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7406138 #
Numero do processo: 10680.902428/2008-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Data do fato gerador: 03/06/2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO. IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. LIDE NÃO INSTAURADA. NÃO CONHECIMENTO. Não deve ser conhecido o recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que não conheceu da impugnação, por intempestiva, quando o recorrente não questiona a matéria decidida.
Numero da decisão: 2401-005.690
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Relatora e Presidente. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, José Luiz Hentsch Benjamin Pinheiro, Thiago Duca Amoni (suplente convocado) e Matheus Soares Leite. Ausente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER

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7388158 #
Numero do processo: 11065.722023/2015-25
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011, 01/02/2012 a 31/12/2012 ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. NÃO CONFIGURAÇÃO. O desembaraço aduaneiro não significa homologação expressa do lançamento, eis que o instituto da Revisão Aduaneira, realizado após o desembaraço de importação, é procedimento fiscal legalmente previsto no art. 54 do Decreto-lei n° 37/66, com a redação dada pelo Decreto-lei n° 2.472/88, compatível com as disposições sobre o lançamento do CTN, em especial, o seu art. 146. Tampouco há que se falar em alteração de critério jurídico no lançamento quando a fiscalização, acerca do IPI incidente na saída da mercadoria do estabelecimento da recorrente, mantém o entendimento aplicado na revisão aduaneira das importações, na qual se apurou a incorreção nas classificações fiscais do produtos importados. MOTIVOS DETERMINANTES. AUTUAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA PARCIAL. EXONERAÇÃO CORRESPONDENTE. O auto de infração está vinculado aos motivos nele descritos, nos termos do art. 50 da Lei nº 9.784/99 e do art. 10, III do Decreto nº 70.235/72. Dessa forma, a autuação não pode subsistir na parte em que o seu motivo determinante foi considerado improcedente pelo julgador de primeira instância. IPI. INCIDÊNCIA. PRODUTOS IMPORTADOS. TEMA SOB REPERCUSSÃO GERAL. SEM TRÂNSITO EM JULGADO. Os produtos importados estão sujeitos a uma nova incidência do IPI quando de sua saída do estabelecimento importador na operação de revenda, mesmo que não tenham sofrido industrialização no Brasil (EREsp 1403532/SC, art. 543-C do CPC/73). A matéria sob repercussão geral sem decisão definitiva do STF deve ser julgada no CARF tomando como constitucionais as leis a respeito das quais ainda se aguarda o posicionamento do STF. PNEUMÁTICOS NOVOS, DE BORRACHA, PARA VANS, PARA PICK-UP E PARA UTILITÁRIOS. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Pneumáticos novos, de borracha destinados a vans, pick-up e utilitários se classificam no código NCM 4011.99.90. PNEUMÁTICOS NOVOS, DE BORRACHA, PARA SUV. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Pneumáticos novos, de borracha, para SUV (Sport Utility Vehicle), que detenham características de veículo de uso misto, classificam-se no código NCM 4011.10.00. PNEUMÁTICOS NOVOS, DE BORRACHA, PARA CAMINHÕES. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Pneumáticos novos, de borracha destinados a veículos caracterizados como caminhões se classificam no código NCM 4011.20 - Dos tipos utilizados em ônibus ou caminhões. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. APÓS VENCIMENTO. INCIDÊNCIA. SÚMULAS CARF NºS 04 E 05. Não sendo o caso de depósito do montante integral, os juros de mora incidem sobre o crédito tributário não pago até o seu vencimento, nele incluso a multa de ofício. Aplica-se ao crédito tributário decorrente da multa de ofício o mesmo regime jurídico previsto para a cobrança e atualização monetária do crédito tributário decorrente do tributo. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Recurso Voluntário provido em parte
Numero da decisão: 3402-005.462
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, em dar parcial provimento ao Recurso da seguinte forma: (i) por unanimidade de votos, para exonerar da autuação as exigências relativas ao pneumático 175/65R14C 90 CHRONO; (ii) por maioria de votos, para exonerar da autuação as exigências relativas ao pneumático utilizado no veículo F350, por ser um caminhão. Vencida a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula (Relatora), que negava provimento ao recurso neste ponto. Designado o Conselheiro Pedro Sousa Bispo. Vencidos os Conselheiros Renato Vieira de Ávila (Suplente Convocado) e Thais de Laurentiis Galkowicz que davam provimento em maior extensão para excluir os valores correspondentes às vans, utilitários e SUVs. Vencidos os Conselheiros Maysa de Sá Pittondo Deligne e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) que davam provimento integral considerando a extensão da Solução de Consulta Disit/SRRF/8ª RF n.º 348/1997 ao caso; (iii) pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso quanto à exclusão dos juros de mora sobre a multa de ofício. Vencidos os Conselheiros Renato Vieira de Ávila, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) que davam provimento neste ponto. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora (assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo - Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Renato Vieira de Ávila (Suplente Convocado), Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado). O Conselheiro Diego Diniz Ribeiro declarou-se impedido, sendo substituído pelo Conselheiro Suplente Renato Vieira de Ávila (Suplente Convocado).
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA

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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011, 01/02/2012 a 31/12/2012 ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. NÃO CONFIGURAÇÃO. O desembaraço aduaneiro não significa homologação expressa do lançamento, eis que o instituto da Revisão Aduaneira, realizado após o desembaraço de importação, é procedimento fiscal legalmente previsto no art. 54 do Decreto-lei n° 37/66, com a redação dada pelo Decreto-lei n° 2.472/88, compatível com as disposições sobre o lançamento do CTN, em especial, o seu art. 146. Tampouco há que se falar em alteração de critério jurídico no lançamento quando a fiscalização, acerca do IPI incidente na saída da mercadoria do estabelecimento da recorrente, mantém o entendimento aplicado na revisão aduaneira das importações, na qual se apurou a incorreção nas classificações fiscais do produtos importados. MOTIVOS DETERMINANTES. AUTUAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA PARCIAL. EXONERAÇÃO CORRESPONDENTE. O auto de infração está vinculado aos motivos nele descritos, nos termos do art. 50 da Lei nº 9.784/99 e do art. 10, III do Decreto nº 70.235/72. Dessa forma, a autuação não pode subsistir na parte em que o seu motivo determinante foi considerado improcedente pelo julgador de primeira instância. IPI. INCIDÊNCIA. PRODUTOS IMPORTADOS. TEMA SOB REPERCUSSÃO GERAL. SEM TRÂNSITO EM JULGADO. Os produtos importados estão sujeitos a uma nova incidência do IPI quando de sua saída do estabelecimento importador na operação de revenda, mesmo que não tenham sofrido industrialização no Brasil (EREsp 1403532/SC, art. 543-C do CPC/73). A matéria sob repercussão geral sem decisão definitiva do STF deve ser julgada no CARF tomando como constitucionais as leis a respeito das quais ainda se aguarda o posicionamento do STF. PNEUMÁTICOS NOVOS, DE BORRACHA, PARA VANS, PARA PICK-UP E PARA UTILITÁRIOS. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Pneumáticos novos, de borracha destinados a vans, pick-up e utilitários se classificam no código NCM 4011.99.90. PNEUMÁTICOS NOVOS, DE BORRACHA, PARA SUV. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Pneumáticos novos, de borracha, para SUV (Sport Utility Vehicle), que detenham características de veículo de uso misto, classificam-se no código NCM 4011.10.00. PNEUMÁTICOS NOVOS, DE BORRACHA, PARA CAMINHÕES. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Pneumáticos novos, de borracha destinados a veículos caracterizados como caminhões se classificam no código NCM 4011.20 - Dos tipos utilizados em ônibus ou caminhões. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. APÓS VENCIMENTO. INCIDÊNCIA. SÚMULAS CARF NºS 04 E 05. Não sendo o caso de depósito do montante integral, os juros de mora incidem sobre o crédito tributário não pago até o seu vencimento, nele incluso a multa de ofício. Aplica-se ao crédito tributário decorrente da multa de ofício o mesmo regime jurídico previsto para a cobrança e atualização monetária do crédito tributário decorrente do tributo. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Recurso Voluntário provido em parte

