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Numero do processo: 10865.002625/2007-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jul 13 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1401-000.281
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar o julgamento do presente processo, nos termos do § 2º do art. 2º da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012, visto que no presente recurso se discute questão idêntica àquela que está sendo apreciada pelo STF no RE 566.622/RS (sob a sistemática do art. 543-B do CPC) .
Encaminhe-se o p.p. à Secretaria da 4ª Câmara, nos termos do §3º. do art. 2º e art. 3º da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira., Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Karem Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva.
Nome do relator: Não se aplica
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar o julgamento do presente processo, nos termos do § 2º do art. 2º da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012, visto que no presente recurso se discute questão idêntica àquela que está sendo apreciada pelo STF no RE 566.622/RS (sob a sistemática do art. 543B do CPC) . Encaminhese o p.p. à Secretaria da 4ª Câmara, nos termos do §3º. do art. 2º e art. 3º da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira., Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Karem Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 65 .0 02 62 5/ 20 07 -7 4 Fl. 351DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10865.002625/200774 Resolução nº 1401000.281 S1C4T1 Fl. 352 2 RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário contra o Acórdão da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão PretoSP. Adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância, compondo em parte este relatório: Em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pela empresa supra, segundo consta da descrição dos fatos, foi apurado, no anocalendário de 2003, valor correspondente ao lucro operacional escriturado mas não declarado, tendo em vista o descumprimento da legislação relativa à imunidade tributária. Foram lavrados os seguintes autos de infração: 1 Imposto sobre a renda de pessoa jurídica (IRPJ) fls. 4 a 7: Imposto: R$4.194,46 Juros de mora: R$ 2.239,84 Total: R$ 6.434,30 Enquadramento legal do imposto: Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999, (Regulamento do Imposto de Renda RIR, de 1999), arts. 249, 250 e926. 2 Contribuição social sobre o lucro líquido (CSLL) fls. 8 a 11: Contribuição: R$2.516,67 Juros de mora: R$ 1.343,90 Total: R$ 3.860,57 Enquadramento legal da contribuição: Lei n° 7.689, de 15 de dezembro de 1988, art. 2o, §§; Lei n° 9.316, de 1996, art. Io; Lei n° 9.430, de 1996, art. 28; Lei n° 10.637, de 2002, art.37. Consta no Termo de Verificação de Irregularidade Fiscal (TVIF) que, por força da medida liminar obtida pela ADin n° 1.8023, que suspendeu a vigência do caput do art. 13 e do art. 14 da Lei n° 9.532, de 1997, e , por consequência, do art. 32 da Lei n° 9.430, de 1996, os autos de infração foram lavrados para prevenir a decadência, com base no art. 63 da citada Lei n° 9.430, de 1996, com redação dada pelo art. 70 da Medida Provisória (MP) n° 2.158, de 2001, ficando suspensa a exigibilidade até decisão final da ação. Na impugnação a contribuinte alega que A Receita Federal do Brasil (RFB), por meio de seus auditores fiscais, não possui competência para atestar o cumprimento ou não dos requisitos dispostos no Decreto n° 2.536, de 1998, uma vez que cabe ao CNAS julgar a qualidade da entidade beneficente de assistência social, bem como cancelar a qualquer tempo o CEBAS expedido. Assim, não há como subsistuto de infração ora impugnado; Fl. 352DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10865.002625/200774 Resolução nº 1401000.281 S1C4T1 Fl. 353 3 • Vale observar que há muito existe parecer da CoordenadoriaGeral de Direito Previdenciário, aprovado pelo Consultor Jurídico e, posteriormente, pelo Ministro da previdência e Assistência Social, estabelecendo limites da atuação do INSS e determinando ' JLC que compete ao CNAS verificar se a entidade cumpre os requisitos do Decreto n° 2.536, de1998; • É uma associação civil beneficente de fins não lucrativos, que desfruta da imunidade tributária quanto ao patrimônio, renda e serviços, nos termos do art. 150, VI, c, da Constituição Federal (CF). Cumpridos os requisitos exigidos fica evidente que não pode a autoridade fiscal pretender impor o recolhimento de tributo de forma manifestamente ilegal, em face dos limites impostos não só pela legislação infraconstitucional, mas principalmente pelos dispositivos legais da CF; • O auditor fiscal em nenhum momento demonstrou o descumprimento de qualquer requisito do art. 14 do Código Tributário Nacional (CTN); • Sendo cumpridora dos requisitos fixados no art. 195, § 7o da CF não há que se falar na exigência da CSLL. Havendo norma constitucional que estabelece imunidade para as entidades beneficentes, lei infraconstitucional não pode limitar tal benefício. E o relatório. A DRJ Manteve os lançamentos, nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. O descumprimento dos requisitos fixados em lei para o gozo da imunidade implica a tributação do resultado do período e a conseqüente exigência dos tributos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2003 IMUNIDADE. A imunidade insculpida no artigo 195, §7°, da Constituição Federal alcança somente as entidades beneficentes de assistência social que atendam as exigências estabelecidas em lei. Irresignada com a decisão de primeira instância, a interessada interpôs recurso voluntário a este CARF repisando os tópicos trazidos anteriormente. É o Relatório Fl. 353DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10865.002625/200774 Resolução nº 1401000.281 S1C4T1 Fl. 354 4 VOTO Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator Os requisitos de admissibilidade foram atendidos. Conforme relatado, tratase de Auto de Infração de IRPJ e CSLL referente ao anocalendário de 2003, lavrado para prevenir decadência, com base no art. 63 da Lei nº 9.430/96, cujos débitos se encontram com exigibilidade suspensa por medida judicial (extrato de fls. 297/298). A empresa se diz possuidora da imunidade prevista restrita dos impostos que diz respeito ao artigo 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição Federal, bem assim na imunidade das contribuições para a seguridade social, prevista no art. 195, § 7º, da Constituição Federal, e concedida às entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. Para melhor contextualizar a matéria, segue abaixo um resumo dos dispositivos legais atinentes à isenção/imunidade dos impostos e contribuições e logo a seguir o teor de algum desses dispositivos. Legislação Correlata: art. 195, § 7º, da Constituição Federal, que estatuiu imunidade relativa às contribuições para a seguridade social, as “entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei”; art. 55 da Lei nº 8.212, de 24/07/91, segundo o qual fica isenta das contribuições para a seguridade social a entidade beneficente de assistência social que atenda aos requisitos discriminados nesse artigo; arts. 12 e 15 da Lei nº 9.532, de 10/12/97, o primeiro tratando da imunidade específica de impostos, inserta no art. 150, V, “c”, Constituição, que abrange o patrimônio, renda ou serviços “das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei”, e o segundo estabelecendo isenção para “as instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos”, isenção esta que atinge, além dos impostos, também a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, como expresso no § 1º do referido art. 15; no art. 150, V, “c”, da Constituição Federal, que não se confunde com a imunidade para as contribuições para a seguridade social (subespécie da espécie contribuições sociais, que ao lado dos impostos, taxas, contribuições de melhoria e empréstimos compulsórios integra o gênero tributo), enquanto o segundo (art. 15) estabelece isenção que só se estende à CSLL, mas não às demais contribuições para a seguridade social, dentre estas a COFINS. ART. 55 DA LEI Nº 8.212/91 – Requisitos para o gozo da imunidade das contribuições sociais e da isenção da Cofins ART. 55 DA LEI Nº 8.212/91: REQUISITOS PARA GOZO DA IMUNIDADE ANTES E DEPOIS da LEI Nº 9.732, DE 11.12.98 Fl. 354DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10865.002625/200774 Resolução nº 1401000.281 S1C4T1 Fl. 355 5 O art. 55 da Lei nº 8.212/91 já estabelecia, na sua redação original, o seguinte: Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; II seja portadora do Certificado ou do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Serviço Social, renovado a cada três anos; III promova a assistência social beneficente, inclusive educacional ou de saúde, a menores, idosos, excepcionais ou pessoas carentes; IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais, apresentando anualmente ao Conselho Nacional da Seguridade Social relatório circunstanciado de suas atividades. O dispositivo foi alterado, da forma seguinte: Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; II seja portadora do Certificado ou do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Serviço Social, renovado a cada três anos; II seja portadora do Certificado e do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; (Redação dada pela Lei nº 9.429, de 26.12.1996) II seja portadora do Registro e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.18713, de 24.8.2001) III promova a assistência social beneficente, inclusive educacional ou de saúde, a menores, idosos, excepcionais ou pessoas carentes; III promova, gratuitamente e em caráter exclusivo, a assistência social beneficente a pessoas carentes, em especial a crianças, adolescentes, idosos e portadores de deficiência; ((Incluído pela Lei nº 9.732, de 11.12.98, mas com eficácia suspensa pela liminar concedida na ADI nº 2.028) IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; Fl. 355DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10865.002625/200774 Resolução nº 1401000.281 S1C4T1 Fl. 356 6 V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais, apresentando anualmente ao Conselho Nacional da Seguridade Social relatório circunstanciado de suas atividades. V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) § 1º Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. § 2º A isenção de que trata este artigo não abrange empresa ou entidade que, tendo personalidade jurídica própria, seja mantida por outra que esteja no exercício da isenção. § 3o Para os fins deste artigo, entendese por assistência social beneficente a prestação gratuita de benefícios e serviços a quem dela necessitar. ((Incluído pela Lei nº 9.732, de 11.12.98, mas com eficácia suspensa pela liminar concedida na ADI nº 2.028). § 4o O Instituto Nacional do Seguro Social INSS cancelará a isenção se verificado o descumprimento do disposto neste artigo. (Incluído pela Lei nº 9.732, de 11.12.98, mas com eficácia suspensa pela liminar concedida na ADI nº 2.028) § 5o Considerase também de assistência social beneficente, para os fins deste artigo, a oferta e a efetiva prestação de serviços de pelo menos sessenta por cento ao Sistema Único de Saúde, nos termos do regulamento. ((Incluído pela Lei nº 9.732, de 11.12.98, mas com eficácia suspensa pela liminar concedida na ADI nº 2.028) § 6o A inexistência de débitos em relação às contribuições sociais é condição necessária ao deferimento e à manutenção da isenção de que trata este artigo, em observância ao disposto no § 3o do art. 195 da Constituição." (Medida Provisória nº 2.18713, de 24.8.2001) Como se verá mais adiante, atualmente o art. 55 da Lei nº 8.212/91 continua eficaz conforme acima, sem as alterações constantes da Lei nº 9.732, de 11/12/98, cujos efeitos foram suspensos pelo Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento, em sede de liminar, da Ação Declaratória de Inconstitucionalidade nº 2.028 (julgamento em 11/11/99, publicação em 16/06/2000, conforme informações obtidas na internet em 06/05/2005, no sítio do STF). O contribuinte apresentou defesa contra essa autuação, tendo em vista a existência de decisão proferida em sede da ADI nª 1.8023, o que lhe permitiria não ser compelida aos recolhimentos das exações objeto do processo. Assim, o presente processo se encontra com evento de suspensão por ação judicial. Inobstante, a DRJ elaborou Acórdão considerando improcedente tal impugnação (fls. 289 a 296), passando ao largo da matéria relativa à suspensão da exigibilidade em função da referida ADI nº 1.8023. Após decisão de primeira instância, a DRF a título de executar o que fora decidido fez despacho analisando a decisão e chega á conclusão que não há ligação mesmo Fl. 356DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10865.002625/200774 Resolução nº 1401000.281 S1C4T1 Fl. 357 7 entre a ADI 1.8023 e os presentes autos de infração e, executando o Acórdão da DRJ, retirando a suspensão da exigibilidade nascida com o auto de infração. Cabe ressaltar que o Auto de Infração já nasceu com exigibilidade suspensa por conta da referida ADIn (fls. 06) e que o motivo relevante para a autuação não foi a ausência do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, emitido pelo CNAS, consta dos autos a juntada de cópia do referido certificado (fl. 60) e a informação de que há época dos fatos geradores ainda se discutia a renovação do mesmo. De outra banda, o motivo relevante da autuação foi o descumprimento específico do percentual de atendimentos decorrentes de convênio com Sistema Único de Saúde SUS, que teria que ser igual ou superior a 60% do total de sua capacidade instalada, de acordo com o art. 3,§ 4 do Decreto nº 2.536, de 6 de abril de 1998: Art. 3º Faz jus ao Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social a entidade beneficente de assistência social que demonstre, cumulativamente:(Redação dada pelo Decreto nº 4.499, de 4.12.2002) (...) VI aplicar anualmente, em gratuidade, pelo menos vinte por cento da receita bruta proveniente da venda de serviços, acrescida da receita decorrente de aplicações financeira, de locação de bens, de venda de bens não integrantes do ativo imobilizado e de doações particulares, cujo montante nunca será inferior à isenção de contribuições sociais usufruída; § 4º O disposto no inciso VI não se aplica à entidade da área de saúde, a qual, em substituição àquele requisito, deverá comprovar, anualmente, percentual de atendimentos decorrentes de convênio firmado com o Sistema Único de Saúde SUS igual ou superior a sessenta por cento de total de sua capacidade instalada. (grifei) Dessa forma, a DRJ não poderia ter inovado o lançamento acrescentando uma fundamentação inexistente no auto de infração (falta do certificado) e por conseguinte retirando a Recorrente do pólo passivo da referida ADI. e assim cancelando a suspensão da exigibilidade produzida pela cautelar em ADI. A referida ADI 18023 tinha tratado especificamente da imunidade restrita aos impostos previstas no art. 150, V, “c”, da Constituição Federal frente as alterações da Lei n. ° 9.532, de 10 de dezembro de 1997. Muito embora concorde que os dispositivos legais que foram suspensos por meio de cautelar nessa ADI não afetem diretamente a lide em relação ao IRPJ e muito menos a CSLL, ocorre que as questões relacionadas ao escopo do grau de oferecimento da gratuidade na prestação de serviços diz respeito indiretamente também a essa ADI na medida em que se discutirá os limites que um Lei ordinária pode estabelecer para traçar os contornos da imunidade na medida em que define o que seja uma entidade assistência social. Veja trecho do voto do Ministro a esse respeito: Fl. 357DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10865.002625/200774 Resolução nº 1401000.281 S1C4T1 Fl. 358 8 Não desconheço que a propósito da definição básica de entidade de assistência social imune, o art. 12 caput fará recrudescer controvérsias de soluções ainda não consolidadas no Tribunal, qual a exigência ou não de gratuidade dos serviços prestados (cf. RE 132 .136, Gallotti) ou a abrangência ou não de instituições beneficentes de clientelas restritas (cf. RE 115.970, RTJ 126/847 e RE 193.775, de julgamento inconcluso), afora a acesa polêmica em torno da imunidade de instituição de previdência privada (já negada pela 2a Turma: RE 175.871, Velloso, DJ 30.5.97). Por outro lado, em relação à CSLL não há dúvidas alguma que as questões relacionadas à obrigatoriedade da gratuidade na prestação de serviços foram submetidas ao exame do Supremo Tribunal Federal em uma outra ação direta de inconstitucionalidade. No caso, me refiro agora às disposições da Lei nº 9.732, de 1998, que alteraram o art. 55 da Lei no 8.212, de 1991, onde foram apresentadas as ADI nos 2.028 e 2036 ao Supremo Tribunal Federal. Nesse caso, talvez o fiscal tenha cometido um erro material ao se referir à citada ADI 18023, quando deveria se referir à ADIn n. 2.028. Vejamos parte do teor do voto do Ministro relator no julgamento da medida cautelar na ADIn no 2.028: Medida cautelar na ADI no 2.028 : “EMENTA: Ação direta de inconstitucionalidade. Art. 1º, na parte em que alterou a redação do artigo 55, III, da Lei 8.212/91 e acrescentoulhe os §§ 3º, 4º e 5º, e dos artigos 4º, 5º e 7º, todos da Lei 9.732, de 11 de dezembro de 1998. Preliminar de mérito que se ultrapassa porque o conceito mais lato de assistência social e que é admitido pela Constituição é o que parece deva ser adotado para a caracterização da assistência prestada por entidades beneficentes, tendo em vista o cunho nitidamente social da Carta Magna. De há muito se firmou a jurisprudência desta Corte no sentido de que só é exigível lei complementar quando a Constituição expressamente a ela faz alusão com referência a determinada matéria, o que implica dizer que quando a Carta Magna alude genericamente a ‘lei’ para estabelecer princípio de reserva legal, essa expressão compreende tanto a legislação ordinária, nas suas diferentes modalidades, quanto a legislação complementar. No caso, o artigo 195, § 7º, da Carta Magna, com relação a matéria específica (as exigências a que devem atender as entidades beneficentes de assistência social para gozarem da imunidade aí prevista), determina apenas que essas exigências sejam estabelecidas em lei. Portanto, em face da referida jurisprudência desta Corte, em lei ordinária. É certo, porém, que há forte corrente doutrinária que entende que, sendo a imunidade uma limitação constitucional ao poder de tributar, embora o § 7º do artigo 195 só se refira a ‘lei’ sem qualificála como complementar e o mesmo ocorre quanto ao artigo 150, VI, ‘c’, da Carta Magna , essa expressão, ao invés de ser entendida como exceção ao princípio geral que se encontra no Fl. 358DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10865.002625/200774 Resolução nº 1401000.281 S1C4T1 Fl. 359 9 artigo 146, II (‘Cabe à lei complementar: ... II regular as limitações constitucionais ao poder de tributar’), deve ser interpretada em conjugação com esse princípio para se exigir lei complementar para o estabelecimento dos requisitos a ser observados pelas entidades em causa. A essa fundamentação jurídica, em si mesma, não se pode negar relevância, embora, no caso, se acolhida, e, em conseqüência, suspensa provisoriamente a eficácia dos dispositivos impugnados, voltará a vigorar a redação originária do artigo 55 da Lei 8.212/91, que, também por ser lei ordinária, não poderia regular essa limitação constitucional ao poder de tributar, e que, apesar disso, não foi atacada, subsidiariamente, como inconstitucional nesta ação direta, o que levaria ao nãoconhecimento desta para se possibilitar que outra pudesse ser proposta sem essa deficiência. Em se tratando, porém, de pedido de liminar, e sendo igualmente relevante a tese contrária a de que, no que diz respeito a requisitos a ser observados por entidades para que possam gozar da imunidade, os dispositivos específicos, ao exigirem apenas lei, constituem exceção ao princípio geral , não me parece que a primeira, no tocante à relevância, se sobreponha à segunda de tal modo que permita a concessão da liminar que não poderia darse por não ter sido atacado também o artigo 55 da Lei 8.212/91 que voltaria a vigorar integralmente em sua redação originária, deficiência essa da inicial que levaria, de pronto, ao nãoconhecimento da presente ação direta. Entendo que, em casos como o presente, em que há, pelo menos num primeiro exame, equivalência de relevâncias, e em que não se alega contra os dispositivos impugnados apenas inconstitucionalidade formal, mas também inconstitucionalidade material, se deva, nessa fase da tramitação da ação, trancála com o seu nãoconhecimento, questão cujo exame será remetido para o momento do julgamento final do feito. Embora relevante a tese de que, não obstante o § 7º do artigo 195 só se refira a ‘lei’, sendo a imunidade uma limitação constitucional ao poder de tributar, é de se exigir lei complementar para o estabelecimento dos requisitos a ser observados pelas entidades em causa, no caso, porém, dada a relevância das duas teses opostas, e sendo certo que, se concedida a liminar, revigorarseia legislação ordinária anterior que não foi atacada, não deve ser concedida a liminar pleiteada. É relevante o fundamento da inconstitucionalidade material sustentada nos autos (o de que os dispositivos ora impugnados o que não poderia ser feito sequer por lei complementar estabeleceram requisitos que desvirtuam o próprio conceito constitucional de entidade beneficente de assistência social, bem como limitaram a própria extensão da imunidade). Existência, também, do periculum in mora. Referendouse o despacho que concedeu a liminar, na ADIn no 2028, para suspender a eficácia dos dispositivos impugnados nesta ação direta, ficando prejudicada a requerida na ADIn no 2036. Fl. 359DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10865.002625/200774 Resolução nº 1401000.281 S1C4T1 Fl. 360 10 A decisão do STF foi a seguinte : Decisão: O Tribunal, por unanimidade, referendou a concessão da medida liminar para suspender, até a decisão final da ação direta, a eficácia do art. 1º, na parte em que alterou a redação do art. 55, inciso III, da Lei nº 8.212, de 24/7/1991, e acrescentoulhe os § § 3º, 4º e 5, bem como dos arts. 4º, 5º e 7º, da Lei nº 9.732, de 11/12/1998. Votou o Presidente. Ausente, justificadamente, o Senhor Ministro Celso de Mello. Plenário, 11.11.99. Também reproduzo, para maior esclarecimento, a parte final do voto do Ministro Moreira Alves: (...) Com efeito, a Constituição, ao conceder imunidade às entidades beneficentes de assistência social, o fez para que fossem a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios auxiliados nesse terreno de assistência aos carentes por entidades que também dispusessem de recursos para tal atendimento gratuito, estabelecendo que a lei determinaria as exigências necessárias para que se estabelecessem os requisitos necessários para que as entidades pudessem ser consideradas beneficentes de assistência social. É evidente que tais entidades, para serem beneficentes, teriam de ser filantrópicas (por isso, o inciso II do artigo 55 da Lei 8.212/91, que continua em vigor, exige que a entidade ‘seja portadora do Certificado ou do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Serviço Social, renovado a cada três anos’), mas não exclusivamente filantrópica, até porque as que o são não o são para o gozo de benefícios fiscais, e esse benefício concedido pelo § 7° do artigo 195 não o foi para estimular a criação de entidades exclusivamente filantrópicas, mas, sim, das que, também sendo filantrópicas sem o serem integralmente, atendessem às exigências legais para que se impedisse que qualquer entidade, que praticasse atos de assistência filantrópica a carentes, gozasse