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Numero do processo: 10840.902821/2010-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
Pagamento Indevido. Direito de Crédito. ônus da Prova.
Nos pedidos de restituição e nos casos de declaração de compensação, o ônus da prova do indébito é do contribuinte.
Numero da decisão: 1301-003.237
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007 Pagamento Indevido. Direito de Crédito. ônus da Prova. Nos pedidos de restituição e nos casos de declaração de compensação, o ônus da prova do indébito é do contribuinte.
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DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. Nos pedidos de restituição e nos casos de declaração de compensação, o ônus da prova do indébito é do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rothschild. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 90 28 21 /2 01 0- 24 Fl. 270DF CARF MF Processo nº 10840.902821/201024 Acórdão n.º 1301003.237 S1C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso interposto por HOSPITAL SÃO FRANCISCO SOCIEDADE EMPRESÁRIA LIMITADA, pessoa jurídica já qualificada nos autos, contra a decisão da DRJ, que negou provimento à manifestação de inconformidade da recorrente, mantendo o despacho decisório da DRF Ribeirão Preto. No referido despacho decisório, a autoridade administrativa não reconheceu a existência do crédito pleiteado pela recorrente e, assim, deixou de homologar a compensação declarada em dcomp. A decisão fundouse no argumento de que, embora tendo sido encontrado o DARF, o pagamento já estava inteiramente utilizado para quitar outro débito da própria recorrente, não remanescendo qualquer valor. Na manifestação de inconformidade, a recorrente alegou que, em procedimento de auditoria interna, constatouse a ocorrência de recolhimento de tributo superior ao devido, em face da majoração da base de cálculo. Tal fato deu ensejo à compensação realizada em dcomp. A DRJ, entretanto, alegando que o direito não tinha sido demonstrado e que não havia certeza, nem liquidez do crédito pleiteado, negou provimento à manifestação de inconformidade. Não resignada, a contribuinte interpôs recurso, trazendo os mesmos argumentos expostos perante o órgão de primeira instância. Reiterou que a causa do indébito foi erro na base de cálculo do IRPJ: "... em procedimento de auditoria e verificação interna da apuração dos tributos, constatouse que o Recorrente recolheu a maior o tributo em questão, face a majoração da base de cálculo. Este fato ensejou a compensação realizada via PER/DCOMP ( ...), visando a quitação dos débitos do IRPJ vincendo." Frisou a recorrente que o direito estaria comprovado pelas declarações retificadoras, que, para todos os fins, substituem as originais. Aduziu que, se as declarações retificadoras tivessem sido analisadas, não existiria motivo para não se homologar a compensação. Com esses fundamentos, pugnou pela reforma da decisão recorrida, para reconhecer o direito ao crédito e homologar a compensação. Subsidiariamente, requereu a conversão do julgamento em diligência, para exame dos documentos contábeis que acompanham o recurso. É o relatório. Fl. 271DF CARF MF Processo nº 10840.902821/201024 Acórdão n.º 1301003.237 S1C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.234, de 26/07/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10840.903677/2009 18, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. O crédito analisado no processo paradigma referese a pagamento indevido ou a maior de IRPJ, relativo ao período de apuração de maio/2006. No presente processo, o direito creditório analisado tem como origem pagamento indevido ou a maior do IRPJ, referente ao período de apuração de 30/04/2006. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301003.234): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. A controvérsia gira em torno da existência do direito creditório oriundo de pagamento parcialmente indevido de IRPJ apurado por estimativa mensal. A DRFRibeirão Preto não homologou a compensação porque o pagamento se encontrava inteiramente alocado a um débito declarado pela própria recorrente. A DRJ, por sua vez, negou provimento à manifestação de inconformidade por falta de comprovação do direito. Nos pedidos de restituição e nas compensações, cumpre ao contribuinte, em primeiro lugar, fazer prova do pagamento, vale dizer, demonstrar que o dinheiro entrou nos cofres públicos. Depois, tem de provar que esse pagamento se fez em desacordo com a legislação aplicável, ou seja, provar que houve erro na apuração do tributo, ou provar que o contribuinte não era o devedor, ou que o Fisco não era o credor. O contribuinte não precisa provar que pagou por erro, nem que o erro era escusável. Basta demonstrar que o pagamento se fez em desacordo com a legislação. No caso em exame, a recorrente limitouse a afirmar que o indébito decorreu de "majoração da base de cálculo". Essa expressão é vaga e comporta inúmeras situações. Pode ser a inclusão de receitas isentas ou imunes, de receitas já tributadas ou passíveis de diferimento; pode ser o registro de meros ingressos de caixa como sendo valor tributável. O erro também pode advir da falta de registro de despesas dedutíveis, além de Fl. 272DF CARF MF Processo nº 10840.902821/201024 Acórdão n.º 1301003.237 S1C3T1 Fl. 5 4 toda sorte de equívocos referentes aos ajustes ao lucro líquido. Em suma, as possibilidade são tantas, que dizer apenas que houve majoração indevida da base de cálculo é quase o mesmo que não dizer nada. Diante dessa imprecisão, tornase ocioso qualquer exame de livros fiscais e contábeis, bem como a determinação de qualquer tipo de diligência, em face da impossibilidade de delimitar o objeto a ser examinado. Ressaltese que a retificação da DCTF, ou de qualquer outra declaração pelo próprio contribuinte, depois de ter sido intimado do despacho decisório, não vale como prova do pretenso direito creditório. Na situação em análise, não há sequer a descrição do fato de que teria se originado o crédito pretendido. A regra básica, em matéria de prova, é a de que aquele que alega o fato tem o ônus de proválo. Portanto, se no auto de infração o ônus da prova é da autoridade fiscal, nos pedidos de restituição e nas compensações o ônus de provar o indébito é daquele que bate às portas do Fisco, reivindicando o direito. Pelo exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, negarlhe provimento." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 273DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.720962/2011-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jul 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/07/2006 a 31/07/2006
MASSA FALIDA. MULTA. ATRASO NA ENTREGA DO DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS - DACON. CABIMENTO.
É cabível a multa pela não entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais - Dacon referente à Massa Falida.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-003.994
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/07/2006 a 31/07/2006 MASSA FALIDA. MULTA. ATRASO NA ENTREGA DO DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS - DACON. CABIMENTO. É cabível a multa pela não entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais - Dacon referente à Massa Falida. Recurso Voluntário Negado
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MULTA. ATRASO NA ENTREGA DO DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS DACON. CABIMENTO. É cabível a multa pela não entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon referente à Massa Falida. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 09 62 /2 01 1- 05 Fl. 41DF CARF MF Processo nº 16327.720962/201105 Acórdão n.º 3201003.994 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de Auto de Infração lavrado para se exigir multa por atraso na entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon). Cientificado, o contribuinte apresentou Impugnação e requereu o cancelamento do auto de infração, alegando o seguinte: a) a decretação da falência de uma empresa afasta o falido da posse de seus bens, passandoos para uma administração forçada destinada a liquidálos em favor dos credores, interrompendose a atividade econômica exercida até então pelo falido, que só poderá ser exercida em casos excepcionais, com as operações sendo lançadas em livros especiais; b) a massa falida não é uma pessoa jurídica, principalmente por não resultar da vontade de qualquer pessoa, sendo a lei, por meio do seu poder de expropriação dos bens do devedor, que, para atingir efeitos práticos, mantém todos os credores reunidos em uma massa subjetiva, sem, contudo, personalizála; c) por não ser pessoa jurídica e nem praticar qualquer atividade econômica é que a Massa Falida não pode, a princípio, ser sujeito passivo de obrigações tributárias; d) as atividades próprias da Administração da Massa Falida são a arrecadação e a realização dos ativos. bem como o pagamento aos credores, não produzindo nenhuma disponibilidade patrimonial, pois é a liquidação dos bens do devedor uma manifestação do Poder Público, designadamente uma execução coletiva; e) não há absolutamente nada em um processo falimentar que possa gerar resultados próprios de uma atividade empresarial, sendo inconsistente a exigência de apresentação de dados voltados à apuração de lucro e de base para uma contribuição social; f) diferentemente das empresas em atividade, a Massa Falida não vende bens e não presta serviços, ou seja, não aufere resultados operacionais e nem tampouco resultados não operacionais, já que, fundamentalmente, o movimento mais exaurível é do próprio Estado quando adota medida de execução dos bens do devedor; g) extraordinariamente, pode concluir a administração da Massa Falida uma operação transacional, sendo apenas nos casos anormais que seria válido o argumento previsto na lei de tributar as entidades submetidas a falência, ou seja, nessas circunstâncias particulares, durante o período necessário para a realização dos seus ativos em que vier a ser praticada uma operação, um fato econômico gerador de receita, arrimado em um negócio jurídico; h) a não ser que seja dado continuidade às operações do objeto social da sociedade falida pelo Administrador Judicial, inconcebível exigir qualquer obrigação tributária, sob pena de violação da Constituição Federal; i) com o encerramento das atividades da empresa falida, não há meios de se fitar um resultado como efeito decorrente da execução dos bens do devedor pelo Estado; Fl. 42DF CARF MF Processo nº 16327.720962/201105 Acórdão n.º 3201003.994 S3C2T1 Fl. 4 3 j) a Massa na promoção de sua função, não adquire disponibilidade de acréscimo patrimonial, sendo absurdo obrigar a massa falida , a cada ato do Estado que realiza um ativo com a finalidade de satisfazer o direito dos credores, a recolher impostos que tem como fato gerador resultados positivos, receitas ou acréscimo patrimonial; k) seria uma ofensa ao artigo 153, III, da Constituição Federal se a execução dos bens do devedor fosse considerada como fato gerador de impostos; l) a venda de bens do ativo não acarreta acréscimo patrimonial para os credores e muito menos acréscimo patrimonial para o falido, sendo sua realização revertida exclusivamente para reparar os danos da insolvência do devedor; m) à luz do artigo 60 da Lei nº 9.430/1996, a verificação de eventual lucro tributável, se existir, ocorreria apenas com o encerramento do processo falimentar. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, por meio do acórdão nº 16 038.646, julgou improcedente a Impugnação sob os seguintes fundamentos: 1) a apresentação do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon fora do prazo fixado enseja a cobrança da multa prevista na legislação pertinente; 2) as entidades submetidas aos regimes de liquidação extrajudicial e de falência (massa falida) sujeitamse às mesmas regras de incidência dos tributos e contribuições aplicáveis às pessoas jurídicas em geral, inclusive no que se refere à obrigatoriedade de apresentação de declarações e demonstrativos, enquanto perdurarem os procedimentos para a realização de seu ativo e o pagamento do passivo. Irresignado, o contribuinte interpôs, no prazo legal, Recurso Voluntário, repisando os mesmos argumentos de defesa e arguindo que a decisão recorrida era equivocada em relação ao contido no § 2º do art. 146 do RIR/99 e que não tinha aplicação o contido na Instrução Normativa SRF nº 590/2005. É o relatório. Fl. 43DF CARF MF Processo nº 16327.720962/201105 Acórdão n.º 3201003.994 S3C2T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.988, de 21/06/2018, proferido no julgamento do processo 16327.720956/201140, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.988): Não obstante os argumentos expendidos em sede recursal, razão não assiste à recorrente. Perfilho o entendimento de que as massa falidas não estão desobrigadas ao cumprimento das obrigações acessórias tributárias. Entendimento diverso seria permitir que as massas falidas simplesmente deixassem de cumprir com obrigações legalmente estatuídas. O Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais DACON tratase de um demonstrativo instituído com fundamento no art. 7º da Lei nº 10426/2002, com a redação dada pela Lei nº 11051/2004. O dispositivo legal em comento apresenta a seguinte redação: "Art. 7o O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de nãoapresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (...) III de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante da Cofins, ou, na sua falta, da contribuição para o PIS/Pasep, informado no Dacon, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo;" Constatase, então, que a obrigação acessória em apreço possui previsão legal. Estabelece a Instrução Normativa SRF n° 590, de 22 de dezembro de 2005, vigente à época dos fatos, nos arts. 2º e 8º: Fl. 44DF CARF MF Processo nº 16327.720962/201105 Acórdão n.º 3201003.994 S3C2T1 Fl. 6 5 "Art. 2º A partir do anocalendário de 2006, as pessoas jurídicas de direito privado e as que lhes são equiparadas pela legislação do Imposto de Renda, submetidas à apuração da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), nos regimes cumulativo e nãocumulativo, inclusive aquelas que apuram a Contribuição para o PIS/Pasep com base na folha de salários, deverão apresentar o Dacon Mensal, de forma centralizada pelo estabelecimento matriz, caso esta seja a periodicidade de entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 708, de 09 de janeiro de 2007) § 1º As pessoas jurídicas não enquadradas no caput deste artigo poderão optar pela entrega do Dacon Mensal. § 2º A opção de que trata o § 1º será exercida mediante apresentação do primeiro Dacon, sendo essa opção definitiva e irretratável para todo o ano calendário que contiver o período correspondente ao demonstrativo apresentado. § 3º No caso de ser exercida a opção de que trata o § 1º com a apresentação de Dacon relativo a mês posterior ao primeiro mês de 2006, a pessoa jurídica ficará obrigada à apresentação dos demonstrativos relativos aos meses anteriores. § 4º Na hipótese de que trata o § 3º, será devida a multa pelo atraso na entrega de Dacon referente a mês anterior ao da opção, no caso de apresentação após o prazo fixado." "Art. 8º O Dacon deverá ser apresentado: I pelas pessoas jurídicas de que trata o art. 2º, até o quinto dia útil do segundo mês subseqüente ao mês de referência; II pelas demais pessoas jurídicas: a) até o quinto dia útil do mês de outubro de cada anocalendário, no caso de Dacon relativo ao primeiro semestre; e b) até o quinto dia útil do mês de abril de cada anocalendário, no caso de Dacon relativo ao segundo semestre do anocalendário anterior. § 1º Excepcionalmente, em relação ao anocalendário de 2006, a obrigatoriedade de entrega do Dacon, nos prazos estabelecidos nos incisos I e II deste artigo, vigorará a partir do período em que os respectivos programas geradores forem disponibilizados, na forma do art. 7º. § 2º No caso de extinção, incorporação, fusão, cisão parcial ou cisão total, o Dacon deverá ser apresentado pela pessoa jurídica extinta, incorporada, incorporadora, fusionada ou cindida o último dia útil do mês subseqüente ao do evento, observada a excepcionalidade do § 1º deste artigo. § 3º A obrigatoriedade de entrega do Dacon, na forma prevista no § 2º, não se aplica à incorporadora nos casos em que as pessoas jurídicas, incorporadora e incorporada, estejam sob o mesmo controle societário desde o anocalendário anterior ao do evento." No caso dos autos não existe controvérsia acerca dos fatos, no sentido de que o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais – Dacon foi entregue fora do prazo, o que torna cabível a aplicação da multa legalmente prevista. Fl. 45DF CARF MF Processo nº 16327.720962/201105 Acórdão n.º 3201003.994 S3C2T1 Fl. 7 6 O entendimento do Conselho Administrativo e Recursos Fiscais CARF é no sentido de ser devida a multa pelo atraso na entrega do DACON. Neste sentido, temse os seguintes julgados: "ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2010 DACON. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. CABIMENTO. Irreparável lançamento que exige multa pelo atraso na entrega do Dacon quando se comprova que o contribuinte estava a ela obrigada e que ele foi entregue intempestivamente, em especial se, em sede de Recurso, não há apresentação e qualquer prova em sentido contrário." (Processo nº 16327.002626/200369; Acórdão nº 3802003.388; Relator Conselheiro Bruno Maurício Macedo Curi; Sessão de 24/07/2014) "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2010 ANÁLISE CONSTITUCIONALIDADE DE LEI. SÚMULA CARF Nº 2 Ao CARF incumbe a análise em conformidade com a legislação vigente, sendolhe defeso afastar a aplicação da norma ao caso concreto em face de alegada inconstitucionalidade de lei ou decreto (Súmula Carf nº 2). ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2010 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS DACON O cumprimento da obrigação acessória fora dos prazos previstos na legislação tributária, sujeita o infrator à aplicação das penalidades legais. Recurso Voluntário Negado." (Processo nº 10242.000337/201016; Acórdão nº 3302002.666; Relatora Conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó; Sessão de 24/07/2014) "ASSUNTO: MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. Exercício: 2008 Estando o contribuinte obrigado a apresentar o Dacon, a sua entrega fora do prazo enseja a aplicação da multa por descumprimento de obrigação acessória." (Processo nº 13227.000945/200884; Acórdão nº 3202001.224; Relator Conselheiro Luiz Eduardo Garrossino Barbieri; Sessão de 29/05/2013) Embora não tenha sido alegado pela recorrente, perfilho o entendimento de que não é o caso de aplicação das Súmulas 192 e 565 do Supremo Tribunal Federal STF a seguir transcritas, pois se assim o fosse, as massas falidas estariam desoneradas do cumprimento de obrigações acessórias, tais como a entrega de declarações, informações e demonstrativos. "Súmula 192 Não se inclui no crédito habilitado em falência a multa fiscal com efeito de pena administrativa." Fl. 46DF CARF MF Processo nº 16327.720962/201105 Acórdão n.º 3201003.994 S3C2T1 Fl. 8 7 "Súmula 565 A multa fiscal moratória constitui pena administrativa, não se incluindo no crédito habilitado em falência." Vejase que, ambas as súmulas, tratam da habilitação da multa aplicada como crédito na falência, o que não impede o seu lançamento, até pelo fato de tal atividade ser vinculada e obrigatória, como prescreve o art. 142 do Código Tributário Nacional, verbis: "Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional." Assim, somente no processo falimentar, se habilitado o crédito pelo ente credor contra a massa falida, é possível afastar tal parcela. Especificamente, em relação ao cumprimento das obrigações acessórias por parte das massas falidas, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF assim se posiciona sobre o tema: "MULTA – ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO – DECADÊNCIA – INOCORRÊNCIA. A jurisprudência desse e. Conselho de Contribuintes acolhe a tese de que o Lançamento de Multa por atraso na entregada da Declaração tem seu prazo decadencial regido pelo art. 173, I do CTN e não pelo art. 150, §4º do CTN. MASSA FALIDA MULTA – ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO – CABIMENTO. É cabível a multa pela não entrega da Declaração de Imposto de Renda referente à Massa Falida. MULTA – ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO – REDUÇÃO – MICROEMPRESA LEI Nº 10.426/2002 – APLICAÇÃO RETROATIVA – ART. 106, I DO CTN. Para Microempresas, o art. 7º, §3º, I da Lei nº 10.426/2002, estabeleceu em R$ 200,00 o valor da multa no caso de atraso na entrega da Declaração de Imposto de Renda, o que pode ser aplicado, inclusive, retroativamente, por força do art. 106 do CTN." (Processo nº 10675.001779/200352; Acórdão 10708.355; Relator Conselheiro Octávio Campos Fischer; Sessão de 10/11/2005) "MULTA – ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO – DECADÊNCIA – INOCORRÊNCIA. A jurisprudência desse e. Conselho de Contribuintes acolhe a tese de que o Lançamento de Multa por atraso na entregada da Declaração tem seu prazo decadencial regido pelo art. 173, I do CTN e não pelo art. 150, §4º do CTN. MASSA FALIDA MULTA – ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO – CABIMENTO. É cabível a multa pela não entrega da Declaração de Imposto de Renda referente à Massa Falida." (Processo nº 10675.001791/200367; Acórdão 10708.362; Relator Conselheiro Octávio Campos Fischer; Sessão de 10/11/2005) Fl. 47DF CARF MF Processo nº 16327.720962/201105 Acórdão n.º 3201003.994 S3C2T1 Fl. 9 8 Em recente julgado de relatoria do Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, deliberouse pela manutenção da multa contra massa falida. A decisão está ementada nos seguintes termos: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/03/2003 MULTA DE MORA. EXIGIBILIDADE DIANTE DE MASSA FALIDA. As multas fiscais, ainda que não possam ser reclamadas em processos de falência em vista do art. 23, III, da Lei 7.661/88 em seu período de vigência, devem ser lançadas de ofício, por força do § único do art. 142 do CTN, e da independência dos respectivos trâmites processuais. Recurso Voluntário Negado" (Processo nº 13005.720005/200739; Acórdão 3301003.449; Relator Conselheiro Marcelo Giovani Vieira; Sessão de 26/04/2017) Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário interposto. Importa registrar que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 48DF CARF MF
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Numero do processo: 10680.928387/2011-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Apr 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 1997
COMPENSAÇÃO. RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO.
