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Numero do processo: 16327.919587/2009-26
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ADMISSIBILIDADE.
A admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido.
Conseqüentemente, não há que se falar divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas, que atraem incidências específicas, cada qual regida por legislação própria.
Da mesma forma, se os acórdãos apontados como paradigmas só demonstram divergência com relação a um dos fundamentos assentados no acórdão recorrido e o outro fundamento, por si só, é suficiente para a manutenção do decisum, não há como se considerar demonstrada a necessária divergência de interpretação.
Numero da decisão: 9303-006.823
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencida a conselheira Vanessa Marini Cecconello, que conheceu do recurso. Declarou-se impedida de participar do julgamento a conselheira Tatiana Midori Migiyama, substituída pela conselheira Semíramis de Oliveira Duro.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Semíramis de Oliveira Duro, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO. Recorrente ITAÚ UNIBANCO S.A. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ADMISSIBILIDADE. A admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido. Conseqüentemente, não há que se falar divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas, que atraem incidências específicas, cada qual regida por legislação própria. Da mesma forma, se os acórdãos apontados como paradigmas só demonstram divergência com relação a um dos fundamentos assentados no acórdão recorrido e o outro fundamento, por si só, é suficiente para a manutenção do decisum, não há como se considerar demonstrada a necessária divergência de interpretação. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencida a conselheira Vanessa Marini Cecconello, que conheceu do recurso. Declarouse impedida de participar do julgamento a conselheira Tatiana Midori Migiyama, substituída pela conselheira Semíramis de Oliveira Duro. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Semíramis de Oliveira Duro, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 91 95 87 /2 00 9- 26 Fl. 2266DF CARF MF Processo nº 16327.919587/200926 Acórdão n.º 9303006.823 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pelo Sujeito Passivo ao amparo do art. 67, Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, em face do Acórdão CARF nº 3802003.698, que negou provimento ao recurso voluntário. O acórdão recorrido possui a seguinte ementa, transcrita na parte de interesse: CPMF. PER/DCOMP. MODIFICAÇÃO DO OBJETO DO PLEITO. INADMISSIBILIDADE. O pedido de compensação delimita a amplitude de exame do direito creditório alegado pelo sujeito passivo quanto ao preenchimento dos requisitos de liquidez e de certeza necessários à extinção de créditos tributários. Instaurado o contencioso, não se admite que o contribuinte altere o pedido mediante a modificação do direito creditório aduzido na declaração de compensação. (...) Cientificada do referido acórdão a Contribuinte interpõe Recurso Especial apontando dissídio interpretativo em relação aos acórdãos nºs 1102001.125 e 10808.805. Em seguida, o então Presidente da Segunda Câmara da Terceira Seção do CARF deu seguimento ao recurso. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303006.827, de 17/05/2018, proferido no julgamento do processo 16327.915399/200929, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Fl. 2267DF CARF MF Processo nº 16327.919587/200926 Acórdão n.º 9303006.823 CSRFT3 Fl. 4 3 Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303006.827): "O Recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, restando contudo investigar adequadamente o atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade, prerrogativa, em última análise, da composição plenária da Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, a qual tem competência para não conhecer de recurso especiais nos quais não estejam presentes os pressupostos de admissibilidade respectivos. Primeiramente, se faz necessário relembrar e reiterar que a interposição de Recurso Especial junto à Câmara Superior de Recursos Fiscais, ao contrário do Recurso Voluntário, é de cognição restrita, limitada à demonstração de divergência jurisprudencial, além da necessidade de atendimento a diversos outros pressupostos, estabelecidos no artigo 67 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Por isso mesmo, essa modalidade de apelo é chamado de Recurso Especial de Divergência e tem como objetivo a uniformização de eventual dissídio jurisprudencial, verificado entre as diversas Turmas do CARF. Neste passo, ao julgar o Recurso Especial de Divergência, a Câmara Superior de Recursos Fiscais não constitui uma Terceira Instância, mas sim a Instância Especial, responsável pela pacificação dos conflitos interpretativos e, conseqüentemente, pela garantia da segurança jurídica dos conflitos, não tendo espaço para questões fáticas, que já ficaram devidamente julgadas no Recurso Voluntário. Após essa breve introdução, passemos, então, ao exame do caso em espécie. Passo ao julgamento. A controvérsia suscitada pela Contribuinte referese a ocorrência de erro de preenchimento de PER/COMP e a possibilidade de retificação do direito creditório pleiteado em razão das provas trazidas aos autos. In caso, a decisão recorrida decidiu por negar provimento ao recurso voluntário, sob o entendimento de que a declaração de compensação só poderia ser retificada até a data da expedição do respectivo despacho decisório que decidiu acerca da homologação ou não da compensação. Vejamos fragmentos do aresto: Consta dos autos que em 14/10/2009 fora transmitida pela internet DCTF retificadora, portanto em data posterior à emissão do Despacho Decisório, ocorrido em 07/10/2009. Na mencionada retificadora foi declarado débito no valor total de R$ 10.467.312,78, constando como créditos o pagamento através de DARF no valor de R$ 3.386.779,85 e, como compensação de pagamento indevido ou a maior R$ 7.080.532,93. Analisando todo o acima exposto, o CARF deu provimento parcial ao recurso voluntário apresentado, decidindo no sentido de que a compensação fosse novamente apreciada, havendo entendido que a apresentação da DCTF retificadora, alterando o valor do débito ao qual fora vinculado o pagamento indicado como feito a maior, desconstituiria a causa original da não homologação, impondose o novo exame do feito. Nesse contexto, assim se posicionou a decisão a quo, a respeito da compensação tratada na DCOMP nº 42618.66449.240608.1.3.040833: (...) Como relatado, os autos retornam a esta Delegacia de Julgamento por força de acórdão prolatado pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que determinou novo exame da compensação declarada pela contribuinte. Entendeu aquele colegiado que a apresentação de DCTF retificadora teria alterado a situação jurídica na qual se baseara o Fl. 2268DF CARF MF Processo nº 16327.919587/200926 Acórdão n.º 9303006.823 CSRFT3 Fl. 5 4 despacho decisório de não homologação, devendose reexaminar a existência do direito creditório. Em novo despacho decisório, a unidade de origem reconheceu a existência de pagamento a maior. Porém, não haveria como homologar a presente declaração de compensação já que o direito de crédito estaria integralmente comprometido na absorção de débito declarado em outra DCOMP. Ressaltese que no recurso apresentado pelo Recorrente na época, bem como no Acórdão proferido pelo CARF, em nenhum momento foi noticiado a questão do alegado equívoco no preenchimento do PER/DECOMP. Naquela oportunidade, restringiase ao erro no preenchimento da DCTF e da retificadora. O Recorrente, em seu recurso, reafirma a existência de pagamento a maior e admite equívoco no preenchimento do PER/DCOMP nº 18652.39612.120406.1.7.04.3183 e da DCTF, havendo erro na indicação nas características do documento de arrecadação pelo qual teria sido feito o pagamento a maior. Notese que o pedido de compensação foi analisado pela autoridade administrativa concernente ao reclamado pagamento a maior ou indevido indicado na DCOMP, com respeito ao qual referida autoridade concluiu inexistir o direito alegado. Instaurado o litígio, não pode a recorrente afirmar que seu crédito seria outro, referente a uma outra compensação, questão completamente alheia ao objeto do litígio, cuja aceitação representaria, também, violação aos princípios do contraditório e da estabilidade da demanda. Com efeito, como é cediço, a compensação que, nos termos do art. 170 do CTN, pressupõe liquidez e certeza dos créditos, é levada a efeito por meio de declaração capaz de extinguir o débito tributário sob condição da sua ulterior homologação, nos termos dos parágrafos 1º e 2º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, conforme a redação que lhes foi fornecida pela Lei nº 10.637, de 2002. Portanto, cabe ao Fisco analisar se cabe ou não homologar uma compensação declarada. Noutro giro, os parágrafos sétimo a nono do mesmo art. 74 da mesma Lei nº 9.430, de 1996, incluídos pela Lei nº 10.833, de 20033, indicam as conseqüências da não homologação da DCOMP, bem assim o objeto do litígio instaurado em razão da apresentação de manifestação de inconformidade. Focado nesses parâmetros, entendo que o pleito do sujeito passivo não merece acolhida, pois não cabe a este Colegiado ir além da análise do ato de não homologação da Declaração de Compensação e tal ato, como decidido pelo acórdão recorrido, não merece reparo. Observase vários julgados desta Corte que no caso do preenchimento dos dados do PER/DCOMP, cuja finalidade é a comunicação à administração tributária de um crédito e de um débito, os quais se extinguirão mutuamente, o erro na discriminação de qualquer um dos dois é claramente substancial, não podendo ser considerado simples erro material. Para comprovar a divergência jurisprudencial, a Contribuinte apresentou os acórdãos paradigmas de nºs 1102001.125 e 10808.805. Transcrevese parte do trecho da parte que interessa do Acórdão nº 1102001.125: Anocalendário: 2010 COMPENSAÇÃO. ERRO NO PREENCHIMENTO DA DCOMP. INDICAÇÃO DE SALDO NEGATIVO NO LUGAR DE PAGAMENTO A MAIOR. POSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO DE OFÍCIO. Fl. 2269DF CARF MF Processo nº 16327.919587/200926 Acórdão n.º 9303006.823 CSRFT3 Fl. 6 5 Quando, em sede de recurso, o contribuinte demonstra ter preenchido a DCOMP de forma incorreta, indicando como crédito saldo negativo quando o correto seria pagamento a maior do imposto referente ao mesmo período, é possível a retificação de ofício pela autoridade julgadora, que determinará a análise do pedido com base no crédito efetivamente existente. DIREITO CREDITÓRIO NÃO ANALISADO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. RETORNO DOS AUTOS COM DIREITO A NOVO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. Em situações em que não se admitiu a compensação preliminarmente com base em argumento de direito, caso superado o fundamento da decisão, a unidade de origem deve proceder à análise do mérito do pedido, verificando a existência, suficiência e disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão, e concedendose ao sujeito passivo direito a novo contencioso administrativo, em caso de não homologação total. Pelo confronto entre a ementa do acórdão recorrido e a ementa e excerto do voto condutor do primeiro paradigma, não se comprova divergência. Como visto, os autos foram remetidos a unidade de jurisdição da Contribuinte, em comprimento ao Acórdão nº 330201.504 (fls. 58/63), o qual foi emitido um novo despacho decisório onde relata: "o interessado não comprovou crédito de pagamento indevido ou a maior [...]mas transmitiu, utilizando este crédito, declarações de compensação em um valor original total de R$ 109.726,28 [...]Na PER/DCOMP nº 28883.84622.220206.1.3.049350, com informação do crédito relativo a PER/DCOMP nº 42618.66449.240608.1.3.040833, objeto deste processo, foi informado um crédito de R$ 18,08, totalmente utilizado na própria PER/DCOMP. Não havendo crédito disponível, propomos a não homologação da PER/DCOMP nº 42618.66449.240608.1.3.040833". Do retorno dos autos, sobreveio o acórdão nº 3802003.658, ora guerreado, com a negativa de provimento ao Recurso, no esteio de que o pedido de compensação foi analisado pela autoridade administrativa concernente ao reclamado pagamento a maior ou indevido indicado na DCOMP, ao qual referida autoridade concluiu inexistir o direito alegado. Por sua vez, o acórdão paradigma entendeu que em situações em que não se admitiu a compensação preliminarmente com base em argumento de direito, caso superado o fundamento da decisão, a unidade de origem deve proceder à análise do mérito do pedido verificando a existência, suficiência e disponibilidade do crédito pleiteado. Não existe qualquer divergência, a decisão recorrida remeteu os autos para análise do direito creditório, emitindo um novo despacho decisório, o qual restou comprovado a inexistência de crédito, por sua vez, o acórdão paradigma firmou entendimento do retorno dos autos para que abertura de um novo contencioso administrativo. A Contribuinte não pretende a uniformização de teses jurídicas, objetivo primordial do Recurso Especial. A ampla defesa foi exercida em sua plenitude. Nestes autos, não existe direito creditório Neste sentido, não tomo conhecimento do Recurso Interposto, esta E. Câmara Superior não há espaço para rediscussão de matéria fáticoprobatória, exaustivamente discutida na 1º Instância Administrativa. Fl. 2270DF CARF MF Processo nº 16327.919587/200926 Acórdão n.º 9303006.823 CSRFT3 Fl. 7 6 Quanto ao acórdão nº 10808.805, pelo confronto entre a ementa do acórdão recorrido e a ementa e excerto do voto condutor, também não se comprova divergência. Transcrevo fragmentos do aresto: Exercício: 1998 Ementa: IRPJ – PREJUÍZO FISCAL – COMPENSAÇÃO – ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DE DECLARAÇÃO. Compensação de IRPJ recolhido por estimativa em exercício cujo resultado foi prejuízo fiscal, deve ser admitida, não obstante erro de fato no preenchimento da declaração, que não invalida o procedimento, desde que comprovada a existência dos créditos. Prevalência do princípio da verdade material. Recurso Voluntário Provido. Com efeito, a decisão recorrida consignou que: "o pedido de compensação foi analisado pela autoridade administrativa concernente ao reclamado pagamento a maior ou indevido indicado na DCOMP, com respeito ao qual referida autoridade concluiu inexistir o direito alegado. Instaurado o litígio, não pode a recorrente afirmar que seu crédito seria outro, referente a uma outra compensação, questão completamente alheia ao objeto do litígio, cuja aceitação representaria, também, violação aos princípios do contraditório e da estabilidade da demanda". Por sua vez, o acórdão paradigma fixou o seguinte entendimento: "não obstante erro de fato no preenchimento da declaração, que não invalida o procedimento, desde que comprovada a existência dos créditos. Prevalência do princípio da verdade material". Como se vê, a Contribuinte insiste na rediscussão fática, o acórdão paradigma entende que caso ocorra erro no preenchimento da declaração, não invalida o procedimento, desde que comprovada a existência dos créditos. Ora, o Contencioso foi estendido a Contribuinte, não foi invalidado o procedimento de um suposto erro, foi proferido um novo despacho decisório, o qual foi confirmada a inexistência de crédito. Deste modo, as dessemelhanças fáticas e normativas impedem o estabelecimento de base de comparação para fins de dedução da divergência jurisprudencial. Em se tratando de espécies díspares nos fatos embasadores da questão jurídica, não há como se estabelecer comparação e deduzir divergência. Neste sentido, reportome ao Acórdão no CSRF/010.956: “Caracterizase a divergência de julgados, e justificase o apelo extremo, quando o recorrente apresenta as circunstâncias que assemelhem ou identifiquem os casos confrontados. Se a circunstância, fundamental na apreciação da divergência a nível do juízo de admissibilidade do recurso, é “tudo que modifica um fato em seu conceito sem lhe alterar a essência” ou que se “agrega a um fato sem alterálo substancialmente” (Magalhães Noronha, in Direito Penal, Saraiva, 1o vol., 1973, p. 248), não se toma conhecimento de recurso de divergência, quando no núcleo, a base, o centro nevrálgico da questão, dos acórdãos paradigmas, são díspares. Não se pode ter como acórdão paradigma enunciado geral, que somente confirma a legislação de regência, e assente em fatos que não coincidem com os do acórdão inquinado.” Diante de tudo que foi exposto, em razão das dessemelhanças fáticas e normativas que impedem o estabelecimento de base de comparação para fins de dedução da divergência jurisprudencial, não tomo conhecimento do Recurso interposto pela Contribuinte." Fl. 2271DF CARF MF Processo nº 16327.919587/200926 Acórdão n.º 9303006.823 CSRFT3 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial do contribuinte não foi conhecido. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 2272DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.720422/2012-55
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008
SISTEMA DE APURAÇÃO NÃO CUMULATIVO. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. INDÚSTRIA. INSUMOS. CRITÉRIO. PROCESSO PRODUTIVO. PERTINÊNCIA.
No sistema não cumulativo de apuração da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins são admitidos créditos decorrentes dos gastos com a aquisição de bens e serviços empregados como insumos nas atividades industriais, somente se utilizados especificamente na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda.
CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA.
Cabe a constituição de crédito de Cofins sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo. Não obstante à observância do critério da essencialidade, é de se considerar ainda tal possibilidade, invocando o art. 3º, inciso IX, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei 10.637/02 eis que a inteligência desses dispositivos considera para a r. constituição de crédito os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda quais sejam, os fretes na operação de venda. O que, por conseguinte, cabe refletir que tal entendimento se harmoniza com a intenção do legislador ao trazer o termo frete na operação de venda, e não frete de venda quando impôs dispositivo tratando da constituição de crédito das r. contribuições.
Numero da decisão: 9303-007.224
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, para restabelecer a glosa dos créditos vinculados aos serviços de geologia, prospecção e sondagem, além daquelas relacionadas a estudos e pesquisas, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial, somente em relação ao frete/transporte na operação realizada entre estabelecimentos, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Jorge Olmiro Lock Freire, que negavam provimento e vencidos Tatiana Midori Migiyama e Demes Brito, que lhe deram provimento integral, para incluir também os serviços portuários (capatazia). Designada para fazer o voto vencedor em relação ao frete na operação realizada entre estabelecimentos a Conselheira Tatiana Midori Migiyama.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício.
(Assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator.
(Assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama - Redatora designada
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. INDÚSTRIA. INSUMOS. CRITÉRIO. PROCESSO PRODUTIVO. PERTINÊNCIA. No sistema não cumulativo de apuração da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins são admitidos créditos decorrentes dos gastos com a aquisição de bens e serviços empregados como insumos nas atividades industriais, somente se utilizados especificamente na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. Cabe a constituição de crédito de Cofins sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo. Não obstante à observância do critério da essencialidade, é de se considerar ainda tal possibilidade, invocando o art. 3º, inciso IX, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei 10.637/02 eis que a inteligência desses dispositivos considera para a r. constituição de crédito os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda quais sejam, os fretes na “operação” de venda. O que, por conseguinte, cabe refletir que tal entendimento se harmoniza com a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 04 22 /2 01 2- 55 Fl. 1578DF CARF MF Processo nº 16682.720422/201255 Acórdão n.º 9303007.224 CSRFT3 Fl. 3 2 intenção do legislador ao trazer o termo “frete na operação de venda”, e não “frete de venda” quando impôs dispositivo tratando da constituição de crédito das r. contribuições. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, para restabelecer a glosa dos créditos vinculados aos serviços de geologia, prospecção e sondagem, além daquelas relacionadas a estudos e pesquisas, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em dar lhe provimento parcial, somente em relação ao frete/transporte na operação realizada entre estabelecimentos, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Jorge Olmiro Lock Freire, que negavam provimento e vencidos Tatiana Midori Migiyama e Demes Brito, que lhe deram provimento integral, para incluir também os serviços portuários (capatazia). Designada para fazer o voto vencedor em relação ao frete na operação realizada entre estabelecimentos a Conselheira Tatiana Midori Migiyama. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício. (Assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator. (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Fl. 1579DF CARF MF Processo nº 16682.720422/201255 Acórdão n.º 9303007.224 CSRFT3 Fl. 4 3 Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional e pelo contribuinte contra decisão tomada no acórdão nº 3403003.492 de 27 de janeiro de 2015 (efolhas 1.005 e segs), que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 Ementa: PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. ANÁLISE ADMINISTRATIVA DE CONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO. SÚMULA CARF N. 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. São exemplos de insumos, no caso analisado: estudos e pesquisas; prospecção e sondagem; e serviços de geologia. A divergência suscitada no recurso especial da Fazenda Nacional (efolhas 1.074 e segs) ) diz respeito a abrangência do conceito de insumo, terminologia empregada pelo legislador na regulamentação do sistema não cumulativo de apuração das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins. Fl. 1580DF CARF MF Processo nº 16682.720422/201255 Acórdão n.º 9303007.224 CSRFT3 Fl. 5 4 Conclui que, Logo, merece ser reformado o acórdão recorrido, a fim de que sejam restabelecidas as glosas relativas aos serviços de geologia, prospecção e sondagem, além daquelas relacionadas a estudos e pesquisas, eis que se tratam de serviços que antecedem o processo produtivo e, consequentemente, não geram direito a crédito de PIS/COFINS. A divergência suscitada no recurso especial do contribuinte (efolhas 1.201 e segs) referese (i) à negativa da realização da prova pericial ou de diligências; (ii) à glosa relativa aos créditos derivados de serviços portuários (capatazia); (iii) à glosa de créditos decorrentes de frete/transporte na operação realizado entre estabelecimentos; e (iv) à glosa de créditos derivados de matérias que compõem linhas férreas da Recorrente – serviço de carga de terceiros. O Recurso especial da Fazenda Nacional foi admitido conforme despacho de admissibilidade de efolhas 1.081 e segs. O Recurso especial do contribuinte foi parcialmente admitido conforme despacho de admissibilidade de efolhas 1.497 e segs e despacho de agravo, às efolhas 1.551 e segs, apenas em relação (i) à glosa relativa aos créditos derivados de serviços portuários (capatazia) e (ii) à glosa de créditos decorrentes de frete/transporte na operação realizado entre estabelecimentos. Contrarrazões do contribuinte às efolhas 1.140 e segs. Pede não seja admitido o recurso especial da Fazenda e, no mérito, que lhe seja negado provimento. Contrarrazões da Fazenda Nacional às efolhas 1.564 e segs. Defende que se rejeitem as pretensões do contribuinte. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Relator. Conhecimento do Recurso Especial O contribuinte, em sede de contrarrazões, assevera que o acórdão nº 9303 002.659, utilizado como paradigma pela Fazenda Nacional, na verdade, negou provimento ao recurso especial interposto pela Fazenda na ocasião. Fl. 1581DF CARF MF Processo nº 16682.720422/201255 Acórdão n.º 9303007.224 CSRFT3 Fl. 6 5 Esclarece: Cumpre destacar que, naquele caso, postulava a Fazenda Nacional pela reforma do acórdão anterior que teria reconhecido o direito de crédito do contribuinte relativo aos serviços de decapeamento, de lavra e os denominados serviços de locação, bem como do óleo tipo ABPF. Entretanto, a negativa de provimento ao seu Recurso Especial denota que a C. 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais reconheceu o direito ao creditamento, pelo contribuinte, com tais dispêndios. No mesmo sentido, que o outro paradigma invocado pela Fazenda Nacional, acórdão nº 330200.175, adotou a essencialidade como critério para reconhecimento do direito ao crédito. Sem razão a contrarrazoante. É incontroversa a divergência de interpretação da legislação tributária retratada nos acórdãos paradigma escolhidos pela Fazenda Nacional. O próprio texto extraído do exame de admissibilidade e reproduzido no corpo das contrarrazões opostas pelo contribuinte deixa isso claro. Observese: Quanto à despesa com serviço de assessoria técnica prestado pela empresa Fioretek Consultoria Empresarial Ltda concordo com a DRF em Caxias do Sul, posto que o serviço de assessoria não é empregado na fabricação de produtos e, portanto, não é insumo. O fato do serviço contribuir para melhorar, ampliar ou aperfeiçoar o processo produtivo da recorrente não significa que seja empregado na fabricação de bens pela recorrente, razão pela qual mantenho a decisão recorrida, neste particular. (grifos no original) O argumento de que, para chegar ao entendimento de "que aquele serviço de consultoria não é empregado diretamente na fabricação dos bens (....)" o acórdão teve que partir da premissa de que o conceito de insumos é mais amplo do que o proposto pela Fazenda Nacional é um sofisma. A divergência de interpretação da legislação tributária encontrase entre a decisão tomada no recorrido e a decisão tomada no paradigma e não entre essa e o entendimento proposto por quaisquer das recorrentes. Dáse seguimento aos recursos. Mérito Fl. 1582DF CARF MF Processo nº 16682.720422/201255 Acórdão n.º 9303007.224 CSRFT3 Fl. 7 6 Para todos os dispêndios que serão a seguir examinados, partese do pressuposto de que a legislação que estabeleceu a sistemática de apuração não cumulativa das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins trouxe uma espécie de numerus clausus em relação aos bens e serviços considerados como insumos para fins de creditamento, ou seja, fora daqueles itens expressamente admitidos pela lei, não há possibilidade de apropriação de créditos, pelo reconhecimento de que as demais mercadorias também se enquadram no conceito de insumo. Vejamos o que dispõe o art. 3º da Lei 10,833/2003, que cuida dos créditos da nãocumulatividade, e tem basicamente a mesma redação do art. 3º da Lei 10637/2002 que é relativa ao PIS. Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 1583DF CARF MF Processo nº 16682.720422/201255 Acórdão n.º 9303007.224 CSRFT3 Fl. 8 7 VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) § 1o Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor: (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeito) I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; II dos itens mencionados nos incisos III a V e IX do caput, incorridos no mês; III dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI, VII e XI do caput, incorridos no mês; (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) IV dos bens mencionados no inciso VIII do caput, devolvidos no mês. § 2o Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 1584DF CARF MF Processo nº 16682.720422/201255 Acórdão n.º 9303007.224 CSRFT3 Fl. 9 8 I de mãodeobra paga a pessoa física; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) § 3o O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. (...) Fosse para atingir todos os gastos essenciais à obtenção da receita, não necessitaria a lei ter sido elaborada com tanto detalhamento, bastava um único artigo ou inciso. Recurso Especial da Fazenda Nacional 1 Serviços de Geologia; Prospecção e Sondagem; e Estudos e Pesquisas, Não é difícil concluir que as razões para reversão da glosa determinada pelo Fisco para os serviços epigrafados destoa completamente dos fundamentos delineados nas considerações de mérito acima enunciadas. Observese Não há dúvida de que tratam de serviços decisivos as atividades de pesquisa, prospecção, sondagem e serviços de geologia, e essa afirmação decorre do próprio negócio da Vale, que é exploração de minério de ferro. Não é difícil concluir que os dispêndios invalidariam todos os esforços de se produzir minério, sem conhecer a capacidade da mina, qualidade, estabilidade do terreno a ser explorado. Além do que, esses mesmos serviços continuam sendo necessários ao longo da vida útil da mina. Fl. 1585DF CARF MF Processo nº 16682.720422/201255 Acórdão n.º 9303007.224 CSRFT3 Fl. 10 9 De modo que, tenho que esses custos autorizam a empresa recorrente a tomar crédito sobre os serviços de pesquisa, prospecção, sondagem e serviços de geologia. Como é de amplo conhecimento, este Relator não acolhe a tese da essencialidade, mas sim a da pertinência. Tal como me posicionou nas decisões proferidas por meio dos acórdãos nºs 9303006.100, 9303006.099 , 9303006.098, 9303006.101 e outros, nos quais fui vencido, entendo que encargos dessa natureza, ligados a atividades realizadas em fase anterior ao início da fabricação do produto acabado não dão direito à apropriação de crédito por parte do contribuinte. Recurso Especial do Contribuinte 1 Serviços portuários (Capatazia) Há uma certa imprecisão em relação ao tipo de serviço portuário do qual a recorrente pretende tomar crédito. À efolha 1.013, no corpo do voto vencido, o Relator original do processo parece fazer referência a serviços vinculados aos insumos importados e empregados no processo produtivo. Observese. Glosa das despesas de capatazia. Os serviços incluídos em operação portuária, como, capatazia: movimentação de mercadorias nas instalações portuárias, compreendendo o recebimento, conferência, transporte interno, conferência aduaneira, manipulação, arrumação e entrega são serviços a permitir a tomada de crédito. Diferentemente das despesas relacionadas praticagem e rebocagem (serviços de rebocador). Os serviços de armazenagem e capatazia são essenciais no manuseio dos produtos, e nenhuma empresa exportadora consegue carregar navio sem se utilizar dessa prestação de serviços. Ao contrário dos serviços de rebocador, que para mim são custo do transportador, nestes autos não há evidência de que a venda e a entrega do produto seja de responsabilidade da vendedora. Assim, tenho como certo que os custos de capatazia glosados devem ser incluídos no cálculo da tomada de crédito. Fl. 1586DF CARF MF Processo nº 16682.720422/201255 Acórdão n.º 9303007.224 CSRFT3 Fl. 11 10 Mas o pleito veiculado em sede de recurso especial dá conta de serviços de outra natureza, se não vejamos. Com efeito, para atingir esta finalidade não é possível adotar uma concepção restrita dos conceitos postos pela lei, mas sim em uma interpretação sistêmica de todos os incisos do artigo 3º da Lei n.º 10.637; assim, os termos armazenagem e transporte (frete na venda) devem ser compreendidos dentro de uma operação complexa em que estes fazem parte indissociável de uma cadeia logística que pressupõe, para que aqueles atinjam sua finalidade precípua, a prática de serviços portuários, dentre eles os de capatazia, cuja despesa, portanto, faz parte intrínseca daquelas (atividades). (sublinhado por este Relator) Na etapa posterior ao processo de produção, o únicos dispêndios para o qual o legislador previu direito de crédito foi para o frete e armazenagem na operação de venda, quando o ônus é suportado pelo vendedor. Não há esforço de hermenêutica que autorize, por analogia, a apropriação de créditos com gastos genéricos com o transporte do produto acabado. 2 Frete/Transporte entre Estabelecimentos Firme nos mesmos pressupostos, deve ser rejeitada a pretensão da recorrente em relação aos créditos associados ao frete/transporte de produtos acabados e outros entre estabelecimentos. Naquilo em que melhor se ajusta à jurisprudência deste Colegiado, o recurso especial sustenta o direito ao crédito com base nos seguintes fundamentos. Não é demais destacar que, in casu, não se trata de mero transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da Recorrente, o que por si só já geraria o direito de crédito, a teor dos precedentes acima, mas de transporte integrado que compreende o trânsito das mercadorias até a exportação e seu destino final, aperfeiçoando a venda, seja enquanto realizado entre estabelecimentos (mina para mina), seja enquanto efetivado do estabelecimento ao Porto pela empresa MRS LOGÍSTICA, seja enquanto realizado via marítima pela empresa LOGIN, todos integralmente arcados pela Recorrente. Contudo, como já foi dito, apenas o gasto específico com o frete na operação de venda dá direito ao crédito. Não há previsão legal para concessão de créditos decorrentes de Fl. 1587DF CARF MF Processo nº 16682.720422/201255 Acórdão n.º 9303007.224 CSRFT3 Fl. 12 11 gastos com transporte integrado de produtos acabados, entre estabelecimentos ou não, sob o argumento de que estes aperfeiçoam a venda. Voto por negar provimento ao recurso especial do contribuinte e por dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator. Voto Vencedor Conselheira Tatiana Midori Migiyama, Redatora designada. Peço vênia ao ilustre relator, que tanto admiro, para trazer o entendimento dado pela maioria desse Colegiado, acerca da possibilidade de tomada de créditos das contribuições sociais não cumulativas sobre os custos de fretes nas transferências internas de mercadorias. Para tanto, recordase que essa discussão já foi apreciada por nossa turma, tendo sido firmado posicionamento de que os custos de frete de mercadorias entre estabelecimentos gerariam o direito à constituição de crédito. Frisese a ementa do acórdão 9303005.156: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2008 a 30/09/2008 CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. Cabe a constituição de crédito de PIS/Pasep sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo. Não obstante à observância do critério da essencialidade, é de se considerar ainda tal possibilidade, invocando o art. 3º, inciso IX, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei 10.637/02 eis que a inteligência desses dispositivos considera para a r. constituição de crédito os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda quais sejam, os fretes na “operação” de venda. O que, por Fl. 1588DF CARF MF Processo nº 16682.720422/201255 Acórdão n.º 9303007.224 CSRFT3 Fl. 13 12 conseguinte, cabe refletir que tal entendimento se harmoniza com a intenção do legislador ao trazer o termo “frete na operação de venda”, e não “frete de venda” quando impôs dispositivo tratando da constituição de crédito das r. contribuições. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE MATÉRIAS PRIMAS ENTRE ESTABELECIMENTOS Os fretes na transferência de matérias primas entre estabelecimentos, essenciais para a atividade do sujeito passivo, eis que vinculados com as etapas de industrialização do produto e seu objeto social, devem ser enquadrados como insumos, nos termos do art. 3º, inciso II, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso II, da Lei 10.637/02. Cabe ainda refletir que tais custos nada diferem daqueles relacionados às máquinas de esteiras que levam a matériaprima de um lado para o outro na fábrica para a continuidade da produção/industrialização/beneficiamento de determinada mercadoria/produto.” Nesse ínterim, proveitoso citar os acórdãos 9303005.155, 9303005.154, 9303005.153, 9303005.152, 9303005.151, 9303005.150, 9303005.116, 9303006.136, 9303006.135, 9303006.134, 9303006.133, 9303006.132, 9303006.131, 9303006.130, 9303006.129, 9303006.128, 9303006.127, 9303006.126, 9303006.125, 9303006.124, 9303006.123, 9303006.122, 9303006.121, 9303006.120, 9303006.119, 9303006.118, 9303006.117, 9303006.116, 9303006.115, 9303006.114, 9303006.113, 9303006.112, 9303006.111, 9303005.135, 9303005.134, 9303005.133, 9303005.132, 9303005.131, 9303005.130, 9303005.129, 9303005.128, 9303005.127, 9303005.126, 9303005.125, 9303005.124, 9303005.123, 9303005.122, 9303005.121, 9303005.127, 9303005.126, 9303005.125, 9303005.124, 9303005.123, 9303005.122, 9303005.121, 9303005.120, 9303005.119, 9303005.118, 9303005.117, 9303006.110, 9303004.311, etc. Não obstante, para melhor elucidar meu entendimento, passo a discorrer a priori sobre o conceito de insumos, vez que influenciará na questão da segmentação das atividades da recorrente. Fl. 1589DF CARF MF Processo nº 16682.720422/201255 Acórdão n.º 9303007.224 CSRFT3 Fl. 14 13 Primeiramente, sobre os critérios a serem observados para a conceituação de insumo para a constituição do crédito do PIS e da Cofins trazida pela Lei 10.637/02 e Lei 10.833/03, não é demais enfatizar que se tratava de matéria controvérsia – pois em fevereiro de 2018 o STJ, em sede de recurso repetitivo, definiu que o conceito de insumo, para fins de constituição de crédito de PIS e de Cofins, deve observar o critério da essencialidade e relevância – considerandose a imprescindibilidade do item para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte.. Definiu, ainda, ser ilegal a disciplina de creditamento prevista nas IN SRF 247 e 404 que, por sua vez, traz um entendimento mais restritivo que descrita na lei. Nessa linha, efetivamente a Constituição Federal não outorgou poderes para a autoridade fazendária para se definir livremente o conteúdo da não cumulatividade. O que, por conseguinte, ainda que a decisão do STJ não tenha transitado em julgado, expresso que a devida observância da sistemática da não cumulatividade exige que se avalie a natureza das despesas incorridas pela contribuinte – considerando a legislação vigente, bem como a natureza da sistemática da não cumulatividade. Sempre que estas despesas/custos se mostrarem essenciais ao exercício de sua atividade, devem implicar, a rigor, no abatimento de tais despesas como créditos descontados junto à receita bruta auferida. Importante recordar que no IPI se tem critérios objetivos (desgaste durante o processo produtivo em contato direto com o bem produzido ou composição ao produto final), enquanto, no PIS e na COFINS essa definição sofre contornos subjetivos. Tenho que, para se estabelecer o que é o insumo gerador do crédito do PIS e da COFINS, o meu sentir, tornase necessário analisar a essencialidade do bem ao processo produtivo da recorrente, ainda que dele não participe diretamente. Fl. 1590DF CARF MF Processo nº 16682.720422/201255 Acórdão n.º 9303007.224 CSRFT3 Fl. 15 14 Continuando, frisese tal entendimento que vincula o bem e serviço para fins de instituição do crédito do PIS e da Cofins com a essencialidade no processo produtivo o Acórdão 3403002.765 – que, por sua vez, traz em sua ementa: "O conceito de insumo, que confere o direito de crédito de PIS/Cofins nãocumulativo, não se restringe aos conceitos de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, tal como traçados pela legislação do IPI. A configuração de insumo, para o efeito das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, depende da demonstração da aplicação do bem e serviço na atividade produtiva concretamente desenvolvida pelo contribuinte." Vêse que na sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS o conteúdo semântico de insumo é mais amplo do que aquele da legislação do IPI, porém mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e serviços que integram o custo de produção. Ademais, vêse que, dentre todas as decisões do CARF e do STJ, é de se constatar que o entendimento predominante considera o princípio da essencialidade para fins de conceituação de insumo. Não obstante à jurisprudência dominante, importante discorrer sobre o tema desde a instituição da sistemática não cumulativa das r. contribuições. Em 30 de agosto de 2002, foi publicada a Medida Provisória 66/02, que dispôs sobre a sistemática não cumulativa do PIS, o que foi reproduzido pela Lei 10.637/02 (lei de conversão da MP 66/02) que, em seu art. 3º, inciso II, autorizou a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda. É a seguinte a redação do referido dispositivo: “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] Fl. 1591DF CARF MF Processo nº 16682.720422/201255 Acórdão n.º 9303007.224 CSRFT3 Fl. 16 15 II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI;” Em relação à COFINS, temse que, em 31 de outubro de 2003, foi publicada a MP 135/03, convertida na Lei 10.833/03, que dispôs sobre a sistemática não cumulatividade dessa contribuição, destacando o aproveitamento de créditos decorrentes da aquisição de insumos em seu art. 3º, inciso II, em redação idêntica àquela já existente para o PIS/Pasep, in verbis (Grifos meus): “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)”. Posteriormente, em 31 de dezembro de 2003, foi publicada a Emenda Constitucional 42/2003, sendo inserida ao ordenamento jurídico o § 12 ao art. 195: “Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições: [...] Fl. 1592DF CARF MF Processo nº 16682.720422/201255 Acórdão n.º 9303007.224 CSRFT3 Fl. 17 16 §12 A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão não cumulativas.” Com o advento desse dispositivo, restou claro que a regulamentação da sistemática da não cumulatividade aplicável ao PIS e à COFINS ficaria sob a competência do legislador ordinário. Vêse, portanto, em consonância com o dispositivo constitucional, que não há respaldo legal para que seja adotado conceito excessivamente restritivo de "utilização na produção" (terminologia legal), tomandoo por "aplicação ou consumo direto na produção" e para que seja feito uso, na sistemática do PIS/Pasep e Cofins não cumulativos, do mesmo conceito de "insumos" adotado pela legislação própria do IPI. Nessa lei, há previsão para que sejam utilizados apenas subsidiariamente os conceitos de produção, matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem previstos na legislação do IPI. Ademais, a sistemática da não cumulatividade das contribuições é diversa daquela do IPI, visto que a previsão legal possibilita a dedução dos valores de determinados bens e serviços suportados pela pessoa jurídica dos valores a serem recolhidos a título dessas contribuições, calculados pela aplicação da alíquota correspondente sobre a totalidade das receitas por ela auferidas. Não menos importante, vêse que, para fins de creditamento do PIS e da COFINS, admite se também que a prestação de serviços seja considerada como insumo, o que já leva à conclusão de que as próprias Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 ampliaram a definição de "insumos", não se limitando apenas aos elementos físicos que compõem o produto. Nesse ponto, Marco Aurélio Grego (in "Conceito de insumo à luz da legislação de PIS/COFINS", Revista Fórum de Direito Tributário RFDT, ano1, n. 1, jan/fev.2003, Belo Horizonte: Fórum, 2003) diz que será efetivamente insumo ou serviço com direito ao crédito sempre que a atividade ou a utilidade forem necessárias à existência do Fl. 1593DF CARF MF Processo nº 16682.720422/201255 Acórdão n.º 9303007.224 CSRFT3 Fl. 18 17 processo ou do produto ou agregarem (ao processo ou ao produto) alguma qualidade que faça com que um dos dois adquira determinado padrão desejado. Sendo assim, seria insumo o serviço que contribua para o processo de produção – o que, podese concluir que o conceito de insumo efetivamente é amplo, alcançando as utilidades/necessidades disponibilizadas através de bens e serviços, desde que essencial para o processo ou para o produto finalizado, e não restritivo tal como traz a legislação do IPI. Frisese que o raciocínio de Marco Aurélio Greco traz, para tanto, os conceitos de essencialidade e necessidade ao processo produtivo. O que seria inexorável se concluir também pelo entendimento da autoridade fazendária que, por sua vez, validam o creditamento apenas quando houver efetiva incorporação do insumo ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, adotando o conceito de insumos de forma restrita, em analogia à conceituação adotada pela legislação do IPI, ferindo os termos trazidos pelas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, que, por sua vez, não tratou, tampouco conceituou dessa forma. Resta, por conseguinte, indiscutível a ilegalidade das Instruções Normativas SRF 247/02 e 404/04 quando adotam a definição de insumos semelhante à da legislação do IPI. Tal como expressou o STJ em recente decisão. As Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil que restringem o conceito de insumos, não podem prevalecer, pois partem da premissa equivocada de que os créditos de PIS e COFINS teriam semelhança com os créditos de IPI. Isso, ao dispor: · O art. 66, § 5º, inciso I, da IN SRF 247/02 o que segue (Grifos meus): “Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep nãocumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, Fl. 1594DF CARF MF Processo nº 16682.720422/201255 Acórdão n.º 9303007.224 CSRFT3 Fl. 19 18 determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: (Incluído) I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: (Incluído) a. Matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; (Incluído) b. Os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (Incluído) [...]” · art. 8º, § 4ª, da IN SRF 404/04 (Grifos meus): “Art. 8 º Do valor apurado na forma do art. 7 º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 4 º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: Fl. 1595DF CARF MF Processo nº 16682.720422/201255 Acórdão n.º 9303007.224 CSRFT3 Fl. 20 19 a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no país, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. [...]” Tais normas infraconstitucionais restringiram o conceito de insumo para fins de geração de crédito de PIS e COFINS, aplicandose os mesmos já trazidos pela legislação do IPI. O que entendo que a norma infraconstitucional não poderia extrapolar essa conceituação frente a intenção da instituição da sistemática da não cumulatividade das r. contribuições. Considerando que as Leis 10.637/02 e 10.833/03 trazem no conceito de insumo: a. Serviços utilizados na prestação de serviços; b. Serviços utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; c. Bens utilizados na prestação de serviços; d. Bens utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; e. Combustíveis e lubrificantes utilizados na prestação de serviços; f. Combustíveis e lubrificantes utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Vêse claro, portanto, que não poderseia considerar para fins de definição de insumo o trazido pela legislação do IPI, já que serviços não são efetivamente insumos, se considerássemos os termos dessa norma. Não obstante, depreendendose da análise da legislação e seu histórico, bem como intenção do legislador, entendo também não ser cabível adotar de forma ampla o conceito trazido pela legislação do IRPJ como arcabouço interpretativo, tendo em vista que nem todas as despesas operacionais consideradas para fins de dedução de IRPJ e CSLL são utilizadas no processo produtivo e simultaneamente tratados como essenciais à produção. Fl. 1596DF CARF MF Processo nº 16682.720422/201255 Acórdão n.º 9303007.224 CSRFT3 Fl. 21 20 Ora, o termo "insumo" não devem necessariamente estar contidos nos custos e despesas operacionais, isso porque a própria legislação previu que algumas despesas não operacionais fossem passíveis de creditamento, tais como Despesas Financeiras, energia elétrica utilizada nos estabelecimentos da empresa, etc. O que entendo que os itens trazidos pelas Leis 10.637/02 e 10.833/03 que geram o creditamento, são taxativos, inclusive porque demonstram claramente as despesas, e não somente os custos que deveriam ser objeto na geração do crédito dessas contribuições. Eis que, se fossem exemplificativos, nem poderiam estender a conceituação de insumos as despesas operacionais que nem compõem o produto e serviços – o que até prejudicaria a inclusão de algumas despesas que não contribuem de forma essencial na produção. Com efeito, por conseguinte, podese concluir que a definição de “insumos” para efeito de geração de crédito das r. contribuições, deve observar o que segue: · Se o bem e o serviço são considerados essenciais na prestação de serviço ou produção; · Se a produção ou prestação de serviço são dependentes efetivamente da aquisição dos bens e serviços – ou seja, sejam considerados essenciais. Tanto é assim que, em julgado recente, no REsp 1.246.317, a Segunda Turma do STJ reconheceu o direito de uma empresa do setor de alimentos a compensar créditos de PIS e Cofins resultantes da compra de produtos de limpeza e de serviços de dedetização, com base no critério da essencialidade. Para melhor transparecer esse entendimento, trago a ementa do acórdão (Grifos meus): “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃOCUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, Fl. 1597DF CARF MF Processo nº 16682.720422/201255 Acórdão n.º 9303007.224 CSRFT3 Fl. 22 21 II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório ". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de não cumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. Fl. 1598DF CARF MF Processo nº 16682.720422/201255 Acórdão n.º 9303007.224 CSRFT3 Fl. 23 22 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido.” Aquele colegiado entendeu que a assepsia do local, embora não esteja diretamente ligada ao processo produtivo, é medida imprescindível ao desenvolvimento das atividades em uma empresa do ramo alimentício. Em outro caso, o STJ reconheceu o direito aos créditos sobre embalagens utilizadas para a preservação das características dos produtos durante o transporte, condição essencial para a manutenção de sua qualidade (REsp 1.125.253). O que, peço vênia, para transcrever a ementa do acórdão: “COFINS – NÃO CUMULATIVIDADE – INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA – POSSIBILIDADE – EMBALAGENS DE ACONDICIONAMENTO DESTINADAS A PRESERVAR AS CARACTERÍSTICAS DOS BENS DURANTE O TRANSPORTE, QUANDO O VENDEDOR ARCAR COM ESTE CUSTO – É INSUMO NOS TERMOS DO ART. 3º, II, DAS LEIS N. 10.637/2002 E 10.833/2003. 1. Hipótese de aplicação de interpretação extensiva de que resulta a simples inclusão de situação fática em hipótese legalmente prevista, que não ofende a legalidade estrita. Precedentes. Fl. 1599DF CARF MF Processo nº 16682.720422/201255 Acórdão n.º 9303007.224 CSRFT3 Fl. 24 23 2. As embalagens de acondicionamento, utilizadas para a preservação das características dos bens durante o transporte, deverão ser consideradas como insumos nos termos definidos no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003 sempre que a operação de venda incluir o transporte das mercadorias e o vendedor arque com estes custos.” Tornase necessário se observar o princípio da essencialidade para a definição do conceito de insumos com a finalidade do reconhecimento do direito ao creditamento ao PIS/Cofins nãocumulativos. Sendo assim, entendo não ser aplicável o entendimento de que o consumo de tais bens e serviços sejam utilizados DIRETAMENTE no processo produtivo, bastando somente serem considerados como essencial à produção ou atividade da empresa. Nessa linha, aguardamos o trânsito em julgado da decisão do STJ proferida após apreciação, em sede de repetitivo, do REsp1.221.170 – e que trouxe, pelas discussões e votos proferidos, o mesmo entendimento já aplicável pelas suas turmas e pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Privilegiando, assim, a segurança jurídica que tanto merece a Fazenda Nacional e o sujeito passivo. Passadas tais considerações, ressurgindo ao caso vertente, considerando a atividade e objeto do sujeito passivo, é de se entender que os custos de fretes de mercadorias até os estabelecimentos para a distribuição são considerados insumos, vez que essenciais e pertinentes à sua atividade. O que geraria crédito de PIS e Cofins. Não obstante a esse entendimento, é de se entender que, em verdade, se trata de frete para a venda, passível de constituição de crédito das contribuições, nos termos do art. 3º, inciso IX, das Lei 10.833/03 e Lei 10.637/02 – pois a inteligência desse dispositivo considera o frete na “operação” de venda. A venda de per si para ser efetuada envolve vários eventos. Por isso, que a norma traz o termo “operação” de venda, e não frete de venda. Inclui, portanto, nesse Fl. 1600DF CARF MF Processo nº 16682.720422/201255 Acórdão n.º 9303007.224 CSRFT3 Fl. 25 24 dispositivo os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda, dentre os quais, o frete ora em discussão. Em vista de todo o exposto, votamos, nessa parte, por dar provimento ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo. (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Fl. 1601DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12448.907666/2013-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/01/2007
NULIDADE. AUSÊNCIA.
Comprovado que os atos praticados não apresentam qualquer dos vícios apontados no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade processual, nem em nulidade do acórdão de primeira instância.
Numero da decisão: 1302-002.823
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias,Maria Lúcia Miceli e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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AUSÊNCIA. Comprovado que os atos praticados não apresentam qualquer dos vícios apontados no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade processual, nem em nulidade do acórdão de primeira instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias,Maria Lúcia Miceli e Luiz Tadeu Matosinho Machado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 90 76 66 /2 01 3- 43 Fl. 66DF CARF MF Processo nº 12448.907666/201343 Acórdão n.º 1302002.823 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso interposto em relação ao Acórdão nº 1149.829, de 16 de abril de 2015, proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Recife/PE, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo sujeito passivo, e cuja ementa é a seguinte: "ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2007 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. Não são passíveis de restituição nem compensação os créditos sobre os quais não resta comprovada sua liquidez e certeza." O presente processo cuida de Pedido Eletrônico de Restituição (PER), por meio da qual a contribuinte pleiteou a restituição de crédito decorrente de suposto pagamento indevido ou a maior a título de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), referente ao mês de janeiro de 2007. O crédito em questão, no valor de R$ 11.876,02, originarseia de pagamento efetuado em 28/02/2007, e não foi reconhecido pelo Despacho Decisório da Delegacia da Receita Federal do Brasil no Rio de Janeiro I, por se encontrar inteiramente utilizado para quitação de débito da contribuinte, de modo que a restituição foi indeferida. Cientificado, o sujeito passivo apresentou Manifestação de Inconformidade, na qual sustentou a nulidade do Despacho Decisório, por haver sido proferido em desobediência a decisão judicial proferida nos autos do Mandado de Segurança nº 2011.51.01.0135980, que determinou o recebimento em formulário de papel do pedido de restituição em questão, com as razões e fundamentações legais da causa de pedir, pelo que haveria, ainda, cerceamento do direito de defesa. Ressaltou que, até aquela data, permaneceria sem apreciação os pedidos de restituição realizados em formulário de papel pela Recorrente, no âmbito dos processos administrativos nº 12448.732735/201278 e 12448.732736/201212. A decisão de primeira instância, após examinar o teor da ação judicial invocada, concluiu pela improcedência da manifestação de inconformidade e pelo não reconhecimento do crédito, tendo em vista que: a) o que foi determinado na decisão judicial proferida foi o recebimento e apreciação de pedidos de restituição formulados pela Recorrente em formulários de papel; b) por meio do processo administrativo nº 12448.732735/201278, a Recorrente solicitou a restituição de tributos incidentes na importação de mercadorias sobre as quais foi aplicada pena de perdimento, de períodos de pagamentos de 17/11/2008 ou de 24/11/2008; Fl. 67DF CARF MF Processo nº 12448.907666/201343 Acórdão n.º 1302002.823 S1C3T2 Fl. 4 3 c) em adição, por meio do processo administrativo nº 12448.732736/201212, pleiteou a restituição de 372 supostos pagamentos indevidos ou a maior, dentre os quais aquele objeto do Pedido Eletrônico de Restituição (PER) tratado nos presentes autos; d) não há que se falar em nulidade por descumprimento de decisão judicial, posto que a decisão determinava apenas que os pedidos de restituição formulados em papel fosse conhecidos e apreciados; e) a análise do crédito tratado neste processo, e também incluído no processo nº 12448.732736/201212, será realizada nos presentes autos; f) as razões de pedir constantes do processo administrativo nº 12448.732735/201278, de que se trataria de crédito pago em importação para a qual foi dada pena de perdimento, simplesmente não se aplicam ao caso em apreço, posto não se tratar de tributo incidente sobre a importação; g) considerando as razões de pedir constantes do processo administrativo nº 12448.732736/201212 ("que teve suas atividades de importador direto desclassificadas, e que por decorrência de tal tratamento nos lançamentos efetuados nos PAF 10074.000924/200942 e 10074.000926/200931 as importações realizadas pela requerente estariam sendo imputadas a terceiro, o que justificaria, no seu entender, a restituição dos tributos pagos em seu nome"), uma vez que os lançamentos referidos foram realizados contra a própria Recorrente, e não contra terceiros, não procede a alegação de afastamento da sujeição passivo, quanto mais em relação a tributos não incidentes sobre a importação, como no presente caso; h) o pagamento cuja restituição se pleiteia está vinculado a valor de débito confessado por meio de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), a qual é meio hábil de confissão de dívida. A autoridade julgadora de primeira instância determinou, ainda, que o resultado do julgamento fosse informado no processo administrativo nº 12448.732736/2012 12, onde foi solicitada, por meio de formulário de papel, a restituição do mesmo crédito analisado nestes autos. Cientificado por meio eletrônico, em 12/05/2016, o sujeito passivo apresentou Recurso Voluntário em 27/05/2016, no qual alegou que: a) o crédito pleiteado no Pedido Eletrônico de Restituição (PER) decorre de pagamento indevido, em vista da desclassificação, pelas autoridades tributárias, de todas as operações de comércio exterior realizadas pela Recorrente entre 2002 e 2008; b) sempre se considerou importadora por conta própria, tendo um único cliente, por opção negocial e por atuar no limite de sua capacidade operacional, todavia, "a Receita Federal do Brasil, depois de rumorosa operação policial, depois de fiscalizar as atividades da Recorrente, reclassificoua como importadora por conta e ordem de terceiros" (Mobilitá Ltda, CNPJ nº 32.121.766/007557); c) em virtude da referida conclusão, teriam sido lavrados autos de infração, para cobrança de multas e diferenças de tributos aduaneiros, em relação às mercadorias que já haviam entrado em circulação comercial e não foram localizadas; Fl. 68DF CARF MF Processo nº 12448.907666/201343 Acórdão n.º 1302002.823 S1C3T2 Fl. 5 4 d) foi, ainda, decretado o perdimentos de mercadorias, por suposta interposição fraudulenta, mesmo após o pagamento dos tributos aduaneiros, de modo que tais tributos seriam indevidos; e) "houve por bem solicitar a restituição de tributos que se revelaram indevidos ou pagos a maior em razão da reclassificação jurídica de suas operações"; f) teve, consequentemente, desconsiderado o valor agregado ou margem de lucro na comercialização das mercadorias importadas, quando às mesmas remetia à MOBILITA, o que teria afetado "para mais os tributos que incidiam na transferência das mercadorias da Recorrente para o adquirente, pois eram cobrados preços além do custo de importação e despesas de frete etc., a margem de comercialização"; g) por esta razão efetuou os pedidos de restituição de valores pagos a mais a título de IRPJ, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), Imposto sobre Produtos Importados (IPI), Contribuição ao Programa de Integração Social (PIS) e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins), os quais também incidiam "sobre essa verba relativa à margem de comercialização das mercadorias importadas"; h) após haver transmitidos 74 Pedidos Eletrônicos de Restituição (PER), e diante da impossibilidade de pleitear por tal via créditos recolhidos a mais de cinco anos, impetrou Mandado de Segurança, visando ao recebimento dos pedidos (apenas dois), por meio de fomulários em papel; i) o seu direito ao recebimento e processamento dos pedidos efetuados de tal forma foi reconhecido judicialmente, por decisão que teria transitado em julgado; j) o acórdão recorrido incorreria em equívoco, "quando alega que a Recorrente considera que a decisão da 14ª VRRJ teria mandado prover os pedidos de restituição no mérito, e que, por isso haveria descumprimento da sentença. Não se trata disso."; k) o que sustenta é que os processos administrativos nº 12448.732735/2012 78 e 12448.732736/201212 "suplantam os PER/DECOMP originalmente apresentados e que não podia, como não pode, haver pedidos paralelos a correr perante a administração"; l) os PER deveriam haver sido cancelados, posto que os processos administrativos os teriam substituído; m) ao contrário, os PER teriam sido processados, deixando de lado os pedidos formulados em papel, que se encontraria paralisados desde fevereiro de 2012; n) haveria ineficiência, irrazoabilidade, ilegalidade em se exigir a apresentação, para cada recolhimento a maior ou indevido, de um PER; o) não se estaria discutindo, nestes autos, o mérito, mas sim a forma dos pedidos de restituição, posto que o PER ora analisado estaria prejudicado, como todos dos demais relativos ao mesmo fato, por força da decisão judicial exarada nos autos do citado Mandado de Segurança. Fl. 69DF CARF MF Processo nº 12448.907666/201343 Acórdão n.º 1302002.823 S1C3T2 Fl. 6 5 Pleiteou, ao fim, a anulação de todo o procedimento, de modo que a discussão referente ao direito creditório pleiteado no PER sob análise fique vinculada unicamente aos pedidos de restituição formulados nos processos administrativos nº 12448.732735/201278 e 12448.732736/201212. É o Relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.818, de 13/06/2018, proferido no julgamento do Processo nº 12448.907672/2013 09, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.818): "I DO CONHECIMENTO DO RECURSO O sujeito passivo foi cientificado, por via eletrônica, em 12 de maio de 2016, tendo apresentado seu Recurso em 27 de maio de 2016, dentro, portanto, do prazo de 30 (trinta) dias previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, aplicável ao caso por força do art. 74, §§10 e 11, da Lei nº 9.430, de 27 de março de 1996. O Recurso é assinado por procurador, devidamente constituído nos autos. A matéria objeto do Recurso está contida na competência da 1ª Seção de Julgamento do CARF, conforme Arts. 2º e 7º, caput e §1º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RI/CARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Isto posto, o Recurso é tempestivo e preenchem os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. II DA NULIDADE Conforme relatado, o Recurso apresentado não trata do mérito do PER analisado nestes autos, mas tãosomente pugna pela declaração de nulidade de todo o procedimento de análise do direito creditório pleiteado no referido Pedido. Fl. 70DF CARF MF Processo nº 12448.907666/201343 Acórdão n.º 1302002.823 S1C3T2 Fl. 7 6 A apreciação do Recurso deve ser realizada observando se o disposto nos arts. 12 a 14 do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011: "Art. 12. São nulos (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 59): I os atos e os termos lavrados por pessoa incompetente; e II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. §1o A nulidade de qualquer ato só prejudica os atos posteriores que dele diretamente dependam ou sejam consequência. §2o Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. §3o Quando puder decidir o mérito em favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará, nem mandará repetir o ato, ou suprirlhe a falta. Art.13. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no art. 12 não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 60). Art.14. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 61)." Segundo a Recorrente, a nulidade se originaria no fato de que a análise do PER estaria em desacordo com a decisão judicial proferida nos autos de Mandado de Segurança por ele impetrado, e que o PER em questão se encontraria prejudicado pelos pedidos de restituição formulados em papel no âmbito dos processos administrativos nº 12448.732735/201278 e 12448.732736/201212. A decisão recorrida, contudo, esclarece, detalhadamente, a questão e demonstra a improcedência dos argumentos da Recorrente. O conteúdo do Recurso, por outro lado, apenas revela o acerto da decisão guerreada e põe luz sobre o equívoco do raciocínio formulado pelo sujeito passivo. A Recorrente, pelas razões que esclarece em seu recurso, apresentou o PER que deu origem aos presentes autos. Posteriormente, ingressou com Mandado de Segurança "objetivando ordem no sentido de que a autoridade impetrada Fl. 71DF CARF MF Processo nº 12448.907666/201343 Acórdão n.º 1302002.823 S1C3T2 Fl. 8 7 receba e processe o pedido de restituição de tributos" supostamente recolhidos por ela, de forma indevida. Importa destacar trecho da sentença exarada no processo judicial, que esclarece bem o seu escopo: "Como causa de pedir, sustenta, em síntese, que, na qualidade de importadora, recolheu diversos impostos e contribuições no período de 19/07/2002 a 19/11/2008; que alguns recolhimentos foram indevidos, tendo direito à restituição, nos termos do art. 165 do CTN. Alega que, apesar de ter preenchido o formulário aprovado pela Instrução Normativa RFB nº 900/2008, para obter a restituição, as autoridades fiscais se negam a recebêlo, por se encontrar disponível no site da Receita Federal do Brasil formulário eletrônico para tal finalidade. Aduz, contudo, que o formulário eletrônico não aceita pedidos de restituição de tributos recolhidos há mais de cinco anos, contados da data do preenchimento do formulário; que o prazo para pleitear a restituição dos tributos sujeitos ao lançamento pelo regime de homologação é de dez anos e não de cinco anos, como aceito no formulário eletrônico." O conteúdo da citada decisão judicial, de outra parte, foi no sentido de "que a autoridade impetrada receba e processe o pedido de restituição da Impetrante, formulado em papel". Ou seja, como bem esclarecido pelo acórdão recorrido, não há, em absoluto, qualquer violação à referida decisão judicial no fato de que o pedido de restituição da Recorrente formulado por meio de PER seja analisado nos presentes autos. Ora, tal pedido foi apresentado, em meio eletrônico, em estrita obediência à legislação de regência dos pedidos de restituição e declaração de compensação, inexistindo qualquer vício que o invalide. A decisão judicial que favoreceu a Recorrente se limitou a determinar o recebimento e processamento dos pedidos de restituição formulados pela Recorrente em formulário de papel. E isto foi feito no âmbito dos processos administrativos nº 12448.732735/201278 e 12448.732736/201212. O fato de o pedido formulado em papel abranger o crédito já pleiteado anteriormente em meio eletrônico será apenas mais um elemento a ser considerado pela autoridade administrativa quanto da análise daquele pedido. Jamais, há qualquer tipo de substituição, ou implicaria o cancelamento do PER. Tratamse de pedidos autônomos, com análises próprias. Fl. 72DF CARF MF Processo nº 12448.907666/201343 Acórdão n.º 1302002.823 S1C3T2 Fl. 9 8 No caso, não há qualquer incompetência ou cerceamento do direito de defesa a atrair a incidência do art. 12 do Decreto nº 7.574, de 2011. Sequer se observa qualquer vício ou outro tipo de irregularidade nos presentes autos, razão pela qual deve ser rejeitada a alegação de nulidade formulada pela Recorrente. III DO PEDIDO ELETRÔNICO DE RESTITUIÇÃO Não tendo sido deduzido no Recurso apresentado qualquer argumento ou pedido relacionado com o mérito do PER analisado nos presentes autos, devese considerar que a matéria não foi objeto de questionamento, mantendose incólume a decisão de primeira instância que não reconheceu o direito creditório. IV CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto por rejeitar a alegação de nulidade e NEGAR PROVIMENTO ao Recurso do sujeito passivo, com a manutenção do indeferimento da restituição do crédito pleiteado no Pedido Eletrônico de Restituição de que tratam os presentes autos." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 73DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.011920/2007-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2006
CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. AUXÍLIO-ALIMENTAÇÃO. TICKET. INCIDÊNCIA.
Incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos ao empregado a título de alimentação sob a forma de ticket alimentação/refeição, por não configurar hipótese de fornecimento de alimentação in natura.
CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. ASSISTÊNCIA MÉDICA. ABRANGÊNCIA.
O art. 28, § 9º, 'q', da Lei nº 8.212/1991, estabelece como requisito para a não incidência da Contribuição Social Previdência que a assistência médica seja oferecida a todos os empregados e dirigentes.
CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. VALE-TRANSPORTE. AUSÊNCIA DE DEDUÇÃO.
Uma vez que a Lei não exige, mas meramente autoriza, a dedução do valor do vale-transporte da remuneração do segurado empregado até o limite de 6%, a ausência de dedução não desnatura o vale-transporte.
SALÁRIO INDIRETO. CARTÃO DE PREMIAÇÃO.
Integra o salário de contribuição a totalidade dos rendimentos pagos, a qualquer título, ao empregado e trabalhador avulso destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a forma. O pagamento de valores a título de prêmio de produtividade, por meio de cartão de premiação, integra o salário de contribuição.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PLR. MOMENTO DA APROVAÇÃO.
Uma vez que a Lei não estabelece prazo para a aprovação do Programa de PLR, é indevida a glosa que se sustenta exclusivamente no fato de que o acordo foi firmado apenas no final do exercício.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PLR. REGRAS CLARAS E OBJETIVAS.
