Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,224)
- Segunda Câmara (27,799)
- Primeira Câmara (25,084)
- Segunda Turma Ordinária d (17,395)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,074)
- Primeira Turma Ordinária (15,860)
- Primeira Turma Ordinária (15,855)
- Primeira Turma Ordinária (15,831)
- Segunda Turma Ordinária d (15,688)
- Segunda Turma Ordinária d (14,225)
- Primeira Turma Ordinária (12,958)
- Primeira Turma Ordinária (12,272)
- Segunda Turma Ordinária d (12,235)
- Quarta Câmara (11,513)
- Primeira Turma Ordinária (11,304)
- Quarta Câmara (83,955)
- Terceira Câmara (66,335)
- Segunda Câmara (54,592)
- Primeira Câmara (19,126)
- 3ª SEÇÃO (16,074)
- 2ª SEÇÃO (11,242)
- 1ª SEÇÃO (6,788)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (122,260)
- Segunda Seção de Julgamen (113,023)
- Primeira Seção de Julgame (75,502)
- Primeiro Conselho de Cont (49,051)
- Segundo Conselho de Contr (48,910)
- Câmara Superior de Recurs (37,700)
- Terceiro Conselho de Cont (25,965)
- IPI- processos NT - ressa (5,006)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,057)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,860)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,242)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,099)
- IRPJ - restituição e comp (2,087)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,641)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,197)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,619)
- HELCIO LAFETA REIS (3,510)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- ROSALDO TREVISAN (3,210)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,899)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,625)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,605)
- WILDERSON BOTTO (2,588)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,074)
- 2021 (35,828)
- 2019 (30,958)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,914)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,465)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,086)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,176)
- 2010 (18,058)
- 2008 (17,077)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,838)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
- 2007 (13,020)
Numero do processo: 13963.000218/2003-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/05/2003 a 31/05/2003
COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE TERCEIROS. MP 66/2002. LEI 10.637/2002. VEDAÇÃO. APLICAÇÃO.
A Medida Provisória no 66/2002, posteriormente convertida na Lei no 10.637/2002, vedou expressamente a compensação de débitos com créditos de terceiros, aplicando-se a vedação às compensações registradas a partir de 01/10/2002, data de início da vigência do comando de estatura legal.
Numero da decisão: 3401-005.065
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201805
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/05/2003 a 31/05/2003 COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE TERCEIROS. MP 66/2002. LEI 10.637/2002. VEDAÇÃO. APLICAÇÃO. A Medida Provisória no 66/2002, posteriormente convertida na Lei no 10.637/2002, vedou expressamente a compensação de débitos com créditos de terceiros, aplicando-se a vedação às compensações registradas a partir de 01/10/2002, data de início da vigência do comando de estatura legal.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 13963.000218/2003-89
anomes_publicacao_s : 201807
conteudo_id_s : 5874978
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3401-005.065
nome_arquivo_s : Decisao_13963000218200389.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : ROSALDO TREVISAN
nome_arquivo_pdf_s : 13963000218200389_5874978.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
dt_sessao_tdt : Thu May 24 00:00:00 UTC 2018
id : 7352733
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:21:42 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050583201480704
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1443; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 1.229 1 1.228 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13963.000218/200389 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401005.065 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 24 de maio de 2018 Matéria COMPENSAÇÃO IPI Recorrente MAXIMILIANO GAIDZINSKI S.A. INDÚSTRIA DE AZULEJOS ELIANE Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/05/2003 a 31/05/2003 COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE TERCEIROS. MP 66/2002. LEI 10.637/2002. VEDAÇÃO. APLICAÇÃO. A Medida Provisória no 66/2002, posteriormente convertida na Lei no 10.637/2002, vedou expressamente a compensação de débitos com créditos de terceiros, aplicandose a vedação às compensações registradas a partir de 01/10/2002, data de início da vigência do comando de estatura legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 96 3. 00 02 18 /2 00 3- 89 Fl. 1229DF CARF MF 2 Versa o presente sobre o formulário de Declaração de Compensação de fl. 41, com protocolo de 13/05/2003, no valor de R$ 277.543,95, por força de decisão judicial (crédito de terceiro – empresa “Nitriflex S.A. Indústria e Comércio”, CNPJ no 42.147.496/000170, afastada ainda em juízo a vedação constante na IN SRF 41/2000), mencionandose que os créditos estão controlados no processo administrativo no 13476.000533/200117. No despacho decisório de fls. 58 a 64, datado de 11/02/2005 (ciência em 03/03/2005), emitido pela DRF/Florianópolis/SC, afirmase que, a partir de 01/10/2002, passou a haver expressa vedação legal à compensação de débitos com créditos de terceiros, e, por isso, a ordem judicial perdeu eficácia na parte que afastou a restrição de compensação veiculada em normas infralegais (ato declaratório e instrução normativa), devendo ser declarada a não homologação da compensação. Afirmouse ainda que não havia necessidade de lançamento do débito, seja por estar declarado em DCTF, seja por a Declaração de Compensação passado a constituir confissão de dívida, mas que deveria ser lançada a multa de ofício, encaminhando os autos à fiscalização. Na Manifestação de Inconformidade de fls. 66 a 84, datada de 01/04/2005, argumenta a empresa cessionária do crédito, em síntese, que: (a) o crédito foi assegurado por sentença judicial transitada em julgado, em 18/04/2001, no Mandado de Segurança (MS) no 98.00166580 (referente a crédito presumido em relação a insumos isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero); (b) buscando preventivamente resguardar seu direito à compensação, em face da vedação estabelecida na IN SRF no 41/2000, a recorrente moveu ação judicial pedindo o afastamento de seus efeitos, obtendo decisão favorável em 16/09/2002, no MS no 2001.51.10.0010250, sendo que, em 12/09/2003 transitou em julgado o Acórdão proferido pelo TRF2, convalidando a liminar e confirmando o direito de livre disponibilidade do crédito, ante a inexistência de previsão legal; e (c) a cessão de crédito estava sob o manto da coisa julgada, não podendo ser negada administrativamente. Às fls. 106 a 128 consta cópia de Auto de Infração, lavrado em 01/03/2005 (com ciência em 03/03/2005), no valor de R$ 14.915.461,93, aplicando multa isolada decorrente de compensações em oito processos administrativos, entre os quais o presente, com fundamento no art. 18 da Lei no 10.833/2003. E, às fls. 130 a 186 constam despachos decisórios de nãohomologação proferidos nos seguintes processos administrativos: no 11516.001792/200488; no 13963.000217/200334; no 13963.000191/200324; no 13963.000188/200319; no 13963.000218/200389 (o presente processo); no 11516.000804/200376; e no 11831.003363/200391. Às fls. 187 a 265, e 276 a 408, constam síntese e peças referentes ao MS no 2001.51.10.0010250. Às fls. 266 a 274, figura cópia de despacho decisório no processo administrativo no 10735.000001/9918, emitido pela DRF Nova Iguaçu/RJ, homologando/reconhecendo os créditos decorrentes da decisão judicial. Em 23/06/2005 ocorre o julgamento de primeira instância (fls. 443 a 455), decidindo unanimemente o colegiado administrativo pela improcedência da manifestação de inconformidade, sob o fundamento de que a decisão judicial não ampara as compensações, tendo em vista o advento da Medida Provisória no 66/2002, convertida na Lei no 10.637/2002, vigente ao tempo do protocolo da compensação. Destacou ainda o julgador de piso que o 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 1230DF CARF MF Processo nº 13963.000218/200389 Acórdão n.º 3401005.065 S3C4T1 Fl. 1.230 3 crédito homologado à “Nitriflex” foi objeto de várias compensações com débitos da própria empresa, estabelecimentos coligados e terceiros, sem demonstração, no processo, da existência de saldo de crédito disponível. Ciente da decisão de piso em 23/09/2005 (fl. 463), a empresa cessionária do crédito (recorrente) apresentou, em 20/10/2005, o Recurso Voluntário de fls. 465 a 493, sustentando, basicamente, que: (a) a coisa julgada produzida no MS no 98.00166580 não só reconheceu o direito de credito, como também sua plena disponibilidade, sendo certo que o MS no 2001.51.10.0010250 só foi impetrado para preventivamente afastar a interpretação restritiva do Fisco, à época constante da IN/SRF no 41/00; (b) a inexistência nos autos de demonstração de saldo credor não é impeditiva da compensação, pois quem gerencia o crédito é o próprio fisco; (c) a competência para decidir o processo é do titular da DRF de Nova Iguaçu/RJ (onde foi apurado o crédito), e não da DRF de Florianópolis/SC; (d) foram protocolizadas todas as declarações de compensação junto à DRF de Nova Iguaçu/RJ, onde se controlam os créditos no processo administrativo no 13746.000533/200117; e (e) ocorreu homologação tácita as compensações por decurso de prazo. O processo foi enviado ao então Segundo Conselho de Contribuintes em 08/12/2005 (fl. 569). Por meio do Acórdão no 20179.425, de 29/06/2006 (fls. 621 a 635), o processo foi anulado a partir do despacho decisório proferido pela DRF de Florianópolis/SC, por voto de qualidade, determinandose que outro despacho fosse seja proferido pela DRF de Nova Iguaçu/RJ, competente para o ato, segundo a IN SRF 460/2004. Em 19/09/2007 é proferido um segundo despacho decisório, agora pela DRF de Nova Iguaçu/RJ (fls. 641 a 661), por meio do qual é considerada não homologada a compensação, pelos seguintes fundamentos: (a) existência de ação rescisória interposta pela Fazenda Nacional em relação ao MS no 98.00166580, reduzindo e tornando incerto o montante do crédito; (b) a tentativa de habilitar o crédito junto à DRF de Nova Iguaçu/RJ foi rechaçada, em decisão administrativa não revertida judicialmente, visto que a IN SRF 517/2005, que disciplinava a matéria à época do pedido de habilitação, estabelecia a necessidade de trânsito em julgado, e ainda pendia a ação rescisória, maculando a certeza do crédito; e (c) como ponto nevrálgico, ainda se tem que a compensação com crédito de terceiro foi efetuada ao desamparo da Medida Provisória no 66/2002, convertida na Lei no 10.637/2002, visto que o provimento judicial tomou em conta norma de hierarquia diversa (IN 41/2000) entendida como ilegal. Ciente do novo despacho decisório em 31/10/2007 (fl. 669), a empresa apresenta a Manifestação de Inconformidade de fls. 671 a 741, em 29/11/2007, sustentando, em síntese, que: (a) as decisões judiciais asseguraram tanto o direito ao crédito quanto o direito à compensação, sendo livre a disponibilidade do crédito, mediante coisa julgada, e afastada a vedação então existente na IN SRF 41/2000; (b) houve violação à irretroatividade e à coisa julgada no MS no 2001.51.10.0010250, que não perdeu seu objeto diante do advento da Lei no 10.637/2002; (c) a ação rescisória interposta pela Fazenda Nacional (no 2003.02.01.0056750) visando à desconstituição da coisa julgada no citado MS no 98.00166580 não obteve tutela para suspender a execução da coisa julgada; (d) a inexistência de habilitação não impede a utilização do crédito; (e) a nova redação da Lei no 9.430/1996 não pode retroagir aos fatos jurídicos que ensejaram o direito creditório; (f) a inexistência nos autos de demonstração de saldo credor não é impeditiva da compensação, pois quem gerencia o crédito é o próprio fisco, Fl. 1231DF CARF MF 4 sendo que o crédito do processo no 10735.000001/9918 não inclui o apurado no processo no 10735.000202/9970, como afirmou a própria autoridade fiscal; e (g) houve homologação tácita das compensações. Em 07/08/2008 ocorre novo julgamento de primeira instância (fls. 771 a 783), decidindo unanimemente o colegiado administrativo pela improcedência da nova manifestação de inconformidade, sob os seguintes fundamentos: (a) no MS no 2001.51.10.0010250, o impetrante (“Nitriflex S.A. Indústria e Comércio”) obteve o afastamento da aplicação de norma infralegal (IN SRF no 41/2000), justamente por ser tal norma ilegal, sob o argumento de falta de amparo legal para a restrição a compensação com créditos de terceiros; (b) a partir de 01/10/2002, então, a decisão judicial não ampara as compensações, não havendo que se falar em irretroatividade, no caso; (c) o crédito homologado à “Nitriflex” foi objeto de várias compensações, sem demonstração, no processo, da existência de saldo de crédito disponível; e (d) não comporta manifestação do colegiado a menção a outros processos, que não versam sobre a compensação em análise. Ciente da nova decisão de piso em 03/09/2008 (fl. 789), a empresa apresentou, em 15/09/2008, o Recurso Voluntário de fls. 793 a 420, basicamente reiterando as razões expressas em sua segunda manifestação de inconformidade, no que se refere ao alcance das decisões judiciais, a existência de coisa julgada, a violação à irretroatividade, e a irrelevância da existência de demonstração de saldo credor. O processo foi encaminhado ao então Segundo Conselho de Contribuintes em 20/09/2008 (fl. 861). Na peça de fls. 880 a 889, a recorrente informa ter sido reconhecido em definitivo o crédito, com a extinção também definitiva das ações rescisórias interpostas pela Fazenda Nacional, devendo, quanto à vedação da compensação com créditos de terceiro, aplicarse ao caso a legislação vigente quando da respectiva coisa julgada, agregando ainda pareceres de lavra dos prof. Paulo de Barros Carvalho e Cândido Rangel Dinamarco. E, por fim, acrescenta que turmas da 3ª Seção de Julgamento deste CARF vêm proferindo acórdãos nos processos de compensação com créditos derivados da “Nitriflex” determinando que sejam afastados os óbices encontrados no despacho decisório e na decisão de piso (v.g., acórdão proferidos nos seguintes processos administrativos: no 13746.001218/200280; no 13746.001386/200275; no 13502.000470/200315; no 13502.000505/200316; no 13502.000588/200343; no 13808.002485/200111; no 13707.002728/200745; no 13707.003510/200716; e no 13707.001269/200782). No CARF, o processo foi distribuído a este relator, por sorteio, em outubro de 2017. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O recurso apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Fl. 1232DF CARF MF Processo nº 13963.000218/200389 Acórdão n.º 3401005.065 S3C4T1 Fl. 1.231 5 Na declaração de compensação, informase que o crédito é decorrente de ação judicial. Apesar de o declarante ter informado em tal documento que a ação na qual se fundamenta seu crédito era o MS no 99.00.60542 (fl. 6), apurou a fiscalização (no que foi endossada pela postulante ao crédito), que, de fato, o crédito tem origem no MS no 98.00166580, interposto pela “Nitriflex”, com a seguinte demanda (fl. 895). Na sentença de piso, a segurança foi denegada, em 14/09/1998 (fl. 900). A apelação processada junto ao TRF2, sob o no 024.199/RJ, no entanto, foi provida, reconhecendose “direito líquido e certo da empresa em compensar o crédito presumido de IPI com o crédito a recolher ao final do processo industrial” (fl. 901): Foram rejeitados os embargos interpostos por “Nitriflex”, mas acolhidos os “embargos em embargos” para aclarar o período abrangido na decisão (julho de 1988 a julho de 1998). E foi negado seguimento aos recursos especial e extraordinário interpostos pela Fazenda Nacional (fl. 904), em 24/03/2000. Em relação à negativa de seguimento ao RE, houve interposição de Agravo de Instrumento, pela Fazenda Nacional, também negado (fl. 907), e “agravo no agravo” (autuado no STF sob o no 313.4815/RJ), igualmente negado (fl. 908), em 13/03/2001, havendo trânsito em julgado em 18/04/2001 (fl. 909). Eis a tutela obtida em definitivo pela “Nitriflex”. Não se vê em tal decisão nenhuma autorização para compensar ou vestígio de que tenha sido assegurada livre disponibilidade do crédito, como postula a recorrente em suas peças recursais. Ao tempo do trânsito em julgado da referida ação, assim dispunha o art. 74 da Lei no 9.430/1996: “Art. 74. Observado o disposto no artigo anterior, a Secretaria da Receita Federal, atendendo a requerimento do contribuinte, poderá autorizar a utilização de créditos a serem a ele restituídos ou ressarcidos para a quitação de quaisquer tributos e contribuições sob sua administração.” (grifo nosso) E o artigo anterior (art. 73) dispunha: “Art. 73. Para efeito do disposto no art. 7o do Decretolei n o 2.287, de 23 de julho de 1986, a utilização dos créditos do contribuinte e a quitação de seus débitos serão efetuadas em procedimentos internos à Secretaria da Receita Federal, observado o seguinte: I o valor bruto da restituição ou do ressarcimento será debitado à conta do tributo ou da contribuição a que se referir; II a parcela utilizada para a quitação de débitos do contribuinte ou responsável será creditada à conta do respectivo tributo ou da respectiva contribuição.” (grifo nosso) Cabia à RFB (à época SRF) autorizar eventual compensação, atendendo a requerimento do contribuinte. E a norma procedimental que disciplinava as compensações era a IN SRF no 21, de 10/03/1997, que previa a compensação de débitos com créditos de terceiros em seu artigo 15, operacionalizada mediante “pedido de compensação”: “COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO DE UM CONTRIBUINTE COM DÉBITO DE OUTRO Fl. 1233DF CARF MF 6 Art. 15. A parcela do crédito a ser restituído ou ressarcido a um contribuinte, que exceder o total de seus débitos, inclusive os que houverem sido parcelados, poderá ser utilizada para a compensação com débitos de outro contribuinte, inclusive se parcelado. § 1o A compensação de que trata este artigo será efetuada a requerimento dos contribuintes titulares do crédito e do débito, formalizado por meio do formulário "Pedido de Compensação de Crédito com Débito de Terceiros", de que trata o Anexo IV. § 2o Se os contribuintes estiverem sob jurisdição de DRF ou IRFA diferentes, o formulário a que se refere o parágrafo anterior deverá ser preenchido em duas vias, devendo cada contribuinte protocolizar uma via na DRF ou IRFA de sua jurisdição. § 3o Na hipótese do parágrafo anterior, a via do Pedido de Compensação de Crédito com Débito de Terceiros, entregue à DRF ou IRFA da jurisdição do contribuinte titular do débito terá caráter exclusivo de comunicado. § 4o Na hipótese do § 2o, a competência para analisar o pleito, efetuar a compensação e adotar os procedimentos internos de que trata o § 2o do art. 13 é da DRF ou IRFA da jurisdição do contribuinte titular do crédito.” (o § 2o do artigo 13 trata de procedimentos a cargo da unidade que a efetuar) (grifo nosso) Qualquer requerimento apresentado durante a vigência de tal norma (independente do período a que se refira o crédito) deveria obedecer, então, ao trâmite procedimental ali disposto. Aliás, se a remissão fosse ao período em que gerado o crédito (1988 a 1998), à maior parte do período sequer se aplicaria a Lei no 9.430/1996. A IN SRF 21/1997, no entanto, foi alterada em 10/04/2000, pela IN SRF no 41, de 07/04/2000, que passou a vedar expressamente a compensação de débitos com créditos de terceiros (art. 1o) e revogar todo o artigo 15 da IN SRF no 21/1997. Vejase que a alteração foi promovida oito dias antes do trânsito em julgado da ação judicial, no caso concreto. Portanto, ao apresentar suas solicitações de compensação, a empresa “Nitriflex” deveria amoldarse à norma procedimental vigente, que já vedava compensações com créditos de terceiros. Como tal empresa divergia em relação a tal possibilidade de vedação, contra ela se insurgiu em 26/03/2001, no Mandado de Segurança (Preventivo) no 2001.51.10.0010250 (cópia da peça às fls. 200 a 218). Claro está o fundamento jurídico do Mandado de Segurança, no sentido de que a restrição estabelecida pela IN SRF 41/2000 somente poderia ter sido estabelecida por lei. A sentença proferida no MS, em 29/05/2001, extinguiu o processo sem julgamento de mérito (fls. 228 a 230). Em apelação (fls. 232 a 242), a “Nitriflex” argumentou, em síntese, em 13/06/2001, que a IN SRF violava o princípio da legalidade. Fl. 1234DF CARF MF Processo nº 13963.000218/200389 Acórdão n.