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Numero do processo: 10840.906589/2009-60
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon May 06 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2001
RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PROVA. ÔNUS.
O ônus da prova do crédito tributário pleiteado no Per/Dcomp - Pedido de Restituição é da contribuinte (artigo 333, I, do CPC). Não sendo produzida nos autos, indefere-se o pedido e não homologa-se a compensação pretendida entre crédito e débito tributários.
LUCRO PRESUMIDO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS EM GERAL. COM EMPREGO DE MATERIAIS. COEFICIENTE.
As prestadoras de serviços em geral, com ou sem fornecimento de materiais na execução dos serviços, estão obrigadas a aplicar o coeficiente de 32% sobre a receita bruta auferida para a apuração do Lucro Presumido, pelos serviços não caracterizarem prestação de serviço típico de construção civil, e pela empresa não ser especificamente deste ramo. Somente as obras de construção civil, com emprego de materiais, sem repasse de seus custos, realizadas na modalidade de empreitada são suscetíveis da utilização do coeficiente de 8% para a apuração do Lucro Presumido.
LUCRO PRESUMIDO. ATIVIDADES DIVERSIFICADAS, COEFICIENTES.
É dever da empresa que possui atividades diversificadas - prestação de serviços e comércio - segregar as receitas auferidas de forma a aplicar o coeficiente adequado para a apuração do Lucro Presumido e comprovar esta segregação e o oferecimento à tributação, contabilmente, ainda que na forma resumida permitida aos optantes pelo regime do Lucro Presumido.
Numero da decisão: 1801-001.382
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva e Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira que votaram pela conversão do julgamento na realização de diligências.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2001 RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PROVA. ÔNUS. O ônus da prova do crédito tributário pleiteado no Per/Dcomp - Pedido de Restituição é da contribuinte (artigo 333, I, do CPC). Não sendo produzida nos autos, indefere-se o pedido e não homologa-se a compensação pretendida entre crédito e débito tributários. LUCRO PRESUMIDO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS EM GERAL. COM EMPREGO DE MATERIAIS. COEFICIENTE. As prestadoras de serviços em geral, com ou sem fornecimento de materiais na execução dos serviços, estão obrigadas a aplicar o coeficiente de 32% sobre a receita bruta auferida para a apuração do Lucro Presumido, pelos serviços não caracterizarem prestação de serviço típico de construção civil, e pela empresa não ser especificamente deste ramo. Somente as obras de construção civil, com emprego de materiais, sem repasse de seus custos, realizadas na modalidade de empreitada são suscetíveis da utilização do coeficiente de 8% para a apuração do Lucro Presumido. LUCRO PRESUMIDO. ATIVIDADES DIVERSIFICADAS, COEFICIENTES. É dever da empresa que possui atividades diversificadas - prestação de serviços e comércio - segregar as receitas auferidas de forma a aplicar o coeficiente adequado para a apuração do Lucro Presumido e comprovar esta segregação e o oferecimento à tributação, contabilmente, ainda que na forma resumida permitida aos optantes pelo regime do Lucro Presumido.
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PROVA. ÔNUS. O ônus da prova do crédito tributário pleiteado no Per/Dcomp Pedido de Restituição é da contribuinte (artigo 333, I, do CPC). Não sendo produzida nos autos, indeferese o pedido e não homologase a compensação pretendida entre crédito e débito tributários. LUCRO PRESUMIDO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS EM GERAL. COM EMPREGO DE MATERIAIS. COEFICIENTE. As prestadoras de serviços em geral, com ou sem fornecimento de materiais na execução dos serviços, estão obrigadas a aplicar o coeficiente de 32% sobre a receita bruta auferida para a apuração do Lucro Presumido, pelos serviços não caracterizarem prestação de serviço típico de construção civil, e pela empresa não ser especificamente deste ramo. Somente as obras de construção civil, com emprego de materiais, sem repasse de seus custos, realizadas na modalidade de empreitada são suscetíveis da utilização do coeficiente de 8% para a apuração do Lucro Presumido. LUCRO PRESUMIDO. ATIVIDADES DIVERSIFICADAS, COEFICIENTES. É dever da empresa que possui atividades diversificadas prestação de serviços e comércio segregar as receitas auferidas de forma a aplicar o coeficiente adequado para a apuração do Lucro Presumido e comprovar esta segregação e o oferecimento à tributação, contabilmente, ainda que na forma resumida permitida aos optantes pelo regime do Lucro Presumido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 90 65 89 /2 00 9- 60 Fl. 62DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 15/04/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva e Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira que votaram pela conversão do julgamento na realização de diligências. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório A empresa recorre do Acórdão nº 1430.718/10 exarado pela Quinta Turma de Julgamento da DRJ em Ribeirão Preto/SP, fls. 37 a 43, que julgou improcedente o direito creditório pleiteado pela contribuinte, bem como não homologar as pertinentes compensações deste crédito com débitos tributários, formalizados nos Per/Dcomp (pedidos de restituição e declaração de compensação) – fls. 01 a 03. Aproveito trechos do relatório e voto do aresto vergastado para historiar os fatos: “Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciada Declaração de Compensação (PER/DCOMP), por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade (...) com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJlucro presumido, código de arrecadação 2089), concernente ao período de apuração 6/2001. Por despacho decisório, não foi reconhecido direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que os pagamentos informados foram integralmente utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, de acordo com suas próprias razões: que tendo optado pela apuração do imposto pela sistemática do lucro presumido, teria cometido erro ao efetuar o recolhimento relativo ao período de 6/2001, ao percentual de 32%, "como se só houvesse emprego de mãodeobra", quando o correto seria aplicar o percentual de 8%, "por ter utilizado materiais em suas notas fiscais'", nos termos do ADN Cosit nº 6, de 1997; que o alegado crédito teria sido compensado corretamente, sem margem para dúvidas quanto à veracidade da compensação. Ao final, requer seja provido o recurso, desconsiderado o indeferimento do pedido de compensação e extinto o débito apurado. [...] Fl. 63DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 15/04/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10840.906589/200960 Acórdão n.º 1801001.382 S1TE01 Fl. 3 3 VOTO [...] A fim de comprovar a certeza e liquidez do crédito, a interessada deve, sob pena de preclusão, instruir sua manifestação de inconformidade com documentos respaldem suas afirmações, considerando o disposto nos artigos 15 e 16 do Decreto n° 70.235/1972, a seguir transcritos: [...] Vale ressaltar que as informações prestadas à RFB por meio de declarações previstas na legislação (DCTF, DIPJ ou PER/DCOMP) situamse na esfera de responsabilidade do próprio contribuinte, a quem cabe demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões, consoante disciplina instituída pelo artigo 16, inciso III, do Decreto n.° 70.235/72 (PAF). Assim, uma vez constatada incongruência entre informações prestadas em declarações originais, e aquelas prestadas nas respectivas declarações retifícadoras, cabe ao contribuinte trazer aos autos os elementos probatórios hábeis a evidenciar a realidade dos fatos. No presente caso, caberia à interessada fazer prova do suposto recolhimento a maior do imposto que, no seu entender, decorreria de errônea mensuração da base de cálculo por aplicação indevida do percentual de 32% sobre a receita bruta, na determinação do IRPJ devido pela sistemática do lucro presumido, nos termos do art. 15 da Lei n.° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, a seguir transcritos: [...] Para tanto, imprescindível a juntada, ao processo, dos registros contábeis e respectivos documentos fiscais capazes de demonstrar o quantum e a composição da base de cálculo do imposto no período em questão, os critérios adotados para aplicação, sobre a receita bruta mensal, dos percentuais previstos no art. 15 da Lei n.° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, a apuração do imposto devido e eventuais deduções. Embora ausentes os registros contábeis, a interessada apresentou os seguintes elementos: a) "planilha de cálculo do IRPJ devido", à fl. 12; b) cópias de notas fiscais de prestação de serviços com fornecimento de materiais, numeração 314, valor total de R$ 26.686,50, às fls. 21; c) cópias de notas fiscais de aquisição de mercadorias junto a fornecedores, às fls. 22. Verificase, de plano, que as cópias de notas fiscais de aquisição de mercadorias junto a fornecedores não repercutem sobre a análise em curso, por não demonstrada sua correlação com a receita bruta auferida no período e respectiva apuração do imposto devido. [...] Resta assim evidenciado (Coluna E) que o somatório dos valores das notas fiscais apresentadas na impugnação (Coluna D) não corresponde ao valor da receita bruta (Coluna C) considerado para a determinação da base de cálculo e recolhimento do imposto, no período de apuração em foco. Tal constatação remete à necessidade já apontada de verificação dos registros contábeis e respectivos documentos fiscais, concernentes ao período de apuração, os quais não foram juntados aos autos pela interessada. A ausência de tais elementos Fl. 64DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 15/04/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 impossibilita exame da apuração da receita bruta e do IRPJ, na contabilidade da interessada, e seu cotejo com o montante efetivamente recolhido, restando assim prejudicada a comprovação do alegado direito creditório. As cópias de declarações prestadas à RFB e cálculos demonstrativos juntados à impugnação, embora relevantes, mostramse insuficientes à adequada instrução probatória dos autos, nos termos acima. [...] Nesse sentido, quanto à declaração de compensação em foco, o alegado indébito não contém os atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). E uma vez não comprovada, nos autos, a existência de direito creditório líquido e certo, do contribuinte contra a Fazenda Pública, passível de compensação, cabe indeferimento do pedido, pelo que não se há de cogitar reparos no despacho decisório recorrido.” A empresa interpôs tempestivamente (AR – 21/02/11, fls 46; Recurso – 18/03/11, fls. 47) o Recurso de fls. 47 a 55, reiterando os termos da defesa exordial. É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheira Ana de Barros Fernandes, Relatora Conheço do recurso interposto, por tempestivo. A recorrente, optante pela apuração do Lucro na forma Presumida, pretende por meio de diversos Per/Dcomp alterar o coeficiente de presunção de lucro de 32% para 8º, sob a argumentação de que é prestadora de serviços com emprego de materiais e, por esta circunstância, faz jus ao menor coeficiente, devendoselhe repetir as diferenças de tributos indevidamente recolhidas. Para comprovar o alegado junta ao processo cópia(s) de Nota(s) Fiscal(is) de Prestação de Serviços (receita) emitida para o período (trimestral) e Nota(s) Fiscal(is) de compras de mercadorias de terceiros (para revenda). A tese da recorrente não merece guarida. Como bem explicitado no acórdão vergastado, a recorrente não apresenta documentação hábil para comprovar que faz jus ao coeficiente de 8%, nos termos da legislação tributária vigente, por excepcionada do coeficiente de 32% para apuração de seu Lucro Presumido, coeficiente este determinado pela norma às prestadoras de serviço que optam por este regime de tributação. A norma é clara e expressa: Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. (Vide Medida Provisória nº 252, de 15/06/2005) Fl. 65DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 15/04/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10840.906589/200960 Acórdão n.º 1801001.382 S1TE01 Fl. 4 5 § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: [...] III trinta e dois por cento, para as atividades de: (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004 ) a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares;( Vide art.29 e art. 41 da Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008 ) a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária Anvisa; ( Redação dada pela Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008 ) b) intermediação de negócios; c) administração, locação ou cessão de bens imóveis, móveis e direitos de qualquer natureza; d) prestação cumulativa e contínua de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção de riscos, administração de contas a pagar e a receber, compra de direitos creditórios resultantes de vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços (factoring). § 2º No caso de atividades diversificadas será aplicado o percentual correspondente a cada atividade. (grifos não pertencem ao original) Pelo teor da norma, as prestadoras de serviços em geral, com ou sem utilização de materiais nos serviços realizados, não foram excepcionadas pela norma de regência do coeficiente de 32%. A legislação tributária excepcionou às prestadoras de serviços a utilização do coeficiente de 8%, de forma expressa, somente para as construtoras civis, ainda assim, que, na modalidade de empreitada, e que utilizam materiais nas edificações, sem o repasse dos custos destes materiais (grifei), o que não é o caso. As excepcionalidades admitidas pela Receita Federal do Brasil foram normatizadas na Instrução Normativa RFB nº 480, de 2004, em razão da natureza dos serviços prestados. Dispõe o artigo 1º, §7º, II, sobre o conceito de construção civil, na modalidade total, o empreeiteiro fornece todos os materiais indispensáveis à sua execução sendo incorporados à obra, o que não inclui os instrumentos de trabalho e materiais utilizados nesta execução (§9º): [...] § 7º Para os fins desta Instrução Normativa considerase: [...] Fl. 66DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 15/04/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 II construção por empreitada com emprego de materiais, a contratação por empreitada de construção civil, na modalidade total, fornecendo o empreiteiro todos os materiais indispensáveis à sua execução, sendo tais materiais incorporados à obra. [...] § 9º Para efeito do inciso II do § 7º não serão considerados como materiais incorporados à obra, os instrumentos de trabalho utilizados e os materiais consumidos na execução da obra. O Ato Declaratório Normativo nº 06, de 19971, que versa sobre o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo do imposto de renda mensal na atividade de construção por empreitada, declara: INa atividade de construção por empreitada, o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo do imposto de renda mensal será: a)8% (oito por cento) quando houver emprego de materiais, em qualquer quantidade; b)32% (trinta e dois por cento) quando houver emprego unicamente de mãodeobra, ou seja, sem o emprego de materiais. (grifos não pertencem ao original) A recorrente tem como objeto social, consoante a Consolidação das Cláusulas Contratuais de fls. 18 a 20: “IIDO OBJETO SOCIAL A sociedade tem como objetivo o ramo de "Projetos, consultoria, instalações e administração na área de engenharia elétrica e comércio de materiais elétricos em geral". Em nenhum momento dos autos verificase que a recorrente tenha comprovado que opera no ramo de construção civil. A atividade da empresa descrita no Contrato Social, pois, de realizar projetos, consultoria, instalações elétricas e/ou a venda de materiais elétricos não pode ser equiparada a obras de construção civil e, implicitamente, contratadas na modalidade de empreitada, de pronto. Mister é a realização de provas neste aspecto. À receita proveniente da venda de mercadorias, por ser atividade de comércio, deve ser aplicado o coeficiente de 8% para a apuração do Lucro Presumido, mas a legislação tributária impõe às empresas que exercem atividades mistas (prestadoras de serviços 1 019 Qual a base de cálculo para as empresas que executam obras de construção civil e optam pelo lucro presumido? O percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para apuração da base de cálculo do lucro presumido na atividade de prestação de serviço de construção civil é de 32% (trinta e dois por cento) quando houver emprego unicamente de mãodeobra, e de 8% (oito por cento) quando se tratar de contratação por empreitada de construção civil, na modalidade total, fornecendo o empreiteiro todos os materiais indispensáveis à sua execução, sendo tais materiais incorporados à obra. http://www.receita.fazenda.gov.br/Publico/perguntao/dipj2011/CapituloXIIIIRPJLucroPresumido2011.pdf Fl. 67DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 15/04/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10840.906589/200960 Acórdão n.º 1801001.382 S1TE01 Fl. 5 7 e comércio) o dever de segregarem as receitas de cada atividade para efeito de aplicação do coeficiente pertinente, o que a empresa não comprova ter feito § 2º do artigo 15 da lei nº 9.249/95. A mera apresentação de Nota Fiscal de receitas auferidas e Notas de mercadorias adquiridas de terceiros, que inclusive podem corresponder ao estoque da empresa destinado à venda de mercadorias, na forma isolada apresentadas, sem o devido respaldo na contabilidade, ainda que escriturada de forma resumida, e mais documentos que a embasam, primordialmente eventuais os contratos de empreitadas de edificações, não possui qualquer valor probatório para o fim que a recorrente almeja, ou seja, ser considerada empresa do ramo de construção civil e, por conseguinte, fazer jus ao coeficiente de 8% para a apuração de seu lucro. Cito para robustecer este voto, Soluções de Consultas2, como fonte subsidiária na interpretação da norma tributária, em casos práticos análogos: PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS COM EMPREGO DE MATERIAIS É de 32% o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para apuração da base de cálculo do imposto de Renda no lucro presumido, na atividade de prestação de serviços de reforma ou manutenção de motores elétricos com emprego de materiais (SRRF/6ª RF, Solução de Consulta nº 70/05) PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS COM EMPREGO DE MATERIAL, EXCETO CONSTRUÇÃO CIVIL Aplicase o percentual de 32% sobre a receita bruta das empresas prestadoras de serviços, com emprego ou não de materiais, para apuração do lucro presumido, [...] (SRRF/6ª RF, Solução de Consulta nº 170/03) INSTALAÇÃO E MANUTENÇÃO DE SISTEMAS DE AR CONDICIONADO E REFRIGERAÇÃO. As atividades de instalação e manutenção de sistemas de ar condicionado e refrigeração, ainda que realizadas sob a modalidade de empreitada, com fornecimento de materiais, não caracterizam obras de construção civil, estando sujeitas as receitas assim auferidas à aplicação do percentual de 32% (trinta e dois por cento) para determinar a base de cálculo do IRPJ sob regime de tributação com base no lucro presumido. (SRRF/9ª RF, Solução de Consulta nº 305/06). INSTALAÇÃO, MANUTENÇÃO E EXTRAÇÃO DE DADOS DE EQUIPAMENTOS DE COMUNICAÇÃO E DE CONTROLE DE TRÁFEGO. As atividades de instalação, manutenção e extração de dados de equipamentos de comunicação [...] , ainda que realizadas sob a modalidade de empreitada, com fornecimento de materiais, não caracterizam obras de construção civil, estando sujeitas as 2 PEIXOTO, Marcelo Magalhães (coord) et al, Regulamento do Imposto de Renda Anotado e Comentado 2011, 6ª ed, MP Editora Fl. 68DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 15/04/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES 8 receitas assim auferidas à aplicação do percentual de 32% para determinar a base de cálculo do IRPJ sob o regime de tributação com base no lucro presumido (SRRF/9ª RF, Solução de Consulta nº 94/06) A jurisprudência deste colegiado tem se manifestado no mesmo sentido, ora espelhado no Acórdão, cuja ementa transcrevese3: 140201.027, de 08 de maio de 2012 (2ª TO da Quarta Câmara da Primeira Seção do CARF) LUCRO PRESUMIDO. PERCENTUAIS SOBRE A RECEITA BRUTA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. Regular é a aplicação do coeficiente de 32% para determinação do lucro presumido em r elação a receitas decorrentes de prestação de serviços em geral, tais como: serviços de consultoria, serviços de limpeza, serviço d e locação de containers, serviço de queima de madeira, contrata ção de funcionários, e a autuada não logra comprovar que se tra tou de construção civil com emprego de materiais. Recurso Voluntário Negado. Com relação ao outro tópico aventado pela recorrente, deve ser esclarecido que as empresas que optam pelo regime do Lucro Presumido estão obrigadas, sim, a manter registros contábeis – ao menos o Livro de Inventário e Livro Caixa com toda a movimentação financeira –, dos quais são apurados os tributos devidos artigo 527 do Regulamento do Imposto de Renda vigente (RIR/99 – Decreto nº 3.000/99): Art. 527. A pessoa jurídica habilitada à opção pelo regime de tributação com base no lucro presumido deverá manter (Lei nº 8.981, de 1995, art. 45): I escrituração contábil nos termos da legislação comercial; II Livro Registro de Inventário, no qual deverão constar registrados os estoques existentes no término do anocalendário; III em boa guarda e ordem, enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica, bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. Parágrafo único. O disposto no inciso I deste artigo não se aplica à pessoa jurídica que, no decorrer do anocalendário, mantiver Livro Caixa, no qual deverá estar escriturado toda a movimentação financeira, inclusive bancária (Lei nº 8.981, de 1995, art. 45, parágrafo único) Outro ponto relevante, é que para a recorrente proceder à retificação das declarações prestadas ao fisco em tempo hábil, é necessário, igualmente, comprovar de forma cabal a existência de erro de fato dos valores originalmente declarados à Administração Tributária (cujos créditos tributários já foram inclusive extintos pelo pagamento). Determina o artigo 11 da Instrução Normativa RFB nº 903/08: 3 http://carf.fazenda.gov.br/sincon/public/pages/ConsultarJurisprudencia/listaJurisprudenciaCarf.jsf Fl. 69DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 15/04/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10840.906589/200960 Acórdão n.º 1801001.382 S1TE01 Fl. 6 9 DA RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÕES Art. 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; II cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. § 3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU, somente poderá ser efetuada pela RFB nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração. § 4º Na hipótese do inciso III do § 2º, havendo recolhimento anterior ao início do procedimento fiscal, em valor superior ao declarado, a pessoa jurídica poderá apresentar declaração retificadora, em atendimento a intimação fiscal e nos termos desta, para sanar erro de fato, sem prejuízo das penalidades calculadas na forma do art. 9º. Para comprovar o erro de fato mister é a apresentação da contabilidade escriturada à época dos fatos, repito, ainda que na forma simplificada do Livro Caixa com a movimentação financeira registrada por completo e Inventário (possibilita a verificação do faturamento da empresa e a consequente tributação devida). E o ônus probatório da existência do crédito tributário no caso de pedido de repetição do indébito é da empresa. Este princípio é consagrado pelo art. 333, inciso I, do Código de Processo Civil – CPC, aplicado subsidiariamente ao processo administrativo fiscal – Decreto nº 70.235/72 (PAF): Art. 333 O ônus da prova incumbe: Fl. 70DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 15/04/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES 10 I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; [...] Desta forma, há, nos autos, absoluta ausência de provas hábeis para comprovar que os tributos recolhidos à época própria não foram devidos. A recorrente não logra comprovar possuir o crédito que alega no Per/Dcomp objeto deste litígio e que o tributo já recolhido não é devido aos cofres públicos, por fazer jus à utilização do coeficiente de 8% para apuração do Lucro Presumido. Corretos os cálculos dos tributos originalmente recolhidos que incidiram sobre 32% do faturamento da empresa. E no presente caso não há que se falar em qualquer inovação de fundamento nas razões de decidir do acórdão combatido, pois o despacho denegatório fundamentouse justamente na carência de prova da existência do crédito, asseverando que o tributo fora recolhido de forma devida e legalmente exigida, impassível de repetição. Argumento reforçado pela turma julgadora de primeira instância e ora adotado neste decisório para manter tanto o decidido no referido despacho a quo, quanto no acórdão vergastado. No mais, adoto as razões de decidir da turma julgadora de primeira instância por não confrontadas pontualmente pela recorrente. Por todo o exposto, voto em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Fl. 71DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 15/04/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 10830.003046/2008-27
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004, 2005
Ementa:
SIGILO BANCÁRIO E SIGILO FISCAL INOCORRÊNCIA – Não há que se falar em quebra de sigilo bancário ou fiscal quando o próprio contribuinte fornece os extratos bancários. AUTO DE INFRAÇÃO - NULIDADE - Não está inquinado de nulidade o auto de infração lavrado por autoridade competente e que não tenha causado preterição do direito de defesa, efetuado em consonância com o que preceitua o art. 142 do Código Tributário Nacional, especialmente se o sujeito passivo, em sua defesa, demonstra pleno conhecimento dos fatos que ensejaram a sua lavratura, exercendo, atentamente, o seu direito de defesa.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de janeiro de 1997, a Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção relativa de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. Em apuração de acréscimo patrimonial a descoberto a partir de fluxo de caixa que confronta origens e aplicações de recursos, os saques ou transferências bancárias, quando não comprovada a destinação, efetividade da despesa, aplicação ou consumo, não podem lastrear lançamento fiscal.
(Súmula CARF n o 67).
Numero da decisão: 2202-001.796
Decisão: Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas pelo Recorrente e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo o acréscimo patrimonial a descoberto relativo ao ano-calendário de 2004.
Nome do relator: PEDRO ANAN JUNIOR
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AUTO DE INFRAÇÃO NULIDADE Não está inquinado de nulidade o auto de infração lavrado por autoridade competente e que não tenha causado preterição do direito de defesa, efetuado em consonância com o que preceitua o art. 142 do Código Tributário Nacional, especialmente se o sujeito passivo, em sua defesa, demonstra pleno conhecimento dos fatos que ensejaram a sua lavratura, exercendo, atentamente, o seu direito de defesa. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de janeiro de 1997, a Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção relativa de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. Em apuração de acréscimo patrimonial a descoberto a partir de fluxo de caixa que confronta origens e aplicações de recursos, os saques ou transferências bancárias, quando não comprovada a destinação, efetividade da despesa, aplicação ou consumo, não podem lastrear lançamento fiscal. (Súmula CARF no 67). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 405DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/07/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR 2 Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas pelo Recorrente e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo o acréscimo patrimonial a descoberto relativo ao anocalendário de 2004. (assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (assinado digitalmente) Pedro Anan Junior Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Eivanice Canário da Silva, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann (Presidente). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Rafael Pandolfo e Helenilson Cunha Pontes. . Fl. 406DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/07/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10830.003046/200827 Acórdão n.º 220201.796 S2C2T2 Fl. 2 3 Relatório Tratase de auto de infração lavrado contra o Recorrente FABIO CARVALHO MORELLI JUNIOR, originado de procedimento fiscal instaurado por meio de Mandado de Procedimento Fiscal MPF de n.° 08.1.04.002006003940 anexado à fl. 01, relativo ao imposto de renda pessoa física dos anoscalendário de 2003 e 2004, por meio do qual foi exigido crédito tributário apurado no valor de R$ 646.399,49 (seiscentos e quarenta e seis mil, trezentos e noventa e nove reais e quarenta e nove centavos), sendo o imposto devido no valor de R$ 235.284,22, juros de mora (calculados até 31/03/2008) no valor de R$ 117.022,53, multa proporcional no valor de R$ 176.463,16 e multa isolada no valor de R$ 117.629,58. Informa a fiscalização através do "Termo de Verificação Fiscal" de fls. 13 a 25 que o procedimento fiscal objetivou a análise das movimentações de divisas através das contas: n° 9008295 — GATEX CORPORATION, mantida no MERCHANTS BANK em Nova Iorque; n° 3982071688 — ABALONE INVESTMENTS INC, mantida no MTBCBC HUDSON BANK em Nova Iorque, n° 6550845306 da empresa LESPAN, mantida no CITIBANK NA e a conta corrente mantida pelo contribuinte no CITIBANK (EUA), nas datas e valores nele discriminados. O contribuinte teve ciência da ação fiscal em 01/09/2006, por intermédio do Termo de Início de Fiscalização e Intimação que o intimou a comprovar a origem dos recursos que possibilitaram a realização das movimentações financeiras provenientes dos bancos MERCHANTS BANK OF NEW YORK e MTBCBCHUDSON BANK, bem como da destinada ao CITIBANK NA, acima identificadas e, ainda, a esclarecer e comprovar se os valores das transações bancárias discriminadas estavam sujeitos e se foram oferecidos à tributação. Em resposta à intimação, em 01/11/2006, o contribuinte informou que as movimentações financeiras são provenientes de remessas de dinheiro efetuadas por ele mesmo para o exterior, acrescentando que relativamente ao anocalendário 2001, os recursos tiveram origem na alienação de bens imóveis localizados no Brasil. Contudo, após a análise da documentação apresentada pelo contribuinte, conjuntamente com a sua declaração de rendimentos do anocalendário 2001, concluiu a fiscalização que não restou comprovada a origem dos recursos provenientes da conta n° 9008295 GATEX CORPORATION, mantida no MERCHANTS BANK em Nova Iorque, creditados em sua conta corrente, razão Pela qual foi lavrado o Auto de Infração para exigência do crédito tributário correspondente ao referido ano calendário, dando origem ao Processo Administrativo Fiscal n° 10830.006403/200647, do qual o interessado teve ciência em 11/12/2006. Em relação às movimentações financeiras dos anos de 2003 e 2004, o contribuinte informou que estas são provenientes da distribuição de lucros de sua empresa, Arprotec Industrial Ltda — EPP, CNPJ 60.326.790/000121. Fl. 407DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/07/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR 4 Intimado a apresentar a documentação hábil a comprovar o efetivo recebimento dos valores relativos à distribuição de lucros, tais como extratos bancários, comprovantes de depósito, etc, o contribuinte apresentou as declarações de imposto de renda da empresa, nas quais constam informações acerca do pagamento de rendimentos isentos (distribuição de lucros) nos valores de R$ 505.552,10 no anocalendário 2003 e R$ 397.396,52 no anocalendário de 2004. Entretanto, foi verificado que tais declarações tratam de declarações retificadoras entregues nos dias 12 e 13 de dezembro, datas posteriores à ciência pelo contribuinte do auto de infração relativo ao anocalendário 2001. Em pesquisa às declarações originais a autoridade fiscal constatou que os valores correspondentes ao pagamento . de rendimentos isentos montam R$ 85.552,10 e R$ 47.396,52, respectivamente Também foram retificadas, no dia 12/12/2006, as declarações do imposto de renda pessoa física referentes aos anos de 2003 e 2004 entregues pelo contribuinte, promovendo alterações nos valores dos rendimentos isentos recebidos (distribuição de lucros), em conformidade com as retificações efetuadas nas declarações da pessoa jurídica. Apesar de o contribuinte e sua empresa terem retificado suas declarações de rendimentos após o início do procedimento fiscal, foi o mesmo intimado a apresentar os Livros Diário e Razão, ou Livro Caixa da empresa Arprotec, relativos aos anoscalendário 2003 e 2004, a documentação comprobatória das transações financeiras relativas às transferências de recursos do Brasil para o exterior e os .extratos bancários de sua conta corrente mantida nos Estados Unidos. O contribuinte também foi reintimado a apresentar documentos hábeis a comprovar o efetivo recebimento dos valores relativos à distribuição de lucros, haja vista que somente foram encaminhadas as DIPJ para comprovar a origem dos valores depositados em sua conta corrente mantida nos Estados Unidos. Analisados os livros contábeis da empresa, foi verificada a existência de registros de pagamentos supostamente efetuados a título de adiantamento de lucros, porém o contribuinte não apresentou os documentos que comprovassem o efetivo pagamento, mediante a transferência financeira dos recursos da empresa para si. A declaração de rendimentos da pessoa jurídica apresentada depois de iniciado o procedimento fiscal e os livros contábeis, acompanhados de simples recibos de pagamentos não comprovam a efetiva distribuição de lucros da empresa Aprotec. Ademais, os valores constantes nos livros da empresa, supostamente escriturados como sendo adiantamento de lucros, não suportam a totalidade dos valores recebidos no exterior. Assim, diante da não comprovação da origem dos recursos utilizados nas operações de créditos no anocalendário 2003, concluiu a autoridade fiscal que os respectivos valores representam omissão de rendimentos conforme disposto no art. 42 da Lei n° 9.430/96, com alterações introduzidas pelo art. 4° da Lei n°9.481/97, e pelo art. 58 da Lei n° 10.637/02. Já para o anocalendário 2004, a autoridade fiscal concluiu pela insuficiência de recursos financeiros disponíveis para suportar o dispêndio efetuado pelo contribuinte no dia 22/03/2004, no valor de US$ 120,000.00, caracterizando a variação patrimonial a descoberto, no valor de R$ 325.702,07, demonstrada no Anexo I (fl. 26). Fl. 408DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/07/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10830.003046/200827 Acórdão n.º 220201.796 S2C2T2 Fl. 3 5 Verificado que o contribuinte omitiu rendimentos auferidos no exterior, bem como apurada variação patrimonial a descoberto em função de dispêndio efetuado também no exterior, restou comprovada a falta de recolhimento mensal do Imposto de Renda Pessoa Física devido a título de carnêleão, ao qual estava obrigado o contribuinte, ensejando a imposição da penalidade prevista no art. 44 da Lei n° 9.430/96, com a redação dada pelo art. 14 da Lei n° 11.488/07. Deste modo, diante das irregularidades quanto à apuração e ao recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Física, foi lavrado o presente Auto de Infração. Cientificado do lançamento em 11/04/2008 (AR de fl. 327), o contribuinte apresentou, em 05/05/2008, por seu advogado, a impugnação de fls. 330/334, na qual pugna pela insubsistência do lançamento alegando. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo, DRJ/SPOII ao examinar o pleito decidiu por unanimidade em negar provimento a impugnação, cancelando a multa isolada, através da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2003, 2004 PRELIMINAR. CERCEAMENTO DE DEFESA. É de se rejeitar a alegação de cerceamento de defesa, quando os fatos que ensejaram o lançamento se encontram corretamente descritos e tipificados no Auto de Infração e no Termo de Verificação Fiscal, tendo sido oferecida ao litigante, seja durante o curso da ação fiscal, seja na fase de impugnação, ampla oportunidade de se manifestar e de apresentar povas que elidem a autuação. MEIOS DE PROVA. RECURSOS AO EXTERIOR. Válidas as informações veiculadas em relatório da Secretaria da Receita Federal SRF, decorrentes de Laudos Técnicos do Instituto Nacional de Criminalística INC, elaborados a partir das mídias eletrônicas e documentos apresentados pela Promotoria do Distrito de Nova Iorque à Comissão Parlamentar de Inquérito/CPI do Banestado. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. A transferência dos recursos aos sócios, proveniente da distribuição de lucros, deve restar comprovada, não servindo a isso meros lançamentos contábeis desprovidos de quaisquer documentos que sustentem o ingresso ou a saída dos recursos. Fl. 409DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/07/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR 6 MULTA ISOLADA SOBRE CARNÊLEÃO E MULTA DE OFÍCIO SIMULTANEIDADE. É cabível o lançamento da multa isolada sobre carnê leão não recolhido concomitante à multa de ofício sobre o imposto apurado de ofício na declaração inexata, visto que se trata de infrações distintas Só há de se cogitar da ocorrência de bis in idem quando a mesma conduta é passível de enquadramento em dois dispositivos distintos. Não ocorre quando há mera coincidência da base utilizada para o cálculo das multas aplicáveis, sendo distintas as condutas. Inteligência do artigo 70 do Código Penal. Devidamente intimado desse decisão em 15 de junho de 2009, a Recorrente apresenta tempestivamente em 25 de junho de 2009 recurso voluntário, onde alega em síntese: a) Ilegalidade da quebra do sigilo bancário, uma vez que a autorização judicial obtida o Recorrente não era parte integrande da lide; b) Nulidade por falta de apresentação de documentos para o Recorrente que embasaram o auto de infração; c) Em 2003, a origem dos valores autuados são distribuição de lucros da empresa Arprotec Industrial Ltda. Portanto tais valores seriam válidos para justificar a origem dos valores remetidos ao exterior; d) Que o 2004, o valor autuado não representa acréscimo patrimonial, mas sim decréscimo patrimonial, portanto não configura fato gerador do imposto de renda; e) Houve erro no enquadramento legal, pois os valores não foram recebidos do exterior, mas sim remetidos para o exterior, tendo como origem a venda de imóveis; f) Que a multa isolada aplicada é concomitante com a multa de ofício portanto deve ser cancelada. É o relatório. Fl. 410DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/07/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10830.003046/200827 Acórdão n.