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Numero do processo: 10680.933077/2009-56
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jun 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 30/09/2004
COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DECORRENTES DE RETIFICAÇÃO DE DCTF DEPOIS DE PROFERIDO DESPACHO DECISÓRIO NÃO HOMOLOGANDO PER/DECOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO ORIGINAL. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO.
A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN.
Uma vez intimada da não homologação de seu pedido de compensação, a interessada somente poderá reduzir débito declarado em DCTF se apresentar prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no seu preenchimento.
A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação.
Recurso a que se nega provimento.
Numero da decisão: 3802-001.599
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator
Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, José Fernandes do Nascimento e Solon Sehn.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 30/09/2004 COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DECORRENTES DE RETIFICAÇÃO DE DCTF DEPOIS DE PROFERIDO DESPACHO DECISÓRIO NÃO HOMOLOGANDO PER/DECOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO ORIGINAL. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Uma vez intimada da não homologação de seu pedido de compensação, a interessada somente poderá reduzir débito declarado em DCTF se apresentar prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no seu preenchimento. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento.
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/09/2004 COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DECORRENTES DE RETIFICAÇÃO DE DCTF DEPOIS DE PROFERIDO DESPACHO DECISÓRIO NÃO HOMOLOGANDO PER/DECOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO ORIGINAL. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Uma vez intimada da não homologação de seu pedido de compensação, a interessada somente poderá reduzir débito declarado em DCTF se apresentar prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no seu preenchimento. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 93 30 77 /2 00 9- 56 Fl. 78DF CARF MF Impresso em 05/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 20/ 03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, José Fernandes do Nascimento e Solon Sehn. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 1ª Turma da DRJ Belo Horizonte (fls. 23/25 do processo eletrônico), a qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela interessada contra a não homologação de compensação de débito tributário com crédito decorrente de aduzido pagamento a maior de PIS/PASEP relativo ao fato gerador de 30/09/2004. A Delegacia da Receita Federal em Belo Horizonte/MG não homologou a compensação pleiteada sob o argumento de que o pagamento teria sido utilizado na quitação integral de débitos do contribuinte, não restando, portanto, saldo creditório disponível. Inconformada, a interessada apresentou manifestação de inconformidade onde alegou haver exercido direito amparado na legislação vigente, e que apenas não retificara as respectivas DCTF e demais obrigações acessórias. Acrescenta que a compensação realizada, que tem natureza “declaratória”, está amparada no art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, não se enquadrando em nenhuma das hipóteses que vedam a apresentação de compensação declaratória administrativa. Os argumentos aduzidos pela reclamante, contudo, não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, uma vez que a recorrente, muito embora tivesse afirmado não haver apresentado DCTF retificadora, procedera com a correspondente retificação, dentro do prazo legal. Contudo, “no DACON ativo, entregue pelo contribuinte, não foi declarado o valor devido da contribuição informado na DCTF retificadora”. Nesse sentido, entendeu a instância recorrida que [...] a mera apresentação da declaração retificadora, com redução do valor do débito anteriormente confessado, não basta para justificar a reforma da decisão de não homologação da compensação declarada; fazse mister a prova inequívoca de que houve erro de fato no preenchimento da DCTF, isto é, de que o valor correto do débito é aquele constante da DCTF retificadora. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 05/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 20/ 03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10680.933077/200956 Acórdão n.º 3802001.599 S3TE02 Fl. 79 3 Assim, diante da ausência de apresentação, pelo contribuinte, de prova capaz de demonstrar a existência do direito creditório alegado, “e nem mesmo explicação sobre a origem do crédito”, entendeu a Turma julgadora não ser possível admitir unicamente a DCTF retificadora como instrumento hábil capaz de conferir certeza e liquidez ao crédito indicado na declaração de compensação, a teor do disposto no art. 170 do CTN. Cientificada da referida decisão em 09/04/2012 (vide AR de fls. 30), a interessada, em 20/04/2012, apresentou o recurso voluntário de fls. 31/40, onde repete os argumentos já expostos na primeira instância recursal, ressaltando ainda que a decisão recorrida incorrera em equívoco ao não reconhecer a DCTF retificadora e, consequentemente, glosar a compensação pleiteada, em ofensa ao disposto na IN 903/08 e Lei no 9.430/96, notadamente o disposto no artigo 74, § 3o desta, já que a compensação intentada não se enquadraria em nenhuma das hipóteses impeditivas ali elencadas. Ressalta não ter havido “tratamento manual e individualizado” do pedido de compensação para exame da “efetiva prova do direito creditório”, e que a DACON “não tem qualquer valor para fins da denúncia espontânea prevista no CTN, haja vista que os montantes das contribuições nelas informados não são considerados confissão de dívida [...]”. Faz menção, ainda, a supostos enriquecimento sem causa do Estado e ofensa ao princípio da isonomia acaso prevaleça o entendimento da primeira instância, já que o artigo 74 da Lei no 9.430/96 faculta a compensação tributária de créditos em favor do sujeito passivo com débitos próprios de quaisquer tributos administrados pela Receita Federal. A título de comprovação do direito creditório alegado, a recorrente anexa cópias de comprovante de pagamento (DARF), Per/Dcomp, DCTF retificadora e DIPJ de 2005. Diante do exposto, requer seja provido seu recurso e homologada a compensação pretendida. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios O recurso é tempestivo e merece ser conhecido por preencher os demais requisitos de admissibilidade do pleito. Conforme relatado, a primeira instância de julgamento indeferiu o pleito sob o argumento de que, apesar de a recorrente haver apresentado DCTF retificadora dentro do prazo legal, “no DACON ativo, entregue pelo contribuinte, não foi declarado o valor devido da contribuição informado na DCTF retificadora”. No caso, entenderam os nobres julgadores pela necessidade de a interessada comprovar, inequivocamente, o erro de fato ocorrido no preenchimento da DCTF, para que, assim, o novo débito ali declarado pudesse ser admitido como correto. Diante da não apresentação de prova do direito creditório alegado, indeferiram o pleito. Do exame dos autos, constatase, às fls. 54/64 do processo eletrônico que a DCTF retificadora do terceiro trimestre de 2004 (cópia anexada pela recorrente já nesta segunda instância recursal) foi transmitida em 12/11/2009, ou seja, posteriormente à ciência Fl. 80DF CARF MF Impresso em 05/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 20/ 03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 4 do despacho decisório (número de rastreamento 848543011) que não homologou a compensação, ciência esta que se deu em 20/10/2009, conforme fls. 21. À época vigorava a IN RFB no 903, de 30/12/2008, cujo artigo 11, § 1º, embora ressaltasse, quanto à DCTF retificadora, sua condição de “[...] mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente [...]”, prescrevia que a apresentação de retificação, dentre outras hipóteses, depois de iniciado procedimento fiscal, não produziria qualquer efeito. A mesma instrução normativa exigia também que a retificação da DCTF viesse acompanhada de retificação da DIPJ e do DACON do período (conforme artigo 11, § 8º, da citada instrução normativa). Reproduzo, abaixo, o mencionado artigo 11 da IN RFB no 903, de 2008, onde estão destacados os dispositivos relevantes para a solução da lide: Art. 11 . A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; II cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. § 3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU, somente poderá ser efetuada pela RFB nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração. § 4º Na hipótese do inciso III do § 2º, havendo recolhimento anterior ao início do procedimento fiscal, em valor superior ao declarado, a pessoa jurídica poderá apresentar declaração retificadora, em atendimento a intimação fiscal e nos termos desta, para sanar erro de fato, sem prejuízo das penalidades calculadas na forma do art. 9º. § 5º A pessoa jurídica que apresentar declaração retificadora, relativa ao anocalendário utilizado como referência para o enquadramento no disposto no art. 3º, nos casos em que a retificação implicar seu desenquadramento dessa condição, poderá pedir dispensa de apresentação da DCTF Mensal. § 6º O pedido de dispensa de que trata o § 5º será formalizado, mediante processo administrativo, perante a unidade da RFB do domicílio tributário da pessoa jurídica. § 7º Em caso de deferimento do pedido de que trata o § 5º, a pessoa jurídica estará dispensada da apresentação da DCTF Mensal a partir do ano calendário em que ocorreu o enquadramento com base na declaração Fl. 81DF CARF MF Impresso em 05/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 20/ 03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10680.933077/200956 Acórdão n.º 3802001.599 S3TE02 Fl. 80 5 retificada, desde que não se enquadre, novamente, na condição de obrigada à DCTF Mensal. § 8º A pessoa jurídica que apresentar DCTF retificadora, alterando valores que tenham sido informados: I na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), deverá apresentar, também, DIPJ retificadora; e II no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon), deverá apresentar, também, Dacon retificador. § 9º A retificação de declarações, cuja alteração de valores resulte no enquadramento da pessoa jurídica segundo as hipóteses do art. 3º, obriga a apresentação da DCTF Mensal desde o início do anocalendário a que estaria obrigada com base na declaração retificada, sendo devidas as multas pelo atraso na entrega das DCTF Mensais relativas ao período considerado, calculadas na forma do art. 9º. § 10. A retificação de DCTF não será admitida quando resultar em alteração da periodicidade, mensal ou semestral, de declaração anteriormente apresentada. Além de ter apresentado DCTF retificadora depois de notificada da não homologação da compensação tributária pleiteada, e ainda, de não ter retificado a DACON, declaração específica para demonstrar a apuração das contribuições sociais, a reclamante não apresentou nenhuma explicação a respeito do suposto erro incorrido, isso, mesmo ciente de que a razão do indeferimento de seu pleito foi a ausência apresentação de prova da correção implementada na DCTF e, portanto, da origem do crédito aduzido. Em outras palavras, o motivo do indeferimento da manifestação de inconformidade pela instância recorrida foi a não comprovação da liquidez e certeza do crédito destinado a compensação na DCOMP. A interessada, portanto, ficou inteiramente ciente das razões que levaram ao indeferimento de seu pedido e comparece agora, novamente, sem apresentar a prova do crédito alegado, cujo ônus é da própria recorrente. Não custa lembrar que a compensação, como uma das formas de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Assim, a certeza e a liquidez do direito creditório alegado deverá ser cabalmente demonstrada pela interessada na extinção do crédito tributário mediante compensação. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito não poderia redundar na extinção do débito para com a Fazenda Pública mediante compensação. Da Conclusão Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário interposto pela interessada. Sala de Sessões, em 27 de fevereiro de 2013. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 82DF CARF MF Impresso em 05/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 20/ 03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 6 Fl. 83DF CARF MF Impresso em 05/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 20/ 03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A
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Numero do processo: 10909.005160/2007-50
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jul 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
Ementa:
IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AUTUAÇÃO POR DEDUÇÃO INDEVIDA DE IMPOSTO RETIDO NA FONTE. COMPROVAÇÃO IDÔNEA.
Comprovada a retenção de imposto na fonte, não subsiste o lançamento por compensação indevida, nos termos do Parecer Normativo COSIT nº.1, de 24/09/2002.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2802-001.982
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos André Ribas de Mello - Relator.
EDITADO EM: 04/07/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos André Ribas de Mello (Relator), Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci De Assis Junior e Julianna Bandeira Toscano. Ausente momentaneamente os Conselheiros Dayse Fernandes Leite e German Alejandro San Martín Fernandéz.
Nome do relator: CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005 Ementa: IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AUTUAÇÃO POR DEDUÇÃO INDEVIDA DE IMPOSTO RETIDO NA FONTE. COMPROVAÇÃO IDÔNEA. Comprovada a retenção de imposto na fonte, não subsiste o lançamento por compensação indevida, nos termos do Parecer Normativo COSIT nº.1, de 24/09/2002. Recurso provido.
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AUTUAÇÃO POR DEDUÇÃO INDEVIDA DE IMPOSTO RETIDO NA FONTE. COMPROVAÇÃO IDÔNEA. Comprovada a retenção de imposto na fonte, não subsiste o lançamento por compensação indevida, nos termos do Parecer Normativo COSIT nº.1, de 24/09/2002. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 00 51 60 /2 00 7- 50 Fl. 49DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 04/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 2 EDITADO EM: 04/07/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos André Ribas de Mello (Relator), Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci De Assis Junior e Julianna Bandeira Toscano. Ausente momentaneamente os Conselheiros Dayse Fernandes Leite e German Alejandro San Martín Fernandéz. Relatório Tratase de auto de infração (fls. 11/13) lavrado contra o contribuinte, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2005, anocalendário 2004, em virtude da revisão da declaração de rendimento – DIRPFs, por compensação indevida de imposto retido na fonte. O Contribuinte foi cientificado (fl.1617). Inconformado, apresentou tempestivamente a impugnação de fl. 01, alegando que não era de seu conhecimento que a fonte pagadora não recolhera o imposto de renda retido na fonte nem apresentado a respectiva DIRF; que o valor glosado é relativo a IRRF sobre verbas pagas em acordo trabalhista homologado em 09.12.2003, que deveria ter sido recolhido pela empresa Huber Comércio de Alimentos Ltda. Informa que, quando recebeu a intimação, empreendeu a tarefa de descobrir a verdade dos fatos e fazer com que a empresa efetivasse o recolhimento do imposto e apresentasse DIRF. Junta documentos (fls.03 e ss.) e requer seja cancelado o lançamento. Em julgamento, a 6ª Turma da DRJ/FNS, em sessão realizada no dia 25/02/2011, por unanimidade, julgou procedente o lançamento, ao fundamento de que o DARF trazido aos autos, pago pela empresa em comento, exibe código de receita 8019, relativo a custas processuais, e, portanto, não pode ser aproveitado para o fim do presente processo; que o valor do imposto não confere, nem com o declarado pela empresa na DIRF, nem com o informado pelo contribuinte na DIRPF; além disso, o DARF contém referência a um número de um processo, que, em consulta ao site da Justiça do Trabalho da 15a Região, referese a outras partes; a DIRF retificadora trazida aos autos pelo contribuinte referese ao exercício 2004 e não ao exercício 2005, sobre que versam os presentes autos; o contribuinte não apresentou documento em que se tenha baseado para declarar o IRRF em sua DIRPF. Cientificado da supramencionada decisão, conforme fl. 30, o contribuinte, tempestivamente, interpôs Recurso Voluntário a fl. 31, atacando a decisão exarada pela DRJ, repisando os argumentos esgrimidos em sua impugnação, acrescendo considerações acerca da máfé da empresa que figura como fonte pagadora, afirmando que não se pode imputar ao contribuinte erros de responsabilidade da empresa e requerendo lhe seja concedia oportunidade de apresentação de declaração retificadora. É o relatório. Fl. 50DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 04/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10909.005160/200750 Acórdão n.º 2802001.982 S2TE02 Fl. 50 3 Voto Conselheiro Carlos André Ribas de Mello – Relator. Em sede preliminar, o recurso deve ser conhecido, por tempestivo. Como se vê, a controvérsia dos presentes autos consiste em saber se os documentos acostados pelo contribuinte são aptos a comprovar a retenção de imposto na fonte no ano calendário relativo ao exercício 2005. A lista de beneficiários de fl.08v, que acompanha a DIRF retificadora apresentada pela Empresa Huber Comércio de Alimentos Ltda, de fl.8, indicam expressamente a retenção de R$ 3.240,47 a titulo de IRRF e descontados do rendimentos pagos ao contribuinte. Observandose a autuação, notase que o valor glosado a título de IRRF indevidamente compensando foi de R$ 3.240,20, exibindo uma diferença a menor de R$ 0,27 em relação ao valor declarado pela empresa em sua DIRF retificadora. Não é demais lembrar os termos do Parecer Normativo COSIT nº.1, de 24/09/2002, o qual, a certa altura, estabelece: “17. Ocorrendo a retenção do imposto sem o recolhimento aos cofres públicos, a fonte pagadora, responsável pelo imposto, enquadrase no crime de apropriação indébita previsto no art.11 da Lei nº.4.357, de 16 de julho de 1964, e caracterizase como depositária infiel de valor pertencente à Fazenda Pública, conforme a Lei nº.8.866, de 11 de abril de 1994. Ressaltese que a obrigação do contribuinte de oferecer o rendimento à tributação permanece, podendo nesse caso, compensar o imposto retido.” (Grifos ausentes no original.) Observase, portanto, que ficou comprovada a retenção, no valor compensado pelo contribuinte, pois a empresa que figura como fonte pagadora, informou o valor em sua DIRF retificadora, com diferença de centavos, ficando configurado que houve retenção. Todavia, há ainda uma questão a ser apreciada. Não consta dos autos prova da data da homologação do acordo judicial. Embora a DRJ afirme, no acórdão que lavrou, que o número do processo judicial constante do DARF, em pesquisa no site da Justiça do Trabalho da 15a Região, revelouse ser relativo a processo de partes estranhas ao presente feito, este Relator empreendeu por conta própria pesquisa no referido site, http://portal.trt15.jus.br/, e com algum sacrifício logrou localizar o processo com o número atual 003650061.1999.5.15.0033. Observese que após a conversão de todos os processos judiciais do país, por determinação do CNJ, para o formato acima, o primeiro número é o número antigo do processo, 365 e o terceiro número é o número do ano de autuação, 1999, constando para esse número que o processo tramitou na 1a Vara do Trabalho de Marília/SP e consistiu em litígio entre Rolmar Cavalcante Mello e Huber Comércio de Alimentos Ltda. Pouco importa o DARF trazido aos autos. Importa sim, que o processo judicial, com o número que consta do termo de acordo submetido à Justiça do Trabalho de fls.03 e ss. existiu e confere rigorosamente com as informações que sobre ele presta o contribuinte. Anexo ao presente voto, segue cópia impressa dos dados cadastrais do processo judicial e de sua tramitação, tal e qual os obtive no site acima indicado. Fl. 51DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 04/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 4 Demais disso, houve retenção de imposto na fonte em valor até alguns centavos superior ao compensado pelo contribuinte. Resta saber, se a retenção ocorreu no anocalendário 2004, relativo à DIRPF em que o contribuinte lançou esse valor. Observese que a DRJ, em seu acórdão, sobre a incerteza da data do pagamento dos rendimentos ao contribuinte afirma, verbis: “Assim, em vista de a homologação do acordo não ter sido efetuada ao menos até a data de 09/12/2003, é razoável crer que os pagamentos ao reclamante ou ao menos parte dele (sic), tenham sido realizados no ano calendário de 2004, como foi por ele declarado.” Ora, a DRJ aceita que os pagamentos de rendimentos ao contribuinte ocorreram no ano de 2004 conforme por ele declarado e não apenas em parte, mas na sua integralidade, pois aceita os valores dos rendimentos oferecidos a tributação. Também é razoável considerar que se o pagamento dos rendimentos ocorreu em 2004, também em 2004 ocorreu a retenção do imposto, pois não se pode reter imposto na fonte, em data anterior à do pagamento. Os fatos nos presentes autos são, portanto, os seguintes: a) houve retenção em valor alguns centavos superior ao compensado pelo contribuinte, nos termos da DIRF retificadora de fls.0808v; b) o pagamento ocorreu no ano de 2004, conforme aceito pela DRJ, e via de consequência, também nesse ano deuse a retenção; c) nos termos do Parecer Normativo COSIT nº.1, de 24/09/2002, tendo havido retenção, o contribuinte pode compensar o valor correspondente; d) o erro da empresa, ao muitíssimo tardiamente, apenas no ano de 2007, apresentar DIRF retificadora, reconhecendo a retenção, mas situandoo no anocalendário 2003 e não no anocalendário 2004, não pode ser imputado ao contribuinte. Isto posto, sou pelo provimento do recurso, para restabelecer a compensação do imposto retido na fonte, desconstituindose integralmente o lançamento. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello. Fl. 52DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 04/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 10640.004075/2008-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jul 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2005
NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Seguidas todas as formalidades legalmente exigidas e lavrado auto de infração claro que não impossibilite a compreensão da infração imputada, não há que se falar em cerceamento de defesa.
DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO.
A diligência é medida excepcional, que deve ser deferida somente quando demonstrada pelo requerente a necessidade, o cabimento e os quesitos necessários a sua realização.
IRPF - DEPÓSITOS BANCÁRIOS - OMISSÃO DE RENDIMENTOS - Presume-se a omissão de rendimentos sempre que o titular de conta bancária, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em suas contas de depósito ou de investimento (art. 42 da Lei e. 9.430, de 1996).
EXAÇÃO CONFISCATÓRIA. APLICAÇÃO DE SELIC. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. SÚMULA CARF Nº 4.
Arguição de confisco, inaplicabilidade da Taxa SELIC e demais pontos que demandem a declaração de inconstitucionalidade de dispositivo vigente e válido não cabem a este Conselho.
Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Recurso Voluntário não provido
Numero da decisão: 2202-002.278
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar suscitada pelo recorrente e, no mérito, negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga Presidente Substituta.
(Assinado digitalmente)
Rafael Pandolfo - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Márcio de Lacerda Martin, Fábio Brun Goldschmidt, Pedro Anan Junior e Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga.
Nome do relator: RAFAEL PANDOLFO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2005 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Seguidas todas as formalidades legalmente exigidas e lavrado auto de infração claro que não impossibilite a compreensão da infração imputada, não há que se falar em cerceamento de defesa. DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. A diligência é medida excepcional, que deve ser deferida somente quando demonstrada pelo requerente a necessidade, o cabimento e os quesitos necessários a sua realização. IRPF - DEPÓSITOS BANCÁRIOS - OMISSÃO DE RENDIMENTOS - Presume-se a omissão de rendimentos sempre que o titular de conta bancária, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em suas contas de depósito ou de investimento (art. 42 da Lei e. 9.430, de 1996). EXAÇÃO CONFISCATÓRIA. APLICAÇÃO DE SELIC. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. SÚMULA CARF Nº 4. Arguição de confisco, inaplicabilidade da Taxa SELIC e demais pontos que demandem a declaração de inconstitucionalidade de dispositivo vigente e válido não cabem a este Conselho. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário não provido
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CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Seguidas todas as formalidades legalmente exigidas e lavrado auto de infração claro que não impossibilite a compreensão da infração imputada, não há que se falar em cerceamento de defesa. DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. A diligência é medida excepcional, que deve ser deferida somente quando demonstrada pelo requerente a necessidade, o cabimento e os quesitos necessários a sua realização. IRPF DEPÓSITOS BANCÁRIOS OMISSÃO DE RENDIMENTOS Presumese a omissão de rendimentos sempre que o titular de conta bancária, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em suas contas de depósito ou de investimento (art. 42 da Lei e. 9.430, de 1996). EXAÇÃO CONFISCATÓRIA. APLICAÇÃO DE SELIC. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. SÚMULA CARF Nº 4. Arguição de confisco, inaplicabilidade da Taxa SELIC e demais pontos que demandem a declaração de inconstitucionalidade de dispositivo vigente e válido não cabem a este Conselho. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 00 40 75 /2 00 8- 43 Fl. 377DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por RAFAEL PANDOLF O 2 Recurso Voluntário não provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar suscitada pelo recorrente e, no mérito, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga – Presidente Substituta. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Márcio de Lacerda Martin, Fábio Brun Goldschmidt, Pedro Anan Junior e Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga. Fl. 378DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por RAFAEL PANDOLF O Processo nº 10640.004075/200843 Acórdão n.º 2202002.278 S2C2T2 Fl. 378 3 Relatório 1 Procedimento de Fiscalização O recorrente foi intimado, em 13/05/08, de Termo de Início de Ação Fiscal (fl. 31), que lhe requisitava a apresentação dos extratos de movimentação financeira realizados no anocalendário de 2005, bem como a comprovação da origem dos recursos depositados nas contas bancárias do Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Cooperativa de Crédito Rural dos Plantadores de Cana da Zona da Mata, Banco ABN AMRO Real, Banco Itaú e Bradesco. Em resposta (fls. 36198), o recorrente apresentou os extratos bancários solicitados, aliados a relatório listando sua movimentação financeira e justificandoa, sem, contudo, identificar a origem dos depósitos efetuados em suas contas bancárias. Em suma, alegou que a movimentação é decorrente de operações com borderôs, nas quais estavam relacionados cheques emitidos em seu nome por amigos e familiares, a título de empréstimo. Ainda, demonstrou diversas movimentações que existiam entre as contas correntes, que foram aceitas e expurgadas da lista de depósitos sem origem comprovada. Em seguida, foram lavrados três termos de intimação, todos recebidos em 18/07/08. O primeiro solicitou a apresentação de todos os cheques descontados em operação com borderô, com identificação dos cheques, de seus emitentes, da efetividade dos empréstimos contraídos e o pagamento destes empréstimos (fls. 201204). O segundo solicitou a comprovação da origem dos valores creditados em contascorrentes, conforme tabela anexa (fls. 205212). O terceiro, por sua vez, solicitou a apresentação dos extratos de Poupança do Banco Real e comprovação da origem dos depósitos efetuados (fls. 213214). O recorrente respondeu aos três termos de intimação (fls. 220309). Ao primeiro, em 05/09/08, respondeu que, devido a dificuldades financeiras, utilizou diversos cheques emprestados por familiares, e que não possui registro dos cheques e de quem os emprestou, motivo pelo qual não é possível atender ao termo precisamente. Em 16/09/08, aditou a resposta ao Termo e Intimação nº 1, apresentando documento fornecido pelo Banco do Brasil, que continha relação do valor real dos cheques sem, entretanto, identificar a origem ou a causa do pagamento. Os valores dos documentos apresentados pelo Banco do Brasil foram os considerados em relação a estes cheques. Ao segundo termo de intimação, o recorrente respondeu com diversos documentos, que após análise resultaram na exclusão de diversos valores da lista de depósitos sem origem comprovada. No entanto, algumas das justificativas apresentadas não foram aceitas: a) recebimento de salários/honorários e venda de 1/12 de casa: o recorrente tentou justificar um total de R$ 20.883,41 de movimentação financeira com base em salários/honorários recebidos e a renda de sua participação em um imóvel. Contudo, os salários/honorários já haviam sido considerados como outros depósitos, e a venda da casa foi registrada em Fl. 379DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por RAFAEL PANDOLF O 4 DIRPF pelo valor de R$ 2.000,00, motivo pelo qual não pode justificar os R$ 20.883,41 pretendidos; b) diversos depósitos: o recorrente diz que diversos pagamentos seriam decorrentes de cheques descontados em caixa, contudo, estes depósitos foram efetuados por transferência online, e não por depósito; c) depósitos na cooperativa de crédito rural dos plantadores de cana da zona da mata: o recorrente alega que o depósito de R$ 79,071,00, em 09/03/05, em sua contacorrente mantida na Cooperativa de Crédito Rural foi efetuado por Lúcio Flávio Moreira Salgado, CPF 186.700.24691, para quitação de título. Contudo, a análise da DIRPF do suposto depositante não evidencia capacidade econômico de realizar depósito de tal monta. Para tentar justificar este fato, o recorrente apresentou declaração de Lúcio Flávio, na qual este manifesta que o depósito foi realizado para quitar Nota Promissória emitida em 18/03/03, no valor de R$ 50.000,00, e que para efetuar o pagamento recebeu doações de seus 15 irmãos, pois não dispunha de recursos para tal. A fiscalização não aceitou tal justificativa, pois nem a dívida, nem o crédito não estavam declarados nas DIRPF’s dos anos calendários entre 2003 e 2006, e também pelo fato de Altamir não possuir capacidade de efetuar um empréstimo de R$ 50.000,00 em 2003. Ao terceiro termo, apresentou extratos de sua poupança, além de cópias de cheques e tenta justificar os depósitos no Banco Real com base nestes cheques. Contudo, nos extratos da cooperativa é possível verificar que os cheques foram sacados em caixa, ao invés de depositados em conta corrente, motivo pelo qual se considerou que as respostas não foram suficientes para comprovar a origem dos depósitos na conta do Banco Real. 2 Auto de Infração Em virtude da insuficiência probatória em relação a alguns dos depósitos, a Fiscalização entendeu por bem lavrar auto de infração (fls. 0207) em face do recorrente, o qual tomou ciência do auto de infração em 13/10/08. A infração imputada foi omissão de rendimentos com base em depósitos bancários sem origem comprovada para o ano calendário de 2005. O total do crédito tributário imputado foi de R$ 239.631,06, incluídos imposto, multa de ofício de 75% e juros de mora. O relatório fiscal (fls. 0824) discrimina o motivo de cada depósito não considerado comprovado, conforme já descrito no procedimento de fiscalização. 3 Impugnação O recorrente apresentou impugnação, em 12/11/08, alegando, sinteticamente: a) vem passando desde 2005 por dificuldade financeira, conforme pôde ser verificado pela movimentação de sua conta corrente, que era sempre credora ao final do mês. Tal momento de dificuldade o levou a pedir diversos empréstimos, que recebeu através de cheques emitidos por conhecidos, com o único intuito de serem creditados em sua conta para evitar a perda do crédito junto às instituições financeiras; Fl. 380DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por RAFAEL PANDOLF O Processo nº 10640.004075/200843 Acórdão n.º 2202002.278 S2C2T2 Fl. 379 5 b) é impossível, após três anos, tentar recompor a origem de sua origem financeira, ainda mais quando se viveu “ciranda financeira” como a referida, na qual muitas operações eram realizadas para manter as despesas com a mantença da família. Tal exigência é verdadeiro cerceamento de defesa; c) é aposentado e pequeno agricultor, não possuindo atividade extra capaz de gerar receitas a serem omitidas; d) diante do patrimônio e da renda do recorrente, a imposição tributária posta no auto de infração configura verdadeiro confisco, vez que é altíssima a soma devido à aplicação de multa exorbitante e de juros capitalizados; e) pede a produção de todas as provas possíveis em direito, com ênfase no pedido de perícia e diligência junto às instituições financeiras com o intuito de comprovar as origens dos valores. 4 Acórdão de Impugnação A impugnação do recorrente foi julgada improcedente pela totalidade dos membros da 4ª Turma da DRJ/JFA (fls. 331338). Os fundamentos utilizados, sinteticamente, foram: a) não houve qualquer cerceamento da defesa do recorrente. Foi oportunizada a manifestação durante o processo de fiscalização, além de lançado auto de infração claro a ponto de possibilitar ao recorrente a apresentação de impugnação com total entendimento da infração imputada, conforme pode ser verificado por sua leitura; b) quanto ao pedido de produção de provas, cabe ao recorrente este dever, e preclui no termo do prazo para impugnação do direito do recorrente de apresentar provas e documentos, sendo assim, incabível a produção de provas em momento posterior, salvo justificativa; c) a imputação de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários sem origem comprovada é presunção legal válida, e a partir do momento em que o Fisco elenca os depósitos em conta bancária de contribuinte, cabe a esse realizar a comprovação de origem desse depósitos para desconstituir a presunção legal. Tal prova não foi realizada na peça impugnatória; d) quanto ao confisco, o crédito tributário constituído é respaldado na legislação vigente, não sendo possível à autoridade administrativa deixar de aplicar a lei enquanto esta não for declarada inconstitucional ou revogada por ente competente. Fl. 381DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por RAFAEL PANDOLF O 6 5 Recurso Voluntário Intimado do teor do acórdão de impugnação em 03/06/11, o recorrente interpôs recurso voluntário tempestivo, em 04/07/11. Em sua peça recursal, reproduz os argumentos alinhados em sua impugnação, acrescentando inconformismo em relação à rejeição do pedido de perícia. É o relatório. Fl. 382DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por RAFAEL PANDOLF O Processo nº 10640.004075/200843 Acórdão n.º 2202002.278 S2C2T2 Fl. 380 7 Voto Conselheiro Rafael Pandolfo Relator 1 PRELIMINAR: Do Cerceamento de Defesa O direito à ampla defesa é um dos pilares do devido processo legal, princípio estruturante do Estado Democrático de Direito, e está explicitado na Constituição Federal em diversos incisos do art. 5º, reforçandose os seguintes: Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindose aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: XXXIV são a todos assegurados, independentemente do pagamento de taxas: a) o direito de petição aos Poderes Públicos em defesa de direitos ou contra ilegalidade ou abuso de poder; LIV ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal; LV aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; LXXVIII a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação. Ainda, no âmbito do processo administrativo federal, tal direito tem seu conteúdo mínimo definido na Lei nº 9.784/99, que consolida institutos identificados pela doutrina como: o direito de petição, a razoável duração do processo, o direito à ampla defesa, instrumentalidade das formas, dentre outros: Art. 3º O administrado tem os seguintes direitos perante a Administração, sem prejuízo de outros que lhe sejam assegurados: II ter ciência da tramitação dos processos administrativos em que tenha a condição de interessado, ter vista dos autos, obter cópias de documentos neles contidos e conhecer as decisões proferidas; III formular alegações e apresentar documentos antes da decisão, os quais serão objeto de consideração pelo órgão competente; Fl. 383DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por RAFAEL PANDOLF O 8 IV fazerse assistir, facultativamente, por advogado, salvo quando obrigatória a representação, por força de lei. Art. 22. Os atos do processo administrativo não dependem de forma determinada senão quando a lei expressamente a exigir. § 1º Os atos do processo devem ser produzidos por escrito, em vernáculo, com a data e o local de sua realização e a assinatura da autoridade responsável. § 2º Salvo imposição legal, o reconhecimento de firma somente será exigido quando houver dúvida de autenticidade. Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo. § 1º Os elementos probatórios deverão ser considerados na motivação do relatório e da decisão. § 2º Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias. Como se observa, o princípio do devido processo legal possui como núcleo mínimo o respeito às formas que asseguram a dialética a respeito dos fatos e imputações jurídicas enfrentadas pelas partes. A forma está ligada a uma finalidade (contraditório, ampla defesa, imparcialidade, etc.) da qual constitui instrumento. Assim, é assentado da doutrina o entendimento de que o descumprimento de determinada forma, desde que não cause prejuízo ao contribuinte, não acarreta nulidade do procedimento (princípio da instrumentalidade). Ao recorrente foi estendido prazo para manifestação durante o procedimento de fiscalização, efetuada intimação regular do auto de infração com todos os elementos legalmente exigidos, proporcionado prazo para interposição de impugnação, conhecidas e analisadas as provas anexadas na impugnação, e, por último, possibilitada a interposição de recurso voluntário. Quanto à alegação de nulidade do julgamento de primeira instância pelo cerceamento de defesa, já que não foi acolhido seu pedido de perícia, também não assiste razão ao recorrente. O art. 18 do Decreto nº 70.235/72 rege o pedido de perícias em processo administrativo fiscal: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas Fl. 384DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por RAFAEL PANDOLF O Processo nº 10640.004075/200843 Acórdão n.º 2202002.278 S2C2T2 Fl. 381 9 necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. Como se pode ver, o Decreto nº 70.235/72 deixa um espaço de discricionariedade, pois o juízo de necessidade é subjetivo. No entanto, a Lei nº 9.784/99 restringiu esta discricionariedade, imputando novos critérios para a avaliação do cabimento de perícia em processo administrativo: Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo. § 1º Os elementos probatórios deverão ser considerados na motivação do relatório e da decisão. § 2º Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias. Entendeuse desnecessária a perícia, uma vez que só é cabível perícia em casos de complexidade extraordinária. Essa, claramente, não é a característica do caso em comento. Além disso, a atribuição de origem aos depósitos constitui ônus legal estendido ao contribuinte. Ou seja, não ocorreu, em momento algum, desrespeito à forma, nem prejuízo ao direito de defesa da recorrente. Sendo assim, não procede a arguição da recorrente de que o processo deveria ser nulo por cerceamento de defesa. 