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Numero do processo: 10830.913469/2009-38
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003
COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA.
A compensação de indébito fiscal com créditos tributários está condicionada à comprovação da certeza e liquidez do respectivo indébito, cujo ônus é do contribuinte.
Não será homologada a compensação quando a certeza e liquidez do crédito pleiteado não restar comprovada através de documentação contábil e fiscal apta a este fim.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3002-000.222
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Alan Tavora Nem, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Alberto da Silva Esteves.
Nome do relator: MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003 COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. A compensação de indébito fiscal com créditos tributários está condicionada à comprovação da certeza e liquidez do respectivo indébito, cujo ônus é do contribuinte. Não será homologada a compensação quando a certeza e liquidez do crédito pleiteado não restar comprovada através de documentação contábil e fiscal apta a este fim. Recurso Voluntário Negado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003 COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. A compensação de indébito fiscal com créditos tributários está condicionada à comprovação da certeza e liquidez do respectivo indébito, cujo ônus é do contribuinte. Não será homologada a compensação quando a certeza e liquidez do crédito pleiteado não restar comprovada através de documentação contábil e fiscal apta a este fim. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Alan Tavora Nem, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Alberto da Silva Esteves. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 91 34 69 /2 00 9- 38 Fl. 177DF CARF MF Processo nº 10830.913469/200938 Acórdão n.º 3002000.222 S3C0T2 Fl. 178 2 Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da decisão da DRJ, à fl. 78 dos autos: Trata o presente processo de Declaração de Compensação (DCOMP) nº 09828.29317.150806.1.3.040476, entregue em 15/08/2006, na qual é indicado o crédito de R$ 48.712,84, decorrente do pagamento indevido ou a maior do PIS (código receita 8109), do período de apuração fevereiro de 2003. A origem do referido crédito é o DARF no valor de R$ 122.521,75. 2. Por meio do Despacho Decisório (rastreamento nº 845374778), a compensação não foi homologada, pois o DARF indicado, apesar de localizado, estava integralmente utilizado na quitação de débitos do contribuinte. 3. O contribuinte foi cientificado da decisão em 31/08/2009 e apresentou tempestivamente a sua defesa em 24/09/2009, alegando em síntese que o valor do PIS de fevereiro de 2003 era de R$ 73.808,91 e o DARF recolhido foi de R$ 122.521,75. Informou que na DCTF original o PIS de fevereiro de 2003 foi indevidamente informado pelo valor de R$ 122.521,75, mas que apresentou DCTF retificadora em 09/10/2009. Por entender ter efetuado recolhimento a maior, pede o reconhecimento do seu direito creditório. O contribuinte apresentou, com a sua manifestação de inconformidade, os seguintes documentos: (i) atos constitutivos e de representação da empresa; (ii) DACON de fevereiro/2003; (iii) DARF; (iv) DCTF original; e (v) DCTF retificadora. Afirmou, ainda, que “o indeferimento do PER/DCOMP não deve prosperar porque o crédito é de direito da empresa e fora pleiteado conforme disciplina a norma SRF baseada na IN 600 de 28/12/2005”. Ao analisar o caso, a DRJ entendeu por indeferir o pedido formulado pela contribuinte de compensação de valores recolhidos a título de PIS, conforme decisão que restou assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003 Ementa: COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. DISPONIBILIDADE DO CRÉDITO A compensação, nos termos em que definida pelo artigo 170 do CTN só poderá ser homologada se o crédito do contribuinte em relação à Fazenda Pública estiver revestido dos atributos de liquidez e certeza. RESTITUIÇÃO. ÔNUS PROBANTE. É do sujeito passivo o ônus probante do direito à restituição. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Ou seja, o acórdão da primeira instância (fls. 77/83) consignou que o despacho decisório não possui qualquer vício, em razão de o reconhecimento do direito ao crédito alegado pelo contribuinte condicionarse à apresentação da documentação Fl. 178DF CARF MF Processo nº 10830.913469/200938 Acórdão n.º 3002000.222 S3C0T2 Fl. 179 3 contábil/fiscal comprobatória. Considerando que tal documentação não foi apresentada com a defesa, entendeu por julgar improcedente a manifestação de inconformidade apresentada. Consignou, também, que o contribuinte se limitou a alegar ter feito a retificação da DCTF, e destacou que a apresentação do documento retificador só se deu após a ciência do Despacho Decisório, ou seja, do procedimento fiscal acerca do indébito, o que implica na não geração de qualquer efeito, nos termos do artigo 11 da IN SRF nº 903/2008. Sendo assim, por não ter ocorrido a retificação tempestiva do alegado erro de fato na declaração do contribuinte, entendeu que deveria desconsiderar a DCTF retificadora. O contribuinte foi intimado acerca desta decisão em 23/04/2014 (vide Termo de Ciência por decurso de prazo à fl. 85 dos autos) e, insatisfeito com o seu teor, interpôs, em 07/05/2014, Recurso Voluntário (fls. 87/91). Em seu recurso, que denominou de "embargos de declaração", no intuito de combater o acórdão recorrido no tocante à falta de comprovação do crédito, apresentou planilha de memória de cálculo referente ao tributo e período em questão. Quanto ao fundamento de que teria apresentado a DCTF retificadora após emissão do despacho decisório, afirmou não ter havido máfé de sua parte, mas apenas a ocorrência de erro que precisava ser retificado para a completa visualização do crédito que possui. Defendeu, então, que estaria demonstrado nos autos seu direito ao crédito, e que, em casos como o presente, o CARF tem admitido o provimento do recurso. Por fim, requereu, primeiramente, a anulação do processo administrativo, com fulcro os seguintes fundamentos: (a) a apuração do PIS no mês de fevereiro de 2003 comprova que o imposto devido é inferior ao valor recolhido através de DARF; (b) os documentos comprobatórios são hábeis e idôneos e identificam os valores lançados erroneamente na 1ª memória de cálculo; (c) a compensação efetuada é legítima. E, ao final, a reforma da decisão recorrida e o integral cancelamento da exigência fiscal. Além dos documentos já apresentados com a defesa, anexou ao recurso os seguintes documentos: (i) memória de cálculo da apuração do imposto referente ao exercício de 2003, incluindo o período de fevereiro de 2003 (Anexo 04 do Recurso, à fl. 168); e (ii) memória de cálculo da revisão da apuração dos créditos, realizada em novembro de 2006 (Anexo 05 do Recurso – fls. 169/170). Os autos, então, vieramse conclusos para fins de análise do Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. É o relatório. Voto Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora: De início, é válido mencionar que, embora tenha o contribuinte denominado o seu recurso de "embargos declaratórios", entendo que, em atenção ao princípio da fungibilidade, não há qualquer impedimento para que este seja recebido e processado como recurso voluntário. Até porque, não resta dúvidas que fora interposto dentro do prazo legal de 30 dias para interposição de dito recurso. Fl. 179DF CARF MF Processo nº 10830.913469/200938 Acórdão n.º 3002000.222 S3C0T2 Fl. 180 4 Nesse contexto, por entender que o recurso interposto in casu, além de tempestivo, reúne os demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Consoante acima indicado, o contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 87/91), por meio do qual requereu, primeiramente, a anulação do processo administrativo, tendo em vista que: (a) a apuração do PIS no mês de fevereiro de 2003 comprova que o imposto devido é inferior ao valor recolhido através de DARF; (b) os documentos comprobatórios são hábeis e idôneos e identificam os valores lançados erroneamente no 1ª memória de cálculo; (c) a compensação efetuada é legítima. Como se vê, apesar de ter requerido a anulação do processo administrativo, trouxe o contribuinte em sua defesa fundamentos que se confundem com o mérito da presente contenda (suposta comprovação da legitimidade da compensação realizada), não tendo apresentado qualquer fundamento de nulidade que possa ser analisado em sede de preliminar. Logo, entendo que deverá ser rejeitado o pedido preliminar apresentado pelo contribuinte, visto que não se verifica nos autos qualquer elemento apto a ensejar a anulação do processo administrativo, que seguiu os trâmites regulares e legais quanto ao seu processamento. Passo, então, à análise de mérito da presente contenda. Em seu recurso, o contribuinte requer a reforma da decisão recorrida e o cancelamento da exigência fiscal, defendendo que o seu direito creditório teria restado devidamente comprovado nos presentes autos. Em sua impugnação administrativa, havia juntado aos autos o DACON, o DARF, a DCTF original e a DCTF retificadora, documentação esta que fora considerada insuficiente pela DRJ para fins de comprovação do direito creditório pleiteado. Em seu Recurso Voluntário, então, no intuito de superar o entendimento da DRJ, anexou aos autos: (i) memória de cálculo da apuração do imposto referente ao exercício de 2003, incluindo o período de fevereiro de 2003 (Anexo 04 do Recurso, à fl. 168); e (ii) memória de cálculo da revisão da apuração dos créditos, realizada em novembro de 2006 (Anexo 05 do Recurso – fls. 169/170). Ao analisar o caso concreto em testilha e a nova documentação anexada aos autos, entendo que não assiste razão ao contribuinte em seu pleito. Como é cediço, o ônus da prova quanto à existência do crédito no caso de pedido de compensação é do contribuinte. Nos termos do que dispõe o art. 373 do Código de Processo Civil, abaixo transcrito, aplicado subsidiariamente ao processo administrativo fiscal, o ônus da prova incumbe ao autor (no caso ora analisado ao contribuinte que iniciou o processo de compensação), quanto ao fato constitutivo do seu direito (correspondente à comprovação do direito ao crédito tributário que pretende ter reconhecido para fins de homologação da compensação): Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Fl. 180DF CARF MF Processo nº 10830.913469/200938 Acórdão n.º 3002000.222 S3C0T2 Fl. 181 5 Sobre o assunto, verificase que a DRJ foi categórica em afirmar que os erros apontados deveriam ter sido comprovados por meio de documentação contábil/fiscal hábil, o que não ocorrera neste caso concreto, em que havia sido juntada aos autos na manifestação de inconformidade apenas DACON e DCTF retificadora. É o que se infere da transcrição a seguir: 9.2. Independentemente da mencionada retificação, vale registrar que o sujeito passivo não apresentou por ocasião de sua defesa quaisquer provas de seus registros contábeis/fiscais que pudessem evidenciar a causa do equívoco reportado, motivando a objetivada redução do valor do tributo em tela e, consequentemente, o direito à restituição/compensação. 10. Ainda acerca das provas, é oportuno elucidar que a faculdade da autoridade julgadora em determinar, ex offício, a realização de diligência ou perícia (art. 18, do Decreto nº 70.235/72) não substitui o ônus processual da parte a quem compete – no caso, o sujeito passivo, que melhor do que ninguém detém amplas condições para promover a comprovação de suas alegações com amparo em documentos hábeis – de trazer aos autos os elementos de provas de que dispõe. 10.1. Verificase, portanto, que a norma atribui ao recorrente o dever de apresentar as provas sobre os fatos alegados perante a autoridade julgadora, com a finalidade de convencêla de suas alegações, sendo esta uma regra aplicada tanto no Processo Civil como no presente Processo Administrativo Fiscal. Na linha deste pensamento, oportuno trazer à colação os ensinamentos de Humberto Theodoro5: "[...] Se o direito material é disponível e a parte não cuidou de trazer a prova necessária para demonstrálo ou exercêlo, a presunção lógica é que abriu mão dele. Assim, não seria correto que o juiz viesse sobrepor a essa verdade, passando a advogar a causa da parte." 10.2. A propósito da necessidade de a contribuinte comprovar, devidamente, seu direito creditório, reproduzse Ementa do voto condutor do julgado proferido pela 3ª Turma Especial da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais no processo administrativo nº 10480.904515/200844: “No caso específico dos pedidos de restituição e compensação de créditos tributários, o contribuinte cumpre o ônus que a legislação lhe atribui, quando traz os elementos de prova que demonstrem a existência do crédito. E tal demonstração, no caso das pessoas jurídicas, está, por vezes, associada a uma conciliação entre registros contábeis e documentos que respaldem tais registros. Assim, para comprovar a existência de um crédito vinculado a um registro contábil, não basta apresentar o registro, mas também indicar, de forma específica, que documentos estão associados a que registros; ainda, é importante, quando a natureza da operação escriturada/documentada for importante para a caracterização ou não do direito creditório, que a descrição da operação constante dos registros e documentos seja clara, sem abreviaturas ou códigos que dificultem ou impossibilitem a perfeita caracterização do negócio. De se ressaltar, igualmente, que o fato de o processo administrativo ser informado pelos princípios invocados em nada macula tudo o que foi até aqui dito. É que o principio da verdade material autoriza o julgador a ir além dos elementos de prova trazidos pelas partes, quando tais elementos de prova induzem à suspeita de que os fatos ocorreram não da forma como esta ou aquela parte afirma, mas de uma outra forma qualquer (o julgador não está vinculado às versões das partes). Mas isto, à evidência, nada tem a ver com Fl. 181DF CARF MF Processo nº 10830.913469/200938 Acórdão n.º 3002000.222 S3C0T2 Fl. 182 6 propiciar à parte que tem o ônus de provar o que alega/pleiteia, a oportunidade de, por via de diligências, produzir algo que, do ponto de vista estritamente legal, já deveria compor, como requisito de admissibilidade, o pleito desde sua formalização inicial. Dito de outro modo: da mesma forma que não é aceitável que um lançamento seja efetuado sem provas e que se permita posteriormente, em sede de julgamento e por meio de diligências, tal instrução probatória, também não é aceitável que um pleito repetitório seja proposto sem a minudente demonstração e comprovação da existência do indébito e que posteriormente, também em sede de julgamento e por via de diligências, se oportunize tais demonstração e comprovação. 11. Ante o exposto, VOTO pela improcedência da manifestação de inconformidade e pelo não reconhecimento do direito creditório pleiteado. Nos termos da decisão recorrida, portanto, caberia ao contribuinte ter trazido em sua manifestação de inconformidade não apenas a DCTF e DACON retificadoras, como também os documentos contábeis/fiscais que lhe dão suporte. Ato contínuo, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário por meio do qual anexou aos autos: (i) memória de cálculo da apuração do imposto referente ao exercício de 2003, incluindo o período de fevereiro de 2003 (Anexo 04 do Recurso, à fl. 168); e (ii) memória de cálculo da revisão da apuração dos créditos, realizada em novembro de 2006 (Anexo 05 do Recurso – fls. 169/170). Entendo, contudo, que tais documentos ainda não são suficientes a comprovar o direito creditório aqui pleiteado. A uma, porque memória de cálculo produzida unilateralmente pelo contribuinte não possui valor probante. A duas, porque não veio conciliada com os correspondentes livros contábeis e documentos fiscais que lhe dariam suporte. Notese, por exemplo, que a planilha de fls. 169 descreve a origem dos créditos apurados (insumos, revenda, energia, etc.). Não há, contudo, qualquer documentação nos autos apta a comprovar tais despesas, e, consequentemente, a demonstrar a correção das informações apresentadas na DCTF retificadora em detrimento da DCTF originalmente transmitida. Nesse contexto, entendo que a decisão recorrida há de ser mantida, visto que o Recorrente, in casu, não se desincumbiu do seu ônus probatório quanto à matéria fática (direito ao crédito). Sobre o argumento apresentado pelo contribuinte de que a DCTF fora retificada tão somente para corrigir erro outrora incorrido, há de se destacar que não há qualquer impedimento na apresentação de DCTF retificadora. Conforme esclarece o Parecer Normativo COSIT nº 02/2015, esta poderá ser apresentada inclusive após o despacho decisório. Contudo, em tais casos, é cediço que a DCTF retificadora, por si só, não possui o condão de comprovar as informações ali inseridas, incumbindo ao contribuinte o ônus de trazer aos autos, através da correspondente documentação contábil e fiscal, a correspondente conciliação que demonstre o seu direito creditório. Por oportuno, transcrevo o conteúdo do Parecer Normativo COSIT nº 02/2015: Fl. 182DF CARF MF Processo nº 10830.913469/200938 Acórdão n.º 3002000.222 S3C0T2 Fl. 183 7 Assunto. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. (grifos apostos). (...). 1 Após a transmissão do PER/DCOMP, pode a DCTF ser retificada com o intuito de formalizar o indébito objeto de compensação? Sim. Essa é a diretriz adotada pela RFB na análise eletrônica dos PER/DCOMP. Tal diretriz está ainda mais evidente com a implantação da autorregularização. 2 Em caso positivo, a retificação da DCTF, sozinha, é suficiente para a comprovação do pagamento indevido ou a maior? Se a retificação da DCTF for suficiente, há um limite temporal para que ela produza os efeitos de uma declaração original (antes da ciência do despacho decisório, a qualquer tempo ou antes de 5 anos do fato gerador)? a. Não, a DCTF por si só não é suficiente para a comprovação do pagamento indevido ou a maior. É necessário que os valores informados na DCTF estejam coerentes com outras declarações enviadas à RFB, a exemplo da DIPJ, Dacon, DIRF, em cada caso, ou confirmados por documentos fiscais ou contábeis acostados aos autos. Isso porque a existência de crédito líquido e certo é requisito legal para a concessão da compensação (CTN, art. 170). A divergência entre os valores informados na DCTF em relação a outras declarações não elidida por provas, afasta a certeza do crédito e é razão suficiente para o indeferimento da compensação. (Grifos apostos). (...). 13. Ressaltese, por oportuno, que a despeito de a DCTF retificadora, em regra, produzir o mesmo efeito da original, e a DCOMP extinguir o débito desde seu processamento, ambas declarações estão sujeitas à verificação e à homologação da autoridade administrativa, que pode exigir confirmação e comprovação das informações declaradas, seja em auditoria interna da DCTF, seja em procedimento de fiscalização, seja na análise da DCOMP ou da manifestação de inconformidade. Afinal, a apresentação do PER/Dcomp sem a retificação prévia da DCTF gera o ônus ao sujeito passivo de ter de comprovar o crédito pleiteado, conforme julgados do CARF: DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. Fl. 183DF CARF MF Processo nº 10830.913469/200938 Acórdão n.º 3002000.222 S3C0T2 Fl. 184 8 A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. (Acórdão nº 3201001.713, Rel. Cons. Daniel Mariz Gudiño, 3/1/2015) PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. DESPACHO DECISÓRIO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. A simples retificação, desacompanhada de qualquer prova, não autoriza a homologação da compensação. (Acórdão nº 3802¬002.345, Rel. Cons. Solon Sehn, Sessão de 29/01/2014) DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. (Acórdão nº 3302¬002.124, Rel. Cons. Alexandre Gomes, Sessão de 22/05/2013) 13.1. O sujeito passivo é obrigado a comprovar a veracidade das informações declaradas na DCTF e no PER/DCOMP e a autoridade administrativa tem o poder dever de confirmálas. A autoridade administrativa poderá solicitar a comprovação do alegado crédito informado no PER/DCOMP, e se ele, por exemplo, for um pagamento e estiver perfeitamente disponível nos sistemas da RFB, pode ser considerado apto a ser objeto de restituição ou de compensação, sem prejuízo de ser solicitado do declarante comprovação de que se trata de fato de indébito. Vale dizer, a retificação da DCTF é necessária, mas não necessariamente suficiente para deferir o crédito pleiteado, que depende da análise da autoridade fiscal/julgadora do caso concreto. Tanto que tal autoridade poderá discordar das razões apresentadas (a despeito da retificação da DCTF) e, consequentemente, indeferir/não homologar o PER/DCOMP com base em outros elementos de prova de que tal pagamento, ainda que disponível nos sistemas da RFB. Este tema, inclusive, encontrase pacificado neste Conselho Administrativo Fiscal, consoante demonstra a decisão a seguir colacionada: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Fl. 184DF CARF MF Processo nº 10830.913469/200938 Acórdão n.º 3002000.222 S3C0T2 Fl. 185 9 Período de apuração: 01/06/2006 a 30/06/2006 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. ERRO EM DECLARAÇÃO. A DCTF retificadora apresentada após o despacho decisório que não homologa a compensação e a DACON não têm o condão de provar suposto erro de fato que aponta para a inexistência do débito declarado. O contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos. (Acórdão nº 3803006.915, de 18/03/2015). (grifos apostos). No caso dos presentes autos, portanto, constatase que o contribuinte não se desincumbiu do seu ônus probatório, pelo que deverá ser mantida a negativa de homologação da compensação ora analisada. Da conclusão Diante do acima exposto, afasto o pedido preliminar do contribuinte de anulação do processo administrativo e, no mérito, nego provimento ao Recurso Voluntário interposto, em razão da ausência de comprovação do direito creditório pleiteado. É como voto. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Fl. 185DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.722835/2013-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Apr 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. LAPSO MANIFESTO.
Constatada, mediante embargos de declaração, a ocorrência de obscuridade, omissão, contradição ou lapso manifesto, deve-se proferir novo Acórdão, para retificar o Acórdão embargado.
ERRO DE INTERPRETAÇÃO DA LEGISLAÇÃO, EFEITOS RETROATIVOS. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA RESOLUÇÃO CFC 1.087/06. AJUSTE NO EXERCICIO EM QUE O ERRO FOI DETECTADO. EFEITOS INFRINGENTES DOS EMBARGOS.
Nos moldes da Resolução CFC 1.087/2006 o ajuste para correção de erro na interpretação da norma contábil somente será efetuado no ano em que fora detectado tal erro, sem efeitos retroativos ao ano em que cometido o erro, hipótese esta aplicável somente aos casos de dolo ou fraude.
Numero da decisão: 1201-002.144
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acolher parcialmente os embargos de declaração para dar efeitos infringentes em relação ao - "ITEM 3. "Erros de interpretação": quanto ao fundamento normativo para a retificação em período anterior ao de sua constatação. Vencidos os conselheiros: Eva Maria Los (relatora), José Carlos de Assis Guimarães e Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, que negavam efeitos infringentes ao Acórdão embargado. Designado o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Eva Maria Los - Relatora.