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3402­005.462  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  25 de julho de 2018  Matéria  CLASSIFICAÇÃO FISCAL  Recorrente  PIRELLI PNEUS LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS ­ IPI  Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011, 01/02/2012 a 31/12/2012  ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. NÃO CONFIGURAÇÃO.  O  desembaraço  aduaneiro  não  significa  homologação  expressa  do  lançamento,  eis  que  o  instituto  da  Revisão  Aduaneira,  realizado  após  o  desembaraço de importação, é procedimento fiscal legalmente previsto no art.  54 do Decreto­lei n° 37/66, com a redação dada pelo Decreto­lei n° 2.472/88,  compatível com as disposições sobre o  lançamento do CTN, em especial, o  seu art. 146.  Tampouco  há  que  se  falar  em  alteração  de  critério  jurídico  no  lançamento  quando  a  fiscalização,  acerca  do  IPI  incidente  na  saída  da  mercadoria  do  estabelecimento  da  recorrente, mantém  o  entendimento  aplicado  na  revisão  aduaneira das importações, na qual se apurou a incorreção nas classificações  fiscais do produtos importados.  MOTIVOS  DETERMINANTES.  AUTUAÇÃO.  IMPROCEDÊNCIA  PARCIAL. EXONERAÇÃO CORRESPONDENTE.  O auto de infração está vinculado aos motivos nele descritos, nos termos do  art.  50  da Lei  nº  9.784/99  e  do  art.  10,  III  do Decreto  nº  70.235/72. Dessa  forma,  a  autuação  não  pode  subsistir  na  parte  em  que  o  seu  motivo  determinante  foi  considerado  improcedente  pelo  julgador  de  primeira  instância.  IPI.  INCIDÊNCIA.  PRODUTOS  IMPORTADOS.  TEMA  SOB  REPERCUSSÃO GERAL. SEM TRÂNSITO EM JULGADO.  Os produtos importados estão sujeitos a uma nova incidência do IPI quando  de sua saída do estabelecimento importador na operação de revenda, mesmo  que não  tenham sofrido  industrialização no Brasil  (EREsp 1403532/SC, art.  543­C do CPC/73).     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 72 20 23 /2 01 5- 25 Fl. 1439DF CARF MF   2 A  matéria  sob  repercussão  geral  sem  decisão  definitiva  do  STF  deve  ser  julgada no CARF tomando como constitucionais as leis a respeito das quais  ainda se aguarda o posicionamento do STF.  PNEUMÁTICOS NOVOS, DE BORRACHA, PARA VANS, PARA PICK­ UP E PARA UTILITÁRIOS. CLASSIFICAÇÃO FISCAL.  Pneumáticos  novos,  de  borracha  destinados  a  vans,  pick­up  e  utilitários  se  classificam no código NCM 4011.99.90.  PNEUMÁTICOS  NOVOS,  DE  BORRACHA,  PARA  SUV.  CLASSIFICAÇÃO FISCAL.  Pneumáticos  novos,  de  borracha,  para  SUV  (Sport  Utility  Vehicle),  que  detenham  características  de  veículo  de  uso misto,  classificam­se  no  código  NCM 4011.10.00.  PNEUMÁTICOS  NOVOS,  DE  BORRACHA,  PARA  CAMINHÕES.  CLASSIFICAÇÃO FISCAL.  Pneumáticos  novos,  de  borracha destinados  a  veículos  caracterizados  como  caminhões se classificam no código NCM 4011.20 ­ Dos tipos utilizados em  ônibus ou caminhões.  MULTA  DE  OFÍCIO.  JUROS  DE  MORA.  APÓS  VENCIMENTO.  INCIDÊNCIA. SÚMULAS CARF NºS 04 E 05.  Não sendo o caso de depósito do montante integral, os juros de mora incidem  sobre o crédito tributário não pago até o seu vencimento, nele incluso a multa  de  ofício.  Aplica­se  ao  crédito  tributário  decorrente  da  multa  de  ofício  o  mesmo regime jurídico previsto para a cobrança e atualização monetária do  crédito tributário decorrente do tributo.  Súmula  CARF  nº  4:  A  partir  de  1º  de  abril  de  1995,  os  juros  moratórios  incidentes sobre débitos  tributários administrados pela Secretaria da Receita  Federal  são  devidos,  no  período  de  inadimplência,  à  taxa  referencial  do  Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.  Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não  integralmente  pago  no  vencimento,  ainda  que  suspensa  sua  exigibilidade,  salvo quando existir depósito no montante integral.  Recurso Voluntário provido em parte      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do Colegiado, em dar parcial provimento ao Recurso  da  seguinte  forma:  (i)  por  unanimidade  de  votos,  para  exonerar  da  autuação  as  exigências  relativas ao pneumático 175/65R14C 90 CHRONO; (ii) por maioria de votos, para exonerar da  autuação  as  exigências  relativas  ao  pneumático  utilizado  no  veículo  F350,  por  ser  um  caminhão. Vencida  a Conselheira Maria Aparecida Martins  de Paula  (Relatora),  que  negava  provimento ao recurso neste ponto. Designado o Conselheiro Pedro Sousa Bispo. Vencidos os  Conselheiros Renato Vieira de Ávila  (Suplente Convocado) e Thais de Laurentiis Galkowicz  que  davam  provimento  em maior  extensão  para  excluir  os  valores  correspondentes  às  vans,  utilitários e SUVs. Vencidos os Conselheiros Maysa de Sá Pittondo Deligne e Rodolfo Tsuboi  (Suplente Convocado) que davam provimento integral considerando a extensão da Solução de  Consulta  Disit/SRRF/8ª  RF  n.º  348/1997  ao  caso;  (iii)  pelo  voto  de  qualidade,  em  negar  Fl. 1440DF CARF MF Processo nº 11065.722023/2015­25  Acórdão n.º 3402­005.462  S3­C4T2  Fl. 1.440          3 provimento ao Recurso quanto à exclusão dos juros de mora sobre a multa de ofício. Vencidos  os Conselheiros Renato Vieira de Ávila, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo  Deligne e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) que davam provimento neste ponto.   (assinado digitalmente)  Waldir Navarro Bezerra ­ Presidente  (assinado digitalmente)  Maria Aparecida Martins de Paula ­ Relatora  (assinado digitalmente)  Pedro Sousa Bispo ­ Redator designado  Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros:  Waldir  Navarro  Bezerra,  Renato Vieira  de Ávila  (Suplente  Convocado), Maria  Aparecida Martins  de  Paula,  Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo  Mineiro  Fernandes  e  Rodolfo  Tsuboi  (Suplente  convocado).  O  Conselheiro  Diego  Diniz  Ribeiro declarou­se  impedido,  sendo substituído pelo Conselheiro Suplente Renato Vieira de  Ávila (Suplente Convocado).  Relatório  Trata­se de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento em  Recife que julgou improcedente a impugnação, conforme ementa abaixo:  ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS   Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011, 01/02/2012 a 31/12/2012   PNEUMÁTICOS NOVOS, DE BORRACHA,  PARA VANS,  PARA PICK­UP E  PARA UTILITÁRIOS. CLASSIFICAÇÃO FISCAL.  Pneumáticos  novos,  de  borracha,  para  vans,  para  pick­up  e  para  utilitários  se  classificam no código 4011.99.90 da Nomenclatura Comum do Mercosul ­ NCM.  PNEUMÁTICOS  NOVOS,  DE  BORRACHA,  PARA  SUV.  CLASSIFICAÇÃO  FISCAL.  Pneumáticos  novos,  de  borracha,  para  SUV  (Sport  Utility  Vehicle),  que  detenha  características  de  veículo  de  uso  misto,  classificam­se  no  código  4011.10.00  da  Nomenclatura Comum do Mercosul ­ NCM.  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS ­ IPI   Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011, 01/02/2012 a 31/12/2012   PRODUTO  IMPORTADO.  REVENDA  NO  TERRITÓRIO  NACIONAL.  INCIDÊNCIA DO IMPOSTO.  Na  revenda  no  território  nacional,  incide  o  imposto  sobre  o  produto  importado,  mesmo quando internamente não submetido a nova industrialização.  ASSUNTO:  NORMAS  GERAIS  DE  DIREITO  TRIBUTÁRIO  Período  de  apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011, 01/02/2012 a 31/12/2012   PRODUTO  IMPORTADO.  RECLASSIFICAÇÃO  APÓS  O  DESPACHO  ADUANEIRO. POSSIBILIDADE.  É  possível  a  reclassificação  fiscal  de  produto  importado  após  a  conclusão  do  despacho  aduaneiro  e  a  correspondente  formalização  dos  tributos  devidos  no  mercado interno.  Fl. 1441DF CARF MF   4 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL   Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011, 01/02/2012 a 31/12/2012   CLASSIFICAÇÃO  FISCAL.  CONSULTA  SOBRE  PRODUTO  ESPECÍFICO.  EFEITOS SOBRE PRODUTOS DISTINTOS.  INEXISTÊNCIA.  A  consulta  sobre  classificação  fiscal  de  determinado  produto  específico  não  tem  efeitos em relação a produtos distintos.  Impugnação Improcedente   Crédito Tributário Mantido  Versa o processo sobre  auto de  infração  lavrado para exigência de  Imposto  sobre  Produtos  Industrializados,  multa  de  ofício  e  juros  de  mora,  no  valor  total  de  R$44.505.322,13,  decorrente  de  procedimento  fiscal  de  apuração  do  IPI  relativo  aos  anos­ calendário  de  2011  e  2012  no  qual  foi  efetuada  a  reclassificação  fiscal  de  alguns  produtos  vendidos no período.  Conforme  consta  no  Relatório  Fiscal,  a  reclassificação  fiscal  foi  assim  motivada pelo autuante:  (...)  Os  itens  analisados  são  pneumáticos  novos  de  borracha  para  veículo  automotor, dessa forma, a sua classificação deve ser realizada na posição 40.11. (...)  (...)  Como se viu, o texto da subposição é elemento essencial da classificação. No  caso  em  tela,  a  subposição  4011.20  (cujo  desdobramento  4011.20.90  foi  utilizado  pelo contribuinte na classificação dos pneus ora em análise) é exclusiva dos pneus  destinados  a  ônibus  e  caminhões.  A  própria  resposta  do  contribuinte,  bem  como  informações referidas nas páginas da Internet da fiscalizada e de seus revendedores  indicam serem destinados a vans, utilitários, pick­ups, SUV e veículos de passeio,  portanto não se destinam a ônibus e caminhões. Ainda em sua página na Internet, o  contribuinte  relaciona  os  pneus  destinados  a  ônibus  e  caminhões. Tal  relação  não  inclui  nenhum  dos  modelos  indicados  no  Anexo  I  do  Termo  de  Início  de  Fiscalização que corresponde ao Anexo I deste Relatório.  (...)  Conclui­se,  portanto,  que  está  equivocada  a  classificação  adotada  pelo  contribuinte,  já  que  as  vans,  pick­ups,  utilitários  e  SUV  não  são  ônibus  nem  caminhões. (...)  2.2.1 – Da classificação a ser adotada para pneus de Vans  (...)  Portanto,  os  pneus  destinados  a  Vans  (para  transporte  de  passageiros)  não  podem ser classificados na subposição 4011.10, porque essa  subposição, a  teor do  seu texto, se refere aos pneumáticos utilizados nos veículos classificados na posição  8703, enquanto as vans para transporte de passageiros são classificadas na posição  8702.  Já as vans para transporte de carga (furgões), como já referido, classificam­se  no  EX­01  dos  desdobramentos  das  subposições  de  2º  nível  8704.21.  Portanto,  os  pneus  destinados  a  esses  veículos  também  não  podem  ser  classificados  na  subposição 4011.10 (exclusiva de pneus dos veículos classificados na posição 8703).  Por  exclusão,  os  pneumáticos  utilizados  para  vans  para  transporte  de  passageiros ou de carga  (furgões) devem ser classificados no código 4011.99.90 –  Outros.  (...)  2.2.2 – Da classificação a ser adotada para pneus de Pick­up e utilitários  Como já referido, restariam o código 4011.10.00 e o código 4011.99.90 como  possibilidade para classificação dos pneumáticos utilizados nas pick­up e utilitários.  As  pick­ups  e  utilitários,  repisamos,  classificam­se  no  EX­01  dos  desdobramentos  da  subposição  8704.21.  Portanto,  os  pneus  destinados  a  esses  veículos  também não  podem  ser  classificados  na  subposição  4011.10,  já  que  essa  Fl. 1442DF CARF MF Processo nº 11065.722023/2015­25  Acórdão n.º 3402­005.462  S3­C4T2  Fl. 1.441          5 subposição, a teor de seu texto, é indicativa de pneus para automóveis de passageiros  (posição 8703).  Como  já  visto,  não  se  trata  de  ônibus  nem  de  caminhões.  Por  exclusão,  os  pneumáticos utilizados em pick­ups e utilitários devem ser classificados no código  “4011.99.90 – Outros”.  2.2.3 – Da classificação a ser adotada para pneus de SUV  (...)  A  NESH  da  posição  8703  da  TIPI  (Automóveis  de  passageiros  e  outros  veículos automóveis principalmente concebidos para  transporte de pessoas  (exceto  os  da  posição  87.02),  incluídos  os  veículos  de  uso misto  ("station  wagons")  e  os  automóveis de corrida) define que:  Entendem­se por veículos de uso misto (break ou station wagons), na acepção  da presente posição, os veículos com nove lugares sentados no máximo (incluído o  do motorista), cujo interior pode ser utilizado, sem modificação da estrutura, tanto  para o transporte de pessoas como para o de mercadorias.  Como se vê,  para  fins de Nomenclatura,  os veículos SUV se enquadram no  conceito  de  veículo  misto  e  devem  ser  classificados  na  posição  8703.  Assim,  os  pneumáticos  destinados  a  esses  veículos  devem  ser  classificados  no  código  4011.10.00.  (...)  Inconformada  a  contribuinte  apresentou  impugnação  ao  lançamento,  alegando, em síntese efetuada no recurso voluntário, o que se segue:  •  nulidade  do  auto  de  infração,  em  razão  da  precariedade  do  procedimento  de  fiscalização (a Fiscalização considerou as marcas e os modelos dos veículos em vez  de considerar as características técnicas dos pneus; a Fiscalização desconsiderou as  regras  de  interpretação  do  Sistema  Harmonizado,  imprescindíveis  para  a  classificação  fiscal  de mercadorias  e  desconsiderou  as  informações  prestadas  pela  Recorrente ao  longo do procedimento de  investigação,  sem  ter  apresentado sequer  um fundamento para tanto);  • o código NCM adotado pela Recorrente para classificar os pneus está correto, em  conformidade  com  as  regras  de  interpretação  3a  e  4  do  Sistema  Harmonizado  (similaridade com os pneus descritos no NCM 4011.20.90, pela maior durabilidade e  resistência  dos  pneus)  e  de  acordo  com  a  classificação  técnica  validada  pelo  INMETRO;  • a reclassificação fiscal proposta pela Fiscalização é ilegítima e deve ser afastada,  pois contraria a classificação exigida e validada pelo INMETRO e também às regras  internacionais de interpretação do Sistema Harmonizado;  •  indevida alteração do critério jurídico de  lançamento, na medida em que para os  produtos  importados, a classificação  fiscal adotada pela Recorrente  foi confirmada  quando do desembaraço e agora, nesse segundo momento, estão sendo contestadas;  • a própria RFB confirmou a legitimidade do procedimento de classificação adotado  pela Recorrente, tendo em vista a expedição da Solução de Consulta nº 348/1997 (8ª  Região)vinculada à própria Recorrente; e, por fim   • excesso na constituição do crédito  tributário, a saber:  (i) a  indevida exigência de  IPI na revenda de produtos importados; (ii) a ilegítima exigência de multa e juros; e,  (iii) a incorreta aplicação de juros sobre multa.  A Delegacia de Julgamento não acatou as alegações da  impugnante,  sob os  seguintes fundamentos principais:  ­  Dentre  os  dois  entendimentos,  entendo  acertado  o  adotado  pela  Fiscalização.  É  que,  realmente,  van,  pick­up,  utilitário  e  SUV  não  são  ônibus  nem  caminhões.  Em  relação  à  diferenciação entre vans para transporte de passageiros e ônibus, bem esclareceu a autoridade fiscal que  “a  TIPI  não  apresenta  elementos  que  permitam  identificar  com  precisão  o  que  é  um  ônibus,  cabe  Fl. 1443DF CARF MF   6 utilizar­se do sentido da palavra na língua portuguesa e na sua utilização merceológica. Assim, vans não  são sinônimo de ônibus (...)”.  ­ A classificação prescrita pela COANA no ADE nº 023/2014 (8702.10.00 Ex­02),  refere­se a ‘Veículos automóveis para transporte de dez pessoas ou mais, incluindo o motorista ­ Ex 02  ­  Com  volume  interno  de  habitáculo,  destinado  a  passageiros  e motorista,  igual  ou  superior  a  9 m³.  Portanto o fato de um veículo se enquadrar nessa classificação não significa que ele é um ônibus. De  fato,  nessa  classificação  se  enquadram  tanto  as  vans  (quer  sejam  merceologicamente  denominadas  micro­ônibus  ou  não)  quanto  os  ônibus. No  caso  em  tela,  o  próprio ADE  identificou  as  vans  como  sendo micro­ônibus (de teto alto ou teto baixo) e não como ônibus”.  ­ Quanto às vans destinadas ao transporte de cargas (furgões), pick­up e utilitários,  também comungo do entendimento da autoridade fiscal, que a requerente não consegue infirmar, de que  “a  diferenciação  entre  caminhões  e  furgões/pick­up/utilitários  é  expressa  na  Nomenclatura.  Todos  desdobramentos  da  subposição  8704.21  (Veículos  para  transporte  de  carga,  com  carga  máxima  não  superior a 5 toneladas) apresentam um EX­01 para “Camionetas, furgões, pickups e semelhantes”.  ­ As NESH da posição 8704 discriminam dois tipos de veículos ali classificáveis: os  caminhões e os chamados “veículos polivalentes” e dá, como exemplo destes veículos, justamente os  furgões, as pick­up e certos veículos utilitários esportivos – o que evidencia a diferenciação, para fins  do SH, entre estes veículos polivalentes e os caminhões.  ­  Para  fins  de  Nomenclatura  do  SH,  os  veículos  SUV,  que  têm  função  mista  (transporte de passageiros e maior capacidade de carga), devem ser considerados mistos. A conclusão  acima não resta prejudicada nas hipóteses em que a SUV tenha características de “light truck” quando  atendidas as condições da NESH da Posição 8703. Verifica­se na imagem abaixo, capturada no site da  Pirelli, que o Pneu Scorpion ATR é usado em SUV. Resta claro que o Hummer é um veículo misto,  pois tem uma maior capacidade de carga (daí porque requer a utilização de pneus mais resistentes), mas  mantém  relevante  função de  transporte de passageiros,  o que  resta evidenciado pelo claro conforto e  sofisticação que o veículo apresenta. Os pneus objeto da fiscalização foram certificados na Categoria 3,  o  que  vem  apenas  reforçar  que  não  se  tratam  de  pneumáticos  usados  por  ônibus  e  caminhões,  que  devem ser certificados em Categoria distinta.  Cientificada em 06/07/2016, a contribuinte apresentou recurso voluntário em  05/08/2016, mediante o qual requereu a juntada de Laudo Técnico e repisou os argumentos da  impugnação e acrescentou outros, sob os seguintes tópicos:  IV. PRELIMINARMENTE:  IV.1  – NULIDADE DA R. DECISÃO RECORRIDA  – CONVALIDAÇÃO DA PRECARIEDADE  DO AUTO DE INFRAÇÃO  IV.2 – NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA – INDEFERIMENTO IMOTIVADO DA PROVA  PERICIAL  V. DAS RAZÕES PARA REFORMA DA R. DECISÃO RECORRIDA  V.1 – AS REGRAS GERAIS PARA A CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE PRODUTOS (INCLUSIVE  PARA FINS DE INCIDÊNCIA DO IPI)  V.2 – OS PNEUS OBJETO DA AUTUAÇÃO FISCAL – CARACTERÍSTICAS TÉCNICAS  V.3 – A CLASSIFICAÇÃO FISCAL DOS PNEUS  V.4  – NECESSIDADE DE CANCELAMENTO DA AUTUAÇÃO PELA  IMPOSSIBILIDADE DE  ALTERAÇÃO  DO  CRITÉRIO  JURÍDICO  DE  LANÇAMENTO  APÓS  O  DESPACHO  ADUANEIRO DOS PNEUS IMPORTADOS  V.5  –  ILEGITIMIDADE  DA  COBRANÇA  DE  IPI  NA  SAÍDA  DE  PRODUTOS  OBJETO  DE  IMPORTAÇÃO (JURISPRUDÊNCIA DO STJ)  V.6 – ILEGITIMIDADE DA COBRANÇA DE JUROS E DE MULTA (ARTIGO 100 CTN)  V.7 – ILEGITIMIDADE DA INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE MULTA  Mediante  a  Resolução  nº  3402­001.253,  de  2  de  fevereiro  de  2018,  este  Colegiado determinou a realização de diligência, nos seguintes termos:  Fl. 1444DF CARF MF Processo nº 11065.722023/2015­25  Acórdão n.º 3402­005.462  S3­C4T2  Fl. 1.442          7 (...)  Nessa toada, voto por converter o presente julgamento em diligência para que  seja  verificada  a  aplicabilidade  da  Solução  de  Consulta  n.º  348/1997  aos  pneus  objeto do presente Auto de Infração, para que a autoridade fiscal de origem:  (i) anexe aos presentes autos a cópia integral do processo relativo à  referida  Solução de Consulta; (ii) elaborar relatório fiscal trazendo as informações relevantes  relativas  à  referida  Solução  de  Consulta  e  a  sua  relação  com  o Auto  de  Infração  lavrado.  Neste  relatório,  importante  que  sejam  primeiramente  identificadas  as  informações  correspondentes  à Solução de Consulta, dentre  as quais  (ii.1) nome e  CNPJ da empresa que formulou a Consulta; (ii.2) conclusão alcançada pela Consulta  e  as  características  e  especificidades  técnicas  dos  pneus  envolvidos  na  consulta.  Neste ponto, é importante que sejam identificadas as características dos pneus para  os quais foi autorizada a utilização da NCM 4011.20.90;  (ii.3) período de validade  da  Consulta.  Caso  a  Consulta  tenha  perdido  validade,  informar  até  qual  data  a  Solução de Consulta vigorou, informando a base normativa vigente à época.  Em seguida, necessário que seja realizada a correlação da referida Solução de  Consulta com os pneus objeto do Auto de Infração  lavrado,  informando  (ii.4) se a  pessoa  jurídica  que  formulou  a  Consulta  é  a  mesma  pessoa  jurídica  autuada.  Gentileza considerar eventuais alterações societárias ocorridas no período;  (ii.5) se  os pneus envolvidos no Auto de Infração possuem características e especificidades  técnicas idênticas daqueles envolvidos na Solução de Consulta.  Neste ponto, relacionar a especificidade técnica dos pneus autuados de acordo  com  as mesmas  características  utilizadas  pela  solução  de  consulta,  informando  se  são do "tipo radial ou convencional" e qual a sua medição, informando se seriam de  "7,00 16 (10 lonas), 7,50 16 (10 ou 12 lonas), 7,00 R16 (12 lonas) ou 7,50 R16 (10  ou 12 lonas)" de acordo com as informações que constam da ementa da solução de  consulta.  Caso  os  pneus  não  sejam  idênticos,  informar  as  diferenças  identificadas  que  implicariam na  não  aplicação do  resultado  da Solução de Consulta  aos  pneus  objeto do Auto de Infração; e (ii.6) se a Solução de Consulta estava vigente à época  dos fatos geradores objeto da autuação (anos de 2011 e 2012)  Antes do retorno do processo a este CARF, intimar a Recorrente para, se for  de seu interesse, se manifestar no prazo de 30 (trinta) dias do resultado da diligência.  (...)  A  fiscalização  emitiu  o  Relatório  de  Diligência  Fiscal,  que  consta  nas  fls.  1387/1404, e a recorrente apresentou posteriormente sua manifestação (fls. 1410/1434).  É o relatório.  Voto Vencido  Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Relatora  Atendidos os requisitos de admissibilidade, toma­se conhecimento do recurso  voluntário.  As  inconsistências  alegadas  pela  recorrente  no  critério  adotado  para  a  classificação fiscal dos produtos são pertinentes à análise de mérito do presente lançamento, o  que será efetuado mais a frente.  Também não incorreu em qualquer nulidade a decisão recorrida ao indeferir,  motivadamente,  o  requerimento  de  produção  de  prova  técnica  pericial  da  então  impugnante,  Fl. 1445DF CARF MF   8 vez que tal providência era, na convicção do julgador a quo, desnecessária para o deslinde da  controvérsia  de  classificação  fiscal  posta  nos  autos,  mormente  quando  houve  manifestação  expressa por parte do julgador quanto à irrelevância para a solução da lide dos vários quesitos  formulados pela requerente.  Não  há  tampouco  contradição  na  decisão  recorrida  quanto  ao  fato  de,  em  algumas questões, indeferir o pedido de perícia e argumentar acerca da inércia da contribuinte  em  trazer  provas  para  provar  suas  alegações,  tendo  em  vista  que  diligências  e  perícias  não  existem com o propósito de suprir o ônus da prova colocado às partes, mas sim para elucidar  questões  pontuais  mantidas  controversas  mesmo  em  face  dos  documentos  trazidos  pela  impugnante ou recorrente.  Conforme já decidido no Acórdão nº 3201­002.316 – 2ª Câmara / 1ª Turma  Ordinária,  de  24  de  agosto  de  2016,  Relator:  José  Luiz  Feistauer  de  Oliveira,  "A  busca  da  verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no  momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação dos créditos alegados".  Como se sabe,  incumbe à  impugnante, nos  termos do art. 16 do Decreto nº  70.235/72  e  do  art.  36  da  Lei  nº  9.784/99,  comprovar  a  eventual  existência  de  elemento  modificativo ou extintivo da autuação, especialmente quando a  impugnante traz alegação em  sentido diverso daquele informado por ela no curso do procedimento fiscal.  Assim, rejeita­se as preliminares de nulidade suscitadas pela recorrente.  Segundo as lições da própria interessada, nos parágrafos 130 e 131 do recurso  voluntário, "De acordo com a Regra 1 de interpretação, o que determina a classificação de uma  mercadoria  é  o  texto  das  posições,  das  Notas  de  Seção  e  Capítulo.  Os  títulos  das  Seções,  Capítulos e Subcapítulos têm apenas valor indicativo. O que se depreende dessa regra é que a  classificação do produto já pode ser verificada quando o produto está suficientemente descrito  no  texto  das  “Posições”,  “Notas  de  Seção”  e  “Capítulo”,  não  sendo  necessário  recorrer  às  regras 2, 3, 4, 5 e 6 de interpretação".  A fiscalização entende que a classificação adequada para os pneumáticos dos  tipos utilizados em Vans, Pick­up e utilitários seria no código NCM 4011.99.90 e para aqueles  utilizados  em  SUV's  seria  no  código NCM  4011.10.00;  enquanto  a  recorrente  sustenta  que,  para  todos  os  pneumáticos,  a  classificação  dar­se­ia  na  NCM  4011.20.90.  Assim,  não  há  divergência entre o Fisco e recorrente quanto à correção da classificação dos pneumáticos na  posição 4011.   Vejamos  os  textos  das  posições  e  desdobramentos  envolvidos  na  controvérsia:  40.11 ­ Pneumáticos novos, de borracha   4011.10  ­  Dos  tipos  utilizados  em  automóveis  de  passageiros  (incluídos  os  veículos de uso misto (“station wagons”) e os automóveis de corrida)  4011.20 ­ Dos tipos utilizados em ônibus ou caminhões   4011.30 ­ Dos tipos utilizados em veículos aéreos  4011.40 ­ Dos tipos utilizados em motocicletas   4011.50 ­ Dos tipos utilizados em bicicletas   4011.6  ­  Outros,  com  bandas  de  rodagem  em  forma  de  "espinha  de  peixe"  e  semelhantes   4011.9 ­ Outros   4011.92 ­­Dos tipos utilizados em veículos e máquinas agrícolas ou florestais   4011.93.00 ­­Dos tipos utilizados em veículos e máquinas próprios para construções  ou manutenção industrial, para aros de diâmetro inferior ou igual a 61cm   Fl. 1446DF CARF MF Processo nº 11065.722023/2015­25  Acórdão n.º 3402­005.462  S3­C4T2  Fl. 1.443          9 4011.94 ­­Dos tipos utilizados em veículos e máquinas próprios para construções ou  manutenção industrial, para aros de diâmetro superior a 61cm   4011.99 ­­Outros   4011.99.10 Com seção de largura superior ou igual a 1.143mm (45”), para aros de  diâmetro superior ou igual a 1.143mm (45”)  4011.99.90 Outros  Como  se  observa  dos  textos  das  subposições  acima,  o  primeiro  critério  de  classificação que deles decorre é o da destinação do produto (veículos nos quais será utilizado).  Dessa forma, tratando­se de pneumáticos novos de borracha, a primeira questão a ser levantada  para a sua adequada classificação é se seriam utilizados em alguns dos veículos referidos nas  subposições  4011.10  a  4011.50  e,  em  caso  negativo,  passar­se­ia  a  analisar  os  textos  das  subposições  residuais  (sem  destinação  especificada  nas  subposições  precedentes)  4011.6  e  4011.9 e seus desdobramentos.  Com efeito, ao contrário do sustentado pela recorrente, o critério adotado pela  fiscalização  de  verificar  primeiramente  a  verdadeira  destinação  dos  pneus  (utilização  nos  veículos  especificados)  para  a  sua  adequada  classificação  fiscal  está  em  plena  conformidade  com  as  regras  de  classificação  fiscal.  Nessa  esteira,  é  verdade  que  a  controvérsia  pode,  conforme o caso, se deslocar para questões atinentes ao conceito desses veículos, para os quais  se destinam os pneumáticos sob classificação.  Não  tem  qualquer  cabimento  a  alegação  da  recorrente  no  sentido  de  que  a  palavra "tipos" nos textos das subposições teria o condão de incluir os pneumáticos "similares"  aos  pneumáticos  destinados  a  ônibus  e  de  caminhões  na  subposição  4011.20  ­  Dos  tipos  utilizados em ônibus ou caminhões. A palavra "tipos" no texto dessa subposição e das demais  refere­se diretamente a "pneumáticos novos, de borracha" (texto da posição 4011), de forma a  expressar  que  na  referida  subposição  estão  incluídos  todos  os  modelos/variedade/categoria/  qualidade  de  pneumáticos  destinados  aos  veículos  especificados.  A  abrangência  do  termo  "tipos"  existe  em  relação  aos  pneumáticos, mas  não  em  relação  aos  veículos,  os  quais  estão  determinados com precisão no texto da subposição 4011 como "ônibus ou caminhões".  Entende a recorrente que não haveria um código NCM claro na Tabela TIPI  para  a  classificação  para  o  enquadramento  dos  pneus  destinados  à  utilização  por  utilitários,  vans/micro­ônibus, SUVs e pick­ups, razão pela qual, considerando as Regras de Interpretação  3a  e 4,  adotou o  código com posição mais  específica e/ou o  código que  indica produto  com  características  técnicas  mais  semelhantes,  qual  seja,  o  NCM  4011.20.90.  Menciona  como  fundamentos  para  essa  interpretação,  os  seguintes  pontos:  i)  a  natureza  e  especificações  técnicas  dos  pneus  objetos  da  autuação;  (ii)  o  entendimento  do  INMETRO de que  os  pneus  fiscalizados  não  podem  ser  classificados  como  destinados  para  utilização  por  veículos  de  passageiros;  (iii) maior  resistência  e  durabilidade  dos  pneus  que  os  aproximam dos  tipos  de  pneus  destinados  à  utilização  por  ônibus  e  caminhões;  e  (iv)  a  prevalência  de  código mais  específico.  A Regra Geral para interpretação do Sistema Harmonizado nº 1, dispõe que:  "1. Os títulos das Seções, Capítulos e Subcapítulos têm apenas valor indicativo. Para os efeitos  legais,  a  classificação  é  determinada  pelos  textos  das  posições  e  das  Notas  de  Seção  e  de  Capítulo  e,  desde  que  não  sejam  contrárias  aos  textos  das  referidas  posições  e  Notas,  pelas  Regras seguintes".   Fl. 1447DF CARF MF   10 Como  se  vê,  somente  após  a  aplicação  da Regra Geral  nº  1,  é  possível  se  passar para as Regras Gerais subsequentes, as quais não podem contradizer aquilo que já  foi  estabelecido pela aplicação da Regra Geral nº 1. Da mesma forma deve­se proceder em relação  ao  enquadramento  nas  subposições  de uma mesma posição  e  nos  itens  e  subitens,  conforme  determinam a Regra Geral nº 6 e a Regra Geral Complementar nº 1, abaixo transcritas:  6. A classificação de mercadorias nas subposições de uma mesma posição é  determinada,  para  efeitos  legais,  pelos  textos  dessas  subposições  e  das  Notas  de  Subposição  respectivas,  assim  como,  mutatis mutandis,  pelas  Regras  precedentes,  entendendo­se  que  apenas  são  comparáveis  subposições  do mesmo  nível.  Para  os  fins  da  presente  Regra,  as  Notas  de  Seção  e  de  Capítulo  são  também  aplicáveis,  salvo disposições em contrário.  1.  (RGC­1)As Regras Gerais para  Interpretação do Sistema Harmonizado se  aplicarão,  "mutatis  mutandis",  para  determinar  dentro  de  cada  posição  ou  subposição,  o  item  aplicável  e,  dentro  deste  último,  o  subitem  correspondente,  entendendo­se  que  apenas  são  comparáveis  desdobramentos  regionais  (itens  e  subitens) do mesmo nível.  Embora não haja qualquer referência expressa aos pneus utilizados por vans,  pick­up,  utilitários  e  SUV  nos  textos  das  posições  e  subposições,  se  tais  veículos  se  enquadrarem,  segundo as  regras de  classificação  fiscal,  naqueles  especificados nesses  textos,  não poderíamos dizer, como faz a recorrente, que não há um código NCM claro para os pneus  a eles destinados.  Nessa esteira, incumbe aqui analisar, pela aplicação da Regra Geral nº 1, em  conformidade  com  o  determinado na Regra Geral  nº  6  e  a Regra Geral Complementar nº  1,  dentro  da  posição  4011,  qual  seria  a  subposição  mais  adequada  para  os  produtos:  NCM  4011.20.90  (recorrente)  ou  NCM  4011.99.90  para  pneus  destinados  a  Vans,  Pick­up  e  utilitários e NCM 4011.10.00 para aqueles destinados a SUV's (fiscalização):  4011.10 ­ Dos tipos utilizados em automóveis de passageiros (incluídos os veículos  de uso misto (“station wagons”) e os automóveis de corrida)  4011.20 ­ Dos tipos utilizados em ônibus ou caminhões   4011.99.90 Outros  Embora  certamente  existam  padrões  de  classificação  técnica  estabelecidos  pelo INMETRO e/ou por órgãos internacionais para os pneumáticos, para a classificação fiscal  no Sistema Harmonizado, o que primeiro  importa é observar  a descrição das  subposições da  posição 4011. Assim, se a fiscalização apura ou a contribuinte informa que os produtos por ela  vendidos  não  se  destinariam  à  utilização  em  ônibus  ou  caminhões,  não  obstante  os  pneus  tenham  durabilidade  e  resistência  para  suportá­los,  não  seria  o  caso  de  classificá­los  como  pneumáticos novos dos tipos utilizados em ônibus ou caminhões (4011.20).  Com efeito, a fiscalização informou no Relatório Fiscal que: "(...) A própria  resposta  do  contribuinte,  bem  como  informações  referidas  nas  páginas  da  Internet  da  fiscalizada e de seus revendedores indicam serem destinados a vans, utilitários, pick­ups, SUV  e veículos de passeio, portanto não se destinam a ônibus e caminhões. Ainda em sua página na  Internet, o contribuinte  relaciona os pneus destinados a ônibus e caminhões. Tal  relação não  inclui  nenhum  dos  modelos  indicados  no  Anexo  I  do  Termo  de  Início  de  Fiscalização  que  corresponde ao Anexo I deste Relatório".   Na sequência a fiscalização bem esclareceu a diferença entre os veículos para  os  quais  se  destinavam  os  pneumáticos  comercializados  pela  contribuinte  e  os  ônibus  e  caminhões referidos na subposição 4011.20, como se vê abaixo:  (...)  Fl. 1448DF CARF MF Processo nº 11065.722023/2015­25  Acórdão n.º 3402­005.462  S3­C4T2  Fl. 1.444          11 Considerando  que  a TIPI  não  apresenta  elementos  que  permitam  identificar  com precisão o que é um ônibus (a posição 8702, suas subposições e respectivos Ex,  que  abrangem  todos  os  automóveis  para  dez  ou  mais  pessoas,  limitam­se  a  segmentar  os  veículos  em  função  do  volume  da  cabine,  sem  atribuir  uma  terminologia  a  cada  um  deles),  cabe  utilizar­se  do  sentido  da  palavra  na  língua  portuguesa  e  na  sua  utilização  merceológica.  Assim,  vans  não  são  sinônimo  de  ônibus, portanto pneus para vans não podem ser classificados na TIPI como pneus  para ônibus.  Adicionalmente,  apenas  a  título  de  informação  complementar  (já  que  legislações  subsidiárias  não  têm  a  prerrogativa  de,  por  si  só,  estabelecer  critérios  para  a  classificação  fiscal  de  mercadorias  que  advém  de  uma  convenção  internacional,  o  Sistema  Harmonizado),  o  Código  de  Trânsito  Brasileiro,  em  seu  Anexo I, classifica ônibus como o veículo de transporte de pessoas com capacidade  para mais  de  vinte  passageiros,  ainda  que,  em  virtude  de  adaptações  com  vista  à  maior comodidade destes, transporte número menor.  Já a diferenciação entre caminhões e furgões/pick­up/utilitários é expressa na  Nomenclatura.  Todos  desdobramentos  da  subposição  8704.21  (Veículos  para  transporte de carga, com carga máxima não superior a 5 toneladas) apresentam um  EX­01  para  “Camionetas,  furgões,  pick­ups  e  semelhantes”  indicando  expressamente que tais veículos não se enquadram no conceito de caminhões.  (...)    A conclusão acima da fiscalização, de que os pneumáticos não se destinariam  efetivamente a ônibus e caminhões não pode ser afastada pela recorrente, que não apresentou  elementos capazes de infirmar sua própria declaração anterior. Nesse ponto, bem esclareceu o  julgador a quo sobre os pneumáticos declarados pela contribuinte com destinação às SUV's:    (...)  178.  Ora,  se  a  então  fiscalizada  se  equivocou  nas  informações  prestadas  à  autoridade fiscal,  as quais serviram de base para a autuação, nada mais razoável é  que se exija que a impugnante comprove, claramente, o equívoco – o que não se deu  ao  trabalho  de  fazer,  o  que  é  razão  suficiente  para manter  inalterados  os  veículos  classificados como SUV.  179.  De  todo modo,  este  relator  se  deu  ao  trabalho  de  pesquisar  o  veículo  Hummer,  tendo  constatado,  em  pesquisa  site  da  wikipedia,  “O  Hummer  foi  um  veículo da AM General e sua marca, assim como o direito de marketing, pertencente  à  GM.  Ele  foi  desenvolvido  a  partir  do  HMMWV,  originalmente  um  veículo  de  guerra que acabou caindo no gosto dos consumidores americanos e virou sucesso de  vendas  entre  as  SUVs11”  (g.n.).  Nesta  mesma  página  do  wikipedia,  que  faz  referência  expressa  aos  modelos  Hummer  H1  Alpha,  H2  Wagon,  H2  Sut  e  H3,  consta que “Todos os Hummers com exceção do H2 Sut, são SUVs”.  180. Ora, verifica­se na imagem abaixo, capturada no site da Pirelli12, que o  Pneu  Scorpion  ATR  é  usado  em  SUV;  logo,  pode­se  descartar  seu  emprego  no  Hummer H2 Sut:  (...)  182. Portanto, resta claro que o Hummer, realmente, é um veículo misto, pois  tem uma maior capacidade de carga (daí porque requer a utilização de pneus mais  resistentes), mas mantém relevante função de transporte de passageiros, o que resta  evidenciado pelo claro conforto e sofisticação que o veículo apresenta.  183.  Desnecessário  continuar  analisando  os  demais  veículos  classificados  como SUV, dada  a  inércia da  contribuinte em  trazer provas  capazes de  infirmar  a  informação que prestou, no  curso do procedimento  fiscal,  de que os veículos aqui  comentados seriam SUV.  (...)  Fl. 1449DF CARF MF   12   Assim,  têm­se,  nesta  fase  do  raciocínio,  por  inicialmente  afastada  a  subposição pretendida pela recorrente (4011.20), o que somente poderia ser revertido acaso não  houvesse uma outra  subposição mais  adequada  pela  aplicação da  regra  geral  1,  situação que  poderia  levar,  como  pretende  a  recorrente,  à  aplicação  das  regras  gerais  de  interpretação  subsequentes, em especial, as regras gerais 3.a) e 4 requeridas no recurso voluntário.1   No  entanto,  neste  caso  específico,  pelo  que  se  observa,  já  de  início,  nas  subposições da posição 4011, é que, como existe a subposição residual "4011.9 ­ Outros", na  hipótese  de  não  haver  outras  subposições  mais  adequadas,  a  classificação  dar­se­ia  nesta  subposição residual pela aplicação da regra geral de interpretação 1, mas não por semelhança  (aplicação das regras gerais 3.a e 4) na subposição "4011.20 ­ Dos tipos utilizados em ônibus  ou caminhões", como pretendia a recorrente.  Não  procede  a  alegação  da  recorrente  no  sentido  de  que  seria  "necessário  considerar a Regra Interpretativa “3.a.” (critério da maior especificidade), porque a posição do  NCM 4011.2090 (tipos de pneus usados por ônibus e caminhões) é posição mais específica em  relação à posição do NCM 4011.99.90 (“outros”), claramente mais genérica, pois sequer indica  qualquer característica dos pneus". Isso porque a subposição residual engloba os produtos que  não podem ser classificados nas outras subposições precedentes pela aplicação da regra geral  de interpretação 1, não sendo esta considerada mais genérica do que as demais. Somente se não  houvesse  subposição  residual  a  classificação  poderia  ser  regida  pelas  demais  regras,  por  semelhança, como deseja a recorrente. No caso, Vans, Pick­up e utilitários foram classificados  pela fiscalização no código residual NCM 4011.99.90.                                                              1 REGRAS GERAIS PARA INTERPRETAÇÃO DO SISTEMA HARMONIZADO   A classificação das mercadorias na Nomenclatura rege­se pelas seguintes regras:  1.Os  títulos  das  Seções,  Capítulos  e  Subcapítulos  têm  apenas  valor  indicativo.  Para  os  efeitos  legais,  a  classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo e, desde que não sejam  contrárias aos textos das referidas posições e Notas, pelas Regras seguintes:  2.a)Qualquer referência a um artigo em determinada posição abrange esse artigo mesmo incompleto ou inacabado,  desde que apresente, no estado em que se encontra, as características essenciais do artigo completo ou acabado.  Abrange  igualmente  o  artigo  completo  ou  acabado,  ou  como  tal  considerado  nos  termos  das  disposições  precedentes, mesmo que se apresente desmontado ou por montar.  b)Qualquer  referência a uma matéria em determinada posição diz  respeito a essa matéria, quer em estado puro,  quer misturada  ou  associada  a  outras  matérias.  Da mesma  forma,  qualquer  referência  a  obras  de  uma matéria  determinada  abrange  as  obras  constituídas  inteira  ou  parcialmente  por  essa  matéria.  A  classificação  destes  produtos misturados ou artigos compostos efetua­se conforme os princípios enunciados na Regra 3.  3.Quando pareça que a mercadoria pode classificar­se em duas ou mais posições por aplicação da Regra 2 b) ou  por qualquer outra razão, a classificação deve efetuar­se da forma seguinte:  a)A posição mais específica prevalece sobre as mais genéricas. Todavia, quando duas ou mais posições se refiram,  cada  uma  delas,  a  apenas  uma  parte  das  matérias  constitutivas  de  um  produto  misturado  ou  de  um  artigo  composto, ou a apenas um dos componentes de sortidos acondicionados para venda a retalho, tais posições devem  considerar­se, em relação a esses produtos ou artigos, como igualmente específicas, ainda que uma delas apresente  uma descrição mais precisa ou completa da mercadoria.  b)Os  produtos  misturados,  as  obras  compostas  de  matérias  diferentes  ou  constituídas  pela  reunião  de  artigos  diferentes e as mercadorias apresentadas em sortidos acondicionados para venda a retalho, cuja classificação não  se possa efetuar pela aplicação da Regra 3 a), classificam­se pela matéria ou artigo que lhes confira a característica  essencial, quando for possível realizar esta determinação.  c)Nos  casos  em  que  as Regras  3  a)  e  3  b)  não  permitam  efetuar  a  classificação,  a mercadoria  classifica­se  na  posição  situada  em  último  lugar  na  ordem  numérica,  dentre  as  suscetíveis  de  validamente  se  tomarem  em  consideração.  4. As mercadorias que não possam ser classificadas por aplicação das Regras acima enunciadas classificam­se na  posição correspondente aos artigos mais semelhantes.  (...)    Fl. 1450DF CARF MF Processo nº 11065.722023/2015­25  Acórdão n.º 3402­005.462  S3­C4T2  Fl. 1.445          13 Pela aplicação da regra geral de interpretação 1, o autuante descartou também  as  subposições  4011.30,  4011.40,  4011.50  e  4011.6  para  todos  os  pneumáticos,  por  não  se  tratar de pneus utilizados em veículos aéreos, motocicletas ou bicicletas, nem se tratar de pneus  com bandas de  rodagem em  forma de  espinha de peixe; bem como as  subposições 4011.92,  4011.93 e 4011.94 e o código 4011.99.10, por não se tratar de pneus para uso agrícola, uso em  manutenção  industrial  ou  com  seção  de  largura  superior  a  45  polegadas.  Dessa  forma,  restariam ainda os códigos NCM 4011.10.00 e 4011.99.90 como passíveis de classificação para  os pneumáticos.  No  caso  dos  pneus  destinados  a  Vans,  concluiu  o  autuante  que  elas  não  poderiam ser classificadas no código NCM 4011.10.00, mas no código NCM 4011.99.90, nos  seguintes termos:   (...)   As  vans  são  veículos  usados  para  transporte  de  passageiros  ou  de  carga,  hipótese em que são conhecidos como furgões. As vans para passageiros disponíveis  no mercado nacional possuem – em sua quase totalidade – a capacidade de nove a  dezenove  passageiros mais  o motorista,  ou  seja,  dez  a  vinte  ocupantes,  sendo  em  alguns  casos  referidas  como  micro­ônibus,  mas  jamais  sendo  consideradas  como  ônibus.  Como já referido, os veículos com capacidade para dez ou mais pessoas são  classificados na posição 8702 da TIPI  (Veículos automóveis para  transporte de 10  pessoas ou mais, incluindo o motorista), enquanto os veículos para transporte de até  nove pessoas são classificados na posição 8703 (Automóveis de passageiros e outros  veículos automóveis principalmente concebidos para  transporte de pessoas  (exceto  os  da  posição  87.02),  incluídos  os  veículos  de  uso misto  ("station  wagons")  e  os  automóveis de corrida).  Portanto,  os  pneus  destinados  a  Vans  (para  transporte  de  passageiros)  não  podem ser classificados na subposição 4011.10, porque essa  subposição, a  teor do  seu texto, se refere aos pneumáticos utilizados nos veículos classificados na posição  8703, enquanto as vans para transporte de passageiros são classificadas na posição  8702.  Já as vans para transporte de carga (furgões), como já referido, classificam­se  no  EX­01  dos  desdobramentos  das  subposições  de  2º  nível  8704.21.  Portanto,  os  pneus  destinados  a  esses  veículos  também  não  podem  ser  classificados  na  subposição 4011.10 (exclusiva de pneus dos veículos classificados na posição 8703).  Por  exclusão,  os  pneumáticos  utilizados  para  vans  para  transporte  de  passageiros ou de carga  (furgões) devem ser classificados no código 4011.99.90 –  Outros.  (...)  Argumenta  a  recorrente  que  a  premissa  da  fiscalização  nesta  parte  confirmaria a correção da NCM por ela adotada, vez que,  a  seu ver,  as Vans de passageiros  seriam  enquadradas  na  mesma  posição  que  os  ônibus  (NCM  8702)  e  as  Vans  de  carga  na  mesma posição que os caminhões (NCM 8704).   No  entanto,  como  se  depreende  da  leitura  acima  de  trecho  do  Relatório  Fiscal, o entendimento da fiscalização é de que as Vans de passageiros, embora se classifiquem  na posição 8702, não se confundem com os ônibus, em função do número de passageiros que  transportam. Deve ser observado que, na  subposição 4011.20,  enquadram­se os pneumáticos  utilizados  em ônibus, mas  não  aqueles  utilizados  em  todos  os  veículos da  posição  8702. Da  mesma forma, embora Vans de carga enquadrem­se na mesma posição dos caminhões (8704),  na subposição 4011.20  incluem­se apenas os pneumáticos utilizados em caminhões, mas não  Fl. 1451DF CARF MF   14 aqueles utilizados em todos os veículos da posição 8704. A diferenciação entre esses veículos  os ônibus e caminhões referidos na subposição 4011.20 foi delimitada no Relatório Fiscal, cujo  trecho foi transcrito acima neste Voto.  Assim,  rechaça­se os argumentos da  recorrente2  acerca do Ato Declaratório  Executivo (ADE) nº 23/2014 da COANA com os próprios fundamentos da fiscalização, abaixo  transcritos:  A classificação prescrita pela COANA no ADE nº 023/2014 (8702.10.00 Ex­ 02),  refere­se  a  ‘Veículos  automóveis  para  transporte  de  dez  pessoas  ou  mais,  incluindo  o  motorista  ­  Ex  02  ­  Com  volume  interno  de  habitáculo,  destinado  a  passageiros e motorista, igual ou superior a 9m3’. Portanto o fato de um veículo se  enquadrar  nessa  classificação  não  significa  que  ele  é  um  ônibus.  De  fato,  nessa  classificação  se  enquadram  tanto  as  vans  (quer  sejam  merceologicamente  denominadas micro­ônibus  ou  não)  quanto  os  ônibus. No  caso  em  tela,  o  próprio  ADE identificou as vans como sendo micro­ônibus (de teto alto ou teto baixo) e não  como ônibus.  Com  relação  aos  veículos  Pick­up  e  utilitários,  concluiu  a  fiscalização  que  eles classificam­se no Ex Tarifário 01 dos desdobramentos da  subposição 8704.21, de  forma  que  os  pneumáticos  a  eles  destinados  também não  poderiam  ser  enquadrados  na  subposição  4011.10, já que essa subposição, a teor de seu texto, é indicativa de pneus para automóveis de  passageiros  da  posição  8703,  restando  assim  tais  pneumáticos  classificados  no  código  “4011.99.90 – Outros”.  Contesta  a  recorrente  a  reclassificação  dos  pneus  LT265/75R16  123S  S­ ATRwl, que seria destinado ao veículo F350, eis que tal veículo seria um verdadeiro caminhão.  No  entanto,  foi  a  própria  contribuinte  que  informou  no  procedimento  fiscal  que  tal  veículo  seria uma Pick­up, conforme se vê nos trechos abaixo da Tabela 2 (fl. 472):      Como já esclarecido pela decisão recorrida, caberia a recorrente demonstrar o  equívoco em sua declaração anterior à autoridade fiscal em relação ao veículo F350, sendo que  o mesmo se verifica em relação ao veículo F250:  (...)  197. A contribuinte menciona, na Impugnação, que o veículo F350 seria um  caminhão. Entrementes, foi o próprio sujeito passivo que, na tabela de fls. 471/472  já referenciada no item 177 acima, qualificou o veículo como pick­up. Então, caber­ lhe­ia  provar  o  equívoco  na  informação  que  prestou  à  autoridade  fiscal.  Como  nenhuma  prova  a  respeito  trouxe,  deve­se  ser  mantido  o  entendimento  de  que  o                                                              2 (...)  278. Assim, o ADE nº 23/2014 da COANA afirma que a classificação correta para o veículo Sprinter é a NCM  8702.1000, exatamente a mesma classificação do ônibus, corroborando tudo o que vem sendo dito.  (...)  280. Ora, se micro­ônibus é uma espécie de ônibus (que carrega uma quantidade menor de pessoas) e as vans são  consideradas micro­ônibus, inclusive na visão da I. Fiscalização e da D. DRJ, parece lógico concluir que as vans  são espécies do gênero ônibus.  (...)    Fl. 1452DF CARF MF Processo nº 11065.722023/2015­25  Acórdão n.º 3402­005.462  S3­C4T2  Fl. 1.446          15 automóvel  é  uma  Pick­up,  acrescentando­se  que  o  pneu  LT265/75R16  123S  S­ ATRwl, usado neste veículo, está certificado pelo INMETRO, consoante a própria  interessada afirma, na Categoria 3 – e não na Categoria 4, específica para caminhões  – o que reforça, por não ter sido apresentada prova em sentido diverso, que o veículo  F350 não é um caminhão, mas uma pick­up.  198. O mesmo ocorre em  relação ao veículo F250, nos quais  são usados os  pneus  LT235/85R16  108Q  S­MUD wl  e  LT265/70R17  121S  S­ATR wl,  que  foi  classificado  na  planilha  de  fls.  471/472  como  pick­up.  Adite­se,  apenas,  que  o  argumento da recorrente de que tais “veículos em nada se aproximam de veículos de  passeio  e  sim  de  veículos  de  transporte  de  carga  ou  camionetas”  (item  239,  da  Impugnação)  em nada  socorre a  contribuinte,  pois pneus para  camionetas  também  são classificados no NCM 4011.99.90, já que camionetas, também alcançadas pelos  Ex  01  dos  desdobramentos  da  suposição  8704.21,  não  são  nem  ônibus  nem  caminhões (nesta linha, vide SCI reproduzida no item 189).  (...)  