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Numero do processo: 10925.001920/2002-47
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/08/1996 a 31/12/1997, 01/07/1998 a 31/12/1998
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. ACOLHIMENTO. EFEITOS INFRINGENTES.
Constatada a existência de contradição na decisão embargada, devem ser acolhidos os embargos de declaração e sanado o vício apontado, nos termos do art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015.
A decisão embargada deve registrar:
Por unanimidade de votos, deu-se parcial provimento ao recurso para reconhecer a decadência das cobranças referentes até novembro/1996, inclusive, mesmo que sob a regra do CTN artigo 173, inciso I.
Numero da decisão: 9303-006.840
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração para, rerratificando o Acórdão nº 9303-004.249, de 14/09/2016, sanar o erro material, com efeitos infringentes, para reconhecer a decadência até novembro de 1996, inclusive.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente
(assinado digitalmente)
Érika Costa Camargos Autran- Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/08/1996 a 31/12/1997, 01/07/1998 a 31/12/1998 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. ACOLHIMENTO. EFEITOS INFRINGENTES. Constatada a existência de contradição na decisão embargada, devem ser acolhidos os embargos de declaração e sanado o vício apontado, nos termos do art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. A decisão embargada deve registrar: Por unanimidade de votos, deu-se parcial provimento ao recurso para reconhecer a decadência das cobranças referentes até novembro/1996, inclusive, mesmo que sob a regra do CTN artigo 173, inciso I.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração para, rerratificando o Acórdão nº 9303-004.249, de 14/09/2016, sanar o erro material, com efeitos infringentes, para reconhecer a decadência até novembro de 1996, inclusive. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran- Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas.
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CONTRADIÇÃO. ACOLHIMENTO. EFEITOS INFRINGENTES. Constatada a existência de contradição na decisão embargada, devem ser acolhidos os embargos de declaração e sanado o vício apontado, nos termos do art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. A decisão embargada deve registrar: “Por unanimidade de votos, deuse parcial provimento ao recurso para reconhecer a decadência das cobranças referentes até novembro/1996, inclusive, mesmo que sob a regra do CTN — artigo 173, inciso I.” Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração para, rerratificando o Acórdão nº 9303004.249, de 14/09/2016, sanar o erro material, com efeitos infringentes, para reconhecer a decadência até novembro de 1996, inclusive. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 19 20 /2 00 2- 47 Fl. 865DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de Embargos de Declaração interpostos, tempestivamente, pela SADIA S.A contra o Acórdão nº 9303004.249, de 14 de setembro de 2016, fls. 820 a 8251, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/08/1996 a 31/12/1997,01/07/1998 a 31/12/1998 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO OMISSÃO OCORRÊNCIA Constatada a ocorrência de omissão na decisão embargada, deve ser dado provimento aos embargos de declaração com vistas a sanear tais incorreções. Consta do respectivo acórdão: · Devese ler: Não constatei nenhuma forma de pagamento no restante dos períodos base lançados o que torna alcançáveis os períodos base setembro a dezembro de 1996 e outubro de 1998, com amparo no art. 173,I do CTN. Restando consolidado o entendimento de que não havendo pagamento, o termo inicial do prazo decadencial é o previsto no inciso I do artigo 173 do CTN. Concluise que não está alcançável pela decadência o período entre setembro a dezembro de 1996 e outubro de 1998. Fl. 866DF CARF MF Processo nº 10925.001920/200247 Acórdão n.º 9303006.840 CSRFT3 Fl. 866 3 A Recorrida, ora Embargada, interpôs Recurso Especial de divergência objetivando a reforma do Acórdão proferido pelo então 2° Conselho de Contribuintes em razão, entre outros, da aplicação do prazo decadencial previsto pelo CTN artigo 150, 4° em detrimento do CTN artigo 173, inciso L. Ao apreciar o Recurso Especial de divergência, entretanto, o v. Acórdão de fls. 644/666 deu parcial provimento ao recurso especial para determinar a aplicação da contagem do prazo decadencial com base no CTN artigo 174, inciso I. Em razão do flagrante erro material, a ora Recorrida/PGFN opôs embargos de declaração visando a correção e ou saneamento do equívoco incorrido para constar a aplicação do artigo 173, inciso I do CTN ao invés do artigo 174, I do mesmo diploma legal. Ocorre que, ao acolher os embargos de declaração opostos pela Recorrida, o v. Acórdão ora embargado, por unanimidade, afastou a decadência do período de setembro/1996 a dezembro/1998 com base na seguinte premissa: a aplicação do artigo 173, inciso I do C IN afastaria a decadência relativa à cobrança do período de setembro/1996 a dezembro / 1998. Os Embargos foram admitidos conforme despacho de fls 861. É o Relatório. Voto Conselheira Érika Costa Camargos Autran Relatora Os Embargos Declaratórios são tempestivos e apontam a contradição, merecendo ser conhecidos. O voto condutor da decisão embargada registra que tratam os autos de “...auto de infração lavrado em 18/09/2002, por falta de recolhimento do PIS nos períodos de 07/96 a 12/96 e 07/98 a 09/98 e 11/98. “ (fls. 821). Na verificação da ocorrência de Fl. 867DF CARF MF 4 decadência, aplicou expressamente a regra do art. 173, inc. I, do CTN, com o seguinte resultado (fls. 824, sublinhado no original): (...) Restando consolidado o entendimento de que não havendo pagamento, o termo inicial do prazo decadencial é o previsto no inciso I do artigo 173 do CTN. Concluise que não está alcançável pela decadência o período entre setembro a dezembro de 1996 e outubro de 1998. (...) Ora, tomando o período de apuração mais remoto, setembro de 1996 – o dies a quo do prazo decadencial, primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, é 01/01/1997. O mesmo vale para os PAs de outubro e novembro de 1996 (o termo inicial do prazo decadencial do fato gerador ocorrido em 31/12/1196 é 01/01/1998, já que o lançamento só poderia ser efetuado depois do vencimento da obrigação, em meados de janeiro de 1997). O direito de a Fazenda Nacional constituir crédito tributário referente aos fatos geradores ocorridos nesses períodos de apuração decaiu, portanto, em 01/01/2002, antes da lavratura do Auto de Infração de que se trata, em 18/09/2002. Ou seja, em se aplicando o prazo decadencial de que trata o CTN em seu artigo 173, inciso I, o termo a quo do prazo quinquenal 'T do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado", referentes às cobranças dos fatos geradores objeto dos períodos de setembro/1996 a dezembro/1996, teria início em 01/01/1997, encerrandose em 31/12/2001. Nesse sentido, é equivocada a premissa fática de que a aplicação do prazo decadencial do CTN artigo 173, inciso I afastaria a decadência das cobranças objeto do período de setembro/1996 a dezembro/1998. Dessa forma, afigurase como essencial a correção do erro material e consequente eliminação da contradição apontada a fim de que seja retificada a parte dispositivo v. Acórdão para que seja reconhecida a decadência das cobranças referentes até novembro/1996, inclusive, mesmo que sob a regra do CTN — artigo 173, inciso I. Portanto, acolho os embargos, com efeitos infringentes para reretificar o acórdão embargado, a fim de sanar o erro material nos termos acima expostos. Fl. 868DF CARF MF Processo nº 10925.001920/200247 Acórdão n.º 9303006.840 CSRFT3 Fl. 867 5 É como voto. (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Fl. 869DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.003905/2007-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Exercício: 2003, 2004, 2005
BASE DE CALCULO DO IRPJ. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. LUCRO
PRESUMIDO/ARBITRADO.
O Crédito Presumido de IPI, instituído pelo art. 1º da Lei nº 9.363/1996, por representar recuperação de custos, não deve ser considerado na base de cálculo do IRPJ das pessoas jurídicas tributadas com base no lucro presumido ou arbitrado, quando aqueles custos se refiram a períodos em que a empresa
foi igualmente tributada pelo lucro presumido ou arbitrado. Aplicação do art. 53 da Lei nº 9.430/1996.
Numero da decisão: 1301-000.578
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: Waldir Veiga Rocha
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2003, 2004, 2005 BASE DE CALCULO DO IRPJ. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. LUCRO PRESUMIDO/ARBITRADO. O Crédito Presumido de IPI, instituído pelo art. 1º da Lei nº 9.363/1996, por representar recuperação de custos, não deve ser considerado na base de cálculo do IRPJ das pessoas jurídicas tributadas com base no lucro presumido ou arbitrado, quando aqueles custos se refiram a períodos em que a empresa foi igualmente tributada pelo lucro presumido ou arbitrado. Aplicação do art. 53 da Lei nº 9.430/1996. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, Valmir Sandri e Alberto Pinto Souza Junior. Fl. 279DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 30/05/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10980.003905/200783 Acórdão n.º 130100.578 S1C3T1 Fl. 280 2 Relatório CONTENPLAC INDÚSTRIA DE COMPENSADOS LTDA., já devidamente qualificada nestes autos, recorre a este Conselho contra a decisão prolatada pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba/PR, que indeferiu os pedidos veiculados através de manifestação de inconformidade apresentada contra a decisão da Delegacia da Receita Federal em Curitiba/PR. Trata a lide de Pedido de Restituição (fl. 01), protocolizado em 30/03/2007, mediante o qual a interessada pleiteia a restituição de R$ 790.639,48, alegadamente pagos a maior a título de IRPJ sobre o Crédito Presumido de IPI de que tratam as Leis nº 9.363/1996 e nº 10.276/2001, “posto que estes créditos foram adicionados integralmente a base de cálculo presumida do IRPJ e CSLL no regime de tributação do Lucro Presumido/Arbitrado” nos anos calendário 2002, 2003 e 2004. Seu principal argumento é de que os valores do ressarcimento do IPI, registrados como recuperação de custos, não se constituiriam em receita, não sendo também alcançados pela legislação do imposto de renda e da contribuição social. A unidade administrativa que primeiro analisou os pedidos formulados pela empresa (Delegacia da Receita Federal em Curitiba/PR) os indeferiu, mediante o Despacho Decisório de fls. 86/89, por concluir que os valores relativos ao ressarcimento do IPI não seriam dedutíveis da base de cálculo dos tributos aqui discutidos. Inconformada, a empresa apresentou manifestação de inconformidade à Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba/PR (fls. 118/123), trazendo argumentos que foram assim resumidos pelo ilustre relator do processo, em primeira instância: 6. O art. 53 da Lei nº 9.430/96 expressa categoricamente sobre os valores recuperados com ressalva de sua não incidência quando o contribuinte tenha se submetido ao regime de tributação com base no lucro presumido no período a que se refere a origem dos valores recuperados. 7. Além disso, o STF limita o conceito de faturamento para atingir tão somente a venda de mercadorias e serviços, excluindo quaisquer outros ingressos, inclusive excluindo a recuperação/ressarcimento do Crédito Presumido do IPI, para qualquer forma de apuração do lucro, real, presumido ou arbitrado. Colaciona a decisão do STF no RE 346.0846/PR. 8. Deve ser aplicada a taxa Selic na restituição em razão de pagamento indevido, conforme o art. 39, §4°, da Lei n° 9.250/95, e do art. 52 da IN SRF n° 600/2005. 9. Por fim, requer o deferimento do Pedido de Restituição, corrigido pela taxa Selic. A 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba/PR analisou a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte e, mediante o Acórdão nº 0625.579, de 25/02/2010 (fls. 235/237v), indeferiu a solicitação, conforme ementa a seguir transcrita: Fl. 280DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 30/05/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10980.003905/200783 Acórdão n.º 130100.578 S1C3T1 Fl. 281 3 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendário: 2002, 2003, 2004 IRPJ. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RECEITA. As receitas relativas ao crédito presumido de IPI para ressarcimento do PIS e da Cofins sofrem tributação pelo IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. Ciente da decisão de primeira instância em 10/03/2010, conforme documento de fl. 239, e com ela inconformada, a empresa apresentou recurso voluntário em 19/03/2010 (registro de recepção à fl. 241, razões de recurso às fls. 241/249), mediante o qual oferece, em apertada síntese, os seguintes argumentos: • A recorrente reclama que o acórdão recorrido em nenhum momento se teria manifestado sobre seu “principal alicerce”, o acórdão nº 10196.877, em caso que entende similar ao seu. Sustenta que aquela decisão, por ela colacionada, se teria espelhado no art. 53 da Lei nº 9.430/1996, “que prevê a ressalva para as empresas que apuram o Lucro na modalidade de Lucro Presumido ou Arbitrado, em não adicionar valores recuperados para determinação da apuração do Imposto de Renda”. • Acrescenta que o embasamento legal mencionado no acórdão combatido não guarda relação com a matéria discutida, e que meras instruções normativas ou instruções de preenchimento de declarações não se poderiam sobrepor a lei específica versando sobre o assunto. • Invoca jurisprudência do STJ e do TRF da 4ª Região, no sentido de que o ressarcimento do crédito presumido do IPI não se constitui em receita da empresa, mas tão somente incentivo fiscal destinado a desonerar as exportações. • Faz acostar aos autos cópias de recibos de entrega de suas DIPJ, com as quais pretende comprovar que, nos anoscalendário 2002, 2003 e 2004, apurou seu lucro sob o regime do lucro arbitrado. • Reitera as razões acerca da incidência da taxa Selic sobre as restituições aqui pleiteadas. É o Relatório. Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O recurso é tempestivo e dele conheço. Fl. 281DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 30/05/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10980.003905/200783 Acórdão n.º 130100.578 S1C3T1 Fl. 282 4 Preliminarmente, cabe observar que o recurso voluntário, na trilha do que já havia acontecido por ocasião da manifestação de inconformidade, não alcança a totalidade do direito creditório pleiteado. É que, ao longo do processo, toda a argumentação do contribuinte se dirige para o IRPJ incidente sobre os valores ressarcidos de créditos presumidos de IPI originários da Lei nº 9.363/96 e Lei nº 10.276/2001. Isto se torna especialmente claro diante da leitura do pedido original (fls. 02/17), em que nenhum outro tipo de crédito é mencionado. Não obstante, no demonstrativo de fl. 26, aparecem valores, entre aqueles adicionados no quarto trimestre de 2004, que correspondem a outras rubricas, identificadas simplesmente como “conta gráfica”, nos montantes de R$ 16.208,40, R$ 19.439,43, R$ 78.300,00, R$ 144.358,47, R$ 106.000,00, R$ 79.746, 96 e R$ 46.000,00. O exame de outros documentos acostados ao processo (por exemplo, fls. 209, 201, 220, 224, 230) leva ao entendimento de que se trataria do direito de manutenção do crédito de IPI incidente sobre insumos utilizados na fabricação de produtos exportados (DecretoLei nº 491/69, art. 5º e Lei nº 8.402/92, artigo 1º, inciso II). Embora tais valores estivessem contidos no pedido original de R$ 790.639,48, o fato é foram negados pela DRF Curitiba, e a manifestação de inconformidade sobre eles silenciou, não se estabelecendo o litígio. Corretamente, também a DRJ Curitiba deixou de abordar o assunto e, mais uma vez, o contribuinte, em seu recurso voluntário, não teceu qualquer comentário sobre essa matéria. Assim, a teor do que dispõe o artigo 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, na redação que lhe foi dada pela Lei nº 9.532, de 1997, a matéria que não tenha sido expressamente contestada, considerarseá não impugnada, tornandose preclusa. Ainda que houvesse sido trazida à baila no recurso voluntário (e não o foi), descaberia sobre ela qualquer apreciação. Passo então à análise do recurso voluntário interposto, o qual discute o direito creditório decorrente da incidência (equivocada, no entender da interessada) do IRPJ sobre os créditos presumidos de IPI. Tais créditos, que teriam sido erroneamente adicionados à base de cálculo do imposto, totalizam R$ 467.961,18 (1º trimestre de 2002); R$ 228.912,23 (2º trimestre de 2002); R$ 270.245,26 (3º trimestre de 2002); R$ 291.385,85 (2º trimestre de 2003); e R$ 1.414.000,15 (4º trimestre de 2004). Conforme se pode depreender do relatório que antecede a este voto, a lide gira, em última análise, em torno da natureza do crédito presumido de IPI, instituído pela Lei nº 9.363/1996, como ressarcimento do PIS e COFINS incidentes sobre as aquisições, no mercado interno, de insumos a serem utilizados no processo produtivo de produtos a serem exportados. No bojo da discussão se encontra também a incidência do imposto de renda das pessoas jurídicas (IRPJ) sobre esses valores. A discussão sobre a natureza desses créditos não é nova, e tem gerado manifestações e decisões não uniformes. Com a devida vênia daqueles que pensam diferente, filiome à corrente que entende que se trata da recuperação de custos anteriormente incorridos, ainda que por presunção legal. Para minha convicção é decisiva a disposição expressa da lei que instituiu o benefício, no sentido de que o crédito constitui ressarcimento do PIS e da COFINS incidentes sobre as aquisições de insumos. Não se poderia cogitar de ressarcimento se não estivesse o custo dos insumos onerado pelas contribuições. Firmado esse ponto, a aplicabilidade do art. 53 da Lei nº 9.430/1996, invocado pela recorrente, é indiscutível. Fl. 282DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 30/05/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10980.003905/200783 Acórdão n.