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Numero do processo: 10920.007263/2007-04
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jul 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2005
NULIDADE.
No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento não há que se falar em nulidade do ato em litígio.
DEVER DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO LANÇAMENTO.
Cabe ao Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil, na atribuição do exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil em caráter privativo, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.
OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA.
A pessoa jurídica optante pelo Simples fica sujeita à presunção legal de omissão de receita caracterizada pelos valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
MULTA ISOLADA. FALTA DE CUMPRIMENTO DAS OBRIGAÇÕES TRIBUTÁRIAS. LUCRO REAL ANUAL.
A pessoa jurídica que adota o regime de tributação do lucro real optante pela apuração anual que não cumprir as obrigações tributárias fica sujeita à multa cinquenta por cento, aplicada isoladamente, calculada sobre o montante das parcelas dos tributos estimados não recolhidos ou das insuficiências apuradas.
DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA.
Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
LANÇAMENTOS DECORRENTES.
Os lançamentos de PIS, de CSLL, e de COFINS, sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ.
CONCOMITÂNCIA DA MULTA ISOLADA COM A DEVIDA POR FALTA DE PAGAMENTO DE TRIBUTO OU CONTRIBUIÇÃO - Descabe a concomitância da multa isolada por falta de recolhimento da estimativa de que trata o art. 2º da Lei nº 9.430/96 com a multa proporcional ao imposto devido lançado, sob pena de aplicar-se dupla penalidade sobre uma mesma infração.
Numero da decisão: 1801-001.695
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento em parte ao recurso voluntário, para afastar a concomitância entre as exigências da multa isolada e da multa de ofício aplicadas sobre a omissão das receitas. Vencidos os Conselheiros (Relatora) Carmen Ferreira Saraiva e Roberto Massao Chinen que mantinham a exigência das multas aplicadas. Designado o Conselheiro Marcos Vinícius Barros Ottoni para redigir o Voto Vencedor.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora
(assinado digitalmente)
Marcos Vinícius Barros Ottoni Redator Designado
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Henrique Heiji Erbano e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento não há que se falar em nulidade do ato em litígio. DEVER DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO LANÇAMENTO. Cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, na atribuição do exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil em caráter privativo, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. A pessoa jurídica optante pelo Simples fica sujeita à presunção legal de omissão de receita caracterizada pelos valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. MULTA ISOLADA. FALTA DE CUMPRIMENTO DAS OBRIGAÇÕES TRIBUTÁRIAS. LUCRO REAL ANUAL. A pessoa jurídica que adota o regime de tributação do lucro real optante pela apuração anual que não cumprir as obrigações tributárias fica sujeita à multa cinquenta por cento, aplicada isoladamente, calculada sobre o montante das parcelas dos tributos estimados não recolhidos ou das insuficiências apuradas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 72 63 /2 00 7- 04 Fl. 1703DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/04/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTO NI, Assinado digitalmente em 14/06/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10920.007263/200704 Acórdão n.º 1801001.695 S1TE01 Fl. 1.912 2 DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Os lançamentos de PIS, de CSLL, e de COFINS, sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ. CONCOMITÂNCIA DA MULTA ISOLADA COM A DEVIDA POR FALTA DE PAGAMENTO DE TRIBUTO OU CONTRIBUIÇÃO Descabe a concomitância da multa isolada por falta de recolhimento da estimativa de que trata o art. 2º da Lei nº 9.430/96 com a multa proporcional ao imposto devido lançado, sob pena de aplicarse dupla penalidade sobre uma mesma infração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento em parte ao recurso voluntário, para afastar a concomitância entre as exigências da multa isolada e da multa de ofício aplicadas sobre a omissão das receitas. Vencidos os Conselheiros (Relatora) Carmen Ferreira Saraiva e Roberto Massao Chinen que mantinham a exigência das multas aplicadas. Designado o Conselheiro Marcos Vinícius Barros Ottoni para redigir o Voto Vencedor. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora (assinado digitalmente) Marcos Vinícius Barros Ottoni – Redator Designado Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Henrique Heiji Erbano e Ana de Barros Fernandes. Relatório Fl. 1704DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/04/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTO NI, Assinado digitalmente em 14/06/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10920.007263/200704 Acórdão n.º 1801001.695 S1TE01 Fl. 1.913 3 I Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às fls. 16461654, com a exigência do crédito tributário no valor de R$81.375,06, a título de Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), juros de mora e multa de ofício proporcional e multa isolada por falta de recolhimento do tributo determinado sobre a base de cálculo estimada referente ao anocalendário de 2002, apurado pelo regime de tributação com base no lucro real anual, em conformidade do o Termo de Verificação Fiscal, fls. 16851720. O lançamento fundamentase nas infrações que se seguem: Item 1 – Omissão de receitas pela não contabilizadas no valor R$2.025,00 decorrente de ressarcimento de despesas da pessoa jurídica Origem Borrax Tecnologia da Borracha Ltda, fl.1709; Item 2 – Omissão de receitas de depósitos bancários não escriturados no valor total de R$178.442,97, fl. 1713, cuja apuração foi efetivada a partir dos valores creditados na contacorrente nº 60925 da agência nº 04057 do Banco do Brasil S/A, fls. 169 191, na contacorrente nº 095.6360 da agência nº 0000 do Banco de Santa Catarina S/A, fls. 192203 e na contacorrente nº 058.4441 da agência nº 0000 do Banco de Santa Catarina S/A, fls. 204246, em relação aos quais a Recorrente titular, regularmente intimada, não comprovou a origem dos recursos utilizados nestas operações mediante documentação hábil e idônea coincidente em datas e valores, de acordo com os extratos bancários por ela fornecidos espontaneamente e as informações constantes nas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), fls. 0815 e 108119, e na Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), fls. 1661 e 120158 do anocalendário 2002. Item 3 – Ganhos de capital pela alienação de ações de linha telefônica no valor de R$447,95, fl. 1710; Item 4 – Multa isolada por falta de recolhimento de IRPJ determinado sobre a base de cálculo estimada no valor de R$13.959,08, fl. 1716. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 42 e art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), art. 3º da Lei nº 9.732, de 11 de dezembro de 1998, bem como art. 222, art. 247, art. 248, art. 249, art. 251, art. 278, art. 279, art. 280, art. 283, art. 287, art. 288, art. 381, art. 418 e art. 843, do Regulamento do Imposto de Renda constante no Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR, de 1999). Em decorrência de serem os mesmos elementos de provas indispensáveis à comprovação dos fatos ilícitos tributários foram constituídos os seguintes créditos tributários pelos lançamentos formalizados neste processo: II O Auto de Infração às fls. 16551662 com a exigência do crédito tributário no valor de R$3.048,16 a título de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), juros de mora e multa de ofício proporcional. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: alínea “b” do art. 3º da Lei Complementar nº 7, de 7 de setembro de 1970, parágrafo único do art. 1º da Lei Complementar nº 17, de 12 de dezembro de 1973, art. 2º, art. 3º e art. 8º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, e art. 1º, art. 3º e art. 4º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002. Fl. 1705DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/04/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTO NI, Assinado digitalmente em 14/06/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10920.007263/200704 Acórdão n.º 1801001.695 S1TE01 Fl. 1.914 4 III – O Auto de Infração às fls. 16631669 com a exigência do crédito tributário no valor de R$14.136,56 a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), juros de mora e multa de ofício proporcional. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 1º da Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 2º, art. 3º e art. 8º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, art. 2º, art. 3º, art. 10, art. 22, art. 51 e art. 91 do Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2001 e art. 2º e art. 3º da Lei nº 9.715, de 25 de novembro de 1998 IV – O Auto de Infração às fls. 16701684 com a exigência do crédito tributário no valor de R$48.985,05 a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), juros de mora e multa de ofício proporcional e multa isolada por falta de recolhimento do tributo determinado sobre a base de cálculo estimada. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 2º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, art. 19 e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 28 e art, 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 1º da Lei nº 9.316, de 22 de novembro de 1996, bem como art. 222 e art. 843, do Regulamento do Imposto de Renda constante no Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR, de 1999). Cientificada em 14.12.2007, fls. 1650, 1660, 1667 e 1672, a Recorrente apresenta a impugnação em 27.12.2007, fls. 17271735, com as alegações abaixo transcritas. Suscita que O auditor fiscal, ao proceder as deduções dos valores lançados no exercício de 2002, como dito cometeu certas falhas, deixando de deduzir da base de cálculo utilizada para o lançamento que se combate diversos valores. O primeiro deles é referente à venda do automóvel marca BMW 3251A SC4 ano 1995, na cor azul, chassis WBAA25A4SSAA03835, o qual foi vendido pelo valor de R$30.000,00 (trinta mil reais) conforme faz prova documentação anexa, quais sejam livro razão, ativo imobilizado e livro diário geral, além de constar da declaração de imposto de renda. Ocorre porém, que o auditor fiscal considerou como valor de venda a quantia de R$25.000,00 (vinte e cinco mil reais), e não o valor efetivamente praticado na transação de R$30.000,00, conforme contabilizado no livro razão de fls. 114, 118, 122 e 123. Desta forma, o agir do auditor fiscal resultou num aumento da base de cálculo para fins de apuração dos tributos supostamente devidos na ordem de R$5.000,00 (cinco mil reais), logo deduzindo a origem no mesmo valor. Mas não é só. No mesmo exercício, a Impugnante procedeu a venda de imóvel de sua propriedade, qual seja um apartamento de n° 302, no edifício Touluse. O imóvel foi vendido ao preço de R$60.000,00 (sessenta mil reais). Deste valor a quantia de R$50.000,00 (cinqüenta mil reais) foi recebida pela Impugnante no exercício de 2002. Fl. 1706DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/04/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTO NI, Assinado digitalmente em 14/06/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10920.007263/200704 Acórdão n.º 1801001.695 S1TE01 Fl. 1.915 5 Estes valores devidamente registrados na contabilidade da Impugnante foram ignorados pela fiscalização, novamente gerando indevido aumento na base de cálculo dos tributos apurados pelo auditor fiscal. Para provar a origem dos valores juntase neste ato o contrato de compra do imóvel, a escritura pública de compra e venda, por meio da qual a Impugnante alienou o imóvel a sra. Odésia Wust, o contrato particular e compra e venda do imóvel, os recebidos de pagamento dos valores relativos ao imóvel, e cópia do ativo imobilizado de 2002, do balcão de 2003, razão analítico de 2003, livro de listagem do imobilizado de 2003, imposto de renda da sra. Odésia Wust. Conforme documentação anexa, o custo total do imóvel foi de R$65.065,32. Assim, se procedermos ao lançamento proporcional ao recebimento do ano de 2002 no valor de R$54.221,10, temse o aumento do prejuízo para o citado exercício em R$4.211,10, ou seja, geraremos um imposto e contribuição social ainda menores a serem recolhidos, bem como se diminuirá o PIS e a COFINS, indevidamente lançados, pois, aumentando as origens pelo ingresso inconteste de R$50.000,00 devidamente lançados na conta de adiantamento de clientes no passivo, deduzse a base de cálculo também destas contribuições. Os cálculos anexos demonstram a situação apontada, e foram realizados com os mesmos critérios utilizados pelo auditor fiscal. Porém, as irregularidades não se limitam ao até agora exposto. O auditor fiscal também não considerou empréstimos tomados pela Impugnante durante o exercício de 2002. Durante o exercício de 2002, a Impugnante também tomou emprestado do sr. Vitor Luiz Possenti, sócio majoritário da Impugnante, a quantia de R$57.000,00 (cinqüenta e sete mil reais). Estes valores foram emprestados à Impugnante nas competências de abril/02 (R$25.000,00), maio/02 (R$8.000,00), junho/02 (R$8.000,00), julho/02 (R$8.000,00), outubro/02 (R$8.000,00). Embora a Impugnante tenha procedido aos registros das entradas dos empréstimos em seus livros contábeis, bem como apresentado recibos dos valores, toda esta documentação foi novamente ignorada pelo agente fiscal. Juntase cópia dos recebidos do razão analítico da Impugnante. Mas não é só. Junta à presente a declaração de imposto de renda de Vitor Luiz Possenti, que comprova que o mesmo possuía fundos suficientes para proceder à disponibilização dos valores em 2002. Vejase que o empréstimo ocorreu no citado exercício, e neste mesmo exercício a Impugnante logrou quitar o mesmo, motivo pelo qual a situação não foi lançada na declaração de imposto de renda do Sr. Vitor, porém como dito o mesmo possuiu fundos para efetuar os empréstimos. Assim, não existe base legal para que o auditor fiscal desconsidere os valores lançados a título de mútuo e que foram lançados na contabilidade da Impugnante, além de estar comprovada a origem dos valores. Assim, diante dos fatos até o momento narrados é possível verificar que à base de cálculo do auto de infração houve o indevido acréscimo da quantia de R$112.000,00 (cento e doze mil reais). Fl. 1707DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/04/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTO NI, Assinado digitalmente em 14/06/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10920.007263/200704 Acórdão n.