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Numero do processo: 16682.720560/2014-04
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2014
MULTA ISOLADA. DESPACHO DECISÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO PERMITIDA. EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUSPENSA.
A partir do momento que o despacho decisório fundamentado não homologa as compensações solicitadas pelo sujeito passivo, não há óbices à constituição do crédito tributário mediante o lançamento de multa isolada, o que não significa, nos termos do artigo 151, inciso III, do CTN, que a exigibilidade de tal crédito dar-se-á imediatamente.
JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO.
A obrigação tributária principal compreende o tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Registre-se, ainda, que tal fato não decorre da autuação, mas sim do vencimento da multa, por ocasião do não pagamento voluntário do valor resultante deste auto de infração no seu respectivo vencimento, momento em que se iniciará o cômputo de juros sobre a multa.
Numero da decisão: 1402-003.202
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Declarou-se impedido de participar do julgamento o Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella, substituído pelo conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente.
(assinado digitalmente)
Demetrius Nichele Macei - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei, Paulo Mateus Ciccone (Presidente), Ailton Neves da Silva (Suplente convocado) e Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado para os impedimentos).
Nome do relator: DEMETRIUS NICHELE MACEI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2014 MULTA ISOLADA. DESPACHO DECISÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO PERMITIDA. EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUSPENSA. A partir do momento que o despacho decisório fundamentado não homologa as compensações solicitadas pelo sujeito passivo, não há óbices à constituição do crédito tributário mediante o lançamento de multa isolada, o que não significa, nos termos do artigo 151, inciso III, do CTN, que a exigibilidade de tal crédito darseá imediatamente. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende o tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Registrese, ainda, que tal fato não decorre da autuação, mas sim do vencimento da multa, por ocasião do não pagamento voluntário do valor resultante deste auto de infração no seu respectivo vencimento, momento em que se iniciará o cômputo de juros sobre a multa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Declarouse impedido de participar do julgamento o Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella, substituído pelo conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 05 60 /2 01 4- 04 Fl. 191DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente. (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei, Paulo Mateus Ciccone (Presidente), Ailton Neves da Silva (Suplente convocado) e Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado para os impedimentos). Fl. 192DF CARF MF Processo nº 16682.720560/201404 Acórdão n.º 1402003.202 S1C4T2 Fl. 190 3 Relatório Adoto, em sua integralidade, o relatório do Acórdão nº 1271.446, proferido em 18 de dezembro de 2014, pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro, complementandoo, ao final, com as pertinentes atualizações processuais. Trata o processo de auto de infração para cobrança de multa isolada, no valor de R$ 12.726.462,94, decorrente da não homologação das DCOMP nº 41413.37634.170111.1.7.039649 e 33890.89232.170111.1.7.038680, tratadas no processo administrativo nº 16682.720821/201135. Enquadramento Legal: artigo 74, § 17 da Lei nº 9.430/96 Abaixo, tabela com o demonstrativo do cálculo: A ciência do lançamento ocorreu em 13/08/2014, conforme Termo de Abertura de Documento, fls. 31. A autuada apresentou impugnação em 11/09/2014, fls. 34/40, com as seguintes alegações: a tempestividade do recurso. a multa elege como fato típico a não homologação de compensação apresentada, que seria ilegal, pois não caracteriza qualquer ilícito. ainda que admitido, o fato jurídico da “não homologação da compensação” não está definitivamente constituído, posto que aguarda julgamento da manifestação de inconformidade no processo 16682.720821/201135, o que afronta o artigo 116 do CTN. a apresentação da manifestação de inconformidade suspende a exigibilidade do crédito tributário, nos termos do artigo 74, § 11 da Lei nº 9.430/96, suspendendo também o efeito normativo do despacho decisório que provisoriamente não homologou as compensações, situação que remanesce como no momento anterior à prolação da decisão, não sendo possível afirmar que os pedidos foram indeferidos até a decisão definitiva surtir seus efeitos. Fl. 193DF CARF MF 4 o §18º do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 reconhece a suspensão da exigibilidade da multa no caso de apresentação de manifestação de inconformidade, mesmo que o lançamento não seja impugnado, corroborando o entendimento de que o fato gerador da multa não ocorreu. assim, provado que o fato típico da suposta conduta sancionada (não homologação das compensações pleiteadas) não ocorreu, posto que os referidos pedidos encontramse pendentes de apreciação da manifestação de inconformidade, a multa ora combatida deve ser integralmente canceladas por falta de amparo legal. caso mantido o lançamento, requer que os juros de mora tenham como marco inicial o trânsito em julgado da decisão da não homologação das compensações. Passo agora, a complementar o relatório acima colacionado. Por unanimidade de votos, a impugnação apresentada pela contribuinte não foi acolhida, e foi julgado procedente o lançamento da multa isolada no valor de R$ 12.726.462,94, com juros de mora. Tal decisão restou assim ementada: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2014 MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. CABIMENTO É o procedente o lançamento para cobrança de multa isolada quando a compensação não for homologada. Inconformada com a decisão da DRJ, interpôs a contribuinte Recurso Voluntário (e fls. 110 a 122), reiterando os fatos alegados em sua impugnação, requerendo seja cancelado o auto de infração combatido, tendo em vista a inocorrência do fato típico previsto no art. 74, parágrafo. 17 da Lei nº 9.430/96. Requereu ainda, que no caso de entender esta Colenda Turma, que houve a ocorrência do fato típico ensejador da multa, que a incidência de juros de mora tenha como marco inicial o trânsito em julgado da decisão de "não homologação das compensações" objeto do processo administrativo nº 16682.720821/201135, uma vez que somente neste momento a mora pode ser considerada como configurada. É o Relatório. Fl. 194DF CARF MF Processo nº 16682.720560/201404 Acórdão n.º 1402003.202 S1C4T2 Fl. 191 5 Voto Conselheiro Demetrius Nichele Macei Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Tratase de recurso voluntário interposto em face de v. acórdão exarado pela DRJ de origem no processo administrativo nº 16682.720560/201404, que tramita em apenso ao processo administrativo nº 16682.720821/201135, já julgado por esta C. Turma, com decisão que indeferiu o direito creditório pleiteado pelo contribuinte. Tendo em vista o indeferimento do direito creditório, a DRF de origem lançou a multa isolada prevista no art. 74, da Lei 9.430/96 tendo em conta a não homologação das compensações declaradas nas DCOMP nº 41413.37634.170111.1.7.039649 e 33890.89232.170111.1.7.038680, objeto do processo principal acima indicado. Apresentada impugnação, a 5ª Turma da DRJ/RJO, através do v. acórdão 12 71.446, manteve o lançamento da multa isolada, de tal forma que o contribuinte apresentou o recurso voluntário ora em exame. Em síntese, defende a Recorrente que o simples fato de ter apresentado manifestação de inconformidade no processo principal impediria a lavratura de auto de infração e constituição de crédito tributário de multa isolada, uma vez que o recurso em questão (no processo principal) teria efeito suspensivo e, desta forma, o “fato gerador” da multa isolada – não homologação de compensação – ainda não seria definitivo e, desta forma, não haveria fundamento jurídico para a autuação. Em suas palavras “não há como admitir como existente uma ‘não homologação’ sem que exista uma decisão produzindo seus inerentes efeitos”. Adicionalmente, a Recorrente defende que a incidência de juros de mora, sobre a multa isolada constituída, só poderia incidir após o trânsito em julgado do processo principal de compensação. Antes de adentrar no mérito da peça recursal apresentada, cabe uma análise da multa isolada aplicada que está sob discussão no presente processo. Neste ponto, valhome de cuidadosa análise realizada pelo I. colega Cons. Marco Rogério Borges, manifestada por ocasião do julgamento do processo 10805.720916/201309, nesta mesma Turma Julgadora, ocorrido na sessão de Maio de 2018. O foco da questão é a Lei n 9.430, de 1996, em seu artigo 74, § 17, cuja redação atual assim dispõe: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) Fl. 195DF CARF MF 6 (...) § 17. Será aplicada multa isolada de 50% (cinqüenta por cento) sobre o valor do débito objeto de declaração de compensação não homologada, salvo no caso de falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (Redação dada pela Lei nº 13.097, de 19 de janeiro de 2015, que, com exatamente o mesmo texto legal, foi decorrente da Medida Provisória nº 656, de 07 de outubro de 2014) Aplicando a norma supra, autoridade fiscal exige do sujeito passivo a multa de 50%, no caso isolada, sobre o valor do débito de compensação que deixou de ser homologada. Atentar a ressalva aposta ao final do comando legal, para os casos de falsidade, que leva para outro enquadramento legal. A redação imediatamente anterior, com a redação promovida pela Lei nº 12.249, de 11 de junho de 2010 (convertida da MP nº 472, de 15 de dezembro de 2009), do § 17 (e suas remissões legais diretas) era o seguinte: § 15. Será aplicada multa isolada de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do crédito objeto de pedido de ressarcimento indeferido ou indevido. § 16. O percentual da multa de que trata o § 15 será de 100% (cem por cento) na hipótese de ressarcimento obtido com falsidade no pedido apresentado pelo sujeito passivo. § 17. Aplicase a multa prevista no § 15, também, sobre o valor do crédito objeto de declaração de compensação não homologada, salvo no caso de falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo.” (NR) A Medida Provisória nº 656, de 07 de outubro de 2014 revogou os §§ 15 e 16 imediatamente acima citados, que na sua conversão na Lei nº 13.097, de 19 de janeiro de 2015 foi excluído da redação, sendo reiterada esta posição pela revogação na MP nº 668, de 20 de janeiro de 2015, convertida na Lei nº 13.137, de 19 de junho de 2015. Notese que com esta alteração ocorrida no § 17 com a MP 656/2014 (convertida na Lei nº 13.097/2015), mudouse a apuração da base de cálculo da multa isolada antes era sobre o crédito pleiteado, e passou para o débito objeto da declaração de compensação. Importante para o contexto da análise geral o teor do parágrafo seguinte, §18 do art. 74 da Lei n° 9.430/96, em que há uma vinculação do processo da exigência da multa isolada do processo que o motivou, o de objeto de declaração de compensação não homologada: (...) § 18. No caso de apresentação de manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação, fica suspensa a exigibilidade da multa de ofício de que trata o § 17, ainda que não impugnada essa exigência, enquadrandose no disposto no inciso III do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional. (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) Fl. 196DF CARF MF Processo nº 16682.720560/201404 Acórdão n.º 1402003.202 S1C4T2 Fl. 192 7 Transposto estes momentos de alteração legislativa, e já adentrando na análise meritória envolvida e necessária, há que se observar que o §17 do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, na redação da sua primeira parte, não estabelece condições especiais, baseadas na máfé por parte do contribuinte ou ilicitude do ato, como condições para imposição da multa, bastando a não homologação da compensação declarada. Na sua redação, ao excluir a declaração não homologada em virtude de falsidade (uma das espécies de fraude ou irregularidade dolosa), o legislador decidiu não deixar impune tal hipótese, mas aplicar sobre ela uma sanção mais onerosa. Com efeito, sendo comprovada falsidade, a multa elevase a 150% do valor do débito, conforme a legislação consolidada na Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012, artigo 45, § 1º, inciso II, legislação vigente à época dos fatos aqui discutidos1: Art. 45. O tributo objeto de compensação não homologada será exigido com os respectivos acréscimos legais. § 1º Sem prejuízo do disposto no caput, será exigida do sujeito passivo, mediante lançamento de ofício, multa isolada, nos seguintes percentuais: I de 50% (cinquenta por cento), sobre o valor do crédito objeto de declaração de compensação não homologada; ou I de 50% (cinquenta por cento), sobre o valor do débito objeto de declaração de compensação não homologada; (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1573, de 09 de julho de 2015) II de 150% (cento e cinquenta por cento), sobre o valor total do débito tributário indevidamente compensado, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (...) Ou seja, há uma previsão legal bem clara a respeito dos fatos inerentes à imposição da multa isolada por conta da declaração de compensação não homologada, qual seja, de 50% se o pleito de compensação foi indeferido, independente da máfé do contribuinte, e 150% se comprovada a máfé, no caso, ipsis litteris, falsidade da declaração do sujeito passivo. 1 Esta Instrução Normativa foi revogada pela Instrução Normativa RFB nº 1717, de 17 de julho de 2017, publicada no DOU em 18/07/2017. Contudo, a redação desta matéria ficou praticamente inalterada: Art. 74. O tributo objeto de compensação não homologada será exigido com os acréscimos legais previstos na legislação. § 1º Sem prejuízo do disposto no caput, será exigida do sujeito passivo, mediante lançamento de ofício, multa isolada, nos seguintes percentuais: I de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do débito objeto de declaração de compensação não homologada; ou II de 150% (cento e cinquenta por cento) sobre o valor total do débito tributário indevidamente compensado, quando ficar comprovada falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. Fl. 197DF CARF MF 8 Analisando todo o contexto histórico jurídicoadministrativo para a construção do comando normativo do §17 do art. 74 da Lei n° 9.430/96 , há que se ressaltar que o uso de uma Dcomp como meio extintivo do crédito tributário pode gerar outros efeitos além da eventual inadimplência envolvida do débito ao não ser aceito o crédito pleiteado. A sua apresentação, realizada pelo contribuinte, pressupõe a existência de um crédito apurado, e tem efeitos constitutivos sob condição resolutiva de posterior homologação da compensação. A decisão da autoridade administrativa fiscal que a homologa, ao reconhecer o direito creditório, é meramente declaratória. Não ocorrendo a decisão da autoridade administrativa, ocorre a homologação tácita, por decurso do prazo decadencial de 5 anos. Neste ínterim, entre a apresentação da Dcomp e a sua homologação, já passa a ocorrer efeitos positivos ao contribuinte, pois os seus débitos ficam como extintos, podendo ocorrer a retirada a certidão negativa, por exemplo. Ou seja, a Dcomp não é um mero pedido, pois desde a sua apresentação já gera efeitos jurídicos. Então, falar em desrespeito ao direito de petição envolvido é querer limitar o seu alcance quando da apresentação, pois isso extravasa um mero pedido. Ademais, não há nenhuma coibição ao direito de petição envolvido, pois eventuais erros ocorridos no seu pleito, poderão ser sanados no transcorrer da discussão do processo administrativo da matéria que ensejou a multa isolada, o que há muito e comumente ocorre no âmbito administrativo. Assim, a multa isolada objetiva penalizar o contribuinte por ter criado esta situação tributária benéfica a si, e ao ser melhor analisado pela autoridade administrativa fiscal a sua declaração de compensação, verifica como indevido seu pleito. Aqui não se confunde a multa isolada aplicada com o débito que passa a ficar exigível, cabendo seu pagamento por os acréscimos cabíveis em caso de procedimento espontâneo do contribuinte: multa de mora e juros de mora, como previsto no art. 61 da Lei nº 9.430/1996. A multa isolada não representa exigência, em separado, do acréscimo que seria aplicável ao débito, como se ele não estivesse declarado, e sim, de penalidade específica, e decorrente do uso indevido da Dcomp como meio de extinção do crédito tributário. Destarte, a multa isolada por compensação indevida é uma infração que o legislador entendeu merecer uma penalidade específica, e isolada, na medida em que o principal já está constituído e sujeito à cobrança com acréscimos moratórios. Tal tema foi brilhantemente trabalhado pela ilustre Conselheira Edeli Pereira Bessa, no acórdão 1101001.261, sessão de 03 de março de 2015, apesar de ser em redação anterior do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, em que a previsão legal para a aplicação multa isolada cingiase mais aos casos da prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502/1964 (redações anteriores à Lei nº 12.249/2010), mas qual aproveito o seguinte excerto, em que analisa a materialidade da Dcomp e seus efeitos jurídicos: E isto porque a DCOMP não é mera obrigação acessória, mas sim integra a essência da compensação, que somente se efetiva por meio dela (art. 74, § 1o da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 10.637/2002), formalizando a extinção do crédito tributário, e não apenas sua constituição (art. 74, § 2o da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 10.637/2002). Aliás, a evidenciar a distinção entre as hipóteses de aplicação da multa de ofício em acréscimo ao principal e da multa isolada, destaquese ser possível, até mesmo, a coexistência das duas Fl. 198DF CARF MF Processo nº 16682.720560/201404 Acórdão n.º 1402003.202 S1C4T2 Fl. 193 9 penalidades em razão de uma mesma compensação que resulte indevida. De fato, a multa isolada por compensação indevida, nas hipóteses de nãodeclaração criadas com a Lei nº 11.051/2004 (mediante inclusão do § 12 no art. 74 da Lei nº 9.430/96), pode conviver com o lançamento de ofício dos débitos compensados, dado que a DCOMP, nestes casos, deixa de ter o caráter de confissão de dívida (§ 13, incluído no art. 74 da Lei nº 9.430/96 pela Lei nº 11.051/2004), e o valor compensado pode não ter sido confessado em outra declaração. Contudo, a partir de 2010, com a redação dada pela Lei nº 12.249/2010 ao § 17 do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, quis legislador aplicar outra tônica ao pleito do contribuinte inerente às Dcomps apresentadas. Ao longo dos anos seguintes, apesar de algumas alterações no texto, passouse a ter uma mesma essência de a Dcomp apresentada não sendo homologada, passarseia à imposição da penalidade da multa isolada, pelo conjunto de efeitos jurídicos envolvidos na sua apresentação além de meramente ressuscitar um débito que se presumia extinto de quando da sua extinção. Notese, com importante relevância ao tema, a penalidade sobre o pedido de ressarcimento indeferido ou indevido, apesar de ter surgido concomitante ao da não homologação da compensação, no teor da redação ao § 15 do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, pela Lei nº 12.249/2010, foi revogado a partir Medida Provisória nº 656/2014, com retroatividade benigna, dadas as discussões e decisões judiciais próprias de tipo de pleito do contribuinte, acatando a jurisprudência formada a respeito. O Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento, Reembolso PER, como o próprio nome diz, é um pedido, sendo que o ato que altera sua condição jurídica é somente o despacho que o defere (este que terá efeitos constitutivos). Até ocorrer uma decisão a respeito do PER, não há geração de nenhum efeito. E ademais, com a revogação do § 15, do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, todo o contribuinte tem o direito de pleitear o ressarcimento. Se cumular este pedido de ressarcimento com uma compensação é que poderão advir os efeitos do § 17 do art. 74 da Lei nº 9.430/1996. Ou seja, são duas situações distintas, com efeitos jurídicos próprios. Cabe, adicionalmente, em caráter informativo, pois até ocorrer a repercussão geral necessária aos julgamentos desta corte administrativa não geram efeitos, tal tema, qual seja, da constitucionalidade dos §§ 15 (agora prejudicado pela sua revogação) e 17 do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, com a redação dada pela Lei nº 12.249/2010 estão sendo objeto de apreciação de sua constitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal, através dos ADI 4905 e RE 796.936, ambos com relatores distintos, mas sem posicionamento ainda a respeito da matéria. Por conseguinte, não há que se falar em efeitos erga omnes perante a esta Corte Administrativa. Exposto o acima, para contextualizar a legislação aplicável, vamos à análise dos pontos suscitados na peça recursal. No caso concreto, o processo principal nº 16682.720821/201135 restou julgado em 20 de junho de 2017, cuja decisão restou materializada no v. acórdão nº 1402 002.601, de minha relatoria, no qual restou reconhecida a inexistência de saldo negativo de CSLL adicional apurado pelo contribuinte, não sendo homologadas as compensações Fl. 199DF CARF MF 10 declaradas nas DCOMP’s nº 41413.37634.170111.1.7.039649 e 33890.89232.170111.1.7.038680. Não há que se falar, então, em óbices à constituição do crédito tributário, ou seja, ao lançamento da multa isolada, a qual difere da exigibilidade, da cobrança da penalidade, que de fato só deverá ocorrer com a definitividade da decisão administrativa exarada no processo principal nº 16682.720821/201135. O outro ponto de insurgência da Recorrente é quanto à incidência de juros de mora sobre a multa isolada constituída. Analisando o auto de infração de p. 22 a 28, verificase que não ocorreu, no lançamento da multa isolada, a incidência de juros de mora com base na Taxa Selic. A incidência dos juros de mora, no caso concreto, como bem disposto pela DRJ no v. acórdão recorrido, está disciplinada pelo parágrafo único, do art. 43, da Lei 9.430/96, nos seguintes termos: Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Não se pode falar em vencimento do crédito tributário correspondente exclusivamente à multa isolada, como no caso concreto, antes de encerrado o processo administrativo principal, no qual se discutiu o despacho decisório não homologatório das compensações declaradas, justamente pela suspensão prevista no já citado §18, do art. 74, da Lei 9.430/96. Contudo, uma vez que o contribuinte seja notificado da decisão e intimado para a realização do pagamento da multa isolada constituída, não o fazendo no prazo estipulado para o vencimento, passará o crédito tributário então a estar sujeito à incidência dos juros de mora. Diante do exposto, nego provimento ao recurso voluntário interposto, mantendo íntegro o crédito tributário constituído e a r. decisão de primeira instância. É o voto. (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei Fl. 200DF CARF MF Processo nº 16682.720560/201404 Acórdão n.º 1402003.202 S1C4T2 Fl. 194 11 Fl. 201DF CARF MF
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Numero do processo: 10280.906498/2011-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE PIS/PASEP INCIDENTE SOBRE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. COMERCIANTE REVENDEDOR. VEDAÇÃO EXPRESSA. INDEFERIMENTO.
Há vedação legal expressa ao creditamento das contribuições ao PIS e a COFINS sobre a compra de veículos automotores para revenda, nos termos do art. 3º, inciso I, alínea b, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, não se podendo reconhecer credito que afronte tal vedação.
Numero da decisão: 3302-005.449
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Diego Weis Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Jorge Lima Abud, Vinicius Guimarães, Diego Weis Junior, José Renato Pereira de Deus, Raphael Madeira Abad, Walker Araújo.