2 MÉRITO: Da comprovação da origem dos depósitos bancários O recorrente alega que os créditos em sua conta são decorrentes de empréstimos de familiares e amigos, que lhe emitiam cheques de forma a cobrir as despesas com a mantença da família. Ainda, defende que o depósito de R$ 79.017,00, em 09/03/05, foi efetuado por Lúcio Flávio, que inclusive declara ter realizado este depósito com o recebimento de doações de seus 15 irmãos (fl. 271). Anteriormente à Lei n° 8.021/90, assentouse que os depósitos bancários, por si só, não representavam rendimentos a sofrer a incidência do imposto de renda. Nesta senda, o Tribunal Federal de Recursos sumulou entendimento com esta exata interpretação (Súmula 182 do TFR), bem como o art. 90, VII, do DecretoLei n° 2.471/88 determinou o arquivamento de processos administrativos que controlassem débitos de imposto de renda arbitrado com base exclusivamente em valores de extratos ou comprovantes de depósitos bancários. Entretanto, com o advento do art. 6°, § 5°, da Lei n° 8.021/90, autorizouse o arbitramento de rendimentos com base em depósitos ou aplicações em instituições financeiras, mediante utilização dos sinais exteriores de riqueza, quando o contribuinte não pudesse comprovar a origem dos recursos utilizados nessas operações. Fl. 385DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por RAFAEL PANDOLF O 10 Porém, para incidência do imposto de renda sobre a hipótese em debate, a jurisprudência administrativa passou a obrigar que a fiscalização comprovasse o consumo da renda pelo contribuinte, representada pelos depósitos bancários de origem não comprovada, a transparecer sinais exteriores de riqueza (acréscimo patrimonial ou dispêndio), incompatíveis com os rendimentos declarados. Este cenário foi profundamente alterado pelo art. 42 da Lei n° 9.430/96, com incidência sobre os fatos geradores ocorridos a partir de 1°/01/97. O art. 42 da Lei 9.430/96 estipula, in verbis: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. “ Tratase de presunção legal, que permite à Fazenda tributar depósitos bancários sem origem e/ou tributação justificados, cabendo prova em contrário, por parte da contribuinte. Como bem ensina Alfredo Augusto Becker, presunção é o resultado de processo lógico mediante o qual do fato conhecido cuja existência é certa se infere o fato desconhecido cuja existência é provável (Teoria Geral do Direito Tributário, 3. ed. São Paulo : Lejus. 1998. pg. 508). No caso da técnica de apuração baseada em presunção estabelecida pelo art. 42 da Lei 9.430/96, o fato conhecido é a existência de depósitos bancários, que denotam, a priori, acréscimo patrimonial. Tendo em vista que renda, para fins de imposto de renda, é considerada como o acréscimo patrimonial em determinado período de tempo, a existência de depósitos sem origem e sem tributação comprovados levam à presunção de que houve acréscimo patrimonial não oferecido à tributação; logo, omitido o fato desconhecido de existência provável. Por ser presunção relativa, é necessário que o contribuinte seja intimado regularmente, principalmente do resultado da apuração dos depósitos discriminados individualmente, de modo a possibilitar a defesa, o que ocorreu no presente procedimento. Com a novel legislação acima, a jurisprudência administrativa chancelou as autuações que imputavam aos contribuintes o imposto de renda sobre a omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. Esse entendimento encontrase pacificado no âmbito da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Como exemplo, por todos, vejase o Acórdão n° CSRF/0400.164 (Quarta Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais), sessão de 13 de dezembro de 2005, relatora a Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, unânime, que restou assim ementado: IRPF DEPÓSITOS BANCÁRIOS OMISSÃO DE RENDIMENTOS Presumese a omissão de rendimentos sempre que o titular de conta bancária, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em suas contas de depósito ou de investimento (art. 42 da Lei e. 9.430, de 1996). Quanto à forma de comprovação individualizada, é a própria Lei nº 9.430/96 que institui este dever, na redação do §3º de seu art. 42: Fl. 386DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por RAFAEL PANDOLF O Processo nº 10640.004075/200843 Acórdão n.º 2202002.278 S2C2T2 Fl. 382 11 § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). Ao simplesmente alegar de forma generalizada a origem dos cheques, sem listálos e identificalos com o nome do emitente dos cheques e com declarações destes de que foram emitidos com fim de emprestar dinheiro ao recorrente, não é possível identificar quais os depósitos devem ser excluídos, nem aferir sua verdadeira causa. Por fim, deve ser destacado que, conquanto alegue ter contraído uma série de empréstimos junto a amigos e familiares, em momento algum esses valores foram lançados a título de “Dívidas e Ônus Reais” em sua declaração de ajuste anual. Desse modo, fica prejudicada a alegação do recorrente. Já quanto ao pagamento efetuado por Lúcio Flávio Moreira Salgado, é importante discorrer brevemente acerca da natureza da nota promissória. Como título de crédito, a nota promissória é promessa de pagamento, e pode ser emitida em virtude de negócio firmado (empréstimo, compra e venda, etc.) ou por liberalidade. Ainda, por ser título de crédito, a nota promissória pode ser transferida por via de endosso a terceiros. Desse modo, não era necessário que o recorrente tivesse disponibilidade financeira em 2003 para efetuar o empréstimo, ele poderia ter simplesmente recebido a nota promissória de terceiro para auxiliar na dificuldade financeira que alega ter passado, ou ter recebido a nota promissória de terceiro para pagamento na alienação de sua produção rural. Contudo, o único documento apresentado para tentar justificar o depósito foi a declaração do suposto depositante da quantia, que sequer havia declarado a dívida em sua DIRPF entre os anos calendário de 2003 a 2006, sendo que a nota promissória, no valor de R$ 50.000,00, foi emitida em 2003. Dessa forma, inexistindo provas robustas da disponibilidade de numerário a justificar a transferência, e não tendo sido apresentada a cópia da referida nota promissória, não pode ser considerado como comprovado o depósito de R$ 79.017,00, realizado em 09/03/05 na c/c 11991, agência 3162 da Cooperativa de Crédito Rural dos Plantadores de Cana da Zona da Mata Ltda. Por fim, embora possa ser considerada pelo contribuinte como desproporcional a exigência de comprovação individualizada dos valores, a realidade é que existe diploma normativo válido e vigente que impõe a ele este dever, não cabendo a este Conselho declarar a inconstitucionalidade e afastar sua aplicação. Assim, deve ser mantido o crédito tributário lançado. 3 Aplicação da Taxa SELIC e Caráter Confiscatório da Exação O recorrente defende que o emprego da taxa SELIC a título de juros de mora é ilegal e inconstitucional. Quanto à ilegalidade, a questão já foi decidida por este Conselho, Fl. 387DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por RAFAEL PANDOLF O 12 estando inclusive consolidada em Súmula no sentido da possibilidade da aplicação da Taxa SELIC como o índice dos juros de mora. Versa a súmula: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Quanto à inconstitucionalidade da aplicação da Taxa SELIC, a própria jurisprudência do STF vai ao sentido de considerar legítima sua aplicação: 2. Taxa Selic. Incidência para atualização de débitos tributários. Legitimidade. Inexistência de violação aos princípios da legalidade e da anterioridade. Necessidade de adoção de critério isonômico. No julgamento da ADI 2.214, Rel. Min. Maurício Corrêa, Tribunal Pleno, DJ 19.4.2002, ao apreciar o tema, esta Corte assentou que a medida traduz rigorosa igualdade de tratamento entre contribuinte e fisco e que não se trata de imposição tributária. (RE 582461, Relator: Min. Gilmar Mendes, Julg 18/05/2011, Divulg 17/08/2011, Public 18/08/2011) 4. A isonomia é resguardada, visto que a Lei estadual prevê a aplicação da taxa SELIC, que traduz rigorosa igualdade de tratamento entre o contribuinte e o Fisco. (ADI 2214, Relator: Min. Maurício Corrêa, Julg 06/02/2002, Publ 19/04/2002) Ademais, a este Conselho, em virtude da falta de competência para decretar a inconstitucionalidade de atos normativos, não cabe analisar a constitucionalidade de lei tributária, conforme entendimento consolidado em Súmula aprovada pelo pleno da CSRF: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Sendo assim, conquanto lamuriosa a situação financeira pela qual declara estar passando o recorrente, o caráter confiscatório da exação, e a inconstitucionalidade da aplicação da SELIC, por se tratarem de temas constitucionais, não serão analisados neste julgamento. Com base no acima exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO às preliminares, e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao presente recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo Fl. 388DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por RAFAEL PANDOLF O Processo nº 10640.004075/200843 Acórdão n.º 2202002.278 S2C2T2 Fl. 383 13 Fl. 389DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por RAFAEL PANDOLF O
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Numero do processo: 11080.905166/2008-53
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jun 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003
DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE.
É nulo o despacho que não apresenta com clareza as razões da não homologação do pedido de compensação transmitido pelo contribuinte e, por via de consequência, não oportuniza o exercício de sua ampla defesa.
Numero da decisão: 3401-002.257
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento para anular o processo a partir do despacho decisório.
Júlio César Alves Ramos Presidente
Ângela Sartori - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Robson José Bayerl, Fernando Marques Cleto Duarte, Ângela Sartori e Jean Cleuter Simões Mendonça.
Nome do relator: ANGELA SARTORI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento para anular o processo a partir do despacho decisório. Júlio César Alves Ramos Presidente Ângela Sartori - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Robson José Bayerl, Fernando Marques Cleto Duarte, Ângela Sartori e Jean Cleuter Simões Mendonça.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. É nulo o despacho que não apresenta com clareza as razões da não homologação do pedido de compensação transmitido pelo contribuinte e, por via de consequência, não oportuniza o exercício de sua ampla defesa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento para anular o processo a partir do despacho decisório. Júlio César Alves Ramos – Presidente Ângela Sartori Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Robson José Bayerl, Fernando Marques Cleto Duarte, Ângela Sartori e Jean Cleuter Simões Mendonça. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 90 51 66 /2 00 8- 53 Fl. 133DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 10/06/2013 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 Relatório O contribuinte transmitiu várias Dcomps (fls. 2/31) com o fito de compensar crédito oriundo de ressarcimento do saldo credor de IPI, apurado no 4º trimestre de 2003, no montante de R$ 34.435,76. A DRF em Porto Alegre emitiu despacho decisório eletrônico, no qual reconhece a integralidade dos créditos, contudo, não homologa diversos Per/Dcomps que relaciona em fl. 1, alegando a insuficiência de crédito. Inconformado, o Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade em fls. 33/40. A 3ª Turma da DRJ/POA, no acórdão n. 1034.778, fls. 53/54, manteve o despacho decisório à unanimidade de votos, cuja ementa transcrevemos a seguir: Assunto: Imposto Sobre Produtos Industrializados – IPI Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 ESTABELECIMENTO DETENTOR DO CRÉDITO. Havendo informação no Per/Dcomp de que o estabelecimento detentor do crédito é diferente do estabelecimento para o qual está sendo pleiteado o crédito, e não havendo elementos de prova nos autos que possam alterar tais informações, correto o despacho decisório que não homologou as compensações declaradas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Ademais, a DRJ afastou a preliminar de nulidade por cerceamento de direito de defesa suscitada pelo contribuinte, argumentando que o despacho decisório teria sido suficientemente motivado e que, para maiores esclarecimentos sobre o indeferimento do pedido, bastaria acessar o “sítio da Receita Federal”. No mérito, entendeu que a não homologação dos demais Per/Dcomps se deu porquanto o CNPJ informado pelo sujeito passivo como detentor do crédito era o de sua filial, daí a insuficiência de crédito para compensar os débitos informados. Entendeu ainda que o contribuinte não apresentou nenhum documento que pudesse alterar tais informações. Cientificado, o contribuinte apresentou tempestivamente recurso voluntário onde apresenta os seguintes argumentos objetivando a anulação, e alternativamente a reforma do julgado, bem como, a homologação da compensação: o despacho decisório que não homologou os pedidos de compensação apresentados por meio de diversos Per/Dcomps, em razão da alegação de insuficiência de créditos para compensar os débitos declarados, não demonstra a insuficiência de crédito, bem como não indica os fundamentos legais aplicáveis ao suposto descumprimento; como fundamentação legal utilizada no despacho decisório foram citados o art. 11 da Lei n. 9.779/99; art. 164, I, do RIPI e art. 47 da Lei n. 9.430/96. Contudo, referidos Fl. 134DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 10/06/2013 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 11080.905166/200853 Acórdão n.º 3401002.257 S3C4T1 Fl. 6 3 normativos não permitem a conclusão de que os créditos reconhecidos pela RFB são insuficientes para o pagamento dos débitos declarados nas Per/Dcomps apresentadas; se torna impossível a defesa do contribuinte, eis que sabendo que possui créditos suficientes, não consegue vislumbrar o motivo da negativa. Todavia, ainda que houvesse um fator impeditivo, não cabe ao contribuinte descobrir, mas sim ao fisco informalo, sob pena de cerceamento da defesa do contribuinte; o despacho decisório que negou os pedidos de compensação efetuados pelo recorrente foi imotivado, e tampouco motivou a DRJ a decisão recorrida. Ressalvou o contribuinte que ainda que o fizesse, tal motivação seria extemporânea, já que não teria o condão de afastar a nulidade do despacho decisório; pelo extrato denominado “PER/DCOMP Despacho Decisório – Análise de Crédito” (DOC. 2) retirado do site da RFB, verificase o reconhecimento expresso da existência do crédito no montante de R$ 349.629,00 discriminado na coluna “Saldo Credor Ressarcível”; o argumento da DRJ para afastar a preliminar de nulidade não procede, uma vez que em nenhum dos links obtidos no sítio da RFB é possível obter qualquer informação que justifique a negativa dos pedidos de compensação; no Per/Dcomp inicial, de n. 06638.73663.040204.1.3.017342, é possível verificar claramente a existência dos créditos necessários para a efetivação dos pagamentos dos débitos declarados por meio das posteriores Per/Dcomps entregues; na decisão guerreada, que entendeu pela improcedência da manifestação de inconformidade, um novo argumento foi trazido á baila, qual seja, a indicação no campo CNPJ do estabelecimento detentor do crédito d de n. 05.265.768/000291, que é o CNPJ da filial; na época em que foram realizadas as compensações (fevereiro de 2004) não havia qualquer óbice nesse sentido. Encontravase em vigência a IN 210/2002 que permitia que o pedido de ressarcimento/compensação fosse elaborado pela Matriz do contribuinte; a Lei n. 9.779/99 prevê a apresentação das declarações de débitos e créditos de tributos e contribuições federais pelo estabelecimento matriz da pessoa jurídica; a limitação de tal direito só ocorreu com a entrada em vigor do art. 43, § único, da IN SRF n. 600/2005, na qual restou definido que o ressarcimento e compensação dos créditos somente poderia ser feito pelo titular da DRF ou Derat que, à data do ressarcimento ou da compensação, tenha jurisdição sobre o domicílio tributário do estabelecimento que apurou referidos créditos, posteriormente à transmissão do Per/Dcomp do contribuinte; não é possível a aplicação retroativa das disposições da INS SRF n. 600/2005 no caso em tela; É o relatório. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 10/06/2013 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 Voto Conselheira Ângela Sartori, Relatora. O recurso é tempestivo, e preenche os demais requisitos para a sua admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Inicialmente, o contribuinte alega como preliminar a nulidade do despacho decisório por cerceamento do direito de defesa, defendendo que o ato administrativo não foi devidamente motivado, bem como, inapto a demonstrar de forma clara e concisa as razões para a não homologação das compensações transmitidas por ele. Argumenta, outrossim, que a fundamentação da DRJ não foi suficiente para afastar a nulidade, tendo em vista que através do sítio da RFB também não foi possível entender o motivo do indeferimento. Da mesma forma, aduz que como fundamentação legal utilizada no despacho decisório foram citados o art. 11 da Lei n. 9.779/99; art. 164, I, do RIPI e art. 47 da Lei n. 9.430/96. Contudo, referidos normativos não permitem a conclusão de que os créditos reconhecidos pela RFB são insuficientes para o pagamento dos débitos declarados nas Per/Dcomps apresentadas o que torna impossível a defesa do contribuinte, uma vez que, sabendo que possui créditos suficientes, não consegue vislumbrar o motivo da negativa. Todavia, ainda que houvesse um fator impeditivo, não cabe ao contribuinte descobrir, mas sim ao fisco informalo, sob pena de cerceamento da defesa. De pronto, percebese que o despacho recorrido é o típico despacho decisório eletrônico que discrimina o valor do crédito reconhecido, neste caso, de forma integral, e se limita a afirmar que o crédito reconhecido se mostrou insuficiente para quitar todos os débitos declarados pelo contribuinte. Relaciona, por fim, uma série de Per/Dcomps não homologados. Quando nos dirigimos ao sítio da Receita Federal (www.receita.fazenda.gov.br), e seguimos a orientação contida no referido documento, no link “Per/Dcomp Despacho Decisório – Análise de Crédito”, onde consta “Demonstrativo de Apuração do Saldo Credor Ressarcível”, observase que no final de 2003 o contribuinte tinha reconhecido um saldo credor acumulado no valor de R$ 349.629,00. Com base neste saldo, transmitiu o Per/Dcomp originário n. 06638.73663.040204.1.3017342 e os que lhe sucederam. Observase que o despacho guerreado não foi suficientemente claro no tocante às razões do indeferimento. A este respeito, reza o art. 2º da Lei n. 9.784/99 que a motivação é um princípio a ser obedecido pela Administração Pública nos processos administrativos. Por sua vez, o art. 50 do mesmo normativo determina que os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos quando neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses. No presente processo administrativo fiscal sequer consta relatório fiscal assinado por autoridade competente indicando os fatos e fundamentos jurídicos da decisão. De fato, compulsando os Per/Dcomps observase que nas Dcomps que não foram homologados o ora recorrente declarou que o estabelecimento detentor do crédito seria o Fl. 136DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 10/06/2013 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 11080.905166/200853 Acórdão n.º 3401002.257 S3C4T1 Fl. 7 5 de sua filial, inscrita no CNPJ n. 05.265.768/000291, razão esta devidamente suscitada pela DRJ em POA para a manutenção do ato administrativo, entretanto, tal motivação apenas surgiu quando da análise da manifestação de inconformidade pelos delegados julgadores. Caso este tenha sido o real fundamento do indeferimento, deveria constar expressamente no documento hostilizado de modo a informar o interessado do ocorrido e oportunizarlhe uma chance de preparar uma defesa condizente ao que lhe está sendo imputado, sob pena de incorrer em grave violação ao princípio da ampla defesa e contraditório, esculpidos no art. 5º, inciso LV, da Constituição Federal. Este Conselho tem se posicionado no sentido de que o despacho decisório que não explicite de forma clara o motivo do indeferimento do pedido, oportunizando ao contribuinte o direito de exercer a ampla defesa, deverá ser anulado. Neste sentido trazemos a seguinte ementa à colação: Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. 1ª Seção de Julgamento. 3ª Turma Especial Acórdão nº 180300479 do Processo 10166011868200276 Data 08/07/2010 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL.EXERCÍCIO: 2003 DESPACHO DECISÓRIO DE DRE PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA, FALTA DE EXPLICITAÇÃO CLARA DO MOTIVO DO INDEFERIMENTO DO PEDIDO, ACOLHIMENTO DA PRELIMINAR.ACOLHESE A PRELIMINAR ARGUIDA DE PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA EM RELAÇÃO A DESPACHO DECISÓRIO DE DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL (DRF) QUE NÃO EXPLICITA CLARAMENTE O MOTIVO DO INDEFERIMENTO DO PEDIDO.VISTOS, RELATADOS E DISCUTIDOS OS PRESENTES AUTOS.ACORDAM OS MEMBROS DO COLEGIADO, POR UNANIMIDADE DE VOTOS, ACOLHER A PRELIMINAR DE NULIDADE E RECONHECER A HOMOLOGAÇÃO TÁCITA, NOS TERMOS DO RELATÓRIO E VOTOS QUE INTEGRAM O PRESENTE JULGADO. No mesmo segmento são os acórdãos n. 330200742 da 3ª Seção de Julgamento. 3ª Câmara. 2ª Turma Ordinária, 380100445 da 3ª Seção de Julgamento. 1ª Turma Especial, 140200691 da 1ª Seção de Julgamento. 4ª Câmara. 2ª Turma Ordinária. O § 1º do, art. 50, da já citada Lei n. 9.784/99, determina que a motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, o que ao meu sentir não restou evidenciado no presente caso. CONCLUSÃO: Ante o exposto, voto no sentido de conhecer do recurso voluntário e acatar a preliminar de nulidade por cerceamento do direito de defesa e reconhecer a nulidade do despacho decisório devendo ser proferido outro despacho decisório nos termos da lei. Ângela Sartori Fl. 137DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 10/06/2013 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 6 Fl. 138DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 10/06/2013 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
