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Numero do processo: 11610.002970/2007-62
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Jun 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jul 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/12/2001 a 31/12/2001
A entrega de DCOMP original ou retificadora deverá ser efetuada por meio da utilização do programa PER/DCOMP, de acordo com as normas estatuídas pela IN SRF n° 600/2005, sem a qual a compensação informada será considerada como não declarada.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3302-004.475
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède
Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 0. 00 29 70 /2 00 7- 62 Fl. 181DF CARF MF Processo nº 11610.002970/200762 Acórdão n.º 3302004.475 S3C3T2 Fl. 182 2 Trata o presente de nãoadmissão de pedido de cancelamento de PER/DCOMP nº 27081.91678.130504.1.7.042974, por ter apresentado aumento de débito em relação ao documento original. Em recurso administrativo, a recorrente alegou que transmitiu equivocadamente a Declaração de Compensação no 27081.91678 como RETIFICADORA, quando devia informar que tal documento era ORIGINAL, conforme efl. 2. Informou que devido a mensagem de erro no programa PER/DCOMP, impossibilitando a transmissão de PER/Dcomp original com marca de retificadora, a recorrente apresentou Dcomp em formulário de papel, pugnando pelo seu acatamento e reforma do despacho decisório, efl. 4/5. Em decisão, a DIORT/DERAT/SPO considerou como não declarada a Dcomp apresentada em papel, por não ter sido gerada a partir do sistema eletrônico, bem como decidiu não haver vício no despacho de nãoadmissão da Dcomp retificadora 27081.91678, informando ainda não caber manifestação de inconformidade do referido despacho. Em nova petição, a recorrente reiterou os fatos e alegações já deduzidas em homenagem aos princípios do informalismo e verdade material, requerendo a homologação da Dcomp considerada não declarada. Referida petição foi julgada pela DRJ/SP como manifestação de inconformidade, em virtude de decisão liminar no Mandado de Segurança nº 2008.61.00.0009295 (posteriormente confirmada em sentença), mediante o Acórdão nº 16 17.091, cuja ementa transcrevese abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Anocalendário: 2002 DCOMP RETIFICAÇÃO A retificação de DCOMP deverá ser efetuada por meio da utilização do programa PER/DCOMP, de acordo com as normas estatuídas pela IN SRF n° . 600/2005, sem a qual a compensação informada será considerada como não declarada. Compensação não Declarada Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reiterando que: 1. Enviou tempestivamente em 13/02/2004, declaração de compensação de créditos de PIS decorrente de pagamento a maior, efetuado em 15/03/2002; 2. Entregou a Dcomp 27081.91678.130504.1.7.042974, utilizando o sistema PER/DCOMP no prazo legal, garantindo seu direito ao aproveitamento do crédito; 3. O erro no preenchimento da referida Dcomp, inserindo a informação de retificadora no lugar de original é mero erro formal, incapaz de restringir o exercício do direito à compensação; Fl. 182DF CARF MF Processo nº 11610.002970/200762 Acórdão n.º 3302004.475 S3C3T2 Fl. 183 3 4. Em atenção aos princípios da verdade material e do informalismo, devem ser reconhecidas a tempestividade e regularidade dos procedimentos; 5. Com o advento da Lei nº 9.784/1999, não podem os agentes públicos deixarem de aplicar os princípios constitucionais; 6. Cumpriu os requisitos da IN SRF nº 600/2005, especialmente no que se refere à impossibilidade de transmitir um Dcomp eletronicamente, em razão de falha no programa, conforme disposto no artigo 26, §1 da referida instrução normativa; 7. A inaplicabilidade da taxa Selic. Em 26/10/2012, a DIORT/SERAT/SP juntou aos autos representação fiscal, informando que foram transmitidos quatro PERDCOMPS utilizando créditos de PIS relativo a dezembro/2001, incluindo o de nº 38674.39848.130204.1.3.044010, que foi o objeto da Dcomp retificadora não admitida de nº 27081.91678.130504.1.7.042974, conforme efls. 168/179. As outras três Dcomps foram analisadas no processo 10880.724918/201102, cujo despacho decisório reconheceu a homologação parcial das três Dcomps. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este relator. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Em 13/02/2004, a recorrente transmitiu a DCOMP 38674.39848.130204.1.3.044010, ORIGINAL, efl. 36, compensando débito de PIS da competência de novembro/2003 no valor de R$ 154.342,43, efl. 92, com crédito de PIS de 12/2001. O crédito de PIS de 12/2001 foi originalmente declarado em DCTF no valor de R$ 3.214.615,63, efl. 170, e, posteriormente retificado em DCTF, efl. 25, para o valor de 857.389,37, em 22/09/2006, ND 048233132, com as seguintes vinculações de pagamentos: Valor do Principal: 898.980,73 Valor do Principal: 332.442,56 Valor do Principal: 1.096.333,51 Valor do Principal: 886.858,83 Valor total: 3.214.615,63 Em 13/05/2004, a recorrente transmitiu a DCOMP 27081.91678.130504.1.7.042974, como RETIFICADORA, efl. 35, retificando a DCOMP Fl. 183DF CARF MF Processo nº 11610.002970/200762 Acórdão n.º 3302004.475 S3C3T2 Fl. 184 4 38674.39848.130204.1.3.044010, compensando débito de PIS de 11/2003 no valor de R$ 211.325,66 com crédito de PIS de 12/2001 no valor de R$ 2.433.292,46 (DARFs informados de 3.214.615,63 menos o utilizado na DCTF de 12/2001 – 781.323,17), conforme informações da DCTF nas efls. 37/38. Esta DCOMP não foi admitida conforme Despacho Decisório eletrônico de fl. 33, em razão de a tentativa de retificar ocorreu com aumento do valor do débito, o que impede considerar a retificadora como tal, nos termos do art. 59 da IN SRF nº 600/2005: Art. 58. A retificação da Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP ou elaborada mediante utilização de formulário (papel) somente será admitida na hipótese de inexatidões materiais verificadas no preenchimento do referido documento e, ainda, da inocorrência da hipótese prevista no art. 59. Art. 59. A retificação da Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP ou elaborada mediante utilização de formulário (papel) não será admitida quanto tiver por objeto a inclusão de novo débito ou o aumento do valor do débito compensado mediante a apresentação da Declaração de Compensação à SRF. Parágrafo único. Na hipótese prevista no caput , o sujeito passivo que desejar compensar o novo débito ou a diferença de débito deverá apresentar à SRF nova Declaração de Compensação. Constatase, efetivamente, que o valor de débito da DCOMP 38674.39848.130204.1.3.044010, original, foi de R$ 154.342,43, enquanto da DCOMP 27081.91678.130504.1.7.042974, não admitida, foi de R$ 211.325,66. O impedimento justificase porque a data de valoração da compensação na retificadora é a data da original transmitida, e por isso o débito compensado não pode ser alterado sob pena de se considerar a nova DCOMP como original e nova data de valoração, conforme art. 61 da IN SRF nº 600/2005: Art. 61. A retificação da Declaração de Compensação não altera a data de valoração prevista no art. 28, que permanecerá sendo a data da apresentação da Declaração de Compensação original. Esclareçase que o despacho decisório informou que a DCOMP 38674.39848.130204.1.3.044010 permaneceu ativa, não surtindo efeitos a entrega da DCOMP 27081.91678.130504.1.7.042974. Portanto, correto o despacho de não admissão desta última DCOMP mencionada. De outro giro, em 05/04/2007, efls. 30/31, a recorrente protocolou, em papel, Declaração de Compensação informando crédito utilizado de R$ 154.342,43 (informando DARF de valor total R$ 906.813,15 de PIS de 12/2001, o qual corresponde ao DARF de valor original de 886.858,83, efl. 24)) compensando débito de PIS de 11/2003 no valor de R$ 211.325,66 , informando que se tratava de declaração RETIFICADORA e a DCOMP retificada como sendo 27081.91678.130504.1.7.042974, informando que esta DCOMP fora indevidamente transmitida como retificadora, mas que deveria ser original. Esta declaração em Fl. 184DF CARF MF Processo nº 11610.002970/200762 Acórdão n.º 3302004.475 S3C3T2 Fl. 185 5 papel foi considerada não declarada por Despacho Decisório, ao qual foi dada ciência em 26/11/2007. Tal decisão fundamentouse nos artigos 26, §1º, 31, cujos dispositivos abaixo transcrevemse: Art. 26. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrados pela SRF, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela SRF. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada pelo sujeito passivo mediante apresentação à SRF da Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante a apresentação à SRF do formulário Declaração de Compensação constante do Anexo IV, ao qual deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. [...] Art. 31. A autoridade competente da SRF considerará não formulado o pedido de restituição ou de ressarcimento e não declarada a compensação quando o sujeito passivo, em inobservância ao disposto nos §§ 2º a 4º do art. 76, não tenha utilizado o Programa PER/DCOMP para formular pedido de restituição ou de ressarcimento ou para declarar compensação. [...] Art. 76. Ficam aprovados os formulários Pedido de Restituição, Pedido de Cancelamento ou de Retificação de Declaração de Importação e Reconhecimento de Direito de Crédito, Pedido de Ressarcimento de IPI Missões Diplomáticas e Repartições Consulares, Declaração de Compensação e Pedido de Habilitação de Crédito Reconhecido por Decisão Judicial Transitada em Julgado constantes, respectivamente, dos Anexos I, II, III, IV e V. [...] § 2º Os formulários a que se refere o caput somente poderão ser utilizados pelo sujeito passivo nas hipóteses em que a restituição, o ressarcimento ou a compensação de seu crédito para com a Fazenda Nacional não possa ser requerida ou declarada eletronicamente à SRF mediante utilização do Programa PER/DCOMP. § 3º A SRF caracterizará como impossibilidade de utilização do Programa PER/DCOMP, para fins do disposto no § 2º, no § 1º do art. 3º, no § 3º do art. 16, no § 1º do art. 22 e no § 1º do art. 26, a ausência de previsão da hipótese de restituição, de ressarcimento ou de compensação no aludido Programa, bem Fl. 185DF CARF MF Processo nº 11610.002970/200762 Acórdão n.º 3302004.475 S3C3T2 Fl. 186 6 como a existência de falha no Programa que impeça a geração do Pedido Eletrônico de Restituição, do Pedido Eletrônico de Ressarcimento ou da Declaração de Compensação. § 4º A falha a que se refere o § 3º deverá ser demonstrada pelo sujeito passivo à SRF no momento da entrega do formulário, sob pena do enquadramento do documento por ele apresentado no disposto no art. 31. Assim, o meio para se efetuar a compensação era a entrega de DCOMP mediante a utilização do sistema eletrônico, podendo, excepcionalmente, entregar em formulário de papel, desde caracterizada a ausência de previsão da hipótese de compensação no sistema ou de falha no sistema, a ser comprovada pelo sujeito passivo. A suposta falha do sistema alegada pela recorrente, que teria impedido a transmissão da declaração, foi a seguinte: Mensagem do programa PERD/COMP 2.2: RELATóRIO DE VERIFICAÇÃO DE PENDÊNCIAS DO PER/DCOMP 2.2 / Página 1 ERRO >» IMPEDE a gravação do documento. TOTAL DE ERROS = 1 TOTAL DE AVISOS = 0 Cadastro Dados Iniciais Erro Número do PER/DCOMP Retificado deve ser de documento original. Percebese, na realidade, que não houve falha alguma, mas inobservância das instruções de preenchimento da DCOMP. O ajuda do PERDCOMP assim dispunha: AJUDA 11) Nº do PER/DCOMP Retificado: Uma vez assinalado o campo “PER/DCOMP Retificador”, o contribuinte deverá preencher esse campo com o número do Pedido Eletrônico de Ressarcimento, do Pedido Eletrônico de Restituição, Pedido Eletrônico de Reembolso ou da Declaração de Compensação original que o contribuinte deseja retificar, independentemente de já têlo retificado anteriormente. Atenção! O Programa PER/DCOMP não admite a retificação de documento retificador, apenas a retificação de documento original. Como visto, a DCOMP 27081.91678.130504.1.7.042974 foi corretamente não admitida, por ter aumentado o débito declarado em relação à DCOMP 38674.39848.130204.1.3.044010, a qual permaneceu ativa no sistema como original. Assim, ao tentar entregar uma nova DCOMP, tentando retificar a DCOMP 27081.91678.130504.1.7.042974, efl. 30, incorreria no erro acima, pois a declaração a ser retificada deveria ser a original, em razão do disposto no artigo 61 da IN SRF 600/2005, ou seja, manutenção da data de valoração original. O procedimento correto deveria ser o cancelamento da DCOMP original 38674.39848.130204.1.3.044010 e a entrega de uma nova original com o aumento de débito compensado pretendido. Fl. 186DF CARF MF Processo nº 11610.002970/200762 Acórdão n.º 3302004.475 S3C3T2 Fl. 187 7 Portanto, também não houve falha no sistema, mas descumprimento dos requisitos para transmissão das declarações de compensação, o que afasta a possibilidade de entrega de declaração de compensação em formulário, confirmandose a decisão recorrida. Frisese, ainda e corroborando a decisão recorrida, que a alegação da recorrente quanto à intenção de informar a DCOMP 27081.91678.130504.1.7.042974 como original não se confirma com os dados informados na própria DCOMP, nem na DCTF relativa ao débito de 11/2003. Verificase que o PIS de 11/2003 declarada em DCTF, efl. 37/38 foi de R$ 1.600.003,16, com as seguintes extinções: DARFs 30/11/2003 8109 15/12/2003 5,31 30/11/2003 8109 15/12/2003 131.838,20 30/11/2003 8109 15/12/2003 28.445,76 COMPENSAÇÕES: Valor Principal: 14.374.627,24 Valor Compensado do Débito: 1.217.657,68. Formalização do pedido DCOMP : 087457192313050417045054 Valor Principal: 2.433.292,46 Valor Compensado do Débito: 211.325,66. Formalização do pedido DCOMP : 270819167813050417042974 Valor Principal: 783.356,87. Valor Compensado do Debito: 10.730,55. Formalização do pedido DCOMP : 049213376919090617044708 Se a recorrente pretendia entregar uma DCOMP original com débitos de R$ 211.325,66 (seja a 27081.91678.130504.1.7.042974 ou em papel) e, ao mesmo tempo, manter uma DCOMP original de R$ 154.342,43, então o débito total compensado incluiria a soma das duas e isto deveria se refletir na DCTF do débito. Entretanto, conforme acima exposto, a DCTF do débito contém apenas a informação de extinção da DCOMP 27081.91678.130504.1.7.04 2974 e nada sobre a DCOMP 38674.39848.130204.1.3.044010, a original entregue em 13/02/2004. Isto demonstra que o valor que efetivamente se queria compensar era de R$ 211.325,66, e exatamente, por isso, a recorrente apresentou uma DCOMP retificadora para alterar o débito originalmente informado de R$ 154.342,43 para o correto de R$ 211.325,66. Entretanto, tal procedimento não é permitido, conforme o artigo 59 da IN SRF nº 600/2005. A alegação de que a DCOMP 27081.91678.130504.1.7.042974 fora informada equivocadamente como original é incompatível com a existência da DCOMP original 38674.39848.130204.1.3.044010, à vista dos valores compensados informados na DCTF de 11/2003. Salientase, por fim, que a DCOMP 38674.39848.130204.1.3.044010, originalmente entregue, está aparentemente ativa e sem decisão. Além desta, há mais três Fl. 187DF CARF MF Processo nº 11610.002970/200762 Acórdão n.º 3302004.475 S3C3T2 Fl. 188 8 DCOMPs apresentadas pela recorrente, relativas ao mesmo direito creditório de PIS de 12/2001, conforme representação de efl. 168: PERDCOMP PROCESSO LOCALIZAÇÃO 00895.27298.210906.1.3.042650 10880.724918/201102 EQITD/DIORT/DERAT 08586.29621.140409.1.7.041817 10880.724919/201149 EQITD/DIORT/DERAT 01721.10410.280307.1.7.041004 10880.676751/200933 EQITD/DIORT/DERAT 38674.39848.130204.1.3.044010 11610.002970/200762 CARF Quanto à observância dos princípios constitucionais, não vislumbro ter ocorrido tal inobservância nos despachos decisórios, mas apenas aplicação das normas veiculadas na IN SRF nº 600/2005. Por fim, a recorrente propugna pela ilegalidade e inconstitucionalidade da aplicação da taxa Selic como juros de mora. Pontuese que a matéria foi objeto da Súmula CARF nº 4: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Portanto, devida a incidência de juros de mora à taxa Selic. Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 188DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10882.907177/2012-56
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/07/2010
ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO.
O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrando, portanto, o conceito de receita bruta.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.212
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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BASE DE CÁLCULO. ICMS. Recorrente INDÚSTRIA DE MÁQUINAS MIRUNA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/07/2010 ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO. O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrando, portanto, o conceito de receita bruta. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo. Relatório Tratase de pedido de PER/DCOMP para restituição de créditos de PIS, cujo pedido foi indeferido, via despacho decisório. Inconformada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese: que o ICMS destacado nas vendas não pode ser considerado como AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 71 77 /2 01 2- 56 Fl. 46DF CARF MF Processo nº 10882.907177/201256 Acórdão n.º 3302004.212 S3C3T2 Fl. 3 2 faturamento ou como receita bruta, não devendo, por isso, ser incluído na base de cálculo do PIS e da COFINS; que a inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições em tela desrespeita o preceito do artigo 110 do CTN; que o STF, por meio do RE 240.785/MG, manifestou o entendimento de excluir o ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS. Sobreveio, então, julgamento da DRJ/Belo Horizonte, que indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 02050.815. A contribuinte, então, apresentou recurso voluntário repisando os argumentos da manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.158, de 23 de maio de 2017, proferido no julgamento do processo 10283.902818/201235, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.158): "1. Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado de modo tempestivo, a ciência do acórdão ocorreu em 28 de agosto de 2014, fls. 50, e o recurso foi protocolado em 29 de setembro de 2014, fls. 52. Tratase, portanto, de recurso tempestivo e de matéria que pertence a este colegiado. 2. Do mérito 2.1. Do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS A controvérsia cingese sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. A situação que permeia os tribunais na atualidade é de dois posicionamentos conflitantes quanto à inclusão ou não do tributo na base de cálculo do PIS e da COFINS. O Superior Tribunal de Justiça no REsp 1.144.469/PR, em sistema de recursos repetitivos assim decidiu: RECURSO ESPECIAL DO PARTICULAR: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA OU FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. Fl. 47DF CARF MF Processo nº 10882.907177/201256 Acórdão n.º 3302004.212 S3C3T2 Fl. 4 3 1. A Constituição Federal de 1988 somente veda expressamente a inclusão de um imposto na base de cálculo de um outro no art. 155, §2º, XI, ao tratar do ICMS, quanto estabelece que este tributo: "XI não compreenderá, em sua base de cálculo, o montante do imposto sobre produtos industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configure fato gerador dos dois impostos". 2. A contrario sensu é permitida a incidência de tributo sobre tributo nos casos diversos daquele estabelecido na exceção, já tendo sido reconhecida jurisprudencialmente, entre outros casos, a incidência: 2.1. Do ICMS sobre o próprio ICMS: repercussão geral no RE n. 582.461 / SP, STF, Tribunal Pleno, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 18.05.2011. 2.2. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre as próprias contribuições ao PIS/PASEP e COFINS: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 976.836 RS, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.8.2010. 2.3. Do IRPJ e da CSLL sobre a própria CSLL: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.113.159 AM, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 11.11.2009. 2.4. Do IPI sobre o ICMS: REsp. n. 675.663 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 24.08.2010; REsp. Nº 610.908 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 20.9.2005, AgRg no REsp.Nº 462.262 SC, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 20.11.2007. 2.5. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre o ISSQN: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP, Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015. 3. Desse modo, o ordenamento jurídico pátrio comporta, em regra, a incidência de tributos sobre o valor a ser pago a título de outros tributos ou do mesmo tributo. Ou seja, é legítima a incidência de tributo sobre tributo ou imposto sobre imposto, salvo determinação constitucional ou legal expressa em sentido contrário, não havendo aí qualquer violação, a priori, ao princípio da capacidade contributiva. 4. Consoante o disposto no art. 12 e §1º, do DecretoLei n. 1.598/77, o ISSQN e o ICMS devidos pela empresa prestadora de serviços na condição de contribuinte de direito fazem parte de sua receita bruta e, quando dela excluídos, a nova rubrica que se tem é a receita líquida. 5. Situação que não pode ser confundida com aquela outra decorrente da retenção e recolhimento do ISSQN e do ICMS pela empresa a título de substituição tributária (ISSQNST e ICMS ST). Nesse outro caso, a empresa não é a contribuinte, o contribuinte é o próximo na cadeia, o substituído. Quando é assim, a própria legislação tributária prevê que tais valores são meros Fl. 48DF CARF MF Processo nº 10882.907177/201256 Acórdão n.º 3302004.212 S3C3T2 Fl. 5 4 ingressos na contabilidade da empresa que se torna apenas depositária de tributo que será entregue ao Fisco, consoante o art. 279 do RIR/99. 6. Na tributação sobre as vendas, o fato de haver ou não discriminação na fatura do valor suportado pelo vendedor a título de tributação decorre apenas da necessidade de se informar ou não ao Fisco, ou ao adquirente, o valor do tributo embutido no preço pago. Essa necessidade somente surgiu quando os diversos ordenamentos jurídicos passaram a adotar o lançamento por homologação (informação ao Fisco) e/ou o princípio da não cumulatividade (informação ao Fisco e ao adquirente), sob a técnica específica de dedução de imposto sobre imposto (imposto pago sobre imposto devido ou "tax on tax"). 7. Tal é o que acontece com o ICMS, onde autolançamento pelo contribuinte na nota fiscal existe apenas para permitir ao Fisco efetivar a fiscalização a posteriori, dentro da sistemática do lançamento por homologação e permitir ao contribuinte contabilizar o crédito de imposto que irá utilizar para calcular o saldo do tributo devido dentro do princípio da não cumulatividade sob a técnica de dedução de imposto sobre imposto. Não se trata em momento algum de exclusão do valor do tributo do preço da mercadoria ou serviço. 8. Desse modo, firmase para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações". 9. Tema que já foi objeto de quatro súmulas produzidas pelo extinto Tribunal Federal de Recursos TFR e por este Superior Tribunal de Justiça STJ: Súmula n. 191/TFR: "É compatível a exigência da contribuição para o PIS com o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes". Súmula n. 258/TFR: "Incluise na base de cálculo do PIS a parcela relativa ao ICM". Súmula n. 68/STJ: "A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS". Súmula n. 94/STJ: "A parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do FINSOCIAL". 10. Tema que já foi objeto também do recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP (Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015) que decidiu matéria idêntica para o ISSQN e cujos fundamentos determinantes devem ser respeitados por esta Seção por dever de coerência na prestação jurisdicional previsto no art. 926, do CPC/2015. 11. Ante o exposto, DIVIRJO do relator para NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial do PARTICULAR e reconhecer a legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS. RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL: TRIBUTÁRIO. Fl. 49DF CARF MF Processo nº 10882.907177/201256 Acórdão n.º 3302004.212 S3C3T2 Fl. 6 5 RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DOS VALORES COMPUTADOS COMO RECEITAS QUE TENHAM SIDO TRANSFERIDOS PARA OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.718/98. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. NÃO APLICABILIDADE. 12. A Corte Especial deste STJ já firmou o entendimento de que a restrição legislativa do artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9.718/98 ao conceito de faturamento (exclusão dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico já que dependia de regulamentação administrativa e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogado pela Medida Provisória n. 2.15835, de 2001. Precedentes: AgRg nos EREsp. n. 529.034/RS, Corte Especial, Rel. Min. José Delgado, julgado em 07.06.2006; AgRg no Ag 596.818/PR, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 28/02/2005; EDcl no AREsp 797544 / SP, Primeira Turma, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em 14.12.2015, AgRg no Ag 544.104/PR, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, DJ 28.8.2006; AgRg nos EDcl no Ag 706.635/RS, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, DJ 28.8.2006; AgRg no Ag 727.679/SC, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 8.6.2006; AgRg no Ag 544.118/TO, Rel. Min. Franciulli Netto, Segunda Turma, DJ 2.5.2005; REsp 438.797/RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJ 3.5.2004; e REsp 445.452/RS, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 10.3.2003. 13. Tese firmada para efeito de recurso representativo da controvérsia: "O artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9718/98 não teve eficácia jurídica, de modo que integram o faturamento e também o conceito maior de receita bruta, base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica". 14. Ante o exposto, ACOMPANHO o relator para DAR PROVIMENTO ao recurso especial da FAZENDA NACIONAL. (REsp 1144469/PR; Relator: Napoleão Nunes Maia Filho; Relator para o acórdão: Mauro Campbell Maques) (grifos não constam no original) Já o Supremo Tribunal Federal, no RE 574.706RG/PR, julgou, no dia 15.03.2017, no sentido de que: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto da Relatora, Ministra Cármen Lúcia (Presidente), apreciando o tema 69 da repercussão geral, deu provimento ao recurso extraordinário e fixou a seguinte tese: "O ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da Cofins". Vencidos os Ministros Edson Fachin, Roberto Barroso, Dias Toffoli e Gilmar Mendes. Nesta assentada o Ministro Dias Toffoli aditou seu voto. Plenário, 15.3.2017. Fl. 50DF CARF MF Processo nº 10882.907177/201256 Acórdão n.º 3302004.212 S3C3T2 Fl. 7 6 (grifos não constam do original) No âmbito do regimento interno deste Egrégio Tribunal Administrativo, existe previsão normativa em seu artigo 62, anexo II, sobre a obrigatoriedade de se observar os precedentes em sistema de repetitivos e/ou repercussão geral na análise dos casos: RICARF Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) O RICARF prevê o requisito da decisão definitiva para a obrigatoriedade da aplicação do precedente; no caso em análise, o REsp 1.144.469/PR transitou em julgado em 10.03.2017 e o RE 574.706 RG/PR ainda espera a modulação de seus efeitos, não havendo, portanto, trânsito em julgado. Logo, devese observar a decisão, já transitada em julgado, do Superior Tribunal de Justiça. Em razão da obrigatoriedade por parte do conselheiro em aplicar o RICARF, acima exposto, os argumentos da Recorrente de desnecessidade de previsão legal para a exclusão do ICMS por respeito ao princípio da capacidade contributiva e da impossibilidade de considerar o ICMS como parte integrante do faturamento encontramse, desde já, fundamentados com a aplicação do precedente obrigatório. Portanto, em conformidade com o REsp 1.144.469/PR, que firmou para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", é negado provimento ao recurso voluntário. 3. Conclusão Por todo o exposto, conheço do recurso voluntário, mas, no mérito, nego provimento." Da mesma forma que no caso do paradigma, no presente processo o recurso voluntário também foi apresentado tempestivamente. Fl. 51DF CARF MF Processo nº 10882.907177/201256 Acórdão n.º 3302004.212 S3C3T2 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Ricardo Paulo Rosa Fl. 52DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.908656/2011-47
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO.
O contencioso administrativo instaura-se com a impugnação ou manifestação de inconformidade, que devem ser expressas, considerando-se preclusa a matéria que não tenha sido diretamente contestada. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria atinente à glosa não contestada por ocasião da manifestação de inconformidade.
NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO.
Insumos para fins de creditamento das contribuições sociais não cumulativas são todos aqueles bens e serviços pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, considerando como parâmetro o custo de produção naquilo que não seja conflitante com o disposto nas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03.
FRETE E ARMAZENAMENTO. CUSTO DE AQUISIÇÃO DO ADQUIRENTE. CRÉDITO VÁLIDO INDEPENDENTEMENTE DO REGIME DE CRÉDITO DO BEM TRANSPORTADO/ARMAZENADO.
A apuração do crédito de frete e de armazenamento não possui uma relação de subsidiariedade com a forma de apuração do crédito do produto transportado/armazenado. Não há qualquer previsão legal neste diapasão. Uma vez provado que o dispêndio configura custo de aquisição para o adquirente, ele deve ser tratado como tal, i.e., custo e, por conseguinte, gerar crédito em sua integralidade.
INSUMOS. CREDITAMENTO. EMBALAGENS. TRANSPORTE. POSSIBILIDADE.
Os itens relativos a embalagem para transporte, desde que não se trate de um bem ativável, deve ser considerado para o cálculo do crédito no sistema não cumulativo de PIS e Cofins, eis que a proteção ou acondicionamento do produto final para transporte também é um gasto essencial e pertinente ao processo produtivo, de forma que o produto final destinado à venda mantenha-se com características desejadas quando chegar ao comprador.
Recurso voluntário parcialmente conhecido e, na parte conhecida, provido.
Numero da decisão: 3402-004.031
Decisão: Acordam os membros do colegiado, em dar provimento ao recurso da seguinte forma: a) por unanimidade de votos, foram revertidas as glosas relativas às aquisições de paletes "one way"; e b) por maioria de votos, foram revertidas as glosas sobre fretes e despesa de armazenagem sobre as aquisições de insumos. Vencidos os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra e Maria Aparecida Martins de Paula.