Nome do relator: DIEGO WEIS JUNIOR
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE PIS/PASEP INCIDENTE SOBRE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. COMERCIANTE REVENDEDOR. VEDAÇÃO EXPRESSA. INDEFERIMENTO. Há vedação legal expressa ao creditamento das contribuições ao PIS e a COFINS sobre a compra de veículos automotores para revenda, nos termos do art. 3º, inciso I, alínea “b”, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, não se podendo reconhecer credito que afronte tal vedação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) Diego Weis Junior Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Jorge Lima Abud, Vinicius Guimarães, Diego Weis Junior, José Renato Pereira de Deus, Raphael Madeira Abad, Walker Araújo. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 90 64 98 /2 01 1- 31 Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10280.906498/201131 Acórdão n.º 3302005.449 S3C3T2 Fl. 84 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto pela Atlas Veículos Ltda. contra Acórdão de nº. 01.25974, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém (PA) – DRJ/BEL, assim ementado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a argüição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade de atos normativos. CRÉDITOS. MANUTENÇÃO. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. VEDAÇÃO. A possibilidade de manutenção dos créditos prevista no art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, não tem o alcance de manter créditos cuja aquisição a lei veda desde a sua definição. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Na origem o contribuinte apresentou DCOMP (fls 2 a 8) objetivando a compensação de supostos créditos de PIS NãoCumulativo relativos ao 1º trimestre de 2006 com débito de CSLL de abril de 2008, tendo por base legal de seu pedido o disposto no art. 17 da Lei nº 11.033/2004. O despacho decisório da fl. 12 não reconheceu a existência de crédito e não homologou a compensação. A contribuinte se insurgiu contra a não homologação aduzindo, em manifestação de inconformidade, além das alegações de ausência de fundamentação e cerceamento de defesa, que desde o advento da Lei n. 10.865/04 que alterou as Lei 10.637/02 e 10.833/03 , as receitas decorrentes da venda de produtos sujeitos à tributação classificada legalmente de monofásica para efeitos de apuração do PIS e da COFINS passaram a ser submetidas à sistemática da nãocumulatividade, o que, combinado com o disposto no artigo 17 da lei nº. 11.033/04, autorizaria a manutenção pelo revendedor dos créditos decorrentes da venda com suspensão, isenção, alíquota 0 ou nãoincidência. Em suma, entende que, com base no que dispõe o art. 17, da Lei 11.033/04, o atacadista ou varejista de qualquer produto sujeito incidência dita monofásica, bem como a incidência nãocumulativa, teria o direito ao crédito relativo à venda de produto com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou nãoincidência. Ainda em sua manifestação de inconformidade o contribuinte alega que impedir a manutenção do crédito fere o princípio da igualdade vez que impõe a contribuinte em mesma situação tratamento diverso (colaciona soluções de consulta). Para ele, a venda, ainda que sujeita a alíquota zero, deve ser entendida como tributada, mantendose o direito ao crédito. Vejamos. Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10280.906498/201131 Acórdão n.º 3302005.449 S3C3T2 Fl. 85 3 “Embora à alíquota 0%, os distribuidores, ..., estão sujeitos, sim, à tributação pelo PIS/CONFINS ... sua apuração... não são monofásicas, porque não há única incidência na origem da cadeia de circulação interna das mercadorias... o que há, (e isto é certo), é uma cadeia plurifásica de incidência tributária, na qual a legislação determinou que a alíquota de determinados contribuintes é majorada e as alíquotas aplicáveis a outros contribuintes é 0%. ” Sustenta ainda que somente os regimes previstos nas Lei 11.116/2005 (biodiesel) e na Lei 10.560/2002 (querosene de aviação) podem ser considerados monofásicos, todos os demais, inclusive os da Lei 10.485/2002 (automóveis e autopeças), se submetem ao regime de tributação plurifásico, não sendo possível a eles aplicar a restrição contida no art. 3º, I, “b”, da Lei 10.833/2003. Em síntese, a DRJ/BEL não reconheceu a pretensão da Recorrente por entender que o artigo 17 da Lei nº 11.033 de 2004 não revogou a proibição de creditamento constante no art. 3º, I, “b”, da Lei 10.833/2003 que veda a manutenção de créditos em relação ao valor dos bens adquiridos para revenda enquadrados no regime monofásico , mas tão somente assegurou o direito aos créditos de PIS e COFINS nas vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS quando não houver vedação específica para tanto. A DRJ/BEL entendeu, ainda, não deter competência para apreciar as alegações de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos normativos. No que diz respeito as Soluções de Consulta sustenta que estas não constituem normas complementares do Direito Tributário, sendo assim, não se aplicam a outros casos além dos que a elas foram submetidos. Entendeu, ainda, com base na Instrução Normativa SRF n° 594, de 26 de dezembro de 2005, que o artigo 17 da Lei n. 11.033/04 não alcança a manutenção de créditos cuja aquisição a lei veda (3º, inciso I, alínea “b”, da Lei nº 10.637/2002). Em seu recurso voluntário o contribuinte ratifica alegações iniciais e sustenta que o fisco não pode negar direito expresso em lei com base apenas na Instrução Normativa SRF n° 594, de 26 de dezembro de 2005. É o relatório. Voto Conselheiro Diego Weis Junior, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos e requisitos de admissibilidade e, portanto, passo a analisálo. Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10280.906498/201131 Acórdão n.º 3302005.449 S3C3T2 Fl. 86 4 1 Da tributação monofásica e da nãocumulatividade. O princípio da nãocumulatividade, como sabido por qualquer neófito em direito tributário, consiste em deduzir, em cada nova etapa de comercialização, os valores debitados na etapa anterior, evitando assim o acúmulo da carga tributária e o encarecimento demasiado dos produtos em razão da exação. Cabe esclarecer ainda, que nos casos envolvendo tributos monofásicos há uma única exação tributária durante toda a cadeia produtiva, inexistindo pagamento do tributo nas demais fases. Ou seja, a indústria recolhe todo o tributo devido e os revendedores, atacadistas ou varejistas, ficam dispensados de novo recolhimento. Na revenda de produtos com tributação monofásica não são gerados novos débitos ao comerciante, pois o recolhimento efetuado na etapa anterior foi concentrado (maior), compensandose tal excesso mediante a desoneração das etapas subseqüentes. Destarte, é evidente que a tributação monofásica constituise em espécie de regime não cumulativo, vez que tal sistemática impede que se acumulem débitos ao longo das etapas de produção e comercialização, servindo ao mesmo propósito daqueles regimes em que há sucessivos débitos com aproveitamento de créditos das etapas anteriores. O mesmo se aplica à substituição tributária, que também impede os efeitos da cumulação da exação tributária, concentrando a arrecadação em uma etapa e desonerando as demais. Ademais, além de impedir o acumulo da tributação ao longo da cadeia produtiva, a tributação monofásica cumpre importante papel no combate a sonegação, pois possibilita ao fisco garantir a arrecadação prevista em lei mediante o acompanhamento de numero menor de contribuintes, incorrendo, portanto, em custos menores na atividade fiscalizatória e atendendo aos princípios da eficiência e da economicidade. Assim, urge aclarar que eventual vedação ao direito de crédito às etapas subseqüentes àquela em que ocorreu a tributação concentrada, não constitui afronta ao princípio da nãocumulatividade. Ao contrário, consagrao. 2 Da vedação legal específica ao creditamento pela aquisição de veículos para revenda. Alegando apurar as contribuições ao PIS e a COFINS em regime de não cumulatividade, pretende a recorrente utilizarse de supostos créditos decorrentes da aquisição de veículos automotores para revenda, com supedâneo no art. 17 da Lei nº 11.033/2004, c/c o art. 74 da Lei nº 9.430/1996. Em análise superficial, as alegações do Recorrente poderiam até se aperfeiçoar plausíveis. Ocorre, entretanto, que como dito alhures, a tributação monofásica assim entendida aquela que ocorre de modo concentrado em uma etapa da cadeia de comercialização e desonera as etapas subsequentes é espécie que serve ao princípio da não cumulatividade, não se podendo aplicála concomitantemente com outra espécie de apuração não cumulativa, qual seja, aquela em que os débitos de cada etapa podem ser aproveitados como crédito nas etapas subsequentes. Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10280.906498/201131 Acórdão n.º 3302005.449 S3C3T2 Fl. 87 5 Ora, se o objetivo da não cumulatividade é, com o perdão da repetição, impedir que se acumulem exações do mesmo tributo sobre o mesmo produto ao longo da cadeia de produção e comercialização, este pode ser alcançado mediante a concentração em uma etapa e desoneração do restante da cadeia, ou mediante a dedução do montante debitado na etapa anterior do que será debitado na etapa seguinte. Observase, entretanto, que pretender utilizar somente os bônus de cada uma das espécies da não cumulatividade mencionadas sem suportar o ônus correspondente, além de desproporcional e ilógico, foi expressamente vedado pelo legislador, conforme se demonstrará adiante. Na prática, o que pretende o recorrente é creditarse das contribuições ao PIS e COFINS pela compra de veículos automotores e, ao mesmo tempo, deixar de se debitar dessas contribuições quando da revenda de tais veículos. Ou seja, para cada veículo revendido, pretende o recorrente receber do governo federal o que anteriormente foi recolhido pelo fabricante a título de PIS e COFINS, retirando totalmente do erário o produto da arrecadação obtida. Noutras palavras, tentando se albergar sob o manto da não comutatividade, pretende o contribuinte que a Fazenda Nacional lhe remunere pela revenda dos veículos. Não há como prosperar tal pretensão, expressamente vedada pelo disposto no art. 3º, inciso I, alínea “b”, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, in verbis. Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: ... I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; Verificase que o legislador excetuou do direito ao crédito a compra para revenda das mercadorias ou produtos previstos nos incisos dos §§ 1º e 1ºA do art. 2º das referidas leis. E é no inciso III, do §1º, do art. 2º que figuram os veículos automotores, comercializados pela recorrente. Art. 2o ... ... § 1o ... III ... máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; Portanto, quis o legislador vedar especificamente o crédito de PIS e COFINS sobre a compra de veículos automotores para revenda, não cabendo qualquer interpretação em sentido diverso. Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10280.906498/201131 Acórdão n.º 3302005.449 S3C3T2 Fl. 88 6 O art. 17 da Lei n. 11.033/2004 não se aplica a hipótese em análise, haja vista não ter revogado a proibição de creditamento constante no art. 3º, I, “b”, das leis do PIS e COFINS não cumulativos, mas apenas assegurado o direito aos créditos de tais contribuições sobre as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência, nos casos em que a não cumulatividade se operar pela forma tradicional, ou seja, quando não for o caso de produtos sujeitos à substituição tributária ou à tributação monofásica. Em suma, a tributação monofásica imposta ao contribuinte é incompatível com o creditamento por expressa vedação legal, sendo assim, inexiste crédito a ser compensado. No mesmo sentido já decidiu esta turma no acórdão de nº 3302005.113 (Sorana Comercial e Importadora Ltda), da lavra do ilustre conselheiro José Renato Pereira de Deus. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 PEDIDO RESSARCIMENTO. CRÉDITO DE PIS/PASEP E COFINS INCIDENTES SOBRE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. COMERCIANTE REVENDEDOR. INDEFERIMENTO. No regime monofásico de tributação não há previsão de ressarcimento de tributos pagos na fase anterior da cadeia de comercialização, haja vista que a incidência efetivase uma única vez, sem previsão de fato gerador futuro e presumido, como ocorre no regime de substituição tributária para frente. Após a vigência do regime monofásico de incidência, não há previsão legal para o pedido de ressarcimento da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidente sobre a venda de automóveis e autopeças para o comerciante atacadista ou varejista. PER/DCOMP. RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Nos casos de PER/DCOMP transmitidas visando a restituição ou ressarcimento de tributos, não há que se falar em homologação tácita por falta de previsão legal. Restituição e compensação se viabilizam por regimes distintos. Logo, o prazo estipulado no §5º do art. 74 da Lei n. 9.430/1996 para a homologação tácita da declaração de compensação não é aplicável aos pedidos de ressarcimento ou restituição. PRAZO DECISÃO ADMINISTRATIVA. ART. 24, 5º DA LEI Nº 11.457/2007. 360 (TREZENTOS E SESSENTA) DIAS. INAPLICABILIDADE NOS PEDIDOS DE RESSARCIMENTO. O prazo previsto no art. 24, § 5º da Lei nº 11.457/2007 é aplicado aos julgamentos de processos administrativos Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10280.906498/201131 Acórdão n.º 3302005.449 S3C3T2 Fl. 89 7 instaurados, que não se assemelha ao pedido de ressarcimento apresentado pelo contribuinte. Assim, tendo em vista que a homologação da compensação de débito tributário, nos termos do §1º, do artigo 74, da Lei 9.430/961, depende exclusivamente da comprovação da existência de certeza e liquidez do crédito a ser compensado, e sendo o credito pleiteado expressamente vedado por Lei, não há como sustentar a sua certeza, comprometendo, por via de conseqüência, a compensação declarada. Por ser a compensação de tributos, basicamente, um encontro de contas em que cabe ao contribuinte provar que detém o crédito que pretende compensar com os valores por ele devidos e que, por essa razão, nos termos do que dispõe o artigo 74, da Lei 9.430/96, e art. 170 do CTN, faz jus compensação pretendida, uma vez comprovada a insubsistência do direito creditório, não resta a este tribunal outra decisão que não a manutenção da decisão recorrida. A fim de dirimir qualquer dúvida que paire sobre o assunto, colhese o seguinte precedente do STJ que corrobora com tal entendimento: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. ENUNCIADO ADMINISTRATIVO Nº 3 DO STJ. PIS E COFINS. ART. 17 DA LEI Nº 11.033/2004. REGIME MONOFÁSICO. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. PRECEDENTES. SÚMULA Nº 568 DO STJ. 1. Nos termos da jurisprudência esta Corte, o disposto no art. 17 da Lei 11.033/2004 não possui aplicação restrita ao Regime Tributário para Incentivo à Modernização e à Ampliação da Estrutura Portuária REPORTO (STJ, AgRg no REsp 1.433.246/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe de 02/04/2014; REsp 1.267.003/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe de 04/10/2013). Contudo, a incompatibilidade entre a apuração de crédito e a tributação monofásica já constitui fundamento suficiente para o indeferimento da pretensão do recorrente. Nesse sentido: STJ, AgRg no REsp 1.239.794/SC, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 23/10/2013. 2. É que a incidência monofásica do PIS e da COFINS não se compatibiliza com a técnica do creditamento. Precedentes: AgRg no REsp 1.221.142/PR, Rel. Ministro Ari Pargendler. Primeira Turma, julgado em 18/12/2012. DJe 04/02/2013; AgRg no REsp 1.227.544/PR. Rel. Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Turma, DJe 17/12/2012: AgRg no REsp 1.256.107/PR, Rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, Primeira Turma, DJe 10/05/2012; AgRg no REsp 1.241.354/RS, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJe 10/05/2012. 3. Agravo interno não provido. 1 Art. 74. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10280.906498/201131 Acórdão n.º 3302005.449 S3C3T2 Fl. 90 8 (AgInt no AREsp 1109354/SP, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 05/09/2017, DJe 15/09/2017) 3 Da suposta autorização de crédito por programas da Receita Federal. No que concerne a alegação de que os próprios programas da Receita Federal autorizam o crédito, devese trazer à lume que tais aplicativos (Dacon e Per/Dcomp) servem ao registro e transmissão dos dados e informações dos contribuintes em geral, e não somente aos submetidos à tributação monofásica, razão pela qual possuem fichas e campos aplicáveis à todas as situações de creditamento previstas na legislação, e não somente às aplicáveis aos contribuintes do mesmo ramo da recorrente. Somente a lei pode conceder créditos tributários, devendo os softwares desenvolvidos para auxiliar no registro, controle e fiscalização dos tributos, dispor de campos necessários à correta identificação e vinculação de cada registro ao fundamento legal que o sustenta, cabendo ao sujeito passivo utilizarse dos campos e formulários adequados à apuração por ele realizada e sujeita a homologação, na forma do art. 150 do CTN. Assim, não merece prosperar alegação de que a simples existência de um campo ou uma ficha nos programas utilizados para a geração e transmissão de obrigações acessórias faz nascer o direito creditório. 4 Da Ilegalidade/Inconstitucionalidade da Portaria Nº 594, de 26 de dezembro de 2005. Por fim, insurgese a recorrente contra a Portaria nº 594, de 26 de dezembro de 2005, utilizada pela DRJ na complementação da fundamentação do acórdão recorrido, alegando que a mesma introduz vedação ao crédito em flagrante ofensa ao art. 17 da Lei nº 11.033/2004. Consoante ao já exposto, a vedação ao crédito pretendido pelo contribuinte está expressamente prevista em lei2, não constituindo inovação da referida Portaria e não se podendo cogitar sua ilegalidade por tal motivo. Quanto a alegação de inconstitucionalidade, imperioso lembrar o que dispõe a Súmula nº 2 deste tribunal, vejamos: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. ” Sendo assim, não há o que manifestar, tendo em vista a ausência de competência deste órgão para apreciar tal alegação. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) 2 Art. 3º, inciso I, alínea “b”, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10280.906498/201131 Acórdão n.º 3302005.449 S3C3T2 Fl. 91 9 Diego Weis Junior Relator Fl. 91DF CARF MF
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Numero do processo: 18471.001678/2005-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jul 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2001, 2002, 2003, 2004
EMBARGOS. OMISSÃO.
Constatada a omissão apontada em sede de Embargos de Declaração, deve-se promover sua imediata correção.
LANÇAMENTO. EQUÍVOCO NA DESCRIÇÃO DOS FATOS.
Não configura mácula ao Auto de Infração o cometimento, por parte da Autoridade lançadora, de erros de escrita ou de indicação de datas que não afetem a essência do procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível.
Numero da decisão: 2201-004.575
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração interpostos pelo contribuinte para, sanando os vícios apontados, sem efeitos infringentes, negar provimento aos argumentos recursais relacionados às omissões identificadas.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
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OMISSÃO. Constatada a omissão apontada em sede de Embargos de Declaração, devese promover sua imediata correção. LANÇAMENTO. EQUÍVOCO NA DESCRIÇÃO DOS FATOS. Não configura mácula ao Auto de Infração o cometimento, por parte da Autoridade lançadora, de erros de escrita ou de indicação de datas que não afetem a essência do procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração interpostos pelo contribuinte para, sanando os vícios apontados, sem efeitos infringentes, negar provimento aos argumentos recursais relacionados às omissões identificadas. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 16 78 /2 00 5- 41 Fl. 1217DF CARF MF Processo nº 18471.001678/200541 Acórdão n.º 2201004.575 S2C2T1 Fl. 1.218 2 Relatório Tratamse de embargos de declaração propostos pelo contribuinte em face do Acórdão nº 2201003.076, fl. 1.159 a 1.175, exarado em 13 de abril de 2016, pela 1ª Turma Ordinária da, 2ª Câmara, da 2ª Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, cuja ementa e dispositivo restaram assim transcritos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2001, 2002, 2003, 2004 IRPF. DECADÊNCIA. O imposto de renda pessoa física é tributo sujeito ao regime do denominado lançamento por homologação, sendo que o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos, quando há antecipação de pagamento, contados do fato gerador, que ocorre em 31 de dezembro de cada ano calendário. Ultrapassado esse lapso temporal, sem a expedição de lançamento de ofício, operase a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4º e do artigo 156, inciso V, ambos do CTN. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. São tributáveis os valores correspondentes ao acréscimo do patrimônio da pessoa física, quando esse acréscimo não for justificado por rendimentos oferecidos à tributação, rendimentos isentos ou tributados exclusivamente na fonte. PROVAS. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. RECURSOS REMETIDOS AO EXTERIOR. Constitui prova suficiente da titularidade de remessas de recursos ao exterior os laudos emitidos pela polícia científica com base em mídia eletrônica enviada pelo Ministério Público dos EUA, onde consta o contribuinte como titular das remessas de numerário. Além do mais, não tendo o suplicante logrado comprovar integralmente a origem dos recursos capazes de justificar o acréscimo patrimonial, através de rendimentos tributáveis, isentos ou tributáveis exclusivamente na fonte, é de se manter o lançamento. MULTA AGRAVADA. FALTA DE ATENDIMENTO DE INTIMAÇÃO. PENALIDADE MANTIDA. A falta de atendimento de reiteradas solicitações e intimações da auditoria fiscal enseja o agravamento da penalidade aplicada. Reiterados pedidos de dilação de prazo, sem que ao final dos prazos prorrogados sejam apresentados os esclarecimentos solicitados, não caracterizam atendimento de intimação. Fl. 1218DF CARF MF Processo nº 18471.001678/200541 Acórdão n.º 2201004.575 S2C2T1 Fl. 1.219 3 (...) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de decadência. Pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para incluir na planilha de APD o valor de R$ 110.000,00 em 07/02/2002, vencidos os Conselheiros Carlos César Quadros Pierre (relator), Ivete Malaquias Pessoa Monteiro e Ana Cecília Lustosa da Cruz que davam provimento parcial para também excluir da planilha de dispêndios do APD as transferências ao exterior, além de reduzir o percentual da multa de ofício para 75% e o Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida que dava provimento parcial em menor extensão. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Eduardo Tadeu Farah (Presidente). Cientificado do Acórdão em tela em 08 de julho de 2016, fl. 1.183, tempestivamente, o contribuinte autuado apresentou os Embargos de Declaração 1.189/1.194 apontando o que classificou como omissões e obscuridades. No Despacho de fls. 1.211/1.216, o Presidente da 1ª Turma Ordinária, da Câmara, da 2ª Seção de Julgamento deste Conselho, no uso de suas atribuições regimentais, após avaliar os vícios apontados pelo embargante, assim se manifestou: a) omissão 1 exclusão do valor de R$ 107.282,00 da competência 06/2000 Alegase que na impugnação foi pleiteada a exclusão do valor de R$ 107.282,00, em razão da quantia não se relacionar a qualquer movimentação mencionada na acusação fiscal. No acórdão da DRJ, sustenta a embargante, o voto do Relator manifestouse no sentido de que o fisco teria se equivocado ao indicar tal quantia no mês de junho, posto que o valor estaria relacionado a remessas efetuadas no mês de julho. Todavia, o valor foi mantido, ao argumento de que não haveria prejuízo ao contribuinte, uma vez que em ambos os meses houve APD. O embargante assevera que no seu recurso argumentou que não seria possível que uma autuação fiscal baseada em determinado fato, devidamente impugnado, ser mantida com base em outro fato, sem a oitiva do sujeito passivo. Afirma que o Relator no julgamento do CARF não enfrentou essa alegação, por entender que os rendimentos recebidos no exterior não configurariam acréscimo patrimonial. Todavia, o Redator Designado simplesmente entendeu que os recebimentos no exterior deveriam ser tratados como acréscimo patrimonial, deixando de enfrentar as alegações específicas do recurso voluntário relacionadas ao valor de R$ 107.282,00, de junho de 2000. Fl. 1219DF CARF MF Processo nº 18471.001678/200541 Acórdão n.º 2201004.575 S2C2T1 Fl. 1.220 4 Vejamos. De fato, apreciando o voto condutor do acórdão embargado, de lavra do I. Conselheiro Eduardo Tadeu Farah, não localizamos o enfrentamento dessa questão. Entendemos que este é um argumento autônomo e relevante que não foi analisado na decisão, o que atrai a aplicação do "caput" do art. 65 do RICARF. Nesse sentido, deve ser acolhida a alegada omissão quanto a esse ponto. b) omissão 2 exclusão dos valores relacionados ao HSBC Segundo o embargante, na impugnação foi pleiteada a exclusão de supostos valores originados de conta mantida no HSBC, posto que nunca teria mantido conta naquela instituição. A DRJ entendeu que a indicação do HSBC decorreu de equívoco cometido pela autoridade fiscal, uma vez que os valores se referem à conta corrente mantida no Banco Real. Malgrado o erro, o órgão de primeira instância entendeu que não haveria de se alterar o lançamento, posto que a situação retratada não acarretou em prejuízo ao sujeito passivo, haja vista que os valores envolvidos eram de fato de sua titularidade. O embargante afirma que recorreu desse entendimento, sob o argumento de que o lançamento regularmente notificado e impugnado não poderia ter seus fatos alterados sem a oitiva do sujeito passivo. Alega que não houve manifestação sobre esse argumento nem por parte do Relator, tampouco pelo Redator Designado. Também nessa questão, que entendemos relevante, pois se aceita a tese do sujeito passivo o lançamento seria modificado, não houve manifestação no acórdão recorrido. Assim, por ser ponto sobre o qual a turma deveria se manifestar, a falta de seu enfrentamento representa mácula sanável pela via dos embargos. Merece portanto acolhimento a alegação de omissão quanto a essa matéria. c) obscuridade 1 falta de correlação entre o laudo pericial e os dados do embargante Sobre essa questão o embargante aduziu: Fl. 1220DF CARF MF Processo nº 18471.001678/200541 Acórdão n.º 2201004.575 S2C2T1 Fl. 1.221 5 Quanto a essa suposta obscuridade não devemos acatála. É que a questão foi enfrentada conforme reconhece o próprio embargante. Nesse sentido, o inconformismo expresso nos aclaratórios referese a avaliação probatória. Nos termos do art. 65 do RICARF esse tipo de discordância não dá margem ao manejo dos embargos declaratórios, motivo pelo qual não há de se acolher esta mácula. d) falta de indicação das folhas onde estaria a comprovação da existência de mídias eletrônicas que atestariam as movimentações financeiras do embargante no exterior O embargante alega que no aresto embargado não se indicou as folhas do processo onde estariam as mídias computacionais apresentadas pela Promotoria do Distrito de Nova York abrangendo a movimentação financeira na conta Beacon Hill Service Corporation BHSC, nas quais o nome do ora embargante estaria acompanhado do endereço indicado nas suas declarações para a RFB. E aduz ainda: Vejamos o que falou o voto do Redator Designado sobre tal questão: "Os documentos e/ou informações repassadas pela Polícia Federal, por ordem do juiz Sérgio Fernando Moro, da 2ª Vara Criminal Federal de Curitiba (PR), identificando as remessas efetuadas pelo contribuinte por meio da mencionada subconta ELEVEN, mantida ou administrada por “Beacon Hill Service Corporation BHSC”, com os quais embasou o Laudo Pericial, fls. 130 a 140, foram fornecidas por instituições financeiras, a princípio, idôneas, de sorte que tais informações valem como verdadeiras, surtindo, pois, os efeitos jurídicos pretendidos no feito fiscal em apreço. Com efeito, o laudo identifica como material examinado o dossiê da conta analisada, contendo cópias reprográficas de documentos bancários e mídias computacionais apresentadas pela promotoria do Distrito de Nova Iorque abrangendo a movimentação financeira na conta Beacon Hill Service Corporation BHSC. Registrese, ainda, que o nome do recorrente relacionado nas mídias está acompanhado de endereço, que coincide com o indicado em suas Declarações de Ajuste Anual. Ademais, até prove em contrário, o contribuinte não possui homônimos, razão pela qual considerando todas as cautelas que cercam as operações dessa natureza, não há nenhum indício concreto que possa levar à conclusão de que alguém tivesse se enganado, Fl. 1221DF CARF MF Processo nº 18471.001678/200541 Acórdão n.º 2201004.575 S2C2T1 Fl. 1.222 6 consciente ou inconscientemente, quanto ao nome da contribuinte ou estivesse tentando encobrindo terceiros. Portanto, neste ponto, deve ser mantida a exigência na forma preconizada pela autoridade fiscal." Com todas as vênias, não há obscuridade a ser reconhecida. No voto acima vêse claramente que as conclusões foram adotadas com base no Laudo Pericial de fls. 130/140, no qual se analisou uma série de evidências que indicariam a existência de remessas em nome do sujeito passivo, inclusive as mencionadas mídias eletrônicas. Assim, a falta de indicação da numeração das citadas mídias parecenos despicienda já que a referência às mesmas é feito no próprio Laudo Pericial, este perfeitamente identificado. Destarte, devese admitir os embargos apenas parcialmente, de modo que o processo retorne ao colegiado para que se pronuncie sobre as matérias (a) omissão 1 exclusão do valor de R$ 107.282,00 da competência 06/2000 e (b) omissão 2 exclusão dos valores relacionados ao HSBC. E o relatório necessário. Voto Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Relator Inicialmente, expresso minha concordância com os pressupostos de admissibilidade contidos no despacho de fls. 1.211/1.216. a) omissão 1 exclusão do valor de R$ 107.282,00 da competência 06/2000 Alega o embargante que, na impugnação, pleiteou a exclusão, do APD, do valor de R$ 107.282,00, referente ao mês de junho de 2000, sob o argumento de que tal quantia não se relacionava com qualquer outro fato do processo, provado ou não provado pela autoridade fiscal. Ao se debruçar sobre o tema, assim se manifestou a Autoridade Julgadora de 1ª Instância Administrativa, fl. 1.096: Contudo, não resta razão ao interessado, haja vista que a supracitada quantia tratase do somatório da remessa no valor de US$ 50.000,00 (R$ 89.454,00) em 25/07/00 e US$ 10.000,00 (R$ 17.828,00) em 28/07/00, fls 127 e 128. Ocorre que o fiscal equivocouse e inseriu o montante de R$ 107.282,00 no mês de junho, quando na verdade valor referese ao mês de julho Fl. 1222DF CARF MF Processo nº 18471.001678/200541 Acórdão n.º 2201004.575 S2C2T1 Fl. 1.223 7 Todavia, não obstante este lapso, não houve qualquer prejuízo ao interessado, tendo em vista que tanto no mês de junho quanto no mês de julho do ano de 2000, foi apurado acréscimo patrimonial a descoberto. Então, o fato do mencionado valor ter sido alocado ao mês de junho, em nada altera o valor total de acréscimo patrimonial a descoberto apurado para o anocalendário de 2000, ou seja, continuará a existir um acréscimo patrimonial a descoberto de R$ 563.212,69. Sendo assim, não há qualquer alteração a ser implementada, na planilha de cálculo do acréscimo, sob os mencionados argumentos do impugnante. b) omissão 2 exclusão dos valores relacionados ao HSBC Sustenta o embargante que, em sua impugnação, pleiteou a exclusão, do APD, dos valores originados da conta alegadamente mantida no Banco HSBC, por não possuir qualquer conta neste banco. Ao se debruçar sobre o tema, assim se manifestou a Autoridade Julgadora de 1ª Instância Administrativa, fl. 1.097: Novamente não há como ser acatado o pleito do impugnante. A fiscalização novamente cometeu mero engano, tendo em vista que ao relacionar os dados relativos ao banco Real, redigiu de forma inapropriada o nome do banco como sendo HSBC. É muito simples confirmar que tais valores pertencem na verdade ao banco Real. Para tanto, entre outros elementos, basta observarmos a vasta documentação contida no processo às fls. 239 a 243 e fls. 257 a 262. Além disso, cabe frisar que o autuado também possui a conta nº 20016461 no banco Real. Como exemplo pode ser citada a documentação de fls. 244 a 256, 263 a 280 e 299 a 347. Na verdade no presente caso aconteceu um equívoco de ambas as partes, pois mesmo a fiscalização identificando de forma correta o número da conta no banco Real, ou seja, nº 57007176, o contribuinte, por razão desconhecida, não conseguiu lembrar que o referido número da conta bancária era de sua conta no banco Real. Inclusive, as planilhas de fls. 102 e 103, encaminhadas ao contribuinte, fazem menção ao banco Real. Destarte, não existe nenhum reparo a ser implementado, pois o que vale é a verdade material dos fatos, isso é, os valores lançados pelo Fisco estão corretos, tendo em vista que as contas bancárias utilizadas, para a elaboração do demonstrativo de acréscimo patrimonial, pertencem ao contribuinte. Fl. 1223DF CARF MF Processo nº 18471.001678/200541 Acórdão n.º 2201004.575 S2C2T1 Fl. 1.224 8 Em seu recurso voluntário, em particular no item 55, fl. 1.122, o contribuinte afirma que não pode ser autuado porque um fato ocorreu em um determinado mês, ou referindose a determinado banco para, no julgamento da impugnação, sem oitiva do recorrente, trocarse o mês e o banco, porque "o que vale é a verdade material dos fatos", reduzindo o Auto de Infração a um instrumento sem qualquer valor, que pode ser modificado conforme bem a autoridade fiscal entender, devendo o contribuinte, para dele se defender, adivinhar o que vai ser entendido. Afirma que, se ao contribuinte foi imputado determinados fatos ocorridos no Banco HSBC ou no mês de junho e esses fatos não existiram, porque teriam como origem o Banco Real e o mês seria julho, ambos devem ser extraídos do Auto de Infração, porque a descrição dos fatos há de corresponder sempre à verdade material sem arremedos. Na análise do recurso voluntário, o então Relator conduziu seu voto pelo provimento parcial, no tema que ainda interessa ao presente voto, excluindo da planilha de dispêndios do APD os valores relativos às remessas efetuadas ao exterior, o que resultaria na perda do objeto da alegação relativa ao valor de R$ 107.282,00 (item "a" dos embargos). Ocorre que a questão restou decidida nos termos do voto vencedor que, embora concluindo pela manutenção da autuação nesta parte, não tratou da questão relativa à alocação do montante despendido em mês diferente do que realmente ocorrido. O embargante apresenta uma versão bastante peculiar do que chama de verdade material, que seria uma espécie de dependência, absoluta e inafastável, da procedência da exigência fiscal a todos os termos e expressões utilizados pela Autoridade autuante. Segundo Celso Antônio Bandeira de Melho, a verdade material: Consiste em que a administração, ao invés de ficar adstrita ao que as partes demonstrem no procedimento, deve buscar aquilo que é realmente verdade, com prescindência do que os interessados hajam alegado e provado, como bem o diz Hector Jorge Escola. Nada importa, pois, que a parte aceite como verdadeiro algo que não o é ou que negue a veracidade do que é, pois no procedimento administrativo, independentemente do que haja sido aportado aos autos pela parte ou pelas partes, a administração deve sempre buscar a verdade substancial. (BANDEIRA DE MELLO, 2011, p. 306). Neste sentido, inequívoco que a substância dos eventos imputados ao contribuinte autuado não foi, por este, devidamente afastada. Pelo contrário, em vez de procurar comprovar sua inocorrência, prendese o autuado a um argumento frágil de que teria havido alteração do lançamento em sede de julgamento em 1ª Instância sem que fosse devidamente instado a se manifestar. Não houve alteração do lançamento. O que houve foi a constatação de dois simples equívocos cometidos pela autoridade lançadora ao planilhar informações corretas anteriormente coletadas e levadas ao conhecimento do contribuinte. Equivocouse o Fiscal ao indicar que uma aplicação de recursos teria ocorrido no mês de junho/2000, quando, na verdade, a operação teria ocorrido em julho/2000, Fl. 1224DF CARF MF Processo nº 18471.001678/200541 Acórdão n.º 2201004.575 S2C2T1 Fl. 1.225 9 mas esse equívoco, no caso em tela, não impacta o montante do tributo devido no período, cuja totalização considera todo o anocalendário em comento. Frisese que tal equívoco se limitou à elaboração da planilha de fl. 96/97, restando evidente, em particular pelo teor da intimação de fl. 28 e dos documentos de fl. 129/130, que a questão foi acertadamente tratada pelo Agente no curso do procedimento fiscal. As mesmas conclusões são aplicáveis ao segundo equivoco identificado, segundo o qual a Fiscalização teria indicado a movimentação de valores no Banco HSBC quando, na verdade, teria sido no Banco Real. Ora, mais uma vez, um erro que não macula a integridade e legalidade do procedimento levado a termo pela Autoridade lançadora e que não exige do administrativo qualquer alteração de forma ou de conteúdo. O Termo de Verificação Fiscal, em fl. 93, é claro ao descrever: Foram solicitados os extratos bancários e os comprovantes de pagamentos efetuados em moeda corrente ou em cheques, referentes às contas do contribuinte nos bancos ABN AMRO REAL S/A e CITIBANK N. Embora fosse absolutamente desnecessário citar exemplos, já que a decisão a quo se encarregou de apontálos, em fl. 82 consta, para o ano de 2001, de forma consolidada, a indicação de saldos iniciais e finais tanto da conta mantida no CITIBANK, quanto da conta mantida no Banco Real, sob o número 5.7007176 (vide também fl. 122) mas com o citado equivoco, que foi a indicação do nome HSBC em lugar de Real. Tudo mais está perfeitamente ajustado às provas dos autos, sem efetiva contestação do autuado. Por outro lado, pelo Princípio da instrumentalidade das formas, temos que a existência do ato processual não é um fim em si mesmo, mas instrumento utilizado para se atingir determinada finalidade. Assim, ainda que com algum vício, se o ato atinge sua finalidade sem causar prejuízo às partes, não se declara sua nulidade. Assim, mesmo considerando os citados equívocos cometidos pelo Agente Fiscal, não vislumbro a ocorrência de qualquer prejuízo ao recorrente, que, de tudo, foi cientificado e teve plenamente franqueado o direito de formular sua defesa sobre as imputações fiscais. Portanto, não procedem os argumentos da defesa, já que a parte mantida do lançamento é o que foi originalmente lançado, não tendo ocorrido qualquer inovação que importasse mácula à essência do lançamento a que alude o art. 142 da Lei 5.172/66 (CTN), tampouco cerceamento do direito de defesa do contribuinte. Conclusão: Desta forma, considerando as razões e fundamentos legais acima expostos, voto por conhecer e acolher os embargos de declaração interpostos pelo contribuinte para, sem efeitos infringentes, sanando as omissões apontadas, negar provimento aos argumentos recursais relacionados à exclusão do valor de R$ 107.282,00 da competência 06/2000 e à exclusão dos valores relacionados ao HSBC (Banco Real). Fl. 1225DF CARF MF Processo nº 18471.001678/200541 Acórdão n.º 2201004.575 S2C2T1 Fl. 1.226 10 (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Fl. 1226DF CARF MF
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Numero do processo: 11065.904971/2010-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRAZO DE CINCO ANOS PARA APRECIAR. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA.
