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Numero do processo: 10680.902428/2008-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Data do fato gerador: 03/06/2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO. IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. LIDE NÃO INSTAURADA. NÃO CONHECIMENTO.
Não deve ser conhecido o recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que não conheceu da impugnação, por intempestiva, quando o recorrente não questiona a matéria decidida.
Numero da decisão: 2401-005.690
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Relatora e Presidente.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, José Luiz Hentsch Benjamin Pinheiro, Thiago Duca Amoni (suplente convocado) e Matheus Soares Leite. Ausente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Data do fato gerador: 03/06/2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO. IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. LIDE NÃO INSTAURADA. NÃO CONHECIMENTO. Não deve ser conhecido o recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que não conheceu da impugnação, por intempestiva, quando o recorrente não questiona a matéria decidida.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Relatora e Presidente. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, José Luiz Hentsch Benjamin Pinheiro, Thiago Duca Amoni (suplente convocado) e Matheus Soares Leite. Ausente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.
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score : 1.0
Numero do processo: 11065.722023/2015-25
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011, 01/02/2012 a 31/12/2012
ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. NÃO CONFIGURAÇÃO.
O desembaraço aduaneiro não significa homologação expressa do lançamento, eis que o instituto da Revisão Aduaneira, realizado após o desembaraço de importação, é procedimento fiscal legalmente previsto no art. 54 do Decreto-lei n° 37/66, com a redação dada pelo Decreto-lei n° 2.472/88, compatível com as disposições sobre o lançamento do CTN, em especial, o seu art. 146.
Tampouco há que se falar em alteração de critério jurídico no lançamento quando a fiscalização, acerca do IPI incidente na saída da mercadoria do estabelecimento da recorrente, mantém o entendimento aplicado na revisão aduaneira das importações, na qual se apurou a incorreção nas classificações fiscais do produtos importados.
MOTIVOS DETERMINANTES. AUTUAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA PARCIAL. EXONERAÇÃO CORRESPONDENTE.
O auto de infração está vinculado aos motivos nele descritos, nos termos do art. 50 da Lei nº 9.784/99 e do art. 10, III do Decreto nº 70.235/72. Dessa forma, a autuação não pode subsistir na parte em que o seu motivo determinante foi considerado improcedente pelo julgador de primeira instância.
IPI. INCIDÊNCIA. PRODUTOS IMPORTADOS. TEMA SOB REPERCUSSÃO GERAL. SEM TRÂNSITO EM JULGADO.
Os produtos importados estão sujeitos a uma nova incidência do IPI quando de sua saída do estabelecimento importador na operação de revenda, mesmo que não tenham sofrido industrialização no Brasil (EREsp 1403532/SC, art. 543-C do CPC/73).
A matéria sob repercussão geral sem decisão definitiva do STF deve ser julgada no CARF tomando como constitucionais as leis a respeito das quais ainda se aguarda o posicionamento do STF.
PNEUMÁTICOS NOVOS, DE BORRACHA, PARA VANS, PARA PICK-UP E PARA UTILITÁRIOS. CLASSIFICAÇÃO FISCAL.
Pneumáticos novos, de borracha destinados a vans, pick-up e utilitários se classificam no código NCM 4011.99.90.
PNEUMÁTICOS NOVOS, DE BORRACHA, PARA SUV. CLASSIFICAÇÃO FISCAL.
Pneumáticos novos, de borracha, para SUV (Sport Utility Vehicle), que detenham características de veículo de uso misto, classificam-se no código NCM 4011.10.00.
PNEUMÁTICOS NOVOS, DE BORRACHA, PARA CAMINHÕES. CLASSIFICAÇÃO FISCAL.
Pneumáticos novos, de borracha destinados a veículos caracterizados como caminhões se classificam no código NCM 4011.20 - Dos tipos utilizados em ônibus ou caminhões.
MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. APÓS VENCIMENTO. INCIDÊNCIA. SÚMULAS CARF NºS 04 E 05.
Não sendo o caso de depósito do montante integral, os juros de mora incidem sobre o crédito tributário não pago até o seu vencimento, nele incluso a multa de ofício. Aplica-se ao crédito tributário decorrente da multa de ofício o mesmo regime jurídico previsto para a cobrança e atualização monetária do crédito tributário decorrente do tributo.
Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.
Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral.
Recurso Voluntário provido em parte
Numero da decisão: 3402-005.462
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, em dar parcial provimento ao Recurso da seguinte forma: (i) por unanimidade de votos, para exonerar da autuação as exigências relativas ao pneumático 175/65R14C 90 CHRONO; (ii) por maioria de votos, para exonerar da autuação as exigências relativas ao pneumático utilizado no veículo F350, por ser um caminhão. Vencida a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula (Relatora), que negava provimento ao recurso neste ponto. Designado o Conselheiro Pedro Sousa Bispo. Vencidos os Conselheiros Renato Vieira de Ávila (Suplente Convocado) e Thais de Laurentiis Galkowicz que davam provimento em maior extensão para excluir os valores correspondentes às vans, utilitários e SUVs. Vencidos os Conselheiros Maysa de Sá Pittondo Deligne e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) que davam provimento integral considerando a extensão da Solução de Consulta Disit/SRRF/8ª RF n.º 348/1997 ao caso; (iii) pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso quanto à exclusão dos juros de mora sobre a multa de ofício. Vencidos os Conselheiros Renato Vieira de Ávila, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) que davam provimento neste ponto.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora
(assinado digitalmente)
Pedro Sousa Bispo - Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Renato Vieira de Ávila (Suplente Convocado), Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado). O Conselheiro Diego Diniz Ribeiro declarou-se impedido, sendo substituído pelo Conselheiro Suplente Renato Vieira de Ávila (Suplente Convocado).
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, em dar parcial provimento ao Recurso da seguinte forma: (i) por unanimidade de votos, para exonerar da autuação as exigências relativas ao pneumático 175/65R14C 90 CHRONO; (ii) por maioria de votos, para exonerar da autuação as exigências relativas ao pneumático utilizado no veículo F350, por ser um caminhão. Vencida a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula (Relatora), que negava provimento ao recurso neste ponto. Designado o Conselheiro Pedro Sousa Bispo. Vencidos os Conselheiros Renato Vieira de Ávila (Suplente Convocado) e Thais de Laurentiis Galkowicz que davam provimento em maior extensão para excluir os valores correspondentes às vans, utilitários e SUVs. Vencidos os Conselheiros Maysa de Sá Pittondo Deligne e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) que davam provimento integral considerando a extensão da Solução de Consulta Disit/SRRF/8ª RF n.º 348/1997 ao caso; (iii) pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso quanto à exclusão dos juros de mora sobre a multa de ofício. Vencidos os Conselheiros Renato Vieira de Ávila, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) que davam provimento neste ponto. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora (assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo - Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Renato Vieira de Ávila (Suplente Convocado), Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado). O Conselheiro Diego Diniz Ribeiro declarou-se impedido, sendo substituído pelo Conselheiro Suplente Renato Vieira de Ávila (Suplente Convocado).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 30; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2038; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 1.439 1 1.438 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11065.722023/201525 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402005.462 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de julho de 2018 Matéria CLASSIFICAÇÃO FISCAL Recorrente PIRELLI PNEUS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011, 01/02/2012 a 31/12/2012 ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. NÃO CONFIGURAÇÃO. O desembaraço aduaneiro não significa homologação expressa do lançamento, eis que o instituto da Revisão Aduaneira, realizado após o desembaraço de importação, é procedimento fiscal legalmente previsto no art. 54 do Decretolei n° 37/66, com a redação dada pelo Decretolei n° 2.472/88, compatível com as disposições sobre o lançamento do CTN, em especial, o seu art. 146. Tampouco há que se falar em alteração de critério jurídico no lançamento quando a fiscalização, acerca do IPI incidente na saída da mercadoria do estabelecimento da recorrente, mantém o entendimento aplicado na revisão aduaneira das importações, na qual se apurou a incorreção nas classificações fiscais do produtos importados. MOTIVOS DETERMINANTES. AUTUAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA PARCIAL. EXONERAÇÃO CORRESPONDENTE. O auto de infração está vinculado aos motivos nele descritos, nos termos do art. 50 da Lei nº 9.784/99 e do art. 10, III do Decreto nº 70.235/72. Dessa forma, a autuação não pode subsistir na parte em que o seu motivo determinante foi considerado improcedente pelo julgador de primeira instância. IPI. INCIDÊNCIA. PRODUTOS IMPORTADOS. TEMA SOB REPERCUSSÃO GERAL. SEM TRÂNSITO EM JULGADO. Os produtos importados estão sujeitos a uma nova incidência do IPI quando de sua saída do estabelecimento importador na operação de revenda, mesmo que não tenham sofrido industrialização no Brasil (EREsp 1403532/SC, art. 543C do CPC/73). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 72 20 23 /2 01 5- 25 Fl. 1439DF CARF MF 2 A matéria sob repercussão geral sem decisão definitiva do STF deve ser julgada no CARF tomando como constitucionais as leis a respeito das quais ainda se aguarda o posicionamento do STF. PNEUMÁTICOS NOVOS, DE BORRACHA, PARA VANS, PARA PICK UP E PARA UTILITÁRIOS. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Pneumáticos novos, de borracha destinados a vans, pickup e utilitários se classificam no código NCM 4011.99.90. PNEUMÁTICOS NOVOS, DE BORRACHA, PARA SUV. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Pneumáticos novos, de borracha, para SUV (Sport Utility Vehicle), que detenham características de veículo de uso misto, classificamse no código NCM 4011.10.00. PNEUMÁTICOS NOVOS, DE BORRACHA, PARA CAMINHÕES. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Pneumáticos novos, de borracha destinados a veículos caracterizados como caminhões se classificam no código NCM 4011.20 Dos tipos utilizados em ônibus ou caminhões. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. APÓS VENCIMENTO. INCIDÊNCIA. SÚMULAS CARF NºS 04 E 05. Não sendo o caso de depósito do montante integral, os juros de mora incidem sobre o crédito tributário não pago até o seu vencimento, nele incluso a multa de ofício. Aplicase ao crédito tributário decorrente da multa de ofício o mesmo regime jurídico previsto para a cobrança e atualização monetária do crédito tributário decorrente do tributo. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Recurso Voluntário provido em parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, em dar parcial provimento ao Recurso da seguinte forma: (i) por unanimidade de votos, para exonerar da autuação as exigências relativas ao pneumático 175/65R14C 90 CHRONO; (ii) por maioria de votos, para exonerar da autuação as exigências relativas ao pneumático utilizado no veículo F350, por ser um caminhão. Vencida a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula (Relatora), que negava provimento ao recurso neste ponto. Designado o Conselheiro Pedro Sousa Bispo. Vencidos os Conselheiros Renato Vieira de Ávila (Suplente Convocado) e Thais de Laurentiis Galkowicz que davam provimento em maior extensão para excluir os valores correspondentes às vans, utilitários e SUVs. Vencidos os Conselheiros Maysa de Sá Pittondo Deligne e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) que davam provimento integral considerando a extensão da Solução de Consulta Disit/SRRF/8ª RF n.º 348/1997 ao caso; (iii) pelo voto de qualidade, em negar Fl. 1440DF CARF MF Processo nº 11065.722023/201525 Acórdão n.º 3402005.462 S3C4T2 Fl. 1.440 3 provimento ao Recurso quanto à exclusão dos juros de mora sobre a multa de ofício. Vencidos os Conselheiros Renato Vieira de Ávila, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) que davam provimento neste ponto. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora (assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Renato Vieira de Ávila (Suplente Convocado), Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado). O Conselheiro Diego Diniz Ribeiro declarouse impedido, sendo substituído pelo Conselheiro Suplente Renato Vieira de Ávila (Suplente Convocado). Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento em Recife que julgou improcedente a impugnação, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011, 01/02/2012 a 31/12/2012 PNEUMÁTICOS NOVOS, DE BORRACHA, PARA VANS, PARA PICKUP E PARA UTILITÁRIOS. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Pneumáticos novos, de borracha, para vans, para pickup e para utilitários se classificam no código 4011.99.90 da Nomenclatura Comum do Mercosul NCM. PNEUMÁTICOS NOVOS, DE BORRACHA, PARA SUV. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Pneumáticos novos, de borracha, para SUV (Sport Utility Vehicle), que detenha características de veículo de uso misto, classificamse no código 4011.10.00 da Nomenclatura Comum do Mercosul NCM. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011, 01/02/2012 a 31/12/2012 PRODUTO IMPORTADO. REVENDA NO TERRITÓRIO NACIONAL. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO. Na revenda no território nacional, incide o imposto sobre o produto importado, mesmo quando internamente não submetido a nova industrialização. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011, 01/02/2012 a 31/12/2012 PRODUTO IMPORTADO. RECLASSIFICAÇÃO APÓS O DESPACHO ADUANEIRO. POSSIBILIDADE. É possível a reclassificação fiscal de produto importado após a conclusão do despacho aduaneiro e a correspondente formalização dos tributos devidos no mercado interno. Fl. 1441DF CARF MF 4 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011, 01/02/2012 a 31/12/2012 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. CONSULTA SOBRE PRODUTO ESPECÍFICO. EFEITOS SOBRE PRODUTOS DISTINTOS. INEXISTÊNCIA. A consulta sobre classificação fiscal de determinado produto específico não tem efeitos em relação a produtos distintos. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Versa o processo sobre auto de infração lavrado para exigência de Imposto sobre Produtos Industrializados, multa de ofício e juros de mora, no valor total de R$44.505.322,13, decorrente de procedimento fiscal de apuração do IPI relativo aos anos calendário de 2011 e 2012 no qual foi efetuada a reclassificação fiscal de alguns produtos vendidos no período. Conforme consta no Relatório Fiscal, a reclassificação fiscal foi assim motivada pelo autuante: (...) Os itens analisados são pneumáticos novos de borracha para veículo automotor, dessa forma, a sua classificação deve ser realizada na posição 40.11. (...) (...) Como se viu, o texto da subposição é elemento essencial da classificação. No caso em tela, a subposição 4011.20 (cujo desdobramento 4011.20.90 foi utilizado pelo contribuinte na classificação dos pneus ora em análise) é exclusiva dos pneus destinados a ônibus e caminhões. A própria resposta do contribuinte, bem como informações referidas nas páginas da Internet da fiscalizada e de seus revendedores indicam serem destinados a vans, utilitários, pickups, SUV e veículos de passeio, portanto não se destinam a ônibus e caminhões. Ainda em sua página na Internet, o contribuinte relaciona os pneus destinados a ônibus e caminhões. Tal relação não inclui nenhum dos modelos indicados no Anexo I do Termo de Início de Fiscalização que corresponde ao Anexo I deste Relatório. (...) Concluise, portanto, que está equivocada a classificação adotada pelo contribuinte, já que as vans, pickups, utilitários e SUV não são ônibus nem caminhões. (...) 2.2.1 – Da classificação a ser adotada para pneus de Vans (...) Portanto, os pneus destinados a Vans (para transporte de passageiros) não podem ser classificados na subposição 4011.10, porque essa subposição, a teor do seu texto, se refere aos pneumáticos utilizados nos veículos classificados na posição 8703, enquanto as vans para transporte de passageiros são classificadas na posição 8702. Já as vans para transporte de carga (furgões), como já referido, classificamse no EX01 dos desdobramentos das subposições de 2º nível 8704.21. Portanto, os pneus destinados a esses veículos também não podem ser classificados na subposição 4011.10 (exclusiva de pneus dos veículos classificados na posição 8703). Por exclusão, os pneumáticos utilizados para vans para transporte de passageiros ou de carga (furgões) devem ser classificados no código 4011.99.90 – Outros. (...) 2.2.2 – Da classificação a ser adotada para pneus de Pickup e utilitários Como já referido, restariam o código 4011.10.00 e o código 4011.99.90 como possibilidade para classificação dos pneumáticos utilizados nas pickup e utilitários. As pickups e utilitários, repisamos, classificamse no EX01 dos desdobramentos da subposição 8704.21. Portanto, os pneus destinados a esses veículos também não podem ser classificados na subposição 4011.10, já que essa Fl. 1442DF CARF MF Processo nº 11065.722023/201525 Acórdão n.º 3402005.462 S3C4T2 Fl. 1.441 5 subposição, a teor de seu texto, é indicativa de pneus para automóveis de passageiros (posição 8703). Como já visto, não se trata de ônibus nem de caminhões. Por exclusão, os pneumáticos utilizados em pickups e utilitários devem ser classificados no código “4011.99.90 – Outros”. 2.2.3 – Da classificação a ser adotada para pneus de SUV (...) A NESH da posição 8703 da TIPI (Automóveis de passageiros e outros veículos automóveis principalmente concebidos para transporte de pessoas (exceto os da posição 87.02), incluídos os veículos de uso misto ("station wagons") e os automóveis de corrida) define que: Entendemse por veículos de uso misto (break ou station wagons), na acepção da presente posição, os veículos com nove lugares sentados no máximo (incluído o do motorista), cujo interior pode ser utilizado, sem modificação da estrutura, tanto para o transporte de pessoas como para o de mercadorias. Como se vê, para fins de Nomenclatura, os veículos SUV se enquadram no conceito de veículo misto e devem ser classificados na posição 8703. Assim, os pneumáticos destinados a esses veículos devem ser classificados no código 4011.10.00. (...) Inconformada a contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, alegando, em síntese efetuada no recurso voluntário, o que se segue: • nulidade do auto de infração, em razão da precariedade do procedimento de fiscalização (a Fiscalização considerou as marcas e os modelos dos veículos em vez de considerar as características técnicas dos pneus; a Fiscalização desconsiderou as regras de interpretação do Sistema Harmonizado, imprescindíveis para a classificação fiscal de mercadorias e desconsiderou as informações prestadas pela Recorrente ao longo do procedimento de investigação, sem ter apresentado sequer um fundamento para tanto); • o código NCM adotado pela Recorrente para classificar os pneus está correto, em conformidade com as regras de interpretação 3a e 4 do Sistema Harmonizado (similaridade com os pneus descritos no NCM 4011.20.90, pela maior durabilidade e resistência dos pneus) e de acordo com a classificação técnica validada pelo INMETRO; • a reclassificação fiscal proposta pela Fiscalização é ilegítima e deve ser afastada, pois contraria a classificação exigida e validada pelo INMETRO e também às regras internacionais de interpretação do Sistema Harmonizado; • indevida alteração do critério jurídico de lançamento, na medida em que para os produtos importados, a classificação fiscal adotada pela Recorrente foi confirmada quando do desembaraço e agora, nesse segundo momento, estão sendo contestadas; • a própria RFB confirmou a legitimidade do procedimento de classificação adotado pela Recorrente, tendo em vista a expedição da Solução de Consulta nº 348/1997 (8ª Região)vinculada à própria Recorrente; e, por fim • excesso na constituição do crédito tributário, a saber: (i) a indevida exigência de IPI na revenda de produtos importados; (ii) a ilegítima exigência de multa e juros; e, (iii) a incorreta aplicação de juros sobre multa. A Delegacia de Julgamento não acatou as alegações da impugnante, sob os seguintes fundamentos principais: Dentre os dois entendimentos, entendo acertado o adotado pela Fiscalização. É que, realmente, van, pickup, utilitário e SUV não são ônibus nem caminhões. Em relação à diferenciação entre vans para transporte de passageiros e ônibus, bem esclareceu a autoridade fiscal que “a TIPI não apresenta elementos que permitam identificar com precisão o que é um ônibus, cabe Fl. 1443DF CARF MF 6 utilizarse do sentido da palavra na língua portuguesa e na sua utilização merceológica. Assim, vans não são sinônimo de ônibus (...)”. A classificação prescrita pela COANA no ADE nº 023/2014 (8702.10.00 Ex02), referese a ‘Veículos automóveis para transporte de dez pessoas ou mais, incluindo o motorista Ex 02 Com volume interno de habitáculo, destinado a passageiros e motorista, igual ou superior a 9 m³. Portanto o fato de um veículo se enquadrar nessa classificação não significa que ele é um ônibus. De fato, nessa classificação se enquadram tanto as vans (quer sejam merceologicamente denominadas microônibus ou não) quanto os ônibus. No caso em tela, o próprio ADE identificou as vans como sendo microônibus (de teto alto ou teto baixo) e não como ônibus”. Quanto às vans destinadas ao transporte de cargas (furgões), pickup e utilitários, também comungo do entendimento da autoridade fiscal, que a requerente não consegue infirmar, de que “a diferenciação entre caminhões e furgões/pickup/utilitários é expressa na Nomenclatura. Todos desdobramentos da subposição 8704.21 (Veículos para transporte de carga, com carga máxima não superior a 5 toneladas) apresentam um EX01 para “Camionetas, furgões, pickups e semelhantes”. As NESH da posição 8704 discriminam dois tipos de veículos ali classificáveis: os caminhões e os chamados “veículos polivalentes” e dá, como exemplo destes veículos, justamente os furgões, as pickup e certos veículos utilitários esportivos – o que evidencia a diferenciação, para fins do SH, entre estes veículos polivalentes e os caminhões. Para fins de Nomenclatura do SH, os veículos SUV, que têm função mista (transporte de passageiros e maior capacidade de carga), devem ser considerados mistos. A conclusão acima não resta prejudicada nas hipóteses em que a SUV tenha características de “light truck” quando atendidas as condições da NESH da Posição 8703. Verificase na imagem abaixo, capturada no site da Pirelli, que o Pneu Scorpion ATR é usado em SUV. Resta claro que o Hummer é um veículo misto, pois tem uma maior capacidade de carga (daí porque requer a utilização de pneus mais resistentes), mas mantém relevante função de transporte de passageiros, o que resta evidenciado pelo claro conforto e sofisticação que o veículo apresenta. Os pneus objeto da fiscalização foram certificados na Categoria 3, o que vem apenas reforçar que não se tratam de pneumáticos usados por ônibus e caminhões, que devem ser certificados em Categoria distinta. Cientificada em 06/07/2016, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 05/08/2016, mediante o qual requereu a juntada de Laudo Técnico e repisou os argumentos da impugnação e acrescentou outros, sob os seguintes tópicos: IV. PRELIMINARMENTE: IV.1 – NULIDADE DA R. DECISÃO RECORRIDA – CONVALIDAÇÃO DA PRECARIEDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO IV.2 – NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA – INDEFERIMENTO IMOTIVADO DA PROVA PERICIAL V. DAS RAZÕES PARA REFORMA DA R. DECISÃO RECORRIDA V.1 – AS REGRAS GERAIS PARA A CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE PRODUTOS (INCLUSIVE PARA FINS DE INCIDÊNCIA DO IPI) V.2 – OS PNEUS OBJETO DA AUTUAÇÃO FISCAL – CARACTERÍSTICAS TÉCNICAS V.3 – A CLASSIFICAÇÃO FISCAL DOS PNEUS V.4 – NECESSIDADE DE CANCELAMENTO DA AUTUAÇÃO PELA IMPOSSIBILIDADE DE ALTERAÇÃO DO CRITÉRIO JURÍDICO DE LANÇAMENTO APÓS O DESPACHO ADUANEIRO DOS PNEUS IMPORTADOS V.5 – ILEGITIMIDADE DA COBRANÇA DE IPI NA SAÍDA DE PRODUTOS OBJETO DE IMPORTAÇÃO (JURISPRUDÊNCIA DO STJ) V.6 – ILEGITIMIDADE DA COBRANÇA DE JUROS E DE MULTA (ARTIGO 100 CTN) V.7 – ILEGITIMIDADE DA INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE MULTA Mediante a Resolução nº 3402001.253, de 2 de fevereiro de 2018, este Colegiado determinou a realização de diligência, nos seguintes termos: Fl. 1444DF CARF MF Processo nº 11065.722023/201525 Acórdão n.º 3402005.462 S3C4T2 Fl. 1.442 7 (...) Nessa toada, voto por converter o presente julgamento em diligência para que seja verificada a aplicabilidade da Solução de Consulta n.º 348/1997 aos pneus objeto do presente Auto de Infração, para que a autoridade fiscal de origem: (i) anexe aos presentes autos a cópia integral do processo relativo à referida Solução de Consulta; (ii) elaborar relatório fiscal trazendo as informações relevantes relativas à referida Solução de Consulta e a sua relação com o Auto de Infração lavrado. Neste relatório, importante que sejam primeiramente identificadas as informações correspondentes à Solução de Consulta, dentre as quais (ii.1) nome e CNPJ da empresa que formulou a Consulta; (ii.2) conclusão alcançada pela Consulta e as características e especificidades técnicas dos pneus envolvidos na consulta. Neste ponto, é importante que sejam identificadas as características dos pneus para os quais foi autorizada a utilização da NCM 4011.20.90; (ii.3) período de validade da Consulta. Caso a Consulta tenha perdido validade, informar até qual data a Solução de Consulta vigorou, informando a base normativa vigente à época. Em seguida, necessário que seja realizada a correlação da referida Solução de Consulta com os pneus objeto do Auto de Infração lavrado, informando (ii.4) se a pessoa jurídica que formulou a Consulta é a mesma pessoa jurídica autuada. Gentileza considerar eventuais alterações societárias ocorridas no período; (ii.5) se os pneus envolvidos no Auto de Infração possuem características e especificidades técnicas idênticas daqueles envolvidos na Solução de Consulta. Neste ponto, relacionar a especificidade técnica dos pneus autuados de acordo com as mesmas características utilizadas pela solução de consulta, informando se são do "tipo radial ou convencional" e qual a sua medição, informando se seriam de "7,00 16 (10 lonas), 7,50 16 (10 ou 12 lonas), 7,00 R16 (12 lonas) ou 7,50 R16 (10 ou 12 lonas)" de acordo com as informações que constam da ementa da solução de consulta. Caso os pneus não sejam idênticos, informar as diferenças identificadas que implicariam na não aplicação do resultado da Solução de Consulta aos pneus objeto do Auto de Infração; e (ii.6) se a Solução de Consulta estava vigente à época dos fatos geradores objeto da autuação (anos de 2011 e 2012) Antes do retorno do processo a este CARF, intimar a Recorrente para, se for de seu interesse, se manifestar no prazo de 30 (trinta) dias do resultado da diligência. (...) A fiscalização emitiu o Relatório de Diligência Fiscal, que consta nas fls. 1387/1404, e a recorrente apresentou posteriormente sua manifestação (fls. 1410/1434). É o relatório. Voto Vencido Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Relatora Atendidos os requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento do recurso voluntário. As inconsistências alegadas pela recorrente no critério adotado para a classificação fiscal dos produtos são pertinentes à análise de mérito do presente lançamento, o que será efetuado mais a frente. Também não incorreu em qualquer nulidade a decisão recorrida ao indeferir, motivadamente, o requerimento de produção de prova técnica pericial da então impugnante, Fl. 1445DF CARF MF 8 vez que tal providência era, na convicção do julgador a quo, desnecessária para o deslinde da controvérsia de classificação fiscal posta nos autos, mormente quando houve manifestação expressa por parte do julgador quanto à irrelevância para a solução da lide dos vários quesitos formulados pela requerente. Não há tampouco contradição na decisão recorrida quanto ao fato de, em algumas questões, indeferir o pedido de perícia e argumentar acerca da inércia da contribuinte em trazer provas para provar suas alegações, tendo em vista que diligências e perícias não existem com o propósito de suprir o ônus da prova colocado às partes, mas sim para elucidar questões pontuais mantidas controversas mesmo em face dos documentos trazidos pela impugnante ou recorrente. Conforme já decidido no Acórdão nº 3201002.316 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, de 24 de agosto de 2016, Relator: José Luiz Feistauer de Oliveira, "A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação dos créditos alegados". Como se sabe, incumbe à impugnante, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 e do art. 36 da Lei nº 9.784/99, comprovar a eventual existência de elemento modificativo ou extintivo da autuação, especialmente quando a impugnante traz alegação em sentido diverso daquele informado por ela no curso do procedimento fiscal. Assim, rejeitase as preliminares de nulidade suscitadas pela recorrente. Segundo as lições da própria interessada, nos parágrafos 130 e 131 do recurso voluntário, "De acordo com a Regra 1 de interpretação, o que determina a classificação de uma mercadoria é o texto das posições, das Notas de Seção e Capítulo. Os títulos das Seções, Capítulos e Subcapítulos têm apenas valor indicativo. O que se depreende dessa regra é que a classificação do produto já pode ser verificada quando o produto está suficientemente descrito no texto das “Posições”, “Notas de Seção” e “Capítulo”, não sendo necessário recorrer às regras 2, 3, 4, 5 e 6 de interpretação". A fiscalização entende que a classificação adequada para os pneumáticos dos tipos utilizados em Vans, Pickup e utilitários seria no código NCM 4011.99.90 e para aqueles utilizados em SUV's seria no código NCM 4011.10.00; enquanto a recorrente sustenta que, para todos os pneumáticos, a classificação darseia na NCM 4011.20.90. Assim, não há divergência entre o Fisco e recorrente quanto à correção da classificação dos pneumáticos na posição 4011. Vejamos os textos das posições e desdobramentos envolvidos na controvérsia: 40.11 Pneumáticos novos, de borracha 4011.10 Dos tipos utilizados em automóveis de passageiros (incluídos os veículos de uso misto (“station wagons”) e os automóveis de corrida) 4011.20 Dos tipos utilizados em ônibus ou caminhões 4011.30 Dos tipos utilizados em veículos aéreos 4011.40 Dos tipos utilizados em motocicletas 4011.50 Dos tipos utilizados em bicicletas 4011.6 Outros, com bandas de rodagem em forma de "espinha de peixe" e semelhantes 4011.9 Outros 4011.92 Dos tipos utilizados em veículos e máquinas agrícolas ou florestais 4011.93.00 Dos tipos utilizados em veículos e máquinas próprios para construções ou manutenção industrial, para aros de diâmetro inferior ou igual a 61cm Fl. 1446DF CARF MF Processo nº 11065.722023/201525 Acórdão n.