Assinatura Digital
Antonio Carlos Atulim - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Renato Vieira de Avila, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. O contencioso administrativo instaurase com a impugnação ou manifestação de inconformidade, que devem ser expressas, considerandose preclusa a matéria que não tenha sido diretamente contestada. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria atinente à glosa não contestada por ocasião da manifestação de inconformidade. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos para fins de creditamento das contribuições sociais não cumulativas são todos aqueles bens e serviços pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, considerando como parâmetro o custo de produção naquilo que não seja conflitante com o disposto nas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03. FRETE E ARMAZENAMENTO. CUSTO DE AQUISIÇÃO DO ADQUIRENTE. CRÉDITO VÁLIDO INDEPENDENTEMENTE DO REGIME DE CRÉDITO DO BEM TRANSPORTADO/ARMAZENADO. A apuração do crédito de frete e de armazenamento não possui uma relação de subsidiariedade com a forma de apuração do crédito do produto transportado/armazenado. Não há qualquer previsão legal neste diapasão. Uma vez provado que o dispêndio configura custo de aquisição para o adquirente, ele deve ser tratado como tal, i.e., custo e, por conseguinte, gerar crédito em sua integralidade. INSUMOS. CREDITAMENTO. EMBALAGENS. TRANSPORTE. POSSIBILIDADE. Os itens relativos a embalagem para transporte, desde que não se trate de um bem ativável, deve ser considerado para o cálculo do crédito no sistema não AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 86 56 /2 01 1- 47 Fl. 215DF CARF MF Processo nº 13888.908656/201147 Acórdão n.º 3402004.031 S3C4T2 Fl. 3 2 cumulativo de PIS e Cofins, eis que a proteção ou acondicionamento do produto final para transporte também é um gasto essencial e pertinente ao processo produtivo, de forma que o produto final destinado à venda mantenhase com características desejadas quando chegar ao comprador. Recurso voluntário parcialmente conhecido e, na parte conhecida, provido. Acordam os membros do colegiado, em dar provimento ao recurso da seguinte forma: a) por unanimidade de votos, foram revertidas as glosas relativas às aquisições de paletes "one way"; e b) por maioria de votos, foram revertidas as glosas sobre fretes e despesa de armazenagem sobre as aquisições de insumos. Vencidos os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra e Maria Aparecida Martins de Paula. Assinatura Digital Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Renato Vieira de Avila, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário em face do Acórdão 14052.628 da DRJ/RPO, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. Os insumos utilizados no processo produtivo somente dão direito a crédito no regime de incidência nãocumulativa, se incorporados diretamente ao bem produzido ou se consumidos/alterados no processo de industrialização em função de ação exercida diretamente sobre o produto e desde que não incorporados ao ativo imobilizado. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. Somente dão direito a crédito no regime de incidência não cumulativa, os gastos expressamente previstos na legislação de regência. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Versa o processo sobre pedido de ressarcimento, relativamente ao saldo credor de COFINS não cumulativo(a) exportação. Fl. 216DF CARF MF Processo nº 13888.908656/201147 Acórdão n.º 3402004.031 S3C4T2 Fl. 4 3 Mediante despacho decisório, a DRF/Piracicaba reconheceu parcialmente o direito creditório, em face das glosas de créditos referente aos seguintes itens: a) aquisição de produtos químicos, fertilizantes e defensivos agropecuários, tributados à alíquota zero; b) gastos relativos a transporte e armazenamento de insumos importados ocorridos após o desembaraço aduaneiro; c) gastos com embalagens de transporte (paletes); d) comissões de compra; e) despesas de energia térmica A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade sustentando, em síntese, que foram indevidas as glosas relativas às: i) despesas de frete e armazenagem de insumos importados após o desembaraço aduaneiro e ii) aquisições de paletes. Os argumentos da manifestante não foram acatados pela Delegacia de Julgamento, em síntese, sob os seguintes fundamentos: Quanto às gastos com embalagens, só podem ser considerados insumos se elas se incorporarem ao produto em fabricação ou sofrer alteração em suas propriedades em função da ação diretamente exercida sobre ele, ou seja, somente as embalagens de apresentação do produto geram direito ao crédito, posto que estas se incorporam ao produto em fabricação. Assim, as embalagens destinadas apenas a proteger ou transportar o produto acabado não dão direito a crédito da não cumulatividade, mesmo que descartáveis e/ou de utilização obrigatória. De acordo com o art. 3º, IX da Lei nº 10.833/2003, apenas os gastos com armazenagem e frete na operação de venda dão direito a créditos da não cumulatividade, portanto não se aplica às aquisições de insumos importados, como ocorreu com as glosas aplicadas no caso concreto. O “valor aduaneiro” definido pela Lei como base de cálculo do crédito relativo aos insumos importados, abrange apenas os gastos ocorridos até a importação, ou seja, até a realização do desembaraço aduaneiro. De forma que procedeu corretamente a autoridade a quo ao glosar os créditos referentes a gastos com armazenagem e frete relativos aos insumo importados, mas realizados após o desembaraço das mercadorias. A contribuinte apresentou recurso voluntário, aduzindo, em síntese: 1. Da interpretação do conceito de Insumo para efeitos de tomada de créditos de pis e de cofins O conceito de insumo para fins de crédito de PIS e de COFINS não pode ser restrito ao que está estabelecido nas Instruções Normativas da SRF, devendo ser entendido como todos os custos diretos e indiretos incorridos, abrangendo, inclusive, outras despesas tidas como essenciais para o desenvolvimento da atividade empresarial. 2. Da glosa indevida de créditos relativos à aquisição de produtos químicos, fertilizantes e defensivos agropecuários, tributados à alíquota zero A aquisição dos produtos químicos, fertilizantes e defensivos agropecuários tributados à alíquota zero gera, sim, créditos de PIS e de COFINS, uma vez que tais insumos foram previamente sujeitos a incidência em cascata dos tributos, nas etapas anteriores da circulação. Podese considerar que não há de fato uma alíquota zero, mas, sim, uma antecipação do pagamento das contribuições, um desvio de finalidade do modelo de tributação que fora concebido para esses tributos, porquanto se tributará valor além do agregado, caso a glosa de tais créditos seja mantida. Fl. 217DF CARF MF Processo nº 13888.908656/201147 Acórdão n.º 3402004.031 S3C4T2 Fl. 5 4 3. Da glosa indevida de créditos relativos a despesas com frete e com armazenagem de insumos importados A apropriação creditória referente aos dispêndios com frete e com armazenagem dão direito a crédito per se, sem que seja necessário vinculálos à importação. o simples desembolso de valores, a esse título, permite a tomada de créditos, como técnica de realização da não cumulatividade das contribuições em foco. Há muitas decisões administrativas que entendem pela possibilidade de tomada de crédito das despesas de frete, conforme se verifica nas ementas transcritas. No que tange às despesas com armazenagem, é plenamente possível a tomada de crédito de PIS e COFINS, conforme o julgado firmado pelo e. Tribunal Regional Federal da 4ª Região na Apelação Cível n° 0029040 40.2008.404.7100/RS Relator : Des. Federal Joel Ilan Paciornik. A própria Receita Federal do Brasil já assegurou, em Resposta a Consulta Fiscal, que a apropriação de créditos calculados sobre expensas com frete e com armazenagem é válida per se, desde que comprovados tais dispêndios. A incidência ou não das contribuições sobre as operações de entrada e de saída, assim como a inclusão destes custos na base de cálculo dos tributos, é completamente irrelevante. Não fosse assim, não se permitiria o creditamento nos casos em que a tributação é monofásica, conforme Solução de Consulta nº 323, de 19 de Dezembro de 2012. 4. Da glosa indevida de créditos na aquisição de pallets A recorrente adquire pallets de madeira, do tipo "One Way", que são utilizados como materiais de embalagem para possibilitar as vendas, principalmente as exportações de seus produtos, sendo certo que não os recebe em retorno. Portanto, tais pallets não são contabilizados no ativo da recorrente. Em tal cenário, esses pallets compõem o custo de fabricação e comercialização dos produtos exportados, configurando insumo essencial a estas atividades. É completamente irrelevante o fato de o pallet não compor a compleição final das mercadorias, mormente porquanto tal critério não está posto por qualquer lei, quer complementar, quer ordinária. 5. Da glosa indevida de créditos sobre os pagamentos de comissões de compra As comissões compõem o custo de compra das mercadorias, de maneira a integrar a base de cálculo do creditamento correlato ao insumo. Os artigos 3º, § 1º, inciso I das Leis n° 10.637/2002 e 10.833/2003 são claros ao dispor que "o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2° desta Lei sobre o valor dos itens mencionados no inciso II do caput, adquiridos no mês". Dizer em sentido contrário corresponderia a mitigar a nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, diferenciando parcelas de composição do custo de aquisição que a lei não quis segregar. 6. Da glosa indevida de créditos sobre despesas de energia térmica, por falta de previsão legal A tomada de crédito de PIS e de COFINS calculados em relação a despesas com energia térmica está elencada nos artigos 3o, incisos III, das Leis n° 10.637/2002 e 10.833/2003. A corroborar com o dispositivo legal há a Solução de Consulta n° 61, de março de 2013. 7. Da busca da verdade material no processo administrativo tributário Os documentos que instruem a manifestação de inconformidade, bem como os julgados e soluções de consultas transcritos, atestam, de maneira clara e inequívoca, a possibilidade de tomada dos créditos de PIS e COFINS oriundos das despesas com armazenamento e frete das Fl. 218DF CARF MF Processo nº 13888.908656/201147 Acórdão n.º 3402004.031 S3C4T2 Fl. 6 5 mercadorias importadas pela ora recorrente, bem como da aquisição de pallets de madeira, utilizado como material de embalagem para possibilitar as exportações de seus produtos industrializados. Em atenção ao princípio da verdade material, tem a autoridade administrativa o dever de apurar a verdade dos fatos, que, neste caso, é a possibilidade de tomada de créditos de PIS e COFINS em nome da recorrente e, por conseguinte, a realização do ressarcimento da forma correta. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402004.008, de 25 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 13888.907915/201112, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3402004.008): "Atendidos os requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento do recurso voluntário. Cotejandose o conteúdo da manifestação de inconformidade com o do recurso voluntário, verificase que a recorrente inova neste último relativamente a várias matérias. Na manifestação de inconformidade, além das alegações de ordem genérica acerca do conceito de insumos para fins de creditamento das contribuições e do princípio da verdade material, a manifestante somente tinha contestado as glosas referentes às: i) despesas de frete e armazenagem de insumos importados após o desembaraço aduaneiro e ii) aquisições de paletes. Posteriormente, no recurso voluntário, a recorrente traz outras alegações de defesa e contesta expressamente todas as glosas efetuadas pela fiscalização, conforme tópicos do Relatório acima. A possibilidade de conhecimento e apreciação de novas alegações e novos documentos deve ser avaliada à luz das normas que regem o Processo Administrativo Fiscal Decreto n.º 70.235/72, o qual dispõe: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Fl. 219DF CARF MF Processo nº 13888.908656/201147 Acórdão n.º 3402004.031 S3C4T2 Fl. 7 6 (...) Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei n.º 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei no 9.532, de 1997): b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei n.º 9.532, de 1997); c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei n.º 9.532, de 1997) (...) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei n.º 9.532, de 1997). Assim, nos termos dos arts. 14 a 17 do Decreto nº 70.235/72, acima transcritos, a fase litigiosa do processo administrativo fiscal somente se instaura se apresentada a manifestação de inconformidade ou impugnação contendo as matérias expressamente contestadas, de forma que são os argumentos submetidos à primeira instância que determinam os limites do litígio, não se devendo conhecer de inovação recursal. A competência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF circunscrevese ao julgamento de "recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como recursos de natureza especial”, de forma que não se aprecia a matéria não impugnada ou não recorrida. Nesse sentido, tem este CARF decidido por não conhecer de matéria que não tenha sido objeto de litígio no julgamento de primeira instância, como nas ementas que ora se transcreve: Acórdão nº 9303004.566 – 3ª Turma /CSRF Sessão de 08 de dezembro de 2016 Relator: Demes Brito Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/09/1998 a 31/12/2003 Fl. 220DF CARF MF Processo nº 13888.908656/201147 Acórdão n.º 3402004.031 S3C4T2 Fl. 8 7 PRECLUSÃO. JULGAMENTO PELO COLEGIADO DE SEGUNDA INSTÂNCIA DE MATÉRIA NÃO SUSCITADA PELO SUJEITO PASSIVO. IMPOSSIBILIDADE. O julgamento da causa é limitado pelo pedido, devendo haver perfeita correspondência entre o postulado pela parte e a decisão, não podendo o julgador afastarse do que lhe foi pleiteado, sob pena de vulnerar a imparcialidade e a isenção, conforme teor do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considerase não impugnada a matéria não deduzida expressamente no recurso inaugural, o que, por consequência, redunda na preclusão do direito de fazêlo em outra oportunidade. (...) Acórdão 3301002.475 – CARF 3º Seção/3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Relator: Sidney Eduardo Stahl, j. 11/11/ 2014 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Ano calendário: 2006, 2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. O contencioso administrativo instaurase com a impugnação, que deve ser expressa, considerandose não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente contestada pelo impugnante. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na instância a quo. Não se conhece do recurso quando este pretende alargar os limites do litígio já consolidado, sendo defeso ao contribuinte tratar de matéria não discutida na impugnação. (...) Assim, não conheço das inovações recursais trazidas no recurso voluntário sob os seguintes tópicos: 2. Da glosa indevida de créditos relativos à aquisição de produtos químicos, fertilizantes e defensivos agropecuários, tributados à alíquota zero; 5. Da glosa indevida de créditos sobre os pagamentos de comissões de compra; e 6. Da glosa indevida de créditos sobre despesas de energia térmica, por falta de previsão legal. Passase a analisar somente a matéria do recurso voluntário que esteja contida na lide delimitada pela manifestação de inconformidade. "Da interpretação do conceito de Insumo para efeitos de tomada de créditos de pis e de cofins" Este Conselho Administrativo não tem adotado, para fins de aproveitamento de créditos do PIS/Pasep e da Cofins, a Fl. 221DF CARF MF Processo nº 13888.908656/201147 Acórdão n.º 3402004.031 S3C4T2 Fl. 9 8 interpretação restrita de insumos veiculada pelas Instruções Normativas SRF nºs 247/2002 e 404/2004, e nem tão amplo, de acordo com a legislação do Imposto de Renda. Filiome ao entendimento que tem aceitado os créditos de PIS/Cofins relativos a bens e serviços utilizados como insumos que são pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, considerando como parâmetro o custo de produção naquilo que não seja conflitante com o disposto nas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, conforme conceito de insumo delineado no Voto do Conselheiro Antonio Carlos Atulim no Acórdão nº 3403002.816– 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária, de 27 de fevereiro de 2014, abaixo transcrito: (...) Já no regime não cumulativo das contribuições ao PIS e à Cofins, o crédito é calculado, em regra, sobre os gastos e despesas incorridos no mês, em relação aos quais deve ser aplicada a mesma alíquota que incidiu sobre o faturamento para apurar a contribuição devida (art. 3º, § 1º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/04). E os eventos que dão direito à apuração do crédito estão exaustivamente citados no art. 3º e seus incisos, onde se nota claramente que houve uma ampliação do número de eventos que dão direito ao crédito em relação ao direito previsto na legislação do IPI. Essa distinção entre os regimes jurídicos dos créditos de IPI e das contribuições não cumulativas permite vislumbrar que no IPI o direito de crédito está vinculado de forma imediata e direta ao produto industrializado, enquanto que no âmbito das contribuições está relacionado ao processo produtivo, ou seja, à fonte de produção da riqueza. Assim, a diferença entre os contextos da legislação do IPI e da legislação das contribuições, aliada à ampliação do rol dos eventos que ensejam o crédito pelas Leis nº 10.637/02 e 10.833/04, demonstra a impropriedade da pretensão fiscal de adotar para o vocábulo “insumo” o mesmo conceito de “produto intermediário” vigente no âmbito do IPI. Contudo, tal ampliação do significado de “insumo”, implícito na redação do art. 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/04, não autoriza a inclusão de todos os custos e despesas operacionais a que alude a legislação do Imposto de Renda, pois no rol de despesas operacionais existem gastos que não estão diretamente relacionados ao processo produtivo da empresa. Se a intenção do legislador fosse atribuir o direito de calcular o crédito das contribuições não cumulativas em relação a todas despesas operacionais, seriam desnecessários os dez incisos do art. 3º, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/04, onde foram enumerados de forma exaustiva os eventos que dão direito ao cálculo do crédito. Portanto, no âmbito do regime não cumulativo das contribuições, o conteúdo semântico de “insumo” é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os Fl. 222DF CARF MF Processo nº 13888.908656/201147 Acórdão n.º 3402004.031 S3C4T2 Fl. 10 9 “bens” e “serviços” que, não sendo expressamente vedados pela lei, forem essenciais ao processo produtivo para que se obtenha o bem ou o serviço desejado. Na busca de um conceito adequado para o vocábulo insumo, no âmbito das contribuições não cumulativas, a tendência da jurisprudência no CARF caminha no sentido de considerar o conceito de insumo coincidente com conceito de custo de produção, pois além de vários dos itens descritos no art. 3º da Lei nº 10.833/04 integrarem o custo de produção, esse critério oferece segurança jurídica tanto ao fisco quanto aos contribuintes, por estar expressamente previsto no artigo 290 do Regulamento do Imposto de Renda. Nessa linha de raciocínio, este colegiado vem entendendo que para um bem ser apto a gerar créditos da contribuição não cumulativa, com base no art. 3º, II, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2002, ele deve ser aplicado ao processo produtivo (integrar o custo de produção) e não ser passível de ativação obrigatória à luz do disposto no art. 301 do RIR/991. Se for passível de ativação obrigatória, o crédito deverá ser apropriado não com base no custo de aquisição, mas sim com base na despesa de depreciação ou amortização, conforme normas específicas. (...) ... "Da glosa indevida de créditos na aquisição de pallets" Acerca das glosas relativas aos paletes de madeira do tipo "One Way", entendo que elas devem ser revertidas, acompanhando o voto do Ilustre Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, proferido em face da recorrente no processo nº 13878.000213/200587 (Acórdão nº 3402002.826– 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, Sessão de 25 de janeiro de 2016, conforme extrato abaixo: (...) A decisão recorrida, como se vê, foi além do conceito restrito de insumo das Instruções Normativas n° 247/2002 e n° 404/2004. Aplicando diretamente as disposições do Regulamento do IPI (Decreto nº 4.544/2002), restringiu o direito ao crédito apenas às embalagens incorporadas ao produto no processo de industrialização. Tratase, porém, de interpretação que não tem respaldo na legislação, à medida que a IN SRF nº 247/2002, não opera com a distinção adotada pela decisão recorrida: (...) 1 Art. 301. O custo de aquisição de bens do ativo permanente não poderá ser deduzido como despesa operacional, salvo se o bem adquirido tiver valor unitário não superior a trezentos e vinte e seis reais e sessenta e um centavos, ou prazo de vida útil que não ultrapasse um ano (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 15, Lei nº 8.218, de 1991, art. 20, Lei nº 8.383, de 1991, art. 3º, inciso II, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 30). Fl. 223DF CARF MF Processo nº 13888.908656/201147 Acórdão n.º 3402004.031 S3C4T2 Fl. 11 10 E mais. Neste caso, entendo que tratase, assim, diferentemente dos casos em que ocorre especificamente para a etapa de transporte, e sim de acondicionamento diretamente relacionado à produção do bem e que afasta o seu enquadramento com bem do ativo imobilizado, pois são descartáveis. A recorrente fabrica e exporta seus produtos, que notoriamente são sensíveis e facilmente afetados por situações cotidianas, como por exemplo contatos físicos com outros produtos, deterioração por contatos de produtos naturais, como água, umidade, produtos químicos, etc. No presente caso, verificase que a paletização que envolve o acondicionamento (pallet, papelão e os filmes strech) não é realizada apenas para fins de transporte, mas para a própria estocagem no estabelecimento industrial. Isso porque, devido ao tamanho reduzido das embalagens individuais, não há como estocar o produto na fábrica sem a sua paletização. Do contrário, haveria o desmoronamento das pilhas de armazenagem, por exemplo. Ademais, a paletização, além de indispensável à estocagem e ao transporte da mercadoria, constitui exigência de normas de controle sanitário na área de alimentos. Com efeito, de acordo com a Portaria SVS/MS (Secretaria de Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde) nº 326, de 30 de julho de 1997, que aprova o Regulamento Técnico; “Condições Higiênicos Sanitárias e de Boas Práticas de Fabricação para Estabelecimentos Produtores/Industrializadores de Alimentos”: “5.3.10 Os insumos, matérias primas e produtos terminados devem estar localizados sobre estrados e separados das paredes para permitir a correta higienização do local.” “8.8 – Armazenamento e transporte de matérias primas e produtos acabados: 8.8.1 – As matéria primas e produtos acabados devem ser armazenados e transportados segundo as boas práticas respectivas de forma a impedir a contaminação e/ou a proliferação de microorganismos e que protejam contra a alteração ou danos ao recipiente ou embalagem. Durante o armazenamento deve ser exercida uma inspeção periódica dos produtos acabados, a fim de que somente sejam expedidos alimentos aptos para o consumo humano e sejam cumpridas as especificações de rótulo quanto as condições e transporte, quando existam.” (g.n.) A paletização, portanto, atende exigência de acondicionamento dos produtos acabados em estrados (item 5.3.10), de forma a impedir a contaminação do produto e a ocorrência de alteração ou danos ao recipiente ou embalagem (item 8.8.1), nos termos previstos na Portaria SVS/MS nº 326/1997. Fl. 224DF CARF MF Processo nº 13888.908656/201147 Acórdão n.º 3402004.031 S3C4T2 Fl. 12 11 Tratase, assim, diferentemente dos casos em que ocorre especificamente para a etapa de transporte, de acondicionamento diretamente relacionado à produção do bem e que decorre de exigências sanitárias. Foi informado ainda pela recorrente que o pallet têm natureza one way (sem retorno), o que afasta o seu enquadramento com bem do ativo imobilizado. (...) "Da busca da verdade material no processo administrativo tributário" Por fim, a invocação do princípio da verdade material em nada auxilia a recorrente no presente processo, eis que não há aqui controvérsia sobre matérias de fato, mas tão somente divergências quanto à qualificação jurídica dos fatos. Assim, em face do exposto, voto no sentido de não conhecer o recurso voluntário no que concerne às inovações recursais (alíquota zero, comissões de compra e energia térmica) e, na parte conhecida, darlhe provimento parcial para reverter as glosas relativas às aquisições de paletes "one way". (...)2 "Da glosa indevida de créditos relativos a despesas com frete e com armazenagem de insumos importados" 1. Com a devida vênia, ousei divergir da douta relatora do caso apenas em relação ao creditamento nas operações de frete e armazenamento, haja vista as razões que passo a expor 2. Convém destacar que, segundo o que restou apurado nos autos, a fiscalização e o contribuinte convergem em relação ao fato de que os dispêndios em questão (frete e armazenamento) foram arcados pela Recorrente, configurando, pois, custo em relação à tomada de tais serviços. Em suma, a recorrente e a fiscalização admitem que os dispêndios citados são formalmente custeados pela recorrente, o que torna este fato inconteste. 3. A discussão, todavia, gravita em torno do fato da fiscalização ter partido da premissa que tais dispêndios não dariam direito a crédito, uma vez que o insumo transportado/armazenado não estaria sujeito à incidência da COFINS. Por outro giro verbal, o que a fiscalização sustenta, indevidamente, é que o crédito de frete e de armazenamento deve seguir a mesma sistemática de creditamento do bem transportado, como se houvesse uma relação de subsidiariedade entre tais créditos. 2 Não foi transcrita a parte do voto da relatora do paradigma que tratou do direito de crédito relativo a despesas com frete e com armazenagem, por ser entendimento que restou vencido na votação, e por constar, na íntegra, do acórdão do processo paradigma. Transcreveuse, tãosomente, o entendimento que prevalesceu sobre a questão. Fl. 225DF CARF MF Processo nº 13888.908656/201147 Acórdão n.º 3402004.031 S3C4T2 Fl. 13 12 4. Tal entendimento, todavia, é indevido. A apuração dos créditos em tela não possui uma relação de subsidiariedade com a forma de apuração do crédito do produto transportado/armazenado. Não há qualquer previsão legal neste diapasão, até que porque não haveria qualquer sentido nisso, já que o frete e o armazenamento sofreram a incidência integral da contribuição e, por isso, não podem ser comparados ao procedimento aplicável ao bem transportado/armazenado. Não se comparam elementos distintos por absoluta impropriedade de meio e inconsistência de conclusão. 5. Logo, uma vez provado que o frete e o armazenamento configuram custo de aquisição para o adquirente, ele deve ser tratado como tal e, por conseguinte, gerar crédito em sua integralidade. Inclusive, é assim que tem decidido este Tribunal administrativo, consoante se observa das ementas abaixo transcritas: Ementa ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2008 a 30/09/2009 (...). CRÉDITO. FRETE DE INSUMOS. POSSIBILIDADE. INEXISTÊNCIA DE VINCULAÇÃO AO CRÉDITO DO BEM ADQUIRIDO. É permitido ao contribuinte tomar crédito do custo do transporte de insumos quando ainda em fase de produção. Neste diapasão, uma vez que o frete em si é tributado pelas contribuições, ainda que os objetos transportados se refiram a insumos que não sofreram a incidência do PIS e COFINS, o custo do serviço gera direito a crédito. (...). Recurso Voluntário Provido em Parte. (CARF; Acórdão n. 3302002.780; 2a T. da 3a Câmara da 3a Seção; j. em 11/12/2014). Ementa Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 (...). CRÉDITO. FRETE NA AQUISIÇÃO. INEXISTÊNCIA DE VINCULAÇÃO AO CRÉDITO DO BEM ADQUIRIDO. Tratandose de frete tributado pelas contribuições, ainda que se refiram a insumos adquiridos que não sofreram a incidência, o custo do serviço gera direito a crédito. (...). Fl. 226DF CARF MF Processo nº 13888.908656/201147 Acórdão n.º 3402004.031 S3C4T2 Fl. 14 13 (CARF; Acórdão n. 3302001.916; 2a T. da 3a Câmara da 3a Seção; j. em 29/01/2013) 6. Neste sentido, inclusive, é o recentíssimo julgado desta turma julgadora, conforme se observa da seguinte ementa: Ementa Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 (...). FRETE. CUSTO DE AQUISIÇÃO DO ADQUIRENTE. CRÉDITO VÁLIDO INDEPENDENTEMENTE DO REGIME DE CRÉDITO DO BEM TRANSPORTADO. A apuração do crédito de frete não possui uma relação de subsidiariedade com a forma de apuração do crédito do produto transportado. Não há qualquer previsão legal neste diapasão. Uma vez provado que o frete configura custo de aquisição para o adquirente, ele deve ser tratado como tal e, por conseguinte, gerar crédito em sua integralidade. Recurso voluntário parcialmente provido. Direito creditório reconhecido em parte. (Acórdão n. 3402003.968; sessão de 28 março de 2017). 7. Assim, com base em tais fundamentos reconheço como válidos os créditos de frete e armazenamento vindicados pela recorrente, motivo pelo qual, na parte reconhecida, dou integral provimento ao recurso voluntário interposto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço parcialmente do recurso voluntário, e na parte conhecida, dou integral provimento. assinado digitalmente Antônio Carlos Atulim Fl. 227DF CARF MF
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Numero do processo: 36216.005713/2005-02
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jul 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2001 a 31/08/2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE. EXIGÊNCIA DE DISCRIMINAÇÃO DE BENEFICIÁRIOS DE ASSISTÊNCIA MÉDICA. DESNECESSIDADE.
O Código Tributário Nacional, a Lei de Custeio da Previdência e o Decreto nº 70.235/72, este último que regula o processo administrativo fiscal e contém regras adjetivas sobre o lançamento tributário, não exigem - nem de modo indireto - que haja individualização de empregado por empregado para higidez de lançamento tributário em que se considera que determinada verba integre o salário de contribuição das contribuintes previdenciárias.
PROCESSO ADMINISTRATIVO. CONCOMITÂNCIA. INTELIGÊNCIA DA SÚMULA CARF nº 1.
A expressão mesmo objeto constante do texto sumulado diz respeito àquilo sobre o qual recairá o mérito da decisão, quando sejam idênticas as demandas. Portanto, tem-se como critérios de aplicação da impossibilidade do prosseguimento do curso normal do processo administrativo, em vista da concomitância com processo judicial, tanto o pedido como a causa de pedir, e não somente o pedido.
Numero da decisão: 2201-003.667
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário, para na parte conhecida, negar-lhe provimento
(assinado digitalmente)
CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Presidente e Relator.
EDITADO EM: 19/06/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA
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INEXISTÊNCIA DE NULIDADE. EXIGÊNCIA DE DISCRIMINAÇÃO DE BENEFICIÁRIOS DE ASSISTÊNCIA MÉDICA. DESNECESSIDADE. O Código Tributário Nacional, a Lei de Custeio da Previdência e o Decreto nº 70.235/72, este último que regula o processo administrativo fiscal e contém regras adjetivas sobre o lançamento tributário, não exigem nem de modo indireto que haja individualização de empregado por empregado para higidez de lançamento tributário em que se considera que determinada verba integre o salário de contribuição das contribuintes previdenciárias. PROCESSO ADMINISTRATIVO. CONCOMITÂNCIA. INTELIGÊNCIA DA SÚMULA CARF nº 1. A expressão “mesmo objeto” constante do texto sumulado diz respeito àquilo sobre o qual recairá o mérito da decisão, quando sejam idênticas as demandas. Portanto, temse como critérios de aplicação da impossibilidade do prosseguimento do curso normal do processo administrativo, em vista da concomitância com processo judicial, tanto o pedido como a causa de pedir, e não somente o pedido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário, para na parte conhecida, negarlhe provimento (assinado digitalmente) CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 36 21 6. 00 57 13 /2 00 5- 02 Fl. 897DF CARF MF 2 EDITADO EM: 19/06/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão que manteve o lançamento tributário referente às contribuições previdenciárias supostamente incidentes sobre valores pagos a título de auxílio saúde. Utilizo, com a devida permissão, o relatório constante da Resolução 205 00.015, de lavra da 5ª Câmara do 2º Conselho de Contribuintes, por sua precisão e clareza (fls. 190): O presente lançamento referese ao período de 04/2001 a 08/2004, e de acordo com o Relatório Fiscal (fls. 42 a 45), os fatos geradores das contribuições apuradas no lançamento de crédito, foram verificados mediante apresentação das remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados a título de reembolso, conforme Planilha de Reembolsos PAME (fls. 46 a 49), apresentada pela empresa. A Auditoria Fiscal menciona que a empresa fornece planos de saúde aos funcionários da empresa em função do cargo, não observando a regra de isonomia. A opção pela escolha do plano é da empresa e não do empregado. O diferencial entre os planos horistas/mensalistas e executivos é que para os executivos existe a possibilidade de reembolso odontológico, reembolso de medicamentos, reembolso de psicoterapia e reembolso de consultas médicas de livre escolha. Esses reembolsos não são extensivos à totalidade dos empregados da empresa, contrariando o disposto na Lei n° 8.212/91, art. 28, § 9o, alínea "q", que determina que o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou daquele a ela conveniado, não integra a remuneração desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa. A interessada apresentou impugnação dentro do prazo regulamentar, às fls. 52 a 68 do presente, com juntada de documentos, às fls. 69 a 92, alegando em síntese que: (i) A fiscalização não expõe de maneira clara e precisa como apurou os valores lançados na Notificação e a base para calcular os recolhimentos devidos; (ii) Se está sustentando a tese de que diversos trabalhadores da empresa teriam recebido reembolso de despesas médicas integrante do salário de contribuição, deveria mencionar: (a) os nomes dos referidos trabalhadores e (b) os respectivos salários de contribuição individualizados, para que ao preparar a sua defesa a ora Fl. 898DF CARF MF Processo nº 36216.005713/200502 Acórdão n.º 2201000.667 S2C2T1 Fl. 898 3 impugnante pudesse discutir o acerto ou não da decisão tomada, tendo como referência os empregados efetivamente incluídos no objeto da autuação; (iii) Apesar de reconhecer que a Volkswagen dispõe de plano de saúde para todos os seus empregados, a fiscalização aduziu que parte dos benefícios decorrentes desse plano de saúde, concedidos a alguns empregados, teria natureza salarial por não estarem de acordo com o princípio da isonomia; (iv) a Lei n° 8.212/91 apenas destaca que a assistência médica terá que abranger a totalidade de empregados e dirigentes, sem, no entanto, obrigar a empresa a fornecer plano de saúde idêntico para todos; (v) salienta que o PAME (Plano de Assistência Médica dos Executivos), que permite o reembolso de despesas médicas, exige que os empregados participem com 30% de todo o custo mensal desse benefício, na forma de um rateio; (vi) acrescenta o fato de que os planos básicos disponibilizados aos nãoexecutivos também garantem o reembolso de despesas médicas, variando apenas o percentual desse reembolso;(vii) o intuito do legislador ordinário, é que todos os empregados tenham acesso à assistência médica, para evitar que se dê o benefício apenas para determinada categoria de trabalho. Agora, os tipos de plano de saúde deverão ser oferecidos de acordo com a necessidade e a capacidade econômica de cada empregado; (viii) a Volkswagen possui um único Plano de Saúde, registrado na SUSEP sob o n° 31163, disponível a todos os empregados; (ix) ainda que se observe a questão do ângulo mais obtuso possível, a Volkswagen disponibiliza o mesmo plano para todos os empregados, dividindoos em categorias de acordo com a necessidade e capacidade econômica; (x) destaca que o Parecer CJ/n° 107/92, concluiu que a Assistência Médica concedida pelas empresas aos seus empregados, seja de forma gratuita ou não, representa uma prestação assistencial e não salarial; (xi) o Poder Judiciário já teve a oportunidade de se manifestar especificamente sobre a modalidade de Plano de Saúde fornecido pela empresa, onde se constata que o benefício do plano médico sequer pode ser entendido como habitual, pois o trabalhador pode passar meses ou até mesmo anos sem utilizálo; (xii) não se pode perder de vista que o Plano de Assistência Médica disponibilizado é em parte custeado pelos empregados; (xiii) a própria legislação trabalhista já reconheceu o caráter assistencial do Plano Médico conferido a empregados, desvinculandoo do salário para todos os fins de direito; (xiv) impugnouse, outrossim, o valor apontado como devido ao Seguro contra Acidentes de Trabalho, na medida que foi utilizada pela fiscalização a alíquota de 2%, entretanto, deveria ser aplicada a alíquota de 1%, já que se tratam de valores pagos aos executivos da empresa, que laboram nos estabelecimentos administrativos. Em 10 de novembro de 2005, foi prolatada DecisãoNotificação n. 21.434 4/0115/2005 [fls. 96 a 120] que, em síntese, refutou os argumentos colacionados na impugnação e julgou procedente o lançamento: Fl. 899DF CARF MF 4 DIREITO PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. Contribuição da Empresa Sobre a Remuneração de Empregados. Contribuição das Empresas para Financiamento dos Benefícios em Razão da Incapacidade Laborativa. Contribuições destinadas aos Terceiros. DA POSSIBILIDADE DE LAVRATURA DA NFLD. DA INOCORRÊNCIA DE NULIDADE. O Relatório Fiscal explica detalhadamente a verba que compõe a base de cálculo das exações em comento. Os elementos basilares indicados, dão ao contribuinte o norte necessário à sua contestação, tendo em vista que é de seu conhecimento, quais os empregados (empregados de nível executivo) e qual a verba paga (Reembolso de Despesas Médicas), sobre a qual está incidindo a contribuição previdenciária em comento. O lançamento cumpriu todos os seus requisitos, a partir do momento em que o fato gerador é explicitado, a base de cálculo é quantificada, a fundamentação legal é elencada, as alíquotas são definidas e o período é discriminado. DA LEGALIDADE DA AUTUAÇÃO. ISONOMIA NÃO COMPROVADA. Observamos que o fato da impugnante admitir que há divisão de seus empregados em categorias, já desnatura a essência da norma. Não se discute aqui, a abrangência da assistência médica, mas o modo como é oferecida. Cumpre à impugnante trazer aos autos, elementos que afastem o caráter remuneratório da rubrica lançada a título de reembolso de despesas médicas. A impugnante menciona que os planos médicos disponibilizados aos nãoexecutivos também garantem o reembolso de despesas médicas, variando apenas o percentual desse reembolso, contudo, não traz aos autos, prova de tal afirmação. DO CARÁTER ASSISTENCIAL DO BENEFÍCIO. O Parecer/CJ n° 107/92, preconiza o descabimento da inclusão do pagamento do reembolso de despesa médicas, no conceito de saláriodecontribuição, face apreciação do conceito na legislação vigente a partir da Lei n" 8.212, de 24 de julho de 1991. Até a alteração da Lei n° 8.212/91, pela MP n° 1.59614, de 10/11/1997, convertida na Lei n" 9.528, de 10/12/1997, inexistia a preocupação do legislador com a verdadeira natureza salarial de determinadas parcelas pagas aos trabalhadores, como a que está sendo analisada, referente ao reembolso de despesas médicas. Fl. 900DF CARF MF Processo nº 36216.005713/200502 Acórdão n.