º 3401005.065 S3C4T1 Fl. 1.232 7 Nas contrarrazões de apelação (fls. 278 a 292), destacou a Fazenda Nacional, em 26/07/2001, que a IN SRF vedou apenas o que outra IN SRF havia concedido, não violando a norma legal. No TRF2, em relação ao MS (autuado sob o no 2001.02.01.0313448 – fls. 294 a 300), decidese, em 27/09/2001, por revigorar a liminar anteriormente deferida, retornando o processo ao status prévio à extinção sem julgamento de mérito. Após parecer da Procuradoria da República o recomendando seja proferida sentença apreciando o mérito, no caso (fls. 302 a 306), o TRF2 decide, em 20/03/2002, restituir os autos ao juízo a quo, para que fosse proferida nova sentença, apreciando o mérito (fls. 307 a 316). Nos embargos de declaração apresentados em 06/05/2002 pela “Nitriflex” (fls. 318 a 329), pede a empresa, com fundamento na economia processual, e no art. 515, § 3o do CPC, que o próprio TRF2 aprecie o mérito, pois não restaria, no caso, caracterizada supressão de instância, invocando ainda precedentes no mesmo sentido. O TRF2, então, nos “embargos de declaração na apelação do mandando de segurança” (fls. 330 a 334) entende, em 12/06/2002, não ser possível a aplicação retroativa do dispositivo do CPC citado, que ainda não estava vigente ao tempo da decisão proferida em 20/03/2002. A “Nitriflex” interpõe, então embargos de declaração aos “embargos de declaração na apelação do mandando de segurança” (fls. 336 a 364), em 01/07/2002, dispondo que o acórdão, embora tenha sido proferido em 20/03/2002, somente se tornou público em 02/05/2002, quando já estava em vigor a lei nova. O Agravo Regimental da Fazenda Nacional em relação à decisão monocrática que deferiu antecipação de tutela, suspendendo os efeitos da sentença que extinguia o processo sem julgamento de mérito foi negado, or unanimidade, pela quarta turma do TRF2, em 21/11/2001 (fls. 366 a 376). A esta altura, já passava a existir norma de estatura legal vedando as compensações: a Medida Provisória no 66, de 29/08/2002, que alterava, a partir de 01/10/2002 (cf. art. 63, I), o artigo 74 da Lei no 9.430/1996 (e depois foi convertida na Lei no 10.637/2002), que passava a dispor: “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Fl. 1235DF CARF MF 8 (...) § 4o Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo.” (grifo nosso) E, recordese, ainda não havia sido apresentada a compensação de que trata o presente processo, o que ocorreu apenas em 13/05/2003. Não há, assim, que se falar em compensação “em andamento”, ou em “pedido de compensação” convertido em declaração. Após a edição da Medida Provisória no 66/2002, a disciplina infralegal foi efetuada pela IN SRF 210, de 30/09/2002, que estabeleceu novos procedimentos para compensação, mantendo a vedação à compensação de débitos com créditos de terceiros, agora com fundamento expresso na norma legal (a nova IN SRF expressamente mencionou a citada Medida Provisória em seu preâmbulo, como fundamento). Assim, o cenário que se delineava para a apresentação de compensações pela Nitriflex já era outro, e já não fazia sentido a discussão sobre afastamento de IN por violação à reserva legal, demandada para o tema, visto que passava a existir norma legal a reger as compensações a serem protocolizadas após 01/10/2002, ou seja, voltada ao futuro, sem violação à irretroatividade. E, por certo, não afrontava tal norma a coisa julgada no MS no 98.00166580 (autorização para compensar o crédito presumido de IPI da “Nitriflex” com o crédito a recolher ao final do processo industrial). É nesse cenário que a empresa “Nitriflex” peticiona em juízo (fls. 378 a 380), em 08/10/2002: A nosso ver, a “Nitriflex” passava a ser reincidente na máleitura (sempre estendida, em seu favor) das decisões judiciais que figuram nestes autos. Da mesma forma que entendeu (alargadamente) que a decisão transitada em julgado no MS 98.00166580 para compensar o seu crédito presumido de IPI com seu o crédito a recolher ao final do processo industrial era, na verdade, um reconhecimento do crédito para que este fosse livremente utilizado, inclusive por terceiros, entendeu a “Nitriflex” que a decisão judicial que lhe permitia afastar a aplicação da IN SRF 41/2000, que, conforme seu pedido, seria ilegal por dispor de matéria reservada à lei, equivaleria ao afastamento de “qualquer limitação”. E essa distorção não se restringe ao entendimento do que restou decidido em juízo, mas se alastra à compreensão do que seria a IN SRF 210/2002, que teria “mantido” a limitação da IN SRF 41/2000. Fl. 1236DF CARF MF Processo nº 13963.000218/200389 Acórdão n.º 3401005.065 S3C4T1 Fl. 1.233 9 Em verdade, como aqui exposto, a IN SRF 210/2002 tem amparo em norma legal ao estabelecer a vedação, não constituindo mera reiteração da vedação infralegal, como faz parecer a petição. No entanto, vejase que ao final, a demanda parece adaptada para abranger inclusive a norma legal que fundamentaria a IN SRF 210/2002 (MP no 66/2002, já em vigor), visto que a “Nitriflex” pede para efetuar a compensação com débito de terceiro, “independente de edição de texto normativo que vier a tratar da matéria sub judice”. Em 14/10/2002, em nova petição, menciona a “Nitriflex” (fls. 406 a 408) que seu direito restara mantido. Em 16/09/2002, nos “embargos de declaração em embargos de declaração na apelação do mandando de segurança” (fls. 417 a 429), o TRF2 entende haver omissão, a ser sanada com decisão de mérito pelo tribunal. Na sequência, a unidade que jurisdiciona a cedente do crédito é notificada da seguinte forma (fl. 431), em 13/11/2002: Ocorre, então, o registro do formulário de “Declaração e Compensação” de que trata o presente processo administrativo, em 13/05/2003. Vejase que, nem de longe, a questão referente a estar a vedação prevista na IN SRF 210/2002 igualmente consignada em norma legal vigente desde 01/10/2002 (portanto, antes do registro da compensação), foi enfrentada pelo Poder Judiciário. As razões para afastamento das IN SRF, como se percebe do próprio pedido da impetrante “Nitriflex”, remontam, a serem tais normas de hierarquia inferior à lei. Assim, a questão submetida a juízo no MS no 2001.51.10.0010250 não enfrenta o tema que foi objeto das razões de indeferimento pela unidade local da RFB e pela DRJ (existência de norma legal vedando a compensação do crédito com débitos de terceiro). E endossamos tais razões de indeferimento, concluindo que a solicitação de compensação foi efetuada sem amparo legal, segundo a legislação de regência ao tempo do protocolo da compensação. E a decisão judicial obtida não contorna tal razão de improcedência do pedido. A recorrente (cessionária do crédito), a exemplo da “Nitriflex” (cedente), confunde o decidido no primeiro MS 98.00166580, e aqui já exposto cristalinamente, com “reconhecimento de crédito e de sua plena disponibilidade”, e confunde a aplicação das normas sobre compensação no tempo, ao afirmar que deveria ser aplicada a legislação referente aos fatos geradores (08/1988 a 07/1998), o que implicaria concluir que sequer a Lei no 9.430/1996 e a IN SRF 21/1997, que tratou da compensação com créditos de terceiros, seriam aplicáveis à grande maioria dos fatos geradores. Fl. 1237DF CARF MF 10 A defesa administrativa da recorrente, a exemplo do exposto em relação à Nitriflex” em juízo, efetua máleitura do conteúdo das decisões obtidas (fl. 813), especialmente quando alega: Os fundamentos da decisão no referido MS, como aqui exposto, não tratam de irretroatividade de lei (a não ser quando se referem ao CPC), mas da impossibilidade de norma de hierarquia inferior à lei (como as IN SRF) estabelecer restrição à compensação. Mas as conclusões (digase, equivocadas) em relação ao decidido (e aqui já reproduzido), prosseguem (à fl. 815): Repitase: não se dá caráter retroativo à Lei no 9.430/1996, em qualquer de suas redações, na leitura do despacho decisório ou na decisão da DRJ. Em ambas as decisões administrativas a redação da lei se aplica somente às compensações após ela registradas. E também não se afronta a coisa julgada, cujos limites foram neste voto bem delineados. Improcedentes, assim, as alegações de defesa de que houve violação à coisa julgada ou à irretroatividade. Por fim, quanto à inexistência de demonstração do saldo credor, entendoa, assim como parece ter entendido a DRJ, como questão secundária/acessória. Por certo que se fosse passível de homologação a compensação pleiteada no presente processo, caberia à unidade preparadora da RFB verificar sua disponibilidade, à luz do processo administrativo onde se controla o crédito invocado nestes autos, e das compensações já realizadas em outros processos. Os precedentes colacionados, assim como os pareceres apresentados pela defesa, os fatos novos (relativos à ação rescisória movida pela Fazenda Nacional em relação ao Fl. 1238DF CARF MF Processo nº 13963.000218/200389 Acórdão n.º 3401005.065 S3C4T1 Fl. 1.234 11 MS 98.00166580) e as manifestações da DRF Nova Iguaçu/RJ em informações fiscais em processos distintos foram aqui tomados como elementos formadores de convicção, mas não aptos a afastar, no caso concreto, as conclusões neste voto externadas. A existência de ação rescisória e seu resultado não afetaram, ao fim e ao cabo, o montante do crédito assegurado no MS 98.00166580. E o principal tema em debate nestes autos, recordese, não versa sobre o crédito, mas sobre a possibilidade de sua compensação com débitos de terceiros à época da apresentação da solicitação de compensação. Os precedentes administrativos e judiciais, assim como os pareceres apresentados posteriormente ao recurso voluntário, por sua vez, apesar de analisarem questões comuns a créditos advindos da “Nitriflex” em diversos processos, tratam de situações sensivelmente distintas daquela por nós visualizada, no caso concreto, no presente processo. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário apresentado. Rosaldo Trevisan Fl. 1239DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10670.002153/2009-07
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006
INOVAÇÃO DE QUESTÕES NO ÂMBITO DE RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. NÃO CONHECIMENTO.
Nos termos dos artigos 16, inciso III e 17, ambos do Decreto n. 70.235/72, e, ainda, não se tratando de uma questão de ordem pública, deve o contribuinte em impugnação desenvolver todos os fundamentos fático-jurídicos essenciais ao conhecimento da lide administrativa, sob pena de preclusão da matéria, impondo seu não conhecimento.
ARQUIVOS DIGITAIS.
Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa, que utiliza sistema de processamento eletrônico de dados, de apresentar ao fisco informações em meio digital com o leiaute previsto na legislação tributária.
Numero da decisão: 2402-006.280
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso para, na parte conhecida, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Mario Pereira De Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmetne)
Jamed Abdul Nasser Feitoza - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior, Renata Toratti Cassini e Mário Pereira de Pinho Filho
Nome do relator: JAMED ABDUL NASSER FEITOZA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201806
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 INOVAÇÃO DE QUESTÕES NO ÂMBITO DE RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. NÃO CONHECIMENTO. Nos termos dos artigos 16, inciso III e 17, ambos do Decreto n. 70.235/72, e, ainda, não se tratando de uma questão de ordem pública, deve o contribuinte em impugnação desenvolver todos os fundamentos fático-jurídicos essenciais ao conhecimento da lide administrativa, sob pena de preclusão da matéria, impondo seu não conhecimento. ARQUIVOS DIGITAIS. Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa, que utiliza sistema de processamento eletrônico de dados, de apresentar ao fisco informações em meio digital com o leiaute previsto na legislação tributária.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10670.002153/2009-07
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5893468
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2402-006.280
nome_arquivo_s : Decisao_10670002153200907.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : JAMED ABDUL NASSER FEITOZA
nome_arquivo_pdf_s : 10670002153200907_5893468.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso para, na parte conhecida, negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Mario Pereira De Pinho Filho - Presidente (assinado digitalmetne) Jamed Abdul Nasser Feitoza - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior, Renata Toratti Cassini e Mário Pereira de Pinho Filho
dt_sessao_tdt : Wed Jun 06 00:00:00 UTC 2018
id : 7396768
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:24:36 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050583523393536
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1278; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 122 1 121 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10670.002153/200907 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402006.280 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 6 de junho de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrente MUNICIPIO DE JANUARIA PREFEITURA MUNICIPAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 INOVAÇÃO DE QUESTÕES NO ÂMBITO DE RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. NÃO CONHECIMENTO. Nos termos dos artigos 16, inciso III e 17, ambos do Decreto n. 70.235/72, e, ainda, não se tratando de uma questão de ordem pública, deve o contribuinte em impugnação desenvolver todos os fundamentos fáticojurídicos essenciais ao conhecimento da lide administrativa, sob pena de preclusão da matéria, impondo seu não conhecimento. ARQUIVOS DIGITAIS. Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa, que utiliza sistema de processamento eletrônico de dados, de apresentar ao fisco informações em meio digital com o leiaute previsto na legislação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 0. 00 21 53 /2 00 9- 07 Fl. 122DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso para, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Mario Pereira De Pinho Filho Presidente (assinado digitalmetne) Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior, Renata Toratti Cassini e Mário Pereira de Pinho Filho Fl. 123DF CARF MF Processo nº 10670.002153/200907 Acórdão n.º 2402006.280 S2C4T2 Fl. 123 3 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário, de fls. 96/100, voltado contra Acórdão da 6ª Turma de Julgamento da DRJ/BHE, de fls. 108/116, que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação apresentada pelo Contribuinte, mantendo, in totum, o crédito tributário exigido no DEBCAD 37.228.4841. Está assim lançado o relatório da r. decisão em testilha: "Conforme Relatório Fiscal, tratase de débito no valor R$ 13.291,66 (treze mil, duzentos e noventa e um reais e sessenta e seis centavos), relativo A aplicação multa administrativa por infração a Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, inciso III e § 11, com a redação dada pela MP n° 449, de 03/12/2008, convertida na Lei 11.941, de 27/05/2009, combinado com o art. 225, inciso III, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, uma vez que o sujeito passivo não apresentou os arquivos digitais referentes As folhas de pagamento do período 01/2005 a 12/2006. Notificado da autuação em 18/11/2009, o Município autuado apresentou impugnação em 18/12/2009, alegando nulidade da autuação: por ausência de descrição do fato e da fundamentação legal que originou o valor lançado." No apelo aponta que a gestão do exprefeito foi feita de modo totalmente improbo, não podendo o município arcar com tais obrigações. Desse modo, e com arrimo no art. 137, incs. I e II do Código Tributário Nacional, aponta no sentido de que há a necessidade de confirmação da responsabilidade do exdirigente da prefeitura. Afia, às fls. 112: "Em análise ao disposto, numa interpretação literal dos enunciados, fica a ponderação de que o agente é excluído da responsabilidade pessoal, somente e só, quando em exercício regular da administração. Ora, impróprio e até mesmo imoral seria admitir que um atuante de governo, ao agir de modo negligente, quando sabia estar agindo; uma vez que não pode arguir o contrário, pois os atos são dirimidos por lei, estaria atuando em exercício regular!" Assim, requer a declaração de responsabilidade do Sr. João Ferreira Lima para responder pelo pagamento do crédito ora perseguido. No mérito, afiança que o motivo que ensejou a autuação (a não apresentação dos arquivos digitais referentes às folhas de pagamento do período de 01/2005 a 12/2006) não Fl. 124DF CARF MF 4 é plausível, eis que a falta de apresentação de tais arquivos não teria gerado qualquer "receio" ao Fisco. Com isso, a multa por obrigação acessória prevista no art. 31, III da Lei nº 8.212/91 seria descabida. Requer, portanto, que sejam acolhidos os argumentos apresentados para que seja declarada a improcedência da ação fiscal e seja cancelado o débito reclamado. É o relatório. Fl. 125DF CARF MF Processo nº 10670.002153/200907 Acórdão n.º 2402006.280 S2C4T2 Fl. 124 5 Voto Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza 1. ADMISSIBILIDADE. Quando da análise de admissibilidade do Recurso Voluntário, verificamos estarem presentes os pressupostos os intrínsecos (legitimidade, cabimento, interesse e inexistência de fato impeditivo ou extintivo), entretanto, quantos aos elementos extrínsecos restam atendidos apenas parcialmente, eis que, apesar da regularidade formal, verificamos a articulação de novas razões preliminares, erigidas apenas em sede recursal, portanto, em momento onde a preclusão já havia se operado. Assim, antes de adentrar nas questões intrínsecas da lide será necessário delimitar seu âmbito de conhecimento, uma vez que, conforme se demonstrará a seguir, parte dos fundamentos erigidos pelo Recorrente só foram desenvolvidos em âmbito recursal. Ao proceder à uma comparação entre a peça impugnatória e a peça recursal é possível concluir que o recorrente inova em suas fundamentos preliminares. Na impugnação verificamos que o Recorrente apresenta como preliminar a "Nulidade do Auto de Infração alegando em essência que na "descrição do Auto de Infração n°. 37.228.4850 a ausência da descrição do fato e da fundamentação legal que originou o exorbitante valor da multa imposta, não sendo possível ao ora autuado a elaboração de sua defesa técnica." (sic). (fls. 84) A peça Recursal por seu turno apresenta como preliminar a "Responsabilidade pessoal do exchefe do executivo" alegando que "Ante a narrativa dos fatos e em vista ao período de apuração das supostas infrações, resta notório que a data consta de negligências remanescentes à outra gestão administrativa, no qual tinha por seu chefe do executivo o Sr. João Ferreira Lima, uma vez que seu mandato iniciou em janeiro de 2005." (fls. 110) Como tais fundamentos não têm natureza jurídica afeta a ordem pública [não sujeitas a preclusão e passíveis de cognição oficiosa por esta instância julgadora ordinária] e não decorrem de pontos trazidos pela Decisão objurgada, não há razão para o seu conhecimento. Os Recursos, regra geral, devolvem ao órgão ad quem o conhecimento daquilo que tenha sido expressamente impugnado no órgão a quo dado o seu efeito tantum devolutum quantum appellatumm, estando o conhecimento de seus termos, salvo pelas matérias de ordem publica ou alegadas em decorrência direta da própria decisão, limitados aquilo que expressamente constou da impugnação. Fl. 126DF CARF MF 6 Tal entendimento, no âmbito do PAF, tem assento normativo no que prevê o art. 161, inciso III do Decreto nº 70.235/71 que impõem ao contribuinte o ônus de, em sua impugnação, trazer todos os fundamentos relevantes para o julgamento da lide administrativa. Logo, não tendo sido aventada tal matéria em sede de impugnação e não se tratando de questão de ordem pública ou decorrência lógica das articulações da própria decisão recorrida, restaria precluso tal direito sendo vedado seu conhecimento por este colegiado, sob pena de haver a inoportuna supressão de instância conforme se extrai do Art. 172 do mesmo Decreto sobredito. Assim, voto por não conhecer das preliminares erigidas de modo inovador por ocasião do Recurso. 2. MÉRITO. Tratase de autuação referese a infração intitulada pelo artigo 32, inciso III, §1 1 c/c com o artigo 225, III, do Regulamento da Previdência Social RPS, Decreto n°. 3.048/99, eis que, segundo o relatório fiscal, no período de 01/01/2005 a 31/12/2006. a Recorrente deixou de enviar ao fisco os arquivos digitais referentes as folhas de pagamento do período supracitado. No mérito a Recorrente se limita a fazer referência aos argumentos da impugnação sem articular as razões recursais propriamente ditas e naquilo que esboçou o fez de modo extremamente superficial e genérico, não apresentando provas ou teses capazes de desconstituir o lançamento. 1 Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) 2 Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante Fl. 127DF CARF MF Processo nº 10670.002153/200907 Acórdão n.º 2402006.280 S2C4T2 Fl. 125 7 O Auto de Infração por sua vez registra adequadamente as circunstancias da infração: 1 A multa foi aplicada em conformidade com a alínea "b", do inciso II, do art. 283 e art.373, do Regulamento da Previdência Social — RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06 de maio de 1999. 2 — Em razão da ausência de circunstâncias agravantes previstas' no art.290 do Regulamento da Previdência Social — RPS, a multa foi fixada no valor mínimo estabelecido. 3 — Para aplicação da penalidade, foi(ram) utilizado(s) o(s) valor(es) definido(s) pela Portaria Interministerial MPS/MF n°48, de 12 de fevereiro de 2009. Não havendo razão legal ou fática exposta de modo a permitir a desconstituição daquilo que foi lançado, não há como acolher os inconformismos genericamente expostos pela Recorrente. Conclusão Por todo o exposto, voto por conhecer parcialmente o Recurso Voluntário para, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Fl. 128DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12971.007041/2009-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/10/1994 a 31/10/1995
LANÇAMENTO POR SOLIDARIEDADE. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE.
É vedada a apreciação de alegação de inconstitucionalidade. Recurso Voluntário Não Provido.
Numero da decisão: 2201-004.596
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO - Presidente.