º 3402005.462 S3C4T2 Fl. 1.443 9 4011.94 Dos tipos utilizados em veículos e máquinas próprios para construções ou manutenção industrial, para aros de diâmetro superior a 61cm 4011.99 Outros 4011.99.10 Com seção de largura superior ou igual a 1.143mm (45”), para aros de diâmetro superior ou igual a 1.143mm (45”) 4011.99.90 Outros Como se observa dos textos das subposições acima, o primeiro critério de classificação que deles decorre é o da destinação do produto (veículos nos quais será utilizado). Dessa forma, tratandose de pneumáticos novos de borracha, a primeira questão a ser levantada para a sua adequada classificação é se seriam utilizados em alguns dos veículos referidos nas subposições 4011.10 a 4011.50 e, em caso negativo, passarseia a analisar os textos das subposições residuais (sem destinação especificada nas subposições precedentes) 4011.6 e 4011.9 e seus desdobramentos. Com efeito, ao contrário do sustentado pela recorrente, o critério adotado pela fiscalização de verificar primeiramente a verdadeira destinação dos pneus (utilização nos veículos especificados) para a sua adequada classificação fiscal está em plena conformidade com as regras de classificação fiscal. Nessa esteira, é verdade que a controvérsia pode, conforme o caso, se deslocar para questões atinentes ao conceito desses veículos, para os quais se destinam os pneumáticos sob classificação. Não tem qualquer cabimento a alegação da recorrente no sentido de que a palavra "tipos" nos textos das subposições teria o condão de incluir os pneumáticos "similares" aos pneumáticos destinados a ônibus e de caminhões na subposição 4011.20 Dos tipos utilizados em ônibus ou caminhões. A palavra "tipos" no texto dessa subposição e das demais referese diretamente a "pneumáticos novos, de borracha" (texto da posição 4011), de forma a expressar que na referida subposição estão incluídos todos os modelos/variedade/categoria/ qualidade de pneumáticos destinados aos veículos especificados. A abrangência do termo "tipos" existe em relação aos pneumáticos, mas não em relação aos veículos, os quais estão determinados com precisão no texto da subposição 4011 como "ônibus ou caminhões". Entende a recorrente que não haveria um código NCM claro na Tabela TIPI para a classificação para o enquadramento dos pneus destinados à utilização por utilitários, vans/microônibus, SUVs e pickups, razão pela qual, considerando as Regras de Interpretação 3a e 4, adotou o código com posição mais específica e/ou o código que indica produto com características técnicas mais semelhantes, qual seja, o NCM 4011.20.90. Menciona como fundamentos para essa interpretação, os seguintes pontos: i) a natureza e especificações técnicas dos pneus objetos da autuação; (ii) o entendimento do INMETRO de que os pneus fiscalizados não podem ser classificados como destinados para utilização por veículos de passageiros; (iii) maior resistência e durabilidade dos pneus que os aproximam dos tipos de pneus destinados à utilização por ônibus e caminhões; e (iv) a prevalência de código mais específico. A Regra Geral para interpretação do Sistema Harmonizado nº 1, dispõe que: "1. Os títulos das Seções, Capítulos e Subcapítulos têm apenas valor indicativo. Para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, pelas Regras seguintes". Fl. 1447DF CARF MF 10 Como se vê, somente após a aplicação da Regra Geral nº 1, é possível se passar para as Regras Gerais subsequentes, as quais não podem contradizer aquilo que já foi estabelecido pela aplicação da Regra Geral nº 1. Da mesma forma devese proceder em relação ao enquadramento nas subposições de uma mesma posição e nos itens e subitens, conforme determinam a Regra Geral nº 6 e a Regra Geral Complementar nº 1, abaixo transcritas: 6. A classificação de mercadorias nas subposições de uma mesma posição é determinada, para efeitos legais, pelos textos dessas subposições e das Notas de Subposição respectivas, assim como, mutatis mutandis, pelas Regras precedentes, entendendose que apenas são comparáveis subposições do mesmo nível. Para os fins da presente Regra, as Notas de Seção e de Capítulo são também aplicáveis, salvo disposições em contrário. 1. (RGC1)As Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado se aplicarão, "mutatis mutandis", para determinar dentro de cada posição ou subposição, o item aplicável e, dentro deste último, o subitem correspondente, entendendose que apenas são comparáveis desdobramentos regionais (itens e subitens) do mesmo nível. Embora não haja qualquer referência expressa aos pneus utilizados por vans, pickup, utilitários e SUV nos textos das posições e subposições, se tais veículos se enquadrarem, segundo as regras de classificação fiscal, naqueles especificados nesses textos, não poderíamos dizer, como faz a recorrente, que não há um código NCM claro para os pneus a eles destinados. Nessa esteira, incumbe aqui analisar, pela aplicação da Regra Geral nº 1, em conformidade com o determinado na Regra Geral nº 6 e a Regra Geral Complementar nº 1, dentro da posição 4011, qual seria a subposição mais adequada para os produtos: NCM 4011.20.90 (recorrente) ou NCM 4011.99.90 para pneus destinados a Vans, Pickup e utilitários e NCM 4011.10.00 para aqueles destinados a SUV's (fiscalização): 4011.10 Dos tipos utilizados em automóveis de passageiros (incluídos os veículos de uso misto (“station wagons”) e os automóveis de corrida) 4011.20 Dos tipos utilizados em ônibus ou caminhões 4011.99.90 Outros Embora certamente existam padrões de classificação técnica estabelecidos pelo INMETRO e/ou por órgãos internacionais para os pneumáticos, para a classificação fiscal no Sistema Harmonizado, o que primeiro importa é observar a descrição das subposições da posição 4011. Assim, se a fiscalização apura ou a contribuinte informa que os produtos por ela vendidos não se destinariam à utilização em ônibus ou caminhões, não obstante os pneus tenham durabilidade e resistência para suportálos, não seria o caso de classificálos como pneumáticos novos dos tipos utilizados em ônibus ou caminhões (4011.20). Com efeito, a fiscalização informou no Relatório Fiscal que: "(...) A própria resposta do contribuinte, bem como informações referidas nas páginas da Internet da fiscalizada e de seus revendedores indicam serem destinados a vans, utilitários, pickups, SUV e veículos de passeio, portanto não se destinam a ônibus e caminhões. Ainda em sua página na Internet, o contribuinte relaciona os pneus destinados a ônibus e caminhões. Tal relação não inclui nenhum dos modelos indicados no Anexo I do Termo de Início de Fiscalização que corresponde ao Anexo I deste Relatório". Na sequência a fiscalização bem esclareceu a diferença entre os veículos para os quais se destinavam os pneumáticos comercializados pela contribuinte e os ônibus e caminhões referidos na subposição 4011.20, como se vê abaixo: (...) Fl. 1448DF CARF MF Processo nº 11065.722023/201525 Acórdão n.º 3402005.462 S3C4T2 Fl. 1.444 11 Considerando que a TIPI não apresenta elementos que permitam identificar com precisão o que é um ônibus (a posição 8702, suas subposições e respectivos Ex, que abrangem todos os automóveis para dez ou mais pessoas, limitamse a segmentar os veículos em função do volume da cabine, sem atribuir uma terminologia a cada um deles), cabe utilizarse do sentido da palavra na língua portuguesa e na sua utilização merceológica. Assim, vans não são sinônimo de ônibus, portanto pneus para vans não podem ser classificados na TIPI como pneus para ônibus. Adicionalmente, apenas a título de informação complementar (já que legislações subsidiárias não têm a prerrogativa de, por si só, estabelecer critérios para a classificação fiscal de mercadorias que advém de uma convenção internacional, o Sistema Harmonizado), o Código de Trânsito Brasileiro, em seu Anexo I, classifica ônibus como o veículo de transporte de pessoas com capacidade para mais de vinte passageiros, ainda que, em virtude de adaptações com vista à maior comodidade destes, transporte número menor. Já a diferenciação entre caminhões e furgões/pickup/utilitários é expressa na Nomenclatura. Todos desdobramentos da subposição 8704.21 (Veículos para transporte de carga, com carga máxima não superior a 5 toneladas) apresentam um EX01 para “Camionetas, furgões, pickups e semelhantes” indicando expressamente que tais veículos não se enquadram no conceito de caminhões. (...) A conclusão acima da fiscalização, de que os pneumáticos não se destinariam efetivamente a ônibus e caminhões não pode ser afastada pela recorrente, que não apresentou elementos capazes de infirmar sua própria declaração anterior. Nesse ponto, bem esclareceu o julgador a quo sobre os pneumáticos declarados pela contribuinte com destinação às SUV's: (...) 178. Ora, se a então fiscalizada se equivocou nas informações prestadas à autoridade fiscal, as quais serviram de base para a autuação, nada mais razoável é que se exija que a impugnante comprove, claramente, o equívoco – o que não se deu ao trabalho de fazer, o que é razão suficiente para manter inalterados os veículos classificados como SUV. 179. De todo modo, este relator se deu ao trabalho de pesquisar o veículo Hummer, tendo constatado, em pesquisa site da wikipedia, “O Hummer foi um veículo da AM General e sua marca, assim como o direito de marketing, pertencente à GM. Ele foi desenvolvido a partir do HMMWV, originalmente um veículo de guerra que acabou caindo no gosto dos consumidores americanos e virou sucesso de vendas entre as SUVs11” (g.n.). Nesta mesma página do wikipedia, que faz referência expressa aos modelos Hummer H1 Alpha, H2 Wagon, H2 Sut e H3, consta que “Todos os Hummers com exceção do H2 Sut, são SUVs”. 180. Ora, verificase na imagem abaixo, capturada no site da Pirelli12, que o Pneu Scorpion ATR é usado em SUV; logo, podese descartar seu emprego no Hummer H2 Sut: (...) 182. Portanto, resta claro que o Hummer, realmente, é um veículo misto, pois tem uma maior capacidade de carga (daí porque requer a utilização de pneus mais resistentes), mas mantém relevante função de transporte de passageiros, o que resta evidenciado pelo claro conforto e sofisticação que o veículo apresenta. 183. Desnecessário continuar analisando os demais veículos classificados como SUV, dada a inércia da contribuinte em trazer provas capazes de infirmar a informação que prestou, no curso do procedimento fiscal, de que os veículos aqui comentados seriam SUV. (...) Fl. 1449DF CARF MF 12 Assim, têmse, nesta fase do raciocínio, por inicialmente afastada a subposição pretendida pela recorrente (4011.20), o que somente poderia ser revertido acaso não houvesse uma outra subposição mais adequada pela aplicação da regra geral 1, situação que poderia levar, como pretende a recorrente, à aplicação das regras gerais de interpretação subsequentes, em especial, as regras gerais 3.a) e 4 requeridas no recurso voluntário.1 No entanto, neste caso específico, pelo que se observa, já de início, nas subposições da posição 4011, é que, como existe a subposição residual "4011.9 Outros", na hipótese de não haver outras subposições mais adequadas, a classificação darseia nesta subposição residual pela aplicação da regra geral de interpretação 1, mas não por semelhança (aplicação das regras gerais 3.a e 4) na subposição "4011.20 Dos tipos utilizados em ônibus ou caminhões", como pretendia a recorrente. Não procede a alegação da recorrente no sentido de que seria "necessário considerar a Regra Interpretativa “3.a.” (critério da maior especificidade), porque a posição do NCM 4011.2090 (tipos de pneus usados por ônibus e caminhões) é posição mais específica em relação à posição do NCM 4011.99.90 (“outros”), claramente mais genérica, pois sequer indica qualquer característica dos pneus". Isso porque a subposição residual engloba os produtos que não podem ser classificados nas outras subposições precedentes pela aplicação da regra geral de interpretação 1, não sendo esta considerada mais genérica do que as demais. Somente se não houvesse subposição residual a classificação poderia ser regida pelas demais regras, por semelhança, como deseja a recorrente. No caso, Vans, Pickup e utilitários foram classificados pela fiscalização no código residual NCM 4011.99.90. 1 REGRAS GERAIS PARA INTERPRETAÇÃO DO SISTEMA HARMONIZADO A classificação das mercadorias na Nomenclatura regese pelas seguintes regras: 1.Os títulos das Seções, Capítulos e Subcapítulos têm apenas valor indicativo. Para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, pelas Regras seguintes: 2.a)Qualquer referência a um artigo em determinada posição abrange esse artigo mesmo incompleto ou inacabado, desde que apresente, no estado em que se encontra, as características essenciais do artigo completo ou acabado. Abrange igualmente o artigo completo ou acabado, ou como tal considerado nos termos das disposições precedentes, mesmo que se apresente desmontado ou por montar. b)Qualquer referência a uma matéria em determinada posição diz respeito a essa matéria, quer em estado puro, quer misturada ou associada a outras matérias. Da mesma forma, qualquer referência a obras de uma matéria determinada abrange as obras constituídas inteira ou parcialmente por essa matéria. A classificação destes produtos misturados ou artigos compostos efetuase conforme os princípios enunciados na Regra 3. 3.Quando pareça que a mercadoria pode classificarse em duas ou mais posições por aplicação da Regra 2 b) ou por qualquer outra razão, a classificação deve efetuarse da forma seguinte: a)A posição mais específica prevalece sobre as mais genéricas. Todavia, quando duas ou mais posições se refiram, cada uma delas, a apenas uma parte das matérias constitutivas de um produto misturado ou de um artigo composto, ou a apenas um dos componentes de sortidos acondicionados para venda a retalho, tais posições devem considerarse, em relação a esses produtos ou artigos, como igualmente específicas, ainda que uma delas apresente uma descrição mais precisa ou completa da mercadoria. b)Os produtos misturados, as obras compostas de matérias diferentes ou constituídas pela reunião de artigos diferentes e as mercadorias apresentadas em sortidos acondicionados para venda a retalho, cuja classificação não se possa efetuar pela aplicação da Regra 3 a), classificamse pela matéria ou artigo que lhes confira a característica essencial, quando for possível realizar esta determinação. c)Nos casos em que as Regras 3 a) e 3 b) não permitam efetuar a classificação, a mercadoria classificase na posição situada em último lugar na ordem numérica, dentre as suscetíveis de validamente se tomarem em consideração. 4. As mercadorias que não possam ser classificadas por aplicação das Regras acima enunciadas classificamse na posição correspondente aos artigos mais semelhantes. (...) Fl. 1450DF CARF MF Processo nº 11065.722023/201525 Acórdão n.º 3402005.462 S3C4T2 Fl. 1.445 13 Pela aplicação da regra geral de interpretação 1, o autuante descartou também as subposições 4011.30, 4011.40, 4011.50 e 4011.6 para todos os pneumáticos, por não se tratar de pneus utilizados em veículos aéreos, motocicletas ou bicicletas, nem se tratar de pneus com bandas de rodagem em forma de espinha de peixe; bem como as subposições 4011.92, 4011.93 e 4011.94 e o código 4011.99.10, por não se tratar de pneus para uso agrícola, uso em manutenção industrial ou com seção de largura superior a 45 polegadas. Dessa forma, restariam ainda os códigos NCM 4011.10.00 e 4011.99.90 como passíveis de classificação para os pneumáticos. No caso dos pneus destinados a Vans, concluiu o autuante que elas não poderiam ser classificadas no código NCM 4011.10.00, mas no código NCM 4011.99.90, nos seguintes termos: (...) As vans são veículos usados para transporte de passageiros ou de carga, hipótese em que são conhecidos como furgões. As vans para passageiros disponíveis no mercado nacional possuem – em sua quase totalidade – a capacidade de nove a dezenove passageiros mais o motorista, ou seja, dez a vinte ocupantes, sendo em alguns casos referidas como microônibus, mas jamais sendo consideradas como ônibus. Como já referido, os veículos com capacidade para dez ou mais pessoas são classificados na posição 8702 da TIPI (Veículos automóveis para transporte de 10 pessoas ou mais, incluindo o motorista), enquanto os veículos para transporte de até nove pessoas são classificados na posição 8703 (Automóveis de passageiros e outros veículos automóveis principalmente concebidos para transporte de pessoas (exceto os da posição 87.02), incluídos os veículos de uso misto ("station wagons") e os automóveis de corrida). Portanto, os pneus destinados a Vans (para transporte de passageiros) não podem ser classificados na subposição 4011.10, porque essa subposição, a teor do seu texto, se refere aos pneumáticos utilizados nos veículos classificados na posição 8703, enquanto as vans para transporte de passageiros são classificadas na posição 8702. Já as vans para transporte de carga (furgões), como já referido, classificamse no EX01 dos desdobramentos das subposições de 2º nível 8704.21. Portanto, os pneus destinados a esses veículos também não podem ser classificados na subposição 4011.10 (exclusiva de pneus dos veículos classificados na posição 8703). Por exclusão, os pneumáticos utilizados para vans para transporte de passageiros ou de carga (furgões) devem ser classificados no código 4011.99.90 – Outros. (...) Argumenta a recorrente que a premissa da fiscalização nesta parte confirmaria a correção da NCM por ela adotada, vez que, a seu ver, as Vans de passageiros seriam enquadradas na mesma posição que os ônibus (NCM 8702) e as Vans de carga na mesma posição que os caminhões (NCM 8704). No entanto, como se depreende da leitura acima de trecho do Relatório Fiscal, o entendimento da fiscalização é de que as Vans de passageiros, embora se classifiquem na posição 8702, não se confundem com os ônibus, em função do número de passageiros que transportam. Deve ser observado que, na subposição 4011.20, enquadramse os pneumáticos utilizados em ônibus, mas não aqueles utilizados em todos os veículos da posição 8702. Da mesma forma, embora Vans de carga enquadremse na mesma posição dos caminhões (8704), na subposição 4011.20 incluemse apenas os pneumáticos utilizados em caminhões, mas não Fl. 1451DF CARF MF 14 aqueles utilizados em todos os veículos da posição 8704. A diferenciação entre esses veículos os ônibus e caminhões referidos na subposição 4011.20 foi delimitada no Relatório Fiscal, cujo trecho foi transcrito acima neste Voto. Assim, rechaçase os argumentos da recorrente2 acerca do Ato Declaratório Executivo (ADE) nº 23/2014 da COANA com os próprios fundamentos da fiscalização, abaixo transcritos: A classificação prescrita pela COANA no ADE nº 023/2014 (8702.10.00 Ex 02), referese a ‘Veículos automóveis para transporte de dez pessoas ou mais, incluindo o motorista Ex 02 Com volume interno de habitáculo, destinado a passageiros e motorista, igual ou superior a 9m3’. Portanto o fato de um veículo se enquadrar nessa classificação não significa que ele é um ônibus. De fato, nessa classificação se enquadram tanto as vans (quer sejam merceologicamente denominadas microônibus ou não) quanto os ônibus. No caso em tela, o próprio ADE identificou as vans como sendo microônibus (de teto alto ou teto baixo) e não como ônibus. Com relação aos veículos Pickup e utilitários, concluiu a fiscalização que eles classificamse no Ex Tarifário 01 dos desdobramentos da subposição 8704.21, de forma que os pneumáticos a eles destinados também não poderiam ser enquadrados na subposição 4011.10, já que essa subposição, a teor de seu texto, é indicativa de pneus para automóveis de passageiros da posição 8703, restando assim tais pneumáticos classificados no código “4011.99.90 – Outros”. Contesta a recorrente a reclassificação dos pneus LT265/75R16 123S S ATRwl, que seria destinado ao veículo F350, eis que tal veículo seria um verdadeiro caminhão. No entanto, foi a própria contribuinte que informou no procedimento fiscal que tal veículo seria uma Pickup, conforme se vê nos trechos abaixo da Tabela 2 (fl. 472): Como já esclarecido pela decisão recorrida, caberia a recorrente demonstrar o equívoco em sua declaração anterior à autoridade fiscal em relação ao veículo F350, sendo que o mesmo se verifica em relação ao veículo F250: (...) 197. A contribuinte menciona, na Impugnação, que o veículo F350 seria um caminhão. Entrementes, foi o próprio sujeito passivo que, na tabela de fls. 471/472 já referenciada no item 177 acima, qualificou o veículo como pickup. Então, caber lheia provar o equívoco na informação que prestou à autoridade fiscal. Como nenhuma prova a respeito trouxe, devese ser mantido o entendimento de que o 2 (...) 278. Assim, o ADE nº 23/2014 da COANA afirma que a classificação correta para o veículo Sprinter é a NCM 8702.1000, exatamente a mesma classificação do ônibus, corroborando tudo o que vem sendo dito. (...) 280. Ora, se microônibus é uma espécie de ônibus (que carrega uma quantidade menor de pessoas) e as vans são consideradas microônibus, inclusive na visão da I. Fiscalização e da D. DRJ, parece lógico concluir que as vans são espécies do gênero ônibus. (...) Fl. 1452DF CARF MF Processo nº 11065.722023/201525 Acórdão n.º 3402005.462 S3C4T2 Fl. 1.446 15 automóvel é uma Pickup, acrescentandose que o pneu LT265/75R16 123S S ATRwl, usado neste veículo, está certificado pelo INMETRO, consoante a própria interessada afirma, na Categoria 3 – e não na Categoria 4, específica para caminhões – o que reforça, por não ter sido apresentada prova em sentido diverso, que o veículo F350 não é um caminhão, mas uma pickup. 198. O mesmo ocorre em relação ao veículo F250, nos quais são usados os pneus LT235/85R16 108Q SMUD wl e LT265/70R17 121S SATR wl, que foi classificado na planilha de fls. 471/472 como pickup. Aditese, apenas, que o argumento da recorrente de que tais “veículos em nada se aproximam de veículos de passeio e sim de veículos de transporte de carga ou camionetas” (item 239, da Impugnação) em nada socorre a contribuinte, pois pneus para camionetas também são classificados no NCM 4011.99.90, já que camionetas, também alcançadas pelos Ex 01 dos desdobramentos da suposição 8704.21, não são nem ônibus nem caminhões (nesta linha, vide SCI reproduzida no item 189). (...) Quanto aos pneus utilizados em SUV (Sport Utility Vehicle), entendeu a fiscalização que estes se tratam de "veículos de uso misto", eis que se destinam ao transporte de passageiros, mas apresentam uma capacidade de carga superior aos demais automóveis, enquadrando os pneus a eles destinados na subposição 4011.10 [Pneumáticos novos, de borracha] "Dos tipos utilizados em automóveis de passageiros (incluídos os veículos de uso misto (“station wagons”) e os automóveis de corrida)". Para determinar o conteúdo e o alcance da expressão "veículos de uso misto", a fiscalização utilizouse dos textos e notas explicativas relativos ao enquadramento dos próprios veículos3. Quanto ao entendimento da DIANA da 9ª Região Fiscal veiculado na Solução de Consulta nº 22/20134, o pneumático objeto de consulta era também usado em camionetas, o que justificaria a sua classificação no NCM 4011.99.90. Com relação ao pneumático 175/65R14C 90, entendeu a fiscalização que, ao contrário do informado pela contribuinte (vide tabela mais abaixo), ele seria destinado aos veículos de passeio Celta, Corsa e Prisma, sendo reclassificados para a NCM 4011.10.00: 3 8702Veículos automóveis para transporte de 10 pessoas ou mais, incluindo o motorista 8703 Automóveis de passageiros e outros veículos automóveis principalmente concebidos para transporte de pessoas (exceto os da posição 87.02), incluídos os veículos de uso misto ("station wagons") e os automóveis de corrida). Nota Explicativa (NESH) da posição 8703: Entendemse por veículos de uso misto (break ou station wagons), na acepção da presente posição, os veículos com nove lugares sentados no máximo (incluído o do motorista), cujo interior pode ser utilizado, sem modificação da estrutura, tanto para o transporte de pessoas como para o de mercadorias. 4 ASSUNTO: Classificação de Mercadorias EMENTA: Código TEC 4011.99.90 Mercadoria: Pneumático novo de borracha, codificação 7.5016, construção diagonal, com largura de seção 216mm e aro 16", índice de carga 122/118 e símbolo de velocidade M que não apresenta banda de rodagem em forma de "espinha de peixe" ou semelhante, indicado pelo fabricante e normas técnicas como pneumático próprio para "camionetas" e não enquadrado pelo fabricante e referidas normas na categoria de pneumáticos para "ônibus ou caminhões". Código TEC 4011.99.90 Mercadoria: Pneumático novo de borracha, codificação 7.50R16, construção radial, largura de seção 198mm e aro 16", índice de carga de 121/120 e símbolo de velocidade M, que não apresenta banda de rodagem em forma de "espinha de peixe" ou semelhante, indicado pelo fabricante como pneumático próprio para veículos de tração 4x4, SUV (Sport Utility Vehicles) e camionetas, enquadrado pelas normas técnicas na categoria de pneumáticos para "camionetas" (que inclui também microônibus e utilitários) e não enquadrado na categoria de pneumáticos para "ônibus ou caminhões". (Solução de consulta n°22 — Diana 9, de 15 de abril de 2013) Fl. 1453DF CARF MF 16 Anexo ao auto de infração: Informação da contribuinte: Em face da impugnação da contribuinte nesta parte, assim decidiu a Delegacia de Julgamento: (...) III.5. Da Classificação Fiscal do pneu 175/65R14C 90: 205. No Relatório da Ação Fiscal, expõe a autoridade autuante que “A configuração 175/65R14C 90T CHRONO, indicada como sendo utilizada em pickups (ex. Hoggar), é na verdade predominantemente utilizada em veículos de passeio como o Celta, o Corsa e o Prisma”. 206. Compulsando os autos, não localizei a anexação, pela Fiscalização, de documentos comprobatórios da conclusão acima. Por outro lado, a informação constante do site da Pirelli, na internet, confirma o uso dos pneus no veículo Hoggar, consoante se vê na imagem ali capturada e abaixo vazada: (...) 207. Por outro lado, em pesquisas feitas no sítio da Pirelli anexadas às fls. 1.162/1.170, não encontrei qualquer informação que vincule o comentado pneu aos veículos Celta, Corsa ou Prisma. 208. Ademais, de acordo com o que consta à fl. 1.105, o enfocado pneu está certificado na Categoria 3 (Família 3A2B1C2), atinente aos pneus novos destinados a veículos comerciais leves e rebocados – e não na Categoria 2, que, a princípio pelo menos e salvo comprovação em contrário, deveriam estar enquadrados os pneus novos destinados a automóveis de passageiros, inclusive de uso misto e rebocados. 209. Ora, a informação prestada em relação ao pneu examinado pela contribuinte durante o procedimento fiscal está de acordo com as informações de seu site na internet e é coerente com a certificação do pneu pelo I.Q.A, não tendo sido anexada pela Fiscalização qualquer prova em sentido contrário. 210. Diante do que consta acima, concluo que o pneu 175/65R14C 90T é usado por pickup – e não por veículos de passeio, como considerou a Fiscalização. 211. Mas não importa se o pneu é usado por veículos de passeio (classificáveis no NCM 4011.10.00, para o qual é prevista a alíquota de 15%) ou por pickup (enquadráveis, segundo a autuação e defendido neste Voto, no NCM 4011.99.90, para o qual também há previsão da alíquota de 15%): a classificação fiscal da contribuinte no NCM 4011.20.90 está, em qualquer caso, equivocada e, em quaisquer das duas situações, a infração é a mesma (“Saída De Produtos sem Lançamento do IPI inobservância de classificação fiscal e/ou alíquota do IPI”) e a apuração do tributo devido a ser exigido não é alterada, já que idênticas as alíquotas para ambos os NCM 4011.10.00 e 4011.99.90. 212. Por outro lado, a discussão sobre a correta classificação dos pneus para pickup já é objeto deste processo em relação a outros tipos de pneus e pode, muito bem e sem qualquer prejuízo para a defesa do sujeito passivo, ser aproveitada em relação ao pneu 175/65R14C 90T. (...) Fl. 1454DF CARF MF Processo nº 11065.722023/201525 Acórdão n.