º 2201000.667 S2C2T1 Fl. 899 5 Demonstrado que o reembolso de despesas médicas, é extensivo à totalidade dos empregados e dirigentes da empresa, certamente a questão estará pacificada, e haveremos de mudar nosso entendimento, afastando a hipótese de a rubrica lançada, ser integrante da remuneração, e como conseqüência, não ser integrante do saláriodecontribuição. DA NÃO HABITUALIDADE DO BENEFÍCIO JURISPRUDÊNCIA. Em relação ao Plano Médico oferecido pela empresa a seus empregados, vemos que o fato de se subrogar no dever do Estado de ministrar o atendimento à saúde não justifica a hipótese de incidência da exação previdenciária. Rubrica Reembolso de Despesas Médicas. Sob tal titulo, a impugnante reembolsa despesas que os empregados (apenas os integrantes do Plano Médico Padrão PAME) tenham nas áreas de odontologia, medicamentos, psicoterapia e consultas médicas de livre escolha, desvirtuando tal cobertura, como contido na legislação em vigor. DA ONEROSIDADE DO BENEFÍCIO. DA APLICAÇÃO DA CLT. O foco da discussão do presente lançamento, são os reembolsos de despesas médicas, e não a assistência médica/odontológica prestada, sobre a qual já nos manifestamos, mencionando acerca da hipótese de inexistência de contribuição previdenciária. O que contraria a legislação vigente, e por isso, está efetivamente ocorrendo a hipótese de incidência, diz respeito aos reembolsos de despesas médicas, tendo em vista que não abrangem a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa. O parágrafo 9o do artigo 28 da Lei n" 8.212/91 cuidou, de maneira exaustiva, das hipóteses excludentes de tributação sendo que, as parcelas não sujeitas à incidência de contribuição previdenciária, quando pagas ou creditadas em desacordo com a legislação pertinente, integram o saláriodecontribuição para todos os fins e efeitos. DO VALOR DO DÉBITO. SAT. A Lei n.°8.212/91, no art. 22, inciso II, estabelece as alíquotas de contribuição de acordo com o grau de risco acidentário, em conformidade com a atividade exercida. Verificamos também, que o Decreto Regulamentador não extrapolou a Lei, pois esta já faz referência à contribuição em acordo com o grau de risco atinente à atividade exercida pela empresa. A definição de atividade preponderante, ou seja, aquela que ocupa o maior número de segurados empregados, vem desde o Fl. 901DF CARF MF 6 Decreto n. ° 83.081/79 com as alterações do Decreto n.° 90.817/85. LANÇAMENTO PROCEDENTE Devidamente intimada, a Notificada interpôs recurso voluntário tempestivo [fls.123136], sob os mesmos argumentos da impugnação. Essa não efetuou o necessário depósito recursal para garantia de instância, por força de decisão do e. TRF da 3 a Região, nos autos do AI n. 2005.03.00.0988414. Instada a se manifestar, a DRP em São Paulo, repisou a fundamentação constante da DN (fls. 156) A Resolução 20500.015, de lavra da 5ª Câmara do 2º Conselho de Contribuintes, de onde como dito se reproduziu o relatório, culminou com a seguinte determinação: "Após analisar o feito, uma questão merece destaque e deve ser apreciada antes do julgamento da lide, qual seja, existência de decisão judicial [sentença] prolatada pela 16a Vara Federal de São Paulo, nos autos dos processos n. 97.00587398 e 98.00033793, que declarou ter a assistência médica objeto dessa NFLD natureza meramente assistencial [fls. 7378]. Assevera a Recorrente que [fl. 132]: [...] Da acertada decisão acima transcrita, proferida em processo em que se discute exatamente a mesma controvérsia da presente autuação (natureza jurídica do plano de assistência médica da empresa), constatase que o benefício do plano médico sequer pode ser entendido como habitual, pois o trabalhador pode passar meses ou até mesmo anos sem utilizá lo. Como bem observado pelo juízo, a utilização de plano médico é esporádica, sendo inadmissível considerar esse beneficio como um ganho habitual do empregado, revestido de natureza salarial. Poderseia alegar que o INSS não participou da lide acima numerada, não existindo vinculação quanto ao entendimento judicial exarado. Entretanto, salvo melhor entendimento, qual seja, de buscar a verdade material e julgar a controvérsia administrativa com percuciência, entendo necessária a conversão do julgamento em diligência para que sejam esclarecidas algumas questões de fato: (i) os autos sejam remetidos à Delegacia da Receita Federal do Brasil em São Paulo, com trânsito pela Procuradoria da Fazenda Nacional. para que seja juntada aos autos informação do andamento, dos processos n. 97.00587398 e 98.00033793, em trâmite na 16a Vara Federal de São Paulo e as decisões judiciais posteriores; (ii) intimese o sujeito passivo para, querendo, manifestese em relação a informação processual e apresente cópia da petição inicial da ação declaratória; Fl. 902DF CARF MF Processo nº 36216.005713/200502 Acórdão n.º 2201000.667 S2C2T1 Fl. 900 7 (iii) após à realização desses procedimentos, devem os autos serem remetidos a esta 5 a Câmara para julgamento, ressalvado o disposto no §2°, do art. 308, do Decreto n.° 3.048/99" Em resposta, foi produzida a Informação Fiscal prestada pelo SECAT da Delegacia da Receita Federal do Brasil em São Bernardo do Campo, constante de folhas 894 do processo digital: Conforme pode ser visto no entendimento prolatado na Resolução nº 205 00.015 do órgão retromencionado (fls. 189 196), o julgamento que por este seria realizado fora convertido em diligência, devido à necessidade de esclarecer questões de fato correlatas ao PAF em epígrafe. Para tanto, fora solicitado que os autos fossem “remetidos à Delegacia da Receita Federal do Brasil em São Paulo, com trânsito pela Procuradoria da Fazenda Nacional, para que seja juntada aos autos informação do andamento dos processos n. 97.00587398 e 98.00033793, em trâmite na 16ª Vara Federal de São Paulo e as decisões judiciais posteriores” (fl. 194). Registrese, preliminarmente, que o contribuinte citado está circunscrito à Delegacia da Receita Federal de São Bernardo do Campo/SP. Compulsando o presente PAF, fora verificado que, em 19/02/2008, houve o encaminhamento dos autos à Procuradoria da Fazenda Nacional, a quem competia o cumprimento da diligência. Porém, por equívoco, em vez de esta encaminhar as informações solicitadas e juntadas aos autos ao órgão solicitante (CARF), estes foram devolvidos à Delegacia da Receita Federal do Brasil em São Bernardo do Campo/SP, conforme despacho de 30/07/2010 (fl. 274). Dessa forma, visando atender à diligência citada, passase à análise dos processos judiciais em epígrafe, com o fornecimento de informações atualizadas sobre o andamento processual dos mesmos. Registrese, de pronto, que os citados processos judiciais possuem litisconsórcio ativo, sendo seus autores Ford Brasil Ltda e Volkswagen do Brasil Ind de Veículos Automotores Ltda, sendo que o presente PAF tem como interessado este último apenas. Nas demandas judiciais em comento, buscam as autoras provimento jurisdicional que declare nula a decisão proferida no auto do processo administrativo n' 3543310713/92, aplicado por suposta infringência do disposto no art. 23, par. 1' da Lei 8.036/90. Alegam as autoras que disponibilizaram aos seus empregados um plano de assistência médica, que varia de acordo com a classe em que inserido o trabalhador, mas que em comum possui o fato de ser em parte custeado pela empresa e em parte pelo operário, não sendo, portanto, gratuito. Fl. 903DF CARF MF 8 D'outra banda, a ré (União) entende que o referido benefício possui natureza salarial. Conforme pode ser visto nos extratos processuais em anexo (fls. 870878), a liminar fora deferida e a sentença a confirmou, julgando procedentes os pedidos formulados na ação ordinária e na medida cautelar para anular o auto de infração n' 17430813/92 (fl. 879). Contra a mencionada sentença, a União interpôs recurso de Apelação. A esta, porém, fora negado provimento, sendo dado parcial provimento à remessa oficial apenas para reduzir os honorários advocatícios, conforme pode ser visto em acordão prolatado pelo TRF3 (fls. 880887). A União opôs Embargos de Declaração, porém estes não foram providos (fls.888892). Ato contínuo , a União interpôs recursos excepcionais, quais sejam Recurso Especial e Extraordinário. Porém, hodiernamente, os mesmos encontramse conclusos ao Desembargador Federal VicePresidente do TRF3 para decisão quanto à admissibilidade. Por fim, devese registrar que, conforme extrato anexo (fls. 893), o débito 358305136 encontrase com a sua exigibilidade suspensa devido às decisões relatadas, assim como, devido à apresentação pelo contribuinte de CartasFiança, resguardando o débito em comento (fls. 850868)". (destaques nossos) O presente processo administrativo foi distribuído, por meio de sorteio eletrônico para este Conselheiro em razão da extinção da turma que determinou a diligência e do término do mandato do Conselheiro Relator originário. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Relator Carlos Henrique de Oliveira O recurso é tempestivo. Passo a apreciálo na ordem de suas alegações. Antes, porém, mister tecer algumas considerações até em razão da diligência determinada pela extinta 5ª Câmara do 2º Conselho de Contribuintes. Como relatado o lançamento tributário em discussão versa sobre a incidência de contribuições previdenciárias sobre auxílio saúde fornecido pela Recorrente aos seus funcionários e diretores que, no ver da Fiscalização, contrariam disposição da Lei de Custeio da Previdência. Desde sua impugnação ao lançamento o agora Recorrente, afirma (fls. 63) Nesse sentido, o Poder Judiciário já teve a oportunidade de se manifestar especificamente sobre a modalidade de Plano de Saúde fornecido pela empresa, concluindo que: Fl. 904DF CARF MF Processo nº 36216.005713/200502 Acórdão n.º 2201000.667 S2C2T1 Fl. 901 9 "As prestações pagas "in natura", tal como o é a assistência médica oferecida, somente integram o salário quando revestidas dos requisitos da habitualidade e da gratuidade, pois se o empregador cobra pelo usufruto de tais benefícios, evidentemente não ingressam no patrimônio do trabalhador e, consequentemente, não podem ser tidas como salário. "In casu", o próprio perito, à fls. 802/803, esclarece, ao analisar o Manual do Plano Médico Volkswagen, que os empregados participavam do custeio do plano de assistência oferecido pelas autoras da seguinte forma: "nos planos C e D, os empregados participavam com 1% (um por cento) do salário nominal mensal, não incluindo férias, 13° salário, etc. No plano F os custos são integralmente rateados entre todos os participantes inscritos nesse plano, subtraindose o valor correspondente ao custo per capita do plano C. Em relação ao Plano Pame, a autuada assume 70% dos custos desse plano, sendo a parte restante 30% rateada entre todos os empregados inscritos.". Afirma, ainda, que analisando a Folha de Pagamento dos meses de novembro e dezembro de 1991 (período objeto da autuação), pôde verificar o efetivo desconto de participação no Plano Médico. A par da ausência do requisito da gratuidade, também não se pode dizer sêlo habitual, pois a toda evidência sua utilização é esporádica." (Processo 97.00587398, 16a VF/SP, Ford e Volkswagen x União Federal) Da acertada decisão acima transcrita, proferida em processo em que se discute exatamente a mesma controvérsia da presente autuação (natureza jurídica do plano de assistência médica da empresa), constatase que o benefício do plano médico sequer pode ser entendido como habitual, pois o trabalhador pode passar meses ou até mesmo anos sem utilizá lo." (negritos e sublinhados nossos) Verificase, portanto, que há demanda judicial instaurada com o mesmo objeto, ou seja, a natureza jurídica do plano de assistência médica da empresa. Forçoso, portanto, analisarmos se há coincidência de objetos entre o presente processo administrativo e os processos n. 97.00587398 e 98.00033793, em trâmite na 16ª Vara Federal de São Paulo e as decisões judiciais posteriores” (fl. 194), ressaltando que foi exatamente este o questionamento formulado na Resolução 20500.015. Antes, porém, em acréscimo as informações prestadas pela Autoridade Lançadora, verifico, por meio de consulta realizada em 22 de abril de 2017, às 11:59hs, no sitio da Justiça Federal que os processos acima mencionados se encontram no STJ, em fase de recurso especial proposto pela União, consoante se observa pela página da consulta processual abaixo, parcialemente, reproduzida: Número de origem 97.00587398 Classe 1018914 ApelReex SP Fl. 905DF CARF MF 10 Vara 12 SAO PAULO SP Data de autuação 07/02/2003 Partes Nome Apelante Uniao Federal (FAZENDA NACIONAL) Advogado MARLY MILOCA DA CAMARA GOUVEIA E AFONSO GRISI NETO Apelado(A) FORD BRASIL LTDA Advogado MARCELO PEREIRA GOMARA Relator DES.FED. ANDRÉ NEKATSCHALOW Assuntos Descrição Assunto FGTS/Fundo de Garantia por Tempo de Serviço Contribuições Especiais Contribuições Direito Tributário Detalhe 1++ PROCEDIMENTO COMUM Órgão julgador QUINTA TURMA Localização SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTICA (GR) A análise da concomitância é determinante em face da determinação da Súmula CARF nº 1. Recordemos: "Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial." (destaques nossos) Claríssima a disposição que consolidou entendimento praticamente unânime deste Colegiado: há tácita renúncia ao processo administrativo a propositura, antes ou depois do lançamento, de medida judicial com o mesmo objeto do processo administrativo. Assim, mister entendermos o que é o objeto do processo administrativo e cotejálo com o objeto do processo judicial que se analisa. Segundo o dicionário Michaelis 'online', publicado no sitio uolBusca (http://dic.busca.uol.com.br/result.html?q=objeto&group=0&t=10), o verbete objeto, em sua acepção jurídica: "objeto •sm(lat objectu) Tudo que se oferece aos nossos sentidos ou à nossa alma. Coisa material:Havia na estante vários objetos.Col: bateria,trem(quando agrupados para o mesmo fim). Motivo, causa. Tudo que constitui a matéria de ciências ou artes. Assunto, matéria. Intenção, desígnio, mira. Fim a que se mira ou que se tem em vista. Fl. 906DF CARF MF Processo nº 36216.005713/200502 Acórdão n.º 2201000.667 S2C2T1 Fl. 902 11 FilosAquilo que é pensado, por oposição ao próprio ato de pensar. DirTudo aquilo sobre que recai um direito, ou uma ação, ou obrigação." (sublinhamos) Também no mesmo sentido, um tanto amplo para os fins do nosso estudo, caminha o dicionário jurídico. Para objeto do processo, encontramos a seguinte significação (Diccionario Básico Jurídico, 7ª ed. Comares Editorial): "Conjunto de fatos que integrando o processo, o levam a conseguir as diversas finalidades que o mesmo persegue (...)" Das significações apresentadas, podemos inferir que o objeto da demanda processual é aquilo que com ela se pretende obter, o que se quer alcançar. Porém, somente tal entendimento é suficiente para se verificar a concomitância? Não nos parece. O Professor Moacyr Amaral Santos, no clássico Primeira Linhas de Direito Processual Civil ( 1º Vol., Ed. Saraiva, 20ª ed., p. 163), leciona que objeto da ação: "é o pedido do autor (Cod Proc. Civil, art 282, IV), ou seja, o que ele solicita que lhe seja assegurado pelo órgão jurisdicional. (...) Assim, o objeto, isto é, o pedido (res, petitum) é imediato ou mediato. O pedido imediato consiste na providência jurisdicional solicitada: sentença condenatória, declaratória, constitutiva ou mesmo providência executiva, cautelar ou preventiva. O pedido mediato é a utilidade que se quer alcançar pela sentença, ou providencia jurisdicional, isto é, o bem material ou imaterial pretendido" Continuando sua lição, o emérito Professor das Arcadas, ensina que o pedido deve estar sempre apoiado, deve sempre corresponder a uma causa de pedir, pois "quem invoca uma providência jurisdicional quanto a um bem pretendido, cumpre dizer no que se funda seu pedido" (ob. cit., pag. 164). Recorda o Mestre que o Códex Processual exige que o autor exponha na inicial não só o seu pedido, mas também os fundamentos jurídicos deste. Com tal exigência, a lei processual requer a exposição não só a causa próxima de pedir os fundamentos jurídicos como também a causa remota o fato gerador do direito. No caminhar de sua lição, com a didática exemplar que sempre o caracterizou, o Professor Moacyr Amaral, explica que a identificação de ações ( o cerne de nosso problema) exige que se examine detalhadamente a identidade, a individualidade de uma demanda. Para tanto, leciona o saudoso Professor: "(...) duas ações são idênticas quando em ambas seus elementos são os mesmos. Assim, duas ações são idênticas quando entre Fl. 907DF CARF MF 12 elas há: a) identidade de partes (eadem personae); b) identidade de objeto (eadem res); c) identidade de causa de pedir (eadem causa petendi)." Exsurge a distinção. Temse identidade entre ações quando as mesmas, intrinsecamente, coincidem, ou seja, são iguais. Para tanto, necessariamente convergem para a mesma solução a partir de divergências sobre o mesmo bem da vida mas forçosamente com essa divergência decorrente do mesmo motivo, da mesma causa. Tal exigência decorre não só de um imperativo processual, mas também de um imperativo lógico. Não basta a demanda reunir mesmas partes, sobre o mesmo bem em discussão: o motivo da disputa deve ser o mesmo. Por exemplo se pode entender melhor. Dois senhores podem discutir sobre um imóvel, mais acuradamente sobre a posse e propriedade de um imóvel. Imaginemos que se trate de um imóvel comercial, onde o proprietário, por contrato de locação, passou a posse do imóvel a um comerciante. Tempos depois, o comerciante propôs a compra do imóvel. Firmam um contrato de compra e venda, com pagamento parcelado. Ajustam que durante o pagamento parcelado da compra, o locatário, agora promitente comprador, continuaria a pagar o aluguel. Iniciados os pagamentos, o comprador vêse em dificuldades financeiras e atrasa algumas parcelas. O vendedor, opta pela resolução contratual unilateral e vende, à vista, o imóvel a outrem, porém ajustando com o novo comprador, que entregará o imóvel desocupado. Ingressa com medida judicial, ação de despejo, visando a retomada do imóvel. Nesse caso o objeto é a posse do imóvel. O locatário, aqui ainda promitente comprador, inconformado com o desfazimento do contrato de promessa de compra e venda, ingressa com ação judicial buscando fazer valer seu direito decorrente do contrato de compra e venda firmado e portanto anular a segunda venda. Objeto da ação: a propriedade do imóvel. Partes envolvidas: as mesmas. Resultado, objeto , de uma e de outra: o imóvel. Importante recordar que se o direito de promitente comprador for reconhecido, por óbvio que a segunda decisão terá seu resultado impactando na primeira, na ação de despejo. Mesmo assim, há coincidência de ações? Por óbvio que não. A distinção é flagrante quanto à causa de pedir. Em uma e em outra ação, embora o objeto seja o mesmo, o fundamento jurídico do pedido é distinto. Esses requisitos para que se reconheça a identidade de ações e portanto, a concomitância também é reconhecido por Julio Fabbrini Mirabete (Processo Penal, Ed. Atlas, 10ª ed., p. 217), processualista de renome que explicita, ao examiniar a litispendência: "Os elementos que identificam a demanda, impedindo outra por litispendência são: a) o pedido (petitum), o que o autor pede; b) as partes (personae), são as partes em litígio; a causa de pedir (causa petendi), a razão de fato pela qual o autor pede a condenação, no processo penal o fato criminoso. Numa expressão bem simples, se o mesmo autor, com o mesmo fundamento de fato, faz o mesmo pedido, contra o mesmo réu, a demanda é a mesma que a anterior" (destacamos) Fl. 908DF CARF MF Processo nº 36216.005713/200502 Acórdão n.º 2201000.667 S2C2T1 Fl. 903 13 Não é outra a lição de Cândido Rangel Dinamarco, outro ícone da Faculdade de Direito do Largo São Francisco, que em sua importantíssima obra, Instituições de Direito Processual Civil ( Vol III, 2ª ed. Ed. Malheiros p. 136), assevera: "Didaticamente e seguindo uma linha tradicional no processo civil brasileiro, o Código de Processo Civil afirma que uma ação é precisa reprodução de outra quando em ambas coincidem os três elementos constitutivos, tendo elas as mesmas partes, a mesma causa de pedir e o mesmo pedido (...)" (destacamos) Outro simples raciocínio demonstra a importância da causa de pedir como traço elementar, e portanto distintivo, de uma ação. Pensemos agora em hipótese de lide tributária clássica, ou seja, insurgência contra a tributação. Decerto que nessas ações tributárias, dois elementos serão sempre coincidentes: i) as partes, pois sempre se analisará a demanda de determinado contribuinte contra a Administração Tributária; ii) o pedido, o próprio objeto, pois sempre o contribuinte buscará se esquivar da exação como pretendida pelo Fisco. Ora, nesses casos, ao prevalecer entendimento alargado, ou seja, havendo concomitância quando o contribuinte puder alcançar na via judicial o mesmo resultado que teria na esfera administrativa, qualquer tipo de lide judicial afastaria qualquer demanda na fase administrativa, uma vez que pelo nosso pressuposto ao conseguir judicialmente o afastamento da pretensão fiscal como pretendida pela Administração Tributária, a esfera administrativa nunca teria função. Imaginemos que o contribuinte tenha ingressado com uma ação de inexistência de relação tributária acerca de determinado tributo. Tempos depois, ao perceber que aquele contribuinte não estava recolhendo os valores devidos sobre aquele determinado tributo, o Fisco inicia procedimento fiscalizatório. Ao ser cientificado da existência da demanda judicial, a autoridade fiscal, visando cumprir a determinação legal, opta por lançar o tributo em litígio somente para prevenir a decadência. Na impugnação, o contribuinte se insurge sobre o lançamento tributário em razão da existência, em sua opinião, de nulidade no procedimento do lançamento. A prevalecer a posição que dispensa a análise da causa de pedir, por ser certo que o resultado da lide judicial pode ser a declaração da inexistência da relação tributária entre o Fisco e o contribuinte, a processo administrativo tributário não poderia ser conhecido pois se observaria a concomitância, com consequente renuncia. Resultado: a Administração Tributária deixou de examinar, de controlar, a legalidade de determinado ato por ela produzido, expondo assim ao mundo um ato eivado de ilegalidade, nulo portanto, realizado por quem está adstrito ao princípio da legalidade, que determina que a Administração Pública só pode fazer o que a lei permite. Por óbvio que não pode ser esse o conceito de concomitância. Ao aplicarmos aos exemplos acima a clássica doutrina processualista, que exige para que se tenha identidade de ações a presença dos três elementos essenciais da ação (mesmas partes, mesma causa de pedir e mesmo pedido), não se verificaria a concomitância havendo, portanto, o exame dos processos por serem distintos. Fl. 909DF CARF MF 14 Outro não é o entendimento da própria Administração Tributária. Vejamos o trecho do conteúdo do Parecer Normativo Cosit nº 7, de 22 de agosto de 2014, que versa exatamente sobre o tema aqui analisado: "Da identidade de objetos dos processos administrativo e judicial 9. Poderseia questionar quanto à definição da expressão “mesmo objeto” a que se reportam o ADN Cosit nº3, de 1996, a Súmula nº1 do CARF e a Portaria MF nº341, de 2011. Aqui, fazse mister diferenciar o objeto da relação jurídica substancial ou primária do objeto da relação jurídica processual. Aquele consiste no bem da vida sobre o qual recaem os interesses em conflito, in casu, o patrimônio do contribuinte; este, por sua vez, diz respeito ao serviço que o Estado tem o dever de prestar, e nos procedimentos de que este se utiliza para tanto, resultando no proferimento de decisões administrativas ou judiciais em cada processo, guardando relação de instrumentalidade com a real demanda do autor (JUNIOR, Nelson Nery; NERY, Rosa Maria de Andrade. Constituição Federal Comentada. 2. ed. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2009. p. 179). 9.1. Assim, só produz o efeito de impedir o curso normal do processo administrativo a existência de processo judicial para o julgamento de demanda idêntica, assim caracterizada aquela em que se verificam as mesmas partes, a mesma causa de pedir (fundamentos de fato – ou causa de pedir remota e de direito – ou causa de pedir próxima) e o mesmo pedido (postulação incidente sobre o bem da vida) a chamada teoria dos três eadem, conforme definida no art. 301, § 2ºda Lei nº5.869, de 11 de janeiro de 1973 (Código de Processo Civil – CPC), o qual ora se aplica por analogia. 9.2. Levase em consideração o objeto da relação jurídica substancial; se a discussão judicial se refere a questões instrumentais do processo administrativo, contra as quais se insurge o sujeito passivo da obrigação tributária, não há que se falar em desistência da instância administrativa nem em definitividade da decisão recorrida, quando nesta se discute alguma questão de direito material. Se, no entanto, a discussão administrativa gira em torno de alguma questão processual, como a tempestividade da impugnação, por exemplo, questão esta também levada à apreciação judicial, configurase a renúncia à esfera administrativa quanto a este ponto específico. 9.3. Seguindo esse raciocínio, encontrase entendimento na doutrina e na jurisprudência de que só se caracteriza a identidade de ações quando se verificam as mesmas partes, o mesmo pedido e a mesma causa de pedir: 19. Identidade de ações: caracterização. As partes devem ser as mesmas, não importando a ordem delas nos pólos das ações em análise. A causa de pedir, próxima e remota [...], deve ser a mesma nas ações, para que se as tenha como idênticas. O pedido, imediato e mediato, deve ser o mesmo: bem da vida e tipo de sentença judicial. Somente quando os três elementos, com suas seis subdivisões, forem iguais é que as ações serão Fl. 910DF CARF MF Processo nº 36216.005713/200502 Acórdão n.º 2201000.667 S2C2T1 Fl. 904 15 idênticas. (JUNIOR, Nelson Nery; NERY, Rosa Maria de Andrade. Código de Processo Civil Comentado. 11. ed. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2010. p. 595) Litispendência. Identidade de pedidos. A identidade de pedidos não caracteriza a litispendência. Somente se verifica a litispendência com a identidade de ações: as mesmas partes, o mesmo pedido e a mesma causa de pedir. (TRF5ª, 1ª T., Ap 17299RN, rel. Juiz Ridalvo Costa, v.u., j. 10.12.1992, JSTJ 47/583) 9.4. Vale reproduzir o seguinte excerto do Parecer PGFN/Cocat nº2/2013: 49. Dito disso, conferimos ao instituto da concomitância no PAF o mesmo tratamento da litispendência no processo civil, pois a verificação da ausência desses dois pressupostos negativos têm como finalidade precípua evitar o processamento de causas iguais quando houver: (i) identidade das partes, (ii) da causa de pedir e (iii) do pedido (art. 301, §§ 1ºe 2º, do CPC; e Súmula nº1/CARF). 50. Com efeito, na linha do que foi afirmado no item 26, tanto a concomitância quanto a litispendência constituem requisitos de validade objetivos extrínsecos da relação processual. São pressupostos negativos, ou seja, fatos que não podem ocorrer para que o procedimento se instaure validamente. Representam acontecimentos estranhos à relação jurídica processual (daí o adjetivo "extrínseco") que, uma vez existentes, impedem a formação válida do processo (procedimento). (grifos conforme original) 9.5. Feitos esses esclarecimentos, e à vista da terminologia utilizada nos normativos retromencionados, adotarseá, neste parecer, o entendimento de que a expressão “mesmo objeto” diz respeito àquilo sobre o qual recairá o mérito da decisão, quando sejam idênticas as demandas. Portanto, temse como critérios de aplicação da impossibilidade do prosseguimento do curso normal do processo administrativo, em vista da concomitância com processo judicial, tanto o pedido como a causa de pedir, e não somente o pedido. 9.6. Seguindo essa lógica, caso o processo administrativo fiscal contenha pedido mais abrangente que o do processo judicial, ele deve ter seguimento somente em relação à parte que não esteja sendo discutida judicialmente. Se, por exemplo, a ação judicial requer a anulação de um lançamento em relação a determinada multa, mas nada diz sobre a base de cálculo do tributo, e a impugnação administrativa tratar também da discussão sobre a base de cálculo, esta parte deverá ser objeto de julgamento administrativo. 10.A prevalência, nesses casos, do curso do processo judicial se deve ao princípio constitucional da unicidade de jurisdição, insculpido no art. 5º, inciso XXXV, da Constituição Federal (“a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou Fl. 911DF CARF MF 16 ameaça a direito;”), segundo o qual o Poder Judiciário detém o monopólio do controle jurisdicional, não sendo necessário que se configure a efetiva lesão a direito, bastando a simples ameaça para que se dê o ingresso em juízo. Ademais, o caráter de não definitividade das decisões administrativas consiste na possibilidade de sua apreciação pelo Judiciário. Registrese, ainda, a desnecessidade do esgotamento da via administrativa para o acesso ao Poder Judiciário, como ocorria no sistema constitucional revogado (CF/1967, art. 153, § 4º). (CINTRA, Antônio Carlos de Araújo; GRINOVER, Ada Pellegrini; DINAMARCO, Cândido Rangel. Teoria Geral do Processo. 26. ed. São Paulo: Malheiros, 2010. p. 312). 10.1. Outra justificativa que se pode invocar para a inadmissibilidade da concomitância entre as discussões sobre a mesma matéria nas instâncias judicial e administrativa, sob pena de se admitir um dispêndio desnecessário de recursos públicos, além do risco de se obterem decisões conflitantes, passa pelo princípio da economia processual, o qual, segundo lecionam Cintra, Grinover e Dinamarco (CINTRA, Antônio Carlos de Araújo; GRINOVER, Ada Pellegrini; DINAMARCO, Cândido Rangel. Teoria Geral do Processo. 26. ed. São Paulo: Malheiros, 2010. p. 79), “preconiza o máximo resultado na atuação do direito com o mínimo emprego possível de atividades processuais”. Tratase do mesmo princípio que inspira os efeitos do instituto da litispendência no processo civil (arts. 219, 267 e 301 do CPC)." (destaques não constam do Parecer mencionado) Nesse mesmo caminho segue o STJ. Afirma o voto condutor da decisão proferida no Ag Rg no Agravo em Recurso Especial nº 702.892SP, de Relatoria do Min Sérgio Kukina, julgado em 15/03/16 pela Primeira Turma. "Há litispendência quando se repetem ações em curso com as mesmas partes, a mesma causa de pedir e o mesmo pedido; ainda que sejam causas de natureza diversa, como são mandado de segurança e processo de conhecimento, induvidosa a réplica proibida pela lei processual." Assentes quanto ao conceito de concomitância entre a ação judicial e o processo administrativo tributário, passemos ao caso concreto. No caso em apreço, a determinação da identidade de ações se torna ainda mais necessária posto que as ações propostas objetivam discutir a natureza jurídica do auxílio saúde ofertado pela empresa. Como bem apontado pelo nobre Relator da Resolução, o contribuinte impetrou ação judicial pelo qual obteve decisão favorável no sentido da não incidência da quota patronal da contribuição previdenciária sobre as verbas pagas a título de assistência médica. Ora, o lançamento tributário que aqui se analisa foi efetuado justamente pela oferta de tal auxílio saúde. Vejamos a questão da concomitância. Para tanto, destaquemos as controvérsias existentes. Fl. 912DF CARF MF Processo nº 36216.005713/200502 Acórdão n.º 2201000.667 S2C2T1 Fl. 905 17 No plano judicial, encontramos duas ações propostas pela Recorrente e por outra empresa em face da Administração Tributária que tem por objeto a não incidência da quota patronal de contribuição previdenciária sobre os valores de seus planos de assistência médica em razão da ausência de caráter remuneratório nessas verbas. No plano administrativo, observamos que o Recorrente se insurge contra o lançamento tributário decorrente da incidência de contribuição previdenciária sobre tais verbas, no entender do Fisco. Ao buscarmos os elementos essenciais das duas demandas encontraremos: Administrativo Judicial Partes Recorrente e Fisco Recorrente, terceiro e União Pedido Nulidade/Cancelamento lançamento Não incidência da contribuição Causa de pedir Nulidade/ não incidência Verbas não remuneratórias A simples leitura do quadro acima demonstra a inexistência de coincidência entres os elementos caracterizadores das lides, o que torna despiciendo que o contribuinte possa a vir obter a improcedência do lançamento como resultado da demanda judicial proposta. Assim, mister que se conheça do recurso apresentado, uma vez que não se pode, sob ofensa ao primado da lógica jurídica, aplicarse a Súmula CARF nº 1 ao caso em apreço, vez que nem mesmo o objeto, o pedido em si, é o mesmo. Na via judicial, se discute incidência. Na via administrativa o pedido é cancelamento do lançamento, seja por nulidade, seja por regularidade na compensação. Não obstante o exposto, mister realçar que a concomitância de ações exige além da identidade do pedido, a identidade da causa de pedir. Em consequência, entendo pelo conhecimento do recurso, afastando, porém, a parte do recurso que versa exatamente sobre a natureza jurídica da assistência .médica ofertada pela Recorrente, aqui sim, nos exatos limites da Súmula CARF nº 1. Passemos, então a analisar o Recurso na ordem de suas alegações. PRELIMINARES NULIDADE ABSOLUTA DA NFLD: AUSÊNCIA DE IDENTIFICAÇÃO DOS BENEFICIÁRIOS Alega a Recorrente que a NFLD lançada é nula em face da não discriminação de cada um dos beneficiários do plano de saúde ofertado. São seus argumentos (fls. 126): "Basta uma simples leitura da NFLD para concluir que a fiscalização não expõe de maneira clara e precisa como apurou Fl. 913DF CARF MF 18 os valores lançados na Notificação e a base para calcular os recolhimentos devidos. Se o Sr. Fiscal está sustentando a tese de que diversos trabalhadores da empresa teriam recebido reembolso de despesas médicas integrante do salário de contribuição, deveria mencionar: (i) os nomes dos referidos trabalhadores e (ii) os respectivos salários de contribuição individualizados, para que ao preparar a sua defesa a ora impugnante pudesse discutir o acerto ou não da decisão tomada pelo Sr.Fiscal, tendo como referência os empregados efetivamente incluídos no objeto da autuação. Assim sendo, tornase praticamente impossível discutir o acerto ou não do Sr. Fiscal, especialmente quanto aos valores que serviram como base de cálculo das contribuições ora em cobrança, pois sequer foram individualizados os nomes dos trabalhadores envolvidos na NFLD e os respectivos salários de contribuição." (sublinhei) Sobre esse ponto, assim se manifestou a decisão de piso (fls. 106): Em que pesem os esforços expendidos pela Impugnante em seu arrazoado, os mesmos não t êm o condão de elidir o procedimento fiscal, pelas razões a seguir. 10. Observandose as peças do lançamento, constatamos que o Relatório Fiscal explica detalhadamente a verba que compõe a base de cálculo das exações em comento. O item 2, do Relatório Fiscal, menciona que os fatos geradores das contribuições lançadas, foram as remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados a título de reembolso, conforme Planilha de Reembolsos PAME, apresentada pela empresa (fls. 46 a 49). 11 . Como vemos, tratase de elemento fornecido pelo próprio contribuinte. Entendemos diante disso, desnecessária a quantificação dos trabalhadores envolvidos na mencionada planilha, que por certo, são de conhecimento da Impugnante, tendo em vista, serem Integrantes do Plano de Assistência Médica Executivo PAME, destinado aos empregados de nível executivo, secretárias de diretoria e seus dependentes, como veremos adiante. 12. Além disso, observamos nos autos, a descrição da fundamentação legal completa em anexo próprio (fls. 22 e 23). Havendo a dupla motivação do ato administrativo (de fato e de direito), não nos parece plausível a alegação do contribuinte, quanto a impossibilidade de discussão quanto ao acerto ou não do lançamento. 13. Certamente os elementos basilares indicados, dão ao contribuinte o norte necessário à sua contestação, tendo em vista que é de seu conhecimento, quais os empregados (empregados de nível executivo) e qual a verba paga (Reembolso de Despesas Medicas), sobre a qual está incidindo a contribuição previdenciária em comento." Fl. 914DF CARF MF Processo nº 36216.005713/200502 Acórdão n.º 2201000.667 S2C2T1 Fl. 906 19 (destaques não constam da decisão recorrida) Assiste razão a decisão de piso. Não há a nulidade apontada. Não se verifica nenhuma afronta ao direito constitucional da ampla defesa. Como bem apontado pelo julgador 'a quo', o lançamento foi baseado em planilha apresentada pela empresa em face da intimação recebida. Ora, os dados dela constantes, ou seja, o nome dos funcionários que perceberam o auxílio saúde, o tipo de cobertura desse auxílio, o valor despendido pela empresa no fornecimento dessa utilidade, são informações que a empresa conhece, que fazem parte dos seus registros de folha de pagamento, de seus prontuários de cada empregado e diretor. Impende ainda mencionar que tanto o Código Tributário Nacional, quanto a Lei de Custeio da Previdência e o Decreto nº 70.235/72, este último que regula o processo administrativo fiscal e contém regras adjetivas sobre o lançamento tributário, não exigem nem de modo indireto que haja um individualização de empregado por empregado para o lançamento tributário em que se considera que determinada verba paga integre o salário de contribuição das contribuintes previdenciárias. Ressaltese que, ao reverso do que quer fazer crer o recorrente, ao efetuar o lançamento tributário e considerar que determinada verba integra o salário de contribuição, o Fisco autua o Contribuinte em face do erro constante na Guia de Informação à Previdência Social e ao FGTS para que ele, contribuinte, seja forçado a corrigir a informação erroneamente prestada no que tange a base de cálculo das contribuições previdenciárias decorrente da remuneração de cada trabalhador, ou seja, o salário de contribuição de cada um se torna individualizado. Recurso voluntário negado nessa parte. MÉRITO Nas questões de mérito, o Recorrente passa a tecer considerações, embasado sempre em alguma doutrina e posicionamento jurisprudencial, sobre a ilegalidade de se considerar os planos médicos como salário. O faz, sobre a alegação do princípio da isonomia, do caráter assistencial do benefício, da não habitualidade desse benefício, de sua onerosidade e da aplicação do inciso IV do parágrafo 2º do artigo 458 da CLT, que textualmente afasta o caráter salarial da utilidade ofertada como assistência médica. Como mencionado acima, deixo de me pronunciar sobre tais questões em face da discussão sobre a natureza jurídica da verba auxílio saúde constar das ações judiciais acima mencionadas. Não cabe ao julgador administrativo se pronunciar sobre temas levados a discussão perante o Poder Judiciário em face da prevalência deste Poder na solução de litígios. Flagrante a insegurança jurídica decorrente da coexistência, em instâncias diversas da mesma discussão, que poderia ensejar decisões contraditórias. Nesse sentido, a determinação da Súmula CARF nº 1. Não obstante todo o exposto, mister recordar o registro constante da informação fiscal de folhas 895, que reproduzimos em face de sua relevância: Fl. 915DF CARF MF 20 "Por fim, devese registrar que, conforme extrato anexo (fls. 893), o débito 358305136 encontrase com a sua exigibilidade suspensa devido às decisões relatadas, assim como, devido à apresentação pelo contribuinte de CartasFiança, resguardando o débito em comento (fls. 850868)." (destaquei) CONCLUSÃO Diante do exposto e pelos fundamentos apresentadas, voto por conhecer parcialmente do recurso e no mérito da parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Relator Fl. 916DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16004.001267/2008-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jul 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/2005 a 31/07/2006
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO.
Incide em descumprimento de obrigação acessória apresentar a empresa GFIP com informações inexatas, incompletas ou omissas, em relação aos dados não relacionados aos fatos geradores.
