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Numero do processo: 19647.008587/2007-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Ano-calendário: 2003 COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO RECONHECIDO. REFLEXO EM RAZÃO DA CORRETA DEDUTIBILIDADE DO ÁGIO. No acórdão proferido nos autos do processo administrativo n° 19647.01051/2007-83 a dedutibilidade do ágio foi considerada legítima, fazendo, portanto, referência aos fundamentos trazidos no acórdão que deu provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. Diante disso, o saldo negativo apurado pelo contribuinte é legítimo e pode ser compensado com outros débitos devidos à Receita Federal. Recurso conhecido e provido.
Numero da decisão: 1201-000.693
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao Recurso Voluntário.
Nome do relator: RAFAEL CORREIA FUSO
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SALDO NEGATIVO RECONHECIDO. REFLEXO EM RAZÃO DA CORRETA DEDUTIBILIDADE DO ÁGIO. No acórdão proferido nos autos do processo administrativo n° 19647.01051/200783 a dedutibilidade do ágio foi considerada legítima, fazendo, portanto, referência aos fundamentos trazidos no acórdão que deu provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. Diante disso, o saldo negativo apurado pelo contribuinte é legítimo e pode ser compensado com outros débitos devidos à Receita Federal. Recurso conhecido e provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz Presidente. (documento assinado digitalmente) Rafael Correia Fuso Relator. Fl. 236DF CARF MF Impresso em 03/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 19647.008587/200711 Acórdão n.º 120100.693 S1C2T1 Fl. 237 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Claudemir Rodrigues Malaquias, Rafael Correia Fuso, Marcelo Cuba Netto, Cristiane Silva Costa e Régis Magalhães Soares de Queiroz. Relatório Tratase de pedido de compensação de saldo de CSLL de setembro de 2003, recolhido a maior sob o regime de estimativa, recolhido por meio de darf em 31/10/2003, com débito de Cofins de dezembro/2004. A empresa apresentou DIPJ retificadora em 30/10/2006, recepcionada pela RFB, onde informa um valor de CSLLmensal devido por estimativa no mês de setembro de 2003 de R$ 910.622,00, e na sua DCTF do 3° trimestre de 2003, declara esse débito, vinculando a sua extinção com pagamento em DARF no valor de R$ 911.756,00. Contudo, a DRF informa que o artigo 10 da IN n° 600/2005 c/c o artigo 74 da Lei n° 9.430/96, determina que este pagamento somente pode ser utilizado como redução da CSLL devida no ajuste anual, como estimativa efetivamente paga. Ademais, afirma que em dilig6encia aos assentamentos contábeis e fiscais da empresa desse ano calendário de 2003, apurouse um valor devido de CSLL – Estimativa mensal do mês de setembro no valor de R$ 1.638.102,33, enquanto que o valor pago pela empresa foi de R$ 911.756,00, haveremos de ter em conta que não restou “pagamento a maior” e sim insuficiência de pagamento. Diante disso, a DRF não homologou a compensação. Contudo, esse caso está relacionado com os autos do processo administrativo n° 19647.01051/200783, que está em julgamento conjunto na mesma sessão, sendo que a Fazenda glosou valores decorrentes de despesas de amortização do ágio, resultando, como reflexo no pagamento a menor de estimativa mensal. Portanto, se o Recurso Voluntário do contribuinte interposto nos autos do processo administrativo n° 19647.01051/200783 for provido, a homologação da compensação ora indeferida pela DRF deve ser reconhecida, pois são créditos e processos relacionados. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, alegando em síntese que: De conformidade com a DIPJRetificadora (ficha 16) à fl. 30, e da DCTF Retificadora à fl. 19, a interessada declarou como devido no mês de setembro/2003, o valor de R$ 910.622,00, no entanto pagou a estimativa no montante de R$ 911.756,00. Desta forma, afirma a interessada que a diferença de R$ 1.134,00 (R$ 911.756,00 R$ 910.622,00) representa um pagamento a maior. Afirma a empresa que a não homologação da compensação pleiteada decorreu do fato de a fiscalização ter efetuado diligências na empresa, nas quais apurou uma estimativa no Fl. 237DF CARF MF Impresso em 03/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 19647.008587/200711 Acórdão n.º 120100.693 S1C2T1 Fl. 238 3 referido mês de setembro de 2003 no valor de R$1.638.102,33, portanto inferior ao valor recolhido pela interessada. Ressalta a contribuinte que a divergência encontrada pela fiscalização decorreu da glosa de despesas de amortização de ágio consideradas indedutíveis no montante de R$ 75.522.243,87 (fl. 40) e Termo de Encerramento de Ação Fiscal referente ao processo n° 19647.010151/200783. Em sua manifestação de inconformidade a interessada afirma que, a suposta infração decorrente da adição das despesas de amortização de ágio relativos aos anos calendários de 2001 a 2006, afetam diretamente a compensação pleiteada na DCOMP em lide, e portanto se insurge contra a citada infração, que compõe o processo n° 19647.010151/200783, apresentando as razões de mérito (fls. 75 a 83), e concluindo que, tendo em vista se encontrar perfeitamente legítima a operação praticada pela contribuinte, motivo pelo qual permanece a existência de saldo credor da CSLL relativa ao mês de setembro de 2003, a fiscalização se equivocou ao afirmar que a estimativa mensal somente poderia ser utilizada como dedução da CSLL devida no ajuste anual, "uma vez que o saldo credor de CSLL no mês de setembro de 2003 foi utilizado para compensação com débito de dezembro de 2004 (débito de período seguinte)" (sic). Do Pedido Diante das razões apresentadas a interessada requer: I. que o julgamento da presente manifestação de inconformidade seja em conjunto com a impugnação apresentada no processo n° 19647.010151/200783; II. caso não seja acatado o requerido no item I, o sobrestamento do presente processo de acordo com o disposto no art. 265, inciso IV do CPC, até o desfecho do processo n° 19647.010151/200783, consoante, entendimento emanado pelo Conselho de Contribuintes, no sentido de a DRF Recife se abster de qualquer ato de cobrança do débito da COFINS relativa a dezembro de 2004; III. caso ultrapassado os requerimentos emanados nos itens I e II, que seja reformado o Despacho Decisório em lide com base nas alegações de mérito apresentadas. A DRJ manteve a decisão da DRF quanto à não homologação da compensação, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 30/09/2003 COMPENSAÇÃO. REQUISITO. Fl. 238DF CARF MF Impresso em 03/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 19647.008587/200711 Acórdão n.º 120100.693 S1C2T1 Fl. 239 4 Nos termos do art. 170 do CTN, somente são compensáveis os créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA MENSAL IMPOSSIBILIDADE. O valor pago a maior de IR ou de CSLL a título de estimativa mensal não pode ser compensado com débitos dos meses subseqüentes, em sendo o regime de tributação pelo lucro real anual. O valor pago a maior só pode ser utilizado na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração, ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A contribuinte foi cientificada da decisão da DRJ e apresentou Recurso Voluntário em 09/10/2009, alegando, em linhas gerais, os mesmos fundamentos trazidos na impugnação. Este é o relatório! Voto Conselheiro RAFAEL CORREIA FUSO O Recurso é tempestivo e atende aos requisitos legais, por isso o conheço. Inicialmente, não vislumbro razoabilidade, proporcionalidade e coerência em não se reconhecer o direito creditório, tão somente porque não atendeu o disposto no artigo 10 da IN n° 600/2005. O excesso de formalismo exigido pela referida IN sobrepõese à sua função regulatória, destacando o fato de que o crédito, sob o ponto de vista das provas trazidas nos autos, é inquestionável, quando se considera que a despesa com o ágio foi legítima, ainda mais quando se está diante de uma regra (artigo 10 da IN 600/2005), que foi inclusive revogado, sendo que a exigência da constituição do saldo credor na DIPJ para depois servir de crédito em compensações desapareceu do nosso ordenamento, não sendo restabelecida na IN que a substituiu. Sobre a matéria vejamos o entendimento da jurisprudência desse E. Tribunal: Ementa ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Fl. 239DF CARF MF Impresso em 03/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 19647.008587/200711 Acórdão n.º 120100.693 S1C2T1 Fl. 240 5 Ano calendário: 2003 (Estimativa). O pagamento indevido de estimativas de IRPJ ou CSLL, por erro do contribuinte, que não foi convertido em saldo negativo pode ser restituído/compensado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. (Recurso 511076, Processo n° 10768.909769/200671, Rel. Conselheiro Marcos Rodrigues de Mello, julgado em 26/05/2011) Portanto, não será pelo aspecto formal trazido nos enunciados do texto regulatório que impedirá o reconhecimento do crédito e a legalidade da compensação da Recorrente. Quanto à questão do recolhimento da estimativa de setembro/2003 a maior, usada na compensação, a despeito do entendimento da fiscalização em glosa a despesa do ágio e considerar que houve recolhimento a menor de CSLL, tal entendimento não pode prevalecer. Isso porque, como visto, no acórdão proferido nos autos do processo administrativo n° 19647.01051/200783 a dedutibilidade do ágio é legítima, fazendo, portanto, referência aos fundamentos trazidos no acórdão que deu provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. Diante do exposto, CONHEÇO do Recurso, e no mérito, DOULHE provimento, para reconhecer e homologar a compensação efetuada pela contribuinte. É como voto (documento assinado digitalmente) RAFAEL CORREIA FUSO Relator Fl. 240DF CARF MF Impresso em 03/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO
score : 1.0
Numero do processo: 15374.001482/2008-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 18/03/2005
PIS. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CRÉDITO CONFIRMADO EM DILIGÊNCIA.
Deve ser reconhecido o direito crédito em favor do contribuinte quando o crédito é confirmado em diligência.
FORMA DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO DO PIS JÁ DISCUTIDA NA ESFERA JUDICIAL PARA O MESMO PERÍODO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO. CONCOMITÂNCIA. SÚMULA Nº 01 DO CARF.
A opção pelo ajuizamento de ação judicial de demanda com o mesmo objeto da via administrativa importa renúncia desta última pela Contribuinte, em atendimento à Súmula nº 01, in verbis:
SÚMULA Nº 01
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da consoante do processo judicial.
Numero da decisão: 3401-002.251
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer da parte do recurso cuja matéria foi submetida ao Judiciário e, na parte conhecida, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente.
JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl (Suplente), Jean Cleuter Simões Mendonça, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Fernando Marques Cleto Duarte e Ângela Sartori.
Nome do relator: JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 18/03/2005 PIS. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CRÉDITO CONFIRMADO EM DILIGÊNCIA. Deve ser reconhecido o direito crédito em favor do contribuinte quando o crédito é confirmado em diligência. FORMA DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO DO PIS JÁ DISCUTIDA NA ESFERA JUDICIAL PARA O MESMO PERÍODO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO. CONCOMITÂNCIA. SÚMULA Nº 01 DO CARF. A opção pelo ajuizamento de ação judicial de demanda com o mesmo objeto da via administrativa importa renúncia desta última pela Contribuinte, em atendimento à Súmula nº 01, in verbis: SÚMULA Nº 01 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da consoante do processo judicial.
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MÁQUINAS E SERVIÇOS LTDA Recorrida DRJ RIO DE JANEIRO II/RJ ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 18/03/2005 PIS. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CRÉDITO CONFIRMADO EM DILIGÊNCIA. Deve ser reconhecido o direito crédito em favor do contribuinte quando o crédito é confirmado em diligência. FORMA DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO DO PIS JÁ DISCUTIDA NA ESFERA JUDICIAL PARA O MESMO PERÍODO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO. CONCOMITÂNCIA. SÚMULA Nº 01 DO CARF. A opção pelo ajuizamento de ação judicial de demanda com o mesmo objeto da via administrativa importa renúncia desta última pela Contribuinte, em atendimento à Súmula nº 01, in verbis: “SÚMULA Nº 01 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da consoante do processo judicial”. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer da parte do recurso cuja matéria foi submetida ao Judiciário e, na parte conhecida, em dar provimento ao Recurso Voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 00 14 82 /2 00 8- 18 Fl. 1125DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 03 /07/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA 2 JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente. JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl (Suplente), Jean Cleuter Simões Mendonça, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Fernando Marques Cleto Duarte e Ângela Sartori. Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP’s, transmitidos em 2006 (fls.217/316) pedidos de ressarcimento de crédito do PIS, oriundos de ação judicial transitada em julgado em 18/03/2005, no valor total de R$ 120.903.554,10 (cento e vinte milhões, novecentos e três mil, quinhentos e cinqüenta e quatro reais e dez centavos), para compensar com o débito do PIS e da COFINS dos meses maio a setembro de 2006 e de abril de 2007, bem como do IRPJ e da CSLL d e junho de 2006. No Relatório Fiscal (fls.369/374), o auditorfiscal destacou que a decisão judicial autorizou a compensação somente para o mesmo tipo de débito dos créditos, isto é, somente para o PIS. Além disso, também foi relatado que os créditos referentes aos fatos geradores ocorridos entre novembro de 1991 e maio de 1993 não poderiam ser tratados neste processo, pois foram questionados em outro Mandado de Segurança. Por fim, ao analisar os créditos e os débitos, negando a aplicação da semestralidade, o auditorfiscal chegou à conclusão de que não restava crédito em favor da Contribuinte, razão pela qual recomendou que fosse negado o direito creditório. O Relatório Fiscal foi acolhido e o direito creditório foi negado (fl.376). A Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls.420/441). Em primeira análise (fls.925/933), a DRJ Rio de Janeiro II/RJ reconheceu o direito de apuração dos créditos, aplicandose o critério da semestralidade, e converteu o julgamento em diligência para que os créditos fossem recalculados. No Relatório de Diligência (fls.1011/1012), concluiuse que a Contribuinte tem direito creditório no valor de R$ 23.895.500,47 (vinte e três milhões, oitocentos e noventa e cinco mil, quinhentos reais e quarenta e sete centavos). Em sua Manifestação (fls.1017/1020), a Contribuinte concordou com o valor apurado relativo aos períodos de outubro de 1990 a outubro de 1991 e de junho de 1993 a setembro de 1995, mas frisou que, além dos créditos reconhecidos, tem direito ao crédito do período compreendido entre novembro de 1991 e maio de 1993, pois, no outro Mandado de Segurança (nº 91.01366203), no qual foram feitos depósitos judiciais relativos a este período, a União fez levantamento de valor indevido, visto que não aplicou a semestralidade no cálculo do valor levantado. Apesar do resultado da diligência, a DRJ manteve o indeferimento do direito creditório, prolatando Acórdão (fls.1082/1090) com a seguinte ementa: Fl. 1126DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 03 /07/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 15374.001482/200818 Acórdão n.º 3401002.251 S3C4T1 Fl. 1.124 3 “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Período de apuração: 01/11/1991 a 31/05/1993 Processo judicial transitado em julgado Quando se verifica coisa julgada material, não mais se admite nova discussão sobre a correta apuração da contribuição para o PIS, em prol da necessidade de se promover a segurança jurídica. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/1990 a 31/10/1991, 01/06/1993 a 31/10/1995 Ausência de litígio Inexiste litígio quando o contribuinte concorda com o valor do direito creditório reconhecido pela autoridade administrativa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido”. A Contribuinte tomou ciência do Acórdão da DRJ em 23/11/2011 (fl.1093) e interpôs Recurso Voluntário em 22/12/2011 (fls.1095/1116), com as alegações resumidas abaixo: 1 A Decisão da DRJ é nula, por não ter se pronunciado quanto às compensações do PIS, cujo direito creditório já foi reconhecido pela própria Receita Federal; 2 O Mandado de Segurança nº 91.01366203 não tratou da semestralidade do PIS, mas tãosomente da alíquota aplicável ao pagamento desse tributo. A questão acerca da semestralidade foi tratada somente no MS nº 2000.51.01.0262438 e, neste processo, foi reconhecido o direito à semestralidade de todos os períodos compreendidos entre outubro de 1990 e 1995, o que incluiu o período tratado no primeiro MS; 3 Como não houve decisão em relação à semestralidade nos períodos entre novembro de 1991 e maio de 1993, não houve coisa julgada material. Por isso, a matéria pode ser discutida; Ao fim, a Recorrente pediu o seguinte: Fl. 1127DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 03 /07/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA 4 Seja reconhecido o direito creditório da Recorrente para compensação do PIS, referente aos valores já reconhecidos na diligência; alternativamente, que seja declarado nulo o acórdão da DRJ em razão da omissão; e que seja reconhecido o direito creditório em relação aos PIS do período entre novembro de 1991 e maio de 1993. É o Relatório. Voto Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça O Recurso é tempestivo a atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Pelo MS nº 2000.51.01.0262438, que tramitou na 27a Vara Federal da Seção Judiciária do Rio de Janeiro, a Recorrente conseguiu o direito de ressarcir o crédito do PIS recolhido indevidamente entre outubro de 1990 e outubro de 1991 e entre junho de 1993 e outubro de 1995, em razão de, nesses períodos, ter recolhido a referida contribuição com base nos Decretosleis nº 2.445 e 2.449/88. Ocorre que a Fazenda não reconheceu o direito em relação ao período compreendido entre novembro de 1991 e maio 1993, por entender que se tratava de coisa julgada, em razão de a Recorrente ter efetuado depósito judicial desse período durante o trâmite de outro processo, o MS n º 91.01366203, que tramitou na 18a Vara Federal da Seção Judiciária do Rio de Janeiro. A DRJ Rio de Janeiro II/RJ manteve o indeferimento em relação ao período de novembro de 1991 a maio de 1993 e ficou omissa quanto aos demais períodos, cujo direito creditório foi reconhecido em diligência ordenada pela própria DRJ, por entender que houve falta de litígio, haja vista a Contribuinte não ter discordado da diligência. Em seu Recurso Voluntário, a Recorrente pede o reconhecimento dos créditos já confirmados e direito creditório em relação aos períodos de novembro de 1991 a maio de 1993, de modo que as matérias devolvidas para apreciação por este Conselho são as seguintes: Reconhecimento do direito ao crédito já confirmado em diligência, ou nulidade do acórdão da DRJ por omissão; coisa julgada em relação ao período entre novembro de 1991 e maio 1993. 1. Dos créditos confirmados em diligência Como já relatado, na primeira análise, a DRJ converteu o julgamento em diligência. Na diligência, depois de se refazer o cálculo, aplicandose a semestralidade, chegou se à conclusão de crédito em favor da Recorrente no montante de R$ 23.895.500,47 (vinte e três milhões, oitocentos e noventa e cinco mil, quinhentos reais e quarenta e sete centavos). Contudo, a DRJ não declarou o direito crédito da Recorrente, por entender pela falta de litígio, em razão de a Contribuinte ter concordado com o resultado da diligência. No caso em tela, ao contrário do decidido pela DRJ, não houve falta de litígio, pois a Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade quanto ao Despacho Decisório. Apesar de a Contribuinte ter concordado com o resultado da diligência, sua Fl. 1128DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 03 /07/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 15374.001482/200818 Acórdão n.º 3401002.251 S3C4T1 Fl. 1.125 5 impugnação ao Despacho Decisório permaneceu válida, principalmente pelo fato de o resultado da diligência ser contrário ao decidido em Despacho Decisório, de modo que o pedido de cálculo dos créditos com base na semestralidade e o conseqüente reconhecimento do crédito era pedido que deveria ter sido apreciado. Muito embora a DRJ tenha reconhecido a aplicação da semestralidade logo na primeira análise, ela não declarou o direito ao crédito reconhecido na diligência, configurando, pois, a omissão. Como a própria delegacia de origem reconheceu o direito creditório no valor de R$ 23.895.500,47(vinte e três milhões, oitocentos e noventa e cinco mil, quinhentos reais e quarenta e sete centavos), reconheço o direito creditório nesse montante, para homologar as compensações do PIS apresentadas até esse limite. 2. Coisa julgada em relação ao período entre novembro de 1991 e maio 1993 A Recorrente pretende o reconhecimento do seu direito creditório em relação ao período compreendido entre novembro de 1991 e maio de 1993, contudo a Fazenda negou o direito, sob argumento de que o Mandado de Segurança nº 2000.51.01.0262438 (iniciado no ano de 2000), que reconheceu o direito à compensação, não abrange esse período, haja vista o depósito judicial da apuração desse período no MS n º 91.01366203 (iniciado em 1991), razão pela qual, segundo a autoridade fiscal e a DRJ, não se pode mais discutilos em razão da coisa julgada. Em sua defesa a Recorrente alega que não houve coisa julgada, pois nos dois mandamus tratam de objetos diferentes, haja vista que: “a primeira demanda busca o reconhecimento do direito da Recorrente deixar de recolher o PIS com base no Decretolei nº 2445/88, enquanto que não segunda demanda o mandado de segurança questiona não só a apuração do PIS com base nos Decretoslei nº 2445/88 e 2449/88, mas em especial a sistemática de apuração da contribuição com base na semestralidade”. Nas fls. 7 e 8 destes autos, encontrase a emenda à inicial ao MS nº 2000.51.01.0262438, pela qual foram corrigidos os pedidos “a” e “c”, os quais ficaram da seguinte forma (fl.123): a) o deferimento liminar do pedido para suspender a eficácia das Instruções Normativas nºs 21, de 1993, 21 e 37, ambas de 1997, que impedem o exercício do direito consagrado nos artigos 66, Fl. 1129DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 03 /07/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA 6 da Lei nº 8.383/91,74, da Lei nº 9.430/96, e 12, do Decreto nº 2.138/97, autorizando a compensação dos valores de PIS recolhidos indevidamente no período compreendido entre julho de 1989 e outubro de 1995, apurados na forma estabelecida pelos Decretosleis n. 2.445 e 2.449, de 1988, recalculando as quantias que deviam ter sido recolhidas com base no artigo 6º, parágrafo único, da Lei Complementar nº 7/70 (faturamento do sexto mês anterior ao de referência, sem correção monetária), bem como para suspender a exigibilidade do crédito tributário relativo As compensações efetuadas pela impetrante com futuros débitos de PIS, de COFINS, de Contribuição Social sobre o Lucro, de IPI e de Imposto de Renda; c) após os procedimentos legais, o julgamento pela procedência do pedido para assegurar à impetrante o afastamento definitivo da aplicação das restrições das Instruções Normativas nºs. 93, de 1993, 21 e 37, ambas de 1997, da Secretaria da Receita Federal, impedindo qualquer procedimento administrativo tendente a punila pela prática da compensação, ressalvado o direito da autoridade impetrada de averiguar a idoneidade dos cálculos dos procedimentos compensatórios, reconhecendo seu direito de compensar os valores de PIS pagos indevidamente, no período entre julho de 1989 e outubro de 1995, acrescidos de correção monetária plena e de juro remuneratório, das datas dos pagamentos indevidos até a efetiva compensação do crédito, adicionando, ainda, a partir de 1o de janeiro de 1996, a variação acumulada da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, com futuros débitos do PIS, da COFINS, da Contribuição Social' Sobre o Lucro, do IPI e do Imposto de Renda, com fundamento nos artigos 66, da Lei n° 8.383/91, e 74, da Lei II° 9.430/96, e 1g, do Decreto n° 2.138/97. (grifo nosso) O pedido “b”era tãosomente para que a Impetrada fosse intimada a prestar informações. Nesse MS, o direito à Compensação foi reconhecido no julgamento da Apelação, pelo TRF da 2a Região. O voto do acórdão que deu parcial provimento à apelação ficou com o seguinte dispositivo: “i) afastar a decadência do direito de manejar o 'writ' (art. 18 da Lei 1.53351), na medida em que atestada a natureza preventiva desta ação; ii) elidir parcialmente a prescrição quanto as parcelas recolhidas a título de PIS posteriores a outubro de 1990, e julgar parcialmente procedente o pedido, declarando o direito do ora impetrante de compensar o indébito relativo Aquela contribuição no período compreendido entre outubro de 1990 a outubro de 1995, que deverá operar com débitos vencidos e vincendos de PIS, nesta ordem. Indevida a compensação com outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal; a despeito da normatividade constante do art. 74 da Lei Fl. 1130DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 03 /07/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 15374.001482/200818 Acórdão n.º 3401002.251 S3C4T1 Fl. 1.126 7 9.43096, porquanto diz respeito a fatos geradores anteriores ao referido diploma legal. iii) em relação à correção monetária dos valores recolhidos indevidamente, seja observada a variação do IPC no período de março de 1990 ate a promulgação da Lei 8.17791, quando então deverá ser aplicado o 1NPC. Com a entrada em vigor da Lei 8.38391, deverá ser aplicado como fator de reajuste a UFIR. Juro da mora na base de 1% (um por cento ao mês), a partir do trânsito em julgado, admitida a utilização da taxa SELIC a partir da vigência da Lei 9.25095. iv) Custas, ex lege. Sem honorários advocatícios, nos termos do Enunciado n° 512 do Supremo Tribunal Federal e Enunciado 105 do Superior Tribunal de Justiça. (grifo nosso) No Mandado de Segurança n º 91.01366203, cuja inicial foi protocolada em 1991, o pedido da Recorrente, Impetrante naquela ocasião, foi o seguinte (fls. 474/475): 39. Dessa forma, diante da iminente violação desse direito pela autoridade Impetrada, a Impetrante requer lhe seja concedida, inaudita altera parte, MEDIDA LIMINAR para que a autoridade impetrada se abstenha de efetuar qualquer cobrança de PIS da Impetrante. Em garantia A concessão dessa medida e também como forma de impedir a exigibilidade do correspondente crédito tributário, a Impetrante oferece o depósito judicial dos valores correspondentes ao PIS supostamente devidos a partir da data da concessão da liminar (conforme atualmente exigido pela autoridade impetrada Quadro Modelo n2 01), o que desde já requer lhe seja deferido, com a oportuna expedição das respectivas guias de depósito. 40. Uma vez deferida a liminar, a Impetrante requer a expedição de oficio ao Ilmo. Sr. Delegado da Receita Federal no Rio de Janeiro, a fim de que a referida autoridade tome conhecimento do deferimento da medida liminar e se abstenha de cobrar o PIS supostamente devido pela Impetrante, tudo com os efeitos de que trata o artigo 151, IV do Código Tributário Nacional. 41. Ao final, a Impetrante espera lhe será concedida a segurança, garantindose o seu direito líquido e certo de não recolher a contribuição para o PIS, em razão da ausência de base legal para sua cobrança, hipótese em que será levantado pela Impetrante o valor integral do depósito judicial efetuado em garantia a liminar. 42. Caso, todavia, V.Exa entenda possível a cobrança do PIS, o que aqui se admite apenas para argumentar, a Impetrante espera lhe será concedida a segurança para o fim de que tal contribuição seja recolhida apenas com fundamento na Lei Complementar nº 07/70 (Quadro Modelo nº 02), e não no Fl. 1131DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 03 /07/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA 8 Decretolei ns2 2.445/88, determinandose, assim, o levantamento parcial do depósito judicial, no montante equivalente à diferença entre o PIS depositado (conforme atualmente exigido) e o valor que seria efetivamente devido consoante a Lei complementar nº 07/70 (Quadro Modelo nº 03) e sendo o saldo remanescente convertido em receita correspondente ao PIS devido pela Impetrante. 43. A Impetrante requer, finalmente, que V.Exa. se digne de mandar oficiar a autoridade Impetrada, a fim de que preste as informações de praxe, nos termos da legislação em vigor”. (grifo nosso) A Sentença deste Mandado de Segurança (fl. 488), confirmada pelo TRF da 2a Região, teve o seguinte dispositivo: “ISTO POSTO, CONCEDO A SEGURANÇA, nos termos do pedido, confirmando a liminar e, declarando a Inconstitucionalidade dos Decretosleis nºs. 2445/88 e 2449/88, eximindo a Impetrante do pagamento da contribuição do PIS na forma e montante neles previstos, prevalecendo para efeito de recolhimento a Lei Complementar nº 07/70. Custas ex lege Sem honorários advocatícios (Súmula 512 do STF). Decorrido o prazo recursal, remetamse ao Egrégio Tribunal Regional Federal da 2a Região para reexame obrigatório (art. 12, parágrafo único da Lei nº 1533/51). Observando o dispositivo do MS n º 91.01366203, que tratava dos meses de novembro de 1991 a maio de 1993, notase que a sentença impôs que o PIS fosse recolhido com base na Lei Complementar nº 7/70. A semestralidade, por sua vez, está disposta na Lei Complementar nº 7/70, Parágrafo Único, do art. 6o. Assim sendo, é clara a concomitância neste objeto, vez que já leva à apreciação do judiciário. Isso impede a conhecimento desta matéria pelo CARF, em razão do que dispõe a Súmula nº 1 deste Conselho, in verbis: “Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial”. Por essa razão, deixo de conhecer da matéria atinente à semestralidade. Fl. 1132DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 03 /07/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 15374.001482/200818 Acórdão n.º 3401002.251 S3C4T1 Fl. 1.127 9 Ex positis, não conheço o Recurso Voluntário na parte que trata do período de novembro de 1991 a maio de 1993, em razão da concomitância. Na parte conhecida, dou provimento ao Recurso Voluntário, para reformar parcialmente o acórdão da DRJ, determinando a homologação das compensações dos créditos apurado na diligência de fls. 1011 e 1012. É como voto. Jean Cleuter Simões Mendonça Relator Fl. 1133DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 03 /07/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA
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Numero do processo: 10580.725749/2009-80
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Aug 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2007 a 30/11/2008
DISCRIMINAÇÃO DOS FATOS GERADORES. INSUFICIÊNCIA. NULIDADE DO LANÇAMENTO.