da imunidade, que é total, de contribuição para a seguridade social, ainda que não fosse reconhecida como de utilidade pública, seus dirigentes tivessem remuneração ou vantagens, ou se destinassem elas a fins lucrativos. Aliás, são essas entidades que, por não serem exclusivamente filantrópicas, têm melhores condições de atendimento aos carentes a quem o prestam que devem ter sua criação estimulada para o auxílio ao Estado nesse setor, máxime em época em que, como a atual, são escassas as doações para a manutenção das que se dedicam exclusivamente à filantropia. De outra parte, no tocante às entidades sem fins lucrativos educacionais e de prestação de serviços de saúde que não pratiquem de forma exclusiva e gratuita atendimento a pessoas carentes, a própria extensão da imunidade foi restringida, pois só gozarão desta ‘na proporção do valor das vagas cedidas integral e gratuitamente a carentes, e do valor do atendimento à saúde de caráter assistencial’, o que implica dizer que a imunidade para a qual a Constituição não estabelece limitação em sua extensão o é por lei. 5. Também ocorre, para a concessão da liminar, o requisito do periculum in mora, tendo em vista a circunstância de que inúmeras entidades deixarão de ser consideradas como entidades beneficentes de prestação de serviços de saúde e de educação, com danos irreparáveis para a coletividade carente que vem sendo atendida por elas. 6. Em face do exposto, e pelas razões expostas, voto no sentido de ser referendado o despacho do eminente Ministro Marco Aurélio que concedeu a liminar Fl. 360DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10865.002625/200774 Resolução nº 1401000.281 S1C4T1 Fl. 361 11 requerida, concessão esta que, por aproveitar à requerida na ADIn 2.036, torna prejudicada a pedida nesta.” Dois pontos fundamentais foram trazidos à discussão no STF: 1) inconstitucionalidade formal, por não se tratar de lei complementar; e 2) inconstitucionalidade material, por ter a lei limitado o conceito de assistência social, como definido pela Constituição Federal. A questão de mérito levantada nos presentes autos da CSLL, portanto, não resta dúvidas que está em discussão no Supremo Tribunal Federal, a quem caberá a última palavra. Mais recentemente, o panorama dessa situação mudou de figura mais um pouco. É que, no RE 566.622/RS o Plenário do STF reconheceu a existência de repercussão geral relacionada à imunidade tributária estatuída no art.195, §7°, da CF/88, que ficou assim ementado: REPERCUSSÃO GERAL ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL IMUNIDADE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS ARTIGO 195, §7°, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. Admissão pelo Colegiado Maior. (Rel. Min. Marco Aurélio, Julg. 21/02/08, DJe 25/04/08) De acordo com o respectivo voto condutor , vêse que se admitiu a repercussão geral quanto à constitucionalidade de os requisitos para a o gozo da imunidade do art.195, §7°, da CF/88, poderem ser veiculados em lei ordinária. In verbis, na íntegra: "1. O Tribunal Regional Federal da 4a Região negou provimento à apelação da recorrente e proveu o apelo da União, assentando que o artigo 195, §7°, da Constituição Federal, ao remeter à lei a disciplina sobre as exigências para a concessão da imunidade às entidades beneficentes de assistência social, assim o fez de forma genérica, sem referirse a lei complementar, motivo pelo qual pode ser regulado por lei ordinária. No extraordinário interposto com alegada base na alínea 'a' do permissivo constitucional, a recorrente articula com a transgressão dos artigos 146, inciso II, e 195, §7°, do Diploma Maior. Aduz ter jus ao gozo da imunidade tributária, quanto ao recolhimento de contribuições previdenciárias, considerando o fato de o art.7° do artigo 195 da Carta veicular verdadeira regra de nãoincidência. Diz da inconstitucionalidade formal do artigo 55 da Lei n° 8.212/91. Em face do disposto no inciso II do artigo 146 da Constituição Federal, entende aplicáveis à espécie os requisitos previstos no artigo 14 do Código Tributário Nacional, aos quais, conforme consignado no acórdão de origem, atendeu plenamente. Sob o ângulo da repercussão geral, sustenta importância do tema, ante a circunstância de a orientação a ser definida pelo Supremo vir a nortear o julgamento de diversos processos semelhantes, superando o interesse subjetivo. Afirma a relevância jurídica da questão constitucional, considerando o fato de as entidades beneficentes desempenharem função social de grande valor, mormente em relação às camadas carentes da sociedade. 2. Estáse diante de articulação sobre a harmonia do artigo 55 da Lei n° 8.212/91 com o ordenamento jurídicoconstitucional. A matéria possui Fl. 361DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10865.002625/200774 Resolução nº 1401000.281 S1C4T1 Fl. 362 12 relevância, tendo em conta as entidades beneficentes que atuam no campo social. 3. Admito a repercussão, a fim de que o pronunciamento do Supremo sobre a higidez, ou não, do artigo 55 da Lei n° 8.212/91 ganhe contornos vinculantes. 4. Publiquem. Brasília, 18 de janeiro de 2008. Ministro MARCO AURÉLIO Relator" Portanto, dúvidas não há de que a questão da imunidade voltada às atividades beneficentes de assistência social, de que trata o art. 195, parágrafo 7º da CF está pendente de apreciação no STF e também diz respeito aos presentes autos, podendo o desfecho na seara judicial repercutir na exigência ou não dos créditos tributários de CSLL objeto deste processo. Por fim, quanto ao desmembramento do processo para se possibilitar desde logo o julgamento quanto ao IRPJ, entendo que isso implicará em tumulto processual, pois, na prática, representará a constituição de novos autos, vez que todo o levantamento da fiscalização consta de documentos que se referem também à CSLL, não se tratando apenas de uma simples separação de autos de infração. Considerando o disposto no § 1º do art. 62A do Anexo II do RICARF (incluído pela Portaria MF nº 69/09) c/c art. 2º da Portaria CARF nº 001/2012, proponho o sobrestamento do julgamento do presente recurso voluntário, até o trânsito em julgado da decisão a ser proferida pelo STF no aludido RE 601.314RG/SP. Encaminhese o p.p. à Secretaria da 4ª Câmara, para que sejam observados os procedimentos previstos no § 3º do art. 2º e art. 3º da Portaria CARF nº 001/2012,.devendo se aguardar a apreciação definitiva do RE 566.622/RS pelo Supremo Tribunal Federal. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 362DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA
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Numero do processo: 10380.913362/2009-35
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Aug 25 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2009
COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVAS MENSAIS. LUCRO REAL.
Nos moldes da Súmula CARF 84, o pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação.
Numero da decisão: 1803-001.717
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer a possibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa, mas sem homologar a compensação, por ausência de análise do mérito pela autoridade preparadora, com o consequente retorno dos autos ao órgão de origem, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação, nos termos do relatório de voto que integram o presente julgado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Walter Adolfo Maresch.
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Presidente e Redator para Formalização do Acórdão
Considerando que o Presidente à época do Julgamento não compõe o quadro de Conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) na data da formalização da decisão, que a 3ª Turma Especial da 1ª Seção foi extinta pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015 (que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF), e as atribuições dos Presidentes de Câmara previstas no Anexo II do RICARF, a presente decisão é assinada pelo Presidente da 4ª Câmara/1ª Seção André Mendes de Moura, para fins de formalização. Da mesma maneira, tendo em vista que, na data da formalização da decisão, o relator VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN não integra o quadro de Conselheiros do CARF, o Presidente André Mendes de Moura será o responsável pela formalização do voto.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sergio Rodrigues Mendes (Presidente á Época do Julgamento), Meigan Sack Rodrigues, Victor Humberto da Silva Maizman e Roberto Armond Ferreira da Silva.
Nome do relator: VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN
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ESTIMATIVAS MENSAIS. LUCRO REAL. Nos moldes da Súmula CARF 84, o pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer a possibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa, mas sem homologar a compensação, por ausência de análise do mérito pela autoridade preparadora, com o consequente retorno dos autos ao órgão de origem, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação, nos termos do relatório de voto que integram o presente julgado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Walter Adolfo Maresch. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Presidente e Redator para Formalização do Acórdão Considerando que o Presidente à época do Julgamento não compõe o quadro de Conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) na data da formalização da decisão, que a 3ª Turma Especial da 1ª Seção foi extinta pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015 (que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF), e as atribuições dos Presidentes de Câmara previstas no Anexo II do RICARF, a presente decisão é assinada pelo Presidente da 4ª Câmara/1ª Seção André Mendes de Moura, para fins de formalização. Da mesma maneira, tendo em vista que, na data da formalização da decisão, o relator VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN não AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 91 33 62 /2 00 9- 35 Fl. 67DF CARF MF Impresso em 25/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 21/08/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10380.913362/200935 Acórdão n.º 1803001.717 S1TE03 Fl. 3 2 integra o quadro de Conselheiros do CARF, o Presidente André Mendes de Moura será o responsável pela formalização do voto. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sergio Rodrigues Mendes (Presidente á Época do Julgamento), Meigan Sack Rodrigues, Victor Humberto da Silva Maizman e Roberto Armond Ferreira da Silva. Relatório Trata o presente processo da Declaração de Compensação DCOMP de fls. 01/04, apresentada em 09/01/2008 por meio eletrônico através do aplicativo PER/DCOMP 3.3, na qual a interessada acima identificada alega possuir crédito contra a Fazenda Pública no valor original de R$ 1.597.740,23, decorrente de pagamento indevido da antecipação do imposto de renda da pessoa jurídica IRPJ, no valor de R$ 1.876.090,74, referente ao período de apuração de julho de 2005. Utilizando o crédito que alega possuir, a interessada busca extinguir por compensação débitos de IRRF, período de apuração março de 2008. Foi proferido o Despacho Decisório de fl. 05/06, o qual não homologou a compensação, sob o fundamento de que o crédito pleiteado não existe, vez que o pagamento foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informado no PER/DCOMP. O enquadramento legal mencionado no Despacho Decisório é o seguinte: artigos 165 e 170 da lei no 5.172, de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional CTN) e art. 74 da Lei n° 9.430 de 27 de dezembro de 1996. Inconformada com a aludida decisão, a empresa apresentou impugnação sustentando em síntese que ao findar o ano, finalizado o período de apuração do IRPJ, foi apurado que a contribuinte teve, em verdade, um prejuízo fiscal. Desta forma, inexistindo lucro no período de apuração de 2005, não se configurou a situação hipotética descrita na norma tributária apta a configurar a incidência do IRPJ. Sustenta ainda, que o valor recolhido por estimativa, referente a apuração realizada no mês de julho de 2005, foi, de fato, indevido, conforme constatado no fechamento do período de apuração anual em 2005, como dito, houve prejuízo fiscal. E, sendo indevido, a TERMOCEARÁ LTDA utilizouse desse crédito para compensar valores a pagar no ano de 2008, sendo que a presente PER/DCOMP utilizouse de parte desses créditos. Em sede de cognição ampla a DRJ manteve o lançamento impugnado, sob o fundamento de que as antecipações efetuadas através das estimativas não configuram pagamento a maior do tributo. A hipótese de indébito tributário somente pode se dar ao final do período de apuração, com a ocorrência do respectivo fato gerador do tributo, ocasião em que poderá ser verificado se o somatório dos pagamentos e antecipações efetuados no decorrer do período se revela superior ao valor do tributo devido ao final do anocalendário. Por ato contínuo, a autuada interpôs Recurso Voluntário sustentando os mesmos argumentos que respaldaram a impugnação. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 25/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 21/08/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10380.913362/200935 Acórdão n.º 1803001.717 S1TE03 Fl. 4 3 Cabe formalizar a presente decisão conforme apresentada em plenário, dado que o relator original não mais compõe o colegiado, nos termos do art. 17 e do art. 18 ambos do Anexo II do Regimento Interno aprovado pela Portaria MF nº 343, 09 de junho de 2015, que em seu art. 6º extinguiu as turmas especiais. Está registrada na Ata da Reunião de Julgamento formalizada no processo nº 15169.000109/201162: Aos doze dias do mês de junho do ano de dois mil e treze, às nove horas, no Setor Comercial Sul, Quadra 01, Edifício Alvorada, 2º andar, sala 202, em Brasília Distrito Federal, reuniramse os membros da 3ªTE/4ªCÂMARA/1ªSEJUL/CARF/MF/DF, estando presentes WALTER ADOLFO MARESCH (Presidente), MEIGAN SACK RODRIGUES, VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, SERGIO RODRIGUES MENDES, ROBERTO ARMOND FERREIRA DA SILVA e eu, MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES, Chefe da Secretaria, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária.[...] Relator(a): VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN Processo: 10380.913362/200935 Nome do Contribuinte: TERMOCEARA LTDA Acórdão 1803001.717 Decisão: Por unanimidade de votos, DERAM provimento PARCIAL ao recurso, para reconhecer a possibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa, mas sem homologar a compensação, por ausência de análise do mérito pela autoridade preparadora, com o consequente retorno dos autos ao órgão de origem, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação. Ausência momentânea: WALTER ADOLFO MARESCH Votação: Por Unanimidade Questionamento: RECURSO VOLUNTÁRIO Resultado: Recurso Voluntário Provido em Parte Aguardando Nova Decisão É o Relatório. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 25/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 21/08/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10380.913362/200935 Acórdão n.º 1803001.717 S1TE03 Fl. 5 4 Voto Conselheiro André Mendes de Moura Redator para Formalização do Voto. Em face da necessidade de formalização da decisão proferida nos presentes autos, e tendo em vista que o relator originário do processo não mais integra o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, encontrome na posição de Redator, nos termos dos arts. 17 e 18, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015 (RICARF). Informo que, na condição de Redator, transcrevo literalmente a minuta que foi apresentada pelo Conselheiro durante a sessão de julgamento. Portanto, a análise do caso concreto reflete a convicção do relator do voto na valoração dos fatos. Ou seja, não me encontro vinculado: (1) ao relato dos fatos apresentado; (2) a nenhum dos fundamentos adotados para a apreciação das matérias em discussão; e (3) a nenhuma das conclusões da decisão incluindose a parte dispositiva e a ementa. A seguir, a transcrição do voto. O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. A Recorrente discorda do procedimento fiscal. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Posteriormente, ou seja, em de 30.12.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Ainda, o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. Ademais, o procedimento se Fl. 70DF CARF MF Impresso em 25/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 21/08/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10380.913362/200935 Acórdão n.º 1803001.717 S1TE03 Fl. 6 5 submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional 1. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a seu favor dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais2. Instaurada a fase litigiosa do procedimento, cabe à Recorrente detalhar os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental préconstituída imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora, orientandose pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. Para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de registro obrigatório pela legislação fiscal específica, bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. Cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde da comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado, nos termos do art. 170 do Código Tributário Nacional. A pessoa jurídica pode deduzir do tributo devido o valor dos incentivos fiscais previstos na legislação de regência, do tributo pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real, bem como o IRPJ ou a CSLL determinado sobre a base de cálculo estimada no caso utilização do regime com base no lucro real anual, para efeito de determinação do saldo de IRPJ ou de CSLL a pagar ou a ser compensado no encerramento do anocalendário, ocasião em que se verifica a sua liquidez e certeza3. A partir de 30.11.2009, foi expressamente afastada a vedação de utilização do crédito proveniente de pagamento mensal a maior de estimativa do IRPJ e da CSLL, para fins de compensação com débitos tributários, cuja matéria é tratada em sede de norma complementar. Sobre a retroatividade de seus efeitos, vale ressaltar que a legislação tributária abrange as normas complementares que incluem os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas superiores, necessários à perfeita execução das leis. Como têm 1 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Códido Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. 2 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995, art. 6º e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 3 Fundamentação legal: art. 170 do Código Tributário Nacional, art. 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 e art. 2º da Lei nº 9.430, 27 de dezembro de 1996. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 25/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 21/08/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10380.913362/200935 Acórdão n.º 1803001.717 S1TE03 Fl. 7 6 caráter meramente elucidativo e explicitador, apresentam nítida feição interpretativa, podendo operar efeitos retroativos para atingir fatos anteriores ao seu advento. Assim, em relação à compensação tributária, temse que o permissivo regulamentar de utilização do crédito proveniente de pagamento mensal a maior de estimativa do IRPJ e da CSLL alcança o Per/DComp formalizado antes da sua vigência4. O pedido inicial da Recorrente referente ao reconhecimento do direito creditório pleiteado do valor de IRPJ ou de CSLL determinado sobre a base de cálculo estimada, pode ser analisado, uma vez que o “pagamento indevido ou a maior a título de estimativa pode caracterizar indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação”, desde que comprovado erro, em conformidade com a Súmula CARF nº 84. A Unidade de origem afastou a possibilidade de aproveitamento de indébitos decorrentes de recolhimentos estimados, não permite concluir pela integridade da formação do crédito e assim não foi analisada a efetiva existência do direito creditório pleiteado. Superada esta questão, necessário se faz a apreciação do mérito pela autoridade administrativa competente, quanto aos demais requisitos para homologação da compensação. Cumpre registrar, inclusive, que, enquanto a Recorrente não for cientificada de uma nova decisão quanto ao mérito de sua compensação, os débitos compensados permanecem com a exigibilidade suspensa, por não se verificar decisão definitiva acerca de seus procedimentos. E, caso tal decisão não resulte na homologação total das compensações promovidas, develhe ser facultada nova manifestação de inconformidade, possibilitandolhe a discussão do mérito da compensação nas duas instâncias administrativas de julgamento, nos termos do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 19725. Os efeitos do acatamento da preliminar da possibilidade de deferimento da Per/DComp, cujo pretenso direito creditório se refere ao pagamento de estimativa em valor indevido, impõe, pois, o retorno dos autos à unidade de jurisdição da Recorrente para que seja analisado o mérito do pedido, ou seja, a origem e a procedência do crédito pleiteado, em conformidade com a escrituração mantida com observância das disposições legais, desde que comprovada por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, bem como com os registros internos da RFB. Também devem ser examinados conjuntamente os Per/DComp que tenham por base o mesmo crédito, ainda que apresentados em datas distintas, se for o caso6. Em assim sucedendo, voto dar provimento em parte ao recurso voluntário, para reconhecer a possibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa, mas sem homologar a compensação, por ausência de análise do mérito pela autoridade 4 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Código Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, art. 73 da Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997, art. 4º da Lei nº 11.051, de 29 de dezembro de 2004, art. 30 da Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, art. 96, inciso I do art. 100, inciso I do art. 106 do Código Tributário Nacional, Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012, art. 269 do Código de Processo Civil, Lei Complementar nº 118, de 9 de fevereiro de 2005 e art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF e art. 83 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. 5 Fundamentação legal: art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012. 6 Fundamentação legal: art. 9º do Decretolei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977 e Portaria RFB nº 666, de 24 de abril de 2008. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 25/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 21/08/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10380.913362/200935 Acórdão n.º 1803001.717 S1TE03 Fl. 8 7 preparadora, com o consequente retorno dos autos a Unidade de origem, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Redator para Formalização do Voto Fl. 73DF CARF MF Impresso em 25/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 21/08/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA
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Numero do processo: 10510.002143/2008-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Período de apuração: 01/09/1989 a 30/06/1991
AÇÃO JUDICIAL. TRÂNSITO EM JULGADO. FORÇA DE LEI NOS LIMITES DA LIDE.
Transitado em julgado a ação judicial, cabe ao ente administrativo cumpri-la nos estritos termos em que foi formulada, sob pena de descumprimento de ordem judicial.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3302-002.756
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente e Relator ad hoc.
