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Numero do processo: 19515.720454/2015-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jul 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2010 a 31/12/2010
PRELIMINAR DE NULIDADE DA DECISÃO. CERCEAMENTO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA
Quando comprovado todo histórico de discussão administrativa, não se pode falar em cerceamento de direito de defesa ou quaisquer outros vícios no lançamento ou no julgamento da primeira instância, uma vez que todo o procedimento previsto no Decreto nº 70.235/72 foi observado, tanto o lançamento tributário, bem como, o devido processo administrativo fiscal.
COFINS NÃO-CUMULATIVA. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO. VENDAS EQUIPARADAS A EXPORTAÇÃO. PROVAS.
A exclusão de receitas decorrentes de vendas equiparadas a exportações, da base de cálculo da Contribuição à COFINS, depende da comprovação, mediante apresentação de documentos contábeis e fiscais, de que tais receitas decorreram de vendas mercadorias para empresas exportadoras com o fim específico de exportação e/ ou destinadas ao consumo ou à industrialização na Zona Franca de Manaus e nas Áreas de Livre Comércio.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2010 a 31/12/2010
PIS NÃO CUMULATIVA. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO. VENDAS EQUIPARADAS A EXPORTAÇÃO. PROVAS.
A exclusão de receitas decorrentes de vendas equiparadas a exportações, da base de cálculo da Contribuição ao PIS, depende da comprovação, mediante apresentação de documentos contábeis e fiscais, de que tais receitas decorreram de vendas mercadorias para empresas exportadoras com o fim específico de exportação e/ ou destinadas ao consumo ou à industrialização na Zona Franca de Manaus e nas Áreas de Livre Comércio.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-005.384
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para negar-lhe provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2010 a 31/12/2010 PRELIMINAR DE NULIDADE DA DECISÃO. CERCEAMENTO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA Quando comprovado todo histórico de discussão administrativa, não se pode falar em cerceamento de direito de defesa ou quaisquer outros vícios no lançamento ou no julgamento da primeira instância, uma vez que todo o procedimento previsto no Decreto nº 70.235/72 foi observado, tanto o lançamento tributário, bem como, o devido processo administrativo fiscal. COFINS NÃO-CUMULATIVA. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO. VENDAS EQUIPARADAS A EXPORTAÇÃO. PROVAS. A exclusão de receitas decorrentes de vendas equiparadas a exportações, da base de cálculo da Contribuição à COFINS, depende da comprovação, mediante apresentação de documentos contábeis e fiscais, de que tais receitas decorreram de vendas mercadorias para empresas exportadoras com o fim específico de exportação e/ ou destinadas ao consumo ou à industrialização na Zona Franca de Manaus e nas Áreas de Livre Comércio. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2010 a 31/12/2010 PIS NÃO CUMULATIVA. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO. VENDAS EQUIPARADAS A EXPORTAÇÃO. PROVAS. A exclusão de receitas decorrentes de vendas equiparadas a exportações, da base de cálculo da Contribuição ao PIS, depende da comprovação, mediante apresentação de documentos contábeis e fiscais, de que tais receitas decorreram de vendas mercadorias para empresas exportadoras com o fim específico de exportação e/ ou destinadas ao consumo ou à industrialização na Zona Franca de Manaus e nas Áreas de Livre Comércio. Recurso Voluntário Negado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2010 a 31/12/2010 PRELIMINAR DE NULIDADE DA DECISÃO. CERCEAMENTO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA Quando comprovado todo histórico de discussão administrativa, não se pode falar em cerceamento de direito de defesa ou quaisquer outros vícios no lançamento ou no julgamento da primeira instância, uma vez que todo o procedimento previsto no Decreto nº 70.235/72 foi observado, tanto o lançamento tributário, bem como, o devido processo administrativo fiscal. COFINS NÃOCUMULATIVA. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO. VENDAS EQUIPARADAS A EXPORTAÇÃO. PROVAS. A exclusão de receitas decorrentes de vendas equiparadas a exportações, da base de cálculo da Contribuição à COFINS, depende da comprovação, mediante apresentação de documentos contábeis e fiscais, de que tais receitas decorreram de vendas mercadorias para empresas exportadoras com o fim específico de exportação e/ ou destinadas ao consumo ou à industrialização na Zona Franca de Manaus e nas Áreas de Livre Comércio. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2010 a 31/12/2010 PIS NÃO CUMULATIVA. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO. VENDAS EQUIPARADAS A EXPORTAÇÃO. PROVAS. A exclusão de receitas decorrentes de vendas equiparadas a exportações, da base de cálculo da Contribuição ao PIS, depende da comprovação, mediante apresentação de documentos contábeis e fiscais, de que tais receitas decorreram de vendas mercadorias para empresas exportadoras com o fim AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 04 54 /2 01 5- 13 Fl. 456DF CARF MF Processo nº 19515.720454/201513 Acórdão n.º 3402005.384 S3C4T2 Fl. 457 2 específico de exportação e/ ou destinadas ao consumo ou à industrialização na Zona Franca de Manaus e nas Áreas de Livre Comércio. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para negarlhe provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado). Relatório Por bem relatar os fatos e de forma concisa, adoto o relatório da r. decisão vazado nos seguintes termos: Tratase de impugnação apresentada contra os lançamentos das Contribuições para o Programa de Integração Social (PIS) e para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), ambas sob o regime não cumulativo, referentes às competências de julho a dezembro de 2010. Os lançamentos decorreram de diferenças apuradas entre os valores das contribuições, declarados nas respectivas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTFs) e os efetivamente devidos, pelo fato de o interessado ter excluído de suas bases de cálculo as receitas contabilizadas sob a rubrica "Vendas Equiparadas à Exportação", conta nº 6101011300611113, sem, contudo, comprovar a efetiva exportação e/ ou vendas para empresas exportadoras com o fim especifico de exportação, conforme consta do Termo de Verificação e de Constatação Fiscal às fls. 321/328, parte integrante de ambos os autos de infração. Intimado dos lançamentos, o interessado impugnouos, alegando, em síntese: Fl. 457DF CARF MF Processo nº 19515.720454/201513 Acórdão n.º 3402005.384 S3C4T2 Fl. 458 3 i) em preliminar, a nulidade dos autos de infração, sob o argumento de que a Agente Fiscal fez a entrega, em um único envelope, dos autos e seus anexos, do Termo de Verificação e de Constatação Fiscal e do Termo de Ciência de Lançamento e Encerramento Parcial do Procedimento Fiscal, contudo, era indispensável que todos os atos praticados por aquele Agente fossem cientificados ao contribuinte ou a seu preposto; a ausência da devida ciência, por escrito, está eivada de vício formal, sendo passível de nulidade processual; e, (ii) no mérito, erro na base de cálculo das contribuições, sob o argumento de que a autuante não levou em conta que vendas equiparadas à exportação podem ser feitas por "Trading Co." e por empresas comerciais, com preponderância em exportações; com o advento da Lei nº 10.996, de 2004, as alíquotas do PIS e da Cofins incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias destinadas ao consumo ou à industrialização na Zona Franca de Manaus (ZFM), por pessoa jurídica estabelecida fora daquela zona, foram reduzidas para 0,0 % (zero por cento); suscitou ainda a existência de regimes especiais de incentivos, dentre eles, o de Incentivos para o Desenvolvimento da Infraestrutura (Reidi), instituído pela Lei nº 11.488, de 2007; de Aquisição de Bens de Capital para Empresas Exportadoras (Recap), instituído pelo Decreto nº 5.789, de 2006; e de Tributação para Plataforma de Exportação de Serviços de Tecnologia da Informação (Repes), instituído pela Lei nº 11.196, de 2005, que concedem benefícios fiscais, em relação àquelas contribuições, suspendendo suas exigências e/ ou isentando as receitas de vendas de mercadorias enquadradas em tais regimes. Alegou também que os lançamentos foram efetuados com base nos Dacons, contudo tais demonstrativos podem conter erros sanáveis e que todos os créditos sobre insumos, passíveis de aproveitamentos, não foram declarados, e que a autuante fora informada de que aqueles demonstrativos seriam retificados, contudo esta informação não foi considerada por ele; por último alegou que o ônus da prova é de quem acusa, neste caso, do Fisco, e não dele interessado. Para fundamentar a impugnação apresentou extenso arrazoado sobre: "I DOS FATOS; II DO MÉRITO: A) DAS PRELIMINARES: 1) CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA; B) DO MÉRITO: 1) DO ERRO NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS; 2) O ÔNUS DA PROVA É DE QUEM ACUSA; III) DO PEDIDO", concluindo, ao final, que os lançamentos devem ser cancelados e o processo arquivado, protestando provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos. É o relatório. No entanto, os argumentos aduzidos pela Recorrente, não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme ementa do Acórdão DRJ em Ribeirão Preto (SP) nº 1461.649, de 28/06/2016, abaixo reproduzida (fls. 406/412): ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 458DF CARF MF Processo nº 19515.720454/201513 Acórdão n.º 3402005.384 S3C4T2 Fl. 459 4 Período de apuração: 01/07/2010 a 31/12/2010 DIREITO DE DEFESA. CERCEAMENTO. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O auto de infração lavrado por Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil com a indicação expressa da motivação e das infrações imputadas ao sujeito passivo e respectivas fundamentações, constitui instrumento legal e hábil à exigência do crédito tributário e à defesa do contribuinte contra as infrações imputadas a ele. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2010 a 31/12/2010 BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO. VENDAS EQUIPARADAS A EXPORTAÇÃO. PROVAS. A exclusão de receitas decorrentes de vendas equiparadas a exportações, da base de cálculo da contribuição, depende da comprovação, mediante apresentação de documentos contábeis e fiscais, de que tais receitas decorreram de vendas mercadorias para empresas exportadoras com o fim específico de exportação e/ ou destinadas ao consumo ou à industrialização na Zona Franca de Manaus e nas Áreas de Livre Comércio. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2010 a 31/12/2010 BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO. VENDAS EQUIPARADAS A EXPORTAÇÃO. PROVAS. A exclusão de receitas decorrentes de vendas equiparadas a exportações, da base de cálculo da contribuição, depende da comprovação, mediante apresentação de documentos contábeis e fiscais, de que tais receitas decorreram de vendas mercadorias para empresas exportadoras com o fim específico de exportação e/ ou destinadas ao consumo ou à industrialização na Zona Franca de Manaus e nas Áreas de Livre Comércio. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Não concordando com o resultado da decisão acima, a Recorrente apresentou, oportunamente, o Recurso Voluntário (fls. 424/451), no qual sustenta, em preliminar, a nulidade do acórdão da DRJ, por cerceamento do seu direito de defesa, por entender que o julgador de primeira Instância pretende verdadeira inversão do ônus da prova, Fl. 459DF CARF MF Processo nº 19515.720454/201513 Acórdão n.º 3402005.384 S3C4T2 Fl. 460 5 em desrespeito ao art. 142 do CTN, o qual exige que o lançamento esteja devidamente amparado na verdade material a respeito dos fatos. Vejase principais trechos: Nulidade: A decisão recorrida não examinou pormenorizadamente os argumento de defesa em sede de impugnação, a qual é nula, por cerceamento do direito de defesa, nos termos do artigo 59, inciso II, do Decreto nº 70.235/72, uma vez que a autuação encontrase fundamentada em meras suposições, os quais provocaram equívocos de interpretação acerca dos fatos, resultando numa autuação duvidosa; Cita diversas decisões administrativas da DRJ e do CARF. Cerceamento do Direito de Defesa: Importa ressaltar que a Fiscalização fez a entrega, em um único envelope, dos Autos de Infração e seus anexos, do “Termo de Verificação e de Constatação Fiscal” e do “Termo de Ciência de Lançamento e Encerramento Parcial do Procedimento Fiscal”, lavrados em 28/05/2015, cujos autos foram recebidos pelo representante legal em 29/05/2015. Importa ressaltar que, dentro do processo administrativo, é indispensável que todos os atos praticados pelo agente fiscal devem ser cientificados, por escrito, à contribuinte ou seu preposto. A ausência da devida ciência, por escrito, está eivada de vício formal, sendo passível de nulidade processual. Tal situação obstou o pleno conhecimento da impugnante sobre a autuação feita, o que implicou em afronta aos princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa. Erro na Base de Cálculo do PIS e da COFINS: Em que pese o respeito a Fiscalização, a afirmativa relatada no item 22 do “TERMO DE VERIFICAÇÃO E CONSTATAÇÃO FISCAL”, merece um reparo, pois, as VENDAS EQUIPARADAS À EXPORTAÇÃO podem ser feitas por “Trading Co.”, como também, por empresas comerciais com preponderância às exportações. É inegável dizer que o procedimento fiscalizatório foi baseado em valores declarados nos DACON’s, sem que fossem verificados os lançamentos no Livro DIÁRIO, exigência esta obrigatória e imprescindível nesses casos. Com o advento da Lei nº 10.996/2004, que reduziu a zero as alíquotas do PIS/COFINS incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias destinadas ao consumo ou à industrialização na Zona Franca de Manaus – ZFM, por pessoa jurídica estabelecida fora daquela área. Ônus da Prova é de quem acusa: O ônus da prova da existência material e fática dos pressupostos exigidos no Código Tributário Nacional, que embasam a cobrança de qualquer tributo, cabe única e exclusivamente ao Fisco. Não se pode transferir ao contribuinte o dever de provar. Diante de todo o exposto, solicita a RECURSANTE, que seja dado provimento ao presente RECURSO, com vistas à reforma do acórdão recorrido, desobrigando a do recolhimento de quaisquer quantias. É o relatório. Voto Fl. 460DF CARF MF Processo nº 19515.720454/201513 Acórdão n.º 3402005.384 S3C4T2 Fl. 461 6 Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator 1. Da admissibilidade do Recurso O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido pelo Colegiado. 2. Objeto da lide A discussão confinase sobre os lançamentos das Contribuições para o Programa de Integração Social (PIS) e para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), ambas sob o regime não cumulativo, referentes às competências de julho a dezembro de 2010. Tais lançamentos decorreram de diferenças apuradas entre os valores das contribuições, declarados nas respectivas DCTF's e os efetivamente devidos, pelo fato de o interessado ter excluído de suas bases de cálculo as receitas contabilizadas sob a rubrica "Vendas Equiparadas à Exportação", conta nº 6101011300611113, sem, contudo, comprovar a efetiva exportação e/ ou vendas para empresas exportadoras com o fim especifico de exportação. 3. Preliminar de nulidade do Acórdão Antes de adentrar no mérito do caso, a Recorrente aponta nulidade do Acórdão da DRJ por não ter enfrentado os argumentos trazidos na Impugnação. Peço licença para destacar alguns trechos do recurso da Recorrente nesse sentido: "(...) A r. decisão recorrida não examinou pormenorizadamente os argumento de defesa em sede de impugnação, a qual é nula, por cerceamento do direito de defesa, nos termos do artigo 59, inciso II, do Decreto nº 70.235/72, como veremos a seguir. A autuação encontrase fundamentada em meras suposições, os quais provocaram equívocos de interpretação acerca dos fatos, resultando numa autuação duvidosa". "(...) Importa ressaltar que o ilustre Auditor Fiscal fez a entrega, em um único envelope, dos Autos de Infração e seus anexos, do “Termo de Verificação e de Constatação Fiscal” e do “Termo de Ciência de Lançamento e Encerramento Parcial do Procedimento Fiscal”, lavrados em 28/05/2015, cujos autos foram recebidos pelo representante legal em 29/05/2015". "(...) Importa ressaltar que, dentro do processo administrativo, é indispensável que todos os atos praticados pelo agente fiscal devem ser cientificados, por escrito, à contribuinte ou seu preposto. A ausência da devida ciência, por escrito, está eivada de vício formal, sendo passível de nulidade processual. Tal situação obstou o pleno conhecimento da ora impugnante sobre a autuação feita, o que implicou em afronta aos princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa". Em resumo, alega a Recorrente que suscitou a nulidade dos autos de infração sob o argumento de que o Acórdão recorrido não examinou pormenorizadamente os argumento de defesa em sede de impugnação e que não foi intimado, por escrito, de todos os atos praticados pelo Fisco o que teria implicado cerceamento do seu direito de defesa. Fl. 461DF CARF MF Processo nº 19515.720454/201513 Acórdão n.º 3402005.384 S3C4T2 Fl. 462 7 Pois bem. Primeiramente cabe resaltar que é certo que o julgador não tem a obrigação de analisar todos os argumentos trazidos pelas partes para alcançar a convicção necessária para julgamento do processo, na esteira da jurisprudência do STJ (REsp nº 874.793/CE e REsp 876.271). Todavia, ele não pode se eximir da análise de argumentos que sejam decisivos para o deslinde do processo. No entanto, discordo da Recorrente neste ponto e peço licença para destacar alguns trechos do Acórdão recorrido (fls. 408 e seguintes): "(...) As questões se restringem à alegação de erro nas bases de cálculo das contribuições lançadas e exigidas e ao ônus da prova. "(...) No entanto, no presente caso, o interessado, em momento algum, apresentou documentos fiscais (notas fiscais de vendas) e/ ou contábeis (livro Razão) comprovando que as vendas contabilizadas na rubrica "Vendas Equiparadas à Exportação", conta nº 6101011300611113, foram efetuadas para empresas comerciais exportadoras com o fim específico de exportação nem para consumo e/ ou industrialização na ZFM, e/ ou para empresas beneficiárias de incentivos tributários, em relação às contribuições em discussão. É imprescindível ressaltar que, durante o procedimento administrativo fiscal, o interessado foi intimado a comprovar a natureza das receitas contabilizadas naquela conta e a apresentar documentos fiscais comprovando para quem foram efetuadas tais vendas. Contudo, recebida a intimação, não a atendeu" (...). (Grifei) Portanto, não há que se falar que "a autuação encontrase fundamentada em meras suposições, os quais provocaram equívocos de interpretação acerca dos fatos, resultando numa autuação duvidosa". No processo administrativo tributário, não pode a DRJ ou o CARF simplesmente restarem silentes a respeito da determinado fundamento da defesa apresentada pelo contribuinte que de fato pode culminar no cancelamento da autuação fiscal, sob pena de evidente afronta ao princípio do contraditório e da ampla defesa, da justiça, da equidade, além da busca da verdade material. No entanto, como pode ser visto nos trechos acima reproduzido, não foi o que ocorreu no presente caso. A Recorrente afirma também (em resumo) em seu recurso que não foi intimado, por escrito, de todos os atos praticados pela autuante o que teria implicado cerceamento do seu direito de defesa. Observase que no que se refere à intimação dos Auto de Infração, a própria Recorrente reconheceu expressamente, em seu Recurso, que recebeu os autos Infração e seus anexos, bem como os Termos de Verificação Fiscal e de Ciência dos Lançamentos. Vejase trecho de fl. 429: "(...) Importa ressaltar que o ilustre Auditor Fiscal fez a entrega, em um único envelope, dos Autos de Infração e seus anexos, do “Termo de Verificação e de Constatação Fiscal” e do “Termo de Ciência de Lançamento e Encerramento Parcial do Procedimento Fiscal”, lavrados em 28/05/2015, cujos autos foram recebidos pelo representante legal em 29/05/2015". O recebimento pela Recorrente dos Autos de Infração e dos seus anexos, principalmente do Termo de Verificação e de Constatação Fiscal nos qual constam a motivação Fl. 462DF CARF MF Processo nº 19515.720454/201513 Acórdão n.º 3402005.384 S3C4T2 Fl. 463 8 dos lançamentos, os diplomas legais em que foram fundamentados, as bases de cálculo da contribuição e a indicação dos documentos que foram utilizados para a obtenção das bases de cálculo das contribuições e, consequentemente, para apuração das diferenças lançadas e exigidas, permitiu ao interessado exercer seu direito de defesa, tanto é que o fez, por meio da impugnação e agora no Recurso Voluntário em julgamento. Ademais, para o exercício regular do direito de defesa no procedimento administrativo, ao contribuinte lhe é facultado por Lei a vista dos autos a qualquer momento na Unidade da RFB, podendo, incluísse requerer cópia do inteiro teor do processo. Portanto, os Autos de Infração em discussão foram lavrados por servidor competente para exercer fiscalização de pessoas jurídicas e a empresa foi devidamente intimada em 29/05/2015, conforme documentos de fls. 341/345. Por isso, o pleito de nulidade é improcedente. Os arts. 59 e 60 do Decreto nº 70.235, de 1972, estatuem: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. (...) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio.” (Grifei) Primeiramente, porque o referido Acórdão recorrido foi proferido por autoridade competente, cujo nome, nº de matrícula e cargo: Auditor Fiscal da Receita Federal estão ali identificados. Em segundo lugar, porque o alegado cerceamento de defesa não ocorreu. O julgador não está obrigado a rebater todos os argumentos trazidos no recurso, nem a esmiuçar exaustivamente seu raciocínio, bastando apenas decidir fundamentadamente, entendimento já pacificado neste Conselho. Hipótese em que o acórdão recorrido apreciou de forma suficiente os argumentos da impugnação e as provas carreadas aos autos, ausente vício de motivação ou omissão quanto à matéria suscitada pelo contribuinte, não há que se falar em nulidade do acórdão recorrido. Assim, em que pesem as argumentações da Recorrente acima especificadas, entendese que os argumentos foram enfrentados pela DRJ, inexistindo vício de nulidade apontado e o cerceamento de defesa arguído. Portanto, respeitados pelo Fisco os princípios da motivação, do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa, inexiste o cerceamento do direito de defesa e improcedente é alegação nulidade do feito fiscal. Fl. 463DF CARF MF Processo nº 19515.720454/201513 Acórdão n.º 3402005.384 S3C4T2 Fl. 464 9 Portanto, afastada a nulidade do Acórdão recorrido, seguese para análise dos demais argumentos de defesa. 4. Quanto ao Mérito dos lançamentos Como já relatado, as questões aqui tratadas se restringem à alegação de ocorrência de erro nas bases de cálculo das Contribuições para o PIS e COFINS lançadas e exigidas e no que se refere ao ônus da prova. Aduz a Recorrente em seu recurso que, "(...) Em que pese o respeito ao zeloso Auditor Fiscal da Receita Federal, sua afirmativa relatada no item 22 – do “TERMO DE VERIFICAÇÃO E CONSTATAÇÃO FISCAL”, merece um reparo, pois, as VENDAS EQUIPARADAS À EXPORTAÇÃO podem ser feitas por “Trading Co.”, como também, por empresas comerciais com preponderância às exportações. Com o advento da Lei nº 10.996/2004, que reduziu a zero as alíquotas do PIS/COFINS incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias destinadas ao consumo ou à industrialização na Zona Franca de Manaus ZFM, por pessoa jurídica estabelecida fora daquela área". Em suma, a Recorrente alega que houve erro na apuração da base de cálculo das Contribuições para o PIS e à COFINS, por parte da Fiscalização, sob os seguintes argumentos: (i) que o Fisco não levou em conta: as vendas equiparadas a exportações, dentre elas as efetuadas para "Trading Company."; (ii) as vendas para empresas comerciais com preponderância em exportações, cujas receitas estão sujeitas às alíquotas de 0,0 % (zero por cento); e, (iii) mercadorias destinadas ao consumo ou à industrialização na Zona Franca de Manaus (ZFM), por pessoa jurídica estabelecida fora daquela zona, cujas receitas são tributadas às alíquotas de 0,0 % (zero por cento); e, iii) vendas para empresas beneficiárias de regimes especiais, cujas vendas são efetuadas com suspensão das contribuições e/ ou com isenção/redução de alíquotas. Pois bem, vejamos, então, o que dispõe a legislação sobre esse tema, vigentes na data do fato gerador: Lei nº 10.637, de 2002 (PIS, não cumulatividade), Lei nº 10.833, de 2003 (COFINS, não cumulatividade) e Lei nº 10.996, de 15 de dezembro de 2004: Lei nº 10.637, de 2002. "Art. 1º A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1º Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2º A base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep é o valor do faturamento, conforme definido no caput. Fl. 464DF CARF MF Processo nº 19515.720454/201513 Acórdão n.º 3402005.384 S3C4T2 Fl. 465 10 § 3º Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: I decorrentes de saídas isentas da contribuição ou sujeitas à alíquota zero; (...). Art. 5º A contribuição para o PIS/Pasep não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; (...). III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. (...)." Nesse mesmo sentido, dispõe os artigos 1º e 6º da Lei nº 10.833, de 2003, ao tratar da Contribuição à COFINS. Já a Lei nº 10.996, de 15 de dezembro de 2004, dispõe que: "Art. 2º Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias destinadas ao consumo ou à industrialização na Zona Franca de Manaus ZFM, por pessoa jurídica estabelecida fora da ZFM. § 1º Para os efeitos deste artigo, entendemse como vendas de mercadorias de consumo na Zona Franca de Manaus ZFM as que tenham como destinatárias pessoas jurídicas que as venham utilizar diretamente ou para comercialização por atacado ou a varejo. (...)." Conforme pode ser observado dos dispositivos legais acima, resta claro que as receitas decorrentes de vendas para comerciais exportadoras com o fim específico de exportação, não estão sujeitas às contribuições para o PIS e COFINS. Já as receitas de vendas de mercadorias destinadas ao consumo ou à industrialização na ZFM, por pessoa jurídica estabelecida fora dessa zona, estão sujeitas às alíquotas de 0% (zero por cento) e, as receitas decorrentes de vendas para empresas beneficiárias de regimes especiais, as exigências das contribuições são suspensas e/ ou reduzidas às alíquotas de 0% (zero por cento). Por outro lado, consta que a Fiscalização, no item 22 do “Termo de Verificação e Constatação Fiscal” fl. 321/327 (anexo ao Auto de Infração), destaca que (fl. 325): “(...) 22. Da análise da documentação apresentada, constatamos que a empresa mediante lançamentos contábeis estava estornando as receitas de vendas, alegando serem receitas de “VENDAS EQUIPARADAS À EXPORTAÇÃO” conta contábil: 6101011300611113, portanto elas seriam tributadas com alíquota zero para o PIS e COFINS. Porém não constatamos quaisquer documentos que sustentassem esses lançamentos, quer seja nos documentos cadastrais no sistema RADAR, quer seja no SISCOMEX, ou ainda, qualquer documento que evidenciasse alguma transação de venda para o exterior ou para “Trading Company” no ano de 2010. Verificase claramente no histórico de recolhimentos dos tributos, a expressiva diminuição de recolhimentos a partir de Julho/2010, sem que houvesse uma diminuição correspondente das receitas totais de vendas.” Fl. 465DF CARF MF Processo nº 19515.720454/201513 Acórdão n.º 3402005.384 S3C4T2 Fl. 466 11 Acrescenta a Fiscalização em seu Relatório que, para afastar qualquer dúvida, foi lavrado em 25/02/2015 o Termo de Intimação Fiscal, intimando o contribuinte a informar se houvera transações de vendas para o comércio exterior no ano calendário de 2010. Posteriormente, lavrouse em 06/03/2015, o Termo de Intimação Fiscal, onde foi relacionado todos os lançamentos contábeis que suscitaram dúvidas, para que a Recorrente apresentasse os documentos hábeis e idôneos que justificassem os referidos lançamentos. Ao final, a Fiscalização consigna que, "Decorrido o prazo concedido sem que houvesse manifestação por parte do sujeito passivo, restou comprovado que as alegadas “Vendas Equiparadas à Exportação” não existiram, portanto serão recompostas na base de cálculos do PIS e da COFINS e objetos de lavratura do Auto de Infração". E, conclui informando que, em relação ao PIS e a COFINS, constatouse que os lançamentos efetuados a débitos na conta “610101020061102: VENDAS A PRAZO” com contrapartidas a créditos na conta: “610101130061113: VENDAS EQUIPARADAS A EXPORTAÇÃO”, causaram diminuições das Bases Tributáveis das Contribuições e, portanto, foram recompostas às respectivas Bases de Cálculos e tributadas de ofício com a lavratura dos Autos de Infração, conforme reproduzido na Tabela de fl. 326. Como pode ser observado, a Recorrente, mesmo após ter sido Intimada (Termos de Intimação Fiscal fl. 292), consta dos autos que não apresentou os documentos fiscais necessários (notas fiscais de vendas) e/ ou contábeis (Livro Razão) comprovando que as vendas contabilizadas na rubrica "Vendas Equiparadas à Exportação", conta nº 6101011300611113, foram efetuadas para empresas comerciais exportadoras com o fim específico de exportação nem para consumo e/ ou industrialização na ZFM, e/ ou para empresas beneficiárias de incentivos tributários, em relação às contribuições em discussão. Vejase os documentos e informações solicitadas: Consta do Termo de Verificação (fl. 324), em seu item 19, que: "Em 06/03/2015, lavramos o Termo de Intimação Fiscal, com ciência nessa mesma data, onde intimamos o contribuinte a esclarecer e comprovar com documentos hábeis e idôneos, os lançamentos contábeis havidos nos meses de Julho a Dezembro de 2010, onde transferia da conta Vendas a Prazo para conta Vendas Equiparadas Exportação, conforme abaixo: D Conta Debitada: 610101020061102 ‐ VENDAS A PRAZO C Conta Creditada: 610101130061113 ‐ VENDAS EQUIPARADAS A EXPORTAÇÃO." Ou seja, a Fiscalização constatou que a MANETONI, mediante lançamentos contábeis, estava estornando as receitas de vendas, alegando serem receitas de “VENDAS EQUIPARADAS À EXPORTAÇÃO”, contabilizada na conta 6101011300611113, portanto elas seriam tributadas com alíquota zero para PIS e COFINS. Fl. 466DF CARF MF Processo nº 19515.720454/201513 Acórdão n.º 3402005.384 S3C4T2 Fl. 467 12 No entanto, conforme relatado pelo Fisco, mesmo após ser Intimada (e não atender a Intimação), não restou constatado quaisquer documentos que sustentassem esses lançamentos, quer seja nos documentos cadastrais no sistema RADAR, quer seja no SISCOMEX, ou ainda, qualquer documento que evidenciasse alguma transação de venda para o exterior ou para “Trading Company” durante o ano de 2010. 5. Das Informações nos DACON's Aduz a Recorrente em seu recurso que o procedimento fiscalizatório foi baseado em valores declarados nos DACON’s, sem que fossem verificados os lançamentos no Livro DIÁRIO, exigência esta obrigatória e imprescindível nesses casos. Vale dizer que o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (DACON) é uma declaração acessória em que as pessoas jurídicas informem à Receita Federal sobre a apuração do PIS e COFINS no regime cumulativo e não cumulativo. "(...) Embora os DACON’s sejam obrigatórios está sujeita a retificações em suas bases de cálculos e, consequentemente nos saldos a pagar de PIS e COFINS, de acordo com as informações oriundas da escrita fiscal e contábil, devidamente inseridas no Livro Diário, que nem sequer foram levadas em consideração pelo Fisco". Continua argumentando que no presente caso, os valores declarados nos DACONs, por conterem erros sanáveis, haja vista que não foram informados todos os créditos de insumos, de prestadores de serviços, fretes, energia elétrica e etc., que, sob a ótica da legislação tributária, a contribuinte teria direito de deduzilos e, por isto seriam retificados por uma empresa especializada que as apurou em levantamento. A informação de que seriam retificados os DACON’s, com a inclusão dessas deduções (créditos) foi informada a fiscalização que não a levou em consideração. Quanto essa matéria, restou bem analisada pela decisão recorrida, uma vez que às alegações de erro nos DACON's, mais especificamente, sobre o aproveitamento de créditos sobre custos com insumos, vale destacar que as autuações não decorreram de glosas de tais créditos. Nesse ponto valhome da decisão recorrida como razão de decidir, pois ela, a meu juízo, exauriu a questão. Afirma ela: "Conforme consta do Termo de Verificação e de Constatação, parte integrante de ambos os autos de infração, as contribuições lançadas e exigidas foram calculadas sobre as receitas contabilizadas sob a rubrica "Vendas Equiparadas à Exportação", conta nº 6101011300611113, na contabilidade do interessado. Também, conforme demonstrado, ao contrário do alegado pelo interessado, os lançamentos tiveram como base de cálculo as receitas contabilizadas naquela conta e não os valores lançados nos Dacon". Ou seja, a Fiscalização utilizou como base de cálculo das contribuições lançadas e exigidas apenas e tão somente as receitas operacionais contabilizadas sob a rubrica "Vendas Equiparadas à Exportação", conta nº 6101011300611113, registradas na própria contabilidade da Recorrente. Por fim, especificamente quanto aos alegados erros nos DACON e suas retificações, cabe ao interessado, observada a tempestividade do prazo para suas retificações, Fl. 467DF CARF MF Processo nº 19515.720454/201513 Acórdão n.º 3402005.384 S3C4T2 Fl. 468 13 providenciálas perante a RFB de sua circunscrição fiscal e se, apurados saldos credores trimestrais, transmitir os respectivos Pedidos de Ressarcimentos e/ ou Declarações de Compensação (PER/DCOMP). 6. Da alegação que "o ônus da prova é de quem acusa" Alega a Recorrente que, "(...) O ônus da prova da existência material e fática dos pressupostos exigidos no Código Tributário Nacional, que embasam a cobrança de qualquer tributo, cabe única e exclusivamente ao fisco. Não se pode transferir ao contribuinte o dever de prova". Discorre que o Fisco não pode exigir do contribuinte a produção de prova negativa. Só caberia a inversão do ônus probandi se a contribuinte admitindo, reconhecendo ou confessando a alegação do Fisco. Como se vê a Recorrente argui que o ônus da prova dos fatos motivadores do lançamento é de responsabilidade privativa e exclusiva do fisco. Contudo, tratandose de atestar a veracidade dos valores por ela escriturados e declarados, compete à contribuinte comprovar a regularidade de seus registros por meio de documentação idônea, que deve ser mantida obrigatoriamente sob sua guarda pelo prazo definido na legislação e apresentada ao fisco sempre que solicitada. Nesse contexto, impõese observar que não constam dos autos elementos, tais como termo ou outro ato administrativo (com a relação das notas fiscais), a convalidar a arguição acerca da disponibilização ao Fisco de toda a documentação que daria suporte aos lançamentos contábeis, como alega a defesa. Portanto, mesmo que alguns elementos de prova foram desconsiderados pela Fiscalização ou pelo Acórdão recorrido, o fato é que em momento algum houve qualquer tipo de obstaculização à defesa ou à produção de provas necessárias ao balizamento de seus argumentos. Pelo contrário, a Fiscalização intimou o contribuinte, mais de uma vez, para apresentar fatos/documentos que pudessem afastar as acusações, decorrentes de lei, digase, assumidas pela auditoria e que poderia ser apreciado pelo órgão julgador de primeira instância administrativa e também agora em sede de Recurso Voluntário. No entanto não o fez. E mais. Como bem pontuado pela decisão a quo, vejase que ao contrário do entendimento da Recorrente, em momento algum, se exigiu dele qualquer produção de prova negativa, quanto às infrações que lhe foram imputadas. As intimações que lhe foram feitas tiveram como objeto informar porque as receitas contabilizadas sob a rubrica "Vendas Equiparadas à Exportação", conta nº 6101011300611113, não foram oferecidas à tributação do PIS e da COFINS, bem como provar a natureza de tais receitas e para quem foram vendidas tais mercadorias. Assim, como já retratado neste voto, neste caso, a prova de que tais receitas decorreram de vendas para o mercado externo, para consumo ou industrialização na ZFM, e/ ou foram efetuadas para empresas beneficiárias de regimes tributários, deveria ter sido feita pela Recorrente e não pelo Fisco. Tal afirmação decorre da simples aplicação da regra geral, de que àquele que pleiteia um direito tem o dever de provar os fatos que geram este direito. Fl. 468DF CARF MF Processo nº 19515.720454/201513 Acórdão n.º 3402005.384 S3C4T2 Fl. 469 14 Como as intimações não foram atendidas e diante da falta de comprovação por parte da Recorrente, a Fiscalização lavrou os respectivos Autos de Infração para exigir as Contribuições nos termos das leis citadas e informadas nos respectivos autos e também neste voto. Portanto, encontrase hígido o lançamento fiscal. 7. Dispositivo Ante o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 469DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.660396/2012-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/06/2012
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE.
Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade.
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA.
Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
Numero da decisão: 3401-004.797
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 30/06/2012 DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
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NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Rosaldo Trevisan Presidente e Relator (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 66 03 96 /2 01 2- 86 Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10880.660396/201286 Acórdão n.º 3401004.797 S3C4T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado. Relatório Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra não homologação de compensação declarada por meio eletrônico (PER/DCOMP), relativamente a um crédito de Cofins, que teria sido recolhido a maior no período de apuração. O Despacho Decisório da DERAT/SÃO PAULO, não homologou o pedido de compensação, sob o fundamento de que, embora localizado o pagamento que deu origem ao suposto crédito original de pagamento indevido ou a maior, o mesmo estava à época do encontro de contas integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados. Notificada da decisão a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade. A DRJ Ribeirão Preto julgou improcedente a impugnação por unanimidade de votos, mantendo o crédito tributário devido. A empresa apresentou recurso voluntário onde somente alega que apesar de ter protestado em sede de impugnação pela falta de motivação do indeferimento no despacho decisório, o acórdão recorrido não demonstrou a motivação, que os atos administrativos devem ser motivados para não ter cerceado seu direito de defesa, não apresentando provas do seu direito. É o relatório. Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10880.660396/201286 Acórdão n.º 3401004.797 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.681, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.660277/201223, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.681): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. A recorrente protesta pela falta de motivação do despacho decisório que indeferiu o seu pedido de compensação. Entendo que o despacho decisório cumpre os requisitos legais e possui todo o escopo necessário ao exercício do contraditório e da ampla defesa pelo contribuinte. Nele está inscrito o enquadramento legal da autuação: Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Também nele encontrase a fundamentação da decisão, ficando claro que o crédito indicado foi localizado, mas já havia sido utilizado para quitação de outros débitos do contribuinte: A análise do direito creditório está limitada ao valor do "crédito original na data de transmissão" informado no PER/DCOMP, correspondendo a 4.812,66. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Entendo que o prejuízo, se havido, foi provocado pelo próprio contribuinte que deixou de apresentar provas que indicassem que era portador do crédito alegado. Ademais, como bem demonstrado no acórdão recorrido, o crédito já havia sido utilizado e alocado, e apesar de ser o único DARF pago pela empresa no ano de 2012, o mesmo foi utilizado em 193 pedidos de compensação. Esse procedimento utilizado pelo contribuinte, de alocar o mesmo crédito a várias Dcomps enseja a cominação de prestação de informação falsa à RFB já Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10880.660396/201286 Acórdão n.º 3401004.797 S3C4T1 Fl. 5 4 que há um campo na PER/DCOMP onde é perguntado se aquele crédito já foi informado em outro PER/DCOMP e o contribuinte respondeu “NÃO” em todas as declarações. Por ser extremamente didático, reproduzo o acórdão recorrido, em sua íntegra, para que não haja dúvidas quanto as suas conclusões que acompanho: Em preliminar, não merece acolhida a alegação de nulidade do Despacho Decisório, vez que o mesmo apresenta de forma clara e precisa o motivo da não homologação da compensação, qual seja, a inexistência de crédito disponível para a compensação dos débitos informados na DCOMP. O Despacho Decisório preenche todos os requisitos formais e materiais para sua validade, contendo todos os elementos necessários ao exercício do direito de defesa do contribuinte, trazendo em seu bojo, ainda que de forma sintética, a fundamentação legal, a identificação da declaração de compensação enviada pela empresa, a data da transmissão, o tipo de crédito, as características do DARF apontado pela empresa na DCOMP, bem como o período de apuração a que se refere. Por outro lado, os motivos da nãohomologação residem nas próprias declarações e documentos produzidos pela contribuinte. Estas são, portanto, a prova e o motivo do ato administrativo, não podendo a interessada alegar que os desconhecia. Importante fixar que a DCOMP se presta a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro, a quem cabe, portanto, a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. Encontradas conforme, sobrevém a homologação confirmando a extinção. Não confirmadas as informações prestadas pelo declarante, o inverso se verifica. No caso, a contribuinte declarou um débito e apontou um documento de arrecadação como origem do crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte foi realizada também de forma eletrônica, tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, nos sistemas da Receita Federal, embora localizado o DARF do pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente foi totalmente utilizado e alocado aos débitos informados em DCTF, não restando dele o saldo apontado na DCOMP como crédito. Assim, não padece de nulidade o despacho decisório proferido por autoridade competente, contra o qual o Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10880.660396/201286 Acórdão n.º 3401004.797 S3C4T1 Fl. 6 5 contribuinte pôde exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. O débito declarado e pago encontrase em conformidade com a correspondente DCTF, a qual tem seus efeitos determinados pelo § 1º do artigo 5º do Decreto lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, entre eles o da confissão da dívida e o condão de constituir o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco. Quando da transmissão e da análise do PER/DCOMP em tela, o crédito efetivamente não existia, pois o pagamento efetuado estava integralmente alocado ao débito declarado pela própria contribuinte em sua DCTF. Assim sendo, na data da transmissão do PER/ DCOMP a interessada não era detentora de crédito líquido e certo, condição sem a qual não há direito à restituição ou compensação. E não tendo o interessado trazido elementos hábeis a desconstituir a confissão do débito que fez na DCTF, inexiste razão para se reconhecer o pleiteado direito creditório relativo a pagamento pretensamente maior do que o devido, referente ao período de apuração. O extrato abaixo é a DCTF retificadora ativa da contribuinte, referente ao tributo e período em análise. Repare que a contribuinte declara um débito de COFINS em junho de 2012 no valor de R$ 29.148,73 e vincula ao débito um pagamento de R$4.985,20. No quadro abaixo, podemos verificar que o referido pagamento vem de um DARF de R$5.083,90, composto de um valor principal (R$4.985,20) mais multa por atraso (R$98,70). Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10880.660396/201286 Acórdão n.º 3401004.797 S3C4T1 Fl. 7 6 Por sinal, esse foi o único DARF de Cofins pago em 2012 pela empresa, conforme demonstra o extrato abaixo. Impende salientar que, sobre esse alegado crédito de R$ 5.083,90, a contribuinte solicita a homologação de nada menos que 193 pedidos de compensação, todos do mesmo período (2º trimestre de 2012), com mesmo vencimento em 31/07/2012 que, somados, resultam em um valor de R$ 948.369,76, conforme relação abaixo dos processos de PER/DCOMP para o mesmo DARF. .... Agrava o fato de tentar utilizar mais de uma vez o mesmo crédito a prestação de informação falsa, pois no PER/DCOMP há um campo onde é perguntado se aquele crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior já foi informado em outro PER/DCOMP, ao que o contribuinte respondeu “Não” em todos os PER/DCOMP, em infração ao inciso II do § 1º do art. 45 da IN/SRF 1.300, de 20 de novembro de 2012. Pelo exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e no mérito por negarlhe provimento. Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10880.660396/201286 Acórdão n.º 3401004.797 S3C4T1 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 89DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10805.720916/2013-09
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2010, 2011
MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. CABIMENTO.
A multa isolada de que trata o art. 74, § 17, da Lei nº 9430, de 1996, alterada pela Lei n° 12.249 de 11 de junho de 2010, é aplicável aos casos de compensação considerada não-homologada em que não apurada falsidade quanto à declaração apresentada pelo sujeito passivo.
Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2010, 2011
ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE.
A apreciação de inconstitucionalidade da legislação tributária não é de competência da autoridade administrativa, mas sim exclusiva do Pode Judiciário.
Numero da decisão: 1402-003.257
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos não conhecer do recurso voluntário em relação às matérias de cunho constitucional e, no mérito, i) por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário no que tange à infração referente ao processo nº 10805.720225/2012-16; ii) por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário referente ao processo nº 10805.720184/2012-68, divergindo os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves e Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira que davam provimento. Ausentes momentaneamente os Conselheiros Sérgio Abelson e Eduardo Morgado Rodrigues.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marco Rogério Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:
Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Sergio Abelson (Suplente Convocado) , Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone.
Nome do relator: MARCO ROGERIO BORGES
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2010, 2011 MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. CABIMENTO. A multa isolada de que trata o art. 74, § 17, da Lei nº 9430, de 1996, alterada pela Lei n° 12.249 de 11 de junho de 2010, é aplicável aos casos de compensação considerada não-homologada em que não apurada falsidade quanto à declaração apresentada pelo sujeito passivo. Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2010, 2011 ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. A apreciação de inconstitucionalidade da legislação tributária não é de competência da autoridade administrativa, mas sim exclusiva do Pode Judiciário.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2010, 2011 MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. CABIMENTO. A multa isolada de que trata o art. 74, § 17, da Lei nº 9430, de 1996, alterada pela Lei n° 12.249 de 11 de junho de 2010, é aplicável aos casos de compensação considerada nãohomologada em que não apurada falsidade quanto à declaração apresentada pelo sujeito passivo. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2010, 2011 ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. A apreciação de inconstitucionalidade da legislação tributária não é de competência da autoridade administrativa, mas sim exclusiva do Pode Judiciário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos não conhecer do recurso voluntário em relação às matérias de cunho constitucional e, no mérito, i) por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário no que tange à infração referente ao processo nº 10805.720225/201216; ii) por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário referente ao processo nº 10805.720184/201268, divergindo os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves e Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira que davam provimento. Ausentes momentaneamente os Conselheiros Sérgio Abelson e Eduardo Morgado Rodrigues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 72 09 16 /2 01 3- 09 Fl. 1485DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente. (assinado digitalmente) Marco Rogério Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Sergio Abelson (Suplente Convocado) , Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone. Fl. 1486DF CARF MF Processo nº 10805.720916/201309 Acórdão n.º 1402003.257 S1C4T2 Fl. 1.486 3 Relatório Trata o presente de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 6a Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP), que julgou IMPROCEDENTE, na sua integralidade, a impugnação da agora recorrente. Da autuação: Tratase o presente de uma notificação de lançamento de multa isolada, no valor total de R$ 4.241.663,33, referente a não homologação de compensações tratadas no processos administrativos nºs 10805.720184/201268 e 10805.720225/201216, com base na fundamentação legal do § 17 do artigo 74 da Lei nº 9.430/1996, com a alteração promovida pela Lei nº 12.249/2010. O valor não homologado no processo administrativo nº 10805.720184/2012 68 foi de R$ 403.040,16, que vem a ser a base de cálculo da multa isolada ora aplicada (50%). E o valor não homologado no processo administrativo nº 10805.720225/201216 foi de R$ 8.080.286,49, que também veio a ser a base de cálculo da multa isolada ora aplicada (50%). As Dcomps não homologadas e respectivos valores foram as que constam no Termo de Verificação Fiscal (fls. 1018 a 1022). Da Impugnação: Por bem descrever os termos da peça impugnatória (fls. 1033 a 1064), transcrevo o relatório pertinente na decisão a quo: 3. Inconformada com a exigência fiscal, a contribuinte, por meio de seus representantes legais, apresentou impugnação em 29 de maio de 2013, com as seguintes razões de defesa. 3.1. Referese à tempestividade da manifestação de inconformidade e faz uma síntese dos fatos que resultaram na formalização do auto de infração. 3.2. Afirma que, de acordo com o Termo de Verificação Fiscal, os despachos decisórios referentes aos processos administrativos números 10805.720184/201268 e 10805.720225/201216 são no sentido de que o crédito objeto de compensação seria insuficiente, resultando na homologação apenas parcial das declarações de compensação. E, na visão da Autoridade Fiscal, a não homologação das declarações de compensação seria causa para a aplicação da multa calculada sobre o valor dos débitos não compensados. Em suas palavras: “8. A Impugnante demonstrará a seguir, entretanto, que a multa de 50% prevista no artigo 74, § nº 17, da Lei nº 9.430/96 não Fl. 1487DF CARF MF 4 merece prevalecer, devendo ser cancelado o auto de infração ora contestado, porque jamais existiu a situação prevista em lei para a aplicação da multa isolada, uma vez que: ∙ a declaração de compensação analisada no Processo Administrativo nº 10805.720184/201268 foi totalmente homologada pela Administração Pública; ∙ após apresentados esclarecimentos, bem como documentos fiscais e extrafiscais que comprovam a argumentação apresentada em manifestação de inconformidade apresentada nos autos do Processo Administrativo nº 10805.720225/201216, certamente prevalecerá a homologação integral das declarações de compensação apresentadas pela ora impugnante; e ∙ ainda está pendente de apreciação a manifestação de inconformidade apresentada nos autos do Processo Administrativo nº 10805.720225/201216, não existindo decisão definitiva da Administração Pública sobre a homologação parcial das compensações.” 3.3. Alega que a regra do artigo 74, § 17, da Lei n° 9.430, de 1996, não está em conformidade com as demais normas do ordenamento jurídico, devendo ser aplicado, nos casos de não homologação de compensação, tão somente a regra do artigo 61 da Lei nº 9.430, de 1996, mediante exigência de multa de mora no percentual de 20% e juros de mora, em vista da não existência de pagamento dos tributos devidos nos prazos previstos em lei. 3.4. Demonstrará também que devem ser afastados os juros de mora sobre as multas isoladas. 3.5. Aduz que na edição da redação original do artigo 74, da Lei nº 9.430, de 1996, não existia qualquer norma estabelecendo a aplicação de multa isolada em razão da não homologação de declarações de compensações apresentadas. Nessa hipótese, era aplicada a multa de mora no percentual de 20% E continua: “16. Contudo, com a edição da Lei nº 12.249, de 11 de junho de 2010, novas normas foram introduzidas no ordenamento jurídico em relação especificamente à compensação de que trata a Lei n.º 9.430/96. 17. De acordo com o § 15, do artigo 74, da Lei nº 9.430/96, incluído pela Lei nº 12.249/10, aplicase multa de 50% sobre o valor do crédito objeto de pedido de ressarcimento indeferido ou indevido. Do mesmo modo, nos termos do § 17 do mesmo dispositivo legal, aplicase multa de 50% também sobre o valor do crédito objeto de declaração de compensação não homologada; Já os casos de falsidade do pedido apresentado pelo sujeito passivo, pode ser aplicada a multa de 100%: (...) 19. O cenário estabelecido pela Lei nº 9.430/96 (antes e depois das alterações da Lei nº 12.149/10), especificamente em relação à possibilidade de punir os contribuintes que tem indeferidos pedidos de ressarcimento e não homologadas declarações de compensação era e passou a ser o seguinte: Fl. 1488DF CARF MF Processo nº 10805.720916/201309 Acórdão n.º 1402003.257 S1C4T2 Fl. 1.487 5 Cenário 1 (antes da Lei nº 12.249/10): nos casos de indeferimento de pedidos de restituição ou de ressarcimento, o contribuinte não era penalizado; nos casos de não homologação da declaração de compensação, o contribuinte deveria pagar multa de 20% em razão do pagamento a destempo dos tributos ou contribuições. A aplicação de multa isolada era possível apenas nas hipóteses de sonegação, fraude e conluio (...). Cenário 2 (depois da Lei n.º 12.249/10): nos casos de indeferimento de pedido de restituição ou de ressarcimento e também nos casos de não homologação da declaração de compensação, o contribuinte deve pagar multa de 50% sobre o valor do crédito objeto do pedido de ressarcimento ou da declaração de compensação não homologada, independentemente de sonegação, fraude ou conluio.” 3.6. Referese à Exposição de Motivos da Medida Provisória nº 472, convertida na Lei n.º 12.249, de 2010. E acrescenta: “22. Em outras palavras, a aplicação da multa foi criada com o objetivo de punir os maus contribuintes, mas acabou, conforme será mais detalhadamente observado no item III.3 da presente Impugnação, desestimulando os contribuintes a apresentarem pedidos de ressarcimento ou compensação, tendo em vista a possibilidade de aplicação da multa isolada de 50%, mesmo nas hipóteses em que não existe qualquer indício de sonegação, fraude ou conluio.” 3.7. Diz que a Administração Tributária tem aplicado tal penalidade indistintamente, em situações para as quais não há previsão e até mesmo antes do término do processo administrativo que discute a legitimidade dos pedidos de ressarcimento ou de compensação. E no caso sob apreciação foi exatamente o que ocorreu: a aplicação de penalidade em situação não prevista em lei. E continua: “24. Independentemente da necessidade de afastamento da aplicação da multa isolada de 50% de que trata o artigo 74, § 17 da Lei nº 9.430/96 (...), a Impugnante demonstrará, inicialmente, que essa norma não pode sequer ser aplicada ao caso concreto, tendo em vista que não restou configurada a hipótese prevista em lei para a aplicação da multa isolada, por três motivos. 25. Primeiro, porque a declaração de compensação analisada no Processo Administrativo nº 10805.720184/201268 foi totalmente homologada pela Administração Pública, Segundo, porque, quando ao Processo Administrativo nº 10805.720225/201216, após apresentados esclarecimentos, bem como documentos fiscais e extrafiscais que comprovam a argumentação apresentada em manifestação de inconformidade, certamente deverá prevalecer a homologação integral das declarações de compensação apresentadas pela ora Impugnante. Terceiro, porque o despacho decisório proferido nos autos do Processo Administrativo nº 10805.720225/201216 não poderá ser considerado, para fins de aplicação de penalidade, tais como a multa isolada, tendo em vista a pendência de julgamento da manifestação de inconformidade apresentada pela ora Impugnante naqueles autos, dotada de efeito suspensivo, de Fl. 1489DF CARF MF 6 acordo com artigo 33, do Decreto nº 70.235/72, É o que se passa a demonstrar.” 3.8. No que se refere ao PAF nº 10805.720184/201268, afirma que houve a integral homologação das compensações declaradas, isto é, houve a aceitação total dos termos e critérios fixados pela Interessada, sem qualquer glosa. Em suas palavras: “30. De fato, no ano de 2011, a Impugnante apresentou os PER/DCOMPs nº 34837.45994.220911.1.3.041968; nº 23443.81358.2009911.1.7.049657; nº 13907.95185.190911.1.7.043667, todas relacionadas ao crédito de IRPJ recolhido a maior em julho de 2010. 31. Em janeiro de 2010, a Autoridade Fiscal, analisando as declarações de compensação apresentadas, concluiu pela inexistência de crédito objeto dos PER/DCOMP nº 34837.45994.220911.1.3.041968; nº 23443.81358.200911.1.7.049657; e nº 13907.95185.190911.1.7.043667. 32. Ocorre que, por equívoco da Autoridade Administrativa, foi incluído no relatório do despacho decisório a referência ao PER/DCOMP Nº 38615.07809.211211.1.7.040215 (declaração de compensação que originou a aplicação da multa ora combatida e que se refere ao crédito de IRPJ recolhido em abril de 2011). Tratase de claro equívoco da Autoridade Administrativa, uma vez que não há uma única linha no despacho decisório dedicada ao exame do crédito objeto de compensação desta declaração. Vale ressaltar, inclusive que o crédito objeto de compensação do PER/DCOMP não tem qualquer relação com o crédito analisado pelo despacho decisório, sendo que um se refere ao crédito de IRPJ pago em julho de 2010 (em relação aos demais PER/DCOMPs) e o outro, referente ao crédito de IRPJ de abril de 2011.” 3.9. Diz que na manifestação de inconformidade apresentada em 05 de julho de 2012, esclareceu que o despacho decisório restringiuse a apreciar os PER/DCOMP’s 34837.45994, 23443.81358 e 13907.95185, razão pela qual apresentou esclarecimentos para demonstrar legitimidade de seus procedimentos. Continua sua explanação: “34. No pedido formulado nessa defesa, a Impugnante requereu: (1) a homologação total das compensações relativas aos PER/DCOMPs cujo crédito havia sido considerado inexistente; e (2) o reconhecimento de que o despacho decisório não indicou qualquer irregularidade em relação ao PER/DCOMP nº 38615.07809.211211.1.7.040215. 35. Em 26 de julho de 2012, tendo verificado um equivoco no preenchimento do PER/DCOMP 38615.07809 (...) – declaração essa ainda não analisada pelas Autoridades Fiscais e até o momento, sem que nenhuma irregularidade tivesse sido apontada – a Impugnante apresentou PER/DCOMP retificador, registrado sob o nº 41766.34632.260712.1.7.048861, com ajustes nos valores do crédito e dos débitos objeto de compensação. Fl. 1490DF CARF MF Processo nº 10805.720916/201309 Acórdão n.º 1402003.257 S1C4T2 Fl. 1.488 7 36. Isto é, a Impugnante se valeu do artigo 88 da Instrução Normativa nº 1.300/2012, para retificar a sua declaração de compensação. E isso antes do início de procedimento administrativo ou medida de fiscalização relacionados com a infração e antes da decisão administrativa sobre esse específico PER/DCOMP.” 3.10. Alega que, conforme dispõe o artigo 88, da IN RFB nº 1.300, de 2012, retificou o valor do crédito declarado e recolheu as diferenças dos débitos, com os acréscimos legais, antes de qualquer análise da RFB quanto a este PER/DCOMP. Acrescenta que a referência ao PER/DCOMP 38615.07809 no despacho decisório do processo administrativo 10805.720184/201268 se deu em claro equívoco. Em suas palavras: “38. Em outros termos, não há dúvida da legitimidade do procedimento da Impugnante, resumido abaixo: 3.11. Aduz que em agosto de 2012 apresentou petição informando a apresentação do PER/DCOMP retificador. E, em setembro de 2012, foi proferido novo despacho decisório, que tratou de todos os quatro PER/DCOMPs mencionados. E a própria Autoridade Fiscal reconheceu que no despacho decisório anterior “não houve a análise do PER/DCOMP nº 38615.0789.211211.1.7.040215”, conforme trecho que transcreve (item 40). 41. Na nova decisão, a Autoridade Fiscal homologou integralmente os PER/DCOMPs n° 34837.45994.220911.1.3.04 1968; n° 23443.81358.200911.1.7.049657; e n° 13907.95185.190911.1.7.043667, tendo homologado apenas parcialmente o PER/DCOMP n° 38615. 7809.211211.1.7.04 0215. 42. Ocorre que essa "homologação parcial" é mais um equivoco. Isso porque, como a Impugnante já tinha a essa época, enviado um PER/DCOMP retificador (e não existia qualquer óbice ao envio de declaração retificadora), seria essa a declaração que deveria ter sido examinada pela Autoridade Administrativa. Fl. 1491DF CARF MF 8 43. Ademais, muito embora o novo despacho decisório não tenha feito referência ao PER/DCOMP retificador enviado pela Impugnante, quando se examina o teor da decisão e os critérios indicados na retificadora, percebese claramente que a Autoridade Administrativa reconheceu o crédito objeto de compensação no exato montante indicado na declaração retificadora, configurando HOMOLOGAÇÃO TOTAL da compensação realizada. 44. Ou seja, fica claro que a situação da Impugnante não é de homologação parcial da compensação realizada, mas sim de HOMOLOGAÇÃO TOTAL dos valores compensados. A Impugnante apresentou declaração retificadora antes da efetiva análise dos procedimentos adotados pela Autoridade Fiscal e os termos exatos da declaração retificadora, em valores e critérios, foram integralmente reconhecidos pela Autoridade Administrativa Fiscal. 45. Para que não restassem quaisquer dúvidas sobre a HOMOLOGAÇÃO TOTAL da compensação, em novembro de 2012, a Autoridade Administrativa Fiscal, de oficio, reconheceu expressamente que a Impugnante apresentou PER/DCOMP retificador e que houve o recolhimento da diferença entre os débitos das declarações original e retificadora. 46. E em janeiro de 2013, a Autoridade Administrativa reconheceu a homologação das declarações de compensações e encerrou o processo administrativo, incluindo nos autos um Extrato de Encerramento do Processo no qual é possível verificar que todos os valores ali indicados estão devidamente quitados. 47. Em resumo, portanto, o teor da decisão proferido pela Administração Tributária é de reconhecimento integral das declarações de compensação apresentadas, com homologação total. Logo, não restou configurada a situação prevista em lei que dá origem ao artigo 74, §17 da Lei n° 9.430/96. 48. Para melhor visualizar o cenário retratado, vejase na tabela abaixo as movimentações relevantes do processo administrativo e as datas em que realizados cada um dos atos praticados pela Impugnante e também pela Autoridade Fiscal. Fl. 1492DF CARF MF Processo nº 10805.720916/201309 Acórdão n.º 1402003.257 S1C4T2 Fl. 1.489 9 49. Desse modo, fica demonstrado que o PER/DCOMP (que foi objeto de retificação) foi TOTALMENTE HOMOLOGADO pela Autoridade Administrativa. 50. Assim, considerando que não restou caracterizada a não homologação (ou a homologação parcial) das declarações de compensação, inexistindo a situação prevista em lei para a aplicação da multa isolada de que trata o artigo 74, § 17, da Lei nº 9.430/96, deve ser totalmente cancelado o Auto de Infração ora impugnando com relação a essa parcela da suposta infração.” 3.12. A contribuinte apresenta ainda diversos outros argumentos em sua manifestação de inconformidade, sob as seguintes denominações: 1. (B) Processo Administrativo nº 10805.720225/201216 (a) Homologação Integral das compensações (b) Impossibilidade de aplicação da multa antes do encerramento da discussão administrativa sobre as compensações realizadas; 2. III.3 – Afastamento do artigo 74, § 17, da Lei nº 9.430/96, em razão da injuridicidade da norma (a) Artigo 74, § 17, da Lei n° 9.430/96 deve ser afastado 3. III.4 – Excesso na Constituição do Crédito Tributário – Ilegalidade da Cobrança de Juros sobre a Multa 3.13. No que se refere aos itens acima delineados, tendo em conta a conclusão efetuada pela própria interessada, que, na verdade, se trata de um resumo de suas Fl. 1493DF CARF MF 10 razões de fato e de direito, transcreve se a Conclusão apresentada, que traz, em síntese, todos os argumentos elencados: “IV CONCLUSÃO 125. Diante do exposto, concluise que: (a) A multa isolada de 50% prevista no artigo 74, § 17, da Lei nº 9.430/96 deve ser cancelada, porque a Impugnante não incorreu na situação prevista em lei para a aplicação dessa penalidade (não homologação ou homologação parcial das compensações), uma vez que: ∙ a declaração de compensação analisada no Processo Administrativo nbº 10805.720184/201268 foi TOTALMENTE HOMOLOGADA pela Administração Pública, tendo em vista que a Impugnante tempestivamente apresentou PER/DCOMP retificador, antes mesmo da decisão da Autoridade Administrativa e a decisão proferida foi no sentido de reconhecer todo o crédito e critérios indicados no PER/DCOMP retificador; ∙ após apresentados esclarecimentos e documentação fiscal e extrajudicial que comprovam a argumentação apresentada em manifestação de inconformidade (Processo Administrativo nº 10805.720225/201216), deverá prevalecer a HOMOLOGAÇÃO INTEGRAL das declarações de compensação apresentadas pela ora impugnante; e, ∙ não bastasse isso, a multa não deve ser aplicada porque ainda está pendente de apreciação a manifestação de inconformidade apresentada no Processo Administrativo nº 10805.720225/2012 16, dotada de efeito suspensivo, nos termos do artigo 33, do Decreto nº 70.235/72, não havendo que se falar em decisão da esfera administrativa que pode ser “executável” para fins de aplicação de penalidades; (b) a multa isolada de 50% deve ser cancelada também porque a regra do artigo 74, § 17, da Lei nº 9.430/96 não está em conformidade com as demais normas existentes no ordenamento jurídico, pois: ∙ a penalidade não tem como pressuposto ato ilícito cometido pelo contribuinte; ∙ a penalidade viola o direito de petição aos Poderes Públicos em defesa de direitos, assegurado pela Constituição Federal em seu artigo 5º, XXXIV; ∙ não pode existir aplicação de penalidade em razão de mero indeferimento do pedido de ressarcimento ou de compensação, sem que tenha existido prejuízo ao Erário e máfé do contribuinte; ∙ acaba desestimulando o exercício do direito de reaver tributos indevidamente recolhidos, tendo em vista a possibilidade de penalidade financeira em elevado montante; ∙ a penalidade nada mais é que sanção política aplicada como forma ilegal de coerção do contribuinte; Fl. 1494DF CARF MF Processo nº 10805.720916/201309 Acórdão n.