(assinado digitalmente)
Luis Fabiano Alves Penteado - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, José Carlos de Assis Guimarães, Leonam Rocha de Medeiros (Conselheiro suplente convocado); ausente justificadamente Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: EVA MARIA LOS
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. LAPSO MANIFESTO. Constatada, mediante embargos de declaração, a ocorrência de obscuridade, omissão, contradição ou lapso manifesto, devese proferir novo Acórdão, para retificar o Acórdão embargado. ERRO DE INTERPRETAÇÃO DA LEGISLAÇÃO, EFEITOS RETROATIVOS. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA RESOLUÇÃO CFC 1.087/06. AJUSTE NO EXERCICIO EM QUE O ERRO FOI DETECTADO. EFEITOS INFRINGENTES DOS EMBARGOS. Nos moldes da Resolução CFC 1.087/2006 o ajuste para correção de erro na interpretação da norma contábil somente será efetuado no ano em que fora detectado tal erro, sem efeitos retroativos ao ano em que cometido o erro, hipótese esta aplicável somente aos casos de dolo ou fraude. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acolher parcialmente os embargos de declaração para dar efeitos infringentes em relação ao "ITEM 3. "Erros de interpretação": quanto ao fundamento normativo para a retificação em período anterior ao de sua constatação. Vencidos os conselheiros: Eva Maria Los (relatora), José Carlos de Assis Guimarães e Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, que negavam efeitos infringentes ao Acórdão embargado. Designado o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 28 35 /2 01 3- 75 Fl. 3275DF CARF MF Processo nº 19515.722835/201375 Acórdão n.º 1201002.144 S1C2T1 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Eva Maria Los Relatora. (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, José Carlos de Assis Guimarães, Leonam Rocha de Medeiros (Conselheiro suplente convocado); ausente justificadamente Rafael Gasparello Lima. Relatório Tratase de Embargos de Declaração opostos pelo contribuinte em face do Acórdão nº 1201001.491, de 14 de setembro de 2016, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara, da Primeira Seção de Julgamento do CARF: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de ofício e considerar improcedentes os Termos de Sujeição Passiva Solidária e, por maioria de votos, dar parcial provimento ao Recurso voluntário, mantendo a exigência de RS 92.173.395.50 de IRRF, acrescida de multa de ofício reduzida para 75%, mais juros de mora; cancelar as exigências de IRPJ e CSLL; reduzir o Saldo Negativo de IRPJ do anocalendário 2008 para RS() 68.779.672,17 e o Saldo Negativo de CSLL para RS () 19.962.646.29; Vencidos os Conselheiros Luis Fabiano e Ronaldo Apelbaum. que lhe davam provimento. Os Embargos de Declaração foram admitidos relativamente aos ITENS 3, 4 e 5, apontados pelo Embargante; reproduzse a seguir, a análise: "ITEM 3. "Erros de interpretação": omissão e obscuridade quanto ao fundamento normativo para a retificação em período anterior ao de sua constatação; que o Acórdão não indica quais dispositivos da legislação tributária determinariam a consideração dos "erros de interpretação", no período ao qual se reportam e não no período em que tenham sido detectados, conforme a legislação societária. O Acórdão diz: 150. Assim, podese afirmar que a data mais tarde em que a Recorrente tomou conhecimento dos dados seria essa última data: não há elementos para se afirmar data anterior, embora seja perfeitamente possível de que estivesse ciente das diferenças que o citado relatório apontou. Fl. 3276DF CARF MF Processo nº 19515.722835/201375 Acórdão n.º 1201002.144 S1C2T1 Fl. 4 3 151. Contudo, tal data em 03/08/2010, não justifica que a Recorrente tenha mantido a indevida distribuição de dividendos e de JCP. efetuados após tomar conhecimento que eram indevidos: a argumentação baseada em orientações do CFC de que erros de exercícios anteriores devem ser corrigidos no exercício em que foram identificados é referente à legislação e demonstrativos societários. 152. Em se tratando de legislação tributária, o erro identificado posteriormente não exime o contribuinte de promover a retificação, a apuração dos tributos devidos que não haviam sido apurados nem recolhidos: e. em não o fazendo espontaneamente, está sujeito a serem tais tributos exigidos de ofício, com incidência de multa de ofício. Avaliação: Cabe reconhecer a omissão apontada. ITEM 4. Tratamento dos dividendos: omissão e obscuridade quanto ao fundamento normativo para a tributação na fonte (IRRF): O acórdão rejeitou o argumento de que os dividendos supostamente distribuídos em excesso deveriam receber o tratamento de redução de capital (isenção), pois "a leitura do art. 48, §3o da Instrução Normativa n° 93, de 1997, elucida que, inexistindo lucros acumulados ou reservas, que é o caso presente, a parcela excedente, que no caso é a totalidade do valor distribuído, será submetida à tributação". O referido dispositivo prevê: "inexistindo lucros acumulados ou reservas de lucros em montante suficiente, a parcela excedente será submetida à tributação nos termos do art. 3o, § 4o, da Lei n° 7.713, de 1988, com base na tabela progressiva a que se refere o art. 3o da Lei n° 9.250, de 1995". Já o art. 3o, §4°, da Lei 7.713/1988 diz: "a tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título." Como se verifica, os dispositivos invocados pelo acórdão são genéricos e não explicam qual seria o regime de tributação dos dividendos distribuídos em excesso. Assim, restou obscura a afirmação de que parcela excedente (...) será submetida à tributação", já que foi omitida a regra legal que eventualmente autorize o tratamento dado pelo Fisco. O Auto de Infração indicou a base legal da autuação, pág. 1.426: art. 685, I e 682 (rendimentos pagos a PJ domiciliada no exterior), 683, 684, do RIR, e 28 da Lei nº 6.249, de 1995 (alíquota de 15%). Avaliação: Concluise caber razão de que há obscuridade, neste item. ITEM 5. Lucro líquido de 2008: contradição quanto aos critérios para sua apuração O acórdão concluiu pelo cabimento da recomposição do valor passível de distribuição, porém, não acolheu o pedido da Embargante de que fossem considerados o IRPJ e a CSLL Fl. 3277DF CARF MF Processo nº 19515.722835/201375 Acórdão n.º 1201002.144 S1C2T1 Fl. 5 4 diferidos e as diferenças do RTT, que, somados, correspondem a R$ 52.527.508,29 (formados, respectivamente, por R$ 45.776.508,29 e R$ 6.751.000,00). Curiosamente, a tabela constante de fls. 3.172 inclui no lucro distribuível, de acordo com o "voto", a parcela de R$ 45.776.508,29, relativa a IRPJ e CSLL diferidos. Mas, contraditoriamente, conclui o acórdão que a autuação "deve ser mantida, no montante apurado pelo Autuante", ou seja, excluindose a aludida parcela (fl. 3.172). A perplexidade aumenta na medida em que o acórdão, de um lado, diz que "o autuante considerou nos cálculos o valor do Lucro Líquido do ano 2008, indevidamente; de outro lado, reconhece que "esta instância de julgamento não está autorizada a agravar o lançamento fiscal, mas, ao final, conclui que não poderiam ser consideradas no lucro as parcelas pleiteadas pela Embargante, por serem de 2008. Ao assim proceder, o acórdão alterou em desfavor do contribuinte o critério adotado pelo Fisco, que considerou o lucro líquido do ano de 2008 na apuração dos dividendos. Observese que a exclusão dos ajustes ora em discussão do lucro passível de distribuição deuse unicamente porque a Fiscalização entendia que eles não integravam a parcela de dividendos isenta, pois não eram considerados no lucro real. Ocorre o acórdão reconhece que "o lucro sobre o qual se calcula os dividendos a distribuir é o lucro apurado pela legislação societária''' (fl. 3.169) e não o lucro real (cf. Parecer PGFN CAT 202/2013). Portanto, estabelecidas pelo acórdão as premissas de que: (a) não podia agravar a exigência fiscal (o que impede a alteração dos critérios fiscais em desfavor do contribuinte); e (b) os dividendos devem ser apurados de acordo com o lucro societário (fiscal) e não conforme o lucro real; (c) a conclusão inexorável seria pelo acolhimento do pleito da Embargante de consideração da parcela de R$ 52.527.508,29, para efeito de cálculo dos dividendos. A conclusão em sentido contrário restou contraditória. Ademais, o acórdão omitiuse quanto ao disposto no art. 48 da IN 93/1997, segundo o qual só há que se cogitar da distribuição de dividendos em excesso se o valor ultrapassar os resultados do "período base não encerrado'" e os lucros acumulados ou reservas de lucros "de exercícios anteriores", justificando a consideração do lucro líquido de 2008, como, repitase, entendeu a própria Fiscalização. A tabela de pág. 3.172: 1.1.1.1 Recomposição do valor passível de distribuição. 2. Assim, cabe recompor a apuração do lucro passível de distribuição, considerando a redução dos Lucros Acumulados em 31/12/2007 no valor de R$651.398.669,14 () 45.776.508,29) Apuração do lucro passível de distribuição: Auto de Infração Este voto Fl. 3278DF CARF MF Processo nº 19515.722835/201375 Acórdão n.º 1201002.144 S1C2T1 Fl. 6 5 Saldo em 31 de dezembro de 2007 (fonte DIPJ, Ficha 38 Dem Lucros e Preju Acum, linha 1) 596.582.207,58 596.582.207,58 Ajustes nos lucros acumulados de 2007 (Ficha 38 Demonstração dos Lucros e Prejuízos Acumulados , linha 07. () Ajustes Devedores de Períodos de Apuração Anteriores, pág. 902); TVF, itens 54 e 55, págs. 1.458/1.460 (651.398.669,14) (651.398.669,14) "Imposto de Renda e Contribuição Social Diferidos" inclusos nos Ajustes. 45.776.508,29 Ajustes da adoção inicial da Lei 11.638/07 (Ficha 38 Demonstração dos Lucros e Prejuízos Acumulados , linha 07. () Ajustes Devedores de Períodos de Apuração Anteriores, pág. 902) (30.314.646,63) 0,00 Lucro Passível de Distribuição 31/12/2007 (54.816.461,56) Lucro Líquido do Exercício ( item 18 já deduzido o novo JCP) 134.105.792,18 Ajustes do RTT (itens 14 e 16 ) (6.751.000,00) Saldo disponível para Destinações 42.223.683,99 2. Observase que o autuante considerou nos cálculos o valor do Lucro Líquido do ano 2008, indevidamente, dado que todas as informações, seja da Recorrente, seja do Autuante, são que os dividendos em discussão são sobre os Lucros Acumulados do anocalendário 2007, com encerramento em 31/12/2007. 3. Contudo, esta instância de julgamento não está autorizada a agravar o lançamento fiscal. Avaliação: Cabe reconhecer obscuridade ." Voto Vencido Conselheira Eva Maria Los, Relatora 1. Os autos de infração de referem ao anocalendário 2008. ITEM 3 2. Reproduzse a seguir, trechos do Termo de Verificação Fiscal que elucidam a questão: "21. Analisando a Ficha 38 Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados, da DIPJ 2009, Anocalendário 2008, observamos que o Saldo de Lucros Acumulados oriundo de 2007 é de 596.582.207,58 (Linha 01); e, considerando o valor de R$ 134.105.792,18 (item 20 retro) como o valor CORRETO de Lucro Líquido do Ano de 2008, sem considerarmos os ajustes na conta lucros acumulados demonstrados adiante, teríamos como montante de Lucro Passível de Distribuição o valor de R$ 730.687999,76 (596.582.207,58 + 134.105.792,18). 22. Ocorre que, analisando as Demonstrações das Mutações do Patrimônio Líquido apresentada pela empresa, correspondente aos Exercícios findos em 31 de dezembro de 2008 e 2007, verificamos constar como 'Ajustes nos lucros acumulados de 2007' o valor de R$ 651.398.669,14. Conforme se extrai da análise das fls. 22/23/24 do documento apresentado pela empresa, intitulado 'Demonstrações Financeiras em 31 de dezembro de 2008 e 2007, estes Fl. 3279DF CARF MF Processo nº 19515.722835/201375 Acórdão n.º 1201002.144 S1C2T1 Fl. 7 6 ajustes decorrem de erros reconhecidos pela empresa, pois a empresa deixara de efetuar lançamentos adequados que afetaram os saldos de encerramento de períodos anteriores a 31/12/2007, lançamentos estes que NÃO TÊM PERTINÊNCIA COM A ENTRADA EM VIGOR DA LEI 11.638/2007, fato este corroborado ela própria leitura das notas explicativas às demonstrações financeiras: 3.3 Correção de Erros A administração identificou e corrigiu, no exercício de 2008, erros de interpretação, que afetaram os saldos do encerramento do exercício social findo em 31 de dezembro de 2007 (...) (...) 25. As datas de contabilização dos Ajustes, e outras ocorrências, constantes no Livro Razão em dezembro de 2008, passam a impressão de que foram feitos de forma a se colocar como "contabilmente possível" a distribuição de dividendos efetuada pela empresa no montante de R$ 564.539.591,81, já que os referidos ajustes foram lançados após a escrituração da distribuição de "dividendos"; é notório, pois, se assim não o fosse (1o, os ajustes; 2o, a distribuição de dividendos), a empresa não teria como distribuir dividendos no referido montante, conforme será demonstrado abaixo. 26. Em continuidade, verificouse que a empresa calculou Juros sobre o Capital Próprio (JCP), nos termos do art. 9o, da Lei 9.249/1995, com base na Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) vigente no exercício de 2008, no montante de R$ 68.661.750,96. Segundo o sitio da Receita Federal do Brasil, consta como TJLP correspondente aos 12 meses do ano de 2008 o valor de 6,25%. 26.1. Conforme será demonstrado abaixo, a empresa não possuía Patrimônio Líquido em valor suficiente para efetuar o pagamento de JCP no montante acima destacado. Isso porque os ajustes efetuados pela empresa, no montante de R$ 681.713.315,78, caso fossem efetuados corretamente, ou seja, antes do cálculo do JCP, diminuiriam o valor do patrimônio líquido da empresa que é a base de cálculo do pagamento dos juros. 27.Na data de 24/09/2013, a empresa apresentou resposta ao referido Termo de Constatação e Intimação Fiscal, alegando, resumidamente, que os ajustes efetuados na conta de lucros acumulados não poderiam impedir a distribuição dos dividendos e o pagamento dos juros sobre o capital próprio uma vez que tais ajustes poderiam ter sido feitos após a remessa dos dividendos e do pagamento do JCP. 3. Evidenciase que a distribuição de dividendos e o pagamento dos JCP ocorreram no ano 2008, tendo como base lucros acumulados até 31/12/2007, que se revelaram inexistentes devido à diferença de ()R$ 651.398.669,14, corrigida durante o ano de 2008, que, segundo as das notas explicativas às demonstrações financeiras, mais uma vez reproduzida: 3.3 Correção de Erros A administração identificou e corrigiu, no exercício de 2008, erros de interpretação, que afetaram os saldos do encerramento do exercício social findo em 31 de dezembro de 2007 (...)" 4. O Acórdão embargado confirmou que essa diferença não se trata de ajustes para obedecer a Lei nº 11.638, de 2007, nem do RTT, e que são ajustes anteriores a 01/01/2008. 5. Seguem ainda as considerações do TVF: 43No período em análise, a empresa realizou ajustes que geraram efeito nos lucros acumulados em 31/12/2007, ou seja, são valores que deixaram de ser contabilizados em época própria, em descumprimento ao princípio da competência, cujos valores a seguir demonstrados estão em milhares de reais conforme informado nas Notas Explicativas às Demonstrações Financeiras: (...) 47. A forma correta de lançamento de qualquer tipo de ajuste é mais do que conhecida, tendo em vista a disposição dos lançamentos de ajustes constantes da Ficha 38 da DIPJ 2009, Ano calendário 2008, a qual traduz a seqüência imposta pelo art. 186, da Lei 6.404/1976 (Lei das Sociedades Anônimas), tratado abaixo: Fl. 3280DF CARF MF Processo nº 19515.722835/201375 Acórdão n.º 1201002.144 S1C2T1 Fl. 8 7 (...) 50. Considerando as Normas Contábeis editadas após a vigência da Lei 11.638/07, mais especificamente o Pronunciamento Técnico CPC 13, de 05/12/2008, emitido pelo Comitê de Pronunciamentos Contábeis, em seu item 10, "in verbis", temse o que segue: "10. A entidade deve elaborar balanço patrimonial inicial na data de transição para as novas práticas contábeis adotadas no Brasil, que é o ponto de partida para sua contabilidade de acordo com a Lei n° 11.638/07 e Medida Provisória n° 449/08. Esse balanço patrimonial inicial deve ser elaborado de acordo com os termos deste Pronunciamento. Por exemplo: para uma entidade que tem seu exercício social coincidente com o ano calendário,'a database das primeiras demonstrações contábeis elaboradas de acordo com as novas práticas contábeis adotadas no Brasil é 31 de dezembro de 2008. Nesse caso, a data de transição dependerá da opção feita pela entidade, constante dos itens 3 e 4, considerando que: (a) se optar por seguir estritamente o §1o do art. 186 da Leí n° 6.404/76, a data de transição será a abertura em 1o de Janeiro de 2008 ou o encerramento em 31 de dezembro de 2007: 6. Os itens 3 e 4 citados: "3. As exigências de ajustes trazidos pela Lei nº 11.638/07 e Medida Provisória nº 449/08 não se enquadram como mudança de circunstâncias, estimativas ou evento econômico subseqüente, pois decorrem de processo normativo em direção às Normas Internacionais de Contabilidade. Assim, este Pronunciamento considera que os ajustes devem ser contabilizados de acordo com as disposições contábeis aplicáveis à mudança de critério (ou prática) contábil. A esse respeito, o § 1º do art. 186 da Lei nº 6.404/76 determina que os correspondentes ajustes iniciais devem ser contabilizados na conta de lucros ou prejuízos acumulados. A norma sobre “Práticas Contábeis, Mudanças nas Estimativas Contábeis e Correção de Erros” requer que, além de discriminar os efeitos da adoção da nova prática contábil na conta de lucros ou prejuízos acumulados, a entidade deve demonstrar o balanço de abertura para cada conta ou grupo de contas relativo ao período mais antigo apresentado para fins de comparação, bem como os demais valores comparativos apresentados, como se a nova prática contábil estivesse sempre em uso. Todavia, para fins da aplicação inicial da Lei nº. 11.638/07 e Medida Provisória nº 449/08, este Pronunciamento desobriga as entidades quanto à aplicação dessa norma, ou seja, ao aplicar a Lei pela primeira vez, as entidades são requeridas apenas a aplicar o § 1º. do art. 186 acima referido. 4. Embora desobrigadas de reapresentação das cifras comparativas nos termos do item anterior, as entidades podem optar por efetuar essa reapresentação e, nesse caso, o presente Pronunciamento inclui dispensas específicas para evitar custos que, provavelmente, superariam os benefícios para os preparadores e os usuários de demonstrações contábeis, além de determinadas outras exceções por razões práticas. Fl. 3281DF CARF MF Processo nº 19515.722835/201375 Acórdão n.º 1201002.144 S1C2T1 Fl. 9 8 7. Como se vê, correções que evidenciaram serem inexistentes os lucros acumulados eram obrigatórias, antes de 01/01/2008, conforme o item 10 do CPC 13: "a data de transição será a abertura em 1o de Janeiro de 2008 ou o encerramento em 31 de dezembro de 2007". Portanto a distribuição dos dividendos e o pagamento dos JCP, ocorrida durante o ano 2008, foi sobre valores de lucros acumulados inexistentes. 8. Citese o TVF: "51. Observamos, ainda, que o item 3, do CPC 13, transcrito abaixo "in verbis", ratificou a vigência do art. 186 da Lei 6.404/76, pois determina que os correspondentes ajustes iniciais (que a empresa deveria ter efetuado, na pior hipótese (ou seja, no máximo), em 1° de janeiro de 2008) deveriam ser contabilizados na conta lucros ou prejuízos acumulados, exatamente na ordem seqüencial estabelecida na Ficha 38 da DIPJ 2009, Anocalendário 2008, qual seja: primeiro, o lançamento do ajuste; posteriormente, a distribuição de dividendos, caso houvesse saldo; e não a seqüência dos lançamentos que efetivamente a empresa efetuou no Razão contábil, qual seja, primeiro, a distribuição dos dividendos (em 15/12/2008) e depois, o lançamento dos ajustes (em 31/12/2008), pois, se não fizesse desta forma, a empresa não teria como distribuir dividendos no montante de R$ 564.539.591,81. (...) 53.2, Ou seja, a empresa, segundo suas próprias demonstrações financeiras, informa, de forma "equivocada", que efetuou um Balanço Patrimonial Inicial em 01/01/2008, e que os ajustes decorrentes da adoção inicial das novas práticas contábeis foram lançados contra a conta Lucros Acumulados, exatamente como orientado no item 3, do CPC 13 (item 51 retro), quando, na realidade, ela fez, em sua contabilidade, um lançamento de ajuste relativo a exercícios anteriores no valor de R$ 681.713.315,78 em 31/12/2008, que, por sua vez, incorpora o valor de R$ 30.314.646,63 (item 23 retro). Ademais, o referido lançamento de ajuste foi lançado após a escrituração da "distribuição de dividendos", quando o correto é o contrário fato este mais do que conhecido, tendo em vista a disposição seqüencial dos lançamentos constantes da Ficha 38 da DIPJ 2009, anocalendário 2008, a qual está convalidada pelo art. 186, da Lei 6.404/76. Reiteramos que, independentemente da forma de constituição da empresa (Ltda ou S/A), o modeloseqüencial da Ficha 38 é historicamente idêntico até hoje. (...) 55.1. Se considerarmos, novamente, o disposto no art. 186 da Lei 6.404/76, cuja estrutura guarda correspondência com a histórica Ficha 38 da DIPJ Exercício 2009, ano calendário 2008, Fl. 3282DF CARF MF Processo nº 19515.722835/201375 Acórdão n.º 1201002.144 S1C2T1 Fl. 10 9 podemos constatar que os ajustes de exercícios anterior, obrigatoriamente, têm que ser\efetuados antes da Distribuição de Lucros ou Dividendos. (...) (...) 57.Nesses termos, esta fiscalização entende que, se a empresa tivesse feito em sua contabilidade os lançamentos na ordem disposta no artigo 186, da Lei 6.404/76, ordem pela qual a empresa demonstra ter conhecimento, pois além de preencher corretamente a Ficha 38 da DIPJ Exercício 2009, anocalendário 2008, apresentou a esta fiscalização um documento intitulado "Demonstrações das mutações do patrimônio líquido", no qual ela primeiro efetua os ajustes e depois lança a distribuição de dividendos, não teria lucros/dividendos suficientes para distribuição de tal montante. Entretanto, importante ressaltar que, não obstante a empresa ter conhecimento da seqüência correta dos lançamentos, isso não a impediu de distribuir mais lucro do que realmente dispunha, uma vez que em 31/12/2008, após os ajustes efetuados e a distribuição de lucros, ela deságua em um saldo de prejuízo no montante de (R$ 475.819.787,07). (...) 58.2. Ainda, ratificando novamente que cometeu 'erros', a empresa informa no item c das Notas Explicativas às Demonstrações Financeiras, fls. 47 do documento apresentado por ela intitulado 'Demonstrações Financeiras em 31 de dezembro de 2008 e 2007': (...)" 9. Concluindo, a Relatora se alinhou com as conclusões do TVF: que as correções, que não eram decorrentes da adoção da nova legislação das SA's, eliminaram o saldo de lucros acumulados cujo valor deveria ter sido ajustado, antes de 01/01/2008, e afetava o dito saldo, impedindo a distribuição de dividendos em 15/12/2008. 10. O art. 186 da Lei das S A’s, Lei nº 6.404 , de 15 de dezembro de 1976, que dá base à Ficha 38 da DIPJ 2009: Ficha 38 Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados 16579312831012012181802MF110 Ano calendário 2008 ND 1794474 CNPJ 60.409.075/000152 Discriminação Valor LUCROS/PREJUÍZOS 01.Saldo de Lucros Acumulados 596.582.207,58 02.Ajustes Credores de Períodos de Apuração Anteriores 0, 00 03.Reversão de Reservas 0, 00 04.Outros Recursos 05.Lucro Líquido do Aro 173.850.912,94 06.()Saldo Anterior de Prejuízos Acumulados 07.()Ajustes Devedores de Períodos de Apuração Anteriores 681.713.315,78 08.()Prejuízo Líquido do Ano 09.TOTAL 88.719.804,74 Fl. 3283DF CARF MF Processo nº 19515.722835/201375 Acórdão n.º 1201002.144 S1C2T1 Fl. 11 10 DESTINAÇÕES 10 . Transferências para Reservas 11.Dividendos ou Lucros Distribuídos, Pagos ou Creditados 564.539.591,81 12.Parcela do; Lucros Incorporados ao Capital 0, 00 13 .Outras Destinações 564.539.591,81 15.LUCROS OU PREJUÍZOS ACUMULADOS 475.819.787,07 INFORMAÇÕES DO ÚLTIMO BALANÇO DO ANO DA DECLARAÇÃO 16.BALANÇO TRANSCRITO ÀS FOLHAS N° 1 17.N° DO DIÁRIO 1787 18.N° DO REGISTRO DO DIÁRIO 0 11. Em síntese, a base normativa reclamada foram o art. 186 da Lei nº 6.404 , de 15 de dezembro de 1976; o item 3, item 10 "a", do Pronunciamento Técnico do Comitê de Pronunciamentos Contábeis CPC 13, de 05 de dezembro de 2008; isto é, a Lei das SA's e os procedimentos a serem adotados na elaboração do balanço patrimonial inicial na data de transição (em 01/01/2008) para as novas práticas contábeis adotadas no Brasil, que é o ponto de partida para sua contabilidade de acordo com a Lei n° 11.638, de 2007 e Medida Provisória n° 449, de 2008. ITEM 4 12. O Autuante apurou que o valor de lucros disponíveis para distribuição como dividendos foi R$42.223.683,99; como a empresa remeteu ao exterior R$564.539.591,84, o excedente foi tributado com a base legal constante no Auto de Infração, art. 28, da Lei 9.249, de 1995, arts. 682, 683, 684, 685 do RIR, de 1999, porque não se tratava de dividendos e sim remuneração: Art.682. Estão sujeitos ao imposto na fonte, de acordo com o disposto neste Capítulo, a renda e os proventos de qualquer natureza provenientes de fontes situadas no País, quando percebidos: Ipelas pessoas físicas ou jurídicas residentes ou domiciliadas no exterior (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 97, alínea "a") (...) Art. 685, I, do RIR/99: Art.685.Os rendimentos, ganhos de capital e demais proventos pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos, por fonte situada no País, a pessoa física ou jurídica residente no exterior, estão sujeitos à incidência na fonte (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 100, Lei nº 3.470, de 1958, art. 77, Lei nº 9.249, de 1995, art. 23, e Lei nº 9.779, de 1999, arts. 7º e 8º): Ià alíquota de quinze por cento, quando não tiverem tributação específica neste Capítulo, inclusive: 13. Quanto ao art. 692 do RIR: Fl. 3284DF CARF MF Processo nº 19515.722835/201375 Acórdão n.