Quanto  aos  pneus  utilizados  em  SUV  (Sport  Utility  Vehicle),  entendeu  a  fiscalização que estes se tratam de "veículos de uso misto", eis que se destinam ao transporte  de  passageiros,  mas  apresentam  uma  capacidade  de  carga  superior  aos  demais  automóveis,  enquadrando  os  pneus  a  eles  destinados  na  subposição  4011.10  ­  [Pneumáticos  novos,  de  borracha]  "Dos  tipos  utilizados  em  automóveis  de  passageiros  (incluídos  os  veículos  de  uso  misto (“station wagons”) e os automóveis de corrida)". Para determinar o conteúdo e o alcance  da expressão "veículos de uso misto", a fiscalização utilizou­se dos textos e notas explicativas  relativos ao enquadramento dos próprios veículos3.  Quanto  ao  entendimento  da  DIANA  da  9ª  Região  Fiscal  veiculado  na  Solução  de  Consulta  nº  22/20134,  o  pneumático  objeto  de  consulta  era  também  usado  em  camionetas, o que justificaria a sua classificação no NCM 4011.99.90.  Com relação ao pneumático 175/65R14C 90, entendeu a fiscalização que, ao  contrário  do  informado  pela  contribuinte  (vide  tabela  mais  abaixo),  ele  seria  destinado  aos  veículos de passeio Celta, Corsa e Prisma, sendo reclassificados para a NCM 4011.10.00:                                                              3 8702­Veículos automóveis para transporte de 10 pessoas ou mais, incluindo o motorista  8703  ­ Automóveis  de  passageiros  e  outros  veículos  automóveis  principalmente  concebidos  para  transporte  de  pessoas (exceto os da posição 87.02),  incluídos os veículos de uso misto ("station wagons") e os automóveis de  corrida).  Nota Explicativa (NESH) da posição 8703: Entendem­se por veículos de uso misto (break ou station wagons), na  acepção da presente posição, os veículos com nove lugares sentados no máximo (incluído o do motorista), cujo  interior  pode  ser  utilizado,  sem  modificação  da  estrutura,  tanto  para  o  transporte  de  pessoas  como  para  o  de  mercadorias.    4 ASSUNTO: Classificação de Mercadorias   EMENTA: Código TEC 4011.99.90 Mercadoria: Pneumático novo de borracha, codificação 7.50­16, construção  diagonal, com largura de seção 216mm e aro 16",  índice de carga 122/118 e símbolo de velocidade M que não  apresenta banda de rodagem em forma de "espinha de peixe" ou semelhante,  indicado pelo fabricante e normas  técnicas  como  pneumático  próprio  para  "camionetas"  e  não  enquadrado  pelo  fabricante  e  referidas  normas  na  categoria de pneumáticos para "ônibus ou caminhões". Código TEC 4011.99.90 Mercadoria: Pneumático novo de  borracha, codificação 7.50R16, construção radial, largura de seção 198mm e aro 16", índice de carga de 121/120 e  símbolo de velocidade M, que não apresenta banda de rodagem em forma de "espinha de peixe" ou semelhante,  indicado pelo  fabricante como pneumático próprio para veículos de  tração 4x4, SUV (Sport Utility Vehicles) e  camionetas, enquadrado pelas normas técnicas na categoria de pneumáticos para "camionetas" (que inclui também  microônibus e utilitários) e não enquadrado na categoria de pneumáticos para "ônibus ou caminhões".  (Solução de consulta n°22 — Diana 9, de 15 de abril de 2013)    Fl. 1453DF CARF MF   16 Anexo ao auto de infração:    Informação da contribuinte:    Em  face  da  impugnação  da  contribuinte  nesta  parte,  assim  decidiu  a  Delegacia de Julgamento:  (...)  III.5. Da Classificação Fiscal do pneu 175/65R14C 90:  205.  No  Relatório  da  Ação  Fiscal,  expõe  a  autoridade  autuante  que  “A  configuração  175/65R14C  90T  CHRONO,  indicada  como  sendo  utilizada  em  pickups  (ex.  Hoggar),  é  na  verdade  predominantemente  utilizada  em  veículos  de  passeio como o Celta, o Corsa e o Prisma”.  206. Compulsando os  autos,  não  localizei  a  anexação,  pela Fiscalização,  de  documentos  comprobatórios  da  conclusão  acima.  Por  outro  lado,  a  informação  constante do site da Pirelli, na internet, confirma o uso dos pneus no veículo Hoggar,  consoante se vê na imagem ali capturada e abaixo vazada:  (...)  207.  Por  outro  lado,  em  pesquisas  feitas  no  sítio  da  Pirelli  anexadas  às  fls.  1.162/1.170, não encontrei qualquer informação que vincule o comentado pneu aos  veículos Celta, Corsa ou Prisma.  208. Ademais, de acordo com o que consta à fl. 1.105, o enfocado pneu está  certificado na Categoria 3 (Família 3A2B1C2), atinente aos pneus novos destinados  a veículos comerciais leves e rebocados – e não na Categoria 2, que, a princípio pelo  menos  e  salvo  comprovação  em  contrário,  deveriam  estar  enquadrados  os  pneus  novos destinados a automóveis de passageiros, inclusive de uso misto e rebocados.  209.  Ora,  a  informação  prestada  em  relação  ao  pneu  examinado  pela  contribuinte durante o procedimento fiscal está de acordo com as informações de seu  site na internet e é coerente com a certificação do pneu pelo I.Q.A, não tendo sido  anexada pela Fiscalização qualquer prova em sentido contrário.  210.  Diante  do  que  consta  acima,  concluo  que  o  pneu  175/65R14C  90T  é  usado por pick­up – e não por veículos de passeio, como considerou a Fiscalização.  211.  Mas  não  importa  se  o  pneu  é  usado  por  veículos  de  passeio  (classificáveis no NCM 4011.10.00, para o qual é prevista a alíquota de 15%) ou por  pick­up  (enquadráveis,  segundo  a  autuação  e  defendido  neste  Voto,  no  NCM  4011.99.90,  para  o  qual  também há  previsão  da  alíquota  de  15%):  a  classificação  fiscal da contribuinte no NCM 4011.20.90 está, em qualquer caso, equivocada e, em  quaisquer  das  duas  situações,  a  infração  é  a  mesma  (“Saída  De  Produtos  sem  Lançamento do IPI ­ inobservância de classificação fiscal e/ou alíquota do IPI”) e a  apuração do tributo devido a ser exigido não é alterada, já que idênticas as alíquotas  para ambos os NCM 4011.10.00 e 4011.99.90.  212. Por outro lado, a discussão sobre a correta classificação dos pneus para  pick­up já é objeto deste processo em relação a outros tipos de pneus e pode, muito  bem e  sem qualquer prejuízo para a defesa do  sujeito passivo,  ser  aproveitada em  relação ao pneu 175/65R14C 90T.  (...)  Fl. 1454DF CARF MF Processo nº 11065.722023/2015­25  Acórdão n.º 3402­005.462  S3­C4T2  Fl. 1.447          17 Como  se  observa  acima,  a  DRJ  deu  razão  à  impugnante  relativamente  à  destinação dos pneumáticos 175/65R14C 90, mas ainda assim manteve a autuação, o que não  tem qualquer cabimento. Para a  exigência dos  tributos e multa de ofício  relativamente a  tais  pneumáticos em face de nova reclassificação fiscal seria necessário novo lançamento.  Em conformidade  com  o art.  50 da Lei nº 9.784/99 e  com o art.  10,  III  do  Decreto nº 70.235/72, um ato administrativo (lançamento) não pode subsistir na parte em foi  considerado improcedente o seu motivo determinante pelo julgador de primeira instância.  Conforme  bem  esclarece  Meirelles5,  a  teoria  dos  motivos  determinantes  funda­se na consideração de que os atos administrativos, quando tiverem sua prática motivada,  ficam  vinculados  aos  motivos  expostos  para  todos  os  efeitos  jurídicos.  Tais  motivos  é  que  determinam  e  justificam  a  realização  do  ato,  e,  por  isso  mesmo,  deve  haver  perfeita  correspondência entre eles e a realidade.  Dessa  forma,  no  caso  concreto,  não  pode  remanescer  a  exigência  fiscal  relativamente  aos  pneumáticos  175/65R14C  90,  pois  há  desconformidade  entre  a  realidade  ("reclassificação" fiscal pela DRJ para a NCM 4011.99.90) e os motivos determinantes do auto  de infração nesta parte (reclassificação fiscal para a NCM 4011.10.00).  Alega  a  recorrente  que  teria  havido  alteração  de  critério  jurídico  no  lançamento, vez que parte dos pneus objeto de Fiscalização é importada e teria se sujeitado a  procedimentos  de  desembaraço  aduaneiro,  com  regular  liberação  das  mercadorias  com  a  classificação no código NCM 4011.20.90.  No  entanto,  consta  nas  fls.  1130/1158,  cópias  de  Relatórios  Fiscais  relativamente  a  procedimentos  fiscais  de  revisão  aduaneira  em  face  da  contribuinte  das  declarações  de  importação  registradas  nos  períodos  de  01/04/2009  a  28/02/2011  e  de  01/02/2011 a 31/03/2011, no quais se apurou os mesmos fatos que ensejaram a reclassificação  fiscal do presente processo, como se vê em trecho de um Relatório Fiscal abaixo:  (...)  5.1 — Da Classificação Fiscal das Mercadorias   O  importador  declarou  em  diversas Declarações  de  Importação  (DI)  que  os  modelos  de  pneus  relacionados  na  tabela  01  seriam  destinados  para  uso  em  caminhões e ônibus, com enquadramento na NCM 4011.20.90, com aliquota do IPI  (Imposto  sobre  Produtos  Industrializados)  de  2%.  Na  informação  apresentada  na  resposta  ao  Termo  de  Início  de  Fiscalização,  com  data  de  12/04/2011,  o  próprio  importador informa que estes pneus se destinam para uso em automóveis, utilitários,  vans,  SUV  e  picapes  (pick­up).  A  classificação  na  NCM  dos  pneus  para  estes  veículos é 4011.10.00, diversa daquela informada nas importações sob análise, com  ali­quota do /P1 de 15%.  (...)  Há que se esclarecer à recorrente que o desembaraço aduaneiro não significa  homologação expressa do lançamento, eis que o instituto da Revisão Aduaneira, realizado após  o desembaraço de importação, é procedimento fiscal legalmente previsto no art. 54 do Decreto­ lei n° 37/66, com a redação dada pelo Decreto­lei n° 2.472/88, compatível com as disposições  sobre o  lançamento do CTN, em especial, o seu art. 146, conforme análise efetuada por esta  Relatora no voto condutor do Acórdão nº 3402­003.049 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, de  28 de abril de 2016, conforme trechos abaixo:                                                              5 MEIRELLES, Hely Lopes. Direito Administrativo Brasileiro. São Paulo: Malheiros, p. 197.  Fl. 1455DF CARF MF   18 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO ­ II   Data  do  fato  gerador:  04/09/2008,  02/09/2009,  13/11/2009,  02/09/2010,  30/03/2011, 06/12/2011   Ementa:   REVISÃO  ADUANEIRA.  REVISÃO  DE  OFÍCIO.  MUDANÇA  DE  CRITÉRIO JURÍDICO. NÃO CONFIGURADA.  Não  tendo  sido  efetuado  nenhum  lançamento  de  ofício  no  curso  da  conferência  aduaneira,  o  lançamento  efetuado  em  sede  de  revisão  aduaneira  não  caracteriza  revisão  de  ofício,  nem  tampouco  se  cogita  de  alteração  de  critério  jurídico a que se refere o art. 146 do CTN.  A  revisão  aduaneira  é  um  procedimento  fiscal,  realizado  dentro  do  prazo  decadencial  de  tributos  sujeitos  ao  "lançamento  por  homologação",  e,  portanto,  compatível com este  instituto, mediante o qual se verifica, entre outros aspectos, a  regularidade  da  atividade  prévia  do  importador  na  declaração  de  importação  em  relação à apuração e ao recolhimento dos tributos.  (...)  VOTO  (...)  A revisão aduaneira é, portanto, um procedimento de fiscalização que ocorre  dentro do prazo decadencial dos tributos sobre o comércio exterior, como qualquer  outro procedimento  fiscal  na  área  de  tributos  internos. A diferença  é  que,  para  os  tributos sobre o comércio exterior, há um nome específico para esse procedimento, o  qual, digamos, não foi muito feliz.  Nesse ponto, deve­se esclarecer que os conceitos de "revisão aduaneira" e de  "revisão  de  ofício  do  lançamento"  não  se  confundem.  Não  se  pode  afirmar,  tampouco, que do procedimento fiscal de revisão aduaneira sempre resulta a revisão  de ofício do lançamento.  Um primeiro ponto a se considerar é que, para que haja revisão de ofício de  lançamento, deve ter havido necessariamente um lançamento de ofício anterior.  Como bem esclarece Moussallem, o art. 145 do CTN refere­se à possibilidade  de alteração somente do lançamento de ofício, pois é neste em que há a notificação  do sujeito passivo, não havendo sentido na sua aplicação na atividade realizada pelo  próprio contribuinte nos termos do art. 150 do CTN (lançamento por homologação),  que, ademais, não pode ser considerada lançamento na adequada acepção do termo.  Também  para  que  haja  a  alteração  de  critérios  jurídicos  adotados  no  lançamento, vedada pelo art. 146 do CTN, deve ter havido um lançamento de ofício  anterior.  Não  se  cogita,  obviamente,  a  impossibilidade  de  o Fisco mudar  os  critérios  jurídicos  adotados  pelo  contribuinte  na  atividade  prévia  do  sujeito  passivo  do  lançamento por homologação.  (...)  No  caso  dos  tributos  incidentes  sobre  a  importação,  o  ato  de  homologação  expressa  da  atividade  prévia  do  importador  somente  poderá  ocorrer  ao  final  do  procedimento  fiscal  de  revisão  aduaneira,  que  traz  o  exame  definitivo  acerca  da  regularidade da atividade prévia do importador. Embora pudesse parecer o contrário  à primeira vista, o ato de homologação expressa da atividade prévia do importador  não pode ser efetuado na conferência aduaneira, com o desembaraço da mercadoria.  (...)  Ora, se há previsão na legislação de dois procedimentos fiscais subsequentes  cronologicamente para a verificação da regularidade dos pagamentos efetuados pelo  importador  [conferência  e  revisão  aduaneira],  temos  que,  logicamente,  o  ato  definitivo  de  homologação  expressa  da  atividade  do  importador  não  pode  ser  decorrente do primeiro procedimento fiscal (conferência aduaneira), mas somente do  último (revisão aduaneira).  A  conferência  aduaneira,  quando  houver,  trata­se  de  verificação  preliminar,  eis  que  o  Fisco  sempre  terá, por  determinação  legal  (art.  54  do Decreto­lei  n°  Fl. 1456DF CARF MF Processo nº 11065.722023/2015­25  Acórdão n.º 3402­005.462  S3­C4T2  Fl. 1.448          19 37/66), a prerrogativa de reexaminar a atividade do contribuinte em sede de revisão  aduaneira.  (...)  Ademais, no presente caso, que trata de outro fato gerador do IPI, diverso do  desembaraço  aduaneiro  de  importação,  caracterizado  pela  saída  dos  pneumáticos  do  estabelecimento da recorrente, está sendo mantido o entendimento da fiscalização efetuado no  procedimento fiscal de revisão aduaneira das importações.   Assim, não há que se falar em alteração de critério jurídico no lançamento.  Sustenta  também  a  recorrente  a  ilegitimidade  da  incidência  do  IPI  sobre  a  saída  de  seu  estabelecimento  de  produtos  importados  que  não  sofreram  qualquer  tipo  de  industrialização.  No  entanto,  conforme  já  decidido  no  EREsp  1403532/SC  EMBARGOS  DE  DIVERGÊNCIA  EM  RECURSO  ESPECIAL,  transitado  em  julgado  em  04/11/2016,  restou  fixada a  seguinte  tese para  efeito do  art.  543­C do CPC/73:  "os produtos  importados estão sujeitos a uma nova incidência do IPI quando de sua saída do estabelecimento  importador  na  operação  de  revenda,  mesmo  que  não  tenham  sofrido  industrialização  no  Brasil", conforme ementa abaixo:  EMBARGOS  DE  DIVERGÊNCIA  EM  RECURSO  ESPECIAL.  DIREITO  TRIBUTÁRIO.  RECURSO  REPRESENTATIVO  DA  CONTROVÉRSIA.  ART.  543­C,  DO CPC.  IMPOSTO  SOBRE  PRODUTOS  INDUSTRIALIZADOS  ­  IPI.  FATO GERADOR. INCIDÊNCIA SOBRE OS IMPORTADORES NA REVENDA  DE  PRODUTOS  DE  PROCEDÊNCIA  ESTRANGEIRA.  FATO  GERADOR  AUTORIZADO  PELO  ART.  46,  II,  C/C  51,  PARÁGRAFO  ÚNICO  DO  CTN.  SUJEIÇÃO PASSIVA AUTORIZADA PELO ART. 51, II, DO CTN, C/C ART. 4º,  I,  DA  LEI  N.  4.502/64.  PREVISÃO  NOS  ARTS.  9,  I  E  35,  II,  DO  RIPI/2010  (DECRETO N. 7.212/2010).  1. Seja pela combinação dos artigos 46, II e 51, parágrafo único do CTN ­ que  compõem o fato gerador, seja pela combinação do art. 51, II, do CTN, art. 4º, I, da  Lei n. 4.502/64, art. 79, da Medida Provisória n. 2.158­35/2001 e art. 13, da Lei n.  11.281/2006 ­ que definem a sujeição passiva, nenhum deles até então afastados por  inconstitucionalidade, os produtos importados estão sujeitos a uma nova incidência  do IPI quando de sua saída do estabelecimento importador na operação de revenda,  mesmo que não tenham sofrido industrialização no Brasil.  2. Não há qualquer ilegalidade na incidência do IPI na saída dos produtos de  procedência  estrangeira  do  estabelecimento  do  importador,  já  que  equiparado  a  industrial pelo art. 4º, I, da Lei n. 4.502/64, com a permissão dada pelo art. 51, II, do  CTN.  3. Interpretação que não ocasiona a ocorrência de bis in idem, dupla tributação  ou  bitributação,  porque  a  lei  elenca  dois  fatos  geradores  distintos,  o  desembaraço  aduaneiro proveniente da operação de compra de produto industrializado do exterior  e  a  saída  do  produto  industrializado  do  estabelecimento  importador  equiparado  a  estabelecimento produtor, isto é, a primeira tributação recai sobre o preço de compra  onde  embutida  a margem  de  lucro  da  empresa  estrangeira  e  a  segunda  tributação  recai  sobre  o  preço  da  venda,  onde  já  embutida  a  margem  de  lucro  da  empresa  brasileira  importadora.  Além  disso,  não  onera  a  cadeia  além  do  razoável,  pois  o  importador na primeira operação apenas acumula a condição de contribuinte de fato  e de direito em razão da territorialidade, já que o estabelecimento industrial produtor  estrangeiro  não  pode  ser  eleito  pela  lei  nacional  brasileira  como  contribuinte  de  direito do IPI (os limites da soberania tributária o impedem), sendo que a empresa  Fl. 1457DF CARF MF   20 importadora nacional brasileira acumula o crédito do imposto pago no desembaraço  aduaneiro  para  ser  utilizado  como  abatimento  do  imposto  a  ser  pago  na  saída  do  produto  como  contribuinte  de  direito  (não­cumulatividade),  mantendo­se  a  tributação apenas sobre o valor agregado.  4. Precedentes: REsp. n. 1.386.686  ­ SC, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro  Campbell Marques,  julgado  em  17.09.2013;  e  REsp.  n.  1.385.952  ­  SC,  Segunda  Turma,  Rel. Min. Mauro Campbell Marques,  julgado  em  03.09.2013.  Superado  o  entendimento contrário veiculado nos EREsp. nº 1.411749­PR, Primeira Seção, Rel.  Min. Sérgio Kukina, Rel. p/acórdão Min. Ari Pargendler, julgado em 11.06.2014; e  no REsp. n. 841.269 ­ BA, Primeira Turma, Rel. Min. Francisco Falcão, julgado em  28.11.2006.  5. Tese  julgada para efeito do art. 543­C, do CPC: "os produtos  importados  estão sujeitos a uma nova incidência do IPI quando de sua saída do estabelecimento  importador na operação de revenda, mesmo que não tenham sofrido industrialização  no Brasil".  6.  Embargos  de  divergência  em  Recurso  especial  não  providos.  Acórdão  submetido ao regime do art. 543­C do CPC e da Resolução STJ 08/2008.  (...)  Como se sabe, nos termos do art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno  do  CARF,  aprovado  pela  Portaria  MF  nº  343/2015,  na  redação  dada  pela  Portaria  MF  nº  152/2016, "As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo  Superior Tribunal de  Justiça em matéria  infraconstitucional, na  sistemática dos arts. 543­B e  543­C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 ­ Código  de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no  âmbito do CARF".   Informa  a  recorrente  que  o  tema  ainda  será  objeto  de  apreciação  pelo  Supremo Tribunal  Federal,  que  reconheceu  a  repercussão  geral  do  Tema  906,  “Violação  ao  princípio  da  isonomia  (art.  150,  II,  da  Constituição  Federal)  ante  a  incidência  de  IPI  no  momento  do  desembaraço  do  produto  industrializado,  assim  como  na  sua  saída  do  estabelecimento importador para comercialização no mercado interno”.  No entanto, o  fato de  a matéria estar pendente de apreciação pelo STF,  em  nada  altera  o  andamento  do  feito  no  âmbito  deste  CARF  tomando­se  por  constitucional  a  norma legal questionada, conforme fundamentou o Conselheiro Rosaldo Trevisan em seu voto  no Acórdão nº 3401­003.445– 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, de 30 de março de 2017:  (...)  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL   Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2004   Ementa:  RETORNO  SOBRESTAMENTO.  REPERCUSSÃO  GERAL.  MATÉRIA  CONSTITUCIONAL. SÙMULA 2 CARF.  O CARF não é competente para se pronunciar sobre a  inconstitucionalidade  de lei tributária. Assim, os retornos de sobrestamento sem decisão definitiva do STF  (em matérias de reconhecida repercussão geral) devem ser julgados tomando como  constitucionais  as  leis  a  respeito  das  quais  ainda  se  aguarda  o  posicionamento  do  STF.  (...)  O cerne da questão discutida no Supremo Tribunal Federal, que é nossa corte  constitucional, é bem descrito na coluna “descrição tema” da planilha “Temas com  determinação  de  suspensão  nacional”,  constante  na  página  eletrônica  do  tribunal  (http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudenciarepercussao/listarrepercussaogeral.asp):  (...)  Pesquisando­se,  no  mesmo  sítio  eletrônico,  o  andamento  do  processo,  percebe­se  que,  em 26/10/2016,  foi  determinado o  envio  de  ofícios  aos  órgãos  do  Fl. 1458DF CARF MF Processo nº 11065.722023/2015­25  Acórdão n.º 3402­005.462  S3­C4T2  Fl. 1.449          21 sistema  judicial  pátrio  para  suspensão  do  processamento  dos  feitos  pendentes  que  versem sobre a questão, que ainda não foi decidida pelo STF.  Tal  suspensão,  porém,  não  afeta  a  apreciação  dos  processos  administrativos  pelos  tribunais  administrativos  –  especialmente  do  CARF,  após  a  publicação  da  Portaria MF  no  545,  de  18/11/2013,  que  revogou  os  §§  1o  e  2o  do  art.  62­A  do  Anexo II do Regimento Interno do CARF então vigente.  Assim,  ainda  não  há  manifestação  definitiva  do  STF  sobre  a  matéria,  existindo  tão  somente  o  reconhecimento  da  repercussão  geral  da  questão,  sendo  cabível, destarte, a imediata análise da questão por este tribunal administrativo.  É de se destacar, contudo, o teor da Súmula no 2 deste CARF (que comunga  com o teor do art. 26­A do Decreto no 70.235/1972):  “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a  inconstitucionalidade de lei tributária.”  Assim,  a  matéria  em  apreciação  pelo  STF,  de  repercussão  geral  e  trato  constitucional reconhecidos, será analisada por este tribunal administrativo sem que  seja possível o entendimento pela inconstitucionalidade de lei tributária.  O silogismo é inevitável: se o STF reconhece a repercussão geral, por óbvio  que  há  discussão  sobre  constitucionalidade.  E  se  há  discussão  sobre  constitucionalidade,  o  CARF  é  incompetente  para  manifestar­se  negativamente,  devendo acolher todas as leis tributárias como constitucionais. E, como não há mais  a  possibilidade  de  sobrestamento,  o  CARF  deve  julgar  a  matéria,  sempre  considerando  as  leis  (cuja  constitucionalidade  o  STF  está  a  apreciar)  como  constitucionais.  (...)  Assim, no presente julgamento, é de se tomar como constitucionais as normas  legais  que  dispõem  sobre  a  incidência  de  IPI  no  momento  do  desembaraço  do  produto  industrializado, assim como na sua saída do estabelecimento importador para comercialização  no mercado interno.  Com relação à Solução de Consulta nº 348/1997 (8ª REGIÃO) 6, entendeu  o  julgador  da DRJ  que  ela  seria  inaplicável  aos  pneumáticos  do  presente  processo,  vez  que  esses  não  se  destinariam  a  caminhões  ou  ônibus  como  aqueles,  além  do  que  a  Solução  de                                                              6 DECISÃO DISIT/SRRF/ 82 RF Nº 348 de 14 de Outubro de 1997    ASSUNTO: Classificação de Mercadorias   EMENTA:  CÓDIGO  TIPI:  Mercadoria  4011.20.90  Pneumáticos  novos  de  borracha,  do  tipo  radial  ou  convencional, medindo 7,00 ­ 16 (10 lonas), 7,50 ­ 16 (10 ou 12 lonas), 7,00 ­ R16 (12 lonas) e 7,50 ­ R16 (10 ou  12 lonas), usados com "flap", destinados a emprego em caminhões leves, microônibus, caminhonetas e utilitários,  marca "Pirelli".  (...)  1. Versa a presente sobre a classificação fiscal na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados  ­ TIPI do produto a seguir caracterizado pela interessada, renovando consulta anteriormente formalizada sob n.°  10880.031259/95­ 22, nos termos do disposto no Art. 48, §13, inc. II da Lei 9430/96:  Nome vulgar, comercial, científico e técnico:  Pneumáticos novos de borracha Marca registrada, modelo, tipo e fabricante:  Pirelli; radial ou convencional; a interessada Função principal e secundária:  Impulsão de veículos automotivos Aplicação, uso ou emprego:  Utilização em caminhões, microônibus, camionetas e utilitários  (...)  3. Das informações trazidas ao processo pela interessada, verifica­se que:  A) Pneus objeto da consulta:  a) São usado indistintamente em caminhões leves, utilitários, microônibus e camionetas;  (...)    Fl. 1459DF CARF MF   22 Consulta produziria efeitos apenas em relação aos modelos de pneus que ela especificamente  tratou, nestes termos:  217. Ora, sem necessidade de muitas divagações, um pneu efetivamente usado  em  caminhão  –  QUE  NÃO  É  O  CASO  DE  NENHUM  ANALISADO  NOS  PRESENTES AUTOS – pode ser enquadrado, sem dúvidas, na subposição 4011.20.  218.  Como  os  pneus  tratados  nos  presentes  autos  não  são  usados  por  caminhões  nem  por  ônibus,  aqui  é  totalmente  inaplicável  o  entendimento  da  enfocada Decisão.  219. Ainda que assim não fosse, concluir­se­ia que a Decisão em Processo de  Consulta  produz  efeitos,  apenas  e  tão­somente,  em  relação  aos modelos  de  pneus  que  ela  especificamente  tratou.  E,  como  nenhum  dos  modelos  de  pneus  aqui  discutidos,  ainda  que  eventualmente  apresentem  alguma  semelhança  com  os  analisados na supradita consulta, foi especificamente objeto de referida Decisão, esta  não tem qualquer efeito nos correntes autos.  220. Realmente, a respeito da Consulta, assim preceituam os arts. 46, 48 e 52,  VIII, do Decreto nº 70.235/72:  “Art.  46.  O  sujeito  passivo  poderá  formular  consulta  sobre  dispositivos  da  legislação tributária aplicáveis a fato determinado.  Parágrafo  único.  Os  órgãos  da  administração  pública  e  as  entidades  representativas de categorias econômicas ou profissionais também poderão formular  consulta.  (...)  Art. 48. Salvo o disposto no artigo seguinte, nenhum procedimento fiscal será  instaurado  contra  o  sujeito  passivo  relativamente  à  espécie  consultada,  a  partir  da  apresentação da consulta até o trigésimo dia subseqüente à data da ciência:  (...)  Art. 52. Não produzirá efeito a consulta formulada:  (...)  VIII  ­  quando  não  descrever,  completa  ou  exatamente,  a  hipótese  a  que  se  referir, ou não contiver os elementos necessários à sua solução salvo se a inexatidão  ou omissão for escusável, a critério da autoridade julgadora” (g.n.)  221.  Segundo  se  vê,  a  consulta  apenas  tem  efeito  em  relação  ao  fato  ali  especificamente exposto, que,  se não estiver correta ou exatamente descrito, pode,  inclusive, render ensejo à sua ineficácia.  Esta  matéria  foi  objeto  de  análise  na  diligência  determinada  por  este  Colegiado. No Relatório de Diligência Fiscal sustentou a fiscalização que:  Como se verifica, a Solução de Consulta versa sobre modelo(s) específico(s)  de produto, não gerando efeitos sobre quaisquer outros produtos do consulente (ou  terceiros)  ainda  que  possuam  algumas  semelhanças.  Portanto,  do  ponto  de  vista  formal  e  legal,  uma  Solução  de  Consulta  que  versa  sobre  Classificação  de  Mercadorias  somente  gera  efeitos  vinculantes  (para o  contribuinte  e para  o Fisco)  para  os  produtos  cujos modelos  foram  especificados nos  questionamentos  iniciais.  Ou para produtos idênticos.  A  própria  conclusão  da  Solução  de  Consulta  Diana  8ª  RF  nº  348/1997  é  ilustrativa do escopo de uma Solução de Consulta:  Com  base  no  exposto,  proponho  que  se  informe  à  consulente  para  adotar,  para  o  produto  sob  exame,  o  código  4011.20.90  da  Tabela  de  Incidência  do  Imposto sobre Produtos Industrializados ­ TIPI, aprovada pelo Decreto n° 2.092/96  (D.O.U. de 11/12/96). (grifo nosso)  (...)  O objeto da consulta são Pneus marca Pirelli, dos modelos FD44, LT20, SM  90,  LI99,  CT52,  RT59,  AS22,  MT85,  MT06  (fls.  1362  a  1365),  todos  com  produção descontinuada no período fiscalizado. Os referidos modelos são do tipo  convencional ou radial e utilizam câmaras (conforme se deduz do texto da Solução  Fl. 1460DF CARF MF Processo nº 11065.722023/2015­25  Acórdão n.º 3402­005.462  S3­C4T2  Fl. 1.450          23 de Consulta que refere o uso de “flaps”, que são as proteções que ficam entre o aro  de metal e a câmara).  (...)  A  seguir  passamos  a  comparar  os  modelos  de  pneus  objeto  da  Solução  de  Consulta com os modelos objeto do Auto de Infração.  a) Número de  lonas:  Inicialmente, cabe  informar que o uso de  lonas como  delimitador da capacidade de carga é uma forma arcaica há muito tempo fora de uso.  Em conformidade com texto técnico incluído na página da internet do fabricante de  pneus Continental  (fls.  1384  a  1386),  os  pneus modernos  de Van utilizam  apenas  uma  ou  duas  lonas  e  a  capacidade  de  carga  dos  pneus  modernos  é  medida  pelo  “Índice  de  Carga”. Portanto,  os  pneus  objeto  da  consulta  não  coincidem  com  nenhum dos pneus objeto do Auto de Infração.  (...)    Todavia, o que importa para a presente Diligência é que os modelos de pneus  incluídos  na  apuração  do  IPI  objeto  de Auto  de  Infração  não  “são  utilizados  indistintamente em caminhões leves, utilitários, micro­ônibus e camionetas”.  De  fato  a  própria  resposta  do  contribuinte  às  nossas  intimações  (fls.  468  a  472),  bem como  informações  referidas nas páginas da  Internet da  fiscalizada  e de  seus revendedores, indicam que os pneus objeto do Auto de Infração são destinados  a vans, utilitários, pick­ups, SUV e veículos de passeio, portanto não se destinam a  ônibus e caminhões. Pelo contrário os pneus produzidos pela fiscalizada para ônibus  e caminhões são de outros modelos, conforme informado nas páginas de internet da  fiscalizada e de seus revendedores.  Adicionalmente, o próprio contribuinte reconheceu esse fato no parágrafo 139  do Recurso Voluntário (fls. 1266 a 1324) ao afirmar que não “ignora que os pneus  objeto do Auto de Infração não são utilizados em ônibus e caminhões”. Ou seja, o  mesmo contribuinte que afirmou (na formalização da Consulta) que os pneus objeto  da Solução de Consulta  eram usados  em caminhões,  afirma que  reconhece que os  pneus objetos do Auto de Infração não são usados em caminhões e ônibus. Portanto,  reconhece que a SC não se aplica aos pneus objeto do Auto de Infração.  (...)  Portanto, a SC Diana 8º RF nº 348/1997 não se aplica aos modelos de pneus  objeto do Auto de Infração por três motivos:  a)  a  SC  teve  como  objeto  outros  modelos  de  pneus,  todos  de  produção  descontinuada;  b)  os  modelos  de  pneus  objeto  do  Auto  de  Infração  são  completamente  distintos dos pneus objeto da SC, em relação à totalidade ou a quase totalidade das  suas características;  c)  ainda  que,  de  forma  equivocada,  se  considere  válida  a  SC  para modelos  diversos e com características diversas dos relacionados na Consulta (e isso apenas  para efeito de argumentação), a SC indicou o código 4011.20.90 como correto para  “pneus  utilizados  indistintamente  em  caminhões  leves,  utilitários,  micro­ônibus  e  camionetas”. Como já referido, não é o caso dos pneus objeto do Auto de Infração.  Alguns  modelos  são  utilizados  em  vans  (também  denominadas  micro­ônibus,  em  suas  versões  maiores)  ou  furgões;  outros  são  utilizados  em  pick­up;  outros  em  camionetas;  e  alguns  inclusive  em  veículos  de  passeio.  Nenhum  dos  modelos  apresentados é usado indistintamente em caminhões leves ou nas outras modalidades  de veículos citadas.  A intenção do contribuinte de classificar os pneus objeto do Auto de Infração  como  pneus  para  caminhões,  porque  eventualmente  alguma  configuração  (com  índice  de  carga  próximo  ao  índice  de  carga  dos  pneus  para  caminhões)  possa  ser  usada  em  caminhões  leves  (capacidade  de  carga  superior  a  1.500  kg,  conforme  definição  da  norma  ABNT  6067),  assemelha­se  à  pretensão  de  um  fabricante  de  Fl. 1461DF CARF MF   24 Vodca  que  intenta  classificar  seu  produto  como  álcool  para  assepsia,  já  que,  em  razão de seu teor alcóolico, poderia eventualmente ser usado para esse fim.  De  fato,  toda  a estrutura merceológica  e de marketing  e  a utilização efetiva  dos pneus objeto do Auto de Infração são para vans, furgões, pick­up, utilitários, e  veículos mistos ou de passeio. A própria estrutura dos pneus, em conformidade com  o manual  da ALAPA,  não  coincide  com  a  estrutura  dos  pneus  de  ônibus  nem  de  caminhões.  (...)  Como  verificamos  no  item  anterior,  a  Solução  de Consulta Diana  8ª  RF  nº  348/1997 é relativa a pneus totalmente distintos daqueles que são objeto do Auto de  Infração. Assim, a SC em tela não gera qualquer proteção legal contra a tributação  dos pneus  relacionados nos Anexos do Auto de  Infração. Trata­se de Solução de  Consulta  inócua,  referente  a produtos  cuja produção  já  foi  descontinuada há  muitos anos.  (...)  Embora não  tenha sido objeto de questionamento específico, verifica­se que  os  Conselheiros  manifestaram  interesse  em  esclarecimentos  adicionais  sobre  os  utilitários que utilizariam os pneus objeto do Auto de Infração.  O termo “utilitários” não é citado nem na TIPI nem nas NESH. O Código de  Trânsito  Brasileiro  limita­se  a  conceituar  como  “veículo  misto  caracterizado  pela  versatilidade de uso”. Como se vê, é uma classificação bastante ampla, sem limites  rígidos,  e  que  poderia  abranger  pick­up,  furgões  e  caminhonetes  (as  pick­up  de  grande porte, também chamadas de light truck, em algumas classificações, mas que  não  atingem  o  peso  de  carga  definido  pela ABNT para  serem  classificados  como  caminhões. Especialmente, se caracterizado o uso misto, por exemplo, com cabines  duplas).  O  fundamental  para o  caso  em  tela  é que os  “utilitários” não  se  confundem  com  caminhões.  Portanto,  os  pneus  utilizados  nesses  veículos  não  podem  ser  classificados no código 4011.20.90.  No Relatório da Ação Fiscal, para fins didáticos, analisou­se “Vans e Furgões  (as vans para transporte de carga)” no mesmo item, e as pick­up e demais utilitários  em  outro  item.  Entretanto  as  conclusões  são  idênticas,  já  que  todos  os  desdobramentos  da  subposição  8704.21  (Veículos  para  transporte  de  carga,  com  carga máxima não superior a 5 toneladas) apresentam um EX­01 para “Camionetas,  furgões, pick­ups e semelhantes”, o que abrange a totalidade dos “utilitários”.  Isso  indica expressamente que tais veículos não se enquadram no conceito de caminhões.  (...)  De outra parte alega a recorrente, em síntese, que:  ­ Ainda que os pneus objeto de autuação não sejam os mesmos modelos indicados  na  consulta,  a  Recorrente  fabrica  hoje  os  "mesmos  pneus"  ­  com  a  mesma  capacidade  de  carga  e  destinação.  A  equivalência  entre  os  pneus  é  precisa  e  técnica,  fundada  em  parecer  de  engenheiro  habilitado e das normas técnicas do Manual ALAPA.  ­  Os  pneus  da  autuação  têm  a  mesma  estrutura  reforçada  para  suportar  a mesma  carga  e  destinados  aos  mesmos  veículos,  embora  atualmente  a  referência  aos  pneus  não  seja  feita  necessariamente pelo número de lonas.  ­ A Solução de Consulta Disit/SRRF/8ª RF nº 348/97 permanece válida, inclusive no  período das operações desta autuação.  ­  Requer  sejam  completamente  desconsideradas  as  críticas  tecidas  pelo  Auditor­ Fiscal em relação às conclusões da mencionada Solução de Consulta.  Não  se  mencionou  na  diligência,  mas  o  fato  é  que  a  Instrução  Normativa  RFB nº 1464/2014, publicada no D.O.U. de 09/05/2014, seção 1, página 21, revogou todos os  Fl. 1462DF CARF MF Processo nº 11065.722023/2015­25  Acórdão n.º 3402­005.462  S3­C4T2  Fl. 1.451          25 atos administrativos sobre classificação fiscal anteriores a 2002, dentre os quais a Solução de  Consulta Disit/SRRF/8ª RF nº 348/97, nestes termos:  Art.  36.  Os  atos  administrativos  relativos  à  classificação  fiscal  de  mercadorias, anteriores a 31 de dezembro de 2001, inclusive, ficam revogados após  a entrada em vigor desta Instrução Normativa.  Art.  37.  Esta  Instrução Normativa  entra  em  vigor  60  (sessenta)  dias  após  a  data de sua publicação no Diário Oficial da União.  Dessa  forma,  à  época  da  lavratura  do  presente  auto  de  infração  não  estava  mais vigente a referida Solução de Consulta.   Não  obstante  a  Solução  de  Consulta  Disit/SRRF/8ª  RF  nº  348/97  ainda  estivesse vigente à época dos fatos geradores sob discussão, a questão é que, como afirmado  pela  DRJ  e  pela  fiscalização  na  diligência,  as  suas  conclusões  aplicam­se  tão  somente  aos  específicos modelos de pneus ali retratados e nela não foram analisados os produtos objeto da  presente autuação.  Embora se possa alegar, como fez a recorrente, que os pneus da autuação e da  Solução de Consulta são similares pela equivalência entre os parâmetros de "números de lonas"  e  "índice  de  carga",  de  outro  lado,  pode­se  argumentar  que  são  diferentes  quanto  a  vários  outros aspectos, como afirmado pela fiscalização na diligência, como o "uso de flaps", "largura  nominal" e "diâmetro do aro". O ponto relevante é que não há controvérsia no sentido de que  os pneus autuados não foram exatamente aqueles  retratados na referida Solução de Consulta,  daí  não  haver  qualquer  vinculação  do  Auditor­Fiscal  autuante  com  o  entendimento  nela  exarado.  Como dito acima, o primeiro critério de classificação que decorre dos textos  das  subposições  da  posição  4011  é  o  da  destinação  do  produto  (veículos  nos  quais  será  utilizado),  daí  o  fato  ainda  mais  importante  para  resolver  a  questão  é  que,  na  Solução  de  Consulta, a matriz da recorrente declarou que os pneus ali analisados seriam de "Utilização em  caminhões, microônibus, camionetas e utilitários" (cópia na fl. 1372 ­ vide abaixo), sendo que  no procedimento fiscal que deu origem à presente autuação  informou que esses outros pneus  não se destinariam a caminhões ou ônibus, o que foi confirmado pela fiscalização autuante7 e,  inclusive, pela recorrente (parágrafo 139 do recurso voluntário).  Consulta formulada pela matriz da recorrente (fl. 1372):                                                                7 RELATÓRIO FISCAL:  (...)  Como se viu, o texto da subposição é elemento essencial da classificação. No caso em  tela, a subposição 4011.20 (cujo desdobramento 4011.20.90 foi utilizado pelo contribuinte na  classificação dos pneus ora em análise) é exclusiva dos pneus destinados a ônibus e caminhões.  A própria resposta do contribuinte, bem como informações referidas nas páginas da Internet da  fiscalizada e de seus revendedores indicam serem destinados a vans, utilitários, pick­ups, SUV e  veículos de passeio, portanto não se destinam a ônibus e caminhões. Ainda em sua página na  Internet, o contribuinte relaciona os pneus destinados a ônibus e caminhões. Tal relação não  inclui nenhum dos modelos indicados no Anexo I deste Termo.  (...)  Fl. 1463DF CARF MF   26 Como  assinalado  mais  acima,  o  expediente  da  recorrente  de  utilizar  a  similitude dos pneus em durabilidade ou resistência não são hábeis a afastar as suas próprias  declarações,  no  procedimento  fiscal  e  no  recurso  voluntário,  ou  da  sua  matriz  sobre  a  real  destinação dos pneus analisados (veículos nos quais serão utilizados), eis que este é o primeiro  critério de classificação dentro da posição 4011.  Assim,  não  se  vislumbra  a  possibilidade  de  utilização  do  entendimento  exarado na Solução de Consulta Disit/SRRF/8ª RF nº 348/97 no presente processo, conforme já  bem defendido pela DRJ e pela fiscalização na diligência.  Requer também a recorrente a exclusão dos juros e da multa com base no art.  100,  III  do  CTN  ("III  ­  as  práticas  reiteradamente  observadas  pelas  autoridades  administrativas"),  em  face da homologação do  lançamento nos pneumáticos  importados  e da  Solução de Consulta nº 348/1997 da Diana da 8ª Região Fiscal. Sem razão a recorrente.   Como dito, o desembaraço aduaneiro não significa homologação expressa do  lançamento,  nem  tampouco  aceitação  pela  fiscalização  da  classificação  fiscal  efetuada  pelo  importador na Declaração de Importação. Ademais, com a revisão aduaneira efetuada no que  concerne  à  classificação  dos  pneumáticos  importados  no  mesmo  sentido  do  presente  lançamento,  não  há  que  se  alegar  prática  reiterada  em  sentido  diverso.  Ademais,  como  já  exposto, a Solução de Consulta produz efeitos somente em relação aos modelos dos produtos  ali retratados.  Finalmente, acerca da  legitimidade de incidência dos  juros de mora sobre a  multa de ofício, há que se esclarecer que os juros de mora são devidos, nos termos do art. 61,  caput e §3° da Lei nº 9.430/96, sobre os "débitos para com a União, decorrentes de tributos e  contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal" não pagos no prazo previsto,  incidindo, portanto, também sobre a multa de ofício, após o respectivo vencimento:  Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de  tributos e contribuições  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal,  cujos  fatos  geradores  ocorrerem  a  partir  de  1º  de  janeiro  de  1997,  não  pagos  nos  prazos  previstos  na  legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e  três centésimos por cento, por dia de atraso.  (...)  §  3º  Sobre  os  débitos  a  que  se  refere  este  artigo  incidirão  juros  de  mora  calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês  subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um  por cento no mês de pagamento.  Ademais,  a  exigência  dos  juros  de  mora  sobre  a  multa  de  ofício  após  o  respectivo  vencimento  encontra  fundamento  também  no  Decreto­lei  nº  1.736/798,  cujos  dispositivos abaixo transcritos dispõem sobre a incidência dos juros de mora sobre os débitos  tributários para com a Fazenda Nacional, inclusive durante o prazo em que a cobrança estiver  suspensa em face da interposição de recurso administrativo ou de decisão judicial, cuja regra  não  se  aplicaria  somente  na  hipótese  de  depósito  administrativo  ou  judicial  do  montante  integral9:                                                              8 Solução de Consulta Cosit nº 47,de 04 de maio de 2016   ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO EMENTA: OS  JUROS DE MORA  INCIDEM  SOBRE A TOTALIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO, DO QUAL FAZ PARTE A MULTA LANÇADA DE  OFÍCIO.DISPOSITIVOS LEGAIS:  Lei  nº  5.172,  de  1966  (CTN),  arts.  113,  §  1º,  139 e  161;  Lei  nº  9.430,  de  1996, arts. 44 e 61, § 3º; Decreto­Lei nº 1.736, de 1979, arts. 2º e 3º.    9 Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento,  ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral.  Fl. 1464DF CARF MF Processo nº 11065.722023/2015­25  Acórdão n.º 3402­005.462  S3­C4T2  Fl. 1.452          27 Art. 1º Os débitos para com a Fazenda Nacional, de natureza tributária, não pagos no  vencimento, serão acrescidos de multa de mora, consoante o previsto neste decreto­ lei. (Redação dada pelo Decreto­Lei nº 2.287, de 1986)   Parágrafo único. A multa de mora será de 20% (vinte por cento),  reduzida a 10%  (dez por cento) se o pagamento for efetuado no prazo de 90 (noventa) dias, contado  a  partir  da  data  em  que  o  tributo  for  devido.  (Redação  dada  pelo  Decreto­Lei  nº  2.287, de 1986)   Art 2º ­ Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional serão  acrescidos, na via administrativa ou judicial, de juros de mora, contados do dia  seguinte ao do vencimento e à razão de 1% (um por cento) ao mês calendário, ou  fração, e calculados sobre o valor originário.    Parágrafo único. Os juros de mora não são passíveis de correção monetária e não  incidem sobre o valor da multa de mora de que trata o artigo 1º.   Art 3º ­ Entende­se por valor originário o que corresponda ao débito, excluídas  as parcelas relativas à correção monetária, juros de mora, multa de mora e ao  encargo previsto no artigo 1º do Decreto­lei nº 1.025, de 21 de outubro de 1969,  com a redação dada pelos Decretos­leis nº 1.569, de 8 de agosto de 1977, e nº 1.645,  de 11 de dezembro de 1978.    Art 4º ­ A correção monetária continuará a ser aplicada nos termos do artigo 5º do  Decreto­lei nº 1.704, de 23 de outubro de 1979, ressalvado o disposto no parágrafo  único do artigo 2º deste Decreto­lei.    Art 5º ­ A correção monetária e os juros de mora serão devidos inclusive durante o  período  em  que  a  respectiva  cobrança  houver  sido  suspensa  por  decisão  administrativa ou judicial.   (...) [negritei]  Conforme  assentado  no  Apelação  Cível  nº  2005.72.01.000031­1/SC  (TRF4, rel. Vânia Hack de Almeida)10, "Por força do artigo 113, § 3º, do CTN, tanto à multa                                                                                                                                                                                             [Perguntas  e  Respostas  no  sítio  da  RFB:  http://idg.receita.fazenda.gov.br/orientacao/tributaria/declaracoes­e­ demonstrativos/dipj­declaracao­de­informacoes­economico­fiscais­da­pj/respostas­2012/caputulo­xviii­ acruscimos­legais­revisada­2012.pdf, acesso em 08/09/2016]  (...)  004 Haverá  a  incidência de  juros de mora durante o período  em que  a  cobrança do  débito  estiver pendente de  decisão administrativa?  Sim.  De  acordo  com  a  legislação  tributária,  há  incidência  de  juros  de  mora  sobre  o  valor  dos  tributos  ou  contribuições  devidos  e  não  pagos  nos  respectivos  vencimentos,  independentemente da  época  em que ocorra o  posterior pagamento e de se encontrar o crédito tributário na pendência de decisão administrativa ou judicial.  A  única  hipótese  em  que  se  suspenderá  a  fluência  dos  juros  de  mora  é  aquela  em  que  houver  o  depósito  do  montante  integral  do  crédito  tributário  considerado  como  devido,  desde  a  data  do  depósito,  quer  seja  este  administrativo ou judicial.  Se  o  valor  depositado  for  inferior  àquele  necessário  à  liquidação  do  débito  considerado  como  devido,  sobre  a  parcela  não  depositada  incidirão  normalmente  os  juros  de  mora  por  todo  o  período  transcorrido  entre  o  vencimento e o pagamento.  Normativo: RIR/1999, art. 953, § 3º, e Decreto­Lei nº 1.736, de 1979, art. 5º.  (...)    10 APELAÇÃO CÍVEL Nº 2005.72.01.000031­1/SC   RELATORA:Juíza Federal VÂNIA HACK DE ALMEIDA   EMENTA  TRIBUTÁRIO. AÇÃO ORDINÁRIA. REPETIÇÃO. JUROS SOBRE A MULTA. POSSIBILIDADE. ART. 113,  § 3º, CTN. LEI Nº 9.430/96. PREVISÃO LEGAL.  1. Por força do artigo 113, § 3º, do CTN, tanto à multa quanto ao tributo são aplicáveis os mesmos procedimentos  e critérios de cobrança. E não poderia ser diferente, porquanto ambos compõe o crédito tributário e devem sofrer a  incidência  de  juros  no  caso  de  pagamento  após  o  vencimento.  Não  haveria  porque  o  valor  relativo  à  multa  permanecer congelado no tempo. 2. O artigo 43 da Lei nº 9.430/96 traz previsão expressa da incidência de juros  Fl. 1465DF CARF MF   28 quanto  ao  tributo  são  aplicáveis  os  mesmos  procedimentos  e  critérios  de  cobrança.  E  não  poderia ser diferente, porquanto ambos compõe o crédito tributário e devem sofrer a incidência  de juros no caso de pagamento após o vencimento. Não haveria porque o valor relativo à multa  permanecer congelado no tempo".  A  fluência  dos  juros  de  mora  sobre  a  multa  de  ofício  durante  o  curso  do  processo administrativo fiscal não representa afronta ao art. 161 do CTN, eis que, no próprio  CTN, o termo "crédito tributário" não é utilizado somente para se referir à obrigação tributária  principal. Conforme se depreende da leitura do art. 142 e do art. 113 do CTN, o  lançamento  constitui o "crédito tributário", que por sua vez pode ser decorrente tanto do tributo como de  eventuais penalidades pecuniárias.  Não havendo qualquer incompatibilidade dos dispositivos legais acima com o  CTN, no que concerne à incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, eles devem ser  aplicados ao presente caso concreto com base na taxa Selic, cuja legitimidade já é matéria  já  sumulada neste CARF, conforme abaixo:  Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes  sobre  débitos  tributários  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  são  devidos,  no  período  de  inadimplência,  à  taxa  referencial  do  Sistema  Especial  de  Liquidação e Custódia ­ SELIC para títulos federais.  Assim, pelo exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso  voluntário  para  exonerar  da  autuação  as  exigências  relativas  ao  pneumático  175/65R14C 90  CHRONO.  (assinado digitalmente)  Maria Aparecida Martins de Paula                                                                                                                                                                                          sobre a multa, que pode, inclusive, ser lançada isoladamente. 3. Segundo o Enunciado nº 45 da Súmula do extinto  TFR "As multas  fiscais, sejam moratórias ou punitivas, estão sujeitas à correção monetária." 4. Considerando a  natureza híbrida da taxa SELIC, representando tanto taxa de juros reais quanto de correção monetária, justifica­se  a sua aplicação sobre a multa.    Fl. 1466DF CARF MF Processo nº 11065.722023/2015­25  Acórdão n.º 3402­005.462  S3­C4T2  Fl. 1.453          29 Voto Vencedor  Conselheiro Pedro Sousa Bispo, Redator designado  No  julgamento do Recurso Voluntário, o Colegiado, por maioria, discordou  da  posição  da  Ilustre  Relatora,  especificamente,  quanto  a  manter  a  autuação  sobre  os  pneumáticos utilizados na F350, uma vez que este veículo se caracteriza como um caminhão.  Fui então designado pelo Presidente para redigir o voto vencedor, pelo que passo a analisar a  questão.  O  referido veículo é definido no  site do  fabricante  (Ford Caminhões) como  um caminhão leve da linha F, com peso bruto total de 4.500kg e capacidade de carga útil de  2.128 kg, destinado a transporte de mercadorias11. Abaixo algumas fotos do veículo:          Resta evidente que, de fato  trata­se de um veículo para  transporte de carga,  não se constituindo em um veículo para transporte de passageiros ou de uso misto.                                                              11 Disponível em: <www.fordcaminhões.com.br>. Acesso em: 02 de agosto de 2018, 00:36:30.  Fl. 1467DF CARF MF   30 Dessa  forma,  os  pneumáticos  destinados  à  utilização  na  F350  devem  ser  excluídos do lançamento, uma vez que esse veículo se caracteriza como caminhão.  (assinado digitalmente)  Pedro Sousa Bispo                  Fl. 1468DF CARF MF