Nos termos do art. 2º, § 1º, da Lei nº 10.101/2000, "Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, (...)". Nesse caminho, quando o Programa não indica nenhuma das regras, delegando integralmente à empresa o poder de defini-las, e esta não as apresenta à fiscalização, então o Programa não respeita a legislação de regência e compõe, portanto, o salário-de-contribuição.
O Programa de PLR deve conter regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas
Numero da decisão: 2202-004.635
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, excluir da base de cálculo do lançamento os valores associados às doações de leite em pó (Lev. SIL) e ao vale transporte (Lev. SIV). Acordam, ainda, por maioria de votos, quanto à PLR (Lev SIP), excluir da respectiva base de cálculo os valores vinculados à PLR dos empregados, mantendo-se os associados aos cargos de gestão e de confiança, vencidos os conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias e Waltir de Carvalho, que lhe negaram provimento nesse aspecto. E acordam, ainda, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso quanto à exclusão da base de cálculo do lançamento dos valores de alimentação (Lev. SIA) e os vinculados ao cartão benefício (Lev. SIB), vencidos nesses pontos os conselheiros Dilson Jatahy Fonseca Neto (relator), Martin da Silva Gesto e Júnia Roberta Gouveia Sampaio, que deram provimento em maior extensão. Designada a conselheira Rosy Adriane da Silva Dias para redigir o voto vencedor no que diz respeito aos Levantamentos SIA e SIB.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente.
(assinado digitalmente)
Dilson Jatahy Fonseca Neto - Relator.
(assinado digitalmente)
Rosy Adriane de Silva - Redatora designada.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson.
Nome do relator: DILSON JATAHY FONSECA NETO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2006 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. AUXÍLIO-ALIMENTAÇÃO. TICKET. INCIDÊNCIA. Incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos ao empregado a título de alimentação sob a forma de ticket alimentação/refeição, por não configurar hipótese de fornecimento de alimentação in natura. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. ASSISTÊNCIA MÉDICA. ABRANGÊNCIA. O art. 28, § 9º, 'q', da Lei nº 8.212/1991, estabelece como requisito para a não incidência da Contribuição Social Previdência que a assistência médica seja oferecida a todos os empregados e dirigentes. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. VALE-TRANSPORTE. AUSÊNCIA DE DEDUÇÃO. Uma vez que a Lei não exige, mas meramente autoriza, a dedução do valor do vale-transporte da remuneração do segurado empregado até o limite de 6%, a ausência de dedução não desnatura o vale-transporte. SALÁRIO INDIRETO. CARTÃO DE PREMIAÇÃO. Integra o salário de contribuição a totalidade dos rendimentos pagos, a qualquer título, ao empregado e trabalhador avulso destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a forma. O pagamento de valores a título de prêmio de produtividade, por meio de cartão de premiação, integra o salário de contribuição. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PLR. MOMENTO DA APROVAÇÃO. Uma vez que a Lei não estabelece prazo para a aprovação do Programa de PLR, é indevida a glosa que se sustenta exclusivamente no fato de que o acordo foi firmado apenas no final do exercício. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PLR. REGRAS CLARAS E OBJETIVAS. Nos termos do art. 2º, § 1º, da Lei nº 10.101/2000, "Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, (...)". Nesse caminho, quando o Programa não indica nenhuma das regras, delegando integralmente à empresa o poder de defini-las, e esta não as apresenta à fiscalização, então o Programa não respeita a legislação de regência e compõe, portanto, o salário-de-contribuição. O Programa de PLR deve conter regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas
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EM RECUPERACAO JUDICIAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2006 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. AUXÍLIOALIMENTAÇÃO. TICKET. INCIDÊNCIA. Incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos ao empregado a título de alimentação sob a forma de ticket alimentação/refeição, por não configurar hipótese de fornecimento de alimentação in natura. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. ASSISTÊNCIA MÉDICA. ABRANGÊNCIA. O art. 28, § 9º, 'q', da Lei nº 8.212/1991, estabelece como requisito para a não incidência da Contribuição Social Previdência que a assistência médica seja oferecida a todos os empregados e dirigentes. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. VALETRANSPORTE. AUSÊNCIA DE DEDUÇÃO. Uma vez que a Lei não exige, mas meramente autoriza, a dedução do valor do valetransporte da remuneração do segurado empregado até o limite de 6%, a ausência de dedução não desnatura o valetransporte. SALÁRIO INDIRETO. CARTÃO DE PREMIAÇÃO. Integra o salário de contribuição a totalidade dos rendimentos pagos, a qualquer título, ao empregado e trabalhador avulso destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a forma. O pagamento de valores a título de prêmio de produtividade, por meio de cartão de premiação, integra o salário de contribuição. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PLR. MOMENTO DA APROVAÇÃO. Uma vez que a Lei não estabelece prazo para a aprovação do Programa de PLR, é indevida a glosa que se sustenta exclusivamente no fato de que o acordo foi firmado apenas no final do exercício. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 01 19 20 /2 00 7- 16 Fl. 2184DF CARF MF Processo nº 10580.011920/200716 Acórdão n.º 2202004.635 S2C2T2 Fl. 2.185 2 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PLR. REGRAS CLARAS E OBJETIVAS. Nos termos do art. 2º, § 1º, da Lei nº 10.101/2000, "Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, (...)". Nesse caminho, quando o Programa não indica nenhuma das regras, delegando integralmente à empresa o poder de definilas, e esta não as apresenta à fiscalização, então o Programa não respeita a legislação de regência e compõe, portanto, o saláriodecontribuição. O Programa de PLR deve conter regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, excluir da base de cálculo do lançamento os valores associados às doações de leite em pó (Lev. SIL) e ao vale transporte (Lev. SIV). Acordam, ainda, por maioria de votos, quanto à PLR (Lev SIP), excluir da respectiva base de cálculo os valores vinculados à PLR dos empregados, mantendo se os associados aos cargos de gestão e de confiança, vencidos os conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias e Waltir de Carvalho, que lhe negaram provimento nesse aspecto. E acordam, ainda, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso quanto à exclusão da base de cálculo do lançamento dos valores de alimentação (Lev. SIA) e os vinculados ao cartão benefício (Lev. SIB), vencidos nesses pontos os conselheiros Dilson Jatahy Fonseca Neto (relator), Martin da Silva Gesto e Júnia Roberta Gouveia Sampaio, que deram provimento em maior extensão. Designada a conselheira Rosy Adriane da Silva Dias para redigir o voto vencedor no que diz respeito aos Levantamentos SIA e SIB. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente. (assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator. (assinado digitalmente) Rosy Adriane de Silva Redatora designada. Fl. 2185DF CARF MF Processo nº 10580.011920/200716 Acórdão n.º 2202004.635 S2C2T2 Fl. 2.186 3 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson. Relatório Tratase, em breves linhas, de auto de infração lavrado em desfavor da Contribuinte para constituir crédito de Contribuições Sociais Previdenciárias. Tendo sido protocolada impugnação, a DRJ deu provimento parcial à defesa. Ainda inconformada, a Contribuinte interpôs recurso voluntário ora levado a julgamento. Feito o resumo da lide, passo ao relatório pormenorizado dos autos. Em 19/10/2007 foi formalizado do Auto de Infração DEBCAD nº 37.054.8329 (fls. 2/161) para constituir crédito tributário referente a Contribuições Sociais Previdenciárias. Conforme o relatório fiscal (fls. 177/200 e docs. anexos fls. 201/585), "1. IDENTIFICAÇÃO DO DÉBITO: As contribuições previdenciárias apuradas no procedimento fiscal relativas às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes a: a) Contribuição a cargo da empresa sobre a remuneração dos segurados empregados recebida habitualmente sob forma de utilidades; b) Contribuição dos segurados empregados, não descontadas, incidentes sobre a remuneração recebida habitualmente sob forma de utilidades; c) Financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho GILRAT; d) Adicional de Risco para segurados empregados (mergulhadores) expostos aos riscos ambientais do trabalho; e) Contribuição para Outras Entidades (Terceiros) FNDE (salário educação), INCRA, SENAI, SESI e SEBRAE. (...) 4.1 Os créditos previdenciários lançados nesta NFLD foram apurados com base no descumprimento da legislação com relação à concessão de benefícios como: Alimentação, Concessão de Latas de Leite em Pó, Assistência Médica concedida através de Planos de Saúde, Vale Transporte, Participação nos Lucros e Resultados PLR e Cartão Prêmio. Tais benefícios, quando concedidos em desacordo com a legislação, constituem parcela integrante do salário de contribuição. A empresa não considerou tais benefícios como base de cálculo para pagamento de contribuição previdenciária, não tendo os gastos com tais benefícios constado das folhas de Fl. 2186DF CARF MF Processo nº 10580.011920/200716 Acórdão n.º 2202004.635 S2C2T2 Fl. 2.187 4 pagamento apresentadas. A empresa incluía apenas os descontos das parcelas dos benefÍcios custeadas pelos empregados, quando cabível, nas folhas de pagamento. Isso ocorreu com os benefícios de alimentação, vale transporte e assistência médica. Nesta NFLD constam, ainda, lançamentos referentes à remuneração de trabalhadores que prestaram serviço fora do Brasil, em obras executadas na Bolívia e a contribuição adicional ao GILRAT (grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho) referente aos empregados que exercem atividade de mergulho. Intimada em 23/10/2007 (fl. 585), a Contribuinte protocolou impugnação em 22/11/2007 (fls. 592/700 e docs. anexos fls. 701/1.459). Foi formalizado o despacho nº 192 (fls. 1.465/1.468) determinando a realização de diligência. Foi apresentado o relatório de diligência (fls. 1.470/1.472) e a Contribuinte obteve vista dos autos em 04/05/2009 (fl. 1.473) e protocolou manifestação em 03/06/2009 (fls. 1.578/1.600 e docs. anexos fls. 1.601/1.743). A DRJ proferiu o acórdão nº 1519.956, de 16/07/2009 (fls. 1.475/1.503), que deu provimento parcial à defesa, mas que foi objeto de recurso de ofício. Intimada em 31/08/2009 (fl. 1.746), a Contribuinte protocolou recurso voluntário em 29/09/2009 (fls. 1.748/1.872 e docs. anexos fls. 1.876/1.906). Protocolou memoriais em 06/06/2014 (fls. 1.908/1.919 e docs. anexos fls. 1.920/1.937) e outros (fls. 1.937/1.938 e docs. anexos fls. 1.939/1.940). Chegando ao CARF, foi proferido o acórdão nº 2402004.493, de 20/01/2015 (fls. 1.952/1.62), que anulou a decisão da DRJ, determinando o retorno dos autos ao 1º grau. A Contribuinte foi intimada em 27/04/2015 (fl. 1.973/1.974). Retornando os autos à DRJ, esta proferiu o novo acórdão nº 1539.328, de 18/02/2016 (fls. 1.976/2.012), que deu provimento parcial à impugnação e que restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2006 HOMOLOGAÇÃO DE RECOLHIMENTO. SÚMULA VINCULANTE Nº 8 DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. CUSTEIO. SAT. HOMOLOGAÇÃO DE RECOLHIMENTO Nos casos de lançamento por homologação, se a lei não fixar prazo para sua efetivação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO Entendese por saláriode contribuição para o empregado e o trabalhador avulso a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos Fl. 2187DF CARF MF Processo nº 10580.011920/200716 Acórdão n.º 2202004.635 S2C2T2 Fl. 2.188 5 serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços. CUSTEIO A empresa é obrigada a arrecadar e recolher as contribuições sociais para a Seguridade Social incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço. SAT É dever da empresa a contribuição para o financiamento do benefício previsto nos art. 57 e 58 da Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados. APOSENTADORIA ESPECIAL. ALÍQUOTAS. A aposentadoria especial será devida, uma vez cumprida a carência exigida nesta Lei, ao segurado que tiver trabalhado sujeito a condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física, durante 15 (quinze), 20 (vinte) ou 25 (vinte e cinco) anos, conforme dispuser a lei. O benefício da aposentadoria especial será financiado com os recursos provenientes da contribuição de que trata o inciso II do art. 22 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, cujas alíquotas serão acrescidas de doze, nove ou seis pontos percentuais, conforme a atividade exercida pelo segurado a serviço da empresa permita a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição, respectivamente. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da 5ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar a impugnação procedente em parte, mantendo em parte o Creditório Tributário, no valor original de R$ 11.427.127,75 (onze milhões, quatrocentos e vinte sete mil, cento e vinte sete reais e setenta e cinco centavos), ao qual serão acrescidos juros de mora e multa de ofício, nos termos do voto da Relatora. Conforme consta no art. 27 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002, com redação dada pela Lei nº 12.788, de 14 de janeiro de 2013, não cabe interposição de recurso de ofício nas hipóteses em que a decisão estiver fundamentada em decisão proferida em ação direta de inconstitucionalidade, em súmula vinculante proferida pelo Supremo Tribunal Federal. Intimada em 17/03/2016 (fl. 2.086), a Contribuinte interpôs recurso voluntário em 18/04/2016 (fls. 2.089/2.180) argumentando, em síntese, Fl. 2188DF CARF MF Processo nº 10580.011920/200716 Acórdão n.º 2202004.635 S2C2T2 Fl. 2.189 6 · Que é necessário ter cautela no reconhecimento de benefícios como salárioutilidade, haja vista que isso leva as empresas a deixar de oferecer tais benefícios. Dessa forma, que tais verbas devem ser reconhecidas como de caráter indenizatório; · Que não incide contribuições sociais previdenciárias sobre verbas que não se amoldam ao conceito constitucional de remuneração. Em outras palavras, não incide o tributo sobre as parcelas que não tem caráter de retribuição pelo trabalho, como aquelas de nítida feição indenizatória; · Que a legislação tributária não pode ampliar os conceitos do direito privado, considerando remuneração algo que não é assim visto pelo direito do trabalho nem pela CF. Da mesma forma, que não pode impor condições não previstas na legislação trabalhista; · Que inexiste divergência entre os conceitos de remuneração e de salário decontribuição, de sorte que se confundem; · Que nem tudo que o empregado recebe pode ser incluído no conceito de remuneração, sendo necessário identificar um caráter de contraprestação pelos serviços prestados; · Alimentos (fls. 2.107/2.118): Que o fato de a empresa não estar inscrita no PAT não é suficiente para que o auxílioalimentação seja considerado salárioutilidade passível de incidência da contribuição previdenciária. Esclarece que, na verdade, a empresa estava inscrita no PAT desde 1996, apenas entendia, por desconhecimento, que não era necessário fazer a renovação anual, razão pela qual não estava inscrita nos anoscalendário de 2004, 2005 e 2006. Ainda assim, afirma que preenchia todos os requisitos para estar inscrita, o que inclusive é ratificado pelo fato de que a autoridade lançadora não indicou qualquer descumprimento das normas materiais da legislação. Além disso, anota que o Decreto nº 3.048/1999 não criou essa condição formal, qual seja, estar inscrita no PAT para que tais parcelas sejam excluídas do conceito de saláriodecontribuição. De qualquer sorte, anota que os alimentos foram fornecidos em ticket alimentação, por meio de empresa especializada, esta sim inscrita no PAT, sendo que a inscrição dela torna supérflua a inscrição da contratante, ora recorrente. Enfim, conclui que o fornecimento de alimentação não tem caráter contraprestacional, mas sim que se trata de mera liberalidade do empregador; · Doação de leite em pó (fls. 2.118/2.120): Que também não pode ser incluída na base de cálculo a doação de leite em pó aos funcionários que têm filhos menores de 4 (quatro) anos de idade. Tratase de mera liberalidade, a qual se coaduna com a natureza da Contribuinte, que atua na manutenção e custeio de escola comunitária e de creches. A liberalidade foi feita em favor dos seus empregados como uma deferência, mas poderia ter sido feita muito bem a outras instituições, além daquelas que a Contribuinte já patrocinava. Prova disso é que a doação era feita a todos os seus empregados que tinham filhos nessa Fl. 2189DF CARF MF Processo nº 10580.011920/200716 Acórdão n.º 2202004.635 S2C2T2 Fl. 2.190 7 idade do obreiro ao diretor , independentemente de contraprestação ou de condições, como produtividade, desempenho ou qualificação. Mais, que o beneficiário da doação era o filho do trabalhador, e não este em si mesmo. Em suma, era mera liberalidade, desvinculada da prestação do serviço, de sorte que não pode ser configurada remuneração; · Assistência Médica (fls. 2.121/2.145): Que também não pode ser incluída na base de cálculo a assistência médica. Primeiro, porque essa verba não é remuneratória; segundo porque foi concedida a todos os empregados da empresa discorrendo sobre cada obra e anotando que esse fato já foi reconhecido pelo acórdão recorrido ; e terceiro porque a jurisprudência do CARF já se consolidou no sentido de que é possível a prestação de assistência médica diferenciada. De qualquer maneira, apontou que a Lei nº 10.243/2001 posterior à Lei nº 0.528/1997 alterou o § 2º do art. 458 da CLT para que ficasse claro não ser a assistência médica elemento integrante do salário. Ainda nesse contexto, registrou que foi inadequada a aferição indireta desenvolvida pela autoridade lançadora no lançamento SSA · Valetransporte (fls. 2.145/2.150): Que tampouco podem ser incluídos na base de cálculo os valores despendidos a título de valetransporte. Esclarece que o art. 2º, 'a' e 'b', da Lei nº 7.418/1985, é claro em estabelecer que o valetransporte não tem natureza salarial nem configura base de cálculo para as Contribuições Previdenciárias, no que é ratificada pelo art. 458, § 2º, III, da CLT. Outrossim, esclareceu que na Convenção Coletiva firmada com um Sindicato dos Trabalhadores estava obrigada a descontar valor inferior àquele determinado pela legislação. Enfim, registrou que o STF já reconheceu a inconstitucionalidade da incidência de contribuição previdenciárias sobre o valetransporte, independente da sua forma; igualmente, indica a Súmula 89 do CARF, e a Súmula 60 da AGU. · Cartão benefício (fls. 2.150/2.156): Que os valores despendidos para a aquisição de cartão benefício não configuraram saláriodecontribuição. Esclarece que não adquiriu tais cartões com o objetivo de premiar ou de beneficiar seus empregados. Pelo contrário, tinha obras em diversas localidades do Brasil, de forma que era uma grande burocracia organizar as despesas de final de ano dessas obras. Buscando simplificar, adquiriu os cartões e entregouos aos gerentes das obras, para que os utilizasse no pagamento dessas despesas e, assim, desburocratizar o procedimento. Entretanto, exatamente por isso, não tem os recibos e notas de pagamento para comprovar a natureza das despesas. De qualquer sorte, ainda que se adotasse a natureza descrita pelo relatório fiscal, tal parcela não pode configurar saláriodecontribuição, uma vez que foi adquirida em curtíssimo período, entre 05/12/2003 e 31/01/2004, não configurando habitualidade. Pelo contrário, tratarseia de ganho eventual. Enfim, ainda que não fosse, registrou que a fiscalização não indicou quais foram os segurados empregados que auferiram o "prêmio", nem os valores individualmente percebidos e as respectivas competências, o que Fl. 2190DF CARF MF Processo nº 10580.011920/200716 Acórdão n.º 2202004.635 S2C2T2 Fl. 2.191 8 inviabiliza a integração desses valores aos saláriosdebenefício e a identificação da própria habitualidade do pagamento; · Participação nos lucros e resultados (fls. 2.156/2.176): Que é indevida a inclusão dos valores pagos a título de PLR na base de cálculo das Contribuições Previdenciárias, primeiro porque se trata de uma imunidade, vez que a CF a desvincula da remuneração sem qualquer condição e segundo porque a Contribuinte cumpriu todas as regras da Lei nº 10.101/2000. Especificamente, anota que a Lei nº 10.101/2000 não estipula prazo mínimo entre a aprovação e a concessão do benefício, desde que não seja paga em periodicidade inferior a um semestre civil ou mais de duas vezes no mesmo ano civil (art. 3º, § 2º). O que é mais, ao estabelecer uma "finalidade motivacional" a autoridade lançadora adotou um critério subjetivo absolutamente condenável e afastado da Lei. Questionase qual seria o prazo mínimo para atingir essa "finalidade motivacional", se quatro meses, seis, dez, doze. Ainda que assim não fosse, aponta que a PLR começou a ser planejada no início do ano calendário, o que demonstra que os trabalhadores tinham ciência inequívoca da negociação, pelo menos desde quando foi constituída a comissão de negociação, em 08/07/2002. Em relação ao plano da PLR 2003, registrou que não apenas o plano de 2002 tinha renovação automática como o plano aprovado em 2003 utilizou os mesmos critérios do ano anterior. Ainda, anota que a Lei exige critério claros e objetivos, não impondo que sejam justos, convincentes, nem conhecidos no início do ano. Outrossim, anotou que apesar de haver dois programas, ambos utilizavam os mesmos critérios; · Dos trabalhadores expatriados (fl. 2.176): Que não podem ser incluídos na base de cálculo os trabalhadores que laboravam fora do Brasil, porquanto trabalhavam para outra empresa, não filial, agência nem sucursal da Recorrente, distinta da filial boliviana da GDK, esta só foi criada anos depois; · Adicional de risco (fls. 2.176/2.180): Que os Auditores da Receita Federal do Brasil não têm competência para verificar se os equipamentos de proteção individual oferecidos pela empresa eram ou não hábeis a atenuar as condições especiais de saúde e integridade dos trabalhadores. Pelo contrário, que essa competência é dos órgãos do Ministério do Trabalho e Emprego. No caso concreto, anotou que as autoridade lançadora aferiram a inadequação de maneira abstrata, sem qualquer laudo técnico fornecido por profissionais especializados em medicina e segurança do trabalho. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator Fl. 2191DF CARF MF Processo nº 10580.011920/200716 Acórdão n.º 2202004.635 S2C2T2 Fl. 2.192 9 O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. 1. Dos conceitos constitucionais e de direito privado e da legislação previdenciária Argumenta a Contribuinte, preliminarmente, quem nem todos os valores recebidos pelo trabalhador podem ser configurados remuneração ou saláriodecontribuição. Nesse sentido, inclusive, anota que os conceitos são coincidentes. Enfim, conclui pela impossibilidade de a Lei previdenciária ampliar conceitos ou impor condições não previstas no direito trabalhista nem na constituição. Em que pese seu argumento seja válido no poder judiciário, e mormente do ponto de vista acadêmicojurídico, deve ser tomado com o maior cuidado na aplicação por esse Conselho. A verdade é que o RICARF é claro em seus arts. 45, VI, e 62, que é vedado ao Conselheiro deixar de aplicar a Lei com base em argumentos de inconstitucionalidade. Essa posição, inclusive, já foi consolidada na Súmula CARF nº 02. Portanto, cabe efetivamente ao aplicador do direito, inclusive aos julgadores desse Conselho, interpretar a Lei. Ainda assim, no que for expressa, não pode este Conselheiro afastála ao argumento de que não se coaduna com a Constituição ou com os conceitos do direito privado, independente de concordar ou não com os seus fundamentos e determinações. Estabelecida essa premissa, passase à análise das matérias concretas suscitadas pela Recorrente. 2. Doação de leite em pó: A Contribuinte argumenta que não pode ser incluída na base de cálculo os valores referentes às doações de leite em pó. Isso porque, esclarece, tratase de mera liberalidade, doação feita em favor de todos os funcionários que têm filhos menores de 4 (quatro) anos de idade. Ratifica que se trata de liberalidade apontando que ela, Recorrente, tem costume de fazer ações sociais, atuando, por exemplo, na manutenção e custeio de escola comunitária e de creches. A liberalidade foi feita em favor dos seus empregados como uma deferência, mas poderia ter sido feita muito bem a outras instituições, além daquelas que a Contribuinte já patrocinava. Prova disso é que a doação era feita a todos os seus empregados que tinham filhos nessa idade do obreiro ao diretor , independentemente de contraprestação ou de condições, como produtividade, desempenho ou qualificação. Mais, que o beneficiário da doação era o filho do trabalhador, e não este em si mesmo. Retornando ao relatório fiscal, a autoridade lançadora fundamentou assim o auto de infração nesse ponto: "4.3.1 Foi verificado no Balanço Social (Anexo V) da empresa que esta efetua doação mensal de 4 (quatro) latas de leite em pó, por filho menor de 4 anos de idade, a cada trabalhador. Por outro lado, o contribuinte não considera essa doação como parcela integrante do salário de contribuição, não efetuando qualquer recolhimento de contribuições previdenciárias sobre essas parcelas. Por não haver previsão legal para isenção deste Fl. 2192DF CARF MF Processo nº 10580.011920/200716 Acórdão n.º 2202004.635 S2C2T2 Fl. 2.193 10 benefício, este foi considerado salário indireto (in natura) por esta fiscalização." fl. 180; Analisando a questão a DRJ, por sua vez, concluiu que deve ser mantido o lançamento uma vez que para a parcela in natura ser excluída do saláriodecontribuição, deve ser fornecida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social. Pois bem. Registrase, ab ovo, que a autoridade lançadora não discute a natureza de liberalidade da parcela, ou seja, não discute nem contesta ser doação. Outrossim, tampouco contesta que é in natura, apontando as notas fiscais diretamente do fornecedor (anexo VI, fls. 238/242). Apenas, considerando que se tratar de um benefício em favor do trabalhador, e não tendo encontrado norma isentiva, concluiu ser salário indireto e, portanto, sujeito a tributação. No caso em tela, entretanto, é desnecessário adentrar na discussão se há ou não incidência de Contribuição Previdenciária sobre doação. Isso porque, como bem anotou a DRJ, a doação é feita em alimentos, especificamente leite em pó. De outro lado, contrariamente à conclusão alcançada no acórdão recorrido, a verdade é que o lançamento não pode subsistir exatamente pela natureza alimentícia da parcela que compõe a base de cálculo, independentemente de estar ou não a Contribuinte inscrita no PAT. Em 2011 foi emitido o Parecer PGFN/CRJ nº 2.117 no sentido de permitir que a Procuradoria desistisse dos recursos em processos judiciais que visam discutir a natureza remuneratória ou não das parcelas de alimentos in natura. O Parecer foi aprovado e foi publicado o Ato Declaratório nº 03/2011 exatamente para autorizar a dispensa de contestação e de interposição de recursos nesse contexto. Registrase que o próprio RICARF, no art. 62, § 1º, II, 'c', em conjunto com o art. 45, VI, do mesmo diploma, determina que esse entendimento deve ser repetido pelos conselheiros nos julgamentos dos processos administrativos. Nesse sentido, precedentes: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. ALIMENTAÇÃO. PAGAMENTO IN NATURA. SEM ADESÃO AO PAT. AUSÊNCIA DE NATUREZA SALARIAL. NÃO INCIDÊNCIA. O fornecimento de alimentação aos empregados não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não constituir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. (acórdão CSRF nº 9202006.278, de 30/11/2017) CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. ALIMENTAÇÃO. PAGAMENTO IN NATURA. SEM ADESÃO AO PAT. AUSÊNCIA DE NATUREZA SALARIAL. NÃO INCIDÊNCIA. PARECER PGFN/CRJ N. 2.117/2011 APROVADO PELO MINISTRO DA FAZENDA. ATO DECLARATÓRIO N. 3. ART. 62, § 1º, II, ALÍNEA "C", DO RICARF. O fornecimento de alimentação aos empregados não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não constituir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. (acórdão CARF nº 2402006.103, de 04/04/2018) Fl. 2193DF CARF MF Processo nº 10580.011920/200716 Acórdão n.º 2202004.635 S2C2T2 Fl. 2.194 11 Em suma, é necessário dar provimento ao recurso nesse ponto, para excluir da base de cálculo os valores referentes à doação de leite em pó. 3. Alimentos: A Contribuinte argumenta que, a despeito de não estar incluída no PAT, não é possível tributar os valores despendidos a título de auxílioalimentação. Argumenta, primeiramente, que estava inscrita no PAT desde 1996, e que preenchia todos os requisitos materiais e formais para a inscrição no PAT também durante o período autuado; apenas que, por não saber da exigência de renovação anual, deixou de formalizar o pedido nos anos calendário de 2004, 2005 e 2006. Outrossim, anota que o Decreto nº 3.048/1999 não estabeleceu como requisito a inscrição no PAT, de forma que esse requisito não pode ser imposto. Enfim, conclui que o fornecimento de alimentos não tem caráter contraprestacional, não sendo remuneração, mas sim mera liberalidade do empregador para viabilizar o trabalho, de sorte que não se insere no conceito de saláriodecontribuição. Retornando ao relatório fiscal, a autoridade lançadora fundamentou assim o auto de infração nesse ponto: "4.2.1 _ A GDK S/A não esteve inscrita no PAT Programa de Alimentação do Trabalhador, nos anos de 2004, 2005 e 2006, desatendendo a exigência prevista no artigo 28, parágrafo 99, da Lei ng 8.212, de 1991. A empresa apresentou os comprovantes de inscrição no Plano de Alimentação do Trabalhador PAT, referente ao período de 2000 a 2003. Também, em consulta ao site do Ministério do Trabalho, foram confirmados os fatos acima citados, ratificando o fato da empresa não constar como inscrita no programa de 2004 até 2006, conforme documento Anexo ll. Não sendo a empresa inscrita no PAT, os valores gastos a título de alimentação devem ser considerados base de cálculo da contribuição previdenciária, conforme se aduz do art. 753, da Instrução Normativa O3/05, do INSS (...) 4.2.2 Para apuração desta base de cálculo foram selecionadas as despesas com Alimentação lançadas entre 01/2004 e 12/2006 na conta 3.1 .1 .01.009 (despesa com alimentação conta reduzida 856) referentes apenas aos fornecedores “Ticket Serviços S/A" e Trapiche Adelaide e reembolsos destinados à administração. Estes lançamentos estão demonstrados no Anexo lll.a. Entre 03/2004 a 03/2005 foram encontrados outros lançamentos na conta de fornecedor "Ticket Serviços S/A", conta 2.1.1.01.889 (Ticket Serviços S/A conta reduzida 21090) que não foram registrados os respectivos débitos na conta de despesa com alimentação, conforme Anexo lll.b. Ressaltese ainda que nessa conta de despesa com alimentação existem outros registros de despesas não considerados na apuração deste item. 4.2.3 A alimentação fornecida pela empresa administradora "Ticket Serviços S/A”, através de cupons em meio papel, no período de janeiro/2004 a dezembro/2006, foram destinados aos Fl. 2194DF CARF MF Processo nº 10580.011920/200716 Acórdão n.