º 220201.796 S2C2T2 Fl. 4 7 Voto Conselheiro Pedro Anan Junior Relator O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade portanto deve ser conhecido. Antes de mais nada devemos analisar a preliminares argüidas pelo Recorrente. SIGILO FISCAL O recorrente questiona se o sigilo bancário pode ser quebrado ou violado sem a devida autorização judicial e do contribuinte. Com a edição de Lei Complementar n° 105, de 10 de janeiro de 2001, e a Lei n° 10.174, de 09 de janeiro de 2001, quando desatendidas as intimações da fiscalização para apresentação dos extratos de movimentação bancário do contribuinte, podem os mesmos ser diretamente requisitados à Instituição Financeira, pela autoridade fiscal sem que isto implique em quebra de sigilo bancário, nos termo da Lei complementar nº 105/2001: (Lei Complementar n° 105/01) Art. 1o As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. (...) § 3o Não constitui violação do dever de sigilo: I – a troca de informações entre instituições financeiras, para fins cadastrais, inclusive por intermédio de centrais de risco, observadas as normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; II o fornecimento de informações constantes de cadastro de emitentes de cheques sem provisão de fundos e de devedores inadimplentes, a entidades de proteção ao crédito, observadas as normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; III – o fornecimento das informações de que trata o § 2o do art. 11 da Lei no 9.311, de 24 de outubro de 1996; (Lei 10.174/2001) Art. 1o O art. 11 da Lei no 9.311, de 24 de outubro de 1996, passa a vigorar com as seguintes alterações: Fl. 411DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/07/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR 8 "Art. 11..............................................................................................." "§ 3o A Secretaria da Receita Federal resguardará, na forma da legislação aplicável à matéria, o sigilo das informações prestadas, facultada sua utilização para instaurar procedimento administrativo tendente a verificar a existência de crédito tributário relativo a impostos e contribuições e para lançamento, no âmbito do procedimento fiscal, do crédito tributário porventura existente, observado o disposto no art. 42 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e alterações posteriores." (NR) "§ 3oA. (VETADO)" Tais disposições foram regulamentadas pelo Decreto n ° 3.724, de 10 de janeiro de 2001. Nos termos das referidas normas legais não há que se falar em violação do sigilo bancário do contribuinte. A Lei n° 10.174/2001, ao contrário determina que o sigilo deve ser resguardado. Tais disposições legais estão sendo objeto hoje de questionamento judicial, e o caso está pendente de julgamento pelo Supremo Tribunal Federal – STF, que determinou repercussão geral para os julgamentos. Entendo que assistiria razão ao Recorrente caso o seu sigilo fiscal e bancário tivesse sido violado sem a devida a sua devida autorização, ou por força de medida judicial. No caso em concreto além de termos uma decisão judicial autorizando a quebra do sigilo bancários da contas do exterior, o próprio Recorrente espontaneamente forneceu os extratos bancários a autoridade lançadora, portanto não procede a alegação por ele argüida. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO Quanto as preliminares de nulidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa, argüidas pelo Recorrente, sob o entendimento de que tenha ocorrido ofensa aos princípios constitucionais do devido processo legal, entendendo que a autoridade lançadora e administrativa feriram diversos princípios fundamentais, quais sejam: eleição de base de cálculo irreal, período de apuração incorreto, necessidade de produção de prova de titularidade de bens ou acréscimo patrimonial. Estas preliminares devem ser rejeitadas pelos motivos que se seguem. Entendo, que o procedimento fiscal realizado pela agente do fisco foi efetuado dentro da estrita legalidade, com total observância ao Decreto n° 70.235, de 1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal, não se vislumbrando, no caso sob análise, qualquer ato ou procedimento que tenha violado ou subvertido o princípio do devido processo legal. Fl. 412DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/07/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10830.003046/200827 Acórdão n.º 220201.796 S2C2T2 Fl. 5 9 O princípio da verdade material tem por escopo, como a própria expressão indica, a busca da verdade real, verdadeira, e consagra, na realidade, a liberdade da prova, no sentido de que a Administração possa valerse de qualquer meio de prova que a autoridade processante ou julgadora tome conhecimento, levandoas aos autos, naturalmente, e desde que, obviamente dela dê conhecimento às partes; ao mesmo tempo em que deva reconhecer ao contribuinte o direito de juntar provas ao processo até a fase de interposição do recurso voluntário. O Decreto n.º 70.235, de 1972, em seu artigo 9º, define o auto de infração e a notificação de lançamento como instrumentos de formalização da exigência do crédito tributário, quando afirma: A exigência do crédito tributário será formalizado em auto de infração ou notificação de lançamento distinto para cada tributo Com nova redação dada pelo art. 1º da Lei n.º 8.748/93: A exigência de crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada imposto, contribuição ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. O auto de infração, bem como a notificação de lançamento por constituírem peças básicas na sistemática processual tributária, a lei estabeleceu requisitos específicos para a sua lavratura e expedição, sendo que a sua lavratura tem por fim deixar consignado a ocorrência de uma ou mais infrações à legislação tributária, seja para o fim de apuração de um crédito fiscal, seja com o objetivo de neutralizar, no todo ou em parte, os efeitos da compensação de prejuízos a que o contribuinte tenha direito, e a falta do cumprimento de forma estabelecida em lei torna inexistente o ato, sejam os atos formais ou solenes. Se houver vício na forma, o ato pode invalidarse. Ora, não procede à nulidade do lançamento argüida sob o argumento de que o auto de infração não foi lavrado dentro dos parâmetros exigidos pelo art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972. Com a devida vênia, os documentos enviados pelo ConsuladoGeral do Brasil em Nova Iorque (cópias devidamente autenticadas) apontam o recorrente como um dos cotitulares, de fato, da conta bancária em exame. Tais documentos demonstram, claramente, o nexo causal que existe entre a conta no exterior e o recorrente, que digase por passagem nunca negou que era titular da conta bancária. Os valores estão individualizados nos Demonstrativos e Relatórios de Fiscalização, que são partes integrantes do Auto de Infração e que o mesmo, identifica por nome e CPF o autuado, esclarece que foi lavrado na Delegacia da Receita Federal de Fiscalização em São Paulo SP, cuja ciência foi pessoal e descreve as irregularidades praticadas e o seu enquadramento legal assinado pela AuditoraFiscal da Receita Federal do Brasil, cumprindo o disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional, ou seja, o ato é próprio do agente administrativo investido no cargo de AuditorFiscal. Fl. 413DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/07/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR 10 Não tenho dúvidas, que o excesso de formalismo, a vedação à atuação de ofício do julgador na produção de provas e a declaração de nulidades puramente formais são exemplos possíveis de serem extraídos da prática forense e estranhos ao ambiente do processo administrativo fiscal. A etapa contenciosa caracterizase pelo aparecimento formalizado no conflito de interesses, isto é, transmudase a atividade administrativa de procedimento para processo no momento em que o contribuinte registra seu inconformismo com o ato praticado pela administração, seja ato de lançamento de tributo ou qualquer outro ato que, no seu entender, causalhe gravame com a aplicação de multa por suposto nãocumprimento de dever instrumental. Assim, a etapa anterior à lavratura do auto de infração e ao processo administrativo fiscal, constitui efetivamente uma fase inquisitória, que apesar de estar regrada em leis e regulamentos, faculta à Administração a mais completa liberdade no escopo de flagrar a ocorrência do fato gerador. Nessa fase não há contraditório, porque o fisco está apenas coletando dados para se convencer ou não da ocorrência do fato imponível ensejador da tributação. Não há, ainda, exigência de crédito tributário formalizada, inexistindo, conseqüentemente, resistência a ser oposta pelo sujeito fiscalizado. O lançamento, como ato administrativo vinculado, celebrase com estrita observância dos pressupostos estabelecidos pelo art. 142 do Código Tributário Nacional, cuja motivação deve estar apoiada estritamente na lei, sem a possibilidade de realização de um juízo de oportunidade e conveniência pela autoridade fiscal. O ato administrativo deve estar consubstanciado por instrumentos capazes de demonstrar, com segurança e certeza, os legítimos fundamentos reveladores da ocorrência do fato jurídico tributário. Isso tudo foi observado quando da determinação do tributo devido, através do Auto de Infração lavrado. Assim, não há como pretender premissas de nulidade do auto de infração, nas formas propostas pelo recorrente, neste processo, já que o mesmo preenche todos os requisitos legais necessários. Nunca é demais lembrar, que até a interposição da peça impugnatória pelo contribuinte, o conflito de interesses ainda não está configurado. Os atos anteriores ao lançamento referemse à investigação fiscal propriamente dita, constituindose medidas preparatórias tendentes a definir a pretensão da Fazenda. Ou seja, são simples procedimentos que tãosomente poderão conduzir a constituição do crédito tributário. Na fase procedimental não há que se falar em contraditório ou ampla defesa, pois não há ainda, qualquer espécie de pretensão fiscal sendo exigida pela Fazenda Pública, mas tãosomente o exercício da faculdade da administração tributária em verificar o fiel cumprimento da legislação tributária por parte do sujeito passivo. O litígio só vem a ser instaurado a partir da impugnação tempestiva da exigência, na chamada fase contenciosa, não se podendo cogitar de preterição do direito de defesa antes de materializada a própria exigência fiscal por intermédio de auto de infração ou notificação do lançamento. Assim, após a impugnação, oportunizase ao contribuinte a contestação da exigência fiscal. A partir daí, instaurase o processo, ou seja, configurase o litígio. No caso dos autos, a autoridade lançadora cumpriu todos preceitos estabelecidos na legislação em vigor e o lançamento foi efetuado com base em dados reais sobre a suplicante, conforme se constata nos autos, com perfeito embasamento legal e tipificação da infração cometida. Como se vê, não procede à situação conflitante alegada pelo Fl. 414DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/07/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10830.003046/200827 Acórdão n.º 220201.796 S2C2T2 Fl. 6 11 recorrente, ou seja, não se verificam, por isso, os pressupostos exigidos que permitam a declaração de nulidade do Auto de Infração. Quanto à alegação da necessidade de produção de prova inequívoca e impossibilidade de presunção de titularidade de bens ou acréscimo patrimonial é de se dizer, que, diversamente do que aduz o recorrente, tais documentos demonstram, claramente, o nexo causal que existe entre a conta bancário no exterior, e o recorrente, que era quem verdadeiramente fazia a movimentação financeira da conta bancária. Desta forma, verificase totalmente incabível a alegação de cerceamento do direito de defesa, haja vista que o lançamento foi perfeitamente assimilado pelo litigante, não se constatando em seu recurso qualquer dificuldade para o exercício do seu direito de defesa, pois demonstrou pleno conhecimento da infração apontada, até porque a movimentação bancária foi por ele realizada, além de já ter sido intimado e reintimado a prestar esclarecimentos e documentos durante a fase preparatória do lançamento. Ademais, a jurisprudência é mansa e pacífica no sentido de que quando o contribuinte revela conhecer as acusações que lhe foram impostas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante extensa impugnação, abrangendo não só as questões preliminares como também as razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. OMISSÃO DE RENDIMENTOS – DEPÓSITOS BANCÁRIOS – PRESUNÇÃO – ANO CALENDÁRIO 2003. No que diz respeito ao mérito, o Recorrente alega que os recursos que estão sendo atribuídos como omissão de rendimentos via depósito bancário de origem não comprovada, tem como origem os lucros distribuídos, pela sociedade Arprotec Industrial Ltda. Para tanto apresenta livro diário, razão contábil, DIPJ e recibos de pagamento da distribuição dos lucros, portanto os valores distribuídos serviram para justificar a origem dos valores remetidos ao exterior, e que a decisão da DRJ não teria levado em consideração na sua decisão tais documentos e informações. O auto de infração elaborado pela autoridade lançadora teve como base o artigo 42, caput e §§ 1º e 2º, da Lei nº 9.430, de 1996: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. Fl. 415DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/07/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR 12 § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos.” Nos termos da referida norma legal presumese omissão de rendimentos sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. No presente caso foi comprovado através de documentação e provas que a Contribuinte é titular das contas bancária, sendo que o lançamento foi efetuado a partir da presunção relativa de omissão de rendimentos calcada em depósitos bancários de origem não demonstrada, nos termos artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Ressaltese que o contribuinte em momento algum negou que as contas bancárias situados no exterior não são de sua titularidade. Não houve demonstração por parte da Contribuinte através de provas hábeis, a origem dos valores depositados na sua conta bancária, sendo que o mesmo foi intimado para demonstrar que os valores depositados em sua conta bancária não representam rendimentos omitidos, o contribuinte alega que apesar de ser titular da conta bancária, tais valores tem como origem a distribuição de lucros da sociedade Arprotec Industrial Ltda, apresentando aos autos, o razão contábil, balancete, livrodiário, recibos de pagamento de distribuição de lucros e a declaração de rendimentos dessa sociedade, que justificariam tais origens. Entendo que não assiste razão a Recorrente, portanto não podemos considerar a origem com justificada como distribuição de lucros pelos seguintes motivos, que foram bem apontados pela autoridade lançadora: as declarações de rendimentos da pessoa jurídica e física foram retificadas após o início da fiscalização, o que demonstra que tais valores não foram devidamente declarados pelo Recorrente e pela pessoa jurídica que era sócia; os recibos de distribuição de lucros dão indícios que houve o pagamento do lucros, mas no caso em questão haveria a necessidade da comprovação que o valor foi recebido de maneira efetiva pelo Recorrente; ao analisarmos os valores distribuídos mês a mês no anocalendário de 2003, podemos verificar que nas datas que os valores foram remetidos para o exterior, o Recorrente não tinha capacidade financeira declarada via distribuição de lucros para justificar tal origem. Desta forma verificase que os depósitos bancários que formaram a base de cálculo do auto de infração são valores que foram movimentados e não foram oferecidos a tributação, não havendo nenhuma evidência de que alguma dessas importâncias foram declaradas pela Contribuinte ou têm natureza isenta, uma vez que o Recorrente não trouxe elementos suficientes para esclarecer e comprovar a origem dos referidos depósitos. Podemos concluir que o Recorrente não conseguiu demonstrar de maneira inequívoca que não houve omissão de rendimentos, pois não apresentou nenhum documento ou prova que comprovariam que os depósitos efetuados em sua conta bancária possuíam origem isenta ou já submetida à tributação. Fl. 416DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/07/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10830.003046/200827 Acórdão n.º 220201.796 S2C2T2 Fl. 7 13 Desta forma, é devida a presente tributação com base em depósitos bancários de origem não comprovada, no anocalendário de 2003. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO – ANO CALENDÁRIO 2004. No que diz respeito ao Acréscimo Patrimonial a Descoberto APD, o Recorrente alega que os recursos que estão sendo atribuídos como APD, tem como origem os lucros distribuídos, pela sociedade Arprotec Industrial Ltda. Para tanto apresenta livro diário, razão contábil, DIPJ e recibos de pagamento da distribuição dos lucros, portanto os valores distribuídos serviram para justificar a origem dos valores remetidos ao exterior, e que a decisão da DRJ não teria levado em consideração na sua decisão tais documentos e informações. A tributação do acréscimo patrimonial a descoberto, tem como fundamento o artigo 3º, da Lei nº 7.713, de 1988: Art. 3º O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9º a 14 desta Lei. (Vide Lei 8.023, de 12.4.90) § 1º Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. § 2º Integrará o rendimento bruto, como ganho de capital, o resultado da soma dos ganhos auferidos no mês, decorrentes de alienação de bens ou direitos de qualquer natureza, considerandose como ganho a diferença positiva entre o valor de transmissão do bem ou direito e o respectivo custo de aquisição corrigido monetariamente, observado o disposto nos arts. 15 a 22 desta Lei. § 3º Na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, doação, procuração em causa própria, promessa de compra e venda, cessão de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins. § 4º A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. Fl. 417DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/07/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR 14 Quando contribuinte, não consegue demonstrar que tem recursos suficientes para justificar a aquisição de um bem ou direito, surge a figura do acréscimo patrimonial a descoberto. No caso das aplicações dos recursos, saques ou transferências bancárias, a autoridade fiscal deverá comprovar a destinação, efetividade da despesa ou o consumo por parte do contribuinte. Apesar da existência de indícios de que os recursos movimentados na conta fiscalizada teriam sido transferidos por ordem do autuado, não se pode, sem prova de como tais recursos foram remetidos para o exterior ou de quem seria a real propriedade dos mesmos atribuíla àquele que figura como ordenante de uma ordem eletrônica de pagamento, sem que exista qualquer documento que o vincule, indubitavelmente, às operações de transferência. Deveria a fiscalização ter se aprofundado mais na ação fiscal, verificando junto ao banco que originou as transferências de que forma a operação foi realizada, identificando com clareza as partes envolvidas, bem como rastreando as contas de entrada e saída de recursos, a fim de descobrir o real titular dos valores envolvidos. Em se tratando de acréscimo patrimonial a descoberto, nos termos da legislação vigente, a comprovação dos dispêndios ou aplicações fica a cargo do fisco. Assim, para se conformar a presunção de omissão de rendimentos decorrente de acréscimo patrimonial a descoberto, além de comprovar que as operações financeiras foram de fato efetuadas pela Recorrente, caberia a fiscalização demonstrar que estas estariam vinculadas a aumento patrimonial ou consumo em prol do fiscalizado, o que não ocorreu. A simples transferência financeira não pode ser considerada como aplicação de recursos na elaboração dos demonstrativos de variação patrimonial quando não se demonstra sua destinação. Esse entendimento já encontra pacificado no âmbito deste Tribunal Administrativo, nos termos da Súmula no 67 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em, em vigor desde 07/12/2010: Súmula CARF no 67: Em apuração de acréscimo patrimonial a descoberto a partir de fluxo de caixa que confronta origens e aplicações de recursos, os saques ou transferências bancárias, quando não comprovada a destinação, efetividade da despesa, aplicação ou consumo, não podem lastrear lançamento fiscal. Desta forma, entendo que assiste razão a Recorrente, portanto deve ser reformada a decisão da DRJ no que diz respeito a essa matéria. Como o APD fica excluído da tributação, a multa isolada via de conseqüência, deverá ser anulada, pois teve como origem essa infração. Diante do exposto, conheço do recurso e no mérito dou provimento parcial para excluir da tributação o acréscimo patrimonial a descoberto relativo ao anocalendário de 2004, consequentemente excluir a multa isolada. Fl. 418DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/07/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10830.003046/200827 Acórdão n.º 220201.796 S2C2T2 Fl. 8 15 (Assinado Digitalmente) Pedro Anan Junior Relator Fl. 419DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/07/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR
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Numero do processo: 19679.003068/2004-38
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Jun 04 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Wed Jun 04 00:00:00 UTC 2008
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CRÉDITOS BÁSICOS. EMPRESA OPTANTE PELO SIMPLES.
Ao optar pelo Simples, o contribuinte fica sujeito à forma diferenciada de tributação, inclusive quanto ao IPI, sendo-lhe vedada a utilização ou destinação de qualquer valor a título de incentivo fiscal, bem assim a apropriação ou a transferência de créditos do IPI.
Recurso negado.
Numero da decisão: 202-19091
Matéria: IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
Nome do relator: Antonio Zomer
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CONFERE COMO ORIGINAL Recurso u° 139.527 Voluntário t** así lia, Matéria IPI - Ressarcimento Ivana Cláudia Silva Castro "/ Sane 92.13S Acórdão u° 202-19.091 Sessão de 04 de junho de 2008 centoulrttes Recorrente REFILE INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA.no cco""c;t1'`Icketl 15("citomo rgarlo Pubrit: ACL—. Recorrida DRJ em Ribeirão Preto - SP de- medee ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CRÉDITOS BÁSICOS. EMPRESA OPTANTE PELO SIMPLES. Ao optar pelo Simples, o contribuinte fica sujeito à forma diferenciada de tributação, inclusive quanto ao IPI, sendo-lhe vedada a utilização ou destinação de qualquer valor a título de incentivo fiscal, bem assim a apropriação ou a transferência de créditos do 'PI. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORD • .NsNlembros da SEGUNDA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CO TRIBUINT S, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. / AN ONIO CARLOS • TULIM Pres' e ente \ 'T1W'• InPER Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Maria Cristina Roza da Costa, Gustavo Kelly Alencar, Nadja Rodrigues Romero, Antônio Lisboa Cardoso, Domingos de Sá Filho e Maria Teresa Martínez López. • • Processo n° 19679.003068/2004-38 CCO2/CO2 Acórdão n.° 202-19.091 Fls. 80 MF - SEGUNBO CONSELHO DE CONTRIBUINTES I CONFERE COMO ORIGINAL Bras I ia Ok- / O\ Ivana Cláudia Silva Castro 4-• Mat. Siaoe 92136 Relatório Trata o presente processo de pedido de ressarcimento de créditos básicos de IPI, devidamente atualizado pela taxa de juros Selic, relativo ao 4 2 trimestre de 2002, apresentado em 27/02/2004. A DRF de jurisdição da requerente, tendo constatado que a empresa optara pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte — Simples, indeferiu totalmente o pleito, com fundamento na Lei n2 9.317/96. Irresignada, a empresa apresentou manifestação de inconformidade, alegando que o direito ao crédito decorre do princípio constitucional da não-cumulatividade e da capacidade contributiva, de modo que a sua vedação para as empresas optantes pelo Simples, ainda que prevista na Lei n2 9.317/96, é totalmente inconstitucional. A DRJ em Ribeirão Preto — SP manteve o indeferimento, com base no art. 5 2, § 52, da Lei n2 9.317/96, observando que a autoridade administrativa é incompetente para declarar a inconstitucionalidade de lei e dos atos infralegais. No recurso voluntário, a empresa reedita as mesmas razões de defesa. É o Relatório. uk / • • 2 ' À . . . À . . Processo n°19679.003068/2004-38 . CCO2/CO2 Acórdão n.° 202-19.091 Fls. 81 r MF - SEGUNSO CONSELHO DE r;ONTE;;Sliitil ES CONFERE COM O OFZIGNAL Bras I lia. ON" / Ok- i oy Ivana Cláudia Silva Castro IL.) Mat. Siaoe 92136 . Voto . Conselheiro ANTONIO ZOMER, Relator O recurso é tempestivo e cumpre os requisitos legais para ser admitido, pelo que dele tomo conhecimento. Os elementos constantes dos autos demonstram que a recorrente é empresa inscrita no Simples em todo o período objeto do pedido de ressarcimento. A Lei n2 9.317, de 05 de dezembro de 1996, ao instituir o Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte — Simples, assim dispôs, com relação aos créditos de TI, verbis: "Art. 52 [..1 ,¢' 52 A inscrição no SIMPLES veda, para a microempresa ou empresa de pequeno porte, a utilização ou destinação de qualquer valor a titulo de incentivo fiscal, bem assim a apropriação ou a transferência de créditos relativos ao IPI e ao ICMS." A mesma disposição foi reproduzida no art. 106 do Decreto n2 2.637, de 25/06/1998 (RIPI/98) e no art. 118 do Regulamento do IPI, aprovado pelo Decreto n2 4.544, de 26/12/2002 (R1PI/2002), nos seguintes termos: "Art. 106. Aos contribuintes do imposto optantes pelo SIMPLES é vedada a utilização ou destinação de qualquer valor a título de incentivo fiscal, bem assim a apropriação ou a transferência de créditos relativos ao imposto (Lei n2 9.317, de 1996, art. 52, § 5.9." Diante de disposição legal tão cristalina, não há como dar guarida ao pleito da recorrente, restando prejudicadas todas as demais questões levantadas no recurso voluntário, . inclusive a análise do argumento de que o ressarcimento deve ser acrescido de juros calculados com base na taxa Selic. Quanto a alegada inconstitucionalidade do dispositivo da Lei n 2 9.317/96 que i vedou a utilização dos créditos de IPI pelas empresas optantes pelo Simples, há que se dizer que esta matéria já foi sumulada por este Conselho de Contribuintes, nos seguintes termos: "Súmula n2 2 - O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária." Não havendo o que ressarcir, também não há o que compensar. Ante todo o exposto, nego provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 04 de junho de 2008. o" Á 49.- 4. • 1 I• •MER 3 ' Page 1 _0055200.PDF Page 1 _0055300.PDF Page 1
score : 1.0
Numero do processo: 11020.002968/2007-33
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/1999 a 30/11/2002 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/02/1999 a 30/11/2002 COFINS. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO COM DÉBITOS DE TERCEIROS ANTERIORES. NÃO CONVERSÃO. NÃO SUBMISSÃO A HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Somente se converteram em declaração de compensação os pedidos de compensação apresentados anteriormente à criação da declaração que pudessem enquadrar-se nas restrições da nova modalidade de compensação. Os pedidos de compensação com débitos de terceiros não se converteram em declaração de compensação e, assim, não se submetem ao prazo de homologação tácita. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE TERCEIROS. IMPOSSIBILIDADE. Somente são passíveis de compensação por meio de declaração de compensação os débitos do próprio sujeito passivo que apurar os créditos. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA OU DECLARADA. DÉBITOS NÃO COMPENSADOS. INCIDÊNCIA DE MULTA. Sobre os débitos não compensados até o vencimento, seja em decorrência de insuficiência de créditos ou de não homologação de compensação, incide multa moratória. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS PAGOS NO ÂMBITO
DA PGFN. COMPENSABILIADE.
Falta suporte legal ao disposto na IN RFB n. 900, de 2008, art. 34, § 3º, XVI,
ao vedar a compensabilidade de créditos decorrentes de pagamentos
efetuados no âmbito da PGFN (inscritos em dívida ativa).
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3302-001.633
Decisão: Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos, quanto à homologação tácita da declaração de compensação, os conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
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NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/02/1999 a 30/11/2002 COFINS. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO COM DÉBITOS DE TERCEIROS ANTERIORES. NÃO CONVERSÃO. NÃO SUBMISSÃO A HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Somente se converteram em declaração de compensação os pedidos de compensação apresentados anteriormente à criação da declaração que pudessem enquadrarse nas restrições da nova modalidade de compensação. Os pedidos de compensação com débitos de terceiros não se converteram em declaração de compensação e, assim, não se submetem ao prazo de homologação tácita. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE TERCEIROS. IMPOSSIBILIDADE. Somente são passíveis de compensação por meio de declaração de compensação os débitos do próprio sujeito passivo que apurar os créditos. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA OU DECLARADA. DÉBITOS NÃO COMPENSADOS. INCIDÊNCIA DE MULTA. Sobre os débitos não compensados até o vencimento, seja em decorrência de insuficiência de créditos ou de não homologação de compensação, incide multa moratória. Fl. 1427DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 09/06/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 11020.002968/200733 Acórdão n.º 330201.633 S3C3T2 Fl. 1.428 2 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS PAGOS NO ÂMBITO DA PGFN. COMPENSABILIADE. Falta suporte legal ao disposto na IN RFB n. 900, de 2008, art. 34, § 3º, XVI, ao vedar a compensabilidade de créditos decorrentes de pagamentos efetuados no âmbito da PGFN (inscritos em dívida ativa). Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos, quanto à homologação tácita da declaração de compensação, os conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. (Assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 1376 a 1390) apresentado em 22 de junho de 2011 contra o Acórdão no 0933459, de 09 de fevereiro de 2011, da 2ª Turma da DRJ/JFA (fls. 1288 a 1295), cientificado em 24 de maio de 2011, que, relativamente a declaração de compensação de Cofins dos períodos de fevereiro de 1999 a novembro de 2002, julgou a manifestação de inconformidade procedente em parte, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE TERCEIROS. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA. TÍTULO JUDICIAL. INAPLICABILIDADE. 1. Não ocorre a homologação tácita em compensações baseadas em créditos de terceiros na vigência da Lei nº 10.637, de 2002. Fl. 1428DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 09/06/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 11020.002968/200733 Acórdão n.º 330201.633 S3C3T2 Fl. 1.429 3 2. As compensações declaradas a partir de 1o de outubro de 2002, de débitos do sujeito passivo com crédito de terceiros, esbarram em inequívoca disposição legal MP nº 66/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002 impeditiva de compensações da espécie. É descabida a pretensão de legitimar compensações de débitos do requerente, com crédito de terceiros, declaradas após 1o de outubro de 2002, pretensão essa fundada em decisão judicial proferida anteriormente àquela data, que afastou a vedação, outrora existente, em instrução normativa. NULIDADE. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte A declaração foi apresentada em 28 de novembro de 2006 e inicialmente apreciada pelo despacho decisório de fls. 1049 a 1051. A Primeira Instância assim resumiu o litígio: O interessado ajuizou Ação Ordinária nº 1999.71.07.0027134, distribuída à 1ª Vara Federal da Subseção Judiciária de Caxias do Sul, visando a declaração de inconstitucionalidade da Lei 9.718/98. A sentença transitada em julgada foi parcialmente favorável à empresa, considerando inconstitucional o alargamento da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins (fls.67/98); Posteriormente transmitiu as Dcomps de fls. 01/36, visando compensar os débitos nelas declarados, com crédito apurado nos termos da Ação acima mencionada; A DRFCaxias do Sul/RS emitiu Despacho Decisório nº 548/2008, no qual reconhece o direito creditório no valor de R$ 6.737.242,61 e homologa as compensações pleiteadas, até esse limite (fls. 1.049/1.052); A empresa apresenta manifestação de inconformidade (fls. 1.219/1.251), na qual alega, em síntese, que: Em preliminar: a) as compensações realizadas com créditos de terceiros foram homologadas tacitamente, portanto, os débitos quitados por meio delas geram créditos das contribuições; b) o despacho decisório é nulo por falta de fundamentação legal; c) requer o sobrestamento deste até o julgamento final dos processos de compensação com créditos de terceiros; No mérito: Fl. 1429DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 09/06/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 11020.002968/200733 Acórdão n.º 330201.633 S3C3T2 Fl. 1.430 4 d) não foram considerados os recolhimentos efetuados por meio de DARF, nos meses em que efetuou a compensação com créditos de terceiros; e) o PIS do período 05/1999, quitado no âmbito da PGFN, deve ser considerado na apuração dos créditos; f) os valores da contribuição retidos no mês 12/1999 também devem ser considerados; g) a multa e os juros cobrados são indevidos já que não existem débitos em aberto; A Primeira Instância deferiu parcialmente a manifestação para reconhecer o crédito adicional proporcional aos pagamentos efetuados via DARF, para os períodos de apuração para os quais houve compensação com utilização de crédito de terceiros e também o relativo à retenção efetuada em dezembro de 1999. No recurso, a Interessada reprisou as alegações da manifestação de inconformidade, em relação às demais matérias. É o relatório. Voto Conselheiro José Antonio Francisco, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. Devese adiantar estar com razão a Primeira Instância em relação à maioria das alegações da Interessada, razão pela qual as matérias suscitadas no recurso serão brevemente analisadas, adotandose os fundamentos do acórdão de primeira instância, com fulcro no art. 50, § 1º, da Lei n. 9.784, de 1999. Em relação à homologação tácita de das compensações com créditos de terceiros, esclareçase que os respectivos pedidos de compensação não foram convertidos em declarações de compensação, uma vez que a nova compensação criada pela Lei n. 10.637, de 2002, que alterou o art. 74 da Lei n. 9.430, de 1996, era claramente restrita aos créditos apurados pelo próprio sujeito passivo devedor dos débitos apurados. Tratase de questão de direito intertemporal, que deve ser adequadamente interpretada. De fato, os pedidos de compensação que se converteram em declarações de compensação eram somente aqueles que poderiam enquadrarse como declarações de compensação. Os demais continuaram a ter a mesma natureza de pedidos de compensação, não extinguindo o crédito tributário de forma antecipada e somente produzindo efeitos, quanto à extinção dos créditos tributários, com a efetiva realização da compensação, nos termos das IN SRF n. 21, de 1997, e 210, de 2002. Fl. 1430DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 09/06/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 11020.002968/200733 Acórdão n.º 330201.633 S3C3T2 Fl. 1.431 5 Situação semelhante atinge os créditos apurados pelo contribuinte, pois, a partir da referida alteração, tais créditos passaram a ser compensáveis apenas com débitos do próprio sujeito passivo que os apurou. É importante ressaltar que a decisão transitada em julgado anteriormente não tem o condão de alterar a lei. De fato, se antes não havia disposição expressa vedando a compensação com débitos de terceiros, a partir de outubro de 2002 passou a existir. Igualmente com razão a Primeira Instância em relação às demais questões preliminares de nulidade. Entretanto, no que diz respeito ao Darf relativo ao período de maio de 1999, quitado após a inscrição em dívida ativa, o art. 34, § 3º, XVI, da IN RFB n. 900, de 2008, não tem suporte legal, já que a Lei n. 10.833, de 2003, apenas vedou a compensação de débitos inscritos e não de créditos pagos no âmbito da PGFN. O recolhimento, ainda que efetuado após inscrição em dívida, é efetuado a maior de toda forma, sendo, assim, compensável. Em relação à aplicação da multa, não tem razão a Interessada, uma vez que a compensação equivale a um pagamento e, não sendo válida, considerase não efetuado o pagamento; sendo válida parcialmente, considerase ocorrido pagamento parcial, fazendo incidir multa e juros de mora sobre a parcela não paga. À vista do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer a possibilidade de compensação proporcional do pagamento relativo ao período de maio de 1999. (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Fl. 1431DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 09/06/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO
score : 1.0
Numero do processo: 11543.001056/2007-45
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon May 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
Ementa::
DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS.
É de se admitir, somente, as deduções pleiteadas com a observância da legislação tributária e que estejam devidamente comprovadas nos autos.
In casu, parte dos documentos apresentados não atendem os requisitos legais para sua admissibilidade.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2802-002.230
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, : por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para restabelecer a dedução com despesas médicas no valor de R$8.340,00 (oito mil, trezentos e quarenta reais), nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente
(Assinado digitalmente)
Dayse Fernandes Leite Relatora.