Numero da decisão: 2201-003.612
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente
(Assinado digitalmente)
Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: Relator
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DESCUMPRIMENTO. Incide em descumprimento de obrigação acessória apresentar a empresa GFIP com informações inexatas, incompletas ou omissas, em relação aos dados não relacionados aos fatos geradores. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negarlhe provimento. (Assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente (Assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 00 12 67 /2 00 8- 80 Fl. 138DF CARF MF Processo nº 16004.001267/200880 Acórdão n.º 2201003.612 S2C2T1 Fl. 138 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão nº 1426.609 8a Turma da DRJ/RPO, que julgou improcedente a impugnação apresentada para desconstituir o seguinte lançamento: Auto de Infração por descumprimento de Obrigação Principal DEBCAD 37.172.4821, consolidada em 03/10/2008, no valor de R$ 313,70, por ter apresentado GFIP com informações inexatas, incompletas ou omissas, em relação aos dados não relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias, conforme previsto na Lei nº 8.212, de 24.07.91, art. 32, IV e parágrafo 6º, também acrescido pela Lei n. 9.528, de 10.12.97, combinado com o art. 225, IV e parágrafo 4., do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, nas competências de l3/2005, 01/2007, 04/2007, 05/2007 e 06/2007. Na mesma ação fiscal foram lançados os seguintes documentos de débitos: Auto de Infração 35.172.4783 Obrigações principais. Contribuições patronais. Auto de Infração 35.172.4759 Obrigações acessórias. Deixou de contabilizar todos os fatos geradores das obrigações previdenciárias. Auto de Infração 35.172.4767 Obrigação Acessória. Apresentou folha de pagamento a autônomos em desacordo com as normas estabelecidos pela Receita Federal do Brasil. Auto de Infração 35.172.4805 Obrigação Acessória. Deixou de informar mensalmente através das GFIP’s todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias e outras informações de interessa da RFB. Auto de Infração 35.172.4821 Obrigação Acessória. Apresentou GFIP’s com informações inexatas, incompletas ou omissas, em relação aos dados não relacionados aos fatos geradores. Auto de Infração 35.172.4830 Obrigação Acessória. Entregou Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP em desconformidade com o Manual de Orientação Auto de Infração 35.172.4775 Contribuições descontadas dos contribuintes individuais. Apropriação Indébita. Auto de Infração 35.172.4791 Contribuições destinadas aos Terceiros SEST e SENAT Auto de Infração 35.172.4740 Deixou de declarar em GFIP’s os fatos geradores das obrigações previdenciárias até inicio da ação fiscal. Fl. 139DF CARF MF Processo nº 16004.001267/200880 Acórdão n.º 2201003.612 S2C2T1 Fl. 139 3 A interessada apresentou impugnação, julgada improcedente pela DRJ, nos termos da seguinte ementa: MULTA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Constitui infração à legislação previdenciária apresentar GFIP com informações inexatas, incompletas ou omissas em relação a dados não relacionados a fatos geradores de contribuições previdenciárias. ALEGAÇÕES DESPROVIDAS DE PROVAS. REJEIÇÃO. A impugnação deve trazer provas que fundamentam as alegações apresentadas, não podendo estas serem aceitas sem aquelas. RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÕES. AFERIÇÃO OBJETIVA. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária é da empresa e independe da intenção, da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. FALTA DE PROVA. Não se presume dolo, fraude ou simulação, não tendo sido carreadas pela fiscalização, provas de sua ocorrência. Cientificada do inteiro teor do acórdão da DRJ em 04/03/2010, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, tempestivamente, em 24/03/2010, alegando, em síntese, que: Por conta do elevado volume de trabalho, a recorrente não estava conseguindo atender a toda demanda de trabalho e, diante desta situação celebrou contrato de terceirização de serviço com a empresa MARLON S. BALIEIROME., para que pudesse atender a toda demanda de trabalho. Ora, se existia empresa terceirizada para prestação de serviço, não há de se falar em recolhimento de verbas fundiárias aos funcionários por ela contratados, pois não há relação jurídica que fundamente o recolhimento cobrado da Recorrente, eis que ausente a relação de emprego entre os funcionários da empresa MARLON S. BALIEIROME e a Recorrente. Se existiram lançamentos contábeis que espelhassem situação diversa da estabelecida entre a Recorrente e a empresa terceirizada MARLON S. BALIEIROME, tal responsabilidade deve ser imputada ao Contador da Recorrente, pois a Recorrente não tinha conhecimento de tais fatos, não havendo concorrido com a infração tributária objeto do presente processo. Não existiam sequer contratos de prestação de serviço autônomo entre a Recorrente e os funcionários da empresa terceirizada. Nos autos não existem provas da responsabilidade da Recorrente, na medida que sequer conhece as pessoas físicas (terceiros) mencionados no Auto de Infração. Na legislação tributária brasileira, prevalece o princípio da verdade material, desta forma, todos os fatos considerados favoráveis ao contribuinte devem ser levados a efeito, sob pena de lesão ao princípio do contraditório e da ampla defesa. Fl. 140DF CARF MF Processo nº 16004.001267/200880 Acórdão n.º 2201003.612 S2C2T1 Fl. 140 4 Nos autos, a Recorrida não conseguiu comprovar a responsabilidade da Recorrente, que limitouse apenas a imputar a responsabilidade da infração à Recorrente, com base na teoria objetiva que, certamente não se aplica ao caso em tela. Por fim, requer seja acolhido o presente recurso administrativo, determinando a reforma do v. acórdão, por ser medida de Direito e Justiça. É o relatório. Voto Daniel Melo Mendes Bezerra, Conselheiro Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche aos demais requisitos de admissibilidade, devendo, pois, ser conhecido. Do Mérito A recorrente traz diversos argumentos que não guardam nenhuma relação com o presente auto de infração, especialmente os que dizem respeito a lançamentos contábeis e à empresa Marlon S. Balieiro ME, que não serão apreciados. Consta do relatório fiscal que o sujeito passivo apresentou GFIP relativas às competências 13/2005, 01/2007, 04/2007, 05/2007 e 06/2007 com o Código FPAS incorreto, ou seja, 507 em vez de 612, o que ensejou a presente autuação. Dessa forma, a recorrente descumpriu o mandamento legal (Lei nº 8.212, de 24.07.91, art. 32, IV e parágrafo 6º), estando, pois, correta a autuação fiscal. Assim, cabe a este julgador apreciar a questão da aplicação de penalidade, em função da alteração legislativa ocorrida após a emissão do presente Auto de Infração. Antes da publicação da Lei n° 11.941/09, a multa pela (i) não declaração em GFIP de fatos geradores da contribuição previdenciária, (ii) pela não apresentação de GFIP e (iii) pelo preenchimento incorreto da GFIP estava prevista no art. 32, § 5° da Lei n° 8.212/91. Com a publicação da Lei n° 11.941/09, o mencionado artigo foi revogado e a multa do art. 32, § 5° da Lei n° 8.212/91 restou substituída por aquela prevista no art. 32A da Lei n° 8.212/91, ou seja, (i) R$ 20,00 para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas na GFIP; ou (ii) 2% (dois por cento), ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20%, observado o disposto no § 3° deste artigo. Vale dizer que a multa aplicada no presente Auto de Infração, após a publicação da Lei n° 11.941/09, foi reduzida de forma substancial. Fl. 141DF CARF MF Processo nº 16004.001267/200880 Acórdão n.º 2201003.612 S2C2T1 Fl. 141 5 Diante disso, com supedâneo no princípio da retroatividade benigna positivado em matéria tributária no art. 106, II, “c”, do Código Tributário Nacional CTN entendo que a penalidade lançada contra o contribuinte prevista no art. 32, inciso IV e parágrafos 3. e 9.da Lei n° 8.212/91 restou substituída pela multa do art. 32A da Lei n° 8.212/91, que deverá ser aplicada inclusive nos casos de descumprimento de obrigação acessória anteriores à vigência da Lei n° 11.941/09. Assim, no que tange à regra aplicável ao caso em análise, tendo em vista a superveniência de legislação mais benéfica no que se refere à penalidade por descumprimento de obrigação acessória, entendo que a penalidade deve ser reduzida para adequála ao art. 32 A, caso seja mais benéfica ao contribuinte. Porém, nos casos em que a multa contida no auto de infração for inferior à que seria aplicada pelas novas regras, não há que se falar em retroatividade. Em relação a esse entendimento, a decisão de piso já se manifestou no sentido de manter o valor da multa, nos seguintes termos: Por derradeiro, tendo em vista que a Medida Provisória n° 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, alterou de as penalidades aplicáveis tanto para o descumprimento de obrigações acessórias quanto de obrigações principais, é necessário que se faça, por previsão do artigo 106 do CTN, a verificação de qual legislação é mais benéfica ao contribuinte. No caso, como a legislação superveniente prevê que o valor mínimo da multa é de R$ 500,00 por competência (Art. 32A, §3°, II da Lei 8.212/91, alterada pela MP 449/2008), concluise que a penalidade aplicada pela fiscalização é a mais benéfica. Todavia, deve ser ressaltado que tanto a presente autuação, quanto a prevista no processo nº 16004.001260/200868, que antes eram isoladas, atualmente compõe uma mesma hipótese de descumprimento de obrigação acessória, no denominado código de fundamentação legal nº 78. Para fins de aplicação da retroatividade benéfica, se deve comparar àquela antiga multa por descumprimento de obrigação acessória (regrada na forma da anterior redação do art. 32, inciso IV, § 4o ou §5o da Lei n° 8.212, de 1991), quando somada à multa aplicada no âmbito do(s) NFLD(s) ou AI(s) de obrigação principal conexo(s) (regrada na forma da anterior redação do art. 35, inciso II da Lei n° 8.212, de 1991), a multa estabelecida pelo art. 44, da mesma Lei n° 9.430, de 1996, e atualmente aplicável quando dos lançamentos de ofício, consoante disposto no art. 35A, da Lei n° 8.212, de 1991. Portanto, no presente caso, devese comparar (i) o resultado da soma da multa lançada mediante os Autos de Infração por descumprimento de obrigação acessória relacionados a GFIP e a multa lançada nos autos de obrigação principal com (ii) a multa estabelecida pelo art. 35A da Lei n° 8.112, de 1991, que remete ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, que é de 75%, prevalecendo a menor, que deverá ser verificada pela unidade preparadora no momento do pagamento. Conclusão Diante de todo o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, para, no mérito, negarlhe provimento. Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Fl. 142DF CARF MF Processo nº 16004.001267/200880 Acórdão n.º 2201003.612 S2C2T1 Fl. 142 6 Fl. 143DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.720072/2010-65
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005
NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO ESPECIAL.
O conhecimento do recurso especial pressupõe a existência de acórdãos hábeis a evidenciar divergência de interpretação quanto à mesma matéria.
Numero da decisão: 9101-002.879
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em não conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que conheceram do recurso. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Cristiane Silva Costa.
(assinatura digital)
Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente em Exercício
(assinatura digital)
Luís Flávio Neto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício), José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado em substituição aos impedimentos da conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio).
Nome do relator: LUIS FLAVIO NETO
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Recorrente BANCO NACIONAL S/A EM LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL Interessado UNIÃO (FAZENDA NACIONAL) ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO ESPECIAL. O conhecimento do recurso especial pressupõe a existência de acórdãos hábeis a evidenciar divergência de interpretação quanto à mesma matéria. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em não conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que conheceram do recurso. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Cristiane Silva Costa. (assinatura digital) Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente em Exercício (assinatura digital) Luís Flávio Neto Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício), José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado em substituição aos impedimentos da conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 00 72 /2 01 0- 65 Fl. 1986DF CARF MF 2 Relatório Tratase de recurso especial interposto por Banco Nacional S/A (doravante “contribuinte” ou “recorrente”), em face do acórdão n. 110100.756 (doravante “acórdão a quo” ou “acórdão recorrido”), proferido pela 1a Turma Ordinária da 1a Câmara desta 1a Seção (doravante “Turma a quo”). O recurso especial versa sobre a retificação de declaração fiscal em virtude de determinação, emanada por órgão regulador e fiscalizador federal das instituições financeiras (BACEN) para a alteração de critérios contábeis. O acórdão recorrido, citando o relato do acórdão da DRJ, assim apresenta os fatos presentes neste caso (efls. 1.760): "Registrou a Fiscalização que a Interessada não alterou a contabilidade, nem as demonstrações financeiras de 2005, mas retificou a DIPJ para excluir, das bases fiscais, parte do ajuste da dívida PROER efetuado em Junho/2006. Entendeu a fiscalização que os efeitos do ajuste determinados pelo BACEN só poderiam afetar os resultados do próprio período ou posteriores, e nunca retroagir a 2005, uma vez que tratou o caso de mudanças de estimativas, sendo que o Banco Central levou todo o ajuste dos saldos dos créditos PROER ao resultado de 2006. Com base nestas informações, a Fiscalização entendeu que ocorreram as seguintes infrações: Infração 001. Glosa de prejuízos compensados indevidamente pela inobservância do limite de 30%. Infração 002. Exclusões/compensações não autorizadas na apuração do lucro real, referentes a créditos baixados como perdas de dedutibilidade não comprovada, e embutidos no valor excluído pela contribuinte a título de "reversão de provisões" no LALUR, DIPJ ac 2005, Ficha 09B, linha 22, e na D1PJ ac 2006, Ficha 09B, linha 21; Infração 003. Exclusões/compensações não autorizadas na apuração do lucro real por meio de juros produzidos por NTNA3, não beneficiados pela lei de isenção, gerando a redução indevida do Lucro Real, conforme LALUR; D1PJ AC 2005, Ficha 09B, linha 32; e DIPJ AC 2006, Ficha 09B, linha 31; Infração 004. Exclusões/compensações não autorizadas pela legislação do imposto de renda, de valores do lucro liquido do exercício. Valor identificado como parte do ajuste de divida PROER efetuado em Junho/2006, cujo efeito a Interessada pretendeu trazer para o resultado fiscal de 2005 (LALUR e DIPJ AC 2005, Ficha 09B, linha 33)." A 8ª Turma da DRJ/RJ1, julgou a impugnação administrativa integralmente improcedente (efls. 1.584 e seg.). A decisão restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS E BASE DE CÁLCULO NEGATIVA. LIMITE. 30%. A limitação de 30% do lucro líquido ajustado para compensação de prejuízos fiscais e base de cálculo negativa não excepciona a entidade em fase de liquidação extrajudicial. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. REGIME DE LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL. NORMAS APLICÁVEIS. As instituições financeiras submetidas a regime de liquidação extrajudicial sujeitamse às mesmas normas da legislação tributária aplicáveis às instituições ativas, relativamente aos impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. JUROS DE NOTAS DO TESOURO NACIONAL. ISENÇÃO. Fl. 1987DF CARF MF Processo nº 16682.720072/201065 Acórdão n.º 9101002.879 CSRFT1 Fl. 1.987 3 A isenção dirigida aos juros produzidos por Notas do Tesouro Nacional, (NTN), prevista no artigo 4º da Lei nº 10.179, de 2001, aplicase apenas às da série A, subsérie 1 NTNA1. Lei nº 10.179, de 2001, artigos 1º a 4º. e Decreto nº. 3.540, de 2000, artigos 6º e 7º, combinados com CTN, artigo 111, inciso II. PROVISÃO. REVERSÃO. EXCLUSÃO. A reversão de uma provisão que, quando da sua constituição, foi adicionada ao lucro real (oferecida à tributação), somente não constituirá receita passível de tributação, se forem cumpridos os requisitos do artigo 9º., da Lei nº.9.430, de 1996. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido. Nesse seguir, foi interposto recurso voluntário pelo contribuinte (efls. 1611 e seg.), ao qual foi dado provimento parcial pela Turma a quo, “para excluir da base imponível dos lançamentos de IRPJ e CSLL no anocalendário 2005 a parcela de R$ 287.779,22, bem como exonerar as exigências de IRPJ e CSLL relativas ao anocalendário 2006” (efls. 1.754 e seg.). O acórdão recorrido restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006 CONEXÃO. Não sendo mais possível a reunido dos processos conexos, para julgamento conjunto, os efeitos da conexão são determinados em razão das infrações verificadas. REITERAÇÃO DE CONDUTA EM PERÍODOS DE APURAÇÃO POSTERIORES. FATO JURÍDICO TRIBUTÁRIO SUBMETIDO A NOVA ANALISE DA AUTORIDADE LANÇADORA. APRECIAÇÃO INDEPENDENTE DO LITÍGIO. A reiteração de conduta em mais de um período de apuração não dispensa a apreciação dos contornos próprios da infração verificada no período autuado. Os efeitos de um mesmo fato jurídico tributário exigem apreciação especifica no contencioso administrativo tributário se outra foi a motivação fiscal para exigência do crédito tributário dele decorrente. MUDANÇA DE ESTIMATIVA CONTÁBIL. RETIFICAÇÃO DE DIPJ EM PERÍODO ANTERIOR. IMPOSSIBILIDADE. A mudança de estimativa contábil não consiste em retificação de erro, e não autoriza o reconhecimento de seus efeitos tributários em períodos anteriores, mediante ajustes ao lucro real veiculados em retificação da DIPJ. LANÇAMENTO QUE TAMBÉM ALCANÇA PERÍODO NO QUAL É CONTABILIZADO 0 AJUSTE. FALTA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Não subsiste o lançamento decorrente de outras infrações no anocalendário em que promovido o ajuste contábil que ensejou a exclusão glosada em período anterior, quando ausente motivação que inviabilize a dedução do ajuste no período em que contabilizado. PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS. Correta a glosa das parcelas que a autoridade lançadora demonstrou corresponder à exclusão de perdas da base tributável não suportada pelas provas exigidas na legislação tributária, mas não subsiste a exigência no anocalendário 2006, em razão da falta de certeza e liquidez decorrente dos ajustes por mudança de estimativa contábil. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. LIMITE DE 30% DO LUCRO LÍQUIDO AJUSTADO. A limitação de 30% do lucro liquido Fl. 1988DF CARF MF 4 ajustado, para compensação de prejuízos fiscais, não excepciona a entidade em fase de liquidação extrajudicial. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. REGIME DE LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL. NORMAS APLICÁVEIS. As instituições financeiras submetidas a regime de liquidação extrajudicial se sujeitam as mesmas normas da legislação tributária aplicáveis às instituições ativas, relativamente aos impostos e as contribuições administrados pela Receita Federal do Brasil. INFLUÊNCIA DE OUTRA INFRAÇÃO IMPUTADA NO MESMO LANÇAMENTO. Improcedente a exigência no anocalendário 2006, em razão da falta de certeza e liquidez decorrente dos ajustes por mudança de estimativa contábil. JUROS DE NOTAS DO TESOURO NACIONAL. ISENÇÃO. A isenção dirigida aos juros produzidos por Notas do Tesouro Nacional (NTN), prevista no artigo 4° da Lei n° 10.179/01, aplicase apenas as da série A subsérie 1 NTN Al. LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL. APLICAÇÃO DE MULTA DE OFÍCIO. MULTA DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. A questão sobre a exigibilidade ou não da multa de oficio das empresas em regime de liquidação extrajudicial deve ser tratada somente na fase de execução e no foro competente, até mesmo porque a situação de liquidação extrajudicial ou falência pode ser cessada antes da realização da execução. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. A PFN interpôs embargos de declarações (efls. 1.789 e seg.), os quais foram rejeitados. O contribuinte interpôs recurso especial, arguindo divergência de interpretação quanto à validade das retificações de anos anteriores em virtude de suposta determinação do órgão regulador e fiscalizador federal das instituições financeiras BANCEN (efls. 1.847 e seg.) O recurso especial foi integralmente admitido por despacho (efls. 1.959 e seg.). Em breve síntese, em seu recurso, alega o contribuinte: O acórdão recorrido teria considerado ilegítima a retificação apenas quanto ao ano de 2005 (ano pretérito), sendo considerado legítimo em 2006. Tal decisão teria justificativa no fato de que, por se tratar de critério contábil, não poderia retroagir para períodos pretéritos. Este posicionamento divergiria de outras decisões, em que permitiuse tal retificação. “Devido à obrigação superveniente, tornase possível e devida a retificação da declaração de rendimentos para adequar os fatos à realidade” (efls. 1859). Cientificada, a PFN apresentou contrarrazões ao recurso especial do contribuinte (efls. 1.965 e seg.), argumentando, em breve síntese, que: Há oposição ao conhecimento do recurso do contribuinte. Não haveria similitude com os paradigmas n. 1302000.596 e 1302000.597, pois, enquanto estes analisam a possibilidade de apresentação de declaração de retificadora, o presente processo analisaria os efeitos da revisão dos critérios contábeis. “Como se observa, as normas contábeis determinam que o reconhecimento da mudança de estimativa afeta os resultados do próprio período ou Fl. 1989DF CARF MF Processo nº 16682.720072/201065 Acórdão n.º 9101002.879 CSRFT1 Fl. 1.988 5 posteriores, e nunca retroagem a períodos anteriores, justamente por não serem retificações de erros, conforme vimos acima” (efls. 1.972). Concluise, com isso, o relatório. Voto Conselheiro Luís Flávio Neto, Relator A PFN se opõe ao conhecimento do recurso especial, pois não haveria similitude com os paradigmas n. 1302000.596 e 1302000.597. Enquanto estes teriam analisado puramente a possibilidade de apresentação de declaração de retificadora (sem adentrar no mérito da retificação), o acórdão recorrido teria analisado justamente o mérito da retificação. No caso, ambos os acórdãos indicados como paradigmas (sequenciais e com mesma redação) consignam expressamente: "Notase que o litígio de restringe à admissibilidade do envio de declaração retificadora, vez que a autoridade fiscal não questionou o mérito da retificação que levou à exclusão procedida naquela declaração retificadora." O tema central dos acórdão paradigmas, portanto, é a possibilidade do contribuinte retificar declarações anteriores. Partindose da premissa que o contribuinte teria justificativas para rever os seus exercícios anteriores, discutiuse a possibilidade de retificação das declarações fiscais. Por sua vez, no acórdão recorrido, a i. Conselheira Relatora consigna que, diversamente, a matéria sob julgamento constitui o próprio mérito retificação, ou seja, a necessidade desta ser realizada. Para tanto, o acórdão restou fundamentado em extensa análise dos novos critérios contábeis determinados pelo BACEN, concluindo eficácia prospectiva destes. Ainda que possível a retificação de declarações anteriores, da ordem do BACEN não decorreria a necessidade da revisão dos critérios contábeis adotados no passado. Nesse cenário, compreendo que os acórdãos paradigmas não evidenciam divergência de interpretação quanto à mesma matéria. Voto, portanto, por NÃO CONHECER o recurso especial. (assinatura digital) Luís Flávio Neto Declaração de Voto Fl. 1990DF CARF MF 6 Conselheira Cristiane Silva Costa Com a devida vênia, divirjo do entendimento do Ilustre Relator, para concluir pelo conhecimento do recurso especial. Isto porque o caso ora analisado trata de fatos similares aos do acórdão nº 130200596. Extraise do Termo de Verificação Fiscal que acompanha o Auto de Infração no presente processo administrativo: Limitamos nossa análise aos períodos objeto do presente procedimento fiscal, os anos de 2005 e 2006. Veremos que o contribuinte não alterou a contabilidade, nem as demonstrações financeiras de 2005, mas retificou a DIPJ para excluir, das bases fiscais, parte do ajuste da dívida PROER efetuado em Junho/2006. (...) Vejamos agora o procedimento adotado pela contribuinte, o BANCO NACIONAL. O NACIONAL, na condição de devedor de obrigações contraídas no PROER, ajustou os saldos destas obrigações em sua contabilidade, em Junho de 2006. (...) Contudo, o BANCO NACIONAL pretendeu, por meio de retificação de DIPJ, levar o efeito destas alterações aos resultados fiscais de anos anteriores. (...) Entendemos que não há suporte para a exclusão pretendida no anocalendário de 2005. A contabilidade de 2005 reflete as despesas com encargos PROER calculadas pela sistemática então vigente, em perfeito paralelo com a contabilidade do credor destas obrigações o BANCO CENTRAL. Em Junho de 2006, o BANCO CENTRAL anunciou uma mudança de estimativa contábil, derivada da necessidade de adequar os saldos dos créditos PROER, a receber de instituições em liquidação, à nova legislação de Falências. Como resultado, os saldos foram ajustados, primeiro registrandose os encargos calculados pelas taxas contratuais, e em seguida, promovendose o acerto a valor justo (valor de mercado / realização das garantias). O BANCO CENTRAL levou as contrapartidas destes ajuste inteiramente ao resultado de Junho de 2006. Vale lembrar que, a teor do Pronunciamento Técnico CPC 23, que traz para o âmbito nacional a Norma Internacional de Contabilidade 8, os efeitos das mudanças de estimativas só se produzem sobre o resultado do período em que efetuadas ou naquele e seguintes. Consideramos que as liquidandas devedoras das obrigações do PROER, entre estas o NACIONAL, não podem dar ao ajuste da dívida PROER tratametno diverso daquele adotado pelo órgão regulador, e também pelo seu credor, o BANCO CENTRAL. Pelos motivos expostos, efetuamos a glosa da exclusão informada na DIPJ retificadora, Ficha 09B, linha 33. O acórdão recorrido contem em sua ementa a seguinte síntese do quanto decidido a respeito da possibilidade de retificação de DIPJ: MUDANÇA DE ESTIMATIVA CONTÁBIL. RETIFICAÇÃO DE DIPJ EM PERÍODO ANTERIOR. IMPOSSIBILIDADE. A Fl. 1991DF CARF MF Processo nº 16682.720072/201065 Acórdão n.º 9101002.879 CSRFT1 Fl. 1.989 7 mudança de estimativa contábil não consiste em retificação de erro, e não autoriza o reconhecimento de seus efeitos tributários em períodos anteriores, mediante ajustes ao lucro real veiculados em retificação da DIPJ. Para melhor elucidar a orientação da Turma a quo trago à colação trecho do voto condutor, de lavra da exConselheira Edeli Pereira Bessa, no que foi acompanhada pelo Colegiado: Em que pese o extenso trabalho fiscal na busca do conteúdo do ajuste procedido e das normas que regem o seu registro contábil, a recorrente dirige boa parte de seus argumentos no sentido do reconhecimento da validade da retificação de declaração de rendimentos antes do lançamento de oficio. Defende a busca da verdade material, mas olvida que o lucro real e a base de calculo da CSLL são apurados mediantes ajustes (adições, exclusões e compensações) ao lucro liquido contábil, inexistindo outros parâmetros, para além dos fixados na legislação contábil e fiscal, para determinação da real situação patrimonial do sujeito passivo. Relevante, portanto, para decidir a questão aqui presente é identificar em que momento a legislação permite o registro do ajuste realizado pela contribuinte. Defende a interessada que se trata, aqui, de critério de apuração que foi aplicado de forma errada, gerando saldo a menor de prejuízo fiscal no ano calendário de 2005, ao passo que a autoridade lançadora entende que os efeitos de mudança de estimativa não se caracterizam como erro e não afetam a apuração de períodos anteriores. A interessada destaca o disposto no §1 ° do art. 186 da Lei n° 6.404/76: (...) E entende que a revisão de cálculos promovida pelo BACEN impôs a retificação das informações prestadas ao Fisco, admitida no art. 832 do RIR/99: Art. 832. A autoridade administrativa poderá autorizar a retificação da declaração de rendimentos, quando comprovado erro nela contido, desde que sem interrupção do pagamento do saldo do imposto e antes de iniciado o processo de lançamento de ofício (DecretoLei n° 1.967, de 1982, art. 21, e DecretoLei n° 1.968, de 23 de novembro de 1982, art. 6°). Parágrafo único. A retificação prevista neste artigo será feita por processo sumário, mediante a apresentação de nova declaração de rendimentos, mantidos os mesmos prazos de vencimento do imposto. O art. 832 do RIR/99 trata de erro no preenchimento da declaração de rendimentos, ou seja, na hipótese de a pessoa jurídica, tributada com base no lucro real, prestar informações em descompasso com a contabilidade ou com os ajustes escriturados no LALUR. (...) Fl. 1992DF CARF MF 8 Assim, em caso de erro ou de inobservância do regime de competência, admitese a retificação da declaração de rendimentos pertinente ao período afetado, e a adição ou exclusão do valor correspondente na apuração do lucro real. A lei societária, por sua vez, sempre remete para a conta de Lucros ou Prejuízos Acumulados estes ajustes de exercícios anteriores, de modo a não influenciar o resultado do período em curso. Contudo, limita estes registros às hipóteses de retificação de erro e mudança de critério contábil. Ocorre que a mudança na estimativa contábil, representa apenas a adoção de novos referenciais para registros contábeis, e não a retificação de um erro passado. Significa dizer, tão só, que a entidade reconhecia fatos contábeis mediante determinados critérios, e passou a se conduzir de outra forma, que entendeu mais adequada. Consoante as lições de Sérgio de Iudicibus et alli (in Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações, Editora Atlas, 6ª edição, São Paulo: 2003, p. 371), somente há erro quando a empresa tinha os dados e as condições para fazer o certo e não o fez. Neste sentido também, o Pronunciamento Técnico do Comitê de Pronunciamentos Contábeis n° 23, que faz a correlação com as Normas Internacionais de Contabilidade — IAS 8, deixa claro em suas definições que a mudança na estimativa contábil não representa retificação de erro. (grifamos) Percebese, assim, que o acórdão recorrido fundase na interpretação do artigo 832, do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto 3.000/1999), analisando o que é o erro em declaração de rendimentos que justifique a retificação desta declaração. De fato, a Turma a quo ultrapassa esta definição para analisar cada documento da parte o que não há que se fazer em fase de análise de conhecimento do recurso especial. No entanto, repiso, a análise documental parte da premissa fixada pela Turma a quo da interpretação conferida ao artigo 832, colacionado expressamente no voto da exConselheira Relatora Edeli. Com efeito, a legitimidade de retificação de declaração foi questionada pela Receita Federal com fundamento no artigo 832, acima referido. A possibilidade de retificação é também tratada pelo artigo 147, do Código Tributário Nacional, expressamente mencionado pelo acórdão paradigma. Prevê o artigo 147, verbis: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. § 2º Os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela. Fl. 1993DF CARF MF Processo nº 16682.720072/201065 Acórdão n.º 9101002.879 CSRFT1 Fl. 1.990 9 Pois bem. A Recorrente indicou dois acórdãos paradigmas: 130200596 e 130200597. Analisarei o primeiro destes acórdãos, que me parece suficiente para o conhecimento do recurso especial. O acórdão paradigma nº 130200596, proferido nos autos do processo administrativo nº 19740.000006/200815 trata da seguinte situação de fato, descrita em seu relatório (cópia acompanha o recurso especial): Por bem descrever os fatos ocorridos, adoto o relatório da DRJ/RJO (...) Além disso, a fiscalização verificou divergência entre os valores declarados na sua DIPJ/2005 e no Lalur, tendo em vista o interessado ter apresentado uma retificação naquela declaração, na qual levou em conta uma alteração de entendimento determinada pelo Bacen quanto á forma de remuneração dos empréstimos do Proer de que era detentor. Como consequencia deste ajuste, houve uma exclusão indevida da base de cálculo do lucro real do anocalendário de 2004. Neste caso, a fiscalização negou a possibilidade de o interessado retificar a sua declaração para aumentar o seu prejuízo fiscal acumulado, tornandoo maior que o declarado originalmente, pois considerou que não houve erro no preechimento da declaração original, que na época em que foi feita obedeceu aos critérios então vigentes, não sendo permitida a retificação para aumentar prejuízos fiscais compensáveis.(grifo nosso) Diante do quadro fático acima referido, o acórdão paradigma nº 1302 00596 decidiu pela aplicação da lei tributária da forma seguinte: A fiscalização concluiu indevida a retificação da declaração do recorrente porque, segundo entendeu, não ficou demonstrado o erro necessário para legitimála, nos termos do artigo 147 do CTN. Entende que o erro deve ser grosseiro, não bastando para caracterizálo a produção de valores incorretos devido à falta de informação que sobrevenha ulteriormente, para garantir a precisão do recálculo. (...) O acórdão da DRJ considerou improcedente a exação porquanto entendeu que a retificação promovida pelo recorrente, que motivou o lançamento, é acertada, já que não é mais necesssária manifestação prévia da RFB à entrega da declaração, porque a declaração foi processada e aceita, porque foi prestada antes de procedimento fiscal, e porque foi motivada com base em decisão prolatada pelo órgão regulador federal das instituições financeiras. Adiciono a tais argumentos, com os quais concordo, que a autuação baseada no art. 147 é anacrônica, e não se aplica ao caso, considerandose que o referido artigo se destina aos lançamentos por declaração, situação que não se verifica no caso do IRPJ e da CSLL, em que a contribuição do contribuinte é máxima, devendo apurar referidos tributos, lançálos devidamente na contabilidade, efetuar e prestar a declaração de Fl. 1994DF CARF MF 10 rendimentos e a DCTF, e os recolher no prazo legal, aguardando mera homologação tácita ou expressa. Percebese que tanto o acórdão paradigma acima citado quanto o acórdão recorrido tratam de situações fáticas similares, quais sejam, retificação de declaração de rendimentos decorrente de alteração de entendimento determinada pelo Bacen quanto à forma de remuneração dos empréstimos do Proer. Em ambos os casos, a fiscalização entendeu indevida a retificação. É sempre bom lembrar que se busca a similitude entre os casos, não identidade. Em análise da lei tributária, concluiu a Turma julgadora do acórdão recorrido que a alteração de entendimento do Bacen não configuraria erro para justificar a retificação de declaração de rendimentos, com a aplicação do artigo 832, do RIR/1999. A possibilidade de retificação de declaração é tratada tanto pelo artigo 832, do RIR, como pelo artigo 147, do CTN. A Turma julgadora do acórdão paradigma, por outro lado, interpretou a legislação tributária de forma distinta, concluindo pelo cancelamento do auto de infração. Sem adentrar o mérito (da existência ou não de erro nos casos relatados, bastante similares, ou mesmo da aplicabilidade ou não dos artigos 147, do CTN e 832, do RIR), vislumbro nítida divergência na interpretação da lei tributária, que justifica o conhecimento do recurso especial e o pronunciamento desta Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Nesse panorama, voto pelo conhecimento do recurso especial, diante da similitude entre os fatos descritos nos presentes autos e aqueles mencionados pelo acórdão paradigma, como também pela evidente divergência na interpretação da lei tributária. (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Fl. 1995DF CARF MF
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Numero do processo: 10516.720018/2012-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/05/2012
SUBFATURAMENTO. PROVAS DA OCORRÊNCIA DOS FATOS RELATADOS PELA FISCALIZAÇÃO.
Como se depreende do detalhado relatório fiscal, para cada uma das operações de importação abrangidas, foram cruzados os dados encontrados nas planilhas e documentos apreendidos na sede do contribuinte.
De acordo com o novo Código de Processo Civil, art. 373, de aplicação subsidiária ao processo administrativo, conforme determina o seu art.15, o ônus probatório assume feição dinâmica, em função do caso concreto. In casu, a Recorrente dispõe de melhores condições para o esclarecimento referentes aos documentos que ela mesma produziu, por conseguinte, não restando qualquer fundamento para que afirme a sua imprestabilidade.
MULTA POR SUBFATURAMENTO. MULTA POR CONVERSÃO DO PERDIMENTO.
De acordo com o Decreto n. 8.010/2013, em casos de aplicação de perdimento da mercadoria ou a multa por conversão aos casos caracterizados como de subfaturamento, afasta-se a multa administrativa de cem por cento sobre a diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado na importação ou entre o preço declarado.
COFINS E PIS/PASEP IMPORTAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DA PARTE FINAL DO INCISO I DO ARTIGO 7º DA LEI Nº 10.865/2004.
O Supremo Tribunal Federal, no julgamento do Recurso Extraordinário nº 559.007, ao qual foi aplicado o regime da repercussão geral, declarou a inconstitucionalidade da parte final do inciso I do artigo 7º da Lei nº 10.865, de 30/04/2004, tendo afastado da norma, consequentemente, o alargamento do conceito de valor aduaneiro, delineado no Acordo de Valoração Aduaneira, da Organização Mundial do Comércio, incorporado à ordem jurídica brasileira.