As quantias recolhidas a título de tributo administrados pela RFB, na hipótese de pagamento indevido ou a maior, são restituíveis ou compensáveis. Todavia, não se caracteriza como pagamento indevido o recolhimento de estimativa mensal efetuado no exato valor do débito apurado na DIRPJ.
Numero da decisão: 1401-002.455
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, negar provimento ao recurso nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga e Luiz Rodrigo De Oliveira Barbosa.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO. As quantias recolhidas a título de tributo administrados pela RFB, na hipótese de pagamento indevido ou a maior, são restituíveis ou compensáveis. Todavia, não se caracteriza como pagamento indevido o recolhimento de estimativa mensal efetuado no exato valor do débito apurado na DIRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, negar provimento ao recurso nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga e Luiz Rodrigo De Oliveira Barbosa. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 92 83 87 /2 01 1- 73 Fl. 114DF CARF MF Processo nº 10680.928387/201173 Acórdão n.º 1401002.455 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de acórdão proferido pela 2ª Turma da DRJ/BHE que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade e manteve o despacho decisório. O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório emitido eletronicamente referente a PER/DCOMP. A Declaração de Compensação foi gerada pelo programa PER/DCOMP transmitida com o objetivo de ter reconhecido o direito creditório, correspondente a CSLL, recolhido em 24/04/2001 e de compensar o(s) débito(s) discriminado(s) no referido PER/DCOMP. De acordo com o Despacho Decisório a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresenta manifestação de inconformidade, alegando o que se segue: O crédito pleiteado tem como origem pagamento de CSLL, referente ao período de apuração de maio de 1997, realizado em razão da apuração por estimativa do regime de tributação pelo Lucro Real. Ao final do ano, apurou o saldo negativo e os valores recolhidos tornaramse indevidos e passíveis de compensação. Afirma que sua DIPJ foi homologada pela RFB, ficando evidente que a apuração do saldo negativo de CSLL abrangeu todos os recolhimentos por estimativa realizados. Acrescenta que a apuração de saldo negativo, por si só, gera o direito à compensação realizada, razão pela qual deve ela ser totalmente homologada. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente uma vez que os recolhimentos foram efetuados exatamente nos valores dos débitos apurados, não caracterizando a existência de pagamento indevido ou a maior. Inconformada apresentou Recurso Voluntário com vistas a obter a reforma do julgado para o reconhecimento do seu saldo creditório de CSLL. É o relatório do essencial. Fl. 115DF CARF MF Processo nº 10680.928387/201173 Acórdão n.º 1401002.455 S1C4T1 Fl. 4 3 Tabela do plano Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.433, de 13/04/2018, proferida no julgamento do Processo nº 10680.907763/201196, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. O processo paradigma analisou a possibilidade de utilização de crédito relativo a pagamento indevido de CSLL estimativa mensal, referente ao período de apuração de setembro/1997, para compensação com débitos do contribuinte. O presente processo tratase de pedido de compensação de crédito relativo a pagamento indevido de CSLL estimativa mensal, do período de apuração de maio de 1997, com débitos do contribuinte. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.433): "O recurso é tempestivo e apresentam os demais requisitos de admissibilidade, por isso, dele conheço. O Acórdão DRJ entendeu que não houve, em relação ao pedido de restituição original, a homologação tácita do direito creditório nele envolvido, como sustenta a Impugnante. Isso porque não existe para o pedido de restituição nenhum prazo legal para a homologação do correspondente crédito, por parte da Fazenda Pública. O que se tem, no § 5º, do art. 74, da Lei nº 9.430, de 1996 (com redação da Lei n° 10.833, de 2003), é que: “o prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação”. Ou seja, a lei prevê prazo de homologação para a compensação, e não para o crédito objeto de pedido de restituição. Vale lembrar, nesse sentido, que somente a lei é quem pode determinar prazo limite para que o interessado (seja contribuinte ou fisco) aja, por si só, no sentido de constituir o seu direito. E, como já se viu, o que há é o prazo legal para que o sujeito passivo exerça o seu direito de pleitear restituição de suposto crédito (art. 168, do CTN), mas não para que a fazenda o homologue expressamente. Entretanto, como contraponto disso, a lei impôs à Fazenda Pública o prazo de 5 (cinco) anos para homologar, ou não, expressamente a compensação declarada pelo sujeito passivo. Ocorreu, então, que o contribuinte, valendose do mesmo crédito que suponha possuir, enviou, 2007, DCOMP, para quitar débitos. Logo, o prazo de homologação dessa compensação contra a Fazenda Pública teve início em 2007; e o termo final seria em 2012. Portanto, em data posterior à do despacho decisório. Fl. 116DF CARF MF Processo nº 10680.928387/201173 Acórdão n.º 1401002.455 S1C4T1 Fl. 5 4 Preliminar homologação tácita. A princípio, esclareço que, no que diz respeito possibilidade da ocorrência de homologação tácita de Declaração de Compensação protocolizada em 30/03/2001, portanto anterior a Lei 10.833/03, adoto os fundamentos de precedente recente da 3a. Turma da CSRF, no sentido de que nos pedidos de compensação pendentes de apreciação pela Autoridade Administrativa, convertidos em declarações de compensação, por força da Lei nº 10.637/2002, a ciência da decisão que não homologa a compensação deve ser efetuada antes do prazo de cinco anos, a contar da data da entrega da declaração de compensação. De maneira que, tendo transcorrido este prazo, homologase tacitamente a compensação declarada, sendo definitivamente extintos os débitos tributários ali contemplados, independentemente da existência ou suficiência dos direitos creditórios. Referido Acórdão n. 9303003.900, proferido em 19/05/2016, restou assim ementado: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/1999 EMENTA: DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Estabelecese como tacitamente homologada a compensação objeto de pedido de compensação convertido em declaração de compensação que não seja objeto de despacho decisório proferido no prazo de cinco anos, contado da data do protocolo do pedido, considerandose pendente de decisão administrativa a Declaração de Compensação, o Pedido de Restituição ou o Pedido de Ressarcimento em relação ao qual ainda não tenha sido intimado o sujeito passivo do despacho decisório proferido pela Autoridade competente para decidir sobre a compensação, a restituição ou o ressarcimento. Recurso Especial do Procurador Negado. Contudo, no caso em questão, os requisitos para reconhecimento da homologação tácita, não encontramse preenchidos, pois conforme descrito minuciosamente conforme relatado. Mérito. Quanto ao mérito, o acórdão DRJ restou fundamentado na inexistência de crédito recolhido indevidamente ou a maior a ser compensado. Na sua manifestação de inconformidade, o contribuinte alega, genericamente, que o seu crédito originouse de um pagamento a maior realizado em 24/04/2001, referente à CSLL (cód. 2484), cujo período de apuração era 01/09/1997. Por sua vez, a Declaração de Compensação aqui analisada indica, como origem do crédito, pagamento indevido ou a maior, discriminando DARF utilizado no recolhimento de estimativa Como se verifica, os recolhimentos foram Fl. 117DF CARF MF Processo nº 10680.928387/201173 Acórdão n.º 1401002.455 S1C4T1 Fl. 6 5 efetuados exatamente nos valores dos débitos apurados (o suposto crédito postulado no presente processo referese ao período de apuração 01/09/1997). Portanto, não se caracterizou a existência de pagamento indevido ou a maior. Inexiste, pois, direito creditório a ser reconhecido para o contribuinte, como pagamento indevido ou maior, uma vez que o pagamento da estimativa foi exatamente igual ao débito apurado. Durante o recurso voluntário, afirma que encerrou o ano de 1997 com prejuízo, contudo ser oferecer maiores elementos em relação esse processo. Por isso, nego provimento ao Recurso. É como voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 118DF CARF MF
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Numero do processo: 10865.003942/2008-99
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2003 a 30/11/2007
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-006.752
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 11242.000598/2009-57, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo.
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2003 a 30/11/2007 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 11242.000598/200957, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício e Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 39 42 /2 00 8- 99 Fl. 262DF CARF MF Processo nº 10865.003942/200899 Acórdão n.º 9202006.752 CSRFT2 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo. Relatório Contra o contribuinte foi lavrado o presente auto de infração para cobrança de contribuições previdenciárias destinadas à Seguridade Social. Após o trâmite processual, a turma a quo deu provimento parcial ao recurso voluntário do Contribuinte para determinar o recálculo da multa aplicada haja vista alterações promovidas na redação da Lei nº 8.212/1991. Inconformada com o resultado do julgamento, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial cujo objeto é a discussão acerca da aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202006.733, de 19/04/2018, proferido no julgamento do processo 11242.000598/200957, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202006.733): "O recurso preenche os pressuposto de admissibilidade razão pela qual deve ser conhecido. A controvérsia levantada pela Fazenda Nacional é relativa às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: Fl. 263DF CARF MF Processo nº 10865.003942/200899 Acórdão n.º 9202006.752 CSRFT2 Fl. 4 3 I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão n. 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento Fl. 264DF CARF MF Processo nº 10865.003942/200899 Acórdão n.º 9202006.752 CSRFT2 Fl. 5 4 e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499: Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da Fl. 265DF CARF MF Processo nº 10865.003942/200899 Acórdão n.º 9202006.752 CSRFT2 Fl. 6 5 declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para Fl. 266DF CARF MF Processo nº 10865.003942/200899 Acórdão n.º 9202006.752 CSRFT2 Fl. 7 6 as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas Fl. 267DF CARF MF Processo nº 10865.003942/200899 Acórdão n.º 9202006.752 CSRFT2 Fl. 8 7 competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 268DF CARF MF Processo nº 10865.003942/200899 Acórdão n.º 9202006.752 CSRFT2 Fl. 9 8 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional para determinar que a multa seja aplicada nos termos em que fixado pela Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009." Fl. 269DF CARF MF Processo nº 10865.003942/200899 Acórdão n.º 9202006.752 CSRFT2 Fl. 10 9 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, nos termos dos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, voto em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 270DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13836.720016/2012-01
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. DEDUTIBILIDADE.
São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo ano-calendário da obrigação tributária.
Numero da decisão: 2001-000.531
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2010 DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. DEDUTIBILIDADE. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo ano-calendário da obrigação tributária.