º 1201002.144 S1C2T1 Fl. 12 11 Art.692. Os lucros ou dividendos calculados com base nos resultados apurados a partir do mês de janeiro de 1996, pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real ou arbitrado a pessoa física ou jurídica, domiciliada no exterior, não estão sujeitos à incidência do imposto na fonte (Lei nº 9.249, de 1995, art. 10). 14. O art. 692 do RIR de 1999, supra, não se aplica, porque valores remetidos ao exterior não podem ser considerados como lucros distribuídos ou dividendos, pela razão exposta, ou seja, o valor pago, objeto da autuação, excedeu os lucros apurados. 15. Afirma o TVF: 66. Ou seja, existem duas condições para se distribuir dividendos com isenção: 1a a empresa deve possuir lucro para ser distribuído; 2a o lucro distribuído deve ser apurado conforme as regras existentes em 31/12/2007. 67 (...) Ressaltase que somente o saldo positivo de R$ 42.223.683,99, resultante da recomposição feita pela fiscalização, foi considerado com dividendo passível de distribuição. Desse modo, os valores pagos a maior foram considerados como rudimentos pagos a beneficiários no exterior, servindo para o cálculo do 1RF, conforme se verá adiante. 16. Como se evidencia, não havia necessidade de se repetir a base legal já constante dos autos. 17. A Recorrente ainda questiona: 61. Mesmo que se admitisse ter ocorrido distribuição de lucros em excesso (com o que não concorda) isso acarretaria redução de capital (isto é, restituição de capital aos acionistas), não sujeita ao IRRF, por inexistência de base legal, sendo inaceitável a posição de DRJ de que a "redução de capital" não poderia ser reconhecida porque não houve deliberação dos sócios neste sentido; eis que a distribuição foi decidida por unanimidade em 25/11/2008. 18. A companhia pode reduzir o Capital Social, seja para absorver prejuízos acumulados ou para devolução aos acionistas, por ser excessivo em relação às necessidades sociais. Para as sociedades limitadas, a redução de capital é regulada pelos artigos 1.082 a 1.084 do Novo Código Civil (Lei 10.406, de 2002): Do Aumento e da Redução do Capital Art. 1.082. Pode a sociedade reduzir o capital, mediante a correspondente modificação do contrato: I depois de integralizado, se houver perdas irreparáveis; II se excessivo em relação ao objeto da sociedade. (...) Art. 1.084. No caso do inciso II do art. 1.082, a redução do capital será feita restituindose parte do valor das quotas aos sócios, ou dispensandose as prestações ainda devidas, com diminuição proporcional, em ambos os casos, do valor nominal das quotas. Fl. 3285DF CARF MF Processo nº 19515.722835/201375 Acórdão n.º 1201002.144 S1C2T1 Fl. 13 12 § 1o No prazo de noventa dias, contado da data da publicação da ata da assembléia que aprovar a redução, o credor quirografário, por título líquido anterior a essa data, poderá oporse ao deliberado. § 2o A redução somente se tornará eficaz se, no prazo estabelecido no parágrafo antecedente, não for impugnada, ou se provado o pagamento da dívida ou o depósito judicial do respectivo valor. § 3o Satisfeitas as condições estabelecidas no parágrafo antecedente, procederseá à averbação, no Registro Público de Empresas Mercantis, da ata que tenha aprovado a redução. (Grifouse.) 19. A Ata de Reunião de Diretoria, págs. 1.274/1.275, de 25/11/2008, registra a decisão da Nestlé S/A, sediada na Suíça, e Socopal Ltda, únicas sócias da Nestlé Brasil Ltda: (...) resolvem neste ato, de pleno e comum acordo, deliberar a distribuição de Dividendos no valor de R$ 564.539.591,81 (quinhentos e sessenta e quatro milhões, quinhentos e trinta e nove mil, quinhentos e noventa e um reais e oitenta um centavos), que serão remetidos à Sócia Nestlé S.A., até o dia 20 de dezembro de 008. A sócia minoritária, SOCOPAL Sociedade Comercial de Corretagem de Seguros e de Participações Ltda., renuncia ao direito do recebimento dos seus respectivos juros em favor da sócia majoritária Nestlé S. A. 20. Esta Ata, datada de 25/11/2008, foi levada a registro na Junta Comercial do Estado de São Paulo Jucesp. 21. Não há, assim, o que falar em redução de capital. 22. Concluise que o auto de infração informa satisfatoriamente a base legal da exigência de ofício, não havendo obscuridade; quanto à possibilidade de redução de capital e devolução ao sócio no exterior, não foram cumpridas formalidade que caracterizassem a remessa como redução de capital com devolução aos sócios, dado que a Ata da Reunião de Sócios deliberou Distribuição de Dividendos". 23. Assim, resta sanada qualquer obscuridade que porventura remanescesse, no Acórdão embargado, quanto a esta questão. ITEM 5 1.2 LUCROS A DISTRIBUIR APURADOS EM 31/12/2008. 24. Verificase, pág. 1.834, "Demonstração de resultados, exercícios findos em 31 de dezembro de 2008 e 2007", que a Autuada adicionou ao lucro líquido apurado em 31/12/2008, R$45.776.508,29 de IRPJ e CSLL diferidos de períodos anteriores: Lucro antes do imposto de renda e contribuição social 206.300 Imposto de renda e contribuição social correntes (9.562) Fl. 3286DF CARF MF Processo nº 19515.722835/201375 Acórdão n.º 1201002.144 S1C2T1 Fl. 14 13 Imposto da renda e contribuição social diferidos 45.776 Lucro liquido do exercício 242.514 25. O Autuante excluiu esta adição conforme explicou no Termo de Verificação Fiscal TVF, pág. 1.445: "19. Ainda, considerando os dados constantes na Demonstração de Resultado apresentada, verificamos que o contribuinte também considerou como lucro passível de distribuição o valor de R$ 45.776.508,29, valor este informado a título de "Imposto de Renda e Contribuição Social Diferidos". Ora, entendemos não haver qualquer base legal para o contribuinte considerar este valor como lucro a ser distribuído com isenção, uma vez que o referido valor não chegou a fazer parte da Base de Cálculo do IRPJ e da CSLL, condição imprescindível estabelecida pela regra isentiva constante no artigo 10, da Lei 9.249/1995, (...)" 26. TVF, pág. 1.451: "36.1.1. A empresa aumentou o lucro líquido do próprio exercício de 2008 (lucro societário), no montante de R$ 45.776.508,29, inserindo valores de IRPJ e CSLL diferidos que não poderiam servir de base para distribuição de dividendos, uma vez que tais valores não foram oferecidos à tributação, bem como não existe base legal para tanto. ITEM III. 1.1" 27. TVF, págs. 1.444/1.445, demonstra o valor de lucros passíveis de distribuição, no encerramento do ano 2008, em 31/12/2008: "18. Voltando a utilizar a Demonstração de Resultado apresentada pela empresa, correspondente ao Exercício findo em 31 de dezembro de 2008, a qual indica como Lucro Antes dos Impostos o valor de R$ 206.298.485,82, considerando o valor máximo que deveria ser pago a título de JCP (31.270.409,76, cf. item 59.3), considerando o valor recalculado da CSLL devida (10.838.722,20, cf. item 15 retro), bem como o valor recalculado do IRPJ devido (30.083.561,68, cf. item 17.1 retro), obtemos como Lucro Líquido do Exercício passível de distribuição o valor de: 206.298.485,82 31.370.409,76 10.838.722,20 30.083.561,68 = R$ 134.105.792,18." 1.3 LUCROS A DISTRIBUIR APURADOS EM 31/12/2007. 28. TVF, págs. 1.467: neste quadro o Autuante apurou o que considerou o saldo de lucros disponível para distribuição: 60. No quadro abaixo indicamos o montante de lucros disponíveis para distribuição, caso a empresa tivesse lançado os ajustes regularmente em sua contabilidade: Lucros/(prejuízos) Saldo em 31 de dezembro de 2007 596.582.207,58 Ajustes nos lucros acumulados de 2007 (erros) (651.398.669,14) Ajustes da adoção inicial da Lei 11.638/07 (30.314.646,63) Lucro Líquido do Exercício (cf. item 18 já deduzido o novo JCP) (destaquese que tratase de lucro referente a 2008) 134.105.792,18 Ajustes do RTT (itens 14 e 16 retro) (6.751.000,00) Saldo disponível para Destinações 42.223.683,99 29. TVF, pág. 1.468: Fl. 3287DF CARF MF Processo nº 19515.722835/201375 Acórdão n.º 1201002.144 S1C2T1 Fl. 15 14 62. Considerando que a empresa distribuiu, a título de dividendos, o valor de R$ 564.539.591,81 e dispunha, apenas, de R$ 42.223.683,99, resta evidente que a diferença existente entre esses valores» que perfaz o montante de R$522.315.907,82, a empresa remeteu para o exterior, isenta de impostos, porém, sem qualquer base legal. 30. TVF, pág. 1.473: 71. Nesse sentido, em razão da alíquota de 15%, o valor da remessa ao exterior, R$ 522.315.907,82, é considerado líquido, cabendo dividilo por 0,85, para se chegar ao valor bruto, que é a base de cálculo do IRF, conforme abaixo transcrito: Base de Cálculo 522.315.907,82/0,85 = 614.489.303,32 31. Mas, a Recorrente reiterou no recurso voluntário, que distribuiu lucros apurados em 31/12/2007, em 15/12/2008, transcrevese: A impugnação demonstrou o descabimento das autuações, essencialmente, pois: 1. Os JCPs e os lucros distribuídos ao longo de 2008 foram calculados com base nas demonstrações financeiras de 31/12/2007 em razão de a legislação impor a elaboração de novos demonstrativos apenas em 31/12/2008. 2. O resultado apurado em um exercício é passível de distribuição até o encerramento do seguinte, sem a necessidade de balanços intermediários, desde que o pagamento seja debitado à conta de lucros das demonstrações do exercício pretérito, a exemplo do verificado no caso concreto (pagamento em 15/12/2008 com base nas demonstrações de 31/12/2007). 32. Também relata o Acórdão embargado: 4.1.1.Dividendos. 132. Às págs. 1.490/1.491, Ata da Reunião de Sócios da Recorrente que deliberam sobre remessas de Dividendos para a sócia Nestlé S/A (Suiça) Data da Reunião referente a Valor dos dividendos 25/11/2008 Lucr Acum em 31/12/2007 564.539.591,81 133. Tanto o contribuinte como o Autuante se referem a valores que a recorrente distribuiu a título de dividendos, com base nos lucros acumulados no encerramento do anocalendário 2007, isto é, em 31/12/2007. 33. Evidente, portanto, que os lucros sobre os quais a Autuada decidiu distribuir na forma de dividendos foram os que dispunha em 31/12/2007. 34. Em relação ao anocalendário 2007, o Acórdão embargado concluiu que não havia saldo de lucros para a distribuição de dividendos em 31/12/2007. Fl. 3288DF CARF MF Processo nº 19515.722835/201375 Acórdão n.º 1201002.144 S1C2T1 Fl. 16 15 35. Por isso, na coluna "Este Voto", tabela de pág. 3.172, tendo sido apurado que não restavam lucros a serem distribuídos depois de consideradas as correções dos erros, em 31/12/2007, uma vez que se apurou saldo negativo de lucros em 31/12/2007, a relatora consignou que, se o Autuante reconheceu R$42.223.683,99 de lucros passíveis de distribuição, o CARF não poderia deixar de manter este reconhecimento, sob risco de agravamento. 36. Quanto às frases a seguir, estão erradas, dado que R$45.776.508,29, receberam o mesmo tratamento que o Autuante havia dado, ou seja, estavam excluídos; a frase a seguir deve ser desconsiderada. "2. Assim, cabe recompor a apuração do lucro passível de distribuição, considerando a redução dos Lucros Acumulados em 31/12/2007 no valor de R$651.398.669,14 () 45.776.508,29)" "Imposto de Renda e Contribuição Social Diferidos" inclusos nos Ajustes. 45.776.508,29 ..." 37. E a conclusão constante do Acórdão está de acordo com as conclusões do voto: 173. À vista do exposto, a autuação referente a dividendos indevidamente distribuídos, e portanto, que não podiam ter sido considerados como tal, deve ser mantida, no montante apurado pelo Autuante. Conclusão. Voto por ACOLHER os Embargos de Declaração, dando provimento em parte, sem efeitos infringentes. (assinado digitalmente) Eva Maria Los Voto Vencedor Não obstante o brilhantismo do voto da Conselheira relatora ouso divergir. Isso porque, em relação ao item 3 dos Embargos de Declaração apresentados "Erros de Interpretação", entendo que o voto da conselheira relatora não conseguiu indicar qual seria o dispositivo constante na legislação tributária ou societária que indica que na ocorrência de erro de interpretação o ajuste deva ser efetuado no período ao qual se reporta e não no período em que detectado ou identificado o erro. A Conselheira Relatora não conseguiu fazer tal indicação em seu voto pelo simples fato de que tal dispositivo legal não existe. Por outro lado, tenho firme convicção de que a Fl. 3289DF CARF MF Processo nº 19515.722835/201375 Acórdão n.º 1201002.144 S1C2T1 Fl. 17 16 Resolução CFC 1.087/2006 é cristalina ao indicar que os efeitos corretivos do erro de interpretação devam gerar efeitos no período em que tal erro fora detectado, vejamos: 19.11.2.3. Erros de exercícios anteriores são omissões ou distorções contidos nas demonstrações contábeis de um ou mais exercícios anteriores, resultantes de falhas no uso ou do uso errôneo de informações confiáveis que: a)estavam disponíveis quando da elaboração das demonstrações contábeis; e b)seria razoável concluir serem conhecidas e consideradas por ocasião da elaboração e da divulgação daquelas demonstrações contábeis. Tais erros incluem os efeitos de enganos matemáticos, de enganos na aplicação das práticas contábeis, de desconsideração ou má interpretação de fatos e de fraudes. (...) 19.11.5 ERROS 19.11.5.1 .Correção de Erros 19.11.5.1.1 Erros podem ocorrer no registro, na mensuração, na apresentação ou na divulgação de elementos que compõem as demonstrações contábeis. Essas demonstrações não estão de acordo com as práticas contábeis adotadas no Brasil se contiverem erros relevantes ou mesmo pequenas incorreções cometidas intencionalmente para atingir uma predeterminada apresentação da posição patrimonial e financeira da entidade, de seu desempenho ou seu fluxo financeiro. Erros cometidos e identificados dentro do exercício corrente devem ser corrigidos antes da elaboração e divulgação das demonstrações contábeis. Contudo, o erro pode ser identificado em exercício subseqüente. Nesse caso, o erro deve ser corrigido nas informações de exercícios anteriores apresentadas para fins comparativos. Veja, no presente caso está sendo discutida situação de erro e não de fraude cometida com dolo. Partindo deste princípio, temos que o ajuste do erro detectado deve ser feito no primeiro exercício em que isso for possível após a detecção do erro. Além disso, a norma supracitada dispõe que o erro deve ser corrigido em informações de exercícios anteriores para fins comparativos. No caso em tela, o erro tornouse conhecido somente no mês de agosto de 2010, portanto, o ajuste somente poderia ser exigido e gerar os efeitos daí decorrentes no período de apuração de 2010 e não no ano de 2008 como quer fazer acreditar a autoridade fiscal. Fl. 3290DF CARF MF Processo nº 19515.722835/201375 Acórdão n.º 1201002.144 S1C2T1 Fl. 18 17 Considerando que nos moldes da Resolução CFC 1.087/2006 o ajuste somente será efetuado no ano de 2010, sem efeitos retroativos ao ano de 2008, tenho que o reconhecimento do presente item dos Embargos de Declaração deva resultar em efeitos infringentes, pois, uma vez mantido o resultado apurado no ano de 2008 não há que se falar em excesso de distribuição de dividendos neste mesmo ano, devendo a autuação ser cancelada neste ponto. Conclusão Diante do exposto, CONHEÇO dos Embargos de Declaração apresentados, dando PROVIMENTO EM PARTE com EFEITOS INFRINGENTES em relação ao item 03 dos Embargos de Declaração apresentados de forma a cancelar o lançamento fiscal decorrente do excesso na distribuição de dividendos no ano de 2008. É como voto! Luis Fabiano Alves Penteado Redator Designado Fl. 3291DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.721660/2014-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 30/11/2011
ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA 2 DO CARF. APLICAÇÃO.
De conformidade com a Súmula CARF nº 2, este Colegiado não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS - DACON.
O cumprimento das obrigações acessórias fora dos prazos previstos na legislação tributária sujeita o infrator à aplicação das penalidades legais.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-003.952
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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SÚMULA 2 DO CARF. APLICAÇÃO. De conformidade com a Súmula CARF nº 2, este Colegiado não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS DACON. O cumprimento das obrigações acessórias fora dos prazos previstos na legislação tributária sujeita o infrator à aplicação das penalidades legais. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 72 16 60 /2 01 4- 01 Fl. 56DF CARF MF Processo nº 11065.721660/201401 Acórdão n.º 3201003.952 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de Auto de Infração lavrado para se exigir multa por atraso na entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon). A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, por meio do acórdão nº 12 076.143, julgou improcedente a Impugnação, sob o entendimento de que, estando a pessoa jurídica obrigada à apresentação do Dacon, o atraso ou a falta no cumprimento dessa obrigação implica, por dever legal, a aplicação da multa correspondente. Irresignado, o contribuinte interpôs, no prazo legal, Recurso Voluntário a este Conselho. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.951, de 21/06/2018, proferido no julgamento do processo 13811.725490/201208, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.951): Preliminarmente, em relação às alegações de inconstitucionalidade tecidas pela recorrente (irrazoabilidade e desproporcionalidade) em sua peça recursal, as afasto em razão da incompetência deste Colegiado para decidir sobre a constitucionalidade da legislação tributária. A matéria é objeto da Súmula CARF nº 2, publicada no DOU de 22/12/2009 a seguir ementada: “Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” Assim, sendo referida súmula de aplicação obrigatória por este colegiado, maiores digressões sobre a matéria são desnecessárias. No que tange ao mérito da questão, tratase no caso, o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais DACON de uma declaração instituída com fundamento no art. 7º da Lei nº 10426/2002, com a redação dada pela Lei nº 11051/2004. Fl. 57DF CARF MF Processo nº 11065.721660/201401 Acórdão n.º 3201003.952 S3C2T1 Fl. 4 3 O dispositivo legal em comento apresenta a seguinte redação: "Art. 7o O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de nãoapresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (...) III de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante da Cofins, ou, na sua falta, da contribuição para o PIS/Pasep, informado no Dacon, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo;" Constatase, então, que a obrigação acessória em apreço possui previsão legal. Estabelece a Instrução Normativa SRF n° 590, de 22 de dezembro de 2005, vigente à época dos fatos, nos arts. 2º e 8º: "Art. 2º A partir do anocalendário de 2006, as pessoas jurídicas de direito privado e as que lhes são equiparadas pela legislação do Imposto de Renda, submetidas à apuração da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), nos regimes cumulativo e nãocumulativo, inclusive aquelas que apuram a Contribuição para o PIS/Pasep com base na folha de salários, deverão apresentar o Dacon Mensal, de forma centralizada pelo estabelecimento matriz, caso esta seja a periodicidade de entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 708, de 09 de janeiro de 2007) § 1º As pessoas jurídicas não enquadradas no caput deste artigo poderão optar pela entrega do Dacon Mensal. § 2º A opção de que trata o § 1º será exercida mediante apresentação do primeiro Dacon, sendo essa opção definitiva e irretratável para todo o ano calendário que contiver o período correspondente ao demonstrativo apresentado. § 3º No caso de ser exercida a opção de que trata o § 1º com a apresentação de Dacon relativo a mês posterior ao primeiro mês de 2006, a pessoa jurídica ficará obrigada à apresentação dos demonstrativos relativos aos meses anteriores. § 4º Na hipótese de que trata o § 3º, será devida a multa pelo atraso na entrega de Dacon referente a mês anterior ao da opção, no caso de apresentação após o prazo fixado." "Art. 8º O Dacon deverá ser apresentado: I pelas pessoas jurídicas de que trata o art. 2º, até o quinto dia útil do segundo mês subseqüente ao mês de referência; II pelas demais pessoas jurídicas: Fl. 58DF CARF MF Processo nº 11065.721660/201401 Acórdão n.º 3201003.952 S3C2T1 Fl. 5 4 a) até o quinto dia útil do mês de outubro de cada anocalendário, no caso de Dacon relativo ao primeiro semestre; e b) até o quinto dia útil do mês de abril de cada anocalendário, no caso de Dacon relativo ao segundo semestre do anocalendário anterior. § 1º Excepcionalmente, em relação ao anocalendário de 2006, a obrigatoriedade de entrega do Dacon, nos prazos estabelecidos nos incisos I e II deste artigo, vigorará a partir do período em que os respectivos programas geradores forem disponibilizados, na forma do art. 7º. § 2º No caso de extinção, incorporação, fusão, cisão parcial ou cisão total, o Dacon deverá ser apresentado pela pessoa jurídica extinta, incorporada, incorporadora, fusionada ou cindida o último dia útil do mês subseqüente ao do evento, observada a excepcionalidade do § 1º deste artigo. § 3º A obrigatoriedade de entrega do Dacon, na forma prevista no § 2º, não se aplica à incorporadora nos casos em que as pessoas jurídicas, incorporadora e incorporada, estejam sob o mesmo controle societário desde o anocalendário anterior ao do evento." No caso dos autos não existe controvérsia acerca dos fatos, no sentido de que o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais – Dacon foi entregue fora do prazo, o que torna cabível a aplicação da multa legalmente prevista, incidente sobre o montante da Cofins informado no Dacon, ainda que tenha sido integralmente pago. Acerta a decisão recorrida ao consignar: "Assim, para o lançamento da multa basta o não cumprimento da obrigação acessória dentro prazo, independentemente de aspectos como falta de profissional especializado, desconhecimento ou não entendimento da legislação, problemas particulares (inclusive com equipamentos de informática e provedor de internet) ou de condição financeira, dano ao erário, culpa ou dolo do sujeito passivo. Notese que quando o contribuinte deixa para cumprir sua obrigação ao final do prazo estipulado, assume o risco de incorrer em problemas particulares que culminam com o não cumprimento de sua obrigação tempestivamente. Portanto, como no presente caso é incontroverso o atraso no cumprimento da obrigação acessória e não há dúvida quanto à interpretação da legislação tributária, correta a exigência da multa legalmente estabelecida." O entendimento do Conselho Administrativo e Recursos Fiscais CARF é no sentido de ser devida a multa pelo atraso na entrega do DACON. Em tal direção, temse os seguintes julgados: "ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2010 DACON. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. CABIMENTO. Irreparável lançamento que exige multa pelo atraso na entrega do Dacon quando se comprova que o contribuinte estava a ela obrigada e que ele foi entregue intempestivamente, em especial se, em sede de Recurso, não há apresentação e qualquer prova em sentido contrário." (Processo nº 16327.002626/200369; Acórdão nº 3802003.388; Relator Conselheiro Bruno Maurício Macedo Curi; Sessão de 24/07/2014) "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2010 Fl. 59DF CARF MF Processo nº 11065.721660/201401 Acórdão n.º 3201003.952 S3C2T1 Fl. 6 5 ANÁLISE CONSTITUCIONALIDADE DE LEI. SÚMULA CARF Nº 2 Ao CARF incumbe a análise em conformidade com a legislação vigente, sendolhe defeso afastar a aplicação da norma ao caso concreto em face de alegada inconstitucionalidade de lei ou decreto (Súmula Carf nº 2). ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2010 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS DACON O cumprimento da obrigação acessória fora dos prazos previstos na legislação tributária, sujeita o infrator à aplicação das penalidades legais. Recurso Voluntário Negado." (Processo nº 10242.000337/201016; Acórdão nº 3302002.666; Relatora Conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó; Sessão de 24/07/2014) "ASSUNTO: MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. Exercício: 2008 Estando o contribuinte obrigado a apresentar o Dacon, a sua entrega fora do prazo enseja a aplicação da multa por descumprimento de obrigação acessória." (Processo nº 13227.000945/200884; Acórdão nº 3202001.224; Relator Conselheiro Luiz Eduardo Garrossino Barbieri; Sessão de 29/05/2013) Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário interposto. Importa registrar que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 60DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10882.903771/2009-72
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2000
COMPENSAÇÃO. RESTITUIÇÃO. PRAZO DECADENCIAL.
A transmissão de declaração de compensação, antes de findo o prazo decadencial de cinco anos para a formalização de pedido de restituição, não tem o mesmo efeito atribuído a pedido de restituição ou de ressarcimento, não se lhe aplicando a possibilidade de garantir a utilização de saldo de créditos em declarações de compensação transmitidas posteriormente ao prazo decadencial referido.
Numero da decisão: 1402-003.156
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário em face de decadência.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei, Paulo Mateus Ciccone (Presidente) e Ailton Neves da Silva (Suplente convocado).
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2000 COMPENSAÇÃO. RESTITUIÇÃO. PRAZO DECADENCIAL. A transmissão de declaração de compensação, antes de findo o prazo decadencial de cinco anos para a formalização de pedido de restituição, não tem o mesmo efeito atribuído a pedido de restituição ou de ressarcimento, não se lhe aplicando a possibilidade de garantir a utilização de saldo de créditos em declarações de compensação transmitidas posteriormente ao prazo decadencial referido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário em face de decadência. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei, Paulo Mateus Ciccone (Presidente) e Ailton Neves da Silva (Suplente convocado).