O lançamento deve discriminar os fatos geradores das contribuições previdenciárias de forma clara e precisa, bem como o período a que se referem, sob pena de cerceamento de defesa e conseqüente nulidade.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2403-002.072
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, reconhecendo o vício material por erro na identificação da base de cálculo e pelo cerceamento do direito de defesa.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Marcelo Magalhães Peixoto - Relator
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Freitas de Souza, Ivacir Júlio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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INSUFICIÊNCIA. NULIDADE DO LANÇAMENTO. O lançamento deve discriminar os fatos geradores das contribuições previdenciárias de forma clara e precisa, bem como o período a que se referem, sob pena de cerceamento de defesa e conseqüente nulidade. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, reconhecendo o vício material por erro na identificação da base de cálculo e pelo cerceamento do direito de defesa. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Freitas de Souza, Ivacir Júlio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 57 49 /2 00 9- 80 Fl. 282DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/07 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto SP, que entendeu por manter em parte a autuação constante do DEBCAD n. 37.218.4359 (Parte Empregado). O DEBCAD foi lavrado em decorrência do MPFF n. 05.1.02.002008 008143, para fiscalização no período de 01/2005 a 12/2005 para realização de fiscalização seletiva com o objetivo de analisar as contribuições incidentes sobre as remunerações de segurados empregados e contribuintes individuais (prestadores de serviços diversos) e Obras de construção civil matriculada sob responsabilidade própria e de terceiros. Os fatos foram narrados no relatório fiscal, fls. 29/41: 2.4. Todo o trabalho foi realizado através da averiguação dos resumos de folhas de pagamentos efetivamente apresentadas, contratos de prestação de serviços, Notas Fiscais de prestação de serviços efetivamente apresentadas em meio papel, Livro Diário e Livro Razão. 2.5. Foi realizado o confronto das folhas de pagamentos apresentadas e GFIP`s – Guias de Recolhimento do FGTS e Informações a Previdência Social consultadas nos sistemas CNISA/ÁGUIA/GFIPWEB/ 2.6. Foram encontradas divergências de Base de Cálculo e desconto de segurados entre os resumos de folhas de pagamento apresentadas em meio papel confrontadas com os valores Declarados em GFIP, conforme planilha planilhas Divergências FOPAG X GFIP. (...) 2.8. Foram encontradas ainda, pagamentos a contribuintes individuais (prestadores de serviços em geral) no Livro Razão, Conta 10582 – 3.2.02.02.012 Serviços Prestados PF e Conta 15303 – 3.3.02.02.003 – Serviços Prestados PF, sem terem sido oferecidos à tributação, sem constar em folha de pagamento e GFIP, bem como sem o respectivo desconto da “parte segurados”, prevista na Lei 10.666/2003, motivo pelo qual será lavrado auto de infração por descumprimento de obrigação acessória. A contribuição dos contribuintes individuais prevista na Lei 10.666/2003, foi calculada à alíquota de 11% respeitando teto limite do salário de contribuição vigente à época. 2.9. Foram considerados no procedimento fiscal, todos os pagamentos feitos em época própria através de GPS – Guia da Previdência Social cód. 2100, 2119, 2631,2208, 2216 e 2658. Foram considerados ainda os valores de compensação declarados em GFIP. Foram considerados ainda os valores de compensação e dedução salário família e maternidade declarados em GFIP. (...) Fl. 283DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/07 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10580.725749/200980 Acórdão n.º 2403002.072 S2C4T3 Fl. 3 3 IV – DO LANÇAMENTO 4.1. O sujeito passivo identificado em epígrafe está sendo notificado do débito especificado a seguir, através do presente Auto de Infração – AI, devendo recolher à Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB, débito no montante de R$ 49.410,23(quarenta e nove mil, quatrocentos e dez reais e vinte e três centavos), referente às contribuições sociais previstas no art. 11, parágrafo único, alínea “c”, art. 20 da Lei n. 8.212 de 24/07/1991. 4.2. O débito referese a contribuições previdenciárias de segurados não retidas e não recolhidas à Seguridade Social na época própria, no período de 04/2005 a 09/2005. (...) DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com o lançamento, a empresa contestou o presente Auto de Infração por meio do instrumento de fls. 172/183. DA DECISÃO DA DRJ Após analisar os argumentos da então impugnante, a 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador/BA, prolatou, em 14 de março de 2012, o Acórdão n. 1530.117, fls. 239/247, na qual julgou pela parcial procedência da Impugnação ofertada para excluir valores apurados equivocadamente pela autoridade fiscal, conforme excerto do voto abaixo transcrito: 11. Alega o Impugnante que, nos meses de agosto e setembro de 2005, foi cobrada contribuição previdenciária sobre os valores de R$ 91.719,60 e R$ 83.977,16, respectivamente, ambos relativos ao levantamentos “AF3 – NF Prefeitura Boquira”. Ocorre, todavia, que os valores das bases de cálculo apuradas através do levantamento AF3 são R$ 31.500, e R$ 21.000,00, conforme tabela e Anexo VIII ao Auto de Infração, sendo que tais valores já foram cobrados nos meses de abril e maio mediante (errônea) vinculação aos levantamentos AF2. Não há nenhuma nota fiscal nos demonstrativos de aferição indireta que levasse à cobrança de contribuição previdenciária sobre os valores de R$ 91.719,60 e R$ 83.977,16, muito menos que fosse emitida nos meses de agosto ou setembro de 2005. 12. Procede o argumento do Impugnante. Em nenhum das planilhas juntadas pela fiscalização nos presentes autos são encontradas referências às Notas Fiscais 1002, 1020 e 1021, consignadas no RL relativa ao Levantamento “AF3 – NF Prefeitura Boquira”, nas competências 08/05 e 09/05, bem como não foram juntadas as referidas notas fiscais aos autos no item do eprocesso “Documentos Comprobatórios – Outros – NOTAS FISCAIS AFERIÇÃO”. Assim, improcede o lançamento das contribuições sociais das competências 08/05 e 09/05 do Levantamento “AF3 – NF Boquira”, no valor total líquido de Fl. 284DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/07 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 R$7.337,57 e R$ 3.868,99, respectivamente, além dos acréscimos legais. (...) 14. Assiste razão ao Impugnante ao afirmar que o Levantamento AF1, no qual estão inseridas as contribuições previdenciárias cujas bases de cálculo foram aferidas indiretamente a partir das Notas Fiscais nº 969 e 989 nas competências 05/05 e 06/05, é improcedente. Conforme aludiu o Autuado, as referidas Notas Fiscais emitidas no bojo da OS 354, cujos fatos geradores foram lançados a partir da contabilidade (Levantamento “RF3 – RAZAO FOPAG TOMADORES”) ou da folha de pagamento (Levantamento “Z12 – TSN – ATE 11/08”), nas competências 01/2005, 03/2005, 05/2005, 06/2005 e 07/2005, no Auto de Infração DEBCAD nº 37.218.4383 (Processo nº 10580.725752/200901). 15. As Notas Fiscais nº 969 e 989, juntadas ao eprocesso pela fiscalização no item “Documentos Comprobatórios – Outros – NOTAS FISCAIS AFERIÇÃO”, fls. 46/50, embora não façam referência ao contrato nº 834.2.007.049, se remetem ao contrato jurídico 0801.0007591.04.2 e ao contrato R/3 4600169404, os quais também constam de algumas Notas Fiscais juntadas pela fiscalização no item “Documentos Comprobatórios – Outros – FOPAG CONTRATO E NOTAS FISCAIS DA OS 354”, do Auto de Infração DEBCAD nº 37.218.4383 (Processo nº 10580.725752/200901). 16. Assim, concluise que as Notas Fiscais nº 969 e 989 foram emitidas em razão do mesmo contrato com a Petrobras e, como foram lançadas as contribuições previdenciárias nas competências 05/05 e 06/05 a partir das folhas de pagamento ou da contabilidade, não há que se falar em aferição indireta da base de cálculo nessas competências, haja vista que não deixou, o Impugnante, de apresentar contrato, folhas de pagamento e declaração em GFIP referente ao tomador de serviço (Petrobrás – Aditivo 02 CONTRAT08010007591042). Portanto, é improcedente o Levantamento AF1 e ora é excluído do débito. Constatados os equívocos acima indicados, a ementa assim consignou: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2005 a 30/09/2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados. AFERIÇÃO INDIRETA. LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE. RETROAÇÃO. Fl. 285DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/07 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10580.725749/200980 Acórdão n.º 2403002.072 S2C4T3 Fl. 4 5 O procedimento de aferição indireta trazido por legislação superveniente à ocorrência do fato gerador retroage por se tratar de novo critério de apuração, com respaldo no § 1º do art. 144 do CTN. ERRO MATERIAL. SANEAMENTO. As irregularidades, incorreções e omissões, diferentes das referidas no artigo 59, incisos II e III, do Decreto nº 70.235, de 1972, não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. PLANILHA. REFERÊNCIA. RELATÓRIO DE LANÇAMENTOS. INEXISTÊNCIA. LEVANTAMENTO. IMPROCEDÊNCIA. A ausência de planilha a que se remete o Relatório de Lançamentos implica na improcedência do Levantamento. AFERIÇÃO INDIRETA. INAPLICABILIDADE. FOLHAS DE PAGAMENTO. CONTRATO. CONTABILIDADE. APRESENTAÇÃO. As notas fiscais identificadas como emitidas em razão do mesmo contrato, pelo qual houve apresentação de contrato e folhas de pagamento, além de constar na contabilidade, não podem ser utilizadas para aferição indireta da base de cálculo. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte. Acordam os membros da 6ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, considerar PROCEDENTE EM PARTE o lançamento, excluindo a Contribuição Previdenciária no valor de R$ 19.288,37 (dezenove mil, duzentos e oitenta e oito reais e trinta e sete centavos), relativa à retificação realizada, mantendo, da Contribuição Previdenciária lançada, o valor atualizado de R$ 4.200,00 (quatro mil e duzentos reais), juntamente com os acréscimos legais correspondentes, nos termos do voto e sua fundamentação. DO RECURSO Irresignado, o contribuinte interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário de fls. 251/272, requerendo a reforma do Acórdão, com os seguintes argumentos, em suma: Impossibilidade de aferição indireta em razão da aplicação da IN SRP nº 03/2005, com entrada em vigor em momento posterior à ocorrência de fato gerador. Nesta senda, afirma que o arbitramento da base de cálculo reporta diretamente a esta última, evidenciando, assim, o seu caráter material, razão pela qual, se valeria da irretroatividade tributária. Fl. 286DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/07 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 Nulidade do Auto de Infração em virtude dos inúmeros erros efetuados pela autoridade fiscal para a apuração da base de cálculo, evidenciando a inidoneidade dos lançamentos realizados. Incorreta aplicação da multa, uma vez que o comparativo foi feito de forma equivocada. É o relatório. Fl. 287DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/07 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10580.725749/200980 Acórdão n.º 2403002.072 S2C4T3 Fl. 5 7 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator DA TEMPESTIVIDADE Conforme o documento de fls. 279, tenho o recurso por tempestivo e, por estarem presentes os demais requisitos, adentro ao mérito da questão. DA AFERIÇÃO INDIRETA Sobrevém a Recorrente alegar a impossibilidade da aplicação da aferição indireta, por ser regulada, no momento do lançamento, pela IN SRP nº. 03/2005, com vigor em momento posterior a ocorrência dos fatos geradores analisados. Isso porque, por tratar de procedimento relacionado à base de cálculo, estaria incorrendo no aspecto material do tributo, razão pela qual não haveria retroatividade da norma, nos termos do art. 144 do CTN. Contudo, não merece guarida os argumentos tecidos pela Recorrente. Muito embora se tratar de um critério excepcional para a apuração da base de cálculo, tal fato não enseja a qualificação das normas a ele concernentes como materiais. Isso porque o arbitramento não deixa de ser um procedimento, que regula e determina a base de cálculo nos casos em que há omissão/sonegação de documentos fiscais, nos termos do art. 33, § 3º, da Lei nº. 8.212/91: § 3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Nestes termos, é inconteste que o arbitramento da base de cálculo constitui um método de apuração adotado pelo Fisco para impedir a impunidade dos contribuintes omissos ou sonegadores quanto às informações necessárias para a devida apuração da base de cálculo. Portanto, por se tratar de um aspecto puramente procedimental, é que a aferição indireta encontra respaldo na exceção prevista no § 1º do art. 144 do CTN, in verbis: Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os Fl. 288DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/07 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 8 poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. Evidente, pois, que a aferição indireta urge a aplicação imediata de seus efeitos, em razão do aspecto procedimental que esta se reveste, nos termos do dispositivo acima transcrito. Neste toar, mister se faz a colocação do Conselheiro Relator Marcelo Oliveira no Acórdão nº. 20500.059, proferido pela 5ª Câmara do Segundo Conselho dos Contribuintes em relação ao Processo nº. 37001.000076/200639, sessão de 20 de novembro de 2007, in verbis: Quanto à forma de cálculo para a aferição, a fiscalização seguiu o que determina o CTN, pois foi utilizado somente um novo critério de apuração. Como regra geral, a lei aplicável ao lançamento é a lei que estava vigente na data da ocorrência do fato gerador (CTN, art. 144). O fato de ser a lei aplicável ao lançamento aquela em vigor na data do fato gerador, mesmo que já revogada na data do lançamento, é denominado princípio da ultratividade da lei tributária. Dizer que uma lei é ultrativa significa exatamente isso: ela é a lei que rege os fatos geradores ocorridos durante sua vigência e será ela a lei aplicada, mesmo que, no momento de sua aplicação, não mais esteja mais vigendo. Como exceção a esse princípio, o § 1º do art. 144 do CTN estabelece regra. Trata ele de hipóteses em que será aplicada ao lançamento uma lei que não estava ainda vigente na data da ocorrência do fato gerador. Nesses casos, a lei retroagirá para alcançar fatos geradores ocorridos antes do início de sua vigência. É a seguinte a sua redação: (...) Esse dispositivo traz para o âmbito do Direito Tributário a regra geral segundo a qual as leis processuais (nesse ramo do Direito, o mais correto é falar em leis procedimentais) têm aplicação imediata. (...) O CTN autoriza a utilização, no lançamento, de lei posterior à ocorrência do fato gerador que tenha alterado critérios de apuração, por exemplo, um determinado parâmetro de amostragem ou um método de arbitramento/aferição, enfim, procedimentos relacionados à matéria de fato. Por oportuno, eis que se refere à aplicação da IN SRP nº. 03/2005, colaciona se excerto do voto vencedor proferido pelo Conselheiro Redator Designado Kleber Ferreira de Araújo, no Acórdão 280600.041, da 6ª Turma Especial da Segunda Seção de Julgamento do Fl. 289DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/07 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10580.725749/200980 Acórdão n.º 2403002.072 S2C4T3 Fl. 6 9 CARF, em relação ao Processo nº. 35183.003307/200721, sessão de 10 de março de 2009, a seguir: A utilização dos percentuais estabelecidos na IN SRP n.º 03/2005 a serem aplicados sobre os valores das notas fiscais de serviço para obtenção das bases de cálculo das contribuições não merece revisão. Foram utilizados os percentuais fixados no art. 605 da referida IN em função dos serviços executados. Por outro lado, como a Instrução Normativa apenas estabeleceu critérios de apuração da base de cálculo para os casos de aferição indireta, não há afronta ao princípio da anterioridade tributária a utilização dos percentuais por ela fixados, mesmo para fatos geradores ocorridos antes da sua edição. É de acordo com o art. 144, § 1.º do CTN (...). Temse, deste modo, que não subsistem razões para a inaplicação da aferição indireta ao caso em tela. DO CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA – DA NULIDADE – DO ERRO NA APROPRIAÇÃO DOS LEVANTAMENTOS O Recorrente afirma que o Auditor Fiscal ao transportar os valores constantes no documento de fl. 06 – Discriminativo de Débito, para o documento de fl. 07 – Relatório de Lançamentos, o fiscal laborou em erro, ao apropriar valores em um levantamento (AF3 – Prefeitura de Boquira), quando, na verdade, deveria ter sido realizado em outro (Z2AF2ATE 11/08). A DRJ reconheceu o erro e determinou a exclusão dos valores constantes nas competências 08/2005 e 09/2005, a totalidade do Levantamento AF3 – NF Prefeitura de Boquira. A DRJ narra o equívoco conforme as transcrições abaixo: “9. Alega o impugnante que, na competência 04/2005, foi calculada a contribuição previdenciária incidente sobre o valor de R$ 31.500,00, fazendo, para tanto, referência ao levantamento “Z2AF2ATE 11/08”. Mas a base de cálculo no valor de R$ 31.500,00, relativa ao mês de abril de 2005, não teria sido apurada através do levantamento AF 2, e sim através do AF3. O mesmo teria acontecido na competência 05/05. 10. De fato, equivocouse a fiscalização ao trazer os valores da planilha ‘Levantamento AF3’para o Relatório de Lançamentos (RL), onde foi consignado nos Levantamentos ‘AF2 – NF PREFEITURA PIATA’ e ‘Z2AF2ATE 11/08’. Contudo, tratase de mero erro material, que não altera o valor do débito, e não trouxe qualquer prejuízo ao impugnante que identificou o equívoco e tratou sobre ele em sua defesa, nos termos dos arts. 59 e 60 do Decreto n. 70.235, de 6 de março de 1972. Improcede, portanto, a alegação de cerceamento do direito de defesa. Fl. 290DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/07 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 10 Art. 59. São nulos: (...) 11. Alega o impugnante que, nos meses de agosto e setembro de 2005 foi cobrada contribuição previdenciária sobre os valores de R$ 91.719,60 e R$ 83.977,16, respectivamente, ambos relativos aos levantamentos “AF3 – NF Prefeitura Boquira”. Ocorre, todavia, que os valores das bases de cálculo apuradas através do levantamento AF3 são R$ 31.500,00 e R$ 21.000,00, conforme tabela e Anexo VIII ao Auto de Infração, sendo que tais valores já foram cobrados nos meses de abril e maio mediante (errônea) vinculação aos levantamentos AF2. Não há nenhuma nota fiscal nos demonstrativos de aferição indireta que levasse à cobrança de contribuição previdenciária sobre os valores de R$ 91.719,60 e R$ 83.977,16, muito menos que fosse emitida nos meses de agosto ou setembro de 2005. 12. Procede o argumento do Impugnante. Em nenhuma das planilhas juntadas pela fiscalização nos presentes autos são encontradas referências às Notas Fiscais 1002, 1020 e 1021, consignadas no RL relativa ao Levantamento ‘AF3 – NF Prefeitura de Boquira’, nas competências 08/05 e 09/05 do Levantamento “AF3 – NF Prefeitura Boquira”, no valor total líquido de R$ 7.337,57 e R$ 3.868,99, respectivamente, além dos acréscimos legais.” Afirmou a DRJ que não existiria nulidade total, uma vez que teria havido a identificação efetiva dos equívocos pelo impugnante, bem como o seu saneamento com a exclusão do valor indevido. O Recorrente por sua vez, afirma que nos Levantamentos AF1 (NF`s 969, 989), AF2 (NF 945) e AF3 (NF`s 959 e 968), foi efetuada a aferição indireta sobre notas fiscais de serviços de mão de obra, nos percentuais de 40% nos dois primeiros levantamentos e em 20% para o último, para tanto, elaborou a tabela abaixo, a qual acrescemos coluna à direita com o número da página dos autos da tabela elaborada pelo auditor da Receita Federal: Levantamento NF Data NF Valor NF % MOB Vlr MOB Doc. AF 1 696 03/05/2005 201.301,50 40% 80.520,60 Fl. 43 AF 1 989 15/06/2005 51.255,00 40% 20.502,00 Fl. 43 AF 2 945 10/02/2005 16.533,12 40% 6.613,25 Fl. 44 AF 3 959 08/04/2005 157.500,00 20% 31.500,00 Fl. 45 AF 3 968 02/05/2005 157.500,00 20% 21.000,00 Fl. 45 Ocorre que, na competência de 04/2005 (Levantamento Z2 – AF2 – ATE 11/08) a auditora fiscal calculou a contribuição previdenciária (No Relatório de Lançamentos) incidente sobre o valor de R$ 31.500,00, que seria referente ao Levantamento AF3 – Nota Fiscal 959. No Levantamento AF3 – Prefeitura de Boquira, o fiscal lançou valores constantes em supostas Notas Fiscais de n. 1002, 1020 e 1021, que sequer constam no relatório fiscal, em documento anexo ou em qualquer outra planilha elaborada pelo fiscal, fato este que, inclusive, foi reconhecido pela DRJ no item 12 de seu voto, acima transcrito. O mesmo equívoco foi encontrado no Relatório de Lançamentos para a competência 05/2005 (Levantamento AF2) no qual consta a observação de que foi utilizado Fl. 291DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/07 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10580.725749/200980 Acórdão n.