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COMPROVAÇÃO. DEDUTIBILIDADE. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo anocalendário da obrigação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 6. 72 00 16 /2 01 2- 01 Fl. 162DF CARF MF 2 Contra o contribuinte acima identificado foi emitida Notificação de Lançamento relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício de 2010, anocalendário de 2009, por meio do qual foram glosadas despesas médicas no valor total de R$ 28.073,91, por falta de comprovação de pagamento, gerando um saldo de imposto de renda suplementar de R$7.192,71, acrescido de multa de ofício e juros de mora. O interessado foi cientificado da notificação e apresentou impugnação de fls 02 e ss, juntando documentos para evidenciar as despesas. Alega, em síntese, que se trata de despesa própria e dependentes, consigna a anexação dos documentos probatórios correspondentes e requer o acolhimento da impugnação. Salienta que é sócio da empresa, que lhe paga prólabore e lucros, dos quais são retidos os valores pagos ao plano de saúde; A DRJ Brasília, na análise da peça impugnatória, manifestou seu entendimento no sentido de que os comprovantes fornecidos e juntados ao processo pelo Contribuinte não comprovam que a despesa com o plano de saúde Porto Seguro foi ônus de fato do impugnante. Em sede de Recurso Voluntário, junta a contribuinte todos os demais documentos necessários para tentar comprovar o quanto alegado. É o relatório. Voto Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Mérito Glosa de despesas médicas Nos termos do artigo 8°, inciso II, alínea "a", da Lei 9.250/1995, com a redação vigente ao tempo dos fatos ora analisados, são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda pessoa física as despesas a título de despesas médicas, psicológicas e dentárias, quando os pagamentos são especificados e comprovados. bLei 9.250/1995: Art. 8°. A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. Fl. 163DF CARF MF Processo nº 13836.720016/201201 Acórdão n.º 2001000.531 S2C0T1 Fl. 3 3 (...) § 2º O disposto na alínea ‘a’ do inciso II: (...) II restringese aos pagamentos feitos pelo contribuinte, relativos ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ou no Cadastro de Pessoas Jurídicas de quem recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento.” O Recorrente apresentou os todos os documentos necessários a comprovar as despesas médicas incorridas por ele relativos a plano de saúde . Salientese que demonstrou atitude colaborativa com as demandas das autoridades fiscais desde sempre. A decisão de primeira instancia sustentou que o Recorrente não comprovou as despesas médicas , nos seguintes termos: “[...] Do exposto, constatase que, para que as despesas médicas constituam dedução, fazse necessária a comprovação mediante documentação hábil e idônea da prestação dos serviços e da efetividade das despesas, limitandose a pagamentos especificados e comprovados. Para tanto, é necessário que o documento comprobatório da despesa contenha a indicação do nome, endereço e número de inscrição no CPF ou no CNPJ de seu emitente, bem como a pessoa beneficiária e a discriminação do tipo de serviço prestado. Cabe ressaltar que é necessária a identificação dos beneficiários das despesas médicas, visto que somente são dedutíveis as despesas médicas próprias e dos dependentes. Para comprovar que os valores pagos ao plano de saúde eram retidos do contribuinte pela Vídeo Comunicações do Brasil Ltda., foi apresentado o Comprovante de Rendimentos de fls. 14, o qual indica que o titular reembolsou a empresa nos seguintes valores a título de Plano de saúde: Beneficiários Vlr R$ Titular 9.225,81 Nice Baumstein 11.699,45 Alex Baumstein 7.148,65 Em que pese o contribuinte tenha juntado o documento de fls. 14, como ele é sócio dessa fonte pagadora, entendo que essa prova não é suficiente para comprovar que o ônus das despesas médicas foi, de fato, do impugnante. Fl. 164DF CARF MF 4 Seria necessário que constasse dos autos a comprovação efetiva do reembolso realizado pelo contribuinte à empresa, como, por exemplo, os registros contábeis da empresa demonstrando que os descontos foram realizados dos rendimentos do interessado. Assim, entendo que permanece a razão da glosa, e, portanto, deve ser mantido o lançamento. [...]” No caso concreto, demonstrase, ao longo do processo, que a autoridade fiscal entende que a documentação apresentada não foi suficiente para comprovar as despesas posto que não foi formada a convicção livre da autoridade fiscal. Neste diapasão, merece trazer à baila o princípio pela busca da verdade material. Sabemos que o processo administrativo sempre busca a descoberta da verdade material relativa aos fatos tributários. Tal princípio decorre do princípio da legalidade e, também, do princípio da igualdade. Busca, incessantemente, o convencimento da verdade que, hipoteticamente, esteja mais aproxima da realidade dos fatos. De acordo com o princípio são considerados todos os fatos e provas novos e lícitos, ainda que não tragam benefícios à Fazenda Pública ou que não tenham sido declarados. Essa verdade é apurada no julgamento dos processos, de acordo com a análise de documentos, oitiva das testemunhas, análise de perícias técnicas e, ainda, na investigação dos fatos. Através das provas, buscase a realidade dos fatos, desprezandose as presunções tributárias ou outros procedimentos que atentem apenas à verdade formal dos fatos. Neste sentido, deve a administração promover de oficio as investigações necessárias à elucidação da verdade material para que a partir dela, seja possível prolatar uma sentença justa. A verdade material é fundamentada no interesse público, logo, precisa respeitar a harmonia dos demais princípios do direito positivo. É possível, também, a busca e análise da verdade material, para melhorar a decisão sancionatória em fase revisional, mesmo porque no Direito Administrativo não podemos falar em coisa julgada material administrativa. A apresentação de provas e uma análise nos ditames do princípio da verdade material estão intrinsecamente relacionadas no processo administrativo, pois a verdade material apresentará a versão legítima dos fatos, independente da impressão que as partes tenham daquela. A prova há de ser considerada em toda a sua extensão, assegurando todas as garantias e prerrogativas constitucionais possíveis do contribuinte no Brasil, sempre observando os termos especificados pela lei tributária. A jurisdição administrativa tem uma dinâmica processual muito diferente do Poder Judiciário, portanto, quando nos depararmos com um Processo Administrativo Tributário, não se deve deixar de analisálo sob a égide do princípio da verdade material e da informalidade. No que se refere às provas, é necessário que sejam perquiridas à luz da verdade material, independente da intenção das partes, pois somente desta forma será possível garantir o um julgamento justo, desprovido de parcialidades. Somase ao mencionado princípio também o festejado princípio constitucional da celeridade processual, positivado no ordenamento jurídico no artigo 5º, inciso LXXVIII da Constituição Federal, o qual determina que os processos devem desenvolverse em tempo razoável, de modo a garantir a utilidade do resultado alcançado ao final da demanda. Fl. 165DF CARF MF Processo nº 13836.720016/201201 Acórdão n.º 2001000.531 S2C0T1 Fl. 4 5 Ratifico, ademais, a necessidade de fundamento pela autoridade fiscal, dos fatos e do direito que consubstancia o lançamento. Tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. Assim sendo, com fulcro nos festejados princípios supracitados, e baseando se na comprovação documental vasta para fins de comprovação de que a despesa médica foi ônus do contribuinte (livro caixa, informe de rendimentos, comprovantes de pagamento), entendo que deve ser DADO provimento ao pedido do Contribuinte e portanto acatada a despesa médica em questão (Porto Seguro – Seguro Saúde S/A. R$ 28.073,91). CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de, CONHECER e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Fl. 166DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16707.006597/2009-25
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/07/2006 a 31/10/2006
NULIDADE DO ACÓRDÃO RECORRIDO. INEXISTÊNCIA.
O julgador não é obrigado a rebater alegações ou analisar documentos não relacionados à matéria da autuação.
DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO.
A autoridade julgadora pode indeferir a perícia que considerar prescindível, e as diligências desnecessárias.
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA
Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo sujeito passivo.
Numero da decisão: 2202-004.554
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rosy Adriane da Silva Dias - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson.
Nome do relator: ROSY ADRIANE DA SILVA DIAS
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/07/2006 a 31/10/2006 NULIDADE DO ACÓRDÃO RECORRIDO. INEXISTÊNCIA. O julgador não é obrigado a rebater alegações ou analisar documentos não relacionados à matéria da autuação. DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. A autoridade julgadora pode indeferir a perícia que considerar prescindível, e as diligências desnecessárias. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo sujeito passivo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente. (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1254; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 225 1 224 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16707.006597/200925 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202004.554 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 03 de julho de 2018 Matéria OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrente CONSTRUTORA A GASPAR S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/07/2006 a 31/10/2006 NULIDADE DO ACÓRDÃO RECORRIDO. INEXISTÊNCIA. O julgador não é obrigado a rebater alegações ou analisar documentos não relacionados à matéria da autuação. DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. A autoridade julgadora pode indeferir a perícia que considerar prescindível, e as diligências desnecessárias. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente. (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 70 7. 00 65 97 /2 00 9- 25 Fl. 225DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o acórdão nº 1135.328, proferido pela 7a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife/PE, que julgou procedente o lançamento, mantendo a cobrança do crédito tributário. Pela clareza, reproduzo o relatório do acórdão recorrido, na parte anterior à decisão da DRJ/REC: Temse em discussão. Auto de Infração AI lavrado para imposição de penalidade por descumprimento da obrigação prevista no art. 33, §§ 2o e 3o, da Lei 8.212/1991, com redação da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, c/c o art. 233, parágrafo único, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/1999. Segundo o relatório de fls. 2, após constatar que as Notas Fiscais n° 001701, 001749 e 001751 não constavam no Livro de Prestação de Serviço, o auditor autuante intimou o contribuinte autuado a apresentálas, contudo, até o final do procedimento fiscal, não houve a exibição delas. O autuado também deixou de apresentar as seguintes folhas de pagamento: CEI 50.01488346/75: 01/0005 a 12/2005 (incluindo décimo terceiro salário); CEI 50.01958931/76: 08/0005 a 12/2005 (incluindo décimo terceiro salário); CEI 50.02077490/74: 11/0005 a 12/2005 (incluindo décimo terceiro salário); e CEI 50.02037627/79: 10/0005 a 12/2005 (incluindo décimo terceiro salário). A multa foi aplicada nos termos dos arts. 92 e 102, da Lei 8.212/1991, c/c os arts. 283, inciso II, alínea "j", e 373 do RPS. 0 autuado apresentou impugnação, fls. 82/136, arguindo, em síntese, que a penalidade aplicada decorre, exclusivamente, do julgamento da procedência do processo 16707.006588/200934, pelo que transcreve a impugnação deste processo, na qual afirma: I IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. BASES DE CÁLCULO NÂO RELACIONADAS AOS FATOS GERADORES. INCERTEZA E ILIQUIDEZ DO LANÇAMENTO. FATOS Fl. 226DF CARF MF Processo nº 16707.006597/200925 Acórdão n.º 2202004.554 S2C2T2 Fl. 226 3 GERADORES EQUIVOCADOS. CERCEAMENTO DO DIREITO DE AMPLA DEFESA As três notas fiscais citadas pelo autuante foram contabilizadas. A falta de contabilização das folhas de pagamentos referida é apenas para o ano de 2005, estando, portanto, o ano de 2006 em ordem, sendo descabido, para este ano, o arbitramento. Não foram explicitados no Relatório Fiscal os percentuais e a natureza das bases de cálculo arbitradas, não havendo indicação dos percentuais utilizados para cada obra, bem como dos documentos fiscais que embasaram o arbitramento. Requer, em preliminar, que seja determinada a elaboração de demonstrativos nos quais fiquem evidenciadas, obra a obra, a natureza de cada base de cálculo, a documentação pertinente e as alíquotas aplicadas. Só foram levados em consideração os créditos de determinada obra (cita como exemplo a obra 50.019.64708/77) do mês em que houve lançamento, desprezando os demais créditos, requerendo a revisão do lançamento em relação a todas as obras neste aspecto. A fiscalização apontou a não contabilização das folhas de pagamento das obras MS002, RJ033, RJ035 e RJ034 apenas no ano de 2005, pelo que se pode afirmar que somente existiram irregularidades nessas obras e no ano de 2005, requerendo a improcedência do arbitramento para as demais obras, no ano de 2005, e em relação a todo ano de 2006. As receitas devem ser contabilizadas quando o serviço for prestado, independentemente, de ter sido ou não emitida a nota fiscal respectiva. A fiscalização aponta os fatos geradores as receitas dos meses 09/2005, 12/2005, 01/2006 e 12/2006, enquanto, por exemplo, as NF 001674 e 001677, emitidas em 09/2005, os serviços foram prestados em janeiro/2005 e em fevereiro/2005 (cita também as NF 1702, 1703, 1704, 1705, 1706, 1707, 1708, 1709, 1710, 1719, 1718, 1750, 1797), contrariando o regime de competência. II IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO RELATIVO ÀS DIFERENÇAS ENTRE GFIP E CONTABILIZAÇÃO DOS SALÁRIOS. Não existem as diferenças consignadas pela auditoria fiscal, pois não foi levado em consideração o fato de que, nas rescisões de contrato de trabalho, existem verbas sobre as quais não incide contribuição previdenciária. Conforme documentos anexos (Obra 50.00400328/71, DOC n° 01 Obra 50.01695806/75, DOC n° 02 Obra 50.019647008/77, DOC n° 03 Obra 50.02340802/70, DOC n° 04 Obra 50.02077490/74, DOC n° 05 Obra 50.02358653/78, DOC n° 06 