Será considerada tacitamente homologada a compensação objeto de declaração de compensação, que não seja objeto de despacho decisório proferido e cientificado o sujeito passivo, no prazo de cinco anos, contados da data de seu protocolo nos termos dos parágrafos 4º e 5º do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, com a redação dada, respectivamente, pelo artigo 49 da Lei nº 10.637/02 e artigo 17 da Lei nº 10.833/03.
CRÉDITO NÃO RECONHECIDO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE.
O pagamento indevido, assim como a certeza e liquidez do crédito, precisam ser comprovados pelo contribuinte nos casos de solicitações de restituições e/ou compensações. Fundamento: Art. 170 do Código Tributário Nacional e Art. 16 do Decreto 70.235/72.
Numero da decisão: 3201-003.769
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso.
(assinatura digital)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinatura digital)
Pedro Rinaldi de Oliveira Lima - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente).
Nome do relator: PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA
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PRAZO DE CINCO ANOS PARA APRECIAR. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Será considerada tacitamente homologada a compensação objeto de declaração de compensação, que não seja objeto de despacho decisório proferido e cientificado o sujeito passivo, no prazo de cinco anos, contados da data de seu protocolo nos termos dos parágrafos 4º e 5º do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, com a redação dada, respectivamente, pelo artigo 49 da Lei nº 10.637/02 e artigo 17 da Lei nº 10.833/03. CRÉDITO NÃO RECONHECIDO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. O pagamento indevido, assim como a certeza e liquidez do crédito, precisam ser comprovados pelo contribuinte nos casos de solicitações de restituições e/ou compensações. Fundamento: Art. 170 do Código Tributário Nacional e Art. 16 do Decreto 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. (assinatura digital) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinatura digital) Pedro Rinaldi de Oliveira Lima Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 90 49 71 /2 01 0- 72 Fl. 140DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls. 121 em face da decisão de primeira instância da DRJ/MG de fls. 103 que manteve o despacho decisório de fls. 2, que reconheceu parcialmente os créditos básicos e presumidos de IPI. Como é de costume desta Turma de julgamento a transcrição do relatório do Acórdão de primeira instância, segue para apreciação conforme fls. apontadas acima: "A contribuinte interessada protocolou declarações de compensação –DCOMPs – por meio das quais pretendeu a extinção de débito próprio, tendo por lastro creditório parcela do crédito ressarcível atinente ao 4º trimestre calendário de 2002, conforme indicado na DCOMP nº 00677.72982.290905.1.3.016054 (fls. 94/961). A análise de legitimidade e materialidade do lastro creditório das compensações declaradas encontrase consolidada nos demonstrativos de fls. 81/82 e 93, bem como no termo de verificação fiscal, intitulado "auto de infração", de fls. 83/88, os quais compõem e integram o despacho decisório nº 863951168 (fl. 02, repetido à fl. 80), que reconheceu em parte o lastro creditório e, consequentemente, homologou parcialmente as compensações declaradas, conforme abaixo. "Analisadas as informações prestadas no PER/DCOMP e período de apuração acima identificados, constatouse o seguinte: Valor do crédito solicitado/utilizado: R$118.287,81 Valor do crédito reconhecido: R$215,68 O valor do crédito reconhecido foi inferior ao solicitado/utilizado em razão do(s) seguinte(s) motivo(s): Constatação de que o saldo credor passível de ressarcimento é inferior ao valor pleiteado. Ocorrência de glosa de créditos considerados indevidos, em procedimento fiscal. Ocorrência de glosa de crédito presumido considerado indevido, em procedimento fiscal. Fl. 141DF CARF MF Processo nº 11065.904971/201072 Acórdão n.º 3201003.769 S3C2T1 Fl. 141 3 O crédito reconhecido rol Insuficiente para compensar integralmente os débitos informados no PER/DCOMP, razão pela qual HOMOLOGO PARCIALMENTE a compensação declarada no PER/DCOMP acima identificado". Cientificada do despacho decisório pela via postal em 14/06/2010 (fls. 97/98), a interessada, por meio de procurador legalmente constituído (fls. 45/46 e 91/92), protocolou em 14/07/2010 sua manifestação de inconformidade de fls. 03/44, alegando que: "Normas legais tidas como infringidas 2. Como enquadramento legal, para não homologar referidos pedidos de compensação, a Administração elencou os seguintes fundamentos: Lei nº 9.779/99 art. 11 (...) Lei nº 9.430/96 art. 74 (...) Lei nº 9.363/96 (...) Lei nº 10.276/01 (...) Das presunções 3. Os fundamentos legais do auto de infração anteriormente reproduzidos, não mantêm correlação lógica com a matéria objeto do lançamento tributário. 3.1 Da lavratura do Auto de Infração, merecem ser transcritos os seguintes pontos: '(...) 3.2 Fornecedores com indícios de irregularidades. Durante a análise foi detectado que uma série de fornecedor possuía indícios de irregularidades, conforme relacionados na tabela a seguir. Estes fornecedores possuem movimentação financeira nula ou de no máximo 70% do valor das compras, no período analisado'. (destaques da Peticionária). 3.2 No auto de infração, encontrase rol de fornecedores, cujos nomes não serão reproduzidos por absoluta desnecessidade, por se referirem ao evento que ocasionou a glosa. 3.3 Quanto à idoneidade dos fornecedores, por conseqüência das notasfiscais objeto da glosa, há que ser Fl. 142DF CARF MF 4 examinada decisão prolatada pelo Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Recurso Especial n. 1.148.444 (...): (...) 4. Desta forma, o primeiro ponto atacado se refere aos indícios e presunção sem motivação, em decorrência da baixa movimentação financeira dos fornecedores, o que não se revela instrumento adequado e capaz de glosar os créditos utilizados. 5. No que se refere a exigência do crédito tributário, se revela ônus do fisco provar o fato constitutivo do seu direito, conforme determina o art. 9 ° do Decreto n. 70.235/72 (...): (...) 6. Nessa linha de argumentação, há que ser examinada manifestação de Marcos Vinicius Neder (...): (...) 7. Portanto, a presunção da qual se utilizou a Administração para embasar o lançamento não tem o condão de mantêlo hígido, por não ter provado o alegado quanto a ausência ou baixa movimentação financeira dos fornecedores, bem como no pertinente à inidoneidade dos mesmos. (...) 8. Igualmente, na fundamentação para glosar a compensação, a Delegacia da Receita Federal em Novo Hamburgo se manifestou no seguinte sentido quanto a não homologação da compensação proposta, estando a mesma assim redigida: '(...) O crédito reconhecido foi insuficiente para compensar os débitos informados no PER/DCOMP, razão pela qual HOMOLOGO PARCIALMENTE a compensação declarada no PER/DCOMP acima identificado'. 9. A manifestação, anteriormente reproduzida, confirma ter havido o exame do lançamento, na modalidade por homologação, onde a autoridade administrativa, de forma expressa, realizou a homologação parcial da extinção do crédito tributário. Mesmo que parcialmente, ocorreu a homologação. Esse ponto revelase sobremaneira importante pelo simples fato dos reflexos que trará quanto a (in)exigibilidade do crédito tributário. Fl. 143DF CARF MF Processo nº 11065.904971/201072 Acórdão n.º 3201003.769 S3C2T1 Fl. 142 5 10. Tendo havido homologação parcial, isto é, extinção parcial do crédito tributário passase a examinar sua exigibilidade quanto ao montante não homologado sob o aspecto da decadência. Da decadência 11. O crédito tributário objeto do auto de infração ora hostilizado corresponde ao primeiro trimestre de 2002 até o primeiro trimestre de 2004, restando referido crédito tributário inexigível, por ter sido atingido pela decadência. 11.1 Igualmente, quanto à materialização do instituto da decadência, o próprio órgão julgador representante da Administração Tributária, tem decidido na mesma linha de entendimento defendida na presente Manifestação de Inconformidade, como pode ser comprovado pelo exame da ementa lançada na decisão do processo n. 11610.003223/0011 (...) (...) 12. Tanto é verdadeiro que o crédito tributário foi atingido pela decadência que a Administração, mediante sua fundamentação no auto de infração, se preocupa em buscar o afastamento do instituto, como pode ser comprovado, a fls. 4 dos autos, utilizando a seguinte argumentação: O prazo para que a Administração verifique a legitimidade do crédito utilizado não é de 5 (cinco) anos contados a partir da emissão da nota fiscal, pois se assim fosse, o contribuinte poderia, por exemplo, utilizar o crédito no último dia antes da decadência e a Receita Federal não teria como verificar a legitimidade deste crédito. O prazo legal é de 5 (cinco) contados a partir da utilização do direito creditório que no presente caso encerrarseia apenas no final de 2010, 5 anos após a transmissão do PER/DECOMP , conforme estipula § 5º do art. 74 da Lei n ° 9.430/1996 (todos grifos são nossos) (...) 13. A partir do julgamento do Recurso Extraordinário n. 559.943, ficou assentado ser o prazo de cinco anos para constituir, mediante a previsão em lei complementar, quanto para cobrar o crédito tributário, como pode ser comprovado pelo exame da ementa lançada no referido julgado (...) Das antinomias 14. Não cabe à lei ordinária legislar sobre matéria reservada à lei complementar, como ficou Fl. 144DF CARF MF 6 demonstrado ao ser reproduzida a ementa da decisão prolatada no julgamento do Recurso Extraordinário n. 559.943, por afrontarem as normas gerais em matéria tributária, especialmente sobre prescrição e decadência. 14.1 As leis ordinárias utilizadas como fundamento pela Requerida, que tratam sobre prazo para constituição do crédito tributário, se revelam em perfeita antinomia, por desbordar de sua área de competência, uma vez que o instituto da decadência em direito tributário é reservado à lei complementar. (...) 16. Portanto, demonstradas as antinomias, não poderá ser mantido o crédito tributário, por estar totalmente desamparado quanto ao veículo legislativo adequado, isto é, lei complementar, mesmo porque pelo critério da hierarquia das leis, tal instituto não poderá ser aplicado. 17. Ainda, no que se refere a preclusão da Fazenda Pública em constituir o crédito tributário, importante trazer para apreciação manifestação doutrinária sobre o tema (...). (...) 18. Igualmente, há que ser examinado o montante da pretensão objeto do auto de infração, uma vez que os mesmos não guardam correlação entre si, exigindose portanto a realização de perícia contábil para elucidar o referido montante. (...) 19. Diante do exposto, requer: a) seja recebida, conhecida e provida a presente manifestação de inconformidade, para assegurar à Requerente o aproveitamento dos créditos glosados, determinando a baixa e arquivamento do Auto de Infração; b) seja apreciado, explicitamente sob o ângulo do pré questionamento a compensação do crédito tributário previsto no art. 156, II; bem como, de sua extinção, inserta no art. 173, ambos da Lei n. 5.172/66." É o relatório." Este Acórdão de primeira instância da DRJ/MG foi publicado com a seguinte Ementa: "ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Fl. 145DF CARF MF Processo nº 11065.904971/201072 Acórdão n.º 3201003.769 S3C2T1 Fl. 143 7 Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DENEGAÇÃO FISCAL DO LASTRO CREDITÓRIO. ÔNUS PROBATÓRIO DA RECLAMANTE. Havendo denegação fundamentada pelo Fisco ao lastro creditório de compensações declaradas em DCOMP, incumbe à interessada transmitente da DCOMP o ônus de demonstrar, na reclamação por ela interposta, por meio de prova material cabal, que aquele lastro creditório revestia se de certeza e liquidez. Em não o fazendo, impossível afastar a denegação fiscal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 LEGALIDADE E CONSTITUCIONALIDADE. As normas e determinações previstas na legislação tributária presumemse revestidas do caráter de constitucionalidade e legalidade, contando com validade e eficácia, não cabendo à esfera administrativa questionálas ou negarlhes aplicação. IPI. RESSARCIMENTO. DECADÊNCIA. INAPLICABILIDADE. Em pedidos de ressarcimento de IPI cuja discussão se refere a direito de crédito a favor do sujeito passivo e não à constituição de crédito tributário, não se aplicam os prazos decadenciais dos artigos 150, § 4º, e 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. De outro lado, o prazo para homologação de compensação declarada pelo sujeito passivo é de cinco anos contados da data da transmissão da declaração de compensação a que se refere. Assim, somente depois de transcorridos cinco anos da transmissão da DCOMP, a compensação está homologada tacitamente por decurso de prazo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 PERÍCIA TÉCNICA. INDEFERIMENTO. PRESCINDIBILIDADE. Indeferese o pedido de perícia quando os elementos constantes dos autos são suficientes para o deslinde do litígio. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 146DF CARF MF 8 Direito Creditório Não Reconhecido." Após o protocolo do Recurso Voluntário, que reforçou as argumentações da Manifestação de Inconformidade, os autos foram distribuídos para este Conselheiro e pautados para julgamento nos moldes estabelecidos no regimento interno. Relatório proferido. Voto Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima Relator. Conforme o Direito Tributário, a legislação, os fatos, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresentase este Voto. Por conter matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, merece conhecimento o tempestivo Recurso Voluntário. Sobre o pedido de homologação tácita, verificase que esta não ocorreu, considerando que não se passaram mais de cinco anos do pedido administrativo (29/09/05) até a data do Despacho Decisório de fls 2 (07/06/10), que configuram a devida manifestação da União sobre os tributos em controvérsia. Verificase nos autos que o contribuinte solicitou a restituição e compensação de suposto crédito básico de IPI e crédito presumido de IPI e teve parte de seu pedido administrativo homologado. Em defesa da reversão da não homologação parcial, o contribuinte apresentou seus recursos e apresentou suas argumentações, contudo, os documentos comprobatórios dos créditos básicos e crédito presumido de IPI, da parte glosada, deveriam ter sido juntados no autos, mas não foram. Nem mesmo as memórias de cálculo ou NFs. Além disso, a fiscalização apontou que os fornecedores não possuíam movimentação financeira à época das operações, o que leva a crer que as operações não ocorreram. Neste ponto não houve comprovação do contrário, por parte do contribuinte. CONCLUSÃO Diante de todo o exposto, com fundamento no Art. 170 do Código Tributário Nacional e Art. 16 do Decreto 70.235/72, votase para que seja NEGADO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Voto proferido. (assinatura digital) Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Fl. 147DF CARF MF Processo nº 11065.904971/201072 Acórdão n.º 3201003.769 S3C2T1 Fl. 144 9 Fl. 148DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10711.003236/2010-15
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 08/09/2008
MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INFORMAÇÃO DE DESCONSOLIDAÇÃO DE CARGA. INTEMPESTIVIDADE.
Deixar de prestar informação de desconsolidação de carga nos termos do artigo 22 e 50 da Instrução Normativa RFB 800 de 27.12.2007 enseja a multa prescrita na alínea e do inciso IV do artigo 107 do Decreto-lei 37 de 1966.
Numero da decisão: 3001-000.434
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Renato Vieira de Avila (Relator) e Francisco Martins Leite Cavalcante, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Orlando Rutigliani Berri.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Redator Designado
(assinado digitalmente)
Renato Vieira de Avila - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Cleber Magalhães e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: RENATO VIEIRA DE AVILA
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INFORMAÇÃO DE DESCONSOLIDAÇÃO DE CARGA. INTEMPESTIVIDADE. Deixar de prestar informação de desconsolidação de carga nos termos do artigo 22 e 50 da Instrução Normativa RFB 800 de 27.12.2007 enseja a multa prescrita na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei 37 de 1966. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Renato Vieira de Avila (Relator) e Francisco Martins Leite Cavalcante, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Orlando Rutigliani Berri. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente e Redator Designado (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Cleber Magalhães e Francisco Martins Leite Cavalcante. Relatório Auto de Infração AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 1. 00 32 36 /2 01 0- 15 Fl. 80DF CARF MF 2 Inicia sua síntese narrativa definindo as principais partes envolvidas nos relacionamentos, jurídicos e negociais, do comércio internacional marítimo. Destaca, o comprador importador e vendedor exportador. Definidas as condições do negócio, contratase a armação do navio. Ressaltando, a existência de representantes diretos ou por agências de navegação. Acrescenta, ainda, a figura do NVOCC, empresas consolidadoras de carga, responsáveis pelo transporte e, em chegando no destino, a desconsolidação da carga mediante seus representantes, as agências de cargas. Poderá haver, a consolidação de carga já consolidada, havendo duas ou mais empresas de agenciamento de carga. Por este motivo, é necessário a prestação de informações em tempo hábil, caso contrário, o poder de polícia aduaneiro teria prejuízo na sua capacidade de controle. O conhecimento de carga (bill of landing BL) é o documento emitido pelo transportador ou consolidador, que representa os termos do contrato de transporte marítimo e prova a posse da carga. Ainda, identifica proprietário, consignatário, último endossatário ou o portador do título, em via de conseqüência, o titular do despacho aduaneiro. O transportador procedente do exterior, tem o dever de prestar informações à Receita Federal do Brasil, sobre a chegada de veículo e as cargas transportadas. Conjugado o artigo 37 do Decreto Lei 37/66, com seu parágrafo primeiro, conclui a autoridade fazendária pela responsabilidade do agente de cargas Controle Aduaneiro Informatizado Os dados transmitidos eletronicamente, obedecem a forma e prazos estabelecidos pela RFB, e os atos detém validade, fiscal e aduaneira, em razão das disposições legais expressas no artigo 64 da Lei 10.833/03, atinentes sobre a certificação digital. Neste ambiente, o Siscomex Carga é sistema informatizado para o controle de movimentação de embarcações e cargas nos portos alfandegados. Os dados ali são inseridos pelos transportadores, agentes de carga ou seus representantes, e submetidos ao controle aduaneiro relatam as escalas, com dados dos Manifestos e Conhecimentos de carga, nos parâmetros do Sistema de Conhecimento Eletrônico (CE Mercante) Da Equiparação a Transportador A indicação prevista no artigo 5.º, combinado com o artigo 2.º, parágrafo 1.º, IV, da IN 800/2007, equipara, para efeitos fiscais, empresas de navegação, desconsolidadores e agentes de carga Informações a ser prestadas. O artigo 6.º da IN 800/2007 impele ao transportador, o dever de prestar informações sobre veículo e cargas para cada escala em porto alfandegado. Dentre as informações, o veículo e escalas, e a carga. Sobre a carga, informações sobre o manifesto, a vinculação à escala, conhecimentos de transportes, informações sobre a desconsolidação e a associação do Conhecimento de Carga ao novo manifesto, em caso de transbordo ou baldeação. Prazos dado às prestações de informações Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10711.003236/201015 Acórdão n.º 3001000.434 S3C0T1 Fl. 81 3 São os artigos 22 e 50 da IN 800/2007, com alteração dada pela IN 899/2008, os prazos mínimos para a prestação de informações, sendo que após a leitura de seus dispositivos, verificase a ocorrência de dois períodos distintos: de 31/03/08 a 31/03/09; e a partir de 1.º de abril de 2009. No período inicial (31/03/08 a 31/03/2009), foram estipulados prazos de menor antecedência, e, aplicando a norma mais benéfica, presente no artigo 50, os prazos mínimos para as prestações de informações são os presentes no artigo I e II: I as relativas ao veiculo e suas escalas, cinco horas antes da chegada da embarcação no porto; e II as correspondentes ao manifesto e seus CE, b em como para toda associação de CE a manifesto e de manifesto a escala a) antes da salda da embarcação, para os manifestos e respectivos CE a carregar em porto nacional, em caso de cargas despachadas para exportação, guando o item de carga for granel; b) antes da salda da embarcação, para os manifestos e respectivos CE a carregar em porto nacional, em caso de cargas despachadas para exportação, para os demais itens de carga; C) antes da salda da embarcação, para os manifestos CAB, BCN e ITR e respectivos CE; d) antes da chegada da embarcação no primeiro Porto Nacional, para os manifestos e respectivos CE a descarregar em porto nacional, ou que permaneçam a bordo; e III as relativas a conclusão da desconsolidação, antes da chegada da embarcação no porto de destino do conhecimento genérico. Ausência de Denúncia Espontânea Requer a aplicação do artigo 683, parágrafo 3.º do Regulamento Aduaneiro. Dos Danos Causados à Fiscalização Explica que as ações de fiscalização são planejadas a partir das informações do Siscomex Cargas. O gerenciamento de risco é a ferramenta para dar celeridade ao despacho de mercadorias com a conseqüente redução do custo incidente sobre o comércio exterior. Tal análise dos dados, devem ocorrer previamente às operações de comércio exterior, com o conhecimento dos dados que nortearão os atos da RFB. Por este motivo, a falta de prestação de informações, ou sua ocorrência fora de prazo, inviabiliza a análise prévia, causando entrave no exercício do controle aduaneiro. Da Infração pela não prestação das informações na forma, prazo e condições estabelecidos Foi aplicado o disposto no artigo 107, IV, e, do Decreto Lei 37/66, com novel redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/03. Dos Fatos A chegada da embarcação MSC Tamara no Brasil, porto de Suape, ocorreu dia 23/09/2008, tendo atracado as 19hrs30, conforme informações constante no extrato de manifesto e detalhes de escala. A data e hora da atracação, servem como limites para que a Fl. 82DF CARF MF 4 agência de navegação presta as informações sobre a carga. A agencia MSC Mediterranean Shipping, informou sobre o manifesto e efetuou sua vinculação às escalas de forma tempestiva. Por sua vez, a empresa Craft Multimodal, na qualidade de agente de cargas, promoveu a desconsolidação e introduzindo as informações de forma tempestiva. Nova desconsolidação, com envio de informações também de forma tempestiva, ocorreu pela empresa Hafen. Consta como consignatária, a empresa Braservice, como desconsolidadora. Esta última, constituiu como sua representante a empresa Rioport Assessoria Aduaneira, também cadastrada como desconsolidadora. A embarcação prosseguiu viagem, tendo atracado no Rio de Janeiro dia 29/09/2008, figurando como transportador representante o agente de carga Rioport, tendo havido a desconsolidação da carga somente no dia 29/09/08 as 17hrs12min29. Impugnação Tratase do combate ao auto de infração, cuja lavratura do auto de infração deuse em 11/05/2010, por ter prestado informações sobre carga transportada fora do prazo estabelecido pela IN 800 e 899/08 e com aplicação de multa por infração ao artigo 107, IV, e do Decreto Lei 37/66, com novel redação estabelecida pela Lei 10.833 03.Aponta que em 11 de maio de 2010 foi lavrado auto de infração impondo multa regulamentar no valor de R$ 5.000,00, com fundamento no artigo 107, IV, alínea e, do Decreto Lei 37/66, com redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/03, cujo descritivo aponta a não prestação de informações sobre carga transportada, nos prazos estabelecidos pela Receita Federal. A empresa Braservice Assessoria em Comércio Exterior Ltda., constituiu junto ao Departamento do Fundo de Marinha Mercante DEFMM, como sua representante a ora impugnante. A embarcação MSC TAMARA atracou dia 29/09/2008 às 18 hrs., conforme escala 08000211740 fls. 28, argumento que o auditor fiscal atesta ter sido as informações prestadas em 29 /09/08 as 17;12, em fls. 29 e 30 argumento que o auditor fiscal atesta ter sido as informações prestadas em 29 /09/08 as 17;12. No mérito, argumenta que não haveria como imputar a multa aplicada haja vista estar a legislação em referência sob vacatio legislação, em razão da nova redação do artigo 22 da IN 800/07, dada pela IN 899 de dezembro de 2008 Repete o artigo 50 destacando, em negrito, a parte referente ao "somente serão obrigatórios a partir de 01 de abril de 2009 ... antes da atracação ou desatracação". Alternativamente, argumenta pela não obrigatoriedade da prestação de informações. DRJ/FLN O presente processo foi dispensado de ementa, sendo mister a transcrição de seu relatório, para o fiel entendimento do cerne discutidos nestes autos. O presente Auto de Infração referese à multa capitulada no art. 107, IV, “e”, do DecretoLei n.º 37/66, com a redação dada pela Lei n.º 10.833/2003, no valor de R$5.000,00, por prestação de informação sobre carga transportada fora do prazo estabelecido pela IN SRF n.º 800/2007, com a alteração da IN SRF n.º 899/2008. Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10711.003236/201015 Acórdão n.º 3001000.434 S3C0T1 Fl. 82 5 Segundo relato da fiscalização, a autuada prestou informações acerca da desconsolidação de CE (MHBL) n.º 130805182616644 intempestivamente. Junta às fls. 16/32 cópia das telas de informações das escalas e conhecimentos eletrônicos. Nos termos, então, da IN SRF n.º 800/2007, com a alteração da IN SRF n.º899/2008, arts. 22 e 50, respeitadas as vigências das referidas normas, o prazo limite para prestação de informações relativas às cargas transportadas é a data da chegada da embarcação no porto de destino do conhecimento genérico. Por não ter sido cumprido referido prazo pela autuada, foi lançada a multa por prestação de informação a destempo estatuída no art. 107, IV, “e”, do DecretoLei n.º 37/66, com a redação dada pela Lei n.º 10.833/2003. Intimada da autuação, a interessada apresentou impugnação alegando que as informações foram prestadas tempestivamente às 17:12 horas do dia 29/09/2008, já que a atracação se deu às 18:00 horas do mesmo dia, segundo relato no auto de infração. Ainda assim alega também que a IN SRF n.º 800/2007 somente estipulou prazo para a prestação das informações a partir de 01/04/2009 (art. 50) com vistas à adequação dos procedimentos por parte dos usuários e como o fato alegado de informação intempestiva se deu antes daquela data é improcedente o lançamento da multa por violação ao princípio Constitucional de Reserva Legal. Examinando o que consta no processo, foi constatada divergência nas datas de atracação que constam na autuação e n os documentos que acompanham o auto de infração (Detalhes da Escala, às fls. 30). Por esta razão foi diligenciado à unidade preparadora para que saneasse tal erro material (fls. 49/50). A ALF/Porto do Rio de Janeiro procedeu, então, a retificação da data de atracação para o dia 28/09/2008, conforme dados da escala, emitindo auto de infração complementar do qual foi novamente cientificada a autuada. A interessada apresentou aditamento à impugnação às fls. 61/63 reiterando os argumentos já apresentados e contestando a alteração procedida pela fiscalização na autuação. Alega que tal erro material caracteriza vício intransponível, cabendo a nulidade do auto de infração para atender aos princípios da legalidade e ampla defesa. Ao longo do voto, o colegiado julgador de primeiro piso esclarece os fundamentos do voto: A presente autuação referese à exigência da multa capitulada no art. 107, IV, “e”, do DecretoLei n.º 37/66, com a redação dada pela Lei n.º 10.833/2003, tendo em vista que a interessada prestou informações acerca da desconsolidação da carga na data/hora de 29/09/2008, às 118:00 h, de forma intempestiva, já Fl. 84DF CARF MF 6 que a atracação da embarcação se deu no dia 29/09/2008, às 17:12 h. Quanto ao mérito, o argumento trazido pela interessada para contestar a autuação é de que o artigo 50 da IN SRF n.º 800/2007, estabelecia que os prazos previstos no art. 22 seriam obrigatórios a partir de 1.º de abril de 2009. Todavia está equivocada a impugnante em sua análise. Isto porque o indigitado art. 50 da IN SRF n.º 800/2007, em vigor a partir de 31/03/2008, possuía, originalmente a seguinte redação: Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1o de janeiro de 2009. Parágrafo único. O disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre: I a escala, com antecedência mínima de cinco horas, ressalvados prazos menores estabelecidos em rotas de exceção; e II as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no Pais. (grifei) Vêse, portanto, que apesar de os prazos de antecedência estabelecidos no art. 22 serem obrigatórios a partir de 01/01/2009, já havia desde o estabelecimento de seus efeitos em 31/03/2008, a obrigação da prestação das informações referentes às cargas antes da atracação da embarcação no País. Recurso Voluntário Em sua defesa, a recorrente ressaltou o argumento de que o prazo seria obrigatório apenas a partir de 01 de abril de 2009 ,conforme artigo 50 da IN 800/07 e 899/08 No mérito, repete o artigo 50 destacando, em negrito, a parte referente ao "somente serão obrigatórios a partir de 01 de abril de 2009 ... antes da atracação ou desatracação", mencionando o artigo 22 prazos de antecedência, com sua referência legal. Destaca do voto condutor do acórdão recorrido, o argumento de que mesmo estando suspensa a obrigatoriedade, não exime o contribuinte de prestar as a informações, contrapondo que as informações foram, efetivamente, prestadas Do texto destacado do referido acórdão de piso, evidencia o início do termo dos prazos em 01 de abril de 2009 Ainda, menciona o artigo 76, I, h da Lei 10.833/03, a qual, em eu entendimento, impõe a sanção de advertência, no atraso por mais de 03 vezes Na seqüência, conclui que a aplicação da multa conforme efetivada, não é contemplada pelo regulamento aduaneiro, não havendo, portanto, fundamento legal para sua imposição, ocasionando ofensa ao princípio constitucional da reserva legal, em nome da preservação da segurança jurídica. Pela efetividade do princípio da Razoabilidade, menciona doutrina e precedentes do STJ quanto à inexigibilidade de multa administrativa em procedimento de Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10711.003236/201015 Acórdão n.