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Numero do processo: 10865.900922/2008-68
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 30/04/2004 COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Uma vez que o pagamento foi integralmente utilizado para o débito fiscal correspondente, inexiste direito creditório. Consequentemente, não há como homologar a compensação requerida. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CONFISSÃO DE DÍVIDA. A partir de 31/10/2003 (eficácia da MP nº. 135/2003, convertida na Lei nº. 10.833/2003), a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados - art. 74, § 6º da Lei nº 9.430/1996.
Numero da decisão: 1001-000.640
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões, com relação a preliminar, o conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: EDGAR BRAGANCA BAZHUNI

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1632; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C0T1  Fl. 161          1 160  S1­C0T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10865.900922/2008­68  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  1001­000.640  –  Turma Extraordinária / 1ª Turma   Sessão de  03 de julho de 2018  Matéria  COMPENSAÇÃO  Recorrente  GALLE INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE BIJOUTERIAS LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA  Data do fato gerador: 30/04/2004  COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA.  Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária,  conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional.   Uma  vez  que  o  pagamento  foi  integralmente  utilizado  para  o  débito  fiscal  correspondente,  inexiste direito creditório. Consequentemente, não há como  homologar a compensação requerida.  DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CONFISSÃO DE DÍVIDA.  A partir de 31/10/2003  (eficácia da MP nº. 135/2003, convertida na Lei nº.  10.833/2003),  a  declaração  de  compensação  constitui  confissão  de dívida  e  instrumento  hábil  e  suficiente  para  a  exigência  dos  débitos  indevidamente  compensados ­ art. 74, § 6º da Lei nº 9.430/1996.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a  preliminar  suscitada  no  recurso  e,  no  mérito,  em  negar  provimento  ao  Recurso  Voluntário.  Votou pelas conclusões, com relação a preliminar, o conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues.  (assinado digitalmente)  Lizandro Rodrigues de Sousa ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  Edgar Bragança Bazhuni ­ Relator.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 09 22 /2 00 8- 68 Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10865.900922/2008­68  Acórdão n.º 1001­000.640  S1­C0T1  Fl. 162          2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de  Sousa  (presidente),  Edgar  Bragança  Bazhuni,  Eduardo  Morgado  Rodrigues  e  Jose  Roberto  Adelino da Silva.    Relatório  Trata­se  de  Recurso  Voluntário  interposto  pela  Recorrente  em  face  de  decisão proferida pela 6ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento em Ribeirão Preto/SP,  mediante o Acórdão nº 14­37.476, de 20/04/2012 (e­fls. 121/126), que não reconheceu o direito  creditório pleiteado.  Dos fatos  A  contribuinte  apresentou  Declaração  de  Compensação  ­  PER/DCOMP  31332.47192.200906.1.7.041643, às e­fls. 02/06, pleiteando crédito de R$ 18.001,90 devido à  pagamento  indevido  ou  a  maior  do  IRPJ  (cód.  5993  ­  estimativa  mensal),  efetuado  em  30/04/2004, referente ao período de apuração de 03/2004 e requer compensação do débito  de IRPJ (cód. 5993), do PA de 04/2004.  A DRF Limeria/SP, mediante Despacho Decisório (e­fl. 07), não reconheceu  o direito creditório em razão da constatação de que o valor pago foi integralmente utilizado  para  a  quitação  de  débitos  da  contribuinte,  não  restando  crédito  disponível  para  a  compensação dos débitos informados no PER/DComp.  A  interessada  apresentou Manifestação  de  Inconformidade  (e­fls.  12/20),  cujos excertos mais importantes são transcritos a seguir:  2­  referido  crédito  originou­se  em  função  erro  no  cálculo  dos  rendimentos  de  aplicações  financeiras,  que  fizeram  parte  da  base  de  cálculo  de  IRPJ  apurada  para  o  mês  de março/2004,  fazendo com que  fosse utilizado o valor de R$ 88.995,78, valor  este superior ao efetivamente auferido, o qual perfaz o montante  de  R$  16.988,19,  conforme  extrato  da  instituição  financeira  (doc.  no  03),  aumentando  indevidamente  o  valor  de  IRPJ  a  recolher no referido mês.  3­  Assim,  foi  recolhido  a  titulo  de  IRPJ  para  o  mês  de  março/2004  o  montante  de R$  63.793,60,  conforme  DARF  em  anexo  (doc.  no  04),  quando  na  verdade  o  valor  efetivamente  devido  seria  apenas  de  R$  45.791,71,  gerando  crédito  de  R$  18.001,90.  4. Quando  do  preenchimento  da  declaração  de  compensação,  houve erro na descrição do valor do DARF recolhido a titulo de  IRPJ para o mês de março/2004, sendo que, assim, a Interessada  recebeu  notificação  (doc.  no  05)  para  que  fosse  retificada  a  PER/DCOMP, o que foi devidamente realizado.  5.  A  PER/DCOMP  retificadora  foi  registrada  sob  o  n°  31332.47192.200906.1.7.041643,  informando  corretamente  os  Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10865.900922/2008­68  Acórdão n.º 1001­000.640  S1­C0T1  Fl. 163          3 dados  do DARF  referente  ao  pagamento  a  maior  de  IRPJ,  no  valor de R$ 63.793,60, conforme documento anexo (doc. no 06).  6. Todavia, a muito embora a Interessada tenha promovido todas  as correções necessárias na PER/DCOMP, a compensação não  foi  homologada,  tendo  sido  alegada  inexistência  de  crédito  quanto ao valor de IRPJ recolhido para o mês de março/2004.  7. Tal situação se deu, única e exclusivamente, em razão de que,  quando da elaboração da DIPJ houve erro na informação dos  valores devidos de IRPJ para o mês de março/2004, tendo sido  informada a base de cálculo referente ao valor recolhido e não  o efetivamente devido, conforme documento anexo (doc. no 07).  8. Prova disto consiste no fato de que a Interessada, ao receber o  despacho  decisório,  verificou  o  equivoco  acima  mencionado  e  apresentou A Receita Federal do Brasil, em 20/06/2008, a DIPJ  Retificadora  para  o  ano­calendário  2004/Exercício 2005  (doc.  no 08), informando corretamente os referidos valores.  (...)  11. O erro ocorreu somente na descrição dos valores na DIPJ,  sendo  que  toda  a  documentação  contábil  e  fiscal  da  empresa  Interessada  comprova  a  existência  do  crédito,  tendo  sido,  inclusive, devidamente registrada na contabilidade o estorno do  valor (doc. no 10), bem como tendo sido levantado balancete de  suspensão/redução (doc. no 11).  12. Portanto,  não há que se  falar em não existência de  crédito  passível  de  compensação,  pois  os  demais  documentos  e  declarações entregues pela Interessada comprovam a liquidez e  certeza  do  crédito,  tendo  havido  somente  erro  material  na  descrição do valor na DIPJ.  (...)  O r. acórdão conclui pela improcedência da manifestação de inconformidade  apresentada, cujos fundamentos do voto condutor transcrevo a seguir:  De  início,  cabe  ressaltar  que  o  crédito  do  sujeito  passivo  contra  a  Fazenda  Pública, para que seja  efetivada  a  compensação, deve  ser  líquido e  certo,  segundo  dispõe o art. 170 do Código Tributário Nacional (CTN), a seguir reproduzido:  “Art.  170.  A  lei  pode,  nas  condições  e  sob  as  garantias  que  estipular,  ou  cuja  estipulação  em  cada  caso  atribuir  à  autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos  tributários  com  créditos  líquidos  e  certos,  vencidos  ou  vincendos,  do  sujeito  passivo  contra  a  Fazenda  Pública.”  (destaquei)  Deriva daí que o pressuposto nuclear para a compensação  tributária é que o  crédito do contribuinte contra a Fazenda se revista de certeza e liquidez. A certeza  diz respeito, in casu, ao reconhecimento por parte da Secretaria da Receita Federal  do Brasil  (RFB) da possibilidade jurídica do contribuinte compensar­se de suposto  Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10865.900922/2008­68  Acórdão n.º 1001­000.640  S1­C0T1  Fl. 164          4 indébito.  Já  a  liquidez do direito há de  ser  comprovada pela prova documental do  quantum compensável, a ser reconhecido pela Fazenda Pública.  O Despacho Decisório não reconheceu qualquer direito creditório a favor da  contribuinte,  em  razão  do  pagamento  informado  como  origem  do  crédito  compensado  ter  sido  integralmente  utilizado  para  quitação  de  outro  débito  da  contribuinte, não havendo saldo de crédito disponível para compensação do débito  informado no PER/DCOMP.  Contra  esse  Despacho  a  interessada  apresentou  manifestação  de  inconformidade,  na  qual  reafirma  a  existência  do  indébito  discriminado  no  PER/Dcomp e aduz que a não homologação teria se dado, única e exclusivamente,  em  razão  de  que,  quando  da  elaboração  da  DIPJ  houve  erro  na  informação  dos  valores  devidos  de  IRPJ  para  o  mês  de  março/2004,  já  que  sua  documentação  contábil e fiscal, inclusive a DCTF, demonstraria a existência do crédito. Informa ter  retificado  a  citada DIPJ  após  a  ciência  do Despacho Decisório  e  traz documentos  para tentar provar o alegado.  Entretanto, não é possível acatar os argumentos expendidos pelo contribuinte.  Isso  porque,  ao  contrário  do  que  alega,  sua DCTF  registra  como  valor  devido  no  mês  de  março  de  2004  o  montante  de  R$  63.793,60,  conforme  documento juntado à fl. 120, e não de R$ 45.791,71, como afirmado.  Assim, de posse das informações evidenciadas pelo próprio manifestante em  sua DCTF, a decisão administrativa certificou razões que ensejaram não homologar  a compensação declarada, frente à caracterização da inexistência de disponibilidade  em relação ao pagamento consignado na DCOMP, porquanto restou configurado sua  vinculação integral em débito confessado em DCTF.  Quanto à retificação da DIPJ, cumpre observar que esta declaração, desde o  ano­calendário de 1999,  tem caráter meramente informativo,  isto é, as informações  nela prestadas não configuram confissão de dívida a Instrução Normativa nº 127, de  30 de outubro de 1998, que extinguiu, em seu art. 6o, inciso I, a DIRPJ – Declaração  de Rendimentos da Pessoa Jurídica e instituiu, em seu art. 1º, a DIPJ – Declaração  de Informações Econômico­Fiscais da Pessoa Jurídica, deixou de fazer referência à  confissão de tributos ou contribuições a pagar.  Por outro  lado, a DCTF – Declaração de Contribuições e Tributos Federais,  instituída pela Instrução Normativa SRF nº 129/1986, sempre foi destinada a tal fim,  ou  seja,  é  confissão  de  dívida,  tem  o  condão  de  constituir  o  crédito  tributário,  materializando­o, sendo  instrumento hábil e suficiente para a exigência de referido  crédito tributário.  Neste cenário, portanto, se há contradição entre as  informações prestadas na  DIPJ e na DCTF (decorrente da retificação da DIPJ) e, desejando a recorrente fazer  valer  montante  diverso  daquele  regularmente  declarado  em  DCTF,  incumbia­lhe  apresentar  provas  que  permitissem  albergar  sua  tese  de  pagamento  indevido  ou  a  maior.  Vale  dizer,  quando  o  contribuinte  apresenta  uma  Declaração  de  Compensação, deve, necessariamente, demonstrar um crédito tributário a seu favor,  para  extinguir  um  débito  tributário  constituído  em  seu  nome,  de  forma  que  o  reconhecimento  do  indébito  tributário  seja  o  fundamento  fático  e  jurídico  de  seu  pedido.  Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10865.900922/2008­68  Acórdão n.º 1001­000.640  S1­C0T1  Fl. 165          5 A propósito do tema, cumpre destacar o informativo de jurisprudência do STJ  de nº 320, de 14 a 18 de maio de 2007, que trouxe o seguinte julgado:  RESTITUIÇÃO. INDÉBITO. PROVA. RECOLHIMENTOS.  A recorrente aduz que a eventual restituição, se cabível, haveria  de ser respaldada em prova documental, acostada na inicial, dos  valores  efetivamente  pagos  com  as  devidas  comprovações  de  recolhimento,  e  ante  tal  incerteza  não  pode  ser  a  União  condenada  à  restituição  dos  valores  postulados  (pela  via  da  compensação),  sob  pena  de  infração  ao  princípio  do  enriquecimento sem causa. Isso posto, a Turma deu provimento  ao recurso ao argumento de que o pressuposto fático do direito  de  compensar  é  a  existência  do  indébito.  Sem  prova  desse  pressuposto,  a  sentença  teria  caráter  apenas  normativo,  condicionada  à  futura  comprovação  de  um  fato.  REsp  924.550SC,  Rel.  Min.  Teori  Albino  Zavascki,  julgado  em  15/5/2007. (gn)  Nesse sentido, não se pode olvidar que o reconhecimento de direito creditório  contra  a  Fazenda  Nacional  exige  a  averiguação  da  liquidez  e  certeza  do  suposto  pagamento  a  maior  de  tributo,  fazendo­se  necessário  verificar  a  exatidão  das  informações  a  ele  referentes,  confrontando­o  com  os  registros  contábeis  e  fiscais  efetuados  com  base  na  documentação  pertinente  e  análise  da  situação  fática,  de  modo  a  se  conhecer  qual  seria  o  montante  de  tributo  devido  e  compará­lo  ao  pagamento efetuado.  Inclusive,  por  se  tratar  de  contribuinte  sujeito  ao  regime  de  apuração  dos  tributos  com  base  no  lucro  real,  este  deveria,  ao  fim  de  cada  período­base  de  incidência  do  tributo,  apurar  o  lucro  líquido  do  exercício  mediante  a  elaboração,  com  observância  das  disposições  da  lei  comercial,  do  balanço  patrimonial,  da  demonstração do  resultado  do exercício  e  da demonstração  de  lucros  ou  prejuízos  acumulados, que serão transcritos no Livro de Apuração de Lucro Real (LALUR),  nos termos dos artigos 7º e seu § 4º, e 8º, inciso I, ambos do Decreto­Lei nº 1.598,  de 1977, in verbis:  “Art 7º O lucro real será determinado com base na escrituração  que  o  contribuinte  deve  manter,  com  observância  das  leis  comerciais e fiscais.  (....)  §  4º  Ao  fim  de  cada  período­base  de  incidência  do  imposto  o  contribuinte deverá apurar o lucro líquido do exercício mediante  a elaboração, com observância das disposições da lei comercial,  do  balanço  patrimonial,  da  demonstração  do  resultado  do  exercício e da demonstração de lucros ou prejuízos acumulados.  Art  8º  O  contribuinte  deverá  escriturar,  além  dos  demais  registros  requeridos  pelas  leis  comerciais  e  pela  legislação  tributária, os seguintes livros:  I ­ de apuração de lucro real, no qual:  a)  serão  lançados  os  ajustes  do  lucro  líquido  do  exercício,  de  que tratam os §§ 2º e 3º do artigo 6º;  Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10865.900922/2008­68  Acórdão n.º 1001­000.640  S1­C0T1  Fl. 166          6 b) será transcrita a demonstração do lucro real (§ 1º);  (....).”  Neste  contexto,  o  contribuinte  deveria  trazer  provas,  lastreadas  em  lançamentos contábeis, dentre estas, destacam­se: os registros contábeis de conta no  ativo da CSLL a recuperar, a expressão deste direito em balanços ou balancetes, os  Livros Diário e Razão, Lalur, etc., tudo de forma a ratificar o indébito pleiteado.  Consoante  noção  cediça,  a  escrituração  contábil  e  fiscal  mantida  com  observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela  registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim  definidos em preceitos legais, conforme dispõe o artigo 923 do RIR/1999 (Decreto  nº 3.000, de 26/03/99).  No  presente  caso,  a  recorrente,  em  sua  peça  impugnatória,  limitou­se  a  apresentar formulários (fls. 114/115) e tabelas (fls. 116/117), documentação inábil a  comprovar a existência do indébito alegado.  Quanto  ao  documento  de  fls.  114/115,  denominado  pelo  contribuinte  de  “RAZÃO  ANALÍTICO”,  deve  ser  tratado  como  mero  formulário,  já  que  não  apresenta  Termo  de  Abertura  nem  Termo  de  Encerramento.  Ademais,  cumpre  observar  que  a  legislação  dispensa  a  autenticação  do  Livro  Razão  no  caso  de  regularidade na autenticação do Livro Diário (art. 259 do RIR/99 c/c art. 14 da Lei  8.218/91,  redação  dada  pela  Lei  nº  8.383/91). Assim,  a  ausência  do  Livro Diário  implica na inabilidade da escrituração apresentada como elemento de comprovação  do alegado indébito.  Registre­se  que  o  contribuinte  além  de  não  juntar  cópias  do  livro  Diário,  devidamente  registrado, não  apresentou LALUR, dos quais poderia  se verificar os  balanços/balancetes  de  redução  e  demonstrativos  da  apuração  do  Lucro  Real  da  empresa para o ano­calendário de 2004.  Por  fim,  não  é  por  demais  o  registro  de  que  o  ônus  da  prova  do  direito  de  repetição recai sobre o sujeito passivo, que é quem o  invoca, e que o princípio da  verdade  material  não  vai  a  ponto  de  vincular  a  Administração  na  produção  e/ou  apresentação de documentos fora do universo de seus registros.  Em suma, o crédito informado na declaração de compensação apresentada não  contém os atributos necessários de certeza e liquidez, os quais são  imprescindíveis  para  reconhecimento  pela  autoridade  administrativa  de  direito  creditório  junto  à  Fazenda Pública.  Com  tais  razões,  VOTO  pela  improcedência  da  manifestação  de  inconformidade.  O acórdão foi assim ementado:  ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  A  RENDA  DE  PESSOA  JURÍDICA IRPJ  Data do fato gerador: 30/04/2004  DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO UTILIZADO.  PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR.  Fl. 166DF CARF MF Processo nº 10865.900922/2008­68  Acórdão n.º 1001­000.640  S1­C0T1  Fl. 167          7 Se  do  confronto  entre  a  DIPJ  e  a  DCTF  resultar  valores  de  débitos  informados a maior nesta última declaração, a  falta de  comprovação, mediante  apresentação de  documentação hábil  e  idônea,  de  que  o  erro  de  preenchimento  se  deu  em  relação  à  DCTF,  impede  o  reconhecimento  de  direito  creditório  em  relação  aos  pagamentos  para  os  quais  correspondam  débitos  regularmente declarados/confessados.  COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA.  Apenas  os  créditos  líquidos  e  certos  são  passíveis  de  compensação  tributária,  conforme  artigo  170  do  Código  Tributário Nacional.  Manifestação de Inconformidade Improcedente  Direito Creditório Não Reconhecido  Ciente  da  decisão  em  05/03/2015,  conforme  documento  à  e­fl.  137,  a  Recorrente  apresentou  recurso  voluntário  em  06/04/2015  ­  segunda­feira  (e­fls.  139/150),  conforme documento à fl. 158.  É o Relatório.    Voto             Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni, Relator  O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no  Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que regula o processo administrativo­fiscal (PAF).  Dele conheço.  A  recorrente  vem  "em  sede  preliminar,  arguir  a  nulidade  do  ato  administrativo  (despacho decisório) que  indeferiu a  compensação por  ela  formalizada, pois,  desprovido de  fundamentação precisa,  impossibilita o pleno exercício do  sagrado direito de  defesa".  No  mérito,  alega  que  a  autoridade  julgadora  renunciou  a  realização  de  diligência para apurar a verdade material, se limitando a uma "burocrática conclusão".  Aduz que não acredita que "mera falha procedimental possua força jurídica  maior  que  o  principio  da  verdade material,  sustentando  o  indeferimento  de  crédito  que  ela  efetivamente possui" e cita julgado do CARF favorável à sua defesa.  Reitera os argumentos usados em sede de primeira instância, relatando que os  valores  informados  na DIPJ  comprovam  a  existência  do  saldo  negativo  no  período  e  que  a  verdade material deve prevalecer sobre a verdade formal.  Por  fim,  cita  a  Súmula  nº  82  do  CARF,  "Após  o  encerramento  do  ano­ calendário,  é  incabível  lançamento  de  ofício  de  IRPJ  ou CSLL  para  exigir  estimativas  não  Fl. 167DF CARF MF Processo nº 10865.900922/2008­68  Acórdão n.º 1001­000.640  S1­C0T1  Fl. 168          8 recolhidas",  para  caso  o  seu  direito  não  seja  reconhecido  e,  assim,  que  seja  cancelada  a  exigência do débito, conforme outros julgados do CARF que cita.  Da preliminar   De  plano  rejeito  a  preliminar  de  nulidade  do  despacho  decisório.  Primeiro  porque  este  pedido  não  foi  manifestado  em  sede  de  manifestação  de  inconformidade,  ocorrendo,  portanto,  a  preclusão.  Segundo,  pois  a  recorrente  desenvolve  perfeitamente  argumentos de defesa,  tanto na manifestação de inconformidade como no recurso voluntário,  não merecendo crédito a alegação de cerceamento do direito de defesa   Do mérito   Ao contrário do que alega, o crédito não foi  reconhecido, pois o pagamento  fora  integralmente  utilizado,  conforme  fundamentação  do  despacho  decisório.  A  DCTF  apresentada registra como valor devido no mês de março/2004 o montante de R$ 63.793,60,  conforme documento juntado à fl. 120, e não o valor de R$ 45.791,71, como afirmado.  Assim,  não  há  o  que  ser  reconsiderado  na  decisão  dada  pela  autoridade  administrativa, cuja fundamentação adoto­a desde já.  Em  relação à  arguição da necessidade de diligência,  ocorre que  a mesma é  ato discricionário da autoridade julgadora que poderá indeferi­la por considerá­la desnecessária  ou prescindível, já que no processo constam todos os elementos necessários para a formação da  sua livre convicção de julgador, conforme o artigo 18 do PAF, a seguir transcrito:  Art.  18.  A  autoridade  julgadora  de  primeira  instância  determinará,  de  ofício  ou  a  requerimento  do  impugnante,  a  realização  de  diligências  ou  perícias,  quando  entendê­las  necessárias,  indeferido  as  que  considerar  prescindíveis  ou  impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine. (Redação  dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748/93).  A alegação de  erro de  fato,  tendo em vista os valores  informados na DIPJ,  não  tem  fundamento.  Cumpre  observar  que  a  DIPJ,  desde  o  ano­calendário  de  1999,  tem  caráter meramente informativo, isto é, as informações nela prestadas não configuram confissão  de dívida a Instrução Normativa n° 127, de 30 de outubro de 1998, que extinguiu, em seu art.  6°, inciso I, a DIRPJ Declaração .de Rendimentos da Pessoa Jurídica e instituiu, em seu art. 10,  a DIPJ — Declaração de Informações Econômico­Fiscais da Pessoa Jurídica, deixou de fazer  referência  à  confissão  de  tributos  ou  contribuições  a  pagar,  cabendo  apenas  a  DCTF  esta  função.  O  tema,  inclusive,  é  pacificado  no  âmbito  deste  Conselho  Administrativo,  nos termos da Súmula 92:  “A  DIPJ,  desde  a  sua  instituição,  não  constitui  confissão  de  dívida,  nem  instrumento  hábil  e  suficiente  para  a  exigência  de  crédito tributário nela informado.”  A DCTF é a forma com que o sujeito passivo dá conhecimento à autoridade  administrativa  da  ocorrência  do  fato  jurídico­tributário  e  informa  o  pagamento  do  valor  correspondente ao tributo. Como se depreende da sua própria denominação, é uma declaração  Fl. 168DF CARF MF Processo nº 10865.900922/2008­68  Acórdão n.º 1001­000.640  S1­C0T1  Fl. 169          9 contendo  débitos  e  créditos  tributários  federais.  Ou  seja,  a  declaração  do  contribuinte  em  DCTF é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário.  Por  fim, quanto ao débito, a Súmula nº 82 do CARF não se aplica ao caso,  pois os débitos declarados em PER/DCOMP passou a ter o caráter de confissão de dívida para  as declarações apresentadas após a vigência da Medida Provisória n° 135, de 2003, que na sua  concepção se deu após a data de 31/12/2013.  Ante  o  exposto,  voto  por  REJEITAR  a  PRELIMINAR  de  nulidade  do  despacho decisório e no mérito NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário.  (assinado digitalmente)  Edgar Bragança Bazhuni                               Fl. 169DF CARF MF