EDITADO EM: 19/05/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Fabiola Cassiano Keramidas, Paulo Guilherme Déroulède, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: GILENO GURJAO BARRETO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1606; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10510.002143/200815 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302002.756 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 16 de outubro de 2014 Matéria FINSOCIAL COMPENSAÇÃO Recorrente JÚLIO PRADO VASCONCELOS COMÉRCIO E REPRESENTAÇÕES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/09/1989 a 30/06/1991 AÇÃO JUDICIAL. TRÂNSITO EM JULGADO. FORÇA DE LEI NOS LIMITES DA LIDE. Transitado em julgado a ação judicial, cabe ao ente administrativo cumprila nos estritos termos em que foi formulada, sob pena de descumprimento de ordem judicial. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator ad hoc. EDITADO EM: 19/05/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Fabiola Cassiano Keramidas, Paulo Guilherme Déroulède, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 00 21 43 /2 00 8- 15 Fl. 567DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10510.002143/200815 Acórdão n.º 3302002.756 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Adotase o relatório da decisão recorrida, por bem refletir a contenda. Tratase de Manifestação de Inconformidade do interessado contra o Despacho Decisório da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Aracaju n°808, de 28 de agosto de 2008, fls.193/197, que homologou parcialmente as compensações dos débitos da Cofins com o crédito do Finsocial, relativo ao período de setembro/1989 a junho/1991, reconhecido por decisão judicial transitada em julgado na ação tombada sob o n°95.00029367. O interessado pretendeu extinguir por meio da compensação, os débitos da Cofins dos PA de setembro a novembro/1998; janeiro, fevereiro e maio de 2000; julho/2000 a setembro/2003, bem como os débitos do PIS dos PA de maio a setembro/2003, discriminados no extrato de fls.45/52, no valor total de R$581.434,47. Na fundamentação do despacho decisório, consta que, analisando os PER/DCOMP eletrônicos, fls. 06/44, n°37012.03088.290903.1.3.576085, 17353.51276.141103.1.3.572990 e 41689.39905.141103.1.3.570003 (fls.39/44), acatouse o cancelamento deste último, mediante o PER/DCOMP de n° 02919.33890.270808.1.8.571073, fl.179, em razão de ter ficado constatada a duplicidade dos débitos declarados na DCOMP n°36657.42892.141103.1.3.570087 (fls.180/182), objeto do processo administrativo 10510.002123/200844, referidos débitos da contribuição para o PIS (fl.40). Além disso, o despacho decisório faz referência ao fato de a decisão judicial (fls.150/156), proferida na Ação Declaratória n°95.00029367, reconhecer o direito de o interessado compensar os créditos do Finsocial, em decorrência dos aumentos da alíquota promovidos pelas Leis n°7.787/89, 7.894/89 e 8.147/90, declarados inconstitucionais, tão somente com os débitos da Cofins. Informou o despacho decisório que, comprovado o trânsito em julgado da ação, certidão de fl.169 e extrato de fl.178, restaria à Administração proceder na forma determinada para homologação da compensação, compreendendo os pagamentos do Finsocial realizados de 21/06/1990 a junho/1991, afastados os anteriores a 21/06/1990, dada a decadência, conforme sentença de fls.152/153, e os posteriores a junho/1991, haja vista que a empresa depositou os valores em Juízo, conforme informação de f1.129. Consta ainda naquele decisório, que no curso de ação fiscal, com a lavratura do auto de infração anexado às fls.54/65, para exigência da multa isolada pela compensação indevida da Cofins esta exonerada no julgamento da 1ª instância pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador, por força do art.18 da Lei n°10.833, de 2003, nos termos do Acórdão n°1511.176, de fls.161/165 procedeuse ao confronto entre os demonstrativos de fls.67 e 73/80, e assim concluiu restar o direito creditório relativo ao Finsocial no valor de R$57.931,98, atualizado até 31/12/1995, conforme tabela parte integrante do despacho decisório de fl.195, suficiente, conforme demonstrativo de fls.81/88, para compensar os débitos da Cofins dos meses de setembro a novembro de 1998, janeiro, fevereiro e maio de 2000, sendo que em relação ao mês de maio, a compensação limitase ao montante de R$5.368,69. Por conseguinte, foram homologados parcialmente a compensação dos débitos declarados no PER/DCOMP eletrônico n°37012.03088.290903.1.3.576085 Fl. 568DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10510.002143/200815 Acórdão n.º 3302002.756 S3C3T2 Fl. 4 3 (fls.06127), conforme demonstrativo de fls.82/88 e não homologação dos débitos declarados no PE/DCOMP n° 17353.51276.141103.1.3.572990, por inexistência do crédito. Devidamente cientificado em 05/09/2008, fl.218, o interessado apresentou em 26/09/2008 a manifestação de inconformidade de fls. 241/263, na qual alegou: • ingressou com ação judicial n° 95.00029367, requerendo a inconstitucionalidade da majoração das alíquotas do Finsocial e o direito a repetição do indébito, tendo a ação transitado em julgado no ano de 1997, reconhecendo o direito à compensação do valor pago indevidamente com débitos da Cofins, tendo iniciado em setembro/1998 a compensação dos créditos com os débitos da Cofins, dentro dos limites dos autos judiciais, mediante a entrega da DCTF, até abril de 2003, quando passou a transmitir os PER/DCOMP eletrônicos, a partir da entrada em vigor da IN SRF n° 320, de 11/04/2003, em 14/05/2003; • o órgão fazendário passou a exigir que todas as compensações, antes declaradas em DCTF, fossem declaradas em PER/DCOMP, retroagindo os efeitos da norma disposta na IN SRF 320/03 e por isso a empresa protocolou os PER/DCOMP declarando mais uma vez todas as compensações; • em 29/08/2008 o órgão fazendário não as reconheceu, conferindolhe um prazo de 30 dias para pagamento dos débitos não quitados da Cofins no valor atualizado de R$1.085.910,92, contra o qual ora interpõe a inconformidade; • há um equivoco no despacho decisório quando homologou em parte as compensações declaradas na DCOMP n° 37012.03088.290903.1.3.576085, restringindose aos débitos de 09/1998 a 02/2000 e 05/2000 não homologou as compensações da DCOMP n° 17353.51276.141103.1.3.572990, uma vez que a própria Receita Federal, embora não tenha expressamente homologado as compensações na parte conclusiva do despacho, assim o fez em 28/08/2008, quando da elaboração da "listagem de débitos/saldos remanescentes", à fl. 184, nos PA de set/98 a dez/01 glosando a compensação em relação ao débito do último período no valor de R$ 3.303,73, e a fl. 191, homologação da compensação nos PA de maio/03 a set/03, glosado o valor de R$ 18.961,94; • para que seja assegurado um julgamento justo fazse necessária a revisão da cobrança por força do deferimento das compensações; • o relatório e a fundamentação são requisitos essenciais da sentença, art . 458 do CPC, mas não possuem cunho decisório. Verificandose a fundamentação da petição judicial e a decisão prolatada pelo juiz, constatase que a autoridade fiscal equivocouse na interpretação da sentença que julgou procedente todo o pedido formulado, sendo incabível a autuação lançada pelo agente fiscal, pois requereu a restituição de todos os valores recolhidos indevidamente, atualizados monetariamente, não restando nenhuma parcela de fora, afastada por decadência, como afirma o despacho, e assim, terá o direito de rever os valores pagos no período de outubro/1988 a junho/1991, pois nos períodos seguintes os valores foram depositados em juízo, sendo posteriormente levantados pela autora; • quanto ao critério de atualização dos créditos, foi afirmado no despacho que somente os créditos decorrentes dos períodos de dezembro/1990 a julho/1991 poderiam ser utilizados nas compensações porque, aplicando um coeficiente estipulado pela Receita Federal, f1.195, restaria um crédito a favor do contribuinte de R$57.931,98. Contudo, existindo decisão Fl. 569DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10510.002143/200815 Acórdão n.º 3302002.756 S3C3T2 Fl. 5 4 judicial com trânsito em julgado impondo a correção monetária e juros sobre o crédito apurado pelo contribuinte, não pode a RFB aplicar os índices que lhe convier, devendo ser aplicados os índices integrais da correção monetária, conforme inúmeros julgados do Conselho de Contribuintes, que transcreve; • requer perícia contábil a fim de produzir prova pericial que conduza a um julgamento correto, assegurando a empresa o devido trâmite do processo legal, conforme art.5°, LV, da CF, formulando questões e indicando o nome do perito, conforme entendimento de doutrina que transcreve e homologação de todas as compensações efetuadas. Vistos, relatados e discutidos os autos, acordaram os membros da Quarta Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento Salvador/BA, por unanimidade de votos, pelo indeferimento do pedido de perícia, não reconhecimento do direito creditório e não homologação das compensações declaradas. Intimada em 13/08/2010, inconformada a Recorrente interpôs recurso voluntário em 13/09/2010. Encaminhado os autos para este E. Conselho proferiu decisão, conforme Resolução nº 330200.167, cujo tópico final é o seguinte: Neste sentido, havendo divergência entre o valor a ser cobrado da Recorrente, face a suposta insuficiência de créditos para compensar os débitos de PIS e COFINS, nos períodos supracitados, e o valor que fora efetivamente compensado em face das PER/DCOMP´s nº 37012.03088.290903.1.3.576085 e n.° 17353.51276.141103.1.3.572990, proponho o retorno desses autos em diligência, à Delegacia da Receita Federal de Julgamento para que sejam apurados os reais valores a ser compensados em face do entendimento supracitado, acerca da abrangência da decisão proferida nos autos da ação judicial nº 95.00029367, qual seja, o direito da Recorrente de compensar os valores recolhidos a maior a título de FINSOCIAL, no período compreendido entre outubro de 1988 a junho de 1991, elaborandose quadro demonstrativo dos débitos compensados e dos créditos compensados, a partir do valor inicial decorrente da decisão judicial. Realizada diligência os autos retornaram para este E. Conselho para decisão. É o relatório. Voto Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Relator ad hoc. Fl. 570DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10510.002143/200815 Acórdão n.º 3302002.756 S3C3T2 Fl. 6 5 O presente recurso preenche os requisitos de admissibilidade, por isso dele conheço. Conforme exposto, os autos retornaram para a Delegacia da Receita Federal do Brasil para que fossem apurados os reais valores a ser compensados em face do entendimento supracitado, acerca da abrangência da decisão proferida nos autos da ação judicial nº 95.00029367, qual seja, o direito da Recorrente de compensar os valores recolhidos a maior a título de FINSOCIAL, no período compreendido entre outubro de 1988 a junho de 1991, elaborandose quadro demonstrativo dos débitos compensados e dos créditos compensados, a partir do valor inicial decorrente da decisão judicial. Veja que a questão do alcance da decisão judicial, já transitada em julgado, já foi apreciada por esta Turma, na Resolução nº 330200.167, onde votei no seguinte sentido: “Nos termos do artigo 469 do Código de Processo Civil: “Art. 469 – Não fazem coisa julgada: I – os motivos, ainda que importantes para determinar o alcance da parte dispositiva da sentença; O artigo 469, inciso I do Código de Processo Civil esclarece a questão ao dispor que não fazem coisa julgada os motivos, ainda que importantes para determinar o alcance da parte dispositiva da sentença. Neste sentido havendo contradição entre a motivação e a conclusão do acórdão, prevalece o contido na parte dispositiva da decisão. Nestes termos o E. Superior Tribunal de Justiça já decidiu: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL. ALEGAÇÃO DE AUSÊNCIA DE INTERESSE RECURSAL. CONTRADIÇÃO ENTRE A MOTIVAÇÃO E A CONCLUSÃO DO ACÓRDÃO PROFERIDO PELO TRIBUNAL "A QUO". NÃO CONFIGURAÇÃO. INCIDÊNCIA DO CONTIDO NO ARTIGO 469, I, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. DESPROVIMENTO DO AGRAVO REGIMENTAL. 1. Não fazem coisa julgada os motivos, ainda que importantes para determinar o alcance da parte dispositiva da sentença (art. 469, I, CPC). 2. Existindo contradição entre a motivação e a conclusão do acórdão, prevalece o contido na parte dispositiva do aresto. 3. Agravo Regimental desprovido. (STJ – AgRg no Recurso Especial nº 388.951. Rel. Mi. Denise Arruda. DJ.30.08.2004) "PROCESSUAL – ACÓRDÃO – MOTIVAÇÃO – COISA JULGADA – CONTRADIÇÃO APARENTE – DISPOSITIVO. Fl. 571DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10510.002143/200815 Acórdão n.º 3302002.756 S3C3T2 Fl. 7 6 Os motivos relacionados na fundamentação do acórdão não fazem coisa julgada (CPC, Art. 469). Aparente contradição entre os motivos e a conclusão do acórdão resolvesse em favor desta última. Se o aresto nega provimento a recurso manejado para reformar decisão que extinguira o processo em relação aos recorridos, não há como retirar desse aresto, a conclusão de que o processo continua, contra as partes excluídas" (REsp 472.595/PR, Rel. Min. Humberto Gomes de Barros, DJU 26.04.04); Neste sentido, podese inferir que como é na parte dispositiva da sentença que se encontrará o conteúdo decisório do magistrado, é sobre este conteúdo que incide a autoridade da coisa julgada. Assim, é o dispositivo da sentença que gera coisa julgada. A decisão finda com o dispositivo, que é o momento em que o magistrado acolhe ou rejeita, no todo ou em parte, o pedido do autor, ao mesmo tempo em que, acolhendoo aponta o que deve ser feito para que o direito postulado se efetivado. A fundamentação, muito embora seja necessária, para dimensionar o alcance e a compreensão do dispositivo, não faz coisa julgada. No presente caso, o juiz ao declarar a procedência dos pedidos formulados pela autora, na ação judicial nº 95.00029367, acatou todos os pedidos expostos na inicial, declarando, portanto, a inconstitucionalidade da legislação que majorou as alíquotas do Finsocial e, consequentemente, condenando a Fazenda Nacional a restituir os valores recolhidos a maior no período compreendido na exordial. Portanto, não cabe à autoridade administrativa delimitar o que foi determinado na referida decisão judicial, sob pena de descumprimento de ordem judicial. A compensação deve se ater ao que foi decidido na ação judicial. Se a decisão foi inteiramente procedente, acolhendo todos os argumentos expostos pela ora Recorrente, esta terá o direito de compensar os valores recolhidos a maior a título de FINSOCIAL, nos exatos termos determinados na decisão, ou seja, no período compreendido entre outubro de 1988 a junho de 1991. Assim, superada a questão acerca da abrangência da decisão judicial proferida nos autos da ação nº 95.00029367 que reconheceu o direito da Recorrente de compensar os valores recolhidos a maior a título de FINSOCIAL, no período compreendido entre outubro de 1988 a junho de 1991, conforme Resolução supracitada, os autos retornaram para diligência apenas para verificação de valores a serem compensados, e não mais para iniciar nova discussão acerca da abrangência da decisão judicial com trânsito em julgado. A Delegacia da Receita Federal, em retorno da diligência, afirmou que: Fl. 572DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10510.002143/200815 Acórdão n.º 3302002.756 S3C3T2 Fl. 8 7 “Esgotado este ponto, vejamos agora a questão da apuração do crédito do interessado. Neste particular, embora o contribuinte aponte e assim tenha entendido o nobre conselheiro relator que a decisão judicial lhe garantira o direito à restituição do Finsocial pago a maior desde o período de apuração de outubro de 1988 a março a junho de 1991, procederemos aos cálculos considerando o período de setembro de 1989 a junho de 1991, pelas seguintes razões: a) o art. 9º da Lei 7.689/88 não trazia em seu bojo aumento de alíquota do Finsocial e a decretação de sua inconstitucionalidade se deu em razão da incompatibilidade com os arts. 195 da Constituição Federal e 56 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias – ADCT. Em função da inconstitucionalidade do art. 9º da Lei 7.689/88, o Plenário do STF, por ocasião do julgamento do RE 150.764, DJ de 02/04/1993, fixou o entendimento no sentido de que, em relação às empresas comerciais, financeiras e seguradoras, o Finsocial deveria ser cobrado nos moldes do DecretoLei nº 1940/82 e de suas alterações anteriores à Constituição de 1988, até a edição da LC 70/91 (diploma que substituiu o Finsocial pela Cofins). Portanto, durante anocalendário de 1988 continuou vigorando a alíquota de 0,6%, nos termos estabelecidos no art. 22 do DecretoLei nº 2.397, de 21 de dezembro de 1987, retornando à alíquota de 0,5% a partir do anocalendário de 1989; b) somente com a declaração de inconstitucionalidade do art. 7º da Lei 7.787, de 30.06.89, do art. 1º da Lei 7.894, de 24.11.89 e do art. 1º da Lei 8.147, de 28.12.9, que haviam promovido majoração da alíquota do Finsocial, passando aos percentuais de 1%, 1,2% e 2%, respectivamente, é que nasce o direito do contribuinte a restituição/compensação dos excessos decorrente de todos os recolhimentos feitos pelos contribuintes, a título de contribuição ao Finsocial, entre os períodos de setembro de 1989 até março de 1992, data de sua extinção pela Lei Complementar 70/91; c) por fim, o próprio interessado, em todos as ocasiões que fora provocado a demonstrar o seu direito nos autos, adotou o entendimento aqui exposto, conforme se observa às fls. 96, 98, 101/104, 349 e 396. Feitas as ponderações acima, procedemos aos cálculos do Finsocial pago a maior, referente aos períodos de apuração setembro de 1989 a junho de 1991, na forma demonstrada às fls. 511/519, constatando a existência de um crédito no montante de R$ 81.352,15, atualizado até 31/12/1995, com base nos índices abaixo identificados, conforme estabelece a Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT/COSAR nº 08, de 27 de junho de 1997, atendendo desta maneira ao requerido na exordial (fl. 149) e ao pronunciado na sentença judicial (fl. 157). Atualizando o valor apurado até a data da primeira Dcomp (29/09/2003), com base no percentual de 161,48% (Selic acumulada entre janeiro de 1996 até agosto de 2003, mais 1% de setembro de 2003), o crédito representa o montante de R$ 212.719,60. “ Fl. 573DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10510.002143/200815 Acórdão n.º 3302002.756 S3C3T2 Fl. 9 8 O contribuinte, por seu turno, manifestouse na diligência no seguinte sentido, em seus principais excertos, afirmando que a Delegacia continua a descumprir o conteúdo da decisão judicial, pelas seguintes razões: 1) que embora a sentença tenha autorizado o levantamento dos valores indevidamente recolhidos no período compreendido entre Outubro/1988 a Março/1992, o auditor insiste em afirmar que o contribuinte apenas teria o direito a compensar os valores decorrentes do periodop de Setembro/1989 a Junho/1991. Nesse contexto, por ter deixado de incluir os valores recolhidos nos exercícios de outubro de 1998 a Agosto de 1989 e de Julho de 1991 a Março de 1992, o cálculo estaria equivocado. 2) A Atualização do crédito foi efetuada até 1995 com base na Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT/COSAR no. 08, entretanto, conforme sentença judicial, “os valores a serem compensados pela suplicante ficam sujeitos a correção monetária e a juros calculados com base nos mesmos índices que atualizaram os créditos da Fazenda Pública no período considerado, evitandose prejuízo financeiro para o contribuinte. Afirma, no entanto, que no período o índice de correção era a OTN, após isso o BTN. Percebo que existem razões de parte a parte. À Delegacia, quando constata no item c) acima que a documentação acostada aos autos pelo próprio contribuinte contempla planilhas e DARF´s exclusivamente do período adotado em seus cálculos. Ao contribuinte pois reclama que devem ser utilizados os índices OTN e BTN para a atualização dos seus valores até 1995, quando iniciouse a aplicação da Selic, índice adotado pela Delegacia adequadamente a partir do seu início. Quanto à aplicação da norma, realmente dela nova controvérsia pode surgir quanto à sua aplicação versus conteúdo de decisões judiciais. Isso porque, para tentar uniformizar os procedimentos relativos a índices a serem utilizados na correção de indébitos tributários, nos processos administrativos de compensação e restituição de tributos e contribuições federais, a Receita Federal expediu a Norma de Execução SRF/COSAR/COSIT nº 8/97. Essa norma, interna, não foi publicada no Diário Oficial da União, mas acabou se tornando pública, seja por sua menção em diversos acórdãos das Câmaras do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, seja por sua publicação ou menção em alguns veículos da imprensa especializada. Logo adiante há uma comparação entre os índices de inflação utilizados para montagem da referida Norma e aqueles vinham sendo reconhecidos pelo Poder Judiciário em reiteradas decisões, como no caso concreto, reconhecendo os mesmos índices que eram utilizados pela Fazenda Pública no período, e nos meses em há discordância. As divergências ocorrem nos períodos de apuração dos anos de 1989 e 1990. Em 1991, não há divergência; a partir de janeiro de 1992 foi utilizada a UFIR, culminando, a partir de 1996, com a incidência dos juros à taxa SELIC, determinada pela Lei no. 9.250/95 c/c a Lei no. 9.532/97 pacificandose a questão. Fl. 574DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10510.002143/200815 Acórdão n.º 3302002.756 S3C3T2 Fl. 10 9 I Os índices da Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT/COSAR nº 08/97. Antes de demonstrarmos, em tabela, a divergência nos índices nos anos de 1989 e 1990, fazse necessária uma explicação sobre a origem dos índices estampados na Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT/COSAR nº 08/97: 1) IPC/IBGE (OTN até 01/89), no período compreendido entre janeiro de 1988 e fevereiro de 1990; 2) BTN no período compreendido entre março de 1990 a janeiro de 1991; 3) INPC de fevereiro de 1991 a dezembro de 1991. II Os índices nas decisões judiciais. 1) Com o "Plano Verão", Lei nº 7.730/89, a OTN foi congelada em 6,17, ou seja não foi corrigida pelo IPC/IBGE de janeiro de 1989. Esse expurgo de 42,72%, foi mantido na Norma de Execução e vem sendo dado pela Justiça: STJ (REsp. nº 23.0957, REsp. nº 17.8290, entre outros). 2) Em relação a fevereiro de 1989, o IPC divulgado pelo IBGE foi de 3,6%, mas esse índice, pela metodologia da época, refletia a inflação medida para o período de 20 de janeiro e 31 de janeiro. O STJ tem entendido que o índice correto aplicável é de 10,14%. 3) No mês de março de 1990 o índice a ser aplicável, segundo reiteradas decisões do STJ, é de 84,32% (REsp nº 81.859, REsp. nº 17.8290, entre outros) 4) Nos meses de abril e maio de 1990 o STJ tem decidido que os índices a serem aplicados são de 44,80% e 7,87%, respectivamente, (REsp. nº 159.484, REsp. nº 158.998, REsp nº175.498, entre outros). III Tabela comparativa das divergências. Mês/Ano FISCO JUSTIÇA DIFERENÇA Janeiro/89 0,00% 42,72% 42,72% Fevereiro/89 3,6%. 10,14% 6,54% Março/90 41,28% 84,32% 43,04% Abril/90 0,0% 44,80% 44,80% Maio/90 5,38% 7,87% 2,49% Ora, como foi o dispositivo da sentença: “Os valores a serem compensados pela suplicante ficam sujeitos a correção monetária e a juros, calculados com base nos mesmos índices que atualizaram os créditos da Fazenda Pública Fl. 575DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10510.002143/200815 Acórdão n.º 3302002.756 S3C3T2 Fl. 11 10 no período considerado, evitandose prejuízo financeiro para o contribuinte.” A discussão aqui que temos que fazer é: esse conteúdo contempla os índices tais como estão nessa planilha, reflexo das divergências apontadas ? contemplariam portanto os expurgos inflacionários? Entendo que sim sob a ótica jurídica, mas que sob a ótica administrativa teríamos um problema. Isso porque a ação, petição inicial está datada de 1995, quando os expurgos inflacionários eram conhecidos, e não houve pedido dessa natureza nessa inicial. O patrono limitouse a requerer a correção monetária em termos genéricos. O dispositivo da sentença, como visto, reconheceu a inicial em sua inteireza. Por isso não há como administrativamente a RFB sair dos limites da norma de execução, ainda que o contribuinte tenha considerado os exprgos em suas planilhas acostadas às folhas 157 e ss. Mesmo tendo posto tais valores, é de se reconhecer que essa matéria não foi tratada ao longo do processo como essa expressão “expurgos inflacionários”. Nem o fisco fez referência à divergência, tampouco o contribuinte pode contestálo, já que não compunha a lide. Considerando que o contribuinte optou por uma execução pela via administrativa, ela deve limitarse aos limites da ação judicial e da decisão proferida que, entendo, não contemplou as mencionadas divergências, logo, em tendo considerado a RFB a norma COSIT/COSAR 08/97, que contemplava os índices tais como requerido pelo contribuinte em sua manifestação sobre a diligência, quais seja, IPC/IBGE (OTN), BTN e INPC, está correta essa atualização. As diferenças relativas aos expurgos, que geram sim, e como demonstrado, divergências que reduzem o direito creditório do contribuinte, apenas podem ser alcançadas por solicitação ao Poder Judiciário, pois isso excede a competência desse órgão administrativo, já que envolve a própria eficácia da coisa julgada. Isso posto, voto no sentido de julgar procedente em parte o recurso voluntário, para reconhecer o crédito e conseqüentemente homologar as compensações até o limite do crédito apurado pela diligência. É como voto. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Relator ad hoc. Fl. 576DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10510.002143/200815 Acórdão n.º 3302002.756 S3C3T2 Fl. 12 11 Fl. 577DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 10620.000810/2007-05
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue May 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/2006
OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO. CONTABILIDADE. TÍTULOS IMPRÓPRIOS.
