à prestação de serviços de credenciamento de estabelecimentos comerciais e  de  estabelecimentos  prestadores  de  serviços  para  a  aceitação  de  cartões  de  crédito  e  de  débito,  bem  como  outros  meios  de  pagamento  ou  meios  eletrônicos para registro e aprovações de transações não­financeiras.  3.  Para  consecução  de  suas  atividades  empresariais,  a  Recorrente  firmou  contrato  de  prestação  de  serviços  de  tecnologia  com  a  empresa  Eds  Data  Systems  do  Brasil  Ltda. ("EDS"  ­  fls.  77/140)  e  Visa  do  Brasil  Empreendimentos  Ltda.  (“Visa”  –  fls.  141/154),  que,  para  sua  remuneração,  emitia fatura mensalmente, discriminando os serviços prestados.  4.  Nesse  cenário,  durante  os  meses  de  setembro  e  outubro  de  2006.  Os  mencionados  prestadores  de  serviços  emitiram  faturas  para  que  fossem  remunerados os serviços prestados, as quais podem ser verificadas no quadro  abaixo:    5.  Ao  receber  as  faturas  para  pagamento  destes  serviços,  a  Recorrente,  de  forma automática (mas precipitada), calculou a retenção na fonte dos tributos  devidos por cada um dos pagamentos, chegando aos seguintes valores (totais):  Fl. 338DF CARF MF Processo nº 13896.911329/2009­59  Resolução nº  1302­000.480  S1­C3T2  Fl. 333            3   6.  Diante  disso,  sobre  as  mencionadas  faturas,  a  Recorrente  procedeu  à  retenção  do  valor  de  R$  112.106,12,  pagando  aos  prestadores  de  serviços  apenas a diferença das faturas comerciais e recolhendo os tributos retidos.   7. Ocorre que os serviços tomados pela Recorrente relativos às mencionadas  faturas  (processamento  de  dados  e marketing)  não  estão  sujeitos  à  retenção  das  contribuições  sociais,  justamente  por  não  estar  incluído  na  lista  de  serviços constante do artigo 30 da Lei n° 10.833/2003. Confira­se o  teor do  dispositivo legal:   (...)  8.  Ao  notar  o  equívoco,  a  Recorrente  efetuou  a  devolução  dos  valores  indevidamente retidos às prestadoras de serviços, conforme comprovado nos  autos.   9. Assim,  considerando que  foram pagos  ao  fisco  os  valores  indevidamente  retidos  nas mencionadas  faturas  e,  posteriormente,  foi  efetuada  a  devolução  deste  montante  às  prestadoras  de  serviços,  a  Recorrente  faz  jus  ao  reconhecimento  do  direito  creditório,  porquanto  restou  configurado  o  pagamento  indevido,  nos  termos  do  inciso  I  do  artigo  165  do  Codigo  Tributário Nacional.   10.   Por  estas  razões,  a  Recorrente transmitiu declaração de compensação  de débitos com crédito decorrente de pagamento indevido de CSRF, no valor  original  de  R$  17.247,10,  relativamente  a  CSLL  indevidamente  retida  por  ocasião do pagamento das mencionadas faturas.   11.  No  entanto,  tendo  em  vista  a  ausência  de  retificação  da  DCTF,  foi  proferido  despacho  decisório  eletrônico  não  homologando  a  compensação  declarada.   12. Em face deste despacho decisório, a Recorrente apresentou manifestação  de  inconformidade,  sustentando,  preliminarmente,  a  nulidade  do  despacho  decisório por preterição do direito de defesa e, no mérito, demonstrou, através  de farta documentação a origem do direito creditório pleiteado.   13.  A  par  de  toda  a  argumentação  e  da  farta  documentação  acostada  aos  autos  pela  Recorrente,  a  r.  decisão  recorrida  recusou  a  nulidade  alegada  na  manifestação  de  inconformidade,  ao  argumento  de  que  "a  contestação  das  informações contidas no Despacho Decisório, dos documentos juntados ou até  mesmo de eventuais irregularidades dever ser realizada no momento posterior  a decisão, com a apresentação de manifestação de inconformidade, iniciando  o devido processo administrativo " (fl. 216).  14.  Quanto  ao  mérito,  a  r.  decisão  recorrida  manteve  o  indeferimento  do  direito creditório, ao argumento de que a recorrente não teria comprovado que  os serviços prestados pela EDS diziam respeito ao serviço de processamento  de dados e, ainda, que os serviços de marketing prestados pela VISA seriam  Fl. 339DF CARF MF Processo nº 13896.911329/2009­59  Resolução nº  1302­000.480  S1­C3T2  Fl. 334            4 equivalente aos serviços de “assessoria mercadológica”, previsto no caput do  art. 30 da Lei 10.833/03 como sujeito à retenção das contribuições sociais.   (...)  17.  Após  a  prolação  do  despacho  decisório  que  não  reconheceu  o  direito  creditório pleiteado, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade  demonstrando a sua nulidade, em razão da ausência de intimação prévia para  apresentação de informações e documentos que se fizessem necessários para o  esclarecimento da origem do direito creditório pleiteado.   18. Ocorre,  porém,  que,  em  atitude  inovadora  no  processo  administrativo  e  violadora  do  §3°  do  artigo  59  do  Decreto  n°  70.235/72,  a  6ª  Turma  da  DRJ/RJ1  superou  a  nulidade  do  despacho  decisório  (em  desfavor  da  Recorrente) e, o que é pior, manteve o indeferimento do direito creditório por  argumento absolutamente diverso daquele invocado pelo despacho decisório.  19.  Vale  dizer,  a  6ª  Turma  da  DRJ/RJ1  decidiu:  (I)  recusar  a  nulidade  do  despacho decisório, ignorando o fato concreto de que a Recorrente jamais foi  intimada pela Receita Federal do Brasil para apresentação de documentos ou  informações  sobre a origem do direito creditório pleiteado; e  (II) manteve o  indeferimento do direito creditório ao (novo) argumento de que a Recorrente  não  teria  apresentado  provas  suficientes  para  o  reconhecimento  do  direito  creditório,  o  que  jamais  havia  sido  suscitado  no  curso  do  processo  administrativo.   20. Evidentemente,  ao  superar  a nulidade do despacho decisório e manter o  indeferimento  do  direito  creditório  pleiteado  por  argumentos  absolutamente  diversos  dos  invocados  pelo  despacho  decisório,  a  6ª  Turma  da  DRJ/RJ1  efetivamente causou prejuízo a Recorrente, cerceando o seu direito de defesa  e violando o disposto no §3° do artigo 59 do Decreto n° 70.235/72.   21. Por estas razões, o recurso voluntário deve ser provido para decretar  a  nulidade  tanto  do  despacho  decisório  quanto  da  r.  decisão  recorrida,  tendo  em vista  que  efetivamente  causaram prejuizo  para  a Recorrente,  cerceando  o  seu  direito  de  defesa  e  impedindo  a  devida  e  necessária  comprovação do direito creditório pleiteado.   (...)  23. Por sua vez, na manifestação de inconformidade, a Recorrente demonstrou  (e  comprovou  documentalmente)  a  origem  do  direito  creditório,  acostando  para tanto os seguintes documentos para suportar sua argumentação:     (I)  cópia  do  Contrato  de  Prestação  de  Serviços  firmado  entre  a  Recorrente e a "EDS" (fls. 77/140);     (II)  cópia  do  Contrato  de  Prestação  de  Serviços  firmado  entre  a  Recorrente e a "VISA" (fls. 141/154);    (III) cópia das faturas emitidas pelos prestadores de serviços, nas quais  era discriminado qual o serviço que estaria sendo remunerado (fl. 155/158);     (IV)  cópias  dos  registros  contábeis  das  retenções  realizadas  de  forma  equivocada (fls. 159/183);  Fl. 340DF CARF MF Processo nº 13896.911329/2009­59  Resolução nº  1302­000.480  S1­C3T2  Fl. 335            5   (V)  cópias  dos  registros  contábeis  das  retenções  realizadas  de  forma  equivocada (fls. 159/183);    (VI)  cópias  dos  DARFs  indevidaemnte  recolhidos  pela  recorrente  a  título de CSRF (fl.190);    (VII)  cópia da DCTF Retificadora  relativa  ao periodo de  apuração de  outubro  de  2006,  afastando  a  motivação  do  despacho  decisório  para  o  indeferimento do direito creditório (fls. 184/189).   24. No entanto, sobreveio a r. decisão recorrida mantendo o indeferimento do  direito creditório pleiteado ao argumento de que, no que diz respeito às faturas  emitidas  pela  prestadora  EDS,  a  despeito  do  que  consta  expressamente  nas  faturas comerciais objeto de retenção indevida, não seria possível concluir que  estas  faturas  teriam  sido  emitidas  apenas  e  tão  somente  para  remunerar  os  serviços de processamento de dados, e não todos os serviços compreendidos  pelo  Contrato  de  Prestação  de  Serviços  entre  a  Recorrente  e  a  "EDS"  e  a  VISA. Confira­se trecho da decisão recorrida:   (...)  25.  