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Numero do processo: 16682.900663/2011-03
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jun 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2006
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE.
Com o transcurso do prazo decadencial apenas o dever/poder de constituir o crédito tributário estaria obstado, tendo em conta que a decadência é uma das modalidades de extinção do crédito tributário.
Não se submetem à homologação tácita os saldos negativos de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica apurados nas declarações apresentadas, a serem regularmente comprovados, quando objeto de pedido de restituição ou compensação.
VERIFICAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IRPJ. LANÇAMENTO VERSUS RECONHECIMENTO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO.
A verificação da base de cálculo do tributo não é cabível apenas para fundamentar lançamento de ofício, mas deve ser feita, também, no âmbito da análise das declarações de compensação, para efeito de determinação da certeza e liquidez do crédito, invocado pelo sujeito passivo, para extinção de outros débitos fiscais.
SALDO NEGATIVO DE IRPJ. REQUISITOS DE DEDUTIBILIDADE DA RETENÇÃO NA FONTE.
A retenção na fonte sobre rendimentos declarados somente poderá ser compensado na declaração da pessoa jurídica se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora. Não apresentados os comprovantes é plausível a apuração do valor retido mediante pesquisa em DIRF. O saldo negativo de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica apurado em Declaração de Rendimentos, decorrente de retenção na fonte, só pode ser reconhecido como direito creditório, até o montante efetivamente confirmado, se comprovado que as receitas que lhe deram origem foram oferecidas à tributação.
Preliminar de decadência rejeitada.
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 1302-001.095
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de decadência suscitada pela Recorrente e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Eduardo de Andrade - Presidente
(Assinado digitalmente)
Paulo Roberto Cortez - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo de Andrade (Presidente), Luiz Tadeu Matosinho Machado, Paulo Roberto Cortez, Márcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Alberto Pinto Souza Junior.
Nome do relator: PAULO ROBERTO CORTEZ
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SALDO NEGATIVO DE IRPJ. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Com o transcurso do prazo decadencial apenas o dever/poder de constituir o crédito tributário estaria obstado, tendo em conta que a decadência é uma das modalidades de extinção do crédito tributário. Não se submetem à homologação tácita os saldos negativos de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica apurados nas declarações apresentadas, a serem regularmente comprovados, quando objeto de pedido de restituição ou compensação. VERIFICAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IRPJ. LANÇAMENTO VERSUS RECONHECIMENTO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. A verificação da base de cálculo do tributo não é cabível apenas para fundamentar lançamento de ofício, mas deve ser feita, também, no âmbito da análise das declarações de compensação, para efeito de determinação da certeza e liquidez do crédito, invocado pelo sujeito passivo, para extinção de outros débitos fiscais. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. REQUISITOS DE DEDUTIBILIDADE DA RETENÇÃO NA FONTE. A retenção na fonte sobre rendimentos declarados somente poderá ser compensado na declaração da pessoa jurídica se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora. Não apresentados os comprovantes é plausível a apuração do valor retido mediante pesquisa em DIRF. O saldo negativo de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica apurado em Declaração de Rendimentos, decorrente de retenção na fonte, só pode ser reconhecido como direito creditório, até o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 90 06 63 /2 01 1- 03 Fl. 152DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ 2 montante efetivamente confirmado, se comprovado que as receitas que lhe deram origem foram oferecidas à tributação. Preliminar de decadência rejeitada. Recurso Voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de decadência suscitada pela Recorrente e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Eduardo de Andrade Presidente (Assinado digitalmente) Paulo Roberto Cortez Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo de Andrade (Presidente), Luiz Tadeu Matosinho Machado, Paulo Roberto Cortez, Márcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Alberto Pinto Souza Junior. Fl. 153DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 16682.900663/201103 Acórdão n.º 1302001.095 S1C3T2 Fl. 3 3 Relatório BRADESCO SAÚDE S/A, contribuinte inscrita no CNPJ/MF 92.693.118/000160, com domicílio fiscal na cidade do Rio de Janeiro, Estado do Rio de Janeiro, à Rua Barão de Itapagipe, nº 225, Bairro Rio Comprido, jurisdicionado a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária do Rio de Janeiro, inconformada com a decisão de Primeira Instância (fls. 92/97), prolatada pela 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro RJ, recorre, a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pleiteando a sua reforma, nos termos da petição de fls. 102/111. A requerente transmitiu, em 31/08/2006, a Declaração de Compensação – DCOMP nº 20224.01099.310806.1.3.022568, e do PER nº 22124.30367.211010.1.2.026303 (fls. 02/07), cujo crédito referese a saldo negativo de IRPJ, relativo ao anocalendário de 2005, no valor de R$ 1.663.180,56. De acordo com o art. 168 da Lei n° 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional) e inciso II do § 1° do art. 6° e 74, da Lei nº 9.430, de 1996, combinado com a Portaria SRF n°. 4.980, de 1994, a Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Maiores Contribuintes no Rio de Janeiro – RJ (DEMAC/RJO), através do Despacho Decisório (fls. 08/11), apreciou e concluiu, em 01/04/2011, que o presente pedido de compensação é parcialmente procedente, com base, em síntese, nas seguintes argumentações: que a soma das parcelas de composição do crédito informadas no PER/DCOMP deve ser suficiente para comprovar a quitação do imposto devido e a apuração do saldo negativo; que o valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de credito: R$ 1.663.180,56, valor na DIPJ: R$ 1.663.180,56. Somatória das parcelas de composição do credito na DIPJ: R$ 1.663.180,56. IRPJ devido: R$ 0,00; que, no entanto, o valor do saldo negativo disponível (Parcela confirmadas limitado ao somatório das parcelas na DIPJ) limitado ao menor valor entre saldo negativo DIPJ e PER/DCOMP, observado que quando este cálculo resultar negativo, o valor será zero. Valor do saldo negativo disponível: R$ 1.519.080,83; que o crédito reconhecido foi insuficiente para compensar integralmente os débitos informados pelo sujeito passivo, razão pela qual homologo parcialmente a compensação declarada no PER/DCOMP 20224.01099.1.3.022568; que o crédito de saldo negativo foi analisado a partir das informações prestadas em um único PER/DCOMP, aquele identificado como “PERD/DCOMP com demonstrativo de crédito”. Regra geral, tratase do primeiro PER/DCOMP transmitido pelo sujeito passivo informando aproveitamento do saldo negativo do período de apuração; que na análise do crédito, foram verificadas as parcelas de composição do saldo negativo informadas na pasta “Crédito” do PER/DCOMP, tendo por premissa que a soma Fl. 154DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ 4 destas parcelas deve ser suficiente para comprovar a quitação do imposto devido no período, se houver, e a apuração do saldo negativo; que quando houver divergência entre o valor do saldo negativo informado no PER/DECOMP e na DIPJ correspondente ao período de apuração do crédito analisado, o reconhecimento do direito creditório está limitado ao menor deste dois valores; que, assim, do valor de R$ 1.663.180,56, foram confirmadas o valor de R$ 1.519.080,83 e não confirmadas o valor de R$ 144.099,73. Cientificado da decisão da Autoridade Administrativa, em 11/04/2011, conforme Termo constante à fl. 14, e, com ela não se conformando, a contribuinte interpôs, em tempo hábil (11/05/2011), a sua Manifestação de Inconformidade de fls. 15/23, instruído pelos documentos de fls. 25/53, no qual demonstra irresignação contra a decisão, baseado, em síntese, nas seguintes considerações; que tendo em vista que a requerente tomou ciência do despacho Decisório no dia 18/02/2011 (sextafeira), o termo inicial para contagem do prazo para a apresentação da presente Manifestação de Inconformidade iniciouse no dia 11/004/2011 (segundafeira), tendo como termo final o dia 11/05/2011 (quartafeira). Portanto, a presente manifestação será tempestiva, desde que protocolizada até aquela data, inclusive; que reconheceuse o direito à compensação apenas o valor de R$ 1.519.080,83, sendo que o crédito restante, no valor de R$ 144.099,73, não foi reconhecido pela D. Autoridade Fiscal; que, entretanto, será demonstrado abaixo que esse entendimento deverá ser integralmente reformado, pois a Requerente comprovará novamente que o IRRF foi recolhido, razão pela qual a Requerente tem direito de utilizar tal valor para fins de apuração do seu saldo negativo de IRPJ; que, o r. despacho decisório em causa deve ser cancelado, tendo em vista que nele não se descreveu o motivo pelo qual não foi considerada a totalidade do saldo negativo de IRPJ declarado pela Requerente na sua DIPJ; que é regra básica do Direito Tributário, expresso no art. 150, § 4º, que, nos tributos lançados por homologação, a Fazenda tem até 5 (cinco) anos, contados da ocorrência do fato gerador, para homologar o referido lançamento; que a Requerente apurou saldo negativo de IRPJ e informou ao Fisco, por meio de sua DIPJ, que tal saldo negativo foi gerado em face de valores de estimativas mensais de IRPJ e IRRF, recolhidos ao longo do ano 2005, superiores ao IRPJ efetivamente devido;o valor de R$ 1.663.180,56, tendo em vista não ter contestado, em tempo hábil, os pagamentos de IRRF feitos em 2005, os quais geraram tal saldo negativo; que segundo o artigo mencionado acima, a Fazenda teria o prazo de 5 (cinco) anos para homologar esses valores declarados pela Requerente. E foi isso que ocorreu. A Receita Federal do Brasil homologou totalmente tais valores. Ou seja, reconheceu que a Requerente tinha direito ao crédito de IRPJ no valor de R$ 1.663.180,56, tendo em vista não ter contestado, em tempo hábil, os pagamentos de IRRF feitos em 2005, os quais geraram tal saldo negativo; que caso não concordasse com esses valores declarados pela Requerente, a RFB poderia efetuar lançamento de ofício e glosar o saldo negativo de IRPJ que entendesse Fl. 155DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 16682.900663/201103 Acórdão n.º 1302001.095 S1C3T2 Fl. 4 5 aplicável. Assim, a RFB teria até 31/12/2010 para reduzir o crédito de IRPJ declarado pela requerente, e lançar o saldo negativo de IRPJ que entendesse aplicável; que, como assim não procedeu, a D. Autoridade Fiscal não poderia agora, após transcorrido o prazo decadencial de cinco anos, glosar parte do crédito da Requerente, em relação ao saldo negativo de IRPJ do ano de 2005, já que se originou por pagamentos de estimativas de IRPJ e IRRF não contestados em tempo oportuno; que, assim, é necessário o reconhecimento de que a RFB poderia glosar o crédito de IRPJ, apurado em 2005, até 31.12.2010, tendo em vista saldo negativo de IRPJ da requerente, decorrente de pagamentos de estimativas mensais de IRPJ e IRRF, no valor de R$ 1.663.180,56; que, conforme constatado no Despacho Decisório n° 916023397, foi utilizado saldo negativo de IRPJ, apurado em 31/12/2005, para as compensações da Requerente. Esse saldo negativo foi formado pelo pagamento, ao longo de 2005, de valores de estimativas mensais de IRPJ e IRRF no montante de R$ 1.663.180,56; que em relação à parte não confirmada no montante de R$ 144.099,73, a Requerente informa que se trata de pagamento efetuados pelo Senado Federal, com a respectiva retenção de IRRF, sob o código 6188; que segundo a D. Autoridade Fiscal, o referido IRRF no valor de R$ 144.099,73, sob o código de receita 6188, não pode ser confirmado uma vez que não teria sido supostamente comprovado; que, autoridade Fiscal, ao não homologar parte da declaração de compensação, entendeu que a Requerente não sofreu a retenção devida em razão dos pagamentos realizados pelo Senado Federal; que na análise realizada pela Receita Federal a justificativa para a não confirmação do valor referente ao IRRF é que a retenção não teria sido comprovada, o que denota que não conta dos sistemas do Fisco; que, por essa razão, o IRRF, no valor total de R$ 144.099,73, o qual foi retido pelo Senado Federal e devidamente contabilizado pela Requerente, razão pela qual deve ser integralmente considerado pela D. Autoridade Fiscal para fins de cálculos do saldo negativo de IRPJ apurado em 31/12/2005. Após resumir os fatos constantes do pedido de compensação e as razões apresentadas pela recorrente em sua Manifestação de Inconformidade, em 11/05/2011, a 8° Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Rio de Janeiro – RS autoridade julgadora revisora resolveu julgar improcedente à manifestação de inconformidade, para manter a decisão hostilizada, com base, em síntese, nas seguintes considerações (fls. 92/97): que a interessada alega nulidade do despacho decisório, uma vez que não justifica claramente o motivo pelo qual o saldo negativo de IRPJ não foi totalmente reconhecido; Fl. 156DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ 6 que observase que o despacho e o demonstrativo de análise do crédito deixam claro que a parcela não reconhecida foi a retenção na fonte informada no valor de R$ 144.099,73. Portanto, não houve nulidade no despacho; que, quanto à alegação de decadência do direito do fisco de analisar a DIPJ relativa ao ano – calendário de 2005 cabe esclarecer que no contexto do procedimento de homologação das declarações de compensação, no qual deve ser atestada a existência e a suficiência do direito creditório invocado para a extinção dos débitos compensados, a única limitação imposta à atuação do Fisco é a que diz respeito ao prazo de cinco anos da data da protocolização ou apresentação das declarações de compensação, depois do qual os débitos compensados devem ser extintos, independentemente da existência dos créditos, a teor do art. 74, § 5º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; que é relevante assentar que a análise sobre a regularidade da determinação do saldo negativo do imposto ou contribuição, se já ultrapassado o termo final da contagem do prazo decadencial, não pode implicar lançamento de ofício de diferenças de tributos porventura apuradas. Todavia, não se pode dizer, por isso, que o órgão administrativo deve simplesmente “homologar” supostos recolhimentos indevidos ou a maior, e proceder à restituição ou à compensação sem aferir a certeza e liquidez dos indébitos tributários que lhe fundamentam. Na verdade, com o transcurso do prazo decadencial previsto nos arts. 150, § 4º ou 173, I, do CTN, apenas o dever/poder de formalizar o crédito tributário estaria obstado, tendo em conta que a decadência é uma das modalidades de extinção do crédito tributário (art. 156, V e VII do CTN); que, na verdade, com o transcurso do prazo decadencial previsto nos arts. 150, § 4º ou 173, I, do CTN, apenas o dever/poder de formalizar o crédito tributário estaria obstado, tendo em conta que a decadência é uma das modalidades de extinção do crédito tributário (art. 156, V e VII do CTN); que, também é oportuno que se diga que a homologação tácita, prevista no art. 150, § 4º do CTN, incide apenas sobre o pagamento do crédito tributário efetuado pelo sujeito passivo e vinculado a uma base de cálculo positiva sujeita à tributação. Não há previsão legal para que a homologação tácita se aplique à apuração de pagamentos de tributos a maior ou indevidos, bem como de saldos negativos do IRPJ ou da CSLL; que quanto à retenção na fonte informada, verificase que a interessada não apresentou o comprovante de rendimentos e de retenção na fonte, em descumprimento ao exigido pelo artigo 815 do Decreto 3.000/99; que a interessada apresenta trechos do razão com lançamentos do valores de retenção informados na PER/DCOMP. Contudo a escrituração somente faz prova a favor do sujeito passivo se acompanhada por documentos hábeis de acordo com o previsto no art. 26 do Decreto nº 7.574/2011; que, assim, caberia à interessada apresentar o comprovante de rendimentos recebidos e de retenção na fonte e comprovar a tributação da receita respectiva para confirmar a dedução informada. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário:2005 SALDO NEGATIVO DE IRPJ. REQUISITOS DE Fl. 157DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 16682.900663/201103 Acórdão n.º 1302001.095 S1C3T2 Fl. 5 7 DEDUTIBILIDADE DA RETENÇÃO NA FONTE. A retenção na fonte sobre rendimentos declarados somente poderá ser compensado na declaração da pessoa jurídica se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora. Não apresentados os comprovantes é plausível a apuração do valor retido mediante pesquisa em DIRF. O saldo negativo de contribuição social apurado em Declaração de Rendimentos, decorrente de retenção na fonte, só pode ser reconhecido como direito creditório, até o montante efetivamente confirmado, se comprovado que as receitas que lhe deram origem foram oferecidas à tributação. COMPENSAÇÃO. REVISÃO DA APURAÇÃO EFETUADA PELA CONTRIBUINTE. DECADÊNCIA. Com o transcurso do prazo decadencial previsto nos arts. 150, § 4º ou 173, I, do CTN, apenas o dever/poder de formalizar o crédito tributário estaria obstado, tendo em conta que a decadência é uma das modalidades de extinção do crédito tributário (art. 156, V e VII do CTN). Todavia, não se pode inferir, a partir daí que, com o transcurso do prazo decadencial para efetuar o lançamento, estariam tacitamente homologados quaisquer outros fatos jurídicos tributários que pudessem repercutir em períodos de apuração futuros, inclusive a apuração de eventual saldo negativo do IRPJ, indicado pela contribuinte na declaração de rendimentos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificado da decisão de Primeira Instância, em 16/04/2012, conforme Termo constante à fl. 99, e, com ela não se conformando, a contribuinte interpôs, em tempo hábil (16/05/2012), o recurso voluntário de fls. 102/111, instruído pelos documentos de fls. 112/147, no qual demonstra irresignação contra a decisão supra, baseado, em síntese, nas mesmas razões expendidas na fase impugnatória, reforçado pelas seguintes considerações: que a decisão recorrida não merece prosperar, pois encontrase em confronto com o princípio da verdade material, uma vez que foram feitas as devidas retenções na fonte, conforme estabelecido pelo art. 64 da Lei nº 9.430, de 1996, nos meses em que ocorreram os pagamentos; que tais retenções foram devidamente contabilizadas no decorrer do ano calendário de 2005, conforme se verifica claramente nas cópias dos Razões Analíticos da requerente, aqui juntados. A soma das parcelas de retenção, contabilizadas pela Requerente, perfazem o montante de R$ 144.099,73; que, por essa razão, o IRRF, no valor de R$ 144.099,73, o qual foi retido pelo Senado Federal e devidamente contabilizado pela requerente, deve ser integralmente considerado para fins de cálculo do saldo negativo de IRPJ apurado em 31/12/2005; que, no entanto, a recorrente não pode ser penalizada por qualquer irregularidade da fonte pagadora em relação as informações prestadas em relação a indicação Fl. 158DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ 8 do código no informe de rendimentos, uma vez, que se o Senado Federal teria descumprido o preceito legal disposto no art. 64 da Lei nº 9.430, de 1996; que, não merece prosperar a não homologação da PER/DCOMP, pois seria sob pena de ocorrer locupletamento indevido do Fisco, em detrimento do empobrecimento injusto da recorrente; que o princípio da verdade material é o princípio informador e específico do processo administrativo, de caráter obrigatório em todas as espécies de processos. Possui relevantes traços de interrelacionamento com os princípios da oficialidade e do formalismo moderno, e de ter sua aplicabilidade compatibilizada com os demais princípios; que sua aplicabilidade é valida para todos os tipos de processos no âmbito da Administração Pública, sem exceção, porém deve se compatibilizar com os demais princípios processuais existentes e ás determinações legais específicas; que, pelas razões expostas, o IRRF, no valor total de R$ 144.099,73, o qual foi retido pelo Senado Federal e devidamente contabilizado pela Requerente, deve ser integralmente considerado pela D. Autoridade Fiscal para fins de calculo do saldo negativo de IRPJ apurado em 31/12/2005. É o relatório. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 16682.900663/201103 Acórdão n.º 1302001.095 S1C3T2 Fl. 6 9 Voto Conselheiro Paulo Roberto Cortez, Relator O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. Da análise dos autos, constatase que o Despacho Decisório (fl. 8) reconheceu o direito creditório no valor de R$ 1.519.080,83 e homologou parcialmente a DCOMP nº 20224.01099.310806.1.3.022568, e indeferiu o PER nº 22124.30367.211010.1.2.026303. Ainda, de acordo com o despacho, não foi confirmada a retenção na fonte no valor de R$ 144.099,73, código 6188, CNPJ da fonte pagadora: 00.530.279/000115. Como visto, a discussão versa, tãosomente, sobre a não homologação da retenção de fonte no valor de R$ 144.099,73. Assim sendo, o ponto central da discussão nestes autos é a exigência de comprovação da retenção do imposto de renda na fonte, que gerou saldo negativo de IRPJ. O saldo negativo apurado pela contribuinte foi compensado em 31/08/2006. Segundo a autoridade revisora a contribuinte não logrou demonstrar que o imposto de renda retido na fonte tem vinculação foi efetivamente recolhido pela fonte pagadora e por isso indeferiu a compensação nesta parte. O IRPJ da recorrente, no ano de 2005, estava submetido à modalidade de lançamento por homologação, em que cabe ao sujeito passivo realizar todos os procedimentos de apuração, formalização e liquidação das obrigações tributárias, principais e acessórias. Não há dúvidas de que nessa modalidade de lançamento, cabe ao Fisco exercer o controle da legalidade do ato praticado (ou mesmo omitido) pelo contribuinte, a fim de determinar se foram obedecidas as diretrizes que determinam a apuração correta do resultado tributável do exercício. O controle de legalidade envolve a averiguação, entre outras coisas, do cômputo correto e adequado das receitas tributáveis, das despesas incorridas e do resultado final do exercício. Caso o Fisco detecte qualquer divergência na apuração do resultado tributável, a menor ou mesmo a maior que o correto, tem o dever de exigir que o contribuinte faça as correções necessárias. Se for o caso, deve providenciar o lançamento de ofício do imposto que eventualmente não foi apurado ou recolhido corretamente. Assim como o contribuinte está sujeito a datas e procedimentos determinados para realizar a tarefa prevista em lei, o Fisco também está sujeito a prazos e procedimentos para verificar se o contribuinte cumpriu o que a lei determina. Resta claro, que o Código Tributário Nacional se refere ao lançamento por homologação como a “atividade” exercida pelo contribuinte, que é realizada quando o objeto da “atividade” é um tributo que deve ser apurado e recolhido pelo próprio contribuinte, caso do IRPJ. Fl. 160DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ 10 Realizada a atividade, compete à autoridade fazendária “homologar” o procedimento, dandoo por bom, quando o seja, ou refazendoo através de correções ou de lançamento de ofício. Assim, o prazo de homologação previsto no Código Tributário nacional diz respeito ao pagamento, que corresponde, pois, a uma forma de extinção do vínculo obrigacional entre o Estado (como sujeito ativo de um direito) e o particular (como sujeito passivo). Não há dúvidas de que no ordenamento pátrio prazo de caducidade aquisitiva. Todavia, tais prazos devem ser expressos. Ademais, não se pode transmutar uma disposição legal relativa a um prazo extintivo para um lapso aquisitivo. É ir muito além da possibilidade da interpretação, especialmente porque não haveria limites para o indébito tributário. No caso de homologação do pagamento ou da compensação, o direito está limitado ao próprio valor do crédito tributário que se pretende extinguir. Já a aquisição pura e simples de um valor monetário por decurso de prazo na verificação de informações redundaria na possibilidade de se consolidarem direitos contra a Fazenda Pública de montantes elevados. Ademais, os prazos extintivos visam à pacificação social, à consolidação pelo tempo de situações já estabelecidas. Em razão disso, há dois tipos de prazos em matéria tributária, ambos relativos à extinção de direitos do Fisco em face do particular: a decadência que fulmina o poder de constituir o crédito tributário, e a prescrição que elimina o direito de cobrar. Ambos os casos consolidam situações concretas que se perpetuaram no tempo, ou seja, como o sujeito passivo até então não pagou, então por inércia do Fisco continuará a não pagar. Foi em razão disso, que o próprio despacho decisório homologou parte das compensações. Assim, uma vez que a interessada formulou um pedido relativo a um direito, tinha o dever de manter em boa ordem todos os elementos que poderiam interferir na análise de seu pleito. Tal assertiva não decorre apenas do preceito geral de que aquele que alega deve provar, mas também de expressa e específica previsão legal nesse sentido. O art. 264 do RIR/99, que reproduz o art. 4º do DecretoLei nº 486, de 1969, assim dispõe: Art. 264, A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem enquanto não prescritas eventuais ações que lhe sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam a vir a modificar sua situação patrimonial. Evidentemente, a expressão “eventuais ações” abarca todo tipo de pleito, dentre os quais o de restituição, seja no âmbito administrativo, seja no judicial. O recorrente tinha, portanto, o dever legal de manter todos os documentos que se referissem ao direito pleiteado. Assim, no contexto do procedimento de homologação das declarações de compensação, no qual deve ser atestada a existência e a suficiência do direito creditório invocado para a extinção dos débitos compensados, a única limitação imposta à atuação do Fisco é a que diz respeito ao prazo de cinco anos da data da protocolização ou apresentação das declarações de compensação, depois do qual os débitos compensados devem ser extintos, independentemente da existência dos créditos, a teor do art. 74, § 5º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Quanto à retenção na fonte informada, verificase que a interessada não apresentou o comprovante de rendimentos e de retenção na fonte, em descumprimento ao exigido pelo artigo 815 do Decreto 3.000/99. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 16682.900663/201103 Acórdão n.º 1302001.095 S1C3T2 Fl. 7 11 A interessada apresenta trechos do razão com lançamentos dos valores de retenção informados na PER/DCOMP. Contudo a escrituração somente faz prova a favor do sujeito passivo se acompanhada por documentos hábeis da efetividade da retenção do imposto de renda na fonte. Ora, em regra, o sujeito passivo deve guardar os documentos não juntados às declarações entregues à Secretaria da Receita Federal, pelo prazo previsto em lei para que a Fazenda Pública efetue o lançamento, que é de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia ter sido efetuado ou da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 173, inciso I ou 150, § 4º, do Código tributário Nacional. Entretanto, sempre que os documentos a serem guardados refiramse a situações que repercutem em exercícios futuros, o prazo de cinco anos deve ser contado em relação aos exercícios atingidos por aquelas situações. É o caso, por exemplo, da compensação de prejuízos fiscais ou de saldo negativo de IRPJ ou CSLL, cujos documentos comprobatórios devem ser mantidos. Assim, caberia à interessada apresentar o comprovante de rendimentos recebidos e de retenção na fonte e comprovar a tributação da receita respectiva para confirmar a dedução informada. Diante do conteúdo dos autos e pela associação de entendimento sobre todas as considerações expostas no exame da matéria, voto no sentido de rejeitar a preliminar de decadência suscitada pela recorrente e, no mérito, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Paulo Roberto Cortez Fl. 162DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ
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Numero do processo: 13005.002154/2008-01
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Aug 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 31/12/2004
RECURSO DE OFÍCIO. OMISSÃO DE RECEITAS. COMPROVAÇÃO DE OFERECIMENTO À TRIBUTAÇÃO.
Estando devidamente documentado nos autos que parte da receita considerada quando da autuação já havia sido oferecida à tributação, conforme informação da própria fiscalização colhida em diligência, impõe-se a respectiva redução das bases de cálculo do IRPJ e CSLL.
MATÉRIA NÃO CONTESTADA. DEFINITIVIDADE.
Quanto à matéria não contestada pelo contribuinte, consolida-se definitivamente a respectiva exigência na esfera administrativa.
Numero da decisão: 1103-000.827
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado em NEGAR provimento ao recurso de ofício por unanimidade, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Eduardo Martins Neiva Monteiro Relator
(assinado digitalmente)
Aloysio José Percínio da Silva - Presidente
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Sérgio Fernandes Barroso, Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Hugo Correia Sotero e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2004 RECURSO DE OFÍCIO. OMISSÃO DE RECEITAS. COMPROVAÇÃO DE OFERECIMENTO À TRIBUTAÇÃO. Estando devidamente documentado nos autos que parte da receita considerada quando da autuação já havia sido oferecida à tributação, conforme informação da própria fiscalização colhida em diligência, impõe-se a respectiva redução das bases de cálculo do IRPJ e CSLL. MATÉRIA NÃO CONTESTADA. DEFINITIVIDADE. Quanto à matéria não contestada pelo contribuinte, consolida-se definitivamente a respectiva exigência na esfera administrativa.
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OMISSÃO DE RECEITAS. COMPROVAÇÃO DE OFERECIMENTO À TRIBUTAÇÃO. Estando devidamente documentado nos autos que parte da receita considerada quando da autuação já havia sido oferecida à tributação, conforme informação da própria fiscalização colhida em diligência, impõese a respectiva redução das bases de cálculo do IRPJ e CSLL. MATÉRIA NÃO CONTESTADA. DEFINITIVIDADE. Quanto à matéria não contestada pelo contribuinte, consolidase definitivamente a respectiva exigência na esfera administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado em NEGAR provimento ao recurso de ofício por unanimidade, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro – Relator (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva Presidente Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Sérgio Fernandes Barroso, Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Hugo Correia Sotero e Aloysio José Percínio da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 5. 00 21 54 /2 00 8- 01 Fl. 581DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 25/07/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13005.002154/200801 Acórdão n.º 11031.103.000.827 S1C1T3 Fl. 582 2 Relatório Tratase de autos de infração de IRPJ e CSLL (fls.279/290), fato gerador 31/12/04, que totalizam (valor principal) R$ 2.040.950,54 (dois milhões, quarenta mil, novecentos e cinquenta reais e cinquenta e quatro centavos), cientificados ao contribuinte em 15/12/08 (fls.280 e 285). A fiscalização assim fundamentou a infração, conforme “Relatório do Procedimento Fiscal” (fls.291/294): “[...] Do cotejo entre as informações inseridas na contabilidade da empresa e os documentos apresentados, constatamos a ocorrência das seguintes infrações a legislação do Imposto de Renda pela apuração incorreta do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e a Contribuição sobre o Lucro Liquido do ano civil de 2004. A empresa, ou sujeito passivo, incorreu em erro na apuração do Lucro Real pela contabilização de adiantamentos de numerários de clientes de embalagens mediante pagamentos diretos e/ou depósitos bancários por estes efetuados. Efetuado o crédito na conta contábil 32023 Adiantamentos de Clientes Embalagens e cujos valores foram transferidos para a conta contábil 32021 Outras Obrigações com Clientes onde também eram lançados adiantamentos de clientes. Ao final de cada mês o saldo credor da conta 32021 era transferido, deduzidos os pagamentos efetuados a pessoas físicas a titulo de comissões e retiradas de sócio quotista, para a conta do Ativo Diferido 39094 Rateio de Custo e Despesas Produtivas Diversas. A partir desta conta os valores eram transferidos para a conta de custo do produto vendido. Caracterizado está que, dos valores adiantados pelos clientes, creditados na conta 32.021 Outras Obrigações com Clientes, não houve a emissão de documentos fiscais correspondentes e não foram computados na Base de Cálculo do IRPJ Imposto de Renda Pessoa Jurídica e da CSLL Contribuição Social sobre o Lucro Liquido, caracterizando assim a omissão de Receita tal como definido no artigo 42 da Lei n° 9430/96 e artigo 287 do Regulamento do Imposto de Renda. Lei n° 9.430/1996: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Fl. 582DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 25/07/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13005.002154/200801 Acórdão n.º 11031.103.000.827 S1C1T3 Fl. 583 3 § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. São receitas em que o recurso financeiro efetivamente entrou e não ficou comprovada a efetivação das operações comerciais. Como regra, constatamos que não houve a devolução dos recursos e nem registro da conclusão da venda. Manobra contábil: Para não caracterizar um Passivo fictício foi criado um artifício contábil em que os valores adiantados passaram do Passivo Circulante para o Ativo Diferido. A própria resposta da empresa (fls.33/3) para a intimação de fls.29/30 corroborou a situação fática (itens 01,2.1, 2.2 e 2.23 de fls.33/34). Para efeito de definir a Base de Cálculo do Lucro Tributável, acrescido das Receitas e Despesas Operacionais omitidas, elaboramos um novo Demonstrativo do Resultado do Exercício de 2004 (em anexo).” (destaquei) O Presidente da Primeira Turma da DRJ – Santa Maria (RS) devolveu os autos à unidade de origem para que fossem prestados esclarecimentos adicionais (fls.450/451), valendose dos seguintes fundamentos: “[...] Na impugnação, o Contribuinte alega que o valor de R$4.297.000,00, referente a parcela dos adiantamentos efetuados pelos clientes, foram creditados na conta de Custo dos Produtos Vendidos (contas 35550, 35552 e 35554), fato esse que, segundo a defesa, concretiza uma receita que foi oferecida à tributação, não ocorrendo a alegada omissão de receita. Para comprovar suas alegações apresenta o Razão Consolidado das contas 35550, 35552, 35554, 30904 e 32201. Observase que a conta "Rateio Custos e Despesas Produtivas Diversas”, no Razão apresentado pelo Contribuinte tem o número 30904, enquanto que no Relatório do Procedimento Fiscal é citada como sendo o n° 39094. Desse modo, para que as exigências sejam julgadas de acordo com a verdade dos fatos, com amparo no art. 29 do Decreto n° 70.235, de 1972, proponho o encaminhamento do presente processo à DRF de origem para que sejam adotadas as seguintes providências: a) Verificar se o valor de R$4.297.000,00, referente à adiantamentos de clientes (conta de diferido Rateio de Custo e Despesas Produtivas Diversas), foi efetivamente transferido a crédito para a conta de "Custo Produtos Vendidos” e posteriormente para Resultado do Período de Apuração. Fl. 583DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 25/07/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13005.002154/200801 Acórdão n.º 11031.103.000.827 S1C1T3 Fl. 584 4 b) Juntar cópia do Livro Razão das contas Rateio de Custo e Despesas Produtivas Diversas, Custo do Produto Vendido e Resultado do Período de Apuração.” Em resposta, a Seção de Fiscalização (SAFIS) da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Campo Grande (MS) conclui no Relatório de Diligência (fls.499/500): “[...] No Termo de Diligência Fiscal e Solicitação de Documentos, intimamos a diligenciada a apresentar o Livro Diário, o Livro Razão, Livro de Apuração do Lucro Real, todos do ano de 2004, bem como cópia da última alteração contratual. Em 11.03.2010, o contribuinte apresentou os documentos e livros comerciais e fiscais solicitados. Efetuamos a conferência e análise dos lançamentos efetuados solicitados na Diligência, onde observamos que estão lançados a crédito na Conta 4653 Custo Produtos Vendidos valores que perfazem o total de R$ 4.297.000,00, conforme demonstrativo anexo indicando o número do livro Diário e as respectivas folhas. Assim, observamos que tais lançamentos a crédito nas contas de Custo Produtos Vendidos (35550, 35552, 35554) foram transferidos no final do período para a conta de apuração de resultado (conta 32260), lançamentos estes registrados no Livro Diário e Livro Razão do período em questão. Portanto, tais valores compuseram o resultado do período.” (destaquei) O lançamento foi parcialmente mantido pela Primeira Turma da DRJ – Santa Maria (RS), conforme acórdão que recebeu a seguinte ementa (fls.502/512): PERÍCIA. DESNECESSIDADE. O pedido de perícia somente é deferido quando necessário à formação de convicção por parte do julgador. A realização de perícia é totalmente desnecessária quando é possível a apresentação de prova documental sobre as questões controversas e, ainda, quando constatado que os elementos trazidos aos autos são suficientes para o deslinde da questão e que a dúvida porventura existente foi esclarecida por intermédio de uma diligência. BASE DE CÁLCULO DO IRPJ. DEDUÇÃO DO PIS/PASEP E DA COFINS LANÇADOS DE OFÍCIO. A dedutibilidade dos tributos segundo o regime de competência, para cálculo do lucro real, está restrita aos valores constantes da escrituração comercial, não alcançando os valores do PIS/PASEP e da COFINS lançados de ofício sobre receitas omitidas. RECEITA OMITIDA. COMPROVAÇÃO DA TRIBUTAÇÃO. Comprovado nos autos, mediante a apresentação da escrituração contábil, que parte da receita considerada omitida transitou na conta de resultado, cancelase a parcela correspondente da omissão de receita lançada. Fl. 584DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 25/07/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13005.002154/200801 Acórdão n.º 11031.103.000.827 S1C1T3 Fl. 585 5 CSLL. TRIBUTAÇÃO DECORRENTE. A solução dada ao litígio principal, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica, aplica se, no que couber, ao lançamento decorrente da CSLL, quando não houver fatos ou argumentos novos a ensejar conclusão diversa. Com a redução das bases de cálculo, decorrente das conclusões da fiscalização quando da diligência requerida, os créditos tributários, com relação aos quais havia sido interposta impugnação, alteraramse para R$ 145.791,94 (IRPJ) e R$ 52.485,10 (CSLL). Considerandose o valor exonerado, interpôsse Recurso de Ofício. Devidamente cientificado do acórdão em 24/07/10 (fl.523), o contribuinte não apresentou Recurso Voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro, Relator. Apenas a título de esclarecimento, já em primeira instância não se instaurou o litígio com relação a determinadas matérias, de maneira que a DRJ – Santa Maria (RS) deixou de apreciálas, conforme demonstrativo de fl.512. Em tal demonstrativo também se verifica que do total impugnado, foram acolhidas apenas as alegações de defesa relativas ao oferecimento à tributação do montante de R$ 4.297.000,00, após confirmação da própria fiscalização, não se tendo acatado, na oportunidade, a tese de dedução, das bases de cálculo, dos valores lançados nos autos de infração de PIS e Cofins. Logo, além das parcelas não apreciadas em razão da falta de impugnação (R$ 274.304,05 – IRPJ; R$ 107.389,46 – CSLL), foram mantidas as seguintes exigências: R$ 145.791,94 (IRPJ) e R$ 52.485,10 (CSLL). Quanto a estas, como relatado, não houve interposição de recurso voluntário, de forma que apenas se devolveu para apreciação em segunda instância a matéria objeto do recurso de ofício, especificamente o oferecimento ou não à tributação do valor de R$ 4.297.000,00. O pronunciamento da própria fiscalização da unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil, após análise dos lançamentos contábeis nas contas de Custo de Produtos Vendidos e dos registros nos livros Diário e Razão, no sentido de que os valores “foram transferidos no final do período para a conta de apuração de resultado (conta 32260)” e “compuseram o resultado do período”, é suficiente para se concluir pela exatidão da redução da base de cálculo, conforme já decidido em primeira instância nos seguintes termos: “[...] Como visto, o Contribuinte solicita a exclusão da tributação do valor de R$4.297.000,00, que afirma ter escriturado a crédito da conta Custo dos Produtos Vendidos e transferido para a conta de resultado do exercício, caracterizando uma receita oferecida à tributação, não ocorrendo omissão de receita desse valor. Fl. 585DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 25/07/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13005.002154/200801 Acórdão n.º 11031.103.000.827 S1C1T3 Fl. 586 6 Em resposta à solicitação desta DRJ (fls.450451), a Fiscalização, após examinar a escrituração do Contribuinte, concluiu que realmente o valor de R$4.297.000,00 foi escriturado a crédito da conta Custo Produtos Vendidos, e posteriormente, transferido para a conta de apuração de resultado do exercício. Analisando o Livro Razão e o Livro Diário (fls.466497) concluiuse que realmente o valor de R$4.297.000,00 foi transferido a crédito da conta de resultado do exercício, ou seja, esse valor deve ser considerado uma receita oferecida à tributação. O saldo credor da conta 32021 Outras Obrigações com Clientes de (fls.299330), após deduzidos os pagamentos das comissões e retiradas dos sócios (fls. 296298), foi transferido para a conta 30904 Rateio de Custo e Despesas Produtivas (crédito). Após, o valor de R$4.297.000,00 foi transferido da conta 30904 Rateio de Custo e Despesas Produtivas para a conta 4653 (crédito) Custo Produtos Vendidos (subcontas 35550 Custo das Películas, 35552 Custo das Sacarias, 35554 Custo de Outras Vendas), conforme Razão (fls.466469) e Livro Diário (fls. 478494), que posteriormente foi transferido para o resultado do exercício (a crédito), conforme Livro Razão (fl. 473) e Livro Diário (fl. 495). Desse modo, está demonstrado que o valor de R$ 4.297.000,00 foi oferecido à tributação, devendo ser excluído do Auto de Infração.” Vêse, portanto, que as conclusões da instância a quo, com base em verificações realizadas pela própria fiscalização fazendária, foram devidamente fundamentadas com lastro em documentação carreada aos autos. Pelo exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro Fl. 586DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 25/07/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Numero do processo: 16643.000100/2009-57