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Numero do processo: 10650.720008/2007-70
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 2003
ITR - NÃO INCIDÊNCIA - ÁREAS ALAGADAS - SÚMULA CARF N° 45.
De acordo com o Enunciado de Súmula CARF n° 45 “O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural não incide sobre áreas alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidroelétricas”. Tal posicionamento deve ser observado por este julgador, conforme determina o artigo 72, § 4°, combinado com o artigo 45, inciso VI, ambos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-002.138
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Matéria: ITR - notific./auto de infração eletrônico - valor terra nua
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 2003 ITR - NÃO INCIDÊNCIA - ÁREAS ALAGADAS - SÚMULA CARF N° 45. De acordo com o Enunciado de Súmula CARF n° 45 “O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural não incide sobre áreas alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidroelétricas”. Tal posicionamento deve ser observado por este julgador, conforme determina o artigo 72, § 4°, combinado com o artigo 45, inciso VI, ambos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Recurso especial negado.
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De acordocom o Enunciado de SúmulaCARF n° 45 “O Impostosobre a Propriedade Territorial Rural nãoincidesobreáreasalagadaspara fins de constituição de reservatório de usinashidroelétricas”. Tal posicionamentodeveserobservadoporestejulgador, conformedetermina o artigo 72, § 4°, combinado com o artigo 45, inciso VI, ambos do RegimentoInterno do ConselhoAdministrativo de RecursosFiscais. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo – Presidente (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Junior – Relator Fl. 226DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 2 FORMALIZADO EM: 18/05/2012 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Pedro Paulo Pereira Barbosa (suplente convocado), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pela Fazenda Nacional contra Acórdão, no qual, decidiuse pela nãoincidência do ITR: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL — ITR EXERCÍCIO: 2003 ITR. TERRAS SUBMERSAS. NÃO INCIDÊNCIA. Não há incidência do ITR sobre as terras submersas por águas que formam reservatórios artificiais com fins de geração e distribuição de energia elétrica (usinas hidroelétricas) bem como as áreas de seu entorno. A posse e o domínio útil das terras submersas pertencem à União Federal, pois a água é bem público que forma o seu patrimônio nos termos da Constituição Federal, não podendo haver a incidência do ITR sobre tais áreas. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO Alega a ilustre representante da Fazenda Nacional que a interposição de Recurso Especial ficou autorizada pela existência de divergência jurisprudencial, conforme disposto no acórdão 30236.278 da Colenda Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, cuja ementa que aqui exponho: RECURSO VOLUNTÁRIO IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL — ITR EXERCÍCIO DE 1997. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. A existência de área de preservação permanente deve ser reconhecida mediante ato declaratório do IBAMA, ou órgão delegado através de convênio. As áreas de reserva devem ser averbadas à margem da inscrição da matrícula do imóvel no registro de imóveis competente. Fl. 227DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº10650.720008/200770 Acórdão n.º 920202.138 CSRFT2 Fl. 2 3 NEGADO PROVIMENTO POR UNANIMIDADE De acordo com a recorrente, a apresentação tempestiva do ato específico do órgão competente é ato inequívoco para o reconhecimento das áreas de preservação permanente e utilização limitada (ADA), que, segundo a PGFN é semelhante ao do presente caso. Em análise preliminar, a Presidente Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes negou seguinte ao Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda. De acordo com a decisão, apesar de tratar de área de preservação permanente e dizer,expressamente, que essa área só poderá ser reconhecida, para efeito de exclusão do ITR, mediante apresentação tempestiva de ADA do IBAMA ou órgão conveniado, o acórdão paradigma trata de terras de propriedade particular e como tal não está sujeita à imunidade tributária. Irresignada, a Procuradoria interpôs Agravo Regimental a fim de ter reformada a decisão que negou seguimento ao Recurso Especial. Analisado pelo Presidente da Primeira Câmara da Segunda Seção, a autoridade acolheu os argumentos da recorrente, dando seguimento ao Recurso Especial – Despacho fls. 195. Em contrarazões, a contribuinte sustenta a inadmissibilidade do recurso e, no mérito, repisa os argumentos em seu recurso voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior, Relator Uma vez atendidos os pressupostos para admissibilidade conheço do recurso e passo ao seu exame. Vale dizer que se discute no presente processo, basicamente, é a possibilidade da incidência do ITR sobre as áreas inundadas utilizadas em barragens para a geração de energia elétrica e suas áreas marginais (preservação permanente). Realizandose o cotejo entre os fundamentos constantes do v. acórdão e Recurso Especial interposto, acompanho o entendimento explicitado pelo Conselheiro Dr. Luciano Lopes de Almeida Moraes (Acórdão nº 920200315), que, doravante, peço licença para colacionar. A ora Recorrida é pessoa jurídica concessionária de serviço público de geração de energia elétrica no Estado de Minas Gerais, tendo por objeto social a exploração de atividade econômica de produção, transformação, distribuição e comercialização de energia elétrica. Da análise da Constituição Federal de 1988 se verifica que a água é um bem de domínio público, como vemos, exemplificativamente: Art. 20: São bens da União: Fl. 228DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 4 lII os lagos. rios e quaisquer correntes de água em terrenos de seu domínio, 01/ que banhem mais de um Estado. sirvam de limites com outros países, 01/ se estendam a território estrangeiro ali dele provenham, bem como os terrenos marginais e as praias pluviais. IV as ilhas fluviais e lacustres nas zonas limítrofes com outros países; as praias marítimas; as. ilhas oceânicas e as costeiras, excluídas, destas, as áreas referidas no art. 26; V os recursos naturais da plataforma continental e da zona econômica exclusiva; VI o mar territorial: VII os terrenos de marinha e seus acrescidos; VIII os potenciais de energia hidráulica. § 1U E assegurada, nos termos da lei, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios, bem como a órgãos da administração direta da União, participação no resultado da exploração de petróleo 011 gás natural, de recursos hidricos para fins de geração de energia elétrica e de outros recursos minerais no respectivo território, plataforma continental, mar territoria! ou zona econômica exclusiva, 011 compensação financeira por essa exploração. [...] Art. 176. As jazidas, em lavra ou não, e demais recursos minerais e os potenciais de energia hidráulica constituem propriedade distinta da do solo, para efeito de exploração ou aproveitamento, e pertencem à União, garantida ao concessionário a propriedade do produto da lavra. § 10 A pesquisa e a lavra de recursos minerais e o aproveitamento dos potenciais a que se refere o caput desse artigo somente poderão ser efetuados mediante autorização ou concessão da União, no interesse nacional, por brasileiros ou empresa constituída sob as leis brasileiras e que tenha sua sede e administração no País, na forma da lei, que estabelecerá as condições específicas quando essas atividades se desenvolverem em faixa de fronteira ou terras indígenas. A legislação infraconstitucional segue a mesma linha, de que a água é um bem de domínio público, inalienável e imprescritível [Lei n. 9.433/97]. Por ser a água um bem púbico, para que terceiros possam dela se utilizar, deve ser feita através de concessão, como bem prevê o Dec. n. 41.019/57, que regulamenta os serviços de energia: Art. 65 depende de concessão federal a exploração dos serviços: a) de produção de energia elétrica pelo aproveitamento de quedas d'água e outras fontes de energia hidráulica quando a potência aproveitada for superior a J 50 Kw, seja qual for a destinação da energia; Fl. 229DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº10650.720008/200770 Acórdão n.º 920202.138 CSRFT2 Fl. 3 5 b) de produção de energia elétrica que se destine a serviços de utilidade pública Federais, Estaduais ou Municipais, ou ao comércio de energia, seja qual for a potência; c) de transmissão e distribuição de energia elétrica, desde que tenham por objetivo o comércio de energia. DA TERRA: Apesar da Interessada possuir a propriedade daquelas terras, esta não é plena, pois, além de declarada de utilidade pública, as águas existentes sobre aquelas, como já referido, integram o patrimônio da União. Assim, a União é quem verdadeiramente detém a propriedade das terras, limitando o seu uso, impedindo inclusive a recorrente de exercer seus direitos, como impedindo sua alienação, cessão e uso para fins diversos daquele bem. Do ITR o fato gerador do ITR é a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana do município em 10 de janeiro de cada ano, como vemos na Lei n° 9.393/96: Art. 1 O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, de apuração anual, tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana do município em 1º de janeiro de cada ano. § 1 O ITR incide inclusive sobre o imóvel declarado de interesse social para fins de reforma agrária enquanto não transferida a propriedade, exceto se houver imissão prévia na posse. § 2 Para os efeitos desta Lei considerase imóvel rural a área contínua formada de lima ou mais parcelas de terras localizada na zona rural do município. § 3 O imóvel que pertencer a mais de um município deverá ser enquadrado no município onde fique a sede do imóvel e, se esta não existir, será enquadrado no município onde se localize a maior parte do imóvel. Ao elencar tantas possibilidades de sujeição passiva para fins de ITR, a legislação buscou, ao fim e ao cabo, tributar quem efetivamente detém poderes para usar/fruir/dispor das terras. Como demonstrado, a recorrente, não possui qualquer daqueles direitos supra, já que à ela é defeso alienar, ceder, utilizar as terras para qualquer outro fim que o de servir de reservatório das águas que servirão para gerar energia elétrica. Se à União é quem detêm todos os direitos sobre a propriedade, sendo a recorrente mera "proprietária" sem direitos, à primeira é que caberia a cobrança do ITR, o que se toma impossível, haja visto o disposto no art. 150 da CF/88: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte. é vedado à União. aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: Fl. 230DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 6 (...) VI instituir impostos sobre: a) patrimônio. renda ou serviços, uns dos outros; (..) Somente desta leitura já se infere que a água/terra não pode ser tributada, ate por serem de propriedade de fato do mesmo ente público. Ainda que assim não o fosse, as normas infraconstitucionais sobre o tema isentam o ITR para casos como o da recorrente, como bem aduz o Código de Águas, Dec. n° 24.643/34, ao tratar da isenção de impostos federais, estaduais e municipais daquelas áreas decorrentes de concessões: Art. 161. As concessões dadas de acordo com a presente Lei ficam isentas de impostos federais e de quaisquer impostos estaduais ou municipais, salvo os de consumo, renda e vendas mercantis. Também entendo não ter ocorrido a revogação do Dec. 41.066/57 pelo §1º, do art. 41 dos ADCT da CF/88 em razão da não edição de lei que confirmasse esse incentivo, em ate dois anos de sua promulgação, já que em função do disposto naquele artigo, foi editado o Decreto s/no, de 15/02/1991, DOU de 18/02/91, que ratificou a manutenção da concessão para a exploração de serviços de energia elétrica, em seu art. 1 III: Art. 10 Ficam mantidas as concessões, permissões e autorizações vigentes, outorgadas para: (...) III exploração de serviços de energia elétrica, (..) No mesmo sentido, foi editado o Dec. de 15/12/1992, que alterando a redação do inciso III do art. 1° do decreto de 120/02/91, retificou a concessão dos serviços de energia elétrica. Registrese ainda que o art. 44 dos ADCT CF/88 ampliou o limite mencionado no art. 4 I, de dois para quatro anos. É oportuno ressaltar que a isenção em tela não estava condicionada especificamente a autorização de funcionamento da recorrente, porém a todas as concessionárias que exploram os serviços públicos de produção, transformação, distribuição e comercialização de energia elétrica. Vigente a norma isentiva prevista no art. 161 do Código de Águas (Dec. n° 24.643/34), sob a condição do beneficiário ser concessionário, como o recorrente o é, deve ser aplicada aquela. Assim, garantida a concessão, pressuposto bastante para o usufruto da isenção, mantêmse o beneficio, preservase a segurança jurídica. Em suma, concluise que o ITR não incide sobre as concessionárias de serviço de energia elétrica, como é o caso da recorrente, seja por que não possuem poderes/direitos de exercer qualquer atividade quanto às terras que possuem utilizadas para efeitos de geração de energia elétrica, por ser a União a detentora do domínio útil daquela, não Fl. 231DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº10650.720008/200770 Acórdão n.º 920202.138 CSRFT2 Fl. 4 7 se enquadrando como sujeitos passivos daquele tributo; bem como porque são isentas, conforme Código de Águas. Além disso, atualmente, no âmbito do Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF a matéria não comporta maiores digressões. Isso porque no mês de dezembro de 2009, este Tribunal Administrativo aprovou diversas Súmulas e consolidou aquelas aplicáveis no âmbito do extinto e Egrégio Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, sendo que o Enunciado CARF n° 45 tem o seguinte conteúdo: “O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural não incide sobre áreas alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidroelétricas”. Tais Enunciados foram publicados do DOU de 22/12/2009 e por força do que dispõe o artigo 72, § 4°, combinado com o artigo 45, inciso VI, ambos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, são de adoção obrigatória. Considerando que não incide ITR sobre áreas alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidroelétricas, penso que inexiste razão para analisar a questão do VTN. Nessa ordem de juízos, entendo que a decisão recorrida merece ser confirmada. A propósito, é idêntico aquele proferido por esta Segunda Turma da CSRF, em 12 de abril de 2011, que analisou autuação em face do mesmo contribuinte, cujo Relator foi Conselheiro Gonçalo Bonet Allage, tendo naquela oportunidade negado provimento, por unanimidade de votos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2001 ITR NÃO INCIDÊNCIA ÁREAS ALAGADAS SÚMULA CARF N° 45. De acordo com o Enunciado de Súmula CARF n° 45 “O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural não incide sobre áreas alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidroelétricas”. Tal posicionamento deve ser observado por este julgador, conforme determina o artigo 72, § 4°, combinado com o artigo 45, inciso VI, ambos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Recurso especial negado. Fl. 232DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 8 Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial da Fazenda Nacional. É como voto. (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Júnior Fl. 233DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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Numero do processo: 10875.906551/2009-90
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/08/2003 a 31/08/2003
REPERCUSSÃO GERAL. JUÍZO PRÉVIO DE ADMISSIBILIDADE. MATÉRIA NÃO CONHECIDA. INAPLICABILIDADE DO ART. 62-A, § 1º, DO REGIMENTO INTERNO.