(assinado digitalmente)
DOUGLAS KAKAZU KUSHIYAMA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Dione Jesabel Wasilewski, Douglas Kakazu Kushiyama, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente)
Nome do relator: DOUGLAS KAKAZU KUSHIYAMA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201807
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/10/1994 a 31/10/1995 LANÇAMENTO POR SOLIDARIEDADE. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE. É vedada a apreciação de alegação de inconstitucionalidade. Recurso Voluntário Não Provido.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Aug 22 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 12971.007041/2009-75
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5894037
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Aug 22 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2201-004.596
nome_arquivo_s : Decisao_12971007041200975.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : DOUGLAS KAKAZU KUSHIYAMA
nome_arquivo_pdf_s : 12971007041200975_5894037.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO - Presidente. (assinado digitalmente) DOUGLAS KAKAZU KUSHIYAMA - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Dione Jesabel Wasilewski, Douglas Kakazu Kushiyama, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente)
dt_sessao_tdt : Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
id : 7400167
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:24:52 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050583648174080
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1261; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 69 1 68 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12971.007041/200975 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201004.596 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 03 de julho de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÃO SOCIAL Recorrente CONSTRUTORA LIX DA CUNHA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/1994 a 31/10/1995 LANÇAMENTO POR SOLIDARIEDADE. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE. É vedada a apreciação de alegação de inconstitucionalidade. Recurso Voluntário Não Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO Presidente. (assinado digitalmente) DOUGLAS KAKAZU KUSHIYAMA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Dione Jesabel Wasilewski, Douglas Kakazu Kushiyama, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente) Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 97 1. 00 70 41 /2 00 9- 75 Fl. 69DF CARF MF 2 Tratase de recurso voluntário de fls. 48/52, interposto em face da decisão de fls. 41/45, a qual julgou procedente o lançamento do débito, lavrado em 22/06/1998, relativo ao período de 01/1994 a 10/1995. O crédito tributário objeto do presente processo administrativo referese a contribuições previdenciárias incidentes sobre a mão de obra aplicada na construção civil e lançado por solidariedade, pois não foram apresentados à fiscalização as cópias autenticadas das guias de recolhimento específicas referentes às faturas e lançamentos 01/1994 a 10/1995. De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 20/24: 1. O crédito constituído por meio da NFLD supra, destinada ao Fundo de Previdência e Assistência Social / FPAS e aos Terceiros de que trata o artigo 94 da Lei 8.212/91, lançado por solidariedade, referese a contribuição previdenciária incidentes sobre mão de obra de serviços de vigilância. Não foram apresentadas à fiscalização as cópias autenticadas das guias de recolhimento específicas referentes às faturas e lançamentos contábeis verificados, motivo pelo qual foi apurado débito no período de 0194 a 1095. 2. Os valores mensais de salário de contribuição foram apurados a partir das faturas de serviços e na contabilidade. na apuração do salário de contribuição foram observados os critérios e procedimentos determinados pela Ordem de Serviço INSS/DAF 83 de 130893. Foi considerado como salário de contribuição: 45% (quarenta e cinco por cento) do valor dos serviços contidos nas faturas de serviços de vigilância, conforme item 7.2 da OS 83 de 130893. Sobre os valores encontrados a título de salário de contribuição foram aplicadas as taxas normais da Empresa, conforme discriminadas no RELATÓRIO DE ALÍQUOTAS APLICADAS NA APURAÇÃO DO DÉBITO que acompanha a notificação de débito. Os prestadores de serviço e os valores relativos aos serviços prestados, bem como a demonstração da origem do débito estão relacionados no RELATÓRIO DE FATOS GERADORES PARA LEVANTAMENTO anexo deste relatório. A fiscalização foi precedida de Termo de Início de Ação Fiscal TIAF emitido em 09/02/1998, cuja cópia acompanhou a NFLD. O contribuinte foi notificado e apresentou impugnação. Da Impugnação O RECORRENTE apresentou sua Impugnação de fls. 32/36. Ante a clareza e precisão didática do resumo da Impugnação elaborada pela Gerência Regional de Arrecadação e Fiscalização, adotase, ipsis litteris, tal trecho para compor parte do presente relatório: Fl. 70DF CARF MF Processo nº 12971.007041/200975 Acórdão n.º 2201004.596 S2C2T1 Fl. 70 3 que, no caso, a obrigação do recolhimento das contribuições é das sociedades contratadas; que a impugnante possui a responsabilidade solidária só na falta do pagamento por parte do contribuinte de fato; que não compete à impugnante deter em seu poder o comprovante de recolhimento; que não há nenhum indício de que a fiscal tenha exigido dos prestadores de serviços a prova do recolhimento exigido; que durante a fiscalização a fiscal verificou o Conta Corrente das prestadoras de serviços, não sendo possível identificar os recolhimentos. Portanto, entende a impugnante, que tais empresas deveriam ser fiscalizadas para apurar se houve o recolhimento ora exigido; que o inciso I, do art. 195, da CF/88, determina que a contribuição social deve ser calculada sobre a folha de salários, o que não ocorreu no caso, visto que o lançamento foi calculado sobre os valores constantes das Notas Fiscais e ou Faturas de Serviços e, que, portanto, o disposto no Título V, da OS n° 165/97, e demais disposições que disciplinam a matéria não podem prevalecer perante o dispositivo da CF citado; que além de inconstitucional, há um outro vício que impede o lançamento, visto que ao mandar aplicar a solidariedade, a Lei n° 8.212/91, através do art. 31, faz exceção ao disposto no art. 23 da mesma lei, que trata das contribuições incidentes sobre o faturamento e o lucro. Por conseguinte, a contratante não é solidariamente responsável pelo pagamento das contribuições sobre o faturamento da empresa executora do serviço; Da Decisão Recorrida Conforme já exposto, o lançamento foi mantido, decisão de fls. 41/45, conforme se verifica da parte final da decisão de fls. 41. CONSIDERANDO que os demais argumentos aduzidos na defesa estão desprovidos de fundamentos; CONSIDERANDO que os fatos geradores foram devida e oportunamente informados; CONSIDERANDO que os autos encontramse devidamente formalizados para Julgamento; RESOLVE: a) Julgar PROCEDENTE o lançamento do débito b) Notificar a empresa, remetendolhe cópia desta Decisão . Do Recurso Voluntário Fl. 71DF CARF MF 4 O RECORRENTE, devidamente intimado da decisão e apresentou o recurso voluntário de fls. 48/52. Em suas razões, reiterou os argumentos da Impugnação, apontando, segundo seu entendimento, erros na decisão, que podem ser apresentadas, em breve síntese: a) não se questiona a solidariedade e sim a prova do recolhimento que serviria para elidir a solidariedade; b) comprovação do pagamento com a apresentação de guias não autenticadas e aplicação da legislação de forma retroativa em beneficio da recorrente; c) erro quanto à base de cálculo, que se utilizou do faturamento e d) possibilidade de reconhecer, na esfera administrativa a constitucionalidade/inconstitucionalidade das leis. O Recorrente apresentou o recurso de forma tempestiva, mas não fez o depósito recursal, de modo que o débito foi inscrito em dívida ativa. Conforme petição da Procuradoria da Fazenda Nacional PGFN determinou se o cancelamento da inscrição do débito em dívida ativa (fls. 63), tendo em vista a edição da Súmula Vinculante nº 21 (e outras decisões) proferida pelo Supremo Tribunal Federal, que declarou a inconstitucionalidade dos §§ 1º e 2º do art. 126 da Lei nº 8.213/91. Tendo retornado o presente PAF ao órgão administrativo de origem para prosseguimento, este recurso voluntário compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Douglas Kakazu Kushiyama Quanto ao mérito do lançamento propriamente dito, conforme questionou a recorrente, o RICARF, em seu artigo 62 veda o afastamento Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Sendo assim, como a própria recorrente alega inconstitucionalidade da base de cálculo escolhida, é vedado o afastamento da aplicação ou deixar de observar lei ou decreto sob fundamento de inconstitucionalidade, de modo que não merece prosperar este ponto do recurso. Com relação à solidariedade, de fato, nos termos do disposto no artigo 31 da Lei nº 8.212/91 e que vigia ao tempo dos fatos assim dispôs: Art. 31. O contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, responde solidariamente com o executor pelas obrigações decorrentes desta Lei, em relação aos serviços Fl. 72DF CARF MF Processo nº 12971.007041/200975 Acórdão n.º 2201004.596 S2C2T1 Fl. 71 5 prestados, exceto quanto ao disposto no art. 23, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 1º Fica ressalvado o direito regressivo do contratante contra o executor e admitida a retenção de importâncias a este devidas para garantia do cumprimento das obrigações desta Lei, na forma estabelecida em regulamento. § 2º Exclusivamente para os fins desta Lei, entendese como cessão de mãodeobra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com atividades normais da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.1997). § 3º A responsabilidade solidária de que trata este artigo somente será elidida se for comprovado pelo executor o recolhimento prévio das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados incluída em nota fiscal ou fatura correspondente aos serviços executados, quando da quitação da referida nota fiscal ou fatura. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.032, de 28.4.1995). (grifos nossos) § 4º Para efeito do parágrafo anterior, o cedente da mãode obra deverá elaborar folhas de pagamento e guia de recolhimento distintas para cada empresa tomadora de serviço, devendo esta exigir do executor, quando da quitação da nota fiscal ou fatura, cópia autenticada da guia de recolhimento quitada e respectiva folha de pagamento. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.032, de 28.4.95). Em outros termos, por não comportar benefício de ordem, estáse cobrando, por solidariedade da recorrente o valor do INSS presumido. Por outro lado, o instituto da solidariedade tributária, prevista e regulada pelo Código Tributário Nacional CTN, dispôs da seguinte forma: Art. 125. Salvo disposição de lei em contrário, são os seguintes os efeitos da solidariedade: I o pagamento efetuado por um dos obrigados aproveita aos demais; No caso em tela, o Recorrente não trouxe nenhum documento capaz de infirmar o lançamento de modo que o mesmo deve ser mantido, uma vez que não se comprovou que não deveria ser aplicada a solidariedade ao caso. Com relação à base de cálculo, foi aplicada aquela prevista na legislação para os casos em que não ilidida a solidariedade. CONCLUSÃO Em razão do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Fl. 73DF CARF MF 6 (assinado digitalmente) Douglas Kakazu Kushiyama Relator Fl. 74DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10730.722048/2013-12
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jul 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2013
OMISSÃO DO ACÓRDÃO RECORRIDO. NULIDADE DA DECISÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
É nulo o acórdão recorrido quando não enfrentar todas as matérias trazidas na impugnação. Levantada, de ofício, omissão do colegiado a quo na análise de matéria impugnada, devese anular o acórdão recorrido por cerceamento do direito de defesa.
Numero da decisão: 1001-000.622
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a proposta de diligência suscitada pelo conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa, e em declarar de ofício a nulidade da decisão de 1ª instância, vencido o conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa, que lhe negou provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Edgar Bragança Bazhuni, quanto à nulidade, uma vez que entendeu que a motivação para a anulação é a inovação dos fundamentos da decisão recorrida.
(assinado digitalmente)
LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente.
(assinado digitalmente)
EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente)
Nome do relator: EDUARDO MORGADO RODRIGUES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201806
ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2013 OMISSÃO DO ACÓRDÃO RECORRIDO. NULIDADE DA DECISÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. É nulo o acórdão recorrido quando não enfrentar todas as matérias trazidas na impugnação. Levantada, de ofício, omissão do colegiado a quo na análise de matéria impugnada, devese anular o acórdão recorrido por cerceamento do direito de defesa.
turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Jul 27 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10730.722048/2013-12
anomes_publicacao_s : 201807
conteudo_id_s : 5884705
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jul 27 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1001-000.622
nome_arquivo_s : Decisao_10730722048201312.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : EDUARDO MORGADO RODRIGUES
nome_arquivo_pdf_s : 10730722048201312_5884705.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a proposta de diligência suscitada pelo conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa, e em declarar de ofício a nulidade da decisão de 1ª instância, vencido o conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa, que lhe negou provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Edgar Bragança Bazhuni, quanto à nulidade, uma vez que entendeu que a motivação para a anulação é a inovação dos fundamentos da decisão recorrida. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente)
dt_sessao_tdt : Tue Jun 05 00:00:00 UTC 2018
id : 7371908
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:23:00 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050583663902720
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1505; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T1 Fl. 2 1 1 S1C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10730.722048/201312 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1001000.622 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 05 de junho de 2018 Matéria Indeferimento de Opção SIMPLES Recorrente SCALA SOCIEDADE CULTURAL LTDA EPP Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2013 OMISSÃO DO ACÓRDÃO RECORRIDO. NULIDADE DA DECISÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. É nulo o acórdão recorrido quando não enfrentar todas as matérias trazidas na impugnação. Levantada, de ofício, omissão do colegiado a quo na análise de matéria impugnada, devese anular o acórdão recorrido por cerceamento do direito de defesa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a proposta de diligência suscitada pelo conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa, e em declarar de ofício a nulidade da decisão de 1ª instância, vencido o conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa, que lhe negou provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Edgar Bragança Bazhuni, quanto à nulidade, uma vez que entendeu que a motivação para a anulação é a inovação dos fundamentos da decisão recorrida. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 72 20 48 /2 01 3- 12 Fl. 191DF CARF MF Processo nº 10730.722048/201312 Acórdão n.º 1001000.622 S1C0T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente) Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 60 a 90) interposto contra o Acórdão nº 0436.172, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande/MS (fls. 51 a 52), que, por unanimidade, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela ora Recorrente, decisão esta consubstanciada na seguinte ementa: "ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2013 TERMO DE INDEFERIMENTO DA OPÇÃO AO SIMPLES NACIONAL. EXISTÊNCIA DE DÉBITOS COM A FAZENDA PÚBLICA FEDERAL COM EXIGIBILIDADE NÃO SUSPENSA. A empresa que possui débitos perante a Fazenda Pública Federal e não comprova que sua exigibilidade está suspensa, não pode ingressar no Simples Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio" Por sua precisão na descrição dos fatos que desembocaram no presente processo, peço licença para adotar e reproduzir os termos do relatório da decisão da DRJ de origem: " A contribuinte acima qualificada teve o seu pedido de inclusão no Simples Nacional indeferido tendo em vista a existência de 24 (vinte e quatro) débitos previdenciários sendo 11 (onze) da matriz e 13 (treze) da filial, e 03 (três) débitos inscritos em Dívida Ativa da União (PGFN): CSLL inscrição nº 7061102820120, IRPJ inscrição 7021101611405 e COFINS 7061102820201, cuja exigibilidade não estava suspensa, nos termos da Lei Complementar nº 123, de 14/12/2006, art. 17, inciso V, conforme Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional com data de registro em 04/03/2013 (fls.0910). Apresentou manifestação de inconformidade em 05/03/2013 (fls. 0205) alegando, em síntese, que todos os débitos seriam parcelados. Ocorre que, na data determinada, o sistema da RFB só disponibilizou algumas opções para a consolidação, quando o correto seria a liberação de todos os débitos de acordo com a opção. Dessa forma, possuía débitos no CNPJ da antiga matriz nº 29.866.464/0001 67, que não foram migrados para a base da RFB para serem consolidados. Recorreu, por meio do processo nº 10730.722474/201186, obtendo decisão favorável para que Fl. 192DF CARF MF Processo nº 10730.722048/201312 Acórdão n.º 1001000.622 S1C0T1 Fl. 4 3 os débitos não consolidados aguardassem a liberação do módulo de reconsolidação que seria disponibilizado para que fossem incluídos no parcelamento da Lei nº 11.941/99. Porém, após várias tentativas foi informada que o módulo não estava disponível no sistema da RFB/PGFN. Por fim, requereu seu enquadramento no Simples Nacional. Juntou cópias de documentos de fls. 06 e seguintes." Inconformada com a decisão de primeiro grau, que julgou improcedente a sua manifestação de inconformidade, tão somente sob o argumento de que não apresentou CND, a ora Recorrente apresentou Recurso Voluntário reafirmando que comprovou que estava em dia com suas obrigações, e contestando a falta de apreciação de suas razões por parte da DRJ de origem. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Conforme narrado, por ocasião da Manifestação de Inconformidade a Contribuinte alegou que os débitos indicados no Termo de Indeferimento do Simples (fls. 910) já se encontravam regularmente parcelados, conforme requerimento e guias de recolhimento juntadas (fls. 11 a 40). Ainda, a Recorrente explicita que na data da consolidação do referido parcelamento o sistema só havia disponibilizado apenas algumas opções de débitos. E por conta desta falha, os débitos referentes à sua antiga matriz não tinham sido migrados para a base da Receita Federal, portanto, não foram disponibilizados para consolidação no sistema. Contudo, diante deste problema, a Recorrente fez um requerimento administrativo (Proc. Adm. nº 10730.722474/201186) para que todos os seus débitos constassem da consolidação. Tal pedido teria sido deferido, conforme decisão SECATNITERÓI/RJ de fl. 87, determinando que os débitos fossem incluídos no parcelamento por meio de um módulo de reconsolidação que seria disponibilizado pela RFB. Quanto a decisão ora atacada, a DRJ de origem, ao julgar a Manifestação apresentada decidiu, em um voto cuja fundamentação preencheu apenas um único parágrafo, que consignou apenas que a ora Recorrente não trouxe Certidão Negativa de Débitos, o que comprovaria sua regularidade fiscal. Para ilustrar, transcrevo a integralidade do voto: "A manifestação de inconformidade é tempestiva e dela conheço. Fl. 193DF CARF MF Processo nº 10730.722048/201312 Acórdão n.º 1001000.622 S1C0T1 Fl. 5 4 A interessada argumentou que parte dos débitos que ensejaram o Termo de Indeferimento haviam sido parcelados, conforme os documentos juntados às fls. 11 40, e o restante estava aguardando a liberação do módulo de reconsolidação. Ademais, não trouxe a certidão negativa ou positiva com efeitos de negativa relativa às contribuições previdenciárias e às de terceiros, bem como a certidão conjunta positiva com efeitos de negativa de débitos relativos a tributos federais e à dívida ativa da União, o que comprovaria sua regularidade, nos termos dos arts. 205 e 206 do CTN, pois é a certidão o documento hábil que comprova a regularidade fiscal da empresa. A tentativa de obtêla via internet não surtiu efeito, vez que ali foi certificado que a empresa possui pendências nos sistemas da Receita Federal. Conclusão. Em face do exposto e considerando tudo mais que dos autos consta, julgo improcedente a manifestação de inconformidade e mantenho o Termo de Indeferimento de Opção ao Simples Nacional por seus próprios fundamentos. É o meu voto." Conforme se extrai da breve decisão, a DRJ de origem não chegou sequer a analisar a documentação trazida pela Recorrente, ou se manifestar quanto a efetiva consolidação ou não do parcelamento alegado. Se limitou a narrar que a Recorrente apresentou documentos e alegações sem emitir qualquer juízo de valor a respeito, focando tão somente na ausência de Certidão Negativa de Débitos. Ao que parece, a DRJ em comento entendeu que a única forma de se comprovar a improcedência do Termo de Indeferimento do Simples, ou, de outra forma, a inexistência de débitos capazes de obstar a opção seria por meio único e exclusivo da apresentação de CND. E neste esteio, uma vez que não apresentada a Certidão, parece ter considerado prejudicada a análise do restante da matéria alegada, incluindo demais documentos de prova. O que justificaria o fato de não ter tecido uma linha sequer sobre a regularidade do parcelamento aderido pela Recorrente, em especial sobre a questão dos débitos autorizados pela SECAT a serem incluídos em reconsolidação. Com o devido respeito à atividade da d. DRJ, discordo de tal entendimento. Primeiramente, a Lei Complementar 123/06 ao tratar das vedações ao ingresso no Simples, em seu art. 17, inciso V, estabelece que a empresa que pretende participar do regime de tributação não pode ter débitos fiscais sem exigibilidade suspensa, como segue: Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: [...] V que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa; [...] Fl. 194DF CARF MF Processo nº 10730.722048/201312 Acórdão n.º 1001000.622 S1C0T1 Fl. 6 5 Nos mesmos termos, regular a Resolução CGSN nº 94/11: Art. 15. Não poderá recolher os tributos na forma do Simples Nacional a ME ou EPP: (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 17, caput) [...] XV que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa; (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 17, inciso V) [...] Conforme se extraí, ambos os diplomas estabelecem tão somente que a vedação é causada por "possuir débito" para com o INSS ou Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, sem que a exigibilidade esteja suspensa. Notese que em momento algum qualquer um dos diplomas prescreve o dever de apresentar Certidão Negativa de Débitos. Em verdade, a normativa atinente ao regime do Simples trata a questão da regularidade fiscal de forma ampla, se reportando diretamente à existência ou não de débito fiscal sem exigibilidade suspensa. Para fins de Simples, pouco importa se a CND não pode ser expedida por alguma razão específica que não verdadeira existência de débitos exigíveis. Apenas a guisa de exemplo, notese que em alguns casos de parcelamento a emissão de CND pode requerer comparecimento pessoal do interessado em uma unidade de atendimento da respectiva DRF e/ou a conferência mecânica de alguma informação, o que poderia impossibilitar a emissão imediata e/ou por meio da internet, contudo, não significaria que o contribuinte necessariamente estaria com débitos não resolvidos. Outrossim, conforme cediço, o processo administrativo fiscal também se rege pelos princípios do devido processo legal, duplo grau de jurisdição e da ampla defesa. Tais conclusões se extraem da interpretação sistemática dos seguintes dispositivos constitucionais: Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindose aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: (...) XXXIV são a todos assegurados, independentemente do pagamento de taxas: a) o direito de petição aos Poderes Públicos em defesa de direitos ou contra ilegalidade ou abuso de poder; (...) Fl. 195DF CARF MF Processo nº 10730.722048/201312 Acórdão n.º 1001000.622 S1C0T1 Fl. 7 6 LIV ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal; LV aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; Confirmando nossas conclusões, temos a lição do ilustre professor James Marins, conforme se faz oportuno transcrever: Princípio da ampla instrução probatória: Do âmago do principio da ampla defesa emerge o direito à produção de provas, ou, mais propriamente, o direito à utilização de todos os meios de provas pertinentes à lide submetida a julgamento administrativo. (...) Esta garantia, consectário insuprimível do conteúdo jurídico do direito à ampla defesa, é conferida expressamente aos litigantes em processo administrativo através do art. 5º, LV, da CF/1988. Não podem, por isso mesmo, a legislação processual administrativa ou o órgão julgador obstaculizar o exercício do direito à prova, sob pena de incidência de cerceamento de defesa(...). Somente a prova ilícita poderá ser legalmente descartada como objeto de apreciação no Processo Administrativo(...). (...) Princípio do duplo grau de jurisdição:A ideia de revisão recursal dos julgamentos administrativos ou judiciais atende a necessidades de qualidade e segurança da prestação estatal julgadora e é imperativo jurídico expresso no art. 5º, lV, da CF/1988. (...) Não pode, União, Estados, Distrito Federal ou Municípios, instituir, no âmbito de sua competência, a denominada "instância única" para julgamento das lides tributárias deduzidas administrativamente, sob pena de irremediável mutilação da regra constitucional e consequente imprestabilidade do sistema administrativo processual que, por falta de tal requisito constitucional de validade, não servirá para aperfeiçoar a pretensão fiscal impugnada, remanescendo carente de exigibilidade. (MARINS, James. Direito processual tributário brasileiro: administrativo e judicial. 9 ed. São Paulo: RT, 2016, pgs. 198 200.)(Grifouse) Nesta linha, temse duas conclusões importantes para o presente julgado. Fl. 196DF CARF MF Processo nº 10730.722048/201312 Acórdão n.º 1001000.622 S1C0T1 Fl. 8 7 Primeiramente, o direito à ampla defesa que impende a necessidade de se autorizar ao jurisdicionado o uso amplo de todos os meios de provas lícitas. Conforme as lições supra, não cabe ao julgador administrativo restringir as formas de provas possíveis de serem utilizadas pelo contribuinte, sobretudo quando a própria legislação não o fez. A segunda conclusão reportase ao direito ao julgamento em duas instância do contribuinte. O Administrado não pode ter suas razões julgadas por apenas uma instância processual, sob pena de nulidade do julgamento. Tal circunstância se encontra expressa no Inciso II do Art. 59 do Decreto 70.235, como segue: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.(Grifouse) Diante destas considerações, parece claro que no caso em tela, de forma alguma poderia a autoridade julgadora de primeira instância, ou até mesmo a autoridade fiscal, restringir as formas em que a Recorrente poderia comprovar os seu direito, como o fez. Por tanto, afasto o entendimento adotado pela decisão de piso de que apenas a apresentação da CND seria prova hábil a demonstrar a inexistência de débitos para fins de opção do Simples. Ocorre que a DRJ de origem, ao entender que a não apresentação de CND seria suficiente para negar provimento à Manifestação de Inconformidade, deixou efetivamente de analisar os argumentos e documentos apresentados pela Contribuinte por considerálos prejudicados. Uma vez que tal entendimento foi afastado, restou um "vácuo" jurisdicional, há matérias alegadas e provas apresentadas pela Contribuinte que carecem de apreciação pela primeira instância administrativa. Conforme já demonstrado, tal circunstância fere o princípio constitucional do duplo grau de jurisdição e da ampla defesa, tornado o respectivo acórdão de piso nulo. Tal entendimento já se encontra sedimentado na jurisprudência deste Conselho: OMISSÃO DO ACÓRDÃO RECORRIDO. NULIDADE DA DECISÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. É nulo o acórdão recorrido quando não enfrentar todas as matérias trazidas na impugnação. Levantada, de ofício, omissão do colegiado a quo na análise de matéria impugnada, devese anular o acórdão recorrido por cerceamento do direito de defesa. (Processo: 10410.721329/201281. 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária. 4 de outubro de 2017) Fl. 197DF CARF MF Processo nº 10730.722048/201312 Acórdão n.º 1001000.622 S1C0T1 Fl. 9 8 OMISSÃO DO JULGAMENTO. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. É nulo, por preterição do direito de defesa, o Acórdão referente ao julgamento de primeira instância que deixa de se manifestar sobre matéria impugnada (argumento autônomo) capaz de, em tese, culminar no cancelamento, mesmo que parcial, do auto de infração. (Processo: 15983.720040/201517. 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária. 24 de maio de 2017.) CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. A falta de apreciação pela autoridade julgadora de primeira instância e razões de defesa apresentadas na impugnação constitui preterição do direito de defesa da parte, ensejando a nulidade da decisão assim proferida, "ex vi" do disposto no art. 59, item II, d o Decreto n.° 70.235/72. (Processo n.º 10880.038405/8901. 17/09/2002). Diante de todos os argumentos e fatos aqui expostos, temse claramente que o acórdão de primeira instância deve ser anulado em razão da omissão do tribunal a quo quanto a análise das razões e provas trazidas pela Contribuinte. Como consequencia, os autos devem ser baixados para que a DRJ de origem realize novo julgamento, desta vez superando a questão da ausência de apresentação de CND e analisando todos os argumentos e prova trazidas aos autos, afim de se resguardar o direito constitucional à ampla defesa e ao duplo grau de jurisdição. Em face a todo o exposto, VOTO por RECONHECER A NULIDADE do Acórdão nº 0436.172 da 2ª Turma da DRJ de Campo Grande/MS, devendo o processo ser baixado para novo julgamento, nos termos acima. É como voto. (assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues Relator Fl. 198DF CARF MF Processo nº 10730.722048/201312 Acórdão n.º 1001000.622 S1C0T1 Fl. 10 9 Fl. 199DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16561.000167/2007-30
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 31/12/2002, 31/12/2003, 31/12/2004
DISPONIBILIZAÇÃO DE LUCROS NO EXTERIOR. TRIBUTAÇÃO.