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue May 22 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 11/01/2004 a 31/12/2007
IPI. PRINCÍPIO DA AUTONOMIA DOS ESTABELECIMENTOS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. FORMALIZAÇÃO INDEPENDENTE.
À luz do princípio da autonomia dos estabelecimentos, insculpido no
regulamento do imposto, cada um dos estabelecimentos de uma mesma firma
deve cumprir separadamente as obrigações tributárias principais e acessórias;
destarte, o lançamento tributário deve ser formalizado isoladamente para cada
estabelecimento.
LANÇAMENTO. NULIDADE. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO.
Comprovado o equívoco na identificação do sujeito passivo, anula-se
o lançamento.
Recurso de Ofício Negado
Numero da decisão: 3302-001.600
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 11/01/2004 a 31/12/2007 IPI. PRINCÍPIO DA AUTONOMIA DOS ESTABELECIMENTOS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. FORMALIZAÇÃO INDEPENDENTE. À luz do princípio da autonomia dos estabelecimentos, insculpido no regulamento do imposto, cada um dos estabelecimentos de uma mesma firma deve cumprir separadamente as obrigações tributárias principais e acessórias; destarte, o lançamento tributário deve ser formalizado isoladamente para cada estabelecimento. LANÇAMENTO. NULIDADE. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. Comprovado o equívoco na identificação do sujeito passivo, anulase o lançamento. Recurso de Ofício Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral pela Fazenda Nacional a Dra. Bruna Garcia Benevides. (Assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente Fl. 1689DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 09/06/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 16643.000100/200957 Acórdão n.º 330201.600 S3C3T2 Fl. 1.450 2 (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Fábia Regina Freitas. Relatório Tratase de recurso ofício contra o Acórdão no 1428.773, de 05 de maio de 2010, da 2ª Turma da DRJ/RPO (fls. 1429 a 1431), cientificado em 30 de junho de 2010, que, relativamente a auto de infração de IPI dos períodos de janeiro de 2004 a dezembro de 2007, considerou procedente a impugnação da Interessada, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2007 IPI. PRINCÍPIO DA AUTONOMIA DOS ESTABELECIMENTOS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. FORMALIZAÇÃO INDEPENDENTE. À luz do princípio da autonomia dos estabelecimentos, insculpido no regulamento do imposto, cada um dos estabelecimentos de uma mesma firma deve cumprir separadamente as obrigações tributárias principais e acessórias; destarte, o lançamento tributário deve ser formalizado isoladamente para cada estabelecimento. LANÇAMENTO. NULIDADE. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. Comprovado o equívoco na identificação do sujeito passivo, anulase o lançamento. Impugnação Procedente O auto de infração foi lavrado em 22 de dezembro de 2009 de acordo com o termo de fls. 2 a 7. A Primeira Instância assim resumiu o litígio: A empresa Beiersdorf Indústria e Comércio Ltda., qualificada em epígrafe, foi autuada em virtude da apuração de falta de lançamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), nos períodos de apuração compreendidos entre janeiro de 2004 a dezembro de 2007, exigindo imposto de R$ 87.803.419,82, multa de ofício de R$ 65.852.564,46, juros de mora de R$ 36.169.472,78 e multa sobre o IPI não lançado com cobertura Fl. 1690DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 09/06/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 16643.000100/200957 Acórdão n.º 330201.600 S3C3T2 Fl. 1.451 3 crédito de R$ 39.828.107,00, perfazendo o total de R$ 229.653.564,06. De acordo com o Relatório de Auditoria Fiscal de fls. 02/07, tendo submetido a empresa Beiersdorf Indústria e Comércio Ltda. (doravante denominada requerente) e a empresa BDF Nivea Ltda. (doravante denominada BDF) simultaneamente à fiscalização do IPI, constatouse que os produtos importados ou industrializados pelos estabelecimentos da requerente são comercializados pelos estabelecimentos da BDF. A fiscalização considerou que a estrutura operacional implementada – BDF vende aos clientes (terceiros) produtos fabricados pela requerente – teria como objetivo dissimular a ocorrência do fato gerador do IPI ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária. Dessa forma, a requerente e a BDF seriam o mesmo contribuinte, razão pela qual os estabelecimentos da BDF seriam equiparados a industrial, portanto, obrigados ao pagamento do IPI como contribuinte, e o IPI deveria ser calculado e recolhido com base no preço de venda final aos clientes praticado pela BDF. Reconhecida a materialidade dos fatos descritos no Relatório de Auditoria Fiscal, fica manifesto o interesse comum da requerente e BDF na situação que constitui o fato gerador do IPI – saída do produto de estabelecimento equiparado a industrial, tornandoas solidariamente obrigadas, nos termos do art. 124, inciso I, da Lei nº 5.172/1966. Inconformada com a autuação, a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 674/710, instruída com os documentos de fls. 711/1417 alegando, em resumo, que: 1. O auto de infração lavrado contra a requerente formaliza exatamente a mesma exigência de IPI com aplicação de multas e juros, do período de 2004 a 2007, objeto do auto de infração lavrado contra a empresa BDF, originado do MPF nº 0817100/00264/08 e objeto do processo administrativo nº 16643.000099/200961. Há uma patente cobrança em duplicidade, o que é ilegal e abusivo; 2. A exigência de qualquer parcela de IPI devido até 22/12/2004, já se encontra alcançada pela decadência, com base no art. 150, § 4º, do CTN; 3. Não há como concluir que a requerente e a empresa BDF são a mesma sociedade; 4. A opção pela estrutura com uma empresa especializada na fabricação (requerente), e outra (BDF) com foco na comercialização em mercado reconhecidamente competitivo e complexo traz vantagens econômicas e operacionais, a par de qualquer redução da carga tributária que tal opção apresente; Fl. 1691DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 09/06/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 16643.000100/200957 Acórdão n.º 330201.600 S3C3T2 Fl. 1.452 4 5. Ao elaborar os cálculos do IPI supostamente devido, simplesmente desconsiderou os valores do imposto recolhido pela requerente e os créditos inerentes a tais pagamentos; 6. A requerente não dissimulou o fato gerador da obrigação tributária e tampouco excluiu ou modificou as suas características essenciais. Lavrouse o auto de infração com fundamento em presunção, totalmente dissociada da realidade dos fatos; 7. Totalmente descabida e ilegal a aplicação da regra do artigo 116, § único, do CTN, pois o mesmo não é autoaplicável; 8. Exigir multa de 75% sobre o valor do imposto total por falta de lançamento do IPI com cobertura, além da multa de ofício também de 75%, incorre em aplicação de multa em duplicidade; 9. A aplicação de juros com base na SELIC mostrase em desacordo com o entendimento do STJ, que já se posicionou pela sua inaplicabilidade aos créditos tributários. Por fim, pleiteia a integral improcedência da exigência formulada, com o conseqüente cancelamento do auto de infração. A DRJ, conforme ementa reproduzida, cancelou o lançamento, com as seguintes fundamentações: Demonstra a tabela nº 1, no período de 2004 a 2007, que os remetentes dos produtos da requerente para a BDF foram os estabelecimentos de CNPJ nº 01.786.983/000287 (localizado em Vinhedo) e nº 01.786.983/000368 (localizado em Itatiba), e como destinatários dos produtos os estabelecimentos da BDF de CNPJ nº 46.389.383/000485 (localizado em Itatiba) e nº 46.389.383/000566 (localizado em Jundiaí). A tabela nº 2 apresenta, para o mesmo período, o volume de vendas dos estabelecimentos da BDF de CNPJ nº 46.389.383/000485 e nº 46.389.383/000566. Estes estabelecimentos foram considerados equiparados a estabelecimento industrial. De plano constatase que, efetivamente, o estabelecimento matriz da requerente, sujeito passivo da presente autuação, não é contribuinte do IPI nas operações demonstradas pela fiscalização. Esta situação mantémse mesmo na condição descrita no Relatório de Auditoria Fiscal, na qual a requerente e a empresa BDF seriam considerados o mesmo contribuinte, ou mesmo na situação das duas empresas serem consideradas firmas interdependentes como descreve a requerente em sua impugnação, às fls. 684 e 685. [...] Fl. 1692DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 09/06/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 16643.000100/200957 Acórdão n.º 330201.600 S3C3T2 Fl. 1.453 5 A inclusão de ilícito tributário referente a um estabelecimento, com autonomia no que concerne à espécie tributária em tela, no instrumento legal de exigência tributário formalizado contra outro estabelecimento, mesmo que seja a matriz, acarretou erro de identificação do sujeito passivo. É o estabelecimento matriz que se encontra qualificado nos autos. Aliás, outro não é o entendimento do 2º Conselho de Contribuintes, como se ilustra com a seguinte ementa: “AUTONOMIA DE ESTABELECIMENTOS – Em razão da autonomia dos estabelecimentos, um estabelecimento não pode responder pelas obrigações de outro da mesma firma. Erro na identificação do sujeito passivo. Recurso provido (Ac. 2º CC 20200.476/85)”. Por conseguinte, o erro na identificação do sujeito passivo torna nulo o lançamento. Assim, anulada a presente autuação, não é demais lembrar que, embora o presente voto deixe de apreciar das demais questões preambulares e de mérito argüidas pela defesa, nos termos do Decreto nº 70.235, de 1972, art. 28, não significa isto qualquer forma de homologação à conduta da contribuinte ou qualquer forma de concordância com os argumentos argüidos na impugnação, nada impedindo que se efetue um novo lançamento, livre dos vícios que deram causa à nulidade do presente, enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública. É o relatório. Voto Conselheiro José Antonio Francisco, Relator O recurso satisfaz os requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. Na fl. 5 dos autos a Fiscalização relacionou os estabelecimentos das empresas Beiersdof e BDF Nívea que são equiparados a industrial, da relação não fazendo parte o estabelecimento matriz da primeira. Na sequência, a própria Fiscalização afirma que os estabelecimentos equiparados a industrial da Interessada seriam as filiais 2 e 3 e passa a justificar por que as duas empresas deveriam ser consideradas um mesmo contribuinte. Conclui que, “Reconhecida a materialidade dos fatos descritos acima, fica manifesto o interesse comum de Beiersdorf e BDF Nivea na situação que constitui o fato gerador do IPI a saída do produto de estabelecimento equiparado a industrial, tornandoas solidariamente obrigadas [...]”. Ocorre que a identificação do sujeito passivo e a identificação de um responsável solidário são questões distintas. Fl. 1693DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 09/06/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 16643.000100/200957 Acórdão n.º 330201.600 S3C3T2 Fl. 1.454 6 O auto de infração não pode ser lavrado somente em nome do responsável pois a responsabilidade solidária pressupõe igual responsabilidade do contribuinte. Dessa forma é que se lavra o auto de infração em nome do contribuinte e se lavra um termo de responsabilidade solidária em relação ao terceiro. Não há dúvida, por exemplo, de que, no caso de um estabelecimento industrial da Interessada nos autos, o contribuinte do respectivo IPI é o estabelecimento filial industrial, mas a matriz (na realidade, a empresa) é solidariamente responsável. A lavratura do auto de infração teria que ser efetuada, entretanto, em nome do estabelecimento filial, como determina o art. 142 do CTN. Outra hipótese distinta seria considerar que as empresas seriam, na realidade, uma só, o que não implica serem todos os estabelecimentos um só. Portanto, ainda que se tratasse de uma empresa só, o contribuinte seria o estabelecimento industrial da outra empresa e não a matriz da Beiersdorf. Nesse contexto, a Fiscalização não concluiu, ademais, que a empresa BDF Nívea e seus estabelecimentos não existem, única hipótese que permitiria a lavratura do auto de infração em nome de estabelecimento de outra empresa. Por fim, ainda que se tratasse de uma empresa só, a Fiscalização concluiu, inicialmente, que os estabelecimentos da empresa BDF Nívea é que seriam equiparados a industriais. No caso dos autos, não justifica a Fiscalização por que não poderia lavrar o auto de infração em nome dos contribuintes (estabelecimento 4 e 5 da BDF Nívea), nem por que lavrou em nome da matriz da Interessada e não em nome dos estabelecimentos 2 e 3, que deram saída dos produtos no mercado interno. Por essas razões, voto por negar provimento ao recurso de ofício. (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Fl. 1694DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 09/06/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO
score : 1.0
Numero do processo: 10640.004851/2008-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Aug 02 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2401-000.294
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. Elias Sampaio Freire - Presidente Kleber Ferreira de Araújo - Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
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RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 40 .0 04 85 1/ 20 08 -1 3 Fl. 333DF CARF MF Impresso em 06/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 01/08/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 10640.004851/200813 Resolução nº 2401000.294 S2C4T1 Fl. 232 2 Relatório Tratase de recurso interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão n.º 09 25.449 de lavra da 5.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ em Juiz de Fora (BA), que julgou improcedente a impugnação apresentada para desconstituir o Auto de Infração – AI n.º 37.168.1480. A lavratura foi efetuada para exigência das contribuições patronais para outras entidades ou fundos (terceiros). De acordo com o relatório fiscal, fls. 14/17, os fatos geradores das contribuições lançadas foram as remunerações pagas a segurados empregados e contribuintes individuais não declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP, as quais foram discriminadas nas planilhas de fls. 18/19. Afirmase que a entidade, por estar em débito com a Seguridade Social, teve o seu pedido de reconhecimento de isenção da cota patronal, protocolizado sob o n.º 37005.002094/200453, em 15/06/2004, indeferido pelo INSS. A decisão de primeira instância, fls. 137/148, consignou que a entidade não teve o seu direito à isenção reconhecido pela administração tributária, em razão da existência de débitos para com a Seguridade Social, portanto, seria procedente o lançamento. Inconformada, a entidade interpôs recurso (fls. 153/189), no qual, em apertada síntese, alegou que: a) o recurso é tempestivo; b) os fundamentos do lançamento e da decisão recorrida foram o indeferimento do pedido de isenção e a existência de débitos da recorrente para com a Seguridade Social, todavia, esses motivos não devem ser considerados; c) nos termos do art. 39 da MP n.º 446/2008, o pedido de reconhecimento de isenção da autuada foi automaticamente deferido; d) o seu recurso contra o indeferimento do pedido de isenção pela SRP possui efeito suspensivo e encontrase pendente de julgamento; e) os débitos consubstanciados pelas NFLD n° 35.584.1843, 35.584.2335, 35.584.2327 e AI n° 35.584.2343, todos eles encontramse com a exigibilidade suspensa, nos termos do art. 151, inciso V do Código Tributário Nacional, por força da antecipação de tutela deferida nos autos do processo n° 2005.38.010042256; f) a recorrente, sendo entidade beneficente de assistência social, é imune quanto ao recolhimento das contribuições exigidas, portanto, não poderia ter o seu direito tolhido por normas infraconstitucionais; g) a única norma vigente que estabelece limites à imunidade é o Código Tributário Nacional, eis que recepcionado pela Constituição de 1988 como Lei Complementar; h) a multa tem caráter confiscatório; i) a aplicação da taxa de juros SELIC é inconstitucional. Fl. 334DF CARF MF Impresso em 06/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 01/08/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 10640.004851/200813 Resolução nº 2401000.294 S2C4T1 Fl. 233 3 Ao final, pede o cancelamento do AI ou a retificação dos valores lançados a título de multa e juros. É o relatório. Fl. 335DF CARF MF Impresso em 06/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 01/08/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 10640.004851/200813 Resolução nº 2401000.294 S2C4T1 Fl. 234 4 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. A necessidade de conversão em diligência A solução da presente lide depende de informação a ser prestada na diligência requerida, quando da apreciação do processo n. 37005.002094/200453, o qual trata de pedido de isenção da cota patronal previdenciária formulado pela recorrente. O referido processo de pedido de isenção retornou à origem, por força da Resolução n. 2401000.291, exarada nesta mesma sessão, a qual determinou: “Diante dos fatos acima narrados, a solução da lide exige que conste dos autos a informação se o presente requerimento de reconhecimento da isenção das contribuições previdenciárias decorreu de seu anterior cancelamento ou se foi protocolizado em razão do INSS não haver acatado a existência de direito adquirido da recorrente ao benefício fiscal. Devem então os autos retornarem à DRF de origem para que se responda o questionamento apresentado no parágrafo precedente, facultandose ao sujeito passivo manifestarse no prazo legal acerca da informação prestada.” Considerando o caráter de dependência entre os processos, a informação prestada no processo n. 37005.002094/200453 e a eventual manifestação do sujeito passivo no mesmo devem ser juntadas aos presentes autos, com retorno a esse colegiado para prosseguimento. Conclusão Voto por converter o julgamento em diligência nos termos acima propostos. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 336DF CARF MF Impresso em 06/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 01/08/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
score : 1.0
Numero do processo: 10950.003871/2007-84
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/04/2006
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.
PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. APLICAÇÃO DA SÚMULA
VINCULANTE Nº 08, DO STF.
1. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula
Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008,
reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991.
2. No caso destes autos, parte do lançamento está fulminada pela
decadência, observada a regra do inciso I do art. 173 do CTN.
3. A parte do lançamento não atingida pela decadência deve ser cobrada
regularmente.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2803-001.391
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar
provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a). As competências do ano
2001 e anteriores devem ser excluídas do lançamento. Vencidos Conselheiros Helton Carlos
Praia de Lima e Oseas Coimbra Junior quanto a competência 12/2001.
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 30/04/2006 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. APLICAÇÃO DA SÚMULA VINCULANTE Nº 08, DO STF. 1. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991. 2. No caso destes autos, parte do lançamento está fulminada pela decadência, observada a regra do inciso I do art. 173 do CTN. 3. A parte do lançamento não atingida pela decadência deve ser cobrada regularmente. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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CUSTEIO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. APLICAÇÃO DA SÚMULA VINCULANTE Nº 08, DO STF. 1. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991. 2. No caso destes autos, parte do lançamento está fulminada pela decadência, observada a regra do inciso I do art. 173 do CTN. 3. A parte do lançamento não atingida pela decadência deve ser cobrada regularmente. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a). As competências do ano 2001 e anteriores devem ser excluídas do lançamento. Vencidos Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima e Oseas Coimbra Junior quanto a competência 12/2001. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente Fl. 1DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2012 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 1/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 11/04/2012 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10950.003871/200784 Acórdão n.º 2803001.391 S2TE03 Fl. 196 2 (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Eduardo de Oliveira, Oseas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2012 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 1/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 11/04/2012 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10950.003871/200784 Acórdão n.º 2803001.391 S2TE03 Fl. 197 3 Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD lavrada em desfavor do contribuinte acima identificado, relativamente às contribuições devidas às entidades denominadas Terceiros (Salário Educação, INCRA, SENAI, SESI, SEBRAE) levantadas sobre remunerações efetivamente pagas a segurados empregados. O Contribuinte devidamente notificado apresentou defesa tempestiva. A impugnação foi julgada em 16 de outubro de 2007 e ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 30/04/2006 NFLD 37.115.1821 NOTIFICAÇÃO DE DÉBITO Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas na Lei 8.212, de 1991, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem. DECADÊNCIA. TERCEIROS As contribuições para Terceiros, cujos fatos geradores tenham ocorrido depois do RESP n 58918/RJ, publicado no Diário de Justiça do dia 19 de junho de 1995, têm o prazo decadencial de dez anos. SALÁRIO EDUCAÇÃO A contribuição para o SalárioEducação está de acordo com o ordenamento jurídico pátrio e a matéria, inclusive, encontrase sumulada pelo Supremo Tribunal Federal. INCRA São devidas as contribuições ao INCRA, cuja legislação foi recepcionada pela Constituição Federal de 1988. SEBRAE Fl. 3DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2012 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 1/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 11/04/2012 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10950.003871/200784 Acórdão n.º 2803001.391 S2TE03 Fl. 198 4 As contribuições para o SEBRAE são legais e devidas, de acordo com o que preceitua o ordenamento jurídico vigente. SELIC Para fatos geradores ocorridos partir de janeiro de 1995, é licita a incidência dos juros com base na taxa SELIC, nos termos da Lei 9.065, de 1995. Lançamento Procedente Inconformado com resultado do julgamento da primeira instância administrativa, o Contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega, em síntese, o seguinte: Preliminarmente, requer a impugnante seja relevada a multa de ofício, eis que o contribuinte é infrator primário e ante a inexistência de circunstâncias agravantes previstas no art. 290 do RPS, conforme atestado no Relatório Fiscal da Aplicação da multa. Padece de inconstitucionalidade formal o artigo 45 da Lei 8.212, de 1991, que fixou em dez anos o prazo de decadência para o lançamento das contribuições sociais devidas à Previdência Social. Resulta o presente lançamento de apuração fiscal, feito por Agente exator da Receita Federal do Brasil em face da Empresa notificante, para desta apurar contribuições sociais destinadas à seguridade social e a terceiros. No que diz respeito às contribuições devidas a terceiros outras entidades, sendo devidos: SalárioEducação 2,5%, SENAI 1,0%, SESI 1,5%, SEBRAE 0,6% e INCRA 0,2%, totalizando 5,8%. É inconstitucional a cobrança do SalárioEducação. A Empresa ora notificada tem como objeto social atividade tipicamente urbana. Deste modo, a cobrança da contribuição do INCRA é indevida. É ilegal a cobrança da contribuição para o SEBRAE. Há de se afastar a incidência cumulativa da SELIC com quaisquer outros índices de atualização monetária, e, ainda de juros de mora, por ser ilegal e inconstitucional. O lançamento inquinado não pode prosperar, sendo imperiosa a decretação pela linha judicante da Previdência Social de INSUBSISTÊNCIA DA NFLD N° 37.115.1821, pelo que requer a reforma do acórdão n° 0615.801, da 5ª Turma da DRJ/CTA, eis que seus argumentos destoam dos fundamentos apresentados, não podendo prosperar. Não apresentadas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2012 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 1/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 11/04/2012 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10950.003871/200784 Acórdão n.º 2803001.391 S2TE03 Fl. 199 5 Voto Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator. Sendo tempestivo, conheço do recurso e passo ao seu exame. Rejeito a preliminar de relevação de multa, tendo em vista tratarse de lançamento de obrigação principal, situação não contemplada pelo pedido do contribuinte e muito menos atrelada aos dispositivos legais invocados pelo recorrente. No entanto, ao contrário da decisão ora recorrida, não resta nenhuma dúvida de que a decadência alegada pelo contribuinte deve ser reconhecida. Tendo em vista o período do lançamento, não resta dúvida de que o crédito foi alcançado pelos efeitos da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal – STF. O Supremo Tribunal Federal, de acordo com entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991, in verbis: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme previsto no art. 103A da Constituição Federal, a Súmula de n º 8 vincula toda a Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n º 8.212/91 há que serem observadas as regras previstas no CTN. As contribuições, como se sabe, são tributos lançados por homologação. Assim, deve, em regra, observar o disposto no art. 150, parágrafo 4o do CTN. Na hipótese de o contribuinte não efetuar nenhum pagamento, aplicase a regra do inciso I do art. 173 do referido diploma legal. No caso destes autos, parte do lançamento está fulminada pela decadência, observada a regra do inciso I do art. 173 do CTN, tendo em vista que o Fl. 5DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2012 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 1/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 11/04/2012 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10950.003871/200784 Acórdão n.º 2803001.391 S2TE03 Fl. 200 6 contribuinte tomou ciência da notificação em 21 de agosto de 2007. O período abrangido pela fiscalização conforme consta do Relatório Fiscal é de 01/1999 a 04/2006. No ponto, não paira qualquer dúvida de que para o período abrangido pela decadência aplicarseá a regra do inciso I do art. 173 do CTN. Estão alcançadas pelo instituto da decadência, portanto, as competências do ano 2001 e anteriores. No que diz respeito aos demais inconformismos do contribuinte, ou seja, a inconstitucionalidade da cobrança do SalárioEducação, a indevida cobrança da contribuição para o INCRA, tendo em vista que a empresa tem como objeto social atividade tipicamente urbana, a ilegalidade da cobrança para o SEBRAE, bem como a ilegalidade e inconstitucionalidade da incidência da taxa SELIC, o contribuinte está totalmente equivocado em suas argumentações. Sobre as ilegalidades apontadas, há que se ressaltar que a atividade da autoridade administrativa é plenamente vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional (art. 142 do CTN). Portanto, considerando o efetivo enquadramento dos fatos às normas, inclusive, citadas uma a uma na decisão recorrida, não resta qualquer dúvida de que o lançamento foi realizado em estrito cumprimento do dever legal, não existindo, in casu, nenhum elemento que possa afastálo na forma pretendida pelo contribuinte. No concernente às supostas inconstitucionalidades, deve ser observada a Súmula CARF nº 2: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. No ponto, portanto, nada a prover. Com relação à utilização da taxa SELIC, deve ser observada a Súmula CARF nº 4: “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais”. No ponto, nada a prover. Vêse, pois, que dos pedidos formulados no recurso, somente um deles merece prosperar, ou seja, o lançamento foi alcançado, em parte, pela decadência. As competências do ano 2000 e anteriores devem ser excluídas do lançamento. CONCLUSÃO. Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO. As competências do ano 2001 e anteriores devem ser excluídas do lançamento. É como voto. (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2012 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 1/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 11/04/2012 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10950.003871/200784 Acórdão n.º 2803001.391 S2TE03 Fl. 201 7 Fl. 7DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2012 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 1/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 11/04/2012 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR
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Numero do processo: 16327.001144/2006-34
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Aug 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2002, 2003
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE. CONTRADIÇÃO. OMISSÃO. INOCORRÊNCIA.
Devem ser rejeitados os Embargos de Declaração quando não demonstrado omissão, contradição ou obscuridade no acórdão embargado.
Embargos Rejeitados
Numero da decisão: 3102-001.874
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração.