Obra 50.01958931/76, DOC n° 07 Obra 50.016917/76, DOC n° 09), verificase que existem verbas (saláriofamília, férias Fl. 227DF CARF MF 4 indenizadas e respectivo 1/3 constitucional) não sujeitas à contribuição previdenciária. Quanto à obra 50.02037627/79, RJ034, (sic) registrou a Auditora: CÓDIGO 50.020.37627/79 SC 011 Não conseguimos entender essa incorreção, porquanto a matrícula n° 50.02037627/79 se refere às OBRA RJ034. E, em relação à Rf033. não existem as diferenças citadas no Relatório da Auditora, às fl. 1J6, conforme planilha, fichas do Razão, Folhas de pagamento, rescisões contratuais. GPS, todas anexadas (DOC. N°08). III IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. ACRÉSCIMOS LEGAIS INDEVIDOS. A auditoria fiscal, em seu relatório, apontou que as GPS de código 263 1 tinham, no campo de incidência, data diversa da real, conforme demonstrativo, tendo recolhido o principal, mas, em função do erro das datas, sem os acréscimos devidos. Não há qualquer irregularidade, em relação a estas datas, como pode ser comprovado através dos registros do Livro Diário, anexos. Requer realização de diligência. IV IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. CORRETA CONTABILIZAÇÃO DAS NOTAS FISCAIS. Houve a contabilização das NF 22939 (folha 237 do Diário, no valor de RS 661,86), 18892 (folha 237 do Diário, no valor de R$ 609,23) e 094 (folha 478 do Diário, no valor de R$ 14.734,00. Em relação à NF 18982, citada como sendo de R$ 14.734,00, é, na verdade, NF de prestação de serviço de corte e dobra de ferro, no valor de R$ 609,23, não sujeita a retenção. V COBRANÇA INDEVIDA. ITEM 7, FLS. 121/122. Houve retenção e recolhimento, em relação a (sic): CASAMATA COM. SER. LTDA: Através da NF 115, emitida em 1/4/2005, foi retida a quantia de RS 209,00. cujo recolhimento se verificou mediante GPS. N Fiscal e GPS esteio sendo anexadas, como prova; MENDONÇA E MENDONÇA: Sobre a Nota Fiscal n" 257, emitida em 21/3/2005, não foi efetuada retenção de INSS. Aquela empresa pagou à previdência social, sobre o valor dessa Nota. U B MOTA FILHO: estamos anexando a GPS, no código 2631, de RS 206.80. relativa ao INSS incidente sobre a NP' que ora juntamos como prova. Estamos anexando a documentação retro referenciada (DOC. N° 11). Requer a exclusão das quantias lançadas de forma indevida. Vi IMPROCEDÊNCIA COBRANÇA INSS SOBRE FATURAS UNIMED. Fl. 228DF CARF MF Processo nº 16707.006597/200925 Acórdão n.º 2202004.554 S2C2T2 Fl. 227 5 A cobrança de 15% de INSS sobre valor de serviços prestados por cooperativa (UNIMED) é indevida, pois que a esta não é cooperativa de trabalho. VII FALTA DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS NO "RADA" REFERENTE AO ESTABELECIMENTO 08.323.347/000187. Em relação ao estabelecimento 08.323.347/000187, a fiscalização listou GPS pagas com valores incorretamente apurados, conforme quadro de fls. 113/114 e 115, pelo que requer a retificação. VIII AUSÊNCIA DE DETALHAMENTO DAS ORIGENS DAS BASES DE CÁLCULO DO LEVANTAMENTO CON SALÁRIOS ADMINISTRATIVOS DO ESTABELECIMENTO 08.323.347/000187. As diferenças apontadas entre os valores dos livros Diário 2005 e 2006 e não se referem ao estabelecimento 08.323.347/000187, pois que nenhuma foi solicitada no TIF n° 3. Ainda assim, no DD e no RL surgem cobranças no levantamento CON em relação ao dito estabelecimento, pelo que requer o saneamento do jeito, com o detalhamento dos valores lançados, a confrontação com a documentação anexada e a emissão de relatório conclusivo, conforme art. 60, parágrafo único, do Decreto 70.235/72, a fim de se estabelecer o contraditório e a ampla defesa. Anexa documentação comprobatória em relação ao estabelecimento 08.323.347/000187 (DOC n° 12). IX FALTA DE APROPRIAÇÃO DE INSS RETIDO PELA FONTE PAGADORA. A fiscalização deixou de computar no RADA créditos correspondentes aos valores do INSS retidos pela fonte pagadora, bem como sobre serviços de subempreiteiros, relativamente aos CEI: 50.02077490/74; 50.02037627/79;50.01958931/76; 50.02358653/78; 50.01695806/75; 50.02340802/70; 50.01693906/71; e 50.01964708/77. Ressalta, ainda, em relação ao CEI 50.01958931/76, que, na competência 10/2006, houve lançamento com base de cálculo no valor de R$ 95.485,28, contudo, não existiria nota fiscal emitida nesta competência relativa a esta obra. Em relação aos CEI 50.02358653/78, 50.01695806/75, deixaram de ser computados os recolhimentos referentes ao décimo terceiro salário. Foram incluídos, indevidamente, na competência 12/2005, relativamente ao CEÍ 50.01964708/77 (obra PR 033), as quantias de R$ 87.831,17; R$ 187.506,70; R$ 116.096,94; R$ 123.512,15; e R$ 129.495,20, os quais se referem à obra PR 032. Fl. 229DF CARF MF 6 X IMPROCEDÊNCIA DA COBRANÇA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIA INCIDENTE SOBRE A ALIMENTAÇÃO FORNECIDA AOS EMPREGADOS. Contesta cobrança de contribuição previdenciária incidente sobre a alimentação fornecida aos funcionários, pois que a jurisprudência afasta tal incidência (transcreve texto doutrinário), bem como a Lei 6.321 não condiciona o direito (sic) à isenção ao atendimento da formalidade de inscrição no PAT. Também contesta, sem dizer o motivo, a forma de apuração das bases de cálculo das contribuições incidentes sobre tais verbas. XI CABE AO ÓRGÃO PAGADOR A CULPA PELO FATO DE ERRO NO RECOLHIMENTO QUE MOTIVOU A GLOSA DE COMPENSAÇÃO. XII IMPOSSIBILIDADE DE DEFESA EM RELAÇÃO AOS CEI 70.00125497/70 E 70.00125522/75. Não há dados mínimos indispensáveis à defesa. No DD, existem apenas valores, sem referência aos documentos que embasaram a tributação, nem aos percentuais adotados. XIII DO PEDIDO DE REALIZAÇÃO DE DILIGENCIA. Requer a realização de diligência, em função de (sic): 1 Os Autos de Infração lavrados pela fiscalização contêm obscuridade, dúvida e omissão na determinação dos valores lançados, impossibilitando à empresa, o exercido do direito constitucional de ampla defesa, o que somente poderei esclarecido com a realização de diligência; Foram cometidos inúmeros equívocos, por parte da Auditora autuante, que somente poderão ser identificados com a realização da diligência; Créditos foram omitidos do lançamento, fato a ser resolvido com a diligência; A grande quantidade de documentos anexados implica no aprofundamento de sua análise, a cargo do diligenciante. Ainda, indicou quesitos a serem respondidos, a saber (sic): Quesito n° 01: Está correio afirmarse que a fiscalização apontou, como não contabilizadas, apenas, as folhas das Obras MS002. RJ033, RJ034 e lil035 e com relação, apenas, ao ano de 1995? Caso negativo, evidenciar o registro. Quesito n° 02: Relativamente ao ano de 2006, indicar em qual obra não houve a contabilização da folha? Se positivo, indicar asfls. do processo, em que foram consignados. Quesito n° 03: No item 9, contesta a empresa que a fiscalização não expôs, de forma clara, como foram apurados, os valores lançados, ref MOO. Elaborar demonstrativo detalhado, a respeito, indicandose, inclusive, sobre quais fatos foram Fl. 230DF CARF MF Processo nº 16707.006597/200925 Acórdão n.º 2202004.554 S2C2T2 Fl. 228 7 quantificadas as bases de cálculo, quais as deduções, quais as alíquotas aplicadas, obra por obra; Quesito n" 04: o respeito nos intes (sic) 17o 20, verificar a ocorrência c/esses fatos, obra por obra, quantificando os valores não computados e emitir parecer conclusivo, a respeito dos procedimentos da fiscalização, se corretos ou incorretos, justificando a resposta. Quesito n° 05: No tópico II, a empresa contestou as diferenças entre valores contabilizados e GFIPs, anexando vasta documentação comprobatória. Requerse sejam os documentos analisados e elaborado demonstrativo detalhado a respeito da procedência ou não das alegações da defendente, por obra, por cada rescisão e referente a cada documento juntado. Quesito n°06: No DOC. N° 12, a empresa juntou vasta documentação referente a créditos, não computados nos lançamentos, relativos ao Estabelecimento n° 08.323.347/0001 87. Pedese para conferir se os números do quadro do item ¡08 estão corretos ? Se houver alguma divergência, apontálas. detalhadamente. Emitir parecer conclusivo, a respeito do direito da empresa. Quesito n° 07: O mesmo questionamento deve ser efetuado, com relação ao contido no item III. Quesito n° 08: No tópico 1711. a empresa se insurge contra a falta de detalhamento dos valores lançados no titulo CON SALÁRIOS ADMINIS IR. Está correto o acima referido. Em caso negativo, apontar em quais jls. do processo se encontra tal detalhamento. Quesito n° 09: Nos tópicos IX. X. XI XII, XIII XIV, XV, e XVI, a empresa juntou vasta documentação comprobatória sobre os créditos, não computados pela fiscalização, no lançamento relativos a cada obra. Solicitase: a) conferir as planilhas e suas diferenças, através da documentação anexada; b) emitir parecer conclusivo, a respeito do direito da defendente; c) elaborar quadro demonstrativo desses créditos; Quesito n" 10: em relação ao quesito n° 09, pedese sejam elaborados quadros demonstrativos, nos quais fiquem evidenciados, por obra, esses créditos e seus meses de competência; Após realização da diligência, Requer seja cientificada dos seus resultados, para que se estabeleça o contraditório e a ampla defesa. A impugnação da recorrente foi julgada improcedente pela DRJ/REC, cuja decisão teve a seguinte ementa: Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/07/2006 a 31/10/2006 Fl. 231DF CARF MF 8 AUTO DE INFRAÇÃO. DEIXAR DE APRESENTAR DOCUMENTOS. CONEXÃO AO PROCESSO 16707.006588/200934. INEXISTÊNCIA. No processo ¡6707.006588/200934, são apuradas contribuições devidas à seguridade social, utilizandose método de aferição indireta, sem ter, contudo, como fundamento a infração de deixar de matricular obra de construção civil, pelo que o julgamento daquele não refletirá neste e vice e versa. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A contribuinte foi cientificada do Acórdão da DRJ/REC em 22/03/2011. Inconformada com a decisão, postou Recurso Voluntário em 20/04/2014 (fls. 160), repisando os argumentos da impugnação, e ainda nulidade do acórdão recorrido por cerceamento do direito de defesa. É o relatório. Voto Conselheira Rosy Adriane da Silva Dias, Relatora O Recurso Voluntário é tempestivo, e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Das preliminares Da nulidade do acórdão recorrido. Inocorrência Ao longo de todo o recurso voluntário a recorrente alega que teve seu direito de defesa cerceado porque a autoridade julgadora deixou de analisar documentos juntados à impugnação, e por não haver pronunciamento sobre os quesitos apresentados em impugnação. Verifico nos autos que a defesa apenas reproduziu no Recurso Voluntário as alegações apresentadas ao processo nº 16707.006588/200934. Por ter feito o mesmo em relação à impugnação, o julgador a quo entendeu que essas alegações não se aplicariam aos fatos e fundamentos que gerou a infração aqui discutida. Portanto, não vislumbro a alegada nulidade nem cerceamento de direito de defesa. Sem entrar no mérito do acerto ou não das razões do julgador de primeira instância, o acórdão recorrido contém o fundamento necessário que embasou sua decisão, pois aquele ao entender não haver alegações à infração em debate, não teria porque analisar documentos não relacionados à autuação. Da diligência. Perícia A recorrente solicita a realização de diligência, apresentando quesitos. Entretanto, não vejo necessidade para o deferimento. Fl. 232DF CARF MF Processo nº 16707.006597/200925 Acórdão n.º 2202004.554 S2C2T2 Fl. 229 9 Os relatórios da infração, de aplicação da multa e seus anexos (fls. 2/5) detalham de forma clara os critérios considerados para a autuação e cálculo da multa, o que deu à recorrente todas as condições para contestar o lançamento. Por isso, o Auto de Infração apresenta os elementos para formação da convicção do julgador, sendo desnecessária a diligência nesta fase, razão pela qual indefiro o pedido por entendêlo prescindível à solução do litígio. Do mérito Há que se observar que o auto de infração foi lavrado em função de a recorrente ter deixado de apresentar as notas fiscais mencionadas pela auditoria assim como folhas de pagamento das obras. Verificase no recurso voluntário que a recorrente assevera que o julgamento deste processo depende do resultado do julgamento do processo nº 16707.006588/200934, transcrevendo o inteiro teor da impugnação apresentada aquele processo. Primeiramente, adoto como minhas as razões de decidir do acórdão recorrido quanto à inexistência de dependência entre este e o processo citado pela recorrente: [...] a alegação do autuado de que a penalidade aplicada decorre, exclusivamente, do julgamento da procedência do processo 16707.006588/200934, não prospera, haja vista que, no dito processo, também cientificado ao autuado junto com este Al em comentário (vide AR de fls. 76), são apuradas contribuições devidas à seguridade social, utilizandose método de aferição indireta, contudo, sem ter como um de seus fundamentos os fatos descritos na infração em testilha. Não há, portanto, que se falar em dependência do julgamento de um processo ao outro. Ocorre que neste recurso, a defesa não trouxe qualquer alegação em relação ao narrado pelo autuante, quer seja demonstrando ter apresentado os documentos solicitados, quer justificando a não apresentação deles, nem sequer contestou o demonstrativo de folhas de pagamento não contabilizadas, acostadas pela fiscalização (fls. 3/4). Nos termos do artigo 17 do Decreto nº 70.235/72, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal no âmbito da União, consolidase administrativamente a matéria que não tenha sido expressamente impugnada, operandose em relação a ela a preclusão processual: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Em consequência, as matérias que deixaram de ser expressamente questionadas na impugnação não serão objeto de análise, vez que não se tornaram controvertidas. Conclusão Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Fl. 233DF CARF MF 10 (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias. Fl. 234DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.722693/2016-97
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2014
IRPF. DEDUÇÕES. PENSÃO ALIMENTÍCIA. FORMALISMO MODERADO.
Admite-se a dedução na Declaração de Ajuste Anual da pensão alimentícia cuja obrigação foi homologada judicialmente, sendo o valor confirmado em comprovante de rendimentos pagos e retenção de IRF, emitido pela fonte pagadora.
Numero da decisão: 2202-004.545
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias e Waltir de Carvalho.
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson Presidente.
(Assinado digitalmente)
Junia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson.