º 2403002.072 S2C4T3 Fl. 7 11 como Base de Cálculo para aferição a remuneração representada pela NF 968, que, conforme a tabela acima, se relacionava com o Levantamento AF3. Com relação a nulidade do Levantamento AF2, 05/2005, a DRJ afirma que não que ser declarada por suposta ausência de prejuízo ao contribuinte. No entanto, entendo de forma diversa da DRJ, na mesma linha de raciocínio do recorrente, de que se está diante de um vício material que macula o auto de infração. Mediante esta situação, percebese que o fiscal descumpriu com o disposto no art. 142 do CTN, in verbis: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Nesse sentido, esta Segunda Seção já julgou desta forma no Recurso Voluntário n. 151.240, nos autos do Processo n. 36474.007407/200632, em 21 de setembro de 2010, que resultou no Acórdão n. 240201.175, advindo da 4ª Câmara, 2ª Turma Ordinária. Na mesma toada, já foi julgado pela nulidade material, quando há ocorrência do cerceamento do direito de defesa por insuficiência na discriminação dos fatos geradores: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/2005 a 30/06/2006 DISCRIMINAÇÃO DOS FATOS GERADORES INSUFICIÊNCIA. NULIDADE DO LANÇAMENTO. O lançamento deve discriminar os fatos geradores das contribuições previdenciárias de forma clara e precisa, bem como o período a que se referem, sob pena de cerceamento de defesa e conseqüente nulidade. CERCEAMENTO DE DEFESA RETENÇÃO CESSÃO DE MÃO DE OBRA. Art. 31 da Lei 8.212/91. Deve ser anulado o lançamento que resultar em prejuízo para o direito de defesa do sujeito passivo. A existência de serviços prestados sujeitos à retenção deve ser evidenciada. Processo Anulado Crédito Tributário Exonerado (CARF. SEGUNDA SEÇÃO. Processo n. 13770.001077/200711, Recurso Voluntário 246.008, Acórdão 230200.550 – 3ª Câmara/2ª Turma Ordinária, sessão de 18 de agosto de 2010) **************************************************** Fl. 292DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/07 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 12 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/1994 a 30/11/1997 RELATÓRIO FISCAL DA NOTIFICAÇÃO, OMISSÕES. VÍCIO MATERIAL. NULIDADE. É nulo, por vício material, o Relatório Fiscal que não demonstra de forma clara e precisa todas as circunstâncias em que ocorreram os fatos geradores, bem como, os procedimentos e critérios utilizados pela fiscalização na constituição do crédito tributário, de forma a possibilitar ao contribuinte o pleno direito à ampla defesa e ao contraditório. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. (CARF. SEGUNDA SEÇÃO. Processo n° 37299.001454/200441, Recurso Voluntário 150.829, Acórdão 40101.358 — 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Sessão de 19 de agosto de 2010) **************************************************** FALTA DE CLAREZA NOS MOTIVOS DO LANÇAMENTO, NULIDADE DO LANÇAMENTO, VÍCIO MATERIAL. A fiscalização deve lavrar notificação de débito com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, sob pena de cerceamento de defesa e conseqüente nulidade devido a ocorrência de vício material. (CARF. SEGUNDA SEÇÃO. Processo n. 35368.002702/200647, Embargos 146.052, Acórdão n° 240201.058 — 4a Câmara / 2a Turma Ordinária, Sessão de 16 de agosto de 2010) Também, há de se destacar o julgamento no Recurso 129.310, Processo 10247.000082/0091 em 09 de julho de 2002, Acórdão n. 10706.695, ementado da seguinte forma: (...) RECURSO EX OFFICIO NULIDADE DO LANÇAMENTO VÍCIO FORMAL. A verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação, a determinação da matéria tributável, o cálculo do montante do tributo devido a indentificação do sujeito passivo, definidos no art. 142 do Código Tributário Nacional CTN, são elementos fundamentais intrínsecos, do lançamento, sem cuja delimitação precisa não se pode admitir a existência da obrigação tributária em concreto. O levantamento e observância desses elementos básicos antecedem o são preparatórios à sua formalização, a qual se dá no momento seguinte, mediante a lavratura do auto de infração, seguida da notificação ao sujeito passivo, quando, aí sim, deverão estar presentes os seus requisitos formais, extrínsecos, como, por função e o número de matrícula, a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado, com a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. No mesmo norte, é o julgamento do Acórdão n. 19200 015 IRPF, de 14/10/2008 da Segunda Turma Especial do Primeiro Conselho de Contribuintes: Fl. 293DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/07 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10580.725749/200980 Acórdão n.º 2403002.072 S2C4T3 Fl. 8 13 O vício material ocorre quando o auto de infração não preenche aos requisitos constantes do art. 142 do Código Tributário Nacional, havendo equívoco na construção do lançamento quanto à verificação das condições legais para a exigência do tributo ou contribuição do crédito tributário, enquanto que o vício formal ocorre quando o lançamento contiver omissão ou inobservância de formalidades essenciais, de normas que regem o procedimento da lavratura da auto, ou seja, da maneira de sua realização. Portanto, está caracterizado o cerceamento do direito de defesa e a clara demonstração de confusão por parte do auditor fiscal autuante, que confunde as notas fiscais que embasariam o quantum dos levantamentos, assim como por incluir no relatório de lançamentos, notas fiscais que sequer existem nos autos, não trazendo, portanto, a demonstração clara dos fatos geradores. Deve ser o presente auto anulado por vício material por erro na matéria tributável e o conseqüente cerceamento do direito de defesa. CONCLUSÃO Do exposto, conheço do recurso para, no mérito, dar provimento, reconhecendo o vício material por erro na identificação da base de cálculo e pelo cerceamento do direito de defesa. Marcelo Magalhães Peixoto Fl. 294DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/07 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
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Numero do processo: 10980.008016/2007-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jul 06 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue Jul 07 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/12/2004
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA - CUSTEIO --- DECADÊNCIA
De acordo com a Súmula Vinculante n° 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei
n° 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à
decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional.
Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes
aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na
imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do
Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas
federal, estadual e municipal.
REGIME PRÓPRIO
Somente é excluído do RGPS o servidor amparado por regime próprio de
previdência social que assegure pelo menos os beneficios previstos no art. 40
da CF.
ÓRGÃO PÚBLICO
Órgão Público está obrigado a recolher a contribuição devida sobre a
remuneração paga aos segurados vinculados ao RGPS que lhe prestam
serviços.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2301-000.480
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara /1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, com fimdamento nos artigos 150, §4° e 173,I do CTN, acatar a preliminar de decadência de parte do período a que se refere o lançamento para provimento parcial do recurso. O Conselheiro Edgar Silva Vidal acompanhou o Relator pelas conclusões entendendo qu- e aplica o artigo 150, § 4° do CTN para ambos os levantamentos; no mérito,por unanimidade de votos, mantidos os demais valores.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: Bernadete de Oliveira Barros
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 30/12/2004 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA - CUSTEIO --- DECADÊNCIA De acordo com a Súmula Vinculante n° 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. REGIME PRÓPRIO Somente é excluído do RGPS o servidor amparado por regime próprio de previdência social que assegure pelo menos os beneficios previstos no art. 40 da CF. ÓRGÃO PÚBLICO Órgão Público está obrigado a recolher a contribuição devida sobre a remuneração paga aos segurados vinculados ao RGPS que lhe prestam serviços. Recurso Voluntário Provido em Parte
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Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. REGIME PRÓPRIO Somente é excluído do RGPS o servidor amparado por regime próprio de previdência social que assegure pelo menos os beneficios previstos no art. 40 da CF. ÓRGÃO PÚBLICO Órgão Público está obrigado a recolher a contribuição devida sobre a remuneração paga aos segurados vinculados ao RGPS que lhe prestam serviços. Recurso Voluntário Provido em Parte á Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. • Processo n° 10980.008016/200741 S2-C3T1 Acórdão n.• 2301-00.480 Fl. 395 ACORDAM os membros da 3' Câmara / Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, com fimdamento nos artigos 150, §4° e 173,! do CTN, acatar a preliminar de decadência de parte do período a que se refere o lançamento para provimento parcial do recurso. O Conselheiro Edgar Silva Vidal acompanhou o Relator pelas conclusões entendendo qu- e aplica o artigo 150, § 4° do CTN para ambos os levantamentos; no mérito, idade de votos, mantidos os demais valores. \ nitys JULIO C D.ÀR !IEIRA GOMES Presidente \I cper uil BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Relator • Participaram do julgamento os conselheiros: Damião Cordeiro de Moraes, Edgar Silva Vidal (Suplente), Maria Helena Lima dos Santos (Suplente), Bemadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes e Julio Cesar Vieira Gomes (Presidente). 2 Processo n°10980.008016/2007-11 S2-C3T1 Acórdão a.° 2301-00.480 Fl. 396 Relatório Trata-se de crédito previdenciário lançado contra o órgão público acima identificado, referente à diferença de contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à contribuição dos empregados, à da empresa e à destinada ao financiamento dos beneficios decorrentes dos riscos ambientais do trabalho. Conforme o Relatório Fiscal da NFLD (fls. 127 a 136), é objeto do presente lançamento as contribuições previdenciárias devidas, declaradas em GFIP ou não, incidentes sobre a remuneração paga pela recorrente aos segurados vinculados obrigatórios ao RGPS na condição de servidores ocupantes exclusivamente de cargo em comissão, declarados em lei de livre nomeação e exoneração, bem como os acréscimos legais, constantes do levantamento DAL. A autoridade notificante informa que foram apresentadas GFIPs para o período fiscalizado, tendo sido apuradas diferenças de contribuição devidas, e que os salários de contribuição foram extraídos das remunerações informadas pela SEAP. Esclarece, ainda, que foram constituídos créditos referentes aos comissionados sem vínculo, lotados nos órgãos SEAP, DETO e IPE A notificada impugnou o débito via peça de fls. 301 a 318, e a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão 06-15.633, da 6a Turma DRJ/CTA (fls. 323 a 330), julgou o lançamento procedente. Inconformada com a decisão, a notificada apresentou recurso tempestivo (fls. 334 a 339) alegando, em apertada síntese, o que se segue. Preliminarmente, inova em relação à impugnação alegando decadência de parte dos débitos, nos termos do art. 150, § 4 0, do CTN. Repete que o lançamento configura flagrante confisco, pois contraria o princípio da reciprocidade, já que inexiste a contraprestação e traz julgado do STJ para reforçar seu entendimento. Assevera que o artigo 13, da Lei 8.212/91 dispõe expressamente que os servidores comissionados de outros entes públicos que não a União estão excluídos do RGPS e informa que os ocupantes de cargo em comissão não são empregados do Estado do Paraná, não havendo, portanto, o fato gerador ensejador da contribuição social ora objeto de lançamento. Sustenta que os exercentes de cargos em comissão de natureza não celetista ou administrativa não são segurados obrigatórios da Previdência Social e tampouco são destinatários dos beneficios previdenciários previstos em lei. Cita a Constituição Estadual e a Lei estadual que instituiu o Regime Jurídico Único ao funcionalismo estadual para afirmar que os funcionários públicos estaduais que ocupassem cargos em comissão são segurados obrigatórios do regime previdenciário estadual. 3 Processo n°19800806107-li S2-C3T1 Acórdão n.• 2301-00.480 Fl. 397 Insiste na necessidade de se compor a compensação de regimes, preconizada pelo art. 201, § 9°, da CF, ao argumento de, que o Estado absorveu um universo significativo de servidores a serem albergados pela previdência estadual, servidores que haviam contribuído por longos anos para a previdência federal, sendo, portanto, evidente o crédito em favor do Estado. É o relatório. rn 4 Processo n0 10980.008016/2007-11 S2-C3T1 Acórdão o.° 2301-00.480 Fl. 398 • Voto Conselheira BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Relatora -O recurso é tempestivo e não há óbice para seu conhecimento. Preliminarmente, a recorrente alega decadência dos valores lançados, nos • termos do art. 150, § 40, do CTN. Da análise dos autos, verifica-se que a fiscalização lavrou a presente NFLD com amparo na Lei 8.212/91 que, em seu art. 45, dispõe que o direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extingue-se após 10 (dez) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. No entanto, o Supremo Tribunal Federal, entendendo que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, nos termos do artigo 146, III, 19' da Constituição Federal, negou provimento por unanimidade aos Recursos Extraordinários n° 556664, 559882, 559943 e 560626, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei n. 8212/91,. Na oportunidade, foi editada a Súmula Vinculante n° 08 a respeito do tema, publicada em 20/06/2008, transcrita abaixo: Súmula Vinculante 8 "São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5° do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário" Cumpre ressaltar que o art. 49 do Regimento Interno do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda veda o afastamento de aplicação ou inobservância de legislação sob fundamento de inconstitucionalidade. Porém, determina, no inciso I do § único, que o disposto no caput não se aplica a dispositivo que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal: "Art. 49. No julgamento de recurso voluntário ou de oficio, fica vedado aos Conselhos de Contribuintes afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I - que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; (g.n)" Portanto, em razão da declaração de inconstitucionalidade dos arts 45 e 46 da Lei n°8.212/1991 pelo STF, restaram extintos os créditos cujo lançamento tenha ocorrido após o prazo decadencial e prescricional previsto nos artigos 173 e 150 do Código Tributário Nacional. Processo rr 10980.008016/2007-11 S2-C3T1 Acórdão n.• 2301-00.480 Fl. 399 É necessário observar ainda que as súmulas aprovadas pelo STF possuem efeitos vinculantes, conforme se depreende do art. 103-A e parágrafos da Constituição Federal, que foram inseridos pela Emenda Constitucional n° 45/2004. in verbis: "Art. I03-A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. § 1° A súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica. § 2 0 Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou cancelamento de súmula poderá ser provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade. § 3° Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgando-a procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e determinará que outra seja proferida com ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso (g. n.)." Da leitura do dispositivo constitucional acima, conclui-se que a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. Ademais, no termos do artigo 64-B da Lei 9.784/99, com a redação dada pela Lei 11.417/06, as autoridades administrativas devem se adequar ao entendimento do STF, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal. "Art. 64-8. Acolhida pelo Supremo Tribunal Federal a reclamação findada em violação de enunciado da súmula vinculante, dar-se-á ciência à autoridade prolatora e ao órgão competente para o julgamento do recurso, que deverão adequar as futuras decisões administrativas em casos semelhantes, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal" O STJ pacificou o entendimento de que, nos casos de lançamento em que o sujeito passivo antecipa parte do pagamento da contribuição, aplica-se o prazo previsto no § 4° do art. 150 do CTN, ou seja, o prazo de cinco anos passa a contar da ocorrência do fato gerador, uma vez que resta caracterizado o lançamento por homologação. No caso presente, houve antecipação do pagamento, pois, conforme informado pelo agente notificante, o lançamento se refere às diferenças apuradas entre os 6 Processo n° 10980.008016/2007-11 S2-C3T1 Acórdão n.° 2301-00.480 Fl. 400 recolhimentos efetuados pela empresa e as contribuições devidas, o que pode ser confirmado pelos relatórios DAD, RDA e RADA. Assim, como a ciência da NFLD pelo contribuinte se deu em 11/12/2006, conforme tela de fls. 300, constata-se que operou-sé a decadência, nos termos do artigo 150, § 4°, para os débitos lançados nas competências compreendidas entre 01/1999 e 11/2001, incluindo o 13 0 de 1999 e 2000: Dessa forma, acolho a preliminar de decadência. No mérito, a recorrente tenta demonstrar que a cobrança da contribuição lançada representa confisco, uma vez que o desconto previdenciário sobre o vencimento do servidor ocupante de cargo comissionado devidamente albergado pelas instituições previdenciárias do Estado do Paraná não se revertera em beneficio para o referido, já que as vantagens relacionadas ao cargo não serão levadas para a aposentadoria. No entanto, vale lembrar que a aposentadoria é apenas um dos benefícios concedidos pela Previdência Social aos segurados filiados ao RGPS. Conforme disposto no art. 1°, da Lei 8.313/91, que dispõe sobre os Planos de Beneficios da Previdência: Art I° A Previdência Social, mediante contribuição, tem por fim assegurar aos seus beneficiários meios indispensáveis de manutenção, por motivo de incapacidade, desemprego involuntário, idade avançada, tempo de serviço, encargos familiares e prisão ou morte daqueles de quem dependiam economicamente. (Implicitamente alterado em face da nova redação do artigo 201 da CF/88 dada pela EC 20/98) Até a edição da Emenda Constitucional ri° 20/1998, os servidores ocupantes exclusivamente de cargo em comissão, vinculavam-se ao RGPS apenas se não abrangidos por regime próprio. Após a vigência da citada emenda, que inseriu o § 13° ao art. 40 da CF/88, tais servidores passaram a vincular-se obrigatoriamente ao RGPS. No caso presente, os fatos geradores ocorreram após a entrada em vigor da Emenda Constitucional n°20/1998, não havendo dúvida: de que a filiação dos comissionados é obrigatória por preceito constitucional. A própria notificada reconhece a condição de segurados do RGPS de alguns de seus servidores, pois informou em GFIP suas remunerações e recolheu contribuições por eles devidas, sendo objeto do presente lançamento apenas as diferenças de contribuições apuradas e não recolhidas. E, de acordo com o § 1°, do art. 225, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99, as informações prestadas nas GFIP's constituir-se-ão em termo de confissão de divida, na hipótese de não recolhimento. Em relação aos servidores não informados por meio de GFIP, a recorrente apenas alega, mas não comprova, que estão amparados pelas instituições previdenciárias do Estado do Paraná. Não há nos autos nada que comprove a condição de servidores efetivos de tais segurados, situação em que se aplicaria o regime próprio. 7 Processo n° 10980.008016/2007-11 82-C3T1 Acórdão n.• 2301-00.480 Fl. 401 E, como não é facultado ao servidor público eximir-se de aplicar urna lei, a fiscalização, ao constar a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária e o não recolhimento do valor devido, constituiu o crédito tributário por intermédio da presente NFLD, em observância ao disposto no art. 37, da Lei 8.212/91: Art.37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de beneficio reembolsado, a fiscalização lavrará notcação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. Relativamente aos argumentos de que há necessidade de se compor a compensação de regimes preconizada pelo art. 201„ § 9 0 , da CF, e que, por ter o Estado absorvido um significativo número de servidores pela previdência estadual, possui crédito a seu favor, cumpre esclarecer que o referido dispositivo legal se refere a compensação financeira entre os Regimes Previdenciários, o que não é o caso presente. Dessa forma, a compensação pleiteada deve ser operada apenas entre o INSS e a Paranaprevidência, que é o órgão que administra o Regime Próprio de Previdência Social dos Servidores do Estado do Paraná. Nesse sentido e, Considerando tudo mais que dos autos consta Voto no sentido de CONHECER do recurso, acolher a preliminar de decadência para excluir do lançamento os valores correspondentes ao período de 01/1999 a 11/2001, inclusive os décimos terceiros salários de 1999 e 2000 e, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO. É como voto. Sala das Sessões, em 06 de julho de 2009 BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS - Relatora Page 1 _0004100.PDF Page 1 _0004200.PDF Page 1 _0004300.PDF Page 1 _0004400.PDF Page 1 _0004500.PDF Page 1 _0004600.PDF Page 1 _0004700.PDF Page 1
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Numero do processo: 10120.000807/2010-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jun 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2005
CIDE- COMBUSTÍVEL. RESTITUIÇÃO.LEGITIMIDADE
O consumidor final não tem legitimidade ativa para invocar restituição da CIDE- incidente sobre operações com combustíveis, mas sim o contribuinte (produtor, formulador e importador, pessoa física ou jurídica) que tenha relação jurídica pessoal e direta com o fato gerador dessa contribuição.