º 3402005.462 S3C4T2 Fl. 1.447 17 Como se observa acima, a DRJ deu razão à impugnante relativamente à destinação dos pneumáticos 175/65R14C 90, mas ainda assim manteve a autuação, o que não tem qualquer cabimento. Para a exigência dos tributos e multa de ofício relativamente a tais pneumáticos em face de nova reclassificação fiscal seria necessário novo lançamento. Em conformidade com o art. 50 da Lei nº 9.784/99 e com o art. 10, III do Decreto nº 70.235/72, um ato administrativo (lançamento) não pode subsistir na parte em foi considerado improcedente o seu motivo determinante pelo julgador de primeira instância. Conforme bem esclarece Meirelles5, a teoria dos motivos determinantes fundase na consideração de que os atos administrativos, quando tiverem sua prática motivada, ficam vinculados aos motivos expostos para todos os efeitos jurídicos. Tais motivos é que determinam e justificam a realização do ato, e, por isso mesmo, deve haver perfeita correspondência entre eles e a realidade. Dessa forma, no caso concreto, não pode remanescer a exigência fiscal relativamente aos pneumáticos 175/65R14C 90, pois há desconformidade entre a realidade ("reclassificação" fiscal pela DRJ para a NCM 4011.99.90) e os motivos determinantes do auto de infração nesta parte (reclassificação fiscal para a NCM 4011.10.00). Alega a recorrente que teria havido alteração de critério jurídico no lançamento, vez que parte dos pneus objeto de Fiscalização é importada e teria se sujeitado a procedimentos de desembaraço aduaneiro, com regular liberação das mercadorias com a classificação no código NCM 4011.20.90. No entanto, consta nas fls. 1130/1158, cópias de Relatórios Fiscais relativamente a procedimentos fiscais de revisão aduaneira em face da contribuinte das declarações de importação registradas nos períodos de 01/04/2009 a 28/02/2011 e de 01/02/2011 a 31/03/2011, no quais se apurou os mesmos fatos que ensejaram a reclassificação fiscal do presente processo, como se vê em trecho de um Relatório Fiscal abaixo: (...) 5.1 — Da Classificação Fiscal das Mercadorias O importador declarou em diversas Declarações de Importação (DI) que os modelos de pneus relacionados na tabela 01 seriam destinados para uso em caminhões e ônibus, com enquadramento na NCM 4011.20.90, com aliquota do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) de 2%. Na informação apresentada na resposta ao Termo de Início de Fiscalização, com data de 12/04/2011, o próprio importador informa que estes pneus se destinam para uso em automóveis, utilitários, vans, SUV e picapes (pickup). A classificação na NCM dos pneus para estes veículos é 4011.10.00, diversa daquela informada nas importações sob análise, com aliquota do /P1 de 15%. (...) Há que se esclarecer à recorrente que o desembaraço aduaneiro não significa homologação expressa do lançamento, eis que o instituto da Revisão Aduaneira, realizado após o desembaraço de importação, é procedimento fiscal legalmente previsto no art. 54 do Decreto lei n° 37/66, com a redação dada pelo Decretolei n° 2.472/88, compatível com as disposições sobre o lançamento do CTN, em especial, o seu art. 146, conforme análise efetuada por esta Relatora no voto condutor do Acórdão nº 3402003.049 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, de 28 de abril de 2016, conforme trechos abaixo: 5 MEIRELLES, Hely Lopes. Direito Administrativo Brasileiro. São Paulo: Malheiros, p. 197. Fl. 1455DF CARF MF 18 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 04/09/2008, 02/09/2009, 13/11/2009, 02/09/2010, 30/03/2011, 06/12/2011 Ementa: REVISÃO ADUANEIRA. REVISÃO DE OFÍCIO. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. NÃO CONFIGURADA. Não tendo sido efetuado nenhum lançamento de ofício no curso da conferência aduaneira, o lançamento efetuado em sede de revisão aduaneira não caracteriza revisão de ofício, nem tampouco se cogita de alteração de critério jurídico a que se refere o art. 146 do CTN. A revisão aduaneira é um procedimento fiscal, realizado dentro do prazo decadencial de tributos sujeitos ao "lançamento por homologação", e, portanto, compatível com este instituto, mediante o qual se verifica, entre outros aspectos, a regularidade da atividade prévia do importador na declaração de importação em relação à apuração e ao recolhimento dos tributos. (...) VOTO (...) A revisão aduaneira é, portanto, um procedimento de fiscalização que ocorre dentro do prazo decadencial dos tributos sobre o comércio exterior, como qualquer outro procedimento fiscal na área de tributos internos. A diferença é que, para os tributos sobre o comércio exterior, há um nome específico para esse procedimento, o qual, digamos, não foi muito feliz. Nesse ponto, devese esclarecer que os conceitos de "revisão aduaneira" e de "revisão de ofício do lançamento" não se confundem. Não se pode afirmar, tampouco, que do procedimento fiscal de revisão aduaneira sempre resulta a revisão de ofício do lançamento. Um primeiro ponto a se considerar é que, para que haja revisão de ofício de lançamento, deve ter havido necessariamente um lançamento de ofício anterior. Como bem esclarece Moussallem, o art. 145 do CTN referese à possibilidade de alteração somente do lançamento de ofício, pois é neste em que há a notificação do sujeito passivo, não havendo sentido na sua aplicação na atividade realizada pelo próprio contribuinte nos termos do art. 150 do CTN (lançamento por homologação), que, ademais, não pode ser considerada lançamento na adequada acepção do termo. Também para que haja a alteração de critérios jurídicos adotados no lançamento, vedada pelo art. 146 do CTN, deve ter havido um lançamento de ofício anterior. Não se cogita, obviamente, a impossibilidade de o Fisco mudar os critérios jurídicos adotados pelo contribuinte na atividade prévia do sujeito passivo do lançamento por homologação. (...) No caso dos tributos incidentes sobre a importação, o ato de homologação expressa da atividade prévia do importador somente poderá ocorrer ao final do procedimento fiscal de revisão aduaneira, que traz o exame definitivo acerca da regularidade da atividade prévia do importador. Embora pudesse parecer o contrário à primeira vista, o ato de homologação expressa da atividade prévia do importador não pode ser efetuado na conferência aduaneira, com o desembaraço da mercadoria. (...) Ora, se há previsão na legislação de dois procedimentos fiscais subsequentes cronologicamente para a verificação da regularidade dos pagamentos efetuados pelo importador [conferência e revisão aduaneira], temos que, logicamente, o ato definitivo de homologação expressa da atividade do importador não pode ser decorrente do primeiro procedimento fiscal (conferência aduaneira), mas somente do último (revisão aduaneira). A conferência aduaneira, quando houver, tratase de verificação preliminar, eis que o Fisco sempre terá, por determinação legal (art. 54 do Decretolei n° Fl. 1456DF CARF MF Processo nº 11065.722023/201525 Acórdão n.º 3402005.462 S3C4T2 Fl. 1.448 19 37/66), a prerrogativa de reexaminar a atividade do contribuinte em sede de revisão aduaneira. (...) Ademais, no presente caso, que trata de outro fato gerador do IPI, diverso do desembaraço aduaneiro de importação, caracterizado pela saída dos pneumáticos do estabelecimento da recorrente, está sendo mantido o entendimento da fiscalização efetuado no procedimento fiscal de revisão aduaneira das importações. Assim, não há que se falar em alteração de critério jurídico no lançamento. Sustenta também a recorrente a ilegitimidade da incidência do IPI sobre a saída de seu estabelecimento de produtos importados que não sofreram qualquer tipo de industrialização. No entanto, conforme já decidido no EREsp 1403532/SC EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM RECURSO ESPECIAL, transitado em julgado em 04/11/2016, restou fixada a seguinte tese para efeito do art. 543C do CPC/73: "os produtos importados estão sujeitos a uma nova incidência do IPI quando de sua saída do estabelecimento importador na operação de revenda, mesmo que não tenham sofrido industrialização no Brasil", conforme ementa abaixo: EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM RECURSO ESPECIAL. DIREITO TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI. FATO GERADOR. INCIDÊNCIA SOBRE OS IMPORTADORES NA REVENDA DE PRODUTOS DE PROCEDÊNCIA ESTRANGEIRA. FATO GERADOR AUTORIZADO PELO ART. 46, II, C/C 51, PARÁGRAFO ÚNICO DO CTN. SUJEIÇÃO PASSIVA AUTORIZADA PELO ART. 51, II, DO CTN, C/C ART. 4º, I, DA LEI N. 4.502/64. PREVISÃO NOS ARTS. 9, I E 35, II, DO RIPI/2010 (DECRETO N. 7.212/2010). 1. Seja pela combinação dos artigos 46, II e 51, parágrafo único do CTN que compõem o fato gerador, seja pela combinação do art. 51, II, do CTN, art. 4º, I, da Lei n. 4.502/64, art. 79, da Medida Provisória n. 2.15835/2001 e art. 13, da Lei n. 11.281/2006 que definem a sujeição passiva, nenhum deles até então afastados por inconstitucionalidade, os produtos importados estão sujeitos a uma nova incidência do IPI quando de sua saída do estabelecimento importador na operação de revenda, mesmo que não tenham sofrido industrialização no Brasil. 2. Não há qualquer ilegalidade na incidência do IPI na saída dos produtos de procedência estrangeira do estabelecimento do importador, já que equiparado a industrial pelo art. 4º, I, da Lei n. 4.502/64, com a permissão dada pelo art. 51, II, do CTN. 3. Interpretação que não ocasiona a ocorrência de bis in idem, dupla tributação ou bitributação, porque a lei elenca dois fatos geradores distintos, o desembaraço aduaneiro proveniente da operação de compra de produto industrializado do exterior e a saída do produto industrializado do estabelecimento importador equiparado a estabelecimento produtor, isto é, a primeira tributação recai sobre o preço de compra onde embutida a margem de lucro da empresa estrangeira e a segunda tributação recai sobre o preço da venda, onde já embutida a margem de lucro da empresa brasileira importadora. Além disso, não onera a cadeia além do razoável, pois o importador na primeira operação apenas acumula a condição de contribuinte de fato e de direito em razão da territorialidade, já que o estabelecimento industrial produtor estrangeiro não pode ser eleito pela lei nacional brasileira como contribuinte de direito do IPI (os limites da soberania tributária o impedem), sendo que a empresa Fl. 1457DF CARF MF 20 importadora nacional brasileira acumula o crédito do imposto pago no desembaraço aduaneiro para ser utilizado como abatimento do imposto a ser pago na saída do produto como contribuinte de direito (nãocumulatividade), mantendose a tributação apenas sobre o valor agregado. 4. Precedentes: REsp. n. 1.386.686 SC, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 17.09.2013; e REsp. n. 1.385.952 SC, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 03.09.2013. Superado o entendimento contrário veiculado nos EREsp. nº 1.411749PR, Primeira Seção, Rel. Min. Sérgio Kukina, Rel. p/acórdão Min. Ari Pargendler, julgado em 11.06.2014; e no REsp. n. 841.269 BA, Primeira Turma, Rel. Min. Francisco Falcão, julgado em 28.11.2006. 5. Tese julgada para efeito do art. 543C, do CPC: "os produtos importados estão sujeitos a uma nova incidência do IPI quando de sua saída do estabelecimento importador na operação de revenda, mesmo que não tenham sofrido industrialização no Brasil". 6. Embargos de divergência em Recurso especial não providos. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. (...) Como se sabe, nos termos do art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, na redação dada pela Portaria MF nº 152/2016, "As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF". Informa a recorrente que o tema ainda será objeto de apreciação pelo Supremo Tribunal Federal, que reconheceu a repercussão geral do Tema 906, “Violação ao princípio da isonomia (art. 150, II, da Constituição Federal) ante a incidência de IPI no momento do desembaraço do produto industrializado, assim como na sua saída do estabelecimento importador para comercialização no mercado interno”. No entanto, o fato de a matéria estar pendente de apreciação pelo STF, em nada altera o andamento do feito no âmbito deste CARF tomandose por constitucional a norma legal questionada, conforme fundamentou o Conselheiro Rosaldo Trevisan em seu voto no Acórdão nº 3401003.445– 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, de 30 de março de 2017: (...) ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2004 Ementa: RETORNO SOBRESTAMENTO. REPERCUSSÃO GERAL. MATÉRIA CONSTITUCIONAL. SÙMULA 2 CARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim, os retornos de sobrestamento sem decisão definitiva do STF (em matérias de reconhecida repercussão geral) devem ser julgados tomando como constitucionais as leis a respeito das quais ainda se aguarda o posicionamento do STF. (...) O cerne da questão discutida no Supremo Tribunal Federal, que é nossa corte constitucional, é bem descrito na coluna “descrição tema” da planilha “Temas com determinação de suspensão nacional”, constante na página eletrônica do tribunal (http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudenciarepercussao/listarrepercussaogeral.asp): (...) Pesquisandose, no mesmo sítio eletrônico, o andamento do processo, percebese que, em 26/10/2016, foi determinado o envio de ofícios aos órgãos do Fl. 1458DF CARF MF Processo nº 11065.722023/201525 Acórdão n.º 3402005.462 S3C4T2 Fl. 1.449 21 sistema judicial pátrio para suspensão do processamento dos feitos pendentes que versem sobre a questão, que ainda não foi decidida pelo STF. Tal suspensão, porém, não afeta a apreciação dos processos administrativos pelos tribunais administrativos – especialmente do CARF, após a publicação da Portaria MF no 545, de 18/11/2013, que revogou os §§ 1o e 2o do art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF então vigente. Assim, ainda não há manifestação definitiva do STF sobre a matéria, existindo tão somente o reconhecimento da repercussão geral da questão, sendo cabível, destarte, a imediata análise da questão por este tribunal administrativo. É de se destacar, contudo, o teor da Súmula no 2 deste CARF (que comunga com o teor do art. 26A do Decreto no 70.235/1972): “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Assim, a matéria em apreciação pelo STF, de repercussão geral e trato constitucional reconhecidos, será analisada por este tribunal administrativo sem que seja possível o entendimento pela inconstitucionalidade de lei tributária. O silogismo é inevitável: se o STF reconhece a repercussão geral, por óbvio que há discussão sobre constitucionalidade. E se há discussão sobre constitucionalidade, o CARF é incompetente para manifestarse negativamente, devendo acolher todas as leis tributárias como constitucionais. E, como não há mais a possibilidade de sobrestamento, o CARF deve julgar a matéria, sempre considerando as leis (cuja constitucionalidade o STF está a apreciar) como constitucionais. (...) Assim, no presente julgamento, é de se tomar como constitucionais as normas legais que dispõem sobre a incidência de IPI no momento do desembaraço do produto industrializado, assim como na sua saída do estabelecimento importador para comercialização no mercado interno. Com relação à Solução de Consulta nº 348/1997 (8ª REGIÃO) 6, entendeu o julgador da DRJ que ela seria inaplicável aos pneumáticos do presente processo, vez que esses não se destinariam a caminhões ou ônibus como aqueles, além do que a Solução de 6 DECISÃO DISIT/SRRF/ 82 RF Nº 348 de 14 de Outubro de 1997 ASSUNTO: Classificação de Mercadorias EMENTA: CÓDIGO TIPI: Mercadoria 4011.20.90 Pneumáticos novos de borracha, do tipo radial ou convencional, medindo 7,00 16 (10 lonas), 7,50 16 (10 ou 12 lonas), 7,00 R16 (12 lonas) e 7,50 R16 (10 ou 12 lonas), usados com "flap", destinados a emprego em caminhões leves, microônibus, caminhonetas e utilitários, marca "Pirelli". (...) 1. Versa a presente sobre a classificação fiscal na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI do produto a seguir caracterizado pela interessada, renovando consulta anteriormente formalizada sob n.° 10880.031259/95 22, nos termos do disposto no Art. 48, §13, inc. II da Lei 9430/96: Nome vulgar, comercial, científico e técnico: Pneumáticos novos de borracha Marca registrada, modelo, tipo e fabricante: Pirelli; radial ou convencional; a interessada Função principal e secundária: Impulsão de veículos automotivos Aplicação, uso ou emprego: Utilização em caminhões, microônibus, camionetas e utilitários (...) 3. Das informações trazidas ao processo pela interessada, verificase que: A) Pneus objeto da consulta: a) São usado indistintamente em caminhões leves, utilitários, microônibus e camionetas; (...) Fl. 1459DF CARF MF 22 Consulta produziria efeitos apenas em relação aos modelos de pneus que ela especificamente tratou, nestes termos: 217. Ora, sem necessidade de muitas divagações, um pneu efetivamente usado em caminhão – QUE NÃO É O CASO DE NENHUM ANALISADO NOS PRESENTES AUTOS – pode ser enquadrado, sem dúvidas, na subposição 4011.20. 218. Como os pneus tratados nos presentes autos não são usados por caminhões nem por ônibus, aqui é totalmente inaplicável o entendimento da enfocada Decisão. 219. Ainda que assim não fosse, concluirseia que a Decisão em Processo de Consulta produz efeitos, apenas e tãosomente, em relação aos modelos de pneus que ela especificamente tratou. E, como nenhum dos modelos de pneus aqui discutidos, ainda que eventualmente apresentem alguma semelhança com os analisados na supradita consulta, foi especificamente objeto de referida Decisão, esta não tem qualquer efeito nos correntes autos. 220. Realmente, a respeito da Consulta, assim preceituam os arts. 46, 48 e 52, VIII, do Decreto nº 70.235/72: “Art. 46. O sujeito passivo poderá formular consulta sobre dispositivos da legislação tributária aplicáveis a fato determinado. Parágrafo único. Os órgãos da administração pública e as entidades representativas de categorias econômicas ou profissionais também poderão formular consulta. (...) Art. 48. Salvo o disposto no artigo seguinte, nenhum procedimento fiscal será instaurado contra o sujeito passivo relativamente à espécie consultada, a partir da apresentação da consulta até o trigésimo dia subseqüente à data da ciência: (...) Art. 52. Não produzirá efeito a consulta formulada: (...) VIII quando não descrever, completa ou exatamente, a hipótese a que se referir, ou não contiver os elementos necessários à sua solução salvo se a inexatidão ou omissão for escusável, a critério da autoridade julgadora” (g.n.) 221. Segundo se vê, a consulta apenas tem efeito em relação ao fato ali especificamente exposto, que, se não estiver correta ou exatamente descrito, pode, inclusive, render ensejo à sua ineficácia. Esta matéria foi objeto de análise na diligência determinada por este Colegiado. No Relatório de Diligência Fiscal sustentou a fiscalização que: Como se verifica, a Solução de Consulta versa sobre modelo(s) específico(s) de produto, não gerando efeitos sobre quaisquer outros produtos do consulente (ou terceiros) ainda que possuam algumas semelhanças. Portanto, do ponto de vista formal e legal, uma Solução de Consulta que versa sobre Classificação de Mercadorias somente gera efeitos vinculantes (para o contribuinte e para o Fisco) para os produtos cujos modelos foram especificados nos questionamentos iniciais. Ou para produtos idênticos. A própria conclusão da Solução de Consulta Diana 8ª RF nº 348/1997 é ilustrativa do escopo de uma Solução de Consulta: Com base no exposto, proponho que se informe à consulente para adotar, para o produto sob exame, o código 4011.20.90 da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, aprovada pelo Decreto n° 2.092/96 (D.O.U. de 11/12/96). (grifo nosso) (...) O objeto da consulta são Pneus marca Pirelli, dos modelos FD44, LT20, SM 90, LI99, CT52, RT59, AS22, MT85, MT06 (fls. 1362 a 1365), todos com produção descontinuada no período fiscalizado. Os referidos modelos são do tipo convencional ou radial e utilizam câmaras (conforme se deduz do texto da Solução Fl. 1460DF CARF MF Processo nº 11065.722023/201525 Acórdão n.º 3402005.462 S3C4T2 Fl. 1.450 23 de Consulta que refere o uso de “flaps”, que são as proteções que ficam entre o aro de metal e a câmara). (...) A seguir passamos a comparar os modelos de pneus objeto da Solução de Consulta com os modelos objeto do Auto de Infração. a) Número de lonas: Inicialmente, cabe informar que o uso de lonas como delimitador da capacidade de carga é uma forma arcaica há muito tempo fora de uso. Em conformidade com texto técnico incluído na página da internet do fabricante de pneus Continental (fls. 1384 a 1386), os pneus modernos de Van utilizam apenas uma ou duas lonas e a capacidade de carga dos pneus modernos é medida pelo “Índice de Carga”. Portanto, os pneus objeto da consulta não coincidem com nenhum dos pneus objeto do Auto de Infração. (...) Todavia, o que importa para a presente Diligência é que os modelos de pneus incluídos na apuração do IPI objeto de Auto de Infração não “são utilizados indistintamente em caminhões leves, utilitários, microônibus e camionetas”. De fato a própria resposta do contribuinte às nossas intimações (fls. 468 a 472), bem como informações referidas nas páginas da Internet da fiscalizada e de seus revendedores, indicam que os pneus objeto do Auto de Infração são destinados a vans, utilitários, pickups, SUV e veículos de passeio, portanto não se destinam a ônibus e caminhões. Pelo contrário os pneus produzidos pela fiscalizada para ônibus e caminhões são de outros modelos, conforme informado nas páginas de internet da fiscalizada e de seus revendedores. Adicionalmente, o próprio contribuinte reconheceu esse fato no parágrafo 139 do Recurso Voluntário (fls. 1266 a 1324) ao afirmar que não “ignora que os pneus objeto do Auto de Infração não são utilizados em ônibus e caminhões”. Ou seja, o mesmo contribuinte que afirmou (na formalização da Consulta) que os pneus objeto da Solução de Consulta eram usados em caminhões, afirma que reconhece que os pneus objetos do Auto de Infração não são usados em caminhões e ônibus. Portanto, reconhece que a SC não se aplica aos pneus objeto do Auto de Infração. (...) Portanto, a SC Diana 8º RF nº 348/1997 não se aplica aos modelos de pneus objeto do Auto de Infração por três motivos: a) a SC teve como objeto outros modelos de pneus, todos de produção descontinuada; b) os modelos de pneus objeto do Auto de Infração são completamente distintos dos pneus objeto da SC, em relação à totalidade ou a quase totalidade das suas características; c) ainda que, de forma equivocada, se considere válida a SC para modelos diversos e com características diversas dos relacionados na Consulta (e isso apenas para efeito de argumentação), a SC indicou o código 4011.20.90 como correto para “pneus utilizados indistintamente em caminhões leves, utilitários, microônibus e camionetas”. Como já referido, não é o caso dos pneus objeto do Auto de Infração. Alguns modelos são utilizados em vans (também denominadas microônibus, em suas versões maiores) ou furgões; outros são utilizados em pickup; outros em camionetas; e alguns inclusive em veículos de passeio. Nenhum dos modelos apresentados é usado indistintamente em caminhões leves ou nas outras modalidades de veículos citadas. A intenção do contribuinte de classificar os pneus objeto do Auto de Infração como pneus para caminhões, porque eventualmente alguma configuração (com índice de carga próximo ao índice de carga dos pneus para caminhões) possa ser usada em caminhões leves (capacidade de carga superior a 1.500 kg, conforme definição da norma ABNT 6067), assemelhase à pretensão de um fabricante de Fl. 1461DF CARF MF 24 Vodca que intenta classificar seu produto como álcool para assepsia, já que, em razão de seu teor alcóolico, poderia eventualmente ser usado para esse fim. De fato, toda a estrutura merceológica e de marketing e a utilização efetiva dos pneus objeto do Auto de Infração são para vans, furgões, pickup, utilitários, e veículos mistos ou de passeio. A própria estrutura dos pneus, em conformidade com o manual da ALAPA, não coincide com a estrutura dos pneus de ônibus nem de caminhões. (...) Como verificamos no item anterior, a Solução de Consulta Diana 8ª RF nº 348/1997 é relativa a pneus totalmente distintos daqueles que são objeto do Auto de Infração. Assim, a SC em tela não gera qualquer proteção legal contra a tributação dos pneus relacionados nos Anexos do Auto de Infração. Tratase de Solução de Consulta inócua, referente a produtos cuja produção já foi descontinuada há muitos anos. (...) Embora não tenha sido objeto de questionamento específico, verificase que os Conselheiros manifestaram interesse em esclarecimentos adicionais sobre os utilitários que utilizariam os pneus objeto do Auto de Infração. O termo “utilitários” não é citado nem na TIPI nem nas NESH. O Código de Trânsito Brasileiro limitase a conceituar como “veículo misto caracterizado pela versatilidade de uso”. Como se vê, é uma classificação bastante ampla, sem limites rígidos, e que poderia abranger pickup, furgões e caminhonetes (as pickup de grande porte, também chamadas de light truck, em algumas classificações, mas que não atingem o peso de carga definido pela ABNT para serem classificados como caminhões. Especialmente, se caracterizado o uso misto, por exemplo, com cabines duplas). O fundamental para o caso em tela é que os “utilitários” não se confundem com caminhões. Portanto, os pneus utilizados nesses veículos não podem ser classificados no código 4011.20.90. No Relatório da Ação Fiscal, para fins didáticos, analisouse “Vans e Furgões (as vans para transporte de carga)” no mesmo item, e as pickup e demais utilitários em outro item. Entretanto as conclusões são idênticas, já que todos os desdobramentos da subposição 8704.21 (Veículos para transporte de carga, com carga máxima não superior a 5 toneladas) apresentam um EX01 para “Camionetas, furgões, pickups e semelhantes”, o que abrange a totalidade dos “utilitários”. Isso indica expressamente que tais veículos não se enquadram no conceito de caminhões. (...) De outra parte alega a recorrente, em síntese, que: Ainda que os pneus objeto de autuação não sejam os mesmos modelos indicados na consulta, a Recorrente fabrica hoje os "mesmos pneus" com a mesma capacidade de carga e destinação. A equivalência entre os pneus é precisa e técnica, fundada em parecer de engenheiro habilitado e das normas técnicas do Manual ALAPA. Os pneus da autuação têm a mesma estrutura reforçada para suportar a mesma carga e destinados aos mesmos veículos, embora atualmente a referência aos pneus não seja feita necessariamente pelo número de lonas. A Solução de Consulta Disit/SRRF/8ª RF nº 348/97 permanece válida, inclusive no período das operações desta autuação. Requer sejam completamente desconsideradas as críticas tecidas pelo Auditor Fiscal em relação às conclusões da mencionada Solução de Consulta. Não se mencionou na diligência, mas o fato é que a Instrução Normativa RFB nº 1464/2014, publicada no D.O.U. de 09/05/2014, seção 1, página 21, revogou todos os Fl. 1462DF CARF MF Processo nº 11065.722023/201525 Acórdão n.