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Numero do processo: 16327.001128/2010-28
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 23 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Jan 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/10/1997, 31/05/2008, 30/06/2008, 31/10/2008, 30/11/2008
MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS SELIC.
Como débito decorrente de tributo e contribuição administrado pela Receita Federal, incidem sobre a multa de ofício, a partir da data de vencimento, juros Selic.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-001.839
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto, que davam provimento ao recurso. Os Conselheiros Gileno Gurjão Barreto e Fabiola Cassiano Keramidas apresentarão declaração de voto.
Fizeram sustentação oral, pela Recorrente, o Dr. Roberto Quiroga Mosquera OAB/SP 83755, e, pela Fazenda Nacional, o Dr. Rodrigo Moreira Lopes Procurador.
(Assinado digitalmente)
Walber José da Silva Presidente e Relator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: José Antonio Francisco
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/10/1997, 31/05/2008, 30/06/2008, 31/10/2008, 30/11/2008 RECEITA DE VENDA DE AÇÕES ADQUIRIDAS PARA REVENDA. TRIBUTAÇÃO. Constitui receita própria da atividade da Recorrente a decorrente da venda de ações, adquiridas para esse fim, compondo seu resultado a base de cálculo da contribuição. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/10/1997, 31/05/2008, 30/06/2008, 31/10/2008, 30/11/2008 RECEITA DE VENDA DE AÇÕES ADQUIRIDAS PARA REVENDA. TRIBUTAÇÃO. Constitui receita própria da atividade da Recorrente a decorrente da venda de ações, adquiridas para esse fim, compondo seu resultado a base de cálculo da contribuição. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/10/1997, 31/05/2008, 30/06/2008, 31/10/2008, 30/11/2008 MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS SELIC. Como débito decorrente de tributo e contribuição administrado pela Receita Federal, incidem sobre a multa de ofício, a partir da data de vencimento, juros Selic. Recurso Voluntário Negado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 11 28 /2 01 0- 28 Fl. 733DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assin ado digitalmente em 16/01/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16327.001128/201028 Acórdão n.º 3302001.839 S3C3T2 Fl. 507 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto, que davam provimento ao recurso. Os Conselheiros Gileno Gurjão Barreto e Fabiola Cassiano Keramidas apresentarão declaração de voto. Fizeram sustentação oral, pela Recorrente, o Dr. Roberto Quiroga Mosquera OAB/SP 83755, e, pela Fazenda Nacional, o Dr. Rodrigo Moreira Lopes – Procurador. (Assinado digitalmente) Walber José da Silva – Presidente e Relator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 382 a 407) apresentado em 23 de maio de 2011 contra o Acórdão no 1630.614, da 10ª Turma da DRJ/SP1 (fls. 347 a 372), cientificado em 25 de abril de 2011, que, relativamente a auto de infração de Cofins e PIS dos períodos de outubro de 2007, maio e junho, outubro e novembro de 2008, julgou a impugnação da Interessada improcedente, nos termos de sua ementa, a seguir em parte reproduzida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/10/2007, 30/05/2008, 30/06/2008, 31/10/2008, 30/11/2008 SOCIEDADE CORRETORA DE VALORES MOBILIÁRIOS. RECEITA BRUTA. RECEITA OPERACIONAL. O conceito de receita bruta sujeita à Cofins compreende a receita de venda de mercadorias e da prestação de serviços, aí incluídas as receitas oriundas do exercício das atividades empresariais típicas da sociedade corretora de valores mobiliários. COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA. RECEITA OPERACIONAL. OBJETO SOCIAL. VENDA DE AÇÕES. O objeto social da sociedade corretora é a compra e venda de títulos e valores mobiliários. Portanto, a venda de ações, Fl. 734DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assin ado digitalmente em 16/01/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16327.001128/201028 Acórdão n.º 3302001.839 S3C3T2 Fl. 508 3 incluindo as ações subscritas das novas sociedades anônimas constituídas após a etapa de desmutualização das Bolsas de Valores, integra a receita operacional dessa contribuinte. VALORES MOBILIÁRIOS. REGISTRO. ATIVO CIRCULANTE. Devem ser classificados no Ativo Circulante as disponibilidades e os direitos realizáveis no curso do exercício social subsequente, como as ações das novas sociedades anônimas formadas após a desmutualização das Bolsas de Valores constituídas sob forma de associação sem fins lucrativos, subscritas pela interessada com manifesta intenção de venda, e cuja alienação efetivamente ocorreu até o curso do exercício subsequente à subscrição. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP [...] ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/10/2007, 31/05/2008, 30/06/2008, 31/10/2008, 30/11/2008 AUTO DE INFRAÇÃO. VALIDADE. Satisfeitos os requisitos do art. 10 do Decreto 70.235/72 c não tendo ocorrido o disposto no art. 59 do mesmo decreto, válidos são os autos de infração. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/10/2007, 31/05/2008, 30/06/2008, 31/10/2008, 30/11/2008 JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A multa de ofício, sendo parte integrante do crédito tributário, está sujeita à incidência dos juros de mora a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao do vencimento. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A utilização da taxa Selic para o cálculo dos juros de mora decorre de disposição expressa em lei, não cabendo aos órgãos do Poder Executivo afastar sua aplicação. Impugnação Improcedente O auto de infração foi lavrado em 25 de agosto de 2010, de acordo com o termo de fls. 253 a 263. A Primeira Instância assim resumiu o litígio: 1. Da contribuinte A Citigroup Global Markets Brasil Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários S/A (Citigroup) associouse à Bovespa em Fl. 735DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assin ado digitalmente em 16/01/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16327.001128/201028 Acórdão n.º 3302001.839 S3C3T2 Fl. 509 4 01/04/86 através de contribuição à formação do patrimônio da bolsa de valores. Em 28/02/2000 o título patrimonial da Bovespa foi desdobrado em 12 títulos. A Citigroup adquiriu mais 3 títulos patrimoniais em 26/07/2006 pelo valor unitário de R$2.400.000,00, totalizando R$7.200.000,00. Portanto, a Citigroup detinha 15 títulos patrimoniais da Bovespa. Em 28/08/2007, com a operação de desmutualização da Bovespa, a empresa recebeu 10.601.430 ações da Bovespa Holding S/A, tornandose acionista da nova empresa constituída. Ainda em 2007 a Citigroup alienou parte dessas ações, apurando lucro de R$54.453.365,68, recolhendo IRPJ e CSLL. O restante das ações foi alienado em 2008 pela Citigroup. A renda obtida com a venda das ações, porém, foi excluída pela Citigroup da base de cálculo do PIS e da Cofins Todavia, sendo a contribuinte uma sociedade corretora, sujeitase à tributação do PIS e da Cofins conforme artigos 2° e 3 o da Lei n° 9.718/98, art.8°, incisoI, da Lei n° 10.637/2002 e art.10, inciso I, da Lei n° 10.833/2003. Diante disso, lavraramse autos de infração para exigência do PIS e da Cofins sobre os resultados obtidos em 2007 e 2008 com a venda das ações da Bovespa Holding S/A. [...] Na desmutualização das bolsas de valores, as corretoras, ao receberem ações pela devolução de patrimônio de entidade isenta, firmaram acordos com a nova sociedade Bovespa Holding S/A para disponibilizar parte substancial das ações recebidas a fim de compor o lote a ser vendido na Oferta Pública Inicial de Ações (fls.7682). Com tais acordos, as corretoras manifestaram a intenção de alienar parte das ações, pelo que o respectivo registro contábil indicaria qualidade de investimento temporário, o qual gerou receita operacional quando realizado efetivamente. Como visto, na desmutualização houve uma devolução de patrimônio, e não mera substituição de títulos patrimoniais. Tratase de aquisição de ações ocorrida na data da desmutualização, devendo o fato ser registrado e classificado contabilmente de acordo com a Lei n° 6.404/76. Conforme acordos e instrumentos contratuais (fls.7682), a Citigroup tinha intenção de alienar parte de suas ações no IPO, ainda no curso do exercício social. Portanto, quando ocorreu a desmutualização, a Citigroup j á sabia que realizaria esses ativos no curso do no ativo circulante títulos de renda variável ações de companhias abertas. As ações da Bovespa Holding S/A direcionadas à venda foram adquiridas e registradas em 28/08/2007, sendo vendidas no Fl. 736DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assin ado digitalmente em 16/01/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16327.001128/201028 Acórdão n.º 3302001.839 S3C3T2 Fl. 510 5 mesmo exercício social (10/2007) e no exercício seguinte (05/2008, 06/2008, 10/2008 e 11/2008). Segundo o item 7.1 do Parecer Normativo CST n° 108/78, a intenção de permanência será presumida sempre que o valor registrado no ativo circulante não for alienado até a data do balanço do períodobase seguinte àquele em que tiver sido adquirido o respectivo direito. No caso, quando da aquisição das ações, a Citigroup j á tinha intenção de alienálas, não havendo interesse de permanência. A Citigroup tinha certeza de que iria vender as ações, pois firmara compromissos nesse sentido. As ações restantes não vendidas em 2007 foram vendidas em 2008, até a data do balanço do período base seguinte. Portanto, a classificação correta de tais ações é no ativo circulante. 5. Resultado das vendas das ações no IPO compõe o resultado operacional da Citigroup O resultado nãooperacional é composto, basicamente, pelo resultado da alienação de bens do ativo permanente. Como as ações em tela não são classificadas no ativo permanente, a venda dessas ações não compõe o resultado não operacional, não sendo excluída da base de cálculo do PIS e da Cofins. O art. 111 do Decretolei n° 1.598/77 estabelece que "será classificado como lucro operacional o resultado das atividades, principais e acessórias, que constituem objeto da pessoa jurídica". Entre as atividades que constituem o objeto da Citigroup, previstas no art.2°, alínea "b", do estatuto da empresa (fls.84), destacamse: “Art. 2º A Sociedade terá como objetivo a prática de todas as operações permitidas nas disposições legais e regulamentares, próprias às Sociedades da espécie, inclusive: “(...) “b) comprar e vender títulos e valores mobiliários, por conta de terceiros ou por conta própria, observada, neste último caso, quando de tratar de valores mobiliários, regulamentação baixada pela Comissão de Valores Mobiliários;” (destacouse) Assim, a receita obtida com a venda das ações da Bovespa Holding S/A no IPO compõe o resultado operacional da Citigroup, não havendo previsão legal para excluir o resultado obtido com a venda dessas ações da base de cálculo do PIS e da Cofins. [...] DA IMPUGNAÇÃO Inconformada, a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 279301, acompanhada dos documentos de fls. 302343 em síntese alegando que: Fl. 737DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assin ado digitalmente em 16/01/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16327.001128/201028 Acórdão n.º 3302001.839 S3C3T2 Fl. 511 6 1. Dos fatos Os títulos patrimoniais foram contabilizados em conta de ativo permanente pois foram adquiridos para permitir a atuação da corretora na Bovespa, sendo intenção da impugnante permanecer com tais ativos. Em razão de reestruturações societárias ocorridas na desmutualização, os títulos patrimoniais da Bovespa que a impugnante detinha foram transformados em ações da Bovespa Holding S/A, havendo mera troca de nome dos bens registrados como "títulos" para "ações", de modo que as ações recebidas permaneceram contabilizadas no ativo permanente. 2. Do Direito 2 . 1 . Da contabilização dos títulos e ações no ativo permanente e do art. 17 da Lei n° 9532/97 As ações recebidas são ativos idênticos aos títulos, representándolo mesmo bem, com mera denominação diferente, devendo ser mantida a mesma forma de contabilização no ativo permanente, independente de terem sido alienadas no futuro ou não. A transformação dos títulos em ações decorreu de cisão parcial da associação civil e posterior incorporação por uma sociedade por ações, operação prevista no art.2.033 do Código Civil de 2002. Não ocorreu extinção da associação Bovespa, pois nenhuma corretora foi convocada para receber seus ativos de volta. Assim, não há que se falar em devolução do patrimônio que permita aplicar o art.17 da Lei n° 9.532/97, não havendo como se justificar a alegada extinção dos títulos e a necessidade de registro das ações no ativo circulante da empresa, devendo ser cancelados os autos de infração. 2.2. Da nãotributação da receita decorrente da venda de bens do ativo permanente A receita da venda das ações em tela não integra a base de cálculo do PIS e da Cofins, que têm como base de cálculo o faturamento, entendido como receita bruta, excluindose a receita decorrente da venda de bens do ativo permanente nos termos do art.3°, §2°, inciso IV, da Lei n° 9.718/98. Como as ações recebidas na desmutualização foram regularmente contabilizadas em conta de ativo permanente, as receitas auferidas na alienação dessas ações não estão sujeitas à incidência do PIS e da Cofins. A substituição dos títulos patrimoniais por ações não pode ser classificada como uma operação de alienação, pois a desmutualização não possibilita às corretoras qualquer outra alternativa que não seja a substituição dos títulos pelas ações correspondentes. Diante disso, não há que se falar na Fl. 738DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assin ado digitalmente em 16/01/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16327.001128/201028 Acórdão n.º 3302001.839 S3C3T2 Fl. 512 7 reclassificação contábil dos ativos, ainda que a impugnante pretendesse alienar parte deles. A contabilização de um ativo em conta de permanente deve ser basear na intenção da sociedade no momento de sua aquisição. Nesse sentido os Pareceres Normativos CST n° 108/78 e 03/80. Com relação aos títulos patrimoniais, posteriormente transformados em ações, é inegável que a intenção da impugnante, quando da compra, era permanecer com tais ativos, para atuar como corretora. Assim, são indevidas as incidências de PIS e Cofins sobre a receita de venda de bens do ativo permanente, como as ações em tela, devendo ser cancelados os autos de infração. 2.3. Da nãotributação de receitas que não compõem o faturamento Os termos receita operacional e faturamento não se confundem, sendo que este último é a base de cálculo do PIS e da Cofins. O resultado na alienação das ações em questão não se trata de receita operacional, nem integra a base de cálculo do PIS e da Cofins, qual seja, o faturamento. Isso porque a venda das ações da Bovespa Holding S/A não se caracteriza como derivada da venda de mercadorias ou da prestação de serviços, no sentido do termo "faturamento" utilizado no art.195 da CF/88, fundamento de validade da Lei n° 9.718/98. Conforme definição da Lei Complementar n° 70/91, faturamento produto das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. A alienação das ações detidas pela impugnante não foi realizada "no exercício de seu objeto social" pois o que ocorreu foi a venda de ativos próprios, que não haviam sido adquiridos para negociação. Embora a venda das ações coincida com um dos objetos sociais da impugnante, essa alienação não foi realizada no exercício da sua atividade operacional. A impugnante alienou ações próprias, adquiridas com o intuito de serem mantidas no ativo permanente, a fim de viabilizar o exercício da atividade de corretora. A majoração da base de cálculo do PIS e da Cofins pretendida pelo §1° do art.3° da Lei n° 9.718/98, com inclusão de receitas nãooperacionais, foi afastada pelo pleno do STF por inconstitucionalidade (RE n° 346.0846). Havendo decisão definitiva do STF sobre a matéria, deve ser aplicada ao presente caso, conforme determina o art.l0 do Decreto n° 2.347/97, cancelandose os autos de infração ora combatidos. 2.4. Da ilegalidade da cobrança de juros sobre a multa O art. 13 da Lei n° 9.065/95 prevê a cobrança de juros apenas sobre tributos. Segundo o art.3° do CTN, multa não é tributo, entendimento ratificado pelo parágrafo I o do art.l 13 do mesmo Fl. 739DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assin ado digitalmente em 16/01/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16327.001128/201028 Acórdão n.º 3302001.839 S3C3T2 Fl. 513 8 código, razão pela qual não podem ser cobrados juros sobre multa. A cobrança de juros sobre multa desrespeita o princípio da legalidade (art.5°, inciso II, e art.37, ambos da CF/88), o que não pode ser admitido pela turma julgadora. 2.5. Da ilegalidade e inconstitucionalidade da taxa Selic Caso mantidos os juros de mora, não poderão ser calculados sobre a taxa Selic, pois esta não foi criada por lei, sendo uma taxa de juros remuneratórios, não podendo ser aplicada como sanção.O art.161 do CTN limita os juros a 1% ao mês, sendo esse o percentual a ser utilizado, se devidos os juros. 3. Do pedido Requer o provimento da impugnação, cancelandose os autos de infração lavrados. No recurso, a Interessada contestou as conclusões do acórdão de primeira instância, reafirmando as alegações da impugnação. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões (fls. 460 a 503), em que alegou o seguinte: [...] a desmutualização das Bolsas brasileiras partiu de decisão interna corporis das associações e de seus associados, detentores dos títulos de propriedade, seguindo tendências mundiais do setor; não houve, repitase, qualquer determinação estatal para tanto. [...] Por mais engenhosas que tenham sido as operações societárias que culminaram com a transferência das atividades das Bolsas para uma S.A., não há como fugir da simplicidade dos fatos. Ou seja, ao final das operações, as associações civis sem fins lucrativos estavam extintas e, em seu lugar, constituíramse sociedades anônimas. Ora, os institutos da fusão, cisão e incorporação não são de utilização permitida pelas associações por força do disposto no artigo 1.113 e seguintes do Código Civil, cuja localização topográfica indica sua aplicação somente às sociedades empresárias (Livro II – Do Direito de Empresa; Título II – Da Sociedade; Subtítulo II – Da Sociedade Personificada; Capítulo X – Da Transformação, Da Incorporação, Da Fusão e Da Cisão das Sociedades). Corrobora esse entendimento, ou seja, de aplicação daqueles institutos jurídicos somente às sociedades mercantis, a Instrução Normativa Nº 88 do DNRC3, que, em pleno vigor, dispõe sobre o arquivamento dos atos de transformação, incorporação, fusão e cisão de sociedades mercantis. [...] Fl. 740DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assin ado digitalmente em 16/01/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16327.001128/201028 Acórdão n.º 3302001.839 S3C3T2 Fl. 514 9 Como se observa, ilustres Conselheiros (as), uma vez que a cisão e a incorporação não podem ser aplicadas às sociedades civis, as operações societárias resultaram, em verdade, na extinção das sociedades civis Bovespa e BM&F. Em casos como estes, a regra aplicável não é outra senão o artigo 61 do Código Civil. Citou trechos de decisões judiciais no sentido de suas alegações. Na sequência, tratou da classificação contábil das ações recebidas pela Interessada, mencionando o Ofício Circular n. 225/2007DG e destacando o seguinte: Ocorre que, por outros instrumentos firmados ao longo do processo de Desmutualização, os Associados da Bovespa se obrigaram, desde o início, a destinar parte das ações recebidas para negociação ou venda em IPO promovida pela S.A. recém criada. Dessa forma, não havia possibilidade de considerar tais ações como investimento, contabilizadas no Ativo Permanente, se, desde o início, já se destinavam à venda. Também mencionou o “Instrumento de Aceitação de Venda de Ações Ordinárias da Bolsa de Mercadorias & Futuros BM&F S.A e Outorga de Poderes” e afirmou que a Fiscalização não teria procedido com base em meras suposições, uma vez que aplicou o disposto no art. 179 da Lei n. 6.404, de 1976, destacando que “a alienação das ações foi realizada até o final do exercício subsequente ao ingresso dos bens no patrimônio do contribuinte – ou seja, entre 2007 e o final de 2008 – conforme atestam os documentos tomados em consideração pela Fiscalização”. A seguir, tratou da tributação dos valores pelas contribuições sociais e da aplicação dos juros sobre a multa. É o relatório. Voto Conselheiro José Antonio Francisco, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. Inicialmente, analisase a questão do sobrestamento do julgamento do recurso, à vista da disposição do art. 62A do Regimento Interno do Carf e do RE n. 609.096. A ementa do acórdão de repercussão geral do referido RE foi a seguinte: EMENTA: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. COFINS E CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS. INCIDÊNCIA. RECEITAS FINANCEIRAS DAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. CONCEITO DE FATURAMENTO. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL. Fl. 741DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assin ado digitalmente em 16/01/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16327.001128/201028 Acórdão n.º 3302001.839 S3C3T2 Fl. 515 10 Podese verificar que se trata de incidência de Cofins e PIS sobre receitas financeiras de instituições financeiras, natureza que, em determinado momento da defesa, a Interessada avoca para definir os resultados tributados no presente auto de infração. Há dois aspectos distintos a serem analisados: primeiramente, a de se a Cofins incide sobre receitas financeiras por ser a obtenção de tais receitas própria da atividade das instituições e, além disso, a existência ou não de sobrestamento dos processos no âmbito do próprio STF. Em relação à primeira questão, como se verá mais adiante, a conclusão dependeria da análise do mérito da matéria, em que se discute a natureza específica dos valores sujeitos à tributação. No tocante à segunda, não houve, no acórdão mencionado, ordem de sobrestamento dos recursos extraordinários, condição para o sobrestamento dos recursos administrativos no âmbito do Carf, de acordo com o dispositivo citado do Ricarf e a Portaria Carf n. 1, de 2012. Além disso, no julgamento da Petição n. 73.745/201STF, em que a Febraban, ao solicitar suas inclusão no processo como “acimus curiae”, requereu o sobrestamento das demais ações e recursos, o relator destacou o seguinte: Quanto ao pedido de suspensão dos processos que tratam da mesma matéria versada nesses autos que tramitam em primeiro e segundo graus, entendo que não merece acolhida. É que os arts. 543B do CPC e 328 do RISTF tratam do sobrestamento de recursos extraordinários interpostos em razão do reconhecimento da repercussão geral da matéria neles discutida, e não de ações que ainda não se encontram nessa fase processual. Além disso, uma vez que esta Corte já reconheceu a repercussão geral da matéria aqui debatida, os recursos extraordinários que versam sobre o mesmo assunto ficarão sobrestados, na origem, por força do próprio art. 543B do CPC. Isso posto, defiro o pedido de ingresso da FEBRABAN na qualidade de amicus curiae e indefiro o pedido de suspensão requerido. Publiquese Brasília, 10 de junho de 2011. Ministro RICARDO LEWANDOWSKI Relator Portanto, nada disse o relator sobre o sobrestamento dos RE que estariam pendentes de julgamento no âmbito do STF, condição requerida para o sobrestamento dos recursos no âmbito do Carf. Portanto, não é o caso de sobrestar o julgamento do recurso. Feitas as considerações acima, passo à análise do mérito do recurso. Fl. 742DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assin ado digitalmente em 16/01/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16327.001128/201028 Acórdão n.º 3302001.839 S3C3T2 Fl. 516 11 A Fiscalização considerou, para concluir que a totalidade das vendas de ações estaria sujeita à incidência das contribuições, os fatos de que a empresa tem como objeto social a negociação de títulos e valores mobiliários, de que adquiriu as ações em questão para revenda e que as vendeu, representando o produto da venda faturamento de venda de mercadorias. À vista das questões levantadas no recurso, as questões a serem analisadas são: a natureza do resultado da venda das ações após a desmutualização; a caracterização do resultado da venda como faturamento; e a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Em relação à primeira questão, a Interessada alegou, em resumo, que teria havido apenas transformação do patrimônio, que se trataria de bens classificados no ativo permanente e que, portanto, não estaria o resultado sujeito à incidência das contribuições. Em relação a aspecto importante da questão, devidamente destacado abaixo, o Tribunal Regional Federal da 3ª Região decidiu o seguinte, na AC n. 313.991 (processo n. 000870605.2008.4.03.6100): TRIBUTÁRIO. DEVOLUÇÃO À IMPETRANTE DOS VALORES CORRESPONDENTES A TÍTULOS DA BOVESPA E DA BM&F. INVESTIMENTO INTEGRAL EM AÇÕES DAS MESMAS ENTIDADES, TRANSFORMADAS EM SOCIEDADES POR AÇÕES. DIFERENÇA ENTRE O VALOR INVESTIDO E O VALOR DEVOLVIDO. CARACTERIZAÇÃO DE GANHOS DE CAPITAL. INAPLICABILIDADE DO "MÉTODO DA EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL". CARACTERIZAÇÃO DE RENDA. DISPONIBILIDADE JURÍDICA. INCIDÊNCIA DO ART. 17 DA LEI 9.532/97. [...] 5. A inocorrência de dissolução ou extinção da associação que se transformou em sociedade por ações (art. 1.113 e 2.033 do Código Civil) tem relevância apenas para a preservação da titularidade dos direitos e obrigações da própria sociedade, que não terá solução de continuidade e manterseá íntegra. 6. Todavia, é inegável que a transformação implica em modificação da natureza jurídica das participações societárias ou dos títulos de natureza similar que forem convertidos em ações da neonata pessoa jurídica. 7. Não há como ignorar o fato de que houve, do ponto de vista jurídico, a devolução à impetrante dos valores que correspondiam aos títulos que ela detinha, ainda que estes valores tenham sido inteiramente utilizados na aquisição de ações da nova sociedade. 8. Não há lugar, na hipótese dos autos, para contabilização dos ganhos de capital pelo "método da equivalência patrimonial", posto que este método tem aplicação quando surge a necessidade de encontrar a expressão econômica das participações no capital social de outra pessoa jurídica. 9. Esta não é a hipótese dos autos, em que o capital da impetrante estava investido em títulos e não em participação Fl. 743DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assin ado digitalmente em 16/01/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16327.001128/201028 Acórdão n.º 3302001.839 S3C3T2 Fl. 517 12 societária na outra empresa, daí porque as diferenças entre os valores investidos e aqueles devolvidos devem ser tratadas como ganhos de capital, sofrendo incidência do art. 17 da Lei 9.532/97. [...] 13. Apelação improvida. (http://web.trf3.jus.br/acordaos/Acordao/PesquisarDocumento?p rocesso=00087060520084036100) Portanto, segundo os fundamentos acima citados, os quais adoto plenamente, não houve, no caso, mera transformação para além do objetivo de continuidade e preservação patrimonial , mas alteração substancial do direito em questão, uma vez que a Interessada não era, anteriormente, detentora de ações da nova sociedade. Essa conclusão não é suficiente ao raciocínio que permite a tributação pela contribuição, uma vez que, segunda a Interessada, tratarseia de bem do ativo permanente e não do circulante. A Fiscalização considerou que, desde o início, as ações foram emitidas com a finalidade de venda em curto prazo (Instrumento de Aceitação de Venda de Ações Ordinárias da Bolsa de Mercadorias & Futuros – BM&F S.A e Outorga de Poderes) e, assim, não poderiam ser registradas no permanente. Tal interpretação está de acordo com o art. 179, I, da Lei das SA, sendo aplicável ao caso o Parecer Normativo CST n. 108, de 1978. Conforme consta dos autos, houve orientação no mesmo sentido pelo Ofício Circular n. 225DG, de 2007. Ao contrário do que alegado pela Interessada, a operação, embora não houvesse documentação formal a respeito de seus passos constituída previamente, teve todos esses passos planejados desde o começo, para a consecução do objetivo de formar a nova Bolsa de Valores. Ainda assim, quanto à incidência das contribuições, restaria saber qual a natureza específica das receitas decorrentes da alienação das ações. Alega a Interessada que não representaria faturamento, conceituado como receita bruta da venda de produtos e serviços, à vista da inconstitucionalidade parcial do art. 3º da Lei n. 9.718, de 1998. De fato, a tributação das referidas operações ou é efetuada de acordo com o que foi acima exposto ou de acordo com os §§ 5º e 6º do art. 3º da Lei n. 9.718, de 1998, uma vez que o caput do referido artigo não foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Segundo os referidos §§, as exclusões seriam as mesmas do PIS, definidas na Lei n. 9.701, de 1998, que define a base de cálculo como sendo a “receita bruta operacional auferida no mês”. Portanto, para as instituições financeiras, a base de cálculo é a receita bruta operacional, o que inclui, necessariamente, a venda das referidas ações, conforme já exposto Fl. 744DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assin ado digitalmente em 16/01/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16327.001128/201028 Acórdão n.º 3302001.839 S3C3T2 Fl. 518 13 anteriormente, ainda que não represente tal venda, estritamente, faturamento de venda de mercadorias e serviços. Esclareçase que tais considerações não compreendem inovação, já que a Fiscalização claramente referiuse ao resultado operacional como parte da base de cálculo das contribuições. Portanto, o produto das referidas vendas está sujeito à incidência de PIS e Cofins, pelo fato de comporem a receita bruta operacional das instituições financeiras. Finalmente, quanto à incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, esta matéria foi suscitada pela Recorrente na Impugnação, devidamente apreciada pela decisão recorrida, e reiterada no Recurso Voluntário. Vejase que a Portaria SRF n. 379, de 23 de dezembro de 1988, que tinha por pressuposto outra legislação, já revogada, determinava a incidência de correção monetária sobre a multa, o que é situação diversa do caso dos juros de mora. O Parecer SRF/Cosit/Coope/Senog nº 28, de 2 de abril de 1998, estabeleceu o seguinte: 3. Assim, desde 01.01.97, as multas de ofício que não forem recolhidas dentro dos prazos legais previstos estão sujeitas à incidência de juros de mora equivalentes à taxa referncial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento, desde que estejam associadas a: Inicialmente, no caso da Selic, não havia previsão legal para incidência de juros sobre a multa, mas apenas sobre o tributo. O art. 84 da Lei n. 8.981, de 1995, dispunha expressamente que o tributo ou contribuição não pago no vencimento sujeitarseia à incidência dos juros. Ao instituir a Selic, a Medida Provisória n. 947, de 1995, art. 13, reportouse ao referido artigo, não prevendo incidência de juros sobre a multa. A Lei n. 9.065, de 1995, convertida da mencionada MP, manteve a disposição do art. 13, da seguinte forma: Art. 13. A partir de 1º de abril de 1995, os juros de que tratam a alínea c do parágrafo único do art. 14 da Lei nº 8.847, de 28 de janeiro de 1994, com a redação dada pelo art. 6º da Lei nº 8.850, de 28 de janeiro de 1994, e pelo art. 90 da Lei nº 8.981, de 1995, o art. 84, inciso I, e o art. 91, parágrafo único, alínea a.2, da Lei nº 8.981, de 1995, serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. Entretanto, a Lei n. 9.430, de 1996, art. 61, § 3º, alterou a disposição Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, Fl. 745DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assin ado digitalmente em 16/01/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16327.001128/201028 Acórdão n.º 3302001.839 S3C3T2 Fl. 519 14 serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. A disposição não diz que os débitos devam decorrer diretamente de tributos e contribuições administrados pela RFB. Como a multa de ofício decorre indiretamente de tributos e contribuições administrados pela RFB, os juros incidem sobre a multa de ofício. Quanto à adoção da taxa Selic, aplicase a Súmula Carf n. 4 (Portaria Carf n. 106, de 21 de dezembro de 2009): A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. À vista de todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso. José Antonio Francisco Declaração de Voto Conselheira Fabiola Cassiano Keramidas. Pedi vista destes autos para melhor me inteirar sobre os fatos. A controvérsia dos autos referese à incidência do PIS e da COFINS sobre a receita derivada da venda de participação societária da Recorrente, em sociedades que passaram por processo de transformação (de associações transformaramse em sociedades anônimas). Vale destacar que a tributação imposta no lançamento tem por base as disposições contidas na Lei nº 9.718/98, pois a Recorrente é uma sociedade corretora (submetida às disposições de referida norma), norma esta que estabelece que a base de cálculo das contribuições é o faturamento (e não a receita bruta). Fl. 746DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assin ado digitalmente em 16/01/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16327.001128/201028 Acórdão n.º 3302001.839 S3C3T2 Fl. 520 15 O Fisco entende que as receitas advindas das vendas das participações que a Recorrente possuía na BOVESPA e na BM&F – pós transformação em sociedades anônimas – é tributável pelas referidas contribuições porque (i) tais participações não poderiam estar classificadas no ativo permanente da Recorrente, bem como porque (ii) advém do desenvolvimento de seu objeto social, qual seja, a compra e venda de títulos e valores mobiliários, compondo então sua receita do desenvolvimento das atividades empresariais, receita esta que corresponderia à base de cálculo do PIS e da COFINS. Passo a analisar os pontos debatidos. (i) Do Registro em Ativo Permanente Em primeiro lugar, deve ser analisado se procede o questionamento fiscal, quanto à classificação destas participações societárias em conta do ativo permanente da Recorrente. Para tanto é necessário analisar se, com a transformação das associações em sociedades anônimas as respectivas participações societárias deveriam sofrer reavaliação e reclassificação, sendo retiradas da conta de ativo permanente e transferidas para contas de ativo circulante – como alega a fiscalização. Vale destacar que não se discute, em momento algum nestes autos, quanto à adequação da classificação no ativo permanente das participações societárias mantidas pela Recorrente nas associações (antes da transformação da BOVESPA e da BM&F), representada pela propriedade de títulos patrimoniais (que lhes garantia a atuação como corretoras de valores perante as duas instituições). A controvérsia limitase, portanto, ao momento da transformação das associações, quando o Fisco desconsidera a operação societária da forma como realizada pela BOVESPA e BM&F. Assim, para melhor compreensão da matéria, mister se faz dividila em dois aspectos: a primeira questão a ser avaliada referese à (a) operação societária; a qual consequentemente gera efeitos na conclusão da (b) classificação contábil das ações. (i.a.) Da Operação Societária Conforme esclarecido, a premissa da fiscalização para realizar o lançamento fiscal foi interpretar que, em decorrência das operações societárias procedidas, ocorreu a devolução – à Recorrente do capital investido na então associação sem fins lucrativos. Este capital devolvido teria sido novamente investido, agora em outra sociedade. Como não poderia deixar de ser, este novo investimento, em decorrência das regras contábeis, teve que ser avaliado para poder adentrar ao patrimônio da nova sociedade e, uma vez que se tratava de ações, para as quais a Recorrente tinha intenção de venda, o registro contábil deveria ser realizado no ativo circulante. Fl. 747DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assin ado digitalmente em 16/01/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16327.001128/201028 Acórdão n.º 3302001.839 S3C3T2 Fl. 521 16 Em outras palavras, o Fisco entende que a conferência das ações das sociedades anônimas (pós transformação) aos associados da BOVESPA e da BM&F, representou uma nova aquisição de participação societária o que implicou na necessidade de reavaliação (e eventual reclassificação) do ativo, quando então, segundo entendimento fiscal, as ações deveriam ser registradas no ativo circulante, pois a Recorrente tinha, naquele momento, a intenção de vender tais ações. A Recorrente, por sua vez, defende que não houve devolução de capital, tampouco “nova” aquisição de participação societária, mas a mera substituição de um tipo de participação (títulos patrimoniais), por outro tipo de participação (ações). O que, portanto, não demandaria a necessidade de nova avaliação ou reclassificação destes ativos. Por este raciocínio, temse que estes ativos seriam, em verdade, o mesmo ativo até então contabilizado, apenas sob uma forma/título diferente. Esta diferença de interpretação realizada pelo Fisco e contribuinte é extremamente relevante, pois na hipótese de tratarse de investimento novo e não de manutenção de investimento antigo, já classificado contabilmente não resta dúvida que haveria a necessidade de nova avaliação do ativo com a conseqüência de uma nova classificação contábil deste ativo. Resumidos os fatos, passo a analisar as opções apresentadas. De acordo com a interpretação da fiscalização, a operação realizada resultou na devolução do capital para os associados. Mister se faz discorrer sobre este fato. A devolução de capital ocorre quando alguém que detém participação na sociedade decide desligarse ou, ainda, quando uma sociedade se extingue. Em ambas as ocasiões, a sociedade devolve o capital investido ao participante (que deseja se retirar, ou a todos, no caso de extinção). Logo, temse que a devolução do capital alcança as situações em que ocorre a extinção do investimento, ainda que para aquele associado em particular. A devolução deste capital ao investidor, faz com que este adquira total liberdade sobre o destino deste novo capital, o que significa disponibilidade econômica e jurídica. Logo, a operação deve ter a forma e a substância de extinção. Na situação em tela, contudo, formalmente não ocorreu nem uma nem outra hipótese (devolução do capital para todos os associados ou para um associado em particular). Conforme consta dos autos a Associação BOVESPA, em agosto/2007, se submeteu a uma operação societária que resultou na versão de boa parte de seu patrimônio para uma pessoa jurídica com fins lucrativos. Nos termos do voto do ilustre Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz, proferido nos autos do processo administrativo nº16327.001339/201061, que discutiu matéria idêntica à presente: “Inicialmente, a instituição sujeitouse a uma cisão parcial, com alocação dos ativos e passivos cindidos em duas sociedades, a Bovespa Holding S.A. e a Bovespa Serviços e Participações S.A., ambas constituídas imediatamente antes da operação. Em seguida, as ações emitidas por esta última sociedade foram incorporadas pela primeira, daí decorrendo a formação de uma subsidiária integral. Concluídos os atos societários, portanto, parte dos títulos patrimoniais emitidos pela Associação Bovespa foi extinta e substituída por ações representativas do capital social da incorporadora, a Bovespa Holding S.A., a significar que, no ativo da recorrente e dos demais associados, as novas ações passaram a ocupar a posição dos antigos títulos (a ‘Desmutualização’).” A primeira questão a ser avaliada, portanto, referese à operação societária ocorrida. É possível à associação sem fins lucrativos submeterse a processo de cisão? Mais do Fl. 748DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assin ado digitalmente em 16/01/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16327.001128/201028 Acórdão n.