É devida a autuação da empresa pela falta de lançamento em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos.
ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. REQUISITOS LEGAIS. DESCUMPRIMENTO CONTÁBIL.
As entidades sem fins lucrativos devem escriturar os livros contábeis obedecendo às regras e às determinações emanadas das Normas Brasileiras de Contabilidade (NBC), estipuladas pelo Conselho Federal de Contabilidade.
A demonstração do que efetivamente foi gasto em gratuidade ou o valor da isenção auferido deve ser materializada em documento contábil.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-004.679
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Julio César Vieira Gomes - Presidente
Ronaldo de Lima Macedo - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões. Ausente o conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO. CONTABILIDADE. TÍTULOS IMPRÓPRIOS. É devida a autuação da empresa pela falta de lançamento em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. REQUISITOS LEGAIS. DESCUMPRIMENTO CONTÁBIL. As entidades sem fins lucrativos devem escriturar os livros contábeis obedecendo às regras e às determinações emanadas das Normas Brasileiras de Contabilidade (NBC), estipuladas pelo Conselho Federal de Contabilidade. A demonstração do que efetivamente foi gasto em gratuidade ou o valor da isenção auferido deve ser materializada em documento contábil. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 62 0. 00 08 10 /2 00 7- 05 Fl. 283DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Julio César Vieira Gomes Presidente Ronaldo de Lima Macedo Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões. Ausente o conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 284DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10620.000810/200705 Acórdão n.º 2402004.679 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de auto de infração lavrado pelo descumprimento da obrigação tributária acessória, prevista no art. 32, inciso II, da Lei 8.212/1991, combinado com o art. 225, inciso II e parágrafos 13 a 17, do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/1999, que consiste em deixar a empresa de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontada, as contribuições da empresa e os totais recolhidos, para as competências 01/1997 a 12/2006. O Relatório Fiscal informa que a empresa deixou de escriturar devidamente, em títulos próprios de sua contabilidade, contas de receita e despesa, os valores das contribuições sociais isentas – cota patronal, COFINS, CSLL, CPMF e gratuidades. De acordo com os anexos III lançamento de valores relativas à isenção da cota patronal e IV valores aplicados em gratuidade, anos 2001 a 2006, a empresa além de utilizar exclusivamente contas de compensação não lançou os valores relativos à isenção da COFINS, CSLL e CPMF. O Relatório Fiscal da Aplicação da Multa informa que foi aplicada a multa prevista nos arts. 92 e 102, ambos da Lei 8.212/1991, c/c o art. 283, inciso II, alínea “a”, o art. 373 e o art. 290, inciso V, parágrafo único, todos do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/1999. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 26/09/2007 (fl.01). A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 109/112), alegando, em síntese, que o Fisco inova, distingue e cria especificidade onde a Lei 8.212/1991 não o fez, no artigo 32, inciso I; tratase tal dispositivo de regra geral que não desce às minúcias pretendidas na autuação; o Decreto 2.536/98 e a Norma Brasileira de Contabilidade T10 19 prevêem a evidenciação, em notas explicativas, das gratuidades efetuadas e isenção tributária usufruída, sem haver a determinação de que as contribuições ou outros tributos devam ser abertos ou listados por espécie como pretende no AI; apresenta os valores relativos à isenção usufruída em notas explicativas, a par da utilização das contas de compensação; o seu procedimento é adequado, pois teve seu Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social renovado; para demonstrar a lisura do critério adotado anexa notas explicativas endereçadas ao CNAS. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Belo Horizonte/MG – por meio do Acórdão 0214.491 da 7a Turma da DRJ/BHE (fls. 232/236) – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade, eis que ele foi lavrado com pleno embasamento legal e observância às normas vigentes, não tendo a Defendente apresentado elementos ou fatos que pudessem ilidir a sua lavratura. A Notificada apresentou recurso, manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados no auto de infração e no mais efetua as alegações da peça de impugnação, ressaltando que ela é uma entidade beneficente de assistência social. Fl. 285DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em Sete Lagoas/MG informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao CARF para processa e julgamento. É o relatório. Fl. 286DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10620.000810/200705 Acórdão n.º 2402004.679 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. Com relação ao procedimento utilizado pela auditoria fiscal, a Recorrente alega que não houve cumprimento da legislação vigente. Tal alegação não será acatada, eis que o Fisco cumpriu a legislação de regência, ensejando o lançamento de ofício em decorrência da Recorrente ter incorrido no descumprimento de obrigação tributária acessória, conforme os fatos e a legislação a seguir delineados. Verificase que a Recorrente deixou de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, eis que ela registrou incorretamente nas contas de receita e despesa os valores das contribuições sociais isentas: cota patronal, COFINS, CSLL, CPMF e gratuidades. Com isso, a Recorrente incorreu na infração prevista no art. 32, inciso II, da Lei 8.212/1991, transcrito abaixo: Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) II lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; (grifos nossos) Esse art. 32, inciso II, da Lei 8.212/1991 é claro quanto à obrigação acessória da empresa e o Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/1999, complementa, delineando a forma que deve ser observada para o cumprimento do dispositivo legal, conforme dispõe em seu art. 225, inciso II, §§ 13 a 17: Art. 225. A empresa é também obrigada a: (...) II lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; (...) § 13. Os lançamentos de que trata o inciso II do caput, devidamente escriturados nos livros Diário e Razão, serão Fl. 287DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 exigidos pela fiscalização após noventa dias contados da ocorrência dos fatos geradores das contribuições, devendo, obrigatoriamente: I atender ao princípio contábil do regime de competência; e II registrar, em contas individualizadas, todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias de forma a identificar, clara e precisamente, as rubricas integrantes e não integrantes do saláriodecontribuição, bem como as contribuições descontadas do segurado, as da empresa e os totais recolhidos, por estabelecimento da empresa, por obra de construção civil e por tomador de serviços. (g.n.) O valor da multa aplicada, por sua vez, está em perfeita conformidade com o disposto artigo 283, inciso II, alínea “a” e artigo 373, c/c artigo 290, inciso V e parágrafo único, todos do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/1999. Portanto, o procedimento utilizado pela auditoria fiscal para a aplicação da multa foi devidamente consubstanciado na legislação vigente à época da lavratura do auto de infração. Ademais, não verificamos a existência de qualquer fato novo que possa ensejar a revisão do lançamento em questão nas alegações registradas na peça recursal da Recorrente. Outro ponto a esclarecer é que essa autuação não é calculada conforme a quantidade de descumprimentos da obrigação acessória, ou em quantos meses a obrigação foi descumprida. Assim, o cálculo é único, bastando um descumprimento para gerar a autuação com o mesmo valor, no caso em tela as competências posteriores a 01/2001 em que a Recorrente deixou de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma descriminada, as remunerações pagas aos segurados empregados e contribuintes individuais. Nesse sentido, há o entendimento de que a empresa deverá conservar e guardar os livros obrigatórios e a documentação, enquanto não ocorrer prescrição ou decadência, no tocante aos atos neles consignados, nos termos do parágrafo único do art. 195 do CTN e do art. 1.194 do Código Civil CC (Lei 10.406/2002), transcritos abaixo: Código Tributário Nacional (CTN) – Lei 5.172/1966: Art. 195. (...) Parágrafo único. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se referirem. Código Civil (CC) – Lei 10.406/2002: Art. 1.194. O empresário e a sociedade empresária são obrigados a conservar em boa guarda toda a escrituração, correspondência e papéis concernentes à sua atividade, enquanto não ocorrer prescrição ou decadência no tocante aos atos neles consignados. A Recorrente alega que a Norma Brasileira de Contabilidade (NBC) T 10 19, mencionada no AI e na decisão de primeira instância, permite os registros contábeis, por meio de notas explicativas, das gratuidades e da isenção tributária a que a entidade sem fins lucrativos faria jus. Fl. 288DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10620.000810/200705 Acórdão n.º 2402004.679 S2C4T2 Fl. 5 7 Essa alegação não será acatada, eis que a Recorrente deverá apresentar as notas explicativas e as demonstrações contábeis (balanço patrimonial; demonstração do resultado do exercício; demonstração de mutação do patrimônio; demonstração das origens e aplicações de recursos), contendo nas contas de receita e despesa, os valores das contribuições sociais isentas: cota patronal, COFINS, CSLL, CPMF e gratuidades. Isso não foi evidenciado nas demonstrações contábeis da Recorrente. Em outras palavras, as notas explicativas contendo os registros contábeis, por si só, não elidem o dever de registrar também, nas demonstrações contábeis, os valores das contribuições sociais isentas: cota patronal, COFINS, CSLL, CPMF e gratuidades, conforme artigo 4o do Decreto 2.536/1998, o que não foi cumprido pela empresa como ela própria admite na peça recursal. Por fim, pela apreciação do processo e das alegações da Recorrente, não encontramos motivos para decretar a nulidade nem a modificação do lançamento ou da decisão de primeira instância, eis que o lançamento fiscal e a decisão encontramse revestidos das formalidades legais, tendo sido lavrados de acordo com o arcabouço jurídicotributário vigente à época da sua lavratura. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso e NEGARLHE PROVIMENTO, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 289DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 11080.901232/2008-16
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Jun 30 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/07/2001 a 31/07/2001
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. PAGAMENTO A MAIOR. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. INEFICÁCIA DO DISPOSITIVO LEGAL.
A exclusão dos valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, previsto pela Lei nº 9.718/98, para fins de determinação da base de cálculo do PIS e da Cofins, não pode ser utilizado como argumento de defesa para reivindicar crédito no bojo de suposto pagamento efetuado posteriormente à revogação do dispositivo legal.
Numero da decisão: 3803-006.880
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, Paulo Renato Mothes de Moraes, Samuel Luiz Manzotti Riemma e Carolina Gladyer Rabelo.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/07/2001 a 31/07/2001 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. PAGAMENTO A MAIOR. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. INEFICÁCIA DO DISPOSITIVO LEGAL. A exclusão dos valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, previsto pela Lei nº 9.718/98, para fins de determinação da base de cálculo do PIS e da Cofins, não pode ser utilizado como argumento de defesa para reivindicar crédito no bojo de suposto pagamento efetuado posteriormente à revogação do dispositivo legal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, Paulo Renato Mothes de Moraes, Samuel Luiz Manzotti Riemma e Carolina Gladyer Rabelo.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2001 a 31/07/2001 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. CONDIÇÃO. PROVA. CERTEZA DO CRÉDITO. A extinção de débitos mediante compensação declarada pelo sujeito passivo condicionase a ulterior comprovação da certeza do crédito utilizado. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2001 a 31/07/2001 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. PAGAMENTO A MAIOR. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. INEFICÁCIA DO DISPOSITIVO LEGAL. A exclusão dos valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, previsto pela Lei nº 9.718/98, para fins de determinação da base de cálculo do PIS e da Cofins, não pode ser utilizado como argumento de defesa para reivindicar crédito no bojo de suposto pagamento efetuado posteriormente à revogação do dispositivo legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 90 12 32 /2 00 8- 16 Fl. 99DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, Paulo Renato Mothes de Moraes, Samuel Luiz Manzotti Riemma e Carolina Gladyer Rabelo. Relatório Trata o presente de recurso voluntário contra o acórdão da DRJ/Porto Alegre que considerou improcedente a manifestação de inconformidade Despacho decisório da DRF/Porto Alegre não homologou a compensação declarada pela Contribuinte por inexistência do crédito da Contribuição para o PIS/Pasep perante a Fazenda Nacional, tendo o órgão de origem localizado o DARF indicado na DComp, porém dele não restando saldo credor para utilização na presente compensação. Em manifestação de inconformidade a Interessada alegou que o crédito utilizado era decorrente de pagamento indevido sobre valores repassados a terceiros, que deveriam ter sido excluídos da base tributável, com base no art. 3°, § 2º, inciso III, da Lei 9.718/1998. Também foi alegado que houve burla à lei pela falta de regulamentação do dispositivo retrocitado, o que geraria majoração. Em julgamento da lide, a DRJ Porto Alegre considerou que o dispositivo legal invocado não atuou em sua eficácia, dada a falta de sua regulamentação pela RFB, tendo sido revogado em julho de 2000. Aduziu também que a Contribuinte não trouxe aos autos qualquer documento comprobatório dos repasses, e, portanto, do direito alegado. A decisão foi ementada com segue: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2001 a 31/07/2001 Ementa: RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO Direitos creditórios pleiteados via Declaração de Compensação — Nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, essencial a comprovação da liquidez e certeza dos créditos para a efetivação do encontro de contas. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE O controle de constitucionalidade da legislação que fundamenta o lançamento é de competência exclusiva do Poder Judiciário e, no sistema difuso, centrado em última instância revisional no STF. Compensação não Homologada Cientificada da decisão em 4 de novembro de 2008, irresignada, a Interessada apresentou recurso voluntário em 3 de dezembro de 2008, em que reitera os mesmos argumentos da manifestação de inconformidade, sustentando, adicionalmente, o seu direito com base na vacatio legis resultante da declaração de inconstitucionalidade da parte final do art. 15, in fine, da MP nº 1.212/95 (art. 18, in fine, da Lei nº 9.715/98). É o Relatório. Voto Fl. 100DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11080.901232/200816 Acórdão n.º 3803006.880 S3TE03 Fl. 100 3 Conselheiro Belchior Melo de Sousa, Relator O recurso é tempestivo e atende a parte dos requisitos para sua admissibilidade. Tenhase que somente no recurso voluntário foi apresentado o fundamento da ocorrência de vacatio legis, resultante da declaração de inconstitucionalidade da parte final do art. 15, in fine, da MP nº 1.212/95 (art. 18, in fine, da Lei nº 9.715/98), para sustentar a legitimidade do crédito utilizado na DComp. Esta matéria não foi prequestionada perante a primeira instância, não se tendo instaurado quanto a ela o litígio. Portanto, não pode ser conhecida. Na parte que se conhece, gizese que passou ao largo da observação do d. Julgador a quo que o motivo da não homologação da compensação declarada foi o DARF originador do crédito indicado na DComp não ter sido localizado. O DARF é de julho de 2001. O sistema não o localizou. Assim, apresentava se para a Manifestante, primeiramente, a necessidade de provar o seu recolhimento. Esta prova haveria de estar presente para que a Manifestante pudesse sustentar qualquer argumento de pagamento a maior relativo a ele, além da demonstração contábil/fiscal do alegado indébito Em vista desse lapso, a manifestação de inconformidade poderia ter sido declarada inepta, podendo a decisão de primeira instância ter sido produzida apenas em torno desta prejudicial de mérito, na medida em que a mera prova da existência do pagamento, para contraporse ao resultado da busca feita pelos sistemas da RFB, estava ausente na peça. Entretanto, adentrou no mérito quanto ao fundamento jurídico do pretendido crédito, o art. 3º, § 2º, inciso III, da Lei nº 9.718/98. No recurso voluntário, novamente não há prova de que o DARF indicado existe. De mais a mais, sendo o DARF é de julho de 2001, período de apuração em que o benefício já havia sido revogado pela MP nº 199118/2000, o teor da defesa pela exclusão, da base de cálculo, dos valores transferidos a terceiros que teriam sido computados como receitas não se coaduna com a pretensão da Recorrente. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 101DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 Fl. 102DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 10855.001725/00-37
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue May 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1990, 1991
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO - Embargos acolhidos para sanar contradição.
Fato Gerador: 7/1990
FINSOCIAL. RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA/PRESCRIÇÃO - UNIFORMIZAÇÃO DE JURISPRUDÊNCIA. TRIBUNAIS SUPERIORES. (ART. 543B E 543C DO CPC). NECESSIDADE DE REPRODUÇÃO DAS DECISÕES PELO CARF (ART. 62 A DO RICARF). RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL. IRRETROATIVIDADE DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. PEDIDO FORMULADO ANTES DE 09/06/2005.
Para os pedidos de restituição protocolizados antes da vigência da Lei Complementar nº 118/2005, o prazo é de 10 anos. Aplicação do entendimento externado no RE 566.621.
Numero da decisão: 9900-000.967
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher e dar provimento ao recurso embargado, para excluir o fato gerador da obrigação ocorrido no mês de julho de 1990, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente.
MARIA TERESA MARTÍNEZ LÓPEZ - Relatora.
EDITADO EM: 19/01/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento), Marcos Aurélio Pereira Valadão, Antônio Carlos Guidoni Filho, Rafael Vidal de Araújo, João Carlos de Lima Júnior, Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Júnior, Elias Sampaio Freire, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Joel Miyasaki, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Júlio César Alves Ramos e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, e o Conselheiro Paulo Cortez (em substituição à conselheira Karem Jureidini Dias).
Nome do relator: MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 1990, 1991 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO - Embargos acolhidos para sanar contradição. Fato Gerador: 7/1990 FINSOCIAL. RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA/PRESCRIÇÃO - UNIFORMIZAÇÃO DE JURISPRUDÊNCIA. TRIBUNAIS SUPERIORES. (ART. 543B E 543C DO CPC). NECESSIDADE DE REPRODUÇÃO DAS DECISÕES PELO CARF (ART. 62 A DO RICARF). RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL. IRRETROATIVIDADE DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. PEDIDO FORMULADO ANTES DE 09/06/2005. Para os pedidos de restituição protocolizados antes da vigência da Lei Complementar nº 118/2005, o prazo é de 10 anos. Aplicação do entendimento externado no RE 566.621.