Numero da decisão: 3201-002.831
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, para afastar a multa de 100% referente ao subfaturamento e parcialmente o PIS-Importação e Cofins-Importação, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira Presidente
(assinado digitalmente)
Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo- Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Mercia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
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PROVAS DA OCORRÊNCIA DOS FATOS RELATADOS PELA FISCALIZAÇÃO. Como se depreende do detalhado relatório fiscal, para cada uma das operações de importação abrangidas, foram cruzados os dados encontrados nas planilhas e documentos apreendidos na sede do contribuinte. De acordo com o novo Código de Processo Civil, art. 373, de aplicação subsidiária ao processo administrativo, conforme determina o seu art.15, o ônus probatório assume feição dinâmica, em função do caso concreto. In casu, a Recorrente dispõe de melhores condições para o esclarecimento referentes aos documentos que ela mesma produziu, por conseguinte, não restando qualquer fundamento para que afirme a sua imprestabilidade. MULTA POR SUBFATURAMENTO. MULTA POR CONVERSÃO DO PERDIMENTO. De acordo com o Decreto n. 8.010/2013, em casos de aplicação de perdimento da mercadoria ou a multa por conversão aos casos caracterizados como de subfaturamento, afastase a multa administrativa de cem por cento sobre a diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado na importação ou entre o preço declarado. COFINS E PIS/PASEP IMPORTAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DA PARTE FINAL DO INCISO I DO ARTIGO 7º DA LEI Nº 10.865/2004. O Supremo Tribunal Federal, no julgamento do Recurso Extraordinário nº 559.007, ao qual foi aplicado o regime da repercussão geral, declarou a inconstitucionalidade da parte final do inciso I do artigo 7º da Lei nº 10.865, de 30/04/2004, tendo afastado da norma, consequentemente, o alargamento do conceito de valor aduaneiro, delineado no Acordo de Valoração AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 6. 72 00 18 /2 01 2- 17 Fl. 1885DF CARF MF 2 Aduaneira, da Organização Mundial do Comércio, incorporado à ordem jurídica brasileira. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, para afastar a multa de 100% referente ao subfaturamento e parcialmente o PISImportação e CofinsImportação, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira – Presidente (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Mercia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório Referese o presente processo administrativo a auto de infração para a cobrança de tributos incidentes sobre a importação, com multa qualificada, e multa prevista no artigo 23, §3º, do Decretolei nº 1.455/1976. Para bem relatar os fatos, transcrevese o relatório da decisão proferida pela autoridade a quo: Trata o presente processo de Auto de Infração lavrado em decorrência da caracterização da prática de subfaturamento e ocultação do real adquirente, relativamente às Declarações de Importação (DI) relacionadas na peça impositiva, registradas no período entre 22/08/2008 a 04/04/2012, perfazendo o valor do crédito tributário exigido R$ 8.403.011,93. Segundo Relatório Fiscal (fls. 1.346/1.406), no ano de 2009, o Departamento de Polícia Federal (DPF) realizou a operação "HÉRCULES", que identificou condutas criminosas contra o sistema financeiro nacional, praticadas de forma contumaz pelos responsáveis por duas casas de câmbio de Porto Alegre, bem como por muitos de seus clientes. Por meio desse Relatório, a Receita Federal do Brasil (RFB) identificou integrantes de várias sociedades empresárias importadoras que cometeram ilícitos contra o sistema financeiro nacional, ordenando o envio de divisas ao exterior à margem do sistema oficial de câmbio brasileiro. Fl. 1886DF CARF MF Processo nº 10516.720018/201217 Acórdão n.º 3201002.831 S3C2T1 Fl. 94 3 A fim de apurar a participação de tais pessoas em fraudes no comércio exterior, foi deflagrada, em novembro de 2011, operação conjunta do DPF e da RFB, chamada "HERÁCLIDAS". Por meio dessa operação, foram apreendidos diversos documentos e arquivos magnéticos no estabelecimento da autuada, em cumprimento ao Mandado de Busca e Apreensão (MBA) n° 7343732 (fl. 851). A análise desses documentos levou a fiscalização a constatar a existência de provas de subfaturamento, ocultação do real adquirente das mercadorias importadas, por meio de interposição fraudulenta de terceiros, e evasão de divisas. Sobre os meios de prova utilizados, o fisco observa que apresentar cópia de todos os documentos relativos aos fatos afirmados seria uma repetição desnecessária e maçante. Facilmente o leitor identificará em um email, por exemplo, quem efetuava os pedidos de importação, a pessoa que representava o exportador estrangeiro, o subfaturamento dos preços declarados, o envio de documentos falsos fabricados pelo exportador para serem utilizados no despacho de importação das mercadorias estrangeiras, pagamentos efetuados ao exterior de forma ilícita, etc. Quanto ao modus operandi da empresa, esclarece que a FILM IN COMÉRCIO DE PELÍCULAS LTDA. ME (doravante denominada FILM IN), importa e comercializa filmes de controle solar, tanto para o ramo automotivo como para o de arquitetura, bem como ferramental próprio para aplicação desses filmes. Atualmente tem como único proprietário VANDRÉ RICARDO KESTERKE, CPF 694.113.28091, mas VALDIR OLIVEIRA, CPF 012.378.02091, foi sócio de VANDRÉ desde a abertura da sociedade (15/08/2002) até o dia 16/04/2012 (fl. 863). VANDRÉ era quem negociava com o exterior, tanto no que diz respeito às encomendas quanto aos pagamentos. De trinta operações efetuadas, vinte e nove tiveram como exportador estrangeiro a OCEANBORN ENTERPRISE INC, domiciliada em Miami, Flórida, nos Estados Unidos da América. VANDRÉ fazia pedidos diretamente a ELI JORGE RAFAEL DA SILVA, CPF 163.207.60982, vicepresidente da empresa. O presidente era RICARDO HAGGI SILVA, CPF 006.628.03973, e AISSAR CURI RAFAEL DA SILVA, CPF 366.199.57900, seu gerente comercial (fls. 864, 874, 880 a 886). Em apenas uma operação de importação, o exportador foi a COMQUEST CORPORATION. Nesta operação, o pedido foi feito por VANDRÉ a FABIANO OLIVEIRA, também brasileiro, mas domiciliado em Orlando, na Flórida, EUA (fls. 887 e 888). FABIANO também intermediou algumas importações da FILM IN do exportador OCEANBORN. Quanto aos pagamentos ao exterior, o fisco relata que o pagamento total de cada importação compreendia duas ou três parcelas: uma parcela relativa ao valor do fechamento de Fl. 1887DF CARF MF 4 câmbio da respectiva DI; mais uma ou duas parcelas correspondentes à diferença entre o preço total a pagar e o preço total declarado na DI. As parcelas relativas ao fechamento dos contratos de câmbio sempre estiveram a cargo do escritório da GRACO CORRETORA DE CÂMBIO S.A., CNPJ 65.982.589/000116, em Porto Alegre. Já as parcelas relativas à parte do preço total não declarado, enviadas ao exterior por meio de operações ilegais conhecidas como "dólarcabo", ficaram a cargo de RODINEI FRAGA PEREIRA, CPF 206.673.70030 (fl. 898), até junho de 2009, quando foi realizada a operação "HÉRCULES". Quem assume este papel a partir desta data é CARLOS JULCEMAR SILVA DE BEM, que assina os emails como CARLOS DE BEM, com a ajuda de seu sócio SÉRGIO OLIVEIRA CARDOZO, que assina SÉRGIO CARDOZO. Sobre a apuração dos preços efetivamente praticados, a fiscalização informa que, em vinte DI e também em duas importações via encomenda internacional, foi possível determinar o real valor aduaneiro, nos termos do Artigo 1 do AVAGATT, por meio dos respectivos controles de importação encontrados na sede da FILM IN. Aduz apenas que, em duas dessas DI, como envolviam diversos itens, foi preciso apurar o valor aduaneiro de forma mista, ou seja, utilizando também o inciso I do art. 88 da MP 2.15835/01 (preço de mercadoria idêntica ou similar). Com relação às outras seis DI, o valor aduaneiro foi arbitrado com base no inciso I do art. 88 da MP n° 2.15835/01, utilizandose como paradigma de outras importações da própria FILM IN. Foram encontrados também os preços efetivamente pagos pelas mercadorias importadas aos seus exportadores estrangeiros nas duas DI registradas pela FIS INTERNATIONAL CONSULTORIA E LOGÍSTICA LTDA., CNPJ 10.339.468/0001 69 (doravante denominada FIS). Apesar dessas duas DI terem sido registradas em nome da FIS, o real adquirente das mercadorias importadas, real importador, foi a FILM IN. Todas as DI autuadas são objeto de análise individual no Relatório Fiscal, o qual faz remissão aos elementos de prova atinentes às infrações perpetradas, bem como explica a forma de apuração dos valores considerados como efetivamente praticados. As condutas ilícitas dos dirigentes da FILM IN foram assim resumidas pelo fisco: (i) utilização de faturas comerciais falsas; (ii) pagamento dos tributos devidos apenas em parte, mediante artifício doloso (fraude e conluio); (iii) ocultação do real responsável pela operação de importação, mediante fraude ou simulação (duas DI registradas pela FIS). Como resultado de tais condutas, tipificadas pelo DecretoLei nº 1.455/76 como dano ao Erário, foi lançada multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria (§ 3° do art. 23), bem como a diferença de tributos devida em razão do subfaturamento praticado, acrescida de multa qualificada e juros de mora. Fl. 1888DF CARF MF Processo nº 10516.720018/201217 Acórdão n.º 3201002.831 S3C2T1 Fl. 95 5 A importadora FIS foi autuada como responsável solidária pelos créditos lançados relativamente às duas operações em que a FILM IN tratavase da real adquirente oculta (fls. 1.417/1.418). Cientificada do Auto de Infração em 28/09/2012 (fls. 1.407/1.414), a interessada FILM IN apresentou impugnação, em 29/10/2012, juntada às fls. 1.477 e seguintes, alegando em síntese: 1) é inconcebível que a vontade da administração pública, em especial na seara tributária, seja resultado de interpretações fundadas exclusivamente em meios de prova indiretos, desdenhando do princípio da segurança jurídica e da legalidade; 2) a fim de demonstrar o suposto subfaturamento, a SRFB se baseou em documentos particulares da impugnante, apreendidos no seu estabelecimento, entre eles: i) documentos denominados “conta corrente – arquivo digital em Excel (fl. 899) e fax (fl. 1.129); ii) email’s e iii) simples planilhas – arquivos digitais. Considerando que cada uma das Declarações de Importação tratase de fatos geradores autônomos, que devem ser analisados em seus pressupostos de fato e de direito, fará uma análise individual de cada uma delas; 3) DI 08/13059806 (invoice 1098) = com base no documento denominado “contacorrente” (fl. 899), a SRFB concluiu que o valor real da operação foi de US$ 9.242,62, enquanto que o valor da DI foi de US$ 3.694,04. O valor de US$ 5.523,00 teria sido remetido ao exterior em 02/07/2008, enquanto que o saldo remanescente (US$ 3.719,62), com o fechamento de câmbio da DI, ficou em apenas US$ 25,58 (fls. 914/917). Essa conclusão não merece prosperar, porque: i) o documento de fl. 899 tratase de documento interno da impugnante, informal, com dados aleatórios, que não representa a operação de importação, tanto que os valores não fecham nem com os das operações nem com os dos câmbios realizados; ii) a fatura 1098 é posterior à data de 02/07/2008, razão pela qual não se poderia saber com antecedência o valor da operação para fins de remessa dos valores; iii) os docs. de fls. 914/917 estão ilegíveis e não representam o fechamento de câmbio da fatura acima (1098), mas sim da fatura 1139, em razão do valor de $ 37.090,38; iv) a RFB não conseguiu provar que o fechamento de câmbio de fls. 914/917 corresponde à fatura 1098; v) a RFB não demonstra que se operaram remessas oficiais e extraoficiais de recursos ao exterior, pois se o valor da DI é de US$ 3.694,04, como que a impugnante mandaria, oficialmente, o valor de US$ 25,58 ou de $ 37.090,38. Não existe lógica na conclusão da RFB e as simples anotações no documento de fl. 899 não comprovam a remessa de valores; 4) DI 08/14421541 (invoice 1114) = com base no documento denominado “contacorrente” (fl. 899), a SRFB concluiu que o valor real da operação foi de US$ 51.131,30, enquanto que o valor da DI foi de US$ 25.180,26. O valor de US$ 25.266,86 teria sido remetido ao exterior em 11/08/2008, nos termos do Fl. 1889DF CARF MF 6 fechamento de câmbio (fls. 923/926), enquanto que o saldo remanescente (US$ 25.818,00) foi enviado ilegalmente, restando a importância de US$ 46,44. Essa conclusão não merece prosperar, porque: i) inexistem provas de que a remessa extraoficial tenha sido feita, baseandose a RFB em simples anotações internas da impugnante, que não representam a real operação, tratandose de meros dados aleatórios; ii) pergunta onde está no contacorrente a remessa de US$ 46,44, e como que o valor de US$ 25.818,00 foi remetido extraoficialmente se houve despesa com taxa de transferência “WT FEE”; 5) DI 08/16991922 (invoice 1139) = com base no documento denominado “contacorrente” (fl. 899), a SRFB concluiu que o valor real da operação foi de US$ 67.810,00, enquanto que o valor da DI foi de US$ 33.396,40. O valor de US$ 33.396,40 teria sido remetido ao exterior em 14/07/2008, nos termos do fechamento de câmbio, enquanto que o saldo remanescente (US$ 34.419,00) foi enviado ilegalmente, restando a importância de US$ 5,34. Observa que o valor que consta no contacorrente com data de 14/07/2008 é US$ 37.090,38 e não US$ 33.396,40, e mesmo assim os valores não fecham, implicando uma sobra no valor de US$ 5,34. Ademais, somando US$ 37.090,38 e US$ 34.429,00, temos $ 71.519,38 e não o valor alegado pela RFB de US$ 67.810,00. Pergunta como que o valor de US$ 34.429,00 foi remetido extraoficialmente se houve despesa com taxa de transferência “WT FEE”. Por fim, o doc. de fls. 939 corresponde a cotação de produtos e não a efetivação da operação e não corresponde ao email de fl. 938. Inclusive, a data da cotação (30/06/2008) é diferente da data do email (02/07/2008), a descrição dos produtos não é a mesma e não há preço individual dos produtos, o que inviabiliza a sua apuração; 6) DI 09/00889033 (invoice 1143) = com base na planilha de controle “SO#1143” (fl. 949), a SRFB concluiu que o valor real da operação foi de US$ 72.471,25, enquanto que o valor da DI foi de US$ 35.906,10. Nos termos do contacorrente de fl. 899, i) em 10/10/2008, foi remetido ao exterior o valor de US$ 12.969,00, ii) no dia 17/11/2008, o valor de US$ 24.264,00, iii) no dia 04/12/2008, o valor de US 35.871,00 e ii) no dia 16/12/2008,0 valor de US$ 600,00. Essa conclusão não merece prosperar, porque: i) o fato de a SRFB não utilizar mais os dados do contacorrente de fl. 899, mas sim os da planilha de fl. 949, denota a fragilidade de suas informações, ao considerar aqueles dados incorretos para abarcar essa operação; ii) a planilha de controle “SO#1143” é documento interno que não representa o valor real da operação; iii) dessa vez, a SRFB sequer faz referência ao meio pelo qual as remessas ao exterior foram feitas e sequer as provou; iv) os valores, quantidades, datas, etc, nada fecha; 7) DI 09/01871820 (invoice 1166) = com base no documento denominado “contacorrente” (fl. 899), a SRFB concluiu que o valor real da operação foi de US$ 137.045,00, enquanto que o valor da DI foi de US$ 49.586,00. Relativamente à remessa dos valores, i) em 28/11/2008, foi remetido ao exterior o valor de US$ 39.990,00, ii) em 15/01/2009, o valor de US$ 50.825,00 e ii) em 15/01/2009, o valor de US$ 49.551,00 (possivelmente, para o fechamento do cambio). Essa conclusão não merece prosperar, Fl. 1890DF CARF MF Processo nº 10516.720018/201217 Acórdão n.º 3201002.831 S3C2T1 Fl. 96 7 porque: i) tanto o documento de fl. 899 como a planilha de fl. 957 são documentos internos da impugnante, que podem representar o custo do produto ou o valor da operação em reais, não denotando a operação de importação devidamente amparada na DI; ii) o email de fl. 959 é mero repasse de swift do fechamento de câmbio, não traz como anexo o doc. de fls. 957/958, sendo sua data de 19/01/2009, enquanto que as planilhas de fls. 957/958 têm data de 11/12/2008 e a fatura é de 20/12/2008. Portanto, não seria posterior à invoice; iii) a SRFB sequer faz referência ao meio pelo qual as remessas ao exterior foram feitas e sequer as provou, sendo que as remessas oficiais consideradas seriam em valor superior ao declarado na DI, o que é impossível; 8) DI 09/06083294 = com base na planilha “FILM IN ORDER 1” (fl. 979), anexa ao email de fl. 976, a SRFB concluiu que o valor real da operação foi de US$ 9.650,42, enquanto que o valor da DI foi de US$ 4.190,68. Essa conclusão não merece prosperar, porque: i) a planilha de fl. 979 não passa de mera cotação de preço, não comprovando a efetivação do negócio nem seus preços; ii) se a SRFB admite que a planilha trouxe mercadoria não albergada na DI, então como pode ter certeza de que a negociação se deu nos termos da planilha?; iii) comparando a planilha e a DI os produtos, os preços e as quantidades divergem, além de não ter sido trazido aos autos a comercial invoice e não ter sido demonstrado o vínculo de Fabiano; iv) a SRFB sequer faz referência ao meio pelo qual as remessas ao exterior foram feitas e sequer as provou; 9) DI 09/06408533 = com base na planilha “PEDIDO KOREA MARÇO 09” (fl. 979 e 980), a SRFB concluiu que o valor real da operação foi de US$ 159.112,00, enquanto que o valor da DI foi de US$ 58.007,45. Para apurar esse valor, a SRFB desenvolveu raciocínio que parte de ilações forçadas, utilizando se de elementos constantes de documentos irrelevantes (fls. 979, 980 e 899), sem vinculação com as importações, uma vez que os valores, as descrições das mercadorias e as quantidades não fecham. Dessa vez, a SRFB sequer faz referência ao meio pelo qual as remessas ao exterior foram feitas e sequer as provou; 10) DI 09/16384726 = com base na planilha “compra ferramentas novembro 09 aéreo” (fl. 1006), a SRFB concluiu que o valor real da operação foi de US$ 9.204,18, enquanto que o valor da DI foi de US$ 3.443,14. Essa conclusão não merece prosperar, porque: i) assentada em mera planilha interna; ii) em um comparativo entre a planilha e a DI não há similitude de produtos e quantidade; iii) a SRFB sequer faz referência ao meio pelo qual as remessas ao exterior foram feitas e sequer as provou; 11) DI 10/10041560 = com base na planilha “pedido ferramentas FILM IN Eli junho 2010” e “Filmin Tools essa” (fls. 1017 e 1018), a SRFB concluiu que o valor real da operação foi de US$ 3.719,38, enquanto que o valor da DI foi de US$ 1.724,39. Essa conclusão não merece prosperar, porque: i) Fl. 1891DF CARF MF 8 assentada em meras planilhas internas; ii) enquanto a planilha de fl. 1017 representa a comercial invoice nos seus exatos termos, a planilha de fl. 1018 a reproduz com valores diferentes, ou seja, a planilha de fl. 1017 representa o custo do produto; iii) a SRFB sequer faz referência ao meio pelo qual as remessas ao exterior foram feitas e sequer as provou; 12) DI 10/14507547 = com base na fatura comercial nº 0341797IN de fls. 1035/1037, a SRFB concluiu que o valor real da operação foi de US$ 8.061,58, enquanto que o valor da DI foi de US$ 3.494,92. Essa conclusão não merece prosperar, porque: i) referida fatura não tem como destinatária a impugnante, mas pessoa diversa que não se trata de sua filial; ii) os emails de fls. 1038/1039 tratam apenas de cotação; iii) a SRFB sequer faz referência ao meio pelo qual as remessas ao exterior foram feitas e sequer as provou; 13) DI 10/16029987 = com base na planilha “COTAÇÃO KOREA MAIO 10” (fl. 1046), a SRFB concluiu que o valor real da operação foi de US$ 175.337,20, enquanto que o valor da DI foi de US$ 73.653,48. Essa conclusão não merece prosperar, porque: i) assentada em meras planilhas internas; ii) em um comparativo entre a planilha e a DI não há similitude de produtos e quantidade; iii) a SRFB sequer faz referência ao meio pelo qual as remessas ao exterior foram feitas e sequer as provou; 14) DI 10/20523010 = com base na planilha “COTAÇÃO KOREA AGOSTO 10” (fl. 1053), a SRFB concluiu que o valor real da operação foi de US$ 178.998,80, enquanto que o valor da DI foi de US$ 75.810,30. Essa conclusão não merece prosperar, porque: i) assentada em meras planilhas internas; ii) em um comparativo entre a planilha e a DI não há similitude de produtos e quantidade; iii) a SRFB sequer faz referência ao meio pelo qual as remessas ao exterior foram feitas e sequer as provou; 15) DI 10/21718302 = com base na planilha “FILME SOLAR GARD SETEMBRO 2010” (fl. 1059), a SRFB concluiu que o valor real da operação foi de US$ 47.850,00, enquanto que o valor da DI foi de US$ 23.100,00. Essa conclusão não merece prosperar, porque: i) assentada em meras planilhas internas; ii) em um comparativo entre a planilha e a DI não há similitude de produtos e quantidade; iii) a SRFB sequer faz referência ao meio pelo qual as remessas ao exterior foram feitas e sequer as provou; 16) DI 10/23267901 = com base na planilha “cotação ferramentas dezembro 10” (fl. 1074), a SRFB concluiu que o valor real da operação foi de US$ 9.823,09, enquanto que o valor da DI foi de US$ 3.723,08. Essa conclusão não merece prosperar, porque: i) assentada em meras planilhas internas; ii) em um comparativo entre a planilha e a DI não há similitude de produtos e quantidade; iii) a SRFB sequer faz referência ao meio pelo qual as remessas ao exterior foram feitas e sequer as provou; Fl. 1892DF CARF MF Processo nº 10516.720018/201217 Acórdão n.º 3201002.831 S3C2T1 Fl. 97 9 17) DI 11/03368097 = com base na planilha “COTAÇÃO KOREA MARÇO 2011” (fl. 1083), a SRFB concluiu que o valor real da operação foi de US$ 201.948,96, enquanto que o valor da DI foi de US$ 84.636,16. Essa conclusão não merece prosperar, porque: i) assentada em meras planilhas internas; ii) em um comparativo entre a planilha e a DI não há similitude de produtos e quantidade; iii) a SRFB sequer faz referência ao meio pelo qual as remessas ao exterior foram feitas e sequer as provou; 18) DI 11/06139382 = com base na planilha “ferramentas abril 2011” (fl. 1101), a SRFB concluiu que o valor real da operação foi de US$ 5.876,33, enquanto que o valor da DI foi de US$ 2.329,49. Essa conclusão não merece prosperar, porque: i) assentada em meras planilhas internas; ii) em um comparativo entre a planilha e a DI não há similitude de produtos e quantidade; iii) a SRFB sequer faz referência ao meio pelo qual as remessas ao exterior foram feitas e sequer as provou; 19) DI 11/09805715 = com base na planilha “COTAÇÃO KOREA MARÇO 2011 ELI” (fl. 1109), a SRFB concluiu que o valor real da operação foi de US$ 214.094,40, enquanto que o valor da DI foi de US$ 95.348,12. Essa conclusão não merece prosperar, porque: i) assentada em meras planilhas internas; ii) em um comparativo entre a planilha e a DI não há similitude de produtos e quantidade; iii) a SRFB sequer faz referência ao meio pelo qual as remessas ao exterior foram feitas e sequer as provou; 20) DI 11/11774147 = com base na planilha “Compra ferramentas junho 2011” (fl. 1128), a SRFB concluiu que o valor real da operação foi de US$ 15.514,23, enquanto que o valor da DI foi de US$ 6.468,63. Essa conclusão não merece prosperar, porque: i) assentada em meras planilhas internas; ii) em um comparativo entre a planilha e a DI não há similitude de produtos, quantidade e valores; iii) a SRFB sequer faz referência ao meio pelo qual as remessas ao exterior foram feitas e sequer as provou; 21) DI 11/18066229 = com base na planilha “COMPRA KOREA SETEMBRO 2011” (fl. 1138), a SRFB concluiu que o valor real da operação foi de US$ 254.761,44, enquanto que o valor da DI foi de US$ 102.874,14. Essa conclusão não merece prosperar, porque: i) assentada em meras planilhas internas; ii) em um comparativo entre a planilha e a DI não há similitude de produtos e quantidade; iii) a própria SRFB admite que o valor apurado na planilha de fl. 1109 não corresponde ao valor no contacorrente de fl. 1.129, aduzindo que a diferença pode ser um possível adiantamento, o que coloca em dúvida as conclusões da SRFB com base nos contacorrentes; iv) a SRFB sequer faz referência ao meio pelo qual as remessas ao exterior foram feitas e sequer as provou; 22) DI 11/20493678 = com base na cópia de faz de fl. 1148, a SRFB concluiu que o valor real da operação foi de US$ Fl. 1893DF CARF MF 10 183.134,40, enquanto que o valor da DI foi de US$ 80.802,19. Essa conclusão não merece prosperar, porque: i) a cópia do fax nada mais é do que uma planilha e essas planilhas internas não têm o condão de representar a operação; ii) em um comparativo entre a planilha e a DI não há similitude de produtos e quantidade; iii) a SRFB ora adota o valor constante na planilha, ora desconsidera esse valor e utiliza aquele constante no conta corrente, fazendo adaptação inclusive quanto às faturas comerciais, o que revela que não existe um critério e portanto depõe contra a credibilidade/legitimidade das informações; iv) a SRFB sequer faz referência ao meio pelo qual as remessas ao exterior foram feitas e sequer as provou; 23) os autos do processo administrativo revelam que durante a fase de fiscalização inexistiu de parte de Autoridade Administrativa diligências junto à impugnante, de modo que o crédito tributário foi constituído exclusivamente com base nos documentos apreendidos. A Administração Pública, portanto, optou pela comodidade probatória ao se utilizar de raciocínio presuntivo que franqueou um alargamento da regra matriz de incidência para fatos tributários não provados. Cita doutrina e jurisprudência sobre o tema da prova e dos limites das presunções em matéria tributária; 24) mesmo que se admita, por amor ao debate, a subsistência do lançamento, ainda assim deve ser redimensionada a base de cálculo, posto que, conforme entendimento consolidado do TRF da 4ª Região, a base de cálculo das contribuições para o PIS e COFINS deverá compreender exclusivamente o valor aduaneiro, sem considerar o montante das próprias contribuições e impostos respectivos, como previsto pela Lei nº 10.865/2004, que padece de flagrante inconstitucionalidade; 25) cita jurisprudência do E. TRF da 4ª Região, no sentido de que, na hipótese de subfaturamento, é descabida a aplicação da pena de perdimento, tratandose antes de caso de aplicação da multa administrativa correspondente ao percentual de 100% da diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado (art. 633, I, do RA/02) e da cobrança da diferença de tributação; 26) requer, ao final, que seja afastada a valoração aduaneira, ante a inexistência de provas a respeito do subfaturamento e, não sendo esse o entendimento, então que seja excluído do valor aduaneiro as exações decorrentes da importação. Requer, ainda, seja afastada a multa igual ao valor aduaneiro. Intimada do Auto de Infração em 03/10/2012 (fls. 1.417/18), a interessada FIS apresentou impugnação, em 05/11/2012, juntada às fls. 1.544 e seguintes, alegando em síntese: a) seu dirigente, FREDERICO IRACET DOS SANTOS, CPF 003.563.51009, afirma que, conforme indicação, apresentouse perante os diretores da FILM IN, os quais mostraram interesse de que a FIS realizasse importações para eles, havendo recebido nesse mesmo dia, uma Proforma Invoice da FILM IN com todas as informações da importação (valor da mercadoria, NCM, pesos, país de origem e demais), para que a FIS elaborasse uma Fl. 1894DF CARF MF Processo nº 10516.720018/201217 Acórdão n.º 3201002.831 S3C2T1 Fl. 98 11 planilha com as estimativas de custos para a nacionalização da carga no dia 17/06/2009; b) descreve detalhadamente toda a comunicação realizada entre FILM IN e FIS e demais trâmites relacionados às duas operações de importação realizadas pela FIS para a FILM IN; c) no tocante à importação realizada por meio da DI 10/01040360, parametrizada em canal vermelho, esclarece que ao informar ao fiscal da Receita Federal que faria a revenda da carga após a nacionalização para a empresa FILM IN, com base em contrato de compra e venda das mercadorias, foilhe dito que deveria ter feito (registrado) a importação por conta e ordem de terceiros, mas já não foi possível fazer a retificação no SISCOM EX. Após alguns dias, foi informado que a pena era o "perdimento da carga", o que foi repassado à FILM IN; d) contrataram, então, um advogado para tentar mostrar/justificar para os fiscais que a carga era da empresa FILM IN e a FIS não informou esse fato por falta de conhecimento da legislação aduaneira. Para retirar a carga, tiveram que pagar o valor CIF correspondente à mesma que foi de R$ 153.017,43, valor que foi transferido pela empresa FILM IN; e) sobre as negociações com o fornecedor, informa que todas foram feitas diretamente pela empresa FILM IN, só lhes sendo enviada a documentação para revisão sobre legislação aduaneira; f) declara que fizeram erroneamente a nacionalização em nome da FIS INTERNATIONAL não informando que o real adquirente era a empresa FILM IN, por não saberem que era necessário e por não conhecerem a modalidade de importação por conta e ordem de terceiros, em virtude da pouca experiência de seu dirigente, inexistindo a intenção de má fé ou ocultação do real adquirente, tanto que a partir daí todas as operações da empresa foram corretamente registradas; g) pleiteia seja retirada a multa aplicada, pois não fizeram nenhuma negociação com o fornecedor, todas foram feitas pela FILM IN diretamente e, se aconteceu algum tipo de sonegação, não tinha conhecimento. Ambas as empresas autuadas foram intimadas para regularizar sua representação processual (fls. 1.727/1.730), havendo apresentado os documentos de fls. 1.732/1.747 e 1.754/1.797. Todos os números de folhas citados neste acórdão são os atribuídos pelo “eprocesso”. A Delegacia de Julgamento julgou improcedente a impugnação, em decisão assim ementada: Fl. 1895DF CARF MF 12 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 01/01/2008 a 31/05/2012 SUBFATURAMENTO Os fatos apontados e as provas coligidas pela fiscalização são contundentes no sentido de demonstrar a ocorrência de subfaturamento dos preços de mercadorias e remessa de divisas de forma ilícita ao exterior em pagamento de tais importações. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE. Caracterizadas como por conta e ordem as operações de comércio exterior declaradas pela importadora como sendo por conta própria, o que implicou ocultação da real adquirente das mercadorias, resta tipificada a figura da interposição fraudulenta, sujeitando tanto a importadora como a real adquirente, à penalidade de perdimento das mercadorias, a ser convertida em multa equivalente ao respectivo valor aduaneiro, nos casos em que estas não sejam localizadas ou tenham sido consumidas. Impugnação Improcedente Em sede de recurso voluntário, foram reiterados os argumentos de impugnação. É o relatório. Voto Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Relatora O presente recurso preenche as condições de admissibilidade, pelo que deles tomo conhecimento. Conforme o relatório, trata o presente caso de auto de infração para aplicação de multas aduaneiras, em virtude da imputação da conduta de subfaturamento nas operações de importação de películas em grande parte das declarações compreendidas na autuação, bem como imputação da conduta de interposição fraudulenta, em duas das operações de importação. |Preliminarmente, deve ser consignado que a o sujeito passivo solidário não apresentou recurso voluntário, não tendo sido contestada a conduta e interposição fraudulenta, nem a aplicação das multas de ofício, razão pela qual não serão reapreciados esses aspectos do lançamento, por preclusos. Como se depreende do relatório da fiscalização, a autuação teve como origem operação da Polícia Federal, assim descrita : Fl. 1896DF CARF MF Processo nº 10516.720018/201217 Acórdão n.º 3201002.831 S3C2T1 Fl. 99 13 1. No ano de 2009, o Departamento de Polícia Federal (DPF) realizou a operação “HÉRCULES”. O Relatório sobre a operação identificou condutas criminosas contra o sistema financeiro nacional praticadas de forma contumaz pelos responsáveis das casas de câmbio CASA BRANCA CÂMBIO E TURISMO LTDA. e VASQUES TURISMO, bem como por muitos de seus clientes. Por meio desse Relatório, foram identificados pela Receita Federal do Brasil (RFB) integrantes de várias sociedades empresárias importadoras, principalmente do Rio Grande do Sul, mas também de algumas sociedades paulistas e catarinenses, que cometeram ilícitos contra o sistema financeiro nacional, ordenando o envio de divisas ao exterior à margem do sistema oficial de câmbio brasileiro. 2. A fim de apurar a participação de tais integrantes e de suas sociedades importadoras em fraudes no comércio exterior brasileiro, foi deflagrada, em novembro de 2011, operação conjunta do DPF e da RFB, chamada “HERÁCLIDAS”. Este Relatório trata da fiscalização da sociedade importadora FILM IN COMÉRCIO DE PELÍCULAS LTDA. ME, CNPJ 05.243.805/000180, identificada na operação “HÉRCULES” e que foi alvo da operação “HERÁCLIDAS”, obedecendo ao Mandado de Busca e Apreensão (MBA) nº 7343732, fl. 851. A Recorrente constava como cliente das empresas de câmbio, que remetiam dinheiro ilegalmente ao exterior, ou, no jargão do mercado, faziam "cabo". E no âmbito dessa operação e com base nos documentos apreendidos na sede da Recorrente, foi constatada a ocorrência de subfaturamento. Para cada uma das operações de importação, foram cruzados os dados encontrados nas planilhas e documentos apreendidos, conforme se verifica da transcrição de excerto do TVF: 19. No documento excel intitulado “Conta Corrente Eli Março 09”, fl. 899, temos um controle histórico de 7 (sete) importações da FILM IN. A primeira operação de importação deste conta corrente faz referência à “INV# 1098 FERRAMENTAS” no valor de US$ 9.242,62. A DI que foi amparada na fatura comercial nº 1098 foi a de nº 08/13059806 (ferramentas para aplicação de filmes de controle solar), no valor de US$ 3.694,04, fls. 900 a 913. Ou seja, a FILM IN pagou efetivamente US$ 9.242,62 pelas mercadorias importadas, mas declarou à Aduana brasileira o valor de US$ 3.694,04. Esta DI foi registrada no dia 22/08/2008, mas pelo conta corrente, no dia 02/07/2008 foi remetido ao exterior o valor de US$ 5.523,00 (US$ 10,00 de taxa de transferência, “WT FEE”), quase um mês e meio antes do registro da DI. 20. A FILM IN ainda ficou devendo a quantia de US$ 3.719,62 que, com o fechamento de câmbio vinculado a esta DI, tornaria esta quantia em apenas US$ 25,58. E foi isto mesmo que aconteceu, pois no email de SÉRGIO para a FILM IN temos em anexo um contrato de câmbio para pagamento das faturas Fl. 1897DF CARF MF 14 comerciais nº 1096 e nº 1098, no valor total de US$ 37.090,38, com liquidação até 14/07/2008, fls. 914 a 917. A fatura comercial nº 1098 corresponde à nossa DI nº 08/13059806, no valor de US$ 3.694,04, o que deixaria para a fatura comercial nº 1096 US$ 33.396,34. Não houve importação da FILM IN amparada na fatura comercial nº 1096, mas no valor de US$ 33.396,40 (diferença de US$ 0,06) temos a DI nº 08/16991922, registrada em 27/10/2008, com a fatura comercial nº 1139. 21. Desta forma, o preço total efetivamente pago pelas mercadorias importadas por meio da DI nº 08/13059806 foi de US$ 9.242,62, enquanto que a FILM IN declarou à Aduana brasileira o preço total (falso) de US$ 3.694,04. Isto representa um subfaturamento de 60,0% dos preços efetivamente negociados entre FILM IN e OCEANBORN. Como veremos mais à frente, o valor aduaneiro (no caso do tipo de importações da FILM IN) das mercadorias importadas é composto pelo preço total dessas mercadorias mais o seu frete, seguro e despesas de manuseio da carga até o local de descarga no Brasil. Para esta DI temos um frete internacional de US$ 109,12 (as despesas de manuseio foram incluídas no frete e não houve contratação de seguro), sendo então o valor aduaneiro real da DI igual a US$ 9.351,74, enquanto que a FILM IN declarou este valor aduaneiro como sendo igual a US$ 3.803,16, o que resultou em uma subvaloração de 59,3%. E assim se procedeu com cada umas das DIs. Em sua defesa, a Recorrente limitase a refutar as alegações, afirmando que não houve comprovação do subfaturamento e de envio de valores, de forma ilegal, ao exterior, como se depreende de seu recurso, em diversas ocasiões, como se verifica: É de se apontar que em nenhum momento a Recorrente fez contraprovas referentes às conclusões da fiscalização, que, aliás, foram fundadas em documentos produzidos Fl. 1898DF CARF MF Processo nº 10516.720018/201217 Acórdão n.º 3201002.831 S3C2T1 Fl. 100 15 por ela própria, embora na sua argumentação é praticamente olvidado esse fundamental detalhe, diminuindo o valor probante dos documentos, por terem sido "criados unilateralmente, com dados aleatórios". Mas, então, caberialhe trazer alguma explicação, para a existência de diversas planilhas, emails, faturas, que convergem para o fato do subfaturamento. Frisese que embora caiba ao Fisco comprovar os fatos jurídicos que estribam o auto de infração, isso não implica que o contribuinte possa se desincumbir totalmente do ônus probatório, mormente no caso concreto, em que, paradoxalmente, os documentos são da sua própria lavra. Além de ser hipótese, no mínimo, contraditória, desconsidera que houve, sim, a constituição dos fatos alegados, cabendo ao contribuinte, no passo seguinte, trazer elementos probatórios que os desconstituíssem. Ainda que assim não fosse, sob a égide do novo Código de Processo Civil, a leitura de situações quetais, deve ser inserida em um contexto diverso, pois o ônus probatório assume feição dinâmica, em função do caso concreto. Com efeito, os parágrafos do art.373 do novo Código de Processo Civil, alteraram significativamente a disciplina do ônus da prova, em relação à Lei n. 5.689/1973 (em seu art.333), o anterior código processual. Prescreve o dispositivo: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. § 1o Nos casos previstos em lei ou diante de peculiaridades da causa relacionadas à impossibilidade ou à excessiva dificuldade de cumprir o encargo nos termos do caput ou à maior facilidade de obtenção da prova do fato contrário, poderá o juiz atribuir o ônus da prova de modo diverso, desde que o faça por decisão fundamentada, caso em que deverá dar à parte a oportunidade de se desincumbir do ônus que lhe foi atribuído. § 2o A decisão prevista no § 1o deste artigo não pode gerar situação em que a desincumbência do encargo pela parte seja impossível ou excessivamente difícil. Destarte, os incisos I e II do referido dispositivo reproduzem o texto do diploma normativo anterior, prescrevendo que o ônus da prova é do autor “quanto ao fato constitutivo de seu direito” e do réu, “quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor”, de maneira estanque, ou seja, o critério de determinação do ônus probatório era objetivo. Contudo, os parágrafos do mencionado dispositivo, trazem hipótese em que a regra geral é relativizada, quando o juiz, em face ao caso concreto, entenda que a outra parte tem melhores condições de esclarecimento dos fatos, invertendo o ônus probatório, em decisão devidamente fundamentada. Fl. 1899DF CARF MF 16 Nesse contexto, e, considerandose a aplicação subsidiária do Código de Processo Civil, por inexistir dispositivo específico aplicável ao processo administrativo, conforme determina o art.15, outra interessante novidade expressa no novo diploma, deverá ser sopesada a aplicação das novas regras de formação de provas, nos casos concretos submetidos à jurisdição administrativa. No caso concreto, indubitavelmente, a Recorrente dispõe de melhores condições para o esclarecimento referentes aos documentos que ela mesma produziu, por conseguinte, não restando qualquer fundamento para que afirme a sua imprestabilidade e a ausência de comprovação dos fatos, pelo Fisco. No que tange as penalidades, contesta a Recorrente a aplicação da multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, por conversão da pena de perdimento, pela existência de penalidade específica para o subfaturamento. O parágrafo único do art.88 da MP 215835/2001, reproduzido no art. 703 do atual Regulamento Aduaneiro, prescreve que: Art. 88. No caso de fraude, sonegação ou conluio, em que não seja possível a apuração do preço efetivamente praticado na importação, a base de cálculo dos tributos e demais direitos incidentes será determinada mediante arbitramento do preço da mercadoria, em conformidade com um dos seguintes critérios, observada a ordem seqüencial: [...] Parágrafo único.Aplicase a multa administrativa de cem por cento sobre a diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado na importação ou entre o preço declarado e o preço arbitrado, sem prejuízo da exigência dos impostos, da multa de ofício prevista no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996, e dos acréscimos legais cabíveis. (g.n.) Posteriormente, o Decreto n. 8.010/2013, modificou o dispositivo normativo, nos seguintes termos: § 1ºA Verificandose que a conduta praticada enseja a aplicação tanto de multa referida neste artigo quanto da pena de perdimento da mercadoria, aplicase somente a pena de perdimento. (Incluído pelo Decreto nº 8.010, de 2013) (grifo nosso) Assim, no caso em apreço, deve ser afastada a multa por subfaturamento, por descabida a cumulação. Finalmente, a Recorrente aduz que a base de cálculo do lançamento deve ser redimensionada, haja vista que jurisprudência consolidada do TRF da 4ª Região entende que a base de cálculo das contribuições para o PIS e COFINS deverá compreender exclusivamente o valor aduaneiro, sem considerar o montante das próprias contribuições e impostos respectivos, como previsto pela Lei nº 10.865/2004, que padece de flagrante inconstitucionalidade. Fl. 1900DF CARF MF Processo nº 10516.720018/201217 Acórdão n.º 3201002.831 S3C2T1 Fl. 101 17 Sobre esse aspecto, também é de se dar provimento ao recurso voluntário, pois em consonância com o entendimento em repercussão geral, do Supremo Tribunal Federal, as contribuições sociais incidentes sobre as importações, terão como base de cálculo o valor aduaneiro, prescrito pelas regras do AVAGATT. No julgamento do RE nº 559.937/RS, sob regime de repercussão geral (art. 543B do CPC), tendo sido decidido pela inconstitucionalidade da expressão “acrescido do valor do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS incidente no desembaraço aduaneiro e do valor das próprias contribuições”, contida no inciso I do art. 7º da Lei nº 10.865/04, nos termos dos trechos do enunciado da ementa que segue transcrita: Tributário. Recurso extraordinário. Repercussão geral. PIS/COFINS – importação. Lei nº 10.865/04. Vedação de bis in idem. Não ocorrência. Suporte direto da contribuição do importador (arts. 149, II, e 195, IV, da CF e art. 149, § 2º, III, da CF, acrescido pela EC 33/01). Alíquota específica ou ad valorem. Valor aduaneiro acrescido do valor do ICMS e das próprias contribuições. Inconstitucionalidade. Isonomia. Ausência de afronta. [...] 5. A referência ao valor aduaneiro no art. 149, § 2º, III, a , da CF implicou utilização de expressão com sentido técnico inequívoco, porquanto já era utilizada pela legislação tributária para indicar a base de cálculo do Imposto sobre a Importação 6. A Lei 10.865/04, ao instituir o PIS/PASEP Importação e a COFINS Importação, não alargou propriamente o conceito de valor aduaneiro, de modo que passasse a abranger, para fins de apuração de tais contribuições, outras grandezas nele não contidas. O que fez foi desconsiderar a imposição constitucional de que as contribuições sociais sobre a importação que tenham alíquota ad valorem sejam calculadas com base no valor aduaneiro, extrapolando a norma do art. 149, § 2º, III, a, da Constituição Federal. 7. Não há como equiparar, de modo absoluto, a tributação da importação com a tributação das operações internas. O PIS/PASEP Importação e a COFINS Importação incidem sobre operação na qual o contribuinte efetuou despesas com a aquisição do produto importado, enquanto a PIS e a COFINS internas incidem sobre o faturamento ou a receita, conforme o regime. São tributos distintos. 8. O gravame das operações de importação se dá não como concretização do princípio da isonomia, mas como medida de política tributária tendente a evitar que a entrada de produtos desonerados tenha efeitos predatórios relativamente às empresas sediadas no País visando, assim, ao equilíbrio da balança comercial. Fl. 1901DF CARF MF 18 9. Inconstitucionalidade da seguinte parte do art. 7º, inciso I, da Lei 10.865/04: “acrescido do valor do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação – ICMS incidente no desembaraço aduaneiro e do valor das próprias contribuições , por violação do art. 149, § 2º, III, a, da CF, acrescido pela EC 33/01. 10. Recurso extraordinário a que se nega provimento. (RE 559937, Relator(a): Min. ELLEN GRACIE, Relator(a) p/ Acórdão: Min. DIAS TOFFOLI, Tribunal Pleno, julgado em 20/03/2013) (grifo nosso) Considerando tratarse de decisão definitiva de mérito, proferida pelo STF, sob regime de repercussão geral, previsto no art. 543B do CPC e, em cumprimento ao Regimento de Interno deste Conselho, aprovado pela Port. MF nº 343/2015, art. 62, II, ´b´, adotase os seus fundamentos, para que no cálculo do PIS/Pasep – Importação e da Cofins – Importação, para que incida apenas sobre o valor aduaneiro. Em face do exposto, julgo parcialmente procedente o recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Fl. 1902DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13896.911329/2009-59
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1302-000.480
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Declarou-se impedido o Conselheiro Rogério Aparecido Gil.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Alberto Pinto Souza Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e José Roberto Adelino da Silva.