º 3302001.839 S3C3T2 Fl. 522 17 que isso, é possível, à fiscalização desconsiderar o procedimento da forma como realizado? Ainda, é possível o entendimento apresentado pela fiscalização? No que se refere a possibilidade de uma associação sem fins lucrativos proceder à cisão, passo a análise dos dispositivos específicos referentes a este assunto. A fiscalização entendeu que, por ser tratar de associação sem finalidade lucrativa, aplicase ao caso o artigo 61 do Código Civil, o qual da seguinte forma determina, verbis: “Art. 61. Dissolvida a associação, o remanescente do seu patrimônio líquido, depois de deduzidas, se for o caso, as quotas ou frações ideais referidas no parágrafo único do art. 56, será destinado à entidade de fins não econômicos designada no estatuto, ou, omisso este, por deliberação dos associados, à instituição municipal, estadual ou federal, de fins idênticos ou semelhantes. § 1º Por cláusula do estatuto ou, no seu silêncio, por deliberação dos associados, podem estes, antes da destinação do remanescente referida neste artigo, receber em restituição, atualizado o respectivo valor, as contribuições que tiverem prestado ao patrimônio da associação. § 2º Não existindo no Município, no Estado, no Distrito Federal ou no Território, em que a associação tiver sede, instituição nas condições indicadas neste artigo, o que remanescer do seu patrimônio se devolverá à Fazenda do Estado, do Distrito Federal ou da União.” – destacamos. Ao interpretar o dispositivo legal citado, a fiscalização concluiu que não seria possível, à uma associação sem fins lucrativos, transferir patrimônio para uma sociedade com finalidade lucrativa. Por outro giro, em vista desta impossibilidade, o agente fiscal considerou que a operação realizada pela BOVESPA gerou a devolução do patrimônio investido na associação para o associado, o qual procedeu a novo investimento, agora em sociedade com fins lucrativos. Alguns aspectos apresentamse relevantes. O primeiro é: pode ser realizada a cisão? Neste ponto divirjo do entendimento apresentado pela fiscalização. Data vênia, entendo que sim, é possível proceder a cisão, ainda que a parte cindida seja vertida para a constituição de uma sociedade lucrativa. É que entendo que a obrigatoriedade de versão do patrimônio para outra entidade sem fins lucrativos se aplica apenas no caso de dissolução da entidade, isto é, de extinção da personalidade jurídica. Este entendimento está pautado na interpretação dos termos da lei, verbis: “Dissolvida a associação, o remanescente do seu patrimônio líquido, (...) será destinado à entidade de fins não econômicos designada no estatuto, ou, omisso este, por deliberação dos associados, à instituição municipal, estadual ou federal, de fins idênticos ou semelhantes” Vale salientar que não houve extinção das pessoas jurídicas, mas sim transformação. A transformação, por sua vez, de acordo com o Código Civil (artigo 1.1131) e a 1 Código Civil: “CAPÍTULO X Da Transformação, da Incorporação, da Fusão e da Cisão das Sociedades Fl. 749DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assin ado digitalmente em 16/01/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16327.001128/201028 Acórdão n.º 3302001.839 S3C3T2 Fl. 523 18 Lei das S/A (Lei nº 6.404/76 artigo 220), é meio de reorganização societária que se dá independentemente da dissolução ou liquidação da sociedade. Aliás, por tratarse de mera alteração do tipo da sociedade, esta não poderia, mesmo, extinguirse ou liquidarse, sob pena de não restar pessoa jurídica para ter seu tipo alterado. Por outro giro, a possibilidade de cisão está prevista no Código Civil, artigo 2.033, que expressamente se refere às entidades sem fins lucrativas, a saber: “Art. 2.033. Salvo o disposto em lei especial, as modificações dos atos constitutivos das pessoas jurídicas referidas no art. 44, bem como a sua transformação, incorporação, cisão ou fusão, regemse desde logo por este Código.” Neste sentido, determina o artigo 44 do mencionado Código: “Art. 44. São pessoas jurídicas de direito privado: I as associações; II as sociedades; III as fundações. IV as organizações religiosas; V os partidos políticos; VI as empresas individuais de responsabilidade limitada. § 1º São livres a criação, a organização, a estruturação interna e o funcionamento das organizações religiosas, sendo vedado ao poder público negarlhes reconhecimento ou registro dos atos constitutivos e necessários ao seu funcionamento. § 2º As disposições concernentes às associações aplicamse subsidiariamente às sociedades que são objeto do Livro II da Parte Especial deste Código. § 3º Os partidos políticos serão organizados e funcionarão conforme o disposto em lei específica.” Confesso que o procedimento adotado pela BOVESPA suscitou dúvidas nesta relatora, mas não encontrei na legislação a limitação interpretada pela fiscalização, ao contrário, outras entidades sem fins lucrativos como clubes, entidades de ensino, etc já realizaram este procedimento, passando a auferir lucros e apurar tributos na pessoa jurídica cindida. Neste diapasão, é de meu entendimento que a cisão poderia ter sido realizada e que não houve extinção da pessoa jurídica, como interpretou a fiscalização. Imperioso esclarecer que, com isso não estou validando procedimentos societários abusivos realizados por associados. O ilustre Procurador Federal, ao proceder à Art. 1.113. O ato de transformação independe de dissolução ou liquidação da sociedade, e obedecerá aos preceitos reguladores da constituição e inscrição próprios do tipo em que vai converterse.” Fl. 750DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assin ado digitalmente em 16/01/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16327.001128/201028 Acórdão n.º 3302001.839 S3C3T2 Fl. 524 19 sustentação oral em defesa do lançamento da forma como realizado, argumentou que as associações são constituídas e mantidas com incentivo público e que consiste abuso, após a associação estar consolidada justamente por contar com estes incentivos públicos, converter quase totalidade deste patrimônio para a iniciativa privada. Neste particular concordo com a Procuradoria. Realmente, ao proceder a análise sistemática do ordenamento, pareceme abusivo permitir que alguns particulares se aproveitem de patrimônio constituído e consolidado com base em incentivos públicos. A lei permite a cisão, mas não o abuso, operação com este supedâneo deve ser desconstituída por abuso de forma e até mesmo erro de substância. Todavia, in casu o auto de infração não foi lavrado com base na ocorrência de fraude, tanto é assim que não houve majoração de multa para o percentual de 150%. Da mesma forma, não houve alegação/comprovação, por parte da Fazenda, de que as operações societárias ocorreram com abuso de forma ou da ocorrência de lesão ao patrimônio público. Em conseqüência deste raciocínio, passemos ao próximo ponto, sendo a cisão ilegal para entidades sem fins lucrativos, a fiscalização poderia desconsiderála da forma como desconsiderou? Entendo que não. É importante ponderar que a operação societária foi efetivamente realizada, que os documentos societários foram devidamente registrados na Junta Comercial e que não houve desvio de finalidade por parte dos contribuintes envolvidos na operação societária, uma vez que os documentos de cisão demonstram claramente o objetivo pretendido pelos associados da BOVESPA. Não resta dúvida que a operação de cisão foi formalmente realizada e aceita. Tais aspectos são relevantes porque, conforme mencionado, a fiscalização desconsiderou a operação da forma como realizada para considerar como ocorrida outra realidade, qual seja, a restituição do capital investido e o novo investimento na pessoa jurídica que procedeu ao IPO. Todavia, esta desconsideração precisa ser justificada. Que os fatos ocorreram– ainda que formalmente desta maneira, não resta dúvida, assim, como é que poderiam ser desconsiderados? De acordo com a jurisprudência deste Tribunal, os atos podem ser desconsiderados se o propósito negocial, a razão que os justificam, não forem verdadeiras. Na hipótese da formalização do procedimento destoar com a realidade dos fatos. Ocorre que este não é o caso dos autos. Os fatos demonstram que os contribuintes pretendiam proceder a desmutualização e posterior abertura de capital da BOVESPA, e para atingir este objetivo procederam à cisão parcial. Não houve alteração em relação ao propósito negocial pretendido. Na hipótese de a fiscalização entender que o meio escolhido para a desmutualização foi equivocado, nulo ou ilegal, deveria rever o próprio ato societário realizado pela BOVESPA (art. 116, CTN). Entretanto, o ato da desmutualização, que gerou efeito na contabilidade da Recorrente, não foi revisto. A operação societária realizada até o momento, pelas informações contidas nos autos consiste em negócio jurídico perfeito, e não pode ser desconsiderada enquanto válida. Fl. 751DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assin ado digitalmente em 16/01/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16327.001128/201028 Acórdão n.º 3302001.839 S3C3T2 Fl. 525 20 Com este raciocínio, a meu sentir, somente seria possível desconsiderar os efeitos da desmutualização para a Recorrente se a própria operação societária tivesse sido desconsiderada. O ato jurídico que deve ser analisado e, se o caso, desconsiderado, é a operação realizada pela própria BOVESPA. Caso o fato em si a cisão da BOVESPA – não seja desconsiderado, tem que ser admitido como válido pelo Fisco, uma vez que foi devidamente formalizado e registrado nos órgãos competentes. Esclareço que com isso não estou dizendo que a JUCESP tem o poder de validar atos nulos ou ilegais, apenas que um ato jurídico perfeito tem que ser devida e justificadamente desconsiderado para deixar de surtir efeitos no mundo jurídico. Desta feita, haja vista que a cisão foi realizada, registrada e validada, que não há razão que fundamente a desconsideração do procedimento realizado posto que o propósito negocial foi devidamente atendido, entendo que não é permitido à fiscalização simplesmente desconsiderar a operação societária de cisão, interpretando que “na verdade” o que ocorreu foi uma devolução de capital com sucessivo investimento em nova sociedade. Ademais, e agora adentrando no aspecto da substância pretendida pelo Fisco, os investidores não tiveram, entre a desmutualização e a criação na nova sociedade, a disponibilidade jurídica dos valores investidos na entidade sem fins lucrativos, tanto é assim que não tinham opção de investir em outra sociedade qualquer. Este fato não ocorreu e não pode ser presumido. Portanto, concluo que a alegação do Fisco de que as ações recebidas quando da transformação da BOVESPA e da BM&F se deu em razão de devolução de capital, não se sustenta. No mesmo sentido, não há de se falar em “novas” empresas ou “novas” participações. As empresas sofreram alteração do tipo societário, modificando a forma de se organizar. O Fisco utiliza este argumento – de que houve devolução do capital – também para justificar seu entendimento de que as ações detidas pela Recorrente não se confundem com os títulos patrimoniais que detinha. Em decorrência do raciocínio acima apresentado, concluo que as premissas adotadas pelo Fisco estão equivocadas. Em primeiro lugar porque, como dito, não houve devolução de patrimônio e, em segundo lugar, porque justamente a equivalência das ações e dos títulos patrimoniais anteriormente detidos, no que se refere aos valores, bem como o fato de ter havido uma transformação do tipo societário, evidenciam que não se trata de nova aquisição de participação, mas mera substituição de um tipo de participação por outro, em razão da transformação das entidades. Tanto assim, que como bem observou o Fisco, quando da substituição dos títulos patrimoniais pelas ações, foi necessário conferir ações que representassem o mesmo valor dos títulos patrimoniais anteriormente detidos. Esta equivalência também evidencia se tratar de mera substituição de um tipo de título representativo de capital por outro. Por esta razão, a interpretação fiscal de que deveria ter sido registrado na contabilidade uma devolução de capital, distribuição de superávit, incorporação de bens e Fl. 752DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assin ado digitalmente em 16/01/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16327.001128/201028 Acórdão n.º 3302001.839 S3C3T2 Fl. 526 21 obrigações ao patrimônio da Recorrente, com posterior aquisição de novas participações em “outras” sociedades anônimas, não se mantém pois esta realidade não ocorreu. (i.b.) Da Classificação Contábil das Ações A questão da operação societária é absolutamente relevante para a análise da classificação contábil das ações recebidas como troca pelos títulos que a Recorrente possuía da entidade sem fins lucrativos. Isso porque pelo raciocínio da fiscalização, como houve um novo investimento, necessária se faria uma nova classificação. Neste sentido, se a classificação contábil correntemente se faz no momento em que o ativo é adquirido, claro que a constituição de uma nova sociedade é o momento de classificação do ativo, assim, no instante da constituição da BM&F, antes da venda das ações, deveria ser verificada a intenção do contribuinte para com o ativo, classificandoo como permanente (se a intenção era de manutenção do investimento a longo prazo) ou circulante (se a intenção era disponibilizar as ações para venda). Todavia, conforme esclarecido, discordo deste posicionamento, no sentido de que a meu ver não se trata de novo investimento mas de manutenção de investimento antigo, haja vista que não coaduno com a interpretação de que houve a devolução do capital investido mas procedimento de cisão. Neste diapasão, a questão que me parece relevante é saber se haveria, para a Recorrente, no momento da desmutualização ou em qualquer outro instante antes da venda das ações, obrigação de reclassificar o ativo, alterando a forma de contabilização de permanente para circulante. É de se observar que os títulos foram adquiridos para o fim de investimento, sem que houvesse a intenção, por parte de Recorrente, de utilizálos para obtenção de lucros. Até porque, à época, a obtenção do título era requisito para a que a Corretora pudesse operar na Bolsa de Valores. Neste sentido, imperioso relembrar que, como bem esclarece o Parecer Normativo nº 03/80, citado pela Recorrente em sua defesa, temse como regra que a classificação contábil é determinada no momento da aquisição deste bem. Neste sentido, destaco trecho do citado Parecer, verbis: "5. Por conseguinte, tendo em vista os reflexos da alteração pretendida na apuração dos resultados da pessoa jurídica, é evidente que o contribuinte não tem faculdade de classificar as contas, ou reclassificálas, segundo critérios subjetivos de sua conveniência. Ao contrário, impõe se a rigorosa observância dos preceitos da lei comercial e fiscal. 6. Os critérios de classificação a serem observados devem ser aqueles consubstanciados nos arts. 178 a 182, da Lei n° 6.404, de 15 de dezembro de 1976, aplicável por expressa determinação Fl. 753DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assin ado digitalmente em 16/01/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16327.001128/201028 Acórdão n.º 3302001.839 S3C3T2 Fl. 527 22 do § 4° do art. 70 do DecretoLei n° 1.598/77. No caso sob exame, a reclassificação, para o ativo circulante, de direitos registrados no ativo imobilizado fere frontalmente disposições do art. 179 da Lei n° 6.404/76. Segundo a alínea I desta norma, somente podem ser incluídos no ativo circulante os direitos de crédito e os que tiverem por objeto mercadorias e produtos do comércio ou da indústria da companhia, além das disponibilidades e das aplicações de recursos em despesas do exercício seguinte. (...) 8. Em face do exposto, impõese a conclusão lógica de que a simples pretensão da pessoa jurídica no sentido de alienar bens destinados à utilização na exploração do objeto social ou na manutenção das atividades da empresa não autoriza, para os efeitos da legislação do imposto de renda, a exclusão dos elementos correspondentes registrados em contas do ativo permanente, devendo a cifra respectiva continuar integrando aquele agrupamento até a alienação, baixa ou liquidação do bem." (destaquei) Assim, no momento da desmutualização, não resta dúvida que os títulos estavam registrados no ativo permanente da Recorrente e que esta classificação estava correta. Da mesma forma, pareceme claro que a classificação do bem deve obedecer à intenção de seu proprietário no momento de sua aquisição2, o que aliás, é confirmado pela boa técnica contábil, que determina a avaliação do bem no momento de seu registro na contabilidade da empresa. Tanto é assim que a fiscalização, para justificar a necessidade de nova classificação do bem, entendeu que houve uma devolução de patrimônio com investimento em nova sociedade, pois sem dúvida neste momento – realização de nova contabilidade – deve ser realizado o registro contábil, bem como deve ser questionada a intenção do contribuinte para referido o bem (se investimento permanente ou não). A dúvida, a meu sentir, é: a modificação de “título” para “ação” é condição suficiente para demandar a revisão/alteração do registro contábil ? Existe um momento para a reavaliação do registro contábil ? As ações são mercadorias ? A fiscalização cita, para justificar a autuação, informação da BOVESPA a todos os associados no sentido de que as ações “trocadas” deveriam ser registradas: no Ativo Circulante, em subconta especifica da conta Títulos. de Renda Variável, se a decisão for a de alienar as ações e no Ativo Permanente, em subconta especifica da conta Ações e Cotas se a decisão for a de .considerar essas ações como investimento. 2 No presente caso, quando os títulos patrimoniais das entidades foram adquiridos a intenção da Recorrente era mantêlos, até porque deles dependia o desenvolvimento de sua atividade de corretora de valores, na medida em que era condição para o exercício de tal atividade a propriedade de tais títulos. Aliás, não se discute nestes autos o fato de que estes títulos foram adequadamente classificados como ativo permanente, visto que a fiscalização e DRJ concordaram expressamente com esta classificação. Fl. 754DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assin ado digitalmente em 16/01/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16327.001128/201028 Acórdão n.º 3302001.839 S3C3T2 Fl. 528 23 Fato é que não consta da nomenclatura jurídica uma regra clara que determine o momento de reclassificação do patrimônio na contabilidade. Neste sentido não se determina que a alteração tenha que ser realizada durante o ano calendário, no exato momento em que a empresa entende pela venda do ativo. Ao buscar as normas complementares que esclarecerem os dispositivos legais e constitucionais, localizei o Parecer Normativo 108/78 – PN que da seguinte forma determina verbis: 7.1 Por participações permanentes em outras sociedades, se entendem as importâncias aplicadas na aquisição de ações e outros títulos de participação societária, com a intenção de mantêlas em caráter permanente, seja para obter o controle societário, seja por interesses econômicos, como, por exemplo, a constituição de fonte permanente de renda. Essa intenção será manifestada no momento em que se adquire a participação, mediante a sua inclusão no subgrupo de investimentos caso haja interesse de permanência ou registro no ativo circulante, não havendo esse interesse. Será, no entanto, presumida a intenção de permanência sempre que o valor registrado no ativo circulante não for alienado até a data do balanço do exercício seguinte àquele em que tiver sido adquirido; neste caso, deverá o valor da aplicação ser transferido para o subgrupo de investimentos e procedida a sua correção monetária, considerando como data de aquisição a do balanço do exercício social anterior.” A permanência do bem no patrimônio se presume na hipótese de o bem não ser vendido no mesmo exercício em que foi adquirido. In casu, o bem permaneceu no ativo da Recorrente durante muitos anos, o que demonstra que, neste aspecto, a “intenção de permanência” quando o bem foi adquirido está clara. Podese dizer que a alteração desta intenção de permanência se iniciou em agosto de 2007, quando realizados os procedimentos societários para desmutualização da BOVESPA. Isso porque o Protocolo de Intenções da cisão esclareceu o objetivo de transformação da parte da sociedade cindida em sociedade privada, bem como a posterior abertura de capitais. No caso em análise a venda das ações ocorreu nos meses subseqüentes ao IPO, ainda no ano de 2007. Todavia, ainda assim entendo que não se trata de venda de mercadorias, mas efetiva venda de ativos. É que o fato de o contribuinte tomar providências para que seu ativo fique mais valioso não significa que transformou este ativo em mercadoria. Não vejo como possível a mudança de substancia do bem, a meu ver este bem sempre foi um ativo, um investimento próprio. Por outro giro, a legislação expressamente exclui, da base de cálculo das contribuições ao PIS e COFINS, o valor referente à venda do ativo permanente. Logo, claro está que é possível realizar a venda de bens classificados no ativo permanente, no sentido de que não é preciso transferir o bem para o ativo circulante para proceder à sua venda. Os investimentos em discussão iniciaram o ano como título patrimonial e ficaram assim desde a existência da bolsa. O fato de a BOVESPA ter sido desmutualizada em Fl. 755DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assin ado digitalmente em 16/01/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16327.001128/201028 Acórdão n.º 3302001.839 S3C3T2 Fl. 529 24 agosto e do IPO ter ocorrido mais ao final do ano não altera a natureza do bem que continua sendo investimento próprio e, consequentemente, não, justifica a mudança de classificação contábil no próprio exercício e a reclassificação. Raciocínio inverso levaria à conclusão de inexistência/impossibilidade de opção de venda de ativo permanente. Isto porque, se as empresas forem obrigadas à reclassificação contábil do bem sempre que houver a intenção de venda do ativo, não haverá venda de ativo permanente, posto que antes da venda ocorrerá mudança de rubrica contábil (de circulante para permanente ou de permanente para circulante). Neste sentido está a já citada redação do Parecer Normativo CST nº 3/80, a saber: “8. Em face do exposto, impõese a conclusão lógica de que a simples pretensão da pessoa jurídica no sentido de alienar bens destinados à utilização na exploração do objeto social ou na manutenção das atividades da empresa não autoriza, para os efeitos da legislação do imposto de renda, a exclusão dos elementos correspondentes registrados em contas do ativo permanente, devendo a cifra respectiva continuar integrando aquele agrupamento até a alienação, baixa ou liquidação do bem.” No mais, vale perscrutar qual é a essência do negócio jurídico em discussão. Da análise que faço, entendo que desde o início a Recorrente pretendeu vender seu ativo permanente, mesmo que na forma de ações e em procedimento de IPO. Para tal objetivo realizou a permuta de participações societárias (título x ação), sendo que corrobora esta interpretação o fato de serem sociedades com mesmo capital, mesmos investidores e mesma atividade econômica. Inicialmente cumpre registrar que a Deliberação CVM nº 29/86 esclarece que a contabilidade se baseia na essência e não na forma jurídica dos institutos, verbis: “(...) 2º) A contabilidade possui um grande relacionamento com os aspectos jurídicos que cercam o patrimônio, mas, não raro, a forma jurídica pode deixar de retratar a essência econômica. Nessas situações deve a Contabilidade guiarse pelos seus objetivos de bem informar, seguindo, se for necessário para tanto, a essência ao invés da forma.” (destaquei) No mesmo sentido, a Resolução nº 750/93 do Conselho Federal de Contabilidade determina que nos registros contábeis devem seguir a essência do ato jurídico: “Art. 1º. (...) §2º Na aplicação dos Princípios Fundamentais de Contabilidade há situações concretas e a essência das transações deve prevalecer sobre seus aspectos formais.” (destaquei) As ações não foram adquiridas com a finalidade de mercancia, mas de investimento. E ainda que a desmutualização tenha ocorrido com o aval da Recorrente – os atos societários da cisão denotam que os associados estavam de acordo com o procedimento de alteração do tipo societário exatamente para alcançar a finalidade de proceder ao IPO – isso Fl. 756DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assin ado digitalmente em 16/01/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16327.001128/201028 Acórdão n.º 3302001.839 S3C3T2 Fl. 530 25 não significa, em minha interpretação, que o título se transformou em produto, ao contrário, significa que a Recorrente pretendia tornar seu ativo permanente bom para venda. Claro que o título ganhou “mais valia”, mas o fato de terse tornado mais valioso não mudou a situação e natureza de ser investimento próprio da Recorrente, inclusive registrado em seu próprio patrimônio. Por outro giro, o fato de terse transformado um investimento valioso justifica o interesse da Recorrente na venda do bem. Ademais, mister se faz avaliar os instrumentos assinados pela Recorrente no sentido de se comprometer com a alienação de parte das ações que receberia após a transformação das entidades em sociedades anônimas. Este fato faz com que tais ações devessem estar registradas no ativo circulante da Recorrente? Algumas considerações, neste particular, precisam ser realizadas. A Recorrente – assim como todas as demais associadas da BOVESPA e da BM&F – precisou se comprometer a vender parte das ações que receberia (em substituição aos títulos patrimoniais), como condição da realização da própria transformação das associações em sociedades anônimas. Na ocasião todas as corretoras que participavam da BOVESPA e da BM&F através de investimentos em títulos patrimoniais se comprometeram a alienar parte das ações substitutivas que viriam a receber, como forma de possibilitar a realização da própria transformação social. Quer dizer, para que as entidades pudessem se transformar em uma sociedade anônima, e considerando ainda que antes era uma entidade sem finalidade lucrativa, precisaria apresentar ao mercado uma oferta de ações, de modo a viabilizar a operação societária (abertura do capital). Assim, cada associado precisou se comprometer a alienar uma parte das ações que lhes caberia, em substituição aos títulos patrimoniais que até então detinham, para que pudesse ser aberto (ofertado) o capital das entidades, sob pena de a transformação não ocorrer (na hipótese, por exemplo, de nenhum dos associados às entidades, ofertar/vender as ações que receberiam). Por isso as associadas (inclusive a Recorrente) tiveram de assinar um instrumento através do qual se comprometiam a realizar a venda de parte das ações que receberiam em substituição aos títulos patrimoniais das associações, como forma de garantir a realização da transformação societária. Ainda, para garantir o sucesso da operação, as corretoras assinaram, também junto às entidades, termos através dos quais se comprometiam a alienar uma parcela das ações diretamente a um determinado fundo, que de acordo com negociações prévias com a BOVESPA e com a BM&F, garantiria a liquidez das operações, e o sucesso (mínimo) da abertura do capital (referido fundo comprometeuse a realizar a aquisição de parte do capital das entidades, no momento da abertura do capital, como forma de garantir a transformação das associações em sociedades anônimas). Portanto, a alienação destas participações societárias foi realizada como condição da realização da própria transformação societária que se realizaria. Este fato se comprova da análise dos instrumentos através dos quais a Recorrente se comprometeu a fazê lo, que foi assinado com as próprias entidades, e não com o potencial comprador (fls. 15/22). Registro ainda que, por mais que a Recorrente, neste momento, apresentasse a firme intenção de venda, isso não desnaturaria, a meu ver, a característica de investimento do patrimônio em comento, o qual foi adquirido com intenção de permanência no patrimônio.Significa, outrossim, que houve existe a intenção de venda do ativo imobilizado. Fl. 757DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assin ado digitalmente em 16/01/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16327.001128/201028 Acórdão n.º 3302001.839 S3C3T2 Fl. 531 26 Reiterando que a tese de que a Recorrente recebeu as ações em devolução de capital, o que justificaria nova avaliação contábil, com dito anteriormente, a meu sentir não procede, sendo que entendo que efetivamente houve a substituição dos títulos patrimoniais. Em relação à outra parcela das ações vendidas, também não se pode concluir que no momento da obtenção destes ativos a Recorrente visava sua venda, pois ainda que tais vendas tenham sido realizadas por liberalidade das corretoras (e da própria Recorrente), a venda da participação claramente não foi a razão pela qual tais participações adentraram o patrimônio das empresas. As ações não foram compradas no mercado para venda, já existiam no patrimônio da Recorrente como investimento permanente. A meu ver, são investimentos próprios que se tornaram valiosos, razão pela qual a empresa decidiu vendêlos. O motivo pelo qual a Recorrente decidiu vender as ações foi porque elas foram valorizadas, não porque foram transformadas em mercadorias. Diante deste cenário – e mesmo que por hipótese se admita, apenas ad argumentandum, que se tratasse de aquisição de novos/outros bens – é evidente que também neste caso as ações não teriam sido adquiridas com a finalidade de serem alienadas. As ações teriam sido adquiridas, então, para substituir o capital investido nas entidades – ou seja, como afirma o Fisco, para recuperação do capital anteriormente investido. Aliás, ainda que fossem adotadas as alegações da autoridade fiscal, de que se trata de conferência de ações como forma de devolução de capital, mister constatar que, se devolução de capital é, então não poderia ser aquisição de ações para revenda. E, assim, sendo, não poderiam ser (re)classificados tais bens no ativo circulante da Recorrente, como pretendia a fiscalização. Com estas considerações, posto que adotada a premissa de que os bens em comento integram ao ativo permanente, cabe razão à Recorrente quanto à não incidência do PIS e da COFINS sobre o resultado das alienações de tais bens, na medida em que há previsão legal expressa na Lei nº 9.718/98 afastando a tributação sobre tais receitas. Ante o exposto, conheço do recurso apresentado para o fim de DARLHE PROVIMENTO, reformando assim a decisão de primeira instância administrativa. É como voto. (Assinado digitalmente) Fabiola Cassiano Keramidas Declaração de Voto Fl. 758DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assin ado digitalmente em 16/01/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16327.001128/201028 Acórdão n.º 3302001.839 S3C3T2 Fl. 532 27 Conselheiro Gileno Gurjão Barreto Cabe a esse colegiado decidir acerca do procedimento que se convencionou designar por “desmutualização” da Bolsa de Valores de São Paulo Bovespa e da Bolsa de Mercadorias e Futuros BMF, especificamente no que se refere ao tratamento tributário a ser dispensado ao ganho de capital eventualmente apurado por ocasião da alienação pelo contribuinte das ações recebidas em substituição aos títulos patrimoniais de Bovespa e BMF, por ele detidos, para fins de incidência das contribuições devidas ao Programa de Integração Social PIS e ao Financiamento da Seguridade Social COFINS. 1. Aspectos gerais da “desmutualização” As instituições autorizadas a operar na Bovespa e na BMF (conjuntamente denominadas “bolsas”), eram proprietárias de títulos patrimoniais representativos do capital dessas entidades, devidamente registrados em seus livros contábeis. As bolsas, até recentemente, eram entidades civis sem fins lucrativos, contudo, tendo passado pelo processo de “desmutualização”, seu objeto passou a ser desenvolvido através de sociedades por ações, constituídas nos termos da Lei nº 6.404/76. Nesse processo, os títulos patrimoniais foram substituídos por ações representativas do capital das novas sociedades. Em etapa subseqüente procedeuse à alienação, no mercado, das ações recebidas pelos antigos detentores de títulos patrimoniais de forma a democratizar o capital dessas sociedades. A alienação se faz mediante ofertas públicas, secundárias das ações de Bovespa e BMF, transferindo os contribuintes a sua participação societária para os novos adquirentes. Por ocasião da alienação das ações, apurouse ou não ganho de capital, nos casos em que o valor de realização dos ativos foi superior ao seu respectivo custo de aquisição. Nesse contexto, esse colegiado deverá decidir sobre a incidência sobre o referido ganho de capital (sim, é de ganho de capital que estamos aqui a discorrer), para fins de incidência do PIS e da COFINS, o que exigirá transpassarmos pela legislação do IRPJ e da CSLL, inclusive no tocante à forma de determinação do custo de aquisição das ações que seria computado para fins de determinação do ganho de capital a ser tributado, caso esse colegiado decida adotar essa interpretação. 2. Da análise das operações realizadas 2.1 Natureza da “desmutualização” De forma geral, a “desmutualização” consistiu na conversão das bolsas, antigas entidades sem fins lucrativos, em sociedades com fins lucrativos constituídas sob a forma de companhia. O processo se fez observados os seguintes passos: (i) cisão parcial de Bovespa e BMF, com versão das parcelas de seus patrimônios para pessoas jurídicas com fins lucrativos; e (ii) troca dos títulos patrimoniais por ações das companhias criadas. Fl. 759DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assin ado digitalmente em 16/01/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16327.001128/201028 Acórdão n.º 3302001.839 S3C3T2 Fl. 533 28 Efetivada a “desmutualização“, procedeuse à venda compulsória firmada em compromisso de acionistas, pelos antigos detentores de títulos patrimoniais, no mercado, de parte das ações recebidas. O acordo firmado entre as partes envolvidas, bolsas e acionistas, determinou que essa venda se fizesse em até 180 dias a contar da desmutualização. As operações indicadas em (i) e (ii) acima integram um contrato amplo, atípico, formado a partir de contrato típico regulado em lei, a cisão, autorizada também para entidades sem fins lucrativos, pelo art. 2033, do Código Civil/CC, convergindo, ao mesmo tempo, para obter os efeitos da figura jurídica da transformação, também autorizada para entidades sem fins lucrativos no mesmo art. 2033 do CC. “Art. 2.033. Salvo o disposto em lei especial, as modificações dos atos constitutivos das pessoas jurídicas referidas no art. 44, bem como a sua transformação, incorporação, cisão ou fusão, regemse desde logo por este Código. Art. 44. São pessoas jurídicas de direito privado: I as associações; II as sociedades; III as fundações. IV as organizações religiosas; (Incluído pela Lei nº 10.825, de 22.12.2003) V os partidos políticos. (Incluído pela Lei nº 10.825, de 22.12.2003) VI as empresas individuais de responsabilidade limitada. (Incluído pela Lei nº 12.441, de 2011) § 1o São livres a criação, a organização, a estruturação interna e o funcionamento das organizações religiosas, sendo vedado ao poder público negarlhes reconhecimento ou registro dos atos constitutivos e necessários ao seu funcionamento. (Incluído pela Lei nº 10.825, de 22.12.2003) § 2o As disposições concernentes às associações aplicamse subsidiariamente às sociedades que são objeto do Livro II da Parte Especial deste Código. (Incluído pela Lei nº 10.825, de 22.12.2003) § 3o Os partidos políticos serão organizados e funcionarão conforme o disposto em lei específica. (Incluído pela Lei nº 10.825, de 22.12.2003)” O artigo 61 do Código Civil, por seu turno, poderia lançar dúvidas sobre da possibilidade da destinação do patrimônio para uma nova sociedade, empresária, por sua redação: Art. 61. Dissolvida a associação, o remanescente do seu patrimônio líquido, depois de deduzidas, se for o caso, as quotas ou frações ideais referidas no parágrafo único do art. 56, será destinado à entidade de fins não econômicos designada no Fl. 760DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assin ado digitalmente em 16/01/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16327.001128/201028 Acórdão n.º 3302001.839 S3C3T2 Fl. 534 29 estatuto, ou, omisso este, por deliberação dos associados, à instituição municipal, estadual ou federal, de fins idênticos ou semelhantes. Porém, ao referirse ao artigo 56, esta admite claramente essa possibilidade: Art. 56. A qualidade de associado é intransmissível, se o estatuto não dispuser o contrário. Parágrafo único. Se o associado for titular de quota ou fração ideal do patrimônio da associação, a transferência daquela não importará, de per si, na atribuição da qualidade de associado ao adquirente ou ao herdeiro, salvo disposição diversa do estatuto. A interpretação conjunta dos dois dispositivos afirma a possibilidade dessa destinação, ao determinar que sejam destinadas a outras associações sem fins lucrativos apenas a parcela remanescente “depois de deduzidas, se for o caso, as quotas ou frações ideais do art. 56”, e quem são essas quotas ou frações ideais ? as dos associados. Se um clube de lazer decidir resolverse, e uma sociedade empresária for titular de quotas para o desfrute de seus empregados (aliás, indedutíveis para fins de IRPJ), ela receberá a sua quota ou fração, em seu nome. Não vejo portanto qualquer impeditivo legal para a execução da operação. É de se observar que pela cisão, parcelas de patrimônio das antigas bolsas, entidades sem fins lucrativos, foram transferidas para sociedades por ações, com fins lucrativos, sucedendo essas sociedades todos os direitos e obrigações referentes às referidas parcelas recebidas. De seu lado, os antigos detentores dos títulos patrimoniais tornaramse sócios das novas sociedades, capitalizandoas com suas antigas participações, sem qualquer alteração em sua situação patrimonial. A cisão está prevista no CC, art. 1122 e, de forma subsidiária no presente caso, na lei societária, art. 229. O recebimento das parcelas cindidas das bolsas, por sociedades com fins lucrativas, deu nascimento à transformação dessa parcela de patrimônio de entidade sem fins lucrativos para um patrimônio de entidade com fins lucrativos, convergindo, portanto, para a figura da transformação. Pela transformação a sociedade passa, independentemente de dissolução e liquidação, de um tipo para outro, devendo observar os preceitos que regulam a constituição e o registro do tipo a ser adotado, no caso companhia. O tema é tratado nos arts. 1113 a 1115 do CC e 220 e 221 da lei societária. A transformação tem como principal decorrência a continuidade da sociedade transformada, no caso representada pelas parcelas patrimoniais parcelas vertidas no momento da cisão, atribuindose aos detentores dos títulos, convertidos em ações, todos os direitos de que anteriormente desfrutavam em relação a essas parcelas, apenas que, agora, sob uma entidade com fins lucrativos. É certo, pois, que os sócios das novas companhias mantiveram suas condições anteriores de detenção e tratamento dos ativos, da mesma forma que as novas sociedades sucederam direitos e obrigações das parcelas de patrimônio das bolsas. O que se poderia arguir, e o que agora se faz, é se o contribuinte poderia ter agido de forma distinta, ou se estaríamos diante de uma operação sem propósito negocial ou desprovida de substância econômica, com o único fito de elidir a parcela dos tributos sobre o lucro, ou para evitar o surgimento de uma receita, ou seja, se esse “ganho de capital”, resultado de alienação de ativo permanente, não tributável pelo PIS e pela COFINS, poderia em algum Fl. 761DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assin ado digitalmente em 16/01/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16327.001128/201028 Acórdão n.º 3302001.839 S3C3T2 Fl. 535 30 momento terse constituído em uma “receita”, de natureza operacional, justamente porque “(in)dependente(mente) de sua denominação ou classificação contábil. Ou seja, se a partir de uma inferência contábil, a natureza jurídica da operação mudaria, e determinaria a sua forma de tributação. Estamos diante aqui, em minha opinião, de se a forma poderia modificar a essência da operação. 