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Fato Gerador: 7/1990 FINSOCIAL. RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA/PRESCRIÇÃO UNIFORMIZAÇÃO DE JURISPRUDÊNCIA. TRIBUNAIS SUPERIORES. (ART. 543B E 543C DO CPC). NECESSIDADE DE REPRODUÇÃO DAS DECISÕES PELO CARF (ART. 62 A DO RICARF). RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL. IRRETROATIVIDADE DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. PEDIDO FORMULADO ANTES DE 09/06/2005. Para os pedidos de restituição protocolizados antes da vigência da Lei Complementar nº 118/2005, o prazo é de 10 anos. Aplicação do entendimento externado no RE 566.621. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher e dar provimento ao recurso embargado, para excluir o fato gerador da obrigação ocorrido no mês de julho de 1990, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente. MARIA TERESA MARTÍNEZ LÓPEZ Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 00 17 25 /0 0- 37 Fl. 433DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 26/ 01/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por MARIA TERESA MAR TINEZ LOPEZ 2 EDITADO EM: 19/01/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento), Marcos Aurélio Pereira Valadão, Antônio Carlos Guidoni Filho, Rafael Vidal de Araújo, João Carlos de Lima Júnior, Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Júnior, Elias Sampaio Freire, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Joel Miyasaki, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Júlio César Alves Ramos e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, e o Conselheiro Paulo Cortez (em substituição à conselheira Karem Jureidini Dias). Relatório Este feito já entrou em julgamento neste Conselho quando em sessão do Pleno de 29 de agosto de 2012, esta Eg. Câmara por unanimidade de votos negou provimento ao recurso extraordinário interposto pela Fazenda Nacional. A ementa dessa decisão (Acórdão 9900000.760, fls. 419 a 424,) possui a seguinte redação: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Ano calendário: 1990, 1991 FINSOCIAL. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO PARA RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. 5 (CINCO) ANOS PARA HOMOLOGAR (ARTIGO 150, § 4º, DO CTN) MAIS 5 (CINCO) ANOS PARA PROTOCOLAR O PEDIDO DE RESTITUIÇÃO (ARTIGO 168, I, DO CTN). IRRETROATIVIDADE DO ARTIGO 3º DA LC 118/2005. ARTIGO 65 A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. Este Conselho está vinculado às decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF, bem como àquelas proferidas pelo STJ em recurso especial repetitivo. Com efeito, cabe a aplicação simultânea dos entendimentos proferidos pelo STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como aquele proferido pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932 (tese dos 5 + 5), para pedidos de restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação que tenham sido protocolados antes da aplicação, em 09/06/2005, da Lei Complementar 118, a qual não é interpretativa, conforme entendimento do STF. Em se tratando a contribuição para o FINSOCIAL de Fl. 434DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 26/ 01/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por MARIA TERESA MAR TINEZ LOPEZ Processo nº 10855.001725/0037 Acórdão n.º 9300000.967 CSRFPL Fl. 4 3 tributo sujeito a lançamento por homologação, bem como do fato de o pedido de restituição/compensação ter sido protocolado em 11/08/2000, antes de ser aplicada a Lei Complementar 118/2005, plenamente cabível a aplicação do prazo de 5 (cinco) anos previsto no artigo 150, § 4º, do CTN somado ao de 5 (cinco) anos previsto no artigo 168, I, desse mesmo diploma legal para o contribuinte pleitear restituição/compensação. Assim, afasto a prescrição do pedido de restituição/compensação da totalidade dos valores de FINSOCIAL objeto dos presentes autos, os quais se referem ao período de apuração de julho de 1990 a setembro de 1991. (destaque, não do original) Recurso Extraordinário Negado. Com base no Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22/6/2009, a Fazenda Nacional apresentou Embargos Declaratórios, conforme argumentos de fls. 426 a 429. Aponta a Embargante, Fazenda Nacional, a existência de pequena contradição no acórdão proferido pelo Pleno do CARF. Conforme sustenta, ocorreu em sua opinião decadência do direito à restituição em parte dos períodos correspondentes aos fatos geradores apontados pelo Contribuinte. Isso teria ocorrido mesmo aplicando a tese dos "cinco mais cinco", contados a partir da ocorrência do fato gerador. Em seu entendimento, o período pleiteado pelo Contribuinte iria de 07/1990 a 09/1991, tendo sido o pedido de restituição formulado em 11/08/2000. Pela contagem do prazo decadencial na referida tese, os pagamentos feitos antes de 11/08/1990 não poderiam ser restituídos, uma vez que seriam considerados prescritos. Ao compulsar os autos, verificase que os documentos de fls. 198 a 203, anexados aos autos pelo Contribuinte, referemse ao período que vai da competência 07/1990 a 09/1991. Em seu Pedido de Restituição (fis. 194 a 196), o sujeito passivo faz referência planilha de fls. 204, onde defende seu alegado direito à restituição dos valores recolhidos ao Finsocial entre julho de 1990 e setembro de 1991. A decisão embargada, por sua vez, concedeu o período expresso em anos calendário de 1990 e 1991 (fls. 419). Ao explicitar o período de apuração em termos mensais, o nobre Relator ajustou o mesmo ao tributo em questão, Finsocial, que é apurado em termos mensais. Neste caso, portanto, o período relatado pela Procuradoria da Fazenda Nacional, que a mesma entende como correto, iria de agosto de 1990 a setembro de 1991, no contexto de aplicação da tese dos "cinco mais cinco". Em virtude do Colegiado haver considerado todo o período de restituição como não alcançado pela decadência, incorreu em contradição entre a decisão e seus fundamentos, uma vez que, aplicandose a tese dos 5 + 5, a competência julho de 1990 foi alcançada pela prescrição. É o relatório. Voto Fl. 435DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 26/ 01/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por MARIA TERESA MAR TINEZ LOPEZ 4 Conselheira MARIA TERESA MARTÍNEZ LÓPEZ Tratase de análise de embargos de declaração ao Ac. do Pleno da CSRF nº 9900000.760. Cuidam os autos de pedido de restituição formulado pelo contribuinte, protocolizado em 11/08/2000 (fl. 01), no qual pretende reaver valores recolhidos a titulo de FINSOCIAL, dos períodos de apuração de 07/1990 a 09/1991 (cópia de DARFs às fls. 05 a 10), cuja elevação de alíquota foi declarada inconstitucional pelo STF. A decisão embargada aplicou a tese dos 10 anos (5+5) adotada pelo Supremo Tribunal Federal no processo nº 566.621/RS, em repercussão geral reconhecida no RE nº 561.9087/RS (art. 65A do RICARF), por se tratar de pedido de restituição anterior a 09/06/2005 e; (...) Assim, afasto a prescrição do pedido de restituição/compensação da totalidade dos valores de FINSOCIAL objeto dos presentes autos, os quais se referem ao período de apuração de julho de 1990 a setembro de 1991. Alega a embargante: (...) Aplicandose a tese adotada pela Turma a quo e pelo próprio Supremo Tribunal Federal no processo nº 566.621/RS, em repercussão geral reconhecida no RE nº 561.9087/RS, teríamos que estariam alcançados pela decadência os fatos geradores ocorridos antes de 11/08/1990. Logo, inviável a restituição do pagamento de fl. 05, referente ao período de apuração de 07/1990, cujo recolhimento ocorreu em 1º/08/1990. Com efeito, aplicandose a tese adotada pelo Supremo Tribunal Federal no processo nº 566.621/RS, em repercussão geral reconhecida no RE nº 561.9087/RS, teríamos que para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito será de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN, desde que os pedidos sejam formulados antes de 09/06/2005, data em que entrou em vigor a Lei Complementar nº 118/2005. Observese que, nos termos do que restou decidido pelo STF, o prazo de 10 anos deve ser contado a partir da ocorrência do fato gerador do tributo. Por outro lado, caso o pedido de restituição/compensação seja formulado posteriormente à entrada em vigor da Lei Complementar nº 118/2005, o prazo decadencial será de 5 (cinco) anos, contados do pagamento indevido. Fl. 436DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 26/ 01/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por MARIA TERESA MAR TINEZ LOPEZ Processo nº 10855.001725/0037 Acórdão n.º 9300000.967 CSRFPL Fl. 5 5 Assim, a jurisprudência do Supremo nos coloca duas situações: 1ª – Para pedidos formulados antes de 09/06/2005, o prazo decadencial será de 10 anos, contados do fato gerador; e 2ª – Para pedidos formulados a partir de 09/06/2005, o prazo será de 5 anos, contados do pagamento indevido. Assim, voltandose ao caso concreto, verificase que nem todos os períodos de apuração englobados no pedido de restituição do contribuinte seriam passíveis de deferimento, uma vez que parte deles foi alcançada pela decadência, nos termos da “tese dos cinco+cinco”. Via de consequência, a conclusão mais correta, s.m.j., seria a de dar parcial provimento ao recurso da Fazenda Nacional para declarar a decadência do direito de pedir a restituição em relação aos fatos geradores ocorridos antes de 11/08/1990, reconhecendose, conseqüentemente, a decadência de pleitear a restituição em relação ao pagamento realizado em 1º/08/2000 (DARF de fl. 05), que se refere ao período de apuração de 07/1990. Na verdade, tratase de um erro que poderia ser corrigido de ofício. Nesse sentido, vejamos o disposto no art. 67 do Decreto nº 7.574/2011 (artigo 32 do Decreto nº 70.235/72): Art. 67. As inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão deverão ser corrigidos de ofício ou a requerimento do sujeito passivo, mediante a prolação de um novo acórdão. O disposto no art. 67, acima reproduzido permite ao julgador alterar a decisão para corrigir de ofício, ou a requerimento do interessado, inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e erros de escrita ou de cálculos existentes que podem ser corrigidos a qualquer tempo ainda que a decisão tenha transitado em julgado. Entendese por lapso, o erro cometido por descuido, distração, esquecimento ou engano involuntário; e por manifesto, o acontecimento patente, claro, evidente, notório, flagrante (Holanda. Aurélio Buarque de. Dicionário Eletrônico da Língua Portuguesa, versão 3.0). Assim, na contagem do prazo, equivocouse a então relatora do processo, em relação ao fato gerador de 07/90, pago inclusive em 1/8/90, ao afastar a decadência todo o período. Percebese claramente, que apenas um mês é anterior à contagem dos 5+5, contados do fato gerador, considerandose que o pedido de restituição se verificou em 11/8/2000. No entanto, uma vez acolhidos os embargos, e pelo princípio da celeridade processual, voto no sentido de acolher os embargos, e assim, DAR PROVIMENTO ao recurso extraordinário da Fazenda para afastar a decadência do direito de pedir a restituição em relação ao fato gerador de 07/90, rerratificando o Acórdão nº 9900.000.760, que já aplicou a decisão definitiva de mérito proferida pelo STJ. MARIA TERESA MARTÍNEZ LÓPEZ Relatora Fl. 437DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 26/ 01/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por MARIA TERESA MAR TINEZ LOPEZ 6 Fl. 438DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 26/ 01/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por MARIA TERESA MAR TINEZ LOPEZ
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Numero do processo: 11080.008288/2008-08
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 31/10/2003 a 29/02/2004
CRÉDITO PRESUMIDO. ENERGIA ELÉTRICA E COMBUSTÍVEIS Apenas a aquisição de matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem integra a base de cálculo do crédito presumido do IPI previsto na Lei nº 9.363/96. Energia elétrica e combustíveis não se enquadram nesses conceitos nos termos da Súmula CARF nº 19.
CRÉDITO PRESUMIDO
As embalagens, matérias primas e produtos intermediários, ainda que não tributados pelo IPI, integram a base de cálculo o presente crédito presumido desde que usados na produção de produtos exportados.
Numero da decisão: 3102-002.330
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
[assinado digitalmente]
Ricardo Paulo Rosa - Presidente.
[assinado digitalmente]
Andréa Medrado Darzé - Relatora.
Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros José Fernandes do Nascimento, Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz e José Paulo Puiatti. A Conselheira Nanci Gama estava ausente justificadamente.
Nome do relator: ANDREA MEDRADO DARZE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 31/10/2003 a 29/02/2004 CRÉDITO PRESUMIDO. ENERGIA ELÉTRICA E COMBUSTÍVEIS Apenas a aquisição de matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem integra a base de cálculo do crédito presumido do IPI previsto na Lei nº 9.363/96. Energia elétrica e combustíveis não se enquadram nesses conceitos nos termos da Súmula CARF nº 19. CRÉDITO PRESUMIDO As embalagens, matérias primas e produtos intermediários, ainda que não tributados pelo IPI, integram a base de cálculo o presente crédito presumido desde que usados na produção de produtos exportados.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 31/10/2003 a 29/02/2004 CRÉDITO PRESUMIDO. ENERGIA ELÉTRICA E COMBUSTÍVEIS Apenas a aquisição de matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem integra a base de cálculo do crédito presumido do IPI previsto na Lei nº 9.363/96. Energia elétrica e combustíveis não se enquadram nesses conceitos nos termos da Súmula CARF nº 19. CRÉDITO PRESUMIDO As embalagens, matérias primas e produtos intermediários, ainda que não tributados pelo IPI, integram a base de cálculo o presente crédito presumido desde que usados na produção de produtos exportados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. [assinado digitalmente] Ricardo Paulo Rosa Presidente. [assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Relatora. Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros José Fernandes do Nascimento, Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz e José Paulo Puiatti. A Conselheira Nanci Gama estava ausente justificadamente. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 82 88 /2 00 8- 08 Fl. 322DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 28/01/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11080.008288/200808 Acórdão n.º 3102002.330 S3C1T2 Fl. 11 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto em face da decisão da DRJ em Porto Alegre que julgou improcedente a impugnação apresentada, por entender que não se inclui, no cálculo do crédito presumido de IPI prescrito na Lei nº 9.363/96, os gastos com energia elétrica e combustíveis, tampouco as aquisições de insumos não tributados. Por bem descrever os fatos ocorridos até o presente momento processual, os quais foram relatados com riqueza de detalhes, adoto o relatório da decisão recorrida, transcrevendoo abaixo na íntegra: Tratase de Auto de Infração lavrado em 16/07/2008, fls. 203/206, referente ao período de 31/10/2003 a 29/02/2004, para exigir o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, assim como os respectivos juros de mora e multa de ofício de 75%, no valor total de R$ 81.407,19. Os enquadramentos legais das irregularidades apuradas, bem assim dos acréscimos legais, estão discriminados nos dispositivos das fls. 206, 209 e 210. Conforme Relatório de Verificação Fiscal, fls. 213 a 220, a ação fiscal que culminou no lançamento de ofício foi empreendida para verificar a legitimidade dos créditos do IPI no período de janeiro de 2003 a março de 2004, em cumprimento ao mandado de procedimento fiscal n° 10.101002008008139 (fl.02). O presente auto de infração foi formalizado para exigir diferenças de saldos devedores no período, que emergiram após reconstituição da escrita fiscal, conforme demonstrativo de fls. 177 e 200. A reconstituição da escrita fiscal se deu pelas seguintes irregularidades apuradas: a) Constatação de que o contribuinte, em junho de 2003, se creditou indevidamente, por estarem prescritos, no Livro de IPI (fl. 36) de crédito presumido do IPI relativos aos anos de 1996, 1997 e 1998, nos valores de R$ 2.867,00, R$ 10.207,64 e R$ 4.246,32, respectivamente, totalizando o valor de R$ 17.320,96. b) Apuração indevida do crédito presumido, pela não comprovação dos valores relativos a aquisição de insumos. Relata a fiscalização que os cálculos do crédito presumido fornecidos pelo contribuinte em planilha excel, relativamente aos valores das aquisições de insumos, estavam divergentes das informações constantes na Declaração de Imposto Pessoa Jurídica DIPJ, e nos Livros de Entradas, e que, embora intimado (fl. 161), para prestar esclarecimentos, o contribuinte se restringiu a citar a legislação do crédito presumido, transcrever alguns julgados e informar as contas contábeis utilizadas, sem os saldos, não demonstrando a origem dos valores utilizados no cálculo do valor das aquisições (fl. 163 a 172). Na seqüência, registra que, com base nas informações de aquisição de insumos da DIPJ, e considerando a energia elétrica e combustível a partir do ano de 2002, após a vigência da Lei 10.276, de 2001, calculou o crédito presumido do período, conforme demonstrativo de fls. 223, cujos valores se encontram detalhadamente demonstrados no relatório fiscal. Esclarece ainda que na reconstituição da escrita do ano de 2003 (fl. 177) foi debitado o valor de R$ 82.807,83, na coluna "DÉB.FISCALIZAÇÃO", referente ao crédito presumido recalculado conforme planilha de fls. 178. Aduz, que na reconstituição da escrita fiscal do ano de 2004 (fls. 200), o valor de R$ 27.691,22 (que segundo o Fl. 323DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 28/01/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11080.008288/200808 Acórdão n.º 3102002.330 S3C1T2 Fl. 12 3 contribuinte era correspondente ao complemento de crédito presumido de 2003) foi debitado também na coluna "DEB FISCALIZAÇÃO". Informa que ambos valores debitados no Livro de IPI, quando da transmissão dos pedidos de ressarcimento foram reintegrados na coluna "CRÉD. FISCALIZAÇÃO". Inconformado com a autuação, o contribuinte protocolizou impugnação de fls. 225/250, instruída com os documentos de fls. 251/264, na qual, após breve relato dos fatos, discorre sobre a legislação que instituiu o crédito presumido e a natureza desse crédito. Na seqüência, diz que os gastos com energia elétrica e combustíveis, assim como os demais insumos não sujeitos ao IPI, quando utilizados na produção dos produtos exportados, devem compor a base de cálculo do crédito presumido, pois o incentivo deve ser calculado sobre o custo de produção dos bens exportados, não importando quais os impostos incidentes. Diz que as Instruções Normativas que trazem restrições ao direito de crédito presumido não estão de conformidade com as Leis n° 9.363/96 e 10.276/2001. Transcreve decisões administrativas e judiciais que entende dar suporte ao seu crédito. Apresenta planilha do período de 2000 a 2003 para demonstração da origem dos valores das aquisições utilizadas no cálculo do crédito presumido. Sob o título, "do direito a compensação Lei n° 8.383/91, discorre sobre o instituto da compensação e sustenta o direito à compensação de valores recolhidos a maior de IPI com débitos do próprio IPI, na forma do art. 66 da referida Lei. Impugna a aplicação da multa de 75% sobre o valor do imposto supostamente devido, alegando ser inconstitucional, por revelarse confiscatória. Alega indevida a aplicação da multa isolada de 75%, dizendo que somente pode ser aplicada para os contribuintes que tenham falsificado sua declaração. Anexa à impugnação relatório de aproveitamento de crédito presumido do IPI no período de 1996 a 31/12/2003. A DRJ em Porto Alegre julgou improcedente a impugnação apresentada, nos seguintes termos: CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO Não se inclui, no cálculo do benefício, o gasto com energia elétrica e combustíveis que não revestem a condição de matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem, na definição da legislação do IPI, únicos insumos admitidos pela lei. Não se inclui na base de cálculo do crédito presumido as aquisições de insumos não tributados. MULTA DE OFÍCIO. A exigência da multa de ofício encontra respaldo na legislação regente, não podendo a autoridade administrativa afastar a sua pretensão. Irresignado, o contribuinte recorre a este Conselho basicamente reafirmando as alegações da impugnação. É o relatório. Voto Fl. 324DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 28/01/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11080.008288/200808 Acórdão n.º 3102002.330 S3C1T2 Fl. 13 4 Conselheira Andréa Medrado Darzé. O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme é possível perceber do relato acima, o deslinde da presente controvérsia gira em torno da definição da possibilidade (i) de incluir os valores relativos à aquisição de energia elétrica, combustíveis e de insumos não tributado no cômputo do crédito presumido de IPI prescrito na Lei nº 9.363/96, bem como (ii) de afastar a aplicação da multa de ofício em face do seu caráter confiscatório. Pois bem. Com o objetivo de desonerar as exportações dos valores relativos à exigência do PIS e da COFINS, tornando a mercadoria brasileira mais competitiva no mercado externo, o legislador instituiu o crédito presumido do IPI para ressarcimento dessas contribuições por meio da MP n° 948, de 23.05.95, convertida na Lei n° 9.363, de 16.12.96, nos seguintes termos: Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nºs 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior. Art. 2º. A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador. § 1º O crédito fiscal será o resultado da aplicação do percentual de 5,37% sobre a base de cálculo definida neste artigo. (destacouse). Pleiteia a ora Recorrente o reconhecimento do direito ao crédito presumido de IPI regulado pela Lei nº 9.363/96, relativamente à aquisição de combustíveis e energia elétrica utilizadas no seu processo produtivo. Ocorre que, como bem colocado pela decisão recorrida, a legislação em referencia não assegura o direito ao crédito em relação aos insumos genericamente considerados, restringindo o direito de crédito apenas às matérias primas, produtos Fl. 325DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 28/01/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11080.008288/200808 Acórdão n.º 3102002.330 S3C1T2 Fl. 14 5 intermediários e material de embalagem. É o que se depreende do próprio texto do caput do art. 1º, da Lei nº 9.363/96. Assim, verificando que combustíveis e energia elétrica não se subsomem ao conceito de matéria prima, produto intermediário e material de embalagem, na medida em que não se tratam de produtos que integram o produto novo, tampouco que são consumidos no processo de industrialização, não há como reconhecer o direito ao crédito. A presente matéria inclusive é objeto de súmula deste Conselho: Súmula CARF nº 19: Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário. Glosa de créditos relativos à aquisição de produtos não tributados pelo IPI Sustenta o contribuinte, ainda, que os insumos não sujeitos ao IPI devem compor a base de cálculo do crédito presumido, quando utilizados na produção de produtos exportados, pois o incentivo deve ser calculado sobre o custo de produção dos bens exportados, não importando quais impostos incidentes. Sustenta seu direito creditório alegando que as Instruções Normativas, entre as quais INs 23/91, 103/97, 313/03 e 419/04, apresentam limites ao direito de crédito presumido não previstos nas Leis n° 9.363/96 e 10.276/2001. Pois bem. Nos termos da Lei nº 9.363/96, assegurase o direito ao crédito presumido em relação às aquisições de insumos, assim definidos como matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem, para a utilização no processo produtivo. É o que se depreende do texto do seu art. 1º. A referida lei, todavia, não definiu expressamente o conceito de processo produtivo. Entretanto, não podemos olvidar que o objetivo da presente norma foi justamente evitar a “exportação dessas contribuições”, embutidas nos custos dos produtos comercializados, especialmente porque não existia, à época, a não cumulatividade do PIS e da COFINS. A solução encontrada, portanto, foi outorgar um crédito presumido de IPI como forma de ressarcimento dessas contribuições, até mesmo para contornar as dificuldades de caixa do Tesouro Nacional. Notase, por conseguinte, que apesar de o creditamento ser na escrita do IPI, era feito a título de ressarcimento dessas contribuições, como prescrito expressamente pelo legislador. Este objetivo aparece em tintas fortes na Exposição de Motivos da Medida Provisória nº 948/95, que foi posteriormente convertida na Lei nº 9.363/96: Permitir a desoneração fiscal da COFINS e PIS/PASEP incidentes sobre os insumos, objetivando possibilitar a redução dos custos e o aumento da competitividade dos produtos brasileiros, dentro da premissa básica de diretriz política do setor, no sentido de que não se deve exportar tributos. Sendo as contribuições da COFINS e PIS/PASEP incidentes em cascata, sobre todas as etapas do processo produtivo, parece Fl. 326DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 28/01/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11080.008288/200808 Acórdão n.