RELATÓRIO
Versa o presente processo sobre recurso voluntário, interposto pelo contribuinte em face do Acórdão nº 12-62.734 da 6ª Turma da DRJ/RJ1, o qual foi assim ementado:
ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA
Ano-calendário: 2006
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA.
REMUNERAÇÃO DE SERVIÇOS PROFISSIONAIS.
CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS RETIDAS NA FONTE.
Comprovado que as importâncias pagas pela prestação dos serviços
profissionais estão sujeitas à retenção das contribuições sociais, não há
direito creditório a ser reconhecido.
Manifestação de Inconformidade Improcedente
A recorrente, cientificada do Acórdão nº 12-62.734 em 05/03/2015 (Termo a fls. 233), interpôs, em 30/03/2015 (vide Termo a fls. 328), recurso voluntário (doc. a fls. 235 e segs.), o qual aduz, em apertada síntese, as seguintes razões de defesa:
1. Trata-se, na origem, de declaração de compensação de débito com crédito decorrente de pagamento indevido, efetuado em 14/11/2006, a título de Contribuições Sociais Retidas na Fonte (codigo 5952), no valor original de R$ 17.247,10.
2. Com efeito, a Recorrente é pessoa juridica de direito privado que se dedica à prestação de serviços de credenciamento de estabelecimentos comerciais e de estabelecimentos prestadores de serviços para a aceitação de cartões de crédito e de débito, bem como outros meios de pagamento ou meios eletrônicos para registro e aprovações de transações não-financeiras.
3. Para consecução de suas atividades empresariais, a Recorrente firmou contrato de prestação de serviços de tecnologia com a empresa Eds Data Systems do Brasil Ltda. ("EDS" - fls. 77/140) e Visa do Brasil Empreendimentos Ltda. (Visa fls. 141/154), que, para sua remuneração, emitia fatura mensalmente, discriminando os serviços prestados.
4. Nesse cenário, durante os meses de setembro e outubro de 2006. Os mencionados prestadores de serviços emitiram faturas para que fossem remunerados os serviços prestados, as quais podem ser verificadas no quadro abaixo:
5. Ao receber as faturas para pagamento destes serviços, a Recorrente, de forma automática (mas precipitada), calculou a retenção na fonte dos tributos devidos por cada um dos pagamentos, chegando aos seguintes valores (totais):
6. Diante disso, sobre as mencionadas faturas, a Recorrente procedeu à retenção do valor de R$ 112.106,12, pagando aos prestadores de serviços apenas a diferença das faturas comerciais e recolhendo os tributos retidos.
7. Ocorre que os serviços tomados pela Recorrente relativos às mencionadas faturas (processamento de dados e marketing) não estão sujeitos à retenção das contribuições sociais, justamente por não estar incluído na lista de serviços constante do artigo 30 da Lei n° 10.833/2003. Confira-se o teor do dispositivo legal:
(...)
8.Ao notar o equívoco, a Recorrente efetuou a devolução dos valores indevidamente retidos às prestadoras de serviços, conforme comprovado nos autos.
9. Assim, considerando que foram pagos ao fisco os valores indevidamente retidos nas mencionadas faturas e, posteriormente, foi efetuada a devolução deste montante às prestadoras de serviços, a Recorrente faz jus ao reconhecimento do direito creditório, porquanto restou configurado o pagamento indevido, nos termos do inciso I do artigo 165 do Codigo Tributário Nacional.
10. Por estas razões, a Recorrente transmitiu declaração de compensação de débitos com crédito decorrente de pagamento indevido de CSRF, no valor original de R$ 17.247,10, relativamente a CSLL indevidamente retida por ocasião do pagamento das mencionadas faturas.
11. No entanto, tendo em vista a ausência de retificação da DCTF, foi proferido despacho decisório eletrônico não homologando a compensação declarada.
12. Em face deste despacho decisório, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, sustentando, preliminarmente, a nulidade do despacho decisório por preterição do direito de defesa e, no mérito, demonstrou, através de farta documentação a origem do direito creditório pleiteado.
13.A par de toda a argumentação e da farta documentação acostada aos autos pela Recorrente, a r. decisão recorrida recusou a nulidade alegada na manifestação de inconformidade, ao argumento de que "a contestação das informações contidas no Despacho Decisório, dos documentos juntados ou até mesmo de eventuais irregularidades dever ser realizada no momento posterior a decisão, com a apresentação de manifestação de inconformidade, iniciando o devido processo administrativo " (fl. 216).
14. Quanto ao mérito, a r. decisão recorrida manteve o indeferimento do direito creditório, ao argumento de que a recorrente não teria comprovado que os serviços prestados pela EDS diziam respeito ao serviço de processamento de dados e, ainda, que os serviços de marketing prestados pela VISA seriam equivalente aos serviços de assessoria mercadológica, previsto no caput do art. 30 da Lei 10.833/03 como sujeito à retenção das contribuições sociais.
(...)
17. Após a prolação do despacho decisório que não reconheceu o direito creditório pleiteado, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade demonstrando a sua nulidade, em razão da ausência de intimação prévia para apresentação de informações e documentos que se fizessem necessários para o esclarecimento da origem do direito creditório pleiteado.
18. Ocorre, porém, que, em atitude inovadora no processo administrativo e violadora do §3° do artigo 59 do Decreto n° 70.235/72, a 6ª Turma da DRJ/RJ1 superou a nulidade do despacho decisório (em desfavor da Recorrente) e, o que é pior, manteve o indeferimento do direito creditório por argumento absolutamente diverso daquele invocado pelo despacho decisório.
19. Vale dizer, a 6ª Turma da DRJ/RJ1 decidiu: (I) recusar a nulidade do despacho decisório, ignorando o fato concreto de que a Recorrente jamais foi intimada pela Receita Federal do Brasil para apresentação de documentos ou informações sobre a origem do direito creditório pleiteado; e (II) manteve o indeferimento do direito creditório ao (novo) argumento de que a Recorrente não teria apresentado provas suficientes para o reconhecimento do direito creditório, o que jamais havia sido suscitado no curso do processo administrativo.
20. Evidentemente, ao superar a nulidade do despacho decisório e manter o indeferimento do direito creditório pleiteado por argumentos absolutamente diversos dos invocados pelo despacho decisório, a 6ª Turma da DRJ/RJ1 efetivamente causou prejuízo a Recorrente, cerceando o seu direito de defesa e violando o disposto no §3° do artigo 59 do Decreto n° 70.235/72.
21. Por estas razões, o recurso voluntário deve ser provido para decretar a nulidade tanto do despacho decisório quanto da r. decisão recorrida, tendo em vista que efetivamente causaram prejuizo para a Recorrente, cerceando o seu direito de defesa e impedindo a devida e necessária comprovação do direito creditório pleiteado.
(...)
23. Por sua vez, na manifestação de inconformidade, a Recorrente demonstrou (e comprovou documentalmente) a origem do direito creditório, acostando para tanto os seguintes documentos para suportar sua argumentação:
(I) cópia do Contrato de Prestação de Serviços firmado entre a Recorrente e a "EDS" (fls. 77/140);
(II) cópia do Contrato de Prestação de Serviços firmado entre a Recorrente e a "VISA" (fls. 141/154);
(III) cópia das faturas emitidas pelos prestadores de serviços, nas quais era discriminado qual o serviço que estaria sendo remunerado (fl. 155/158);
(IV) cópias dos registros contábeis das retenções realizadas de forma equivocada (fls. 159/183);
(V) cópias dos registros contábeis das retenções realizadas de forma equivocada (fls. 159/183);
(VI) cópias dos DARFs indevidaemnte recolhidos pela recorrente a título de CSRF (fl.190);
(VII) cópia da DCTF Retificadora relativa ao periodo de apuração de outubro de 2006, afastando a motivação do despacho decisório para o indeferimento do direito creditório (fls. 184/189).
24. No entanto, sobreveio a r. decisão recorrida mantendo o indeferimento do direito creditório pleiteado ao argumento de que, no que diz respeito às faturas emitidas pela prestadora EDS, a despeito do que consta expressamente nas faturas comerciais objeto de retenção indevida, não seria possível concluir que estas faturas teriam sido emitidas apenas e tão somente para remunerar os serviços de processamento de dados, e não todos os serviços compreendidos pelo Contrato de Prestação de Serviços entre a Recorrente e a "EDS" e a VISA. Confira-se trecho da decisão recorrida:
(...)
25.Entretanto, e em vista deste (novo) entendimento manifestado pela 6ª Turma da DRJ/RJ1, fato é que, no curso do processo administrativo, a Recorrente jamais foi intimada para apresentar documentos adicionais, para esclarecimento da dúvida suscitada na r. decisão recorrida.
26. Ora, diante das informações prestadas na manifestação de inconformidade e do incontestável acervo probatório acostado aos autos, persistindo dúvidas quanto à origem do direito creditório pleiteado ou havendo a necessidade de novos esclarecimentos e documentos, é evidente, razoável e jurídico que a 6° Turma da DRJ/RJ1 deveria ter, ao menos devolvido os autos a repartição de origem e determinado a realização de diligência, intimando a Recorrente a apresentar as informações e os documentos que se fizessem necessários, e não simplesmente manter o indeferimento do direito creditório pleiteado...
27. Além de ter optado pelo "caminho mais curto e, também, mais curto", a 6ª Turma da DRJ/SP manteve o indeferimento do direito creditório pleiteado ao argumento de que não haveria, nos autos, prova de fatos em momento algum contestados pelo despacho decisório e dos quais, no curso do processo administrativo e da diligência fiscal, jamais o Recorrente foi intimada especificamente para se manifestar.
28. Também por essas razões, a prolação de decisão administrativa sem o correto exame do direito creditório pleiteado violou o disposto no artigo 76 da Instrução Normativa n° 1.300/2012, que estabelece o dever da autoridade administrativa de realizar as diligências necessárias para o esclarecimento do direito creditório pleiteado. Confira-se:
"Art. 76. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório a apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. " (destaques da Recorrente)
(...)
35. Assim, deve ser decretada a nulidade tanto do despacho decisório quanto da r. decisão recorrida, nos termos do inciso II do artigo 59 do Decreto n° 70.235/72, para que o crédito pleiteado pela Recorrente seja corretamente analisado pela autoridade administrativa competente.
II.2 - DO MÉRITO
II.2.1 - Dos Serviços Remunerados Pelas Faturas Emitidas pela EDS
(...)
39.Por exemplo, para remuneração dos serviços prestados a título de suporte técnico em informática, em 17/12/2008, a "EDS" emitiu a Fatura n° 019754 (doc. 02), discriminando o serviço prestado de acordo com o Contrato de Prestação de Serviços, e informando as retenções, inclusive da CSRF, uma vez que este serviço específico está sujeito a retenção das contribuições sociais, de acordo com a inteligência do artigo 30 da Lei n° 10.833/2003.
40. Por outro lado, quando a "EDS" prestava os serviços de processamento de dados, era emitida fatura discriminando o serviço prestado, sem, contudo, o destaque das contribuições sociais retidas na fonte, porquanto este serviço específico nao está sujeito a esta retenção nos termos da legislação tributária de regência.
41. Neste contexto, em 06/10/2006 e 26/09/2006, a "EDS" emitiu as Faturas n°s 00000106, 11927 e 00000012, tendo em vista a prestação de serviços de processamento de dados e de assessoria em centrais de atendimento (Call Center), conforme discriminado na própria fatura comercial e, em razão de estes serviços não se enquadrarem nas hipóteses de retenção de que trata o artigo 30 da Lei n° 10.833/2003, a prestadora não destacou a CSRF.
42. No entanto, ao receber a fatura, a Recorrente, de forma automática (mas precipitada), calculou a retenção das contribuições sociais, pagando à EDS apenas a diferença da fatura e pagando ao fisco os tributos indevidamente retidos. Por decorrência, registrou a retenção em sua contabilidade (fls. 159/183).
43.Ao notar o equívoco cometido, a Recorrente procedeu à imediata devolução dos valores indevidamente retidos a "EDS" (fls. 192/197), conforme comprovado nos autos inclusive com a juntada dos documentos contábeis.
44. Assim, considerando que foram recolhidos os valores indevidamente retidos e que, posteriormente, foi efetuada a devolução deste montante à EDS, restou configurado o pagamento indevido, nos termos do inciso I do art. 165 do CTN, de modo que a Recorrente faz jus ao direito creditório pleiteado.
45. Porém, segundo a r. decisão recorrida, pela documentação acostada aos autos, não seria possível concluir que as faturas nºs 00000106, 11927 e 00000012 se prestaram para remunerar somente os serviços de processamento de dados e de assessoria em centrais de atendimento, serviços estes, aliás, que conforme reconhecido, não está sujeito à retenção da CSRF.
46. Entretanto, a premissa adotada pela r. decisão recorrida, absolutamente não pode prosperar, pois, conforme se observa do Contrato de Prestação de Serviços (fls. 77/140), cada serviço prestado pela "EDS" era faturado separadamente, com a devida discrição na própria fatura.
47. Com efeito, o Contrato de Prestação de Serviços firmado pela Recorrente e a EDS abrangia, sim, diversos serviços de tecnologia a serem prestados, tais como suporte técnico em informática, processamento de dados, entre outros.
48. Este contrato abrangia todos os serviços de tecnologia que poderiam ser prestados pela "EDS, de modo que cada serviço era faturado separadamente, discriminando-se cada serviço na respectiva fatura comercial, de acordo com o contrato de prestação de serviços firmado entre as partes.
(...)
51. No caso concreto, por sua vez, na cláusula 9.10 do Contrato de Prestação de Serviços estão previstas regras de faturamento diversas para "Processamento de Dados Normal" e "Processamento de Dados nos Ambientes de Desenvolvimento e Homologação", evidenciando que cada serviço era faturado separadamente (fl.117).
52. De fato, para o serviço de "Processamento de Dados Normal", o Contrato de Prestação de Serviços previa a seguinte regra de faturamento:
"Para cada mês, durante o prazo de vigência dos Serviços de Ambiente Mainframe a CBMP deverá pagar à EDS a remuneração mensal prevista neste Anexo 2.1-A. Tal remuneração será faturada até o 5º dia útil subsequente ao mês de prestação dos Serviços, devendo ser paga pela CBMP em até 07 (sete) dias após a sua data de emissão, ou dia útil imediatamente posterior, caso o dia subsequente seja sábado, domingo ou feriado na Cidade de São Paulo e desde que a CBMP tenha recebido a fatura com 06 (seis) dias de antecedência do seu vencimento, a CBMP poderá atrasar o seu pagamento na mesma proporção do atraso na entrega." (destaques da Recorrente)
53. Por sua vez, a regra de faturamento para o serviço de "Processamento de Dados nos Ambientes de Desenvolvimento e Homologação" prevista no Contrato de Prestação de Serviços era a seguinte:
"Tendo em vista que o período de apuração dos volumes de recursos consumidos compreende o período do dia 16 de um determinado mês ao dia 15 do mês subsequente, a EDS poderá levar mais do que 20 (vinte) dias para apurar os volumes mensais. Neste caso os Preços por Insumos poderão ser faturados ao final do mês subsequente ao mês de apuração do volume de recursos consumidos, com vencimento para o 10° (décimo) dia subsequente a data de emissão da fatura, ou dia útil imediatamente posterior, caso o 10º dia subsequente seja sábado, domingo ou feriado na Cidade de São Paulo. Na hipótese de a EDS conseguir apurar os volumes mensais em um prazo menor do que 20 (vinte) dias, em qualquer mês, a EDS poderá antecipar o faturamento dos Preços por insumos, sendo o pagamento devido no 10º dia subsequente a data da emissão da fatura " (destaques da Recorrente)
(...)
56. E, no caso dos autos, a "EDS" indicou nas faturas n°s 00000106, 11927 e 00000012 apenas os serviços de processamento de dados e assessoria em centrais de atendimento, sendo exatamente esta a prova cabal para definir qual foi a prestação remunerada.
57.Diante dessas considerações, fica absolutamente desarticulada (e mesmo sem sentido) a premissa da r. decisão recorrida, de que as Faturas n°s 00000106, 11927 e 00000012 "poderiam" representar a cobrança conjunta de todos os serviços objeto do contrato firmado entre a Recorrente e a "EDS".
(...)
78. Em outras palavras, enquanto o contrato firmado entre a Recorrente e a Visa dispõe sobre a divulgação da marca, a descrição utilizada pela r. decisão recorrida gira em torno do estudo do mercado(isto sim, mercadologia).
(...)
80. Diante disso, constata-se que a definição utilizada pela r. decisão recorrida diga-se, para forçar a equiparação entre marketing e assessoria mercadológica não é a mais adequada, de modo que os serviços objeto da Fatura nº 00000030, emitida pela Visanão está incluído no rol exposto no caput do artigo 30 da Lei nº 10833/2003.
81. Assim, o serviço objeto da Fatura nº 00000030, emitida pela Visa para remuneração de serviços de marketing (e não de assessoria mercadológica) não está sujeita à retenção da CSRF, de modo que a r. decisão recorrida deve ser reformada, para reconhecer o direito creditório pleiteado.
(...)
83. Com efeito, o artigo 30 da Lei nº 10.833/2003 dispõe sobre a retenção de contribuições sociais. Confira-se:
(...)
84. Da leitura do dispositivo legal, nota-se que o serviço tomado pela Recorrente (processamento de dados) não consta expressamente do rol de serviços sujeitos à retenção das contribuições sociais.
85. Contudo, ao final das hipóteses de retenção das contribuições sociais listadas pelo artigo 30 da Lei n° 10.833/2003, o legislador fez referência ao termo "remuneração de serviços profissionais" como um dos casos que se faz obrigatória a retenção da CSRF.
86.Diante da imprecisão do termo utilizado pelo legislador, sobreveio a Instrução Normativa n° 459/2004 dispondo sobre a retenção de tributos e contribuições nos pagamentos efetuados pelas pessoas jurídicas de direito privado a outras pessoas jurídicas pela prestação de serviços. Confira-se:
"Art. 1° Os pagamentos efetuados pelas pessoas jurídicas de direito privado a outras pessoas jurídicas de direito privado, pela prestação de serviços de limpeza, conservação, manutenção, segurança, vigilância, transporte de valores e locação de mão-de-obra, pela prestação de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção e riscos, administração de contas a pagar e a receber, bem como pela remuneração de serviços profissionais, estão sujeitos à retenção na fonte da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofns) e da Contribuição para o PIS/Pasep
(...).
§ 2° Para fins do disposto neste artigo, entende-se como serviços:
(...)
IV - profissionais aqueles relacionados no § 1° do art. 647 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999), inclusive quando prestados por cooperativas ou associações profissionais, aplicando-se, para fins da retenção das contribuições, os mesmos critérios de interpretação adotados em atos normativos expedidos pela Secretaria da Receita Federal para a retenção do imposto de renda. (destaques da Recorrente)
87. Como se observa, a própria Receita Federal do Brasil determinou que a interpretação do artigo 30 da Lei n° 10.833/2003 deve ser feita à luz do disposto no §1° do artigo 647 do Regulamento do Imposto de Renda.
(...)
90. E nem se alegue que o serviço de processamento de dados estaria inserido no tópico de "programação", uma vez que estes se diferenciam.
91. Com efeito, a primeira oportunidade em que os serviços de programação e processamento de dados surgiram nos textos legais foi na Lei Complementar n° 56/87, na qual ja se dispunha separadamente os serviços em questão, o primeiro como item n° 23 e o segundo n° 22. Confira-se:
(...)
92. Posteriormente, corroborando a ideia de que esses serviços não se confundem, a Lei Complementar n° 116/2003 também veicula esses serviços em itens separados, quais sejam, item 1.02 (programação) e 1.03 (processamento de dados).
(...)
101. Pelo exposto, é a presente para requerer o provimento do recurso voluntário. para:
(I) decretar a nulidade da r. decisão recorrida e, se o caso, também do despacho decisório, com a prolação de nova decisão administrativa; ou, caso assim não se entenda,
(II) reformar a r. decisão recorrida, para reconhecer o direito creditório pleiteado e, por conseguinte, homologar a compensação declarada.
É o relatório.
Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior - Relator.