º 1402003.257 S1C4T2 Fl. 1.490 11 ∙ existe violação ao princípio do não confisco previsto no artigo 150, IV da Constituição; ∙ ao caso, deve ser aplicada apenas a regra do artigo 61, da Lei nº 9.430/96, com imposição de multa de mora e juros de mora sobre os valores que não foram recolhidos nos prazos previstos em lei; (c) Subsidiariamente, deve ser afastada a incidência de juros de mora sobre as multas isoladas, tendo em vista que os juros devem incidir apenas nas hipóteses em que deve haver remuneração de um credor pela privação do uso de seu capital, devendo incidir somente sobre o que deveria ter sido recolhido no prazo legal, mas não foi (o que não é o caso da Impugnante, pois a multa isolada não se presta para isso). V – PEDIDO 126. Diante do exposto, a Impugnante requer seja dado provimento à presente Impugnação, para determinar o integral cancelamento das multas isoladas de 50% aplicadas em razão da não homologação de declarações de compensação apresentadas pela impugnante, nos termos do artigo 74, § 17, da Lei nº 9.430/96, de acordo com as razões apresentadas nos itens III.2 e III.3 da presente Impugnação, cancelandose a totalidade do Auto de Infração. 127. Subsidiariamente, deve ser afastada a incidência dos juros de mora sobre as multa isoladas, pelas razões apresentadas no item III.4.” Da decisão da DRJ: Ao analisar a impugnação, a DRJ, primeira instância administrativa, houve por bem NEGAR integralmente a impugnação da recorrente, por unanimidade. A ementa da decisão é a seguinte: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2010, 2011 SOBRESTAMENTO DO PROCESSO. IMPOSSIBILIDADE. A Administração Pública tem o dever de impulsionar o processo até sua decisão final (Princípio da Oficialidade). Se até mesmo em caso de pendência de decisão definitiva no Poder Judiciário, instância superior e autônoma em relação à esfera administrativa, descabe o sobrestamento do processo administrativo, igual conclusão se impõe quando há pendência de decisão administrativa, em diferente fase processual. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2010, 2011 Fl. 1495DF CARF MF 12 MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. CABIMENTO. A multa isolada de que trata o art. 74, § 17, da Lei nº 9430, de 1996, alterada pela Lei n° 12.249 de 11 de junho de 2010, é aplicável aos casos de compensação considerada nãohomologada em que não apurada falsidade quanto à declaração apresentada pelo sujeito passivo. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2010, 2011 ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. A apreciação de inconstitucionalidade da legislação tributária não é de competência da autoridade administrativa, mas sim exclusiva do Pode Judiciário. Do voto do relator, que foi acompanhado unanimemente pelo colegiado de primeira instância administrativa, extraise os seguintes excertos e destaques que entendo mais importantes para dar guarida a sua decisão final: no que refere à alegação da recorrente que o processo administrativo 10805.720184/201268 teria sido integralmente homologado, e em relação à Dcomp nº 38615.07809.211211.1.7.040215 (umas das motivadoras da presente autuação fiscal) não haveria nenhuma irregularidade, o julgador a quo analisou os despachos decisórios (original e retificado após contestação) que informa que houve um reconhecimento parcial, confirmando com trechos da decisão e tela de sistema sobre o status da Dcomp em análise. Salienta que a Dcomp retificadora à retromencionada não foi admitida, sendo a decisão sobre tal assunto ser definitiva; no que tange às alegações pertinentes ao processo administrativo nº 10805.720225/201216, o qual a recorrente diz está em litígio o decidido, a autoridade julgadora a quo entendeu que há o devido sobrestamento da exigibilidade (cobrança) do crédito tributário do lançamento ora sob litígio, e não há norma no art. 151 do CTN que fale em suspensão do processo administrativo ou da sua apreciação; sobre os demais questionamentos da multa isolada, a lei se impõe a exposições de motivos que deu origem ao processo legislativo da mesma. Demais alegações de inconstitucionalidade e ilegalidade fogem do alcance dos órgãos administrativos, e são exclusivos do Poder Judiciário, e enquanto não for declarada inconstitucional não é eliminada do sistema normativo, tendo presunção de validade vinculante para a Administração Pública; Do Recurso Voluntário: Tomando ciência da decisão a quo em 08/09/2016, a recorrente apresentou recurso voluntário em 06/10/2016, repisando praticamente os mesmos elementos e argumentos da sua peça impugnatória, quais sejam, em apertada síntese: apresenta no intróito da sua peça recursal uma análise do § 17 do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, evocado questões anteriores à lei e da sua fundamentação, baseandose em trechos da sua exposição de motivos. Alega que a multa em discussão foi criada para situações de uso indevido doloso da Dcomp; Fl. 1496DF CARF MF Processo nº 10805.720916/201309 Acórdão n.º 1402003.257 S1C4T2 Fl. 1.491 13 ao caso concreto, há inaplicabilidade do § 17 do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, em que expõe análise do processo administrativo nº 10805.720184/201268, reiterando seus argumentos da peça impugnatória, e rebatendo a posição da autoridade julgadora a quo. Entende que a Dcomp retificadora não foi analisada e essa que prevalece; quanto ao processo administrativo nº 10805.720225/201216, haveria ainda discussão a respeito do litígio envolvido da homologação parcial pertinente, o que deve prevalecer, devendo ser cancelada a multa isolada ora aplicada; insurgese contra a possibilidade de aplicação da multa antes do encerramento da discussão administrativa sobre as compensações realizadas; insurgese contra o § 17 do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, pedindo o afastamento da sua aplicação, em razão da injuridicidade da norma, e que seja aplicada a norma em conformidade com o ordenamento jurídico. Para tanto, evoca questões de violação do direito de petição previsto na Constituição Federal, e que tal norma só se aplica aos casos envolvendo máfé na apresentação da Dcomp. Para tanto, cita excertos de decisões judiciais a respeito, que corroboram com seu posicionamento na peça recursal; insurgese contra a cobrança de juros sobre a multa, e seria algo ilegal. É o relatório. Fl. 1497DF CARF MF 14 Voto Conselheiro Marco Rogério Borges Relator O Recurso foi apresentado tempestivamente, e atendeu os demais pressupostos para sua admissibilidade, do qual conheço, ressalvando a matéria de inconstitucionalidade alegada, conforme abaixo descrito. Da síntese dos fatos: O caso acima relatado versa sobre a não homologação das compensações declaradas pela contribuinte, objeto dos processos administrativos n°s 10805.720225/201216 e 10805.720184/201268, que levou à lavratura da notificação de lançamento para imposição da multa isolada prevista no §17 do art. 74 da Lei n° 9.430/96, com a redação pela Lei nº 12.249/2010. Na sua impugnação, a recorrente suscita que a multa prevista no §17 do art. 74 da Lei nº 9.430/1996 só pode ser aplicada nas hipóteses em que o contribuinte efetua compensação que sabe indevida ou inviável, ou seja, agiu com máfé, o que não seria o caso concreto. Ademais, o processo nº 10805.720184/201268 houve homologação total, pois a autoridade administrativa não analisou a Dcomp retificadora, devendo essa prevalecer. E o processo nº 10805.720225/201216 estaria ainda em litígio, o que deve prevalecer seus argumentos. Adicionalmente, insurgese contra a cobrança de juros sobre a multa. Na decisão a quo, houve o entendimento em relação ao processo 10805.720184/201268 que realmente houve homologação parcial, e a Dcomp retificadora apresentada não foi admitida, sendo tal decisão a respeito definitiva. Em relação ao processo 10805.720225/201216, não há norma para suspender o rito processual administrativo, e sim a exigibilidade do crédito tributário do lançamento ora sob litígio, nos termos do art. 151 do CTN. Ademais, argumentos questionando constitucionalidade e legalidade de norma fogem da competência dos órgãos administrativos. No seu recurso voluntário, a recorrente ataca a decisão recorrida, se manifestando nos mesmos argumentos da sua peça impugnatória, sem nada relevante acrescentar. Da questão da multa isolada aplicada e sua legalidade Antes de adentrar no mérito da peça recursal apresentada, cabe uma análise da multa isolada aplicada que está sob discussão no presente processo. O foco da questão é a Lei n 9.430, de 1996, em seu artigo 74, § 17, cuja redação atual assim dispõe: Fl. 1498DF CARF MF Processo nº 10805.720916/201309 Acórdão n.º 1402003.257 S1C4T2 Fl. 1.492 15 Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) (...) § 17. Será aplicada multa isolada de 50% (cinqüenta por cento) sobre o valor do débito objeto de declaração de compensação não homologada, salvo no caso de falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (Redação dada pela Lei nº 13.097, de 19 de janeiro de 2015, que, com exatamente o mesmo texto legal, foi decorrente da Medida Provisória nº 656, de 07 de outubro de 2014) Aplicando a norma supra, autoridade fiscal exige do sujeito passivo a multa de 50%, no caso isolada, sobre o valor do débito de compensação que deixou de ser homologada. Atentar a ressalva aposta ao final do comando legal, para os casos de falsidade, que leva para outro enquadramento legal. A redação imediatamente anterior, com a redação promovida pela Lei nº 12.249, de 11 de junho de 2010 (convertida da MP nº 472, de 15 de dezembro de 2009), do § 17 (e suas remissões legais diretas) era o seguinte: § 15. Será aplicada multa isolada de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do crédito objeto de pedido de ressarcimento indeferido ou indevido. § 16. O percentual da multa de que trata o § 15 será de 100% (cem por cento) na hipótese de ressarcimento obtido com falsidade no pedido apresentado pelo sujeito passivo. § 17. Aplicase a multa prevista no § 15, também, sobre o valor do crédito objeto de declaração de compensação não homologada, salvo no caso de falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo.” (NR) A Medida Provisória nº 656, de 07 de outubro de 2014 revogou os §§ 15 e 16 imediatamente acima citados, que na sua conversão na Lei nº 13.097, de 19 de janeiro de 2015 foi excluído da redação, sendo reiterada esta posição pela revogação na MP nº 668, de 20 de janeiro de 2015, convertida na Lei nº 13.137, de 19 de junho de 2015. Notese que com esta alteração ocorrida no § 17 com a MP 656/2014 (convertida na Lei nº 13.097/2015), mudouse a apuração da base de cálculo da multa isolada antes era sobre o crédito pleiteado, e passou para o débito objeto da declaração de compensação. Importante para o contexto da análise geral o teor do parágrafo seguinte, §18 do art. 74 da Lei n° 9.430/96, em que há uma vinculação do processo da exigência da multa Fl. 1499DF CARF MF 16 isolada do processo que o motivou, o de objeto de declaração de compensação não homologada: (...) § 18. No caso de apresentação de manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação, fica suspensa a exigibilidade da multa de ofício de que trata o § 17, ainda que não impugnada essa exigência, enquadrandose no disposto no inciso III do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional. (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) Transposto estes momentos de alteração legislativa, e já adentrando na análise meritória envolvida e necessária, há que se observar que o §17 do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, na redação da sua primeira parte, não estabelece condições especiais, baseadas na máfé por parte do contribuinte ou ilicitude do ato, como condições para imposição da multa, bastando a não homologação da compensação declarada. Na sua redação, ao excluir a declaração não homologada em virtude de falsidade (uma das espécies de fraude ou irregularidade dolosa), o legislador decidiu não deixar impune tal hipótese, mas aplicar sobre ela uma sanção mais onerosa. Com efeito, sendo comprovada falsidade, a multa elevase a 150% do valor do débito, conforme a legislação consolidada na Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012, artigo 45, § 1º, inciso II, legislação vigente à época dos fatos aqui discutidos1: Art. 45. O tributo objeto de compensação não homologada será exigido com os respectivos acréscimos legais. § 1º Sem prejuízo do disposto no caput, será exigida do sujeito passivo, mediante lançamento de ofício, multa isolada, nos seguintes percentuais: I de 50% (cinquenta por cento), sobre o valor do crédito objeto de declaração de compensação não homologada; ou I de 50% (cinquenta por cento), sobre o valor do débito objeto de declaração de compensação não homologada; (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1573, de 09 de julho de 2015) II de 150% (cento e cinquenta por cento), sobre o valor total do débito tributário indevidamente compensado, quando se 1 Esta Instrução Normativa foi revogada pela Instrução Normativa RFB nº 1717, de 17 de julho de 2017, publicada no DOU em 18/07/2017. Contudo, a redação desta matéria ficou praticamente inalterada: Art. 74. O tributo objeto de compensação não homologada será exigido com os acréscimos legais previstos na legislação. § 1º Sem prejuízo do disposto no caput, será exigida do sujeito passivo, mediante lançamento de ofício, multa isolada, nos seguintes percentuais: I de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do débito objeto de declaração de compensação não homologada; ou II de 150% (cento e cinquenta por cento) sobre o valor total do débito tributário indevidamente compensado, quando ficar comprovada falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. Fl. 1500DF CARF MF Processo nº 10805.720916/201309 Acórdão n.º 1402003.257 S1C4T2 Fl. 1.493 17 comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (...) Ou seja, há uma previsão legal bem clara a respeito dos fatos inerentes à imposição da multa isolada por conta da declaração de compensação não homologada, qual seja, de 50% se o pleito de compensação foi indeferido, independente da máfé do contribuinte, e 150% se comprovada a máfé, no caso, ipsis litteris, falsidade da declaração do sujeito passivo. Analisando todo o contexto histórico jurídicoadministrativo para a construção do comendo normativo do §17 do art. 74 da Lei n° 9.430/96 , há que se ressaltar que o uso de uma Dcomp como meio extintivo do crédito tributário pode gerar outros efeitos além da eventual inadimplência envolvida do débito ao não ser aceito o crédito pleiteado. A sua apresentação, realizada pelo contribuinte, pressupõe a existência de um crédito apurado, e tem efeitos constitutivos sob condição resolutiva de posterior homologação da compensação. A decisão da autoridade administrativa fiscal que a homologa, ao reconhecer o direito creditório, é meramente declaratória. Não ocorrendo a decisão da autoridade administrativa, ocorre a homologação tácita, por decurso do prazo decadencial de 5 anos. Neste ínterim, entre a apresentação da Dcomp e a sua homologação, já passa a ocorrer efeitos positivos ao contribuinte, pois os seus débitos ficam como extintos, podendo ocorrer a retirada a certidão negativa, por exemplo. Ou seja, a Dcomp não é um mero pedido, pois desde a sua apresentação já gera efeitos jurídicos. Então, falar em desrespeito ao direito de petição envolvido é querer limitar o seu alcance quando da apresentação, pois isso extravasa um mero pedido. Ademais, não nenhuma coibição ao direito de petição envolvido, pois eventuais erros ocorridos no seu pleito, poderão ser sanados no transcorrer da discussão do processo administrativo da matéria que ensejou a multa isolada, o que há muito e comumente ocorre no âmbito administrativo. Assim, a multa isolada objetiva penalizar o contribuinte por ter criado esta situação tributária benéfica a si, e ao ser melhor analisado pela autoridade administrativa fiscal a sua declaração de compensação, verifica como indevido seu pleito. Aqui não se confunde a multa isolada aplicada com o débito que passa a ficar exigível, cabendo seu pagamento por os acréscimos cabíveis em caso de procedimento espontâneo do contribuinte: multa de mora e juros de mora, como previsto no art. 61 da Lei nº 9.430/1996. A multa isolada não representa exigência, em separado, do acréscimo que seria aplicável ao débito, como se ele não estivesse declarado, e sim, de penalidade específica, e decorrente do uso indevido da Dcomp como meio de extinção do crédito tributário. Destarte, a multa isolada por compensação indevida é uma infração que o legislador entendeu merecer uma penalidade específica, e isolada, na medida em que o principal já está constituído e sujeito à cobrança com acréscimos moratórios. Tal tema foi brilhantemente trabalho pela ilustre Conselheira Edeli Pereira Bessa, no acórdão 1101001.261, sessão de 03 de março de 2015, apesar de ser em redação anterior do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, em que a previsão legal para a aplicação multa isolada Fl. 1501DF CARF MF 18 cingiase mais aos casos da prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502/1964 (redações anteriores à Lei nº 12.249/2010), mas qual aproveito o seguinte excerto, em que analisa a materialidade da Dcomp e seus efeitos jurídicos: E isto porque a DCOMP não é mera obrigação acessória, mas sim integra a essência da compensação, que somente se efetiva por meio dela (art. 74, § 1o da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 10.637/2002), formalizando a extinção do crédito tributário, e não apenas sua constituição (art. 74, § 2o da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 10.637/2002). Aliás, a evidenciar a distinção entre as hipóteses de aplicação da multa de ofício em acréscimo ao principal e da multa isolada, destaquese ser possível, até mesmo, a coexistência das duas penalidades em razão de uma mesma compensação que resulte indevida. De fato, a multa isolada por compensação indevida, nas hipóteses de nãodeclaração criadas com a Lei nº 11.051/2004 (mediante inclusão do § 12 no art. 74 da Lei nº 9.430/96), pode conviver com o lançamento de ofício dos débitos compensados, dado que a DCOMP, nestes casos, deixa de ter o caráter de confissão de dívida (§ 13, incluído no art. 74 da Lei nº 9.430/96 pela Lei nº 11.051/2004), e o valor compensado pode não ter sido confessado em outra declaração. Contudo, a partir de 2010, com a redação dada pela Lei nº 12.249/2010 ao § 17 do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, quis legislador aplicar outra tônica ao pleito do contribuinte inerente às Dcomps apresentadas. Ao longo dos anos seguintes, apesar de algumas alterações no texto, passouse a ter uma mesma essência de a Dcomp apresentada não sendo homologada, passarseia à imposição da penalidade da multa isolada, pelo conjunto de efeitos jurídicos envolvidos na sua apresentação além de meramente ressuscitar um débito que se presumia extinto de quando da sua extinção. Notese, com importante relevância ao tema, a penalidade sobre o pedido de ressarcimento indeferido ou indevido, apesar de ter surgido concomitante ao da não homologação da compensação, no teor da redação ao § 15 do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, pela Lei nº 12.249/2010, foi revogado a partir Medida Provisória nº 656/2014, com retroatividade benigna, dadas as discussões e decisões judiciais próprias de tipo de pleito do contribuinte, acatando a jurisprudência formada a respeito. O Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento, Reembolso PER, como o próprio nome diz, é um pedido, sendo que o ato que altera sua condição jurídica é somente o despacho que o defere (este que terá efeitos constitutivos). Até ocorrer uma decisão a respeito do PER, não há geração de nenhum efeito. E ademais, com a revogação do § 15, do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, todo o contribuinte tem o direito de pleitear o ressarcimento. Se cumular este pedido de ressarcimento com uma compensação é que poderão advir os efeitos do § 17 do art. 74 da Lei nº 9.430/1996. Ou seja, são duas situações distintas, com efeitos jurídicos próprios. Cabe, adicionalmente, em caráter informativo, pois até ocorrer a repercussão geral necessária aos julgamentos desta corte administrativa não geram efeitos, tal tema, qual seja, da constitucionalidade dos §§ 15 (agora prejudicado pela sua revogação) e 17 do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, com a redação dada pela Lei nº 12.249/2010 estão sendo objeto de Fl. 1502DF CARF MF Processo nº 10805.720916/201309 Acórdão n.º 1402003.257 S1C4T2 Fl. 1.494 19 apreciação de sua constitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal, através dos ADI 4905 e RE 796.936, ambos com relatores distintos, mas sem posicionamento ainda a respeito da matéria. Por conseguinte, não há que se falar em efeitos erga omnes perante a esta Corte Administrativa. Exposto o acima, para contextualizar a legislação aplicável, vamos à análise dos pontos suscitados na peça recursal. Das questões suscitadas na peça recursal Preliminarmente, antes de adentrar no mérito do presente processo e das alegações da recorrente, cabe destacar que não é objeto rediscutir o que já está sendo discutido ou foi discutido nos processos administrativos nºs 10805.720184/201268 e 10805.720225/201216. O processo administrativo nº 10805.720184/201268 foi arquivado em 29/04/2013, não tendo ocorrido o contraditório administrativo após ciência do despacho decisório em que não reconheceu parte do direito creditório. Contudo, os eventos deste processo serão melhor analisados abaixo. O processo administrativo nº 10805.720225/201216 encontrase no momento em cumprimento de diligência, promovido por resolução desta turma 1402000.476 de sessão de 25 de janeiro de 2018. Ou seja, ainda em julgamento por esta instância administrativa. Entendo que tais circunstâncias não prejudicam o presente processo e seu julgamento, pois nestes casos, apesar da dependência de um processo ao decidido no outro, há uma discussão aqui no presente bem própria e específica. A própria legislação protege os contribuintes na redação do § 18 do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, como já citado anteriormente, e que não custa repetir para reforçar este ponto: (...) § 18. No caso de apresentação de manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação, fica suspensa a exigibilidade da multa de ofício de que trata o § 17, ainda que não impugnada essa exigência, enquadrandose no disposto no inciso III do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional. (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) Ou seja, não importa o decidido no presente processo de multa isolada, sua exigibilidade ficará suspensa até a decisão definitiva do processo que não homologou compensação via Dcomp. Não haverá prejuízo algum ao recorrente nestas circunstâncias, pois se numa eventualidade o presente processo foi decidido em definitivo na esfera administrativa, ao retornar para iniciar os procedimentos de cobrança, ficará sobrestado aguardando o decidido no processo principal, e se for o caso, até sofrer recálculo (no caso do presente processo ter seu lançamento mantido) ou sofrer exoneração total Fl. 1503DF CARF MF 20 Isto posto, parte às alegações da recorrente, sendo que algumas já foram tratadas incidentalmente quando discorri sobre a legislação aplicável ao caso. quanto às alegações de que a multa isolada em discussão foi criada para uso indevido e de máfé da Dcomp Alega a recorrente que seria inaplicável a multa prevista no §17 do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, evocado questões da fundamentação da lei, baseandose em trechos da sua exposição de motivos. Alega que a multa em discussão foi criada para situações de uso indevido e, concomitante, de máfé da Dcomp, o que não acontece no caso concreto. Como já frisei anteriormente, o presente processo não deve ser usado para rediscutir o que já está sendo ou foi discutido nos demais. A proteção já está dada a recorrente, de haver somente a repercussão necessária neste do que for decidido no qual o lançamento da multa isolada foi objeto. No tocante às arguições de boafé pela recorrente, e a multa isolada só deve ser aplicada em casos de máfé quando da apresentação da Dcomp, conforme já exposto anteriormente, na análise da legislação aplicável ao caso, o § 17 do art. 74 da Lei n.° 9.430/1996 não estabelece, para sua aplicação, a máfé, bastando a não homologação da compensação declarada, ressalvando apenas os casos de falsidade, que remeteria a uma penalidade maior. Ou seja, considerando a taxatividade da imputação legal ao caso, não há esta margem de consideração em prol ao alegado pela recorrente, como já discorrido anteriormente. Dado o todo acima exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário neste ponto. questão envolvendo base de cálculo decorrente do processo administrativo nº 10805.720184/201268 Alega a recorrente que, ao caso concreto, há inaplicabilidade do § 17 do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, em que expõe análise do processo administrativo nº 10805.720184/201268, reiterando seus argumentos da peça impugnatória, e rebatendo a posição da autoridade julgadora a quo, e que esta decisão teria se limitado sua análise ao aspecto formal do caso. O PERDCOMP que é objeto da divergência de opinião da recorrente é a de n° 38615.07809.211211.1.7.040215, que nas suas próprias palavras, em janeiro de 2012, a autoridade fiscal a cita em análise, conjuntamente com demais PERDCOMPs, mas não analisou especificamente esta. As demais, não reconheceu o crédito pleiteado. Assim, teria apresentado manifestação de inconformidade para reconhecimento expresso de que o despacho decisório mencione que não encontrou nenhuma irregularidade em relação a este PER DCOMP, e apresentado elementos probatórios das demais. E, ipsis litteris, da recorrente: 32. Ato contínuo, em julho de 2012, ao verificar um equívoco no preenchimento da PER/DCOMP n° 38615.07809.211211.1.7.04 Fl. 1504DF CARF MF Processo nº 10805.720916/201309 Acórdão n.º 1402003.257 S1C4T2 Fl. 1.495 21 0215, apresentou o PER/DCOMP retificador, registrado sob o n° 41766.34632.260712.1.7.048861, ajustando os valores do crédito e os valores dos débitos a serem compensados. No seu entender, o PERDCOMP retificador foi apresentado dentro do prazo legal, uma vez que o retificado não havia sido objeto de análise pela autoridade fiscal. No PER DCOMP retificador ajusta o crédito original utilizado, reduzindoo de R$ 2.073.817,59, para R$ 1.689.933,26, o que com as atualizações pertinentes, daria a diferença de R$ 403.040,16, uma das parcelas objeto do presente lançamento. Em novo despacho decisório proferido em setembro de 2012, após apresentação dos elementos pertinentes pela recorrente, haveria o reconhecimento expresso que não houve a análise do PERDCOMP nº 38615.07809.211211.1.7.040215. Contudo, em relação a esta, continuou homologando parcialmente, sem considerar o PERDCOMP retificador nº 41766.34632.260712.1.7.048861, que haveria alterado o crédito pleiteado exatamente nos mesmo limite de valor da decisão de homologação parcial. Após, expõe elementos decididos no processo administrativo após segundo despacho decisório, que a autoridade fiscal ao analisar o processo, identificou o alegado pela recorrente, citando excertos destas observações. A decisão a quo analisa os elementos arguidos pela recorrente na sua, então, peça impugnatória, e após contextualizálos, traz a tona que houve um Despacho em 09 de novembro de 2012, às fls. 213/214 do processo 10805.720184/201268, em que demonstra os procedimentos adotados em relação ao PERDCOMP 38615.07809.211211.1.7.040215, e comentando do seu retificador. Ali consta o seguinte: No dia 21/12/2011 o contribuinte havia transmitido a PER/DCOMP 38615.07809.211211.1.7040215, mas no dia 26/07/2012 o mesmo transmitiu uma PER/DCOMP retificadora de número 41766.34632.260712.1.7.048861, antes da ciência do despacho decisório. Esse declaração retificadora reduzia o valor do crédito e consequentemente os valores dos débitos. Para quitar a diferença entre os débitos da PER/DCOMP vigente e a retificadora o contribuinte efetuou pagamentos via DARF, cujas cópias foram anexadas nos autos do processo. Além disso o contribuinte também retificou a DCTF informando novo número de PER/DCOMP e os novos pagamentos realizados, conforme cópias anexas. Esse PER/DCOMP retificadora não foi admitida, pois já havia despacho decisório, mesmo o contribuinte ainda não tendo a ciência do mesmo. Portanto o sistema SIEFPER/DCOMP considerou a PER/DCOMP 38615.07809.211211.1.7040215 como sendo a válida. Para evitar novas retificações por parte do contribuinte proponho a mudança nos valores dos débitos no cadastramento no SIEF – Processo conforme tabela abaixo, visto que as diferenças abaixo listadas já foram quitadas via DARF, e que o Fl. 1505DF CARF MF 22 sistema Fiscalização Eletrônica – SIEF já validou a DCTF retificadora transmitida. DE: PARA: 1840 R$ 6.676,53 ZERO 1921 R$ 26.330,69 ZERO 6912 R$ 2.055.651,85 R$ 1.685.618,91 Tais elementos do despacho acima foram cientificados a recorrente, no comunicado Seort nº 34/2013 (fl. 224 do processo 10805.720184/201268), proferido pela DRF/Santo André, do qual tomou ciência de todos em 24/01/2013. Como se não se insurgiu a respeito, o processo foi dado como encerrado. Ademais, a própria decisão aqui traz no seu teor, com cópia de tela, que o PER/DCOMP retificador nº 41766.34632.260712.1.7.048861 não foi admitida e nem processada, conforme Despacho Decisório emitido, número de rastreamento 030435099, o qual a recorrente tomou ciência em 21/08/2012 e não arguiu nenhum elemento em sentido contrário ao posicionamento ali esboçado. Apesar de ser agora, em discussão em outro processo, de outra matéria, o local e momento competente da discussão para o acolhimento ou não da PER/DCOMP retificadora. Como já exposto anteriormente neste voto, a Dcomp não é um mero pedido, e sim tem efeitos jurídicos outros já na sua apresentação, como extinção do débito tributário através da compensação do crédito pleiteado constante na PER. Contudo, valhome agora de uma análise detalhada do processo administrativo 10805.720184/201268, na tentativa de elucidar qual lado pende a razão. Valhome de todos os eventos ocorridos neste processo a partir de agora: 1) Dia 21/12/2011 data da transmissão do PER/DCOMP 38615.07809.211211.1.7.040215 (efls. 2 a 7) e demais (em outras datas), conforme listagem abaixo. O total do direito creditório pleiteado, em valores originais, nos 4 PER/DCOMPs é de R$ 10.705.576,75. PER/DCOMP total do crédito pleiteado valor original data transmissão 13097.95185.190911.1.7.043667 53.663,68 19/09/2011 23443.81358.200911.1.7.049657 1.957.739,62 20/09/2011 34837.45994.220911.1.3.041968 6.620.355,86 22/09/2011 subtotal 8.631.759,16 38615.07809.211211.1.7.040215 2.073.817,59 21/12/2011 10.705.576,75 2) 30/01/2012 despacho decisório (efls. 30 a 31) analisa, nas suas palavras, que os PER/DCOMPs supra (todas as quatro), no conjunto do direito creditório Fl. 1506DF CARF MF Processo nº 10805.720916/201309 Acórdão n.