O exame do sobrestamento pressupõe o prévio juízo de admissibilidade do recurso. Do contrário, até mesmo recursos intempestivos deveriam ficar sobrestados aguardando a decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal. O § 1º do art. 62-A, ademais, deve ser interpretado à luz do princípio da lealdade e boa-fé, de modo a evitar que a alegação de matéria sob repercussão geral se converta em causa de protelação do exame do mérito de recursos manifestamente incabíveis.
PER/DCOMP. NÃO IDENTIFICAÇÃO DO CRÉDITO COMPENSADO. NÃO APERFEIÇOAMENTO DA COMPENSAÇÃO.
A declaração do sujeito passivo - denominada PER/Dcomp - veicula a formalização em linguagem competente da extinção do crédito tributário e do débito da Fazenda Nacional. Sem a identificação do crédito e dos débitos compensados, não se aperfeiçoa o encontro de contas entre as relações jurídicas obrigacionais.
Numero da decisão: 3802-001.342
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
REGIS XAVIER HOLANDA - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
EDITADO EM: 10/10/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Jose´ Fernandes do Nascimento e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Ausente momentaneamente o Conselheiro , Bruno Maurício Macedo Curi.
Nome do relator: SOLON SEHN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/08/2003 a 31/08/2003 REPERCUSSÃO GERAL. JUÍZO PRÉVIO DE ADMISSIBILIDADE. MATÉRIA NÃO CONHECIDA. INAPLICABILIDADE DO ART. 62-A, § 1º, DO REGIMENTO INTERNO. O exame do sobrestamento pressupõe o prévio juízo de admissibilidade do recurso. Do contrário, até mesmo recursos intempestivos deveriam ficar sobrestados aguardando a decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal. O § 1º do art. 62-A, ademais, deve ser interpretado à luz do princípio da lealdade e boa-fé, de modo a evitar que a alegação de matéria sob repercussão geral se converta em causa de protelação do exame do mérito de recursos manifestamente incabíveis. PER/DCOMP. NÃO IDENTIFICAÇÃO DO CRÉDITO COMPENSADO. NÃO APERFEIÇOAMENTO DA COMPENSAÇÃO. A declaração do sujeito passivo - denominada PER/Dcomp - veicula a formalização em linguagem competente da extinção do crédito tributário e do débito da Fazenda Nacional. Sem a identificação do crédito e dos débitos compensados, não se aperfeiçoa o encontro de contas entre as relações jurídicas obrigacionais.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/08/2003 a 31/08/2003 REPERCUSSÃO GERAL. JUÍZO PRÉVIO DE ADMISSIBILIDADE. MATÉRIA NÃO CONHECIDA. INAPLICABILIDADE DO ART. 62A, § 1º, DO REGIMENTO INTERNO. O exame do sobrestamento pressupõe o prévio juízo de admissibilidade do recurso. Do contrário, até mesmo recursos intempestivos deveriam ficar sobrestados aguardando a decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal. O § 1º do art. 62A, ademais, deve ser interpretado à luz do princípio da lealdade e boafé, de modo a evitar que a alegação de matéria sob repercussão geral se converta em causa de protelação do exame do mérito de recursos manifestamente incabíveis. PER/DCOMP. NÃO IDENTIFICAÇÃO DO CRÉDITO COMPENSADO. NÃO APERFEIÇOAMENTO DA COMPENSAÇÃO. A declaração do sujeito passivo denominada PER/Dcomp veicula a formalização em linguagem competente da extinção do crédito tributário e do débito da Fazenda Nacional. Sem a identificação do crédito e dos débitos compensados, não se aperfeiçoa o encontro de contas entre as relações jurídicas obrigacionais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) REGIS XAVIER HOLANDA Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 65 51 /2 00 9- 90 Fl. 110DF CARF MF Impresso em 12/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 2 (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. EDITADO EM: 10/10/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, José Fernandes do Nascimento e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Ausente momentaneamente o Conselheiro , Bruno Maurício Macedo Curi. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas/SP, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, assentada nos fundamentos resumidos na ementa a seguir transcrita (fls. 61): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/08/2003 a 31/08/2003 COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. CERTEZA. LIQUIDEZ. COMPROVAÇÃO. A compensação de indébito fiscal com créditos tributários vencidos e/ou vincendos, está condicionada à comprovação da certeza e liquidez do respectivo indébito. Somente podem ser objeto de compensação créditos líquidos e certos, cuja comprovação deve ser efetuada pelo contribuinte, sob pena de não ter seu crédito reconhecido. INTIMAÇÃO VIA POSTAL. É válida a ciência do lançamento de ofício quando entregue, pelos Correios, no domicílio eleito pela contribuinte. INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE DE LEI OU ATO NORMATIVO. ARGÜIÇÃO. A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre inconstitucionalidade ou ilegalidade de lei ou ato normativo. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO Permanecerá suspensa a exigibilidade dos débitos declarados em DCOMP enquanto estiver presente qualquer das hipóteses previstas no artigo 151 do Código Tributário Nacional – CTN. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 111DF CARF MF Impresso em 12/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10875.906551/200990 Acórdão n.º 3802001.342 S3TE02 Fl. 111 3 O Recorrente, nas razões recursais de fls. 8096, alega ter formalizado o pedido de compensação com fundamento na inconstitucionalidade da inclusão do Icms da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins. Aduz que a certeza do direito à compensação advém do art. 195 da Constituição e que recolheu os Darfs sem subtrair as parcelas do Icms. É o Relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn A ciência da decisão se deu no dia 23/02/2012 (fls. 73) e o protocolo do recurso, em 09/03/2012 (fls.80). Tratase, portanto, de recurso tempestivo que pode ser conhecido, uma vez que versa sobre matéria da competência da Terceira Seção e reúne os demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto no 70.235/1972. Embora o sujeito passivo alegue que o direito creditório seria decorrente da inconstitucionalidade da inclusão do Icms na base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins – matéria que, como se sabe, teve repercussão geral reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal no âmbito do Recurso Extraordinário (RE) nº 574.706/PR1 entendese que não cabe o sobrestamento do feito mediante aplicação do art. 62A, § 1º, do Regimento Interno2. O exame do sobrestamento pressupõe o prévio juízo de admissibilidade do recurso. Do contrário, até mesmo recursos intempestivos deveriam ficar sobrestados aguardando a decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal. O § 1º do art. 62A, ademais, deve ser interpretado à luz do princípio da lealdade e boafé, de modo a evitar que a alegação de matéria sob repercussão geral se converta em causa de protelação do exame do mérito de recursos manifestamente incabíveis. No caso dos autos, notase que a inconstitucionalidade da inclusão do Icms na base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins sequer foi ventilada na manifestação de inconformidade. O sujeito passivo, naquela etapa processual, fundamentou a origem do direito creditório apenas na inconstitucionalidade do aumento da alíquota da Cofins de 2% para 3%, sem apresentar qualquer alegação relacionada à matéria sob repercussão geral. A rigor, portanto, a alegação sequer poderia ser conhecida, consoante reconhece a remansosa jurisprudência do Carf: [...] PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. CONHECIMENTO NA FASE RECURSAL. IMPOSSIBILIDADE. 1 “Reconhecida a repercussão geral da questão constitucional relativa à inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS e da contribuição ao PIS. Pendência de julgamento no Plenário do Supremo Tribunal Federal do Recurso Extraordinário n. 240.785.” (DJe088, de 16/05/2008). 2 ""Art. 62A. [...] Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B." Fl. 112DF CARF MF Impresso em 12/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 4 Em conformidade com o princípio da preclusão processual, se o sujeito passivo não contestou a matéria, no todo ou em parte, perante a autoridade julgadora de primeiro grau, não poderá mais fazêlo perante a instância superior, sob pena de inovação do feito e supressão de instância. (Acórdão 3802000.585. 3a S. 2a C. 2a TE. Rel. Conselheiro José Fernandes do Nascimento. S. de 05/07/2011). “PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO TEMPORAL. Questão não provocada a debate em primeira instância, quando se instaura a fase litigiosa do procedimento administrativo, e somente demandada em grau de recurso, constitui matéria preclusa. Recurso Voluntário Negado.” (Acórdão 310100.409. 3a. S. 1a C. 1a TO. Rel. Conselheiro Tarásio Campelo Borges. S. de 29/04/2010). [...] NORMAS PROCESSUAIS. MATÉRIA NÃO ABORDADA NA INSTÂNCIA ANTERIOR. PRECLUSÃO. EXCLUSÕES DE BASE DE CÁLCULO. ALARGAMENTO. Considerase preclusa matéria que não foi objeto de impugnação e que, por conseguinte, não foi objeto da decisão recorrida.” (Acórdão 340100.169. 3a S. 4a C. 1a TO. Rel. Conselheiro Odassi Guerzoni Filho. S. de 13/08/2009). PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. IMPUGNAÇÃO E RECURSO VOLUNTÁRIO. PRECLUSÃO. ART. 17 DO DECRETO 70.235/72. O recurso voluntário é cabível contra a decisão de primeira instância, de modo que o âmbito válido de sua fundamentação naturalmente se circunscreve aos temas tratados no julgamento que pretende reformar. O recurso voluntário não pode inovar, veiculando novos argumentos de defesa que não foram apresentados na impugnação nem debatidos em primeira instância. Exceção feita apenas quanto a temas reconhecidamente de ordem pública, como é o caso da decadência e da prescrição.” (Acórdão 340300.385. 3a S. 4a C. 3a TO. Rel. Conselheiro Ivan Allegretti. S. de 25/05/2010). Assim, se a matéria sob repercussão geral não pode ser conhecida, por não ter sido ventilada na instância a quo, é igualmente descabido o sobrestamento do feito, inclusive porque, a rigor, no presente caso concreto a não homologação ocorreu devido à utilização do Darf para a quitação de outros débitos declarados pelo contribuinte (fls. 69). Tal situação se deu porque o Recorrente, ao apresentar a PER/Dcomp, deixou de retificar a Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), o que fez com que o pagamento continuasse atrelado à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação (fls. 45). Fl. 113DF CARF MF Impresso em 12/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10875.906551/200990 Acórdão n.º 3802001.342 S3TE02 Fl. 112 5 Em circunstâncias dessa natureza, a Turma tem admitido a homologação da compensação, desde que retificada a Dctf e, principalmente, demonstrada a existência do direito creditório. Nesse sentido, cumpre destacar o julgado a seguir, de nossa relatoria: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 31/05/2005 PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROLAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. APRESENTAÇÃO DA PROVA DO CRÉDITO APÓS DECISÃO DA DRJ. HIPÓTESE PREVISTA NO ART. 16, § 4º, “C”, DO DECRETO Nº 70.235/1972. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. A prova do crédito tributário indébito, quando destinada a contrapor razões posteriormente trazidas aos autos, pode ser apresentada após a decisão da DRJ, por força do princípio da verdade material e do disposto no art. 16, § 4º, “c”, do Decreto nº 70.235/1972. Havendo prova do crédito, a compensação deve ser homologada, a despeito da retificação a posteriori da Dctf. Recurso Voluntário Provido. Direito Creditório Reconhecido. (Carf. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.007. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 22/05/2012) O Recorrente, além de não apresentar qualquer prova do direito creditório, sequer retificou a Dctf, razão pela qual não cabe a compensação. O sujeito passivo, na verdade, se limitou a afirmar que não tem como esclarecer a origem do crédito apurado e compensado (fls. 82). O Recurso, destarte, além de inovar indevidamente na suposta origem do direito creditório, mostrase manifestamente improcedente. Afinal, devese ter presente que a Lei nº 10.637/2002, ao alterar o art. 74 da Lei nº 9.430/1996, promoveu a unificação do regime de compensação, extinguindo as compensações realizadas na Dctf, na escrituração contábil e a condicionada ao deferimento de pedido administrativo. Todas essas modalidades foram substituídas pela autocompensação, que ressaltadas as contribuições para a seguridade social compensadas na Gfip (Guia de Recolhimento do Fgts e Informações à Previdência Social) é aplicável aos tributos administrados pela Receita Federal. No regime da autocompensação, como se sabe, a extinção do crédito tributário ocorre por iniciativa do sujeito passivo, mediante entrega de declaração contendo informações relativas aos créditos e débitos compensados, que, por sua vez, fica sujeita à posterior homologação pela autoridade competente no prazo de até cinco anos: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e Fl. 114DF CARF MF Impresso em 12/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 6 contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002). § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) A declaração do sujeito passivo denominada PER/Dcomp revestese de especial importância no mundo jurídico, porquanto representa a formalização em linguagem competente da extinção do crédito tributário e do débito da Fazenda Nacional. Tratase, consoante destaca Paulo de Barros Carvalho, do veículo introdutor da norma individual e concreta que positiva o fato jurídico extintivo: “O fato extintivo da compensação será positivado por norma individual e concreta que promova o encontro das relações, extinguindoas no quantum em que se equivalerem. Os sujeitos habilitados a expedir a norma individual e concreta da compensação, formalizando o mencionado ‘encontro de contas’, são a autoridade administrativa e a autoridade judiciária. Há hipóteses em que a lei autoriza ao próprio particular a efetivação da compensação tributária. Esta, todavia, somente é utilizada quando o ato do particular for homologado pela Administração, de maneira tácita ou expressa. Dito de outro modo, o aplicarse da norma de compensação gera a extinção do crédito tributário e do débito do Fisco. Mas, para que esta se concretize, necessário o relato em linguagem competente não apenas das relações que se pretende compensar, mas também do fato da compensação. Apenas se descrito no antecedente de norma individual e concreta irradiará os efeitos previstos no consequente normativo, operandose extinção dos vínculos obrigacionais.” (CARVALHO, Paulo de Barros. Direito tributário, linguagem e método. 2. ed. São Paulo: Noeses, 2008, p. 480481). Em razão disso, para produzir os seus efeitos jurídicos próprios, a PER/Dcomp pressupõe a correta identificação do crédito e dos respectivos débitos compensados. Do contrário, não há como se aperfeiçoar juridicamente o encontro de contas entre as relações jurídicas obrigacionais. No presente feito, diante da não identificação da origem do crédito compensado, não há como se proceder à homologação da compensação, devido ao não aperfeiçoamento jurídico do encontro de contas pretendido pelo Recorrente. Votase, portanto, pelo conhecimento do recurso e pelo desprovimento, com a consequente manutenção do acórdão recorrido. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 115DF CARF MF Impresso em 12/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10875.906551/200990 Acórdão n.º 3802001.342 S3TE02 Fl. 113 7 Fl. 116DF CARF MF Impresso em 12/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA
score : 1.0
Numero do processo: 12268.000360/2009-04
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed May 29 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2009 a 31/07/2009
RECURSO INTEMPESTIVO.