(assinatura digital)
Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente
(assinatura digital)
Ricardo Paulo Rosa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento e Andréa Medrado Darzea.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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OBSCURIDADE. CONTRADIÇÃO. OMISSÃO. INOCORRÊNCIA. Devem ser rejeitados os Embargos de Declaração quando não demonstrado omissão, contradição ou obscuridade no acórdão embargado. Embargos Rejeitados Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração. (assinatura digital) Luis Marcelo Guerra de Castro – Presidente (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento e Andréa Medrado Darzea. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 11 44 /2 00 6- 34 Fl. 315DF CARF MF Impresso em 07/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/08/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 16327.001144/200634 Acórdão n.º 3102001.874 S3C1T2 Fl. 186 2 Reproduzo uma vez mais o teor do Relatório no qual se baseou o Acórdão pelo presente embargado. Tratase de impugnação (fls. 68 a 101) a Auto de Infração (fls. 56 a 65) de CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL — COFINS, por FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO, referentes a fatos geradores ocorridos nos anoscalendário de 2002 e 2003, lavrados pela Delegacia de Instituições Financeiras de São Paulo — DEINF/SPOI, em 07/08/2006. 2. O crédito tributário constituído foi composto pelos valores a seguir discriminados: COFINS R$ 194.772,43 Juros de Mora (calculados até 31/07/2006) R$ 110.700,83 Multa Proporcional R$ 146.079,21 Valor do crédito tributário apurado R$ 451.552,47 3. Como enquadramento legal do lançamento da COFINS, consigna os artigos 2°, 3° e 8°, da Lei 9.718/98, com as alterações das Medidas Provisórias 1.807/99 e 1.858/99 e reedições, artigos 1°, 2° e 3°, da IN SRF 145/99, os artigos 2°, inciso II e parágrafo único, 3°, 10, 22 e 51, do Decreto 4.524/02, e o artigo 18, da Lei 10.684/03 (fl. 58). Os juros de mora foram exigidos com base no artigo 61, parágrafo 3°, da Lei 9.430/96, e, a multa de oficio, no artigo 10, parágrafo único, da Lei Complementar 70/91, e no artigo 44, da Lei 9.430/96, com a redação dada pelo artigo 18, da MP 303/06 (fls. 63 e 64). 4. No Termo de Verificação Fiscal (fls. 51 a 55) a autoridade fiscal noticia, em resumo, que: i) os valores da COFINS dos anoscalendário de 2002 e 2003, consoante declarados nas respectivas Declarações de Informações Econômico Fiscais DIPJ's, são incompatíveis com as receitas consignadas nessas mesmas Declarações, pois que a Cooperativa considerou como base de cálculo apenas as receitas decorrentes de aplicação de renda fixa, não incluindo o resulto dos atos cooperativos; ii) a COFINS das pessoas jurídicas mencionadas no artigo 22 8.212/91, entre as quais se incluem as cooperativas de crédito, por força do artigo 192, da CF, foi instituída pelo artigo 3°, parágrafo 5°, da Lei 9.718/98, sendo que o artigo 2° determinou o faturamento como base de cálculo da contribuição, que, pelo artigo 3°. caput, corresponde à receita bruta; pelo artigo 8°, dessa lei, a alíquota é de 3%; iii) com base nos demonstrativos apresentados pela Cooperativa, as bases de cálculo da COFINS foram reconstituídas, e, as diferenças apuradas, lançadas, tendo sido aplicada a ali quota de 4%, a partir de setembro de 2003, consoante estipulado nos artigos 18 e 29, inciso III, da Lei 10.684/03; 5. Cientificado do lançamento em 07/08/2006 (fl. 56), o autuado protocolizou a impugnação em 05/09/2006 (fl. 68), nas qual alega, em resumo, que: i) a autoridade equivocase ao incluir na base de cálculo da COFINS o resultado dos atos cooperativos, em razão da natureza jurídica da cooperativa e das peculiaridades desse regime jurídico; Fl. 316DF CARF MF Impresso em 07/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/08/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 16327.001144/200634 Acórdão n.º 3102001.874 S3C1T2 Fl. 187 3 ii) pelo artigo 192, da CF, as cooperativas de crédito não constituem instituições bancárias, sendo que aquele artigo não prevê que as cooperativas deverão observar o regime tributário das instituições financeiras; iii) pelo artigo 79, da Lei 5.764/71, os atos cooperativos não constituem "operações de mercado", e, assim, não geram receita, faturamento, renda ou lucro, consoante julgados do STJ e entendimento de doutrinadores, cujos excertos colaciona, sendo as despesas e o resultado positivo dividido entre os cooperados na devida proporção; iv) o artigo 3°, da Lei das Sociedades Cooperativas, impõe às cooperativas finalidade não lucrativa, sendo certo que a Cooperativa não presta nenhum serviço a terceiros, existindo com a única finalidade de prestar serviços a seus cooperados, e, assim, não se configuram contratos de compra e venda de mercadoria ou serviços; V) tal não ocorre com o resultado dos atos não cooperados, os artigos 86 e 87, da Lei das Sociedades Cooperativas prevê tratamento tributário; o artigo 66, da Lei 9.430/96 prevê a tributação de PIS e COFINS especialmente das cooperativas que se dedicam a atos não cooperados; vi) a Lei 11.051/04 (artigo 30) dá às cooperativas de crédito a possibilidade de exclusão da base de cálculo do PIS e da COFINS dos ingressos decorrentes do ato cooperativo; vii) o STF, em julgado cujo excerto colaciona, declarou a inconstitucionalidade da ampliação da base de incidência do PIS e COFINS, de faturamento para receita bruta, efetuada pelo artigo 3°, parágrafo 1°, da Lei 9.718/98; viii) como a isenção da COFINS sobre os atos cooperados foi estabelecida por Lei Complementar (70/91), não poderia ter sido revogada por lei ordinária, no caso, a Lei 9.718/98, tendo em conta que o adequado tratamento tributário aos atos cooperados deve se dar por lei complementar, conforme artigo 146, inciso III, alínea c, da CF; assim, aquela Lei Complementar ainda estaria em vigor; ix) a multa de 75% é inexigível por violar o direito de propriedade e o princípio do não confisco, insculpidos nos artigos 5°, II e LIV, 170, II, e, ainda, 145, parágrafo 1°, da CF, consoante entendimento da doutrina e de Tribunais Superiores, cujos excertos colaciona, podendo se considerar razoável e em proporção com o dano causado a multa de 2% fixada no Código de Defesa do Consumidor; x) a aplicação da Taxa SELIC seria inconstitucional, pois não foi criada por lei, e, pela análise da legislação a ela referente, verificase que não é possível extrair se qualquer conteúdo acerca do seu significado, origem e mesmo de sua forma de cálculo; além disso, possui natureza de juros remuneratórios, ao invés de moratórios, não podendo ser aplicada aos débitos tributários já que os corrige em índices superiores aos permissivos legais, como o contido no artigo 161, parágrafo 1°, do CTN, consoante entendimento do STJ manifestado em excertos que colaciona; é monitorada e regulada pelo BACEN que pode a ou reduzila. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2002, 2003 Fl. 317DF CARF MF Impresso em 07/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/08/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 16327.001144/200634 Acórdão n.º 3102001.874 S3C1T2 Fl. 188 4 AUTO DE INFRAÇÃO. RECEITAS DE ATO COOPERATIVO. SUJEIÇÃO À COFINS. IMPOSIÇÃO LEGAL. As cooperativas de crédito, na condição de instituições financeiras, estavam sujeitas à COFINS nos anoscalendário de 2002 e 2003, pelas leis então vigentes, que não contemplavam exclusões das receitas decorrentes de ato cooperativo, da base de cálculo. MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO DA MATÉRIA. Irresignação endereçada diretamente à alegada invalidade e inconstitucionalidade de normas legais não pode ser apreciada pelas instâncias administrativas de julgamento, às quais cabe apenas examinar a conformidade dos atos praticados pelas autoridades lançadoras às leis vigentes, não detendo poderes para afastálas em razão de pretensos vícios de inconstitucionalidade, atribuição esta exclusiva do Poder Judiciário. Insatisfeita com a decisão de primeira instância, a recorrente apresenta recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio do qual repisa argumentos contidos na Impugnação ao Lançamento. Requer decretação de nulidade do Acórdão recorrido por não terem sido analisados “todos os pontos suscitados pela Recorrente em sua defesa”. Sustenta que do ato cooperativo não decorre faturamento na medida em que o mesmo “não implica em operação de mercado apta a legitimar tributação”. Por outro lado, que a legislação foi clara em determinar que, “agindo a cooperativa fora de seu escopo de atuação, ou seja, nas operações da com terceiros não cooperados, o resultado dessas operações será levado a conta específica e considerado como base de cálculo para tributos (...)” Que “Em momento algum a Constituição Federal, pelo referido artigo 192, prevê que as cooperativas deverão observar o regime tributário das instituições financeiras”. Que a regra de tributação apenas dos atos não cooperados fica clara pela leitura do disposto no artigo 66 da Lei 9.430/96, assim como pelo teor do artigo 30 da Lei 11.051/04. Cita jurisprudência. Por fim, na hipótese da autuação ser mantida, requer o afastamento da aplicação da taxa do SELIC e a exclusão da multa de 75%. A decisão tomada no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais foi assim ementada. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2002, 2003 DECISÃO. FUNDAMENTOS. ABORDAGEM NÃO EXAUSTIVA. PRETERIÇÃO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não ocorre preterição ao direito de defesa quando a autoridade julgadora de primeira instância pronunciase de forma não exaustiva, mas clara e suficiente sobre Fl. 318DF CARF MF Impresso em 07/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/08/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 16327.001144/200634 Acórdão n.º 3102001.874 S3C1T2 Fl. 189 5 as questões arguidas pela defesa. A decisão proferida não requer sejam rebatidos de forma pormenorizada, um a um, os muitos argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos do decisum alcancem todos aspectos abordados. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. INCOMPETÊNCIA. É vedado aos membros das turmas de julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. COOPERATIVAS. BASE DE CÁLCULO. LEI 9.718/98. ATOS COOPERADOS. INCIDÊNCIA. Após o advento da Lei 9.718/98, a base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS devida pelas Cooperativas deve ser calculada com a inclusão dos valores recebidos em decorrência dos atos cooperativos próprios de suas atividades. MULTA DE OFÍCIO. EXIGÊNCIA. Sobre os créditos tributários constituídos em auto de infração por falta de pagamento ou declaração inexata será exigida a multa no percentual de setenta e cinco por cento, por expressa previsão legal. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. EXIGIBILIDADE. Sobre os créditos tributários constituídos em auto de infração serão exigidos juros de mora com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, por expressa previsão legal. Matéria sumulada Súmula CARF nº 04. Recurso Voluntário Negado Comparece, agora, a então Recorrente para apresentar Embargos de Declaração ao Acórdão. Segundo entende, houve omissão em relação à natureza dos atos cooperados, que não constituem faturamento das Cooperativas. Argumenta, Em que pese v. acórdão entenda que o faturamento, base de cálculo da COFINS, após a edição da Lei 9.718/98, seja o produto do exercício das atividades empresarias, olvidouse de analisar o fator central da discussão em tela: o de que ato cooperativo não gera faturamento, renda, lucro, nem tampouco receita à sociedade. Menciona disposição contida na Lei 5.764/71, Lei das Sociedades Cooperativas, esclarecendo que o ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. Cita decisões do Supremo Tribunal Federal e Superior Tribunal de Justiça favoráveis ao entendimento que defende. Fl. 319DF CARF MF Impresso em 07/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/08/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 16327.001144/200634 Acórdão n.º 3102001.874 S3C1T2 Fl. 190 6 Ao final, requer o conhecimento dos Embargos de Declaração para que seja sanada a omissão, inclusive, “com o fito de prequestionar expressamente o tema e possibilitar eventual interposição de recurso especial [...]”. É o Relatório. Voto Liminarmente, com o fito de melhor direcionar o juízo que se forma sobre o Recurso interposto pela parte, anotase que a matéria trazida não é nova. Como a seguir se observa no trecho extraído da parte final do Relatório do Acórdão embargado (acima reproduzido), o protesto constou da relação de questões suscitadas pela defesa em sede de Recurso Voluntário, com o seguinte teor. Sustenta que do ato cooperativo não decorre faturamento na medida em que o mesmo “não implica em operação de mercado apta a legitimar tributação”. Por outro lado, que a legislação foi clara em determinar que, “agindo a cooperativa fora de seu escopo de atuação, ou seja, nas operações da com terceiros não cooperados, o resultado dessas operações será levado a conta específica e considerado como base de cálculo para tributos (...)” Em face desse argumento, após uma análise detida de toda a evolução legislativa, o Acórdão consignou a seguinte interpretação das normas aplicáveis ao caso concreto. Ante tais disposições legais resta incontroverso que, durante os anos de 2002 e 2003, a isenção da Cofins atingia não mais a totalidade das receitas decorrentes dos atos cooperados. Em lugar disso, a legislação passou a admitir apenas as exclusões arroladas no parágrafo 6º do artigo 3º da Lei 9.718/98 com a redação introduzida pelo artigo 2º da MP 2.158/01, além daquelas previstas no artigo 15 para as Cooperativas de um modo geral. (...) Por conta disso, não vejo como entender diferente, se não pela inclusão dos ingressos originados de atos cooperativos próprios na base de cálculo das Contribuições no período no qual os fatos ocorreram. Ora, não é de se esperar que a decisão tomada rebata cada argumento de acordo com o enfoque dado pela parte. Uma vez que decidase, como se fez, pelo entendimento de que, durante os anos em que ocorreram os fatos geradores das Contribuições, a isenção da Cofins atingia não mais a totalidade das receitas decorrentes dos atos cooperados, resta enfrentada a questão como um todo, a partir da discordância manifesta por este Tribunal com a leitura defendida pela Recorrente de que os atos cooperados, por não implicarem em operação de mercado, estariam excluídos da hipótese de incidência. Da mesma forma, uma vez que demonstrada toda a evolução histórica da legislação aplicável à matéria, concluise que a Turma entendeu que a Lei 5.764/71 não afasta os critérios de incidência e de apuração da base de cálculo definidos na legislação tributária ao estabelecer que o ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. Fl. 320DF CARF MF Impresso em 07/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/08/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 16327.001144/200634 Acórdão n.º 3102001.874 S3C1T2 Fl. 191 7 Aliás, de se dizer que protestos da mesma natureza já haviam sido dirigidos à Decisão de Primeira Instância. Vejase o que requereu a defesa no Recurso Voluntário apresentado a este Conselho. Requer decretação de nulidade do Acórdão recorrido por não terem sido analisados “todos os pontos suscitados pela Recorrente em sua defesa”. Os fundamentos para o não acolhimento do pedido são úteis ao deslinde da presente contestação. Também não será demais fazer constar que a análise das razões de defesa pode, perfeitamente, restringirse às questões cujo fundamento é suficiente para a compreensão das razões de decidir, tendo em conta o pacífico entendimento de que o julgador não está obrigado a rebater todas as alegações da impugnante, consoante se depreende do Recurso Especial nº 779.680 MG (2005/01490020), julgado em 12.12.2005, onde o eminente Ministro do STJ Luiz Fux, assim se pronunciou. “Inexiste ofensa ao art. 535, CPC, quando o Tribunal de origem pronunciase de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos, cujo decisum revelase devidamente fundamentado. Ademais, o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. Precedente desta Corte: RESP 658.859/RS, publicado no DJ de 09.05.2005”. [...] É pacífico o entendimento jurisprudencial de que o juiz não está obrigado a analisar e rebater todas as alegações da parte, bem como todos os argumentos sobre os quais suporta a pretensão deduzida em juízo, bastando apenas que indique os fundamentos suficientes à compreensão de suas razões de decidir, cumprindo, assim, o mandamento constitucional insculpido no art. 93, inc. IX, da Lei Fundamental. Nesse sentido: STJ: EDRESP 581.682/SC, 2ª. Turma, Rel. Min. Castro Meira, in DJU, I, 1º.3.2004, p. 176; e EEERSP 332.663/SC, 1a. Turma, Rel. Min. José Delgado, in DJU, I, 16.2.2004, p. 204. Superado isso, para que não se venha alegar ausência de manifestação expressa deste Colegiado em relação à jurisprudência informada pela defesa em decisões tomadas no âmbito do Superior Tribunal de Justiça e Supremo Tribunal Federal, faço constar no presente que não era e não é do conhecimento deste Relator que alguma decisão favorável à Embargante ou tomada em Regime de Repercussão Geral ou Recurso Repetitivo tenha acolhido a tese defendida pelo administrado. Assim, uma vez que as decisões ainda não deram origem a uma posição consolidada e de efeito vinculante, temse preservada a autonomia dos tribunais administrativos para formação de suas próprias convicções. VOTO PELA REJEIÇÃO dos Embargos Interpostos. Sala das Sessões, 23 de maio de 2013. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Fl. 321DF CARF MF Impresso em 07/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/08/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 16327.001144/200634 Acórdão n.º 3102001.874 S3C1T2 Fl. 192 8 Fl. 322DF CARF MF Impresso em 07/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/08/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por RICARDO PAULO ROSA
score : 1.0
Numero do processo: 10830.006684/2008-08
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2005
COMPROVAÇÃO DA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS POR DECLARAÇÃO DO PROFISSIONAL PRESTADOR.
Restabelece-se a dedução de despesas médicas lastreadas em recibos firmados por profissionais que confirmam a autenticidade destes e a efetiva prestação dos serviços por meio de declaração com firma reconhecida apresentada pelo contribuinte, se nada mais há nos autos que desabone tais documentos.
Recurso provido
Numero da decisão: 2802-001.551
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
German Alejandro San Martín Fernández - Relator.
EDITADO EM: 18/07/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lúcia Reiko Sakae, Julianna Bandeira Toscano, Dayse Fernandes Leite, Carlos André Ribas de Mello, German Alejandro San Martín Fernández e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente).