º 3102002.330 S3C1T2 Fl. 15 6 mais razoável que a desoneração corresponda não apenas à última etapa do processo produtivo, mas sim às duas etapas antecedentes, o que revela que a alíquota a ser aplicada deve ser elevada para 5, 37%, atenuando ainda mais a carga tributária incidente sobre os produtos exportados, e se revelando compatível com a necessidade do ajuste fiscal. 3. Por outro lado, as dificuldades de caixa do Tesouro Nacional demonstram que, em lugar do ressarcimento de natureza financeira, melhor e de efeitos mais imediatos será que o exportador possa compensar o valor resultante da aplicação das alíquotas com seus débitos de IPI, recebendo em espécie apenas a parcela que exceder o montante que deveria ser recolhido a esse título. Daí a opção pela concessão de um crédito presumido do IPI no montante equivalente à aplicação da alíquota de 5,37% sobre os insumos e material de embalagem que compõem o produto exportado, mantido o mesmo critério anteriormente previsto, ou seja, a parcela das aquisições na mesma proporção entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do exportador. Com efeito, tanto o texto legal, como a própria exposição de motivos da Medida Provisória que a antecedeu, deixam claro que o crédito presumido é benefício garantido ao produtor que promova a exportação de seus produtos, sendo a sua vinculação com o IPI somente na forma de ressarcimento. Assim, ciente que tanto as mercadorias tributadas pelo IPI quanto as não tributadas estão submetidas à incidência das referidas contribuições, a conclusão é única: também estas últimas, quando exportadas, geram créditos por meio da sistemática da Lei n° 9.363/96. Afinal, reafirmese, não há o uso no texto legal do signo industrial, tampouco de produto industrializado. A lei limitouse a se referir a produtor e processo produtivo. Portanto, ainda que em tom repetitivo, insisto: o benefício é trazido não para o contribuinte do IPI, mas para a empresa que seja produtora e contribuinte do PIS e da Cofins, sendo que o crédito feito na apuração do IPI é mera forma de utilização fixada na lei. Prova disso é o artigo 4° da Lei n° 9.363/96 determina o ressarcimento em dinheiro nos casos de impossibilidade de utilização do crédito presumido para compensar débitos de IPI: Art. 4º Em caso de comprovada impossibilidade de utilização do crédito presumido em compensação do Imposto sobre Produtos Industrializados devido, pelo produtor exportador, nas operações de venda no mercado interno, farseá o ressarcimento em moeda corrente. Ao admitir o ressarcimento em moeda corrente quando a empresa não consiga compensálos com o IPI devido, seja por vender mais para o mercado externo, seja por produzir mercadorias não tributadas por este imposto, resta confirmada a desvinculação entre ser contribuinte do IPI, exportar produtos, que estes tenham sofrido processo de industrialização nos termos da legislação do IPI e fazer jus ao crédito presumido. E não podia ser diferente, pois, concluir que o crédito presumido mantém relação direta com o fato gerador do IPI é exorbitar o contexto da Lei. Fl. 327DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 28/01/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11080.008288/200808 Acórdão n.º 3102002.330 S3C1T2 Fl. 16 7 Insisto: o que legislador fez foi limitar o direito ao crédito apenas às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem para utilização no processo produtivo (não a todo e qualquer insumo) e exigir que essas aquisições sejam no mercado interno. Nada mais. Foi justamente por entender que não existem outros condicionantes para a outorga do presente crédito presumido que o Superior Tribunal Justiça, valendose da sistemática prevista no art. 543C, do CPC, pacificou, no REsp 993.164, o entendimento de que até mesmo a aquisição de matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem de pessoas físicas e cooperativas integram a sua base de cálculo. Com efeito, durante muito tempo, o Fisco resistiu ao reconhecimento do crédito nesses casos, sob a justificativa de que seria necessária a incidência das contribuições na etapa anterior da cadeia para que se pudesse autorizar o crédito presumido. Insistia o Fisco que se o crédito é uma forma de compensação pelos tributos pagos na etapa anterior, tanto que a própria lei o tratou como ressarcimento de contribuições, apenas haveria tal direito nos casos de tributos incidentes nas respectivas aquisições. Este entendimento, todavia, foi superado, por se tratar de condicionante não estabelecida pela lei. No referido acórdão ficou consignado o seguinte: É que: (i) "a COFINS e o PIS oneram em cascata o produto rural e, por isso, estão embutidos no valor do produto final adquirido pelo produtorexportador, mesmo não havendo incidência na sua última aquisição"; (ii) "o Decreto 2.367/98 Regulamento do IPI , posterior à Lei 9.363/96, não fez restrição às aquisições de produtos rurais"; e (iii) "a base de cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos insumos utilizados no processo produtivo (art. 2º), sem condicionantes" Estas razões teleológicas associadas ao próprio texto legal permitem concluir pela impossibilidade de imprimir definição tão restritiva aos conceitos jurídicos de “produtor exportador de mercadorias” e de “processo produtivo”, como o fez a fiscalização, acompanhada da DRJ. É bem verdade que o parágrafo único do art. 3º da Lei nº 9.363/96 estabeleceu que “utilizarseá, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem. Ocorre que não se pode definir produção, para o fim específico da Lei nº 9.363/96, com base no art. 8º do RIPI, como pretende a fiscalização, tendo em vista que o texto legal define apenas estabelecimento industrial para fins de incidência do IPI, o que não vem ao caso. Ademais, não há qualquer passagem no RIPI que defina expressamente o que venha a ser produção. O art. 610 do RIPI se limita a conceituar o que sejam “bens de produção”, dentre eles relacionando, expressamente, as matériasprimas, que é o que de perto interessa no presente processo. A Lei nº 4.502/65, por sua vez, define estabelecimento produtor, nos seguintes termos: Fl. 328DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 28/01/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11080.008288/200808 Acórdão n.º 3102002.330 S3C1T2 Fl. 17 8 Art. 3º Considerase estabelecimento produtor todo aquêle que industrializar produtos sujeitos ao impôsto. Parágrafo único. Para os efeitos dêste artigo, considerase industrialização qualquer operação de que resulte alteração da natureza, funcionamento, utilização, acabamento ou apresentação do produto, salvo: I o consêrto de máquinas, aparelhos e objetos pertencentes a terceiros; Il o acondicionamento destinado apenas ao transporte do produto; III O preparo de medicamentos oficinais ou magistrais, manipulados em farmácias, para venda no varejo, diretamente e consumidor, assim como a montagem de óculos, mediante receita médica. IV a mistura de tintas entre si, ou com concentrados de pigmentos, sob encomenda do consumidor ou usuário, realizada em estabelecimento varejista, efetuada por máquina automática ou manual, desde que fabricante e varejista não sejam empresas interdependentes, controladora, controlada ou coligadas. Art . 4º Equiparamse a estabelecimento produtor, para todos os efeitos desta Lei: [...] IV os que efetuem vendas por atacado de matériasprimas, produtos intermediários, embalagens, equipamentos e outros bens de produção. Ora, dispondo o legislador de forma tão clara não há margem para dúvidas: a Recorrente, ainda que na qualidade de vendedora/exportadora por atacado de matérias primas se equipara por expressa disposição legal a estabelecimento produtor, do que se infere logicamente que sua atividade é de produção. Reforça a presente linha de argumentação o próprio comando do art. 46 do CTN, que dispõe expressamente que mesmo para efeitos de incidência do IPI, considerase industrializado o produto que tenha sido submetido a qualquer operação que lhe modifique a natureza ou a finalidade, ou o aperfeiçoe para o consumo. Dito isso, inferese que, excluídas as atividades relacionadas pelo art. 3º da Lei nº 4.502/65, todas as demais circunstâncias fáticas que modifiquem a natureza ou a finalidade, ou o aperfeiçoe para o consumo se enquadram no conceito de industrialização e, com maior razão, decorrem de um processo de produção. Como bem pontado no Acórdão 20216.850, “o conceito de produção é lúbrico na legislação do IPI, “porém pode ser inferido do conceito de industrialização contido no art. 3º do mesmo regulamento”. E mais adiante acrescenta: “ainda na legislação do IPI, verificase que o art. 4º, expressamente, dispõe sobre as exclusões do que a lei considera industrialização. Tais exclusões são numerus clausus, ou seja, a relação é exaustiva, não comporta dilatação”. Fl. 329DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 28/01/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11080.008288/200808 Acórdão n.º 3102002.330 S3C1T2 Fl. 18 9 Foi justamente por conta dessas razões jurídicas que a Egrégia Câmara Superior de Recursos Fiscais – CSRF deste Conselho firmou entendimento no sentido de que a fruição do crédito presumido independe de a mercadoria estar sujeita à incidência do IPI, do que se infere, por decorrência lógica, que também é irrelevante que se trate de mercadoria industrializada para fins da legislação deste imposto: RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI RELATIVO AO PIS/COFINS. INCIDÊNCIA DO IPI. A Lei nº 9.363/96, em seu artigo 1º, estabelece que o requisito para a fruição do direito ao crédito presumido referente ao PIS e a COFINS é a produção e exportação de mercadorias nacionais, sendo irrelevantes, se cumpridos estes requisitos, que o produto esteja ou não sujeito ao IPI. Recurso provido. (CSRF/0201.876, Segunda Turma, Data da Sessão: 11/04/2005). De fato, transferir para o benefício fiscal, cuja natureza jurídica é de ressarcimento da Contribuição ao PIS e da Cofins, as regras atinentes ao IPI é, no mínimo, contornar os dispositivos da norma que o instituiu, restringindo o seu alcance. Assim, entendo que os materiais de embalagem, matérias primas e produtos intermediários, ainda que não tributados pelo IPI, integram a base de cálculo o presente crédito presumido desde que usados na produção de produtos exportados. Violação ao princípio do não confisco Por outro lado, assim como o fez a DRJ, deixo de apreciar a alegação de inconstitucionalidade da exigência por violação ao princípio do não confisco, por se tratar de matéria que escapa à competência deste tribunal administrativo: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Em face do exposto, voto por dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, apenas para restabelecer os créditos relativos aos materiais de embalagem, matérias primas e produtos intermediários não tributados pelo IPI usados na produção de produtos exportados. [Assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Fl. 330DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 28/01/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11080.008288/200808 Acórdão n.º 3102002.330 S3C1T2 Fl. 19 10 Fl. 331DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 28/01/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 13971.001702/2004-15
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Feb 26 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu May 14 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2000, 2001
MPF - NULIDADE.
Não é nulo o lançamento por prorrogação de MPF além do prazo regulamentar, quando não comprovado o prejuízo à defesa do contribuinte. A falta de prorrogação do MPF no prazo correto, por si só, não configura cerceamento do direito de defesa e não se equipara à ausência de MPF.
Numero da decisão: 9101-002.132
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª turma da câmara superior de recursos fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Especial do contribuinte. Os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão e Antonio Carlos Guidoni Filho acompanharam a Relatora pelas conclusões. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro João Carlos de Lima Junior.
(Assinado digitalmente)
Henrique Pinheiro Torres - Presidente-substituto
(Assinado digitalmente)
Karem Jureidini Dias - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão, Valmir Sandri, Adriana Gomes Rego, Karem Jureidini Dias, Leonardo de Andrade Couto (Conselheiro convocado), Antônio Carlos Guidoni Filho, Rafael Vidal de Araújo, João Carlos de Lima Junior, Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-presidente) e Henrique Pinheiro Torres (Presidente-substituto).
Nome do relator: KAREM JUREIDINI DIAS
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Não é nulo o lançamento por prorrogação de MPF além do prazo regulamentar, quando não comprovado o prejuízo à defesa do contribuinte. A falta de prorrogação do MPF no prazo correto, por si só, não configura cerceamento do direito de defesa e não se equipara à ausência de MPF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª turma da câmara ssuuppeerriioorr ddee rreeccuurrssooss ffiissccaaiiss,, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Especial do contribuinte. Os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão e Antonio Carlos Guidoni Filho acompanharam a Relatora pelas conclusões. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro João Carlos de Lima Junior. (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres Presidentesubstituto (Assinado digitalmente) Karem Jureidini Dias Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 17 02 /2 00 4- 15 Fl. 522DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 11/05/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13971.001702/200415 Acórdão n.º 9101002.132 CSRFT1 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão, Valmir Sandri, Adriana Gomes Rego, Karem Jureidini Dias, Leonardo de Andrade Couto (Conselheiro convocado), Antônio Carlos Guidoni Filho, Rafael Vidal de Araújo, João Carlos de Lima Junior, Maria Teresa Martinez Lopez (Vicepresidente) e Henrique Pinheiro Torres (Presidentesubstituto). Fl. 523DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 11/05/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13971.001702/200415 Acórdão n.º 9101002.132 CSRFT1 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Especial apresentado pelo contribuinte, em face do Acórdão nº 10515.707, da então Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes. O Auto de Infração exige Contribuição Social sobre o Lucro Líquido referente aos anoscalendário de 2000 e 2001, bem como multa isolada sobre o mesmo período. O contribuinte apresentou impugnação contra o lançamento, o qual foi julgado procedente pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento. Sobrevieram, então, Recurso Voluntário e o Acórdão nº 10515.707, o qual, por unanimidade de votos, rejeitou as preliminares e, no mérito, deu parcial provimento para afastar a multa isolada. A decisão restou assim ementada: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL MPF O MPF é instrumento de controle administrativo, sendo que irregularidades nele contidas não podem ensejar a nulidade do lançamento. DISCUSSÃO DA CONSTITUCIONALIDADE DE LEI PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL OMISSÃO DA AUTORIDADE JULGADORA DE PRIMEIRO GRAU A omissão da autoridade julgadora de primeiro grau em apreciar a constitucionalidade de norma em tese, considerandose incompetente para tal, desde que esgotada a apreciação das questões de mérito contidas na impugnação, não serve para determinar a nulidade da decisão. REFIS TRANSFERÊNCIA DE PREJUÍZOS FISCAIS GANHO NA OPERAÇÃO A transferência onerosa de prejuízos fiscais de terceiros para aproveitamento na amortização de multa e juros em processo de parcelamento especial PAES tem o preço pago pelo cessionário caracterizado como custo de aquisição. Eventual ganho obtido na amortização do passivo parcelado representa ganho tributável pela legislação do Imposto de Renda. REGIME DE COMPETÊNCIA EFEITOS EXCLUSÃO E ADIÇÃO DE VALORES FISCAIS FATOS JURÍDICOS A exclusão de valores fiscais ao lucro líquido do exercício (Bases da CSLL) somente pode ser feita à luz de fatos jurídicos que caracterizem sua possibilidade e oportunidade. A adição de valores fiscais sem a correspondente ocorrência de fatos jurídicos concomitantes para futura adição, restando caracterizado procedimento de apuração de efeitos fiscais que seriam diferentes daqueles obtidos em procedimento regular, visando elidir os efeitos da limitação da compensação de bases negativas deve ensejar a recomposição de valores e imposição dos efeitos da limitação. Glosa mantida. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO CONCOMITÂNCIA MESMA BASE DE CÁLCULO A aplicação concomitante da multa isolada (inciso III, do § 1°, do art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996) e da multa de ofício (incisos I e II, do art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996) não é legítima quando incide sobre uma mesma base de cálculo. SELIC A taxa Selic, Fl. 524DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 11/05/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13971.001702/200415 Acórdão n.º 9101002.132 CSRFT1 Fl. 5 4 por ser cabível nos casos de restituição ou compensação de tributos, deve incidir, mutatis mutandis, também nos débitos dos contribuintes para com a Fazenda Pública, uma vez que entendimento contrário feriria o princípio da isonomia. Recurso voluntário conhecido e parcialmente provido. O contribuinte opôs Embargos de Declaração, os quais não foram acolhidos. Ao contínuo, interpôs Recurso Especial (fls. 404/425), argumentando: (i) pela irregularidade do Mandado de Procedimento Fiscal; (ii) nulidade pela ausência de análise de argumentos; (iii) equívoco no procedimento fiscal e inovação nos fundamentos relativos à glosa de despesas de salárioeducação; e (iv) impossibilidade de limitar a compensação de 30%. Ao Recurso Especial do contribuinte foi dado seguimento parcial, sendo admitida apenas a alegação de irregularidade do MPF, conforme despacho de fls. 438/442. Em face do referido despacho, o contribuinte interpôs agravo, o qual foi rejeitado pelo despacho de fls. 469/470. A Fazenda Nacional apresentou suas contrarrazões às fls.446/452. O processo foi pautado para julgamento, quando verificouse que o contribuinte não foi intimado do Despacho que rejeitou seu Agravo, razão pela qual foi solicitada, no Despacho às fls. 471/472, a intimação do contribuinte para manifestarse, se assim o desejasse. Conforme AR de fls. 476, o contribuinte foi intimado do Despacho que rejeitou seu Agravo, sem se manifestar. É o relatório. Fl. 525DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 11/05/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13971.001702/200415 Acórdão n.º 9101002.132 CSRFT1 Fl. 6 5 Voto Conselheira Karem Jureidini Dias, Relatora O Recurso Especial do contribuinte foi objeto de despacho de admissibilidade e, tendo sido comprovada a divergência quanto à irregularidade do MPF, conheço do Recurso Especial. Quanto às demais alegações, tendo em vista que houve negativa de seguimento do Recurso Especial, inclusive por meio de despacho em sede de Agravo, deixo de conhecêlas, limitando o objeto do presente julgamento à alegação nulidade do lançamento por irregularidade no MPF. O acórdão recorrido entendeu por não acolher a preliminar de nulidade, sob o argumento de que irregularidades no MPF não podem ensejar a nulidade do lançamento. Conforme se extrai da própria ementa, entendeu o acórdão recorrido que “o MPF é instrumento de controle administrativo, sendo que irregularidades nele contidas não podem ensejar a nulidade do lançamento”. De outra parte, argumenta o contribuinte, com base em acórdão paradigma, que a ausência de MPF acarreta no cerceamento do direito de defesa do contribuinte, já que não lhe possibilita o conhecimento prévio e formal das atividades administrativas fiscalizatórias. Ainda, conforme afirma o próprio contribuinte em sua impugnação (fls. 227), “o Mandado de Procedimento Fiscal original determinou, em seu próprio texto, que o prazo para execução dos trabalhos era até 16/07/2004, podendo ser prorrogado com a efetiva intimação do contribuinte de tal fato. No entanto, a única prorrogação efetuada pela fiscalização foi entregue à empresa em 03/09/2004, decorridos quase 50 dias da data do término do mandado original. Ou seja, não havia como prorrogar algo que já se encontrava encerrado.” Desta forma, a alegada irregularidade do MPF (fls. 01/03) diz respeito a não prorrogação do Mandado de Procedimento Fiscal no prazo regulamentar. Sobre este aspecto, entendo que uma coisa é a ausência de MPF no início ou no encerramento da fiscalização ou, ainda, a existência de MPF sem a aplicabilidade para uma específica fiscalização. Outra coisa é a informação acerca das prorrogações do MPF após o início e antes do término da fiscalização. Em meu pensar, é necessário que o contribuinte seja informado sobre a autorização da fiscalização em seu início e na exigência de atos no curso do procedimento, inclusive quando da notificação do lançamento. De outra parte, entendo que entre um ato e outro a falta de publicidade de prorrogação do Mandado de Procedimento Fiscal, porquanto pressupõe também a ausência de ato de fiscalização para além do prazo de validade do MPF anterior, enseja tão somente o direito do exercício de espontaneidade do contribuinte e não a nulidade do lançamento. Fl. 526DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 11/05/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13971.001702/200415 Acórdão n.º 9101002.132 CSRFT1 Fl. 7 6 Isto porque, filiome à corrente que não nega que o MPF seja um instrumento de controle administrativo, porquanto necessário que exista para a prática do ato de fiscalização, mas a publicidade de sua prorrogação é necessária ao exercício dos atos isolados no curso do processo, sendo certo que a ausência desses ou da intimação da prorrogação do MPF antes do encerramento da fiscalização não tem o condão de viciar o lançamento, se havia o Mandado de Procedimento Fiscal quando da prática de tais atos (fls. 111). No presente caso, a despeito de não ter ocorrido prorrogação do MPF no prazo regulamentar, fato é que o contribuinte já havia sido notificado do início da fiscalização (fls. 01), com MPF para tanto válido. Por fim, importante esclarecer que não houve, no presente caso, qualquer ato que limitasse ou lesasse o direito de defesa do contribuinte. Pelo exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Especial do contribuinte. (Assinado digitalmente) Karem Jureidini Dias – Relatora. Fl. 527DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 11/05/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 11128.007498/2006-15
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Sep 29 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO - II
Data do fato gerador: 21/02/2006
FALTA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO. MERCADORIA SUJEITA A LICENCIAMENTO AUTOMATICO. PENALIDADE.