É definitiva a decisão de primeira instância quando não interposto recurso voluntário no prazo legal. Não se toma conhecimento de recurso intempestivo.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2402-003.540
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por intempestividade.
Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente
Ronaldo de Lima Macedo - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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INTEMPESTIVO Recorrente ANTEX LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2009 a 31/07/2009 RECURSO INTEMPESTIVO. É definitiva a decisão de primeira instância quando não interposto recurso voluntário no prazo legal. Não se toma conhecimento de recurso intempestivo. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por intempestividade. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente Ronaldo de Lima Macedo Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 26 8. 00 03 60 /2 00 9- 04 Fl. 508DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 10/05/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Relatório Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, relativa à parcela desses segurados não descontada e não recolhida aos cofres públicos, para a competência 07/2009. O Relatório Fiscal (fls. 35/50) informa que os fatos geradores decorrem das remunerações relativas à mãodeobra empregada na execução de obra de construção civil, apuradas por aferição indireta proporcional à área construída e ao padrão de execução da obra, com base no artigo 33, §§ 3o e 6o, da Lei 8.212/1991. Esse Relatório informa ainda que a obra foi executada no período de 03/2005 a 10/2005 e possui matrícula CEI 34.210.06868/77. Tratase de ampliação de galpão industrial com área ampliada de 5.840,22 m2, e encontrase totalmente concluída. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 25/08/2009 (fl.02). A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 73/96), alegando, em síntese, que o lançamento fiscal é improcedente e não pode prevalecer, pois é inaplicável a aferição indireta no presente caso, afirmando que a escrituração contábil da empresa está em perfeita ordem. Questiona o procedimento de aferição indireta, abandonando a contabilidade da empresa, sem fundamentação, sem comprovação de qualquer fato que a invalide. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Belo Horizonte/MG – por meio do Acórdão no 0240.269 da 8a Turma da DRJ/BHE (fls. 451/452) – considerou o lançamento fiscal procedente em parte, eis que ela retificou a base de cálculo dos valores inicialmente apurados. A Notificada apresentou recurso, manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados e no mais efetua repetição das alegações da peça de impugnação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em Curitiba/PR encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processo e julgamento. É o relatório. Fl. 509DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 10/05/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 12268.000360/200904 Acórdão n.º 2402003.540 S2C4T2 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Quanto à tempestividade do recurso voluntário interposto, verificase que não houve cumprimento de tal requisito de admissibilidade. A Recorrente foi intimada da decisão de primeira instância em 25/09/2012, mediante correspondência postal acompanhada de Aviso de Recebimento (AR), conforme documento dos Correios juntado aos autos. Por sua vez, a Recorrente interpôs recurso voluntário, apresentando as mesmas alegações postuladas na sua peça de impugnação (fls. 35/50), e não se manifestou a respeito da tempestividade do recurso. Em decorrência dos elementos fáticos constantes nos autos, verificase que a Recorrente interpôs o recurso voluntário em 26/10/2012, nos termos da papeleta devidamente assinada por servidor do Fisco (Delegacia da Receita Federal do Brasil – DRF/CTA/CAC/CENTRO), papeleta inicial do recurso. O art. 5º, parágrafo único, do Decreto 70.235/1972 – diploma que trata do contencioso administrativo fiscal no âmbito dos tributos arrecadados e administrados pela União – estabelece como serão computados os prazos para interposição de recurso, transcrito abaixo: Art. 5º. Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Salientase que a tempestividade do recurso voluntário é aferida pela data do protocolo junto ao órgão preparador do processo (circunscrição do domicílio fiscal da Recorrente). Em outras palavras, o que importa, para verificar a tempestividade do recurso, é que ele tenha sido apresentado ao protocolo dentro do prazo legalmente previsto, nos termos do art. 33 do Decreto 70.235/1972, transcrito abaixo: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos 30 (trinta) dias seguintes à ciência da decisão.(g.n.) A Recorrente teve ciência da decisão de primeira instância – prolatada por meio do Acórdão no 0240.269 da 8a Turma da DRJ/BHE (fls. 451/452) –, em 25/09/2012 (terçafeira). Assim, levandose em consideração que os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão, nos exatos termos do parágrafo único do artigo 5º do Decreto 70.235/1972, o prazo para interposição de recurso teve início em 26/09/2012 (quartafeira). O trigésimo dia ocorreu em 25/10/2012 (quintafeira). Entretanto o recurso só teria sido postado em 26/10/2012, sextafeira. Fl. 510DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 10/05/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Com o mesmo entendimento, o art. 15 do Decreto 70.235/1972 estabelece que a peça recursal deverá ser apresentada no local do órgão preparador de circunscrição do sujeito passivo. Decreto 70.235/1972 (Processo Administrativo Fiscal PAF): Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. (g.n.) A regra na contagem dos prazos processuais é a continuidade, ou seja, os prazos não se suspendem nem se interrompem, com exceção das hipóteses de força maior ou de caso fortuito, como greves ou outros fatos que impeçam o funcionamento dos órgãos da Administração. Essas hipóteses devem ser devidamente comprovadas nos autos e, no momento, não as encontramos presentes neste processo. Nesse sentido, resta claro que a autuada não verificou o prazo para apresentação do recurso, só vindo a apresentálo após o vencimento legal. CONCLUSÃO: Diante do exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso interposto em razão da sua intempestividade. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 511DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 10/05/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 23034.024172/2003-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jun 27 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 01/12/1998, 31/12/2002
CONTRIBUIÇÕES AO FUNDO NACIONAL DE DESENVOLVIMENTO DA EDUCAÇÃO
Deduções realizadas em desconformidade com as informações prestadas pela Recorrente no FNDE na Relação de Alunos Indenizados (RAI).
Alunos dependentes que não se encontravam atendidos pelo SME anterior a deembro de 1996 não pode integrar o RAI.
No caso em tela a Recorrente não provou que os alundo dependentes que receberam o RAI estavam atendidos pelo SME (Sistema de Manutenção de Ensino Fundamental) anterior a edição da Lei n 9.424 de 1996, ou seja, dezembro de 1996.
DILIGÊNCIA
A diligência poderá ser indeferida pelo julgador se for prescíndivel ou impraticável.
No presente caso trata-se de impraticável, uma vez que a Recorrente deseja transferir ônus probandi seu, querendo apresentar prova de que os dependentes que receberam indevidamente o RAI eram atendidos pelo SME em dezembro de 1996, sendo certo que teve todas oportunidades possíveis para tal mister.
Ademais, impraticável é a diligência que não se tem ao menos o caminho que ela deverá percorrer.
MATÉRIAS NÃO RECORRIDAS
As matérias que não são recorridas, quanto não tratarem de matéria de ordem pública, estão atingidas pelo trânsito em julgado.
Multa não é matéria de ordem pública, e, como tal, sem o presente caso, não há de ser analisada em grau de recurso se não houve manifestação expressa, como é o caso em tela, estando atingida pelo trânsito em julgado
Numero da decisão: 2301-003.448
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso, no mérito,nos termos do voto do(a) Relator(a); II) Por voto de qualidade: a) em não conhecer da questão sobre a retificação da multa, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em conhecer da questão sobre a retificação da multa.
MARCELO OLIVEIRA - Presidente.
RELATOR - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira, (Presidente), Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva, Damião Cordeiro de Moraes e Wilson Antonio de Souza Corrêa.
Nome do relator: WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Data do fato gerador: 01/12/1998, 31/12/2002 CONTRIBUIÇÕES AO FUNDO NACIONAL DE DESENVOLVIMENTO DA EDUCAÇÃO Deduções realizadas em desconformidade com as informações prestadas pela Recorrente no FNDE na Relação de Alunos Indenizados (RAI). Alunos dependentes que não se encontravam atendidos pelo SME anterior a deembro de 1996 não pode integrar o RAI. No caso em tela a Recorrente não provou que os alundo dependentes que receberam o RAI estavam atendidos pelo SME (Sistema de Manutenção de Ensino Fundamental) anterior a edição da Lei n 9.424 de 1996, ou seja, dezembro de 1996. DILIGÊNCIA A diligência poderá ser indeferida pelo julgador se for prescíndivel ou impraticável. No presente caso trata-se de impraticável, uma vez que a Recorrente deseja transferir ônus probandi seu, querendo apresentar prova de que os dependentes que receberam indevidamente o RAI eram atendidos pelo SME em dezembro de 1996, sendo certo que teve todas oportunidades possíveis para tal mister. Ademais, impraticável é a diligência que não se tem ao menos o caminho que ela deverá percorrer. MATÉRIAS NÃO RECORRIDAS As matérias que não são recorridas, quanto não tratarem de matéria de ordem pública, estão atingidas pelo trânsito em julgado. Multa não é matéria de ordem pública, e, como tal, sem o presente caso, não há de ser analisada em grau de recurso se não houve manifestação expressa, como é o caso em tela, estando atingida pelo trânsito em julgado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso, no mérito,nos termos do voto do(a) Relator(a); II) Por voto de qualidade: a) em não conhecer da questão sobre a retificação da multa, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em conhecer da questão sobre a retificação da multa. MARCELO OLIVEIRA - Presidente. RELATOR - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira, (Presidente), Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva, Damião Cordeiro de Moraes e Wilson Antonio de Souza Corrêa.
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Alunos dependentes que não se encontravam atendidos pelo SME anterior a deembro de 1996 não pode integrar o RAI. No caso em tela a Recorrente não provou que os alundo dependentes que receberam o RAI estavam atendidos pelo SME (Sistema de Manutenção de Ensino Fundamental) anterior a edição da Lei n 9.424 de 1996, ou seja, dezembro de 1996. DILIGÊNCIA A diligência poderá ser indeferida pelo julgador se for prescíndivel ou impraticável. No presente caso tratase de impraticável, uma vez que a Recorrente deseja transferir ônus probandi seu, querendo apresentar prova de que os dependentes que receberam indevidamente o RAI eram atendidos pelo SME em dezembro de 1996, sendo certo que teve todas oportunidades possíveis para tal mister. Ademais, impraticável é a diligência que não se tem ao menos o caminho que ela deverá percorrer. MATÉRIAS NÃO RECORRIDAS As matérias que não são recorridas, quanto não tratarem de matéria de ordem pública, estão atingidas pelo trânsito em julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 23 03 4. 02 41 72 /2 00 3- 38 Fl. 290DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA 2 Multa não é matéria de ordem pública, e, como tal, sem o presente caso, não há de ser analisada em grau de recurso se não houve manifestação expressa, como é o caso em tela, estando atingida pelo trânsito em julgado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso, no mérito,nos termos do voto do(a) Relator(a); II) Por voto de qualidade: a) em não conhecer da questão sobre a retificação da multa, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em conhecer da questão sobre a retificação da multa. MARCELO OLIVEIRA Presidente. RELATOR Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira, (Presidente), Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva, Damião Cordeiro de Moraes e Wilson Antonio de Souza Corrêa. Fl. 291DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA Processo nº 23034.024172/200338 Acórdão n.º 2301003.448 S2C3T1 Fl. 9 3 Relatório Tratase de contribuições ao Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (salárioeducação), incidentes sobre as remunerações dos segurados que prestaram serviços ao Recorrente no período de 12/1998 a 12/2002. O crédito exigido decorre de glosa de deduções irregularmente realizadas pelo Recorrente no documento de arrecadação do salárioeducação, a titulo de indenização de dependentes, uma vez que as deduções foram feitas em desacordo com as informações prestadas pela empresa ao FNDE na Relação de Alunos Indenizados (RAI), foi realizado o lançamento correspondente às glosas das deduções indevidas no valor de R$10.566,97. Apresentou impugnação, com suas razões, cuja qual foi julgada parcialmente procedente, excluindose pela decadência com base no artigo 150 § 4° do CTN, por ser tributo lançado por homologação e por haver antecipado parte do pagamento, e, como a efetivação da notificação ocorreu em 20/04/2004, foram consideradas decadentes as competências até 03/1999 para trás. Em 09.MAR.2012 (sextafeira) tomou ciência da decisão e no dia 09.ABR.2012 aviou o presente remédio recursal, argumentando que a dedução de valores pagos pela Recorrente aos seus empregados a título de indenização pelo pagamento de mensalidade de ensino fundamental aos seus dependentes em instituição particular encontra espeque no inciso II, § 1°, do Artigo 10 do Decreto 3.142 de 1999. Diz que as provas dos autos são assaz para corroborar o alegado pagamento. Alega que a Fiscalização não levou em conta os mencionados documentos sob a fundamentação de que a Recorrente não comprovou que anteriormente a vigência da Lei 9.424 de 1996, os dependentes dos segurados estivessem regularmente atendidos pelo Sistema de Manutenção de Ensino Fundamental, como beneficiário, eis que o § 3° do artigo 15° passou a vedar novos ingressos de beneficários. Junta Jurisprudência e pede a realização de diligência para provar que os dependentes dos empregados já estavam relacionados no ME. É a síntese do necessário. Fl. 292DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA 4 Voto Conselheiro Wilson Antônio de Souza Côrrea Relator O presente Recurso Voluntário acode os pressupostos de admissibilidade, razão pela qual, desde já, dele conheço. a) QUANTO A REGULAR INSCRIÇÃO NO SME A questão posta em pauta é saber se os dependentes dos empregados da Recorrente estavam regularmente atendidos (inscritos) no Sistema de Manutenção de Ensino Fundametal, determinado pela Lei 9.424 de 1996, em dezembro de 1996. Eis o ponto nodal da questão. Reza a legislação específica, Lei n. 9.424, de 24 de dezembro de 1996 que dispõe sobre o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério: Art. 1º É instituído, no âmbito de cada Estado e do Distrito Federal, o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério, o qual terá natureza contábil e será implantado, automaticamente, a partir de 12 de janeiro de 1998: ...... Art. 15. O SalárioEducação, previsto no art. 212, § 5º, da Constituição Federal e devido pelas empresas, na forma em que vier a ser disposto em regulamento, é calculado com base na alíquota de 2,5% (dois e meio por cento) sobre o total de remunerações pagas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados, assim definidos no art. 12. inciso I, da Lei n.º 8.212, de 24 de julho de 1991. .... § 3º Os alunos regularmente atendidos, na data da edição desta lei, como beneficiários da aplicação realizada pelas empresas contribuintes, no ensino fundamental dos seus empregados e dependentes, à conta de deduções da contribuição social do SalárioEducação, na forma da legislação em vigor, terão, a partir de 12 de janeiro de 1997, o beneficio assegurado, respeitadas as condições em que foi concedido, e vedados novos ingressos nos termos do art. 212, § 5º, da Constituição Federal. Diz a decisão ora anatematizada que: “Da documentação juntada à impugnação (fls. 51/188), verificamos que não há qualquer comprovação de freqüência e pagamento das mensalidades em estabelecimentos particulares de ensino, para o 2°. semestre/1996. Em conseqüência, resta impossível comprovar a regularidade das deduções de dependentes nos semestres seguintes.” De fato, nos autos a documentação apresentada não comprova a frequência e ou, ao menos, o pagamento de mensalidades dos dependentes dos empregados da Recorrente em instituições particulares de ensino, anterior a dezembro de 1996. Fl. 293DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA Processo nº 23034.024172/200338 Acórdão n.