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Numero da decisão: 3201-001.275
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente.
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Daniel Mariz Gudiño, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Pedro Guilherme Lunardelli. Ausência justificada de Luciano Lopes de Almeida Moraes.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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RESTITUIÇÃO.LEGITIMIDADE O consumidor final não tem legitimidade ativa para invocar restituição da CIDE incidente sobre operações com combustíveis, mas sim o contribuinte (produtor, formulador e importador, pessoa física ou jurídica) que tenha relação jurídica pessoal e direta com o fato gerador dessa contribuição. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Daniel Mariz Gudiño, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Pedro Guilherme Lunardelli. Ausência justificada de Luciano Lopes de Almeida Moraes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 08 07 /2 01 0- 10 Fl. 131DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 3 0/05/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 2 Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília/DF. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: “Trata o presente processo de pedido de restituição, formalizado em formulário, no qual a contribuinte acima identificada pretende recuperar valores pagos a título de Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico CIDE Combustível, na aquisição de combustíveis efetuada no período de 01/01/2005 a 31/12/2005, no total de R$ 1.917.088,37, sob o argumento de desvio de finalidade de aplicação dos recursos da referida contribuição. Ao examinar a questão, a autoridade fiscal competente no despacho decisório (fls. 40 a 46), resolveu indeferir o pedido de restituição, por ausência do pagamento indevido ou a maior; crédito líquido, e certo e falta de legitimidade para pleitear a restituição. A contribuinte tomou ciência do despacho decisório em 17/03/2010 (AR – fl. 50). Inconformada apresentou em 14/04/2010, a manifestação de inconformidade (fls. 51 a 72), na qual transcreve os fatos, discorre sobre o recolhido indevido da CIDECombustível incidente sobre a importação e a comercialização de petróleo e seus derivados, gás natural e seus derivados, e álcool etílico, instituída pelo artigo 1° da Lei n° 10.336, de 2001, em função dos arts. 149 e 177 da Constituição Federal, com a redação dada pela Emenda nº 33, de 2001, e, em resumo, apresenta os seguintes argumentos: 1.1 DA POSSIBILIDADE DO PEDIDO. considerar não formulado o pedido de restituição não se aplica a ela, haja vista a existência de previsão normativa, para o procedimento adotado à época, qual seja a IN da SRF n° 900/08, pois o pedido foi feito em formulário, por ausência de previsão para pleitear a restituição mediante o PER/DCOMP; a impossibilidade de utilizar PER/DCOMP se verifica logo no início do preenchimento, quando é exigido a data de arrecadação do DARF, informação esta impossível, já que a origem do crédito são as notas fiscais de aquisição do produto e não os DARF e, assim, justifica o pedido de restituição em formulário previsto no Anexo I da IN 900/08; 1.2 DA LEGITIMIDADE. embora não sendo contribuinte da CIDE, a possibilidade jurídica do pedido, caracterizase pela sua atividade, consumidora final do produto que sofreu a incidência dessa contribuição, quando da compra de combustíveis, assumindo inteiramente o ônus e/ou suportando o encargo financeiro respectivo; Fl. 132DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 3 0/05/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10120.000807/201010 Acórdão n.º 3201001.275 S3C2T1 Fl. 132 3 o direito ao crédito da CIDE não se restringe ao contribuinte de direito, mas da condição prevista no artigo 166 do CTN, ou seja, contribuinte de fato, tendo em vista que adquiriu os produtos inerentes à sua atividade na qualidade de sujeito final da operação tributável da CIDE–Combustível; ao adquirir os produtos do contribuinte de direito suportou a incidência e repercussão final da referida contribuição lançada em toda a cadeia tributária. Assim, embasada no artigo 166 do CTN, é a parte ativa, afastandose a afirmação de que somente seria possível ao Produtor, Formulador e Importador dos combustíveis, ingressar contra o Fisco para pleitear a restituição de valores recolhidos indevidamente a título de CIDE – Combustível; 1.3 INEXISTÊNCIA DE DARF. a ausência de DARF justificase, por ser contribuinte de fato, não estando seu ônus representado em guia DARF, mas pelas notas fiscais comprobatórias de aquisição dos combustíveis. A emissão de DARF para recolhimento é ato acessório, cuja obrigação é atribuída ao contribuinte de direito da contribuição; a planilha acostada aos autos demonstra que seu crédito não se baseou nos DARF, mas, nas Notas Fiscais de aquisição de combustível junto ao Produtor, no período de janeiro a dezembro de 2005, que resultou crédito no montante de R$ 1.917.088,37; 1.4 DO DIREITO a Constituição Federal, nos artigos 149 e 177, visou garantir a atuação da União quanto à instituição das contribuições sociais e intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, especialmente as incidentes nas atividades de importação ou comercialização de petróleo e seus derivados, gás natural e seus derivados e álcool combustível; a CIDECombustível será revertida ao pagamento de subsídios a preços ou transporte de álcool combustível, gás natural e seus derivados e derivados de petróleo; ao financiamento de projetos ambientais relacionados com a indústria do petróleo e do gás; e ao financiamento de programas de infra estrutura de transportes; a contribuição nasceu com a Emenda Constitucional n° 33, de 2001, que inseriu o parágrafo 4º ao art. 177 da Carta Magna, e instituída pela Lei n° 10.336/2001, alterada pela Lei 10.363/2002, que estabeleceu novas alíquotas e a destinação e objetivos essenciais; 1.5 DESVIO DE FINALIDADE com arrimo na doutrina, o traço marcante e distintivo da contribuição de intervenção no domínio econômico é a obediência às finalidades que Fl. 133DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 3 0/05/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 4 justificam a sua criação. Assim também está a jurisprudência do STF (RE n° 209.3653/SP); o desvio de finalidade dos recursos da CideCombustível foi reconhecido por decisão do TCU. Assim, constado desvio de finalidade, ocorre o indevido pagamento da CIDE e, por conseqüência, o direito líquido e certo de pleitear a sua restituição; 1.6 DA INEXIGIBILIDADE DA CONTRIBUIÇÃO. a Constituição Federal determinou ser obrigatória a vinculação entre os valores arrecadados com a CIDE e a sua aplicação, o que em nenhum momento diverge do texto legal. A CIDECombustível passou a ser devida a partir de janeiro de 2002 para garantir investimentos na infraestrutura de transportes e recuperar o meio ambiente danificado pelo uso do petróleo, gás e álcool; o produto da arrecadação da Cidecombustível seria destinado, na forma da lei orçamentária, ao pagamento de subsídios a preços ou transporte de álcool combustível, de gás natural e seus derivados e de derivados de petróleo; ao financiamento de projetos ambientais relacionados com a indústria do petróleo e do gás e financiamento de programas de infra estrutura de transportes; para Cretella Júnior (Tratado de Direito Administrativo. RJ. Forense, 1966. V. 2.) desvio de finalidade consiste no afastamento do espírito da lei, ou seja, "desvirtuando o fim, desvirtuase o ato, eivase de vício irreparável, configurase denominado desvio do fim, desvio de finalidade ou desvio de poder"; o Conselho de Contribuintes, em análise de aplicação e interpretação de legislação, firmou entendimento quanto à necessária observância e convergência entre lei e finalidade, posicionandose no sentido de que "não atender ao fim legal é desatender à própria lei"; não restam dúvidas quanto à possibilidade de restituição dos valores por ela recolhidos da CIDECobustíveis, nos moldes da legislação vigente, que comprovadamente sofreram desvinculação entre lei e sua finalidade, não atendendo, assim, ao preceito constitucional; demonstrada regularidade de sua pretensão, resta incontestável seu direito de pleitear/repetir a restituição dos valores da CIDE–Combustível, relacionados na planilha anexada ao pedido inicial, recolhidos indevidamente no período de janeiro a dezembro de 2005, no montante de R$ 1.917.088,37, com as atualizações monetárias correspondentes. No pedido, requer seja acolhida a sua manifestação de inconformidade para reformar o despacho decisório; deferir o pedido de restituição; reconhecer o seu direito à restituição dos valores pagos a título de CIDECombustível, corrigidos por índices que reflitam a real variação inflacionária do período ou sejam ainda homologadas compensações porventura realizadas com créditos objeto do Pedido de Restituição e finalmente a suspensão de Fl. 134DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 3 0/05/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10120.000807/201010 Acórdão n.º 3201001.275 S3C2T1 Fl. 133 5 quaisquer cobranças de débitos tributários, por ser da mais colimada ordem de direito e lídima Justiça.” O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/BSB n° 0337.254, de 31/05/2010, proferida pelos membros da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília/DF, cuja ementa dispõe, verbis: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 LEGITIMIDADE RESTITUIÇÃO CIDECOMBUSTÍVEL . COMPETÊNCIA PARA AFASTAR NORMA LEGAL. A legitimidade para pleitear a restituição de valores da CIDECombustível pagos indevidamente somente cabe ao contribuinte (produtor, formulador e importador, pessoa física ou jurídica) que tenha relação jurídica pessoal e direta com o fato gerador dessa contribuição, estabelecida pela norma tributária. A contribuinte de fato (consumidora final) não ocupa o pólo passivo da relação jurídicotributária pessoal e direta com o fato gerador da CIDECombustível. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido.” O julgamento foi no sentido de considerar improcedente a manifestação de inconformidade, tendo em vista que a empresa não tem legitimidade para pleitear a restituição de valores da CIDECombustível pagos indevidamente, pois somente cabe ao contribuinte (produtor, formulador e importador, pessoa física ou jurídica) que tenha relação jurídica pessoal e direta com o fato gerador dessa contribuição, estabelecida pela norma tributária. A contribuinte de fato (consumidora final) não ocupa o pólo passivo da relação jurídicotributária pessoal e direta com o fato gerador da CIDECombustível. O Contribuinte protocolizou o Recurso Voluntário. Ressalto que foi convertido o julgamento em diligência, através da Resolução de n° 3201.000295, sessão de janeiro de 2012 para verificação da tempestividade do recurso voluntário. Confirmouse a tempestividade do recurso voluntário. O processo digitalizado foi redistribuído e encaminhado a esta Conselheira. É o Relatório. Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Versa o presente processo de pedido de restituição dos supostos pagamentos indevidos (CIDECombustível). Fl. 135DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 3 0/05/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 6 A questão de mérito restringese ao direito de a recorrente interpor pedido de restituição da parcela da CIDE embutida no preço dos combustíveis adquiridos e consumidos por ela. A CIDECombustível incide sobre a importação e a comercialização de petróleo e seus derivados, gás natural e seus derivados, e álcool etílico combustível; a mesma foi instituída pelo artigo 1° da Lei n.° 10.336, de 2001, em cumprimento ao disposto nos arts. 149 e 177 da Constituição Federal, com a redação dada pela EC n° 33, de 11/12/2001. Por sua vez, a Lei nº 10.336, de 19/12/2001, que instituiu a CIDE Combustíveis assim dispõe: “Art. 2º. São contribuintes da Cide o produtor, o formulador e o importador, pessoa física ou jurídica, dos combustíveis líquidos relacionados no art. 3º. Parágrafo único. Para efeitos deste artigo, considerase formulador de combustível líquido, derivados de petróleo e derivados de gás natural, a pessoa jurídica, conforme definido pela Agência Nacional do Petróleo (ANP) autorizada a exercer, em Plantas de Formulação de Combustíveis, as seguintes atividades: I aquisição de correntes de hidrocarbonetos líquidos; II mistura mecânica de correntes de hidrocarbonetos líquidos, com o objetivo de obter gasolinas e diesel; III armazenamento de matériasprimas,de correntes intermediárias e de combustíveis formulados; IV comercialização de gasolinas e de diesel; e V comercialização de sobras de correntes.” Logo, a recorrente não é contribuinte da Cidecombustível, por não se enquadrar no dispositivo legal transcrito acima. A atividade desenvolvida pela recorrente é a exploração de serviços de transporte coletivo rodoviário urbano e metropolitano de passageiros, não se enquadrando na condição de contribuinte de direito da CIDECombustível instituída pela Lei n° 10.336, de 2001, ou seja, não ocupa o polo passivo da relação jurídicotributária (sujeito passivo da obrigação tributária), ainda que, na condição de consumidora final, ocorra a incidência econômica da referida contribuição nas aquisições de combustíveis. Inclusive, a mesma reconhece não ser contribuinte de direito da referida contribuição; mas por ter assumido encargos financeiros, quando da compra de combustíveis, nos termos do art. 166 do CTN Código Tributário Nacional, pleiteou a restituição de valores recolhidos pela contribuinte de direito, alegando pagamentos indevidos, por desvio de finalidade dos recursos da CIDE Combustível. Fl. 136DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 3 0/05/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10120.000807/201010 Acórdão n.º 3201001.275 S3C2T1 Fl. 134 7 Portanto, segundo o artigo 2º da Lei n° 10.336, de 2001, a recorrente não ocupa o pólo passivo da relação jurídicotributária (sujeito passivo da obrigação tributária), logo, não possui legitimidade para pleitear a restituição de eventual crédito relativo a pagamento indevido da CIDECombutível. Este também é o entendimento do Superior Tribunal de Justiça (STJ), de acordo com a ementa do julgamento do RESP 1.160.826/PR, in verbis: “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CIDE SOBRE COMBUSTÍVEIS. INDÉBITO. CONSUMIDOR FINAL. RESTITUIÇÃO. ILEGITIMIDADE ATIVA AD CAUSAM. 1. A legislação da Cide sobre combustíveis não prevê, como regra,repasse de ônus tributário ao adquirente do produto, diferentemente do ICMS e do IPI, por exemplo. Por essa ótica estritamente jurídica, é discutível sua classificação como tributo indireto, o que inviabiliza o pleito de restituição formuladopelo suposto contribuinte de fato (consumidor final do combustível). 2. Ainda que se admita que a Cide sobre combustível seja tributo indireto, a jurisprudência da Segunda Turma inclinouse no sentido de que o consumidor final não tem legitimidade ativa ad causam para o pedido de restituição da Parcela de Preço Específica (considerada espécie de Cide), mas sim o distribuidor do combustível, entendimento que se aplica ao caso. 3. Ademais, a Primeira Seção, ao julgar o Resp 903.394/AL sob o regime dos repetitivos (j. 24.3.2010), relativo ao IPI sobre bebidas, passou a adotar o entendimento de que somente o contribuinte de direito tem legitimidade ativa para restituição do indébito relativo a tributo indireto. 4. In casu, é incontroverso que os contribuintes de direito da Cide sobre combustível são o produtor, o formulador e o importador do produto (art. 2º da Lei 10.336/2001), o que ratifica a inexistência de legitimidade ativa do consumidor final. 5. Agravo Regimental não provido. Decisão Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça: "A Turma, por unanimidade, negou provimento ao agravo regimental, nos termos do voto do(a) Sr(a). Ministro(a)Relator(a)." Os Srs.Ministros Mauro Campbell Marques, Eliana Calmon, Castro Meira e Humberto Martins (Presidente) votaram com o Sr.Ministro Relator.” Da mesma forma, no julgamento do Resp nº 903.394, sob o regime 543 C, do CPC, a Primeira Seção do STJ afastou a legitimidade ativa de contribuintes de fato pleitearem restituição de tributo indireto, como no presente caso, sob o argumento de que somente o contribuinte de direito tem essa prerrogativa. Em regra, nos tributos indiretos, ocorre o fenômeno da repercussão, ou seja, quem suporta o encargo fiscal, é o contribuinte de fato; mas, na condição do artigo 166 do CTN, somente o contribuinte de direito pode pleitear a restituição de eventual pagamento indevido, caso comprove não haver transferido o ônus a terceiro ou se transferido está autorizado por esse, que sofreu os ônus e/ou suportou o encargo tributário, a repetir o eventual indébito fiscal. Fl. 137DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 3 0/05/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 8 Quanto a outros argumentos trazidos pela recorrente, restam prejudicadas, haja vista não ser ela parte legítima para pleitear a restituição de eventual indébito tributário relativo à CIDECombustível, incidente sobre a comercialização de combustíveis, não havendo, assim, qualquer reparo a ser feito na decisão a quo. Outros julgados no âmbito do Carf seguem o mesmo entendimento, como os acórdãos n° 3301001.402 e 3301001.403, ambos de relatoria de Adão Vitorino de Morais, no sentido que o consumidor final não tem legitimidade ativa para interpor pedido de restituição da contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (CIDE) incidente sobre operações com combustíveis, mas sim o distribuidor destes. Assim sendo, tendo em vista a falta de legitimidade do contribuinte de fato, nos termos do CTNCódigo Tributário Nacional, art. 121, parágrafo único, inciso I, somente considera contribuinte aquele que tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o fato gerador da obrigação tributária principal. Por todo o exposto, nego provimento ao recurso voluntário, prejudicados os demais argumentos. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 138DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 3 0/05/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
score : 1.0
Numero do processo: 16327.901298/2009-71
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jul 31 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 14/05/2004
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO NO PREENCHIMENTO DAS OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. RETIFICAÇÃO POSTERIOR. APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL.
O princípio da verdade material deve ser o Norte do processo administrativo fiscal. Havendo a constatação de erro no preenchimento das obrigações acessórias, posteriormente retificadas pelo contribuinte, deve ser homologado o pedido de compensação, uma vez que os créditos são suficientes para liquidar os débitos indicados na PERDcomp. Comprovação da existência dos créditos pela própria fiscalização.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3801-001.837
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Victor Borges Cherulli, OAB/SP 328.059. Ausente momentaneamente o Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (presidente).