2.2 Histórico do tratamento contábiltributário dos títulos patrimoniais De forma a permitir a adequada compreensão de todos os aspectos relevantes aplicáveis à matéria, mister se faz recuperar o conjunto de dispositivos legais que regularam, ao longo do tempo, os títulos patrimoniais das bolsas. 2.2.1 Tratamento contábil A Lei n° 4.595/64 que dispõe sobre a atividade financeira no País , dentre outras matérias, deu competência ao Conselho Monetário Nacional – CMN para expedir normas gerais de contabilidade a serem observadas pelas instituições financeiras (art. . 4°). De sua vez, a Lei n° 6.385/76, em seu art. 223, §§ 1º, II e IV, e § 2º, conferiu igual prerrogativa à Comissão de Valores Mobiliários CVM, determinando ainda que tais disposições se apliquem, no que não forem incompatíveis, às instituições financeiras e demais entidades autorizadas a funcionar pelo Banco Central do Brasil BACEN. Assim, o BACEN está autorizado a editar normas contábeis cuja observância pelas instituições financeiras e demais entidades por ele autorizadas a funcionar é obrigatória, sendo que a CVM goza de idêntica prerrogativa, desde que as normas por ela editadas não sejam conflitantes com as determinações do BACEN. No que se refere à contabilização dos títulos patrimoniais das bolsas, nas instituições financeiras que os detinham, ela obedecia às disposições da Circular nº 1.273/87, do BACEN, que instituiu o Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeira Nacional COSIF, de adoção obrigatória pelas referidas entidades.4. Dentre as normas instituídas pelo COSIF, mais especificamente no Elenco de Contas (e suas seções Relação de Contas e Função das Contas), destacamse as seguintes rubricas: (a) No Ativo Permanente, subgrupo Investimentos: 2.1.4.10.002 Títulos Patrimoniais, e seu desdobramento, 2.1.4.10.105 De Bolsas de Valores (b) No Patrimônio Líquido: 6.1.3.00.000 Reservas de Capital, e seu desdobramento, 3 Com a redação dada pelo Decreto Federal nº 3.995/01. 4 A partir do período findo em 30.06.1988. Fl. 762DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assin ado digitalmente em 16/01/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16327.001128/201028 Acórdão n.º 3302001.839 S3C3T2 Fl. 536 31 6.1.3.70.009 Reserva de Atualização de Títulos Patrimoniais No descritivo da Função das Contas, dispõe o COSIF acerca das funções correspondentes às rubricas acima especificadas: (a) Títulos Patrimoniais (2.1.4.10.002), com seus desdobramentos De Bolsas de Valores (2.1.4.10.105) e demais. Função: Registrar os títulos patrimoniais de bolsas de valores, de mercadorias, de futuros e outros de propriedade da instituição, inclusive as contas patrimoniais da CETIP5. Ver itens 1.11.3.3 a 5 das Normas Básicas. As cotas patrimoniais da CETIP devem ser registradas nesta conta. (b) Reserva de Atualização de Títulos Patrimoniais (6.1.3.70.009) Função: Registrar o valor das atualizações anuais de títulos patrimoniais de bolsas e da CETIP. Nas disposições contidas nas Normas Básicas, acima mencionadas, encontramse as orientações a serem observadas para fins de registro do valor dos títulos patrimoniais, bem como sua respectiva atualização: Seção: Ativo Permanente 11 Tópico: 3 Outros Investimentos 1 Constituem a carteira Outros Investimentos as seguintes aplicações: (...) (b) títulos patrimoniais; (...) 3 Os títulos patrimoniais de bolsas de valores, de mercadorias e de futuros, e da CETIP são atualizados, por ocasião dos balanços, pelo valor informado pela respectiva bolsa, procedendose aos seguintes lançamentos de ajustes: se o novo valor informado pelas bolsas for superior ao saldo contábil na data base do balanço, debitase TÍTULOS PATRIMONIAIS pela diferença apurada, em contrapartida com RESERVA DE ATUALIZAÇÃO DE TÍTULOS PATRIMONIAIS; se o novo valor informado pelas bolsas for inferior ao saldo contábil na data base do balanço, creditase TÍTULOS PATRIMONIAIS pela diferença apurada, em contrapartida com RESERVA DE ATUALIZAÇÃO DE TÍTULOS PATRIMONIAIS, até o 5 Central de Custódia e Liquidação Financeira de Títulos. Fl. 763DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assin ado digitalmente em 16/01/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16327.001128/201028 Acórdão n.º 3302001.839 S3C3T2 Fl. 537 32 limite de seu saldo. A parcela excedente, se houver, é debitada em LUCROS OU PREJUÍZOS ACUMULADOS. Assim, no que se refere ao tratamento contábil a ser adotado para fins de registro do valor correspondente aos títulos representativos dos patrimônios das bolsas, bem como sua respectiva atualização, o COSIF determinava que essa atualização deveria ser registrada em conta de ativo permanente, tendo como contrapartida reserva de capital no patrimônio líquido intitulada Reserva de Atualização de Títulos Patrimoniais. Ressaltese, apenas para enfatizar, que o registro da contrapartida da atualização dos títulos diretamente em conta de reserva de capital, de per si, já teria o condão de afastar qualquer efeito no resultado do período. 2.2.2 Tratamento tributário As manifestações oficiais quanto ao tratamento tributário da contrapartida da atualização dos títulos patrimoniais remontam a período anterior à instituição do COSIF. Assim, a Portaria 785, datada de 23/12/77, editada pelo Ministro da Fazenda, dispunha: “O Ministro do Estado da Fazenda, no uso de suas atribuições, e, com fundamento no dispõe o artigo 223, “m”, do Regulamento do Imposto sobre a Renda, aprovado pelo Decreto n° 76.186, de 2 de setembro de 1975, resolve: 1. O acréscimo do valor nominal dos títulos patrimoniais das Bolsas de Valores, em decorrência de alteração do seu patrimônio social, não constitui receita, nem ganho de capital das corretoras associadas e, por isso, pode ser excluído do lucro real destas, desde que não seja distribuído e constitua reserva para oportuna e compulsória incorporação ao capital. 2. Aos aumentos de capital assim procedidos aplicase o disposto no DecretoLei n° 1.109, de 28 de junho de 1970, artigo 3°, § 3° (RIR, artigo 237)”. (D.O.U. de 23/12/1977).” (Grifos nossos) O dispositivo do Regulamento do Imposto de Renda – RIR atinente à matéria, vigente à época e citado pela Portaria, trazia a seguinte redação: “Art. 223. Serão excluídos do lucro real para os efeitos de tributação: (...) m) o valor das ações, quotas ou quinhões de capital, recebidos em decorrência de aumentos de capital efetuados nos termos e condições dos artigos...” (com remissão, entre outros diplomas legais, ao art. 3° e respectivo § 1° do DecretoLei n° 1.109/70, que determinava que a não incidência se estendia aos sócios, acionistas ou titulares beneficiários, pessoas físicas ou jurídicas, podendo estas realizar aumentos de capital nas mesmas condições, mediante a incorporação dos valores distribuídos). À época da edição da citada Portaria, e até o final do exercício de 1987 (quando da publicação da Circular BACEN n° 1.273/87, que instituiu o COSIF), a Fl. 764DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assin ado digitalmente em 16/01/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16327.001128/201028 Acórdão n.º 3302001.839 S3C3T2 Fl. 538 33 contrapartida da atualização dos títulos patrimoniais das bolsas deveria ser efetuada em conta de resultado, integrando assim o lucro líquido do exercício e, por conseguinte, também o lucro real, base de cálculo do IR. Como se depreende, a Portaria foi editada com o fim precípuo de afastar a incidência do IR sobre o valor correspondente à atualização dos títulos, mediante a exclusão do lucro líquido para fins de determinação do lucro real, respeitadas 3 (três) condições: que o acréscimo do valor nominal dos títulos patrimoniais das bolsas não fosse distribuído aos acionistas; que esse acréscimo constituísse reserva para oportuna e compulsória incorporação ao capital; e que não ocorresse redução de capital ou extinção da pessoa jurídica nos 5 (cinco) anos subseqüentes, sob pena de tributação da parcela corresponde ao aumento de capital mediante a incorporação de reservas oriundas da atualização daqueles títulos, na pessoa jurídica, como lucro distribuído, ficando os respectivos sócios ou acionistas sujeitos à tributação pelo IR na declaração, ou na fonte, como disposto no DL 1109/70. A partir do exercício social de 1988, por força da entrada em vigor do Plano Contábil COSIF, a contrapartida credora da atualização positiva dos Títulos Patrimoniais das Bolsas de Valores deixou de transitar em resultado, passando a ser registrada em conta específica de Reserva de Capital, integrante do patrimônio líquido. A ausência de trânsito em resultado, por determinação do BACEN, eliminou qualquer reflexo tributário, exceto se houvesse uma especial determinação no sentido de que tal verba devesse ser tributada, o que não era o caso. Contudo, continuavam pertinentes as determinações da Portaria 785/77 no sentido de que somente o registro em conta de reserva de capital, agora autorizada pelo BACEN, afastava o risco de tributação. As condições referentes à não distribuição dos lucros para afastar a tributação, na forma prevista na Portaria, decorriam do fato de que, à época, a distribuição de lucros e dividendos estavam sujeitas à incidência do Imposto sobre a renda na fonte IRF. A Portaria sob exame, embora não expressamente, foi revogada por ser incompatível com o sistema jurídico, pois que além de haver especial previsão do BACEN para registro da contrapartida da atualização dos títulos patrimoniais, a partir de janeiro de 1996, por força do disposto no art. 10 da Lei nº 9.249/95, a distribuição de lucros e dividendos, não mais está sujeita à incidência do IRF, nem tampouco devem eles integrar a base de cálculo do IR do beneficiário. A restrição da Portaria, entretanto, continua aplicável a lucros anteriores a 1996. 2.3. Ações: aspectos contábeis e tributários 2.3.1. Considerações preliminares Primeiramente, importante mencionar dois fatos: no lançamento de ofício as autoridades fiscais cuidam de tentar configurar a operação como passível de tributação pelas contribuições do PIS e da COFINS nos seguintes termos, que transcrevemos por pensar ser importante para adequadamente contextualizarmos os fatos: Fl. 765DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assin ado digitalmente em 16/01/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16327.001128/201028 Acórdão n.º 3302001.839 S3C3T2 Fl. 539 34 6. Do Direito A matéria aqui tratada transcende a simples questão tributária e contábil. Daí a necessidade de identificar, primeiro, a natureza jurídica das Bolsas e o regime jurídico a que estão sujeitas, e depois, a natureza da operação denominada desmutualização. 6.1 Da natureza jurídica da associação (Bolsa) e s e u regime jurídico A questão reside no seguinte: a desmutualização é uma simples SUBSTITUIÇÃO DETÍTULOS PATRIMONIAIS por Ações ou é uma DEVOLUÇÃO DE MATRIMÔNIO aos associados? Nesse sentido, a RFB j á se pronunciou na Solução de Consulta COSIT n° 10, d e 26 de outubro de 2007, in verbis. "O instituto da cisão, disciplinado nos arts. 229 e segs da Lei n° 6.404, de1976, e art.1.122 da Lei n° 10.406, de 202, só é aplicável às pessoas jurídicas de direito privado constituídas sob a forma de sociedade.Às bolsas de valores constituídas sob a forma de associação se aplica o regime jurídico estatuído nos arts. 53 a 61 da Lei n° 10.406, de 2002 (CódigoCivil). O art.61 da Lei n° 10.406, de 2002, veda a destinação de qualquer parcela do patrimônio das bolsas de valores, constituídas sob a forma de associações, aentes com finalidade lucrativa". Vejamos o que dispõe o art. 61 do Código Civil: Art. 61. Dissolvida a associação, o remanescente do seu patrimônio liquido,depois de deduzidas, se for o caso, as quotas ideais referidas no parágrafo único do art. 56, será destinado à entidade de fins não econômicos designada no estatuto, ou, omisso este, por deliberação doas associados, à instituição municipal, estadual ou federal, de fins idênticos. § 1° Por cláusula do estatuto ou, no seu silêncio, por deliberação dos associados, podem estes, antes da destinação do remanescente referida neste artigo, receber em restituição, atualizado o respectivo valor, as contribuições que tiverem prestado ao patrimônio da associação. Como se vê, o dispositivo é claro ao exigir que o estatuto de associação só possa destinar seu patrimônio em caso de dissolução, mesmo parcial, para outra entidade de fins não lucrativos. Porém, permite que os associados recebam em restituição, as contribuições prestadas no passado. Resta irrefutável a necessidade de que sejam observadas as limitações impostas pelo Código Civil. Assim, as contribuições prestadas no passado pelas corretoras, convertidas em títulos patrimoniais, não podiam ser destinadas a uma sociedade empresarial com fins lucrativos. Fl. 766DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assin ado digitalmente em 16/01/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16327.001128/201028 Acórdão n.º 3302001.839 S3C3T2 Fl. 540 35 Entretanto, a norma jurídica permite a DEVOLUÇÃO DO PATRIMÔNIO aos associados,referente às contribuições prestadas no passado, no caso, o valor dos títulos patrimoniais. Diante do acima exposto, concluise que houve uma Devolução de Patrimônio, seguida da aquisição das ações subscritas, apesar de a Bolsa denominar a operação de "cisão parcial",seguida de "incorporação". Não se trata, pois, d e mera SUBSTITUIÇÃO de títulos por ações. A devolução de patrimônio, alcançada pelo artigo 17 da Lei n° 9.532/97, foi objeto de Ação Fiscal no ano de 2009 e resultou em autuação de IRPJ e CSLL no Processo n°16327.001043/2009 14. 6.2 Da legislação tributária e aspectos contábeis A corretora CITIGROUP é tributada pelo PIS e pela COFINS, nos termos da Lei 9.718/98.Os artigos 2° e 3 o da referida lei estabelecem que as citadas contribuições devem ser calculadas com base no faturamento das pessoas jurídicas, faturamento este que corresponde a sua receita bruta. Para fins de determinação da base de cálculo do PIS e da COFINS, são permitidas algumas exclusões da receita bruta, que estão prescritas no parágrafo 2° do artigo 3o da Lei n°9.718/98. Entre as exclusões permitidas, encontrase a receita decorrente da venda de bens do ativo permanente, prevista no inciso IV, do referido dispositivo legal. Art. 3 O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. (...) § 2 Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2, excluemse da receita bruta: (...) IV a receita decorrente da venda de bens do ativo permanente. (...) Verificamos que a CITIGROUP excluiu as receitas da venda destas ações da base de cálculo do PIS e da COFINS, como comprovam os demonstrativos apresentados a esta fiscalização(fls. ) Examinando os registros contábeis, constatamos que a CITIGROUP, após subscrever e receber as ações da Bovespa Holding S A , classificouas no ativo permanente, inclusive aquelas vendidas no IPO. Fl. 767DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assin ado digitalmente em 16/01/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16327.001128/201028 Acórdão n.º 3302001.839 S3C3T2 Fl. 541 36 Entendemos que a classificação contábil correta das ações alienadas no IPO é ativo circulante, mais especificamente nas seguintes contas COSIF (Plano Contábil das Instituições Financeiras definido pelo Banco Central): 1 CIRCULANTE E REALIZÁVEL A LONGO PRAZO 1.3 TÍTULOS DERIVATIVOS E VALORES MOBILIÁRIOS E INSTRUMENTOS FINANCEIROS 1.3.0.00.004 TÍTULOS FINANCEIROS DERIVATIVOS E VALORES MOBILIÁRIOS E INSTRUMENTOS 1.3.1.00.007 Livres 1.3.1.20.001 TÍTULOS DE RENDA VARIÁVEL 1.3.1.20.104 Ações de Companhias Abertas Como a legislação permite a exclusão das receitas da venda do ativo permanente, não há que se falar em exclusão da receita obtida na venda das ações da Bovespa no processo do IPO. A seguir, demonstramos por que as ações vendidas devem ser classificadas no Ativo Circulante. Vemos aqui, portanto, que a fiscalização fundamenta seu lançamento no fato de que a classificação contábil procedida pelo contribuinte fora incorreta, e que por isso o tratamento tributário seria inadequado. Com a devida vênia, é o oposto do que temos visto nesse E. Conselho, onde a fiscalização tem buscado, mormente nos casos em que se analisam reestruturações societárias, desconstituirse eventuais deduções (tais como de ágio), pelo fato de que as operações careceriam de fundamentação econômica. Há portanto uma inversão da ordem, a contabilidade sobreporseá à substância econômica da operação, caso prevaleça o entendimento desposado nesse lançamento. Teria, portanto, a ciência contábil de per si o poder de transformar a substância de uma operação em outra, para fins meramente tributários? tecerei alguns comentários, de resto absolvidos de artigo que escrevi em outras circunstâncias: A ciência econômica em sua vertente neoclássica compreende o mundo pela ótica de que pessoas, empresas e governos são agentes racionais que escolhem também racionalmente a melhor opção para valeremse de recursos escassos para atender necessidades ilimitadas. Dentro do nosso contexto, as expressões econômicas que devem ser capturadas nesse estudo e que são capturadas pela ciência contábil e pelo Direito são renda, patrimônio e consumo. Resumidamente, estas são riquezas essenciais e que interagem dentro do nosso sistema e, também, que se comportam e podem ser medidas das mais diferentes formas. Ainda que existam vários métodos de medição e apuração, não podemos esquecer requisitos Fl. 768DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assin ado digitalmente em 16/01/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16327.001128/201028 Acórdão n.º 3302001.839 S3C3T2 Fl. 542 37 essenciais que são, respectivamente, riqueza nova acrescida, riqueza acumulada e riqueza consumida. Essas expressões econômicas ganham envergadura em diversas disciplinas específicas dentro da contabilidade e do direito seja ele comercial ou tributário. Tais disciplinas estão separadas basicamente pelas funcionalidades específicas de seus propósitos, todavia, sem se deslocar da unidade que deve ser mantida tanto no Direito quanto na Contabilidade. A Contabilidade é outra das ciências sociais que mede a riqueza, diferentemente da ciência econômica, entretanto, por meio de um processo de (i) reconhecimento, (ii) mensuração e (iii) evidenciação das ações econômicas em determinada entidade apurandose seu patrimônio e suas variações no tempo. No processo de reconhecimento, verificase qual é a classificação da ação de natureza econômica. Para obterse a classificação dessa ação econômica é necessário um conjunto de definições próprias da contabilidade, que não necessariamente fazem parte da economia ou do Direito, muito embora o fenômeno ocorra no mundo real para todas essas ciências. Assim também se comporta quando a contabilidade mensura, quando a ação de natureza econômica devidamente classificada recebe sua expressão monetária contábil. Essa expressão monetária pode não corresponder à expressão jurídica (uma venda registrada a valor presente, não tem o mesmo valor expresso no contrato de compra e venda) ou à expressão econômica (o patrimônio líquido não reflete, em regra, o valor de utilidade da marca desenvolvida pela entidade). Por isso a contabilidade exige método específico que conduza à evidenciação e que torne possível demonstraremse ao usuário das informações contábeis quais foram esses procedimentos de reconhecimento e de mensuração utilizados. Dessa forma o processo contábil possui uma lente própria – com seus usos, métodos e costumes para enxergar a realidade e retratála. 6 Fabio Konder Comparato também sistematiza esse entendimento7 afirmando que (...) o balanço como de resto toda a contabilidade não pode jamais ser um simples reflexo de fatos econômicos, porque, se trata de uma interpretação simbólica e, portanto, convencional, da realidade. De fato, a contabilidade é um instrumento de medição de riqueza, que adota como meio a organização sistemática e consistente dos registros econômicofinanceiros. Esse instrumento é frequentemente utilizado por especialistas de outras ciências, dentre elas o próprio Direito, que por sua vez, outras ocasiões também é utilizado pela ciência contábil. Um é fonte do outro em diversas situações, outrossim, não raro ambos distanciamse um do outro. Certamente a ciência contábil é importante para mensurar e reduzir consistentemente a uma linguagem universal as informações econômicas, todavia, ela não será sempre utilizada como parâmetro para fins de legislação societária ou tributária. Conforme Rodrigo de Freitas8 as hipóteses de incongruência entre a ciência contábil e o Direito devem ser procuradas na própria legislação (societária/tributária). 6 Lopes, Alexsandro broedel e Roberto Quiroga Mosquera. In O Direito Contábil. Fundamentos Conceituais, aspectos da Experiência Brasileira e Implicações. , Controvérsias JurídicoContábeis São Paulo, Ed. Dialética, 2011, p. 59 7 Ensaios e pareceres de direito empresarial, forense,1977, p. 32 8 Freitas, Rodrigo de. In Ciência Contábil e Direito Contábil: a Nova Relação. Controvérsias JurídicoContábeis, Ed. Dialética, p. 424. Fl. 769DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assin ado digitalmente em 16/01/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16327.001128/201028 Acórdão n.º 3302001.839 S3C3T2 Fl. 543 38 2.3.2 Do Fato gerador e base de cálculo do PIS e da COFINS Desde a Constituição Federal de 1988, com redação conferida pela Emenda Constitucional nº 20/1998, já havia a previsão da incidência dessas contribuições sobre a receita ou o faturamento da empresa, sendo que a base de cálculo do PIS e da COFINS não cumulativos teve sua definição por meio das referidas Medidas Provisórias nº 66/2002 e nº 135/2003, respectivamente convertidas nas Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, como seguem, prevendo como base de cálculo o valor do faturamento mensal, assim entendido como o total das receitas auferidas pela empresa, independentemente da denominação ou classificação contábil a ela atribuídas,ou seja todas as receitas auferidas pela pessoa jurídica nos seguintes termos: Lei nº 10.637/2002: “Art. 1º A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1º Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica.” Lei nº 10.833/2003: “Art. 1º A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1º Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica.” 2.3.3 Principais aspectos sobre o conceito de receita para fins de tributação do PIS e da COFINS O legislador ao escolher como base de cálculo do PIS e da COFINS a “totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica”, no exercício da nova competência constitucional outorgada à União através da Emenda Constitucional nº 20/1998, olvidou de delimitar o sentido e alcance do termo “receita”. Ocorre que a simples menção ao termo “receita” em nossa Carta Constitucional implica na delimitação da liberdade do legislador infraconstitucional pelo legislador constituinte derivado, já que permitir ao intérprete ou ao legislador ordinário definir o sentido e alcance de institutos e conceitos constitucionalmente empregados seria autorizálos a que, arbitrariamente, firmassem nova discriminação de competência – hipótese não aceita pelo ordenamento jurídico pátrio. Fl. 770DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assin ado digitalmente em 16/01/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16327.001128/201028 Acórdão n.º 3302001.839 S3C3T2 Fl. 544 39 A nossa doutrina também se manifesta no sentido de que receita é uma espécie do gênero entrada, como ensina Geraldo Ataliba: “(...) Entrada é todo o dinheiro que ingressa nos cofres de determinada entidade. Nem toda entrada é receita. (...) Receita é a entrada que passa a pertencer à entidade. Assim, só se considera receita o ingresso de dinheiro que venha a integrar o patrimônio da entidade que recebe (...)”. Neste sentido, Marco Aurélio Greco considera que: “Nem todo “dinheiro” que “entra” no universo da disponibilidade da pessoa jurídica integra a base de cálculo da COFINS. Não basta ser uma “entrada” (mera movimentação financeira) é preciso que se configure como “ingresso”, no sentido de entrada como sentido de permanência e que resulte da atividade que corresponda ao seu objeto social (ou dele decorrente).” Ainda neste sentido, manifestouse Aires Fernandino Barreto (RDDT nº 5): “i.e.1. Ingressos e receitas Nem todos os valores que entram nos cofres das empresas são receitas. Os valores que transitam pelo caixa das empresas (ou pelos cofres públicos) podem ser de duas espécies: os que configuram receitas e os que se caracterizam como meros ingressos (que, na Ciência das Finanças, recebem a designação de movimentos de fundo ou de caixa). Receitas são entradas que modificam o patrimônio da empresa, incrementandoo. Ingressos envolvem tanto as receitas como as somas pertencentes a terceiros (valores que integram o patrimônio de outrem). São aqueles valores que não importam em modificação do patrimônio de quem os recebe, para posterior entrega a quem pertencem. Apenas os aportes que incrementam o patrimônio, como elemento novo e positivo, são receitas.” José Antonio Minatel, por sua vez, após longo e aprofundado estudo acerca do conceito de receita no contexto constitucional, na lei societária, na ciência contábil, na economia, nas finanças públicas, na lei tributária, bem como sobre a diferença entre receita, faturamento e ingresso, entre outras análises, verificou ser possível “reconhecer os seguintes atributos imprescindíveis para qualificar essa específica realidade expressa sob o signo de receita”: “a) conteúdo material: ingresso de recursos financeiros no patrimônio da pessoa jurídica; b) natureza do ingresso: vinculada ao exercício de atividade empresarial; c) causa do ingresso: contraprestação em negócio jurídico que envolva a venda de mercadorias ou prestação de serviços, assim como pela cessão onerosa e temporária de bens e direitos e pela remuneração de investimentos; d) disponibilidade: pela definitividade do ingresso; Fl. 771DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assin ado digitalmente em 16/01/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16327.001128/201028 Acórdão n.º 3302001.839 S3C3T2 Fl. 545 40 e) mensuração instantânea: isolada em cada evento, abstraindo se dos custos e de periodicidade para a sua apuração. “ Nesse sentido, como bem observado por Ricardo Mariz de Oliveira, tratando em específico sobre o conceito de receita (onde não por acaso tece criticas à obra de De Plácido e Silva por, em sua ótica, confundir receita com ingresso ou entrada), para a contabilidade (1) a receita é algo que integra o resultado do período, (2) que existe quando terceiros efetuem o pagamento de uma transação ou assumam o compromisso firme de efetivá lo em decorrência de uma venda ou de serviços, (3) podendo também existir pelo desaparecimento de uma dívida ou pela geração natural de ativos. Relevante relembrar que tanto a lei que disciplina a contribuição ao PIS quanto aquela que aborda a COFINS prevêem que a caracterização da receita independe da denominação ou classificação contábil. Não obstante a ressalva em questão possa inferir que todas as receitas podem ser objeto de tributação pelas contribuições em tela – exceto as exclusões, isenções e outros benefícios previstos em lei – não há como afastar os conceitos econômico e contábil de receita, mormente quando afirmados pelo novel denominado (mas não consensuado quanto à sua existência) Direito Contábil. Observamos, ainda, que o conceito de receita delimitado não é similar ao de renda, ou seja, que auferirse receita apenas ocorra quando há lucro ou ganho. Isto porque, para caracterização da receita, não se leva em conta nem custos nem despesas. Ou seja, “ainda quando haja uma venda com prejuízo, por ser o custo da coisa vendida maior que o preço da sua venda, este, de per si, representa um elemento positivo na formação do patrimônio. (...) Este isolamento do fator positivo, para a identificação do que seja receita, é que distingue receita de lucro, renda ou ganho (...)” (OLIVEIRA, Ricardo Mariz de apud SEHN, Solon. Op. cit., p. 159160). Além dessas espécies de receitas, existem outras, antes denominadas “não operacionais”, mas hoje consideradas simplesmente “outras receitas” (vide, por exemplo, a atual redação do art. 187, IV, da Lei 6.404/1976, em contraposição com a sua redação original). Como ensina a doutrina: “Com a edição da Lei nº 11.941/09, art. 187, inciso IV, deixa de existir a segregação dos resultados em operacionais e não operacionais. A partir do exercício de 2008, os normativos fazem referência apenas à segregação das atividades em continuadas e não continuadas. Assim, passam a ser reconhecidas como outras receitas e despesas operacionais os ganhos ou perdas que decorram de transações que não constituam as atividades ordinárias de uma entidade. Ou seja, o conceito de lucro operacional engloba os resultados das atividades principais e acessórias, e essas outras receitas e despesas operacionais são atividades acessórias do objeto da empresa” (IUDÍCIBUS, Sérgio, et al. op. cit., p. 516). As outrora denominadas receitas nãooperacionais incluíam as receitas financeiras, as receitas com vendas de ativo permanente e as receitas extraordinárias. Essas espécies de receitas foram contempladas na legislação do PIS e da COFINS nãocumulativos, quando a norma literalmente dispôs que a totalidade das receitas inclui, além da receita bruta das vendas de bens e serviços, “todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica” (art. 1º, § 1º, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003), mantendo a previsão da Lei no. 9.718/98 Fl. 772DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assin ado digitalmente em 16/01/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16327.001128/201028 Acórdão n.º 3302001.839 S3C3T2 Fl. 546 41 Vêse, portanto, que a base de cálculo do PIS e da COFINS corresponde à totalidade das receitas auferidas pela empresa, porém, não qualquer ingresso, mas aquelas cujo conceito jurídico e técnicocontábil encerra uma repercussão patrimonial positiva para a empresa. Concluindo, no caso concreto, tivemos, como consta dos autos, a alienação das ações recebidas em troca pela sua posição inicialmente mantida, porém, não deixou de ser uma alienação de ações de investimento próprio, que resultou contabilmente em uma receita de natureza nãooperacional. Se ainda assim julgássemos que essas receitas fossem submetidas á tributação, caberia a aplicação dos dispositivos da Lei nº 11.638/07 no sentido de que qualquer efeito decorrente das alterações da lei societária, que ocorreu de fato após a operação aqui analisada, seria necessariamente neutra do ponto de vista tributário. Prosseguindo, na percepção desse julgador, nada do que houve a posterior, ou independentemente de ter havido uma operação complexa, elidiria o fato de que a operação teve como propósito negocial a alienação da participação societária detida pelo contribuinte no mercado. Essa alienação apenas foi viável, sob a ótica do direito societário, pelo processo de conversão e troca de títulos representativos de um patrimônio por outros títulos, cuja colocação no mercado era possível, de acordo com a legislação de regência dos mercados de capitais. Não fazêlo significaria não apenas uma perda de oportunidade econômica para o contribuinte, mas também para a sociedade, para outros investidores, desejosos de adquirir essa participação do outro lado. Na origem, o contribuinte detinha títulos representativos de um patrimônio, cuja aquisição era obrigatória para o exercício, ai sim, de sua atividade econômica. A atividade principal do contribuinte, como instituição financeira, sempre foi negociar com ações em nome de terceiros, ou intermediar operações financeiras. As instituições financeiras, entretanto, não estão impedidas de negociar ações em seu próprio nome, podendo fazêlo inclusive à guisa de maximizar a sua rentabilidade, e manter a sua saúde financeira. Entretanto, a norma regulatória sempre exigiu que essas operações fossem registradas em contas separadas. Esses títulos representativos da antiga Bovespa sempre tiveram intenção de permanência até porque era a única forma de operação naquele mercado, e o fato de ter sido alienada não poderia transmutar a sua natureza, ainda que por força de uma interpretação e até mesmo de observância contábil dessa interpretação, em uma operação simples de negociação com ações realizadas por ordem de terceiros, no curto prazo, com fins meramente especulativos. O mesmo afirma o Professor Eliseu Martins às fls 19 e ss. do seu parecer, às fls 632 e ss. dos autos do Processo no. 16.327.001329/200991. 2.3.4 Tratamento contábil das ações Como já foi comentado, os ativos têm seu registro contábil definido por ocasião de sua aquisição, considerandose a destinação que a sociedade pretende dar ao bem ou direito. Nesse sentido, como o título patrimonial era investimento diretamente vinculado às suas finalidade se e nos estritos termos do COSIF suscetível de registro como investimento permanente, suscetível de receber atualizações, sua conversão em ações de companhia não Fl. 773DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assin ado digitalmente em 16/01/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16327.001128/201028 Acórdão n.º 3302001.839 S3C3T2 Fl. 547 42 poderia merecer tratamento diferente. Dessa forma, até o momento da venda das ações deveriam elas estar classificadas como investimentos permanentes, ainda que sua venda parcial tivesse sido previamente ajustada, por força do acordo já mencionado. Observese que a manutenção de investimentos permanentes, nessa condição, até a data de sua venda, sempre fora aceita inclusive pelas autoridades fiscais, que não submetem o ganho oriundo da venda de investimento permanente à tributação antecipada, em nenhuma hipótese. De acordo com os autos, o contribuinte não detinha investimento relevante nas bolsas o que, por ocasião da substituição dos títulos anteriormente detidos, pelas ações representativas do capital das bolsas, determinava a sua classificação contábil sob a rubrica 2.1.9.90.003 Outros Investimentos que deveriam ser mantidos até o momento da venda se concretizada no ano de 2007, o mesmo exercício social da “desmutualização”. Ainda que as ações tenham sido alienadas em data posterior ao término do prazo pelo qual tivesse sido firmado o compromisso de manutenção da respectiva participação acionária, em decorrência da assinatura do referido acordo de acionistas, o tratamento contábil seria o mesmo: manutenção em conta de ativo permanente, até a venda dos bens, rubrica (2.1.9.90.003). Esse registro prestouse, exclusivamente, a substituir aquele correspondente aos títulos até então detidos (2.1.4.10.105 Títulos Patrimoniais de Bolsas de Valores), também classificáveis em conta integrante do Grupo Permanente – Investimentos. Ou seja, em nossa visão, o conjunto de atos praticados não poderia em qualquer hipótese, caracterizar uma “aquisição” de participação societária nova que justificasse a sua contabilização em conta diversa, como pretenderam as autoridades fiscais. Por fim, importante ressaltar que, a partir da data de recebimento das ações em substituição aos títulos anteriormente detidos, o valor do investimento que não estivesse sujeito à avaliação com base no método de equivalência patrimonial, de que tratam o art. 248 da Lei das S.A. e a Instrução CVM nº 247/96, deveria ser avaliado pelo método do custo de aquisição, nos termos do disposto no art. 183, III daquela lei, não mais se lhes aplicando as disposições anteriormente citadas, sobretudo a Circular BACEN nº 1.273/87 (no que se refere ao registro dos Títulos Patrimoniais de Bolsas de Valores). 2.3.5 Tratamento tributário da atualização dos títulos A primeira questão a ser avaliada diz respeito ao tratamento a ser dado à contrapartida da atualização dos títulos, registrada como reserva de capital, no momento em que estivessem sendo alienadas as ações das novas sociedades. A matéria deve ser analisada sob 2 (duas) diferentes linhas de interpretação que conduzem, sempre, à não tributação desse valor, a saber: (i) primeiramente, por causa da ausência de comando para cômputo da reserva na determinação do lucro real: a Portaria 785/77 foi editada com a finalidade de evitar a tributação da atualização dos títulos, vigorando ela, plenamente, para os lucros gerados até 1995. Nesse caso há dois diferentes aspectos a serem observados: cômputo da atualização no lucro real e cômputo da atualização para fins de IRF. No que tange ao cômputo no cálculo do lucro real, o RIR dispõe no art. 442 , parágrafo único:: “Art. 442 Não serão computadas na determinação do lucro real as importâncias, creditadas a reservas de capital, que o Fl. 774DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assin ado digitalmente em 16/01/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16327.001128/201028 Acórdão n.º 3302001.839 S3C3T2 Fl. 548 43 contribuinte com a forma de companhia receber dos subscritores de valores mobiliários de sua emissão a título de: I ágio na emissão de ações por preço superior ao valor nominal, ou a parte do preço de emissão de ações sem valor nominal destinadas à formação de reservas de capital; II valor da alienação de partes beneficiárias e bônus de subscrição; III prêmio na emissão de debêntures; IV lucro na venda de ações em tesouraria. § único O prejuízo na venda de ações em tesouraria não será dedutível na determinação do lucro real.” (Grifos nossos) A reserva de capital constituída pelas instituições financeiras, em decorrência da atualização dos títulos patrimoniais das bolsas, não está contemplada dentre as reservas de capital não tributadas pelo IR, contudo essa atualização foi expressamente excluída do lucro real pelo Poder Executivo, nos exercícios em que foi reconhecida (até dezembro de 1995), não havendo, hoje, qualquer possibilidade de se determinar a sua inclusão no lucro real por força do princípio da segurança jurídica, que mantém a proteção de que ela desfrutou, no passado e, adicionalmente, por força da decadência que já teria se operado em relação aos períodos em que essa regra vigorou. Tampouco há previsão de que o montante da reserva devesse ser revertido para resultado, devendo ela ser usada, apenas, para aumento de capital ou compensação de prejuízos. Quanto à incidência do IRF, não ocorrendo a distribuição do lucro, ele não poderia ser cobrado e o evento da cisão das bolsas, seguido de sua transformação em companhia, bem como da venda das ações, não caracterizaram distribuição de lucros, para fins de IRF, na forma da Portaria 785/77. (ii) finalmente, pela “equiparação” dessa atualização àquela decorrente dos resultados oriundos de investimentos avaliados pelo método da equivalência patrimonial, não sujeitos a tributação: o fundamento dessa interpretação decorre de específica manifestação da então Secretaria da Receita Federal SRF, contida no Parecer Normativo da então Coordenadoria do Sistema de Tributação CST n° 78/78, com a seguinte ementa: “Investimentos relevantes e influentes em sociedades coligadas ou controladas devem ser avaliados pelo valor de patrimônio líquido: 1) nas sociedades anônimas; 2) nas demais sociedades quando devam refletirse no balanço de sociedade anônima e 3) nas sociedades em que o exija lei especial.” (Grifo nosso) Muito embora o referido Parecer aborde apenas o tratamento tributário da contrapartida da avaliação, pelo método de equivalência patrimonial, de investimentos relevantes e influentes em sociedades coligadas ou controladas, as fundamentações legais nele descritas, que embasaram o entendimento das autoridades fiscais, são aplicáveis ao tratamento a ser dispensado às atualizações dos títulos patrimoniais das bolsas, creditadas em conta específica de reserva de capital pelas instituições financeiras. Fl. 775DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assin ado digitalmente em 16/01/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16327.001128/201028 Acórdão n.º 3302001.839 S3C3T2 Fl. 549 44 Observese que os títulos eram investimentos próprios da operação das sociedades, relevantes para sua atuação negocial, o que justifica a similitude pretendida. Ressaltese que o BACEN também entendia a natureza dos títulos dessa forma, pois que o COSIF determinou fossem eles classificados como ativo permanente, investimentos sujeitos a atualização. Além da expressa determinação procedimental do COSIF e a ausência de qualquer efeito tributário decorrente dessa metodologia são suficientes para concluir que o seu uso estava autorizado pelo sistema como se depreende da leitura do conteúdo do trecho, abaixo citado, do Parecer em questão: “7 Não obstante a generalidade das regras acima discutidas, ressalvese a possibilidade de legislação específica para setores econômicos ou classes de empresas estabelecer outros critérios de avaliação pelo patrimônio líquido. Particularmente, a Lei da Reforma Bancária (n° 4.595/64, art. 4°, item XII) atribui ao Conselho Monetário Nacional a fixação de normas contábeis para as instituições financeiras, assim como a Lei n° 6.385/76 (art. 22, parágrafo IV) deferiu às companhias abertas a fixação de padrões de contabilidade para companhias abertas. 