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7371941 #
Numero do processo: 10640.003615/2010-96
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jul 27 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1001-000.597
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa- Presidente. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA

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1001­000.597  –  Turma Extraordinária / 1ª Turma   Sessão de  6 de junho de 2018  Matéria  EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL  Recorrente  MARIA JOSE SANT ANA GOMES ­ EPP  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL  ANO­CALENDÁRIO 2007 ­ SIMPLES. EXCESSO DE RECEITA BRUTA.  EXCLUSÃO DE OFÍCIO.  Comprovado  que  o  contribuinte  excedeu  o  limite  da  receita  bruta,  no  ano­ calendário,  imediatamente  anterior,  é  cabível  a  sua  exclusão  do  Simples  Nacional.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao Recurso Voluntário.  (assinado digitalmente)  Lizandro Rodrigues de Sousa­ Presidente.   (assinado digitalmente)  José Roberto Adelino da Silva ­ Relator  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Edgar  Bragança  Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino  da Silva    Relatório  Trata­se  Recurso  Voluntário  contra  o  acórdão,  número  09­50.763  da  2ª  Turma  da  DRJ/JFA,  o  qual  indeferiu  a  Manifestação  de  Inconformidade  contra  Atos     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 00 36 15 /2 01 0- 96 Fl. 172DF CARF MF     2 Declaratórios Executivos  (ADEs) nºs 35 e 36, de 2010  (fl. 39 a 43)efetivando a exclusão da  empresa  do  Simples  Federal  e Nacional,  a  partir  de  1°  de  janeiro  de  2007,  por  ter  auferido  receita  superior  ao  valor  de R$2.400.000,00,  estabelecida para  o  ano  imediatamente  anterior  (2006)..  A ora recorrente apresentou uma impugnação ao referido ADE. cuja decisão  da DRJ foi contrária à manifestação de inconformidade, a qual reproduzo o voto:  Voto  A  manifestação  de  inconformidade  é  tempestiva  e  atende  os  demais  requisitos de admissibilidade, portanto, dela se conhece.  Cumpre  ressaltar,  inicialmente,  que  a  manifestante  apenas  se  insurge  em sua peça de defesa contra a exclusão da empresa do Simples Nacional a  partir  de  01/07/2007  por  meio  do  ADE  nº  36/2010.  A  sua  exclusão  do  Simples Federal a partir de 01/01/2007 por meio do ADE nº 35/2010 deve ser  mantida por ausência de litígio.  A  exclusão  do  Simples  Nacional  com  efeitos  a  partir  da  01/07/2007  teve  por  fundamento  legal  os  artigos  28  e  29  (§§  3º,  5º  e  6º)  da  Lei  Complementar 123/2006 e o inciso I do artigo 12 da Resolução CGSN n º 4,  de 30 de maio de 2007, verbis:  Lei Complementar 123/2006:  "Art. 28. A exclusão do Simples Nacional será feita de oficio ou  mediante comunicação das empresas optantes.  Parágrafo  único.  As  regras  previstas  nesta  seção  e  o modo  de  sua implementação serão regulamentados pelo Comitê Gestor.  Art. 29. A exclusão de oficio das empresas optantes pelo Simples  Nacional dar­se­á quando:  § 3° A exclusão de oficio será realizada na forma regulamentada  pelo  Comitê  Gestor,  cabendo  o  lançamento  dos  tributos  e  contribuições apurados aos respectivos entes tributantes.   § 5º A competência para exclusão de ofício do Simples Nacional  obedece ao disposto no art. 33, e o julgamento administrativo, ao  disposto no art. 39, ambos desta Lei Complementar.  § 6º Nas hipóteses de exclusão previstas no caput deste artigo, a  pessoa jurídica será notificada pelo ente federativo que promoveu  a exclusão.”  Resolução CGSN n º 4, de 30 de maio de 2007:  "Art.  12.  Não  poderão  recolher  os  impostos  e  contribuições  na  forma do Simples Nacional a ME ou a EPP:  I que  tenha auferido, no  ano­calendário  imediatamente  anterior,  receita  bruta  superior  a  R$  2.400.000,00  (dois  milhões  e  quatrocentos mil reais);"  Em sua defesa, a manifestante requer a suspensão dos efeitos do  ATO  DECLARATÓRIO  EXECUTIVO  SACAT/DRF/JFA  N°  Fl. 173DF CARF MF Processo nº 10640.003615/2010­96  Acórdão n.º 1001­000.597  S1­C0T1  Fl. 3          3 36, de 03 DE DEZEMBRO DE 2010, até o julgamento final do  Processo  Tributário  Administrativo  que  contém  os  autos  de  infração do Simples.  Nos  termos do art. 151 do CTN a suspensão somente alcança a  exigibilidade  do  crédito  tributário  discutido  no  processo  nº  10640.003599/201031,  não  afetando  os  efeitos  da  exclusão  procedida  através  dos  ADEs  em  questão,  por  falta  de  previsão  legal.  Cumpre  esclarecer  ainda  à  manifestante  que  o  processo  nº  10640.003599/201031,  referente  ao  Auto  de  Infração  de  SIMPLES,  que  atualmente  se  encontra  nesta  Turma  de  Julgamento,  foi  julgado  nesta  sessão  de  forma  desfavorável  à  contribuinte, conforme Acórdão 0950.764, anexado aos autos.  Assim,  tendo  sido  perfeitamente  comprovado,  no  processo  nº  10640.003599/201031,  que  a  manifestante  excedeu  o  limite  de  receita  para  as  empresas  de  pequeno  porte  no  ano  de  2006,  ensejando sua exclusão de ofício do Simples Nacional a partir de  01/07/2007, com base nos artigos 28 e 29 (§§ 3º, 5º e 6º) da Lei  Complementar 123/2006 e no inciso I do artigo 12 da Resolução  CGSN n º 4, de 30 de maio de 2007, transcritos anteriormente.  Conclui­se  pela  correta  exclusão  de  ofício  da  empresa  do  Simples  Nacional  não  merecendo  qualquer  reparo  o  Ato  Declaratório  de  Exclusão  do  Simples  (ADE)  nº  36,  pois  devidamente motivado e fundamentado.  Desta  forma,  estando  plenamente  configurada  no  presente  processo o excesso de  receita bruta no ano calendário de 2006,  voto  por  considerar  IMPROCEDENTE  a  manifestação  de  inconformidade,  ratificando  a  exclusão  do  Simples  Federal  efetuada por meio do Ato Declaratório nº 35/2010 e a exclusão  do  Simples  Nacional  efetuada  por  meio  Ato  Declaratório  nº  36/2010. Voto             Conselheiro José Roberto Adelino da Silva ­ Relator  Inconformada,  a  recorrente  apresentou  o  Recurso Voluntário,  tempestivo  e  que apresenta os demais pressupostos de admissibilidade, previstos no Decreto 70.235/72, e,  portanto, dele eu conheço.  A  recorrente utilizou,  em seu  recurso,  basicamente,  os mesmos argumentos  utilizados em sua manifestação de conformidade, ou seja:  · A decisão proferida pela 2a Turma de Julgamento de Juiz de Fora, no  que pese o conhecimento de seus componentes, merece total reforma.  · A  matéria  posta  em  debate  cinge­se  ao  fato  de  ter  sido  a  empresa  desenquadrada de Ofício do SIMPLES NACIONAL em razão de auto  Fl. 174DF CARF MF     4 de  infração,  devidamente  impugnado,  negando  a  decisão  efeito  suspensivo ao recurso de Manifestação de Inconformidade.  · A fundamentação da decisão está posta pela  inexistência de preceito  legal  que  atribua  efeito  suspensivo  ao  recurso,  frente  àquele  ato  da  autoridade administrativa.  · Entretanto,  no  artigo  151  do  CTN,  encontramos  as  hipóteses  que  suspendem  a  exigibilidade  do  crédito  tributário  e  especialmente  no  inciso III, encontramos o seguinte comando:  "Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário:  Ill  ­  as  reclamações  e  os  recursos,  nos  termos  das  leis  reguladoras do processo tributário administrativo;"  · Com  essas  modestas  razões  espera  seja  reformada  a  decisão,  concedendo­se  efeito  suspensivo  à  reclamação  apresentada  tempestivamente pela autuada, até decisão final do processo principal,  tudo por questão de J U S T I Ç   Consoante  consta  nos  autos,  o  processo  principal  foi  devidamente  julgado,  gerando  o  acórdão  09­50.764  da  2  ª  Turma  da  DRJ/JFA,  que  julgou  a  impugnação  improcedente, em 27 de março de 2014 e manteve o crédito tributário lançado.  Consequentemente,  julgado  desfavoravelmente  à  recorrente,  a  impugnação  apresentada,  o  recurso,  é  cabível  a  exclusão  do  Simples  Nacional,  nos  termos  dos  atos  declaratórios antes mencionados.  Assim,  voto  por  negar  provimento  ao Recurso Voluntário,  sem  crédito  em  litígio.  (assinado digitalmente)  José Roberto Adelino da Silva                             Fl. 175DF CARF MF

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7374688 #
Numero do processo: 10830.913469/2009-38
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003 COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. A compensação de indébito fiscal com créditos tributários está condicionada à comprovação da certeza e liquidez do respectivo indébito, cujo ônus é do contribuinte. Não será homologada a compensação quando a certeza e liquidez do crédito pleiteado não restar comprovada através de documentação contábil e fiscal apta a este fim. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3002-000.222
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard - Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Alan Tavora Nem, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Alberto da Silva Esteves.
Nome do relator: MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard - Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Alan Tavora Nem, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Alberto da Silva Esteves.

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3002­000.222  –  Turma Extraordinária / 2ª Turma   Sessão de  13 de junho de 2018  Matéria  PIS   Recorrente  SAINT­GOBAIN CERAMICAS & PLASTICOS LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003  COMPENSAÇÃO.  CERTEZA  E  LIQUIDEZ.  AUSÊNCIA  DE  COMPROVAÇÃO.  ÔNUS  DA  PROVA.  COMPENSAÇÃO  NÃO  HOMOLOGADA.  A compensação de indébito fiscal com créditos tributários está condicionada  à comprovação da certeza e  liquidez do respectivo  indébito, cujo ônus é do  contribuinte.  Não será homologada a compensação quando a certeza e liquidez do crédito  pleiteado  não  restar  comprovada  através  de  documentação  contábil  e  fiscal  apta a este fim.   Recurso Voluntário Negado.        Vistos,  relatados  e  discutidos  os  presentes  autos,  acordam  os  membros  do  colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em  negar provimento ao Recurso Voluntário.  (assinado digitalmente)  Maria Eduarda Alencar Câmara Simões ­ Relatora  (assinado digitalmente)  Larissa Nunes Girard ­ Presidente  Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard  (Presidente),  Alan  Tavora Nem, Maria  Eduarda Alencar  Câmara  Simões,  Carlos Alberto  da  Silva Esteves.      AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 91 34 69 /2 00 9- 38 Fl. 177DF CARF MF Processo nº 10830.913469/2009­38  Acórdão n.º 3002­000.222  S3­C0T2  Fl. 178          2 Relatório  Por  bem  relatar  os  fatos,  adoto  o  relatório  da  decisão  da DRJ,  à  fl.  78  dos  autos:  Trata  o  presente  processo  de  Declaração  de  Compensação  (DCOMP)  nº  09828.29317.150806.1.3.040476,  entregue  em  15/08/2006,  na  qual  é  indicado  o  crédito  de  R$  48.712,84,  decorrente  do  pagamento  indevido  ou  a  maior  do  PIS  (código  receita  8109),  do  período  de  apuração  fevereiro  de  2003.  A  origem  do  referido crédito é o DARF no valor de R$ 122.521,75.  2.  Por  meio  do  Despacho  Decisório  (rastreamento  nº  845374778),  a  compensação  não  foi  homologada,  pois  o  DARF  indicado,  apesar  de  localizado,  estava integralmente utilizado na quitação de débitos do contribuinte.  3.  O  contribuinte  foi  cientificado  da  decisão  em  31/08/2009  e  apresentou  tempestivamente a  sua defesa em 24/09/2009, alegando em síntese que o valor do  PIS  de  fevereiro  de  2003  era  de  R$  73.808,91  e  o  DARF  recolhido  foi  de  R$  122.521,75.  Informou  que  na  DCTF  original  o  PIS  de  fevereiro  de  2003  foi  indevidamente informado pelo valor de R$ 122.521,75, mas que apresentou DCTF  retificadora em 09/10/2009. Por entender ter efetuado recolhimento a maior, pede o  reconhecimento do seu direito creditório.  O  contribuinte  apresentou,  com  a  sua  manifestação  de  inconformidade,  os  seguintes  documentos:  (i)  atos  constitutivos  e  de  representação  da  empresa;  (ii) DACON de  fevereiro/2003; (iii) DARF; (iv) DCTF original; e (v) DCTF retificadora. Afirmou, ainda, que  “o indeferimento do PER/DCOMP não deve prosperar porque o crédito é de direito da empresa  e fora pleiteado conforme disciplina a norma SRF baseada na IN 600 de 28/12/2005”.  Ao  analisar  o  caso,  a DRJ  entendeu  por  indeferir  o  pedido  formulado  pela  contribuinte  de  compensação  de  valores  recolhidos  a  título  de  PIS,  conforme  decisão  que  restou assim ementada:  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003  Ementa:  COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. DISPONIBILIDADE DO CRÉDITO  A  compensação,  nos  termos  em  que  definida  pelo  artigo  170  do  CTN  só  poderá  ser  homologada  se  o  crédito  do  contribuinte  em  relação  à  Fazenda  Pública estiver revestido dos atributos de liquidez e certeza.  RESTITUIÇÃO. ÔNUS PROBANTE. É do sujeito passivo o ônus probante  do direito à restituição.  Manifestação de Inconformidade Improcedente  Direito Creditório Não Reconhecido  Ou  seja,  o  acórdão  da  primeira  instância  (fls.  77/83)  consignou  que  o  despacho  decisório  não  possui  qualquer  vício,  em  razão  de  o  reconhecimento  do  direito  ao  crédito  alegado  pelo  contribuinte  condicionar­se  à  apresentação  da  documentação  Fl. 178DF CARF MF Processo nº 10830.913469/2009­38  Acórdão n.º 3002­000.222  S3­C0T2  Fl. 179          3 contábil/fiscal comprobatória. Considerando que tal documentação não foi apresentada com a  defesa, entendeu por julgar improcedente a manifestação de inconformidade apresentada.  Consignou,  também,  que  o  contribuinte  se  limitou  a  alegar  ter  feito  a  retificação da DCTF, e destacou que a apresentação do documento retificador só se deu após a  ciência  do  Despacho  Decisório,  ou  seja,  do  procedimento  fiscal  acerca  do  indébito,  o  que  implica na não geração de qualquer  efeito, nos  termos do artigo 11 da  IN SRF nº 903/2008.  Sendo  assim,  por  não  ter  ocorrido  a  retificação  tempestiva  do  alegado  erro  de  fato  na  declaração do contribuinte, entendeu que deveria desconsiderar a DCTF retificadora.  O contribuinte foi intimado acerca desta decisão em 23/04/2014 (vide Termo  de Ciência por decurso de prazo à fl. 85 dos autos) e, insatisfeito com o seu teor, interpôs, em  07/05/2014, Recurso Voluntário (fls. 87/91).  Em seu recurso, que denominou de "embargos de declaração", no intuito de  combater  o  acórdão  recorrido  no  tocante  à  falta  de  comprovação  do  crédito,  apresentou  planilha  de  memória  de  cálculo  referente  ao  tributo  e  período  em  questão.  Quanto  ao  fundamento de que teria apresentado a DCTF retificadora após emissão do despacho decisório,  afirmou não ter havido má­fé de sua parte, mas apenas a ocorrência de erro que precisava ser  retificado  para  a  completa  visualização  do  crédito  que  possui.  Defendeu,  então,  que  estaria  demonstrado nos autos seu direito ao crédito, e que, em casos como o presente, o CARF tem  admitido o provimento do recurso.  Por  fim,  requereu,  primeiramente,  a  anulação  do  processo  administrativo,  com  fulcro  os  seguintes  fundamentos:  (a)  a  apuração  do  PIS  no  mês  de  fevereiro  de  2003  comprova  que  o  imposto  devido  é  inferior  ao  valor  recolhido  através  de  DARF;  (b)  os  documentos  comprobatórios  são  hábeis  e  idôneos  e  identificam  os  valores  lançados  erroneamente na 1ª memória de cálculo; (c) a compensação efetuada é legítima. E, ao final, a  reforma da decisão recorrida e o integral cancelamento da exigência fiscal.  Além dos  documentos  já  apresentados  com  a  defesa,  anexou  ao  recurso  os  seguintes documentos:  (i) memória de cálculo da apuração do  imposto referente ao exercício  de  2003,  incluindo  o  período  de  fevereiro  de  2003  (Anexo  04  do Recurso,  à  fl.  168);  e  (ii)  memória  de  cálculo  da  revisão  da  apuração  dos  créditos,  realizada  em  novembro  de  2006  (Anexo 05 do Recurso – fls. 169/170).   Os  autos,  então,  vieram­se  conclusos  para  fins  de  análise  do  Recurso  Voluntário interposto pelo contribuinte.  É o relatório.   Voto             Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões ­ Relatora:  De início, é válido mencionar que, embora tenha o contribuinte denominado  o  seu  recurso  de  "embargos  declaratórios",  entendo  que,  em  atenção  ao  princípio  da  fungibilidade,  não  há  qualquer  impedimento  para  que  este  seja  recebido  e  processado  como  recurso voluntário. Até porque, não resta dúvidas que fora interposto dentro do prazo legal de  30 dias para interposição de dito recurso.  Fl. 179DF CARF MF Processo nº 10830.913469/2009­38  Acórdão n.º 3002­000.222  S3­C0T2  Fl. 180          4 Nesse  contexto,  por  entender  que  o  recurso  interposto  in  casu,  além  de  tempestivo, reúne os demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento.  Consoante  acima  indicado,  o  contribuinte  interpôs  recurso  voluntário  (fls.  87/91),  por  meio  do  qual  requereu,  primeiramente,  a  anulação  do  processo  administrativo,  tendo  em  vista  que:  (a)  a  apuração  do  PIS  no  mês  de  fevereiro  de  2003  comprova  que  o  imposto  devido  é  inferior  ao  valor  recolhido  através  de  DARF;  (b)  os  documentos  comprobatórios  são  hábeis  e  idôneos  e  identificam  os  valores  lançados  erroneamente  no  1ª  memória de cálculo; (c) a compensação efetuada é legítima.   Como se vê, apesar de  ter  requerido a anulação do processo administrativo,  trouxe o contribuinte em sua defesa fundamentos que se confundem com o mérito da presente  contenda  (suposta  comprovação  da  legitimidade  da  compensação  realizada),  não  tendo  apresentado qualquer fundamento de nulidade que possa ser analisado em sede de preliminar.   Logo, entendo que deverá ser rejeitado o pedido preliminar apresentado pelo  contribuinte, visto que não se verifica nos autos qualquer elemento apto a ensejar a anulação do  processo  administrativo,  que  seguiu  os  trâmites  regulares  e  legais  quanto  ao  seu  processamento.  Passo, então, à análise de mérito da presente contenda.   Em  seu  recurso,  o  contribuinte  requer  a  reforma  da  decisão  recorrida  e  o  cancelamento  da  exigência  fiscal,  defendendo  que  o  seu  direito  creditório  teria  restado  devidamente  comprovado  nos  presentes  autos.  Em  sua  impugnação  administrativa,  havia  juntado aos autos o DACON, o DARF, a DCTF original e a DCTF retificadora, documentação  esta que fora considerada insuficiente pela DRJ para fins de comprovação do direito creditório  pleiteado. Em  seu Recurso Voluntário,  então,  no  intuito  de  superar  o  entendimento  da DRJ,  anexou  aos  autos:  (i) memória  de  cálculo  da  apuração  do  imposto  referente  ao  exercício  de  2003,  incluindo  o  período  de  fevereiro  de  2003  (Anexo  04  do  Recurso,  à  fl.  168);  e  (ii)  memória  de  cálculo  da  revisão  da  apuração  dos  créditos,  realizada  em  novembro  de  2006  (Anexo 05 do Recurso – fls. 169/170).  Ao analisar o caso concreto em testilha e a nova documentação anexada aos  autos, entendo que não assiste razão ao contribuinte em seu pleito.   Como é cediço, o ônus da prova quanto  à  existência do  crédito no  caso  de  pedido de compensação é do contribuinte. Nos termos do que dispõe o art. 373 do Código de  Processo Civil, abaixo transcrito, aplicado subsidiariamente ao processo administrativo fiscal,  o ônus da prova incumbe ao autor (no caso ora analisado ao contribuinte que iniciou o processo  de compensação), quanto ao fato constitutivo do seu direito (correspondente à comprovação do  direito  ao  crédito  tributário  que  pretende  ter  reconhecido  para  fins  de  homologação  da  compensação):  Art. 373. O ônus da prova incumbe:  I ­ ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito;  II ­ ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo  ou extintivo do direito do autor.  Fl. 180DF CARF MF Processo nº 10830.913469/2009­38  Acórdão n.º 3002­000.222  S3­C0T2  Fl. 181          5 Sobre o assunto, verifica­se que a DRJ foi categórica em afirmar que os erros  apontados deveriam  ter  sido comprovados por meio de documentação contábil/fiscal hábil, o  que não ocorrera neste caso concreto, em que havia sido juntada aos autos na manifestação de  inconformidade apenas DACON e DCTF retificadora. É o que se infere da transcrição a seguir:  9.2. Independentemente da mencionada retificação, vale registrar que o sujeito  passivo não apresentou por ocasião de sua defesa quaisquer provas de seus registros  contábeis/fiscais  que  pudessem  evidenciar  a  causa  do  equívoco  reportado,  motivando a objetivada redução do valor do tributo em tela e, consequentemente, o  direito à restituição/compensação.  10.  Ainda  acerca  das  provas,  é  oportuno  elucidar  que  a  faculdade  da  autoridade julgadora em determinar, ex offício, a realização de diligência ou perícia  (art. 18, do Decreto nº 70.235/72) não substitui o ônus processual da parte a quem  compete  –  no  caso,  o  sujeito  passivo,  que melhor  do  que  ninguém  detém  amplas  condições  para  promover  a  comprovação  de  suas  alegações  com  amparo  em  documentos hábeis – de trazer aos autos os elementos de provas de que dispõe.  10.1.  Verifica­se,  portanto,  que  a  norma  atribui  ao  recorrente  o  dever  de  apresentar as provas sobre os fatos alegados perante a autoridade julgadora, com a  finalidade de convencê­la de suas alegações, sendo esta uma regra aplicada tanto no  Processo  Civil  como  no  presente  Processo  Administrativo  Fiscal.  Na  linha  deste  pensamento, oportuno trazer à colação os ensinamentos de Humberto Theodoro5:  "[...] Se o direito material é disponível e a parte não cuidou de trazer a prova  necessária  para  demonstrá­lo  ou  exercê­lo,  a  presunção  lógica  é  que  abriu mão  dele. Assim, não seria correto que o juiz viesse sobrepor a essa verdade, passando a  advogar a causa da parte."  10.2. A propósito da necessidade de a contribuinte comprovar, devidamente,  seu  direito  creditório,  reproduz­se  Ementa  do  voto  condutor  do  julgado  proferido  pela 3ª Turma Especial da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais  no processo administrativo nº 10480.904515/200844:  “No  caso  específico  dos  pedidos  de  restituição  e  compensação  de  créditos  tributários, o contribuinte cumpre o ônus que a legislação lhe atribui, quando  traz  os  elementos  de  prova  que  demonstrem  a  existência  do  crédito.  E  tal  demonstração,  no  caso  das  pessoas  jurídicas,  está,  por  vezes,  associada  a  uma conciliação entre  registros  contábeis  e documentos que  respaldem  tais  registros. Assim, para comprovar a existência de um crédito vinculado a um  registro  contábil,  não  basta  apresentar  o  registro, mas  também  indicar,  de  forma específica, que documentos estão associados a que registros; ainda, é  importante,  quando  a  natureza  da  operação  escriturada/documentada  for  importante  para  a  caracterização  ou  não  do  direito  creditório,  que  a  descrição da operação constante dos registros e documentos seja clara, sem  abreviaturas  ou  códigos  que  dificultem  ou  impossibilitem  a  perfeita  caracterização do negócio.  De  se  ressaltar,  igualmente,  que  o  fato  de  o  processo  administrativo  ser  informado pelos princípios invocados em nada macula tudo o que foi até aqui  dito. É que o principio da verdade material autoriza o julgador a ir além dos  elementos  de  prova  trazidos  pelas  partes,  quando  tais  elementos  de  prova  induzem  à  suspeita  de  que  os  fatos  ocorreram  não  da  forma  como  esta  ou  aquela parte afirma, mas de uma outra forma qualquer (o julgador não está  vinculado às versões das partes). Mas isto, à evidência, nada tem a ver com  Fl. 181DF CARF MF Processo nº 10830.913469/2009­38  Acórdão n.º 3002­000.222  S3­C0T2  Fl. 182          6 propiciar  à  parte  que  tem  o  ônus  de  provar  o  que  alega/pleiteia,  a  oportunidade de, por via de diligências, produzir algo que, do ponto de vista  estritamente  legal,  já  deveria  compor,  como  requisito  de  admissibilidade,  o  pleito desde sua formalização  inicial. Dito de outro modo: da mesma forma  que  não  é  aceitável  que  um  lançamento  seja  efetuado  sem  provas  e  que  se  permita posteriormente, em sede de julgamento e por meio de diligências, tal  instrução probatória,  também não é aceitável que um pleito  repetitório  seja  proposto  sem  a  minudente  demonstração  e  comprovação  da  existência  do  indébito  e que posteriormente,  também em sede de  julgamento  e por  via de  diligências, se oportunize tais demonstração e comprovação.  11.  Ante  o  exposto,  VOTO  pela  improcedência  da  manifestação  de  inconformidade e pelo não reconhecimento do direito creditório pleiteado.  Nos termos da decisão recorrida, portanto, caberia ao contribuinte ter trazido  em  sua manifestação  de  inconformidade  não  apenas  a DCTF  e DACON  retificadoras,  como  também os documentos contábeis/fiscais que lhe dão suporte.   Ato  contínuo, o  contribuinte  interpôs Recurso Voluntário por meio do qual  anexou  aos  autos:  (i) memória  de  cálculo  da  apuração  do  imposto  referente  ao  exercício  de  2003,  incluindo  o  período  de  fevereiro  de  2003  (Anexo  04  do  Recurso,  à  fl.  168);  e  (ii)  memória  de  cálculo  da  revisão  da  apuração  dos  créditos,  realizada  em  novembro  de  2006  (Anexo 05 do Recurso – fls. 169/170).  Entendo,  contudo,  que  tais  documentos  ainda  não  são  suficientes  a  comprovar o direito  creditório  aqui pleiteado. A uma, porque memória de  cálculo produzida  unilateralmente  pelo  contribuinte  não  possui  valor  probante.  A  duas,  porque  não  veio  conciliada  com  os  correspondentes  livros  contábeis  e  documentos  fiscais  que  lhe  dariam  suporte.   Note­se,  por  exemplo,  que  a  planilha  de  fls.  169  descreve  a  origem  dos  créditos apurados (insumos, revenda, energia, etc.). Não há, contudo, qualquer documentação  nos autos apta a comprovar  tais despesas,  e,  consequentemente,  a demonstrar a  correção das  informações  apresentadas  na  DCTF  retificadora  em  detrimento  da  DCTF  originalmente  transmitida.  Nesse contexto, entendo que a decisão recorrida há de ser mantida, visto que  o  Recorrente,  in  casu,  não  se  desincumbiu  do  seu  ônus  probatório  quanto  à  matéria  fática  (direito ao crédito).   Sobre  o  argumento  apresentado  pelo  contribuinte  de  que  a  DCTF  fora  retificada  tão  somente  para  corrigir  erro  outrora  incorrido,  há  de  se  destacar  que  não  há  qualquer  impedimento  na  apresentação  de DCTF  retificadora. Conforme  esclarece o Parecer  Normativo  COSIT  nº  02/2015,  esta  poderá  ser  apresentada  inclusive  após  o  despacho  decisório. Contudo, em tais casos, é cediço que a DCTF retificadora, por si só, não possui o  condão de comprovar as informações ali inseridas, incumbindo ao contribuinte o ônus de trazer  aos  autos,  através  da  correspondente  documentação  contábil  e  fiscal,  a  correspondente  conciliação que demonstre o seu direito creditório.   Por  oportuno,  transcrevo  o  conteúdo  do  Parecer  Normativo  COSIT  nº  02/2015:  Fl. 182DF CARF MF Processo nº 10830.913469/2009­38  Acórdão n.º 3002­000.222  S3­C0T2  Fl. 183          7 Assunto.  NORMAS  GERAIS  DE  DIREITO  TRIBUTÁRIO.  RETIFICAÇÃO  DA  DCTF  DEPOIS  DA  TRANSMISSÃO  DO  PER/DCOMP  E  CIÊNCIA  DO  DESPACHO  DECISÓRIO.  POSSIBILIDADE.  IMPRESCINDIBILIDADE  DA  RETIFICAÇÃO  DA  DCTF  PARA  COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR.  As  informações  declaradas  em  DCTF  –  original  ou  retificadora  –  que  confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem  tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes  das  informações prestadas à RFB em outras declarações,  tais como DIPJ e Dacon,  por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo,  no  caso  concreto,  da  competência  da  autoridade  fiscal  para  analisar  outras  questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. (grifos  apostos).  (...).  1­ Após a  transmissão do PER/DCOMP, pode a DCTF ser retificada com o  intuito de formalizar o indébito objeto de compensação?  Sim.  Essa  é  a  diretriz  adotada  pela  RFB  na  análise  eletrônica  dos  PER/DCOMP.  Tal  diretriz  está  ainda  mais  evidente  com  a  implantação  da  autorregularização.  2­  Em  caso  positivo,  a  retificação  da  DCTF,  sozinha,  é  suficiente  para  a  comprovação  do  pagamento  indevido  ou  a  maior?  Se  a  retificação  da  DCTF  for  suficiente, há um limite temporal para que ela produza os efeitos de uma declaração  original  (antes  da  ciência  do  despacho  decisório,  a  qualquer  tempo  ou  antes  de  5  anos do fato gerador)?  a.  Não,  a  DCTF  por  si  só  não  é  suficiente  para  a  comprovação  do  pagamento  indevido  ou  a  maior.  É  necessário  que  os  valores  informados  na  DCTF estejam coerentes com outras declarações enviadas à RFB, a exemplo da  DIPJ, Dacon, DIRF, em cada caso, ou confirmados por documentos fiscais ou  contábeis  acostados  aos  autos.  Isso  porque  a  existência  de  crédito  líquido  e  certo  é  requisito  legal  para  a  concessão  da  compensação  (CTN,  art.  170).  A  divergência  entre  os  valores  informados  na  DCTF  em  relação  a  outras  declarações  não  elidida  por  provas,  afasta  a  certeza  do  crédito  e  é  razão  suficiente para o indeferimento da compensação. (Grifos apostos).  (...).  13.  Ressalte­se,  por  oportuno,  que  a  despeito  de  a  DCTF  retificadora,  em  regra, produzir o mesmo efeito da original, e a DCOMP extinguir o débito desde seu  processamento, ambas declarações estão sujeitas à verificação e à homologação da  autoridade  administrativa,  que  pode  exigir  confirmação  e  comprovação  das  informações declaradas, seja em auditoria interna da DCTF, seja em procedimento  de fiscalização, seja na análise da DCOMP ou da manifestação de inconformidade.  Afinal,  a  apresentação  do  PER/Dcomp  sem  a  retificação  prévia  da  DCTF  gera  o  ônus ao sujeito passivo de ter de comprovar o crédito pleiteado, conforme julgados  do CARF:  DÉBITO  INFORMADO  EM  DCTF.  NECESSIDADE  DE  COMPROVAÇÃO DO ERRO.  Fl. 183DF CARF MF Processo nº 10830.913469/2009­38  Acórdão n.º 3002­000.222  S3­C0T2  Fl. 184          8 A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados,  desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para  modificar Despacho Decisório.  COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.  Constatada  a  inexistência  do  direito  creditório  por  meio  de  informações  prestadas  pelo  interessado  à  época  da  transmissão  da  Declaração  de  Compensação, cabe  a este o ônus de  comprovar que o  crédito pretendido  já  existia naquela ocasião. (Acórdão nº 3201­001.713, Rel. Cons. Daniel Mariz  Gudiño, 3/1/2015)  PER/DCOMP.  RETIFICAÇÃO  DA  DCTF.  DESPACHO  DECISÓRIO.  NECESSIDADE  DE  COMPROVAÇÃO  DO  ERRO.  ÔNUS  DO  SUJEITO  PASSIVO.  O  contribuinte,  a  despeito  da  retificação  extemporânea  da  Dctf,  tem  direito  subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza  do  direito  de  crédito.  A  simples  retificação,  desacompanhada  de  qualquer  prova, não autoriza a homologação da compensação.  (Acórdão nº 3802¬002.345, Rel. Cons. Solon Sehn, Sessão de 29/01/2014)  DÉBITO  INFORMADO  EM  DCTF.  NECESSIDADE  DE  COMPROVAÇÃO DO ERRO.  A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados,  desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para  modificar Despacho Decisório.  COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.  Constatada  a  inexistência  do  direito  creditório  por  meio  de  informações  prestadas  pelo  interessado  à  época  da  transmissão  da  Declaração  de  Compensação, cabe  a este o ônus de  comprovar que o  crédito pretendido  já  existia  naquela  ocasião.  (Acórdão  nº  3302¬002.124,  Rel.  Cons.  Alexandre  Gomes, Sessão de 22/05/2013)  13.1. O sujeito passivo é obrigado a comprovar a veracidade das informações  declaradas na DCTF e no PER/DCOMP e a autoridade administrativa tem o poder­ dever de confirmá­las. A autoridade administrativa poderá solicitar a comprovação  do  alegado  crédito  informado  no  PER/DCOMP,  e  se  ele,  por  exemplo,  for  um  pagamento  e  estiver  perfeitamente  disponível  nos  sistemas  da  RFB,  pode  ser  considerado apto a ser objeto de restituição ou de compensação, sem prejuízo de ser  solicitado do declarante comprovação de que se trata de fato de indébito. Vale dizer,  a retificação da DCTF é necessária, mas não necessariamente suficiente para deferir  o  crédito  pleiteado, que  depende  da  análise  da  autoridade  fiscal/julgadora  do  caso  concreto.  Tanto  que  tal  autoridade  poderá  discordar  das  razões  apresentadas  (a  despeito da  retificação da DCTF)  e,  consequentemente,  indeferir/não homologar o  PER/DCOMP com base em outros elementos de prova de que tal pagamento, ainda  que disponível nos sistemas da RFB.  Este  tema,  inclusive,  encontra­se  pacificado  neste Conselho Administrativo  Fiscal, consoante demonstra a decisão a seguir colacionada:  Assunto: Processo Administrativo Fiscal  Fl. 184DF CARF MF Processo nº 10830.913469/2009­38  Acórdão n.º 3002­000.222  S3­C0T2  Fl. 185          9 Período de apuração: 01/06/2006 a 30/06/2006  CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. ERRO EM DECLARAÇÃO.  A DCTF  retificadora  apresentada  após  o  despacho  decisório  que  não  homologa  a  compensação  e  a DACON  não  têm  o  condão  de  provar  suposto  erro  de  fato  que  aponta  para  a  inexistência do  débito  declarado. O contribuinte possui o  ônus de  prova do direito  invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e  fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos.  (Acórdão nº 3803­006.915, de 18/03/2015). (grifos apostos).  No caso dos presentes autos, portanto, constata­se que o contribuinte não se  desincumbiu do seu ônus probatório, pelo que deverá ser mantida a negativa de homologação  da compensação ora analisada.   Da conclusão  Diante  do  acima  exposto,  afasto  o  pedido  preliminar  do  contribuinte  de  anulação  do  processo  administrativo  e,  no  mérito,  nego  provimento  ao  Recurso  Voluntário  interposto, em razão da ausência de comprovação do direito creditório pleiteado.  É como voto.  (assinado digitalmente)  Maria Eduarda Alencar Câmara Simões ­ Relatora                                Fl. 185DF CARF MF