Os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos por intermédio de controladas ou coligadas (inclusive os transferidos para a reserva legal) são tributáveis no Brasil quando houver o emprego do valor, em favor da beneficiária, inclusive no aumento de capital da controlada ou coligada, domiciliada no exterior.
A empresa brasileira deve adicionar a seu resultado os lucros disponibilizados pela controlada ou coligada no exterior, calculados à proporção de sua participação.
ERRO DE FATO.
Comprovado o erro na apuração da base tributável, correspondente a lucros disponibilizados no exterior em períodos em que a contribuinte não detinha participação na empresa estrangeira, exonera-se a diferença que se mostrou indevida.
Não comprovado que parte dos lucros disponibilizados por controlada ou coligada no exterior já teriam sofrido tributação interna ou externa, mantém-se a tributação relativa aos lucros disponibilizados pela coligada ou controlada nos períodos em que a contribuinte brasileira detinha participação societária.
TBU. PERCENTUAIS DE PARTICIPAÇÃO.
As oscilações de percentuais de participação sobre coligadas ou controladas no exterior, alegadas pela impugnante, no decorrer dos anos-calendário alcançados pela autuação, devem ser devidamente comprovadas.
CSLL. DECORRÊNCIA.
O resultado do julgamento do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ espraia seus efeitos sobre a CSLL lançada em decorrência da mesma infração
Numero da decisão: 1402-003.199
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício, mantendo a decisão recorrida.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Luis Pagano Gonçalves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Ailton Neves da Silva (Suplente convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone.
Nome do relator: LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201805
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2002, 31/12/2003, 31/12/2004 DISPONIBILIZAÇÃO DE LUCROS NO EXTERIOR. TRIBUTAÇÃO. Os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos por intermédio de controladas ou coligadas (inclusive os transferidos para a reserva legal) são tributáveis no Brasil quando houver o emprego do valor, em favor da beneficiária, inclusive no aumento de capital da controlada ou coligada, domiciliada no exterior. A empresa brasileira deve adicionar a seu resultado os lucros disponibilizados pela controlada ou coligada no exterior, calculados à proporção de sua participação. ERRO DE FATO. Comprovado o erro na apuração da base tributável, correspondente a lucros disponibilizados no exterior em períodos em que a contribuinte não detinha participação na empresa estrangeira, exonera-se a diferença que se mostrou indevida. Não comprovado que parte dos lucros disponibilizados por controlada ou coligada no exterior já teriam sofrido tributação interna ou externa, mantém-se a tributação relativa aos lucros disponibilizados pela coligada ou controlada nos períodos em que a contribuinte brasileira detinha participação societária. TBU. PERCENTUAIS DE PARTICIPAÇÃO. As oscilações de percentuais de participação sobre coligadas ou controladas no exterior, alegadas pela impugnante, no decorrer dos anos-calendário alcançados pela autuação, devem ser devidamente comprovadas. CSLL. DECORRÊNCIA. O resultado do julgamento do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ espraia seus efeitos sobre a CSLL lançada em decorrência da mesma infração
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Aug 20 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 16561.000167/2007-30
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5893586
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Aug 20 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1402-003.199
nome_arquivo_s : Decisao_16561000167200730.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES
nome_arquivo_pdf_s : 16561000167200730_5893586.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício, mantendo a decisão recorrida. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Ailton Neves da Silva (Suplente convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone.
dt_sessao_tdt : Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
id : 7398200
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:24:43 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050583837966336
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1914; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 521 1 520 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16561.000167/200730 Recurso nº De Ofício Acórdão nº 1402003.199 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 16 de maio de 2018 Matéria IRPJ Recorrente ITB HOLDING BRASIL PARTICIPAÇÕES LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2002, 31/12/2003, 31/12/2004 DISPONIBILIZAÇÃO DE LUCROS NO EXTERIOR. TRIBUTAÇÃO. Os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos por intermédio de controladas ou coligadas (inclusive os transferidos para a reserva legal) são tributáveis no Brasil quando houver o emprego do valor, em favor da beneficiária, inclusive no aumento de capital da controlada ou coligada, domiciliada no exterior. A empresa brasileira deve adicionar a seu resultado os lucros disponibilizados pela controlada ou coligada no exterior, calculados à proporção de sua participação. ERRO DE FATO. Comprovado o erro na apuração da base tributável, correspondente a lucros disponibilizados no exterior em períodos em que a contribuinte não detinha participação na empresa estrangeira, exonerase a diferença que se mostrou indevida. Não comprovado que parte dos lucros disponibilizados por controlada ou coligada no exterior já teriam sofrido tributação interna ou externa, mantém se a tributação relativa aos lucros disponibilizados pela coligada ou controlada nos períodos em que a contribuinte brasileira detinha participação societária. TBU. PERCENTUAIS DE PARTICIPAÇÃO. As oscilações de percentuais de participação sobre coligadas ou controladas no exterior, alegadas pela impugnante, no decorrer dos anoscalendário alcançados pela autuação, devem ser devidamente comprovadas. CSLL. DECORRÊNCIA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 00 01 67 /2 00 7- 30 Fl. 521DF CARF MF Processo nº 16561.000167/200730 Acórdão n.º 1402003.199 S1C4T2 Fl. 522 2 O resultado do julgamento do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ espraia seus efeitos sobre a CSLL lançada em decorrência da mesma infração Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício, mantendo a decisão recorrida. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Ailton Neves da Silva (Suplente convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone. Fl. 522DF CARF MF Processo nº 16561.000167/200730 Acórdão n.º 1402003.199 S1C4T2 Fl. 523 3 Relatório Tratase de julgamento de Recurso de Ofício interposto face v. acórdão da DRJ que julgou parcialmente procedente a impugnação. Após a interposição do Recurso Voluntário, a Recorrente apresentou petição informando que pagou a parte dos créditos mantidos pela DRJ nos termos do benefício da anistia prevista na Lei 12.865/2013 e apresenta a desistência ao seu direito de recorrer da parcela mantida do Auto de Infração, objeto do Recurso Voluntário. Sendo assim, não será julgado o Recurso Voluntário da Recorrente, devido ao pedido de desistência de fls. 493/515 e despacho de encaminhamento de fl. 517. O Auto de Infração exige da contribuinte Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), respectivamente, ambos com multa de 75% e juros, em razão de ter efetuado adição ao lucro líquido, para fins de determinar o lucro real de fatos geradores ocorridos em 31/12/2002, 31/12/2003 e 31/12/2004 em valor insuficiente para atender as determinações da legislação relativa à tributação em bases universais. Ou seja a fiscalização entendeu que os lucros auferidos no exterior pela coligada ITB Holding e adicionados pela Recorrente ITB Holding Brasil Participações Ltda para fins de determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, são insuficientes para atender às exigências da legislação que trata da matéria. Após ter sido oferecida a impugnação, a DRJ julgou parcialmente procedente os AIs para exonerar a parcela de lucros disponibilizados no exterior em períodos nos quais a Recorrente não detinha participação na empresa estrangeira. Por outro lado, foi mantida a tributação relativa aos lucros disponibilizados pela coligada ou controlada nos períodos em que a Recorrente detinha participação societária, sob a alegação de que não foi comprovado que a parte dos lucros disponibilizados por controlada ou coligada no exterior já teria sofrido tributação externa ou interna. Também foi decidido pela DRJ que as oscilações de percentuais de participação sobre coligadas ou controladas no exterior deveriam ser devidamente comprovadas. Em seguida, foi interposto Recurso de Ofício para que este E. CARF/MF analise a parte da decisão que afastou a exigência do crédito, e a Recorrente, por sua vez, interpôs Recurso Voluntário. De resto, utilizo o minucioso relatório do v. acórdão Recorrido. Em ação fiscal empreendida junto ao contribuinte acima identificado, originada pelo MPF n° 08.1.71.002006002343, foram lavrados Autos de Infração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (fls. 165/166) e de Contribuição Social sobre o Fl. 523DF CARF MF Processo nº 16561.000167/200730 Acórdão n.º 1402003.199 S1C4T2 Fl. 524 4 Lucro Líquido (fls. 171/172), relativos a fatos geradores ocorridos em 31/12/2002, 31/12/2003 e 31/12/2004. A infração apurada encontrase descrita no Auto de Infração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (fl. 166): [...] As bases tributáveis do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido relativos a 2002, 2003 e 2004 foram ajustadas pela adição dos valores das infrações constatadas e indicadas as compensações com bases negativas de períodos anteriores, conforme demonstrativos de fls. 175/177 e fls. 178/180. Conforme relatado no Termo de Verificação Fiscal de fls. 156/160, a partir das demonstrações contábeis das empresas envolvidas e que constituem os documentos de fls. 118 a 143, constatouse que os lucros auferidos no exterior e adicionados pela fiscalizada para fins de determinação do lucro real e da base de cálculo da contribuição social foram insuficientes para atender às exigências da legislação, determinando a lavratura de Auto de Infração para constituição das diferenças não oferecidas à tributação, conforme quadro elaborado a fl. 158. Cientificada do lançamento em 11/12/2007, a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 186/191, na qual alega, em síntese: a fiscalização computou como lucro disponibilizado para a Impugnante o valor do lucro apurado pela ITB Holding Ltd. em 2001, além do valor total do lucro apurado em 2002, ignorando o fato de que a impugnante somente passou a ter participação na ITB Holding Ltd. em 29/07/02, fato que foi até mencionado no termo de constatação e encerramento de fiscalização; o auto deve ser declarado nulo em razão da impossibilidade de se imputar à Impugnante o reconhecimento de lucro auferido por empresa no exterior da qual não detinha nenhuma participação societária. Caberia ao fisco verificar se os lucros auferidos pela ITB Holding Ltd no exterior em 2001 e parte de 2002 (até 29/07/02) foram computados pela empresa que detinha a participação nesse período. Há duplicidade de lançamento em relação aos créditos tributários constituídos no Auto de Infração lavrado em face do Banco Itaú, processo fiscal n° 16561.000092/200614 (ver itens 10 a 14, fls. 187/188); quanto ao anocalendário de 2003, a fiscalização utilizou a diferença dos saldos de 31/12/2003 e de 21/12/2002 da conta Lucro/Prejuízo Acumulado, mas parte do saldo dessa conta referese a ajustes efetuados para o registro de outras operações que não o do lucro líquido do período. Desconsiderando os referidos ajustes, o lucro líquido correto é de US$ 112.130.751,76 (doe. 04). Além disso, é cometido o mesmo erro incorrido para o ano de 2002: Fl. 524DF CARF MF Processo nº 16561.000167/200730 Acórdão n.º 1402003.199 S1C4T2 Fl. 525 5 a fiscalização calculou o valor do lucro disponibilizado com base no percentual de participação societária da Impugnante na ITB Holding Ltd em 31/12/2003, sem considerar as oscilações de percentual ocorridas no decorrer do período: até abril/03 a impugnante detinha 47,06953% e posteriormente, esse percentual foi reduzido para 44,72406%; do lucro apurado pela ITB Holding Ltd em 2003 (US$ 112.130.751,76), deve ser descontado o valor de US$ 55.624.276,14, que corresponde ao lucro auferido por empresa brasileira (a BBA) sobre a qual a ITB Holding Ltd detém participação de 47,79%. Já tendo sido tributada no Brasil, essa parcela não pode ser computada novamente para a tributação da impugnante, sob pena de se tributar duas vezes o mesmo fato; ainda referente ao anocalendário de 2003, a fiscalização não considerou a cisão de parte do patrimônio líquido da impugnante, que acarretou na transferência da totalidade de sua participação societária na ITAUINV (empresa situada no exterior) para a ITAUINV BRASIL (doe. 05, fl 02 da Ata da Assembléia Geral e Extraordinária de 05/05/2003), ficando essa responsável pela tributação dos lucros auferidos pela ITAUINV do exterior, no valor de R$ 94.989.221,53, conforme anexa DIPJ do anocalendário 2003 da ITAUINV BRASIL; em relação ao anocalendário 2004, novamente a fiscalização equivocouse ao computar no lucro disponibilizado no exterior pela impugnante o valor do lucro auferido pela ITAUINV do exterior, cujas ações foram, em 2003, incorporadas pela ITAUINV BRASIL, que reconheceu em sua DIPJ do ano calendário 2004 o aludido lucro (doe. 08); ainda referente ao anocalendário de 2004, a fiscalização não considerou as oscilações de percentual ocorridas no decorrer do período, tendo calculado o lucro disponibilizado com base no percentual de participação societária da impugnante na ITB Holding Ltd em 31/12/2004. Ocorre que, até novembro de 2004, a impugnante detinha 44,724050% e, posteriormente a essa data, o percentual foi reduzido para 32,246684%; caso não se considerem as oscilações no percentual de participação societária, devese ao menos considerar que a impugnante reconheceu como lucro disponibilizado valor maior que o devido (no caso dos lucros da ITB Holding Ltd.), acarretando direito a crédito sobre os tributos incidentes sobre tal valor; por fim, requer seja julgado improcedente e cancelado o Auto de Infração. É o relatório. Fl. 525DF CARF MF Processo nº 16561.000167/200730 Acórdão n.º 1402003.199 S1C4T2 Fl. 526 6 Voto Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator Recurso de Ofício. Dos lucros disponibilizados em 31/12/2002: Inicialmente, conforme parágrafo único do artigo 74 da Medida Provisória 2.158/02, que regulamentou a base de cálculo do IRPJ e da CSLL nos termos do artigo 25 da Lei 9.249/95 e do artigo 21 da mesma Medida Provisória, os lucros apurados por controlada ou coligada no exterior até 31 de dezembro de 2001, serão considerados disponibilizados em 31 de dezembro de 2002, salvo se ocorrida, antes desta data qualquer das hipóteses de disponibilização previstas na legislação em vigor. Outro ponto importante a ressaltar é que conforme Termo de Constatação de fls.156/160, mais especificamente na fl.157 do primeiro volume, a Recorrente não detinha participação no ITB Holding Ltda antes de 29/07/2002. Até então, o Banco Itaú era quem detinha 100% da participação desta coligada. Em 29/07/2002, o Banco Itaú decidiu aumentar o capital da ITB Holding Ltda e cedeu cotas de sua participação para a Itauint Itaú Participações Internacionais S.A. (fls. 254 dos autos, volume 2 parte do TVF), hoje denominada a atual ITB Holding Brasil Participações Ltda, ora Recorrida. Vejamos a parte do Termo de Constatação que indica tal operação (fl. 157). 9) Os termos de intimação fiscal de 22/10/2007 solicitaram os esclarecimentos listados em fls.108 a 110, principalmente quanto ao valor do lucro apurado por ITB Holdings Ltd em 31/12/2001. 10) Constatouse então que nesta última data ITB Holdings Ltd exibiu lucro de US$ 3.745.305,87 e era controlada do Banco Itaú S/A (99,9%). 11) Em 29/07/2002, o Banco Itaú aumentou o capital social de US$343.233.262,31 para US$729.204.844,31. Ao mesmo tempo, transferiu para a Fiscalizada o exato valor de sua antiga participação, agora correspondente a 47,06953% do novo capital social. Ao mesmo tempo, corrigiu o valor do lucro apurado em 31/12/2001, os já mencionados US$3.745.305,87, para US$4.067.488,54. 12) Em conseqüência, a ITB Holding Brasil Participações S/A (nova denominação de ITAUINT Itaú Participações Fl. 526DF CARF MF Processo nº 16561.000167/200730 Acórdão n.º 1402003.199 S1C4T2 Fl. 527 7 Internacionais S/A, a partir de 05/05/2003) passou a ser responsável pela disponibilização, em 31/12/2002, de 47,06953% do lucro US$4.067.488,54 Este fato também pode ser confirmado nos autos do processo administrativo 16561.000092/200614, no qual foi lavrado Auto de Infração contra o Banco Itaú para exigir os lucros apurados em 2001 pela ITB Holding Ltd., devido ao fato de o Banco Itaú ter o controle integral da empresa estrangeira. As cópias do Termo de Verificação Fiscal e do correspondente Auto de Infração lavrado em face do Banco Itaú SA foram encartadas nestes autos a fls. 221/259. No Termo de Verificação Fiscal de fls. 248/259, a autoridade fiscal daquele procedimento relata que o Banco Itaú teve participação de 100% na ITB Holding nos anos de 2001 e 2002, sendo que utilizou essa participação em 29 de junho de 2002 para aumentar o capital da Itauint (hoje a ITB Holding Brasil Participações Ltda, Recorrida desse processo), conforme trecho acima colacionado. Pois bem. Passo a analisar os lucros disponibilizados em 31/12/2002. Como muito bem apontado pela v. acórdão da DRJ, a Recorrente adicionou ao resultado apurado na DIPJ 2003, anocalendário 2002, na Ficha 09A (Demonstração do Lucro Real), R$ 47.029.963,99, a título de lucros disponibilizados no exterior (fl. 11). Entretanto, diferentemente da Recorrente, a Fiscalização apurou que deveria ter sido adicionado ao resultado, a título de lucros disponibilizado no exterior, o montante de R$ 65.710.955,87, conforme cálculo do Auditor Fiscal de fl.158. Ao se deparar com tal divergência de valores a serem adicionados ao resultado, a D. Relatora que proferiu o voto condutor do v. acórdão recorrido, confrontou o cálculo efetuado pela Recorrente com o apresentado pela Fiscalização e decidiu afastar o lançamento da parcela relativa aos lucros apurados pela ITB Holding Ltda, durante o ano calendário de 2001, bem como a parte proporcional dos lucros apurados no anocalendário de 2002 do período de 01/01/2002 até 29/07/2002, no importe de US$ 6.533.168,16 por entender que a Recorrente naquela época não detinha participação na coligada (ITB Holding Ltda), bem como que o imposto relativo ao lucro deste período está sendo cobrado do Banco Itaú nos autos do outro processo de numero 16561.000092/200614. Sendo assim, como entendo que o v. acórdão recorrido não deve ser alterado, utilizo a fundamentação do D. Relatora e colaciono abaixo a parte que nos interessa: A) Lucros disponibilizados em 31.12.2002: A impugnante adicionou ao resultado apurado na DIPJ 2003, anocalendário 2002, na Ficha 09A (Demonstração do Lucro Real), RS 47.029.963,99, a título de lucros disponibilizados no exterior (fl. 11). No entanto, a autoridade fiscal apurou que na referida declaração os lucros disponibilizados no exterior Fl. 527DF CARF MF Processo nº 16561.000167/200730 Acórdão n.