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RESTITUIÇÃO. PRAZO DECADENCIAL. A transmissão de declaração de compensação, antes de findo o prazo decadencial de cinco anos para a formalização de pedido de restituição, não tem o mesmo efeito atribuído a pedido de restituição ou de ressarcimento, não se lhe aplicando a possibilidade de garantir a utilização de saldo de créditos em declarações de compensação transmitidas posteriormente ao prazo decadencial referido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário em face de decadência. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei, Paulo Mateus Ciccone (Presidente) e Ailton Neves da Silva (Suplente convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 37 71 /2 00 9- 72 Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10882.903771/200972 Acórdão n.º 1402003.156 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório que indeferiu compensação. O PER/DCOMP foi transmitido com o objetivo de compensar o(s) débito(s) nele discriminado(s) com crédito de IRPJ, decorrente de recolhimento com Darf. Constatouse, no Despacho Decisório, que, na data de transmissão do documento em análise, já estava extinto o direito de utilização do crédito, por terem se passado mais de cinco anos entre a data de arrecadação do DARF e a data de transmissão do PER/DCOMP. Diante do exposto, a compensação declarada NÃO foi HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, alegando que o DCOMP original com demonstrativo de crédito foi transmitido dentro do prazo de cinco anos para recuperação de pagamentos indevidos. Alegou, ainda, que, uma vez feita a declaração do crédito dentro do prazo legal, não se há de mencionar a extinção do direito de sua utilização. A decisão de primeira instância julgou improcedente a manifestação de inconformidade, para não reconhecer o direito creditório postulado e não homologar as compensações em litígio. Extraise do voto: A existência de DCOMP transmitida antes da extinção do direito de pleitear restituição de determinado pagamento não legitima compensações com ele efetuadas depois da extinção. A declaração de compensação não interrompe a contagem do prazo para extinção do direito de pedir restituição. O art. 42 da IN RFB n.º 1.300, de 2012, dispõe que o crédito do sujeito passivo para com a Fazenda Nacional que exceder ao total dos débitos por ele compensados mediante a entrega da “Declaração de Compensação” somente será restituído ou ressarcido pela RFB caso tenha sido requerido mediante “Pedido de Restituição” ou “Pedido de Ressarcimento” formalizado dentro do prazo previsto no art. 168 do Código Tributário Nacional (idêntica disposição se encontra no art. 27 da IN SRF n.º 460, de 2004, no art. 27 da IN SRF n.º 600, de 2006, e no art. 35 da IN RFB n.º 900, de 2008). Portanto, o fato de o crédito ser superior ao débito não altera a natureza da “Declaração de Compensação”, que não supre a falta do “Pedido de Restituição” do saldo remanescente. A legislação de regência, ao detalhar o direito de restituição de pagamentos indevidos ou maior que o devido, garantido pelo CTN, dentro do prazo de cinco anos contados do pagamento em questão (art. 168, I), no caso, o art. 42 da IN RFB 1300, de 2012 e, anteriormente, o art. 35 da IN RFB 900, de 2008, trazem a regra. Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10882.903771/200972 Acórdão n.º 1402003.156 S1C4T2 Fl. 4 3 Vejase: Art. 35. O crédito do sujeito passivo para com a Fazenda Nacional que exceder ao total dos débitos por ele compensados mediante a entrega da Declaração de Compensação somente será restituído ou ressarcido pela RFB caso tenha sido requerido pelo sujeito passivo mediante pedido de restituição ou pedido de ressarcimento formalizado dentro do prazo previsto no art. 168 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN) ou no art. 1º do Decreto nº20.910, de 6 de janeiro de 1932. Art. 42. O crédito do sujeito passivo, para com a Fazenda Nacional, que exceder ao total dos débitos por ele compensados mediante a entrega da Declaração de Compensação somente será restituído ou ressarcido pela RFB caso tenha sido requerido pelo sujeito passivo mediante pedido de restituição ou pedido de ressarcimento formalizado dentro do prazo previsto no art. 168 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN) ou no art. 1º do Decreto nº20.910, de 6 de janeiro de 1932. Inconformado, o autuado interpôs Recurso Voluntário a esta Colenda Turma, requerendo:sejam acolhidas todas as razões de fato e de direito expendidas na peça recursal, homologandose, por decorrência, a compensação objeto da Declaração de Compensação que instrui o presente contencioso administrativo fiscal. É o relatório. Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10882.903771/200972 Acórdão n.º 1402003.156 S1C4T2 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402003.141, de 16/05/2018, proferida no julgamento do Processo nº 10882.903770/200928, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. O processo paradigma analisou a possibilidade de utilização de crédito relativo a pagamento indevido ou a maior de IRPJ, recolhido em 23/03/2000, por meio de DCOMP transmitida em 07/10/2005, para compensação de débitos próprios. No presente processo o contribuinte requer a compensação de débitos com a utilização de crédito relativo a pagamento indevido ou a maior de IRPJ, recolhido em 31/05/2000, por meio de DCOMP transmitida em 07/10/2005. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402003.141): "O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual, dele conheço. Consignase, ainda, que o Recurso Voluntário em questão é representativo de controvérsia e, desta forma, foi designado para ser julgado sob o regime de recursos repetitivos. Em síntese, o contribuinte transmitiu PER/DCOMP no qual pretendia compensar recolhimento indevido e/ou maior que o devido, feito em DARF, com débitos de PIS e COFINS. A DRF de origem, em despacho decisório, não reconheceu o direito creditório, uma vez que havia transcorrido prazo maior do que 5 (cinco) anos entre a data de pagamento do DARF e a data de transmissão da PER/DCOMP. Apresentada manifestação de inconformidade, a DRJ competente consignou no v. acórdão recorrido que o contribuinte não tinha apresentado, antes do escoamento do prazo de 5 (cinco) anos contados do pagamento do DARF, pedido de restituição ou de ressarcimento de seus créditos. A transmissão de declaração de compensação, antes do final do prazo de 5 (cinco) anos da data de pagamento do DARF não tem o mesmo efeito de pedido de ressarcimento ou restituição, ou seja, não interrompe a contagem do prazo para extinção do direito de pedir a restituição. Em recurso voluntário, o contribuinte reitera que transmitiu PER/DCOMP antes de esgotado o prazo de 5 (cinco) anos para a utilização do pagamento indevido ou maior que o devido feito Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10882.903771/200972 Acórdão n.º 1402003.156 S1C4T2 Fl. 6 5 com DARF; que retificou essa PER/DCOMP original posteriormente ao prazo, bem como transmitiu outras PER/DCOMP, após o prazo de cinco anos, mas referentes ao crédito original, vinculado à primeira PER/DCOMP transmitida antes do decurso do prazo de cinco anos. Por inexistir preliminares, passo a análise de mérito. Ressaltase, inicialmente, que não há questionamentos quanto ao DARF que originou o crédito utilizado para fins de compensação. A data de seu pagamento é o termo a quo para a contagem do prazo decadencial de cinco anos para que o contribuinte exerça o seu direito à restituição do pagamento indevido ou maior do que o devido, nos termos do art. 168, I, do CTN. Antes de transcorrido o prazo decadencial de cinco anos, o contribuinte transmitiu uma DCOMP informando o seu crédito, bem como declarando a compensação com débitos próprios. Vejase cópia do documento originário de toda a controvérsia, em que se pode observar o "tipo do documento": [...] Adiante vejase o registro do crédito (R$ 17.604,89): [...] Agora vejase as mesmas telas, que o contribuinte chama de PER/DCOMP retificadora: [...] Finalmente, a tela relativa ao crédito informado: [...] Contudo, transcorrido o prazo de cinco anos da data do pagamento do DARF objeto dos créditos do contribuinte, este não fez, conforme relatado anteriormente, "pedido de restituição" do saldo restante de seus créditos. Em verdade, apresentou, posteriormente ao prazo, outras DCOMP, sendo que uma delas retificava a original e outras utilizavam o saldo do crédito em novas compensações declaradas. A questão controvertida a ser decidida, em sede de recurso repetitivo, é se as demais DCOMP, transmitidas após o prazo de cinco anos contados do pagamento indevido ou maior que o devido, sem prévio "pedido de restituição" dentro do prazo de cinco anos, seriam meios hábeis a permitir o exercício do direito de restituição garantido ao contribuinte pelo art. 168, I, do CTN, tomando por origem a DCOMP original, transmitida dentro do prazo decadencial. Vejase que as normas complementares não trazem a possibilidade de uma declaração de compensação ser utilizada para o exercício do direito de restituição nos moldes do art. 168, I, do CTN, demonstrando que, no caso concreto, a DCOMP Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10882.903771/200972 Acórdão n.º 1402003.156 S1C4T2 Fl. 7 6 transmitida antes do encerramento do prazo decadencial de cinco anos não garantiu ao contribuinte o direito de, posteriormente, utilizarse dos créditos remanescentes daquela primeira compensação, os quais restaram fulminados pela decadência. Desta forma, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário do contribuinte, reconhecendo que a transmissão de declaração de compensação, antes de findo o prazo decadencial de cinco anos para a formalização de pedido de restituição, não tem o mesmo efeito atribuído a um pedido de restituição ou de ressarcimento, não se lhe aplicando a possibilidade de garantir a utilização de saldo de créditos em declarações de compensação transmitidas posteriormente ao prazo decadencial referido. É o voto" Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário em face de decadência. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 80DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13603.722741/2012-40
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO.
Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição em acórdão exarado pelo Carf, devem ser acolhidos embargos de declaração visando a saná-las.
Numero da decisão: 2301-005.360
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para, sanando o vício apontado no Acórdão 2403-002.428, de 18/02/2014, alterar o seu dispositivo para que nele conste: "Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, no mérito, dar provimento parcial ao recurso, determinando o recalculo da multa de mora, conforme previsto no artigo 35 da Lei n° 8.212/91, incluído pela Lei n° 11.941/2009, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabelece a multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, critérios desta data que devem ser observados quando da ocasião do pagamento. Vencido o Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa".
João Bellini Júnior Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Maurício Vital, Wesley Rocha, Antônio Sávio Nastureles, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Júnior (presidente). Ausente justificadamente o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa.
Nome do relator: JOAO BELLINI JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO. Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição em acórdão exarado pelo Carf, devem ser acolhidos embargos de declaração visando a saná-las.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para, sanando o vício apontado no Acórdão 2403-002.428, de 18/02/2014, alterar o seu dispositivo para que nele conste: "Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, no mérito, dar provimento parcial ao recurso, determinando o recalculo da multa de mora, conforme previsto no artigo 35 da Lei n° 8.212/91, incluído pela Lei n° 11.941/2009, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabelece a multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, critérios desta data que devem ser observados quando da ocasião do pagamento. Vencido o Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa". João Bellini Júnior Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Maurício Vital, Wesley Rocha, Antônio Sávio Nastureles, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Júnior (presidente). Ausente justificadamente o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1877; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 2 1 1 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13603.722741/201240 Recurso nº Embargos Acórdão nº 2301005.360 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 7 de junho de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado INSTITUTO ELIZABETH KALIL LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO. Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição em acórdão exarado pelo Carf, devem ser acolhidos embargos de declaração visando a sanálas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para, sanando o vício apontado no Acórdão 2403002.428, de 18/02/2014, alterar o seu dispositivo para que nele conste: "Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, no mérito, dar provimento parcial ao recurso, determinando o recalculo da multa de mora, conforme previsto no artigo 35 da Lei n° 8.212/91, incluído pela Lei n° 11.941/2009, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabelece a multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, critérios desta data que devem ser observados quando da ocasião do pagamento. Vencido o Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa". João Bellini Júnior – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Maurício Vital, Wesley Rocha, Antônio Sávio Nastureles, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Júnior (presidente). Ausente justificadamente o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 72 27 41 /2 01 2- 40 Fl. 138DF CARF MF 2 Relatório Tratase de embargos de declaração opostos pela União, representada pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN), respeitantes ao Acórdão 2403002.428, de 18 de fevereiro de 2014 (efls. 129 e 130). Transcrevo o teor dos embargos: O r. acórdão deu parcial provimento ao recurso voluntário 'para reconhecer a decadência da competência até 11/2008'. Contudo, o v. voto conduto do r. acórdão não faz qualquer menção a respeito da decadência. Vale reproduzir a conclusão do d. Conselheirorelator, verbis: 'Conheço do recurso, para NO MÉRITO, até a competência 11/2008, inclusive, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, determinando o recalculo da multa de mora conforme o previsto no artigo 35 da Lei n° 8.212/91, incluído pela Lei n° 11.941/2009, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, critérios desta data que devem ser observados quando da ocasião do pagamento.' No corpo das razões do v. voto condutor não foi declinada qualquer fundamento para a declaração da decadência. Decerto que o processo administrativo, tal como o civil, adota o princípio da livre convicção. Ocorre que essa convicção deve estar motivada no ordenamento jurídico, a teor do disposto no Código de Processo Civil, art. 131, c/c a Lei n° 9.784, art. 50. Os embargos restaram admitidos, em 27/12/2015, em face da expressa concordância do relator do acórdão embargado, conselheiro Ivacir Julio de Souza, com os termos dos embargos (efls. 133 e 134). É o relatório. Voto Conselheiro João Bellini Júnior – Relator. Como mencionou a embargante, não há no relatório ou voto do acórdão embargado qualquer alusão à existência de decadência do poderdever da constituição do crédito tributário em questão. E nem haveria de ter, pois da leitura do relatório verificase tratarse da constituição de contribuições previdenciárias nas competências 01/2008 a 04/2008 e 12/2008, tendo a ciência do lançamento ocorrido em 28/09/2012: Tratase do Auto de Infração, lavrado em 27/09/2012 em nome do Instituto Elizabeth Kalil Ltda, para a constituição do crédito Fl. 139DF CARF MF Processo nº 13603.722741/201240 Acórdão n.º 2301005.360 S2C3T1 Fl. 3 3 tributário relativo às contribuições previdenciárias descontadas dos segurados empregados e dos sócios, nas competências 01/2008 a 04/2008 e 12/2008, e não recolhidas à Seguridade Social,. A empresa pagou a seus empregados remunerações a título de salários e outras remunerações (salários extras e gratificações), bem como aos sócios a título prólabore, promoveu o desconto das contribuições previdenciárias delas decorrentes, sem, contudo, recolher o produto arrecadado aos cofres da Previdência Social. Cientificado do lançamento em 28/09/2012 (doc. de fls.01), o sujeito passivo , através de procurador legalmente constituído (fls.67 e 69), apresentou defesa em 30/10/2012 (fls 41/66), com as alegações abaixo resumidas. (Grifouse.) Não obstante tal fato, constou no dispositivo e reconhecimento parcial da decadência: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por maioria de votos, no mérito, dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer a decadência da competência até 11/2008, determinando o recalculo da multa de mora, conforme previsto no artigo 35 da Lei n° 8.212/91, incluído pela Lei n° 11.941/2009, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabelece a multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, critérios desta data que devem ser observados quando da ocasião do pagamento. Vencido o Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa. (Grifouse.) Desse modo, a menção, no dispositivo, do reconhecimento da decadência deve ser atribuído a erro material, e a sua supressão é a medida saneadora para que o dispositivo reste em harmonia com o relatório e voto. Conclusão Voto, portanto, por ACOLHER os embargos de declaração com efeitos infringentes para, sanando o vício apontado no Acórdão 2403002.428, de 18/02/2014, alterar o seu dispositivo para que nele conste: “Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, no mérito, dar provimento parcial ao recurso, determinando o recalculo da multa de mora, conforme previsto no artigo 35 da Lei n° 8.212/91, incluído pela Lei n° 11.941/2009, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabelece a multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, critérios desta data que devem ser Fl. 140DF CARF MF 4 observados quando da ocasião do pagamento. Vencido o Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa”. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior – Relator Fl. 141DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.905745/2008-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jul 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/11/2002 a 30/11/2002
Ementa:
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE PIS. PROVA DE PARTE DO CRÉDITO EM SEDE DE DILIGÊNCIA FISCAL. ADMISSIBILIDADE.
Em sede de diligência fiscal restou apurado que parte do crédito vindicado pelo contribuinte é legítima, o que deve redundar no seu reconhecimento por este Tribunal.
Numero da decisão: 3402-005.365
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário no limite do crédito reconhecido na diligência fiscal realizada nos autos.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Diego Diniz Ribeiro - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado).
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/11/2002 a 30/11/2002 Ementa: COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE PIS. PROVA DE PARTE DO CRÉDITO EM SEDE DE DILIGÊNCIA FISCAL. ADMISSIBILIDADE. Em sede de diligência fiscal restou apurado que parte do crédito vindicado pelo contribuinte é legítima, o que deve redundar no seu reconhecimento por este Tribunal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário no limite do crédito reconhecido na diligência fiscal realizada nos autos. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado).
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Recorrida Fazanda Nacional ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/11/2002 a 30/11/2002 Ementa: COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE PIS. PROVA DE PARTE DO CRÉDITO EM SEDE DE DILIGÊNCIA FISCAL. ADMISSIBILIDADE. Em sede de diligência fiscal restou apurado que parte do crédito vindicado pelo contribuinte é legítima, o que deve redundar no seu reconhecimento por este Tribunal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário no limite do crédito reconhecido na diligência fiscal realizada nos autos. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 90 57 45 /2 00 8- 90 Fl. 454DF CARF MF 2 1. Por bem retratar os fatos aqui analisados emprego como meu o Relatório desenvolvido por este Tribunal administrativo quando da resolução n. 3402000447 (fls. 153/155), da lavra do Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, o qual adoto como meu nos termos abaixo: Tratase de processo de restituição/compensação em que o contribuinte teve seu pedido de indébito negado por despacho decisório eletrônico, sob o fundamento de que o crédito financeiro alegado como pagamento indevido foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Na manifestação de inconformidade, o recorrente alega que a origem de seus créditos tem amparo na Lei 10.485/2002, por se tratar de produtos monofásicos que teriam sido incluídos indevidamente nas bases de cálculo do PIS e da Cofins. A DRJ em Curitiba julgou improcedente a manifestação de inconformidade sob o fundamento de que as alegações trazidas pela interessada constituem fatos que não foram apreciados pela autoridade originalmente competente, posto que resultam de retificação de DCTF feita somente após a ciência do despacho decisório, além de não ter sido trazida aos autos a comprovação da existência do direito creditório alegado de forma genérica na manifestação de inconformidade. Irresignado com a decisão da primeira instância administrativa, o recorrente interpõe recurso voluntário ao CARF, repisando os argumentos apresentados anteriormente na manifestação de inconformidade, ressaltando que os fundamentos jurídicos que sustentam seu pleito derivam de sua atividade societária, comerciante de autopeças, cuja Lei nº 10.485/2002 reduziu a zero a alíquota a ser aplicada na receita bruta auferida na venda destes produtos. O Recurso Voluntário foi analisado e foi proposta uma resolução para fins de identificar o objeto da sociedade, o valor da receita auferida com a comercialização de produtos relacionados nos anexos I e II da Lei nº 10.485/2002, o valor da base de cálculo tributável e o valor dos recolhimentos efetuados pelo recorrente. O processo retornou da origem acompanhado por várias planilhas, além do contrato social. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Curitiba não produziu o termo final de diligência analisando os dados constantes nos documentos acostados aos autos pelo recorrente. (...). 2. Diante deste quadro, o processo foi novamente baixado em diligência por intermédio da resolução acima mencionada, determinado que a unidade preparadora formulasse relatório fiscal com base nos documentos fiscais apresentados pelo contribuinte e, nesse sentido, indicasse a existência ou não de crédito a ser compensado. Fl. 455DF CARF MF Processo nº 10980.905745/200890 Acórdão n.º 3402005.365 S3C4T2 Fl. 455 3 3. Referida diligência foi cumprida, gerando relatório fiscal elaborado pela unidade preparadora, a respeito do qual o contribuinte apresentou manifestação. 4. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Diego Diniz Ribeiro 5. O recurso sub judice preenche os pressupostos formais de admissibilidade, motivo pelo qual passo ao seu conhecimento. I. Do crédito compensado 6. Em suma, o contribuinte apresentou pedido de compensação (DCOMP) alegando que recolheu valores que não eram devidos a título de PIS, ao fundamento que na operação perpetrada haveria incidência monofásica da tributação, nos termos da lei n. 10.485/02. 7. Em sede de diligência fiscal, assim apurou a unidade preparadora: (...). 6. A planilha elaborada por esta fiscalização levou em conta que: 6.1 – A tabela apresentada pelo contribuinte relacionando os produtos que vende, e respectiva classificação TIPI, não abrange todos os produtos que vende, conforme acima já se referiu e exemplificou. 6.2 Há produtos listados pelo contribuinte com cuja classificação TIPI não se concorda, mas que, ainda assim, se enquadram em classificação da TIPI cujo código também se encontra entre os que são beneficiados com a alíquota zero. Outros (pneus e câmaras de ar) que, não relacionados nos Anexos I e II da Lei n° 10.485/2002, ainda assim fazem jus à alíquota zero do PIS, conforme previsto no parágrafo único, art. 5°, daquela mesma Lei. 6.3 Levouse em conta, também, que o contribuinte, tal como consta na trigésima alteração de seu Contrato Social (fls. 134 a 138), Cláusula Terceira, tem por objeto social a exploração do ramo de comércio de peças e acessórios, serviços de manutenção e reparação mecânica de veículos auto motores, locação de automóveis sem condutor (49.3.02/0100), transporte de pessoal e pequenos volumes, e estacionamento para veículos e congêneres. 6.3.1 Ou seja, usando de bomsenso, considerouse que, se o contribuinte faturou uma mercadoria com o nome “borracha”, e esta designação, pura e simples, seja insuficiente para saber do que exatamente se trata, que, ainda assim, deve tratarse de Fl. 456DF CARF MF 4 produto para aplicação em um carro, ou seja, que não se trata de “borracha escolar”, por exemplo, embora também a possa vender. 6.4 O fato de se ter chegado à conclusão que determinado produto não se enquadra entre os listados nos Anexos I e II da Lei n° 10.485/2002, a isso se limita. Não se considerou necessário determinar em que código da TIPI tal produto se enquadra. A decisão se deu por exclusão – se o produto não se enquadra entre os previstos nos referidos Anexos, não é relevante determinar em qual se enquadra. Cabe ao contribuinte, isso sim, em não concordando com tal conclusão, indicar em que código da TIPI, previsto naqueles Anexos I e II, se enquadraria o produto, fazendo sua exata descrição, não se admitindo descrição como, por exemplo, sikaflex (NF n° 10349 – Proc. 10 980.905727/200816), que outra coisa não é que não uma marca de produto, embora por ele se presuma tratarse de produto da linha “selantes e correlatos”, que não é peça para automóvel, e, portanto, também não faz jus à alíquota zero do PIS. 6.5 A planilha abrange todas, e tão somente, as notas fiscais em face das quais o contribuinte identificou produtos contemplados com a alíquota zero, por ele demonstradas na relação, de fls. 140 a 146. Não se faz qualquer observação em relação àquelas sobre as quais não se observou divergência de entendimento quanto ao valor beneficiado pela alíquota zero ou não, só o fazendo em relação àquelas cujo valor não beneficiado com a alíquota zero fosse maior que o encontrado pelo contribuinte, neste caso referindo, na coluna “produtos não beneficiados c/ alíq. 0”, o nome dos produtos cuja classificação TIPI não corresponde a nenhuma daquelas constantes nos Anexos I e II da Lei 10.485/2002, para que o contribuinte, querendo, possa refutar o entendimento desta fiscalização, porém, identificando o produto com a correta nomenclatura, o código TIPI em que o considera enquadrado, bem como a defesa/esclarecimento de assim considerar, tal como já alertado no subitem precedente. 7. Dado o acima exposto, confirmase que o crédito utilizado na compensação em causa neste processo está restrito ao valor de R$ 590,29 (item 5 e seus subitens, acima). (...) (grifos nosso). 8. Referida diligência foi conclusiva no sentido de que, diante da análise perpetrada pela unidade preparadora, o contribuinte possuía algum crédito de PIS em razão de um indevido pagamento em operações ora sujeitas à monofasia ora subordinadas à alíquota zero, o que redundou em parte do crédito utilizado na presente compensação e glosado pela fiscalização. 9. Logo, há que se reconhecer como válido parte do crédito tomado pelo contribuinte, nos exatos termos em que constatado no sobredito relatório fiscal. Dispositivo Fl. 457DF CARF MF Processo nº 10980.905745/200890 Acórdão n.º 3402005.365 S3C4T2 Fl. 456 5 10. Diante do exposto, dou provimento ao Recurso Voluntário, de modo a reconhecer o crédito pleiteado pelo contribuinte no montante de R$ 590,29, nos exatos termos do relatório fiscal elaborado pela unidade preparadora. 11. É como voto. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro Fl. 458DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13819.908650/2009-79
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 28/12/2006
COMPENSAÇÃO ESTIMATIVAS. POSSIBILIDADE. NULIDADE ACÓRDÃO
Nos termos da súmula 84 do CARF, é possível a compensação de estimativas pagas indevidamente ou a maior. Não sendo analisado o direito creditório do contribuinte, sob o argumento já superado pelo CARF, é nulo o acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento.
Numero da decisão: 1302-002.863
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, para dar provimento parcial ao recurso voluntário e declarar a nulidade parcial da decisão de primeiro grau, determinando o retorno dos autos à DRJ para que se profira nova decisão, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Data do fato gerador: 28/12/2006 COMPENSAÇÃO ESTIMATIVAS. POSSIBILIDADE. NULIDADE ACÓRDÃO Nos termos da súmula 84 do CARF, é possível a compensação de estimativas pagas indevidamente ou a maior. Não sendo analisado o direito creditório do contribuinte, sob o argumento já superado pelo CARF, é nulo o acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento.