º 3402005.462 S3C4T2 Fl. 1.451 25 atos administrativos sobre classificação fiscal anteriores a 2002, dentre os quais a Solução de Consulta Disit/SRRF/8ª RF nº 348/97, nestes termos: Art. 36. Os atos administrativos relativos à classificação fiscal de mercadorias, anteriores a 31 de dezembro de 2001, inclusive, ficam revogados após a entrada em vigor desta Instrução Normativa. Art. 37. Esta Instrução Normativa entra em vigor 60 (sessenta) dias após a data de sua publicação no Diário Oficial da União. Dessa forma, à época da lavratura do presente auto de infração não estava mais vigente a referida Solução de Consulta. Não obstante a Solução de Consulta Disit/SRRF/8ª RF nº 348/97 ainda estivesse vigente à época dos fatos geradores sob discussão, a questão é que, como afirmado pela DRJ e pela fiscalização na diligência, as suas conclusões aplicamse tão somente aos específicos modelos de pneus ali retratados e nela não foram analisados os produtos objeto da presente autuação. Embora se possa alegar, como fez a recorrente, que os pneus da autuação e da Solução de Consulta são similares pela equivalência entre os parâmetros de "números de lonas" e "índice de carga", de outro lado, podese argumentar que são diferentes quanto a vários outros aspectos, como afirmado pela fiscalização na diligência, como o "uso de flaps", "largura nominal" e "diâmetro do aro". O ponto relevante é que não há controvérsia no sentido de que os pneus autuados não foram exatamente aqueles retratados na referida Solução de Consulta, daí não haver qualquer vinculação do AuditorFiscal autuante com o entendimento nela exarado. Como dito acima, o primeiro critério de classificação que decorre dos textos das subposições da posição 4011 é o da destinação do produto (veículos nos quais será utilizado), daí o fato ainda mais importante para resolver a questão é que, na Solução de Consulta, a matriz da recorrente declarou que os pneus ali analisados seriam de "Utilização em caminhões, microônibus, camionetas e utilitários" (cópia na fl. 1372 vide abaixo), sendo que no procedimento fiscal que deu origem à presente autuação informou que esses outros pneus não se destinariam a caminhões ou ônibus, o que foi confirmado pela fiscalização autuante7 e, inclusive, pela recorrente (parágrafo 139 do recurso voluntário). Consulta formulada pela matriz da recorrente (fl. 1372): 7 RELATÓRIO FISCAL: (...) Como se viu, o texto da subposição é elemento essencial da classificação. No caso em tela, a subposição 4011.20 (cujo desdobramento 4011.20.90 foi utilizado pelo contribuinte na classificação dos pneus ora em análise) é exclusiva dos pneus destinados a ônibus e caminhões. A própria resposta do contribuinte, bem como informações referidas nas páginas da Internet da fiscalizada e de seus revendedores indicam serem destinados a vans, utilitários, pickups, SUV e veículos de passeio, portanto não se destinam a ônibus e caminhões. Ainda em sua página na Internet, o contribuinte relaciona os pneus destinados a ônibus e caminhões. Tal relação não inclui nenhum dos modelos indicados no Anexo I deste Termo. (...) Fl. 1463DF CARF MF 26 Como assinalado mais acima, o expediente da recorrente de utilizar a similitude dos pneus em durabilidade ou resistência não são hábeis a afastar as suas próprias declarações, no procedimento fiscal e no recurso voluntário, ou da sua matriz sobre a real destinação dos pneus analisados (veículos nos quais serão utilizados), eis que este é o primeiro critério de classificação dentro da posição 4011. Assim, não se vislumbra a possibilidade de utilização do entendimento exarado na Solução de Consulta Disit/SRRF/8ª RF nº 348/97 no presente processo, conforme já bem defendido pela DRJ e pela fiscalização na diligência. Requer também a recorrente a exclusão dos juros e da multa com base no art. 100, III do CTN ("III as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas"), em face da homologação do lançamento nos pneumáticos importados e da Solução de Consulta nº 348/1997 da Diana da 8ª Região Fiscal. Sem razão a recorrente. Como dito, o desembaraço aduaneiro não significa homologação expressa do lançamento, nem tampouco aceitação pela fiscalização da classificação fiscal efetuada pelo importador na Declaração de Importação. Ademais, com a revisão aduaneira efetuada no que concerne à classificação dos pneumáticos importados no mesmo sentido do presente lançamento, não há que se alegar prática reiterada em sentido diverso. Ademais, como já exposto, a Solução de Consulta produz efeitos somente em relação aos modelos dos produtos ali retratados. Finalmente, acerca da legitimidade de incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, há que se esclarecer que os juros de mora são devidos, nos termos do art. 61, caput e §3° da Lei nº 9.430/96, sobre os "débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal" não pagos no prazo previsto, incidindo, portanto, também sobre a multa de ofício, após o respectivo vencimento: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Ademais, a exigência dos juros de mora sobre a multa de ofício após o respectivo vencimento encontra fundamento também no Decretolei nº 1.736/798, cujos dispositivos abaixo transcritos dispõem sobre a incidência dos juros de mora sobre os débitos tributários para com a Fazenda Nacional, inclusive durante o prazo em que a cobrança estiver suspensa em face da interposição de recurso administrativo ou de decisão judicial, cuja regra não se aplicaria somente na hipótese de depósito administrativo ou judicial do montante integral9: 8 Solução de Consulta Cosit nº 47,de 04 de maio de 2016 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO EMENTA: OS JUROS DE MORA INCIDEM SOBRE A TOTALIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO, DO QUAL FAZ PARTE A MULTA LANÇADA DE OFÍCIO.DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), arts. 113, § 1º, 139 e 161; Lei nº 9.430, de 1996, arts. 44 e 61, § 3º; DecretoLei nº 1.736, de 1979, arts. 2º e 3º. 9 Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Fl. 1464DF CARF MF Processo nº 11065.722023/201525 Acórdão n.º 3402005.462 S3C4T2 Fl. 1.452 27 Art. 1º Os débitos para com a Fazenda Nacional, de natureza tributária, não pagos no vencimento, serão acrescidos de multa de mora, consoante o previsto neste decreto lei. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.287, de 1986) Parágrafo único. A multa de mora será de 20% (vinte por cento), reduzida a 10% (dez por cento) se o pagamento for efetuado no prazo de 90 (noventa) dias, contado a partir da data em que o tributo for devido. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.287, de 1986) Art 2º Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional serão acrescidos, na via administrativa ou judicial, de juros de mora, contados do dia seguinte ao do vencimento e à razão de 1% (um por cento) ao mês calendário, ou fração, e calculados sobre o valor originário. Parágrafo único. Os juros de mora não são passíveis de correção monetária e não incidem sobre o valor da multa de mora de que trata o artigo 1º. Art 3º Entendese por valor originário o que corresponda ao débito, excluídas as parcelas relativas à correção monetária, juros de mora, multa de mora e ao encargo previsto no artigo 1º do Decretolei nº 1.025, de 21 de outubro de 1969, com a redação dada pelos Decretosleis nº 1.569, de 8 de agosto de 1977, e nº 1.645, de 11 de dezembro de 1978. Art 4º A correção monetária continuará a ser aplicada nos termos do artigo 5º do Decretolei nº 1.704, de 23 de outubro de 1979, ressalvado o disposto no parágrafo único do artigo 2º deste Decretolei. Art 5º A correção monetária e os juros de mora serão devidos inclusive durante o período em que a respectiva cobrança houver sido suspensa por decisão administrativa ou judicial. (...) [negritei] Conforme assentado no Apelação Cível nº 2005.72.01.0000311/SC (TRF4, rel. Vânia Hack de Almeida)10, "Por força do artigo 113, § 3º, do CTN, tanto à multa [Perguntas e Respostas no sítio da RFB: http://idg.receita.fazenda.gov.br/orientacao/tributaria/declaracoese demonstrativos/dipjdeclaracaodeinformacoeseconomicofiscaisdapj/respostas2012/caputuloxviii acruscimoslegaisrevisada2012.pdf, acesso em 08/09/2016] (...) 004 Haverá a incidência de juros de mora durante o período em que a cobrança do débito estiver pendente de decisão administrativa? Sim. De acordo com a legislação tributária, há incidência de juros de mora sobre o valor dos tributos ou contribuições devidos e não pagos nos respectivos vencimentos, independentemente da época em que ocorra o posterior pagamento e de se encontrar o crédito tributário na pendência de decisão administrativa ou judicial. A única hipótese em que se suspenderá a fluência dos juros de mora é aquela em que houver o depósito do montante integral do crédito tributário considerado como devido, desde a data do depósito, quer seja este administrativo ou judicial. Se o valor depositado for inferior àquele necessário à liquidação do débito considerado como devido, sobre a parcela não depositada incidirão normalmente os juros de mora por todo o período transcorrido entre o vencimento e o pagamento. Normativo: RIR/1999, art. 953, § 3º, e DecretoLei nº 1.736, de 1979, art. 5º. (...) 10 APELAÇÃO CÍVEL Nº 2005.72.01.0000311/SC RELATORA:Juíza Federal VÂNIA HACK DE ALMEIDA EMENTA TRIBUTÁRIO. AÇÃO ORDINÁRIA. REPETIÇÃO. JUROS SOBRE A MULTA. POSSIBILIDADE. ART. 113, § 3º, CTN. LEI Nº 9.430/96. PREVISÃO LEGAL. 1. Por força do artigo 113, § 3º, do CTN, tanto à multa quanto ao tributo são aplicáveis os mesmos procedimentos e critérios de cobrança. E não poderia ser diferente, porquanto ambos compõe o crédito tributário e devem sofrer a incidência de juros no caso de pagamento após o vencimento. Não haveria porque o valor relativo à multa permanecer congelado no tempo. 2. O artigo 43 da Lei nº 9.430/96 traz previsão expressa da incidência de juros Fl. 1465DF CARF MF 28 quanto ao tributo são aplicáveis os mesmos procedimentos e critérios de cobrança. E não poderia ser diferente, porquanto ambos compõe o crédito tributário e devem sofrer a incidência de juros no caso de pagamento após o vencimento. Não haveria porque o valor relativo à multa permanecer congelado no tempo". A fluência dos juros de mora sobre a multa de ofício durante o curso do processo administrativo fiscal não representa afronta ao art. 161 do CTN, eis que, no próprio CTN, o termo "crédito tributário" não é utilizado somente para se referir à obrigação tributária principal. Conforme se depreende da leitura do art. 142 e do art. 113 do CTN, o lançamento constitui o "crédito tributário", que por sua vez pode ser decorrente tanto do tributo como de eventuais penalidades pecuniárias. Não havendo qualquer incompatibilidade dos dispositivos legais acima com o CTN, no que concerne à incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, eles devem ser aplicados ao presente caso concreto com base na taxa Selic, cuja legitimidade já é matéria já sumulada neste CARF, conforme abaixo: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Assim, pelo exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para exonerar da autuação as exigências relativas ao pneumático 175/65R14C 90 CHRONO. (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula sobre a multa, que pode, inclusive, ser lançada isoladamente. 3. Segundo o Enunciado nº 45 da Súmula do extinto TFR "As multas fiscais, sejam moratórias ou punitivas, estão sujeitas à correção monetária." 4. Considerando a natureza híbrida da taxa SELIC, representando tanto taxa de juros reais quanto de correção monetária, justificase a sua aplicação sobre a multa. Fl. 1466DF CARF MF Processo nº 11065.722023/201525 Acórdão n.º 3402005.462 S3C4T2 Fl. 1.453 29 Voto Vencedor Conselheiro Pedro Sousa Bispo, Redator designado No julgamento do Recurso Voluntário, o Colegiado, por maioria, discordou da posição da Ilustre Relatora, especificamente, quanto a manter a autuação sobre os pneumáticos utilizados na F350, uma vez que este veículo se caracteriza como um caminhão. Fui então designado pelo Presidente para redigir o voto vencedor, pelo que passo a analisar a questão. O referido veículo é definido no site do fabricante (Ford Caminhões) como um caminhão leve da linha F, com peso bruto total de 4.500kg e capacidade de carga útil de 2.128 kg, destinado a transporte de mercadorias11. Abaixo algumas fotos do veículo: Resta evidente que, de fato tratase de um veículo para transporte de carga, não se constituindo em um veículo para transporte de passageiros ou de uso misto. 11 Disponível em: <www.fordcaminhões.com.br>. Acesso em: 02 de agosto de 2018, 00:36:30. Fl. 1467DF CARF MF 30 Dessa forma, os pneumáticos destinados à utilização na F350 devem ser excluídos do lançamento, uma vez que esse veículo se caracteriza como caminhão. (assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo Fl. 1468DF CARF MF
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Numero do processo: 10865.900922/2008-68
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 30/04/2004
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA.
Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional.
Uma vez que o pagamento foi integralmente utilizado para o débito fiscal correspondente, inexiste direito creditório. Consequentemente, não há como homologar a compensação requerida.
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CONFISSÃO DE DÍVIDA.
A partir de 31/10/2003 (eficácia da MP nº. 135/2003, convertida na Lei nº. 10.833/2003), a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados - art. 74, § 6º da Lei nº 9.430/1996.
Numero da decisão: 1001-000.640
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões, com relação a preliminar, o conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Edgar Bragança Bazhuni - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: EDGAR BRAGANCA BAZHUNI
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Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Uma vez que o pagamento foi integralmente utilizado para o débito fiscal correspondente, inexiste direito creditório. Consequentemente, não há como homologar a compensação requerida. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CONFISSÃO DE DÍVIDA. A partir de 31/10/2003 (eficácia da MP nº. 135/2003, convertida na Lei nº. 10.833/2003), a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados art. 74, § 6º da Lei nº 9.430/1996. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões, com relação a preliminar, o conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 09 22 /2 00 8- 68 Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10865.900922/200868 Acórdão n.º 1001000.640 S1C0T1 Fl. 162 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela Recorrente em face de decisão proferida pela 6ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, mediante o Acórdão nº 1437.476, de 20/04/2012 (efls. 121/126), que não reconheceu o direito creditório pleiteado. Dos fatos A contribuinte apresentou Declaração de Compensação PER/DCOMP 31332.47192.200906.1.7.041643, às efls. 02/06, pleiteando crédito de R$ 18.001,90 devido à pagamento indevido ou a maior do IRPJ (cód. 5993 estimativa mensal), efetuado em 30/04/2004, referente ao período de apuração de 03/2004 e requer compensação do débito de IRPJ (cód. 5993), do PA de 04/2004. A DRF Limeria/SP, mediante Despacho Decisório (efl. 07), não reconheceu o direito creditório em razão da constatação de que o valor pago foi integralmente utilizado para a quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados no PER/DComp. A interessada apresentou Manifestação de Inconformidade (efls. 12/20), cujos excertos mais importantes são transcritos a seguir: 2 referido crédito originouse em função erro no cálculo dos rendimentos de aplicações financeiras, que fizeram parte da base de cálculo de IRPJ apurada para o mês de março/2004, fazendo com que fosse utilizado o valor de R$ 88.995,78, valor este superior ao efetivamente auferido, o qual perfaz o montante de R$ 16.988,19, conforme extrato da instituição financeira (doc. no 03), aumentando indevidamente o valor de IRPJ a recolher no referido mês. 3 Assim, foi recolhido a titulo de IRPJ para o mês de março/2004 o montante de R$ 63.793,60, conforme DARF em anexo (doc. no 04), quando na verdade o valor efetivamente devido seria apenas de R$ 45.791,71, gerando crédito de R$ 18.001,90. 4. Quando do preenchimento da declaração de compensação, houve erro na descrição do valor do DARF recolhido a titulo de IRPJ para o mês de março/2004, sendo que, assim, a Interessada recebeu notificação (doc. no 05) para que fosse retificada a PER/DCOMP, o que foi devidamente realizado. 5. A PER/DCOMP retificadora foi registrada sob o n° 31332.47192.200906.1.7.041643, informando corretamente os Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10865.900922/200868 Acórdão n.º 1001000.640 S1C0T1 Fl. 163 3 dados do DARF referente ao pagamento a maior de IRPJ, no valor de R$ 63.793,60, conforme documento anexo (doc. no 06). 6. Todavia, a muito embora a Interessada tenha promovido todas as correções necessárias na PER/DCOMP, a compensação não foi homologada, tendo sido alegada inexistência de crédito quanto ao valor de IRPJ recolhido para o mês de março/2004. 7. Tal situação se deu, única e exclusivamente, em razão de que, quando da elaboração da DIPJ houve erro na informação dos valores devidos de IRPJ para o mês de março/2004, tendo sido informada a base de cálculo referente ao valor recolhido e não o efetivamente devido, conforme documento anexo (doc. no 07). 8. Prova disto consiste no fato de que a Interessada, ao receber o despacho decisório, verificou o equivoco acima mencionado e apresentou A Receita Federal do Brasil, em 20/06/2008, a DIPJ Retificadora para o anocalendário 2004/Exercício 2005 (doc. no 08), informando corretamente os referidos valores. (...) 11. O erro ocorreu somente na descrição dos valores na DIPJ, sendo que toda a documentação contábil e fiscal da empresa Interessada comprova a existência do crédito, tendo sido, inclusive, devidamente registrada na contabilidade o estorno do valor (doc. no 10), bem como tendo sido levantado balancete de suspensão/redução (doc. no 11). 12. Portanto, não há que se falar em não existência de crédito passível de compensação, pois os demais documentos e declarações entregues pela Interessada comprovam a liquidez e certeza do crédito, tendo havido somente erro material na descrição do valor na DIPJ. (...) O r. acórdão conclui pela improcedência da manifestação de inconformidade apresentada, cujos fundamentos do voto condutor transcrevo a seguir: De início, cabe ressaltar que o crédito do sujeito passivo contra a Fazenda Pública, para que seja efetivada a compensação, deve ser líquido e certo, segundo dispõe o art. 170 do Código Tributário Nacional (CTN), a seguir reproduzido: “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública.” (destaquei) Deriva daí que o pressuposto nuclear para a compensação tributária é que o crédito do contribuinte contra a Fazenda se revista de certeza e liquidez. A certeza diz respeito, in casu, ao reconhecimento por parte da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) da possibilidade jurídica do contribuinte compensarse de suposto Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10865.900922/200868 Acórdão n.º 1001000.640 S1C0T1 Fl. 164 4 indébito. Já a liquidez do direito há de ser comprovada pela prova documental do quantum compensável, a ser reconhecido pela Fazenda Pública. O Despacho Decisório não reconheceu qualquer direito creditório a favor da contribuinte, em razão do pagamento informado como origem do crédito compensado ter sido integralmente utilizado para quitação de outro débito da contribuinte, não havendo saldo de crédito disponível para compensação do débito informado no PER/DCOMP. Contra esse Despacho a interessada apresentou manifestação de inconformidade, na qual reafirma a existência do indébito discriminado no PER/Dcomp e aduz que a não homologação teria se dado, única e exclusivamente, em razão de que, quando da elaboração da DIPJ houve erro na informação dos valores devidos de IRPJ para o mês de março/2004, já que sua documentação contábil e fiscal, inclusive a DCTF, demonstraria a existência do crédito. Informa ter retificado a citada DIPJ após a ciência do Despacho Decisório e traz documentos para tentar provar o alegado. Entretanto, não é possível acatar os argumentos expendidos pelo contribuinte. Isso porque, ao contrário do que alega, sua DCTF registra como valor devido no mês de março de 2004 o montante de R$ 63.793,60, conforme documento juntado à fl. 120, e não de R$ 45.791,71, como afirmado. Assim, de posse das informações evidenciadas pelo próprio manifestante em sua DCTF, a decisão administrativa certificou razões que ensejaram não homologar a compensação declarada, frente à caracterização da inexistência de disponibilidade em relação ao pagamento consignado na DCOMP, porquanto restou configurado sua vinculação integral em débito confessado em DCTF. Quanto à retificação da DIPJ, cumpre observar que esta declaração, desde o anocalendário de 1999, tem caráter meramente informativo, isto é, as informações nela prestadas não configuram confissão de dívida a Instrução Normativa nº 127, de 30 de outubro de 1998, que extinguiu, em seu art. 6o, inciso I, a DIRPJ – Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica e instituiu, em seu art. 1º, a DIPJ – Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica, deixou de fazer referência à confissão de tributos ou contribuições a pagar. Por outro lado, a DCTF – Declaração de Contribuições e Tributos Federais, instituída pela Instrução Normativa SRF nº 129/1986, sempre foi destinada a tal fim, ou seja, é confissão de dívida, tem o condão de constituir o crédito tributário, materializandoo, sendo instrumento hábil e suficiente para a exigência de referido crédito tributário. Neste cenário, portanto, se há contradição entre as informações prestadas na DIPJ e na DCTF (decorrente da retificação da DIPJ) e, desejando a recorrente fazer valer montante diverso daquele regularmente declarado em DCTF, incumbialhe apresentar provas que permitissem albergar sua tese de pagamento indevido ou a maior. Vale dizer, quando o contribuinte apresenta uma Declaração de Compensação, deve, necessariamente, demonstrar um crédito tributário a seu favor, para extinguir um débito tributário constituído em seu nome, de forma que o reconhecimento do indébito tributário seja o fundamento fático e jurídico de seu pedido. Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10865.900922/200868 Acórdão n.º 1001000.640 S1C0T1 Fl. 165 5 A propósito do tema, cumpre destacar o informativo de jurisprudência do STJ de nº 320, de 14 a 18 de maio de 2007, que trouxe o seguinte julgado: RESTITUIÇÃO. INDÉBITO. PROVA. RECOLHIMENTOS. A recorrente aduz que a eventual restituição, se cabível, haveria de ser respaldada em prova documental, acostada na inicial, dos valores efetivamente pagos com as devidas comprovações de recolhimento, e ante tal incerteza não pode ser a União condenada à restituição dos valores postulados (pela via da compensação), sob pena de infração ao princípio do enriquecimento sem causa. Isso posto, a Turma deu provimento ao recurso ao argumento de que o pressuposto fático do direito de compensar é a existência do indébito. Sem prova desse pressuposto, a sentença teria caráter apenas normativo, condicionada à futura comprovação de um fato. REsp 924.550SC, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, julgado em 15/5/2007. (gn) Nesse sentido, não se pode olvidar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoo com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente e análise da situação fática, de modo a se conhecer qual seria o montante de tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. Inclusive, por se tratar de contribuinte sujeito ao regime de apuração dos tributos com base no lucro real, este deveria, ao fim de cada períodobase de incidência do tributo, apurar o lucro líquido do exercício mediante a elaboração, com observância das disposições da lei comercial, do balanço patrimonial, da demonstração do resultado do exercício e da demonstração de lucros ou prejuízos acumulados, que serão transcritos no Livro de Apuração de Lucro Real (LALUR), nos termos dos artigos 7º e seu § 4º, e 8º, inciso I, ambos do DecretoLei nº 1.598, de 1977, in verbis: “Art 7º O lucro real será determinado com base na escrituração que o contribuinte deve manter, com observância das leis comerciais e fiscais. (....) § 4º Ao fim de cada períodobase de incidência do imposto o contribuinte deverá apurar o lucro líquido do exercício mediante a elaboração, com observância das disposições da lei comercial, do balanço patrimonial, da demonstração do resultado do exercício e da demonstração de lucros ou prejuízos acumulados. Art 8º O contribuinte deverá escriturar, além dos demais registros requeridos pelas leis comerciais e pela legislação tributária, os seguintes livros: I de apuração de lucro real, no qual: a) serão lançados os ajustes do lucro líquido do exercício, de que tratam os §§ 2º e 3º do artigo 6º; Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10865.900922/200868 Acórdão n.º 1001000.640 S1C0T1 Fl. 166 6 b) será transcrita a demonstração do lucro real (§ 1º); (....).” Neste contexto, o contribuinte deveria trazer provas, lastreadas em lançamentos contábeis, dentre estas, destacamse: os registros contábeis de conta no ativo da CSLL a recuperar, a expressão deste direito em balanços ou balancetes, os Livros Diário e Razão, Lalur, etc., tudo de forma a ratificar o indébito pleiteado. Consoante noção cediça, a escrituração contábil e fiscal mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, conforme dispõe o artigo 923 do RIR/1999 (Decreto nº 3.000, de 26/03/99). No presente caso, a recorrente, em sua peça impugnatória, limitouse a apresentar formulários (fls. 114/115) e tabelas (fls. 116/117), documentação inábil a comprovar a existência do indébito alegado. Quanto ao documento de fls. 114/115, denominado pelo contribuinte de “RAZÃO ANALÍTICO”, deve ser tratado como mero formulário, já que não apresenta Termo de Abertura nem Termo de Encerramento. Ademais, cumpre observar que a legislação dispensa a autenticação do Livro Razão no caso de regularidade na autenticação do Livro Diário (art. 259 do RIR/99 c/c art. 14 da Lei 8.218/91, redação dada pela Lei nº 8.383/91). Assim, a ausência do Livro Diário implica na inabilidade da escrituração apresentada como elemento de comprovação do alegado indébito. Registrese que o contribuinte além de não juntar cópias do livro Diário, devidamente registrado, não apresentou LALUR, dos quais poderia se verificar os balanços/balancetes de redução e demonstrativos da apuração do Lucro Real da empresa para o anocalendário de 2004. Por fim, não é por demais o registro de que o ônus da prova do direito de repetição recai sobre o sujeito passivo, que é quem o invoca, e que o princípio da verdade material não vai a ponto de vincular a Administração na produção e/ou apresentação de documentos fora do universo de seus registros. Em suma, o crédito informado na declaração de compensação apresentada não contém os atributos necessários de certeza e liquidez, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de direito creditório junto à Fazenda Pública. Com tais razões, VOTO pela improcedência da manifestação de inconformidade. O acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 30/04/2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO UTILIZADO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Fl. 166DF CARF MF Processo nº 10865.900922/200868 Acórdão n.º 1001000.640 S1C0T1 Fl. 167 7 Se do confronto entre a DIPJ e a DCTF resultar valores de débitos informados a maior nesta última declaração, a falta de comprovação, mediante apresentação de documentação hábil e idônea, de que o erro de preenchimento se deu em relação à DCTF, impede o reconhecimento de direito creditório em relação aos pagamentos para os quais correspondam débitos regularmente declarados/confessados. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Ciente da decisão em 05/03/2015, conforme documento à efl. 137, a Recorrente apresentou recurso voluntário em 06/04/2015 segundafeira (efls. 139/150), conforme documento à fl. 158. É o Relatório. Voto Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni, Relator O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que regula o processo administrativofiscal (PAF). Dele conheço. A recorrente vem "em sede preliminar, arguir a nulidade do ato administrativo (despacho decisório) que indeferiu a compensação por ela formalizada, pois, desprovido de fundamentação precisa, impossibilita o pleno exercício do sagrado direito de defesa". No mérito, alega que a autoridade julgadora renunciou a realização de diligência para apurar a verdade material, se limitando a uma "burocrática conclusão". Aduz que não acredita que "mera falha procedimental possua força jurídica maior que o principio da verdade material, sustentando o indeferimento de crédito que ela efetivamente possui" e cita julgado do CARF favorável à sua defesa. Reitera os argumentos usados em sede de primeira instância, relatando que os valores informados na DIPJ comprovam a existência do saldo negativo no período e que a verdade material deve prevalecer sobre a verdade formal. Por fim, cita a Súmula nº 82 do CARF, "Após o encerramento do ano calendário, é incabível lançamento de ofício de IRPJ ou CSLL para exigir estimativas não Fl. 167DF CARF MF Processo nº 10865.900922/200868 Acórdão n.º 1001000.640 S1C0T1 Fl. 168 8 recolhidas", para caso o seu direito não seja reconhecido e, assim, que seja cancelada a exigência do débito, conforme outros julgados do CARF que cita. Da preliminar De plano rejeito a preliminar de nulidade do despacho decisório. Primeiro porque este pedido não foi manifestado em sede de manifestação de inconformidade, ocorrendo, portanto, a preclusão. Segundo, pois a recorrente desenvolve perfeitamente argumentos de defesa, tanto na manifestação de inconformidade como no recurso voluntário, não merecendo crédito a alegação de cerceamento do direito de defesa Do mérito Ao contrário do que alega, o crédito não foi reconhecido, pois o pagamento fora integralmente utilizado, conforme fundamentação do despacho decisório. A DCTF apresentada registra como valor devido no mês de março/2004 o montante de R$ 63.793,60, conforme documento juntado à fl. 120, e não o valor de R$ 45.791,71, como afirmado. Assim, não há o que ser reconsiderado na decisão dada pela autoridade administrativa, cuja fundamentação adotoa desde já. Em relação à arguição da necessidade de diligência, ocorre que a mesma é ato discricionário da autoridade julgadora que poderá indeferila por considerála desnecessária ou prescindível, já que no processo constam todos os elementos necessários para a formação da sua livre convicção de julgador, conforme o artigo 18 do PAF, a seguir transcrito: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferido as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748/93). A alegação de erro de fato, tendo em vista os valores informados na DIPJ, não tem fundamento. Cumpre observar que a DIPJ, desde o anocalendário de 1999, tem caráter meramente informativo, isto é, as informações nela prestadas não configuram confissão de dívida a Instrução Normativa n° 127, de 30 de outubro de 1998, que extinguiu, em seu art. 6°, inciso I, a DIRPJ Declaração .de Rendimentos da Pessoa Jurídica e instituiu, em seu art. 10, a DIPJ — Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica, deixou de fazer referência à confissão de tributos ou contribuições a pagar, cabendo apenas a DCTF esta função. O tema, inclusive, é pacificado no âmbito deste Conselho Administrativo, nos termos da Súmula 92: “A DIPJ, desde a sua instituição, não constitui confissão de dívida, nem instrumento hábil e suficiente para a exigência de crédito tributário nela informado.” A DCTF é a forma com que o sujeito passivo dá conhecimento à autoridade administrativa da ocorrência do fato jurídicotributário e informa o pagamento do valor correspondente ao tributo. Como se depreende da sua própria denominação, é uma declaração Fl. 168DF CARF MF Processo nº 10865.900922/200868 Acórdão n.º 1001000.640 S1C0T1 Fl. 169 9 contendo débitos e créditos tributários federais. Ou seja, a declaração do contribuinte em DCTF é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário. Por fim, quanto ao débito, a Súmula nº 82 do CARF não se aplica ao caso, pois os débitos declarados em PER/DCOMP passou a ter o caráter de confissão de dívida para as declarações apresentadas após a vigência da Medida Provisória n° 135, de 2003, que na sua concepção se deu após a data de 31/12/2013. Ante o exposto, voto por REJEITAR a PRELIMINAR de nulidade do despacho decisório e no mérito NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Fl. 169DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10640.003615/2010-96