º 1402003.257 S1C4T2 Fl. 1.496 23 pretendido de R$ 8.631.759,16 se referia a pagamento efetuado em 30/07/2010 (IRPJ do 2º trimestre de 2010) no valor de R$ 10.071.178,70, que estava declarado em DCTF como extintivo de um débito de R$ 10.527.482,81 (o valor remanescente de R$ 456.304,11 estava como compensação). Assim, o pagamento a maior do item 1 estava integralmente aplicado na extinção do débito, não haveria pagamento a maior; Nota 1: Realmente, que no total de R$ 8.631.759,16 corresponde as 3 primeiros PER/DCOMPs da listagem do item 1. Em tese, não houve análise do PER/DCOMP 38615.07809.211211.1.7.040215. Contudo, haveria diferença de valores, pois o valor original do direito creditório pleiteado é de R$ 10.071.178,70, remanesceriam apenas R$ 1.439.419,54 (R$ 10.071.178,70 R$ 8.631.759,16), e não o total de R$ 2.073.817,59 pleiteado. 3) 24/05/2012 tomada da ciência da recorrente do despacho do item 2; 4) 05/07/2012 apresentação de manifestação de inconformidade (efls. 166 a 169), em que consta o seguinte: a) os 3 primeiros PER/DCOMPs da listagem do item 1, no montante de R$ 8.631.759,16) se referem a direito creditório referente a pagamento a maior de IRPJ ao 2º trimestre de 2010, no total de R$ 8.631.759,16; b) o 4º PER/DCOMP da listagem, final 0215, se refere a direito creditório referente a pagamento a maior de IRPJ do 1º trimestre de 2011, no montante de R$ 2.341.618,29; c) o despacho decisório não reconheceu o direito creditório referente ao IRPJ pago maior do 2º trimestre de 2010, mas nada se referiu ao IRPJ pago a maior do 1º trimestre de 2011; d) no seu entender, o PER/DCOMP de final 0215 foi citado no despacho erroneamente; e) no caso dos 3 primeiros PER/DCOMPs da listagem do item 1, houve retificação da DCTF relativa ao débito de IRPJ do 2º trimestre de 2010 antes da emissão do despacho decisório; f) o débito de IRPJ de R$ 10.527.482,81 foi alterado, pois constatou posteriormente que era bem menor, e retificou, em 21/03/2012, a DCTF deste período para o valor de R$ 1.895.723,65 (referente ao débito de IRPJ do 2º trimestre de 2010). A DIPJ sempre esteve correta, e o erro foi na DCTF original entregue; Nota 1: O débito retificado de R$ 1.895,723,65, menos o valor compensado já na DCTF original (de R$ 456.304,11) dará o saldo de R$ 1.439.419,54, conforme identificado como divergência na nota 1 do item 2 acima; g) ao final, requer que o PER/DCOMP de final 0215 seja integralmente homologada; 5) No dia 25/09/2012, a partir da efl. 174 até efl. 184, há uma análise da unidade da RFB dos valores de crédito, remanescendo analisar e justificar o direito creditório pleiteado referente a pagamento a maior no 1º trimestre de 2011, em que se observa o seguinte: Fl. 1507DF CARF MF 24 a) valor declarado em DCTF retificadora de débito de IRPJ 1º Trim/2011 de R$ 22.496.379,26, extinto com pagamento de R$ 21.119.629,69 e outras compensações de R$ 1.376.749,57 (efl. 174); b) na efl. 175 encontramos a listagem de pagamentos efetuados pela recorrente, referente ao IRPJ do 1º trim/2011. Consta um DARF recolhido em 29/04/2011 no total de R$ 22.809.562,95; c) na efls. 176/177 consta que o alocado deste DARF era de R$ 20.467.944,66, sendo R$ R$ 2.341.618,29 estariam reservados para PER/DCOMP do processo 10805.720184/201268; d) nas efls. 178 a 183, há análises de valores pertinentes ao processo de final 68 e os três primeiros PER/DCOMPs da listagem do item 1; e) na efl. 184, há uma planilha sintetizando a análise em que reconhece integralmente o direito creditório dos três primeiros PER/DCOMPs da listagem do item 1, e em relação ao PER/DCOMP de final 0215 reconhece R$ 1.689.933,26 ante o pleiteado de R$ 2.341.618,29; 6) Dia 25/09/2015 o item 5 culmina com despacho decisório a efls. 195 e 197, que refaz o despacho decisório anterior (citado no item 2), e neste menciona explicitamente análise do PER/DCOMP final 0215, em que se posiciona no sentido de que em relação o valor pago a maior de IRPJ referente ao 1º trimestre de 2011, restaria um saldo de R$ 1.689.933,26. Este valor seria o direito creditório disponível para compensar o PER/DCOMP de final 0215, no qual se pleiteia o valor de R$ 2.341.618,29. Por conseguinte, declara reconhecimento parcial deste direito creditório; 7) Contudo, em 26/07/2012, houve um PER/DCOMP apresentado pela recorrente (41766.34632.260712.1.7.048861) retificando o de final 0215, em que altera o direito creditório pleiteado para R$ 1.689.933,26 (efls. 199 a 203); 8) Em 09/11/2012 procedese a análise dos valores da recorrente, conforme efls. 204 a 212, culminando no despacho a efls. 213 a 214, em que conclui o seguinte: a) informa da transmissão do PER/DCOMP retificador citada no item 7, na qual reduzia o valor de crédito e por consequência os valores dos débitos. A diferença de valor foram quitados via pagamento (DARFs), conforme anexado nos autos do processo, ocorrido em 31/07/2012 (efls. 204 a 206); b) ali comenta que PER/DCOMP final 0215 foi retificado antes da ciência do despacho decisório; c) considera o PER/DCOMP de final 0215 como ainda vigente, e o retificador não foi admitido, pois já havia despacho decisório, mesmo o contribuinte ainda não tendo ciência do mesmo; d) para evitar novas retificações, ocorreram mudanças nos valores dos débitos cadastrados nos controles da Receita Federal do Brasil, considerando os DARF pagos da diferença dos PER/DCOMPS (a original e ainda vigente e a tentativa de retificadora); e) com isso, os débitos vinculados ao PER/DCOMP retificador foram alterados de R$ 2.088.659,07 para R$ 1.685.618,91 (diferença ajustada de R$ 403.040,16); Fl. 1508DF CARF MF Processo nº 10805.720916/201309 Acórdão n.º 1402003.257 S1C4T2 Fl. 1.497 25 e) nas folhas seguintes há demonstrativos da nova situação, para fins de controle dos débitos e créditos (efls. 215 a 220); Nota 1: aqui entendo que houve emprego errôneo de certas palavras neste despacho. O que se quis dizer é que haveria um novo despacho decisório a ser dado sobre a matéria. Mesmo porque a ciência do primeiro despacho ocorreu em 24/05/2012, e apesar de obscura a situação, já sabia que estava trabalhada seu PER/DCOMP de final 0215. Tanto que tentou retificálo e pagar a diferença. 9) em 07/02/2013, por decurso de prazo de disponibilização na sua caixa postal (ecac) toma ciência do comunicado Seort nº 34/2013, datado de 23/01/2013 (efl. 224), em que comunica do despachado no processo e encerra a análise no processo. Isto tudo posto, entendo que a ciência do despacho de item 8 empregou erroneamente as palavras a se posicionar daquela forma naquele momento, o que não se invalida o contexto processual envolvido, conforme destaco abaixo. O fato é que a recorrente já estava ciente da análise processual que ocorria sobre o PER/DCOMP final 0215, inclusive tendo se manifestado sobre o mesmo na sua manifestação de inconformidade em 05/07/2012, em que rebate o despacho decisório datado de 30/01/2012, e que fora cientificada em 24/05/2012 , em que a cita expressamente. Em 26/07/2012, por sua conta, tenta apresentar PER/DCOMP retificador referente aos valores envolvidos no PER/DCOMP final 0215, inclusive tendo pago a diferença que surgiria em 31/07/2012. A intenção da norma de inibir o PER/DCOMP retificador após a ciência do despacho decisório é evitar manifestações e ajustes posteriores, o que no caso ocorreu sobre os valores envolvidos no PER/DCOMP final 0215. Houve análise do mesmo já no despacho decisório cientificado em 24/05/2012 (item 2 e 3 acima). Tanto isto é válido que é apontado no v. acórdão recorrido do presente processo que o PER/DCOMP retificador não foi aceito. E não foram só ajustes, houve inclusive, pagamento da diferença, reconhecendo que havia pendências neste PER/DCOMP originalmente entregue. Assim, entendo que a posição das autoridades fiscais, no despacho de 09/11/2012, que analisaram os créditos e resolveram ajustar os débitos da mesma em virtude dos pagamentos ocorridos em 31/07/2012, para evitar novas retificadoras, e considerando como paga a diferença, era o aplicável naquele momento. O despacho decisório vigente naquele momento da análise era o de 25/09/2012 (item 6 supra), que, explicitamente, homologava parcialmente o PER/DCOMP final 0215. Este despacho decisório viera em alteração ao proferido em 30/01/2012, e em todos os dois, foram abordados e analisados os quatro PER/DCOMPs, incluindo a de final 0215, como já analisado. Com isso tudo, houve definitividade da decisão que não admitiu o PER/DCOMP retificador no caso, e manteve como válido e ativo o PER/DCOMP 38615.07809.211211.1.7.040215. Fl. 1509DF CARF MF 26 Não cabe agora, num julgamento incidental dos fatos acima elencados, rediscutir esta matéria e reabrir o litígio do processo. A recorrente se vale do princípio da busca da verdade material para mudança do entendimento em relação a situação, que é basilar no julgamento administrativo. Contudo, no caso, seria reformar uma decisão já transitada, e sem ter a plena certeza das circunstâncias envolvidas, transcorridos vários anos. Deveria ter agido então, mas, aparentemente, se deu satisfeito com a solução aplicada pela autoridade para resolver o problema dos valores envolvidos no PER/DCOMP 38615.07809.211211.1.7.040215, e não mais agiu ou discordou. Dado o todo acima exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário neste ponto. questão envolvendo o processo administrativo nº 10805.720225/201216, e também da sua aplicação antes do encerramento da discussão administrativa Alega a recorrente que o processo administrativo nº 10805.720225/201216 estaria ainda em aberta a discussão a respeito do litígio envolvido da homologação parcial pertinente, o que deve prevalecer, devendo ser cancelada a multa isolada ora aplicada. Igualmente, insurgese contra a possibilidade de aplicação da multa antes do encerramento da discussão administrativa sobre as compensações realizadas. Contudo, como já exposto anteriormente, a própria legislação protege os contribuintes na redação do parágrafo seguinte § 18 do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, como já citado anteriormente, e que não custa repetir para reforçar este ponto: (...) § 18. No caso de apresentação de manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação, fica suspensa a exigibilidade da multa de ofício de que trata o § 17, ainda que não impugnada essa exigência, enquadrandose no disposto no inciso III do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional. (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) Ou seja, como já dito anteriormente, não importa o decidido no presente processo de multa isolada, sua exigibilidade ficará suspensa até a decisão definitiva do processo que não homologou compensação via Dcomp. Não haverá prejuízo algum ao recorrente nestas circunstâncias, pois se numa eventualidade o presente processo foi decidido em definitivo na esfera administrativa, ao retornar para iniciar os procedimentos de cobrança, ficará sobrestado aguardando o decidido no processo principal, e se for o caso, até sofrer recálculo (no caso do presente processo ter seu lançamento mantido). Dado o todo acima exposto, NEGO PROVIMENTO ao pleito de apensamento dos processos da recorrente. Fl. 1510DF CARF MF Processo nº 10805.720916/201309 Acórdão n.º 1402003.257 S1C4T2 Fl. 1.498 27 das alegações de injuridicidade da norma contida no § 17 do art. 74 da Lei nº 9.430/1996 A recorrente insurgese contra o § 17 do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, pedindo o afastamento da sua aplicação, em razão da injuridicidade da norma, e que seja aplicada a norma em conformidade com o ordenamento jurídico. Para tanto, evoca questões de violação do direito de petição previsto na Constituição Federal, e que tal norma só se aplica aos casos envolvendo máfé na apresentação da Dcomp. Para tanto, cita excertos de decisões judiciais a respeito, que corroborariam com seu posicionamento na peça recursal. Contudo, compreendo que tal questão afastase das possibilidades de manifestação deste colegiado. Em verdade, há vedação expressa no art. 26A do Decreto 70.235/1972 que se adentre ao mérito de validade constitucional de normas legais no âmbito da do processo administrativo fiscal: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade Para tanto foi editada a Súmula CARF nº 2, a qual tão somente vem a espelhar o monopólio do Poder Jurisdicional sobre a temática: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Destarte, NÃO CONHEÇO desta matéria do recurso voluntário. das alegações de ilegalidade da cobrança de juros sobre a multa O presente tema da incidência de juros sobre a multa de ofício, que não deveria prosperar por falta de previsão legal não é novo no CARF. Ocorre que uma análise mais sistemática do CTN, percebese que os juros são devidos sobre o valor da multa, uma vez que o crédito tributário engloba tanto o tributo quanto a multa. Como dispõe o art. 161 do CTN: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento e acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1o Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados a taxa de um por cento ao mês. O art. 113, § 1o do CTN preceitua que a obrigação principal tem por objeto o pagamento do tributo ou penalidade pecuniária, donde se observa que o critério utilizado pelo Código Tributário Nacional para distinguir obrigação acessória de obrigação principal e o Fl. 1511DF CARF MF 28 conteúdo pecuniário. A obrigação acessória consiste em um fazer ou não fazer, enquanto que a obrigação principal implica em obrigação de dar dinheiro. Neste passo, resta evidente que a multa tem natureza de obrigação principal, visto é que incontestável o seu conteúdo pecuniário. O conceito de credito tributário esta esculpido no art. 139 do CTN, nos seguintes termos: o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Desta forma, por ser a multa, indubitavelmente obrigação principal, não se pode chegar a outra conclusão senão a de que o credito tributário engloba o tributo e a multa. Logo, tanto sobre o tributo (principal) quanto sobre a multa devem incidir juros, como determina o § 1o do art. 161 do Código Tributário Nacional. Pelos motivos elencados, entendo devam ser mantidas os juros sobre a multa de ofício imposta e NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário neste aspecto. Conclusão: Destacandose a previsão legal do §18 do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, voto por conhecer parcialmente, e NEGAR PROVIMENTO INTEGRAL aos demais elementos do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marco Rogério Borges Fl. 1512DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 17437.720221/2015-65
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 01 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3302-000.772
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do redator designado. Os Conselheiros Walker Araújo, José Renato Pereira de Deus, Diego Weis Júnior e Raphael Madeira Abad rejeitavam as preliminares arguidas e, no mérito, davam provimento ao recurso voluntário. Designado o Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Walker Araújo - Relator.
(assinado digitalmente)
Fenelon Moscoso de Almeida Redator designado.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araújo (Relator), Vinicius Guimarães (Suplente), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: WALKER ARAUJO
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Resolvem os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do redator designado. Os Conselheiros Walker Araújo, José Renato Pereira de Deus, Diego Weis Júnior e Raphael Madeira Abad rejeitavam as preliminares arguidas e, no mérito, davam provimento ao recurso voluntário. Designado o Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) Walker Araújo Relator. (assinado digitalmente) Fenelon Moscoso de Almeida – Redator designado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araújo (Relator), Vinicius Guimarães (Suplente), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Raphael Madeira Abad. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 74 37 .7 20 22 1/ 20 15 -6 5 Fl. 10701DF CARF MF Processo nº 17437.720221/201565 Resolução nº 3302000.772 S3C3T2 Fl. 10.702 2 Relatório Por bem descrever a realidade dos fatos, adoto e transcrevo o relatório da decisão de piso de fls. 2.6932.704: Trata o presente processo de Autos de Infração da COFINS e da contribuição ao PIS, lavrados em nome do contribuinte em epígrafe pertinente à insuficiência do recolhimento nos períodos de apuração de 01/2011 a 12/2012, conforme abaixo discriminado: COFINS R$ 17.342.401,18 JUROS DE MORA (calculados até 07/2015) R$ 5.628.652,77 MULTA PROPORCIONAL R$ 13.006.800,92 TOTAL R$ 35.977.854,87 PIS R$ 3.765.126,57 JUROS DE MORA (calculados até 07/2015) R$ 1.222.010,12 MULTA PROPORCIONAL R$ 2.823.844,96 TOTAL R$ 7.810.981,65 Integra o auto de infração o “Relatório do Procedimento Fiscal” de fls. 02/5, onde foi exposta a legislação da Cofins e do PIS aplicável, relacionando os seguintes pontos motivadores do lançamento: 1. A contribuinte classificou indevidamente receitas como isentas na apuração das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS; 2. Foi lavrado Termo de Intimação onde foi solicitado para a pessoa jurídica “apresentar documentação, hábil e idônea, que comprove que a prestação dos serviços foi efetuada a pessoa jurídica situada no exterior, bem como que os pagamentos recebidos pelos serviços representam ingressos de divisas, nos termos do art 5o, inciso II, da Lei n° 10.637/02 e art 6o, inciso II, da Lei n° 10.833/03”; 3. Tempestivamente, encaminhou notas fiscais, contratos com armadores estrangeiros e tabelas de preços praticados. Apresentou também cópia da Solução de Consulta nº 58, de 7 de abril de 2006. Com relação à comprovação do ingresso de divisas, declara que “esta tem origem na própria natureza dos serviços portuários prestados a Armadores Estrangeiros, ou seja, navios de transporte de carga na modalidade longo curso que atracam no terminal”; 4. Mediante análise da documentação apresentada constatase a falta de comprovação do efetivo ingresso de divisas no País, segundo as normas previstas no Regulamento do Mercado de Câmbio e Capitais Internacionais (RMCCI), estabelecidas pelo Banco Central do Brasil; 5. A contribuinte limitase a apresentar argumentos sobre a operacionalização entre ele, o transportador estrangeiro e o agente marítimo no País, sob o ponto de vista fiscal e cambial; Fl. 10702DF CARF MF Processo nº 17437.720221/201565 Resolução nº 3302000.772 S3C3T2 Fl. 10.703 3 6. O fato de existir a intermediação de agente ou representante, no Brasil, de empresa estrangeira tomadora de serviços portuários, por si só, não é suficiente para descaracterizar a situação, conforme determina a Solução de Consulta nº 58, de 07/04/2006, da 10ª SRRF, contida no processo administrativo 11050.003099/200545, de solicitação da própria contribuinte; 7. No entanto, cabe à pessoa jurídica comprovar a prestação de serviços para pessoa situada no exterior, como também comprovar que os pagamentos recebidos representam ingresso de divisas; 8. No presente caso, embora a interessada tenha comprovado a prestação de serviços para pessoas jurídicas situadas no exterior, nos casos em que foi intimada, não comprovou o efetivo ingresso de divisas, e tampouco nexo causal com as operações de prestação de serviços ao exterior, segundo as normas determinadas pelo Banco Central através do Regulamento do Mercado de Câmbio e Capitais Internacionais – RMCCI; 9. A prova do efetivo ingresso de divisas, e a demonstração do nexo causal com as operações de exportação de serviços, são elementos essenciais para que se afaste a hipótese, não coberta pela isenção, da utilização de recursos que o representante do transportador estrangeiro detenha sob sua guarda, mas que tenham origem em pagamentos, por empresas nacionais, de serviços de transporte internacional prestados pelo armador sediado no exterior, situação que não representaria o necessário ingresso de divisas; 10. Sobre essa questão, o próprio contribuinte, em sua consulta formulada, que deu origem à Solução de Consulta nº 58, de 7 de abril de 2006, admite a utilização de recursos provenientes de receitas auferidas no país, pelo armador estrangeiro, no pagamento de despesas, inclusive as portuárias; 11. Logo, não tendo a pessoa jurídica comprovado o ingresso de divisas nas operações de exportação de serviços registradas na contabilidade e relacionadas na planilha "Comparativo contabilidade x DACON exportações", essas receitas, que foram informadas como isentas no DACON, serão consideradas tributáveis neste procedimento, por não ter sido cumprido o requisito previsto no art do art 5o, inciso II, da Lei n° 10.637/02 e art 6o, inciso II, da Lei n° 10.833/03. Devidamente cientificada em 23/07/2015 fl.928, a interessada apresentou, em 21/08/2015 fl. 942 e ss., impugnação alegando em resumo que: 1. A impugnante presta serviços portuários às empresas transportadoras marítimas (armadores) sediadas e domiciliadas no exterior, cujas embarcações atracam em seu porto para as operações, dentre outras, de embarque e desembarque de mercadorias/contêineres. Ocorre que a fiscalização entendeu que o único documento hábil para comprovar o ingresso de divisas seria o Contrato de Câmbio de forma direta, segundo as normas previstas no Regulamento do Mercado de Câmbio e Capitais Internacionais (RMCCI), estabelecidas pelo Banco Central; 2. Cabe salientar que a origem do crédito decorre de receitas auferidas na prestação de serviços para pessoa jurídica domiciliada no exterior. Assim, consoante inciso II, do art. 6º, da Lei nº 10.833/03 e inciso II do art. 5º, da Lei nº 10.637/02, na redação dada pelo art. 21º da Lei 10.865/04 e ainda pela IN SRF nº 247, de 21 de novembro de 2002, não incidem a Contribuição para o PIS/PASEP e para a COFINS sobre as receitas oriundas de serviços prestados a pessoas jurídicas domiciliadas no exterior, no caso em tela transportadores estrangeiros e, por conseguinte, tem a contribuinte direito ao crédito de PIS/PASEP e COFINS sobre referidas receitas; Fl. 10703DF CARF MF Processo nº 17437.720221/201565 Resolução nº 3302000.772 S3C3T2 Fl. 10.704 4 3. Nesse passo, para configurar o ingresso de divisas, necessário se faz a comprovação do nexo causal, comprovação esta que a impugnante efetuou por ocasião da fiscalização em suas operações, e o faz novamente mediante a juntada de alguns exemplares de contratos celebrados com os transportadores estrangeiros e pela amostragem de Notas Fiscais emitidas contra tais transportadores estrangeiros aos cuidados de sua agência marítima ou de seu representante no país; 4. Contudo, a existência de uma terceira pessoa não desfigura o efetivo ingresso de divisas, uma vez que esta terceira pessoa, neste caso a agência de navegação, atua apenas como intermediário na relação entre o transportador estrangeiro e a contribuinte. Essa intermediação só ocorre por força da legislação, assim, o agente apenas faz a intermediação dos pagamentos, cujo recurso é proveniente indubitavelmente do estrangeiro; 5. Assim, as agências de navegação atuam como meros mandatários dos transportadores estrangeiros, que são os verdadeiros clientes da impugnante, atuando conforme requerido pelos transportadores estrangeiros que, por não terem domicílio no Brasil, utilizam, obrigatoriamente, as agências de navegação para contratar serviços, pagando nestes casos, através destas agências marítimas, em moeda corrente nacional, os prestadores que lhes prestam serviços, não afetando, por conseguinte, a relação jurídica para fins de reconhecimento da nãoincidência da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS sobre as receitas auferidas pelos prestadores de serviços, como é o caso da impugnante; 6. Para efetivar os pagamentos, após firmar contratos formais ou tácitos para operar seus navios de longo curso, uma vez que não podem atuar de forma independente no Brasil, os transportadores estrangeiros utilizam das hipóteses de transferências de recursos na seguinte forma: a) o transportador estrangeiro remete para seu agente/representante marítimo no Brasil um valor em moeda conversível para custeio das despesas, incluídas as despesas com serviços portuários, que é convertido em reais através de um Contrato de Câmbio de Compra Tipo 3 Transferência Financeira do Exterior. No pagamento ao transportador estrangeiro do transporte internacional de cargas é feito um Contrato de Câmbio de Venda Tipo 4 Transferências Financeiras para o Exterior pelo valor total do (s) conhecimento(s) de transporte; b) o agente/representante no Brasil faz uma estimativa das despesas, dentre elas as despesas portuárias, e é autorizado a deduzilas quando da remessa para pagamento do transporte internacional, ou seja, a remessa de divisas é feita pelo valor líquido. Contudo, é realizado um Contrato de Venda Tipo 4 Transferências Financeiras para o exterior pelo valor bruto do(s) conhecimento(s) de transporte e, também, um Contrato de Câmbio de Compra tipo 3 Transferências Financeiras do Exterior da parte inerente às despesas incorridas no Brasil, cuja estimativa consta no Contrato de Câmbio de Venda tipo 4 já mencionado; 7. Logo, seja utilizando o Contrato de Câmbio Tipo 3 ou Tipo 4 o ingresso de divisas é efetivado. Cabe salientar que, o contrato não é fechado tão somente para o pagamento dos custos com o terminal, mas para todo e qualquer despesa vinculada a essa atracação do navio, devendo o agente, pela posição de mandatário distribuir essa receita advinda do estrangeiro para cada fornecedor, dentre eles a impugnante; 8. Vale salientar que os contratos de câmbio celebrados entre os transportadores estrangeiros e as agencias marítimas são de propriedade destas, que são empresas brasileiras que, a teor da norma do Banco Central do Brasil, Circular nº 3.280/2005, são as responsáveis pelo fechamento do contrato de câmbio; Fl. 10704DF CARF MF Processo nº 17437.720221/201565 Resolução nº 3302000.772 S3C3T2 Fl. 10.705 5 9. Por ser de propriedade das agências de navegação, os contratos de câmbio não podem ser exigidos da impugnante, uma vez que esta é exclusivamente operadora portuária e, assim, não pode ser exigido apresentar qualquer documento que não lhe pertença. Por esta razão, tornase inviável a apresentação de contrato de câmbio, pois esta não figura como agente/representante do transportador estrangeiro; 10. Tendo em vista que os contratos de câmbio estão disponíveis aos entes públicos no Banco Central, requer que a RFB solicite junto ao Banco Central os Contratos de Câmbios que subsidiam os recursos recebidos; 11. Assim, esta intermediação, como já amplamente demonstrado, não desconfígura a não incidência do PIS/PASEP e da COFINS para o caso em tela, já que as receitas auferidas decorrem de serviços portuários prestados a transportadores estrangeiros, cujo ingresso de divisas no País, para pagamentos destes serviços, está comprovado com toda a documentação acostada aos autos; 12. Caso deseje, a RFB poderia fiscalizar as agências de navegação intervenientes destes serviços, cujas Razões Sociais, CNPJ e data da prestação de serviços a contribuinte poderia informar. Não há, todavia, possibilidade jurídica de lhe ser exigido um documento que não lhe pertence; 13. Com a presente impugnação, apresenta declaração fornecida por um transportador estrangeiro no sentido de que o pagamento para satisfazer as despesas portuárias contraídas no Brasil decorre de numerário remetido do exterior e que configura indubitavelmente ingresso de divisas; 14. A pessoa jurídica efetuou consulta onde, mediante a Solução de Consulta nº 58, de 07/04/2006, fica claro que a ausência de contrato de câmbio não descaracteriza a não incidência do PIS e COFINS, sendo necessário, somente que o contribuinte demonstre com outros documentos que o serviço foi prestado para a pessoa jurídica domiciliada no exterior e, conseqüentemente, o ingresso de divisas; 15. Todos os documentos apresentados nesta peça formam o nexo causal que demonstram o ingresso de divisas e a prestação de serviços para residente e domiciliado ao exterior; 16. Objetivando ratificar ainda mais a argumentação, bem como demonstrar o nexo causal, a contribuinte requereu junto à Superintendência dos Portos de Rio Grande SUPRG a relação de todos os navios acostados no Terminal Portuário no período autuado, qual seja, janeiro de 2011 a dezembro de 2012. A relação dos navios, bem como a bandeira dos mesmos e a data de atracação/desatracação foi fornecido por essa autarquia, sendo juntado a presente (documento 01), juntando ainda planilha para melhor entendimento dessa Turma de Julgamento, onde utilizando desse relatório emitido pela autarquia estadual, lista todas as notas fiscais vinculadas a cada navio atracado objetivando comprovar o serviço prestado a transportador estrangeiro e o ingresso de divisas (documento 06); 17. Assim, resta comprovado o direito ao crédito decorrente da não incidência sobre a receita oriunda da prestação de serviços de operação portuária ao transportador estrangeiro, pessoa jurídica domiciliada ou com sede no exterior, cujo pagamento configura o ingresso de divisas no País, ainda que realizado mediante intermediação de agente/representante do transportador estrangeiro no Brasil; Fl. 10705DF CARF MF Processo nº 17437.720221/201565 Resolução nº 3302000.772 S3C3T2 Fl. 10.706 6 18. Cabe ainda esclarecer que por ser um Terminal Portuário, recebe em sua estrutura diariamente navios do mundo inteiro, e não há dúvidas de que um terminal portuário no Brasil presta serviços na sua grande maioria para transportadores estrangeiros, uma vez que a navegação de cabotagem é utilizada de forma minoritária nos portos brasileiros, tendo em vista a grande utilização das rodovias pelo Brasil. Tal fato é notório e os Terminais do Brasil recebem de forma majoritária navios com bandeiras estrangeiras que realizam a importação ou exportação; 19. Para melhor deslinde da questão em decorrência de sua natural complexidade e a quantidade de documentos, a impugnante requer a conversão do julgamento em diligência a ser realizada por servidor estranho aos autos, a fim de que fique comprovado o pagamento a maior de PIS e COFINS em face dos serviços prestados aos transportadores estrangeiros, apresentando desde já os quesitos: a) Diga o servidor, na condição de perito, qual a atividade principal exercida pela impugnante e se nessa atividade presta regularmente serviços a armadores estrangeiros, ou seja, a navios de bandeira estrangeira; b) Diga ainda diante da atividade da empresa e da documentação acostada tanto nos autos, como à disposição da fiscalização no seu estabelecimento localizado na cidade do Rio Grande RS, se o agente marítimo atua em nome próprio, ou se age na condição de mandatário da pessoa no exterior, ou seja, do transportador/armador estrangeiro; c) Diga, ainda, se os documentos fiscais emitidos onde possa constar o nome do agente marítimo se prestam ou não para descaracterizar ou não a relação jurídica a que alude o art. 6º, II da Lei nº 10.833/2003 e o artigo 14º, III, da MP 2.15835 de 2001, para fins de reconhecimento ou não da não incidência do PIS/COFINS sobre as receitas auferidas pela contribuinte em virtude da prestação de serviços a armadores estrangeiros; d) Nessa sequência, esclareça o servidor/perito se os serviços prestados aos navios de bandeira estrangeira atracados em seu Terminal, foram prestados às agências marítimas ou se de fato foram prestados aos transportadores/armadores estrangeiros; e) Esclarecer se na peculiaridade do serviço portuário prestado a navio de bandeira estrangeira, após conhecer a atividade da impugnante, se é o contrato de câmbio celebrado com o armador estrangeiro fechado pela agência marítima ou pela contribuinte em tela, operador portuário; f) Finalmente, informe o servidor/perito, também após estar ciente da atividade da impugnante, se caso o agente marítimo tenha sob sua guarda recursos de titularidade do seu representado (armador estrangeiro), oriundo de receitas auferidas no Brasil em razão do transporte internacional, se o pagamento efetuado à impugnante, em moeda nacional, utilizando tais recursos, nos termos da Circular BACEN nº 3.280/2005, caracteriza ou não o ingresso de divisas consoante a legislação de regência; 22. Requer ainda, caso a fiscalização entenda que a documentação acostada não seja suficiente, que seja realizada diligência nas Agências de Navegação apontadas pela impugnante, objetivando a obtenção dos contratos de câmbio, bem como esclarecimentos adicionais sobre o ingresso de divisas, ou ainda que seja solicitado junto ao Banco Central do Brasil as cópias dos contratos de câmbio; 23. Ante o exposto, requer seja julgado improcedente o Auto de Infração. Fl. 10706DF CARF MF Processo nº 17437.720221/201565 Resolução nº 3302000.772 S3C3T2 Fl. 10.707 7 Em 18 de maio de 2016, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012 EXPORTAÇÃO DE SERVIÇOS. COMPROVAÇÃO DOS SERVIÇOS PRESTADOS AO TRANSPORTADOR ESTRANGEIRO. A mera demonstração de que o serviço foi prestado em navio estrangeiro não é capaz de demonstrar que houve uma relação negocial entre a empresa prestadora de serviços e o transportador estrangeiro, uma vez que as Notas Fiscais de prestação de serviços foram emitidas em nome de pessoas jurídicas residentes e domiciliadas no país que tanto podem atuar em nome próprio quanto em nome de terceiros, residentes e domiciliados no país ou no exterior. EXPORTAÇÃO DE SERVIÇOS. COMPROVAÇÃO DO EFETIVO INGRESSO DE DIVISAS. A não incidência aplicada às receitas de prestação de serviços para pessoa física ou jurídica domiciliada no exterior é condicionada à comprovação do efetivo ingresso de divisas no país. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012 EXPORTAÇÃO DE SERVIÇOS. COMPROVAÇÃO DOS SERVIÇOS PRESTADOS AO TRANSPORTADOR ESTRANGEIRO. A mera demonstração de que o serviço foi prestado em navio estrangeiro não é capaz de demonstrar que houve uma relação negocial entre a empresa prestadora de serviços e o transportador estrangeiro, uma vez que as Notas Fiscais de prestação de serviços foram emitidas em nome de pessoas jurídicas residentes e domiciliadas no país que tanto podem atuar em nome próprio quanto em nome de terceiros, residentes e domiciliados no país ou no exterior. EXPORTAÇÃO DE SERVIÇOS. COMPROVAÇÃO DO EFETIVO INGRESSO DE DIVISAS. A não incidência aplicada às receitas de prestação de serviços para pessoa física ou jurídica domiciliada no exterior é condicionada à comprovação do efetivo ingresso de divisas no país. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012 PERÍCIA/DILIGÊNCIA DENEGADAS A perícia e a diligência se reservam à elucidação de pontos duvidosos que requerem conhecimentos especializados para o deslinde de litígio, não se justificando a sua realização quando o fato probando puder ser demonstrado pela juntada de documentos. Intimada de decisão em 23.05.2016 (fls.2.712), a Recorrente interpôs recurso voluntário em 21.06.2016 (fls. 2.7152.741), reproduzindo meritoriamente os argumentos apresentados em sede de impugnação. Adicionalmente, pleiteou a nulidade da decisão recorrida por (i) mudança de critério jurídico; e (ii) cerceamento de defesa. É o relatório. Fl. 10707DF CARF MF Processo nº 17437.720221/201565 Resolução nº 3302000.772 S3C3T2 Fl. 10.708 8 Voto Vencido Conselheiro Walker Araújo Relator. I Tempestividade A Recorrente foi intimada da decisão de piso em 23.05.2016 (fls.2.712) e protocolou Recurso Voluntário em 21.06.2016 (fls. 2.7152.741) dentro do prazo de 30 (trinta) dias previsto no artigo 33, do Decreto 70.235/721. Desta forma, considerando que o recurso preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. II Preliminares II.1 Mudança de Critério Jurídico Alega a Recorrente que a Delegacia da Receita Federal de Julgamento incorreu em manifesta alteração de critério jurídico ao incluir no fundamento da decisão a questão concernente a ausência de prova da prestação de serviços ocorrida entre a Recorrente e os Armadores Estrangeiros, ao passo que o lançamento fiscal foi realizado tão somente pela suposta falta de comprovação de efetivo ingresso de divisas no país, mesmo que comprovada a relação negocial com as empresas domiciliadas no exterior. Com todo respeito aos argumentos explicitados pela Recorrente, entendo que não houve alteração de critério jurídico por parte da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, posto que o fundamento principal para manutenção do lançamento fiscal foi a inexistência de documentos capazes de comprovar o efetivo ingresso de divisas, conforme se verifica no trecho do voto abaixo destacado: Como é cediço, entrada de divisas nada mais é do que o fluxo de dinheiro estrangeiro que entra no país, possibilitando a geração de recursos para gastos e investimentos, com geração de emprego e renda. A prova do efetivo ingresso de divisas, como mencionado é essencial para que se afira o cumprimento do requisito legal. Essa comprovação do ingresso de divisas é necessária para que se afaste a hipótese, não coberta pela lei, da utilização de recursos que o representante do transportador estrangeiro detenha sob sua guarda, mas que tenham origem em pagamento, por empresa nacional, de serviços de transporte internacional prestados pelo armador sediado no exterior, situação que não representaria o necessário ingresso de divisas. Em outras palavras, temos que nenhum documento foi apresentado em relação ao ingresso de divisas pelo pagamento dos serviços que, supostamente, teriam sido prestados ao transportador sediado no exterior. Não foram anexados os necessários contratos de câmbio em valores e datas compatíveis com as ditas operações, nas quais figurassem como vendedores de moeda estrangeira os próprios agentes marítimos recebedores dos alegados pagamentos do exterior oriundos do transportador agenciado. 1 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 10708DF CARF MF Processo nº 17437.720221/201565 Resolução nº 3302000.772 S3C3T2 Fl. 10.709 9 Ou seja, tanto o lançamento fiscal como sua manutenção se deram pelos mesmos fundamentos, qual seja, a ausência de documentos para comprovar o efetivo ingresso de divisas. É de se ver, que a unidade julgadora convalidou integralmente o trabalho realizado pela fiscalização, utilizandose, para tanto, os mesmos fundamentos e suporte documental. Não houve inovação ou alteração de fundamento para manter o lançamento fiscal. Sobre mudança de critério jurídico, vale transcrever os ensinamentos do i. professor Hugo Brito de Machado Machado que, com a clarividência que lhe é peculiar expõe seu entendimento sobre o tema: Há mudança de critério jurídico quando a autoridade administrativa simplesmente muda de interpretação, substitui uma interpretação por outra, sem que se possa dizer que qualquer das duas seja incorreta. Também há mudança de critério jurídico quando a autoridade administrativa, tendo adotado uma entre várias alternativas expressamente admitidas em lei, na feitura do lançamento, depois pretende alterar esse lançamento, mediante a escolha de outra das alternativas admitidas e que enseja a determinação de um crédito tributário em valor diverso, geralmente mais elevado (Hugo de Brito Machado, Curso de Direito Tributário, 12ª edição, Malheiros, 1997, p 123) Neste cenário, entendo que a decisão de piso não alterou os fundamentos do lançamento, pelo contrário, convalidou integralmente o trabalho da autoridade fiscal. II.2 Cerceamento de Defesa Neste ponto, pleiteia a Recorrente a decretação de nulidade de decisão recorrida com fulcro no artigo 59, inciso II, do Decreto nº 70.235/72, por entender que o indeferimento do pedido de perícia acarretoulhe preterição do direito de defesa. No entendimento da Recorrente, se a Delegacia da Receita Federal entende como essencial a apresentação de contratos de câmbio para demonstrar o efetivo ingresso de divisas e, que tais documentos não pertencem a Recorrente e sim aos Agentes Marítimos, a perícia/diligência deveria ter sido deferida para apuração de tais fatos. Contudo, entendo que o indeferimento da perícia/diligência quando devidamente fundamentada não acarreta cerceamento defesa, posto que cabe a autoridade julgadora considerar necessária ou não o pedido feito pela parte contrária. No presente caso, a autoridade julgadora indeferiu o pedido de realização diligência, por entender que os documentos comprobatórios do ingresso de divisa poderiam ter sido obtidos pela própria Recorrente, sendo, assim, desnecessária a diligência proposta pelo contribuinte para essa finalidade. Assim, considerando que a autoridade julgadora motivou seu entendimento, entendo que o pedido de nulidade da decisão por cerceamento de defesa deve ser afastado. III. Mérito Fl. 10709DF CARF MF Processo nº 17437.720221/201565 Resolução nº 3302000.772 S3C3T2 Fl. 10.710 10 O cerne da questão visa analisar se os serviços prestados pela Recorrente estão abarcadas pelos benefícios da isenção previstas no artigo 5º, da Lei nº 10.637/2002 e, artigo 6º, da Lei nº 10.833/2003, a saber: Lei nº 10.637/2002 Art. 5o A contribuição para o PIS/Pasep não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: (...) II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) *** Lei nº 10.833/2003 Art. 6o A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: (...) II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Nos termos da legislação anteriormente citada, para que o contribuinte goze do benefícios da isenção, é necessário que o tomador de serviço esteja localizado no exterior e, que o pagamento correspondente represente ingresso de divisas. No presente caso, não obstante a Recorrente tenha comprovado a prestação de serviços para pessoas jurídicas situadas no exterior, a fiscalização realizou o lançamento fiscal por entender ausente a comprovação do efetivo ingresso de divisas e, do nexo causal com as operações de prestação de serviços ao exterior, segundo as normas determinadas pelo Banco Central através do Regulamento do Mercado de Câmbio e Capitais Internacionais RMCCI, senão vejamos: 2.1.20 No presente caso, embora o TECON tenha comprovado a prestação de serviços para pessoas jurídicas situadas no exterior, nos casos em que foi intimado, não comprovou o efetivo ingresso de divisas, e tampouco nexo causal com as operações de prestação de serviços ao exterior, segundo as normas determinadas pelo Banco Central através do Regulamento do Mercado de Câmbio e Capitais Internacionais RMCCI. 2.1.21 Cientificado dessa situação, e tendo sido concedida nova oportunidade para apresentação da documentação comprobatória, nessa vez sobre todas as operações, limitouse a informar que suas operações estariam embasadas na solução de consulta mencionada no item 2.1.14. 2.1.22 A prova do efetivo ingresso de divisas, e a demonstração do nexo causal com as operações de exportação de serviços, são elementos essenciais para que se afaste a hipótese, não coberta pela isenção, da utilização de recursos que o representante do transportador estrangeiro detenha sob sua guarda, mas que tenham origem em pagamentos, por empresas nacionais, de serviços de transporte internacional prestados pelo armador sediado no exterior, situação que não representaria o necessário ingresso de divisas. 2.1.23 Sobre essa questão, o próprio TECON, em sua consulta formulada, que deu origem à Solução de Consulta n° 58 de 7 de abril de 2006, admite a utilização de Fl. 10710DF CARF MF Processo nº 17437.720221/201565 Resolução nº 3302000.772 S3C3T2 Fl. 10.711 11 recursos provenientes de receitas auferidas no país, pelo armador estrangeiro, no pagamento de despesas, inclusive as portuárias. 2.1.24 Não tendo o TECON comprovado o ingresso de divisas nas operações de exportação de serviços registradas na contabilidade e relacionadas na planilha "Comparativo contabilidade x DACON exportações", essas receitas, que foram informadas como isentas no DACON, serão consideradas tributáveis neste procedimento, por não ter sido cumprido o requisito previsto no art do art 5°, inciso II, da Lei n° 10.637/02 e art 6°, inciso II, da Lei n° 10.833/03. A autoridade julgadora, por sua vez, manteve o lançamento fiscal com base nos mesmos fundamentos: Com efeito, podemos salientar que não foi reconhecido na referida consulta o direito incondicional do contribuinte à não incidência do PIS e da Cofins, mas sim, evidenciadas as premissas para o reconhecimento dessa situação, já que a atuação do agente e/ou representante não descaracteriza tal operação, no entanto, para que o pagamento recebido pela prestação de seus serviços represente ingresso de divisas, tornase necessária o cumprimento de outras condições como as citadas acima, ou seja: que a contribuinte seja signatária de contrato de direito privado com pessoa física ou jurídica domiciliada no exterior; que totalize, em separado, tais operações de prestação de serviços nos livros fiscais, para conferência com o(s) contrato(s) de câmbio fechado(s) pelo agente/representante do contratante no exterior. Do que se extrai dos fatos narrados anteriormente é que, tanto para fiscalização quanto para autoridade julgadora, o contrato de câmbio seria o único documento hábil à comprovar a origem dos valores registros na contabilidade da Recorrente, desconsiderando, assim, todos os documentos juntados pelo contribuinte. Por outra lado, a Recorrente entende que os documentos carreados autos se prestam a comprovar a origem dos registros contábeis relacionadas as operações sob análise. Com razão à Recorrente. Isto porque, entendo que o documentos carreados autos, tais como notas fiscais, contratos com armadores estrangeiros e tabelas de preços praticados, se prestam a demonstrar a origem dos lançamentos contábeis realizados pela Recorrente, da efetiva prestação de serviços (fato incontroverso) e, consequentemente do ingresso de divisa. O fato da Recorrente não ter apresentado cópia dos contratos de câmbio diga se, documentos que não pertencem è ela, logo não poderia haver exigência nesse sentido , não pode servir único fundamento/justificativa para fiscalização afastar o direito do contribuinte e, desconsiderar os demais documentos hábeis à comprovar a origem dos registros contábeis. Com efeito, restou comprovado nos autos que a Recorrente firmou contratos com diversos transportadores estrangeiros (fls.1.0071.615) para prestar serviços de embarque, descarga, movimentação e armazenagem de mercadorias em embarcações utilizadas para navegações de longo curso. Referidos transportadores estrangeiros nomeiam agentes marítimos para intermediar os negócios objeto dos contratos firmados entre as partes e, realizar os pagamentos à Recorrente pela prestação dos serviços anteriormente citados, na condição de mandatários dos transportadores estrangeiros. A Recorrente, por sua vez, emite nota fiscal de serviços Fl. 10711DF CARF MF Processo nº 17437.720221/201565 Resolução nº 3302000.772 S3C3T2 Fl. 10.712 12 (fls.1.6162.604) em nome dos transportadores estrangeiros, mas aos cuidados de seus agentes marítimos. Tais fatos operacionais estão totalmente de acordo com o artigo 4º, da Instrução Normativa 800/2007 que, obriga aos transportes estrangeiros utilizarem agentes marítimos, senão vejamos: Art. 4o A empresa de navegação é representada no País por agência de navegação, também denominada agência marítima. § 1o Entendese por agência de navegação a pessoa jurídica nacional que represente a empresa de navegação em um ou mais portos no País. § 2o A representação é obrigatória para o transportador estrangeiro. § 3o Um transportador poderá ser representado por mais de uma agência de navegação, a qual poderá representar mais de um transportador. Nestes termos, o argumento utilizado pela RFB no sentido de que a Recorrente não teria comprovado o ingresso de divisa no país por meio de contratos câmbio, deve ser totalmente rechaçado, posto que os documentos colacionados aos autos comprovam que as receitas registradas em sua contabilidade decorrem de operações de prestação de serviços à pessoas jurídicas domiciliadas no exterior. Portanto, entendo que não deve haver a incidência das contribuições ao PIS e COFINS, porque (i) os documentos carreados autos confirmam a efetiva prestação de serviços à pessoas jurídicas domiciliadas no exterior e, consequentente o ingresso de divisa; e (ii) o fato de haver um terceiro mandatário intermediando o pagamento não desconfigura o ingresso de divisas necessário para que tal pagamento chegue ao prestador brasileiro. Reforça o direito da Recorrente, a Solução de Consulta nº 58, de 07/04/2006, da 10ª SRRF, contida no processo administrativo 11050.003099/200545, de solicitação da própria contribuinte, no sentido de que o pagamento por Agente Marítimo em nome de Transportador Estrangeiro denota ingresso de divisas, conforme se verifica na ementa abaixo: “ Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins Ementa: PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. EXPORTAÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA. A Cofins não incide sobre as receitas decorrentes das operações de prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas. A intermediação de agente ou representante, no Brasil, de empresa estrangeira tomadora de serviços portuários, por si só, não é suficiente para descaracterizar a situação. Dispositivos legais: Lei nº 10.833, de 2003, art.6º, II com redação dada pela Lei 10.865, de 2004; Circular Bacen nº 3.280, de 2005. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ementa: PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. EXPORTAÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA. A contribuição para o PIS/Pasep não incide sobre as receitas decorrentes das operações de prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas. A intermediação de agente ou representante, no Brasil, de empresa estrangeira tomadora de serviços portuários, por si só, não é suficiente para descaracterizar a situação. Dispositivos legais: Lei nº 10.637, Fl. 10712DF CARF MF Processo nº 17437.720221/201565 Resolução nº 3302000.772 S3C3T2 Fl. 10.713 13 de 2002, art.5º, II com redação dada pela Lei 10.865, de 2004; Circular Bacen nº 3.280, de 2005.” Por fim, deixo de considerar como prova os documentos juntados pela Recorrente em seu recurso voluntário, posto que em total desrespeito ao §4º, do artigo 16, do Decreto nº 70.235/72. IV. Conclusão Diante do exposto, afasto as preliminares de nulidade e, no mérito, dou provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Walker Araujo Voto Vencedor Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida – Redator designado Com as vênias de praxe, dissinto do posicionamento do eminente Relator no sentido de entender que os documentos carreados aos autos, tais como notas fiscais, contratos com armadores estrangeiros e tabelas de preços praticados, sejam suficientes à demonstrar a origem dos lançamentos contábeis da efetiva prestação de serviços e do ingresso de divisas. Mesmo entendendo necessário o contrato de câmbio como prova do ingresso de divisas, por outro lado, como bem ressaltado, o fato da Recorrente não ter apresentado cópias desses contratos, documentos que não pertencem diretamente à ela, também não é motivo suficiente para decidir o feito contrário às suas pretensões. No sentido do contrato de câmbio como prova do ingresso de divisas, precedente, de cujo julgamento participei, no Acórdão nº 3403003.508, de 28/01/2015, da relatoria do Conselheiro Antonio Carlos Atulim: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2005, 2006, 2007 PIS. COFINS. BASE DE CÁLCULO. ISENÇÃO. SERVIÇOS PRESTADOS A PESSOAS JURÍDICAS DOMICILIADAS NO EXTERIOR. As receitas decorrentes de serviços prestados a pessoas jurídicas domiciliadas no exterior só podem ser excluídas das bases de cálculo das contribuições ao PIS e COFINS quando restar comprovado o ingresso de divisas por meio da apresentação dos contratos de câmbio, requisito que a teor do art. 26A do Decreto nº 70.235/72, não pode ser afastado pelo CARF por estar previsto no art. 45 do Decreto nº 4.524/2002. Fl. 10713DF CARF MF Processo nº 17437.720221/201565 Resolução nº 3302000.772 S3C3T2 Fl. 10.714 14 Assim, diante da dúvida estabelecida quanto ao ingresso de divisas, considerando que tal exigência é requisito estabelecido em decreto (inciso III, do artigo 45, do Decreto nº 4.524/02), cuja aplicação não pode ser afastada por este Colegiado, uma vez que o art. 26A, do Decreto nº 70.235/72 e o art. 62, do Regimento Interno do CARF, vedam negar vigência a dispositivo legal de hierarquia igual ou superior a decreto, entendo deva ser convertido o julgamento em diligência para suprir deficiências relevantes na presente instrução processual. Com essas considerações, proponho a conversão do presente julgamento em diligência para que sejam trazidos aos autos os indigitados contratos de câmbios, seja por meio de intimação direta ao interessado, seja por meio de circularização e intimação aos terceiros envolvidos. Concluído os trabalhos da diligência, deverá ser elaborado Relatório conclusivo, do qual o sujeito passivo deverá ser cientificado, sendo concedido prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, nos termos do parágrafo único, do art. 35, do Decreto nº 7.574/11. Após os autos deverão retornar ao CARF para julgamento. (assinado digitalmente) Fenelon Moscoso de Almeida Fl. 10714DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.912289/2012-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2006
RESTITUIÇÃO. REQUISITO.
O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN).
Numero da decisão: 3201-003.817
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1735; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.912289/201211 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3201003.817 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 20 de junho de 2018 Matéria RESTITUIÇÃO Recorrente METROBENS AUTOMÓVEIS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 RESTITUIÇÃO. REQUISITO. O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN). Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório METROBENS AUTOMÓVEIS LTDA. apresentou pedido eletrônico de restituição de crédito da contribuição (Cofins/PIS), pedido esse que restou indeferido pela repartição de origem em razão do fato de que o pagamento informado pelo pleiteante já havia sido utilizado para quitação de outros débitos de sua titularidade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 91 22 89 /2 01 2- 11 Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10980.912289/201211 Acórdão n.º 3201003.817 S3C2T1 Fl. 3 2 Cientificado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu a reavaliação do despacho decisório, alegando, aqui apresentado de forma sucinta, o seguinte: a) o direito creditório pleiteado se refere a pagamento a maior da contribuição (PIS/Cofins) decorrente da inclusão indevida do ICMS em sua base de cálculo; b) a contribuição (PIS/Cofins) incide sobre o faturamento mensal que corresponde à receita bruta da venda de mercadorias e/ou serviços; c) a Lei nº 9.718/1998 extrapolou a previsão constitucional, instituindo as contribuições sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente do tipo de atividade exercida e/ou da classificação contábil adotada, enquanto que o art. 195, I, "b", da Constituição Federal previa a instituição de contribuições sociais somente sobre o faturamento, o que não abrange o valor pago a título de ICMS, visto que tal valor constitui ônus fiscal e não faturamento. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, por meio do acórdão nº 02 065.662, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, diante da não comprovação do crédito pleiteado. Irresignado, o contribuinte interpôs, no prazo legal, Recurso Voluntário, repisando os mesmos argumentos de defesa, destacando a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição (PIS/Cofins), conforme decisão do Plenário do Supremo Tribunal Federal proferida no dia 8 de outubro de 2014, nos autos do Recurso Extraordinário (RE) nº 240.7852/MG, que também reconheceu a repercussão geral da matéria no julgamento do RE nº 574.706. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.778, de 20/06/2018, proferido no julgamento do processo 10980.912250/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.778): O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A Recorrente apresentou PER/DCOMP por meio do qual requereu a restituição da Cofins apurada em novembro de 2006. Indeferido o pleito ao argumento de que o crédito vindicado estava integralmente utilizado para quitação de débitos do próprio contribuinte, Fl. 54DF CARF MF Processo nº 10980.912289/201211 Acórdão n.º 3201003.817 S3C2T1 Fl. 4 3 a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, por meio da qual alegou, com fundamento em decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal STF, que o direito à restituição decorre do fato do pagamento a maior do PIS/Cofins, em face da inclusão, nas suas respectivas bases de cálculos, do ICMS estadual, argumento repetido no recurso voluntário, ora apreciado. A Recorrente, contudo, não se atentou para o fato – devidamente explicitado no acórdão recorrido – de que a razão para o indeferimento do pedido repousou na utilização integral do crédito para pagamento de débito da mesma contribuição. Noutras palavras, a Recorrente sequer apresentou, antes ou após a ciência do Despacho Decisório (na verdade, nada falou a respeito em suas defesas), DCTF retificadora para permitir a liberação do valor requerido, se fosse o caso, e a sua restituição em pecúnia ou a sua compensação com outros tributos. Ainda que eventualmente seja procedente o argumento que embasa o pedido (isso não significa que concordemos com a tese), a Administração Tributária não podia e não pode restituir valor já alocado para quitação de um tributo. Quem deve fazêlo é o próprio contribuinte, de ordinário antes de apresentar o pedido eletrônico de restituição. É como, aliás, entende a própria RFB, como indica o Parecer Normativo Cosit nº 2, de 28 de agosto de 2015: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido Fl. 55DF CARF MF Processo nº 10980.912289/201211 Acórdão n.º 3201003.817 S3C2T1 Fl. 5 4 objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Dispositivos Legais. arts. 147, 150, 165 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); arts. 348 e 353 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil (CPC); art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984; art. 18 da MP nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001; arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010; Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012; Parecer Normativo RFB nº 8, de 3 de setembro de 2014. eprocesso 11170.720001/201442 Portanto, para que haja a possibilidade de restituição, o crédito respectivo deve estar liberado, mediante a entrega de DCTF retificadora, exceto quanto às hipóteses de impedimento à sua apresentação, não verificadas, aliás, no caso ora em exame, como, por exemplo, quando o saldo a pagar já tenha sido enviado à Procuradoria da Fazenda Nacional PFN para inscrição em Dívida Ativa. Não cabe, ademais, à RFB fazer a retificação de ofício. Como consignado nos fundamentos do referido PN, "enquanto não retificada a DCTF, o débito ali espontaneamente confessado é devido, logo, valor utilizado para quitálo não se constitui formalmente em indébito, sem que a recorrente promova a prévia retificação da declaração. (Acórdão nº 1302001.571, Rel. Cons. Alberto Pinto Souza Júnior, 25 de novembro de 2014)". A situação aqui enfrentada é, como se percebe, diferente da que comumente se vê no Contencioso Administrativo, em que o interessado costuma apresentar DCTF retificadora, mas não apresenta, na manifestação de inconformidade, documentos contábeis/fiscais Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10980.912289/201211 Acórdão n.º 3201003.817 S3C2T1 Fl. 6 5 comprovando o erro cometido na original, ou os apresenta neste recurso, mas o só fato de a DCTF retificadora ter sido apresentada após a ciência do Despacho Decisório leva a DRJ a manter, por esse só motivo, o indeferimento do pedido de restituição. Não tendo sido apresentada DCTF retificadora, o crédito reclamado continua vinculado ao pagamento confessado na DCTF enviada à RFB, de modo que, nesse contexto, não há como restituílo. Contudo, não foi este o entendimento dos demais integrantes da Turma, que, muito embora também negando provimento ao recurso, fizeramno ao argumento de que não haveria provas do direito reclamado pela Recorrente (apenas apresentou planilha discriminando os valores pleiteados, mas nenhum documento fiscal ou contábil). Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Contribuição para o PIS. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 57DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.100167/2009-88
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008
CESSÃO ONEROSA DE CRÉDITO DE ICMS A TERCEIRO. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. NÃO INCIDÊNCIA
Nos termos do art. 62, §2º do Anexo II do RICARF/2015, em obediência à decisão plenária do STF, no julgamento do RE 606.107, não há que se falar em incidência de PIS e Cofins sobre os valores recebidos a título de cessão onerosa a terceiros de créditos de ICMS provenientes de exportação.