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POSSIBILIDADE. NULIDADE ACÓRDÃO Nos termos da súmula 84 do CARF, é possível a compensação de estimativas pagas indevidamente ou a maior. Não sendo analisado o direito creditório do contribuinte, sob o argumento já superado pelo CARF, é nulo o acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, para dar provimento parcial ao recurso voluntário e declarar a nulidade parcial da decisão de primeiro grau, determinando o retorno dos autos à DRJ para que se profira nova decisão, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Luiz Tadeu Matosinho Machado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 90 86 50 /2 00 9- 79 Fl. 118DF CARF MF Processo nº 13819.908650/200979 Acórdão n.º 1302002.863 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório Nos termos consignados nos autos, o presente processo administrativo se iniciou pelo indeferimento, via Despacho Decisório emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em São Bernardo do Campo, de pedido de compensação, no qual o ora Recorrente, Yakult S/A Indústria e Comércio, pretendia quitar débitos próprios com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de estimativas. No Despacho Decisório proferido, aquela douta Delegacia, não reconhecendo o direito creditório do contribuinte, assim se manifestou, in verbis: Analisadas as informações prestadas no documento acima Identificado, foi constatada a Improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a titulo de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Desta feita, como não foi reconhecido o direito creditório, o pedido de compensação não foi homologado, sendo cobrado, por consequencia, o débito que se pretendia quitar, acrescido de multa e juros. Devidamente intimado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, na qual defendeu o seu direito creditório. Suas alegações foram bem colocadas no acórdão recorrido. Assim, pedese venia para transcrever trecho do relatório daquele acórdão, na parte em que são expostas as razões defendidas pelo Recorrente: Em direito tributário, a compensação depende de lei (art. 170 do Código Tributário Nacional). Portanto, data vênia, não da ao FISCO o direito de enriquecerse ilicitamente em detrimento dos contribuintes. A compensação, notadamente no âmbito tributário, é instrumento moralizador, porquanto afasta o contribuinte dos transtornos inerentes à restituição em espécie. O que ocorre é que as compensações, por força dos art. 74, §§1° e 14, da Lei 9.430/96, têm, necessariamente, que ser declaradas ao Fisco, na forma que foi regulamentada. A Instrução Normativa RFB 900, de 30 de dezembro de 2008, é que regulamenta a compensação, e estabelece que sera efetuada mediante a utilização do programa PER/DCOMP (art. 34, §1°). O problema é que o dito PER/DCOMP não distingue os débitos de IRPJ/Estimativa e CSLL/Estimativa calculados com base na receita bruta (Lei 9.430/96, art.2°) ou com base no balanço/balancete de suspensão/redução (Decreto 3.000/99, art. Fl. 119DF CARF MF Processo nº 13819.908650/200979 Acórdão n.º 1302002.863 S1C3T2 Fl. 4 3 230). Em ambos os casos, o código da receita, estipulado pela Receita Federal do Brasil (RFB) é o mesmo. Assim sendo, decorre que o programa gerador de compensação (PER/DCOMP) não pode fazer a distinção entre débitos de estimativa calculados com base na receita bruta (Lei 9.430/96, art. 2°) e débitos de estimativas calculados com base no balanço/balancete de suspensão/redução (Decreto 3.000/99, art. 230), o que ocasiona a errônea analise do FISCO, conforme decisão de IMPROCEDÊNCIA. A contribuinte esta devidamente amparada pela citada legislação em vigor e atende os requisitos legais para seja concedido e deferido o presente pedido de compensação. Ressaltando novamente que os pagamentos efetuados foram efetuados com base em Balanço ou Balancete de Suspensão ou Redução, de acordo com o que foi declarado da DIPJ Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica, na ficha 11 (IRPJ), e na ficha 16 (CSLL). Ao analisar a Manifestação de Inconformidade do Recorrente, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Ribeirão Preto (SP) indeferiu o pleito do contribuinte, sob o mesmo argumento que motivou o Despacho Decisório. Citase trecho do acórdão neste sentido: (...) Portanto, as estimativas mensais, quer calculadas sobre base estimada, quer a partir de balanços ou balancetes de suspensão ou redução, não são extintivas do crédito tributário, vez que constituem mera antecipação de IRPJ/CSLL a serem apurados ao final do anocalendário, pois somente no final do exercício, em face do balanço patrimonial levantado, é que o crédito tributário se exteriorizará, fruto da aplicação da respectiva alíquota sobre uma base de cálculo tributável, decorrente do lucro contábil ajustado pelas adições e exclusões impostas pela lei fiscal, confrontado com a somatória das parcelas recolhidas e retidas ao longo do período, no caso o ano civil, podendo dessa operação aflorar a situação de ter sido antecipado e retido mais que o devido, o que passou a ser chamado de saldo negativo. Argumentou ainda, aquela d. DRJ, que seria ônus do contribuinte comprovar o seu direito creditório, com a apresentação de livros contábeis e fiscais, com a composição e cálculo dos valores recolhidos. Neste sentido, alegou que o contribuinte não fez prova do seu direito creditório. Vejase mais um trecho do acórdão: Além do mais, é oportuno registrar que, ainda que se pudesse admitir o recolhimento a maior de estimativa como pagamento indevido ou a maior de tributo, esta Turma de Julgamento tem consignado que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação Fl. 120DF CARF MF Processo nº 13819.908650/200979 Acórdão n.º 1302002.863 S1C3T2 Fl. 5 4 fática em todos os seus limites, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. Devidamente, intimado da decisão proferida pela DRJ em 26/06/2015, o Recorrente apresentou Recurso Voluntário em 22/07/2015, no qual repisou os argumentos para sustentar o seu direito creditório, além de ter acostado aos autos cópias do LALUR, livros contábeis e fiscais e DARF´s de pagamento, que, a princípio, comprovariam o direito creditório invocado no pedido de compensação que não foi homologado pela Receita Federal do Brasil. Este é o relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.855, de 13/06/2018, proferido no julgamento do Processo nº 13819.908642/2009 22, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.855): Como se denota dos autos, o Recorrente foi intimado eletronicamente do teor do acórdão recorrido, em 02/06/2015, apresentando o Recurso Voluntário ora analisado no dia 29/06/2015, ou seja, dentro do prazo de 30 dias, nos termos do que determina o artigo 33 do Decreto nº 70.235/72. Assim, por cumprir os demais requisitos de admissibilidade, o Recurso Voluntário deve ser conhecido e analisado por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Como demonstrado acima, o Recorrente, em pedido de compensação apresentado, indicou como crédito o pagamento indevido ou a maior de estimativas, de acordo com o regime de apuração do lucro real do IRPJ. A Delegacia da Receita Federal, em despacho decisório emitido, entendeu que não estava configurado o direito creditório, sob o argumento de que as estimativas pagas a maior só poderiam ser utilizadas para compor o saldo negativo do IRPJ e da CSLL. Ou seja, a princípio, pelo entendimento exarado, não foram analisados os livros contábeis e fiscais do contribuinte, para se verificar se o crédito invocado no pedido de compensação era legítimo. Tendo em vista o entendimento pela impossibilidade de compensação das estimativas, o pedido de compensação não foi homologado. Fl. 121DF CARF MF Processo nº 13819.908650/200979 Acórdão n.º 1302002.863 S1C3T2 Fl. 6 5 E a DRJ, apesar de ter alegado em argumento subsidiário que o contribuinte não comprovou o seu direito creditório, deixou bem claro o seu entendimento: as estimativas pagas a maior ou indevidamente só podem compor o saldo negativo, não podendo ser compensadas no mesmo exercício. Pois bem. No que tange à motivação do despacho decisório, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais tem posição consolidada e sumulada diametralmente oposta ao que restou consignado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de São Bernardo do Campo (SP). Vejase, neste sentido, o teor da Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. E quando se analisa os acórdãos que deram origem ao entendimento sumulado, fica fácil perceber o equívoco daquele Despacho Decisório. Como exemplo, citase trecho extraído do acórdão CARF nº 1202000.458, no qual é externado, inclusive, o entendimento da Receita Federal do Brasil, em que admite a compensação das estimativas, sem a vinculação à composição do saldo negativo, como restou assentado equivocadamente, data venia, no Despacho Decisório exarado: A própria Receita Federal do Brasil já se posicionou no sentido de admitir o procedimento adotado pela recorrente, por meio da Solução de Consulta 285 – SRRF/9ª RF/Disit de 17/07/2009, assim ementada: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ SALDO NEGATIVO. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. Em regra, o saldo negativo de IRPJ apurado anualmente poderá ser restituído ou compensado com o imposto de renda devido a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, mediante a entrega do PER/Dcomp. A diferença a maior, decorrente de erro do contribuinte, entre o valor efetivamente recolhido e o apurado com base na receita bruta ou em balancetes de suspensão/redução, está sujeita à restituição ou compensação mediante entrega do PER/Dcomp. Dispositivos Legais: Lei nº 9.430, de 1996, arts. 2º e 6º; Lei nº 8.981, de 1995, art. 35; ADN SRF nº 3, de 2000; IN RFB nº 900, de 2008, arts. 2º a 4º e 34. Por outro lado, a Solução de Consulta COSIT nº 19, de 05 de Dezembro de 2011, ao analisar questionamento interno que tem o mesmo objeto da presente discussão, assim concluiu: Fl. 122DF CARF MF Processo nº 13819.908650/200979 Acórdão n.º 1302002.863 S1C3T2 Fl. 7 6 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. Caracterizase como indébito de estimativa inclusive o pagamento a maior ou indevido efetuado a este título após o encerramento do período de apuração, seja pela quitação do débito de estimativa de dezembro dentro do prazo de vencimento, seja pelo pagamento em atraso da estimativa devida referente a qualquer mês do período, realizado em ano posterior ao do período da estimativa apurada, mesmo na hipótese de a restituição ter sido solicitada ou a compensação declarada na vigência das IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005. A nova interpretação dada pelo art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, aplicase inclusive aos PER/DCOMP retificadores apresentados a partir de 1º de janeiro de 2009, relativos a PER/DCOMP originais transmitidos durante o período de vigência da IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005, desde que estes se encontrem pendentes de decisão administrativa. Dispositivos Legais: Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, arts. 2º e 74; IN SRF nº 460, de 18 de outubro de 2004; IN SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005; IN RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008. Portanto, a motivação para indeferir o direito creditório do contribuinte não deve prevalecer. Por outro lado, como relatado acima, a DRJ, em argumento subsidiário, após aderir ao equivocado entendimento consignado no Despacho Decisório, afirmou que o contribuinte não havia feito prova do seu direito creditório, o que reforçaria a manutenção da decisão combatida pelo Recorrente. Contudo, a Delegacia de Julgamento de Ribeirão Preto (SP) poderia, de ofício, independentemente de requerimento expresso, ter realizado diligências para aferir autenticidade dos créditos declarados pelo Recorrente, até mesmo porque, como mencionado, o crédito não foi analisado pela Delegacia da Receita Federal que não homologou a compensação. A possibilidade de a instância julgadora determinar, de ofício, a realização de diligências esta prevista no artigo 18 do Decreto 70.235/72. Confirase: Fl. 123DF CARF MF Processo nº 13819.908650/200979 Acórdão n.º 1302002.863 S1C3T2 Fl. 8 7 Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) A interpretação que se pode fazer do citado dispositivo do Decreto que rege o processo administrativo federal é de que deve a Administração Pública se valer de todos os elementos possíveis para aferir a autenticidade das declarações dos contribuintes, o que, data venia, não foi feito no presente caso. Devese ressaltar, sobre o processo administrativo fiscal, que ele é delineado por diversos princípios, dentre os quais se destaca o da Verdade Material, cujo fundamento constitucional reside nos artigos 2º e 37 da Constituição Federal, no qual o julgador deve pautar suas decisões. Ou seja, o julgador deve perseguir a realidade dos fatos, para que não incorra em decisões injustas ou sem fundamento. Nesse sentido, são os ensinamentos de James Marins: A exigência da verdade material corresponde à busca pela aproximação entre a realidade factual e sua representação formal; aproximação entre os eventos ocorridos na dinâmica econômica e o registro formal de sua existência; entre a materialidade do evento econômico (fato imponível) e sua formalidade através do lançamento tributário. A busca pela verdade material é princípio de observância indeclinável da Administração tributária no âmbito de suas atividades procedimentais e processuais. (grifouse). (MARINS, James. Direito Tributário brasileiro: (administrativo e judicial). 4. ed. São Paulo: Dialética, 2005. pág. 178 e 179.) No processo administrativo tributário, o julgador deve sempre buscar a verdade e, portanto, não pode basear sua decisão em apenas uma prova carreada nos autos. É permitido ao julgador administrativo, inclusive, ao contrário do que ocorre nos processos judiciais, não ficar restrito ao que foi alegado, trazido e provado pelas partes, devendo sempre buscar todos os elementos capazes de influir em seu convencimento. Isto porque, no processo administrativo não há a formação de uma lide propriamente dita, não há, em tese, um conflito de interesses. O objetivo é esclarecer a ocorrência dos fatos geradores de obrigação tributária, de modo a legitimar os atos da autoridade administrativa. Este Conselho, em reiteradas decisões, há muito se posiciona no sentido de que o processo administrativo, em especial o julgador, deve ter como norte a verdade material para solução da lide. Confirase: IPI. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Fl. 124DF CARF MF Processo nº 13819.908650/200979 Acórdão n.º 1302002.863 S1C3T2 Fl. 9 8 Nos termos do § 4º do artigo 16 do Decreto 70.235/72, é facultado ao sujeito passivo a apresentação de elementos probatórios na fase impugnatória. A não apreciação de documentos juntados aos autos ainda na fase de impugnação, antes, portanto, da decisão, fere o princípio da verdade material com ofensa ao princípio constitucional da ampla defesa. No processo administrativo predomina o princípio da verdade material, no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. Deve ser anulada decisão de primeira instância que deixa de reconhecer tal preceito. Processo anulado. (13896.000730/0099, Recurso Voluntário n°. 132.865, ACÓRDÃO 20312338, Relator Dalton Cesar Cordeiro de Miranda) IRPJ PREJUÍZO FISCAL IRRF RESTITUIÇÃO DE SALDO NEGATIVO ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DIPJ PREVALÊNCIA DA VERDADE MATERIAL Não procede o não reconhecimento de direito creditório relativo a IRRF que compõe saldo negativo de IRPJ, quando comprovado que a receita correspondente foi oferecida à tributação, ainda que em campo inadequado da declaração. Recurso provido. (Número do Recurso: 150652 Câmara: Quinta Câmara Número do Processo: 13877.000442/200269 – Recurso Voluntário: 28/02/2007) COMPENSAÇAO ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO E/OU PEDIDO – Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração e/ou pedido, deve a verdade material prevalecer sobre a formal. Recurso Voluntário Provido. (Número do Recurso: 157222 Primeira Câmara Número do Processo:10768.100409/200368 – Recurso Voluntário: 27/06/2008 Acórdão 10196829). Assim, no presente caso, é patente o equivoco do acórdão recorrido, que, partindo de uma premissa há muito superada por esse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (vide o teor da Súmula nª 84 acima transcrita), manteve o despacho decisório que não homologou o pedido de compensação do contribuinte, e, por consequencia, por argumento subsidiário (inovação), não analisou a legitimidade do crédito indicado na PerDcomp transmitida. Desta feita, voto por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para que reconhece a possibilidade de se compensar o pagamento indevido ou a maior das estimativas, reformando se o acórdão neste ponto. Por consequência, ANULO PARCIALMENTE, no que se refere à inovação, o acórdão proferido, determinando o retorno dos autos à instância a quo para que esta analise, com base nos documentos acostados aos autos e outros que entender necessários, o direito creditório do Recorrente, podendo, Fl. 125DF CARF MF Processo nº 13819.908650/200979 Acórdão n.º 1302002.863 S1C3T2 Fl. 10 9 inclusive, determinar a realização de diligências para um melhor entendimento do crédito indicado no pedido de compensação. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário e declarar a nulidade parcial da decisão de primeiro grau, determinando o retorno dos autos à DRJ para que se profira nova decisão, nos termos do relatório e voto acima transcritos. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 126DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.722847/2016-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 20 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3301-000.688
Decisão: Vistos relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques d'Oliveira e Salvador Candido Brandão Júnior, que votaram pela nulidade do auto de infração.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora
Participaram da presente sessão de julgamento os Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques d'Oliveira e Salvador Candido Brandão Júnior, que votaram pela nulidade do auto de infração. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Tratase de autos de infração de PIS e COFINS que constituíram o crédito tributário no montante de R$ 3.325.957,50 e R$ 15.718.044,20, respectivamente, em decorrência de glosa de créditos da nãocumulatividade. A fiscalização originouse na análise do direito de utilização de créditos extemporâneos de PIS e COFINS, bem como o correto cálculo para sua apuração. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .7 22 84 7/ 20 16 -8 1 Fl. 970DF CARF MF Processo nº 10980.722847/201681 Resolução nº 3301000.688 S3C3T1 Fl. 971 2 Ao passar a verificar a regularidade da compensação extemporânea de créditos nos AC /2011 e 2012, apontou a fiscalização que a VOLVO se apropriou, nos PA 08/2011 e 02/2012 a 12/2012 de créditos de PIS e de COFINS que não teriam sido por ela utilizados em diversos meses compreendidos no intervalo dos PA 08/2006 a meados de 2012. Relata a autoridade fiscal que para a utilização dos créditos apurados extemporaneamente, a VOLVO não procedeu à retificação das respectivas DACON de forma tempestiva e sim se utilizou créditos extemporâneos apropriados já no limite de sua decadência, isso é, retroagindo quase cinco anos para apurálos, e incluindoos misturados a outros créditos do mês nas DACON dos PA ago./2011, fev. a jun./2012, e set e dez/2012. Na averiguação, a fiscalização efetuou glosas dos seguintes créditos, com os respectivos fundamentos legais, conforme o Termo de Verificação Fiscal (efls. 701728): 4.1. Armazenagem em operações não de Vendas A VOLVO creditouse de PIS e COFINS em diversas operações cuja descrição e/ou contrapartida contábil indicam serviços de armazenagem em operações de compra e não de venda. De acordo com o inciso IX do art. 3º da Lei 10.833/2004, aplicado também à legislação do PIS conforme o disposto no art. 15 desta mesma lei, o contribuinte poderá descontar créditos calculados em relação à armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos nos casos dos incisos I e II do mês o art. 3º, quando o ônus for suportado pelo vendedor. 4.2. Frete nas operações de Compras A VOLVO creditouse de PIS e COFINS em diversas operações cuja descrição e/ou contrapartida contábil indicam serviços de frete em operações de compra e não de venda. De acordo com o inciso IX do art. 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2004, o contribuinte poderá descontar créditos calculados em relação frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II do mês o art. 3º, quando o ônus for suportado pelo vendedor (nestes casos glosados pois foram suportados pelo comprador). 4.3. CFOP s/ direito a crédito A VOLVO creditouse de PIS e COFINS em diversas operações de entradas cujos Códigos Fiscais de Operação – CFOP são os que seguem e que não dão direito a crédito. Cumpre destacar que esses CFOP não constam da lista do SPED FISCAL dentre aqueles possíveis de se gerar crédito. 4.3.1. CFOP 1551 e 2551 Compra de bem para o ativo imobilizado De acordo com o inciso III do § 1º do art. 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2004, o contribuinte poderá descontar créditos calculados em relação aos encargos de depreciação de máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado. Os créditos são calculados mensalmente sobre a depreciação, mas não sobre a compra de bens para o ativo imobilizado. E de acordo com o § 4º do art. 15 da Lei 10.865/2004, o crédito será determinado mediante a aplicação das alíquotas sobre o valor da depreciação ou amortização contabilizada a cada mês, e não sobre a compra de bens para o ativo imobilizado. 4.3.2. CFOP 1916 e 2916 Retorno de mercadoria ou bem remetido para conserto... Fl. 971DF CARF MF Processo nº 10980.722847/201681 Resolução nº 3301000.688 S3C3T1 Fl. 972 3 De acordo com o inciso VIII do art. 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2004, o contribuinte poderá descontar créditos calculados em relação aos bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei. A saída ou remessa de mercadoria para conserto se dá mediante a utilização do CFOP 5915 correspondente, sendo que esta operação não integra o faturamento. Portanto, não incide PIS e COFINS não cumulativos na saída (remessa) e na entrada (retorno) de mercadoria ou bem remetido para conserto. 4.3.3. CFOP 1949 e 2949 Outra entrada de mercadoria ou prestação de serviço ... Estas operações não se enquadram nas hipóteses para créditos conforme o art. 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2004 (condições numerus clausus) nem tampouco nos arts. 15 e 17 da Lei 10.865/2004. 4.3.4. CFOP 2556 e 3556 Compra de material para uso ou consumo Estas operações não se enquadram nas hipóteses para créditos conforme o art. 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2004 ou arts. 15 e 17 da Lei 10.865/2004 e, especialmente, não se enquadram nos incisos I e II do art. 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2004. 4.4. Consumo Geral Estas operações não se enquadram nas hipóteses para créditos conforme o art. 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2004 ou arts. 15 e 17 da Lei 10.865/2004 e, especialmente, não se enquadram nos incisos I e II do art. 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2004. 4.5. INCOTERM s/ direito A VOLVO creditouse de PIS e COFINS em diversas operações cuja descrição e/ou contrapartida contábil indicam serviços de frete em operações FOB (“free on board”) ou FCA (“free carrier”) que correram por conta do comprador e não do vendedor. De acordo com o inciso IX do art. 3º da Lei 10.833/2004, aplicado também à legislação do PIS conforme o disposto no art. 15 desta mesma lei, o contribuinte poderá descontar créditos calculados em relação a frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II do mês o art. 3º, quando o ônus for suportado pelo vendedor (o que não ocorreu nestes casos glosados). 4.6. Manutenção (peças e serviços) A VOLVO creditouse de PIS e COFINS em diversas operações cuja descrição e/ou contrapartida contábil indicam aquisição de serviços ou peças para manutenção em geral, inclusive empilhadeiras e outros itens. Estas operações não se enquadram nas hipóteses para créditos conforme o art. 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2004 e, especialmente, não se enquadram no inciso II do art. 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2004, nas definições de insumos das IN 247/2002 (art. 66, I, b, b.1) e 404/2004 (art. 8º, § 4º, I), e no correspondente conceito de insumos presente também na legislação do ICMS e do IPI. 4.7. Despesas na aquisição de serviços de frete na exportação não sujeitos ao pagamento da contribuição. A VOLVO creditouse em diversas operações cuja descrição e/ou contrapartida contábil indicam aquisição de serviços não sujeitos ao pagamento das contribuições, Fl. 972DF CARF MF Processo nº 10980.722847/201681 Resolução nº 3301000.688 S3C3T1 Fl. 973 4 isto é, despesas com fretes (serviços) cujo transportador é pessoa jurídica não domiciliada no país e, por isso, não sujeitas ao pagamento do PIS e da COFINS. Apesar de estas empresas possuírem inscrição no CNPJ consta, nos respectivos CNPJ, possuírem sede no exterior (telas de consulta do CNPJ anexas ao PAF): De acordo com o inciso II do § 2º do art. 