º 1402003.199 S1C4T2 Fl. 528 8 deveriam ser adicionados ao resultado no montante de R$ 65.710.955,87, conforme cálculos efetuados a fl. 158. Nos termos da legislação regente, os lucros disponibilizados no exterior em 31.12.2002 correspondem à soma dos lucros acumulados e não disponibilizados no exterior até 31.12.2001, com os lucros apurados no exterior no anocalendário 2002, por controladas ou coligadas da declarante. Passo a confrontar o cálculo efetuado pela fiscalização com o cálculo apresentado pela impugnante. a.l) Lucros acumulados até 31.12.2001: Alega a impugnante que não pode ser tributada sobre os lucros apurados pela ITB Holding Ltd em 2001 e no anocalendário de 2002 até 29/07/2002, quando passou a ter partiaipação na referida empresa sediada no exterior. A autoridade fiscal relatou (item 10, fl. 157) que em 31/12/2001, a ITB Holdings Ltd exibiu lucro de US$ 3.745.305,87 e era controlada pelo Banco Itaú S/A (99,9%), o qual, em 29/07/2002, aumentou seu capital social, de US$ 343.233.262,31 para US$ 729.204.844,31; transferiu para a impugnante 47,06953% de sua participação na ITB Holdings Ltd e corrigiu o valor do lucro apurado em 31/12/2001 pela mesma ITB Holdings Ltd, de US$ 3.745.305,87 para US$ 4.067.488,54. Com efeito, a despeito de a impugnante ter ingressado na ITB Holding Ltd. somente em 29/07/02, no quadro de cálculos elaborado pela autoridade fiscal, a fl. 158, foram computados os lucros apurados no decorrer dos anos de 2001 e de 2002 pela ITB Holding Ltd (US$ 4.067.488,54 e US$ 9.501.691,95) à proporção da participação da impugnante nessa coligada em 31.12.2002 (47,06953%). A impugnante informa que em outro Auto de Infração lavrado em face do Banco Itaú, PAF n° 16561.000092/200614, já foram exigidos os tributos incidentes sobre os lucros apurados em 2001 pela ITB Holding Ltd, justamente em razão de neste ano o controle total da empresa ter sido exercido pelo Banco Itaú, e não pela impugnante. Cópias do Termo de Verificação Fiscal e correspondente Auto de Infração lavrado em face do Banco Itaú SA foram encartadas a fls. 221/259. No Termo de Verificação Fiscal de fls. 248/259, a autoridade fiscal daquele procedimento relata que o Banco Itaú teve participação de 100% na ITB Holding nos anos de 2001 e 2002, tendo utilização essa participação em 29 de junho de 2002 para aumentar o capital da Itauint (impugnante desse processo). Considerando que a participação da impugnante sobre a ITB Holding Ltd. iniciouse em 29/07/2002, deve ser afastada do Fl. 528DF CARF MF Processo nº 16561.000167/200730 Acórdão n.º 1402003.199 S1C4T2 Fl. 529 9 lançamento a parcela relativa aos lucros apurados por essa empresa estrangeira, ITB Holding Ltd., durante o ano calendário de 2001. a.2) Lucros apurados no anocalendário de 2002: Com relação aos lucros apurados pela ITB Holding Ltd. no período compreendido entre 01/01/2002 e 29/07/2002, analisando o Termo de Verificação Fiscal que integra os autos n° 16561.000092/200614, verificase que naquela autuação estão sendo exigidos do Banco Itaú SA os tributos incidentes sobre os lucros auferidos pela ITB Holding Ltd. até 29/06/2002, em US$ 6.855.350,83, equivalente a R$ 24.222.011,09 em 31/12/2002 (fl. 255). Com base em comparativo de disponibilização de lucros no ano de 2002 elaborado pela impugnante a fl. 219 (doe. 02), sustenta a defesa que, dos lucros apurados ao final desse ano pela ITB Holding Ltd., no montante de US$ 9.501.691,95, devem ser descontados os lucros apurados entre janeiro e junho (US$ 6.533.168,16), período em que a impugnante nada detinha de participação nessa coligada. Sustenta, ainda, que no Auto de Infração lavrado em face do Banco Itaú, a fiscalização considerou que os lucros apurados nesse período (entre janeiro e junho de 2002) pela ITB Holding Ltd chegaram a US$ 6.855.350,83, excedendo em US$ 322.182,67 os lucros efetivamente apurados pela coligada (US$ 6.855.350,83 US$ 6.533.168,16). Podese considerar que o valor sustentado pela impugnante (US$ 6.533.168,16), como lucros apurados pela ITB Holding Ltd. antes de nela ingressar, está incluído no montante de US$ 6.855.350,83, que foi objeto de lançamento efetuado no processo n° 16561.000092/200614. Assim, esse montante (US$ 6.533.168,16) deve ser descontado do lucro total apurado no decorrer do ano de 2002 para calcular o saldo de lucros sobre o qual a impugnante responde pelos tributos incidentes, e à porcentagem de sua participação (47,06953%), conforme abaixo se demonstra: Fl. 529DF CARF MF Processo nº 16561.000167/200730 Acórdão n.º 1402003.199 S1C4T2 Fl. 530 10 Sendo assim, em relação aos lucros disponibilizados em 31/12/2002, afasto totalmente a exigência do lucro acumulado apurado durante o anocalendário de 2001, bem como do período de janeiro até 29/07/2002 para o anocalendário de 2002, mantenho a decisão do v. acórdão para tributar apenas a diferença de R$ 1.050.958,06 do lucro disponibilizado em 31/12/2002. Em relação aos lucros disponibilizados em 31/12/2003: Um ponto importante a ser ressaltado antes de analisar esta parte da autuação, é que relativamente ao anocalendário 2003, por conta de cisão parcial da empresa ocorrida em 05/05/2003, a Recorrida apresentou duas declarações, uma referente ao período compreendido entre 01/01/2003 e 05/05/2003 (fls. 14/17), e outra referente ao período compreendido entre 06/05/2003 e 31/12/2003 (fls. 18/21). Na primeira declaração, a impugnante nada declarou a título de lucros disponibilizados no exterior; na segunda, adicionou a seu lucro líquido R$ 80.295.540,19 a título de lucros disponibilizados no exterior, os quais, segundo informado na declaração, teriam sido apurados pela coligada ITB Holding Ltd., conforme cópia da Ficha 09 acostada a fl. 19. Contudo, a fiscalização apurou que a Recorrida teria que adicionar R$ 182.719.019,31, sendo R$ 87.729.797,78 de lucros auferidos pela coligada ITB Holding Ltd. e R$ 94.989.221,53 de lucros auferidos pela coligada Itauinv LCC (fl. 62). A fiscalização apoiouse no "Saldo em 31.12.2003" de lucros acumulados pela ITB Holding Ltd, no valor de US$ 81.462.696,59, conforme constou na "Demonstração da movimentação do patrimônio líquido — Subsidiárias no exterior" apresentada no curso de fiscalização, a fl. 125. Desse saldo, a fiscalização descontou os lucros de 2001 e 2002 já Fl. 530DF CARF MF Processo nº 16561.000167/200730 Acórdão n.º 1402003.199 S1C4T2 Fl. 531 11 tributados (respectivamente US$ 4.067.488,54 e US$ 9.501.691,95), para chegar ao valor do lucro apurado pela coligada no anocalendário 2003 (US$ 67.893.516,10), conforme consta da tabela contida no Termo de Verificação Fiscal, a fl. 158. Pois bem. Em relação a autuação destes lucros disponibilizados em 31/12/2003 pela coligada ITB Holding Ltd, a Recorrida apresentou três alegações para tentar demonstrar erros na apuração feita pela Fiscalização, bem como para requerer o cancelamento da exigência dos créditos relativos a este período, que são: (i) a Recorrida aponta erros no cálculo da fiscalização relativos ao lucro apurado pela coligada no anocalendário de 2003; (ii) a possibilidade de parte desse lucro não ter sido disponibilizado por se tratar de lucro auferido por empresa brasileira e já ter sido tributado no Brasil; (iii) os percentuais de participação da autuada na ITB Holding Ltd ter variado no decorrer do período de 2003. Em relação a estas alegações, o v. acórdão fundamentou de forma didática para não acolhêlas. Entretanto, decidiu por afastar do lançamento o valor adicionado ao resultado da autuada a título de lucros apurados pela Itauinv LLC no anocalendário de 2003, no valor de R$ 94.989.221,53, por ter constatado que a autuada não detinha mais o controle da Itauinv LLC, sendo que a Recorrida seria responsável apenas pelos lucros auferidos pela controlada até o evento da cisão, mas nada consta nos autos que indique que todo ou parte desse lucro já tivesse sido auferido pela controlada antes da cisão. Como concordo com o que foi decidido no v. acórdão e para deixar mais claro a fundamentação utilizada para afastar o créditos relativos ao valor do lucro da apurados pela Itauinv LLC no anocalendário de 2003, no valor de R$ 94.989.221,53, colaciono a parte que nos interessa abaixo. B) Lucros disponibilizados em 31.12.2003: Relativamente ao anocalendário 2003, por conta de cisão parcial da empresa ocorrida em 05/05/2003, a impugnante apresentou duas declarações, uma referente ao período compreendido entre 01/01/2003 e 05/05/2003 (fls. 14/17), e outra referente ao período compreendido entre 06/05/2003 e 31/12/2003 (fls. 18/21). Na primeira declaração, a impugnante nada declarou a título de lucros disponibilizados no exterior; na segunda, adicionou a seu lucro líquido R$ 80.295.540,19 a título de lucros disponibilizados no exterior, os quais, segundo informado na declaração, teriam sido apurados pela coligada ITB Holding Ltd., conforme cópia da Ficha 09 acostada a fl. 19. Fl. 531DF CARF MF Processo nº 16561.000167/200730 Acórdão n.º 1402003.199 S1C4T2 Fl. 532 12 Contudo, a fiscalização apurou que a impugnante teria que adicionar R$ 182.719.019,31, sendo R$ 87.729.797,78 de lucros auferidos pela coligada ITB Holding Ltd. e R$ 94.989.221,53 de lucros auferidos pela coligada Itauinv LCC (fl. 62). A impugnante aponta erros no cálculo da fiscalização sobre os lucros disponibilizados pela ITB Holding Ltd. e pela Itauinv LCC, tendo para tanto elaborado o quadro comparativo de fl. 260. Observase que a fiscalização apoiouse no "Saldo em 31.12.2003" de lucros acumulados pela ITB Holding Ltd, no valor de US$ 81.462.696,59, conforme constou na "Demonstração da movimentação do patrimônio líquido — Subsidiárias no exterior" apresentada no curso de fiscalização, a fl. 125. Desse saldo, a fiscalização descontou os lucros de 2001 e 2002 já tributados (respectivamente US$ 4.067.488,54 e US$ 9.501.691,95), para chegar ao valor do lucro apurado pela coligada no anocalendário 2003 (US$ 67.893.516,10), conforme consta da tabela contida no Termo de Verificação Fiscal, a fl. 158. Por sua vez, a impugnante considerou como lucro líquido da ITB Holding Ltd. em 2003 apenas US$ 56.506.475,62, ao argumento de que, do lucro líquido da coligada, apurado no valor de US$ 112.130.751,76, não poderia ser tributada a parcela de US$ 55.624.276,14, por se tratar de lucro auferido por empresa brasileira. A título de esclarecimento, apresenta organograma a fl. 189, que representa a participação societária indireta que afirma deter sobre empresa situada no Brasil, a BBA, por meio da Itaubank, empresa no exterior, na qual informa deter controle de 99,9%. Além disso, sustenta que sua participação na coligada ITB Holding variou no curso do período, sendo de 47,06953% até março/03 e de 44,72406%) de abril a dezembro de 2003, e não de 44,72406% em todos os meses do ano, tal como considerou a fiscalização. Três elementos devem ser analisados no tocante aos lucros disponibilizados pela coligada ITB Holding Ltd. à autuada: (i) o lucro apurado pela coligada no anocalendário de 2003; (ii) a possibilidade de parte desse lucro não ser considerado disponibilizado por já ter sido tributado no Brasil; (iii) os percentuais de participação da autuada no decorrer do período. Quanto ao lucro total apurado pela coligada no anocalendário de 2003 (i), a fiscalização considerou o lucro acumulado em 2003 e os lucros apurados nos períodos anteriores, tal como informado em documentação apresentada pela própria contribuinte no curso da fiscalização. A impugnante refuta o saldo apurado pela fiscalização com base em cálculo efetuado com outros elementos, alegando, basicamente, que parte do lucro da coligada, US$ 55.624.276,14, corresponderia a lucro auferido por empresa brasileira e portanto já tributado . Contudo, a parcela do lucro eventualmente já tributada no exterior ou no Brasil sujeitarseia à legislação de tributação Fl. 532DF CARF MF Processo nº 16561.000167/200730 Acórdão n.º 1402003.199 S1C4T2 Fl. 533 13 sobre bases universais do país em que sediada a coligada ou controlada da fiscalizada. Ademais, a impugnante não apresenta qualquer comprovação de suas alegações, o que impossibilita de plano o acolhimento dos novos valores apresentados, bem como, afasta a legitimidade e utilidade do organograma societário apresentado a fl. 189. No tocante aos percentuais de participação da impugnante sobre a coligada ITB Holding Ltd, a fiscalização considerou que no decorrer de todo o anocalendário de 2003 a impugnante detinha participação de 44,72406% sobre a coligada, ao passo que a impugnante alega que esse percentual teria sido superior (47,06953%) até março de 2003. Não somente por falta de comprovação, mas principalmente por se tratar de alegação que, isoladamente, culminaria em agravamento do lançamento, não há como acolher a pretensão da impugnante no tocante às flutuações de percentuais de participação. No resultado apurado pela contribuinte em 31.12.2003, a fiscalização também adicionou a totalidade dos lucros apurados pela coligada Itauinv, sobre a qual a impugnante teria exercido controle total até 05/05/2003. Nas declarações apresentadas pela impugnante, não se constata qualquer adição de lucros disponibilizados pela Itauinv LLC (EUA), conduta que a impugnante justifica com a alegação de que o lucro auferido por essa controlada foi integralmente reconhecida pela nova incorporadora (Itauinv Brasil Participações S.A.) do capital vertido, em sua DIPJ 2004, cuja cópia a impugnante apresenta a fls. 274/275. Corroboram a alegação da impugnante as cópias de Assembléia Geral Extraordinária de 05/05/2003, da impugnante ITAUINT Itaú Participações Internacionais SA (fls. 79/89) e da ITAUINV Brasil Participações Ltda. (fls. 90/99), formalizando a transferência das cotas detidas pela impugnante na Itaú International Investments LCC à ITAUINV do Brasil. Com efeito, a demonstração de resultado da Itauinv LLC (fl. 140, doe. 14) na qual baseouse a fiscalização para adicionar R$ 94.989.221,53 ao resultado da impugnante indica que esse valor foi apurado em 31.12.2003, data em que a impugnante não mais detinha controle sobre a Itauinv LLC. Nesse caso, a impugnante seria responsável apenas pelos lucros auferidos pela controlada até o evento da cisão, mas nada nos autos indica que todo ou parte desse lucro já tivesse sido auferido pela controlada antes da cisão. Além disso, a totalidade desse lucro foi, de fato, assumida pela nova controladora da empresa no exterior, a Itauinv Brasil Participações Ltda. CNPJ n° 04.877.789/000114, conforme comprova a cópia de sua declaração, a fl. 275. Fl. 533DF CARF MF Processo nº 16561.000167/200730 Acórdão n.º 1402003.199 S1C4T2 Fl. 534 14 Assim, a título de lucros disponibilizados em 31.12.2003, desse ser afastado do lançamento o valor adicionado ao resultado da impugnante a título de lucros apurados pela Itauinv LLC no ano calendário de 2003, e mantido o valor adicionado pela fiscalização a título de lucros apurados pela ITB Holding Ltd, conforme demonstrado abaixo: Sendo assim, em relação a este parte, relativa a disponibilização dos lucros de 31/12/2003, mantenho o decido no v. acórdão para que seja tributado apenas a diferença de R$ 6.804.257,59. Em relação aos lucros disponibilizados em 31/12/2004: Em relação aos lucros apurados em 31/12/2004 também adoto os fundamentos do v. acórdão recorrido no sentido de cancelar a adição suplementar feita pela Fiscalização no valor de R$ 12.521.682,26, tendo em vista que a Recorrida não pode ser responsável pela tributação dos lucros auferidos pela Itauinv LCC no anocalendário de 2004, uma vez demonstrada a transferência das cotas detidas pela contribuinte na Itauinv LCC à ITAUINV do Brasil, (fls. 79/89 e 90/99). Segue a parte do voto vencedor do acórdão recorrido que servirá para fundamentar meu voto. C) Lucros disponibilizados em 31.12.2004: Com relação ao anocalendário de 2004, a impugnante adicionou ao resultado apurado em sua DIPJ 2005 o valor de RS 53.162.836,22 a título de lucros disponibilizados no exterior (fl. 23). A fiscalização calculou que foram disponibilizados à impugnante no exterior o montante de RS 103.249.565,27, sendo R$ 40.883.160,13 correspondente a 32,243384% sobre os lucros apurados pela ITB Holding Ltd e R$ 103.249.565,27 Fl. 534DF CARF MF Processo nº 16561.000167/200730 Acórdão n.º 1402003.199 S1C4T2 Fl. 535 15 correspondente à totalidade dos lucros apurados pela Itauinv LLC, no anocalendário de 2004. Com remissão ao quadro de cálculos apresentado a fl. 276, a impugnante sustenta que a adição considerada em sua DIPJ 2005 (R$ 53.162.836,22) corresponde unicamente aos lucros disponibilizados no exterior pela ITB Holding Ltd, na qual teria participação de 44,724050% até novembro e de 32,2433,84%) a partir de 01/12/2004. De fato, a impugnante não pode ser responsável pela tributação dos lucros auferidos pela Itauinv LCC no anocalendário de 2004, uma vez demonstrada a transferência das cotas detidas pela impugnante na Itauinv LCC à ITAUINV do Brasil, (fls. 79/89 e 90/99), Com relação aos lucros apurados pela ITB Holding Ltd, cabe notar que, segundo a impugnante, a fiscalização teria considerado valor até inferior (R$ 40.883.160,13) a título de lucros disponibilizados pela coligada ITB Holding Ltd. Entretanto, o total apurado pela fiscalização seria superior à adição reconhecida pela impugnante em sua DIPJ 2005, pelo fato de esta não ter considerado qualquer valor oriundo de lucros auferidos pela Itauinv LCC. Embora a impugnante tenha razão em desconsiderar o valor computado pela fiscalização, oriundo de lucros apurados pela Itauinv LLC, o fato de a fiscalização ter calculado como oriundos da ITB Holding Ltd disponibilização inferior àquela reconhecida pela impugnante não lhe gera qualquer crédito, uma vez que o confronto de valores deve ser analisado apenas em função do total de lucros disponibilizados calculado pela fiscalização e pela contribuinte. Constatase, pois, que os lucros disponibilizados no exterior adicionados pela impugnante estão corretos, não havendo valor tributável suplementar a ser considerado de ofício. Logo, deve ser afastado do lançamento o valor suplementar adicionado a título de lucros disponibilizados no exterior, no resultado encerrado em 31.12.2004. Desta forma, em relação ao lançamento do lucro disponibilizados em 31/12/2004 cancelo a exigência de tais créditos, nos mesmos termos do v. acórdão recorrido. Ademais, entendo que o resultado do julgamento do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ espraia seus efeitos sobre a CSLL lançada em decorrência da mesma infração. Por fim utilizo os quadros do colacionados no v. acórdão recorrido onde indicam os valores a serem tributados e excluídos do Auto de Infração. Fl. 535DF CARF MF Processo nº 16561.000167/200730 Acórdão n.º 1402003.199 S1C4T2 Fl. 536 16 Segue abaixo quadro onde indica quais os valores devem ser exonerados e mantidos. Fl. 536DF CARF MF Processo nº 16561.000167/200730 Acórdão n.º 1402003.199 S1C4T2 Fl. 537 17 Pelo exposto e por tudo que consta processado nos autos, conheço do Recurso de Ofício e nego provimento. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Fl. 537DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10073.720479/2014-16
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. CÁLCULO.
Corrige-se o cálculo da decisão da DRJ.
Numero da decisão: 2002-000.188
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(Assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(Assinado digitalmente)
Fábia Marcília Ferreira Campêlo - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni, Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: FABIA MARCILIA FERREIRA CAMPELO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201806
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2010 RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. CÁLCULO. Corrige-se o cálculo da decisão da DRJ.
turma_s : Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10073.720479/2014-16
anomes_publicacao_s : 201807
conteudo_id_s : 5875217
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2002-000.188
nome_arquivo_s : Decisao_10073720479201416.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : FABIA MARCILIA FERREIRA CAMPELO
nome_arquivo_pdf_s : 10073720479201416_5875217.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (Assinado digitalmente) Fábia Marcília Ferreira Campêlo - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni, Virgílio Cansino Gil.