A desclassificação da mercadoria importada sujeita a licenciamento automático afasta, por si só, a aplicação da multa prevista no art. 526, II do Regulamento Aduaneiro.
Recurso voluntário provido.
Crédito Tributário exonerado.
Numero da decisão: 3102-00.763
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade, em dar provimento ao recurso voluntário.
Nome do relator: Beatriz Veríssimo de Sena
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 21/02/2006 FALTA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO. MERCADORIA SUJEITA A LICENCIAMENTO AUTOMATICO. PENALIDADE. A desclassificação da mercadoria importada sujeita a licenciamento automático afasta, por si só, a aplicação da multa prevista no art. 526, II do Regulamento Aduaneiro. Recurso voluntário provido. Crédito Tributário exonerado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade, em dar provimento ao recurso voluntário. LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Presidente BEATRIZ VERÍSSIMO DE SENA Relatora Fl. 169DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA Assinado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 09/05/2011 por BEATRIZ VERISS IMO DE SENA Processo nº 11128.007498/200615 Acórdão n.º 310200.763 S3‐C1T2 Fl. 2 2 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros José Fernandes do Nascimento, Ricardo Paulo Rosa, Luciano Pontes Maya Gomes e Nanci Gama. Relatório O processo trata de auto de infração lavrado para cobrança da multa sobre o valor aduaneiro da mercadoria por falta de licença de importação, prevista no art. 169, I, b, do DecretoLei n° 37/66, bem como da multa de 30% (trinta por cento) sobre o valor aduaneiro da mercadoria, prevista no art. 84, inciso I, da Medida Provisória n° 2158/2001. De acordo com a Autoridade Fiscal, o Contribuinte teria classificado incorretamente a mercadoria por ele desembaraçada. O Contribuinte submeteu a despacho aduaneiro, por meio da Declaração de Importação n°. 03/01539957, mercadoria denominada “Colestiramina”, declarada como resina trocadora de íons fortemente básica, contendo grupos funcionais amônio quartenário ligados a um copolímero estirenodivinilbenzeno. A mercadoria foi classificada pelo Contribuinte no código 3903.90.90, “Outros polímeros de estireno, em formas primárias”. Submetido à fiscalização, amostra da mercadoria foi remedida a análise pela FUNCAMP Fundação de Desenvolvimento da UNICAMP, que verificou que o produto seria, na verdade, um permutador de íons, aniônico, com base em resina colestiramina (copolímero de estireno), na forma de pó. Observouse, ainda, que o produto não é uma preparação, nem de composto de constituição química definida, sendo utilizado na indústria farmacêutica. Com base nessa análise, a Fiscalização reclassificou o produto na posição 3914.00.19, “Outros permutadores de íons à base de poliestireno e seus copolímeros, em formas primárias”. Em razão do erro de classificação, foram lançadas as multas do art. 169, I, b, do DecretoLei 37/66, e a multa de 1% (um por cento) sobre o valor aduaneiro da mercadoria, prevista no art. 84, I, da Medida Provisória n° 2158/2001. A autuada impugnou (fls. 55 a 73) o Auto de Infração, apresentando em sua defesa, as razões a seguir: A multa por infração ao controle administrativo das importações visa coibir condutas tendentes a repercutir em dano ao erário, o que não é o caso; O Conselho de Contribuintes (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais) é unânime quanto ao afastamento de tal penalidade; O contribuinte teria recolhido mais imposto do que devia, pois a alíquota da classificação proposta pelo Fisco seria inferior a alíquota por ela adotada; Ainda que houvesse equivoco na indicação da classificação fiscal, é imperativa a conclusão de que existia guia de importação para amparar a operação; Fl. 170DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA Assinado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 09/05/2011 por BEATRIZ VERISS IMO DE SENA Processo nº 11128.007498/200615 Acórdão n.º 310200.763 S3‐C1T2 Fl. 3 3 Se a descrição da mercadoria permitiu a identificação do produto e de novo enquadramento tarifário, é certa a conclusão de que a descrição alcançou seu fim, que é dar conhecimento à fiscalização do produto importado; O ato declaratório COSIT 10/97 preceitua o descabimento da multa por classificação errônea nos casos em que há correta descrição da mercadoria; A descrição correta e a ausência de dolo desautorizariam a aplicação dá multa ou a relevação de penalidade; Remetidos os autos à Delegacia da Receita Federal de Julgamento, o lançamento foi julgado procedente, por meio de acórdão assim ementado (fl. 118): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO Data do fato gerador: 21/02/2003 Infração ao controle aduaneiro das importações. Descrição das mercadorias feita sem todos os elementos necessários ao correto enquadramento tarifário enseja a aplicação da penalidade administrativa por falta de licenciamento de importação. Infração por classificação incorreta da mercadoria. Cabível a penalidade de um por cento do valor aduaneiro da mercadoria quando constatada incorreção na classificação fiscal. Lançamento procedente. Em seu recurso voluntário, o Contribuinte reitera, em síntese, os argumentos já expostos na impugnação para atacar a multa por falta de licenciamento. É o Relatório. Passo ao Voto. Voto Conselheira Relatora Beatriz Veríssimo de Sena, Relatora O recurso voluntário preenche os requisitos extrínsecos de admissibilidade, razão pela qual o conheço. Fl. 171DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA Assinado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 09/05/2011 por BEATRIZ VERISS IMO DE SENA Processo nº 11128.007498/200615 Acórdão n.º 310200.763 S3‐C1T2 Fl. 4 4 Multa devida por falta de apresentação de licença de importação (LI) Quanto a multa por falta de licença de importação, entendo que a decisão proferida pela DRJ merece reforma. Entendo que houve, de fato, erro na classificação do produto desembaraçado. Conforme relatado, o Contribuinte submeteu a despacho aduaneiro, por meio da Declaração de Importação n°. 03/01539957, mercadoria denominada “Colestiramina”, classificandoa no código 3903.90.90. Assim o fez porque a mercadoria seria espécie de resina trocadora de íons fortemente básica, contendo grupos funcionais amônio quartenário ligados a um copolímero estirenodivinilbenzeno. Assim consta da posição 3903.90.90: 39.03 Polímeros de estireno, em formas primárias. 3903.1 Poliestireno: 3903.11 Expansível 3903.11.10 Com carga 5 3903.11.20 Sem carga 5 3903.19.00 Outros 5 3903.20.00 Copolímeros de estirenoacrilonitrila (SAN) 5 3903.30 Copolímeros de acrilonitrilabutadienoestireno (ABS) 3903.30.10 Com carga 5 3903.30.20 Sem carga 5 3903.90 Outros 3903.90.10 Copolímeros de metacrilato de metilbutadienoestireno (MBS) 5 3903.90.20 Copolímeros de acrilonitriloestirenoacrilato de butilo (ASA) 5 3903.90.90 Outros 5 A Autoridade Fiscal, por sua vez, entendeu que a mercadoria seria, na verdade, um permutador de íons com base em resina colestiramina (copolímero de estireno), na forma de pó. Por isso o produto foi classificado na posição 3914.00.19, assim redigida: Fl. 172DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA Assinado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 09/05/2011 por BEATRIZ VERISS IMO DE SENA Processo nº 11128.007498/200615 Acórdão n.º 310200.763 S3‐C1T2 Fl. 5 5 3914.00 Permutadores de íons à base de polímeros das posições 39.01 a 39.13, em formas primárias. 3914.00.1 De poliestireno e seus copolímeros 3914.00.11 De copolímeros de estirenodivinilbenzeno, sulfonados 5 3914.00.19 Outros 5 O laudo técnico elaborado pelo perito oficial, da FUNCAMP Fundação de Desenvolvimento da UNICAMP, à fl. 26, foi incisivo ao afirmar que o produto desembaraçado não é espécie de resina trocadora de íons. De acordo com o perito, tratase de “Permutador de íons, com base em Resina Colestiramina(Copolímero de Estireno), na forma de pó”. Estas foram as respostas aos quesitos: RESPOSTAS AOS QUESITOS: 1. Não se trata de Outro Polímero de Estileno. Tratase de Permutador de íons, aniônico, com base em Resina Colestiramina (Copolímero de Estireno), na forma de pó, um permutador de íons a base de outro copolímero de estireno, em forma primária. 2. Não se trata de preparação nem de composto de constituição química definida. 3 De acordo com Referências Bibliográficas, mercadorias dessa natureza são utilizadas ,principalmente, na indústria farmacêutica. 4. Prejudicada O Contribuinte não produziu provas que pudessem desconstituir as conclusões do perito. Assim, prevalecem as conclusões do laudo pericial de fl. 26, que levam a classificação do produto no código 3914.00.19: “Permutadores de íons à base de polímeros das posições 39.01 a 39.13, em formas primárias. Outros”. Entretanto, como decorrência do erro de classificação, por si só, não se aplica a multa do artigo 526, inciso II, do Regulamento Aduaneiro anterior. Ocorre que a multa administrativa prevista no artigo 526, II, do Regulamento Aduaneiro, não é aplicada nos casos em que se verifica, tão somente, descrição inexata de mercadoria em declaração de importação, porém, especificamente, incide tal multa nos episódios de ausência de licença de importação ou guia de importação. No novo regime de licenciamento, em vigor desde a incorporação da Rodada do Uruguai, em 1994, o elemento que identifica se a mercadoria está ou não sujeita a Fl. 173DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA Assinado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 09/05/2011 por BEATRIZ VERISS IMO DE SENA Processo nº 11128.007498/200615 Acórdão n.º 310200.763 S3‐C1T2 Fl. 6 6 licenciamento nãoautomático e, em caso afirmativo, quais os procedimentos que devem ser seguidos para sua obtenção dessa autorização, é a classificação fiscal. Assim caso se demonstre erro na indicação da classificação tarifária e o item tarifário apontado como correto estiver sujeito a controle administrativo não previsto para a classificação original (por exemplo, o código tarifário original estava sujeito a LI automática e o corrigido, a nãoautomática), forçosamente, mercadoria não passou pelos controles próprios da etapa de licenciamento e, conseqüentemente, teria sido importada desamparada de documento equivalente à Guia de Importação. Ocorre, por outro lado, que se, tanto a classificação empregada pelo importador, quanto definida pela autoridade autuante não estiver sujeita a licenciamento ou, se sujeita, possuir o mesmo tratamento administrativo da classificação original, não há que se falar em falta de licenciamento por erro de classificação. Esse é, precisamente, o caso em exame. Depreendese do r. acórdão a quo que, tanto na posição na qual a empresa classificou os produtos, quanto na posição indicada pelo Fisco, as mercadorias estavam sujeitas a licenciamento automático. Nesse sentido, vejase a redação do ato que tipifica a infração, qual seja, a atual redação do art. 169 do DecretoLei nº 37/66 (destaque nosso): Art. 169 Constituem infrações administrativas ao controle das importações: (Artigo com redação dada pela Lei nº 6.562, de 18/09/1978) (...) b) sem Guia de Importação ou documento equivalente, que não implique a falta de depósito ou a falta de pagamento de quaisquer ônus financeiros ou cambiais: Pena: multa de 30% (trinta por cento) do valor da mercadoria. Dispõe o art. 526, inciso II, do Regulamento Aduaneiro, com a redação vigente a época dos fatos geradores: Art. 526. Constituem infrações administrativas ao controle das importações, sujeitas às seguintes penas (Decretolei nº 37/66,art. 169, alterado pela Lei No 6.562/78, art. 2o): (...) II importar mercadoria do exterior sem guia de importação ou documento equivalente, que não implique a falta de depósito ou a falta de pagamento de quaisquer ônus financeiros ou cambiais: multa de trinta por cento (30%) do valor da mercadoria; Fl. 174DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA Assinado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 09/05/2011 por BEATRIZ VERISS IMO DE SENA Processo nº 11128.007498/200615 Acórdão n.º 310200.763 S3‐C1T2 Fl. 7 7 Ora, se o controle administrativo das importações não foi prejudicado, evidentemente não se pode falar na aplicação da multa em questão. Compulsando os extratos de declaração de importação, verificase que, efetivamente, a mercadoria estava dispensada do processo de licenciamento (licenciamento automático). Indevida a multa, portanto. Transcrevese ementa de precedente administrativo nesse sentido: Assunto: Imposto sobre a Importação – II Data do fato gerador: 21/09/1999 CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIA. APRESENTAÇÃO DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO EXIGIDA, SOB NCM INECORRETO. MULTA DE OFÍCIO. INAPLICABILIDADE. A multa administrativa prevista no artigo 526, II, do RA e aplicada no presente caso pelo Fisco, não se sobrepõe nos casos de declarações inexatas, mas nos episódios de ausência das respectivas declarações ou de documentação equivalente. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE/ILEGALIDADE AFASTADA. Não cabe às autoridades administrativas analisar a inconstitucionalidade ou ilegalidade de legislação infraconstitucional, matéria de competência exclusiva do Poder Judiciário, conforme disposto no art. 102, inciso I, alínea "a", da Constituição Federal. Também incabível às mesmas autoridades afastar a aplicação de atos legais regularmente editados, pois é seu dever observálos e aplicálos, sob pena de responsabilidade funcional, nos termos do parágrafo único, do art. 142, do Código Tributário Nacional. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO (Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, Recurso n° 337.531, Processo n° 11128.000357/200248, Contribuinte: Cognis Brasil Ltda., Data da Sessão: 13/08/2008, Rel. Cons. Heroldes Bahr Neto, Acórdão n° 30335551, destaque atual) Pelo exporto, dou provimento ao recurso voluntário para afastar a multa por falta de apresentação de licença de importação ou documento equivalente. Fl. 175DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA Assinado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 09/05/2011 por BEATRIZ VERISS IMO DE SENA Processo nº 11128.007498/200615 Acórdão n.º 310200.763 S3‐C1T2 Fl. 8 8 Conclusão Pelo exporto, dou provimento ao recurso voluntário para afastar a multa por falta de apresentação de licença de importação ou documento equivalente. Sala das Sessões, em 29 de setembro de 2010. Relatora Beatriz Veríssimo de Sena Fl. 176DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA Assinado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 09/05/2011 por BEATRIZ VERISS IMO DE SENA
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Numero do processo: 10283.005276/2007-93
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Sep 02 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001
IPI AQUISIÇÕES DE MATÉRIAS-PRIMAS ISENTAS. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
O sistema de compensação de débitos e créditos do IPI é decorrente do princípio constitucional da não-cumulatividade. Tratando-se de instituto de direito público, deve o seu exercício dar-se nos estritos ditames da lei. Não há direito a crédito referente à aquisição de matérias-primas, produtos intermediários ou material de embalagens isentos.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-003.288
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial do sujeito passivo. Vencidos os Conselheiros Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva (Relator), Rodrigo Cardozo Miranda e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres.