Numero da decisão: 9303-006.921
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luis Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
1.0 = *:*
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camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 CESSÃO ONEROSA DE CRÉDITO DE ICMS A TERCEIRO. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. NÃO INCIDÊNCIA Nos termos do art. 62, §2º do Anexo II do RICARF/2015, em obediência à decisão plenária do STF, no julgamento do RE 606.107, não há que se falar em incidência de PIS e Cofins sobre os valores recebidos a título de cessão onerosa a terceiros de créditos de ICMS provenientes de exportação.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luis Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1482; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11065.100167/200988 Recurso nº 1 Especial do Procurador Acórdão nº 9303006.921 – 3ª Turma Sessão de 13 de junho de 2018 Matéria PIS/COFINS.INCIDÊNCIA. CESSÃO ONEROSA DE CRÉDITOS DO ICMS. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado PACIFIC SHOES INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE CALÇADOS LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 CESSÃO ONEROSA DE CRÉDITO DE ICMS A TERCEIRO. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. NÃO INCIDÊNCIA Nos termos do art. 62, §2º do Anexo II do RICARF/2015, em obediência à decisão plenária do STF, no julgamento do RE 606.107, não há que se falar em incidência de PIS e Cofins sobre os valores recebidos a título de cessão onerosa a terceiros de créditos de ICMS provenientes de exportação. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luis Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 10 01 67 /2 00 9- 88 Fl. 213DF CARF MF Processo nº 11065.100167/200988 Acórdão n.º 9303006.921 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 380300.780, que, na parte de interesse, decidiu que os valores oriundos da cessão onerosa de créditos do ICMS não compõe a base de cálculo das contribuições. A Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial requerendo a reforma da decisão a quo. Argumenta, em síntese, que os valores recebidos pela transferência de créditos do ICMS a terceiros constituem receita da empresa, tributável pelas contribuições. Mediante despacho de admissibilidade do Presidente da Câmara competente da Terceira Seção do CARF foi dado seguimento ao recurso especial interposto pela Fazenda. Na sequência, o contribuinte apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303006.890, de 13/06/2018, proferido no julgamento do processo 11080.101559/200542, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303006.890): "Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, entendo que devo conhecêlo, em respeito ao art. 67 do RICARF/2015, vez que comprovada a divergência. Quanto ao cerne da lide, especificamente à discussão acerca da incidência de PIS sobre as receitas decorrentes da cessão onerosa de créditos de ICMS, vêse que deve ser reconhecida a ilegitimidade da inclusão na base de cálculo do PIS das r. receitas referentes à transferência de créditos de ICMS a terceiros. Ora, já houve decisão proferida no Recurso Extraordinário n° 606.107/RS que restou assim ementado: “IMUNIDADE. HERMENÊUTICA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. TELEOLOGIA DA NORMA. EMPRESA EXPORTADORA. CRÉDITOS DE ICMS TRANSFERIDOS A TERCEIROS. Fl. 214DF CARF MF Processo nº 11065.100167/200988 Acórdão n.º 9303006.921 CSRFT3 Fl. 4 3 I Esta Suprema Corte, nas inúmeras oportunidades em que debatida a questão da hermenêutica constitucional aplicada ao tema das imunidades, adotou a interpretação teleológica do instituto, a emprestar lhe abrangência maior, com escopo de assegurar à norma supralegal máxima efetividade. II A interpretação dos conceitos utilizados pela Carta da República para outorgar competências impositivas (entre os quais se insere o conceito de “receita” constante do seu art. 195, I, “b”) não está sujeita, por óbvio, à prévia edição de lei. Tampouco está condicionada à lei a exegese dos dispositivos que estabelecem imunidades tributárias, como aqueles que fundamentaram o acórdão de origem (arts. 149, § 2º, I, e 155, § 2º, X, “a”, da CF). Em ambos os casos, tratase de interpretação da Lei Maior voltada a desvelar o alcance de regras tipicamente constitucionais, com absoluta independência da atuação do legislador tributário. III A apropriação de créditos de ICMS na aquisição de mercadorias tem suporte na técnica da não cumulatividade, imposta para tal tributo pelo art. 155, § 2º, I, da Lei Maior, a fim de evitar que a sua incidência em cascata onere demasiadamente a atividade econômica e gere distorções concorrenciais. IV O art. 155, § 2º, X, “a”, da CF – cuja finalidade é o incentivo às exportações, desonerando as mercadorias nacionais do seu ônus econômico, de modo a permitir que as empresas brasileiras exportem produtos, e não tributos, imuniza as operações de exportação e assegura “a manutenção e o aproveitamento do montante do imposto cobrado nas operações e prestações anteriores”. Não incidem, pois, a COFINS e a contribuição ao PIS sobre os créditos de ICMS cedidos a terceiros, sob pena de frontal violação do preceito constitucional. V O conceito de receita, acolhido pelo art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, não se confunde com o conceito contábil. Entendimento, aliás, expresso nas Leis 10.637/02 (art. 1º) e Lei 10.833/03 (art. 1º), que determinam a incidência da contribuição ao PIS/PASEP e da COFINS não cumulativas sobre o total das receitas, “independentemente de sua denominação ou classificação contábil”. Ainda que a contabilidade elaborada para fins de informação ao mercado, gestão e planejamento das empresas possa ser tomada pela lei como ponto de partida para a determinação das bases de cálculo de diversos tributos, de modo algum subordina a tributação. A contabilidade constitui ferramenta utilizada também para fins tributários, mas moldada nesta seara pelos princípios e regras próprios do Direito Tributário. Sob o específico prisma constitucional, receita bruta pode ser definida como o ingresso financeiro que se integra no patrimônio na condição de elemento novo e positivo, sem reservas ou condições. VI O aproveitamento dos créditos de ICMS por ocasião da saída imune para o exterior não gera receita tributável. Cuidase de mera recuperação do ônus econômico advindo do ICMS, assegurada expressamente pelo art. 155, § 2º, X, “a”, da Constituição Federal. VII Adquirida a mercadoria, a empresa exportadora pode creditarse do ICMS anteriormente pago, mas somente poderá transferir a terceiros o saldo credor acumulado após a saída da mercadoria com destino ao Fl. 215DF CARF MF Processo nº 11065.100167/200988 Acórdão n.º 9303006.921 CSRFT3 Fl. 5 4 exterior (art. 25, § 1º, da LC 87/1996). Porquanto só se viabiliza a cessão do crédito em função da exportação, além de vocacionada a desonerar as empresas exportadoras do ônus econômico do ICMS, as verbas respectivas qualificamse como decorrentes da exportação para efeito da imunidade do art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal. VIII Assenta esta Suprema Corte a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS não cumulativas sobre os valores auferidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS. IX Ausência de afronta aos arts. 155, § 2º, X, 149, § 2º, I, 150, § 6º, e 195, caput e inciso I, “b”, da Constituição Federal. Recurso extraordinário conhecido e não provido, aplicandose aos recursos sobrestados, que versem sobre o tema decidido, o art. 543B, § 3º, do CPC. Constatase que a decisão proferida no RE 606.107/RS, em sede de repercussão geral, deve ser aplicada de acordo com o disposto no RICARF: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.” Em vista de todo o exposto, dou provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo." Importante ressalvar que, da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o acúmulo de créditos do ICMS também foi decorrente de exportações para o exterior. Todavia, neste processo a Recorrente foi a Fazenda, de sorte que a aplicação do decidido no paradigma quanto à matéria em foco implica a negativa de provimento ao especial fazendário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial da Fazenda Nacional foi conhecido e, no mérito, o colegiado negoulhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 216DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10855.003234/2001-09
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001
CRÉDITO FINANCEIRO. DIREITO RECONHECIDO. AÇÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. COMPENSAÇÃO. DESISTÊNCIA DA EXECUÇÃO DO TÍTULO JUDICIAL.
Comprovada a desistência da execução do título judicial, o processo deve retornar à origem para verificação da liquidez e certeza do crédito pleiteado.
Numero da decisão: 9303-006.590
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento. Vencido o Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas (Relator), que lhe negou provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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DIREITO RECONHECIDO. AÇÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. COMPENSAÇÃO. DESISTÊNCIA DA EXECUÇÃO DO TÍTULO JUDICIAL. Comprovada a desistência da execução do título judicial, o processo deve retornar à origem para verificação da liquidez e certeza do crédito pleiteado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento. Vencido o Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas (Relator), que lhe negou provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 00 32 34 /2 00 1- 09 Fl. 2426DF CARF MF Processo nº 10855.003234/200109 Acórdão n.º 9303006.590 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência (fls. 1.746 a 1.772), interposto pelo contribuinte, contra o Acórdão 20217.143, proferido pela Segunda Câmara do extinto Segundo Conselho de Contribuintes (fls. 1.723 a 1.727), sob a seguinte ementa: IPI. COMPENSAÇÃO. TÍTULO JUDICIAL. COMPROVAÇÃO DA DESISTÊNCIA. Na hipótese de titulo judicial, a restituição, o ressarcimento e a compensação somente poderão ser deferidos administrativamente se o requerente comprovar a homologação pelo Poder Judiciário da desistência do titulo judicial ou da renúncia a tal execução. Recurso negado. Antes, o contribuinte havia oposto Embargos de Declaração (fls. 1.733 a 1.738), que foram rejeitados (1.740 a 1.742). Ao Recurso Especial inicialmente não foi dado seguimento (fls. 1.816 e 1.817), por intempestividade, decisão contra a qual interpôs Agravo (fls. 1.824 a 1.833), por meio do qual não logrou êxito (fls. 1.840 e 1.841). Após “idas e vindas”, com trâmites em esferas judiciais (mas não por conta disto), foi dado seguimento ao Recurso, conforme Despacho de Admissibilidade às fls. 2.395 a 2.398. Na sua peça recursal, o contribuinte alega, em síntese, que havia desistido da ação judicial e nem sequer teria iniciado a sua execução, e, portanto, seu pleito deveria ter sido apreciado pela autoridade administrativa competente. A PGFN apresentou Contrarrazões (fls. 2.400 a 2.405), nas quais alega que “o contribuinte desistiu apenas da execução dos honorários, não tendo expressamente formulado pedido de desistência da execução do principal”. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator Preenchidas as formalidades previstas no RICARF, conheço do Recurso Especial. A discussão aqui, então, restringese a algo, aparentemente, muito simples: caracterização ou não da desistência à execução de título judicial antes da propositura de Pedido de Compensação na esfera administrativa. Fl. 2427DF CARF MF Processo nº 10855.003234/200109 Acórdão n.º 9303006.590 CSRFT3 Fl. 4 3 Mas, ainda assim, há alguns detalhes a serem analisados: A interessada efetivamente desistiu da execução do título judicial, a ponto de isto ser considerado para a análise das compensações, na esfera administrativa?? Isto era exigido, na forma em que teria sido feito, pela legislação vigente à época do pedido (IN/SRF nº 21/97), ou só o passou a ser a partir da edição da IN/SRF nº 460/2004?? Para dirimir estas dúvidas, necessário se faz adentrar, ao menos em parte, no histórico dos trâmites judicial e administrativo: 1) Em 27/09/2001 (fl. 3), a interessada ingressou com Pedido de Compensação (vinculado a ressarcimento de créditos do IPI já reconhecido, e, inclusive, pago, mas sem correção monetária, como será visto adiante), com a seguinte motivação (fl. 14): “Para fins de compensação de impostos e contribuições federais com crédito decorrente da ação judicial n° 95.09013161, transitada em julgado em 09 de fevereiro de 2001, junto à lº Vara Federal da Seção Judiciária de Sorocaba/SP, esclarecemos o que segue: a) As empresas: Svedala Faço Ltda., CNPJ 16.622.284/000198 e Svedala Dynapac Ltda., CNPJ 60.869.062/000166, conseguiram através do processo supra citado o direito a correção monetária nos créditos decorrentes de ressarcimento de IPI no período de out/89 à nov/94, que atualizado até setembro de 2001 totaliza R$ 3.057.781,43. (...)” 2) Para procurar viabilizar o Pedido de Compensação, a interessada entrou com uma petição, no Judiciário, nos seguintes termos: “SVEDALA FAÇO LTDA. e SVEDALA DYNAPAC LTDA., por seus advogados que esta subscrevem, nos autos do processo em epígrafe, vêm, respeitosamente, à presença de V.Exa., desistir da execução da decisão transitada em julgado nos presentes autos, inclusive no tocante às verbas de sucumbência devidas pela União Federal, com a finalidade de que possam formular pedido de compensação dos valores relativos ao indébito tributário perante a Secretaria da Receita Federal, conforme disposto no artigo 17 da Instrução Normativa n° 21/97, requerendo, desde já, a homologação do presente pedido de desistência para que produza os regulares fins de direito”. 3) O Juiz, para decidir, ainda pede (fl. 461) que as partes “Esclareçam expressamente as partes autoras se estão renunciando ao crédito relativo aos honorários advocatícios, requeridos na petição de fls. 783/833, e se pretendem a extinção da execução, nos termos do artigo 94, III, do CPC”. 4) Em resposta, as autoras dizem o seguinte: Fl. 2428DF CARF MF Processo nº 10855.003234/200109 Acórdão n.º 9303006.590 CSRFT3 Fl. 5 4 “As Autoras através do petitório de fls. 925, desistiram da execução da decisão transitada em julgado nos presentes autos, inclusive no tocante aos honorários advocatícios devidos pela União Federal nos presentes autos, visto que pretendem formular pedido de compensação da quantia relativa ao indébito tributário perante a Secretaria da Receita Federal, na forma da Instrução Normativa n° 21/97. Ocorre que, nos termos do art. 17 da referida Instrução Normativa, para a formulação de tal pedido de compensação perante a Secretaria da Receita Federal, mostrase necessário que as Autoras comprovem “a desistência, perante o Poder Judiciário, da execução do título judicial e assumir todas as custas do processo, inclusive os honorários advocatícios” (§ 1º). Diante disso, as Autoras esclarecem que desistem da execução da decisão transitada em julgado nos presentes autos e renunciam somente ao direito ao crédito relativo às custas judiciais despendidas e aos honorários advocatícios devidos pela União Federal, uma vez que estarão pleiteando a compensação do crédito relativo ao indébito tributário perante a Secretaria da Receita Federal, nos termos da Instrução Normativa n° 21/97.” 5) A Sentença (fl. 472) foi proferida da seguinte forma: “Tendo em vista a renúncia das autoras quanto aos honorários devidos pela União e as custas por elas despendidas nesta ação (fls. 933/934), EXTINGO por sentença, somente com relação a tais créditos, a presente execução, com fulcro no artigo 794, inciso III, do Código de Processo Civil. Transitada em julgado, arquivemse, independentemente de novo despacho.” 6) Foram nestas premissas fáticas que se baseou a autoridade competente para decidir sobre a compensação, no Despacho Decisório DRF/SOROCABA/SAORT/Nº 288/05 (fls. 1.167 a 1.173), sendo que no Relatório é dito que “Analisandose as peças da ação judicial trazidas aos autos pelo contribuinte, verificase que o mesmo renunciou à execução dos honorários advocatícios e custas judiciais, mas recusouse expressamente a renunciar ao direito de execução do titulo judicial quanto ao valor principal do crédito”. 7) No voto condutor do acórdão recorrido (fls. 1.726), diz o ilustre Relator o seguinte: “Versa o recurso sobre dois aspectos: a suposta falta de desistência da execução do principal na ação judicial e a existência/quantum dos valores ressarcidos do IPI sobre os quais será calculada a correção monetária devida ao interessado por força da decisão judicial. Quanto ao primeiro aspecto, verifico que a Decisão ... ao afirmar que: (...) (já vimos isto, no Item 5) Fl. 2429DF CARF MF Processo nº 10855.003234/200109 Acórdão n.º 9303006.590 CSRFT3 Fl. 6 5 A Certidão de fl. 1.088 também é clara ao afirmar a mesma coisa. Assim, resta pendente a desistência de execução do principal, requisito sine qua non para o deferimento da compensação pleiteada. Entendo que poderia a interessada, no decorrer da instrução do presente processo, tomar duas providências: requerer, por certidão, a declaração da desistência da execução do principal, caso já a tivesse feito, ou, ao contrário, poderia requerer a referida desistência e solicitar a homologação judicial da mesma. Em qualquer caso, terseia conseguido elidir, a contento, a decisão que lhe é desfavorável. Inclusive, a interessada requereu o desarquivamento do feito em maio de 2005, retirando os autos do cartório e devolvendoos, sem no entanto efetuar nenhuma das hipóteses acima elencadas. Assim, entendo que, de fato, não foi requerida a desistência que obsta o deferimento de seu pedido, razão pela qual não vejo como modificar a decisão recorrida, pois, agindo de forma diversa, estarseia agindo de forma contrária ao que preceituavam tanto a IN/SRF nº 21/97 como a IN SRF nº 460/2004. Quanto ao segundo argumento, entendo que, a uma, não estão sendo discutidos os mesmos aqui, pois, inclusive, não é este o objeto do pedido administrativo; ...” Visto isto, vou agora às razões de decidir. Quanto ao Pedido de Ressarcimento, como já dito, foi totalmente deferido e pago, mas sem correção monetária, como reconhecido pelo próprio contribuinte em sua Petição Inicial (fl. 112), ao dizer que “Desta feita, valemse as Autoras da presente ação para que seja reconhecido o direito à correção monetária dos referidos créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, CRÉDITOS ESSES INCONTROVERSOS E RECONHECIDOS COMO SENDO LEGÍTIMOS PELA PRÓPRIA RÉ, que lhes foram ressarcidos (conforme recibos de pagamento anexos), porém pelos seus valores históricos”. A lide restringese então ao pleiteado jucialmente (correção monetária), em relação ao que, ao meu ver, não há o que se discutir no que tange aos fatos. A interessada não desistiu da execução do principal, dizendo que o pleitearia na via administrativa. Resta, então, somente ver se, por conta disto, a autoridade competente poderia ou não indeferir o pleito, à vista da legislação que rege as compensações. É cediço que o que vale é a legislação vigente à época do pedido, que era a IN/SRF nº 21/97. Vejamos o que ela prescrevia, no que interessa à discussão (não em sua redação original, mas aquela dada pela IN/SRF nº 73/97): Art. 17. Para efeito de restituição, ressarcimento ou compensação de crédito decorrente de sentença judicial transitada em julgado, o contribuinte deverá anexar ao pedido Fl. 2430DF CARF MF Processo nº 10855.003234/200109 Acórdão n.º 9303006.590 CSRFT3 Fl. 7 6 de restituição ou de ressarcimento uma cópia do inteiro teor do processo judicial a que se referir o crédito e da respectiva sentença, determinando a restituição, o ressarcimento ou a compensação. § 1° No caso de título judicial em fase de execução, a restituição, o ressarcimento ou a compensação somente poderão ser efetuados se o contribuinte comprovar junto à unidade da SRF a desistência, perante o Poder Judiciário, da execução do título judicial e assumir todas as custas do processo, inclusive os honorários advocatícios. Agora, o que prescrevia a IN/SRF nº 460/2004: Art. 50. São vedados o ressarcimento, a restituição e a compensação do crédito do sujeito passivo para com a Fazenda Nacional, objeto de discussão judicial, antes do trânsito em julgado da decisão que reconhecer o direito creditório. (...) § 2º Na hipótese de título judicial, a restituição, o ressarcimento e a compensação somente poderão ser efetuados se o requerente comprovar a homologação pelo Poder Judiciário da desistência da execução do título judicial ou da renúncia a sua execução, bem como a assunção de todas as custas do processo de execução, inclusive os honorários advocatícios. Então, a diferença entre as duas é clara: a primeira somente exige a comprovação da desistência da execução do título judicial; a segunda, a comprovação da homologação pelo Poder Judiciário desta desistência. O Poder Judiciário homologou a desistência em relação ao principal?? Não. Como esta exigência só figura na IN/SRF nº 460/2004, isto não se aplicaria a um pedido protocolado anteriormente à sua vigência. A questão que resta a discutir é a seguinte: o contribuinte seguiu os ditames da IN/SRF nº 21/97?? Para mim, está claro que não. Conforme já disto, em sua primeira petição, dá a autora a entender que tinha desistido de tudo, mas, instada pelo Juiz a prestar esclarecimentos, ela agora fala que “Diante disso, as Autoras esclarecem que desistem da execução da decisão transitada em julgado nos presentes autos e renunciam somente ao direito ao crédito relativo às custas judiciais despendidas e aos honorários advocatícios devidos pela União Federal, uma vez que estarão pleiteando a compensação do crédito relativo ao indébito tributário perante a Secretaria da Receita Federal ...” (fl. 1.156) Assim, caracterizado está que o contribuinte não comprovou junto à unidade da SRF a desistência, perante o Poder Judiciário, da execução do título judicial (no que tange ao valor principal, que é o objeto da compensação), conforme exigido no § 1º do art. 17 da IN/SRF nº 21/97, com a redação da IN/SRF nº 73/97, estando correta, portanto a confirmação, pelo Acórdão recorrido, da negativa do pleito. Fl. 2431DF CARF MF Processo nº 10855.003234/200109 Acórdão n.º 9303006.590 CSRFT3 Fl. 8 7 Em termos simples, o contribuinte fez o seguinte: "se garantiu" acerca do principal na via judicial, e aí tentou a via administrativa. Se não lograsse êxito, partiria para a execução judicial. E a IN/SRF nº 21/97 é absolutamente clara a respeito: ele não poderia tentar a via administrativa sem antes desistir da via judicial. Se fossemos admitir como válido o seu procedimento, seria também admitir que é absolutamente inútil e sem sentido o exigido na norma (albergada pela lei, dentro dos ditames do art. 170 do CTN). À vista do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Especial interposto pelo contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Voto Vencedor Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. Redator designado Com todo respeito ao voto do ilustre Relator, discordo de suas conclusões quanto ao presente processo e me foi incubido de redigir o voto vencedor a esse respeito. Como pode se ver das decisões recorridas, desde a origem, o direito creditório foi indeferido ante à conclusão de que o contribuinte não havia renunciado à execução do título judicial. Da leitura do que consta nos elementos processuais estou convicto de que essa assertiva não corresponde à realidade dos fatos. Observe que no Despacho Decisório proferido pela DRF/Sorocaba, efls. 1167 e seg, a compensação foi indeferida com base no § 2º do art. 50 da IN SRF nº 460/2004, abaixo transcrito: § 2º Na hipótese de titulo judicial, a restituição, o ressarcimento e a compensação somente poderão ser efetuados se o requerente comprovar a homologação pelo Poder Judiciário da desistência da execução do titulo judicial ou da renúncia a sua execução, bem como a assunção de todas as custas do processo de execução, inclusive os honorários advocaticios. Aqui constato o primeiro equívoco do presente processo. O pedido de compensação do contribuinte foi apresentado em 27/09/2001, efl. 3, o qual foi efetuado com base na IN SRF nº 21/97, vigente à época do encontro de contas. Porém a autoridade administrativa aplicou exigências somente estabelecidas em período posterior ao pedido por meio da IN SRF nº 460/2004. Na IN SRF nº 21/97 não era exigido a homologação pelo Poder Judiciário da desistência da execução, vejamos como dispunha o art. 17 da IN SRF nº 21/97: Art. 17. Para efeito de restituição, ressarcimento ou compensação de crédito decorrente de sentença judicial transitada em julgado, o contribuinte deverá anexar ao pedido de restituição ou de ressarcimento uma cópia do inteiro teor do Fl. 2432DF CARF MF Processo nº 10855.003234/200109 Acórdão n.º 9303006.590 CSRFT3 Fl. 9 8 processo judicial a que se referir o crédito e da respectiva sentença, determinando a restituição, o ressarcimento ou a compensação. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 73, de 15 de setembro de 1997) Parágrafo único. Para efeito do disposto neste artigo, o contribuinte deverá anexar ao pedido de restituição ou ressarcimento uma cópia da sentença e do inteiro teor do processo judicial a que se referir o crédito. § 1° No caso de título judicial em fase de execução, a restituição, o ressarcimento ou a compensação somente poderão ser efetuados se o contribuinte comprovar junto à unidade da SRF a desistência, perante o Poder Judiciário, da execução do título judicial e assumir todas as custas do processo, inclusive os honorários advocatícios. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 73, de 15 de setembro de 1997) § 2° Não poderão ser objeto de pedido de restituição, ressarcimento ou compensação os créditos decorrentes de títulos judiciais já executados perante o Poder Judiciário, com ou sem emissão de precatório."; (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 73, de 15 de setembro de 1997) Mas veremos a seguir que o contribuinte tentou obter a referida homologação judicial de sua desistência da execução. Antes porém é imperioso informar que referido Despacho Decisório negou também o pedido pelo fato de o contribuinte, devidamente intimado, deixou de apresentar o valor a ele ressarcido em espécie para fins de cálculo da correção monetária autorizada no processo judicial. Ora, quem pagou o ressarcimento foi a própria RFB, a qual certamente deve ter o controle dos valores ressarcidos. Nesse caso aplicável o disposto no art. 37 da Lei nº 9.784/99: Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. O contribuinte apresentou sua manifestação de inconformidade em relação ao Despacho Decisório, porém a DRJ/Ribeirão Preto, efls. 1658 e segs., negou lhe provimento, mantendo o mesmo entendimento exarado pela autoridade de origem. O acórdão recorrido, efls. 1723 e segs, manteve o entendimento de que não foi comprovada a desistência da execução judicial. Mas como já afirmado no início deste voto, não considero esta assertiva verdadeira. A desistência da execução judicial está devidamente comprovada nos autos, conforme veremos a seguir. Às efls. 1150, consta desistência expressa do contribuinte relativa à execução da decisão judicial transitada em julgado, datada de 02/08/2001, nos seguintes termos de lá transportados: Fl. 2433DF CARF MF Processo nº 10855.003234/200109 Acórdão n.º 9303006.590 CSRFT3 Fl. 10 9 Penso que a redação está claríssima e houve, inclusive, o pedido de homologação da desistência. Em ato seguinte, em 03/08/2001, o Juiz despachou para que a parte autora esclarecesse expressamente o objeto da renúncia, efl. 1151: Fl. 2434DF CARF MF Processo nº 10855.003234/200109 Acórdão n.º 9303006.590 CSRFT3 Fl. 11 10 Vejam o conteúdo do esclarecimento em resposta ao pedido do juízo, efls. 1155/1156: Em seguida, o Juíz homologa a desistência em despacho exarado no dia 29/08/2001, nos seguintes termos, efl. 1142: Em que pese, os esclarecimentos do contribuinte terem sidos claros a respeito da desistência da ação judicial, o juíz entendeu errado e homologou somente a desistência dos Fl. 2435DF CARF MF Processo nº 10855.003234/200109 Acórdão n.º 9303006.590 CSRFT3 Fl. 12 11 honorários advocatícios. Porém, os fatos demonstram e comprovam que houve a desistência da ação judicial e opção irretratável pela via administrativa. Portanto, demonstrado que houve a efetiva desistência da execução judicial por parte do contribuinte, voto por DAR provimento ao recurso especial do contribuinte, com o retorno dos autos à Unidade de Origem para verificação do mérito da compensação, e da certeza e liquidez do crédito financeiro pleiteado/compensado. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 2436DF CARF MF
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Numero do processo: 12448.736731/2012-69
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009
IMUNIDADE. ISENÇÃO TRIBUTÁRIA. REQUISITOS. INOBSERVÂNCIA DO PROCEDIMENTO DE SUSPENSÃO DE IMUNIDADE E ISENÇÃO ANTES DA LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. CONTRIBUINÇÕES. NATUREZA MATERIAL DO VÍCIO.
Constatada a falta do Ato Declaratório Executivo de Suspensão da imunidade/isenção antes da lavratura do auto de infração, deve ser cancelada a exigência fiscal. Somente após o ato formal de suspensão da imunidade/isenção pela autoridade competente é que se abre ao auditor fiscal, que detém a prerrogativa de constituição do lançamento tributário, a possibilidade de lavrar o auto de infração. Tudo isso se aplica às contribuintes. Essa espécie de vício possui natureza material.
Numero da decisão: 9101-003.586
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial. No mérito, por maioria de votos, acordam em negar provimento ao recurso (i) quanto à imunidade do IRPJ, vencidos os conselheiros Rafael Vidal de Araújo, Viviane Vidal Wagner e Adriana Gomes Rêgo, que lhe deram provimento e por maioria de votos, acordam em negar-lhe provimento (ii) quanto às contribuições, vencida a conselheira Viviane Vidal Wagner, que lhe deu provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em reconhecer o vício como material. Votaram pelas conclusões os conselheiros Rafael Vidal de Araújo, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luís Flávio Neto e Adriana Gomes Rêgo. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Cristiane Silva Costa.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo Presidente
(assinado digitalmente)
Gerson Macedo Guerra - Redator Ad Hoc
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rafael Vidal de Araújo, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro André Mendes Moura.