dt_sessao_tdt : Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
id : 7352782
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:21:43 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050583873617920
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1123; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T2 Fl. 2 1 1 S2C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10073.720479/201416 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2002000.188 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 20 de junho de 2018 Matéria RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE Recorrente JOSE DOMINGUES DA SILVA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2010 RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. CÁLCULO. Corrigese o cálculo da decisão da DRJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (ASSINADO DIGITALMENTE) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Fábia Marcília Ferreira Campêlo Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni, Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 72 04 79 /2 01 4- 16 Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10073.720479/201416 Acórdão n.º 2002000.188 S2C0T2 Fl. 3 2 Relatório Lançamento Tratase de notificação de lançamento de IRPF1 nos seguintes valores (fl. 25): Rubrica Valor em reais Imposto 5.217,56 Multa de ofício 3.913,17 Juros de mora 1.331,52 Total à época 10.462,25 As bases do lançamento foram: Natureza Valor Descrição dos fatos Rendimentos Recebidos Acumuladamente omitidos 146.535,30 Conforme documentação apresentada pelo interessado, relativa ao processo trabalhista 02408005020015010341, de acordo com a legislação do imposto de renda, especialmente os art. 39 e 55 do RIR, verificase que do montante bruto de 270.868,13, apenas a parcela relativa ao FGTS e sua multa (11.490,00) e juros proporcionais (12.000,67) são considerados isentos. Do montante tributável (247.376,90) são deduzidos os honorários advocatícios proporcionais aos rendimentos tributáveis (27.398,23). Pressupostos de admissibilidade da impugnação A impugnação preenche os pressupostos de admissibilidade no que tange à representação processual (fl. 7) e tempestividade, haja vista que o contribuinte tomou ciência do lançamento no dia 07/03/2014 (fl. 23) e protocolou sua peça no dia 24/03/2014 (fl. 2), dentro do prazo de 30 dias2 portanto. Impugnação Em sua impugnação (fl. 2 e ss), em síntese, o contribuinte alega que declarou com base na Dirf da fonte pagadora e que as verbas pagas são indenizatórias e por isso isentas e os honorários advocatícios também são dedutíveis. Por fim, requer o acolhimento da impugnação com a dedução do montante tributário do valor integral dos honorários de advogado pagos de 30.000,00 e não proporcionais; e o cancelamento do débito fiscal ou nova apuração, excluindose da base de cálculo todas as parcelas indenizatórias reconhecidas por lei e pela jurisprudência pacífica do TST, observando que o valor foi recebido de forma acumulada, devendo, em razão deste fato, ser observado o art. 12A da Lei 7.713/88 no que se refere ao número de meses que originou o 1 Imposto de Renda Pessoa Física 2 Art. 15 do Decreto 70.235/72 Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10073.720479/201416 Acórdão n.º 2002000.188 S2C0T2 Fl. 4 3 valor acumulado, bem como a tabela progressiva, com as deduções legais, para cada um dos 39 meses. Em 09/06/2016 requereu ainda prioridade na tramitação do processo (fl. 39). Documentos impugnação Após a impugnação constam os seguintes documentos: documento de identidade do contribuinte (fl. 8); comprovante de rendimentos (fl. 9); petição de cálculos de liquidação (fl. 10); planilha de cálculos (fl. 11 e ss); petição intermediária (fl. 17 e ss); DARF pago 27.754,15 (fl. 19); resumo geral (fl. 20); lançamento (fl. 21 e ss) Decisão de 1ª instância A DRJ3 julgou a impugnação procedente em parte (fl. 42 e ss), reduzindo o imposto do lançamento de 5.217,56 para 1.313,97 mais multa de ofício de 75% e juros Selic. Segue o resumo da decisão: Rubrica Valor do rendimento Julgamento DRJ Juros moratórios perda de emprego 126.368,25 exonerado Juros moratórios FGTS + 40% 12.000,67 não incluídos no lançamento Dobra art. 467 CLT 14.783,18 mantido Aviso prévio indenizado 1.450,14 exonerado Férias indenizada proporcional e adicional de um terço 3.223,13 exonerado FGTS + 40% 11.490,00 não incluídos no lançamento Honorários proporcionais às verbas tributáveis 12.884,73 recalculado Pressupostos de admissibilidade do recurso voluntário O recurso voluntário preenche os pressupostos de admissibilidade no que tange à representação processual (fl. 63) e tempestividade, haja vista que o contribuinte tomou ciência do acórdão de impugnação no dia 07/02/2017 (fl. 55) e protocolou sua peça no dia 22/02/2017 (fl. 58), dentro do prazo de 30 dias4 portanto. Recurso voluntário 3 Delegacia da Receita Federal de Julgamento 4 art. 33 do Decreto 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10073.720479/201416 Acórdão n.º 2002000.188 S2C0T2 Fl. 5 4 Em seu recurso voluntário (fl. 58 e ss), em síntese, o contribuinte alega que: não pretende rediscutir as matérias, uma vez que suas impugnações foram procedentes em grande parte. Pretende sim corrigir erro no cálculo de acordo com o que ficou decidido no acórdão da DRJ. houve erro no cálculo, pois o valor do rendimento recebido é 270.868,13 e não 278.868,13 como está digitado; o valor a ser tributado é 103.450,65; não foi observado o direito do impugnante em ver calculado o seu imposto mês a mês por ter recebido o valor acumulado atinente a 39 meses de trabalho, ou seja, foi levado à tributação o valor de 103.450,65 à alíquota de 27,5%, o que resultou um imposto devido de R$ 28.448,92 (fl. 51); não foi deduzido o valor do imposto devido RRA declarado (1.123,23); os cálculos refeitos estão em desacordo com o § 1º do art. 12A da Lei 7.713/88, bem como pelo próprio sistema da Receita Federal; o cálculo correto seria: anexa simulação do programa do IRPF 2011 e quadro demonstrativo; Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10073.720479/201416 Acórdão n.º 2002000.188 S2C0T2 Fl. 6 5 Por fim, requer o acolhimento do recurso para que se faça nova apuração, observandose contudo que o valor recebido foi de forma acumulada, devendo em razão deste fato, ser observado o art. 12A da Lei 7.713/88 no que se refere ao número de meses que originou o valor acumulado, bem como a tabela progressiva, com as deduções legais, para cada um dos 39 meses, a fim de se ver extinto o débito fiscal e reconhecido o direito à restituição do valor de 23.697,64. Documentos do recurso voluntário Após o recurso voluntário constam os seguintes documentos: simulação de declaração retificadora (fl. 64 e ss), e; pedido de prioridade na tramitação (fl. 69); Voto Conselheira Fábia Marcília Ferreira Campêlo Relatora Admissibilidade O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade no que tange à representação processual e tempestividade, conforme acima demonstrado, portanto dele conheço. Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10073.720479/201416 Acórdão n.º 2002000.188 S2C0T2 Fl. 7 6 Prioridade processual Em consulta ao sistema informatizado de processos, verifico que os presentes autos já estão previamente marcados como prioritários em razão do Estatuto do Idoso. Assim, considerando que o pedido do contribuinte já está antecipadamente atendido, não há o que analisar quanto a esta questão. Mérito O contribuinte se insurge tãosomente contra os cálculos da DRJ. De fato, o rendimento bruto considerado pela fiscalização foi 270.868,13 (fls. 20 e 28) e não 278.868,13. Fazendo esta correção à decisão da DRJ a base de cálculo fica 103.450,65, conforme demonstrativo a seguir. No mais, o lançamento já havia considerado o número de 39 meses em seu cálculo (fl. 29) utilizandose da sistemática do art. 12A da Lei 7.713/88, o que levaria a um imposto devido de RRA de 4.560,83, conforme simulação no programa gerador da declaração do IRPF 2011/2010 abaixo. Considerando estas correções e o total do imposto pago que já constava do lançamento e da decisão da DRJ (28.525,79) temse um saldo de imposto a restituir de 23.697,26, conforme tabela abaixo. Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10073.720479/201416 Acórdão n.º 2002000.188 S2C0T2 Fl. 8 7 Rubrica Lançamento DRJ Correção Valor bruto 270.868,13 278.868,13 270.868,13 FGTS + 40% 11.490,56 11.490,00 11.490,56 Juros moratórios FGTS + 40% 12.000,67 12.000,67 12.000,67 Honorários proporcionais 27.398,23 12.884,73 12.884,73 Juros moratórios perda de emprego 126.368,25 126.368,25 Aviso prévio indenizado 1.450,14 1.450,14 Férias indenizada e outros 3.223,13 3.223,13 Base de cálculo 219.978,67 111.451,21 103.450,65 Imposto devido RRA 33.475,74 4.560,83 Imposto devido RRA declarado 1.123,23 1.123,23 1.123,23 Imposto devido RRA suplementar 32.352,51 28.448,92 3.437,60 Imposto ajuste anual 267,61 267,61 267,61 Imposto devido total 33.743,35 29.839,76 4.828,44 Total imposto pago declarado 28.525,70 28.525,70 28.525,70 Imposto suplementar 5.217,65 1.314,06 0,00 Imposto a restituir 23.697,26 Conclusão Ante o exposto, voto por conhecer o recurso voluntário para, no mérito, dar lhe provimento. (ASSINADO DIGITALMENTE) Fábia Marcília Ferreira Campêlo Fl. 78DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10735.002364/2003-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/12/1998 a 10/12/1998, 11/12/1998 a 20/12/1998
RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTÉRIO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO.
Não deve ser conhecido recurso de ofício cujo crédito lançado, incluindo-se valor do principal acrescido de multa, seja inferior ao estabelecido em portaria editada pelo Ministério da Fazenda. Valor de alçada previsto na Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017.
Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/12/1998 a 10/12/1998, 11/12/1998 a 20/12/1998
DÉBITOS DECLARADOS EM DCTF. COMPENSAÇÃO COMPROVADA. INEXIGIBILIDADE.
Uma vez comprovada a procedência e regularidade da compensação realizada e devidamente informada em DCTF em suficiência para liquidar a exigência fiscal formalizada mediante lançamento de ofício, não tendo sido tais valores utilizados em outra compensação que não daqueles tributos exigidos no lançamento em apreço, há de se afastar a exigência.
Numero da decisão: 3401-005.201
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício, em função de não superar o limite de alçada e da Súmula CARF 103, e em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Mara Cristina Sifuentes, Renato Vieira de Ávila (que atuou em substituição ao Conselheiro Tiago Guerra Machado, que declarou impedimento), Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente).
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201807
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/12/1998 a 10/12/1998, 11/12/1998 a 20/12/1998 RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTÉRIO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO. Não deve ser conhecido recurso de ofício cujo crédito lançado, incluindo-se valor do principal acrescido de multa, seja inferior ao estabelecido em portaria editada pelo Ministério da Fazenda. Valor de alçada previsto na Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017. Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/12/1998 a 10/12/1998, 11/12/1998 a 20/12/1998 DÉBITOS DECLARADOS EM DCTF. COMPENSAÇÃO COMPROVADA. INEXIGIBILIDADE. Uma vez comprovada a procedência e regularidade da compensação realizada e devidamente informada em DCTF em suficiência para liquidar a exigência fiscal formalizada mediante lançamento de ofício, não tendo sido tais valores utilizados em outra compensação que não daqueles tributos exigidos no lançamento em apreço, há de se afastar a exigência.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10735.002364/2003-44
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5894802
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3401-005.201
nome_arquivo_s : Decisao_10735002364200344.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
nome_arquivo_pdf_s : 10735002364200344_5894802.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício, em função de não superar o limite de alçada e da Súmula CARF 103, e em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Mara Cristina Sifuentes, Renato Vieira de Ávila (que atuou em substituição ao Conselheiro Tiago Guerra Machado, que declarou impedimento), Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente).
dt_sessao_tdt : Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
id : 7403819
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:25:12 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050583884103680
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1800; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 181 1 180 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10735.002364/200344 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 3401005.201 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de julho de 2018 Matéria IPI Recorrentes CERVEJARIAS KAISER BRASIL S/A FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/12/1998 a 10/12/1998, 11/12/1998 a 20/12/1998 RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTÉRIO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO. Não deve ser conhecido recurso de ofício cujo crédito lançado, incluindose valor do principal acrescido de multa, seja inferior ao estabelecido em portaria editada pelo Ministério da Fazenda. Valor de alçada previsto na Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/12/1998 a 10/12/1998, 11/12/1998 a 20/12/1998 DÉBITOS DECLARADOS EM DCTF. COMPENSAÇÃO COMPROVADA. INEXIGIBILIDADE. Uma vez comprovada a procedência e regularidade da compensação realizada e devidamente informada em DCTF em suficiência para liquidar a exigência fiscal formalizada mediante lançamento de ofício, não tendo sido tais valores utilizados em outra compensação que não daqueles tributos exigidos no lançamento em apreço, há de se afastar a exigência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício, em função de não superar o limite de alçada e da Súmula CARF 103, e em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 5. 00 23 64 /2 00 3- 44 Fl. 181DF CARF MF Processo nº 10735.002364/200344 Acórdão n.º 3401005.201 S3C4T1 Fl. 182 2 (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Mara Cristina Sifuentes, Renato Vieira de Ávila (que atuou em substituição ao Conselheiro Tiago Guerra Machado, que declarou impedimento), Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (VicePresidente). Relatório 1. Tratase de auto de infração, lavrado com o objetivo de formalizar a cobrança de IPI em virtude de inconsistência na DCTF, uma vez que a contribuinte não comprovou a compensação dos débitos (nenhum registro aos períodos citados), cujo processo informado se trata de processo de outro CNPJ, referente ao período de apuração decendial 01 12/1998 (R$ 1.585.628,75) e 0212/1998 (R$ 114.371,25), acrescido de multa de ofício de 75% e juros, totalizando, assim, o valor histórico de R$ 1.700.000,00 2. A contribuinte, apresentou, em 17/11/1998, a impugnação, na qual argumentou, em síntese: (i) protocolou pedido de compensação com créditos de terceiros (relativo a débitos de 11/1998) e, como não houve o deferimento do pedido (vencimento em 25/11/1998) até o vencimento do débito, efetuou o recolhimento em DARF (25/11/1998); (ii) em 03/12/1998, houve o deferimento manual do DCC (Documento Comprobatório de Compensação); e (iii) como já havia realizado o pagamento do débito (0112/1998) do pedido de compensação, utilizou o crédito deferido para compensação dos débitos relativos a 01 12/1998 e 0212/1998. 3. Em 20/05/2011, a 03ª Turma da Delegacia Regional do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG) proferiu o Acórdão DRJ nº 0935.142, situado às fls. 56 a 62, de relatoria da AuditoraFiscal Ana Zulmira Chaves Souza, que entendeu julgar parcialmente procedente a impugnação, vencidas a AuditoraFiscal Mônica Monteiro Garcia de Los Rios, que apresentou declaração de voto, e a AuditoraFiscal Dulcemar Fernandes de Mello, no tocante à exigência do IPI, para: (i) por maioria de votos, exigir o IPI lançado e respectivos acréscimos moratórios; e (ii) por unanimidade de votos, eximir a contribuinte do pagamento da multa de ofício, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/12/1998 a 10/12/1998, e 11/12/1998 a 20/12/1998 I DÉBITOS DECLARADOS. COMPENSAÇÃO NÃO COMPROVADA. EXIGIBILIDADE. Não comprovada a alegada compensação dos débitos exigidos mediante lançamento de ofício, e constituindo o lançamento ato perfeito segundo a norma vigente à época em que efetivado, há de se manter a exigência. Fl. 182DF CARF MF Processo nº 10735.002364/200344 Acórdão n.º 3401005.201 S3C4T1 Fl. 183 3 II DÉBITOS DECLARADOS EM DCTF. PENALIDADE. DESCAB1MENTO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Constituindo a DCTF instrumento de confissão de dívida hábil e suficiente à exigência do crédito tributário, nos termos do artigo 5º do Decreto nº 2.124/84 e, por força do disposto no art. 18 da Lei n° 10.833/2003, com as alterações posteriores, e da retroatividade benigna estabelecida no art. 106 do CTN, é incabível a aplicação da multa de ofício em conjunto com tributo ou contribuição espontaneamente declarados em DCTF. 4. Diante da exoneração do crédito tributário, no importe de R$ 1.275.000,00 referente à cominação da multa de ofício, o acórdão foi submetido à apreciação deste Conselho por recurso de ofício, de acordo com o art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações introduzidas pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de1997. 5. A contribuinte foi intimada via postal em 16/06/2011, em conformidade com aviso de recebimento, e, em 18/07/2011, interpôs recurso voluntário, situado às fls. 84 a 96 no qual reiterou as razões de sua impugnação. 6. Em 27/02/2013, foi proferida a Resolução nº 3401000.659, tendo sido nomeado redator ad hoc o Conselheiro Robson José Bayerl, tendo esta 1ª Turma, por voto de qualidade, vencidos os Conselheiros Fernando Cleto (relator), Ângela Sartori e Odassi Guerzoni, que votavam por dar provimento integral, convertido o julgamento em diligência para que a unidade adotasse as seguintes providências: (i) confirmar a procedência e regularidade da compensação realizada no Processo Administrativo nº 10768.018397/9891 (IPI – 0668 – 2º DEC.11/98 – R$ 1.700.000,00); (ii) confirmar o recolhimento da quantia para o mesmo período de apuração e tributo , como alegou a recorrente, e, em caso positivo, se este valor foi porventura utilizado em outra compensação que não daqueles tributos exigidos neste lançamento; (iii) informar se o pretenso direito creditório é suficiente para liquidar a exigência fiscal formalizada neste processo; (iv) elaborar relatório circunstanciado das verificações empreendidas e registro das observações julgadas pertinentes; e (v) dar ciência à contribuinte de aludido relatório, franqueandolhe prazo de 30 (trinta) dias para manifestação. 7. Em 22/10/2015, o Serviço de Orientação e Análise Tributária (Seort) da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Nova Iguaçu (RJ), proferiu a informação fiscal SEORT/DRF/NIURJ nº 90/2015, situada às fls. 145 a 146, na qual a unidade opinou pela manutenção da exigência. 8. A contribuinte, intimada da decisão em 11/02/2016 pela abertura dos arquivos correspondentes no link Processo Digital, no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (Portal eCAC), por meio da opção "Consulta Comunicados/Intimações", em conformidade com o termo de ciência situado à fl. 155, apresentou, em 11/03/2016, em conformidade com protocolo aposto pela unidade local, manifestação, situada às fls. 158 a 167, na qual reiterou a necessidade do provimento do recurso voluntário interposto. 9. Foi proferido despacho de encaminhamento, situado à fl, 173, encaminhando o presente processo ao Conselheiro Robson José Bayerl que, em 11/06/2016, proferiu o Despacho s/n, situado às fls. 174 a 175, com fundamento nos §§ 5º e 8º do RICARF/2015, determinou a distribuição por sorteio, uma vez que a designação extraordinária Fl. 183DF CARF MF Processo nº 10735.002364/200344 Acórdão n.º 3401005.201 S3C4T1 Fl. 184 4 para redação de voto vencedor não formalizado pelo redator originalmente designado, na condição de redator ad hoc, não previne a relatoria do processo. É o Relatório. Voto Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Relator 10. O recurso de ofício não preenche os requisitos formais de admissibilidade, como se passa a expor. 11. Verificase que o valor exonerado pela decisão recorrida, a título de tributos e encargos de multa, não ultrapassou o limite de alçada aplicável à espécie, fixado em R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), nos termos da Portaria MF nº 63, de 09/02/2017, que dispôs nos seguintes termos: Portaria MF nº 63, de 09/02/2017 Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação no Diário Oficial da União. Art. 3º Fica revogada a Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008. 12. Assim, não preenchendo os requisitos formais de admissibilidade, não conheço do recurso de ofício. 13. O recurso voluntário, por seu turno, é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. 14. Discutese, em síntese, exigência de IPI relativo ao 4º trimestre de 1998 por sido indicado, como origem da compensação realizada, processo administrativo Fl. 184DF CARF MF Processo nº 10735.002364/200344 Acórdão n.º 3401005.201 S3C4T1 Fl. 185 5 referente a outro CNPJ. A contribuinte esclareceu que o intento compensatório se valeu de crédito de terceiro, no Processo Administrativo nº 10735.002430/9894. Contudo, uma vez que não houve o deferimento do encontro de contas até o vencimento do débito referente ao 2º decêndio de novembro de 1998, efetuou o seu recolhimento mediante DARF, no valor de R$ 1.138.483,03, em conformidade com o livro de apuração do IPI, situado à fl. 49: 15. Em igual sentido, a DCTF referente ao 4º Trimestre de 1998, situada à fl. 50: Fl. 185DF CARF MF Processo nº 10735.002364/200344 Acórdão n.º 3401005.201 S3C4T1 Fl. 186 6 16. Com o ulterior deferimento da compensação requerida originalmente, com a emissão do Documento Comprobatório de Compensação (DCC) nº 00011156, o indébito remanescente foi utilizado para a quitação de débitos tributários vincendos, em conformidade com a Instrução Normativa SRF nº 21/1997, referentes aos 1º e 2º decêndios de dezembro de 1998, ora em debate, encontrandose o crédito tributário extinto conforme previsão do inciso II do art. 156 do Código Tributário Nacional. 17. Uma vez exonerada a multa de ofício, por decorrência da aplicação da retroatividade benigna do art. 18 da Lei nº 10.833/2003, restringese a presente assentada a discutir o principal, mantido pela decisão recorrida por entender pela inexistência de prova para acolher a compensação pugnada pela autuada. 18. Argumenta a contribuinte que o crédito por ela detido, no valor de R$ 1.700.000,00, discriminado no DCC, foi efetivamente utilizado para a quitação dos débitos dos dois primeiros decêndios de dezembro. 19. O débito do primeiro decêndio, no valor de R$ 1.585.628,75, foi integralmente quitado com o crédito do DCC, sobejando, assim, R$ 114.371,25 de crédito. A compensação em referência foi devidamente informada na DCTF referente ao 4º trimestre de 1998 com a menção, inclusive, ao número do processo que originou a DCC, em conformidade com documento situado à fl. 53: 20. O débito do segundo decêndio, no valor de R$ 1.435.924,23, foi parcialmente quitado com o crédito sobejante do DCC, e o valor restante (R$ 1.321.522,98) foi recolhido pela contribuinte mediante guia DARF. A compensação e o pagamento em referência foram devidamente informados na DCTF referente ao 4º trimestre de 1998 com a menção, Fl. 186DF CARF MF Processo nº 10735.002364/200344 Acórdão n.º 3401005.201 S3C4T1 Fl. 187 7 inclusive, ao número do processo que originou a DCC, em conformidade com documento situado à fl. 54: 21. Com relação à questão, determinada em Resolução, sobre a (i) procedência e regularidade da compensação realizada no Processo Administrativo nº 10768.018397/9891 (IPI – 0668 – 2º DEC.11/98 – R$ 1.700.000,00), respondeu a unidade que: "(...) fica confirmada a procedência e regularidade da compensação realizada no PA 10768.018397/9891 (IPI – 0668 – 2º DEC.11/98 – R$ 1.700.000,00)". 22. Determinouse, ainda, a (ii.a) confirmação do recolhimento da quantia de R$ 1.700.000,00 para o mesmo período de apuração e tributo, como alegou a recorrente, o que de fato foi confirmado pela unidade e, em caso positivo, (ii.b) se este valor foi porventura utilizado em outra compensação que não daqueles tributos exigidos neste lançamento, tendo a diligência concluído que não, nos seguintes termos: "Confirmado o extrato do pagamento (colocado no processo) no valor de R$ 1.700.000,00 no código 0668 e com data de arrecadação em 25/11/1998 (alocação manual em 28/12/1998). (...) Segundo as pesquisas nos sistemas da Receita Federal o valor do pagamento de R$ 1.700.000,00 em 25/11/1998 não consta que foi utilizado em outra compensação, até porque encontrase alocado manualmente no sistema desde 28/12/1998". Fl. 187DF CARF MF Processo nº 10735.002364/200344 Acórdão n.º 3401005.201 S3C4T1 Fl. 188 8 23. Questionouse, ainda, se (iii) o pretenso direito creditório seria suficiente para liquidar a exigência fiscal formalizada neste processo. Em desprestígio e desconformidade ao quanto determinado pela Resolução, preferiu a unidade expor o seu entendimento quanto ao mérito ao invés de responder objetivamente à questão formulada e registrou que, como o direito creditório fora utilizado para extinguir o débito referente ao mês de novembro de 1998, não haveria crédito em dezembro. 24. Observese que a Resolução franqueou o registro das verificações empreendidas e o registro das observações julgadas pertinentes no quarto e último quesito, no qual seria aceitável que a autoridade fiscal expusesse as suas considerações a respeito da correta interpretação da legislação de regência. E tampouco haveria qualquer óbice ao desejo da unidade de expor sua opinião quanto ao caso, mas desde que previamente respondidas as questões objetivas formuladas pelo julgador, pois a diligência se trata de expediente processual voltado a sanar a dúvida do aplicador, e não de nova oportunidade para a autuante defender o seu ponto de vista. 25. O que se observa é que em nenhum momento a autoridade fiscal argumenta a insuficiência do crédito para liquidar a exigência fiscal referente ao mês de dezembro de 1998: ao contrário, a documentação acima empresta verossimilhança às alegações da contribuinte, que, em verdade, não são contestadas, e o único obstáculo erigido pela unidade para reconhecer a compensação é formal, e não substantivo: que, uma vez que se aperfeiçoou o encontro de contas pedido, com relação a débitos de novembro, ainda que a contribuinte tivesse extinto por pagamento a exação, a ulterior homologação da compensação implicaria pagamento a maior. 26. A contribuinte, de fato, deveria ter retificado o pedido de compensação original, informando os novos débitos que pretendia compensar. Contudo, diante de todo o contexto em análise, negar acolhida à pretensão da autuada seria incorrer em formalismo exacerbado, pois eventual pedido de ressarcimento de seu crédito, como a própria unidade constata, restaria improfícuo, uma vez que tais valores já há muito se encontram prescritos. 27. A negativa de provimento à contribuinte implicaria, portanto, uma dupla injustiça: de um lado, não poderia ter restituído o valor pago a maior quanto a novembro, pois prescrito. Por outro, deveria pagar novamente o débito de dezembro, pois não reconhecida a compensação mediante DCC, o que, no limite, implicaria, em nosso entendimento, enriquecimento ilícito da Fazenda Pública. 28. Ademais, há de se acrescer a esta constatação o fato de que, quando a autoridade fiscal procedeu à compensação, o débito já se encontrava extinto por pagamento, realizado mediante guia DARF, devendo tal encontro de contas ser desconsiderado em proveito da compensação dos débitos referentes aos 1º e 2º decêndios de dezembro de 1998, nos termos das DCTF situadas às fls. 53 e 54, acima referenciadas. 29. Uma vez reconstruído todo o percurso do crédito, e tendo a unidade confirmado tanto a sua origem como procedência e regularidade, além de ter constatado que não foi utilizado para quitação de outros débitos, uma vez juntados aos autos os documentos acima, que dão conta da suficiência do direito creditório em apreço para liquidar a exigência formalizada neste processo (não questionada pela unidade em diligência fiscal determinada especificamente para esta finalidade), resta comprovada a procedência das razões recursais. Fl. 188DF CARF MF Processo nº 10735.002364/200344 Acórdão n.º 3401005.201 S3C4T1 Fl. 189 9 30. Assim, com base nestes fundamentos, voto por conhecer e, no mérito, dar provimento integral ao recurso voluntário interposto. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator Fl. 189DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.660309/2012-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/06/2012
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE.
Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade.
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA.
Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
Numero da decisão: 3401-004.713
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201805
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 30/06/2012 DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10880.660309/2012-91
anomes_publicacao_s : 201807
conteudo_id_s : 5878698
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3401-004.713
nome_arquivo_s : Decisao_10880660309201291.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : ROSALDO TREVISAN
nome_arquivo_pdf_s : 10880660309201291_5878698.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado.
dt_sessao_tdt : Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
id : 7360109
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:22:06 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050584029855744
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1745; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 2 1 1 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.660309/201291 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3401004.713 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 21 de maio de 2018 Matéria COMPENSAÇÃO COFINS Recorrente ALL NET TECNOLOGIA DA INFORMACAO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/06/2012 DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Rosaldo Trevisan Presidente e Relator (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 66 03 09 /2 01 2- 91 Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10880.660309/201291 Acórdão n.º 3401004.713 S3C4T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado. Relatório Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra não homologação de compensação declarada por meio eletrônico (PER/DCOMP), relativamente a um crédito de Cofins, que teria sido recolhido a maior no período de apuração. O Despacho Decisório da DERAT/SÃO PAULO, não homologou o pedido de compensação, sob o fundamento de que, embora localizado o pagamento que deu origem ao suposto crédito original de pagamento indevido ou a maior, o mesmo estava à época do encontro de contas integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados. Notificada da decisão a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade. A DRJ Ribeirão Preto julgou improcedente a impugnação por unanimidade de votos, mantendo o crédito tributário devido. A empresa apresentou recurso voluntário onde somente alega que apesar de ter protestado em sede de impugnação pela falta de motivação do indeferimento no despacho decisório, o acórdão recorrido não demonstrou a motivação, que os atos administrativos devem ser motivados para não ter cerceado seu direito de defesa, não apresentando provas do seu direito. É o relatório. Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10880.660309/201291 Acórdão n.º 3401004.713 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.681, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.660277/201223, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.681): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. A recorrente protesta pela falta de motivação do despacho decisório que indeferiu o seu pedido de compensação. Entendo que o despacho decisório cumpre os requisitos legais e possui todo o escopo necessário ao exercício do contraditório e da ampla defesa pelo contribuinte. Nele está inscrito o enquadramento legal da autuação: Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Também nele encontrase a fundamentação da decisão, ficando claro que o crédito indicado foi localizado, mas já havia sido utilizado para quitação de outros débitos do contribuinte: A análise do direito creditório está limitada ao valor do "crédito original na data de transmissão" informado no PER/DCOMP, correspondendo a 4.812,66. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Entendo que o prejuízo, se havido, foi provocado pelo próprio contribuinte que deixou de apresentar provas que indicassem que era portador do crédito alegado. Ademais, como bem demonstrado no acórdão recorrido, o crédito já havia sido utilizado e alocado, e apesar de ser o único DARF pago pela empresa no ano de 2012, o mesmo foi utilizado em 193 pedidos de compensação. Esse procedimento utilizado pelo contribuinte, de alocar o mesmo crédito a várias Dcomps enseja a cominação de prestação de informação falsa à RFB já que há um campo na PER/DCOMP onde é perguntado se aquele Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10880.660309/201291 Acórdão n.º 3401004.713 S3C4T1 Fl. 5 4 crédito já foi informado em outro PER/DCOMP e o contribuinte respondeu “NÃO” em todas as declarações. Por ser extremamente didático, reproduzo o acórdão recorrido, em sua íntegra, para que não haja dúvidas quanto as suas conclusões que acompanho: Em preliminar, não merece acolhida a alegação de nulidade do Despacho Decisório, vez que o mesmo apresenta de forma clara e precisa o motivo da não homologação da compensação, qual seja, a inexistência de crédito disponível para a compensação dos débitos informados na DCOMP. O Despacho Decisório preenche todos os requisitos formais e materiais para sua validade, contendo todos os elementos necessários ao exercício do direito de defesa do contribuinte, trazendo em seu bojo, ainda que de forma sintética, a fundamentação legal, a identificação da declaração de compensação enviada pela empresa, a data da transmissão, o tipo de crédito, as características do DARF apontado pela empresa na DCOMP, bem como o período de apuração a que se refere. Por outro lado, os motivos da nãohomologação residem nas próprias declarações e documentos produzidos pela contribuinte. Estas são, portanto, a prova e o motivo do ato administrativo, não podendo a interessada alegar que os desconhecia. Importante fixar que a DCOMP se presta a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro, a quem cabe, portanto, a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. Encontradas conforme, sobrevém a homologação confirmando a extinção. Não confirmadas as informações prestadas pelo declarante, o inverso se verifica. No caso, a contribuinte declarou um débito e apontou um documento de arrecadação como origem do crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte foi realizada também de forma eletrônica, tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, nos sistemas da Receita Federal, embora localizado o DARF do pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente foi totalmente utilizado e alocado aos débitos informados em DCTF, não restando dele o saldo apontado na DCOMP como crédito. Assim, não padece de nulidade o despacho decisório proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pôde exercer o contraditório e a ampla defesa e Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10880.660309/201291 Acórdão n.º 3401004.713 S3C4T1 Fl. 6 5 onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. O débito declarado e pago encontrase em conformidade com a correspondente DCTF, a qual tem seus efeitos determinados pelo § 1º do artigo 5º do Decreto lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, entre eles o da confissão da dívida e o condão de constituir o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco. Quando da transmissão e da análise do PER/DCOMP em tela, o crédito efetivamente não existia, pois o pagamento efetuado estava integralmente alocado ao débito declarado pela própria contribuinte em sua DCTF. Assim sendo, na data da transmissão do PER/ DCOMP a interessada não era detentora de crédito líquido e certo, condição sem a qual não há direito à restituição ou compensação. E não tendo o interessado trazido elementos hábeis a desconstituir a confissão do débito que fez na DCTF, inexiste razão para se reconhecer o pleiteado direito creditório relativo a pagamento pretensamente maior do que o devido, referente ao período de apuração. O extrato abaixo é a DCTF retificadora ativa da contribuinte, referente ao tributo e período em análise. Repare que a contribuinte declara um débito de COFINS em junho de 2012 no valor de R$ 29.148,73 e vincula ao débito um pagamento de R$4.985,20. No quadro abaixo, podemos verificar que o referido pagamento vem de um DARF de R$5.083,90, composto de um valor principal (R$4.985,20) mais multa por atraso (R$98,70). Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10880.660309/201291 Acórdão n.º 3401004.713 S3C4T1 Fl. 7 6 Por sinal, esse foi o único DARF de Cofins pago em 2012 pela empresa, conforme demonstra o extrato abaixo. Impende salientar que, sobre esse alegado crédito de R$ 5.083,90, a contribuinte solicita a homologação de nada menos que 193 pedidos de compensação, todos do mesmo período (2º trimestre de 2012), com mesmo vencimento em 31/07/2012 que, somados, resultam em um valor de R$ 948.369,76, conforme relação abaixo dos processos de PER/DCOMP para o mesmo DARF. .... Agrava o fato de tentar utilizar mais de uma vez o mesmo crédito a prestação de informação falsa, pois no PER/DCOMP há um campo onde é perguntado se aquele crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior já foi informado em outro PER/DCOMP, ao que o contribuinte respondeu “Não” em todos os PER/DCOMP, em infração ao inciso II do § 1º do art. 45 da IN/SRF 1.300, de 20 de novembro de 2012. Pelo exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e no mérito por negarlhe provimento. Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10880.660309/201291 Acórdão n.º 3401004.713 S3C4T1 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 80DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13819.901075/2008-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/12/1999 a 31/12/1999
INEXISTÊNCIA DE LITÍGIO. CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE.
Não se toma conhecimento de recurso voluntário em que a própria recorrente não contesta a inexistência do crédito, que motivou a não homologação da compensação declarada.
Numero da decisão: 3302-005.431
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso voluntário, vencido o Conselheiro Diego Weis Junior (relator), que não conhecia do recurso voluntário e anulava a decisão recorrida. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Walker Araújo.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Diego Weis Junior - Relator.
(assinado digitalmente)
Walker Araújo - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Jorge Lima Abud, Vinicius Guimarães, Diego Weis Junior, José Renato Pereira de Deus, Raphael Madeira Abad, Walker Araújo.
Nome do relator: DIEGO WEIS JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201805
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/12/1999 a 31/12/1999 INEXISTÊNCIA DE LITÍGIO. CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. Não se toma conhecimento de recurso voluntário em que a própria recorrente não contesta a inexistência do crédito, que motivou a não homologação da compensação declarada.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 13819.901075/2008-01
anomes_publicacao_s : 201807
conteudo_id_s : 5878556
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3302-005.431
nome_arquivo_s : Decisao_13819901075200801.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : DIEGO WEIS JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 13819901075200801_5878556.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso voluntário, vencido o Conselheiro Diego Weis Junior (relator), que não conhecia do recurso voluntário e anulava a decisão recorrida. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Walker Araújo. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente. (assinado digitalmente) Diego Weis Junior - Relator. (assinado digitalmente) Walker Araújo - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Jorge Lima Abud, Vinicius Guimarães, Diego Weis Junior, José Renato Pereira de Deus, Raphael Madeira Abad, Walker Araújo.
dt_sessao_tdt : Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
id : 7359967
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:21:59 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050584065507328
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1567; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 51 1 50 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13819.901075/200801 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302005.431 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 22 de maio de 2018 Matéria DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Recorrente NOVA ADMIN EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/12/1999 a 31/12/1999 INEXISTÊNCIA DE LITÍGIO. CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. Não se toma conhecimento de recurso voluntário em que a própria recorrente não contesta a inexistência do crédito, que motivou a não homologação da compensação declarada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso voluntário, vencido o Conselheiro Diego Weis Junior (relator), que não conhecia do recurso voluntário e anulava a decisão recorrida. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Walker Araújo. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) Diego Weis Junior Relator. (assinado digitalmente) Walker Araújo Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Jorge Lima Abud, Vinicius Guimarães, Diego Weis Junior, José Renato Pereira de Deus, Raphael Madeira Abad, Walker Araújo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 90 10 75 /2 00 8- 01 Fl. 51DF CARF MF Processo nº 13819.901075/200801 Acórdão n.º 3302005.431 S3C3T2 Fl. 52 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra acórdão da 3ª Turma da DRJ de Campinas/SP assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 14/01/2000 DIREITO CREDITÓRIO. PROVA. O reconhecimento do direito creditório pleiteado requer a prova de sua existência e montante, sem o que não pode ser restituído ou utilizado em compensação. Faltando ao conjunto probatório carreado aos autos pela interessada elemento que permita a verificação da existência de pagamento indevido ou a maior frente à legislação tributária, o direito creditório não pode ser admitido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Na origem, o recorrente apresentou, em 16.01.2004, DCOMP de nº 17920.48877.160104.1.3.041156, objetivando a compensação de suposto crédito de PIS, oriundo de pagamento indevido ou a maior dessa contribuição, realizado em 14.01.2000, relativo ao período de apuração encerrado em 31.12.1999, no valor original de R$483,671, com débito de CSLL do 4º Trimestre de 2003, no valor original de R$825,72. Sobreveio despacho decisório informando que foi localizado o pagamento informado pelo contribuinte, mas que este fora integralmente utilizado para a quitação de outros débitos próprios, não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados na DCOMP. Na Manifestação de Inconformidade, o contribuinte não sustentou a existência do crédito declarado na DCOMP não homologada, tendo apenas informado que Em 29/12/2005, a empresa temendo que a Receita Federal não processasse o citado PER/DCOMP, a mesma por sua liberalidade quitou este débito com multa e juros, através do Darf código 2372 referente ao período de apuração 31/12/2003, no valor de R$ 10.701,94, portanto não há o que se falar em valores devidos, ou seja, a empresa não é devedora de débito algum, pois foi devidamente quitado, conforme cópia em anexo.(sic) Ao fim, pediu o contribuinte, em manifestação de inconformidade, fosse feita revisão de ofício, contemplando o cancelamento da DCOMP em comento e, por via de conseqüência, cancelada a cobrança decorrente da não homologação. 1 O valor atualizado na data da transmissão da DCOMP 16.01.2004 era de R$832,35. (fl. 3) Fl. 52DF CARF MF Processo nº 13819.901075/200801 Acórdão n.º 3302005.431 S3C3T2 Fl. 53 3 Os membros da 3ª Turma da DRJ de Campinas/SP acordaram por considerar improcedente a manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que a desistência ou cancelamento de DCOMP possui rito próprio, sendo vedado, tanto ao contribuinte quanto à autoridade julgadora, a pretensão de desistência/cancelamento naquela fase processual. Alegaram ainda os membros da 3ª Turma da DRJ/CPS, que as questões relativas à existência ou não de pagamento do débito era matéria estranha ao julgamento administrativo da não homologação de declarações de compensação, devendo ser observada somente na etapa de cobrança do crédito tributário confessado na DCOMP. Inconformada, a contribuinte apresentou, em 15.12.2011, Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, onde ratificou os argumentos da Manifestação de Inconformidade e alegou não ter se utilizado do crédito apontado na DCOMP, vez que promoveu o pagamento integral do débito cuja compensação se pleiteava, o que materializaria erro de fato e não ausência de pagamento. Destaca a recorrente que o pagamento integral do débito ocorreu antes mesmo da ciência quanto à não homologação da compensação declarada, não podendo ser ela compelida ao pagamento em duplicidade do citado débito. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Diego Weis Junior, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos e requisitos de admissibilidade, portanto, passo a apreciálo. 1 Das Etapas de Verificação do PER/DCOMP e da Instauração do Contencioso Administrativo. A compensação enquanto modalidade de extinção do crédito tributário, prevista no art. 156, II, do CTN, operase mediante a existência de crédito líquido e certo oponível à fazenda pública, sem o que não há como efetivar o encontro de contas pretendido pelo contribuinte. Assim, têmse que o direito à compensação existe na medida exata da certeza e liquidez do crédito declarado. Não restando comprovadas a certeza e liquidez do crédito do contribuinte, não há como operacionalizar a compensação. Atualmente, a compensação pode ser declarada pelo próprio sujeito passivo, em meio eletrônico, mediante preenchimento e transmissão de Declaração de Compensação DCOMP, na qual se indicará, em detalhes, o crédito existente e o débito a ser compensado, sujeitandose a ulterior homologação por verificação fiscal. A verificação fiscal das compensações declaradas pelos contribuintes se opera em dois momentos distintos, a saber: Fl. 53DF CARF MF Processo nº 13819.901075/200801 Acórdão n.º 3302005.431 S3C3T2 Fl. 54 4 1) Verificação Eletrônica: Consiste no cruzamento de informações fiscais do contribuinte, disponíveis na base de dados dos sistemas utilizados pela Receita Federal do Brasil, objetivando verificar a consistência e coerência da compensação declarada. Detectada, nesta fase de verificação, qualquer inconsistência ou divergência entre valores e informações do contribuinte, não homologase a compensação realizada, oportunizando ao interessado o contraditório e ampla defesa em processo administrativo fiscal específico. 2) Verificação Documental: Uma vez instaurada a fase litigiosa do processo administrativo fiscal, pela apresentação de Manifestação de Inconformidade à não homologação decorrente da verificação eletrônica, tem início a nova etapa de análise do direito creditório, que passa a se operar mediante verificação de documentos hábeis e idôneos que comprovem a existência do crédito utilizado pelo contribuinte. Neste segundo momento de verificação, devem ser observadas todas as regras e princípios aplicáveis ao processo administrativo fiscal. Em outras palavras, na etapa de verificação eletrônica antes de instaurado o contencioso administrativo são consideradas somente as informações e dados constantes dos sistemas utilizados pela Receita Federal do Brasil. Contudo, uma vez constatada a inconsistência/divergência das informações existentes nos sistemas informatizados, não homologase a compensação declarada e iniciase a etapa de verificação documental, nos autos de processo administrativo fiscal, onde incumbe ao contribuinte comprovar a existência de certeza e liquidez do crédito que pretende utilizar. No caso em estudo, o contribuinte informou, em sua primeira oportunidade de manifestação nestes autos, ter efetuado, em 29.12.2005, por meio de DARF (fl. 13), o pagamento integral do débito que pretendia compensar, bem como pediu, de modo suficientemente claro, a revisão de ofício por meio do cancelamento da DCOMP 17920.48877.160104.1.3.041156. Assim, no que cinge ao suposto crédito de PIS do mês 12/1999, declarado na DCOMP em comento, o próprio contribuinte reconheceu sua inexistência, ainda em sede de manifestação de inconformidade, fazendo com que sequer tenha se instaurado controvérsia administrativa sobre tal matéria, não havendo que se falar em reconhecimento ou não de direito creditório, pois não há crédito em litígio. Contudo, a DRJ conheceu da Manifestação de Inconformidade e ratificou a decisão da DRF, não reconhecendo o direito creditório, sob o fundamento de que o cancelamento seria vedado naquela fase processual, bem como que a questão relativa a existência ou não de pagamento seria matéria estranha ao julgamento administrativo da não homologação de declarações de compensação. No recurso voluntário, o contribuinte ratificou todos os argumentos produzidos por ocasião da manifestação de inconformidade, renovando o pedido de revisão de ofício para o cancelamento da DCOMP e, por conseguinte, da cobrança decorrente de sua não homologação. Repisese que desde sua primeira manifestação neste PAF, a empresa pugnou pela revisão de ofício, com o cancelamento da DCOMP e extinção da cobrança decorrente de sua não homologação. Fl. 54DF CARF MF Processo nº 13819.901075/200801 Acórdão n.º 3302005.431 S3C3T2 Fl. 55 5 Segundo previsão legal do §9º do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, com alterações introduzidas pela Lei nº 10.833/2003, é facultado ao sujeito passivo se insurgir, por meio de Manifestação de Inconformidade, contra a não homologação da declaração de compensação. Nesse sentido, temse que a competência dos órgãos de julgamento administrativo, no que diz respeito às declarações de compensação, está adstrita ao reconhecimento ou não do direito creditório, que terá por consectário a homologação, ou não, da compensação declarada. Ocorre que o caso em estudo não versa sobre a não homologação da DCOMP, vez que o próprio contribuinte reconheceu a inexistência de direito creditório, tendo pleiteado a revisão de ofício para que fosse realizado o cancelamento da DCOMP, o que escapa à competência dos julgadores administrativos. Não estando a retificação ou o cancelamento de declarações, entregues pelo sujeito passivo, inseridos na esfera de competências do julgador administrativo, não se pode decidir sobre tal matéria. Tampouco faz sentido decidir sobre matéria não impugnada pelo contribuinte em suas peças, como é o caso do reconhecimento do direito creditório e conseqüente homologação da DCOMP em comento, sobre o que, conforme já visto, sequer se instaurou litígio. Noutras palavras, não tendo o contribuinte pugnado pelo reconhecimento do direito creditório não homologado pelo Despacho Decisório, não há e nunca houve litígio administrativo quanto a não homologação, esvaziando a competência dos órgãos de julgamento administrativo, vez que também não podem estes decidir sobre os pedidos formulados nas peças produzidas pelo contribuinte nestes autos. II Do Cancelamento da DCOMP e da Cobrança dos Débitos Indevidamente Compensados. Os artigos 62 e 82, respectivamente das Instruções Normativas SRF nº 600/20052 e RFB nº 900/20083, e seus parágrafos únicos, vigentes no período dos fatos, 2 IN SRF nº 600/2005. ... Art. 62. A desistência do Pedido de Restituição, do Pedido de Ressarcimento ou da compensação poderá ser requerida pelo sujeito passivo mediante a apresentação à SRF do Pedido de Cancelamento gerado a partir do Programa PER/DCOMP ou, na hipótese de utilização de formulário (papel), mediante a apresentação de requerimento à SRF, o qual somente será deferido caso o Pedido de Restituição, o Pedido de Ressarcimento ou a compensação se encontre pendente de decisão administrativa à data da apresentação do Pedido de Cancelamento ou do requerimento. Parágrafo único. O pedido de cancelamento da Declaração de Compensação será indeferido quando formalizado após intimação para apresentação de documentos comprobatórios da compensação. 