EDITADO EM: 24/04/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci De Assis Junior, Carlos Andre Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: DAYSE FERNANDES LEITE
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DESPESAS MÉDICAS. É de se admitir, somente, as deduções pleiteadas com a observância da legislação tributária e que estejam devidamente comprovadas nos autos. In casu, parte dos documentos apresentados não atendem os requisitos legais para sua admissibilidade. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, : por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para restabelecer a dedução com despesas médicas no valor de R$8.340,00 (oito mil, trezentos e quarenta reais), nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente (Assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite – Relatora. EDITADO EM: 24/04/2013 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 54 3. 00 10 56 /2 00 7- 45 Fl. 97DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 25/04/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci De Assis Junior, Carlos Andre Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano. Relatório A recorrente foi notificada de lançamento de IRPF (Notificação fls. 07/13) do exercício 2005, ano calendário 2004, elaborado em virtude de glosa de despesas médicas no valor de R$ **18.340,00, por falta de comprovação e omissão de rendimentos recebidos a título de resgate de contribuições à previdência privada, PGBL e Fapi, no valor de R$2.043,20. Fundamento das glosas com despesas médicas: DESPESAS PAGAS A BIANCO VELLO RAMOS=R$8.000,00; CRISTIAN ROSA.FERREGUETTI SILVA=R$10.000,00 E BERNADETE P ALVES=R$340,00, TENDO EM VISTA QUE NÃO CONSTA NOS RECIBOS À DESCRIÇÃO DO TRATAMENTO E 0 ENDEREÇO DO EMITENTE. A 6ª Turma da DRJ Brasília (DF), ao examinar o pleito, proferiu o acórdão n° 0334.716, de 08 de dezembro de 2009, que se encontra às fls. 43 a 53, cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE RESGATE DE PREVIDÊNCIA PRIVADA, PGBL E FAPI. IMPUGNAÇÃO PARCIAL. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada. Os valores correspondentes sujeitam se à imediata cobrança, não sendo, pois, objeto de análise desse julgamento administrativo. DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. A falta de comprovação por documentação hábil e idônea dos valores informados a titulo de dedução de despesas médicas, na Declaração do Imposto de Renda, importa a manutenção da glosa. A Ciência desse acórdão em 19/03/2010 (fls. 54) e interposição de recurso voluntário em 06/04/2010 (fls.55). Em sede de recurso, o litigante, alega em síntese que: · É portadora de " NEOPLASIA MALIGNA DE MAMA ESQUERDA" CID 50, sendo requerido tratamento médico fisioterápico por tempo indeterminado conforme laudo médico assinado pelo Dr. Roberto de Oliveira Lima, anexo ao processo, Fl. 98DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 25/04/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11543.001056/200745 Acórdão n.º 2802002.230 S2TE02 Fl. 8 3 apresentado junto com os recibos médicos quando da solicitação pela SRF. · Em declaração firmada pelo Dr. BIANCO VELO RAMOS o mesmo cita o laudo médico e descreve os serviços fisioterápicos que lhe foram atribuídos dentro de sua especialidade. · Foi atendida pelos Dr(s) BIANCO VELO RAMOS e CRISTINA ROSA FERREGUETI SILVA em sua residência conforme já relatado em recurso anterior, sendo que o tratamento fisioterápico exercido pelos profissionais citados complementares entre si. · A decisão de acórdão relata que não há como identificar quem são os prestadores de serviços ou quem são os beneficiados dados que o serviço prestado é de fisioterapia deixando assim a interpretação de que inexiste a despesa medica. Tal fato é abusivo uma vez que há um laudo medico emitido pelo profissional que realizou o procedimento cirúrgico e encaminhou a contribuinte aos profissionais descritos. · Os profissionais forneceram declarações e recibos compatíveis com a legislação em vigor e com base em todos os elementos já apresentados é impraticável a temática de duvida quanto veracidade dos fatos, pois: a) Existe um laudo médico o qual é fundamentado por todo um procedimento de exames médicos e procedimentos cirúrgicos b) É de extrema necessidade para a sua recuperação procedimentos fisioterápicos pós cirurgia estando todo o procedimento médico declarado pelos profissionais. c) Os recibos médicos contem nome dos profissionais, tipo de serviço realizado, CPF e CREFITO. · A temática que o fisco alega de não existência de endereço não pode ser aplicado ao fato, uma vez em que não houve tratamento em clinica ou hospital, e se houvesse a contribuinte alegado no recibo o endereço dos profissionais estaria assim descrevendo um fato que não houve. · E de extrema rigidez e burocracia a abordagem de tornar inválidos os recibos médicos por ser tratarem de mesmo serviço fisioterápico e não possuir endereço dos profissionais uma vez que o Contribuinte no processo de fiscalização é de boa fé, não realizou ou presto informações falsas, ou distorcidas. · Entendese que questionar a despesa médica no mérito de tornála única e genérica conforme relata o parágrafo 5 da folha 48 da DRJ/BSB é suplantar os fatos verídicos havendo assim a necessidade de ter um parecer de profissional habilitado e competente da área médica para assim descrever se os serviços são únicos ou complementares entre si. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 25/04/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 · Conforme relata em sua declaração o Dr. BIANCO VELO RAMOS os serviços por ele realizados foram: "Drenagem linfática, com compressão do edema por ataduras, posicionamentos de drenagens, cinesioterapia e terapia manual com compressões e deslizamentos além de orientações domiciliares" · O tratamento da Dra. CRISTINA ROSA FERREGUETI SILVA restringiuse: "exercícios para recuperação dos movimentos e terapia dos membros superiores, com diagnóstico de edema provocado pela mastectomia" · Ao argumentar no parágrafo 11 da folha 48 sobre " O Laudo não faz prova inequívoca de que foram efetivadas as despesas" é arbitrário e abusivo uma vez que o objetivo do Laudo é a comprovação, testificação da necessidade do tratamento médico para o período pós cirúrgico. · A comprovação da despesa é dada por recibo médico o qual está fundamentada no Laudo Médico, que poderá ser identificado na DIRPF dos profissionais. · Com base nos dois parágrafos citados que fora altamente superficial e abusiva a análise dos documentos apresentados, devendo ter prova pericial de analise de documentos para a afirmação por parte da SRF onde descaracteriza os serviços médicos como existentes e tornálos indevidos. · Não houve em qualquer momento omissão do profissional ou impossibilidade de identificar o beneficiário. · Alegar a inexistência ou a impossibilidade de compensar a despesa médica como dedutível ou não tributável é incoerente uma vez que na declaração de IR dos profissionais a SRF auferiu e cobrou o respectivo tributo. · Quanto ao recibo da DRA. BERNADETE P. ALVES, o mesmo fora apresentado no primeiro requerimento, juntamente com declaração no recurso apresentado. · Diante do exposto mais uma vez vem apresentar recibos e declaração da profissional a qual declara e atesta os serviços realizados não havendo nada que possa desabonar ou tornar duvidoso o referido pagamento. Relatado o essencial, passo ao voto. Voto Conselheira Dayse Fernandes Leite, Relatora Fl. 100DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 25/04/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11543.001056/200745 Acórdão n.º 2802002.230 S2TE02 Fl. 9 5 O recurso apresentado é tempestivo. Estando dotado, ainda, dos demais requisitos formais de admissibilidade, dele conheço. Na fundamentação do lançamento, a autoridade lançadora aponta como vício nos comprovantes de pagamento trazidos aos autos, a falta do endereço e a descrição do tratamento. O litígio trata da comprovação das despesas médicas cuja glosa foi mantida em primeira instância sob o seguinte fundamento: “As despesas com fisioterapia montam em R$ 18.000,00, sendo R$ 8.000,00 pagos A. BIANCA VELLO RAMOS (recibos as fls. 18/22) e R$ 10.000,00 pagos a CRISTIAN ROSA FERREGUETTI SILVA (recibos as fls. 23/28). A mesma descrição genérica "tratamento fisioterápico" foi utilizada nos recibos emitidos pelos dois profissionais, sem que seja possível sequer determinar quem foi o beneficiário do tratamento em questão. A impugnante alega que não há sentido exigir o endereço do profissional, uma vez que o tratamento foi realizado em sua residência e ela desconhece o endereço daquele. Em que pese o fato de serem dois e não um profissional de fisioterapia cujas despesas estão em discussão, salientese que mais uma vez não procede o argumento da requerente. Primeiramente porque o texto legal é claro quando especifica que é necessário o "nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas — CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica — CNPJ de quem os recebeu", isto é, o endereço a que a lei se refere é o do prestador de serviços e não o endereço onde eventualmente foram prestados determinados serviços. Em segundo lugar, é pouco crivei que a contribuinte tenha despendido R$ 18.000,00 com dois profissionais cujo endereço desconhece. Quanto à alegação de que a lei aceita até mesmo indicação do cheque nominativo, devese frisar que tal comprovação ou justificação estará a cargo da autoridade lançadora (art. 73 do RIR/99), que irá analisar esse documento dentro de um conjunto probatório, valendose inclusive da prerrogativa de diligenciar os médicos ou dentistas a confirmar os pagamentos declarados por determinado contribuinte. Relativamente ao laudo médico de fls. 12, que direciona a paciente ao tratamento fisioterápico por tempo indeterminado, tal documento não faz a prova inequívoca de que foram efetivas as despesas declaradas em favor dos profissionais BIANCA VELLO RAMOS, no valor de R$ 8.000,00 e CRISTIAN ROSA FERREGUETTI SILVA, no valor de R$ 10.000,00.” Assim, passase a análise do recurso apresentado. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 25/04/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 Analisandose os autos, especificamente às fls. 69,86, constatase que a recorrente apresentou declarações dos profissionais: · BERNADETE P ALVES, indicando como seu endereço profissional: — AVENIDA NOSSA SENHORA DA PENHA, 1495, TORRE B, SALA 609 ED. CURPORATE CENTER SANTA LÚCIA 3325.1122 CEP 29045401 – VITÓRIA ES, referente a serviço odontológico prestado na recorrente; · Dr. BIANCO VELO RAMOS, indicando que prestou serviço de fisioterapia (descreve o tratamento realizado) no domicílio da recorrente e informa seu endereço residencial Av. Saturnino de Brito, n° 1220, apt° 201 – CREFITO 63462 F, A função precípua de qualquer recibo é a prova do pagamento. A princípio, os recibos emitidos por profissionais legalmente habilitados que atendam às formalidades legais são hábeis a comprovar as deduções pleiteadas, mas, em havendo fortes indícios de que a documentação é inidônea, existe o direitodever de o fisco intimálo a comprovar por outros meios o desembolso e prestação do serviço. Nestes autos, com a apresentação das declarações de fls. 69 e 86, entendo que não há razão para considerar a falta de endereço como impeditivo para admitir a dedução das despesas médicas relativas aos profissionais BERNADETE P ALVES (R$340,00) e Dr. BIANCO VELO RAMOS (R$8.000,00). Ademais, enquanto não houver disciplina legal mais adequada, tende ao verdadeiro interesse público considerar como inidôneos os recibos apresentados, notadamente quando confirmados por declarações de seus emitentes Quantos aos recibos emitidos por CRISTIAN ROSA FERREGUETTI SILVA, no valor de R$ 10.000,00, às fls. 61/64, deixo de acatar tendo em vista que a recorrente não apresentou nenhum documento para sanar os vícios apontados pela autoridade lançadora. Destarte, entendo que os recibos apresentados não atendem os requisitos o Art. 8º, III da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995,ou seja, falta de endereço do prestador do serviço. Diante do exposto, voto por dar provimento em parte ao recurso, para restabelecer a dedução com despesas médicas no valor de R$8.340,00 (oito mil, trezentos e quarenta reais). (Assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite – Relatora Fl. 102DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 25/04/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11543.001056/200745 Acórdão n.º 2802002.230 S2TE02 Fl. 10 7 Fl. 103DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 25/04/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 16007.000942/2007-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon May 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005
PIS/PASEP E COFINS. LUCRO ARBITRADO. IMPOSSIBILIDADE DE APURAÇÃO PELA SISTEMÁTICA DA NÃO CUMULATIVIDADE.
Em razão das vedações constantes do art. 8º, II, da Lei nº 10.637/2002, e art. 10, II, da Lei nº 10.833/2003, é expressamente vedada possibilidade de apuração do PIS/Pasep e Cofins pelo critério da não-cumulatividade às pessoas jurídicas tributadas com base no lucro presumido ou arbitrado.
Recurso Improvido.
Numero da decisão: 3301-001.754
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Rodrigo da Costa Pôssas
Presidente
Antônio Lisboa Cardoso
Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Paulo Guilherme Déroulède, Andrea Medrado Darzé, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente).
Nome do relator: ANTONIO LISBOA CARDOSO
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LUCRO ARBITRADO. IMPOSSIBILIDADE DE APURAÇÃO PELA SISTEMÁTICA DA NÃO CUMULATIVIDADE. Em razão das vedações constantes do art. 8º, II, da Lei nº 10.637/2002, e art. 10, II, da Lei nº 10.833/2003, é expressamente vedada possibilidade de apuração do PIS/Pasep e Cofins pelo critério da nãocumulatividade às pessoas jurídicas tributadas com base no lucro presumido ou arbitrado. Recurso Improvido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). Rodrigo da Costa Pôssas Presidente Antônio Lisboa Cardoso Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Paulo Guilherme Déroulède, Andrea Medrado Darzé, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 7. 00 09 42 /2 00 7- 42 Fl. 141DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 07/04/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 2 Relatório Em razão da clareza e objetividade adoto o relatório integrante do Acórdão recorrido, que assim resume os fatos: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório, em que foi apreciado Pedido de Ressarcimento relativo a um crédito de PIS não cumulativo decorrente de operações de exportação no 4º Trimestre de 2005. Originalmente a empresa ingressou com o pedido de ressarcimento no valor de R$ 341.324,35, conforme documentos de fls. 1 a 5 ao qual foram anexadas Declarações de Compensação em que o contribuinte pretende compensar débitos utilizando o crédito deste processo. O contribuinte baseou seu pleito no previsto no §2° do art. 6º da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Em 21/09/2007 a DRF de São José do Rio Preto, SP, foi notificada da decisão judicial exarada nos autos da Ação Cautelar n° 2007.61.00.0060715 que determinou a apreciação, com brevidade, dos pedidos de ressarcimentos feitos pela INDUSTRIAS REUNIDAS CMA LTDA. A fiscalização efetuou então os procedimentos fiscais com vistas a verificar a regularidade do valor pleiteado para ressarcimento. Em função de uma operação desencadeada pela Polícia Federal, denominada "Operação Grandes Lagos", descobriuse que os principais fornecedores da INDUSTRIAS REUNIDAS CMA LTDA faziam parte de uma grande organização criminosa criada com o objetivo de fraudar a administração tributária cujo modus operandi é a interposição de pessoas físicas e jurídicas com o objetivo de eximir os titulares de fato do pagamento de tributos e contribuições sociais. Um dos fornecedores da CMA é uma empresa criada para vender notas fiscais "frias" a sonegadores. Outra é uma empresa "fantasma" criada com o único objetivo de vender notas fiscais "frias" para terceiros, com receita fictícia de R$172 milhões sem ter movimentado um centavo sequer em suas contas bancárias. Como essas e outras empresas do esquema estavam entre os fornecedores da CMA nos anoscalendários 2004 e 2005, foi necessário que a fiscalização fizesse uma análise minuciosa da contabilidade da empresa, da forma adotada para a apuração de seus lucros, assim como das declarações enviadas à Receita Federal do Brasil, o que envolveu, entre outros, a verificação da escrituração de seus livros comerciais. Após intimações parcialmente atendidas e verificações efetuadas, detalhadamente descritas na Informação Fiscal de fls. 27 a 38 e tendo em vista que a escrituração da CMA, relativamente aos anos calendários 2004 e 2005 continha evidentes indícios de fraudes e vícios, erros e deficiências que a tornaram imprestável para a apuração do lucro real e que, regularmente intimada, deixou de apresentar os livros auxiliares de sua escrituração referente ao mesmo período, a fiscalização decidiu arbitrar o seu lucro em cada um dos trimestres desses anos calendários, de acordo com o disposto no RIR/99, art. 530 , II, b e III. O arbitramento do lucro da CMA nos períodos supracitados implicou na lavratura dos autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, nos quais foram descritas de forma detalhada as irregularidades constatadas na contabilidade da CMA, bem como as fraudes por ela praticadas. Tendo em vista que nos trimestres dos anoscalendários 2004 e 2005 o lucro da CMA foi arbitrado de ofício, a base de cálculo do PIS e da Cofins foi também Fl. 142DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 07/04/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 16007.000942/200742 Acórdão n.º 3301001.754 S3C3T1 Fl. 142 3 apurada de ofício, mensalmente, na sistemática cumulativa, haja vista que a sistemática nãocumulativa dessas contribuições é exclusiva para contribuintes tributados com base no lucro real, conforme dispõe o art. 8º, II da Lei 10.637 de 2002 (PIS), e o art. 10, II, da Lei 10.833, de 2003 (Cofins). Assim sendo, tendo em vista a necessidade da apuração do PIS e da Cofins na sistemática cumulativa para as pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro arbitrado, os pedidos de ressarcimento de créditos de PIS e Cofins não cumulativos foram indeferidos pelo Despacho Decisório de fls. 47 a 51 e as compensações não homologadas. Irresignada, a contribuinte interpôs manifestação de inconformidade às fls. 56 a 64, na qual alega, em síntese, que: 1. A empresa ofereceu impugnação ao processo que contém os autos de infração resultantes do arbitramento do lucro e, não havendo decisão administrativa transitada em julgado a respeito do arbitramento, isso não pode ser utilizado pelo Fisco como escusa para negar ao contribuinte seu direito à compensação pretendida; 2. A negativa da administração em reconhecer um direito creditício regularmente comprovado por um contribuinte por qualquer razão traz um abalo na confiança que este contribuinte depositou na administração, bem como um abalo na segurança jurídica em abstrato, nas relações entre contribuintes e Fazenda Pública; 3. É cediço em nossa doutrina jurídica que o arbitramento não pode ter caráter de penalidade, mas tão somente como forma de aferição de lucros com o fim de definirse a base de cálculo do imposto perseguido. Não havendo caráter punitivo, este não pode ter o condão de interferir negativamente em um direito do contribuinte. Se há quantificação do valor devido, bem como do direito ao ressarcimento por créditos da mesma natureza, não se justifica a negativa oferecida; 4. A compensação traduzse na concreção de um direito do contribuinte oponível ao Estado. Se há um crédito do contribuinte em relação ao Estado, este não pode, ao arbitrar o lucro da empresa ou sob qualquer outro pretexto, negarlhe a restituição; 5. O crédito existe, portanto, o devedor, no caso a Fazenda, deve satisfazêlo sob pena de incorrer em apropriação indébita ou enriquecimento ilícito; 6. O direito à compensação tem inegável fundamento na Constituição Federal. Isto quer dizer que nenhuma norma inferior pode, validamente, negar esse direito, seja por via oblíqua, tornando impraticável seu exercício; 7. O crédito do contribuinte é parcela de seu patrimônio. É sua propriedade. Na medida em que não se admite a compensação de créditos do contribuinte com dívidas fiscais suas, está se admitindo verdadeiro confisco de seus créditos; 8. Acerca da investigação criminal em andamento conhecida como "Operação Grandes Lagos", a fiscalização tributária deve pautarse nas operações investigadas em cada auto, não podendo presumirse fraudes ou irregularidades pelo fato de haver uma investigação criminal contra a autuada, quanto mais que não há condenação penal que pese contra a recorrente. Ao final, requereu que seja acolhida a presente manifestação de inconformidade reconhecendose o direito do contribuinte aos créditos pretendidos bem como homologando as compensações pleiteadas. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 07/04/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 4 O acórdão julgou improcedente a manifestação de inconformidade, resumidamente pelo fato da pessoa jurídica ter sido tributada de acordo com as regras do lucro arbitrado, impossibilitando o cálculo dos créditos reclamados, conforme sintetiza a respectiva ementa, in verbis: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 Ementa: DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. O direito creditório só é passível de ser reconhecido se lastreado em documentação fiscal e contábil, demonstrada nos autos pelo contribuinte. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. LUCRO ARBITRADO. IMPOSSIBILIDADE DE APURAÇÃO DO PIS E DA COFINS PELA SISTEMÁTICA NÃO CUMULATIVA. As pessoas jurídicas tributadas pelas regras do lucro arbitrado ficam impossibilitadas de apurar o PIS e a Cofins pelo regime da nãocumulatividade, ficando sujeitas à apuração pela sistemática cumulativa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Intimada do teor do acórdão em 18/04/2011 (AR fl. 92), a interessada protocolou recurso voluntário em 11/05/2011 (fls. 93/139), onde, em síntese, reitera os argumentos constantes da manifestação de inconformidade, colacionando jurisprudência dos Tribunais Superiores sobre o assunto discutido no presente processo. É o relatório. Voto Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e encontrase revestido das demais formalidades legais, devendo o mesmo ser conhecido. Conforme relatado, está sendo discutido no presente processo o direito e a apuração de créditos de PIS/PASEP nãocumlativo, do período de 01/10/2005 a 31/12/2005, indeferido pela decisão recorrida porque a contabilidade da empresa foi desconsiderada com a apuração do lucro pelo critério do arbitramento nos autos do processo nº 16004.000029/2009 38, relativo aos autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, decorrentes do arbitramento Fl. 144DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 07/04/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 16007.000942/200742 Acórdão n.º 3301001.754 S3C3T1 Fl. 143 5 do lucro da CMA nos trimestres dos anoscalendário 2004 e 2005, lavrados em 30/01/2009, sendo que a sua ciência aos quatro autos de infração deuse em 09/02/2009. De acordo a informação fiscal de fls. 27 e seguintes, através do Ofício n° 492/2007, de 21 de setembro de 2007, da Justiça Federal do Estado de São Paulo, doc.fls. 02 e 03 do processo administrativo fiscal n° 16004.000029/200938 a Delegacia da Receita Federal do Brasil foi comunicada da decisão exarada nos autos da Ação Cautelar n° 2007.61.00.0060715, que determinou a apreciação, com brevidade, de pedidos de ressarcimento de crédito presumido do IPI e de PIS e de COFINS nãocumulativos, feitos pela CMA, relativos aos trimestres dos anoscalendário de 2003, 2004 e 2005, inclusive do presente pedido. Consta ainda, da referida informação fiscal que o arbitramento do lucro da CMA, ora Recorrente, deveuse ao fato da escrituração dos anoscalendário 2004 e 2005, conter evidentes indícios de fraudes e vícios, erros e/ou deficiências que a tornaram imprestável para a apuração do lucro real e que, regularmente intimada, deixou de apresentar os livros auxiliares de sua escrituração, referente ao mesmo período, os quais, deveriam registrar, de forma individualizada, os respectivos lançamentos consolidados constantes em seus livros Diário, tendo sido arbitrado o seu lucro em cada um dos trimestres desses anos calendário, de acordo com o disposto nos incisos II, "b" e III do art. 530 do RIR/99. Consequentemente, foram indeferidos os pedidos de ressarcimento, tendo em vista que nos trimestres dos anoscalendário 2004 e 2005, o lucro da CMA foi arbitrado de ofício, a base de cálculo do PIS e da COFINS foi também apurada de ofício, mensalmente, na sistemática cumulativa haja vista que a sistemática nãocumulativa dessas contribuições é exclusiva para contribuintes tributados pelo lucro real, conforme dispõem os artigos 8º , II e 10, II, respectivamente das Leis n° 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003. A DRJ em Ribeirão PretoSP, em 16/01/2012, julgou improcedente a impugnação apresentada em face do Auto de Infração, objeto do processo nº 16004.000029/200938, no qual se discutia a base de cálculo do IRPJ, apurado por arbitramento, do qual o presente é reflexo, conforme constatase pela respectiva ementa (fls. 3.784/3795 do referido processo): Processo 16004.000029/200938 Interessado INDUSTRIAS REUNIDAS CMA CNPJ/CPF 89.633.945/000154 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/03/2004, 30/06/2004, 30/09/2004, 31/12/2004, 31/03/2005, 30/06/2005, 30/09/2005, 31/12/2005 PROVA EMPRESTADA DESCLASSIFICAÇÃO DA ESCRITA MULTA QUALIFICADA INCONSTITUCIONALIDADE válida a utilização, em processo administrativo tributário, de provas colhidas no curso de investigação policial, desde que a autoridade administrativa extraia suas próprias conclusões das Fl. 145DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 07/04/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 6 provas emprestadas. A condenação em processo penal não é requisito para a utilização, em ação fiscal, de prova colhida por autoridade policial. Impõese a desclassificação da escrita e o conseqüente arbitramento do lucro quando forem constatados evidentes indícios de fraudes, bem como vícios, erros e/ou deficiências que a tornam imprestável para determinar o lucro real. cabível a imposição de multa qualificada (150%) quando for demonstrado que o contribuinte agiu dolosamente na pratica das infrações tributárias apuradas. A autoridade administrativa não tem competência para apreciar alegações de inconstitucionalidade e/ou invalidade de lei ou ato normativo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 31/03/2004, 30/06/2004, 30/09/2004, 31/12/2004, 31/03/2005, 30/06/2005, 30/09/2005, 31/12/2005 AUTO REFLEXO Quanto à impugnação de auto de infração lavrado como reflexo de fatos apurados para o lançamento do IRPJ, são aplicáveis as mesmas razões que deram fundamento à decisão acerca da impugnação a este, quando não houver alegação especifica no tocante ao auto reflexo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 28/02/2004, 31/03/2004, 30/04/2004, 31/05/2004, 30/06/2004, 31/07/2004, 31/08/2004, 30/09/2004, 31/10/2004, 30/11/2004, 31/12/2004, 31/01/2005, 28/02/2005, 31/03/2005, 30/04/2005, 31/05/2005, 30/06/2005, 31/07/2005, 31/08/2005, 30/09/2005, 31/10/2005, 30/11/2005, 31/12/2005 AUTO REFLEXO Quanto à impugnação de auto de infração lavrado como reflexo de fatos apurados para o lançamento do IRPJ, são aplicáveis as mesmas razões que deram fundamento A decisão acerca da impugnação a este, quando não houver alegação especifica no tocante ao auto reflexo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Data do fato gerador: 28/02/2004, 31/03/2004, 30/04/2004, 31/05/2004, 30/06/2004, 31/07/2004, 31/08/2004, 30/09/2004, 31/10/2004, 30/11/2004, 31/12/2004, 31/01/2005, 28/02/2005, 31/03/2005, 30/04/2005, 31/05/2005, 30/06/2005, 31/07/2005, 31/08/2005, 30/09/2005, 31/10/2005, 30/11/2005, 31/12/2005 AUTO REFLEXO Quanto à impugnação de auto de infração lavrado como reflexo de fatos apurados para o lançamento do IRPJ, são aplicáveis as mesmas razões que deram fundamento à decisão acerca da impugnação a este, quando não houver alegação especifica no tocante ao auto reflexo. Fl. 146DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 07/04/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 16007.000942/200742 Acórdão n.º 3301001.754 S3C3T1 Fl. 144 7 Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Verificando o andamento do processo nº 16004.000029/200938, consta que o mesmo recebeu o seguinte andamento em 28/06/2012: “...ENCAMINHESE O PROCESSO À PROCURADORIA DA FAZENDA NACIONAL, NESTA UNIDADE FEDERATIVA, PARA EFEITO DE APURAÇÃO, INSCRIÇÃO E COBRANÇA DA DÍVIDA ATIVA DA UNIÃO...”. Desta forma, a decisão da DRJ proferida nos autos do referido processo tornouse definitiva, logo, considerando que o direito creditório discutido no presente processo dependia do resultado daquele, vez que foi negado à contribuinte, ora Recorrente, a possibilidade de apuração do PIS e Cofins pela sistemática da nãocumulatividade, em virtude da base de cálculo das contribuições terem sido resultante de arbitramento reflexo, não sendo possível a apuração de quaisquer créditos e consequentemente não sendo possível a compensação pleiteada. A pretensão da Recorrente, de compensação de eventuais créditos de PIS apurados pelo critério da nãocumulatividade, fica prejudicada também pela vedação prevista no art. 8º, II, da Lei nº 10.637/2002, in verbis: Art. 8º Permanecem sujeitas às normas da legislação da contribuição para o PIS/Pasep, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 6º: I – as pessoas jurídicas referidas nos §§ 6º, 8º e 9º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998 (parágrafos introduzidos pela Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001 ), e Lei nº 7.102, de 20 de junho de 1983; II – as pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro presumido ou arbitrado; Igualmente dispõe a Lei nº 10.833, de 2003, em relação à Cofins (art. 10): Art. 10 . Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 8º: ( Vide Medida Provisória nº 252, de 15/06/2005 ). I as pessoas jurídicas referidas nos §§ 6º, 8º e 9º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, e na Lei nº 7.102, de 20 de junho de 1983; II as pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro presumido ou arbitrado; Assim sendo, uma vez que a Recorrente não logrou êxito em desconstituir o arbitramento da base de cálculo do IPRJ discutido no processo 16004.000029/200938, e considerando que de acordo com a Lei nº 10.637/2002, que trata do PIS/Pasep nãocumulativo e de igual modo a Lei nº 10.833/2002, em relação à Cofins nãocumulativa, vedam Fl. 147DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 07/04/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 8 expressamente a opção para a apuração das aludidas contribuições pelo critério da não cumulatividade. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 27 de fevereiro de 2013 Antônio Lisboa Cardoso Fl. 148DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 07/04/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO
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Numero do processo: 11020.003570/2009-86
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 PEDIDOS DE RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE. No âmbito específico dos pedidos de ressarcimento ou compensação, mostra- se ônus da interessada a minuciosa comprovação da existência do direito creditório. PERÍCIA NÃO NECESSÁRIA. DESRESPEITO ÀS REGRAS DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INDEFERIMENTO. A realização de perícia somente deve ocorrer quando não for possível a aferição dos fatos pelo conhecimento ordinário, devendo o pedido ser considerado como não formulado quando não houver respeito às regras do processo administrativo fiscal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Nem todo insumo, mas somente aquele utilizado na prestação de serviços ou na produção e fabricação de produtos geram direito de crédito da contribuição não cumulativa. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES USADOS NA PRODUÇÃO. DIREITO AO CRÉDITO. As despesas com a aquisição de combustíveis, inclusive o GLP, e os lubrificantes usados no processo produtivo da adquirente dão direito ao crédito do PIS/Cofins não-cumulativos. CRÉDITOS. AQUISIÇÃO. ALÍQUOTA ZERO.
É vedada a apuração de créditos da COFINS nãocumulativa,
quando da
aquisição de insumos sujeitos à incidência de alíquota zero.
CRÉDITOS. EMBALAGENS. TRANSPORTE.
As embalagens, ainda que não sejam incorporadas ao produto durante o
processo de industrialização, mas depois de concluído o processo produtivo,
geram direito ao crédito.
CRÉDITOS. DESPESAS COM PEÇAS DIVERSAS PARA
MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS, EQUIPAMENTOS, VEÍCULOS E
INSTALAÇÕES.
As peças e as despesas e custos de manutenção de máquinas, veículos,
equipamentos e instalações não geram direito de crédito da contribuição não
cumulativa à vista de não serem insumos utilizados na produção de bens e
serviços vendidos. Os custos de manutenção de empilhadeiras utilizadas no
processo produtivo, entretanto, geram direito de crédito.
CRÉDITOS. DEPRECIAÇÃO. ATIVO IMOBILIZADO.
O desconto de créditos calculados em relação à depreciação de máquinas,
equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado somente pode
se dar se adquiridos para utilização na produção de bens destinados à venda
ou na prestação de serviços.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3302-001.520
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer o direito aos créditos sobre as despesas com embalagens, GLP e manutenção de empilhadeira, nos termos do voto do redator designado. Vencidos os Conselheiros José Antonio Francisco (Relator) e Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz. Designado o Conselheiro Gileno Gurjão Barreto para redigir o voto vencedor. A Conselheira Fabiola Cassiano Keramidas fez declaração de voto.