º 130100.578 S1C3T1 Fl. 283 5 A questão foi abordada de forma clara e objetiva no acórdão nº 110300.3591, no excerto que transcrevo a seguir. Embora naquela oportunidade se cuidasse de CSLL, o raciocínio é integralmente aplicável também ao IRPJ. Quanto à questão de mérito, se analisado o mecanismo criado pela Lei nº 9.363/96, inferese que este objetiva o ressarcimento de parcela dos custos, correspondente ao acréscimo aos preços, pelo fornecedor, que repassa os encargos de PIS e COFINS incidentes sobre as vendas por ele efetivadas. É o que se infere do art. 1º, que diz: Art 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nºs 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo (grifei) Diante disso, por se tratar de recuperação de custos, o art. 53 da Lei nº 9.430/96 (art. 521, § 3º, e 536, § 3º, do RIR/99) é categórico quanto à tributação, ou não, pela CSLL, dessa rubrica, com definição, no caso, favorável ao pleito da recorrente: Art. 53. Os valores recuperados, correspondentes a custos e despesas, inclusive com perdas no recebimento de créditos, deverão ser adicionados ao lucro presumido ou arbitrado para determinação do imposto de renda, salvo se o contribuinte comprovar não os ter deduzido em período anterior no qual tenha se submetido ao regime de tributação com base no lucro real ou que se refiram ao período no qual tenha se submetido ao regime de tributação com base no lucro presumido ou arbitrado. Portanto, conforme se infere do artigo acima reproduzido, associado à definição, quanto à natureza do beneficio concedido, fornecida pelo art. 1º da Lei nº 9.363/96, não existe espaço para outra interpretação que autorize contornar a determinação direta contida na ressalva do art. 53, suso reproduzido, de que as recuperações de custos não integram o lucro presumido ou arbitrado, isto quando as recuperações se refiram a períodos em que foram adotadas tais formas de tributação. Observo que o reconhecimento da natureza da rubrica como recuperação de custos não implica, de forma automática, sua não tributação pelo IRPJ. Ao contrário, o raciocínio contábil leva ao entendimento, confirmado pelo artigo 53 acima reproduzido, de que a regra é a da incidência tributária. Senão vejamos: No momento da aquisição dos insumos, no valor pago pelo adquirente se encontram embutidos, ainda que por presunção da lei, as contribuições pagas nas etapas anteriores da cadeia produtiva. O valor da aquisição, assim majorado, é levado inicialmente a débito de estoques e posteriormente transferido para a conta de resultado representativa dos custos. Desta forma, o resultado contábil apurado é reduzido. Se esse resultado contábil é o ponto de partida para o resultado tributável (lucro real), então este também é reduzido. Em caso 1 Processo nº 10980.003912/200785, Acórdão 110300.359, de 11/11/2010. Relator Conselheiro Gervásio Nicolau Recktenvald. Fl. 283DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 30/05/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10980.003905/200783 Acórdão n.º 130100.578 S1C3T1 Fl. 284 6 contrário (lucro presumido ou arbitrado, baseado somente nas receitas), o resultado tributável não sofre alteração. Em um segundo momento (geralmente, em outro período de apuração), ao obter, amparado na lei, o ressarcimento de parte do custo dos insumos, não é mais possível fazer o ajuste nos custos, anteriormente levados à apuração de um resultado já encerrado. O crédito correspondente é feito, então, em conta de resultado e, aqui, pouco importa sua natureza, desde que o resultado contábil restará majorado. Não tenho dúvidas de que, em se tratando de contribuinte tributado com base no lucro real, o resultado tributável será também majorado, de forma a equilibrar a redução no período anterior. Se, por outro lado, a tributação for feita com base no lucro presumido ou arbitrado, impõese a adição à base de cálculo, ressalvadas as situações excepcionadas pelo anteriormente mencionado art. 53 da Lei nº 9.430/1996, ou seja, as situações que não conduziram, no período anterior, à redução do resultado tributável. No caso concreto, as adições feitas pelo contribuinte, correspondentes aos créditos presumidos de IPI, ocorreram no primeiro, segundo e terceiro trimestres do ano calendário 2002, no segundo trimestre do anocalendário 2003 e, ainda, no quarto trimestre do anocalendário 2004 (vide demonstrativo à fl. 26). Nesses períodos, sua tributação foi feita com base no lucro presumido (anoscalendário 2002 e 2003) e no lucro arbitrado (anocalendário 2004), conforme se verifica nos documentos de fls. 251/258. Por outro lado, os créditos se referem à recuperação de custos incorridos na aquisição de insumos nos quatro trimestres dos anoscalendário 2000, 2001 e 2002 e, ainda, no primeiro trimestre do anocalendário 2003, conforme se depreende do demonstrativo de fl. 26 e dos demais documentos acostados ao processo. Em todos esses anos o contribuinte foi tributado com base no lucro presumido, pelo que se revela descabida a adição à base de cálculo do imposto dos valores do crédito presumido de IPI. Quanto ao pleito referente ao acréscimo de juros SELIC aos valores a serem restituídos, tenhoo por inócuo, desde que essa incidência é definida por lei (art. 39 da Lei nº 9.250/1996) e não consta que haja qualquer litígio ou dúvida a esse respeito. Em conclusão, voto pelo provimento do recurso voluntário interposto, reconhecendo ter sido indevida a adição da recuperação de custos em foco (Crédito Presumido de IPI) à base de cálculo do IRPJ. Em decorrência, reconheço como indevido o imposto incidente sobre tal acréscimo à base de cálculo, o qual deve ser restituído, após confirmação dos pagamentos. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 284DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 30/05/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10980.003905/200783 Acórdão n.º 130100.578 S1C3T1 Fl. 285 7 Fl. 285DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 30/05/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 13971.000636/2010-04
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Período de apuração: 01/01/2002 a 30/06/2007
EMPRESAS SOB A MESMA ADMINISTRAÇÃO. CESSÃO DE MÃO DE OBRA CONFIGURADO.
Havendo prova suficiente que demonstre estar as empresas sob uma mesma administração e possuir confusão patrimonial e de funcionários, fica caracterizada a cessão de mão de obra e a constituição de empresa por interpostas pessoas.
Numero da decisão: 1003-000.058
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Bárbara Santos Guedes - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: BARBARA SANTOS GUEDES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Período de apuração: 01/01/2002 a 30/06/2007 EMPRESAS SOB A MESMA ADMINISTRAÇÃO. CESSÃO DE MÃO DE OBRA CONFIGURADO. Havendo prova suficiente que demonstre estar as empresas sob uma mesma administração e possuir confusão patrimonial e de funcionários, fica caracterizada a cessão de mão de obra e a constituição de empresa por interpostas pessoas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 06 36 /2 01 0- 04 Fl. 291DF CARF MF Processo nº 13971.000636/201004 Acórdão n.º 1003000.058 S1C0T3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de exame do recurso voluntário em face do Acórdão DRJ/FNS nº 07 31.941, de 11.07.2013, da 5ª Turma DRJ/FNS, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da Recorrente. Por economia processual e por entender estar bastante detalhado, utilizarei o relatório elaborado pela primeira instância administrativa, conforme abaixo: I DA REPRESENTAÇÃO FISCAL Tratase da exclusão de ofício do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES FEDERAL, mediante o Ato Declaratório Executivo – ADE n° 14, de 23 de fevereiro de 2010, em face da CONSTITUIÇÃO DE PESSOA JURÍDICA POR INTERPOSTAS PESSOAS (inciso IV, artigo 14 da Lei n° 9.317/96, de 05 de dezembro de 1996, e inciso IV, artigo 23 da IN SRF 608/06) e, conseqüentemente, por incidir na vedação imposta pela alínea f, inciso XII, artigo 9º da referida lei (CESSÃO OU LOCAÇÃO DE MÃODEOBRA). Consoante o Termo de Representação Fiscal, a ação fiscal foi desenvolvida nas empresas Pinheiro Indústria de Madeiras Ltda. – ME, ora Excluída, e Vale Norte Industrial Mercantil Ltda. (CNPJ nº 02.682.551/000108), onde foram identificadas situações que corroboram com o referido ADE, as quais passo a relatar, resumidamente, a seguir: a) com base nos contratos sociais das empresas, e alterações posteriores, constatase o uso do mesmo espaço físico pelas empresas e que o objeto social das duas se completam desde o início de suas atividades “Comércio Atacadista de Madeira; Representações de Madeiras e Compensados; Desdobramento de Madeira; Fabricação de Madeira Laminada e de Chapas de Madeira Compensada ou Aglomerada e Fabricação de Portas de Madeira”. b) inferese do quadro de pessoal que a Interessada opera com locação de mão de obra, tendo em vista que, até 2007, a Vale Norte não possuía nenhum segurado sob seu registro. c) verificase que a totalidade da atividade é feita pela Vale Norte, sob a direção do casal Wilfried e Eliana: a administração, o atendimento, o financeiro, o acabamento, a produção (a serra de toras era dentro da empresa mãe até meados de 2007), o expediente, a execução do serviço, compra e venda de mercadorias, almoxarifado, estoque de mercadoria acabada, transportes etc.. d) constatase que a Excluída utilizada imóvel, equipamentos, máquinas e meios de transportes de propriedade da Vale Norte por meio de comodato contrato de cessão gratuita de uso (...).O contrato de aluguel somente teve início em 2010 com a presença Fl. 292DF CARF MF Processo nº 13971.000636/201004 Acórdão n.º 1003000.058 S1C0T3 Fl. 4 3 fiscal, ainda assim, apenas do terreno e da construção pré moldada. As ferramentas para a execução do trabalho continuam incluídas no contrato de cessão gratuita de uso. e) concluise que o faturamento da Pinheiro é basicamente para pagar a sua folha de pagamento e os seus encargos. Enquanto isso a Vale Norte que encaminha toda a matéria prima através de uma nota de remessa para industrialização da Defendente, ficou apenas com os custos sobre o prólabore de seus dois administradores. Em outras palavras, o que se constata é a simulação de terceirização de mãodeobra, quando da criação da Excluída no regime simplificado de tributação, e a existência de grupo econômico controlado pela Vale Norte. f) verificase que, apesar de ter empregado registrado em 2002, a Pinheiro não teve movimentação financeira sequer para pagar os seus empregados. g) da analise nos livros contábeis apresentados pela Pinheiro não foram constatados lançamentos de custos e despesas necessários (ou imprescindíveis) ao desenvolvimento de suas atividades como energia elétrica, água, telefone etc. Mesmo com a criação de novo parque industrial (a serraria em 2007), a Vale Norte continua pagando a conta de luz em seu nome. Tal fato demonstra que os custos das empresas se confundem e que o controle contábil da Interessada é meramente figurativo. h) constatase que a Excluída depende 100% da Vale Norte, visto que em sua contabilidade não há registros com encargos, despesas com luz, água, telefone, matéria prima, aquisição de ativo imobilizado, existem apenas lançamentos com notas de remessa para industrialização, emitidas pela Vale Norte. i) a Vale Norte, através de seus administradores, nomeia seus próprios familiares procuradores com poderes ilimitados para gerir seus negócios e movimentar contas bancárias. (vide procurações). Após todas as constatações, a autoridade fiscal concluiu que as empresas integram, DE FATO, um GRUPO ECONÔMICO, evidenciado pela unicidade de comando exercida pelos representantes legais da Vale Norte, Srs. Wilfried Prachthauser e Eliana Prachthauser, e pela UTILIZAÇÃO DE INTERPOSTAS PESSOAS (seus filhos), que não os verdadeiros donos, na formação do quadro societário da empresa Pinheiro Indústria de Madeiras Ltda. ME. Bem como, que a conduta foi tomada com intuito de afastar a incidência das contribuições previdenciárias (cota patronal) da empresa Pinheiro, por meio da opção indevida pelo SIMPLES FEDERAL, no período de 01/2002 e 06/2007, motivo pelo qual deve ser vedada a sua permanência na sistemática de arrecadação simplificada. Fl. 293DF CARF MF Processo nº 13971.000636/201004 Acórdão n.º 1003000.058 S1C0T3 Fl. 5 4 II DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificada da exclusão, a Interessada apresenta Manifestação de Inconformidade, por meio de procurador legalmente constituído, expondo suas razões de fato e de direito, a seguir sintetizadas: Esclarece que os argumentos que motivaram a expedição do ADE nº 14, de 23 de fevereiro de 2010, não coadunam com a realidade, posto que não foi constituída por interposta pessoa, tampouco realiza operação de prestação de serviços de locação/cessão de mãodeobra. Prossegue contrapondo, por tópico, os fatos levantados pela autoridade fiscal, como segue: 1. DA REALIDADE FÁTICA Nesse tópico a Interessada aborda questões como: composição societária, sede e objeto social das empresas e os verdadeiros motivos que conduziram a sua constituição; inexistência de transferência de empregados, de simulação de terceirização e de constituição de pessoa jurídica por interpostas pessoas; dos custos e despesas da atividade e da administração e gerenciamento financeiro. Diz que, embora a autoridade fiscal tenha relatado com exatidão a sequência com que se deu a alteração formal da participação no capital social, os argumentos de que se utilizou não são hábeis a caracterizar constituição de empresa por interpostas pessoas, tampouco formação de grupo econômico de fato. Discorre, ampla e exaustivamente, sobre os motivos que levaram a sua constituição, tais como: a) os atuais sócios da manifestante entenderam que seria interessante que ambas as empresas funcionassem próximas uma da outra, não só porque os custos (especialmente com transporte de mercadorias) seriam menores, mas, também, porque, em sendo assim, o auxilio do Sr. Wilfried seria mais efetivo e constante. Por isso se instalou nas proximidades da Vale Norte Ltda. b) no ano de 2007, então, o seu sócio menor de idade, Felipe Anel Prachthauser, atingiu a idade de 20 (vinte) anos e como já se sentia preparado para, juntamente com sua irmã, administrar a Excluída, o Sr.Wilfried deixou a sociedade, embora até os dias atuais permaneça auxiliandoos. Nesse mesmo ano ampliou suas atividade para atender a demanda que provinha da Vale Norte. c) dado que não dispunha de recursos suficientes para adquirir maquinários necessários para executar as suas novas atividades, a Vale Norte emprestou gratuitamente não só equipamentos como também, móveis, utensílios de escritório e um espaço maior para sua nova sede. Segue reforçando a tese de que a forma de composição do quadro societário e, bem assim, as alterações da sede e do objeto social da peticionaria (Pinheiro Indústria de Madeiras Fl. 294DF CARF MF Processo nº 13971.000636/201004 Acórdão n.º 1003000.058 S1C0T3 Fl. 6 5 Ltda. ME) e da empresa Vale Norte Industrial Ltda. não são circunstâncias capazes de caracterizar eventual constituição de empresa por interpostas pessoas, tampouco fraude/subterfúgio no intuito de ludibriar o fisco, sobretudo porque, como visto, a criação da primeira (ou seja, da peticionária) é fruto único do auxilio que o Sr.Wilfried e sua esposa Eliana deram e continuam dando a seus filhos, os quais compõem o seu quadro societário. Esclarece cada uma das situações que podem resultar em grupo econômico, a fim de provar que nenhuma das empresas participa no capital da outra, tampouco exerce o controle da outra. Discorda da autoridade lançadora quando afirma que o objeto social das duas empresas é semelhante, porque foi criada por sócios com a finalidade de prestar serviços à Vale Norte. Assevera que as empresas não foram constituídas no mesmo pátio, mas, sim, próximas uma das outras para facilitar o auxílio prestado por seus pais Wilfried e Eliana (sócios da Vale Norte), e nem executam suas atividades no mesmo pátio, posto que a atividade de uma é diferente da outra. Contesta a alegação de que houve transferência de empregados da Vale Norte apenas porque ela possui mais empregados e, também, não concorda com informação de que parte de seus empregados trabalha na Vale Norte. Esclarece que desde o inicio de sua constituição presta serviços à Vale Norte, os quais antes eram executados por ela própria. O que implicou na admissão de grande parte dos empregados dispensados da Vale Norte, porque eles possuíam muita experiência no que faziam. Frisa que essa situação não comprova a formação de grupo econômico ou a utilização de interposta pessoas. Aduz que, esporadicamente, alguns dos seus empregados ingressam no estabelecimento da Vale Norte para a realização dos serviços contratados com a Excluída. Reforça que não existe relação de subordinação na prestação de serviços realizada por seus funcionários na sede da Vale Norte, razão pela qual não há que se falar em locação de mãodeobra. Prossegue afirmando a inexistência dos requisitos legais para caracterização de locação de mãodeobra. Discorda dos argumentos apresentados pela fiscalização que deram suporte ao Ato de Exclusão, e que, por consequência, lastrearam o presente auto de infração, por entender que são insuficientes, inexistentes e não encontram guarida na legislação. Fala sobre o mercado e a crise econômica a fim de justificar o seu baixo faturamento. Sustenta que o fato da Vale Norte ser seu principal cliente não pode caracterizar fraude/simulação de serviços terceirizados, posto que é uma situação comum entre diversas empresas no país. Fl. 295DF CARF MF Processo nº 13971.000636/201004 Acórdão n.