7.1 – Dado que tais normas devem ser interpretadas integradamente com a legislação tributária, a imposição pelo Banco Central ou Comissão de Valores Mobiliários de avaliação de investimentos por valor de patrimônio líquido, em situações que não as referidas no § 4° do art. 20 do DecretoLei n° 1.598, cria para as pessoas jurídicas obrigação de assim proceder nas demonstrações financeiras, com os reflexos pertinentes na apuração do lucro real.” (Grifos nossos) Com base nos fundamentos legais mencionados no item 7 do Parecer, bem como nas referências por ele efetuadas aos atos normativos anteriormente citados, é possível afirmarse que, considerando a obrigatoriedade das instituições financeiras de registrarem a contrapartida da atualização dos títulos patrimoniais, em conta específica de Reserva de Capital, por força das determinações emanadas do CMN (notadamente aquelas previstas pelo COSIF), à semelhança da contrapartida da aplicação da metodologia de equivalência patrimonial, os mesmos reflexos devem ser por elas observados no tocante à determinação do lucro real, portanto, nenhum efeito fiscal quanto ao Imposto de Renda e à Contribuição Social. À vista dos fatos, podemos concluir que os acréscimos correspondentes à atualização dos títulos não estariam (mas não é nossa competência julgálo) sujeitos à tributação pelo IR ou pelo IRF, no momento da venda, integrando o custo de aquisição dedutível para todas as finalidades. Nessa afirmativa, dois aspectos são importantes: (i) o respeito às disposições da Portaria 785/77 e ao sistema jurídico e (ii) a ausência da característica de distribuição de lucros da troca de títulos por ações. Ou seja, como anteriormente descrito, a única base imputável possível para fins de IRPJ e de CSLL seria como ganho de capital, o que no caso equipararseia ao resultado de equivalência patrimonial, de resto também não tributável para fins de PIS e da COFINS, por expressa previsão legal. 2.3.6 Tratamento tributário do ganho ou perda de capital na venda das ações Fl. 776DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assin ado digitalmente em 16/01/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16327.001128/201028 Acórdão n.º 3302001.839 S3C3T2 Fl. 550 45 2.3.6.1 IR e CSLL Em que pese já repute suficiente para o deslinde da questão, teceremos comentários acerca do tratamento tributário pelo IRPJ e pela CSLL como se ganho de capital tributável fosse, para ao fim concluir quanto às nossas contribuições sociais. De acordo com o disposto no art. 418 do RIR/999, os resultados da alienação de bens do ativo permanente serão computados na determinação do lucro real. Ao tratar da forma pela qual se determina o ganho ou perda de capital, nos casos de alienação de investimentos avaliados pelo valor de patrimônio líquido, assim dispõe o RIR, em seu art. 426: “Art. 426 O valor contábil para efeito de determinar o ganho ou perda de capital na alienação ou liquidação de investimento em coligada ou controlada avaliado pelo valor de patrimônio líquido (art. 384), será a soma algébrica dos seguintes valores (DecretoLei n° 1.598, de 1977, art. 33, e DecretoLei n° 1.730, de 1979, art. 1°, inciso V): I valor de patrimônio líquido pelo qual o investimento estiver registrado na contabilidade do contribuinte; II ágio ou deságio na aquisição do investimento, ainda que tenha sido amortizado na escrituração comercial do contribuinte, excluídos os computados nos exercícios financeiros de 1979 e 1980, na determinação do lucro real; III provisão para perdas que tiver sido computada, como dedução, na determinação do lucro real, observado o disposto no parágrafo único do artigo anterior.” (Grifos nossos) Assim, em consonância com o anteriormente disposto, o valor de custo das ações a ser computado para fins de determinação do ganho ou perda de capital, por ocasião de sua alienação, deveria equivaler ao valor de “patrimônio líquido” pelo qual o investimento estivesse registrado. Nesse valor estaria contemplado, portanto, o montante correspondente à contrapartida da atualização dos títulos, com base no valor informado pelas respectivas bolsas. No que se refere à determinação da base de cálculo da CSLL, a Lei nº 7.689/88 dispõe que a base de cálculo da contribuição é o valor do resultado do exercício, apurado com observância da legislação comercial, antes da provisão para o imposto de renda. Diversas normas concernentes à apuração dessa base de cálculo foram posteriormente editadas sem, contudo, haver na legislação ordinária dispositivo legal que consolide as normas de apuração e pagamento da CSLL, o que somente foi efetuado pela Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal10 IN SRF nº 390/0411. Por ocasião da edição da Portaria nº 785/77 e do Parecer Normativo CST nº 78/78, normas que delimitaram, conforme abordado anteriormente, o tratamento fiscal a ser dispensado à contrapartida da atualização dos títulos patrimoniais representativos do capital das bolsas de valores, a CSLL não havia sido instituída. 9 Disposição contida no Livro II, Título IV, Subtítulo III, Capítulo VII, que trata da tributação dos resultados não operacionais. 10 Atual Receita Federal do Brasil RFB. 11 Neste caso, as disposições da IN devem, necessariamente, estar suportadas por disposições constantes da legislação ordinária, sob pena de não aplicação, pelo contribuinte, naquilo que lhe for mais oneroso. Fl. 777DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assin ado digitalmente em 16/01/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16327.001128/201028 Acórdão n.º 3302001.839 S3C3T2 Fl. 551 46 Não obstante, são aplicáveis à CSLL os comentários anteriormente descritos em relação ao lucro real, no tocante ao cálculo do ganho de capital a ser tributado por ocasião da alienação das ações, uma vez que o ganho ou perda de capital decorrente da alienação de bens ou direitos integra o resultado do período, apurado em consonância com a legislação comercial (Lei nº 6.404/76 e alterações). A atualização dos títulos segue protegida de tributação, pois quando registrada não transitou em resultado e, hoje, nas diversas operações não se constitui em lucro ou resultado tributável, como já comentado. Outrossim, o tratamento tributário desse conjunto de operações para fins de IRPJ e de CSLL não vem sendo adequadamente compreendido por parte das autoridades fiscais. Manifestaramse de forma equivocada pela incidência do IR, porém, em momento anterior à venda (realização) das ações, no momento designado por “desmutualização”. De fato, as Soluções de Consulta da CoordenadoriaGeral de Tributação nº 10, de 26 de outubro de 2007, e da Superintendência Regional da Receita Federal do Brasil nº 521, de 07 de novembro de 2007, cujas respectivas ementas são idênticas pronunciaramse de forma diversa. A consulta acima mereceu por parte da Bovespa e da BMF, publicação de fato relevante onde questionaram a orientação tomada RFB. De fato, a consulta acima contém impropriedades diversas, a saber: (i) ignora o contrato atípico (cisão seguida de transformação) e os efeitos pretendidos pelas partes; (ii) ignora que os institutos previstos em lei podem ser utilizados por todo tipo de entidade exceto se o procedimento for vedado ou se a sua implementação for total e completamente incompatível com a situação à qual se pretende aplicálo. No que tange à cisão das bolsas, deixou de observar que o já citado art. 2033 do CC autoriza o uso desse instituto nas entidades sem fins lucrativos; (iii) considera que houve destinação de parcela de patrimônio das bolsas para entidade com fins lucrativos, em desacordo como o art. 61 do CC, quando a situação não é de destinação mas de cisão seguida de transformação (iv) considera que a avaliação das cotas, ou frações ideais das bolsas, deva ser feita pelo custo de aquisição, afastando desse conceito o valor da atualização determinada e protegida por lei; (v) conclui pela incidência do IRPJ calculado sobre a diferença entre o valor nominal das ações (da sociedade) recebidas pelos associados (sociedades corretoras) e o custo de aquisição das cotas ou frações ideais representativo do patrimônio segregado das bolsas de valores;. (vi) muda entendimento manifestado anteriormente (Solução de Consulta COSIT nº 13, de 10.11.1997), em consulta então formulada pela Associação Nacional das Corretoras de Valores, Câmbio e Mercadorias (“ANCOR”), que tinha por objeto operação semelhante ao processo de “desmutualização”; (vii) descumpre o princípio da segurança jurídica, não observando as regras aplicáveis ao reconhecimento da atualização dos títulos e seus reflexos tributários, ao longo do tempo. Em termos práticos, a Solução de Consulta afirma que será tributado o resultado de atualização (equivalência patrimonial) do patrimônio das antigas bolsas, refletido no custo Fl. 778DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assin ado digitalmente em 16/01/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16327.001128/201028 Acórdão n.º 3302001.839 S3C3T2 Fl. 552 47 contábil dos títulos patrimoniais de seus associados, e que o fato gerador desse ganho de capital seria a cisão parcial do patrimônio das bolsas. A operação de cisão, feita a valores patrimoniais, não gera para os partícipes, sócios ou associados, nenhum reflexo tributário, caracterizada que é pela sucessão universal, afastandose as hipóteses de alienação, realização, devolução ou similares de ativos. Não há qualquer acréscimo patrimonial gerado para os antigos detentores dos títulos, quando trocados por ações, razão pela qual mais uma vez equivocase a autoridade fiscal. Entendo pois que a manifestação das autoridades fiscais excedera completamente os limites da lei, concluindose que: (i) no momento da “desmutualização”, por configurarse mera sucessão, não há incidência de tributação, pelo IR ou pela CSLL, sobre eventual ganho gerado e (ii) na venda das ações, o ganho de capital deve ser calculado a partir do custo de aquisição atualizado pela forma preconizada pela Portaria 785/77 e pelo COSIF e, após, submetido à tributação pelo IR e pela CSLL. 2.3.6.2 Do PIS e da COFINS No que se refere à incidência das contribuições devidas ao PIS e à COFINS, pelas instituições financeiras, determina a Lei nº 9.718/98 que a sua base de cálculo é o faturamento, correspondente à receita bruta da pessoa jurídica, assim entendida a totalidade de receitas por ela auferidas, sendo irrelevantes a classificação contábil adotada para as receitas. Admite a lei sejam excluídas à base de cálculo das contribuições o valor das receitas oriundas da venda de ativo permanente (art. 3º, § 2º, IV ). Como a participação societária oriunda da troca de títulos, por ações, caracterizase como sucessão, não afetando a natureza de investimento permanente de que os títulos já desfrutavam, cabe o registro das ações em igual rubrica. É de se entender, portanto, que a receita correspondente à venda das ações deve ser excluída de tributação a essas contribuições, especialmente porque, como já comentado, o adequado registro contábil deve ele ser feito na conta 2.1.9.90.003 Outros Investimentos (COSIF), integrante do Ativo Permanente, Investimentos. Nesse contexto, entendo não haver incidência das contribuições ao PIS e COFINS, nos termos do art. 3º, § 2º, IV da Lei nº 9.718/98, sobre o montante do ganho de capital apurado (ou que vier a ser apurado enquanto durar a vigência do citado dispositivo) por ocasião da alienação das ações representativas do capital das novas companhias. Caso houvesse a incidência, ainda assim entendo que deveria para esse fim, ser computado como custo o valor atualizado do investimento na data da substituição dos títulos anteriormente detidos por ações, cujo montante deveria corresponder ao percentual de participação detido pela sociedade no patrimônio líquido informado pelas respectivas bolsas de valores. Enfatizese, novamente, que o fato de o ativo ser destinado à venda, por acordo de sócios, não o caracteriza como bem realizável, de curto ou longo prazo, pois que essa caracterização é dada no momento da aquisição. Dessa forma, eventual transferência da conta de ativo permanente para conta de circulante, como pretendeu a fiscalização, além de ser procedimento contrário à lei societária, não poderia gerar qualquer reflexo tributário para fins de PIS e COFINS, pois a alienação é de bem destinado ao objeto da sociedade que mantém essa característica até sua transferência ao comprador. Fl. 779DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assin ado digitalmente em 16/01/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16327.001128/201028 Acórdão n.º 3302001.839 S3C3T2 Fl. 553 48 Observese que a própria legislação atinente ao PIS e à COFINS considera irrelevante a contabilização (classificação), em que pese meu entendimento de que essa norma carece sempre de interpretação casuística (e por isso nesse voto o faço), dada à receita auferida para fins de tributação, no sentido de que à tributação não se excluem verbas que revestindo a natureza de receita bruta foram contabilizadas em rubricas que não permitem inferir essa condição. Esse é justamente o caso em que a norma deve ser interpretada à luz dos fatos, do caso concreto, sob pena de relegar à insignificância todo o ordenamento jurídico econômico pátrio, em especial a lei societária e as normas cogentes reguladoras. A suposta irrelevância de que se revestiria a norma contábil, em termos de contribuições sociais, permite afirmar, em contrapartida, que uma indevida e antecipada contabilização de investimento, que sempre se caracterizou como permanente e assim esteve registrado, em rubrica do circulante, não ensejaria a tributação da correspondente receita, por ocasião da venda, sob a alegação de que a operação foi de investimento voltado à operação, sempre classificado no permanente e que essa transferência não seria suficiente para retirarlhe tal condição. A essência da operação sobrepõese à forma, aliás como determina o atual padrão contábil pós Lei nº 11.638/07. Reforça esse argumento a ausência de operação nova, alienação, distribuição de lucros ou similares. Isso posto, voto no sentido de dar provimento integral ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Gileno Gurjão Barreto Fl. 780DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assin ado digitalmente em 16/01/2014 por GILENO GURJAO BARRETO
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Numero do processo: 13603.000605/00-91
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Feb 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/03/2000
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. CERCEAMENTO DE DEFESA.
Em que pese o julgador não estar obrigado analisar todos os argumentos apresentados pelas partes, para que não haja cerceamento de defesa, o mérito da lide deve ser analisado, quando imprescindível para o deslinde da questão. Se a Delegacia de Julgamento não apreciou o mérito, os autos devem retornar para a análise, evitando-se, assim, a supressão de instância administrativa
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3801-002.480
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso no sentido de acolher a preliminar de nulidade suscitada para anular a decisão do DRJ por cerceamento do direito de defesa. O conselheiro Flávio de Castro Pontes votou pelas conclusões. Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira que davam provimento integral ao recurso com base na alteração do fundamento jurídico e nos arts. 146 e 100, III, do Código Tributário Nacional. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Daniel Barros Guazzelli, OAB/MG 73.478.
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereida da Silva Murgel - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Ines Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso no sentido de acolher a preliminar de nulidade suscitada para anular a decisão do DRJ por cerceamento do direito de defesa. O conselheiro Flávio de Castro Pontes votou pelas conclusões. Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira que davam provimento integral ao recurso com base na alteração do fundamento jurídico e nos arts. 146 e 100, III, do Código Tributário Nacional. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Daniel Barros Guazzelli, OAB/MG 73.478. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereida da Silva Murgel - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Ines Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
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SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. CERCEAMENTO DE DEFESA. Em que pese o julgador não estar obrigado analisar todos os argumentos apresentados pelas partes, para que não haja cerceamento de defesa, o mérito da lide deve ser analisado, quando imprescindível para o deslinde da questão. Se a Delegacia de Julgamento não apreciou o mérito, os autos devem retornar para a análise, evitandose, assim, a supressão de instância administrativa Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso no sentido de acolher a preliminar de nulidade suscitada para anular a decisão do DRJ por cerceamento do direito de defesa. O conselheiro Flávio de Castro Pontes votou pelas conclusões. Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira que davam provimento integral ao recurso com base na alteração do fundamento jurídico e nos arts. 146 e 100, III, do Código Tributário Nacional. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Daniel Barros Guazzelli, OAB/MG 73.478. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereida da Silva Murgel Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 00 06 05 /0 0- 91 Fl. 461DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 14/02/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 14 /02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13603.000605/0091 Acórdão n.º 3801002.480 S3TE01 Fl. 12 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Ines Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. Relatório Por bem descrever os fatos, transcrevo o Relatório da DRJ de Juiz de Fora: Versa o presente processo sobre Pedido de Ressarcimento do Saldo Credor do IPI acumulado ao final do trimestre 1º/2000, no valor de R$ 77.894,17, formalizado em 18/04/2000, com fulcro no art 11 da Lei nº 9.779/99 e IN SRF nº 33/1999, cf. fls. 3/4. A solicitação foi inicialmente indeferida [Despacho Decisório de fls.78/79, de 23/01/2002] tomando por base o Termo de Verificação Fiscal lavrado pela Seção de Fiscalização [fls. 76/77] que propôs o indeferimento em decorrência da ação fiscal da qual resultou a lavratura de Auto de Infração do IPI consubstanciado no processo administrativo 13603.001578/200125,para exigência do IPI não destacado e não recolhido em virtude da incorreta classificação fiscal na saída do produto "Cartão PVC Impresso com Tarja Magnética Virgem", em razão da apuração de saldos devedores do IPI após a reconstituição da escritafiscal [fls. 70/74]. Inconformada a pleiteante apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 80/87, tendo sido ratificado o indeferimento do pleito em 08/07/2004, por intermédio do Acórdão DRJ/JFA nº 07.694 [fls. 92/98], em face da existência do auto de infração e daapuração de saldo devedor no período. Contra o referido acórdão foi interposto Recurso Voluntário ao 2° Conselho de Contribuintes [fls. 101/110], com posterior juntada, em 29/09/2004, de cópia da Solução de Consulta SRRF/6ª RF/DISIT N° 288, de 17/08/2004 [ fls. 117/119]. O Segundo Conselho de Contribuintes decidiu converter o julgamento em diligência [fls. 124/128], em 09/11/2005, para juntada aos autos da decisão final que viesse a ser proferida no Processo Administrativo 13603.001578/200125 (Auto de Infração do IPI) dada a estreita vinculação entre os processos. Às fls. 129/141 foi anexada cópia do Acórdão n° 20216.818, por intermédio do qual a Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes reconheceu, ematendimento a recurso apresentado pelo contribuinte, que a atividade exercida pela autuada consiste em prestação de serviços, nos termos da decisão judicial transitada em julgado, afastando, por conseguinte, a exigência de IPI1. Fl. 462DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 14/02/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 14 /02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13603.000605/0091 Acórdão n.º 3801002.480 S3TE01 Fl. 13 3 O mencionado Acórdão foi objeto de Recurso Especial apresentado pela Procuradoria da Fazenda Nacional (PFN) à Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) [fls. 142/152], que em Acórdão de n° 0202.652 [fls. 176/183], negou provimento ao recurso especial. Assim, cumprida a exigência contida na Resolução de fls. 124/128 foram os autos remetidos em 21/11/2007ao Segundo Conselho de Contribuintes para apreciação do Recurso Voluntário de fls. 101/110. Resultou daí o Ac. Nº 20403.165 [fls. 217/221], de 09/04/2008, por intermédio do qual o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em uma nova análise docaso, considera o desfecho favorável do processo 13603.001578/200125 ao contribuinte, mas,entendendo que o procedimento fiscal instaurado para averiguar a legitimidade do crédito pleiteado não foi conclusivo quanto ao mérito do ressarcimento retorna os autos à unidade de origem para reexame e prolatação de uma nova decisão com enfrentamento do mérito, uma vez afastada a prejudicial de análise de mérito2. Em cumprimento ao determinado pelo CARF foi elaborado em 13/08/2009 o Termo de Verificação Fiscal de fls. 228/231 que, considerando que a desconstituição da exigência veiculada pelo Auto de Infração em comento com a conseqüente invalidação da reconstituição da escrita fiscal promovida pela fiscalização restabeleceu a situação anterior do contribuinte no que diz respeito à escrituração do Livro de Registro de Apuração do IPI e, mencionando a Solução de Consulta DISIT/SRRF/6ª RF nº 288, de 17/08/2004, sugeriu o DEFERIMENTO PARCIAL [em razão de glosas de créditos considerados indevidos] do direito creditório no valor de R$ 73.146,73. Tomando por base o TFV retro mencionado e em cumprimento à determinação do CARF foi prolatado, pela DRF/Contagem/MG novo Despacho Decisório [DRF/CON nº 1.197, de 27/08/2009, fls. 232/234] para DEFERIR o direito creditório relativamente ao saldo credor apurado no trimestre 1º/2000, da ordem de R$ 73.146,73. Cientificado do referido despacho decisório e comunicado da compensação de ofício do crédito reconhecido com débitos constantes dos sistemas da RFB a interessada manifestouse contrariamente à compensação de ofício [fls. 237/241] e, posteriormente, em atendimento às normas vigentes, transmitiu o PER Residual nº 40999.01357.190310.1.1.016048 [fls. 266/267] e as DCOMPs de nº 42490.87178.190310.1.3.010683 [fls. 268/272], 31167.83687.250310.1.3.015088 [fls. 273/276], 42220.88489.310310.1.3.017961 [fls. 277/280], 26027.43535.310310.1.7.019193 [fls. 281/284], 11791.10474.200410.1.3.015859 [fls. 285/289] e 03352.96010.230410.1.3.017203 [fls. 290/293], para utilização do direito creditório reconhecido. Fl. 463DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 14/02/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 14 /02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13603.000605/0091 Acórdão n.º 3801002.480 S3TE01 Fl. 14 4 Posteriormente, em 31/08/2010, em face da informação contida no Despacho nº 09, da Presidência da 3ª Turma de Julgamento da DRJ/JFA/MG [fls. 254/255], inserido no processo nº 13603.000572/200815 [também de interesse da Editora Alterosa, versando sobre a mesma matéria, ou seja, pedido de ressarcimento do IPI], no sentido de realização de nova análise sobre o direito da pessoa jurídica em questão apurar saldo credor passível de ressarcimento [haja vista a decisão judicial que estabelece não ser a mesma contribuinte do IPI], foi o presente processo [juntamente com diversos outros que tratam da mesma matéria] encaminhados por meio do despacho de fls. 242/243 à Seção de Fiscalização para análise. Resultou daí o Despacho de Instrução de fls. 244/250, que, depois de circunstanciar todos os fatos atinentes à ação judicial e à decisão do Segundo Conselho de Contribuintes relativamente ao auto de infração consubstanciado no processo nº 13603.001578/200125, em síntese, concluiu que “De tudo o que foi aqui relatado, fica claro para o servidor que esta subscreve, que como conseqüência do afastamento do campo de incidência decorre a impossibilidade de que a pessoa jurídica possa aproveitar os créditos de IPI decorrentes de aquisições de matériasprimas,produtos intermediários e material de embalagem, um vez que tais aquisições não foram e nem serão, por força do comando judicial, utilizadas em processo que possa ser considerado industrialização, em descompasso, portanto com o fixado pelos artigos 164, inciso I e 165 do Decreto n° 4.544/2002 e artigos 226, inciso I e 227 do Decreto n° 7.212/2010”. Assim, foram os autos encaminhados à Saort para prosseguimento. Em seguida foi juntado ao presente processo o Despacho Decisório nº 1.376/DRF/CON, proferido nos autos do processo nº 13603.000572/200815 [processo tomado como paradigma para análise da situação da pessoa jurídica], que conclui, dentre outros pontos, pela ANULAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO DRF/CON nº 1.197, de 27/08/2009 [fls. 232/234] que havia reconhecido o direito creditório; pelo indeferimento do pedido eletrônico de ressarcimento – PER 40999.01357.19031 0.1.1.016048 e pela não homologação das declarações de compensação – DCOMP 42490.87178.190310.1.3.010683,31167.83687.250310.1.3.01508 8,42220.88489.310310.1.3.017961,26027.43535.310310.1.7.019 193,11791.10474.200410.1.3.015859 e 03352.96010.230410.1.3.017203,sob os seguintes fundamentos, em síntese:• tendo demonstrado os efeitos da decisão judicial transitada emjulgado dentro da esfera administrativa, notadamente em relação aos processos n.° 13603.001578/200125 e n.° 13603.000708/9837,a Seção de Fiscalização se manifesta novamente pela impossibilidade da pessoa jurídica aproveitar créditos de IPI decorrentes de aquisições de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem, pois, inexistindo a relação jurídico tributária entre a União e o sujeito passivo por força da decisão judicial, este não pode se beneficiar apenas dos benefícios desta Fl. 464DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 14/02/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 14 /02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13603.000605/0091 Acórdão n.º 3801002.480 S3TE01 Fl. 15 5 relação;• a constatação da existência da decisão judicial transitada em julgado declarando que a atividade exercida pela sociedade empresarial não se sujeita ao IPI, implica na Revisão de Oficio dos Despachos Decisórios que reconheceram créditos de ressarcimento de IPI em favor da Editora Alterosa Ltda; • o fato de o sujeito passivo possuir decisão judicial declarando a inexistência da relação jurídico tributária entre as atividades desenvolvidas pelo mesmo e o campo de incidência do IPI o desqualifica da condição de contribuinte deste tributo. Portanto, o interessado não se sujeita a nenhuma norma atinente ao IPI; • o sistema de crédito consiste em atribuir ao contribuinte do IPI o imposto relativo aos produtos entrados no seu estabelecimento, para ser abatido do que for devido pelos produtos dele saídos, num mesmo período. Portanto, não sendo o interessado contribuinte do IPI por força de decisão judicial e inexistindo a relação jurídico tributária entre ele e a Unido Federal, não há, nestas circunstâncias,previsão legal para utilização de créditos de IPI pelo sujeito passivo; • a opção pela compensação de débitos se restringe àqueles contribuintes que apurem crédito do imposto passível de restituição ou de ressarcimento. No presente caso, não foi apurado crédito passível de restituição, tampouco de ressarcimento; sequer existe a possibilidade da apuração de qualquer tipo de crédito, haja vista que o interessado é possuidor de decisão judicial transitada em julgado que o desqualifica da condição de contribuinte do IPI; • quanto à Solução de Consulta 288, citada pelo interessado em sua manifestação de inconformidade, temse que a mesma foi obtida pelo fato de o consulente de ter omitido a informação sobre a existência de decisão judicial anterior declarando a inexistência de relação jurídico tributária relativa ao IPI entre a União Federal e a Editora Alterosa Ltda; • reafirmando este entendimento, fazse necessário citar o Despacho Decisório 199/2010, de 29 de outubro de 2010, contido no processo 13603.721576/201047, motivado por Representação formalizada pela DRF/CONTAGEM dirigida ao chefe da DISIT/SRRF 06 para que fosse analisada a anulação da citada Solução de Consulta. Após análise, a DISIT/SRRF 06 assim concluiu: A vista do exposto, entendese que a consulta formulada (fls. 10/13) deve ser declarada ineficaz, considerando que o fato nela exposto foi objeto de decisão judicial anterior proferida em litígio em que foi parte a consulente, conforme art. 52, inc. IV, do Decreto n.º 70.235/1972 (PAF) e art. 15, inc. VI, da IN RFB n.°230/2002". "Em consequência e com base nos fundamentos acima, entende se que deve ser declarada nula a Solução de Consulta SRRF/6° RF/Disit n.° 288, de 17 de agosto de 2004 (fls. 14/16), com efeitos retroativos (ex tunc), tendo em vista ferir frontalmente a legislação da espécie, uma vez que prolatada em resposta a consulta ineficaz, em que a consulente, proferindo declaração inveridica, omitiu o fato de que possuía decisão judicial transitada em julgado em seu favor cujo objeto tem relação Fl. 465DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 14/02/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 14 /02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13603.000605/0091 Acórdão n.º 3801002.480 S3TE01 Fl. 16 6 direta com o fato exposto na consulta, na data de sua apresentação". • no intuito de atender ao principio da economia processual e dar celeridade às demais decisões relacionadas a processos distintos do mesmo interessado que, pela matéria, vinculamse à presente análise, o cancelamento dos atos administrativos que reconheceram créditos de IPI relativos a outros períodos de apuração em favor da Editora Alterosa Ltda será efetivado pelo presente Despacho Decisório, juntamente com o indeferimento dos mesmos, bem como as decisões referentes a p edidos de ressarcimento e declarações de compensação ainda pendentes de decisão administrativa. • por todo o exposto, e com base nas informações trazidas pelo Termo de Informação Fiscal da SAFIS da DRF/CONTAGEM, proponho: .• que sejam anulados os Despachos Decisórios ... •que sejam indeferidos os Pedidos Eletrônicos de Ressarcimento (PER)... • que sejam consideradas não homologadas as compensaçõesapresentadas pelas seguintes Declarações de Compensação (DCOMPs)... Cientificado do referido despacho decisório [nº 1.376/DRF/CON] em 9/11/2010 [fl. 264] manifestou a interessada a sua inconformidade em 20/12/2010 por intermédio do arrazoado de fls. 296/306, no qual: ó inicialmente historia os fatos atinentes à ação judicial [processo nº 32.1710] desde a petição inicial até decisão final favorável transitada em julgado, mencionando, ainda, os autos de infração lavrados, formalizados sob os números 13603.000708/9837 e 13603.001578/200125, cujo desfecho, no julgamento pelo Segundo Conselho de Contribuintes e Câmara Superior de Recursos Fiscais foi pela improcedência dos lançamentos em face da existência de coisa julgada afastando a incidência do IPI sobre os serviços de impressão prestados por ela e da caracterização da atividade da empresa como mera composição gráfica sujeita apenas ao ISS. ó alegou que a mudança de entendimento manifestada no despacho decisório que anulou o despacho anterior só ocorreu depois que ela obteve êxito nos processos 13603.000708/9837 e 13603.001578/200125, denotando retaliação pela vitória; questiona o por quê da exigência do IPI da empresa em 1998 e 2001 e do deferimento dos ressarcimentos se a decisão judicial transitada em julgado existe desde 1984 e conclui que o Fisco alterou sua visão somente quando se viu impedido de cobrar o IPI da defendente; ó argumenta, mencionando o art. 146 do CTN [a modificação introduzida, de oficio ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução] e o art. 2ºXIII da Lei nº 9.784/99 [que veda a aplicação retroativa de nova interpretação], que a nova opinião só pode valer para o futuro; ó reproduz excertos de doutrina, jurisprudência do Conselho de Contribuintes e dos Tribunais que entende favoráveis à sua tese; ó pondera que “como a mudança Fl. 466DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 14/02/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 14 /02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13603.000605/0091 Acórdão n.º 3801002.480 S3TE01 Fl. 17 7 de entendimento da DRF/Contagem acerca da caracterização da contribuinte como mera prestadora de serviços só foi externada em 29/11/2010, todos os pedidos de ressarcimento e de compensação formalizados até essa data estão albergadas pelo entendimento anterior, razão pela qual ela faz jus ao aproveitamento dos créditos de IPI previstos no artigo 11 da Lei nº 9.779/99 pelo menos até 29/11/2010”; ó acrescenta, ainda, que “por ter classificado a contribuinte como indústria e ter conferido a ela os ônus e os bônus dessa categorização (autuações por suposta fabricação de cartões de crédito com tarja magnética e, na outra ponta, deferimento do aproveitamento dos créditos de IPI descritos no artigo 11 da Lei nº 9.779/99), a revisão desse enquadramento e o deslocamento da contribuinte para um status diferente caracteriza um erro de direito (erro na caracterização jurídica dos fatos), o qual, como demonstrado, não enseja revolvimento de situações passadas e já definitivamente constituídas, motivo pelo qual todos os ressarcimentos, compensações e atos praticados pela empresa até 29/11/2010 permanecem regidos pelo entendimento (critério jurídico) anterior”; ó requer, ao final, que esta DRJ cancele o Despacho Decisório DRF/CON nº 1.376/2010 e, com isso, (i) restabeleça os despachos decisórios que reconheceram créditos de IPI, (ii) valide todos os ressarcimentos de IPI pedidos (inclusive os eletrônicos) e (iii) homologue as compensações feitas. Nestes termos vieram os autos, em 29/11/2011, a esta Terceira Turma da DRJ/JUIZ DE FORA/MG para julgamento. Em vista da informação recebida da Saort/DRF/CON/MG, por telefone, acerca da obtenção, pela pessoa jurídica, de sentença favorável em mandado de segurança [processo nº 89641.31.2010.4.01.3800] impetrado em 15/12/2010, anexada às fls. 264/270 do processo nº 13603.721576/201047 [no qual foi formalizada a Representação para cancelamento da Solução de Consulta SRRF/6ª RF/DISIT Nº 288/2004] esta Relatora entendeu por bem anexar dito documento ao presente processo [fls. 319/325]. Analisando o processo, a DRJ em Juiz de Fora entendeu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade e pelo não reconhecimento do direito creditório, nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2000 a 31/03/2000 RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO. PROCESSO JUDICIAL EM ANDAMENTO. IÉ vedado o ressarcimento a estabelecimento pertencente a pessoa jurídica com processo judicial cuja decisão definitiva possa alterar o valor a ser ressarcido, cabendo, nessa situação, ser indeferido o pleito. IICOMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO INDEFERIDO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Fl. 467DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 14/02/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 14 /02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13603.000605/0091 Acórdão n.º 3801002.480 S3TE01 Fl. 18 8 A permissão para a compensação de débitos tributários somente se dá com créditos líquidos e certos, conforme art. 170 do CTN. Uma vez indeferido o direito creditório indicado cabe a não homologação das compensações sob exame. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Considerando a decisão proferida no Mandado de Segurança no. 89641.31.2010.4.01.3800, que restabeleceu a consulta que havia reconhecido o direito de aproveitamento dos créditos para ressarcimento/compensação; a DRJ deveria deferir o pedido de ressarcimento de IPI e homologar as compensações ou, por cautela, aguardar o trânsito em julgado do Mandado de Segurança. A DRJ deixou de apreciar os argumentos apresentados pela Recorrente na Manifestação de Inconformidade sob a justificativa de que foi proferida decisão judicial que interfere na questão discutida nos presentes autos. Contudo, o tema submetido ao Poder Judiciário (anulação da Solução de Consulta SRRF/6a. RF/Disit no. 288/2004) é diferente do tratado nestes autos (possibilidade de a autoridade fiscal aplicar, retroativamente, entendimento/critério jurídico novo). Razão pela qual o acórdão da DRJ deve ser cancelado, de modo que não haja o cerceamento de defesa da Recorrente. Assim, requer que seja anulado o Acórdão proferido pela DRJ em Juiz de Fora, para que esta enfrente as razões da defesa e, se no mérito este Colegiado for favorável à Recorrente, que seja dado provimento ao Recurso Voluntário, reconhecendo o direito creditório pretendido (ressarcimento de IPI) e homologando as compensações glosadas. É o relatório. Voto Conselheiro Maria Inês Caldeira Pereida da Silva Murgel O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade. Portanto, dele conheço. Conforme se depreende de todo o exposto no relatório, trata o presente caso de ressarcimento do saldo credor de IPI, verificado no 1° trimestre de 2000, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização. De se destacar que a Recorrente jamais se conformou com a condição de contribuinte de IPI, pelo fato de ser prestadora de serviço, detendo, inclusive, decisão judicial transitada em julgado em que restou reconhecido que esta não deve IPI relativamente aos serviços de composição gráfica e impressão em geral. Não obstante, sempre foi surpreendida com a cobrança do IPI pelo órgão fazendário. Basta verificar que contra ela foi lavrado o Auto de Infração consubstanciado no processo administrativo 13603.001578/200125, para exigência do IPI não destacado e não recolhido em virtude da incorreta classificação fiscal na saída do Fl. 468DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 14/02/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 14 /02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13603.000605/0091 Acórdão n.º 3801002.480 S3TE01 Fl. 19 9 produto "Cartão PVC Impresso com Tarja Magnética Virgem", em razão da apuração de saldos devedores do IPI após a reconstituição da escrita fiscal. Esse cenário levou a Recorrente a formular consulta à Receita Federal sobre a possibilidade de aproveitar o crédito de IPI decorrente de aquisição de matéria prima, produto intermediário e material de embalagem, não obstante sua atividade fosse, basicamente, a prestação de serviços gráficos. Foi, assim, emitida a Solução de Consulta SRRF/6° RF/Disit n.° 288, de 17 de agosto de 2004, que confirmou à Recorrente o seu direito ao crédito de IPI decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem. Então, passou a requerer o ressarcimento do saldo credor de IPI, verificado no 1° trimestre de 2000, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, o qual não vinha sendo deferido justamente pelo fato de a Recorrente, de outra banda, questionar administrativamente a própria incidência do imposto. Ocorre que, posteriormente, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, através do Ac Nº 20403.166, julgou favoravelmente à Recorrente o processo 13603.001578/200125. Diante dessa decisão, foi elaborado pela Delegacia de Origem, em 11/08/2009, o Termo de Verificação Fiscal que, considerando que a desconstituição da exigência veiculada pelo Auto de Infração em comento com a conseqüente invalidação da reconstituição da escrita fiscal promovida pela fiscalização restabeleceu a situação anterior do contribuinte no que diz respeito à escrituração do Livro de Registro de Apuração do IPI e, mencionando a Solução de Consulta DISIT/SRRF/6ª RF nº 288, de 17/08/2004, sugeriu o DEFERIMENTO INTEGRAL do direito creditório no valor de R$ 73.146,73. Tomando por base o TVF retro mencionado e em cumprimento à determinação do CARF foi prolatado, pela DRF/Contagem/MG Despacho Decisório [DRF/CON nº 1.194, de 27/08/2009, fls. 248/250] para DEFERIR o direito creditório relativamente ao saldo credor apurado no trimestre 1º/2000, da ordem de R$ 73.146,73. A Recorrente manifestouse contrariamente à compensação de ofício e, em atendimento às normas vigentes, transmitiu o PER Residual nº posteriormente, em atendimento às normas vigentes, transmitiu o PER Residual nº 40999.01357.190310.1.1.016048 [fls. 266/267] e as DCOMPs de nº 42490.87178.190310.1.3.010683 [fls. 268/272], 31167.83687.250310.1.3.015088 [fls. 273/276], 42220.88489.310310.1.3.017961 [fls. 277/280], 26027.43535.310310.1.7.019193 [fls. 281/284], 11791.10474.200410.1.3.015859 [fls. 285/289] e 03352.96010.230410.1.3.017203 [fls. 290/293], para utilização do direito creditório reconhecido. Na seqüência foi proferido o Despacho Decisório DRF/COM nº 1.841, de 15/12/2009, que, considerando o deferimento do direito creditório no Despacho Decisório anteriormente mencionado homologou as DCOMPs retro discriminadas. Porém, em 31/08/2010, considerando a informação contida no Despacho nº 09, da Presidência da 3ª Turma de Julgamento da DRJ/JFA/MG, inserido no processo nº 13603.000572/200815 [também de interesse da Editora Alterosa, versando sobre a mesma matéria, ou seja, pedido de ressarcimento do IPI], no sentido de realização de nova análise sobre o direito da pessoa jurídica em questão apurar saldo credor passível de ressarcimento Fl. 469DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 14/02/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 14 /02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13603.000605/0091 Acórdão n.º 3801002.480 S3TE01 Fl. 20 10 [haja vista a decisão judicial que estabelece não ser a mesma contribuinte do IPI], foi prolatado o Despacho Decisório nº 1.376/DRF/CON que conclui pela anulação do Despacho Decisório da DRF que havia reconhecido o direito creditório, pelo indeferimento do pedido eletrônico de ressarcimento e pela não homologação das declarações de compensação. Quanto à Solução de Consulta SRRF/6° RF/Disit n.° 288, de 17 de agosto de 2004, que confirmava à Recorrente o seu direito ao crédito de IPI decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, dispõe a DRJ ter sido declarada ineficaz pelo Despacho Decisório 199/2010, de 29 de outubro de 2010. Ocorre que, em face do Despacho Decisório 199/2010, de 29 de outubro de 2010, a Recorrente impetrou Mandado de Segurança no. 89641.31.2010.4.01.3800, através do qual passou a questionar a legitimidade da anulação da Solução de Consulta SRRF/6° RF/Disit n.° 288, de 17 de agosto de 2004, o qual foi julgado procedente e encontrase com Recurso de Apelação da Fazenda Nacional, recebido apenas em seu efeito devolutivo, pendente de julgamento pelo TRF da 1a. Região. Significa isso dizer que o Despacho Decisório 199/2010 não produz quaisquer efeitos jurídicos e não deve ser observado nem pela autoridade fiscal e tampouco por este Conselho. Fato é que ao cancelar o Despacho Decisório 199/2010, que anulou a Solução de Consulta, a decisão judicial restabeleceu a solução de consulta que havia reconhecido o direito de aproveitamento dos créditos para ressarcimento/compensação. Como se não bastasse, o Recurso de Apelação da Fazenda Nacional foi recebido em seu efeito devolutivo, mantendo se os efeitos da decisão judicial exarada. Por conseguinte, imperioso se torna aferir se, diante desse cenário, deve ou não prevalecer o Despacho Decisório nº 1.376/DRF/CON, que concluiu pela anulação do Despacho Decisório da DRF que havia reconhecido o direito creditório, pelo indeferimento do pedido eletrônico de ressarcimento e pela não homologação das declarações de compensação. A DRJ deixou de apreciar os argumentos apresentados pela Recorrente na Manifestação de Inconformidade sob a justificativa de a decisão judicial mencionada interfere na questão discutida nos presentes autos. É de se admitir, contudo, que a matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário (anulação da Solução de Consulta SRRF/6a. RF/Disit no. 288/2004), não pode ser confundica com a submetida à análise neste processo administrativo (possibilidade de a autoridade fiscal aplicar, retroativamente, entendimento/critério jurídico novo). Assim, para que não haja supressão de instância e o consequente cerceamento de defesa da Recorrente, entendo que devem os atos retornar à DRJ para que esta se pronuncie quanto ao mérito, muito bem destrinchado pela Recorrente em sua Manifestação de Inconformidade. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereida da Silva Murgel Relator Fl. 470DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 14/02/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 14 /02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13603.000605/0091 Acórdão n.º 3801002.480 S3TE01 Fl. 21 11 Fl. 471DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 14/02/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 14 /02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10283.100530/2007-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2003 a 28/02/2007