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1383; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 146 1 145 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10380.722693/201697 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202004.545 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 03 de julho de 2018 Matéria IRPF DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA Recorrente ANTÔNIO CARLOS LIMA DA COSTA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2014 IRPF. DEDUÇÕES. PENSÃO ALIMENTÍCIA. FORMALISMO MODERADO. Admitese a dedução na Declaração de Ajuste Anual da pensão alimentícia cuja obrigação foi homologada judicialmente, sendo o valor confirmado em comprovante de rendimentos pagos e retenção de IRF, emitido pela fonte pagadora. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias e Waltir de Carvalho. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente. (Assinado digitalmente) Junia Roberta Gouveia Sampaio Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 26 93 /2 01 6- 97 Fl. 146DF CARF MF 2 Tratase de lançamento decorrente de procedimento de revisão interna da Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física DIRPF, referente ao exercício de 2014, ano calendário 2013, tendo em vista a dedução indevida de pensão alimentícia judicial e/ou por escritura pública no valor de R$21.963,54. O contribuinte apresentou impugnação, alegando, em síntese: a) O valor contestado seria referente a pagamentos efetuados a título de pensão alimentícia, inclusive a prestação de alimentos provisionais, conforme normas do Direito de Família, em decorrência de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente ou de escritura pública, em caso de divórcio consensual (fls. 02). b) Juntou documentação a fim de corroborar suas alegações, sendo ela composta por: parecer médico (fls. 03), atestado médico (fls. 04), carteira de identidade (fls. 05), comprovante de rendimentos (fls. 06/11), recibos simples (fls. 12/13) e certidão judicial (fls. 14). A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (BA) negou provimento à Impugnação (fls. 39), em decisão cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2013 DEDUÇÕES. COMPROVAÇÃO. As deduções devem ser comprovadas com documentação hábil e idônea. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado, o contribuinte apresentou o Recurso Voluntário (fls. 49/137), no qual requer a juntada, em fase recursal, dos seguintes documentos: a) certidão de objeto e pé no processo judicial referente a ação de alimentos ajuizada por sua ex companheira, mãe de seus três filhos (fls. 53); b) cópia integral da ação de alimentos (fls. 54/137). É o relatório Voto Conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Relatora Fl. 147DF CARF MF Processo nº 10380.722693/201697 Acórdão n.º 2202004.545 S2C2T2 Fl. 147 3 O recurso preenche os pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. A dedução tributária dos gastos incorridos com pensão alimentícia despesas médicas é tratado pelo art. 8º, II, f da Lei nº 9.250/1995, nos seguintes termos: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos àtributação definitiva; II das deduções relativas: (...) f) às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil;(Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) A decisão recorrida manteve a glosa das despesas pagas à título de pensão alimentícia com base nos seguintes fundamentos: Os comprovantes de rendimentos do INSS e da Petros apresentados pelo impugnante (fls. 06 e 10) comprovam apenas a pensão alimentícia de R$ 8.863,47, já acatada pela fiscalização. Apresenta ainda cópia de recibos emitidos por dois de seus filhos, nos valores de R$ 11.985,54 e R$ 11.785,54 (fls. 12/13). Mas o ofício judicial que apresenta (fls. 14) se refere apenas ao desconto da pensão em folha de pagamento. Não foi comprovado assim que os valores atestados em recibos decorrem de sentença, acordo homologado judicialmente ou escritura pública, condição indispensável para a dedutibilidade da pensão no imposto de renda. Considerando que apenas apresentou ofício judicial de 2002 com ordem para o desconto em folha, seria indispensável também que apresentasse certidão de objeto e pé da ação judicial para comprovar quais os beneficiários e qual o valor da pensão em 2013. Por estas razões, voto pela improcedência da impugnação. (grifamos) Do trecho acima transcrito depreendese que o parâmetro basilar da manutenção da glosa em face do Recorrente foi a ausência de comprovação de que “que os valores atestados em recibos decorrem de sentença, acordo homologado judicialmente ou escritura pública, condição indispensável para a dedutibilidade da pensão no imposto de renda”. É bem verdade que tal entendimento se alinha ao que determina a Súmula/CARF 98, qual seja: A dedução de pensão alimentícia da base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Física é permitida, em face das normas do Fl. 148DF CARF MF 4 Direito de Família, quando comprovado o seu efetivo pagamento e a obrigação decorra de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente, bem como, a partir de 28 de março de 2008, de escritura pública que especifique o valor da obrigação ou discrimine os deveres em prol do beneficiário. Para comprovar a legitimidade das deduções realizadas sob a rubrica de pensão alimentícia o Recorrente apresentou ,em sede recursal, os seguintes documentos: a) Homologação, por sentença, do acordo entabulado livremente pelo Recorrente e sua excompanheira, Diuvan Abreu Sousa (fls. 100), no qual restou pactuado que aquele pagaria o montante correspondente a 30% de seus vencimentos e vantagens “aos autores”, se referindo o magistrado aos três filhos do recorrente, conforme a petição inicial da ação de alimentos (fls. 56), então representados genitora Diuvan. b) Ofício nº 032/2012 (fls.113), de 23/03/2012 do Juízo de Direito da 8a. Vara de Família de Fortaleza/CE, endereçado ao Chefe da Divisão de Benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social – INSS , referente à ação de Alimentos dos Requerentes Antônio Carlos Lima da Costa Filho, Lívia Maria Abreu da Costa e Clóvis Sebastião Bessa da Costa Neto, em que são solicitadas providências no sentido de descontar da folha de pagamento do Recorrente o valor correspondente a 30% de seus ganhos líquidos, a título de pensão alimentícia em favor dos aludidos Requerentes, filhos do Recorrente. O artigo 16 §4º do Decreto 70.235/72 determina que "a prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Todavia, esse Conselho, em razão do princípio do formalismo moderado, aplicável aos processos administrativos, tem admitido a juntada de provas em fase recursal como se verifica pelas ementas abaixo transcritas: "IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AUTUAÇÃO POR DEDUÇÃO INDEVIDA DE IMPOSTO RETIDO NA FONTE. COMPROVAÇÃO IDÔNEA EM FASE RECURSAL. ADMITIDA EM HOMENAGEM AO PRINCÍPIO DO FORMALISMO MODERADO.Comprovada idoneamente, por demonstrativos de pagamentos de rendimentos, a retenção de imposto na fonte, ainda que em fase recursal, são de se admitir os comprovantes apresentados a destempo, com fundamento no princípio do formalismo moderado, não subsistindo o lançamento quanto aeste aspecto. Recurso provido" (Ac 2802001.637, 2ª Turma Especial, 2ª Seção, Sessão 18/04/2012). "PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. O art. 16 do Decreto n. 70.235/72 deve ser interpretado com temperamento em decorrência dos demais princípios que informam o processo administrativo fiscal, especialmente instrumentalidade das formas e formalismo moderado. O controle da legalidade do ato de lançamento e busca da “verdade material” alçada como princípio pela jurisprudência dessa Corte impõem flexibilidade na interpretação de regras relativas à instrução da causa, tanto no tocante à iniciativa quanto ao momento da produção da prova. Recurso voluntário Fl. 149DF CARF MF Processo nº 10380.722693/201697 Acórdão n.º 2202004.545 S2C2T2 Fl. 148 5 provido para anular decisão de primeira instância." (Ac 1102 000.859, 1ª Câmara/2ª Turma Ordinária, 1ª Seção, Sessão 09/04/2013). "PEDIDO DE RESTITUIÇÃO / DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRECLUSÃO. APRESENTAÇÃO DE NOVAS PROVAS NO RECURSO VOLUNTÁRIO. POSSIBILIDADE.O art. 16 do Decreto n. 70.235/72, que determina que a prova documental deva ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de se fazêlo em outro momento processual, deve ser interpretado com temperamento em decorrência dos demais princípios que informam o processo administrativo fiscal, tais como o formalismo moderado e a busca da “verdade material”. A apresentação de provas após a decisão de primeira instância, no caso, é resultado da marcha natural do processo, pois, não tendo a decisão de piso considerado suficientes os documentos apresentados pelo contribuinte para a comprovação do seu direito creditório, trouxe ele novas provas, em sede de recurso, para reforçar o seu direito". (Ac 1102001.148, 1ª Câmara/2ª Turma Ordinária, 1ª Seção, Sessão 29/04/2014). Conforme se verifica pela DIRPF (fls. 19) o valor total recebido pelo Recorrente corresponde à R$ 102.756,17. Sendo assim, de acordo com a decisão judicial o valor pago à título de pensão alimentícia corresponderia à R$ 30.827,01. De acordo com a decisão recorrida a autoridade fiscal teria reconhecido à dedutibilidade de R$ 8.863,47, motivo pelo qual, efetou a glosa do valor de R$ 21.963,54 (fls. 23). A comprovação dos valores glosados constariam dos recibos no valor de Apresenta ainda cópia de recibos emitidos por dois de seus filhos, nos valores de R$ 11.985,54 e R$ 11.785,54 (fls. 12/13). A a soma dos recibos (R$ 23.771,08) superam os valores glosados. No entanto, verificase que o valor deduzido à título de pensão alimentícia em sua DIRPF (fls.19) se limitaram à 30% do total dos seus vencimentos. Sendo assim, uma vez que os valores deduzidos à título de pensão alimentícia não desbordam do montante determinado judicialmente entendo satisfatoriamente comprovada a dedução das despesas com pensão alimentícia. Em face do exposto, dou provimento ao Recurso Voluntário. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Fl. 150DF CARF MF 6 Fl. 151DF CARF MF
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Numero do processo: 13951.720365/2012-07
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. RECONHECIMENTO DO DÉBITO.
Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte. Omissão de rendimentos de aluguéis não contestada.
TRIBUTAÇÃO NA FONTE PAGADORA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS ISETOS.
Rendimentos declarados como isentos na Declaração de Ajuste Anual. Valores recebidos acumuladamente não incluídos na base de cálculo da DAA por terem sidos tributados na fonte pagadora. Omissão de rendimentos não constatada porque comprovada a tributação na origem dos recebimentos. Não se considera omissão de rendimentos quando tributados na fonte calculado mês-a-mês e retido o imposto pela fonte pagadora.
Numero da decisão: 2001-000.432
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para excluir do crédito tributário o valor correspondente a R$ 3.808,52 (três mil oitocentos e oito reais e cinquenta e dois centavos), permanecendo o lançamento da parte incontroversa no valor de R$ 1.130,38 (hum mil cento e trinta reais e trinta e oito centavos).
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Jose Alfredo Duarte Filho - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE ALFREDO DUARTE FILHO
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RECONHECIMENTO DO DÉBITO. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte. Omissão de rendimentos de aluguéis não contestada. TRIBUTAÇÃO NA FONTE PAGADORA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS ISETOS. Rendimentos declarados como isentos na Declaração de Ajuste Anual. Valores recebidos acumuladamente não incluídos na base de cálculo da DAA por terem sidos tributados na fonte pagadora. Omissão de rendimentos não constatada porque comprovada a tributação na origem dos recebimentos. Não se considera omissão de rendimentos quando tributados na fonte calculado mêsamês e retido o imposto pela fonte pagadora. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. 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Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação do contribuinte, em razão da lavratura de Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, por omissão de rendimentos de aluguéis e rendimentos tributados na fonte e declarados como isentos na DAA. O Lançamento da Fazenda Nacional exige do contribuinte a importância de R$ 4.938,90, a título de imposto de renda pessoa física suplementar, acrescida da multa de ofício de 75% e, juros moratórios, referente ao anocalendário de 2009. A justificação do lançamento, conforme consta da decisão de primeira instância, aponta como elemento motivador da lavratura o fato de que o Recorrente deveria ter informado na declaração de ajuste os valores recebidos de aluguéis, os recebidos em virtude de reclamatória trabalhista e a compensação de imposto retido na fonte de forma exclusiva. A constituição do acórdão recorrido segue a linha do procedimento adotado na feitura do lançamento, notadamente no que se refere à omissão de rendimentos e sua falta de informação ao Fisco na forma regular e a compensação de imposto retido na fonte pagadora, como segue: Trata o presente lançamento de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica decorrente de ação trabalhista (Proc. nº 615/1997), contra o Banco do Brasil S/A, no valor de R$ 13.849,16, de omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas – aluguéis e outros no valor de R$ 4.110,48 e de compensação indevida de IRRF de R$ 3.108,94, este último, se refere à diferença entre o valor retido e o valor declarado. Conforme descrito no lançamento, as infrações à legislação foram verificadas no ano calendário 2009. Refiro inicialmente ter o contribuinte deixado de contestar à omissão de rendimentos relativa aos aluguéis recebidos de pessoas físicas, declarados em DIMOB pela administradora Investfoz Assessoria Imobiliária Ltda, no valor de R$ R$ 4.110,48. Em razão da ausência de litígio, consolidase administrativamente o crédito tributário na forma disposta no artigo 17, do Decreto n° 70.235/1972, relativamente a este item do lançamento. No tocante ao valor apontado como omitido no lançamento de R$ 13.849,16, originário da ação trabalhista referida anteriormente, entendo que não assiste razão ao contribuinte. A partir dos documentos constantes nos autos, extraídos do processo judicial (cópias), verifico que o valor apontado como omitido teve por origem a ação de reclamação trabalhista, por meio da qual o contribuinte postulou o pagamento de verbas por parte do Banco do Brasil S/A (reclamado), relativas ao período de 09/1987 até o seu desligamento ocorrido em 01/10/1996 (fls. 40). Conforme verifico, o contribuinte na petição inicial do processo judicial, anexada às autos às fls. 09, no item intitulado “Contrato de Trabalho e Rescisão”, assim refere: Fl. 196DF CARF MF Processo nº 13951.720365/201207 Acórdão n.º 2001000.432 S2C0T1 Fl. 196 3 O Reclamante foi contratado para prestar serviços ao Reclamado em "13 de fevereiro de 1.976", ocasião em que manifestou a opção pelo regime do Fundo de Garantia do Tempo do Serviço (FGTS), tendo seu desligamento ocorrido, por aposentadoria p/ invalidez, no dia "01 de outubro de 1.996". Por ocasião de seu desligamento, ficou pendente do pagamento de vários de seus direitos trabalhistas, sobre os quais passaremos o discorrer nos itens seguintes, razão pela qual vem em busca da tutela jurisdicional para vêlos satisfeitos. (...) Os valores postulados pelo notificado e reconhecidos na decisão se referem às verbas identificadas nos cálculos de liquidação de débitos trabalhistas (fls. 115/144). Cabe referir que por força do disposto no art. 56 do RIR/99, aprovado pelo Dec. 3.000/99, os rendimentos recebidos acumuladamente, como é o caso dos autos, devem ser oferecidos à tributação, incluindo o valor dos juros e a atualização monetária. No entanto, o tributo será excepcionalmente afastado sobre o valor dos juros de mora, quando estes foram originários do recebimento em atraso de verbas trabalhistas decorrentes da perda do emprego, independente da natureza destas (se remuneratórias ou indenizatórias), pagas no contexto da Rescisão do Contrato de Trabalho. Esta exceção está descrita no item 03 da Nota PGFN/CRJ nº 1582/2012. (...) Do exposto, considerando que os rendimentos em questão foram pagos em razão de aposentadoria por invalidez, conforme descrito na petição inicial do processo judicial, no item intitulado “Contrato de Trabalho e Rescisão”, às fls.09 dos autos, que é causa de suspensão do contrato de trabalho, nos termos estabelecidos na CLT Consolidação das Leis do Trabalho; Considerando que o art. 56 do RIR/99, excetua a não incidência do imposto de renda sobre o valor dos juros moratórios recebidos na Rescisão de Contrato do Trabalho, no caso dos autos tendo ocorrido a suspensão do contrato, o valor dos juros não deve ser afastado da tributação. Assim, o presente lançamento não merece reparo em razão de não se encaixar na exceção prevista na legislação citada. Relativamente à compensação de IRRF, no valor de R$ 3.108,94, conforme informado na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, por se referir ao valor do imposto incidente sobre o décimo terceiro salário, cuja tributação é exclusiva na fonte, não pode ser considerada no ajuste anual. Assim, em razão da compensação ter sido efetuada indevidamente, fica mantida a glosa realizada pela fiscalização. Nesses termos, voto por considerar improcedente a impugnação apresentada e por manter o crédito tributário exigido no presente lançamento. Fl. 197DF CARF MF 4 Assim, conclui a decisão de piso pela improcedência da impugnação para manter a exigência do crédito tributário nos termos do Lançamento. Por sua vez, com a decisão do Acórdão da DRJ, a Recorrente apresenta recurso voluntário com as considerações e argumentos que entende justificável ao seu procedimento, nos termos que segue: O contribuinte foi autuado em 22 de outubro de 2.012, no montante de R$ 14.401,03, relativamente ao Imposto de Renda Pessoa Física referente ao ano calendário de 2.009. De acordo com a Descrição do Fatos e Enquadramento Legal, parte integrante da notificação de lançamento ao norte, foi autuado por Omissão de Rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente em virtude de processo judicial trabalhista, no valor de R$ 13.849,16, além de omissão de rendimentos de alugueres no valor de R$ 4.110,48, além de ter consignado Imposto de Renda Retido na Fonte em valor maior que o realmente descontado, no valor de R$ 3.108,94. (...) De observar que, com exceção dos rendimentos oriundos de alugueis, toda a base em que se apoiou o auditor fiscal para o lançamento do imposto de renda suplementar foi uma ação trabalhista. De número 615/1997, que já foi regularmente enviada durante o procedimento da malha fiscal, e que reenviamos agora. Conforme pode ser observado às fls. 421 do processo trabalhista, que foi autuado na Vara do Trabalho de Campo Mourão, consta, de forma sintética os valores principais das verbas trabalhistas obtidas, o valor dos juros incidentes sobre essas verbas e o valor relativo ao imposto de renda incidente sobre o resultado da ação. Conforme se observa no item “4) Principal” da fl. 421 já citada, o valor inicial da ação era de R$ 41.514,98. Também nesse mesmo item, “4) Principal”, encontrase o montante relativo aos juros, no valor de R$ 63.046,68. Neste mesmo item, em campo denominado “observação” consta o valor do Imposto de Renda para desconto, no valor total de R$ 16.513,33. Todos esses valores foram considerados pelo auditor fiscal para fins de obtenção dos valores representativos de verbas que sofreriam tributação exclusiva na fonte e para cálculo da verba advocatícia dedutível. Cuidase a presente impugnação da tributação indevida dos juros indenizatórios obtidos na ação trabalhista. Os juros moratórios, de acordo com o contido na Portaria PGFM Nº 294/2010, já se incluem entre as situações de dispensa de recurso por parte da União nas ações judiciais de repetição de indébito ou outra que visem a desconstituição de lançamento efetuado tendo como fato imponível essas verbas. Tal procedimento vem sendo tomado tendo em vista o julgamento pelo STJ, do RESP 1.227.133/RS, concluído em 23/11/2011. Fl. 198DF CARF MF Processo nº 13951.720365/201207 Acórdão n.