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 PEDIDOS DE RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE. No âmbito específico dos pedidos de ressarcimento ou compensação, mostra se ônus da interessada a minuciosa comprovação da existência do direito creditório. PERÍCIA NÃO NECESSÁRIA. DESRESPEITO ÀS REGRAS DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INDEFERIMENTO. A realização de perícia somente deve ocorrer quando não for possível a aferição dos fatos pelo conhecimento ordinário, devendo o pedido ser considerado como não formulado quando não houver respeito às regras do processo administrativo fiscal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Nem todo insumo, mas somente aquele utilizado na prestação de serviços ou na produção e fabricação de produtos geram direito de crédito da contribuição não cumulativa. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES USADOS NA PRODUÇÃO. DIREITO AO CRÉDITO. As despesas com a aquisição de combustíveis, inclusive o GLP, e os lubrificantes usados no processo produtivo da adquirente dão direito ao crédito do PIS/Cofins nãocumulativos. CRÉDITOS. AQUISIÇÃO. ALÍQUOTA ZERO. Fl. 235DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/04/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 01/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 11020.003570/200986 Acórdão n.º 330201.520 S3C3T2 Fl. 236 2 É vedada a apuração de créditos da COFINS nãocumulativa, quando da aquisição de insumos sujeitos à incidência de alíquota zero. CRÉDITOS. EMBALAGENS. TRANSPORTE. As embalagens, ainda que não sejam incorporadas ao produto durante o processo de industrialização, mas depois de concluído o processo produtivo, geram direito ao crédito. CRÉDITOS. DESPESAS COM PEÇAS DIVERSAS PARA MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS, EQUIPAMENTOS, VEÍCULOS E INSTALAÇÕES. As peças e as despesas e custos de manutenção de máquinas, veículos, equipamentos e instalações não geram direito de crédito da contribuição não cumulativa à vista de não serem insumos utilizados na produção de bens e serviços vendidos. Os custos de manutenção de empilhadeiras utilizadas no processo produtivo, entretanto, geram direito de crédito. CRÉDITOS. DEPRECIAÇÃO. ATIVO IMOBILIZADO. O desconto de créditos calculados em relação à depreciação de máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado somente pode se dar se adquiridos para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer o direito aos créditos sobre as despesas com embalagens, GLP e manutenção de empilhadeira, nos termos do voto do redator designado. Vencidos os Conselheiros José Antonio Francisco (Relator) e Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz. Designado o Conselheiro Gileno Gurjão Barreto para redigir o voto vencedor. A Conselheira Fabiola Cassiano Keramidas fez declaração de voto. Fez sustentação oral pela Fazenda Nacional a Procuradora Bruna Garcia Benevides. (Assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Relator Fl. 236DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/04/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 01/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 11020.003570/200986 Acórdão n.º 330201.520 S3C3T2 Fl. 237 3 (Assinado digitalmente) Gileno Gurjão Barreto Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 163 a 180) apresentado em 14 de julho de 2011 contra o Acórdão no 1031.830, de 26 de maio de 2011, da 2ª Turma da DRJ/POA (fls. 142 a 160), cientificado em 17 de junho de 2011, que, relativamente a declaração de compensação de PIS/Pasep N/C (Exportação) do 2º trimestre de 2006, considerou improcedente a manifestação de inconformidade da Interessada, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. INAPRECIAÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. COMPETÊNCIA DO PODER JUDICIÁRIO. A argüição de inconstitucionalidade ou ilegalidade não pode ser apreciada na esfera administrativa por se tratar de prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário. DESPACHO DECISÓRIO. FUNDAMENTAÇÃO. DIREITO DE DEFESA. Restando a decisão administrativa fundamentada em análise dos documentos, fatos ocorridos e legislação aplicável, se mostra incabível a alegação de cerceamento de defesa. PEDIDOS DE RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE. No âmbito específico dos pedidos de ressarcimento ou compensação, mostrase ônus da interessada a minuciosa comprovação da existência do direito creditório. PERÍCIA NÃO NECESSÁRIA. DESRESPEITO ÀS REGRAS DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INDEFERIMENTO. A realização de perícia somente deve ocorrer quando não for possível a aferição dos fatos pelo conhecimento ordinário, devendo o pedido ser considerado como não formulado quando não houver respeito às regras do processo administrativo fiscal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Fl. 237DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/04/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 01/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 11020.003570/200986 Acórdão n.º 330201.520 S3C3T2 Fl. 238 4 Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITOS. INSUMOS. O sujeito passivo poderá descontar da contribuição apurada no regime nãocumulativo, créditos calculados sobre valores correspondentes a insumos, assim entendidos as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. CRÉDITOS. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. Combustíveis e lubrificantes para que possam ser considerados como insumos devem ser consumidos em decorrência de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação (no caso, beneficiamento de madeira, comércio de madeira e produtos derivados, produção de painéis, compostos e compensados de madeira) e não utilizados em máquinas e veículos para transporte/manuseio de matériaprima e/ou produtos acabados. CRÉDITOS. AQUISIÇÃO. ALÍQUOTA ZERO. Com o advento da Lei nº 10.865, de 2004, que deu nova redação ao art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, não mais se poderá apurar créditos relativos ao PIS decorrentes de aquisições de insumos com alíquota zero, utilizados na produção ou fabricação de produtos destinados à venda. CRÉDITOS. EMBALAGENS. TRANSPORTE. As embalagens que não são incorporadas ao produto durante o processo de industrialização, mas apenas depois de concluído o processo produtivo, e que se destinam tãosomente ao transporte dos produtos acabados, não geram direito ao crédito. CRÉDITOS. DESPESAS COM PEÇAS DIVERSAS PARA MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. As peças para manutenção de máquinas e equipamentos, para que possam ser consideradas como insumos, permitindo o desconto do crédito correspondente da contribuição, devem ser consumidas em decorrência de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. CRÉDITOS. DEPRECIAÇÃO. ATIVO IMOBILIZADO. O desconto de créditos calculados em relação à depreciação de máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado somente pode se dar se adquiridos para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 238DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/04/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 01/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 11020.003570/200986 Acórdão n.º 330201.520 S3C3T2 Fl. 239 5 A declaração de compensação foi transmitida em 04 de janeiro de 2008 e analisada pelo relatório de fls. 70 a 77. Segundo a Fiscalização, “a verificação fiscal foi inicialmente demandada pela sentença constante dos autos do mandado de segurança 2009.71.07.0021700/RS (1º e 2° trimestres de 2008) e 2009.71.07.0050504/RS (3o trimestre de 2008), as quais determinaram que os pedidos protocolados após a vigência da lei n.° 11.457, de 2007, fossem examinados no prazo máximo de 360 dias a contar da data dos respectivos protocolos. Cabe ressaltar que estes MS foram impetrados em época que a empresa encontravase sob MPFF 1010600.2008.002633 para verificação dos créditos de PIS/Cofins nãocumulativos referentes aos anos calendário de 2006 e 2007, motivo pelo qual não foi possível analisar os créditos no prazo demandado, conforme explanado nos autos dos respectivos MS: [...]”. Ressaltou a Fiscalização que o prazo previsto na decisão judicial não pôde ser cumprido, uma vez que haveria incompatibilidades entre os valores apresentados e os constantes das Dacon. Após diligência, apurouse divergência de 51% entre os valores requeridos e os apurados. Segundo a Fiscalização, as irregularidades encontradas foram as seguintes: 1) divergências entre os valores das Dacon e os apresentados pela Interessada; 2) apuração indevida de créditos sobre partes, peças, combustíveis, despesas diversas e bens sujeitos à alíquota zero (aquisição de GLP e manutenção de empilhadeiras; aquisição de combustíveis e lubrificantes não aplicados na produção; aquisição de produtos de alíquota zero; partes, peças, bens destinados ao ativo imobilizado e despesas diversas; materiais de transporte cantoneiras, pallets e acessórios, fitas e amarras); 3) créditos sobre bens do imobilizado (televisões, cadeiras, automóveis, impressoras, melhorias, obras etc.). A Primeira Instância assim resumiu o litígio: "Trata o presente processo de análise e acompanhamento de PER/DCOMPs transmitidos pela contribuinte, através dos quais pretendeu o ressarcimento de valores credores de PIS não cumulativo – exportação relativos ao 2º trimestre de 2006. O Serviço de Fiscalização efetuou a necessária auditoria e produziu o Relatório de Verificação Fiscal de fls. 70/78, com anexos, onde, em síntese, registrou: (...) • A entidade apresentou os DACONs referentes aos anos de 2006 e 2007, tendo, posteriormente retificado os mesmos. Em análise por amostragem constatase que não foi realizada a segregação dos créditos vinculados às receitas tributadas e nãotributadas, segregação essa necessária, pois somente o segundo dá direito a ressarcimento e compensação na forma da legislação vigente. Além disso, constatase, através do cotejamento entre contabilidade e DACONs, que os valores lançados nestes não estão condizentes com os valores registrados pela entidade em sua escrituração contábil. • A empresa apura créditos vinculados a custos e despesas com empilhadeiras próprias e alugadas, as quais são utilizadas em diversos setores (recepção de fruta, packing e expedição do Fl. 239DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/04/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 01/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 11020.003570/200986 Acórdão n.º 330201.520 S3C3T2 Fl. 240 6 produto acabado). A empresa apura créditos vinculados à combustível (óleo diesel) utilizado em tratores. (...) Não foram considerados na base de cálculo dos créditos da não cumulatividade, os custos e despesas relacionadas a bens que não podem ser considerados insumos à luz da legislação vigente, não atendendo aos requisitos legais (art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002). Assim, não foi aceita a inclusão, na base de cálculo dos créditos, das seguintes despesas: a) despesas com empilhadeiras (aquisição de GLP e manutenção): a empresa informou que não possuía nenhuma forma especial de apropriação destes custos, despesas e respectivos créditos, pois entende que as empilhadeiras atuam no processo produtivo (packing e carregamentos). A contribuinte não trouxe elementos que permitam realizar a segregação dos custos; b) despesas com aquisição de combustíveis e lubrificantes não utilizados na produção: a empresa utiliza tratores tanto em pomares em produção, quanto em pomares ainda não produtivos. Parcela do estoque de combustíveis não é efetivamente utilizada como insumo, não podendo a empresa solicitar o crédito relativo à parcela dos combustíveis que acaba sendo imobilizada, uma vez que terá direito apenas quando da efetiva entrada em produção do pomar, através das respectivas cotas de depreciação. Também não pode utilizar créditos que efetivamente não tenham sido utilizados como insumo, como por exemplo, na área administrativa da empresa e em veículos de terceiros. Dentre as destinações dadas aos combustíveis verifica se que os combustíveis e lubrificantes utilizados em veículos para transporte de maçã adquirida de terceiros, na administração, na manutenção civil e elétrica, bem como em oficina de máquinas pesadas não constituem em hipótese alguma insumos da produção de bens destinados à venda; c) produtos sujeitos à alíquota zero: no período, a empresa apura créditos sobre aquisições de produtos sujeitos à alíquota zero (art. 1º da Lei nº 10.925, de 2004), que não podem ser incluídos na base de cálculo dos créditos, existindo proibição constante do inciso II, § 2º, do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003; d) bens diversos (partes, peças, bens destinados ao imobilizado, despesas diversas): a empresa registra créditos sob a rubrica Outras Operações com Direito à Crédito, constatandose que tais créditos provêm de despesas com serviços, partes e peças de manutenção de máquinas e equipamentos, entre outros. O conceito de insumo exclui quaisquer serviços e bens que não sofram alterações em função da ação diretamente exercida no serviço que está sendo prestado e no bem ou produto que está sendo fabricado; Fl. 240DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/04/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 01/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 11020.003570/200986 Acórdão n.º 330201.520 S3C3T2 Fl. 241 7 e) materiais de transporte: não foram considerados na base de cálculo os materiais classificados pela empresa como de embalagem, mas que, na verdade, são meramente embalagens de transporte, não podendo ser classificadas como insumo de produção ou despesas com fretes na operação de venda; f) créditos sobre bens do imobilizado: a empresa entregou planilhas demonstrativas de créditos relativos a encargos de depreciação sobre bens do ativo imobilizado (com base no valor de aquisição), tendo lançado tais créditos em DACON. Da análise destas planilhas, de informações contábeis e do DACON foi constatado que houve lançamento de créditos referentes a encargos de depreciação nos meses de junho, julho e dezembro de 2006, fevereiro, março e maio/dezembro de 2007 (foi feita análise de cada um dos períodos). Conforme a legislação, a empresa só podia apurar créditos no prazo de 48 meses sobre o valor das aquisições de máquinas e equipamentos destinados ao ativo imobilizado. Nos demais casos deveria calcular seus créditos mediante a aplicação da taxa de depreciação fixada pela SRF em função do prazo de vida útil do bem. A empresa apurou créditos no prazo de 1/48 avos sobre outros bens que não máquinas e equipamentos. Não foi considerado nenhum valor a título de crédito sobre o imobilizado no período sob análise. Ao final do Relatório consta Despacho Decisório de 07/12/2009, onde foi autorizado o ressarcimento e/ou compensação dos valores pleiteados pela interessada até o limite reconhecido em tabela própria (fl. 77/v). A empresa foi cientificada em 17/12/2009 (fl. 109) e, não conformada, apresentou em 18/01/2010, através de procurador, longa manifestação de inconformidade (fls. 111/134), onde, em síntese, refere: • durante o período em que a empresa foi fiscalizada foram demonstrados todos os tipos de segregação de informações. O fato de que os valores contabilizados não serem objeto de informações em DACONs não é uma irregularidade, mas sim um direito de pedir o ressarcimento dos valores que se entende devidos; • as exclusões de créditos determinadas pela Fiscalização fez com que as memórias de cálculo e os DACONs apresentados não mais fechassem, resultando em diferença expurgada, com o que não concorda a empresa; • a Fiscalização não considerou os créditos das aquisições de produtos utilizados na produção de bens, que não poderiam ser considerados insumos. O critério utilizado foi o do desgaste do produto na produção (conceito de IPI). Assim, a aplicação desse conceito foi utilizado nas seguintes aquisições: 1. despesas com empilhadeiras (aquisição de GLP e manutenção): no entendimento da Fiscalização, as despesas com empilhadeiras no carregamento de frutas na expedição não dão direito a crédito, por não haver transformação ou ação direta Fl. 241DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/04/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 01/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 11020.003570/200986 Acórdão n.º 330201.520 S3C3T2 Fl. 242 8 sobre a maçã. Mas não há como separarse, no dia a dia de trabalho de uma empresa, o que foi gasto em Km rodados dentro da fábrica, quando saiu da produção, quanto tempo fica na expedição e quando retorna para a fábrica, isso para todos os dias do ano e diversas empilhadeiras. Foi impossível segregar os gastos. Entende a empresa que tem direito ao crédito nos custos utilizados nas empilhadeiras, considerando que elas trabalham diretamente e com aplicação no produto (movimentação das maçãs). São custos necessários à produção do bem; 2. despesas com aquisição de combustíveis e lubrificantes não utilizados na produção (no entendimento da Fiscalização): a Fiscalização pediu que a empresa demonstrasse o quanto foi gasto com combustíveis no uso de tratores (pomares em fase inicial e pomares em fase de colheita). A empresa não possui tal segregação, sendo impossível tal detalhamento. Para a empresa os pomares têm o mesmo tratamento, donde entende ter direito a todos os gastos com combustíveis e lubrificantes, necessários à produção dos bens, ou seja, na produção das maçãs, independente de estarem em início de plantação ou em fase de colheita, formação de mudas e manutenções necessárias aos pomares; 3. aquisição de produtos com alíquota zero: a Fiscalização intimou a empresa para que apresentasse relatórios diversos com as classificações fiscais. Com base nesses relatórios, mandou a empresa retificar DACONs e apresentar novos relatórios (memória de cálculo). Considerando que as aquisições dos produtos são utilizados na produção e necessários, a empresa entende que tem direito aos créditos; 4. bens diversos (partes, peças, bens destinados ao imobilizados, despesas diversas – no entendimento da Fiscalização): a Fiscalização entendeu que os gastos com manutenção, peças e serviços utilizados nas máquinas e equipamentos utilizados na produção não geram direito ao crédito. A Fiscalização não reconheceu créditos nas aquisições de manutenção de máquinas, equipamentos, materiais de limpeza e higienização, manutenção de laboratório, ordenhadeira, medicamentos, cantoneiras usadas nas embalagens nas caixas de papelão, peças e serviços de manutenção de máquinas, tratores, pulverizadores e retroescavadeiras. Tais glosas de créditos advindos dessas aquisições não se aplicam à empresa, considerando suas atividades. Todos os gastos são necessários à produção de maçãs, queijos e demais derivados do leite, inclusive venda de animais. Materiais de higienização são aplicados diretamente no produto, nas ordenhas, de onde sai o leite para produzir queijos e seus derivados. Assim, todas as despesas que a empresa gasta no rebanho são necessárias diretamente para a produção do bem que é faturado, não fazendo sentido tais glosas, visto a atividade típica da empresa (todos os gastos fazem parte do processo produtivo); 5. materiais de transporte: a Fiscalização não reconheceu o direito ao crédito nas aquisições de material de embalagem, Fl. 242DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/04/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 01/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 11020.003570/200986 Acórdão n.º 330201.520 S3C3T2 Fl. 243 9 entendendo que seria embalagem para transporte. Utilizando o conceito de embalagens de apresentação (IPI), glosou as aquisições de cantoneiras utilizadas para evitar o amassamento das caixas de papelão pelas amarras durante o transporte, os pallets e seus acessórios, pregos e etiquetas utilizados para o empilhamento de caixas para armazenamento e transporte, as fitas e amarras utilizadas para amarrar as caixas de papelão sobre os pallets. Está errado este entendimento, já que os gastos com os materiais de embalagem são necessários e fazem parte da venda do produto. As embalagens não são de apresentação, mas sim necessárias ao acondicionamento do produto. Portanto, são embalagens e gastos necessários para que o produto chegue em ótimas condições no local de venda. A empresa entende que possui direito aos créditos dessas aquisições; 6. crédito sobre bens do imobilizado: a Fiscalização desconsiderou todos os créditos referentes a aquisições de imobilizados, entendendo que ou não havia a geração de créditos ou porque não estavam de acordo com DACONs. As aquisições existem e estão na empresa, tendo sido contabilizadas (ainda que de forma extemporânea). A empresa entende que as glosas de todos os créditos relativos a aquisições de imobilizado estão erradas, eis que tem ela direito, estando as aquisições documentadas. Se houvesse problema, poderia ser solicitada a retificação da declaração, mas não simplesmente o não reconhecimento. Não foi possível verificar e saber quais os valores que compõem a glosa, entre valores solicitados e valores reconhecidos. Não existe uma conciliação entre os dois valores, prejudicando a defesa, que rebateu somente os pontos do relatório da Fiscalização. • não pode a Fiscalização aplicar conceitos do IPI (definição de insumos) para apurar créditos de PIS ou COFINS não cumulativos. A distinção entre os tributos impossibilita a utilização do conceito de insumos no caso do IPI, quando se refere a material de embalagem, produtos intermediários e matéria prima; • o entendimento da Fiscalização vai contra decisões administrativas, com desprezo a julgados e decisões em outros casos semelhantes. Não houve o reconhecimento do direito aos créditos pelo simples fato de que as soluções de consulta não foram expressamente em nome da empresa. Existem soluções de consulta que têm o mesmo entendimento da empresa, e que fortalecem suas teses; • se houve a apuração de créditos extemporâneos pela empresa, a Fiscalização poderia, se tivesse interesse em aplicar a justiça tributária, orientar o contribuinte no sentido de retificar os DACONs e não simplesmente não reconhecer os créditos; • conclui que o relatório de verificação fiscal está eivado de ilegalidades e inconstitucionalidades, devendo ser revisto e reformado, com a realização de perícia acompanhada por assistente da empresa, considerando que os conceitos e a Fl. 243DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/04/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 01/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 11020.003570/200986 Acórdão n.º 330201.520 S3C3T2 Fl. 244 10 aplicação de entendimentos foram por convencimento pessoal, indo contra entendimentos da própria RFB e do Conselho de Contribuintes; • ao finalizar, requer: a) seja julgada procedente a sua manifestação de inconformidade, sendo revisto e reformado o Despacho Decisório, reconhecendose o direito da empresa ao creditamento da contribuição nos valores solicitados (diferença não reconhecida). Deve, também, ser julgada extinta a carta cobrança enviada, depositandose em moeda corrente o saldo restante; b) seja reconhecido o direito da empresa relativamente aos créditos referentes às despesas utilizadas na produção; c) seja determinada a revisão da fiscalização quanto à apuração dos créditos e imobilizados, considerando que as aquisições dos bens existem. Também deve ser oportunizada a retificação de DACONs e outras declarações necessárias à demonstração dos créditos; d) a produção de prova pericial com a finalidade de desconstituir o relatório de verificação fiscal e o Despacho Decisório que o acolheu, considerando as divergências, ilegalidades e inconstitucionalidades aplicadas. Deve ser feita nova revisão por peritos, sendo indicada Contadora para ser assistente da empresa, devendo ela ser citada no endereço da empresa." No recurso, em relação às empilhadeiras, a Interessada alegou que elas trabalhariam “diretamente e com aplicação no produto, ou seja, na movimentação das maçãs, desde que chegam à produção até o destino final que é a expedição.” Quanto aos combustíveis e lubrificantes, alegou que se destinariam ao uso em tratores. Acrescentou que “a produção de maçãs começa desde o plantio das mudas, a manutenção da plantação até gerarem os frutos, ou seja, as maçãs, que após colhidas, são transportadas para o packing, e sujeitadas ao processo industrial, são vendidas”. Finalizou afirmando que os gastos seriam “necessários a produção dos bens, ou seja, na produção das maçãs, independente de estarem em início de plantação ou já em fase de colheita, formação de mudas, e nas manutenções necessárias aos pomares.” Em relação aos produtos de alíquota zero, alegou que seriam utilizados na produção, o que bastaria para ter direito ao crédito. No tocante aos bens diversos, fez as seguintes considerações: Todos os gastos são necessários a produção do produto. A Recorrente produz e vende, maçãs, queijos, e demais derivados do leite, inclusive a venda de animais. Materiais de higienização são aplicados diretamente no produto, nas ordenhas, onde sai o leite para produzir queijos e seus derivados, da mesma forma que a compra de ordenhadeiras, medicamentos, remédios e despesas com laboratório, considerando que as vacas são as Fl. 244DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/04/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 01/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 11020.003570/200986 Acórdão n.º 330201.520 S3C3T2 Fl. 245 11 produtoras do leite e seus derivados que é o queijo, desta forma, todas as despesas que a empresa gasta no rebanho, é necessária e utilizada diretamente para a produção do bem, que é faturado. Desta forma, as glosas mantidas na decisão recorrida não fazem sentido, pela atividade atípica da empresa, onde em um primeiro momento parecem desnecessárias, mas na realidade fazem parte do processo produtivo. Em relação aos materiais de transporte, alegou que se trataria de material de embalagem, que faria parte da venda do produto e seria necessário ao acondicionamento do produto. Segundo a Interessada, não se trataria “de embalagem para fins de apresentação, e sim de embalagem e gastos necessários para que o produto chegue em ótimas condições no local de venda.” Quanto aos créditos sobre bens do imobilizado, alegou que, “Apesar do imenso relatório com seus anexos, não foi possível verificar e saber quais os valores que compõem a glosa, entre os valores solicitados e os valores reconhecidos. Não existe uma conciliação entre os dois valores, prejudicando a defesa, que rebateu somente os pontos do relatório de fiscalização.” Acrescentou que “o auditor não poderia glosar todos os créditos, poderia sim se tivesse preocupado em aplicar a verdadeira justiça tributária, pedir a retificação, maiores informações, demonstração do direito, e não simplesmente pedir relatórios para poder montar sua memória de cálculo, que desde já vai impugnada em todos os itens que foram utilizados” Apresentou considerações sobre seu direito e citou decisões em processos de consulta que trataram de serviços de manutenção de máquinas e de partes e peças. Além disso, citou o Acórdão no 320100.226 do Carf, que concluiu que “o termo ‘insumo’ utilizado para o cálculo do PIS e da COFINS não cumulativos deve necessariamente compreender os custos e despesas operacionais da pessoa jurídica, na forma definida nos artigos 290 e 299 do RIR/99, e não se limitar apenas ao conceito trazido pelas Instruções Normativas n°. 247/02 e 404/04”. Ainda citou a Solução de Divergência no 35, de 2008, que teve a seguinte ementa: Ementa: Cofins nãocumulativa. Créditos. Insumos. As despesas efetuadas com a aquisição de partes e peças de reposição que sofram desgaste ou dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas utilizadas em máquinas e equipamentos que efetivamente respondam diretamente por todo o processo de fabricação dos bens ou produtos destinados à venda, pagas à pessoa jurídica domiciliada no País, a partir de 1° de fevereiro de 2004, geram direito à apuração de créditos a serem descontados da Cofins, desde que às partes e peças de reposição não estejam obrigadas a serem incluídas no ativo imobilizado, nos termos da legislação vigente. Citou a decisão da 2ª Turma da 4ª Câmara da 3ª Seção do Carf no RV no 146.778, segundo a qual “o termo ‘insumo’ dentro da legislação do PIS e da COFINS compreende todos os custos de produção e despesas operacionais incorridos pelo contribuinte na fabricação de seus produtos”. Por fim, citou entendimento do Tribunal Regional Federal da 3ª Região e do Superior Tribunal de Justiça. É o relatório. Fl. 245DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/04/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 01/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 11020.003570/200986 Acórdão n.º 330201.520 S3C3T2 Fl. 246 12 Voto Vencido Conselheiro José Antonio Francisco, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. Há que se observar, inicialmente, que não discutem mais nos autos as questões da divergência de valores e a incidência de Selic, questões não abordadas pela Interessada no recurso. A seguir, tratarseá da questão mais geral, que se refere à definição de insumos para efeitos das contribuições não cumulativas. As leis que tratam de PIS e Cofins não cumulativos trazem diversas exclusões específicas e, genericamente, no art. 3º, II, tratam dos insumos: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Referido dispositivo referese a bens e serviços utilizados como insumos na prestação de serviços ou na produção ou fabricação de produtos destinados a vendas. Dentro desse conceito é que se tentam enquadrar os mais variados custos e despesas incorridos pela empresa produtora para o fim de creditamento das contribuições não cumulativas. Entretanto, é preciso ter em conta que, de um lado, tal conceito não se confunde com o de insumo de IPI, restrito a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem. De outro, não é qualquer bem ou serviço adquirido que gera direito de crédito. A condição, expressamente ditada pelo texto legal, é de que o bem ou serviço seja insumo, mas não qualquer insumo, uma vez que o dispositivo especifica claramente que deva ser utilizado na prestação de serviços ou na produção e fabricação de produtos. Portanto, embora insumo seja genericamente qualquer elemento necessário para produzir mercadorias ou serviços, a lei exige que, para gerar crédito, ele seja utilizado na produção ou fabricação. Fl. 246DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/04/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 01/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 11020.003570/200986 Acórdão n.º 330201.520 S3C3T2 Fl. 247 13 Tal disposição, singela e bastante clara, restringe drasticamente as pretensões de interpretar a disposição legal citada como referente a todo e qualquer insumo de produção. A primeira conclusão é elementar: custos e despesas posteriores à produção ou à prestação de serviços não geram direito de crédito com base no dispositivo. Assim, somente os casos previstos em outros incisos específicos do citado dispositivo geram crédito, quando não enquadrados no conceito de insumo utilizado na produção. Em segundo lugar, os insumos precisam ser utilizados na produção, vale dizer, devem fazer parte do processo produtivo. Nesse contexto é que devem ser examinados os itens seguintes tratados no presente recurso. Em relação às empilhadeiras, conforme já esclarecido no relatório, a Interessada alegou que elas trabalhariam “diretamente e com aplicação no produto, ou seja, na movimentação das maçãs, desde que chegam à produção até o destino final que é a expedição.” Vale lembrar que, no julgamento do recurso no 159.548, de que foi relator o Conselheiro Walber José da Silva, a Turma decidiu o seguinte: COMBUSTÍVEL E LUBRIFICANTES USADOS NA PRODUÇÃO. DIREITO AO CRÉDITO. As despesas com a aquisição de combustíveis, inclusive o GLP, e os lubrificantes usados no processo produtivo da adquirente dão direito ao crédito do PIS/Cofins nãocumulativos. Em seu voto, o relator esclareceu o seguinte: No caso concreto, não vejo como negar o crédito sobre o gás (GLP) usado em empilhadeira e o lubrificante para máquinas porque estes equipamentos (máquinas e empilhadeira) são usados no processo de produção de artefatos de madeira. Poderseia questionar que a empilhadeira não é equipamento usado na fabricação de artefatos de madeira. No entanto, pelo que disse a recorrente, no que concordo, este equipamento é usado para a movimentação de matériaprima dentro da empresa, indispensável e integrante do processo produtivo. O fato de também ser usada para movimentar produtos acabados, ao meu ver, não excluir o direito ao crédito. Quanto ao lubrificante, não houve glosa neste período. Se houvesse, teria a recorrente direito ao crédito porque o mesmo é usado na manutenção de máquinas deve ter o mesmo tratamento das peças de reposição que, inquestionavelmente, geram direito a crédito. É caso semelhante ao dos presentes autos, em que as empilhadeiras são utilizadas nas etapas de manipulação do produto dentro da linha de produção, constituindose, assim, insumo de produção. Em relação aos combustíveis e lubrificantes utilizados em tratores, relacionados ao plantio das mudas e à manutenção da plantação até gerarem os frutos, tal Fl. 247DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/04/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 01/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 11020.003570/200986 Acórdão n.º 330201.520 S3C3T2 Fl. 248 14 questão já foi discutida no âmbito do Carf e normalmente referida como custos ou despesas aplicados aos insumos. É que a lei define o insumo como o custo ou despesa de produção e, portanto, como custo do produto, mas, no caso, estarseia tratando de custo ou despesa aplicados indiretamente ao produto ou de um custo ou despesa de préprodução. Entretanto, há que se considerar que o custo ou despesa do insumo, quando incorrido pela empresa produtora ou fabricante, representam diretamente custo ou despesa do produto, pois tal custo ou despesa incorporase ao insumo utilizado na produção. Dessa forma, tais custos ou despesas satisfazem os dois requisitos para serem considerados insumos: são necessários e essenciais à produção e se incorporam diretamente ao custo do produto. Em relação aos produtos de alíquota zero, conforme destacado pela Primeira Instância, a Lei no 10.865, de 2004, expressamente vedou o creditamento, o que basta para concluir que sua inclusão foi irregular. No tocante aos bens diversos, representados por manutenção de máquinas, materiais de limpeza e higienização, manutenção de laboratório, ordenhadeira, medicamentos, cantoneiras usadas nas embalagens nas caixas de papelão, peças e serviços de manutenção de máquinas, tratores, pulverizadores e retroescavadeiras, a Interessada alegou que, sendo seu produto o leite e seus derivados, tratarseia de insumos. Foram descritos como equipamentos (rolamento, engraxadeira, disco de esmeril, eletrodo, anel, reparo, óleo, GLP granel, correia, cabo de bateria, chicote, caixa de fusíveis, interruptor, mangueira, reservatório de água, filtro, serviço de manutenção, fluido de freio, detergente, palhetas, sapata de freio, alavanca de freio, retentor de óleo, oxigênio, mão de obra, vela de ignição, lona, fretes e carretos, acetileno a gás, palitos, panos de cor, abraçadeira, porca, correia, chave, fusível, sabonete bactericida, formol, hipoclorito de sódio, soda cáustica, vinho, filtro de motor diesel, filtro de cárter, lâminas, azul de metileno, sensor, rotor, farol auxiliar, lâmpada, protetor de cárter, cabo de velocímetro, vareta de óleo, parafuso, solda, serviço de suporte, adesivo, tubo, frange, assento, silicone, corda, serra, câmara de ar, pneu, terminal de bateria, touca descartável, etiqueta adesiva, haste, disco de embreagem, pallet, cantoneiras, variador, bucha, eixo, amortecedor, garfo, maravalha (aparas de madeira), serragem, conexão, mola, grampo, prego, sucata de aço, emblema de veículo, soquete, relógio de combustível, amortecedor, pino, papel toalha etc. e utilizados para reposição de estoque, conservação de veículos, custos operacionais, conservação de empilhadeiras, material para oficina, conservação de máquinas, material para laboratório, conservação de equipamentos, conservação de tratores, conservação de instalações, conservação de bens, combustíveis para empilhadeiras e silagem. Tais despesas e custos referemse a manutenção, reposição de peças para manutenção, mão de obra e serviços relacionados à manutenção de máquinas, equipamentos, bens, instalações, tratores e empilhadeiras. Portanto, ao contrário do que ocorre com o caso anterior, não se trata de despesas e custos diretamente relacionados à produção ou que diretamente se incorporam ao custo e despesa do produto. Não se trata de insumo de produção, não se enquadrando no conceito descrito no início do presente voto. Fl. 248DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/04/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 01/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 11020.003570/200986 Acórdão n.º 330201.520 S3C3T2 Fl. 249 15 Quanto ao material de transporte, a Fiscalização “glosou as aquisições de cantoneiras utilizadas para evitar o amassamento das caixas de papelão pelas amarras durante o transporte, os pallets e seus acessórios, pregos e etiquetas utilizados para o empilhamento de caixas para armazenamento e transporte, as fitas e amarras utilizadas para amarrar as caixas de papelão sobre os pallets”. Tratase, portanto, de despesas de transporte que não se referem à produção e não se trata de embalagem do produto (que se integraria ao produto). Portanto, são despesas que não tem previsão para originar créditos. As questões trazidas pela Interessada relativamente aos bens do imobilizado não dizem diretamente respeito ao mérito da questão, que parece não contestar, mas, sim, sugerem que nem tudo o que foi glosado representaria aquisição para o ativo imobilizado. Mas é exatamente a impossibilidade de analisar a origem dos créditos que levou a Fiscalização a efetuar a glosa. Tendo sido essa a causa da glosa, pois, em princípio, somente gerariam “direito a crédito as máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços”, caberia à Interessada, em sua manifestação de inconformidade, demonstrar o contrário. Não se trata de caso de perícia ou diligência, pois o ônus da prova é da Interessada, à vista de não ter utilizado um critério claro na classificação contábil de tais bens. Além disso, ao contrário do alegado, a Fiscalização efetuou um demonstrativo dos bens cujos créditos foram glosados, tendo a Interessada plena ciência de cada um deles. À vista do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer o direito de crédito relativamente aos lubrificantes e combustíveis utilizados em empilhadeiras no parque de produção da interessada. (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Voto Vencedor Conselheiro Gileno Gurjão Barreto, Redator Designado O presente recurso preenche os requisitos de admissibilidade, por isso dele conheço. Vejo que a matéria apreciada é relativa ao aproveitamento de créditos de PIS nãocumulativos, mais ainda, cujo aproveitamento pretenso pela contribuinte fundamentase no Fl. 249DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/04/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 01/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 11020.003570/200986 Acórdão n.º 330201.520 S3C3T2 Fl. 250 16 conceito ampliado de insumos, porém decorrente diretamente da própria legislação de regência da contribuição, no caso a Lei no. 10.637/2002 e suas alterações. O Acórdão recorrido não se valeu da interpretação restritiva do conceito de insumos a partir da legislação do IPI, tampouco da interpretação extensiva do conceito de insumos a partir da legislação do IRPJ. Isso posto, e considerando, como dito, que tratase do conceito de insumos da própria legislação de regência, com o qual eu concordo, sintome a vontade para dele discorrer. Em 29 de agosto de 2002, editouse a Medida Provisória n. 66, que alterou a sistemática do Pis e Pasep para instituir a nãocumulatividade dessas contribuições, o que foi reproduzido pela Lei n. 10.637, de 30 de dezembro de 2002 (lei de conversão), que, em seu art. 3º, inciso II, autorizou a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda. É a seguinte a redação do referido dispositivo: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; Da mesma forma, a Medida Provisória n. 135, de 30 de outubro de 2003, convertida na Lei 10.833, de 29 de dezembro de 2003, instituiu a sistemática da não cumulatividade em relação à apuração da Cofins, destacando o aproveitamento de créditos decorrentes da aquisição de insumos em seu art. 3º, inciso II, em redação idêntica àquela já existente para o Pis/Pasep, in verbis: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas Fl. 250DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/04/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 01/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 11020.003570/200986 Acórdão n.