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Numero do processo: 19515.722835/2013-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Apr 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. LAPSO MANIFESTO. Constatada, mediante embargos de declaração, a ocorrência de obscuridade, omissão, contradição ou lapso manifesto, deve-se proferir novo Acórdão, para retificar o Acórdão embargado. ERRO DE INTERPRETAÇÃO DA LEGISLAÇÃO, EFEITOS RETROATIVOS. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA RESOLUÇÃO CFC 1.087/06. AJUSTE NO EXERCICIO EM QUE O ERRO FOI DETECTADO. EFEITOS INFRINGENTES DOS EMBARGOS. Nos moldes da Resolução CFC 1.087/2006 o ajuste para correção de erro na interpretação da norma contábil somente será efetuado no ano em que fora detectado tal erro, sem efeitos retroativos ao ano em que cometido o erro, hipótese esta aplicável somente aos casos de dolo ou fraude.
Numero da decisão: 1201-002.144
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acolher parcialmente os embargos de declaração para dar efeitos infringentes em relação ao - "ITEM 3. "Erros de interpretação": quanto ao fundamento normativo para a retificação em período anterior ao de sua constatação. Vencidos os conselheiros: Eva Maria Los (relatora), José Carlos de Assis Guimarães e Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, que negavam efeitos infringentes ao Acórdão embargado. Designado o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente. (assinado digitalmente) Eva Maria Los - Relatora. (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado - Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, José Carlos de Assis Guimarães, Leonam Rocha de Medeiros (Conselheiro suplente convocado); ausente justificadamente Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: EVA MARIA LOS

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1201­002.144  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  13 de abril de 2018  Matéria  OMISSÃO/OBSCURIDADE  Embargante  NESTLE  BRASIL  LTDA.   Interessado  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2008  EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. LAPSO MANIFESTO.   Constatada, mediante embargos de declaração, a ocorrência de obscuridade,  omissão,  contradição  ou  lapso  manifesto,  deve­se  proferir  novo  Acórdão,  para retificar o Acórdão embargado.  ERRO  DE  INTERPRETAÇÃO  DA  LEGISLAÇÃO,  EFEITOS  RETROATIVOS.  IMPOSSIBILIDADE.  APLICAÇÃO  DA  RESOLUÇÃO  CFC  1.087/06.  AJUSTE  NO  EXERCICIO  EM  QUE  O  ERRO  FOI  DETECTADO. EFEITOS INFRINGENTES DOS EMBARGOS.   Nos moldes da Resolução CFC 1.087/2006 o ajuste para correção de erro na  interpretação  da  norma  contábil  somente  será  efetuado  no  ano  em que  fora  detectado  tal  erro,  sem  efeitos  retroativos  ao  ano  em  que  cometido  o  erro,  hipótese esta aplicável somente aos casos de dolo ou fraude.       Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  maioria  de  votos,  em  acolher  parcialmente os embargos de declaração para dar efeitos infringentes em relação ao ­ "ITEM 3.  "Erros  de  interpretação":  quanto  ao  fundamento  normativo  para  a  retificação  em  período  anterior ao de sua constatação. Vencidos os conselheiros: Eva Maria Los (relatora), José Carlos  de Assis Guimarães e Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, que negavam efeitos infringentes ao  Acórdão embargado. Designado o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado para redigir o voto  vencedor.      (assinado digitalmente)  Ester Marques Lins de Sousa ­ Presidente.      AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 28 35 /2 01 3- 75 Fl. 3275DF CARF MF Processo nº 19515.722835/2013­75  Acórdão n.º 1201­002.144  S1­C2T1  Fl. 3          2 (assinado digitalmente)  Eva Maria Los ­ Relatora.  (assinado digitalmente)  Luis Fabiano Alves Penteado ­ Redator designado  Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de  Sousa  (Presidente),  Eva Maria  Los,  Paulo  Cezar  Fernandes  de  Aguiar,  Luis  Fabiano  Alves  Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, José Carlos de Assis Guimarães,  Leonam  Rocha  de  Medeiros  (Conselheiro  suplente  convocado);  ausente  justificadamente  Rafael Gasparello Lima.     Relatório    Trata­se  de  Embargos  de  Declaração  opostos  pelo  contribuinte  em  face  do  Acórdão nº 1201­001.491, de 14 de setembro de 2016, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 2ª  Câmara, da Primeira Seção de Julgamento do CARF:  Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos,  em  negar  provimento  ao  Recurso  de  ofício  e  considerar  improcedentes  os  Termos  de  Sujeição  Passiva  Solidária  e,  por  maioria de votos, dar parcial provimento ao Recurso voluntário,  mantendo a  exigência de RS 92.173.395.50 de  IRRF, acrescida  de  multa  de  ofício  reduzida  para  75%,  mais  juros  de  mora;  cancelar  as  exigências  de  IRPJ  e  CSLL;  reduzir  o  Saldo  Negativo  de  IRPJ  do  ano­calendário  2008  para  RS(­)  68.779.672,17  e  o  Saldo  Negativo  de  CSLL  para  RS  (­)  19.962.646.29;  Vencidos  os  Conselheiros  Luis  Fabiano  e  Ronaldo Apelbaum. que lhe davam provimento.     Os Embargos  de Declaração  foram  admitidos  relativamente  aos  ITENS  3,  4  e  5,  apontados pelo Embargante; reproduz­se a seguir, a análise:   "ITEM 3. "Erros de interpretação": omissão e obscuridade quanto ao fundamento  normativo para a retificação em período anterior ao de sua constatação; que o Acórdão  não indica quais dispositivos da legislação tributária determinariam a consideração dos  "erros de interpretação", no período ao qual se reportam e não no período em que  tenham sido detectados, conforme a legislação societária.  O Acórdão diz:  150.  Assim,  pode­se  afirmar  que  a  data  mais  tarde  em  que  a  Recorrente  tomou  conhecimento  dos  dados  seria  essa  última  data:  não  há  elementos  para  se  afirmar  data  anterior,  embora  seja perfeitamente possível de que estivesse ciente das diferenças  que o citado relatório apontou.  Fl. 3276DF CARF MF Processo nº 19515.722835/2013­75  Acórdão n.º 1201­002.144  S1­C2T1  Fl. 4          3 151.  Contudo,  tal  data  em  03/08/2010,  não  justifica  que  a  Recorrente tenha mantido a indevida distribuição de dividendos  e  de  JCP.  efetuados  após  tomar  conhecimento  que  eram  indevidos: a argumentação baseada em orientações do CFC de  que  erros  de  exercícios  anteriores  devem  ser  corrigidos  no  exercício  em que  foram  identificados  é  referente à  legislação e  demonstrativos societários.  152. Em se tratando de legislação tributária, o erro identificado  posteriormente  não  exime  o  contribuinte  de  promover  a  retificação, a apuração dos tributos devidos que não haviam sido  apurados nem recolhidos: e. em não o fazendo espontaneamente,  está  sujeito  a  serem  tais  tributos  exigidos  de  ofício,  com  incidência de multa de ofício.  Avaliação: Cabe reconhecer a omissão apontada.  ITEM 4. Tratamento dos dividendos: omissão e obscuridade quanto ao fundamento  normativo para a tributação na fonte (IRRF):  O  acórdão  rejeitou  o  argumento  de  que  os  dividendos  supostamente  distribuídos  em  excesso  deveriam  receber  o  tratamento de redução de capital (isenção), pois "a leitura do art.  48,  §3o  da  Instrução  Normativa  n°  93,  de  1997,  elucida  que,  inexistindo  lucros  acumulados  ou  reservas,  que  é  o  caso  presente,  a  parcela  excedente,  que  no  caso  é  a  totalidade  do  valor distribuído, será submetida à tributação".  O referido dispositivo prevê: "inexistindo lucros acumulados ou  reservas de  lucros  em montante  suficiente,  a parcela  excedente  será submetida à tributação nos termos do art. 3o, § 4o, da Lei n°  7.713, de 1988, com base na tabela progressiva a que se refere o  art.  3o  da  Lei  n°  9.250,  de  1995".  Já  o  art.  3o,  §4°,  da  Lei  7.713/1988  diz:  "a  tributação  independe  da  denominação  dos  rendimentos,  títulos  ou  direitos,  da  localização,  condição  jurídica  ou  nacionalidade  da  fonte,  da  origem  dos  bens  produtores  da  renda,  e  da  forma  de  percepção  das  rendas  ou  proventos,  bastando,  para a  incidência  do  imposto,  o  benefício  do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título."  Como  se  verifica,  os  dispositivos  invocados  pelo  acórdão  são  genéricos  e não explicam qual  seria o  regime de  tributação dos  dividendos  distribuídos  em  excesso.  Assim,  restou  obscura  a  afirmação  de  que  parcela  excedente  (...)  será  submetida  à  tributação",  já  que  foi  omitida  a  regra  legal  que  eventualmente  autorize o tratamento dado pelo Fisco.  O Auto  de  Infração  indicou  a  base  legal  da  autuação,  pág.  1.426:  art.  685,  I  e  682  (rendimentos  pagos  a  PJ  domiciliada  no  exterior),  683,  684,  do RIR,  e  28  da  Lei  nº  6.249, de 1995 (alíquota de 15%).   Avaliação: Conclui­se caber razão de que há obscuridade, neste item.  ITEM 5. Lucro líquido de 2008: contradição quanto aos critérios para sua apuração  O acórdão  concluiu  pelo  cabimento  da  recomposição  do  valor  passível  de  distribuição,  porém,  não  acolheu  o  pedido  da  Embargante  de  que  fossem  considerados  o  IRPJ  e  a  CSLL  Fl. 3277DF CARF MF Processo nº 19515.722835/2013­75  Acórdão n.º 1201­002.144  S1­C2T1  Fl. 5          4 diferidos e as diferenças do RTT, que, somados, correspondem a  R$  52.527.508,29  (formados,  respectivamente,  por  R$  45.776.508,29 e R$ 6.751.000,00).  Curiosamente,  a  tabela  constante  de  fls.  3.172  inclui  no  lucro  distribuível,  de  acordo  com  o  "voto",  a  parcela  de  R$  45.776.508,29,  relativa  a  IRPJ  e  CSLL  diferidos.  Mas,  contraditoriamente, conclui o acórdão que a autuação "deve ser  mantida,  no  montante  apurado  pelo  Autuante",  ou  seja,  excluindo­se a aludida parcela (fl. 3.172).  A  perplexidade  aumenta  na  medida  em  que  o  acórdão,  de  um  lado,  diz  que  "o  autuante  considerou  nos  cálculos  o  valor  do  Lucro  Líquido  do  ano  2008,  indevidamente;  de  outro  lado,  reconhece que "esta instância de julgamento não está autorizada  a  agravar  o  lançamento  fiscal, mas,  ao  final,  conclui  que  não  poderiam ser consideradas no lucro as parcelas pleiteadas pela  Embargante, por serem de 2008. Ao assim proceder, o acórdão  alterou  em  desfavor  do  contribuinte  o  critério  adotado  pelo  Fisco,  que  considerou  o  lucro  líquido  do  ano  de  2008  na  apuração dos dividendos.  Observe­se que a exclusão dos ajustes ora em discussão do lucro  passível  de  distribuição  deu­se  unicamente  porque  a  Fiscalização  entendia  que  eles  não  integravam  a  parcela  de  dividendos isenta, pois não eram considerados no lucro real.  Ocorre o acórdão reconhece que "o lucro sobre o qual se calcula  os  dividendos  a  distribuir  é  o  lucro  apurado  pela  legislação  societária''' (fl. 3.169) e não o lucro real (cf. Parecer PGFN CAT  202/2013).  Portanto,  estabelecidas  pelo  acórdão  as  premissas  de  que:  (a)  não podia agravar a exigência fiscal (o que impede a alteração  dos  critérios  fiscais  em  desfavor  do  contribuinte);  e  (b)  os  dividendos devem ser apurados de acordo com o lucro societário  (fiscal) e não conforme o lucro real; (c) a conclusão inexorável  seria pelo acolhimento do pleito da Embargante de consideração  da  parcela  de  R$  52.527.508,29,  para  efeito  de  cálculo  dos  dividendos.  A  conclusão  em  sentido  contrário  restou  contraditória.  Ademais, o acórdão omitiu­se quanto ao disposto no art. 48 da  IN 93/1997, segundo o qual só há que se cogitar da distribuição  de dividendos em excesso se o valor ultrapassar os resultados do  "período  base  não  encerrado'"  e  os  lucros  acumulados  ou  reservas  de  lucros  "de  exercícios  anteriores",  justificando  a  consideração  do  lucro  líquido  de  2008,  como,  repita­se,  entendeu a própria Fiscalização.  A tabela de pág. 3.172:  1.1.1.1  Recomposição do valor passível de distribuição.  2. Assim, cabe recompor a apuração do lucro passível  de  distribuição,  considerando  a  redução  dos  Lucros  Acumulados  em  31/12/2007  no  valor  de  R$651.398.669,14 (­) 45.776.508,29)  Apuração do lucro passível de distribuição:  Auto de Infração  Este voto  Fl. 3278DF CARF MF Processo nº 19515.722835/2013­75  Acórdão n.º 1201­002.144  S1­C2T1  Fl. 6          5 Saldo em 31 de dezembro de 2007 (fonte DIPJ, Ficha 38 ­ Dem  Lucros e Preju Acum, linha 1)   596.582.207,58  596.582.207,58  Ajustes nos lucros acumulados de 2007 (Ficha 38 ­ Demonstração  dos Lucros e Prejuízos Acumulados , linha 07. (­) Ajustes Devedores de  Períodos de Apuração Anteriores, pág. 902); TVF, itens 54 e 55, págs.  1.458/1.460  (651.398.669,14)  (651.398.669,14)   "Imposto de Renda e Contribuição Social Diferidos" inclusos nos Ajustes.    45.776.508,29  Ajustes da adoção inicial da Lei 11.638/07 (Ficha 38 ­  Demonstração dos Lucros e Prejuízos Acumulados , linha 07. (­)  Ajustes Devedores de Períodos de Apuração Anteriores, pág. 902)  (30.314.646,63)  0,00  Lucro Passível de Distribuição 31/12/2007    (54.816.461,56)  Lucro Líquido do Exercício ( item 18 ­ já deduzido o novo  JCP)  134.105.792,18    Ajustes do RTT (itens 14 e 16 )  (6.751.000,00)    Saldo disponível para Destinações  42.223.683,99    2. Observa­se que o autuante considerou nos cálculos o valor do  Lucro Líquido do ano 2008, indevidamente, dado que todas as  informações, seja da Recorrente, seja do Autuante, são que os  dividendos em discussão são sobre os Lucros Acumulados do  ano­calendário 2007, com encerramento em 31/12/2007.  3. Contudo,  esta  instância de  julgamento não está  autorizada a  agravar o lançamento fiscal.  Avaliação: Cabe reconhecer obscuridade ." Voto Vencido  Conselheira Eva Maria Los, Relatora  1.  Os autos de infração de referem ao ano­calendário 2008.  ITEM 3  2.  Reproduz­se  a  seguir,  trechos  do  Termo  de  Verificação  Fiscal  que  elucidam  a  questão:  "21. Analisando a Ficha 38 ­ Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados, da DIPJ  2009, Ano­calendário 2008, observamos que o Saldo de Lucros Acumulados oriundo de 2007 é  de 596.582.207,58 (Linha 01); e, considerando o valor de R$ 134.105.792,18 (item 20 retro)  como o valor CORRETO de Lucro Líquido do Ano de 2008, sem considerarmos os ajustes na  conta lucros acumulados demonstrados adiante, teríamos como montante de Lucro Passível de  Distribuição o valor de R$ 730.687­999,76 (596.582.207,58 + 134.105.792,18).  22. Ocorre que, analisando as Demonstrações das Mutações do Patrimônio Líquido apresentada  pela empresa, correspondente aos Exercícios findos em 31 de dezembro de 2008 e 2007,  verificamos constar como 'Ajustes nos lucros acumulados de 2007' o valor de R$  651.398.669,14. Conforme se extrai da análise das fls. 22/23/24 do documento apresentado pela  empresa, intitulado 'Demonstrações Financeiras em 31 de dezembro de 2008 e 2007, estes  Fl. 3279DF CARF MF Processo nº 19515.722835/2013­75  Acórdão n.º 1201­002.144  S1­C2T1  Fl. 7          6 ajustes decorrem de erros reconhecidos pela empresa, pois a empresa deixara de efetuar  lançamentos adequados que afetaram os saldos de encerramento de períodos anteriores a  31/12/2007, lançamentos estes que NÃO TÊM PERTINÊNCIA COM A ENTRADA EM  VIGOR DA LEI 11.638/2007, fato este corroborado ela própria leitura das notas explicativas às  demonstrações financeiras:  3.3 Correção de Erros A administração identificou e corrigiu, no  exercício  de  2008,  erros  de  interpretação,  que  afetaram  os  saldos  do  encerramento  do  exercício  social  findo  em  31  de  dezembro de 2007 (...)   (...)  25. As datas de contabilização dos Ajustes, e outras ocorrências, constantes no Livro Razão em  dezembro de 2008, passam a impressão de que foram feitos de forma a se colocar como  "contabilmente possível" a distribuição de dividendos efetuada pela empresa no montante de R$  564.539.591,81, já que os referidos ajustes foram lançados após a escrituração da distribuição de  "dividendos"; é notório, pois, se assim não o fosse (1o, os ajustes; 2o, a distribuição de  dividendos), a empresa não teria como distribuir dividendos no referido montante, conforme será  demonstrado abaixo.  26. Em continuidade, verificou­se que a empresa calculou Juros sobre o Capital Próprio (JCP),  nos termos do art. 9o, da Lei 9.249/1995, com base na Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP)  vigente no exercício de 2008, no montante de R$ 68.661.750,96. Segundo o sitio da Receita  Federal do Brasil, consta como TJLP correspondente aos 12 meses do ano de 2008 o valor de  6,25%.   26.1. Conforme será demonstrado abaixo, a empresa não possuía Patrimônio Líquido em valor  suficiente para efetuar o pagamento de JCP no montante acima destacado. Isso porque os ajustes  efetuados pela empresa, no montante de R$ 681.713.315,78, caso fossem efetuados  corretamente, ou seja, antes do cálculo do JCP, diminuiriam o valor do patrimônio líquido da  empresa que é a base de cálculo do pagamento dos juros.  27.Na data de 24/09/2013, a empresa apresentou resposta ao referido Termo de Constatação e  Intimação Fiscal, alegando, resumidamente, que os ajustes efetuados na conta de lucros  acumulados não poderiam impedir a distribuição dos dividendos e o pagamento dos juros sobre  o capital próprio uma vez que tais ajustes poderiam ter sido feitos após a remessa dos dividendos  e do pagamento do JCP.  3.  Evidencia­se que a distribuição de dividendos e o pagamento dos JCP ocorreram no  ano 2008,  tendo como base  lucros acumulados até 31/12/2007, que se revelaram inexistentes  devido à diferença de (­)R$ 651.398.669,14, corrigida durante o ano de 2008, que, segundo as  das notas explicativas às demonstrações financeiras, mais uma vez reproduzida:  3.3 Correção de Erros  A  administração  identificou  e  corrigiu,  no  exercício  de  2008,  erros de interpretação, que afetaram os saldos do encerramento  do exercício social findo em 31 de dezembro de 2007 (...)"  4.  O Acórdão  embargado  confirmou  que  essa  diferença  não  se  trata  de  ajustes  para  obedecer a Lei nº 11.638, de 2007, nem do RTT, e que são ajustes anteriores a 01/01/2008.  5.  Seguem ainda as considerações do TVF:  43­No período em análise, a empresa realizou ajustes que geraram efeito nos lucros acumulados  em 31/12/2007, ou seja, são valores que deixaram de ser contabilizados em época própria, em  descumprimento ao princípio da competência, cujos valores a seguir demonstrados estão em  milhares de reais conforme informado nas Notas Explicativas às Demonstrações Financeiras:   (...)  47. A forma correta de lançamento de qualquer tipo de ajuste é mais do que conhecida, tendo em  vista a disposição dos lançamentos de ajustes constantes da Ficha 38 da DIPJ 2009, Ano­ calendário 2008, a qual traduz a seqüência imposta pelo art. 186, da Lei 6.404/1976 (Lei das  Sociedades Anônimas), tratado abaixo:  Fl. 3280DF CARF MF Processo nº 19515.722835/2013­75  Acórdão n.º 1201­002.144  S1­C2T1  Fl. 8          7 (...)  50. Considerando as Normas Contábeis editadas após a vigência da Lei 11.638/07, mais  especificamente o Pronunciamento Técnico CPC 13, de 05/12/2008, emitido pelo Comitê de  Pronunciamentos Contábeis, em seu item 10, "in verbis", tem­se o que segue:  "10.  A  entidade  deve  elaborar  balanço  patrimonial  inicial  na  data de transição para as novas práticas contábeis adotadas no  Brasil,  que  é  o  ponto  de  partida  para  sua  contabilidade  de  acordo com a Lei n° 11.638/07 e Medida Provisória n° 449/08.  Esse balanço patrimonial  inicial  deve  ser  elaborado de  acordo  com  os  termos  deste  Pronunciamento.  Por  exemplo:  para  uma  entidade  que  tem  seu  exercício  social  coincidente  com  o  ano­ calendário,'a  data­base  das  primeiras  demonstrações  contábeis  elaboradas de acordo com as novas práticas contábeis adotadas  no  Brasil  é  31  de  dezembro  de  2008.  Nesse  caso,  a  data  de  transição dependerá da opção feita pela entidade, constante dos  itens 3 e 4, considerando que:   (a) se optar por seguir estritamente o §1o do art. 186 da Leí n°  6.404/76, a data de transição será a abertura em 1o de Janeiro  de 2008 ou o encerramento em 31 de dezembro de 2007:  6.  Os itens 3 e 4 citados:  "3.  As  exigências  de  ajustes  trazidos  pela  Lei  nº  11.638/07  e  Medida Provisória nº 449/08 não se enquadram como mudança  de circunstâncias, estimativas ou evento econômico subseqüente,  pois  decorrem  de  processo  normativo  em  direção  às  Normas  Internacionais  de  Contabilidade.  Assim,  este  Pronunciamento  considera  que  os  ajustes  devem  ser  contabilizados  de  acordo  com  as  disposições  contábeis  aplicáveis  à mudança de  critério  (ou prática) contábil. A esse respeito, o § 1º do art. 186 da Lei nº  6.404/76  determina  que  os  correspondentes  ajustes  iniciais  devem  ser  contabilizados  na  conta  de  lucros  ou  prejuízos  acumulados. A norma sobre “Práticas Contábeis, Mudanças nas  Estimativas Contábeis e Correção de Erros” requer que, além de  discriminar  os  efeitos  da  adoção  da  nova  prática  contábil  na  conta  de  lucros  ou  prejuízos  acumulados,  a  entidade  deve  demonstrar o balanço de abertura para cada conta ou grupo de  contas relativo ao período mais antigo apresentado para fins de  comparação,  bem  como  os  demais  valores  comparativos  apresentados, como se a nova prática contábil estivesse sempre  em  uso.  Todavia,  para  fins  da  aplicação  inicial  da  Lei  nº.  11.638/07 e Medida Provisória nº 449/08, este Pronunciamento  desobriga as entidades quanto à aplicação dessa norma, ou seja,  ao aplicar a Lei pela primeira vez, as entidades são requeridas  apenas a aplicar o § 1º. do art. 186 acima referido.  4.  Embora  desobrigadas  de  reapresentação  das  cifras  comparativas  nos  termos  do  item  anterior,  as  entidades  podem  optar por efetuar essa reapresentação e, nesse caso, o presente  Pronunciamento  inclui  dispensas  específicas  para  evitar  custos  que,  provavelmente,  superariam  os  benefícios  para  os  preparadores e os usuários de demonstrações contábeis, além de  determinadas outras exceções por razões práticas.  Fl. 3281DF CARF MF Processo nº 19515.722835/2013­75  Acórdão n.º 1201­002.144  S1­C2T1  Fl. 9          8 7.  Como se vê, correções que evidenciaram serem inexistentes os lucros acumulados  eram obrigatórias, antes de 01/01/2008, conforme o item 10 do CPC 13: "a data de transição  será a abertura em 1o de Janeiro de 2008 ou o encerramento em 31 de dezembro de 2007".  Portanto a distribuição dos dividendos e o pagamento dos JCP, ocorrida durante o ano 2008,  foi sobre valores de lucros acumulados inexistentes.  8.  Cite­se o TVF:  "51. Observamos, ainda, que o item 3, do CPC 13, transcrito abaixo "in verbis", ratificou a  vigência do art. 186 da Lei 6.404/76, pois determina que os correspondentes ajustes iniciais (que  a empresa deveria ter efetuado, na pior hipótese (ou seja, no máximo), em 1° de janeiro de 2008)  deveriam ser contabilizados na conta lucros ou prejuízos acumulados, exatamente na ordem  seqüencial estabelecida na Ficha 38 da DIPJ 2009, Ano­calendário 2008, qual seja: primeiro, o  lançamento do ajuste; posteriormente, a distribuição de dividendos, caso houvesse saldo; e não a  seqüência dos lançamentos que efetivamente a empresa efetuou no Razão contábil, qual seja,  primeiro, a distribuição dos dividendos (em 15/12/2008) e depois, o lançamento dos ajustes (em  31/12/2008), pois, se não fizesse desta forma, a empresa não teria como distribuir dividendos no  montante de R$ 564.539.591,81.          (...)  53.2, Ou seja, a empresa, segundo suas próprias demonstrações financeiras, informa, de forma  "equivocada", que efetuou um Balanço Patrimonial Inicial em 01/01/2008, e que os ajustes  decorrentes da adoção inicial das novas práticas contábeis foram lançados contra a conta Lucros  Acumulados, exatamente como orientado no item 3, do CPC 13 (item 51 retro), quando, na  realidade, ela fez, em sua contabilidade, um lançamento de ajuste relativo a exercícios anteriores  no valor de R$ 681.713.315,78 em 31/12/2008, que, por sua vez, incorpora o valor de R$  30.314.646,63 (item 23 ­ retro).  Ademais, o referido lançamento de ajuste foi lançado após a escrituração da "distribuição de  dividendos", quando o correto é o contrário ­ fato este mais do que conhecido, tendo em vista a  disposição seqüencial dos lançamentos constantes da Ficha 38 da DIPJ 2009, ano­calendário  2008, a qual está convalidada pelo art. 186, da Lei 6.404/76. Reiteramos que,  independentemente da forma de constituição da empresa (Ltda ou S/A), o modelo­seqüencial da  Ficha 38 é historicamente idêntico até hoje.  (...)  55.1. Se considerarmos, novamente, o disposto no art. 186 da Lei 6.404/76, cuja estrutura guarda  correspondência com a histórica Ficha 38 da DIPJ Exercício 2009, ano calendário 2008,  Fl. 3282DF CARF MF Processo nº 19515.722835/2013­75  Acórdão n.º 1201­002.144  S1­C2T1  Fl. 10          9 podemos constatar que os ajustes de exercícios anterior, obrigatoriamente, têm que ser\efetuados  antes da Distribuição de Lucros ou Dividendos. (...)  (...)  57.Nesses termos, esta fiscalização entende que, se a empresa tivesse feito em sua contabilidade  os lançamentos na ordem disposta no artigo 186, da Lei 6.404/76, ordem pela qual a empresa  demonstra ter conhecimento, pois além de preencher corretamente a Ficha 38 da DIPJ Exercício  2009, ano­calendário 2008, apresentou a esta fiscalização um documento intitulado  "Demonstrações das mutações do patrimônio líquido", no qual ela primeiro efetua os ajustes e  depois lança a distribuição de dividendos, não teria lucros/dividendos suficientes para  distribuição de tal montante. Entretanto, importante ressaltar que, não obstante a empresa ter  conhecimento da seqüência correta dos lançamentos, isso não a impediu de distribuir mais lucro  do que realmente dispunha, uma vez que em 31/12/2008, após os ajustes efetuados e a  distribuição de lucros, ela deságua em um saldo de prejuízo no montante de (R$  475.819.787,07).  (...)  58.2. Ainda, ratificando novamente que cometeu 'erros', a empresa informa no item c das Notas  Explicativas às Demonstrações Financeiras, fls. 47 do documento apresentado por ela intitulado  'Demonstrações Financeiras em 31 de dezembro de 2008 e 2007':    (...)"  9.  Concluindo,  a Relatora  se  alinhou  com  as  conclusões  do TVF:  que  as  correções,  que não eram decorrentes da adoção da nova legislação das SA's, eliminaram o saldo de lucros  acumulados cujo valor deveria  ter sido ajustado, antes de 01/01/2008, e afetava o dito saldo,  impedindo a distribuição de dividendos em 15/12/2008.  10.  O art. 186 da Lei das S A’s, Lei nº 6.404 , de 15 de dezembro de 1976, que dá base  à Ficha 38 da DIPJ 2009:  Ficha 38 ­ Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados  16579312831012012181802MF110 Ano­ calendário 2008 ND 1794474  CNPJ  60.409.075/0001­52  Discriminação  Valor  LUCROS/PREJUÍZOS    01.Saldo de Lucros Acumulados  596.582.207,58  02.Ajustes Credores de Períodos de Apuração  Anteriores  0, 00  03.Reversão de Reservas  0, 00  04.Outros Recursos    05.Lucro Líquido do Aro  173.850.912,94  06.(­)Saldo Anterior de Prejuízos Acumulados    07.(­)Ajustes Devedores de Períodos de  Apuração Anteriores  681.713.315,78  08.(­)Prejuízo Líquido do Ano    09.TOTAL  88.719.804,74  Fl. 3283DF CARF MF Processo nº 19515.722835/2013­75  Acórdão n.º 1201­002.144  S1­C2T1  Fl. 11          10 DESTINAÇÕES    10 . Transferências para Reservas    11.Dividendos ou Lucros Distribuídos, Pagos  ou Creditados  564.539.591,81  12.Parcela do; Lucros Incorporados ao Capital  0, 00  13 .Outras Destinações      564.539.591,81  15.LUCROS OU PREJUÍZOS  ACUMULADOS  ­475.819.787,07  INFORMAÇÕES DO ÚLTIMO BALANÇO  DO ANO DA DECLARAÇÃO    16.BALANÇO TRANSCRITO ÀS FOLHAS  N°  1  17.N° DO DIÁRIO  1787  18.N° DO REGISTRO DO DIÁRIO  0  11.  Em síntese, a base normativa reclamada foram o art. 186 da Lei nº 6.404 , de 15 de  dezembro  de  1976;  o  item  3,  item  10  "a",  do  Pronunciamento  Técnico  do  Comitê  de  Pronunciamentos Contábeis CPC 13, de 05 de dezembro de 2008;  isto é, a Lei das SA's e os  procedimentos  a  serem  adotados  na  elaboração  do  balanço  patrimonial  inicial  na  data  de  transição (em 01/01/2008) para as novas práticas contábeis adotadas no Brasil, que é o ponto  de partida para sua contabilidade de acordo com a Lei n° 11.638, de 2007 e Medida Provisória  n° 449, de 2008.  ITEM 4  12.  O  Autuante  apurou  que  o  valor  de  lucros  disponíveis  para  distribuição  como  dividendos  foi  R$42.223.683,99;  como  a  empresa  remeteu  ao  exterior  R$564.539.591,84,  o  excedente foi tributado com a base legal constante no Auto de Infração, art. 28, da Lei 9.249,  de 1995, arts. 682, 683, 684, 685 do RIR, de 1999, porque não se tratava de dividendos e sim  remuneração:  Art.682.  Estão  sujeitos  ao  imposto  na  fonte,  de  acordo  com  o  disposto  neste  Capítulo,  a  renda  e  os  proventos  de  qualquer  natureza  provenientes  de  fontes  situadas  no  País,  quando  percebidos:  I­pelas pessoas físicas ou jurídicas residentes ou domiciliadas no  exterior (Decreto­Lei nº 5.844, de 1943, art. 97, alínea "a")  (...)  Art.  685,  I,  do  RIR/99:  Art.685.Os  rendimentos,  ganhos  de  capital  e  demais  proventos  pagos,  creditados,  entregues,  empregados  ou  remetidos,  por  fonte  situada  no  País,  a  pessoa  física  ou  jurídica  residente  no  exterior,  estão  sujeitos  à  incidência na fonte (Decreto­Lei nº 5.844, de 1943, art. 100, Lei  nº 3.470, de 1958, art. 77, Lei nº 9.249, de 1995, art. 23, e Lei nº  9.779, de 1999, arts. 7º e 8º):  I­à alíquota de quinze por cento, quando não tiverem tributação  específica neste Capítulo, inclusive:  13.  Quanto ao art. 692 do RIR:  Fl. 3284DF CARF MF Processo nº 19515.722835/2013­75  Acórdão n.º 1201­002.144  S1­C2T1  Fl. 12          11 Art.692.  Os  lucros  ou  dividendos  calculados  com  base  nos  resultados apurados a partir do mês de  janeiro de 1996, pagos  ou  creditados  pelas  pessoas  jurídicas  tributadas  com  base  no  lucro real ou arbitrado a pessoa física ou jurídica, domiciliada  no exterior, não estão sujeitos à incidência do imposto na fonte  (Lei nº 9.249, de 1995, art. 10).  14.  O  art.  692  do  RIR  de  1999,  supra,  não  se  aplica,  porque  valores  remetidos  ao  exterior  não  podem  ser  considerados  como  lucros  distribuídos  ou  dividendos,  pela  razão  exposta, ou seja, o valor pago, objeto da autuação, excedeu os lucros apurados.  15.  Afirma o TVF:   66. Ou seja, existem duas condições para se distribuir dividendos com isenção: 1a­ a  empresa deve possuir lucro para ser distribuído; 2a­ o lucro distribuído deve ser apurado  conforme as regras existentes em 31/12/2007.  67 (...) Ressalta­se que somente o saldo positivo de R$ 42.223.683,99, resultante da  recomposição feita pela fiscalização, foi considerado com dividendo passível de  distribuição. Desse modo, os valores pagos a maior foram considerados como  rudimentos pagos a beneficiários no exterior, servindo para o cálculo do 1RF, conforme  se verá adiante.  16.  Como se evidencia, não havia necessidade de se repetir a base legal já constante dos  autos.  17.  A Recorrente ainda questiona:  61. Mesmo que se admitisse  ter ocorrido distribuição de  lucros  em excesso (com o que não concorda) isso acarretaria redução  de  capital  (isto  é,  restituição  de  capital  aos  acionistas),  não  sujeita ao IRRF, por inexistência de base legal, sendo inaceitável  a posição de DRJ de que a "redução de capital" não poderia ser  reconhecida  porque  não  houve  deliberação  dos  sócios  neste  sentido; eis que a distribuição foi decidida por unanimidade em  25/11/2008.  18.  A  companhia  pode  reduzir  o  Capital  Social,  seja  para  absorver  prejuízos  acumulados  ou  para  devolução  aos  acionistas,  por  ser  excessivo  em  relação  às  necessidades  sociais.  Para  as  sociedades  limitadas,  a  redução de  capital  é  regulada pelos  artigos  1.082  a  1.084 do Novo Código Civil (Lei 10.406, de 2002):  Do Aumento e da Redução do Capital   Art.  1.082.  Pode  a  sociedade  reduzir  o  capital,  mediante  a  correspondente modificação do contrato:  I ­ depois de integralizado, se houver perdas irreparáveis;  II ­ se excessivo em relação ao objeto da sociedade.  (...)  Art.  1.084.  No  caso  do  inciso  II  do  art.  1.082,  a  redução  do  capital  será  feita  restituindo­se  parte  do  valor  das  quotas  aos  sócios,  ou  dispensando­se  as  prestações  ainda  devidas,  com  diminuição proporcional, em ambos os casos, do valor nominal  das quotas.  Fl. 3285DF CARF MF Processo nº 19515.722835/2013­75  Acórdão n.º 1201­002.144  S1­C2T1  Fl. 13          12 § 1o No prazo de noventa dias, contado da data da publicação da  ata  da  assembléia  que  aprovar  a  redução,  o  credor  quirografário,  por  título  líquido  anterior  a  essa  data,  poderá  opor­se ao deliberado.  §  2o  A  redução  somente  se  tornará  eficaz  se,  no  prazo  estabelecido  no  parágrafo  antecedente,  não  for  impugnada,  ou  se  provado  o  pagamento  da  dívida  ou  o  depósito  judicial  do  respectivo valor.  §  3o  Satisfeitas  as  condições  estabelecidas  no  parágrafo  antecedente, proceder­se­á à averbação, no Registro Público de  Empresas  Mercantis,  da  ata  que  tenha  aprovado  a  redução.  (Grifou­se.)  19.  A Ata de Reunião de Diretoria, págs. 1.274/1.275, de 25/11/2008, registra a decisão  da Nestlé S/A, sediada na Suíça, e Socopal Ltda, únicas sócias da Nestlé Brasil Ltda:  (...)  resolvem  neste  ato,  de  pleno  e  comum acordo,  deliberar  a  distribuição  de  Dividendos  no  valor  de  R$  564.539.591,81  (quinhentos  e  sessenta  e  quatro  milhões,  quinhentos  e  trinta  e  nove  mil,  quinhentos  e  noventa  e  um  reais  e  oitenta  um  centavos), que serão remetidos à Sócia Nestlé S.A., até o dia 20  de  dezembro  de  ­008.  A  sócia  minoritária,  SOCOPAL  ­  Sociedade  Comercial  de  Corretagem  de  Seguros  e  de  Participações Ltda., renuncia ao direito do recebimento dos seus  respectivos juros em favor da sócia majoritária Nestlé S. A.  20.  Esta Ata, datada de 25/11/2008, foi levada a registro na Junta Comercial do Estado  de São Paulo ­ Jucesp.  21.  Não há, assim, o que falar em redução de capital.  22.  Conclui­se  que  o  auto  de  infração  informa  satisfatoriamente  a  base  legal  da  exigência de ofício, não havendo obscuridade; quanto à possibilidade de redução de capital e  devolução  ao  sócio  no  exterior,  não  foram  cumpridas  formalidade  que  caracterizassem  a  remessa  como  redução  de  capital  com devolução  aos  sócios,  dado  que  a Ata  da Reunião  de  Sócios deliberou Distribuição de Dividendos".  23.  Assim,  resta  sanada  qualquer  obscuridade  que  porventura  remanescesse,  no  Acórdão embargado, quanto a esta questão.  ITEM 5  1.2  LUCROS A DISTRIBUIR APURADOS EM 31/12/2008.  24.  Verifica­se,  pág. 1.834,  "Demonstração de  resultados,  exercícios  findos  em 31 de  dezembro de 2008 e 2007", que a Autuada adicionou ao lucro líquido apurado em 31/12/2008,  R$45.776.508,29 de IRPJ e CSLL diferidos de períodos anteriores:  Lucro antes do imposto de renda e contribuição social   206.300   Imposto de renda e contribuição social correntes      (9.562)   Fl. 3286DF CARF MF Processo nº 19515.722835/2013­75  Acórdão n.º 1201­002.144  S1­C2T1  Fl. 14          13 Imposto da renda e contribuição social diferidos    45.776  Lucro liquido do exercício           242.514  25.  O Autuante excluiu esta adição conforme explicou no Termo de Verificação Fiscal  ­ TVF, pág. 1.445:   "19. Ainda, considerando os dados constantes na Demonstração de Resultado apresentada,  verificamos que o contribuinte também considerou como lucro passível de distribuição o valor  de R$ 45.776.508,29, valor este informado a título de "Imposto de Renda e Contribuição Social  Diferidos". Ora, entendemos não haver qualquer base legal para o contribuinte considerar este  valor como lucro a ser distribuído com isenção, uma vez que o referido valor não chegou a fazer  parte da Base de Cálculo do IRPJ e da CSLL, condição imprescindível estabelecida pela regra  isentiva constante no artigo 10, da Lei 9.249/1995, (...)"  26.  TVF, pág. 1.451:   "36.1.1. A empresa aumentou o lucro líquido do próprio exercício de 2008 (lucro societário), no  montante de R$ 45.776.508,29, inserindo valores de IRPJ e CSLL diferidos que não poderiam  servir de base para distribuição de dividendos, uma vez que tais valores não foram oferecidos à  tributação, bem como não existe base legal para tanto. ITEM III. 1.1"  27.  TVF, págs. 1.444/1.445, demonstra o valor de  lucros passíveis de distribuição, no  encerramento do ano 2008, em 31/12/2008:  "18. Voltando a utilizar a Demonstração de Resultado apresentada pela empresa, correspondente  ao Exercício findo em 31 de dezembro de 2008, a qual indica como Lucro Antes dos Impostos o  valor de R$ 206.298.485,82, considerando o valor máximo que deveria ser pago a título de JCP  (31.270.409,76, cf. item 59.3), considerando o valor recalculado da CSLL devida  (10.838.722,20, cf. item 15 retro), bem como o valor recalculado do IRPJ devido  (30.083.561,68, cf. item 17.1 retro), obtemos como Lucro Líquido do Exercício passível de  distribuição o valor de: 206.298.485,82 ­ 31.370.409,76 ­ 10.838.722,20 ­ 30.083.561,68 = R$  134.105.792,18."  1.3  LUCROS A DISTRIBUIR APURADOS EM 31/12/2007.  28.  TVF,  págs.  1.467:  neste  quadro  o  Autuante  apurou  o  que  considerou  o  saldo  de  lucros disponível para distribuição:  60.  No  quadro  abaixo  indicamos  o  montante  de  lucros  disponíveis para distribuição, caso a empresa tivesse lançado os  ajustes regularmente em sua contabilidade:    Lucros/(prejuízos)  Saldo em 31 de dezembro de 2007  596.582.207,58  Ajustes nos lucros acumulados de 2007 (erros)  (651.398.669,14)  Ajustes da adoção inicial da Lei 11.638/07  (30.314.646,63)  Lucro Líquido do Exercício (cf. item 18 ­ já deduzido o novo JCP)  (destaque­se que trata­se de lucro referente a 2008)  134.105.792,18  Ajustes do RTT (itens 14 e 16 ­ retro)  (6.751.000,00)  Saldo disponível para Destinações  42.223.683,99  29.  TVF, pág. 1.468:  Fl. 3287DF CARF MF Processo nº 19515.722835/2013­75  Acórdão n.º 1201­002.144  S1­C2T1  Fl. 15          14 62.  Considerando  que  a  empresa  distribuiu,  a  título  de  dividendos, o valor de R$ 564.539.591,81 e dispunha, apenas, de  R$ 42.223.683,99, resta evidente que a diferença existente entre  esses  valores»  que  perfaz  o  montante  de  R$522.315.907,82,  a  empresa remeteu para o exterior, isenta de impostos, porém, sem  qualquer base legal.  30.  TVF, pág. 1.473:  71.  Nesse  sentido,  em  razão  da  alíquota  de  15%,  o  valor  da  remessa ao exterior, R$ 522.315.907,82, é considerado  líquido,  cabendo dividi­lo por 0,85, para se chegar ao valor bruto, que é  a base de cálculo do IRF, conforme abaixo transcrito:  Base de Cálculo ­ 522.315.907,82/0,85 = 614.489.303,32  31.  Mas, a Recorrente reiterou no recurso voluntário, que distribuiu lucros apurados em  31/12/2007, em 15/12/2008, transcreve­se:  A  impugnação  demonstrou  o  descabimento  das  autuações,  essencialmente, pois:  1.  Os  JCPs  e  os  lucros  distribuídos  ao  longo  de  2008  foram  calculados  com  base  nas  demonstrações  financeiras  de  31/12/2007  em  razão  de  a  legislação  impor  a  elaboração  de  novos demonstrativos apenas em 31/12/2008.  2.  O  resultado  apurado  em  um  exercício  é  passível  de  distribuição até o encerramento do seguinte, sem a necessidade  de  balanços  intermediários,  desde  que  o  pagamento  seja  debitado  à  conta  de  lucros  das  demonstrações  do  exercício  pretérito, a exemplo do verificado no caso concreto (pagamento  em 15/12/2008 com base nas demonstrações de 31/12/2007).  32.  Também relata o Acórdão embargado:    4.1.1.Dividendos.  132.  Às  págs.  1.490/1.491,  Ata  da  Reunião  de  Sócios  da  Recorrente  que  deliberam  sobre remessas de Dividendos para a sócia Nestlé S/A (Suiça)     Data da Reunião  referente a   Valor dos dividendos  25/11/2008  Lucr Acum em 31/12/2007  564.539.591,81  133.  Tanto  o  contribuinte  como  o  Autuante  se  referem  a  valores  que  a  recorrente  distribuiu a título de dividendos, com base nos lucros acumulados no encerramento do  ano­calendário 2007, isto é, em 31/12/2007.  33.  Evidente,  portanto,  que  os  lucros  sobre  os  quais  a  Autuada  decidiu  distribuir  na  forma de dividendos foram os que dispunha em 31/12/2007.  34.  Em relação ao ano­calendário 2007, o Acórdão embargado concluiu que não havia  saldo de lucros para a distribuição de dividendos em 31/12/2007.   Fl. 3288DF CARF MF Processo nº 19515.722835/2013­75  Acórdão n.º 1201­002.144  S1­C2T1  Fl. 16          15 35.  Por isso, na coluna "Este Voto", tabela de pág. 3.172, tendo sido apurado que não  restavam  lucros  a  serem  distribuídos  depois  de  consideradas  as  correções  dos  erros,  em  31/12/2007,  uma  vez  que  se  apurou  saldo  negativo  de  lucros  em  31/12/2007,  a  relatora  consignou que, se o Autuante reconheceu R$42.223.683,99 de lucros passíveis de distribuição,  o CARF não poderia deixar de manter este reconhecimento, sob risco de agravamento.  36.  Quanto  às  frases  a  seguir,  estão  erradas,  dado que R$45.776.508,29,  receberam o  mesmo tratamento que o Autuante havia dado, ou seja, estavam excluídos; a frase a seguir deve  ser desconsiderada.  "2. Assim, cabe recompor a apuração do lucro passível  de  distribuição,  considerando  a  redução  dos  Lucros  Acumulados  em  31/12/2007  no  valor  de  R$651.398.669,14 (­) 45.776.508,29)"    "Imposto de Renda e Contribuição Social Diferidos"  inclusos nos Ajustes.    45.776.508,29  ..."  37.  E a conclusão constante do Acórdão está de acordo com as conclusões do voto:  173.  À  vista  do  exposto,  a  autuação  referente  a  dividendos  indevidamente distribuídos, e portanto, que não podiam ter sido  considerados como tal, deve ser mantida, no montante apurado  pelo Autuante.    Conclusão.    Voto por ACOLHER os Embargos de Declaração, dando provimento em parte, sem  efeitos infringentes.  (assinado digitalmente)  Eva Maria Los  Voto Vencedor    Não obstante o brilhantismo do voto da Conselheira relatora ouso divergir.  Isso porque, em relação ao item 3 dos Embargos de Declaração apresentados "Erros  de Interpretação", entendo que o voto da conselheira relatora não conseguiu indicar qual seria o  dispositivo constante na legislação tributária ou societária que indica que na ocorrência de erro  de interpretação o ajuste deva ser efetuado no período ao qual se reporta e não no período em  que detectado ou identificado o erro.   A Conselheira Relatora não conseguiu fazer tal indicação em seu voto pelo simples  fato  de  que  tal  dispositivo  legal  não  existe.  Por  outro  lado,  tenho  firme  convicção  de  que  a  Fl. 3289DF CARF MF Processo nº 19515.722835/2013­75  Acórdão n.º 1201­002.144  S1­C2T1  Fl. 17          16 Resolução  CFC  1.087/2006  é  cristalina  ao  indicar  que  os  efeitos  corretivos  do  erro  de  interpretação devam gerar efeitos no período em que tal erro fora detectado, vejamos:  19.11.2.3.  Erros  de  exercícios  anteriores  são  omissões  ou  distorções contidos nas demonstrações contábeis de um ou mais  exercícios  anteriores,  resultantes  de  falhas  no  uso  ou  do  uso  errôneo de informações confiáveis que:  a)estavam disponíveis quando da elaboração das demonstrações  contábeis; e  b)seria  razoável  concluir  serem conhecidas  e  consideradas por  ocasião da elaboração e da divulgação daquelas demonstrações  contábeis. Tais erros incluem os efeitos de enganos matemáticos,  de  enganos  na  aplicação  das  práticas  contábeis,  de  desconsideração ou má interpretação de fatos e de fraudes.  (...)  19.11.5 ERROS  19.11.5.1 .Correção de Erros  19.11.5.1.1 Erros podem ocorrer no registro, na mensuração, na  apresentação  ou  na  divulgação  de  elementos  que  compõem  as  demonstrações  contábeis.  Essas  demonstrações  não  estão  de  acordo  com  as  práticas  contábeis  adotadas  no  Brasil  se  contiverem  erros  relevantes  ou  mesmo  pequenas  incorreções  cometidas  intencionalmente  para  atingir  uma  predeterminada  apresentação  da  posição  patrimonial  e  financeira  da  entidade,  de  seu  desempenho  ou  seu  fluxo  financeiro.  Erros  cometidos  e  identificados dentro do exercício corrente devem ser corrigidos  antes da elaboração e divulgação das demonstrações contábeis.  Contudo,  o  erro  pode  ser  identificado  em  exercício  subseqüente.  Nesse  caso,  o  erro  deve  ser  corrigido  nas  informações  de  exercícios  anteriores  apresentadas  para  fins  comparativos.      Veja, no presente caso está sendo discutida situação de erro e não de fraude  cometida  com  dolo.  Partindo  deste  princípio,  temos  que  o  ajuste  do  erro  detectado  deve  ser  feito no primeiro exercício em que isso for possível após a detecção do erro.   Além  disso,  a  norma  supracitada  dispõe  que  o  erro  deve  ser  corrigido  em  informações de exercícios anteriores para fins comparativos.   No caso  em  tela,  o  erro  tornou­se  conhecido  somente no mês de  agosto de  2010,  portanto,  o  ajuste  somente  poderia  ser  exigido  e  gerar  os  efeitos  daí  decorrentes  no  período  de  apuração  de  2010  e  não  no  ano  de  2008  como  quer  fazer  acreditar  a  autoridade  fiscal.   Fl. 3290DF CARF MF Processo nº 19515.722835/2013­75  Acórdão n.º 1201­002.144  S1­C2T1  Fl. 18          17 Considerando  que  nos  moldes  da  Resolução  CFC  1.087/2006  o  ajuste  somente  será  efetuado no ano de 2010,  sem efeitos  retroativos  ao  ano de 2008,  tenho que o  reconhecimento  do  presente  item  dos  Embargos  de  Declaração  deva  resultar  em  efeitos  infringentes, pois, uma vez mantido o resultado apurado no ano de 2008 não há que se falar em  excesso  de  distribuição  de  dividendos  neste mesmo  ano,  devendo  a  autuação  ser  cancelada  neste ponto.     Conclusão  Diante do  exposto, CONHEÇO dos Embargos  de Declaração  apresentados,  dando PROVIMENTO EM PARTE com EFEITOS INFRINGENTES em relação ao  item 03  dos Embargos de Declaração apresentados de forma a cancelar o lançamento fiscal decorrente  do excesso na distribuição de dividendos no ano de 2008.     É como voto!    Luis Fabiano Alves Penteado ­ Redator Designado                    Fl. 3291DF CARF MF