º 1801001.695 S1TE01 Fl. 1.916 6 Logo no que se refere ao Imposto de renda da pessoa jurídica, o valor do imposto devido seria de R$9.996,03, e não de R$26.813,02, conforme lançado pelo auditor fiscal, se este tivesse observado as situações acima apontadas. Para a contribuição social sobre o lucro, o lançamento do auditor fiscal foi de R$16.283,32. Porém, se corretamente deduzidos os valores IR apontados da base de cálculo, o valor a recolher seria de R$5.997,62. Igualmente houve o indevido lançamento de valores relativos ao PIS, eis que o auditor fiscal lançou o montante de R$1.167,26, quando os valores deveriam ser de R$471,81, e quanto a COFINS houve o lançamento total de R$5.414,30, sendo que o valor correto, diante das colocações acima, seria de R$2.177,57. Obviamente que a consideração dos fatos expostos reflete não só no montante dos tributos em si, mas também no montante lançamento a título de juros e multa, reduzindo de forma extrema o montante lançado. Mas não é só, eis que há irregularidades também no que concerne a aplicação da multa. DA MULTA Estranhamente o agente fiscal efetuou o lançamento de duas multas sobre os valores constantes no auto de infração. A primeira teve por base o disposto no artigo art. 80, inc. 1 da Lei 4.502/64, com redação conferida pelo artigo 45 da lei 9.430/96. [...] Ora, totalmente descabida a multa prevista no artigo acima transcrito ao caso que se apresenta, eis que o mesmo se refere ao não lançamento, lançamento incompleto ou não recolhimento de Imposto sobre Produtos Industrializados IPI. O auto de infração combatido não trata, em momento algum, do citado imposto. Aliás, nem poderia ser de forma diversa, eis que a atividade desenvolvida pela Impugnante não se refere a industrialização de produtos ou a aquisição de produtos industrializados. A empresa é prestadora de serviços, não se sujeita ao pagamento de IPI. Logo descabida a multa aplicada. Não bastasse a irregularidade apontada, o auditor fiscal cometeu outro equívoco ao proceder ao lançamento de multa isolada, com base no disposto no artigo 44, inc. II, b da lei 9.430, com as alterações da Lei 11.488/07 [...]. O que se vê no presente caso é uma dupla aplicação de penalidade sobre a mesma base de incidência, o que de forma alguma pode ser aceito. Por outro lado, a própria multa que pretende o agente fiscal aplicar já traz em sua denominação a finalidade da mesma, qual seja, ser aplicada de forma isolada, e não de forma concomitante com a multa de ofício. Muito mais não há o que ser dito sobre o tema, eis que o Conselho de Contribuinte já vem decidindo a presente matéria de forma pacífica e unânime, em benefício do contribuinte, que não pode, como no caso presente, ser duplamente penalizado. [...] Fl. 1708DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/04/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTO NI, Assinado digitalmente em 14/06/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10920.007263/200704 Acórdão n.º 1801001.695 S1TE01 Fl. 1.917 7 Diante da vasta jurisprudência colacionada, jurisprudência esta emanada do Egrégio Conselho de Contribuintes, e que se requer a total exclusão da multa aplicada no auto de infração ora combatido. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui Por todo o exposto, requerse: seja excluído do presente auto de infração os valores acima apontados, eis que devidamente comprovados a origem dos mesmos bem como seu devido lançamento nos livros contábeis da empresa; a exclusão da multa aplicada com base no artigo 80, inc. I, da Lei 4.502/164, eis que inaplicável à espécie, pois que no caso em tela não se esta tratando de IPI. seja determinada exclusão da multa prevista no artigo 44, inciso II da Lei 9.430/96, eis que a mesma não pode ser cumulada com a aplicação da multa de ofício. Informa por oportuno, que está procedendo ao pagamento da parte que julga incontroversa, com a devida redução da mula de ofício em 50%, bem que como procedeu à atualização dos tributos devidos (IRPJ, PIS, COFINS e CSLL), até a data de 11 de janeiro de 2008, conforme comprovam cópias anexas. Pede deferimento. Temse que os valores dos tributos da parcela litigiosa devolvida para reexame na primeira instância de julgamento do anocalendário de 2002 constam na Tabela 1. Tabela 1 Valores dos tributos das parcela litigiosa devolvida para reexame na primeira instância de julgamento do anocalendário de 2002 Crédito Tributário Tributo (A) Valor do Lançamento R$ (B) Valor Extinto por Pagamento R$ (C) Valor Litigioso R$ D = (BC) IRPJ 26.813,02 9.996,07 16.816,95 PIS 1.181,98 468,45 713,53 CSLL 16.283,32 5.997,62 10.285,70 Cofins 5.414,30 2.162,06 3.252,24 Multa Isolada IRPJ de Estimativa 13.959,09 0,00 13.959,09 Multa Isolada CSLL de Estimativa 8.043,92 0,00 8.043,92 Está registrado como resultado do Acórdão da 3ª TURMA/DRJ/FNS/SC nº 0721.926, de 05.11.2010, fls. 18741884: “Impugnação Procedente em Parte” para acatar como correta a alegação da Recorrente em relação ao valor de R$30.000,00 na alienação do automóvel, cujo chassis tem nº WBAA25A4SSAA03835. Fl. 1709DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/04/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTO NI, Assinado digitalmente em 14/06/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10920.007263/200704 Acórdão n.º 1801001.695 S1TE01 Fl. 1.918 8 Temse que os valores dos tributos da parcela litigiosa excluída na primeira instância de julgamento do anocalendário de 2002 constam na Tabela 2. Tabela 2 Valores dos tributos da parcela litigiosa excluída na primeira instância de julgamento do anocalendário de 2002 Crédito Tributário Tributo (A) Valor do Litígio de Reexame na DRJ R$ (B) Valor Excluído pela DRJ R$ (C) Valor do Litígio Remanescente R$ D = (BC) IRPJ 16.816,95 200,98 16.615,97 PIS 713,53 14,72 698,81 CSLL 10.285,70 80,28 10.295,42 Cofins 3.252,24 26,76 3.205,42 Multa Isolada IRPJ de Estimativa 13.959,09 66,91 13.892,18 Multa Isolada CSLL de Estimativa 8.043,92 40,15 8.003,77 Restou ementado ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2002 Depósitos Bancários. Origens. Presunção Legal. Omissão de Receita. Caracterizam como omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Constatado que, por equívoco no levantamento fiscal, não foi considerado o valor correto como origem de recursos/depósitos, de se retificar o lançamento. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 28/02/2002, 31/03/2002, 31/05/2002, 30/06/2002, 31/07/2002, 31/08/2002, 30/09/2002, 31/10/2002, 30/11/2002, 31/12/2002, 31/01/2003 Multa Isolada. Falta de Recolhimento do IRPJ e CSLL sobre base de cálculo estimada mensal. Cabível a multa isolada decorrente do recálculo da base estimada mensal em face da omissão de receitas. Esta multa não se confunde com a multa de ofício aplicada sobre imposto/CSLL não recolhido no final de seu período de apuração, pois tais penalidades incidem sobre bases de cálculo distintas, associadas, assim, a condutas diferentes. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/12/2002 Fl. 1710DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/04/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTO NI, Assinado digitalmente em 14/06/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10920.007263/200704 Acórdão n.