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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ERRO NO PREENCHIMENTO DAS OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. RETIFICAÇÃO POSTERIOR. APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. O princípio da verdade material deve ser o Norte do processo administrativo fiscal. Havendo a constatação de erro no preenchimento das obrigações acessórias, posteriormente retificadas pelo contribuinte, deve ser homologado o pedido de compensação, uma vez que os créditos são suficientes para liquidar os débitos indicados na PERDcomp. Comprovação da existência dos créditos pela própria fiscalização. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Victor Borges Cherulli, OAB/SP 328.059. Ausente momentaneamente o Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 12 98 /2 00 9- 71 Fl. 470DF CARF MF Impresso em 31/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 09/07/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 29 /07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 16327.901298/200971 Acórdão n.º 3801001.837 S3TE01 Fl. 12 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (presidente). Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJSão Paulo I (SP) (fl. 62), abaixo transcrito: 1. O interessado, supra qualificado, entregou por via eletrônica a Declaração de Compensação (PER/DCOMP nº 38284.55.487.170106.1.7.045370), na qual declara a compensação de pretenso crédito de pagamento indevido ou a maior de PIS (cód. receita 4574) relativo ao período de apuração encerrado em 30/04/2004. Apesar de mencionar ter anexado cópia da DCOMP (DOC 03), não há este documento. Em tal referência se encontra parte da DCTF retificadora. 2. Pelo Despacho Decisório de fls. 40 o contribuinte foi cientificado, em 03/03/2009 (fls. 60), de que “A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. 3. Em razão do acima descrito, não foi homologada a compensação declarada, tendo sido o interessado intimado a recolher o débito indevidamente compensado (principal: R$ 32.410,05). 4. Irresignado, o contribuinte apresentou em 01/04/2009 a Manifestação de Inconformidade de fls. 01 a 04, alegando, em apertada síntese, que: 4.1 Incorreu em erro na ocasião do preenchimento da DCTF, sendo que havia apurado, em abril de 2004, PIS a pagar no montante de R$ 356.130,99, entretanto acabou recolhendo e declarando em DCTF um valor superior (R$ 382.119.32). 4.2 Identificado o equívoco, o recorrente constituiu crédito tributário no valor de R$ 25.988,33 que foi utilizado para compensar débito de COFINS apurado em novembro de 2005 – PA Nov/2005. 4.3 No entanto o recorrente deixou de corrigir a DCTF do período do crédito, o que acabou gerando a inconsistência entre os valores declarados em DCTF e na PER/DCOMP. 4.4 Para sanar tal pendência o contribuinte retificou a referida DCTF, alterando os valores de PIS apurado, o que, segundo o Fl. 471DF CARF MF Impresso em 31/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 09/07/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 29 /07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 16327.901298/200971 Acórdão n.º 3801001.837 S3TE01 Fl. 13 3 mesmo, estaria condizente com o apurado na época, conforme cópia da ficha 22B da DIPJ anexada em fls. 58. 4.5 Condicionar a compensação a qualquer outra condição não estabelecida em lei, ainda mais na modalidade acessória, se constitui em burla ao Art. 170 do CTN e ao Art. 368 do Código Civil. Nesta linha, sustenta que se a obrigação acessória culmina na redução do direito creditório, tal situação deve ser afastada de imediato sob pena de se reportar a gravame novo, ferindo o princípio da legalidade. 5. Por fim requer que seja provida a manifestação de inconformidade, desconstituindose a exigência fiscal formulada, seja reconhecida a DCTF retificadora e conseqüentemente o crédito tributário e homologado o pedido de compensação em sua totalidade. Analisando o litígio, a DRJSão Paulo I/SP entendeu por bem não homologar a compensação declarada (fls. 62 e seguintes), conforme ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 14/05/2004 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Não se reconhece o direito creditório quando o contribuinte não logra comprovar com documentos hábeis e idôneos que houve pagamento indevido ou a maior. Ao analisar o Recurso Voluntário apresentado pelo contribuinte, no qual este alegou, em síntese, que houve a comprovação dos créditos indicados no pedido de compensação, com a retificação da DCTF e com os demais documentos acostados aos autos, esta Turma do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais entendeu por bem determinar a realização de diligência pela Delegacia Fiscal, para que, com base nas retificações realizadas pela Recorrente e nos documentos anexados ao Recurso Voluntário, fosse apurado se os valores dos créditos indicados nas compensações são suficientes para liquidar os débitos compensados. Realizada a diligência, em manifestação acostada aos autos, a douta delegacia fiscal conclui que “tendo em vista o Demonstrativo de Compensação juntado ao presente expediente, verificase ser o aludido direito creditório suficiente para liquidar o débito aqui tratado: 7987 COFINS 15/12/2005 R$32.410,05.” Devidamente intimado para se manifestar acerca da Diligência realizada, o Recorrente reiterou os argumentos apresentados em seu Recurso Voluntário e requereu o provimento deste, para que reste homologada a compensação apresentada. É o relatório Voto Fl. 472DF CARF MF Impresso em 31/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 09/07/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 29 /07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 16327.901298/200971 Acórdão n.º 3801001.837 S3TE01 Fl. 14 4 Conselheiro Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Os requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário já foram analisados, no voto em que houve a determinação de convolação do julgamento em diligência. Pois bem. No presente caso, como relatado acima, não restam dúvidas de que os créditos indicados pelo contribuinte na Declaração de Compensação apresentada são suficientes para quitar os débitos ali também indicados. Na diligência realizada, a própria fiscalização, ao analisar as declarações retificadas pelo Recorrente (DCTF e DIPJ) e os documentos por ele acostados aos autos, constatou que, de fato, “verificase ser o aludido direito creditório suficiente para liquidar o débito aqui tratado”. Não há controvérsia, portanto, que é direito do Recorrente ver sua declaração de compensação homologada, mesmo que, em um primeiro momento, tenha ocorrido um erro no preenchimento das obrigações acessórias. Como as declarações foram devidamente retificadas pelo contribuinte, deve, in casu, ser privilegiado o princípio da verdade material. Este Conselho, em inúmeras oportunidades, já se manifestou pela aplicação do referido princípio no processo administrativo fiscal. Aqui é importante citar novamente decisões proferidas neste sentido. Confirase: IPI. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Nos termos do § 4º do artigo 16 do Decreto 70.235/72, é facultado ao sujeito passivo a apresentação de elementos probatórios na fase impugnatória. A não apreciação de documentos juntados aos autos ainda na fase de impugnação, antes, portanto, da decisão, fere o princípio da verdade material com ofensa ao princípio constitucional da ampla defesa. No processo administrativo predomina o princípio da verdade material, no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. Deve ser anulada decisão de primeira instância que deixa de reconhecer tal preceito. Processo anulado. (13896.000730/0099, Recurso Voluntário n°. 132.865, ACÓRDÃO 20312338, Relator Dalton Cesar Cordeiro de Miranda) PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO PROVA MATERIAL APRESENTADA EM SEGUNDA INSTÂNCIA DE JULGAMENTO PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE PROCESSUAL E A BUSCA DA VERDADE MATERIAL A não apreciação de provas trazidas aos autos depois da impugnação e já na fase recursal, antes da decisão final administrativa, fere o princípio da instrumentalidade processual prevista no CPC e a busca da verdade material, que norteia o contencioso administrativo tributário. "No processo administrativo predomina o princípio da verdade material no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. O Fl. 473DF CARF MF Impresso em 31/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 09/07/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 29 /07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 16327.901298/200971 Acórdão n.º 3801001.837 S3TE01 Fl. 15 5 importante é saber se o fato gerador ocorreu e se a obrigação teve seu nascimento". (Ac. 10318789 3ª. Câmara 1º. C.C.). Precedente: Acórdão CSRF/0304.371 RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. (10950.002540/200565, Recurso Voluntário n°. 136.880, Acórdão 30239947, Relatora Judith do Amaral Marcondes) Portanto, comprovada a existência de créditos suficientes para liquidar o débito indicado no pedido de compensação apresentado pelo Recorrente, deve ser dado provimento ao Recurso Voluntário, ficando, desde já, homologada a compensação objeto do presente processo administrativo fiscal. É como voto. Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relator Fl. 474DF CARF MF Impresso em 31/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 09/07/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 29 /07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10935.721229/2011-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jun 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/05/2011
AFERIÇÃO ALÍQUOTA SAT. ESTABELECIMENTOS. ATIVIDADE PREPONDERANTE.
A aplicação da alíquota da contribuição para o Risco de Acidente do Trabalho RAT deve ser aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada estabelecimento, individualizada pelo seu CNPJ ou matrícula no CEI.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é órgão competente para afastar a incidência da lei em razão de inconstitucionalidade ou ilegalidade, salvo nos casos previstos no art. 103-A da CF/88 e no art. 62 do Regimento Interno do CARF.
COMPENSAÇÃO. TÍTULOS DA DÍVIDA PÚBLICA. PRESCRIÇÃO. DECISÃO JUDICIAL. AUSÊNCIA DE TRÂNSITO EM JULGADO. IMPOSSIBILIDADE
Não é possível a compensação dos valores devidos à Seguridade Social com créditos da dívida pública.
MULTA ISOLADA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. APLICAÇÃO.
É justificável a exigência da multa isolada qualificada quando o Fisco comprova, por meio de elementos juntados aos autos, a falsidade da conduta da Recorrente ao pleitear a compensação.
MULTA MORATÓRIA. IMPOSSIBILIDADE DE COBRANÇA CUMULATIVA COM A MULTA ISOLADA. MESMA BASE DE CÁLCULO.
É inaplicável a multa moratória cumulativamente com a multa isolada, tendo ambas uma mesma base de cálculo.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-003.485
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para que seja afastada a parte da multa correspondente a 20% aplicada com fundamento no artigo 89, §9º da Lei nº 8.212/91, vencido o conselheiro Ronaldo de Lima Macedo.
Julio César Vieira Gomes - Presidente.
Nereu Miguel Ribeiro Domingues - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Thiago Taborda Simões, Ana Maria Bandeira, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo, Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2010 a 31/05/2011 AFERIÇÃO ALÍQUOTA SAT. ESTABELECIMENTOS. ATIVIDADE PREPONDERANTE. A aplicação da alíquota da contribuição para o Risco de Acidente do Trabalho RAT deve ser aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada estabelecimento, individualizada pelo seu CNPJ ou matrícula no CEI. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é órgão competente para afastar a incidência da lei em razão de inconstitucionalidade ou ilegalidade, salvo nos casos previstos no art. 103-A da CF/88 e no art. 62 do Regimento Interno do CARF. COMPENSAÇÃO. TÍTULOS DA DÍVIDA PÚBLICA. PRESCRIÇÃO. DECISÃO JUDICIAL. AUSÊNCIA DE TRÂNSITO EM JULGADO. IMPOSSIBILIDADE Não é possível a compensação dos valores devidos à Seguridade Social com créditos da dívida pública. MULTA ISOLADA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. APLICAÇÃO. É justificável a exigência da multa isolada qualificada quando o Fisco comprova, por meio de elementos juntados aos autos, a falsidade da conduta da Recorrente ao pleitear a compensação. MULTA MORATÓRIA. IMPOSSIBILIDADE DE COBRANÇA CUMULATIVA COM A MULTA ISOLADA. MESMA BASE DE CÁLCULO. É inaplicável a multa moratória cumulativamente com a multa isolada, tendo ambas uma mesma base de cálculo. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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GLOSA Recorrente PROGRESSO CONSTRUÇÕES E SERVIÇOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/05/2011 AFERIÇÃO ALÍQUOTA SAT. ESTABELECIMENTOS. ATIVIDADE PREPONDERANTE. A aplicação da alíquota da contribuição para o Risco de Acidente do Trabalho RAT deve ser aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada estabelecimento, individualizada pelo seu CNPJ ou matrícula no CEI. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é órgão competente para afastar a incidência da lei em razão de inconstitucionalidade ou ilegalidade, salvo nos casos previstos no art. 103A da CF/88 e no art. 62 do Regimento Interno do CARF. COMPENSAÇÃO. TÍTULOS DA DÍVIDA PÚBLICA. PRESCRIÇÃO. DECISÃO JUDICIAL. AUSÊNCIA DE TRÂNSITO EM JULGADO. IMPOSSIBILIDADE Não é possível a compensação dos valores devidos à Seguridade Social com créditos da dívida pública. MULTA ISOLADA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. APLICAÇÃO. É justificável a exigência da multa isolada qualificada quando o Fisco comprova, por meio de elementos juntados aos autos, a falsidade da conduta da Recorrente ao pleitear a compensação. MULTA MORATÓRIA. IMPOSSIBILIDADE DE COBRANÇA CUMULATIVA COM A MULTA ISOLADA. MESMA BASE DE CÁLCULO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 72 12 29 /2 01 1- 55 Fl. 959DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIR O DOMINGUES 2 É inaplicável a multa moratória cumulativamente com a multa isolada, tendo ambas uma mesma base de cálculo. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para que seja afastada a parte da multa correspondente a 20% aplicada com fundamento no artigo 89, §9º da Lei nº 8.212/91, vencido o conselheiro Ronaldo de Lima Macedo. Julio César Vieira Gomes Presidente. Nereu Miguel Ribeiro Domingues Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Thiago Taborda Simões, Ana Maria Bandeira, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo, Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 960DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIR O DOMINGUES Processo nº 10935.721229/201155 Acórdão n.º 2402003.485 S2C4T2 Fl. 954 3 Relatório Tratase de auto de infração constituído em 03/11/2011 (fls. 789/790), decorrente do não recolhimento dos valores referentes à contribuição a cargo da empresa (cota patronal), da contribuição ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT), da contribuição devida a outras entidades (Salário Educação, INCRA, SENAI, SESI e SEBRAE), e da contribuição incidente sobre os valores pagos aos contribuintes individuais. A fiscalização também glosou compensações indevidas realizadas com a utilização de título público e glosou compensações realizadas com supostos créditos decorrentes de retenções de 11% informadas em GFIP, mas não destacadas nas notas fiscais de prestação de serviços, no período de 01/2010 a 05/2011. O Recorrente interpôs impugnação (fls. 801/838 e 841/855) requerendo a total improcedência do lançamento. A d. Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba –PR, ao analisar o presente caso (fls. 859/885), julgou o lançamento procedente, entendendo que: (i) é vedada a utilização de apólices da dívida pública, conversão de depósitos judiciais ou precatórios para a compensação de créditos tributários, sem decisão judicial autorizando este procedimento, transitada em julgado; (ii) a instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre a inconstitucionalidade ou ilegalidade de ato normativo em vigor; (iii) é correta a multa isolada de 150% em razão da compensação indevida; (iv) a Recorrente não contesta a autuação e a multa isolada aplicada em razão das glosas de retenções de 11% informadas em GFIP e não destacadas nas notas fiscais de prestação de serviços; (v) a alíquota da contribuição ao Risco de Acidente do Trabalho – RAT deve ser aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada empresa, individualizada pelo seu CNPJ, ou pela atividade preponderante, quanto houver apenas um registro; (vi) a contribuição ao INCRA não foi extinta pela Lei nº 7.787/89 ou pela Lei nº 8.213/91; (vii) a contribuição ao SEBRAE é uma contribuição de intervenção no domínio econômico, sendo devida por todas as empresas; (viii) não é confiscatória a multa de ofício aplicada de acordo com a legislação; e (ix) as contribuições previdenciárias pagas em atraso estão sujeitas à incidência de juros moratórios equivalentes à taxa SELIC. A Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 894/948) argumentando que: (i) a administração deve observar o princípio da legalidade; (ii) o cálculo dos valores devidos a título de SAT/RAT não individualizou as matrículas constantes no CEI de cada obra de construção civil; (iii) com a promulgação da Constituição Federal, as contribuições ao INCRA, SESI e SENAI deixaram de existir; (iv) o adicional ao SEBRAE não foi instituído por lei complementar; (v) o pagamento dos valores devidos à Seguridade Social foi feito através de conversão em renda; (vi) de acordo com o princípio da reserva legal, o contribuinte não está restrito aos procedimentos previstos em lei para cumprir a sua obrigação tributária; (vii) o crédito existente em ação de execução de título extrajudicial, ainda que lastreado em títulos da dívida pública, atende aos requisitos de certeza, liquidez e exigibilidade; (viii) não há na GFIP campo apropriado para a correta informação do crédito utilizado; (ix) a Recorrente impetrou mandado de segurança com o intuito de suspender as cobranças administrativas enquanto pendente de julgamento a Ação de Execução nº 2007.34.00.0400373, em trâmite perante a 18ª Fl. 961DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIR O DOMINGUES 4 Vara Federal do Distrito Federal; (x) não deve ser aplicada a multa isolada de 150% em razão da inexistência de compensação indevida; (xi) é confiscatória a cumulação de multa moratória com multa de ofício; e (xii) em razão da sua natureza remuneratória, não deve ser utilizada a taxa SELIC para a correção do crédito tributário. É o relatório. Fl. 962DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIR O DOMINGUES Processo nº 10935.721229/201155 Acórdão n.º 2402003.485 S2C4T2 Fl. 955 5 Voto Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Relator Primeiramente, cabe mencionar que o presente recurso é tempestivo e preenche a todos os requisitos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. A Recorrente interpôs recurso voluntário argumentando que o cálculo dos valores devidos a título de SAT/RAT não individualizou as matrículas constantes no CEI de cada obra de construção civil. Neste ponto, sustenta a fiscalização que a Recorrente possui apenas um CNPJ, motivo este que ensejou o lançamento do SAT na alíquota de 3% para todas as obras realizadas. Em que pese este Conselheiro entenda que a autoridade tributária deveria ter individualizado a alíquota específica aplicada para cada matrícula CEI existente em nome da Recorrente, conforme afirmou a d. DRJ (fls. 868/869) o CNAE declarado pela Recorrente é o 41.20400 “construções em edifícios”, cuja alíquota é 3%, ou seja, a mesma lavrada na presente autuação. Assim, considerando que a individualização das obras de construção civil não resultaria em qualquer benefício para a Recorrente, uma vez que a alíquota de 3% ao SAT de fato é devida, não merece provimento o recurso neste ponto. A Recorrente sustenta também que: (i) a administração deve observar os princípios da legalidade; (ii) com a promulgação da Constituição Federal, as contribuições ao INCRA, SESI e SENAI deixaram de existir; (iii) o adicional ao SEBRAE não foi instituído por lei complementar; (iv) é confiscatória a cumulação de multa moratória com multa de ofício; e (v) em razão da sua natureza remuneratória, não deve ser utilizada a taxa SELIC para a correção do crédito tributário. Todavia, impende ressaltar que o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é órgão competente para afastar a aplicação da lei com base na sua suposta inconstitucionalidade ou ilegalidade, com exceção dos casos previstos no art. 103A da CF/88 e no art. 62, parágrafo único do Regimento Interno do CARF. Neste contexto, vale destacar que a administração pública está vinculada à lei, e não compete a um agente administrativo dizer se uma lei que determina o pagamento de um tributo ou a adoção de um determinado procedimento é inconstitucional ou ilegal. Devese recordar também que o procedimento administrativo existe não para discutir a inconstitucionalidade ou ilegalidade de algum tributo, o qual deve ser feito exclusivamente perante a esfera judicial, mas sim eventuais irregularidades que tenham sido cometidas pelo agente fazendário no momento da fiscalização, o que não foi feito pelo Recorrente na presente demanda. Fl. 963DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIR O DOMINGUES 6 Assim, considerando que a exigência das contribuições em tela se deu com observância às normas legais pertinentes, deixo de apreciar as alegações do Recorrente quanto às supostas ilegalidades e inconstitucionalidades. Através da autuação a Recorrente sofreu glosas de compensações por ela realizadas indevidamente, sendo uma pela utilização de créditos inexistentes decorrentes da Ação de Execução nº 2007.34.00.0400373, e a outra em razão da utilização como crédito das retenções de 11% informadas em GFIP, mas não destacadas nas notas fiscais de prestação de serviços. Ambas as glosas resultaram na aplicação de multa isolada de 150%, prevista no art. 89, § 10º, da Lei nº 8.212/91. Em relação a primeira situação, alega a Recorrente que a quitação do tributo foi feita corretamente através da conversão em renda dos créditos existentes na Ação de Execução nº 2007.34.00.0400373, que tramita perante a 18ª Vara Federal do Distrito Federal, não estando o contribuinte restrito aos procedimentos legalmente previstos. Neste contexto, vale destacar que a Ação de Execução nº 2007.34.00.040037 3 pretendia a execução de título extrajudicial, a qual foi ajuizada em face da União, objetivando a cobrança de dívida oriunda de título da dívida externa brasileira, emitido no ano de 1904. Ocorre que, conforme sentença proferida em 03/07/2012, o Juízo da 18ª Vara Federal do Distrito Federal reconheceu a prescrição da pretensão executória da Recorrente, extinguindo o feito. Além do fato de sequer o crédito da Recorrente ter sido reconhecido pelo Poder Judiciário, pois a ação proposta foi extinta, entendo que a compensação realizada pela Recorrente foi inquestionavelmente indevida. Isso porque, conforme bem colocado na decisão de primeira instância, a Recorrente pretendeu quitar as contribuições que devia com a utilização de um crédito de natureza privada de 1904, cuja legitimidade, digase de passagem, é questionável, enquanto que a legislação previdenciária (arts. 247, 251 e 253 do Decreto nº 3.048/99) determina que somente poderão ser utilizados na compensação créditos decorrentes de pagamento indevido de contribuições previdenciárias. Ou seja, é vedada a utilização de créditos de outra natureza para compensação de contribuições. Entendo, assim, que a declaração prestada pela Recorrente é inadequada, pois ainda que o crédito existisse, não poderia ser utilizado pela Recorrente para compensação de contribuições previdenciárias. Quanto ao argumento da Recorrente, de que teria ocorrido um pedido de conversão em renda de valores, e não compensação, entendo que este também deve ser afastado. Isso porque, a Recorrente não trouxe qualquer prova de que foi requerida a conversão em renda em favor da União dos valores a que o contribuinte faria jus na ação judicial. A pretensão do contribuinte, portanto, de fato era a compensação do indébito utilizando crédito que entendia possuir perante a União. Quanto à aplicação da multa qualificada de 150% sobre a compensação indevida, entendo que ela também é procedente. Isso porque, segundo já antecipei acima, e conforme foi muito bem identificado pela decisão de primeira instância, houve verdadeira declaração falta da Recorrente na compensação efetuada. Fl. 964DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIR O DOMINGUES Processo nº 10935.721229/201155 Acórdão n.º 2402003.485 S2C4T2 Fl. 956 7 Segundo pontuou a DRJ, “a própria empresa declarouse possuidora de um crédito líquido e certo e efetuou a compensação, sabendo que tal título ainda não lhe pertencia (na decisão judicial em andamento não tinha decidido pela inclusão do contribuinte no feito), que não era líquido e certo, pois ainda não possuía decisão judicial definitiva e que não constava dos requisitos legais para a compensação com créditos previdenciários, nos termos do art. 89 da Lei n. 8.212/91”. Ainda segundo a DRJ, utilizandose de elementos trazidos pela fiscalização: “Diante do exposto, entendo que a aplicação da multa isolada justificase em vista da evidente falsidade da declaração apresentada pelo contribuinte configurada pelas seguintes condutas, detalhada no relatório fiscal: 22.1. Utilização de créditos inexistentes, conforme visto em item próprio acima, uma vez que a execução do título utilizado para lastrear a compensação sequer foi apreciada pelo Juízo. Tampouco tratase de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, não sendo cabível a compensação de créditos de natureza diversa da previdenciária.” Diante disso, entendo que está claro que houve o intuito de fraudar a legislação tributária, motivo pelo qual a aplicação da multa isolada de 150% prevista no art. 89, § 10º, da Lei nº 8.212/91 é devida. Por sua vez, em relação à glosa das compensações com a utilização dos créditos decorrentes das retenções de 11% informadas em GFIP, mas não destacadas nas notas fiscais de prestação de serviços, cumpre ressaltar que, como também foi identificado pela d. DRJ (fl. 882), a Recorrente não contesta, tanto em sua impugnação, quanto em seu recurso voluntário, as irregularidades apontadas pela fiscalização. Ademais, analisando a planilha de fls. 71, as notas fiscais de fls. 339/712, as relações de pagamento (fls. 713/738) e o Livro Razão (fls. 739/788), ficou demonstrado o valor exato dos créditos que a Recorrente pretendia aproveitar, os quais não foram destacados e retidos em suas notas fiscais e/ou faturas de prestação de serviços. Neste caso, considerando que ficou devidamente comprovado pela fiscalização que a Recorrente lançou em suas GFIPs créditos não existentes de contribuições previdenciárias, e esta não se insurgiu neste ponto em suas manifestações, entendo também que houve claro intuito de se fraudar a legislação tributária, sendo correta a aplicação da multa prevista no art. 89, § 10º, da Lei nº 8.212/91. Por fim, como é possível verificar no relatório Discriminativo do Débito – DD (fls. 05/09), além da multa isolada de 150%, aplicada sobre os valores cujas compensações foram indeferidas, a autoridade fiscal lançou também multa moratória de 20% sobre todos tributos que tiveram a compensação glosada. Ocorre que, a aplicação da multa isolada cumulativamente com outras penalidades é abusiva, pois viola o princípio da proporcionalidade, que deve nortear os atos da Administração Pública em geral, especialmente as sanções tributárias, uma vez que penaliza duplamente o contribuinte por uma mesma falta, o que também é vedado. Fl. 965DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIR O DOMINGUES 8 Ante o exposto, considerando que em ambas as situações acima houve fraude à legislação tributária ao pretender o contribuinte o aproveitamento de créditos nitidamente indevidos, deve ser mantida a multa isolada de 150% aplicada, e afastada a multa moratória de 20%, haja vista que não podem incidir cumulativamente sobre uma mesma base de cálculo. Entendo que deverá ser mantida a multa de 150%, e não a multa de 20%, pois aquela é mais específica no presente caso para penalizar o contribuinte pela compensação mediante declaração falsa. Ademais, caso fosse mantida a penalidade de 20% e não a de 150%, o contribuinte que, agindo dolosamente no intuito de enganar a fiscalização, estaria sendo beneficiado se compararmos a sua conduta com a de outro contribuinte que foi autuado simplesmente pelo não recolhimento de tributo, cuja penalidade a ele imputável é a multa de 75%. Diante do exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, afastando a aplicação da multa moratória (20%) aplicada em razão das compensações indevidas, eis que esta não pode incidir cumulativamente com a multa isolada (150%) sobre uma mesma base de cálculo e a uma mesma infração. É o voto. Nereu Miguel Ribeiro Domingues Fl. 966DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIR O DOMINGUES
score : 1.0
Numero do processo: 13805.008783/98-42
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed May 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL
Exercício: 1998
RECURSO ESPECIAL. NÃO CONHECIMENTO. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO ANALÍTICA DA DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL SUSCITADA. RECORRENTE QUE NÃO SE ESFORÇA EM DEMONSTRAR E DEFENDER A TESE RETRATADA
NO ACÓRDÃO PARADIGMA.