º 330201.520 S3C3T2 Fl. 251 17 posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Posteriormente, pela edição da Emenda Constitucional n. 42/2003, de 31 de dezembro de 2003, o princípio da nãocumulatividade das contribuições sociais alcançou o plano constitucional através da inserção do § 12 ao art. 195, que assim dispôs: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) [...] b) a receita ou o faturamento; [...] § 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão nãocumulativas. Da norma constitucional em referência não se extrai a possibilidade de dedução de créditos a todo e qualquer bem ou serviço adquirido para consecução da atividade empresarial, restando expresso que a regulamentação da sistemática da nãocumulatividade aplicável ao Pis e à Cofins ficaria afeta ao legislador ordinário. A Secretaria da Receita Federal veiculou, pelas Instruções Normativas ns. 247/02 (redação alterada pela Instrução Normativa 358/2003), e 404/04, orientação necessária à sua execução, apresentando a sua interpretação da extensão dos insumos passíveis de aproveitamento de créditos, consequentemente o alcance do termo "insumo", ao dispor: Instrução Normativa SRF n. 247/2002 PIS/Pasep Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep não cumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: I – das aquisições efetuadas no mês: [...] b) de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos: (Redação dada pela IN SRF 358, de 09/09/2003) b.1) na fabricação de produtos destinados à venda; ou (Incluída pela IN SRF 358, de 09/09/2003) Fl. 251DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/04/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 01/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 11020.003570/200986 Acórdão n.º 330201.520 S3C3T2 Fl. 252 18 b.2) na prestação de serviços; (Incluída pela IN SRF 358, de 09/09/2003) [...] § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende se como insumos: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) II utilizados na prestação de serviços: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins Art. 8º Do valor apurado na forma do art. 7º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: I das aquisições efetuadas no mês: [...] b) de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos: b.1) na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; ou b.2) na prestação de serviços; [...] § 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende se como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: Fl. 252DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/04/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 01/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 11020.003570/200986 Acórdão n.º 330201.520 S3C3T2 Fl. 253 19 a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. [...] Dessa leitura apercebese que o creditamento da Contribuição ao Pis e da Cofins fora restrita aos bens que compõem diretamente os produtos da empresa (a matéria prima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado) ou prestação de serviços aplicados ou consumidos na fabricação do produto. A definição de "insumos" adotada pelos normativos da RFB excessivamente restritiva em relação aos serviços utilizados na produção e em relação aos bens também utilizados na produção, em tudo se assemelha à definição de "insumos" para efeito de creditamento do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, ditada pelo art. 226 do Decreto n. 7.212/2010. Transcrevemos essa última norma para efeito comparativo: Decreto n. 7.212/2010 RIPI/2010 Art. 226. Os estabelecimentos industriais e os que lhes são equiparados poderão creditarse (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25): I do imposto relativo a matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose, entre as matériasprimas e os produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente; [...] Entendo, no entanto, em consonância com a jurisprudência, que não há respaldo legal para que seja adotado conceito excessivamente restritivo de "utilização na produção" (terminologia legal), tomandoo por "aplicação ou consumo direto na produção" e Fl. 253DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/04/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 01/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 11020.003570/200986 Acórdão n.º 330201.520 S3C3T2 Fl. 254 20 para que seja feito uso, na sistemática do Pis/Pasep e Cofins nãocumulativos, do mesmo conceito de "insumos" adotado pela legislação própria do IPI. Na mencionada lei, há previsão para que sejam utilizados apenas subsidiariamente os conceitos de produção, matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem previstos na legislação do IPI. Da mesma forma que a antiga Lei no. 9.363/96 também previa subsidiariamente o uso da legislação do IRPJ para a concessão dos créditos presumidos. Diferentemente, nas leis que tratam do Pis/Pasep e Cofins nãocumulativos não há menção a qualquer outro dispositivo legal para que se possa conceituar os "insumos". A nãocumulatividade da contribuição ao Pis e da Cofins é diversa daquela do IPI, visto que a previsão legal possibilita a dedução dos valores de determinados bens e serviços suportados pela pessoa jurídica dos valores a serem recolhidos a título dessas contribuições, calculados pela aplicação da alíquota correspondente sobre a totalidade das receitas por ela auferidas. Como se verifica, na técnica de arrecadação dessas contribuições, não há propriamente um mecanismo nãocumulativo, decorrente do creditamento de valores das entradas de bens que sofrerão nova incidência em etapa posterior da cadeia produtiva, nos moldes do que existe para aquele imposto (IPI). Seus créditos possuem natureza financeira. A hipótese de incidência dessas contribuições adota o faturamento mensal, assim entendido como o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil o que significa que os tributos não têm sua materialidade restrita apenas aos bens produzidos, mas sim à aferição de receitas, cuja amplitude torna inviável a sua vinculação ao valor exato da tributação incidente em cada etapa anterior do ciclo produtivo. Da mesma forma, para fins de creditamento do Pis e da Cofins, admitese que a prestação de serviços seja considerada como insumo, o que já leva à conclusão de que as próprias Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 ampliaram a definição de "insumos", não se limitando apenas aos elementos físicos que compõem o produto. Nesse ponto, quanto à abrangência dada pela legislação de regência ao admitir que serviços sejam considerados como insumos de produção ou fabricação, com o qual corrobora a doutrina, a exemplo de Marco Aurélio Grego (in "Conceito de insumo à luz da legislação de PIS/COFINS", Revista Fórum de Direito Tributário RFDT, ano1, n. 1, jan/fev.2003, Belo Horizonte: Fórum, 2003, grifo nosso): Seguindo o que escrevera o doutrinador, as leis mencionadas prevêem expressamente que o serviço pode ser utilizado como insumo na produção ou fabricação e que um serviço (atividade + utilidade) pode ser insumo da produção ou da fabricação de um bem. Será efetivamente insumo esse serviço sempre que a atividade ou a utilidade forem necessárias à existência do processo ou do produto ou agregarem (ao processo ou ao produto) alguma qualidade que faça com que um dos dois adquira determinado padrão desejado. Vale dizer, quando atividade ou utilidade contribuírem para o processo ou o produto existirem ou terem certas características. Portanto, o conceito de insumo adotado pelas Leis é amplo a ponto de abranger até mesmo as utilidades disponibilizadas através de bens e serviços, desde que relevantes para o processo ou para o produto. Terem as leis de regência admitido créditos relativos a "serviços utilizados como insumos" demonstra o conceito de "utilização como Fl. 254DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/04/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 01/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 11020.003570/200986 Acórdão n.º 330201.520 S3C3T2 Fl. 255 21 insumo" no âmbito da nãocumulatividade de PIS/COFINS não tem por critério referencial o objeto físico, pois um sem número de serviços não interfere direta nem fisicamente com o produto final; limitase a assegurar que o processo exista ou se desenvolva com as qualidades pertinentes. Não se trata, portanto, de desonerar a cadeia produtiva, mas sim o processo produtivo de um determinado produtor ou a atividadefim de determinado prestador de serviço. Seguindo a linha de raciocínio de Marco Aurélio Greco, este introduz na seqüência os conceitos de essencialidade e necessidade ao processo produtivo. Uma vez que processo de construção de um produto requer um conjunto de eventos a ele relativos, o processo formativo da receita ou do faturamento requer o cômputo de todos os elementos (físicos ou funcionais) relevantes para sua obtenção, mais uma vez mais amplo que o previsto na legislação do IPI. Considerando todas essas peculiaridades da nova sistemática de não cumulatividade instituída pelas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, as referidas Instruções Normativas ns. 247/02 e 404/04 não poderiam simplesmente reproduzir o conceito de insumo para fins de IPI restringindo, por conseguinte, os bens/produtos cujos valores poderiam ser creditados para fins de dedução das contribuições para o Pis e Cofins nãocumulativos, sob pena de distorcer o alcance que as referidas leis conferiram a esse termo, obstaculizando a operacionalização da sistemática nãocumulativa para essas contribuições. Explico: As Leis ns. 10.637/2002 e 10.833/2003 majoraram as alíquotas das contribuições do Pis e da Cofins de 0,65% para 1,655 e de 3% para 7,6%, respectivamente. E, em contrapartida, criaram um sistema legal de abatimento de créditos apropriados em razão das despesas e aquisições de bens e serviços relacionados no art. 3º de ambas as leis. Da própria exposição de Motivos da Medida Provisória n. 66, de 29 de agosto de 2002, constou explicitamente que "constitui premissa básica do modelo a manutenção da carga tributária correspondente ao que hoje se arrecada em virtude da cobrança do PIS/PASEP". Assim, a restrição pretendida pelas Instruções Normativas para o conceito de insumos aos elementos consumidos no processo operacional, além de ir de encontro à própria essência do princípio da nãocumulatividade, acaba por gerar a ampliação da carga tributária das contribuições em comento. Dessa forma, é inexorável a conclusão de que os referidos atos normativos fazendários, ao validarem o creditamento apenas quando houver efetiva incorporação do insumo ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, adotando o conceito de insumos com acepção restrita, em analogia à conceituação adotada pela legislação do IPI, acabaram por extrapolar os termos do ordenamento jurídico hierarquicamente superior, in casu, as Leis ns. 10.637/2002 e 10.833/2003, pois vão de encontro à finalidade da sistemática de nãocumulatividade da Contribuição para o Pis e da Cofins. Reconhecida a ilegalidade das Instruções Normativas 247/02 e 404/04, por adotarem definição de insumos semelhante à da legislação do IPI, impede definir agora qual seria a exegese para o termo mais condizente com a sistemática da nãocumulatividade das contribuições em apreço. Fl. 255DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/04/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 01/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 11020.003570/200986 Acórdão n.º 330201.520 S3C3T2 Fl. 256 22 Da mesma forma, entendo incabível a utilização da legislação do IRPJ como arcabouço intepretativo. Primeiramente, porque se assim o quisesse o legislador, teria sido mais simples aumentar diretamente a alíquota do IRPJ ou da própria CSLL (considerando a sua desvinculação constitucional) e permitir aos contribuintes a dedução das despesas operacionais. Por essa linha de raciocínio, em contraponto, o conceito de insumo poderia se ajustar a todo consumo de bens ou serviços que se caracterizasse como custo segundo a teoria contábil, visto que necessários ao processo fabril ou de prestação de serviços como um todo. Seria dizer que "bens e serviços utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços", na acepção da lei, referirseia a todos os dispêndios em bens e serviços relacionados ao processo fabril ou de prestação de serviços, ou seja, insumos seriam aqueles bens e serviços contabilizados como custo de produção, nos termos do art. 290, do Regulamento do Imposto de Renda. Houve precedente nesse sentido nesse mesmo CARF, no Recurso n. 369.519, Processo n. 11020.001952/200622, 2ª Câmara, Sessão de 08.12.2010. Valhome dessa julgado, mas para concluir de forma distinta, que o termo "insumo" utilizado para o cálculo do PIS e COFINS não cumulativos não devem necessariamente estar contidos nos custos e despesas operacionais, isso porque a própria legislação previu que algumas despesas não operacionais fossem passíveis de creditamento – exemplo – Despesas Financeiras, energia elétrica utilizada nos estabelecimentos da empresa (o que abrange a administração). Porém, por princípio, todos os custos (não todas as despesas) da pessoa jurídica, na forma definida nos artigos 290 e 299 do RIR/99, poderiam ser passíveis de crédito. No caso dos autos foram mantidos pretendidos créditos relativos a valores de despesas que a recorrida classificar como insumos alegando sua essencialidade para fabricação dos produtos destinados à venda. Vejo que sem a utilização da água, impossível seria o congelamento do seu produto final, consequentemente não poderiam esses produtos chegar em condições adequadas e preços competitivos aos consumidores finais. Da mesma forma, que a indumentária utilizada é obrigatória face à legislação sanitária e mais, para que o produto tenha os níveis de segurança e confiabilidade necessários. São insumos essenciais ao processo produtivo. Isso dito, permaneço não compartilhando do entendimento pela possibilidade de utilização isolada da legislação do IR para alcançar a definição de "insumos" pretendida. Reconheço, no entanto, que o raciocínio é auxiliar, é instrumento que pode ser utilizado para dirimir controvérsias mais estritas. Isso porque a utilização da legislação do IRPJ alargaria sobremaneira o conceito de "insumos" ao equiparálo ao conceito contábil de "custos e despesas operacionais" que abarca todos os custos e despesas que contribuem para a atividade de uma empresa (não apenas a sua produção), o que distorceria a intepretação da legislação ao ponto de tornála inócua e de resultar em indesejável esvaziamento da função social dos tributos, passando a desonerar não o produto, mas sim o produtor, subjetivamente. Fl. 256DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/04/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 01/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 11020.003570/200986 Acórdão n.º 330201.520 S3C3T2 Fl. 257 23 As Despesas Operacionais são aquelas necessárias não apenas para produzir os bens, mas também para vender os produtos, administrar a empresa e financiar as operações. Enfim, são todas as despesas que contribuem para a manutenção da atividade operacional da empresa. Não que elas não possam ser passíveis de creditamento, mas tem que atender ao critério da essencialidade. Como havia dito no primeiro parágrafo, a exclusão do "Custo das mercadorias ou serviços" e das "Despesas Operacionais" da base de cálculo das contribuições ao Pis/Pasep e Cofins, caso considerados insumos, resultaria em que seria tributado apenas o Lucro Operacional da empresa + as Receitas não Operacionais (receitas não relacionadas diretamente com o objetivo social da empresa), como dito, o que resultaria na subversão da norma jurídica ao aproximála por interpretação às bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Estabelece o Código Tributário Nacional que a segunda forma de integração da lei prevista no art. 108, II, do CTN são os Princípios Gerais de Direito Tributário. Na exposição de motivos da Medida Provisória n. 66/2002, in verbis, afirmase que “O modelo ora proposto traduz demanda pela modernização do sistema tributário brasileiro sem, entretanto, pôr em risco o equilíbrio das contas públicas, na estrita observância da Lei de Responsabilidade Fiscal. Com efeito, constitui premissa básica do modelo a manutenção da carga tributária correspondente ao que hoje se arrecada em virtude da cobrança do PIS/Pasep.” Assim sendo, o conceito de "insumos", portanto, muito embora não possa ser o mesmo utilizado pela legislação do IPI, pelas razões já exploradas, também não pode atingir o alargamento proposto pela utilização de conceitos diversos contidos na legislação do IR. Analisandose novamente o caso concreto, a lei menciona que se inserem no conceito de “insumos” para efeitos de creditamento (art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002): a) serviços utilizados na prestação de serviços; b) serviços utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; c) bens utilizados na prestação de serviços; d) bens utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; e) combustíveis e lubrificantes utilizados na prestação de serviços; f) combustíveis e lubrificantes utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Facilmente depreensível que serviços não são insumos para efeito de IPI e que os combustíveis e lubrificantes, muito embora também não sejam compreendidos como insumos para efeito de creditamento de IPI em não sendo consumidos em contato direto com o produto e não se enquadrarem nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário, constam da listagem legal a definir o conceito de insumos (ver art. 82, I, do Decreto n. 87.981/82 RIPI/82; art. 147, I, do Decreto n. 2.637/98 RIPI/98; art. 164, I, do Decreto n. 4.544/2002 RIPI/2002 e art. 226, I, do Decreto n. 7.212/2010 RIPI/2010; AgRg no REsp 919628 / PR, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 10.8.2010; REsp. n. Fl. 257DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/04/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 01/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 11020.003570/200986 Acórdão n.º 330201.520 S3C3T2 Fl. 258 24 1.049.305 – PR, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 22.3.2011 e Súmula n. 12, do 2º Conselho de Contribuintes). Outro ponto importante é que os combustíveis e lubrificantes foram mencionados como exemplos de insumos ("inclusive combustíveis e lubrificantes") e a sua ausência impede mesmo o próprio processo produtivo ou a prestação do serviço. Tratamse de bens essenciais ao processo produtivo, muito embora nem sempre sejam nele diretamente empregados. Sendo assim, podese afirmar que a definição de “insumos” para efeito do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002 PIS e mesmo artigo da Lei n. 10.833/2003 COFINS exige que: i) O bem ou serviço tenha sido adquirido para ser utilizado na prestação do serviço ou na produção, ou para viabilizálos (pertinência ao processo produtivo); ii) A produção ou prestação do serviço dependa daquela aquisição (essencialidade ao processo produtivo); e iii) Não se faz necessário o consumo do bem ou a prestação do serviço em contato direto com o produto (possibilidade de emprego indireto no processo produtivo). Se a prestação do serviço ou produção depende da própria aquisição do bem ou serviço e do seu emprego, direta ou indiretamente, na prestação do serviço ou na produção, estaremos diante da essencialidade desse bem ou serviço, necessária à sua classificação como insumo. Não apenas em relação exclusiva ao produto e sua composição, mas essencialidade em relação ao próprio processo produtivo. Os combustíveis utilizados na maquinaria não são essenciais à composição do produto, mas são essenciais ao processo produtivo, pois sem eles as máquinas param. Do mesmo modo, a manutenção da maquinaria pertencente à linha de produção. Outrossim, não basta que o bem ou serviço tenha alguma utilidade no processo produtivo ou na prestação de serviço: é preciso que ele seja essencial e que haja prova disso. Como corolário, possível verificarse se a sua subtração resulte na impossibilidade dessa prestação do serviço ou da produção, isto é, prejudique a atividade da empresa, ou resulte em perda de qualidade do produto ou serviço daí resultante, nos dizeres de Marco Aurélio Greco. Esse interpretação, senhores conselheiros, com a devida vênia, é a que adequase à intenção do legislador, à norma em vigor, ao direito do contribuinte e à manutenção dos níveis de arrecadação pela União. É a intepretação que coadunase com as modernas técnicas de produção, neutra do ponto de vista filosófico, por não resultar em incentivos negativos aos investimentos em modernização e em inovação de processos e produtos. Concluindo, no caso concreto, passo então a analisar individualmente os créditos glosados, inclusive partindo do pressuposto que, no caso concreto, o preço praticado na venda dos seus produtos, correlacionase diretamente com a sua apresentação ao consumidor, e que essas suas receitas, maiores, maximizadas, são também tributadas. Isso posto, as embalagens de transporte, ou aqueles itens necessários ao correto acondicionamento e consequentemente preservação da qualidade e da integridade dos produtos, são integralmente creditáveis. Fl. 258DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/04/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 01/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 11020.003570/200986 Acórdão n.º 330201.520 S3C3T2 Fl. 259 25 Quanto ao combustível, passível de creditamento, mas creio que o contribuinte não segregou adequadamente em suas contas contábeis as despesas, de forma que permitisse a concessão dos créditos. Quanto aos produtos de alíquota zero, temos vedação de ordem legal, que se aplica ao caso concreto. Quanto às aquisições de pessoas físicas, são passíveis de créditos de acordo com o art. 8o da Lei no. 10.833, porém, não são passíveis de ressarcimento, mas apenas de compensação com os débitos dos períodos de apuração presente ou futuros. Quanto às despesas de manutenção, são plenamente passíveis de creditamento, porém, no caso concreto, o contribuinte não segregou adequadamente tais despesas, que permitissem a adequada verificação para que se separassem as despesas de manutenção com pomares, máquinas e equipamentos da produção, seja pré ou pós, daquelas, por exemplo, de outras áreas não voltadas à produção. Quanto as despesas de combustíveis e mesmo as de manutenção com as empilhadeiras, são plenamente passíveis de creditamento, pois as empilhadeiras são necessárias à organização e ao funcionamento eficaz e eficiente do processo produtivo. Finalmente, quanto aos produtos adquiridos e utilizados para a formação dos pomares, etc., esses são efetivamente passíveis de crédito, porém, não naquele momento, pelo seu lançamento nas contas contábeis de despesas no resultado do exercício, mas por meio da depreciação do pomar (Nesse caso, não se trata de exaustão, designação já inexistente nos Pronunciamentos Contábeis tanto relativos ao ativo imobilizado quanto relativos aos ativos biológicos, tratase efetivamente de depreciação). Cabe ao contribuinte, se quiser fazêlo, refazer sua escrita, até mesmo observando o PN no. 79/76, que o permitiria depreciar a posteriori o seu ativo fixo produtivo, desde que sua parcela não excedesse aquela considerada normal para a vida útil remanescente do bem. É como voto. (Assinado digitalmente) Gileno Gurjão Barreto Declaração de Voto Conselheira Fabiola Cassiano Keramidas Pedi vista destes autos para melhor me inteirar sob os aspectos fáticos discutidos. Fl. 259DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/04/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 01/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 11020.003570/200986 Acórdão n.º 330201.520 S3C3T2 Fl. 260 26 Conforme se verifica dos termos bem relatados pelo ilustre Conselheiro José Antonio Francisco, tratase de pedido de ressarcimento de crédito de Cofins não cumulativo, com base nos dispositivos legais pertinentes. De acordo com os documentos societários acostados aos autos temse que a Recorrente é empresa agro pastoril que têm, por objeto social, a saber: “a) A produção agrícola e pastoril, a fruticultura e apicultura; b) A criação de rebanhos de diversas espécies; c) A indústria, o comercio, a importação e a exportação de produtos alimentícios, de produtos da agricultura, da fruticultura, e da pecuária, inclusive derivados do leite; d) A elaboração e execução de projetos e atividades de fruticultura, florestamento e reflorestamento; e) A produção e comercialização de produtos agrícolas, sementes e mudas; f) prestação de serviços inerentes a essas atividades.” Em virtude de sua operação, a Recorrente requer créditos sobre itens que entende estarem vinculados ao seu sistema produtivo. A questão posta referese a qual, dos itens solicitados pela Recorrente, pode ser considerado como insumo para o sistema não cumulativo de PIS/Cofins. A problemática inferese no fato de a legislação referirse a insumos de forma genérica, o que permite aos operadores do direito realizar a própria interpretação do conceito e alcance do termo “insumo”. E é exatamente o que se discute nos presentes autos, o conceito de insumo para a Recorrente. Determina a lei: “Lei nº 10.833/03 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) b) no § 1o do art. 2o desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.727, efeitos a partir de nov/2008) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou Fl. 260DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/04/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 01/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 11020.003570/200986 Acórdão n.º 330201.520 S3C3T2 Fl. 261 27 importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) § 1o Observado o disposto no § 15 deste artigo e no § 1o do art. 52 desta Lei, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) §1o Observado o disposto no §15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor: (Redação dada pela Lei nº 11.727, efeitos a partir de nov/2008) I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; II dos itens mencionados nos incisos III a V e IX do caput, incorridos no mês; Fl. 261DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/04/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 01/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 11020.003570/200986 Acórdão n.º 330201.520 S3C3T2 Fl. 262 28 III dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do caput, incorridos no mês; IV dos bens mencionados no inciso VIII do caput, devolvidos no mês. § 2o Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I de mãodeobra paga a pessoa física; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) § 3o O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. § 4o O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sê lo nos meses subseqüentes. (...)” – destaquei. A discussão acerca da conceituação do termo “insumos” têm tomado tempo e espaço da doutrina e da jurisprudência administrativa. Naturalmente, os intérpretes buscam definições já conhecidas. A Receita Federal defende, para o PIS e Cofins, o emprego do conceito de insumos utilizado pela legislação de IPI e ICMS. Já alguns julgadores deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF emprestam o conceito de custo e despesa aplicado no imposto de renda (RIR artigos 290/299). Particularmente, entendo que o sistema não cumulativo de PIS e COFINS não se identifica com o IPI, ICMS ou IRPJ. O tributo é diverso, a sistemática é diversa, e não há necessidade de se aplicar um conceito préexistente simplesmente porque ele já existe. A meu sentir, é preciso que o intérprete do direito utilize as normas de hermenêutica, juntamente com as demais regras do ordenamento jurídico, e forme um conceito próprio de insumo que seja aplicável a esta nova sistemática. Em vista desta disparidade de entendimentos, pareceme prudente realizar uma prévia análise acerca das diferenças entre as formas de apuração. Fl. 262DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/04/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 01/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 11020.003570/200986 Acórdão n.º 330201.520 S3C3T2 Fl. 263 29 No que se refere à equiparação dos sistemas não cumulativos do IPI/ICMS e PIS/Cofins, tenho defendido a total diferença entre os regimes1, as quais causam reflexos indiscutíveis e indissociáveis à apuração dos créditos tributários. É cediço que até a criação do sistema não cumulativo para o PIS e Cofins, a não cumulatividade alcançava, apenas, o imposto estadual sobre circulação de mercadorias – ICMS – e o imposto federal incidente sobre o produto industrializado – IPI. Em vista deste fato, conforme já esclarecido, é natural que os intérpretes do direito (neste caso entendidos como as autoridades administrativas fiscalizadoras por aplicarem as normas e as autoridades administrativas de julgamento por julgar a forma como as normas foram aplicadas) busquem as definições préestabelecidas e já conhecidas dos regimes cumulativos do ICMS e IPI para conceituar o novo sistema. Foi exatamente o que ocorreu no caso em apreço, por entender que os insumos não tiveram contato direto com o produto, os agentes administrativos glosaram os créditos ora objeto do presente recurso voluntário. Todavia, este procedimento quase que automático, ao invés de solucionar a questão, acabou por confundir e inviabilizar a correta aplicação da norma tributária. A não cumulatividade para fins de PIS e COFINS instituiuse, inicialmente no âmbito legislativo, tendo sido expedidas as medidas provisórias MP 66/02 e 135/03, posteriormente convertidas nas Leis Ordinárias nº 10.637/02 – PIS – e nº10.833/03 – Cofins. O supedâneo constitucional surgiu com a alteração do artigo 195 da carta magna, ao qual foi incluído o parágrafo 12, conforme redação trazida pela Emenda Constitucional nº 42 (EC nº 42 de 19.12.03), in verbis: "Art. 195. ......................................................................................................... § 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão nãocumulativas. (...)” Além da diversidade de fundamentação legal e constitucional, o principal fato diferenciador dos regimes deve ser observado em relação à regra matriz do tributo, especificamente em relação ao seu aspecto material. É exatamente este o critério que entendo que deve ser observado para nortear a interpretação da regra do crédito na sistemática em apreço. As contribuições ao PIS/Cofins, desde o início de sua “existência”, pretenderam a tributação da receita2 das pessoas jurídicas, sem qualquer vinculação a um bem 1 ARTIGO PUBLICADO in “Planejamento Fiscal – Aspectos Teóricos e Práticos”, Volume II, Quartier Latin, artigo entitulado “O Conceito de Insumos e a NãoCumulatividade do PIS e COFINS”, fls. 197/208 2 "Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência não cumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2o A base de cálculo da contribuição é o valor do faturamento, conforme definido no caput. Fl. 263DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/04/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 01/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 11020.003570/200986 Acórdão n.º 330201.520 S3C3T2 Fl. 264 30 ou produto, incidindo, portanto, sobre uma grandeza econômica formada por uma série de fatores contábeis, os quais constituem a receita de uma empresa. Já o IPI/ICMS, prevêem a tributação do valor de determinado produto. Tal diferença torna evidente a distinção dos regimes não cumulativos. Explico. Adoto a premissa de que o conceito de cumulatividade significa tributar mais de uma vez a mesma grandeza econômica. Nestes termos, para se alcançar o efeito não cumulativo é necessário, exatamente, evitar esta reiterada incidência tributária sobre a mesma riqueza. No caso da não cumulatividade aplicável ao IPI/ICMS este processo é facilmente constatável. Isto porque se está tratando de não cumulatividade vinculada ao preço do produto, logo, toda vez que o produto for tributado (independente da fase em que ele se encontre), estarseá diante da cumulação de carga tributária. O reflexo no aumento do preço do produto é visível, quase palpável, e o simples destaque na nota fiscal permite impedir a cumulatividade da carga tributária. Todavia, este mesmo pressuposto não se aplica à não cumulatividade trazida ao PIS/Cofins. Diferentemente da hipótese dos impostos, a cumulação que se pretende evitar no caso das contribuições, referese à receita da pessoa jurídica. É em relação a esse aspecto econômico que se deve impedir a reiterada incidência tributária. Neste sentido cito Marco Aurélio Greco3: “Embora a não cumulatividade seja uma idéia comum a IPI e a PIS/COFINS a diferença de pressuposto de fato (produto industrializado versus receita) faz com que assuma dimensão e perfil distintos. Por esta razão, pretender aplicar na interpretação de normas de PIS/COFINS critérios ou formulações construídas em relação ao IPI é: a) desconsiderar os diferentes pressupostos constitucionais; b) agredir a racionalidade da incidência de PIS/COFINS; e c) contrariar a coerência interna da exigência, pois esta se forma a partir do pressuposto ‘receita’e não ‘produto’.” O critério “receita”, ao contrário do critério “produto”, não possui, como bem esclarecido pelo doutrinador supracitado, “um ciclo econômico a ser considerado, posto ser fenômeno ligado a uma única pessoa”. Inexiste imposto de etapa anterior a ser deduzido, uma vez que não há estágio prévio na apuração da receita da pessoa jurídica, e esta particularidade inviabiliza a aplicação da mesma interpretação para ambos os regimes. § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: I isentas ou não alcançadas pela incidência da contribuição ou sujeitas à alíquota 0 (zero); II nãooperacionais, decorrentes da venda de ativo permanente; III auferidas pela pessoa jurídica revendedora, na revenda de mercadorias em relação às quais a contribuição seja exigida da empresa vendedora, na condição de substituta tributária; IV – (Revogado pela Lei nº 11.727, de 2008) V referentes a: a) vendas canceladas e aos descontos incondicionais concedidos; b) reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição que tenham sido computados como receita. VI decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.945, de 2009)." 3 MARCO AURELIO GRECCO in “NãoCumulatividade no PIS e na COFINS”, Leandro Paulsen (coord.), São Paulo: IOB Thomsom, 2004 Fl. 264DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/04/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 01/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 11020.003570/200986 Acórdão n.º 330201.520 S3C3T2 Fl. 265 31 Não há meios, portanto de confusão entre os sistemas não cumulativos de impostos e contribuições. Diferentemente do regime previsto para o IPI e ICMS que pretende a compensação de “imposto sobre imposto”, importandose com o valor despendido a título de tributo, a não cumulatividade das contribuições sociais se preocupa com o quantum consumido pelo contribuinte a título de insumos em todo processo de produção. Importa sim, para viabilizar o crédito, que o insumo tenha sido tributado, mas é irrelevante a forma desta tributação e o quanto representou esta incidência tributária. O contribuinte terá direito ao crédito se o insumo tiver sido tributado pelo regime cumulativo, pelo regime não cumulativo ou mesmo pelo Simples, até porque o montante recolhido a título de PIS e Cofins não consiste em fator decisivo à obtenção do crédito tributário4. Tanto é assim que, independentemente do critério de tributação ao qual foi submetido o insumo, o contribuinte terá direito à grandeza de 9,25% (PIS + COFINS) de todo o valor que foi despendido para a sua aquisição. Assim, claro está que não é o valor gasto a título de tributo que interessa, contrariamente aos regimes aplicados ao IPI/ICMS. Tenho para mim que o legislador infraconstitucional, ao definir os ditames para evitar a cumulação das contribuições, criou critério híbrido e único, mesclando conceitos já existentes com outros inevitavelmente formados de significação específica para as contribuições ao PIS/Cofins. Tal procedimento pretendeu alcançar os aspectos particulares das contribuições sociais, bem como neutralizar efetivamente a cumulação destes tributos, que possuem regra matriz de incidência totalmente diversa dos demais tributos não cumulativos. Conforme este raciocínio cito Eduardo de Carvalho Borges5: “No caso do PIS e da COFINS, o legislador federal optou por um sistema misto: apesar de ter concedido ao contribuinte um crédito a ser abatido das contribuições a serem pagas, tal crédito não é apurado em função do tributo recolhido em fase anterior, mas mediante a aplicação, ao valor do bem ou serviço proveniente de etapa anterior, da alíquota à qual está sujeito o contribuinte ao qual o crédito é outorgado. Vejamos o seguinte exemplo: (i) um produto X é vendido por A a B por 100 reais; (ii) estando A sujeito ao regime cumulativo, recolhe 3,65 reais a título de PIS e COFINS; (iii) estando B sujeito ao regime nãocumulativo, apura crédito de PIS e COFINS no valor de 7,60 reais; e (iv) ao revender o produto X por 200 reais, B recolhe 7,60 reais (200 reais x 7,6% 7,60 reais = 7,60 reais) a título de PIS e COFINS. Em tal caso, o critério adotado propiciou o mesmo resultado da aplicação do método “base sobre base” (200 reais – 100 reais x 7,6% = 7,60 reais).” – destaquei. Realmente, dos termos legais não se depreende a limitação invocada pelo acórdão recorrido, não sendo lícito ao agente administrativo, sem fundamentação legal, deliberar em sentido de reduzir o crédito do contribuinte. Não se aplica, portanto, o critério de IPI/ICMS, uma vez que não importa, no caso das contribuições em análise, se o insumo consumido obteve ou não algum contato com o produto final comercializado. Da mesma forma não interessa em que momento do processo de produção o insumo foi utilizado. 4 Lei nº 10.833/03, art. 3º, 5 Eduardo de Carvalho Borges in “Os Créditos de PIS e COFINS na Indústria de Papel e Celulose, O Caso das Florestas Próprias”, Tributação no Agronegócio, Quartier Latin Fl. 265DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/04/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 01/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 11020.003570/200986 Acórdão n.º 330201.520 S3C3T2 Fl. 266 32 Melhor sorte não alcança a equiparação do conceito da não cumulatividade com as noções de custo e despesa necessária para o Imposto de Renda, conforme os artigos 2906 e 2997 do RIR/99. Realmente, correta a doutrina ao perceber que o conceito de receita está mais próximo do conceito de lucro, do que da definição de valor agregado ao produto, aplicável ao ICMS e IPI. Todavia, não se trata de identidade de materialidade, receita não é lucro e este fato não pode ser ignorado. Ao analisar o disposto na legislação verificase que as despesas contabilizadas como “operacionais” são mais amplas do que o conceito de insumos em análise. O critério de classificação da despesa operacional é que ela seja necessária, usual ou normal para as atividades da empresa. Todavia, este não é o critério utilizado para o conceito de insumos. Vários itens, que são classificados como despesas necessárias (despesas realizadas com vendas, pessoal, administração, propaganda, publicidade, etc) ao meu sentir, não serão, obrigatoriamente, insumos para o PIS e Cofins não cumulativos. Da mesma forma, o custo de produção também é diferente de insumos, basta constatar que as Leis nº10.833/03 e 10.637/02 negam, expressamente, a folha de salários como insumo para o PIS COFINS. Por outro giro, a legislação específica define que a base do crédito, para o PIS e Cofins, será formada pelas despesas e custos de “bens e serviços, utilizados como insumo na 6 Custo de Produção Art. 290. O custo de produção dos bens ou serviços vendidos compreenderá, obrigatoriamente (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 13, § 1º): I o custo de aquisição de matériasprimas e quaisquer outros bens ou serviços aplicados ou consumidos na produção, observado o disposto no artigo anterior; II o custo do pessoal aplicado na produção, inclusive de supervisão direta, manutenção e guarda das instalações de produção; III os custos de locação, manutenção e reparo e os encargos de depreciação dos bens aplicados na produção; IV os encargos de amortização diretamente relacionados com a produção; V os encargos de exaustão dos recursos naturais utilizados na produção. Parágrafo único. A aquisição de bens de consumo eventual, cujo valor não exceda a cinco por cento do custo total dos produtos vendidos no período de apuração anterior, poderá ser registrada diretamente como custo (Decreto Lei nº 1.598, de 1977, art. 13, § 2º). 