º 2001000.432 S2C0T1 Fl. 197 5 Ora, se a própria Procuradoria Geral da Fazenda Nacional já vem dispensando recursos judiciais contra decisões judiciais que vem dando, reiteradamente, ganho de causa aos contribuintes, não pode a Secretaria da Receita Federal insistir na tributação desses juros já reconhecidos como indenizatórios. Essa persistência, além de acarretar despesas financeiras aos contribuintes, causa tumulto na Justiça Federal, pela busca necessária que fazem os contribuintes por esse direito, e dano financeiro à União, pelas necessárias verbas de sucumbência. Neste sentido, busca o contribuinte seja revisto o cálculo constante na página 03 (“folha de continuação da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal”), considerando, como rendimentos tributáveis e tributáveis exclusivamente na fonte, os oriundos da aplicação dos percentuais ali consignados sobre o VALOR PRINCIPAL na data do ajuizamento da ação, ou seja, o valor de R$ 41.514,98. Vem buscar, também, o contribuinte, seja considerado como não tributável, além das verbas relativas ao FGTS (já considerados), os valores relativos aos juros indenizatórios. Por todas as razões expostas, pela convicção de vivermos em um estado de direito, pela boa fé e responsabilidade do Estado em tributar de forma equânime e equilibrada cada contribuinte, vem, 0 impugnante, requerer sejam considerados os pedidos de recálculo da apuração do “aumento patrimonial a descoberto”, e por consequência seja totalmente extinto o crédito tributário constituído por falta de base imponível. Como visto, o contribuinte solicitou, especificamente a exclusão dos juros de mora, por entender serem verbas indenizatórias, e, como tal, fora da base de cálculo do imposto sobre a renda das pessoas físicas. (...) Por todas essas razões de direito, vem o contribuinte solicitar a revisão do referido Acórdão, no sentido de excluir da base de cálculo do imposto de renda devido pelo contribuinte, juros de mora incidentes sobre as verbas trabalhistas pagas em atraso, conforme decisão judicial transitada em julgado, parte integrante do presente processo. É o relatório. Voto Conselheiro Jose Alfredo Duarte Filho Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Fl. 199DF CARF MF 6 Alega o Recorrente questões legais e constitucionais, com argumentos e citação de doutrina sobre a matéria relativa aos valores recebidos acumuladamente. Todavia, a demanda de questões de legalidade e constitucionalidade é competência do Poder Judiciário, portando matéria alheia a esta esfera administrativa de julgamento. Neste sentido, cabe ressaltar a existência da Súmula CARF nº 2. SÚMULA N. 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. A lide trata, nesta fase do processo administrativo tributário sobre o não oferecimento à tributação dos valores recebidos no anocalendário de 2009, a título de aluguéis no valor de R$ 4.110,48; por rendimentos recebidos em razão de reclamatória trabalhista exitosa no valor tributável de R$ 13.849,16; e compensação indevida de R$ 3.108,94, por se tratar de retenção de tributação exclusiva na fonte. Temse no referente à omissão de recebimentos de aluguéis a não controvérsia, por absoluta falta de contestação do Recorrente, o que se considera como crédito tributário reconhecido pelo Contribuinte, como se vê nos textos seguintes: NOS TERMOS DO FISCO Refiro inicialmente ter o contribuinte deixado de contestar à omissão de rendimentos relativa aos aluguéis recebidos de pessoas físicas, declarados em DIMOB pela administradora Investfoz Assessoria Imobiliária Ltda, no valor de R$ R$ 4.110,48. Em razão da ausência de litígio, consolidase administrativamente o crédito tributário na forma disposta no artigo 17, do Decreto n° 70.235/1972, relativamente a este item do lançamento. NA FALTA DE CONTESTAÇÃO DO CONTRIBUINTE De observar que, com exceção dos rendimentos oriundos de alugueis, toda a base em que se apoiou o auditor fiscal para o lançamento do imposto de renda suplementar foi uma ação trabalhista. Neste sentido, como o Recorrente se limitou a citar a omissão de aluguéis sem qualquer contestação ou justificação, a divergência estabelecida na lide se limita a classificação dos recursos recebidos em razão da ação trabalhista e sua tributação na fonte pagadora, bem como eventual creditamento indevido, para efeito de compensação, do imposto retido na fonte por tributação exclusiva. Quanto ao pedido que se refere ao cálculo da tributação na modalidade de recebimento de forma cumulativa cabe registrar que a tributação na origem do estabelecimento do direito ao recebimento dos valores da reclamatória, pelos cálculos efetuados no TRT, já foi considerada a particularidade requerida, nos dizeres da decisão daquela Corte de Julgamento, como a seguir se apresenta (fl. 112): Descontos Fiscais (...) Determinese que as deduções à previdência social sejam feitas mês amês, tanto no que tange à cota patronal quanto à do empregado, com observância as épocas e tabelas próprias, limites de contribuição e incidência sobre as verbas devidas. Fl. 200DF CARF MF Processo nº 13951.720365/201207 Acórdão n.º 2001000.432 S2C0T1 Fl. 198 7 De igual modo, em atenção ao princípio da capacidade econômica do contribuinte (art. 145, III, parágrafo 1º, da CF), determinase a dedução do imposto de renda nos créditos devidos, calculados mêsa mês, mediante as alíquotas vigentes em cada época, permitindo as deduções legais e excluídas as verbas de natureza indenizatória e previdenciária. Quanto ao que diz respeito á classificação dos valores de rendimentos pagos como resultado da reclamatória trabalhista temse que, no caso em contestação, são alcançados pela tributação em vista de que correspondem a atualizações de valores calculados sobre o valor inicial da demanda, não se tratando, portanto, de juros moratórios por atraso de pagamentos. A tributação ocorreu na origem do recebimento dos valores, naquele órgão julgador do trabalho, não tendo classificado que parte dele correspondesse a pagamento de caráter indenizatório por verbas não recebidas anteriormente. Assim, o reconhecimento decisório pelo TRT, do direito à percepção dos rendimentos por parte do Recorrente teve sua tributação realizada na integralidade dos valores pertinentes, excluído o valor referente à FGTS e incluído o valor referente a décimo terceiro salário. De qualquer forma a lembrança de que “Tal procedimento vem sendo tomado tendo em vista o julgamento pelo STJ, do RESP 1.227.133/RS, concluído em 23/11/2011” (fl. 174), aqui não se aplica em vista de que aquela decisão abarca tão somente a hipótese definida como demissão ou perda de emprego, caso em que a circunstância requer a proteção do trabalhador em razão da situação sócioeconômica desfavorável pela cessação de remuneração contínua anteriormente vivenciada pelo demitido. PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA N. 284/STF. IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA FÍSICA IRPF. REGRA GERAL DE INCIDÊNCIA SOBRE JUROS DE MORA. PRESERVAÇÃO DA TESE JULGADA NO RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA RESP. N. 1.227.133 – RS NO SENTIDO DA ISENÇÃO DO IR SOBRE OS JUROS DE MORA PAGOS NO CONTEXTO DE PERDA DO EMPREGO. ADOÇÃO DE FORMA CUMULATIVA DA TESE DO ACCESSORIUM SEQUITUR SUUM PRINCIPALE PARA ISENTAR DO IR OS JUROS DE MORA INCIDENTES SOBRE VERBA ISENTA OU FORA DO CAMPO DE INCIDÊNCIA DO IR. (...) 2. Regra geral: incide o IRPF sobre os juros de mora, a teor do art. 16, caput e parágrafo único, da Lei n. 4.506/64, inclusive quando reconhecidos em reclamatórias trabalhistas, apesar de sua natureza indenizatória reconhecida pelo mesmo dispositivo legal (matéria ainda não pacificada em recurso representativo da controvérsia). 3. Primeira exceção: são isentos de IRPF os juros de mora quando pagos no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho, em reclamatórias trabalhistas ou não. Isto é, quando o trabalhador perde o emprego, os juros de mora incidentes sobre as verbas remuneratórias ou indenizatórias que lhe são pagas são isentos de imposto de renda. A isenção é circunstancial para proteger o trabalhador em uma situação sócioeconômica desfavorável (perda Fl. 201DF CARF MF 8 do emprego), daí a incidência do art. 6º, V, da Lei n. 7.713/88. Nesse sentido, quando reconhecidos em reclamatória trabalhista, não basta haver a ação trabalhista, é preciso que a reclamatória se refira também às verbas decorrentes da perda do emprego, sejam indenizatórias, sejam remuneratórias (matéria já pacificada no recurso representativo da controvérsia REsp. n.º 1.227.133 RS, Primeira Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Rel.p/acórdão Min. Cesar Asfor Rocha, julgado em 28.9.2011). (grifei) Todavia, a situação é outra e diverso deve ser o enfoque da questão, inclusive considerando o pedido do Recorrente quanto à tributação dos valores por ocasião do recebimento, na esteira da decisão proferida pelo TRT sobre a ação trabalhista empreendida pelo Contribuinte contra o Banco do Brasil S/A. Pede o Recorrente a revisão do Lançamento para considerar os rendimentos tributáveis exclusivamente na fonte, como realmente o foram, resultando numa retenção de R$ 16.825,52. (fl. 91 e 146), incluído o valor correspondente ao décimo terceiro salário e excluído o valor de FGTS, conforme planilhas de cálculos do perito contador designado pelo juiz e resumo da atualização de cálculos da Vara do Trabalho de Campo Mourão (fls. 118 a 144). A regra de tributação no caso de rendimentos recebidos acumuladamente está disposta no art. 12A, da Lei nº 7.713/88, nos seguintes termos: Art. 12A. Os rendimentos recebidos acumuladamente e submetidos à incidência do imposto sobre a renda com base na tabela progressiva, quando correspondentes a anoscalendário anteriores ao do recebimento, serão tributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento ou crédito, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês. (grifei) § 1o O imposto será retido pela pessoa física ou jurídica obrigada ao pagamento ou pela instituição financeira depositária do crédito e calculado sobre o montante dos rendimentos pagos, mediante a utilização de tabela progressiva resultante da multiplicação da quantidade de meses a que se refiram os rendimentos pelos valores constantes da tabela progressiva mensal correspondente ao mês do recebimento ou crédito. (grifei) (...) § 5o O total dos rendimentos de que trata o caput, observado o disposto no § 2o, poderá integrar a base de cálculo do Imposto sobre a Renda na Declaração de Ajuste Anual do anocalendário do recebimento, à opção irretratável do contribuinte. (grifei) A sistemática de tributação para os rendimentos desta natureza é de classificalos com tributados exclusivamente na fonte, como de fato aconteceu, tendo sido calculados na forma do caput do art. 12A, quando foi efetuada retenção do valor correspondente ao imposto apurado nos termos do § 1º e, conforme se observa na DAA apresentada. Neste sentido, o Recorrente optou por não fazer integrar a base de cálculo do imposto sobre a renda na Declaração de Ajuste Anual aqueles valores recebidos, em consonância com o disposto no § 5º, da legislação antes citada. Ressaltese a evidência do procedimento do Recorrente que ao não incluir os valores recebidos na base de cálculo do imposto e fazer constar na DAA o valor do principal como rendimento isento, segue, na verdade, a opção apontada no § 5º. Fl. 202DF CARF MF Processo nº 13951.720365/201207 Acórdão n.º 2001000.432 S2C0T1 Fl. 199 9 Este regramento na modalidade de tributação dos valores recebidos acumuladamente foi introduzido na legislação do imposto sobre a renda pela Medida Provisória 497/10 e se consolidou pela Lei nº 12.350/10. O fato da lide tratar do imposto referente ao exercício de 2010, tendo como anocalendário 2009, não desampara o pleito do Recorrente que tem em seu favor o benefício assegurado na disposição da alínea b, inciso II, art. 106, do CTN, que diz: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; (grifei) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A retroatividade benigna está positivada no Código Tributário Nacional e estipula três casos de possível ocorrência em benefício do Contribuinte, no caso em análise a que corresponde à alínea b: “quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo”. Aduzse, por oportuno, que o dispositivo não oferece empecilho ao ordenamento constitucional, vez que só é proibida a retroatividade da lei que agrave a situação em ônus para o contribuinte. Tomase como suporte para a retroatividade benigna aplicável ao caso em lide, decisões do STJ que versam sobre tema similar em matéria de direito do contribuinte, no que diz respeito ao enquadramento na situação mais favorável ao contribuinte em razão de situação mais gravosa antes acontecida. Senão vejamos: RECURSO ESPECIAL Nº 639.223 MG (2004/00144281) TRIBUTÁRIO – ESTABELECIMENTO DE ENSINO – OPÇÃO PELO SIMPLES – LEI 9.317/96 – CONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF – LEI 10.684/2003 – APLICAÇÃO RETROATIVA – SÚMULA 456/STF E ART. 106, II, "b" DO CTN. 1. O STF, no julgamento da ADIn 1.6431/DF, concluiu pela constitucionalidade do art. 9º, XIII da Lei 9.317/96, que excluiu da opção pelo sistema SIMPLES as pessoas jurídicas que menciona, dentre elas a que preste serviços de professor. 2. As instituições de ensino que não contam com professor no seu quadro societário também se enquadram na exceção, porque a atividadefim desenvolvida está diretamente ligada à profissão de professor. 3. A Lei 10.684/2003 retirou da exclusão as creches, préescolas e estabelecimentos de ensino fundamental, possibilitando sua adesão ao SIMPLES. Fl. 203DF CARF MF 10 4. Norma superveniente que, embora não prequestionada, pode ser aplicada ao caso concreto em atenção à Súmula 456/STF (porque conhecido o especial por outro fundamento) e ao art. 106, II, "b" do CTN, que admite a aplicação retroativa da lei aos fatos pendentes quando ela deixa de tratar o ato ou o fato "como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento do tributo". Precedente da Primeira Turma (EDREsp 603.451/PE). (grifei) 5. Na hipótese dos autos, porém, a recorrente dedicase às atividades de ensino fundamental e médio, esta última não contemplada na exceção prevista no art. 1º, I e II, da Lei 10.034/200. 6. Recurso especial improvido. Salientese que embora improvido o Recurso Especial, ficou confirmado o reconhecimento da retroatividade benigna para o caso em que for atendida a condição estabelecida na lei e preenchidos os requisitos de enquadramento, naquele caso. Assim, pela similaridade das decisões do gênero ocorridas na Corte Superior podese aplicar a simetria com esse caso, razão pela qual entendo perfeitamente compatível o enquadramento na retroatividade benigna, com base no que dispõe a alínea b, inciso II, art. 106, da Lei nº 5.172/66 – CTN. Entender de forma diferente resultaria em causar ônus mais pesado ao contribuinte e incorrerseia em exigir tributo de forma diferente do que preceitua a legislação tributária, vez que consistiria procedimento contrário aquele adotado na formulação dos cálculos aplicado em obediência à decisão judicial trabalhista (fl. 112), como segue: De igual modo, em atenção ao princípio da capacidade econômica do contribuinte (art. 145, III, parágrafo 1º da CF), determinase a dedução do imposto de renda nos créditos devidos, calculados mêsa mês, mediante as alíquotas vigentes em cada época, permitidas as deduções legais e excluídas as verbas de natureza indenizatória e previdenciária. Isso porque os cálculos foram feitos na forma do decidido pela 1ª Turma do Tribunal Regional do Trabalho, no Acórdão AC.18.552/2000, mêsamês, mediante as alíquotas vigentes em cada período mensal e, se agora, como pretende o Fisco através do Lançamento contestado, cobrar mais imposto de renda seguindo cálculos que resultaram na suposta omissão de rendimentos no valor de R$ 13.849,16, resultaria em frontal contrariedade com a decisão daquele E. Tribunal, porque sem a devida correspondência com a mensalidade de cálculo determinada no referido Acórdão do Tribunal do Trabalho. Além disso, nos cálculos para a determinação do imposto suplementar foi excluído o valor correspondente ao FGTS (porque isento) e o 13º salário (porque com característica de tributação exclusiva na fonte), porém não foi excluído o valor correspondente à verba previdenciária, conforme determinado na decisão do TRT (... permitidas as deduções legais e excluídas as verbas de natureza indenizatória e previdenciária). A falta de exclusão das verbas previdenciárias torna o valor da base de cálculo do imposto suplementar inconsistente e o crédito tributário insubsistente, nesta parte do Lançamento, por que em desatendimento do art. 142 do CTN. No que se refere à compensação de IRRF, no valor de R$ 3.108,94, conforme informado na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal do Lançamento, por se referir ao valor do imposto incidente sobre o décimo terceiro salário, cuja tributação é exclusiva na fonte, Fl. 204DF CARF MF Processo nº 13951.720365/201207 Acórdão n.º 2001000.432 S2C0T1 Fl. 200 11 e por isso não pode ser considerada no ajuste anual, entendo irrelevante a questão levantada, de vez que em não muda na determinação do resultado final. O resultado da tributação efetiva será o mesmo, se por um lado englobamse todos os valores recebidos e deduzemse todas as retenções ou, de outro lado, promove se a separação retirando o valor pago correspondente ao 13º salário e a correspondente retenção na fonte. Todo o imposto foi retido na fonte. O Recorrente não se creditou do imposto retido na fonte, quando do recebimento dos valores da ação trabalhista, de R$ 16.825,52, valor em que está incluída parte referente ao imposto retido sobre 13º salário, assim como não incluiu na base de cálculo da DAA, por opção, como antes discorrido. Assim, em razão de eventual compensação junto ou apartada de outros valores, motivo não há para a glosa do que não foi compensado pelo Contribuinte na sua DAA. Por fim, no exame da documentação acostada ao processo, verificase que o Recorrente apresentou a documentação comprobatória dos valores recebidos e da tributação efetuada ato contínuo do recebimento dos valores referentes à reclamatória trabalhista, nada mais devendo lhe ser exigido porque tributado na fonte, concluindose pela inexistência de omissão de rendimentos, a esse título. Contudo, cabe ressaltar que permanece a exigência do crédito tributário em relação à omissão de rendimentos de aluguéis no valor de R$ 4.110,48, não oferecidos a tributação na DAA e, embora citados na peça de defesa recursal, nada foi dito em seu favor. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e no mérito DAR PARCIAL PROVIMENTO, para excluir do crédito tributário o valor correspondente a R$ 3.808,52, permanecendo o Lançamento da parte incontroversa no valor de R$ 1.130,38. (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Fl. 205DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15504.731465/2012-54
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2007
PRELIMINAR. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Carece de fundamento a alegação de cerceamento do direito de defesa, na medida em que, tanto na fase fiscalizatória (procedimental), regida pelo princípio inquisitório, quanto na fase impugnatória (processual), ocasião em que foi inaugurada a fase do contraditório, o contribuinte teve ampla oportunidade de exercer o seu direito de defesa.