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. APROPRIAÇÃO DE PAGAMENTOS. Nulidade do lançamento no tocante às rubricas GFI e GFW, pois na atribuição de prioridades para apropriação dos créditos que o sujeito passivo possui, concorreram em igualdade de condições, para efeito de rateio, fatos geradores declarados em GFIP e fatos geradores não declarados em GFIP, o que é inadmissível do ponto de vista formal.
Numero da decisão: 2301-002.807
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em anular a decisão de primeira instância, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Nome do relator: ADRIANO GONZALES SILVERIO
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APROPRIAÇÃO DE PAGAMENTOS. Nulidade do lançamento no tocante às rubricas GFI e GFW, pois na atribuição de prioridades para apropriação dos créditos que o sujeito passivo possui, concorreram em igualdade de condições, para efeito de rateio, fatos geradores declarados em GFIP e fatos geradores não declarados em GFIP, o que é inadmissível do ponto de vista formal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em anular a decisão de primeira instância, nos termos do voto do(a) Relator(a). Marcelo Oliveira Presidente. Adriano Gonzales Silvério Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Damião Cordeiro de Moraes, Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva e Adriano Gonzales Silvério. Fl. 237DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 15/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 2 Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito nº 35.137.3861, a qual exige contribuições previdenciárias, parte patronal e de segurados, tendo como fato gerador o pagamento de salários verificados nas GFIP, folhas de pagamento e RAIS, no valor consolidado com juros e multa à época do lançamento de R$2.623.663,25, consolidado em 29/06/2007, correspondente ao período de 01/2003 a 02/2007. Nesse sentido, informa o Relatório Fiscal de fls. 122 a 124 que: “Verificando as FOLHAS DE PAGAMENTO, GFIP, RAIS, GPS e livros contábeis (este apenas do ano de 2003), percebeuse que nas competências apuradas nesta NFLD, não houve a comprovação integral da contribuição devida pela empresa, fato esse que ensejou o presente levantamento fiscal de debito. Constam do sistema da Secretaria da Receita Previdenciária virias GPS, mas tratamse de ações trabalhistas (código 2909), cujos processos não foram apresentados.” Também, relata que: “Não houve também a apresentação dos arquivos digitais, DIPJ, DIRF, SEFIPCR.RE, cadastro de prestadores de serviços e arquivos padrão MANAD (livros contábeis e folhas de pagamento, salvo os arquivos de folhas referentes aos anos 2003 a 2005), solicitados por meio do TERMO DE INTIMAÇÃO PARA APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOSTIAD, sendo por isso autuado com base no art. 32, III da Lei 8.212, de 24.07.91; art. 8° da Lei no. 10.666, de 08.05.03, combinados com o art. 225, III e parágrafo 22 (acrescentado pelo Decreto no. 4.729, de 09.06.2003) do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06.05.99, a partir de 09.05.2003. Em relação ao ano de 2003, houve apuração de débitos sobre contribuintes individuais verificados em livros diário/razão e declaração de imposto de Renda Pessoa Jurídica. Nos demais anos, pelas razões acima comentadas, houve apuração de debito por aferição, indireta, lançado em documento a parte. (NFLD 37.089.9296.)” Diante desse cenário, o sujeito passivo apresentou impugnação sustentando, em síntese, que a nulidade da NFLD por ter sido regida de forma incompreensível, o cancelamento da multa ou a sua redução para o percentual de 50%, por ter apresentado os documentos solicitados nos termos da lei, ilegalidade da aplicação da taxa SELIC acumulada. A instância a quo julgou improcedente a impugnação, porém retificou a NFLD para declarar nulo os levantamentos GFI e GFW. Tendo em vista o valor ultrapassar o limite de alçada, a DRJ recorreu de ofício ao presente CARF. É o relatório. Voto Conselheiro Adriano Gonzales Silvério Fl. 238DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 15/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 10283.100530/200766 Acórdão n.º 230102.807 S2C3T1 Fl. 230 3 O recurso é tempestivo e não há óbice para seu conhecimento. Submetese à apreciação deste órgão julgador o reexame da matéria que anulou, ex officio, parte do lançamento do crédito tributário consignado na NFLD nº 37.089.9270, por terem sido constatados, pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém – PA, equívocos formais na adoção do procedimento fiscal realizado para a apropriação dos créditos do sujeito passivo. Analisando os autos, verifiquei que foram declarados nulos os levantamentos GFI (Valores Declarados em GFIP) e GFW (Valores Não Declarados em GFIP), uma vez que constatadas as seguintes situações fáticas: “No caso em tela, em vez da apropriação integral dos créditos da postulante no levantamento GFI — VALORES DECLARADOS EM GFIP, parte dos mesmos precisamente as importâncias de R$1.397,88 e R$242,00 foram incorretamente apropriados aos levantamentos GFW — VALORES NA 0 DECLARADOS EM GFIP, da presente Notificação e VAR — PRO LABORE ARBITRADO, da NFLD n° 37.089.9296, fato que acarretou a seguinte distorção: houve lançamento de contribuições lançadas em GFIP que já haviam sido integralmente quitadas (item "empresa" levantamento GFI), enquanto que deixaram de ser lançadas contribuições (não declaradas em GFIP) não pagas (itens "segurados" do levantamento GFW e "contribuinte individual" do levantamento VAR). Salientese que tal fato se repete de maneira idêntica no período de 01/2003 a 10/2005 e 01/2006 a 08/2006, dos levantamentos mencionados, assim como no levantamento GFR — VALORES NÃO DECLARADOS EM GFIP, da NFLD n° 37.089.928 8. Tal fato significa que, na atribuição de prioridades para apropriação dos créditos que o sujeito passivo possui, concorreram em igualdade de condições, para efeito de rateio, fatos geradores declarados em GFIP e fatos geradores não declarados em GFIP, o que é inadmissível do ponto de vista formal. É plausível que, para que os créditos existentes, sejam considerados em um levantamento de débito, a fiscalização deve, primeiramente, abatêlos das contribuições declaradas em GFIP, para, posteriormente, se houver sobra, considerar para os levantamentos não declarados em GFIP, uma vez que se presume que a postulante recolheu em GPS a contribuição sobre os fatos geradores que assume como base de incidência nas suas GFIP. Tal exigência se justifica na medida em que a cobrança de valores declarados em GFIP tem redução de 50%, no valor da multa moratória, na forma do disposto no art. 35, §4° da Lei 8.212/91, com a redação dada pela Lei n° 9.876/99, fato que não ocorre com os valores cujo tratamento é de sonegação fiscal (não declarados em GFIP). Provoca ainda, como já observado, a cobrança em duplicidade de valores já quitados (com multa moratória reduzida em 50%) e o não lançamento de Fl. 239DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 15/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 4 contribuição previdenciária sobre fatos geradores sonegados (cuja cobrança seria feita com a incidência de multa moratória no seu valor pleno). Houvesse a possibilidade de saneamento do erro de apropriação de recolhimento, seria provável que os novos DAD e RADA elaborados da Notificação em questão, assim como das NFLD n° 37.089.9288 e 37.089.9296, apresentassem mudanças substanciais nos valores devidos. Isto é, em certas competências os valores aumentariam, em outras diminuiriam e em outras nada mais restaria devido. Logo, haveria intensa migração de valores entre os diversos levantamentos, dificultando ainda mais o saneamento do feito já que os sistemas informatizados desta instituição não permitem o agravamento da exigência no mesmo lançamento. Desta forma, o erro na apropriação dos créditos do contribuinte acarreta a discriminação imprecisa das contribuições devidas, dificultando a compreensão da exação fiscal pelo sujeito passivo, trazendo prejuízo ao exercício do seu direito de defesa. Impossibilita também a esta julgadora a formação de convicção quanto aos valores exigidos em todo o lançamento fiscal. Na esteira do que prescreve o artigo 37, caput, da Lei 8.212/1991, a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito deve ser lavrada com a "discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem". Assim sendo, verificase que os valores lançados no período de 01/2003 a 11/2005 e 01/2006 a 08/2006 não estão revestidos dos atributos de liquidez e certeza, essenciais a todo crédito tributário, conforme previsão expressa do art. 142 do CTN. Por outro lado, a Lei Fundamental pátria, de 1988, em seu art. 5°, LV, dispõe que "aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e a ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes". É cediço que a higidez formal do lançamento depende, invariavelmente, da higidez formal dos Relatórios e dos Discriminativos que o integram. A nulidade, por sua vez, não decorre propriamente do descumprimento do requisito formal exceto quando a legislação expressamente condiciona a validade do ato à sua observância mas dos seus efeitos comprometedores do direito de defesa assegurado constitucionalmente ao contribuinte. Isso porque as formalidades não são um fim em si mesmas, mas instrumentos assecuratórios do exercício da ampla defesa. No caso concreto, os vícios identificados comprometem irremediavelmente a discriminação clara e precisa dos fatos geradores e das contribuições devidas e, simultaneamente, prejudicam o exercício do direito de defesa pelo sujeito passivo. O dever da administração rever seus atos, zelando pela sua legalidade, tem fundamento na Lei 9.784/99, Art. 53: Fl. 240DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 15/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 10283.100530/200766 Acórdão n.º 230102.807 S2C3T1 Fl. 231 5 "A Administração deve anular seus próprios atos, quando eivados de vicio de legalidade, e pode revogálos por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos". Em igual sentido sumulou o STFSupremo Tribunal Federal no enunciado n.° 473, vejase: "A administração pode anular seus próprios atos, quando eivados de vícios que os tornam ilegais, porque deles não se originam direitos: ou revogálos por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos, e ressalvada, em todos os casos, a apreciação judicial". Por todo o exposto, devem ser julgados nulos os valores lavrados nas seguintes competências: • Levantamento GFI — VALORES DECLARADOS EM GFIP: 01/2003 a 08/2003, 01/2004, 09/2004 a 12/2004, 02/2005 a 04/2005, 08/2005 a 11/2005, 01/2006 a 05/2006, 07/2006 e 08/2006; • Levantamento GFW — VALORES NÃO DECLARADOS EM GFIP: 01/2003 a 01/2006, 03/2006 e 08/2006.” Da análise da r. decisão supramencionada, notase que o Órgão Julgador a quo identificou patente vício de natureza insanável que macula o lançamento do crédito tributário em relação às rubricas apontadas. Isso acontece porque, da forma como foi constituído o débito fiscal não é possível determinar a certeza e liquidez da matéria tributável, o que constitui clara situação de cerceamento de defesa. Dessa forma, compartilhando do mesmo entendimento explanado na r. decisão ora recorrida, não vislumbrando motivo plausível capaz de reformar o julgamento pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém – PA. Ante o exposto, VOTO no sentido de ANULAR a decisão recorrida. Adriano Gonzales Silvério Relator Fl. 241DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 15/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO
score : 1.0
Numero do processo: 36048.003072/2006-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Feb 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2000 a 31/05/2004
PRAZO DECADENCIAL. PAGAMENTO ANTECIPADO. CONTAGEM A PARTIR DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR
Constatando-se a antecipação de pagamento parcial do tributo aplica-se, para fins de contagem do prazo decadencial, o critério previsto no § 4.º do art. 150 do CTN, ou seja, cinco anos contados da ocorrência do fato gerador.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-003.263
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Ausente justificadamente a conselheira Carolina Wanderley Landim.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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PAGAMENTO ANTECIPADO. CONTAGEM A PARTIR DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR Constatandose a antecipação de pagamento parcial do tributo aplicase, para fins de contagem do prazo decadencial, o critério previsto no § 4.º do art. 150 do CTN, ou seja, cinco anos contados da ocorrência do fato gerador. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Ausente justificadamente a conselheira Carolina Wanderley Landim. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 36 04 8. 00 30 72 /2 00 6- 11 Fl. 581DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/11 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Relatório Tratase de recurso interposto pelo sujeito passivo contra a Decisão Notificação – DN n. 05.401.4/0406/2006 de lavra da então da Delegacia da Receita Previdenciária em Fortaleza (CE), que julgou improcedente a impugnação apresentada para desconstituir a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD n.º 35.784.9434, de 09/12/2005. O crédito em discussão envolve as contribuições patronais destinadas à Seguridade Social, inclusive aquela destinada ao custeio dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, e aquela destinada ao SEBRAE. Nos termos do relato do fisco, os fatos geradores contemplados na apuração foram os pagamentos efetuados aos diretores empregados e nãoempregados a título de participação nos lucros PLR. Afirmase que os demais empregados recebiam a PLR em consonância com o disposto na Lei n. 10.101/2000, estando as regras para pagamento da verba prevista em acordos coletivos, os quais excluíam os diretores da sua abrangência. Concluiu o fisco que os valores pagos a titulo de PLR aos dirigentes têm natureza diversa dos pagamentos efetuados com base na Lei n. 10.101/2000, mais se assemelhando à participação nos lucros prevista na Lei . 6.404/1976, a qual teria natureza de remuneração. Asseverase ainda que a empresa impetrou ação judicial para ver declarada a inconstitucionalidade da contribuição ao SEBRAE, todavia, não teve sua pretensão acolhida, dessa forma está sendo cobrada esta contribuição para as competências em que inexistiram depósitos judiciais. O órgão de primeira instância não acolheu a preliminar de nulidade em razão do cerceamento ao direito de defesa da empresa. Também afastou a aplicação do prazo quinquenal para contagem da decadência. Quanto à alíquota da contribuição destinada ao custeio dos riscos ambientais de trabalho, a DRP entendeu que se deve aplicar o grau de risco correspondente à empresa como um todo e não de cada filial. Para o órgão recorrido a PLR paga aos diretores empregados não obedeceu aos ditames da Lei n. 10.101/2000, posto que inexistiam critérios para aferição das informações pertinentes ao acordado e que não foi respeitada a periodicidade legal. Assim, esses pagamentos deveriam sofrer tributação para a Seguridade Social. A DRP justificou a incidência de contribuições sobre a PLR paga aos diretores não empregados no fato de não haver norma que determine a exclusão dessa verba do saláriodecontribuição. No recurso interposto, a empresa alegou em síntese que: Fl. 582DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/11 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 36048.003072/200611 Acórdão n.º 2401003.263 S2C4T1 Fl. 579 3 a) o exíguo prazo de 15 dias para apresentação de defesa contra 24 lançamentos lavrados na ação fiscal fere o seu direito de defesa, por conseguinte as lavraturas são nulas; b) a decadência deve ser aferida com base no § 4. do art. 150 do CTN; c) a PLR não pode ser tributada uma vez que se trata de abono indenizatório, expressamente não vinculado ao salário, além de que é parcela paga eventualmente; d) a contribuição ao RAT deve ter a sua alíquota definida pela atividade de cada estabelecimento, desde que identificado por CNPJ próprio. Ao final pediu que o recurso seja recebido com arrolamento de bem imóvel em substituição ao depósito de 30% do valor da exigência e que se reforme a decisão atacada, declarandose a improcedência da NFLD. A DRP apresentou contrarazões. A empresa atravessou petição requerendo a aplicação ao caso da Súmula Vinculante n. 08 de lavra do STF. A seguir, requereu a desistência parcial do recurso em relação aos débitos que não tenham sido alcançados pela decadência quando se aplica a regra do art. 150, § 4. , do CTN. Tal desistência tem como finalidade a inclusão das contribuições devidas a partir de 12/2000 no parcelamento instituído pela Lei n. 11.941/2009. A RFB desmembrou o crédito, restando sob controvérsia apenas as competências 03 e 06/2000. É o relatório. Fl. 583DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/11 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Após a desistência parcial do recurso cabenos apreciar apenas a questão do prazo decadencial. É cediço que, com a declaração de inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n.º 8.212/1991 pela Súmula Vinculante n.º 08, editada pelo Supremo Tribunal Federal em 12/06/2008, o prazo decadencial para as contribuições previdenciárias passou a ser aquele fixado no CTN. Quanto à norma a ser aplicada para fixação do marco inicial para a contagem do quinquídio decadencial, o CTN apresenta três normas que merecem transcrição: Art. 150 (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. ................................................................................................ Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. (...) A jurisprudência majoritária do CARF, seguindo entendimento do Superior Tribunal de Justiça, tem adotado o § 4.º do art. 150 do CTN para os casos em que há antecipação de pagamento do tributo, ou até nas situações em que não havendo a menção à ocorrência de recolhimentos, com base nos elementos constantes nos autos, seja possível se chegar a uma conclusão segura acerca da existência de pagamento antecipado. O art. 173, I, tem sido tomado para as situações em que comprovadamente o contribuinte não tenha antecipado o pagamento das contribuições, na ocorrência de dolo, fraude ou simulação e também para os casos de aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória. Por fim, o art. 173, II, merece adoção quando se está diante de novo lançamento lavrado em substituição ao que tenha sido anulado por vício formal. Fl. 584DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/11 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 36048.003072/200611 Acórdão n.º 2401003.263 S2C4T1 Fl. 580 5 No caso sob apreciação verificase que nas competências 03 e 06/2000, únicas que permaneceram no crédito após a desistência parcial do recurso, há recolhimentos, conforme o Relatório de Documentos Apresentados – RDA, fl. 13. Assim, seguindo o entendimento predominante no CARF, devese aplicar para aferição da decadência a norma do art. 150, § 4. , do CTN. Tendose em conta que a ciência do lançamento ocorreu em 16/12/2005, devem ser afastadas por decadência as contribuições constantes na NFLD. Conclusão Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 585DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/11 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 10480.903861/2011-19
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/03/2007 a 31/03/2007
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO.
O contencioso administrativo instaura-se com a impugnação, que deve ser expressa, considerando-se não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente contestada pelo impugnante.É defeso a apreciação em sede recursal de matéria não suscitada na instância a quo.
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO-HOMOLOGADA.
A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.261
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/03/2007 a 31/03/2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. O contencioso administrativo instaura-se com a impugnação, que deve ser expressa, considerando-se não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente contestada pelo impugnante.É defeso a apreciação em sede recursal de matéria não suscitada na instância a quo. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO-HOMOLOGADA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
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PRECLUSÃO. O contencioso administrativo instaurase com a impugnação, que deve ser expressa, considerandose não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente contestada pelo impugnante.É defeso a apreciação em sede recursal de matéria não suscitada na instância a quo. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 90 38 61 /2 01 1- 19 Fl. 112DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/02/201 4 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10480.903861/201119 Acórdão n.º 3801002.261 S3TE01 Fl. 113 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 113DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/02/201 4 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10480.903861/201119 Acórdão n.º 3801002.261 S3TE01 Fl. 114 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos, em razão do princípio da economia processual: 1. Tratase de Declaração de Compensação (nº 42602.87470.160807.1.3.040748), elaborada com a utilização do Programa PER/DCOMP, transmitida em 16/08/2007, que tem por origem do crédito um suposto pagamento indevido da Contribuição para o PIS cumulativa (Código 8109), apresentando o DARF as seguintes características: Apuração Vencimento Arrecadação Principal Multa Juros Total 31/03/2007 20/04/2007 20/04/2007 12.350,62 12.350,62 1.1. Na DCOMP teria sido utilizada uma parcela daquele suposto crédito, no valor original de R$ 3.191,85, que, com a Selic acumulada, seria suficiente para a compensação de um débito, também da Contribuição para o PIS cumulativa, Código 8109, relativo a julho de 2007, no valor de R$ 3.506,57, com vencimento em 20/08/2007. 2. A DCOMP foi analisada de forma automática, pelo Sistema de Controle de Créditos e Compensações – SCC, culminando com a emissão, em 04/05/2011, do Despacho Decisório eletrônico Nº de Rastreamento 930835493, devidamente chancelado pela autoridade administrativa competente – no caso, o titular da DRF/Recife –, do qual a interessada foi cientificada, por via postal, em 17/05/2011. 2.1. O DARF informado na DCOMP foi encontrado nos Sistemas Informatizados da RFB, mas já havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte. Diante da inexistência do crédito, a compensação não foi homologada, resolvendose integralmente a extinção do débito, que passou a ser exigível, com os acréscimos legais devidos, calculados desde o vencimento. 3. Irresignada, a interessada apresentou, em 13/06/2011, Manifestação de Inconformidade, onde diz que, pelo que se depreende do teor do Despacho Decisório, “Tratase então, de apenas proceder as retificações das respectivas DCTFs ..., o que não invalida o direito de proceder a compensação do pagamento efetuado indevidamente ou a maior” e sustenta que “exerceu o seu direito conforme disposto na legislação vigente da época em que procederam as referidas compensações e utilizouse dos mecanismos exigidos pela Receita Federal, ou seja, PER/DCOMP, para finalizar o processo de compensação de pagamento indevido ou a maior, sendo que apenas não procedeu a retificação das DCTFs e demais obrigações acessórias”. Fl. 114DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/02/201 4 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10480.903861/201119 Acórdão n.º 3801002.261 S3TE01 Fl. 115 4 3.1. Em seguida transcreve os dispositivos do art. 74 da Lei nº 9.430/96, que regula as compensações dos tributos administrados pela RFB, enfatizando que a compensação com valores pagos indevidamente ou a maior não se enquadra em nenhuma das vedações legais. 3.2. Sintetiza os ponto de discordância da seguinte forma (in verbis): a) Da inexistência do crédito para a compensação constante do PER/DCOMP e do respectivo DARF; b) Do direito em retificar as DCTFs e demais obrigações acessórias. 3.3. Ao final, “demonstrada a insubsistência e improcedência do indeferimento de seu pleito, requer que seja acolhida a presente Manifestação de Inconformidade”. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Recife (PE) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/03/2007 a 31/03/2007 DIREITO À REPETIÇÃO DO INDÉBITO. PRESSUPOSTOS. O direito à restituição decorre do pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido (art. 165, I, do CTN), do qual se origina a obrigação tributária, inalterável até a extinção do crédito tributário dela decorrente (art. 113, § 1º, 139 e 140, do CTN). COMPENSAÇÃO. DIREITO LÍQUIDO E CERTO. O direito à compensação pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN). DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. COBRANÇA. Constatada a inexistência de direito creditório para fazer frente ao débito declarado em DCOMP, a compensação não será homologada, implicando a cobrança do valor indevidamente compensado, com os acréscimos legais cabíveis (§§ 2º e 7º do art. 74 da Lei nº 9.430/96). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/03/2007 a 31/03/2007 PROVA DO INDÉBITO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. MOMENTO PARA APRESENTAÇÃO. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/02/201 4 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10480.903861/201119 Acórdão n.º 3801002.261 S3TE01 Fl. 116 5 Ressalvadas as hipóteses das alíneas “a”, “b” e “c” do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, as provas da existência do direito creditório, a cargo de quem o alega (art. 36 da Lei nº 9.784/99 e art 333, I, do CPC), devem ser apresentadas por ocasião da interposição da Manifestação de Inconformidade, precluindo o direito de posterior juntada. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/03/2007 a 31/03/2007 RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÕES. ADMISSÃO. UNIDADE DE ORIGEM. Cabe à Unidade de Origem decidir sobre a admissibilidade de retificação da DCTF ou de qualquer outra declaração, falecendo competência às Delegacias da Receita Federal de Julgamento para apreciar pedidos desta natureza. Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho alegando, em síntese, que o seu direito creditório decorre de mandado de segurança coletivo movido pelo Sindhospe Sindicato dos Hospitais de Pernambuco voltado à permissão de compensação de créditos oriundos de Pis e Cofins incidentes sobre a venda de medicamentos, ante à suspensão da exigibilidade de tais tributos, cuja sentença lhe foi favorável, tendo, inclusive, transitado em julgado. Alega ainda que ingressou com um pedido administrativo de habilitação de crédito, o qual gerou o processo n° 10480.732928/201205, que teria permitido a compensação de créditos decorrentes do pagamento do Pis e da Cofins sobre a venda de medicamentos, reconhecidos na referida ação judicial. É o relatório. Fl. 116DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/02/201 4 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10480.903861/201119 Acórdão n.º 3801002.261 S3TE01 Fl. 117 6 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. Conforme relatado, a recorrente transmitiu PERDCOMP no qual pleiteia a compensação de débitos com um suposto crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de contribuição PIS e COFINS. Posteriormente, em sede de recurso voluntário, alegou que o seu direito creditório decorre de ação judicial na qual havia sido reconhecido o direito à compensação de créditos oriundos de Pis e Cofins incidentes sobre a venda de medicamentos. Conforme Despacho Decisório emitido pela unidade de origem, a compensação declarada foi não homologada sob a seguinte fundamentação: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP O direito creditório não existiria, segundo despacho decisório inicial e o acórdão de primeira instância, porque os pagamentos constantes do pedido estariam todos vinculados a débitos já declarados e não teriam sido demonstradas a liquidez e a certeza dos indébitos. A alegação de erro na apuração dos débitos que teriam dado ensejo ao crédito de pagamento indevido ou a maior não foram acompanhadas na peça impugnatória da retificação da respectiva DCTF, instrumento de confissão de dívida, que a princípio estaria na esfera de responsabilidade do contribuinte, ainda mais porque não foi acompanhada de qualquer alegação de impossibilidade na sua apresentação, bem como, dos documentos comprobatórios que poderiam até embasar uma eventual retificação de ofício. Quanto ao mérito do direito creditório alegado em sede recursal, devemos atentar ao disposto no Decreto nº 70.235/1972, in verbis: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. (...) Fl. 117DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/02/201 4 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10480.903861/201119 Acórdão n.º 3801002.261 S3TE01 Fl. 118 7 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei no 9.532, de 1997): b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997); c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (...) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997). Tais dispositivos refletem o princípio da Preclusão presente no PAF, ou seja, a impugnação do contribuinte estabelece os limites do litígio, não podendo haver inovação em sede de recurso voluntário. Entretanto, este princípio muitas vezes é sopesado pela busca da verdade material, sendo admitida a apresentação de novas provas destinadas à comprovação de alegações já postas. No caso em tela, a recorrente inovou em relação as alegações apresentadas à 1ª Instância, bem como, não juntou nenhuma documentação comprobatória que pudesse embasar o seu direito. A recorrente alega ainda que o seu direito creditório foi reconhecido pela própria Receita Federal do Brasil através do despacho decisório exarado no Pedido de Habilitação de Crédito Reconhecido por Decisão Judicial Transitada em Julgado, com cópia nos autos. No entanto falece razão à recorrente nesse aspecto, pois não é essa a finalidade do citado procedimento. No procedimento de habilitação se realizam as verificações constantes no art. 71, § 4º, da IN/RFB 900/08 sendo que nessa fase não se realizam os cálculos para apurar o direito creditório, visto que nessa fase não se instaura o contencioso: Art. 71. Na hipótese de crédito reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, a Declaração de Compensação, o pedido de restituição, o pedido de ressarcimento e o pedido de Fl. 118DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/02/201 4 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10480.903861/201119 Acórdão n.º 3801002.261 S3TE01 Fl. 119 8 reembolso somente serão recepcionados pela RFB após prévia habilitação do crédito pela DRF, Derat ou Deinf com jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo. (...) § 4º O pedido de habilitação do crédito será deferido pelo titular da DRF, Derat ou Deinf, mediante a confirmação de que: I o sujeito passivo figura no pólo ativo da ação; II a ação tem por objeto o reconhecimento de crédito relativo a tributo administrado pela RFB; III houve reconhecimento do crédito por decisão judicial transitada em julgado; IV o pedido foi formalizado no prazo de 5 (cinco) anos da data do trânsito em julgado da decisão ou da homologação da desistência da execução do título judicial; e V na hipótese de ação de repetição de indébito, bem como nas demais hipóteses de crédito amparado em título judicial passível de execução, houve a homologação pelo Poder Judiciário da desistência da execução do título judicial ou a comprovação da renúncia à sua execução, e a assunção de todas as custas e dos honorários advocatícios referentes ao processo de execução. § 5º Será indeferido o pedido de habilitação do crédito nas seguintes hipóteses: I as pendências a que se refere o § 2º não forem regularizadas no prazo nele previsto; ou II não forem atendidos os requisitos constantes do § 4º. § 6º O deferimento do pedido de habilitação do crédito não implica homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, de ressarcimento ou de reembolso nem alteração do prazo prescricional quinquenal do título judicial referido no inciso IV do § 4º.(grifamos) O deferimento do pedido de habilitação do crédito não implica homologação da compensação ou o deferimento do pedido de restituição ou de ressarcimento. Significa apenas autorização para transmissão do PER/DComp. O valor constante do pedido de habilitação é informativo e de responsabilidade do contribuinte. Não implica reconhecimento de direito creditório desse valor, quando deferido o pedido. Somente após a inserção de todos esses dados no sistema CPERDCOMP é que o contribuinte conseguirá transmitir os PER/DComp correspondentes ao crédito habilitado, sendo que no caso vertente as declarações de compensação foram transmitidas muito antes do referido Pedido de Habilitação e, inclusive, anteriormente ao próprio trânsito em julgado da decisão judicial na qual a recorrente alega ter embasado o seu direito creditório . Quanto à verdade material, muito embora no processo administrativo o julgador não pode se contentar apenas com a verdade formal, ou seja, aquela verdade que Fl. 119DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/02/201 4 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10480.903861/201119 Acórdão n.º 3801002.261 S3TE01 Fl. 120 9 resulta das provas e alegações trazidas aos autos pelas partes, tal dever atribuído ao julgador não pode ser estendido para além dos limites do rito procedimental a não ser quando entender que as provas trazidas tempestivamente não espelham a realidade dos fatos. No mais, considerandose que as informações prestadas no PERDCOMP situamse na esfera de responsabilidade do próprio contribuinte, cabe a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. Salientamos que em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso I. Assim, é defeso a apreciação em sede recursal de matéria não suscitada na instância a quo, bem como, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, falta ao crédito indicado pelo contribuinte certeza e liquidez, que são indispensáveis para a compensação pleiteada. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, para NÃO HOMOLOGAR as compensações. É assim que voto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 120DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/02/201 4 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES
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Numero do processo: 12670.000800/2008-82
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Nov 25 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
EXAME DE CONSTITUCIONALIDADE.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009)
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO.