º 3001000.434 S3C0T1 Fl. 83 7 vistoria e revisão aduaneira ante a inexistência de prejuízo ao fisco e a boa fé do sujeito passivo. Neste sentido, indica a inocorrência de dano ao erário É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Renato Vieira de Avila Relator Tratase de recurso voluntário interposto pela recorrente a fim de verse livre da imposição de multa, mediante lavratura de auto de infração, cujo antecedente normativo prevê, em caso de ocorrência de atraso na prestação de informações ao Siscomex, a aplicação de multa. Mérito Termo Inicial da aplicação de multa aplicável à prestação em atraso das informações exigidas pelo artigo 22 e 50 da IN 800/2007, alterada pela IN 899/2008 A multa combatida encontrase prevista no artigo transcrito a seguir: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; A legislação tributária que merece atenção, é o mencionado artigo 50 da IN 800 modificado pela IN 899. IN 800/2007, modificada pela IN 899/2008 Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 899, de 29 de dezembro de 2008) Parágrafo único. O disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre: I a escala, com antecedência mínima de cinco horas, ressalvados prazos menores estabelecidos em rotas de exceção; e Fl. 86DF CARF MF 8 II as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. E, por fim, mister transcrever o artigo 22 da mencionada IN. Art. 22. São os seguintes os prazos mínimos para a prestação das informações à RFB: I as relativas ao veículo e suas escalas, cinco dias antes da chegada da embarcação no porto; e II as correspondentes ao manifesto e seus CE, bem como para toda associação de CE a manifesto e de manifesto a escala: d) quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação, para os manifestos de cargas estrangeiras com descarregamento em porto nacional, ou que permaneçam a bordo; Em que pese a existência de precedentes deste Conselho, favoráveis à aplicação da multa em comento, no caso de atraso prestação de informações consubstanciadas na declaração, entendo que: 1. há previsão normativa de postergação do prazo para a incidência da multa cujo fato gerador é a envio de comunicação, por parte do consignante, em momento posterior à atracação da embarcação. IN 800, de 27 de dezembro de 2007 Art. 22. São os seguintes os prazos mínimos para a prestação das informações à RFB: I as relativas ao veículo e suas escalas, cinco dias antes da chegada da embarcação no porto; e II as correspondentes ao manifesto e seus CE, bem como para toda associação de CE a manifesto e de manifesto a escala: III as relativas à conclusão da desconsolidação, quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação no porto de destino do conhecimento genérico. § 1o Os prazos estabelecidos neste artigo poderão ser reduzidos para rotas e prazos de exceção. Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 899, de 29 de dezembro de 2008) Parágrafo único. O disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre: I a escala, com antecedência mínima de cinco horas, ressalvados prazos menores estabelecidos em rotas de exceção; e II as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. Ainda, em segundo momento, houve norma posterior, abrandando a aplicação da penalidade, postergando o início de sua obrigatoriedade para somente após de 01 Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10711.003236/201015 Acórdão n.º 3001000.434 S3C0T1 Fl. 84 9 de abril de 2009, devendo ser obedecido o artigo neste sentido. Por este motivo, se socorre da aplicação do artigo seguinte do CTN: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Em caso semelhante, tal raciocínio fora empreendido. O caso do precedente acostado abaixo, relacionase com a extensão do prazo, de 05 para 07 dias, como necessário à prestação de informações. Como é sabido, no caso presente, tratase de legislação que determinava a ocorrência de multa, IN 800, posteriormente revogada pela IN 899, a qual concedeu o prazo para início da obrigatoriedade apenas em 01 de abril de 2009. IN 899, de 29 de dezembro de 2008 Art. 1º O art. 50 da Instrução Normativa RFB nº 800, de 27 de dezembro de 2007, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009 Deste modo, devese aplicar o entendimento da legislação mais benéfica ao contribuinte. Acórdão nº 3302004.717 ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/03/2008 a 22/03/2008 REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE NA EXPORTAÇÃO. MULTA DO ART. 107, IV, E, DO DECRETOLEI 37/1966 (IN SRF 28/1994, 510/2005 E 1.096/2010). VIGÊNCIA E APLICABILIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Em se tratando de descumprimento do prazo de registro dos dados de embarque na exportação estabelecido pelo art. 37 da Fl. 88DF CARF MF 10 IN SRF 28/1994, a multa instituída pelo artigo 107, IV, e do DL 37/1966, deve ser mitigada diante do novo prazo imposto pela IN SRF 1.096/2010, em decorrência da retroatividade benigna. Após a lavratura do auto de infração foi publicada a Instrução Normativa RFB n. 1.096, de 13/13/2010, que ampliou o prazo para registro dos dados pertinentes no SISCOMEX para 7 dias2. Afirma que o art. 106 do CTN permite que a dilação do prazo pela publicação da recente norma deve gerar benefícios a seu favor, já que não é mais considerada infração o não fornecimento de informações no prazo de 2 dias. Considerando que não poderão ser objeto de deliberação por este Colegiado as matérias abordadas no recurso voluntário e que já foram objeto de deliberação, nos resta apreciar, unicamente, o argumento sobre o fato superveniente, que é a publicação da IN RFB n. 1.096/2010 e se seus efeitos retroagem à data dos fatos descritos no auto de infração. E, sobre esse tópico, filiome à vasta jurisprudência deste Conselho, que reconhece que os efeitos benignos da IN RFB n. 1.096/2010 devem surtir efeitos em hipóteses análogas à dos autos. Isso porque estamos diante de uma sanção (ainda que na seara tributária) e a melhor interpretação sobre o texto contido no inciso XL do artigo 5º da Constituição Federal 1988 impõe o reconhecimento que a lei penal deverá retroagir, sempre que for para beneficiar o réu (no caso, o contribuinte apenado pela multa). A propósito, e ilustrativamente, segue a ementa de julgado deste Conselho, o qual adoto como fundamento: TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO / 2ª CÂMARA / 2ª TURMA ORDINÁRIA / ACÓRDÃO 3202000.486 em 25/04/2012 ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. MULTA. Data do fato gerador: 04/07/2006, 06/07/2006, 10/07/2006, 11/07/2006, 13/07/2006, 15/07/2006, 23/07/2006 e 29/07/2006 REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE NA EXPORTAÇÃO. MULTA DO ART. 107, IV, 'E' DO DL 37/1966 (INs SRF 28/1994, 510/2005 E 1.096/2010). VIGÊNCIA E APLICABILIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Em se tratando do descumprimento do prazo de registro dos dados de embarque na exportação estabelecido pelo art. 37 da IN SRF no 28/1994, a multa instituída no art. 107, IV, 'e' do Decretolei no 37/1966, na redação dada pelo art. 77 da Lei no 10.833/2003, somente começou a ser passível de aplicação a partir de fatos ocorridos a partir de 15/2/2005, data em que a IN SRF no 510/2005 entrou em vigor e fixou prazo de dois dias para o registro desses dados no Siscomex. Uma vez que a IN SRF no 1.096/2010 fixou o prazo de sete dias para o registro dos dados Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10711.003236/201015 Acórdão n.º 3001000.434 S3C0T1 Fl. 85 11 no Siscomex, deve ser aplicada, com fulcro no princípio da retroatividade benigna, a norma mais benéfica ao contribuinte. CONTAGEM DE PRAZO. DIA ÚTIL. A contagem dos prazos estipulados na legislação tributária deve seguir os ditames do artigo 210 do Código Tributário Nacional. Os prazos iniciam e terminam apenas em dias úteis. SISCOMEX. INDISPONIBILIDADE. PROVA. A parte que alega a indisponibilidade do sistema SISCOMEX deve apresentar prova irrefutável sobre tal situação. A mera alegação, sem comprovação do alegado, não é capaz de influir no entendimento do julgador. MULTA. EFEITO CONFISCATÓRIO. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA N. 02 DO CARF. De acordo com a Súmula n. 02 do CARF, o órgão não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária. Recurso voluntário conhecido em parte. Na parte conhecida, preliminar de nulidade do auto de infração não acolhida e, no mérito, recurso voluntário provido em parte. (grifos adicionados) Assim, entendo que o recurso voluntário deve ser provido para que as multas impostas em decorrência das informações prestadas dentro do prazo de 7 dias (IN SRF n.1.096/2010) sejam canceladas. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. Conclusão Diante do exposto, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário, fazendo se valer o artigo 50 da IN SRF n.º 800/2007, estabelecia que os prazos previstos no art. 22 seriam obrigatórios a partir de 1.º de abril de 2009. (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Voto Vencedor Conselheiro Orlando Rutigliani Berri, Redator Designado Fl. 90DF CARF MF 12 Preâmbulo 1 Em que pese o elogiável argumento que fundamentou o Voto Vencido, peço vênia para submeter a este Colegiado entendimento diferente do esposado pelo Ilustre Conselheiro Renato Vieira de Avila, acompanhado que foi pelo Conselheiro Francisco Martins Leite Cavalcante, em seu bem fundamentado voto como Relator. Procurarei, em breves linhas, expor por que entendo que se deve negar provimento ao recurso voluntário quanto à exoneração da exigência da multa em debate, posição diametralmente oposta à do ilustre relator, que proveu o recurso voluntário. Neste passo, alerto que o desencontro de entendimento restringese tão somente ao fundamento jurídico adotado, segundo o qual "houve norma posterior, abrandando a aplicação da penalidade, postergando o início de sua obrigatoriedade para somente após de 01 de abril de 2009". Preâmbulo 2 Ainda, antes de adentrarse à questão jurídica que motivou a presente divergência de entendimento, destacase, por oportuno, que o caso sob exame processo 10711.002995/201061 (Acórdão 3001000.341), afora os dados concernentes ao nome da embarcação, a da data e hora de atracação da embarcação no Porto do Rio de Janeiro/RJ, o número do conhecimento eletrônico e a data e hora que o recorrente registrou a desconsolidação da carga, é congêrene àqueles tratado nos processos 10711.003775/201054 (Acórdão 3001000.342), 10711.004007/201018 (Acórdão 3001000.343), 10711.006048/201049 (Acórdão 3001000.344), 10711.008214/200916 (Acórdão 3001 000.345), 10711.008215/200952 (Acórdão 3001000.346), 10711.721400/201151 (Acórdão 3001000.347) e 10711.724279/201119 (Acórdão 3001000.348), tanto que igualmente são idênticos os argumentos de direito trazidos nos respectivos recursos voluntários. Desta feita, revela destacar também que a decisão encartada neste Voto Vencedor seguirá a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelos parágrafos 1º e 2º do artigo 47 do Anexo II do Ricarf, aprovado pela Portaria MF 343 de 09.06.2015. Portanto, o aqui decidido será adotado em todos os demais processos deste contribuinte, conforme destacados no parágrafo anterior, vez que tratamse, como já delineado, de processos paradigmas, o que importará na transcrição, como solução da controvérsia o entendimento que prevaleceu na decisão vencedora tratada nos autos deste processo (Acórdão 3001000.341). Da divergência do entendimento jurídico A questão pareceme bastante simples. O recorrente está certo quando defende que as disposições do artigo 22 da IN RFB 800 de 2007 não são aplicáveis ao caso em exame, visto que alguns os fatos datam de período posterior 2008 e os efeitos do artigo supramencionado fluiriam somente após 1º de abril de 2009, na forma do caput do artigo 50 da referida norma regulamentar, com redação dada pela IN RFB 899 de 2008. Entretanto, a fiscalização foi bastante clara e correta ao exigir a observância dos prazos de antecedência de prestação de informações, na forma do parágrafo único do artigo 50 da IN RFB 800 de 2007, cuja redação mais adiante reproduzse. Vejase que tanto o transportador quanto o próprio agente de cargas, qualidade que se insere o ora recorrente, por força do caput e § 1º do artigo 37 do Decretolei 37 de 1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833 de 2003, têm o dever de prestar Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10711.003236/201015 Acórdão n.º 3001000.434 S3C0T1 Fl. 86 13 informações à Receita Federal do Brasil, na forma e prazos estabelecidos pela própria Administração, in verbis: Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) § 1º O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. Ora, não me parece razoável supor que mesmo não estando em vigor o artigo 22 da IN RFB 800 de 2007, deixarseia de aplicar a regra prevista no caput do artigo 50 da mesma Instrução Normativa. Tal dispositivo, conforme transcreverseá, mais adiante, diz textualmente que o tempo de vacância do artigo 22 da IN RFB 800 de 2007 “não exime o transportador da obrigação de prestar informações”. Tendo em vista que o recorrente somente procedeu a desconsolidação da carga após a atracação das embarcações, é patente que houve desrespeito aos prazos de antecedência previstos na legislação normativa em questão. Então, uma vez descumprida a obrigação acessória, cuja finalidade me parece bastante razoável para fins de efetivo controle aduaneiro, impõese sim a aplicação da correspondente multa. E em relação à multa, não há como eximir o recorrente, pois esta decorre de lei específica, na forma da alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei 37 de 18.11.1966, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833 de 29.12.2003, in verbis: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; (...) Explicito melhor o tema em debate. Fl. 92DF CARF MF 14 Atendendo ao determinado no dispositivo legal supratranscrito, a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) publicou a Instrução Normativa RFB 800 de 27.12.2007, que “dispõe sobre o controle aduaneiro informatizado da movimentação de embarcações, cargas e unidades de carga nos portos alfandegados”. Relativamente aos prazos mínimos para a prestação das informações à Secretaria da Receita Federal do Brasil a referida Instrução Normativa estabeleceu no artigo 22 da seguinte forma, in verbis: Art. 22. São os seguintes os prazos mínimos para a prestação das informações à RFB: I as relativas ao veículo e suas escalas, cinco dias antes da chegada da embarcação no porto; e II as correspondentes ao manifesto e seus CE, bem como para toda associação de CE a manifesto e de manifesto a escala: a) cinco horas antes da saída da embarcação, para os manifestos e respectivos CE a carregar em porto nacional, em caso de cargas despachadas para exportação, quando o item de carga for granel; b) dezoito horas antes da saída da embarcação, para os manifestos e respectivos CE a carregar em porto nacional, em caso de cargas despachadas para exportação, para os demais itens de carga; c) cinco horas antes da saída da embarcação, para os manifestos CAB, BCN e ITR e respectivos CE; d) quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação, para os manifestos e respectivos CE a descarregar em porto nacional, ou que permaneçam a bordo; e III as relativas à conclusão da desconsolidação, quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação no porto de destino do conhecimento genérico. § 1º Os prazos estabelecidos neste artigo poderão ser reduzidos para rotas e prazos de exceção. § 2º As rotas de exceção e os correspondentes prazos para a prestação das informações sobre o veículo e suas cargas serão registrados no sistema pela Coordenação Especial de Vigilância e Repressão (Corep), a pedido da unidade da RFB com jurisdição sobre o porto de atracação, de forma a garantir a proporcionalidade do prazo em relação à proximidade do porto de procedência. § 3º Os prazos e rotas de exceção em cada porto nacional poderão ser consultados pelo transportador. § 4º O prazo previsto no inciso I do caput, se reduz a cinco horas, no caso de embarcação que não esteja transportando mercadoria sujeita a manifesto. Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10711.003236/201015 Acórdão n.º 3001000.434 S3C0T1 Fl. 87 15 Todavia, o artigo 50 da IN RFB 800 de 2007 previa, desde sua publicação, a data a partir da qual referidos prazos seriam implementados e, depois da alteração promovida pela IN RFB 899 de 29.12.2008, ficou com a seguinte redação, in verbis: Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009. Parágrafo único. O disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre: I a escala, com antecedência mínima de cinco horas, ressalvados prazos menores estabelecidos em rotas de exceção; e II as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. (destaquei) Como a norma transcrita esclarece, os prazos previstos em seu artigo 22 somente serão exigidos a partir de 1º de abril de 2009. Todavia, seu parágrafo único estabelece expressamente que, a despeito dos prazos passarem a viger na data determinada, isso não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. Portanto, reforço, a intempestividade da informação de carga após a atracação da embarcação, quando se trata de carga de estrangeira, enseja a aplicação da penalidade. Desta forma, está preservado o princípio da legalidade pela combinação da alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei 37 de 1966, com os dispositivos 22 e 50 da Instrução Normativa nº 800 de 2007. Salientese, o princípio da irretroatividade não se macula quando a lei vigente coaduna com a época do fato gerador como se esclareceu no presente caso. Da conclusão Pelas razões que expus acima entendo que o Colegiado a quo agiu consoante os princípios constitucionais e legais, a lei processual administrativa e as leis que motivam o lançamento e a exigência em discussão. Portanto, proponho a este Colegiado, especificamente quanto a este item, seja negado provimento ao recurso voluntário, mantendose a exigência fiscal, nos termos em que lavrado o auto de infração. É como penso e voto. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Fl. 94DF CARF MF 16 Fl. 95DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10930.001210/2005-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2002
EMBARGOS INOMINADOS. INEXATIDÃO MATERIAL. LAPSO MANIFESTO.
Acolhem-se os embargos como inominados para corrigir a inexatidão material devida a lapso manifesto na parte do acórdão embargado que decidiu por excluir os honorários advocatícios da base de cálculo do lançamento fiscal.
Numero da decisão: 2401-005.557
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer dos embargos, na parte em que foram admitidos, e acolhê-los, sem efeitos infringentes, para corrigir a inexatidão material do Acórdão nº 2101-001.929, de 17/10/2012.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro e Matheus Soares Leite.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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INEXATIDÃO MATERIAL. LAPSO MANIFESTO. Acolhemse os embargos como inominados para corrigir a inexatidão material devida a lapso manifesto na parte do acórdão embargado que decidiu por excluir os honorários advocatícios da base de cálculo do lançamento fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer dos embargos, na parte em que foram admitidos, e acolhêlos, sem efeitos infringentes, para corrigir a inexatidão material do Acórdão nº 2101001.929, de 17/10/2012. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Francisco AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 00 12 10 /2 00 5- 91 Fl. 185DF CARF MF Processo nº 10930.001210/200591 Acórdão n.º 2401005.557 S2C4T1 Fl. 186 2 Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro e Matheus Soares Leite. Relatório Cuidase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional, conforme fls. 176/179, contra o Acórdão nº 2101001.929, de 17/10/2012, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da Segunda Seção deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o qual está juntado às fls. 168/171. 2. Alega a embargante que o acórdão contém os seguintes vícios: (i) contradição, porque deu provimento ao recurso para cancelar o lançamento fiscal, apesar de entender pela nulidade da primeira instância; (ii) omissão, na medida em que o acórdão deixou de justificar o afastamento do art. 15 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e do art. 64 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999; e (iii) erro material, visto que o acórdão recorrido considerou que a decisão de primeira instância não computou o valor referente aos honorários advocatícios, conquanto se verifica que tal despesa com a ação judicial paga pelo contribuinte foi deduzida da base de cálculo dos rendimentos tributáveis pelo colegiado de primeira instância. 3. Os autos foram enviados à Procuradoria da Fazenda Nacional em 19/03/2013, que interpôs os embargos de declaração em 20/03/2013 (fls. 172 e 175). 4. Tendo em conta que os embargos foram opostos contra decisão de Turma extinta, assim como o redator originário não mais integra o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a sua admissibilidade foi analisada pelo Presidente da 2ª Seção, a qual o referido colegiado estava subordinado. 5. Os aclaratórios foram parcialmente admitidos por despacho do Presidente da 2ª Seção de Julgamento, tão somente quanto ao erro material, com determinação para a sua inclusão em pauta de julgamento, após novo sorteio de relatoria, com vistas à devida apreciação para saneamento da inexatidão material apontada pela Fazenda Nacional (fls. 181/184). É o relatório. Fl. 186DF CARF MF Processo nº 10930.001210/200591 Acórdão n.º 2401005.557 S2C4T1 Fl. 187 3 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess Relator 6. Cingese a análise dos embargos opostos pela Fazenda Nacional à alegação de existência de erro material no acórdão embargado, na medida em que os demais vícios apontados no recurso pela embargante foram rejeitados, em caráter definitivo, pelo Presidente da 2ª Seção de Julgamento (fls. 181/184). 7. Na parte devolvida a exame do colegiado, uma vez preenchidos os requisitos de admissibilidade dos embargos como inominados, passo à avaliação de mérito (art. 65, § 1º, e art. 66, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015). 8. Pois bem. Com efeito, o acórdão embargado excluiu da base de cálculo o valor de R$ 30.185,70, referente aos honorários advocatícios pagos pelo contribuinte, observada a proporcionalidade entre os rendimentos tributáveis, isentos e sujeitos a tributação exclusiva (fls. 170/171). 9. Por outro lado, a decisão de primeira instância já havia excluído tal montante de R$ 30.185,70 do lançamento fiscal, quando da elaboração da planilha do crédito tributário remanescente (fls. 104). 9.1 É importante assinalar, contudo, que a dedução da despesas com advogados pela decisão de primeira instância deuse em razão do procedimento de recalcular o montante dos rendimentos tributáveis, à luz do valor do imposto de renda retido na fonte que não teria sido levado em consideração pelo lançamento, o que acarretou o incremento da base de cálculo do imposto de renda, reputado uma extrapolação das competências funcionais do julgador pelo acórdão recorrido. 10. Em verdade, como o acórdão recorrido adotou como parâmetro o valor da omissão de rendimentos apurada pela fiscalização, equivalente a R$ 26.219,84, cometeu um lapso material ao deixar de observar que o agente lançador já havia deduzido, para fins da aferição da base de cálculo tributável do imposto de renda, o valor referente aos honorários advocatícios de R$ 31.019,09 (fls. 28 e 32/35). 11. Dessa feita, cabe desconsiderar, como alegado pela Fazenda Nacional, o valor de R$ 30.185,70, relativo aos honorários advocatícios, para fins de redução do montante dos rendimentos omitidos. 12. Nada obstante, a correção do erro material não tem o condão de alterar o resultado do julgamento, que deu provimento ao recurso voluntário. É que o acórdão recorrido excluiu duas vezes o montante dos juros de mora, no valor de R$ 32.280,67, por duplicidade no lançamento e tributação indevida. Fl. 187DF CARF MF Processo nº 10930.001210/200591 Acórdão n.º 2401005.557 S2C4T1 Fl. 188 4 12.1 Para uma melhor compreensão da conclusão do acórdão recorrido, transcrevo o excerto abaixo (fls. 170/171): Ante o exposto o valor dos juros de mora deveria ter sido duplamente excluído, eis que foi (i) indevidamente tributado e, ainda, (ii) em duplicidade, o que tampouco ocorreu. Desse modo, também sob esse viés, ou seja, considerando que no auto de infração foi imputada omissão de rendimentos no valor de R$ 26.219,84 [R$ 137.140,08 R$ 110.920,24, fl. 16], a exclusão de valores que, somados, são superiores a R$ 90.000,00 (R$ 32.280,67 + R$ 32.280,67 + R$ 30.185,70), deve levar ao provimento integral do recurso. 13. De fato, tão só o valor dos juros de mora excluído é superior à omissão de rendimentos apurada pela fiscalização de R$ 26.219,84, o que implica, de igual maneira, a insubsistência do crédito tributário lançado, com a necessidade de cancelamento do auto de infração. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO parcialmente dos embargos, nos limites admitidos pelo despacho do Presidente da 2ª Seção de Julgamento e, no mérito, ACOLHO os aclaratórios, sem efeitos infringentes, para corrigir a inexatidão material devida a lapso manifesto no Acórdão nº 2101001.929, de 17/10/2012, nos termos acima detalhados. É como voto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 188DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.902428/2008-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Data do fato gerador: 03/06/2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO. IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. LIDE NÃO INSTAURADA. NÃO CONHECIMENTO.
Não deve ser conhecido o recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que não conheceu da impugnação, por intempestiva, quando o recorrente não questiona a matéria decidida.
Numero da decisão: 2401-005.690
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Relatora e Presidente.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, José Luiz Hentsch Benjamin Pinheiro, Thiago Duca Amoni (suplente convocado) e Matheus Soares Leite. Ausente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER
1.0 = *:*
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score : 1.0
Numero do processo: 11065.722023/2015-25
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011, 01/02/2012 a 31/12/2012
ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. NÃO CONFIGURAÇÃO.
O desembaraço aduaneiro não significa homologação expressa do lançamento, eis que o instituto da Revisão Aduaneira, realizado após o desembaraço de importação, é procedimento fiscal legalmente previsto no art. 54 do Decreto-lei n° 37/66, com a redação dada pelo Decreto-lei n° 2.472/88, compatível com as disposições sobre o lançamento do CTN, em especial, o seu art. 146.
Tampouco há que se falar em alteração de critério jurídico no lançamento quando a fiscalização, acerca do IPI incidente na saída da mercadoria do estabelecimento da recorrente, mantém o entendimento aplicado na revisão aduaneira das importações, na qual se apurou a incorreção nas classificações fiscais do produtos importados.
MOTIVOS DETERMINANTES. AUTUAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA PARCIAL. EXONERAÇÃO CORRESPONDENTE.
O auto de infração está vinculado aos motivos nele descritos, nos termos do art. 50 da Lei nº 9.784/99 e do art. 10, III do Decreto nº 70.235/72. Dessa forma, a autuação não pode subsistir na parte em que o seu motivo determinante foi considerado improcedente pelo julgador de primeira instância.
IPI. INCIDÊNCIA. PRODUTOS IMPORTADOS. TEMA SOB REPERCUSSÃO GERAL. SEM TRÂNSITO EM JULGADO.
Os produtos importados estão sujeitos a uma nova incidência do IPI quando de sua saída do estabelecimento importador na operação de revenda, mesmo que não tenham sofrido industrialização no Brasil (EREsp 1403532/SC, art. 543-C do CPC/73).
A matéria sob repercussão geral sem decisão definitiva do STF deve ser julgada no CARF tomando como constitucionais as leis a respeito das quais ainda se aguarda o posicionamento do STF.
PNEUMÁTICOS NOVOS, DE BORRACHA, PARA VANS, PARA PICK-UP E PARA UTILITÁRIOS. CLASSIFICAÇÃO FISCAL.
Pneumáticos novos, de borracha destinados a vans, pick-up e utilitários se classificam no código NCM 4011.99.90.
PNEUMÁTICOS NOVOS, DE BORRACHA, PARA SUV. CLASSIFICAÇÃO FISCAL.
Pneumáticos novos, de borracha, para SUV (Sport Utility Vehicle), que detenham características de veículo de uso misto, classificam-se no código NCM 4011.10.00.
PNEUMÁTICOS NOVOS, DE BORRACHA, PARA CAMINHÕES. CLASSIFICAÇÃO FISCAL.
Pneumáticos novos, de borracha destinados a veículos caracterizados como caminhões se classificam no código NCM 4011.20 - Dos tipos utilizados em ônibus ou caminhões.
MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. APÓS VENCIMENTO. INCIDÊNCIA. SÚMULAS CARF NºS 04 E 05.
Não sendo o caso de depósito do montante integral, os juros de mora incidem sobre o crédito tributário não pago até o seu vencimento, nele incluso a multa de ofício. Aplica-se ao crédito tributário decorrente da multa de ofício o mesmo regime jurídico previsto para a cobrança e atualização monetária do crédito tributário decorrente do tributo.
Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.
Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral.