º 2301003.448 S2C3T1 Fl. 10 5 E isto é muito importante, porque a exegese do dispositivo em tela não deixa remota dúvida de que há necessidade de, em dezembro de 1996 os alunos atendamna (leiase: estejam cursando). Portanto, sem razão a Recorrente, pois, como não comprovou que os dependentes dos empregados indenizados estavam regularmente atendidos pelo programa SME em 12/1996, não pode querer usufuruição dos benefícios concedidos pela lei, visto que a ‘conditio sine qua non’ não foi acudida. b) DILIGÊNCIA Deseja a Recorrente a realização de diligência para o fim de provar que os dependentes dso empregados benficiados pela indenização, causa da autuação, estavam ‘atendidos’ pelo SME em Dezembro de 1996. Tenho que a diligência é pratica auspiciada pelo Dedreto 70.235 de 1972, apesar de estar em vigor muito antes da Carta Maior de 1988, mas que já comtemplava, desde então, a ampla defesa. Todavia, os momentos são oportunos, e como tal, se não respeitados devem, como dito pelo Decreto em tela, ser indeferido se o julgador considerar presindíveis. No caso em tela não é presindível a diligência, porque é o ponto nodal da questão, eis que modificaria toda a autuação se, ao contrário do que alega a decisão objurgada, provasse que os dependentes atendiam ao SME. Mas neste momento é impraticavel, pois deveria a Recorrente, junto com a peça recursiva aviada, ter acostado ao menos notificações aos estabeleicmentos de ensino onde estudavam os dependentes dos beneficiários requerendo a comprovação de que os dependentes atendiam o SME. Enfim, poderia, para provar o alegado, ter juntado vários outros tipos de documentos que corroborassem com sua tese, mas não o fez, e deseja, para suprir esta ausência a realização de diligência. E ai se pergunta: Diligência onde!!! Nas casas dos beneficários! Nas repartições das isntituições de ensino! Portanto, o que deseja a Recorrente é transferir um ônus seu para o poder Público, o que não permissível no contencioso administrativo. MATÉRIAS NÃO RECORRIDAS. Urge tratar das matérias não suscitadas em seu recurso, cujas quais penso não constituir matéria de ordem pública, já que estas normas (ordem pública) são aquelas de aplicação imperativa que visam diretamente a tutela de interesses da sociedade, o que não é o caso. Neste diapasão tenho que a ‘Ordem Pública’ significa dizer do desejo social de justiça, assim caracterizado porque há de se resguardar os valores fundamentais e essenciais, para construção de um ordenamento jurídico ‘JUSTO’, tutelando o estado democrático de direito. Fl. 294DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA 6 Por outro lado, julgar matéria não questionada e que não trate do interesse público é decisão ‘extra petita’, como é o caso em tela onde a multa não foi anatematizada pelo Recorrente, e que tem o meu pronunciamento de aplicação da multa mais favorável ao contribuinte, mas que neste momento não julgo a questão, eis que não refutada no recurso e não se trata de matéria de ordem pública. Tem o meu voto no sentido de que matéria não recorrida é matéria atingida pela instituição do trânsito em julgado, mesmo as matérias de ordem pública não pré questionadas, porque, em não sendo préquestionadas há limite para cognição. Das pesquisas realizadas para definir o que seja ‘matéria de ordem pública’, parecenos que a mais completa seja a de Fábio Ramazzini Becha, que peço vênia para transcrevêla: “.. Matéria de Ordem Pública tratase de conceito indeterminado, a dificuldade de interpretação é maior do que nos conceitos legais determinados. .. Prossegue: “... A ordem pública enquanto conceito indeterminado, caracterizado pela falta de precisão e ausência de determinismo em seu conteúdo, mas que apresenta ampla generalidade e abstração, põese no sistema como inequívoco princípio geral, cuja aplicabilidade manifestase nas mais variadas ramificações das ciências em geral, notadamente no direito, preservado, todavia, o sentido genuinamente concebido. A indeterminação do conteúdo da expressão faz com que a função do intérprete assuma um papel significativo no ajuste do termo. Considerando o sistema vigente como um sistema aberto de normas, que se assenta fundamentalmente em conceitos indeterminados, ao mesmo tempo em que se reconhece a necessidade de um esforço interpretativo muito mais árduo e acentuado, é inegável que o processo de interpretação gera um resultado social mais aceitável e próximo da realidade contextualizada. Se, por um lado, a indeterminação do conceito sugere uma aparente insegurança jurídica em razão da maior liberdade de argumentação deferida ao intérprete, de outro lado é, pois, evidente, a eficiência e o perfeito ajuste à historicidade dos fatos considerada. O fato de se estar diante de um conceito indeterminado não significa que o conteúdo da expressão “ordem pública” seja inatingível.(...)” (...) A ordem pública representa um anseio social de justiça, assim caracterizado por conta da preservação de valores fundamentais, proporcionando a construção de um ambiente e contexto absolutamente favoráveis ao pleno desenvolvimento humano. Tratase de instituto que tutela toda a vida orgânica do Estado, de tal forma que se mostram igualmente variadas as possibilidades de ofendêla. As leis de ordem pública são aquelas que, em um Estado, estabelecem os princípios cuja Fl. 295DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA Processo nº 23034.024172/200338 Acórdão n.º 2301003.448 S2C3T1 Fl. 11 7 manutenção se considera indispensável à organização da vida social, segundo os preceitos de direito. (...) Para Andréia Lopes de Oliveira Ferreira matéria de ordem pública implica dizer que: “são questões de ordem pública aquelas em que o interesse protegido é do Estado e da sociedade e, via de regra, referemse à existência e admissibilidade da ação e do processo. Tratase de conceito vago, não podendo ser preenchido com uma definição” e cita Tércio Sampaio Ferraz, para quem “é como se o legislador convocasse o aplicador para configuração do sentido adequado” A princípio temse que matéria de ordem pública é aquela que diz respeito à sociedade como um todo, e dentro de um critério mais correto a sua identificação é feita através de se saber qual o regime legal que ela se encontra, ou seja, quando a lei diz. É bem verdade e o difícil é que nem sempre a lei diz se determinada matéria é ou não de ordem publica, e, neste caso, para resolver a questão, urge que a concretização e a delimitação do conteúdo da ordem pública constitui tarefa exclusiva das Cortes Nacionais. Todavia, elas mesmas (Cortes Superiores) não definiram com exatidão o que vem ser matéria de ordem pública, e tão pouco se a multa quando não recorrida deve ou não ser decidido por ser matéria imperiosa de julgamento, tratandose de interesse geral. E mais, mesmo quando a matéria é de ordem pública e não préquestionada, o STJ vem reiteradamente decidindo que, reconhecidamente matérias de ordem pública, quando não analisada em instâncias inferiores e tão pouco préquestionadas, não devem ser analisadas naquela Corte. ‘Ex vi’ Acórdão abaixo: AgRg no REsp 1203549 / ES AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL 2010/01195407 Relator Ministro CESAR ASFOR ROCHA (1098) T2 SEGUNDA TURMA Data de Julgamento 03/05/2012 DJe 28/05/2012 Ementa AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ESPECIAL. SUSPENSÃO DE LIMINARINDEFERIDA. PREQUESTIONAMENTO. QUESTÕES DE ORDEM PÚBLICA. A jurisprudência do STJ é firme no sentido de que, na instância especial, é vedado o exame de questão não debatida na origem, carente Fl. 296DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA 8 de préquestionamento, ainda que se trate eventualmente de matéria de ordem pública.Agravo regimental improvido. Acórdão Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça, na conformidade dos votos e das notas taquigráficas a seguir, prosseguindose no julgamento, após o voto vista do Sr. Ministro Mauro Campbell Marques, acompanhando o Sr. Ministro Cesar Asfor Rocha, por unanimidade, negar provimento ao agravo regimental, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Castro Meira, Humberto Martins, Herman Benjamin e Mauro Campbell Marques (votovista) votaram com o Sr. MinistroRelator. Assim, tenho que a multa não é matéria de ordem pública porque, como dito por Fábio Rmanssini Bechara, ela não ‘representa um anseio social de justiça, assim caracterizado por conta da preservação de valores fundamentais, proporcionando a construção de um ambiente e contexto absolutamente favoráveis ao pleno desenvolvimento humano’. CONCLUSÃO Diante do acima exposto, como o presente recurso voluntário atende os pressupostos de admissibilidade, dele conheço, para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO, julgando improcedentes os quesitos aviados no presente Recurso Voluntário. É o voto. Wilson Antônio de Souza Côrrea Relator Relator Fl. 297DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA
score : 1.0
Numero do processo: 19679.010867/2005-41
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2005, 2006
ISENÇÃO POR MOLÉSTIA GRAVE - PROVENTOS
NÃO
DECORRENTES DE APOSENTADORIA, PENSÃO OU REFORMA.
O benefício da isenção do imposto de renda, concedido aos portadores de
moléstia grave, somente se aplica aos proventos de aposentadoria, pensão ou
reforma. Os rendimentos de natureza diversa não estão isentos do imposto.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2801-002.311
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento parcial ao recurso para reconhecer a isenção dos proventos de aposentadoria
auferidos pela contribuinte no período de junho a dezembro de 2005, no valor total de R$
54.439,85, nos termos do voto da Relatora.
Matéria: IRPF- restituição - rendim.isentos/não tributaveis(ex.:PDV)
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2005, 2006 ISENÇÃO POR MOLÉSTIA GRAVE - PROVENTOS NÃO DECORRENTES DE APOSENTADORIA, PENSÃO OU REFORMA. O benefício da isenção do imposto de renda, concedido aos portadores de moléstia grave, somente se aplica aos proventos de aposentadoria, pensão ou reforma. Os rendimentos de natureza diversa não estão isentos do imposto. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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O benefício da isenção do imposto de renda, concedido aos portadores de moléstia grave, somente se aplica aos proventos de aposentadoria, pensão ou reforma. Os rendimentos de natureza diversa não estão isentos do imposto. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a isenção dos proventos de aposentadoria auferidos pela contribuinte no período de junho a dezembro de 2005, no valor total de R$ 54.439,85, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Sandro Machado dos Reis, Tânia Mara Paschoalin, Carlos César Quadros Pierre, Walter Reinaldo Falcão Lima e Luiz Claudio Farina Ventrilho. Relatório Fl. 37DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 22/03/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH A Processo nº 19679.010867/200541 Acórdão n.º 280102.311 S2TE01 Fl. 33 2 Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 7ª Turma de Julgamento da DRJ/SP2/SP. Por bem descrever os fatos, reproduzse abaixo o relatório da decisão recorrida: “A contribuinte apresentou, em 04/07/2008, manifestação de inconformidade de fl. 12, discordando do Despacho Decisório exarado pela DIORT/DERAT/SP (fls. 07/10), do qual tomou ciência em 16/06/2008 (fl. 11), que indeferiu o pedido de restituição do valor relativo ao imposto de renda pessoa física, dos anoscalendário de 2004 e 2005, pedido esse lastreado na alegação de que a contribuinte é portadora de moléstia grave. A decisão considerou não formulado o Pedido de Restituição de Imposto de Renda Pessoa Física que incidiu sobre rendimentos isentos declarados na DIRPF como rendimentos tributáveis, tendo em vista que o mesmo poderá ser pleiteado exclusivamente mediante a apresentação de DIRPF retificadora e indeferiu o Pedido de Restituição de IRRF sobre o 13º salário referente ao anocalendário de 2004, por não se tratar de aposentadoria. Por intermédio da manifestação de inconformidade de fl. 12, a interessada, alega, em síntese, que: 1) A contribuinte tem direito a obter a restituição do IR conforme pleiteado, pois está amparada por lei federal, tendo preenchido todos os requisitos. 2) Tal direito não pode ser frustrado por mera instrução normativa, que passou a exigir declaração retificadora. Até porque não haveria o que ser retificado, visto que suas declarações estão corretas. Acrescentese que o 13º salário integra os proventos de aposentadoria. 3) Por outro lado, não conhecendo a contribuinte a legislação tributária e não sabendo operar computador, não parece justo nem razoável que seja obrigada a contratar serviços de terceiros, apenas para conseguir seu pacifico direito de restituição.” A solicitação foi indeferida, conforme Acórdão de fls. 22/27, que restou assim ementado: RESTITUIÇÃO RENDIMENTOS AUFERIDOS POR PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. Na hipótese de rendimento isento ou nãotributável declarado na DIRPF como rendimento sujeito à incidência de imposto de renda e ao ajuste anual, a restituição do indébito de imposto de renda será pleiteada exclusivamente mediante a apresentação da DIRPF retificadora. Apenas as restituições referentes ao 13º salário poderão ser pleiteadas mediante formulário. Regularmente cientificada daquele acórdão em 08/07/2009 (fls. 27), a interessada interpôs recurso voluntário de fls. 29/30, em 22/07/2009. Em sua defesa, reitera que subordinar a restituição à apresentação de declaração retificadora não parece adequado, nem razoável sob o aspecto legal e social. Pretende seja deferido o pedido de restituição, ao menos Fl. 38DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 22/03/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH A Processo nº 19679.010867/200541 Acórdão n.º 280102.311 S2TE01 Fl. 34 3 do período posterior à aposentadoria da Prefeitura Municipal de São Paulo, com atualização pertinente. É o relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Como bem assinalado na decisão recorrida, a isenção aos portadores de moléstia grave alcança apenas os proventos de aposentadoria, pensão ou reforma, bem como as respectivas complementações. Assim, além da condição de ser o beneficiário dos rendimentos portador de doença contemplada na norma legal, é necessária a condição de terem os rendimentos a natureza acima referida. No caso em tela, as provas carreadas aos autos não deixam qualquer dúvida quanto à natureza diversa dos rendimentos recebidos da Prefeitura do Município de São Paulo até o mês de maio de 2005, dado que a recorrente aposentouse em junho de 2005, conforme consta do Titulo de Aposentadoria n° 007/05 — SJ (fls. 04). Importa observar que, apesar de ter sido concedida aposentadoria por tempo de serviço pelo INSS em 03/10/2005 (fl. 05), a contribuinte somente recebeu rendimentos dessa fonte pagadora, ainda que retroativos, a partir de 14/03/2006, de acordo com as informações do documento de fl. 05. Quanto ao fato de existir norma administrativa no sentido de que a restituição do indébito do imposto de renda seja pleiteada mediante a apresentação de DIRPF retificadora, quando se tratar de rendimento isento ou nãotributável declarado na DIRPF como rendimento sujeito à incidência do imposto e ao ajuste anual, entendo que a forma estabelecida em ato normativo visando operacionalizar a restituição de imposto de renda incidente sobre rendimento isento ou nãotributável não pode se sobrepor a atos legais que amparam o reconhecimento da restituição, mormente considerando que, em sede de julgamento de 1ª instância, verificouse, em pesquisas nos sistemas da RFB, que não houve entrega de declarações retificadoras. Portanto, é de se reconhecer a isenção reclamada do imposto de renda a partir da data de sua aposentadoria, ocorrida em junho de 2005, para excluir da base de cálculo o valor dos rendimentos de aposentadoria recebidos da Prefeitura do Município de São Paulo, consignados na DIRF de fl. 21, que totalizam R$ 54.439,85. Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a isenção dos proventos de aposentadoria auferidos pela contribuinte no período de junho a dezembro de 2005, no montante de R$ 54.439,85. Assinado digitalmente Fl. 39DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 22/03/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH A Processo nº 19679.010867/200541 Acórdão n.º 280102.311 S2TE01 Fl. 35 4 Tânia Mara Paschoalin Fl. 40DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 22/03/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH A
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Numero do processo: 10380.901028/2008-58
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Aug 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/07/2002 a 31/07/2002
Ementa:
É conditio sine qua non a existência de um pagamento indevido ou a maior que o devido para que o contribuinte faça jus à repetição do indébito, a qual só pode ocorrer dentro do prazo decadencial previsto na legislação. Caso contrário, estaríamos diante de um enriquecimento sem causa de uma das partes. Não ocorrendo tais condições, não há direito a crédito. Por sua vez, sem crédito, a compensação fica prejudicada, pela falta do principal pressuposto legal, qual seja: a reciprocidade de credor e devedor entre as pessoas envolvidas.
Numero da decisão: 3402-002.104
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para homologar a compensação declarada até o limite do crédito reconhecido, nos termos do relatório de diligência
(assinado digitalmente)
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Relator e Presidente Substituto.
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Silvia de Brito Oliveira, Winderley Morais Pereira, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca e Leonardo Mussi da Silva(Suplente).