O imposto sobre a renda pessoa física é tributo sob a modalidade de lançamento por homologação e, sempre que o contribuinte efetue o pagamento antecipado, o prazo decadencial encerra-se depois de transcorridos cinco anos do encerramento do ano-calendário. Na ausência de pagamento ou nas hipóteses de dolo, fraude e simulação, o prazo de cinco anos para constituir o crédito tributário é contado do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE DEPENDENTE. ALEGAÇÃO DE REPASSE DOS RENDIMENTOS A TERCEIROS.
A alegação de repasse a terceiros dos rendimentos considerados omitidos em Notificação de Lançamento não tem o condão de alterar o sujeito passivo do tributo devido em decorrência do recebimento de pensão auferida por dependente do contribuinte.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2102-002.530
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora.
Assinado digitalmente
Rubens Maurício Carvalho Presidente em Exercício
Assinado digitalmente
Núbia Matos Moura Relatora
EDITADO EM: 08/05/2013
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Ewan Teles Aguiar, Francisco Marconi de Oliveira, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho.
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006 EXAME DE CONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009) DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. O imposto sobre a renda pessoa física é tributo sob a modalidade de lançamento por homologação e, sempre que o contribuinte efetue o pagamento antecipado, o prazo decadencial encerra-se depois de transcorridos cinco anos do encerramento do ano-calendário. Na ausência de pagamento ou nas hipóteses de dolo, fraude e simulação, o prazo de cinco anos para constituir o crédito tributário é contado do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE DEPENDENTE. ALEGAÇÃO DE REPASSE DOS RENDIMENTOS A TERCEIROS. A alegação de repasse a terceiros dos rendimentos considerados omitidos em Notificação de Lançamento não tem o condão de alterar o sujeito passivo do tributo devido em decorrência do recebimento de pensão auferida por dependente do contribuinte. Recurso Voluntário Negado
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O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009) DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. O imposto sobre a renda pessoa física é tributo sob a modalidade de lançamento por homologação e, sempre que o contribuinte efetue o pagamento antecipado, o prazo decadencial encerrase depois de transcorridos cinco anos do encerramento do anocalendário. Na ausência de pagamento ou nas hipóteses de dolo, fraude e simulação, o prazo de cinco anos para constituir o crédito tributário é contado do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE DEPENDENTE. ALEGAÇÃO DE REPASSE DOS RENDIMENTOS A TERCEIROS. A alegação de repasse a terceiros dos rendimentos considerados omitidos em Notificação de Lançamento não tem o condão de alterar o sujeito passivo do tributo devido em decorrência do recebimento de pensão auferida por dependente do contribuinte. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 67 0. 00 08 00 /2 00 8- 82 Fl. 86DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por RUBENS MAURICIO CARVALHO Processo nº 12670.000800/200882 Acórdão n.º 2102002.530 S2C1T2 Fl. 87 2 Assinado digitalmente Rubens Maurício Carvalho – Presidente em Exercício Assinado digitalmente Núbia Matos Moura – Relatora EDITADO EM: 08/05/2013 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Ewan Teles Aguiar, Francisco Marconi de Oliveira, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Contra ANTONIO WILSON GRANER GONÇALVES JR foi lavrada Notificação de Lançamento, fls. 30/33, para formalização de exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), relativa ao anocalendário 2005, exercício 2006, no valor total de R$ 5.758,31, incluindo multa de ofício e juros de mora, estes últimos calculados até 31/03/2008. A infração apurada pela autoridade lançadora foi omissão de rendimentos recebido pela dependente do contribuinte, Ana Silvia Giani F G Gonçalves, CPF 214.648.638 49, do Instituto de Previdência do Estado de São Paulo, no valor de R$ 20.373,64. Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação, fls. 01/02, onde alega que o rendimento considerado omitido se trata de pensão recebida em decorrência do falecimento de seu sogro e que embora em nome de sua esposa, Ana Silvia Giani F G Gonçalves, o valor correspondente é distribuído a sete netos, todos menores. A autoridade julgadora de primeira instância considerou improcedente a impugnação, nos termos do Acórdão DRJ/SP2 nº 1747.592, de 18/01/2011, fls. 55/58. Cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, em 20/05/2011, Aviso de Recebimento (AR), fls. 63, o contribuinte apresentou, em 08/06/2011, recurso voluntário, fls. 64/66, onde reitera e reforça os argumentos trazidos na impugnação, acrescentado que o prazo para exigência do crédito tributário já expirou e que o valor cobrado na Notificação supera sua capacidade contributiva. É o Relatório. Fl. 87DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por RUBENS MAURICIO CARVALHO Processo nº 12670.000800/200882 Acórdão n.º 2102002.530 S2C1T2 Fl. 88 3 Voto Conselheira Núbia Matos Moura, relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. De imediato, devese salientar que o princípio constitucional da capacidade contributiva, argüido pelo contribuinte em sua defesa, é direcionado para cada uma das esferas legislativas, ou seja, a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, que deverá observálo quando da elaboração das leis. Ocorre que, conforme disposto na Súmula CARF nº 2, abaixo transcrita, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009, este colegiado está impedido de examinar a constitucionalidade de leis tributárias: Súmula CARF nº 2 – O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim, não será apreciada neste voto a argüição do contribuinte de que os valores exigidos no lançamento estão acima da capacidade contributiva do recorrente. O contribuinte suscita também que o prazo para a exigência do crédito tributário estaria expirado. Cuidase no lançamento de fato gerador ocorrido no anocalendário 2005, sendo certo que o contribuinte foi cientificado do lançamento em 27/05/2008, conforme documento, fls. 25. Logo, não há que se falar em decadência do crédito tributário na data do lançamento, posto que o contribuinte foi cientificado da Notificação de Lançamento antes de decorrido o prazo previsto no art. 150, §4º, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN). No mérito, o contribuinte afirma que o rendimento considerado omitido se trata de pensão recebida em decorrência do falecimento de seu sogro e que embora em nome de sua esposa, Ana Silvia Giani F G Gonçalves, o valor correspondente é distribuído a sete netos, todos menores. Dos documentos acostados aos autos, fls. 46 e 47, resta cristalino que a beneficiária dos rendimentos em questão é a esposa do contribuinte, Ana Silvia Giani F G Gonçalves, que foi relacionada como dependente do contribuinte, em sua Declaração de Ajuste Anual (DAA), exercício 2006, fls. 49/51. Logo, nos termos da legislação de regência (art. 43 do CTN), correta a exigência fiscal, sendo certo que o fato de a esposa do contribuinte repassar as quantias recebidas à título de pensão para os netos de seu pai é mera liberalidade da mesma, que não tem o condão de alterar a sujeição passiva do tributo. Fl. 88DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por RUBENS MAURICIO CARVALHO Processo nº 12670.000800/200882 Acórdão n.º 2102002.530 S2C1T2 Fl. 89 4 Ante o exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 89DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por RUBENS MAURICIO CARVALHO
score : 1.0
Numero do processo: 13603.906874/2009-71
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Dec 17 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/05/2006 a 31/05/2006
INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa devidamente fundamentada, não infirmada com documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 3803-004.674
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira e Juliano Eduardo Lirani. Ausente justificadamente o conselheiro Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa devidamente fundamentada, não infirmada com documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira e Juliano Eduardo Lirani. Ausente justificadamente o conselheiro Jorge Victor Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 90 68 74 /2 00 9- 71 Fl. 177DF CARF MF Impresso em 17/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/11/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13603.906874/200971 Acórdão n.º 3803004.674 S3TE03 Fl. 178 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte em contraposição à decisão da DRJ Belo Horizonte/MG que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada em decorrência da não homologação da compensação declarada. O contribuinte havia transmitido Pedido de Restituição e Declaração de Compensação (PER/DCOMP) em 18 de abril de 2008, referente a crédito decorrente de alegado pagamento a maior da contribuição para o PIS, no valor atualizado de R$ 50.912,60, destinado a quitar débito de sua titularidade. Por meio de despacho decisório eletrônico, cientificado pelo contribuinte em 20/10/2009, a repartição de origem não homologou a compensação, pelo fato de que o pagamento declarado no PER/DCOMP já havia sido integralmente utilizado na quitação de outros débitos da titularidade do sujeito passivo. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu o reconhecimento da compensação declarada, alegando que, embora não tivesse apurado valor a pagar de Cofins não cumulativa, efetuara recolhimento indevido, passível de compensação com outros débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, tendo sido retificada a respectiva DCTF, demonstrando a fidedigna realidade. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias de documentos societários e dos recibos de entrega das DCTFs original e retificadora, esta transmitida à Receita Federal em 11/11/2009. A DRJ Belo Horizonte/MG não reconheceu o direito creditório, tendo sido o acórdão ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/05/2006 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Verificado que o suposto crédito classificado pelo contribuinte como pagamento indevido ou a maior foi integralmente utilizado para quitação de débito informado em DCTF e Dacon apresentadas antes da ciência do despacho decisório emitido, não há como reconhecer o direito creditório postulado. A retificação da DCTF, operada após a ciência do despacho decisório, não é suficiente, por si só, para comprovar a existência do crédito pretendido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificado do acórdão da DRJ Belo Horizonte/MG em 28 de março de 2013, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário no dia 29 de abril do mesmo ano, e reiterou seu pedido de reconhecimento do direito creditório ou, alternativamente, a conversão do julgamento em diligência à repartição de origem, alegando que efetuara a retificação da DCTF e do Dacon, declarações essas que substituíram integralmente as originais, sendo Fl. 178DF CARF MF Impresso em 17/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/11/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13603.906874/200971 Acórdão n.º 3803004.674 S3TE03 Fl. 179 3 suficiente à compensação o crédito decorrente de pagamento indevido devidamente comprovado, tudo em conformidade com as normas então vigentes. Amparouse o Recorrente, na defesa do seu direito, em decisão do CARF e em outras decisões da DRJ Belo Horizonte/MG, em que seu pleito fora plenamente atendido. Alegou, também, o Recorrente, que, não obstante a falta de intimação para comprovar a base de cálculo da contribuição, o indébito decorreria da exclusão da venda de sucatas, tendo em vista que a partir de 1º de março de 2003, a incidência da contribuição ficou suspensa no caso de venda de desperdícios, resíduos ou aparas, nos termos do art. 48 da Lei nº 11.196, de 2005. Junto ao Recurso Voluntário, o contribuinte trouxe aos autos somente cópias de documentos societários. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme se verifica do relatório supra, a compensação declarada por meio de PER/DCOMP não foi homologada pela repartição de origem pelo fato de que o crédito pleiteado já se encontrava vinculado a outro débito da titularidade do contribuinte, decisão essa mantida pela DRJ Belo Horizonte/MG, em razão da falta de comprovação do alegado pagamento a maior. De início, registrese que, para se apreciarem pleitos da espécie, não basta que se alegue, em tese, o direito assegurado pela ordem jurídica, havendo necessidade de que os argumentos fáticos trazidos aos autos sejam demonstrados e comprovados, sob pena de total inviabilidade da apreciação do pedido. Decisões proferidas em outros processos, ainda que relativos a pleitos da mesma espécie do presente, não se prestam, por si sós, a assegurar o direito ora reclamado, pois a decisão a ser proferida neste processo deve se pautar no material probatório ora reunido. O contribuinte trouxe aos autos apenas cópias de documentos societários e dos recibos das DCTFs original e retificadora, esta transmitida em 11/11/2009, após a ciência do despacho decisório, documentos esses insuficientes à comprovação do indébito, dado que desacompanhados de qualquer elemento da escrituração contábilfiscal e da documentação que a lastreia, estes, sim, consistentes em prova hábil e idônea. Para decidir acerca do pedido de reconhecimento do direito creditório decorrente da exclusão da venda de sucatas, nos termos do art. 48 da Lei nº 11.196, de 2005, este Colegiado necessita obter na escrita contábilfiscal os valores envolvidos, como o faturamento, as exclusões da base de cálculo da contribuição não cumulativa, a contribuição devida etc., sem o que não se consegue aferir a existência e a extensão do indébito reclamado. Fl. 179DF CARF MF Impresso em 17/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/11/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13603.906874/200971 Acórdão n.º 3803004.674 S3TE03 Fl. 180 4 Mesmo considerando o princípio da verdade material, em que a apuração da verdade dos fatos pelo julgador administrativo vai além das provas trazidas aos autos pelo interessado, nos casos da espécie ao ora analisado, a prova encontrase em poder do próprio sujeito passivo, e uma vez que foi dele a iniciativa de instauração do processo, pois que relativo a um direito que ele alega ser detentor, não se vislumbra fundamento a uma possível inversão do ônus da prova, no sentido de converter o julgamento em diligência à repartição de origem para que a Fiscalização proceda à coleta dos documentos necessários à comprovação do indébito. A não apresentação de provas dos fatos apontados encontrase em total desacordo com a disciplina do art. 16, inciso III, e § 4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), verbis: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Em conformidade com o excerto supra, temse que o ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações declaradas pelo próprio sujeito passivo, presentes nos sistemas da Receita Federal no momento da emissão do despacho decisório, informações essas não infirmadas com documentação hábil e idônea. Nesse contexto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, em razão da ausência de prova hábil e idônea do direito creditório reclamado. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 180DF CARF MF Impresso em 17/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/11/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13603.906874/200971 Acórdão n.º 3803004.674 S3TE03 Fl. 181 5 Fl. 181DF CARF MF Impresso em 17/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/11/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 10935.721712/2011-30
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 03 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Feb 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2010, 2011
IRRF. DIFERENÇAS ENTRE VALORES ESCRITURADOS E DECLARADOS.
Cabível o lançamento do IRRF, com base em diferenças de base de cálculo, entre os valores escriturados e os declarados, sem justificativas pelo contribuinte.
LUCRO PRESUMIDO. OMISSÃO DE RECEITAS. NOTA FISCAL NÃO ESCRITURADA
É legítimo o lançamento com base em valor contido em nota fiscal, não escriturada, com respectivo faturamento confirmado pelo tomador do serviço.
LUCRO PRESUMIDO. ALÍQUOTA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS EM GERAL.
Deve o Fisco efetuar o lançamento com base em diferenças de alíquota, quando a empresa qualifica prestação de serviços em geral (32%) como se fossem receitas de construção para empreitada global (8%).
LUCRO PRESUMIDO. DIFERENÇAS ENTRE VALORES ESCRITURADOS E DECLARADOS.
Correto o lançamento com base em diferenças de base de cálculo, entre os valores escriturados e os declarados, sem justificativas pelo contribuinte.
PIS. COFINS. CSLL. DECORRÊNCIA. LANÇAMENTO REFLEXO.
Versando sobre as mesmas ocorrências fáticas, aplica-se ao lançamento reflexo alusivo ao PIS, Cofins e CSLL o que restar decidido no lançamento do IRPJ.
Numero da decisão: 1402-001.512
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado .
(assinado digitalmente)
LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente.
(assinado digitalmente)
FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 2010, 2011 IRRF. DIFERENÇAS ENTRE VALORES ESCRITURADOS E DECLARADOS. Cabível o lançamento do IRRF, com base em diferenças de base de cálculo, entre os valores escriturados e os declarados, sem justificativas pelo contribuinte. LUCRO PRESUMIDO. OMISSÃO DE RECEITAS. NOTA FISCAL NÃO ESCRITURADA É legítimo o lançamento com base em valor contido em nota fiscal, não escriturada, com respectivo faturamento confirmado pelo tomador do serviço. LUCRO PRESUMIDO. ALÍQUOTA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS EM GERAL. Deve o Fisco efetuar o lançamento com base em diferenças de alíquota, quando a empresa qualifica prestação de serviços em geral (32%) como se fossem receitas de construção para empreitada global (8%). LUCRO PRESUMIDO. DIFERENÇAS ENTRE VALORES ESCRITURADOS E DECLARADOS. Correto o lançamento com base em diferenças de base de cálculo, entre os valores escriturados e os declarados, sem justificativas pelo contribuinte. PIS. COFINS. CSLL. DECORRÊNCIA. LANÇAMENTO REFLEXO. Versando sobre as mesmas ocorrências fáticas, aplica-se ao lançamento reflexo alusivo ao PIS, Cofins e CSLL o que restar decidido no lançamento do IRPJ.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado . (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente. (assinado digitalmente) FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto.
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CONFISCO. INCONSTITUCIONALIDADE OU ILEGALIDADE DE NORMAS. AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAR. Os percentuais da multa de ofício, exigíveis em lançamento de ofício, são determinados expressamente em lei, não dispondo as autoridades administrativas de competência para apreciar a constitucionalidade de normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. SIGILO BANCÁRIO. ACESSO A DADOS BANCÁRIOS. DISPENSA DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. Descabe alegar quebra de sigilo bancário sob o argumento de ausência de autorização judicial, eis que a legislação tributária autoriza o fisco ao acesso direto aos dados bancários junto às instituições financeiras. VIOLAÇÃO DO SIGILO FISCAL. USO DE DADOS DE DIRF. DEVER DE PRESTAR INFORMAÇÕES. Descabe alegar violação do sigilo fiscal pelo uso de dados informados em DIRFs, pelas fontes pagadoras, eis que a legislação tributária permite ao fisco obter informações de interesse fiscal junto a qualquer pessoa física e jurídica, excetuando apenas aquelas que devam guardar segredo, em razão de profissão, o que justifica a obrigação de informação de valores de retenção, pelas fontes pagadoras. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 72 17 12 /2 01 1- 30 Fl. 1311DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10935.721712/201130 Acórdão n.º 1402001.512 S1C4T2 Fl. 1.312 2 Anocalendário: 2007, 2008, 2009, 2010, 2011 EXCLUSÃO DA CSLL DA APURAÇÃO DO LUCRO REAL E DE SUA PRÓPRIA BASE DE CÁLCULO. INADMISSIBILIDADE. Por expressa vedação legal, é indevida a exclusão da CSLL da apuração do lucro real e de sua própria base de cálculo, não dispondo as autoridades administrativas de competência para apreciar a legalidade ou a constitucionalidade de normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. LUCRO PRESUMIDO. OMISSÃO DE RECEITAS. NOTA FISCAL NÃO ESCRITURADA É legítimo o lançamento com base em valor contido em nota fiscal, não escriturada, com respectivo faturamento confirmado pelo tomador do serviço. LUCRO PRESUMIDO. ALÍQUOTA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS EM GERAL. Deve o Fisco efetuar o lançamento com base em diferenças de alíquota, quando a empresa qualifica prestação de serviços em geral (32%) como se fossem receitas de construção para empreitada global (8%). LUCRO PRESUMIDO. DIFERENÇAS ENTRE VALORES ESCRITURADOS E DECLARADOS. Correto o lançamento com base em diferenças de base de cálculo, entre os valores escriturados e os declarados, sem justificativas pelo contribuinte. PIS. COFINS. CSLL. DECORRÊNCIA. LANÇAMENTO REFLEXO. Versando sobre as mesmas ocorrências fáticas, aplicase ao lançamento reflexo alusivo ao PIS, Cofins e CSLL o que restar decidido no lançamento do IRPJ. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2007, 2008, 2009, 2010, 2011 PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/1998, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC Nº 20/98. A base de cálculo do PIS e da Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2010, 2011 Fl. 1312DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10935.721712/201130 Acórdão n.º 1402001.512 S1C4T2 Fl. 1.313 3 IRRF. DIFERENÇAS ENTRE VALORES ESCRITURADOS E DECLARADOS. Cabível o lançamento do IRRF, com base em diferenças de base de cálculo, entre os valores escriturados e os declarados, sem justificativas pelo contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado . (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente. (assinado digitalmente) FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 1313DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10935.721712/201130 Acórdão n.º 1402001.512 S1C4T2 Fl. 1.314 4 Relatório Progresso Construções e Serviços Ltda recorre a este Conselho contra decisão de primeira instância proferida pela 2ª Turma da DRJ Curitiba/PR, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Trata o processo de autos de infração de IRPJ e reflexos, dos anos calendários 2007 a 2010, bem como de IRRF dos períodos 2010 e 2011. Também foi lavrado processo de representação fiscal para fins penais, sob o número 10935.721713/201184, apensado ao presente, conforme termo de fl. 912. Do auto de infração de IRPJ (fls. 821/832): exige o recolhimento de R$ 278.977,30 de imposto e R$ 209.232,92 de multa de lançamento de ofício, além dos encargos legais. O lançamento resultou de procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias da interessada, em que foram apuradas as seguintes infrações, relatadas no Termo de Verificação Fiscal, de fls. 873/883: Receitas da Atividade – IRPJ sobre receita omitida da construção para empreitada global: nos períodos de 09/2008. Enquadramento legal nos arts. 3º § 1º, 15, § 1°, da Lei nº 9.249, de 26/12/1995; arts. 1º e 25, inciso I e II da Lei nº 9.430, de 27/12/1996; artigos 518 e 528 do RIR/1999. Multa de 75%; Aplicação indevida de coeficiente de determinação do lucro: nos períodos de 09/2009 e 12/2009. Enquadramento legal nos arts. 3º § 1º, 15, § 1°, da Lei nº 9.249, de 26/12/1995; arts. 1º e 25, inciso I da Lei nº 9.430, de 27/12/1996; artigos 224, 518, 519 e 841 do RIR/1999. Multa de 75%; Diferença apurada entre o valor escriturado e o declarado: nos períodos de 06/2007, 09/2007, 03/2008, 06/2008, 12/2008, 03/2009, 06/2009, 09/2009, 12/2009, 03/2010, 06/2010, 09/2010 e 12/2010. Enquadramento legal nos arts. 3º § 1º, 15, § 1°, da Lei nº 9.249, de 26/12/1995; arts. 1º e 25, inciso I da Lei nº 9.430, de 27/12/1996; artigos 224, 518, 519 e 841 do RIR/1999. Multa de 75%; Do auto de infração de CSLL (fls. 833/842): Exige o recolhimento de R$ 59.237,96 de imposto e R$ 44.428,42 de multa de lançamento de ofício, além dos encargos legais. Foram apuradas as seguintes infrações, relatadas no Termo de Verificação Fiscal, de fls. 873/883: Falta de recolhimento de CSLL sobre receitas omitidas: no período de 09/2008. Enquadramento legal nos arts. 1°, 2° e §§ da Lei 7.689, de 15 de dezembro de 1988; artigos 20 e 24 da Lei nº 9.249 de 26/12/1995; artigo 22 da Lei nº 10.684 de 30/05/2003; artigo 29 da Lei nº 9.430 de 27/12/1996; e artigo 37 da Lei nº 10.637 de 30/12/2002. Multa de 75%; Fl. 1314DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10935.721712/201130 Acórdão n.º 1402001.512 S1C4T2 Fl. 1.315 5 Apuração incorreta da CSLL: no período de 09/2009 e 12/2009. Enquadramento legal nos arts. 1°, 2° e 3° da Lei 7.689, de 15 de dezembro de 1988; artigos 20 da Lei nº 9.249 de 26/12/1995; artigo 22 da Lei nº 10.684 de 30/05/2003; artigo 29 da Lei nº 9.430 de 27/12/1996; e artigo 37 da Lei nº 10.637 de 30/12/2002. Multa de 75%; Diferença apurada entre o valor escriturado e o declarado: no período de 06/2007, 09/2007, 03/2008, 06/2008, 12/2008, 03/2009, 06/2009, 09/2009, 12/2009, 03/2010, 06/2010, 09/2010 e 12/2010. Enquadramento legal nos arts. 1°, 2° e 3° da Lei 7.689, de 15 de dezembro de 1988; artigos 20 da Lei nº 9.249 de 26/12/1995; artigo 22 da Lei nº 10.684 de 30/05/2003; artigo 29 da Lei nº 9.430 de 27/12/1996; e artigo 37 da Lei nº 10.637 de 30/12/2002. Multa de 75%; Do auto de infração do PIS (fls. 843/853): Exige o recolhimento de R$ 27.696,21 de imposto e R$ 20.772,08 de multa de lançamento de ofício, além dos encargos legais. Foram apuradas as seguintes infrações, relatadas no Termo de Verificação Fiscal, de fls. 873/883: PIS – Falta/Insuficiência de recolhimento de PIS: nos períodos de 08/2008, 08/2009, 09/209 e 12/2009. Enquadramento legal nos arts. 1° e 3° da Lei Complementar nº 7, de 07 de setembro de 1970; artigo 8°, inciso I, da Lei n° 9.715, de 25/11/1998; artigos 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 27/11/1998; artigo 24, § 2º, da Lei nº 9.249 de 26/12/1995; artigos 2º, inciso I, alínea "a", 3º, 10, 22, 51 e 91 do Decreto nº 4.524 de 17/12/2002. Multa de 75%; PIS – Diferença apurada entre o valor escriturado e o declarado: nos períodos de 04/2007, 08/2007, 09/2007, 01/2008, 03/2008 a 12/2008, 01/2009 a 04/2009, 06/2009, 10/2009, 07/2010 e 04/2011. Enquadramento legal nos arts. 1° e 3° da Lei Complementar nº 7, de 07 de setembro de 1970; artigo 8°, inciso I, da Lei n° 9.715, de 25/11/1998; artigos 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 27/11/1998; artigo 24, § 2º, da Lei nº 9.249 de 26/12/1995; artigos 2º, inciso I, alínea "a", 3º, 10, 22, 51 e 91 do Decreto nº 4.524 de 17/12/2002. Multa de 75%; Do auto de infração da Cofins (fls. 854/865): Exige o recolhimento de R$ 128.056,57 de imposto e R$ 96.042,35 de multa de lançamento de ofício, além dos encargos legais. Foram apuradas as seguintes infrações, relatadas no Termo de Verificação Fiscal, de fls. 873/883: Cofins – Falta/insuficiência de Cofins: nos períodos de 08/2008, 08/2009, 09/209 e 12/2009. Enquadramento legal no artigo 1º da Lei Complementar nº 70 de 30/12/1991, artigos 2º, 3º e 8º da Lei nº 9.718 de 27/11/1998; artigo 24, § 2º, da Lei nº 9.249 de 26/12/1995; artigo 18 da Lei nº 10.684 de 30/05/2003; artigos 2º, inciso II e parágrafo único, 3º, 10, 22, 51 e 91 do Decreto nº 4.524 de 17/12/2002. Multa de 75%. Cofins – Diferença apurada entre o valor escriturado e o declarado: nos períodos de 04/2007, 08/2007, 09/2007, 01/2008, 03/2008 a 12/2008, 01/2009 a 04/2009, 06/2009, 10/2009, 07/2010 e 04/2011. Enquadramento legal no artigo 1º da Lei Complementar nº 70 de 30/12/1991, artigos 2º, 3º e 8º da Lei nº 9.718 de 27/11/1998; artigo 24, § 2º, da Lei nº 9.249 de 26/12/1995; artigo 18 da Lei nº 10.684 de 30/05/2003; artigos 2º, inciso II e parágrafo único, 3º, 10, 22, 51 e 91 do Decreto nº 4.524 de 17/12/2002. Multa de 75%. Fl. 1315DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10935.721712/201130 Acórdão n.º 1402001.512 S1C4T2 Fl. 1.316 6 Do auto de infração de IRRF (fls. 866/870): Exige o recolhimento de R$ 57.301,99 de imposto, R$ 42.976,49 de multa de ofício, além de encargos legais. Foram apuradas as seguintes infrações, relatadas no Termo de Verificação Fiscal, de fls. 873/883: Diferença apurada entre o valor escriturado e o declarado: nos períodos de 10/2010, 01/2001 a 04/2011. Enquadramento legal no art. 70, inciso I, “d”, da Lei n° 11.196, de 21/11/2005; art. 149 do CTN; artigos 2°, 6° inciso II da IN RFB n° 974, de 27/11/2009; artigos 1°, 2°, 6° inciso II da IN RFB n° 1.110, de 24/12/2010; art. 841 do Decreto 3.000, de 26 de março de 1999 – RIR/99. Multa de 75%; Das Impugnações apresentadas Apresentou o contribuinte, tempestivamente, a impugnação de fls. 919/942, acompanhada dos documentos de fls. 943/948, que se resume a seguir: Quebra do sigilo bancário. Alega que foi oportunizada pela fiscalização a apresentação dos extratos, todavia a solicitação, de forma genérica e o prazo exíguo oportunizado para apresentação daqueles, resultou tão somente na disposição ao fisco, dos extratos do Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e Banco Itaú; Sobre as demais contas, explica que os bancos quais foram solicitados os extratos, não proporcionaram a tempo a informação, motivo da demora na resposta; Argumenta que em nenhum outro momento foram solicitados novamente outros documentos relativos a demais contas da empresa, tão somente a intimação fiscal de n° 01 , tendo para o cumprimento desta, 20 dias; e que, a intimação acima descrita, fora entregue em data de 10/06/2011, tendo como vencimento do dia 04/07/2011; Justifica que, ciente da não apresentação de todos os documentos, protocolou em data de 12/07/2011; e que, ao receber a intimação de n° 4, como ainda não dispunha dos documentos necessários e demonstrando boa fé, colaboração e respeito a autoridade fiscalizadora, necessário se fez que se expedisse solicitação de prazo, da qual não obteve resposta. Esclarece que o pedido de dilação de prazo de entrega de documentos relativamente ao termo de n° 04, também se referiu as demais solicitações, sendo o pedido expresso e de fácil entendimento no segundo parágrafo do documento; Observa que, não tendo recebido qualquer resposta em relação ao prazo requerido, considerouse o deferimento deste, qual se tornou inócuo, pois em data de 22/07/2011, tomouse conhecimento da expedição RMF Requerimento de Informação Sobre Movimentação Bancária, diretamente ao Banco Bradesco, o que demonstra que o fisco já era conhecedor das informações protegidas pelo sigilo, somente bastava a formalização da obtenção da informação; Entende que a falta de resposta e ciência da decisão do prazo requerido para apresentação dos documentos, prejudica e expõe de forma dolosa a exposição do sigilo Fl. 1316DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10935.721712/201130 Acórdão n.º 1402001.512 S1C4T2 Fl. 1.317 7 bancário da empresa pela Delegacia da Receita Federal, e de acordo com conhecimento jurisprudencial, emanado pelo Supremo Tribunal Federal, ante a remissão contida no artigo 58, § 3º, da Lei Maior; Sobre a possibilidade de quebra de sigilo bancário pela Delegacia da Receita Federal, cita doutrina que entende ser inconstitucional tal possibilidade, com base no direito ao sigilo bancário, mas também há os que defendam a possibilidade da quebra, embasados na jurisprudência, desde que acompanhada de autorização judicial; Cita decisão do Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF), dando provimento a um Recurso Extraordinário (RE 389808) em que se questiona o acesso da Receita Federal a informações fiscais da empresa, sem fundamentação e sem autorização judicial. Por cinco votos a quatro, os ministros entenderam que não pode haver acesso a esses dados sem ordem do Poder Judiciário; Quebra do sigilo fiscal Menciona que, às fls 661 e seguintes do processo administrativo, encontram se juntadas o "DOSSIÊ INTEGRADO", quais dão conta às operações financeiras das empresas contratantes em relação a empresa fiscalizada; Sustenta que toda empresa ou cidadão tem o direito à sua privacidade garantida constitucionalmente, e somente o Poder Judiciário tem o poder de permitir a quebra do sigilo por parte do Fisco, sob pena de menosprezar a função jurisdicional específica cometida ao Poder Judiciário. Com relação a esta necessidade de proteção à privacidade humana, não podemos deixar de considerar o acesso a informação fiscal, mesmo por parte do agente público, pois é correto afirmar que a quebra sigilo fiscal do contribuinte, não pode ser utilizada como instrumento de busca generalizada, sem indícios concretos, para investigar a situação financeira da empresa; Cita o art. 3° da RFB n° 11.371 de dezembro de 2007, que dispõe sobre o planejamento das atividades fiscais e estabelece normas para a execução de procedimentos fiscais relativos aos tributos administrados pela Receita Federal do Brasil; Conclui que a solicitação da relação de pagamentos declarados em DIRF's pelos clientes/tomadores de serviços da empresa fiscalizada e juntados ao Processo Administrativo pela Delegacia da Receita Federal e que serviram de principal elemento para a lavratura do Auto de Infração tratase de uma DILIGÊNCIA. Por este fato, irregular o modo de obtenção do documento assim como seu uso para arbitrar a receita, sendo que o procedimento correto para obtenção deste é a expedição de MPFD MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL DILIGÊNCIA, devidamente assinado pelo Delegado da Receita Federal do Brasil; Improcedência pela não exclusão do valor da CSLL da base de cálculo do IRPJ Explica que é pessoa jurídica sujeita à tributação pelo lucro presumido, e veio, sempre, seguindo a legislação em vigor, procedendo aos ajustes necessários (adições e exclusões) à correta apuração da base de cálculo do imposto de renda; e que, até o dia 31.12.96, procedese a dedução do valor correspondente à Contribuição Social sobre o lucro, da sua própria base de cálculo e também da do imposto de renda; Fl. 1317DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10935.721712/201130 Acórdão n.º 1402001.512 S1C4T2 Fl. 1.318 8 Menciona que, no entanto, à partir de 01 de janeiro de 1997, tal prática não mais foi possível, em virtude das disposições da Lei 9.316 de 22 de novembro de 1.996, que alterando a legislação do Imposto de Renda e da Contribuição Social sobre o Lucro, vem (de forma absolutamente contrária aos preceitos constitucionais) ocasionando grave incremento à carga tributária que pesa sobre a impugnante; Conclui que passa a ser indedutível a Contribuição Social sobre o Lucro, prevista constitucionalmente no inciso I do artigo 195, e instituída pelo artigo 2º da Lei 7.689/88, tanto da sua própria base de cálculo, como da base de cálculo do importo de renda, e que tal fato reflete diretamente na diferença do IRPJ exigida através do presente auto de infração; Assevera que, embora não exista em nosso sistema tributário, qualquer dispositivo que de forma expressa vede a indedutibilidade da Contribuição Social sobre o lucro da sua própria base de cálculo, é absurdo pensar na possibilidade de tal inclusão, posto que, flagrante a alteração promovida no conceito de lucro; Contesta a impossibilidade de se proceder a dedução da referida Contribuição, da sua própria base de cálculo, e também da base de cálculo do Imposto de Renda, que agride até mesmo os mais elementares princípios constitucionais tributários, e de forma expressa, afronta o artigo 43 do Código Tributário Nacional e também os artigos 146, inciso III, alínea "a" e 145, § 1o, ambos da Constituição Federal, razão pela qual o presente auto de infração, que exige o recolhimento de IRPJ deve ser julgado totalmente improcedente; Multa confiscatória. Insurgese contra a multa aplicada pelo auto de infração, que se apresenta em montante incompatível com os dispositivos legais e constitucionais pertinentes, sendo absolutamente inconstitucional, razão pela qual deve ser extirpada da presente medida fiscal; Alega que a multa viola o art. 150, IV da CF/88, bem como o princípio da razoabilidade, previsto no art. 2° da Lei n° 9.874/99; Cita doutrina e jurisprudência; Aduz que a imposição de sanções não deve ser tomada de maneira deliberativa pelo fisco, como a concretização do poder de coagir/punir do Estado. O que de fato deve ocorrer é a ciência de que a sanção visa a preservação da ordem, a tranqüilidade da sociedade, a reparação do dano e, em especial, quanto ao poder público, coagir o contribuinte, de maneira regulamentada, a trazer sua participação para que as normatizações e obrigações sejam satisfeitas; Defende que as sanções corretivas constituem penalidades apenas incidentes sobre infrações formais, onde não tenha havido falta de recolhimento do tributo ou flagrante sonegação fiscal, o que não é o caso, haja vista a espontaneidade na declaração dos valores devidos pela empresa; Ao final, requer a exclusão da multa ao percentual de 75%, permanecendo o entendimento do Poder Judiciário, qual seja, tão somente a aplicação de multa de 20% sobre os valores originários; Fl. 1318DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10935.721712/201130 Acórdão n.