º 1003000.058 S1C0T3 Fl. 7 6 Registra que foi criada com a ajuda de seus pais porque não desfrutava de experiência, capacidade e estrutura suficientes para competir com empresas do mesmo porte. Afirma que se presta serviço para Vale Norte para o qual foi contratada –recebendo a matéria prima e transformando em produto industrializado — não há que se falar em simulação, pois “tal não implica conferência ou transmissão de direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem ou transmitem, declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira, tampouco pósdatação ou antedatação de documentos”. Diz que as benesses que recebem da Vale Norte decorrem da relação de parentesco existente ente os sócios das empresas, e se justificam dado o desejo de seus pais (sócios da Vale Norte) em auxiliarem os seus filhos (sócios da Excluída) na edificação e constituição de seu próprio negocio. Reforça que a sua administração não se confunde com a da Vale Norte, ainda que receba auxílio informal de seus pais (sócios da Vale Norte), haja vista tratarse de pessoas jurídicas distintas, sem dependência hierárquica ou comando de uma sobre a outra. 2. DO DIREITO 2.1. Da Prescrição Administrativa/Decadência Esclarece que a legislação estabelece o prazo de 05 (cinco) anos para que a administração reveja seus próprios atos, assim sendo, tendo se passado mais de 8 (oito) anos de sua inscrição no SIMPLES sem qualquer oposição ao pedido de inscrição, decaiu o direito da administração excluíla do referido regime simplificado de tributação. 2.2. Da inexistência de constituição de pessoa jurídica por interpostas pessoas Reprisa a questão da independência administrativa, das benesses recebidas da Vale Norte, do auxílio informal dos pais, da ausência dos requisitos legais para configuração de grupo econômico, da independência das sedes, da inexistência de transferência de empregados entre as empresas, do faturamento inexpressivo em face da pouca experiência no mercado, em fim, tudo que já foi abordado nas tópicos anteriores. 2.3. Da não realização pela autuada de operação de prestação de serviços de locação de mãodeobra Apresenta a legislação e jurisprudência que tratam da conceituação de mãodeobra, a fim de se ver afastada da imputação de locação de mãodeobra. Narra, exaustivamente, sobre os requisitos legais necessários para caracterização de cessão/locação de mãodeobra, onde alega que seus serviços não se enquadram em nenhuma das hipóteses lá previstas. Cita vários julgados do Conselho de Contribuintes que tratam de locação de mãodeobra com o fim de justificar o eventual Fl. 296DF CARF MF Processo nº 13971.000636/201004 Acórdão n.º 1003000.058 S1C0T3 Fl. 8 7 deslocamento de seus empregados para executar os serviços no estabelecimento da tomadora de serviços, no caso a Vale Norte. 2.4. Da aplicação de analogia para a exigência de tributo Sustenta que a autoridade fiscal utilizouse da legislação comercial e/ou trabalhista para reputar configurada a existência de grupo econômico, bem como ter caracterizado os serviços prestados como cessão/locação de mãodeobra sem ao menos estarem listados no art. 31 da Lei nº 8.212/91. Reprisa as situações necessárias para se configurar grupo econômico, reforçando a tese de que a autoridade fiscal criou hipótese de incidência, por analogia, para exigir tributos sem lei que previamente o estabelecesse. 2.5. Da impossibilidade de desconsideração dos atos jurídicos de constituição da autuada Alega ilegalidade do ADE nº 14/2010 por ter considerado que foi constituída mediante simulação/fraude, e como conseqüência ter desconsiderado o ato jurídico de sua constituição e têla excluída do SIMPLES FEDERAL. Defende que os atos e negócios jurídicos não podem ser desconsiderados pela autoridade administrativa antes que seja editada legislação própria. Cita doutrina e jurisprudência sobre o tema. A manifestação de inconformidade apresentada foi julgada improcedente, mantendose o Ato Declaratório DRF/FNS nº 14, de 23/02/0210 e a conseqüente exclusão da empresa do Simples. Inconformada com a decisão, a Recorrente apresentou recurso voluntário ratificando os fatos e fundamentos apontados na manifestação de inconformidade e requerendo a reforma do acórdão DRJ/FNS nº 0731.941, de 11.07.2013, e o cancelamento do ADE nº 14, de 23/02/0210. É o Relatório. Voto Conselheira Bárbara Santos Guedes, Relatora O Recurso Voluntário é tempestivo, visto que atende o prazo regulamentar estabelecido pelo Decreto 70.235/1972, art. 33. Portanto, o mesmo atende aos requisitos de admissibilidade, pelo que, conheço do recurso. Inicialmente, importante observar que esse processo foi inicialmente distribuído para a 2ª Seção. Em despacho constante nos autos, fls. 286 e 287, o Ilmo. Conselheiro declinou da competência e informou que a citada empresa também foi excluída do Regime Especial Unificado de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Fl. 297DF CARF MF Processo nº 13971.000636/201004 Acórdão n.º 1003000.058 S1C0T3 Fl. 9 8 Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional), mediante ADE nº 15/2010, com tramitação no Processo de nº 13971.000635/201051, o qual, segundo informações do Comprot, também está pendente de julgamento de recurso voluntário. O objeto deste processo é a exclusão do SIMPLES Federal. Ainda consta nos presentes autos, através de despacho de encaminhamento, a notícia de que há outros três processos que discutem crédito tributário previdenciário os de nºs 13971.000642/201053,13971.000643/201006 e 13971.000644/201042, que estão vinculados aos presentes autos (processo de nº13971.000636/201004), e encontramse sobrestados, aguardando julgamento do presente processo por Resolução do colegiado na SECAM da 4ª Câmara da 2ª Seção de julgamento. Feitos esses esclarecimentos, iniciamos a análise dos fatos apontados no Recurso Voluntário. A Recorrente aponta em seu recurso fatos que entende ser suficientes para justificar a criação da empresa conforme ocorreu. Aduz que o motivo principal era a intenção dos pais em ajudar o negócio dos filhos, tendo socorridoos não apenas financeiramente, mas também através de instrumentos necessários para início no negócio. Que todo o desenvolvimento da empresa girou em torno da VALE NORTE porque essa seria o início mais vantajoso, haja vista a proximidade de objetos sociais e, como também, para ser um primeiro cliente da empresa iniciante. Ocorre, contudo, que tais justificativa não desmentem os fatos evidenciados na fiscalização, que apontou, desde o início de atividade da Recorrente, está subordinada ao comando e supervisão do Sr. Wilfried. Tanto é que, no início, um dos sócios era, inclusive, de menor. Aponta que o Sr. Wilfried sempre procurou socorrer a empresa, que, conforme demonstrado na auditoria fiscal, não possuía faturamento suficiente para manter os empregados que possuía e ainda auferir lucro. Segundo as alegações da Recorrente em suas peças de defesa, a VALE NORTE Ltda estava intimamente relacionada com a Recorrente, e que, em inúmeras situações, socorreu financeiramente, inclusive pagando impostos e encargos, como também ajudou através de instrumentos e imóvel e, principalmente, através da experiência administrativa dos administradores da VALE NORTE. A fiscalização ainda apurou que os empregados, embora admitidos formalmente pela Recorrente, trabalhavam na estrutura da VALE NORTE. É certo que duas empresas podem atuar num mesmo espaço, desde que seja possível identificar seus funcionários, os ativos e espaços de cada empresa individualmente, o que não ocorre no presente caso. A Recorrente, em seu recurso voluntário, busca fundamentar a independência das empresas, alegando inclusive que a Recorrente possuía outros clientes, no entanto não colacionou aos autos qualquer prova de suas alegações. O planejamento das empresas de um mesmo grupo tem que ser revestido não só de economia tributária, mas também de um propósito negocial. Nos presentes autos, a Recorrente não logrou êxito em demonstrar o propósito negocial das empresas, limitandose a justificar os fatos unicamente em razão de relação de parentesco. Fl. 298DF CARF MF Processo nº 13971.000636/201004 Acórdão n.º 1003000.058 S1C0T3 Fl. 10 9 Na verificação in loco realizada pela fiscalização, bem como pelas alegações da Recorrente, restou evidenciado que toda a administração e controle dos funcionários era exercida pelo VALE NORTE, a própria sóciagerente da Recorrente, inclusive, se apresentou como funcionária do grupo no momento da fiscalização. Não logrou êxito a Recorrente em justificar o fato de a VALE NORTE não possuir funcionários desde 2002 e todos os funcionários da Recorrente estarem trabalhando para a VALE NORTE, inclusive dentro do espaço físico dessa. Apenas em meados de 2007 a VALE NORTE efetuou contratações de empregados. É digno registrar que essa prova caberia à Recorrente e não à fiscalização, que se limitou a consignar aquilo que estava verificando in loco. Logo, não há como acolher as alegações de que as duas empresas seriam distintas e independentes entre si, cada uma com seus próprios administradores. Em razão do conjunto probatório colacionado aos autos, conclui.se que existe confusão administrativa e de funcionários, o que leva ao fato de que a existência autônoma da recorrente não está configurada, não se vislumbrando outra razão para a separação formal entre as empresas que não reduzir a incidência de tributos. As operações se revestem de aparente legalidade, contudo apurando os fatos a conclusão leva a outro resultado que não está amparado na legislação. Atinente à realização de operações relativas à cessão de mão de obra, o seu pressuposto básico é a utilização do trabalho alheio. A empresa fornecedora pode se limitar ao fornecimento da mão de obra e assumir a obrigação de contratar os trabalhadores, sob sua exclusiva responsabilidade do ponto de vista jurídico. Dessa forma, tornase a responsável pelo vínculo empregatício e pela prestação dos serviços, muito embora os trabalhadores sejam colocados à disposição da contratante, que detém o comando das tarefas e fiscaliza a execução e o andamento dos serviços. No caso em tela, não há dúvidas de que a Recorrente colocou à disposição da contratante sua mão de obra, cujo trabalho foi realizado primordialmente nas dependências da VALE NORTE, para a realização de serviços em condições de continuidade e habitualidade. A Recorrente, em 2004 e 2005 chegou a ter uma média de 70 funcionários, os quais trabalhavam na execução de serviços para a VALE NORTE e, muitas vezes, nas dependências dessa. A Alegação de que estavam lá executando serviços contratados não restou comprovado, visto que a fiscalização encontrou a maior parte dos funcionários trabalhando na VALE NORTE. Considerase empregador a empresa, individual ou coletiva, que, assumindo os riscos da atividade econômica, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviço e empregado toda pessoa física que prestar serviços de natureza não eventual a empregador, sob a dependência deste e mediante salário. Os sujeitos do contrato de trabalho são: (a) o empregado é a pessoa física que realiza pessoalmente a operação relativa à prestação de serviços, com habitualidade, subordinação e mediante contraprestação e (b) o empregador que assume o risco da atividade econômica, ou seja, não pode transferir os custos decorrentes do empreendimento, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviços, bem como detém o poder de direção, organização, fiscalização, regulação, controle e disciplina advindos da relação jurídica com seus empregados. Fl. 299DF CARF MF Processo nº 13971.000636/201004 Acórdão n.º 1003000.058 S1C0T3 Fl. 11 10 Assim, podese inferir que a pessoa jurídica empregadora não realiza operação relativa à locação de mão de obra .Para contextualizar a questão vale transcrever excertos da Solução de Consulta COSIT nº 312, de 06 de novembro de 2014, que apresenta outros elementos: 10. Concluise, assim, que quando uma empresa cede trabalhadores a outra empresa, ela transfere a essa outra empresa a prerrogativa que era sua de comando desses trabalhadores. Ela abre mão, em favor da contratante, do seu direito de dispor dos trabalhadores que cede; abre mão do seu direito de coordenálos. Dizer, então, que trabalhadores de uma empresa contratada estão à disposição de uma empresa contratante de serviços significa dizer que essa empresa contratante pode deles dispor; pode deles exigir a execução de tarefas dentro dos limites estabelecidos, previamente, em contrato, sem que eles necessitem, para executálas, reportarem se à empresa que os cedeu. Nesse tipo de contrato o objeto é a mão de obra. Nesse tipo de contrato a empresa contratante define a quantidade de trabalhadores que ela necessita para executar serviços que são de sua responsabilidade. [...] 14. Esse, inclusive, tem sido o entendimento do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, conforme pode ser constado na ementa de acórdão proferido por esse Tribunal, abaixo transcrita (destacouse):TRIBUTÁRIO. SIMPLES FEDERAL. EXCLUSÃO. ATIVIDADE VEDADA. LOCAÇÃO DE MÃODE OBRA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. NULIDADE DO ATO.1. A prestação de serviços pela empresa contratada, com a utilização de mãodeobra própria, a qual permanece sob a sua direção e dependência exclusiva, havendo apenas o deslocamento dos trabalhadores até o local da execução, seguindose a prestação do serviço sob as ordens da contratada não se confunde com a atividade de locação de mãodeobra, que pressupõe que a empresa simplesmente coloque os seus empregados à disposição do tomador de serviços, o qual determina as diretrizes de trabalho e comanda a realização do serviço.2. Não tendo restado evidencia, na representação fiscal, de forma inequívoca, a cessão de mãodeobra, deve ser declarado nulo o ato que determinou a exclusão da autora do SIMPLES.(Processo 500421972.2013.404.7208, Segunda Turma, D.E. 27/05/2014) É fato incontroverso que a administração era exercida pelo Sr. Wilfried, visto que a própria Recorrente confirma ter esse orientado e atuado internamente na administração da Recorrente. É incontroverso ainda que a VALE NORTE não possuía nenhum funcionário, exceto os administradores até meados de 2007. Diante de todas as provas nos autos, entendese ter havido a utilização de mãodeobra da Recorrente na empresa VALE NORTE, sem a devida formalização necessária. O acórdão de piso acertadamente destacou: Destaco que não se trata de analisar o objeto social da empresa como locação de mãodeobra, mas, sim, de se verificar se a prestadora, para atingir o seu objetivo social – que no presente Fl. 300DF CARF MF Processo nº 13971.000636/201004 Acórdão n.º 1003000.058 S1C0T3 Fl. 12 11 caso é industrialização de madeiras presta serviços com a natureza de cessão de mãodeobra. No presente caso, à vista dos elementos constantes dos autos, verifico que estão presentes os requisitos essenciais na caracterização da cessão de mãodeobra. E, ainda, robustecendo as evidências do caso aqui tratado, destaco as seguintes declarações prestadas pela Excluída: “(...) alguns serviços são prestados dentro do estabelecimento da Vale Norte para facilitar a sua execução”. “(...) que os empregados da peticionária não são locados ou colocados no ambiente ou estabelecimento de seus clientes, mas neles ingressam com o simples propósito de realizarem sua atividade, ou seja, com o objetivo de ali realizarem a prestação de serviços contratada”. “(...) a peticionária não recebem ordens dos representantes ou funcionários de seus clientes, tampouco de seus funcionários e/ou representantes legais, mas, apenas, eventualmente, algumas instruções e diretrizes, acerca da forma como almejam o serviço contratado, o que, como visto, não configura subordinação ou hierarquia”. Ora, não se pode falar em “eventualidade” quando se estar diante de um cliente exclusivo (Vale Norte). Quero dizer que, se os serviços são prestados com habitualidade à Vale Norte, utilizandose de recursos e estrutura por ela providos e, como dito pela própria Excluída, dentro das sua dependências e sob suas instruções e diretrizes, é irrelevante para o processo identificar os motivos que a levaram a adotar tal procedimento. A Recorrente aduz ainda a existência de decadência administrativa, sob o fundamento de que teria decaído o prazo de análise da exclusão do Simples por parte do Fisco, visto estar a empresa há 8 anos na sistemática. Ocorre, porém, que a Recorrente comete equívoco quanto a essa questão, haja vista que inexiste crédito em litígio nos presentes autos. Por concordar com os fundamentos do acórdão de piso, transfiro abaixo seus argumentos: A interessada sustenta que decaiu o direito da administração excluíla do SIMPLES FEDERAL, porquanto o prazo para rever seus próprios atos é de cinco anos. De se dizer de início, que a tese levantada pela Interessada é equivocada. Explico: Primeiro, porque o caso que aqui se discute é exclusão do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições Fl. 301DF CARF MF Processo nº 13971.000636/201004 Acórdão n.º 1003000.058 S1C0T3 Fl. 13 12 das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES e não da constituição de crédito tributário. Depois, porque contrariamente a atividade de lançamento de crédito tributário, que estaria limitada aos prazos previstos pelos artigos 150, §4º, e 173, inciso I, do CTN, a administração pode rever seus atos a qualquer tempo. Por essa razão, não há que se falar em perda do direito de excluir a Interessada do SIMPLES FEDERAL, posto que não se tratar de lançamento de crédito tributário. A Recorrente ainda busca caracterizar a existência de analogia para cobrança de tributos, no entanto, o caso dos presentes autos se limita ao objeto de exclusão da empresa do Simples Federal em razão de auditoria fiscal realizada na Recorrente que apontaram a existência de interpostas pessoas e cessão de mãodeobra. A exigência de quaisquer tributos não poderá ser analisado neste processo. Por fim, a Recorrente destaca ter havido desconstituição de ato jurídico de constituição da Recorrente, porém tal fato não corresponde à realidade. A fiscalização limitou se unicamente à verificar fatos e coletar provas que demonstraram não ter a Recorrente o direito de fazer parte do sistema simplificado de pagamento dos tributos Simples Federal em razão de vedações impostas pela lei. Diante de todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Fl. 302DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12326.006711/2010-84
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007
DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE.
Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas.
Numero da decisão: 2001-000.547
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente e Relator
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: JORGE HENRIQUE BACKES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2007 DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas.
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RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente e Relator Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal. Relatório Tratase de Notificação de Lançamento relativa à Imposto de Renda Pessoa Física, glosa de Despesas Médicas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 32 6. 00 67 11 /2 01 0- 84 Fl. 104DF CARF MF 2 O Recurso Voluntário foi apresentado pelo relator para a Turma, assim como os documentos do lançamento, da impugnação e do acórdão de impugnação, e demais documentos que embasaram o voto do relator. Esses destaques não constam desse relatório, pois estão disponíveis no processo. Tratase de discussão sobre despesas médicas, questão de prova, convencimento em relação aos documentos apresentados. Contribuinte apresentou recibos e declarações dos profissionais. Lançamento e acórdão de impugnação entendem insuficientes para a comprovação. Voto Conselheiro Jorge Henrique Backes, Relator Verificada a tempestividade do recurso voluntário, dele conheço e passo à sua análise. O litígio é apenas sobre os pagamentos de despesas médicas a fisioterapeuta Ana Claudia, dentista Helga Ferreira e pagamentos a Unimed, plano de saúde, conforme indicado no recurso voluntário. Outras despesas não foram objeto do recurso. A fundamentação para a recusa, em relação aos documentos litigados, restringiuse a recusar por falta de identificação do beneficiário; falta de previsão legal, assim genericamente. Contribuinte apresentou declaração das profissionais, e da Unimed indicando o beneficiário, motivo da glosa. Essa comprovação é suficiente para aceitar os documentos. De toda maneira, não foram solicitados outros elementos de prova de maneira objetiva. Tampouco foram apresentados vícios, indícios ou circunstâncias desabonadoras para os documentos apresentados pelo contribuinte. Não foi apresentada nenhuma investigação, circularização, ou outro procedimento que indicasse algum problema, ou mesmo dúvida, nos documentos. Assim, na ausência de indicações desabonadoras, na falta de fundamentação na recusa, os recibos comprovam despesas médicas. Não deixo de fazer aqui uma fundamentação do entendimento expresso acima, pois a falta de fundamentação é a matéria em discussão. Muitas vezes a autoridade fiscal baseia a recusa a deduções no art.73 do Decreto nº 3.000, de 1999, que assim dispôs: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Tal artigo indica que determinados documentos não fazem prova absoluta, podendo ser solicitados elementos adicionais de comprovação. No entanto, isso não significa Fl. 105DF CARF MF Processo nº 12326.006711/201084 Acórdão n.º 2001000.547 S2C0T1 Fl. 3 3 que o juízo, o fundamento da autoridade, dos fatos e do direito, não necessite ser apresentado. E tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como veremos na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. O lançamento pode até ocorrer sem pedido de esclarecimentos ou de prévia intimação ao contribuinte, como consta inclusive em súmula do CARF: Súmula CARF nº 46: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. No entanto, a recusa não pode prescindir de justificativa, inclusive porque deduções elevadas podem estar completamente dentro da lei e do direito do contribuinte. Trazendose um pouco de doutrina percebese claramente a necessidade da motivação. Diz Celso Antônio Bandeira de Mello, em relação aos atos discricionários: “A motivação deve ser prévia ou contemporânea à expedição do ato. (…) Naqueloutros, todavia, em que existe discricionariedade administrativa ou em que a prática do ato vinculado depende de apurada apreciação e sopesamento dos fatos e das regras jurídicas em causa, é imprescindível motivação detalhada. [...] E Maria Sylvia Zanella Di Pietro, sobre a motivação expressase assim:: “O princípio da motivação exige que a Administração Pública indique os fundamentos de fato e de direito de suas decisões. Ele está consagrado pela doutrina e pela jurisprudência, não havendo mais espaço para as velhas doutrinas que discutiam se a sua obrigatoriedade alcançava só os atos vinculados ou só os atos discricionários, ou se estava presente em ambas as categorias. A sua obrigatoriedade se justifica em qualquer tipo de ato, porque se trata de formalidade necessária para permitir o controle de legalidade dos atos administrativos.” E além de princípios e doutrinas, também a lei , como antes aventado, dispõe sobre a obrigação de motivar. A Lei nº 9.784/1999 que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal em seu artigo 50, dispõe: “Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: I – neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; II – imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; III – decidam processos administrativos de concurso ou seleção pública; IV – dispensem ou declarem a inexigibilidade de processo licitatório; Fl. 106DF CARF MF 4 V – decidam recursos administrativos; VI – decorram de reexame de ofício; VII – deixem de aplicar jurisprudência firmada sobre a questão ou discrepem de pareceres, laudos, propostas e relatórios oficiais; VIII– importem anulação, revogação, suspensão ou convalidação de ato administrativo.” Esse artigo da lei não faz diferenciação entre atos vinculados ou discricionários. Todos os atos que se encaixam nas situações dos supracitados incisos, sejam vinculados ou discricionários, devem compulsoriamente ser motivados. A amplitude e o imenso alcance desse artigo sobre os atos administrativos não deixa nenhum resquício de incerteza ou de dúvida: a regra ampla e geral é a obrigatoriedade de motivação dos atos administrativos. E como princípio, de maneira não menos importante, vejase o que diz sobre a matéria o art. 2º da mesma Lei 9.784, de 1999: “Art. 2º A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: (…) VII indicação dos pressupostos de fato e de direito que determinarem a decisão; VIII – observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados; IX adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado grau de certeza, segurança e respeito aos direitos dos administrados; X garantia dos direitos à comunicação, à apresentação de alegações finais, à produção de provas e à interposição de recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio; (…) XIII interpretação da norma administrativa da forma que melhor garanta o atendimento do fim público a que se dirige, vedada aplicação retroativa de nova interpretação”. Assim, na ausência de fundamentação plausível para a recusa de documentos usuais de comprovação é indevida a glosa de despesas médicas. Assim, satisfeita a fundamentação do lançamento e na ausência de indicação plausível para a recusa de documentos usuais de comprovação é indevida a glosa de despesas médicas. Fl. 107DF CARF MF Processo nº 12326.006711/201084 Acórdão n.º 2001000.547 S2C0T1 Fl. 4 5 Conclusão Em razão do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Relator Fl. 108DF CARF MF
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Numero do processo: 10831.005884/2008-25
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jul 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004
DRAWBACK-SUSPENSÃO. VINCULAÇÃO FÍSICA.
No regime de drawback-suspensão, para os fatos geradores ocorridos até 28/07/2010, é condição para a regularidade do regime que os insumos importados com benefício fiscal sejam efetivamente empregados na industrialização dos produtos a serem exportados. Inexistindo exceção normativa que afaste tal obrigação e nem se desincumbindo o contribuinte de comprovar o atendimento de tal exigência, ele sujeita-se à autuação fiscal pelo descumprimento do regime.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. CONHECIMENTO.
Para conhecimento do Recurso Especial, basta que seja comprovada divergência na interpretação e aplicação do ordenamento jurídico pelo colegiado recorrido em relação a um acórdão paradigma e que o eventual provimento ao Recurso Especial tenha o condão de alterar a decisão recorrida, ainda que haja diferenças fáticas acidentais entre as questões discutidas nos acórdãos paradigma e recorrido.
Numero da decisão: 9303-007.178
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que não conheceram do recurso. No mérito, por voto de qualidade, acordam em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004 DRAWBACKSUSPENSÃO. VINCULAÇÃO FÍSICA. No regime de drawbacksuspensão, para os fatos geradores ocorridos até 28/07/2010, é condição para a regularidade do regime que os insumos importados com benefício fiscal sejam efetivamente empregados na industrialização dos produtos a serem exportados. Inexistindo exceção normativa que afaste tal obrigação e nem se desincumbindo o contribuinte de comprovar o atendimento de tal exigência, ele sujeitase à autuação fiscal pelo descumprimento do regime. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. CONHECIMENTO. Para conhecimento do Recurso Especial, basta que seja comprovada divergência na interpretação e aplicação do ordenamento jurídico pelo colegiado recorrido em relação a um acórdão paradigma e que o eventual provimento ao Recurso Especial tenha o condão de alterar a decisão recorrida, ainda que haja diferenças fáticas acidentais entre as questões discutidas nos acórdãos paradigma e recorrido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que não conheceram do recurso. No mérito, por voto de qualidade, acordam em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 1. 00 58 84 /2 00 8- 25 Fl. 1134DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). Relatório Trata o presente processo de autos de infração lavrados para constituição de créditos tributários (compostos por tributo, multa e juros moratórios) referentes a tributos vinculados à importação, conforme quadro a seguir: TRIBUTO CRÉDITO EFLS. II 11.390.161,32 02 a 78 IPI 178.855,45 79 a 90 COFINS 1.015.263,44 91 a 99 PIS 220.418,52 100 a 108 Os lançamentos decorreram de descumprimento do Regime Aduaneiro Especial Drawback, com suspensão dos tributo, para importações cujas DI foram registradas entre 23/08/2001 e 02/02/2005. A contribuinte foi cientificada dos autos de infração em 16/10/2008, estando o relatório com descrição dos fatos e enquadramentos legais disposto às e fls. 109 a 156. Os lançamentos decorreram do inadimplemento do Regime Aduaneiro Especial Drawback, com suspensão dos tributo, para quatro Atos Concessórios, para os quais a empresa não conseguiu comprovar a vinculação física dos produtos importados para com aqueles que exportava. O sujeito passivo não possuía adequado controles ou mesmo segregação no armazenamento dos produtos químicos que importava. Irresignada, a contribuinte apresentou impugnação, às efls. 563 a 589. Em 16/06/2010, a 1ª Turma da DRJ/SP2, apreciou a impugnação e, no acórdão nº 1741.741, às e fls. 783 a 799, considerou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário lançado. Ciente do resultado do julgamento em 07/07/2010, ainda inconformada, a contribuinte interpôs recurso voluntário, às efls. 815 a 854, em 05/08/2010. A 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento apreciou o recurso na sessão de 23/05/2012, resultando no acórdão de nº 310201.499, às efls. 876 a 884, o qual teve a seguinte ementa: MATÉRIA IMPUGNADA E NÃO APRECIADA NO JULGAMENTO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. ANULAÇÃO DA DECISÃO. NECESSIDADE DE NOVO JULGAMENTO. Fl. 1135DF CARF MF Processo nº 10831.005884/200825 Acórdão n.º 9303007.178 CSRFT3 Fl. 1.135 3 Comprovado que existiu matéria impugnada que não foi objeto de manifestação no julgamento de primeira instância, devese anular o julgamento para que a autoridade a quo realize novo julgamento, apreciando todas as matérias que foram objeto da impugnação. O acórdão teve a redação abaixo: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para anular o processo a partir da decisão de primeira instância, inclusive Em face da nulidade decretada, agora a 23ª Turma da DRJ/SP1, na sessão de 25/10/2012, prolatou novo acórdão, de nº 1641.643, cuja cópia está às efls. 907 a 946. Este acórdão, chegou às mesmas conclusões do anterior e por isso considerou improcedente a impugnação, mantendo novamente o crédito tributário lançado. Intimado (efl. 947) do novo acórdão em 13/11/2012 (efl. 958), a contribuinte interpôs novo recurso voluntário, às efls. 961 a 996, em 12/12/2012. Em sucinta resenha, as matérias esgrimidas no recurso foram: a) a fiscalização não logrou comprovar a prática de irregularidades, carecendo de motivação a autuação que não indicou qual insumo teria sido utilizado de forma indevida ou mesmo comercializado no mercado interno; b) há alegação de que existe falta de controle de produção e estoques que chegam a demonstrar a existência de produção sem insumos correspondentes, sugerindo aquisição de insumos sem notas fiscais, sendo inverídica tal conclusão; c) houve desconsideração do programa de controle de produção de forma arbitrária e precipitadas; d) ao realizar o levantamento quantitativo a fiscalização deixou de considerar a existência de saldo de produtos já elaborados em estoque ; e) alegadas irregularidades em relação a determinados insumos ao testar o programa de controle da contribuinte foi estendida indevidamente a todos os insumos, desconsiderando que haviam saldos iniciais de insumos em estabelecimentos da contribuinte e de terceiros suficientes para viabilizar o processo produtivo; f) o fisco, sem fazer adequada conferência adequada da aplicação dos insumos importados sob regime de drawback, optou pela acusação de desvio desses produtos para o mercado interno; g) o compromisso de exportar o produto final em determinado prazo era cumprido pela contribuinte, contudo, o fisco exigiu prova de vinculação física com "controle por lote", método não factível para o sistema produtivo da recorrente; h) considerandose que o prazo decadencial para a autuação era o do art. 150, § 4º do CTN, e tendo os Atos Concessórios prazos finais de cumprimento em 18/07/2003 e 28/07/2003, os lançamentos notificados ao contribuinte em 16/09/2008 já haviam decaído; Fl. 1136DF CARF MF 4 i) não seria aplicável juros de mora sobre a multa de ofício. Em face do novo recurso voluntário, a 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento exarou nova decisão, na sessão de 19/08/2014, resultando no acórdão nº 3403003.146, às efls. 1014 a 1043, com a seguinte ementa: DRAWBACK SUSPENSÃO. PRINCÍPIO DA VINCULAÇÃO. FÍSICA. FLEXIBILIZAÇÃO. PRINCÍPIO DA FUNGIBILIDADE DOS INSUMOS. Tratandose de insumos caracterizados como bens fungíveis e inexistindo prejuízo ao fisco e fraude por parte do contribuinte, aplicase o princípio da razoabilidade com base no art. 2º da Lei nº 9.784/99 e em precedentes do STJ para o fim de afastar a exigência da vinculação física entre os insumos importados sob o regime de drawback e os produtos exportados. O acórdão foi assim