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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Caso contrário, estaríamos diante de um enriquecimento sem causa de uma das partes. Não ocorrendo tais condições, não há direito a crédito. Por sua vez, sem crédito, a compensação fica prejudicada, pela falta do principal pressuposto legal, qual seja: a reciprocidade de credor e devedor entre as pessoas envolvidas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para homologar a compensação declarada até o limite do crédito reconhecido, nos termos do relatório de diligência (assinado digitalmente) GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO – Relator e Presidente Substituto. Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Silvia de Brito Oliveira, Winderley Morais Pereira, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca e Leonardo Mussi da Silva(Suplente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 90 10 28 /2 00 8- 58 Fl. 487DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10380.901028/200858 Acórdão n.º 3402002.104 S3C4T2 Fl. 205 2 Relatório Como forma de elucidar os fatos ocorridos, colaciono o relatório da Resolução nº 3402000307, de 01/09/2011, verbis: Tratase de pedido de ressarcimento cumulado com declaração de compensação. O credito usado na compensação é oriundo de pagamento a maior do PIS, efetuado em 15/08/2002. O Despacho decisório considerou que o recolhimento informado na DCOMP foi totalmente utilizado para quitar os débitos informados na DCTF, não havendo credito a ser usado na compensação. O pedido foi indeferido e as compensações não foram homologadas. Cientificada a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando: o crédito apurado em seu favor decorreu de correção nos cálculos de apuração do PIS, entretanto não foi efetivada a retificação através do envio de DCTF retificadora, bem como de DIPJ retificadora. detectada a falha, foi apresentada somente a retificação da DIPJ. A DCTF não foi apresentada em virtude de o contribuinte ter recebido Termo de Intimação para prestar esclarecimentos acerca de divergências apresentadas entre DIPJ e DCTF relativo à COFINS. em dezembro de 2006 apresentou as justificativas para o Termo de Intimação e solicitou orientação sobre a necessidade de retificação das DCTF já que estava sob procedimento fiscal. A orientação até hoje não foi recebida. anexa os PER/DCOMP e planilhas de atualização do alegado crédito. considera que com a retificação da DCTF, estará regularizada a pendência. Para tanto procedeu a retificação da DCTF de 2002 em 04 de junho de 2008. Requer o acatamento da retificação da DCTF, como também que os PER/DCOMP sejam acolhidos e que a cobrança dos débitos constantes das notificações sejam anuladas. A autoridade julgadora a quo indeferiu a solicitação. A contribuinte apresenta recurso voluntário alegando as mesmas razões da inicial, acrescendo: • o crédito apurado em favor da recorrente decorreu de correção nos cálculos de apuração do PIS, Fl. 488DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10380.901028/200858 Acórdão n.º 3402002.104 S3C4T2 Fl. 206 3 • a retificação das DCTF foi realizada em virtude da revisão de DIPJ realizada no âmbito do processo 10.380.001058/2007 81(anexo I) que culminou com a lavratura de Auto de Infração da COFINS . Neste processo o nobre auditor fiscal utilizou como base para autuação os valores constantes da DIPJ como podemos observar as folhas 08 deste processo nota de rodapé "Fonte : coluna (A e B) Linha 20 e 21 da ficha 20a — DIPJ"(anexo II). • Se o auditor utilizou a DIPJ para realizar a autuação é porque verificou junto a escrituração contábil que os valores estavam corretos e portanto válidos(vide anexo III), razão pela qual a contribuinte também poderia utilizarse destas mesmas informações para lastrear seu pedido de restituição já que a base de cálculo da COFINS é a mesma do PIS. • O que este contribuinte fez foi apenas adequar a base de cálculo utilizada pelo auditor autuante no processo 10380.001058/200781 COFINS, à base de cálculo do PIS objeto da presente defesa, razão pela qual restaram evidenciados o pagamento à maior que foi objeto do presente crédito ora utilizado. • Os r. julgadores afirmam ter verificado que a recorrente apresentou DIPJ antes de cientificado da decisão denegatória de seu pedido, no entanto, a DIPJ, tratase de mecanismo meramente informativo de informações econômico fiscais, sem portanto, ter força de confissão. A Declaração que faria provas ao direito credit6rio seria a DCTF, por força do art. 5° do Decretolei nº 2.124/84, c/c o parágrafo 1º do artigo 90 da Instrução Normativa SRF no. 482, de 21 de dezembro de 2004, que lhe atribuem a condição de instrumento de confissão de divida e constituição definitiva de credito tributário. • Discorre sobre a ilegalidade da norma que criou a DCTF e deu a esta o caráter de confissão de divida. A 2ª Turma da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF converteu o julgamento em diligência para que o órgão de origem tomasse as seguintes providências: 1) Intimar a contribuinte para que ela apresente copias de seus livros fiscais demonstrando as corretas bases de calculo do PIS devido; 2) Intimar a contribuinte para que ela efetivamente demonstre através de planilha demonstrativa pormenorizada, embasadas em documentos contábeis fiscais, a correta base de calculo da contribuição devida, os valores recolhidos por meio de DARF e os valores que entende indevidos, bem como quais os valores já utilizados em outras compensações (com a devida comprovação); e Fl. 489DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10380.901028/200858 Acórdão n.º 3402002.104 S3C4T2 Fl. 207 4 3) Verificar diante das informações e documentos apresentados pela contribuinte a existência do alegado direito creditório, inclusive com elaboração de demonstrativos de calculo e relatório final de diligencia, anexando os documentos que se fizerem necessários para o deslinde da questão. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Fortaleza intimou o sujeito passivo para apresentar os documentos necessários para a feitura da diligência proposta. Passado o prazo de 20 dias, o contribuinte mantevese inerte. A Autoridade Preparadora fez a análise solicitada pelo Colegiado do Carf com base nos registros documentais que possuía. É o Relatório. Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dele tomo conhecimento e passo a apreciar. Conforme relatado, a lide posta nos autos diz respeito a pedido de restituição cumulado com declarações de compensação. Este Colegiado baixou o processo em diligência para análise de questões imprescindíveis para o julgamento da controversa. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Fortaleza/CE realizou o trabalho de campo, ao final produziu um relatório fiscal, o qual o recorrente teve ciência para contestar e manifestou concordância com os dados apurados pelo Fisco. Com base nas apurações feitas pela Delegacia de Origem constato: a) Que o recorrente pleiteou um crédito financeiro referente ao recolhimento do PIS efetuado em 15/08/2002 no valor de R$ 38.660,99 e foi apurado um crédito a seu favor no valor de R$ 38.660,62; e b) Que o recorrente utilizou o valor acima para compensar crédito tributário da Cofins referente à janeiro de 2004 no valor de R$ 50.158,77; É de meridiana obviedade que o recorrente não tinha valores a restituir suficientes para contemplar toda a compensação pretendida. Diante desta quadro, convém tecer resumidas linhas sobre os institutos da restituição e da compensação. Nos casos de pagamento indevido ou a maior, fatos que justificam uma eventual repetição do indébito, a idéia de restituir é para que ocorra um reequilíbrio Fl. 490DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10380.901028/200858 Acórdão n.º 3402002.104 S3C4T2 Fl. 208 5 patrimonial. O direito de repetir o que foi pago emerge do fato de não existir débito correspondente ao pagamento. Portanto, a restituição é a devolução de um bem que foi transladado de um sujeito a outro equivocadamente. Deve ficar entre dois parâmetros, não podendo ultrapassar o enriquecimento efetivo recebido pelo agente em detrimento do devedor, tampouco ultrapassar o empobrecimento do outro agente, isto é, o montante em que o patrimônio sofreu diminuição. O ordenamento jurídico estabelece a obrigação de restituir a “todo aquele que recebeu o que lhe não era devido”, e essa obrigação se extingue com a restituição do indevido ou com a decadência do direito. A restituição do indevido pode ser feita por meio da compensação, que é uma forma indireta de extinção da obrigação, feita por uma via oblíqua. Doutrinariamente, a compensação é dividida em duas categorias: a legal e a convencional. A adotada pelo direito tributário é a legal, ou seja, presentes os pressupostos legais, ela se opera independentemente da vontade dos interessados. O conteúdo semântico do termo compensação, adotado pelo Código Tributário Nacional, tem os mesmos contornos do conceito consolidado no direito civil. Não se pode olvidar que os termos e conceitos jurídicos consolidados no direito privado não podem ser modificados pela lei tributária, conforme reza o art. 110 do CTN. É pressuposto da compensação que os sujeitos possuam uma condição recíproca de credor e devedor. Existe uma contraposição de direitos e obrigações que, colocados na balança e equilibrados, se extinguem. Tal extinção assemelhase ao pagamento, contudo um pagamento indireto pela exclusão de um débito em face do direito a um crédito. Nesta linha, podese inferir que compensar significa fazer um acerto no equilíbrio entre os débitos e os créditos que duas pessoas têm, ao mesmo tempo. Portanto, temos como pressupostos de admissibilidade da compensação legal a reciprocidade dos créditos (obrigações), a liquidez das dívidas, a exigibilidade atual das prestações e a homogeneidade das prestações (fungibilidade dos débitos). Após essa breve explanação, fica evidente que é conditio sine qua non a existência de um pagamento indevido ou a maior que o devido para que o contribuinte faça jus à repetição do indébito, a qual só pode ocorrer dentro do prazo decadencial previsto na legislação. Caso contrário, estaríamos diante de um enriquecimento sem causa de uma das partes. Não ocorrendo tais condições, não há direito a crédito. Por sua vez, sem crédito, a compensação fica prejudicada, pela falta do principal pressuposto legal, qual seja: a reciprocidade de credor e devedor entre as pessoas envolvidas. No direito tributário nacional, a compensação está prevista na espécie denominada de “compensação legal”, e assim sendo constitui um direito subjetivo que pode ser exercitado por quem se encontre em situação hábil a pleiteála exigindo que sua obrigação tributária seja extinta em procedimento de compensação, conquanto que sejam preenchidos os seguintes requisitos legais: · Especificidade, isto é, a existência de lei autorizativa específica; · A estipulação de condições e garantias na lei autorizativa específica; · Reciprocidade, ou seja, o sujeito passivo deve ser portador de créditos próprios oponíveis a outros créditos da Fazenda Pública; Fl. 491DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10380.901028/200858 Acórdão n.º 3402002.104 S3C4T2 Fl. 209 6 · Liquidez, que se caracteriza pelos créditos devidamente quantificados e expressos em unidades monetárias; · Certeza, diz respeito a sua constituição fundada na existência de uma relação jurídico tributária completamente definida; · Exigibilidade irrestrita relativamente aos créditos vencidos e também vincendos de compensação. Cumpre observar que o instituto da compensação de créditos tributários está previsto no art. 170 da Lei nº 5.172, de 26 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional – CTN), que diz: “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Parágrafo único. Sendo vincendo o crédito do sujeito passivo, a lei determinará, para os efeitos deste artigo, a apuração do seu montante, não podendo, porém, cominar redução maior que a correspondente ao juro de 1% (um por cento) ao mês pelo tempo a decorrer entre a data da compensação e a do vencimento.” É oportuno tecer algumas linhas acerca da história da compensação tributária. O Código Tributário Nacional arrolou a compensação como uma das modalidades de extinção do crédito tributário, cometendo à lei ordinária a tarefa de disciplinarlhe as condições e garantias (art. 170 do CTN). Essa previsão encampa uma conotação de norma delineadora de simples perspectiva de direito, notadamente por ser dirigida à autoridade administrativa. Com o escopo de fulminar qualquer conjectura voltada à atribuição de letra morta ao instituto da compensação em matéria tributária, em nível federal, houve a devida instrumentalização desse instituto jurídico, de modo que a Lei nº 8.383/91, por força do seu art. 66, passou a autorizar a autocompensação de indébitos tributários no âmbito do lançamento por homologação. Assim, para que o contribuinte pudesse se valer do direito subjetivo à autocompensação de indébito tributário, nos termos do art. 66 da Lei nº 8.383/91, com alterações introduzidas pelo art. 39 da Lei nº 9.250/95, bastava, simplesmente, que o mesmo tivesse efetuado pagamento indevido ou maior de tributos e que a compensação se realizasse com débitos vincendos de tributos da mesma espécie e destinação constitucional. Todavia, essa autocompensação deveria ficar demonstrada na contabilidade do sujeito passivo, tendo em vista o poderdever do fisco de fiscalizar e verificar a regularidade da compensação, ou, sendo o caso, diante da apuração de eventuais irregularidades, cabendo lhe notificar as diferenças e/ou excessos praticados. Desta forma, provase que ocorreu a autocompensação com a apresentação da respectiva escrituração nos livros fiscais. Com o advento da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, artigos 73 e 74, a Administração Tributária passou a admitir a compensação de créditos do sujeito passivo, perante a SRF, decorrentes de restituição ou ressarcimento, com seus débitos tributários Fl. 492DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10380.901028/200858 Acórdão n.º 3402002.104 S3C4T2 Fl. 210 7 relativos a quaisquer tributos ou contribuições sob a administração da mesma Secretaria, vencidos ou vincendos, ainda que não fossem da mesma espécie e nem tivessem a mesma destinação constitucional. “Art. 73. Para efeito do disposto no art. 7º do Decretolei nº 2.287, de 23 de julho de 1986, a utilização dos créditos do contribuinte e a quitação de seus débitos serão efetuadas em procedimentos internos à Secretaria da Receita Federal, observado o seguinte: I o valor bruto da restituição ou do ressarcimento será debitado à conta do tributo ou da contribuição a que se referir; II a parcela utilizada para a quitação de débitos do contribuinte ou responsável será creditada à conta do respectivo tributo ou da respectiva contribuição. Art. 74. Observado o disposto no artigo anterior, a Secretaria da Receita Federal, atendendo a requerimento do contribuinte, poderá autorizar a utilização de créditos a serem a ele restituídos ou ressarcidos para a quitação de quaisquer tributos e contribuições sob sua administração.” Regulamentando os artigos 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 1996, foi baixado o Decreto nº 2.138, de 29/01/1997, dispondo sobre a compensação de créditos tributários com créditos do sujeito passivo, decorrentes de restituição ou ressarcimento de tributos ou contribuições, a ser efetuada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil: “Art. 1°. É admitida a compensação de créditos do sujeito passivo perante a Secretaria da Receita Federal, decorrentes de restituição ou ressarcimento, com seus débitos tributários relativos a quaisquer tributos ou contribuições sob administração da mesma Secretaria, ainda que não sejam da mesma espécie nem tenham a mesma destinação constitucional. Parágrafo único. A compensação será efetuada pela Secretaria da Receita Federal, a requerimento do contribuinte ou de ofício, mediante procedimento interno, observado o disposto neste Decreto. (...) Art. 7º. O Secretário da Receita Federal baixará as normas necessárias à execução deste Decreto.” A Secretaria da Receita Federal do Brasil normatizou os procedimentos de compensação mediante edição da IN/SRF nº 21, de 10/03/1997, alterada pela IN/SRF nº 73, de 15/09/1997. Sempre que o contribuinte fosse detentor de um crédito perante SRFB podia utilizálo na liquidação ou amortização de débito do mesmo tributo ou de outro tributo. Assim, a compensação poderia ser feita: Fl. 493DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10380.901028/200858 Acórdão n.º 3402002.104 S3C4T2 Fl. 211 8 · Independentemente de requerimento, se relativo a tributo ou contribuição da mesma espécie e se o crédito fosse anterior ao débito (IN SRF nº 21, art. 14); · Mediante requerimento do contribuinte: se relativo a tributo ou contribuição de espécie diferente (IN SRF nº 21, art 12). Neste caso, a compensação de débitos vincendos poderia ser efetuada desde que não existissem débitos vencidos, ainda que parcelados (IN SRF nº 21, art.12, § 3°); quando o débito fosse anterior ao crédito (IN SRF nº 21, art.14, §7°); quando o débito for de outro contribuinte (IN SRF nº 21, art.15); quando o débito for decorrente de lançamento de ofício (IN SRF nº 21, art. 16); · Em procedimento de ofício (IN SRF nº 21, art. 6º). A partir de 01/10/2002, com a publicação da Medida Provisória nº 66, de 29/08/2002, posteriormente convertida na Lei nº 10.637, de 30/12/2002, implementaramse novas regras para a compensação: “Art. 49. O art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1º. A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2º. A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. § 3º. Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação: I o saldo a restituir apurado na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física; II os débitos relativos a tributos e contribuições devidos no registro da Declaração de Importação. § 4º. Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo. § 5º. A Secretaria da Receita Federal disciplinará o disposto neste artigo.” Fl. 494DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10380.901028/200858 Acórdão n.º 3402002.104 S3C4T2 Fl. 212 9 Com essa alteração, a compensação passa a ser declarada pelo próprio contribuinte, por meio da entrega da “Declaração de Compensação” (eletrônica, pelo PER/DCOMP, a partir de 14/05/2003), na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. A compensação realizada nesses moldes extingue o crédito tributário sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa, em 01/10/2002, foram transformados em declaração de compensação, desde o seu protocolo, e os débitos a ela vinculados passaram para a condição de extintos sob condição resolutória. De se observar que o Parecer PGFN/CAT nº 1.499, de 28/09/2005, em análise sobre diversos aspectos inerentes ao instituto da compensação, assim se manifestou sobre essas questões: “143. Ante todo o exposto, chegase às seguintes conclusões: (....) c.1) os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa só podem ser considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, se observadas todas as demais condições estabelecidas na Lei nº 9.430/96 e legislação correlata; c.2) assim, os pedidos administrativos de compensação, fundados em créditos de terceiro, pendentes de análise pela RF, protocolados antes das inovações legislativas acerca da matéria (Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03), não são alcançados pela nova sistemática da declaração de compensação. Ou seja, não se aplicam a conversão do “pedido de compensação” em “declaração de compensação” (com a extinção automática do crédito tributário), e nem mesmo, por conseqüência, o prazo previsto no § 5º, do art. 74, da lei nº 9.430/96 para homologação da compensação (cinco anos); c.3) aplicase o entendimento retro, também, aos pedidos de compensação, pendentes de apreciação, quando fundados em créditos que se refiram a “créditoprêmio” instituído pelo art. 1º do DecretoLei nº 491, de 05 de março de 1969; ou que se refiram a títulos públicos; ou sejam decorrentes de decisão judicial não transitada em julgado; ou que não se refiram a tributos ou contribuições administrados pela RF; (...) Retornando aos autos, diante dos fundamentos jurídicos e legais postos nos autos, dou provimento parcial ao recurso voluntário para homologar a compensação declarada até o limite do crédito financeiro reconhecido, nos termos do relatório de diligência. É como voto. Fl. 495DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10380.901028/200858 Acórdão n.º 3402002.104 S3C4T2 Fl. 213 10 Sala das Sessões, em 23/07/2013 Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 496DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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