Nome do relator: DANIELE SOUTO RODRIGUES AMADIO
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ISENÇÃO TRIBUTÁRIA. REQUISITOS. INOBSERVÂNCIA DO PROCEDIMENTO DE SUSPENSÃO DE IMUNIDADE E ISENÇÃO ANTES DA LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. CONTRIBUINÇÕES. NATUREZA MATERIAL DO VÍCIO. Constatada a falta do Ato Declaratório Executivo de Suspensão da imunidade/isenção antes da lavratura do auto de infração, deve ser cancelada a exigência fiscal. Somente após o ato formal de suspensão da imunidade/isenção pela autoridade competente é que se abre ao auditor fiscal, que detém a prerrogativa de constituição do lançamento tributário, a possibilidade de lavrar o auto de infração. Tudo isso se aplica às contribuintes. Essa espécie de vício possui natureza material. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial. No mérito, por maioria de votos, acordam em negar provimento ao recurso (i) quanto à imunidade do IRPJ, vencidos os conselheiros Rafael Vidal de Araújo, Viviane Vidal Wagner e Adriana Gomes Rêgo, que lhe deram provimento e por maioria de votos, acordam em negarlhe provimento (ii) quanto às contribuições, vencida a conselheira Viviane Vidal Wagner, que lhe deu provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em reconhecer o vício como material. Votaram pelas conclusões os conselheiros Rafael Vidal de Araújo, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luís Flávio Neto e Adriana Gomes Rêgo. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Cristiane Silva Costa. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo – Presidente AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 73 67 31 /2 01 2- 69 Fl. 2086DF CARF MF Processo nº 12448.736731/201269 Acórdão n.º 9101003.586 CSRFT1 Fl. 2.087 2 (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Redator Ad Hoc Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rafael Vidal de Araújo, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro André Mendes Moura. Relatório Considerando que fui designado relator ad hoc para o presente processo, tendo em vista o pedido de exoneração realizado pela relatora original, após a sessão de julgamento, reproduzo, adinate, relatório e voto por ela trazidos na data do julgamento. Tratamse de autos de infração (Efls. 746 ss.) lavrados para a exigência de IRPJ, CSLL, Contribuição ao PIS e COFINS, relativamente aos anos calendário 2007 a 2009, decorrente da acusação fiscal de que a entidade não gozaria de imunidade ou isenção, realizada a partir do arbitramento do lucro, como detalhado pelo Termo de Verificação Fiscal (Efls. 868 ss.), resumido pela decisão da DRJ: "Trata o processo dos autos de infração lavrados pela DRF/RJ1, referentes aos anoscalendário de 2007 a 2009, por meio dos quais são exigidos do interessado o imposto sobre a renda de pessoa jurídica IRPJ, no valor de R$ 34.860.468,80 (fls. 746/787 e termo de verificação às fls. 868/891), a contribuição social sobre o lucro líquido – CSLL, no valor de R$ 10.479.740,63 (fls. 788/816), a contribuição para o Pis, no valor de R$ 2.365.219,19 (fls. 817/827), e a contribuição para o financiamento da seguridade social – Cofins, no valor de R$ 10.916.396,50 (fls. 828/838), acrescidos da multa de 75% e dos encargos moratórios. 2 O interessado, nos termos dos arts. 2º e 3º do seu estatuto social (fls. 913/927), é um órgão da Ordem dos Advogados do Brasil OAB e é uma entidade sem fins lucrativos, com personalidade jurídica e patrimônio próprios. Na forma dos arts. 4º e 5º, tem por finalidade assistir os advogados e seus dependentes, com possibilidade de promover a seguridade complementar. Constituem fontes de receitas 27,5% das anuidades recebidas pelo Conselho Seccional, as contribuições obrigatórias, a participação nas custas judiciais, as rendas de seu patrimônio, as doações e legados, recebimentos por prestações de serviços, outras fontes eventuais e rendas de Fl. 2087DF CARF MF Processo nº 12448.736731/201269 Acórdão n.º 9101003.586 CSRFT1 Fl. 2.088 3 serviços ambulatoriais, odontológicos, farmácia, livraria, plano de saúde e demais convênios (art. 19). 3 No início dos trabalhos de fiscalização, em 3/1/2011, o interessado foi intimado para, dentre outros, apresentar os livros contábeis e balancetes (fls. 840/842). Diante do não atendimento, o interessado foi reintimado em 2/3/2011 (fl. 843), 27/4/2011 (fl. 844), 22/6/2011 (fl. 845), 19/8/2011 (fl. 846), 18/10/2011 (fl. 847), 12/12/2011 (fls. 848/849). Em 19/10/2012 ao interessado solicitouse uma declaração se possuía a documentação de caixa pertinente à contabilidade (fl. 866). 3.1 De forma objetiva, o interessado respondeu que os livros diários dos anos de 2007 a 2009 “foram elaborados com base em informações recuperadas de nossos sistemas contábeis, uma vez que a documentação de caixa que deu suporte aos lançamentos não foi localizada” (fl 909). Também informou que “não possuía comprovantes de reconhecimento como entidade de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal nem certificação de entidade de assistência social vigentes” (fl. 910). 3.2 O interessado apresentou registro policial de ocorrência de furto de caixas de documentos, contendo contas médicas do período de janeiro de 2003 a março de 2007, ocorrido em 17/9/2007 em seu arquivo (fl. 934/936). O inquérito policial concluiu que funcionário do interessado participou do furto, com a finalidade de sumir com a documentação para inviabilizar a auditoria que se encontrava em andamento, sobre desvio de recursos no interessado, na ordem de R$ 60 milhões (937/938). 4 Baseada em julgados do Supremo Tribunal Federal – STF (RE 233843/MG, RE 662816 AgR/BA e RE 405267 ED/MG), que não reconheceram a imunidade do interessado, bem como na Súmula 730 deste tribunal e no estatuto social do interessado, concluiu a fiscalização que o interessado não goza da imunidade tributária constitucional. Adicionalmente, o interessado também não possui a certificação de entidade beneficente de assistência social. 4.1 Quanto à isenção tributária, o interessado não foi reconhecido como de utilidade pública federal, estadual, do Distrito Federal ou municipal, conforme disposto no art. 55, inciso I, da Lei nº 8.212/1991, como também suas atividades não atendem o art. 12 da Lei 9.532/1997 e o art. 2º da Lei nº 12.101/2009. 5 Apesar de terem sido apresentados os livros contábeis, mas desacompanhados da respectiva documentação, impossibilitando a verificação das aplicações dos recursos, foram arbitrados os lucros dos anoscalendário de 2007 a 2009, com base nas receitas conhecidas, e lavrados os autos de infração de IRPJ e de CSLL (demonstrativos das receitas às fls. 890/891). O fundamento legal para tanto foi o art. 55, inciso V, da Lei nº 8.212/1991, c/c arts. 12, §2º, “c” e “d”, e 15, §3º, da Lei nº 9.532/1997, bem como art. 29, inciso VI, da Lei nº 12.101/2009. Também foram lavrados autos de infração do Pis e da Cofins, no regime cumulativo, por insuficiências nos recolhimentos." Fl. 2088DF CARF MF Processo nº 12448.736731/201269 Acórdão n.º 9101003.586 CSRFT1 Fl. 2.089 4 Insurgindose, a contribuinte apresentou impugnações administrativas (Efls. 1014 ss.), com suas razões resumidas pela decisão recorrida, a qual se aproveita: " mesmo apresentando todos os livros contábeis, balancetes e declarações, seus lucros foram arbitrados. Estes documentos seriam suficientes para verificar a regularidade da apuração e recolhimento dos tributos; se faz necessária a presença de vícios previstos no dispositivo para aplicação do arbitramento previsto no art. 148 do CTN; de acordo com o art. 150, inciso VI, alíneas “a”, e “c”, da Constituição Federal, poderia desfrutar da imunidade tributária; a entidade não possui fins lucrativos, não distribuindo qualquer parcela de seu patrimônio ou de suar rendas, aplicando seus recursos de forma integral na manutenção dos objetivos institucionais; entende que a multa aplicada tem natureza confiscatória, sendo isto vedado pelo art. 150, inciso IV, da Constituição Federal; afirma que a base de cálculo do PIS seria a folha de pagamento. Já a base de cálculo da Cofins seria o resultado da venda de mercadorias e serviços, sendo que esta não se aplicaria à recorrente;" Passo seguinte, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro I proferiu o acórdão n. 1256.368 (Efls. 1879 ss.), mantendo parcialmente o lançamento, com o afastamento da incidência da Contribuição ao PIS e da COFINS sobre receitas financeiras, retificação da base de cálculo dos tributos referentes ao mês de setembro de 2008 e, em decorrência, exclusão de montante do total do débito. Leiase a sua ementa: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008, 2009 IMUNIDADE TRIBUTÁRIA RECÍPROCA. A Caixa de Assistência dos Advogados não está amparada pelo art. 150, inciso VI, alínea “a”, da Constituição, por não se revestir da instrumentalidade estatal. Apesar de integrar a estrutura da Ordem dos Advogados do Brasil OAB, a imunidade não se estende, dada a dissociação entre as atividades de cada entidade. ENTIDADE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. Para a entidade de assistência social gozar de imunidade tributária, conforme estabelecido no art. 150, inciso VI, alínea “c”, da Constituição, precisa colocar seus serviços à disposição da população em geral. A Caixa de Assistência dos Advogados só promove seus benefícios aos seus associados e mediante contribuições regulares dos advogados. ISENÇÃO TRIBUTÁRIA. REQUISITOS. DOCUMENTAÇÃO DAS OPERAÇÕES. Fl. 2089DF CARF MF Processo nº 12448.736731/201269 Acórdão n.º 9101003.586 CSRFT1 Fl. 2.090 5 Uma das condições para benefício da isenção tributária é a guarda da documentação comprobatória das atividades da entidade, de forma que se comprove as origens dos recursos recebidos e suas aplicações. ARBITRAMENTO DO LUCRO. AUSÊNCIA DA DOCUMENTAÇÃO CONTÁBIL. A ausência da documentação contábil de entidade sem fins lucrativos impõe o arbitramento do lucro, nos termos do alínea “d”, do §2º, do art. 12, da Lei nº 9.532/1997. MULTA CONFISCATÓRIA. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. Falece competência aos órgãos da administração tributária para apreciar questões de naturezas constitucionais. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2007, 2008, 2009 LANÇAMENTO REFLEXO. Inexistindo fatos novos a serem apreciados, o decidido no lançamento matriz aplicase ao lançamento reflexo. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2007, 2008, 2009 PIS E COFINS. LUCRO ARBITRADO. REGIME GERAL. O contribuinte que teve seu lucro arbitrado contribui para o Pis e a Cofins no regime geral da cumulatividade, tendo como bases de cálculos o faturamento, assim definido pela legislação do imposto de renda. PIS E COFINS BASE DE CÁLCULO ALTERAÇÃO LEI Nº 9.718/98 INCONSTITUCIONALIDADE PARCIAL Declarada a inconstitucionalidade do § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/1998 pelo plenário do STF, em sede de controle difuso, e tendo sido, posteriormente, reconhecida por aquele Tribunal a repercussão geral da matéria em questão e reafirmada a jurisprudência adotada, deliberandose, inclusive, pela edição de súmula vinculante, deixase de aplicar o referido dispositivo, conforme autorizado pelos Decretos nos 2.346/1997 e 70.235/1972. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Acórdão Vistos, relatados e discutidos os autos do processo em epígrafe, acordam os membros desta Turma, por unanimidade de votos e nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado, dar provimento parcial à impugnação para que sejam exigidos o imposto sobre a renda de pessoa jurídica IRPJ, no valor de R$ contribuição social sobre o lucro líquido – CSLL, no valor de R$ 10.478.193,78, a contribuição para o Pis, no valor de R$ 2.303.890,11, e a contribuição para o financiamento da seguridade social – Cofins, no valor de R$ 10.633.338,85,acrescidos da multa de 75% e dos encargos moratórios." A contribuinte interpôs recurso voluntário (Efls. 1926 ss.), à semelhança de sua impugnação administrativa, sustentando (i) a insubsistência do lançamento diante da Fl. 2090DF CARF MF Processo nº 12448.736731/201269 Acórdão n.º 9101003.586 CSRFT1 Fl. 2.091 6 impossibilidade de arbitramento, uma vez que teria posto todos os seus registros contábeis à disposição do Fisco; (ii) sua imunidade tributário ao IRPJ, conforme o artigo 150, VI, a e c, da Constituição Federal e o preenchimento dos requsitos do artigo 14 do Código Tributário Nacional; (iii) imunidade à CSLL, Contribuição ao PIS e COFINS; (iv) isenção ao IRPJ e CSLL, nos termos do artigo 15 da Lei n. 9532/97; (v) não incidência da CSLL em razão de sua não lucratividade; (vi) insubsistência dos lançamentos de Contribuição ao PIS e COFINS, na medida em que, devido ao arbitramento, foram apurados de forma cumulativa, aplicandose as alíquotas de 3 e 0,65% sobre a receita bruta, enquanto deveriam submterse às regras dos artigos 13 e 14 da MP n. 2158/01; e (vii) desproporcionalidade da multa aplicada. Nesse sentido, formulou os seguintes pedidos: Do julgamento do recurso pela Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção de Julgamento resultou o acórdão n. 1102001.229 (Efls. 1981 ss.), em que, por unanimidade de votos, declarouse a nulidade dos autos de infração por inobservância do procedimento previsto no art. 32 da Lei n. 9.430/96, como refletido na ementa abaixo: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008, 2009 IMUNIDADE. ISENÇÃO TRIBUTÁRIA. REQUISITOS. INOBSERVÂNCIA DO PROCEDIMENTO DE SUSPENSÃO DE IMUNIDADE E ISENÇÃO ANTES DA LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Constatada a falta do Ato Declaratório Executivo de Suspensão da imunidade/isenção antes da lavratura do auto de infração, deve ser cancelada a exigência fiscal. Somente após o ato formal de suspensão da imunidade/isenção pela autoridade competente é que se abre ao auditor fiscal, que detém a prerrogativa de constituição do lançamento tributário, a possibilidade de lavrar o auto de infração." Em face da referida decisão, primeiramente, a Fazenda Nacional opôs embargos de declaração (Efls. 1994 ss.), alegando omissão quanto (i) à necessidade de Fl. 2091DF CARF MF Processo nº 12448.736731/201269 Acórdão n.º 9101003.586 CSRFT1 Fl. 2.092 7 realização do procedimento específico para a suspensão da imunidade previsto no art. 32 da Lei nº 9.430/96 abranger apenas o IRPJ ou também as demais contribuições lançadas no auto de infração (CSLL, Contribuição ao PIS e COFINS) e (ii) ao vício no que tange à ausência de observância do procedimento específico para a suspensão da imunidade possuir natureza formal ou material. Os embargos foram recepcionados por despacho de admissibilidade (E fls. 2008 ss.) e acolhidos parcialmente pelo acórdão n. 1202001.563 (Efls. 2013 ss.), sem efeitos infringentes, por se compreender ausente a primeira omissão alegada, saneando a segunda, como resta claro nos seguintes trechos: "Quanto ao alcance da nulidade, não resta dúvida, pois, que abarca todos os lançamentos a que se refere o processo, ou seja, o IRPJ e as contribuições, não havendo omissão uma vez, no corpo do voto, o relator se referir a todos os tributos e, ao final deste e no acórdão, constar a declaração de nulidade dos autos de infração no plural." "Relativamente a que tipo de vício macula os lançamentos, de fato, não há no acórdão essa indicação. Todavia, é perceptível, no corpo do voto, que o relator, e por consequência a Turma, consideraram ser a nulidade decorrente de vício material." Na sequência, interpôs recurso especial (Efls. 2021 ss.) sustentando divergência com relação às seguintes matérias, com os respectivos paradigmas:(i) desnecessidade de ato de suspensão de imunidade quando o contribuinte não preenche os prérequisitos exigidos pela legislação tributária para usufruir desse benefício (acórdão n. 1302001.415); (ii) desnecessidade de ato de suspensão de imunidade em relação às contribuições (acórdãos n. 20310.664 e 3102002.224); e (iii) natureza do suposto vício no lançamento correspondente à inobservância do procedimento de suspensão de imunidade previsto no art. 32 da Lei nº 9.430/96 (acórdãos n. 9101000.877 e 10516.412); O recurso foi integralmente recepcionado por despacho de admissibilidade (Efls. 2052 ss.), que se debruçou sobre todos os paradigmas apresentados, chegandose à seguinte conclusão: "Com relação à primeira matéria, (1) “(des)necessidade de ato de suspensão de imunidade quando o contribuinte não preenche os prérequisitos exigidos pela legislação tributária para usufruir desse benefício”, ocorre o alegado dissenso jurisprudencial, pois, em situações fáticas semelhantes e à luz das mesmas normas jurídicas, chegouse a conclusões distintas. Enquanto a decisão recorrida entendeu que, somente após o ato formal de suspensão da imunidade/isenção pela autoridade competente é que se abre ao auditorfiscal, que detém a prerrogativa de constituição do lançamento tributário, a Fl. 2092DF CARF MF Processo nº 12448.736731/201269 Acórdão n.º 9101003.586 CSRFT1 Fl. 2.093 8 possibilidade de lavrar o auto de infração, o acórdão paradigma apontado (Acórdão nº 1302001.415, de 2014) decidiu, de modo diametralmente oposto, que, restando claro que a Recorrente não atendeu aos requisitos estipulados pela legislação e, portanto, não é detentora do direito à imunidade, assim como entendeu a fiscalização em seu despacho de fls. 907/909, [...], não há que se falar em suspensão de imunidade no presente caso. Acrescentese que a exceção prevista na decisão recorrida — situação diferente seria, por exemplo, se uma fábrica de sapatos enviasse DIPJ na qual constasse isenção ou imunidade como forma de tributação sobre lucro. Nesse caso, frente à visível impossibilidade de a pessoa jurídica se enquadrar como imune ou isenta, entendo que não seria necessário o ADE — não alcança o acórdão paradigma apontado (Acórdão nº 1302 001.415, de 2014), uma vez que, nesse último caso, a conclusão da fiscalização de que o Colégio Sophos não tinha direito à imunidade se deu após detalhada análise, e não frente à visível impossibilidade de a pessoa jurídica se enquadrar como imune ou isenta. No que se refere à segunda matéria, (2) “(des)necessidade de ato de suspensão de imunidade em relação às contribuições”, também ocorre o alegado dissenso jurisprudencial, pois, em situações fáticas semelhantes e à luz das mesmas normas jurídicas, chegouse a conclusões distintas. Enquanto a decisão recorrida (e respectivo Acórdão em Embargos) entendeu que, quanto ao alcance da nulidade, [...] abarca todos os lançamentos a que se refere o processo, ou seja, o IRPJ e as contribuições, os acórdãos paradigmas apontados (Acórdãos nºs 20310.664, de 2006, e 3102002.224, de 2014) decidiram, de modo diametralmente oposto, que a submissão ao rito do art. 32 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, não atinge a Cofins, por envolver apenas a imunidade tributária relativa a impostos (primeiro acórdão paradigma), ou seja, que o rito processual estabelecido no art. 32 da Lei nº 9.430, de 1996, aplicase apenas à imunidade tributária relativa aos impostos (segundo acórdão paradigma). Por fim, no tocante à terceira matéria, (3) “natureza do suposto vício no lançamento (inobservância do procedimento de suspensão de imunidade previsto no art. 32 da Lei nº 9.430/96)”, também ocorre o alegado dissenso jurisprudencial, pois, em situações fáticas semelhantes e à luz das mesmas normas jurídicas, chegouse a conclusões distintas. Enquanto a decisão recorrida (e respectivo Acórdão em Embargos) entendeu ser a nulidade decorrente de vício material, os acórdãos paradigmas apontados (Acórdãos nºs 9101 000.877, de 2011, e 10516.412, de 2007) decidiram, de modo diametralmente oposto, que a ausência da observância do procedimento específico para a suspensão da imunidade acarreta vício formal ao lançamento tributário (primeiro acórdão paradigma) e que é nulo, por vício formal, o Fl. 2093DF CARF MF Processo nº 12448.736731/201269 Acórdão n.º 9101003.586 CSRFT1 Fl. 2.094 9 lançamento não precedido daquelas formalidades (segundo acórdão paradigma). Por tais razões, neste juízo de cognição sumária, concluise pela caracterização das divergências de interpretação suscitadas." Por fim, a contribuinte apresentou contrarrazões (Efls. 2065 ss.) defendendo a assertividade da aplicação do artigo 32 da Lei n. 9.430/96 quanto aos dois primeiros pontos do recurso fazendário e a natureza material do vício em questão. Passase, assim, à apreciação do recurso especial da Fazenda Nacional. Voto Conselheiro Gerson Macedo Guerra Redator Ad Hoc Lembrando que fui designado relator ad hoc para o presente processo, tendo em vista o pedido de exoneração realizado pela relatora original, após a sessão de julgamento, utilizome do relatório e voto por ela trazidos na data do julgamento, nos seguintes termos: CONHECIMENTO O conhecimento do Recurso Especial condicionase ao preenchimento de requisitos enumerados pelo artigo 67 do Regimento Interno deste Conselho, que exigem analiticamente a demonstração, no prazo regulamentar do recurso de 15 dias, de (1) existência de interpretação divergente dada à legislação tributária por diferentes câmaras, turma de câmaras, turma especial ou a própria CSRF; (2) legislação interpretada de forma divergente; (3) prequestionamento da matéria, com indicação precisa das peças processuais; (4) duas decisões divergentes por matéria, sendo considerados apenas os dois primeiros paradigmas no caso de apresentação de um número maior, descartandose os demais; (5) pontos específicos dos paradigmas que divirjam daqueles presentes no acórdão recorrido; além da (6) juntada de cópia do inteiro teor dos acórdãos indicados como paradigmas, da publicação em que tenha sido divulgado ou de publicação de até 2 ementas, impressas diretamente do sítio do CARF ou do Diário Oficial da União quando retirados da internet, podendo tais ementas, alternativamente, serem reproduzidas no corpo do recurso, desde que na sua integralidade. Observase que a norma ainda determina a imprestabilidade do acórdão utilizado como paradigma que, na data da admissibilidade do recurso especial, contrarie (1) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal (art. 103A da Constituição Federal); (2) decisão judicial transitada em julgado (arts. 543B e 543C do Código de Processo Civil; e (3) Súmula ou Resolução do Pleno do CARF. Fl. 2094DF CARF MF Processo nº 12448.736731/201269 Acórdão n.º 9101003.586 CSRFT1 Fl. 2.095 10 Analisandose o caso concreto, VOTASE POR CONHECER o recurso fazendário nos termos do despacho de admissibilidade, o qual trasncrito no relatótio acima. MÉRITO De acordo com a anásile de conhecimento procedida, devolveuse para análise deste colegiado as seguintes questões: (i) desnecessidade de ato de suspensão de imunidade quando o contribuinte não preenche os prérequisitos exigidos pela legislação tributária para usufruir desse benefício; (ii) desnecessidade de ato de suspensão de imunidade em relação às contribuições; e (iii) natureza do suposto vício no lançamento correspondente à inobservância do procedimento de suspensão de imunidade previsto no art. 32 da Lei nº 9.430/96, sobre as quais passo a me manifestar, objetivamente. Com relação à primeira matéria, considero que somente após o ato formal de suspensão da imunidade/isenção pela autoridade competente é que se abre ao auditorfiscal, que detém a prerrogativa de constituição do lançamento tributário, a possibilidade de lavrar o auto de infração, ainda que o contribuinte não tenha atendido aprioristicamente os requisitos estipulados pela legislação para o gozo do direito à imunidade, sobretudo quando não se está diante de um caso em que, prontamente, se perceba a impossiblidade de sujeição aos benefícios, como o exemplo dado pela decisão recorrida de uma empresa de sapatos que se delcarasse imune ou isenta em sua DIPJ. No caso julgado, particularmente, vê que a entidade poderia ser imune ou isenta, mas foi acusada de não cumprir os requisitos para tanto, daí a necessidade certa de se obervar os passos legais para a sua exclusão. Ainda que se possa considerar que a imunidade ou isenção são concessões logicamente anteriores às regras do art. 32 da Lei n. 9.430, não se pode negar qua também fazem parte do sistema e represenata formalidade escolhida pelo legisaldor para a exclusão do benefício. Assim, não cabe à fiscalização, por seu entendimento, negálo, especialmente diante de sua vinculação legal. Por essas razões, também entendo nula a constituição do crédito tributário em questão, diante do não atendimento ao rito do Ato Declatarório de Exclusão, razão pela qual mantenho o acórdão recorrido, adotandose as sua raões de decidir: "III. DA NULIDADE Inicialmente, é importante esclarecer que é indiferente para o enfrentamento da nulidade o fato de a Recorrente ser imune ou isenta, pois, nos termos do art. 32, da 9.430, §§1º a 4º e 10, sendo a entidade imune ou isenta, antes da lavratura do auto de infração, impõese a expedição de ato declaratório suspensivo do benefício, denominado de Ato Declaratório Executivo (ADE): Art. 32. A suspensão da imunidade tributária, em virtude de falta de observância de requisitos legais, deve ser procedida de conformidade com o disposto neste artigo. Fl. 2095DF CARF MF Processo nº 12448.736731/201269 Acórdão n.º 9101003.586 CSRFT1 Fl. 2.096 11 § 1º Constatado que entidade beneficiária de imunidade de tributos federais de que trata a alínea c do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal não está observando requisito ou condição previsto nos arts. 9º, § 1º, e 14, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, a fiscalização tributária expedirá notificação fiscal, na qual relatará os fatos que determinam a suspensão do benefício, indicando inclusive a data da ocorrência da infração. § 2º A entidade poderá, no prazo de trinta dias da ciência da notificação, apresentar as alegações e provas que entender necessárias. § 3º O Delegado ou Inspetor da Receita Federal decidirá sobre a procedência das alegações, expedindo o ato declaratório suspensivo do benefício, no caso de improcedência, dando, de sua decisão, ciência à entidade. § 4º Será igualmente expedido o ato suspensivo se decorrido o prazo previsto no § 2º sem qualquer manifestação da parte interessada. § 5º A suspensão da imunidade terá como termo inicial a data da prática da infração. (...) § 10. Os procedimentos estabelecidos neste artigo aplicamse, também, às hipóteses de suspensão de isenções condicionadas, quando a entidade beneficiária estiver descumprindo as condições ou requisitos impostos pela legislação de regência. A despeito disso, é importante relatar, também, que a Recorrente se declara isenta na DIPJ 2008/2007 (fl. 03) bem como na DCTF de fl. 58. Todavia, tanto na impugnação (fls. 1014, 1039, 1062 e 1085) quanto no recurso voluntário (fls. 1926/1962), o pedido principal está pautado no argumento de imunidade. Isso, contudo, reiterese, para análise da nulidade, não traz prejuízo. Outro enfrentamento prévio consiste em saber se o art. 32 está com a eficácia suspensa em razão da Medida Cautelar na ADIN 1.802/DF. Lendo o ementário do julgado do e. STF, vemos que não: EMENTA: I. Ação direta de inconstitucionalidade: Confederação Nacional de Saúde: qualificação reconhecida, uma vez adaptados os seus estatutos ao molde legal das confederações sindicais; pertinência temática concorrente no caso, uma vez que a categoria econômica representada pela autora abrange entidades de fins não lucrativos, pois sua característica não é a ausência de atividade econômica, mas o fato de não destinarem os seus resultados positivos à distribuição de lucros. II. Imunidade tributária (CF, art. 150, VI, c, e 146, II): "instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei": Fl. 2096DF CARF MF Processo nº 12448.736731/201269 Acórdão n.º 9101003.586 CSRFT1 Fl. 2.097 12 delimitação dos âmbitos da matéria reservada, no ponto, à intermediação da lei complementar e da lei ordinária: análise, a partir daí, dos preceitos impugnados (L. 9.532/97, arts. 12 a 14): cautelar parcialmente deferida. 1. Conforme precedente no STF (RE 93.770, Muñoz, RTJ 102/304) e na linha da melhor doutrina, o que a Constituição remete à lei ordinária, no tocante à imunidade tributária considerada, é a fixação de normas sobre a constituição e o funcionamento da entidade educacional ou assistencial imune; não, o que diga respeito aos lindes da imunidade, que, quando susceptíveis de disciplina infraconstitucional, ficou reservado à lei complementar. 2. À luz desse critério distintivo, parece ficarem incólumes à eiva da inconstitucionalidade formal argüida os arts. 12 e §§ 2º (salvo a alínea f) e 3º, assim como o parág. único do art. 13; ao contrário, é densa a plausibilidade da alegação de invalidez dos arts. 12, § 2º, f; 13, caput, e 14 e, finalmente, se afigura chapada a inconstitucionalidade não só formal mas também material do § 1º do art. 12, da lei questionada. 3. Reserva à decisão definitiva de controvérsias acerca do conceito da entidade de assistência social, para o fim da declaração da imunidade discutida como as relativas à exigência ou não da gratuidade dos serviços prestados ou à compreensão ou não das instituições beneficentes de clientelas restritas e das organizações de previdência privada: matérias que, embora não suscitadas pela requerente, dizem com a validade do art. 12, caput, da L. 9.532/97 e, por isso, devem ser consideradas na decisão definitiva, mas cuja delibação não é necessária à decisão cautelar da ação direta. Entendimento semelhante tiveram outros d. julgadores deste e. CARF, como podemos ver no Acórdão nº 1101001.005, proferido na sessão de 07/11/2013 (fl. 36): “Com efeito, é preciso dizer que o próprio Supremo Tribunal já se manifestou no sentido de que a ADI 1802 não envolvia o art. 32 da Lei nº 9.430/96, circunstância essa apreendida com muito propriedade pela r. decisão recorrida, que dirimiu com perfeição a questão processual em testilha (...)”Feitos tais esclarecimentos, enfrentemos a nulidade. Lendo a impugnação (fls. 1014, 1039, 1062 e 1085) e o recurso voluntário (fls. 1926/1962), não encontramos nenhum pedido de nulidade por ausência de aplicação do rito previsto no art. 32, da Lei nº 9.430. Todavia, sendo “nulidade” matéria de ordem pública, pode (deve) ser conhecida de ofício por esta r. Turma, como vem entendendo outros d. julgadores deste e. Tribunal: “Assunto: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL – ITR Exercício: 1995 LANÇAMENTO. NULIDADE. VÍCIOS FORMAL E MATERIAL. RECONHECIMENTO DE OFÍCIO. Reconhecese a nulidade formal do lançamento quando inexistente identificação da autoridade lançadora, nos termos da Súmula CARF nº 21, assim como a nulidade material decorrente da falta de descrição da infração, que ofende o direito à ampla defesa e ao contraditório pelo contribuinte. Fl. 2097DF CARF MF Processo nº 12448.736731/201269 Acórdão n.