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jul 27 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1001-000.597
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
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EXCESSO DE RECEITA BRUTA. EXCLUSÃO DE OFÍCIO. Comprovado que o contribuinte excedeu o limite da receita bruta, no ano calendário, imediatamente anterior, é cabível a sua exclusão do Simples Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva Relatório Tratase Recurso Voluntário contra o acórdão, número 0950.763 da 2ª Turma da DRJ/JFA, o qual indeferiu a Manifestação de Inconformidade contra Atos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 00 36 15 /2 01 0- 96 Fl. 172DF CARF MF 2 Declaratórios Executivos (ADEs) nºs 35 e 36, de 2010 (fl. 39 a 43)efetivando a exclusão da empresa do Simples Federal e Nacional, a partir de 1° de janeiro de 2007, por ter auferido receita superior ao valor de R$2.400.000,00, estabelecida para o ano imediatamente anterior (2006).. A ora recorrente apresentou uma impugnação ao referido ADE. cuja decisão da DRJ foi contrária à manifestação de inconformidade, a qual reproduzo o voto: Voto A manifestação de inconformidade é tempestiva e atende os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dela se conhece. Cumpre ressaltar, inicialmente, que a manifestante apenas se insurge em sua peça de defesa contra a exclusão da empresa do Simples Nacional a partir de 01/07/2007 por meio do ADE nº 36/2010. A sua exclusão do Simples Federal a partir de 01/01/2007 por meio do ADE nº 35/2010 deve ser mantida por ausência de litígio. A exclusão do Simples Nacional com efeitos a partir da 01/07/2007 teve por fundamento legal os artigos 28 e 29 (§§ 3º, 5º e 6º) da Lei Complementar 123/2006 e o inciso I do artigo 12 da Resolução CGSN n º 4, de 30 de maio de 2007, verbis: Lei Complementar 123/2006: "Art. 28. A exclusão do Simples Nacional será feita de oficio ou mediante comunicação das empresas optantes. Parágrafo único. As regras previstas nesta seção e o modo de sua implementação serão regulamentados pelo Comitê Gestor. Art. 29. A exclusão de oficio das empresas optantes pelo Simples Nacional darseá quando: § 3° A exclusão de oficio será realizada na forma regulamentada pelo Comitê Gestor, cabendo o lançamento dos tributos e contribuições apurados aos respectivos entes tributantes. § 5º A competência para exclusão de ofício do Simples Nacional obedece ao disposto no art. 33, e o julgamento administrativo, ao disposto no art. 39, ambos desta Lei Complementar. § 6º Nas hipóteses de exclusão previstas no caput deste artigo, a pessoa jurídica será notificada pelo ente federativo que promoveu a exclusão.” Resolução CGSN n º 4, de 30 de maio de 2007: "Art. 12. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a ME ou a EPP: I que tenha auferido, no anocalendário imediatamente anterior, receita bruta superior a R$ 2.400.000,00 (dois milhões e quatrocentos mil reais);" Em sua defesa, a manifestante requer a suspensão dos efeitos do ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO SACAT/DRF/JFA N° Fl. 173DF CARF MF Processo nº 10640.003615/201096 Acórdão n.º 1001000.597 S1C0T1 Fl. 3 3 36, de 03 DE DEZEMBRO DE 2010, até o julgamento final do Processo Tributário Administrativo que contém os autos de infração do Simples. Nos termos do art. 151 do CTN a suspensão somente alcança a exigibilidade do crédito tributário discutido no processo nº 10640.003599/201031, não afetando os efeitos da exclusão procedida através dos ADEs em questão, por falta de previsão legal. Cumpre esclarecer ainda à manifestante que o processo nº 10640.003599/201031, referente ao Auto de Infração de SIMPLES, que atualmente se encontra nesta Turma de Julgamento, foi julgado nesta sessão de forma desfavorável à contribuinte, conforme Acórdão 0950.764, anexado aos autos. Assim, tendo sido perfeitamente comprovado, no processo nº 10640.003599/201031, que a manifestante excedeu o limite de receita para as empresas de pequeno porte no ano de 2006, ensejando sua exclusão de ofício do Simples Nacional a partir de 01/07/2007, com base nos artigos 28 e 29 (§§ 3º, 5º e 6º) da Lei Complementar 123/2006 e no inciso I do artigo 12 da Resolução CGSN n º 4, de 30 de maio de 2007, transcritos anteriormente. Concluise pela correta exclusão de ofício da empresa do Simples Nacional não merecendo qualquer reparo o Ato Declaratório de Exclusão do Simples (ADE) nº 36, pois devidamente motivado e fundamentado. Desta forma, estando plenamente configurada no presente processo o excesso de receita bruta no ano calendário de 2006, voto por considerar IMPROCEDENTE a manifestação de inconformidade, ratificando a exclusão do Simples Federal efetuada por meio do Ato Declaratório nº 35/2010 e a exclusão do Simples Nacional efetuada por meio Ato Declaratório nº 36/2010. Voto Conselheiro José Roberto Adelino da Silva Relator Inconformada, a recorrente apresentou o Recurso Voluntário, tempestivo e que apresenta os demais pressupostos de admissibilidade, previstos no Decreto 70.235/72, e, portanto, dele eu conheço. A recorrente utilizou, em seu recurso, basicamente, os mesmos argumentos utilizados em sua manifestação de conformidade, ou seja: · A decisão proferida pela 2a Turma de Julgamento de Juiz de Fora, no que pese o conhecimento de seus componentes, merece total reforma. · A matéria posta em debate cingese ao fato de ter sido a empresa desenquadrada de Ofício do SIMPLES NACIONAL em razão de auto Fl. 174DF CARF MF 4 de infração, devidamente impugnado, negando a decisão efeito suspensivo ao recurso de Manifestação de Inconformidade. · A fundamentação da decisão está posta pela inexistência de preceito legal que atribua efeito suspensivo ao recurso, frente àquele ato da autoridade administrativa. · Entretanto, no artigo 151 do CTN, encontramos as hipóteses que suspendem a exigibilidade do crédito tributário e especialmente no inciso III, encontramos o seguinte comando: "Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: Ill as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo;" · Com essas modestas razões espera seja reformada a decisão, concedendose efeito suspensivo à reclamação apresentada tempestivamente pela autuada, até decisão final do processo principal, tudo por questão de J U S T I Ç Consoante consta nos autos, o processo principal foi devidamente julgado, gerando o acórdão 0950.764 da 2 ª Turma da DRJ/JFA, que julgou a impugnação improcedente, em 27 de março de 2014 e manteve o crédito tributário lançado. Consequentemente, julgado desfavoravelmente à recorrente, a impugnação apresentada, o recurso, é cabível a exclusão do Simples Nacional, nos termos dos atos declaratórios antes mencionados. Assim, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário, sem crédito em litígio. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Fl. 175DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.913469/2009-38
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003
COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA.
A compensação de indébito fiscal com créditos tributários está condicionada à comprovação da certeza e liquidez do respectivo indébito, cujo ônus é do contribuinte.
Não será homologada a compensação quando a certeza e liquidez do crédito pleiteado não restar comprovada através de documentação contábil e fiscal apta a este fim.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3002-000.222
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Alan Tavora Nem, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Alberto da Silva Esteves.
Nome do relator: MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003 COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. A compensação de indébito fiscal com créditos tributários está condicionada à comprovação da certeza e liquidez do respectivo indébito, cujo ônus é do contribuinte. Não será homologada a compensação quando a certeza e liquidez do crédito pleiteado não restar comprovada através de documentação contábil e fiscal apta a este fim. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard - Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Alan Tavora Nem, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Alberto da Silva Esteves.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1517; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C0T2 Fl. 177 1 176 S3C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.913469/200938 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3002000.222 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 13 de junho de 2018 Matéria PIS Recorrente SAINTGOBAIN CERAMICAS & PLASTICOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003 COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. A compensação de indébito fiscal com créditos tributários está condicionada à comprovação da certeza e liquidez do respectivo indébito, cujo ônus é do contribuinte. Não será homologada a compensação quando a certeza e liquidez do crédito pleiteado não restar comprovada através de documentação contábil e fiscal apta a este fim. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Alan Tavora Nem, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Alberto da Silva Esteves. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 91 34 69 /2 00 9- 38 Fl. 177DF CARF MF Processo nº 10830.913469/200938 Acórdão n.º 3002000.222 S3C0T2 Fl. 178 2 Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da decisão da DRJ, à fl. 78 dos autos: Trata o presente processo de Declaração de Compensação (DCOMP) nº 09828.29317.150806.1.3.040476, entregue em 15/08/2006, na qual é indicado o crédito de R$ 48.712,84, decorrente do pagamento indevido ou a maior do PIS (código receita 8109), do período de apuração fevereiro de 2003. A origem do referido crédito é o DARF no valor de R$ 122.521,75. 2. Por meio do Despacho Decisório (rastreamento nº 845374778), a compensação não foi homologada, pois o DARF indicado, apesar de localizado, estava integralmente utilizado na quitação de débitos do contribuinte. 3. O contribuinte foi cientificado da decisão em 31/08/2009 e apresentou tempestivamente a sua defesa em 24/09/2009, alegando em síntese que o valor do PIS de fevereiro de 2003 era de R$ 73.808,91 e o DARF recolhido foi de R$ 122.521,75. Informou que na DCTF original o PIS de fevereiro de 2003 foi indevidamente informado pelo valor de R$ 122.521,75, mas que apresentou DCTF retificadora em 09/10/2009. Por entender ter efetuado recolhimento a maior, pede o reconhecimento do seu direito creditório. O contribuinte apresentou, com a sua manifestação de inconformidade, os seguintes documentos: (i) atos constitutivos e de representação da empresa; (ii) DACON de fevereiro/2003; (iii) DARF; (iv) DCTF original; e (v) DCTF retificadora. Afirmou, ainda, que “o indeferimento do PER/DCOMP não deve prosperar porque o crédito é de direito da empresa e fora pleiteado conforme disciplina a norma SRF baseada na IN 600 de 28/12/2005”. Ao analisar o caso, a DRJ entendeu por indeferir o pedido formulado pela contribuinte de compensação de valores recolhidos a título de PIS, conforme decisão que restou assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003 Ementa: COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. DISPONIBILIDADE DO CRÉDITO A compensação, nos termos em que definida pelo artigo 170 do CTN só poderá ser homologada se o crédito do contribuinte em relação à Fazenda Pública estiver revestido dos atributos de liquidez e certeza. RESTITUIÇÃO. ÔNUS PROBANTE. É do sujeito passivo o ônus probante do direito à restituição. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Ou seja, o acórdão da primeira instância (fls. 77/83) consignou que o despacho decisório não possui qualquer vício, em razão de o reconhecimento do direito ao crédito alegado pelo contribuinte condicionarse à apresentação da documentação Fl. 178DF CARF MF Processo nº 10830.913469/200938 Acórdão n.º 3002000.222 S3C0T2 Fl. 179 3 contábil/fiscal comprobatória. Considerando que tal documentação não foi apresentada com a defesa, entendeu por julgar improcedente a manifestação de inconformidade apresentada. Consignou, também, que o contribuinte se limitou a alegar ter feito a retificação da DCTF, e destacou que a apresentação do documento retificador só se deu após a ciência do Despacho Decisório, ou seja, do procedimento fiscal acerca do indébito, o que implica na não geração de qualquer efeito, nos termos do artigo 11 da IN SRF nº 903/2008. Sendo assim, por não ter ocorrido a retificação tempestiva do alegado erro de fato na declaração do contribuinte, entendeu que deveria desconsiderar a DCTF retificadora. O contribuinte foi intimado acerca desta decisão em 23/04/2014 (vide Termo de Ciência por decurso de prazo à fl. 85 dos autos) e, insatisfeito com o seu teor, interpôs, em 07/05/2014, Recurso Voluntário (fls. 87/91). Em seu recurso, que denominou de "embargos de declaração", no intuito de combater o acórdão recorrido no tocante à falta de comprovação do crédito, apresentou planilha de memória de cálculo referente ao tributo e período em questão. Quanto ao fundamento de que teria apresentado a DCTF retificadora após emissão do despacho decisório, afirmou não ter havido máfé de sua parte, mas apenas a ocorrência de erro que precisava ser retificado para a completa visualização do crédito que possui. Defendeu, então, que estaria demonstrado nos autos seu direito ao crédito, e que, em casos como o presente, o CARF tem admitido o provimento do recurso. Por fim, requereu, primeiramente, a anulação do processo administrativo, com fulcro os seguintes fundamentos: (a) a apuração do PIS no mês de fevereiro de 2003 comprova que o imposto devido é inferior ao valor recolhido através de DARF; (b) os documentos comprobatórios são hábeis e idôneos e identificam os valores lançados erroneamente na 1ª memória de cálculo; (c) a compensação efetuada é legítima. E, ao final, a reforma da decisão recorrida e o integral cancelamento da exigência fiscal. Além dos documentos já apresentados com a defesa, anexou ao recurso os seguintes documentos: (i) memória de cálculo da apuração do imposto referente ao exercício de 2003, incluindo o período de fevereiro de 2003 (Anexo 04 do Recurso, à fl. 168); e (ii) memória de cálculo da revisão da apuração dos créditos, realizada em novembro de 2006 (Anexo 05 do Recurso – fls. 169/170). Os autos, então, vieramse conclusos para fins de análise do Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. É o relatório. Voto Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora: De início, é válido mencionar que, embora tenha o contribuinte denominado o seu recurso de "embargos declaratórios", entendo que, em atenção ao princípio da fungibilidade, não há qualquer impedimento para que este seja recebido e processado como recurso voluntário. Até porque, não resta dúvidas que fora interposto dentro do prazo legal de 30 dias para interposição de dito recurso. Fl. 179DF CARF MF Processo nº 10830.913469/200938 Acórdão n.º 3002000.222 S3C0T2 Fl. 180 4 Nesse contexto, por entender que o recurso interposto in casu, além de tempestivo, reúne os demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Consoante acima indicado, o contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 87/91), por meio do qual requereu, primeiramente, a anulação do processo administrativo, tendo em vista que: (a) a apuração do PIS no mês de fevereiro de 2003 comprova que o imposto devido é inferior ao valor recolhido através de DARF; (b) os documentos comprobatórios são hábeis e idôneos e identificam os valores lançados erroneamente no 1ª memória de cálculo; (c) a compensação efetuada é legítima. Como se vê, apesar de ter requerido a anulação do processo administrativo, trouxe o contribuinte em sua defesa fundamentos que se confundem com o mérito da presente contenda (suposta comprovação da legitimidade da compensação realizada), não tendo apresentado qualquer fundamento de nulidade que possa ser analisado em sede de preliminar. Logo, entendo que deverá ser rejeitado o pedido preliminar apresentado pelo contribuinte, visto que não se verifica nos autos qualquer elemento apto a ensejar a anulação do processo administrativo, que seguiu os trâmites regulares e legais quanto ao seu processamento. Passo, então, à análise de mérito da presente contenda. Em seu recurso, o contribuinte requer a reforma da decisão recorrida e o cancelamento da exigência fiscal, defendendo que o seu direito creditório teria restado devidamente comprovado nos presentes autos. Em sua impugnação administrativa, havia juntado aos autos o DACON, o DARF, a DCTF original e a DCTF retificadora, documentação esta que fora considerada insuficiente pela DRJ para fins de comprovação do direito creditório pleiteado. Em seu Recurso Voluntário, então, no intuito de superar o entendimento da DRJ, anexou aos autos: (i) memória de cálculo da apuração do imposto referente ao exercício de 2003, incluindo o período de fevereiro de 2003 (Anexo 04 do Recurso, à fl. 168); e (ii) memória de cálculo da revisão da apuração dos créditos, realizada em novembro de 2006 (Anexo 05 do Recurso – fls. 169/170). Ao analisar o caso concreto em testilha e a nova documentação anexada aos autos, entendo que não assiste razão ao contribuinte em seu pleito. Como é cediço, o ônus da prova quanto à existência do crédito no caso de pedido de compensação é do contribuinte. Nos termos do que dispõe o art. 373 do Código de Processo Civil, abaixo transcrito, aplicado subsidiariamente ao processo administrativo fiscal, o ônus da prova incumbe ao autor (no caso ora analisado ao contribuinte que iniciou o processo de compensação), quanto ao fato constitutivo do seu direito (correspondente à comprovação do direito ao crédito tributário que pretende ter reconhecido para fins de homologação da compensação): Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Fl. 180DF CARF MF Processo nº 10830.913469/200938 Acórdão n.º 3002000.222 S3C0T2 Fl. 181 5 Sobre o assunto, verificase que a DRJ foi categórica em afirmar que os erros apontados deveriam ter sido comprovados por meio de documentação contábil/fiscal hábil, o que não ocorrera neste caso concreto, em que havia sido juntada aos autos na manifestação de inconformidade apenas DACON e DCTF retificadora. É o que se infere da transcrição a seguir: 9.2. Independentemente da mencionada retificação, vale registrar que o sujeito passivo não apresentou por ocasião de sua defesa quaisquer provas de seus registros contábeis/fiscais que pudessem evidenciar a causa do equívoco reportado, motivando a objetivada redução do valor do tributo em tela e, consequentemente, o direito à restituição/compensação. 10. Ainda acerca das provas, é oportuno elucidar que a faculdade da autoridade julgadora em determinar, ex offício, a realização de diligência ou perícia (art. 18, do Decreto nº 70.235/72) não substitui o ônus processual da parte a quem compete – no caso, o sujeito passivo, que melhor do que ninguém detém amplas condições para promover a comprovação de suas alegações com amparo em documentos hábeis – de trazer aos autos os elementos de provas de que dispõe. 10.1. Verificase, portanto, que a norma atribui ao recorrente o dever de apresentar as provas sobre os fatos alegados perante a autoridade julgadora, com a finalidade de convencêla de suas alegações, sendo esta uma regra aplicada tanto no Processo Civil como no presente Processo Administrativo Fiscal. Na linha deste pensamento, oportuno trazer à colação os ensinamentos de Humberto Theodoro5: "[...] Se o direito material é disponível e a parte não cuidou de trazer a prova necessária para demonstrálo ou exercêlo, a presunção lógica é que abriu mão dele. Assim, não seria correto que o juiz viesse sobrepor a essa verdade, passando a advogar a causa da parte." 10.2. A propósito da necessidade de a contribuinte comprovar, devidamente, seu direito creditório, reproduzse Ementa do voto condutor do julgado proferido pela 3ª Turma Especial da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais no processo administrativo nº 10480.904515/200844: “No caso específico dos pedidos de restituição e compensação de créditos tributários, o contribuinte cumpre o ônus que a legislação lhe atribui, quando traz os elementos de prova que demonstrem a existência do crédito. E tal demonstração, no caso das pessoas jurídicas, está, por vezes, associada a uma conciliação entre registros contábeis e documentos que respaldem tais registros. Assim, para comprovar a existência de um crédito vinculado a um registro contábil, não basta apresentar o registro, mas também indicar, de forma específica, que documentos estão associados a que registros; ainda, é importante, quando a natureza da operação escriturada/documentada for importante para a caracterização ou não do direito creditório, que a descrição da operação constante dos registros e documentos seja clara, sem abreviaturas ou códigos que dificultem ou impossibilitem a perfeita caracterização do negócio. De se ressaltar, igualmente, que o fato de o processo administrativo ser informado pelos princípios invocados em nada macula tudo o que foi até aqui dito. É que o principio da verdade material autoriza o julgador a ir além dos elementos de prova trazidos pelas partes, quando tais elementos de prova induzem à suspeita de que os fatos ocorreram não da forma como esta ou aquela parte afirma, mas de uma outra forma qualquer (o julgador não está vinculado às versões das partes). Mas isto, à evidência, nada tem a ver com Fl. 181DF CARF MF Processo nº 10830.913469/200938 Acórdão n.º 3002000.222 S3C0T2 Fl. 182 6 propiciar à parte que tem o ônus de provar o que alega/pleiteia, a oportunidade de, por via de diligências, produzir algo que, do ponto de vista estritamente legal, já deveria compor, como requisito de admissibilidade, o pleito desde sua formalização inicial. Dito de outro modo: da mesma forma que não é aceitável que um lançamento seja efetuado sem provas e que se permita posteriormente, em sede de julgamento e por meio de diligências, tal instrução probatória, também não é aceitável que um pleito repetitório seja proposto sem a minudente demonstração e comprovação da existência do indébito e que posteriormente, também em sede de julgamento e por via de diligências, se oportunize tais demonstração e comprovação. 11. Ante o exposto, VOTO pela improcedência da manifestação de inconformidade e pelo não reconhecimento do direito creditório pleiteado. Nos termos da decisão recorrida, portanto, caberia ao contribuinte ter trazido em sua manifestação de inconformidade não apenas a DCTF e DACON retificadoras, como também os documentos contábeis/fiscais que lhe dão suporte. Ato contínuo, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário por meio do qual anexou aos autos: (i) memória de cálculo da apuração do imposto referente ao exercício de 2003, incluindo o período de fevereiro de 2003 (Anexo 04 do Recurso, à fl. 168); e (ii) memória de cálculo da revisão da apuração dos créditos, realizada em novembro de 2006 (Anexo 05 do Recurso – fls. 169/170). Entendo, contudo, que tais documentos ainda não são suficientes a comprovar o direito creditório aqui pleiteado. A uma, porque memória de cálculo produzida unilateralmente pelo contribuinte não possui valor probante. A duas, porque não veio conciliada com os correspondentes livros contábeis e documentos fiscais que lhe dariam suporte. Notese, por exemplo, que a planilha de fls. 169 descreve a origem dos créditos apurados (insumos, revenda, energia, etc.). Não há, contudo, qualquer documentação nos autos apta a comprovar tais despesas, e, consequentemente, a demonstrar a correção das informações apresentadas na DCTF retificadora em detrimento da DCTF originalmente transmitida. Nesse contexto, entendo que a decisão recorrida há de ser mantida, visto que o Recorrente, in casu, não se desincumbiu do seu ônus probatório quanto à matéria fática (direito ao crédito). Sobre o argumento apresentado pelo contribuinte de que a DCTF fora retificada tão somente para corrigir erro outrora incorrido, há de se destacar que não há qualquer impedimento na apresentação de DCTF retificadora. Conforme esclarece o Parecer Normativo COSIT nº 02/2015, esta poderá ser apresentada inclusive após o despacho decisório. Contudo, em tais casos, é cediço que a DCTF retificadora, por si só, não possui o condão de comprovar as informações ali inseridas, incumbindo ao contribuinte o ônus de trazer aos autos, através da correspondente documentação contábil e fiscal, a correspondente conciliação que demonstre o seu direito creditório. Por oportuno, transcrevo o conteúdo do Parecer Normativo COSIT nº 02/2015: Fl. 182DF CARF MF Processo nº 10830.913469/200938 Acórdão n.º 3002000.222 S3C0T2 Fl. 183 7 Assunto. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. (grifos apostos). (...). 1 Após a transmissão do PER/DCOMP, pode a DCTF ser retificada com o intuito de formalizar o indébito objeto de compensação? Sim. Essa é a diretriz adotada pela RFB na análise eletrônica dos PER/DCOMP. Tal diretriz está ainda mais evidente com a implantação da autorregularização. 2 Em caso positivo, a retificação da DCTF, sozinha, é suficiente para a comprovação do pagamento indevido ou a maior? Se a retificação da DCTF for suficiente, há um limite temporal para que ela produza os efeitos de uma declaração original (antes da ciência do despacho decisório, a qualquer tempo ou antes de 5 anos do fato gerador)? a. Não, a DCTF por si só não é suficiente para a comprovação do pagamento indevido ou a maior. É necessário que os valores informados na DCTF estejam coerentes com outras declarações enviadas à RFB, a exemplo da DIPJ, Dacon, DIRF, em cada caso, ou confirmados por documentos fiscais ou contábeis acostados aos autos. Isso porque a existência de crédito líquido e certo é requisito legal para a concessão da compensação (CTN, art. 170). A divergência entre os valores informados na DCTF em relação a outras declarações não elidida por provas, afasta a certeza do crédito e é razão suficiente para o indeferimento da compensação. (Grifos apostos). (...). 13. Ressaltese, por oportuno, que a despeito de a DCTF retificadora, em regra, produzir o mesmo efeito da original, e a DCOMP extinguir o débito desde seu processamento, ambas declarações estão sujeitas à verificação e à homologação da autoridade administrativa, que pode exigir confirmação e comprovação das informações declaradas, seja em auditoria interna da DCTF, seja em procedimento de fiscalização, seja na análise da DCOMP ou da manifestação de inconformidade. Afinal, a apresentação do PER/Dcomp sem a retificação prévia da DCTF gera o ônus ao sujeito passivo de ter de comprovar o crédito pleiteado, conforme julgados do CARF: DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. Fl. 183DF CARF MF Processo nº 10830.913469/200938 Acórdão n.º 3002000.222 S3C0T2 Fl. 184 8 A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. (Acórdão nº 3201001.713, Rel. Cons. Daniel Mariz Gudiño, 3/1/2015) PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. DESPACHO DECISÓRIO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. A simples retificação, desacompanhada de qualquer prova, não autoriza a homologação da compensação. (Acórdão nº 3802¬002.345, Rel. Cons. Solon Sehn, Sessão de 29/01/2014) DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. (Acórdão nº 3302¬002.124, Rel. Cons. Alexandre Gomes, Sessão de 22/05/2013) 13.1. O sujeito passivo é obrigado a comprovar a veracidade das informações declaradas na DCTF e no PER/DCOMP e a autoridade administrativa tem o poder dever de confirmálas. A autoridade administrativa poderá solicitar a comprovação do alegado crédito informado no PER/DCOMP, e se ele, por exemplo, for um pagamento e estiver perfeitamente disponível nos sistemas da RFB, pode ser considerado apto a ser objeto de restituição ou de compensação, sem prejuízo de ser solicitado do declarante comprovação de que se trata de fato de indébito. Vale dizer, a retificação da DCTF é necessária, mas não necessariamente suficiente para deferir o crédito pleiteado, que depende da análise da autoridade fiscal/julgadora do caso concreto. Tanto que tal autoridade poderá discordar das razões apresentadas (a despeito da retificação da DCTF) e, consequentemente, indeferir/não homologar o PER/DCOMP com base em outros elementos de prova de que tal pagamento, ainda que disponível nos sistemas da RFB. Este tema, inclusive, encontrase pacificado neste Conselho Administrativo Fiscal, consoante demonstra a decisão a seguir colacionada: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Fl. 184DF CARF MF Processo nº 10830.913469/200938 Acórdão n.º 3002000.222 S3C0T2 Fl. 185 9 Período de apuração: 01/06/2006 a 30/06/2006 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. ERRO EM DECLARAÇÃO. A DCTF retificadora apresentada após o despacho decisório que não homologa a compensação e a DACON não têm o condão de provar suposto erro de fato que aponta para a inexistência do débito declarado. O contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos. (Acórdão nº 3803006.915, de 18/03/2015). (grifos apostos). No caso dos presentes autos, portanto, constatase que o contribuinte não se desincumbiu do seu ônus probatório, pelo que deverá ser mantida a negativa de homologação da compensação ora analisada. Da conclusão Diante do acima exposto, afasto o pedido preliminar do contribuinte de anulação do processo administrativo e, no mérito, nego provimento ao Recurso Voluntário interposto, em razão da ausência de comprovação do direito creditório pleiteado. É como voto. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Fl. 185DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.722835/2013-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Apr 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. LAPSO MANIFESTO.