º 1801001.695 S1TE01 Fl. 1.919 9 PIS. COFINS. CSLL. Lançamentos Decorrentes. Efeitos da decisão relativa ao lançamento principal (IRPJ). Em razão da vinculação entre o lançamento principal (IRPJ) e os que lhe são decorrentes, devem as conclusões relativas àquele prevaleceram na apreciação destes, desde que não presentes argüições específicas ou elementos de prova novos. Notificada em 21.01.2011, fl. 1.886, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 14.02.2011, fls. 18901899, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge reiterando os argumentos apresentados na impugnação, em especial as alegações referentes às multas isoladas de IRPJ e de CSLL determinados sobre a base de cálculo estimada. Acrescenta A recorrente procedeu a venda de imóvel de sua propriedade, qual seja, um apartamento de n° 302, no edifício Touluse, pelo preço de R$60.000,00 (sessenta mil reais), dos quais $50.000,00 (cinqüenta mil reais) foram recebidos pela Recorrente no exercício de 2002. Tais valores, em que pesem terem sido devidamente registrados na contabilidade da Recorrente, foram ignorados pela fiscalização, e agora novamente ignorados pela turma julgadora. [...] Como se vê para turma julgadora, o fato inquestionável de a recorrente ter alienado bem de seu patrimônio, e a documentação que de forma cabal comprova tal situação digase: o contrato particular de compra e venda do imóvel,os recebidos de pagamento dos valores relativos ao imóvel, e cópia do ativo imobilizado de 2002, do balanço de 2003, razão analítico de 2003, livro de listagem do imobilizado de 2003, imposto de renda da sra. Odésia Wust (compradora), de nada valem, sendo que para a fiscalização e para turma julgadora, apenas o depósito bancário seria único o modo se comprovar a venda. Consoante a documentação acima relacionada, e que foi integralmente anexada à Impugnação, o custo total do imóvel foi de R$65.065,32. Logo, em se procedendo ao lançamento proporcional do recebimento do ano de 2002 no valor de R$54.221,10, temse o aumento do prejuízo para o citado exercício em R$4.211,10, ou seja, gerase um imposto e contribuição social ainda menores a serem recolhidos, bem como se diminuirá o PIS e a COFINS, indevidamente lançados, pois, aumentando as origens pelo ingresso inconteste de R$50.000,00 devidamente lançados na conta de adiantamento de clientes no passivo, deduzse a base de cálculo também destas contribuições. Juntouse cálculos da situação exposta. Assim, não há como se admitir a interpretação dada pela fiscalização de que apenas o depósito bancário poderia confirmar a operação efetuada. Igualmente remanesce irregularidade relativa aos empréstimos tomados pela Recorrente durante o exercício de 2002. No exercício citado (2002), a Recorrente tomou emprestado do sr. Vitor Luiz Possenti, sócio majoritário da Recorrente, a quantia de R$57.000,00 (cinqüenta e sete mil reais). O ingresso de tais valores a título de empréstimos ingressaram na empresa nas seguintes datas: abril/02 (R$25.000,00), maio/02 (R$8.000,00), junho/02 (R$8.000,00), julho/02 (R$8.000,00), outubro/02 (R$8.000,00). [...] Fl. 1711DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/04/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTO NI, Assinado digitalmente em 14/06/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10920.007263/200704 Acórdão n.º 1801001.695 S1TE01 Fl. 1.920 10 A Recorrente igualmente anexou os documentos que comprovam o mútuo: recibos, razão analítico, declaração de imposto de renda de Vitor Luiz Possenti, que comprova que o mesmo possuía fundos suficientes para proceder à disponibilização dos valores em 2002. O empréstimo ocorreu no citado exercício (2002), e neste mesmo exercício a Recorrente logrou quitar o mesmo, motivo pelo qual a situação não foi lançada na declaração de imposto de renda do sr, Vitor, porém como dito o mesmo possuía fundos para efetuar os empréstimos. [...] Como dito, estase ignorando a origem devidamente contabilizada pela recorrente, eis que para a Fiscalização, bem como para a turma julgadora a origem de valores se comprova tão somente pela movimentação bancária, não se dando qualquer validade a estrita observância dos procedimentos contábeis adotados pela Recorrente. Ora, no caso como que se apresenta, muito comum que o empréstimo em questão se materialize através do pagamento direto dos compromissos da empresa pelo mutuante que no caso em questão tratavase de sócio majoritário da empresa. Não há base legal para que se desconsidere os valores lançados a título de mútuo e que foram devidamente contabilizados pela Recorrente. Diante dos fatos até o momento narrados é possível se verificar que na base de cálculo do auto de infração houve o indevido acréscimo da quantia de R$107.000,00 (cento e sete mil reais). [...] Conclui Por todo o exposto, requerse a integral reforma da decisão proferida, para o fim de reconhecer a origem dos valores movimentados pela Recorrente, haja vista a vasta documentação colacionada que prova a regularidade dos atos praticados. Em assim não entendendo este Egrégio Conselho Administrativo, que se determine a exclusão da multa isolada indevidamente aplicada. Pede deferimento. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Vencido Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos. Fl. 1712DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/04/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTO NI, Assinado digitalmente em 14/06/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10920.007263/200704 Acórdão n.º 1801001.695 S1TE01 Fl. 1.921 11 Cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no exercício da competência da RFB, em caráter privativo constituir o crédito tributário pelo lançamento. Esta atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, ainda que ele seja de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. É a autoridade legitimada para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. Nos casos em que dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário, os Autos de Infração podem ser lavrados sem prévia intimação à pessoa jurídica no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do seu estabelecimento, os quais devem estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. Estes atos administrativos, sim, não prescindem da intimação válida para que se instaure o processo, vigorando na sua totalidade os direitos, deveres e ônus advindos da relação processual de modo a privilegiar as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes1. Os Autos de Infração foram lavrados por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, que verificou a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinou a matéria tributável, calculou o montante do tributo devido, identificou o sujeito passivo, aplicou a penalidade cabível e determinou a exigência com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprila ou impugnála no prazo legal. A decisão de primeira instância está motivada de forma explícita, clara e congruente e da qual a pessoa jurídica foi regularmente cientificada. Assim, estes atos contêm todos os requisitos legais, o que lhes conferem existência, validade e eficácia. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos, em observância às garantias ao devido processo legal. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. A Recorrente menciona que o lançamento não poderia ter sido formalizado. Na atribuição do exercício da competência da RFB, em caráter privativo, cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário pelo lançamento, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Cabe ressaltar que o lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação à pessoa jurídica, nos casos em que a autoridade dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. Também pode ser efetivado por autoridade de jurisdição diversa do domicílio tributário da pessoa jurídica e fora do estabelecimento, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador2. O Auto de Infração foi lavrado com a verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinação da matéria tributável, cálculo do montante do tributo devido, identificação do sujeito passivo, aplicação da penalidade cabível e validamente cientificada a Recorrente, o que lhe conferem existência, validade e eficácia. A contestação aduzida pela defendente, por isso, não pode ser sancionada. 