Entretanto,  e  em vista  deste  (novo)  entendimento manifestado  pela  6ª  Turma  da  DRJ/RJ1,  fato  é  que,  no  curso  do  processo  administrativo,  a  Recorrente  jamais  foi  intimada  para  apresentar  documentos  adicionais,  para  esclarecimento da dúvida suscitada na r. decisão recorrida.   26. Ora, diante das informações prestadas na manifestação de inconformidade  e do  incontestável acervo probatório acostado aos autos, persistindo dúvidas  quanto à origem do direito creditório pleiteado ou havendo a necessidade de  novos esclarecimentos e documentos, é evidente, razoável e jurídico que a 6°  Turma da DRJ/RJ1 deveria  ter, ao menos devolvido os autos a repartição de  origem  e  determinado  a  realização  de  diligência,  intimando  a  Recorrente  a  apresentar as informações e os documentos que se fizessem necessários, e não  simplesmente manter o indeferimento do direito creditório pleiteado...  27. Além de ter optado pelo "caminho mais curto e, também, mais curto", a 6ª  Turma da DRJ/SP manteve o indeferimento do direito creditório pleiteado ao  argumento de que não haveria, nos autos, prova de fatos em momento algum  contestados  pelo  despacho  decisório  e  dos  quais,  no  curso  do  processo  administrativo  e  da  diligência  fiscal,  jamais  o  Recorrente  foi  intimada  especificamente para se manifestar.   28.  Também  por  essas  razões,  a  prolação  de  decisão  administrativa  sem  o  correto exame do direito creditório pleiteado violou o disposto no artigo 76 da  Instrução  Normativa  n°  1.300/2012,  que  estabelece  o  dever  da  autoridade  administrativa de realizar as diligências necessárias para o esclarecimento do  direito creditório pleiteado. Confira­se:   "Art.  76.  A  autoridade  da  RFB  competente  para  decidir  sobre  a  restituição,  o  ressarcimento,  o  reembolso  e  a  compensação  poderá  condicionar  o  reconhecimento  do  direito  creditório  a  apresentação  de  documentos  comprobatórios  do  referido  direito,  inclusive  arquivos  magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos  estabelecimentos  do  sujeito  passivo  a  fim  de  que  seja  verificada,  Fl. 341DF CARF MF Processo nº 13896.911329/2009­59  Resolução nº  1302­000.480  S1­C3T2  Fl. 336            6 mediante  exame  de  sua  escrituração  contábil  e  fiscal,  a  exatidão  das  informações prestadas. " (destaques da Recorrente)   (...)  35. Assim, deve ser decretada a nulidade tanto do despacho decisório quanto  da  r.  decisão  recorrida,  nos  termos  do  inciso  II  do  artigo  59  do Decreto  n°  70.235/72,  para  que  o  crédito  pleiteado  pela  Recorrente  seja  corretamente  analisado pela autoridade administrativa competente.   II.2 ­ DO MÉRITO   II.2.1 ­ Dos Serviços Remunerados Pelas Faturas Emitidas pela “EDS”  (...)  39.  Por  exemplo,  para  remuneração  dos  serviços  prestados  a  título  de  suporte  técnico em  informática, em 17/12/2008, a "EDS" emitiu a Fatura n°  019754 (doc. 02), discriminando o serviço prestado de acordo com o Contrato  de Prestação de Serviços, e informando as retenções, inclusive da CSRF, uma  vez  que  este  serviço  específico  está  sujeito  a  retenção  das  contribuições  sociais, de acordo com a inteligência do artigo 30 da Lei n° 10.833/2003.   40. Por outro lado, quando a "EDS" prestava os serviços de processamento de  dados,  era  emitida  fatura discriminando o  serviço prestado,  sem,  contudo, o  destaque  das  contribuições  sociais  retidas  na  fonte,  porquanto  este  serviço  específico nao está sujeito a esta retenção nos termos da legislação tributária  de regência.   41. Neste contexto, em 06/10/2006 e 26/09/2006, a "EDS" emitiu as Faturas  n°s 00000106, 11927 e 00000012,  tendo em vista a prestação de serviços de  processamento  de  dados  e  de  assessoria  em  centrais  de  atendimento  (Call  Center),  conforme  discriminado  na  própria  fatura  comercial  e,  em  razão  de  estes  serviços  não  se  enquadrarem  nas  hipóteses  de  retenção  de  que  trata  o  artigo 30 da Lei n° 10.833/2003, a prestadora não destacou a CSRF.   42. No entanto, ao receber a fatura, a Recorrente, de forma automática (mas  precipitada),  calculou  a  retenção  das  contribuições  sociais,  pagando  à  EDS  apenas  a  diferença  da  fatura  e  pagando  ao  fisco  os  tributos  indevidamente  retidos.  Por  decorrência,  registrou  a  retenção  em  sua  contabilidade  (fls.  159/183).   43.  Ao  notar  o  equívoco  cometido,  a  Recorrente  procedeu  à  imediata  devolução  dos  valores  indevidamente  retidos  a  "EDS"  (fls.  192/197),  conforme  comprovado  nos  autos  inclusive  com  a  juntada  dos  documentos  contábeis.   44.  Assim,  considerando  que  foram  recolhidos  os  valores  indevidamente  retidos e que, posteriormente, foi efetuada a devolução deste montante à EDS,  restou configurado o pagamento indevido, nos termos do inciso I do art. 165  do CTN, de modo que a Recorrente faz jus ao direito creditório pleiteado.   45.  Porém,  segundo  a  r.  decisão  recorrida,  pela  documentação  acostada  aos  autos,  não  seria  possível  concluir  que  as  faturas  nºs  00000106,  11927  e  00000012 se prestaram para remunerar somente os serviços de processamento  Fl. 342DF CARF MF Processo nº 13896.911329/2009­59  Resolução nº  1302­000.480  S1­C3T2  Fl. 337            7 de dados e de assessoria em centrais de atendimento, serviços estes, aliás, que  conforme reconhecido, não está sujeito à retenção da CSRF.   46.  Entretanto,  a  premissa  adotada  pela  r.  decisão  recorrida,  absolutamente  não pode prosperar,  pois,  conforme  se observa do Contrato de Prestação de  Serviços  (fls.  77/140),  cada  serviço  prestado  pela  "EDS"  era  faturado  separadamente, com a devida discrição na própria fatura.  47. Com efeito, o Contrato de Prestação de Serviços firmado pela Recorrente  e a “EDS” abrangia, sim, diversos serviços de tecnologia a serem prestados,  tais  como  suporte  técnico  em  informática,  processamento  de  dados,  entre  outros.   48. Este contrato abrangia todos os serviços de tecnologia que poderiam ser  prestados pela "EDS”, de modo que cada serviço era faturado separadamente,  discriminando­se cada serviço na respectiva fatura comercial, de acordo com  o contrato de prestação de serviços firmado entre as partes.   (...)  51. No caso concreto, por sua vez, na cláusula 9.10 do Contrato de Prestação  de  Serviços  estão  previstas  regras  de  faturamento  diversas  para  "Processamento  de  Dados  Normal"  e  "Processamento  de  Dados  nos  Ambientes  de  Desenvolvimento  e  Homologação",  evidenciando  que  cada  serviço era faturado separadamente (fl.117).   52. De fato, para o serviço de "Processamento de Dados Normal", o Contrato  de Prestação de Serviços previa a seguinte regra de faturamento:   "Para cada mês, durante o prazo de vigência dos Serviços de Ambiente  Mainframe  a  CBMP  deverá  pagar  à  EDS  a  remuneração  mensal  prevista neste Anexo 2.1­A. Tal remuneração será faturada até o 5º  dia útil subsequente ao mês de prestação dos Serviços, devendo ser  paga pela CBMP em até 07 (sete) dias após a sua data de emissão,  ou dia útil imediatamente posterior, caso o dia subsequente seja sábado,  domingo ou feriado na Cidade de São Paulo e desde que a CBMP tenha  recebido a fatura com 06 (seis) dias de antecedência do seu vencimento,  a CBMP poderá atrasar o seu pagamento na mesma proporção do atraso  na entrega." (destaques da Recorrente)  53. Por sua vez, a regra de faturamento para o serviço de "Processamento de  Dados  nos  Ambientes  de  Desenvolvimento  e  Homologação"  prevista  no  Contrato de Prestação de Serviços era a seguinte:   "Tendo em vista  que  o período  de  apuração dos  volumes  de  recursos  consumidos compreende o período do dia 16 de um determinado mês  ao  dia  15  do mês  subsequente,  a  EDS  poderá  levar mais  do  que  20  (vinte) dias para apurar os volumes mensais. Neste caso os Preços por  Insumos poderão ser faturados ao final do mês subsequente ao mês de  apuração do volume de  recursos  consumidos,  com vencimento para o  10°  (décimo) dia  subsequente a data de emissão da  fatura,  ou dia útil  imediatamente  posterior,  caso  o  10º  dia  subsequente  seja  sábado,  domingo  ou  feriado  na  Cidade  de  São  Paulo.  Na  hipótese  de  a  EDS  conseguir  apurar os  volumes mensais  em um prazo menor  do  que  20  (vinte) dias,  em qualquer mês,  a EDS poderá  antecipar o  faturamento  Fl. 343DF CARF MF Processo nº 13896.911329/2009­59  Resolução nº  1302­000.480  S1­C3T2  Fl. 338            8 dos  Preços  por  insumos,  sendo  o  pagamento  devido  no  10º  dia  subsequente a data da emissão da fatura " (destaques da Recorrente)   (...)  