Não se deve conhecer do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, se a recorrente não se esforça, de qualquer modo, em demonstrar a divergência jurisprudencial, nem sustenta a solução jurídica retratada na decisão paradigma, restringindo-se
a postular pela aplicação, no julgamento do recurso especial, do raciocínio externado no acórdão paradigma. Disposição expressa do RICARF, que exige a demonstração analítica da divergência jurisprudencial, como condição ao seu enfrentamento.
Numero da decisão: 9101-001.357
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos
FISCAIS, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do(a)
Relator(a).
Matéria: CSL - ação fiscal (exceto glosa compens. bases negativas)
Nome do relator: SUSY GOMES HOFFMANN
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Exercício: 1998 RECURSO ESPECIAL. NÃO CONHECIMENTO. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO ANALÍTICA DA DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL SUSCITADA. RECORRENTE QUE NÃO SE ESFORÇA EM DEMONSTRAR E DEFENDER A TESE RETRATADA NO ACÓRDÃO PARADIGMA. Não se deve conhecer do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, se a recorrente não se esforça, de qualquer modo, em demonstrar a divergência jurisprudencial, nem sustenta a solução jurídica retratada na decisão paradigma, restringindo-se a postular pela aplicação, no julgamento do recurso especial, do raciocínio externado no acórdão paradigma. Disposição expressa do RICARF, que exige a demonstração analítica da divergência jurisprudencial, como condição ao seu enfrentamento.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1749; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 1 1 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13805.008783/9842 Recurso nº 151.782 Especial do Procurador Acórdão nº 9101001.357 – 1ª Turma Sessão de 16 de maio de 2012 Matéria CSLL Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado ULTRAPAR PARTICIPAÇÕES LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 1998 RECURSO ESPECIAL. NÃO CONHECIMENTO. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO ANALÍTICA DA DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL SUSCITADA. RECORRENTE QUE NÃO SE ESFORÇA EM DEMONSTRAR E DEFENDER A TESE RETRATADA NO ACÓRDÃO PARADIGMA. Não se deve conhecer do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, se a recorrente não se esforça, de qualquer modo, em demonstrar a divergência jurisprudencial, nem sustenta a solução jurídica retratada na decisão paradigma, restringindose a postular pela aplicação, no julgamento do recurso especial, do raciocínio externado no acórdão paradigma. Disposição expressa do RICARF, que exige a demonstração analítica da divergência jurisprudencial, como condição ao seu enfrentamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos FFIISSCCAAIISS, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Fl. 689DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por EVA RIBEIRO BARROS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 13805.008783/9842 Acórdão n.º 9101001.357 CSRFT1 Fl. 2 2 Presidente (assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonsêca de Menezes, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Hugo Correia Sotero, Alberto Pinto Souza Júnior, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, Silvana Rescigno Guerra Barretto. Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional. Lavrouse o auto de infração contra o contribuinte, referente à CSLL, no valor de R$ 67.104,33, incluindose juros de mora. Conforme Termo de Verificação e Esclarecimento presente às fls. 174/175, o contribuinte impetrou Mandado de Segurança, com vistas à compensação, na apuração do IRPJ e da CSLL, dos prejuízos fiscais e as bases de cálculo negativas da CSLL acumulados até 30.12.1994, sem a limitação de 30% (previstas nos artigos 42 e 58 da Lei n° 8.981/1995). Nos termos do relatório do acórdão da DRJ: “3. A autora do feito relata que a autuada só veio a apurar bases de cálculo positivas da CSLL no ano de 1997, compensandoas integralmente, nos meses de janeiro a julho, com as bases de cálculo negativas acumuladas até 31.12.1994. Com a cassação da medida liminar que amparava o seu procedimento, em 15.08.1997, a impugnante recolheu as importâncias até então devidas e efetuou o recolhimento relativo ao mês de agosto de 1997 levando em conta o limite de 30%. 4. Com o restabelecimento da medida liminar, em 13.10.1997, a autuada voltou a compensar integralmente as bases de cálculo negativas da CSLL, nos meses de setembro e dezembro de 1997, motivo pelo qual foi realizado o lançamento em tela, restando o crédito tributário constituído com sua exigibilidade suspensa.” O contribuinte apresentou impugnação às fls. 185/192 dos autos. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, às fls. 358/362, julgou procedente o lançamento, nos termos da seguinte ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Fl. 690DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por EVA RIBEIRO BARROS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 13805.008783/9842 Acórdão n.º 9101001.357 CSRFT1 Fl. 3 3 Exercício: 1998 Ementa: LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. Na ausência de determinação judicial expressa que impeça a realização do lançamento, deve ser constituído o crédito tributário para o fim de evitar os efeitos da decadência. LANÇAMENTO MEDIANTE AUTO DE INFRAÇÃO. A utilização de Auto de Infração para a constituição do crédito tributário suspenso por medida judicial decorre da inexistência de outro meio para tanto. Na hipótese, temse apenas formalmente um auto de infração e, materialmente, um mero lançamento. JUROS DE MORA. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, inclusive durante o período em que a cobrança houver sido suspensa por decisão judicial, sendo despiciendo o seu lançamento. A indicação do termo inicial, base legal e montante atualizado dos juros, desta forma, não tem o condão de invalidar o lançamento do crédito tributário. SOBRESTAMENTO DO PROCESSO ATÉ O TRÂNSITO EM JULGADO DA DECISÃO JUDICIAL. Por força do principio da oficialidade, não pode ser sobrestado o julgamento das questões não levadas ao Poder Judiciário. MATÉRIAS LEVADAS À APRECIAÇÃO DO PODER JUDICIÁRIO. Conforme disposto no Ato Declaratório Normativo COSIT n° 03/1996, não podem ser apreciadas na esfera administrativa as questões já levadas ao crivo do Poder Judiciário. Lançamento Procedente O contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 370/381). A antiga Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes deu provimento ao recurso voluntário do contribuintes (fls. 631/636). Eis a ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDOCSLL Exercício: 1998 CSLL. COMPENSAÇÃO DE BASES NEGATIVAS. DESRESPEITO AO LIMITE ESTABELECIDO NA LEI N° 8.981/1995. APURAÇÃO DE RESULTADOS TRIBUTÁVEIS EM EXERCÍCIOS POSTERIORES. CARACTERIZAÇÃO DE POSTERGAÇÃO DE PAGAMENTO DE IMPOSTO. Fl. 691DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por EVA RIBEIRO BARROS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 13805.008783/9842 Acórdão n.º 9101001.357 CSRFT1 Fl. 4 4 No lançamento de ofício referente à insuficiência de recolhimento de CSLL por desrespeito à limitação de compensação de bases negativas inscrita na Lei Federal n° 8.981/1995, havendo comprovação de que o contribuinte obteve lucros suficientes para compensar os excessos apurados, no todo ou em parte, resta configurada mera postergação do pagamento do tributo. Precedentes da Câmara Superior de Recursos Fiscais. A Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso especial às fls. 640/644 dos autos. Suscitou, em primeiro lugar, a ocorrência de prescrição no que se refere ao argumentos acolhidos para o provimento do recurso voluntário. Quanto a este ponto, negouse seguimento ao recurso especial. Por outro lado, a Fazenda Nacional, subsidiariamente, alegou no seguinte sentido: “Na remota hipótese dessa e. Câmara Superior não acompanhar o entendimento exposto, requer a reforma da decisão recorrida, por força da aplicação do raciocínio disposto no julgado a seguir transcrito: Acórdão 10513924: "CSLL LIMITAÇÃO DA COMPENSAÇÃO DE BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS POSTERGAÇÃO DO PAGAMENTO DA CONTRIBUIÇÃO A parcela da base de cálculo negativa da contribuição apurada pelo contribuinte até 31/12/1994, poderá ser utilizada nos períodos seguintes, obedecido o limite de 30% calculado sobre a base positiva do período da compensação. Não se tratando de inexatidão contábil, por inobservância do regime de competência no registro de mutações patrimoniais, nos termos do artigo 177, da Lei n° 6.404/1976, a compensação indevida de bases de cálculo negativas da CSLL—não configura hipótese de postergação de tributos, regulada pelo artigo 6°, e parágrafos, do Decretolei n° 1.598/1977. Recurso negado". (Grifos nossos) Conforme despacho de fls. 656/659 dos autos, deuse seguimento parcial ao recurso do contribuinte, apenas em relação a esta segunda matéria. Considerouse que, no que tange à alegação da prescrição em relação aos argumentos que serviram de fundamento para o acolhimento do recurso voluntário, não houve comprovação da divergência jurisprudencial. O contribuinte apresentou contrarrazões às fls. 662/667 dos autos, sustentando a impossibilidade de conhecimento do recurso especial da Fazenda Nacional. Voto Fl. 692DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por EVA RIBEIRO BARROS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 13805.008783/9842 Acórdão n.º 9101001.357 CSRFT1 Fl. 5 5 Conselheira Susy Gomes Hoffmann, Relatora O presente recurso especial é tempestivo. Não preenche, contudo, os demais requisitos de admissibilidade, tendo em vista que o contribuinte não demonstrou a divergência jurisprudencial suscitada. Com efeito, naquilo se deu seguimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, a recorrente restringiuse, expressamente a postular pela aplicação, ao caso, do raciocínio exposto no acórdão citado como paradigma, transcrevendo a sua ementa. Não analisou, especificamente, quais seriam os pontos divergentes entre o acórdão paradigma e o acórdão recorrido. Tampouco sustentou a tese exposta na decisão divergente. O Regimento Interno do CARF, ao dispor sobre Recurso Especial, prevê que: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. § 1° Para efeito da aplicação do caput, entendese como outra câmara ou turma as que integraram a estrutura dos Conselhos de Contribuintes, bem como as que integrem ou vierem a integrar a estrutura do CARF. § 2° Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que aplique súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da Câmara Superior de Recursos Fiscais ou do CARF, ou que, na apreciação de matéria preliminar, decida pela anulação da decisão de primeira instância. § 3° O recurso especial interposto pelo contribuinte somente terá seguimento quanto à matéria prequestionada, cabendo sua demonstração, com precisa indicação, nas peças processuais. § 4° Na hipótese de que trata o caput, o recurso deverá demonstrar a divergência argüida indicando até duas decisões divergentes por matéria. § 5° Na hipótese de apresentação de mais de dois paradigmas, caso o recorrente não indique a prioridade de análise, apenas os dois primeiros citados no recurso serão analisados para fins de verificação da divergência. § 6° A divergência prevista no caput deverá ser demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido. § 7° O recurso deverá ser instruído com a cópia do inteiro teor dos acórdãos indicados como paradigmas ou com cópia da publicação em que tenha sido divulgado ou, ainda, com a apresentação de cópia de publicação de até 2 (duas) ementas. Fl. 693DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por EVA RIBEIRO BARROS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 13805.008783/9842 Acórdão n.º 9101001.357 CSRFT1 Fl. 6 6 § 8° Quando a cópia do inteiro teor do acórdão ou da ementa for extraída da Internet deve ser impressa diretamente do sítio do CARF ou da Imprensa Oficial. § 9º As ementas referidas no § 7º poderão, alternativamente, ser reproduzidas no corpo do recurso, desde que na sua integralidade.{1} § 10. O acórdão cuja tese, na data de interposição do recurso, já tiver sido superada pela CSRF, não servirá de paradigma, independentemente da reforma específica do paradigma indicado. § 11. É cabível recurso especial de divergência, previsto no caput, contra decisão que der ou negar provimento a recurso de ofício.{1} O Regimento Interno é expresso ao prever que o recorrente deve demonstrar e expor a divergência, de forma analítica, indicando os pontos, nos acórdãos paradigmas apresentados, que caracterizem o dissídio jurisprudencial a ser dirimido. Na medida em que o Regimento Interno prevê tais exigências, tornamse obrigatórias, pressupostos fundamentais para o conhecimento do recurso especial. No caso, desconsiderada a parte do recurso especial ao qual se negou seguimento, terseia, como conteúdo único do Recurso Especial da Fazenda Nacional a postulação pela aplicação do “raciocínio” estabelecido no acórdão apresentado como paradigma. Nada mais se fez. Além de não se ter apresentado, analiticamente, a divergência arguida, a recorrente também, não se esforçou em sustentar, juridicamente, qualquer tese que se contrapusesse ao acórdão recorrido. Ora, à Câmara Superior de Recursos Fiscais cabe dirimir as divergências jurisprudenciais existentes no CARF. Contudo, para tanto, cabe ao recorrente demonstrar, efetivamente, pois que do seu interesse, a divergência jurisprudencial existente, não lhe sendo dado apenas citar um acórdão ou transcrever uma ementa, expondo que a solução nele retratada é a que deve prevalecer. Deve sim abordar o dissídio, expôlo, explicálo, defender a tese que lhe interessa. Não cabe à CSRF buscar a divergência. Cabe ao recorrente, sim, trazêla ao órgão julgador. Neste sentido, não há como se conhecer do recurso especial da Fazenda Nacional, por ausência completa de demonstração da divergência jurisprudencial alegada. Fl. 694DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por EVA RIBEIRO BARROS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 13805.008783/9842 Acórdão n.º 9101001.357 CSRFT1 Fl. 7 7 Sala das Sessões, em 16 de maio de 201216 de maio de 2012 (assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Fl. 695DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por EVA RIBEIRO BARROS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN
score : 1.0
Numero do processo: 11080.731081/2011-28
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 31/03/2008 a 31/12/2010
VALOR TRIBUTÁVEL MÍNIMO. EMPRESAS INTERDEPENDENTES.
Inexistindo mercado atacadista na cidade em que está localizado o estabelecimento remetente, o valor tributável mínimo do IPI a ser observado nas vendas para empresa interdependente deve ser apurado com base na regra do art. 196, parágrafo único, II, do RIPI/2010, considerando-se apenas e tão-somente os custos de fabricação e demais despesas incorridas pelo remetente dos produtos.
SUSPENSÃO DO IMPOSTO. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA.
É legítima a exigência do IPI, sobre o valor total da operação, nos retornos de industrialização por encomenda quando o executor da operação aplica insumo importado.
Numero da decisão: 3403-002.285
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para excluir o crédito tributário constituído com base no valor tributável mínimo. Vencidos, nesta parte, os Conselheiros Alexandre Kern e Rosaldo Trevisan. O Conselheiro Alexandre Kern apresentou declaração de voto. Sustentou pela recorrente o Dr. Plínio Marafon, OAB/SP nº 34.967 e pela Fazenda Nacional a Dra. Bruna Garcia Benevides.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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EMPRESAS INTERDEPENDENTES. Inexistindo mercado atacadista na cidade em que está localizado o estabelecimento remetente, o valor tributável mínimo do IPI a ser observado nas vendas para empresa interdependente deve ser apurado com base na regra do art. 196, parágrafo único, II, do RIPI/2010, considerandose apenas e tão somente os custos de fabricação e demais despesas incorridas pelo remetente dos produtos. SUSPENSÃO DO IMPOSTO. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. É legítima a exigência do IPI, sobre o valor total da operação, nos retornos de industrialização por encomenda quando o executor da operação aplica insumo importado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para excluir o crédito tributário constituído com base no valor tributável mínimo. Vencidos, nesta parte, os Conselheiros Alexandre Kern e Rosaldo Trevisan. O Conselheiro Alexandre Kern apresentou declaração de voto. Sustentou pela recorrente o Dr. Plínio Marafon, OAB/SP nº 34.967 e pela Fazenda Nacional a Dra. Bruna Garcia Benevides. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 73 10 81 /2 01 1- 28 Fl. 777DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/07/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por ALEXANDRE KERN 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório Tratase de auto de infração com ciência pessoal do contribuinte em 08/11/2011, lavrado para exigir o crédito tributário relativo ao IPI, multa de ofício e juros de mora, em razão da falta de lançamento do imposto por inobservância das normas pertinentes à suspensão do imposto em operações de industrialização por encomenda e ao valor tributável mínimo, aplicável às operações com empresa interdependente. Segundo o termo de encerramento de procedimento fiscal, os contribuintes CELUPA INDUSTRIAL DE CELULOSE E PAPEL GUAÍBA LTDA, com sede em Guaíba – RS, e MELITTA DO BRASIL INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA, são empresas interdependentes. No período fiscalizado, a CELUPA vendeu toda a sua produção de filtros de papel aos estabelecimentos da MELITTA localizados em AvaréSP, ItapeviSP, PinhaisPR, FarroupilhaRS, Chapecó e BiguaçuSC, MaceióAL e Rio de JaneiroRJ. A fiscalização fez as seguintes constatações: a) os preços dos filtros de papel registrados nas notas fiscais emitidas pela CELUPA correspondiam, em média, à metade do preço registrado pelos estabelecimentos da MELITTA nas vendas a terceiros no atacado; b) a CELUPA na formação dos seus preços de venda à MELITTA não considerou os preços praticados por concorrentes e/ou pelos distribuidores interdependentes, nem incluiu custos financeiros, de venda e de publicidade/propaganda; c) os preços de venda no atacado dos estabelecimentos da MELITTA consideraram os custos financeiros, de vendas e de publicidade/propaganda. Concluiu a fiscalização que a CELUPA cobrou de sua interdependente preços muito inferiores aos de mercado, violando as regras do valor tributável mínimo previstas nos artigos 136, I e 137, parágrafo único, II do RIPI/2002 e 195, I e 196, parágrafo único, II do RIPI/2010. Considerando que no Rio Grande do Sul não existem outros fabricantes de filtros de papel e que CELUPA não efetuara vendas para outras empresas com as quais não tinha relação de interdependência, a fiscalização, valendose dos dispositivos regulamentares acima citados, do Parecer Normativo CST nº 44/81 e do ADN CST nº 5/82, considerou que o preço corrente do mercado atacadista da praça do remetente corresponderia à média ponderada dos preços praticados pelo estabelecimento da MELITTA localizado em FarroupilhaRS, que seria o responsável pelo universo de vendas no atacado realizadas na região em que se localiza o fabricante. A fiscalização também constatou o uso indevido da suspensão do imposto quando do retorno de bens industrializados por encomenda. A CELUPA fabricou por encomenda de terceiros o papel “celubond”, classificado na TIPI sob o código 4802.61.99 (5%). Nessas operações, parte dos insumos eram recebidos dos encomendantes, parte era adquirida no mercado interno, parte eram insumos industrializados na própria empresa e parte eram insumos importados. A saída do papel “celubond” era feita por meio de notas fiscais sem destaque do IPI, nas quais constava como base legal o art. 42, inciso VII, do RIPI/2002. Fl. 778DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/07/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11080.731081/201128 Acórdão n.º 3403002.285 S3C4T3 Fl. 8 3 Diante das irregularidades constatadas foi efetuado o lançamento de ofício para a exigência do imposto não lançado, com multa de ofício de 75% e juros de mora. Regularmente notificado do auto de infração, o contribuinte apresentou impugnação, alegando, em síntese que: a) Fabrica os filtros de papel por encomenda da MELITTA. Esses filtros saem com a marca MELITTA, cuja proprietária é a MB BETEILIGUNGS GMBH, que cedeu o uso da marca e da patente à MELITTA e não à CELUPA; b) Sendo assim, a CELUPA não tem que arcar com custos financeiros, despesas de venda e de publicidade, pois a comercialização é efetuada por seu cliente que detém o uso da marca. Nesse sentido, a Solução de Consulta nº 169, de 19 de junho de 2007, da 7ª Região Fiscal, labora a favor da recorrente; c) Alegou que a autuação foi feita de modo condicional. Não é aceitável uma autuação alternativa, que primeiro tenta enquadrar a impugnante na mesma norma do IPI que estabelece o valor tributável mínimo com base em seus custos e depois, porque esta não redundaria em imposto a pagar, aplica a norma do valor tributável mínimo com base nos preços de venda da MELITTA, que acaba sendo a base da autuação. Isso revela incerteza e insegurança por parte do fiscal na realização do lançamento tributário e só por isso deve ser cancelado, pois essa atividade é vinculada e exige liquidez e certeza; d) Alegou que o Parecer Normativo CST nº 44/81 estabelece que a aferição do “preço corrente do mercado atacadista da praça do remetente” deve ser feita levandose em conta o mercado atacadista de determinado produto na mesma cidade ou praça comercial do remetente dos produtos. A CELUPA está sediada em GuaíbaRS. Por isso foi ilegal o método eleito pela fiscalização, ao considerar a média ponderada das vendas do estabelecimento da MELITTA localizado em FarroupilhaRS, a mais de 100 Km de Guaíba. Por não haver preço de venda da CELUPA a outros clientes em Guaíba e nem haver outros atacadistas desse ou de outros filtros de papel naquela cidade, o preço tributado passa a ser o das vendas da MELITTA, “que é o responsável pelo universo das vendas, no atacado na região em que se localiza o fabricante”. A fiscalização mudou o conceito legal de “praça do remetente” para “região do fabricante”, sem que a lei tenha sido alterada nesse sentido. Invocou decisões em consulta e a jurisprudência do CARF e do STJ para corroborar sua tese; e) Disse ser justificável que a MELITTA tenha um preço diferenciado, pois lhe incumbem todos os custos financeiros, de publicidade e de distribuição. Além disso, o ICMS – Substituição Tributária também grava o preço da MELITTA, dado que o MVA dos filtros de papel é atualmente de 63%. Daí a razão pela qual o preço da MELITTA é superior ao da impugnante; f) Relativamente às saídas com suspensão do papel “celubond”, a recorrente alegou que a fiscalização tributou o valor total da industrialização por encomenda a 5%, desconsiderando que no produto final (papel “celubond”) o insumo importado só representa 0,93%, além de estar sujeito à alíquota zero (NCM 4803.21.00). O fiscal não segregou os insumos nacionais e nem a mãodeobra agregada à celulose importada; Fl. 779DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/07/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por ALEXANDRE KERN 4 g) Invocou a seu favor entendimento do Fisco Paulista, no sentido de que na industrialização por encomenda deve ser aplicado o tratamento tributário dispensado a cada mercadoria utilizada no processo, concluindo que somente a celulose importada poderia ser tributada no retorno da industrialização por encomenda; h) Alegou que a base legal da autuação é o art. 42, VII, do RIPI/2002 e que esse dispositivo regulamentar não tem suporte no art. 9º, § 1º da Lei nº 4.502/64, que seria sua matriz legal. Por meio do Acórdão 37.953, de 19 de abril de 2012, a 3ª Turma da DRJ Porto Alegre julgou improcedente a impugnação. Foi rejeitada a alegação de que o lançamento é condicional, pois a fiscalização indicou precisamente os dispositivos regulamentares que não foram observados pela recorrente. Foi decidido que a regra do art. 137, parágrafo único, do RIPI/2002, deve ser aplicada nas situações em que não exista mercado atacadista, o que não é o caso dos autos, pois os produtos foram vendidos no atacado pelos estabelecimentos da MELITTA. O IPI é um imposto real e não pessoal, assim importa considerar os custos do produto e não do fabricante. Foi considerada regular a apuração do valor tributável mínimo com base na média ponderada dos preços de venda da MELITTA. Quanto à utilização indevida da suspensão, ficou decidido que não tem cabimento a segregação pretendida pelo contribuinte, pois a mãodeobra e os insumos empregados integram o valor da operação. Relativamente à ilegalidade do art. 42 do RIPI, ficou decidido que a suspensão é uma faculdade regulamentar sempre subordinada ao implemento de uma condição. Não cumprida a condição, a consequência é a exigência do imposto suspenso. Regularmente notificado do Acórdão de primeira instância em 22/05/2012, o contribuinte apresentou recurso voluntário em 20/06/2012, no qual basicamente reafirmou e reforçou as alegações contidas na impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Inexistindo questões preliminares a serem resolvidas, passase diretamente ao exame das questões de mérito. DDOO VVAALLOORR TTRRIIBBUUTTÁÁVVEELL MMÍÍNNIIMMOO Versa o caso concreto sobre remessas efetuadas pelo contribuinte a empresa com a qual mantém relação de interdependência. A relação de interdependência é fato incontroverso nos autos. No caso de interdependência, o art. 15, I, da Lei nº 4.502/64, com a redação que lhe foi dada pelo Decretolei nº 34/66, estabelece que o valor tributável não poderá ser inferior ao “preço corrente do mercado atacadista da praça do remetente”. Fl. 780DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/07/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11080.731081/201128 Acórdão n.