1 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional. art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 9º, art. 10, art. 23 e 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, Decreto nº 6.104, de 30 de abril de 2007, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 6, 8, 27 e 46. 2 Fundamentação legal: art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 10 e art. 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 8, 27 e 46. Fl. 1713DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/04/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTO NI, Assinado digitalmente em 14/06/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10920.007263/200704 Acórdão n.º 1801001.695 S1TE01 Fl. 1.922 12 A Recorrente discorda da apuração da omissão de receitas com base em depósitos bancários. A autoridade fiscal tem o direito de examinar a escrituração e os documentos comprobatórios dos lançamentos nela efetuados e a pessoa jurídica tem o dever de exibilos e conserválos até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial, bem como de prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada, independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. Fica sujeita a todas as presunções de omissão de receitas existentes na legislação tributária a pessoa jurídica optante pelo Simples. Caracteriza omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Positivada em uma norma com os atributos de ser abstrata, geral, imperativa e impessoal, há presunção de ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, o que afasta a obrigatoriedade de a Fazenda Pública comprovar a relação de causalidade entre o fato e o ilícito tributário. Cabe à pessoa jurídica o ônus de provar a veracidade de fatos registrados na sua escrituração de modo a desconstituir inequivocamente a relação jurídica presumida. É determinada mensalmente pelo somatório de cada crédito, que deve ser analisado de forma individual, observando que os depósitos de um mês não servem para comprovar a origem de depósitos havidos em meses subsequentes. A sua titularidade, via de regra, pertence à pessoa jurídica indicada nos dados cadastrais. Podem ser excluídos, mediante demonstração inequívoca, os créditos decorrentes de transferências de outras contas do própria pessoa jurídica, de mútuos destinados a fins econômicos, de cheques objeto de devolução e de resgates de aplicações financeiras. Assim, é regular o procedimento de fiscalização que, após a análise da sua escrituração, examina os documentos referentes à sua movimentação financeira para verificar a compatibilidade entre as informações. Constatada a disparidade a pessoa jurídica é intimado a demonstrar a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito. Os valores, em relação aos quais não foram evidenciadas as origens, presumem receitas omitidas, o que dispensa a autoridade administrativa de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada3. Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática tendo em vista os documentos já analisados pela autoridade de primeira instância de julgamento e aqueles produzidos em sede de recurso voluntário. 3 Fundamentação legal: art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 1º e art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 2º, art. 5º e art. 18 da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996 e Súmulas CARF nºs 06, 30, 32 e 61. Fl. 1714DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/04/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTO NI, Assinado digitalmente em 14/06/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10920.007263/200704 Acórdão n.º 1801001.695 S1TE01 Fl. 1.923 13 Em relação à venda de imóvel a Sra. Odésia Wust, pelo preço de R$60.000,00 (sessenta mil reais), dos quais $50.000,00 (cinqüenta mil reais) foram recebidos em 2002, cabe ressaltar que não consta na DIPJ a venda de ativo imobilizado, mas tãosomente o recebimento no valor de R$50.000,00, registrado no passivo circulante, fl. 57, conforme se verifica pela análise do Balanço Patrimonial, fl. 58. Ademais, não há qualquer depósito nesse montante na planilha denominada “Anexo ao Termo de Intimação nº 07/2007”, fls. 15891604. O processo está instruído com os recibos emitidos pela Recorrente desses valores em nome da Sra. Odésia Wust a título de “adiantamento para aquisição do imóvel: apto 302 do Edifício Toulouse, localizado em Barra Velha/SC”, fls. 17941796. Temse que não há comprovação de que esses valores foram creditados na contacorrente. Por essa razão não podem comprovar a origem dos recursos utilizados nas operações mediante documentação hábil e idônea coincidente em datas e valores, de acordo com os extratos bancários. A contestação proposta pela defendente, dessa maneira, não se confirma. No que se refere ao contrato de mútuo ajustado entre o Sr. Vitor Luiz Possenti, sócio majoritário da Recorrente, na quantia de total de R$57.000,00 nas seguintes datas: “abril/02 (R$25.000,00), maio/02 (R$8.000,00), junho/02 (R$8.000,00), julho/02 (R$8.000,00), outubro/02 (R$8.000,00)”, vale esclarecer que o processo está instruído com os recibos emitidos pela Recorrente desses valores em nome do Sr. Vitor Luiz Possenti a título de “proveniente de empréstimo”, fls. 18491851. Temse que não há comprovação de que esses valores foram creditados na contacorrente ou que foram depositados, bem como que foram depositados na planilha denominada “Anexo ao Termo de Intimação nº 07/2007”, fls. 1589 1604. Nesse sentido não podem comprovar a origem dos recursos utilizados nas operações mediante documentação hábil e idônea coincidente em datas e valores, de acordo com os extratos bancários. A tese protetora exposta ela defendente, assim sendo, não está demonstrada. A omissão foi determinada mensalmente pelo somatório de cada crédito, que foi analisado de forma individual, procedimento que foi rigorosamente observado pelas autoridades fiscais, de modo que cada valor creditado em conta de depósito ou de investimento mantida junto às instituições financeiras, a Recorrente titular foi regularmente intimada não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Não foram produzidos no processo novos elementos de prova, de modo que o conjunto probatório já produzido evidencia que o procedimento de ofício está correto. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. A Recorrente discorda da aplicação da aplicação da multa de ofício isolada. A pessoa jurídica que adota o regime de tributação do lucro real pode optar pela apuração anual de IRPJ e de CSLL, o que lhe impõe o pagamento destes tributos em cada mês, determinados sobre base de cálculo estimada, ainda que venha a apurar prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa no balanço encerrado em 31 de dezembro do anocalendário. Pode, todavia, suspender ou reduzir os pagamentos dos tributos devidos em cada mês, desde que demonstre, mediante de balanços ou balancetes mensais, que as quantias acumuladas já recolhidas excedem os valores dos tributos devidos referentes ao período em curso. Para tanto, estes balanços ou balancetes devem ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário e a demonstração do lucro real relativa ao período deve ser transcrita no Livro de Apuração do Lucro Real (Lalur). Fl. 1715DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/04/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTO NI, Assinado digitalmente em 14/06/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10920.007263/200704 Acórdão n.