º 9101003.586 CSRFT1 Fl. 2.098 13 Recurso provido. Acórdão nº 2101002.428, proferido em sessão ocorrida em 20/03/2014”. Sendo assim, o procedimento padece de nulidade. Isso porque, o art. 32, transcrito acima, impõe que, quando a entidade se declarar imune ou isenta, a lavratura do auto de infração só pode ocorrer após a suspensão do benefício por meio do ADE. A tabela abaixo sistematiza o quanto previsto na citada lei: (...) Desse modo, como não foi respeitado o procedimento previsto em lei, deve ser declarada a nulidade dos autos de infração. Este e. Tribunal, em situação análoga, assim decidiu: “EMPRESA BENEFICIÁRIA DE ISENÇÃO. INOBSERVÂNCIA DO PROCEDIMENTO DE SUSPENSÃO DE ISENÇÃO ANTES DA LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Constatada a falta do Ato Declaratório Executivo de Suspensão da Isenção antes da lavratura do auto de infração deve ser cancelada a exigência fiscal. Somente após o ato formal de suspensão da imunidade pela autoridade competente é que se abre ao auditor fiscal, que detém a prerrogativa de constituição do lançamento tributário, a possibilidade de lavrar o auto de infração. Recurso Voluntário Provido. ACÓRDÃO 120200.444, sessão de 14.12.2010. Ademais, esta matéria já foi inclusive objeto de análise por esta Douta Turma, quando da análise do Processo nº 13808.000309/200226, da relatoria do Ilustre Conselheiro Francisco Linhares, no qual acordaram seus membros, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício da DRJ de Campinas – SP de acórdão que julgara pela nulidade de lançamento tributário decorrente de suspensão de imunidade tributária em desacordo com o procedimento do art. 32 da Lei nº 9.430/96: Processo nº 13808.000309/200226 Recurso de Ofício Acórdão nº 1102000901 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 06 de agosto de 2013 Matéria – Auto de Infração – Cofins Recorrente DRJ EM CAMPINAS – SP Interessado Associação das Famílias para Unificação e Paz Mundial Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/1996 a 31/12/2000 Ementa: NORMAS PROCESSUAIS. SUSPENSÃO DA ISENÇÃO DE ENTIDADE CIVIL SEM FINS LUCRATIVOS. INOBSERVANCIA DO ARTIGO 32, § 3°, DA LEI N° 9.430/1996. NULIDADE. A não observância, por parte do fisco, do artigo 32, § 3°, da Lei n° 9.430/1996, que determina que o Delegado deve decidir sobre as alegações e provas apresentadas pela entidade, dá ensejo a nulidade do Ato Declaratório Executivo emitido, por descumprimento de formalidade essencial e preterição de direito de defesa. LANÇAMENTOS DECORRENTES DA SUSPENSÃO DA ISENÇÃO. NULIDADE. A anulação do Ato Declaratório que suspendeu a isenção da entidade é vicio insanável que contamina os autos de infração lavrados. Fl. 2098DF CARF MF Processo nº 12448.736731/201269 Acórdão n.º 9101003.586 CSRFT1 Fl. 2.099 14 ACORDAM os membros da 2ª Turma Ordinária da 1a Câmara da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso de ofício. Por fim, é importante afastar eventual argumento que a CAARJ nunca foi imune ou isenta, razão pela qual não se fazia necessário adotar o procedimento do art. 32. Com o devido respeito, tal compreensão não se aplica, pois há, sim, dúvida se as caixas de assistências gozam de imunidade tributária, seja pela alínea “a”, do inciso VI, do art. 150, seja pela alínea “c” do mesmo dispositivo. Lembremonos que a matéria está afetada a repercussão geral no RE 600.010, desde 12/03/2010, mas ainda não julgado. Ademais, o art. 181, do RIR/99, dispõe que “As isenções de que trata esta Seção independem de prévio reconhecimento”. A seção à qual se refere o art. 181 é a IV, na qual está a subseção denominada “Sociedades Beneficentes, Fundações, Associações e Sindicatos”. Situação diferente seria, por exemplo, se uma fábrica de sapatos enviasse DIPJ na qual constasse isenção ou imunidade como forma de tributação sobre lucro. Nesse caso, frente à visível impossibilidade de a pessoa jurídica se enquadrar como imune ou isenta, entendo que não seria necessário o ADE. IV. CONCLUINDO Dado o exposto, conduzo meu voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário, reconhecendo a nulidade dos autos de infração por ofensa ao procedimento previsto no art. 32, da Lei nº 9.430. Por todo o exposto, voto em negar provimento ao recurso de ofício, e dar provimento integral ao recurso voluntário." Igualmente adoto as razões do acórdão que julgou os embargos de declaração (1201001.563) para também mantêlo, por compreender que o rito do artigo 32 se aplica às contribuições, ainda que a imunidade se refira a impostos, daí porque se exija que o seu lançamento seja antecedido pelo ato declaratório e por compreender que a nulidade do vício em questão possua natureza material, por macular a constituição do crédito trbiutário, não se tratando de mera formalidade. Eis a sua redação: "Voto Conselheiro Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Relator. Admissibilidade. Uma vez que os pressupostos de admissibilidade já foram avaliados no despacho próprio, passase à análise do vício apontado. Omissão. A embargante alega ter havido omissão no acórdão proferido pela então 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF, em 22 de outubro de 2014, em face da declaração de nulidade dos autos de infração sem ser explicitado se o vício que os macularia seria formal ou material e, ainda, se a nulidade Fl. 2099DF CARF MF Processo nº 12448.736731/201269 Acórdão n.º 9101003.586 CSRFT1 Fl. 2.100 15 declarada alcança tãosomente o IRPJ ou também a CSLL, a contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins. O artigo 65 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF) dispõe expressamente que cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Analisandose, por primeiro, a alegação de que haveria omissão quanto à falta de declaração de que a nulidade alcançaria as contribuições (CSLL, PIS/Pasep e Cofins), verificase que tal não ocorreu. O presente processo cuida de autos de infração de IRPJ, CSLL, contribuição para o PIS/Pasep e Cofins. A decisão de primeira instância (fls. 1.879 a 1.892) a eles se referiu de forma expressa. E a decisão de segunda instância (embargada) também faz referência a todos eles quando os cita em conjunto ou trazendo a expressão "autos de infração" no plural. Vejase o contido no dispositivo do acórdão, no relatório e no voto do relator (fls. 1981 a 1.983, 1.987, 1.990 e 1.991): Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, declarar a nulidade dos autos de infração por inobservância do procedimento previsto no art. 32 da Lei no. 9.430 de 1996, nos termos do voto do Relator. Em 17/12/2012, o Sr. Fiscal efetuou o lançamento de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, por arbitramento, e aplicou multa de 75% (fls. 746/838). Os lucros nos anoscalendários de 2007 a 2009 foram arbitrados de acordo com as receitas conhecidas, lavrandose os autos de infração de IRPJ e de CSLL (demonstrativos das receitas às fls. 890/891), além de PIS e COFINS no regime cumulativo, por insuficiência nos recolhimentos, tendo em vista que foram apresentados os livros contábeis, porém desacompanhados da respectiva documentação, impossibilitando a verificação das aplicações dos recursos. [...]d) Os lançamentos do PIS e da COFINS cumulativos estão de acordo com a legislação vigente? [...]Desse modo, como não foi respeitado o procedimento previsto em lei, deve ser declarada a nulidade dos autos de infração. [...]Dado o exposto, conduzo meu voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário, reconhecendo a nulidade dos autos de infração por ofensa ao procedimento previsto no art. 32, da Lei nº 9.430. (Grifos acrescidos) Quanto ao alcance da nulidade, não resta dúvida, pois, que abarca todos os lançamentos a que se refere o processo, ou seja, o IRPJ e as contribuições, não havendo omissão uma vez, no corpo do voto, o relator se referir a todos os tributos e, ao final deste e no acórdão, constar a declaração de nulidade dos autos de infração no plural. Fl. 2100DF CARF MF Processo nº 12448.736731/201269 Acórdão n.º 9101003.586 CSRFT1 Fl. 2.101 16 Corrobora esse entendimento o fato de, ao final do voto (fl. 1.992), ter sido dado "provimento integral ao recurso voluntário" e neste (fl. 1.962) constar: 124. Diante do exposto, a Recorrente requer seja conhecido e provido o presente recurso voluntário para que, reformandose o acórdão recorrido: (i) sejam integralmente cancelados/desconstituídos os créditos tributários do IRPJ, da CSLL, da Contribuição ao PIS e da COFINS objeto dos autos de infração relativos ao processo administrativo em referência; Relativamente a que tipo de vício macula os lançamentos, de fato, não há no acórdão essa indicação. Todavia, é perceptível, no corpo do voto, que o relator, e por consequência a Turma, consideraram ser a nulidade decorrente de vício material. Consta do voto (fls. 1.990 e 1.991): Ademais, esta matéria já foi inclusive objeto de análise por esta Douta Turma, quando da análise do Processo nº 13808.000309/200226, da relatoria do Ilustre Conselheiro Francisco Linhares, no qual acordaram seus membros, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício da DRJ de Campinas – SP de acórdão que julgara pela nulidade de lançamento tributário decorrente de suspensão de imunidade tributária em desacordo com o procedimento do art. 32 da Lei nº 9.430/96: [...]NORMAS PROCESSUAIS. SUSPENSÃO DA ISENÇÃO DE ENTIDADE CIVIL SEM FINS LUCRATIVOS. INOBSERVÂNCIA DO ARTIGO 32, § 3°, DA LEI N° 9.430/1996. NULIDADE. A não observância, por parte do fisco, do artigo 32, § 3°, da Lei n° 9.430/1996, que determina que o Delegado deve decidir sobre as alegações e provas apresentadas pela entidade, dá ensejo a nulidade do Ato Declaratório Executivo emitido, por descumprimento de formalidade essencial e preterição de direito de defesa. LANÇAMENTOS DECORRENTES DA SUSPENSÃO DA ISENÇÃO. NULIDADE. A anulação do Ato Declaratório que suspendeu a isenção da entidade é vício insanável que contamina os autos de infração lavrados. Tendo o relator acolhido, para embasar sua decisão, acórdão daquela mesma turma, cuja ementa demonstra que em caso análogo foi declarada a nulidade de autos de infração por "descumprimento de formalidade essencial e preterição de direito de defesa" e que "a anulação do Ato Declaratório que suspendeu a isenção da entidade é vício insanável que contamina os autos de infração lavrados", está a indicar que o vício que macula os autos de infração é de cunho material. Em face de todo o exposto, voto por conhecer dos embargos para darlhe provimento parcial, sem efeitos infringentes, alterando o acórdão da decisão embargada para que passe a constar da seguinte forma: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, declarar a nulidade, por vício material, dos autos de infração Fl. 2101DF CARF MF Processo nº 12448.736731/201269 Acórdão n.º 9101003.586 CSRFT1 Fl. 2.102 17 por inobservância do procedimento previsto no art. 32 da Lei nº. 9.430 de 1996, nos termos do voto do Relator. É como voto. (documento assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar Relator" Por essas razões, votase por NEGAR PROVIMENTO ao recurso da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Redator Ad Hoc Declaração de Voto Conselheira Cristiane Silva Costa Como a Conselheira Relatora, julgo necessário prévio ato declaratório de suspensão da imunidade ou isenção nos termos do artigo 32, da Lei nº 9.430/1996. Assim, acompanho o seu voto negando provimento ao recurso especial da Procuradoria. No entanto, consigno pela presente declaração de voto que tal ato declaratório seria dispensável se o auditor fiscal houvesse lançado PIS sobre a folha no percentual de 1%, nos termos do artigo 13, da Medida Provisória nº 2.158/2001: Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: I templos de qualquer culto; II partidos políticos; III instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, a que se refere o art. 15 da Lei no 9.532, de 1997; V sindicatos, federações e confederações; VI serviços sociais autônomos, criados ou autorizados por lei; VII conselhos de fiscalização de profissões regulamentadas; Fl. 2102DF CARF MF Processo nº 12448.736731/201269 Acórdão n.º 9101003.586 CSRFT1 Fl. 2.103 18 VIII fundações de direito privado e fundações públicas instituídas ou mantidas pelo Poder Público; IX condomínios de proprietários de imóveis residenciais ou comerciais; e X a Organização das Cooperativas Brasileiras OCB e as Organizações Estaduais de Cooperativas previstas no art. 105 e seu § 1o da Lei no 5.764, de 16 de dezembro de 1971. Ocorre que, no caso dos autos, o lançamento não teve por fundamento o artigo 13, da Medida Provisória nº 2.158, tratandose de lançamento de contribuições de forma reflexa ao IRPJ (arbitrado). Assim, no caso dos autos, seria imprescindível o ato declaratório de suspensão de imunidade ou isenção, para lançamento sobre o valor de IRPJ, PIS, COFINS e CSLL reflexos. Especificamente quanto à contribuição ao PIS, extraise do auto de infração: "arbitramento do lucro realizado com base receita bruta de prestação de serviços em geral", com fundamento dentre outros dispositivos no artigo 2º, da Lei nº 9.715/98 e 2º da Lei nº 9.718/1998. A tributação sobre a receita bruta, no lançamento, é confirmada pelo Termo de Verificação Fiscal, verbis: "5.3.9 No que se refere ao COFINS e PIS, dado o arbitramento, os mesmos foram apurados na forma cumulativa, aplicandose as alíquotas de 3% e 0,65%, respectivamente, sobre a receita bruta". Diante disso, voto por negar provimento ao recurso especial da Procuradoria, acompanhando a Conselheira Relatora pelas conclusões. (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Fl. 2103DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.660397/2012-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/06/2012
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE.
Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade.
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA.
Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
Numero da decisão: 3401-004.798
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 30/06/2012 DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
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NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 66 03 97 /2 01 2- 21 Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10880.660397/201221 Acórdão n.º 3401004.798 S3C4T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado. Relatório Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra não homologação de compensação declarada por meio eletrônico (PER/DCOMP), relativamente a um crédito de Cofins, que teria sido recolhido a maior no período de apuração. O Despacho Decisório da DERAT/SÃO PAULO, não homologou o pedido de compensação, sob o fundamento de que, embora localizado o pagamento que deu origem ao suposto crédito original de pagamento indevido ou a maior, o mesmo estava à época do encontro de contas integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados. Notificada da decisão a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade. A DRJ Ribeirão Preto julgou improcedente a impugnação por unanimidade de votos, mantendo o crédito tributário devido. A empresa apresentou recurso voluntário onde somente alega que apesar de ter protestado em sede de impugnação pela falta de motivação do indeferimento no despacho decisório, o acórdão recorrido não demonstrou a motivação, que os atos administrativos devem ser motivados para não ter cerceado seu direito de defesa, não apresentando provas do seu direito. É o relatório. Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10880.660397/201221 Acórdão n.º 3401004.798 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.681, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.660277/201223, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.681): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. A recorrente protesta pela falta de motivação do despacho decisório que indeferiu o seu pedido de compensação. Entendo que o despacho decisório cumpre os requisitos legais e possui todo o escopo necessário ao exercício do contraditório e da ampla defesa pelo contribuinte. Nele está inscrito o enquadramento legal da autuação: Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Também nele encontrase a fundamentação da decisão, ficando claro que o crédito indicado foi localizado, mas já havia sido utilizado para quitação de outros débitos do contribuinte: A análise do direito creditório está limitada ao valor do "crédito original na data de transmissão" informado no PER/DCOMP, correspondendo a 4.812,66. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Entendo que o prejuízo, se havido, foi provocado pelo próprio contribuinte que deixou de apresentar provas que indicassem que era portador do crédito alegado. Ademais, como bem demonstrado no acórdão recorrido, o crédito já havia sido utilizado e alocado, e apesar de ser o único DARF pago pela empresa no ano de 2012, o mesmo foi utilizado em 193 pedidos de compensação. Esse procedimento utilizado pelo contribuinte, de alocar o mesmo crédito a várias Dcomps enseja a cominação de prestação de informação falsa à RFB já Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10880.660397/201221 Acórdão n.º 3401004.798 S3C4T1 Fl. 5 4 que há um campo na PER/DCOMP onde é perguntado se aquele crédito já foi informado em outro PER/DCOMP e o contribuinte respondeu “NÃO” em todas as declarações. Por ser extremamente didático, reproduzo o acórdão recorrido, em sua íntegra, para que não haja dúvidas quanto as suas conclusões que acompanho: Em preliminar, não merece acolhida a alegação de nulidade do Despacho Decisório, vez que o mesmo apresenta de forma clara e precisa o motivo da não homologação da compensação, qual seja, a inexistência de crédito disponível para a compensação dos débitos informados na DCOMP. O Despacho Decisório preenche todos os requisitos formais e materiais para sua validade, contendo todos os elementos necessários ao exercício do direito de defesa do contribuinte, trazendo em seu bojo, ainda que de forma sintética, a fundamentação legal, a identificação da declaração de compensação enviada pela empresa, a data da transmissão, o tipo de crédito, as características do DARF apontado pela empresa na DCOMP, bem como o período de apuração a que se refere. Por outro lado, os motivos da nãohomologação residem nas próprias declarações e documentos produzidos pela contribuinte. Estas são, portanto, a prova e o motivo do ato administrativo, não podendo a interessada alegar que os desconhecia. Importante fixar que a DCOMP se presta a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro, a quem cabe, portanto, a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. Encontradas conforme, sobrevém a homologação confirmando a extinção. Não confirmadas as informações prestadas pelo declarante, o inverso se verifica. No caso, a contribuinte declarou um débito e apontou um documento de arrecadação como origem do crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte foi realizada também de forma eletrônica, tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, nos sistemas da Receita Federal, embora localizado o DARF do pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente foi totalmente utilizado e alocado aos débitos informados em DCTF, não restando dele o saldo apontado na DCOMP como crédito. Assim, não padece de nulidade o despacho decisório proferido por autoridade competente, contra o qual o Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10880.660397/201221 Acórdão n.º 3401004.798 S3C4T1 Fl. 6 5 contribuinte pôde exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. O débito declarado e pago encontrase em conformidade com a correspondente DCTF, a qual tem seus efeitos determinados pelo § 1º do artigo 5º do Decreto lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, entre eles o da confissão da dívida e o condão de constituir o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco. Quando da transmissão e da análise do PER/DCOMP em tela, o crédito efetivamente não existia, pois o pagamento efetuado estava integralmente alocado ao débito declarado pela própria contribuinte em sua DCTF. Assim sendo, na data da transmissão do PER/ DCOMP a interessada não era detentora de crédito líquido e certo, condição sem a qual não há direito à restituição ou compensação. E não tendo o interessado trazido elementos hábeis a desconstituir a confissão do débito que fez na DCTF, inexiste razão para se reconhecer o pleiteado direito creditório relativo a pagamento pretensamente maior do que o devido, referente ao período de apuração. O extrato abaixo é a DCTF retificadora ativa da contribuinte, referente ao tributo e período em análise. Repare que a contribuinte declara um débito de COFINS em junho de 2012 no valor de R$ 29.148,73 e vincula ao débito um pagamento de R$4.985,20. No quadro abaixo, podemos verificar que o referido pagamento vem de um DARF de R$5.083,90, composto de um valor principal (R$4.985,20) mais multa por atraso (R$98,70). Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10880.660397/201221 Acórdão n.º 3401004.798 S3C4T1 Fl. 7 6 Por sinal, esse foi o único DARF de Cofins pago em 2012 pela empresa, conforme demonstra o extrato abaixo. Impende salientar que, sobre esse alegado crédito de R$ 5.083,90, a contribuinte solicita a homologação de nada menos que 193 pedidos de compensação, todos do mesmo período (2º trimestre de 2012), com mesmo vencimento em 31/07/2012 que, somados, resultam em um valor de R$ 948.369,76, conforme relação abaixo dos processos de PER/DCOMP para o mesmo DARF. .... Agrava o fato de tentar utilizar mais de uma vez o mesmo crédito a prestação de informação falsa, pois no PER/DCOMP há um campo onde é perguntado se aquele crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior já foi informado em outro PER/DCOMP, ao que o contribuinte respondeu “Não” em todos os PER/DCOMP, em infração ao inciso II do § 1º do art. 45 da IN/SRF 1.300, de 20 de novembro de 2012. Pelo exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e no mérito por negarlhe provimento. Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10880.660397/201221 Acórdão n.º 3401004.798 S3C4T1 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 81DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13819.001425/2009-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/1984 a 31/12/1990
CRÉDITO-PRÊMIO. PRESCRIÇÃO.
A prescrição relativa ao pedido de ressarcimento do Crédito-Prêmio do IPI rege-se pelo Decreto nº 20.910/1932, prescrevendo o direito de postulá-lo em cinco anos entre a data do efetivo embarque da mercadoria e a do protocolo da requisição administrativa.
Numero da decisão: 3302-005.690
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Renato Pereira de Deus - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimaraes (suplente convocado), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: JOSE RENATO PEREIRA DE DEUS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/1984 a 31/12/1990 CRÉDITO-PRÊMIO. PRESCRIÇÃO. A prescrição relativa ao pedido de ressarcimento do Crédito-Prêmio do IPI rege-se pelo Decreto nº 20.910/1932, prescrevendo o direito de postulá-lo em cinco anos entre a data do efetivo embarque da mercadoria e a do protocolo da requisição administrativa.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente. (assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimaraes (suplente convocado), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1404; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13819.001425/200918 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302005.690 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 26 de julho de 2018 Matéria CRÉDITOPRÊMIO IPI Recorrente VOLKSWAGEM DO BRASIL IND DE VEÍCULOS AUTOMOTORES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/1984 a 31/12/1990 CRÉDITOPRÊMIO. PRESCRIÇÃO. A prescrição relativa ao pedido de ressarcimento do CréditoPrêmio do IPI regese pelo Decreto nº 20.910/1932, prescrevendo o direito de postulálo em cinco anos entre a data do efetivo embarque da mercadoria e a do protocolo da requisição administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimaraes (suplente convocado), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 00 14 25 /2 00 9- 18 Fl. 285DF CARF MF Processo nº 13819.001425/200918 Acórdão n.º 3302005.690 S3C3T2 Fl. 3 2 Tratase de verificação de direito ao tomada de crédito objeto de pedido de ressarcimento de créditoprêmio de IPI, relativo ao período de apuração de janeiro 1984 a dezembro de 1990. Por bem descrever os fatos ocorridos até o presente momento processual, os quais foram relatados de forma completa, adoto o relatório da r. decisão recorrida, conforme a seguir transcrito: "Tratase de pedido de ressarcimento de créditoprêmio de IPI instituído pelo artigo 1° do DecretoLei nº 491/69, formulado em meio papel em 28/09/2009 (fls. 02/10), no valor corrigido de R$ 2.601.445.621,27, em face de exportações realizadas nos períodos de apuração de janeiro/1984 a dezembro/1990, A Delegacia da Receita Federal de São Bernardo do Campo indeferiu o pleito, mediante o Despacho Decisório de fls. 180/190, em razão do prazo prescricional de cinco anos para requerer o ressarcimento, contados a partir do embarque para as exportações, e porque o estímulo fiscal teria sido extinto em 30/06/1983. Regularmente cientificada, a contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 195/213, alegando que: em razão da natureza financeira do benefício fiscal, o prazo decadencial é de 20 anos, não estando sujeito à prescrição/decadência tributária de 5 anos; o créditoprêmio vigorou até 05/10/1990, conforme entendimento do Supremo Tribunal Federal. O Acórdão 1462.510, da 2ª Turma da DRJ/JFA, Sessão de 26 de agosto de 2016, do qual foi extraído o relatório alhures transcrito, por unanimidade de votos, indeferiu a solicitação contida na manifestação de inconformidade, não reconhecendo o crédito pleiteado, tendo a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/1984 a 31/12/1990 CRÉDITOPRÊMIO. PRESCRIÇÃO. A prescrição relativa ao pedido de ressarcimento do CréditoPrêmio do IPI regese pelo Decreto nº 20.910/1932, prescrevendo o direito de postulálo em cinco anos entre a data do efetivo embarque da mercadoria e a do protocolo da requisição administrativa. Valendose do direito que lhe é facultado pelo art. 33 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, alterado pelo art. 1º da Lei nº 8.748, de 9 de dezembro de 1993, e pelo art. 32 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, a contribuinte manejou Recurso Voluntário, onde repisou os argumentos trazidos na manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Fl. 286DF CARF MF Processo nº 13819.001425/200918 Acórdão n.º 3302005.690 S3C3T2 Fl. 4 3 Conselheiro José Renato Pereira de Deus, Relator: O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Não há na peça recursal alegação de matérias para discussão em sede de preliminares, razão pela qual passase a deliberar sobre o mérito do processo. Vale ressaltar que matéria idêntica foi objeto de análise pela 4ª Câmara, 2ª Turma Ordinária desse E. Conselho, no Acórdão nº 3402003.224, de relatoria do I. Conselheiro Diego Diniz Ribeiro, de onde, com a devida vênia, adotei as minhas razões de decidir. I Da vigência do créditoprêmio de IPI à luz dos precedente do STF e do STJ O presente processo tem por objeto o pedido de ressarcimento de crédito prêmio de IPI, que teria por base as exportações realizadas pela contribuinte recorrente n período de janeiro de 1984 a dezembro de 1990. Pois bem. Se estivéssemos diante da simples análise se faria jus a recorrente ao créditoprêmio do IPI, de pronto teríamos a apontar que a os períodos de novembro de 1990 e dezembro de 1990, não garantiriam o famigerado crédito, conforme o entendimento exarado sobre o assunto pelo Supremo Tribunal Federal (RE nº 577.3485/RS Repercussão geral). Entretanto, a matéria cingise na ocorrência ou não de ocorrência de decadência quanto a possibilidade de se requerer o crédito. Os períodos de apuração indicados pela recorrente são os de janeiro de 1984 a dezembro de 1990, sendo certo que o pedido de ressarcimento, carreado com documentos que demonstrariam o crédito, foi protocolado em 28/09/2009, ou seja, se contarmos do último período de apuração, lá se foram 19 anos aproximadamente. Assim, entendo que a decadência do direito de se realizar o requerimento de ressarcimento encontrase presente e, por expressa disposição regimental (art. 62, II, d, do RICARF), devo acatar o disposto no Recurso Especial 1.111.148 do STJ, prolatado sob o rito dos recursos repetitivos, vejamos: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. Recurso Especial representativo de controvérsia (art. 543C, § 1º, do CPC). pedido de desistência.Indeferimento. violação ao art. 535, do CPC. INOCORRÊNCIA. IPI. CRÉDITOPRÊMIO. DECRETOLEI 491/69 (ART. 1º). VIGÊNCIA. PRAZO. EXTINÇÃO. PRESCRIÇÃO. (...). 3. Relativamente ao prazo de vigência do estímulo fiscal previsto no art. 1º do DL 491/69 (créditoprêmio de IPI), três orientações foram defendidas na Seção. A primeira, no sentido de que o referido benefício foi extinto em 30.06.83, por força do art. 1º do Fl. 287DF CARF MF Processo nº 13819.001425/200918 Acórdão n.º 3302005.690 S3C3T2 Fl. 5 4 Decretolei 1.658/79, modificado pelo Decretolei 1.722/79. Entendeuse que tal dispositivo, que estabeleceu prazo para a extinção do benefício, não foi revogado por norma posterior e nem foi atingido pela declaração de inconstitucionalidade, reconhecida pelo STF, do art. 1º do DL 1.724/79 e do art. 3º do DL 1.894/81, na parte em que conferiram ao Ministro da Fazenda poderes para alterar as condições e o prazo de vigência do incentivo fiscal. 4. A segunda orientação sustenta que o art. 1º do DL 491/69 continua em vigor, subsistindo incólume o benefício fiscal nele previsto. Entendeuse que tal incentivo, previsto para ser extinto em 30.06.83, foi restaurado sem prazo determinado pelo DL 1.894/81, e que, por não se caracterizar como incentivo de natureza setorial, não foi atingido pela norma de extinção do art. 41, § 1º do ADCT. 5. A terceira orientação é no sentido de que o benefício fiscal foi extinto em 04.10.1990, por força do art. 41 e § 1º do ADCT, segundo os quais "os Poderes Executivos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios reavaliarão todos os incentivos fiscais de natureza setorial ora em vigor, propondo aos Poderes Legislativos respectivos as medidas cabíveis", sendo que "considerarseão revogados após dois anos, a partir da data da promulgação da Constituição, os incentivos fiscais que não forem confirmados por lei". Entendeuse que a Lei 8.402/92, destinada a restabelecer incentivos fiscais, confirmou, entre vários outros, o benefício do art. 5º do DecretoLei 491/69, mas não o do seu artigo 1º. Assim, tratandose de incentivo de natureza setorial (já que beneficia apenas o setor exportador e apenas determinados produtos de exportação) e não tendo sido confirmado por lei, o créditoprêmio em questão extinguiuse no prazo previsto no ADCT. 6. Prevalência do entendimento no Supremo Tribunal Federal e no Superior Tribunal de Justiça no sentido de que o crédito prêmio do IPI, previsto no art. 1º do DL 491/69, não se aplica às vendas para o exterior realizadas após 04.10.90. Precedente no STF com repercussão geral: RE nº. 577.3485/ RS, Tribunal Pleno, Relator Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 13.8.2009. Precedentes no STJ: REsp. Nº 652.379 RS, Primeira Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, julgado em 8 de março de 2006; EREsp. Nº 396.836 RS, Primeira Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Rel. para o acórdão Min. Castro Meira, julgado em 8 de março de 2006; EREsp. Nº 738.689 PR, Primeira Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, julgado em 27 de junho de 2007. 7. O prazo prescricional das ações que visam ao recebimento do créditoprêmio do IPI, nos termos do art. 1º do Decreto 20.910/32, é de cinco anos. Precedentes: EREsp. Nº 670.122 PR Primeira Seção, Rel. Min. Castro Meira, julgado em 10 de setembro de 2008; AgRg nos EREsp. Nº 1.039.822 MG, Primeira Seção, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 24 de setembro de 2008. Fl. 288DF CARF MF Processo nº 13819.001425/200918 Acórdão n.º 3302005.690 S3C3T2 Fl. 6 5 8. No caso concreto, tenho que o mandado de segurança foi impetrado em 27 de fevereiro de 2004, portanto, decorridos mais de cinco anos entre a data da extinção do benefício (5 de outubro de 1990) e a data do ajuizamento do writ, encontramse prescritos eventuais créditos de titularidade da recorrente. 9. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, não provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C, do CPC, e da Resolução STJ n. 8/2008. (STJ; REsp 1111148/SP, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/02/2010, DJe 08/03/2010) (g.n.). Desta forma, considerando que esta presente a decadência quanto a possibilidade de se requerer o créditoprêmio indicados nos períodos de janeiro de 1984 a dezembro de 1990, nos termos das decisões dos E. Tribunais Superiores, não há outra saída senão reconhecer a improcedência do pleito da contribuinte recorrente. II Conclusão Por todo o exposto, voto por reconhecer o Recurso Voluntário interposto pela contribuinte, no entanto negarlhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Conselheiro José Renato Pereira de Deus Relator. Fl. 289DF CARF MF
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