º 3403002.285 S3C4T3 Fl. 9 5 O Parecer Normativo CST nº 44/81, entre outras coisas, delimitou o conteúdo semântico de “praça do remetente” atribuindolhe o significado de “localidade ou cidade onde está localizado o remetente”. Conforme se verifica no enquadramento legal do auto de infração, a fiscalização lastreou o lançamento nos arts 136, I e 137, parágrafo único, II , do RIPI/2002 e nos arts. 195, I e 196, parágrafo único, II, do RIPI/2010, que configuram regra de exceção, por só ser aplicável quando não é possível estabelecer o “preço corrente do mercado atacadista da praça do remetente”. A alteração de pequenos detalhes na redação do suporte físico desses dispositivos não alterou o preceito normativo. Por tal razão, transcrevese a seguir apenas os dispositivos do regulamento mais recente. Esses dispositivos regulamentares estabelecem o seguinte: “Art.195. O valor tributável não poderá ser inferior: I ao preço corrente no mercado atacadista da praça do remetente quando o produto for destinado a outro estabelecimento do próprio remetente ou a estabelecimento de firma com a qual mantenha relação de interdependência (Lei nº 4.502, de 1964, art. 15, inciso I,e DecretoLei no34, de 1966, art. 2o, alteração 5a); II – omissis. Art.196. Para efeito de aplicação do disposto nos incisos I e II do art. 195, será considerada a média ponderada dos preços de cada produto, em vigor no mês precedente ao da saída do estabelecimento remetente, ou, na sua falta, a correspondente ao mês imediatamente anterior àquele. Parágrafo único. Inexistindo o preço corrente no mercado atacadista, para aplicação do disposto neste artigo, tomarseá por base de cálculo: I omissis II no caso de produto nacional, o custo de fabricação, acrescido dos custos financeiros e dos de venda, administração e publicidade, bem como do seu lucro normal e das demais parcelas que devam ser adicionadas ao preço da operação, ainda que os produtos hajam sido recebidos de outro estabelecimento da mesma firma que os tenha industrializado.” Examinandose o termo de encerramento de ação fiscal, verificase que a irregularidade constatada e apontada foi uma só, qual seja: o contribuinte não respeitou o valor tributável mínimo porque deixou de incluir na sua apuração os custos mencionados no art. 196, parágrafo único, inciso II, do RIPI/2010. Assim, no caso concreto, não há que se falar em autuação condicional, pois só houve um fato apontado. A autuação condicional ocorre quando a fiscalização elenca dois ou mais fatos que, isoladamente considerados, seriam capazes de dar lastro ao lançamento, mas deixa de indicar precisamente qual é o fato que dá suporte ao ato, deixando ao contribuinte ou aos órgãos de julgamento o encargo de fazer o juízo de adequação das provas aos fatos descritos. O problema desta autuação não reside na motivação do lançamento, mas sim na metodologia aplicada para a determinação do valor tributável mínimo, uma vez que a Fl. 781DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/07/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por ALEXANDRE KERN 6 própria fiscalização constatou a inexistência de mercado atacadista de filtros de papel na cidade de Guaíba. Tanto isso é verdade, que precisou recorrer ao preço médio do mercado atacadista da cidade de Farroupilha. O contexto revelado pela leitura do termo de encerramento de ação fiscal, sugere que a fiscalização descreveu e constatou que o contribuinte, nas vendas para a MELITTA, não incluiu no valor tributável todos os custos mencionados no art. 196, parágrafo único, II do RIPI/2010. Entretanto, em vez de apurar esses custos no estabelecimento do contribuinte (remetente dos produtos), resolveu a fiscalização apurálos de forma indireta, mediante o critério estabelecido no art. 196, caput, tendo em vista que nas respostas às intimações, ficou esclarecido que tais custos não haviam sido considerados pela Celupa, mas haviam sido considerados pela MELITTA nas suas vendas no atacado. Desse modo, a fiscalização, entendeu que a diferença entre os preços de venda da MELITTA e da CELUPA corresponderiam aos custos do produto que não teriam sido considerados pela CELUPA em suas vendas à MELITTA. A quantificação do valor tributável mínimo das vendas da CELUPA para a MELITTA intentada pela fiscalização neste processo não tem a menor condição jurídica de prosperar. Isto porque a fiscalização capitulou o lançamento na regra de exceção do art. 196, parágrafo único, II do RIPI/2010 (custo), mas apurou o valor tributável mínimo pela regra geral do preço corrente do mercado atacadista (art. 195, I). Entretanto, em vez de considerar como base para quantificação a praça do remetente dos produtos, tomou como base a praça do destinatário. É inequívoco que com tal procedimento a fiscalização tentou acrescentar ao preço de venda da CELUPA, custos incorridos pela interdependente MELITTA. Ora, tendo constatado a inexistência de mercado atacadista na praça do remetente (GuaíbaRS), deveria a fiscalização ter aplicado a regra de exceção contida no art. 196, parágrafo único, II, do RIPI/2010, que consiste em apurar o custo de fabricação do produto, os custos financeiros, de venda, de administração e de publicidade, bem como a margem de lucro normal, incorridos pelo estabelecimento remetente (CELUPA). O fato de o IPI ser um imposto vinculado ao produto industrializado, não legitima a pretensão fiscal (e nem a do Acórdão da DRJ – Porto Alegre) no sentido de incluir os custos incorridos pela MELITTA no valor tributável da CELUPA, pois tais custos se referem a uma etapa posterior à de industrialização. O contexto dos artigos 195 e 196 do RIPI/2010 se refere à apuração do preço de venda em relação às operações praticadas pelo remetente dos produtos, no caso a CELUPA. Assim, a menção ao custo de fabricação, aos custos financeiros, de venda, de administração e de publicidade no art. 196, parágrafo único, II do RIPI/2010, se refere aos custos incorridos pelo estabelecimento sob fiscalização, o remetente dos produtos, não autorizando a inclusão dos custos incorridos pelo destinatário na etapa seguinte. Reforça esta interpretação o fato de o art. 14, II da Lei nº 4.502/64 estabelecer que a base de cálculo do imposto, no caso de produtos de fabricação nacional, é o valor da operação de que decorrer a saída do estabelecimento produtor. Assim, não existe amparo legal para que ao valor das operações de saída da CELUPA (empresa produtora) sejam Fl. 782DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/07/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11080.731081/201128 Acórdão n.º 3403002.285 S3C4T3 Fl. 10 7 adicionados os custos incorridos pela MELITTA (empresa distribuidora), ainda que nos autos seja evidente que o contribuinte estudou a legislação e montou seu negócio separando a industrialização da distribuição com o objetivo de economizar no recolhimento do IPI. A interpretação contida neste voto não destoa do entendimento externado em soluções de consulta pela Receita Federal, como se vê nos seguintes casos: “Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI EMPRESAS INTERPEDENTENTES. PRODUTO NACIONAL. INEXISTÊNCIA DE PREÇO CORRENTE NO MERCADO ATACADISTA DA PRAÇA DO ESTABELECIMENTO REMETENTE. VALOR TRIBUTÁVEL MÍNIMO. MARGEM DE LUCRO NORMAL. Inexistindo preço corrente no mercado atacadista da praça do estabelecimento remetente de produto nacional para empresa interdependente, em operação sujeita à incidência do IPI, a margem de lucro normal utilizada no cálculo do valor mínimo tributável varia conforme a atividade da empresa e a localização do estabelecimento remetente dos produtos, devendo seu valor refletir tanto quanto possível o preço que seria praticado em negociações paritárias com empresas que não mantivessem relação de interdependência com a empresa adquirente, além de atender aos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade. Dispositivos Legais: RIPI, art. 137, parágrafo único, II.” (Solução de Consulta nº 97, de 26 de junho de 2008, da 6ª Região Fiscal, DOU 03/07/2008, os grifos não são do original) “Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Base de Cálculo e Valor Tributável Mínimo. Nas operações realizadas entre empresas interdependentes, nos moldes estabelecidos no inciso II do parágrafo único do artigo 137 do RIPI, somente poderão ser somados os custos, e despesas efetivamente incorridos pelo estabelecimento industrial. As despesas de propaganda e/ou publicidade, quando correrem por conta da empresa distribuidora, não integram o valor para fins de apuração da média ponderada. Fundamentação Legal: Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, arts. 15 e 42, e Decreto nº 4.544, de 26 de dezembro de 2002, arts. 136 e 137.” (Solução de Consulta nº 169, de 19 de junho de 2007, 7ª Região Fiscal, DOU 26/09/2007, os grifos não são do original) O exame das planilhas elaboradas pela fiscalização revela que foram consideradas no cálculo do valor tributável mínimo, que deveria ter sido praticado pela CELUPA, a média ponderada das vendas do estabelecimento da MELITTA localizado a 100 Km de distância na cidade de Farroupilha. Ao assim proceder, a fiscalização acabou por violentar o art. 196, parágrafo único, II do RIPI/2010, pois seus cálculos levaram em conta custos incorridos pela MELITTA na etapa de comercialização do produto, que não são alcançados pela regra de exceção do art. 196, parágrafo único, II, do RIPI/2010. Por essa razão, o lançamento de ofício efetuado com base no valor tributável mínimo deve ser cancelado. UUTTIILLIIZZAAÇÇÃÃOO IINNDDEEVVIIDDAA DDAA SSUUSSPPEENNSSÃÃOO NNOO RREETTOORRNNOO DDEE IINNDDUUSSTTRRIIAALLIIZZAAÇÇÃÃOO PPOORR EENNCCOOMMEENNDDAA Fl. 783DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/07/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por ALEXANDRE KERN 8 No que tange ao uso indevido da suspensão, é incontroverso nos autos que o contribuinte aplicou produto importado nas operações de industrialização por encomenda que são objeto deste lançamento. O art. 42, VI e VII, do RIPI/2002 estabelece que : “Art. 42. Poderão sair com suspensão do imposto: (...) VI as MP, PI e ME destinados à industrialização, desde que os produtos industrializados devam ser enviados ao estabelecimento remetente daqueles insumos; VII os produtos que, industrializados na forma do inciso VI e em cuja operação o executor da encomenda não tenha utilizado produtos de sua industrialização ou importação, forem remetidos ao estabelecimento de origem e desde que sejam por este destinados: a) a comércio; ou b) a emprego, como MP, PI e ME, em nova industrialização que dê origem a saída de produto tributado;” Verificase que a suspensão é um benefício criado pelo regulamento e colocado à disposição do contribuinte como opção, sendo condicionado por dois fatores: a) que o contribuinte não empregue produto importado ou de sua industrialização; e b) retorno do produto industrializado por encomenda ao estabelecimento encomendante para ser destinado a comércio ou aplicado em nova operação de industrialização. Se o contribuinte aplicou produto importado na industrialização por encomenda, estava sujeito à regra geral do art. 19, II, “a”, da Lei nº 4.502/64 e não podia optar pela suspensão, que é benefício instituído pelo regulamento. O contribuinte alegou que o produto importado só representa 0,93% (não se sabe de quê); que é sujeito à alíquota zero (NCM 4803.21.00) e que o fiscal não segregou os insumos nacionais e nem a mãodeobra agregada à celulose importada. Não foi especificado a que se refere a proporção de 0,93%, não se sabe se é 0,93% do custo do produto industrializado por encomenda, ou se o percentual se refere ao teor do insumo que entra na composição do produto ou, ainda, se a proporção se refere à participação em peso do insumo no produto industrializado. Mas seja lá qual for o significado da proporção 0,93%, o fato é que a defesa embasa seu entendimento em ato normativo do Fisco Paulista expedido na seara do ICMS, que não tem aplicabilidade a este caso concreto. A operação de industrialização por encomenda é uma operação de industrialização como outra qualquer. A única diferença é que ela se caracteriza pelo fato de o encomendante enviar insumos, moldes, ou matrizes ao executor da encomenda (art. 4º, III, da Lei nº 4.502/64). Ultimada a operação de industrialização por encomenda, com a aplicação de insumo importado, o valor sujeito à incidência do IPI é o valor total da operação de que decorrer a saída (art. 14, II, da Lei nº 4.502/64), não havendo nenhuma previsão para a Fl. 784DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/07/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11080.731081/201128 Acórdão n.º 3403002.285 S3C4T3 Fl. 11 9 segregação dos componentes do produto, quer em face de sua natureza, quer em face do grau com que contribuem na formação do produto, quer em face da alíquota com que são tributados. Outra alegação do contribuinte foi no sentido da ilegalidade do art. 42 do RIPI/2002, pois não encontraria amparo no art. 9º da Lei nº 4.502/64. Quanto a esta alegação, cabe esclarecer que se os regulamentos só pudessem repetir o que está na lei, seria desnecessária a previsão contida no art. 84, IV da Constituição, conferindo competência ao Presidente da República para baixar regulamentos executivos. Observese que a palavra “suspensão” aparece na Lei nº 4.502/64 em apenas duas ocasiões: no art. 9, § 1º e no art. 35, § 2º. Em nenhum desses dispositivos a lei definiu o que é suspensão e nem em quais casos deveria ser aplicada. O art. 42 do RIPI/2002 está inserido no âmbito do poder regulamentar do Presidente da República, pois no silêncio da Lei nº 4.502/64, quanto às hipóteses em que o instituto da suspensão deveria ser aplicado, surgiu a necessidade de que o regulamento disciplinasse a forma de atuação da Administração e dos contribuintes. Ao tratar da função do regulamento no direito pátrio, Celso Antônio Bandeira de Mello, consignou o seguinte: “(...) Em face do quanto foi dito, já se pode assinalar e enfatizar que: (a) Onde não houver espaço para uma atuação administrativa, não haverá cabida para o regulamento. Foi o que Geraldo Ataliba esclareceu luminosamente: “Só cabe regulamento em matéria que vai ser objeto de ação administrativa ou desta depende. O sistema só requer ou admite o regulamento, como instrumento de adaptação ou ordenamento do aparelho administrativo, tendo em vista, exatamente, a criação de condições para a fiel execução das leis.”20 (b) Onde não houver liberdade administrativa alguma a ser exercida (discricionariedade) – por estar prefigurado na lei o único modo e o único possível comportamento da Administração ante hipóteses igualmente estabelecidas em termos de objetividade absoluta – não haverá lugar para regulamento que não seja mera repetição da lei ou desdobramento do que nela se disse sinteticamente. (...)” (Curso de Direito Administrativo. São Paulo: Malheiros, 8 ed, 1996, pág. 191) Considerando que a Lei nº 4.502/64, nas duas oportunidades em que mencionou o termo “suspensão”, não regulou a matéria de forma a vincular de modo único o comportamento da Administração, foi necessário que o regulamento o fizesse, a fim de garantir o fiel cumprimento dos desígnios legais e também um comportamento uniforme dos agentes públicos na sua execução. Portanto, não há ilegalidade alguma no art. 42 do RIPI/2002, pois ele não afronta nenhuma norma jurídica de hierarquia superior. No silêncio da Lei nº 4.502/64, quanto aos casos em que deve ser aplicada a suspensão, o regulamento poderia até suprimir a opção do contribuinte efetuar o retorno de industrialização por encomenda com suspensão (art. 42, VII do RIPI/2002) e nenhuma ilegalidade teria sido cometida. Suprimindose esta opção, o imposto passaria a incidir normalmente sobre os retornos na forma do art. 14, II, da Lei nº 4.502/64. Em face do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso para excluir do lançamento o crédito tributário exigido com base no valor tributável mínimo. Fl. 785DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/07/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por ALEXANDRE KERN 10 Antonio Carlos Atulim Declaração de Voto Conselheiro Alexandre Kern. AA RREESSPPEEIITTOO DDOO EEQQUUÍÍVVOOCCOO MMEETTOODDOOLLÓÓGGIICCOO DDOO LLAANNÇÇAAMMEENNTTOO Conforme relatado, a ação fiscal detectou remessas efetuadas pelo estabelecimento industrial a outra firma com a qual mantém incontroversa relação de interdependência. A Lei básica do IPI estabelece que o valor tributável, nessas operações, não poderá ser inferior ao “preço corrente do mercado atacadista da praça do remetente”. O RIPI2002 e o RIPI 2010 reproduziram essa norma nos seus arts. 136, inc. I, e 195, inc. I, respectivamente. A propósito da apuração do valor tributável mínimo (VTM), a SCI nº 8, de 2012, já concluiu que “na hipótese de existir no mercado atacadista apenas um único distribuidor, interdependente de estabelecimento industrial fabricante de determinado produto, o valor tributável mínimo aplicável a esse estabelecimento industrial fabricante corresponderá aos próprios preços praticados pelo distribuidor único nas vendas por atacado do citado produto”. Foi exatamente esse o critério adotado no lançamento ora sub judice: adoção do preço praticado pelo distribuidor monoplista como sendo o preço corrente do mercado atacadista da praça do remetente. Não se cogitou jamais da aplicação das regras do art. 137 do RIPI/2002 (art. 196 do RIPI/2012), que tratam dos casos de inexistência do preço corrente no mercado atacadista. Peço vênia ao ínclito Relator para dele discordar quanto à existência de defeito metodológico na determinação do VTM. Remeto meus pares para o Termo de Encerramento de Procedimento Fiscal, às fls. 677, em que a Fiscalização, categoricamente, afirma entender existir mercado atacadista para os produtos em questão, não cogitando da aplicação da regra do parágrafo único do art. 196 (eu sublinhei na transcrição): “11.1 A regra do parágrafo único do artigo 137 do RIPI/2002 (parágrafo único do artigo 196 do RIPI/2010) deve ser aplicada em situações em que inexiste mercado atacadista, o que não aconteceu no caso em análise, em que os produtos foram vendidos para terceiros no atacado pelos estabelecimentos da firma interdependente.” Ainda a comprovar que o lançamento não cogitou da apuração do VTM com base na regra de exceção, os demonstrativos “Notas Fiscais emitidas em 2008 utilizadas na determinação da média ponderada de preços”, “DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DA MÉDIA PONDERADA DE PREÇOS UNITÁRIOS NAS VENDAS DE PRODUTOS Fl. 786DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/07/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11080.731081/201128 Acórdão n.º 3403002.285 S3C4T3 Fl. 12 11 RECEBIDOS DE CELUPA” VALOR TRIBUTÁVEL MÍNIMO A SER CONSIDERADO NAS SAÍDAS DESTINADAS A FIRMA INTERDEPENDENTE, fls. 124 a 396, deixam patente que o lançamento apoiouse na regra do art. 136, inc. I, do RIPI/2010 (art. 195, inc. I, do RIPI/2010) e, coerentemente, apurou o VTM com base na média ponderada dos preços do produto praticado pelo distribuidor interdependente, em vigor no mês precedente ao da saída do estabelecimento remetente. O Relator é atento e detectou, no enquadramento legal do auto de infração, a menção também aos arts. 137, parágrafo único, II , do RIPI/2002, 196, parágrafo único, II, do RIPI/2010. A referência, embora despicienda, não prejudicou em nada a defesa do ora recorrente, já que, seja pelo que constou no minudente Termo de Encerramento, ou nos diversos demonstrativos de apuração que compõem o AI, a Fiscalização foi clara (fl. 679, negrito na transcrição): “Esta fiscalização elaborou demonstrativo de apuração da média ponderada mensal, por código de produto, dos preços unitários na saída de filtros de papel do estabelecimento de Melitta de CNPJ 62.000.278/001864.” Lembro ainda uma vez mais: o cálculo da média ponderada mensal dos preços do produto é empregado na apuração do VTM quando há preço corrente do mercado atacadista, razão por que não há a alegada confusão metodológica. CCOONNCCEEIITTOO DDEE PPRRAAÇÇAA Assentada essa premissa de inocorrência do defeito metodológico apontado pelo nobre Relator, pareceme que o único ponto que ainda pode gerar maior discussão no julgamento do processo sobre o assunto em tela corresponde ao conceito de “praça do remetente”. O Relator faz referência ao Parecer Normativo CST nº 44, de 1981, que entre outras coisas, teria delimitado o conteúdo semântico de “praça do remetente” atribuindolhe o significado de “localidade ou cidade onde está localizado o remetente”. Ouso discordar novamente. O PNCST nº 44, de 1981, não tratou especificamente dessa questão. O que fez foi, ao tratar do valor tributável para efeito de cálculo do IPI, dispor sobre o conteúdo da locução “mercado atacadista”, in verbis: “6.1. Isto significando, por certo, que numa mesma cidade, ou praça comercial, o mercado atacadista de determinado produto, como um todo, deve ser considerado relativamente ao universo das vendas que se realizam naquela mesma localidade, e não somente em relação àquelas vendas efetuadas por um só estabelecimento, de forma isolada. 