redigido: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Alexandre Kern e Rosaldo Trevisan, que apresentou declaração de voto. Sustentou pela recorrente o Dr. Gustavo Froner Minatel, OAB/SP 210.198. O voto condutor afastou as preliminares que levariam à nulidade e á decadência, para, no mérito, primeiramente, afirmar que apesar de o contribuinte ter o ônus de comprovar a existência de vinculação física, incumbiria ao fisco demonstrar os fatos que desqualificariam os controles informatizados por ela utilizados e isso a fiscalização não teria feito, ainda que a própria contribuinte admitisse a falta dos controles para os anos de 2001 e 2002, sendo assim, haveria que se cancelar o lançamentos para os períodos a partir do ano calendário de 2003; em segundo, o relator contesta a exigência de vinculação física por entender ser exigência além da determinada por lei, descolada do princípio da razoabilidade ao qual deveria a administração pública obedecer e, nos casos de bens fungíveis, inexistiria prejuízos, seja ao fisco seja livre concorrência. Importante salientar que, por uma questão lógica, o primeiro fundamento, que abriria a discussão de eventual provimento parcial ao recurso voluntário, resta prejudicado pelo segundo fundamento, que é suficiente para dar provimento total do recurso. Portanto, em que pese o voto do relator abranger ambos os fundamentos, na decisão, pelo provimento total dado ao recurso voluntário, o colegiado adotou apenas esse segundo fundamento que, aliás, é o único fundamento constante da ementa. Embargos de declaração da Fazenda Cientificada do acórdão nº 3403003.146 em 17/09/2014, (efl. 1044), a Procuradoria da Fazenda Nacional manejou embargos de declaração ao acórdão, às efls. 1045 a 1047. Afirma que a Turma teria anulado parte do lançamento, referente aos anoscalendário de 2003 e 2004, em face do voto do relator, sem contudo afirmar se o vício que acarretaria a nulidade era material ou formal, entendendo ser necessário que a Câmara complemente o acórdão, sanando essa omissão. No despacho de efls. 1050 e 1051, em 08/10/2014, o Presidente da3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, não admitiu os embargos, em razão de a Turma, por maioria, não ter decidido pela nulidade mas pela desnecessidade de Fl. 1137DF CARF MF Processo nº 10831.005884/200825 Acórdão n.º 9303007.178 CSRFT3 Fl. 1.136 5 atendimento ao princípio da vinculação física, na esteira de julgados do STJ. O acórdão não cancelou o lançamento em razão de qualquer nulidade, mas pelo mérito. Recurso especial da Fazenda Intimada do resultado dos embargos em 08/10/2014 (efl. 1052), a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso especial de divergência em 15/10/2014, às efls. 1053 a 1063. A Procuradora indica existência de divergência em relação à necessidade de comprovação da vinculação entre o insumo importado e o produto exportado para aferição do regime aduaneiro de drawback. Para sustentar as divergências, ela apresenta dois acórdãos paradigmas, de números 3202000.403 e 930301.248, que, em situações fáticas similares, consideraram que os produtos importados pelo beneficiário deverão ser efetivamente aqueles utilizados nas mercadorias exportadas, obrigatoriedade esta que caracteriza o denominado princípio da vinculação física, enquanto o acórdão recorrido entendeu ser desnecessária a demonstração de tal vinculação. O Presidente da 4ª Câmara de Terceira Seção de Julgamento do CARF, apreciou o recurso especial de divergência da contribuinte em 20/05/2015, no despacho de e fls. 1065 a 1067, com base nos arts. 67 e 68 do do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 256 de 22/06/2009, dandolhe seguimento. Contrarrazões da contribuinte Cientificada do acórdão nº 3403003.146 e do despacho de admissibilidade do recurso especial de divergência da Procuradoria da Fazenda Nacional (eflç. 1077), a contribuinte apresentou contrarrazões, às efls. 1079 a 1096, relativamente ao recurso especial de divergência da Fazenda. Inicialmente, a contribuinte protesta pelo não conhecimento do recurso especial da Fazenda, porque que o acórdão recorrido não utilizaria como fundamento apenas o princípio da vinculação física, mas também a existência de vício na motivação da autuação, ao não lograr desqualificar o meio de prova utilizado pela autuada. Nesse ponto o recurso especial de divergência da Procuradora não se manifesta. Além disso, não haveria similitude fática entre a matéria do acórdão a quo e a dos acórdãos paradigmas. O primeiro paradigma, nº 3202000.403 trata de aplicação de esmaltes em cerâmicas, produtos destacáveis com informações quanto ao consumo do insumo e provas de entradas e saídas de mercadorias, o caso em litígio, há mistura de ingredientes para formar outro produto final, por transformação. Já o acórdão paradigma nº 930301.248 também seria de situação fática distinta, pois nele se analisa o adimplemento do compromisso com o regime de drawback quanto a aspectos ligados ao registro de exportação, absolutamente distinto do processo ora em testilha. No mérito, aduz questões já trazidas em recursos anteriores, mas inova ao tratar do que chama de nova sistemática do drawback, baseado no art. 17 da Lei nº Fl. 1138DF CARF MF 6 12.350/2008, com a redação dada pelo art. 32 da Lei nº 12.350/2010 e que veio a ser regulamentada pela Portaria Conjunta RFB /Secex nº 1.618 de 02/09/2014, que inseriu o art. 5ºA na Portaria Conjunta RFB/Secex nº 467/2010 com essa finalidade. Pleiteia que não se conheça do recurso especial de divergência da Fazenda, por ausência de pressupostos para tanto e, caso conhecido, que seja desprovido para que se mantenha a decisão do acórdão nº 3403003.146.. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator O recurso especial do sujeito passivo é tempestivo. Conhecimento Com relação às contrarrazões do sujeito passivo, é importante iniciar sua análise pelo pressuposto de que, para conhecimento do recurso especial da Procuradora, basta que, com base em um dos acórdãos paradigma, seu eventual provimento possa vir a alterar a decisão recorrida. Em primeiro lugar, enfrento a alegação de insuficiência do Recurso Especial da Fazenda Nacional, para alteração do resultado da decisão recorrida, em face de não ter enfrentado todos seus argumentos. Como esclarecido no relatório, a decisão recorrida, conforme se depreende claramente da leitura de seu dispositivo, deu provimento total ao Recurso Voluntário e, na ementa, registra apenas a questão do afastamento da exigência da vinculação física entre os insumos importados e os produtos exportados. Assim, entendo como mero obter dictum a colocação subsidiária do relator, de provimento parcial, pela falta de comprovação, pela fiscalização, da insuficiência dos controles da contribuinte, utilizados nos períodos a partir de 2003. Aliás, mesmo que essa questão subsidiária tivesse sido enfrentada pelo colegiado recorrido, o provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional já seria suficiente para alterar a decisão recorrida em parte. Portanto, verifico o interesse recursal da Fazenda Nacional no caso, confirmo que o recurso a ela aproveita e, consequentemente, rejeito a alegação de insuficiência do recurso. Passo, agora, à análise da alegação da existência de diferenças fáticas essenciais entre as situações enfrentadas nos acórdãos paradigma e aquela discutida na decisão recorrida. Quanto ao acórdão paradigma 3202000.403, discordo do argumento de que as características dos produtos impediria a comprovação da divergência. Com efeito, entendo ser meramente acidental essa diferença fática, não prejudicando a existência de divergência quanto à necessidade de comprovação da identidade física entre os insumos importados e os componentes do produto exportado. No acórdão paradigma nº 3202000.403, a discussão central é justamente sobre a demonstração de que os insumos importados fossem aplicados nos produtos Fl. 1139DF CARF MF Processo nº 10831.005884/200825 Acórdão n.º 9303007.178 CSRFT3 Fl. 1.137 7 exportados, conforme referidos nos Atos Concessórios e assim atender a legislação de regência. Logo, não interessa se há transformação de um produto em outro ou simples acréscimo de peça em máquina para que se exija a vinculação física entre insumo e mercadoria a ser exportada e, consequentemente, o controle dessa vinculação. Assim, a situação de fato tem similitude suficiente em face da legislação de regência e é isso que permite a utilização do acórdão como paradigma. O fato de um único paradigma, dos dois indicados, atender ao critério de divergência já seria suficiente para aceitação do recurso especial de divergência da Fazenda, restando despicienda a análise do segundo paradigma. O aresto modelo nº 930301.248, não permite concluir que a matéria recorrida fosse a vinculação física do insumo com o produto exportado. Compulsando o acórdão, parece que tal matéria foi trazida de forma indireta, tendo em vista que se os registros de exportação utilizados para adimplir o compromisso de exportação não se vinculavam aos atos concessórios, nesse sentido, tampouco se pode comprovar que os insumos importados compuseram as exportações. Ou seja, a falta de vinculação física decorre da falta de controle do próprio RE. De qualquer sorte, se a matéria foi admitida no recurso especial da Fazenda naquele processo, há no mínimo indício de que se haja similitude fática. Porém, conforme já colocado, não se faz necessário entrar em maiores detalhes nessa discussão. Por fim, como já salientado acima, a existência de um único acórdão que preencha os requisitos para conhecimento do recurso especial de divergência basta para se dê seguimento ao recurso, por isso dele conheço. Mérito. Passo, agora, à análise da alegação da existência de diferenças fáticas essenciais entre as situações enfrentadas nos acórdãos paradigma e aquela discutida na decisão recorrida. Como salientado pela contribuinte em suas contrarrazões, é bem verdade que em 02/09/2014, a Portaria Conjunta RFB/Secex nº 1.618 veio para alterar a Portaria Conjunta RFB/Secex nº 467 de 25/03/2010, referida no voto acima visando permitir a aplicação da fungibilidade no drawback brasileiro. Fez tal regulação pela introdução do art. 5ºA, com a seguinte redação: Art. 5ºA Para efeitos de adimplemento do compromisso de exportação no regime de que trata o art. 1º, as mercadorias importadas ou adquiridas no mercado interno com suspensão do pagamento dos tributos incidentes podem ser substituídas por outras, idênticas ou equivalentes, nacionais ou importadas, da mesma espécie, qualidade e quantidade, importadas ou adquiridas no mercado interno sem suspensão do pagamento dos tributos incidentes. § 1º Poderão ser reconhecidas como equivalentes, em espécie e qualidade, as mercadorias que, cumulativamente: Fl. 1140DF CARF MF 8 I sejam classificáveis no mesmo código da NCM; II realizem as mesmas funções; III sejam obtidas a partir dos mesmos materiais; IV sejam comercializadas a preços equivalentes; e (V possuam as mesmas especificações (dimensões, características e propriedades físicas, entre outras especificações), que as tornem aptas ao emprego ou consumo na industrialização de produto final exportado informado. § 2º O disposto no caput: I não alcança a hipótese de empréstimo de mercadorias com suspensão do pagamento dos tributos incidentes entre pessoas jurídicas distintas; II admitese também nos casos de sucessão legal, nos termos da legislação pertinente; III poderá ocorrer, total ou parcialmente, até o limite da quantidade admitida sob o amparo do regime, apurada de acordo com a unidade de medida estatística da NCM prevista para cada mercadoria. § 3º Ficam dispensados, para fins de verificação de adimplemento do compromisso de exportação, controles segregados de estoque das mercadorias fungíveis referidas no caput, sem prejuízo dos controles contábeis previstos na legislação. § 4º A apuração da equivalência de preços mencionada no inciso IV do § 1º será efetuada descontandose a variação cambial, podendo ainda ser acatadas alterações no preço da mercadoria de até 5% (cinco por cento) em relação ao valor das mercadorias originalmente adquiridas no mercado interno ou importadas. § 5º Não se aplica o disposto no inciso IV do § 1º às mercadorias idênticas, assim consideradas aquelas iguais em tudo, inclusive nas características físicas, qualidade e reputação comercial, admitidas pequenas diferenças na aparência. § 6º O disposto neste artigo aplicase a fatos geradores ocorridos a partir de 28 de julho de 2010, desde que cumprida a formalidade prevista no parágrafo único do art. 6ºA. § 7º Não será considerada a equivalência de mercadorias nas operações em que for constatada a ocorrência de fraude ou prática de preços artificiais, sem prejuízo da aplicação das penalidades cabíveis. Contudo, há que se notar que ela também criou um marco temporal para aplicação do artigo, em seu § 6º, afirmando que a nova disposição só se aplicaria a "fatos geradores ocorridos a partir de 28 de julho de 2010, desde que cumprida a formalidade prevista no parágrafo único do art. 6ºA". Fl. 1141DF CARF MF Processo nº 10831.005884/200825 Acórdão n.º 9303007.178 CSRFT3 Fl. 1.138 9 Como toda norma, não podemos tomar por vãs as palavras que criam limitações a sua aplicação e, no caso sob análise, os fatos geradores dos tributos lançados se vinculam a importações realizadas anteriormente à 28/07/2010, pois as DIs tiveram seus registros entre 23/08/2001 e 02/02/2005 (efls. 14 a 78). Logo, por expressa disposição da norma que veio a regular a não vinculação dos insumos importados às exportações, aos fatos geradores analisados nesse processo não se aplica o critério pretendido pela contribuinte em suas contrarrazões. Entendo que a Portaria Conjunta RFB/SECEX, nº 1.618, de 2014 não seja mero ato interpretativo, mas sim o ato necessário para dar eficácia ao comando legal, sem o qual a lei não seria aplicável. Salientese que essa portaria contém expressa determinação do período temporal de sua aplicabilidade. Dessarte, com fulcro na argumentação acima expendida, inexistindo exceção normativa para o caso em apreço à época dos fatos geradores, entendo ser obrigatório que se comprovasse a integral utilização dos insumos importados no processo produtivo das mercadorias a serem exportadas, sob pena de descumprimento dos Atos Concessórios e perda do benefício do regime de drawback suspensão. Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer do recurso especial de divergência da Fazenda Nacional para darlhe provimento quanto a matéria recorrida, para afastar a prejudicial de desnecessidade de comprovação da vinculação física entre os insumos importados com suspensão de tributos e a composição do produto final exportado, com retorno dos autos ao colegiado a quo, para análise das demais questões postas no recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 1142DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 14751.001441/2008-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
NULIDADE. PEDIDO DE PERÍCIA. NÃO OCORRÊNCIA
O indeferimento do pedido de perícia não tem o condão de macular a decisão exarada em primeira instância em face do livre convencimento da autoridade julgadora na apreciação da prova formadora de sua convicção.