Constatada, mediante embargos de declaração, a ocorrência de obscuridade, omissão, contradição ou lapso manifesto, deve-se proferir novo Acórdão, para retificar o Acórdão embargado.
ERRO DE INTERPRETAÇÃO DA LEGISLAÇÃO, EFEITOS RETROATIVOS. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA RESOLUÇÃO CFC 1.087/06. AJUSTE NO EXERCICIO EM QUE O ERRO FOI DETECTADO. EFEITOS INFRINGENTES DOS EMBARGOS.
Nos moldes da Resolução CFC 1.087/2006 o ajuste para correção de erro na interpretação da norma contábil somente será efetuado no ano em que fora detectado tal erro, sem efeitos retroativos ao ano em que cometido o erro, hipótese esta aplicável somente aos casos de dolo ou fraude.
Numero da decisão: 1201-002.144
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acolher parcialmente os embargos de declaração para dar efeitos infringentes em relação ao - "ITEM 3. "Erros de interpretação": quanto ao fundamento normativo para a retificação em período anterior ao de sua constatação. Vencidos os conselheiros: Eva Maria Los (relatora), José Carlos de Assis Guimarães e Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, que negavam efeitos infringentes ao Acórdão embargado. Designado o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Eva Maria Los - Relatora.
(assinado digitalmente)
Luis Fabiano Alves Penteado - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, José Carlos de Assis Guimarães, Leonam Rocha de Medeiros (Conselheiro suplente convocado); ausente justificadamente Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: EVA MARIA LOS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. LAPSO MANIFESTO. Constatada, mediante embargos de declaração, a ocorrência de obscuridade, omissão, contradição ou lapso manifesto, deve-se proferir novo Acórdão, para retificar o Acórdão embargado. ERRO DE INTERPRETAÇÃO DA LEGISLAÇÃO, EFEITOS RETROATIVOS. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA RESOLUÇÃO CFC 1.087/06. AJUSTE NO EXERCICIO EM QUE O ERRO FOI DETECTADO. EFEITOS INFRINGENTES DOS EMBARGOS. Nos moldes da Resolução CFC 1.087/2006 o ajuste para correção de erro na interpretação da norma contábil somente será efetuado no ano em que fora detectado tal erro, sem efeitos retroativos ao ano em que cometido o erro, hipótese esta aplicável somente aos casos de dolo ou fraude.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. LAPSO MANIFESTO. Constatada, mediante embargos de declaração, a ocorrência de obscuridade, omissão, contradição ou lapso manifesto, devese proferir novo Acórdão, para retificar o Acórdão embargado. ERRO DE INTERPRETAÇÃO DA LEGISLAÇÃO, EFEITOS RETROATIVOS. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA RESOLUÇÃO CFC 1.087/06. AJUSTE NO EXERCICIO EM QUE O ERRO FOI DETECTADO. EFEITOS INFRINGENTES DOS EMBARGOS. Nos moldes da Resolução CFC 1.087/2006 o ajuste para correção de erro na interpretação da norma contábil somente será efetuado no ano em que fora detectado tal erro, sem efeitos retroativos ao ano em que cometido o erro, hipótese esta aplicável somente aos casos de dolo ou fraude. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acolher parcialmente os embargos de declaração para dar efeitos infringentes em relação ao "ITEM 3. "Erros de interpretação": quanto ao fundamento normativo para a retificação em período anterior ao de sua constatação. Vencidos os conselheiros: Eva Maria Los (relatora), José Carlos de Assis Guimarães e Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, que negavam efeitos infringentes ao Acórdão embargado. Designado o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 28 35 /2 01 3- 75 Fl. 3275DF CARF MF Processo nº 19515.722835/201375 Acórdão n.º 1201002.144 S1C2T1 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Eva Maria Los Relatora. (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, José Carlos de Assis Guimarães, Leonam Rocha de Medeiros (Conselheiro suplente convocado); ausente justificadamente Rafael Gasparello Lima. Relatório Tratase de Embargos de Declaração opostos pelo contribuinte em face do Acórdão nº 1201001.491, de 14 de setembro de 2016, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara, da Primeira Seção de Julgamento do CARF: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de ofício e considerar improcedentes os Termos de Sujeição Passiva Solidária e, por maioria de votos, dar parcial provimento ao Recurso voluntário, mantendo a exigência de RS 92.173.395.50 de IRRF, acrescida de multa de ofício reduzida para 75%, mais juros de mora; cancelar as exigências de IRPJ e CSLL; reduzir o Saldo Negativo de IRPJ do anocalendário 2008 para RS() 68.779.672,17 e o Saldo Negativo de CSLL para RS () 19.962.646.29; Vencidos os Conselheiros Luis Fabiano e Ronaldo Apelbaum. que lhe davam provimento. Os Embargos de Declaração foram admitidos relativamente aos ITENS 3, 4 e 5, apontados pelo Embargante; reproduzse a seguir, a análise: "ITEM 3. "Erros de interpretação": omissão e obscuridade quanto ao fundamento normativo para a retificação em período anterior ao de sua constatação; que o Acórdão não indica quais dispositivos da legislação tributária determinariam a consideração dos "erros de interpretação", no período ao qual se reportam e não no período em que tenham sido detectados, conforme a legislação societária. O Acórdão diz: 150. Assim, podese afirmar que a data mais tarde em que a Recorrente tomou conhecimento dos dados seria essa última data: não há elementos para se afirmar data anterior, embora seja perfeitamente possível de que estivesse ciente das diferenças que o citado relatório apontou. Fl. 3276DF CARF MF Processo nº 19515.722835/201375 Acórdão n.º 1201002.144 S1C2T1 Fl. 4 3 151. Contudo, tal data em 03/08/2010, não justifica que a Recorrente tenha mantido a indevida distribuição de dividendos e de JCP. efetuados após tomar conhecimento que eram indevidos: a argumentação baseada em orientações do CFC de que erros de exercícios anteriores devem ser corrigidos no exercício em que foram identificados é referente à legislação e demonstrativos societários. 152. Em se tratando de legislação tributária, o erro identificado posteriormente não exime o contribuinte de promover a retificação, a apuração dos tributos devidos que não haviam sido apurados nem recolhidos: e. em não o fazendo espontaneamente, está sujeito a serem tais tributos exigidos de ofício, com incidência de multa de ofício. Avaliação: Cabe reconhecer a omissão apontada. ITEM 4. Tratamento dos dividendos: omissão e obscuridade quanto ao fundamento normativo para a tributação na fonte (IRRF): O acórdão rejeitou o argumento de que os dividendos supostamente distribuídos em excesso deveriam receber o tratamento de redução de capital (isenção), pois "a leitura do art. 48, §3o da Instrução Normativa n° 93, de 1997, elucida que, inexistindo lucros acumulados ou reservas, que é o caso presente, a parcela excedente, que no caso é a totalidade do valor distribuído, será submetida à tributação". O referido dispositivo prevê: "inexistindo lucros acumulados ou reservas de lucros em montante suficiente, a parcela excedente será submetida à tributação nos termos do art. 3o, § 4o, da Lei n° 7.713, de 1988, com base na tabela progressiva a que se refere o art. 3o da Lei n° 9.250, de 1995". Já o art. 3o, §4°, da Lei 7.713/1988 diz: "a tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título." Como se verifica, os dispositivos invocados pelo acórdão são genéricos e não explicam qual seria o regime de tributação dos dividendos distribuídos em excesso. Assim, restou obscura a afirmação de que parcela excedente (...) será submetida à tributação", já que foi omitida a regra legal que eventualmente autorize o tratamento dado pelo Fisco. O Auto de Infração indicou a base legal da autuação, pág. 1.426: art. 685, I e 682 (rendimentos pagos a PJ domiciliada no exterior), 683, 684, do RIR, e 28 da Lei nº 6.249, de 1995 (alíquota de 15%). Avaliação: Concluise caber razão de que há obscuridade, neste item. ITEM 5. Lucro líquido de 2008: contradição quanto aos critérios para sua apuração O acórdão concluiu pelo cabimento da recomposição do valor passível de distribuição, porém, não acolheu o pedido da Embargante de que fossem considerados o IRPJ e a CSLL Fl. 3277DF CARF MF Processo nº 19515.722835/201375 Acórdão n.º 1201002.144 S1C2T1 Fl. 5 4 diferidos e as diferenças do RTT, que, somados, correspondem a R$ 52.527.508,29 (formados, respectivamente, por R$ 45.776.508,29 e R$ 6.751.000,00). Curiosamente, a tabela constante de fls. 3.172 inclui no lucro distribuível, de acordo com o "voto", a parcela de R$ 45.776.508,29, relativa a IRPJ e CSLL diferidos. Mas, contraditoriamente, conclui o acórdão que a autuação "deve ser mantida, no montante apurado pelo Autuante", ou seja, excluindose a aludida parcela (fl. 3.172). A perplexidade aumenta na medida em que o acórdão, de um lado, diz que "o autuante considerou nos cálculos o valor do Lucro Líquido do ano 2008, indevidamente; de outro lado, reconhece que "esta instância de julgamento não está autorizada a agravar o lançamento fiscal, mas, ao final, conclui que não poderiam ser consideradas no lucro as parcelas pleiteadas pela Embargante, por serem de 2008. Ao assim proceder, o acórdão alterou em desfavor do contribuinte o critério adotado pelo Fisco, que considerou o lucro líquido do ano de 2008 na apuração dos dividendos. Observese que a exclusão dos ajustes ora em discussão do lucro passível de distribuição deuse unicamente porque a Fiscalização entendia que eles não integravam a parcela de dividendos isenta, pois não eram considerados no lucro real. Ocorre o acórdão reconhece que "o lucro sobre o qual se calcula os dividendos a distribuir é o lucro apurado pela legislação societária''' (fl. 3.169) e não o lucro real (cf. Parecer PGFN CAT 202/2013). Portanto, estabelecidas pelo acórdão as premissas de que: (a) não podia agravar a exigência fiscal (o que impede a alteração dos critérios fiscais em desfavor do contribuinte); e (b) os dividendos devem ser apurados de acordo com o lucro societário (fiscal) e não conforme o lucro real; (c) a conclusão inexorável seria pelo acolhimento do pleito da Embargante de consideração da parcela de R$ 52.527.508,29, para efeito de cálculo dos dividendos. A conclusão em sentido contrário restou contraditória. Ademais, o acórdão omitiuse quanto ao disposto no art. 48 da IN 93/1997, segundo o qual só há que se cogitar da distribuição de dividendos em excesso se o valor ultrapassar os resultados do "período base não encerrado'" e os lucros acumulados ou reservas de lucros "de exercícios anteriores", justificando a consideração do lucro líquido de 2008, como, repitase, entendeu a própria Fiscalização. A tabela de pág. 3.172: 1.1.1.1 Recomposição do valor passível de distribuição. 2. Assim, cabe recompor a apuração do lucro passível de distribuição, considerando a redução dos Lucros Acumulados em 31/12/2007 no valor de R$651.398.669,14 () 45.776.508,29) Apuração do lucro passível de distribuição: Auto de Infração Este voto Fl. 3278DF CARF MF Processo nº 19515.722835/201375 Acórdão n.º 1201002.144 S1C2T1 Fl. 6 5 Saldo em 31 de dezembro de 2007 (fonte DIPJ, Ficha 38 Dem Lucros e Preju Acum, linha 1) 596.582.207,58 596.582.207,58 Ajustes nos lucros acumulados de 2007 (Ficha 38 Demonstração dos Lucros e Prejuízos Acumulados , linha 07. () Ajustes Devedores de Períodos de Apuração Anteriores, pág. 902); TVF, itens 54 e 55, págs. 1.458/1.460 (651.398.669,14) (651.398.669,14) "Imposto de Renda e Contribuição Social Diferidos" inclusos nos Ajustes. 45.776.508,29 Ajustes da adoção inicial da Lei 11.638/07 (Ficha 38 Demonstração dos Lucros e Prejuízos Acumulados , linha 07. () Ajustes Devedores de Períodos de Apuração Anteriores, pág. 902) (30.314.646,63) 0,00 Lucro Passível de Distribuição 31/12/2007 (54.816.461,56) Lucro Líquido do Exercício ( item 18 já deduzido o novo JCP) 134.105.792,18 Ajustes do RTT (itens 14 e 16 ) (6.751.000,00) Saldo disponível para Destinações 42.223.683,99 2. Observase que o autuante considerou nos cálculos o valor do Lucro Líquido do ano 2008, indevidamente, dado que todas as informações, seja da Recorrente, seja do Autuante, são que os dividendos em discussão são sobre os Lucros Acumulados do anocalendário 2007, com encerramento em 31/12/2007. 3. Contudo, esta instância de julgamento não está autorizada a agravar o lançamento fiscal. Avaliação: Cabe reconhecer obscuridade ." Voto Vencido Conselheira Eva Maria Los, Relatora 1. Os autos de infração de referem ao anocalendário 2008. ITEM 3 2. Reproduzse a seguir, trechos do Termo de Verificação Fiscal que elucidam a questão: "21. Analisando a Ficha 38 Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados, da DIPJ 2009, Anocalendário 2008, observamos que o Saldo de Lucros Acumulados oriundo de 2007 é de 596.582.207,58 (Linha 01); e, considerando o valor de R$ 134.105.792,18 (item 20 retro) como o valor CORRETO de Lucro Líquido do Ano de 2008, sem considerarmos os ajustes na conta lucros acumulados demonstrados adiante, teríamos como montante de Lucro Passível de Distribuição o valor de R$ 730.687999,76 (596.582.207,58 + 134.105.792,18). 22. Ocorre que, analisando as Demonstrações das Mutações do Patrimônio Líquido apresentada pela empresa, correspondente aos Exercícios findos em 31 de dezembro de 2008 e 2007, verificamos constar como 'Ajustes nos lucros acumulados de 2007' o valor de R$ 651.398.669,14. Conforme se extrai da análise das fls. 22/23/24 do documento apresentado pela empresa, intitulado 'Demonstrações Financeiras em 31 de dezembro de 2008 e 2007, estes Fl. 3279DF CARF MF Processo nº 19515.722835/201375 Acórdão n.º 1201002.144 S1C2T1 Fl. 7 6 ajustes decorrem de erros reconhecidos pela empresa, pois a empresa deixara de efetuar lançamentos adequados que afetaram os saldos de encerramento de períodos anteriores a 31/12/2007, lançamentos estes que NÃO TÊM PERTINÊNCIA COM A ENTRADA EM VIGOR DA LEI 11.638/2007, fato este corroborado ela própria leitura das notas explicativas às demonstrações financeiras: 3.3 Correção de Erros A administração identificou e corrigiu, no exercício de 2008, erros de interpretação, que afetaram os saldos do encerramento do exercício social findo em 31 de dezembro de 2007 (...) (...) 25. As datas de contabilização dos Ajustes, e outras ocorrências, constantes no Livro Razão em dezembro de 2008, passam a impressão de que foram feitos de forma a se colocar como "contabilmente possível" a distribuição de dividendos efetuada pela empresa no montante de R$ 564.539.591,81, já que os referidos ajustes foram lançados após a escrituração da distribuição de "dividendos"; é notório, pois, se assim não o fosse (1o, os ajustes; 2o, a distribuição de dividendos), a empresa não teria como distribuir dividendos no referido montante, conforme será demonstrado abaixo. 26. Em continuidade, verificouse que a empresa calculou Juros sobre o Capital Próprio (JCP), nos termos do art. 9o, da Lei 9.249/1995, com base na Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) vigente no exercício de 2008, no montante de R$ 68.661.750,96. Segundo o sitio da Receita Federal do Brasil, consta como TJLP correspondente aos 12 meses do ano de 2008 o valor de 6,25%. 26.1. Conforme será demonstrado abaixo, a empresa não possuía Patrimônio Líquido em valor suficiente para efetuar o pagamento de JCP no montante acima destacado. Isso porque os ajustes efetuados pela empresa, no montante de R$ 681.713.315,78, caso fossem efetuados corretamente, ou seja, antes do cálculo do JCP, diminuiriam o valor do patrimônio líquido da empresa que é a base de cálculo do pagamento dos juros. 27.Na data de 24/09/2013, a empresa apresentou resposta ao referido Termo de Constatação e Intimação Fiscal, alegando, resumidamente, que os ajustes efetuados na conta de lucros acumulados não poderiam impedir a distribuição dos dividendos e o pagamento dos juros sobre o capital próprio uma vez que tais ajustes poderiam ter sido feitos após a remessa dos dividendos e do pagamento do JCP. 3. Evidenciase que a distribuição de dividendos e o pagamento dos JCP ocorreram no ano 2008, tendo como base lucros acumulados até 31/12/2007, que se revelaram inexistentes devido à diferença de ()R$ 651.398.669,14, corrigida durante o ano de 2008, que, segundo as das notas explicativas às demonstrações financeiras, mais uma vez reproduzida: 3.3 Correção de Erros A administração identificou e corrigiu, no exercício de 2008, erros de interpretação, que afetaram os saldos do encerramento do exercício social findo em 31 de dezembro de 2007 (...)" 4. O Acórdão embargado confirmou que essa diferença não se trata de ajustes para obedecer a Lei nº 11.638, de 2007, nem do RTT, e que são ajustes anteriores a 01/01/2008. 5. Seguem ainda as considerações do TVF: 43No período em análise, a empresa realizou ajustes que geraram efeito nos lucros acumulados em 31/12/2007, ou seja, são valores que deixaram de ser contabilizados em época própria, em descumprimento ao princípio da competência, cujos valores a seguir demonstrados estão em milhares de reais conforme informado nas Notas Explicativas às Demonstrações Financeiras: (...) 47. A forma correta de lançamento de qualquer tipo de ajuste é mais do que conhecida, tendo em vista a disposição dos lançamentos de ajustes constantes da Ficha 38 da DIPJ 2009, Ano calendário 2008, a qual traduz a seqüência imposta pelo art. 186, da Lei 6.404/1976 (Lei das Sociedades Anônimas), tratado abaixo: Fl. 3280DF CARF MF Processo nº 19515.722835/201375 Acórdão n.º 1201002.144 S1C2T1 Fl. 8 7 (...) 50. Considerando as Normas Contábeis editadas após a vigência da Lei 11.638/07, mais especificamente o Pronunciamento Técnico CPC 13, de 05/12/2008, emitido pelo Comitê de Pronunciamentos Contábeis, em seu item 10, "in verbis", temse o que segue: "10. A entidade deve elaborar balanço patrimonial inicial na data de transição para as novas práticas contábeis adotadas no Brasil, que é o ponto de partida para sua contabilidade de acordo com a Lei n° 11.638/07 e Medida Provisória n° 449/08. Esse balanço patrimonial inicial deve ser elaborado de acordo com os termos deste Pronunciamento. Por exemplo: para uma entidade que tem seu exercício social coincidente com o ano calendário,'a database das primeiras demonstrações contábeis elaboradas de acordo com as novas práticas contábeis adotadas no Brasil é 31 de dezembro de 2008. Nesse caso, a data de transição dependerá da opção feita pela entidade, constante dos itens 3 e 4, considerando que: (a) se optar por seguir estritamente o §1o do art. 186 da Leí n° 6.404/76, a data de transição será a abertura em 1o de Janeiro de 2008 ou o encerramento em 31 de dezembro de 2007: 6. Os itens 3 e 4 citados: "3. As exigências de ajustes trazidos pela Lei nº 11.638/07 e Medida Provisória nº 449/08 não se enquadram como mudança de circunstâncias, estimativas ou evento econômico subseqüente, pois decorrem de processo normativo em direção às Normas Internacionais de Contabilidade. Assim, este Pronunciamento considera que os ajustes devem ser contabilizados de acordo com as disposições contábeis aplicáveis à mudança de critério (ou prática) contábil. A esse respeito, o § 1º do art. 186 da Lei nº 6.404/76 determina que os correspondentes ajustes iniciais devem ser contabilizados na conta de lucros ou prejuízos acumulados. A norma sobre “Práticas Contábeis, Mudanças nas Estimativas Contábeis e Correção de Erros” requer que, além de discriminar os efeitos da adoção da nova prática contábil na conta de lucros ou prejuízos acumulados, a entidade deve demonstrar o balanço de abertura para cada conta ou grupo de contas relativo ao período mais antigo apresentado para fins de comparação, bem como os demais valores comparativos apresentados, como se a nova prática contábil estivesse sempre em uso. Todavia, para fins da aplicação inicial da Lei nº. 11.638/07 e Medida Provisória nº 449/08, este Pronunciamento desobriga as entidades quanto à aplicação dessa norma, ou seja, ao aplicar a Lei pela primeira vez, as entidades são requeridas apenas a aplicar o § 1º. do art. 186 acima referido. 4. Embora desobrigadas de reapresentação das cifras comparativas nos termos do item anterior, as entidades podem optar por efetuar essa reapresentação e, nesse caso, o presente Pronunciamento inclui dispensas específicas para evitar custos que, provavelmente, superariam os benefícios para os preparadores e os usuários de demonstrações contábeis, além de determinadas outras exceções por razões práticas. Fl. 3281DF CARF MF Processo nº 19515.722835/201375 Acórdão n.º 1201002.144 S1C2T1 Fl. 9 8 7. Como se vê, correções que evidenciaram serem inexistentes os lucros acumulados eram obrigatórias, antes de 01/01/2008, conforme o item 10 do CPC 13: "a data de transição será a abertura em 1o de Janeiro de 2008 ou o encerramento em 31 de dezembro de 2007". Portanto a distribuição dos dividendos e o pagamento dos JCP, ocorrida durante o ano 2008, foi sobre valores de lucros acumulados inexistentes. 8. Citese o TVF: "51. Observamos, ainda, que o item 3, do CPC 13, transcrito abaixo "in verbis", ratificou a vigência do art. 186 da Lei 6.404/76, pois determina que os correspondentes ajustes iniciais (que a empresa deveria ter efetuado, na pior hipótese (ou seja, no máximo), em 1° de janeiro de 2008) deveriam ser contabilizados na conta lucros ou prejuízos acumulados, exatamente na ordem seqüencial estabelecida na Ficha 38 da DIPJ 2009, Anocalendário 2008, qual seja: primeiro, o lançamento do ajuste; posteriormente, a distribuição de dividendos, caso houvesse saldo; e não a seqüência dos lançamentos que efetivamente a empresa efetuou no Razão contábil, qual seja, primeiro, a distribuição dos dividendos (em 15/12/2008) e depois, o lançamento dos ajustes (em 31/12/2008), pois, se não fizesse desta forma, a empresa não teria como distribuir dividendos no montante de R$ 564.539.591,81. (...) 53.2, Ou seja, a empresa, segundo suas próprias demonstrações financeiras, informa, de forma "equivocada", que efetuou um Balanço Patrimonial Inicial em 01/01/2008, e que os ajustes decorrentes da adoção inicial das novas práticas contábeis foram lançados contra a conta Lucros Acumulados, exatamente como orientado no item 3, do CPC 13 (item 51 retro), quando, na realidade, ela fez, em sua contabilidade, um lançamento de ajuste relativo a exercícios anteriores no valor de R$ 681.713.315,78 em 31/12/2008, que, por sua vez, incorpora o valor de R$ 30.314.646,63 (item 23 retro). Ademais, o referido lançamento de ajuste foi lançado após a escrituração da "distribuição de dividendos", quando o correto é o contrário fato este mais do que conhecido, tendo em vista a disposição seqüencial dos lançamentos constantes da Ficha 38 da DIPJ 2009, anocalendário 2008, a qual está convalidada pelo art. 186, da Lei 6.404/76. Reiteramos que, independentemente da forma de constituição da empresa (Ltda ou S/A), o modeloseqüencial da Ficha 38 é historicamente idêntico até hoje. (...) 55.1. Se considerarmos, novamente, o disposto no art. 186 da Lei 6.404/76, cuja estrutura guarda correspondência com a histórica Ficha 38 da DIPJ Exercício 2009, ano calendário 2008, Fl. 3282DF CARF MF Processo nº 19515.722835/201375 Acórdão n.º 1201002.144 S1C2T1 Fl. 10 9 podemos constatar que os ajustes de exercícios anterior, obrigatoriamente, têm que ser\efetuados antes da Distribuição de Lucros ou Dividendos. (...) (...) 57.Nesses termos, esta fiscalização entende que, se a empresa tivesse feito em sua contabilidade os lançamentos na ordem disposta no artigo 186, da Lei 6.404/76, ordem pela qual a empresa demonstra ter conhecimento, pois além de preencher corretamente a Ficha 38 da DIPJ Exercício 2009, anocalendário 2008, apresentou a esta fiscalização um documento intitulado "Demonstrações das mutações do patrimônio líquido", no qual ela primeiro efetua os ajustes e depois lança a distribuição de dividendos, não teria lucros/dividendos suficientes para distribuição de tal montante. Entretanto, importante ressaltar que, não obstante a empresa ter conhecimento da seqüência correta dos lançamentos, isso não a impediu de distribuir mais lucro do que realmente dispunha, uma vez que em 31/12/2008, após os ajustes efetuados e a distribuição de lucros, ela deságua em um saldo de prejuízo no montante de (R$ 475.819.787,07). (...) 58.2. Ainda, ratificando novamente que cometeu 'erros', a empresa informa no item c das Notas Explicativas às Demonstrações Financeiras, fls. 47 do documento apresentado por ela intitulado 'Demonstrações Financeiras em 31 de dezembro de 2008 e 2007': (...)" 9. Concluindo, a Relatora se alinhou com as conclusões do TVF: que as correções, que não eram decorrentes da adoção da nova legislação das SA's, eliminaram o saldo de lucros acumulados cujo valor deveria ter sido ajustado, antes de 01/01/2008, e afetava o dito saldo, impedindo a distribuição de dividendos em 15/12/2008. 10. O art. 186 da Lei das S A’s, Lei nº 6.404 , de 15 de dezembro de 1976, que dá base à Ficha 38 da DIPJ 2009: Ficha 38 Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados 16579312831012012181802MF110 Ano calendário 2008 ND 1794474 CNPJ 60.409.075/000152 Discriminação Valor LUCROS/PREJUÍZOS 01.Saldo de Lucros Acumulados 596.582.207,58 02.Ajustes Credores de Períodos de Apuração Anteriores 0, 00 03.Reversão de Reservas 0, 00 04.Outros Recursos 05.Lucro Líquido do Aro 173.850.912,94 06.()Saldo Anterior de Prejuízos Acumulados 07.()Ajustes Devedores de Períodos de Apuração Anteriores 681.713.315,78 08.()Prejuízo Líquido do Ano 09.TOTAL 88.719.804,74 Fl. 3283DF CARF MF Processo nº 19515.722835/201375 Acórdão n.