56. E, no caso dos autos, a "EDS" indicou nas faturas n°s 00000106, 11927 e  00000012  apenas  os  serviços  de  processamento  de  dados  e  assessoria  em  centrais de atendimento, sendo exatamente esta a prova cabal para definir qual  foi a prestação remunerada.  57.  Diante  dessas  considerações,  fica  absolutamente  desarticulada  (e  mesmo sem sentido) a premissa da r. decisão recorrida, de que as Faturas n°s  00000106, 11927 e 00000012 "poderiam" representar a cobrança conjunta de  todos os serviços objeto do contrato firmado entre a Recorrente e a "EDS".    (...)  78. Em outras palavras,  enquanto o  contrato  firmado entre  a Recorrente  e  a  Visa dispõe sobre a divulgação da marca, a descrição utilizada pela r. decisão  recorrida gira em torno do “estudo do mercado”(isto sim, mercadologia).  (...)  80. Diante disso, constata­se que a definição utilizada pela r. decisão recorrida  –  diga­se,  para  “forçar”  a  equiparação  entre  marketing  e  assessoria  mercadológica – não é a mais adequada, de modo que os serviços objeto da  Fatura nº 00000030, emitida pela “Visa”não está  incluído no rol exposto no  caput do artigo 30 da Lei nº 10833/2003.  81. Assim,  o  serviço  objeto  da  Fatura  nº  00000030,  emitida  pela Visa  para  remuneração  de  serviços  de marketing  (e  não  de  assessoria mercadológica)  não está sujeita à retenção da CSRF, de modo que a r. decisão recorrida deve  ser reformada, para reconhecer o direito creditório pleiteado.  (...)  83. Com efeito, o artigo 30 da Lei nº 10.833/2003 dispõe sobre a retenção de  contribuições sociais. Confira­se:  (...)  84.  Da  leitura  do  dispositivo  legal,  nota­se  que  o  serviço  tomado  pela  Recorrente  (processamento  de  dados)  não  consta  expressamente  do  rol  de  serviços sujeitos à retenção das contribuições sociais.  85.  Contudo,  ao  final  das  hipóteses  de  retenção  das  contribuições  sociais  listadas pelo artigo 30 da Lei n° 10.833/2003, o  legislador  fez  referência ao  termo "remuneração de serviços profissionais" como um dos casos que se faz  obrigatória a retenção da CSRF.   86.  Diante  da  imprecisão  do  termo  utilizado  pelo  legislador,  sobreveio  a  Instrução  Normativa  n°  459/2004  dispondo  sobre  a  retenção  de  tributos  e  contribuições  nos  pagamentos  efetuados  pelas  pessoas  jurídicas  de  direito  privado a outras pessoas jurídicas pela prestação de serviços. Confira­se:    Fl. 344DF CARF MF Processo nº 13896.911329/2009­59  Resolução nº  1302­000.480  S1­C3T2  Fl. 339            9 "Art.  1°  Os  pagamentos  efetuados  pelas  pessoas  jurídicas  de  direito  privado a outras pessoas jurídicas de direito privado, pela prestação de  serviços  de  limpeza,  conservação, manutenção,  segurança,  vigilância,  transporte  de  valores  e  locação  de  mão­de­obra,  pela  prestação  de  serviços  de  assessoria  creditícia,  mercadológica,  gestão  de  crédito,  seleção e riscos, administração de contas a pagar e a receber, bem como  pela remuneração de serviços profissionais, estão sujeitos à retenção na  fonte  da  Contribuição  Social  sobre  o  Lucro  Líquido  (CSLL),  da  Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofns) e da  Contribuição para o PIS/Pasep  (...).   § 2° Para fins do disposto neste artigo, entende­se como serviços:   (...)   IV  ­  profissionais  aqueles  relacionados  no  §  1°  do  art.  647  do  Decreto  nº  3.000,  de  26  de  março  de  1999  –  Regulamento  do  Imposto  de  Renda  (RIR/1999),  inclusive  quando  prestados  por  cooperativas ou associações profissionais, aplicando­se, para fins da  retenção  das  contribuições,  os  mesmos  critérios  de  interpretação  adotados em atos normativos expedidos pela Secretaria da Receita  Federal  para  a  retenção  do  imposto  de  renda.  (destaques  da  Recorrente)   87. Como  se observa,  a própria Receita Federal  do Brasil determinou que a  interpretação  do  artigo  30  da  Lei  n°  10.833/2003  deve  ser  feita  à  luz  do  disposto no §1° do artigo 647 do Regulamento do Imposto de Renda.   (...)  90. E nem se alegue que o serviço de processamento de dados estaria inserido  no tópico de "programação", uma vez que estes se diferenciam.  91. Com efeito, a primeira oportunidade em que os serviços de programação e  processamento de dados surgiram nos textos legais foi na Lei Complementar  n°  56/87,  na  qual  ja  se  dispunha  separadamente  os  serviços  em  questão,  o  primeiro como item n° 23 e o segundo n° 22. Confira­se:   (...)  92.  Posteriormente,  corroborando  a  ideia  de  que  esses  serviços  não  se  confundem, a Lei Complementar n° 116/2003 também veicula esses serviços  em  itens  separados,  quais  sejam,  item  1.02  (programação)  e  1.03  (processamento de dados).   (...)  101.     Pelo   exposto,   é   a   presente   para requerer o provimento do recurso  voluntário. para:   (I)  decretar  a  nulidade  da  r.  decisão  recorrida  e,  se  o  caso,  também  do  despacho decisório, com a prolação de nova decisão administrativa; ou, caso  assim não se entenda,   Fl. 345DF CARF MF Processo nº 13896.911329/2009­59  Resolução nº  1302­000.480  S1­C3T2  Fl. 340            10 (II)  reformar  a  r.  decisão  recorrida,  para  reconhecer  o  direito  creditório  pleiteado e, por conseguinte, homologar a compensação declarada.”    É o relatório.    Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior ­ Relator.    O recurso voluntário é tempestivo e foi subscrito por mandatário com poderes  para tal (Daniel Lacasa Maya), razão pela qual voto por conhecê­lo.    Inicialmente,  afasto  a  preliminar  de  nulidade  da  decisão  recorrida,  pois  o  julgador está preso ao pedido, não aos fundamentos, ou seja, o julgador da DRJ poderia chegar  a mesma conclusão do despacho decisório por outros motivos, como também poderia ter dado  provimento à manifestação de inconformidade da recorrente por outros  fundamentos que não  aqueles por ela aduzidos. Em verdade, no novel CPC foi introduzido o princípio da vedação da  decisão surpresa (art. 10), para evitar situações como essa contra a qual se insurge a recorrente.  Ocorre porém que, ainda que se sustente que tal princípio se aplicaria ao PAF, por força do art.  15  da  Lei  13.105/15  (novo  CPC),  tal  lei  não  vigorava  quando  foi  proferida  a  decisão  de  primeira instância,  logo, não estava a DRJ obrigada a ouvir previamente a recorrente sobre o  fundamento orientador de sua decisão. Por essa razão, voto por afastar a preliminar de nulidade  da decisão de primeira instância.    No que toca à alegação de descumprimento do art. 76 da Instrução Normativa  n°  1.300/2012,  a  recorrente  incorre  em  rotundo  equívoco,  pois  tal  dispositivo  prevê  a  possibilidade  de  autoridade  tributária  realizar  as  diligências  que  achar  necessária, mas  não  a  obriga a tomar tal providência se, ao seu juízo, elas não se fazem necessárias. Por esse motivo,  também voto por afastar a preliminar de nulidade neste ponto.    Quanto à alegação de nulidade do despacho decisório, não há também que ser  acolhida,  pois  a  própria  recorrente  admite,  em  seu  recurso,  que  só  retificou  a DCTF  após  a  ciência  do  teor  do  Despacho  Decisório,  logo,  só  cabia  à  Autoridade  Fiscal  negar  a  homologação da compensação, já que os créditos pleiteados tinham sido utilizados para pagar  débitos confessados pela própria recorrente.    Assim,  voto  também  por  afastar  a  preliminar  de  nulidade  do  despacho  decisório.    Ultrapassadas as preliminares, a primeira questão que se coloca para análise  deste Colegiado é saber se, admitido pela recorrente de que só retificou a DCTF (para excluir  débitos  antes  confessados  e  assim  fazer  nascer  o  indébito)  após  a  ciência  do  despacho  decisório,  haveria  como  reformar  o Despacho Decisório  que  decidiu  em  consonância  com  a  situação fática à época em que proferido?     Em outro julgado, no qual o recorrente não adotou a providência de retificar a  DCTF, assim decidir:  “Acrescento à bem fundamentada decisão da DRJ/REC que, enquanto  não  retificada  a  DCTF,  o  débito  ali  confessado  subsiste,  logo,  se  possível  fosse  restituir  o  alegado  direito  creditório,  sem  que  a  recorrente promovesse a prévia retificação da DCTF, teríamos o melhor  dos mundos para a recorrente, pois, além de ter sido restituída do valor  pago, passaria a estar formalmente protegida de qualquer multa sobre o  IRPJ lançado de ofício até o valor declarado na DCTF (já que não foi  retificada), qualquer que fosse a infração constatada, já que não incide  multa de ofício sobre débito declarado em DCTF.”