Recurso Voluntário provido em parte
Numero da decisão: 3402-005.462
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, em dar parcial provimento ao Recurso da seguinte forma: (i) por unanimidade de votos, para exonerar da autuação as exigências relativas ao pneumático 175/65R14C 90 CHRONO; (ii) por maioria de votos, para exonerar da autuação as exigências relativas ao pneumático utilizado no veículo F350, por ser um caminhão. Vencida a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula (Relatora), que negava provimento ao recurso neste ponto. Designado o Conselheiro Pedro Sousa Bispo. Vencidos os Conselheiros Renato Vieira de Ávila (Suplente Convocado) e Thais de Laurentiis Galkowicz que davam provimento em maior extensão para excluir os valores correspondentes às vans, utilitários e SUVs. Vencidos os Conselheiros Maysa de Sá Pittondo Deligne e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) que davam provimento integral considerando a extensão da Solução de Consulta Disit/SRRF/8ª RF n.º 348/1997 ao caso; (iii) pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso quanto à exclusão dos juros de mora sobre a multa de ofício. Vencidos os Conselheiros Renato Vieira de Ávila, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) que davam provimento neste ponto.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora
(assinado digitalmente)
Pedro Sousa Bispo - Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Renato Vieira de Ávila (Suplente Convocado), Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado). O Conselheiro Diego Diniz Ribeiro declarou-se impedido, sendo substituído pelo Conselheiro Suplente Renato Vieira de Ávila (Suplente Convocado).
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 30; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2038; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 1.439 1 1.438 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11065.722023/201525 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402005.462 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de julho de 2018 Matéria CLASSIFICAÇÃO FISCAL Recorrente PIRELLI PNEUS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011, 01/02/2012 a 31/12/2012 ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. NÃO CONFIGURAÇÃO. O desembaraço aduaneiro não significa homologação expressa do lançamento, eis que o instituto da Revisão Aduaneira, realizado após o desembaraço de importação, é procedimento fiscal legalmente previsto no art. 54 do Decretolei n° 37/66, com a redação dada pelo Decretolei n° 2.472/88, compatível com as disposições sobre o lançamento do CTN, em especial, o seu art. 146. Tampouco há que se falar em alteração de critério jurídico no lançamento quando a fiscalização, acerca do IPI incidente na saída da mercadoria do estabelecimento da recorrente, mantém o entendimento aplicado na revisão aduaneira das importações, na qual se apurou a incorreção nas classificações fiscais do produtos importados. MOTIVOS DETERMINANTES. AUTUAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA PARCIAL. EXONERAÇÃO CORRESPONDENTE. O auto de infração está vinculado aos motivos nele descritos, nos termos do art. 50 da Lei nº 9.784/99 e do art. 10, III do Decreto nº 70.235/72. Dessa forma, a autuação não pode subsistir na parte em que o seu motivo determinante foi considerado improcedente pelo julgador de primeira instância. IPI. INCIDÊNCIA. PRODUTOS IMPORTADOS. TEMA SOB REPERCUSSÃO GERAL. SEM TRÂNSITO EM JULGADO. Os produtos importados estão sujeitos a uma nova incidência do IPI quando de sua saída do estabelecimento importador na operação de revenda, mesmo que não tenham sofrido industrialização no Brasil (EREsp 1403532/SC, art. 543C do CPC/73). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 72 20 23 /2 01 5- 25 Fl. 1439DF CARF MF 2 A matéria sob repercussão geral sem decisão definitiva do STF deve ser julgada no CARF tomando como constitucionais as leis a respeito das quais ainda se aguarda o posicionamento do STF. PNEUMÁTICOS NOVOS, DE BORRACHA, PARA VANS, PARA PICK UP E PARA UTILITÁRIOS. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Pneumáticos novos, de borracha destinados a vans, pickup e utilitários se classificam no código NCM 4011.99.90. PNEUMÁTICOS NOVOS, DE BORRACHA, PARA SUV. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Pneumáticos novos, de borracha, para SUV (Sport Utility Vehicle), que detenham características de veículo de uso misto, classificamse no código NCM 4011.10.00. PNEUMÁTICOS NOVOS, DE BORRACHA, PARA CAMINHÕES. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Pneumáticos novos, de borracha destinados a veículos caracterizados como caminhões se classificam no código NCM 4011.20 Dos tipos utilizados em ônibus ou caminhões. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. APÓS VENCIMENTO. INCIDÊNCIA. SÚMULAS CARF NºS 04 E 05. Não sendo o caso de depósito do montante integral, os juros de mora incidem sobre o crédito tributário não pago até o seu vencimento, nele incluso a multa de ofício. Aplicase ao crédito tributário decorrente da multa de ofício o mesmo regime jurídico previsto para a cobrança e atualização monetária do crédito tributário decorrente do tributo. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Recurso Voluntário provido em parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, em dar parcial provimento ao Recurso da seguinte forma: (i) por unanimidade de votos, para exonerar da autuação as exigências relativas ao pneumático 175/65R14C 90 CHRONO; (ii) por maioria de votos, para exonerar da autuação as exigências relativas ao pneumático utilizado no veículo F350, por ser um caminhão. Vencida a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula (Relatora), que negava provimento ao recurso neste ponto. Designado o Conselheiro Pedro Sousa Bispo. Vencidos os Conselheiros Renato Vieira de Ávila (Suplente Convocado) e Thais de Laurentiis Galkowicz que davam provimento em maior extensão para excluir os valores correspondentes às vans, utilitários e SUVs. Vencidos os Conselheiros Maysa de Sá Pittondo Deligne e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) que davam provimento integral considerando a extensão da Solução de Consulta Disit/SRRF/8ª RF n.º 348/1997 ao caso; (iii) pelo voto de qualidade, em negar Fl. 1440DF CARF MF Processo nº 11065.722023/201525 Acórdão n.º 3402005.462 S3C4T2 Fl. 1.440 3 provimento ao Recurso quanto à exclusão dos juros de mora sobre a multa de ofício. Vencidos os Conselheiros Renato Vieira de Ávila, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) que davam provimento neste ponto. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora (assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Renato Vieira de Ávila (Suplente Convocado), Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado). O Conselheiro Diego Diniz Ribeiro declarouse impedido, sendo substituído pelo Conselheiro Suplente Renato Vieira de Ávila (Suplente Convocado). Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento em Recife que julgou improcedente a impugnação, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011, 01/02/2012 a 31/12/2012 PNEUMÁTICOS NOVOS, DE BORRACHA, PARA VANS, PARA PICKUP E PARA UTILITÁRIOS. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Pneumáticos novos, de borracha, para vans, para pickup e para utilitários se classificam no código 4011.99.90 da Nomenclatura Comum do Mercosul NCM. PNEUMÁTICOS NOVOS, DE BORRACHA, PARA SUV. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Pneumáticos novos, de borracha, para SUV (Sport Utility Vehicle), que detenha características de veículo de uso misto, classificamse no código 4011.10.00 da Nomenclatura Comum do Mercosul NCM. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011, 01/02/2012 a 31/12/2012 PRODUTO IMPORTADO. REVENDA NO TERRITÓRIO NACIONAL. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO. Na revenda no território nacional, incide o imposto sobre o produto importado, mesmo quando internamente não submetido a nova industrialização. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011, 01/02/2012 a 31/12/2012 PRODUTO IMPORTADO. RECLASSIFICAÇÃO APÓS O DESPACHO ADUANEIRO. POSSIBILIDADE. É possível a reclassificação fiscal de produto importado após a conclusão do despacho aduaneiro e a correspondente formalização dos tributos devidos no mercado interno. Fl. 1441DF CARF MF 4 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011, 01/02/2012 a 31/12/2012 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. CONSULTA SOBRE PRODUTO ESPECÍFICO. EFEITOS SOBRE PRODUTOS DISTINTOS. INEXISTÊNCIA. A consulta sobre classificação fiscal de determinado produto específico não tem efeitos em relação a produtos distintos. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Versa o processo sobre auto de infração lavrado para exigência de Imposto sobre Produtos Industrializados, multa de ofício e juros de mora, no valor total de R$44.505.322,13, decorrente de procedimento fiscal de apuração do IPI relativo aos anos calendário de 2011 e 2012 no qual foi efetuada a reclassificação fiscal de alguns produtos vendidos no período. Conforme consta no Relatório Fiscal, a reclassificação fiscal foi assim motivada pelo autuante: (...) Os itens analisados são pneumáticos novos de borracha para veículo automotor, dessa forma, a sua classificação deve ser realizada na posição 40.11. (...) (...) Como se viu, o texto da subposição é elemento essencial da classificação. No caso em tela, a subposição 4011.20 (cujo desdobramento 4011.20.90 foi utilizado pelo contribuinte na classificação dos pneus ora em análise) é exclusiva dos pneus destinados a ônibus e caminhões. A própria resposta do contribuinte, bem como informações referidas nas páginas da Internet da fiscalizada e de seus revendedores indicam serem destinados a vans, utilitários, pickups, SUV e veículos de passeio, portanto não se destinam a ônibus e caminhões. Ainda em sua página na Internet, o contribuinte relaciona os pneus destinados a ônibus e caminhões. Tal relação não inclui nenhum dos modelos indicados no Anexo I do Termo de Início de Fiscalização que corresponde ao Anexo I deste Relatório. (...) Concluise, portanto, que está equivocada a classificação adotada pelo contribuinte, já que as vans, pickups, utilitários e SUV não são ônibus nem caminhões. (...) 2.2.1 – Da classificação a ser adotada para pneus de Vans (...) Portanto, os pneus destinados a Vans (para transporte de passageiros) não podem ser classificados na subposição 4011.10, porque essa subposição, a teor do seu texto, se refere aos pneumáticos utilizados nos veículos classificados na posição 8703, enquanto as vans para transporte de passageiros são classificadas na posição 8702. Já as vans para transporte de carga (furgões), como já referido, classificamse no EX01 dos desdobramentos das subposições de 2º nível 8704.21. Portanto, os pneus destinados a esses veículos também não podem ser classificados na subposição 4011.10 (exclusiva de pneus dos veículos classificados na posição 8703). Por exclusão, os pneumáticos utilizados para vans para transporte de passageiros ou de carga (furgões) devem ser classificados no código 4011.99.90 – Outros. (...) 2.2.2 – Da classificação a ser adotada para pneus de Pickup e utilitários Como já referido, restariam o código 4011.10.00 e o código 4011.99.90 como possibilidade para classificação dos pneumáticos utilizados nas pickup e utilitários. As pickups e utilitários, repisamos, classificamse no EX01 dos desdobramentos da subposição 8704.21. Portanto, os pneus destinados a esses veículos também não podem ser classificados na subposição 4011.10, já que essa Fl. 1442DF CARF MF Processo nº 11065.722023/201525 Acórdão n.º 3402005.462 S3C4T2 Fl. 1.441 5 subposição, a teor de seu texto, é indicativa de pneus para automóveis de passageiros (posição 8703). Como já visto, não se trata de ônibus nem de caminhões. Por exclusão, os pneumáticos utilizados em pickups e utilitários devem ser classificados no código “4011.99.90 – Outros”. 2.2.3 – Da classificação a ser adotada para pneus de SUV (...) A NESH da posição 8703 da TIPI (Automóveis de passageiros e outros veículos automóveis principalmente concebidos para transporte de pessoas (exceto os da posição 87.02), incluídos os veículos de uso misto ("station wagons") e os automóveis de corrida) define que: Entendemse por veículos de uso misto (break ou station wagons), na acepção da presente posição, os veículos com nove lugares sentados no máximo (incluído o do motorista), cujo interior pode ser utilizado, sem modificação da estrutura, tanto para o transporte de pessoas como para o de mercadorias. Como se vê, para fins de Nomenclatura, os veículos SUV se enquadram no conceito de veículo misto e devem ser classificados na posição 8703. Assim, os pneumáticos destinados a esses veículos devem ser classificados no código 4011.10.00. (...) Inconformada a contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, alegando, em síntese efetuada no recurso voluntário, o que se segue: • nulidade do auto de infração, em razão da precariedade do procedimento de fiscalização (a Fiscalização considerou as marcas e os modelos dos veículos em vez de considerar as características técnicas dos pneus; a Fiscalização desconsiderou as regras de interpretação do Sistema Harmonizado, imprescindíveis para a classificação fiscal de mercadorias e desconsiderou as informações prestadas pela Recorrente ao longo do procedimento de investigação, sem ter apresentado sequer um fundamento para tanto); • o código NCM adotado pela Recorrente para classificar os pneus está correto, em conformidade com as regras de interpretação 3a e 4 do Sistema Harmonizado (similaridade com os pneus descritos no NCM 4011.20.90, pela maior durabilidade e resistência dos pneus) e de acordo com a classificação técnica validada pelo INMETRO; • a reclassificação fiscal proposta pela Fiscalização é ilegítima e deve ser afastada, pois contraria a classificação exigida e validada pelo INMETRO e também às regras internacionais de interpretação do Sistema Harmonizado; • indevida alteração do critério jurídico de lançamento, na medida em que para os produtos importados, a classificação fiscal adotada pela Recorrente foi confirmada quando do desembaraço e agora, nesse segundo momento, estão sendo contestadas; • a própria RFB confirmou a legitimidade do procedimento de classificação adotado pela Recorrente, tendo em vista a expedição da Solução de Consulta nº 348/1997 (8ª Região)vinculada à própria Recorrente; e, por fim • excesso na constituição do crédito tributário, a saber: (i) a indevida exigência de IPI na revenda de produtos importados; (ii) a ilegítima exigência de multa e juros; e, (iii) a incorreta aplicação de juros sobre multa. A Delegacia de Julgamento não acatou as alegações da impugnante, sob os seguintes fundamentos principais: Dentre os dois entendimentos, entendo acertado o adotado pela Fiscalização. É que, realmente, van, pickup, utilitário e SUV não são ônibus nem caminhões. Em relação à diferenciação entre vans para transporte de passageiros e ônibus, bem esclareceu a autoridade fiscal que “a TIPI não apresenta elementos que permitam identificar com precisão o que é um ônibus, cabe Fl. 1443DF CARF MF 6 utilizarse do sentido da palavra na língua portuguesa e na sua utilização merceológica. Assim, vans não são sinônimo de ônibus (...)”. A classificação prescrita pela COANA no ADE nº 023/2014 (8702.10.00 Ex02), referese a ‘Veículos automóveis para transporte de dez pessoas ou mais, incluindo o motorista Ex 02 Com volume interno de habitáculo, destinado a passageiros e motorista, igual ou superior a 9 m³. Portanto o fato de um veículo se enquadrar nessa classificação não significa que ele é um ônibus. De fato, nessa classificação se enquadram tanto as vans (quer sejam merceologicamente denominadas microônibus ou não) quanto os ônibus. No caso em tela, o próprio ADE identificou as vans como sendo microônibus (de teto alto ou teto baixo) e não como ônibus”. Quanto às vans destinadas ao transporte de cargas (furgões), pickup e utilitários, também comungo do entendimento da autoridade fiscal, que a requerente não consegue infirmar, de que “a diferenciação entre caminhões e furgões/pickup/utilitários é expressa na Nomenclatura. Todos desdobramentos da subposição 8704.21 (Veículos para transporte de carga, com carga máxima não superior a 5 toneladas) apresentam um EX01 para “Camionetas, furgões, pickups e semelhantes”. As NESH da posição 8704 discriminam dois tipos de veículos ali classificáveis: os caminhões e os chamados “veículos polivalentes” e dá, como exemplo destes veículos, justamente os furgões, as pickup e certos veículos utilitários esportivos – o que evidencia a diferenciação, para fins do SH, entre estes veículos polivalentes e os caminhões. Para fins de Nomenclatura do SH, os veículos SUV, que têm função mista (transporte de passageiros e maior capacidade de carga), devem ser considerados mistos. A conclusão acima não resta prejudicada nas hipóteses em que a SUV tenha características de “light truck” quando atendidas as condições da NESH da Posição 8703. Verificase na imagem abaixo, capturada no site da Pirelli, que o Pneu Scorpion ATR é usado em SUV. Resta claro que o Hummer é um veículo misto, pois tem uma maior capacidade de carga (daí porque requer a utilização de pneus mais resistentes), mas mantém relevante função de transporte de passageiros, o que resta evidenciado pelo claro conforto e sofisticação que o veículo apresenta. Os pneus objeto da fiscalização foram certificados na Categoria 3, o que vem apenas reforçar que não se tratam de pneumáticos usados por ônibus e caminhões, que devem ser certificados em Categoria distinta. Cientificada em 06/07/2016, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 05/08/2016, mediante o qual requereu a juntada de Laudo Técnico e repisou os argumentos da impugnação e acrescentou outros, sob os seguintes tópicos: IV. PRELIMINARMENTE: IV.1 – NULIDADE DA R. DECISÃO RECORRIDA – CONVALIDAÇÃO DA PRECARIEDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO IV.2 – NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA – INDEFERIMENTO IMOTIVADO DA PROVA PERICIAL V. DAS RAZÕES PARA REFORMA DA R. DECISÃO RECORRIDA V.1 – AS REGRAS GERAIS PARA A CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE PRODUTOS (INCLUSIVE PARA FINS DE INCIDÊNCIA DO IPI) V.2 – OS PNEUS OBJETO DA AUTUAÇÃO FISCAL – CARACTERÍSTICAS TÉCNICAS V.3 – A CLASSIFICAÇÃO FISCAL DOS PNEUS V.4 – NECESSIDADE DE CANCELAMENTO DA AUTUAÇÃO PELA IMPOSSIBILIDADE DE ALTERAÇÃO DO CRITÉRIO JURÍDICO DE LANÇAMENTO APÓS O DESPACHO ADUANEIRO DOS PNEUS IMPORTADOS V.5 – ILEGITIMIDADE DA COBRANÇA DE IPI NA SAÍDA DE PRODUTOS OBJETO DE IMPORTAÇÃO (JURISPRUDÊNCIA DO STJ) V.6 – ILEGITIMIDADE DA COBRANÇA DE JUROS E DE MULTA (ARTIGO 100 CTN) V.7 – ILEGITIMIDADE DA INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE MULTA Mediante a Resolução nº 3402001.253, de 2 de fevereiro de 2018, este Colegiado determinou a realização de diligência, nos seguintes termos: Fl. 1444DF CARF MF Processo nº 11065.722023/201525 Acórdão n.º 3402005.462 S3C4T2 Fl. 1.442 7 (...) Nessa toada, voto por converter o presente julgamento em diligência para que seja verificada a aplicabilidade da Solução de Consulta n.º 348/1997 aos pneus objeto do presente Auto de Infração, para que a autoridade fiscal de origem: (i) anexe aos presentes autos a cópia integral do processo relativo à referida Solução de Consulta; (ii) elaborar relatório fiscal trazendo as informações relevantes relativas à referida Solução de Consulta e a sua relação com o Auto de Infração lavrado. Neste relatório, importante que sejam primeiramente identificadas as informações correspondentes à Solução de Consulta, dentre as quais (ii.1) nome e CNPJ da empresa que formulou a Consulta; (ii.2) conclusão alcançada pela Consulta e as características e especificidades técnicas dos pneus envolvidos na consulta. Neste ponto, é importante que sejam identificadas as características dos pneus para os quais foi autorizada a utilização da NCM 4011.20.90; (ii.3) período de validade da Consulta. Caso a Consulta tenha perdido validade, informar até qual data a Solução de Consulta vigorou, informando a base normativa vigente à época. Em seguida, necessário que seja realizada a correlação da referida Solução de Consulta com os pneus objeto do Auto de Infração lavrado, informando (ii.4) se a pessoa jurídica que formulou a Consulta é a mesma pessoa jurídica autuada. Gentileza considerar eventuais alterações societárias ocorridas no período; (ii.5) se os pneus envolvidos no Auto de Infração possuem características e especificidades técnicas idênticas daqueles envolvidos na Solução de Consulta. Neste ponto, relacionar a especificidade técnica dos pneus autuados de acordo com as mesmas características utilizadas pela solução de consulta, informando se são do "tipo radial ou convencional" e qual a sua medição, informando se seriam de "7,00 16 (10 lonas), 7,50 16 (10 ou 12 lonas), 7,00 R16 (12 lonas) ou 7,50 R16 (10 ou 12 lonas)" de acordo com as informações que constam da ementa da solução de consulta. Caso os pneus não sejam idênticos, informar as diferenças identificadas que implicariam na não aplicação do resultado da Solução de Consulta aos pneus objeto do Auto de Infração; e (ii.6) se a Solução de Consulta estava vigente à época dos fatos geradores objeto da autuação (anos de 2011 e 2012) Antes do retorno do processo a este CARF, intimar a Recorrente para, se for de seu interesse, se manifestar no prazo de 30 (trinta) dias do resultado da diligência. (...) A fiscalização emitiu o Relatório de Diligência Fiscal, que consta nas fls. 1387/1404, e a recorrente apresentou posteriormente sua manifestação (fls. 1410/1434). É o relatório. Voto Vencido Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Relatora Atendidos os requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento do recurso voluntário. As inconsistências alegadas pela recorrente no critério adotado para a classificação fiscal dos produtos são pertinentes à análise de mérito do presente lançamento, o que será efetuado mais a frente. Também não incorreu em qualquer nulidade a decisão recorrida ao indeferir, motivadamente, o requerimento de produção de prova técnica pericial da então impugnante, Fl. 1445DF CARF MF 8 vez que tal providência era, na convicção do julgador a quo, desnecessária para o deslinde da controvérsia de classificação fiscal posta nos autos, mormente quando houve manifestação expressa por parte do julgador quanto à irrelevância para a solução da lide dos vários quesitos formulados pela requerente. Não há tampouco contradição na decisão recorrida quanto ao fato de, em algumas questões, indeferir o pedido de perícia e argumentar acerca da inércia da contribuinte em trazer provas para provar suas alegações, tendo em vista que diligências e perícias não existem com o propósito de suprir o ônus da prova colocado às partes, mas sim para elucidar questões pontuais mantidas controversas mesmo em face dos documentos trazidos pela impugnante ou recorrente. Conforme já decidido no Acórdão nº 3201002.316 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, de 24 de agosto de 2016, Relator: José Luiz Feistauer de Oliveira, "A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação dos créditos alegados". Como se sabe, incumbe à impugnante, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 e do art. 36 da Lei nº 9.784/99, comprovar a eventual existência de elemento modificativo ou extintivo da autuação, especialmente quando a impugnante traz alegação em sentido diverso daquele informado por ela no curso do procedimento fiscal. Assim, rejeitase as preliminares de nulidade suscitadas pela recorrente. Segundo as lições da própria interessada, nos parágrafos 130 e 131 do recurso voluntário, "De acordo com a Regra 1 de interpretação, o que determina a classificação de uma mercadoria é o texto das posições, das Notas de Seção e Capítulo. Os títulos das Seções, Capítulos e Subcapítulos têm apenas valor indicativo. O que se depreende dessa regra é que a classificação do produto já pode ser verificada quando o produto está suficientemente descrito no texto das “Posições”, “Notas de Seção” e “Capítulo”, não sendo necessário recorrer às regras 2, 3, 4, 5 e 6 de interpretação". A fiscalização entende que a classificação adequada para os pneumáticos dos tipos utilizados em Vans, Pickup e utilitários seria no código NCM 4011.99.90 e para aqueles utilizados em SUV's seria no código NCM 4011.10.00; enquanto a recorrente sustenta que, para todos os pneumáticos, a classificação darseia na NCM 4011.20.90. Assim, não há divergência entre o Fisco e recorrente quanto à correção da classificação dos pneumáticos na posição 4011. Vejamos os textos das posições e desdobramentos envolvidos na controvérsia: 40.11 Pneumáticos novos, de borracha 4011.10 Dos tipos utilizados em automóveis de passageiros (incluídos os veículos de uso misto (“station wagons”) e os automóveis de corrida) 4011.20 Dos tipos utilizados em ônibus ou caminhões 4011.30 Dos tipos utilizados em veículos aéreos 4011.40 Dos tipos utilizados em motocicletas 4011.50 Dos tipos utilizados em bicicletas 4011.6 Outros, com bandas de rodagem em forma de "espinha de peixe" e semelhantes 4011.9 Outros 4011.92 Dos tipos utilizados em veículos e máquinas agrícolas ou florestais 4011.93.00 Dos tipos utilizados em veículos e máquinas próprios para construções ou manutenção industrial, para aros de diâmetro inferior ou igual a 61cm Fl. 1446DF CARF MF Processo nº 11065.722023/201525 Acórdão n.º 3402005.462 S3C4T2 Fl. 1.443 9 4011.94 Dos tipos utilizados em veículos e máquinas próprios para construções ou manutenção industrial, para aros de diâmetro superior a 61cm 4011.99 Outros 4011.99.10 Com seção de largura superior ou igual a 1.143mm (45”), para aros de diâmetro superior ou igual a 1.143mm (45”) 4011.99.90 Outros Como se observa dos textos das subposições acima, o primeiro critério de classificação que deles decorre é o da destinação do produto (veículos nos quais será utilizado). Dessa forma, tratandose de pneumáticos novos de borracha, a primeira questão a ser levantada para a sua adequada classificação é se seriam utilizados em alguns dos veículos referidos nas subposições 4011.10 a 4011.50 e, em caso negativo, passarseia a analisar os textos das subposições residuais (sem destinação especificada nas subposições precedentes) 4011.6 e 4011.9 e seus desdobramentos. Com efeito, ao contrário do sustentado pela recorrente, o critério adotado pela fiscalização de verificar primeiramente a verdadeira destinação dos pneus (utilização nos veículos especificados) para a sua adequada classificação fiscal está em plena conformidade com as regras de classificação fiscal. Nessa esteira, é verdade que a controvérsia pode, conforme o caso, se deslocar para questões atinentes ao conceito desses veículos, para os quais se destinam os pneumáticos sob classificação. Não tem qualquer cabimento a alegação da recorrente no sentido de que a palavra "tipos" nos textos das subposições teria o condão de incluir os pneumáticos "similares" aos pneumáticos destinados a ônibus e de caminhões na subposição 4011.20 Dos tipos utilizados em ônibus ou caminhões. A palavra "tipos" no texto dessa subposição e das demais referese diretamente a "pneumáticos novos, de borracha" (texto da posição 4011), de forma a expressar que na referida subposição estão incluídos todos os modelos/variedade/categoria/ qualidade de pneumáticos destinados aos veículos especificados. A abrangência do termo "tipos" existe em relação aos pneumáticos, mas não em relação aos veículos, os quais estão determinados com precisão no texto da subposição 4011 como "ônibus ou caminhões". Entende a recorrente que não haveria um código NCM claro na Tabela TIPI para a classificação para o enquadramento dos pneus destinados à utilização por utilitários, vans/microônibus, SUVs e pickups, razão pela qual, considerando as Regras de Interpretação 3a e 4, adotou o código com posição mais específica e/ou o código que indica produto com características técnicas mais semelhantes, qual seja, o NCM 4011.20.90. Menciona como fundamentos para essa interpretação, os seguintes pontos: i) a natureza e especificações técnicas dos pneus objetos da autuação; (ii) o entendimento do INMETRO de que os pneus fiscalizados não podem ser classificados como destinados para utilização por veículos de passageiros; (iii) maior resistência e durabilidade dos pneus que os aproximam dos tipos de pneus destinados à utilização por ônibus e caminhões; e (iv) a prevalência de código mais específico. A Regra Geral para interpretação do Sistema Harmonizado nº 1, dispõe que: "1. Os títulos das Seções, Capítulos e Subcapítulos têm apenas valor indicativo. Para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, pelas Regras seguintes". Fl. 1447DF CARF MF 10 Como se vê, somente após a aplicação da Regra Geral nº 1, é possível se passar para as Regras Gerais subsequentes, as quais não podem contradizer aquilo que já foi estabelecido pela aplicação da Regra Geral nº 1. Da mesma forma devese proceder em relação ao enquadramento nas subposições de uma mesma posição e nos itens e subitens, conforme determinam a Regra Geral nº 6 e a Regra Geral Complementar nº 1, abaixo transcritas: 6. A classificação de mercadorias nas subposições de uma mesma posição é determinada, para efeitos legais, pelos textos dessas subposições e das Notas de Subposição respectivas, assim como, mutatis mutandis, pelas Regras precedentes, entendendose que apenas são comparáveis subposições do mesmo nível. Para os fins da presente Regra, as Notas de Seção e de Capítulo são também aplicáveis, salvo disposições em contrário. 1. (RGC1)As Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado se aplicarão, "mutatis mutandis", para determinar dentro de cada posição ou subposição, o item aplicável e, dentro deste último, o subitem correspondente, entendendose que apenas são comparáveis desdobramentos regionais (itens e subitens) do mesmo nível. Embora não haja qualquer referência expressa aos pneus utilizados por vans, pickup, utilitários e SUV nos textos das posições e subposições, se tais veículos se enquadrarem, segundo as regras de classificação fiscal, naqueles especificados nesses textos, não poderíamos dizer, como faz a recorrente, que não há um código NCM claro para os pneus a eles destinados. Nessa esteira, incumbe aqui analisar, pela aplicação da Regra Geral nº 1, em conformidade com o determinado na Regra Geral nº 6 e a Regra Geral Complementar nº 1, dentro da posição 4011, qual seria a subposição mais adequada para os produtos: NCM 4011.20.90 (recorrente) ou NCM 4011.99.90 para pneus destinados a Vans, Pickup e utilitários e NCM 4011.10.00 para aqueles destinados a SUV's (fiscalização): 4011.10 Dos tipos utilizados em automóveis de passageiros (incluídos os veículos de uso misto (“station wagons”) e os automóveis de corrida) 4011.20 Dos tipos utilizados em ônibus ou caminhões 4011.99.90 Outros Embora certamente existam padrões de classificação técnica estabelecidos pelo INMETRO e/ou por órgãos internacionais para os pneumáticos, para a classificação fiscal no Sistema Harmonizado, o que primeiro importa é observar a descrição das subposições da posição 4011. Assim, se a fiscalização apura ou a contribuinte informa que os produtos por ela vendidos não se destinariam à utilização em ônibus ou caminhões, não obstante os pneus tenham durabilidade e resistência para suportálos, não seria o caso de classificálos como pneumáticos novos dos tipos utilizados em ônibus ou caminhões (4011.20). Com efeito, a fiscalização informou no Relatório Fiscal que: "(...) A própria resposta do contribuinte, bem como informações referidas nas páginas da Internet da fiscalizada e de seus revendedores indicam serem destinados a vans, utilitários, pickups, SUV e veículos de passeio, portanto não se destinam a ônibus e caminhões. Ainda em sua página na Internet, o contribuinte relaciona os pneus destinados a ônibus e caminhões. Tal relação não inclui nenhum dos modelos indicados no Anexo I do Termo de Início de Fiscalização que corresponde ao Anexo I deste Relatório". Na sequência a fiscalização bem esclareceu a diferença entre os veículos para os quais se destinavam os pneumáticos comercializados pela contribuinte e os ônibus e caminhões referidos na subposição 4011.20, como se vê abaixo: (...) Fl. 1448DF CARF MF Processo nº 11065.722023/201525 Acórdão n.