º 1402001.512 S1C4T2 Fl. 1.319 9 Taxa Selic Entende que a taxa SELIC não se presta à utilização como equivalente aos juros moratórios incidentes sobre os débitos de natureza fiscal, seja por que carente de legislação que a institua (contrariando assim o disposto no artigo 161, § Io do CTN) ou ainda, porque sua natureza é de juros remuneratórios e não moratórios, contrariando uma vez mais o dispositivo da Lei Complementar (CTN), norma de hierarquia superior à que traz a taxa SELIC como aplicável aos débitos de natureza fiscal (Lei Ordinária lei 9.065/95); Faz um histórico demonstrando a inexistência de legislação definidora da taxa Selic; Conclui que não há uma correta definição do SELIC e nem tão pouco traz a lei os critérios para que se chegue à correta fixação do seu percentual. Podendo, em última análise, variar ao "sabor do credor", o que vem sendo inadmitido pelo STJ; Cita o CTN, Lei Complementar que dispõe que a taxa de juros moratórios será de um por cento ao mês, se a lei não dispuser de forma diversa. Pois bem, a norma do art. 161, § 1o do CTN, em tudo coadunava com a do Texto Constitucional. Não há legislação que, pelo menos de forma direta, regulamente a questão da SELIC; no entanto, na remota possibilidade de aceitarse a lei n° 9.065, em seu artigo 13, como a forma supletiva da regulamentação, ainda assim, temos que o texto Constitucional estatui que somente Lei Complementar deverá dispor sobre a regulamentação do sistema financeiro e, dentre estas funções, está a de dispor acerca das taxas de juros. Pois bem, a Lei n° 9.065/95 é lei ordinária, portanto, novamente não se enquadrando, pelo menos formalmente, nas exigências da Carta Magna; Discorre sobre a aplicação de taxa remuneratória como juros moratórios; Foram apresentadas impugnações separadas para a CSLL (fls. 949/972), com o seguinte arrazoado, naquilo que difere em relação à impugnação contra o IRPJ: Majoração da base de cálculo da CSLL de 12% para 32% para prestadores de serviço – Lucro Presumido Afirma que a Lei 10.684, de 30 de maio de 2003, resultado da conversão em Lei da Medida Provisória n° 107, de 10 de fevereiro de 2003, além de ter instituído o PAES (Parcelamento Especial de Débitos ou "Novo Refis"), promoveu também o aumento da carga tributária para as empresas prestadoras de serviços que optam pela apuração do imposto de renda pelo regime de lucro presumido, vez que majorou a base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido para estes contribuintes de 12% para 32% da sua receita bruta; Explica que a antiga redação do art. 20 da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, antes das alterações trazidas pela Lei n° 10.684/03, determinava, indiscriminadamente, para todas as empresas submetidas ao regime de apuração do IR pelo lucro presumido, que a base de cálculo da CSLL correspondia a 12% da receita bruta da pessoa jurídica; Prossegue argumentando que, considerando o universo dos contribuintes desobrigados a escrituração contábil1, dentre eles os que optaram pela apuração do Imposto de Renda pelo lucro presumido, este artigo, em sua redação antiga, não fazia nenhuma distinção, Fl. 1319DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10935.721712/201130 Acórdão n.º 1402001.512 S1C4T2 Fl. 1.320 10 adotando uma base de cálculo única para a CSLL: doze por cento da receita bruta; e que, de outra sorte, o art. 22 da Lei n° 10.684/03 alterou a redação do art. 20 da Lei 9.249/95; Acrescenta que, com a mudança, a Lei passou a diferenciar os contribuintes, criando bases de cálculo distintas entre os desobrigados a escrituração contábil. Como regra geral, manteve a base de cálculo de 12% (doze por cento) da receita bruta, mas, praticamente a triplicou, fixandoa então em 32% (trinta de dois por cento) da receita bruta para os contribuintes que reúnem, simultaneamente estas duas características: i) desnecessidade de escrituração contábil que engloba, em especial, aqueles que optaram pela apuração do IR pelo lucro presumido; e, ii) enquadramse dentre as pessoas jurídicas que exercem as atividades a que se refere o art. 15, § I o, inciso III, da Lei 9.249/952; Conclui que praticamente todos os serviços, exceto os hospitalares, ou estão expressamente descritos ou encaixamse na previsão de "serviços em geral"; e que, por tais razões, impugnase também o presente auto de infração; Foram apresentadas impugnações separadas para o PIS (fls. 979/1002), com o seguinte arrazoado, naquilo que difere em relação às impugnações anteriores: Inconstitucionalidades das modificações de base de cálculo pela Lei 9.718/98 Ressalta que, até a edição da Emenda Constitucional 20/98, não havia autorização constitucional para a incidência de contribuições sobre receitas (principalmente sobre a totalidade de receitas, como dispôs a Lei 9.718/98); Sustenta que uma coisa é o "faturamento", tal e qual previa a LC 07/70, outra é a "totalidade das receitas" (como prevê a Lei 9.718/98). A LC 07/70, fixava como base de cálculo do PIS o faturamento mensal da empresa. O faturamento, de acordo com a Legislação do Imposto de Renda e com o artigo 3º da Lei 9.715/98 compreende a receita oriunda da venda de bens nas operações de conta própria, do preço dos serviços prestados e do resultado auferido nas operações de conta alheia. Assim, quaisquer outras receitas ficam excluídas da incidência da contribuição; Conclui que tudo aquilo que não é decorrente da receita bruta de venda de mercadorias ou de serviços de qualquer natureza, não é faturamento. Conseqüentemente, sobre tais valores não poderiam ser exigidas contribuições (pelo menos não com base no art. 195,1 redação original). A Lei 9.718/98 conceitua como faturamento a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevante o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas (art. 3o). Ora, ao tentar fazer incidir a contribuição sobre a totalidade das receitas, mesmo com as exclusões de que trata o §2° do art. 3º , acabou por alargar o conceito de faturamento para receitas que extrapolam aquelas decorrentes da venda de mercadorias e serviços. Acabou por fazer incidir a contribuição, exemplificativamente, sobre as variações monetárias ativas (variações cambiais, atualização de contratos ativos, etc.) e sobre as receitas financeiras (aplicações financeiras, juros recebidos em mútuos, descontos recebidos de clientes por antecipação de pagamento, etc). Descreve que, ainda que pouco menos de um mês após a publicação da Lei 9.718/98 tenha sido editada a EC 20/98, não há como se admitir o fenômeno da recepção. Este, com o devido respeito, pressupõe que a norma a ser recepcionada pelo Texto Constitucional Fl. 1320DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10935.721712/201130 Acórdão n.º 1402001.512 S1C4T2 Fl. 1.321 11 novo esteja de acordo com o Texto anterior, o que, como demonstrado, definitivamente não é o caso; Explica que, como o art. 195, I da Constituição Federal de 1988, previa, em seu texto original, que a Contribuição Social devida pelo empregador incidiria somente sobre a folha de salários, o faturamento e o lucro, não se referindo à totalidade das receitas, concluise que a norma esculpida no §1° do art. 3o da Lei 9.718/98 foi além do que o dispositivo constitucional permitia. Evidente, portanto, a inconstitucionalidade da Lei 9.718/98, no que tange à modificação da base de cálculo procedida; Destaca o atual posicionamento do Supremo Tribunal Federal, que, em decisão plenária, no julgamento do RE 357.950, que declarou a inconstitucionalidade do §1° do art. 3 o da Lei n° 9.718/98, em face do disposto no artigo 195, I, da Carta Magna, com redação anterior à Emenda Constitucional n° 20, de 11 de dezembro de 1998.; Sustenta que a exigência no presente auto de infração padece de clara ilegalidade e inconstitucionalidade, de acordo com o pacífico posicionamento dos tribunais superiores, motivo pelo qual merece ser afastada; Foram apresentadas impugnações separadas para a Cofins (fls. 1008/1034), em teor idêntico ao do PIS. Foram apresentadas impugnações separadas para o IRRF (fls. 1041/1061), em teor idêntico aos anteriores. Da Decisão de Primeira Instância A decisão de primeira instância, representada no Acórdão da DRJ nº 06 36.499 (fls. 1.0691.091) de 19/04/2012, por unanimidade de votos, considerou procedente o lançamento. A decisão foi assim ementada. “Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2007, 2008, 2009, 2010, 2011 MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. INCONSTITUCIONALIDADE. PERCENTUAL. LEGALIDADE. Os percentuais da multa de ofício, exigíveis em lançamento de ofício, são determinados expressamente em lei, não dispondo as autoridades administrativas de competência para apreciar a constitucionalidade de normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. A utilização da taxa Selic como juros moratórios decorre de expressa disposição legal. SIGILO BANCÁRIO. ACESSO A DADOS BANCÁRIOS. DISPENSA DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. Descabe alegar quebra de sigilo bancário, sob alegação de ausência de autorização judicial, eis que a legislação tributária autoriza ao fisco o acesso direto aos dados bancários junto às instituições financeiras. Fl. 1321DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10935.721712/201130 Acórdão n.º 1402001.512 S1C4T2 Fl. 1.322 12 VIOLAÇÃO DO SIGILO FISCAL. USO DE DADOS DE DIRF. DEVER DE PRESTAR INFORMAÇÕES. Descabe alegar violação do sigilo fiscal pelo uso de dados informados em DIRFs, pelas fontes pagadoras, eis que a legislação tributária permite ao fisco obter informações de interesse fiscal junto a qualquer pessoa física e jurídica, excetuando apenas aquelas que devam guardar segredo, em razão de profissão, o que justifica a obrigação de informação de valores de retenção, pelas fontes pagadoras. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2007, 2008, 2009, 2010, 2011 EXCLUSÃO DA CSLL DA APURAÇÃO DO LUCRO REAL E DE SUA PRÓPRIA BASE DE CÁLCULO. INADMISSIBILIDADE. Por expressa vedação legal, é indevida a exclusão da CSLL da apuração do lucro real e de sua própria base de cálculo, não dispondo as autoridades administrativas de competência para apreciar a legalidade ou a constitucionalidade de normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. LUCRO PRESUMIDO. OMISSÃO DE RECEITAS. NOTA FISCAL NÃO ESCRITURADA. Correto o lançamento com base em valor contido em nota fiscal, não escriturada, com respectivo faturamento confirmado pelo tomador do serviço. LUCRO PRESUMIDO. ALÍQUOTA INCORRETA. Correto o lançamento baseado em diferenças de alíquota, quando a empresa qualifica prestação de serviços em geral (32%) como se fossem receitas de construção para empreitada global (8%). LUCRO PRESUMIDO. DIFERENÇAS ENTRE VALORES ESCRITURADOS E DECLARADOS. Correto o lançamento com base em diferenças de base de cálculo, entre os valores escriturados e os declarados, sem justificativas pelo contribuinte. PIS. COFINS. CSLL. DECORRÊNCIA. LANÇAMENTO REFLEXO. Versando sobre as mesmas ocorrências fáticas, aplicase ao lançamento reflexo alusivo ao PIS, Cofins e CSLL o que restar decidido no lançamento do IRPJ. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 2007, 2008, 2009, 2010, 2011 BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI 9.718/98 PELO STF. CONTROLE DIFUSO. INEXISTÊNCIA DE VINCULAÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO. Correto lançamento de PIS e da Cofins com base na Lei 9.718/98, objeto de declaração de inconstitucionalidade pelo STF na via incidental, eis que referido recurso extraordinário é desprovido de efeito erga omnes, em face da inexistência de Resolução do Senado Federal visando a suspender a execução da indigitada lei. Fl. 1322DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10935.721712/201130 Acórdão n.º 1402001.512 S1C4T2 Fl. 1.323 13 Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Anocalendário: 2010, 2011 IRRF. DIFERENÇAS ENTRE VALORES ESCRITURADOS E DECLARADOS. Correto o lançamento do IRRF, com base em diferenças de base de cálculo, entre os valores escriturados e os declarados, sem justificativas pelo contribuinte.” Contra a aludida decisão, da qual foi cientificada em 27/04/2012 (A.R. de fl. 1.098) a interessada interpôs recursos voluntários em 25/05/2012 (fls. 1.0991.136, 1.141 1.178, 1.1831.220, 1.2251.266, 1.2711.305) onde repisa os argumentos apresentados em sua impugnação. É o relatório. Fl. 1323DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10935.721712/201130 Acórdão n.º 1402001.512 S1C4T2 Fl. 1.324 14 Voto Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar O recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Dele, portanto, tomo conhecimento. Da preliminar de quebra do sigilo bancário. Alega a Recorrente que seria inconstitucional a quebra do seu sigilo bancário pela Delegacia da Receita Federal, por meio do Requerimento de Informação Sobre Movimentação Bancária (RMF) dirigido ao Banco Bradesco S/A. Cita decisão do Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF), dando provimento ao Recurso Extraordinário nº 389808 em que se questiona o acesso da Receita Federal a informações fiscais da empresa, sem fundamentação e sem autorização judicial. Pede a nulidade do lançamento. Importante ressaltar, inicialmente, que nenhuma infração apurada pela autoridade fiscal foi feita com base em documentos bancários, conforme se verá na apreciação do mérito. Ainda assim, entendo não haver nulidade ocasionadas pelo procedimento de obtenção de dados bancários da Recorrente. Isso porque, no âmbito do processo administrativo fiscal, as hipóteses de nulidade são taxativamente previstas nos arts. 59 e 60 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972: “Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. (Grifouse). Nesses termos, o cerceamento do direito de defesa somente pode ser cogitado em face de despachos e decisões. Sendo o auto de infração um ato administrativo, a declaração de nulidade somente pode ser suscitada em caso de lavratura por pessoa incompetente. Possíveis irregularidades, incorreções e omissões cometidas no auto de infração não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Fl. 1324DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10935.721712/201130 Acórdão n.º 1402001.512 S1C4T2 Fl. 1.325 15 Especificamente quanto às alegações de quebra de sigilo bancário, entendo que o art. 6° da Lei Complementar n° 105, de 2001, abaixo transcrito, condiciona o acesso do Fisco aos dados bancários somente à existência de processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e que tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente: Art. 6o As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. Por fim, quanto à alegação de inconstitucionalidade da base legal para a quebra do sigilo bancário, ressalto que essa instância administrativa não é o foro adequado para discussões a respeito de ilegalidade ou inconstitucionalidade de leis legitimamente inseridas no ordenamento jurídico pátrio, por absoluta falta de competência das autoridades administrativas a essa função. Nesse sentido, o caput do artigo 62 do Anexo II do Regimento Interno do do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria nº 256/2009, veda “[...] aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade”. As exceções estão elencadas no parágrafo único do referenciado artigo, dentre as quais se destaca a que trata a hipótese objeto de seu inciso I, qual seja, afastar preceito “que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal”, o que não se coaduna com a espécie trazida pela defesa em seu recurso. Entendo, portanto, não haver necessidade de autorização judicial para que os bancos enviem as informações quando requisitadas pelo fisco. Da preliminar de quebra do sigilo fiscal Ainda em sede preliminar, argumenta a defesa irregularidades na quebra do sigilo fiscal. Menciona que às fls 661 e seguintes encontrase juntado o "DOSSIÊ INTEGRADO" que dá conta às operações financeiras das empresas contratantes em relação a empresa fiscalizada. Sustenta que toda empresa ou cidadão tem o direito à sua privacidade garantida constitucionalmente e somente o Poder Judiciário tem o poder de permitir a quebra do sigilo por parte do Fisco, sob pena de menosprezar a função jurisdicional específica cometida ao Poder Judiciário. Fl. 1325DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10935.721712/201130 Acórdão n.º 1402001.512 S1C4T2 Fl. 1.326 16 Com relação a esta necessidade de proteção à privacidade humana, não podemos deixar de considerar o acesso a informação fiscal, mesmo por parte do agente público, pois é correto afirmar que a quebra sigilo fiscal do contribuinte, não pode ser utilizada como instrumento de busca generalizada, sem indícios concretos, para investigar a situação financeira da empresa. Cita o art. 3° da IN RFB n° 11.371 de dezembro de 2007, que dispõe sobre o planejamento das atividades fiscais e estabelece normas para a execução de procedimentos fiscais relativos aos tributos administrados pela Receita Federal do Brasil. Conclui que a solicitação da relação de pagamentos declarados em DIRF's pelos clientes/tomadores de serviços da empresa fiscalizada e juntados ao Processo Administrativo pela Delegacia da Receita Federal e que serviram de principal elemento para a lavratura do Auto de Infração tratase de uma DILIGÊNCIA. Por este fato, irregular o modo de obtenção do documento assim como seu uso para arbitrar a receita, sendo que o procedimento correto para obtenção deste é a expedição de MPFD MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL DILIGÊNCIA, devidamente assinado pelo Delegado da Receita Federal do Brasil. Também aqui entendo insubsistentes os argumentos trazidos pela Recorrente. O Fisco utilizouse de dados das fontes pagadoras, informados em DIRFs, anexadas às fls. 661/677, para apurar divergências na base de cálculo de tributos declarados pelo contribuinte. Tratamse de informações que se encontram à disposição da RFB, não configuram violação ao sigilo fiscal. A discussão nesse ponto inserese no tema do poder de polícia da Administração Tributária. Nesse sentido, o CTN, em seu art. 197, autoriza o Fisco a intimar qualquer entidade para a obtenção de informações de interesse fiscal, ressalvando apenas as situações em que o intimado deva observar segredo em razão de cargo, ofício, função, ministério, atividade ou profissão. Disciplinando essa autorização, o legislador autorizou o auditor fiscal, através dos artigos 927 e 928 do RIR/99, a obter informações junto a qualquer pessoa física ou jurídica, sob pena de multa. Confiramse os dispositivos citados: CAPÍTULO II OBRIGATORIEDADE DE PRESTAR INFORMAÇÕES Seção I Prestação de Informações à Secretaria da Receita Federal Subseção I Disposições Gerais Art. 927. Todas as pessoas físicas ou jurídicas, contribuintes ou não, são obrigadas a prestar as informações e os esclarecimentos exigidos pelos AuditoresFiscais do Tesouro Nacional no exercício de suas funções, sendo as declarações Fl. 1326DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10935.721712/201130 Acórdão n.º 1402001.512 S1C4T2 Fl. 1.327 17 tomadas por termo e assinadas pelo declarante (Lei nº 2.354, de 1954, art. 7º). Art. 928. Nenhuma pessoa física ou jurídica, contribuinte ou não, poderá eximirse de fornecer, nos prazos marcados, as informações ou esclarecimentos solicitados pelos órgãos da Secretaria da Receita Federal (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 123, DecretoLei nº 1.718, de 27 de novembro de 1979, art. 2º, e Lei nº 5.172, de 1966, art. 197). § 1º O disposto neste artigo aplicase, também, aos Tabeliães e Oficiais de Registro, às empresas corretoras, ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial, às Juntas Comerciais ou repartições e autoridades que as substituírem, às caixas de assistência, às associações e organizações sindicais, às companhias de seguros e às demais pessoas, entidades ou empresas que possam, por qualquer forma, esclarecer situações de interesse para a fiscalização do imposto (DecretoLei nº 1.718, de 1979, art. 2º). § 2º Se as exigências não forem atendidas, a autoridade fiscal competente cientificará desde logo o infrator da multa que lhe foi imposta (art. 968), fixando novo prazo para o cumprimento da exigência (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 123, § 1º). § 3º Se as exigências forem novamente desatendidas, o infrator ficará sujeito à penalidade máxima, além de outras medidas legais (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 123, § 2º). § 4º Na hipótese prevista no parágrafo anterior, a autoridade fiscal competente designará funcionário para colher a informação de que necessitar (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 123, § 3º). § 5º Em casos especiais, para controle da arrecadação ou revisão de declaração de rendimentos, poderá o órgão competente exigir informações periódicas, em formulário padronizado (DecretoLei nº 1.718, de 1979, art. 2º, parágrafo único). É com base nessa autorização que os contribuintes são obrigados a informar valores de retenção, através de DIRF, que se constitui em obrigação acessória e independente de expedição de MPF para sua obtenção. Rejeito, pois, as preliminares de nulidade do lançamento suscitadas pela Recorrente. Do mérito A empresa foi submetida à ação fiscal, com procedimento de verificações preliminares (período 07/2006 a 04/2011), e fiscalização propriamente dita para nos anos calendários 2008 e 2009. Nos períodos analisados, o contribuinte era optante pelo lucro presumido, e atuava no ramo de construção civil por empreitada global, além de prestação de serviços em geral. Fl. 1327DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10935.721712/201130 Acórdão n.º 1402001.512 S1C4T2 Fl. 1.328 18 A auditoria resultou na identificação de três infrações à legislação do IRPJ: i) omissão de receitas de construção para empreitada global; ii) aplicação indevida de coeficiente de determinação do lucro; iii) diferença entre o valor escriturado e o declarado. Propugna a Recorrente pela total improcedência dos lançamentos. Passo à análise de cada uma das infrações e argumentações de defesa. Da omissão de receitas de construção para empreitada global A infração foi detectada pontualmente, e se refere à nota fiscal de n° 547, emitida em 29/08/2008 contra a Prefeitura Municipal de Quedas do Iguaçu, conforme fl. 678. Apurou o Fisco que o tomador do serviço confirmou a transação, tendo inclusive quitado a fatura, conforme fls. 679/682. Como tal receita não foi escriturada pela empresa, entendo correta a autuação de omissão de receitas pela Fiscalização. Da aplicação indevida de coeficiente de determinação do lucro presumido. A infração referese ao terceiro e quarto trimestres de 2009 e decorre do levantamento incorreto do lucro presumido, composto de receitas de prestação de serviços em geral (alíquota de 32%) como se fossem receitas de construção civil por empreitada global (alíquota de 8%), conforme tabela abaixo: ITEM DECLARADO PELO CONTRIBUINTE APURADO PELA FISCALIZAÇÃO Construção civil por empreitada global R$ 2.820.316,57 R$ 1.732.084,26 Prestação de serviços R$ 663.594,97 R$ 1.754.227,07 TOTAL R$ 3.483.911,54 R$ 3.486.311,33 O levantamento foi feito mediante análise de todas as notas fiscais emitidas pela empresa no período, conforme Anexo IV (fls. 895/899). Constatada a irregularidade, o Contribuinte foi intimado a prestar esclarecimentos, pelo Termo de Intimação Fiscal de fls. 463/485. Como não houve resposta, procedeu o Fisco à autuação correspondente às diferenças de alíquotas. Em sua defesa a Recorrente sequer contesta o trabalho feito pela fiscalização, o que leva à conclusão de que havia classificado boa parte de suas receitas de forma equivocada, apurando IRPJ a menor, mediante uso de percentual mais reduzido para a obtenção do lucro presumido (8% ao invés de 32%). Também nesse ponto entendo correta a autuação. Da diferença entre o valor escriturado e o declarado A infração foi apurada mediante comparação entre os valores escriturados e os declarados, ao longo dos períodos 2007 a 2011. Tendo o Fisco identificado divergências, o Fl. 1328DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10935.721712/201130 Acórdão n.º 1402001.512 S1C4T2 Fl. 1.329 19 Contribuinte foi intimado a justificála, pelo Termo de Intimação de fls. 378/403. Em resposta, fls. 422, respondeu que “os valores apresentados na planilha constante neste item sofrem retenção de acordo com o disposto no art. 30 da Lei 10.833/03, conforme exemplo abaixo demonstrado”. O citado exemplo compõese de uma tabela contendo valores retidos, sobre quatro notas fiscais. A partir dessa resposta, o Auditor Fiscal procedeu aos cálculos dos valores devidos, considerando as retenções informadas pelos tomadores de serviços em suas respectivas DIRFs (fls. 661/677), e chegou aos resultados contidos nas planilhas do Anexo III (fls. 890/894), abaixo resumidos. TRIBUTO 2007 2008 2009 2010 2011 IRPJ 6.574,75 12.067,87 35.777,74 147.561,48 CSLL 6.204,15 15.688,50 11.054,06 PIS 4.032,69 9.777,97 7.345,25 338,26 798,17 COFINS 18.840,15 45.129,12 33.901,17 1.561,19 3.683,84 TOTAL 35.651,74 82.663,46 88.078,22 149.460,93 4.482,01 Em sua defesa, a Recorrente não questiona o procedimento de apuração das bases de cálculo pelo Fisco, apresentando questionamentos pontuais a seguir analisados. Da dedução da CSLL da base de cálculo do IRPJ No que se refere ao IRPJ, limitouse a postular a dedução da CSLL da base de cálculo do IRPJ. Nesse pondo tenho por descabida a argumentação apresentada. O disposto no art. 1° da Lei n° 9.316, de 22 de novembro de 1996, in verbis, é cristalino e oposto ao entendimento da defesa. Art. 1º O valor da contribuição social sobre o lucro líquido não poderá ser deduzido para efeito de determinação do lucro real, nem de sua própria base de cálculo. Parágrafo único. Os valores da contribuição social a que se refere este artigo, registrados como custo ou despesa, deverão ser adicionados ao lucro líquido do respectivo período de apuração para efeito de determinação do lucro real e de sua própria base de cálculo. Quanto às alegações de ilegalidade e inconstitucionalidade dos dispositivos normativos, cumprese esclarecer que a apreciação da ilegalidade ou inconstitucionalidade de normas é de competência privativa do Poder Judiciário. Nesse sentido a instância administrativa não é foro adequado para discussões a respeito de ilegalidade ou inconstitucionalidade de leis legitimamente inseridas no ordenamento jurídico pátrio, por absoluta falta de competência das autoridades administrativas a essa função, que é reservada pela Constituição Federal em caráter exclusivo aos juízes e tribunais. Fl. 1329DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10935.721712/201130 Acórdão n.º 1402001.512 S1C4T2 Fl. 1.330 20 É inócuo, portanto, suscitar tais alegações no âmbito administrativo, pois a autoridade fiscal deve cumprir as determinações legais e normativas de forma plenamente vinculada, não podendo, sob pena de responsabilidade funcional, desrespeitar as normas da legislação tributária, em observância ao art. 142, parágrafo único, do CTN. Da majoração da base de cálculo da CSLL de 12% para 32% para prestadores de serviço Quanto ao lançamento da CSLL, argumenta a Recorrente que a Lei 10.684, de 30 de maio de 2003, resultado da conversão em Lei da Medida Provisória n° 107, de 10 de fevereiro de 2003, além de ter instituído o PAES (Parcelamento Especial de Débitos ou "Novo Refis"), promoveu o aumento da carga tributária para as empresas prestadoras de serviços que optam pela apuração do imposto de renda pelo regime de lucro presumido, vez que majorou a base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido para estes contribuintes de 12% para 32% da sua receita bruta. Explica que a antiga redação do art. 20 da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, antes das alterações trazidas pela Lei n° 10.684/03, determinava, indiscriminadamente, para todas as empresas submetidas ao regime de apuração do IR pelo lucro presumido, que a base de cálculo da CSLL correspondia a 12% da receita bruta da pessoa jurídica. Prossegue argumentando que, considerando o universo dos contribuintes desobrigados a escrituração contábil, dentre eles os que optaram pela apuração do Imposto de Renda pelo lucro presumido, este artigo, em sua redação antiga, não fazia nenhuma distinção, adotando uma base de cálculo única para a CSLL: doze por cento da receita bruta; e que, de outra sorte, o art. 22 da Lei n° 10.684/03 alterou a redação do art. 20 da Lei 9.249/95. Acrescenta que, com a mudança, a Lei passou a diferenciar os contribuintes, criando bases de cálculo distintas entre os desobrigados a escrituração contábil. Como regra geral, manteve a base de cálculo de 12% (doze por cento) da receita bruta, mas, praticamente a triplicou, fixandoa então em 32% (trinta de dois por cento) da receita bruta para os contribuintes que reúnem, simultaneamente estas duas características: i) desnecessidade de escrituração contábil que engloba, em especial, aqueles que optaram pela apuração do IR pelo lucro presumido; e, ii) enquadramse dentre as pessoas jurídicas que exercem as atividades a que se refere o art. 15, § 1o, inciso III, da Lei 9.249/952. Conclui que praticamente todos os serviços, exceto os hospitalares, ou estão expressamente descritos ou encaixamse na previsão de "serviços em geral". Nesse item, a Recorrente limitase a lamentar sobre a legislação da CSLL. Cabe somente citar os dispositivos, que entendo corretamente aplicados pela fiscalização. A base de cálculo corresponde a 32% da receita bruta, no caso de prestação de serviço em geral, de acordo com o art. 20 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995. A alíquota é de 9%, nos termos do art. 37 da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002: Art. 20. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal a que se referem os arts. 27 e 29 a 34 da Lei no 8.981, de 20 de janeiro de 1995, e pelas pessoas jurídicas desobrigadas de escrituração contábil, corresponderá a doze por cento da receita bruta, na forma definida na legislação vigente, Fl. 1330DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10935.721712/201130 Acórdão n.º 1402001.512 S1C4T2 Fl. 1.331 21 auferida em cada mês do anocalendário, exceto para as pessoas jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III do § 1o do art. 15, cujo percentual corresponderá a trinta e dois por cento. Art. 37. Relativamente aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de janeiro de 2003, a alíquota da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), instituída pela Lei no 7.689, de 15 de dezembro de 1988, será de 9% (nove por cento). Das inconstitucionalidades das modificações de base de cálculo do PIS e da Cofins pela Lei 9.718/98 Quanto ao PIS e a Cofins a Recorrente, em resumo, alega que essas contribuições têm como base de cálculo o faturamento, e que apenas uma nova contribuição, a ser ainda instituída e regulamentada pelo legislador infraconstitucional, poderia ser calculada sobre a receita bruta; e que, se os conceitos de faturamento e receita bruta fossem realmente equivalentes, o legislador constituinte não deveria ter tido o trabalho de editar a Emenda Constitucional n.° 20/98. Vêse, nesse caso, que a Recorrente traz aos autos a discussão travada no STF quando do reconhecimento da inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98. Entendeuse que esse dispositivo, ao ampliar o conceito de receita bruta para toda e qualquer receita, violou a noção de faturamento prescrita no art. 195, I, b, da CF, na sua redação original. O aumento da carga tributária daí decorrente foi contestado na justiça, tendo o Poder Judiciário, por diversas vezes, entendido que a amplitude de faturamento referida no artigo 195, inciso I, da Constituição Federal, na redação anterior à Emenda Constitucional – EC nº 20, de 1998, não legitimava a incidência de tais contribuições sobre a totalidade das receitas auferidas pelas empresas contribuintes, advertindo, ainda, que a superveniente promulgação da EC nº 20, de 1998, publicada no dia 16 de dezembro de 1998, “não teve o condão de validar a legislação ordinária anterior, que se mostrava originariamente inconstitucional” (Ag.Reg. RE 546.3273/SP, Rel. Min. Celso Mello). Assim, entendeu o Poder Judiciário que o § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, ao alargar o conceito de faturamento, criara exação nova, assunto que deveria ter sido objeto de lei complementar, por força do disposto no artigo 195, § 4º, c/c artigo 154, inciso I, da Constituição Federal. Portanto, o alargamento da base de cálculo objeto da Lei nº 9.718, de 27/11/1998 (decorrente da conversão da MP no 1.724, de 29/10/1998 – antes, ressaltese, da EC nº 20, de 15/12/1998), estava maculado por vício formal de constitucionalidade. Com efeito, o Supremo Tribunal Federal, no julgamento do Recurso Extraordinário no 390.840/MG, apreciado pelo pleno em 09/11/2005, decidiu no seguinte sentido (relator Ministro Marco Aurélio): CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE – ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 – EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. Fl. 1331DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10935.721712/201130 Acórdão n.º 1402001.512 S1C4T2 Fl. 1.332 22 TRIBUTÁRIO – INSTITUTOS – EXPRESSÕES E VOCÁBULOS – SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL – PIS – RECEITA BRUTA – NOÇÃO – INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. Posteriormente, o STF, no julgamento do Recurso Extraordinário no 585.2351/MG, proferido em 10/09/2008 e publicado em 28/11/2008, reconheceu a repercussão geral do tema, conforme ementa do acórdão em tela, que teve a relatoria do Ministro Cezar Peluso: EMENTA: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Especificamente sobre exame de constitucionalidade de norma, o caput do artigo 62 do Anexo II do Regimento Interno do do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria nº 256/2009, veda “[...] aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade”, admitidas, contudo, as exceções elencadas no parágrafo único do referenciado artigo, dentre as quais a de que trata a hipótese objeto de seu inciso I, qual seja, afastar preceito “que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal”, como na hipótese presente. Aliás, segundo o artigo 62A do RICARF (inserido pela Portaria MF nº 586/2010), As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Fl. 1332DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10935.721712/201130 Acórdão n.º 1402001.512 S1C4T2 Fl. 1.333 23 Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Além disso, o parágrafo único do artigo 4º do Decreto nº 2.346, de 10/10/1997, dispõe que, Na hipótese de crédito tributário, quando houver impugnação ou recurso ainda não definitivamente julgado contra a sua constituição, devem os órgãos julgadores, singulares ou coletivos, da Administração Fazendária, afastar a aplicação da lei, tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Com a declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei no 9.718/98, o STF entendeu que o PIS e a COFINS somente poderiam incidir sobre as receitas operacionais das empresas, ou seja, aquelas ligadas às suas atividades principais. Conseqüentemente, não é legítima a exigência da contribuição sobre receitas outras que não as originadas da venda de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, devendo ser excluídos da base de cálculo os montantes decorrentes das rubricas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, “b”, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional nº 20, de 1998. Ocorre que a autuação se deu pelo levantamento de receitas exclusivamente da atividade da Autuada, não havendo receitas outras que devam ser excluídas da base de cálculo das contribuições. Por todo o exposto, entendo descabidas as razões de defesa quanto a esse ponto. Do IRRF Na peça recursal contra a exigência de IRRF, a interessada repete os argumentos apresentados nos autos de infração do IRPJ, CSLL, PIS e Cofins. O lançamento do IRRF decorreu também do procedimento de Verificações Preliminares, que consistiu no cotejo entre os valores escriturados e os declarados. Foram apuradas divergências, nos montantes de R$ 10.063,72 para o ano calendário de 2010, e de R$ 47.238,27 para 2011, conforme planilhas do Anexo I (fls. 884/885). Os valores referemse a receitas de código 0561 (IRRF RENDIMENTO DO TRABALHO ASSALARIADO). O contribuinte foi intimado a justificar as diferenças, pelo Termo de Intimação de fls. 378/403, juntamente com outros questionamentos. Na resposta, às fls. 422/462, a fiscalizada não se manifestou a respeito do IRRF. Dessa forma, tendo a autuação sido baseada na própria contabilidade da empresa, sem que ela tenha apresentado qualquer justificativa, entendo correta a exigência do IRRF. Do lançamento da multa de ofício e seu caráter confiscatório. Ataca a Recorrente a aplicação da multa de 75%. Fl. 1333DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10935.721712/201130 Acórdão n.º 1402001.512 S1C4T2 Fl. 1.334 24 Esclareço, nesse sentido, que multa de ofício de 75% deve acompanhar os tributos exigidos mediante lançamento de ofício, havendo, para isso, previsão legal disciplinada no art. 44, I da Lei nº 9.430, de 1996, a seguir transcrito: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Assim, não pode a Autoridade Fiscal deixar de atentar para o cumprimento das determinações legais e normativas, sob pena de responsabilidade funcional conforme art. 142, parágrafo único, do CTN. Quanto à argüição de inconstitucionalidade por confisco, importa compreender, conforme já analisado neste voto, que a apreciação da inconstitucionalidade de normas é de competência privativa do Poder Judiciário. A instância administrativa não é o foro adequado para discussões a respeito de ilegalidade ou inconstitucionalidade de leis legitimamente inseridas no ordenamento jurídico pátrio, por absoluta falta de competência das autoridades administrativas a essa função, que é reservada pela Constituição Federal em caráter exclusivo aos juízes e tribunais. Rejeito, também, o pleito de redução da multa, por falta de previsão legal. Da taxa Selic No que tange aos argumentos da Recorrente de que a taxa SELIC seria inaplicável no presente lançamento, cabe observar que a sua utilização está expressamente prevista no artigo 13 da Lei n° 9.065/95, não cabendo à instancia julgadora administrativa apreciar a validade da norma. Ademais, tal matéria já está sumulada neste Conselho (Súmula CARF nº 4): A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Cabível, portanto, a exigência dos juros moratórios calculados com base na taxa SELIC. Conclusão Fl. 1334DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10935.721712/201130 Acórdão n.º 1402001.512 S1C4T2 Fl. 1.335 25 À vista do exposto, voto no sentido de afastar as preliminares de nulidade, e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário apresentado para manter integralmente as exigências de IRPJ, PIS, Cofins, CSLL e IRRF, com as respectivas multas e juros de mora. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator Fl. 1335DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 10120.906878/2008-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 30/07/1999
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - RESTITUIÇÃO - DECADÊNCIA - INOCORRÊNCIA - DECISÕES DA DRF E DRJ - OMISSÃO SOBRE O MÉRITO DO CRÉDITO - NULIDADE --IMPOSSIBILIDADE DE DELEGAÇÃO DE COMPETÊNCIA DECISÓRIA - ARTS. 11 E 13 DA LEI Nº 9.784/99.