MATÉRIA NÃO CONTESTADA.
Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.
Numero da decisão: 1003-000.039
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Abelson - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: SERGIO ABELSON
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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2007 PRELIMINAR. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Carece de fundamento a alegação de cerceamento do direito de defesa, na medida em que, tanto na fase fiscalizatória (procedimental), regida pelo princípio inquisitório, quanto na fase impugnatória (processual), ocasião em que foi inaugurada a fase do contraditório, o contribuinte teve ampla oportunidade de exercer o seu direito de defesa. MATÉRIA NÃO CONTESTADA. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.
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NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Carece de fundamento a alegação de cerceamento do direito de defesa, na medida em que, tanto na fase fiscalizatória (procedimental), regida pelo princípio inquisitório, quanto na fase impugnatória (processual), ocasião em que foi inaugurada a fase do contraditório, o contribuinte teve ampla oportunidade de exercer o seu direito de defesa. MATÉRIA NÃO CONTESTADA. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Abelson Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 73 14 65 /2 01 2- 54 Fl. 431DF CARF MF Processo nº 15504.731465/201254 Acórdão n.º 1003000.039 S1C0T3 Fl. 432 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o acórdão de primeira instância que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada contra o Ato Declaratório Executivo DRF/BHE nº 291/2012, o qual determinou a exclusão da empresa do Simples Nacional a partir de 01 de janeiro de 2007, com fundamento na disposição contida no inciso V, § 4º, do art. 3º e inciso XII, do art. 29 da Lei Complementar nº 123/2006, tendo em vista sócio do interessado ser administrador de outra pessoa jurídica com fins lucrativos, cuja receita global ultrapassa o limite permitido pela legislação, e interessado omitir de forma reiterada da folha de pagamento da empresa ou de documento de informações previsto pela legislação previdenciária, trabalhista ou tributária, segurado empregado, trabalhador avulso ou contribuinte individual que lhe preste serviço. A recorrente, em síntese, alega: I Que houve cerceamento do direito de defesa, pois não foram informados à contribuinte as razões e motivos que resultaram em sua exclusão do Simples, tendo havido acusações absolutamente genéricas o que ensejaria nulidade do ADE em questão; II Que Despacho da 8ª Turma da DRJ/RJ1 determinou envio à contribuinte, concedendolhe novo prazo para impugnação, da Representação Interna para Exclusão do Simples Nacional e de seu anexo I, documentos que detalham os fatos constatados pela fiscalização, uma vez que o referido ADE apenas fazia menção ao número processo administrativo em que se encontravam tais documentos, tendo sido, desta forma, reconhecida falha no ADE que resultou, mais uma vez, em cerceamento de seu direito de defesa; III Que o referido Despacho da 8ª Turma da DRJ/RJ1 não foi encaminhado à contribuinte, que somente conseguiu obtêlo após incansáveis diligências junto à DRF em Belo Horizonte, e que tal Despacho é absolutamente essencial à compreensão, pela contribuinte, dos fatos que levaram a DRJ/RJ1 a entender pela concessão de novo prazo para impugnação, bem como da constatação, pela referida DRJ, quanto ao cerceamento do direito de defesa da contribuinte quando do recebimento inicial do ADE, não havendo como a contribuinte se manifestar através de "nova impugnação", vez que não foi facultado conhecimento ao despacho que trouxe as razões que levaram à abertura de novo prazo para a mencionada impugnação, tendo havido, mais uma vez, cerceamento de seu direito de defesa; IV Que, por todo o ocorrido, há que ser declarada e reconhecida a ciência da contribuinte quanto a sua exclusão do Simples no momento de sua intimação e recebimento dos documentos cuja remessa foi determinada pela DRJ/RJ1, ou seja, em 25/04/2014, devendo tal ciência produzir a partir daí seus efeitos, em especial no que se refere à contagem do prazo decadencial para lançamentos relativos ao período em questão; V Que a DRJ/RJ1, veio, de forma irônica e jocosa, desprezar a importância dos documentos os quais ela própria entendeu necessários a ponto de determinar a reintimação da contribuinte, não tendo havido "saneamento" de falha processual, mas uma nova intimação, apenas a partir da qual a contribuinte teve acesso a conhecer integralmente o que à mesma era imputado, e assim se defender de forma apropriada; sendo que, se não fosse indispensável a Fl. 432DF CARF MF Processo nº 15504.731465/201254 Acórdão n.º 1003000.039 S1C0T3 Fl. 433 3 intimação da contribuinte determinada pela DRJ/RJ1, não haveria razão para esta não julgar o feito naquela oportunidade É o relatório. Voto Conselheiro Sérgio Abelson, Relator O Recurso voluntário é tempestivo, portanto dele conheço. Preliminarmente, em relação ao alegado cerceamento do direito de defesa, é importante registrar algumas considerações. A recorrente tomou ciência do ADE em questão em 20/12/2012, conforme AR à folha 390, momento em que se encontrava sob o procedimento de fiscalização de MPF nº 06.1.01.002012003000, conforme relatado na Representação Interna para Exclusão do Simples Nacional (folhas 02 a 11). A Representação Interna para Exclusão do Simples Nacional consiste em uma comunicação do AuditorFiscal responsável pela ação fiscal para o setor da unidade da RFB responsável pela emissão dos ADE. Em tal documento estão relatados os fatos ocorridos durante a ação fiscal, elencada a documentação coletada e apresentadas as conclusões no que se refere, no caso, à exclusão da fiscalizada do Simples Nacional. Ou seja, é um documento que reproduz as informações obtidas no curso da ação fiscal para fundamentar a emissão do ADE por parte de outro setor da unidade da RFB. Não há, na referida representação, informação que não conste da ação fiscal então em curso. Além disso, do referido ADE consta referência ao número do presente processo, ao qual a representação está anexa desde 06/12/2012. Desta forma, observase que, estando sob o procedimento de fiscalização que motivou a exclusão e, diante da informação constante do ADE do número do presente processo, a contribuinte já tinha conhecimento prévio dos motivos de sua exclusão, e teve facultado pleno acesso à Representação Interna para Exclusão do Simples Nacional mediante vistas ao presente processo. Cabe registrar que é usual a emissão de ADE também fora de procedimento de fiscalização, derivada de cruzamento de informações em sistemas, e que, nestes casos, sequer há representação interna, ou seja, as contribuintes são cientificadas de sua exclusão mediante apenas o ADE, sem qualquer outro documento explicativo. A ciência da fiscalizada ao ADE no curso do procedimento fiscal é procedimento corriqueiro e, usualmente, não é dada ciência específica à contribuinte da representação que fundamentou o ADE, à qual esta tem acesso mediante vista ao processo. No presente caso, a 8ª Turma da DRJ/RJ1 entendeu por bem formalizar ciência da referida representação à contribuinte e reabrirlhe o prazo para oferecimento de manifestação de inconformidade, procedimento que entendo desnecessário, pelo já relatado, mas que acabou por dirimir quaisquer eventuais dúvidas acerca do conhecimento do teor do documento pela contribuinte. Fl. 433DF CARF MF Processo nº 15504.731465/201254 Acórdão n.º 1003000.039 S1C0T3 Fl. 434 4 A decisão da 8ª Turma da DRJ/RJ1 de dar ciência específica da representação interna à contribuinte e reabrirlhe o prazo impugnatório foi prolatada mediante o despacho às folhas 395/396, anexo ao presente processo em 08/04/2014. A ciência à referida representação ocorreu em 25/04/2014, conforme AR às folhas 399/400, mediante o "ofício" à folha 398, que menciona o Despacho da DRJ/RJ1, o número do presente processo, a determinação contida no despacho de dar ciência dos referidos documentos e novo o prazo impugnatório. Mais uma vez, observase que o documento que a contribuinte alega terlhe sido sonegado (neste caso, o despacho da DRJ/RJ1) foi devidamente mencionado, juntamente com a parte mais relevante de seu teor, na comunicação a ela enviada, encontravase disponível para consulta no presente processo já anteriormente à ciência da referida comunicação e, por fim, não possui conteúdo relevante que não tenha sido transcrito na referida comunicação, tampouco teor que venha a acrescentar razões para sua exclusão e influenciar em sua defesa. Assim, entendo que a ciência à exclusão do Simples se deu regularmente por meio do ADE DRF/BHE nº 291/2012 em 20/12/2012, que todas as informações complementares relativas à exclusão encontravamse disponíveis para consulta da contribuinte já naquela data, e que a contribuinte já tinha ciência de tais informações, por estar, naquela data, sob o procedimento fiscal que ensejou a referida exclusão. Não vislumbro, portanto, ter ocorrido cerceamento de defesa em nenhum momento, nem reconheço fundamento em considerar a recorrente cientificada do referido ADE apenas em 25/04/2014, como requer. Afasto, portanto, a preliminar de nulidade suscitada. No mérito, a recorrente não contestou as razões que fundamentaram sua exclusão do Simples Nacional, expressas no referido ADE. É, portanto, matéria não impugnada, conforme estabelece o art. 17 do PAF. Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Abelson Fl. 434DF CARF MF
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Numero do processo: 11543.003645/2008-49
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO EM FORMULÁRIO DE PAPEL. INOBSERVÂNCIA DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS. INDEFERIMENTO DO PEDIDO SUJEITO À MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. RITO DO DECRETO Nº 70.235/1972.
O pedido de restituição entregue em formulário, em descordo com as normas previstas nas instruções normativas para o caso, são passíveis de indeferimento sumário e sujeitos à manifestação de inconformidade.