.  Fl. 346DF CARF MF Processo nº 13896.911329/2009­59  Resolução nº  1302­000.480  S1­C3T2  Fl. 341            11   Ocorrre que há duas diferenças  importantes  entre a  situação  ali  julgada  e  a  que ora analisamos: primeiro, por óbvio, nestes autos, o recorrente retificou a DCTF antes de  apresentar  a  manifestação  de  inconformidade;  segundo,  neste  processo,  o  recorrente  não  é  sujeito passivo direto da CSRF declarada na DCTF, mas  apenas  assumiu um múnus público  (de reter e recolher) por ser fonte pagadora dos valores sobre os quais incidiu a CSRF.    Note­se que o  recorrente não estava sob  fiscalização, assim, o mero fato de  ter  sido proferido um despacho decisório não era obstáculo para que ele  retificasse  a DCTF.  Ademais, legítima a retificação da DCTF sob o ponto de vista formal. Se era ou não devida a  CSRF  sobre  a  operação  em  tela  é  algo  que  devemos  discutir  no  mérito,  sendo  que,  caso  positiva  a  resposta,  poderá  importar  na  não­homologação  da  compensação,  não  obstante  a  recorrente tenha retificado a DCTF.     In  casu,  a  DCTF  não  tem  o  efeito  constitutivo  do  crédito  tributário,  como  teria se estivéssemos tratando de tributo do qual o recorrente fosse efetivamente sujeito passivo  direto. Ora, a recorrente, na condição de fonte pagadora, não era contribuinte das contribuições  sociais por ela retida fonte, logo, se não houvesse retenção e recolhimento, estaria ela sujeita  apenas a sanção prevista no art. 9º da Lei 10.426/02, razão pela qual, nesta hipótese, sustento  que não há necessidade de prévia retificação de DCTF para se pleiteiar a CSRF indevidamente  recolhida  e  nela  declarado.  Sustento  que,  para  CSRF,  a  DCTF  tem  caráter  meramente  informativo ao Fisco.    Ademais,  a  decisão  proferida  em  despacho  decisório  decorre  de  um  juízo  ainda  precário  e  superficial,  pois  que  resultante  de  mera  análise  de  dados  constantes  de  sistemas  operacionais  da RFB,  sem que  seja  sequer  oportunizado  à  recorrente  expor  as  suas  razões.  Tanto  que,  se  a  recorrente  tivesse  tido  o  cuidado  de  retificar  a  DCTF  antes  de  apresentar  o  PerDcomp,  talvez  o  despacho  decisório  chegasse  a  outra  conclusão  acerca  do  pedido.    Por  essas  razões,  sustento  legítima  a  retificação  de DCTF  realizada  após  a  ciência do despacho decisório.    O objeto deste processo é o PER/Dcomp a fls. 3, no qual a recorrente pleiteia  a  compensação  de  crédito  relativo  a  Contribuições  sociais  retidas  na  fonte  (Cód.  de  receita  5952) no valor original de R$ 17.247,10.    O recolhimento feito com o código de arrecadação 5952 refere­se a “retenção  contribuições  pagt  de  PJ  a  PJ  dir  priv  –  CSLL/Cofins/PIS”,  ou  seja,  um  DARF  com  esse  código  significa  que  o  valor  ali  recolhido  se  refere  à  retenção  de CSLL,  PIS  e Cofins. Não  obstante, a recorrente alega, em seu recurso, que os R$ 17.247,10 referem­se apenas à CSLL  por  ele  retida  na  fonte  sobre  o  pagamento  efetuado  à EDS Eletronic Data  Systems  do  Brasil Ltda. ( ref. às 3 notas fiscais a fls. 163 a 165) e à Visa do Brasil Empreendimentos  Ltda. (ref. a nota fiscal a fls. 166).    Tratando­se  de  tributo  do  qual  o  recorrente  não  é  contribuinte,  mas  mera  fonte  pagadora  obrigada  a  reter  e  recolher  a  referida  contribuição,  a  primeira  questão  a  ser  verificada reside em saber se a recorrente assumiu o encargo financeiro relativo a tributo por  ela retido na fonte ou se está autorizada pelo contribuinte (EDS) a pedir a restituição, ex vi art.  166 do CTN, in verbis:  “Art.  166.  A  restituição  de  tributos  que  comportem,  por  sua  natureza,  transferência  do  respectivo  encargo  financeiro  somente  será feita a quem prove haver assumido o referido encargo, ou, no  caso  de  tê­lo  transferido  a  terceiro,  estar  por  este  expressamente  autorizado a recebê­la.”.        Alega  o  recorrente  que,  ao  concluir  que  não  era  devida  a  retenção  da  CSLL,  procedeu  a  imediata  devolução  dos  valores  indevidamente  retidos  aos  fornecedores.  No  recurso  voluntário,  a  recorrente  limita­se  a  alegar  que  restava  Fl. 347DF CARF MF Processo nº 13896.911329/2009­59  Resolução nº  1302­000.480  S1­C3T2  Fl. 342            12 comprovado nos autos que teria havido a referida devolução dos valores à EDS e à Visa,  mas não juntou ou mesmo indicou qualquer documento que provasse o alegado e, pior,  junto uma Declaração  a  fls.  282 que  é  totalmente  impertinente à questão  tratada neste  autos (em verdade, tal declaração se refere a outros processos da recorrente, referentes a  restituição de valores recolhidos em 2005). Por sua vez, no parágrafo 32 da manifestação  de  inconformidade (a fls. 20), a recorrente afirma que prova tal devolução por meio do  “doc.  11”,  ocorre  que,  entre  os  documentos  juntados  com  a  manifestação,  não  há  qualquer  numeração,  além  do  que  não  constatei  nenhum  capaz  de  demonstrar  a  ocorrência da referida devolução. Por outro  lado,  tal questão não foi sequer enfrentada  pela DRJ,  razão  pela  qual  entendo que  a  recorrente  deva  ser  intimada  a  comprovar  a  referida  devolução  à  EDS  e  à  VISA,  dos  valores  retidos  a  título  de  CSRF  sobre  os  pagamentos referentes às Notas Fiscais a fls. 163 a 166.         Além  disso,  vale  perquirir  qual  o  documento  que  prova  que  a  recorrente  recolheu aos Cofres públicos CSLL – retida na fonte no valor de R$ 17.247,10. O único DARF  que consta dos autos  é aquele a  fls. 201, cujo código de  receita é 5952, o qual é  referido na  PerDcomp em tela (a fls. 4) como origem do crédito em questão. Ora, pelo DARF a fls. 201,  cujo código de receita é 5952, houve o recolhimento de R$ 119.196,59, valor que não coincide  com a CSRF (CSLL, PIS e Cofins) que o recorrente deveria recolher sobre os faturamentos no  valor  de  R$  1.724.709,54.  Note­se  que,  pelo  §  1º  do  art.  31  da  Lei  10.833/03,  sobre  um  pagamento  a  PJ  no  valor  de  R$  1.724.709,54,  deveria  ser  retida  CSRF  no  valor  de  R$  86.235,48 (referente a CSLL no valor de R$ 17.247,09, Cofins no valor de R$ 51.741,28 e PIS  no valor de R$ 11.210,61.     A  recorrente  alega,  no  seu  recurso  voluntário  (parágrafos  4  a  6,  transcritos  nos  relatório)  que  recolheu  R$  112.108,12  de  CSRF  sobre  os  pagamentos  referentes  a  NF  a  fls.  1163  a  166.  Resta,  então,  saber  por  qual  DARF  o  recorrente  recolheu a CSRF (CSLL, PIS e Cofins) acima mencionada, pois, conforme já visto, há um  descompasso entre o valor que deveria incidir sobre o valor das notas fiscais e aquele do  DARF indicado.     Por outro lado, na DCTF­retificadora a fls. 197, foi declarado um débito no  valor  de R$  474.065,22,  código  de  receita  5952­02,  referente  ao  período  de  apuração  da  2ª  quinzena  de  outubro  de  2006.  Ocorre  que  também  aqui  falta  a  recorrente  esclarecer  como  chegou  no  valor  de  R$  474.065,22  a  partir  dos  faturamentos  que  foram  informados  em  planilhas a fls. 167 e segs..    Além  disso,  há  que  se  vincular  recolhimentos  de  CSRF  ao  pagamento  relativo a notas fiscais a fls. 163 a 166, para que se possa adentrar ao mérito deste julgamento,  ou seja, se era indevida ou não a retenção de CSRF sobre o pagamento em tela.     Vale  ressaltar  que  a  situação  em  tela  torna­se  ainda  mais  intrincada  porque, pelo que alega a recorrente, além de recolher as contribuições CSLL/PIS/Cofins  em DARFs distintos, embora sob o código de receita 5259 (CSRF), cumulou em cada um  dos DARF  a  contribuição  retida  na  fonte  incidente  sobre  pagamentos  feitos  a  diversos  fornecedores,  ou  seja,  não  somente  à  VISA  e  EDS.  Note­se  que  não  consta  dos  autos  comprovante de pagamento das referidas notas fiscais.    