º 1801001.695 S1TE01 Fl. 1.924 14 O pressuposto é de que a norma jurídica secundária impõe uma sanção em decorrência da inobservância da conduta prescrita na norma jurídica primária. A multa de natureza tributária, penalidade que tem como fonte a lei é imposta em razão do inadimplemento de uma obrigação legal principal ou acessória e expressa a obrigação de dar determinada quantia em dinheiro ao sujeito passivo. Por esta razão, caso as obrigações tributárias mencionadas não sejam cumpridas a pessoa jurídica fica sujeita à multa de 50% (cinquenta por cento), aplicada isoladamente, calculada sobre o montante das parcelas dos tributos não recolhidos ou das insuficiências apuradas. Este percentual foi fixado a partir 15.06.2007, abrandando aquele originalmente previsto. Assim, para os atos não definitivamente julgados em for imposta a penalidade em percentual mais severo previsto na lei vigente ao tempo da sua prática, a lei superveniente mais branda aplicase ao ato pretérito, tendo em vista a excepcionalidade prevista no princípio da retroatividade benigna4. A aplicação da multa de ofício proporcional pressupõe a constituição do crédito tributário pelo lançamento direito, diante da constatação dos ilícitos tributários previsto na legislação de regência. Distinta é aplicação da multa de ofício isolada por falta de recolhimento de IRPJ e de CSLL determinados sobre a base de cálculo estimada. Essas infrações são passíveis de penalidades distintas, previstas em diferentes dispositivos da legislação. Vale esclarecer que a previsão legal que possibilita a imposição de mais de uma penalidade no mesmo Auto de Infração é admissível, desde que se trate de ilícitos distintos5, como é o caso tratado no presente processo. Ademais, os presentes autos não estão instruídos com a comprovação dos pagamentos integrais, tampouco com as transcrições no Livro Diário dos balanços ou balancetes mensais de suspensão ou de redução e no Lalur da demonstração do lucro real do respectivo período. Nesse sentido, não foram produzidos no processo novos elementos de prova, de modo que o conjunto probatório já produzido evidencia que o procedimento de ofício está correto. A conclusão oferecida pela defendente, porém, não pode subsistir. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso6. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade7. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. O nexo causal entre as exigências de créditos tributários, formalizados em autos de infração instruídos com todos os elementos de prova, determina que devem ser objeto 4 Fundamentação legal: art. 106 do Código Tributário Nacional, art. 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, art. 2º e art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 13 da Instrução Normativa SRF nº 93, de 24 de dezembro de 1997 e art. 14 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007. 5 Fundamentação legaç: art. 74 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. 6 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 7 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. Fl. 1716DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/04/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTO NI, Assinado digitalmente em 14/06/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10920.007263/200704 Acórdão n.º 1801001.695 S1TE01 Fl. 1.925 15 de um único processo no caso em que os ilícitos dependam da mesma comprovação e sejam relativos ao mesmo sujeito passivo 8.. Os lançamentos de PIS, de CSLL e de COFINS sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ. Em assim sucedendo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 8 Fundamentação legal: art. 9º do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Voto Vencedor Conselheiro Marcos Vinícius Barros Ottoni, Redator Designado Em que pese a acuidade que sempre caracterizam os votos da Conselheira Relatora, no que tange à concomitância entre a multa de ofício isolada e a multa de ofício de 75%, d.m.v., ouso discordar de suas conclusões. Isto porque tenho por incabível a aplicação da multa de ofício por ausência do pagamento por estimativa, cumulada com a multa de ofício exigida para cobrança do tributo, posto que ambas penalidades decorrem do mesmo ato, sobre um mesmo tributo e com mesmo fato gerador. Ademais, tais penalidades versam sobre uma obrigação acessória que, no caso dos autos, fora apurada após o encerramento do anocalendário, sem repercussão na órbita do tributo. Deve prevalecer, neste ponto, apenas o imposto (definitivo) efetivamente apurado com base no lucro real ou porque se apurou prejuízo no anocalendário Neste sentido a jurisprudência deste Conselho: IRPJ CSLL RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA MULTA ISOLADA Encerrado o período de apuração do imposto de renda, a exigência de recolhimentos por estimativa deixa de ter sua eficácia, uma vez que prevalece a exigência do imposto efetivamente devido apurado, com base no lucro real, em declaração de rendimentos apresentada tempestivamente, revelandose improcedente e cominação de multa sobre eventuais diferenças, mormente quando verificado o prejuízo no anocalendário. Acórdão 1032103 (g.n.). CONCOMITÂNCIA DA MULTA ISOLADA COM A DEVIDA POR FALTA DE PAGAMENTO DE TRIBUTO OU Fl. 1717DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/04/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTO NI, Assinado digitalmente em 14/06/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10920.007263/200704 Acórdão n.º 1801001.695 S1TE01 Fl. 1.926 16 CONTRIBUIÇÃO – Descabe a concomitância da multa isolada por falta de recolhimento da estimativa de que trata o art. 2º da Lei nº 9.430/96 com a multa proporcional ao imposto devido lançado, sob pena de aplicarse dupla penalidade sobre uma mesma infração. Acórdão 10708001. (g.n.). MULTA ISOLADA – INEXISTÊNCIA DE TRIBUTO A RECOLHER – DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA (art. 44, parágrafo 1º, inciso IV da Lei nº 9.430/96) – A exigência da multa isolada prevista na legislação de regência não tem cabimento se o descumprimento versa sobre desatendimento de mera obrigação acessória apurada após o encerramento do ano calendário, sem repercussão na órbita do tributo. Acórdão CSRF/0104.263. (g.n.). PENALIDADES RECOLHIMENTO TRIBUTÁRIO POR ESTIMATIVA MULTA DE OFÍCIO Falece legalidade a aplicação de multa de ofício sobre tributo objeto de recolhimento com base em estimativa, visto, não se inserir esta última no conceito de fato gerador do imposto de renda e da contribuição social de pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real. Acórdão 10416.357. Forte em tais razões, dou parcial provimento ao recurso voluntário para exonerar a multa de ofício isolada, concomitante com a multa de ofício para exigência do tributo. (assinado digitalmente) Marcos Vinícius Barros Ottoni Fl. 1718DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/04/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTO NI, Assinado digitalmente em 14/06/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 15987.000238/2009-01
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007
CONTRIBUIÇÃO SOCIAL NÃO CUMULATIVA. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO. INCIDÊNCIA DE JUROS. VEDAÇÃO LEGAL.