Numero da decisão: 3302-005.706
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em devolver os autos à DRJ para que se profira nova decisão, a partir do conhecimento das alegações realizadas em manifestação de inconformidade relativas ao pedido de restituição considerado não formulado.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimaraes, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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PEDIDO DE RESTITUIÇÃO EM FORMULÁRIO DE PAPEL. INOBSERVÂNCIA DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS. INDEFERIMENTO DO PEDIDO SUJEITO À MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. RITO DO DECRETO Nº 70.235/1972. O pedido de restituição entregue em formulário, em descordo com as normas previstas nas instruções normativas para o caso, são passíveis de indeferimento sumário e sujeitos à manifestação de inconformidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em devolver os autos à DRJ para que se profira nova decisão, a partir do conhecimento das alegações realizadas em manifestação de inconformidade relativas ao pedido de restituição considerado não formulado. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimaraes, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 54 3. 00 36 45 /2 00 8- 49 Fl. 164DF CARF MF Processo nº 11543.003645/200849 Acórdão n.º 3302005.706 S3C3T2 Fl. 165 2 Trata o presente de pedido de restituição entregue em papel cumulado com declarações de compensação entregues eletronicamente, relativo a pagamentos indevidos ou a maior, em virtude da inconstitucionalidade do alargamento de base de cálculo de que tratou o §1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998. A recorrente protocolou em papel alegando exceção prevista no §1º do artigo 3º da IN SRF nº 600/2005, ou seja, impossibilidade de utilização do programa PER/DCOMP. A unidade de origem considerou o pedido de restituição não formulado e, consequentemente, as declarações de compensação não homologadas por ausência de direito creditório, em razão de a recorrente ter se utilizado o formulário em papel, indevidamente, uma vez que a restrição do programa PERDCOMP ocorreu devido ao fato de a recorrente pleitear restituição de tributos em prazo superior a cinco anos da data do pagamento, infringindo o artigo 168 do CTN e que esta situação não configura a impossibilidade de que trata o §1º do artigo 3º da IN SRF nº 600/2005. A unidade informou ainda no despacho decisório (efls. 52/59) que as compensações nãohomologadas ficam sujeitas à manifestação de inconformidade, porém este recurso não se aplicava ao pedido de restituição considerado não formulado. Em manifestação de inconformidade, a recorrente pugnou pela nulidade do despacho decisório por erro de direito, uma vez que não se poderia declarar não formulado se o programa PERDCOMP não aceita a trasmissão de indébitos tributários recolhidos há mais de cinco anos. Continuando, pugnou pela aplicação do prazo decadencial para pleitear a restituição de cinco anos a partir da data de publicação da Resolução do Senado Federal. Por sua vez, a DRJ não conheceu das alegações referentes ao pedido de restituição não formulado e considerou a manifestação de inconformidade improcedente, em razão de o crédito informado nas declarações de compensação terem origem em pedido de restituição considerado não formulado e, portanto, sem direito creditório reconhecido pela RFB, nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004, 2005 Não cabe manifestação de inconformidade contra a decisão que considerou não formulado o pedido de restituição. Nesta hipótese, o recurso cabível não é a manifestação de inconformidade, regida processualmente pelos ditames do Decreto nº 70.235/1972, mas pelo recurso administrativo disciplinado pela Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO ELETRÔNICA. CRÉDITO NÃO RECONHECIDO. Considerado não formulado o pedido de restituição efetuado em meio papel, não são homologadas as compensações declaradas eletronicamente, cujos créditos estejam demonstrados naquele pedido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 165DF CARF MF Processo nº 11543.003645/200849 Acórdão n.º 3302005.706 S3C3T2 Fl. 166 3 Inconformada, a recorrente interpôs, tempestivamente, recurso voluntário, reiterando as razões aduzidas em manifestação de inconformidade. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este relator. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. A recorrente reiterou em recurso voluntário as razões aduzidas em manifestação de inconformidade, mais precisamente que caberia manifestação de inconformidade sobre a consideração de não formulação do pedido de restituição, pugnando neste ponto pela nulidade do despacho decisório, e, no mérito, deduziu pela aplicação do prazo decadencial de cinco anos após a data de publicação da Resolução pelo Senado Federal para apresentação do pedido de restituição. Notase que tais matérias são atinentes ao pedido de restituição, que fora considerado não formulado e, nos termos do despacho decisório, sujeito apenas a recurso administrativo de que trata o artigo 56 da Lei nº 9.784/1999, razão pela qual o colegiado a quo não conheceu das referidas alegações. No caso, o pedido de restituição fora formulado em papel, sob alegação do §1º do artigo 3º da IN SRF nº 600/2005, a seguir transcrito: Art. 3º A restituição a que se refere o art. 2º poderá ser efetuada: [...] § 1º A restituição de que trata o inciso I será requerida pelo sujeito passivo mediante utilização do Programa Pedido Eletrônico de Ressarcimento ou Restituição e Declaração de Compensação (PER/DCOMP) ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante o formulário Pedido de Restituição constante do Anexo I, ao qual deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório.. A restrição alegada pela recorrente foi a impossibilidade de se transmitir pedidos de restituição de pagamentos indevidos ou a maior ocorridos há mais de cinco anos da data do pedido, o que não caracterizou impossibilidade nos termos do artigo 761 da IN SRF nº 1 Art. 76. Ficam aprovados os formulários Pedido de Restituição, Pedido de Cancelamento ou de Retificação de Declaração de Importação e Reconhecimento de Direito de Crédito, Pedido de Ressarcimento de IPI Missões Diplomáticas e Repartições Consulares, Declaração de Compensação e Pedido de Habilitação de Crédito Reconhecido por Decisão Judicial Transitada em Julgado constantes, respectivamente, dos Anexos I, II, III, IV e V. Fl. 166DF CARF MF Processo nº 11543.003645/200849 Acórdão n.º 3302005.706 S3C3T2 Fl. 167 4 600/2005, conforme considerado pelo despacho decisório, que considerou, então, o pedido não formulado, conforme o artigo 31 da referida instrução normativa: Art. 31. A autoridade competente da SRF considerará não formulado o pedido de restituição ou de ressarcimento e não declarada a compensação quando o sujeito passivo, em inobservância ao disposto nos §§ 2º a 4º do art. 77, não tenha utilizado o Programa PER/DCOMP para formular pedido de restituição ou de ressarcimento ou para declarar compensação. Tendo sido considerado não formulado, o despacho decisório deixou consignado a não sujeição do indeferimento do pedido de restituição, nesta situação, ao rito do PAF, conforme §2º do artigo 31 e artigo 48, abaixo transcritos: Art. 31. A autoridade competente da SRF considerará não formulado o pedido de restituição ou de ressarcimento e não declarada a compensação quando o sujeito passivo, em inobservância ao disposto nos §§ 2º a 4º do art. 76, não tenha utilizado o Programa PER/DCOMP para formular pedido de restituição ou de ressarcimento ou para declarar compensação [...] § 2º Às hipóteses a que se refere o caput e o § 1º não se aplica o disposto nos §§ 2º e 4º do art. 26 e nos arts. 29, 30 e 48. [...] Art. 48. É facultado ao sujeito passivo, no prazo de trinta dias, contado da data da ciência da decisão que indeferiu seu pedido de restituição ou de ressarcimento ou, ainda, da data da ciência do despacho que nãohomologou a compensação por ele efetuada, apresentar manifestação de inconformidade contra o nãoreconhecimento do direito creditório ou a nãohomologação da compensação. Constatase que a referida instrução normativa dispunha que o pedido de restituição entregue em formulário, em desacordo com as normas do artigo 76, deveria ser considerado não formulado, não se sujeitando à manifestação de inconformidade de que tratava § 1º A SRF disponibilizará, no endereço http://www.receita.fazenda.gov.br, os formulários a que se refere o caput. § 2º Os formulários a que se refere o caput somente poderão ser utilizados pelo sujeito passivo nas hipóteses em que a restituição, o ressarcimento ou a compensação de seu crédito para com a Fazenda Nacional não possa ser requerida ou declarada eletronicamente à SRF mediante utilização do Programa PER/DCOMP. § 3º A SRF caracterizará como impossibilidade de utilização do Programa PER/DCOMP, para fins do disposto no § 2º, no § 1º do art. 3º, no § 3º do art. 16, no § 1º do art. 22 e no § 1º do art. 26, a ausência de previsão da hipótese de restituição, de ressarcimento ou de compensação no aludido Programa, bem como a existência de falha no Programa que impeça a geração do Pedido Eletrônico de Restituição, do Pedido Eletrônico de Ressarcimento ou da Declaração de Compensação. § 4º A falha a que se refere o § 3º deverá ser demonstrada pelo sujeito passivo à SRF no momento da entrega do formulário, sob pena do enquadramento do documento por ele apresentado no disposto no art. 31. § 5º Aos formulários a que se refere o caput deverá ser anexada documentação comprobatória do direito creditório. Fl. 167DF CARF MF Processo nº 11543.003645/200849 Acórdão n.º 3302005.706 S3C3T2 Fl. 168 5 o artigo 48, silenciando quanto a que recurso administrativo estaria sujeita a decisão. Assim, o pedido não formulado significava um não conhecimento do pedido de restituição e não, propriamente, um indeferimento de um pedido conhecido. Tal consideração de pedido não formulado esteve presente desde a IN SRF nº 360/2003 e constou da IN SRF nº 460/2004 e IN RFB nº 900/2008. Esta distinção, porém, foi afastada na IN RFB nº 1.300/2012, que inseriu este caso de entrega em formulário em desacordo com as condições estabelecidas no próprio ato, como pedido de restituição passível de indeferimento sumário, nos termos dos artigos 77, 111 e 113 da referida instrução normativa: IN RFB nº 1.300/2012: Art. 111. Será indeferido sumariamente o pedido de restituição, de ressarcimento ou de reembolso quando o sujeito passivo, em inobservância ao disposto nos §§ 2º a 5º do art. 113, não tenha utilizado o programa PER/DCOMP para formular o pedido. Art. 113. Ficam aprovados os formulários: [...] § 2º Os formulários a que se refere o caput poderão ser utilizados pelo sujeito passivo somente nas hipóteses em que a restituição, o ressarcimento, o reembolso ou a compensação de seu crédito para com a Fazenda Nacional não possa ser requerido ou declarado eletronicamente à RFB mediante utilização do programa PER/DCOMP. § 3º A RFB caracterizará como impossibilidade de utilização do programa PER/DCOMP, para fins do disposto no § 2º deste artigo, no § 2º do art. 3º, no § 6º do art. 21, no caput do art. 32 e no § 1º do art. 41, a ausência de previsão da hipótese de restituição, de ressarcimento, de reembolso ou de compensação no aludido programa, bem como a existência de falha no programa que impeça a geração do Pedido Eletrônico de Restituição, do Pedido Eletrônico de Ressarcimento ou da Declaração de Compensação. § 3º A RFB caracterizará como impossibilidade de utilização do programa PER/DCOMP a ausência de previsão da hipótese de restituição, de ressarcimento, de reembolso ou de compensação no aludido programa, bem como a existência de falha no programa que impeça a geração do Pedido Eletrônico de Restituição, do Pedido Eletrônico de Ressarcimento ou da Declaração de Compensação. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1425, de 19 de dezembro de 2013) § 4º A falha a que se refere o § 3º deverá ser demonstrada pelo sujeito passivo à RFB no momento da entrega do formulário, sob pena do enquadramento do documento por ele apresentado no disposto no § 1º do art. 46 ou no art. 111. Fl. 168DF CARF MF Processo nº 11543.003645/200849 Acórdão n.º 3302005.706 S3C3T2 Fl. 169 6 § 5º Aplicase o disposto no § 1º do art. 46 e no art. 111, quando a impossibilidade de utilização do programa PER/DCOMP decorrer de restrição nele incorporada em cumprimento ao disposto na legislação tributária. Assim, o caso tratado neste processo passou a ser inserido na condição de pedido de restituição passível de indeferimento sumário, afastando a condição de pedido não formulado de que tratavam as instruções anteriores e sujeito, portanto, à manifestação de inconformidade, conforme o artigo 77 da IN RFB nº 1.300/2012: Art. 77. É facultado ao sujeito passivo, no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data da ciência da decisão que indeferiu seu pedido de restituição, ressarcimento ou reembolso ou, ainda, da data da ciência do despacho que não homologou a compensação por ele efetuada, apresentar manifestação de inconformidade contra o não reconhecimento do direito creditório ou a não homologação da compensação. [...] Verificase que o § 8º não dispunha sobre o não cabimento da manifestação de inconformidade para o caso aqui tratado, restando esta situação restrita às compensações nãodeclaradas, conforme abaixo: § 8º Não cabe manifestação de inconformidade contra a decisão que considerou não declarada a compensação, sem prejuízo da aplicação do art. 56 da Lei nº 9.784, de 1999. Concluise que o pedido de restituição entregue em formulário, em descordo com as normas previstas no artigo 113 da IN RFB nº 1.300/2012, são passíveis de indeferimento sumário, mas sujeitos à manifestação de inconformidade, de acordo com o artigo 77 da referida instrução. Este rito processual está de acordo com o Parecer PGFN/CAT nº 163/2007 que tratou de situação semelhante nos seguintes termos: 2. A SRF enumera objetivamente as questões surgidas em decisões administrativas de suas projeções, bem como do debate interno entre as superintendências e a unidade central. A primeira questão é a seguinte: “15.1) nos despachos decisórios que apreciam pedidos de compensação, que não se converteram em Dcomp, por não atenderem as condições da Lei nº 9.430, de 1996, devem os pedidos ser considerados como não conhecidos; devese indeferir os pedidos ou devem ter outro resultado?” (grifos não originais) 3. Entendemos que a melhor técnica jurídica aponta que os pedidos devem ser indeferidos. (grifos não originais) 4. Conforme já definido no Parecer PGFN/CAT/CDA nº 1.499/2005, estes expedientes devem ser vistos como Fl. 169DF CARF MF Processo nº 11543.003645/200849 Acórdão n.º 3302005.706 S3C3T2 Fl. 170 7 petições endereçadas ao poder público. Dessa forma, devem ser tratadas sob a proteção do Direito de Petição, presente na Constituição Federal de 1988, dentre os direitos e garantias dos cidadãos – art. 5º, inciso XXXIV, alínea “a”. Segundo José Afonso da Silva “o direito de petição não pode ser destituído de eficácia. Não pode a autoridade a quem é dirigida escusar pronunciarse sobre a petição, quer para acolhêla quer para desacolhêla com a devida motivação”. O “não conhecimento” se aplica, salvo alguma exceção expressa na legislação, aos recursos – uma vez que estes podem ser limitados pela legislação e possuem uma via estreita de cabimento – lembrando que o duplo grau de jurisdição não é direito fundamental expresso na CF. 5. Pelo que noticia a SRF, há projeções buscando no Código de Processo Civil a fundamentação jurídica para julgar estes pedidos ineptos por considerar os pedidos juridicamente impossíveis. Não nos parece necessária tal dilação, primeiro porque a relação processual judicial (partes opostas e juiz imparcial) em muito se difere da relação administrativa (Particular / Poder Público). E em um segundo ponto se o pedido não se encontra adequado a todos os requisitos da própria lei tributária já há fundamentação suficiente para seu indeferimento, atendendo ao princípio da legalidade aplicado à Administração Pública. (...) 12. A seguir, a SRF questiona: “15.3) nos despachos decisórios que apreciam pedidos de restituição de receitas não administradas pela SRF, devese não conhecer do pedido ou indeferir o pedido de restituição?” 13. Seguindo o raciocínio acima exposto, orientamos que se deve indeferir o pedido. Isto porque há a obrigação da Administração Pública emitir decisão nos processos administrativos. Ademais é direito de o administrado ter todos os elementos que fundamentam a recusa do Poder Público em atender um pedido que entende ser razoável. (Grifo original) Tal rito processual se repetiu na vigente IN RFB nº 1.717/2017, em seus artigos 135, 164, 165 e 166 e também está em consonância com o Decreto nº 7.574/2011, que regulamenta os processos administrativos no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil, que nos artigos 119 a 122 tratou dos recursos em face de indeferimentos de pedidos de restituição, decisão de não homologação ou de não declaração de compensações entregues pelos contribuintes, nos seguintes termos: Seção IV Fl. 170DF CARF MF Processo nº 11543.003645/200849 Acórdão n.º 3302005.706 S3C3T2 Fl. 171 8 Dos Recursos Subseção I Dos Recursos Contra a Não Homologação Art. 119. É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no art. 110, apresentar manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação (Lei no 9.430, de 1996, art. 74, § 9o, incluído pela Lei no 10.833, de 2003, art. 17). § 1o Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Lei no 9.430, de 1996, art. 74, § 10, incluído pela Lei no 10.833, de 2003, art. 17; Decreto no 70.235, de 1972, art. 25, inciso II, com a redação dada pela Lei no 11.941, de 2009, art. 25). § 2o A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam o caput e o § 1o obedecerão ao rito processual do Decreto no 70.235, de 1972 (Título II deste Regulamento), e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação (Lei no 9.430, de 1996, art. 74, § 11, incluído pela Lei no 10.833, de 2003, art. 17). Subseção IA (Incluído pelo Decreto nº 8.853, de 2016) Dos Recursos Contra a Decisão que Considerar a Compensação Não Declarada Art. 119A. É facultado ao sujeito passivo, nos termos do art. 56 ao art. 65 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, apresentar recurso, no prazo de dez dias, contado da data da ciência, contra a decisão que considerar a compensação não declarada. (Incluído pelo Decreto nº 8.853, de 2016) Parágrafo único. O recurso de que trata o caput: (Incluído pelo Decreto nº 8.853, de 2016) I não terá efeito suspensivo, não se enquadrando no disposto no inciso III do caput do art. 151 da Lei nº 5.172, de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação; e (Incluído pelo Decreto nº 8.853, de 2016) II será decidido em última instância pelo titular da Superintendência Regional da Receita Federal do Brasil, com jurisdição sobre o domicílio tributário do recorrente. (Incluído pelo Decreto nº 8.853, de 2016) Subseção II Dos Recursos Contra o Indeferimento dos Pedidos de Restituição, Ressarcimento e Reembolso Fl. 171DF CARF MF Processo nº 11543.003645/200849 Acórdão n.º 3302005.706 S3C3T2 Fl. 172 9 Art. 120. É facultado ao sujeito passivo, no prazo de trinta dias, contados da data da ciência da decisão que indeferiu seu pedido de restituição, ressarcimento ou reembolso, apresentar manifestação de inconformidade, junto à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento competente, contra o não reconhecimento do direito creditório (Lei no 8.748, de 1993, art. 3o, inciso II; Lei no 9.019, de 1995, art. 7o, §§ 1o e 5o). Parágrafo único. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade, caberá recurso ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Art. 121. Compete ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, observada sua competência por matéria, julgar recurso voluntário de decisão de primeira instância nos processos relativos a restituição, ressarcimento e reembolso de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (Decreto no 70.235, de 1972, art. 25, inciso II, com a redação dada pela Lei no 11.941, de 2009). Subseção III Disposições Complementares Art. 122. A Secretaria da Receita Federal do Brasil disciplinará o disposto nesta Seção, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de reembolso (Lei no 9.430, de 1996, art. 74, § 14, com a redação dada pela Lei no 11.051, de 2004, art. 4o). Verificase que o decreto regulamentador não discrimina o tipo de indeferimento de pedido de restituição, inserindo, de forma genérica, os indeferimentos na sujeição à manifestação de inconformidade e ao rito do PAF. Assim, defluise que, sendo as instruções normativas atos infralegais de regulamentação ou normatização de atos legais, é de se reconhecer que os atos posteriores à IN RFB 900/2008, especialmente a IN RFB 1.300/2012 e o Decreto nº 7.574/2011 nada mais fizeram que corrigir a impropriedade da IN RFB 900/2008 e anteriores, que estabeleceram distinção entre indeferimento por não formulação e indeferimento em outros casos, sem suporte legal, uma vez que o artigo 74 da Lei nº 9.430/1996 estabeleceu distinção apenas entre compensação nãohomologada e compensação nãodeclarada, em seus §§ 12 e 13. Diante do exposto, voto por devolver os autos à DRJ para que se profira nova decisão, a partir do conhecimento das alegações realizadas em manifestação de inconformidade relativas ao pedido de restituição considerado não formulado. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 172DF CARF MF Processo nº 11543.003645/200849 Acórdão n.º 3302005.706 S3C3T2 Fl. 173 10 Fl. 173DF CARF MF
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