Além disso, não foi juntado aos autos a DIRF relativa às retenções feitas no  ano  de  2006  (art.  12,  §  2º,  da  IN  SRF  nº  459/2004),  o  que  poderia,  s.m.j,  permitir  a  identificação do valor total das retenções feitas pela recorrente na segunda quinzena de outubro  de  2006,  valor  esse que  poderia  ser  confrontado  com  o  total  dos  recolhimentos  feitos  sob  o  código 5259 e assim apurar se efetivamente houve um recolhimento a maior no montante de  R$ 112.106,12 (valor da CSRF incidente sobre as notas fiscais em tela).     Note­se  que  também  não  foi  juntado  aos  autos  o  Comprovante  Anual  de  Fl. 348DF CARF MF Processo nº 13896.911329/2009­59  Resolução nº  1302­000.480  S1­C3T2  Fl. 343            13 Retenção de CSRF (art. 12, § 1º, da IN SRF SRF nº 459/2004) relativo aos fornecedores EDS e  VISA.    Como  as  questões  levantadas  nesta  resolução  nunca  foram  questionadas  à  recorrente, entendo que lhe deve ser concedida a oportunidade de aclarar os fatos.    Sustento  que  a  elucidação  dos  pontos  acima  ressaltados  é  questão  preliminar a ser ressolvida antes mesmo da discussão do mérito, ou seja, antes mesmo de  se  julgar  se  havia  ou  não  incidência  de  CSRF  sobre  as  operações  referentes  as  Notas  Fiscais a fls. 163 a 166.    Vale, ainda, ressaltar que, tendo sido feitos os recolhimentos sob o código  5259, não há que se perquirir por um recolhimento de CSLL­retida na fonte, mas apenas  se houve ou não o recolhimento de CSRF sobre os pagamentos das notas fiscais em tela.  Assim,  esta diligência  se  torna  também  relevante para  o deslinde da questão posta nos  autos  dos  PAFs  nºs  13896.911328/2009­12  e  13896.911330/2009­83,  os  quais  versam,  respectivamente, sobre pedidos de compensação de PIS­retido na fonte e Cofins­retido na  fonte  sobre  os mesmos  pagamentos  objetos  das Notas Fiscais  a  fls.  163  a  166.  Por  essa  razão,  entendo que esses dois processos  (13896.911328/2009­12  e  13896.911330/2009­83)  devem ser vinculados a estes autos, para fins de julgamento em conjunto, nos termos do  art. 6º do Anexo II do RICARF.          Em  face  do  exposto,  voto  por  converter  o  julgamento  em  diligência,  para:      I­  a  Secam/3ªCâm./1ªSejul  apensar  os  autos  dos  PAFs  nº  13896.911328/2009­12 e 13896.911330/2009­83 a este processo e, posteriormente, remeter os  autos para a Unidade de Origem; e      II ­ a Unidade de Origem:      a) informar todas as retenções de CSRF declaradas pela recorrente relativas à  2ª quinzena de outubro de 2006, juntando, se possível, aos autos, as folhas da DIRF (art. 12, §  2º, da IN SRF nº 459/2004);        b)  informar  todos  os  recolhimentos  feitos  pela  recorrente  com  o  código  de  receita 5259, referentes ao período de apuração 2ª quinzena de outubro de 2006, juntando, se  possível, os extratos do Sinal­pagamento;        c) verificar se o total dos recolhimentos de que trata a letra “b”acima supera  em  R$  112.106,12  o  montante  das  retenções  abordadas  na  letra  “a”  retro,  caso  contrário,  intimar a recorrente a responder como se deu o recolhimento da CSRF sobre os pagamento das  notas fiscais a fls. 163 a 166;        d) intimar a recorrente a:    d.1)  provar,  com  documentos  idôneos,  que  devolveu  à  EDS  Eletronic Data Systems do Brasil Ltda. o valor da CSRF retida sobre os pagamentos das  notas fiscais a fls. 163 a 165;    d.2)  provar,  com  documentos  idôneos,  que  devolveu  à  Visa  do  Brasil Empreendimentos Ltda. o valor da CSRF retida sobre as notas fiscais a fls. 166;    d.2)  apresentar  os  Comprovantes  Anuais  de  Retenção  de  CSRF  em  2006 (art. 12, § 1º, da IN SRF SRF nº 459/2004), relativos aos fornecedor EDS e VISA;    d.3)  esclarecer  outros  pontos  que  a  Unidade  de  Origem  entenda  Fl. 349DF CARF MF Processo nº 13896.911329/2009­59  Resolução nº  1302­000.480  S1­C3T2  Fl. 344            14 necessários para o deslinde das questões postas;        e) emitir relatório final de diligência, pronunciando­se sobre a existência de  recolhimento no montante de R$ 112.106,12, a título de CSRF sobre os pagamentos sobre das  notas fiscais a fls. 163 a 165;        f) dar  ciência do  relatório  final  de diligência  ao  recorrente,  concedendo­lhe  prazo para se manifestar nos autos; e        g)  retornar  os  autos  para  este  Colegiado,  após  cumpridos  os  itens  da  diligência, para julgamento deste processos com os dois apensados.        Alberto Pinto Souza Junior                    Fl. 350DF CARF MF

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Numero do processo: 10875.002958/2003-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jul 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 1998 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO CONFIGURADA. Diante do cotejo dos votos vencido e vencedor, há a contradição entre a ementa, o dispositivo e a fundamentação do acórdão embargado, pois não prevaleceu o entendimento na turma julgadora de que o lançamento seria nulo. Logo, a ementa deve ser retificada para: LANÇAMENTO LAVRADO PARA PREVENÇÃO DA DECADÊNCIA. DEPÓSITO JUDICIAL DO MONTANTE INTEGRAL DO TRIBUTO. Demonstrado que os depósitos judiciais efetuados pelo contribuinte correspondem ao montante integral declarado, é indevida a cobrança de juros de mora. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, dar provimento parcial por maioria de votos, para cancelar a incidência de juros de mora. Vencido o relator. Designado o conselheiro Rangel Perrucci Fiorin para redação do voto vencedor. O Presidente da Turma esteve ausente momentaneamente, onde o julgamento foi conduzido pelo seu substituto eventual, conselheiro Belchiox Melo de Sousa. Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 3301-003.658
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos formulados, sem efeitos infringentes, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Marcos Roberto da Silva, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO

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3301­003.658  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  25 de maio de 2017  Matéria  Contribuição para o PIS/Pasep  Embargante  Fazenda Nacional  Interessado  Locar Transportes Técnicos e Guidastes Ltda.    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Ano­calendário: 1998  EMBARGOS  DE  DECLARAÇÃO.  CONTRADIÇÃO  CONFIGURADA.  Diante  do  cotejo  dos  votos  vencido  e  vencedor,  há  a  contradição  entre  a  ementa,  o  dispositivo  e  a  fundamentação  do  acórdão  embargado,  pois  não  prevaleceu  o  entendimento  na  turma  julgadora  de  que  o  lançamento  seria  nulo. Logo, a ementa deve ser retificada para:  LANÇAMENTO  LAVRADO  PARA  PREVENÇÃO  DA  DECADÊNCIA.  DEPÓSITO  JUDICIAL  DO  MONTANTE  INTEGRAL DO TRIBUTO.   Demonstrado  que  os  depósitos  judiciais  efetuados  pelo  contribuinte  correspondem  ao  montante  integral  declarado,  é  indevida a cobrança de juros de mora.  Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.   Acordam os membros do colegiado, dar provimento parcial por  maioria de votos, para cancelar a  incidência de juros de mora.  Vencido  o  relator.  Designado  o  conselheiro  Rangel  Perrucci  Fiorin para redação do voto vencedor. O Presidente da Turma  esteve  ausente  momentaneamente,  onde  o  julgamento  foi  conduzido  pelo  seu  substituto  eventual,  conselheiro  Belchiox  Melo de Sousa.  Embargos Acolhidos.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os  embargos formulados, sem efeitos infringentes, na forma do relatório e do voto que integram o  presente julgado.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 00 29 58 /2 00 3- 51 Fl. 290DF CARF MF     2 Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Luiz Augusto  do  Couto  Chagas  (Presidente),  José  Henrique  Mauri,  Marcelo  Costa  Marques  D'Oliveira,  Maria Eduarda Alencar  Câmara  Simões, Antonio Carlos  da Costa Cavalcanti  Filho, Marcos  Roberto da Silva, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.    Relatório  Os presentes Embargos de Declaração foram opostos em face do Acórdão nº  3803­01.203, prolatado pela extinta 3ª Turma Especial, assim ementado:    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Ano­calendário: 1998  AUTO  DE  INFRAÇÃO  ELETRÔNICO  ­  NULIDADE  ­  ALTERAÇÃO  DOS  FUNDAMENTOS  DE  FATO  NO  JULGAMENTO DE SEGUNDA INSTÂNCIA.  Se a autuação toma como pressuposto de fato a inexistência de  processo  judicial  em  nome  do  contribuinte,  e  o  contribuinte  demonstra  a  existência  desta  ação,  bem  como  que  figura  no  pólo ativo, deve­se reconhecer a nulidade do  lançamento por  absoluta  falta  de  amparo  fático.  