º 1201002.144 S1C2T1 Fl. 11 10 DESTINAÇÕES 10 . Transferências para Reservas 11.Dividendos ou Lucros Distribuídos, Pagos ou Creditados 564.539.591,81 12.Parcela do; Lucros Incorporados ao Capital 0, 00 13 .Outras Destinações 564.539.591,81 15.LUCROS OU PREJUÍZOS ACUMULADOS 475.819.787,07 INFORMAÇÕES DO ÚLTIMO BALANÇO DO ANO DA DECLARAÇÃO 16.BALANÇO TRANSCRITO ÀS FOLHAS N° 1 17.N° DO DIÁRIO 1787 18.N° DO REGISTRO DO DIÁRIO 0 11. Em síntese, a base normativa reclamada foram o art. 186 da Lei nº 6.404 , de 15 de dezembro de 1976; o item 3, item 10 "a", do Pronunciamento Técnico do Comitê de Pronunciamentos Contábeis CPC 13, de 05 de dezembro de 2008; isto é, a Lei das SA's e os procedimentos a serem adotados na elaboração do balanço patrimonial inicial na data de transição (em 01/01/2008) para as novas práticas contábeis adotadas no Brasil, que é o ponto de partida para sua contabilidade de acordo com a Lei n° 11.638, de 2007 e Medida Provisória n° 449, de 2008. ITEM 4 12. O Autuante apurou que o valor de lucros disponíveis para distribuição como dividendos foi R$42.223.683,99; como a empresa remeteu ao exterior R$564.539.591,84, o excedente foi tributado com a base legal constante no Auto de Infração, art. 28, da Lei 9.249, de 1995, arts. 682, 683, 684, 685 do RIR, de 1999, porque não se tratava de dividendos e sim remuneração: Art.682. Estão sujeitos ao imposto na fonte, de acordo com o disposto neste Capítulo, a renda e os proventos de qualquer natureza provenientes de fontes situadas no País, quando percebidos: Ipelas pessoas físicas ou jurídicas residentes ou domiciliadas no exterior (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 97, alínea "a") (...) Art. 685, I, do RIR/99: Art.685.Os rendimentos, ganhos de capital e demais proventos pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos, por fonte situada no País, a pessoa física ou jurídica residente no exterior, estão sujeitos à incidência na fonte (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 100, Lei nº 3.470, de 1958, art. 77, Lei nº 9.249, de 1995, art. 23, e Lei nº 9.779, de 1999, arts. 7º e 8º): Ià alíquota de quinze por cento, quando não tiverem tributação específica neste Capítulo, inclusive: 13. Quanto ao art. 692 do RIR: Fl. 3284DF CARF MF Processo nº 19515.722835/201375 Acórdão n.º 1201002.144 S1C2T1 Fl. 12 11 Art.692. Os lucros ou dividendos calculados com base nos resultados apurados a partir do mês de janeiro de 1996, pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real ou arbitrado a pessoa física ou jurídica, domiciliada no exterior, não estão sujeitos à incidência do imposto na fonte (Lei nº 9.249, de 1995, art. 10). 14. O art. 692 do RIR de 1999, supra, não se aplica, porque valores remetidos ao exterior não podem ser considerados como lucros distribuídos ou dividendos, pela razão exposta, ou seja, o valor pago, objeto da autuação, excedeu os lucros apurados. 15. Afirma o TVF: 66. Ou seja, existem duas condições para se distribuir dividendos com isenção: 1a a empresa deve possuir lucro para ser distribuído; 2a o lucro distribuído deve ser apurado conforme as regras existentes em 31/12/2007. 67 (...) Ressaltase que somente o saldo positivo de R$ 42.223.683,99, resultante da recomposição feita pela fiscalização, foi considerado com dividendo passível de distribuição. Desse modo, os valores pagos a maior foram considerados como rudimentos pagos a beneficiários no exterior, servindo para o cálculo do 1RF, conforme se verá adiante. 16. Como se evidencia, não havia necessidade de se repetir a base legal já constante dos autos. 17. A Recorrente ainda questiona: 61. Mesmo que se admitisse ter ocorrido distribuição de lucros em excesso (com o que não concorda) isso acarretaria redução de capital (isto é, restituição de capital aos acionistas), não sujeita ao IRRF, por inexistência de base legal, sendo inaceitável a posição de DRJ de que a "redução de capital" não poderia ser reconhecida porque não houve deliberação dos sócios neste sentido; eis que a distribuição foi decidida por unanimidade em 25/11/2008. 18. A companhia pode reduzir o Capital Social, seja para absorver prejuízos acumulados ou para devolução aos acionistas, por ser excessivo em relação às necessidades sociais. Para as sociedades limitadas, a redução de capital é regulada pelos artigos 1.082 a 1.084 do Novo Código Civil (Lei 10.406, de 2002): Do Aumento e da Redução do Capital Art. 1.082. Pode a sociedade reduzir o capital, mediante a correspondente modificação do contrato: I depois de integralizado, se houver perdas irreparáveis; II se excessivo em relação ao objeto da sociedade. (...) Art. 1.084. No caso do inciso II do art. 1.082, a redução do capital será feita restituindose parte do valor das quotas aos sócios, ou dispensandose as prestações ainda devidas, com diminuição proporcional, em ambos os casos, do valor nominal das quotas. Fl. 3285DF CARF MF Processo nº 19515.722835/201375 Acórdão n.º 1201002.144 S1C2T1 Fl. 13 12 § 1o No prazo de noventa dias, contado da data da publicação da ata da assembléia que aprovar a redução, o credor quirografário, por título líquido anterior a essa data, poderá oporse ao deliberado. § 2o A redução somente se tornará eficaz se, no prazo estabelecido no parágrafo antecedente, não for impugnada, ou se provado o pagamento da dívida ou o depósito judicial do respectivo valor. § 3o Satisfeitas as condições estabelecidas no parágrafo antecedente, procederseá à averbação, no Registro Público de Empresas Mercantis, da ata que tenha aprovado a redução. (Grifouse.) 19. A Ata de Reunião de Diretoria, págs. 1.274/1.275, de 25/11/2008, registra a decisão da Nestlé S/A, sediada na Suíça, e Socopal Ltda, únicas sócias da Nestlé Brasil Ltda: (...) resolvem neste ato, de pleno e comum acordo, deliberar a distribuição de Dividendos no valor de R$ 564.539.591,81 (quinhentos e sessenta e quatro milhões, quinhentos e trinta e nove mil, quinhentos e noventa e um reais e oitenta um centavos), que serão remetidos à Sócia Nestlé S.A., até o dia 20 de dezembro de 008. A sócia minoritária, SOCOPAL Sociedade Comercial de Corretagem de Seguros e de Participações Ltda., renuncia ao direito do recebimento dos seus respectivos juros em favor da sócia majoritária Nestlé S. A. 20. Esta Ata, datada de 25/11/2008, foi levada a registro na Junta Comercial do Estado de São Paulo Jucesp. 21. Não há, assim, o que falar em redução de capital. 22. Concluise que o auto de infração informa satisfatoriamente a base legal da exigência de ofício, não havendo obscuridade; quanto à possibilidade de redução de capital e devolução ao sócio no exterior, não foram cumpridas formalidade que caracterizassem a remessa como redução de capital com devolução aos sócios, dado que a Ata da Reunião de Sócios deliberou Distribuição de Dividendos". 23. Assim, resta sanada qualquer obscuridade que porventura remanescesse, no Acórdão embargado, quanto a esta questão. ITEM 5 1.2 LUCROS A DISTRIBUIR APURADOS EM 31/12/2008. 24. Verificase, pág. 1.834, "Demonstração de resultados, exercícios findos em 31 de dezembro de 2008 e 2007", que a Autuada adicionou ao lucro líquido apurado em 31/12/2008, R$45.776.508,29 de IRPJ e CSLL diferidos de períodos anteriores: Lucro antes do imposto de renda e contribuição social 206.300 Imposto de renda e contribuição social correntes (9.562) Fl. 3286DF CARF MF Processo nº 19515.722835/201375 Acórdão n.º 1201002.144 S1C2T1 Fl. 14 13 Imposto da renda e contribuição social diferidos 45.776 Lucro liquido do exercício 242.514 25. O Autuante excluiu esta adição conforme explicou no Termo de Verificação Fiscal TVF, pág. 1.445: "19. Ainda, considerando os dados constantes na Demonstração de Resultado apresentada, verificamos que o contribuinte também considerou como lucro passível de distribuição o valor de R$ 45.776.508,29, valor este informado a título de "Imposto de Renda e Contribuição Social Diferidos". Ora, entendemos não haver qualquer base legal para o contribuinte considerar este valor como lucro a ser distribuído com isenção, uma vez que o referido valor não chegou a fazer parte da Base de Cálculo do IRPJ e da CSLL, condição imprescindível estabelecida pela regra isentiva constante no artigo 10, da Lei 9.249/1995, (...)" 26. TVF, pág. 1.451: "36.1.1. A empresa aumentou o lucro líquido do próprio exercício de 2008 (lucro societário), no montante de R$ 45.776.508,29, inserindo valores de IRPJ e CSLL diferidos que não poderiam servir de base para distribuição de dividendos, uma vez que tais valores não foram oferecidos à tributação, bem como não existe base legal para tanto. ITEM III. 1.1" 27. TVF, págs. 1.444/1.445, demonstra o valor de lucros passíveis de distribuição, no encerramento do ano 2008, em 31/12/2008: "18. Voltando a utilizar a Demonstração de Resultado apresentada pela empresa, correspondente ao Exercício findo em 31 de dezembro de 2008, a qual indica como Lucro Antes dos Impostos o valor de R$ 206.298.485,82, considerando o valor máximo que deveria ser pago a título de JCP (31.270.409,76, cf. item 59.3), considerando o valor recalculado da CSLL devida (10.838.722,20, cf. item 15 retro), bem como o valor recalculado do IRPJ devido (30.083.561,68, cf. item 17.1 retro), obtemos como Lucro Líquido do Exercício passível de distribuição o valor de: 206.298.485,82 31.370.409,76 10.838.722,20 30.083.561,68 = R$ 134.105.792,18." 1.3 LUCROS A DISTRIBUIR APURADOS EM 31/12/2007. 28. TVF, págs. 1.467: neste quadro o Autuante apurou o que considerou o saldo de lucros disponível para distribuição: 60. No quadro abaixo indicamos o montante de lucros disponíveis para distribuição, caso a empresa tivesse lançado os ajustes regularmente em sua contabilidade: Lucros/(prejuízos) Saldo em 31 de dezembro de 2007 596.582.207,58 Ajustes nos lucros acumulados de 2007 (erros) (651.398.669,14) Ajustes da adoção inicial da Lei 11.638/07 (30.314.646,63) Lucro Líquido do Exercício (cf. item 18 já deduzido o novo JCP) (destaquese que tratase de lucro referente a 2008) 134.105.792,18 Ajustes do RTT (itens 14 e 16 retro) (6.751.000,00) Saldo disponível para Destinações 42.223.683,99 29. TVF, pág. 1.468: Fl. 3287DF CARF MF Processo nº 19515.722835/201375 Acórdão n.º 1201002.144 S1C2T1 Fl. 15 14 62. Considerando que a empresa distribuiu, a título de dividendos, o valor de R$ 564.539.591,81 e dispunha, apenas, de R$ 42.223.683,99, resta evidente que a diferença existente entre esses valores» que perfaz o montante de R$522.315.907,82, a empresa remeteu para o exterior, isenta de impostos, porém, sem qualquer base legal. 30. TVF, pág. 1.473: 71. Nesse sentido, em razão da alíquota de 15%, o valor da remessa ao exterior, R$ 522.315.907,82, é considerado líquido, cabendo dividilo por 0,85, para se chegar ao valor bruto, que é a base de cálculo do IRF, conforme abaixo transcrito: Base de Cálculo 522.315.907,82/0,85 = 614.489.303,32 31. Mas, a Recorrente reiterou no recurso voluntário, que distribuiu lucros apurados em 31/12/2007, em 15/12/2008, transcrevese: A impugnação demonstrou o descabimento das autuações, essencialmente, pois: 1. Os JCPs e os lucros distribuídos ao longo de 2008 foram calculados com base nas demonstrações financeiras de 31/12/2007 em razão de a legislação impor a elaboração de novos demonstrativos apenas em 31/12/2008. 2. O resultado apurado em um exercício é passível de distribuição até o encerramento do seguinte, sem a necessidade de balanços intermediários, desde que o pagamento seja debitado à conta de lucros das demonstrações do exercício pretérito, a exemplo do verificado no caso concreto (pagamento em 15/12/2008 com base nas demonstrações de 31/12/2007). 32. Também relata o Acórdão embargado: 4.1.1.Dividendos. 132. Às págs. 1.490/1.491, Ata da Reunião de Sócios da Recorrente que deliberam sobre remessas de Dividendos para a sócia Nestlé S/A (Suiça) Data da Reunião referente a Valor dos dividendos 25/11/2008 Lucr Acum em 31/12/2007 564.539.591,81 133. Tanto o contribuinte como o Autuante se referem a valores que a recorrente distribuiu a título de dividendos, com base nos lucros acumulados no encerramento do anocalendário 2007, isto é, em 31/12/2007. 33. Evidente, portanto, que os lucros sobre os quais a Autuada decidiu distribuir na forma de dividendos foram os que dispunha em 31/12/2007. 34. Em relação ao anocalendário 2007, o Acórdão embargado concluiu que não havia saldo de lucros para a distribuição de dividendos em 31/12/2007. Fl. 3288DF CARF MF Processo nº 19515.722835/201375 Acórdão n.º 1201002.144 S1C2T1 Fl. 16 15 35. Por isso, na coluna "Este Voto", tabela de pág. 3.172, tendo sido apurado que não restavam lucros a serem distribuídos depois de consideradas as correções dos erros, em 31/12/2007, uma vez que se apurou saldo negativo de lucros em 31/12/2007, a relatora consignou que, se o Autuante reconheceu R$42.223.683,99 de lucros passíveis de distribuição, o CARF não poderia deixar de manter este reconhecimento, sob risco de agravamento. 36. Quanto às frases a seguir, estão erradas, dado que R$45.776.508,29, receberam o mesmo tratamento que o Autuante havia dado, ou seja, estavam excluídos; a frase a seguir deve ser desconsiderada. "2. Assim, cabe recompor a apuração do lucro passível de distribuição, considerando a redução dos Lucros Acumulados em 31/12/2007 no valor de R$651.398.669,14 () 45.776.508,29)" "Imposto de Renda e Contribuição Social Diferidos" inclusos nos Ajustes. 45.776.508,29 ..." 37. E a conclusão constante do Acórdão está de acordo com as conclusões do voto: 173. À vista do exposto, a autuação referente a dividendos indevidamente distribuídos, e portanto, que não podiam ter sido considerados como tal, deve ser mantida, no montante apurado pelo Autuante. Conclusão. Voto por ACOLHER os Embargos de Declaração, dando provimento em parte, sem efeitos infringentes. (assinado digitalmente) Eva Maria Los Voto Vencedor Não obstante o brilhantismo do voto da Conselheira relatora ouso divergir. Isso porque, em relação ao item 3 dos Embargos de Declaração apresentados "Erros de Interpretação", entendo que o voto da conselheira relatora não conseguiu indicar qual seria o dispositivo constante na legislação tributária ou societária que indica que na ocorrência de erro de interpretação o ajuste deva ser efetuado no período ao qual se reporta e não no período em que detectado ou identificado o erro. A Conselheira Relatora não conseguiu fazer tal indicação em seu voto pelo simples fato de que tal dispositivo legal não existe. Por outro lado, tenho firme convicção de que a Fl. 3289DF CARF MF Processo nº 19515.722835/201375 Acórdão n.º 1201002.144 S1C2T1 Fl. 17 16 Resolução CFC 1.087/2006 é cristalina ao indicar que os efeitos corretivos do erro de interpretação devam gerar efeitos no período em que tal erro fora detectado, vejamos: 19.11.2.3. Erros de exercícios anteriores são omissões ou distorções contidos nas demonstrações contábeis de um ou mais exercícios anteriores, resultantes de falhas no uso ou do uso errôneo de informações confiáveis que: a)estavam disponíveis quando da elaboração das demonstrações contábeis; e b)seria razoável concluir serem conhecidas e consideradas por ocasião da elaboração e da divulgação daquelas demonstrações contábeis. Tais erros incluem os efeitos de enganos matemáticos, de enganos na aplicação das práticas contábeis, de desconsideração ou má interpretação de fatos e de fraudes. (...) 19.11.5 ERROS 19.11.5.1 .Correção de Erros 19.11.5.1.1 Erros podem ocorrer no registro, na mensuração, na apresentação ou na divulgação de elementos que compõem as demonstrações contábeis. Essas demonstrações não estão de acordo com as práticas contábeis adotadas no Brasil se contiverem erros relevantes ou mesmo pequenas incorreções cometidas intencionalmente para atingir uma predeterminada apresentação da posição patrimonial e financeira da entidade, de seu desempenho ou seu fluxo financeiro. Erros cometidos e identificados dentro do exercício corrente devem ser corrigidos antes da elaboração e divulgação das demonstrações contábeis. Contudo, o erro pode ser identificado em exercício subseqüente. Nesse caso, o erro deve ser corrigido nas informações de exercícios anteriores apresentadas para fins comparativos. Veja, no presente caso está sendo discutida situação de erro e não de fraude cometida com dolo. Partindo deste princípio, temos que o ajuste do erro detectado deve ser feito no primeiro exercício em que isso for possível após a detecção do erro. Além disso, a norma supracitada dispõe que o erro deve ser corrigido em informações de exercícios anteriores para fins comparativos. No caso em tela, o erro tornouse conhecido somente no mês de agosto de 2010, portanto, o ajuste somente poderia ser exigido e gerar os efeitos daí decorrentes no período de apuração de 2010 e não no ano de 2008 como quer fazer acreditar a autoridade fiscal. Fl. 3290DF CARF MF Processo nº 19515.722835/201375 Acórdão n.º 1201002.144 S1C2T1 Fl. 18 17 Considerando que nos moldes da Resolução CFC 1.087/2006 o ajuste somente será efetuado no ano de 2010, sem efeitos retroativos ao ano de 2008, tenho que o reconhecimento do presente item dos Embargos de Declaração deva resultar em efeitos infringentes, pois, uma vez mantido o resultado apurado no ano de 2008 não há que se falar em excesso de distribuição de dividendos neste mesmo ano, devendo a autuação ser cancelada neste ponto. Conclusão Diante do exposto, CONHEÇO dos Embargos de Declaração apresentados, dando PROVIMENTO EM PARTE com EFEITOS INFRINGENTES em relação ao item 03 dos Embargos de Declaração apresentados de forma a cancelar o lançamento fiscal decorrente do excesso na distribuição de dividendos no ano de 2008. É como voto! Luis Fabiano Alves Penteado Redator Designado Fl. 3291DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.721660/2014-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 30/11/2011
ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA 2 DO CARF. APLICAÇÃO.
De conformidade com a Súmula CARF nº 2, este Colegiado não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS - DACON.
O cumprimento das obrigações acessórias fora dos prazos previstos na legislação tributária sujeita o infrator à aplicação das penalidades legais.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-003.952
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1475; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11065.721660/201401 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3201003.952 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 21 de junho de 2018 Matéria DACON MULTA POR ATRASO OU FALTA DE ENTREGA Recorrente ZENGLEIN & CIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 30/11/2011 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA 2 DO CARF. APLICAÇÃO. De conformidade com a Súmula CARF nº 2, este Colegiado não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS DACON. O cumprimento das obrigações acessórias fora dos prazos previstos na legislação tributária sujeita o infrator à aplicação das penalidades legais. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 72 16 60 /2 01 4- 01 Fl. 56DF CARF MF Processo nº 11065.721660/201401 Acórdão n.º 3201003.952 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de Auto de Infração lavrado para se exigir multa por atraso na entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon). A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, por meio do acórdão nº 12 076.143, julgou improcedente a Impugnação, sob o entendimento de que, estando a pessoa jurídica obrigada à apresentação do Dacon, o atraso ou a falta no cumprimento dessa obrigação implica, por dever legal, a aplicação da multa correspondente. Irresignado, o contribuinte interpôs, no prazo legal, Recurso Voluntário a este Conselho. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.951, de 21/06/2018, proferido no julgamento do processo 13811.725490/201208, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.951): Preliminarmente, em relação às alegações de inconstitucionalidade tecidas pela recorrente (irrazoabilidade e desproporcionalidade) em sua peça recursal, as afasto em razão da incompetência deste Colegiado para decidir sobre a constitucionalidade da legislação tributária. A matéria é objeto da Súmula CARF nº 2, publicada no DOU de 22/12/2009 a seguir ementada: “Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” Assim, sendo referida súmula de aplicação obrigatória por este colegiado, maiores digressões sobre a matéria são desnecessárias. No que tange ao mérito da questão, tratase no caso, o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais DACON de uma declaração instituída com fundamento no art. 7º da Lei nº 10426/2002, com a redação dada pela Lei nº 11051/2004. Fl. 57DF CARF MF Processo nº 11065.721660/201401 Acórdão n.º 3201003.952 S3C2T1 Fl. 4 3 O dispositivo legal em comento apresenta a seguinte redação: "Art. 7o O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de nãoapresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (...) III de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante da Cofins, ou, na sua falta, da contribuição para o PIS/Pasep, informado no Dacon, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo;" Constatase, então, que a obrigação acessória em apreço possui previsão legal. Estabelece a Instrução Normativa SRF n° 590, de 22 de dezembro de 2005, vigente à época dos fatos, nos arts. 2º e 8º: "Art. 2º A partir do anocalendário de 2006, as pessoas jurídicas de direito privado e as que lhes são equiparadas pela legislação do Imposto de Renda, submetidas à apuração da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), nos regimes cumulativo e nãocumulativo, inclusive aquelas que apuram a Contribuição para o PIS/Pasep com base na folha de salários, deverão apresentar o Dacon Mensal, de forma centralizada pelo estabelecimento matriz, caso esta seja a periodicidade de entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 708, de 09 de janeiro de 2007) § 1º As pessoas jurídicas não enquadradas no caput deste artigo poderão optar pela entrega do Dacon Mensal. § 2º A opção de que trata o § 1º será exercida mediante apresentação do primeiro Dacon, sendo essa opção definitiva e irretratável para todo o ano calendário que contiver o período correspondente ao demonstrativo apresentado. § 3º No caso de ser exercida a opção de que trata o § 1º com a apresentação de Dacon relativo a mês posterior ao primeiro mês de 2006, a pessoa jurídica ficará obrigada à apresentação dos demonstrativos relativos aos meses anteriores. § 4º Na hipótese de que trata o § 3º, será devida a multa pelo atraso na entrega de Dacon referente a mês anterior ao da opção, no caso de apresentação após o prazo fixado." "Art. 8º O Dacon deverá ser apresentado: I pelas pessoas jurídicas de que trata o art. 2º, até o quinto dia útil do segundo mês subseqüente ao mês de referência; II pelas demais pessoas jurídicas: Fl. 58DF CARF MF Processo nº 11065.721660/201401 Acórdão n.º 3201003.952 S3C2T1 Fl. 5 4 a) até o quinto dia útil do mês de outubro de cada anocalendário, no caso de Dacon relativo ao primeiro semestre; e b) até o quinto dia útil do mês de abril de cada anocalendário, no caso de Dacon relativo ao segundo semestre do anocalendário anterior. § 1º Excepcionalmente, em relação ao anocalendário de 2006, a obrigatoriedade de entrega do Dacon, nos prazos estabelecidos nos incisos I e II deste artigo, vigorará a partir do período em que os respectivos programas geradores forem disponibilizados, na forma do art. 7º. § 2º No caso de extinção, incorporação, fusão, cisão parcial ou cisão total, o Dacon deverá ser apresentado pela pessoa jurídica extinta, incorporada, incorporadora, fusionada ou cindida o último dia útil do mês subseqüente ao do evento, observada a excepcionalidade do § 1º deste artigo. § 3º A obrigatoriedade de entrega do Dacon, na forma prevista no § 2º, não se aplica à incorporadora nos casos em que as pessoas jurídicas, incorporadora e incorporada, estejam sob o mesmo controle societário desde o anocalendário anterior ao do evento." No caso dos autos não existe controvérsia acerca dos fatos, no sentido de que o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais – Dacon foi entregue fora do prazo, o que torna cabível a aplicação da multa legalmente prevista, incidente sobre o montante da Cofins informado no Dacon, ainda que tenha sido integralmente pago. Acerta a decisão recorrida ao consignar: "Assim, para o lançamento da multa basta o não cumprimento da obrigação acessória dentro prazo, independentemente de aspectos como falta de profissional especializado, desconhecimento ou não entendimento da legislação, problemas particulares (inclusive com equipamentos de informática e provedor de internet) ou de condição financeira, dano ao erário, culpa ou dolo do sujeito passivo. Notese que quando o contribuinte deixa para cumprir sua obrigação ao final do prazo estipulado, assume o risco de incorrer em problemas particulares que culminam com o não cumprimento de sua obrigação tempestivamente. Portanto, como no presente caso é incontroverso o atraso no cumprimento da obrigação acessória e não há dúvida quanto à interpretação da legislação tributária, correta a exigência da multa legalmente estabelecida." O entendimento do Conselho Administrativo e Recursos Fiscais CARF é no sentido de ser devida a multa pelo atraso na entrega do DACON. Em tal direção, temse os seguintes julgados: "ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2010 DACON. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. CABIMENTO. Irreparável lançamento que exige multa pelo atraso na entrega do Dacon quando se comprova que o contribuinte estava a ela obrigada e que ele foi entregue intempestivamente, em especial se, em sede de Recurso, não há apresentação e qualquer prova em sentido contrário." (Processo nº 16327.002626/200369; Acórdão nº 3802003.388; Relator Conselheiro Bruno Maurício Macedo Curi; Sessão de 24/07/2014) "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2010 Fl. 59DF CARF MF Processo nº 11065.721660/201401 Acórdão n.º 3201003.952 S3C2T1 Fl. 6 5 ANÁLISE CONSTITUCIONALIDADE DE LEI. SÚMULA CARF Nº 2 Ao CARF incumbe a análise em conformidade com a legislação vigente, sendolhe defeso afastar a aplicação da norma ao caso concreto em face de alegada inconstitucionalidade de lei ou decreto (Súmula Carf nº 2). ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2010 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS DACON O cumprimento da obrigação acessória fora dos prazos previstos na legislação tributária, sujeita o infrator à aplicação das penalidades legais. Recurso Voluntário Negado." (Processo nº 10242.000337/201016; Acórdão nº 3302002.666; Relatora Conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó; Sessão de 24/07/2014) "ASSUNTO: MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. Exercício: 2008 Estando o contribuinte obrigado a apresentar o Dacon, a sua entrega fora do prazo enseja a aplicação da multa por descumprimento de obrigação acessória." (Processo nº 13227.000945/200884; Acórdão nº 3202001.224; Relator Conselheiro Luiz Eduardo Garrossino Barbieri; Sessão de 29/05/2013) Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário interposto. Importa registrar que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 60DF CARF MF
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Numero do processo: 10882.903771/2009-72
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2000
COMPENSAÇÃO. RESTITUIÇÃO. PRAZO DECADENCIAL.