7 Despesas Necessárias Art. 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47). § 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 1º). § 2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 2º). § 3º O disposto neste artigo aplicase também às gratificações pagas aos empregados, seja qual for a designação que tiverem. Fl. 266DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/04/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 01/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 11020.003570/200986 Acórdão n.º 330201.520 S3C3T2 Fl. 267 33 prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes...” A redação do dispositivo legal é clara, e define como critério os bens e serviços UTILIZADOS na PRESTAÇÃO de serviços; na PRODUÇÃO e na FABRICAÇÃO de bens e produtos. Neste sentido, “somente os bens e serviços que forem utilizados direta ou indiretamente na fabricação de bens ou na prestação de serviços darão direito ao crédito. Essa ressalva é muito importante, na medida em que a lei exige que os bens e serviços sejam efetivamente utilizados pela empresa para tais finalidades, e não simplesmente adquiridos e consumidos em suas operações.” 8 A questão é que e aqui, entendo se formar um critério específico para o conceito de insumos no PIS e COFINS não cumulativo para a produção/fabricação de determinada mercadoria final (ou serviço), o insumo tem que ser UTILIZADO e, mais ainda, tem que ser INDISPENSÁVEL para o resultado final pretendido. De acordo com este raciocínio o insumo, para gerar crédito, deve estar diretamente vinculado ao objeto social da empresa e, em meu entender, é este o componente diferenciador que deve ser considerado pelos intérpretes do direito. Com base na legislação pertinente ao assunto, concluo que para gerar crédito de PIS e Cofins não cumulativo o insumo deve: ser UTILIZADO direta ou indiretamente pelo contribuinte; ser INDISPENSÁVEL para a formação daquele produto/serviço final; e estar RELACIONADO ao objeto social do contribuinte. Mencionada conclusão foi realizada à luz da materialidade das contribuições sociais em análise, sendo que o critério material da regra matriz de incidência tributária do PIS/Cofins é aferir receita9, e a receita de uma empresa está diretamente ligada à atividade que esta empresa exerce. Logo, para conceituar insumo, primordial verificar o que foi utilizado para se alcançar aquela determinada receita naquele específico mês. Este entendimento, de o insumo ser imprescindível para a formação do produto/prestação do serviço, encontra precedentes neste tribunal administrativo federal, em caso idêntico, inclusive do mesmo contribuinte, nas palavras do ilustre conselheiro relator Fernando da Gama Lobo D’Eça, verbis: 8 Pedro Anan Jr, in "PIS e COFINS à luz da Jurisprudência do CARF Conselho Administrativo de Recursos Fiscais", em artigo entitulado "A Questão do Crédito de PIS e COFINS no Regime da Não Cumulatividade e a Jurisprudência do CARF", fls. 486, MP Editora destaquei 9 No sentido de busca da "formação da receita" cito o doutrinador Marco Aurélio Grecco (in “Não Cumulatividade no PIS e na COFINS”, Leandro Paulsen (coord.), São Paulo: IOB Thomsom, 2004), a saber: “Por isso, o critério utilizado para o fim de identificar quais verbas serão consideradas na nãocumulatividade do PIS/COFINS apóiase na inerência do dispêndio em relação ao fator de produção ao qual se relaciona. O pressuposto de fato é a receita, portanto, é importante saber o que participa da sua formação – que a lei escolheu estar relacionado com o processo de prestação de serviço ou fabricação e produção. Portanto, é relevante determinar quais dispêndios ligados à prestação de serviços e à fabricação/produção que digam respeito aos respectivos fatores de produção (= deles sejam insumos). Se entre o dispêndio e os fatores de capital e trabalho houver uma relação de inerência, haverá – em princípio – direito à dedução.” Fl. 267DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/04/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 01/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 11020.003570/200986 Acórdão n.º 330201.520 S3C3T2 Fl. 268 34 “Inicialmente ressaltese tal como ocorre com outros tributos, no caso do PIS e da COFINS, a não cumulatividade constitucionalmente assegurada visa neutralizar a cumulação das múltiplas incidências das referidas contribuições nas diversas etapas da cadeia produtiva até o consumo final do bem ou serviço, de modo a desonerar os custos de produção destes últimos. A legislação de regência do PIS e da COFINS (Lei nº 10.63702 e Lei nº 10.833/03) autoriza a pessoa jurídica a descontar, do valor da contribuição incidente sobre o faturamento de bens ou serviços que forneça, os créditos das contribuições incidentes sobre os insumos e despesas de produção incorridos e pagos a pessoa jurídica domiciliada no País, relativamente a: a) bens e serviços adquiridos de pessoas jurídicas domiciliadas no país, “utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes”; b) despesas com “aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoas jurídica, utilizados nas atividades da empresa e pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; c) despesas financeiras decorrentes de empréstimos, financiamentos e contraprestações de operações de arredamento mercantil de pessoas jurídicas, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – Simples; d) custos de “máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda, bem como a outros bens incorporados ao ativo imobilizado; e) despesas com “edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mãodeobra, tenha sido suportado pela locatária; f) valor dos “bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; e g).despesas com “energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica”. Nesse ponto releva notar que a expressão “insumos e despesas de produção incorridos e pagos”, obviamente não se restringe somente aos insumos utilizados no processo de industrialização, tal como definidos nas legislações de regência do IPI e do ICMS, mas abrange também os insumos utilizados na produção de serviços, designando cada um dos elementos necessários ao processo produtivo de bens e serviços, imprescindíveis à existência, funcionamento, aprimoramento ou à manutenção destes últimos. Assim, não há duvida que, por constituírem insumos necessários e imprescindíveis ao seu processo de fabricação dos produtos destinados à venda, a Recorrente faz jus ao crédito em relação às aquisições de glp e lubrificantes, despesas com manutenção e aquisição, peças, bens destinados ao imobilizado (tais como máquinas, equipamentos, materiais de limpeza e higienização, manutenção de laboratório, ordenhadeira, medicamentos, cantoneiras usadas nas embalagens nas caixas de papelão, peças e serviços de manutenção de máquinas, tratores e pulverizadores, retroescavadeiras), despesas com materiais de Fl. 268DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/04/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 01/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 11020.003570/200986 Acórdão n.º 330201.520 S3C3T2 Fl. 269 35 embalagem considerados com o materiais de transporte (tais como cantoneiras utilizadas para evitar o amassamento das caixas de papelão pelas amarras durante o transporte; pallets e seus acessórios, pregos, etiquetas, utilizados para o empilhamento de caixas para o armazenamento e transporte; fitas e amarras, utilizadas para amarrar as caixas de papelão sobre os pallets).” (11020.000607/201058, destaquei) Finalizada esta análise preliminar de conceitos, é preciso avaliar se os insumos pleiteados pela Recorrente são desta forma considerado pela legislação do PIS/Cofins. Dos fatos relatados, constato que o objeto da empresa é a produção agrícola, pastoril, fruticultura e apicultura de maçã, sendo que a Recorrente requer créditos sobre: (i) Combustíveis usados em empilhadeiras (despesas: GLP/manutenção); (ii) Embalagens de transporte de produtos acabados; (iii) Partes e Peças de reposição de máquinas e equipamentos, bem como despesas com Manutenção; (iv) Combustíveis e lubrificantes – utilizados em automóveis de terceiros ou manutenção; (v) Custos para formação dos pomares (herbicidas, calcários, etc); (vi) Bens vinculados a ativo imobilizado (TV/cadeira/armário/bebedouro) (vii) bens sujeitos à alíquota zero; (viii) Crédito presumido pessoa física. Em princípio esclareço, por conseqüência lógica da premissa adotada (diversidade entre os regimes não cumulativos), que o conceito de insumos para a não cumulatividade de PIS/COFINS difere daquele utilizado para ICMS/IPI10, bem assim não pode ser equiparado ao critério utilizado pelo Imposto de Renda. Nos termos do II do art. 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, para fim de se aferir a não cumulatividade destas contribuições são entendidos como insumos: “bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes,...” 10 Neste sentido, segue ementa do Acórdão proferido no Processo Administrativo nº 11020.000607/201058: "COFINS NÃO CUMULATIVIDADE RESSARCIMENTO CONCEITO DE INSUMO LEIS Nº 10.637/02 E Nº 10.684/03. O princípio da não cumulatividade da COFINS visa neutralizar a cumulação das múltiplas incidências da referida contribuição nas diversas etapas da cadeia produtiva até o consumo final do bem ou serviço, de modo a desonerar os custos de produção destes últimos. A expressão “insumos e despesas de produção incorridos e pagos”, obviamente não se restringe somente aos insumos utilizados no processo de industrialização, tal como definidos nas legislações de regência do IPI e do ICMS, mas abrange também os insumos utilizados na produção de serviços, designando cada um dos elementos necessários ao processo produtivo de bens e serviços, imprescindíveis à existência, funcionamento, aprimoramento ou à manutenção destes últimos." Fl. 269DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/04/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 01/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 11020.003570/200986 Acórdão n.º 330201.520 S3C3T2 Fl. 270 36 O primeiro insumo pretendido pela Recorrente consiste em combustíveis usados em empilhadeiras (despesas: GLP/manutenção) – a contribuinte afirma que as empilhadeiras são usadas para transporte de mercadorias entre o pomar e os armazéns e também para venda. Entendo estarem presentes os pressupostos necessários para a concessão do crédito: foi utilizado indiretamente pelo contribuinte, e é indispensável para o cumprimento do seu objeto social. O segundo insumo pretendido pela Recorrente consiste em embalagens de transporte de produtos acabados – a contribuinte esclarece que as embalagens são imprescindíveis para que a mercadoria seja entregue com qualidade ao comprador. Pareceme que a embalagem, neste caso, em que são vendidas maças, é sim imprescindível para garantir a qualidade do produto. Quem é que compra maçã “amassada”? Ainda, o crédito de embalagem é concedido, inclusive, para o sistema não cumulativo de IPI. Importante ressaltar que entendo que não há identidade entre os regimes, porque o sistema não cumulativo de PIS e Cofins é mais amplo que o do IPI, mas certamente, tudo o que concede crédito conforme os critérios de IPI (mais restritos), também confere crédito ao sistema de PIS e Cofins. Neste aspecto, entendo estarem presentes os pressupostos necessários para a concessão do crédito. O terceiro insumo pretendido pela Recorrente consiste em partes e peças de reposição de máquinas e equipamentos, bem como no custo de manutenção11 – a questão posta é que não haveria como saber se as partes e peças foram utilizadas diretamente na produção, todavia, tendo em vista que para minha conclusão não importa se a utilização foi direta ou indireta na produção, concedo o crédito pleiteado, por entender estarem presentes os requisitos necessários à sua concessão. O quarto insumo pretendido pela Recorrente consiste em combustíveis e lubrificantes – a questão posta é que não teria sido comprovada a vinculação direta com a produção. Tendo em vista que para minha conclusão não importa se a utilização foi direta ou indireta na produção, concedo o crédito pleiteado, por entender estarem presentes os requisitos necessários à sua concessão. O quinto insumo pretendido pela Recorrente consiste em custos para formação dos pomares (herbicidas, calcários, etc) – neste caso, discutiuse na turma que estes custos, pela sua característica e em vista do objeto social da Recorrente, teriam que ser ativados e estariam sujeitos à exaustão, não depreciação. Ocorre que a lei só autoriza créditos de depreciação e não exaustão, razão pela qual o crédito não pode ser concedido. O sexto insumo pretendido pela Recorrente consiste em bens vinculados ao ativo imobilizado (TV/cadeira/armário/bebedouro) – de acordo com o artigo 3º, inciso VI12 da Lei 10.637/02 e 10.833/03, conferem direito ao crédito os bens utilizados na produção e prestação de serviços. Ocorre que os bens em análise não estão vinculados à produção e, portanto, não podem ser considerados para fins do crédito não cumulativo de Pis e Cofins. 11 Nos termos do voto do Relator: "Tais despesas e custos referemse a manutenção, reposição de peças para manutenção, mão de obra e serviços relacionados à manutenção de máquinas, equipamentos, bens, instalações, tratores e empilhadeiras. Portanto, ao contrário do que ocorre com o caso anterior, não se trata de despesas e custos diretamente relacionados à produção ou que diretamente se incorporam ao custo e despesa do produto." 12 Conferem direito ao crédito: "VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005)" Fl. 270DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/04/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 01/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 11020.003570/200986 Acórdão n.º 330201.520 S3C3T2 Fl. 271 37 O sétimo insumo pretendido pela Recorrente consiste em bens sujeitos à alíquota zero – de acordo com o artigo 3º, §213 da Lei 10.637/02 e 10.833/03, a hipótese de insumo não tributado é exclusão de crédito, razão pela qual não concedo. O oitavo insumo pretendido pela Recorrente consiste em crédito presumido pessoa física – neste particular concordo com os termos do voto do d. relator14, no sentido de que existe previsão legal para a utilização do crédito na dedução da base de cálculo do mesmo período de apuração, mas não existe hipótese de ressarcimento em espécie, razão pela qual nego o crédito pleiteado. Ante o exposto, ouso divergir do posicionamento adotado pelo e. Relator, com as vênias costumeiras para o fim de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário apresentado e conceder o direito ao crédito pleiteado sobre (i) Combustíveis usados em empilhadeiras (despesas: GLP/manutenção); (ii) Embalagens de transporte de produtos acabados; (iii) Partes e Peças de reposição de máquinas e equipamentos, bem como despesas com Manutenção e (iv) Combustíveis e lubrificantes – utilizados em automóveis de terceiros ou manutenção. É como voto. (Assinado digitalmente) Fabiola Cassiano Keramidas 13 "§ 2o Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I de mãodeobra paga a pessoa física; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004)" 14 Trecho do Voto do relator: "Inicialmente, destaque a concordância com o acórdão de primeira instância, relativamente ao fato “de que o crédito presumido tratado no art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004 (apontado na manifestação de inconformidade), ao contrário do alegado, destinase unicamente à dedução de valores devidos a título de contribuição no mesmo período de apuração.” Dessa forma, não há previsão legal para inclusão de créditos inexistentes na apuração da base de cálculo da contribuição." Fl. 271DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/04/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 01/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por GILENO GURJAO BARRETO
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Numero do processo: 10680.930356/2009-68
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue May 07 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1801-000.207
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento na realização de diligência, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Relatora
Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1778; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE01 Fl. 401 1 400 S1TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.930356/200968 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1801000.207 – 1ª Turma Especial Data 11 de abril de 2013 Assunto SOLICITAÇÃO DE DILIGÊNCIA PER/DCOMP Recorrente INTERNACIONAL SYST S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento na realização de diligência, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. RELATÓRIO A Recorrente formalizou os Pedidos de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) nº 17620.46635.200407.1.3.028336 apresentada em 20.04.2007, fls. 1466, utilizandose do saldo negativo de Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) no valor original de R$46.924,10 do anocalendário de 2006 apurado pelo regime do lucro real anual, para compensação dos débitos confessados nos RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 80 .9 30 35 6/ 20 09 -6 8 Fl. 401DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/04/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.930356/200968 Resolução nº 1801000.207 S1TE01 Fl. 402 2 Per/DComp nºs 25946.33976.310507.1.3.021067, 29286.47929.100807.1.3.027030, 08494.79335.100108.1.3.024307, 34465.75165.290807.1.3.026731, 17620.46635.200407.1.3.028336 e 42453.30600.290908.1.3.029189. Em conformidade com o Despacho Decisório Eletrônico, fl. 13, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido. Restou esclarecido que Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, não foi possível confirmar a apuração do crédito, pois o valor informado na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) não corresponde ao valor do saldo negativo informado no PER/DCOMP. Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$46.924,10 Valor do saldo negativo informado na DIPJ: R$38.129,46 Diante do exposto, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada nos seguintes PER/DCOMP: 25946.33976.310507.1.3.021067, 29286.47929.100807.1.3.027030, 08494.79335.100108.1.3.024307, 17640.46635.200407.1.3.028336, 34465.75165.290807.1.3.02673, e 42453.30600.290908.1.3.02918. Para tanto, cabe indicar o seguinte enquadramento legal: art. 165, art. 168 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 3º da Lei Complementar nº 118, de 19 de fevereiro de 2005 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Cientificada em 19.08.2009, fl. 100, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade em 18.09.2009, fls. 0103, com os argumentos a seguir transcritos. A Per/DComp de n° 17640.46635.200407.1.3.028336 foi confeccionada utilizandose de crédito no valor de R$46.924,10, valor maior que o crédito real, conforme informado na DIPJ 2007. No entanto, a empresa solicita que a Receita Federal reconsidere estas informações e faça a cobrança de acordo com a diferença destes valores tendo em vista que o crédito de R$46.438,86 de Saldo Negativo de 1RPJ realmente existe. A empresa alega ainda ter confeccionado as seguintes Pe/DComp's seqüenciais do crédito de Saldo Negativo do 1RPJ, dois deles porém de forma errônea, em duplicidade, tanto na utilização dos créditos quanto nos débitos compensados. De acordo com a demonstração abaixo: Ano Per/DComp Valor Saldo Negativo Original na Data da Transmissão Valor Original Utilizado Total dos Débitos 2006 29286.47929.100807.1.3.02 7030 46.924,10 28.440,51 10.663,31 11.500,38 17.790,99 2006 08494.79335.100108.1.3.02 4307 46.924,10 16.003,41 16.003,41 17.790,99 0,00 2006* 34465.75165.290807.1.3.02 6731 46.924,10 28.440,51 16.003,41 11.500,38 17.790,99 2006** 2453.30600.290908.1.3.02 9189 46.924,10 16.003,41 16.003 41 17.790,99 0,00 Notas: (*) Per/DComp com débitos e créditos idênticos aos da Per/DComp de nº 29286.47929.100807.1.3.027030 Fl. 402DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/04/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.930356/200968 Resolução nº 1801000.207 S1TE01 Fl. 403 3 (**)Per/DComp com débitos e créditos idênticos aos da Per/DComp de nº 08494.79335.10010813.024307 Conclui Pelo exposto, requerse: (i) Que seja reconhecido o crédito no valor de R$46.924,10 de acordo com as demonstrações contábeis em anexo, e DIPJ retificada, que antes não informava o valor de Saldo Negativo sobre IRRF de aplicações financeiras, decorrente de mero erro de preenchimento passível de ser retificado, visto que próprio das limitações humanas; (ii) Cancelamento dos Per/DComp's nº 34465.75165.290807.1.3.026731 e 42453.30600.290908.1.3.02 9189 confeccionadas indevidamente. (iii) Atualização e habilitação do valor residual, após descontadas as compensações impostos informados nos Per/DComp's abaixo descritos: 1. 17640.46635.200407.1.3.028336 2. 25946.33976.310507.1.3.021067 3. 29286.47929.100807.1.3.027030 4. 08494.79335.100108.1.3.024307 Termos em que, Pede deferimento. Está registrado como resultado do Acórdão da 3ª TURMA/DRJ/BHE/MG nº 02 37.153, de 27.01.2012, fls. 194207: “Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte” assim decidido Acordam os membros da 3ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, nos termos do voto da relatora, parte integrante deste Acórdão, em julgar PROCEDENTE EM PARTE a manifestação de inconformidade para: • NÃO CONHECER do pedido de cancelamento das DCOMP’s de nºs 34465.75165.290807.1.3.026731 e 42453.30600.290908.1.3.029189; • Reconhecer o direito à utilização do crédito no importe de R$38.493,19, a título de Saldo Negativo de IRPJ AC 2006, na extinção dos débitos declarados pelo contribuinte nas DCOMP’s em litígio neste processo; • HOMOLOGAR a DCOMP de nº 17640.46635.200407.1.3.028336, mediante a utilização do crédito acima reconhecido; • HOMOLOGAR PARCIALMENTE a compensação declarada na DCOMP de nº 25946.33976.310507.1.3.021067, nos limites do direito de crédito remanescente da homologação da DCOMP acima identificada; • NÃO HOMOLOGAR as compensações declaradas nas DCOMP’s de nºs 29286.47929.100807.1.3.027030, 34465.75165.290807.1.3.026731, 08494.79335.100108.1.3.024307 e 42453.30600.290908.1.3.029189. Fl. 403DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/04/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.930356/200968 Resolução nº 1801000.207 S1TE01 Fl. 404 4 Restou ementado ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Desde que respeitadas as normas vigentes para a sua utilização, o sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela RFB, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos ou contribuições administrados por aquele Órgão. IRRF COMPROVAÇÃO O imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos, somente pode ser utilizado como componente do saldo negativo de IRPJ, se ficar comprovado, mediante documentação hábil e idônea, que o contribuinte sofreu a retenção deste imposto, e que os respectivos rendimentos foram oferecidos à tributação no período correspondente. RETIFICAÇÃO/CANCELAMENTO DA DCOMP A retificação ou o cancelamento da DCOMP somente é possível na hipótese de inexatidões materiais cometidas no seu preenchimento, da forma prescrita na legislação tributária vigente e somente para as declarações ainda pendentes de decisão administrativa na data da sua apresentação. Notificada em 09.02.2012, fl. 291, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 09.03.2012, fls. 292297, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge e reitera alguns argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Cabe transcrever os excertos a seguir: A sociedade ora recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade alegando, em síntese, que possuía um crédito de R$46.438,86 (quarenta e seis mil,quatrocentos e trinta e oito reais e oitenta e seis centavos), de acordo com o contido na DIPJ respectiva, crédito este que deveria ser compensado com os débitos descritos nas PER/DCOMP's ali identificadas. Alegou, também, que das 06 (seis) PER/DCOMP's assinaladas na Manifestação de Inconformidade, 02 (duas) estavam em duplicidade, pelo que deveriam ser canceladas. No ato do julgamento, não foram realizados os cancelamentos das PER/DCOMP's que apresentavam duplicidade, por excesso formalismo (de acordo com o fundamento da decisão, o pedido deveria ser feito por formulário próprio, por via eletrônica, e somente nos casos em que a declaração ainda estivesse pendente de decisão administrativa). Ato contínuo, entendeuse que o crédito apontado não era de R$46.438,86 (quarenta e seis mil, quatrocentos e trinta e oito reais e oitenta e seis centavos), mas tão somente de R$38.493,19 (trinta e oito mil, quatrocentos e noventa e três reais e dezenove centavos), sob o argumento de que os recolhimentos relativos a estas diferenças (R$8.430,91) não foram localizados (em outras palavras, não foram informados, pelas fontes pagadoras clientes da recorrente, que deveriam informar as retenções e respectivos recolhimentos). Fl. 404DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/04/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.930356/200968 Resolução nº 1801000.207 S1TE01 Fl. 405 5 Enfim, foi julgada parcialmente procedente a Manifestação de Inconformidade, homologandose as PER/DCOMP's para efetivar as compensações, "em tese", até o limite do crédito reconhecido. [...] Deste modo, a primeira conclusão a que se chega é a de que, se foi homologada a integralmente a DCOMP nº 17640.46635.200407.1.3.028336 e parcialmente a DCOMP nº 25946.33976.310507.1.3.021067, e se elas tratam dos mesmos tributos/débitos, estes mesmos tributos foram compensados duas vezes (configurando se bitributação). Por isto é que se deveria, antes de qualquer outra providência, cancelar as PER/DCOMP's nºs 25946.33976.310507.1.3.021067 e 42453.30600.290908.1.3.02 9189, pois a considerar a situação atual, criada pela decisão ora recorrida, a recorrente está perdendo parte de seu crédito em virtude da compensação dúplice de tributos. [...] A segunda questão está no reconhecimento de crédito retido na fonte e recolhido pelos clientes da recorrente (fontes pagadoras). Observese que, em que pese o fato da recorrente possuir o saldo negativo IRPJ 2006 no valor de R$46.438,86 (quarenta e seis mil, quatrocentos e trinta e oito reais e oitenta e seis centavos), conforme declarado na DIPJ, reconheceuse, por meio da decisão ora recorrida, somente o valor de R$38.493,19 (trinta e oito mil quatrocentos e vinte três reais e dezenove centavos), sob a alegação de que não foi identificado, nas DIRF's entregues pelos clientes da recorrente, o total de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), no valor de R$8.430,91 (oito mil quatrocentos e trinta reais e noventa um centavo) crédito esse utilizado na composição do saldo negativo IRPJ 2006. Entretanto, o não recolhimento, pela fonte pagadora que promoveu a retenção do imposto ato praticado por força da lei não pode causar ao contribuinte uma penalidade (não reconhecimento do crédito, para fins de compensação Se a fonte pagadora reteve o imposto, estava também obrigada a recolhêlo, sob pena de multa e até configuração de crime (art. 2º da Lei nº 8.137/90). Isto em nada pode refletir no direito do contribuinte que, regularmente, destacou o imposto retido nas notas fiscais emitidas às fontes pagadoras e o declarou em seguida (a propósito, observese as notas fiscais relativas aos impostos retidos e não identificados pela SRF), já que o poder de fiscalização e punição,nestes casos, e única e exclusivamente do Fisco. Conclui ISTO POSTO, a sociedade recorrente pede o conhecimento, processamento e julgamento do presente recurso, a fim de que seja provido, para: a) corrigir o erro material contido nas planilhas elaboradas na decisão recorrida, fls. 196 e 203, uma vez que não refletem corretamente os valores declarados nas PER/DCOMP's ali anotadas; b) promover o cancelamento das PER/DCOMP's nºs 25946.33976.310507.1.3.021067 e 42453.30600.290908.1.3.029189, uma vez que refletem o mesmo conteúdo das PER/DCOMP's nºs 17640.46635.200407.1.3.028336 e 08494.79335.100108.1.3.024307, respectivamente; c) reconhecer a existência do crédito de R$8.430,91 (oito mil quatrocentos e trinta reais e noventa um centavo), relativo ao Imposto de Renda retido na fonte, conforme notas fiscais, em anexo, independentemente de ter ou não sido Fl. 405DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/04/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.930356/200968 Resolução nº 1801000.207 S1TE01 Fl. 406 6 recolhido/declarado pelas fontes pagadoras, compensandoo através da homologação das PER/DCOMP's relativas ao presente feito; d) independentemente de acolhimento do pedido imediatamente anterior, uma vez já reconhecido o crédito no importe de R$38.493,19 (trinta e oito mil, quatrocentos e noventa e três reais e dezenove centavos), homologar as demais PER/DCOMP's, utilizandose do referido crédito, com a atualização e habilitação do valor residual. Com a juntada de documentos e da procuração em anexo, pede deferimento É o Relatório. VOTO Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento. Compulsando os presentes autos, resta constatado que não se encontram em condições de julgamento, pelas razões que passo a expor. A parcela litigiosa trata nessa segunda instância de julgamento tratase de: (a) pedido de cancelamento das Per/DComp nºs 25946.33976.310507.1.3.02 1067 e 42453.30600.290908.1.3.029189 uma vez que ali estão confessados os mesmos débitos contidos nas Per/DComp nºs 17640.46635.200407.1.3.028336 e 08494.79335.100108.1.3.02 4307, respectivamente; (b) pedido de reconhecimento do direito de crédito no valor de R$8.430,91 referente ao IRRF do código 1708, que foi deduzido do IRPJ devido para fins de apuração do suposto saldo negativo remanescente do anocalendário de 2006. A Recorrente suscita que as Per/DComp devem ser deferidas. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Posteriormente, ou seja, em de 30.12.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, bem como que o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. Ademais, o procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. O procedimento de apuração Fl. 406DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/04/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.930356/200968 Resolução nº 1801000.207 S1TE01 Fl. 407 7 do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior1. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais2. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior. O valor do direito creditório deve ser acrescido de juros equivalentes à taxa Selic a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente em relação aos saldos negativos de IRPJ e de CSLL apurados anualmente. O cancelamento do pedido de restituição ou da compensação pode ser requerido pelo sujeito passivo mediante a apresentação à RFB do pleito gerado a partir do programa Per/DComp3. Analisando a situação fática temse que nas Per/DComp estão regularmente confessados pela Recorrente os débitos. Estes documentos estão produzindo efeitos na ordem jurídica, uma vez que não foram por ela cancelados no modo, no tempo e na forma prescritos em lei. Por seu turno, o art. 302 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), aprovado pela a Portaria MF nº 203, de 14 de maio de 2012, prevê que aos Delegados da Receita Federal do Brasil incumbem, no âmbito da respectiva jurisdição, as atividades relacionadas com a gerência e a modernização da administração tributária e aduaneira e, especificamente decidir sobre a revisão de ofício, a pedido do contribuinte ou no interesse da administração, inclusive quanto aos créditos tributários lançados, inscritos ou não em Dívida Ativa da União, e ainda decidir sobre pedidos de cancelamento ou reativação de declarações. Os pedidos de cancelamento das Per/DComp devem ser solicitado à autoridade preparadora que jurisdiciona a Recorrente, em procedimento de revisão de ofício no âmbito da DRF/Belo Horizonte/MG (art. 147 do Código Tributário Nacional). Em relação à dedução de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), a legislação prevê que no regime de tributação com base no lucro real a pessoa jurídica pode deduzir do valor apurado no encerramento do período, o valor retido na fonte sobre as receitas que integraram a base de cálculo correspondente4. Para tanto, as pessoas jurídicas são obrigadas a prestar aos órgãos da RFB, no prazo legal, informações sobre os rendimentos que pagaram ou creditaram no anocalendário anterior, por si ou como representantes de terceiros, com indicação da natureza das respectivas importâncias, do nome, endereço e número de inscrição no CNPJ, das pessoas que o receberam, bem como o imposto de renda retido da fonte, mediante a Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF). 1 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Códido Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. 2 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995, art. 6º e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 3 Fundamentação legal: art. 82 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008. 4 Fundamentação legal: Lei 10.833 de 29 de dezembro de 2003. Fl. 407DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/04/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.930356/200968 Resolução nº 1801000.207 S1TE01 Fl. 408 8 Também as pessoas jurídicas que efetuarem pagamentos com retenção do imposto na fonte devem fornecer à pessoa jurídica beneficiária, até o dia 31 de janeiro, documento comprobatório, em duas vias, com indicação da natureza e do montante do pagamento, das deduções e do imposto retido no anocalendário anterior, que no caso é o Informe de Rendimentos. Assim, o valor retido na fonte somente pode ser compensado se a pessoa jurídica possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora para fins de apuração do saldo negativo de IRPJ no encerramento do período5. A legislação expressamente permite a dedução dos valores de IRRF referentes ao código de arrecadação nº 1708 a título de remuneração de serviços profissionais prestados por pessoa jurídica (art. 52 da Lei n° 7.450, de 23 de dezembro de 1985). Ademais, na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir da do IRPJ devido o valor retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do tributo (Súmula CARF nº 80). Instaurada a fase litigiosa do procedimento, cabe à Recorrente detalhar os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental préconstituída imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora, orientandose pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. Para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. Dessa forma, a comprovação, de maneira inequívoca, a liquidez e a certeza do valor pleiteado a título de restituição gera direito à compensação de débito até o valor reconhecido 6. Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática tendo em vista os documentos já analisados pela autoridade de primeira instância de julgamento e aqueles produzidos em sede de recurso voluntário. Em relação ao pedido de cancelamento há evidências não definitivas de que nas Per/DComp nºs 25946.33976.310507.1.3.021067 e 42453.30600.290908.1.3.029189, podem estar confessados nos mesmos débitos indicados nas Per/DComp nºs 17640.46635.200407.1.3.028336 e 08494.79335.100108.1.3.024307, respectivamente, fls. 1786. No que se refere ao pedido de reconhecimento do direito de crédito no valor de R$8.430,91 referente ao IRRF do código 1708, que foi deduzido do IRPJ devido para fins de apuração do saldo negativo remanescente do anocalendário de 2006, temse que na DIPJ do anocalendário de 2006, em especial na Ficha 54 – Demonstrativo de IRRF, estão relacionados todos os valores dos rendimentos brutos e dos valores de IRRF de todas as fontes pagadoras, cujo somatório foi utilizado deduzido do IRPJ devido para fins de apuração do saldo negativo remanescente do anocalendário de 2006, fls. 92157. Ademais, os autos estão instruídos com as DIRF do anocalendário de 2006, fls. 160181 e a relação de pagamentos, fls. 182183. 5 Fundamentação legal: art. 86 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, art. 11 do DecretoLei nº 1.968, de 23 de novembro de 1982 e art. 10 do DecretoLei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983. 6 Fundamentação legal: art. 37 da Constituição Federal, art. 14, art. 15, art. 16, art. 17, art. 26A e art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. Fl. 408DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/04/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.930356/200968 Resolução nº 1801000.207 S1TE01 Fl. 409 9 Em assim sucedendo e com observância do disposto no art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, voto pela conversão do julgamento em diligência para que a autoridade preparadora da Unidade da Receita Federal do Brasil que jurisdiciona a Recorrente: I) em relação ao pedido de cancelamento de Per/DComp I.a) sugiro em revisão de ofício analisar os pedidos de cancelamento das Per/DComp nºs 25946.33976.310507.1.3.021067 e 42453.30600.290908.1.3.029189, uma vez que nessas podem estar confessados nos mesmos débitos indicados nas Per/DComp nºs 17640.46635.200407.1.3.028336 e 08494.79335.100108.1.3.024307, respectivamente, comparativamente com os registros contábeis da Recorrente e as informações constantes nas DCTF no âmbito da DRF/Belo Horizonte/MG; II) atinente ao pedido de reconhecimento do direito creditório: II.a) instruir os autos com a DIPJ ativa, as DIRF ativas, bem como as DCTF ativas onde estão confessados os valores de IRPJ determinados sobre a base de cálculo estimada e os DARF correspondentes do anocalendário de 2006; II.b) intimar a Recorrente a apresentar: II.b.1) cópias das folhas do Livro Diário e do Livro Razão da conta nas quais são escrituradas as receitas referentes às notas fiscais de prestação de serviços para outras pessoas jurídicas de modo a comprovar o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do tributo do anocalendário de 2006; II.b.2) cópia das folhas do Livro Diário e do Livro Razão das contas nas quais estão escriturados os tributos a recuperar atinentes às receitas pertinentes às notas fiscais de prestação de serviços para outras pessoas jurídicas passíveis de dedução do IRPJ devido no encerramento do anocalendário de 2006; II.b.3) demonstrativo de como foram extintos os valores de IRPJ determinados sobre a base de cálculo estimada, em conformidade com as DCTF; III) intimar as fontes pagadoras listadas a DIPJ ativa do anocalendário de 2006 a apresentarem os informes de rendimentos, cuja beneficiária seja a Recorrente referentes aos valores de IRRF no total de R$8.430,91 do código 1708, que foram deduzidos do IRPJ devido para fins de apuração do suposto saldo negativo remanescente do anocalendário de 2006. A autoridade fiscal designada ao cumprimento da diligência solicitada deverá cotejar a escrituração da Recorrente com os dados constantes nos registros internos da RFB para aferir a verossimilhança, bem como elaborar o Relatório Fiscal sobre os fatos apurados, em especial sobre os valores de IRRF no total de R$8.430,91 do código 1708, que foram deduzidos do IRPJ devido para fins de apuração do suposto saldo negativo remanescente do anocalendário de 2006. A Recorrente deve ser cientificada dos procedimentos referentes às diligências efetuadas e do Relatório Fiscal para que, desejando, se manifeste a respeito dessas questões Fl. 409DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/04/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.930356/200968 Resolução nº 1801000.207 S1TE01 Fl. 410 10 com o objetivo de lhe assegurar o contraditório e a ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes7 . (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 7 Fundamentação legal: inciso LV do art. 5º da Constituição da República. Fl. 410DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/04/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 15983.000413/2010-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/09/2005 a 31/12/2007
CONTRIBUIÇÕES SEGURADO EMPREGADO E CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. OBRIGAÇÃO RECOLHIMENTO.