Não  há  como  manter  a  exigência fiscal por outros fatos e fundamentos, sendo aqueles  especificamente  indicados no  lançamento. Teoria dos motivos  determinantes.   Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.   Acordam os membros do colegiado, dar provimento parcial por  maioria de votos, para cancelar a  incidência de juros de mora.  Vencido  o  relator.  Designado  o  conselheiro  Rangel  Perrucci  Fiorin para redação do voto vencedor. O Presidente da Turma  esteve  ausente  momentaneamente,  onde  o  julgamento  foi  conduzido  pelo  seu  substituto  eventual,  conselheiro  Belchiox  Melo de Sousa.     A decisão final da turma, conforme o voto vencedor do Conselheiro Rangel  Perrucci Fiorin, por maioria de votos, foi no sentido de dar provimento parcial ao recurso, apenas  para cancelar a incidência de juros de mora. Naquela oportunidade, o relator foi vencido.  Os  embargos  foram  propostos  pela  Fazenda  Nacional  para  ver  sanada  a  contradição  referente  à  nulidade  ou  não  do  lançamento,  uma vez  que pela  leitura  da  ementa  entende­se que houve nulidade, enquanto o dispositivo da decisão e a fundamentação do voto  vencedor apontam para ausência de nulidade.  Os embargos foram admitidos, conforme o despacho de fls. 288­289.  É o relatório.    Fl. 291DF CARF MF Processo nº 10875.002958/2003­51  Acórdão n.º 3301­003.658  S3­C3T1  Fl. 291          3 Voto             Razão assiste à embargante, pois a ementa do julgado reflete o entendimento  do voto vencido do Relator, conforme se demonstra a seguir.  Repise­se novamente a ementa do julgado:  AUTO  DE  INFRAÇÃO  ELETRÔNICO  ­  NULIDADE  ­  ALTERAÇÃO  DOS  FUNDAMENTOS  DE  FATO  NO  JULGAMENTO DE SEGUNDA INSTÂNCIA.  Se a autuação toma como pressuposto de fato a inexistência de  processo  judicial  em  nome  do  contribuinte,  e  o  contribuinte  demonstra  a  existência  desta  ação,  bem  como  que  figura  no  pólo ativo, deve­se reconhecer a nulidade do  lançamento por  absoluta  falta  de  amparo  fático.  Não  há  como  manter  a  exigência fiscal por outros fatos e fundamentos, sendo aqueles  especificamente  indicados no  lançamento. Teoria dos motivos  determinantes.  Já o dispositivo do acórdão prescreveu:    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.   Acordam os membros do colegiado, dar provimento parcial por  maioria de votos, para cancelar a  incidência de juros de mora.  Vencido  o  relator.  Designado  o  conselheiro  Rangel  Perrucci  Fiorin para redação do voto vencedor. O Presidente da Turma  esteve  ausente  momentaneamente,  onde  o  julgamento  foi  conduzido  pelo  seu  substituto  eventual,  conselheiro  Belchiox  Melo de Sousa.    Por sua vez, no voto vencido, as premissas são as seguintes:  O Auto de Infração (n° 0006408) refere­se à Contribuição ao PIS, em  relação aos quais a Contribuinte declarou nos autos.  Ocorre que no Auto de Infração, a descrição dos fatos é feita de forma  genérica, indicando apenas e exclusivamente a ocorrência de "Proc jud não  comprovad". Presume­se, com isso, que o Auto de Infração foi  lavrado em  virtude de acreditar a fiscalização que a referida ação judicial não existia.  As  peças  processuais  da  ação  judicial  apresentadas  pelo  contribuinte  demonstram  que  o  processo  judicial  existia  (fl.  68),  e  se  a  ação  existia,  o  pressuposto de fato que dá suporte ao Auto de Infração é falso.  Observa­se que essa  constatação  também foi afirmada pela AFRF em  seu  Relatório  preferido  ao  Chefe  do  SECAT  de  Guarulhos/SP,  conforme  transcrevi no Relatório, este que antecede o referido Voto.  Fl. 292DF CARF MF     4 "... 1­ Trata o presente processo de Auto de Infração do PIS (relativo  ao P.A. de Junho/1998), decorrente da não confirmação do processo judicial  informado  para  fins  de  suspensão  da  exigibilidade  de  parte  do  débito  declarado  em  junho/98,  no  valor  de  R$4.194,83  e  da  não  localização  do  pagamento utilizado na compensação com parcela de R$2.581,23 no mesmo  débito."  (...)  Irrita  perceber,  neste  caso,  que  o  Auto  de  Infração  se  arrima  na  inexistência  da  ação  judicial  e  que,  depois  de  demonstrada  a  existência  judicial,  a  Autoridade  Julgadora  de  Primeira  Instância  se  arvorou  em  esmiuçar os detalhes da ação judicial existente, buscando outros motivos de  fato para sustentar a manutenção da exigência, passando a argumentar que o  lançamento pretenderia prevenir a decadência quanto à exigência dos créditos  em  discussão  na  ação  judicial  ­  justamente  aquela  ação  judicial  que  a  autoridade lançadora dizia não existir!  Se  a  autuação  tomou  como  pressuposto  de  fato  a  inexistência  de  processo  judicial,  e  o  contribuinte  demonstrou  a  existência  da  ação,  resta  patente que o  lançamento não  tem suporte  fático válido, pois o motivo que  lhe deu causa na verdade não existe.  Deve­se, pois, reconhecer a nulidade do lançamento por erro e falta de  amparo fático.  Diante  do  exposto,  voto  no  sentido  de  dar  provimento  ao  Recurso  Voluntário, para anular­se o Auto de Infração.    Em sentido totalmente contrário, o voto vencedor consigna (fl.263):   O  Relator,  em  análise  as  alegações  e  os  documentos  anexados  aos  autos,  com  base  na  teoria  dos  motivos  determinantes,  deu  provimento  ao  Recurso  Voluntário  para  anular  o  Auto  de  Infração,  por  entender  que  a  fiscalização não apurou a concreta realidade do caso.   No  entanto,  em  que  pese  as  razões  de  decidir  do  nobre  conselheiro  relator,  entendemos  que  o  lançamento  deverá  ser  mantido,  para  evitar  o  perecimento do direito da Fazenda Nacional, nos termos da Súmula nº 5 do  CARF. (...)   Destarte, dou provimento parcial ao recurso voluntário, para cancelar a  incidência de juros de mora, devendo, no caso sob julgamento administrativo,  ser aplicado o que for decidido pelo Poder Judiciário.     Diante  do  cotejo  dos  votos  vencido  e  vencedor,  há  a  contradição  entre  a  ementa,  o  dispositivo  e  a  fundamentação  do  acórdão  embargado,  pois  não  prevaleceu  o  entendimento  na  turma  de  que  o  lançamento  seria  nulo.  Logo,  a  ementa  deve  ser  retificada  para:  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Fl. 293DF CARF MF Processo nº 10875.002958/2003­51  Acórdão n.º 3301­003.658  S3­C3T1  Fl. 292          5 Ano­calendário: 1998  LANÇAMENTO  LAVRADO  PARA  PREVENÇÃO  DA  DECADÊNCIA.  DEPÓSITO  JUDICIAL  DO MONTANTE  INTEGRAL DO TRIBUTO.   Demonstrado  que  os  depósitos  judiciais  efetuados  pelo  contribuinte correspondem ao montante integral declarado,  é indevida a cobrança de juros de mora.   Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.   Acordam os membros do colegiado, dar provimento parcial  por maioria de votos, para cancelar a  incidência de juros  de  mora.  Vencido  o  relator.  Designado  o  conselheiro  Rangel Perrucci Fiorin para redação do voto vencedor. O  Presidente  da  Turma  esteve  ausente  momentaneamente,  onde  o  julgamento  foi  conduzido  pelo  seu  substituto  eventual, conselheiro Belchiox Melo de Sousa.    Em face do exposto, voto por acolher os embargos formulados, sem efeitos  infringentes.  Sala de Sessões, em 25 de maio de 2017.  (assinado digitalmente)  Semíramis de Oliveira Duro ­ Relatora                                  Fl. 294DF CARF MF

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Numero do processo: 13896.915292/2009-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2000 LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS DECORRENTES DA ATIVIDADE INDUSTRIAL (INDUSTRIALIZAÇÃO SOB ENCOMENDA DE TERCEIROS). ALÍQUOTA APLICÁVEL. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Para fins de determinação da base de cálculo do IRPJ, na sistemática de tributação com base no lucro presumido, as receitas decorrentes das atividades consideradas como prestação de serviços em geral estão sujeitas ao percentual de 32% e as receitas decorrentes do exercício de atividade considerada como industrialização por encomenda sujeitam-se ao percentual de 8%. APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil-fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, que o valor do débito é menor ou indevido, correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração, original ou retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
Numero da decisão: 1402-002.599
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente).