º 2202004.635 S2C2T2 Fl. 2.195 12 segurados empregados na Administração, assim denominados OS 100 Salvador, OS 101 São Paulo e OS 102 Rio de Janeiro. Foram incluídas no salário de contribuição, as despesas lançadas a título de reembolso com alimentação pagas aos setores de administração acima mencionados, pois segundo justificativa da empresa, tratase de alimentação fornecida nos dias em que era destinada a folga." fls. 179/180 Analisando a questão a DRJ, por sua vez, concluiu que deve ser mantido o lançamento, uma vez que a Contribuinte não estava inscrita no PAT nos anoscalendário objeto do lançamento. Anotou ainda que não pode prevalecer o argumento de que bastava a empresa gestora dos ticket estar inscrita no PAT, uma vez que só será isenta essa parcela se ambas a Contribuinte e a gestora dos tickets estiverem devidamente inscritas. Pois bem. Em primeiro lugar, não há discussão em relação ao fato de que a Contribuinte não estava inscrita no PAT no período objeto do lançamento. Seu argumento de que preenchia os requisitos para estar inscrito, inclusive que este inscrito desde 1996, apenas que, por desconhecimento, não fez as renovações anuais, não pode prevalecer. É máxima do direito, insculpida no DecretoLei nº 4.657/1942, denominada Lei de Introdução às normas do Direito Brasileiro: Art. 3º. Ninguém se escusa de cumprir a lei, alegando que não a conhece. Ainda assim, como já foi esclarecido no item anterior, as parcelas de alimentos in natura não compõem a base de cálculo das Contribuições Sociais Previdenciárias, independentemente de estar ou não a Contribuinte inscrita no PAT. Mais relevante para o presente julgamento é, isso sim, o fato de que a autoridade lançadora incluiu nessa essa rubrica não apenas valores pagos por meio de tickets alimentação como também em pecúnia. É necessário apartar as hipóteses, vez que não são iguais. De um lado, a despeito dos argumentos suscitados pela Contribuinte, a Lei é clara em estabelecer isenção em relação às parcelas de alimentos in natura (art. 28, § 9º, 'c', da Lei nº 8.212/1991). Nesse caminho, a isenção não abarca os valores pagos em pecúnia. No presente caso, a autoridade lançadora constatou que os valores despendidos em dinheiro o foram para pagar restaurantes em dias de folga, o que apenas reforça o entendimento de que o salário indireto tem natureza remuneratória nesse caso. Consultando o anexo III.a Planilha de Salário de Contribuição Ref. Alimentação (fls. 212/226) por amostragem, percebese que muitos dos reembolsos são em dias de semana. Ainda assim, há valores consideráveis de reembolso, chegando ao patamar de um lançamento de R$ 3.206,31 em 25/11/2005 e outra de R$ 4.412,00 em 30/12/2005 (fl. 220), ou de R$ 3.201,50 em 19/12/2006 (fl. 225), por exemplo. De outro lado, não se pode equiparar os tickets à pecúnia. São coisas diversas e inconfundíveis. Inclusive, esse entendimento é extraído do próprio o Parecer PGFN nº 2.117/2011, citado acima: 4. O entendimento sustentado pela União em juízo é o de que o auxílioalimentação pago in natura ostenta natureza salarial e, Fl. 2195DF CARF MF Processo nº 10580.011920/200716 Acórdão n.º 2202004.635 S2C2T2 Fl. 2.196 13 portanto, integra a remuneração do trabalhador, razão pela qual deve haver incidência da contribuição previdenciária. 5. Ocorre que o Poder Judiciário tem entendido diversamente, restando assente no âmbito do STJ o posicionamento segundo o qual o pagamento in natura do auxílioalimentação, ou seja, quando o próprio empregador fornece a alimentação aos seus empregados, não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não constituir verba de natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT ou decorra o pagamento de acordo ou convenção coletiva de trabalho. Entende o Colendo Superior Tribunal que tal atitude do empregador visa tão somente proporcionar um incremento à produtividade e eficiência funcionais. 6. Por outro lado, quando o auxílioalimentação for pago em espécie ou creditado em contacorrente, em caráter habitual, assume feição salarial e, desse modo, integra a base de cálculo da contribuição previdenciária. (grifamos) De um lado, por força das decisões judiciais, admite a não incidência quando o pagamento é in natura; de outro, reforça a incidência quando o pagamento é feito "em espécie ou creditado em contacorrente". Uma vez que não menciona expressamente os tickets refeição/alimentação como uma terceira alternativa, então é necessário enquadrálos em uma ou em outra categoria. Percebese, já na primeira análise, que tickets não podem ser equiparados a pagamento em espécie nem a creditamentos em contacorrente. Efetivamente, o papelmoeda do real tem curso forçado no Brasil. Isso significa que não pode ser recusado como forma de pagamento do preço. Logo, recebendo pagamento feito em dinheiro, o trabalhador poderia "tredestinar" tais recursos para outras despesas suas. Em sentido similar, o depósito bancário configura moedacontábil, garantindo ao seu titular o direito de sacálo e utilizálo como bem entender. Então, mesmo que o fornecedor não aceite uma transferência bancária ou cartão de débito, cheque etc. , o consumidor pode sacar os recursos para a seguir utilizálos. Diferentemente, o ticket refeição/alimentação não pode ser utilizado como bem entender o seu titular. Não tem curso forçado no país e o fornecedor não é obrigado a aceitálo. Pelo contrário, o fornecedor deve se cadastrar para poder aceitálo. Mais, o cadastro está sujeito ao preenchimento de determinados requisitos por parte do fornecedor. Especificamente, o ticket refeição/alimentação deve ser utilizado para a aquisição de gêneros alimentícios. Em outras palavras, o ticket não pode ser equiparado ao pagamento em espécie nem ao creditamento em contacorrente. Assim, a Contribuinte poderia montar ela própria um refeitório em seu estabelecimento, onde fornecesse diretamente o gênero alimentício. Contudo, esse tipo de empreendimento envolve gastos de pessoal e logística, vez que será necessário separar um espaço para tanto, pessoas que comprem e administrem o estoque etc. Além disso, envolve riscos, como alimentos estragados. De outro lado, fornecendo o ticket, o Contribuinte isentase desses inconvenientes ao mesmo tempo em que garante o fornecimento do alimento, apenas o Fl. 2196DF CARF MF Processo nº 10580.011920/200716 Acórdão n.º 2202004.635 S2C2T2 Fl. 2.197 14 faz por meio de um fornecedor intermediário. Frisase que o ticket refeição/alimentação só é (ou só deveria ser) aceito por estabelecimentos que produzam ou vendam alimentos. Diante desse confrontamento, uma vez que não é dinheiro, concluise que os tickets refeição/alimentação por exclusão que são alimentos in natura. Efetivamente, pela própria análise da fattispecie, percebese se aproximam muito mais da noção de alimentos in natura do que da noção de pagamento em espécie. O que é mais, a questão já foi analisada pelo CARF em mais de uma oportunidade. Admitese que há precedentes em ambos os sentidos tanto os tickets serem pecúnia quanto serem in natura. Apontamse, a seguir, casos em que as turmas adotaram a mesma conclusão ora alcançada: ALIMENTAÇÃO NA FORMA DE TICKET. PAGAMENTO IN NATURA. CARÁTER INDENIZATÓRIO. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. O ticketrefeição (ou valealimentação) se aproxima muito mais do fornecimento de alimentação in natura do que propriamente do pagamento em dinheiro, não havendo diferença relevante entre a empresa fornecer os alimentos aos empregados diretamente nas suas instalações ou entregarlhes ticketrefeição para que possam se alimentar nos restaurantes conveniados. // Não incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos ao empregado a título de alimentação in natura. (acórdão CARF nº 2201003.600, de 09/05/2017) CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. TERCEIROS (INCRA, SENAC, SESC, SEBRAE, SALÁRIOEDUCAÇÃO). BASE DE CÁLCULO. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR (PAT). FALTA DE INSCRIÇÃO. AUXÍLIOALIMENTAÇÃO. FORNECIMENTO DE TICKET. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE SALÁRIO IN NATURA. CARACTERIZAÇÃO DE ALIMENTO IN NATURA. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. ALINHAMENTO COM ENTENDIMENTO DO STJ, CARF E PGFN. RESP Nº 1.119.787SP, DJE 13/05/10, ADE Nº 03/11, PARECER PGFN/CRJ/Nº 2117/11, IN RFB Nº 1.456/14, REGIMENTO INTERNO CARF (PORT. MF Nº 343/15 ART. 62, PAR ÚN., II, “A”), PARECER PGFN/CRJ/Nº 2117/11 Na relação de emprego, a remuneração representada por qualquer benefício que não seja oferecido em pecúnia configura o denominado “salário utilidade” ou “prestação in natura”. Nesse contexto, se a não incidência da contribuição previdenciária sobre alimentação abrange todas as distribuições e prestações in natura, ou seja, que não em dinheiro, tanto a alimentação propriamente dita como aquela fornecida via ticket, mesmo sem a devida inscrição no PAT, deixam de sofrer a incidência da contribuição previdenciária. (acórdão CARF nº 2201003.549, de 06/04/2017) Em suma, é necessário dar provimento parcial ao recurso nesse ponto para excluir da base de cálculo os valores referentes à aquisição de tickets alimentação, mantendo apenas os valores pagos em dinheiro ou em reembolso. Fl. 2197DF CARF MF Processo nº 10580.011920/200716 Acórdão n.º 2202004.635 S2C2T2 Fl. 2.198 15 4. Assistência Médica: A Contribuinte argumenta que tampouco pode ser incluída na base de cálculo a assistência médica. Argumenta, em primeiro lugar, que essa verba não é remuneratória. Para tanto, afirma que a Lei nº 10.243/2001 posterior à Lei nº 9.528/1997 alterou o § 2º do art. 458 da CLT para que ficasse claro não ser a assistência médica elemento integrante do salário. Em segundo lugar, afirma que o benefício foi concedido a todos os empregados da empresa. Para tanto, descreve de forma individualizada as obras. Ainda aponta que esse fato já foi reconhecido pela DRJ. Em terceiro lugar, aponta que a jurisprudência do CARF já se consolidou no sentido de ser possível oferecer assistência médica diferenciada. Enfim, contesta a aferição indireta desenvolvida no lançamento SSA. Retornando ao relatório fiscal, a autoridade lançadora fundamentou assim o auto de infração nesse ponto: "4.4.1 A GDK S/A concede assistência médica em desacordo com o disposto no art. 28, § 99, da Lei 8.212, de 1991, pois este benefício não é extensível a todos os seus empregados, conforme exige a citada Lei. (...) 4.4.2 A empresa declarou que o plano de saúde é disponibilizado apenas para a Administração e para algumas obras, conforme planilha digital apresentada pela empresa, juntamente com outros arquivos digitais, mencionado no item 3.3, sob a denominação de Arquivo Recorte.shs (...)" fl. 181. Analisando a questão a DRJ, por sua vez, concluiu que não apenas haviam segurados empregados que não estavam incluídos nos planos de assistência médica como, dentre aqueles incluídos, havia grande divergência entre as coberturas. Pois bem. 4.1. Da abrangência do benefício: A questão se resume a identificar se o Contribuinte estende o benefício a todos os seus empregados. Este é o único fundamento adotado pela autoridade lançadora para incluir essa rubrica no lançamento. É verdade que a DRJ inova ao utilizar outro argumento como fundamento para manter o lançamento. Ao julgar essa questão, a DRJ argumenta que foram oferecidas assistências médicas diferenciadas para os trabalhadores. Anota que alguns tiveram um plano de saúde, outros tiveram outro plano de saúde, e que haviam ainda segurados empregados que não tinham acesso a plano de saúde, mas sim a médicos ou clínicas contratadas diretamente pela Contribuinte. Registrase que no lançamento e no próprio relatório fiscal foi identificada e pormenorizada expressamente a existência de diversos planos de saúde diferentes para os muitos segurados empregados que receberam o benefício. Também foi indicado que foram contratadas clínicas e médicos diretamente pela empresa para oferecer a assistência médica. Porém, a autoridade lançadora não suscitou a questão de que a cobertura é diferenciada nem Fl. 2198DF CARF MF Processo nº 10580.011920/200716 Acórdão n.º 2202004.635 S2C2T2 Fl. 2.199 16 discorreu uma única linha sobre a exigência de que a cobertura seja idêntica. Limitouse a afirmar que a própria contribuinte "declarou que o plano de saúde é disponibilizado apenas para a Administração e para algumas obras", indicando a seguir as que tinham (e qual o plano que tinham) e as que não tinham (fls. 181/182). Tanto isso é verdade que a Contribuinte se limita, em sua impugnação, a tentar comprovar que todos estavam acobertados pela assistência médica. Por exemplo: "6.1 Em outro levantamento, cobra a Fiscalização contribuição previdenciária sobre as despesas correspondentes ao pagamento de assistência médica aos funcionários. Alegam os autuantes que a impugnante concedeu o benefício em desacordo com o disposto no art. 28, §9°, "q", da Lei n° 8.212/91, pois, segundo seu entender, este benefício não seria extensível a todos os empregados." fl. 639; (...) 6,4 Com o devido respeito, a cobrança da contribuição previdenciária sobre as despesas com assistência médica não pode prosperar pelos seguintes motivos: a) a assistência médica não é verba remuneratória, não integrando, portanto, o salário de contribuição; b) ao revés do que alega a Fiscalização, a assistência médica é concedida a todos os empregados da empresa, por meio de convênios médicos ou pelo serviço médico próprio da empresa. Sendo assim, está respeitado o art. 28, §9°, "q", da Lei n°. 8.212/91 em todos os seus termos;" fl. 640; (...) "6.14 Não bastasse a revogação tácita da condição estabelecida pela Lei n°. 9.528/97 para não integração da assistência médica ao saláriodecontribuição, passará a impugnante a demonstrar que cumpriu a parte final do inciso "q" do §9° do art. 28 da Lei n°. 8.212/91, é dizer, estendeu a todos os seus funcionários o beneficio da assistência médica, ao revés do que alegam os autuantes." fl. 645; (...) "6.65 Deste modo, examinadas, especificamente, todas as obras nas quais os auditores afirmaram que não houve a contratação de plano de saúde pela empresa impugnante para os funcionários, foi devidamente comprovado que a assistência médica foi efetivamente prestada a todos os seus empregados, indistintamente, seja por meio de plano de saúde, seja diretamente pela contratação de médicos e clínicas especializadas, não assistindo qualquer razão à Fiscalização, no sentido de que essa assistência era prestada apenas a alguns empregados." fl. 661. É a DRJ que acrescenta e foca nesse novo argumento da disparidade entre as coberturas. É em relação a esse ponto que se alonga, argumentando que a contratação de Fl. 2199DF CARF MF Processo nº 10580.011920/200716 Acórdão n.º 2202004.635 S2C2T2 Fl. 2.200 17 médicos ou clínicas para alguns funcionários, e planos de saúde (múltiplos e com serviços diversos) é hipótese que de cobertura diferenciada e, por isso, não cumpre os requisitos legais. Tratase de inovação em relação ao lançamento, porém não vicia a decisão porquanto a DRJ manteve o fundamento original, apenas acrescentando novos. Especificamente, indicou que na obra 706 alguns segurados estavam tinham plano de saúde, enquanto outros não tinham. Vício haveria, apenas, se esse novo fundamento fosse exclusivo para manter o lançamento. De qualquer sorte, uma vez que é argumento inovador, que não consta do lançamento, deixarseá de analisálo porquanto não pode ser fundamento para a manutenção do lançamento. O julgamento se limitará ao fundamento utilizado pela autoridade lançadora: a não oferta de assistência médica a todos os empregados e dirigentes. Ante a impugnação individualizada a Contribuinte, a DRJ discorreu pontualmente sobre cada obras. Como já anotado dois parágrafos acima, apenas em relação à obra 706 identificou falha na oferta do benefício à integralidade dos trabalhadores. Especificamente em relação a esta, escreveu: "Em relação à documentação anexa às folhas 986 a 1.169 (doc 11), relativo à obra 706 (onde o contribuinte informa que contratou 1.022 empregados para esta obra), observamos que nem todas os empregados constantes da GFIP foram incluídos no Plano de Saúde. Na documentação acostada pela empresa (fls. 1050) informa 1.007 trabalhadores, enquanto que na relação do plano de saúde, competência 09/2005, constam como beneficiários do plano de saúde 924 (novecentos e vinte quatro) segurados empregados (fls. 1.137). Também, foi juntado fatura da competência 06/2005 contendo 580 beneficiados do plano de saúde, acompanhado das relações nominais (fls.1.102/1.111). Assim fica provado que o seguro de saúde não é extensivo a todos os segurados da empresa. Observase que não foram apenas três empregados que não se encontravam com cobertura do plano de saúde." fl. 1.998 Portanto, não assiste razão à Contribuinte quando afirma que a decisão recorrida reconhece a abrangência total dos empregados. Entretanto, como a DRJ analisa individualmente cada estabelecimento, mas contesta apenas essa obra, não pode o recurso da Contribuinte piorarlhe a situação, de sorte que o julgamento se limita a ela. Voltando ao recurso voluntário, a Contribuinte transcreve o conteúdo da impugnação, afirmando que em 19/12/2003 foi contratada a assistência médica por meio da empresa Micromed Assistência Médica S.A. Ltda. pelo plano Albert Sabin S.A.S., para atender todos os seus 1.022 empregados da obra 706, localizada no município de Campinas SP, com cobertura ambulatorial e hospitalar abrangendo diversos municípios adjacentes à obra. Indica como prova o doc. 11 anexo à impugnação (fls. 985/1.169). Nas provas apresentadas, apresenta a seguir o contrato com a Micromed (fls. 1.066/1.080), do qual se extrai o seguinte: CLÁUSULA SEXTA A forma de contratação do plano de assistência à saúde, ora contratado, é COLETIVO EMPRESARIAL onde a Fl. 2200DF CARF MF Processo nº 10580.011920/200716 Acórdão n.º 2202004.635 S2C2T2 Fl. 2.201 18 CONTRATANTE pode incluir seus diretores e funcionários e seus dependentes. § 1° A CONTRATANTE deverá fornecer no ato da assinatura desse contrato uma declaração dos diretores e funcionários, com vínculo empregatício, e de seus dependentes que serão incluídos no plano. (...) CLÁUSULA DEZOITO A CONTRATANTE . obrigase a pagar as mensalidadeS indicadas em, faturas/duplicatas emitidas pela CONTRATADA. O vencimento das mensalidades estará registrado em cada uma das faturas/duplicatas. CLÁUSULA DEZENOVE A primeira mensalidade deverá ser paga no ato da assinatura do contrato. CLAUSULA VINTE Os valores das mensalidades serão fixados em Real, de acordo com a faixa etária dos diretores e funcionários da CONTRATANTE, e seus dependentes, levando em conta os preços fixados no presente contrato (Resolução n° 6/98, Art. 45. (...) CLÁUSULA QUARENTA O valor mensal da contraprestação a ser pago pela CONTRATANTE será o seguinte: PLANO S.A.S B1 (1/2 APARTAMENTO SEMACOMPANHANTE) • Valor por usuário: R$ 36,00 (Trinta e seis reais) • Cartão de identificação: R$ 5,00 (por usuário). . PLANO S.A.S B2 (APARTAMENTO COM ACOMPANHANTE) 0 a 17 18 a 29 30 a 39 40 a 49 50 a 59 60 a 69 Acima 70 R$ 80,95 R$ 93,09 R$ 111,71 R$ 139,63 R$ 201,07 R$ 303,61 R$ 579,70 • Cartão de identificação: R$ 5,00 (por usuário). Em outras palavras, o plano é coletivo e empresarial, podendo incluir os funcionários. Logo, em tese, poderiam estar todos abrangidos. Entretanto, a Contribuinte declara ter 1.022 trabalhadores na competência 09/2005 (1.007 nas fls. 986/1.054 e 15 nas fls. 1.055/1.065), mas na faturas de prestação de plano de saúde referente a este mês (fls. 1.137/1.149) constam 924 beneficiários. Faltam 83, as quais poderiam, em tese, ter recusado o plano, porém cujo motivo de não estarem incluídos a Contribuinte não esclarece. Fl. 2201DF CARF MF Processo nº 10580.011920/200716 Acórdão n.º 2202004.635 S2C2T2 Fl. 2.202 19 Causa estranheza, outrossim, o fato de que no mês subsequente o plano identifica apenas 263 beneficiários (fl. 1.150) enquanto no mês anterior identifica 526 (fl. 1.123). Seja como for, a Contribuinte não comprovou ter oferecido o plano à integralidade dos seus empregados, razão pela qual não é possível dar provimento ao recurso nesse ponto. 4.2. Aferição indireta: Enfim, contesta a aferição indireta desenvolvida no lançamento SSA. Segundo argumenta, o salárioutilidade é aquele há um benefício ao trabalhador. Se a empresa descontou mais do que gastou, então não houve benefício, não houve incremento remuneratório que justifique tributação. Ressalta que as competências são independentes, não sendo possível utilizar a anterior e a posterior como referência para determinada competência. Ainda, que a apuração indireta é hipótese excepcional, tendo com requisito a recusa, sonegação ou a deficiência na apresentação de documentos, o que não ocorreu no caso concreto. Efetivamente, a autoridade lançadora realizou lançamento por aferição indireta em diversas competências exatamente por esse fundamento: os valores descontados dos segurados superavam os valores despendidos. Fundamentouse no art. 33, §§ 1º a 3º e 6º da Lei nº 8.212/1991 e na IN SRP nº 03/2005. Novamente sem razão a Contribuinte. A verdade é que não há sentido lógico em a empresa descontar dos segurados valores superiores àqueles pagos para os serviços de assistência médica. Tratarseia de apropriação indébita. Pelo contrário, é de se imaginar que se o desconto é superior ao valor despendido isso se deve a incorreção nos dados identificados. Efetivamente, é possível que a empresa tenha omitido algum registro na sua contabilidade, ainda que erro, sem dolo. Também é possível que os registros contábeis estejam corretos, mas que a empresa efetuou a despesa em outra competência, de sorte que os dados coletados pela fiscalização é que estariam equivocados. Seja como for, antes a ausência de lógica nos dados coletados, tem fundamento o entendimento da autoridade lançadora de que a hipótese se enquadra no art. 33, §§ 3º e 6º, da Lei nº 8.212/1991: é factível que a contabilidade não registrou o movimento real das despesas, em função de recusa, sonegação ou apresentação deficiente, permitindo que a autoridade lançadora apure, por aferição indireta. Outrossim, não se observa ausência de lógica no método utilizado, uma vez que apesar de ser possível grande variação de mês a mês é provável haver constância em benefício dessa natureza. Registrase que a aferição indireta gerou mera inversão do ônus da prova. Nesse caminho, tivesse a Contribuinte comprovado a correção dos dados, ou indicado o valor correto a ser considerado, então o lançamento poderia ter sido alterado. Não o fazendo, não há razão para revêlo. 5. Valetransporte: A Contribuinte argumenta que não podem ser incluídos na base de cálculo os valores despendidos a título de valetransporte. Segundo seu recurso, o art. 2º, 'a' e 'b', da Lei nº Fl. 2202DF CARF MF Processo nº 10580.011920/200716 Acórdão n.º 2202004.635 S2C2T2 Fl. 2.203 20 7.418/1985, é claro em estabelecer que o valetransporte não tem natureza salarial nem configura base de cálculo para as Contribuições Previdenciárias, no que é ratificada pelo art. 458, § 2º, III, da CLT. Outrossim, esclareceu que na Convenção Coletiva firmada com um Sindicato dos Trabalhadores estava obrigada a descontar valor inferior àquele determinado pela legislação. Enfim, registrou que o STF já reconheceu a inconstitucionalidade da incidência de contribuição previdenciárias sobre o valetransporte, independente da sua forma; igualmente, indica a Súmula 89 do CARF, e a Súmula 60 da AGU. Retornando ao relatório fiscal, a autoridade lançadora fundamentou assim o auto de infração nesse ponto: "4.5.1 A GDK S/A concede valetransporte a seus empregados com desconto de R$ 1,00 mensal por cada trabalhador. Este procedimento está em desacordo com o previsto no artigo 4°, parágrafo único, da Lei 7.418, de 1985 (...) (...) 4.5.4 Como se vê, só é possível considerar isentos de pagamento de contribuição previdenciária os valores gastos com o fornecimento do valetransporte, se as determinações da Lei e do respectivo Decreto regulamentar forem observadas. Entre elas, o desconto integral no percentual de 6% do salário base, para custeio do vale, a cargo do beneficiário, conforme disposição fixada no inciso I, do artigo 99, do referido Decreto. O descumprimento da norma acima citada, transforma em parcela integrante do salário de contribuição a diferença entre o desconto que deveria ser efetuado, conforme disposição legal (6%), e o efetivamente descontado (1,00 Real). (...) 4.5.4 Foi solicitado da empresa mediante Termo de Intimação para Apresentação de Documentos › TIAD de 17/09/2007, uma relação mensal dos trabalhadores administrativos que receberam vales transportes entre 01/2000 e 12/2006 e o controle mensal da quantidade de vales transportes distribuídos a cada trabalhador. A empresa informou mediante DECLARAÇAO, (Anexo X), que possuía apenas o controle mensal da quantidade de vales transportes distribuídos aos funcionários do setor administrativos lotados na OS 100 Administração Salvador, conforme relação Anexa (Anexo Xl), e somente, apenas, no período de 03/2005 a 12/2006. (...) 4.5.7 Neste levantamento não foram incluídos os valores despendidos com o transporte dos trabalhadores lotados em canteiros de obras, uma vez que não integram o salário de contribuição, conforme dispõe o art. 28, § 9°, m, da Lei 8.212/91. " fls. 183/185. Analisando a questão a DRJ, por sua vez, concluiu que deve ser mantido o lançamento, uma vez que a Contribuinte não cumpriu o requisito legal de descontar o valor do vale transporte do trabalhador até 6% do seu salário básico. Ainda, que não comprovou quais Fl. 2203DF CARF MF Processo nº 10580.011920/200716 Acórdão n.º 2202004.635 S2C2T2 Fl. 2.204 21 eram os segurados empregados que estavam acobertados por acordos coletivos que permitiam/estabeleciam uma dedução menor. Com razão a Contribuinte. A verdade é que a Lei nº 7.418/1985, no parágrafo único do art. 4º, citada pela autoridade lançadora, estabelece que o empregador deve arcar com os custos do transporte do empregado quando este exceder a 6% do salário base. Essa determinação tem o objetivo de garantir que o trabalhador possa ir trabalhar e, ao mesmo tempo, limitar os seus gastos com isso. Repetese: a norma em comento tem o objetivo de limitar os gastos do trabalhador. Tanto assim que o Decreto nº 95.247/1987 estabelece: Art. 9° O ValeTransporte será custeado: I pelo beneficiário, na parcela equivalente a 6% (seis por cento) de seu salário básico ou vencimento, excluídos quaisquer adicionais ou vantagens; II pelo empregador, no que exceder à parcela referida no item anterior. Parágrafo único. A concessão do ValeTransporte autorizará o empregador a descontar, mensalmente, do beneficiário que exercer o respectivo direito, o valor da parcela de que trata o item I deste artigo. Art. 10. O valor da parcela a ser suportada pelo beneficiário será descontada proporcionalmente à quantidade de Vale Transporte concedida para o período a que se refere o salário ou vencimento e por ocasião de seu pagamento, salvo estipulação em contrário, em convenção ou acordo coletivo de trabalho, que favoreça o beneficiário. Frisa o parágrafo único: "A concessão do ValeTransporte AUTORIZARÁ o empregador a descontar (...) o valor da parcela de que trata o item I deste artigo." Ora, não se pode confundir uma autorização com uma obrigação. A Contribuitne está autorizada a descontar a parte do empregado. Não está obrigada a fazêlo. Nesse sentido o seguinte precedentes do CARF: SALÁRIO INDIRETO. SALÁRIO UTILIDADE. VALE TRANSPORTE. DESCONTO MENOR DO QUE O AUTORIZADO PELA LEI. Não incide contribuição previdenciária sobre valores pagos a título de valetransporte. A lei autoriza, mas não obriga, o desconto de até 6% da remuneração do empregado para custeio do valetransporte. A ausência de desconto ou o desconto menor do que o autorizado não implicam descaracterização do benefício. (acórdão CARF nº 2301005.197, de 07/03/2018) Portanto, uma vez que não existe a obrigação de a empresa efetuar o desconto, não pode subsistir o lançamento. Fl. 2204DF CARF MF Processo nº 10580.011920/200716 Acórdão n.º 2202004.635 S2C2T2 Fl. 2.205 22 6. Cartão Benefício: Argumenta a Contribuinte contra a inclusão na base de cálculo dos valores despendidos para a aquisição de cartão benefício. Em primeiro lugar, afirma que não adquiriu tais cartões com o objetivo de premiar ou de beneficiar seus empregados, mas sim como forma de desburocratizar seu controle dos gastos de final de ano nas obras. Entretanto, admite que não tem provas de suas alegações. Em segundo lugar, ressalta que mesmo que se admita a natureza adotada pela autoridade fiscal, o lançamento não pode subsistir porquanto não configura saláriode contribuição. Esclarece que os cartões de benefício foram adquiridos em curtíssimo período, entre 05/12/2003 e 31/01/2004, não configurando habitualidade mas sim, no pior dos casos, ganho eventual. Enfim, aponta haver vício no lançamento. Especificamente, registra que a autoridade lançadora não identificou quais foram os segurados empregados que auferiram o "prêmio", nem os valores individualmente percebidos e as competências. Retornando ao relatório fiscal, a autoridade lançadora fundamentou assim o auto de infração nesse ponto: "4.6.1. A empresa forneceu aos seus empregados cartão de benefícios adquiridos da empresa Salles, Adan & Associados Marketing de Incentivos S/C Ltda., CNPJ ..., no período de 05/12/2003 a 31/01/2004. Este cartão prêmio, concede créditos para que o segurado empregado utilizeos da forma que lhe for conveniente, em diversos estabelecimentos comerciais. Esses valores não foram incluídos no saláriodecontribuição mensal apesar de constituírem uma forma indireta de remuneração. 4.6.2 Ratificando tratarse de premiação, espécie remuneratória, nas notas fiscais de prestação de serviço da empresa Salles Adan, constam na descrição “reembolso referente campanha para aumento de desempenho e produtividade", conforme constam nas Notas Fiscais ng. 008795 e 008827, anexadas por cópia e denominadas como Anexo XIV. (...) 4.6.5 As contribuições previdenciárias dos segurados empregados incidentes sobre estas remunerações foram calculadas pela alíquota mínima (8,0 %), uma vez que a empresa não forneceu a relação individualizada dos beneficiários e os respectivos valores desta premiação." fls. 185/186. Analisando a questão a DRJ, por sua vez, concluiu que deve ser mantido o lançamento nesse ponto uma vez que são taxativos os valores que não integram o saláriode contribuição descritos no art. 28, § 9º, da Lei nº 8.212/1991. Nesse sentido, se não há exclusão pela Lei de determinada parcela remuneratória, então deve ser tributada. Quanto à natureza remuneratória, aponta que as próprias notas fiscais descreviam o serviço como uma campanha de aumento de desempenho e produtividade. Fl. 2205DF CARF MF Processo nº 10580.011920/200716 Acórdão n.º 2202004.635 S2C2T2 Fl. 2.206 23 Pois bem. Como discorreu a Contribuinte no início da sua peça recursal, para que haja incidência das Contribuições Sociais Previdenciárias não basta que seja um pagamento efetuado pela empresa em favor de empregado; é necessário que seja remuneração, contraprestação pelo serviço. Efetivamente, é o que estabelece a própria Lei nº 8.212/1991: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos HABITUAIS sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (grifamos) Não há dúvidas de que o parágrafo está contido pelo caput. Em outras palavras, para que seja necessário analisar se o caso concreto se encaixa na hipótese de não incidência da alínea "q" do §9º, antes é necessário identificar que o caso é hipótese de incidência do tributo, a qual está descrita no caput. Ora, para que se possa falar em saláriodecontribuição é necessário que os "ganhos" "sob a forma de utilidades" sejam "habituais". Assim, não há dúvidas de que é hipótese de ganho habitual o fornecimento de plano de saúde ou assistência médica contínua. No mesmo sentido, o pagamento de aluguel de imóvel em favor de determinado empregado ou a oferta de valealimentação. Nesses casos, há "ganhos habituais sob a forma de utilidades". Identificada a hipótese de incidência, então se observa se a utilidade se encaixará em alguma das hipótese de exclusão contida no §9º desse art. 28. De outro lado, não havendo habitualidade, então o caso não se enquadra na definição de saláriodecontribuição, insculpida no caput e, consequentemente, não há que se falar em incidência de contribuições previdenciárias. Em outras palavras, os pagamentos efetuados de formas eventuais, pontuais, sem qualquer constância, não podem ser considerados base de cálculo para o tributo. Ainda que assim não fosse, é importante registrar que esse mesmo art. 28, em seus § 9º, 'e', 7, estabelece a não incidência sobre as importâncias recebidas a título de ganhos eventuais e abonos desvinculados do salário. Esse entendimento é consubstanciado pela jurisprudência desse Conselho: ABONOS EVENTUAIS. NÃO INTEGRAÇÃO AO SALÁRIO. As importâncias pagas a título de abono foram se deram sem habitualidade o que revela a sua eventualidade e estavam desvinculadas do salário, não constituindo, por isso, base de cálculo das contribuições devidas à seguridade social. (acórdão CARF nº 2401004.986, de 08.08.2017) CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. ABONOS EVENTUAIS. NÃO INTEGRAÇÃO AO SALÁRIO. As Fl. 2206DF CARF MF Processo nº 10580.011920/200716 Acórdão n.º 2202004.635 S2C2T2 Fl. 2.207 24 importâncias foram pagas sem habitualidade o que revela a sua eventualidade e estavam desvinculadas do salário, não constituindo, por isso, base de cálculo das contribuições devidas à seguridade social. (acórdão CARF nº 2402005.813, de 09.05.2017) CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. GRATIFICAÇÕES EVENTUAIS. NÃO INCIDÊNCIA As gratificações eventuais representam ganhos eventuais podem serpecúnia ou em utilidade, não sofrendo a incidência da contribuição previdenciária. Inteligência do art. 28 §9º, alínea "e", item 8, da Lei nº 8.212/91. (acórdão CARF nº 2202003.379, de 10.05.2016) EVENTUALIDADE. BÔNUS GERENCIAL. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. É eventual o pagamento efetuado pela empresa a título de bônus gerencial quando não caracterizado periodicidade ou habitualidade anual nos pagamentos. // No caso concreto, a ocorrência de três pagamentos mensais a título de bônus gerencial em um período de cinco anos evidencia a eventualidade de tais ganhos, razão pela qual não há que se falar de sua integração ao salário de contribuição e consequente incidência de contribuição previdenciária. (acórdão CARF nº 2403002.243, de 15/08/2013) Ora, é possível falar em habitualidade quando só foram fiscalizados 7 (sete) anos inteiros, mas só se identificou a despesa em duas competências, e essa seguidas seguidas? Pior, quando a despesa é descrita pela própria autoridade lançadora como prêmio, sem nenhuma indicação de habitualidade ou vinculação a contraprestação ou a trabalho dos segurados empregados? Certamente que não. Por tudo isso é necessário dar provimento ao recurso nesse ponto. 7. Participação nos Lucros ou Resultados (PLR): A Contribuinte argumenta ser indevida a inclusão dos valores pagos a título de PLR na base de cálculo das Contribuições Previdenciárias. Em primeiro lugar, aponta que se trata de uma imunidade, vez que a CF a desvincula da remuneração sem qualquer condição. Segundo, porque cumpriu todas as regras da Lei nº 10.101/2000. Especificamente, anota que a Lei nº 10.101/2000 não estipula prazo mínimo entre a aprovação e a concessão do benefício. Veda, apenas, o pagamento em periodicidade inferior a um semestre civil ou mais de duas vezes no mesmo ano civil (art. 3º, § 2º). Outrossim, defende que a autoridade lançadora, ao exigir uma "finalidade motivacional", adotou um critério subjetivo absolutamente condenável e afastado da Lei. Questionase qual seria o prazo mínimo para atingir essa "finalidade motivacional", se quatro meses, seis, dez, doze. Ainda que assim não fosse, aponta que o plano de PLR começou a ser planejada no início do anocalendário. Nessa trilha, sustenta que os trabalhadores tinham ciência inequívoca da negociação, pelo menos desde quando foi constituída a comissão de negociação, em 08/07/2002. Fl. 2207DF CARF MF Processo nº 10580.011920/200716 Acórdão n.º 2202004.635 S2C2T2 Fl. 2.208 25 De toda forma, em relação ao anocalendário 2003, argumenta que o plano de 2002 tinha renovação automática. Também, que o plano de PLR aprovado em 2003 apenas utilizou os mesmos critérios do ano anterior. Ainda, anota que a Lei exige critério claros e objetivos, não impondo que sejam justos, convincentes, nem conhecidos no início do ano. Enfim, afirmou que apesar de haver dois programas, ambos utilizavam os mesmos critérios. Dessa forma, busca contestar também o plano referente aos dirigentes, defendendo que devem ter a mesma sorte do plano geral. Retornando ao relatório fiscal, a autoridade lançadora fundamentou assim o auto de infração nesse ponto: "4.8.1 A empresa pagou aos empregados e dirigentes valores decorrentes de Programa de Participação nos Lucros em 2002, 2003 e 2004. A Cláusula Primeira destes programas prevêem a existência de dois componentes distintos para o pagamento da PLR: a) Pagamento de acordo com um percentual do lucro, conforme regra fixada nos programas anuais; b) Programa complementar para cargos de gestão e confiança, baseado na avaliação de resultados financeiros obtidos e atingimento de índices e metas estabelecidas pela administração, também referentes à lucratividade dos empreendimentos. 4.8.2 A regra constante do item "a" acima foi definida nos respectivos Programas de Participação nos Lucros ou Resultados anuais, porém, o PLR referente ao ano de 2002 foi assinado em 02 de dezembro de 2002, não possibilitando aos empregados terem acesso antecipadamente às regras que ensejariam o pagamento da referida parcela durante o exercício corrente, desvirtuando, portanto, a finalidade motivacional do PLR. Como o § 1°, do art. 2°, da Lei 10.101/2000, exige que dos instrumentos decorrentes da negociação devam constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, foi considerado que a sistemática adotada, não atende aos requisitos desta Lei. Salientese que para não incidir contribuição previdenciária sobre esta parcela, fazse mister que ela seja paga de acordo com as regras da Lei 10.101/2000, conforme dicção da alínea j, do § 9°, do artigo 28, da Lei 8.212/91. 4.8.3 Observese que no programa de 2002 havia previsão de renovação automática para os anos seguintes. Ocorre que em 12 de dezembro de 2003, a GDK assinou novo Programa de Participação nos Lucros ou Resultados para vigorar nos anos de 2003 e 2004, descartando o anterior. Com isso, as regras foram novamente definidas no final no exercício, impossibilitando aos empregados o prévio acesso ao regulamento. Já em 2004, não há qualquer irregularidade em relação ao item "a" retro mencionado. Fl. 2208DF CARF MF Processo nº 10580.011920/200716 Acórdão n.º 2202004.635 S2C2T2 Fl. 2.209 26 4.8.4 Já o programa aplicável aos cargos de gestão e confiança, definido no item "b" acima, não possui qualquer regra que torne possível a demonstração da correlação dos valores pagos referentes à PLR acordada, infringindo novamente o disposto no § 1°, do art. 2°, da Lei 10.101/2000. Notese que o citado item “b” menciona que as regras deverão ser estabelecidas pela administração, não prevendo qualquer possibilidade de negociação, com a participação do sindicato. Ademais, a empresa não apresentou à auditoria as regras estabelecidas para o pagamento do item “b” do acordo, embora este documento tivesse sido solicitado através dos Termos emitidos em 01/08/2007, 20/08/2007 e 03/09/2007. 4.8.5 Cabe sintetizar, apenas, que para os cargos de gestão e confiança a irregularidade ocorreu entre 2002 e 2004, enquanto que para os demais empregados a discordância ocorreu entre 2002 e 2003, conforme descrito acima." fls. 187/188. Analisando a questão a DRJ, por sua vez, concluiu que deve ser mantido o lançamento nesse ponto. Isso porque, esclareceu, os segurados empregados não tiveram acesso antecipadamente às regras que ensejaram o pagamento da PLR, uma vez que o programa só foi implementado em 13/12/2002, não sendo suficiente a mera constituição de uma Comissão de Representantes. Isso tudo, esclarece, desrespeita o art. 2º, § 1º, da lei nº 10.101/2000. O mesmo se repetiu em 2003, vez que nesse ano foi aprovado um novo plano, que substituiu o anterior. Também houve irregularidade em relação ao plano referente aos cargos de gestão e de confiança uma vez que as regras deveriam ser estabelecidas apenas pela administração, sem qualquer possibilidade de negociação entre as partes. Pois bem. A lide se resume, portanto, a duas controvérsias: (1) definir se a aprovação do plano de PLR no final do período ofende a Lei e (2) a identificar se haviam regras claras para os cargos de gestão e confiança. 7.1. Do momento da aprovação do PLR Lendo o art. 2º, § 1º, da referida Lei nº 10.101/2000, a autoridade lançadora entendeu que o fato de o Programa de PLR ter sido assinado apenas em dezembro dos respectivos exercícios impossibilitou os empregados de ter acesso às regras que ensejariam o pagamento da referida parcela. Efetivamente, teria desvirtuado a "finalidade motivacional" da verba. Convém a leitura do comando legal: Art. 2o A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1o Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos Fl. 2209DF CARF MF Processo nº 10580.011920/200716 Acórdão n.º 2202004.635 S2C2T2 Fl. 2.210 27 substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2o O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. § 3o Não se equipara a empresa, para os fins desta Lei: I a pessoa física; II a entidade sem fins lucrativos que, cumulativamente: a) não distribua resultados, a qualquer título, ainda que indiretamente, a dirigentes, administradores ou empresas vinculadas; b) aplique integralmente os seus recursos em sua atividade institucional e no País; c) destine o seu patrimônio a entidade congênere ou ao poder público, em caso de encerramento de suas atividades; d) mantenha escrituração contábil capaz de comprovar a observância dos demais requisitos deste inciso, e das normas fiscais, comerciais e de direito econômico que lhe sejam aplicáveis. São requisitos, em outras palavras, 1. Que a negociação seja feita por comissão escolhida entre as partes ou por convenção coletiva; 2. Que tenha regras claras e objetivas: 2.1. quanto à fixação dos direitos, inclusive em relação aos mecanismos de aferição das informações pertinentes, à periodicidade da distribuição, da vigência e dos prazos para revisão; 2.2. que podem tomar como critérios os índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa, bem como programas de metas, resultados e prazos; e 3. Que o acordo seja arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. Não há, na leitura desse comando legal, nenhuma referência ao prazo para a aprovação nem para o arquivamento do plano. Fl. 2210DF CARF MF Processo nº 10580.011920/200716 Acórdão n.º 2202004.635 S2C2T2 Fl. 2.211 28 Com a devida vênia em relação àqueles que exigem o depósito prévio, entendo não ser possível impor ao sujeito passivo o adimplemento de um requisito que não consta na Lei. Registrase que há, também nesse sentido, diversos precedentes desse conselho: Acórdão CSRF nº 9202003.370, de 17/09/2014 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS DA EMPRESA PLR. IMUNIDADE. OBSERVÂNCIA À LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. ACORDO PRÉVIO AO ANO BASE. DESNECESSIDADE. A Participação nos Lucros e Resultados PLR concedida pela empresa aos seus funcionários, como forma de integração entre capital e trabalho e ganho de produtividade, não integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias, por força do disposto no artigo 7º, inciso XI, da CF, sobretudo por não se revestir da natureza salarial, estando ausentes os requisitos da habitualidade e contraprestação pelo trabalho. Somente nas hipóteses em que o pagamento da verba intitulada de PLR não observar os requisitos legais insculpidos na legislação específica, notadamente artigo 28, § 9º, alínea “j”, da Lei nº 8.212/91, bem como MP nº 794/1994 e reedições, c/c Lei nº 10.101/2000, é que incidirão contribuições previdenciárias sobre tais importâncias, em face de sua descaracterização como Participação nos Lucros e Resultados. A exigência de outros pressupostos, não inscritos objetivamente/literalmente na legislação de regência, como a necessidade de formalização de acordo prévio ao ano base, é de cunho subjetivo do aplicador/intérprete da lei, extrapolando os limites das normas específicas em total afronta à própria essência do benefício, o qual, na condição de verdadeira imunidade, deve ser interpretado de maneira ampla e não restritiva. Acórdão CSRF nº 9202003.192, de 06/05/2014 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS (PLR). ANTERIORIDADE DE CONVENÇÃO COLETIVA, ACORDO COLETIVO OU NEGOCIAÇÃO COLETIVA. NECESSIDADE. INEXISTENCIA DE PRAZO FIXADO EM LEI. ACORDO FIRMADO DURANTE O PERÍODO DE AFERIÇÃO DAS METAS ATENDE AOS REQUISITOS LEGAIS. A Lei 10.101/2000 exige que o fechamento do acordo para o pagamento da PLR ocorra antes do pagamento e ao menos durante o período de aferição dos critérios adotados para fixação do direito subjetivo dos trabalhadores. Referida lei não estabelece, contudo, prazo mínimo necessário entre o fechamento do acordo e o pagamento da PLR, não cabendo ao interprete fazêlo. Acórdão CSRF nº 9202003.485, de 29/01/2013 Fl. 2211DF CARF MF Processo nº 10580.011920/200716 Acórdão n.º 2202004.635 S2C2T2 Fl. 2.212 29 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2006 CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. INEXISTÊNCIA. AUTODE INFRAÇÃO. SALÁRIO INDIRETO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. OBSERVÂNCIA DA LEGISLAÇÃO REGULAMENTADORA. METAS. PRESCINDIBILIDADE. LUCROS. NEGOCIAÇÃO POSTERIOR AO SEU ADVENTO. INEXISTÊNCIA DE VEDAÇÃO LEGAL. (...) VI A legislação regulamentadora da PLR não veda que a negociação quanto a distribuição do lucro, seja concretizada após sua realização, é dizer, a negociação deve preceder ao pagçamento, mas não necessariamente advento do lucro obtido. Recurso especial negado. Acórdão CARF nº 2301003.572, de 19/06/2013 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. REQUISITOS DA LEI 10.101/00. DATA DE ASSINATURA DOS ACORDOS E DIVERGÊNCIA NOS VALORES PAGOS AOS EMPREGADOS Não constitui desrespeito à Lei nº 10.101/00 a celebração de acordos de PLR na metade ou no final do período a que se referiam acima descritos, já que legislação não estipula prazo para a sua assinatura, tampouco exige que seja veiculado no ano imediatamente anterior ao exercício no qual serão apuradas as metas. Rege o princípio do “ubi lex non distinguit nec nos distinguere debemus”, ou seja, onde a lei não distingue, não pode o intérprete distinguir, de modo a inserir na norma requisito nela não previsto. A legislação privilegia a livre negociação entre as partes, ressaltando apenas pontos que devem reger todos os acordos. É muito comum e normal que no curso das negociações para entabular o acordo final sejam definidas as metas primordiais que se buscam alcançar, não se podendo afirmar que os empregados, quando da assinatura do acordo, desconheciam os objetivos a serem perseguidos. Em suma, porquanto o fundamento do lançamento não tem embasamento legal, não pode subsistir a cobrança do tributo nesse ponto. 7.2. Dos cargos gerenciais e de confiança Outrossim, a autoridade lançadora também glosa os pagamentos de PLR feitos em função do programa especial referentes aos cargos gerenciais e de confiança. Funda se no fato de que neste caso o programa estabelecia que as regras eram estabelecidas pela administração, de forma unilateral e sem a participação do sindicato e que a empresa não apresentou o documento mesmo sendo intimada e reintimada. Fl. 2212DF CARF MF Processo nº 10580.011920/200716 Acórdão n.º 2202004.635 S2C2T2 Fl. 2.213 30 A recorrente argumenta que o programa complementar foi sim aprovado por negociação coletiva, incluindo a empresa, os empregados e a Federação dos Trabalhadores da Indústria do Estado da Bahia. Dessa forma, como as próprias partes envolvidas entenderam que as regras eram claras e objetivas, não tem sentido a autoridade fiscalizadora glosar por esse argumento. A verdade é que cabe à autoridade lançadora fiscalizar a adequação do Plano de PLR à Lei. Deve, portanto, observar se o programa cumpre os requisitos legais, inclusive com relação à existência de regras claras e objetivos. Neste último ponto reside o dilema: à autoridade lançadora não cabe realizar juízo de valor co relação à clareza e à objetividade das normas, mas apenas identificar se existem. Em melhores palavras: não se admite que a autoridade fiscalizadora glose o lançamento ao argumento de que as regras são complicadas,de difícil cálculo ou apuração. Pode, apenas, apurar se existem ou não as regras. Passando ao caso em tela, convém a leitura direta do Regimento Interno do Programa (fls. 1.358/...): CLÁUSULA PRIMEIRA DIRETRIZES (...) a) O PPLR para o exercício de 2002 se constituirá de dois componentes distintos: a1 Existência de Lucro Líquido Contábil no exercício de 2002, apresentado no Demonstrativo de Resultados, contido nas Demonstrações Financeiras elaboradas e divulgadas pela Empresa. a.2 Programa complementar para cargos de gestão e confiança baseado na avaliação de resultados e atingimento de índices e metas estabelecidos pela Administração. (...) CLÁUSULA TERCEIRA CRITÉRIOS DE CÁLCULO DA PARTICIPAÇÃO: (...) Para o cálculo da Participação, será relacionado o Lucro Líquido Contábil apurado, previsto no item a.1 da Cláusula primeira, com o valor do Patrimônio Líquido Contábil do início do exercício de 2002 (...) Para os empregados que exercem cargos de gestão e confiança, haverá pagamento adicional, baseado na avaliação de resultados, estabelecidos pela Administração, conforme programa complementar previsto no item a.2 da Cláusula primeira. (grifamos) (...) Fl. 2213DF CARF MF Processo nº 10580.011920/200716 Acórdão n.º 2202004.635 S2C2T2 Fl. 2.214 31 CLÁUSULA SEXTA PAGAMENTO COMPLEMENTAR EXECUTIVOS: O presente Programa contempla a GDK Engenharia S.A. elaborar e adotar, isolada e exclusivamente, um programa complementar de participação específico para os empregados ligue exercem cargos de gestão ou de confiança. Ou seja, é realmente dividido dois: um está bem delineado e descrito no Regimento Interno e o outro apenas é mencionado, não havendo indicação de quais as regras de apuração. Portanto, não se discute se as regras são claras e objetivas, mas sim se existem ou não. Frisase: esse programa contempla pagamentos adicionais, que serão feitos com base em índices não identificados, por avaliações não descritas, e em proporções não apontadas. Ou seja, a Contribuinte pode efetuar pagamentos de quaisquer valores aos executivos, inclusive para alguns e não para outros, vez que as regras podem ser as que ela quiser. Registrase que a Contribuinte teve oportunidade durante a fiscalização e durante o processo administrativo para apresentar quais foram as regras utilizadas para o pagamento adicional. Não o fez. Nesse caminho, correto o lançamento em relação às verbas adicionais, não decorrentes do plano geral, mas sim do plano complementar. 8. Trabalhadores expatriados: Argumenta a Contribuinte que os trabalhadores que laboravam fora do país não podem ser incluídos na base de cálculo das suas Contribuições Sociais Previdenciárias porquanto trabalhavam para outra empresa. Esclarece que essa outra empresa não era filial, agência nem sucursal da Recorrente. Especifica, ainda, que a filial boliviana da GDK só foi criada anos depois. Retornando ao relatório fiscal, a autoridade lançadora fundamentou assim o auto de infração nesse ponto: "4.7.1 A empresa utilizou mãodeobra de empregados brasileiros que trabalharam na filial da Bolívia, prestando serviços de engenharia, obras e montagens, nos denominados Projetos GASYRG e SABALO, na localidade de Santa Cruz. Alguns destes empregados prestaram serviços na Bolívia por mais de 90 (noventa) dias, recebendo parte da remuneração no Brasil e outra parte paga diretamente na Bolívia. Nestes casos, a empresa somente ofereceu à tributação a parcela remuneratória paga no Brasil. 4.7.2 Salientese que o estabelecimento da Bolívia é uma filial da GDK SA, constituída conforme disposto na ata da AGE Assembléia Geral Extraordinária de O2 de janeiro de 2002, registrado na Juceb Junta Comercial do estado da Bahia sob n° 96356192 em 25/01/2002. As AGE Assembléia Geral Extraordinária de 05 de fevereiro e 20 de abril de 2002, Fl. 2214DF CARF MF Processo nº 10580.011920/200716 Acórdão n.º 2202004.635 S2C2T2 Fl. 2.215 32 aumentaram o capital social desta filial e a AGE de 31 de outubro de 2003 reduziu o capital social. Cópias dessas atas foram anexadas ao presente relatório. (Anexo XV). 4.7.3 A data de admissão bem como os valores dos salários desses segurados expatriados foi obtida nas folhas constantes na PLANILHA MENSAL DE VALORES PAGOS que foram apresentados pela Empresa, por fotocópia, Anexo XVI. (...)" fl. 186/187. Ao tratar desse tema, o relatório fiscal faz referência aos anexos XVI, XVI e XVII. Analisando a questão a DRJ, por sua vez, concluiu que deve ser mantido o lançamento uma vez que é segurado obrigatório a pessoa domiciliada e contratada no Brasil para trabalhar como empregado em empresa domiciliada no exterior, mas cuja maioria do capital votante pertença a empresa brasileira de capital nacional (art. 12, I, 'f', da Lei nº 8.212/1991). Pois bem. A defesa da Contribuinte se pauta na tese de que a empresa contratante não era filial sua, mas sim uma terceira pessoa. Não contesta os valores nem a existência do contrato trabalhista. Eis a delimitação da lide. A autoridade lançadora junta aos autos ata da AGE da Geral Damulakis Engenharia S.A. (fls. 371/373), de 02/01/2002, da qual se extrai o seguinte: "Vimos pela presente, convidálo a comparecer a Assembléia Geral Extraordinária a ser realizada no dia 02 de janeiro de 2002, às 10 horas em nossa sede social, a fim de tratar da seguinte ordem do dia: PRIMEIRO: A Constituição de uma filial da GERAL DAMULAKIS ENGENHARIA S.A., na República da Bolívia, a qual terá a denominação de GERAL DAMULAKIS BOLÍVIA e terá capital social próprio inicial de (...) e providenciar a inscrição da mesma, nos termos da legislação vigente. SEGUNDO: Fixação da sede da Filial no Estado de Santa Cruz de La Sierra, na REpública da Bolícia, no seguinte endereço (...). TERCEIRO: Designar como representante legal da Filial o Sr. (...). (...). Após deliberarem e discutirem sobre a proposta apresentada, para a abertura e instalação das Filiais, foi por unanimidade aprovada a proposta, (...)." fls. 372/373. Juntou ainda outras Atas de AGE nas quais: · Os acionistas da GeralDamulakis Engenharia S.A. discorrem sobre o aumento de capital da Geral Damulakis Bolívia S.A. (fls. 374/377); · Os acionistas da GeralDamulakis Engenharia S.A. deliberam pela alteração da denominação social para GDK Engenharia S.A. (fl. 529); Fl. 2215DF CARF MF Processo nº 10580.011920/200716 Acórdão n.º 2202004.635 S2C2T2 Fl. 2.216 33 · Os acionistas da GDK Engenharia S.A., em 31/10/2003, aprovam a redução do capital social da empresa GDK Engenharia Bolívia S.A., esta criada em 01/02/2002 (fls. 378). · Os acionistas da GDK Engenharia, em 25/03/2003, decidem alterar a denominação da Geral Damulakis Bolívia S.A. para GDK Engenharia Bolícia S.A. (fl. 379). Por sua vez, a única prova em relação a esse tema que a Contribuinte traz é o Doc. 22, "Comprovante de inscrição da empresa Geral Damulakis Bolívia S.A. no Servicio de Impuestos Nacionales, da Bolívia", i.e., o "Certificado de Inscripción" (fls. 1.458/1.459). Deste documento se extrai que a empresa foi registrada em 08/02/2002 pela mesma pessoa que ficou designada representante legal da filial na Ata da AGE supra mencionada. De volta ao relatório fiscal e às provas juntadas pela autoridade lançadora, anotase que os valores dos pagamentos foram apurados com base em Planilha Mensal de Valores Pagos apresentada pela própria Contribuinte. O que é mais, analisando diretamente essas (fls. 390/441), constatase que elas foram elaboradas pela GDK Bolívia S.A., algumas datadas, inclusive, de final de 2002 e começo de 2003. As provas apresentadas pela autoridade lançadora são robuscas principalmente a última Ata de AGE no sentido de provar que se trata de uma única empresa, inicialmente criada como Geral Damulakis Bolívia, mas que logo mudou de nome para GDK Bolívia. Nesse caminho, não teria havido criação de nova empresa filial, mas sim alteração da denominação da empresa já existente, filial da Contribuinte ab ovo. Registrase que a Contribuinte afirma serem empresas diversas. Contudo, traz prova apenas da criação de uma, a Geral Damulakis Bolívia S.A. Não traz nenhuma prova no sentido da criação da GDK Bolívia como empresa nova e independente, nem esclarece porque ela, GDK, elaborou e apresentou as planilhas com os pagamentos em seu próprio nome. Por esse motivo, não é possível dar provimento ao recurso nesse ponto. 9. Adicional de risco: Por fim, a Contribuinte se insurge, também, contra o lançamento referente ao adicional de aposentadoria especial. Argumenta que a autoridade lançadora não tem competência para verificar se os equipamentos de proteção individual oferecidos pela empresa eram ou não hábeis a atenuar as condições especiais de saúde e integridade dos trabalhadores. Pelo contrário, defende que essa competência é dos órgãos do Ministério do Trabalho e Emprego. No caso concreto, anotou que as autoridade lançadora aferiram a inadequação de maneira abstrata, sem qualquer laudo técnico fornecido por profissionais especializados em medicina e segurança do trabalho. Retornando ao relatório fiscal, a autoridade lançadora fundamentou assim o auto de infração nesse ponto: "4.9.1 Foram analisadas na fase de Diagnostico os documentos referentes aos riscos ocupacionais. Foram efetuados testes de amostragem de entrega de EPI Equipamento de Proteção Individual, que eliminaram os riscos ambientais. No entanto Fl. 2216DF CARF MF Processo nº 10580.011920/200716 Acórdão n.º 2202004.635 S2C2T2 Fl. 2.217 34 para a categoria dos mergulhadores, os EPI não minimizaram as condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física. Para esta categoria exposta a agentes nocivos, a legislação prevê a aposentadoria especial aos 25 anos de contribuição, devendo a empresa pagar uma contribuição adicional de 6% do valor da remuneração para financiamento do benefício. 4.9.2 A empresa declarou em GFIP todos os mergulhadores sem, contudo, declarar no campo ocorrência o código relacionado à aposentadoria especial de 25 anos de contribuição. Até o ano de 2005, nenhum mergulhador foi declarado como exposto aos agentes nocivos. Em 2006, todavia, apenas uma parte dos mergulhadores foi declarada em GFIP com a informação. Neste débito, no entanto, foram lançados o adicional de exposição a agentes nocivos incidentes apenas sobre a remuneração dos mergulhadores declarados em GFIP sem a indicação desta ocorrência, conforme Anexo XIX.a 4.9.2 E importante frisar que as remuneração dos mergulhadores declarados em GFIP no ano de 2006 com exposição a agentes nocivos (Anexo XlX.b) não foram lançadas nesse débito." fl. 189/190. Analisando a questão a DRJ, por sua vez, repetiu o exposto no relatório fiscal de que a auditoria identificou que os equipamentos não minimizaram as condições prejudiciais à saúde. Ato contínuo, repetiu a legislação, citando o art. 57 da Lei nº 8.212/1991, o art. 68 do Decreto nº 3.048/1999, e a IN INSS/DC nº 100/2003 e IN SRP nº 3/2005. Enfim, concluiu que o lançamento deve ser mantido. Pois bem. A Recorrente não contesta os fatos propriamente ditos, mas apenas a competência da autoridade lançadora para investigálos e a ausência de laudo técnico comprovando a inadequação dos EPI's. A legislação de regência da matéria estabelece que Lei nº 8.213/1991: Art. 57. A aposentadoria especial será devida, uma vez cumprida a carência exigida nesta Lei, ao segurado que tiver trabalhado sujeito a condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física, durante 15 (quinze), 20 (vinte) ou 25 (vinte e cinco) anos, conforme dispuser a lei. (...) § 6º O benefício previsto neste artigo será financiado com os recursos provenientes da contribuição de que trata o inciso II do art. 22 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, cujas alíquotas serão acrescidas de doze, nove ou seis pontos percentuais, conforme a atividade exercida pelo segurado a serviço da empresa permita a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição, Fl. 2217DF CARF MF Processo nº 10580.011920/200716 Acórdão n.º 2202004.635 S2C2T2 Fl. 2.218 35 respectivamente. (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 11.12.98) (Vide Lei nº 9.732, de 11.12.98) § 7º O acréscimo de que trata o parágrafo anterior incide exclusivamente sobre a remuneração do segurado sujeito às condições especiais referidas no caput. (...) Art. 58. A relação dos agentes nocivos químicos, físicos e biológicos ou associação de agentes prejudiciais à saúde ou à integridade física considerados para fins de concessão da aposentadoria especial de que trata o artigo anterior será definida pelo Poder Executivo. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 1997) § 1º A comprovação da efetiva exposição do segurado aos agentes nocivos será feita mediante formulário, na forma estabelecida pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS, emitido pela empresa ou seu preposto, com base em laudo técnico de condições ambientais do trabalho expedido por médico do trabalho ou engenheiro de segurança do trabalho nos termos da legislação trabalhista. (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 11.12.98) § 2º Do laudo técnico referido no parágrafo anterior deverão constar informação sobre a existência de tecnologia de proteção coletiva ou individual que diminua a intensidade do agente agressivo a limites de tolerância e recomendação sobre a sua adoção pelo estabelecimento respectivo. (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 11.12.98) § 3º A empresa que não mantiver laudo técnico atualizado com referência aos agentes nocivos existentes no ambiente de trabalho de seus trabalhadores ou que emitir documento de comprovação de efetiva exposição em desacordo com o respectivo laudo estará sujeita à penalidade prevista no art. 133 desta Lei. (Incluído pela Lei nº 9.528, de 1997) § 4º A empresa deverá elaborar e manter atualizado perfil profissiográfico abrangendo as atividades desenvolvidas pelo trabalhador e fornecer a este, quando da rescisão do contrato de trabalho, cópia autêntica desse documento. (Incluído pela Lei nº 9.528, de 1997) Decreto nº 3.048/1999(redação vigente à época dos fatos): Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas d e e do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e Fl. 2218DF CARF MF Processo nº 10580.011920/200716 Acórdão n.º 2202004.635 S2C2T2 Fl. 2.219 36 aplicar as sanções previstas legalmente. (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 2001). (...) Art. 229. O Instituto Nacional do Seguro Social é o órgão competente para: I arrecadar e fiscalizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nos incisos I, II, III, IV e V do parágrafo único do art. 195, bem como as contribuições incidentes a título de substituição;(Redação dada pelo Decreto nº 4.032, de 2001) Percebese, portanto, a patente competência da autoridade lançadora para fiscalizar o recolhimento das Contribuições Sociais Previdenciárias. Fiscalizar, nesse contexto, não se limita a analisar o preenchimento das declarações, mas também a veracidade dos fatos declarados e a ocorrência de fato gerador omitido. Nesse contexto, pode e deve investigar a verdade real dos fatos, incluindo, por exemplo, a natureza das relações jurídicas (quando reenquadra o segurado autônomo como empregado, por exemplo), e, como no caso em tela, a ocorrência ou não de fato que leve ao enquadramento do segurado nas hipóteses de aposentadoria especial. Não assiste razão à Contribuinte, ainda nessa senda, quando afirma que a competência para fiscalizar esse fato seria exclusiva do Ministério do Trabalho e Emprego. Efetivamente, as Normas Regulamentadoras nº 1 e 15, citadas no recurso, têm validade no âmbito da relação trabalhista, mas não são excludentes da competência da autoridade lançadora de fiscalizar a arrecadação das Contribuições Previdenciárias. No tocante ao argumento de que o lançamento não foi acompanhado de nenhum laudo técnico, tampouco assiste razão à Contribuinte. A verdade é que o procedimento de fiscalização é eminentemente inquisitorial, tendo a autoridade lançadora liberdade para efetuar o lançamento com base nos elementos de fato e de prova que entender suficientes. É com a impugnação que se instauração o processo administrativo e a verificação da adequação e suficiência das provas reunidas para comprovar a ocorrência do fato gerador. A autoridade lançadora identificou que a Contribuinte tinha entre seus segurados empregados, especificamente os mergulhadores, pessoas sujeitas a "condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física". Esse fato foi constatado com base em informações disponibilizadas pela própria Contribuinte, é o que se extrai do relatório fiscal quando relata que foram declarados os mergulhadores na GFIP, parte com a informação de aposentadoria especial e outra parte sem a informação e do TIAD de 24/08/2007 (fl. 171), no qual a autoridade lançadora solicita: "Relacionar os trabalhadores expostos a agentes nocivos que ensejam aposentadoria especial entre 2000 e 2006, com as seguintes informações: NIT, Nome, Salário de Contribuição; Desconto do INSS; Lotação; Cargo; Informação foi Declarada em GFIP (S/N)." Fl. 2219DF CARF MF Processo nº 10580.011920/200716 Acórdão n.º 2202004.635 S2C2T2 Fl. 2.220 37 Esse fato jamais foi contestado pela Contribuinte. Em seu recurso, não afirma que não haviam pessoas sujeitas a condições prejudiciais à sua saúde. Tampouco alega que fornecia EPI's adequadamente a minimizar essas condições. Registrase que é ônus da Contribuinte, nos termos do art. 58, caput e principalmente §§, da Lei nº 8.213/1991, elaborar os formulários estabelecidos pelo INSS, e que estes devem estar fundados em laudo técnico descrevendo as condições ambientais do trabalho e informações sobre a existência e disponibilidade de EPI's. A recorrente não apresentou nenhuma dessas provas em relação a nenhuma das pessoas individualmente indentificadas no lançamento. Em suma, não é possível dar provimento ao recurso nesse ponto. Dispositivo Diante de tudo quanto exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir os valores referentes a (1) leite em pó; (2) nos alimentos, as despesas com aquisição de tickets; (3) vale transporte; (4) cartão benefício; e (5) PLR, referente ao plano geral. (assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator Voto Vencedor Conselheira Rosy Adriane da Silva Dias, Redatora Designada Congratulo o i. Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto, pelo brilhantismo com que fundamentou seu voto. Entretanto, peço vênia para divergir de seu posicionamento, no que toca aos lançamentos relativos à alimentação (Levantamento SIA) e os vinculados ao cartão benefício (Levantamento SIB). Em relação à alimentação anotou o i. Relator que o ticket alimentação se aproxima mais de alimentos in natura que pagamento em espécie, e por isso, não há incidência de contribuição previdência, uma vez se tratar de alimentação fornecida in natura. Entendo de forma diversa, alimentação in natura engloba o fornecimento de gêneros alimentícios, ou a refeição fornecida ao trabalhador no ambiente de trabalho, não se confundindo com ticket, que ao contrário do que entende o i. Relator, tem valor econômico, podendo ser trocado não apenas por alimentos, mas por dinheiro em espécie. É de conhecimento notório que os tickets refeição/alimentação têm valor de face, e podem ser vendidos, ou trocados por qualquer outro produto que não se caracterizem como alimentos. Portanto, não se enquadram no Parecer PGFN nº 2.117/2011, não havendo dispensa para contestação. Aliás esse foi o entendimento exarado no Acórdão 9202006.488, cujos trechos abaixo transcritos, peço vênia para adotar como razões de decidir: Fl. 2220DF CARF MF Processo nº 10580.011920/200716 Acórdão n.º 2202004.635 S2C2T2 Fl. 2.221 38 A Lei nº 6.321/1976 em seu artigo 3o dispõe que " não se inclui como salário de contribuição a parcela paga in natura, pela empresa, nos programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho." Por sua vez o Decreto nº 05/1991 que regulamentou a Lei nº 6.321/1976, define com precisão como se dá a aprovação dos programas de alimentação pelo Ministério do Trabalho, conforme de verifica no § do art. 1º, in verbis: "§ 4º Para os efeitos deste Decreto, entendese como prévia aprovação pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, a apresentação de documento hábil a ser definido em Portaria dos Ministros do Trabalho e Previdência Social; da Economia, Fazenda e Planejamento e da Saúde " Art. 4º Para a execução dos programas de alimentação do trabalhador, a pessoa jurídica beneficiária pode manter serviço próprio de rejeições, distribuir alimentos e firmar convênio com entidades fornecedoras de alimentação coletiva, sociedades civis, sociedades comerciais e sociedades cooperativas, (alterado pelo Dec. 2.101, de 23.12.96) Parágrafo único. A pessoa jurídica beneficiária será responsável por quaisquer irregularidades resultantes dos programas executados na forma deste artigo. Portanto, ao fazer o pagamento em tickets, sem nem mesmo comprovar a adesão ao PAT, não se pode dizer que seu programa de alimentação está aprovado pelo Ministério do Trabalho, para fins de não incidência da contribuição previdenciária. Contudo, entendo que outra questão deve ser trazida a julgamento, além desses outros pontos. Apenas para esclarecer o entendimento adotado em relação a mesma matéria em outras oportunidades, acredito que o lançamento ora sob enfoque, não se enquadra na exclusão prevista no Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011 da Procuradoria da Fazenda Nacional, aprovado pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda que ensejou a publicação do Ato Declaratório 03/2011, posto que a alimentação mencionada no dito Parecer se coaduna apenas com a fornecida "in natura", ou seja, sob a forma de utilidades. Transcrevo abaixo, o referido parecer para esclarecimentos da sua aplicabilidade. ATO DECLARATÓRIO Nº 03 /2011 A PROCURADORAGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso lido art. 19 da Lei n? 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5do Decreto n 2.346, de 10 de outubro de ¡997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/N 2117 /2011, desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 24.11.2011, DECLARA que fica autorizada a dispensa de Fl. 2221DF CARF MF Processo nº 10580.011920/200716 Acórdão n.º 2202004.635 S2C2T2 Fl. 2.222 39 apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxilio alimentação não há incidência de contribuição previdenciária. JURISPRUDENCIA: Resp 1.II9.787SP (DJe 13/05/2010), Resp ns 922.781/RS (DJe 18/11/2008), EREsp n*476.I94/PR (DJ 01.08.2005), Resp n? 719.714/PR (DJ 24/04/2006), Resp n° 333.001/RS (DJ 17/11/2008), Resp 977.238/RS (DJ 29/11/2007). Da leitura do texto do Ato Declaratório não há dúvida, que a questão ali abordada referese apenas aos casos de fornecimento in natura. Por isso, devemos investigar se o pagamento efetuado na sistemática acima relatada, poderia ser considerado prestação in natura. Verifiquemos a jurisprudência em que se baseou a PGFN para exarar o Ato Declaratório em questão: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE PRE QUESTIONAMENTO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. INOCORRÊNCIA. PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR PAT. AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO PAGO EM ESPÉCIE AOS EMPREGADOS. OBRIGATORIEDADE DE RECOLHIMENTO DO FGTS. LEI N" 6.321/76. LIMITAÇÃO. PORTARIA N" 326/77. VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO DA HIERARQUIA DAS LEIS. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CORREÇÃO MONETÁRIA. JUROS MORATÓRIOS PELA TR/TRD. APLICABILIDADE.(...)3. O STJ em inúmeros julgados, assentou o entendimento de que o pagamento in natura do auxilio alimentação não tem natureza salarial e, como tal, não integra a base de cálculo da contribuição previdenciária. Pela mesma razão, não integra a base de cálculo das contribuições para o FGTS, igualmente assentado no conceito de "remuneração" (Lei 8.036/90, art. 15). O auxílio alimentação pago em espécie e com habitualidade integra o salário e como tal sofre a incidência da contribuição previdenciária. Precedentes do STJ (REsp 674.999/CE, Rel. Min. Luiz Fux, Ia Turma, DJ de 30.05.2005; REsp 611.406/CE, Rel. Min. Franciulli Netto, 2a Turma, DJ de 02.05.2005;EREsp 603.509/CE, Rei. Min. Castro Meira, Ia Seção, DJ de 08.11.2004; REsp 643.820/CE, Rei. Min. José Delgado, 1a Turma, DJ de 18.10.2004; REsp 510.070/DF, Rel. Min. Luiz Fux, 1a Turma, DJ de 31.05.2004). Por tal razão, o auxilio alimentação pago em espécie com habitualidade também sofrerá a incidência do FGTS.4. "O pagamento in natura do auxílio alimentação, vale dizer, quando a própria alimentação é fornecida pela empresa, não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não possuir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT" (EREsp 603.509/CE, Rei. Min. Castro Meira, 1a Seção, DJ de 08.11.2004). (...)Ex positis, NEGO SEGUIMENTO ao Recurso Especial.Publiquese. Fl. 2222DF CARF MF Processo nº 10580.011920/200716 Acórdão n.º 2202004.635 S2C2T2 Fl. 2.223 40 Intimações necessárias.Brasília (DF), 07 de maio de 2010. (REsp n° 1.119.787SP, Rei. Min. Luiz Fia, DJe 13/05/2010). *** EMENTA: TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL RECURSO ESPECIAL EXECUÇÃO FISCAL REFEIÇÃO REALIZADA NAS DEPENDÊNCIAS DA EMPRESA. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PRECEDENTES. DÉBITOS PARA COM A SEGURIDADE SOCIAL PRESUNÇÃO DE CERTEZA E LIQUIDEZ DA CERTIDÃO DA DÍVIDA ATIVA. PRECEDENTES. 1. Recurso especial interposto pelo INSS contra acórdão proferido pelo TRF da 4a Região segundo o qual: a) o simples inadimplemento da obrigação tributária não constitui infração à lei capaz de ensejar a responsabilidade solidária dos sócios; b) o auxílioalimentação fornecido pela empresa não sofre a incidência de contribuição previdenciária, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. Em seu apelo, o INSS aponta negativa de vigência dos artigos 135 e 202, do CTN, 2°f § 5 o, I e IV, 3o da Lei 6.830/80, 28, § 9o, da Lei n. 8.212/91 e divergência jurisprudencial. Sustenta, em síntese, que: a) a) o ônus da prova acerca da não ocorrência da responsabilidade tributária será do sócio executado, tendo em vista a presunção de legitimidade e certeza da certidão da dívida ativa; b) é pacífico o entendimento no STJ de que o auxílio alimentação, caso seja pago em espécie e sem inscrição da empresa no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT, é salário e sofre a incidência de contribuição previdenciária. 2. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça pacificou o entendimento no sentido de que o pagamento in natura do auxílio alimentação, isto é, quando a própria alimentação é fornecida pela empresa, não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não constituir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PA T. Com tal atitude, a empresa planeja, apenas, proporcionar o aumento da produtividade e eficiência funcionais. Precedentes. EREsp 603.509/CE, Rei. Min. Castro Meira, DJ de 08/11/2004, REsp 719.714/PR, Rei. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 24/04/2006. (grifouse)(...) 5. Recurso especial parcialmente provido.(STJ, REsp 977.238/RS, Ia Turma, Rei. Min. José Delgado, DJ 29/11/2007). *** DECISAO(...) É pacífica neste Superior Tribunal de Justiça a orientação no sentido de que o pagamento in natura do auxílioalimentação, isto é, quando a própria alimentação é fornecida pela empresa, não sofre a incidência da contribuição previdenciária por não possuir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT( STJ, REsp 333.001/RS, 2a Turma, Rei Min. Herman Benjamin, DJ 17/11/2008) Fl. 2223DF CARF MF Processo nº 10580.011920/200716 Acórdão n.º 2202004.635 S2C2T2 Fl. 2.224 41 * * * TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. RECURSO ESPECIAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO. 1. O pagamento in natura do auxilio alimentação, vale dizer, quando a própria alimentação é fornecida pela empresa, não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não possuir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT ou decorra o pagamento de acordo ou convenção coletiva de trabalho.2. Ao revés, quando o auxilio alimentação é pago em dinheiro ou seu valor creditado em conta corrente, em caráter habitual e remuneratório, integra a base de cálculo da contribuição previdenciária. 3. Precedentes da Seção. 4. Embargos de divergência providos. (grifouse)( EREsp 476.194/PR, Ia Seção, Rei. Min. Castro Meira, DJ 01.08.2005). Percebese, que os quatro julgados acima manifestam, claramente, o entendimento de que somente se considera o fornecimento in natura, quando a alimentação é fornecida diretamente pelo próprio empregador, o que nos leva a concluir que o fornecimento de cartões ou tickets, para aquisição de produtos em estabelecimentos comerciais, não representa fornecimento in natura. Concluise, portanto, que o Ato Declaratório mencionado não se aplica ao caso em tela. Observese que a motivação da DRJ para excluir da apuração a verba paga a título de alimentação foi exatamente a aplicação do Ato Declaratório da PGFN acima referido. Entendo, assim, que não tendo a empresa comprovado a sua adesão ao PAT, é cabível a incidência de contribuições sobre essa parcela, posto que disponibilizada em desacordo com a Lei n. 8.212/1991, conforme se verifica do dispositivo: $ 9 o Não integram o salário de contribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei n°6.32J, de 14 de abril de 1976; (...) Observese do dispositivo transcrito que a previsão de exclusão do benefício fornecido (alimentação) do conceito de salário de contribuição condiciona a desoneração a dois requisitos: que a alimentação seja fornecida "in natura" e que a sua disponibilização esteja em conformidade com as normas do PAT. Portanto, considerando que o fornecimento de ticket alimentação não se enquadra como alimentação in natura, é passível de incidência de contribuição previdenciária, devendo ser mantida essa rubrica no lançamento fiscal. Fl. 2224DF CARF MF Processo nº 10580.011920/200716 Acórdão n.º 2202004.635 S2C2T2 Fl. 2.225 42 Cartão Benefício Arrazoa o i. Relator que esses benefícios não foram pagos com habitualidade o que configura sua eventualidade e que a autoridade fiscal não indicou que houvesse vinculação dessa verba à contraprestação ou a trabalho dos segurados empregados. Nesse ponto tenho que discordar, pois a descrição da auditoria, no próprio trecho transcrito pelo i.. Relator, é clara ao afirmar que a premiação se trata de espécie remuneratória, em cujas notas fiscais emitidas pela empresa Salles Adan, consta a descrição “reembolso referente campanha para aumento de desempenho e produtividade". Ora, resta claro que referida verba foi paga aos segurados empregados, em função de sua relação de emprego com a recorrente, e como incentivo ao desempenho e produtividade. Quanto à questão de não ter sido paga com habitualidade e por isso ser eventual, peço vênia para transcrever trecho do voto condutor do Acórdão nº 9202003.044, que explica com acerto, a confusão que tem sido feita entre os conceitos de não eventualidade e habitualidade para fundamentar, a meu ver erroneamente, a não incidência de contribuição previdenciária: Como se vê, da leitura do art. 22, I e do art, 28,1 da Lei n° 8.212/91 e do art. 201, § 1o do RPS, que somente é exigido o requisito da habitualidade no que diz respeito ao "salário in natura", por incluir, expressamente, no conceito de remuneração os "ganhos habituais sob a forma de utilidades", sem fazer menção ao requisito habitualidade para os pagamentos em espécie. Ou seja, no campo de incidência das contribuições previdenciárias encontramse: a) a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, inclusive gorjetas (salário em espécie); e b) os ganhos habituais sob a forma de utilidades (salário in natura/ Podese, então, concluir que a lei, ao definir a hipótese de incidência da contribuição previdenciária, exige o requisito da habitualidade tão somente para o salário in natura. Por seu turno, o art. 28, § 9o , alínea "e", item "7" prevê expressamente que as importâncias recebidas a título de ganhos eventuais são isentas de contribuições sociais previdenciárias: "Não integram o saláriodecontribuição (remuneração) para os fins desta Lei, exclusivamente: (...)as importâncias: (...)recebidas a título de ganhos eventuais (...)" Assim sendo, podese afirmar que "a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho ", independentemente de serem ou não habituais, encontramse no campo de incidência das contribuições previdenciárias. Fl. 2225DF CARF MF Processo nº 10580.011920/200716 Acórdão n.º 2202004.635 S2C2T2 Fl. 2.226 43 Entretanto, "as importâncias recebidas a título de ganhos eventuais " encontramse excluídas da sua base de cálculo por se tratarem de importâncias atingidas pela isenção. Entendo que está sendo criada uma grande confusão ao tentarem comparar os conceitos de "habitualidade com o de não eventualidade" ou o "não habitualidade com o de eventualidade". Para o Dicionário Michaelis, as definições são: Habitual 1 Que acontece ou se faz por hábito. 2 Frequente, comum, vulgar. 3 Usual. Eventual 1 Dependente de acontecimento incerto. 2 Casual, fortuito. 3 Variável. De acordo com o Vocabuário Jurídico de Plácido e Silva: Habitualidade De habitual, entendese a repetição, a sucessividade, a constância, a iteração, na prática ou no exercício de certos e determinados atos, em regra da mesma espécie ou natureza, com a preconcebida intenção de fruir resultados materiais ou de gozo. Eventualidade De evento, significa o caráter e a condição do que é eventual, mostrando assim a possibilidade e a probabilidade do fato, cuja realização é esperada ou aguardada. A habitualidade, como requisito para que a prestação in natura, integre o saláriodecontrihuição, diz respeito a freqüência da concessão da referida prestação. Já a eventualidade, como elemento caracterizador da isenção prevista no art. 28, § 9o , alínea "e", item "7", ou seja, que decorram de importâncias recebidas a títulos de ganhos eventuais, dizem respeito a ocorrência de caso fortuito. No presente caso há de se assinalar, primeiramente, que foram realizados pagamentos em pecúnia, o que afasta a necessidade de se indagar a habitualidade com que o pagamento foi realizado. Portanto, por entender que o requisito da habitualidade não se aplica a pagamentos ocorridos em razão do trabalho, e/ou não efetuados in natura, como no caso da verba em discussão, não há que se discutir se houve ou não habitualidade. Assim, o lançamento deve ser mantido nessa parte. Conclusão Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso quanto à exclusão da base de cálculo do lançamento dos valores de alimentação (Lev. SIA) e os vinculados ao cartão benefício (Lev. SIB). Fl. 2226DF CARF MF Processo nº 10580.011920/200716 Acórdão n.º 2202004.635 S2C2T2 Fl. 2.227 44 (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias Fl. 2227DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10811.000407/2010-26
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2009
EXCLUSÃO DE OFÍCIO. COMERCIALIZAÇÃO DE MERCADORIAS OBJETO DE CONTRABANDO OU DESCAMINHO.
A exclusão de ofício da pessoa jurídica optante pelo Simples Nacional dá-se quando houver comercialização de mercadorias objeto de contrabando ou descaminho com efeitos a partir do mês seguinte da ocorrência da situação impeditiva.
Numero da decisão: 1003-000.113
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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COMERCIALIZAÇÃO DE MERCADORIAS OBJETO DE CONTRABANDO OU DESCAMINHO. A exclusão de ofício da pessoa jurídica optante pelo Simples Nacional dáse quando houver comercialização de mercadorias objeto de contrabando ou descaminho com efeitos a partir do mês seguinte da ocorrência da situação impeditiva. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Relatório A Recorrente optante pelo Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte Simples Nacional foi excluída de ofício pelo Ato Declaratório Executivo DRF/SJR/SP nº 144, de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 81 1. 00 04 07 /2 01 0- 26 Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10811.000407/201026 Acórdão n.º 1003000.113 S1C0T3 Fl. 88 2 12.08.2010, efl. 52, com efeitos a partir de 01.07.2009, com base nos fundamentos de fato e de direito indicados: A Chefe da Seção de Controle e Acompanhamento Tributário da DRF em São José do Rio Preto, no uso das atribuições que lhe foram delegadas pelo inciso XXIII, art 1° da Portaria DRF/SJR n° 30, de 01/06/2010, DOU de 02/06/2010, originariamente previstas no inciso IV do art 203 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF n° 125, de 04 de março de 2009 e tendo em vista o disposto nos artigos 17, 28 a 32 da Lei Complementar n° 123, de 14 de dezembro de 2006, com as alterações promovidas pela Lei Complementar n° 127, de 14 de agosto de 2007 e Lei Complementar n° 128, de 19 de dezembro de 2008 , considerando o que consta do processo n° 10811.000407/201026, declara: 1º ESTÁ EXCLUÍDO o contribuinte LUCIANO BERNARDO ME CNPJ n° 07.029.369/000176 do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES NACIONAL, de que trata o artigo 3° da Lei Complementar n° 123/2006 por COMERCIALIZAR MERCADORIAS OBJETO DE CONTRABANDO OU DESCAMINHO, de acordo com art 29, inciso VII da LC 123/2006. 2° Os efeitos da exclusão obedecem ao disposto no art 29, inciso VII, § 1° da LC 123/2006, ou seja, a partir de 01/07/2009, estando assegurado ao contribuinte o direito de, no prazo de 30 (trinta) dias da ciência desta publicação, manifestar por escrito sua inconformidade dirigida ao Delegado da Receita Federal do Brasil de Julgamento, relativamente ao procedimento acima, assegurando assim o contraditório e a ampla defesa. 3° Não havendo manifestação nesse prazo, a exclusão tornarseá definitiva. Cientificada, a Recorrente apresentou a impugnação. Está registrado nos excertos da ementa e do voto condutor do Acórdão da 9ª Turma/DRJ/RPO/SP nº 1441.749, de 03.05.2013, efls. 7580: SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO. COMERCIALIZAÇÃO DE MERCADORIA OBJETO DE CONTRABANDO OU DESCAMINHO. A comercialização de mercadoria objeto de contrabando ou descaminho constitui motivo para exclusão de ofício da empresa do Simples Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Notificada em 21.08.2013, efl. 83, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 12.09.2013, efls. 7580, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. A respeito do motivo do ato de exclusão esclarece que: Por ser de família de poucos recursos financeiros seu genitor, residia na conhecida construção de "CASA GEMINADA" (construção interiorana de duas ou mais casas ligadas uma a outra), além do bairro ser, reconhecidamente, muito modesto (VILA PAULISTA). Existindo, portanto, a residência e domicílio de seus genitores numa parte (de trás) e noutra parte (da frente) o estabelecimento comercial, integrante do SIMPLES NACIONAL ISTO TUDO sem qualquer comunicação ou servidão entre aquelas, as quais possuem entradas e saídas totalmente independentes. Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10811.000407/201026 Acórdão n.º 1003000.113 S1C0T3 Fl. 89 3 Aliás, fato esse público, notório, incontroverso e de pleno conhecimento das Autoridades que estiveram ali presentes, AO TEMPO (CPC art. 334, I, II, III e IV). Portanto, por serem geminadas, os imóveis (casa e estabelecimento comercial) possuem um único número (125). Portanto, como é sabido, seu genitor aposentado com valor mensal na faixa de um salário mínimo, em idade avançada, não conseguindo a obtenção de emprego digno, passou a praticar atos eventualmente ilícitos, entretanto, com o fito exclusivo de sua sobrevivência e de sua esposa. A insensibilidade dos julgadores jamais poderá ultrapassar o princípio consagrador da RAZOABILIDADE. AO LADO DISSO, importante também registrar a título de lealdade procedimental, que, lamentavelmente, em função da EXCLUSÃO do SIMPLES NACIONAL, a microempresa, sem outra alternativa, encerrou as suas atividades! Concernente ao pedido expõe que: Com os doutos suprimentos dos integrantes deste Conselho Administrativo, ante as provas documentais encartadas, aguardase conhecimento e acolhimento da presente, com todas as suas consequências legais e jurídicas. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, observado o disposto no § 3A do art. 4º da Resolução CGSN nº 15, de 23 de julho de 2007, em relação aos efeitos da exclusão de ofício. A Recorrente discorda do procedimento fiscal. O tratamento diferenciado, simplificado e favorecido pertinente ao cumprimento das obrigações tributárias, principal e acessória, aplicável às microempresas e às empresas de pequeno porte relativo aos impostos e às contribuições estabelecido em cumprimento ao que determina no inciso X do art. 170 e no art. 179 da Constituição Federal de 1988 pode ser usufruído desde que as condições legais sejam preenchidas. Com o escopo de implementar esses princípios constitucionais foi editada a Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, que instituiu o Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte Simples Nacional. O Simples Nacional está regulamentado pelo Comitê Gestor do Simples Nacional (CGSN). A opção do sujeito passivo deve ser manifestada por meio da internet até o último dia útil do janeiro sendo irretratável para todo anocalendário oportunidade em que Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10811.000407/201026 Acórdão n.º 1003000.113 S1C0T3 Fl. 90 4 presta declaração quanto ao nãoenquadramento nas vedações legais. A exclusão por comunicação decorrente de opção ou de obrigatoriedade é feita pela internet. Atinente à questão está literalmente firmado na Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006: Art. 29. A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional darseá quando: [...] VII comercializar mercadorias objeto de contrabando ou descaminho; [...] Art. 30. A exclusão do Simples Nacional, mediante comunicação das microempresas ou das empresas de pequeno porte, darseá: [...] II obrigatoriamente, quando elas incorrerem em qualquer das situações de vedação previstas nesta Lei Complementar; ou [...] Art. 31. A exclusão das microempresas ou das empresas de pequeno porte do Simples Nacional produzirá efeitos: [...] II na hipótese do inciso II do caput do art. 30 desta Lei Complementar, a partir do mês seguinte da ocorrência da situação impeditiva; [...] Art. 32. As microempresas ou as empresas de pequeno porte excluídas do Simples Nacional sujeitarseão, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Cabe esclarecer que a opção pelo Simples é um direito da pessoa jurídica que preenche todos os requisitos legais. Porém a optante deve comunicar obrigatoriamente a sua exclusão à RFB, por meio do Portal do Simples Nacional na internet, quando incorrer em hipótese legal de vedação. Verificada a falta de informação espontânea, há exclusão de ofício mediante emissão do termo de exclusão do Simples Nacional pela autoridade competente, sob pena de responsabilidade funcional, devendo ser observadas as determinações do processo administrativo fiscal1. A exclusão de ofício da pessoa jurídica optante pelo Simples Nacional dáse quando houver comercialização de mercadorias objeto de contrabando ou descaminho com efeitos a partir do mês seguinte da ocorrência da situação impeditiva (inciso VII do art. 29 e inciso II do art. 30 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006). Podese entender que a prática de contrabando consiste na importação ou exportação de mercadoria proibida, atentando contra a saúde pública e administração pública. Por sua vez, a prática de descaminho é a ilusão do pagamento do tributo de mercadoria permitida, ofendendo a ordem tributária2. Porém, está pacificado no Supremo Tribunal Federal que "Não há razão para 1 Fundamentação legal: art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 29, art. 33 e art. 39 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, Resolução CGSN nº 15 de 23 de julho de 2007 e art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990. 2 BALTAZAR JUNIOR, José Paulo. Crimes Federais. 9. ed. São Paulo: Saraiva, 2014. p.386. Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10811.000407/201026 Acórdão n.º 1003000.113 S1C0T3 Fl. 91 5 discriminação entre contrabando e descaminho, [...], quando o art. 334 do C.P. os considera sinônimas". 3 As manifestações unilaterais da RFB foram formalizadas por ato administrativo, como uma espécie de ato jurídico, deve estar revestido dos atributos que lhe conferem a presunção de legitimidade, a imperatividade e a autoexecutoriedade, ou seja, para que produza efeitos que vinculem o administrado deve ser emitido (a) por agente competente que o pratica dentro das suas atribuições legais, (b) com as formalidades indispensáveis à sua existência, (c) com objeto, cujo resultado está previsto em lei, (d) com os motivos, cuja matéria de fato ou de direito seja juridicamente adequada ao resultado obtido e (e) com a finalidade visando o propósito previsto na regra de competência do agente. Tratandose de ato vinculado, a Administração Pública tem o dever de motiválo no sentido de evidenciar sua expedição com os requisitos legais4. O princípio da legalidade estabelece que a atuação administrativa que decorre da aplicação da lei de ofício, de modo que deve ser feito o que a lei determina, pois sua atividade é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. (art. 37 da Constituição Federal e art. 142 do Código Tributário Nacional). A legislação de regência da matéria determina as consequências da exclusão do Simples Nacional, no sentido de que a pessoa jurídica sujeitase a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas e art. 32 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006). Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática tendo em vista os documentos já analisados pela autoridade de primeira instância de julgamento e aqueles produzidos em sede de recurso voluntário. Consta na Representação Fiscal para Exclusão do Simples Nacional, fl. 01 02, cujos fundamentos são adotadas nessa segunda instância de julgamento: I INTRODUÇÃO Senhor Delegado, Em operação realizada no dia 14/07/2009, por policiais da Delegacia de Investigações Gerais de Catanduva/SP, no estabelecimento comercial Luciano Bernardo ME, CNPJ nº 07.029.369/000176, estabelecido à Rua São Vicente, n° 125 Vila Paulista, na cidade de Catanduva/SP, de propriedade de Luciano Bernardo , onde foram encontradas mercadorias estrangeiras sem a documentação comprobatória de sua importação regular. Esse lato configura infração ao disposto no Regulamento Aduaneiro Decreto 6.759 de 05 de fevereiro de 2009 e por conseqüência à aplicação do disposto no do artigo 29 item VII, da Lei Complementar n° 123. de 14 de dezembro de 2006. [...] III DESCRIÇÃO DOS FATOS CARACTERIZADORES DO ILÍCITO 3 BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Acórdão em HC nº 35341/DF. Órgão Julgador: Tribunal Pleno. Relator: Ministro Antônio Martins Vilas Boas. Julgado em: 18 out. 1957. Publicado no DJ em: 12 dez.1957. Disponível em: <http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudencia/listarJurisprudencia.asp?s1=%28CONTRABANDO+E+DESCAMIN HO%29&pagina=10&base=baseAcordaos&url=http://tinyurl.com/zg2uqbk>. Acesso em 05 jul. 2018. 4 Fundamentação legal: art. 2º da Lei nº 4.717, de 29 de junho de 1965, Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999 e Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10811.000407/201026 Acórdão n.º 1003000.113 S1C0T3 Fl. 92 6 Os policiais da Delegacia de Investigações Gerais de Catanduva/SP, compareceram no estabelecimento comercial Luciano Bernardo ME, onde encontraram no seu interior as mercadorias de procedência estrangeira, sem prova de introdução regular no país, portanto, em desacordo com a legislação vigente configurando, em tese, crime de contrabando/descaminho. As referidas mercadorias, foram recebidas pela FERA/EFA/SAFlS/DRF/SJR/SP, em 1l/08/2009, através do oficio n° 546/2009 da Delegada de Investigações Gerais de Catanduva/SP, e foi lavrado em 26/11/2009 o Auto de Infração e Termo de Apreensão e Guarda Fiscal nº 0810700/01416/09, originando assim o processo administrativo n° 10811.000741/200946. O conjunto probatório produzido nos autos corroboram a conduta da Recorrente de comercialização de mercadorias objeto de contrabando ou descaminho, quais sejam, cigarros de procedência estrangeira, conforme Auto de Infração e Termo de Apreensão e Guarda Fiscal n° 0810700/01416/09, Ofício n° 546/2009, Boletim de Ocorrência n° 75/2009 e Termo de Declarações, fls. 0319. Especificamente no que se refere ao Auto de Infração e Termo de Apreensão e Guarda Fiscal n° 0810700/01416/09 temse que houve "Apreensão de cigarros, ou charutos ou fumo de procedência estrangeira por encontrarse desprovida de documentação comprobatória de sua introdução regular no País." Assim, este procedimento foi formalizado no processo 10811.000741/200946 e segue rito próprio e especial previsto no DecretoLei nº 1.455, de 07 de abril de 1976, DecretoLei nº 399, de 30 de dezembro de 1968, Decreto nº 6.759, de 05 de fevereiro de 2009 e DecretoLei nº 37, de 18 de novembro de 1966. Restou comprovado que houve apreensão, efetuada pela Polícia Civil do Estado de São Paulo, de cigarros estrangeiros, objeto de contrabando ou descaminho, no estabelecimento comercial da Recorrente, fato que conformase com atividade mercantil destes produtos. Demonstrado que a mercadoria foi apreendida no estabelecimento comercial da Recorrente ressai nítida a sua condição de sujeito passivo da obrigação tributária e evidencia o caráter comercial da atividade, independentemente da quantidade de itens e o modo como estão expostos à venda. Ademais, a instância judiciária penal é independente da instância administrativa. 5 Por conseguinte, há autonomia entre o trânsito em julgado da decisão judicial relativa ao crime de contrabando ou descaminho e a verificação de circunstância legal de exclusão do Simples Nacional na esfera administrativatributária. Especificamente sobre o princípio da insignificância, temse que deve ser analisado em conexão com os postulados da fragmentariedade e da intervenção mínima do Estado em matéria penal – tem o sentido de excluir ou de afastar a própria tipicidade penal, examinada esta na perspectiva de seu caráter material 6. 