Nome do relator: GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2005 COMPROVAÇÃO DA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS POR DECLARAÇÃO DO PROFISSIONAL PRESTADOR. Restabelece-se a dedução de despesas médicas lastreadas em recibos firmados por profissionais que confirmam a autenticidade destes e a efetiva prestação dos serviços por meio de declaração com firma reconhecida apresentada pelo contribuinte, se nada mais há nos autos que desabone tais documentos. Recurso provido
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Restabelecese a dedução de despesas médicas lastreadas em recibos firmados por profissionais que confirmam a autenticidade destes e a efetiva prestação dos serviços por meio de declaração com firma reconhecida apresentada pelo contribuinte, se nada mais há nos autos que desabone tais documentos. Recurso provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Relator. EDITADO EM: 18/07/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lúcia Reiko Sakae, Julianna Bandeira Toscano, Dayse Fernandes Leite, Carlos André Ribas de Mello, German Alejandro San Martín Fernández e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 66 84 /2 00 8- 08 Fl. 137DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 18/07/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Relatório Versam os presentes autos sobre lançamento decorrente da revisão de ofício da declaração de ajuste anual 2006, da qual resultou a glosa de deduções indevidas com despesas médicas no valor de R$ 21.095,00, por falta de comprovação do efetivo pagamento (fls. 10/14). Considerada a impugnação (fls. 29), o crédito tributário constituído foi mantido por ocasião da decisão da 1ª instância (fls. 100104). Nas razões de Voluntário o Recorrente reitera os argumentos constantes na Impugnação, no sentido de que todas as despesas médicas declaradas restaram comprovadas por recibos idôneos, acompanhados de declarações firmadas pelos emitentes dos recibos atestando a efetividade dos serviços prestados. Requer, ainda, em caso de subsistência de dúvida, a realização de diligência junto aos respectivos profissionais de saúde (fls. 94110). Era o der essencial a ser relatado. Passo a decidir. Voto Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández, Relator Por tempestivo e por presentes os demais pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso. O cerne do litígio versa sobre a não aceitação, pela fiscalização, de recibos de profissionais de saúde desprovidos da respectiva prova de pagamento. De acordo com a decisão recorrida: Os diversos recibos trazidos aos autos (fls. 19 a 31), exceção feita aos referentes ao Dr. George C. Lucas (fls. 25/26) não contemplam todas as especificações e indicações exigidas no inciso III do § 2° do art. 8° da Lei n° 9.250/95, eis que não trazem os endereços dos profissionais emissores. 6.5 Através de consulta procedida junto aos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil foi possível apurar que, no ano em questão: a Dra. Alessandra Grou Baron declarou ter recebido R$ 16.580,00 de pessoas físicas, dos quais R$ 14.115,00, ou mais de 85%, teriam sido pagos por um único paciente — o impugnante; a Dra. Ana Laura Z. Ribeiro apresentou declaração de isenta, ou seja, indiretamente declarou ter recebido rendimentos abaixo do limite de isenção, que no ano em questão era de R$ 13.968,00. Isso, apesar de ter recebido de um só paciente—o impugnante no caso — a importância de R$ 4.500,00; 6.5.1 Diante do acima exposto, constatase que as Declarações prestadas pelos profissionais acima não fazem prova, isoladamente, dos efetivos pagamentos supostamente efetuados por parte do impugnante. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 18/07/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10830.006684/200808 Acórdão n.º 2802001.551 S2TE02 Fl. 127 3 6.6 Os recibos trazidos aos autos já haviam sido apresentados à fiscalização que, ao analisálos, entendeu ser necessária a comprovação do efetivo pagamento dos valores expressos nos recibos. Através do Termo de Intimação Fiscal n° 115/2008 a fiscalização deixou claro que: "2. A comprovação deverá ser feita através da apresentação de quaisquer documentos hábeis e idôneos para tal fim (cópia de cheque, ordem de pagamento, outros). 3. PARA PAGAMENTOS EFETUADOS EM ESPÉCIE a comprovação poderá ser feita com cópia de extratos bancários onde constem saques efetuados compatíveis em datas e valores dos recibos objeto de comprovação. Neste caso deverá ser apresentada planilha relacionando os saques (datas e valores) aos respectivos recibos objeto de comprovação. 1. Os esclarecimentos, as justificativas, a inexistência de documentos solicitados, ou, ainda, a eventual negativa na apresentação de alguns dos itens acima listados devem ser informados. por escrito, datados e assinados pelo contribuinte ou seu representante 6.6.1. 0 impugnante, embora intimado para tanto, em momento algum comprovou a efetiva transferência dc numerários em favor dos profissionais prestadores de serviços médicos. O contribuinte sequer informou qual teria sido a forma de pagamento utilizada. Assim, não formei convencimento de que as despesas efetivamente tenham ocorrido e os serviços tenham de fato sido prestados, razão pela qual considero que a glosa foi correta e atendeu à legislação de regência. A decisão recorrida questiona os recibos e os valores cobrados, pelos profissionais, ao Recorrente e à sua cônjuge/dependente. No entendimento do órgão a quo, o fato de a Dra. Alessandra Grou Baron ter declarado o recebimento de R$ 16.580,00 de pessoas físicas, dos quais R$ 14.115,00, ou mais de 85%, teriam sido pagos por um único paciente — o Impugnante ora Recorrente e o fato de a Dra. Ana Laura Z. Ribeiro ter apresentado declaração de isenta, ou seja, declarar ter recebido rendimentos abaixo do limite de isenção, tornaria as declarações prestadas pelos profissionais prova insuficiente, isoladamente, do efetivo dispêndio. Há nos autos declaração com firma reconhecida da Dentista, Dra. Alessandra Grou Baron à fl. 14, com indicação de endereço do consultório, CRO e CPF, comprobatórios da prestação de serviços no ano de 2005, ao Recorrente e à sua cônjuge, no valor de R$ 14.115,00 (quatorze mil cento e quinze reais ). De igual modo, há declaração de fls. 15 e 17, dos fisioterapeutas Lesley Cristiane Minorello e Silva e Jorge Luiz Scarpin, atestando a prestação de serviços ao Recorrente e à sua cônjuge, com indicação de endereço, CREFITO e CPF, comprobatórios da prestação de serviços no ano de 2005, no valor de R$ 920,00 (novecentos e vinte reais) e R$ 400,00 (quatrocentos reais), respectivamente. O mesmo ocorre com a declaração apresentada pela fonoaudióloga Ana Laura Z. Ribeiro à fl. 18, no valor de R$ 4.500,00 (quatro mil e quinhentos reais) e do Dr. George Luccas (declaração à fl. 16 e recibos de fls. 25/26), sendo que para esta último há reconhecimento do preenchimento dos requisitos essenciais para fins de dedutibilidade dos recibos apresentados, previsto no III do § 2° do art. 8° da Lei n° 9.250/95, mormente o da indicação do endereço do estabelecimento do profissional. Meras ilações feitas pela fiscalização e pelo órgão colegiado a quo, tais como as que levam em consideração a renda declarada dos profissionais em proporção ao valor dos serviços prestados, não são suficientes para ilidir a presunção de veracidade e boafé dos documentos apresentados. Apenas servem de indícios de omissão de rendimentos dos profissionais apontados, que em nada prejudicam o direito à dedutibilidade de tais valores Fl. 139DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 18/07/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 previstos na legislação e cujas disposições não exigem a prova do efetivo pagamento, a ser exigida apenas na hipótese de falta de apresentação de documentação idônea. Nesse sentido, esta C. 2ª Turma Especial, no Acórdão n. 280200.402, em 27/07/2010, relatoria do insígne Conselheiro Sidney Ferro Barros, assim decidiu: COMPROVAÇÃO DA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS POR DECLARAÇÃO DO PROFISSIONAL PRESTADOR. Restabelecese a dedução de despesas médicas lastreadas em recibos firmados por profissional que confirma a autenticidade destes e a efetiva prestação dos serviços por meio de declaração com firma reconhecida apresentada pelo contribuinte, se nada mais há nos autos que desabone tais documentos. Ante o exposto, conheço e dou provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito à dedutibilidade das despesas comprovadas mediante declaração dos respectivos profissionais. É como voto. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Fl. 140DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 18/07/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 10875.905245/2009-36
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/05/2002 a 31/05/2002
REPERCUSSÃO GERAL. JUÍZO PRÉVIO DE ADMISSIBILIDADE. MATÉRIA NÃO CONHECIDA. INAPLICABILIDADE DO ART. 62-A, § 1º, DO REGIMENTO INTERNO.
O exame do sobrestamento pressupõe o prévio juízo de admissibilidade do recurso. Do contrário, até mesmo recursos intempestivos deveriam ficar sobrestados aguardando a decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal. O § 1º do art. 62-A, ademais, deve ser interpretado à luz do princípio da lealdade e boa-fé, de modo a evitar que a alegação de matéria sob repercussão geral se converta em causa de protelação do exame do mérito de recursos manifestamente incabíveis.
PER/DCOMP. NÃO IDENTIFICAÇÃO DO CRÉDITO COMPENSADO. NÃO APERFEIÇOAMENTO DA COMPENSAÇÃO.
A declaração do sujeito passivo - denominada PER/Dcomp - veicula a formalização em linguagem competente da extinção do crédito tributário e do débito da Fazenda Nacional. Sem a identificação do crédito e dos débitos compensados, não se aperfeiçoa o encontro de contas entre as relações jurídicas obrigacionais.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3802-001.333
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
REGIS XAVIER HOLANDA - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
EDITADO EM: 10/10/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Jose´ Fernandes do Nascimento e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Ausente momentaneamente o Conselheiro , Bruno Maurício Macedo Curi.
Nome do relator: SOLON SEHN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/05/2002 a 31/05/2002 REPERCUSSÃO GERAL. JUÍZO PRÉVIO DE ADMISSIBILIDADE. MATÉRIA NÃO CONHECIDA. INAPLICABILIDADE DO ART. 62-A, § 1º, DO REGIMENTO INTERNO. O exame do sobrestamento pressupõe o prévio juízo de admissibilidade do recurso. Do contrário, até mesmo recursos intempestivos deveriam ficar sobrestados aguardando a decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal. O § 1º do art. 62-A, ademais, deve ser interpretado à luz do princípio da lealdade e boa-fé, de modo a evitar que a alegação de matéria sob repercussão geral se converta em causa de protelação do exame do mérito de recursos manifestamente incabíveis. PER/DCOMP. NÃO IDENTIFICAÇÃO DO CRÉDITO COMPENSADO. NÃO APERFEIÇOAMENTO DA COMPENSAÇÃO. A declaração do sujeito passivo - denominada PER/Dcomp - veicula a formalização em linguagem competente da extinção do crédito tributário e do débito da Fazenda Nacional. Sem a identificação do crédito e dos débitos compensados, não se aperfeiçoa o encontro de contas entre as relações jurídicas obrigacionais. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) REGIS XAVIER HOLANDA - Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN - Relator. EDITADO EM: 10/10/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Jose´ Fernandes do Nascimento e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Ausente momentaneamente o Conselheiro , Bruno Maurício Macedo Curi.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/05/2002 a 31/05/2002 REPERCUSSÃO GERAL. JUÍZO PRÉVIO DE ADMISSIBILIDADE. MATÉRIA NÃO CONHECIDA. INAPLICABILIDADE DO ART. 62A, § 1º, DO REGIMENTO INTERNO. O exame do sobrestamento pressupõe o prévio juízo de admissibilidade do recurso. Do contrário, até mesmo recursos intempestivos deveriam ficar sobrestados aguardando a decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal. O § 1º do art. 62A, ademais, deve ser interpretado à luz do princípio da lealdade e boafé, de modo a evitar que a alegação de matéria sob repercussão geral se converta em causa de protelação do exame do mérito de recursos manifestamente incabíveis. PER/DCOMP. NÃO IDENTIFICAÇÃO DO CRÉDITO COMPENSADO. NÃO APERFEIÇOAMENTO DA COMPENSAÇÃO. A declaração do sujeito passivo denominada PER/Dcomp veicula a formalização em linguagem competente da extinção do crédito tributário e do débito da Fazenda Nacional. Sem a identificação do crédito e dos débitos compensados, não se aperfeiçoa o encontro de contas entre as relações jurídicas obrigacionais. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 52 45 /2 00 9- 36 Fl. 103DF CARF MF Impresso em 12/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 2 (assinado digitalmente) REGIS XAVIER HOLANDA Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. EDITADO EM: 10/10/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, José Fernandes do Nascimento e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Ausente momentaneamente o Conselheiro , Bruno Maurício Macedo Curi. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas/SP, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, assentada nos fundamentos resumidos na ementa a seguir transcrita (fls. 54): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/05/2002 a 31/05/2002 COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. CERTEZA. LIQUIDEZ. COMPROVAÇÃO. A compensação de indébito fiscal com créditos tributários vencidos e/ou vincendos, está condicionada à comprovação da certeza e liquidez do respectivo indébito. Somente podem ser objeto de compensação créditos líquidos e certos, cuja comprovação deve ser efetuada pelo contribuinte, sob pena de não ter seu crédito reconhecido. INTIMAÇÃO VIA POSTAL. É válida a ciência do lançamento de ofício quando entregue, pelos Correios, no domicílio eleito pela contribuinte. INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE DE LEI OU ATO NORMATIVO. ARGÜIÇÃO. A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre inconstitucionalidade ou ilegalidade de lei ou ato normativo. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO Permanecerá suspensa a exigibilidade dos débitos declarados em DCOMP enquanto estiver presente qualquer das hipóteses previstas no artigo 151 do Código Tributário Nacional – CTN. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 12/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10875.905245/200936 Acórdão n.º 3802001.333 S3TE02 Fl. 104 3 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O Recorrente, nas razões recursais de fls. 7389, alega ter formalizado o pedido de compensação com fundamento na inconstitucionalidade da inclusão do Icms da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins. Aduz que a certeza do direito à compensação advém do art. 195 da Constituição e que recolheu os Darfs sem subtrair as parcelas do Icms. É o Relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn A ciência da decisão se deu no dia 23/02/2012 (fls. 67) e o protocolo do recurso, em 12/03/2012 (fls. 72). Tratase, portanto, de recurso tempestivo que pode ser conhecido, uma vez que versa sobre matéria da competência da Terceira Seção e reúne os demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto no 70.235/1972. Embora o sujeito passivo alegue que o direito creditório seria decorrente da inconstitucionalidade da inclusão do Icms na base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins – matéria que, como se sabe, teve repercussão geral reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal no âmbito do Recurso Extraordinário (RE) nº 574.706/PR1 entendese que não cabe o sobrestamento do feito mediante aplicação do art. 62A, § 1º, do Regimento Interno2. O exame do sobrestamento pressupõe o prévio juízo de admissibilidade do recurso. Do contrário, até mesmo recursos intempestivos deveriam ficar sobrestados aguardando a decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal. O § 1º do art. 62A, ademais, deve ser interpretado à luz do princípio da lealdade e boafé, de modo a evitar que a alegação de matéria sob repercussão geral se converta em causa de protelação do exame do mérito de recursos manifestamente incabíveis. No caso dos autos, notase que a inconstitucionalidade da inclusão do Icms na base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins sequer foi ventilada na manifestação de inconformidade. O sujeito passivo, naquela etapa processual, fundamentou a origem do direito creditório apenas na inconstitucionalidade do aumento da alíquota da Cofins de 2% para 3%, sem apresentar qualquer alegação relacionada à matéria sob repercussão geral. A rigor, portanto, a alegação sequer poderia ser conhecida, consoante reconhece a remansosa jurisprudência do Carf: [...] 1 “Reconhecida a repercussão geral da questão constitucional relativa à inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS e da contribuição ao PIS. Pendência de julgamento no Plenário do Supremo Tribunal Federal do Recurso Extraordinário n. 240.785.” (DJe088, de 16/05/2008). 2 ""Art. 62A. [...] Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B." Fl. 105DF CARF MF Impresso em 12/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 4 PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. CONHECIMENTO NA FASE RECURSAL. IMPOSSIBILIDADE. Em conformidade com o princípio da preclusão processual, se o sujeito passivo não contestou a matéria, no todo ou em parte, perante a autoridade julgadora de primeiro grau, não poderá mais fazêlo perante a instância superior, sob pena de inovação do feito e supressão de instância. (Acórdão 3802000.585. 3a S. 2a C. 2a TE. Rel. Conselheiro José Fernandes do Nascimento. S. de 05/07/2011). “PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO TEMPORAL. Questão não provocada a debate em primeira instância, quando se instaura a fase litigiosa do procedimento administrativo, e somente demandada em grau de recurso, constitui matéria preclusa. Recurso Voluntário Negado.” (Acórdão 310100.409. 3a. S. 1a C. 1a TO. Rel. Conselheiro Tarásio Campelo Borges. S. de 29/04/2010). [...] NORMAS PROCESSUAIS. MATÉRIA NÃO ABORDADA NA INSTÂNCIA ANTERIOR. PRECLUSÃO. EXCLUSÕES DE BASE DE CÁLCULO. ALARGAMENTO. Considerase preclusa matéria que não foi objeto de impugnação e que, por conseguinte, não foi objeto da decisão recorrida.” (Acórdão 340100.169. 3a S. 4a C. 1a TO. Rel. Conselheiro Odassi Guerzoni Filho. S. de 13/08/2009). PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. IMPUGNAÇÃO E RECURSO VOLUNTÁRIO. PRECLUSÃO. ART. 17 DO DECRETO 70.235/72. O recurso voluntário é cabível contra a decisão de primeira instância, de modo que o âmbito válido de sua fundamentação naturalmente se circunscreve aos temas tratados no julgamento que pretende reformar. O recurso voluntário não pode inovar, veiculando novos argumentos de defesa que não foram apresentados na impugnação nem debatidos em primeira instância. Exceção feita apenas quanto a temas reconhecidamente de ordem pública, como é o caso da decadência e da prescrição.” (Acórdão 340300.385. 3a S. 4a C. 3a TO. Rel. Conselheiro Ivan Allegretti. S. de 25/05/2010). Assim, se a matéria sob repercussão geral não pode ser conhecida, por não ter sido ventilada na instância a quo, é igualmente descabido o sobrestamento do feito, inclusive porque, a rigor, no presente caso concreto a não homologação ocorreu devido à utilização do Darf para a quitação de outros débitos declarados pelo contribuinte (fls. 62). Tal situação se deu porque o Recorrente, ao apresentar a PER/Dcomp, deixou de retificar a Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), o que fez com que o pagamento continuasse atrelado à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação (fls. 40). Fl. 106DF CARF MF Impresso em 12/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10875.905245/200936 Acórdão n.º 3802001.333 S3TE02 Fl. 105 5 Em circunstâncias dessa natureza, a Turma tem admitido a homologação da compensação, desde que retificada a Dctf e, principalmente, demonstrada a existência do direito creditório. Nesse sentido, cumpre destacar o julgado a seguir, de nossa relatoria: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 31/05/2005 PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROLAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. APRESENTAÇÃO DA PROVA DO CRÉDITO APÓS DECISÃO DA DRJ. HIPÓTESE PREVISTA NO ART. 16, § 4º, “C”, DO DECRETO Nº 70.235/1972. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. A prova do crédito tributário indébito, quando destinada a contrapor razões posteriormente trazidas aos autos, pode ser apresentada após a decisão da DRJ, por força do princípio da verdade material e do disposto no art. 16, § 4º, “c”, do Decreto nº 70.235/1972. Havendo prova do crédito, a compensação deve ser homologada, a despeito da retificação a posteriori da Dctf. Recurso Voluntário Provido. Direito Creditório Reconhecido. (Carf. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.007. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 22/05/2012) No presente caso, o Recorrente, além de não apresentar qualquer prova do direito creditório, sequer retificou a Dctf, razão pela qual não cabe a compensação. O sujeito passivo, na verdade, se limitou a afirmar que não tem como esclarecer a origem do crédito apurado e compensado (fls. 75). O Recurso, destarte, além de inovar indevidamente na suposta origem do direito creditório, mostrase manifestamente improcedente. Afinal, devese ter presente que a Lei nº 10.637/2002, ao alterar o art. 74 da Lei nº 9.430/1996, promoveu a unificação do regime de compensação, extinguindo as compensações realizadas na Dctf, na escrituração contábil e a condicionada ao deferimento de pedido administrativo. Todas essas modalidades foram substituídas pela autocompensação, que ressaltadas as contribuições para a seguridade social compensadas na Gfip (Guia de Recolhimento do Fgts e Informações à Previdência Social) é aplicável aos tributos administrados pela Receita Federal. No regime da autocompensação, como se sabe, a extinção do crédito tributário ocorre por iniciativa do sujeito passivo, mediante entrega de declaração contendo informações relativas aos créditos e débitos compensados, que, por sua vez, fica sujeita à posterior homologação pela autoridade competente no prazo de até cinco anos: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e Fl. 107DF CARF MF Impresso em 12/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 6 contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002). § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) A declaração do sujeito passivo denominada PER/Dcomp revestese de especial importância no mundo jurídico, porquanto representa a formalização em linguagem competente da extinção do crédito tributário e do débito da Fazenda Nacional. Tratase, consoante destaca Paulo de Barros Carvalho, do veículo introdutor da norma individual e concreta que positiva o fato jurídico extintivo: “O fato extintivo da compensação será positivado por norma individual e concreta que promova o encontro das relações, extinguindoas no quantum em que se equivalerem. Os sujeitos habilitados a expedir a norma individual e concreta da compensação, formalizando o mencionado ‘encontro de contas’, são a autoridade administrativa e a autoridade judiciária. Há hipóteses em que a lei autoriza ao próprio particular a efetivação da compensação tributária. Esta, todavia, somente é utilizada quando o ato do particular for homologado pela Administração, de maneira tácita ou expressa. Dito de outro modo, o aplicarse da norma de compensação gera a extinção do crédito tributário e do débito do Fisco. Mas, para que esta se concretize, necessário o relato em linguagem competente não apenas das relações que se pretende compensar, mas também do fato da compensação. Apenas se descrito no antecedente de norma individual e concreta irradiará os efeitos previstos no consequente normativo, operandose extinção dos vínculos obrigacionais.” (CARVALHO, Paulo de Barros. Direito tributário, linguagem e método. 2. ed. São Paulo: Noeses, 2008, p. 480481). Em razão disso, para produzir os seus efeitos jurídicos próprios, a PER/Dcomp pressupõe a correta identificação do crédito e dos respectivos débitos compensados. Do contrário, não há como se aperfeiçoar juridicamente o encontro de contas entre as relações jurídicas obrigacionais. No presente feito, diante da não identificação da origem do crédito compensado, não há como se proceder à homologação da compensação, devido ao não aperfeiçoamento jurídico do encontro de contas pretendido pelo Recorrente. Votase, portanto, pelo conhecimento do recurso e pelo desprovimento, com a consequente manutenção do acórdão recorrido. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 108DF CARF MF Impresso em 12/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10875.905245/200936 Acórdão n.º 3802001.333 S3TE02 Fl. 106 7 Fl. 109DF CARF MF Impresso em 12/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA
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Numero do processo: 10840.907401/2009-09
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jun 27 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2001
RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PROVA. ÔNUS.