º 3402005.462 S3C4T2 Fl. 1.444 11 Considerando que a TIPI não apresenta elementos que permitam identificar com precisão o que é um ônibus (a posição 8702, suas subposições e respectivos Ex, que abrangem todos os automóveis para dez ou mais pessoas, limitamse a segmentar os veículos em função do volume da cabine, sem atribuir uma terminologia a cada um deles), cabe utilizarse do sentido da palavra na língua portuguesa e na sua utilização merceológica. Assim, vans não são sinônimo de ônibus, portanto pneus para vans não podem ser classificados na TIPI como pneus para ônibus. Adicionalmente, apenas a título de informação complementar (já que legislações subsidiárias não têm a prerrogativa de, por si só, estabelecer critérios para a classificação fiscal de mercadorias que advém de uma convenção internacional, o Sistema Harmonizado), o Código de Trânsito Brasileiro, em seu Anexo I, classifica ônibus como o veículo de transporte de pessoas com capacidade para mais de vinte passageiros, ainda que, em virtude de adaptações com vista à maior comodidade destes, transporte número menor. Já a diferenciação entre caminhões e furgões/pickup/utilitários é expressa na Nomenclatura. Todos desdobramentos da subposição 8704.21 (Veículos para transporte de carga, com carga máxima não superior a 5 toneladas) apresentam um EX01 para “Camionetas, furgões, pickups e semelhantes” indicando expressamente que tais veículos não se enquadram no conceito de caminhões. (...) A conclusão acima da fiscalização, de que os pneumáticos não se destinariam efetivamente a ônibus e caminhões não pode ser afastada pela recorrente, que não apresentou elementos capazes de infirmar sua própria declaração anterior. Nesse ponto, bem esclareceu o julgador a quo sobre os pneumáticos declarados pela contribuinte com destinação às SUV's: (...) 178. Ora, se a então fiscalizada se equivocou nas informações prestadas à autoridade fiscal, as quais serviram de base para a autuação, nada mais razoável é que se exija que a impugnante comprove, claramente, o equívoco – o que não se deu ao trabalho de fazer, o que é razão suficiente para manter inalterados os veículos classificados como SUV. 179. De todo modo, este relator se deu ao trabalho de pesquisar o veículo Hummer, tendo constatado, em pesquisa site da wikipedia, “O Hummer foi um veículo da AM General e sua marca, assim como o direito de marketing, pertencente à GM. Ele foi desenvolvido a partir do HMMWV, originalmente um veículo de guerra que acabou caindo no gosto dos consumidores americanos e virou sucesso de vendas entre as SUVs11” (g.n.). Nesta mesma página do wikipedia, que faz referência expressa aos modelos Hummer H1 Alpha, H2 Wagon, H2 Sut e H3, consta que “Todos os Hummers com exceção do H2 Sut, são SUVs”. 180. Ora, verificase na imagem abaixo, capturada no site da Pirelli12, que o Pneu Scorpion ATR é usado em SUV; logo, podese descartar seu emprego no Hummer H2 Sut: (...) 182. Portanto, resta claro que o Hummer, realmente, é um veículo misto, pois tem uma maior capacidade de carga (daí porque requer a utilização de pneus mais resistentes), mas mantém relevante função de transporte de passageiros, o que resta evidenciado pelo claro conforto e sofisticação que o veículo apresenta. 183. Desnecessário continuar analisando os demais veículos classificados como SUV, dada a inércia da contribuinte em trazer provas capazes de infirmar a informação que prestou, no curso do procedimento fiscal, de que os veículos aqui comentados seriam SUV. (...) Fl. 1449DF CARF MF 12 Assim, têmse, nesta fase do raciocínio, por inicialmente afastada a subposição pretendida pela recorrente (4011.20), o que somente poderia ser revertido acaso não houvesse uma outra subposição mais adequada pela aplicação da regra geral 1, situação que poderia levar, como pretende a recorrente, à aplicação das regras gerais de interpretação subsequentes, em especial, as regras gerais 3.a) e 4 requeridas no recurso voluntário.1 No entanto, neste caso específico, pelo que se observa, já de início, nas subposições da posição 4011, é que, como existe a subposição residual "4011.9 Outros", na hipótese de não haver outras subposições mais adequadas, a classificação darseia nesta subposição residual pela aplicação da regra geral de interpretação 1, mas não por semelhança (aplicação das regras gerais 3.a e 4) na subposição "4011.20 Dos tipos utilizados em ônibus ou caminhões", como pretendia a recorrente. Não procede a alegação da recorrente no sentido de que seria "necessário considerar a Regra Interpretativa “3.a.” (critério da maior especificidade), porque a posição do NCM 4011.2090 (tipos de pneus usados por ônibus e caminhões) é posição mais específica em relação à posição do NCM 4011.99.90 (“outros”), claramente mais genérica, pois sequer indica qualquer característica dos pneus". Isso porque a subposição residual engloba os produtos que não podem ser classificados nas outras subposições precedentes pela aplicação da regra geral de interpretação 1, não sendo esta considerada mais genérica do que as demais. Somente se não houvesse subposição residual a classificação poderia ser regida pelas demais regras, por semelhança, como deseja a recorrente. No caso, Vans, Pickup e utilitários foram classificados pela fiscalização no código residual NCM 4011.99.90. 1 REGRAS GERAIS PARA INTERPRETAÇÃO DO SISTEMA HARMONIZADO A classificação das mercadorias na Nomenclatura regese pelas seguintes regras: 1.Os títulos das Seções, Capítulos e Subcapítulos têm apenas valor indicativo. Para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, pelas Regras seguintes: 2.a)Qualquer referência a um artigo em determinada posição abrange esse artigo mesmo incompleto ou inacabado, desde que apresente, no estado em que se encontra, as características essenciais do artigo completo ou acabado. Abrange igualmente o artigo completo ou acabado, ou como tal considerado nos termos das disposições precedentes, mesmo que se apresente desmontado ou por montar. b)Qualquer referência a uma matéria em determinada posição diz respeito a essa matéria, quer em estado puro, quer misturada ou associada a outras matérias. Da mesma forma, qualquer referência a obras de uma matéria determinada abrange as obras constituídas inteira ou parcialmente por essa matéria. A classificação destes produtos misturados ou artigos compostos efetuase conforme os princípios enunciados na Regra 3. 3.Quando pareça que a mercadoria pode classificarse em duas ou mais posições por aplicação da Regra 2 b) ou por qualquer outra razão, a classificação deve efetuarse da forma seguinte: a)A posição mais específica prevalece sobre as mais genéricas. Todavia, quando duas ou mais posições se refiram, cada uma delas, a apenas uma parte das matérias constitutivas de um produto misturado ou de um artigo composto, ou a apenas um dos componentes de sortidos acondicionados para venda a retalho, tais posições devem considerarse, em relação a esses produtos ou artigos, como igualmente específicas, ainda que uma delas apresente uma descrição mais precisa ou completa da mercadoria. b)Os produtos misturados, as obras compostas de matérias diferentes ou constituídas pela reunião de artigos diferentes e as mercadorias apresentadas em sortidos acondicionados para venda a retalho, cuja classificação não se possa efetuar pela aplicação da Regra 3 a), classificamse pela matéria ou artigo que lhes confira a característica essencial, quando for possível realizar esta determinação. c)Nos casos em que as Regras 3 a) e 3 b) não permitam efetuar a classificação, a mercadoria classificase na posição situada em último lugar na ordem numérica, dentre as suscetíveis de validamente se tomarem em consideração. 4. As mercadorias que não possam ser classificadas por aplicação das Regras acima enunciadas classificamse na posição correspondente aos artigos mais semelhantes. (...) Fl. 1450DF CARF MF Processo nº 11065.722023/201525 Acórdão n.º 3402005.462 S3C4T2 Fl. 1.445 13 Pela aplicação da regra geral de interpretação 1, o autuante descartou também as subposições 4011.30, 4011.40, 4011.50 e 4011.6 para todos os pneumáticos, por não se tratar de pneus utilizados em veículos aéreos, motocicletas ou bicicletas, nem se tratar de pneus com bandas de rodagem em forma de espinha de peixe; bem como as subposições 4011.92, 4011.93 e 4011.94 e o código 4011.99.10, por não se tratar de pneus para uso agrícola, uso em manutenção industrial ou com seção de largura superior a 45 polegadas. Dessa forma, restariam ainda os códigos NCM 4011.10.00 e 4011.99.90 como passíveis de classificação para os pneumáticos. No caso dos pneus destinados a Vans, concluiu o autuante que elas não poderiam ser classificadas no código NCM 4011.10.00, mas no código NCM 4011.99.90, nos seguintes termos: (...) As vans são veículos usados para transporte de passageiros ou de carga, hipótese em que são conhecidos como furgões. As vans para passageiros disponíveis no mercado nacional possuem – em sua quase totalidade – a capacidade de nove a dezenove passageiros mais o motorista, ou seja, dez a vinte ocupantes, sendo em alguns casos referidas como microônibus, mas jamais sendo consideradas como ônibus. Como já referido, os veículos com capacidade para dez ou mais pessoas são classificados na posição 8702 da TIPI (Veículos automóveis para transporte de 10 pessoas ou mais, incluindo o motorista), enquanto os veículos para transporte de até nove pessoas são classificados na posição 8703 (Automóveis de passageiros e outros veículos automóveis principalmente concebidos para transporte de pessoas (exceto os da posição 87.02), incluídos os veículos de uso misto ("station wagons") e os automóveis de corrida). Portanto, os pneus destinados a Vans (para transporte de passageiros) não podem ser classificados na subposição 4011.10, porque essa subposição, a teor do seu texto, se refere aos pneumáticos utilizados nos veículos classificados na posição 8703, enquanto as vans para transporte de passageiros são classificadas na posição 8702. Já as vans para transporte de carga (furgões), como já referido, classificamse no EX01 dos desdobramentos das subposições de 2º nível 8704.21. Portanto, os pneus destinados a esses veículos também não podem ser classificados na subposição 4011.10 (exclusiva de pneus dos veículos classificados na posição 8703). Por exclusão, os pneumáticos utilizados para vans para transporte de passageiros ou de carga (furgões) devem ser classificados no código 4011.99.90 – Outros. (...) Argumenta a recorrente que a premissa da fiscalização nesta parte confirmaria a correção da NCM por ela adotada, vez que, a seu ver, as Vans de passageiros seriam enquadradas na mesma posição que os ônibus (NCM 8702) e as Vans de carga na mesma posição que os caminhões (NCM 8704). No entanto, como se depreende da leitura acima de trecho do Relatório Fiscal, o entendimento da fiscalização é de que as Vans de passageiros, embora se classifiquem na posição 8702, não se confundem com os ônibus, em função do número de passageiros que transportam. Deve ser observado que, na subposição 4011.20, enquadramse os pneumáticos utilizados em ônibus, mas não aqueles utilizados em todos os veículos da posição 8702. Da mesma forma, embora Vans de carga enquadremse na mesma posição dos caminhões (8704), na subposição 4011.20 incluemse apenas os pneumáticos utilizados em caminhões, mas não Fl. 1451DF CARF MF 14 aqueles utilizados em todos os veículos da posição 8704. A diferenciação entre esses veículos os ônibus e caminhões referidos na subposição 4011.20 foi delimitada no Relatório Fiscal, cujo trecho foi transcrito acima neste Voto. Assim, rechaçase os argumentos da recorrente2 acerca do Ato Declaratório Executivo (ADE) nº 23/2014 da COANA com os próprios fundamentos da fiscalização, abaixo transcritos: A classificação prescrita pela COANA no ADE nº 023/2014 (8702.10.00 Ex 02), referese a ‘Veículos automóveis para transporte de dez pessoas ou mais, incluindo o motorista Ex 02 Com volume interno de habitáculo, destinado a passageiros e motorista, igual ou superior a 9m3’. Portanto o fato de um veículo se enquadrar nessa classificação não significa que ele é um ônibus. De fato, nessa classificação se enquadram tanto as vans (quer sejam merceologicamente denominadas microônibus ou não) quanto os ônibus. No caso em tela, o próprio ADE identificou as vans como sendo microônibus (de teto alto ou teto baixo) e não como ônibus. Com relação aos veículos Pickup e utilitários, concluiu a fiscalização que eles classificamse no Ex Tarifário 01 dos desdobramentos da subposição 8704.21, de forma que os pneumáticos a eles destinados também não poderiam ser enquadrados na subposição 4011.10, já que essa subposição, a teor de seu texto, é indicativa de pneus para automóveis de passageiros da posição 8703, restando assim tais pneumáticos classificados no código “4011.99.90 – Outros”. Contesta a recorrente a reclassificação dos pneus LT265/75R16 123S S ATRwl, que seria destinado ao veículo F350, eis que tal veículo seria um verdadeiro caminhão. No entanto, foi a própria contribuinte que informou no procedimento fiscal que tal veículo seria uma Pickup, conforme se vê nos trechos abaixo da Tabela 2 (fl. 472): Como já esclarecido pela decisão recorrida, caberia a recorrente demonstrar o equívoco em sua declaração anterior à autoridade fiscal em relação ao veículo F350, sendo que o mesmo se verifica em relação ao veículo F250: (...) 197. A contribuinte menciona, na Impugnação, que o veículo F350 seria um caminhão. Entrementes, foi o próprio sujeito passivo que, na tabela de fls. 471/472 já referenciada no item 177 acima, qualificou o veículo como pickup. Então, caber lheia provar o equívoco na informação que prestou à autoridade fiscal. Como nenhuma prova a respeito trouxe, devese ser mantido o entendimento de que o 2 (...) 278. Assim, o ADE nº 23/2014 da COANA afirma que a classificação correta para o veículo Sprinter é a NCM 8702.1000, exatamente a mesma classificação do ônibus, corroborando tudo o que vem sendo dito. (...) 280. Ora, se microônibus é uma espécie de ônibus (que carrega uma quantidade menor de pessoas) e as vans são consideradas microônibus, inclusive na visão da I. Fiscalização e da D. DRJ, parece lógico concluir que as vans são espécies do gênero ônibus. (...) Fl. 1452DF CARF MF Processo nº 11065.722023/201525 Acórdão n.º 3402005.462 S3C4T2 Fl. 1.446 15 automóvel é uma Pickup, acrescentandose que o pneu LT265/75R16 123S S ATRwl, usado neste veículo, está certificado pelo INMETRO, consoante a própria interessada afirma, na Categoria 3 – e não na Categoria 4, específica para caminhões – o que reforça, por não ter sido apresentada prova em sentido diverso, que o veículo F350 não é um caminhão, mas uma pickup. 198. O mesmo ocorre em relação ao veículo F250, nos quais são usados os pneus LT235/85R16 108Q SMUD wl e LT265/70R17 121S SATR wl, que foi classificado na planilha de fls. 471/472 como pickup. Aditese, apenas, que o argumento da recorrente de que tais “veículos em nada se aproximam de veículos de passeio e sim de veículos de transporte de carga ou camionetas” (item 239, da Impugnação) em nada socorre a contribuinte, pois pneus para camionetas também são classificados no NCM 4011.99.90, já que camionetas, também alcançadas pelos Ex 01 dos desdobramentos da suposição 8704.21, não são nem ônibus nem caminhões (nesta linha, vide SCI reproduzida no item 189). (...) Quanto aos pneus utilizados em SUV (Sport Utility Vehicle), entendeu a fiscalização que estes se tratam de "veículos de uso misto", eis que se destinam ao transporte de passageiros, mas apresentam uma capacidade de carga superior aos demais automóveis, enquadrando os pneus a eles destinados na subposição 4011.10 [Pneumáticos novos, de borracha] "Dos tipos utilizados em automóveis de passageiros (incluídos os veículos de uso misto (“station wagons”) e os automóveis de corrida)". Para determinar o conteúdo e o alcance da expressão "veículos de uso misto", a fiscalização utilizouse dos textos e notas explicativas relativos ao enquadramento dos próprios veículos3. Quanto ao entendimento da DIANA da 9ª Região Fiscal veiculado na Solução de Consulta nº 22/20134, o pneumático objeto de consulta era também usado em camionetas, o que justificaria a sua classificação no NCM 4011.99.90. Com relação ao pneumático 175/65R14C 90, entendeu a fiscalização que, ao contrário do informado pela contribuinte (vide tabela mais abaixo), ele seria destinado aos veículos de passeio Celta, Corsa e Prisma, sendo reclassificados para a NCM 4011.10.00: 3 8702Veículos automóveis para transporte de 10 pessoas ou mais, incluindo o motorista 8703 Automóveis de passageiros e outros veículos automóveis principalmente concebidos para transporte de pessoas (exceto os da posição 87.02), incluídos os veículos de uso misto ("station wagons") e os automóveis de corrida). Nota Explicativa (NESH) da posição 8703: Entendemse por veículos de uso misto (break ou station wagons), na acepção da presente posição, os veículos com nove lugares sentados no máximo (incluído o do motorista), cujo interior pode ser utilizado, sem modificação da estrutura, tanto para o transporte de pessoas como para o de mercadorias. 4 ASSUNTO: Classificação de Mercadorias EMENTA: Código TEC 4011.99.90 Mercadoria: Pneumático novo de borracha, codificação 7.5016, construção diagonal, com largura de seção 216mm e aro 16", índice de carga 122/118 e símbolo de velocidade M que não apresenta banda de rodagem em forma de "espinha de peixe" ou semelhante, indicado pelo fabricante e normas técnicas como pneumático próprio para "camionetas" e não enquadrado pelo fabricante e referidas normas na categoria de pneumáticos para "ônibus ou caminhões". Código TEC 4011.99.90 Mercadoria: Pneumático novo de borracha, codificação 7.50R16, construção radial, largura de seção 198mm e aro 16", índice de carga de 121/120 e símbolo de velocidade M, que não apresenta banda de rodagem em forma de "espinha de peixe" ou semelhante, indicado pelo fabricante como pneumático próprio para veículos de tração 4x4, SUV (Sport Utility Vehicles) e camionetas, enquadrado pelas normas técnicas na categoria de pneumáticos para "camionetas" (que inclui também microônibus e utilitários) e não enquadrado na categoria de pneumáticos para "ônibus ou caminhões". (Solução de consulta n°22 — Diana 9, de 15 de abril de 2013) Fl. 1453DF CARF MF 16 Anexo ao auto de infração: Informação da contribuinte: Em face da impugnação da contribuinte nesta parte, assim decidiu a Delegacia de Julgamento: (...) III.5. Da Classificação Fiscal do pneu 175/65R14C 90: 205. No Relatório da Ação Fiscal, expõe a autoridade autuante que “A configuração 175/65R14C 90T CHRONO, indicada como sendo utilizada em pickups (ex. Hoggar), é na verdade predominantemente utilizada em veículos de passeio como o Celta, o Corsa e o Prisma”. 206. Compulsando os autos, não localizei a anexação, pela Fiscalização, de documentos comprobatórios da conclusão acima. Por outro lado, a informação constante do site da Pirelli, na internet, confirma o uso dos pneus no veículo Hoggar, consoante se vê na imagem ali capturada e abaixo vazada: (...) 207. Por outro lado, em pesquisas feitas no sítio da Pirelli anexadas às fls. 1.162/1.170, não encontrei qualquer informação que vincule o comentado pneu aos veículos Celta, Corsa ou Prisma. 208. Ademais, de acordo com o que consta à fl. 1.105, o enfocado pneu está certificado na Categoria 3 (Família 3A2B1C2), atinente aos pneus novos destinados a veículos comerciais leves e rebocados – e não na Categoria 2, que, a princípio pelo menos e salvo comprovação em contrário, deveriam estar enquadrados os pneus novos destinados a automóveis de passageiros, inclusive de uso misto e rebocados. 209. Ora, a informação prestada em relação ao pneu examinado pela contribuinte durante o procedimento fiscal está de acordo com as informações de seu site na internet e é coerente com a certificação do pneu pelo I.Q.A, não tendo sido anexada pela Fiscalização qualquer prova em sentido contrário. 210. Diante do que consta acima, concluo que o pneu 175/65R14C 90T é usado por pickup – e não por veículos de passeio, como considerou a Fiscalização. 211. Mas não importa se o pneu é usado por veículos de passeio (classificáveis no NCM 4011.10.00, para o qual é prevista a alíquota de 15%) ou por pickup (enquadráveis, segundo a autuação e defendido neste Voto, no NCM 4011.99.90, para o qual também há previsão da alíquota de 15%): a classificação fiscal da contribuinte no NCM 4011.20.90 está, em qualquer caso, equivocada e, em quaisquer das duas situações, a infração é a mesma (“Saída De Produtos sem Lançamento do IPI inobservância de classificação fiscal e/ou alíquota do IPI”) e a apuração do tributo devido a ser exigido não é alterada, já que idênticas as alíquotas para ambos os NCM 4011.10.00 e 4011.99.90. 212. Por outro lado, a discussão sobre a correta classificação dos pneus para pickup já é objeto deste processo em relação a outros tipos de pneus e pode, muito bem e sem qualquer prejuízo para a defesa do sujeito passivo, ser aproveitada em relação ao pneu 175/65R14C 90T. (...) Fl. 1454DF CARF MF Processo nº 11065.722023/201525 Acórdão n.º 3402005.462 S3C4T2 Fl. 1.447 17 Como se observa acima, a DRJ deu razão à impugnante relativamente à destinação dos pneumáticos 175/65R14C 90, mas ainda assim manteve a autuação, o que não tem qualquer cabimento. Para a exigência dos tributos e multa de ofício relativamente a tais pneumáticos em face de nova reclassificação fiscal seria necessário novo lançamento. Em conformidade com o art. 50 da Lei nº 9.784/99 e com o art. 10, III do Decreto nº 70.235/72, um ato administrativo (lançamento) não pode subsistir na parte em foi considerado improcedente o seu motivo determinante pelo julgador de primeira instância. Conforme bem esclarece Meirelles5, a teoria dos motivos determinantes fundase na consideração de que os atos administrativos, quando tiverem sua prática motivada, ficam vinculados aos motivos expostos para todos os efeitos jurídicos. Tais motivos é que determinam e justificam a realização do ato, e, por isso mesmo, deve haver perfeita correspondência entre eles e a realidade. Dessa forma, no caso concreto, não pode remanescer a exigência fiscal relativamente aos pneumáticos 175/65R14C 90, pois há desconformidade entre a realidade ("reclassificação" fiscal pela DRJ para a NCM 4011.99.90) e os motivos determinantes do auto de infração nesta parte (reclassificação fiscal para a NCM 4011.10.00). Alega a recorrente que teria havido alteração de critério jurídico no lançamento, vez que parte dos pneus objeto de Fiscalização é importada e teria se sujeitado a procedimentos de desembaraço aduaneiro, com regular liberação das mercadorias com a classificação no código NCM 4011.20.90. No entanto, consta nas fls. 1130/1158, cópias de Relatórios Fiscais relativamente a procedimentos fiscais de revisão aduaneira em face da contribuinte das declarações de importação registradas nos períodos de 01/04/2009 a 28/02/2011 e de 01/02/2011 a 31/03/2011, no quais se apurou os mesmos fatos que ensejaram a reclassificação fiscal do presente processo, como se vê em trecho de um Relatório Fiscal abaixo: (...) 5.1 — Da Classificação Fiscal das Mercadorias O importador declarou em diversas Declarações de Importação (DI) que os modelos de pneus relacionados na tabela 01 seriam destinados para uso em caminhões e ônibus, com enquadramento na NCM 4011.20.90, com aliquota do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) de 2%. Na informação apresentada na resposta ao Termo de Início de Fiscalização, com data de 12/04/2011, o próprio importador informa que estes pneus se destinam para uso em automóveis, utilitários, vans, SUV e picapes (pickup). A classificação na NCM dos pneus para estes veículos é 4011.10.00, diversa daquela informada nas importações sob análise, com aliquota do /P1 de 15%. (...) Há que se esclarecer à recorrente que o desembaraço aduaneiro não significa homologação expressa do lançamento, eis que o instituto da Revisão Aduaneira, realizado após o desembaraço de importação, é procedimento fiscal legalmente previsto no art. 54 do Decreto lei n° 37/66, com a redação dada pelo Decretolei n° 2.472/88, compatível com as disposições sobre o lançamento do CTN, em especial, o seu art. 146, conforme análise efetuada por esta Relatora no voto condutor do Acórdão nº 3402003.049 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, de 28 de abril de 2016, conforme trechos abaixo: 5 MEIRELLES, Hely Lopes. Direito Administrativo Brasileiro. São Paulo: Malheiros, p. 197. Fl. 1455DF CARF MF 18 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 04/09/2008, 02/09/2009, 13/11/2009, 02/09/2010, 30/03/2011, 06/12/2011 Ementa: REVISÃO ADUANEIRA. REVISÃO DE OFÍCIO. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. NÃO CONFIGURADA. Não tendo sido efetuado nenhum lançamento de ofício no curso da conferência aduaneira, o lançamento efetuado em sede de revisão aduaneira não caracteriza revisão de ofício, nem tampouco se cogita de alteração de critério jurídico a que se refere o art. 146 do CTN. A revisão aduaneira é um procedimento fiscal, realizado dentro do prazo decadencial de tributos sujeitos ao "lançamento por homologação", e, portanto, compatível com este instituto, mediante o qual se verifica, entre outros aspectos, a regularidade da atividade prévia do importador na declaração de importação em relação à apuração e ao recolhimento dos tributos. (...) VOTO (...) A revisão aduaneira é, portanto, um procedimento de fiscalização que ocorre dentro do prazo decadencial dos tributos sobre o comércio exterior, como qualquer outro procedimento fiscal na área de tributos internos. A diferença é que, para os tributos sobre o comércio exterior, há um nome específico para esse procedimento, o qual, digamos, não foi muito feliz. Nesse ponto, devese esclarecer que os conceitos de "revisão aduaneira" e de "revisão de ofício do lançamento" não se confundem. Não se pode afirmar, tampouco, que do procedimento fiscal de revisão aduaneira sempre resulta a revisão de ofício do lançamento. Um primeiro ponto a se considerar é que, para que haja revisão de ofício de lançamento, deve ter havido necessariamente um lançamento de ofício anterior. Como bem esclarece Moussallem, o art. 145 do CTN referese à possibilidade de alteração somente do lançamento de ofício, pois é neste em que há a notificação do sujeito passivo, não havendo sentido na sua aplicação na atividade realizada pelo próprio contribuinte nos termos do art. 150 do CTN (lançamento por homologação), que, ademais, não pode ser considerada lançamento na adequada acepção do termo. Também para que haja a alteração de critérios jurídicos adotados no lançamento, vedada pelo art. 146 do CTN, deve ter havido um lançamento de ofício anterior. Não se cogita, obviamente, a impossibilidade de o Fisco mudar os critérios jurídicos adotados pelo contribuinte na atividade prévia do sujeito passivo do lançamento por homologação. (...) No caso dos tributos incidentes sobre a importação, o ato de homologação expressa da atividade prévia do importador somente poderá ocorrer ao final do procedimento fiscal de revisão aduaneira, que traz o exame definitivo acerca da regularidade da atividade prévia do importador. Embora pudesse parecer o contrário à primeira vista, o ato de homologação expressa da atividade prévia do importador não pode ser efetuado na conferência aduaneira, com o desembaraço da mercadoria. (...) Ora, se há previsão na legislação de dois procedimentos fiscais subsequentes cronologicamente para a verificação da regularidade dos pagamentos efetuados pelo importador [conferência e revisão aduaneira], temos que, logicamente, o ato definitivo de homologação expressa da atividade do importador não pode ser decorrente do primeiro procedimento fiscal (conferência aduaneira), mas somente do último (revisão aduaneira). A conferência aduaneira, quando houver, tratase de verificação preliminar, eis que o Fisco sempre terá, por determinação legal (art. 54 do Decretolei n° Fl. 1456DF CARF MF Processo nº 11065.722023/201525 Acórdão n.º 3402005.462 S3C4T2 Fl. 1.448 19 37/66), a prerrogativa de reexaminar a atividade do contribuinte em sede de revisão aduaneira. (...) Ademais, no presente caso, que trata de outro fato gerador do IPI, diverso do desembaraço aduaneiro de importação, caracterizado pela saída dos pneumáticos do estabelecimento da recorrente, está sendo mantido o entendimento da fiscalização efetuado no procedimento fiscal de revisão aduaneira das importações. Assim, não há que se falar em alteração de critério jurídico no lançamento. Sustenta também a recorrente a ilegitimidade da incidência do IPI sobre a saída de seu estabelecimento de produtos importados que não sofreram qualquer tipo de industrialização. No entanto, conforme já decidido no EREsp 1403532/SC EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM RECURSO ESPECIAL, transitado em julgado em 04/11/2016, restou fixada a seguinte tese para efeito do art. 543C do CPC/73: "os produtos importados estão sujeitos a uma nova incidência do IPI quando de sua saída do estabelecimento importador na operação de revenda, mesmo que não tenham sofrido industrialização no Brasil", conforme ementa abaixo: EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM RECURSO ESPECIAL. DIREITO TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI. FATO GERADOR. INCIDÊNCIA SOBRE OS IMPORTADORES NA REVENDA DE PRODUTOS DE PROCEDÊNCIA ESTRANGEIRA. FATO GERADOR AUTORIZADO PELO ART. 46, II, C/C 51, PARÁGRAFO ÚNICO DO CTN. SUJEIÇÃO PASSIVA AUTORIZADA PELO ART. 51, II, DO CTN, C/C ART. 4º, I, DA LEI N. 4.502/64. PREVISÃO NOS ARTS. 9, I E 35, II, DO RIPI/2010 (DECRETO N. 7.212/2010). 1. Seja pela combinação dos artigos 46, II e 51, parágrafo único do CTN que compõem o fato gerador, seja pela combinação do art. 51, II, do CTN, art. 4º, I, da Lei n. 4.502/64, art. 79, da Medida Provisória n. 2.15835/2001 e art. 13, da Lei n. 11.281/2006 que definem a sujeição passiva, nenhum deles até então afastados por inconstitucionalidade, os produtos importados estão sujeitos a uma nova incidência do IPI quando de sua saída do estabelecimento importador na operação de revenda, mesmo que não tenham sofrido industrialização no Brasil. 