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO

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1402­002.599  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  18 de maio de 2017  Matéria  IRPJ/CSLL/Compensação  Recorrente  NYLOK TECNOLOGIA EM FIXAÇÃO LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2000  LUCRO  PRESUMIDO.  BASE  DE  CÁLCULO.  RECEITAS  DECORRENTES  DA  ATIVIDADE  INDUSTRIAL  (INDUSTRIALIZAÇÃO  SOB  ENCOMENDA  DE  TERCEIROS).  ALÍQUOTA APLICÁVEL. FALTA DE COMPROVAÇÃO.  Para  fins  de  determinação  da  base  de  cálculo  do  IRPJ,  na  sistemática  de  tributação  com  base  no  lucro  presumido,  as  receitas  decorrentes  das  atividades consideradas como prestação de serviços em geral estão sujeitas ao  percentual  de  32%  e  as  receitas  decorrentes  do  exercício  de  atividade  considerada como industrialização por encomenda sujeitam­se ao percentual  de 8%.  APRESENTAÇÃO  DE  DECLARAÇÃO.  PROVA  INSUFICIENTE  PARA  COMPROVAR  EXISTÊNCIA  DE  CRÉDITO  DECORRENTE  DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR.  Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento indevido  ou a maior, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil­ fiscal,  baseada  em  documentos  hábeis  e  idôneos,  que  o  valor  do  débito  é  menor  ou  indevido,  correspondente  a  cada  período  de  apuração. A  simples  entrega de declaração, original ou retificadora, por si só, não tem o condão de  comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior.  DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.  Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis,  da  composição  e  a  existência  do  crédito  que  alega  possuir  junto  à Fazenda  Nacional  para  que  sejam  aferidas  sua  liquidez  e  certeza  pela  autoridade  administrativa.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 91 52 92 /2 00 9- 38 Fl. 324DF CARF MF Processo nº 13896.915292/2009­38  Acórdão n.º 1402­002.599  S1­C4T2  Fl. 3            2 Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento  ao  recurso  voluntário,  nos  termos  do  relatório  e  voto  que  passam  a  integrar  o  presente julgado.    (assinado digitalmente)  Leonardo de Andrade Couto ­ Presidente e Relator    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Fernando  Brasil  de  Oliveira Pinto,  Leonardo  Luis  Pagano Gonçalves,  Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader  Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius  Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente).    Relatório  A origem do litígio aqui presente remonta ao Despacho Decisório exarado em  relação  ao  pedido  original  da  contribuinte  expresso  em PER/DCOMP  apresentado  perante  a  Autoridade Tributária de sua jurisdição e no qual buscou ver reconhecido seu direito creditório  e consequente compensação com débitos de sua responsabilidade.  O  requerido  foi  parcialmente  deferido  sob  entendimento  do DD  de  que  "a  partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram  localizados um ou mais pagamentos".  Irresignada,  a  contribuinte  interpôs  manifestação  de  inconformidade  que,  apreciada em 1ª Instância pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (fls. nos autos), foi  julgada improcedente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado.  Discordando  do  r.  decisum,  a  contribuinte  interpôs  recurso  voluntário  tempestivo no qual reafirma a correção de seu procedimento e requer a reforma da decisão de  1º  Piso  de  forma  a  reconhecer  o  direito  creditório  buscado  e  homologar  a  compensação  requerida, aduzindo, em síntese, os seguintes argumentos:  1. ser pessoa jurídica com atividade de "industrialização por encomenda de bens de  terceiros  ­  na  modalidade  beneficiamento  ­  consubstanciada  na  aplicação  de  produtos químicos que atribuem a elementos de fixação roscados características  vedantes  e  travantes,  os  quais  retornarão  para  serem  utilizados  pelos  seus  clientes como insumos em novos processos de industrialização ou de circulação  de mercadorias";  2. ser optante pelo regime do lucro presumido e, por essa razão, na forma do artigo  15,  da  Lei  nº  9.249,  de  1995,  sujeito  à  apuração  (base  de  cálculo)  do  IRPJ  à  alíquota de 8%;  3.  que,  entretanto,  "em  que  pese  a  Recorrente  induvidosamente  desempenhar  atividades  tipicamente  industriais  e  se  sujeitar,  via  de  consequência,  à  base  presumida  de  8%  (oito  por  cento),  durante  os  anos  de  1999 a  2003,  apurou  o  Imposto de Renda através da aplicação do percentual de 32%";  4.  em  razão  deste  "equívoco",  ocorrido  em  função  da  "falsa  premissa  de  que  a  industrialização  por  encomenda  desempenhada  pela  Recorrente  pudesse  ser  enquadrada  como  a  prestação  de  um  serviço",  teria,  durantes  os  mencionados  Fl. 325DF CARF MF Processo nº 13896.915292/2009­38  Acórdão n.º 1402­002.599  S1­C4T2  Fl. 4            3 anos,  efetuado  recolhimentos  do  IRPJ  "em  montantes  maiores  do  que  os  efetivamente devidos, sendo, por isso, detentora de créditos líquidos e certos em  quantia correspondente à diferença dos montantes recolhidos a maior e aqueles  efetivamente devidos a título do IRPJ, conforme demonstrativo":    ANO  RECEITA  TOTAL  Em Reais  BASE  APURADA  (32%)  Em Reais  IMPOSTO  RECOLHIDO  (A)  Em Reais  BASE  CORRETA  (8%)  Em Reais  IMPOSTO  EFETIVAMENTE  DEVIDO (B)  Em Reais  DIFERENÇA  (A­B)  Em Reais  1999  1.865.163,63  596.296,15  125.074,04  149.213,09  22.381,96  102.692,08  2000  2.849.822,21  910.674,63  203.668,67  227.985,78  34.925,44  168.743,23  2001  3.077.709,99  984.867,20  222.216,78  246.216,80  39.449,77  182.761,01  2002  3.396.147,20  1.086.767,10  247.691,78  271.691,78  44.489,88  203.201,90  2003  4.268.370,21  1.365.878,56  333.586,11  341.469,64  61.367,41  272.218,70  Total  15.457.213,2 4  4.944.483,64  1.132.237,38  1.236.577,09  202.614,46  929.616,92    6.  que,  no  seu  contrato  social  já  constava  a  atividade  de  "beneficiamento  de  produtos  metálicos,  por  conta  própria  e/ou  terceiros",  alterada  a  partir  de  01.09.2006  para  "industrialização  de  produtos  metálicos,  por  conta  própria  e/ou  de  terceiros";  que,  não  obstante  somente  tenha  realizado  a  alteração  naquela data, ou seja, "após a ocorrência dos fatos geradores ora em comento",  a  verdade  a  sua  atividade  "nunca  foi  de  prestadora  de  serviço,  mas  sim  de  indústria";  7. restar evidente que suas atividades sujeitam­se, "como sempre se sujeitaram,  à alíquota de 8% (oito por cento) para fins de apuração do IRPJ pela sistemática  do lucro presumido";  8. por fim, "requer a juntada de diversas notas fiscais de remessa de insumos e do  respectivo retorno dos bens beneficiados aos seus clientes [...] não há razão para  que não se  reconheça que a base presumida por ela  inicialmente utilizada [...]  estava inteiramente equivocada, de modo que a compensação declarada utiliza­ se  de  crédito  advindo  de  pagamentos  a  maior  de  IRPJ  comprovadamente  existente, em valor suficiente para a quitação do débito informado na declaração  de compensação em comento".  Conclui requerendo o provimento do RV.  É o relatório do essencial, em apertada síntese.  Voto             Conselheiro Leonardo de Andrade Couto, Relator   O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de  junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido no Acórdão nº 1402­002.537,  de 18.05.2017, proferido no julgamento do Processo nº 13896.900601/2009­75.  Transcreve­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  o  entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402­002.537):  O  Recurso  Voluntário  é  tempestivo  e  dotado  dos  pressupostos  para sua admissibilidade, pelo que o recebo e dele conheço.  Fl. 326DF CARF MF Processo nº 13896.915292/2009­38  Acórdão n.º 1402­002.599  S1­C4T2  Fl. 5            4 No mérito, alega a recorrente que sua atividade, seu objeto  social,  sua  real  operação  empresarial  seria  "industrialização  por  encomenda  de  bens  de  terceiros  ­  na  modalidade beneficiamento" e não "prestação de serviços".  