7. Por isso, os preços praticados por outros estabelecimentos da mesma praça que a do contribuinte interessado em encontrar o valor tributável do IPI através do preço corrente do mercado atacadista devem ser considerados para o cálculo da média ponderada de que trata o§ 5º do artigo 46 do RIPI/79.” Ou seja, concluiu que, existindo diversos estabelecimentos atuantes no mercado atacadista, não será válida a determinação do valor tributável mínimo tomando por base o preço praticado por apenas um estabelecimento, isoladamente considerado, devendose levar em conta “o mercado atacadista de determinado produto, como um todo”. Como se vê, PNCST nº 44, de1981, empregou inadvertidamente as locuções cidade, praça comercial e localidade e não se deteve em delimitar o seu conteúdo. No meu ponto de vista, ao contrário da Fl. 787DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/07/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por ALEXANDRE KERN 12 interpretação dada pelo Relator, o PNCST nº 44, de 1981, não vinculou a Fiscalização a qualquer conceito, muito menos a um conceito geográfico. Pareceme, isso sim, que esse parecer (e mesmo o ADNCST nº 05/82 e a Solução de Consulta Interna nº 08/2012), que trata da matéria, ao aclarar a aplicação e alcance de dispositivos legais ou regulamentares, quando empregam a expressão município, localidade ou praça o faz exemplificativamente. E o emprego indiferente dessas palavras já denota a vaguidade do conceito. Há de se reconhecer, a locução é frequentemente usada como sinônimo de sede da municipalidade, em sentido ainda mais estrito do que o de município, Todavia, em diversas situações isto não acontece, assumindo amplitude bem maior, como se demonstrará a seguir. O artigo 32 do Código Comercial de 1850, assim define praça: “Art. 32. Praça do comércio é não só o local, mas também a reunião dos comerciantes, capitães e mestres dos navios, corretores e mais pessoas empregadas no comércio”. O dispositivo é expresso no sentido de esclarecer que o conceito de praça de comércio transcende o lugar, a localidade, alcançando a reunião dos comerciantes e pessoas empregadas no comércio. Portanto, mesmo no ambiente econômico de meados do século XIX, em que a atividade era infinitamente mais constrita, mais autárquica, o conceito já tinha amplitude maior do que a pretendida pela recorrente. No contexto econômico atual, de amplo desenvolvimento dos canais de comercialização, dos meios de transporte de mercadorias, de marketing, de globalização de mercados, é intuitivo, o mercado atacadista de determinado produto não se forma necessariamente em função da localização ou do domicílio dos estabelecimentos atacadistas mas sim pela estratégia de atuação destes estabelecimentos nesse mercado, independentemente de suas localizações. Ademais, nada impede que uma empresa localizada em determinado município ou região, atue e participe do mercado de outros municípios, regiões ou praças. Na verdade, essa é a lógica da atividade econômica atual, que não se conforma mais aos limites geográficos num mercado de âmbito planetário. Pareceme perfeitamente cabível recolocar a questão: qual é a praça do remetente? Somente a localidade onde o comerciante possui domicílio? O município? E os demais locais onde o comerciante atua, muita vez, em maior intensidade que a localidade de seu domicílio ou município, não é praça? Uma empresa sediada em um município e que desenvolve sua atividade comercial, exclusivamente, em outro, não possui praça de atuação? Rechaço veementemente a afirmação recursal de que há unanimidade doutrinária e jurisprudencial a respeito desse conceito. Vejase, por exemplo, a Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993, que instituiu normas para licitações e contratos da Administração Pública e utiliza a palavra praça ao tratar de licitação na modalidade convite. O § 6º do art. 22 da Lei nº 8.666, de 1993, prevê (negrito meu): "§ 6° Na hipótese do § 3° deste artigo, existindo na praça mais de 3 (três) possíveis interessados, a cada novo convite, realizado para objeto idêntico ou assemelhado, é obrigatório o convite a, no mínimo, mais um interessado, enquanto Fl. 788DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/07/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11080.731081/201128 Acórdão n.º 3403002.285 S3C4T3 Fl. 13 13 existirem cadastrados não convidados nas últimas licitações. (Redação dada pela Lei nº 8.883, de 1994)". JOEL DE MENEZES NIEBUHR, na obra Licitação Pública e Contrato Administrativo1, escreveu acerca da regra acima mencionada (negrito meu): “O conceito de praça não é definido pela Lei. Nada obstante, cumpre apreender o vocábulo praça em vista de municípios que sejam vizinhos e cujas atividades comerciais sejam integradas, mesmo em virtude da continuidade dos respectivos núcleos urbanos. A praça abrange, por corolário, os municípios que integram a mesma região metropolitana, microregião ou aglomerado urbano.” Ainda na seara das licitações públicas, HELY LOPES MEIRELLES2 empregou a palavra praça ao tratar dos casos de inexigibilidade do certame no direito administrativo brasileiro (negrito meu): “Há que se distinguir, todavia, a exclusividade industrial da exclusividade comercial. Aquela é a do produtor privativo no País; esta é a dos vendedores e representantes na praça. Quando se trata de produtor, não há dúvida possível: se só ele produz determinado material, equipamento ou gênero, só dele a Administração pode adquirir tais coisas; quando se trata de vendedor ou representante comercial já ocorre a possibilidade de existirem vários no país, e, neste caso, considerase a exclusividade na praça de comércio, que abranja a localidade da licitação. O conceito de exclusividade comercial está, pois, relacionado com a área privativa do vendedor ou do representante do produtor.” DIOGENES GASPARINI, em Direito Administrativo, 3ª ed., p. 337, a seu turno, escreveu (negrito meu): “A praça comercial é determinável pela grandeza do valor do contrato que se pretende celebrar. Assim, se o montante do ajuste é de convite, a exclusividade do produtor, empresa ou representante comercial é na localidade em que se realiza a licitação. Se o valor do contrato pretendido é de tomada de preços, a exclusividade é no registro cadastral. Se o vulto do contrato corresponde à concorrência, a exclusividade é no país. Considerandose, em suma, produtor, empresa ou representante comercial exclusivo, no caso de convite, o que é único na localidade; no caso de tomada de preços, o que é único no registro cadastral; no caso da concorrência, o que é único no país.” A Lei nº 8.666, de 1993, que visa a garantir a seleção da proposta mais vantajosa para a Administração, em estrita conformidade com os princípios básicos da legalidade, da impessoalidade, da moralidade, da igualdade, da publicidade, da probidade administrativa, da vinculação ao instrumento convocatório, do julgamento objetivo e dos que lhes são correlatos (redação dada pela Lei nº 12.349, de 2010), admite que, se em um determinado município de uma região metropolitana qualquer não existir uma quantidade suficiente de interessados em participar de licitação na modalidade de convite, evidentemente que o órgão licitador pode e deve enviar convites para outros interessados localizados em cidades próximas, evitando a possibilidade de prejuízos aos cofres públicos. Seguindo esta lógica, o Acórdão nº 1.971/2004, da Segunda Câmara do TCU, definiu que a abrangência da 1 Belo Horizonte: Fórum, 2ª ed. revista e ampliada, 2012 2 Licitação e Contrato Administrativo, 10ª ed., p. 337; e Direito Administrativo Brasileiro, São Paulo: Malheiros, 25ª ed. 2000, p. 265. Fl. 789DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/07/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por ALEXANDRE KERN 14 praça correspondia ao Estado de Sergipe, ao determinar que a Entidade objeto da análise “cumpra o disposto no art. 22, § 3º e § 6º c/c o art. 3º da Lei nº 8.666/93, quanto à obrigação de se obter pelo menos três propostas válidas em licitações na modalidade Convite, exceto se, devidamente justificado, não houver fornecedores na praça (Sergipe) em quantidade suficiente”. O próprio Tribunal de Contas da União3, na publicação “Licitações e Contratos Orientações e Jurisprudência do TCU”, institucionalizou o entendimento: “Deve a estimativa ser elaborada com base nos preços colhidos em empresas do ramo pertinente ao objeto licitado, correntes no mercado onde será realizada a licitação, que pode ser local, regional ou nacional. (...) Abrangência da modalidade escolhida define, em princípio, a praça ou o mercado a ser pesquisado, que poderá ser municipal, estadual, nacional ou internacional.” Assim, a praça de um pregão eletrônico de uma repartição pública do município de Cacimbinhas não é a área do município alagoano senão todo o território nacional. Adentro agora a seara comercialista, a mesma em que atua o parecerista encomendado pelo recorrente. Quando se trata de representação comercial, a palavra praça é utilizada no mesmo sentido de zona ou área de atuação do representante. Nos artigos 27 e 31 da Lei nº 4.886, de 9 de dezembro de 1965, que regula as atividades dos representantes comerciais autônomos, o legislador utilizou o termo "zona": “Art. 27. Do contrato de representação comercial, além dos elementos comuns e outros a juízo dos interessados, constarão obrigatoriamente: (Redação dada pela Lei nº 8.420, de 8.5.1992) (...) d) indicação da zona ou zonas em que será exercida a representação; (Redação dada pela Lei nº 8.420, de 8.5.1992) e) garantia ou não, parcial ou total, ou por certo prazo, da exclusividade de zona ou setor de zona; Art. 31. Prevendo o contrato de representação a exclusividade de zona ou zonas, ou quando este for omisso, fará jus o representante à comissão pelos negócios aí realizados, ainda que diretamente pelo representado ou por intermédio de terceiros. (Redação dada pela Lei nº 8.420, de 8.5.1992). Parágrafo único. A exclusividade de representação não se presume na ausência de ajustes expressos. (Redação dada pela Lei nº 8.420, de 8.5.1992)” A propósito da delimitação da zona no contrato de representação comercial, o STJ empregou a locução "praça" como sinônima à de “zona”. Confirase: “STJ RECURSO ESPECIAL: REsp 229761 ES 1999/00819292 Ementa: COMERCIAL. CONTRATO DE REPRESENTAÇÃO. EXCLUSIVIDADE. A exclusividade de representação não se presume (Lei nº 4.886/65, art. 31, parágrafo único); o ajuste de exclusividade numa praça, só a esta se aplica, pouco importando que a representação tenha se estendido a outra praça, salvo aditamento expresso a respeito no caso, inexistente. Recurso especial conhecido e provido em parte.” 3 2010, 4ª de. revista, atualizada e ampliada. Fl. 790DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/07/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11080.731081/201128 Acórdão n.º 3403002.285 S3C4T3 Fl. 14 15 Como se constata, o conceito de praça não é unívoco e admite preenchimento pelo aplicador do direito, segundo as finalidades da lei aplicada. Penso que a locução praça, no contexto em que é utilizada no art. 136 do RIPI/2002, e à luz dos princípios do direito administrativo, deve ser interpretada como a localidade ou região, circunscrita ou não ao território de um município, onde tem atuação o comerciante em atos de comércio. Assim, como o conceito de praça está diretamente relacionado ao campo de atuação do comerciante, os preços por ele praticados nos locais onde mantém atuação mercantil caracterizam os seus “preços da praça”. AA FFIINNAALLIIDDAADDEE DDAA NNOORRMMAA DDOO AARRTT.. 1155 DDAA LLEEII NNºº 44..550022,, DDEE 11996644:: Na análise conceitual de praça, há de se ter o cuidado de atender a finalidade da norma (art. 136, RIPI/2002), qual seja, a de garantir que a tributação do IPI recaia sobre valor que se aproxime do valor da operação, evitando, assim, o recolhimento do imposto sobre uma base de cálculo em dimensão econômica muito distante dos preços praticados. No caso de empresas interdependentes, garantir que as saídas dos produtos entre empresa fabricante e comercial interdependente sejam tributados, no mínimo, pelo valor do mercado atacadista. Atribuir à locução praça uma acepção reducionista, como pretende a recorrente, além de negar a realidade econômica vigente, fere os princípios constitucionais norteadores da atividade econômica e faz letra morta do art. 136 do RIPI/2002. A legislação do IPI, no capítulo da apuração do imposto, traz regras que claramente procuram impedir que os fabricantes utilizemse de firmas interdependentes para reduzir a base de cálculo. A redação original do art. 15 da Lei nº 4.502, de 1964, assim dispunha: “Art . 15. o valor tributável não poderá ser inferior: I ao preço normal de venda por atacado a outros compradores ou destinatários, ou na sua falta, ao preço corrente no mercado atacadista do domicílio do remetente, quando o produto fôr remetido, para revenda, a estabelecimento de terceiro, com o qual o contribuinte tenha relações de interdependência (art. 42);” O Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, aprovado pelo Decreto nº 61.514, de 12 de outubro de 1967 – RIPI/67, já dispunha restritivamente para os casos de monopsônios: “Art. 21 [...] § 8º No caso de remessa para estabelecimento que seja o único comprador do produto, o valor tributável não poderá ser inferior ao preço de venda do adquirente, salvo se este operar, exclusivamente,na venda a varejo, hipótese em que será observada a forma do inciso II e §§ 4º e 5º, deste artigo.” Disposição idêntica se reproduziu no § 6º do art. 23 do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, aprovado pelo Decreto nº 70.162, de 18 de fevereiro de 1972 – RIPI/72. O DecretoLei nº 34, de 18 de novembro de 1966, deu a seguinte redação ao inc. I do art. 15 (base legal dos arts. 136, I, do RIPI/2002 e 195, I, do RIPI/2010): Fl. 791DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/07/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por ALEXANDRE KERN 16 "I ao preço corrente no mercado atacadista da praça do remetente, quando o produto fôr remetido a outro estabelecimento da mesma pessoa jurídica ou a estabelecimento de terceiro, incluído no artigo 42 e seu parágrafo único." Observese que a alteração redacional promovida pelo DL nº 34, de 1966, suprimiu a parte inicial do inciso I (“ao preço normal de venda por atacado a outros compradores ou destinatários, ou na sua falta,”) e substituiu a locução “domicílio” pela locução “praça”. Convenhamos, esta substituição tem natureza evidentemente amplificativa. Assim procedendo, o legislador visou a garantir que o IPI viesse a incidir sobre uma base de cálculo, cuja dimensão econômica resguardasse o valor do mercado, evitando artificialismos na sua fixação, facilmente operável entre empresas com as características da recorrente. Nesse sentido, o Parecer CST nº 89, de 1970, editado portanto depois da última alteração do texto do art. 15 da Lei nº 4.502, de 1964, ofereceu a seguinte interpretação da nova redação da norma: “PARECER NORMATIVO CST N.° 89/70 01 — IPI 01.08 — CALCULO DO IMPOSTO 01.08.01 — VALOR TRIBUTÁVEL Produto destinado a estabelecimento de firma interdependente: o valor tributável não poderá ser inferior ao preço corrente no mercado atacadista da praça do remetente (RIPI, art. 21, inciso I). Estabelecimento que vende seus produtos a terceiros atacadistas e, além destes, para uma empresa, também atacadista, com a qual mantém relação de interdependência. Neste último caso, o valor tributável "não poderá ser inferior ao preço corrente no mercado atacadista da praça do remetente", conforme dispõe o inciso I do art. 21 do Decreto n.° 61.514/67. O "preço corrente no mercado atacadista da praça do remetente" é, evidentemente, o preço de venda por atacado feita pelo mencionado estabelecimento, a terceiros, não interdependentes. Na falta de outros adquirentes, ou melhor, na remessa para estabelecimento que seja o único comprador do produto (firma interdependente), o valor tributável não poderá ser inferior ao preço de venda do adquirente, salvo se este operar, exclusivamente, na venda a varejo, devendo, neste caso, ser observado o disposto no inciso II e §§ 4.° e 5.° do art. 21 do RIPI.” A clareza do Parecer não me impede de repetilo: na remessa para estabelecimento que seja o único comprador do produto – firma interdependente – o valor tributável não poderá ser inferior ao preço de venda praticado pelo estabelecimento adquirente. Se algum Parecer vincula a Fiscalização, penso ser este, que se ajusta como uma luva ao caso concreto. E dele se podem extrair as seguintes conclusões: na hipótese de existir no mercado atacadista a que se refere o inciso I do art. 136 do RIPI/2002 um único distribuidor, interdependente de estabelecimento industrial fabricante de determinado produto, o valor tributável mínimo aplicável a esse estabelecimento industrial fabricante corresponderá aos Fl. 792DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/07/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11080.731081/201128 Acórdão n.º 3403002.285 S3C4T3 Fl. 15 17 próprios preços praticados pelo distribuidor único nas vendas por atacado do citado produto. É evidente que o legislador, ao redigir os dispositivos citados, objetivou estabelecer parâmetros para identificação da base de cálculo do IPI, nas operações envolvendo estabelecimentos do próprio remetente ou empresas com as quais mantenha relação de interdependência, a fim de afastar a possibilidade da formação da base de cálculo do imposto por valores que discrepem, consideravelmente, do valor de mercado e do valor da operação. Nessa específica configuração de mercado, o conceito de praça que se adote é irrelevante, embora defenda a adoção do conceito de praça como campo de atuação do comerciante, pois, seja ele qual for, o estabelecimento comercial atacadista (ou centro de distribuição, dêse o nome que for) interdependente nele atuará como distribuidor exclusivo do estabelecimento industrial. Em síntese, o preço do mercado atacadista da praça do industrial remetente será exatamente o preço praticado pelo estabelecimento comercial interdependente. O Termo de Verificação de Infração Fiscal demonstra bem que o preço praticado pela recorrente não guarda qualquer relação de grandeza lógica com o valor de mercado atacadista praticado pela firma interdependente. No período abrangido pela ação fiscal, os preços unitários dos filtros de papel registrados nas notas fiscais de venda emitidas por Celupa correspondiam em média à metade dos preços unitários registrados nas notas fiscais emitidas por estabelecimentos de Melitta nas vendas para terceiros, comparandose códigos de produtos idênticos. Além disso, os preços praticados por Melitta, conforme demonstrado nos autos (fls. 59 a 63), não sofrem alterações em função da localização do distribuidor ou do cliente, tratandose de um mercado homogêneo4. Conforme explicou o patrono da recorrente, em sua sustentação oral do recurso, o grupo industrial em que se inserem Celupa e sua interdependente Melitta constituise desse e de outros estabelecimentos industriais, de comercial atacadista, distribuidores, onde cada qual executa uma atividade específica, porém dependente, e que, concluída, aperfeiçoa e completa o objetivo do grupo empresarial. Sob a coordenação de um comando central que determina preços e as políticas da empresa, cada estabelecimento realiza seus custos e são eles, em seu conjunto, determinantes para a fixação da política de preços. Dessa forma, o preço de mercado atacadista, o preço praticado para os revendedores é conhecido e todos os estabelecimentos do grupo empresarial concorrem para a formação desse preço e desse mercado. Não é a recorrente industrial que, com seus custos, isoladamente, define preços do mercado atacadista para os produtos. Tão pouco é a comerciante atacadista interdependente, com base em seus custos próprios, que determina os preços de venda de seus produtos no atacado. Na organização industrial em que está inserida a recorrente, a definição dos preços de seus produtos é uma equação complexa que deve levar em consideração, no mínimo, os custos de toda a atividade empreendedora, os investimentos futuros do grupo e os preços praticados pelos concorrentes. Todos colaboram para a colocação dos produtos junto ao mercado criado pelo empreendimento. 4 O patrono da empresa, em sua sustentação oral, afirmou que a Fiscalização não teria analisado as vendas no atacado efetuadas em Guaíba, o que não corresponde à realidade. Em Termo de Intimação lavrado em 30/05/2011, a Fiscalização pediu para Melitta esclarecer se nas vendas para clientes localizados na região metropolitana de Porto Alegre é adotado algum procedimento ou tratamento diferenciado em relação a vendas para clientes situados em outros municípios gaúchos (fl. 59). Em resposta datada de 17/06/2011, a empresa informou que não há distinções (fl. 63). Fl. 793DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/07/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por ALEXANDRE KERN 18 Dizer que não há preço de mercado atacadista nas operações de saída do estabelecimento da recorrente industrial para o estabelecimento comercial interdependente é querer atribuir uma independência negocial a seus estabelecimentos que na prática não existe pela própria dinâmica empresarial. Alguém acredita que o estabelecimento da recorrente industrial, cuja produção é comercializada exclusivamente pela comercial interdependente, fixaria preços de atacado diferentes dos fixados pela empresa comercial? A matriz alemã permitiria esse fratricídio? Esta é precisamente a distorção que as normas que regulam o valor tributável mínimo do IPI pretendem evitar. CCOONNCCLLUUSSÕÕEESS Entendo que o artifício empregado pela autuada, ao se utilizar da instalação de firma interdependente em outro município, apoiandose em interpretação literal do conceito da palavra praça, em situação que sequer se inclui entre as que exigem interpretação literal, nos termos do art. 111 do CTN, adota a localização geográfica como absurdo critério para a determinação do tratamento tributário, perverte a finalidade da norma e é abusivo, pois dá azo a redução significativa do valor do imposto devido em detrimento da atividade concorrencial. Essa interpretação, caucada no conceito reducionista de praça circunscrita a município ou fração dele, desprestigia o Princípio da Uniformidade Tributária e o da Isonomia, uma vez que, em situações idênticas, operações de saída de produtos entre empresas interdependentes seriam regidas por regras distintas apenas em razão da localização, possibilitando a prática de concorrência desleal e ofendendo a ordem econômica. A Constituição Federal consagra em seu preâmbulo que o Brasil é um Estado Democrático e que a igualdade e a justiça são valores supremos da sociedade. E sobre os princípios constitucionais, diz que a liberdade de iniciativa tem de ser compatibilizada com o princípio da solidariedade, com a justiça e com a capacidade contributiva. Nesse contexto, não se pode admitir a interpretação defendida pela autuada, que, simplesmente por estabelecer sua distribuidora em outro município, utiliza como base de cálculo do imposto valores duas ou três vezes inferiores aos efetivamente cobrados pela distribuidora e pagos pelos clientes não interdependentes, contribuintes de fato do imposto. Em primeiro lugar, porque a norma, de caráter flagrantemente antielisivo, não comporta a interpretação restritiva pretendida, seja porque o conceito de praça não tem a univocidade blefada pela recorrente, seja sobretudo porque há parecer de caráter normativo que oferece interpretação da norma compatível com as suas finalidades. Ademais, a prevalecer o argumento da autuada, criarseá uma concorrência desigual com outras fábricas do mesmo produto que os vendam diretamente a seus clientes, ou que instalem distribuidoras no mesmo município da fábrica, ao arrepio dos princípios constitucionais norteadores da atividade econômica. Com essas considerações, meu voto é no sentido de negar provimento ao recurso, mantendo integralmente o lançamento. Alexandre Kern Fl. 794DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/07/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por ALEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 11020.915465/2009-91
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
COMPENSAÇÃO.
Inexistindo crédito líquido e certo, inexiste o direito à compensação.
Numero da decisão: 3403-002.237
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Raquel Motta Brandão Minatel.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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