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 (grifamos): “§ 2° Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) ... II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004)” Esse entendimento, inclusive, é o que consta da Solução de Consulta apresentada pela RFB à VOLVO sob nº 182/2009 já mencionada. Em maio/2008 a VOLVO protocolou consulta à Superintendência Regional da Receita Federal do Brasil na 9ª região Fiscal (processo 10980.007025/200867, íntegra da consulta e solução juntadas ao presente PAF). Respondendo à consulente, a DISIT da Superintendência da RFB 9ª RF assim esclareceu (Solução de Consulta nº 182/2009, íntegra anexa ao PAF): Ainda, consta das planilhas apresentadas pela VOLVO (resposta aos TIF nº 03 e 10) a informação a seguir onde “fornecedor” significa “transportador”: Fl. 973DF CARF MF Processo nº 10980.722847/201681 Resolução nº 3301000.688 S3C3T1 Fl. 974 5 4.8. Despesas Aduaneiras A VOLVO creditouse de PIS e COFINS em diversas operações cuja descrição e/ou contrapartida contábil indicam despesas aduaneiras classificadas em serviços tais como: COMISSÃO, THC, ARMAZENAGEM, DESCONSOLIDAÇÃO, COLLECT, DELIVERY e DEMURRAGE. Destas, convém descrever suscintamente em que consiste cada um destes serviços: • COMISSÃO: remuneração paga ou a pagar ao agente do comprador ou do vendedor, pelos serviços de representação e intermediação prestados pelo agente, na compra ou na venda de bem ou mercadoria. • THC: Terminal Handing Charge equivale a Taxa de Manuseio no Terminal ou “Serviços de Capatazia”, numa tradução livre; é a atividade de movimentação de bens ou mercadorias nas instalações dentro do porto. • ARMAZENAGEM: a descrição é autossuficiente. • DESCONSOLIDAÇÃO: eventualmente também referida como “desunitização” (sic) de carga, consiste em separar cada volume que constitui a carga consolidada de acordo com os dados do embarcador e também do destinatário específico. • COLLECT: cobrança ou ato de se cobrar um débito ou exigir pagamento a ser efetuado no destino da carga (“a cobrar”, em tradução livre). • DELIVERY: taxas e documentos necessários à entrega (no destino). • DEMURRAGE: equivale a uma sobreestadia, a uma multa pela demora (“demurrage”), a ser paga pelo contratante de um navio, quando esta demora nos portos além do prazo combinado em contrato. As BC pretendidas a este título montaram em: Fl. 974DF CARF MF Processo nº 10980.722847/201681 Resolução nº 3301000.688 S3C3T1 Fl. 975 6 Estas operações não se enquadram nas hipóteses para créditos conforme o art. 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2004 e art. 15 da Lei nº 10.865, de 2004, especialmente, não se enquadram nos incisos I e II do art. 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2004. Aquelas relativas às operações de importação não compõem o valor aduaneiro e, portanto, não geram créditos, enquanto que aquelas pagas nas operações de exportação não dão direito a créditos por não se enquadrarem nas hipóteses de armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda (inciso IX do art. 3º da Lei 10.833/2004 já referido). Destarte, este entendimento já consta de Solução de Consulta feita pela própria VOLVO conforme destaques reproduzidos alhures. O Ato Declaratório Interpretativo RFB nº 4, de 26 de junho de 2012 dispõe que os gastos com desembaraço aduaneiro na importação de mercadorias não geram direito ao desconto de créditos da de PIS e de COFINS, por falta de amparo legal. Interposta a impugnação, a 4ª Turma da DRJ/RPO, acórdão n° 1465.195, negou provimento à impugnação, com decisão foi assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. Para efeitos da apuração de créditos a serem descontados da contribuição pela sistemática da não cumulatividade, consideramse insumos as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. Somente dão direito a crédito no regime de incidência não cumulativa, os gastos expressamente previstos na legislação de regência. Fl. 975DF CARF MF Processo nº 10980.722847/201681 Resolução nº 3301000.688 S3C3T1 Fl. 976 7 ARMAZENAGEM E FRETE EM OPERAÇÃO DIVERSA DA VENDA. FORMAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Só é permitido o creditamento sobre o frete na operação de venda e nas circunstâncias do inciso IX, do art 3º, da Lei 10.833/2003, que tenham sido suportadas pelo vendedor e não pelo comprador. FRETE EM OPERAÇÃO DE VENDA. PESSOA JURÍDICA DOMICILIADA NO EXTERIOR. O serviço de frete, em operação de venda para o exterior, prestado por pessoa jurídica que não possui domicílio no Brasil não dão direito ao crédito prescrito nas normas legais. DESPESAS ADUANEIRAS. IMPORTAÇÃO. FORMAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Não é permitido descontar créditos calculados em relação a despesas aduaneiras diversas, decorrentes da importação de bens e produtos, não prescritos na legislação como geradores de créditos. FALTA DE IDENTIFICAÇÃO. IDENTIFICAÇÃO GENÉRICA. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO. A falta de identificação, ou sua identificação de forma genérica, que impossibilitam o detalhamento e análise do bem, produto ou serviço utilizado na geração de créditos pelo contribuinte, não possibilita o creditamento prescrito nas normas legais. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Não procedem as arguições de nulidade quando não se vislumbra nos autos quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do PAF, ou quando as irregularidades possam ser sanadas, ou ainda de eventos futuros e incertos. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. INDEFERIMENTO. O pedido de diligência/perícia deve ser motivado e acompanhado das razões e quesitos necessários para o exame da matéria, sob pena de seu indeferimento. PRODUÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO. As provas devem ser apresentadas no prazo de impugnação. Em seu recurso voluntário, a Recorrente alega a existência de saldo credor e a legitimidade dos insumos, tratandoos todos como essenciais para a atividade da empresa. Seus requerimentos foram: Fl. 976DF CARF MF Processo nº 10980.722847/201681 Resolução nº 3301000.688 S3C3T1 Fl. 977 8 a) Preliminarmente, DETERMINAR a nulidade do Auto de Infração, haja vista a existência de saldo credor que foi inobservado pelo i. Fiscalização; b) caso não seja este o entendimento, alternativamente, requerse, a suspensão do presente auto de infração, tendo em vista que este tema está sendo objeto de outros processos administrativos (10980.924464/200131, 10980.924455/201141, 10980.924457/201130, 10980.924458/201184, 10980.924462/201142, 10980.924463/2011 97, 10980.924466/201121, 10980.924468/201186, 10980.924469/201164, 10980.924472/201188, 10980.924474/201177, 10980.924476/201166, que analisam os créditos do PIS e de COFINS entre 2005 e 2008), e por exemplo o PAF 10980.924454/2011 04, já homologou o aumento em R$ 1.707.916,58, do direito creditório passível de ressarcimento de COFINS não cumulativo vinculados a receitas de exportação da empresa, relativo ao anocalendário de 2005, fato que impactará no saldo credor da empresa; No mérito, requer: 1 Cancelamento integral da exigência fiscal; 2 O reconhecimento do direito creditório representado pelos custos incorridos para consecução da atividade fim da Recorrente, tendo em vista o conceito de insumos empregado na peça recursal; 3 Em primazia do princípio da verdade material, seja deferida diligência para comprovação das operações realizadas pela Recorrente, tendo em vista a regularidade do crédito essencial a cada etapa do processo industrial. Em petição datada de 17 de abril de 2018, a Recorrente requer o provimento integral ao presente Recurso Voluntário para cancelar integralmente o Auto de Infração, tendo em vista que da glosa dos créditos extemporâneos não decorre tributo a descoberto, mas mera redução da apuração do crédito. É o relatório. Voto Conselheira Semíramis de Oliveira Duro, Relatora O recurso voluntário cumpre os requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. Conforme relatado, em petição datada de 17 de abril de 2018, a Recorrente ratifica que da glosa dos créditos extemporâneos não decorre tributo a descoberto, mas mera redução da apuração do crédito. Acolho essa peça processual, apartada do recurso voluntário, em decorrência da prevalência do princípio da verdade material. Então, aponta a Recorrente (efls. 964969): Fl. 977DF CARF MF Processo nº 10980.722847/201681 Resolução nº 3301000.688 S3C3T1 Fl. 978 9 Importante registrar que, ao analisar os créditos extemporâneos lançados em 2011 e 2012, o Fisco não analisou os créditos apurados e declarados nas DACONs de 2006 a 2011, as quais não foram retificadas pelo contribuinte e que foram apresentadas por ocasião da fiscalização e estão acostadas aos autos. Nada obstante não haver analisado os créditos e débitos lançados nas DACONs de 2006 a 2011, o Fisco, no TVF montou uma planilha, na qual procedeu uma recomposicão retroativa dos créditos extemporâneos apurados em 2011 e 2012, jogando os valores apurados extemporaneamente para os respectivos anos em que deveriam ter sido contabilizados. Com isso, indicou em relação, a cada ano, o valor do crédito extemporâneo que entendia por bem glosar. Como se pode verificar, o fiscal, ao proceder a glosa e, consequentemente, lançar o tributo, concluiu que os valores de créditos apurados entre os anos de 2006 a 2012 serviram para reduzir a base de cálculo ou fazer ajustes negativos de base relacionadas aos anos em questão. A conclusão fiscal, é importante destacar, se deu mesmo sem a análise das informações das DACONs de 2006 a 2011, que em momento algum foram retificadas pelo Recorrente. Outro ponto de destaque relativamente à conclusão fiscal é que, relativamente ao saldo de crédito não glosado, o Fisco não se manifestou e, a despeito de ter feito toda a recomposição do crédito extemporâneo, deixou de observar que, ao jogar o crédito para os anos anteriores, o valor de crédito remanescente da apuração superava o valor da glosa dos créditos. Ou seja, mesmo com a recomposição efetuada pelo fiscal, não haveria saldo a descoberto, considerandose o crédito que deixou de ser glosado pelo Fisco. II DO CRÉDITO EXTEMPORÂNEO A origem do crédito extemporâneo decorreu de um procedimento interno de revisão de créditos realizado pela Recorrente nos anos calendários 2011 e 2012. A contribuinte, reavaliando toda a sua apuração de créditos entre 2006 e 2011, verificou que ainda possuía créditos extemporâneos de PIS e COFINS não cumulativo e que não haviam sido contabilizados entre os anos de 2006 e 2012. Diante dessa constatação, resolveu lançar os mesmos nas DACONS originais, de forma extemporânea, nos anos calendários 2011 e 2012. Os créditos lançados em 2011 e 2012 decorreram de revisão de créditos não cumulativos decorrente de operações no mercado interno tributado e exportação e, à época de sua apuração, foram lançados nas DACONS originais de 2011 e 2012. Não houve, com isso, retificação das DACONS de 2006 a 2011 e, assim, a recomposição dos créditos anteriormente apurados e lançamento extemporâneo. Esse esclarecimento se faz relevante porque, pela própria análise das DACONs de 2006 a 2012, anexadas aos autos, é fácil perceber que a Recorrente era credora de PIS e COFINS, não tendo apurado, nesse período, qualquer saldo de tributo a recolher, já que das suas operações mensais sempre acabava por acumular créditos mês a mês. III DACONS DO PERÍODO 2006 a 2011 Como já referido anteriormente, a fiscalização, ao lavrar o Auto de Infração, deixou de verificar, pelas DACONs originais de 2006 a 2012, todas apresentadas por ocasião da fiscalização, que a Recorrente, nesse período de 2006 a 2012, não recolheu contribuição. O contribuinte sempre apurou saldo credor maior que o valor a Fl. 978DF CARF MF Processo nº 10980.722847/201681 Resolução nº 3301000.688 S3C3T1 Fl. 979 10 recolher de contribuições no período e, assim, a sistemática de compensações entre créditos e débitos apurados mensalmente sempre lhe foi favorável. De se esclarecer que esses créditos apurados nesse período correspondiam aos créditos de praxe, mensalmente apurados e decorrentes de operações quotidianas da empresa e que eram mais que suficientes para, de per se, superarem o valor eventualmente devedor de PIS e COFINS no período. Tal esclarecimento é importante para se demonstrar que exatamente porque os créditos apurados mensalmente entre 2006 e 2012 eram suficientes para "cobrir" quaisquer débitos de PIS e COFINS, que a apuração do crédito extemporâneo em 2011 e 2012 (créditos novos), objeto da fiscalização que resultou no presente Auto de Infração, não foi e nem poderia ter sido utilizado para redução de base de cálculo das mencionadas contribuições no período de 2006 a 2012. De se registrar, nesse ponto, que todos os documentos que comprovam a existência desses créditos, sua forma de apuração e sua contabilização (DACONS, planilhas de apuração, relatórios de créditos), foram anexadas aos autos ou apresentadas à fiscalização por ocasião da apuração dos fatos, conforme se verifica por todo o histórico de intimações descritos no TVF. IV CONCLUSÃO Feitos os esclarecimentos supra, concluise o seguinte: 1 Ao proceder a análise da apuração dos créditos, glosando apenas parte deles, a fiscalização acabou por concordar/reconhecer a legitimidade dos demais créditos tributários lançados nas DACONs 2011 e 2012. 2 Está equivocado o lançamento dos débitos de PIS e COFINS em decorrência da glosa dos apontados créditos. Isso porque tais créditos não foram e nem poderiam ter sido utilizados para redução ou ajuste da base. Isso porque, como restou demonstrado pela documentação anexada aos autos, mais especificamente pelas DACONs do período fiscalizado, a Recorrente, no período entre 2006 e 2012 não recolhia as contribuições apenas porque seus créditos apurados em DACONs da época eram suficientes para cobrir seus débitos. Assim, do encontro de contas mensais desse período, restava saldo zero para recolhimento de PIS e COFINS a recolher. Já o crédito extemporâneo apurado em 2011 e 2012 foi declarado apenas em 2011 e 2012 em DACON para utilização eventual e futura. 3 Quando menos, caso mantido o entendimento do d. fiscal no sentido de que é devido o valor glosado a título de PIS e COFINS, deveria haver, quando menos, feito o encontro de contas entre o valor do crédito apurado e não glosado e o valor glosado. Por essa conta simples seria possível a constatação de que mesmo que fosse devido algum valor a título de PIS e COFINS em decorrência da glosa dos créditos extemporâneos, o valor dos créditos não glosados era muito superior ao suposto débito, conforme se verifica da própria planilha constante no TVF supramencionada. Penso que os pontos elencados pela empresa são importantes e demandam investigação de sua veracidade. Isso porque, impõem sérias dúvidas quanto à composição da base de cálculo do auto de infração. Defende a empresa que sempre apurou saldo credor de créditos maior que o valor a recolher de PIS e COFINS no período autuado. Com isso, o aproveitamento extemporâneo só teria aumentado ainda mais o seu saldo credor. Fl. 979DF CARF MF Processo nº 10980.722847/201681 Resolução nº 3301000.688 S3C3T1 Fl. 980 11 Por conseguinte, imperiosa a apuração e verificação dos créditos da Recorrente, com vistas a retificar ou ratificar a base de cálculo do auto de infração objeto do presente processo. Então, voto por converter o julgamento em diligência, para que a unidade de origem, considerando a planilha constante no anexo 1 do TVF e tudo o que consta nos autos: i) Aponte se houve recolhimento de PIS e COFINS, bem como a utilização dos créditos mensalmente apurados; ii) Verifique se houve pedido de ressarcimento ou PER/DCOMP de créditos; iii) Analise as DACONs de 2006 a 2012 para a verificação da existência de créditos suficientes para cobrir todos os débitos do contribuinte. Com isso, ainda que mantidas todas as glosas de créditos extemporâneos, se haveria saldo a pagar das contribuições a ser exigido em auto de infração; iv) Elabore relatório conclusivo quanto à existência ou não de saldo de créditos para a cobertura das glosas dos créditos extemporâneos efetuadas pela Douta Fiscalização. Consequentemente, que refaça a apuração do valor tributável de PIS e COFINS. Facultase à autoridade fiscal a exigência de novos documentos e esclarecimentos a serem apresentados pela empresa. Em seguida, que seja dada vista ao contribuinte, para manifestação sobre o resultado da diligência. Após, vista à Fazenda Nacional, também para manifestação. Por fim, que sejam os autos devolvidos ao CARF, para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Fl. 980DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11128.002545/2007-15
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 06/02/2007
FORMALIZAÇÃO DA ENTRADA. VEÍCULO PROCEDENTE DO EXTERIOR. DENUNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CABIMENTO.
Depois de formalizada a entrada do veículo procedente do exterior não mais se tem por espontânea a denúncia de infração imputável ao transportador.
INFRAÇÃO ADUANEIRA. MULTA REGULAMENTAR. DESCONSOLIDAÇÃO DE CARGA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO EXTEMPORÂNEA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE.
O instituto da denúncia espontânea é incompatível com o cumprimento extemporâneo de obrigação acessória concernente à prestação de informação à Administração aduaneira relativa a carga importada, transportada por via marítima, desconsolidada no porto de destino, uma vez que tal fato configura a própria infração.
INFRAÇÃO ADUANEIRA. MULTA REGULAMENTAR. DESCUMPRIMENTO DE PRAZO. BOA-FÉ. EXCLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE.
A multa por deixar de prestar informação à Administração fazendária, sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, não exige que a conduta do autuado seja dolosa, bastando, para a sua imputação, que haja o descumprimento do prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, de forma que a eventual presunção de boa-fé do recorrente não o exime da penalidade pela infração aduaneira.
INFRAÇÃO ADUANEIRA. MULTA REGULAMENTAR. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO AO ERÁRIO. RESPONSABILIDADE OBJETIVA.
O caráter punitivo da reprimenda obedece a natureza objetiva. Ou seja, queda-se alheia à intenção do contribuinte ou ao eventual prejuízo derivado de inobservância às regras formais.
Numero da decisão: 3001-000.386
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: ORLANDO RUTIGLIANI BERRI
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 06/02/2007 FORMALIZAÇÃO DA ENTRADA. VEÍCULO PROCEDENTE DO EXTERIOR. DENUNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CABIMENTO. Depois de formalizada a entrada do veículo procedente do exterior não mais se tem por espontânea a denúncia de infração imputável ao transportador. INFRAÇÃO ADUANEIRA. MULTA REGULAMENTAR. DESCONSOLIDAÇÃO DE CARGA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO EXTEMPORÂNEA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. O instituto da denúncia espontânea é incompatível com o cumprimento extemporâneo de obrigação acessória concernente à prestação de informação à Administração aduaneira relativa a carga importada, transportada por via marítima, desconsolidada no porto de destino, uma vez que tal fato configura a própria infração. INFRAÇÃO ADUANEIRA. MULTA REGULAMENTAR. DESCUMPRIMENTO DE PRAZO. BOA-FÉ. EXCLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE. A multa por deixar de prestar informação à Administração fazendária, sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, não exige que a conduta do autuado seja dolosa, bastando, para a sua imputação, que haja o descumprimento do prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, de forma que a eventual presunção de boa-fé do recorrente não o exime da penalidade pela infração aduaneira. INFRAÇÃO ADUANEIRA. MULTA REGULAMENTAR. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO AO ERÁRIO. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. O caráter punitivo da reprimenda obedece a natureza objetiva. Ou seja, queda-se alheia à intenção do contribuinte ou ao eventual prejuízo derivado de inobservância às regras formais.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1899; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C0T1 Fl. 79 1 78 S3C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11128.002545/200715 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3001000.386 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 12 de junho de 2018 Matéria PENALIDADES OUTRAS COMÉRCIO EXTERIOR Recorrente MERIDIONAL MARÍTIMA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 06/02/2007 FORMALIZAÇÃO DA ENTRADA. VEÍCULO PROCEDENTE DO EXTERIOR. DENUNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CABIMENTO. Depois de formalizada a entrada do veículo procedente do exterior não mais se tem por espontânea a denúncia de infração imputável ao transportador. INFRAÇÃO ADUANEIRA. MULTA REGULAMENTAR. DESCONSOLIDAÇÃO DE CARGA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO EXTEMPORÂNEA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. O instituto da denúncia espontânea é incompatível com o cumprimento extemporâneo de obrigação acessória concernente à prestação de informação à Administração aduaneira relativa a carga importada, transportada por via marítima, desconsolidada no porto de destino, uma vez que tal fato configura a própria infração. INFRAÇÃO ADUANEIRA. MULTA REGULAMENTAR. DESCUMPRIMENTO DE PRAZO. BOAFÉ. EXCLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE. A multa por deixar de prestar informação à Administração fazendária, sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, não exige que a conduta do autuado seja dolosa, bastando, para a sua imputação, que haja o descumprimento do prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, de forma que a eventual presunção de boafé do recorrente não o exime da penalidade pela infração aduaneira. INFRAÇÃO ADUANEIRA. MULTA REGULAMENTAR. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO AO ERÁRIO. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 25 45 /2 00 7- 15 Fl. 79DF CARF MF Processo nº 11128.002545/200715 Acórdão n.º 3001000.386 S3C0T1 Fl. 80 2 O caráter punitivo da reprimenda obedece a natureza objetiva. Ou seja, quedase alheia à intenção do contribuinte ou ao eventual prejuízo derivado de inobservância às regras formais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante. Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão 1745.678 da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo II / SP DRJ/SP2, que, em sessão de julgamento realizada no dia 27.10.2010, julgou improcedente a impugnação, para considerar totalmente procedente o auto de infração em questão. Dos fatos Por bem sintetizar os fatos, adotase o relatório encartado no acórdão recorrido (fls. 51 a 57), que segue transcrito: Relatório Tratase de auto de infração pela entrega fora do prazo do Registro de Manifesto de carga consolidada NVOCC nº 007/014.245, na Equipe de Manifesto, referente ao conhecimento de carga master nº MSCUNE546535, emitido pelo transportador de carga MEDITERRANEAN SHIPPING COMPANY, e ao conhecimento de carga house nº ISTI 10796, emitido pelo consolidador de carga INTERSART GLOBAL LOGISTIC LP, representando pelo desconsolidador de carga MERIDIONAL MARÍTIMA LTDA., sendo a carga descarregada do navio MSC CHIARA, atracado Porto de Santos, em 4 de fevereiro de 2007. A fiscalização fundamentou o auto nos artigos 37 e 107, IV, “e” do DecretoLei nº 37/66 com a redação dada pela Lei nº 10.833/03, e com a regulamentação da ordem de serviço Alf/Sts nº 4/2001. Por intermédio do presente auto de infração, cobrouse a multa de R$ 5.000,00 pela entrega intempestiva. Fl. 80DF CARF MF Processo nº 11128.002545/200715 Acórdão n.º 3001000.386 S3C0T1 Fl. 81 3 Intimada do Auto de Infração, a interessada apresentou impugnação e documentos, alegando em síntese: * Inexistência de prejuízo à Fazenda Nacional, manifesto entregue em prazo complementar. * Descabimento da multa em face da denúncia espontânea. * Ordem de serviço nº 4 fere o princípio da reserva legal, instituído no artigo 97, V do CTN. * Desproporção da multa, ferindo os princípios da razoabilidade e proporcionalidade. Posteriormente a interessada protocolizou petição requerendo aplicação retroativa do disposto na MP 479, de 27/07/2010, em face da denúncia espontânea. É o relatório. Da ementa da Decisão de 1ª Instância A 2ª Turma da DRJ/SP2, ao julgar improcedente a impugnação, exarou o já citado acórdão, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos: Assunto: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 06/02/2007 NÃO PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE VEÍCULO OU CARGA TRANSPORTADA, OU SOBRE OPERAÇÕES QUE EXECUTAR. Cabível a multa por atraso na entrega, prevista no art. 107, IV, “e”, do DecretoLei nº 37/66, com a redação dada pela Lei nº 10.833/03, regulamentada pelo art. 37 da IN SRF nº 28/94, quando o registro do manifesto for entregue fora do prazo determinado na legislação em vigor. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Do recurso voluntário Irresignado com os termos do acórdão vergastado, o requerente interpôs, às fls. 61 a 69, recurso voluntário para aduzir que: (i) ao contrário do que sustenta a decisão recorrida, o caso em exame configura a denúncia espontânea que exclui a aplicação da penalidade discutida; pois, na espécie, tratase de auto de infração com imposição de multa administrativa pela apontada prestação extemporânea e/ou corrigida de informações no Sistema da Receita; (ii) o caso é de retificação das informações prestadas pelo requerente, cuja inserção de dados no sistema Siscomex ocasionou seu bloqueio, mas que tal ocorrera antes da lavratura do auto de infração ora impugnado; Fl. 81DF CARF MF Processo nº 11128.002545/200715 Acórdão n.º 3001000.386 S3C0T1 Fl. 82 4 (iii) no presente caso não há nenhum ato por escrito da autoridade aduaneira anterior a 06.02.2007, data do fato gerador da obrigação questionada; logo, na espécie, o procedimento fiscal só foi iniciado após as informações do requerente, circunstância que caracteriza a denúncia espontânea que gerou a cobrança impugnada; (iv) a Medida Provisória 497 de 27.07.2010, alterou o parágrafo 2º do artigo 102 do Decretolei 37 de 1966; (v) a nova norma legal vigente reconhece que a denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidade de natureza administrativa, exatamente como é o caso destes autos; (vi) o Código Tributário Nacional (CTN) determina, de forma taxativa, em seu artigo 106, a aplicação retroativa da nova norma, quando esta deixar de definir uma conduta como infração ou quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, exatamente como o caso dos autos; (vii) a teor do § 2º do artigo 102 do Decretolei 37/66, com a redação dada pela MP 497/2010, combinado com o artigo 106 do CTN, impõese que seja julgado improcedente o lançamento fiscal ora impugnado; (viii) que a retificação das informações no Siscomex se deu por fatos alheios à da impugnante; (ix) somente a partir da correção/retificação, pelo requerente, das informações anteriormente enviadas, é que a fiscalização impõe a penalidade combatida, pelo suposto atraso na prestação de informações, quando o que ocorreu não foi atraso, mas sim, simples retificação; (x) com fundamento na Solução de Consulta 218 de 17.08.2004, da SRRF/9ª RF, sempre que o transportador tem necessidade de alterar dados no Siscomex, que não dificulte ou impeça a fiscalização, nenhuma penalidade lhe pode ser aplicada, tanto que o procedimento de Carta de Correção é permitido pelo Regulamento Aduaneiro; (xi) não obstante a fundamentação no sentido de que a responsabilidade pela infração independe da intenção do agente ou do responsável (artigo 94 do DL 37/66), a jurisprudência pátria tem caminhado no sentido de que a presunção de boafé do contribuinte ou responsável é verdadeira causa de exclusão de ilicitude, alcançando também o direito administrativo, tributário e aduaneiro, principalmente se e quando, como é o caso em discussão, cuja conduta não implica em absolutamente nenhum dano ao erário público. Diante do exposto, requer que seja reformada a decisão recorrida, julgandose totalmente improcedente o lançamento fiscal impugnado, determinando, outrossim, o arquivamento do presente processo. Do encaminhamento O presente processo digital, então, foi encaminhado para ser analisado por este CARF na forma regimental (fl. 71). É o relatório. Fl. 82DF CARF MF Processo nº 11128.002545/200715 Acórdão n.