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7368439 #
Numero do processo: 11065.721660/2014-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 30/11/2011 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA 2 DO CARF. APLICAÇÃO. De conformidade com a Súmula CARF nº 2, este Colegiado não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS - DACON. O cumprimento das obrigações acessórias fora dos prazos previstos na legislação tributária sujeita o infrator à aplicação das penalidades legais. Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-003.952
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA

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3201­003.952  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  21 de junho de 2018  Matéria  DACON ­ MULTA POR ATRASO OU FALTA DE ENTREGA  Recorrente  ZENGLEIN & CIA LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS  Data do fato gerador: 30/11/2011  ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA 2 DO CARF.  APLICAÇÃO.  De  conformidade  com  a  Súmula  CARF  nº  2,  este  Colegiado  não  é  competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.  MULTA  POR  ATRASO  NA  ENTREGA  DO  DEMONSTRATIVO  DE  APURAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS ­ DACON.  O  cumprimento  das  obrigações  acessórias  fora  dos  prazos  previstos  na  legislação tributária sujeita o infrator à aplicação das penalidades legais.  Recurso Voluntário Negado      Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao Recurso.  (assinado digitalmente)  Charles Mayer de Castro Souza ­ Presidente e Relator  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Charles  Mayer  de  Castro  Souza  (Presidente),  Paulo  Roberto  Duarte  Moreira,  Tatiana  Josefovicz  Belisário,  Marcelo  Giovani  Vieira,  Pedro  Rinaldi  de  Oliveira  Lima,  Leonardo  Correia  Lima Macedo,  Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.       AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 72 16 60 /2 01 4- 01 Fl. 56DF CARF MF Processo nº 11065.721660/2014­01  Acórdão n.º 3201­003.952  S3­C2T1  Fl. 3          2 Relatório  Trata o presente processo de Auto de  Infração  lavrado para  se exigir multa  por atraso na entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon).  A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, por meio do acórdão nº 12­ 076.143,  julgou  improcedente  a  Impugnação,  sob  o  entendimento  de  que,  estando  a  pessoa  jurídica obrigada à apresentação do Dacon, o atraso ou a falta no cumprimento dessa obrigação  implica, por dever legal, a aplicação da multa correspondente.  Irresignado, o contribuinte interpôs, no prazo legal, Recurso Voluntário a este  Conselho.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator.  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF),  aprovado  pela Portaria MF  343,  de  9  de  junho  de  2015,  aplicando­se,  portanto,  ao  presente  litígio  o  decidido  no  Acórdão  3201­003.951,  de  21/06/2018,  proferido  no  julgamento  do  processo 13811.725490/2012­08, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.  Transcreve­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  o  entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201­003.951):  Preliminarmente,  em  relação  às  alegações  de  inconstitucionalidade  tecidas pela  recorrente  (irrazoabilidade e desproporcionalidade) em sua  peça recursal, as afasto em razão da incompetência deste Colegiado para  decidir sobre a constitucionalidade da legislação tributária.  A  matéria  é  objeto  da  Súmula  CARF  nº  2,  publicada  no  DOU  de  22/12/2009 a seguir ementada:  “Súmula CARF nº 2   O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade  de lei tributária”  Assim,  sendo  referida  súmula  de  aplicação  obrigatória  por  este  colegiado, maiores digressões sobre a matéria são desnecessárias.  No  que  tange  ao  mérito  da  questão,  trata­se  no  caso,  o  Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais  ­ DACON de uma  declaração  instituída  com  fundamento  no  art.  7º  da  Lei  nº  10426/2002,  com a redação dada pela Lei nº 11051/2004.  Fl. 57DF CARF MF Processo nº 11065.721660/2014­01  Acórdão n.º 3201­003.952  S3­C2T1  Fl. 4          3 O dispositivo legal em comento apresenta a seguinte redação:  "Art.  7o  O  sujeito  passivo  que  deixar  de  apresentar  Declaração  de  Informações  Econômico­Fiscais  da  Pessoa  Jurídica  ­  DIPJ,  Declaração  de  Débitos e Créditos Tributários Federais ­ DCTF, Declaração Simplificada da  Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte ­ DIRF e  Demonstrativo  de  Apuração  de Contribuições  Sociais  ­ Dacon,  nos  prazos  fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a  apresentar  declaração  original,  no  caso  de  não­apresentação,  ou  a  prestar  esclarecimentos,  nos  demais  casos,  no  prazo  estipulado  pela  Secretaria  da  Receita Federal ­ SRF, e sujeitar­se­á às seguintes multas:  (...)  III ­ de 2% (dois por cento) ao mês­calendário ou fração,  incidente sobre o  montante  da  Cofins,  ou,  na  sua  falta,  da  contribuição  para  o  PIS/Pasep,  informado  no  Dacon,  ainda  que  integralmente  pago,  no  caso  de  falta  de  entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por  cento), observado o disposto no § 3o deste artigo;"  Constata­se,  então,  que  a  obrigação  acessória  em  apreço  possui  previsão legal.  Estabelece a Instrução Normativa SRF n° 590, de 22 de dezembro de  2005, vigente à época dos fatos, nos arts. 2º e 8º:  "Art. 2º A partir do ano­calendário de 2006, as pessoas  jurídicas de direito  privado e as que lhes são equiparadas pela legislação do Imposto de Renda,  submetidas à apuração da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição  para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), nos regimes cumulativo  e  não­cumulativo,  inclusive  aquelas  que  apuram  a  Contribuição  para  o  PIS/Pasep  com  base  na  folha  de  salários,  deverão  apresentar  o  Dacon  Mensal, de forma centralizada pelo estabelecimento matriz, caso esta seja a  periodicidade  de  entrega  da  Declaração  de  Débitos  e  Créditos  Tributários  Federais  (DCTF).  (Redação  dada pelo(a)  Instrução Normativa SRF nº 708,  de 09 de janeiro de 2007)   §  1º  As  pessoas  jurídicas  não  enquadradas  no  caput  deste  artigo  poderão  optar pela entrega do Dacon Mensal.  §  2º  A  opção  de  que  trata  o  §  1º  será  exercida  mediante  apresentação  do  primeiro Dacon, sendo essa opção definitiva e  irretratável para  todo o ano­ calendário  que  contiver  o  período  correspondente  ao  demonstrativo  apresentado.  § 3º No caso de ser exercida a opção de que trata o § 1º com a apresentação  de Dacon relativo a mês posterior ao primeiro mês de 2006, a pessoa jurídica  ficará  obrigada  à  apresentação  dos  demonstrativos  relativos  aos  meses  anteriores.  §  4º  Na  hipótese  de  que  trata  o  §  3º,  será  devida  a  multa  pelo  atraso  na  entrega  de  Dacon  referente  a  mês  anterior  ao  da  opção,  no  caso  de  apresentação após o prazo fixado."  "Art. 8º O Dacon deverá ser apresentado:  I  ­  pelas  pessoas  jurídicas  de  que  trata  o  art.  2º,  até  o  quinto  dia  útil  do  segundo mês subseqüente ao mês de referência;  II ­ pelas demais pessoas jurídicas:  Fl. 58DF CARF MF Processo nº 11065.721660/2014­01  Acórdão n.º 3201­003.952  S3­C2T1  Fl. 5          4 a) até o quinto dia útil do mês de outubro de cada ano­calendário, no caso de  Dacon  relativo  ao  primeiro  semestre;  e  b)  até  o  quinto  dia  útil  do mês  de  abril de cada ano­calendário, no caso de Dacon relativo ao segundo semestre  do ano­calendário anterior.  §  1º  Excepcionalmente,  em  relação  ao  ano­calendário  de  2006,  a  obrigatoriedade de entrega do Dacon, nos prazos estabelecidos nos incisos I  e  II  deste  artigo,  vigorará  a  partir  do  período  em  que  os  respectivos  programas geradores forem disponibilizados, na forma do art. 7º.  § 2º No caso de extinção, incorporação, fusão, cisão parcial ou cisão total, o  Dacon  deverá  ser  apresentado  pela  pessoa  jurídica  extinta,  incorporada,  incorporadora, fusionada ou cindida o último dia útil do mês subseqüente ao  do evento, observada a excepcionalidade do § 1º deste artigo.   § 3º A obrigatoriedade de entrega do Dacon, na forma prevista no § 2º, não  se  aplica  à  incorporadora  nos  casos  em  que  as  pessoas  jurídicas,  incorporadora e incorporada, estejam sob o mesmo controle societário desde  o ano­calendário anterior ao do evento."  No  caso  dos  autos  não  existe  controvérsia  acerca  dos  fatos,  no  sentido de que o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais –  Dacon  foi  entregue  fora  do  prazo,  o  que  torna  cabível  a  aplicação  da  multa  legalmente  prevista,  incidente  sobre  o  montante  da  Cofins  informado no Dacon, ainda que tenha sido integralmente pago.  Acerta a decisão recorrida ao consignar:  "Assim, para o lançamento da multa basta o não cumprimento da obrigação  acessória  dentro  prazo,  independentemente  de  aspectos  como  falta  de  profissional  especializado,  desconhecimento  ou  não  entendimento  da  legislação,  problemas  particulares  (inclusive  com  equipamentos  de  informática  e  provedor  de  internet)  ou  de  condição  financeira,  dano  ao  erário, culpa ou dolo do sujeito passivo. Note­se que quando o contribuinte  deixa  para  cumprir  sua  obrigação  ao  final  do  prazo  estipulado,  assume  o  risco  de  incorrer  em  problemas  particulares  que  culminam  com  o  não  cumprimento de sua obrigação tempestivamente.  Portanto, como no presente caso é incontroverso o atraso no cumprimento da  obrigação  acessória  e  não  há  dúvida  quanto  à  interpretação  da  legislação  tributária, correta a exigência da multa legalmente estabelecida."  O  entendimento  do  Conselho  Administrativo  e  Recursos  Fiscais  ­  CARF  é  no  sentido  de  ser  devida  a  multa  pelo  atraso  na  entrega  do  DACON. Em tal direção, tem­se os seguintes julgados:  "ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS   Ano­calendário: 2010   DACON. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. CABIMENTO.  Irreparável  lançamento  que  exige  multa  pelo  atraso  na  entrega  do  Dacon  quando se comprova que o contribuinte estava a ela obrigada e que ele  foi  entregue  intempestivamente,  em  especial  se,  em  sede  de  Recurso,  não  há  apresentação  e  qualquer  prova  em  sentido  contrário."  (Processo  nº  16327.002626/2003­69;  Acórdão  nº  3802­003.388;  Relator  Conselheiro  Bruno Maurício Macedo Curi; Sessão de 24/07/2014)  "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO   Exercício: 2010   Fl. 59DF CARF MF Processo nº 11065.721660/2014­01  Acórdão n.º 3201­003.952  S3­C2T1  Fl. 6          5 ANÁLISE CONSTITUCIONALIDADE DE LEI. SÚMULA CARF Nº 2   Ao  CARF  incumbe  a  análise  em  conformidade  com  a  legislação  vigente,  sendo­lhe defeso afastar a aplicação da norma ao caso concreto em  face de  alegada inconstitucionalidade de lei ou decreto (Súmula Carf nº 2).  ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS   Exercício: 2010   MULTA  POR  ATRASO  NA  ENTREGA  DO  DEMONSTRATIVO  DE  APURAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS DACON   O  cumprimento  da  obrigação  acessória  fora  dos  prazos  previstos  na  legislação tributária, sujeita o infrator à aplicação das penalidades legais.  Recurso Voluntário Negado." (Processo nº 10242.000337/2010­16; Acórdão  nº  3302­002.666;  Relatora  Conselheira Maria  da  Conceição Arnaldo  Jacó;  Sessão de 24/07/2014)  "ASSUNTO: MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON.  Exercício: 2008  Estando o contribuinte obrigado a apresentar o Dacon, a sua entrega fora do  prazo  enseja  a  aplicação  da  multa  por  descumprimento  de  obrigação  acessória."  (Processo nº 13227.000945/2008­84; Acórdão nº 3202­001.224;  Relator  Conselheiro  Luiz  Eduardo  Garrossino  Barbieri;  Sessão  de  29/05/2013)  Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário  interposto.  Importa  registrar  que,  nos  presentes  autos,  as  situações  fática  e  jurídica  encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento  lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado.  Portanto,  aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado  negou provimento ao Recurso Voluntário.  (assinado digitalmente)  Charles Mayer de Castro Souza                              Fl. 60DF CARF MF