Nome do relator: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Declarou-se impedido o Conselheiro Rogério Aparecido Gil. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e José Roberto Adelino da Silva. RELATÓRIO Versa o presente processo sobre recurso voluntário, interposto pelo contribuinte em face do Acórdão nº 12-62.734 da 6ª Turma da DRJ/RJ1, o qual foi assim ementado: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano-calendário: 2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. REMUNERAÇÃO DE SERVIÇOS PROFISSIONAIS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS RETIDAS NA FONTE. Comprovado que as importâncias pagas pela prestação dos serviços profissionais estão sujeitas à retenção das contribuições sociais, não há direito creditório a ser reconhecido. Manifestação de Inconformidade Improcedente A recorrente, cientificada do Acórdão nº 12-62.734 em 05/03/2015 (Termo a fls. 233), interpôs, em 30/03/2015 (vide Termo a fls. 328), recurso voluntário (doc. a fls. 235 e segs.), o qual aduz, em apertada síntese, as seguintes razões de defesa: 1. Trata-se, na origem, de declaração de compensação de débito com crédito decorrente de pagamento indevido, efetuado em 14/11/2006, a título de Contribuições Sociais Retidas na Fonte (codigo 5952), no valor original de R$ 17.247,10. 2. Com efeito, a Recorrente é pessoa juridica de direito privado que se dedica à prestação de serviços de credenciamento de estabelecimentos comerciais e de estabelecimentos prestadores de serviços para a aceitação de cartões de crédito e de débito, bem como outros meios de pagamento ou meios eletrônicos para registro e aprovações de transações não-financeiras. 3. Para consecução de suas atividades empresariais, a Recorrente firmou contrato de prestação de serviços de tecnologia com a empresa Eds Data Systems do Brasil Ltda. ("EDS" - fls. 77/140) e Visa do Brasil Empreendimentos Ltda. (Visa fls. 141/154), que, para sua remuneração, emitia fatura mensalmente, discriminando os serviços prestados. 4. Nesse cenário, durante os meses de setembro e outubro de 2006. Os mencionados prestadores de serviços emitiram faturas para que fossem remunerados os serviços prestados, as quais podem ser verificadas no quadro abaixo: 5. Ao receber as faturas para pagamento destes serviços, a Recorrente, de forma automática (mas precipitada), calculou a retenção na fonte dos tributos devidos por cada um dos pagamentos, chegando aos seguintes valores (totais): 6. Diante disso, sobre as mencionadas faturas, a Recorrente procedeu à retenção do valor de R$ 112.106,12, pagando aos prestadores de serviços apenas a diferença das faturas comerciais e recolhendo os tributos retidos. 7. Ocorre que os serviços tomados pela Recorrente relativos às mencionadas faturas (processamento de dados e marketing) não estão sujeitos à retenção das contribuições sociais, justamente por não estar incluído na lista de serviços constante do artigo 30 da Lei n° 10.833/2003. Confira-se o teor do dispositivo legal: (...) 8.Ao notar o equívoco, a Recorrente efetuou a devolução dos valores indevidamente retidos às prestadoras de serviços, conforme comprovado nos autos. 9. Assim, considerando que foram pagos ao fisco os valores indevidamente retidos nas mencionadas faturas e, posteriormente, foi efetuada a devolução deste montante às prestadoras de serviços, a Recorrente faz jus ao reconhecimento do direito creditório, porquanto restou configurado o pagamento indevido, nos termos do inciso I do artigo 165 do Codigo Tributário Nacional. 10. Por estas razões, a Recorrente transmitiu declaração de compensação de débitos com crédito decorrente de pagamento indevido de CSRF, no valor original de R$ 17.247,10, relativamente a CSLL indevidamente retida por ocasião do pagamento das mencionadas faturas. 11. No entanto, tendo em vista a ausência de retificação da DCTF, foi proferido despacho decisório eletrônico não homologando a compensação declarada. 12. Em face deste despacho decisório, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, sustentando, preliminarmente, a nulidade do despacho decisório por preterição do direito de defesa e, no mérito, demonstrou, através de farta documentação a origem do direito creditório pleiteado. 13.A par de toda a argumentação e da farta documentação acostada aos autos pela Recorrente, a r. decisão recorrida recusou a nulidade alegada na manifestação de inconformidade, ao argumento de que "a contestação das informações contidas no Despacho Decisório, dos documentos juntados ou até mesmo de eventuais irregularidades dever ser realizada no momento posterior a decisão, com a apresentação de manifestação de inconformidade, iniciando o devido processo administrativo " (fl. 216). 14. Quanto ao mérito, a r. decisão recorrida manteve o indeferimento do direito creditório, ao argumento de que a recorrente não teria comprovado que os serviços prestados pela EDS diziam respeito ao serviço de processamento de dados e, ainda, que os serviços de marketing prestados pela VISA seriam equivalente aos serviços de assessoria mercadológica, previsto no caput do art. 30 da Lei 10.833/03 como sujeito à retenção das contribuições sociais. (...) 17. Após a prolação do despacho decisório que não reconheceu o direito creditório pleiteado, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade demonstrando a sua nulidade, em razão da ausência de intimação prévia para apresentação de informações e documentos que se fizessem necessários para o esclarecimento da origem do direito creditório pleiteado. 18. Ocorre, porém, que, em atitude inovadora no processo administrativo e violadora do §3° do artigo 59 do Decreto n° 70.235/72, a 6ª Turma da DRJ/RJ1 superou a nulidade do despacho decisório (em desfavor da Recorrente) e, o que é pior, manteve o indeferimento do direito creditório por argumento absolutamente diverso daquele invocado pelo despacho decisório. 19. Vale dizer, a 6ª Turma da DRJ/RJ1 decidiu: (I) recusar a nulidade do despacho decisório, ignorando o fato concreto de que a Recorrente jamais foi intimada pela Receita Federal do Brasil para apresentação de documentos ou informações sobre a origem do direito creditório pleiteado; e (II) manteve o indeferimento do direito creditório ao (novo) argumento de que a Recorrente não teria apresentado provas suficientes para o reconhecimento do direito creditório, o que jamais havia sido suscitado no curso do processo administrativo. 20. Evidentemente, ao superar a nulidade do despacho decisório e manter o indeferimento do direito creditório pleiteado por argumentos absolutamente diversos dos invocados pelo despacho decisório, a 6ª Turma da DRJ/RJ1 efetivamente causou prejuízo a Recorrente, cerceando o seu direito de defesa e violando o disposto no §3° do artigo 59 do Decreto n° 70.235/72. 21. Por estas razões, o recurso voluntário deve ser provido para decretar a nulidade tanto do despacho decisório quanto da r. decisão recorrida, tendo em vista que efetivamente causaram prejuizo para a Recorrente, cerceando o seu direito de defesa e impedindo a devida e necessária comprovação do direito creditório pleiteado. (...) 23. Por sua vez, na manifestação de inconformidade, a Recorrente demonstrou (e comprovou documentalmente) a origem do direito creditório, acostando para tanto os seguintes documentos para suportar sua argumentação: (I) cópia do Contrato de Prestação de Serviços firmado entre a Recorrente e a "EDS" (fls. 77/140); (II) cópia do Contrato de Prestação de Serviços firmado entre a Recorrente e a "VISA" (fls. 141/154); (III) cópia das faturas emitidas pelos prestadores de serviços, nas quais era discriminado qual o serviço que estaria sendo remunerado (fl. 155/158); (IV) cópias dos registros contábeis das retenções realizadas de forma equivocada (fls. 159/183); (V) cópias dos registros contábeis das retenções realizadas de forma equivocada (fls. 159/183); (VI) cópias dos DARFs indevidaemnte recolhidos pela recorrente a título de CSRF (fl.190); (VII) cópia da DCTF Retificadora relativa ao periodo de apuração de outubro de 2006, afastando a motivação do despacho decisório para o indeferimento do direito creditório (fls. 184/189). 24. No entanto, sobreveio a r. decisão recorrida mantendo o indeferimento do direito creditório pleiteado ao argumento de que, no que diz respeito às faturas emitidas pela prestadora EDS, a despeito do que consta expressamente nas faturas comerciais objeto de retenção indevida, não seria possível concluir que estas faturas teriam sido emitidas apenas e tão somente para remunerar os serviços de processamento de dados, e não todos os serviços compreendidos pelo Contrato de Prestação de Serviços entre a Recorrente e a "EDS" e a VISA. Confira-se trecho da decisão recorrida: (...) 25.Entretanto, e em vista deste (novo) entendimento manifestado pela 6ª Turma da DRJ/RJ1, fato é que, no curso do processo administrativo, a Recorrente jamais foi intimada para apresentar documentos adicionais, para esclarecimento da dúvida suscitada na r. decisão recorrida. 26. Ora, diante das informações prestadas na manifestação de inconformidade e do incontestável acervo probatório acostado aos autos, persistindo dúvidas quanto à origem do direito creditório pleiteado ou havendo a necessidade de novos esclarecimentos e documentos, é evidente, razoável e jurídico que a 6° Turma da DRJ/RJ1 deveria ter, ao menos devolvido os autos a repartição de origem e determinado a realização de diligência, intimando a Recorrente a apresentar as informações e os documentos que se fizessem necessários, e não simplesmente manter o indeferimento do direito creditório pleiteado... 27. Além de ter optado pelo "caminho mais curto e, também, mais curto", a 6ª Turma da DRJ/SP manteve o indeferimento do direito creditório pleiteado ao argumento de que não haveria, nos autos, prova de fatos em momento algum contestados pelo despacho decisório e dos quais, no curso do processo administrativo e da diligência fiscal, jamais o Recorrente foi intimada especificamente para se manifestar. 28. Também por essas razões, a prolação de decisão administrativa sem o correto exame do direito creditório pleiteado violou o disposto no artigo 76 da Instrução Normativa n° 1.300/2012, que estabelece o dever da autoridade administrativa de realizar as diligências necessárias para o esclarecimento do direito creditório pleiteado. Confira-se: "Art. 76. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório a apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. " (destaques da Recorrente) (...) 35. Assim, deve ser decretada a nulidade tanto do despacho decisório quanto da r. decisão recorrida, nos termos do inciso II do artigo 59 do Decreto n° 70.235/72, para que o crédito pleiteado pela Recorrente seja corretamente analisado pela autoridade administrativa competente. II.2 - DO MÉRITO II.2.1 - Dos Serviços Remunerados Pelas Faturas Emitidas pela EDS (...) 39.Por exemplo, para remuneração dos serviços prestados a título de suporte técnico em informática, em 17/12/2008, a "EDS" emitiu a Fatura n° 019754 (doc. 02), discriminando o serviço prestado de acordo com o Contrato de Prestação de Serviços, e informando as retenções, inclusive da CSRF, uma vez que este serviço específico está sujeito a retenção das contribuições sociais, de acordo com a inteligência do artigo 30 da Lei n° 10.833/2003. 40. Por outro lado, quando a "EDS" prestava os serviços de processamento de dados, era emitida fatura discriminando o serviço prestado, sem, contudo, o destaque das contribuições sociais retidas na fonte, porquanto este serviço específico nao está sujeito a esta retenção nos termos da legislação tributária de regência. 41. Neste contexto, em 06/10/2006 e 26/09/2006, a "EDS" emitiu as Faturas n°s 00000106, 11927 e 00000012, tendo em vista a prestação de serviços de processamento de dados e de assessoria em centrais de atendimento (Call Center), conforme discriminado na própria fatura comercial e, em razão de estes serviços não se enquadrarem nas hipóteses de retenção de que trata o artigo 30 da Lei n° 10.833/2003, a prestadora não destacou a CSRF. 42. No entanto, ao receber a fatura, a Recorrente, de forma automática (mas precipitada), calculou a retenção das contribuições sociais, pagando à EDS apenas a diferença da fatura e pagando ao fisco os tributos indevidamente retidos. Por decorrência, registrou a retenção em sua contabilidade (fls. 159/183). 43.Ao notar o equívoco cometido, a Recorrente procedeu à imediata devolução dos valores indevidamente retidos a "EDS" (fls. 192/197), conforme comprovado nos autos inclusive com a juntada dos documentos contábeis. 44. Assim, considerando que foram recolhidos os valores indevidamente retidos e que, posteriormente, foi efetuada a devolução deste montante à EDS, restou configurado o pagamento indevido, nos termos do inciso I do art. 165 do CTN, de modo que a Recorrente faz jus ao direito creditório pleiteado. 45. Porém, segundo a r. decisão recorrida, pela documentação acostada aos autos, não seria possível concluir que as faturas nºs 00000106, 11927 e 00000012 se prestaram para remunerar somente os serviços de processamento de dados e de assessoria em centrais de atendimento, serviços estes, aliás, que conforme reconhecido, não está sujeito à retenção da CSRF. 46. Entretanto, a premissa adotada pela r. decisão recorrida, absolutamente não pode prosperar, pois, conforme se observa do Contrato de Prestação de Serviços (fls. 77/140), cada serviço prestado pela "EDS" era faturado separadamente, com a devida discrição na própria fatura. 47. Com efeito, o Contrato de Prestação de Serviços firmado pela Recorrente e a EDS abrangia, sim, diversos serviços de tecnologia a serem prestados, tais como suporte técnico em informática, processamento de dados, entre outros. 48. Este contrato abrangia todos os serviços de tecnologia que poderiam ser prestados pela "EDS, de modo que cada serviço era faturado separadamente, discriminando-se cada serviço na respectiva fatura comercial, de acordo com o contrato de prestação de serviços firmado entre as partes. (...) 51. No caso concreto, por sua vez, na cláusula 9.10 do Contrato de Prestação de Serviços estão previstas regras de faturamento diversas para "Processamento de Dados Normal" e "Processamento de Dados nos Ambientes de Desenvolvimento e Homologação", evidenciando que cada serviço era faturado separadamente (fl.117). 52. De fato, para o serviço de "Processamento de Dados Normal", o Contrato de Prestação de Serviços previa a seguinte regra de faturamento: "Para cada mês, durante o prazo de vigência dos Serviços de Ambiente Mainframe a CBMP deverá pagar à EDS a remuneração mensal prevista neste Anexo 2.1-A. Tal remuneração será faturada até o 5º dia útil subsequente ao mês de prestação dos Serviços, devendo ser paga pela CBMP em até 07 (sete) dias após a sua data de emissão, ou dia útil imediatamente posterior, caso o dia subsequente seja sábado, domingo ou feriado na Cidade de São Paulo e desde que a CBMP tenha recebido a fatura com 06 (seis) dias de antecedência do seu vencimento, a CBMP poderá atrasar o seu pagamento na mesma proporção do atraso na entrega." (destaques da Recorrente) 53. Por sua vez, a regra de faturamento para o serviço de "Processamento de Dados nos Ambientes de Desenvolvimento e Homologação" prevista no Contrato de Prestação de Serviços era a seguinte: "Tendo em vista que o período de apuração dos volumes de recursos consumidos compreende o período do dia 16 de um determinado mês ao dia 15 do mês subsequente, a EDS poderá levar mais do que 20 (vinte) dias para apurar os volumes mensais. Neste caso os Preços por Insumos poderão ser faturados ao final do mês subsequente ao mês de apuração do volume de recursos consumidos, com vencimento para o 10° (décimo) dia subsequente a data de emissão da fatura, ou dia útil imediatamente posterior, caso o 10º dia subsequente seja sábado, domingo ou feriado na Cidade de São Paulo. Na hipótese de a EDS conseguir apurar os volumes mensais em um prazo menor do que 20 (vinte) dias, em qualquer mês, a EDS poderá antecipar o faturamento dos Preços por insumos, sendo o pagamento devido no 10º dia subsequente a data da emissão da fatura " (destaques da Recorrente) (...) 56. E, no caso dos autos, a "EDS" indicou nas faturas n°s 00000106, 11927 e 00000012 apenas os serviços de processamento de dados e assessoria em centrais de atendimento, sendo exatamente esta a prova cabal para definir qual foi a prestação remunerada. 57.Diante dessas considerações, fica absolutamente desarticulada (e mesmo sem sentido) a premissa da r. decisão recorrida, de que as Faturas n°s 00000106, 11927 e 00000012 "poderiam" representar a cobrança conjunta de todos os serviços objeto do contrato firmado entre a Recorrente e a "EDS". (...) 78. Em outras palavras, enquanto o contrato firmado entre a Recorrente e a Visa dispõe sobre a divulgação da marca, a descrição utilizada pela r. decisão recorrida gira em torno do estudo do mercado(isto sim, mercadologia). (...) 80. Diante disso, constata-se que a definição utilizada pela r. decisão recorrida diga-se, para forçar a equiparação entre marketing e assessoria mercadológica não é a mais adequada, de modo que os serviços objeto da Fatura nº 00000030, emitida pela Visanão está incluído no rol exposto no caput do artigo 30 da Lei nº 10833/2003. 81. Assim, o serviço objeto da Fatura nº 00000030, emitida pela Visa para remuneração de serviços de marketing (e não de assessoria mercadológica) não está sujeita à retenção da CSRF, de modo que a r. decisão recorrida deve ser reformada, para reconhecer o direito creditório pleiteado. (...) 83. Com efeito, o artigo 30 da Lei nº 10.833/2003 dispõe sobre a retenção de contribuições sociais. Confira-se: (...) 84. Da leitura do dispositivo legal, nota-se que o serviço tomado pela Recorrente (processamento de dados) não consta expressamente do rol de serviços sujeitos à retenção das contribuições sociais. 85. Contudo, ao final das hipóteses de retenção das contribuições sociais listadas pelo artigo 30 da Lei n° 10.833/2003, o legislador fez referência ao termo "remuneração de serviços profissionais" como um dos casos que se faz obrigatória a retenção da CSRF. 86.Diante da imprecisão do termo utilizado pelo legislador, sobreveio a Instrução Normativa n° 459/2004 dispondo sobre a retenção de tributos e contribuições nos pagamentos efetuados pelas pessoas jurídicas de direito privado a outras pessoas jurídicas pela prestação de serviços. Confira-se: "Art. 1° Os pagamentos efetuados pelas pessoas jurídicas de direito privado a outras pessoas jurídicas de direito privado, pela prestação de serviços de limpeza, conservação, manutenção, segurança, vigilância, transporte de valores e locação de mão-de-obra, pela prestação de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção e riscos, administração de contas a pagar e a receber, bem como pela remuneração de serviços profissionais, estão sujeitos à retenção na fonte da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofns) e da Contribuição para o PIS/Pasep (...). § 2° Para fins do disposto neste artigo, entende-se como serviços: (...) IV - profissionais aqueles relacionados no § 1° do art. 647 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999), inclusive quando prestados por cooperativas ou associações profissionais, aplicando-se, para fins da retenção das contribuições, os mesmos critérios de interpretação adotados em atos normativos expedidos pela Secretaria da Receita Federal para a retenção do imposto de renda. (destaques da Recorrente) 87. Como se observa, a própria Receita Federal do Brasil determinou que a interpretação do artigo 30 da Lei n° 10.833/2003 deve ser feita à luz do disposto no §1° do artigo 647 do Regulamento do Imposto de Renda. (...) 90. E nem se alegue que o serviço de processamento de dados estaria inserido no tópico de "programação", uma vez que estes se diferenciam. 91. Com efeito, a primeira oportunidade em que os serviços de programação e processamento de dados surgiram nos textos legais foi na Lei Complementar n° 56/87, na qual ja se dispunha separadamente os serviços em questão, o primeiro como item n° 23 e o segundo n° 22. Confira-se: (...) 92. Posteriormente, corroborando a ideia de que esses serviços não se confundem, a Lei Complementar n° 116/2003 também veicula esses serviços em itens separados, quais sejam, item 1.02 (programação) e 1.03 (processamento de dados). (...) 101. Pelo exposto, é a presente para requerer o provimento do recurso voluntário. para: (I) decretar a nulidade da r. decisão recorrida e, se o caso, também do despacho decisório, com a prolação de nova decisão administrativa; ou, caso assim não se entenda, (II) reformar a r. decisão recorrida, para reconhecer o direito creditório pleiteado e, por conseguinte, homologar a compensação declarada. É o relatório. Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior - Relator.
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Recorrente COMPANHIA BRASILEIRA DE MEIOS DE PAGAMENTO (ATUAL CIELO S/A) Interessado FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Declarouse impedido o Conselheiro Rogério Aparecido Gil. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e José Roberto Adelino da Silva. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 96 .9 11 32 9/ 20 09 -5 9 Fl. 337DF CARF MF Processo nº 13896.911329/200959 Resolução nº 1302000.480 S1C3T2 Fl. 332 2 RELATÓRIO Versa o presente processo sobre recurso voluntário, interposto pelo contribuinte em face do Acórdão nº 1262.734 da 6ª Turma da DRJ/RJ1, o qual foi assim ementado: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. REMUNERAÇÃO DE SERVIÇOS PROFISSIONAIS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS RETIDAS NA FONTE. Comprovado que as importâncias pagas pela prestação dos serviços profissionais estão sujeitas à retenção das contribuições sociais, não há direito creditório a ser reconhecido. Manifestação de Inconformidade Improcedente A recorrente, cientificada do Acórdão nº 1262.734 em 05/03/2015 (Termo a fls. 233), interpôs, em 30/03/2015 (vide Termo a fls. 328), recurso voluntário (doc. a fls. 235 e segs.), o qual aduz, em apertada síntese, as seguintes razões de defesa: 1. Tratase, na origem, de declaração de compensação de débito com crédito decorrente de pagamento indevido, efetuado em 14/11/2006, a título de Contribuições Sociais Retidas na Fonte (codigo 5952), no valor original de R$ 17.247,10. 2. Com efeito, a Recorrente é pessoa juridica de direito privado que se dedica à prestação de serviços de credenciamento de estabelecimentos comerciais e de estabelecimentos prestadores de serviços para a aceitação de cartões de crédito e de débito, bem como outros meios de pagamento ou meios eletrônicos para registro e aprovações de transações nãofinanceiras. 3. Para consecução de suas atividades empresariais, a Recorrente firmou contrato de prestação de serviços de tecnologia com a empresa Eds Data Systems do Brasil Ltda. ("EDS" fls. 77/140) e Visa do Brasil Empreendimentos Ltda. (“Visa” – fls. 141/154), que, para sua remuneração, emitia fatura mensalmente, discriminando os serviços prestados. 4. Nesse cenário, durante os meses de setembro e outubro de 2006. Os mencionados prestadores de serviços emitiram faturas para que fossem remunerados os serviços prestados, as quais podem ser verificadas no quadro abaixo: 5. Ao receber as faturas para pagamento destes serviços, a Recorrente, de forma automática (mas precipitada), calculou a retenção na fonte dos tributos devidos por cada um dos pagamentos, chegando aos seguintes valores (totais): Fl. 338DF CARF MF Processo nº 13896.911329/200959 Resolução nº 1302000.480 S1C3T2 Fl. 333 3 6. Diante disso, sobre as mencionadas faturas, a Recorrente procedeu à retenção do valor de R$ 112.106,12, pagando aos prestadores de serviços apenas a diferença das faturas comerciais e recolhendo os tributos retidos. 7. Ocorre que os serviços tomados pela Recorrente relativos às mencionadas faturas (processamento de dados e marketing) não estão sujeitos à retenção das contribuições sociais, justamente por não estar incluído na lista de serviços constante do artigo 30 da Lei n° 10.833/2003. Confirase o teor do dispositivo legal: (...) 8. Ao notar o equívoco, a Recorrente efetuou a devolução dos valores indevidamente retidos às prestadoras de serviços, conforme comprovado nos autos. 9. Assim, considerando que foram pagos ao fisco os valores indevidamente retidos nas mencionadas faturas e, posteriormente, foi efetuada a devolução deste montante às prestadoras de serviços, a Recorrente faz jus ao reconhecimento do direito creditório, porquanto restou configurado o pagamento indevido, nos termos do inciso I do artigo 165 do Codigo Tributário Nacional. 10. Por estas razões, a Recorrente transmitiu declaração de compensação de débitos com crédito decorrente de pagamento indevido de CSRF, no valor original de R$ 17.247,10, relativamente a CSLL indevidamente retida por ocasião do pagamento das mencionadas faturas. 11. No entanto, tendo em vista a ausência de retificação da DCTF, foi proferido despacho decisório eletrônico não homologando a compensação declarada. 12. Em face deste despacho decisório, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, sustentando, preliminarmente, a nulidade do despacho decisório por preterição do direito de defesa e, no mérito, demonstrou, através de farta documentação a origem do direito creditório pleiteado. 13. A par de toda a argumentação e da farta documentação acostada aos autos pela Recorrente, a r. decisão recorrida recusou a nulidade alegada na manifestação de inconformidade, ao argumento de que "a contestação das informações contidas no Despacho Decisório, dos documentos juntados ou até mesmo de eventuais irregularidades dever ser realizada no momento posterior a decisão, com a apresentação de manifestação de inconformidade, iniciando o devido processo administrativo " (fl. 216). 14. Quanto ao mérito, a r. decisão recorrida manteve o indeferimento do direito creditório, ao argumento de que a recorrente não teria comprovado que os serviços prestados pela EDS diziam respeito ao serviço de processamento de dados e, ainda, que os serviços de marketing prestados pela VISA seriam Fl. 339DF CARF MF Processo nº 13896.911329/200959 Resolução nº 1302000.480 S1C3T2 Fl. 334 4 equivalente aos serviços de “assessoria mercadológica”, previsto no caput do art. 30 da Lei 10.833/03 como sujeito à retenção das contribuições sociais. (...) 17. Após a prolação do despacho decisório que não reconheceu o direito creditório pleiteado, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade demonstrando a sua nulidade, em razão da ausência de intimação prévia para apresentação de informações e documentos que se fizessem necessários para o esclarecimento da origem do direito creditório pleiteado. 18. Ocorre, porém, que, em atitude inovadora no processo administrativo e violadora do §3° do artigo 59 do Decreto n° 70.235/72, a 6ª Turma da DRJ/RJ1 superou a nulidade do despacho decisório (em desfavor da Recorrente) e, o que é pior, manteve o indeferimento do direito creditório por argumento absolutamente diverso daquele invocado pelo despacho decisório. 19. Vale dizer, a 6ª Turma da DRJ/RJ1 decidiu: (I) recusar a nulidade do despacho decisório, ignorando o fato concreto de que a Recorrente jamais foi intimada pela Receita Federal do Brasil para apresentação de documentos ou informações sobre a origem do direito creditório pleiteado; e (II) manteve o indeferimento do direito creditório ao (novo) argumento de que a Recorrente não teria apresentado provas suficientes para o reconhecimento do direito creditório, o que jamais havia sido suscitado no curso do processo administrativo. 20. Evidentemente, ao superar a nulidade do despacho decisório e manter o indeferimento do direito creditório pleiteado por argumentos absolutamente diversos dos invocados pelo despacho decisório, a 6ª Turma da DRJ/RJ1 efetivamente causou prejuízo a Recorrente, cerceando o seu direito de defesa e violando o disposto no §3° do artigo 59 do Decreto n° 70.235/72. 21. Por estas razões, o recurso voluntário deve ser provido para decretar a nulidade tanto do despacho decisório quanto da r. decisão recorrida, tendo em vista que efetivamente causaram prejuizo para a Recorrente, cerceando o seu direito de defesa e impedindo a devida e necessária comprovação do direito creditório pleiteado. (...) 23. Por sua vez, na manifestação de inconformidade, a Recorrente demonstrou (e comprovou documentalmente) a origem do direito creditório, acostando para tanto os seguintes documentos para suportar sua argumentação: (I) cópia do Contrato de Prestação de Serviços firmado entre a Recorrente e a "EDS" (fls. 77/140); (II) cópia do Contrato de Prestação de Serviços firmado entre a Recorrente e a "VISA" (fls. 141/154); (III) cópia das faturas emitidas pelos prestadores de serviços, nas quais era discriminado qual o serviço que estaria sendo remunerado (fl. 155/158); (IV) cópias dos registros contábeis das retenções realizadas de forma equivocada (fls. 159/183); Fl. 340DF CARF MF Processo nº 13896.911329/200959 Resolução nº 1302000.480 S1C3T2 Fl. 335 5 (V) cópias dos registros contábeis das retenções realizadas de forma equivocada (fls. 159/183); (VI) cópias dos DARFs indevidaemnte recolhidos pela recorrente a título de CSRF (fl.190); (VII) cópia da DCTF Retificadora relativa ao periodo de apuração de outubro de 2006, afastando a motivação do despacho decisório para o indeferimento do direito creditório (fls. 184/189). 24. No entanto, sobreveio a r. decisão recorrida mantendo o indeferimento do direito creditório pleiteado ao argumento de que, no que diz respeito às faturas emitidas pela prestadora EDS, a despeito do que consta expressamente nas faturas comerciais objeto de retenção indevida, não seria possível concluir que estas faturas teriam sido emitidas apenas e tão somente para remunerar os serviços de processamento de dados, e não todos os serviços compreendidos pelo Contrato de Prestação de Serviços entre a Recorrente e a "EDS" e a VISA. Confirase trecho da decisão recorrida: (...) 25. Entretanto, e em vista deste (novo) entendimento manifestado pela 6ª Turma da DRJ/RJ1, fato é que, no curso do processo administrativo, a Recorrente jamais foi intimada para apresentar documentos adicionais, para esclarecimento da dúvida suscitada na r. decisão recorrida. 26. Ora, diante das informações prestadas na manifestação de inconformidade e do incontestável acervo probatório acostado aos autos, persistindo dúvidas quanto à origem do direito creditório pleiteado ou havendo a necessidade de novos esclarecimentos e documentos, é evidente, razoável e jurídico que a 6° Turma da DRJ/RJ1 deveria ter, ao menos devolvido os autos a repartição de origem e determinado a realização de diligência, intimando a Recorrente a apresentar as informações e os documentos que se fizessem necessários, e não simplesmente manter o indeferimento do direito creditório pleiteado... 27. Além de ter optado pelo "caminho mais curto e, também, mais curto", a 6ª Turma da DRJ/SP manteve o indeferimento do direito creditório pleiteado ao argumento de que não haveria, nos autos, prova de fatos em momento algum contestados pelo despacho decisório e dos quais, no curso do processo administrativo e da diligência fiscal, jamais o Recorrente foi intimada especificamente para se manifestar. 28. Também por essas razões, a prolação de decisão administrativa sem o correto exame do direito creditório pleiteado violou o disposto no artigo 76 da Instrução Normativa n° 1.300/2012, que estabelece o dever da autoridade administrativa de realizar as diligências necessárias para o esclarecimento do direito creditório pleiteado. Confirase: "Art. 76. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório a apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, Fl. 341DF CARF MF Processo nº 13896.911329/200959 Resolução nº 1302000.480 S1C3T2 Fl. 336 6 mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. " (destaques da Recorrente) (...) 35. Assim, deve ser decretada a nulidade tanto do despacho decisório quanto da r. decisão recorrida, nos termos do inciso II do artigo 59 do Decreto n° 70.235/72, para que o crédito pleiteado pela Recorrente seja corretamente analisado pela autoridade administrativa competente. II.2 DO MÉRITO II.2.1 Dos Serviços Remunerados Pelas Faturas Emitidas pela “EDS” (...) 39. Por exemplo, para remuneração dos serviços prestados a título de suporte técnico em informática, em 17/12/2008, a "EDS" emitiu a Fatura n° 019754 (doc. 02), discriminando o serviço prestado de acordo com o Contrato de Prestação de Serviços, e informando as retenções, inclusive da CSRF, uma vez que este serviço específico está sujeito a retenção das contribuições sociais, de acordo com a inteligência do artigo 30 da Lei n° 10.833/2003. 40. Por outro lado, quando a "EDS" prestava os serviços de processamento de dados, era emitida fatura discriminando o serviço prestado, sem, contudo, o destaque das contribuições sociais retidas na fonte, porquanto este serviço específico nao está sujeito a esta retenção nos termos da legislação tributária de regência. 41. Neste contexto, em 06/10/2006 e 26/09/2006, a "EDS" emitiu as Faturas n°s 00000106, 11927 e 00000012, tendo em vista a prestação de serviços de processamento de dados e de assessoria em centrais de atendimento (Call Center), conforme discriminado na própria fatura comercial e, em razão de estes serviços não se enquadrarem nas hipóteses de retenção de que trata o artigo 30 da Lei n° 10.833/2003, a prestadora não destacou a CSRF. 42. No entanto, ao receber a fatura, a Recorrente, de forma automática (mas precipitada), calculou a retenção das contribuições sociais, pagando à EDS apenas a diferença da fatura e pagando ao fisco os tributos indevidamente retidos. Por decorrência, registrou a retenção em sua contabilidade (fls. 159/183). 43. Ao notar o equívoco cometido, a Recorrente procedeu à imediata devolução dos valores indevidamente retidos a "EDS" (fls. 192/197), conforme comprovado nos autos inclusive com a juntada dos documentos contábeis. 44. Assim, considerando que foram recolhidos os valores indevidamente retidos e que, posteriormente, foi efetuada a devolução deste montante à EDS, restou configurado o pagamento indevido, nos termos do inciso I do art. 165 do CTN, de modo que a Recorrente faz jus ao direito creditório pleiteado. 45. Porém, segundo a r. decisão recorrida, pela documentação acostada aos autos, não seria possível concluir que as faturas nºs 00000106, 11927 e 00000012 se prestaram para remunerar somente os serviços de processamento Fl. 342DF CARF MF Processo nº 13896.911329/200959 Resolução nº 1302000.480 S1C3T2 Fl. 337 7 de dados e de assessoria em centrais de atendimento, serviços estes, aliás, que conforme reconhecido, não está sujeito à retenção da CSRF. 46. Entretanto, a premissa adotada pela r. decisão recorrida, absolutamente não pode prosperar, pois, conforme se observa do Contrato de Prestação de Serviços (fls. 77/140), cada serviço prestado pela "EDS" era faturado separadamente, com a devida discrição na própria fatura. 47. Com efeito, o Contrato de Prestação de Serviços firmado pela Recorrente e a “EDS” abrangia, sim, diversos serviços de tecnologia a serem prestados, tais como suporte técnico em informática, processamento de dados, entre outros. 48. Este contrato abrangia todos os serviços de tecnologia que poderiam ser prestados pela "EDS”, de modo que cada serviço era faturado separadamente, discriminandose cada serviço na respectiva fatura comercial, de acordo com o contrato de prestação de serviços firmado entre as partes. (...) 51. No caso concreto, por sua vez, na cláusula 9.10 do Contrato de Prestação de Serviços estão previstas regras de faturamento diversas para "Processamento de Dados Normal" e "Processamento de Dados nos Ambientes de Desenvolvimento e Homologação", evidenciando que cada serviço era faturado separadamente (fl.117). 52. De fato, para o serviço de "Processamento de Dados Normal", o Contrato de Prestação de Serviços previa a seguinte regra de faturamento: "Para cada mês, durante o prazo de vigência dos Serviços de Ambiente Mainframe a CBMP deverá pagar à EDS a remuneração mensal prevista neste Anexo 2.1A. Tal remuneração será faturada até o 5º dia útil subsequente ao mês de prestação dos Serviços, devendo ser paga pela CBMP em até 07 (sete) dias após a sua data de emissão, ou dia útil imediatamente posterior, caso o dia subsequente seja sábado, domingo ou feriado na Cidade de São Paulo e desde que a CBMP tenha recebido a fatura com 06 (seis) dias de antecedência do seu vencimento, a CBMP poderá atrasar o seu pagamento na mesma proporção do atraso na entrega." (destaques da Recorrente) 53. Por sua vez, a regra de faturamento para o serviço de "Processamento de Dados nos Ambientes de Desenvolvimento e Homologação" prevista no Contrato de Prestação de Serviços era a seguinte: "Tendo em vista que o período de apuração dos volumes de recursos consumidos compreende o período do dia 16 de um determinado mês ao dia 15 do mês subsequente, a EDS poderá levar mais do que 20 (vinte) dias para apurar os volumes mensais. Neste caso os Preços por Insumos poderão ser faturados ao final do mês subsequente ao mês de apuração do volume de recursos consumidos, com vencimento para o 10° (décimo) dia subsequente a data de emissão da fatura, ou dia útil imediatamente posterior, caso o 10º dia subsequente seja sábado, domingo ou feriado na Cidade de São Paulo. Na hipótese de a EDS conseguir apurar os volumes mensais em um prazo menor do que 20 (vinte) dias, em qualquer mês, a EDS poderá antecipar o faturamento Fl. 343DF CARF MF Processo nº 13896.911329/200959 Resolução nº 1302000.480 S1C3T2 Fl. 338 8 dos Preços por insumos, sendo o pagamento devido no 10º dia subsequente a data da emissão da fatura " (destaques da Recorrente) (...) 56. E, no caso dos autos, a "EDS" indicou nas faturas n°s 00000106, 11927 e 00000012 apenas os serviços de processamento de dados e assessoria em centrais de atendimento, sendo exatamente esta a prova cabal para definir qual foi a prestação remunerada. 57. Diante dessas considerações, fica absolutamente desarticulada (e mesmo sem sentido) a premissa da r. decisão recorrida, de que as Faturas n°s 00000106, 11927 e 00000012 "poderiam" representar a cobrança conjunta de todos os serviços objeto do contrato firmado entre a Recorrente e a "EDS". (...) 78. Em outras palavras, enquanto o contrato firmado entre a Recorrente e a Visa dispõe sobre a divulgação da marca, a descrição utilizada pela r. decisão recorrida gira em torno do “estudo do mercado”(isto sim, mercadologia). (...) 80. Diante disso, constatase que a definição utilizada pela r. decisão recorrida – digase, para “forçar” a equiparação entre marketing e assessoria mercadológica – não é a mais adequada, de modo que os serviços objeto da Fatura nº 00000030, emitida pela “Visa”não está incluído no rol exposto no caput do artigo 30 da Lei nº 10833/2003. 81. Assim, o serviço objeto da Fatura nº 00000030, emitida pela Visa para remuneração de serviços de marketing (e não de assessoria mercadológica) não está sujeita à retenção da CSRF, de modo que a r. decisão recorrida deve ser reformada, para reconhecer o direito creditório pleiteado. (...) 83. Com efeito, o artigo 30 da Lei nº 10.833/2003 dispõe sobre a retenção de contribuições sociais. Confirase: (...) 84. Da leitura do dispositivo legal, notase que o serviço tomado pela Recorrente (processamento de dados) não consta expressamente do rol de serviços sujeitos à retenção das contribuições sociais. 85. Contudo, ao final das hipóteses de retenção das contribuições sociais listadas pelo artigo 30 da Lei n° 10.833/2003, o legislador fez referência ao termo "remuneração de serviços profissionais" como um dos casos que se faz obrigatória a retenção da CSRF. 86. Diante da imprecisão do termo utilizado pelo legislador, sobreveio a Instrução Normativa n° 459/2004 dispondo sobre a retenção de tributos e contribuições nos pagamentos efetuados pelas pessoas jurídicas de direito privado a outras pessoas jurídicas pela prestação de serviços. Confirase: Fl. 344DF CARF MF Processo nº 13896.911329/200959 Resolução nº 1302000.480 S1C3T2 Fl. 339 9 "Art. 1° Os pagamentos efetuados pelas pessoas jurídicas de direito privado a outras pessoas jurídicas de direito privado, pela prestação de serviços de limpeza, conservação, manutenção, segurança, vigilância, transporte de valores e locação de mãodeobra, pela prestação de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção e riscos, administração de contas a pagar e a receber, bem como pela remuneração de serviços profissionais, estão sujeitos à retenção na fonte da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofns) e da Contribuição para o PIS/Pasep (...). § 2° Para fins do disposto neste artigo, entendese como serviços: (...) IV profissionais aqueles relacionados no § 1° do art. 647 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 – Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999), inclusive quando prestados por cooperativas ou associações profissionais, aplicandose, para fins da retenção das contribuições, os mesmos critérios de interpretação adotados em atos normativos expedidos pela Secretaria da Receita Federal para a retenção do imposto de renda. (destaques da Recorrente) 87. Como se observa, a própria Receita Federal do Brasil determinou que a interpretação do artigo 30 da Lei n° 10.833/2003 deve ser feita à luz do disposto no §1° do artigo 647 do Regulamento do Imposto de Renda. (...) 