A transmissão de declaração de compensação, antes de findo o prazo decadencial de cinco anos para a formalização de pedido de restituição, não tem o mesmo efeito atribuído a pedido de restituição ou de ressarcimento, não se lhe aplicando a possibilidade de garantir a utilização de saldo de créditos em declarações de compensação transmitidas posteriormente ao prazo decadencial referido.
Numero da decisão: 1402-003.156
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário em face de decadência.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei, Paulo Mateus Ciccone (Presidente) e Ailton Neves da Silva (Suplente convocado).
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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RESTITUIÇÃO. PRAZO DECADENCIAL. A transmissão de declaração de compensação, antes de findo o prazo decadencial de cinco anos para a formalização de pedido de restituição, não tem o mesmo efeito atribuído a pedido de restituição ou de ressarcimento, não se lhe aplicando a possibilidade de garantir a utilização de saldo de créditos em declarações de compensação transmitidas posteriormente ao prazo decadencial referido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário em face de decadência. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei, Paulo Mateus Ciccone (Presidente) e Ailton Neves da Silva (Suplente convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 37 71 /2 00 9- 72 Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10882.903771/200972 Acórdão n.º 1402003.156 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório que indeferiu compensação. O PER/DCOMP foi transmitido com o objetivo de compensar o(s) débito(s) nele discriminado(s) com crédito de IRPJ, decorrente de recolhimento com Darf. Constatouse, no Despacho Decisório, que, na data de transmissão do documento em análise, já estava extinto o direito de utilização do crédito, por terem se passado mais de cinco anos entre a data de arrecadação do DARF e a data de transmissão do PER/DCOMP. Diante do exposto, a compensação declarada NÃO foi HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, alegando que o DCOMP original com demonstrativo de crédito foi transmitido dentro do prazo de cinco anos para recuperação de pagamentos indevidos. Alegou, ainda, que, uma vez feita a declaração do crédito dentro do prazo legal, não se há de mencionar a extinção do direito de sua utilização. A decisão de primeira instância julgou improcedente a manifestação de inconformidade, para não reconhecer o direito creditório postulado e não homologar as compensações em litígio. Extraise do voto: A existência de DCOMP transmitida antes da extinção do direito de pleitear restituição de determinado pagamento não legitima compensações com ele efetuadas depois da extinção. A declaração de compensação não interrompe a contagem do prazo para extinção do direito de pedir restituição. O art. 42 da IN RFB n.º 1.300, de 2012, dispõe que o crédito do sujeito passivo para com a Fazenda Nacional que exceder ao total dos débitos por ele compensados mediante a entrega da “Declaração de Compensação” somente será restituído ou ressarcido pela RFB caso tenha sido requerido mediante “Pedido de Restituição” ou “Pedido de Ressarcimento” formalizado dentro do prazo previsto no art. 168 do Código Tributário Nacional (idêntica disposição se encontra no art. 27 da IN SRF n.º 460, de 2004, no art. 27 da IN SRF n.º 600, de 2006, e no art. 35 da IN RFB n.º 900, de 2008). Portanto, o fato de o crédito ser superior ao débito não altera a natureza da “Declaração de Compensação”, que não supre a falta do “Pedido de Restituição” do saldo remanescente. A legislação de regência, ao detalhar o direito de restituição de pagamentos indevidos ou maior que o devido, garantido pelo CTN, dentro do prazo de cinco anos contados do pagamento em questão (art. 168, I), no caso, o art. 42 da IN RFB 1300, de 2012 e, anteriormente, o art. 35 da IN RFB 900, de 2008, trazem a regra. Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10882.903771/200972 Acórdão n.º 1402003.156 S1C4T2 Fl. 4 3 Vejase: Art. 35. O crédito do sujeito passivo para com a Fazenda Nacional que exceder ao total dos débitos por ele compensados mediante a entrega da Declaração de Compensação somente será restituído ou ressarcido pela RFB caso tenha sido requerido pelo sujeito passivo mediante pedido de restituição ou pedido de ressarcimento formalizado dentro do prazo previsto no art. 168 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN) ou no art. 1º do Decreto nº20.910, de 6 de janeiro de 1932. Art. 42. O crédito do sujeito passivo, para com a Fazenda Nacional, que exceder ao total dos débitos por ele compensados mediante a entrega da Declaração de Compensação somente será restituído ou ressarcido pela RFB caso tenha sido requerido pelo sujeito passivo mediante pedido de restituição ou pedido de ressarcimento formalizado dentro do prazo previsto no art. 168 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN) ou no art. 1º do Decreto nº20.910, de 6 de janeiro de 1932. Inconformado, o autuado interpôs Recurso Voluntário a esta Colenda Turma, requerendo:sejam acolhidas todas as razões de fato e de direito expendidas na peça recursal, homologandose, por decorrência, a compensação objeto da Declaração de Compensação que instrui o presente contencioso administrativo fiscal. É o relatório. Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10882.903771/200972 Acórdão n.º 1402003.156 S1C4T2 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402003.141, de 16/05/2018, proferida no julgamento do Processo nº 10882.903770/200928, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. O processo paradigma analisou a possibilidade de utilização de crédito relativo a pagamento indevido ou a maior de IRPJ, recolhido em 23/03/2000, por meio de DCOMP transmitida em 07/10/2005, para compensação de débitos próprios. No presente processo o contribuinte requer a compensação de débitos com a utilização de crédito relativo a pagamento indevido ou a maior de IRPJ, recolhido em 31/05/2000, por meio de DCOMP transmitida em 07/10/2005. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402003.141): "O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual, dele conheço. Consignase, ainda, que o Recurso Voluntário em questão é representativo de controvérsia e, desta forma, foi designado para ser julgado sob o regime de recursos repetitivos. Em síntese, o contribuinte transmitiu PER/DCOMP no qual pretendia compensar recolhimento indevido e/ou maior que o devido, feito em DARF, com débitos de PIS e COFINS. A DRF de origem, em despacho decisório, não reconheceu o direito creditório, uma vez que havia transcorrido prazo maior do que 5 (cinco) anos entre a data de pagamento do DARF e a data de transmissão da PER/DCOMP. Apresentada manifestação de inconformidade, a DRJ competente consignou no v. acórdão recorrido que o contribuinte não tinha apresentado, antes do escoamento do prazo de 5 (cinco) anos contados do pagamento do DARF, pedido de restituição ou de ressarcimento de seus créditos. A transmissão de declaração de compensação, antes do final do prazo de 5 (cinco) anos da data de pagamento do DARF não tem o mesmo efeito de pedido de ressarcimento ou restituição, ou seja, não interrompe a contagem do prazo para extinção do direito de pedir a restituição. Em recurso voluntário, o contribuinte reitera que transmitiu PER/DCOMP antes de esgotado o prazo de 5 (cinco) anos para a utilização do pagamento indevido ou maior que o devido feito Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10882.903771/200972 Acórdão n.º 1402003.156 S1C4T2 Fl. 6 5 com DARF; que retificou essa PER/DCOMP original posteriormente ao prazo, bem como transmitiu outras PER/DCOMP, após o prazo de cinco anos, mas referentes ao crédito original, vinculado à primeira PER/DCOMP transmitida antes do decurso do prazo de cinco anos. Por inexistir preliminares, passo a análise de mérito. Ressaltase, inicialmente, que não há questionamentos quanto ao DARF que originou o crédito utilizado para fins de compensação. A data de seu pagamento é o termo a quo para a contagem do prazo decadencial de cinco anos para que o contribuinte exerça o seu direito à restituição do pagamento indevido ou maior do que o devido, nos termos do art. 168, I, do CTN. Antes de transcorrido o prazo decadencial de cinco anos, o contribuinte transmitiu uma DCOMP informando o seu crédito, bem como declarando a compensação com débitos próprios. Vejase cópia do documento originário de toda a controvérsia, em que se pode observar o "tipo do documento": [...] Adiante vejase o registro do crédito (R$ 17.604,89): [...] Agora vejase as mesmas telas, que o contribuinte chama de PER/DCOMP retificadora: [...] Finalmente, a tela relativa ao crédito informado: [...] Contudo, transcorrido o prazo de cinco anos da data do pagamento do DARF objeto dos créditos do contribuinte, este não fez, conforme relatado anteriormente, "pedido de restituição" do saldo restante de seus créditos. Em verdade, apresentou, posteriormente ao prazo, outras DCOMP, sendo que uma delas retificava a original e outras utilizavam o saldo do crédito em novas compensações declaradas. A questão controvertida a ser decidida, em sede de recurso repetitivo, é se as demais DCOMP, transmitidas após o prazo de cinco anos contados do pagamento indevido ou maior que o devido, sem prévio "pedido de restituição" dentro do prazo de cinco anos, seriam meios hábeis a permitir o exercício do direito de restituição garantido ao contribuinte pelo art. 168, I, do CTN, tomando por origem a DCOMP original, transmitida dentro do prazo decadencial. Vejase que as normas complementares não trazem a possibilidade de uma declaração de compensação ser utilizada para o exercício do direito de restituição nos moldes do art. 168, I, do CTN, demonstrando que, no caso concreto, a DCOMP Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10882.903771/200972 Acórdão n.º 1402003.156 S1C4T2 Fl. 7 6 transmitida antes do encerramento do prazo decadencial de cinco anos não garantiu ao contribuinte o direito de, posteriormente, utilizarse dos créditos remanescentes daquela primeira compensação, os quais restaram fulminados pela decadência. Desta forma, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário do contribuinte, reconhecendo que a transmissão de declaração de compensação, antes de findo o prazo decadencial de cinco anos para a formalização de pedido de restituição, não tem o mesmo efeito atribuído a um pedido de restituição ou de ressarcimento, não se lhe aplicando a possibilidade de garantir a utilização de saldo de créditos em declarações de compensação transmitidas posteriormente ao prazo decadencial referido. É o voto" Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário em face de decadência. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 80DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13603.722741/2012-40
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO.
Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição em acórdão exarado pelo Carf, devem ser acolhidos embargos de declaração visando a saná-las.
Numero da decisão: 2301-005.360
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para, sanando o vício apontado no Acórdão 2403-002.428, de 18/02/2014, alterar o seu dispositivo para que nele conste: "Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, no mérito, dar provimento parcial ao recurso, determinando o recalculo da multa de mora, conforme previsto no artigo 35 da Lei n° 8.212/91, incluído pela Lei n° 11.941/2009, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabelece a multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, critérios desta data que devem ser observados quando da ocasião do pagamento. Vencido o Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa".
João Bellini Júnior Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Maurício Vital, Wesley Rocha, Antônio Sávio Nastureles, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Júnior (presidente). Ausente justificadamente o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa.
Nome do relator: JOAO BELLINI JUNIOR
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ACOLHIMENTO. Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição em acórdão exarado pelo Carf, devem ser acolhidos embargos de declaração visando a sanálas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para, sanando o vício apontado no Acórdão 2403002.428, de 18/02/2014, alterar o seu dispositivo para que nele conste: "Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, no mérito, dar provimento parcial ao recurso, determinando o recalculo da multa de mora, conforme previsto no artigo 35 da Lei n° 8.212/91, incluído pela Lei n° 11.941/2009, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabelece a multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, critérios desta data que devem ser observados quando da ocasião do pagamento. Vencido o Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa". João Bellini Júnior – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Maurício Vital, Wesley Rocha, Antônio Sávio Nastureles, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Júnior (presidente). Ausente justificadamente o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 72 27 41 /2 01 2- 40 Fl. 138DF CARF MF 2 Relatório Tratase de embargos de declaração opostos pela União, representada pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN), respeitantes ao Acórdão 2403002.428, de 18 de fevereiro de 2014 (efls. 129 e 130). Transcrevo o teor dos embargos: O r. acórdão deu parcial provimento ao recurso voluntário 'para reconhecer a decadência da competência até 11/2008'. Contudo, o v. voto conduto do r. acórdão não faz qualquer menção a respeito da decadência. Vale reproduzir a conclusão do d. Conselheirorelator, verbis: 'Conheço do recurso, para NO MÉRITO, até a competência 11/2008, inclusive, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, determinando o recalculo da multa de mora conforme o previsto no artigo 35 da Lei n° 8.212/91, incluído pela Lei n° 11.941/2009, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, critérios desta data que devem ser observados quando da ocasião do pagamento.' No corpo das razões do v. voto condutor não foi declinada qualquer fundamento para a declaração da decadência. Decerto que o processo administrativo, tal como o civil, adota o princípio da livre convicção. Ocorre que essa convicção deve estar motivada no ordenamento jurídico, a teor do disposto no Código de Processo Civil, art. 131, c/c a Lei n° 9.784, art. 50. Os embargos restaram admitidos, em 27/12/2015, em face da expressa concordância do relator do acórdão embargado, conselheiro Ivacir Julio de Souza, com os termos dos embargos (efls. 133 e 134). É o relatório. Voto Conselheiro João Bellini Júnior – Relator. Como mencionou a embargante, não há no relatório ou voto do acórdão embargado qualquer alusão à existência de decadência do poderdever da constituição do crédito tributário em questão. E nem haveria de ter, pois da leitura do relatório verificase tratarse da constituição de contribuições previdenciárias nas competências 01/2008 a 04/2008 e 12/2008, tendo a ciência do lançamento ocorrido em 28/09/2012: Tratase do Auto de Infração, lavrado em 27/09/2012 em nome do Instituto Elizabeth Kalil Ltda, para a constituição do crédito Fl. 139DF CARF MF Processo nº 13603.722741/201240 Acórdão n.º 2301005.360 S2C3T1 Fl. 3 3 tributário relativo às contribuições previdenciárias descontadas dos segurados empregados e dos sócios, nas competências 01/2008 a 04/2008 e 12/2008, e não recolhidas à Seguridade Social,. A empresa pagou a seus empregados remunerações a título de salários e outras remunerações (salários extras e gratificações), bem como aos sócios a título prólabore, promoveu o desconto das contribuições previdenciárias delas decorrentes, sem, contudo, recolher o produto arrecadado aos cofres da Previdência Social. Cientificado do lançamento em 28/09/2012 (doc. de fls.01), o sujeito passivo , através de procurador legalmente constituído (fls.67 e 69), apresentou defesa em 30/10/2012 (fls 41/66), com as alegações abaixo resumidas. (Grifouse.) Não obstante tal fato, constou no dispositivo e reconhecimento parcial da decadência: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por maioria de votos, no mérito, dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer a decadência da competência até 11/2008, determinando o recalculo da multa de mora, conforme previsto no artigo 35 da Lei n° 8.212/91, incluído pela Lei n° 11.941/2009, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabelece a multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, critérios desta data que devem ser observados quando da ocasião do pagamento. Vencido o Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa. (Grifouse.) Desse modo, a menção, no dispositivo, do reconhecimento da decadência deve ser atribuído a erro material, e a sua supressão é a medida saneadora para que o dispositivo reste em harmonia com o relatório e voto. Conclusão Voto, portanto, por ACOLHER os embargos de declaração com efeitos infringentes para, sanando o vício apontado no Acórdão 2403002.428, de 18/02/2014, alterar o seu dispositivo para que nele conste: “Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, no mérito, dar provimento parcial ao recurso, determinando o recalculo da multa de mora, conforme previsto no artigo 35 da Lei n° 8.212/91, incluído pela Lei n° 11.941/2009, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabelece a multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, critérios desta data que devem ser Fl. 140DF CARF MF 4 observados quando da ocasião do pagamento. Vencido o Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa”. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior – Relator Fl. 141DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.905745/2008-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jul 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/11/2002 a 30/11/2002
Ementa:
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE PIS. PROVA DE PARTE DO CRÉDITO EM SEDE DE DILIGÊNCIA FISCAL. ADMISSIBILIDADE.
Em sede de diligência fiscal restou apurado que parte do crédito vindicado pelo contribuinte é legítima, o que deve redundar no seu reconhecimento por este Tribunal.
Numero da decisão: 3402-005.365
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário no limite do crédito reconhecido na diligência fiscal realizada nos autos.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Diego Diniz Ribeiro - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado).
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/11/2002 a 30/11/2002 Ementa: COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE PIS. PROVA DE PARTE DO CRÉDITO EM SEDE DE DILIGÊNCIA FISCAL. ADMISSIBILIDADE. Em sede de diligência fiscal restou apurado que parte do crédito vindicado pelo contribuinte é legítima, o que deve redundar no seu reconhecimento por este Tribunal.
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Recorrida Fazanda Nacional ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/11/2002 a 30/11/2002 Ementa: COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE PIS. PROVA DE PARTE DO CRÉDITO EM SEDE DE DILIGÊNCIA FISCAL. ADMISSIBILIDADE. Em sede de diligência fiscal restou apurado que parte do crédito vindicado pelo contribuinte é legítima, o que deve redundar no seu reconhecimento por este Tribunal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário no limite do crédito reconhecido na diligência fiscal realizada nos autos. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 90 57 45 /2 00 8- 90 Fl. 454DF CARF MF 2 1. Por bem retratar os fatos aqui analisados emprego como meu o Relatório desenvolvido por este Tribunal administrativo quando da resolução n. 3402000447 (fls. 153/155), da lavra do Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, o qual adoto como meu nos termos abaixo: Tratase de processo de restituição/compensação em que o contribuinte teve seu pedido de indébito negado por despacho decisório eletrônico, sob o fundamento de que o crédito financeiro alegado como pagamento indevido foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Na manifestação de inconformidade, o recorrente alega que a origem de seus créditos tem amparo na Lei 10.485/2002, por se tratar de produtos monofásicos que teriam sido incluídos indevidamente nas bases de cálculo do PIS e da Cofins. A DRJ em Curitiba julgou improcedente a manifestação de inconformidade sob o fundamento de que as alegações trazidas pela interessada constituem fatos que não foram apreciados pela autoridade originalmente competente, posto que resultam de retificação de DCTF feita somente após a ciência do despacho decisório, além de não ter sido trazida aos autos a comprovação da existência do direito creditório alegado de forma genérica na manifestação de inconformidade. Irresignado com a decisão da primeira instância administrativa, o recorrente interpõe recurso voluntário ao CARF, repisando os argumentos apresentados anteriormente na manifestação de inconformidade, ressaltando que os fundamentos jurídicos que sustentam seu pleito derivam de sua atividade societária, comerciante de autopeças, cuja Lei nº 10.485/2002 reduziu a zero a alíquota a ser aplicada na receita bruta auferida na venda destes produtos. O Recurso Voluntário foi analisado e foi proposta uma resolução para fins de identificar o objeto da sociedade, o valor da receita auferida com a comercialização de produtos relacionados nos anexos I e II da Lei nº 10.485/2002, o valor da base de cálculo tributável e o valor dos recolhimentos efetuados pelo recorrente. O processo retornou da origem acompanhado por várias planilhas, além do contrato social. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Curitiba não produziu o termo final de diligência analisando os dados constantes nos documentos acostados aos autos pelo recorrente. (...). 2. Diante deste quadro, o processo foi novamente baixado em diligência por intermédio da resolução acima mencionada, determinado que a unidade preparadora formulasse relatório fiscal com base nos documentos fiscais apresentados pelo contribuinte e, nesse sentido, indicasse a existência ou não de crédito a ser compensado. Fl. 455DF CARF MF Processo nº 10980.905745/200890 Acórdão n.º 3402005.365 S3C4T2 Fl. 455 3 3. Referida diligência foi cumprida, gerando relatório fiscal elaborado pela unidade preparadora, a respeito do qual o contribuinte apresentou manifestação. 4. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Diego Diniz Ribeiro 5. O recurso sub judice preenche os pressupostos formais de admissibilidade, motivo pelo qual passo ao seu conhecimento. I. Do crédito compensado 6. Em suma, o contribuinte apresentou pedido de compensação (DCOMP) alegando que recolheu valores que não eram devidos a título de PIS, ao fundamento que na operação perpetrada haveria incidência monofásica da tributação, nos termos da lei n. 10.485/02. 7. Em sede de diligência fiscal, assim apurou a unidade preparadora: (...). 6. A planilha elaborada por esta fiscalização levou em conta que: 6.1 – A tabela apresentada pelo contribuinte relacionando os produtos que vende, e respectiva classificação TIPI, não abrange todos os produtos que vende, conforme acima já se referiu e exemplificou. 6.2 Há produtos listados pelo contribuinte com cuja classificação TIPI não se concorda, mas que, ainda assim, se enquadram em classificação da TIPI cujo código também se encontra entre os que são beneficiados com a alíquota zero. Outros (pneus e câmaras de ar) que, não relacionados nos Anexos I e II da Lei n° 10.485/2002, ainda assim fazem jus à alíquota zero do PIS, conforme previsto no parágrafo único, art. 5°, daquela mesma Lei. 6.3 Levouse em conta, também, que o contribuinte, tal como consta na trigésima alteração de seu Contrato Social (fls. 134 a 138), Cláusula Terceira, tem por objeto social a exploração do ramo de comércio de peças e acessórios, serviços de manutenção e reparação mecânica de veículos auto motores, locação de automóveis sem condutor (49.3.02/0100), transporte de pessoal e pequenos volumes, e estacionamento para veículos e congêneres. 6.3.1 Ou seja, usando de bomsenso, considerouse que, se o contribuinte faturou uma mercadoria com o nome “borracha”, e esta designação, pura e simples, seja insuficiente para saber do que exatamente se trata, que, ainda assim, deve tratarse de Fl. 456DF CARF MF 4 produto para aplicação em um carro, ou seja, que não se trata de “borracha escolar”, por exemplo, embora também a possa vender. 6.4 O fato de se ter chegado à conclusão que determinado produto não se enquadra entre os listados nos Anexos I e II da Lei n° 10.485/2002, a isso se limita. Não se considerou necessário determinar em que código da TIPI tal produto se enquadra. A decisão se deu por exclusão – se o produto não se enquadra entre os previstos nos referidos Anexos, não é relevante determinar em qual se enquadra. Cabe ao contribuinte, isso sim, em não concordando com tal conclusão, indicar em que código da TIPI, previsto naqueles Anexos I e II, se enquadraria o produto, fazendo sua exata descrição, não se admitindo descrição como, por exemplo, sikaflex (NF n° 10349 – Proc. 10 980.905727/200816), que outra coisa não é que não uma marca de produto, embora por ele se presuma tratarse de produto da linha “selantes e correlatos”, que não é peça para automóvel, e, portanto, também não faz jus à alíquota zero do PIS. 6.5 A planilha abrange todas, e tão somente, as notas fiscais em face das quais o contribuinte identificou produtos contemplados com a alíquota zero, por ele demonstradas na relação, de fls. 140 a 146. Não se faz qualquer observação em relação àquelas sobre as quais não se observou divergência de entendimento quanto ao valor beneficiado pela alíquota zero ou não, só o fazendo em relação àquelas cujo valor não beneficiado com a alíquota zero fosse maior que o encontrado pelo contribuinte, neste caso referindo, na coluna “produtos não beneficiados c/ alíq. 0”, o nome dos produtos cuja classificação TIPI não corresponde a nenhuma daquelas constantes nos Anexos I e II da Lei 10.485/2002, para que o contribuinte, querendo, possa refutar o entendimento desta fiscalização, porém, identificando o produto com a correta nomenclatura, o código TIPI em que o considera enquadrado, bem como a defesa/esclarecimento de assim considerar, tal como já alertado no subitem precedente. 7. Dado o acima exposto, confirmase que o crédito utilizado na compensação em causa neste processo está restrito ao valor de R$ 590,29 (item 5 e seus subitens, acima). (...) (grifos nosso). 8. Referida diligência foi conclusiva no sentido de que, diante da análise perpetrada pela unidade preparadora, o contribuinte possuía algum crédito de PIS em razão de um indevido pagamento em operações ora sujeitas à monofasia ora subordinadas à alíquota zero, o que redundou em parte do crédito utilizado na presente compensação e glosado pela fiscalização. 9. Logo, há que se reconhecer como válido parte do crédito tomado pelo contribuinte, nos exatos termos em que constatado no sobredito relatório fiscal. Dispositivo Fl. 457DF CARF MF Processo nº 10980.905745/200890 Acórdão n.º 3402005.365 S3C4T2 Fl. 456 5 10. Diante do exposto, dou provimento ao Recurso Voluntário, de modo a reconhecer o crédito pleiteado pelo contribuinte no montante de R$ 590,29, nos exatos termos do relatório fiscal elaborado pela unidade preparadora. 11. É como voto. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro Fl. 458DF CARF MF
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