ILEGITIMIDADE PASSIVA. INSUBSISTÊNCIA
Não procede a alegação de ilegitimidade pois o crédito tributário foi lançado contra o ente federativo e não contra o titular da respectiva Secretaria.
ALEGAÇÕES GERAIS NÃO COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO DAS OBRIGAÇÕES TRIBUTÁRIAS.
Poderia o sujeito passivo demonstrar, por meio de alegações consistentes, lastreadas em provas documentais apresentadas diretamente, ou demandadas dos órgãos da própria administração direta do governo, a comprovação dos pagamentos realizados, o que não foi feito no presente caso.
Numero da decisão: 2401-005.602
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(Assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: conselheiros Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Luciana Matos Pereira Barbosa, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier.
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
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PEDIDO DE PERÍCIA. NÃO OCORRÊNCIA O indeferimento do pedido de perícia não tem o condão de macular a decisão exarada em primeira instância em face do livre convencimento da autoridade julgadora na apreciação da prova formadora de sua convicção. ILEGITIMIDADE PASSIVA. INSUBSISTÊNCIA Não procede a alegação de ilegitimidade pois o crédito tributário foi lançado contra o ente federativo e não contra o titular da respectiva Secretaria. ALEGAÇÕES GERAIS NÃO COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO DAS OBRIGAÇÕES TRIBUTÁRIAS. Poderia o sujeito passivo demonstrar, por meio de alegações consistentes, lastreadas em provas documentais apresentadas diretamente, ou demandadas dos órgãos da própria administração direta do governo, a comprovação dos pagamentos realizados, o que não foi feito no presente caso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 75 1. 00 14 41 /2 00 8- 14 Fl. 1556DF CARF MF 2 (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: conselheiros Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Luciana Matos Pereira Barbosa, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face da decisão da 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Recife PE (DRJ/REC), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido, conforme ementa do Acórdão nº 1127.501 (fls. 1513/1522): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA: PRINCIPAL E ACESSÓRIA. NATUREZAS DISTINTAS. O crédito em tela tem por objeto as contribuições sociais inadimplidas pelo sujeito passivo, tendo assim, no direito tributário, natureza obrigacional principal, distinta, portanto, daquela decorrente do dever instrumental de prestar informações á. Seguridade Social por meio de GFIP, esta última de caráter acessório. PLANEJAMENTO FISCAL. ATIVIDADE DISCRICIONÁRIA. Está na órbita do poder discricionário da Administração Pública Federal o planejamento fiscal, a ser entabulado pela Receita Federal do Brasil, decidindo, neste contexto, as empresas que serão objeto de fiscalização, de acordo com o interesse público, a conveniência e a oportunidade. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O presente processo trata do Auto de Infração DEBCAD nº 37.190.2665, consolidado em 15/09/2008, relativo às contribuições sociais patronais incidentes sobre remunerações pagas a servidores ocupantes de emprego público, cargos em comissão e contratados por tempo determinado, não amparados por regime próprio de previdência social do Estado da Paraíba, cujas remunerações constam das folhas de pagamento da respectiva Secretaria de Saúde, onde prestaram serviços no período de 01/2004 a 12/2004, devidamente identificados nas fls. 56 a 292, no valor de R$ 3.940.242,70 (fls. 02/30). Fl. 1557DF CARF MF Processo nº 14751.001441/200814 Acórdão n.º 2401005.602 S2C4T1 Fl. 3 3 De acordo com o Relatório Fiscal do Auto de Infração (fls. 46/50): 1. Constituem fatos geradores das contribuições lançadas, a prestação de serviços remunerados pelos segurados empregados, constantes no Relatório de Lançamentos (RL) e lançados por meio de levantamento próprio, no de código FSE, no período de 01 a 12/2004; 2. Os fatos geradores das contribuições lançadas não foram regularmente declarados, nem o órgão comprovou a declaração, em GFIP Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social; 3. Foram consideradas no lançamento, mas não deduzidas das contribuições apuradas, as contribuições previdenciárias confessadas em documento constitutivo de crédito previdenciário, GFIP Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social, independentemente de haver ou não recolhimento correspondente, relacionadas no Relatório de Documentos Apresentados (RDA), por não corresponderem aos mesmos fatos geradores das contribuições lançadas; 4. Não foram deduzidas cotas de salário família, pois não foram apresentados os documentos necessários â comprovação dos pagamentos e da observância dos requisitos suficientes à concessão do benefício; Em 18/09/2008 o sujeito passivo tomou ciência pessoal do Auto de Infração lavrado (fls. 02) e, em 17/10/2008, tempestivamente, apresentou impugnações fls. 308 a 327, instruída com os documentos nas fls. 328 a 1476. Em sua Impugnação, o Contribuinte afirma que a fiscalização não considerou a totalidade das GFIP e GPS na confecção do lançamento, colacionadas às fls. 346/1476, e informa que as unidades hospitalares pertencentes à rede estadual promovem a confecção das citadas guias e também recolhem as contribuições sociais a seu encargo. Por fim, requer, dentre outras coisas, perícia, para exame integral da documentação relativa aos arquivos de remessa das correspondentes GFIP, por entender imprescindível para o deslinde da controvérsia. Em 22/12/2008 a 7ª Turma da DRJ/REC converteu o julgamento em Diligência (fls. 1481/1484) para que a fiscalização efetuasse os seguintes esclarecimentos: 1. A origem dos valores considerados, para fins de dedução, contidos no Relatório de Documentos Apresentados — RDA; 2. Os valores das GPS, em cada competência, que foram considerados na confecção do presente processo; 3. Se as GPS, colacionadas pela defesa, foram consideradas no lançamento, justificando, em caso negativo, as razões de sua não inclusão; Fl. 1558DF CARF MF 4 4. Se o credito em apreço envolve as unidades hospitalares citadas pela defendente nos documentos acostados à sua impugnação; 5. Se as GFIP, trazidas na impugnação, têm alguma ligação com o presente processo. Em havendo, demonstrar, por competência envolvida, como foram as mesmas consideradas no lançamento. Em não havendo, assinalar os respectivos motivos. Em resposta à solicitação de Diligência, a autoridade lançadora se manifestou às fls. 1485/1490, onde esclareceu que os fatos geradores objeto do processo em apreço foram declarados parte em GFIP da Secretaria de Saúde e de suas unidades hospitalares, parte nas GFIP da Secretaria de Administração, porém no CNPJ do Governo do Estado da Paraíba. Elaborou planilha (fls. 1491/1498) contendo as Guias da Previdência Social existentes em favor da Secretaria da Saúde do Estado da Paraíba e suas unidades hospitalares, salientando a inexistência de saldo a deduzir do presente processo. O Contribuinte tomou ciência do resultado da diligência em 14/05/2009 (AR – fl. 1510), mas não se pronunciou dentro do prazo legal. Diante disso, o processo foi encaminhado à DRJ/REC para julgamento, onde, através do Acórdão nº 1127.501, em 10/09/2009, a 7ª Turma concluiu pela rejeição integral das argumentações da impugnação e, em consequência, pela procedência do lançamento. Em 20/11/2009 o Contribuinte tomou ciência do Acórdão da DRJ/REC (AR – fl. 1551) e, em 18/12/2009, inconformado com a decisão tomada interpôs o Recurso Voluntário de fls. 1525 a 1550. No RV faz um breve Resumo da Contenda (fls. 1527/1529) para em seguida, em síntese, argumentar: 1. Preliminarmente, sobre a nulidade absoluta do feito, em face do indeferimento da produção de prova pericial indispensável ao desate da controvérsia e o cerceamento do direito de defesa (fls. 1529/1531); 2. Sobre a ilegitimidade passiva da Autoridade Estadual autuada por ausência de competência para representar o Estado da Paraíba, autuado (fls. 1531/1535); 3. Sobre a Improcedência da autuação uma vez que a obrigação previdenciária principal restava cumprida, conforme comprovado nos autos (fls. 1535/1547). Finaliza o RV requerendo: 1. A decretação de nulidade absoluta do feito, ante a configuração do cerceamento ao direito de defesa do recorrente, consubstanciado na imotivada negativa da produção da prova pericial oportunamente requerida, e indispensável ao esclarecimento dos fatos; 2. Em não sendo acolhida a preliminar acima suscitada, o provimento integral do recurso para julgar improcedente o lançamento indevidamente realizado. É o relatório Fl. 1559DF CARF MF Processo nº 14751.001441/200814 Acórdão n.º 2401005.602 S2C4T1 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Andréa Viana Arrais Egypto Relatora Juízo de admissibilidade O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal e atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Preliminares Nulidade da decisão de primeira instância – Pedido de perícia Pleiteia a Recorrente a nulidade da decisão de primeira instância em virtude do indeferimento na realização de perícia, por entender indispensável aos destrame da controvérsia. Cumpre nesse ponto destacar que a perícia tem por finalidade a elucidação de questões técnicas ou fáticas que suscitem dúvidas ao julgador, o qual cabe avaliar a necessidade da produção da prova técnica que exige conhecimento especial. No presente caso, em face da documentação apresentada pelo contribuinte, a DRJ determinou a realização de diligência e o Auditor Fiscal esclareceu os fatos suscitados (fls. 1485/1489). Intimado para se manifestar acerca do resultado da diligência, o Recorrente quedouse inerte. Após os esclarecimentos oferecidos, o julgador de primeira instância entendeu que os elementos contidos no processo administrativo eram suficientes para a formação de sua convicção e que a análise do presente caso prescinde da realização de prova pericial. Consoante dispõe o Decreto 70.235/1972 que estabelece as regras do processo administrativo fiscal, na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente a sua convicção: Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Portanto, diferente do que foi suscitado pela Recorrente, entendo que o indeferimento do seu pleito quanto ao pedido de perícia não tem o condão de macular a decisão exarada em primeira instância em face do livre convencimento da autoridade julgadora na apreciação da prova formadora de sua convicção. Fl. 1560DF CARF MF 6 Ademais, foi determinada a realização de diligência para os esclarecimentos que se fizeram necessários. Diante disso, a fiscalização apresentou relatório conclusivo o que foi analisado no julgamento de primeira instância. O procedimento fiscalizatório foi efetuado dentro dos preceitos normativos atinentes à matéria, o contribuinte foi devidamente intimado para apresentar as razões de defesa e a juntada de provas que entendesse importantes para fundamentar suas alegações. Restou, portanto, restou plenamente assegurado o contraditório e a ampla defesa. Assim, rejeito a preliminar suscitada pela parte. Ilegitimidade passiva Segundo o Recorrente o lançamento foi realizado na pessoa do titular da Secretaria de Estado. Alega ilegitimidade passiva. Não procede a alegação aduzida. O crédito tributário foi lançado contra o ente federativo e não contra o titular da respectiva Secretaria, razão porque não merece guarida a ilegitimidade suscitada. Mérito Em razões recursais o sujeito passivo pleiteia a improcedência da autuação e disserta acerca do cumprimento da obrigação acessória. Traz alegações gerais sobre o recolhimento e repasse das contribuições previdenciárias exigidas e afirma que ocorreu o cumprimento da obrigação principal pelo sujeito passivo. Pois bem. O lançamento trata da exigência de contribuições previdenciárias patronais, incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados empregados, não amparados por regime próprio da Previdência Social, que prestaram serviços à Secretaria da Saúde do Estado da Paraíba, nas competências 01/2004 a 13/2004, sendo as bases de cálculo obtidas das folhas de pagamento. Em atendimento a diligência proposta pela DRJ (fls. 1481/1483), o Auditor Fiscal apresentou os esclarecimentos às fls. 1485/1489, em que assevera que as contribuições previdenciárias correspondentes aos fatos geradores vinculados à Secretaria da Saúde do Estado da Paraíba foram recolhidas de duas formas: (i) com relação às remunerações pagas ou creditadas aos segurados contribuintes individuais, declarados nas GFIP's da Secretaria da Saúde e de suas unidades hospitalares, foram recolhidas parcialmente nos próprios CNPJ's (08.778.268/000160, 08.778.268/000241, 08.778.268/000322), por meio de GPS; (ii) as correspondentes a uma parte dos fatos geradores relativos às remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados, servidores comissionados e prestadores de serviços não amparados por RPPS, confessadas nas GFIP's do Governo do Estado da Paraíba, foram recolhidas no próprio CNP do Estado (08.761.124/000100), por meio da retenção nas cotas do FPE no valor correspondente ao declarado como devido nas respectivas GFIP's; (iii) os recolhimentos mensais efetivamente realizados nos CNPJ´s da Secretaria da Saúde e suas unidades hospitalares, são inferiores as correspondentes contribuições confessadas nas respectivas GFIP's, relacionadas no RDA do lançamento. Fl. 1561DF CARF MF Processo nº 14751.001441/200814 Acórdão n.º 2401005.602 S2C4T1 Fl. 5 7 Consoante se verifica dos esclarecimentos realizados e dos documentos adunados aos autos, as informações e os recolhimentos das contribuições devidas foram efetuadas parte em uma secretaria de governo, parte em outra. Além do que, em uma mesma GFIP constam fatos geradores de diferentes Secretarias, o que dificulta, sobremaneira, o controle da fiscalização, recaindo para o sujeito passivo o ônus probatório do adimplemento da obrigação tributária. Poderia o sujeito passivo demonstrar, por meio de alegações consistentes, lastreadas em provas documentais apresentadas diretamente, ou demandadas dos órgãos da própria administração direta do governo, a comprovação dos pagamentos realizados, o que não foi feito no presente caso. No que tange às GPS e ao termo de amortização de dívida adunado aos autos, transcrevo a seguir excerto do voto proferido pela Delegacia de Julgamento, o qual peço vênia para acrescentar às razões de decidir: Por sua vez, as GPS colacionadas ao feito pela impugnante achamse especificadas na planilha de fls. 738/741. Foram incluídas nas deduções entabuladas nos AI 37.190.2673 e 37.190.2649, lavrados na mesma ação fiscal, consoante relatório de apropriação de documentos apresentados — RADA, as fls. 42/44 do AI 37.190.2673. Não ha, assim, saldo a deduzir do presente processo. De igual sorte, não há como acolher o termo de amortização de divida fiscal, firmado com o INSS, colacionado as fls. 164/172, porque o mesmo não diz respeito ao período lançado no presente processo. Quanto ao pleito do impugnante de se promover fiscalização na Secretaria de Administração do Estado, que diz ser essencial para apuração adequada do crédito em tela, é mister ressaltar que a escolha do órgão a ser fiscalizado está dentro de uma política de planejamento fiscal, atividade discricionária, a cargo da Administração Pública Federal. Não há, em conseqüência, qualquer óbice em se promover, por questões de conveniência e oportunidade, a inspeção, em um mesmo ente federativo, de uma dada secretaria em detrimento de outra. De qualquer sorte, a impugnante poderia, como integrante do Governo Estadual, demandar junto à. citada Secretaria de Administração ou outro órgão do Executivo estadual, eventual documentação comprobatória de sua adimplência em relação ao credito em discussão e trazêla aos autos, não havendo expressa necessidade de se entabular fiscalização em órgão distinto do demandado. Não restou, assim, demonstrada a real necessidade de se efetivar fiscalização em outra secretaria, que não a inspecionada, motivo pelo qual se rejeita seu pleito na matéria e refutase prescindível a perícia requestada, mesmo porque não foram elaborados quesitos, nem apontado perito, considerandose, em Fl. 1562DF CARF MF 8 conseqüência, como não formulado o mencionado pedido, consoante regramento plasmado no § 1°, do art. 16, do Decreto 70.235/72, com a redação dada pela Lei n.° 8.748/93. Em face das razões expendidas e tendo em vista que o sujeito passivo não se desincumbiu de comprovar os fatos que sustenta como fundamentos à sua pretensão, mantenho a exigência fiscal. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário e, no mérito, NEGOLHE PROVIMENTO. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto. Fl. 1563DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.914191/2012-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/05/2003 a 31/05/2003
RESTITUIÇÃO. REQUISITO.
O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN).