90. E nem se alegue que o serviço de processamento de dados estaria inserido no tópico de "programação", uma vez que estes se diferenciam. 91. Com efeito, a primeira oportunidade em que os serviços de programação e processamento de dados surgiram nos textos legais foi na Lei Complementar n° 56/87, na qual ja se dispunha separadamente os serviços em questão, o primeiro como item n° 23 e o segundo n° 22. Confirase: (...) 92. Posteriormente, corroborando a ideia de que esses serviços não se confundem, a Lei Complementar n° 116/2003 também veicula esses serviços em itens separados, quais sejam, item 1.02 (programação) e 1.03 (processamento de dados). (...) 101. Pelo exposto, é a presente para requerer o provimento do recurso voluntário. para: (I) decretar a nulidade da r. decisão recorrida e, se o caso, também do despacho decisório, com a prolação de nova decisão administrativa; ou, caso assim não se entenda, Fl. 345DF CARF MF Processo nº 13896.911329/200959 Resolução nº 1302000.480 S1C3T2 Fl. 340 10 (II) reformar a r. decisão recorrida, para reconhecer o direito creditório pleiteado e, por conseguinte, homologar a compensação declarada.” É o relatório. Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior Relator. O recurso voluntário é tempestivo e foi subscrito por mandatário com poderes para tal (Daniel Lacasa Maya), razão pela qual voto por conhecêlo. Inicialmente, afasto a preliminar de nulidade da decisão recorrida, pois o julgador está preso ao pedido, não aos fundamentos, ou seja, o julgador da DRJ poderia chegar a mesma conclusão do despacho decisório por outros motivos, como também poderia ter dado provimento à manifestação de inconformidade da recorrente por outros fundamentos que não aqueles por ela aduzidos. Em verdade, no novel CPC foi introduzido o princípio da vedação da decisão surpresa (art. 10), para evitar situações como essa contra a qual se insurge a recorrente. Ocorre porém que, ainda que se sustente que tal princípio se aplicaria ao PAF, por força do art. 15 da Lei 13.105/15 (novo CPC), tal lei não vigorava quando foi proferida a decisão de primeira instância, logo, não estava a DRJ obrigada a ouvir previamente a recorrente sobre o fundamento orientador de sua decisão. Por essa razão, voto por afastar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância. No que toca à alegação de descumprimento do art. 76 da Instrução Normativa n° 1.300/2012, a recorrente incorre em rotundo equívoco, pois tal dispositivo prevê a possibilidade de autoridade tributária realizar as diligências que achar necessária, mas não a obriga a tomar tal providência se, ao seu juízo, elas não se fazem necessárias. Por esse motivo, também voto por afastar a preliminar de nulidade neste ponto. Quanto à alegação de nulidade do despacho decisório, não há também que ser acolhida, pois a própria recorrente admite, em seu recurso, que só retificou a DCTF após a ciência do teor do Despacho Decisório, logo, só cabia à Autoridade Fiscal negar a homologação da compensação, já que os créditos pleiteados tinham sido utilizados para pagar débitos confessados pela própria recorrente. Assim, voto também por afastar a preliminar de nulidade do despacho decisório. Ultrapassadas as preliminares, a primeira questão que se coloca para análise deste Colegiado é saber se, admitido pela recorrente de que só retificou a DCTF (para excluir débitos antes confessados e assim fazer nascer o indébito) após a ciência do despacho decisório, haveria como reformar o Despacho Decisório que decidiu em consonância com a situação fática à época em que proferido? Em outro julgado, no qual o recorrente não adotou a providência de retificar a DCTF, assim decidir: “Acrescento à bem fundamentada decisão da DRJ/REC que, enquanto não retificada a DCTF, o débito ali confessado subsiste, logo, se possível fosse restituir o alegado direito creditório, sem que a recorrente promovesse a prévia retificação da DCTF, teríamos o melhor dos mundos para a recorrente, pois, além de ter sido restituída do valor pago, passaria a estar formalmente protegida de qualquer multa sobre o IRPJ lançado de ofício até o valor declarado na DCTF (já que não foi retificada), qualquer que fosse a infração constatada, já que não incide multa de ofício sobre débito declarado em DCTF.”. Fl. 346DF CARF MF Processo nº 13896.911329/200959 Resolução nº 1302000.480 S1C3T2 Fl. 341 11 Ocorrre que há duas diferenças importantes entre a situação ali julgada e a que ora analisamos: primeiro, por óbvio, nestes autos, o recorrente retificou a DCTF antes de apresentar a manifestação de inconformidade; segundo, neste processo, o recorrente não é sujeito passivo direto da CSRF declarada na DCTF, mas apenas assumiu um múnus público (de reter e recolher) por ser fonte pagadora dos valores sobre os quais incidiu a CSRF. Notese que o recorrente não estava sob fiscalização, assim, o mero fato de ter sido proferido um despacho decisório não era obstáculo para que ele retificasse a DCTF. Ademais, legítima a retificação da DCTF sob o ponto de vista formal. Se era ou não devida a CSRF sobre a operação em tela é algo que devemos discutir no mérito, sendo que, caso positiva a resposta, poderá importar na nãohomologação da compensação, não obstante a recorrente tenha retificado a DCTF. In casu, a DCTF não tem o efeito constitutivo do crédito tributário, como teria se estivéssemos tratando de tributo do qual o recorrente fosse efetivamente sujeito passivo direto. Ora, a recorrente, na condição de fonte pagadora, não era contribuinte das contribuições sociais por ela retida fonte, logo, se não houvesse retenção e recolhimento, estaria ela sujeita apenas a sanção prevista no art. 9º da Lei 10.426/02, razão pela qual, nesta hipótese, sustento que não há necessidade de prévia retificação de DCTF para se pleiteiar a CSRF indevidamente recolhida e nela declarado. Sustento que, para CSRF, a DCTF tem caráter meramente informativo ao Fisco. Ademais, a decisão proferida em despacho decisório decorre de um juízo ainda precário e superficial, pois que resultante de mera análise de dados constantes de sistemas operacionais da RFB, sem que seja sequer oportunizado à recorrente expor as suas razões. Tanto que, se a recorrente tivesse tido o cuidado de retificar a DCTF antes de apresentar o PerDcomp, talvez o despacho decisório chegasse a outra conclusão acerca do pedido. Por essas razões, sustento legítima a retificação de DCTF realizada após a ciência do despacho decisório. O objeto deste processo é o PER/Dcomp a fls. 3, no qual a recorrente pleiteia a compensação de crédito relativo a Contribuições sociais retidas na fonte (Cód. de receita 5952) no valor original de R$ 17.247,10. O recolhimento feito com o código de arrecadação 5952 referese a “retenção contribuições pagt de PJ a PJ dir priv – CSLL/Cofins/PIS”, ou seja, um DARF com esse código significa que o valor ali recolhido se refere à retenção de CSLL, PIS e Cofins. Não obstante, a recorrente alega, em seu recurso, que os R$ 17.247,10 referemse apenas à CSLL por ele retida na fonte sobre o pagamento efetuado à EDS Eletronic Data Systems do Brasil Ltda. ( ref. às 3 notas fiscais a fls. 163 a 165) e à Visa do Brasil Empreendimentos Ltda. (ref. a nota fiscal a fls. 166). Tratandose de tributo do qual o recorrente não é contribuinte, mas mera fonte pagadora obrigada a reter e recolher a referida contribuição, a primeira questão a ser verificada reside em saber se a recorrente assumiu o encargo financeiro relativo a tributo por ela retido na fonte ou se está autorizada pelo contribuinte (EDS) a pedir a restituição, ex vi art. 166 do CTN, in verbis: “Art. 166. A restituição de tributos que comportem, por sua natureza, transferência do respectivo encargo financeiro somente será feita a quem prove haver assumido o referido encargo, ou, no caso de têlo transferido a terceiro, estar por este expressamente autorizado a recebêla.”. Alega o recorrente que, ao concluir que não era devida a retenção da CSLL, procedeu a imediata devolução dos valores indevidamente retidos aos fornecedores. No recurso voluntário, a recorrente limitase a alegar que restava Fl. 347DF CARF MF Processo nº 13896.911329/200959 Resolução nº 1302000.480 S1C3T2 Fl. 342 12 comprovado nos autos que teria havido a referida devolução dos valores à EDS e à Visa, mas não juntou ou mesmo indicou qualquer documento que provasse o alegado e, pior, junto uma Declaração a fls. 282 que é totalmente impertinente à questão tratada neste autos (em verdade, tal declaração se refere a outros processos da recorrente, referentes a restituição de valores recolhidos em 2005). Por sua vez, no parágrafo 32 da manifestação de inconformidade (a fls. 20), a recorrente afirma que prova tal devolução por meio do “doc. 11”, ocorre que, entre os documentos juntados com a manifestação, não há qualquer numeração, além do que não constatei nenhum capaz de demonstrar a ocorrência da referida devolução. Por outro lado, tal questão não foi sequer enfrentada pela DRJ, razão pela qual entendo que a recorrente deva ser intimada a comprovar a referida devolução à EDS e à VISA, dos valores retidos a título de CSRF sobre os pagamentos referentes às Notas Fiscais a fls. 163 a 166. Além disso, vale perquirir qual o documento que prova que a recorrente recolheu aos Cofres públicos CSLL – retida na fonte no valor de R$ 17.247,10. O único DARF que consta dos autos é aquele a fls. 201, cujo código de receita é 5952, o qual é referido na PerDcomp em tela (a fls. 4) como origem do crédito em questão. Ora, pelo DARF a fls. 201, cujo código de receita é 5952, houve o recolhimento de R$ 119.196,59, valor que não coincide com a CSRF (CSLL, PIS e Cofins) que o recorrente deveria recolher sobre os faturamentos no valor de R$ 1.724.709,54. Notese que, pelo § 1º do art. 31 da Lei 10.833/03, sobre um pagamento a PJ no valor de R$ 1.724.709,54, deveria ser retida CSRF no valor de R$ 86.235,48 (referente a CSLL no valor de R$ 17.247,09, Cofins no valor de R$ 51.741,28 e PIS no valor de R$ 11.210,61. A recorrente alega, no seu recurso voluntário (parágrafos 4 a 6, transcritos nos relatório) que recolheu R$ 112.108,12 de CSRF sobre os pagamentos referentes a NF a fls. 1163 a 166. Resta, então, saber por qual DARF o recorrente recolheu a CSRF (CSLL, PIS e Cofins) acima mencionada, pois, conforme já visto, há um descompasso entre o valor que deveria incidir sobre o valor das notas fiscais e aquele do DARF indicado. Por outro lado, na DCTFretificadora a fls. 197, foi declarado um débito no valor de R$ 474.065,22, código de receita 595202, referente ao período de apuração da 2ª quinzena de outubro de 2006. Ocorre que também aqui falta a recorrente esclarecer como chegou no valor de R$ 474.065,22 a partir dos faturamentos que foram informados em planilhas a fls. 167 e segs.. Além disso, há que se vincular recolhimentos de CSRF ao pagamento relativo a notas fiscais a fls. 163 a 166, para que se possa adentrar ao mérito deste julgamento, ou seja, se era indevida ou não a retenção de CSRF sobre o pagamento em tela. Vale ressaltar que a situação em tela tornase ainda mais intrincada porque, pelo que alega a recorrente, além de recolher as contribuições CSLL/PIS/Cofins em DARFs distintos, embora sob o código de receita 5259 (CSRF), cumulou em cada um dos DARF a contribuição retida na fonte incidente sobre pagamentos feitos a diversos fornecedores, ou seja, não somente à VISA e EDS. Notese que não consta dos autos comprovante de pagamento das referidas notas fiscais. Além disso, não foi juntado aos autos a DIRF relativa às retenções feitas no ano de 2006 (art. 12, § 2º, da IN SRF nº 459/2004), o que poderia, s.m.j, permitir a identificação do valor total das retenções feitas pela recorrente na segunda quinzena de outubro de 2006, valor esse que poderia ser confrontado com o total dos recolhimentos feitos sob o código 5259 e assim apurar se efetivamente houve um recolhimento a maior no montante de R$ 112.106,12 (valor da CSRF incidente sobre as notas fiscais em tela). Notese que também não foi juntado aos autos o Comprovante Anual de Fl. 348DF CARF MF Processo nº 13896.911329/200959 Resolução nº 1302000.480 S1C3T2 Fl. 343 13 Retenção de CSRF (art. 12, § 1º, da IN SRF SRF nº 459/2004) relativo aos fornecedores EDS e VISA. Como as questões levantadas nesta resolução nunca foram questionadas à recorrente, entendo que lhe deve ser concedida a oportunidade de aclarar os fatos. Sustento que a elucidação dos pontos acima ressaltados é questão preliminar a ser ressolvida antes mesmo da discussão do mérito, ou seja, antes mesmo de se julgar se havia ou não incidência de CSRF sobre as operações referentes as Notas Fiscais a fls. 163 a 166. Vale, ainda, ressaltar que, tendo sido feitos os recolhimentos sob o código 5259, não há que se perquirir por um recolhimento de CSLLretida na fonte, mas apenas se houve ou não o recolhimento de CSRF sobre os pagamentos das notas fiscais em tela. Assim, esta diligência se torna também relevante para o deslinde da questão posta nos autos dos PAFs nºs 13896.911328/200912 e 13896.911330/200983, os quais versam, respectivamente, sobre pedidos de compensação de PISretido na fonte e Cofinsretido na fonte sobre os mesmos pagamentos objetos das Notas Fiscais a fls. 163 a 166. Por essa razão, entendo que esses dois processos (13896.911328/200912 e 13896.911330/200983) devem ser vinculados a estes autos, para fins de julgamento em conjunto, nos termos do art. 6º do Anexo II do RICARF. Em face do exposto, voto por converter o julgamento em diligência, para: I a Secam/3ªCâm./1ªSejul apensar os autos dos PAFs nº 13896.911328/200912 e 13896.911330/200983 a este processo e, posteriormente, remeter os autos para a Unidade de Origem; e II a Unidade de Origem: a) informar todas as retenções de CSRF declaradas pela recorrente relativas à 2ª quinzena de outubro de 2006, juntando, se possível, aos autos, as folhas da DIRF (art. 12, § 2º, da IN SRF nº 459/2004); b) informar todos os recolhimentos feitos pela recorrente com o código de receita 5259, referentes ao período de apuração 2ª quinzena de outubro de 2006, juntando, se possível, os extratos do Sinalpagamento; c) verificar se o total dos recolhimentos de que trata a letra “b”acima supera em R$ 112.106,12 o montante das retenções abordadas na letra “a” retro, caso contrário, intimar a recorrente a responder como se deu o recolhimento da CSRF sobre os pagamento das notas fiscais a fls. 163 a 166; d) intimar a recorrente a: d.1) provar, com documentos idôneos, que devolveu à EDS Eletronic Data Systems do Brasil Ltda. o valor da CSRF retida sobre os pagamentos das notas fiscais a fls. 163 a 165; d.2) provar, com documentos idôneos, que devolveu à Visa do Brasil Empreendimentos Ltda. o valor da CSRF retida sobre as notas fiscais a fls. 166; d.2) apresentar os Comprovantes Anuais de Retenção de CSRF em 2006 (art. 12, § 1º, da IN SRF SRF nº 459/2004), relativos aos fornecedor EDS e VISA; d.3) esclarecer outros pontos que a Unidade de Origem entenda Fl. 349DF CARF MF Processo nº 13896.911329/200959 Resolução nº 1302000.480 S1C3T2 Fl. 344 14 necessários para o deslinde das questões postas; e) emitir relatório final de diligência, pronunciandose sobre a existência de recolhimento no montante de R$ 112.106,12, a título de CSRF sobre os pagamentos sobre das notas fiscais a fls. 163 a 165; f) dar ciência do relatório final de diligência ao recorrente, concedendolhe prazo para se manifestar nos autos; e g) retornar os autos para este Colegiado, após cumpridos os itens da diligência, para julgamento deste processos com os dois apensados. Alberto Pinto Souza Junior Fl. 350DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10875.002958/2003-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jul 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 1998
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO CONFIGURADA. Diante do cotejo dos votos vencido e vencedor, há a contradição entre a ementa, o dispositivo e a fundamentação do acórdão embargado, pois não prevaleceu o entendimento na turma julgadora de que o lançamento seria nulo. Logo, a ementa deve ser retificada para:
LANÇAMENTO LAVRADO PARA PREVENÇÃO DA DECADÊNCIA. DEPÓSITO JUDICIAL DO MONTANTE INTEGRAL DO TRIBUTO.
Demonstrado que os depósitos judiciais efetuados pelo contribuinte correspondem ao montante integral declarado, é indevida a cobrança de juros de mora.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, dar provimento parcial por maioria de votos, para cancelar a incidência de juros de mora. Vencido o relator. Designado o conselheiro Rangel Perrucci Fiorin para redação do voto vencedor. O Presidente da Turma esteve ausente momentaneamente, onde o julgamento foi conduzido pelo seu substituto eventual, conselheiro Belchiox Melo de Sousa.
Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 3301-003.658
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos formulados, sem efeitos infringentes, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Marcos Roberto da Silva, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 1998 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO CONFIGURADA. Diante do cotejo dos votos vencido e vencedor, há a contradição entre a ementa, o dispositivo e a fundamentação do acórdão embargado, pois não prevaleceu o entendimento na turma julgadora de que o lançamento seria nulo. Logo, a ementa deve ser retificada para: LANÇAMENTO LAVRADO PARA PREVENÇÃO DA DECADÊNCIA. DEPÓSITO JUDICIAL DO MONTANTE INTEGRAL DO TRIBUTO. Demonstrado que os depósitos judiciais efetuados pelo contribuinte correspondem ao montante integral declarado, é indevida a cobrança de juros de mora. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, dar provimento parcial por maioria de votos, para cancelar a incidência de juros de mora. Vencido o relator. Designado o conselheiro Rangel Perrucci Fiorin para redação do voto vencedor. O Presidente da Turma esteve ausente momentaneamente, onde o julgamento foi conduzido pelo seu substituto eventual, conselheiro Belchiox Melo de Sousa. Embargos Acolhidos.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 1998 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO CONFIGURADA. Diante do cotejo dos votos vencido e vencedor, há a contradição entre a ementa, o dispositivo e a fundamentação do acórdão embargado, pois não prevaleceu o entendimento na turma julgadora de que o lançamento seria nulo. Logo, a ementa deve ser retificada para: LANÇAMENTO LAVRADO PARA PREVENÇÃO DA DECADÊNCIA. DEPÓSITO JUDICIAL DO MONTANTE INTEGRAL DO TRIBUTO. Demonstrado que os depósitos judiciais efetuados pelo contribuinte correspondem ao montante integral declarado, é indevida a cobrança de juros de mora. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, dar provimento parcial por maioria de votos, para cancelar a incidência de juros de mora. Vencido o relator. Designado o conselheiro Rangel Perrucci Fiorin para redação do voto vencedor. O Presidente da Turma esteve ausente momentaneamente, onde o julgamento foi conduzido pelo seu substituto eventual, conselheiro Belchiox Melo de Sousa. Embargos Acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos formulados, sem efeitos infringentes, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 00 29 58 /2 00 3- 51 Fl. 290DF CARF MF 2 Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Marcos Roberto da Silva, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Os presentes Embargos de Declaração foram opostos em face do Acórdão nº 380301.203, prolatado pela extinta 3ª Turma Especial, assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 1998 AUTO DE INFRAÇÃO ELETRÔNICO NULIDADE ALTERAÇÃO DOS FUNDAMENTOS DE FATO NO JULGAMENTO DE SEGUNDA INSTÂNCIA. Se a autuação toma como pressuposto de fato a inexistência de processo judicial em nome do contribuinte, e o contribuinte demonstra a existência desta ação, bem como que figura no pólo ativo, devese reconhecer a nulidade do lançamento por absoluta falta de amparo fático. Não há como manter a exigência fiscal por outros fatos e fundamentos, sendo aqueles especificamente indicados no lançamento. Teoria dos motivos determinantes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, dar provimento parcial por maioria de votos, para cancelar a incidência de juros de mora. Vencido o relator. Designado o conselheiro Rangel Perrucci Fiorin para redação do voto vencedor. O Presidente da Turma esteve ausente momentaneamente, onde o julgamento foi conduzido pelo seu substituto eventual, conselheiro Belchiox Melo de Sousa. A decisão final da turma, conforme o voto vencedor do Conselheiro Rangel Perrucci Fiorin, por maioria de votos, foi no sentido de dar provimento parcial ao recurso, apenas para cancelar a incidência de juros de mora. Naquela oportunidade, o relator foi vencido. Os embargos foram propostos pela Fazenda Nacional para ver sanada a contradição referente à nulidade ou não do lançamento, uma vez que pela leitura da ementa entendese que houve nulidade, enquanto o dispositivo da decisão e a fundamentação do voto vencedor apontam para ausência de nulidade. Os embargos foram admitidos, conforme o despacho de fls. 288289. É o relatório. Fl. 291DF CARF MF Processo nº 10875.002958/200351 Acórdão n.º 3301003.658 S3C3T1 Fl. 291 3 Voto Razão assiste à embargante, pois a ementa do julgado reflete o entendimento do voto vencido do Relator, conforme se demonstra a seguir. Repisese novamente a ementa do julgado: AUTO DE INFRAÇÃO ELETRÔNICO NULIDADE ALTERAÇÃO DOS FUNDAMENTOS DE FATO NO JULGAMENTO DE SEGUNDA INSTÂNCIA. Se a autuação toma como pressuposto de fato a inexistência de processo judicial em nome do contribuinte, e o contribuinte demonstra a existência desta ação, bem como que figura no pólo ativo, devese reconhecer a nulidade do lançamento por absoluta falta de amparo fático. Não há como manter a exigência fiscal por outros fatos e fundamentos, sendo aqueles especificamente indicados no lançamento. Teoria dos motivos determinantes. Já o dispositivo do acórdão prescreveu: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, dar provimento parcial por maioria de votos, para cancelar a incidência de juros de mora. Vencido o relator. Designado o conselheiro Rangel Perrucci Fiorin para redação do voto vencedor. O Presidente da Turma esteve ausente momentaneamente, onde o julgamento foi conduzido pelo seu substituto eventual, conselheiro Belchiox Melo de Sousa. Por sua vez, no voto vencido, as premissas são as seguintes: O Auto de Infração (n° 0006408) referese à Contribuição ao PIS, em relação aos quais a Contribuinte declarou nos autos. Ocorre que no Auto de Infração, a descrição dos fatos é feita de forma genérica, indicando apenas e exclusivamente a ocorrência de "Proc jud não comprovad". Presumese, com isso, que o Auto de Infração foi lavrado em virtude de acreditar a fiscalização que a referida ação judicial não existia. As peças processuais da ação judicial apresentadas pelo contribuinte demonstram que o processo judicial existia (fl. 68), e se a ação existia, o pressuposto de fato que dá suporte ao Auto de Infração é falso. Observase que essa constatação também foi afirmada pela AFRF em seu Relatório preferido ao Chefe do SECAT de Guarulhos/SP, conforme transcrevi no Relatório, este que antecede o referido Voto. Fl. 292DF CARF MF 4 "... 1 Trata o presente processo de Auto de Infração do PIS (relativo ao P.A. de Junho/1998), decorrente da não confirmação do processo judicial informado para fins de suspensão da exigibilidade de parte do débito declarado em junho/98, no valor de R$4.194,83 e da não localização do pagamento utilizado na compensação com parcela de R$2.581,23 no mesmo débito." (...) Irrita perceber, neste caso, que o Auto de Infração se arrima na inexistência da ação judicial e que, depois de demonstrada a existência judicial, a Autoridade Julgadora de Primeira Instância se arvorou em esmiuçar os detalhes da ação judicial existente, buscando outros motivos de fato para sustentar a manutenção da exigência, passando a argumentar que o lançamento pretenderia prevenir a decadência quanto à exigência dos créditos em discussão na ação judicial justamente aquela ação judicial que a autoridade lançadora dizia não existir! Se a autuação tomou como pressuposto de fato a inexistência de processo judicial, e o contribuinte demonstrou a existência da ação, resta patente que o lançamento não tem suporte fático válido, pois o motivo que lhe deu causa na verdade não existe. Devese, pois, reconhecer a nulidade do lançamento por erro e falta de amparo fático. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário, para anularse o Auto de Infração. Em sentido totalmente contrário, o voto vencedor consigna (fl.263): O Relator, em análise as alegações e os documentos anexados aos autos, com base na teoria dos motivos determinantes, deu provimento ao Recurso Voluntário para anular o Auto de Infração, por entender que a fiscalização não apurou a concreta realidade do caso. No entanto, em que pese as razões de decidir do nobre conselheiro relator, entendemos que o lançamento deverá ser mantido, para evitar o perecimento do direito da Fazenda Nacional, nos termos da Súmula nº 5 do CARF. (...) Destarte, dou provimento parcial ao recurso voluntário, para cancelar a incidência de juros de mora, devendo, no caso sob julgamento administrativo, ser aplicado o que for decidido pelo Poder Judiciário. Diante do cotejo dos votos vencido e vencedor, há a contradição entre a ementa, o dispositivo e a fundamentação do acórdão embargado, pois não prevaleceu o entendimento na turma de que o lançamento seria nulo. Logo, a ementa deve ser retificada para: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Fl. 293DF CARF MF Processo nº 10875.002958/200351 Acórdão n.º 3301003.658 S3C3T1 Fl. 292 5 Anocalendário: 1998 LANÇAMENTO LAVRADO PARA PREVENÇÃO DA DECADÊNCIA. DEPÓSITO JUDICIAL DO MONTANTE INTEGRAL DO TRIBUTO. Demonstrado que os depósitos judiciais efetuados pelo contribuinte correspondem ao montante integral declarado, é indevida a cobrança de juros de mora. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, dar provimento parcial por maioria de votos, para cancelar a incidência de juros de mora. Vencido o relator. Designado o conselheiro Rangel Perrucci Fiorin para redação do voto vencedor. O Presidente da Turma esteve ausente momentaneamente, onde o julgamento foi conduzido pelo seu substituto eventual, conselheiro Belchiox Melo de Sousa. Em face do exposto, voto por acolher os embargos formulados, sem efeitos infringentes. Sala de Sessões, em 25 de maio de 2017. (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Fl. 294DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13896.915292/2009-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2000
LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS DECORRENTES DA ATIVIDADE INDUSTRIAL (INDUSTRIALIZAÇÃO SOB ENCOMENDA DE TERCEIROS). ALÍQUOTA APLICÁVEL. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
Para fins de determinação da base de cálculo do IRPJ, na sistemática de tributação com base no lucro presumido, as receitas decorrentes das atividades consideradas como prestação de serviços em geral estão sujeitas ao percentual de 32% e as receitas decorrentes do exercício de atividade considerada como industrialização por encomenda sujeitam-se ao percentual de 8%.
APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR.
Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil-fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, que o valor do débito é menor ou indevido, correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração, original ou retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior.
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
Numero da decisão: 1402-002.599
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente).
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2000 LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS DECORRENTES DA ATIVIDADE INDUSTRIAL (INDUSTRIALIZAÇÃO SOB ENCOMENDA DE TERCEIROS). ALÍQUOTA APLICÁVEL. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Para fins de determinação da base de cálculo do IRPJ, na sistemática de tributação com base no lucro presumido, as receitas decorrentes das atividades consideradas como prestação de serviços em geral estão sujeitas ao percentual de 32% e as receitas decorrentes do exercício de atividade considerada como industrialização por encomenda sujeitam-se ao percentual de 8%. APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil-fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, que o valor do débito é menor ou indevido, correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração, original ou retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1956; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 2 1 1 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13896.915292/200938 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1402002.599 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 18 de maio de 2017 Matéria IRPJ/CSLL/Compensação Recorrente NYLOK TECNOLOGIA EM FIXAÇÃO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000 LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS DECORRENTES DA ATIVIDADE INDUSTRIAL (INDUSTRIALIZAÇÃO SOB ENCOMENDA DE TERCEIROS). ALÍQUOTA APLICÁVEL. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Para fins de determinação da base de cálculo do IRPJ, na sistemática de tributação com base no lucro presumido, as receitas decorrentes das atividades consideradas como prestação de serviços em geral estão sujeitas ao percentual de 32% e as receitas decorrentes do exercício de atividade considerada como industrialização por encomenda sujeitamse ao percentual de 8%. APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, que o valor do débito é menor ou indevido, correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração, original ou retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 91 52 92 /2 00 9- 38 Fl. 324DF CARF MF Processo nº 13896.915292/200938 Acórdão n.º 1402002.599 S1C4T2 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Relatório A origem do litígio aqui presente remonta ao Despacho Decisório exarado em relação ao pedido original da contribuinte expresso em PER/DCOMP apresentado perante a Autoridade Tributária de sua jurisdição e no qual buscou ver reconhecido seu direito creditório e consequente compensação com débitos de sua responsabilidade. O requerido foi parcialmente deferido sob entendimento do DD de que "a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos". Irresignada, a contribuinte interpôs manifestação de inconformidade que, apreciada em 1ª Instância pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (fls. nos autos), foi julgada improcedente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Discordando do r. decisum, a contribuinte interpôs recurso voluntário tempestivo no qual reafirma a correção de seu procedimento e requer a reforma da decisão de 1º Piso de forma a reconhecer o direito creditório buscado e homologar a compensação requerida, aduzindo, em síntese, os seguintes argumentos: 1. ser pessoa jurídica com atividade de "industrialização por encomenda de bens de terceiros na modalidade beneficiamento consubstanciada na aplicação de produtos químicos que atribuem a elementos de fixação roscados características vedantes e travantes, os quais retornarão para serem utilizados pelos seus clientes como insumos em novos processos de industrialização ou de circulação de mercadorias"; 2. ser optante pelo regime do lucro presumido e, por essa razão, na forma do artigo 15, da Lei nº 9.249, de 1995, sujeito à apuração (base de cálculo) do IRPJ à alíquota de 8%; 3. que, entretanto, "em que pese a Recorrente induvidosamente desempenhar atividades tipicamente industriais e se sujeitar, via de consequência, à base presumida de 8% (oito por cento), durante os anos de 1999 a 2003, apurou o Imposto de Renda através da aplicação do percentual de 32%"; 4. em razão deste "equívoco", ocorrido em função da "falsa premissa de que a industrialização por encomenda desempenhada pela Recorrente pudesse ser enquadrada como a prestação de um serviço", teria, durantes os mencionados Fl. 325DF CARF MF Processo nº 13896.915292/200938 Acórdão n.º 1402002.599 S1C4T2 Fl. 4 3 anos, efetuado recolhimentos do IRPJ "em montantes maiores do que os efetivamente devidos, sendo, por isso, detentora de créditos líquidos e certos em quantia correspondente à diferença dos montantes recolhidos a maior e aqueles efetivamente devidos a título do IRPJ, conforme demonstrativo": ANO RECEITA TOTAL Em Reais BASE APURADA (32%) Em Reais IMPOSTO RECOLHIDO (A) Em Reais BASE CORRETA (8%) Em Reais IMPOSTO EFETIVAMENTE DEVIDO (B) Em Reais DIFERENÇA (AB) Em Reais 1999 1.865.163,63 596.296,15 125.074,04 149.213,09 22.381,96 102.692,08 2000 2.849.822,21 910.674,63 203.668,67 227.985,78 34.925,44 168.743,23 2001 3.077.709,99 984.867,20 222.216,78 246.216,80 39.449,77 182.761,01 2002 3.396.147,20 1.086.767,10 247.691,78 271.691,78 44.489,88 203.201,90 2003 4.268.370,21 1.365.878,56 333.586,11 341.469,64 61.367,41 272.218,70 Total 15.457.213,2 4 4.944.483,64 1.132.237,38 1.236.577,09 202.614,46 929.616,92 6. que, no seu contrato social já constava a atividade de "beneficiamento de produtos metálicos, por conta própria e/ou terceiros", alterada a partir de 01.09.2006 para "industrialização de produtos metálicos, por conta própria e/ou de terceiros"; que, não obstante somente tenha realizado a alteração naquela data, ou seja, "após a ocorrência dos fatos geradores ora em comento", a verdade a sua atividade "nunca foi de prestadora de serviço, mas sim de indústria"; 7. restar evidente que suas atividades sujeitamse, "como sempre se sujeitaram, à alíquota de 8% (oito por cento) para fins de apuração do IRPJ pela sistemática do lucro presumido"; 8. por fim, "requer a juntada de diversas notas fiscais de remessa de insumos e do respectivo retorno dos bens beneficiados aos seus clientes [...] não há razão para que não se reconheça que a base presumida por ela inicialmente utilizada [...] estava inteiramente equivocada, de modo que a compensação declarada utiliza se de crédito advindo de pagamentos a maior de IRPJ comprovadamente existente, em valor suficiente para a quitação do débito informado na declaração de compensação em comento". Conclui requerendo o provimento do RV. É o relatório do essencial, em apertada síntese. Voto Conselheiro Leonardo de Andrade Couto, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402002.537, de 18.05.2017, proferido no julgamento do Processo nº 13896.900601/200975. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402002.537): O Recurso Voluntário é tempestivo e dotado dos pressupostos para sua admissibilidade, pelo que o recebo e dele conheço. Fl. 326DF CARF MF Processo nº 13896.915292/200938 Acórdão n.º 1402002.599 S1C4T2 Fl. 5 4 No mérito, alega a recorrente que sua atividade, seu objeto social, sua real operação empresarial seria "industrialização por encomenda de bens de terceiros na modalidade beneficiamento" e não "prestação de serviços". Argui ainda que, por equívoco, partiu da premissa de que "a industrialização por encomenda desempenhada (...) pudesse ser enquadrada como a prestação de um serviço" e que, em razão deste entendimento, efetuou recolhimentos do IRPJ "em montantes maiores do que os efetivamente devidos, sendo, por isso, detentora de créditos líquidos e certos em quantia correspondente à diferença dos montantes recolhidos a maior e aqueles efetivamente devidos a título do IRPJ, conforme demonstrativo". Assenta ainda que, a fim de regularizar a situação, apresentou DIPJ retificadoras aplicando sobre a receita obtida, a alíquota de 8% que seria a utilizável no caso. Com isso, em suma, teria recolhido IRPJ a maior, implicando em surgir direito à repetição de indébito, via compensação. Os valores apurados, segundo cálculos e informação presentes nos autos, da lavra da recorrente, seriam os seguintes (cf. planilha já trazida neste voto, mas novamente reproduzida para melhor fixação): ANO RECEITA TOTAL Em Reais BASE APURADA (32%) Em Reais IMPOSTO RECOLHIDO (A) Em Reais BASE CORRETA (8%) Em Reais IMPOSTO EFETIVAMENTE DEVIDO (B) Em Reais DIFERENÇA (AB) Em Reais 1999 1.865.163,63 596.296,15 125.074,04 149.213,09 22.381,96 102.692,08 2000 2.849.822,21 910.674,63 203.668,67 227.985,78 34.925,44 168.743,23 2001 3.077.709,99 984.867,20 222.216,78 246.216,80 39.449,77 182.761,01 2002 3.396.147,20 1.086.767,10 247.691,78 271.691,78 44.489,88 203.201,90 2003 4.268.370,21 1.365.878,56 333.586,11 341.469,64 61.367,41 272.218,70 Total 15.457.213,24 4.944.483,64 1.132.237,38 1.236.577,09 202.614,46 929.616,92 Pois bem, é certo que os contribuintes que realizam atividades industriais sujeitamse à alíquota de 8% para apuração do Lucro Presumido (art. 518, do RIR/1999): Art. 518. A base de cálculo do imposto e do adicional (541 e 542), em cada trimestre, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida no período de apuração, observado o que dispõe o § 7º do art. 240 e demais disposições deste Subtítulo (Lei nº 9.249, de 1995, art. 15, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 1º e 25, e inciso I). Na mesma linha, induvidoso que o equívoco da adoção de coeficiente eventualmente assumido (32% e não 8%) pode ser corrigido mediante os procedimentos cabíveis previstos, dentre eles a retificação das DIPJ dos períodos em foco, caso dos autos. Tais declarações retificadoras estão acostadas aos autos e reproduzem os montantes inseridos na planilha acima transcrita. Fl. 327DF CARF MF Processo nº 13896.915292/200938 Acórdão n.º 1402002.599 S1C4T2 Fl. 6 5 Todavia, como se está diante de pedido que busca reconhecimento de crédito contra a Fazenda Pública, não basta o noticiado pela recorrente nas DIPJ retificadoras, antes é preciso que tais informações tenham substância, consistência e comprovação. Como se vê nos autos, a decisão recorrida fez alusão a este requisito, ou seja, que se comprovassem os números inseridos nas DIPJ, providência que poderia ser feita pela juntada de livros ou qualquer outro meio legal, o que, no entender do Acórdão da DRJ não foi atendido. Na elaboração do recurso voluntário ora apreciado, a recorrente, embora rebata veementemente a posição firmada pela DRJ assentando que, "nem se diga que (...) deveria ter apresentado excertos da sua escrituração contábil fiscal que viessem a retratar a apuração do tributo a menor na sua DCTF retificadora", e que, "os valores constantes nas declarações retificadoras são revestidos de veracidade", acabou por “tentar” fazer a comprovação exigida, como se vê no excerto abaixo, extraído do recurso voluntário: De todo modo, para que se ponha uma pá de cal na questão, a ora Recorrente requer a juntada de diversas notas fiscais de remessa de insumos e do respectivo retorno dos bens beneficiados aos seus clientes ao longo dos anos 2000 a 2003 (doc. 01), as quais evidenciam a natureza da sua atividade e, por consequência comprovam que não há razão para que se reconheça que a base presumida por ela inicialmente utilizada (isto é, 32%) estava inteiramente equivocada, de modo de que a compensação declarada utilizase de crédito advindo de pagamento a maior de IRPJ comprovadamente existente, em valor suficiente para a quitação do débito informado na declaração de compensação em comento. Pois bem, compulsando os autos vejo que “as provas” a que alude a recorrente compõemse de cópias esparsas de notas ficais de remessa de seu estabelecimento, grande parte delas de difícil (ou mesmo impossível!) leitura. Além disso, os montantes de referidas notas fiscais, mesmo com a maior boa vontade em se “descobrir” os valores corretos, representariam, quando comparados com a receita total informada em DIPJ, percentuais ínfimos!, impossibilitando chegarse à necessária certeza e liquidez exigidas. Certeza e liquidez que, como não poderia ser diferente, é ônus que caberia ao interessado comprovar, a teor do artigo 333, I, do CPC de 1973 (art. 373, I, do CPC de 2015 Lei nº 13.105/2015). Nesta linha, o crédito que se pleiteia deve ter comprovação sólida, não se podendo aceitar documentação esparsa e por amostragem. Dizendo diferentemente, se a recorrente alegou (e informou em DIPJ) que toda a sua receita referiase a “industrialização por encomenda”, deveria ter acostado aos autos a totalidade (ou ao menos a maior parte) das notas fiscais que comprovassem tal Fl. 328DF CARF MF Processo nº 13896.915292/200938 Acórdão n.º 1402002.599 S1C4T2 Fl. 7 6 faturamento. Ou livros contábeis ou fiscais que assim o mostrassem. Não o fez. Por este motivo, ainda que suas alegações de erro na adoção do coeficiente do lucro presumido (32% e não 8%) possam ter solidez, faltou o principal, a comprovação do quanto suscitado. Incomprovado, portanto, que todas (ou a maior parte) das receitas fossem efetivamente de “industrialização por encomenda”, impossível validar os argumentos aduzidos por falta de documentação probatória. Ademais, não se olvide, só se permite compensação com a utilização de créditos dotados de liquidez e certeza (art. 170, do CTN): Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) E valores incomprovados não possuem estes requisitos. A jurisprudência administrativa é pacífica em torno do tema: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. (Acórdão nº 10323.579, sessão de 18/09/2008) Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo a decisão recorrida. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Fl. 329DF CARF MF
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