O aproveitamento de créditos não enseja atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores por expressa vedação legal.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3403-002.967
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Domingos de Sá Filho, quanto ao direito à tomada de crédito por aquisições a pessoas jurídicas inexistentes de fato. Os conselheiros Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti acompanharam o relator por suas conclusões. Sustentou pela recorrente o Dr. Flávio Sanches, OAB/SP 192.102.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Relator
Participaram do julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL NÃO CUMULATIVA. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO. INCIDÊNCIA DE JUROS. VEDAÇÃO LEGAL. O aproveitamento de créditos não enseja atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores por expressa vedação legal. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Domingos de Sá Filho, quanto ao direito à tomada de crédito por aquisições a pessoas jurídicas inexistentes de fato. Os conselheiros Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti acompanharam o relator por suas conclusões. Sustentou pela recorrente o Dr. Flávio Sanches, OAB/SP 192.102. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern - Relator Participaram do julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. NOTAS FISCAIS SEM CAUSA. GLOSA. Aquisições de mercadorias amparadas por notas fiscais emitidas por “noteiros”, pessoas jurídicas inexistentes de fato, precipuamente constituídas para esse fim, não dão direito a crédito. NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. COMPRAS NÃO ONERADAS. VEDAÇÃO LEGAL. A aquisição de bens ou serviços não onerados pela contribuição não dá direito a crédito. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL NÃO CUMULATIVA. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO. INCIDÊNCIA DE JUROS. VEDAÇÃO LEGAL. O aproveitamento de créditos não enseja atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores por expressa vedação legal. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 98 7. 00 02 38 /2 00 9- 01 Fl. 1676DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN 2 Vencido o Conselheiro Domingos de Sá Filho, quanto ao direito à tomada de crédito por aquisições a pessoas jurídicas inexistentes de fato. Os conselheiros Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti acompanharam o relator por suas conclusões. Sustentou pela recorrente o Dr. Flávio Sanches, OAB/SP 192.102. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim – Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern Relator Participaram do julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti. Relatório OUTSPAN BRASIL IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. apresentou Pedido de Ressarcimento de PIS/Pasep exportação relativo ao 1 trimestre de 2007, no valor de R$ 1.610.101,86. De acordo com o Despacho Decisório DRF/Santos/Seort/SP nº 21, de 7 de março de 2012, fls. 969 a 980, apoiado nas conclusões da ação fiscal levada a efeito junto ao requerente, objeto dos processos 10845.720753/200901 e 15983.720078/201247, consubstanciadas no relatório anexo aos autos, e cujo desfecho a contribuinte já tomou ciência em 02.03.2012, parte dos créditos reclamados não teve sua liquidez e certeza assegurados, vez que sua obtenção está cingida por fraudes comprovadas, somadas a aproveitamentos de créditos incompatíveis com a legislação vigente. O Despacho Decisório dá conta de que, em operações empreendidas pela Receita Federal, Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal (Operação Tempo de Colheita, Operação Broca e Operação Robusta), apurouse que o requerente participou de fraudes, “comprando” notas fiscais de venda de café, emitidas por “noteiros”, pessoas jurídicas inexistentes de fato, precipuamente constituídas para o fim de permitir a obtenção de créditos de contribuições sociais não cumulativas “cheios”, quando, por se tratar de fornecimento de pessoas físicas, ensejariam tão somente crédito presumido1. Constatouse também que o requerente tomou crédito por compras de café feitas a cooperativas de produtores, que haviam excluído de suas bases de cálculo o valor da receita repassada ao seus associados, de forma que as contribuições sociais nelas não incidiram, situação que não admite o creditamento, nos termos do art. 3°, § 2°, inciso II, da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. O pleito foi parcialmente deferido, em R$ 296.539,73, reconhecendose direito ao crédito presumido, quando foi o caso: DACON FISCALIZAÇÃO PERÍODO DE APURAÇÃO CRÉDITO EXPORTAÇÃO CRÉDITOS INDEVIDOS CRÉDITO DISPONÍVEL 01/07 651.952,05 547.419,78 104.532,27 02/07 774.070,97 641.218,68 132.852,29 03/07 480.618,57 421.463,40 59.155,17 1 O modusoperandi empregado nas operações efetuadas com diversos fornecedores de café, de acordo com o relatório da Operação "Tempo de Colheita", era o seguinte: os grandes adquirentes de café exigiam notas fiscais de pessoas jurídicas para poderem aproveitar o crédito de PIS/COFINS integralmente à razão de 9,25% do valor da operação. Se os vendedores fossem pessoas físicas só seria possível o aproveitamento de crédito presumido, no valor de 3,5% do valor integral. Fl. 1677DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 15987.000238/200901 Acórdão n.º 3403002.967 S3C4T3 Fl. 1.677 3 Total R$ 296.539,73 O interessado interpôs manifestação de inconformidade de fls. 1020 a 1048, na qual, como preliminar, requer o imediato ressarcimento do crédito reconhecido no despacho decisório atacado, remanescendo o contraditório administrativo apenas em relação à diferença de 6% entre o crédito presumido de 3,25% decorrente de compras de pessoas físicas e o percentual de 9,25% decorrente de aquisições de pessoas jurídicas. Quanto ao mérito das glosas dos créditos apurados sobre as compras de café de pessoas jurídicas, argumenta que, em que pese a provável ocorrência de atividade criminosa na cadeia do café, não praticou crime algum, afirmando seu interesse no esclarecimento dos fatos. Lembra que o preço pago pelo café era o de mercado e que nunca cogitou em repassar os lucros obtidos por estas empresas referidas como de fachada, no qual estava embutida a contribuição, de forma que houve despesa que legitima o crédito à adquirente, sem benefício algum com a alegada ilicitude de terceiros. Aduz que a falta de pagamento das contribuições por fornecedores não implica a ausência do direito de crédito ao adquirente, dispondo a Receita Federal e a PGFN de meios próprios de cobrar tais tributos. Discorre sobre a cena econômica do mercado cafeeiro. Rechaça a extensão das conclusões da operação da Polícia Federal ao pedido de ressarcimento em tela. Reafirma sua