Nos termos do artigo 30, inciso I, alíneas “a” e “b”, da Lei nº 8.212/91, a empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço, descontando-as das respectivas remunerações e recolher o produto no prazo contemplado
na legislação de regência.
PREVIDENCIÁRIO. ISENÇÃO COTA PATRONAL. REQUISITOS.
NECESSIDADE ATO DECLARATÓRIO.
Somente fará jus à isenção da cota patronal das contribuições previdenciárias a contribuinte entidade beneficente de assistência social que cumprir, cumulativamente, os requisitos inscritos na legislação de regência vigente à época da ocorrência dos fatos geradores, especialmente o artigo 55 da Lei nº
8.212/91, devendo, igualmente, requerer aludido benefício mediante emissão de Ato Declaratório.
PREVIDENCIÁRIO. NFLD. CONTRIBUIÇÕES PARA A SEGURIDADE SOCIAL. PRAZO PRESCRICIONAL. IMPOSSIBILIDADE RECONHECIMENTO.
De conformidade com o artigo 174 do Código Tributário Nacional, o
reconhecimento da prescrição do crédito tributário depende da constituição definitiva da exigência fiscal, que somente ocorrerá após decisão final na esfera administrativa, mesmo nos casos da lavratura de NFLD/Auto de Infração lançando contribuições já declaradas em GFIP, uma vez inexistir ação de cobrança capaz de escorar a possibilidade de decretação da prescrição do débito.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. PROCEDÊNCIA LANÇAMENTO. SOB QUALQUER FUNDAMENTO.
O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos
RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria. In casu, rechaça-se a decadência suscitada pela contribuinte em relação ao período de ocorrência dos fatos geradores, sob qualquer fundamento legal que se pretenda aplicar (artigo 150, § 4º ou 173, do CTN), afastando a necessidade de constatação de
ocorrência de antecipação de pagamento para efeito da aplicação de referido instituto.
NORMAS GERAIS DIREITO TRIBUTÁRIO. LIVRE CONVICÇÃO JULGADOR. DECISÃO RECORRIDA. NULIDADE. INEXISTÊNCIA.
Com fulcro no artigo 29 do Decreto nº 70.235/72, a autoridade julgadora de primeira instância, na apreciação das provas e razões ofertadas pela contribuinte, formará livremente sua convicção, podendo determinar diligência que entender necessária, não se cogitando em nulidade da decisão quando não comprovada a efetiva existência de preterição do direito de defesa do contribuinte.
PAF. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO
ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE.
De conformidade com os artigos 62 e 72, e parágrafos, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, c/c a Súmula nº 2, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendo-lhes apenas dar fiel cumprimento à
legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-002.514
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitas as preliminares de prescrição, decadência e nulidade da decisão recorrida; e II) no mérito, negar provimento ao recurso.
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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OBRIGAÇÃO RECOLHIMENTO. Nos termos do artigo 30, inciso I, alíneas “a” e “b”, da Lei nº 8.212/91, a empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço, descontando as das respectivas remunerações e recolher o produto no prazo contemplado na legislação de regência. PREVIDENCIÁRIO. ISENÇÃO COTA PATRONAL. REQUISITOS. NECESSIDADE ATO DECLARATÓRIO. Somente fará jus à isenção da cota patronal das contribuições previdenciárias a contribuinte entidade beneficente de assistência social que cumprir, cumulativamente, os requisitos inscritos na legislação de regência vigente à época da ocorrência dos fatos geradores, especialmente o artigo 55 da Lei nº 8.212/91, devendo, igualmente, requerer aludido benefício mediante emissão de Ato Declaratório. PREVIDENCIÁRIO. NFLD. CONTRIBUIÇÕES PARA A SEGURIDADE SOCIAL. PRAZO PRESCRICIONAL. IMPOSSIBILIDADE RECONHECIMENTO. De conformidade com o artigo 174 do Código Tributário Nacional, o reconhecimento da prescrição do crédito tributário depende da constituição definitiva da exigência fiscal, que somente ocorrerá após decisão final na esfera administrativa, mesmo nos casos da lavratura de NFLD/Auto de Infração lançando contribuições já declaradas em GFIP, uma vez inexistir ação de cobrança capaz de escorar a possibilidade de decretação da prescrição do débito. Fl. 318DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 09/07/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL 2 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. PROCEDÊNCIA LANÇAMENTO. SOB QUALQUER FUNDAMENTO. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria. In casu, rechaçase a decadência suscitada pela contribuinte em relação ao período de ocorrência dos fatos geradores, sob qualquer fundamento legal que se pretenda aplicar (artigo 150, § 4º ou 173, do CTN), afastando a necessidade de constatação de ocorrência de antecipação de pagamento para efeito da aplicação de referido instituto. NORMAS GERAIS DIREITO TRIBUTÁRIO. LIVRE CONVICÇÃO JULGADOR. DECISÃO RECORRIDA. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Com fulcro no artigo 29 do Decreto nº 70.235/72, a autoridade julgadora de primeira instância, na apreciação das provas e razões ofertadas pela contribuinte, formará livremente sua convicção, podendo determinar diligência que entender necessária, não se cogitando em nulidade da decisão quando não comprovada a efetiva existência de preterição do direito de defesa do contribuinte. PAF. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. De conformidade com os artigos 62 e 72, e parágrafos, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, c/c a Súmula nº 2, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendolhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitas as preliminares de prescrição, decadência e nulidade da decisão recorrida; e II) no mérito, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator Fl. 319DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 09/07/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL Processo nº 15983.000413/201025 Acórdão n.º 2401002.514 S2C4T1 Fl. 300 3 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araujo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 320DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 09/07/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL 4 Relatório ASSOCIAÇÃO EDUCACIONAL DO LITORAL SANTISTA AELIS, contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo administrativo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 6a Turma da DRJ em Campinas/SP, Acórdão nº 0530.903/2010, às fls. 207/221, que julgou procedente o lançamento fiscal referente às contribuições sociais devidas pela notificada ao INSS, correspondentes à parte da empresa e do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais, bem como sobre os valores brutos das notas fiscais ou faturas de prestação de serviços de cooperados intermediados pela cooperativa de trabalho na área da saúde Unimed de Santos Cooperativa de Trabalho Médico, em relação ao período de 09/2005 a 12/2007, conforme Relatório Fiscal, às fls. 33/41. Tratase de Auto de Infração (antiga Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD), lavrada em 08/07/2010, contra a contribuinte acima identificada, constituindose crédito no valor de R$ 15.299.140,94 (Quinze milhões, duzentos e noventa e nove mil, cento e quarenta reais e noventa e quatro centavos). De conformidade com o Relatório Fiscal, da análise das GFIP’s apresentadas pela contribuinte, inobstante constar as informações das remunerações dos trabalhadores que lhe prestaram serviços, a empresa prestou informação incompatível com a realidade, declarandose isenta das contribuições previdenciárias ora lançadas. Informa, ainda, o fiscal autuante que a empresa omitiu, igualmente, os pagamentos realizados a cooperativa de trabalho, informação obrigatória independentemente de a contribuinte se enquadrar como entidade isenta ou não. No decorrer da ação fiscal a contribuinte esclareceu que se declarou isenta em razão de decisões judiciais transitadas em julgado, as quais reconheceram sua condição de entidade isenta em relação às Notificações Fiscais de Lançamento de Débito — NFLDs n°s 35.173.5186 e 35.173.5194 emitidas pelo Instituto Nacional do Seguro Social — INSS, que se reportam a fatos geradores ocorridos entre janeiro de 1998 e novembro de 2000. Inconformada com a Decisão recorrida, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às fls. 224/263, procurando demonstrar a improcedência do lançamento, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Preliminarmente, pretende seja reconhecida a prescrição e a decadência do crédito previdenciário sob análise, uma vez decorrido lapso temporal superior a 05 (cinco) anos. Ainda em sede de preliminar, pretende seja declarada a nulidade da decisão atacada, argumentando ter incorrido em preterição do direito de defesa da contribuinte, ao deixar de analisar os documentos colacionados aos autos junto à impugnação, indispensáveis ao deslinde da controvérsia, bem como não apreciando a totalidade das alegações suscitadas na sua peça inaugural, malferindo os princípios da legalidade, verdade material, razoabilidade e do devido processo legal administrativo. Fl. 321DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 09/07/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL Processo nº 15983.000413/201025 Acórdão n.º 2401002.514 S2C4T1 Fl. 301 5 Após breve relato das fases processuais, das atividades desenvolvidas pela recorrente, além dos conceitos e evolução da legislação que contempla imunidade e/ou isenção, assevera que, na condição de Entidade de Assistência Social, nos termos do artigo 6º da CF, é isenta das contribuições previdenciárias para a seguridade social, conforme preceitos contidos no artigo 195, § 7º, da Carta Magna. Contrapõese ao crédito previdenciário ora combatido, aduzindo para tanto que a entidade goza de imunidade em relação à cota patronal das contribuições previdenciárias, nos termos do artigo 195, § 7o, da Constituição Federal. Assevera que a regulamentação do benefício inserido no artigo 195, § 7º, da Constituição Federal é reservada à lei complementar, não podendo lei ordinária, qual seja, Lei nº 8.212/91, impor limitações ou exigências à fruição da isenção em comento, devendo haver observância aos artigos 9º e 14 do Código Tributário Nacional, o qual encontrase alinhado com a Carta Magna. Insurgese contra a pretensão fiscal, trazendo à colação vasta argumentação a propósito da suposta isenção da contribuinte, elencando o histórico de suas atividades, sustentando que a entidade cumpre todos os requisitos exigidos no artigo 14 do Código Tributário, sendo totalmente improcedente o lançamento em epígrafe. Aduz que, mesmo que se entenda pela aplicação o artigo 55 da Lei n° 8.212/91, a entidade, igualmente, cumpre todos os requisitos para concessão e manutenção da isenção da cota patronal das contribuições previdenciárias, consoante restou assentado nas decisões exaradas nos autos do mandado de segurança impetrado pela contribuinte com vistas a desonerar dos tributos lançados nas NFLD´s n°s 35.173.5186 e 35.173.5194 emitidas pelo Instituto Nacional do Seguro Social — INSS, que se reportam a fatos geradores ocorridos entre janeiro de 1998 e novembro de 2000, tendo obtido êxito em sua empreitada. Argui a inconstitucionalidade da TAXA SELIC, aduzindo para tanto que sua instituição decorreu de resolução do Banco Central, e não por lei, não podendo, dessa forma, ser utilizada em matéria tributária, por desrespeitar o Princípio da Legalidade. Infere, ainda, tratarse referida taxa de juros remuneratórios, o que a torna ilegal e inconstitucional. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar o Auto de Infração, tornandoo sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 322DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 09/07/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL 6 Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. PRELIMINAR DE PRESCRIÇÃO X DECADÊNCIA Preliminarmente, vindica a contribuinte seja acolhida a prescrição e a decadência do crédito previdenciário ora lançado, nos termos do disposto no Código Tributário Nacional. Antes mesmo de se adentrar as questões de mérito, cumpre esclarecer que a contribuinte faz uma verdadeira confusão entre os institutos da prescrição e decadência, impondo seja feita a devida distinção para melhor entender a matéria, como segue: A decadência no âmbito tributário é a perda, pelo decurso do tempo estabelecido na legislação de regência, do direito de constituir o crédito, ou seja, relacionase ao direito propriamente dito. Em outras palavras, a decadência atinge o direito material do fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento. Igualmente, a prescrição é uma forma de perda de um direito, decorrente da inércia do seu titular. Entrementes, relacionase ao direito de ação, de exigir o cumprimento da obrigação. No campo do direito tributário, anula a pretensão fiscal de exigir do sujeito passivo o crédito tributário já constituído definitivamente. No caso sub examine, não obstante a contribuinte escorar seu pleito na pretensa expiração do prazo prescricional, entendemos pretender, em verdade, referirse exclusivamente ao instituto da decadência, mesmo porque inexiste, nesta esfera administrativa, crédito tributário definitivamente constituído, de maneira a justificar eventual execução/cobrança, capaz de fazer florescer a contagem do prazo de prescrição. Afora a interminável discussão que permeia a matéria, sobretudo quanto à necessidade de antecipação de pagamento para análise de referido prazo, bem como o que pode ser considerado como recolhimentos para tanto, deixaremos de abordar aludida questão, uma vez que mesmo adotandose a decadência inscrita no artigo 150, § 4o, do Código Tributário Nacional, melhor hipótese ao contribuinte, não se cogitaria na extinção do crédito em face de aludido instituto. Isto porque, tendo a fiscalização constituído o crédito previdenciário em 08/07/2010, com a devida ciência da contribuinte constante da folha de rosto da autuação, não há se falar em decadência em relação aos fatos geradores ocorridos no período objeto do lançamento, de 09/2005 a 12/2007, eis que dentro do quinquídio legal inscrito no artigo 150, § 4o, do Código Tributário Nacional, ao contrário do que sustenta a contribuinte. PRELIMINAR NULIDADE DECISÃO RECORRIDA Ainda preliminarmente, requer a autuada a decretação da nulidade da decisão recorrida, por entender que a autoridade julgadora de primeira instância deixou de apreciar Fl. 323DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 09/07/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL Processo nº 15983.000413/201025 Acórdão n.º 2401002.514 S2C4T1 Fl. 302 7 parte das alegações inseridas em sua defesa inaugural, em total preterição do direito de defesa da contribuinte. Muito embora a contribuinte lance referida assertiva, não faz prova ou indica qual a efetiva omissão que o julgador guerreado teria incorrido, capaz de ensejar a preterição do seu direito de defesa. Como se observa do decisum atacado, de fato, a autoridade julgadora não adentrou a todas as alegações suscitadas pela então impugnante. Tal fato isoladamente, porém, não tem o condão de configurar preterição do direito de defesa da contribuinte, mormente quando esta não afirma qual teria sido o prejuízo decorrente da conduta do julgador de primeira instância. Ademais, a jurisprudência de nossos Tribunais Superiores, a qual vem sendo seguida à risca por esta instância administrativa, entende que o simples fato de o julgador não dissertar a propósito de todas as razões recursais do contribuinte não implica em nulidade da decisão, mormente quando a recorrente lança uma infinidade de argumentos desprovidos de qualquer amparo legal ou lógico, com o fito exclusivo de protelar a demanda, o que se vislumbra no caso vertente. A corroborar esse entendimento, cumpre trazer à baila Acórdão exarado pela 5ª Turma do STJ, nos autos do HC 35525/SP, com sua ementa abaixo transcrita: “HABEAS CORPUS. PROCESSO PENAL. NEGATIVA DE AUTORIA. NULIDADE DA SENTENÇA. LIVRE CONVICÇÃO MOTIVADA DO MAGISTRADO. ORDEM PARCIALMENTE CONHECIDA E, NESSA EXTENSÃO, DENEGADA. [...] 2. O só fato de o julgador não se manifestar a respeito de um ou outro argumento da tese defendida pelas partes não tem o condão de caracterizar ausência de fundamentação ou qualquer outro tipo de nulidade, por isso que não o exigem, a lei e a Constituição, a apreciação de todos os argumentos apresentados, mas que a decisão judicial seja devidamente motivada, ainda que por razões outras (Princípio da Livre Convicção Motivada e Princípio da Persuasão Racional, art. 157 do CPP). [...]” (Julgamento de 09/08/2007, Publicado no DJ de 10/09/2007) Nesse sentido, basta que o julgador adentre as questões mais importantes suscitadas pelo recorrente, decidindo de forma fundamentada e congruente, para que sua decisão tenha plena validade. No presente caso, extraise da defesa inaugural que a contribuinte traz à colação inúmeras alegações, inclusive, a propósito da suposta inconstitucionalidade da multa, bem como outras que não são capazes de rechaçar a pretensão fiscal. Assim, não se pode exigir que o julgador exponha e refute tais razões infundadas ou ilógicas. DA PRETENSA IMUNIDADE DA CONTRIBUINTE Em suas razões de recurso, pretende a contribuinte a reforma da decisão recorrida, a qual manteve a exigência fiscal em comento, suscitando deter imunidade da cota Fl. 324DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 09/07/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL 8 patronal das contribuições previdenciárias, nos termos do artigo 195, § 7o, da Constituição Federal, c/c artigo 14 do Código Tributário Nacional, notadamente quando sempre cumpriu os requisitos para concessão e manutenção de referido benefício, estando o procedimento fiscal apoiado em arbitrariedade sem qualquer fundamento legal. A corroborar esse entendimento, acrescenta que a regulamentação do benefício inserido no artigo 195, § 7º, da Constituição Federal é reservada à lei complementar, não podendo lei ordinária, qual seja, Lei nº 8.212/91 impor limitações ou exigências à fruição da aludida isenção, devendo haver observância aos artigos 9º e 14 do Código Tributário Nacional, o qual encontrase alinhado com a Carta Magna. Em que pesem as substanciosas razões de fato e de direito ofertadas pela contribuinte em seu recurso voluntário, seu inconformismo, contudo, não tem o condão de prosperar. Do exame dos elementos que instruem o processo, concluise que a decisão recorrida encontrase incensurável, devendo ser mantida em sua plenitude. Como se verifica, a recorrente em momento algum se insurge contra as contribuições previdenciárias ora lançadas, se limitando a defender que possui imunidade da cota patronal. Destarte, o artigo 195, § 7º da Constituição Federal, ao conceder o direito à isenção da cota patronal das contribuições previdenciárias, assim prescreveu: “Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: [...] § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei.” Como se verifica, o dispositivo constitucional encimado é por demais enfático ao determinar que somente terá direito à isenção em epígrafe as entidades que atenderem as exigência definidas em lei. Ou seja, a CF deixou a cargo do legislador ordinário estipular as regras para concessão de tal benefício, a sua regulamentação. Por sua vez, o artigo 55 da Lei nº 8.212/91, vigente à época, veio aclarar referida matéria, estabelecendo que somente fará jus à isenção da cota patronal das contribuições previdenciárias, a contribuinte/entidade que cumprir, cumulativamente, todos os requisitos ali elencados, senão vejamos: “Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; II seja portadora do Registro e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; Fl. 325DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 09/07/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL Processo nº 15983.000413/201025 Acórdão n.º 2401002.514 S2C4T1 Fl. 303 9 III promova, gratuitamente e em caráter exclusivo, a assistência social beneficente a pessoas carentes, em especial a crianças, adolescentes, idosos e portadores de deficiência; IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. § 1º Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido.” Na hipótese vertente, conforme se extrai dos elementos que instruem o processo, especialmente Relatório Fiscal e Decisão recorrida, a contribuinte em momento algum logrou comprovar ser efetivamente entidade isenta, cumpridora de todos os requisitos para tanto relativamente ao período objeto da autuação, inobstante as inúmeras alegações nesse sentido. Ao contrário, como se extrai do bojo da decisão de primeira instância, a contribuinte não obteve êxito em sua empreitada no sentido de demonstrar que requereu o reconhecimento da isenção em epígrafe, na forma que exige a legislação previdenciária, especialmente o artigo 208 do Decreto n° 3.048/99, vigente à época, não havendo que se falar na pretensa isenção arguida pela notificada. A respeito do tema, diante da reprodução das alegações de defesa no recurso voluntário, impende transcrever excerto da decisão de primeira instância que bem demonstra os aspectos fáticos da presente autuação, rechaçando o pleito da contribuinte nos seguintes termos: “[...] De fato, o auditor notificante trouxe aos autos cópia da sentença relativa ao Mandado de Segurança n° 2003.34.00.0026481 (fls. 59 a 63), em que o juiz, depois de ressaltar que o INSS não lograra provar que entidade havia descumprido os requisitos legais e constitucionais que lhe conferem o direito a imunidade prevista no § 7° do art. 195 da Constituição Federal de 1988, julgou procedente o pedido da autora e declarou a nulidade as Notificações Fiscais de Lançamento de Débito — NFLD n° 35.173.5186 e 35.173.519 4. No entanto, ao contrário do que a impugnante tenta fazer crer, o decisum em comento não reconheceu o seu direito A imunidade desde sempre e para sempre, mas apenas relativamente ao período abrangido pelas NFLD há pouco citadas e porque, no entendimento da autoridade judiciária, o INSS não conseguira demonstrar que, ao longo daquele Fl. 326DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 09/07/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL 10 entremeio, a entidade deixou de cumprir os requisitos estabelecidos no § 7° do art. 195 da CF/88 e no art. 55 da Lei n° 8.212/91. Alias, isto fica claro nas seguintes palavras do DD. Juiz da 4a Vara da Justiça Federal no DF: [...] Ora, se, na visão do juiz do processo em tela, o exercício do direito imunidade depende, outrossim, do cumprimento dos requisitos estabelecidos na lei de custeio, e se, ao mesmo tempo, requisito num dado momento cumprido pode não têlo sido em outro vejase, por exemplo, que, segundo o item 10 do relatório fiscal, a AELIS não dispunha do CEAS no período de 01/01/1998 a 19/10/2005 (fato este não contestado pela defesa), ou seja, especificamente neste interregno ela descumpriu a exigência posta no inciso II, acima reproduzido —, resta claro que a conclusão manifesta naquela sentença vale para o período compreendido nas NFLD n° 35.173.5186 e 37.173.5194, mas não necessariamente para o lapso de 09/2005 a 12/2007. Isto porque, obviamente, a verificação do cumprimento dos aludidos requisitos deve ser uma constante, e não algo que, uma vez realizado, produz uma situação jurídica imutável, como quer a defesa. Não por outro motivo, o § 7° do art. 206 (antes de sua revogação pelo Decreto n° 7.237, de 20/07/2010) do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, prescrevia que "0 Instituto Nacional do Seguro Social verificar, periodicamente, se a pessoa jurídica de direito privado beneficente continua atendendo aos requisitos de que trata este artigo." Da mesma forma, não é por outro motivo que a Lei n° 12.101, de 27/11/2009, prevê que: [...] Tudo o que se acaba de explanar é para dizer o óbvio, ou seja, que a decisão proferida em 25 de agosto de 2004, nos autos do MS n° 2003.34.00.0026481, não produz efeitos relativamente ao período contemplado neste auto de infração, exatamente porque o DD. magistrado, naquela oportunidade, não pode verificar — porquanto não dotado do poder de adivinhar o futuro — se, no tocante ao lapso de 01/09/2005 a 31/12/2007, o INSS (hoje, a RFB) também não lograra "provar que a autora deixou de cumprir os requisitos legais e constitucionais que conferemlhe o direito el imunidade". [...] Com base, principalmente, na afirmação expressa no texto grifado pelo próprio auditor notificante — a qual, ressaltese, não é contestada pela defesa —, constatase que não procede a alegação da defesa, de que a autuada foi, "durante todo o período fiscalizado, entidade de assistência social que obedece, integralmente, os requisitos constitucionais e legais", pois ao menos um dos requisitos legais ela, incontestavelmente, não atendeu, qual seja o definido no § 10 do art. 55 da Lei n° 8.212/91, eis que, nas palavras da autoridade lançadora, a reclamante "nunca teve o direito A isenção previdenciária reconhecido pelo Poder Executivo Federal". Fl. 327DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 09/07/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL Processo nº 15983.000413/201025 Acórdão n.º 2401002.514 S2C4T1 Fl. 304 11 No tocante aos demais (ou seja, os estabelecidos nos incisos I a V e no § 6°), nada podemos afirmar no presente decisum, porquanto, segundo se depreende da leitura do relatório do auto de infração, o entendimento do auditor fiscal, de que a AELIS era devedora das contribuições lançadas, resultou, praticamente, apenas da inexistência de reconhecimento, pelo INSS ou pela RFB, de que, no período de 09/2005 a 12/2007, ela fazia jus ao beneficio de que trata o artigo em comento — até porque, depois do indeferimento noticiado no item 15 do aludido relatório, nenhum pedido neste sentido foi formulado pela entidade. Noutras palavras, não há nestes autos imputação de descumprimento dos demais requisitos insculpidos naquele art. 55, de forma que o lançamento se apoia na conclusão de que, inexistente o reconhecimento mencionado no parágrafo anterior, a entidade impugnante se subsume As regras de incidência definidas nos incisos I a IV do art. 22 da Lei n° 8.212/91. Mas, antes que se conclua, apressada e indevidamente, que a ausência de tal imputação configura defeito do presente ato administrativo de lançamento, é preciso lembrar que no momento em que este foi praticado, a verificação, pelo INSS ou pela RFB, do eventual cumprimento de todos aqueles requisitos e o consequente deferimento ou indeferimento do pedido de isenção era objeto de procedimento especifico, autônomo em relação ao de lavratura de auto de infração, assim disciplinado pela Instrução Normativa RFB n°971, de 13/11/2009: [...] Face ao que consta dos itens 14 e 15 do relatório do presente Auto, foi exatamente isto o que ocorreu, ou seja, depois de certificarse de que a AELIS "nunca teve o direito à isenção previdenciária reconhecido pelo Poder Executivo Federal", o auditor notificante deu marcha A. constituição do crédito relativo as contribuições de que tratam os incisos I a IV do art. 22 da mesma lei. E isto, sem verificar se a entidade cumpria as demais condições fixadas no art. 55 da Lei no 8.212/91, eis que, pelo exposto há pouco, não lhe incumbia efetuar tal verificação no curso do procedimento fiscalizatório. Desta forma, insistimos em que, sob o prisma da Lei n° 8.212/91, não procede a alegação da impugnante, de que foi, "durante todo o período fiscalizado, entidade de assistência social que obedece, integralmente, os requisitos constitucionais e legais, gozando, assim, de ISENÇÃO CONSTITUCIONAL relativa as contribuições para a seguridade social. Prevista no art. 195, § 7°, da Carta Política", pois a inexistência do Ato Declaratório previsto no inciso I do § 1° do art. 231 da IN 971/2009 é bastante para submetêla as regras de incidência das contribuições previdenciárias aplicáveis as empresas em geral. [...]” Fl. 328DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 09/07/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL 12 Em suma, extraise dos elementos que instruem o processo, que a decisão judicial que se reporta a contribuinte para amparar sua pretensão, em verdade, não tem o condão de macular a exigência fiscal, uma vez que exarada em processo em que a autuada se insurgia contra duas notificações específicas, NFLDs n°s 35.173.5186 e 35.173.5194, em relação a fatos geradores ocorridos no período de 01/1998 a 11/2000, não podendo interferir, portanto, na presente autuação que se refere às competências 09/2005 a 12/2007. Mais a mais, consoante restou devidamente demonstrado no Relatório Fiscal, mais precisamente nos itens 14 e 15, em que pese à entidade ter obtido êxito no deferimento do CEAS relativamente ao período de 2005 a 2008, não faz jus ao benefício fiscal que ora cuidamos em razão de não ter demonstrado o cumprimento dos demais requisitos inscritos no artigo 55 da Lei n° 8.212/91, a partir de requerimento específico, na forma que a legislação de regência da época exigia, senão vejamos: “14. Embora tenha obtido, nas condições que especificamos acima, o CEAS renovado para os triênios 2005 a 2008, a instituição fiscalizada nunca teve o direito à isenção previdenciária reconhecido pelo Poder Executivo Federal, por não ter conseguido fazer prova do preenchimento dos requisitos então arrolados no art. 55 da Lei 8.212/91. 15. O único requerimento para a concessão do beneficio da isenção apresentado pela AELIS à Administração Pública, e cuja concessão dependia da observância desses requisitos legais — sendo que possuir a certificação do CNAS era apenas um deles —, foi indeferido pelo INSS com base em fatos concretos, apurados em ação fiscal realizada entre 07/2000 e 12/2000, na qual ficou comprovado que o requerente descumprira os requisitos dos incisos IV e V do art. 55 AI N° 37.280.8042 da Lei 8.212/91.” Quanto aos argumentos da contribuinte a respeito da inaplicabilidade do artigo 55 da Lei nº 8.212/91, para regulamentação da isenção em epígrafe, propugnando pela aplicação do artigo 14 do Código Tributário Nacional, peço vênia para me reportar aos substanciosos fundamentos de fato e de direito insertos no Acórdão nº 1613.990, exarado pela 14a Turma da DRJ em São Paulo/SP, nos autos do processo administrativo n° 36624.002167/200708, tendo em vista rechaçarem de uma vez por todas a pretensão da recorrente a propósito da matéria, como se extrai do excerto abaixo transcrito: “ […] 4.20. O Contribuinte alega que sendo a imunidade do art. 195, §, da CF, uma limitação ao poder de tributar, os requisitos para o seu gozo somente podem ser instituído por lei complementar, em face do disposto no art. 146, II, razão pela qual o art. 55 da Lei nº 8.212/81, por ser dispositivo de legislação ordinária, seria inconstitucional. Entretanto, entendemos que tal posicionamento não está de acordo com o Sistema Constitucional Brasileiro e, tampouco, com o entendimento consolidado pelo Supremo Tribunal Federal. 4.21. Vários argumentos há para evidenciar que o dispositivo constitucional não exige lei complementar para sua regulamentação. A interpretação sistemática do disposto no artigo 195, § 7º com o disposto no artigo 146, II da Carta que exige lei complementar para regular as limitações Fl. 329DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 09/07/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL Processo nº 15983.000413/201025 Acórdão n.º 2401002.514 S2C4T1 Fl. 305 13 constitucionais ao poder de tributar também não prospera. Senão vejamos: a) O artigo 150, VI, “c”, que regulamenta a imunidade de impostos sobre o patrimônio, a renda e os serviços das entidades de assistência social e de educação sem fins lucrativos, a despeito de ser regulamentado pelo artigo 14 do CTN, igualmente foi regulamentado por uma lei ordinária, a Lei nº 9.532/98, que teve sua constitucionalidade formal questionada na ADIn 1.802, tendo o STF admitido que lei ordinária possa regulamentar a imunidade de impostos: b) A própria Carta criou exceções à regra do artigo 146, II. São elas: i) imunidade de Imposto de Renda, nos termos e limites fixados em lei, sobre rendimentos provenientes de aposentadoria e pensão, pagos pela Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, à pessoa com idade superior a 65 (sessenta e cinco) anos, cuja renda total seja constituída, exclusivamente, de rendimento de trabalho (art. 153, § 2º, II da CF, posteriormente revogado pela EC 20); ii) imunidade do Imposto Territorial Rural sobre pequenas glebas rurais, definidas em lei, quando explore, só ou com sua família, o proprietário que não possua outro imóvel (art. 153, § 4º da CF, alterado pela EC 42); iii) imunidade do ouro, quando definido em lei como ativo financeiro ou instrumento cambial, no qual somente incidirá somente o imposto sobre operações de crédito, câmbio e seguro (art. 153, § da CF). Tais leis, que regulam a imunidade do IR, do ITR, e do IOF são ordinárias. A imunidade do IR a do IOF pela Lei nº 7.766 e 8.894/94. c) a Constituição Federal deve ser interpretada de forma ampla, de modo que desapareçam as aparentes contradições entre seus dispositivos quando considerados de forma isolada. Assim, para se fazer esta interpretação sistemática não cabe interpretar somente dois dispositivos constitucionais, e sim todos os que tratem da matéria. Deve ser salientado que contribuições sociais. Estatui o artigo 149 da Constituição Federal: “Compete exclusivamente à União instituir contribuições econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo”. De verse que às contribuições sociais, só tem aplicabilidade o inciso III do art. 146 da Carta Magna, excluindose, portanto, os incisos I e II do dispositivo em foco. d) se fosse necessária lei complementar regulamentadora o artigo 195, § 7º da Carta não teria mencionado expressamente “que atenda requisitos de lei”, visto que, por se tratar de imunidade, teria incidência a regra geral do art.146, II. È evidente que o caso em questão é uma das exceções à regra geral que exige lei complementar em tais hipóteses. e) uma da finalidades da exigência de regulamentação por lei complementar de dispositivo constitucional é estimular na Fl. 330DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 09/07/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL 14 legislação ordinária dos entes federados um mínimo de unidade e coerência. No caso da imunidade das contribuições da Seguridade Social isso não seria sequer necessário, porquanto somente a União pode instituir contribuições para o custeio da seguridade social da empresas privadas, dentre elas as entidades beneficentes. Estados, o Distrito Federal e os Municípios, segundo o artigo 146, § 2º da Carta, somente pedem instituir cobrança de seus servidores para o custeio, em benefício destes, do regime previdenciário de seus servidores. Diverso é o caso dos impostos, e que é prevista competência concorrente da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, sendo necessário que lei complementar regule as limitações constitucionais ao poder de tributar. 