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Numero do processo: 10882.903771/2009-72
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2000 COMPENSAÇÃO. RESTITUIÇÃO. PRAZO DECADENCIAL. A transmissão de declaração de compensação, antes de findo o prazo decadencial de cinco anos para a formalização de pedido de restituição, não tem o mesmo efeito atribuído a pedido de restituição ou de ressarcimento, não se lhe aplicando a possibilidade de garantir a utilização de saldo de créditos em declarações de compensação transmitidas posteriormente ao prazo decadencial referido.
Numero da decisão: 1402-003.156
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário em face de decadência. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei, Paulo Mateus Ciccone (Presidente) e Ailton Neves da Silva (Suplente convocado).
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE

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1402­003.156  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  16 de maio de 2018  Matéria  DECADÊNCIA ­ PERDCOMP  Recorrente  GTO ­ GRUPO DE TRAUMATOLOGIA E ORTOPEDIA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2000  COMPENSAÇÃO. RESTITUIÇÃO. PRAZO DECADENCIAL.   A  transmissão  de  declaração  de  compensação,  antes  de  findo  o  prazo  decadencial de cinco anos para a formalização de pedido de restituição, não  tem  o mesmo  efeito  atribuído  a  pedido  de  restituição  ou  de  ressarcimento,  não  se  lhe  aplicando  a  possibilidade  de  garantir  a  utilização  de  saldo  de  créditos  em  declarações  de  compensação  transmitidas  posteriormente  ao  prazo decadencial referido.       Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  negar  provimento ao recurso voluntário em face de decadência.    (assinado digitalmente)  Paulo Mateus Ciccone ­ Presidente e Relator     Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Marco  Rogerio  Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias,  Lucas  Bevilacqua  Cabianca  Vieira,  Demetrius  Nichele  Macei,  Paulo  Mateus  Ciccone  (Presidente) e Ailton Neves da Silva (Suplente convocado).      AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 37 71 /2 00 9- 72 Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10882.903771/2009­72  Acórdão n.º 1402­003.156  S1­C4T2  Fl. 3          2     Relatório  O  presente  processo  trata  de  Manifestação  de  Inconformidade  contra  Despacho Decisório que indeferiu compensação.  O PER/DCOMP foi transmitido com o objetivo de compensar o(s) débito(s)  nele discriminado(s) com crédito de IRPJ, decorrente de recolhimento com Darf.  Constatou­se,  no  Despacho  Decisório,  que,  na  data  de  transmissão  do  documento em análise, já estava extinto o direito de utilização do crédito, por terem se passado  mais  de  cinco  anos  entre  a  data  de  arrecadação  do  DARF  e  a  data  de  transmissão  do  PER/DCOMP. Diante do exposto, a compensação declarada NÃO foi HOMOLOGADA.  Como enquadramento legal citou­se: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de  outubro  de  1966  (Código  Tributário  Nacional  CTN),  art.  74  da  Lei  nº  9.430,  de  27  de  dezembro de 1996.  O contribuinte  apresentou manifestação de  inconformidade,  alegando que o  DCOMP original com demonstrativo de crédito foi transmitido dentro do prazo de cinco anos  para recuperação de pagamentos indevidos. Alegou, ainda, que, uma vez feita a declaração do  crédito dentro do prazo legal, não se há de mencionar a extinção do direito de sua utilização.  A  decisão  de  primeira  instância  julgou  improcedente  a  manifestação  de  inconformidade,  para  não  reconhecer  o  direito  creditório  postulado  e  não  homologar  as  compensações em litígio.   Extrai­se do voto:  A existência de DCOMP transmitida antes da extinção do direito de pleitear  restituição de determinado pagamento não  legitima compensações  com  ele efetuadas depois  da extinção.  A  declaração  de  compensação  não  interrompe  a  contagem  do  prazo  para  extinção do direito de pedir restituição. O art. 42 da IN RFB n.º 1.300, de 2012, dispõe que o  crédito do sujeito passivo para com a Fazenda Nacional que exceder ao total dos débitos por  ele  compensados  mediante  a  entrega  da  “Declaração  de  Compensação”  somente  será  restituído  ou  ressarcido  pela  RFB  caso  tenha  sido  requerido  mediante  “Pedido  de  Restituição” ou “Pedido de Ressarcimento” formalizado dentro do prazo previsto no art. 168  do Código Tributário Nacional (idêntica disposição se encontra no art. 27 da IN SRF n.º 460,  de 2004, no art. 27 da  IN SRF n.º 600, de 2006, e no art. 35 da  IN RFB n.º 900, de 2008).  Portanto, o fato de o crédito ser superior ao débito não altera a natureza da “Declaração de  Compensação”, que não supre a falta do “Pedido de Restituição” do saldo remanescente.    A legislação de regência, ao detalhar o direito de restituição de pagamentos  indevidos ou maior que o devido, garantido pelo CTN, dentro do prazo de cinco anos contados  do  pagamento  em  questão  (art.  168,  I),  no  caso,  o  art.  42  da  IN  RFB  1300,  de  2012  e,  anteriormente, o art. 35 da IN RFB 900, de 2008, trazem a regra.   Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10882.903771/2009­72  Acórdão n.º 1402­003.156  S1­C4T2  Fl. 4          3   Veja­se:    Art.  35. O  crédito  do  sujeito  passivo  para  com  a  Fazenda Nacional  que  exceder  ao  total  dos débitos por ele  compensados mediante  a entrega da  Declaração  de  Compensação  somente  será  restituído  ou  ressarcido  pela  RFB  caso  tenha  sido  requerido  pelo  sujeito  passivo mediante  pedido  de  restituição  ou  pedido  de  ressarcimento  formalizado  dentro  do  prazo  previsto no art. 168 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 ­ Código  Tributário  Nacional  (CTN)  ou  no  art.  1º do  Decreto  nº20.910,  de  6  de  janeiro de 1932.    Art. 42. O crédito do sujeito passivo, para com a Fazenda Nacional, que  exceder  ao  total  dos débitos por ele  compensados mediante  a entrega da  Declaração  de  Compensação  somente  será  restituído  ou  ressarcido  pela  RFB  caso  tenha  sido  requerido  pelo  sujeito  passivo mediante  pedido  de  restituição  ou  pedido  de  ressarcimento  formalizado  dentro  do  prazo  previsto no art. 168 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 ­ Código  Tributário  Nacional  (CTN)  ou  no  art.  1º do  Decreto  nº20.910,  de  6  de  janeiro de 1932.    Inconformado, o autuado interpôs Recurso Voluntário a esta Colenda Turma,  requerendo:sejam acolhidas  todas as  razões de  fato e de direito expendidas na peça  recursal,  homologando­se, por decorrência, a compensação objeto da Declaração de Compensação que  instrui o presente contencioso administrativo fiscal.  É o relatório.  Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10882.903771/2009­72  Acórdão n.º 1402­003.156  S1­C4T2  Fl. 5          4   Voto             Conselheiro Paulo Mateus Ciccone ­ Relator  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF  343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido no Acórdão nº  1402­003.141, de 16/05/2018, proferida no julgamento do Processo nº 10882.903770/2009­28,  paradigma ao qual o presente processo fica vinculado.  O  processo  paradigma  analisou  a  possibilidade  de  utilização  de  crédito  relativo  a  pagamento  indevido  ou  a maior  de  IRPJ,  recolhido  em  23/03/2000,  por meio  de  DCOMP  transmitida  em  07/10/2005,  para  compensação  de  débitos  próprios.  No  presente  processo o contribuinte requer a compensação de débitos com a utilização de crédito relativo a  pagamento  indevido  ou  a  maior  de  IRPJ,  recolhido  em  31/05/2000,  por  meio  de  DCOMP  transmitida em 07/10/2005.  Transcreve­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  o  entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402­003.141):  "O  Recurso  Voluntário  é  tempestivo  e  atende  aos  demais  requisitos de admissibilidade, razão pela qual, dele conheço.  Consigna­se,  ainda,  que  o  Recurso  Voluntário  em  questão  é  representativo de controvérsia e, desta forma, foi designado para  ser julgado sob o regime de recursos repetitivos.  Em  síntese,  o  contribuinte  transmitiu  PER/DCOMP  no  qual  pretendia  compensar  recolhimento  indevido  e/ou  maior  que  o  devido, feito em DARF, com débitos de PIS e COFINS.  A  DRF  de  origem,  em  despacho  decisório,  não  reconheceu  o  direito  creditório,  uma vez que havia  transcorrido prazo maior  do que 5 (cinco) anos entre a data de pagamento do DARF e a  data de transmissão da PER/DCOMP.  Apresentada manifestação de inconformidade, a DRJ competente  consignou no v. acórdão recorrido que o contribuinte não tinha  apresentado,  antes  do  escoamento  do  prazo  de  5  (cinco)  anos  contados  do  pagamento  do DARF,  pedido  de  restituição  ou  de  ressarcimento de seus créditos. A transmissão de declaração de  compensação, antes do final do prazo de 5 (cinco) anos da data  de  pagamento  do DARF  não  tem  o mesmo  efeito  de  pedido  de  ressarcimento  ou  restituição,  ou  seja,  não  interrompe  a  contagem  do  prazo  para  extinção  do  direito  de  pedir  a  restituição.  Em  recurso  voluntário,  o  contribuinte  reitera  que  transmitiu  PER/DCOMP antes de esgotado o prazo de 5 (cinco) anos para  a utilização do pagamento indevido ou maior que o devido feito  Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10882.903771/2009­72  Acórdão n.º 1402­003.156  S1­C4T2  Fl. 6          5 com  DARF;  que  retificou  essa  PER/DCOMP  original  posteriormente  ao  prazo,  bem  como  transmitiu  outras  PER/DCOMP,  após  o  prazo  de  cinco  anos,  mas  referentes  ao  crédito original, vinculado à primeira PER/DCOMP transmitida  antes do decurso do prazo de cinco anos.  Por inexistir preliminares, passo a análise de mérito.  Ressalta­se, inicialmente, que não há questionamentos quanto ao  DARF  que  originou  o  crédito  utilizado  para  fins  de  compensação. A data de seu pagamento é o termo a quo para a  contagem  do  prazo  decadencial  de  cinco  anos  para  que  o  contribuinte  exerça  o  seu  direito  à  restituição  do  pagamento  indevido ou maior do que o devido, nos termos do art. 168, I, do  CTN.  Antes  de  transcorrido  o  prazo  decadencial  de  cinco  anos,  o  contribuinte transmitiu uma DCOMP informando o seu crédito,  bem como declarando a compensação com débitos próprios.  Veja­se cópia  do  documento  originário  de  toda  a  controvérsia,  em que se pode observar o "tipo do documento":  [...]  Adiante veja­se o registro do crédito (R$ 17.604,89):  [...]  Agora  veja­se  as  mesmas  telas,  que  o  contribuinte  chama  de  PER/DCOMP retificadora:  [...]  Finalmente, a tela relativa ao crédito informado:  [...]  Contudo,  transcorrido  o  prazo  de  cinco  anos  da  data  do  pagamento  do  DARF  objeto  dos  créditos  do  contribuinte,  este  não  fez,  conforme  relatado  anteriormente,  "pedido  de  restituição"  do  saldo  restante  de  seus  créditos.  Em  verdade,  apresentou, posteriormente ao prazo, outras DCOMP, sendo que  uma  delas  retificava  a  original  e  outras  utilizavam  o  saldo  do  crédito em novas compensações declaradas.  A  questão  controvertida  a  ser  decidida,  em  sede  de  recurso  repetitivo, é se as demais DCOMP, transmitidas após o prazo de  cinco  anos  contados  do  pagamento  indevido  ou  maior  que  o  devido,  sem  prévio  "pedido  de  restituição"  dentro  do  prazo  de  cinco anos, seriam meios hábeis a permitir o exercício do direito  de restituição garantido ao contribuinte pelo art. 168, I, do CTN,  tomando por origem a DCOMP original,  transmitida dentro do  prazo decadencial.  Veja­se  que  as  normas  complementares  não  trazem  a  possibilidade  de  uma declaração de  compensação  ser  utilizada  para o exercício do direito de restituição nos moldes do art. 168,  I,  do  CTN,  demonstrando  que,  no  caso  concreto,  a  DCOMP  Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10882.903771/2009­72  Acórdão n.º 1402­003.156  S1­C4T2  Fl. 7          6 transmitida  antes  do  encerramento  do  prazo  decadencial  de  cinco  anos  não  garantiu  ao  contribuinte  o  direito  de,  posteriormente,  utilizar­se  dos  créditos  remanescentes  daquela  primeira  compensação,  os  quais  restaram  fulminados  pela  decadência.  Desta  forma,  voto  no  sentido  de  negar  provimento  ao  recurso  voluntário  do  contribuinte,  reconhecendo que  a  transmissão  de  declaração de compensação, antes de findo o prazo decadencial  de cinco anos para a formalização de pedido de restituição, não  tem o mesmo efeito atribuído a um pedido de  restituição ou de  ressarcimento, não se lhe aplicando a possibilidade de garantir  a  utilização  de  saldo  de  créditos  em  declarações  de  compensação transmitidas posteriormente ao prazo decadencial  referido.     É o voto"  Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática prevista  nos  §§  1º,  2º  e 3º  do  art.  47,  do Anexo  II,  do RICARF,  voto  por  negar  provimento ao recurso voluntário em face de decadência.   (assinado digitalmente)  Paulo Mateus Ciccone                                Fl. 80DF CARF MF

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Numero do processo: 13603.722741/2012-40
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO. Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição em acórdão exarado pelo Carf, devem ser acolhidos embargos de declaração visando a saná-las.
Numero da decisão: 2301-005.360
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para, sanando o vício apontado no Acórdão 2403-002.428, de 18/02/2014, alterar o seu dispositivo para que nele conste: "Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, no mérito, dar provimento parcial ao recurso, determinando o recalculo da multa de mora, conforme previsto no artigo 35 da Lei n° 8.212/91, incluído pela Lei n° 11.941/2009, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabelece a multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, critérios desta data que devem ser observados quando da ocasião do pagamento. Vencido o Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa". João Bellini Júnior – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Maurício Vital, Wesley Rocha, Antônio Sávio Nastureles, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Júnior (presidente). Ausente justificadamente o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa.
Nome do relator: JOAO BELLINI JUNIOR

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2301­005.360  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  7 de junho de 2018  Matéria  CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Embargante  FAZENDA NACIONAL  Interessado  INSTITUTO ELIZABETH KALIL LTDA    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008  EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO.   Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição em acórdão  exarado  pelo Carf,  devem  ser  acolhidos  embargos  de  declaração  visando  a  saná­las.      Vistos,  relatados  e  discutidos  os  presentes  autos,  acordam  os  membros  do  Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para, sanando o vício  apontado  no Acórdão  2403­002.428,  de  18/02/2014,  alterar  o  seu  dispositivo  para  que  nele  conste: "Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado,  por maioria de votos, no mérito, dar provimento parcial ao recurso, determinando o recalculo  da multa  de mora,  conforme  previsto  no  artigo  35  da  Lei  n°  8.212/91,  incluído  pela  Lei  n°  11.941/2009, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabelece  a multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, critérios desta data que devem ser observados quando  da  ocasião  do  pagamento.  Vencido  o  Conselheiro  Paulo  Maurício  Pinheiro  Monteiro  na  questão da multa".    João Bellini Júnior – Presidente e Relator.    Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:  João Maurício Vital,  Wesley Rocha, Antônio  Sávio Nastureles,  Juliana Marteli  Fais  Feriato  e  João Bellini  Júnior  (presidente). Ausente justificadamente o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa.       AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 72 27 41 /2 01 2- 40 Fl. 138DF CARF MF     2   Relatório  Trata­se  de  embargos  de  declaração  opostos  pela União,  representada  pela  Procuradoria­Geral da Fazenda Nacional  (PGFN),  respeitantes  ao Acórdão 2403­002.428, de  18 de fevereiro de 2014 (e­fls. 129 e 130). Transcrevo o teor dos embargos:  O r. acórdão deu parcial provimento ao recurso voluntário 'para  reconhecer a decadência da competência até 11/2008'.  Contudo,  o  v.  voto  conduto  do  r.  acórdão  não  faz  qualquer  menção a respeito da decadência. Vale reproduzir a conclusão  do d. Conselheiro­relator, verbis:  'Conheço  do  recurso,  para  NO  MÉRITO,  até  a  competência  11/2008,  inclusive,  DAR­LHE  PROVIMENTO  PARCIAL,  determinando o recalculo da multa de mora conforme o previsto  no  artigo  35  da  Lei  n°  8.212/91,  incluído  pela  Lei  n°  11.941/2009,  nos  termos  do  art.  61  da  Lei  no  9.430,  de  27  de  dezembro  de  1996,  que  estabelece  multa  de  0,33%  ao  dia,  limitada a 20%,  critérios desta data que devem ser observados  quando da ocasião do pagamento.'  No  corpo  das  razões  do  v.  voto  condutor  não  foi  declinada  qualquer fundamento para a declaração da decadência.  Decerto que o processo administrativo, tal como o civil, adota o  princípio  da  livre  convicção.  Ocorre  que  essa  convicção  deve  estar motivada no  ordenamento  jurídico,  a  teor do disposto no  Código de Processo Civil, art. 131, c/c a Lei n° 9.784, art. 50.    Os  embargos  restaram  admitidos,  em  27/12/2015,  em  face  da  expressa  concordância  do  relator  do  acórdão  embargado,  conselheiro  Ivacir  Julio  de  Souza,  com  os  termos dos embargos (e­fls. 133 e 134).   É o relatório.  Voto             Conselheiro João Bellini Júnior – Relator.    Como mencionou  a  embargante, não há no  relatório  ou voto do  acórdão  embargado qualquer alusão à existência de decadência do poder­dever da constituição do  crédito  tributário em questão. E nem haveria de ter, pois da  leitura do  relatório verifica­se  tratar­se da constituição de contribuições previdenciárias nas competências 01/2008 a 04/2008  e 12/2008, tendo a ciência do lançamento ocorrido em 28/09/2012:  Trata­se do Auto de Infração,  lavrado em 27/09/2012 em nome  do Instituto Elizabeth Kalil Ltda, para a constituição do crédito  Fl. 139DF CARF MF Processo nº 13603.722741/2012­40  Acórdão n.º 2301­005.360  S2­C3T1  Fl. 3          3 tributário relativo às contribuições previdenciárias descontadas  dos  segurados  empregados  e  dos  sócios,  nas  competências  01/2008  a  04/2008  e  12/2008,  e  não  recolhidas  à  Seguridade  Social,.  A  empresa  pagou a  seus  empregados  remunerações a  título  de  salários e outras remunerações (salários extras e gratificações),  bem como aos  sócios  a  título pró­labore,  promoveu o desconto  das  contribuições  previdenciárias  delas  decorrentes,  sem,  contudo,  recolher  o  produto  arrecadado  aos  cofres  da  Previdência Social.  Cientificado  do  lançamento  em  28/09/2012  (doc.  de  fls.01),  o  sujeito  passivo  ,  através  de  procurador  legalmente  constituído  (fls.67 e 69), apresentou defesa em 30/10/2012  (fls 41/66),  com  as alegações abaixo resumidas. (Grifou­se.)    Não  obstante  tal  fato,  constou  no  dispositivo  e  reconhecimento  parcial  da  decadência:  Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  Por  maioria  de  votos,  no  mérito,  dar  provimento  parcial  ao  recurso,  para  reconhecer  a  decadência  da  competência  até  11/2008,  determinando  o  recalculo da multa de mora, conforme previsto no artigo 35 da  Lei n° 8.212/91, incluído pela Lei n° 11.941/2009, nos termos do  art.  61  da  Lei  no  9.430,  de  27  de  dezembro  de  1996,  que  estabelece  a  multa  de  0,33%  ao  dia,  limitada  a  20%,  critérios  desta  data  que  devem  ser  observados  quando  da  ocasião  do  pagamento.  Vencido  o  Conselheiro  Paulo  Maurício  Pinheiro  Monteiro na questão da multa. (Grifou­se.)    Desse  modo,  a  menção,  no  dispositivo,  do  reconhecimento  da  decadência  deve  ser  atribuído  a  erro  material,  e  a  sua  supressão  é  a  medida  saneadora  para  que  o  dispositivo reste em harmonia com o relatório e voto.     Conclusão  Voto,  portanto,  por  ACOLHER  os  embargos  de  declaração  com  efeitos  infringentes para, sanando o vício apontado no Acórdão 2403­002.428, de 18/02/2014, alterar o  seu dispositivo para que nele conste:  “Vistos,  relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do  colegiado, por maioria de votos, no mérito, dar provimento parcial ao recurso, determinando o  recalculo da multa de mora, conforme previsto no artigo 35 da Lei n° 8.212/91, incluído pela  Lei n° 11.941/2009, nos  termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que  estabelece  a  multa  de  0,33%  ao  dia,  limitada  a  20%,  critérios  desta  data  que  devem  ser  Fl. 140DF CARF MF     4 observados quando da ocasião do pagamento. Vencido o Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro  Monteiro na questão da multa”.    (assinado digitalmente)  João Bellini Júnior – Relator                              Fl. 141DF CARF MF

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7363909 #
Numero do processo: 10980.905745/2008-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jul 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/11/2002 a 30/11/2002 Ementa: COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE PIS. PROVA DE PARTE DO CRÉDITO EM SEDE DE DILIGÊNCIA FISCAL. ADMISSIBILIDADE. Em sede de diligência fiscal restou apurado que parte do crédito vindicado pelo contribuinte é legítima, o que deve redundar no seu reconhecimento por este Tribunal.
Numero da decisão: 3402-005.365
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário no limite do crédito reconhecido na diligência fiscal realizada nos autos. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado).
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO

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3402­005.365  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  20 de junho de 2018  Matéria  PIS  Recorrente  Garagem Moderna Ltda.  Recorrida  Fazanda Nacional    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Período de apuração: 01/11/2002 a 30/11/2002  Ementa:  COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE PIS. PROVA DE PARTE DO CRÉDITO  EM SEDE DE DILIGÊNCIA FISCAL. ADMISSIBILIDADE.  Em  sede de  diligência  fiscal  restou  apurado  que  parte  do  crédito  vindicado  pelo contribuinte é legítima, o que deve redundar no seu reconhecimento por  este Tribunal.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  provimento parcial ao Recurso Voluntário no limite do crédito reconhecido na diligência fiscal  realizada nos autos.  (assinado digitalmente)  Waldir Navarro Bezerra ­ Presidente.  (assinado digitalmente)  Diego Diniz Ribeiro ­ Relator.  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  Conselheiros  Waldir  Navarro  Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De  Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Rodolfo  Tsuboi (Suplente Convocado).  Relatório     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 90 57 45 /2 00 8- 90 Fl. 454DF CARF MF     2 1. Por bem retratar os fatos aqui analisados emprego como meu o Relatório  desenvolvido  por  este  Tribunal  administrativo  quando  da  resolução  n.  3402­000447  (fls.  153/155), da  lavra do Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, o qual adoto como meu  nos termos abaixo:  Trata­se  de  processo  de  restituição/compensação  em  que  o  contribuinte  teve  seu  pedido  de  indébito  negado  por  despacho  decisório  eletrônico,  sob  o  fundamento  de  que  o  crédito  financeiro  alegado  como pagamento  indevido  foi  integralmente  utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando  crédito disponível para compensação dos débitos informados no  PER/DCOMP.  Na  manifestação  de  inconformidade,  o  recorrente  alega  que  a  origem de seus créditos tem amparo na Lei 10.485/2002, por se  tratar  de  produtos  monofásicos  que  teriam  sido  incluídos  indevidamente nas bases de cálculo do PIS e da Cofins.  A  DRJ  em  Curitiba  julgou  improcedente  a  manifestação  de  inconformidade  sob  o  fundamento  de  que  as  alegações  trazidas  pela interessada constituem fatos que não foram apreciados pela  autoridade  originalmente  competente,  posto  que  resultam  de  retificação  de DCTF  feita  somente  após  a  ciência  do  despacho  decisório, além de não ter sido trazida aos autos a comprovação  da existência do direito creditório alegado de forma genérica na  manifestação de inconformidade.  Irresignado com a decisão da primeira instância administrativa,  o recorrente interpõe recurso voluntário ao CARF, repisando os  argumentos  apresentados  anteriormente  na  manifestação  de  inconformidade,  ressaltando  que  os  fundamentos  jurídicos  que  sustentam  seu  pleito  derivam  de  sua  atividade  societária,  comerciante  de  autopeças,  cuja  Lei  nº  10.485/2002  reduziu  a  zero a alíquota a ser aplicada na receita bruta auferida na venda  destes produtos.  O  Recurso  Voluntário  foi  analisado  e  foi  proposta  uma  resolução para fins de identificar o objeto da sociedade, o valor  da  receita  auferida  com  a  comercialização  de  produtos  relacionados nos anexos I e II da Lei nº 10.485/2002, o valor da  base de cálculo tributável e o valor dos recolhimentos efetuados  pelo recorrente.  O  processo  retornou  da  origem  acompanhado  por  várias  planilhas,  além  do  contrato  social.  A  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  em  Curitiba  não  produziu  o  termo  final  de  diligência  analisando  os  dados  constantes  nos  documentos  acostados aos autos pelo recorrente.  (...).  2. Diante deste quadro, o processo foi novamente baixado em diligência por  intermédio  da  resolução  acima  mencionada,  determinado  que  a  unidade  preparadora  formulasse relatório fiscal com base nos documentos fiscais apresentados pelo contribuinte e,  nesse sentido, indicasse a existência ou não de crédito a ser compensado.  Fl. 455DF CARF MF Processo nº 10980.905745/2008­90  Acórdão n.º 3402­005.365  S3­C4T2  Fl. 455          3 3. Referida  diligência  foi  cumprida,  gerando  relatório  fiscal  elaborado  pela  unidade preparadora, a respeito do qual o contribuinte apresentou manifestação.  4. É o relatório.  Voto             Conselheiro Relator Diego Diniz Ribeiro  5. O recurso sub judice preenche os pressupostos formais de admissibilidade,  motivo pelo qual passo ao seu conhecimento.  I. Do crédito compensado  6.  Em  suma,  o  contribuinte  apresentou  pedido  de  compensação  (DCOMP)  alegando que  recolheu valores que não  eram devidos  a  título de PIS,  ao  fundamento que na  operação  perpetrada  haveria  incidência  monofásica  da  tributação,  nos  termos  da  lei  n.  10.485/02.  7. Em sede de diligência fiscal, assim apurou a unidade preparadora:  (...).  6.  A  planilha  elaborada  por  esta  fiscalização  levou  em  conta  que:  6.1  –  A  tabela  apresentada  pelo  contribuinte  relacionando  os  produtos que vende, e respectiva classificação TIPI, não abrange  todos  os  produtos  que  vende,  conforme  acima  já  se  referiu  e  exemplificou.  6.2  ­  Há  produtos  listados  pelo  contribuinte  com  cuja  classificação  TIPI  não  se  concorda,  mas  que,  ainda  assim,  se  enquadram  em  classificação  da  TIPI  cujo  código  também  se  encontra  entre  os  que  são  beneficiados  com  a  alíquota  zero.  Outros  (pneus  e  câmaras  de  ar)  que,  não  relacionados  nos  Anexos  I  e  II  da  Lei  n°  10.485/2002,  ainda  assim  fazem  jus  à  alíquota zero do PIS, conforme previsto no parágrafo único, art.  5°, daquela mesma Lei.  6.3  ­ Levou­se  em conta,  também, que o  contribuinte,  tal  como  consta na trigésima alteração de seu Contrato Social (fls. 134 a  138), Cláusula Terceira, tem por objeto social a exploração do  ramo de comércio de peças e acessórios, serviços de manutenção  e  reparação  mecânica  de  veículos  auto  motores,  locação  de  automóveis sem condutor (49.3.0­2/01­00), transporte de pessoal  e  pequenos  volumes,  e  estacionamento  para  veículos  e  congêneres.  6.3.1  ­ Ou  seja,  usando  de  bom­senso,  considerou­se  que,  se  o  contribuinte faturou uma mercadoria com o nome “borracha”, e  esta designação, pura e simples, seja insuficiente para saber do  que  exatamente  se  trata,  que,  ainda  assim,  deve  tratar­se  de  Fl. 456DF CARF MF     4 produto para aplicação em um carro, ou seja, que não se trata  de  “borracha  escolar”,  por  exemplo,  embora  também  a  possa  vender.  6.4  ­  O  fato  de  se  ter  chegado  à  conclusão  que  determinado  produto não se enquadra entre os listados nos Anexos I e II da  Lei  n°  10.485/2002,  a  isso  se  limita.  Não  se  considerou  necessário  determinar  em  que  código  da  TIPI  tal  produto  se  enquadra. A decisão se deu por exclusão – se o produto não se  enquadra  entre  os  previstos  nos  referidos  Anexos,  não  é  relevante determinar em qual se enquadra. Cabe ao contribuinte,  isso sim, em não concordando com tal conclusão, indicar em que  código da TIPI, previsto naqueles Anexos I e II, se enquadraria o  produto,  fazendo  sua  exata  descrição,  não  se  admitindo  descrição como, por exemplo, sikaflex (NF n° 10349 – Proc. 10  980.905727/2008­16), que outra coisa não é que não uma marca  de produto, embora por ele se presuma tratar­se de produto da  linha “selantes e correlatos”, que não é peça para automóvel, e,  portanto, também não faz jus à alíquota zero do PIS.  6.5  ­ A  planilha  abrange  todas,  e  tão  somente,  as  notas  fiscais  em  face  das  quais  o  contribuinte  identificou  produtos  contemplados  com  a  alíquota  zero,  por  ele  demonstradas  na  relação, de  fls. 140 a 146. Não  se  faz qualquer observação em  relação àquelas sobre as quais não se observou divergência de  entendimento quanto ao valor beneficiado pela alíquota zero ou  não, só o fazendo em relação àquelas cujo valor não beneficiado  com  a  alíquota  zero  fosse  maior  que  o  encontrado  pelo  contribuinte,  neste  caso  referindo,  na  coluna  “produtos  não  beneficiados c/ alíq. 0”, o nome dos produtos cuja classificação  TIPI  não  corresponde  a  nenhuma  daquelas  constantes  nos  Anexos  I  e  II  da  Lei  10.485/2002,  para  que  o  contribuinte,  querendo,  possa  refutar  o  entendimento  desta  fiscalização,  porém,  identificando o  produto  com  a  correta  nomenclatura,  o  código  TIPI  em  que  o  considera  enquadrado,  bem  como  a  defesa/esclarecimento de assim considerar, tal como já alertado  no subitem precedente.  7. Dado o acima exposto, confirma­se que o crédito utilizado na  compensação em causa neste processo está restrito ao valor de  R$ 590,29 (item 5 e seus subitens, acima).  (...) (grifos nosso).  8.  Referida  diligência  foi  conclusiva  no  sentido  de  que,  diante  da  análise  perpetrada pela unidade preparadora, o contribuinte possuía algum crédito de PIS em razão de  um  indevido  pagamento  em  operações  ora  sujeitas  à monofasia  ora  subordinadas  à  alíquota  zero,  o que  redundou em parte do  crédito utilizado na presente  compensação  e  glosado pela  fiscalização.  9.  Logo,  há  que  se  reconhecer  como  válido  parte  do  crédito  tomado  pelo  contribuinte, nos exatos termos em que constatado no sobredito relatório fiscal.  Dispositivo  Fl. 457DF CARF MF Processo nº 10980.905745/2008­90  Acórdão n.º 3402­005.365  S3­C4T2  Fl. 456          5 10. Diante do exposto, dou provimento ao Recurso Voluntário, de modo a  reconhecer o crédito pleiteado pelo contribuinte no montante de R$ 590,29, nos exatos termos  do relatório fiscal elaborado pela unidade preparadora.  11. É como voto.  (assinado digitalmente)  Diego Diniz Ribeiro                                Fl. 458DF CARF MF

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