Numero da decisão: 3201-003.842
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/05/2003 a 31/05/2003 RESTITUIÇÃO. REQUISITO. O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN). Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório METROBENS AUTOMÓVEIS LTDA. apresentou pedido eletrônico de restituição de crédito da contribuição (Cofins/PIS), pedido esse que restou indeferido pela repartição de origem em razão do fato de que o pagamento informado pelo pleiteante já havia sido utilizado para quitação de outros débitos de sua titularidade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 91 41 91 /2 01 2- 06 Fl. 50DF CARF MF Processo nº 10980.914191/201206 Acórdão n.º 3201003.842 S3C2T1 Fl. 3 2 Cientificado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu a reavaliação do despacho decisório, alegando, aqui apresentado de forma sucinta, o seguinte: a) o direito creditório pleiteado se refere a pagamento a maior da contribuição (PIS/Cofins) decorrente da inclusão indevida do ICMS em sua base de cálculo; b) a contribuição (PIS/Cofins) incide sobre o faturamento mensal que corresponde à receita bruta da venda de mercadorias e/ou serviços; c) a Lei nº 9.718/1998 extrapolou a previsão constitucional, instituindo as contribuições sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente do tipo de atividade exercida e/ou da classificação contábil adotada, enquanto que o art. 195, I, "b", da Constituição Federal previa a instituição de contribuições sociais somente sobre o faturamento, o que não abrange o valor pago a título de ICMS, visto que tal valor constitui ônus fiscal e não faturamento. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, por meio do acórdão nº 12 076.729, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, diante da não comprovação do crédito pleiteado. Irresignado, o contribuinte interpôs, no prazo legal, Recurso Voluntário, repisando os mesmos argumentos de defesa, destacando a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição (PIS/Cofins), conforme decisão do Plenário do Supremo Tribunal Federal proferida no dia 8 de outubro de 2014, nos autos do Recurso Extraordinário (RE) nº 240.7852/MG, que também reconheceu a repercussão geral da matéria no julgamento do RE nº 574.706. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.778, de 20/06/2018, proferido no julgamento do processo 10980.912250/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.778): O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A Recorrente apresentou PER/DCOMP por meio do qual requereu a restituição da Cofins apurada em novembro de 2006. Indeferido o pleito ao argumento de que o crédito vindicado estava integralmente utilizado para quitação de débitos do próprio contribuinte, Fl. 51DF CARF MF Processo nº 10980.914191/201206 Acórdão n.º 3201003.842 S3C2T1 Fl. 4 3 a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, por meio da qual alegou, com fundamento em decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal STF, que o direito à restituição decorre do fato do pagamento a maior do PIS/Cofins, em face da inclusão, nas suas respectivas bases de cálculos, do ICMS estadual, argumento repetido no recurso voluntário, ora apreciado. A Recorrente, contudo, não se atentou para o fato – devidamente explicitado no acórdão recorrido – de que a razão para o indeferimento do pedido repousou na utilização integral do crédito para pagamento de débito da mesma contribuição. Noutras palavras, a Recorrente sequer apresentou, antes ou após a ciência do Despacho Decisório (na verdade, nada falou a respeito em suas defesas), DCTF retificadora para permitir a liberação do valor requerido, se fosse o caso, e a sua restituição em pecúnia ou a sua compensação com outros tributos. Ainda que eventualmente seja procedente o argumento que embasa o pedido (isso não significa que concordemos com a tese), a Administração Tributária não podia e não pode restituir valor já alocado para quitação de um tributo. Quem deve fazêlo é o próprio contribuinte, de ordinário antes de apresentar o pedido eletrônico de restituição. É como, aliás, entende a própria RFB, como indica o Parecer Normativo Cosit nº 2, de 28 de agosto de 2015: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido Fl. 52DF CARF MF Processo nº 10980.914191/201206 Acórdão n.º 3201003.842 S3C2T1 Fl. 5 4 objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Dispositivos Legais. arts. 147, 150, 165 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); arts. 348 e 353 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil (CPC); art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984; art. 18 da MP nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001; arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010; Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012; Parecer Normativo RFB nº 8, de 3 de setembro de 2014. eprocesso 11170.720001/201442 Portanto, para que haja a possibilidade de restituição, o crédito respectivo deve estar liberado, mediante a entrega de DCTF retificadora, exceto quanto às hipóteses de impedimento à sua apresentação, não verificadas, aliás, no caso ora em exame, como, por exemplo, quando o saldo a pagar já tenha sido enviado à Procuradoria da Fazenda Nacional PFN para inscrição em Dívida Ativa. Não cabe, ademais, à RFB fazer a retificação de ofício. Como consignado nos fundamentos do referido PN, "enquanto não retificada a DCTF, o débito ali espontaneamente confessado é devido, logo, valor utilizado para quitálo não se constitui formalmente em indébito, sem que a recorrente promova a prévia retificação da declaração. (Acórdão nº 1302001.571, Rel. Cons. Alberto Pinto Souza Júnior, 25 de novembro de 2014)". A situação aqui enfrentada é, como se percebe, diferente da que comumente se vê no Contencioso Administrativo, em que o interessado costuma apresentar DCTF retificadora, mas não apresenta, na manifestação de inconformidade, documentos contábeis/fiscais Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10980.914191/201206 Acórdão n.º 3201003.842 S3C2T1 Fl. 6 5 comprovando o erro cometido na original, ou os apresenta neste recurso, mas o só fato de a DCTF retificadora ter sido apresentada após a ciência do Despacho Decisório leva a DRJ a manter, por esse só motivo, o indeferimento do pedido de restituição. Não tendo sido apresentada DCTF retificadora, o crédito reclamado continua vinculado ao pagamento confessado na DCTF enviada à RFB, de modo que, nesse contexto, não há como restituílo. Contudo, não foi este o entendimento dos demais integrantes da Turma, que, muito embora também negando provimento ao recurso, fizeramno ao argumento de que não haveria provas do direito reclamado pela Recorrente (apenas apresentou planilha discriminando os valores pleiteados, mas nenhum documento fiscal ou contábil). Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Contribuição para o PIS. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 54DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10950.001910/2005-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2002 Na hipótese dos autos, a atividade alegada no ato de exclusão não pode ser equiparada à atividade de engenheiro, já que não exige habilitação técnica para a sua prestação. Trata-se de atividade de nível técnico, sobre a qual não se aplica a exceção do inciso XIII do art. 9º da Lei nº 9.317/96.
Numero da decisão: 1301-000.617
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, os membros da Turma decidem DAR provimento ao recurso voluntário da contribuinte.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior
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ementa_s : Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2002 Na hipótese dos autos, a atividade alegada no ato de exclusão não pode ser equiparada à atividade de engenheiro, já que não exige habilitação técnica para a sua prestação. Trata-se de atividade de nível técnico, sobre a qual não se aplica a exceção do inciso XIII do art. 9º da Lei nº 9.317/96.
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Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Anocalendário: 2002 Na hipótese dos autos, a atividade alegada no ato de exclusão não pode ser equiparada à atividade de engenheiro, já que não exige habilitação técnica para a sua prestação. Tratase de atividade de nível técnico, sobre a qual não se aplica a exceção do inciso XIII do art. 9º da Lei nº 9.317/96. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, os membros da Turma decidem DAR provimento ao recurso voluntário da contribuinte. (assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Presidente (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr. Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri e Guilherme Pollastri Gomes da Silva (Suplente Convocado). Fl. 1DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 18/07/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE, Assinado digitalmente em 21/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima identificada contra decisão proferida pela 2ª Turma da DRJ de Curitiba/PR. Verificase que a recorrente, mediante o Ato Declaratório Executivo DRF/MGA n0 528.386/04 (fls. 17 e 34), foi excluída do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte — Simples, com efeitos a partir de 01/01/2002, por incorrer na vedação prevista no art. 90, inciso XIII, da Lei n° 9.317/96, ante a constatada prática da atividade de instalação, reparação e manutenção de máquinas e aparelhos de refrigeração e ventilação de uso industrial. Consta dos autos ainda, que a recorrente foi intimada (fl. 34) e apresentou Solicitação de Revisão da Exclusão do Simples (fls. 16) sendo julgada improcedente pela Sacat da DRF/Maringá, ao entendimento de que o objeto social descrito no contrato social da recorrente consistia na atividade de indústria e comércio de móveis para refrigeração, máquinas e equipamentos e prestação de serviços de reparação dos mesmos sendo atividade vedada ao Simples em face de caracterizar exercício de serviços profissionais de engenheiro. Ciente do indeferimento (fl. 32), a recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 01 – 03), alegando em resumo que no cadastro do CNPJ havia informado o código CNAEFiscal 29246/02 (instalação, reparação e manutenção de máquinas e aparelhos de refrigeração e ventilação de uso industrial) como atividade econômica, mas, posteriormente, verificou inexistir tal código e solicitou alteração de sua atividade para o CNAEFiscal 29246/00 (Fabricação de máquinas e aparelhos de refrigeração e ventilação de uso industrial), ocorrendo que a Receita Federal negou a solicitação e manteve a atividade de instalação, sem que houvesse motivo para tanto, sustentando ainda, que o CNAEFiscal 2924/600 refletiria corretamente sua atividade de indústria e comércio. A 2ª Turma da DRJ de Curitiba/PR, nos termos do acórdão e voto de folhas 53 a 65, indeferiu a solicitação ao fundamento de que a recorrente exercia atividade vedada na opção pelo Simples. Devidamente notificada (fl. 67), a contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 69 – 85), aduzindo que a Fiscalização empregou analogia para excluirlhe do SIMPLES, porquanto valeuse da expressão “serviços assemelhados”, sendo tal prática vedada na interpretação da legislação tributária. No mérito, argumentou a recorrente que a realização de serviço de instalação e manutenção de aparelhos de refrigeração (atividade considerada para os fins da exclusão) não necessita e nem exige profissional legalmente habilitado (engenheiro), pugnando por provimento do seu Recurso Voluntário e a consequente insubsistência da exclusão. É o relatório. Voto Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr., Relator Fl. 2DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 18/07/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE, Assinado digitalmente em 21/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10950.001910/200547 Acórdão n.º 130100.617 S1C3T1 Fl. 2 3 O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Apresentase para julgamento situação em que o contribuinte optante pelo SIMPLES foi excluído do dito sistema por meio de Ato Declaratório no qual se constata a prática de atividade vedada ainda na vigência da Lei nº 9.317/96. Com efeito, a recorrente foi excluída pelo fato de apresentar em seu contrato social, objeto consistente na instalação e manutenção de aparelhos de refrigeração, entendendo a Fiscalização e a decisão recorrida, que a contribuinte teria incidido na prática de atividade incompatível com a opção pelo regime simplificado, vedação essa, contida no artigo 9º, inciso XIII da Lei 9.317/96, porquanto a mesma atividade configuraria serviço privativo de profissional de engenharia. O contribuinte desde os primitivos arrazoados que apresentou, tem sustentado que não exercia atividade típica de engenheiro, eis que suas atividades seriam de instalação e manutenção de aparelhos de refrigeração. Da análise dos autos e em cotejo da legislação vigente à época, reproduzida em termos coincidentes na superveniente Lei Complementar, observase que o Recurso Voluntário merece ser provido, porquanto sabidamente o rol do inciso XIII do artigo 9º da revogada Lei 9.317/96, dizia respeito a profissões regulamentadas, em que a sociedade estivesse voltada à prestação de serviços para contratação em razão da qualificação técnica do profissional ou do seu especial talento. Indiscutivelmente esse é o desiderato da impossibilidade de opção pelo regime em comento, reprisada no artigo 17 da Lei Complementar nº 123/06. Assim o fez o legislador, por entender que os profissionais liberais possuem qualificação especial, não estando sujeitos ao impacto do domínio de mercado das grandes empresas, nem constituiriam, em satisfatória escala, uma grande fonte de geração de empregos, enfim, suas atividades não se equiparam com as de uma microempresa, ainda que muito se assemelhem. Nesse sentido, o Supremo Tribunal Federal, ao apreciar a Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 1.643/DF, antes da revogação pela lei complementar, reconheceu a constitucionalidade do artigo 9º da Lei nº 9.317/96, dandolhe interpretação conforme a Constituição, compatibilizandoo com o princípio da isonomia tributária. Transcrevo, por oportuno, trecho do voto proferido pelo eminente Ministro Maurício Correa, que esclarece o critério de adotado pelo referido dispositivo legal para discriminar entre os prestadores de serviços e os profissionais liberais, para efeito de enquadramento no SIMPLES, litteris: (...) Com efeito, especificamente quanto ao inciso XIII do citado art. 9º, não resta dúvida que sociedades civis de prestação de serviços profissionais relativos ao exercício de profissões legalmente regulamentada não sofrem impacto do domínio de mercado pelas grandes empresas; não se encontram, de modo substancial, inseridas no contexto da economia informal; em razão do preparo científico, técnico e profissional dos seus sócios, estão em condições de disputar o mercado de trabalho, sem assistência do Estado; não constituiriam, em satisfatória Fl. 3DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 18/07/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE, Assinado digitalmente em 21/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 escala, fonte de geração de empregos se lhes fosse permitido optar pelo 'Sistema Simples'. Conseqüentemente, a exclusão do "Simples", da abrangência dessas sociedades civis, não caracteriza discriminação arbitrária, porque obedece critérios razoáveis adotados com o propósito de compatibilizálos com o enunciado constitucional. Não há falarse, pois, em ofensa ao princípio da isonomia tributária,visto que a lei tributária – e esse é o caráter da Lei nº 9.317/96 – pode discriminar por motivo extrafiscal entre ramos de atividade econômica, desde que a distinção seja razoável, como na hipótese vertente, derivada de uma finalidade objetiva e se aplique a todas as pessoas da mesma classe ou categoria. A razoabilidade da Lei nº 9.317/96 consiste em beneficiaras pessoas que não possuem habilitação profissional exigida por lei, seguramente as de menor capacidade contributiva e sem estrutura bastante para atender a complexidade burocrática comum aos empresários de maior porte e aos profissionais liberais. Essa desigualdade factual justifica tratamento desigual no âmbito tributário, em favor do mais fraco, de modo a atender também à norma contida no § 1º do art. 145 da Constituição Federal, tendose em vista que esse favor fiscal decorre do implemento da política fiscal e econômica, visando o interesse social. Portanto é ato discricionário que foge ao controle do Poder Judiciário, envolvendo juízo de mera conveniência e oportunidade do Poder Executivo. (...) (meus os grifos e as supressões) Assim, a razoabilidade da lei, consiste em beneficiar as pessoas que não possuem habilitação profissional exigida, seguramente as de menor capacidade contributiva e sem estrutura bastante para atender a complexidade burocrática comum aos empresários de maior porte e aos profissionais liberais, tudo visando favorecer a empregabilidade e extirpar a informalidade das micro e pequenas empresas. Necessário, portanto, deixar assentado que o fato de a lei não incluir no regime de tributação nominado SIMPLES os profissionais elencados no inciso XIII, do artigo 9º é por entender que estes, dado a sua especialidade técnica e atividade genuinamente própria, não contribuiriam para aumentar os empregos formais, tampouco, necessitariam de estímulo do estado. Divergências ideológicas a parte, essa a sistemática da lei em trato. Na hipótese em exame, o Cartão do CNPJ (fl. 04) demonstra que sua atividade principal consiste na instalação, reparação e manutenção de máquinas e aparelhos de refrigeração e ventilação de uso industrial. Em prejuízo do que se afirmou na decisão recorrida, observo que a atividade alegada no ato de exclusão e acima estratificada no objeto social da recorrente, não pode ser equiparada à atividade de engenheiro, tampouco a Fiscalização comprovou que essas atividades exijam, efetivamente, conhecimentos técnicos privativos de profissional de engenharia ou que a recorrente mantenha em seus quadros de empregados profissionais que detenham inscrição no CREA. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 18/07/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE, Assinado digitalmente em 21/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10950.001910/200547 Acórdão n.º 130100.617 S1C3T1 Fl. 3 5 Tratase inegavelmente, ao ponto de o senso comum evidenciar, de atividade de nível técnico, motivo pelo qual, voto no sentido de DAR provimento ao Recurso Voluntário, para os fins de considerar a atividade desenvolvida pela recorrente passível de enquadramento no regime do SIMPLES. Sala das Sessões, em 30 de junho de 2011 (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 18/07/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE, Assinado digitalmente em 21/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10880.660289/2012-58
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/06/2012
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE.
Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade.
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA.
Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
Numero da decisão: 3401-004.693
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Rosaldo Trevisan Presidente e Relator (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 66 02 89 /2 01 2- 58 Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10880.660289/201258 Acórdão n.º 3401004.693 S3C4T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado. Relatório Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra não homologação de compensação declarada por meio eletrônico (PER/DCOMP), relativamente a um crédito de Cofins, que teria sido recolhido a maior no período de apuração. O Despacho Decisório da DERAT/SÃO PAULO, não homologou o pedido de compensação, sob o fundamento de que, embora localizado o pagamento que deu origem ao suposto crédito original de pagamento indevido ou a maior, o mesmo estava à época do encontro de contas integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados. Notificada da decisão a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade. A DRJ Ribeirão Preto julgou improcedente a impugnação por unanimidade de votos, mantendo o crédito tributário devido. A empresa apresentou recurso voluntário onde somente alega que apesar de ter protestado em sede de impugnação pela falta de motivação do indeferimento no despacho decisório, o acórdão recorrido não demonstrou a motivação, que os atos administrativos devem ser motivados para não ter cerceado seu direito de defesa, não apresentando provas do seu direito. É o relatório. Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10880.660289/201258 Acórdão n.º 3401004.693 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.681, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.660277/201223, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.681): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. A recorrente protesta pela falta de motivação do despacho decisório que indeferiu o seu pedido de compensação. Entendo que o despacho decisório cumpre os requisitos legais e possui todo o escopo necessário ao exercício do contraditório e da ampla defesa pelo contribuinte. Nele está inscrito o enquadramento legal da autuação: Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Também nele encontrase a fundamentação da decisão, ficando claro que o crédito indicado foi localizado, mas já havia sido utilizado para quitação de outros débitos do contribuinte: A análise do direito creditório está limitada ao valor do "crédito original na data de transmissão" informado no PER/DCOMP, correspondendo a 4.812,66. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Entendo que o prejuízo, se havido, foi provocado pelo próprio contribuinte que deixou de apresentar provas que indicassem que era portador do crédito alegado. Ademais, como bem demonstrado no acórdão recorrido, o crédito já havia sido utilizado e alocado, e apesar de ser o único DARF pago pela empresa no ano de 2012, o mesmo foi utilizado em 193 pedidos de compensação. Esse procedimento utilizado pelo contribuinte, de alocar o mesmo crédito a várias Dcomps enseja a cominação de prestação de informação falsa à RFB já que há um campo na PER/DCOMP onde é perguntado se aquele Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10880.660289/201258 Acórdão n.º 3401004.693 S3C4T1 Fl. 5 4 crédito já foi informado em outro PER/DCOMP e o contribuinte respondeu “NÃO” em todas as declarações. Por ser extremamente didático, reproduzo o acórdão recorrido, em sua íntegra, para que não haja dúvidas quanto as suas conclusões que acompanho: Em preliminar, não merece acolhida a alegação de nulidade do Despacho Decisório, vez que o mesmo apresenta de forma clara e precisa o motivo da não homologação da compensação, qual seja, a inexistência de crédito disponível para a compensação dos débitos informados na DCOMP. O Despacho Decisório preenche todos os requisitos formais e materiais para sua validade, contendo todos os elementos necessários ao exercício do direito de defesa do contribuinte, trazendo em seu bojo, ainda que de forma sintética, a fundamentação legal, a identificação da declaração de compensação enviada pela empresa, a data da transmissão, o tipo de crédito, as características do DARF apontado pela empresa na DCOMP, bem como o período de apuração a que se refere. Por outro lado, os motivos da nãohomologação residem nas próprias declarações e documentos produzidos pela contribuinte. Estas são, portanto, a prova e o motivo do ato administrativo, não podendo a interessada alegar que os desconhecia. Importante fixar que a DCOMP se presta a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro, a quem cabe, portanto, a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. Encontradas conforme, sobrevém a homologação confirmando a extinção. Não confirmadas as informações prestadas pelo declarante, o inverso se verifica. No caso, a contribuinte declarou um débito e apontou um documento de arrecadação como origem do crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte foi realizada também de forma eletrônica, tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, nos sistemas da Receita Federal, embora localizado o DARF do pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente foi totalmente utilizado e alocado aos débitos informados em DCTF, não restando dele o saldo apontado na DCOMP como crédito. Assim, não padece de nulidade o despacho decisório proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pôde exercer o contraditório e a ampla defesa e Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10880.660289/201258 Acórdão n.º 3401004.693 S3C4T1 Fl. 6 5 onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. O débito declarado e pago encontrase em conformidade com a correspondente DCTF, a qual tem seus efeitos determinados pelo § 1º do artigo 5º do Decreto lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, entre eles o da confissão da dívida e o condão de constituir o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco. Quando da transmissão e da análise do PER/DCOMP em tela, o crédito efetivamente não existia, pois o pagamento efetuado estava integralmente alocado ao débito declarado pela própria contribuinte em sua DCTF. Assim sendo, na data da transmissão do PER/ DCOMP a interessada não era detentora de crédito líquido e certo, condição sem a qual não há direito à restituição ou compensação. E não tendo o interessado trazido elementos hábeis a desconstituir a confissão do débito que fez na DCTF, inexiste razão para se reconhecer o pleiteado direito creditório relativo a pagamento pretensamente maior do que o devido, referente ao período de apuração. O extrato abaixo é a DCTF retificadora ativa da contribuinte, referente ao tributo e período em análise. Repare que a contribuinte declara um débito de COFINS em junho de 2012 no valor de R$ 29.148,73 e vincula ao débito um pagamento de R$4.985,20. No quadro abaixo, podemos verificar que o referido pagamento vem de um DARF de R$5.083,90, composto de um valor principal (R$4.985,20) mais multa por atraso (R$98,70). Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10880.660289/201258 Acórdão n.º 3401004.693 S3C4T1 Fl. 7 6 Por sinal, esse foi o único DARF de Cofins pago em 2012 pela empresa, conforme demonstra o extrato abaixo. Impende salientar que, sobre esse alegado crédito de R$ 5.083,90, a contribuinte solicita a homologação de nada menos que 193 pedidos de compensação, todos do mesmo período (2º trimestre de 2012), com mesmo vencimento em 31/07/2012 que, somados, resultam em um valor de R$ 948.369,76, conforme relação abaixo dos processos de PER/DCOMP para o mesmo DARF. .... Agrava o fato de tentar utilizar mais de uma vez o mesmo crédito a prestação de informação falsa, pois no PER/DCOMP há um campo onde é perguntado se aquele crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior já foi informado em outro PER/DCOMP, ao que o contribuinte respondeu “Não” em todos os PER/DCOMP, em infração ao inciso II do § 1º do art. 45 da IN/SRF 1.300, de 20 de novembro de 2012. Pelo exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e no mérito por negarlhe provimento. Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10880.660289/201258 Acórdão n.º 3401004.693 S3C4T1 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 81DF CARF MF
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Numero do processo: 13709.000381/93-83
Turma: Primeira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2001
Ementa: IPI — O valor tributável é o preço da operação na forma da lei em
vigor O artigo 15, II, "b" da Lei n° 4.502/64 fixa um limite inferior, que só é aplicável na impossibilidade de se determinar o preço praticado na operação de venda.
Recurso negado
Numero da decisão: CSRF/02-01.015
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Marcos Vinicius Neder de Lima
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CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA TURMA Processo n° 13708.000381/93-83 Recurso n° RD/201-0.,341 Matéria IPI Recorrente NOVATRON S/A Recorrida PRIMEIRA CÂMARA DO SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Interessada FAZENDA NACIONAL Sessão de 20 DE FEVEREIRO DE 2001 Acórdão n° CSRF/02-01 015 IPI — O valor tributável é o preço da operação na forma da lei em vigor O artigo 15, II, "b" da Lei n° 4.502/64 fixa um limite inferior, que só é aplicável na impossibilidade de se determinar o preço praticado na operação de venda Recurso negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por NOVATRON S/A ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado 7,-- 218, y,.....,„---- ON PEREIRA Re ro "IGUES, PRESIDENT ) /, _ MARCGS/ NICIUS NEDER DE LIMA RELATOR 1 FORMALIZADO EM 09A13P 2001 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES, JORGE FREIRE, SÉRGIO GOMES VELLOSO, DALTON CÉSAR CORDEIRO DE MIRANDA, OTACÍLIO DANTAS CARTAXO e FRANCISCO MAURÍCIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA Processo n° 13708000381/93-83 Acórdão n° CSRF/02-01 015 Recurso n° RD/201-0,341 Interessada FAZENDA NACIONAL RELATÓRIO A matéria discutida no presente feito versa sobre a exigência de Imposto sobre Produtos Industrializados relativa aos períodos de apuração dos anos de 1990, 1991 e 1992, decorrente do lançamento insuficiente do imposto relativo calculado com base em 70 °Á) do preço da operação de vendas a varejo A Fazenda sustenta que o valor tributável é o valor da operação como previsto no artigo 63 do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (RIPI/82). Pela decisão consubstanciada no Acórdão n 2 201-69.975, de 17/10/95, a Primeira Câmara negou provimento ao recurso por maioria de votos, nos seguintes termos: "IPI - Admite-se o crédito na aquisição de insumos, uma vez comprovado que houve apenas erro escritural. Indevido o crédito na entrada de bens de importação própria destinados ao ativo. Na hipótese de que tais bens saiam em operação tributada, o crédito deve ser lançado nessa ocasião, Inexistência de prova dos fatos alegados em defesa. O valor tributável é o preço da operação, na forma da lei em vigor. Não tem aplicação a norma inscrita no artigo 15, II, 'b", da Lei n° 4,502/64, que diz respeito a valor mínimo e somente rege, desde a introdução do Decreto-Lei n° 400/66, as operações referidas no artigo 16 da mesma lei Os juros calculados pela TRD somente são devidos relativamente ao período que medeou de 0202, a 29 08.91. Recurso parcialmente provido," Objetivando a reforma julgado em epígrafe, a contribuinte recorre à instância superior. Aduz que a decisão recorrida diverge da decisão constantes nos Acórdãos n° CSRF/02-0.202 e n° 201-63.411, os quais reconhecem a vigência dos 2 Processo n° 13708000381/93-83 Acórdão n° CSRF/02-01 015 arts 15, II, b e 16 da Lei n° 4502/64.. Os acórdãos trazidos como paradigmas têm as seguintes ementas "IPI - BASE DE CÁLCULO - SAÍDAS POR LOCAÇÃO - I) Não havendo preço por atacado do produto ou similar, o valor tributável nas saídas por locação será de 70% do preço de venda a varejo, 'ex-vi' dos arts 15, II, b e 16 da Lei n° 4.502/64,. II) Compõe a base de cálculo, nesta hipótese, a parcela que integra o preço de venda, tomado como base, a título de ICM Caso concreto em que se exclui do objeto do recurso especial por não se ter quebrado a unanimidade da decisão recorrida, no particular Recurso especial negado" (Acórdão n° CSRF 02-0 202) "IPI - Valor tributável de bens locados pelo produtos quando inexiste o preço corrente dos produtos ou similares no mercado atacadista. Vigência do art, 15, II, "h" da lei 4 502/64 e inteligência do parágrafo único do art.. 44 do RIPI/79 Improcedente o lançamento do MI calculado sobre 100% do preço de venda a varejo. Recurso provido, por maioria de votos," (Acórdão n° 201-63 411) Mediante o Despacho de 33 de julho de 1998 (fls. 856/858), a Presidência da Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes recebeu o recurso especial interposto pela contribuinte, vez que devidamente revestido dos requisitos de admissibilidade exigidos pela Portaria n 2 55/98 Às fls 294/311, a Douta Procuradoria da Fazenda Nacional apresenta suas contra-razões ao recurso interposto pela empresa, reiterando, em síntese, os argumentos da decisão recorrida É o relatório 3 Processo n° • 13708000381/93-83 Acórdão n° : CSRF/02-01.015 VOTO Conselheiro MARCOS VINICIUS NEDER DE LIMA, Relator. O Recurso Especial da interessada atendeu aos pressupostos para a sua admissibilidade. O apelo merece se conhecido. Cuida-se da definição do valor tributável de Imposto sobre Produtos Industrializados nas operações de venda a varejo. A recorrente defende ser indevida a exigência, porquanto utilizou-se da regra do artigo 15 da Lei n° 4.502/64, que determina a adoção do valor tributável de 70% do preço da operação para as vendas a varejo por empresa industrial. Por outro lado, a decisão recorrida sustenta que a regra do r. artigo é apenas um limite inferior e não o valor tributável na operação. O valor tributável é o preço da operação nas vendas a consumidor efetuadas pelo próprio fabricante. O deslinde dessa controvérsia, a meu ver, foi muito bem conduzida no aresto guerreado pelo voto condutor do Ilustre Conselheiro-relator Sergio Gomes Veloso, que adoto e transcrevo, a saber "Quanto ao valor tributável nas vendas a varejo pelo produtor, a matéria foi já objeto de vários pronunciamentos, tanto deste Colegiado quanto da Egrégia Câmara Superior de Recursos Fiscais, sempre no sentido de que o Decreto-Lei n° 400/68 não revogou o artigo 15, inciso II, alínea "b", da Lei n° 4.502/64, Nesse rumo, o Acórdão n° 201-63,411 e o Acórdão CSRF n° Ocorre que esse dispositivo legal perdeu sentido no que concerne às vendas efetuadas a varejo pelo fabricante, restando-lhe apenas o conteúdo normativo para as hipóteses regidas pelo artigo 16, que a ele se reporta . Com efeito, diz a regra, in verbis: 4 Processo n° 13708000381/93-83 Acórdão n° CSRF/02-01 015 "Art, 15 - O valor tributável não poderá ser inferior ( .) II - a 70% (setenta por cento) do preço de venda aos consumidores, não inferior ao previsto no inciso anterior ( ,) b - quando o produto for vendido a varejo pelo próprio estabelecimento produtor' A norma invocada pela recorrente, portanto, fixa um limite e não o valor tributável na operação O seu objetivo era regular uma situação que não mais remanesce no nosso ordenamento . à época, os fabricantes que efetuavam vendas a varejo eram obrigados a uma série de procedimentos cautelares e ocorria o fato gerador da obrigação tributaria principal no momento em que os bens eram transferidos para a seção de varejo, ocasião em que não se tinha ainda o preço de venda a que se destinavam Assim, a regra do artigo 15, II, "b", fixava que o valor tributável mínimo seria de 70% do preço que o fabricante adotava nas vendas a consumidor Com o advento do Decreto-lei n° 400/68, não mais se caracteriza o fato gerador daquelas transferências e, consequentemente, não tem mais sentido a regra para as vendas efetuadas pelo fabricante. Com efeito, a lei é taxativa ao estipular que o valor tributável é o preço da operação, e este preço, nas vendas a consumidor efetuadas pelo próprio fabricante, é superior ao limite eleito ao inciso II, alínea "b", do artigo 15 " Ressalte-se, ainda, que na decisão paradigma discute-se o valor tributável de bens locados pelo produtor quando inexiste o preço corrente dos produtos ou similares no mercado atacadista Ou seja, a decisão aplicou o valor mínimo previsto no artigo 15, II, "b" (70%) na hipótese em que não havia o efetivo preço da operação Esta não é, porém, situação evidenciada nos autos, onde é possível determinar o preço real da operação nas vendas efetuadas a consumidor 5 Processo n° 13708 000381/93-83 Acórdão n° CSRF/02-01 015 Ante o exposto, acompanho a decisão recorrida e nego provimento ao recurso especial Sala das Sessões '1 F,720 de fevereiro de 2001 .„ MARCO I (/' IUS NEDER DE LIMA 6 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1
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