3 IN RFB nº 900/2008. ... Art. 82. A desistência do pedido de restituição, do pedido de ressarcimento, do pedido de reembolso ou da compensação poderá ser requerida pelo sujeito passivo mediante a apresentação à RFB do pedido de cancelamento gerado a partir do programa PER/DCOMP ou, na hipótese de utilização de formulário em meio papel, mediante a apresentação de requerimento à RFB, o qual somente será deferido caso o pedido de restituição, o pedido de ressarcimento, o pedido de reembolso ou a compensação se encontre pendente de decisão administrativa à data da apresentação do pedido de cancelamento ou do requerimento. Parágrafo único. O pedido de cancelamento da Declaração de Compensação será indeferido quando formalizado após intimação para apresentação de documentos comprobatórios da compensação. Fl. 55DF CARF MF Processo nº 13819.901075/200801 Acórdão n.º 3302005.431 S3C3T2 Fl. 56 6 sujeitavam a desistência da DCOMP a Pedido de Cancelamento gerado a partir do programa PER/DCOMP, e condicionavam o seu deferimento a pendência de decisão administrativa na data de apresentação do pedido de cancelamento. Já o parágrafo único desses dispositivos, estabelecia que seria indeferido o pedido de cancelamento formalizado após a intimação para apresentação de documentos comprobatórios da compensação. Ainda que o contribuinte não tenha sido intimado à apresentação de quaisquer documentos, depois de emitido o Despacho Decisório (decisão administrativa) restou configurada a impossibilidade do sujeito passivo efetuar a desistência da DCOMP por conta própria, mediante a transmissão de pedido gerado a partir do programa PER/DCOMP. Muito embora não tenha o recorrente manifestado pela desistência da DCOMP por via adequada, mediante a utilização do programa PER/DCOMP, no caso concreto restou comprovada nos autos a intenção de desistir da declaração de compensação efetuada em 16.01.2004. Vejamos. O contribuinte solicitou, ainda em sede de manifestação de inconformidade, a revisão de ofício para cancelamento da DCOMP, anexando aos autos o comprovante de pagamento de CSLL relativo ao período de contribuição envolvido na compensação. Frente às alegações do contribuinte, o Serviço de Orientação e Análise Tributária SEORT, da DRF de São Bernardo do Campo/SP, juntou ao processo, em 17.10.2008, cópia da DCTF referente ao tributo cujo débito se pretendia compensar (fls. 23 a 25), evidenciando que o total devido a título de CSLL do 4º Trimestre de 2003 era de R$7.089,26. A recorrente efetuou, em 29.12.2005, antes da emissão do despacho decisório, o pagamento integral do saldo devedor de CSLL declarado em DCTF, no montante original exato de R$7.089,26, conforme comprova a cópia do DARF anexado na fl 13 e o comprovante de arrecadação de fl 36, não remanescendo, portanto, saldo devedor de CSLL do referido período de apuração. Destacase que tanto a transmissão da DCTF, anexada aos autos pela própria autoridade fiscal, quanto o pagamento do tributo devido, nela declarado, foram realizados muito tempo antes da prolação do despacho decisório (quase 3 anos antes), conforme se comprova pelas fls. 13, 23, 24, 25 e 36, combinadas com a fl 14. O Parecer Normativo Cosit nº 8, de 03 de setembro de 2014, dispõe, com efeito, ser possível a revisão de ofício dos atos realizados mediante erro de fato. Assunto. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. REVISÃO E RETIFICAÇÃO DE OFÍCIO – DE LANÇAMENTO E DE DÉBITO CONFESSADO, RESPECTIVAMENTE – EM SENTIDO FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. CABIMENTO. ESPECIFICIDADES. A revisão de ofício de lançamento regularmente notificado, para reduzir o crédito tributário, pode ser efetuada pela autoridade administrativa local para crédito tributário não extinto e indevido, no caso de ocorrer uma das hipóteses previstas nos Fl. 56DF CARF MF Processo nº 13819.901075/200801 Acórdão n.º 3302005.431 S3C3T2 Fl. 57 7 incisos I, VIII e IX do art. 149 do Código Tributário Nacional – CTN, quais sejam: quando a lei assim o determine, aqui incluídos o vício de legalidade e as ofensas em matéria de ordem pública; erro de fato; fraude ou falta funcional; e vício formal especial, desde que a matéria não esteja submetida aos órgãos de julgamento administrativo ou já tenha sido objeto de apreciação destes. A retificação de ofício de débito confessado em declaração, para reduzir o saldo a pagar a ser encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional – PGFN para inscrição na Dívida Ativa, pode ser efetuada pela autoridade administrativa local para crédito tributário não extinto e indevido, na hipótese da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração. (grifei) Dispõe ainda o Parecer Normativo Cosit nº 8/2014, que Não mais sendo possível a retificação por iniciativa do sujeito passivo, esta poderá ser realizada de ofício pela autoridade administrativa da unidade local de jurisdição para reduzir os débitos a serem encaminhados ao órgão da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa, haja vista orientação contida na Portaria Conjunta SRF/PGFN nº 1, de 1999, antes referida. Nos termos desta portaria, mesmo após a inscrição do débito em dívida ativa, e ainda que iniciada a execução fiscal, a retificação de ofício poderá ser efetuada se comprovado o erro de fato no preenchimento da declaração. Consoante ao acima exposto, e observando ainda o contido no parágrafo nº 53 do relatório do Parecer Normativo Cosit nº 8/2014, a revisão de ofício de decisão que não homologou a compensação está condicionada à não apreciação do erro de fato pelos órgãos de julgamento administrativo, em contencioso instaurado em função da apresentação anterior de manifestação de inconformidade. 53. Ressaltese que somente poderá haver revisão de ofício do despacho decisório que não homologou a compensação se o erro de fato no preenchimento de declaração (na própria Dcomp ou em declarações que deram origem ao débito, como a DCTF e mesmo a DIPJ, quando o crédito utilizado na compensação se originar de saldo negativo de IRPJ ou de CSLL) não tiver sido objeto de apreciação dos órgãos de julgamento administrativo instaurado em função de apresentação anterior de manifestação de inconformidade, conforme já abordado Contudo, uma vez emitido o despacho decisório, restou comprometida a possibilidade de o contribuinte efetuar o pedido de cancelamento da DCOMP pela via adequada, tendo em vista o disposto nas instruções normativas vigentes. Assim, não vislumbrando outro caminho, decidiu o contribuinte por pedir a revisão de ofício em manifestação de inconformidade. Em homenagem ao princípio do formalismo moderado, que deve permear a tramitação dos processos administrativos, não se pode desconsiderar totalmente o pedido do recorrente apenas porque deixou de observar formalidades regulamentares. Portanto, estando Fl. 57DF CARF MF Processo nº 13819.901075/200801 Acórdão n.º 3302005.431 S3C3T2 Fl. 58 8 presentes nos autos relevantes indícios de cometimento de erro de fato e da boa fé do contribuinte, entendo que o caso merece especial atenção, a fim de evitar que o erro cometido pelo sujeito passivo culmine em exação indevida. Não cabendo aos órgãos julgadores administrativos decidir sobre o pedido formulado pelo contribuinte em todas as suas manifestações nestes autos, e havendo previsão expressa no sentido de ser possível a revisão de ofício de lançamentos, a fim de evitar a inscrição em divida ativa e conseqüente execução de um crédito tributário indevido, o que seria contrário a princípios caros ao processo administrativo, penso que o pedido do recorrente deve ser analisado por quem detém competência para tanto. Nesse sentido o acórdão de nº 1301002.243, proferido pela 1ª Turma Ordinária, da 3ª Câmara, da Primeira Seção de Julgamento deste Conselho. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Exercício: 2005 PER/DCOMP. PEDIDO DE CANCELAMENTO DE OFÍCIO. ALEGAÇÃO DE DÉBITO INEXISTENTE. ERRO. CONVERSÃO DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE EM PEDIDO DE REVISÃO DE OFÍCIO. PN COSIT Nº 8/2014. Se o contribuinte apresenta pedido de cancelamento de ofício do PER/DCOMP manejando manifestação de inconformidade, ao argumento de que inexiste o débito declarado, por erro, a autoridade fiscal deve receber a manifestação de inconformidade como pedido de revisão de ofício. Merece destaque, ainda, o seguinte excerto do voto vencedor que deu origem ao acórdão acima citado, da lavra do ilustre conselheiro Flávio Franco Corrêa: Sou da opinião de que o pedido de “cancelamento de ofício do PER/DCOMP”deve ser entendido como pedido de revisão de ofício do despacho decisório, formulado sob o argumento de que tanto o crédito como o débito não existem. Não me atenho à inexistência do crédito, somente, porquanto, se fosse apenas isso, o contribuinte não teria motivo para contestar a decisão da autoridade fiscal. Nessa situação, o contribuinte está ciente de que o crédito declarado é irreal. Vejo o problema por outra óptica quando o contribuinte alega que o débito antes confessado em DCOMP inexiste, mormente quando o contribuinte descobre tal fato no momento de apresentar defesa contra o despacho decisório, tal e qual o ocorrido. Nessa circunstância – vale lembrar o artigo 32, parágrafo único, da IN SRF nº 600/2005 impedia o cancelamento da DCOMP, assim como, hoje em dia, o artigo 93, parágrafo único, da IN RFB nº 1300/2012, também o impede. Consoante o Parecer Normativo Cosit nº 8/2014, a Portaria Conjunta SRF/PGFN nº 1/1999 estabelece que “qualquer débito encaminhado para inscrição em dívida ativa pode ser revisto de ofício pela autoridade administrativa da RFB quando o sujeito passivo apresentar provas inequívocas de cometimento de erro Fl. 58DF CARF MF Processo nº 13819.901075/200801 Acórdão n.º 3302005.431 S3C3T2 Fl. 59 9 de fato”. Anotese que citado PN Cosit nº 8/2014 prevê a possibilidade de revisão de ofício de DCOMP “quando a compensação não é homologada por despacho decisório e, cumulativamente, tal decisão não é reformada em função de contencioso administrativo, seja pelo fato de não se ter insturado o litígio, seja em virtude de decisão administrativa definitiva, total ou parcialmente, desfavorável a ele”. No caso sob exame, não há e nunca houve litígio quanto ao crédito. Por outro lado, as DRJ e o Carf não são competentes para apreciar reclamações fundadas na inexistência do débito declarado com erro em DCOMP. Portanto, a decisão administrativa não se tornará definitiva passando por essas instâncias. Assim, pela perspectiva do PN Cosit nº 8/2014, o Despacho Decisório à fl. 23 é a decisão que se tornou definitiva e objeto do pedido de revisão de ofício. O novel Regimento Interno da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF nº 430/2017, dispõe ser da Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Fiscalização (Defis), dentre outros, no âmbito da respectiva jurisdição, a competência específica para proceder a revisão de ofício e o cancelamento ou reativação de declarações a pedido do sujeito passivo. Art. 272. À Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Fiscalização (Defis), à Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Fiscalização de Comércio Exterior (Delex), à Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Comércio Exterior (Decex), às Delegacias Especiais da Receita Federal do Brasil de Maiores Contribuintes de São Paulo e de Belo Horizonte (Demac) compete, no âmbito da respectiva jurisdição, gerir e executar as atividades de fiscalização, de tecnologia e segurança da informação, de comunicação social, de programação e logística e de gestão de pessoas, de planejamento, avaliação, organização, modernização, e, especificamente: ... III proceder à revisão de ofício de lançamentos e de declarações apresentadas pelo sujeito passivo e ao cancelamento ou reativação de declarações a pedido do sujeito passivo; Diante do exposto e tendo em vista o PN Cosit nº 8/2014, voto por não conhecer do recurso, e, de ofício, anular o acórdão recorrido, encaminhando o processo à unidade competente, para que seja recebida e processada a manifestação de inconformidade como pedido de revisão de ofício. (assinado digitalmente) Diego Weis Junior Relator Voto Vencedor Fl. 59DF CARF MF Processo nº 13819.901075/200801 Acórdão n.º 3302005.431 S3C3T2 Fl. 60 10 Conselheiro Walker Araujo Redator Designado Com o devido respeito aos argumentos do ilustre Relator, divirjo de seu entendimento quanto à solução a ser dada no presente caso, em especial quanto a declaração de nulidade do acórdão recorrido. Isto porque, ao contrário do entendimento explicitado pelo relator, não há na decisão recorrida vestígios de vício passíveis de nulidade, tampouco qualquer ato processual capaz de ensejar a incidência do artigo 59, do Decreto nº 70.235/72. Com efeito, a decisão recorrida analisou todos os argumentos explicitados pela Recorrente, bem como as demais questões processuais suscitadas pelas partes, ou seja, não houve nenhum vício na decisão recorrida que seja passível de nulidade. Neste esteira, entendo que a melhor solução à ser dado ao presente caso é aquela decidida por esta Turma, em outra composição, nos autos do processo 13819.901086/200882 (acórdão 3302004.648), de relatoria do Conselheiro José Fernandes do Nascimento, envolvendo as mesmas partes e questões fáticas, a saber: Com efeito, no recurso em apreço, a recorrente não contestou o motivo da não homologação da compensação, ou seja, a inexistência do valor crédito utilizado na compensação em apreço. A confirmação do asseverado foi feita pela própria recorrente no demonstrativo de apuração e pagamento integral do débito da CSLL do período, colacionado na peça recursal em apreço. Assim, se não está em questão a existência ou não do direito creditório informado pela recorrente na Declaração de Compensação (DComp) colacionada aos autos e declarado inexistente pela autoridade fiscal, no âmbito do questionado Despacho Decisório, obviamente, não existe litígio a ser dirimido por este Colegiado. Em consequência, o presente o recurso, inequivocamente, perdeu o seu objeto. De toda sorte, cabe esclarecer que, caso a recorrente não tenha recolhido a parcela do débito confessado na referida DComp, obviamente, a cobrança desse valor deverá ser feita pela unidade da Receita Federal de origem, na forma da legislação vigente. Por todo o exposto, votase pelo não conhecimento do recurso, para manter na íntegra a decisão recorrida. Nesse passo, considerando que a Recorrente, assim como o fez no citado processo, não contestou o motivo da não homologação da compensação, ou seja, a inexistência do valor crédito utilizado na compensação em apreço e, que toda matéria arguida em sede recursal não faz parte do litígio, ou seja, matéria estranha, outra solução não merece o presente caso, senão o não conhecimento do recurso. Diante do exposto, voto por não conhecer do recurso voluntário. É como voto. Fl. 60DF CARF MF Processo nº 13819.901075/200801 Acórdão n.º 3302005.431 S3C3T2 Fl. 61 11 (assinado digitalmente) Walker Araujo Redator Designado. Fl. 61DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13055.000059/2004-46
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003
CESSÃO ONEROSA DE CRÉDITO DE ICMS A TERCEIRO. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. NÃO INCIDÊNCIA
Nos termos do art. 62, §2º do Anexo II do RICARF/2015, em obediência à decisão plenária do STF, no julgamento do RE 606.107, não há que se falar em incidência de PIS e Cofins sobre os valores recebidos a título de cessão onerosa a terceiros de créditos de ICMS provenientes de exportação.
Numero da decisão: 9303-006.927
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luis Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201806
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 CESSÃO ONEROSA DE CRÉDITO DE ICMS A TERCEIRO. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. NÃO INCIDÊNCIA Nos termos do art. 62, §2º do Anexo II do RICARF/2015, em obediência à decisão plenária do STF, no julgamento do RE 606.107, não há que se falar em incidência de PIS e Cofins sobre os valores recebidos a título de cessão onerosa a terceiros de créditos de ICMS provenientes de exportação.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 13055.000059/2004-46
anomes_publicacao_s : 201807
conteudo_id_s : 5874070
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 9303-006.927
nome_arquivo_s : Decisao_13055000059200446.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : RODRIGO DA COSTA POSSAS
nome_arquivo_pdf_s : 13055000059200446_5874070.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luis Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
dt_sessao_tdt : Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2018
id : 7350210
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:21:31 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050584069701632
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1460; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13055.000059/200446 Recurso nº 1 Especial do Procurador Acórdão nº 9303006.927 – 3ª Turma Sessão de 13 de junho de 2018 Matéria PIS/COFINS.INCIDÊNCIA. CESSÃO ONEROSA DE CRÉDITOS DO ICMS. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado INDÚSTRIA DE PELES PAMPA LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 CESSÃO ONEROSA DE CRÉDITO DE ICMS A TERCEIRO. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. NÃO INCIDÊNCIA Nos termos do art. 62, §2º do Anexo II do RICARF/2015, em obediência à decisão plenária do STF, no julgamento do RE 606.107, não há que se falar em incidência de PIS e Cofins sobre os valores recebidos a título de cessão onerosa a terceiros de créditos de ICMS provenientes de exportação. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luis Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 05 5. 00 00 59 /2 00 4- 46 Fl. 287DF CARF MF Processo nº 13055.000059/200446 Acórdão n.º 9303006.927 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 220200.103, que, na parte de interesse, decidiu que os valores oriundos da cessão onerosa de créditos do ICMS não compõe a base de cálculo das contribuições. A Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial requerendo a reforma da decisão a quo. Argumenta, em síntese, que os valores recebidos pela transferência de créditos do ICMS a terceiros constituem receita da empresa, tributável pelas contribuições. Mediante despacho de admissibilidade do Presidente da Câmara competente da Terceira Seção do CARF foi dado seguimento ao recurso especial interposto pela Fazenda. Na sequência, o contribuinte apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303006.890, de 13/06/2018, proferido no julgamento do processo 11080.101559/200542, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303006.890): "Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, entendo que devo conhecêlo, em respeito ao art. 67 do RICARF/2015, vez que comprovada a divergência. Quanto ao cerne da lide, especificamente à discussão acerca da incidência de PIS sobre as receitas decorrentes da cessão onerosa de créditos de ICMS, vêse que deve ser reconhecida a ilegitimidade da inclusão na base de cálculo do PIS das r. receitas referentes à transferência de créditos de ICMS a terceiros. Ora, já houve decisão proferida no Recurso Extraordinário n° 606.107/RS que restou assim ementado: “IMUNIDADE. HERMENÊUTICA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. TELEOLOGIA DA NORMA. EMPRESA EXPORTADORA. CRÉDITOS DE ICMS TRANSFERIDOS A TERCEIROS. Fl. 288DF CARF MF Processo nº 13055.000059/200446 Acórdão n.º 9303006.927 CSRFT3 Fl. 4 3 I Esta Suprema Corte, nas inúmeras oportunidades em que debatida a questão da hermenêutica constitucional aplicada ao tema das imunidades, adotou a interpretação teleológica do instituto, a emprestar lhe abrangência maior, com escopo de assegurar à norma supralegal máxima efetividade. II A interpretação dos conceitos utilizados pela Carta da República para outorgar competências impositivas (entre os quais se insere o conceito de “receita” constante do seu art. 195, I, “b”) não está sujeita, por óbvio, à prévia edição de lei. Tampouco está condicionada à lei a exegese dos dispositivos que estabelecem imunidades tributárias, como aqueles que fundamentaram o acórdão de origem (arts. 149, § 2º, I, e 155, § 2º, X, “a”, da CF). Em ambos os casos, tratase de interpretação da Lei Maior voltada a desvelar o alcance de regras tipicamente constitucionais, com absoluta independência da atuação do legislador tributário. III A apropriação de créditos de ICMS na aquisição de mercadorias tem suporte na técnica da não cumulatividade, imposta para tal tributo pelo art. 155, § 2º, I, da Lei Maior, a fim de evitar que a sua incidência em cascata onere demasiadamente a atividade econômica e gere distorções concorrenciais. IV O art. 155, § 2º, X, “a”, da CF – cuja finalidade é o incentivo às exportações, desonerando as mercadorias nacionais do seu ônus econômico, de modo a permitir que as empresas brasileiras exportem produtos, e não tributos, imuniza as operações de exportação e assegura “a manutenção e o aproveitamento do montante do imposto cobrado nas operações e prestações anteriores”. Não incidem, pois, a COFINS e a contribuição ao PIS sobre os créditos de ICMS cedidos a terceiros, sob pena de frontal violação do preceito constitucional. V O conceito de receita, acolhido pelo art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, não se confunde com o conceito contábil. Entendimento, aliás, expresso nas Leis 10.637/02 (art. 1º) e Lei 10.833/03 (art. 1º), que determinam a incidência da contribuição ao PIS/PASEP e da COFINS não cumulativas sobre o total das receitas, “independentemente de sua denominação ou classificação contábil”. Ainda que a contabilidade elaborada para fins de informação ao mercado, gestão e planejamento das empresas possa ser tomada pela lei como ponto de partida para a determinação das bases de cálculo de diversos tributos, de modo algum subordina a tributação. A contabilidade constitui ferramenta utilizada também para fins tributários, mas moldada nesta seara pelos princípios e regras próprios do Direito Tributário. Sob o específico prisma constitucional, receita bruta pode ser definida como o ingresso financeiro que se integra no patrimônio na condição de elemento novo e positivo, sem reservas ou condições. VI O aproveitamento dos créditos de ICMS por ocasião da saída imune para o exterior não gera receita tributável. Cuidase de mera recuperação do ônus econômico advindo do ICMS, assegurada expressamente pelo art. 155, § 2º, X, “a”, da Constituição Federal. VII Adquirida a mercadoria, a empresa exportadora pode creditarse do ICMS anteriormente pago, mas somente poderá transferir a terceiros o saldo credor acumulado após a saída da mercadoria com destino ao Fl. 289DF CARF MF Processo nº 13055.000059/200446 Acórdão n.º 9303006.927 CSRFT3 Fl. 5 4 exterior (art. 25, § 1º, da LC 87/1996). Porquanto só se viabiliza a cessão do crédito em função da exportação, além de vocacionada a desonerar as empresas exportadoras do ônus econômico do ICMS, as verbas respectivas qualificamse como decorrentes da exportação para efeito da imunidade do art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal. VIII Assenta esta Suprema Corte a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS não cumulativas sobre os valores auferidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS. IX Ausência de afronta aos arts. 155, § 2º, X, 149, § 2º, I, 150, § 6º, e 195, caput e inciso I, “b”, da Constituição Federal. Recurso extraordinário conhecido e não provido, aplicandose aos recursos sobrestados, que versem sobre o tema decidido, o art. 543B, § 3º, do CPC. Constatase que a decisão proferida no RE 606.107/RS, em sede de repercussão geral, deve ser aplicada de acordo com o disposto no RICARF: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.” Em vista de todo o exposto, dou provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo." Importante ressalvar que, da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o acúmulo de créditos do ICMS também foi decorrente de exportações para o exterior. Todavia, neste processo a Recorrente foi a Fazenda, de sorte que a aplicação do decidido no paradigma quanto à matéria em foco implica a negativa de provimento ao especial fazendário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial da Fazenda Nacional foi conhecido e, no mérito, o colegiado negoulhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 290DF CARF MF
score : 1.0