º 3001000.386 S3C0T1 Fl. 83 5 Voto Conselheiro Orlando Rutigliani Berri, Relator Da tempestividade O contribuinte em 16.11.2010 tomou conhecimento da Intimação nº 390/2010 (fl. 59) dandolhe conta do teor do acórdão vergastado, é o que depreendese do aviso de recebimento "AR" juntado à fl. 59 verso. Irresignado com a decisão nele assentada, em 09.12.2010, junta o presente recurso voluntário, é o que depreendese do protocolo da Alfândega do Porto de Santos constante da sua "Folha de Rosto" (fl. 61). Concluise no caso sob exame, após cotejar as datas acima mencionadas, que peça recursal foi interposta no interstício legal de 30 (trinta) dias, portanto é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade previstos na legislação de regência, de modo que dela conheço. Do litígio O autuado, cientificado da decisão de primeira instância, protocolou recurso voluntário para, notadamente, requer sejalhe aplicado o benefício da denúncia espontânea, nos moldes como assentado no § 2º do artigo 102 do Decretolei 37 de1966, com a redação dada pela MP 497 de 27.07.2010, convertida na Lei 12.350 de 2010, combinado com o artigo 106 do CTN, bem como aduz, como excludente de ilicitude e, por conseguinte, de aplicação de penalidade, a presunção de boafé do contribuinte ou responsável, na medida em que, no caso em discussão, sua conduta não implicou em dano ao erário, pelo que pugna pela improcedência do lançamento fiscal que impõe a multa de que trata a alínea "e" do inciso IV do artigo 107 do Decretolei 37 de 1966, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833 de 2003. Portanto, em síntese, o litígio cingese ao cabimento ou não da tese da excludente de responsabilidade pelas supostas (i) denúncia espontânea da infração e (ii) presunção de boafé do contribuinte. Do contexto jurídico da autuação De plano, cabe destacar que a aplicação da penalidade em comento foi motivada pela prática da infração tipificada, genericamente, na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei 37 de 1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833 de 2003, a seguir transcrito: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) Fl. 83DF CARF MF Processo nº 11128.002545/200715 Acórdão n.º 3001000.386 S3C0T1 Fl. 84 6 e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; (...) O Decretolei 37 de 18.11.1966, que trata do imposto de importação, reorganiza os serviços aduaneiros e dá outras providências, dispõe: (...) Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) § 1º O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) § 2º Não poderá ser efetuada qualquer operação de carga ou descarga, em embarcações, enquanto não forem prestadas as informações referidas neste artigo. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) § 3º A Secretaria da Receita Federal fica dispensada de participar da visita a embarcações prevista no art. 32 da Lei nº 5.025, de 10 de junho de 1966. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) § 4º A autoridade aduaneira poderá proceder às buscas em veículos necessárias para prevenir e reprimir a ocorrência de infração à legislação, inclusive em momento anterior à prestação das informações referidas no caput. (Renumerado do Parágrafo único com nova pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) (...) O Decreto 4.543 de 26.12.2002 RA/2002, que regulamenta a administração das atividades aduaneiras, e a fiscalização, o controle e a tributação das operações de comércio exterior, no que pertine à prestação de informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, dispõe: (...) Art. 24. A entrada ou a saída de veículos procedentes do exterior ou a ele destinados só poderá ocorrer em porto, aeroporto ou ponto de fronteira alfandegado. Fl. 84DF CARF MF Processo nº 11128.002545/200715 Acórdão n.º 3001000.386 S3C0T1 Fl. 85 7 § 1o O controle aduaneiro do veículo será exercido desde o seu ingresso no território aduaneiro até a sua efetiva saída, e será estendido a mercadorias e a outros bens existentes a bordo, inclusive a bagagens de viajantes. (...) Art. 27. As operações de carga, descarga ou transbordo de veículo procedente do exterior poderão ser executadas somente depois de formalizada a sua entrada no País. § 1o Para efeitos fiscais, considerase formalizada a entrada do veículo quando emitido o termo de entrada de que trata o art. 31. (...) Art. 30. O transportador prestará à Secretaria da Receita Federal as informações sobre as cargas transportadas, bem assim sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. (...) § 2o O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, também deve prestar as informações sobre as operações que execute e sobre as respectivas cargas. § 3o Poderá ser exigido que as informações referidas neste artigo sejam emitidas, transmitidas e recepcionadas eletronicamente. Art. 31. Após a prestação das informações de que trata o art. 30, e a efetiva chegada do veículo ao País, será emitido o respectivo termo de entrada, na forma estabelecida pela Secretaria da Receita Federal. (...) A Portaria MF 30 de 25.02.2005, publicada no DOU de 04.03.2005, que aprova o Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, dispõe: (...) Art. 250. Aos Delegados da Receita Federal e, no que couber, aos Inspetores e aos Chefes de Inspetoria, incumbe: (...) II editar atos relacionados com a execução de serviços, observadas as instruções da SRRF sobre a matéria tratada; (...) Fl. 85DF CARF MF Processo nº 11128.002545/200715 Acórdão n.º 3001000.386 S3C0T1 Fl. 86 8 A Instrução Normativa/SRF 115 de 16.11.1984, publicada no Diário Oficial da União em 20.11.1984, que regulamenta a visita aduaneira a embarcações procedentes do exterior, dispõe: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, SUBSTITUTO, no uso de suas atribuições, considerando a necessidade de uniformizar a visita aduaneira a veículos procedentes do exterior, de que trata o Art. 37, do Decretolei nº 37, de 18 de novembro de 1966, em particular a visita de embarcações resolve, 1. A chegada de embarcação, em navegação de longo curso ou de grande cabotagem, deverá ser informada, pelo agente da empresa de navegação à repartição aduaneira da Secretaria da Receita Federal com jurisdição sobre o porto, com antecedência mínima de 12 (doze) horas. 2. Informada, a autoridade aduaneira determinará a visita, que deverá ser realizada por Fiscal de Tributos Federais (FTF), acompanhado por representante da empresa de navegação credenciado perante a repartição aduaneira. 3. Durante o ato de visita, o FTF deverá solicitar do comandante da embarcação os documentos exigidos pela legislação pertinente, proceder às lacrações necessárias e lavrar o Termo de Visita. 3.1 A não apresentação dos documentos. citados neste item implicará suspensão da visita impedindo a realização pela embarcação de quaisquer operações portuárias (carga, descarga, etc.). 4. As normas deste Ato aplicamse, no que couber, inclusive nos portos fluviais e lacustres, às embarcações de recreio, de esporte e outras procedentes do exterior ou da Zona Franca de Manaus. 5. O Coordenador do Sistema de Fiscalização baixará normas complementares necessárias à execução do presente Ato. 6. Esta Instrução Normativa entrará em vigor a partir de 1º de dezembro de 1984. A Ordem de Serviço ALF/STS 4 de 05.11.2001, publicada no Diário Oficial da União em 16.11.2001, dispõe: (...) Art. 2º O agente desconsolidador deverá efetuar a entrega de um manifesto, relativo a toda a carga conteinerizada de sua responsabilidade, no Grupo de Manifesto na Importação (GMAN), da Equipe de Visita, Busca, Vigilância Aduaneira e Manifesto (EQVIB), através de formulário próprio, conforme modelo do anexo I, em duas vias, e acompanhadas de: I cópia do(s) conhecimento(s) "master" original(ais) respectivo(s);e Fl. 86DF CARF MF Processo nº 11128.002545/200715 Acórdão n.º 3001000.386 S3C0T1 Fl. 87 9 II vias não negociáveis dos conhecimentos filhotes e, se houver, dos "submasters", assinadas pelo NVOCC emissor. § 1º O prazo para a apresentação do manifesto a que se refere este artigo é o que vai desde as 48 horas úteis, antes da previsão de atracação do navio, até o final do expediente do dia útil seguinte ao de sua efetiva atracação. Do contexto fático da autuação Da "Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal" que integra o auto de infração de fls. 01 a 06, a efetiva conduta que motivou a imputação ao agente de carga, desconsolidador, da penalidade em apreço foi o registro de manifesto, no setor competente, fora do prazo determinado pela legislação em vigor. Para a absoluta evidenciação dos fatos, transcrevese os seguintes trechos da referida peça acusatória: (...) Em 06 de FEVEREIRO de 2007, O agente de Carga MERIDIONAL MARÍTIMA LTDA, devidamente qualificado neste Auto, protocolizou, conforme determina a Ordem de Serviço Alf/Sts nº 04/2001, o Registro de Manifesto de Carga Consolidada NVOCC nº 007/014.245 (fls. de 07 a 13), na Equipe de Manifesto (Eqman), referente ao conhecimento de carga "master" nº MSCUNE546535, emitido pelo transportador de carga MEDITERRANEAN SHIPPING COMPANY, e ao conhecimento de carga "HOUSE" nº ISTIlO796, emitido pelo consolidador de carga INTERSTAR GLOBAL LOGISTICS LP, representado no Brasil pelo MERIDIONAL MARÍTIMA LTDA, desconsolidador de carga, sendo estes conhecimentos referentes as cargas descarregadas do navio "MSC CHIARA", atracado no Porto de Santos, em 04 DE FEVEREIRO DE 2007, conforme Termo de Visita Aduaneira Nº 007/XXXX Eqvib/Plantão (fl. 14). (...) Apesar de o Agente de Carga ter entregue o Registro de Manifesto no setor competente (Eqman), fêlo fora do prazo determinado pela legislação em vigor que, de acordo com o artigo acima, é de até 48 horas úteis, antes da previsão de atracação do navio, até o final do expediente do dia útil seguinte ao de sua efetiva atracação. No caso concreto, o navio atracou em 04 de FEVEREIRO de 2007, sendo, portanto, o prazo para cumprimento da obrigação acessória até o final do expediente do dia 05 de FEVEREIRO de 2007. (...) Não nos resta dúvida de que, ao não prestar as informações previstas na legislação estabelecida pela Secretaria da Receita Federal, através da Ordem de Serviço ALP/STS nº 04, no prazo exigido, o agente de carga, que neste caso caracterizase por ser desconsolidador de carga, deixou de atender a uma obrigação Fl. 87DF CARF MF Processo nº 11128.002545/200715 Acórdão n.º 3001000.386 S3C0T1 Fl. 88 10 acessória, convertendose esta em obrigação principal. Pois, como determina a alínea "e" do inciso IV do art. 107 acima citado, o fato de o agente de carga deixar de prestar a informação das operações que execute, dentro do prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal, implicará na multa de R$ 5.000,00 (Cinco Mil Reais). (...) Desta feita, constatase que o registro do manifesto de carga em apreço deu se extemporaneamente e que é equivocada a alegada retificação de informações. Quanto à primeira constatação, como visto no caso em exame, o desconsolidador de carga, Meridional Marítima Ltda., protocolou o "Registro de Manifesto de Carga Consolidada NVOCC 007/014.245" em 06.02.2007 (fl. 07), conquanto o navio "MSC CHIARA", proveniente do Panamá, já encontravase atracado no Porto de Santos, desde o dia 04.02.2007, conforme elucida o "Termo de Visita Aduaneira Nº 007/XXXX Eqvib/Plantão" (fl. 14). Perscrutando a legislação tributária aplicável, tal providência deveria ter sido protocolada pelo agente de carga responsável até o final do expediente do dia 05.02.2007, como corretamente assinalou a autoridade fiscal atuante, fato, digase, não contestado pelo recorrente. Quanto à segunda constatação, que referese à suposta retificação das informações prestadas pelo requerente, cuja inserção de dados ocasionou bloqueio no sistema Siscomex, este, para justificar seu entendimento, alega que no caso sob escrutínio inexistiu qualquer ato por escrito da autoridade competente elaborado anteriormente a 06.02.2007, data em que considera que o procedimento fiscal teve início, pois, sob sua ótica, somente depois de haver protocolado o referido "Registro de Manifesto de Carga", ou seja, que prestou referidas informações, é que a autoridade aduaneira veio a conhecer os fatos que culminaram na presente autuação fiscal. Como dito, equivocase o recorrente, não se trata de retificação de informação já prestada à autoridade aduaneira, tal como ocorre, por exemplo, nos casos de alteração dos dados referentes à carga descarregada/desconsolidada, o que de fato ocorreu foi a entrega tardia do manifesto relativo à desconsolidação da carga conteinerizada (SMLU 4911358, EMCU 9208116, TEXU 5292692, EMCU 9212076, TEXU 5302764, ENAU 4014525, EMCU 9156882, UGMU 8942386, UGMU 8071103 e UGMU 8991246), descarregada do navio "MSC CHIARA", que estava sob sua responsabilidade, cujo prazo estava previsto no parágrafo 1º do artigo 2º da Ordem de Serviço ALF/STS 4 de 05.11.2001, que estipulava, como derradeiro o final do expediente do dia útil seguinte ao de sua efetiva atracação. Portanto, conforme restará demonstrado, é indiscutível que o recorrente praticou a conduta infracionária narrada no auto de infração em apreço, bem assim, que a conduta praticada subsumese concretamente à hipótese da infração descrita na legislação de regência transcrita. Aliás, é de enfatizar que com relação à materialidade da infração mencionada inexiste controvérsia nos autos. Apresentadas essas breves considerações, passase a analisar as razões de defesa suscitadas pelo recorrente. Da denúncia espontânea da infração. Fl. 88DF CARF MF Processo nº 11128.002545/200715 Acórdão n.º 3001000.386 S3C0T1 Fl. 89 11 O recorrente alegou a denúncia espontânea da infração cometida, para excluir a penalidade que lhe fora aplicada, sob o argumento de que com a alteração legislativa do parágrafo 2º do artigo 102 do Decretolei 37 de 1966, promovida pela Lei 12.350 de 20.12.2010, resultante da conversão da Medida Provisória 497 de 27.07.2010, passouse a reconhecer que a denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidade de natureza administrativa. A denúncia da infração não restou configurada, haja vista que o "Registro de Manifesto de Carga Consolidada NVOCC nº 007/014.245", efetuado junto à "Equipe de Manifesto" (Eqman) da ALP/STSSP, ocorreu em 06.02.2007 (fl. 07), portanto, após a atracação/entrada do veículo transportador "MSC CHIARA" no TECON/Santos, efetivada em 04.02.2007, conforme demonstra o "Termo de Visita Aduaneira Nº 007/XXXX Eqvib/Plantão (fl.14), lavrado em conformidade com artigo 37 do Decretolei 33 de 1966, por sua vez, regulamentado pela IN/SRF 115 de 16.11.1984, que, segundo preceituava o parágrafo 3º do artigo 612 do Decreto 4.543 de 2002 (RA/2002), afasta a aplicação da referida excludente de responsabilidade. Porém, ainda que tal restrição não se aplicasse à infração em apreço, o que se admite apenas para argumentar, melhor sorte não teria o recorrente, porque a infração em apreço, inequivocamente, não é passível de denúncia espontânea. A fim de justificar porque a penalidade ora objetada não comporta o instituto da denúncia espontânea, previsto no CTN, peço licença ao ilustre conselheiro José Fernandes do Nascimento para colacionar trechos do voto de sua lavra, que fundamentou a decisão consignada no Acórdão 3102002.187, exarado em 26.03.2014: (...) Não procede a alegação da recorrente, pois, no caso em comento, não se aplica o instituto da denúncia espontânea da infração previsto no art. 138 do CTN e tampouco o específico da infração a legislação aduaneira estabelecido no art. 102 do Decretolei nº 37, de 1966, com as novas redações dadas pelo Decretolei nº 2.472, de 01 de setembro de 1988 e pela Lei nº 12.350, de 20 dezembro de 2010, a seguir reproduzido: Art. 102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Fl. 89DF CARF MF Processo nº 11128.002545/200715 Acórdão n.º 3001000.386 S3C0T1 Fl. 90 12 § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. Fl. 90DF CARF MF Processo nº 11128.002545/200715 Acórdão n.º 3001000.386 S3C0T1 Fl. 91 13 (...) De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. (...) Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez. (...) No mesmo sentido, o entendimento manifestado pela 3ª Turma da CSRF, por meio do Acórdão nº 9303003.552, de 26/04/2016, rel. Rodrigo da Costa Pôssas, cujo enunciado da ementa segue reproduzido: (...) No âmbito dos Tribunais Regionais Federais (TRF), o entendimento tem sido o mesmo. A título de exemplo, citase trechos do enunciado da ementa e do voto condutor do TRF da 4ª Região, proferido no julgamento da Apelação Cível nº 500599981.2012.404.7208/SC, que seguem parcialmente transcritos: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966. 2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas. 3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. Fl. 91DF CARF MF Processo nº 11128.002545/200715 Acórdão n.º 3001000.386 S3C0T1 Fl. 92 14 [...] Voto. [...] Não é caso, também, de acolhimento da alegação de denúncia espontânea. A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. [...]. Também com base no mesmo entendimento, a questão tem sido decidida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), conforme confirma, a título de exemplo, o recente acórdão proferido no julgamento do REsp 1613696/SC, cujo enunciado da ementa segue transcrito: O art. 107 do Decretolei 37, de 1966, por sua vez, estabelece a penalidade de multa, no caso de descumprimento da obrigação acima mencionada. Oportuno anotar, ainda, que a declaração do embarque das mercadorias é obrigação acessória e sua apresentação intempestiva caracteriza infração formal, cuja penalidade não é passível de ser afastada pela denúncia espontânea.”. Com base nessas considerações, afastase a alegada excludente de responsabilidade por denúncia espontânea, suscitada pela recorrente. Em suma, em se tratando de multas aduaneiras, a denúncia espontânea possui tratamento expresso e específico. Com efeito, reproduzse, a seguir, os preceitos dos artigos 612 do Decreto 4.543 de 26.12.2002 Regulamento Aduaneiro à época vidente e do atualmente em vigor, qual seja o 683 do Decreto 6.759 de 05.02.2009: Regulamento Aduaneiro/2002 Art. 612. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos legais, excluirá a imposição da correspondente penalidade (Decretolei Fl. 92DF CARF MF Processo nº 11128.002545/200715 Acórdão n.º 3001000.386 S3C0T1 Fl. 93 15 no 37, de 1966, art. 102, com a redação dada pelo Decretolei no 2.472, de 1988, art. 1o). § 1o Não se considera espontânea a denúncia apresentada (Decretolei no 37, de 1966, art. 102, § 1o, com a redação dada pelo Decretolei no 2.472, de 1988, art. 1o): I no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; ou II após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. § 2o A denúncia espontânea exclui somente as penalidades de natureza tributária (Decretolei no 37, de 1966, art. 102, § 2o, com a redação dada pelo Decretolei no 2.472, de 1988, art. 1o). § 3o Depois de formalizada a entrada do veículo procedente do exterior não mais se tem por espontânea a denúncia de infração imputável ao transportador. Regulamento Aduaneiro/2009 Art. 683. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento dos tributos dos acréscimos legais, excluirá a imposição da correspondente penalidade (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 102, caput, com a redação dada pelo DecretoLei no 2.472, de 1988, art. 1o; e Lei nº 5.172, de 1966, art. 138, caput). § 1o Não se considera espontânea a denúncia apresentada (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 102, § 1º, com a redação dada pelo DecretoLei no 2.472, de 1988, art. 1o): I no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; ou II após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de multas de natureza tributária ou administrativa, com exceção das aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 102, § 2º, com a redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010, art. 40). (Redação dada pelo Decreto nº 8.010, de 2013) § 3o Depois de formalizada a entrada do veículo procedente do exterior não mais se tem por espontânea a denúncia de infração imputável ao transportador. Da singela leitura dos enunciados normativos acima transcritos, verificase que o instituto da denúncia espontânea passou, depois do ano de 2010 e em alguns casos, a alcançar também as multas de natureza administrativa. Fl. 93DF CARF MF Processo nº 11128.002545/200715 Acórdão n.º 3001000.386 S3C0T1 Fl. 94 16 Entretanto, esta mesma regra é expressa ao determinar, desde a vigência do Regulamento Aduaneiro de 2002, que depois de formalizada a entrada do veículo procedente do exterior não mais se tem por espontânea a denúncia de infração imputável ao transportador. E é justamente este o caso dos autos, tendo em vista que o contribuinte prestou as informações exigidas apenas após a atracação do navio no porto brasileiro. Como bem pontuou o auto de infração, ao noticiar que em 06 de FEVEREIRO de 2007, O agente de Carga MERIDIONAL MARÍTIMA LTDA, devidamente qualificado neste Auto, protocolizou, conforme determina a Ordem de Serviço Alf/Sts nº 04/2001, o Registro de Manifesto de Carga Consolidada NVOCC nº 007/014.245 (fls. de 07 a 13), na Equipe de Manifesto (Eqman), referente ao conhecimento de carga "master" nº MSCUNE546535, emitido pelo transportador de carga MEDITERRANEAN SHIPPING COMPANY, e ao conhecimento de carga "HOUSE" nº ISTIlO796, emitido pelo consolidador de carga INTERSTAR GLOBAL LOGISTICS LP, representado no Brasil pelo MERIDIONAL MARÍTIMA LTDA, desconsolidador de carga, sendo estes conhecimentos referentes as cargas descarregadas do navio "MSC CHIARA", atracado no Porto de Santos, em 04 DE FEVEREIRO DE 2007, conforme Termo de Visita Aduaneira Nº 007/XXXX Eqvib/Plantão (fl. 14). Da presunção de boafé do contribuinte O recorrente desenvolve argumento no sentido de ver excluída a penalidade imposta sob a justificativa da presunção da sua boafé, ainda mais que no caso em discussão sua conduta não implicou em dano ao erário. Entretanto, inexistindo qualquer previsão normativa de redução ou afastamento da multa aplicada pela prática da infração tipificada na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei 37 de 1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833 de 2003, por boafé do infrator. Tratase, como visto ao longo deste voto, de multa não prestação de informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, dotada de natureza objetiva, sendo que para ser aplicada basta a confirmação da irregularidade, in casu, da entrega fora do prazo do Registro de Manifesto de carga consolidada NVOCC 007/014.245, independentemente da intenção do agente. Salientese, a lei não confere qualquer âmbito de discricionariedade ao agente administrativo, nem ao julgador, no tocante à dosimetria da multa, em face da infração ora examinada, a fim de aplicála ou não, sendo o bastante que se caracterize a situação descrita na legislação de regência para que haja a aplicação da penalidade. Da natureza da obrigação acessória A própria natureza da obrigação acessória representa um viés autônomo de eventual tributo a ser exigido. Nessa trilha, quando se descumpre a indigitada obrigação, nasce um direito autônomo à cobrança, pois pelo simples fato da sua inobservância convertese em principal, relativamente à penalidade pecuniária (§ 3º do artigo 113 do CTN). Dessa forma, com fulcro no retrocitado preceito legal, tornase aplicável a penalidade pelo nãocumprimento da obrigação acessória tipificada, genericamente, na alínea Fl. 94DF CARF MF Processo nº 11128.002545/200715 Acórdão n.º 3001000.386 S3C0T1 Fl. 95 17 “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei 37 de 1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833 de 2003, conforme corretamente descrita no auto de infração. De arremate, o argumento de prejuízo ao erário se esvai quando se analisa a multa tributária sob o aspecto objetivo. Isso porque, como se sabe, o caráter punitivo da reprimenda possui natureza objetiva. Noutros termos, quedase alheia à vontade do contribuinte e/ou responsável ao eventual prejuízo derivado de inobservância às regras formais. Eis que a responsabilidade no campo tributário independe da intenção do agente ou responsável, bem como da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, conforme estabelece expressamente o artigo 136 do Código Tributário Nacional. Da conclusão Com tudo o que foi exposto nos tópicos anteriores, resta claro que os argumentos esposados pelo recorrente não merecem ser acolhidos. Portanto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Fl. 95DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16024.000642/2007-55
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 2002, 2003, 2005
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO E OMISSÃO. INEXISTÊNCIA. RATIFICAÇÃO DE ACÓRDÃO.
É de se conhecer os embargos de declaração, mesmo não se reconhecendo a omissão e a contradição argüidas, para aclarar dúvidas porventura existentes no acórdão embargado cujo resultado há que ser ratificado.
Rejeita-se os embargos de declaração quando não há omissão e/ou
contradição no voto condutor do julgamento recorrido.
Numero da decisão: 1301-001.226
Decisão: Acordam os Membros deste Colegiado, por maioria de votos, em conhecer dos embargos interpostos, não pelo pressuposto indicado para a sua impetração (omissão e contradição), mas, tão somente, para os esclarecimentos necessários, pelo que rejeitá-los e ratificar o decidido pelo Acórdão 1301-000.826, de 14/03/2012.