2. Não há qualquer ilegalidade na incidência do IPI na saída dos produtos de procedência estrangeira do estabelecimento do importador, já que equiparado a industrial pelo art. 4º, I, da Lei n. 4.502/64, com a permissão dada pelo art. 51, II, do CTN. 3. Interpretação que não ocasiona a ocorrência de bis in idem, dupla tributação ou bitributação, porque a lei elenca dois fatos geradores distintos, o desembaraço aduaneiro proveniente da operação de compra de produto industrializado do exterior e a saída do produto industrializado do estabelecimento importador equiparado a estabelecimento produtor, isto é, a primeira tributação recai sobre o preço de compra onde embutida a margem de lucro da empresa estrangeira e a segunda tributação recai sobre o preço da venda, onde já embutida a margem de lucro da empresa brasileira importadora. Além disso, não onera a cadeia além do razoável, pois o importador na primeira operação apenas acumula a condição de contribuinte de fato e de direito em razão da territorialidade, já que o estabelecimento industrial produtor estrangeiro não pode ser eleito pela lei nacional brasileira como contribuinte de direito do IPI (os limites da soberania tributária o impedem), sendo que a empresa Fl. 1457DF CARF MF 20 importadora nacional brasileira acumula o crédito do imposto pago no desembaraço aduaneiro para ser utilizado como abatimento do imposto a ser pago na saída do produto como contribuinte de direito (nãocumulatividade), mantendose a tributação apenas sobre o valor agregado. 4. Precedentes: REsp. n. 1.386.686 SC, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 17.09.2013; e REsp. n. 1.385.952 SC, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 03.09.2013. Superado o entendimento contrário veiculado nos EREsp. nº 1.411749PR, Primeira Seção, Rel. Min. Sérgio Kukina, Rel. p/acórdão Min. Ari Pargendler, julgado em 11.06.2014; e no REsp. n. 841.269 BA, Primeira Turma, Rel. Min. Francisco Falcão, julgado em 28.11.2006. 5. Tese julgada para efeito do art. 543C, do CPC: "os produtos importados estão sujeitos a uma nova incidência do IPI quando de sua saída do estabelecimento importador na operação de revenda, mesmo que não tenham sofrido industrialização no Brasil". 6. Embargos de divergência em Recurso especial não providos. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. (...) Como se sabe, nos termos do art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, na redação dada pela Portaria MF nº 152/2016, "As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF". Informa a recorrente que o tema ainda será objeto de apreciação pelo Supremo Tribunal Federal, que reconheceu a repercussão geral do Tema 906, “Violação ao princípio da isonomia (art. 150, II, da Constituição Federal) ante a incidência de IPI no momento do desembaraço do produto industrializado, assim como na sua saída do estabelecimento importador para comercialização no mercado interno”. No entanto, o fato de a matéria estar pendente de apreciação pelo STF, em nada altera o andamento do feito no âmbito deste CARF tomandose por constitucional a norma legal questionada, conforme fundamentou o Conselheiro Rosaldo Trevisan em seu voto no Acórdão nº 3401003.445– 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, de 30 de março de 2017: (...) ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2004 Ementa: RETORNO SOBRESTAMENTO. REPERCUSSÃO GERAL. MATÉRIA CONSTITUCIONAL. SÙMULA 2 CARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim, os retornos de sobrestamento sem decisão definitiva do STF (em matérias de reconhecida repercussão geral) devem ser julgados tomando como constitucionais as leis a respeito das quais ainda se aguarda o posicionamento do STF. (...) O cerne da questão discutida no Supremo Tribunal Federal, que é nossa corte constitucional, é bem descrito na coluna “descrição tema” da planilha “Temas com determinação de suspensão nacional”, constante na página eletrônica do tribunal (http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudenciarepercussao/listarrepercussaogeral.asp): (...) Pesquisandose, no mesmo sítio eletrônico, o andamento do processo, percebese que, em 26/10/2016, foi determinado o envio de ofícios aos órgãos do Fl. 1458DF CARF MF Processo nº 11065.722023/201525 Acórdão n.º 3402005.462 S3C4T2 Fl. 1.449 21 sistema judicial pátrio para suspensão do processamento dos feitos pendentes que versem sobre a questão, que ainda não foi decidida pelo STF. Tal suspensão, porém, não afeta a apreciação dos processos administrativos pelos tribunais administrativos – especialmente do CARF, após a publicação da Portaria MF no 545, de 18/11/2013, que revogou os §§ 1o e 2o do art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF então vigente. Assim, ainda não há manifestação definitiva do STF sobre a matéria, existindo tão somente o reconhecimento da repercussão geral da questão, sendo cabível, destarte, a imediata análise da questão por este tribunal administrativo. É de se destacar, contudo, o teor da Súmula no 2 deste CARF (que comunga com o teor do art. 26A do Decreto no 70.235/1972): “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Assim, a matéria em apreciação pelo STF, de repercussão geral e trato constitucional reconhecidos, será analisada por este tribunal administrativo sem que seja possível o entendimento pela inconstitucionalidade de lei tributária. O silogismo é inevitável: se o STF reconhece a repercussão geral, por óbvio que há discussão sobre constitucionalidade. E se há discussão sobre constitucionalidade, o CARF é incompetente para manifestarse negativamente, devendo acolher todas as leis tributárias como constitucionais. E, como não há mais a possibilidade de sobrestamento, o CARF deve julgar a matéria, sempre considerando as leis (cuja constitucionalidade o STF está a apreciar) como constitucionais. (...) Assim, no presente julgamento, é de se tomar como constitucionais as normas legais que dispõem sobre a incidência de IPI no momento do desembaraço do produto industrializado, assim como na sua saída do estabelecimento importador para comercialização no mercado interno. Com relação à Solução de Consulta nº 348/1997 (8ª REGIÃO) 6, entendeu o julgador da DRJ que ela seria inaplicável aos pneumáticos do presente processo, vez que esses não se destinariam a caminhões ou ônibus como aqueles, além do que a Solução de 6 DECISÃO DISIT/SRRF/ 82 RF Nº 348 de 14 de Outubro de 1997 ASSUNTO: Classificação de Mercadorias EMENTA: CÓDIGO TIPI: Mercadoria 4011.20.90 Pneumáticos novos de borracha, do tipo radial ou convencional, medindo 7,00 16 (10 lonas), 7,50 16 (10 ou 12 lonas), 7,00 R16 (12 lonas) e 7,50 R16 (10 ou 12 lonas), usados com "flap", destinados a emprego em caminhões leves, microônibus, caminhonetas e utilitários, marca "Pirelli". (...) 1. Versa a presente sobre a classificação fiscal na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI do produto a seguir caracterizado pela interessada, renovando consulta anteriormente formalizada sob n.° 10880.031259/95 22, nos termos do disposto no Art. 48, §13, inc. II da Lei 9430/96: Nome vulgar, comercial, científico e técnico: Pneumáticos novos de borracha Marca registrada, modelo, tipo e fabricante: Pirelli; radial ou convencional; a interessada Função principal e secundária: Impulsão de veículos automotivos Aplicação, uso ou emprego: Utilização em caminhões, microônibus, camionetas e utilitários (...) 3. Das informações trazidas ao processo pela interessada, verificase que: A) Pneus objeto da consulta: a) São usado indistintamente em caminhões leves, utilitários, microônibus e camionetas; (...) Fl. 1459DF CARF MF 22 Consulta produziria efeitos apenas em relação aos modelos de pneus que ela especificamente tratou, nestes termos: 217. Ora, sem necessidade de muitas divagações, um pneu efetivamente usado em caminhão – QUE NÃO É O CASO DE NENHUM ANALISADO NOS PRESENTES AUTOS – pode ser enquadrado, sem dúvidas, na subposição 4011.20. 218. Como os pneus tratados nos presentes autos não são usados por caminhões nem por ônibus, aqui é totalmente inaplicável o entendimento da enfocada Decisão. 219. Ainda que assim não fosse, concluirseia que a Decisão em Processo de Consulta produz efeitos, apenas e tãosomente, em relação aos modelos de pneus que ela especificamente tratou. E, como nenhum dos modelos de pneus aqui discutidos, ainda que eventualmente apresentem alguma semelhança com os analisados na supradita consulta, foi especificamente objeto de referida Decisão, esta não tem qualquer efeito nos correntes autos. 220. Realmente, a respeito da Consulta, assim preceituam os arts. 46, 48 e 52, VIII, do Decreto nº 70.235/72: “Art. 46. O sujeito passivo poderá formular consulta sobre dispositivos da legislação tributária aplicáveis a fato determinado. Parágrafo único. Os órgãos da administração pública e as entidades representativas de categorias econômicas ou profissionais também poderão formular consulta. (...) Art. 48. Salvo o disposto no artigo seguinte, nenhum procedimento fiscal será instaurado contra o sujeito passivo relativamente à espécie consultada, a partir da apresentação da consulta até o trigésimo dia subseqüente à data da ciência: (...) Art. 52. Não produzirá efeito a consulta formulada: (...) VIII quando não descrever, completa ou exatamente, a hipótese a que se referir, ou não contiver os elementos necessários à sua solução salvo se a inexatidão ou omissão for escusável, a critério da autoridade julgadora” (g.n.) 221. Segundo se vê, a consulta apenas tem efeito em relação ao fato ali especificamente exposto, que, se não estiver correta ou exatamente descrito, pode, inclusive, render ensejo à sua ineficácia. Esta matéria foi objeto de análise na diligência determinada por este Colegiado. No Relatório de Diligência Fiscal sustentou a fiscalização que: Como se verifica, a Solução de Consulta versa sobre modelo(s) específico(s) de produto, não gerando efeitos sobre quaisquer outros produtos do consulente (ou terceiros) ainda que possuam algumas semelhanças. Portanto, do ponto de vista formal e legal, uma Solução de Consulta que versa sobre Classificação de Mercadorias somente gera efeitos vinculantes (para o contribuinte e para o Fisco) para os produtos cujos modelos foram especificados nos questionamentos iniciais. Ou para produtos idênticos. A própria conclusão da Solução de Consulta Diana 8ª RF nº 348/1997 é ilustrativa do escopo de uma Solução de Consulta: Com base no exposto, proponho que se informe à consulente para adotar, para o produto sob exame, o código 4011.20.90 da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, aprovada pelo Decreto n° 2.092/96 (D.O.U. de 11/12/96). (grifo nosso) (...) O objeto da consulta são Pneus marca Pirelli, dos modelos FD44, LT20, SM 90, LI99, CT52, RT59, AS22, MT85, MT06 (fls. 1362 a 1365), todos com produção descontinuada no período fiscalizado. Os referidos modelos são do tipo convencional ou radial e utilizam câmaras (conforme se deduz do texto da Solução Fl. 1460DF CARF MF Processo nº 11065.722023/201525 Acórdão n.º 3402005.462 S3C4T2 Fl. 1.450 23 de Consulta que refere o uso de “flaps”, que são as proteções que ficam entre o aro de metal e a câmara). (...) A seguir passamos a comparar os modelos de pneus objeto da Solução de Consulta com os modelos objeto do Auto de Infração. a) Número de lonas: Inicialmente, cabe informar que o uso de lonas como delimitador da capacidade de carga é uma forma arcaica há muito tempo fora de uso. Em conformidade com texto técnico incluído na página da internet do fabricante de pneus Continental (fls. 1384 a 1386), os pneus modernos de Van utilizam apenas uma ou duas lonas e a capacidade de carga dos pneus modernos é medida pelo “Índice de Carga”. Portanto, os pneus objeto da consulta não coincidem com nenhum dos pneus objeto do Auto de Infração. (...) Todavia, o que importa para a presente Diligência é que os modelos de pneus incluídos na apuração do IPI objeto de Auto de Infração não “são utilizados indistintamente em caminhões leves, utilitários, microônibus e camionetas”. De fato a própria resposta do contribuinte às nossas intimações (fls. 468 a 472), bem como informações referidas nas páginas da Internet da fiscalizada e de seus revendedores, indicam que os pneus objeto do Auto de Infração são destinados a vans, utilitários, pickups, SUV e veículos de passeio, portanto não se destinam a ônibus e caminhões. Pelo contrário os pneus produzidos pela fiscalizada para ônibus e caminhões são de outros modelos, conforme informado nas páginas de internet da fiscalizada e de seus revendedores. Adicionalmente, o próprio contribuinte reconheceu esse fato no parágrafo 139 do Recurso Voluntário (fls. 1266 a 1324) ao afirmar que não “ignora que os pneus objeto do Auto de Infração não são utilizados em ônibus e caminhões”. Ou seja, o mesmo contribuinte que afirmou (na formalização da Consulta) que os pneus objeto da Solução de Consulta eram usados em caminhões, afirma que reconhece que os pneus objetos do Auto de Infração não são usados em caminhões e ônibus. Portanto, reconhece que a SC não se aplica aos pneus objeto do Auto de Infração. (...) Portanto, a SC Diana 8º RF nº 348/1997 não se aplica aos modelos de pneus objeto do Auto de Infração por três motivos: a) a SC teve como objeto outros modelos de pneus, todos de produção descontinuada; b) os modelos de pneus objeto do Auto de Infração são completamente distintos dos pneus objeto da SC, em relação à totalidade ou a quase totalidade das suas características; c) ainda que, de forma equivocada, se considere válida a SC para modelos diversos e com características diversas dos relacionados na Consulta (e isso apenas para efeito de argumentação), a SC indicou o código 4011.20.90 como correto para “pneus utilizados indistintamente em caminhões leves, utilitários, microônibus e camionetas”. Como já referido, não é o caso dos pneus objeto do Auto de Infração. Alguns modelos são utilizados em vans (também denominadas microônibus, em suas versões maiores) ou furgões; outros são utilizados em pickup; outros em camionetas; e alguns inclusive em veículos de passeio. Nenhum dos modelos apresentados é usado indistintamente em caminhões leves ou nas outras modalidades de veículos citadas. A intenção do contribuinte de classificar os pneus objeto do Auto de Infração como pneus para caminhões, porque eventualmente alguma configuração (com índice de carga próximo ao índice de carga dos pneus para caminhões) possa ser usada em caminhões leves (capacidade de carga superior a 1.500 kg, conforme definição da norma ABNT 6067), assemelhase à pretensão de um fabricante de Fl. 1461DF CARF MF 24 Vodca que intenta classificar seu produto como álcool para assepsia, já que, em razão de seu teor alcóolico, poderia eventualmente ser usado para esse fim. De fato, toda a estrutura merceológica e de marketing e a utilização efetiva dos pneus objeto do Auto de Infração são para vans, furgões, pickup, utilitários, e veículos mistos ou de passeio. A própria estrutura dos pneus, em conformidade com o manual da ALAPA, não coincide com a estrutura dos pneus de ônibus nem de caminhões. (...) Como verificamos no item anterior, a Solução de Consulta Diana 8ª RF nº 348/1997 é relativa a pneus totalmente distintos daqueles que são objeto do Auto de Infração. Assim, a SC em tela não gera qualquer proteção legal contra a tributação dos pneus relacionados nos Anexos do Auto de Infração. Tratase de Solução de Consulta inócua, referente a produtos cuja produção já foi descontinuada há muitos anos. (...) Embora não tenha sido objeto de questionamento específico, verificase que os Conselheiros manifestaram interesse em esclarecimentos adicionais sobre os utilitários que utilizariam os pneus objeto do Auto de Infração. O termo “utilitários” não é citado nem na TIPI nem nas NESH. O Código de Trânsito Brasileiro limitase a conceituar como “veículo misto caracterizado pela versatilidade de uso”. Como se vê, é uma classificação bastante ampla, sem limites rígidos, e que poderia abranger pickup, furgões e caminhonetes (as pickup de grande porte, também chamadas de light truck, em algumas classificações, mas que não atingem o peso de carga definido pela ABNT para serem classificados como caminhões. Especialmente, se caracterizado o uso misto, por exemplo, com cabines duplas). O fundamental para o caso em tela é que os “utilitários” não se confundem com caminhões. Portanto, os pneus utilizados nesses veículos não podem ser classificados no código 4011.20.90. No Relatório da Ação Fiscal, para fins didáticos, analisouse “Vans e Furgões (as vans para transporte de carga)” no mesmo item, e as pickup e demais utilitários em outro item. Entretanto as conclusões são idênticas, já que todos os desdobramentos da subposição 8704.21 (Veículos para transporte de carga, com carga máxima não superior a 5 toneladas) apresentam um EX01 para “Camionetas, furgões, pickups e semelhantes”, o que abrange a totalidade dos “utilitários”. Isso indica expressamente que tais veículos não se enquadram no conceito de caminhões. (...) De outra parte alega a recorrente, em síntese, que: Ainda que os pneus objeto de autuação não sejam os mesmos modelos indicados na consulta, a Recorrente fabrica hoje os "mesmos pneus" com a mesma capacidade de carga e destinação. A equivalência entre os pneus é precisa e técnica, fundada em parecer de engenheiro habilitado e das normas técnicas do Manual ALAPA. Os pneus da autuação têm a mesma estrutura reforçada para suportar a mesma carga e destinados aos mesmos veículos, embora atualmente a referência aos pneus não seja feita necessariamente pelo número de lonas. A Solução de Consulta Disit/SRRF/8ª RF nº 348/97 permanece válida, inclusive no período das operações desta autuação. Requer sejam completamente desconsideradas as críticas tecidas pelo Auditor Fiscal em relação às conclusões da mencionada Solução de Consulta. Não se mencionou na diligência, mas o fato é que a Instrução Normativa RFB nº 1464/2014, publicada no D.O.U. de 09/05/2014, seção 1, página 21, revogou todos os Fl. 1462DF CARF MF Processo nº 11065.722023/201525 Acórdão n.º 3402005.462 S3C4T2 Fl. 1.451 25 atos administrativos sobre classificação fiscal anteriores a 2002, dentre os quais a Solução de Consulta Disit/SRRF/8ª RF nº 348/97, nestes termos: Art. 36. Os atos administrativos relativos à classificação fiscal de mercadorias, anteriores a 31 de dezembro de 2001, inclusive, ficam revogados após a entrada em vigor desta Instrução Normativa. Art. 37. Esta Instrução Normativa entra em vigor 60 (sessenta) dias após a data de sua publicação no Diário Oficial da União. Dessa forma, à época da lavratura do presente auto de infração não estava mais vigente a referida Solução de Consulta. Não obstante a Solução de Consulta Disit/SRRF/8ª RF nº 348/97 ainda estivesse vigente à época dos fatos geradores sob discussão, a questão é que, como afirmado pela DRJ e pela fiscalização na diligência, as suas conclusões aplicamse tão somente aos específicos modelos de pneus ali retratados e nela não foram analisados os produtos objeto da presente autuação. Embora se possa alegar, como fez a recorrente, que os pneus da autuação e da Solução de Consulta são similares pela equivalência entre os parâmetros de "números de lonas" e "índice de carga", de outro lado, podese argumentar que são diferentes quanto a vários outros aspectos, como afirmado pela fiscalização na diligência, como o "uso de flaps", "largura nominal" e "diâmetro do aro". O ponto relevante é que não há controvérsia no sentido de que os pneus autuados não foram exatamente aqueles retratados na referida Solução de Consulta, daí não haver qualquer vinculação do AuditorFiscal autuante com o entendimento nela exarado. Como dito acima, o primeiro critério de classificação que decorre dos textos das subposições da posição 4011 é o da destinação do produto (veículos nos quais será utilizado), daí o fato ainda mais importante para resolver a questão é que, na Solução de Consulta, a matriz da recorrente declarou que os pneus ali analisados seriam de "Utilização em caminhões, microônibus, camionetas e utilitários" (cópia na fl. 1372 vide abaixo), sendo que no procedimento fiscal que deu origem à presente autuação informou que esses outros pneus não se destinariam a caminhões ou ônibus, o que foi confirmado pela fiscalização autuante7 e, inclusive, pela recorrente (parágrafo 139 do recurso voluntário). Consulta formulada pela matriz da recorrente (fl. 1372): 7 RELATÓRIO FISCAL: (...) Como se viu, o texto da subposição é elemento essencial da classificação. No caso em tela, a subposição 4011.20 (cujo desdobramento 4011.20.90 foi utilizado pelo contribuinte na classificação dos pneus ora em análise) é exclusiva dos pneus destinados a ônibus e caminhões. A própria resposta do contribuinte, bem como informações referidas nas páginas da Internet da fiscalizada e de seus revendedores indicam serem destinados a vans, utilitários, pickups, SUV e veículos de passeio, portanto não se destinam a ônibus e caminhões. Ainda em sua página na Internet, o contribuinte relaciona os pneus destinados a ônibus e caminhões. Tal relação não inclui nenhum dos modelos indicados no Anexo I deste Termo. (...) Fl. 1463DF CARF MF 26 Como assinalado mais acima, o expediente da recorrente de utilizar a similitude dos pneus em durabilidade ou resistência não são hábeis a afastar as suas próprias declarações, no procedimento fiscal e no recurso voluntário, ou da sua matriz sobre a real destinação dos pneus analisados (veículos nos quais serão utilizados), eis que este é o primeiro critério de classificação dentro da posição 4011. Assim, não se vislumbra a possibilidade de utilização do entendimento exarado na Solução de Consulta Disit/SRRF/8ª RF nº 348/97 no presente processo, conforme já bem defendido pela DRJ e pela fiscalização na diligência. Requer também a recorrente a exclusão dos juros e da multa com base no art. 100, III do CTN ("III as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas"), em face da homologação do lançamento nos pneumáticos importados e da Solução de Consulta nº 348/1997 da Diana da 8ª Região Fiscal. Sem razão a recorrente. Como dito, o desembaraço aduaneiro não significa homologação expressa do lançamento, nem tampouco aceitação pela fiscalização da classificação fiscal efetuada pelo importador na Declaração de Importação. Ademais, com a revisão aduaneira efetuada no que concerne à classificação dos pneumáticos importados no mesmo sentido do presente lançamento, não há que se alegar prática reiterada em sentido diverso. Ademais, como já exposto, a Solução de Consulta produz efeitos somente em relação aos modelos dos produtos ali retratados. Finalmente, acerca da legitimidade de incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, há que se esclarecer que os juros de mora são devidos, nos termos do art. 61, caput e §3° da Lei nº 9.430/96, sobre os "débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal" não pagos no prazo previsto, incidindo, portanto, também sobre a multa de ofício, após o respectivo vencimento: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Ademais, a exigência dos juros de mora sobre a multa de ofício após o respectivo vencimento encontra fundamento também no Decretolei nº 1.736/798, cujos dispositivos abaixo transcritos dispõem sobre a incidência dos juros de mora sobre os débitos tributários para com a Fazenda Nacional, inclusive durante o prazo em que a cobrança estiver suspensa em face da interposição de recurso administrativo ou de decisão judicial, cuja regra não se aplicaria somente na hipótese de depósito administrativo ou judicial do montante integral9: 8 Solução de Consulta Cosit nº 47,de 04 de maio de 2016 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO EMENTA: OS JUROS DE MORA INCIDEM SOBRE A TOTALIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO, DO QUAL FAZ PARTE A MULTA LANÇADA DE OFÍCIO.DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), arts. 113, § 1º, 139 e 161; Lei nº 9.430, de 1996, arts. 44 e 61, § 3º; DecretoLei nº 1.736, de 1979, arts. 2º e 3º. 9 Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Fl. 1464DF CARF MF Processo nº 11065.722023/201525 Acórdão n.º 3402005.462 S3C4T2 Fl. 1.452 27 Art. 1º Os débitos para com a Fazenda Nacional, de natureza tributária, não pagos no vencimento, serão acrescidos de multa de mora, consoante o previsto neste decreto lei. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.287, de 1986) Parágrafo único. A multa de mora será de 20% (vinte por cento), reduzida a 10% (dez por cento) se o pagamento for efetuado no prazo de 90 (noventa) dias, contado a partir da data em que o tributo for devido. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.287, de 1986) Art 2º Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional serão acrescidos, na via administrativa ou judicial, de juros de mora, contados do dia seguinte ao do vencimento e à razão de 1% (um por cento) ao mês calendário, ou fração, e calculados sobre o valor originário. Parágrafo único. Os juros de mora não são passíveis de correção monetária e não incidem sobre o valor da multa de mora de que trata o artigo 1º. Art 3º Entendese por valor originário o que corresponda ao débito, excluídas as parcelas relativas à correção monetária, juros de mora, multa de mora e ao encargo previsto no artigo 1º do Decretolei nº 1.025, de 21 de outubro de 1969, com a redação dada pelos Decretosleis nº 1.569, de 8 de agosto de 1977, e nº 1.645, de 11 de dezembro de 1978. Art 4º A correção monetária continuará a ser aplicada nos termos do artigo 5º do Decretolei nº 1.704, de 23 de outubro de 1979, ressalvado o disposto no parágrafo único do artigo 2º deste Decretolei. Art 5º A correção monetária e os juros de mora serão devidos inclusive durante o período em que a respectiva cobrança houver sido suspensa por decisão administrativa ou judicial. (...) [negritei] Conforme assentado no Apelação Cível nº 2005.72.01.0000311/SC (TRF4, rel. Vânia Hack de Almeida)10, "Por força do artigo 113, § 3º, do CTN, tanto à multa [Perguntas e Respostas no sítio da RFB: http://idg.receita.fazenda.gov.br/orientacao/tributaria/declaracoese demonstrativos/dipjdeclaracaodeinformacoeseconomicofiscaisdapj/respostas2012/caputuloxviii acruscimoslegaisrevisada2012.pdf, acesso em 08/09/2016] (...) 004 Haverá a incidência de juros de mora durante o período em que a cobrança do débito estiver pendente de decisão administrativa? Sim. De acordo com a legislação tributária, há incidência de juros de mora sobre o valor dos tributos ou contribuições devidos e não pagos nos respectivos vencimentos, independentemente da época em que ocorra o posterior pagamento e de se encontrar o crédito tributário na pendência de decisão administrativa ou judicial. A única hipótese em que se suspenderá a fluência dos juros de mora é aquela em que houver o depósito do montante integral do crédito tributário considerado como devido, desde a data do depósito, quer seja este administrativo ou judicial. Se o valor depositado for inferior àquele necessário à liquidação do débito considerado como devido, sobre a parcela não depositada incidirão normalmente os juros de mora por todo o período transcorrido entre o vencimento e o pagamento. Normativo: RIR/1999, art. 953, § 3º, e DecretoLei nº 1.736, de 1979, art. 5º. (...) 10 APELAÇÃO CÍVEL Nº 2005.72.01.0000311/SC RELATORA:Juíza Federal VÂNIA HACK DE ALMEIDA EMENTA TRIBUTÁRIO. AÇÃO ORDINÁRIA. REPETIÇÃO. JUROS SOBRE A MULTA. POSSIBILIDADE. ART. 113, § 3º, CTN. LEI Nº 9.430/96. PREVISÃO LEGAL. 1. Por força do artigo 113, § 3º, do CTN, tanto à multa quanto ao tributo são aplicáveis os mesmos procedimentos e critérios de cobrança. E não poderia ser diferente, porquanto ambos compõe o crédito tributário e devem sofrer a incidência de juros no caso de pagamento após o vencimento. Não haveria porque o valor relativo à multa permanecer congelado no tempo. 2. O artigo 43 da Lei nº 9.430/96 traz previsão expressa da incidência de juros Fl. 1465DF CARF MF 28 quanto ao tributo são aplicáveis os mesmos procedimentos e critérios de cobrança. E não poderia ser diferente, porquanto ambos compõe o crédito tributário e devem sofrer a incidência de juros no caso de pagamento após o vencimento. Não haveria porque o valor relativo à multa permanecer congelado no tempo". A fluência dos juros de mora sobre a multa de ofício durante o curso do processo administrativo fiscal não representa afronta ao art. 161 do CTN, eis que, no próprio CTN, o termo "crédito tributário" não é utilizado somente para se referir à obrigação tributária principal. Conforme se depreende da leitura do art. 142 e do art. 113 do CTN, o lançamento constitui o "crédito tributário", que por sua vez pode ser decorrente tanto do tributo como de eventuais penalidades pecuniárias. Não havendo qualquer incompatibilidade dos dispositivos legais acima com o CTN, no que concerne à incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, eles devem ser aplicados ao presente caso concreto com base na taxa Selic, cuja legitimidade já é matéria já sumulada neste CARF, conforme abaixo: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Assim, pelo exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para exonerar da autuação as exigências relativas ao pneumático 175/65R14C 90 CHRONO. (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula sobre a multa, que pode, inclusive, ser lançada isoladamente. 3. Segundo o Enunciado nº 45 da Súmula do extinto TFR "As multas fiscais, sejam moratórias ou punitivas, estão sujeitas à correção monetária." 4. Considerando a natureza híbrida da taxa SELIC, representando tanto taxa de juros reais quanto de correção monetária, justificase a sua aplicação sobre a multa. Fl. 1466DF CARF MF Processo nº 11065.722023/201525 Acórdão n.º 3402005.462 S3C4T2 Fl. 1.453 29 Voto Vencedor Conselheiro Pedro Sousa Bispo, Redator designado No julgamento do Recurso Voluntário, o Colegiado, por maioria, discordou da posição da Ilustre Relatora, especificamente, quanto a manter a autuação sobre os pneumáticos utilizados na F350, uma vez que este veículo se caracteriza como um caminhão. Fui então designado pelo Presidente para redigir o voto vencedor, pelo que passo a analisar a questão. O referido veículo é definido no site do fabricante (Ford Caminhões) como um caminhão leve da linha F, com peso bruto total de 4.500kg e capacidade de carga útil de 2.128 kg, destinado a transporte de mercadorias11. Abaixo algumas fotos do veículo: Resta evidente que, de fato tratase de um veículo para transporte de carga, não se constituindo em um veículo para transporte de passageiros ou de uso misto. 11 Disponível em: <www.fordcaminhões.com.br>. Acesso em: 02 de agosto de 2018, 00:36:30. Fl. 1467DF CARF MF 30 Dessa forma, os pneumáticos destinados à utilização na F350 devem ser excluídos do lançamento, uma vez que esse veículo se caracteriza como caminhão. (assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo Fl. 1468DF CARF MF
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Numero do processo: 10865.900922/2008-68
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 30/04/2004
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA.
Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional.
Uma vez que o pagamento foi integralmente utilizado para o débito fiscal correspondente, inexiste direito creditório. Consequentemente, não há como homologar a compensação requerida.
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CONFISSÃO DE DÍVIDA.
A partir de 31/10/2003 (eficácia da MP nº. 135/2003, convertida na Lei nº. 10.833/2003), a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados - art. 74, § 6º da Lei nº 9.430/1996.
Numero da decisão: 1001-000.640
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões, com relação a preliminar, o conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Edgar Bragança Bazhuni - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: EDGAR BRAGANCA BAZHUNI
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Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Uma vez que o pagamento foi integralmente utilizado para o débito fiscal correspondente, inexiste direito creditório. Consequentemente, não há como homologar a compensação requerida. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CONFISSÃO DE DÍVIDA. A partir de 31/10/2003 (eficácia da MP nº. 135/2003, convertida na Lei nº. 10.833/2003), a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados art. 74, § 6º da Lei nº 9.430/1996. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões, com relação a preliminar, o conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 09 22 /2 00 8- 68 Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10865.900922/200868 Acórdão n.º 1001000.640 S1C0T1 Fl. 162 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela Recorrente em face de decisão proferida pela 6ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, mediante o Acórdão nº 1437.476, de 20/04/2012 (efls. 121/126), que não reconheceu o direito creditório pleiteado. Dos fatos A contribuinte apresentou Declaração de Compensação PER/DCOMP 31332.47192.200906.1.7.041643, às efls. 02/06, pleiteando crédito de R$ 18.001,90 devido à pagamento indevido ou a maior do IRPJ (cód. 5993 estimativa mensal), efetuado em 30/04/2004, referente ao período de apuração de 03/2004 e requer compensação do débito de IRPJ (cód. 5993), do PA de 04/2004. A DRF Limeria/SP, mediante Despacho Decisório (efl. 07), não reconheceu o direito creditório em razão da constatação de que o valor pago foi integralmente utilizado para a quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados no PER/DComp. A interessada apresentou Manifestação de Inconformidade (efls. 12/20), cujos excertos mais importantes são transcritos a seguir: 2 referido crédito originouse em função erro no cálculo dos rendimentos de aplicações financeiras, que fizeram parte da base de cálculo de IRPJ apurada para o mês de março/2004, fazendo com que fosse utilizado o valor de R$ 88.995,78, valor este superior ao efetivamente auferido, o qual perfaz o montante de R$ 16.988,19, conforme extrato da instituição financeira (doc. no 03), aumentando indevidamente o valor de IRPJ a recolher no referido mês. 3 Assim, foi recolhido a titulo de IRPJ para o mês de março/2004 o montante de R$ 63.793,60, conforme DARF em anexo (doc. no 04), quando na verdade o valor efetivamente devido seria apenas de R$ 45.791,71, gerando crédito de R$ 18.001,90. 4. Quando do preenchimento da declaração de compensação, houve erro na descrição do valor do DARF recolhido a titulo de IRPJ para o mês de março/2004, sendo que, assim, a Interessada recebeu notificação (doc. no 05) para que fosse retificada a PER/DCOMP, o que foi devidamente realizado. 5. A PER/DCOMP retificadora foi registrada sob o n° 31332.47192.200906.1.7.041643, informando corretamente os Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10865.900922/200868 Acórdão n.º 1001000.640 S1C0T1 Fl. 163 3 dados do DARF referente ao pagamento a maior de IRPJ, no valor de R$ 63.793,60, conforme documento anexo (doc. no 06). 6. Todavia, a muito embora a Interessada tenha promovido todas as correções necessárias na PER/DCOMP, a compensação não foi homologada, tendo sido alegada inexistência de crédito quanto ao valor de IRPJ recolhido para o mês de março/2004. 7. Tal situação se deu, única e exclusivamente, em razão de que, quando da elaboração da DIPJ houve erro na informação dos valores devidos de IRPJ para o mês de março/2004, tendo sido informada a base de cálculo referente ao valor recolhido e não o efetivamente devido, conforme documento anexo (doc. no 07). 8. Prova disto consiste no fato de que a Interessada, ao receber o despacho decisório, verificou o equivoco acima mencionado e apresentou A Receita Federal do Brasil, em 20/06/2008, a DIPJ Retificadora para o anocalendário 2004/Exercício 2005 (doc. no 08), informando corretamente os referidos valores. (...) 11. O erro ocorreu somente na descrição dos valores na DIPJ, sendo que toda a documentação contábil e fiscal da empresa Interessada comprova a existência do crédito, tendo sido, inclusive, devidamente registrada na contabilidade o estorno do valor (doc. no 10), bem como tendo sido levantado balancete de suspensão/redução (doc. no 11). 12. Portanto, não há que se falar em não existência de crédito passível de compensação, pois os demais documentos e declarações entregues pela Interessada comprovam a liquidez e certeza do crédito, tendo havido somente erro material na descrição do valor na DIPJ. (...) O r. acórdão conclui pela improcedência da manifestação de inconformidade apresentada, cujos fundamentos do voto condutor transcrevo a seguir: De início, cabe ressaltar que o crédito do sujeito passivo contra a Fazenda Pública, para que seja efetivada a compensação, deve ser líquido e certo, segundo dispõe o art. 170 do Código Tributário Nacional (CTN), a seguir reproduzido: “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública.” (destaquei) Deriva daí que o pressuposto nuclear para a compensação tributária é que o crédito do contribuinte contra a Fazenda se revista de certeza e liquidez. A certeza diz respeito, in casu, ao reconhecimento por parte da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) da possibilidade jurídica do contribuinte compensarse de suposto Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10865.900922/200868 Acórdão n.º 1001000.640 S1C0T1 Fl. 164 4 indébito. Já a liquidez do direito há de ser comprovada pela prova documental do quantum compensável, a ser reconhecido pela Fazenda Pública. O Despacho Decisório não reconheceu qualquer direito creditório a favor da contribuinte, em razão do pagamento informado como origem do crédito compensado ter sido integralmente utilizado para quitação de outro débito da contribuinte, não havendo saldo de crédito disponível para compensação do débito informado no PER/DCOMP. Contra esse Despacho a interessada apresentou manifestação de inconformidade, na qual reafirma a existência do indébito discriminado no PER/Dcomp e aduz que a não homologação teria se dado, única e exclusivamente, em razão de que, quando da elaboração da DIPJ houve erro na informação dos valores devidos de IRPJ para o mês de março/2004, já que sua documentação contábil e fiscal, inclusive a DCTF, demonstraria a existência do crédito. Informa ter retificado a citada DIPJ após a ciência do Despacho Decisório e traz documentos para tentar provar o alegado. Entretanto, não é possível acatar os argumentos expendidos pelo contribuinte. Isso porque, ao contrário do que alega, sua DCTF registra como valor devido no mês de março de 2004 o montante de R$ 63.793,60, conforme documento juntado à fl. 120, e não de R$ 45.791,71, como afirmado. Assim, de posse das informações evidenciadas pelo próprio manifestante em sua DCTF, a decisão administrativa certificou razões que ensejaram não homologar a compensação declarada, frente à caracterização da inexistência de disponibilidade em relação ao pagamento consignado na DCOMP, porquanto restou configurado sua vinculação integral em débito confessado em DCTF. Quanto à retificação da DIPJ, cumpre observar que esta declaração, desde o anocalendário de 1999, tem caráter meramente informativo, isto é, as informações nela prestadas não configuram confissão de dívida a Instrução Normativa nº 127, de 30 de outubro de 1998, que extinguiu, em seu art. 6o, inciso I, a DIRPJ – Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica e instituiu, em seu art. 1º, a DIPJ – Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica, deixou de fazer referência à confissão de tributos ou contribuições a pagar. Por outro lado, a DCTF – Declaração de Contribuições e Tributos Federais, instituída pela Instrução Normativa SRF nº 129/1986, sempre foi destinada a tal fim, ou seja, é confissão de dívida, tem o condão de constituir o crédito tributário, materializandoo, sendo instrumento hábil e suficiente para a exigência de referido crédito tributário. Neste cenário, portanto, se há contradição entre as informações prestadas na DIPJ e na DCTF (decorrente da retificação da DIPJ) e, desejando a recorrente fazer valer montante diverso daquele regularmente declarado em DCTF, incumbialhe apresentar provas que permitissem albergar sua tese de pagamento indevido ou a maior. Vale dizer, quando o contribuinte apresenta uma Declaração de Compensação, deve, necessariamente, demonstrar um crédito tributário a seu favor, para extinguir um débito tributário constituído em seu nome, de forma que o reconhecimento do indébito tributário seja o fundamento fático e jurídico de seu pedido. Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10865.900922/200868 Acórdão n.º 1001000.640 S1C0T1 Fl. 165 5 A propósito do tema, cumpre destacar o informativo de jurisprudência do STJ de nº 320, de 14 a 18 de maio de 2007, que trouxe o seguinte julgado: RESTITUIÇÃO. INDÉBITO. PROVA. RECOLHIMENTOS. A recorrente aduz que a eventual restituição, se cabível, haveria de ser respaldada em prova documental, acostada na inicial, dos valores efetivamente pagos com as devidas comprovações de recolhimento, e ante tal incerteza não pode ser a União condenada à restituição dos valores postulados (pela via da compensação), sob pena de infração ao princípio do enriquecimento sem causa. Isso posto, a Turma deu provimento ao recurso ao argumento de que o pressuposto fático do direito de compensar é a existência do indébito. Sem prova desse pressuposto, a sentença teria caráter apenas normativo, condicionada à futura comprovação de um fato. REsp 924.550SC, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, julgado em 15/5/2007. (gn) Nesse sentido, não se pode olvidar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoo com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente e análise da situação fática, de modo a se conhecer qual seria o montante de tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. Inclusive, por se tratar de contribuinte sujeito ao regime de apuração dos tributos com base no lucro real, este deveria, ao fim de cada períodobase de incidência do tributo, apurar o lucro líquido do exercício mediante a elaboração, com observância das disposições da lei comercial, do balanço patrimonial, da demonstração do resultado do exercício e da demonstração de lucros ou prejuízos acumulados, que serão transcritos no Livro de Apuração de Lucro Real (LALUR), nos termos dos artigos 7º e seu § 4º, e 8º, inciso I, ambos do DecretoLei nº 1.598, de 1977, in verbis: “Art 7º O lucro real será determinado com base na escrituração que o contribuinte deve manter, com observância das leis comerciais e fiscais. (....) § 4º Ao fim de cada períodobase de incidência do imposto o contribuinte deverá apurar o lucro líquido do exercício mediante a elaboração, com observância das disposições da lei comercial, do balanço patrimonial, da demonstração do resultado do exercício e da demonstração de lucros ou prejuízos acumulados. Art 8º O contribuinte deverá escriturar, além dos demais registros requeridos pelas leis comerciais e pela legislação tributária, os seguintes livros: I de apuração de lucro real, no qual: a) serão lançados os ajustes do lucro líquido do exercício, de que tratam os §§ 2º e 3º do artigo 6º; Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10865.900922/200868 Acórdão n.º 1001000.640 S1C0T1 Fl. 166 6 b) será transcrita a demonstração do lucro real (§ 1º); (....).” Neste contexto, o contribuinte deveria trazer provas, lastreadas em lançamentos contábeis, dentre estas, destacamse: os registros contábeis de conta no ativo da CSLL a recuperar, a expressão deste direito em balanços ou balancetes, os Livros Diário e Razão, Lalur, etc., tudo de forma a ratificar o indébito pleiteado. Consoante noção cediça, a escrituração contábil e fiscal mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, conforme dispõe o artigo 923 do RIR/1999 (Decreto nº 3.000, de 26/03/99). No presente caso, a recorrente, em sua peça impugnatória, limitouse a apresentar formulários (fls. 114/115) e tabelas (fls. 116/117), documentação inábil a comprovar a existência do indébito alegado. Quanto ao documento de fls. 114/115, denominado pelo contribuinte de “RAZÃO ANALÍTICO”, deve ser tratado como mero formulário, já que não apresenta Termo de Abertura nem Termo de Encerramento. Ademais, cumpre observar que a legislação dispensa a autenticação do Livro Razão no caso de regularidade na autenticação do Livro Diário (art. 259 do RIR/99 c/c art. 14 da Lei 8.218/91, redação dada pela Lei nº 8.383/91). Assim, a ausência do Livro Diário implica na inabilidade da escrituração apresentada como elemento de comprovação do alegado indébito. Registrese que o contribuinte além de não juntar cópias do livro Diário, devidamente registrado, não apresentou LALUR, dos quais poderia se verificar os balanços/balancetes de redução e demonstrativos da apuração do Lucro Real da empresa para o anocalendário de 2004. Por fim, não é por demais o registro de que o ônus da prova do direito de repetição recai sobre o sujeito passivo, que é quem o invoca, e que o princípio da verdade material não vai a ponto de vincular a Administração na produção e/ou apresentação de documentos fora do universo de seus registros. Em suma, o crédito informado na declaração de compensação apresentada não contém os atributos necessários de certeza e liquidez, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de direito creditório junto à Fazenda Pública. Com tais razões, VOTO pela improcedência da manifestação de inconformidade. O acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 30/04/2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO UTILIZADO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Fl. 166DF CARF MF Processo nº 10865.900922/200868 Acórdão n.º 1001000.640 S1C0T1 Fl. 167 7 Se do confronto entre a DIPJ e a DCTF resultar valores de débitos informados a maior nesta última declaração, a falta de comprovação, mediante apresentação de documentação hábil e idônea, de que o erro de preenchimento se deu em relação à DCTF, impede o reconhecimento de direito creditório em relação aos pagamentos para os quais correspondam débitos regularmente declarados/confessados. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Ciente da decisão em 05/03/2015, conforme documento à efl. 137, a Recorrente apresentou recurso voluntário em 06/04/2015 segundafeira (efls. 139/150), conforme documento à fl. 158. É o Relatório. Voto Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni, Relator O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que regula o processo administrativofiscal (PAF). Dele conheço. A recorrente vem "em sede preliminar, arguir a nulidade do ato administrativo (despacho decisório) que indeferiu a compensação por ela formalizada, pois, desprovido de fundamentação precisa, impossibilita o pleno exercício do sagrado direito de defesa". No mérito, alega que a autoridade julgadora renunciou a realização de diligência para apurar a verdade material, se limitando a uma "burocrática conclusão". Aduz que não acredita que "mera falha procedimental possua força jurídica maior que o principio da verdade material, sustentando o indeferimento de crédito que ela efetivamente possui" e cita julgado do CARF favorável à sua defesa. Reitera os argumentos usados em sede de primeira instância, relatando que os valores informados na DIPJ comprovam a existência do saldo negativo no período e que a verdade material deve prevalecer sobre a verdade formal. Por fim, cita a Súmula nº 82 do CARF, "Após o encerramento do ano calendário, é incabível lançamento de ofício de IRPJ ou CSLL para exigir estimativas não Fl. 167DF CARF MF Processo nº 10865.900922/200868 Acórdão n.º 1001000.640 S1C0T1 Fl. 168 8 recolhidas", para caso o seu direito não seja reconhecido e, assim, que seja cancelada a exigência do débito, conforme outros julgados do CARF que cita. Da preliminar De plano rejeito a preliminar de nulidade do despacho decisório. Primeiro porque este pedido não foi manifestado em sede de manifestação de inconformidade, ocorrendo, portanto, a preclusão. Segundo, pois a recorrente desenvolve perfeitamente argumentos de defesa, tanto na manifestação de inconformidade como no recurso voluntário, não merecendo crédito a alegação de cerceamento do direito de defesa Do mérito Ao contrário do que alega, o crédito não foi reconhecido, pois o pagamento fora integralmente utilizado, conforme fundamentação do despacho decisório. A DCTF apresentada registra como valor devido no mês de março/2004 o montante de R$ 63.793,60, conforme documento juntado à fl. 120, e não o valor de R$ 45.791,71, como afirmado. Assim, não há o que ser reconsiderado na decisão dada pela autoridade administrativa, cuja fundamentação adotoa desde já. Em relação à arguição da necessidade de diligência, ocorre que a mesma é ato discricionário da autoridade julgadora que poderá indeferila por considerála desnecessária ou prescindível, já que no processo constam todos os elementos necessários para a formação da sua livre convicção de julgador, conforme o artigo 18 do PAF, a seguir transcrito: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferido as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748/93). A alegação de erro de fato, tendo em vista os valores informados na DIPJ, não tem fundamento. Cumpre observar que a DIPJ, desde o anocalendário de 1999, tem caráter meramente informativo, isto é, as informações nela prestadas não configuram confissão de dívida a Instrução Normativa n° 127, de 30 de outubro de 1998, que extinguiu, em seu art. 6°, inciso I, a DIRPJ Declaração .de Rendimentos da Pessoa Jurídica e instituiu, em seu art. 10, a DIPJ — Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica, deixou de fazer referência à confissão de tributos ou contribuições a pagar, cabendo apenas a DCTF esta função. O tema, inclusive, é pacificado no âmbito deste Conselho Administrativo, nos termos da Súmula 92: “A DIPJ, desde a sua instituição, não constitui confissão de dívida, nem instrumento hábil e suficiente para a exigência de crédito tributário nela informado.” A DCTF é a forma com que o sujeito passivo dá conhecimento à autoridade administrativa da ocorrência do fato jurídicotributário e informa o pagamento do valor correspondente ao tributo. Como se depreende da sua própria denominação, é uma declaração Fl. 168DF CARF MF Processo nº 10865.900922/200868 Acórdão n.º 1001000.640 S1C0T1 Fl. 169 9 contendo débitos e créditos tributários federais. Ou seja, a declaração do contribuinte em DCTF é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário. Por fim, quanto ao débito, a Súmula nº 82 do CARF não se aplica ao caso, pois os débitos declarados em PER/DCOMP passou a ter o caráter de confissão de dívida para as declarações apresentadas após a vigência da Medida Provisória n° 135, de 2003, que na sua concepção se deu após a data de 31/12/2013. Ante o exposto, voto por REJEITAR a PRELIMINAR de nulidade do despacho decisório e no mérito NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Fl. 169DF CARF MF
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Numero do processo: 10640.003615/2010-96
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jul 27 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1001-000.597
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
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EXCESSO DE RECEITA BRUTA. EXCLUSÃO DE OFÍCIO. Comprovado que o contribuinte excedeu o limite da receita bruta, no ano calendário, imediatamente anterior, é cabível a sua exclusão do Simples Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva Relatório Tratase Recurso Voluntário contra o acórdão, número 0950.763 da 2ª Turma da DRJ/JFA, o qual indeferiu a Manifestação de Inconformidade contra Atos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 00 36 15 /2 01 0- 96 Fl. 172DF CARF MF 2 Declaratórios Executivos (ADEs) nºs 35 e 36, de 2010 (fl. 39 a 43)efetivando a exclusão da empresa do Simples Federal e Nacional, a partir de 1° de janeiro de 2007, por ter auferido receita superior ao valor de R$2.400.000,00, estabelecida para o ano imediatamente anterior (2006).. A ora recorrente apresentou uma impugnação ao referido ADE. cuja decisão da DRJ foi contrária à manifestação de inconformidade, a qual reproduzo o voto: Voto A manifestação de inconformidade é tempestiva e atende os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dela se conhece. Cumpre ressaltar, inicialmente, que a manifestante apenas se insurge em sua peça de defesa contra a exclusão da empresa do Simples Nacional a partir de 01/07/2007 por meio do ADE nº 36/2010. A sua exclusão do Simples Federal a partir de 01/01/2007 por meio do ADE nº 35/2010 deve ser mantida por ausência de litígio. A exclusão do Simples Nacional com efeitos a partir da 01/07/2007 teve por fundamento legal os artigos 28 e 29 (§§ 3º, 5º e 6º) da Lei Complementar 123/2006 e o inciso I do artigo 12 da Resolução CGSN n º 4, de 30 de maio de 2007, verbis: Lei Complementar 123/2006: "Art. 28. A exclusão do Simples Nacional será feita de oficio ou mediante comunicação das empresas optantes. Parágrafo único. As regras previstas nesta seção e o modo de sua implementação serão regulamentados pelo Comitê Gestor. Art. 29. A exclusão de oficio das empresas optantes pelo Simples Nacional darseá quando: § 3° A exclusão de oficio será realizada na forma regulamentada pelo Comitê Gestor, cabendo o lançamento dos tributos e contribuições apurados aos respectivos entes tributantes. § 5º A competência para exclusão de ofício do Simples Nacional obedece ao disposto no art. 33, e o julgamento administrativo, ao disposto no art. 39, ambos desta Lei Complementar. § 6º Nas hipóteses de exclusão previstas no caput deste artigo, a pessoa jurídica será notificada pelo ente federativo que promoveu a exclusão.” Resolução CGSN n º 4, de 30 de maio de 2007: "Art. 12. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a ME ou a EPP: I que tenha auferido, no anocalendário imediatamente anterior, receita bruta superior a R$ 2.400.000,00 (dois milhões e quatrocentos mil reais);" Em sua defesa, a manifestante requer a suspensão dos efeitos do ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO SACAT/DRF/JFA N° Fl. 173DF CARF MF Processo nº 10640.003615/201096 Acórdão n.º 1001000.597 S1C0T1 Fl. 3 3 36, de 03 DE DEZEMBRO DE 2010, até o julgamento final do Processo Tributário Administrativo que contém os autos de infração do Simples. Nos termos do art. 151 do CTN a suspensão somente alcança a exigibilidade do crédito tributário discutido no processo nº 10640.003599/201031, não afetando os efeitos da exclusão procedida através dos ADEs em questão, por falta de previsão legal. Cumpre esclarecer ainda à manifestante que o processo nº 10640.003599/201031, referente ao Auto de Infração de SIMPLES, que atualmente se encontra nesta Turma de Julgamento, foi julgado nesta sessão de forma desfavorável à contribuinte, conforme Acórdão 0950.764, anexado aos autos. Assim, tendo sido perfeitamente comprovado, no processo nº 10640.003599/201031, que a manifestante excedeu o limite de receita para as empresas de pequeno porte no ano de 2006, ensejando sua exclusão de ofício do Simples Nacional a partir de 01/07/2007, com base nos artigos 28 e 29 (§§ 3º, 5º e 6º) da Lei Complementar 123/2006 e no inciso I do artigo 12 da Resolução CGSN n º 4, de 30 de maio de 2007, transcritos anteriormente. Concluise pela correta exclusão de ofício da empresa do Simples Nacional não merecendo qualquer reparo o Ato Declaratório de Exclusão do Simples (ADE) nº 36, pois devidamente motivado e fundamentado. Desta forma, estando plenamente configurada no presente processo o excesso de receita bruta no ano calendário de 2006, voto por considerar IMPROCEDENTE a manifestação de inconformidade, ratificando a exclusão do Simples Federal efetuada por meio do Ato Declaratório nº 35/2010 e a exclusão do Simples Nacional efetuada por meio Ato Declaratório nº 36/2010. Voto Conselheiro José Roberto Adelino da Silva Relator Inconformada, a recorrente apresentou o Recurso Voluntário, tempestivo e que apresenta os demais pressupostos de admissibilidade, previstos no Decreto 70.235/72, e, portanto, dele eu conheço. A recorrente utilizou, em seu recurso, basicamente, os mesmos argumentos utilizados em sua manifestação de conformidade, ou seja: · A decisão proferida pela 2a Turma de Julgamento de Juiz de Fora, no que pese o conhecimento de seus componentes, merece total reforma. · A matéria posta em debate cingese ao fato de ter sido a empresa desenquadrada de Ofício do SIMPLES NACIONAL em razão de auto Fl. 174DF CARF MF 4 de infração, devidamente impugnado, negando a decisão efeito suspensivo ao recurso de Manifestação de Inconformidade. · A fundamentação da decisão está posta pela inexistência de preceito legal que atribua efeito suspensivo ao recurso, frente àquele ato da autoridade administrativa. · Entretanto, no artigo 151 do CTN, encontramos as hipóteses que suspendem a exigibilidade do crédito tributário e especialmente no inciso III, encontramos o seguinte comando: "Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: Ill as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo;" · Com essas modestas razões espera seja reformada a decisão, concedendose efeito suspensivo à reclamação apresentada tempestivamente pela autuada, até decisão final do processo principal, tudo por questão de J U S T I Ç Consoante consta nos autos, o processo principal foi devidamente julgado, gerando o acórdão 0950.764 da 2 ª Turma da DRJ/JFA, que julgou a impugnação improcedente, em 27 de março de 2014 e manteve o crédito tributário lançado. Consequentemente, julgado desfavoravelmente à recorrente, a impugnação apresentada, o recurso, é cabível a exclusão do Simples Nacional, nos termos dos atos declaratórios antes mencionados. Assim, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário, sem crédito em litígio. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Fl. 175DF CARF MF
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