Argui  ainda  que,  por  equívoco,  partiu  da  premissa  de  que  "a  industrialização por encomenda desempenhada (...) pudesse ser  enquadrada  como a  prestação  de um  serviço"  e  que,  em  razão  deste  entendimento,  efetuou  recolhimentos  do  IRPJ  "em  montantes  maiores  do  que  os  efetivamente  devidos,  sendo,  por  isso,  detentora  de  créditos  líquidos  e  certos  em  quantia  correspondente à diferença dos montantes recolhidos a maior e  aqueles  efetivamente  devidos  a  título  do  IRPJ,  conforme  demonstrativo".  Assenta  ainda  que,  a  fim  de  regularizar  a  situação,  apresentou  DIPJ  retificadoras  aplicando  sobre  a  receita  obtida, a alíquota de 8% que seria a utilizável no caso.  Com  isso,  em  suma,  teria  recolhido  IRPJ  a  maior,  implicando  em  surgir  direito  à  repetição  de  indébito,  via  compensação.  Os  valores  apurados,  segundo  cálculos  e  informação  presentes  nos  autos,  da  lavra  da  recorrente,  seriam  os  seguintes (cf. planilha já trazida neste voto, mas novamente  reproduzida para melhor fixação):    ANO  RECEITA  TOTAL  Em Reais  BASE  APURADA  (32%)  Em Reais  IMPOSTO  RECOLHIDO  (A)  Em Reais  BASE  CORRETA  (8%)  Em Reais  IMPOSTO  EFETIVAMENTE  DEVIDO (B)  Em Reais  DIFERENÇA  (A­B)  Em Reais  1999  1.865.163,63  596.296,15  125.074,04  149.213,09  22.381,96  102.692,08  2000  2.849.822,21  910.674,63  203.668,67  227.985,78  34.925,44  168.743,23  2001  3.077.709,99  984.867,20  222.216,78  246.216,80  39.449,77  182.761,01  2002  3.396.147,20  1.086.767,10  247.691,78  271.691,78  44.489,88  203.201,90  2003  4.268.370,21  1.365.878,56  333.586,11  341.469,64  61.367,41  272.218,70  Total  15.457.213,24  4.944.483,64  1.132.237,38  1.236.577,09  202.614,46  929.616,92    Pois  bem,  é  certo que  os  contribuintes  que  realizam atividades  industriais  sujeitam­se  à  alíquota  de  8%  para  apuração  do  Lucro Presumido (art. 518, do RIR/1999):  Art.  518.  A  base  de  cálculo  do  imposto  e  do  adicional  (541  e  542), em cada trimestre, será determinada mediante a aplicação  do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida no  período de apuração, observado o que dispõe o § 7º do art. 240 e  demais  disposições  deste  Subtítulo  (Lei  nº  9.249,  de  1995,  art.  15, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 1º e 25, e inciso I).  Na  mesma  linha,  induvidoso  que  o  equívoco  da  adoção  de  coeficiente  eventualmente  assumido  (32%  e  não  8%)  pode  ser  corrigido mediante  os  procedimentos  cabíveis  previstos,  dentre  eles  a  retificação  das  DIPJ  dos  períodos  em  foco,  caso  dos  autos.  Tais  declarações  retificadoras  estão  acostadas  aos  autos  e  reproduzem os montantes inseridos na planilha acima transcrita.  Fl. 327DF CARF MF Processo nº 13896.915292/2009­38  Acórdão n.º 1402­002.599  S1­C4T2  Fl. 6            5 Todavia,  como  se  está  diante  de  pedido  que  busca  reconhecimento de crédito contra a Fazenda Pública, não basta  o  noticiado  pela  recorrente  nas  DIPJ  retificadoras,  antes  é  preciso que  tais  informações  tenham substância,  consistência  e  comprovação.  Como  se  vê  nos  autos,  a  decisão  recorrida  fez  alusão  a  este  requisito,  ou  seja,  que  se  comprovassem  os  números  inseridos  nas  DIPJ,  providência  que  poderia  ser  feita  pela  juntada  de  livros  ou  qualquer  outro  meio  legal,  o  que,  no  entender  do  Acórdão da DRJ não foi atendido.  Na  elaboração  do  recurso  voluntário  ora  apreciado,  a  recorrente,  embora  rebata  veementemente  a  posição  firmada  pela  DRJ  assentando  que,  "nem  se  diga  que  (...)  deveria  ter  apresentado  excertos  da  sua  escrituração  contábil  fiscal  que  viessem a retratar a apuração do tributo a menor na sua DCTF  retificadora",  e  que,  "os  valores  constantes  nas  declarações  retificadoras são revestidos de veracidade", acabou por “tentar”  fazer  a  comprovação  exigida,  como  se  vê  no  excerto  abaixo,  extraído do recurso voluntário:  De todo modo, para que se ponha uma pá de cal na questão, a  ora  Recorrente  requer  a  juntada  de  diversas  notas  fiscais  de  remessa  de  insumos  e  do  respectivo  retorno  dos  bens  beneficiados  aos  seus  clientes  ao  longo  dos  anos  2000  a  2003  (doc. 01), as quais evidenciam a natureza da sua atividade e, por  consequência  comprovam  que  não  há  razão  para  que  se  reconheça  que  a  base  presumida  por  ela  inicialmente  utilizada  (isto é, 32%) estava inteiramente equivocada, de modo de que a  compensação  declarada  utiliza­se  de  crédito  advindo  de  pagamento  a  maior  de  IRPJ  comprovadamente  existente,  em  valor  suficiente  para  a  quitação  do  débito  informado  na  declaração de compensação em comento.  Pois  bem,  compulsando  os  autos  vejo  que  “as  provas”  a  que  alude  a  recorrente  compõem­se  de  cópias  esparsas  de  notas  ficais de remessa de seu estabelecimento, grande parte delas de  difícil (ou mesmo impossível!) leitura.  Além disso, os montantes de referidas notas fiscais, mesmo com  a  maior  boa  vontade  em  se  “descobrir”  os  valores  corretos,  representariam,  quando  comparados  com  a  receita  total  informada  em  DIPJ,  percentuais  ínfimos!,  impossibilitando  chegar­se à necessária certeza e liquidez exigidas.  Certeza  e  liquidez que,  como não poderia  ser diferente,  é ônus  que  caberia ao  interessado comprovar,  a  teor do artigo 333,  I,  do  CPC  de  1973  (art.  373,  I,  do  CPC  de  2015  ­  Lei  nº  13.105/2015).  Nesta  linha,  o  crédito  que  se  pleiteia  deve  ter  comprovação  sólida,  não  se  podendo  aceitar  documentação  esparsa  e  por  amostragem.  Dizendo diferentemente,  se a  recorrente alegou (e  informou em  DIPJ) que toda a sua receita referia­se a “industrialização por  encomenda”, deveria ter acostado aos autos a totalidade (ou ao  menos  a  maior  parte)  das  notas  fiscais  que  comprovassem  tal  Fl. 328DF CARF MF Processo nº 13896.915292/2009­38  Acórdão n.º 1402­002.599  S1­C4T2  Fl. 7            6 faturamento.  Ou  livros  contábeis  ou  fiscais  que  assim  o  mostrassem.   Não o fez.  Por este motivo, ainda que suas alegações de erro na adoção do  coeficiente  do  lucro  presumido  (32%  e  não  8%)  possam  ter  solidez, faltou o principal, a comprovação do quanto suscitado.  Incomprovado,  portanto,  que  todas  (ou  a  maior  parte)  das  receitas  fossem  efetivamente  de  “industrialização  por  encomenda”,  impossível  validar  os  argumentos  aduzidos  por  falta de documentação probatória.  Ademais,  não  se  olvide,  só  se  permite  compensação  com  a  utilização de créditos dotados de liquidez e certeza (art. 170, do  CTN):  Art.  170.  A  lei  pode,  nas  condições  e  sob  as  garantias  que  estipular,  ou  cuja  estipulação  em  cada  caso  atribuir  à  autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos  tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos,  do  sujeito  passivo  contra  a  Fazenda  pública.  (Vide Decreto  nº  7.212, de 2010)   E valores incomprovados não possuem estes requisitos.  A jurisprudência administrativa é pacífica em torno do tema:  PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ÔNUS DA PROVA.   A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao  direito  de  repetição  ou  à  compensação,  compete  ao  sujeito  passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o  devido. (Acórdão nº 103­23.579, sessão de 18/09/2008)  Por  todo  o  exposto,  voto  no  sentido  de  negar  provimento  ao  Recurso Voluntário, mantendo a decisão recorrida.  Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática  prevista  nos  §§  1º  e  2º  do  art.  47  do  RICARF,  nego  provimento  ao  recurso  voluntário.  (assinado digitalmente)  Leonardo de Andrade Couto                            Fl. 329DF CARF MF

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