4.22. Por outro lado, em conformidade com a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal só é exigível a lei complementar quando a Constituição expressamente a ela faz alusão com referência a determinada matéria, ou seja, quando a Carta Magna alude genericamente a “lei” para estabelecer princípio de reserva legal, essa expressão compreende toda a legislação ordinária. 4.23. Assim, de acordo com a orientação consolidada pelo STF, quando a Constituição afirma que “são isentas de contribuições para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei (art. 195, § 7º), ela está exigindo que a isenção somente ocorrerá se houver efetivamente o cumprimento de requisitos estabelecidos em lei ordinária. Não há que se falar em inconstitucionalidade doa RT. 55, da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que, conforme foi acima mencionado, leis complementares somente se justificam nas hipóteses expressamente mencionadas no próprio texto constitucional, como sabidamente tem decido, há muito, o Pretório Excelso. 4.24. No Mandado de Injunção 616SP, o STF discutiu o tema, figurando na relatoria o Ministro Nélson Jobim. Na oportunidade, o STF decidiu que a norma constitucional já havia sido regulamentada pelo artigo 55 da Lei nº 8.212/91: “EMENTA: CONSTITUCIONAL. ENTIDADE CIVIL, SEM FINS LUCRATIVOS. PRETENDE QUE LEI COMPLEMENTAR DISPONHA SOBRE A IMUNIDADE À TRIBUTAÇÃO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÃO PARA A SEGURIDADE SOCIAL, COMO REGULAMENTAÇÃO DO ART. 195, § 7º DA CF. A HIPÓTESE É DE ISENÇÃO. A MATÉRIA JÁ FOI REGULAMENTADA PELO ART. 55 DA LEI Nº 8.212/91, COM AS ALTERAÇÕES DA LEI Nº 9.732/98. PR” CEDENTE. IMPETRANTE JULGADA CARECEDORA DA AÇÃO”. 4.25. Recentemente, o STF manteve tal posicionamento, conforme pode ser constatado na decisão proferida pelo Ministro Sepúlveda Pertence (AG. REG no Recurso Extraordinário nº 408823), cujo teor é o seguinte: “DECISÃO: Agravo regimental de decisão pela qual, por entender não préquestionada a questão referente à Fl. 331DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 09/07/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL Processo nº 15983.000413/201025 Acórdão n.º 2401002.514 S2C4T1 Fl. 306 15 ausência de regulamentação do artigo 195, § 7º, da Constituição Federal, neguei provimento ao recurso extraordinário. Sustenta a agravante que a questão suscitada no RE não é a existência de regulamentação do referido dispositivo constitucional, mas a aplicação, pelo acórdão recorrido, do artigo 14 do CTN como norma regulamentadora, quando deveria ser aplicada o art. 55 da Lei nº 8.212/91. Tem razão o agravante. Reconsidero a decisão de fl. 329, e passo à análise do recurso extraordinário. Decido. RE, a, contra acórdão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região que, em razão do disposto no art. 195, § 7º da Constituição, reconheceu à inexigibilidade de contribuição previdenciária a entidade de natureza beneficente e assistência social, preenchido os requisitos do artigo 14 do CTN. Alega o RE que, para a concessão de isenção de contribuição social, as entidades beneficentes de assistência social devem preencher os requisitos do artigo 55 da Lei nº 8.212/91, com as alterações da Lei nº 9.732/98, entende que o acórdão recorrido, ao afastar a aplicação dos referidos dispositivos legais, violou os artigos 97, 146, II, e 195, § 7º, da Constituição Federal. Tem razão o recorrente. O acórdão recorrido dissente da orientação estabelecida pelo Plenário deste Tribunal no julgamento do MI 616, 17.06.2002, Nelson Jobim, assim ementado: ‘CONSTITUCIONAL. ENTIDADE CIVIL, SEM FINS LUCRATIVOS. PRETENDE QUE LEI COMPLEMENTAR DISPONHA SOBRE A IMUNIDADE À TRIBUTAÇÃO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÃOPARA A SEGURIDADE SOCIAL, COMO REGULAMENTAÇÃO DO ART. 195, § 7º DA CF. A HIPÓTESE É DE ISENÇÃO. A MATÉRIA JÁ FOI REGULAMENTADA PELO ART. 55 DA LEI Nº 8.212/91, COM AS ALTERAÇÕES DA LEI Nº 9.732/98. PRECEDENTE. IMPETRANTE JULGADA CARECEDORA DA AÇÃO.” Na linha do precedente, dou provimento ao recurso extraordinário (art. 557, § 1A, do C. Pr. Civil). Brasília, 02 de outubro de 2006. “MINISTRO SEPÚLVEDA PERTENCE – RELATOR.” 4.26. O Supremo Tribunal Federal, no agravo de instrumento nº 647933, publicado em 15 de março de 2007, Fl. 332DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 09/07/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL 16 relatado pelo Ministro Marco Aurélio, novamente consolidou esse entendimento: RECURSO EXTRAORDINÁRIO – MATÉRIA FÁTICA – INVIABILIDADE – DESPROVIMENTO DO AGRAVO. O Tribunal Regional Federal da 5ª Região, por unanimidade, negou provimento ao recurso de apelação, mediante o acórdão de folhas 46 a 55, assim resumido: TRIBUTÁRIO E CONSTITUCIONAL. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL ENTIDADE BENEFICENTE. IMUNIDADE. INOCORRÊNCIA. O § 7º do art. 195 da CF/88 aduz que não estão sujeitas à contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam aos requisitos previstos em lei, parâmetros estes que estão dispostos no art. 55 da Lei nº 8.212/91. É bem verdade que a imunidade constitui uma das formas de limitação constitucional ao poder de tributar, o que, nos termos do art. 146, II, CF, exigiria lei complementar para tratar do tema. Ocorre que, in casu, há regra específica a requerer tãosó lei ordinária (art. 195, § 7º, já mencionado), pois quando a Constituição faz alusão genérica à “lei”, não há necessidade de que a matéria seja disciplinada por lei complementar. Hipótese em que a associação autora não comprovou o cumprimento das exigências insculpidas na cidade lei ordinária, pelo que não merece as benesse constitucional, ainda que se entendesse aplicável ao caso a lei complementar (Código Tributário Nacional, art. 14). Apelação improvida. A recorribilidade extraordinária é distinta daquela revelada por simples revisão do que decidido, na maioria das vezes procedida mediante o recurso por excelência a apelação. Atuase em sede excepcional à luz da moldura fática delineada soberanamente pela Corte de origem, considerandose as premissas constantes do acórdão impugnado. A jurisprudência sedimentada é pacífica a respeito, devendose ter presente o Verbete nº 279 da Súmula deste Tribunal: Para simples reexame de prova não cabe recurso extraordinário. As razões do extraordinário partem de pressupostos fáticos estranhos à decisão atacada, buscandose, em última análise, conduzir esta Corte ao reexame dos elementos probatórios para, com fundamento em quadro diverso, assentar a viabilidade do recurso. A Corte de origem assentou que não houve a comprovação do enquadramento das atividades desenvolvidas pela recorrente, mesmo que se Fl. 333DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 09/07/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL Processo nº 15983.000413/201025 Acórdão n.º 2401002.514 S2C4T1 Fl. 307 17 entendesse aplicável ao caso o artigo 14 do Código Tributário Nacional (folhas 49). Conheço do agravo e o desprovejo. Publiquem. Brasília, 15 de março de 2007. 4.27. Deve ser enfatizado que o art. 14 do CTN regulamenta a imunidade relativa a impostos incidentes sobre o patrimônio, a renda ou serviços dos partidos políticos, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência sócia, sem fins lucrativos, prevista no art. 150, VI, c, da Constituição Federal. Não é aplicável às contribuições devidas à seguridade social, que não são impostos, muito menos incidentes sobre o patrimônio, a renda e serviços. A imunidade, nos casos destas contribuições, está prevista no art. 195, § 7º, da CF e a sua regulamentação não está sujeita a lei complementar, conforme determinação do próprio legislador constituinte. 4.28. Portanto, ficam afastadas as alegações referentes à aplicação do art. 14 do CTN, no caso em questão, tendo em vista que conforme posicionamento consolidado no Supremo Tribunal Federal, os requisitos a serem cumpridos para o exercício do direito ao benefício fiscal previsto no § 7º, do art. 195, da Constituição Federal, estão previstos no art. 55 da Lei nº 8.212/91, com as alterações da Lei nº 9.732/98. 4.29. Desta forma, para terem direito à isenção das contribuições devidas à seguridade social, às entidades beneficentes de assistência social não basta o cumprimento dos requisitos previstos no art. 14 do CTN. Para tanto, é necessário o cumprimento, de forma cumulativa, dos requisitos previstos no art. 55, da Lei nº 8.212/91, conforme determina a própria Constituição Federal. […]” A simples leitura da decisão encimada é capaz de refutar as alegações da recorrente, não deixando margem de dúvida quanto à aplicabilidade do artigo 55 da Lei nº 8.212/91, contemplando os requisitos para concessão e manutenção da isenção da cota patronal das contribuições previdenciárias, devendo ser mantido o lançamento, eis que a autoridade lançadora, corroborada pelo julgador de primeira instância, agiu da melhor forma, com estrita observância da legislação de regência. Dessa forma, não há se falar em irregularidade e/ou ilegalidade no procedimento adotado pela autoridade lançadora ao promover o lançamento, uma vez que agiu da melhor forma, com estrita observância aos dispositivos legais que regulamentam a matéria. DA APRECIAÇÃO DE QUESTÕES DE INCONSTITUCIONALIDADES/ILEGALIDADES NA ESFERA ADMINISTRATIVA. Fl. 334DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 09/07/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL 18 Relativamente às questões de inconstitucionalidades suscitadas pela contribuinte, além dos procedimentos adotados pela fiscalização, bem como os tributos ora exigidos e multa aplicada, encontrarem respaldo na legislação previdenciária, cumpre esclarecer, no que tange a declaração de ilegalidade ou inconstitucionalidade, que não compete aos órgãos julgadores da Administração Pública exercer o controle de constitucionalidade de normas legais. Notese, que o escopo do processo administrativo fiscal é verificar a regularidade/legalidade do lançamento à vista da legislação de regência, e não das normas vigentes frente à Constituição Federal. Essa tarefa é de competência privativa do Poder Judiciário. A própria Portaria MF nº 256/2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, é por demais enfática neste sentido, impossibilitando o afastamento de leis, decretos, atos normativos, dentre outros, a pretexto de inconstitucionalidade ou ilegalidade, nos seguintes termos: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 1993.” Observese, que somente nas hipóteses contempladas no parágrafo único e incisos do dispositivo regimental encimado poderá ser afastada a aplicação da legislação de regência, o que não se vislumbra no presente caso. A corroborar esse entendimento, a Súmula CARF nº 02, assim estabelece: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” E, segundo o artigo 72, e parágrafos, do Regimento Interno do CARF, as Súmulas, que são o resultado de decisões unânimes, reiteradas e uniformes, serão de aplicação obrigatória por este Conselho. Finalmente, o artigo 102, I, “a” da Constituição Federal, não deixa dúvida a propósito da discussão sobre inconstitucionalidade, que deve ser debatida na esfera do Poder Judiciário, senão vejamos: Fl. 335DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 09/07/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL Processo nº 15983.000413/201025 Acórdão n.º 2401002.514 S2C4T1 Fl. 308 19 “Art. 102. Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a guarda da Constituição, cabendolhe: I – processar e julgar, originariamente: a) a ação direta de inconstitucionalidade de Lei ou ato normativo federal ou estadual e a ação declaratória de constitucionalidade de Lei ou ato normativo federal; [...]” Dessa forma, não há como se acolher a pretensão da contribuinte em relação à ilegalidade e inconstitucionalidade de normas ou atos normativos que fundamentaram o presente lançamento. No que tange a jurisprudência trazida à colação pela recorrente, mister elucidar, com relação às decisões exaradas pelo Judiciário, que os entendimentos nelas expressos sobre a matéria ficam restritos às partes do processo judicial, não cabendo a extensão dos efeitos jurídicos de eventual decisão ao presente caso, até que nossa Suprema Corte tenha se manifestado em definitivo a respeito do tema. Quanto às demais alegações da contribuinte, não merece aqui tecer maiores considerações, porquanto incapazes de ensejar a reforma da decisão recorrida e/ou macular o crédito previdenciário ora exigido, especialmente quando desprovidos de qualquer amparo legal ou fático, bem como já devidamente debatidas/rechaçadas pelo julgador de primeira instância. Assim, escorreita a decisão recorrida devendo nesse sentido ser mantido o lançamento, uma vez que a contribuinte não logrou infirmar os elementos colhidos pela Fiscalização que serviram de base para constituição do crédito previdenciário, atraindo para si o ônus probandi dos fatos alegados. Não o fazendo razoavelmente, não há como se acolher a sua pretensão. Por todo o exposto, estando a NFLD sub examine em consonância com os dispositivos legais que regulamentam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO, rejeitas as preliminares de prescrição, decadência e nulidade da decisão recorrida e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 336DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 09/07/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL
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Numero do processo: 10880.684088/2009-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTARIA Ano-calendário: 2004 REPETIÇÃO DE INDÉBITO. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. 0 contribuinte tem direito a restituição e/ou compensação do tributo pago indevidamente, desde que pleiteado dentro do prazo de cinco anos contados da extinção do crédito tributário e faça prova de possuir crédito liquido e certo contra a Fazenda Pública. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2004 DIREITO CREDITÓRIO. IRPJ. COMPENSAÇÃO. Não se conhece do pedido de restituição formulado após a ciência do Despacho Decisório, cujo crédito não se refere ao analisado no presente processo.
Numero da decisão: 1301-000.907
Decisão: Os membros da Turma acordam, por unanimidade, dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatorio e voto proferidos pelo Relator.
Nome do relator: PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1732; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 1 1 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.684088/200941 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301000.907 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 09 de maio de 2012 Matéria IRPJ/COMPENSAÇÃO Recorrente FNC COMERCIO E PARTICIPAÇÕES LTDA (atual Citibanco S/A) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTARIA Anocalendário: 2004 REPETIÇÃO DE INDÉBITO. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. 0 contribuinte tem direito a restituição e/ou compensação do tributo pago indevidamente, desde que pleiteado dentro do prazo de cinco anos contados da extinção do crédito tributário e faça prova de possuir crédito liquido e certo contra a Fazenda Pública. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 DIREITO CREDITÓRIO. IRPJ. COMPENSAÇÃO. Não se conhece do pedido de restituição formulado após a ciência do Despacho Decisório, cujo crédito não se refere ao analisado no presente processo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Os membros da Turma acordam, por unanimidade, dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatorio e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator. Fl. 570DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/ 05/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Valmir Sandri, Wilson Fernandes Guimarães Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 571DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/ 05/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10880.684088/200941 Acórdão n.º 1301000.907 S1C3T1 Fl. 2 3 Relatório A Interessada transmitiu PER/DCOMPs em que apontados crédito referente ao Saldo Negativo de IRPJ (SNIRPJ), relativo ao anocalendário de 2004, no montante de R$ 7.792.671,48. Os PER/DCOMP sob análise são os de n° 11710.54600.270809.1.7.021257 (este com detalhamento do crédito; fls. 01 a 04), 28083.62239.280809.1.7.027089 (fls. 05 a 06), e 18996.58170.280809.1.7.027560 (fls. 07 a 08). Foi emitido, em 23/10/2009, Despacho Decisório (fls. 10 e 11), NÃO HOMOLOGANDO a compensação declarada nos PER/DCOMP acima referidos, visto ter se verificado que o valor original do SNIRPJ AC 2004 informado no PER/DCOMP com demonstrativo do crédito foi R$ 7.792.671,48, enquanto que na DIPJ foi informado IRPJ devido de R$ 34.160.866,07, enquanto que a parcela do crédito confirmada somou R$ 7.792.671,48, tendo sido apurado saldo negativo disponível de zero. O contribuinte teve ciência do Despacho Decisório em 05/11/2009 (fl. 13), e dele recorreu a DRJ/SPOI, em 04/12/2009 (fls. 14 a 25), por meio de procurador (fls. 25 a 40), nos seguintes termos, resumidamente. I — Dos Fatos O processo referese a pedidos de compensação que utilizaram SNIRPJ AC/2004. No despacho decisório, referido crédito não foi homologado. 0 valor do crédito original monta em R$ 7.792.671,48, e foi compensado nos PER/DCOMP 11710.54600.270809.1.7.021257, 28083.62239.280809.1.7.027089 e 18996.58170.280809.1.7.027560, e o saldo remanescente foi objeto de pedido de restituição n° 00838.21775.251109.1.2.020640 (Doc. 3). A fiscalização não homologou o crédito de IRPJ, pois a Requerente deixou de informar no PER/DCOMP a totalidade dos recolhimentos e compensações que compuseram o SNIRPJ AC/2004, informando apenas o imposto de renda retido (IRRF). Comprovará que essas alegações não procedem e, por isso, esses PER/DCOMP devem ser homologados. II — Do Saldo Negativo de IRPJ do AC/2004 No despacho decisório ficou evidente que a fiscalização confirmou o IRRF de R$ 7.792.671,49, restando comprovar apenas o IRPJ Mensal Pago por Estimativa, que foi efetuado por meio de recolhimentos e compensações. O IR devido no AC/2004 foi de R$ 34.160.866,07, sendo que o IRRF somou R$ 7.792.671,48 e o IRPJ pago por Estimativa monta R$ 34.160.866,07. Referidos valores foram informados na Ficha 12 da DIPJ (Doc. 4) e geraram SNIRPJ, AC/2004 de R$ 7.792.671,48, conforme demonstrado no quadro abaixo: (...). 0 IRPJ Mensal Pago por Estimativa foi composto por recolhimentos e compensações (Doc. 5), conforme demonstrado no quadro abaixo, e que conferem com a DCTF (Doc. 6). (...). Fl. 572DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/ 05/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 Ressaltese que as compensações acima demonstradas foram analisadas no PA 10880.939473/200931, tendo sido homologadas a totalidade das compensações relacionadas ao IRPJ do AC/2004 (Doc. 7). Assim, concluise que o SNIRPJ, AC/2004 monta em R$ 7.792.671,48, devidamente comprovado. III — Crédito Complementar de IRPJ do AC/2004 Adicionalmente, a Requerente compensou por meio do PER/DCOMP n° 06386.64315.301204.1.3.022727 débitos de IRPJ do AC/2004 que não existem. Ressaltese que os referidos débitos de IRPJ não foram informados em DIPJ (Doc. 4) e nas DCTF (Doc. 6). Ademais, as referidas compensações foram homologadas pela Receita Federal do Brasil (Doc. 7). Assim, como os débitos de IRPJ não existem e não foram lançados, as compensações efetuadas para quitar esses débitos devem ser objeto de restituição, pois deveria compor o SNIRPJ, AC/2004, o que no PER/DCOMP objeto desse processo não foi incluído. A Requerente calculou o IRPJ a restituir com base no despacho decisório que homologou as compensações (Doc. 7) conforme demonstrado no quadro abaixo: (...). Comprova que além do SNIRPJ, AC/2004 de R$ 7.792.671,48, tem crédito adicional de R$ 833.461,65, passando a ser de R$ 8.626.133,13. IV — Erro de Fato 0 principio constitucional da legalidade estabelece o padrão de consulta da administração pública em todos os seus níveis, sendo vedada a cobrança de tributos sem previsão legal. Tratandose de fato gerador, vigora o principio da verdade material. No caso em questão, não ocorreram as circunstâncias que a própria lei estabelece como necessárias a gerar incidência tributária, tendo havido um preenchimento do Per/Dcomp onde a Requerente deixou de informar a composição do IRPJ Mensal pago por estimativa. Com relação ao crédito adicional de IRPJ, as compensações efetuadas indevidamente e já homologadas devem compor o SNIRPJ, AC/2004. Por fim, o que ocorreu foi um erro formal. Traz jurisprudência do Conselho de Contribuintes (atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais) sobre "erro de fato". IV Pedido Requer: (i) seja homologado o SNIRPJ AC 2004 no montante de R$ 7.792.671,48; (ii) sejam homologados os PER/DCOMP que utilizaram o referido saldo negativo (11710.54600.270809.1.7.021257, 28083.62239.280809.1.7.027089 e 18996.58170.280809.1.7.027560, e 00838.21775.251109.1.2.020640); (iii) seja reconhecido crédito adicional de R$ 833.461,65, atualizado pela taxa Selic; e (iv) sejam efetuadas diligências para comprovação das alegações mencionadas. A autoridade julgadora de primeira instancia (DRJ/SPOI) decidiu a matéria por meio do acórdão 1626.915, de 29/09/2010 (fl. 458), considerando a manifestação de inconformidade procedente em parte, tendo sido lavrada a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTARIA Fl. 573DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/ 05/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10880.684088/200941 Acórdão n.º 1301000.907 S1C3T1 Fl. 3 5 Anocalendário: 2004 REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRAZO DE CINCO ANOS. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. 0 contribuinte tem direito a restituição e/ou compensação do tributo pago indevidamente, desde que pleiteado dentro do prazo de cinco anos contados da extinção do crédito tributário e faça prova de possuir crédito liquido e certo contra a Fazenda Pública. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 DIREITO CREDITÓRIO. IRPJ. COMPENSAÇÃO. Reconhecido parcialmente o direito credit6rio pleiteado, homologase a compensação dos débitos até o montante do direito creditório reconhecido, não se conhecendo do pedido de restituição formulado após a ciência do Despacho Decisório, cujo crédito não se refere ao analisado no presente processo. É o relatório. Passo ao voto. Voto Fl. 574DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/ 05/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 6 Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas O recurso é tempestivo e assente em lei. Dele conheço. Vêse do relatório acima transcrito, que, em resumo, o Despacho Decisório NÃO HOMOLOGOU a compensação declarada nos PER/DCOMP analisados, visto que o valor original do SNIRPJ do AC/2004 informado no PER/DCOMP com demonstrativo do crédito foi de R$ 7.792.671,48, enquanto que o informado na DIPJ somou R$ 41.953.537,55 e, foi apurado saldo negativo disponível de zero. No julgamento de primeira instância o direito creditório pleiteado foi reconhecimento parcialmente nos seguintes termos: “Em face do exposto, VOTO no sentido de DEFERIR EM PARTE a Manifestação de Inconformidade, RECONHECENDO direito creditório de R$ 7.271.184,86 referente ao SNIRPJ AC/2004, HOMOLOGANDO a compensação dos débitos informados nas DCOMP que constam deste processo (fls. 01 a 08), até o limite do direito creditório reconhecido, e NÃO CONHECER do pedido de restituição formulado no PER/DCOMP 00838.21775.251109.1.2.020640". Decidiu a autoridade julgadora que me precedeu: (I) recolhimento a menor da estimativa de janeiro do ano de 2004; conforme DARF no valor de R$ 2.675.100,56 deveria ter recolhido o montante de R$ 3.700.656,14; (II) Já com relação ao pedido de restituição formulado no PER/DCOMP 00838.21775.251109.1.2.020640 o indeferimento foi motivado sob o argumento de que os débitos apontados como inexistentes foram objeto do processo administrativo n° 10880.939473/200931, em que o crédito indicado foi SNIRPJ do AC/2002, onde estes débitos deveriam ser discutidos. No caso em apreço o crédito referese ao SNIRPJ do AC/2004. Nesta fase recursal a interessada repete as mesmas argumentações anteriores, aduzindo com relação ao acórdão combatido que: I “Verificase que a Delegacia de Julgamento, ao analisar o recolhimento relativo ao mês de janeiro/2004, no valor de R$ 2.675.100,56 (Principal: R$ 1.881.753,35 e Juros: R$ 793.347,21), efetuou a imputação proporcional, tendo em vista a suposta ausência do recolhimento da multa de mora e de parte dos juros. No entanto, equivocase o D. Julgador neste ponto. Isto porque, o recolhimento foi efetuado com os descontos concedidos pela anistia fiscal instituída pela Lei n° 11.941/2009 (Doc 03). A referida Lei foi publicada em 27.05.2009, concedendo reduções de multa, juros e encargo legal para pagamento à vista e/ou parcelamento de quaisquer débitos de tributos e contribuições federais administrados pela SRFB e pela PGFN, vencidos até 30.11.2008. Ainda segundo a Lei n° 11.941/2009 e respectiva regulamentação e no que importa ao caso: a) o pagamento à vista dos débitos estaria sujeito redução de 100% (cem por cento) das multas de mora e de oficio e (ii) 45% (quarenta e cinco por cento) dos juros de mora; Notese que o recolhimento efetuado pela Recorrente observou integralmente os descontos concedidos pela Lei n° 11.941/2009. Logo, não há que se falar em Fl. 575DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/ 05/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10880.684088/200941 Acórdão n.º 1301000.907 S1C3T1 Fl. 4 7 aproveitamento parcial do recolhimento. Ele deve integrar o IRPJ pago por Estimativa AC/2004 na sua integralidade. Desta forma, concluise que o imposto de renda devido no AC/2004 monta em R$ 34.160.866,07, sendo que o IRRF monta em R$ 7.792.671,48 e o IRPJ pago por estimativa monta em R$ 34.160.866,07. Os referidos valores foram informados na Ficha 12 da DIPJ (Doc. 4 da Impugnação) e geraram o saldo negativo de IRPJ no AC 2004 no montante de R$ 7.792.671,48.” II “Quanto ao pedido de restituição do crédito adicional de R$ 833.461,65, encontrase pacificado na jurisprudência que para as hipóteses de devolução de tributos sujeitos a homologação, a prescrição do direito de pleitear a restituição ocorre após expirado o prazo de cinco anos, contados do fato gerador, acrescido de mais cinco anos, a partir da homologação tácita.” Feitas estas considerações passo a analisar a lide deste processo que se resume: 1o. Glosa de parte do valor da estimativa recolhido no mês de janeiro do AC/2004, no valor de R$ 2.675.100,56 (Principal: R$ 1.881.753,35 e Juros: R$ 793.347,21) e, 2o. indeferimento do pedido de restituição do crédito de R$ 833.462,65 objeto do processo administrativo n° 10880.939473/200931, em que o crédito indicado foi SNIRPJ do AC/2002. Em primeiro lugar, deixar claro que consultando o DARF anexado ao presente processo e relativo ao recolhimento do IRPJ apurado no mês de janeiro/2004 efetuado na data de 27/11/2009, de fato, atendeu aos ditames da Lei n° 11.941/2009, da qual, por pertinente, transcrevo o seu artigo 1o.: Art. 1o Poderão ser pagos ou parcelados, em até 180 (cento e oitenta) meses, nas condições desta Lei, os débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e os débitos para com a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, inclusive o saldo remanescente dos débitos consolidados no Programa de Recuperação Fiscal REFIS, de que trata a Lei no 9.964, de 10 de abril de 2000, no Parcelamento Especial PAES, de que trata a Lei no 10.684, de 30 de maio de 2003, no Parcelamento Excepcional PAEX, de que trata a Medida Provisória no 303, de 29 de junho de 2006, no parcelamento previsto no art. 38 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, e no parcelamento previsto no art. 10 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002, mesmo que tenham sido excluídos dos respectivos programas e parcelamentos, bem como os débitos decorrentes do aproveitamento indevido de créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI oriundos da aquisição de matériasprimas, material de embalagem e produtos intermediários relacionados na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, aprovada pelo Decreto no 6.006, de 28 de dezembro de 2006, com incidência de alíquota 0 (zero) ou como nãotributados. Fl. 576DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/ 05/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 8 § 1o O disposto neste artigo aplicase aos créditos constituídos ou não, inscritos ou não em Dívida Ativa da União, mesmo em fase de execução fiscal já ajuizada, inclusive os que foram indevidamente aproveitados na apuração do IPI referidos no caput deste artigo. § 2o Para os fins do disposto no caput deste artigo, poderão ser pagas ou parceladas as dívidas vencidas até 30 de novembro de 2008, de pessoas físicas ou jurídicas, consolidadas pelo sujeito passivo, com exigibilidade suspensa ou não, inscritas ou não em dívida ativa, consideradas isoladamente, mesmo em fase de execução fiscal já ajuizada, ou que tenham sido objeto de parcelamento anterior, não integralmente quitado, ainda que cancelado por falta de pagamento, assim considerados: I os débitos inscritos em Dívida Ativa da União, no âmbito da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional; II os débitos relativos ao aproveitamento indevido de crédito de IPI referido no caput deste artigo; III os débitos decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil; e IV os demais débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. § 3o Observado o disposto no art. 3o desta Lei e os requisitos e as condições estabelecidos em ato conjunto do Procurador Geral da Fazenda Nacional e do Secretário da Receita Federal do Brasil, a ser editado no prazo de 60 (sessenta) dias a partir da data de publicação desta Lei, os débitos que não foram objeto de parcelamentos anteriores a que se refere este artigo poderão ser pagos ou parcelados da seguinte forma: I pagos a vista, com redução de 100% (cem por cento) das multas de mora e de ofício, de 40% (quarenta por cento) das isoladas, de 45% (quarenta e cinco por cento) dos juros de mora e de 100% (cem por cento) sobre o valor do encargo legal; II parcelados em até 30 (trinta) prestações mensais, com redução de 90% (noventa por cento) das multas de mora e de ofício, de 35% (trinta e cinco por cento) das isoladas, de 40% (quarenta por cento) dos juros de mora e de 100% (cem por cento) sobre o valor do encargo legal; III parcelados em até 60 (sessenta) prestações mensais, com redução de 80% (oitenta por cento) das multas de mora e de ofício, de 30% (trinta por cento) das isoladas, de 35% (trinta e cinco por cento) dos juros de mora e de 100% (cem por cento) sobre o valor do encargo legal; IV parcelados em até 120 (cento e vinte) prestações mensais, com redução de 70% (setenta por cento) das multas de mora e de ofício, de 25% (vinte e cinco por cento) das isoladas, de 30% Fl. 577DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/ 05/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10880.684088/200941 Acórdão n.º 1301000.907 S1C3T1 Fl. 5 9 (trinta por cento) dos juros de mora e de 100% (cem por cento) sobre o valor do encargo legal; ou V parcelados em até 180 (cento e oitenta) prestações mensais, com redução de 60% (sessenta por cento) das multas de mora e de ofício, de 20% (vinte por cento) das isoladas, de 25% (vinte e cinco por cento) dos juros de mora e de 100% (cem por cento) sobre o valor do encargo legal. Logo, em relação a este ponto, cabe razão à recorrente pelo que deve ser reconhecida na sua totalidade a compensação pleiteada nos PER/DCOMP analisados e referente ao Saldo Negativo de IRPJ, relativo ao anocalendário de 2004, no montante de R$ 7.792.671,48. Quanto ao segundo ponto, a questão a ser dirimida em seu mérito está relacionada ao pedido de restituição n° 00838.21775.251109.120640, transmitido em 25/11/2009, de crédito adicional no valor de R$ 833.461,65, em face de compensação de débitos de IRPJ do AC/2004 que não existem. Aqui, equivocase a recorrente. Os fundamentos que levaram a autoridade a quo a não conhecer do pedido dizem respeito a que os débitos apontados como inexistentes foram objeto do processo administrativo n° 10880.939473/200931, em que o crédito indicado foi SNIRPJ do AC/2002, onde estes débitos deveriam ser discutidos. No caso em apreço o crédito referese ao SNIRPJ do AC/2004. Logo, ao meu ver, andou bem em sua fundamentação a autoridade que me precedeu ao afirmar que como os débitos ditos como inexistentes não foram informados nem na DIPJ/2005 (fls. 75 a 78), nem nas DCTF (fls. 177 a 196), é de se supor que tais valores não fazem parte das estimativas devidas nos meses do AC/2004, razão pela qual não deveriam compor o SNIRPJ apurado naquele ano. Assim, no caso de terem sido informados indevidamente no PER/DCOMP, deveriam ser objeto de novo pedido, tendo como crédito não o "SNIRPJ", mas "Pagamento Indevido ou Maior que o Devido". O presente litígio se circunscreve aos PER/DCOMP que têm como credito o SNIRPJ do AC/2004 e os débitos a serem com ele compensados, não cabendo análise do pedido de restituição do crédito adicional de R$ 833.461,65, observandose que, como visto, este valor não compõe o saldo negativo em análise (SNIRPJ do AC/2004). Considerando o acima exposto, resta claro que o pedido de restituição formulado pela Recorrente (PER/DCOMP 00838.21775.251109.1.2.020640) não foi objeto de análise no Despacho Decisório ora combatido, portanto, não fazendo parte do presente litígio, confirmo a decisão em primeira instância de não conhecer do pedido de restituição. Quanto ao pedido genérico de realização de perícia, deve ser rejeitado, por desatendimento aos requisitos do inciso IV c/c § 1º do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972. Ainda que tais requisitos formais pudessem ser superados, é patente sua desnecessidade diante das provas dos autos, pelo que cabível sua rejeição também com base no art. 18 do mesmo instrumento legal. Fl. 578DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/ 05/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 10 Por todo o exposto, voto por rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, Dar Provimento Parcial ao recurso voluntário, reconhecendo o direito creditório da parte não reconhecida pela DRJ, no valor de R$ 2.675.100,56 referente ao Saldo Negativo de IRPJ, do ano calendário de 2004 (valor total de R$ 7.792.671,48), e não conhecer do pedido de restituição formulado no PER/DCOMP 00838.21775.251109.1.2.020640 no valor de R$ 833.461,65. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Fl. 579DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/ 05/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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