5 BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Acórdão em RHC nº 33136/PR. Órgão Julgador: Tribunal Pleno. Relator: Ministro Nelson Hungria. Julgado em: 09 jun 1954. Publicado no DJ em: 19 set. 1954. Disponível em: <http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudencia/listarJurisprudencia.asp?s1=%28CONTRABANDO+E+DESCAMIN HO%29&pagina=11&base=baseAcordaos&url=http://tinyurl.com/zg2uqbk>. Acesso em 05 jul. 2018. 6 BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Acórdão em Habeas Corpus nº 98.152/MG. Órgão Julgador: Segunda Turma. Relator: Ministro Celso de Mello. Julgado em 19 mai.2009. Publicado no DJe em 05 jun. 2009. Disponível em: <http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudencia/listarJurisprudencia.asp?s1=%2898152%29&pagina=5&base=baseAc ordaos&url=http://tinyurl.com/ybhv4wnta>. Acesso em 05 jun. 2018. Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10811.000407/201026 Acórdão n.º 1003000.113 S1C0T3 Fl. 93 7 Vale transcrever excertos de ementas de orientações firmadas no Supremo Tribunal Federal (STF) e no Superior Tribunal de Justiça (STJ) que firmaram o entendimento no sentido de que a importação não autorizada de cigarros constitui o crime de contrabando ou descaminho, insuscetível de aplicação do princípio da insignificância: 2. Este Superior Tribunal de Justiça firmou o entendimento de que a introdução clandestina de cigarros, em território nacional, em desconformidade com as normas de regência, configura o delito de contrabando, ao qual não se aplica o princípio da insignificância, por tutelar interesses que transbordam a mera elisão fiscal. 7 2. Esta Corte de Justiça vem entendendo, em regra, que a importação de mercadorias de proibição relativa, como cigarros ou medicamentos, configura crime de contrabando. 8 4. Nos termos da jurisprudência desta Corte Superior, o crime de contrabando de cigarros não comporta aplicação do princípio da insignificância, haja vista o elevado grau de reprovabilidade da conduta, que ofende a saúde e a segurança públicas. 9 1. Nos termos da pacífica orientação da Terceira Seção desta Corte, a importação não autorizada de cigarros constitui o crime de contrabando, insuscetível de aplicação do princípio da insignificância. 10 2. Consoante entendimento do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça, não se aplica o princípio da insignificância ao contrabando de cigarros. Tal entendimento decorre do fato de a conduta não apenas implicar lesão ao erário e à atividade arrecadatória do Estado, como na hipótese de descaminho. De fato, outros bens jurídicos são tutelados pela 7 BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Acórdão em AgRg no AREsp nº 1116451/MT. Órgão Julgador: Sexta Turma. Relator: Ministro Nefi Cordeiro. Julgado em: 19 abr. 2018. Publicado no DJe em: 02 mai. 2018. Disponível em: <http://www.stj.jus.br/SCON/jurisprudencia/toc.jsp?livre=contrabando+e+insignific%E2ncia+e+cigarro&&b=AC OR&thesaurus=JURIDICO&p=true>. Acesso em 05 jul. 2018. 8 BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Acórdão em AgRg no AREsp nº 1706471/PR. Órgão Julgador: Quinta Turma. Relator: Ministro Joem Ilan Paciornik. Julgado em: 20.mar. 2018. Publicado no DJe em: 04.abr. 2018. Disponível em: <http://www.stj.jus.br/SCON/jurisprudencia/toc.jsp?livre=contrabando+e+insignific%E2ncia+e+cigarro&&b=AC OR&thesaurus=JURIDICO&p=true>. Acesso em 05 jul. 2018. 9 BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Acórdão em AgRg no AREsp nº 1226987?RJ. Órgão Julgador: Quinta Turma. Relator: Ministro Reynaldo Soares da Fonseca. Julgado em: 20.mar. 2018. Publicado no DJe em: 02 abr. 2018. Disponível em: <http://www.stj.jus.br/SCON/jurisprudencia/toc.jsp?livre=contrabando+e+insignific%E2ncia+e+cigarro&&b=AC OR&thesaurus=JURIDICO&p=true>. Acesso em 05 jul. 2018. 10 BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Acórdão em AgRg no AREsp nº 1706397/RS. Órgão Julgador: Quinta Turma. Relator: Ministro Reynaldo Soares da Fonseca. Julgado em: 20.fev. 2018. Publicado no DJe em: 28.fev. 2018. Disponível em: <http://www.stj.jus.br/SCON/jurisprudencia/toc.jsp?livre=contrabando+e+insignific%E2ncia+e+cigarro&&b=AC OR&thesaurus=JURIDICO&p=true>. Acesso em 05 jul. 2018. Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10811.000407/201026 Acórdão n.º 1003000.113 S1C0T3 Fl. 94 8 norma penal, notadamente a saúde pública, a moralidade administrativa e a ordem pública. 11 É assente na jurisprudência desta Corte que o trancamento de ação penal ou de inquérito policial, em sede de habeas corpus, constitui medida excepcional, somente admitida quando restar demonstrado, sem a necessidade de exame do conjunto fático probatório, a atipicidade da conduta, a ocorrência de causa extintiva da punibilidade ou a ausência de indícios suficientes da autoria ou prova da materialidade. Precedentes. Consoante já assentado pelo Supremo Tribunal Federal, o princípio da insignificância deve ser analisado em correlação com os postulados da fragmentariedade e da intervenção mínima do Direito Penal, no sentido de excluir ou afastar a própria tipicidade da conduta, examinada em seu caráter material, observandose, ainda, a presença dos seguintes vetores: (I) mínima ofensividade da conduta do agente; (II) ausência total de periculosidade social da ação; (III) ínfimo grau de reprovabilidade do comportamento e (IV) inexpressividade da lesão jurídica ocasionada (HC n. 84.412/SP, de relatoria do Ministro Celso de Mello, DJU 19/4/2004). Na espécie, inferese que o acórdão recorrido encontrase alinhado à jurisprudência desta Corte, no sentido de que a introdução de cigarros em território nacional é sujeita a proibição relativa, sendo que a sua prática, fora dos moldes expressamente previstos em lei, constitui o delito de contrabando, o qual inviabiliza a incidência do princípio da insignificância. Isto porque o bem juridicamente tutelado vai além do mero valor pecuniário do imposto elidido, pois visa a proteger o interesse estatal de impedir a entrada e a comercialização de produtos proibidos em território nacional, bem como resguardar a saúde pública. 12 1. A tipicidade penal não pode ser percebida como exame formal de subsunção de fato concreto à norma abstrata. Além da correspondência formal, para a configuração da tipicidade é necessária análise materialmente valorativa das circunstâncias do caso, para verificação da ocorrência de lesão grave e penalmente relevante do bem jurídico tutelado. 2. Impossibilidade de incidência, no contrabando ou descaminho de cigarros, do princípio da insignificância. 13 11 BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Acórdão em RHCnº 89755/RS. Órgão Julgador: Quinta Turma. Relator: Ministro Ribeiro Dantas. Julgado em: 05 out.2017. Publicado no DJe em: 11.out. 2017. Disponível em: <http://www.stj.jus.br/SCON/jurisprudencia/toc.jsp?livre=contrabando+e+insignific%E2ncia+e+cigarro&&b=AC OR&thesaurus=JURIDICO&p=true>. Acesso em 05 jul. 2018. 12 BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Acórdão em RHC nº 82276/RS. Órgão Julgador: Quinta Turma. Relator: Ministro Reynaldo Soares da Fonseca. Julgado em: 20 jun. 2017. Publicado no DJe em: 30 jun.2017. Disponível em: <http://www.stj.jus.br/SCON/jurisprudencia/toc.jsp?livre=contrabando+e+insignific%E2ncia+e+cigarro&&b=AC OR&thesaurus=JURIDICO&p=true>. Acesso em 05 jul. 2018. 13 BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Acórdão em RHC nº 131205/MG. Órgão Julgador: Segunda Turma. Relator: Ministra Cármen Lúcia. Julgado em: 06 set. 2016. Publicado no DJe em: 22 set. 2016. Disponível em: <http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudencia/listarJurisprudencia.asp?s1=%28CONTRABANDO+E+DESCAMIN HO%29&base=baseAcordaos&url=http://tinyurl.com/zg2uqbk>. Acesso em 05 jul. 2018. Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10811.000407/201026 Acórdão n.º 1003000.113 S1C0T3 Fl. 95 9 1. O princípio da insignificância não incide na hipótese de contrabando de cigarros, tendo em vista que, além do valor material, os bens jurídicos que o ordenamento jurídico busca tutelar são os valores éticosjurídicos e a saúde pública. Precedentes: HC 120550, Primeira Turma, Relator Min. Roberto Barroso, DJe 13/02/2014; ARE 924.284 AgR, Segunda Turma, Relator Min. Gilmar Mendes, DJe 25/11/2015, HC 125847 AgR, Primeira Turma, Relator Min. Rosa Weber, DJe 26/05/2015, HC 119.596, Segunda Turma, Relator: Min. Cármen Lúcia, DJe 26/03/2014. 14 O ato declaratório executivo foi lavrado por servidor competente que verificando a ocorrência da causa de vedação emitiu o ato revestido das formalidades legais com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprilo ou impugnálo no prazo legal. A notificação do ato administrativo, em regra, pode ser efetivada pessoalmente, por via postal ou por meio eletrônico (art. 23 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). Assim a intimação do ato administrativo está regular, pois foi efetivada observando as determinações legais. A decisão de primeira instância está motivada de forma explícita, clara e congruente e da qual a pessoa jurídica foi regularmente cientificada. Assim, estes atos contêm todos os requisitos legais, o que lhes conferem existência, validade e eficácia. Consta no Acórdão da 9ª Turma/DRJ/RPO/SP nº 1441.749, de 03.05.2013, efls. 7580, cujos fundamentos de fato e direito são acolhidos de plano nessa segunda instância de julgamento (art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999): Conforme consta no Auto de Infração e Termo de Apreensão e Guarda Fiscal de Mercadorias, acompanhado do respectivo Boletim de Ocorrência da Polícia Civil, foram apreendidos 640 maços de cigarros (sendo 410 da marca Mil, 200 da marca TE e 30 da marca Eight), no estabelecimento comercial em epígrafe, por falta de comprovação de origem lícita, eis que não possuía qualquer documentação legal. Em conseqüência da apreensão dessa mercadoria, foi emitido o devido Ato Declaratório Executivo, excluindo a empresa do Simples Nacional, tendo em vista a constatação de comercialização de mercadorias objeto de contrabando ou descaminho, de acordo com o disposto na Lei Complementar 123/2006, art. 29, inc. VII. O contribuinte alega que a apreensão ocorreu fora do estabelecimento comercial. A alegação não procede, uma vez que conforme o Boletim de Ocorrência nº 75/2009, a mercadoria foi apreendida no interior do estabelecimento comercial em epígrafe, localizado na Rua São Vicente, 125, Catanduva/SP. A alegação de que a mercadoria era para consumo próprio e não para comercialização também não procede. Conforme esclarece Maria Helena Diniz, em seu Dicionário Jurídico1, comercializar é: 1: Colocar algo no comércio; 2: Criar objeto com possibilidade de ser explorado comercialmente, de ser vendido, fabricado ou exposto, de modo que possa render dinheiro. 14 BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Acórdão em HC nº 129382/PR. Órgão Julgador: Primeira Turma. Relator: Ministro Luiz Fux. Julgado em: 23 ago. 2016. Publicado no DJe em: 16 set. 2016. Disponível em: <http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudencia/listarJurisprudencia.asp?s1=%28CONTRABANDO+E+DESCAMIN HO%29&base=baseAcordaos&url=http://tinyurl.com/zg2uqbk>. Acesso em 05 jul. 2018. Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10811.000407/201026 Acórdão n.º 1003000.113 S1C0T3 Fl. 96 10 Vislumbrase que o conceito do termo ‘comercializar’ abrange não só o produto efetivamente vendido ao consumidor, mas também aquele produto criado com essa finalidade. Dessa forma, o fato das mercadorias serem apreendidas no estabelecimento comercial da manifestante já é suficiente à demonstração do caráter comercial envolvido na situação, não devendo ser acolhidas as alegações apresentadas pela defesa desprovidas de qualquer elemento probatório em sentido contrário. A alegação de que o auto de exibição e apreensão foi lavrado pela Polícia Civil em nome de Ângelo Bernardo e não em nome do contribuinte também não procede. Na verdade, a Polícia Civil foi responsável por lavrar o Boletim de Ocorrência 75/2009 da Polícia Civil que a apreensão ocorreu na Rua São Vicente, 125, Vila Paulista, Catanduva/SP, tipo de local: Comércio e Serviços – Armazém/Empório. O Auto de Infração de Apreensão de Mercadoria é de responsabilidade da RFB e foi lavrado em nome do estabelecimento em questão. As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes foram observadas. Ademais os atos administrativos estão motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos decidam recursos administrativos, nos termos legais. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício, que foi regularmente analisado pela autoridade de primeira instância. Ademais, a decisão administrativa não precisa enfrentar todos os argumentos trazidos na peça recursal sobre a mesma matéria, principalmente quando os fundamentos expressamente adotados são suficientes para afastar a pretensão da Recorrente e arrimar juridicamente o posicionamento adotado. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos. As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes foram observadas 15. O enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando a decisão motivada de forma explícita, clara e congruente. Embora lhe fossem oferecidas várias oportunidades no curso do processo a Recorrente não apresentou a comprovação inequívoca s demonstrar de quaisquer inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo constantes nos dados informados à RFB ou ainda quaisquer fatos que tenham correlação com as situações excepcionadas pela legislação de regência (149 do Código Tributário Nacional). Por essa razão a Recorrente foi corretamente excluída de ofício pelo Ato Declaratório Executivo DRF/SJR/SP nº 144, de 12.08.2010, efl. 52, com efeitos a partir de 01.07.2009. A ilação designada na peça recursal destacase como improcedente. As circunstâncias de caráter privado não podem ser consideradas, pois "a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato", salvo disposição de lei em contrário (art. 136 do Código Tributário Nacional). 15 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, Resolução CGSN nº 15, de 23 de julho de 2007, art 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2001, art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999 e art. 10 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10811.000407/201026 Acórdão n.º 1003000.113 S1C0T3 Fl. 97 11 No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso, nos termos do art. 100 do Código Tributário Nacional. Atinente aos princípios constitucionais, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade16. Temse que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de julho de 2015). Em assim sucedendo, voto em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 16 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF e Súmula CARF nº 2. Fl. 97DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15586.720015/2014-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2009, 2010
Ementa:
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CABIMENTO EM CASOS DE OBSCURIDADE, CONTRADIÇÃO OU OMISSÃO.
Conforme disposições do regimento interno deste Conselho (Art. 65 e 66), os embargos de declaração cabem em casos de obscuridade, contradição ou omissão.
Numero da decisão: 3201-003.761
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração.
(assinatura digital)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinatura digital)
Pedro Rinaldi de Oliveira Lima - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente).
Nome do relator: PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA
1.0 = *:*
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CABIMENTO EM CASOS DE OBSCURIDADE, CONTRADIÇÃO OU OMISSÃO. Conforme disposições do regimento interno deste Conselho (Art. 65 e 66), os embargos de declaração cabem em casos de obscuridade, contradição ou omissão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração. (assinatura digital) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinatura digital) Pedro Rinaldi de Oliveira Lima Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 72 00 15 /2 01 4- 35 Fl. 6561DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Embargos de Declaração apresentados pelo Contribuinte em fls. 6542 sobre o Acórdão deste Conselho de fls. 6431 Transcrevese o Despacho de Admissibilidade do Presidente desta Turma de fls 6556 para apreciação: "O sujeito passivo interpôs embargos de declaração em face do Acórdão 3201 002.592, de 28/03/2017, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção. O acórdão embargado possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2009, 2010 PAF. SOBRESTAMENTO. DESNECESSIDADE. A atual redação do Regimento Interno do CARF não impõe o sobrestamento do julgamento, em razão de recursos pendentes de julgamento no Supremo Tribunal Federal ou no Superior Tribunal de Justiça. CRÉDITO. SERVIÇOS DIVERSOS RELACIONADOS A IMPORTAÇÃO. Não se tratando de insumos utilizados na produção, nem de valores que componham a base de cálculo das aquisições do exterior que, prevista em lei, gera crédito, não se reconhece o direito em relação a serviços de importação, como despachantes aduaneiros, taxas e despesas conexas, os quais revestemse da natureza de despesas administrativas inerentes às operações de importação de mercadorias. O mesmo se aplica às despesas com frete e armazenagem que não compuseram a base de cálculo (valor aduaneiro) das contribuições PIS e Cofins incidentes na importação. PIS E COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITO SOBRE FRETES E SERVIÇOS DE ARMAZENAGEM. Para que se admita o crédito relativo à operações no mercado interno, é necessária a demonstração de que o ônus do frete e da armazenagem na operação de venda tenha sido efetivamente assumido pela vendedora. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2009, 2010 PAF. SOBRESTAMENTO. DESNECESSIDADE. A atual redação do Regimento Interno do CARF não impõe o sobrestamento do julgamento, em razão de recursos pendentes Fl. 6562DF CARF MF Processo nº 15586.720015/201435 Acórdão n.º 3201003.761 S3C2T1 Fl. 6.562 3 de julgamento no Supremo Tribunal Federal ou no Superior Tribunal de Justiça. CRÉDITO. SERVIÇOS DIVERSOS RELACIONADOS A IMPORTAÇÃO. Não se tratando de insumos utilizados na produção, nem de valores que componham a base de cálculo das aquisições do exterior que, prevista em lei, gera crédito, não se reconhece o direito em relação a serviços de importação, como despachantes aduaneiros, taxas e despesas conexas, os quais revestemSe da natureza de despesas administrativas inerentes às operações de importação de mercadorias. O mesmo se aplica às despesas com frete e armazenagem que não compuseram a base de cálculo (valor aduaneiro) das contribuições PIS e Cofins incidentes na importação. PIS E COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITO SOBRE FRETES E SERVIÇOS DE ARMAZENAGEM. Para que se admita o crédito relativo à operações no mercado interno, é necessária a demonstração de que o ônus do frete e da armazenagem na operação de venda tenha sido efetivamente assumido pela vendedora. Os embargos são tempestivos: o sujeito passivo foi cientificado da decisão embargada no dia 19/02/2018, conforme Termo de ciência por abertura de mensagem à fl. 6538, e opôs os Embargos no dia 26/02/2018, conforme Termo de Solicitação de Juntada à fl. 6539. A Embargante alega que ocorreram erro e omissão no acórdão embargado. O excerto de seus embargos, transcrito a seguir, identifica os vícios suscitados: IV. DO ERRO MATERIAL 21. Cabe, por oportuno, tangenciar esse ponto, já que houve direta incongruência entre as razões de reforma do acórdão de primeira instância e o dispositivo conclusivo acerca do recurso voluntário. 22. Como acima mencionado, o acórdão proferido pela DRJ/RPO considerou que apenas as glosas referentes a frete e armazenagem teriam sido objeto da impugnação ao Auto de Infração. 23. Em matéria recursal, todavia, a Embargante delineou que sua impugnação abrangia todas as glosas efetuadas. 24. Deixando de chancelar o entendimento da DRJ/RPO, o relator argumentou que a impugnação, ao suscitar a nulidade do lançamento, também teria abarcado as demais glosas presentes no Auto de Infração. Assim, reformou o acórdão de primeira instância administrativa. Fl. 6563DF CARF MF 4 25. Por essa simples razão, o recurso voluntário em verdade teve parcial provimento, a despeito do que constou do dispositivo do acórdão embargado. 26. Desta feita, merece reparo o acórdão embargado para que esteja expresso o provimento parcial do recurso para reformar o acórdão da DRJ/RPO no que concerne à impugnação de todas as glosas constantes do Auto de Infração, afastando a consolidação administrativa dos créditos tributários. V. DA OMISSÃO 27. Patente a omissão incorrida no acórdão embargado. Ao abordar a matéria concernente às glosas efetuadas pela Fiscalização, o relator admite incontroverso que a Embargante adquire as mercadorias no mercado externo e as revende, independentemente da modalidade de importação (conta própria ou encomenda, afastandose apenas a conta e ordem de terceiros concebida como prestação de serviços). [...]29. Ocorre, entretanto, que, ao adentrar o caso concreto, especificamente quando trata do frete, revelou que tomou por verdade uma reduzida parcela dos documentos verificados em fiscalização, seguindo o raciocínio construído no Termo de Verificação de Infração, em que apenas uma parte dos fretes seriam referentes à operação logística entre as unidades das Embargante. 30. Ou seja, o relator procedeu à presunção de que tal situação particular se aplicaria a todo o universo de operações fiscalizadas, sem que houvesse qualquer constatação desse fato, ou mesmo mero indício. De maneira singela, realizou raciocínio indutivo a partir das alegações fiscais, desprovidas de lastro probatório. [...]32. Nada obstante, a seu critério, a Fiscalização realizou erroneamente procedimento de amostragem, que acabou por gerar distorção dos fatos verdadeiramente ocorridos, prejudicando o julgamento das razões levadas ao exame deste CARF. A incerteza acerca idoneidade do procedimento levado a cabo tem origem na falta de adequados parâmetros técnicos e transparência da fiscalização na elaboração do Termo de Verificação de Infração, documento em que houve mais preocupação em se fazer presunções e alegações do que propriamente dar suporte na apuração do crédito tributário lançado no Auto de Infração. 33. Nessa perspectiva, não houve a adequada verificação acerca do momento em que teriam sido incorridos os gastos com armazenagem e frete, infligindo dúvida ao relator. Tal incerteza resta evidenciada quando afirma que, ao examinar a relação de notas fiscais presentes nos autos, não consegue concluir que o custo das operações ali listadas tenha sido de fato suportado pela Embargante. São esses os fatos. Fl. 6564DF CARF MF Processo nº 15586.720015/201435 Acórdão n.º 3201003.761 S3C2T1 Fl. 6.563 5 Os embargos de declaração podem ser interpostos nas hipóteses previstas no artigo 65, caput, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que assim dispõe: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Já os embargos inominados são previstos no artigo 66 do RICARF: Art. 66. As alegações de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, provocados pelos legitimados para opor embargos, deverão ser recebidos como embargos inominados para correção, mediante a prolação de um novo acórdão. Analisando o acórdão vergastado constatase a omissão suscitada e o erro identificado. Expressamente o relator consignou em seu voto a ressalva para afastamento de cobranças de valores em razão de parcela relativa às glosas impugnadas, apesar do resultado do julgamento ter sido proferido no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, configurando o erro (inexatidão material), passível de correção. Também se configura a omissão suscitada, em virtude da não apreciação de todos os documentos acostados aos autos, que poderia alterar o entendimento da turma julgadora acerca do momento em que teriam sido incorridos os gastos com armazenagem e frete, para fins de direito ao crédito das contribuições. Com base nos argumentos acima e considerando a determinação contida no art. 65, § 7º do Regimento Interno do CARF, dou seguimento aos embargos de declaração. À SECAM, para providenciar o sorteio dos presentes Embargos dentre os Conselheiros da 1ª Turma da 2ª Câmara da 3ª Seção, para inclusão em pauta de julgamento." Os autos foram distribuídos e pautados conforme Regimento Interno deste Conselho. Relatório proferido. Voto Fl. 6565DF CARF MF 6 Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima Relator. Conforme o Direito Tributário, a legislação, os fatos, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme portaria de condução e Regimento Interno deste Conselho, apresentase este voto. Por conter matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e considerando o despacho de admissibilidade, os Embargos de Declaração devem ser conhecidos. Após a análise dos Embargos de Declaração e do Despacho de Admissibilidade em confronto com as demais peças e decisões constantes nesta lide administrativa fiscal, em especial o Acórdão embargado, é possível verificar que a inexatidão material e a omissão não ocorreram. Para ilustrar, transcrevese um primeiro trecho do acórdão embargado que trata da possível inexatidão material com relação ao provimento ter sido parcial ou não: "3 Matérias que não teriam sido impugnadas Quanto à alegação de que a Recorrente na verdade teria contestado a totalidade das glosas realizadas pela fiscalização, ao contrário do que restou consignado na decisão recorrida, concordo que ao contestar a constitucionalidade das Leis que embasaram o presente lançamento e suscitar a preliminar de nulidade, podese considerar que o contribuinte teria se insurgido contra todas as glosas efetuadas no procedimento fiscal, desde a apresentação de sua impugnação. Contudo, embora o acórdão recorrido tenha declarado que as "demais glosas, não contestadas expressamente, estão consolidadas administrativamente", não existe nos autos nenhum ato que leve a crer que a administração já tenha promovido a cobrança imediata de alguma parcela do lançamento por tal motivo. Por esta razão, entendo que cabe aqui apenas apontar que tais providências não devem ser tomadas, pelo fato do contribuinte ter efetivamente contestado todas as glosas objeto do lançamento." Pela leitura acima, verificase que não houve intenção do relator em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, simplesmente houve manifestação com relação à matéria a ser apreciada nesta lide administrativa. Explicase: ao entender que toda a matéria relativa ao lançamento foi impugnada, o relator fez a sábia e cuidadosa observação de que toda a lide administrativa deve continuar sob os efeitos suspensivos do processo administrativo fiscal, de modo que nenhuma cobrança antecipada de valores poderia ocorrer. Com relação ao julgamento ter desconsiderado os documentos, provas e indícios juntados pelo contribuinte nos autos e, em razão disto ter concretizado uma omissão, da mesma forma, é possível verificar que não houve tal omissão. Para ilustrar, transcrevese trechos selecionados do acórdão embargado que tratam da questão das provas: Fl. 6566DF CARF MF Processo nº 15586.720015/201435 Acórdão n.º 3201003.761 S3C2T1 Fl. 6.564 7 "Por sua vez, a Recorrente procura defender que a totalidade dos seus créditos seriam apuráveis sobre o valor total do custo de nacionalização dos bens que importa e revende, onde se incluiriam todas as despesas com fretes, armazenagem e outros serviços necessários à sua operação. Transcrevo agora os incisos I e IX do Art. 3º, da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que autorizaria a apuração de créditos oriundos das despesas objeto de glosa: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda (...). (...) IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Em relação às despesas com fretes, cabe primeiro destacar que a fiscalização apontou que uma parte se referiu a fretes entre as unidades da Recorrente, em relação aos quais foi alegado que se referem à saídas de produtos já vendidos. Devese ainda mencionar que a decisão recorrida também observou, devidamente, que não houve glosa incidente sobre o custo das mercadorias adquiridas para revenda. Neste sentido, o direito à apuração de créditos oriundos de despesas com fretes e armazenagem dependeria da demonstração de que os valores relativos a estes fretes teriam sido apartados na escrituração que serviu de base para a apuração do custo das mercadorias, sendo que tal demonstração ainda não consta dos autos. De outro giro, por se tratarem de operações de importação, cabe destacar que a definição da própria base de cálculo das contribuições PIS e Cofins nestas operações é o valor aduaneiro, conforme dispõe o Art. 7 º, I, da Lei nº 10.865, de 2004. Sendo que, por definição, no valor aduaneiro não são computadas as despesas com fretes, armazenagem ou quaisquer outras inerentes ao desembaraço da mercadoria, como despachantes, taxas, etc... Também observou a decisão recorrida, o que pode ser facilmente constatado nos autos, que inexistem indicações de que, entre os valores glosados, estejam despesas incorridas especificamente nas operações de venda e suportadas pela autuada na condição de vendedora. Pelo contrário, foram eles especificamente acatados pela fiscalização, que assim consignou no Termo de Verificação Fiscal. A Recorrente também argumenta que uma parcela dos gastos com armazenagem seria relativa à operações de venda no mercado interno, após a nacionalização e emissão da nota fiscal Fl. 6567DF CARF MF 8 correspondente. Neste sentido, defende que teria direito aos referidos créditos oriundos destas despesas com armazenagem, e informa que juntou, já na sua impugnação, planilha com relação de notas fiscais que comprovariam seus argumentos. No caso, já vimos que o inciso IX do Art. 3º antes transcrito, exige a demonstração de que o ônus do frete e da armazenagem na operação de venda teria sido assumido pela vendedora, para que se admita o crédito. Contudo, ao se examinar a relação de notas trazida pela Recorrente, não se pode concluir que o custo das operações ali listadas tenha sido de fato suportado pela empresa. Ainda, deve ser destacado que a decisão recorrida já observou tal falta de demonstração, sendo que a Recorrente, agora em sede de recurso voluntário insiste que a juntada desta relação de notas seria suficiente para comprovar suas alegações. Finalmente, ainda sobre estas despesas com fretes que a Recorrente sustenta que seriam parte de operações de venda no mercado interno, ocorridas após o desembaraço, observo que para que tal creditamento pudesse ser enquadrado na hipótese prevista em lei, seria preciso que os produtos saíssem do estabelecimento da Recorrente, com destino ao terceiro adquirente, com a venda já efetuada, o que também não restou comprovado nos autos. Não tendo ocorrido tal hipótese, é impossível considerar que se trate de frete em operação de venda, como prevê a lei, descabendo o direito de crédito." Em que pese o julgamento ter sido concluído por voto de qualidade e metade do conselheiros terem votado para a conversão do julgamento em diligência para a análise pormenorizada dos documentos, provas e indícios juntados pelo contribuinte, há claramente no acórdão embargado uma análise sobre os documentos, provas e indícios juntados pelo contribuinte, razão pela qual uma omissão não pode ser concretizada. Se os documentos são suficientes ou não para o provimento ou desprovimento do Recurso Voluntário, este julgamento já ocorreu e não pode ser reavaliado em sede de embargos, somente em Recurso Especial, oportunidade em que o contribuinte poderá alegar a falta da análise de seus documentos e provas juntados aos autos. Conforme disposições do regimento interno deste Conselho (Art. 65 e 66), os embargos de declaração cabem em casos de obscuridade, contradição ou omissão. Diante do exposto, votase por conhecer mas REJEITAR os Embargos de Declaração. Voto proferido. (assinatura digital) Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Fl. 6568DF CARF MF Processo nº 15586.720015/201435 Acórdão n.º 3201003.761 S3C2T1 Fl. 6.565 9 Fl. 6569DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.903897/2010-57
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002
IRPJ. ANTECIPAÇÕES. IRRF. SALDO NEGATIVO. UTILIZAÇÃO EM COMPENSAÇÕES. RETENÇÕES COMPROVADAS NO RECURSO VOLUNTÁRIO. POSSIBILIDADE. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. DCOMP HOMOLOGADA
Em observância ao princípio da verdade material é possível analisar em sede de recurso voluntário informes de rendimentos e retenções na fonte, visando verificar a certeza e a liquidez do crédito utilizado para extinguir débitos, por meio de DCOMP.