Uma vez afastada a decadência do direito à repetição do indébito, ante a omissão e ausência de motivação sobre o mérito do crédito restituendo, pelas decisões da DRF e DRJ, impõe-se a decretação da nulidade destas últimas, como garantia da ampla defesa e observância do rito procedimental, sob pena de supressão de instâncias. A competência administrativa para decisão de recursos administrativos, sendo um requisito de ordem pública, é irrenunciável, intransferível e improrrogável ad nutum do administrador, não podendo ser objeto de delegação.
Recurso provido parcialmente para anular o processo, para novo provimento pelas autoridades competentes da instância a quo sobre o mérito do crédito restituendo.
Numero da decisão: 3402-002.241
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos dar parcial provimento ao recurso nos termos do voto do relator.
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Presidente Substituto.
FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA - Relator.
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo d'Eça (Relator), Silvia de Brito Oliveira, Winderley Morais Pereira (Suplente), João Carlos Cassuli Júnior e Maurício Rabelo de Albuquerque Silva.
Nome do relator: FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA
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Uma vez afastada a decadência do direito à repetição do indébito, ante a omissão e ausência de motivação sobre o mérito do crédito restituendo, pelas decisões da DRF e DRJ, impõese a decretação da nulidade destas últimas, como garantia da ampla defesa e observância do rito procedimental, sob pena de supressão de instâncias. A competência administrativa para decisão de recursos administrativos, sendo um requisito de ordem pública, é irrenunciável, intransferível e improrrogável ad nutum do administrador, não podendo ser objeto de delegação. Recurso provido parcialmente para anular o processo, para novo provimento pelas autoridades competentes da instância “a quo” sobre o mérito do crédito restituendo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos dar parcial provimento ao recurso nos termos do voto do relator. GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO – Presidente Substituto. FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 90 68 78 /2 00 8- 11 Fl. 125DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 19/11/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 2 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo d'Eça (Relator), Silvia de Brito Oliveira, Winderley Morais Pereira (Suplente), João Carlos Cassuli Júnior e Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o Acórdão DRJ/BSA nº 0343512 de 09/07/11 constante de fls. 39/42 exarado pela 4ª Turma da DRJ de Brasília – DF que, por unanimidade de votos, houve por bem “indeferir” a Manifestação de Inconformidade de fls. 01/02, mantendo o Despacho Decisório de fls. 03 e 29 da DRF de Goiânia DF, que indeferiu o Pedido de Restituição e Declaração de Compensação (DCOMP) de nº 36558.54076.240804.1.3.046737, transmitida eletronicamente em 24/08/2004, através dos quais pretendia ver compensados créditos líquidos de COFINS no valor de R$ 131.480,48. suposta e indevidamente recolhidos referentes ao período de apuração de junho de 1999. Por seu turno, a r. decisão de fls. 39/42 da 4ª Turma da DRJ de Brasília – DF, houve por bem “indeferir” a Manifestação de Inconformidade de fls. 01/02, mantendo o Despacho Decisório de fls. 03 e 31 da DRF de Goiânia GO, aos fundamentos sintetizados em sua ementa nos seguintes termos: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/07/1999 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. EXTINÇÃO DO DIREITO DO SUJEITO PASSIVO PLEITEAR A RESTITUIÇÃO. O direito do sujeito passivo pleitear a restituição extinguese no prazo de 5 (cinco) anos a contar data em que ocorreu a extinção do crédito tributário. Impugnação Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido.” Nas razões de Recurso Voluntário apresentadas, a ora Recorrente sustenta a insubsistência da r. decisão recorrida tendo em vista que: a) a inocorrência da decadência de seu direito de pleitear a restituição e compensação sustentando a legitimidade de seu crédito e o correlativo direito à compensação nos termos da legislação de regência. Submetido o processo a julgamento perante essa C. Turma através do v. Acórdão nº 3402001.576 em sessão de 10/11/11 o recurso foi julgado intempestivo, tendo a referida decisão sido anulada em sessão de 22/05/12, através do v. Acórdão nº 3402000.404, que proclamou a tempestividade do recurso voluntário que retorna para conhecimento e julgamento. É o relatório. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 19/11/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10120.906878/200811 Acórdão n.º 3402002.241 S3C4T2 Fl. 3 3 Voto Conselheiro FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço e, no mérito merece parcial provimento. Desde logo verificase que a r. decisão ora recorrida da DRJ assim como o r. despacho decisório da DRF, deixaram de examinar o mérito do ressarcimento ao fundamento de que teria havido decadência do direito, quando é certo que a jurisprudência administrativa acolhendo a jurisprudência do E. STJ unissónamente acolheu a tese dos 10 anos (5 + 5), como se pode ver da seguinte e elucidativa ementa: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2000 a 30/04/2000 (...) ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/02/1999a30/04/2000 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA QÜINQÜENAL. O prazo para repetição de indébito, para pedidos efetuados até 08 de junho de 2005, era de 10anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo pago indevidamente ou a maior que o devido (tese dos 5 + 5), a partir de 9 de junho de 2005, como vigência do art. 3º da Lei complementar nº 118/2005, esse prazo passou a ser de 5 anos, contados da extinção do crédito pelo pagamento efetuado. Para pedido de restituição protocolado em 7 de junho de 1999, aplicase, portanto, atesedos5+5. Recurso Especial do Contribuinte Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitara preliminar de nulidade do acórdão recorrido e, no mérito, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso especial para afastar a prescrição do direito à repetição de indébito e determinar o retorno dos autos ao órgão julgador a quo para enfrentar as demais questões trazidas no recurso voluntário. As Conselheiras Nanci Gama e Maria Teresa Martínez López declararamse impedidas de votar. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Henrique Pinheiro Torres Relator Fl. 127DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 19/11/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 4 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Gileno Gurjão Barreto e Otacílio Dantas Cartaxo.” (cf. Acórdão nº 930301.719, da C. 3ª Turma da CSRF, Proc. nº 10320.001378/200584, em sessão de 07/11/11, Rel. Cons. Henrique Pinheiro Torres) No caso concreto, tratandose de Pedido de Restituição e Declaração de Compensação (DCOMP) de nº 36558.54076.240804.1.3.046737, transmitida eletronicamente em 24/08/2004, aplicase a interpretação jurisprudencial retro mencionada razão pela qual afasto a decadência proclamada pela r. decisão recorrida. Entretanto embora, afastada a decadência, desde logo verifico que a questão de mérito não pode ser examinada nesta instância, eis que tanto o r. despacho decisório da DRF, quanto o v. Acórdão ora recorrido, se omitiram no exame do mérito do pedido de restituição, limitandose a indeferir a restituição com base exclusivamente na decadência. Omitindose sobre ponto fundamental do contraditório instalado, tanto o r. despacho decisório, como a r. decisão recorrida, desatendem aos requisitos essenciais que os artigos 31 e 59, inc. II do Decreto nº 70.235/72 enumeram como condição de sua validade, ensejando nulidade por preterição aos direitos da defesa, como tem reiteradamente proclamado a Jurisprudência da E. Câmara Superior de Recursos Fiscais e dos Conselhos de Contribuintes como se pode ver das seguinte ementas: “EMBARGOS DE DECLARAÇÃO – Configurandose omissão de ponto sobre o qual a Turma devia se pronunciar, é de se acolher os Embargos interpostos, conforme determina o art. 27, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA DO CONTRIBUINTE NULIDADE Tendo a câmara recorrida deixado de decidir sobre matéria trazida no recurso voluntário do contribuinte, configurase preterição do direito de defesa e, conseqüentemente, a nulidade do acórdão recorrido. Embargos de declaração acolhido.” (Ac. da 3ª Turma da CSRF no Recurso de Divergência nº 301122696, Proc. nº 13149.000230/9605 em sessão de 17/05/05 Acórdão de CSRF/0304.421, Rel. Cons. Paulo Roberto Cucco Antunes, em nome de VIAÇÃO XAVANTE LTDA.) “PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL . NULIDADE. TEMA NÃO ENFRENTADO PELA DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DE JULGAMENTO. IMPUGNAÇÃO DEDUZIDA POR CONTRIBUINTE. Toda a matéria suscitada em impugnação deve ser enfrentada pela delegacia da receita federal de julgamento, pois a omissão a respeito de quaisquer das matérias cogitadas em tal expediente enseja a nulidade da decisão exarada ao ensejo do exame da defesa do contribuinte. toda a extensão da defesa do contribuinte merece exame e definição, por força da previsão do artigo 31 do Decreto nº 70.235/72. A nulidade da decisão proferida pela Fl. 128DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 19/11/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10120.906878/200811 Acórdão n.º 3402002.241 S3C4T2 Fl. 4 5 delegacia da receita federal de julgamento implica em retorno do processo administrativo para tal órgão julgador, a fim de que novo provimento seja exarado com vistas a não ensejar supressão de instância. inteligência do artigo 25, I e II, do Decreto nº 70.235/72. Processo anulado, a partir da decisão de primeira instância, inclusive.” (cf. Ac. n. 20309919, da 3ª Câm do 2º CC, Rec. n. 122925, Proc. nº 10830.005027/9776, Rel. Cons. César Piantavigna, em sessão de 02/12/2004, em nome de MIRACEMA NUODEX S/A INDÚSTRIAS QUIMÍCAS) Decisão: Por unanimidade de votos, anulouse o processo a partir da decisão de primeira instância, inclusive. “PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU NULIDADES A OMISSÃO NO EXAME DE MATÉRIA POSTA NA PEÇA IMPUGNATÓRIA DETERMINA A NULIDADE DA DECISÃO ASSIM PROFERIDA. Preliminar acolhida, declarada nula a decisão de primeiro grau. (DOU 11/10/01)” cf. Ac. n. 10320570, da 3ª Câm. do 1º CC, Rec. nº 124874 Proc. nº 10820.000854/0004, Rel. Cons. Márcio Machado Caldeira, em sessão de 19/04/2001, em nome de COLOR VISÃO DO BRASIL INDÚSTRIA ACRÍLICA LTDA.) Decisão: Por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso para, acolhendo a preliminar suscitada pela recorrente, declarar a nulidade da decisão "a quo" e determinar a remessa dos autos à repartição para que nova decisão seja prolatada. A contribuinte foi defendida pelo Dr. Ives Gandra da Silva Martins, inscrição OAB/SP nº 11.178. “PROCESSO ADMINISTRATIVO – NULIDADE – OMISSÃO DO JULGADOR NA APRECIAÇÃO DA MATÉRIA ALEGADA NA IMPUGNAÇÃO – CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA – Caracterizase cerceamento do direito de defesa a falta de análise e pronunciamento pela autoridade julgadora acerca de documentos e argumentações apresentadas na impugnação pelo sujeito passivo, implicando na declaração de nulidade da decisão, com fundamento no art. 59, II, do Decreto 70235/72. Declarada nula a decisão singular. “ (cf. Ac. nº 10805949, da 8ª Câm. do 1º CC, Rec. n. 120305, Proc. n. 13971.000266/9868, Rel. Cons. José Henrique Longo, em sessão de 08/12/1999) Decisão: Por unanimidade de votos, DECLARAR a nulidade da decisão de primeiro grau. No caso releva ressaltar que, versando sobre ato administrativo que nega ou limita o direito do administrado, era absolutamente imprescindível (art. 50, I, e § 1º da Lei 9.784/99) que as decisões em tela examinassem os motivos de fato e de direito que justificavam o Pedido de Restituição, pois como já assentou a Jurisprudência judicial “o motivo é requisito necessário à formação do ato administrativo e a motivação, alçada à categoria de princípio, é obrigatória ao exame da legalidade, da finalidade e da moralidade administrativa (cf. AC. da 6ª Turma do STJ no AgRg no RMS nº 15350DF, Reg. nº 2002/01214348, em sessão de 12/08/03, Rel. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 19/11/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 6 Min. HAMILTON CARVALHIDO, publ. in DJU de 08/09/03 p. 367) e que sua “apreciação sem a devida motivação de questão levantada” em processo administrativo, “caracterizase como cerceamento de defesa do acusado, ensejando anulação do processo (cf. Ac. da 5ª Turma do STJ no RMS nº 19409PR, Reg. nº 2004/01848486, em sessão de 07/02/06, Rel. Min. FELIX FISCHER, publ. in DJU de DJ 20/03/06 p. 309), razões pelas quais, tem reiteradamente proclamado a nulidade dos atos administrativos que não explicitam os motivos ou não apresentam exposição detalhada dos fatos concretos e objetivos em que se embasou para chegar à conclusão ato (cf. AC. da 1ª Seção do STJ no MS nº 9944DF, Reg. nº 2004/01224610, em sessão de 25/05/05, Rel. Min. TEORI ALBINO ZAVASCKI, publ. in DJU de 13/06/05 p. 157). Por outro lado a Lei Federal nº 9.784/99, que regulamentou o processo administrativo no âmbito da Administração Federal direta e indireta, veio estabelecer expressamente que nos processos administrativos federais “a competência é irrenunciável e se exerce pelos órgãos administrativos a que foi atribuída como própria” (art. 11), sendo que “a decisão de recursos administrativos”, não pode ser objeto de delegação (art. 13) e como já assentou a Suprema Corte solidamente apoiada na melhor Doutrina nacional e alienígena: “Quando o poder conferido a um determinado órgão ou entidade é distribuído pelas autoridades que o integram, sob o critério de hierarquia, nenhuma delas, seja a de grau inferior, seja a de grau superior, pode realizar ato válido na esfera de competência da outra, se inexiste lei que autorize a atividade de que se trata. A competência administrativa, sendo um requisito de ordem pública, é intransferível e improrrogável ad nutum do administrador, só podendo ser delegada ou avocada de acordo com a lei regulamentadora da administração.” (cf. Ac. do STF Pleno no MS nº 21.1172DF, em sessão de 28/05/92, Rel. Min. Ilmar Galvão, publ. in DJU de 14/10/94 e in JSTF/Lex Vol. 195, pág. 135). Diante das comprovadas omissão e ausência de motivação sobre o mérito do crédito restituendo, concretamente apontadas tanto no r. despacho decisório da DRF como no v. Acórdão da DRJ ora recorrido, impõese a decretação da nulidade de ambas decisões, eis que a Jurisprudência Administrativa há muito já assentou que “a administração pública, principalmente por seus órgãos colegiados de julgamento administrativo, têm o dever de levantar e corrigir tais situações, que maculam o processo administrativo tributário” (cf. Ac. CSRF/0303.400 da 3ª Turma da CSRF, Rec. nº 301122603, Proc. nº 13822.000855/9670, em sessão de 05/11/2002, Rel. Cons. Paulo Roberto Cuco Antunes ), sendo certo que “ato administrativo ilegal não produz qualquer efeito válido entre as partes, pela evidente razão de que não se pode adquirir direitos contra a lei” e “a nulidade reconhecida, seja pela Administração ou pelo Judiciário, operase ex tunc, isto é, retroage às suas origens e alcança todos os efeitos passados, presentes e futuros em relação às partes” (cf. ACÓRDÃO 20173793 da 1ª Câm. do 2º CC, Rec. nº 000627, Proc. nº 10935.001907/9505 , em sessão de 10/05/2000, Rel. cons. Valdemar Ludvig). Na aplicação desses preceitos de inegável juridicidade, ressaltando a necessidade de observância do rito legalmente previsto nos processos administrativos, como garantia da plena defesa dos administrados, a Jurisprudência do E. STJ recentemente assentou que: “o procedimento administrativo é informado pelo princípio do ‘due process of law’. Se o ato eivado de ilegalidade não cumpriu sua finalidade, ocasionando prejuízo à parte, deve ser anulado, como anulados devem ser os atos subseqüentes a ele. A garantia da plena defesa implica a observância do rito, as cientificações necessárias, a oportunidade de objetar a acusação desde o seu nascedouro, a produção de provas, o acompanhamento do iter procedimental, bem como a utilização dos recursos cabíveis.” (cf. Ac. da 1ª Turma do STJ no RESP 536.463SC, Reg. nº 200300853863, em sessão de 25/11/03, Rel. Min. LUIZ FUX, publ. in DJU de 10/12/03, pág. 360) Fl. 130DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 19/11/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10120.906878/200811 Acórdão n.º 3402002.241 S3C4T2 Fl. 5 7 Finalmente, também já assentou a Jurisprudência Administrativa que, a nulidade da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal, implica em retorno do processo administrativo para o órgão julgador, a fim de que novo provimento seja exarado, de modo a não ensejar supressão de instância (cf. Ac. n. 20309919, da 3ª Câm do 2º CC, Rec. n. 122925, Proc. nº 10830.005027/9776, Rel. Cons. César Piantavigna, em sessão de 02/12/2004, em nome de MIRACEMA NUODEX S/A INDÚSTRIAS QUÍMICAS). Isto posto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para com fundamento nos artigos 31 e 59, inc. II do Decreto nº 70.235/72, anular o presente processo a partir de fls. 258, para que outro despacho decisório seja proferido analisando o mérito do crédito restituendo, retomandose o devido processo legal do processo administrativo de restituição do crédito tributário. É como voto. Sala das Sessões, em 23 de outubro de 2013 FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Relator Fl. 131DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 19/11/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO
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Numero do processo: 10940.903176/2009-03
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 28 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Dec 26 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 14/06/2002
CONTRIBUIÇÃO PIS/COFINS. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. ROL TAXATIVO DA LEI 9.718/98.
Para as pessoas jurídicas em geral as exclusões da base de cálculo estão todas discriminadas na Lei 9.718/98, assim o ICMS inclui-se na base de cálculo da contribuição.
CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE DE LEIS.
O controle das constitucionalidades das leis é prerrogativa do Poder Judiciário, seja pelo controle abstrato ou difuso.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-002.606
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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(NOVA DENOMINAÇÃO DE CARNELOS COMÉRCIO DE FERRAMENTAS LTDA.) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 14/06/2002 CONTRIBUIÇÃO PIS/COFINS. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. ROL TAXATIVO DA LEI 9.718/98. Para as pessoas jurídicas em geral as exclusões da base de cálculo estão todas discriminadas na Lei 9.718/98, assim o ICMS incluise na base de cálculo da contribuição. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE DE LEIS. O controle das constitucionalidades das leis é prerrogativa do Poder Judiciário, seja pelo controle abstrato ou difuso. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 0. 90 31 76 /2 00 9- 03 Fl. 66DF CARF MF Impresso em 26/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/12/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10940.903176/200903 Acórdão n.º 3801002.606 S3TE01 Fl. 11 2 Relatório Adoto parcialmente o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), que narra bem os fatos: Trata o processo de Despacho Decisório emitido pela DRF em Ponta Grossa/PR, que não homologou a compensação informada no Per/Dcomp nº 14545.31028.091106.1.3.044100 devido à inexistência de crédito de R$ 259,05 para efetuar a compensação pretendida de R$ 703,23, uma vez que o pagamento de PIS/PASEP (código 8109), efetuado em 14/06/2002, teria sido integralmente utilizado para quitação de débito próprio. Cientificada em 01/06/2009, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, a inconstitucionalidade da incidência do PIS e da Cofins sobre o ICMS. Ressalta que pela nova sistemática de apuração dessas contribuições (Lei nº 9.718, de 1998, para o sistema cumulativo e Leis nºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, para o nãocumulativo) mantiveram a obrigatoriedade da inclusão do ICMS em suas bases de cálculo, em contradição à Constituição Federal, isso porque os valores pagos a tal título, inclusos nas operações por ela realizadas, não correspondem a faturamento, nem tampouco à receita. Cita entendimento de ministros do Supremo Tribunal Federal e lição de doutrinadores, a respeito. A DRJ em Curitiba (PR) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo: BASE DE CÁLCULO. ICMS. O valor do ICMS compõe a base de cálculo da Cofins, podendo, a partir de fevereiro de 1999, ser excluído da base de cálculo da contribuição somente quando cobrado pelo vendedor de bens ou serviços, na condição de substituto tributário. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. O julgador da esfera administrativa deve limitarse a aplicar a legislação vigente, restando, por disposição constitucional, ao Poder Judiciário a competência para apreciar inconformismos relativos à sua validade ou constitucionalidade. Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário, instruído com diversos documentos. Em síntese, apresentou as mesmas alegações suscitadas na manifestação de inconformidade. Por fim, requereu que fosse reconhecido o seu direito à compensação, referente aos indevidos pagamentos a título da contribuição, em virtude da não dedução da base de cálculo daquelas exações, na época própria, da totalidade das despesas operacionais Fl. 67DF CARF MF Impresso em 26/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/12/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10940.903176/200903 Acórdão n.º 3801002.606 S3TE01 Fl. 12 3 incorridas em cada mês de competência, decorrentes das suas atividades, bem como, não haja a incidência da multa moratória, tendo em vista o instituto da denúncia espontânea (sic). É o relatório. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 26/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/12/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10940.903176/200903 Acórdão n.º 3801002.606 S3TE01 Fl. 13 4 Voto Conselheiro Flávio de Castro Pontes O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto, dele tomo conhecimento. De imediato desconsiderase o pedido da recorrente que é dissociado da fundamentação do recurso voluntário. O recurso voluntário tem por objeto a exclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição, enquanto o pedido faz referência ao direito de deduzir da base de cálculo da contribuição a totalidade das despesas operacionais incorridas em cada mês de competência. Em atenção ao amplo direito de defesa e do contraditório apreciase as razões do recurso voluntário. Como relatado, o litígio tem como controvérsia a exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição. Para o período de apuração em discussão, segundo o código de receita do pagamento a maior, 2172 ou 8109, aplicavamse os dispositivos da Lei da Lei 9.718/98: Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei Art. 3º "O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. (...) Como apresentado nos recursos da recorrente, as exclusões e deduções da base cálculo estão discriminadas no §2º e seguintes do art. 3º da Lei 9.718/98: § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; II as reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo Fl. 69DF CARF MF Impresso em 26/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/12/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10940.903176/200903 Acórdão n.º 3801002.606 S3TE01 Fl. 14 5 valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita; (Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) III os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo; .(Revogado pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IV a receita decorrente da venda de bens do ativo permanente. V a receita decorrente da transferência onerosa, a outros contribuintes do ICMS, de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar nº 87, de 13 de setembro de 1996. (Incluído pela Medida Provisória nº 451, de 2008) (Produção de efeito) § 3º Nas operações realizadas em mercados futuros, considera se receita bruta o resultado positivo dos ajustes diários ocorridos no mês. (Revogado pela Lei nº 11.051, de 2004) § 4º Nas operações de câmbio, realizadas por instituição autorizada pelo Banco Central do Brasil, considerase receita bruta a diferença positiva entre o preço de venda e o preço de compra da moeda estrangeira. § 5º Na hipótese das pessoas jurídicas referidas no § 1º do art. 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, serão admitidas, para os efeitos da COFINS, as mesmas exclusões e deduções facultadas para fins de determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP. § 6o Na determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, as pessoas jurídicas referidas no § 1o do art. 22 da Lei no 8.212, de 1991, além das exclusões e deduções mencionadas no § 5o, poderão excluir ou deduzir: (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) I no caso de bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil e cooperativas de crédito: (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) a) despesas incorridas nas operações de intermediação financeira; (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) b) despesas de obrigações por empréstimos, para repasse, de recursos de instituições de direito privado; (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Fl. 70DF CARF MF Impresso em 26/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/12/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10940.903176/200903 Acórdão n.º 3801002.606 S3TE01 Fl. 15 6 c) deságio na colocação de títulos; (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) d) perdas com títulos de renda fixa e variável, exceto com ações; (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) e) perdas com ativos financeiros e mercadorias, em operações de hedge; (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) II no caso de empresas de seguros privados, o valor referente às indenizações correspondentes aos sinistros ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de cosseguro e resseguro, salvados e outros ressarcimentos. (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) III no caso de entidades de previdência privada, abertas e fechadas, os rendimentos auferidos nas aplicações financeiras destinadas ao pagamento de benefícios de aposentadoria, pensão, pecúlio e de resgates; (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IV no caso de empresas de capitalização, os rendimentos auferidos nas aplicações financeiras destinadas ao pagamento de resgate de títulos. (Incluído pela Medida Provisória nº 2158 35, de 2001) § 7o As exclusões previstas nos incisos III e IV do § 6o restringemse aos rendimentos de aplicações financeiras proporcionados pelos ativos garantidores das provisões técnicas, limitados esses ativos ao montante das referidas provisões. (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 8o Na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, poderão ser deduzidas as despesas de captação de recursos incorridas pelas pessoas jurídicas que tenham por objeto a securitização de créditos: (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) I imobiliários, nos termos da Lei no 9.514, de 20 de novembro de 1997; (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) II financeiros, observada regulamentação editada pelo Conselho Monetário Nacional. (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) III agrícolas, conforme ato do Conselho Monetário Nacional. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 9o Na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, as operadoras de planos de assistência à saúde poderão deduzir: (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) I coresponsabilidades cedidas; (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Fl. 71DF CARF MF Impresso em 26/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/12/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10940.903176/200903 Acórdão n.º 3801002.606 S3TE01 Fl. 16 7 II a parcela das contraprestações pecuniárias destinada à constituição de provisões técnicas; (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) III o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades. (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) (...) Grifouse Com efeito, as exclusões da base de cálculo estão todas discriminadas na lei e para as pessoas jurídicas em geral o ICMS não faz parte desse rol, logo não pode ser excluído da base de cálculo da contribuição. Insistase que a norma estabelece a incidência da contribuição sobre o faturamento e não prevê esta exclusão. Quanto às argumentações referentes ao conceito de faturamento com base nas regras estabelecidas nos artigos 195 e 239 da Constituição Federal, é importante consignar que a autoridade julgadora tem que observar o princípio da legalidade, não podendo negar aplicação à norma, de sorte que a restituição/compensação postulada carece de previsão legal. Além disso, a esfera administrativa não pode apreciar eventual inconstitucionalidade de Lei, tendo em vista que o controle de constitucionalidade de normas é prerrogativa do Poder Judiciário, seja pelo controle concentrado ou difuso. Em relação a essa discussão, aplicase a Súmula nº 02 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) que uniformizou o seguinte entendimento: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmulas 2 do 1º e 2º CC Tenhase presente que a discriminação das exclusões e deduções da base cálculo da contribuição foi uma opção do legislador no período em referência, não sendo a seara administrativa o fórum adequado para questionálo. Cabe, mais, acrescentar que a Lei estabelece que a exclusão do ICMS somente é permitida quando ele é cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. A propósito, o Superior Tribunal de Justiça também consolidou esse entendimento nos termos da Súmulas 68 e 94. Súmula 68 A parcela relativa ao ICM incluise na base de calculo do PIS. (Súmula 68, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 15/12/1992, DJ 04/02/1993 p. 775) Súmula 94 A parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do Finsocial. (Súmula 94, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 22/02/1994, DJ 28/02/1994) Fl. 72DF CARF MF Impresso em 26/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/12/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10940.903176/200903 Acórdão n.º 3801002.606 S3TE01 Fl. 17 8 Registrese, por oportuno, que o Supremo Tribunal Federal está apreciando está matéria na ADC nº 18, no RE nº 240.785 e no RE nº 574.706/PR (sistemática de repercussão geral), salientando que não há uma decisão em definitivo sobre a questão. De modo que, ao contrário do alegado, não há que se falar em direito à restituição/compensação dos valores de PIS e Cofins, visto que o ICMS integra a base de cálculo da contribuição em referência. No que tange ao pedido, assinalese desprovido de fundamentação, de não incidência da multa moratória, tendo em vista o instituto da denúncia espontânea, é importante .assinalar, ainda, que, na legislação tributária, a multa de mora sempre esteve integrada para inibir o pagamento de tributos com atraso, conforme os seguintes dispositivos: art. 74 da Lei nº 7.799, de 1989; art. 3º da Lei nº 8.218, de 1991; art. 59º da Lei nº 8.383, de 1991; art. 84 da Lei nº 8.981, de 1995 e o vigente art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, in verbis: “Art. 61. Os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela SRF, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso.” (Grifouse) Como visto, o legislador ordinário estabeleceu como acréscimo legal a multa de mora para o recolhimento espontâneo após o vencimento do prazo legal. Não se tem notícia de que este dispositivo tenha sido declarado inconstitucional, ainda, que de forma parcial, ou mesmo, tenha ocorrido uma declaração de inconstitucionalidade sem redução de texto. A propósito, o Superior Tribunal de Justiça consolidou o entendimento em sede de recurso repetitivo de controvérsia de que se o crédito foi previamente declarado e constituído pelo contribuinte, não se configura denúncia espontânea (art. 138 do CTN) o seu posterior recolhimento fora do prazo estabelecido: TRIBUTÁRIO. TRIBUTO DECLARADO PELO CONTRIBUINTE E PAGO COM ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. SÚMULA 360∕STJ. 1. Nos termos da Súmula 360∕STJ, "O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo". É que a apresentação de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, de Guia de Informação e Apuração do ICMS – GIA, ou de outra declaração dessa natureza, prevista em lei, é modo de constituição do crédito tributário, dispensando, para isso, qualquer outra providência por parte do Fisco. Se o crédito foi assim previamente declarado e constituído pelo contribuinte, não se configura denúncia espontânea (art. 138 do CTN) o seu posterior recolhimento fora do prazo estabelecido. 2. Recurso especial desprovido. Recurso sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08∕08. (REsp 962379, DJe 28/10/2010) Fl. 73DF CARF MF Impresso em 26/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/12/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10940.903176/200903 Acórdão n.º 3801002.606 S3TE01 Fl. 18 9 Além do mais, na situação em comento não há que se alegar o benefício da denúncia espontânea porque não há notícia do pagamento dos débitos compensados, assim, se não há pagamento a destempo não é possível aplicar o instituto da denúncia espontânea. Tenhase presente que de acordo com o § 6º do art. 74 da Lei nº 9430/1996 a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Por tais razões, nos cálculos dos débitos pagos fora do prazo de vencimento devem incidir as multas de mora. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário interposto. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Fl. 74DF CARF MF Impresso em 26/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/12/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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