assinado digitalmente
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
assinado digitalmente
Joel Miyasaki Redator ad hoc para o voto vencido
assinado digitalmente
Henrique Pinheiro Torres - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Ivan Allegretti, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001 IPI AQUISIÇÕES DE MATÉRIASPRIMAS ISENTAS. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. O sistema de compensação de débitos e créditos do IPI é decorrente do princípio constitucional da nãocumulatividade. Tratandose de instituto de direito público, deve o seu exercício darse nos estritos ditames da lei. Não há direito a crédito referente à aquisição de matériasprimas, produtos intermediários ou material de embalagens isentos. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial do sujeito passivo. Vencidos os Conselheiros Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva (Relator), Rodrigo Cardozo Miranda e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres. assinado digitalmente Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente assinado digitalmente Joel Miyasaki – Redator ad hoc para o voto vencido assinado digitalmente Henrique Pinheiro Torres Redator Designado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 00 52 76 /2 00 7- 93 Fl. 891DF CARF MF Impresso em 02/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 31/08/ 2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 31/08/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado d igitalmente em 31/08/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10283.005276/200793 Acórdão n.º 9303003.288 CSRFT3 Fl. 892 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Ivan Allegretti, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Insurgese a Contribuinte, em Recurso Especial de fls. 721/736, contra o Acórdão de fls. 706/718, que por maioria de votos negou provimento ao Recurso Voluntário, não reconhecendo direito ao ressarcimento de IPI, cujo fundamento denegatório é a não existência de crédito em vista do benefício de isenção concedido às empresas integrantes da Zona Franca de Manaus. Em exame de admissibilidade às fls. 850/851, o recurso relatado teve seu seguimento restrito apenas à questão do Ressarcimento do IPI, sendo negado seguimento no tocante à incidência da Taxa Selic por não ter sido esse pedido ventilado anteriormente, deixando de preencher o requisito do prequestionamento previsto no art. 67, § 3º, do Regimento Interno. O acórdão recorrido foi ementado: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2000 a 30/06/2000 IPI CRÉDITOS SOBRE INSUMOS ISENTOS. INAPLICABILIDADE. Incabível o aproveitamento de créditos de IPI relativos a entradas em que não houve o pagamento do imposto, por qualquer que seja o motivo, inclusive a isenção. APLICAÇÃO IMEDIATA DA DECISÃO PLENÁRIA DO STF. REQUISITOS. O artigo 49 da Portaria MF n° 147/2007 não obriga os Conselheiros à imediata aplicação de decisões plenárias do STF, a qual somente deve ser feita quando convencido o Conselheiro da exata subsunção dos fatos à decisão a aplicar e da sua irreversibilidade. Recurso Negado.” Aduz a Recorrente que a decisão combatida é divergente do entendimento adotado pela Segunda Turma deste Conselho no Acórdão CSRF/0202.154, cuja ementa traz à fl. 622 e integra às fls. 754/771, fundamentada na decisão do Pleno do STF (RE. 212.4842) que autoriza a creditação do IPI proveniente de aquisições sob o regime de isenção. Cita também o art. 153, CF, que prevê a compensação do IPI do que for devido em cada operação, com o montante cobrado nas anteriores, constituindo portanto, legítima a pretensão da Contribuinte verse ressarcida desse crédito. Fl. 892DF CARF MF Impresso em 02/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 31/08/ 2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 31/08/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado d igitalmente em 31/08/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10283.005276/200793 Acórdão n.º 9303003.288 CSRFT3 Fl. 893 3 Salienta que o entendimento do STF acerca da matéria para reconhecer o crédito de IPI de aquisições isentas é o precedente definitivo e repetido, decidido nos RE´s 394.997, 504.423 e 370.771. Segue aduzindo que este Conselho deve acatar a jurisprudência do STF, a rigor do que prevê a Lei nº 11.941/2009, que acrescentou o artigo 26A ao Decreto nº 70.235/72, estabelecendo a aplicabilidade administrativa de entendimento por decisão do STF. Cita também o art. 11 da Lei 9.779/99, pela qual constitui o direito ao ressarcimento de créditos de IPI que não possam ser compensados na saída de outros produtos, como é o caso dos autos. Em Contrarrazões, às fls. 856/866, aduz a Fazenda Nacional que a matéria tem entendimento definitivo pelo STF e é pela inexistência de direito ao ressarcimento do crédito postulado, conforme ementas do Supremo e deste Conselho às fls. 859/861. Segue aduzindo que em se tratando de insumo que não foi submetido à tributação na entrada, seja por isenção ou alíquota zero ou não incidência de imposto, evidente que não há que se falar em aproveitamento de crédito de IPI na saída do produto final, pressupondose que não há o que creditar sendo a aquisição da matériaprima desonerada do Imposto. Por fim, requer seja o acórdão recorrido mantido em sua íntegra. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Joel Miyasaki – redator ad hoc Por intermédio do Despacho de fl. 890, nos termos da disposição do art. 17, III, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015, incumbiume o Presidente da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais a formalizar o Acórdão 9303003.288. Ressaltese que o relator original entregou o relatório e seu voto à secretaria da Câmara Superior. Contudo, em virtude de sua renúncia ao mandato, não foi possível concluir a formalização da citada decisão. Desta forma, adotase o voto entregue pelo relator original, Conselheiro Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva: “Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pela Contribuinte, admitido parcialmente pelo Despacho nº 340000.392 (fl. 850/851) contra acórdão da 4a Câmara/2ª Turma Ordinária (fl. 706) que julgou incabível o aproveitamento de créditos de IPI relativos a aquisições não oneradas por esse imposto, restame, com base nos seus termos e no que dos autos consta, decidir o cabimento ou não do direito ao ressarcimento de saldo credor em face de aquisições de insumos isentos e decidir sobre a correção pela taxa Selic, que não foi admitida, Fl. 893DF CARF MF Impresso em 02/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 31/08/ 2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 31/08/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado d igitalmente em 31/08/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10283.005276/200793 Acórdão n.º 9303003.288 CSRFT3 Fl. 894 4 exclusivamente, em razão da inexistência de debate sobre a matéria em razão de o recurso haver sido negado quanto ao mérito. A ora Recorrente está localizada na Zona Franca de Manaus com projeto produtivo aprovado pela SUFRAMA, o que lhe confere isenção de IPI na aquisição de insumos, conforme previsão nos artigos 3º e 4º do DecretoLei nº 288/67 e tem por objeto a fabricação de aparelhos elétricos, eletrônicos e de comunicação. Segundo o art. 71 do RIPI/2002, os materiais destinados a ZFM somente terão características isencionais após sua entrada uma vez que antes dessa etapa vige a suspensão do imposto. Em 05.03.1998 o E. STF no julgamento da VONPAR REFRESCOS S/A no RE nº 212.484, decidiu que o princípio da nãocumulatividade não restaria maculado em face de isenção incidente sobre insumos. Devo subsumir a partir de agora o meu entendimento sobre matéria destes autos relativamente ao princípio da não cumulatividade, às emanações técnicojurídicas do E. STF na pessoa da Ministra Carmem Lúcia quando do julgamento do RE 566.819 da JOFRAN EMBALAGENS LTDA., julgamento esse que não enfrentou situação jurídica envolvendo o art. 11 da Lei nº 9.779/99 e nem relativa a insumos originários da ZFM. No entanto, dito julgamento do RE 566.819, teve a temática abordada por vários Ministros dentre os quais Carmem Lúcia quando destacou veementemente que a solução para o crédito nas aquisições de insumos desonerados não decorre do princípio da nãocumulatividade, e sim, de razões ligadas a política fiscal do País. No julgamento ocorreu, também, o esclarecimento do Min. Marco Aurélio quanto a não modificação do entendimento contido no RE nº 212.484 relativamente ao princípio da não cumulatividade. Registro também excerto de decisão em sede de Embargos de Declaração opostos nos autos do mesmo RE 566.819, imprimindo inalterabilidade ao decidido no RE 212.484, verbis: “É estreme de dúvidas que o Tribunal ressalvou o exame de controvérsia apanhada quer pela regência da Lei nº 9.779/99 – art. 11, quer por legislação especial, como é o caso da Zona Franca de Manaus.” A Recorrente deita argumento estribado no art. 11 da Lei nº 9.779/99 para fundamentar o direito ao ressarcimento de saldo credor do IPI incluindo sua utilização para compensação com outros tributos federais, verbis: “Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, acumulado em cada trimestre–calendário, decorrente de aquisição de matéria prima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda.” Fl. 894DF CARF MF Impresso em 02/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 31/08/ 2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 31/08/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado d igitalmente em 31/08/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10283.005276/200793 Acórdão n.º 9303003.288 CSRFT3 Fl. 895 5 Enxergo agora com mais clareza do que fiz na primeira redação deste voto, que essa norma se refere a produto industrializado incluído na condição de isento, fato inconteste que ocorre no caso destes autos. Com relação a atualização monetária pretendida, entendoa ainda cabível, isto porque o Recurso Voluntário não enfrentou a matéria sob o fundamento da inexistência de direito creditório e, com base nessa ocorrência a admissibilidade restou inerte. Portanto, sendo o tema absolutamente pacífico em razão dos precedentes do Judiciário e deste CARF, dos recursos constaram pedidos explícitos sobre a incidência da Taxa Selic. Em face de todo o exposto e amparado no entendimento de que a decisão constante do RE nº 212.484 resta incólume, voto pelo provimento deste Recurso Especial, incluindo nesta minha decisão a incidência da Taxa Selic nos créditos apurados.” Com base nesses fundamentos, o relator original deu provimento ao recurso especial do sujeito passivo, tendo sido vencido, por maioria dos votos. assinado digitalmente Joel Miyasaki – redator ad hoc Voto Vencedor Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Redator Designado Com o devido respeito ao relator original, discordo de seu entendimento quanto ao direito de crédito em relação às aquisições de insumos isentos, mesmo na hipótese dos autos, que trata de estabelecimento industrial situado na Zona Franca de Manaus. A questão do direito de crédito básico do IPI nas aquisições de insumos isentos é por demais conhecida, tendo sido tratada nesta instância em julgamento formalizado no Acórdão 930302007, de 13/06/2012, do qual fui relator. Transcrevo parte daquele julgado, por aplicarse à solução da presente lide: “A solução do litígio resumese em determinar se os estabelecimentos industriais e os que lhes são equiparados têm direito a ressarcimento de créditos de IPI referente à aquisição de matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem acobertados por isenção desse tributo. A controvérsia tem como “pano de fundo” a interpretação do princípio da nãocumulatividade do imposto. A nãocumulatividade do IPI nada mais é do que o direito de os contribuintes abaterem do imposto devido nas saídas dos produtos do estabelecimento industrial o valor do IPI que incidira na operação anterior, isto é, o direito de compensar o imposto que lhe foi cobrado na aquisição dos insumos (matéria prima, produto intermediário e material de embalagem) com o devido referente aos fatos geradores decorrentes das saídas de produtos tributados de seu estabelecimento. Fl. 895DF CARF MF Impresso em 02/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 31/08/ 2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 31/08/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado d igitalmente em 31/08/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10283.005276/200793 Acórdão n.º 9303003.288 CSRFT3 Fl. 896 6 A Constituição Federal de 1988, reproduzindo o texto da Carta Magna anterior, assegurou aos contribuintes do IPI o direito a creditaremse do imposto cobrado nas operações antecedentes para abater nas seguintes. Tal princípio está insculpido no art. 153, § 3º, inc. II, verbis: Art. 153. Compete à União instituir imposto sobre: I omissis IV produtos industrializados § 3º O imposto previsto no inc. IV: I Omissis II será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores; (grifo não constante do original) Para atender à Constituição, o C.T.N. dá, no artigo 49 e parágrafo único, as diretrizes desse princípio e remete à lei a forma dessa implementação. Art. 49. O imposto é nãocumulativo, dispondo a lei de forma que o montante devido resulte da diferença a maior, em determinado período, entre o imposto referente aos produtos saídos do estabelecimento e o pago relativamente aos produtos nele entrados. Parágrafo único. O saldo verificado, em determinado período, em favor do contribuinte, transferese para o período ou períodos seguintes. O legislador ordinário, consoante essas diretrizes, criou o sistema de créditos que, regra geral, confere ao contribuinte o direito a creditarse do imposto cobrado nas operações anteriores (o IPI destacado nas Notas Fiscais de aquisição dos produtos entrados em seu estabelecimento) para ser compensado com o que for devido nas operações de saída dos produtos tributados do estabelecimento contribuinte, em um mesmo período de apuração, sendo que, se em determinado período os créditos excederem aos débitos, o excesso será transferido para o período seguinte. A lógica da nãocumulatividade do IPI, prevista no art. 49 do CTN, e reproduzida no art. 81 do RIPI/82, posteriormente no art. 146 do Decreto 2.637/1998, é, pois, compensar do imposto a ser pago na operação de saída do produto tributado do estabelecimento industrial ou equiparado o valor do IPI que fora cobrado relativamente aos produtos nele entrados (na operação anterior). Todavia, até o advento da Lei 9.779/99, se os produtos fabricados saíssem não tributados (Produto NT), tributados à alíquota zero, ou gozando de isenção do imposto, como não haveria débito nas saídas, conseqüentemente, não se poderia utilizar os créditos básicos referentes aos insumos, vez não existir imposto a ser compensado. O princípio da não cumulatividade só se justifica nos casos em que haja débitos e créditos a serem compensados mutuamente. Essa é a regra trazida pelo artigo 25 da Lei 4.502/64, reproduzida pelo art. 82, inc. I do RIPI/82 e, posteriormente, Fl. 896DF CARF MF Impresso em 02/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 31/08/ 2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 31/08/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado d igitalmente em 31/08/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10283.005276/200793 Acórdão n.º 9303003.288 CSRFT3 Fl. 897 7 pelo art. 147, inc. I do RIPI/1998 c/c art. 174, Inc. I, alínea “a” do Decreto 2.637/1998, a seguir transcrito: Art. 82. Os estabelecimentos industriais, e os que lhes são equiparados, poderão creditarse: I do imposto relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, exceto as de alíquota zero e os isentos, incluindose, entre as matérias primas e produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente. (grifo não constante do original) De outro lado, a mesma sistemática vale para os casos em que as entradas foram desoneradas desse imposto, isto é, as aquisições das matériasprimas, dos produtos intermediários ou do material de embalagem não foram onerados pelo IPI, pois não há o que compensar, vez que o sujeito passivo não arcou com ônus algum. Vejase que esse dispositivo legal confere o direito do imposto (cobrado) relativo aos insumos utilizados em produtos tributados. A premissa básica da não cumulatividade do IPI reside justamente em se compensar o tributo pago na operação anterior com o devido na operação seguinte. O texto constitucional é taxativo em garantir a compensação do imposto devido em cada operação com o montante cobrado na anterior. Ora, se no caso em análise não houve a cobrança do tributo na operação de entrada da matériaprima em virtude de isenção, não há falarse em direito a crédito, tampouco em não cumulatividade. É de notarse que a tributação do IPI, no que tange a não cumulatividade, está centrada na sistemática conhecida como “imposto contra imposto” (imposto pago na entrada contra imposto devido a ser pago na saída) e não na denominada “base contra base”, (base de cálculo da entrada contra base de cálculo da saída) como pretende a reclamante. Esta sistemática (base contra base), é adota, geralmente, em países nos quais a tributação dos produtos industrializados e de seus insumos são onerados pela mesma alíquota, o que, absolutamente, não é o caso do Brasil, onde as alíquotas variam de 0 a 330%. Havendo coincidência de alíquotas em todo o processo produtivo, a utilização desse sistema de base contra base caracteriza a tributação sobre o valor agregado, pois em cada etapa do processo produtivo a exação fiscal corresponde exatamente a da parcela agregada. Assim, se a alíquota é de 5%, por exemplo, o sujeito passivo terá de recolher o valor correspondente à incidência desse percentual sobre o montante por ele agregado. Isso já não ocorre quando há diferenciação de alíquotas na cadeia produtiva, pois essa Fl. 897DF CARF MF Impresso em 02/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 31/08/ 2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 31/08/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado d igitalmente em 31/08/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10283.005276/200793 Acórdão n.º 9303003.288 CSRFT3 Fl. 898 8 diferenciação descaracteriza, por completo, a chamada tributação do valor agregado, vez que a exação efetiva de cada etapa depende da oneração fiscal da antecedente, isto é, quanto maior for a exação do IPI incidente sobre os insumos menor será o ônus efetivo desse tributo sobre o produto deles resultantes. O inverso também é verdadeiro, havendo diferenciação de alíquotas nas várias fases do processo produtivo, quanto menor for a taxação sobre as entradas (matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem) maior será o ônus fiscal sobre as saídas (produto industrializado). Exemplificando: a fase “a” está sujeita a alíquota de 10% e nela foi agregado $ 1.000,00. Havendo, portanto, uma exação efetiva de $ 100,00. Na etapa seguinte, a alíquota é de 5%, e agregouse, também, $ 1.000,00. A tributação efetiva dessa fase é de 0%, pois, embora a alíquota do produto seja de 5%, o crédito da fase anterior vai compensar integralmente o valor da correspondente exação e o sujeito passivo não terá nada a recolher. De outro lado, se os produtos da fase “a” forem taxados em 5% e o da “b” em 10%, mantendose os valores do exemplo anterior, a tributação efetiva nesta fase, na realidade é de 15%, como mostrado a seguir. Fase “a”: valor agregado $1.000,00, alíquota 5%, imposto calculado $ 50,00, crédito $ 0,00, imposto a recolher $ 50,00. Fase “b”: valor agregado $ 1.000, alíquota 10%, imposto calculado $ 200,00, ($ 2.000 x 10%), crédito $ 50,00, imposto a recolher $ 150,00. Tributação efetiva 15% sobre o valor agregado. Como se pode ver do exemplo acima, o gravame fiscal efetivo em uma fase da cadeia produtiva é inverso ao da anterior. Por conseguinte, nessa sistemática de imposto contra imposto adotada no Brasil, se uma fase for completamente desonerada, em virtude de alíquota zero, de isenção ou de não tributação pelo IPI (produtos NT na TIPI), o gravame fiscal será deslocado integralmente para a fase seguinte. Não se alegue que essa sistemática de imposto contra imposto vai de encontro ao princípio da nãocumulatividade, pois este não assegura a equalização da carga tributária ao longo da cadeia produtiva, tampouco confere o direito ao crédito relativo às entradas (operações anteriores) quando estas não são oneradas pelo tributo em virtude de alíquota neutra (zero), isenção ou não ser o produto tributado pelo IPI. Na verdade, o texto constitucional garante tãosomente o direito à compensação do imposto devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores, sem guardar qualquer proporção entre o exigido entre as diversas fases do processo produtivo. Assim, com o devido respeito aos que entendem o contrário, o fato de insumos agraciados com isenção comporem a base de cálculo de um produto tributado à alíquota positiva não confere ao estabelecimento industrial o direito a crédito a eles referente, como se onerados fossem. Repisese que a diferenciação generalizada de alíquotas do IPI adotada no Brasil gera a desproporção da carga tributária entre as várias cadeias do processo produtivo, hora se concentrando Fl. 898DF CARF MF Impresso em 02/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 31/08/ 2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 31/08/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado d igitalmente em 31/08/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10283.005276/200793 Acórdão n.º 9303003.288 CSRFT3 Fl. 899 9 nos insumos hora se deslocando para o produto elaborado, e o princípio da nãocumulatividade não tem o escopo de anular essa desproporção, até porque a variação de alíquotas decorre de mandamento constitucional, a seletividade em função da essencialidade. Desta forma, a impossibilidade de utilização de créditos relativos a esses produtos adquiridos ao abrigo de isenção do imposto não implica, absolutamente, em afronta ou restrição ao princípio da nãocumulatividade ou a qualquer outro dispositivo constitucional.” Importante ressaltar que a jurisprudência do STF tem se firmado no mesmo sentido aqui defendido. Nesse ponto, transcrevo excertos do voto do ilustre Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz em julgamento consubstanciado no Acórdão 3403002.738, de 30 de janeiro de 2014, que bem historiou as mudanças ocorridas na jurisprudência: “O histórico jurisprudencial sobre o tema no Supremo Tribunal Federal pareceme ter vivido quatro momentos distintos. Por ocasião do julgamento do recurso extraordinário no 212.484, em 1998, o Plenário da Corte reconheceu a estabelecimento contribuinte do IPI direito de crédito pela aquisição de insumos albergados por regra isentiva, por entender que o princípio constitucional da nãocumulatividade o garantia. Em 2002, o Tribunal julgou o recurso extraordinário nº 350.446, no qual se debatia sobre o direito de crédito nas hipóteses em que os insumos do processo fabril fossem adquiridos sob regime de alíquota 0% ou sob a notação “NT” na TIPI, vindo a prevalecer o entendimento de que, a exemplo do que se reconhecera para a isenção, também aqui o contribuinte faria jus ao creditamento. Cinco anos mais tarde, o Plenário do Supremo Tribunal Federal revisitou o tema quando chamado a decidir os recursos extraordinários nos 353.657 e 370.682, no âmbito dos quais novamente Fazenda Nacional e contribuintes controvertiam o direito de crédito ante a aquisição de insumos “NT” e alíquota 0%. Desta feita, entretanto, a Corte atribuiu sentido e extensão diversos ao princípio da nãocumulatividade, concluindo que o preceito constitucional não asseguraria o direito de crédito nestas situações. O capitulo mais recente desta seqüência foi escrito por ocasião do julgamento do recurso extraordinário no 566.819, em setembro de 2010. Sob relatoria do Ministro Marco Aurélio, o Supremo Tribunal Federal reformou a orientação anteriormente adotada também quanto à aquisição de insumos isentos de IPI, no sentido de que o direito de crédito nesta e em qualquer outra hipótese de desoneração não extrai fundamento de validade do princípio da não cumulatividade. Nesse sentido, vejase trecho do voto condutor do acórdão: No mais, o Plenário, ao julgar os Recursos Extraordinários nos. 353.657/PR e 370.682/SC, relativamente à aquisição de insumos não tributados ou sujeitos à alíquota zero, sufragou o Fl. 899DF CARF MF Impresso em 02/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 31/08/ 2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 31/08/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado d igitalmente em 31/08/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10283.005276/200793 Acórdão n.º 9303003.288 CSRFT3 Fl. 900 10 entendimento de que o direito ao crédito pressupõe recolhimento anterior do tributo, cobrança implementada pelo Fisco. (...) Pois bem, o raciocínio desenvolvido é próprio tanto no caso de insumo sujeito à alíquota zero ou não tributado, quanto no de insumo isento, tema não apreciado nos mencionados precedentes. Inexiste dado específico a conduzir ao tratamento diferenciado, permitindose o creditamento relativamente à isenção, em que também não se recolhe o tributo, e não se admitindo no tocante à alíquota zero e à nãotributação.” Ressaltese que o fato de o estabelecimento industrial da contribuinte estar sediado na Zona Franca de Manaus, e ser detentor de projeto aprovado pela SUFRAMA, não lhe garante o direito ao creditamento que efetuou. A Contribuinte, por estar situada na ZFM, importa ou adquire no mercado interno insumos com isenção (benefício fiscal concedido à ZFM), os quais são aplicados na industrialização de produtos que, ao dar saída da ZFM, também são isentos (a isenção na saída dos produtos decorre, igualmente, de favor fiscal dirigido à ZFM). O aproveitamento de crédito básico relativo a insumos adquiridos com isenção (crédito ficto), os quais foram utilizados na industrialização de produtos também alcançados por isenção (em virtude de incentivos próprios da ZFM), necessitaria de autorização legislativa expressa. Todavia, inexiste tal autorização. Na realidade, a pretensão da contribuinte de aproveitar crédito ficto acumulado em decorrência de saídas não oneradas pelo tributo (saídas isentas) representa cumulação de benefícios, que não encontra amparo na legislação tributária. Notese que, na situação pretendida, o Estado não só estaria incentivando a produção naquela zona de livre comércio, mas também pagando para lá se produzir. Tal cumulação de benefícios violaria, indubitavelmente, as regras da OMC, da qual o Brasil é membro. No que diz respeito à atualização monetária, constatase que tal matéria não subiu para exame deste Colegiado, haja vista que o Presidente da Câmara Recorrida não admitiu o especial nessa matéria, o que foi confirmado pelo Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais em seu Despacho de Reexame. Tal despacho é irrecorrível. Portanto, não cabe pronunciamento desta instância superior acerca da incidência da Selic no ressarcimento, distintamente do que entendeu o relator original. Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial do sujeito passivo. assinado digitalmente Henrique Pinheiro Torres – redator do voto vencedor Fl. 900DF CARF MF Impresso em 02/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 31/08/ 2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 31/08/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado d igitalmente em 31/08/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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