O ônus da prova do crédito tributário pleiteado no Per/Dcomp - Pedido de Restituição é do contribuinte (artigo 333, I, do CPC). Não sendo produzida nos autos, indefere-se o pedido e não se homologa a compensação pretendida entre crédito e débito tributários.
DCTF. RETIFICAÇÃO. DIPJ. PROVA. LUCRO PRESUMIDO.
A comprovação de erro no preenchimento de DCTF se faz pela apresentação da contabilidade escriturada à época dos fatos, acompanhada por documentos que a embasam, ainda que na forma resumida para os contribuintes que optam pela apuração do lucro na forma presumida, não sendo admitida a mera apresentação de DIPJ, cuja natureza é meramente informativa. Os valores informados em DIPJ não servem para comprovação de erros cometidos pelos contribuintes.
Numero da decisão: 1801-001.496
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Maria de Lourdes Ramirez - Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otávio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: MARIA DE LOURDES RAMIREZ
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2001 RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PROVA. ÔNUS. O ônus da prova do crédito tributário pleiteado no Per/Dcomp - Pedido de Restituição é do contribuinte (artigo 333, I, do CPC). Não sendo produzida nos autos, indefere-se o pedido e não se homologa a compensação pretendida entre crédito e débito tributários. DCTF. RETIFICAÇÃO. DIPJ. PROVA. LUCRO PRESUMIDO. A comprovação de erro no preenchimento de DCTF se faz pela apresentação da contabilidade escriturada à época dos fatos, acompanhada por documentos que a embasam, ainda que na forma resumida para os contribuintes que optam pela apuração do lucro na forma presumida, não sendo admitida a mera apresentação de DIPJ, cuja natureza é meramente informativa. Os valores informados em DIPJ não servem para comprovação de erros cometidos pelos contribuintes.
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PROVA. ÔNUS. O ônus da prova do crédito tributário pleiteado no Per/Dcomp Pedido de Restituição é do contribuinte (artigo 333, I, do CPC). Não sendo produzida nos autos, indeferese o pedido e não se homologa a compensação pretendida entre crédito e débito tributários. DCTF. RETIFICAÇÃO. DIPJ. PROVA. LUCRO PRESUMIDO. A comprovação de erro no preenchimento de DCTF se faz pela apresentação da contabilidade escriturada à época dos fatos, acompanhada por documentos que a embasam, ainda que na forma resumida para os contribuintes que optam pela apuração do lucro na forma presumida, não sendo admitida a mera apresentação de DIPJ, cuja natureza é meramente informativa. Os valores informados em DIPJ não servem para comprovação de erros cometidos pelos contribuintes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 90 74 01 /2 00 9- 09 Fl. 138DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 26/06/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 26/06/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otávio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório A empresa recorre do Acórdão nº 1431.690/10 exarado pela Quinta Turma de Julgamento da DRJ em Ribeirão Preto/SP, que julgou improcedente o direito creditório pleiteado pela contribuinte, e não homologou as pertinentes compensações deste crédito com débitos tributários, formalizados nos Per/Dcomp (pedidos de restituição e declaração de compensação), consubstanciados nos autos. Aproveito trechos do relatório e voto do aresto vergastado para historiar os fatos: “Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciada Declaração de Compensação (PER/DCOMP), por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJlucro presumido, código de arrecadação 2089), concernente ao período de apuração 09/2001. Por despacho decisório, não foi reconhecido direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que os pagamentos informados foram integralmente utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, que teria direito ao crédito informado em PER/DCOMP. A autoridade competente, ao proferir a decisão, teria desconsiderado informações contidas em DCTF retifícadora, e tomado por base apenas as informações prestadas em DCTF original. Ao final, requer seja acolhida a manifestação de inconformidade e homologada a compensação declarada. [...] Voto [...] O exame do mérito, no caso em tela, implica exame da efetividade e suficiência do alegado direito creditório para efeitos da pretendida compensação de débitos, não se limitando, portanto, à análise de consistência de declarações. [...] O art. 170 do CTN, por seu turno, dispõe que "a lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade Fl. 139DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 26/06/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 26/06/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10840.907401/200909 Acórdão n.º 1801001.496 S1TE01 Fl. 3 3 administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda ". Portanto, o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento a maior de tributo, cujo ônus probatório recai sobre o contribuinte interessado. [...] A fim de comprovar a certeza e liquidez do crédito, a interessada deve, sob pena de preclusão, instruir sua manifestação de inconformidade com documentos respaldem suas afirmações, considerando o disposto nos artigos 15 e 16 do Decreto n° 70.235/1972, a seguir transcritos: [...] No presente caso, consta do despacho decisório recorrido que o pagamento indicado pela postulante em PER/DCOMP foi integralmente exaurido por vinculação, em DCTF, a débito de igual valor, não restando qualquer saldo compensável. A interessada, por seu turno, sustenta que o valor do imposto devido seria inferior ao valor do débito (e respectivo pagamento) informado em DCTF. A diferença resultaria saldo a restituir/compensar. Ante tal situação, caberia à própria contribuinte fazer prova do suposto crédito decorrente de recolhimento a maior. Todavia, a recorrente, em sua peça impugnatória, não apresentou documentos hábeis à comprovação do alegado direito. Com efeito, não foram juntados aos autos registros contábeis e respectivos documentos fiscais capazes de demonstrar o quantum e a composição da base de cálculo do imposto no período em questão, os critérios adotados para aplicação, sobre a receita bruta mensal, dos percentuais previstos no art. 15 da Lei n.° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, a apuração do imposto devido e eventuais deduções. A ausência de tais elementos, nos autos, impossibilita exame da apuração do imposto na contabilidade da interessada, e seu cotejo com o montante efetivamente recolhido, restando assim prejudicada a comprovação do alegado direito creditório. As cópias de declarações prestadas à RFB, e juntadas à impugnação, embora relevantes, mostramse insuficientes à adequada instrução probatória dos autos, nos termos acima. Consoante noção cediça, a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, conforme dispõe o artigo 923 do RIR/1999: [...] Nesse sentido, quanto à declaração de compensação em foco, o indébito não contém os atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública, sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN).” A empresa interpôs tempestivamente (AR – 29/12/10, fls. 49; Recurso – 21/01/11, fls.50) o Recurso Voluntário, reiterando os termos da defesa exordial, em síntese: a) que o indeferimento da Dcomp foi ocasionado porque a administração tributária desconsiderou a entrega da DCTF retificadora; Fl. 140DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 26/06/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 26/06/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 b) que o despacho decisório, por não considerar a referida DCTF, restringiuse a cotejar a Dcomp com a DCTF original; c) que a turma julgadora de primeira instância argumentou que se faz necessário a comprovação do erro que ensejou a retificação da DCTF, inovando os termos do despacho decisório; d) que em virtude dos princípios da verdade material, ampla defesa e do contraditório, impõese a reforma do acórdão e reconhecerse, ainda que em sede recursal, os documentos acostados aos autos para a comprovação do direito da recorrente em repetir o indébito tributário e ter a homologação da compensação pleiteada. A empresa anexa ao recurso cópias: do contrato social; do acórdão recorrido; detalhamento da compensação do Despacho Decisório, CNPJ; planilhas com valores de tributos recolhidos e a recuperar de vários trimestres; extrato de comprovante de arrecadação do DARF cujo recolhimento pretende ser repetido, da DIPJ 2001, retificadora;. Observo que a DCTF retificadora do 3º trimestre de 2001, sem qualquer valor de IRPJ a pagar, foi apresentada conjuntamente à manifestação de inconformidade e foi recepcionada em 16/07/09 – fls. 21. É o relatório. Voto Conselheira Ana de Barros Fernandes, Relatora O recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. O assunto tratado nos presente autos não é inédito neste Órgão Colegiado e esta Turma de Julgamento já apreciou idêntico pedido formulado pela mesma pessoa jurídica. Assim, em respeito à economia processual, adoto as razões de decidir da Ilustre Conselheira Ana de Barros Fernandes em voto proferido em sessão de julgamento realizada em 10/04/2013, as quais passo a reproduzir, com os ajustes necessários aos períodos e valores tratados nos presentes autos, grifados em negrito: A recorrente requer a repetição de suposto indébito recolhido, por DARF, a título de IRPJ, Lucro Presumido, relativo ao 3º trimestre de 2001. Argumenta que entregou DCTF retificadora e que esta, por si só, faz prova do erro cometido e do direito à repetição e conseqüente compensação com outros débitos, a ser homologada. Constato dos autos que o Despacho Decisório que indeferiu o Per/Dcomp, por não haver sido justificado pela requerente o erro no recolhimento supostamente havido a maior ou indevidamente, foi emitido em 22 de junho de 2009, com ciência dada à pleiteante em 26 de junho de 2009 (fls. 03/06). Ocorre que a recorrente apresenta como prova do erro cometido cópia de DCTF retificadora, relativa ao 3º trimestre de 2001, entregue em 16 de julho de 2009, ou seja, após ter sido cientificada do despacho denegatório (fls. 21). Em nenhum momento do processo a recorrente explica o porquê ter requerido a devolução do tributo pago, originalmente informado em DIPJ e DCTF. Saliento Fl. 141DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 26/06/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 26/06/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10840.907401/200909 Acórdão n.º 1801001.496 S1TE01 Fl. 4 5 que a Per/Dcomp requerendo o alegado indébito foi transmitida em 14 de março de 2006 e a DCTF foi retificada em 16 de julho de 2009. Por conseguinte, a recorrente modificou as informações prestadas à administração tributária e zerou o valor do tributo que anteriormente havia recolhido como devido, em DCTF, após transmitir ao Per/Dcomp em questão. Daí que não havia como a autoridade a quo considerar as informações ‘retificadas’ em DCTF que não tinha sequer sido entregue antes do despacho decisório ser emitido. A desconsideração dos valores ‘zerados’ veiculados na DCTF retificadora ocorreu porque esta ainda não existia. Cabe salientar, ainda, que a retificação de DIPJ, também não tem o condão de legitimar a restituição requerida. A DIPJ é um documento cuja natureza é meramente informativa e prescinde da exibição da contabilidade da contribuinte, lastreada em documentação hábil, ainda que de forma resumida como é o caso das empresas que optam pelo regime de apuração do Lucro na forma Presumida. Mesmo as empresas que optam pelo regime do Lucro Presumido estão obrigadas a manter registros contábeis, dos quais apuram os tributos devidos artigo 527 do Regulamento do Imposto de Renda vigente (RIR/99 – Decreto nº 3.000/99): Art. 527. A pessoa jurídica habilitada à opção pelo regime de tributação com base no lucro presumido deverá manter (Lei nº 8.981, de 1995, art. 45): I escrituração contábil nos termos da legislação comercial; II Livro Registro de Inventário, no qual deverão constar registrados os estoques existentes no término do anocalendário; III em boa guarda e ordem, enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica, bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. Parágrafo único. O disposto no inciso I deste artigo não se aplica à pessoa jurídica que, no decorrer do anocalendário, mantiver Livro Caixa, no qual deverá estar escriturado toda a movimentação financeira, inclusive bancária (Lei nº 8.981, de 1995, art. 45, parágrafo único). Inconcebível, pois, a argumentação da recorrente em alterar para saldo negativo os tributos devidos sem a mera justificação dos porquês, sem apresentar qualquer documentação contábil que comprove a mudança dos resultados trimestrais, pretendendo que se admita como prova declaração preenchida pela própria em momento posterior à ciência do despacho denegatório. Nada a impediria de retificar a DCTF, mas a retificação das declarações entregues pelos contribuintes devem vir acompanhadas de provas dos erros cometidos e retificados a posteriori. Se houvesse efetivamente erro no cálculo do tributo devido, é direito da recorrente reaver o indébito tributário, ainda que tenha confessado anteriormente qualquer outro valor, em razão do princípio da indisponibilidade do crédito tributário. Mas a comprovação dos valores modificados pela empresa após a entrega das declarações originais deve ser feita cabalmente pela retificante. Determina o artigo 11 da Instrução Normativa RFB nº 903/08: Fl. 142DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 26/06/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 26/06/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 DA RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÕES Art. 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; II cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. § 3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU, somente poderá ser efetuada pela RFB nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração. § 4º Na hipótese do inciso III do § 2º, havendo recolhimento anterior ao início do procedimento fiscal, em valor superior ao declarado, a pessoa jurídica poderá apresentar declaração retificadora, em atendimento a intimação fiscal e nos termos desta, para sanar erro de fato, sem prejuízo das penalidades calculadas na forma do art. 9º. Para comprovar o erro de fato mister é a apresentação da contabilidade escriturada à época dos fatos, repito, ainda que na forma simplificada do Livro Caixa com a movimentação bancária registrada por completo (possibilita a verificação do faturamento da empresa e a conseqüente tributação devida). E o ônus probatório da existência do crédito tributário no caso de pedido de repetição do indébito é da empresa. Este princípio é consagrado pelo art. 333, inciso I, do Código de Processo Civil – CPC, aplicado subsidiariamente ao processo administrativo fiscal – Decreto nº 70.235/72 (PAF): Art. 333 O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; [...] Fl. 143DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 26/06/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 26/06/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10840.907401/200909 Acórdão n.º 1801001.496 S1TE01 Fl. 5 7 Desta forma, há, nos autos, absoluta ausência de provas hábeis para comprovar que os tributos recolhidos à época própria não foram devidos, apenas declarações com informações prestadas a destempo. Em outra acepção, a recorrente não logra comprovar possuir o crédito que alega no Per/Dcomp objeto deste litígio e que o tributo já recolhido não é devido aos cofres públicos. E no presente caso não há que se falar em qualquer inovação de fundamento nas razões de decidir do acórdão combatido, pois o despacho denegatório fundamentouse justamente na carência de prova da existência do crédito, asseverando que o tributo fora recolhido de forma devida e legalmente exigida, impassível de repetição. Argumento reforçado pela turma julgadora de primeira instância e ora adotado neste decisório para manter tanto o decidido no referido despacho a quo, quanto no acórdão vergastado. No mais, adoto as razões de decidir da turma julgadora de primeira instância por não confrontadas pontualmente pela recorrente. Em face do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 144DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 26/06/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 26/06/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 13839.002418/2009-97
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jul 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2009 a 30/04/2009
PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA.
Ocorre a decadência com a extinção do direito pela inércia de seu titular, quando sua eficácia foi, de origem, subordinada à condição de seu exercício dentro de um prazo prefixado, e este se esgotou sem que esse exercício tivesse se verificado. As edições da Súmula Vinculante n° 8 exarada pelo Supremo Tribunal Federal - STF e da Lei Complementar n° 128 de dezembro de 2008, artigo 13, I , a determinaram que são inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1.569/77 e os arts. 45 e 46 da Lei n ° 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2403-001.883
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, reconhecer a decadência por qualquer dos critérios estabelecidos no Código Tributário nacional - CTN , quer seja o Art. 150 ou o Art. 173.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Ivacir Júlio de Souza - Relator
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Carolina Wanderley Landim.
Nome do relator: IVACIR JULIO DE SOUZA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/2009 a 30/04/2009 PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA. Ocorre a decadência com a extinção do direito pela inércia de seu titular, quando sua eficácia foi, de origem, subordinada à condição de seu exercício dentro de um prazo prefixado, e este se esgotou sem que esse exercício tivesse se verificado. As edições da Súmula Vinculante n° 8 exarada pelo Supremo Tribunal Federal - STF e da Lei Complementar n° 128 de dezembro de 2008, artigo 13, I , a determinaram que são inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1.569/77 e os arts. 45 e 46 da Lei n ° 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Recurso Voluntário Provido.