Numero da decisão: 1302-002.906
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de homologação tácita das Dcomps apresentadas, vencidos os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Maria Lucia Miceli e Flavio Machado Vilhena Dias, por unanimidade de votos, em conhecer das provas juntadas no recurso voluntário, votando pelas conclusões os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo e Gustavo Guimarães da Fonseca e, no mérito, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Rogério Aparecido Gil - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: ROGERIO APARECIDO GIL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2002 IRPJ. ANTECIPAÇÕES. IRRF. SALDO NEGATIVO. UTILIZAÇÃO EM COMPENSAÇÕES. RETENÇÕES COMPROVADAS NO RECURSO VOLUNTÁRIO. POSSIBILIDADE. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. DCOMP HOMOLOGADA Em observância ao princípio da verdade material é possível analisar em sede de recurso voluntário informes de rendimentos e retenções na fonte, visando verificar a certeza e a liquidez do crédito utilizado para extinguir débitos, por meio de DCOMP.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de homologação tácita das Dcomps apresentadas, vencidos os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Maria Lucia Miceli e Flavio Machado Vilhena Dias, por unanimidade de votos, em conhecer das provas juntadas no recurso voluntário, votando pelas conclusões os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo e Gustavo Guimarães da Fonseca e, no mérito, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
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(ANTIGA ARCELORMITTAL BIOENERGIA LTDA.) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 IRPJ. ANTECIPAÇÕES. IRRF. SALDO NEGATIVO. UTILIZAÇÃO EM COMPENSAÇÕES. RETENÇÕES COMPROVADAS NO RECURSO VOLUNTÁRIO. POSSIBILIDADE. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. DCOMP HOMOLOGADA Em observância ao princípio da verdade material é possível analisar em sede de recurso voluntário informes de rendimentos e retenções na fonte, visando verificar a certeza e a liquidez do crédito utilizado para extinguir débitos, por meio de DCOMP. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de homologação tácita das Dcomps apresentadas, vencidos os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Maria Lucia Miceli e Flavio Machado Vilhena Dias, por unanimidade de votos, em conhecer das provas juntadas no recurso voluntário, votando pelas conclusões os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo e Gustavo Guimarães da Fonseca e, no mérito, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 90 38 97 /2 01 0- 57 Fl. 387DF CARF MF Processo nº 10680.903897/201057 Acórdão n.º 1302002.906 S1C3T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Tratase de recurso voluntário interposto face ao Acórdão nº 0236.486, de 30/11/2011, da 3ª Turma da DRJ de Belo Horizonte (MG) que, por unanimidade de votos julgou improcedente a manifestação de inconformidade, para rejeitar a preliminar de nulidade, indeferir a juntada de novos documentos e não homologar as compensações em litígio, registrandose a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Na Declaração de Compensação somente podem ser utilizados os créditos comprovadamente existentes, respeitadas as demais regras determinadas pela legislação vigente para a sua utilização. IRRF COMPROVAÇÃO A IRRF somente pode ser deduzido do IRPJ apurado no período se o contribuinte comprovar, mediante documentação hábil e idônea, que sofreu a retenção do imposto, e que as receitas advindas desta retenção foram efetivamente oferecidas à tributação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Crédito Tributário Mantido O acórdão recorrido manteve a decisão da DRF quanto à não homologação da DCOMP retificadora nr. 12126.17715.220906.1.7.027045, de 22/09/2006, devido à não comprovação de IRRF no valor de R$35.480,37. Por esse motivo, também não foram homologadas quatro DCOMPs posteriores, nas quais utilizouse parte desse valor. A recorrente informou que, o imposto de renda antecipado incidiu sobre aplicações financeiras de swap, resgatadas em 2002. Todavia, somente por ocasião do recurso voluntário, a Recorrente juntou os respectivos comprovantes de retenção na fonte. A fiscalização havia indeferido o pedido de juntada posterior à manifestação de inconformidade de documentos e fundamentou sua conclusão nas disposições do art. 16, parágrafo quarto, do Dec. nr. 70.235, de 06/03/1972, quanto à obrigatoriedade da apresentação de prova documental na impugnação, sob pena de preclusão. Não foi acolhido o pedido de homologação tácita das compensações. O acórdão recorrido afastou a alegação de decadência, mediante a demonstração de que a DCOMP em questão, nr. 12126.17715.220906.1.7.027045, de 22/09/2006, retificou a DCOMP inicial nr 13875.06462.130204.1.3.020075 Fl. 388DF CARF MF Processo nº 10680.903897/201057 Acórdão n.º 1302002.906 S1C3T2 Fl. 4 3 Sendo assim, o prazo de cinco anos assegurado ao Fisco para a verificação da validade das compensações indicadas nas referidas DCOMPs teve início em 22/09/2006 (data da apresentação da DCOMP retificadora, conforme art. 80 da IN RFB nr. 900, de 2008). A DRF demonstrou que o Despacho Decisório foi proferido em 07/06/2010 e a Recorrente foi devidamente cientificada em 14/06/2010. Portanto, dentro de prazo de cinco anos. Afastandose a alegação quanto à homologação tácita das DCOMPs por decurso do prazo de cinco anos, sem decisão da DRF. Assim, o acórdão recorrido rejeitou a preliminar de nulidade, por considerar legalmente válido o despacho decisório; indeferiu a juntada de novos documentos, sob o fundamento de que as provas documentais devem ser apresentadas na impugnação, sob pena de preclusão; não homologou as DCOMPs devido à não apresentação dos comprovantes de retenção na fonte do IRPJ. A recorrente foi intimada dessa decisão da DRJ, em 09/02/2012 e interpôs recurso voluntário tempestivamente, em 12/02/2012, por meio do qual reapresentou as razões registradas na manifestação de inconformidade, juntamente com os comprovantes referidos comprovantes de retenção na fonte. Ao apreciar o Recurso Voluntário, esta 2ª Turma Ordinária entendeu que os comprovantes de retenção na fonte poderiam ser acolhidos, em atendimento ao princípio da verdade material e com base nas disposições do art. 69 da Lei nr 9.784/99 que autoriza a juntada de documentos e pareceres em toda a fase de instrução do processo administrativo. Verificouse que os informes anexados ao recurso voluntário comprovavam o recebimento de rendimentos de aplicações financeiras e as respectivas retenções na fonte do IRPJ, cuja soma totalizou o valor em questão (R$35.480,37). Todavia, em que pese a comprovação dos créditos da recorrente de imposto de renda retido na fonte no valor de R$35.480.37, conforme declarados na DCOMP retificadora nr. 12126.17715.220906.1.7.027045, de 22/09/2006, concluiuse que não havia nos autos demonstração de que os rendimentos que ensejaram as retenções na fonte teriam sido devidamente oferecidos à tributação. Registrouse o fato de que, não é suficiente a evidenciação de que houve antecipação do pagamento de tributos. É necessária a concomitante apresentação da escrita contábil hábil a demonstrar o oferecimento à tributação dos respectivos rendimentos. Nesse sentido, converteuse o julgamento em diligência (Resolução nº 1302 000.403, 2ª Turma Ordinária, 3ª Câmara, 1ª Seção), determinandose o retomo dos autos à DRF para que fosse verificado se houve oferecimento à tributação dos referidos rendimentos que ensejaram as retenções na fonte em questão. A recorrente foi intimada e apresentou documentos e informações para demonstrar que os respectivos rendimentos foram devidamente oferecidos à tributação. É o relatório. Voto Fl. 389DF CARF MF Processo nº 10680.903897/201057 Acórdão n.º 1302002.906 S1C3T2 Fl. 5 4 Conselheiro Rogério Aparecido Gil Relator A tempestividade e os demais pressupostos de admissibilidade foram analisados na primeira oportunidade em que o Recurso Voluntário foi submetido ao Carf, sendo, portanto, o conhecido. O crédito utilizado pela Recorrente nas referidas DCOMPs referese a Saldo Negativo de IRPJ apurado no ano calendário de 2002. O primeiro documento apresentado pelo contribuinte – a DCOMP de nº 13875.06462.130204.1.3.020075 – foi protocolizado em 13/02/2004 e detalhou o crédito apurado pela contribuinte intitulado “Saldo Negativo de IRPJ AC 2002”. Essa DCOMP foi retificada posteriormente pela DCOMP nº 12126.17715.220906.1.7.027045, de 22/09/2006. Esse foi o documento que amparou a apresentação das demais DCOMPs, considerando que foi o único que detalhou a apuração do crédito utilizado. As demais DCOMPs mencionaram como origem do crédito: Saldo Negativo de IRPJ informado em outro PER/DCOMP. Em síntese, temse que o crédito em questão utilizado pela Recorrente nas DCOMPs nº 06208.32980.100504.1.7.020049, 14658.81217.100504.1.7.021307, 37455.32693.100504. 1.3.020521 e 31018.25976.080604.1.3.024898, referese àquele identificado na DCOMP nº 13875.06462.130204.1.3.020075, posteriormente retificada pela DCOMP de nº 12126.17715.220906.1.7.027045. Desse modo, para que as DCOMPs cujo crédito esteja vinculado à DCOMP de nº 13875.06462.130204.1.3.020075 (retificadora) sejam homologadas, é necessária a análise do crédito nessa detalhado. Considerando que este documento foi retificado em 22/09/2006, pela apresentação da DCOMP de nº 12126.17715.220906.1.7.027045, o prazo para o fisco verificar os procedimentos executados pela Recorrente, tanto na DCOMPmãe quanto nas suas vinculadas teve início com a apresentação da DCOMP retificadora (22/09/2006) que identifica o crédito utilizado (§ 5º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996). Assim, diante do início do prazo decadencial em 22/09/2006; do Despacho Decisório da DRF de 07/06/2010; da devida ciência à Recorrente, em 14/06/2010, verificase que foram atendidas as disposições do art. 74 de Lei nr. 9.430, de 1996, no sentido de que a contribuinte, no prazo de cinco anos, foi devidamente intimada da decisão que analisou as DCOMPs em questão. Com base nesses fatos e fundamentos, entendo que está correta a decisão da DRF, ratificada pelo Acórdão recorrido, quanto à conclusão de que não há ocorrência de homologação tácita das DCOMPS. Quanto à juntada, somente no recurso voluntário, dos comprovantes dos créditos de antecipação de imposto de renda (IRRF), ratifico o entendimento de que poderiam ser acolhidos em cumprimento ao princípio da verdade material. No entanto, não obstante o fato de entende que há a possibilidade de juntada de documentos posteriormente à impugnação, o indeferimento de tal pedido pela DRF, por si, não implica nulidade do acórdão recorrido, por cerceamento de defesa. Verificase que foram Fl. 390DF CARF MF Processo nº 10680.903897/201057 Acórdão n.º 1302002.906 S1C3T2 Fl. 6 5 respeitados o devido processo legal, o contraditório e a ampla defesa. Negase, assim, o pedido de nulidade apresentado pela Recorrente. Ratifico, também, o entendimento registrado na referida Resolução de que, os informes anexados ao recurso voluntário comprovam as citadas retenções na fonte de IR, decorrentes de aplicações financeiras e cuja soma totaliza R$35.480,37. Analisandose os comprovantes constatase que instituição financeira indicou como beneficiária das aplicações financeira, a empresa ACESITA ENERGÉTICA LTDA., cujo CNPJ coincide com o CNPJ da Recorrente ARCELORMITTAL BIONERGIA LTDA (18.238.980/000120). Essa alteração de Razão Social da empresa está demonstrada nos autos, iniciando por Acesita, depois Arcelormital e atualmente Aperam. Diante da comprovação dos créditos da recorrente de imposto de renda retido na fonte no valor de R$35.480,37, conforme declarados na DCOMP retificadora nr. 12126.17715.220906.1.7.027045, de 22/09/2006, cabe verificar o resultado da diligência, quanto à demonstração de que os respectivos rendimentos foram regularmente oferecidos à tributação. O Relatório de Diligência Fiscal (fls. 360/361) registrou as seguintes constatações: 1. O CARF (Resolução n° 1302000.403 3a Câmara/ 2a Turma Ordinária, de 04/02/2016) solicita que se verifique o oferecimento à tributação do valor de R$177.427,28, relativo a rendimento de aplicações financeiras. 2. O contribuinte informa que este valor está inserido na linha 24 da Ficha 06 A da DIPJ do anocalendário 2002. Esta linha indica o valor de R$ 1.902.634,41 (outras receitas financeiras atividade rural) ver folha 321. 3. O rendimento em questão foi lançado no "Razão Sintético por Conta" na conta 545120, no valor de R$ 216.547,64, conforme folha 310. 4. À folha 313, a empresa detalha o valor de R$ 216.547,64. 5. Às folhas 295 a 296, relaciona as contas que perfazem o valor de R$1.904.405,93. 6. Desse valor de R$ 1.904.405,93 subtrai o valor de R$ 447.186,55, a título de V. M. de Impostos a Compensar. Foi, então, intimado a explicar a dedução desse valor. 7. Justifica às folhas 328 a 333 que apurou juros a receber (relativos a PIS a compensar do período de out/90 a set/95), relativos ao ano 2002, em valor maior que o que efetivamente deveria utilizar na compensação. Inicialmente apurou juros (em 2002) no valor de R$ 1.686.983,32, mas, na verdade, os juros a compensar seriam de apenas R$ 1.039.317,67 (folha 357). A diferença de juros recebidos ( R$ 647.665,65, conforme folha 332 e 349) foi debitada da conta "variação monetária" (conta 796506), gerando um valor devedor de R$ 447.186,55, que foi abatido da linha 24 da Ficha 06 A da DIPJ/2002. 8. Dessa forma, concluise que foi oferecido à tributação o valor questionado (R$ 177.427,28). Dêse ciência ao contribuinte, e após, retornemse os autos ao CARF. Fl. 391DF CARF MF Processo nº 10680.903897/201057 Acórdão n.º 1302002.906 S1C3T2 Fl. 7 6 Assim, diante das comprovações de retenção na fonte de imposto de renda (R$35.480,37) e do oferecimento à tributação dos respectivos rendimentos de aplicações financeiras (R$177.427,28), voto por dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o referido crédito da recorrente e homologar a DCOMP acima e as respectivas DCOMPs vinculadas, extinguindose o crédito tributário e reflexos de multa e juros, até o limite do crédito tributário. (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Fl. 392DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10840.722366/2011-66
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA.
Deve ser aplicado o regime de competência, quando da cobrança do imposto de renda, no que se referem aos rendimentos recebidos acumuladamente, diante exercício do dever fundamental de pagar o tributo, em observância aos princípios constitucionais da isonomia, da capacidade contributiva e da proporcionalidade, conforme decidido em sede de recurso repetitivo pelo Supremo Tribunal Federal.
Numero da decisão: 9202-007.006
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões do recurso voluntário, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício.
(assinado digitalmente)
Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2007 RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA. Deve ser aplicado o regime de competência, quando da cobrança do imposto de renda, no que se referem aos rendimentos recebidos acumuladamente, diante exercício do dever fundamental de pagar o tributo, em observância aos princípios constitucionais da isonomia, da capacidade contributiva e da proporcionalidade, conforme decidido em sede de recurso repetitivo pelo Supremo Tribunal Federal.
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REGIME DE COMPETÊNCIA. Deve ser aplicado o regime de competência, quando da cobrança do imposto de renda, no que se referem aos rendimentos recebidos acumuladamente, diante exercício do dever fundamental de pagar o tributo, em observância aos princípios constitucionais da isonomia, da capacidade contributiva e da proporcionalidade, conforme decidido em sede de recurso repetitivo pelo Supremo Tribunal Federal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões do recurso voluntário, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 72 23 66 /2 01 1- 66 Fl. 120DF CARF MF 2 Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional contra o Acórdão n.º 2402006.016 proferido pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, em 3 de outubro de 2017, no qual restou consignada a seguinte ementa, fls. 73: IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. RENDIMENTOS PERCEBIDOS ACUMULADAMENTE ANTES DE 2010. REGIME DE COMPETÊNCIA. O Imposto de Renda incidente sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. Precedentes do STF e do STJ na sistemática dos artigos 543B e 543C do CPC. O Recurso Especial referido anteriormente, fls. 83 a 88, foi admitido, por meio do Despacho de fls. 101 a 104, para rediscutir a decisão recorrida, no tocante ao regime de cálculo dos rendimentos recebidos acumuladamente. Destacase que, para a decisão a quo, deve ser cancelada a exigência tributária, enquanto, para o acórdão paradigma, devem ser aplicadas as tabelas vigentes à época em que os rendimentos foram auferidos pelo contribuinte. Aduz a Fazenda, em síntese, que: a) temos que não se justifica a derrubada integral do auto de infração, mas, que seja recalculado o valor do imposto, tomandose como base o decidido em sede de recurso repetitivo e recentemente pelo Excelso Pretório; b) temos que o contribuinte se defende dos fatos, tendo entendido perfeitamente a acusação que lhe foi dirigida pela Fiscalização. Como o Judiciário entendeu apenas que a metodologia do cálculo da Fiscalização estava equivocado, não há pertinência em querer derrubar todo o auto de infração, sendo apenas necessária a indispensável adequação do caso “sub judice” à jurisprudência sedimentada nos tribunais superiores; c) deve ser reformado o v. acórdão recorrido, para que seja o cálculo do imposto de renda incidente sobre os rendimentos recebidos acumuladamente apurado mensalmente, em correlação aos parâmetros fixados na tabela progressiva do imposto de renda vigente à época dos respectivos fatos geradores. Intimado, o Contribuinte apresentou Contrarrazões, fls. 109 a 114, nas quais sustenta, em síntese: Fl. 121DF CARF MF Processo nº 10840.722366/201166 Acórdão n.º 9202007.006 CSRFT2 Fl. 3 3 a) a manutenção do acórdão recorrido, devendo ser levado em consideração os rendimentos percebidos mensalmente sob pena de afrontar a isonomia tributária. É o relatório. Voto Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora Conheço do recurso, pois se encontra tempestivo e presentes os requisitos de admissibilidade. Consoante narrado, a controvérsia suscitada tem como objeto a discussão acerca da manutenção do lançamento referente à omissão de rendimentos recebidos acumuladamente, em decorrência do regime contábil aplicado ao lançamento, que teve reconhecida sua inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal, no julgamento do Recurso Extraordinário nº 614.406/RS, o qual foi submetido à sistemática da repercussão geral prevista no artigo 543B do Código de Processo Civil. Muito se discute, neste Colegiado, sobre os efeitos da decisão proferida no mencionado RE, que tratou da aplicação do regime de cobrança do imposto de renda incidente "sobre as verbas recebidas, de forma acumulada, em ação judicial", se regime de caixa, previsto no art. 12 da Lei 7.713/88 ou de competência (posteriormente positivado pelo art. 12 A do mesmo diploma legal). Com o reconhecimento da inconstitucionalidade parcial sem redução de texto do art. 12 da Lei 7.713/88, o que determinou a orientação para aplicação do regime de competência, para alguns Conselheiros, os lançamentos relativos aos períodos anteriores à MP 497/2010, que alterou a redação do art. 12A da Lei 7.713/88, devem ser desconstituídos em sua integralidade, pois eivado de vício material, em razão da utilização de critério jurídico equivocado (regime de caixa, quando deveria ser regime de competência). Por outro lado, há entendimento diverso no sentido da manutenção parcial do lançamento com a adequação do lançamento ao regime de competência, pois não há que se falar em vício, mas sim em procedência parcial do lançamento. Compulsandose o RE 614.406, temse que a inconstitucionalidade reconhecida foi parcial e sem redução de texto, ou seja, em uma interpretação conforme a constituição, como se extrai do trecho abaixo da ementa do Acórdão do TRF4: 3. Afastado o regime de caixa, no caso concreto, situação excepcional a justificar a adoção da técnica de declaração de inconstitucionalidade sem redução de texto ou interpretação conforme a constituição, diante da presunção de legitimidade e constitucionalidade dos atos emanados do Poder Legislativo e Fl. 122DF CARF MF 4 porque casos símeis a este não possuem espectro de abrangência universal. (...). Segundo ensina Pedro Lenza, o STF pode determinar que a mácula da inconstitucionalidade reside em determinada aplicação da lei, ou em dado sentido interpretativo. Neste último caso, o STF indica qual seria a interpretação conforme, pela qual não se configura a inconstitucionalidade. Cabe destacar que não foi declarada a inconstitucionalidade do artigo de lei, razão pela qual não se poderia considerar a nulidade do dispositivo, mas sim a aplicação de uma interpretação conforme, o que afasta a existência de tal nulidade. Corroborando o exposto, cabe mencionar o art. 97 da CF que estabelece a cláusula de reserva de plenário, de modo que "somente pelo voto da maioria absoluta de seus membros ou dos membros do respectivo órgão especial poderão os tribunais declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público". Destacase a existência de mitigação da mencionada cláusula, dentre outras, quando o Tribunal utilizar a técnica de interpretação conforme a Constituição, pois não haverá declaração de inconstitucionalidade propriamente dita. Portanto, restou decidida, na ocasião do julgamento do RE em comento, a aplicação do regime de competência, quando da cobrança do imposto de renda, diante exercício do dever fundamental de pagar o tributo, em observância aos princípios constitucionais da isonomia, da capacidade contributiva e da proporcionalidade, sendo mantida a exação, naquele caso, em razão da interpretação atribuída. Ademais, não se vislumbra a existência de prejuízo ao contribuinte, tendo em vista que o recálculo a ser aplicado se mostra mais benéfico que o originário, motivo deve ser reformada a decisão recorrida. Assim, entendo inexistente vício insanável apto a macular o lançamento, sendo imperiosa apenas a aplicação do regime de competência, a fim de atender a interpretação conforme a constituição decorrente da análise do RE 614.406. Diante do exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, para no mérito DARLHE PROVIMENTO para afastar a nulidade declarada, determinando o retorno dos autos à turma a quo para analisar as demais questões trazidas no recurso voluntário do contribuinte. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz. Fl. 123DF CARF MF Processo nº 10840.722366/201166 Acórdão n.º 9202007.006 CSRFT2 Fl. 4 5 Fl. 124DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.001556/2005-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2001
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA CARF Nº 4.
Inexistência de ilegalidade na aplicação da taxa Selic devidamente demonstrada no auto de infração, porquanto ò Código Tributário Nacional outorga à lei a faculdade de estipular os juros de mora incidentes sobre os créditos não integralmente pagos no vencimento e autoriza a utilização de percentual diverso de 1%, desde que previsto em lei. Aplicação da Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2202-004.502
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Reginaldo Paixão Emos (suplente convocado) e Ronnie Soares Anderson. Ausente, justificadamente, a conselheira Rosy Adriane da Silva Dias.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Reginaldo Paixão Emos (suplente convocado) e Ronnie Soares Anderson. Ausente, justificadamente, a conselheira Rosy Adriane da Silva Dias.
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TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA CARF Nº 4. Inexistência de ilegalidade na aplicação da taxa Selic devidamente demonstrada no auto de infração, porquanto ò Código Tributário Nacional outorga à lei a faculdade de estipular os juros de mora incidentes sobre os créditos não integralmente pagos no vencimento e autoriza a utilização de percentual diverso de 1%, desde que previsto em lei. Aplicação da Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Reginaldo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 15 56 /2 00 5- 17 Fl. 138DF CARF MF Processo nº 10830.001556/200517 Acórdão n.º 2202004.502 S2C2T2 Fl. 139 2 Paixão Emos (suplente convocado) e Ronnie Soares Anderson. Ausente, justificadamente, a conselheira Rosy Adriane da Silva Dias. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 10830.001556/200517, em face do acórdão nº 17.28.343, julgado pela 3ª Turma da Delegacia Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (DRJ/SPOII), em sessão realizada em 28 de setembro de 2008, no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar procedente o lançamento. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem que assim os relatou: "O Contra o contribuinte em questão foi lavrado o auto de infração (fls. 04/06) com o lançamento de imposto de renda relativo ao anocalendário 2000 de R$ 5.625,00, de multa de oficio de R$ 4.218,75 e de juros de mora calculados até 03/2005 de R$ 4.239,56. Em procedimento fiscal levado a efeito junto ao contribuinte apurouse a omissão de ganhos de capital na alienação do seguinte imóvel: uma parte ideal correspondente a 1,5% na área de terras, designada por gleba n° 1, situada em zona rural, neste município e comarca de Campinas, na propriedade denominada Santa Letícia do Retiro, com área de 62.733,24 metros quadrados, em 25/10/2000, conforme Escritura pública de venda e compra lavrada em 25/10/2000, do 7° Tabelião de Notas de Campinas, onde o contribuinte junto com seu cônjuge alienaram, por R$ 80.000,00 o imóvel acima descrito. De tal operação foi apurado o ganho de capital de R$ 37.500,00, para cada cônjuge. Enquadramento legal: artigos 1° ao 3° e §§, 16 a 22, da Lei 7.713/88; artigos 1° e 2°, da Lei 8.134/90; artigo 7° e 21, da Lei 8.981/95; artigo 17 da Lei 9.249/95; artigos 22 ao 24 da Lei 9.250/95. Inconformado com o lançamento, o contribuinte, cientificado em 15 de abril de 2005, apresenta a impugnação de fls. 24/30, assinada por Fábio Bezana, seu representante legal, em que alega, em síntese, que: 1 há vício de origem no presente procedimento fiscal, já que se deu início em razão da verificação de movimentação financeira acima dos valores declarados; 2 a autorização para a utilização de informações bancárias foi dada pela Lei Ordinária 10.174/2001; entretanto, tais leis sobrepõemse às garantias individuais previstas no art. 50, da Constituição Federal; 3 a referida lei entrara em vigor no ano de 2001, por outro lado o auto de infração centralizase no exercício 2000 e 2001; Fl. 139DF CARF MF Processo nº 10830.001556/200517 Acórdão n.º 2202004.502 S2C2T2 Fl. 140 3 4 a fim de comprovar a origem dos recursos depositados em sua conta apresentou as justificativas presentes nos autos, no sentido que são oriundos de pessoas jurídicas e tratase de distribuição de lucros e doação; 5 neste mesmo procedimento, por meio de pesquisas nos cartórios de notas, verificouse a existência de lucro imobiliário, no exercício de 2000, em razão de alienação de um bem imóvel localizado na cidade de Campina; no entanto, ao atualizar o débito foi utilizada a inconstitucional taxa Selic; 6 como a taxa selic foi criada pelo Banco Central, como instrumento remuneratório dos títulos, tendo como fator de variação as operações de venda de títulos, a sua utilização para fins tributários desvirtua a sua natureza, além do que fere o princípio da estrita legalidade. Em 31 de maio de 2005, é apresentado, em nome ao contribuinte, impugnação assinada por Lauro Augustonelli, sem a juntada do mandado de procuração, em que é contestado novamente o lançamento em questão.” A DRJ de origem entendeu pela procedência do lançamento, mantendo integralmente o crédito exigido, decidindo pela legalidade da taxa Selic, a qual foi a única matéria impugnada em primeira instância administrativa. O contribuinte, inconformado com o resultado do julgamento, apresentou recurso voluntário, às fls. 111/115, reiterando o afastamento da taxa Selic do cálculo do tributo, requerendo a incidência de juros de 1% (um por cento) ao mês. É o relatório. Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Inexiste ilegalidade na aplicação da taxa Selic, porquanto o Código Tributário Nacional outorga à lei a faculdade de estipular os juros de mora incidentes sobre os créditos não integralmente pagos no vencimento e autoriza a utilização de percentual diverso de 1%, desde que previsto em lei. Além disso, estabelece a Súmula CARF nº 4: "A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais." Fl. 140DF CARF MF Processo nº 10830.001556/200517 Acórdão n.º 2202004.502 S2C2T2 Fl. 141 4 Deste modo, não há como acolher a tese do recorrente, não merecendo provimento o recurso do contribuinte. Conclusão. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Fl. 141DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.914278/2012-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2004
RESTITUIÇÃO. REQUISITO.
O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN).
Numero da decisão: 3201-003.908
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2004 RESTITUIÇÃO. REQUISITO. O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN).
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2004 RESTITUIÇÃO. REQUISITO. O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN). Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório METROBENS AUTOMÓVEIS LTDA. apresentou pedido eletrônico de restituição de crédito da contribuição (Cofins/PIS), pedido esse que restou indeferido pela repartição de origem em razão do fato de que o pagamento informado pelo pleiteante já havia sido utilizado para quitação de outros débitos de sua titularidade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 91 42 78 /2 01 2- 75 Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10980.914278/201275 Acórdão n.º 3201003.908 S3C2T1 Fl. 3 2 Cientificado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu a reavaliação do despacho decisório, alegando, aqui apresentado de forma sucinta, o seguinte: a) o direito creditório pleiteado se refere a pagamento a maior da contribuição (PIS/Cofins) decorrente da inclusão indevida do ICMS em sua base de cálculo; b) a contribuição (PIS/Cofins) incide sobre o faturamento mensal que corresponde à receita bruta da venda de mercadorias e/ou serviços; c) a Lei nº 9.718/1998 extrapolou a previsão constitucional, instituindo as contribuições sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente do tipo de atividade exercida e/ou da classificação contábil adotada, enquanto que o art. 195, I, "b", da Constituição Federal previa a instituição de contribuições sociais somente sobre o faturamento, o que não abrange o valor pago a título de ICMS, visto que tal valor constitui ônus fiscal e não faturamento. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, por meio do acórdão nº 12 079.433, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, considerando que a base de cálculo das contribuições (PIS/Cofins) é o faturamento, que corresponde à receita bruta auferida, não havendo previsão legal para exclusão do valor do ICMS que compõe o preço de venda da mercadoria. Irresignado, o contribuinte interpôs, no prazo legal, Recurso Voluntário, repisando os mesmos argumentos de defesa, destacando a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição (PIS/Cofins), conforme decisão do Plenário do Supremo Tribunal Federal que reconheceu a repercussão geral da matéria no julgamento do RE nº 574.706. Arguiu, ainda, que o CARF entende, em observância ao princípio da Verdade Material, ser admissível a juntada de documentos que comprovem os fatos alegados pelo contribuinte após a impugnação e até o momento do julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.882, de 20/06/2018, proferido no julgamento do processo 10980.914262/201262, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.882): O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10980.914278/201275 Acórdão n.º 3201003.908 S3C2T1 Fl. 4 3 A Recorrente apresentou PER/DCOMP por meio do qual requereu a restituição do PIS apurado em julho de 2005. Indeferido o pleito ao argumento de que o crédito vindicado estava integralmente utilizado para quitação de débitos do próprio contribuinte, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, por meio da qual alegou, com fundamento em decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal STF, que o direito à restituição decorre do fato do pagamento a maior do PIS/Cofins, em face da inclusão, nas suas respectivas bases de cálculos, do ICMS estadual, argumento repetido no recurso voluntário, ora apreciado. A Recorrente, contudo, não se atentou para o fato – devidamente explicitado no acórdão recorrido – de que a razão para o indeferimento do pedido repousou na utilização integral do crédito para pagamento de débito da mesma contribuição. Noutras palavras, a Recorrente sequer apresentou, antes ou após a ciência do Despacho Decisório (na verdade, nada falou a respeito em suas defesas), DCTF retificadora para permitir a liberação do valor requerido, se fosse o caso, e a sua restituição em pecúnia ou a sua compensação com outros tributos. Ainda que eventualmente seja procedente o argumento que embasa o pedido (isso não significa que concordemos com a tese), a Administração Tributária não podia e não pode restituir valor já alocado para quitação de um tributo. Quem deve fazêlo é o próprio contribuinte, de ordinário antes de apresentar o pedido eletrônico de restituição. É como, aliás, entende a própria RFB, como indica o Parecer Normativo Cosit nº 2, de 28 de agosto de 2015: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10980.914278/201275 Acórdão n.º 3201003.908 S3C2T1 Fl. 5 4 haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Dispositivos Legais. arts. 147, 150, 165 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); arts. 348 e 353 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil (CPC); art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984; art. 18 da MP nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001; arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010; Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012; Parecer Normativo RFB nº 8, de 3 de setembro de 2014. eprocesso 11170.720001/201442 Portanto, para que haja a possibilidade de restituição, o crédito respectivo deve estar liberado, mediante a entrega de DCTF retificadora, exceto quanto às hipóteses de impedimento à sua apresentação, não verificadas, aliás, no caso ora em exame, como, por exemplo, quando o saldo a pagar já tenha sido enviado à Procuradoria da Fazenda Nacional PFN para inscrição em Dívida Ativa. Não cabe, ademais, à RFB fazer a retificação de ofício. Como consignado nos fundamentos do referido PN, "enquanto não retificada a DCTF, o débito ali espontaneamente confessado é devido, logo, valor utilizado para quitálo não se constitui formalmente em indébito, sem que a recorrente promova a prévia retificação da Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10980.914278/201275 Acórdão n.º 3201003.908 S3C2T1 Fl. 6 5 declaração. (Acórdão nº 1302001.571, Rel. Cons. Alberto Pinto Souza Júnior, 25 de novembro de 2014)". A situação aqui enfrentada é, como se percebe, diferente da que comumente se vê no Contencioso Administrativo, em que o interessado costuma apresentar DCTF retificadora, mas não apresenta, na manifestação de inconformidade, documentos contábeis/fiscais comprovando o erro cometido na original, ou os apresenta neste recurso, mas o só fato de a DCTF retificadora ter sido apresentada após a ciência do Despacho Decisório leva a DRJ a manter, por esse só motivo, o indeferimento do pedido de restituição. Não tendo sido apresentada DCTF retificadora, o crédito reclamado continua vinculado ao pagamento confessado na DCTF enviada à RFB, de modo que, nesse contexto, não há como restituílo. Contudo, não foi este o entendimento dos demais integrantes da Turma, que, muito embora também negando provimento ao recurso, fizeramno ao argumento de que não haveria provas do direito reclamado pela Recorrente (apenas apresentou planilha discriminando os valores pleiteados, mas nenhum documento fiscal ou contábil). Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Contribuição para o PIS, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Cofins. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 75DF CARF MF
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