Nome do relator: Paulo Jakson da Silva Lucas
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CONTRADIÇÃO E OMISSÃO. INEXISTÊNCIA. RATIFICAÇÃO DE ACÓRDÃO. É de se conhecer os embargos de declaração, mesmo não se reconhecendo a omissão e a contradição argüidas, para aclarar dúvidas porventura existentes no acórdão embargado cujo resultado há que ser ratificado. Rejeitase os embargos de declaração quando não há omissão e/ou contradição no voto condutor do julgamento recorrido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os Membros deste Colegiado, por maioria de votos, em conhecer dos embargos interpostos, não pelo pressuposto indicado para a sua impetração (omissão e contradição), mas, tão somente, para os esclarecimentos necessários, pelo que rejeitálos e ratificar o decidido pelo Acórdão 1301000.826, de 14/03/2012. (assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plínio Rodrigues Lima, Valmir Sandri, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 02 4. 00 06 42 /2 00 7- 55 Fl. 962DF CARF MF Impresso em 31/07/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 07/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA 2 Relatório Recebidos nos termos do artigo 49, parágrafo 7o., do Anexo II da Portaria MF 256, de 22/06/2009, que aprovou o Regimento Interno do CARF – RICARF. Tratamse de Embargos de Declaração (fls. 985/993) apresentado pelo contribuinte, em face do Acórdão 1301000.826, de 14/03/2012, por meio do qual foi negado provimento ao recurso voluntário, por voto de qualidade dos membros da Primeira Turma da Terceira Câmara da Primeira Seção de Julgamento, tendo a seguinte ementa: Assunto: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICAIRPJ Anocalendário: 2002, 2003, 2005 ERRO NA CAPITULAÇÃO LEGAL Tratandose de erro evidente, divorciado do contexto do procedimento fiscal do qual emerge a motivação e o enquadramento legal correto da autuação, que não redundou em qualquer prejuízo ao exercício do direito de defesa nem em majoração indevida do crédito tributário lançado, a nulidade não deve ser pronunciada. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Deve ser mantida a tributação por omissão de receitas se o contribuinte não logra comprovar, com documentos hábeis e idôneos, a origem de depósitos em suas contascorrentes bancárias, os quais pretendia tratarse de operações de Antecipações de Dividendos, Emissão de Debêntures e de Devolução de Capital que deram origem à compra e venda de títulos do Tesouro Americano (TBills). MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. COMPROVAÇÃO. Se dos elementos que constam dos autos não resta comprovado o evidente intuito de fraude, a multa qualificada deve ser afastada e reduzida ao percentual de 75%. A mera constatação da omissão de receitas, mormente se por presunção legal, é insuficiente para afirmar o intuito doloso do contribuinte de ocultar o fato gerador tributário da autoridade fiscal. MULTA ISOLADA. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. ESTIMATIVA. A multa exigida isoladamente sobre a falta de recolhimento das estimativas mensais é de natureza sancionatória, portanto, diversa da multa proporcional incidente sobre a insuficiência de recolhimento do tributo apurado ao fim do anocalendário, no regime do lucro real anual. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS Aplicase à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito. Neste recurso há duas alegações, a saber: (i) “Hipótese (Omissão) e, (ii) Hipótese (Erro – Contradição)”, das quais transcrevo trechos do necessário a decidir: “Hipótese (Omissão) Nenhuma palavra no voto condutor do Acórdão Embargado a respeito de temas da maior relevância jurídica e fática, inclusive constantes do Memorial juntado através da Resolução n.° 130100.029. Fl. 963DF CARF MF Impresso em 31/07/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 07/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 16024.000642/200755 Acórdão n.º 1301001.226 S1C3T1 Fl. 12 3 [...] Com efeito, simplesmente inexiste no Acórdão embargado qualquer menção ao § 2o. do art. 42 da Lei 9.430/96, fazendo crer que a presunção do "caput" do art. 42 não se esgotaria na prova da origem imediata (cheques depositados Ultra, Saspar e Odebrecht), permitindo perquirir a origem remota (TBills) e indo mais longe, também perquirir a origem remotíssima (Retorno de Capital Emissão de Debêntures Antecipação de Lucros). Tão grave é a omissão que, em termos finalísticos, significa negar absolutamente a previsão legal do § 2° do art. 42 da Lei 9.430/96, isto porque, se incomprovadas as acima citadas operações, teríamos as possíveis e seguintes hipóteses de tributação: • Retorno de Capital Em principio sequer teria tributação. • Emissão de Debêntures Talvez a tributação se desse a titulo de "Passivo Fictício", como previsto no RIR/99. • Antecipação de Lucros Possivelmente incidiria a chamada "tributação universal", prevista na Lei 92.49/95. Da mesma forma é omisso o julgado no que diz respeito incidência do I0F na operação praticada, isto porque, se o negócio efetivo é uma operação de câmbio, atípica e não usual, como ter os depósitos como não comprovados nos termos do art. 42 da Lei 9.430/96, simplesmente negando vigência ao § 2° do mesmo artigo, e o que é pior, deixando de fazer incidir eventual tributação segunda as normas especificas, no caso o I0F. Hipótese (Erro – Contradição). Como reconhecido não só pela fiscalização, mas também pela Decisão da DRJ e mantida no Acórdão Embargado, a operação de compra e venda de títulos americanos jamais foi posta em dúvida (vide demonstração acima), de modo que não há como continuar afirmando que a origem dos depósitos não teria sido comprovada (vide cheques de Ultra Saspar e Odebrecht). Mas não é só. Antes da coleta dos votos o relator foi questionado pelo Conselheiro Waldir Veiga Rocha. Pergunta: Existem provas das operações com as TBills ? Respondendo à indagação formulada, o relator foi incisivo em sua informação. Resposta: Não Após a resposta do Relator, o Conselheiro Waldir consignou seu voto no sentido de negar provimento ao Recurso, revelando que se a negociação com as T Fl. 964DF CARF MF Impresso em 31/07/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 07/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA 4 Bills estivesse provada, votaria pelo provimento do Recurso Voluntário. Com esse mesmo argumento votou o Conselheiro Alberto Presidente da Turma. Ocorre que em nenhum momento a existência e efetividade da operação entre a Embargante e as empresas Ultra, Saspar e Odebrecht foi posta em dúvida, e nem poderia, seria o mesmo que negar os cheques/ted emitidos por essas empresas e os próprios depósitos objeto do lançamento, tidos equivocadamente como incomprovados, de modo que resultam flagrantes o erro e a contradição, com influência direta na conclusão do julgado.” É o relatório. Passo ao voto. Fl. 965DF CARF MF Impresso em 31/07/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 07/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 16024.000642/200755 Acórdão n.º 1301001.226 S1C3T1 Fl. 13 5 Voto Conselheiro Relator Paulo Jakson da Silva Lucas O Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, aprovado pela Portaria MF 256, de 22 de julho de 2009, determina: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. § 1° Os embargos de declaração poderão ser interpostos por conselheiro da turma, pelo Procurador da Fazenda Nacional, pelos Delegados de Julgamento, pelo titular da unidade da administração tributária encarregada da execução do acórdão ou pelo recorrente, mediante petição fundamentada dirigida ao presidente da Câmara, no prazo de 5 (cinco) dias contado da ciência do acórdão. Para elucidação da matéria combatida necessário transcrever trechos do voto condutor, a saber: “Passo, pois, a apreciar o conjunto dos argumentos trazido pela Recorrente. Como visto, trata a lide de exigências de IRPJ e reflexos, relativas aos ano calendários de 2002, 2003 e 2005, formalizadas com base em depósitos/créditos bancários para os quais o contribuinte, intimado, não comprovou as correspondentes origens. Resta evidente que o que importa verificar nos presentes lançamentos tributários é se o contribuinte colacionou aos autos documentação que autoriza concluir que restaram comprovadas as origens dos recursos depositados/creditados em suas contas bancárias, vez que os créditos tributários aqui tratados foram constituídos com base no art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, além das multas impostas (qualificada e isolada). Comprovação esta com lastro em documentação hábil e idônea e, que demonstre a estrita relação com as operações que deram causa a tais depósitos.” Após transcrever trechos referentes aos argumentos do voto condutor da autoridade julgadora de primeira instância, retomo a transcrição do meu voto: “À evidência a documentação reunida pela recorrente não pode ser considerada hábil e idônea para comprovar o alegado por tratarse, conforme ressalta a fiscalização, de documentos expedidos pelos envolvidos, repitase: (i) toda a operação ocorreu entre particulares sediados no País sob intervenção de sistema bancário situado no exterior – (ii) e que fazem referência, até onde foi possível apurar, a títulos existentes com inobservância da legislação de regência que determina a intervenção de instituição brasileira legalmente habilitada para realizar a operação; (iii) não exibição de comprovantes de pagamentos (apresentam somente Fl. 966DF CARF MF Impresso em 31/07/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 07/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA 6 registros contábeis) e, demais documentação referenciada pela recorrente diz respeito a cópias de supostos contratos envolvendo negociação de títulos estrangeiros sem a efetiva formalização de regência, ou seja (iv) ausência de atendimento da intimação para apresentação à fiscalização dos contratos respectivos legalmente formalizados. De fato, no caso vêse por exemplo, simples lançamentos em seu livro Diário (fl. 232) a conta de débito (transferências conta 103010) e crédito (dividendos antecipados – conta 224011) sem lastro em documento probante das operações/transações efetivamente realizadas, portanto, não há de ser suficiente para aferição da fidedignidade das justificativas apresentadas pela fiscalizada. Por exemplo, foi apresentada à fiscalização, apenas, cópia de folha do Livro Contábil Razão da "VILLAGE" sediada na Ilha da madeira, (fls. 299 dos autos), onde estão, em tese, registradas as devoluções de capital à "PSICRSA ITU", em bens (TBills), em 30/03/2005 e 05/04/2005, na tentativa de se comprovar a origem dos recursos utilizados para as aquisições dos títulos. Como bem afirmado no relatório fiscal, como lastro ao registro contábil seria necessário a apresentação de uma avaliação do valor unitário das cotas de capital pelo critério contábil ou pelo valor de mercado, bem como do registro da alteração do valor ou da redução do número das cotas de participaçãode "PSICRSA ITU" na "VILLAGE", mediante alteração de Contrato Social ou de documento equivalente. É certo que para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/1997, o artigo 42 da Lei 9.430, de 1996, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, com documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindo o para o contribuinte, que pode refutála mediante ofertas de provas hábeis e idôneas, fato que não aconteceu no presente caso. Ao fisco cabe provar o fato constitutivo do seu direito, no caso em questão, a existência de depósito bancário sem origem comprovada. É importante, nesse passo, destacar a jurisprudência deste Conselho, sobre o tema, por exemplo, acórdão 10195.122, no qual mantevese a tributação com relação a omissão de receitas caracterizada por depósitos bancários sem comprovação da origem dos recursos: Sessão de : 11 de agosto de 2005 Acórdão n°. : 10195.122 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO EX OFFICIO Tendo o Julgador a quo ao decidir o presente litígio, se atido às provas dos Autos e dado correta interpretação aos dispositivos aplicáveis às questões submetidas à sua apreciação,negase provimento ao Recurso de Ofício. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL PROVA A documentação em que lastreia as operações de compra evenda de títulos americanos, os T Bills, deve conter,obrigatoriamente, a indicação do nome da instituição financeiraamericana que os custodiem. IRPJ PRESUNÇÃOLEGAL OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DE ORIGEM OPERAÇÕES COM T – BILLS Para dar suporte a depósitos bancários em contas da recorrente,que deram causa a acusação de omissão de receita, as operações de compra e venda de títulos do Tesouro Americano deveriam estar registradas em sua contabilidade e os documentos que as lastreiam deveriam conter os requisitos formais próprios aos documentos de sua espécie. Ausente desses títulos um Fl. 967DF CARF MF Impresso em 31/07/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 07/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 16024.000642/200755 Acórdão n.º 1301001.226 S1C3T1 Fl. 14 7 dos requisitos essenciais para sua formalização (aindicação do nome da instituição financeira custodiante nos EUA), bem como não estando estes contabilizados, não resta comprovada a origem dos depósitos bancários que deram causaà aplicação da presunção legal de omissão de receitas, estabelecida pelo artigo 42 da lei n° 9.430/1996. (...) Como fundamento do julgado acima (Acórdão 10195.122), destaco, pela semelhança ao caso em tela, o que segue: “Que, não foi apresentado o documento original, em inglês, a que corresponde a respectiva tradução juramentada da "Guaranteed Promissory Note" n° BHMS042, de 18/08/1997; Que, reputase inepta a tradução do "Purchase Agreement" — (Contrato de Compra), relativo à alegada aquisição dos "TBills" junto ao Credit Lyonnais no Uruguai, haja vista que as traduções em apreço apresentadas (fls. 173/179 do Anexo e 54/60 do Anexo II), atribuídas ao tradutor ernardo Kamergorodski prescindem dos requisitos formais mínimos indispensáveis que as legitimem, especialmente o fato de que a tradução não é juramentada; Que, tratando de forma dos atos jurídicos e da sua prova, o Código Civil preceitua reputarse inválido qualquer ato que deixar de revestir a forma especial determinada em lei, quando a lei expressamente exigir; Que, de acordo com o art. 127 c/c o item 6° do art. 129 e art. 148 da Lei n° 6.015, de 31 de dezembro de 1973 Lei de Registros Públicos, para surtir efeitos em relação a terceiros, é indispensável que documentos de procedência estrangeira sejam registrados no Registro de Títulos e Documentos; Assim, decididamente, registro contábil dessa natureza não espelha a contabilização de ingresso de numerário em conta bancária relativo a recebimento de venda de títulos; Que, em se tratando de aquisição de títulos ao portador, a prova da entrega material, qual seja o recibo, a nota de transferência de custódia etc., advinda do recebedor (aceitante ou accipiens) dos títulos — no caso a Propex e a Holdmil , ou de fonte externa (no caso o Banco "custodiante" — Credit Lyonnais) afigurase pressuposto imprescindível para que se possa provar que eles foram tradicionados; O que nada prova é o documento autorizando transferência de titularidade, expedido pelo vendedor — sujeito que é mero "detentor" e não proprietário que não exibiu e portanto não possui nem sequer certificado de custódia não possui nada enfim. Em regra, o domínio de coisas móveis, tais como títulos ao portador, se transfere pela tradição. Os contratos de compra e venda de Notas do Tesouro dos Estados Unidos — Bills", celebrados com Propex e com Holdmil, por si só, não comprovam a tradição dos títulos. Com relação a necessidade do registro, declarase na decisão recorrida que todo capital estrangeiro deve ser registrado no Banco Central do Brasil, mesmo porque tal registro é essencial para a remessa de juros, o repatriamento do capital realizado.” Fl. 968DF CARF MF Impresso em 31/07/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 07/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA 8 Ressaltese, que em sessão realizada em 29/06/2011, esta Turma decidiu através da Resolução 130100.029, acolher o pedido de juntada dos documentos trazidos juntamente com o memorial apresentado na ocasião, com o objetivo de analisálos e, em especial, dar ciência a douta Procuradoria da Fazenda Nacional para conhecimento e pronunciamento, caso entenda necessário. Após pronunciamento da douta Procuradoria retornou os autos para prosseguimento do julgamento. Manifestouse a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (às fls. 943/948), não concordando com a juntada dos documentos nesta fase recursal e, muito menos com as alegações declinadas no Memorial, pelas razões que se segue (em síntese): “ Quanto ao principio da verdade real, é certo que deve ser obedecido no PAF, mas caminha ao lado do devido processo legal, o qual incluiu o devido julgamento da causa por todas as instâncias administrativas. A apresentação de novos documentos pelo sujeito passivo em sede recursal, sem amparo na legislação processual administrativa, implica em supressão de instancia. Por essa razão, no campo probatório, a verdade real esta submissa a dialética da prova, isto é, somente pode ser aceita a juntada de novos elementos probatórios quando a parte juntou tempestivamente os documentos que julgava suficientes para a demonstração do seu direito, mas que o órgão julgador reputou insuficientes. Nesse caso é legitima a juntada posterior dos elementos exigidos pelo órgão julgador de instância inferior. Fora desses casos, a juntada posterior está condicionada às hipóteses expressamente previstas em lei. No caso em tela, não houve debate sobre a prova, o sujeito passivo simplesmente deixou de levála à apreciação das instâncias inferiores. Se a parte quedouse inerte nos momentos processuais oportunos, deve prevalecer no caso o brocardo jurídico segundo o qual o Direito não socorre aos que dormem: Dormicutibus non sucurrit jus. Diante disso, não havendo debate sobre a prova nas instâncias inferiores, e não se verificando as hipóteses autorizadoras de juntada posterior de prova previstas em lei, não pode ela ser aceita sob pena de supressão de instância administrativa e violação do devido processo legal.” Conclui, a douta PFN requerendo: I) o desentranhamento dos documentos dos autos, dada sua juntada intempestiva desacompanhada da justificativa para sua colação extemporânea conforme previsto em lei (preclusão para juntada de provas); II) sejam suas informações desconsideradas e/ou reconhecidas como inaptas a fundamentar qualquer decisão neste caso, em razão de ofensas regra jurídica acima mencionada e em pleno vigor (preclusão consumativa); III) seja mantida a autuação em todos os seus termos; IV) seja mantida a decisão de primeira instância em sua integralidade. De se ressaltar que os documentos juntados nesta fase recursal, ou seja, com o memorial entregue na sessão de 29/06/2011 e, objeto da Resolução, dizem respeito a: Intimação para testemunho em Ação Civil. Tradução Oficial (fls.893/899); Trade Confirmação. CAS/USA (Confirmação de Negócio), fls. 880/888; Order Pursuant To (Levantamento de Provas), fls. 874/879; Fl. 969DF CARF MF Impresso em 31/07/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 07/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 16024.000642/200755 Acórdão n.º 1301001.226 S1C3T1 Fl. 15 9 Affidavit of Service (Certidão Oficial). Depoimento de James Mcpherson (fls. 929/938) e, extratos do Banco Credit Lyonnais e Banco Americano Credit Calyon Securitues/CAS USA 00001 a 00007. Em que pese a posição da douta PGFN, pela desconsideração dos documentos apresentados nesta fase recursal, face ao decidido por esta Turma de julgamento pela Resolução no. 130100.029, passo a análise. A própria documentação complementar apresentada nesta fase, diz respeito a ação ajuizada em Nova Iorque na tentativa de confirmação da custódia, existência e titularidade dos Tbills com base nos documentos denominados levantamento de provas e interrogatório apresentado em tradução juramentada. De sua leitura extrai se que os documentos a serem produzidos incluem, entre outros: transmissões por email ou fax de e/ou para o Credit Agricole ou qualquer antecessor, solicitando e confirmando as transações de Títulos do Tesouro. E, é justamente o que se encontra juntado aos autos, qual seja, correspondência de titularidade de Calyon Securities – Grupo Credit Agrocole para a Credit Lyonnais Uruguay Casa Financeira (Docs. CASEUA 00008/00009). Segundo, com relação aos depoimentos e confirmação do negócio constatase que o documento tem por finalidade obter todas e quaisquer informações e comunicações entre a Credit Lyonnais Securities (USA), a Calyon Securities (USA) e a Lyonnais Uruguai confirmando as transações com os títulos do Tesouro dos Estados Unidos. Para tanto anexa documentos denominados “Trade Confirmation” e extratos ora do Calyon Securities, ora do Credit Lyonnais (USA) para o Credit Lyonnais Uruguay. Ao meu ver, tratase de correspondência do Credit Lyonnais do Uruguai contendo relatórios relacionados com TBílls, supostamente adquiridas e negociadas com terceiros, segundo xtratos e faturas do próprio Credit Lyonnais (Uruguai) e Calyon Securities (Uruguai); nenhum documento adicional foi apresentado pela contribuinte para dar suporte as informações relatadas, em nada acrescentando aos documentos e argumentações apresentadas na fase da impugnação. O próprio depoimento juntado aos autos nesta fase, com tradução oficial, diz respeito ao depoente Sr. James McPherson que afirma trabalhar no departamento jurídico como associado sênior e advogado da Credit Agricole Corporate Investment Bank, que é uma coligada da Credit Agricole Securities (USA) e da qual a Calyon Securities USA foi sua antecessora. Os documentos trazidos pela recorrente, traduzem (formalizam) as operações de negociação com títulos estrangeiros descritas, mas não provam sua efetividade. Desde o início do procedimento fiscal o que se requer da autuada é que comprove quais foram as origens dos recursos ingressados em sua conta bancária e, que suportaram as transações de aquisição dos TBills. Com efeito, os documentos juntados aos autos não são aptos a comprovar a antecipação de dividendos e as devoluções de capital alegadas pelo contribuinte. De se registrar que não cabe ao Fisco estabelecer nenhuma correlação natural entre o fato conhecido (no caso, os depósitos bancários) e o desconhecido (a omissão de receitas), o que só se aplica às presunções simples. Quando se trata de presunção legal, ao Fisco basta provar o fato indício apontado na norma, e a conseqüência inarredável é a presunção. Como bem destacou a douta Procuradoria: “convém ressaltar que os documentos juntados pelo recorrente em nada alteram o lançamento em questão, Fl. 970DF CARF MF Impresso em 31/07/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 07/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA 10 tendo em vista que permanece incólume o fundamento da autuação — Omissão de receitas em razão da falta de comprovação de sua origem.” O recorrente não comprovou a operação que deu origem aos depósitos efetuados pela SASPAR, ULTRA e ODEBRECHT na sua conta bancaria, a primeira operação que deu origem aos recursos, ou seja, as supostas operações de antecipação de dividendos, em 22/04/02, 24/06/02 e 19/07/02, que teriam sido efetuadas pela empresa Primo Schincariol Internacional LTDA (PSI), sediada na Ilha Madeira, assim como, as supostas devoluções de capital que teriam sido efetuadas pela VILLAGE PSICRSA ITU, em bens. Ou seja, restou demonstrado que os ingressos de recursos não guardavam a condição de "devolução de capital" e "antecipação de dividendos", haja vista que tiveram suporte em operações simuladas, com existência meramente formal. Não faço, pois, qualquer reparo à decisão recorrida, a qual afastou a argüição de nulidade do lançamento por vício formal e manteve as autuações decorrentes à desconsideração das operações com TBILLS.” CONCLUSÃO Registrese que os embargos de declaração não são a via própria para a reforma do Acórdão. Constato, pois, que o que a recorrente pretende por meio dos embargos ora sob exame é uma efetiva reapreciação das provas colacionadas ao processo, pleito que não pode ser acolhido pela via recursal em referência. Do exposto, resta claro, que a matéria em discussão e vastamente explorada no relatório e voto combatido, foi o auto de infração relativo a omissão de receitas (art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996), confira o seguinte excerto: “De se registrar que não cabe ao Fisco estabelecer nenhuma correlação natural entre o fato conhecido (no caso, os depósitos bancários) e o desconhecido (a omissão de receitas), o que só se aplica às presunções simples. Quando se trata de presunção legal, ao Fisco basta provar o fato indício apontado na norma, e a conseqüência inarredável é a presunção. Como bem destacou a douta Procuradoria: “convém ressaltar que os documentos juntados pelo recorrente em nada alteram o lançamento em questão, tendo em vista que permanece incólume o fundamento da autuação — Omissão de receitas em razão da falta de comprovação de sua origem.” O recorrente não comprovou a operação que deu origem aos depósitos efetuados pela SASPAR, ULTRA e ODEBRECHT na sua conta bancaria, a primeira operação que deu origem aos recursos, ou seja, as supostas operações de antecipação de dividendos, em 22/04/02, 24/06/02 e 19/07/02, que teriam sido efetuadas pela empresa Primo Schincariol Internacional LTDA (PSI), sediada na Ilha Madeira, assim como, as supostas devoluções de capital que teriam sido efetuadas pela VILLAGE PSICRSA ITU, em bens. Ou seja, restou demonstrado que os ingressos de recursos não guardavam a condição de "devolução de capital" e "antecipação de dividendos", haja vista que tiveram suporte em operações simuladas, com existência meramente formal.” Por fim, cabe consignar que nesta peça recursal a apelante alega que os votos dos Conselheiros Waldir Veiga Rocha e Alberto Pinto Junior negando provimento ao recurso voluntário, foram proferidos com a ressalva de que “se a negociação com as TBills estivesse Fl. 971DF CARF MF Impresso em 31/07/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 07/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 16024.000642/200755 Acórdão n.º 1301001.226 S1C3T1 Fl. 16 11 provada votaria pelo provimento”, ilação essa desprovida de qualquer fundamento, haja vista que a matéria em discussão foi exaustivamente debatida (o processo foi objeto de pedido de vista e retirada de pauta por quatro sessões consecutivas). De se registrar que os dois Conselheiros citados, coincidentemente, são os únicos que não mais pertencem à composição desta Turma Julgadora. Pelo exposto, conheço os embargos interpostos, não pelo pressuposto indicado para a sua impetração (omissão e contradição), mas, tão somente, para os esclarecimentos necessários, pelo que rejeitoos e ratifico o decidido pelo Acórdão 1301 000.826, de 14/03/2012. (documento assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Fl. 972DF CARF MF Impresso em 31/07/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 07/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA
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