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DECADÊNCIA. Ocorre a decadência com a extinção do direito pela inércia de seu titular, quando sua eficácia foi, de origem, subordinada à condição de seu exercício dentro de um prazo prefixado, e este se esgotou sem que esse exercício tivesse se verificado. As edições da Súmula Vinculante n° 8 exarada pelo Supremo Tribunal Federal STF e da Lei Complementar n° 128 de dezembro de 2008, artigo 13, I , “a ” determinaram que são inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1.569/77 e os arts. 45 e 46 da Lei n ° 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, reconhecer a decadência por qualquer dos critérios estabelecidos no Código Tributário nacional CTN , quer seja o Art. 150 ou o Art. 173. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Ivacir Júlio de Souza Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Carolina Wanderley Landim. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 00 24 18 /2 00 9- 97 Fl. 287DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 2 Relatório A instância “ ad quod ” produziu o Relatório abaixo que , li, compulsei com os autos e o transcrevi na íntegra com grifos de minha autoria: “ Nos termos do relatório fiscal que acompanha o AI n° 37.235.5366 (fls.15 a 19), o presente lançamento foi efetuado para constituição do crédito relativo As contribuições previdenciárias de que trata o art. 22, incisos I e II, da Lei n° 8.212/1991, incidentes sobre a mãodeobra aplicada na edificação de uma obra de construção civil, matriculada sob n° 70.000.45815/61. Acrescenta esse relatório que: i) tal obra está situada na Rua Santos Dumont (antiga Rua Cinco), Lote 9A, Quadra H, Village Morro Alto, em Itupeva/SP, e possui as seguintes características: Area total a regularizar: 965,92 m 2; Tipo: Obra nova Residencial; Valor CUB: R$ 1.224,03; Padrão: Alto; Remuneração/Mãodeobra: R$ 163.213,38, em face da competência 04/2009. ii) foram examinados os seguintes documentos: Projeto Completo para Unificação dos Lotes 9, 10 e 11, da Quadra "H", aprovado conforme Processo n° 1633/09; Habitese; Declaração e Informação Sobre Obra de Construção Civil DISO, apresentada em 04/2009; e Aviso para Regularização de Obra RO, em face da competência de 04/2009; iii) diante da não regularização, isto é, do não recolhimento/parcelamento das contribuições apuradas lavrou se o Termo de Início de Procedimento Fiscal, recebido pelo contribuinte em 04082009; iv) o presente foi lavrado, mediante o procedimento de aferição indireta, com a utilização dos valores contidos na tabela de Custo Unitário Básico CUB, fornecida mensalmente pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil SINDUSCON, em conformidade com o § 4° do art. 33 da Lei n° 8.212; v) para as demais contribuições relativas aos segurados empregados e às destinadas aos terceiros (entidades e fundos) Fl. 288DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 13839.002418/200997 Acórdão n.º 2402001.883 S2C4T2 Fl. 3 3 foram lavrados outros Autos de Infração (n° 37.235.5374 e n° 37.242.8193); vi) aplicouse a multa de 75%, prevista no art. 35A da Lei n° 8.212/1991. Referido crédito, consolidado em 19082009, importa em RS 66.650,64;já incluídos ai os juros e multa de oficio incidentes sobre o débito originário. Consoante Termo de Juntada de Processos (fls. 42), estão sendo APENSADOS a este, os processos n° 13839.002420/200966 (AI no 37.235.5374) e n° 13839.002419/200931 (AI n° 37.242.8193). Notificado deste Auto de Infração no dia 24082009 (fls. 01), o sujeito passivo impugnouo em 22092009, na forma do expediente de fls. 44 a 47, mediante a alegação, em síntese, de que já ocorrera a decadência do direito de cobrar as contribuições aqui exigidas, uma vez que o imóvel em questão encontrase construído desde 2003, conforme comprova os documentos que junta (fls. 48 a 72). Nestes termos, vêm os autos conclusos para julgamento. ” DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Após analisar aos argumentos da impugnante, na forma do registro de fls.75, a 9 ª Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil de Campinas – SP DRJ/CPS, em 17 de junho de 2011, exarou o Acórdão n° 0534.005 , mantendo procedente o lançamento. DO RECURSO Irresignada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário de fls.193 onde reiterou a alegação de decadência do lançamento. É o Relatório. Fl. 289DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 4 Voto Conselheiro Ivacir Júlio de Souza DA TEMPESTIVIDADE O recurso é tempestivo. Aduz que reúne os pressuposto de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DO VOTO AD QUOD Na condução do voto às fls. 75, para negar provimento sobre os documentos e a decadência a instância “ ad quod “ assim se manifestou: “ Assim, considerando que a edificação dessa obra é noticiada com a apresentação da DISO (fls. 21 e 22), isto 6, no mês de 04/2009, temos que as contribuições incidentes sobre o valor da mãodeobra aplicada sobre a mesma poderiam ter sido lançadas em maio de 2009 isto 6, após vencido o prazo para o respectivo recolhimento, como constou do ARO Aviso de Regularização de Obra (fls. 32 e 33). Logo, considerando que o contribuinte tomou ciência do presente lançamento ainda no ano de 2009, isto 6, no dia 24 de agosto, não há que se falar em decadência. Quanto aos documentos juntados pela Autuada (Declarações de Ajuste Anual Simplificada, Contas de Telefone e de Luz e Apólice de Seguro), temos que os mesmo não são suficientes para a pretendida decadência, conforme exigia a Instrução Normativa – IN SRP n° 3, de 1472005, art. 482, §§ 3° e 4 ° (vigente â época), in verbis: Art. 482. (.) § 3° A comprovação do término da obra em período decadencial darseá com a apresentação de um ou mais dos seguintes documentos: I habitese, Certidão de Conclusão de Obra CCO; (...) IV auto de regularização, auto de conclusão, auto de conservação ou certidão expedida pela prefeitura municipal que se reporte ao cadastro imobiliário da época ou registro equivalente, desde que conste o respectivo número no cadastro, lançados em período abrangido pela decadência, em que conste a área construída, passível de verificação pela SRP; Fl. 290DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 13839.002418/200997 Acórdão n.º 2402001.883 S2C4T2 Fl. 4 5 (..) § 4° A comprovação de que trata o § 3° deste artigo darsea também com a apresentação de, no mínimo, três dos seguintes documentos: I correspondência bancária para o endereço da edificação, emitida em período decadencial; II contas de telefone ou de luz, de unidades situadas no último pavimento, emitidas em período decadencial; III declaração de Imposto sobre a Renda comprovadamente entregue em época própria a Secretaria da Receita Federal, relativa ao exercício pertinente a período decadencial, na qual conste a discriminação do imóvel, com endereço e área;(..) O que é ratificado pela IN RFB no 971, de 13112009, art. 390, §§ 3° e 4°,in verbis: Art. 390. (..) ” Na seqüência o Julgador ad quod destacou : “Destaquese que não é apresentado nenhum documento de que cuida os §§ 3° acima transcritos e que não existe a previsão de que a apólice de seguro possa ser considerada como prova do término da obra em período decadencial. Já os §§ 4° admitem a apresentação de outros documentos, porém, no mínimo 3 (três). Analisemos, portanto, se os demais documentos apresentados se subsumem A norma em questão. • Declarações de Ajuste Anual Simplificada Ressaltese que inciso III do § 4° exige, além da discriminação do imóvel, que conste a Area. Ocorre que nessas declarações constou obra concluída, porém, sem a indicação da Area. • Conta de Luz De novembro de 2003, em nome de José Afonso Davo, relativo ao imóvel situado na R. Cinco, 65, em Itupeva (fls. 67). • • Contas de Telefone De outubro e dezembro de 2003 (fls. 65 e 66), das quais constaram o nome do contribuinte José Antonio Davo , porém, em endereço diverso (RDV MARIO TONOLI 1.250). Assim, diante desses documentos temos que somente a conta de luz é que serve como prova do término da obra em período decadencial. Entretanto, os §§ 4° acima transcritos exigem, no mínimo, três documentos. ” (grifos de minha autoria) Fl. 291DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 6 DAS PRELIMINARES De plano há que se destacar que na forma da sobredita Instrução Normativa – IN SRP n° 3, de 1472005, o § 3°do art. 482, que pautou o voto “ ad quod ”, bastava a apresentação de apenas 1 ( um ) documento : “ Art. 482. (.) § 3° A comprovação do término da obra em período decadencial darseá com a apresentação de um ou mais dos seguintes documentos: I habitese, Certidão de Conclusão de Obra CCO; ” Não é sem razão que o legislador elegeu a apresentação única do habitese para fazer prova na forma do sobredito art. 482. "Habitese" é ato administrativo emanado de autoridade competente. Tratase de um documento que comprova que um empreendimento ou imóvel foi construído seguindose as exigências (legislação local, especialmente o Código de Obras do município) estabelecidas pela prefeitura para a aprovação de projetos. O documento é emitido pela prefeitura da cidade onde o imóvel encontrase localizado. A prefeitura jurisdicionante do imóvel quando da emissão do habitese, de ofício, é obrigada a verificar se a construção esta em dia com as obrigações tributárias , neste bojo as Contribuições Previdenciárias e o Imposto sobre Serviço (ISS). Assim, se essas obrigações não tiverem sido adimplidas na ocasião do requerimento, quer pelo pagamento ou pela decadência, a requerente não obterá o documento. Ressaltese que o contribuinte providenciou o habitese que foi concedido sem ressalvas de cobrança de impostos atrasados. O documento de fls. 30, juntado pela autoridade autuante , registra que em 07 de abril de 2009, antes da ação fiscal, a obra estava concluída logo, de fato, não se trata de obra nova: “ HABITESE NÚMERO: 208/2009 (CERTIFICADO DE VISTORIA FINAL) Saibam todos que este virem, de ordem superior, a vistoria do despacho exarado no requerimento protocolo, sob o n° 1633/2009, que em vistoria realizada no local pelo órgão competente verificouse que a REGULARIZAÇÃO DE RESIDÊNCIA UNIFAMMAR, com área de 965,92 m2, sito 6. RUA SANTOS DUMONT (05), LOTE 9A, QUADRA H, N°65 , RES. V. MORRO ALTO, ITUPEVA SP, de propriedade de JOSÉ AFONSO DAVO, tendo como Autor(a) do Projeto e Responsável pela Fiscalização da Obra o (a) ENG° EDUARDO ARCIERI ORDINE, CREA 0641792963 e ART 20090149354, esta concluida e atendendo A. legislação em vigor e portanto em condições de uso. OBS.: ASSUNTO: REGULARIZAÇÃO DE RESIDÊNCIA UNIFAMILIAR, CHURRASQUEIRA, PISCINA, BAR, SALÃO DE JOGOS E QUIOSQUES. BAIRRO: VILLAGE MORRO ALTO. Itupeva, 07 de abril de 2009.” ( grifos de minha autoria) Fl. 292DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 13839.002418/200997 Acórdão n.º 2402001.883 S2C4T2 Fl. 5 7 Também colacionada pela Autoridade autuante a Certidão de fls. 31 passada pela Prefeitura Municipal de Ituverava, em 07 de abril de 2009, a unificação dos lotes 09, 10 e 11 onde fora construído o imóvel. Ressaltese que endereço é o mesmo que consta na Declaração do imposto de Renda do contribuinte fls. 30 (IR). Conduzindo o voto sob os auspícios do § 4° do artigo 482, supra, passou desapercebido que ali preceituase uma segunda hipótese de se fazer a comprovação de que trata o § 3° não sendo compulsória a exigência caso adimplida na forma anterior: “ § 4° A comprovação de que trata o § 3° deste artigo darsea também com a apresentação de, no mínimo, três dos seguintes documentos ” Aduz que , como adiante também será demonstrado, o contribuinte adimpliu as exigências em tela . DA IN 971 , DE 13/11/2009 Tendo presente que a notificação ocorreu em 27/09/2009, as orientações trazidas à colação na forma da IN 971 de 13/11/2009 não prevalecem por supervenientes. DA INSTRUÇÃO NORMATIVA – IN SRP N° 3, DE 14/7/2005 Tratandose de norma exarada no âmbito da então Secretaria da Receita Previdenciária, não se vislumbra legal introduzir exigência de obrigação para cumprimento fora da jurisdição em que atua. As instrução de preenchimento do IRPF subordinadas à esfera da então Secretaria da Receita Federal não exigiam que se definissem a área do imóvel. A IN 971 da RFB, citada, ao copiar a íntegra da IN SRP n° 3, produziu conflito com suas reiteradas instruções de preenchimento do IRPF umas vez que o contribuinte dispensado de informar a área dos imóveis nas declarações de renda será surpreendido em ocasião futura com eventual exigência que ressaltese, quase é colocada de modo quase impercetível ao final do inciso III do § 4° da caudalosa Instrução Normativa, verbis: “ III declaração de Imposto sobre a Renda comprovadamente entregue em época própria a Secretaria da Receita Federal, relativa ao exercício pertinente a período decadencial, na qual conste a discriminação do imóvel, com endereço e área;” No que concerne aos imóveis, (todos os tipos, inclusive as construções que são definidas sob código 16 ), na recente e específica instrução de preenchimento do IRPF 2012, no item Bens e Direitos na tabela de códigos do sobredito regulamento, embora a IN 971 a que se refere a instância ad quod não se verificam determinações de informar área do imóvel mas tãosomente “ endereço, número de registro, data da aquisição, informações sobre condomínios e usufruto, se for o caso” Fl. 293DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 8 Quando quis ser detalhista para efeito de exemplo se o bem em questão fosse um automóvel , a mesma instrução IRPF 2012 determinou que fosse registradas : “ a marca, modelo, o ano de fabricação, placa ou registro, data e forma de aquisição.” Na declaração de ajuste anual simplificada ano 2003 colacionada às fls. 50 , o item 3 da declaração de bens e direitos registra que a construção em comento houvera sido concluída em 2002 ao custo de R$ 560.680,00. Informa ainda que ao final de 2001 o valor do bem era de R$ 130.000 variando ao final de 2002 para R$ 720.680,00. Desse modo, exigir em ocasião futura cumprimento de obrigação não imposta na origem não pode ser exeqüível. DAS CONTAS DE TELEFONE O documento conta de telefone não foi aceito em sede de impugnação em razão der o I. Julgador ter entendido que se referia a endereço diverso do contribuinte. Na oportunidade assim se manifestou : “ De outubro e dezembro de 2003 (fls. 65 e 66), das quais constaram o nome do contribuinte José Antonio Davo , porém, em endereço diverso (RDV MARIO TONOLI 1.250).” Olhar mais atento faz verificar que no canto superior direito dos documentos consta o registro de que a correspondência tem como destino o “ COND VILLAGE MALTO ”. Às fls 72, a Apólice de Seguro Residencial também trazida para fazer prova de que o imóvel já houvera sido concluído naquela época, endereçada ao mesmo Cond.Vilag Morro Alto Morro Alto , com vigência 07/01/2003 a 07/01/2004, no valor R$ 1.000.000, 00 já trazia a atualização referida no Auto de Infração : Rua Santos Dumont 65 Cond.Vilag Morro Alto Morro Alto. Neste sentido, às fls. 201 a recorrente destaca que o endereço tem o nome onde está assentado o condomínio . Como prova juntou o documento de fls. 207 . O regulamento interno do condomínio colacionado às fls.212 aduz que o condomínio de fato situase à rua Mario Tonolli, 1.250. Portanto, não se trata de endereço diverso. DA DECLARAÇÃO E INFORMAÇÃO SOBRE OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL DISO O Relatório Fiscal de fls. 16 aduz que : Foi emitido o Aviso de Regularização de Obras ARO de n° 293982 em 08/04/2009, com base na Declaração e Informação Sobre Obra de Construção Civil DISO, assinada pelo contribuinte em 08/04/2009, para uma obra nova, em alvenaria, composta de um imóvel residencial, com dois pavimentos.O DISO a que se refere o autor resta colacionado às Fl. 294DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 13839.002418/200997 Acórdão n.º 2402001.883 S2C4T2 Fl. 6 9 fls. 21 pela própria Autoridade autuante e nos campos reservados ao início e término da obra constam incoerentes registros de 06/04/2009 e término para 08/04/2009 o qual na forma do sobredito Relatório Fiscal pautou o lançamento como início de obra nova. Improcedente pois. DA DECADÊNCIA A Recorrente alega em recurso que : Consoante preceitua o artigo 150, § 4° e 173 do CTN o prazo para lançamento do crédito tributário pela União é de 5 anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito.(...) Outrossim, corroborando o quanto exposto, segue em anexo documentação que comprova que o imóvel do Impugnado encontrase construído desde 2003, quais sejam: (i) Declaração de Imposto de Renda; (ii) contas de telefone e; (iii) apólice de seguro residencial (doc. 01, 02 e 03). Conforme assinatura no AI de folhas 01, a notificação ocorreu no exercício de 2009 em 27/09/2009. Produzi o quadro abaixo com os cálculos efetuados sob o preceituado nos arts. 150 e 173 do Código Tributário nacional – CTN: 150 173 27/9/2009 27/9/2009 1 2008 2 2008 2 2007 3 2007 3 2006 4 2006 4 2005 5 2005 5 2004 1/1/2005 D 08//2004 N 2004 N 12//2003 D 13//2003 D 11//2003 Legenda: D = Decadente. N = Não decadente. Vinculados às mesmas bases de cálculos e fato gerador, consoante Termo de Juntada de Processos (fls. 42), foram apensados a este, os processos n° 13839.002420/200966 parte dos segurados (AI no 37.235.5374) e n° 13839.002419/200931, referente aos Terceiros (AI n° 37.242.8193). Fl. 295DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 10 Aduz que o resultado deste julgado irradia aos sobreditos apensados. Desse modo, dou provimento às alegações do contribuinte reconhecendo que o direito de a Autoridade autuante de constituir o crédito mediante o lançamento fora fulminado pelo instituto da decadência. CONCLUSÃO Diante de tudo que foi exposto, conheço do recurso para EM PRELIMINAR reconhecer a decadência da exação por qualquer dos critério estabelecidos no Código Tributário nacional – CTN , que seja o art. 150 ou 173, de vez que as competências 11/2003 e anteriores foram alcançadas pelo instituto da decadência em razão de a construção motivo do lançamento em comento já ter sido concluída no período decaído. É como voto Ivacir Júlio de Souza Fl. 296DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI
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