condição de adquirente de boafé, sem conhecimento das irregularidades societárias dos seus fornecedores. Entende legítima a tomada de crédito, porquanto ao pagar pelo café ao valor de mercado, cobrado mediante nota fiscalfatura de pessoa jurídica, estava embutido o valor das referidas contribuições. Quanto à anotação, nas notas fiscais, de suspensão de PIS e Cofins na operação de venda, o que vedaria a apuração de créditos não cumulativos para o adquirente, adiciona que de acordo com o art. 9º, §1º, II da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004, teria havido erro por parte das cooperativas na medida em que tais operações não se poderiam cursar com suspensão das contribuições tendo em vista o disposto no inciso II do citado artigo. Finalizando, pleiteia que os valores a serem ressarcidos sejam acrescidos da taxa Selic. Ao final, postula a reforma do despacho decisório. A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente pela 3ª Turma da DRJ/CPS. O Acórdão nº 0540.466, de 3 de abril de 2013, fls. 1274 a 1322, teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 CRÉDITOS NÃO CUMULATIVOS. GLOSA. FRAUDE. Comprovada a existência de fraude por meio de interposição de pessoas jurídicas de fachada, com o fim exclusivo de se obter créditos do regime não cumulativos em valores maiores que os admitidos de aquisições feitas de pessoas físicas, é de se glosar os créditos decorrentes dos expedientes ilícitos. CRÉDITOS NÃO CUMULATIVOS. GLOSA. BENS NÃO SUJEITOS À CONTRIBUIÇÃO. Fl. 1678DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN 4 Correta a glosa de créditos não cumulativos calculados sobre bens não sujeitos à contribuição na aquisição. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da 3ª Turma da DRJ/CPS. O arrazoado de fls. 1425 a 1476, após síntese dos fatos relacionados com a lide, pede a decretação da nulidade da decisão recorrida, que não teria enfrentado todos os seus argumentos de defesa. Insiste em não ter conhecimento, muito menos participado do que chama de “pretenso esquema fraudulento” de que trata a Fiscalização, acusandoa de fundar suas conclusões em meras presunções no sentido de que todos os seus fornecedores pessoas jurídicas inidôneas por serem omissas nas entregas de suas declarações, procedimento vedado, segundo a jurisprudência do CARF. Lembra que a decretação da inidoneidade dos fornecedores, abaixo listados, não pode retroagir para alcançar as operações da recorrente: RAZÃO SOCIAL CNPJ DATA ABERTURA Columbia Comércio de Café Ltda. 04.497.908/000103 08/06/2001 Cafeeira São Sebastião Ltda. 00.837.387/000135 29/09/1995 Ceiba Comercial Importação e Exportação Ltda. 00.323.994/000187 28/11/1994 Séculos Comercio de Café Ltda. 05.516.878/000106 30/12/2002 Sancosta Comercio, Importação e Exportação de Café Ltda. 06.222.888/000193 15/04/2004 F.J.B. Baroni 07.155.547/000105 16/12/2004 Cerealista Carmo Sul Ltda. 04.439.727/000120 21/03/2001 P Fernandes 04.460.832/000141 22/05/2001 Vila Rica Coffee Comercio de Café Ltda. 03.740.999/000101 07/04/2000 V. Munaldi ME 06.078.929/000110 12/01/2004 Comercial São Lourenço Ltda. 04.580.404/000233 22/10/2002 E M Gomes 05.688.607/000120 14/05/2003 Nova Brasilia Comércio de Café Ltda. 05.206.408/000138 24/07/2002 Enseada Comércio de Café e Sacaria Ltda. 06.201.690/000123 07/04/2004 Na continuação, retoma as digressões sobre a cadeia de produção do café no Brasil e sobre a comercialização do café sob o ponto de vista comercial e civil, já oferecida na Manifestação de Inconformidade. Com relação às compras de café a sociedade cooperativas de produtores, argumenta que nas notas fiscais apresentadas pela Fiscalização, todas as cooperativas exerceram beneficiamento, situação que não admite a suspensão da incidência da contribuição. Nesse sentindo, retoma a arguição de erro nas notas fiscais em que constou a suspensão. Transcrevo os requerimentos finais (grifos do original): 3 Conclusão E Pedidos Diante do acima exposto, requer seja provido o presente recurso para que seja reformado o Despacho Decisório e acórdão de fIs., para o fim de chancelar e reconhecer os créditos de PIS e COFINS apurados pela Recorrente na compra perante fornecedores posteriormente entendidos como inidôneos pela Receita Federal, bem como perante cooperativas diversas, e assim deferirse também esta parte do crédito a ser ressarcido, homologandose as respectivas compensações, quando for o caso. Subsidiariamente, que se reconheça o cerceamento de defesa e a supressão de instância, para que seja julgada nula a decisão de primeira instância, pois deixou de cotejar um a um os bons argumentos da defesa, limitandose a "emprestar" o trabalho de fiscalização, que por sua vez empregou o trabalho policial. Fl. 1679DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 15987.000238/200901 Acórdão n.º 3403002.967 S3C4T3 Fl. 1.678 5 Subsidiariamente, ainda, considerando que a inidoneidade posteriormente declarada em nada reflete para Recorrente, e que toda a alegação posterior ao Despacho decisório exarado nos autos em 2010 é inaplicável, dado que não há fato julgado na esfera criminal, é de se revogar o atual despacho decisório, revigorando se o despacho decisório anterior, e intimado novamente a Recorrente para, em querendo, que apresente manifestação de inconformidade. Requer, de imediato, contudo, que a parte incontroversa de créditos presumidos seja imediatamente ressarcida, tanto no que tange à compras de fornecedores considerados inidôneos, como perante cooperativas, conforme página 284 do Termo de Verificação Fiscal: "9.2. DO CRÉDITO PRESUMIDO Conforme explicado acima, o crédito ordinário correspondente às empresas inidôneas não pode ser concedido integralmente, já que sua origem é referente a vendas de pessoas físicas produtoras de café. Entretanto, é cabível o aproveitamento do crédito presumido correspondente. Mesmo raciocínio se aplica ao crédito referente às observações que tratam da suspensão das contribuições. No caso das notas fiscais com suspensão existe a possibilidade de crédito presumido." Ou seja, o valor referente ao crédito presumido deve ser creditado para a Recorrente, seguindose em debate apenas a diferença entre o presumido e o integral, aplicandose a legislação mais benigna Lei n° 12.350/2010, artigo 56A, de forma retroativa. Para facilitar a liquidação deste montante a Recorrente anexa planilha de cálculo extraído do trabalho de fiscalização, em cumprimento do trecho acima reproduzido, (doc. anexo) Ainda, subsidiariamente, caso não seja reconhecida a integralidade dos créditos decorrentes das compras de café realizadas no período de 2005 a 2007, no mínimo, deve ser reconhecido o crédito decorrente das operações efetuadas com os fornecedores que foram presumidos inidôneos pela Fiscalização e que, ainda, continuavam com o CNPJ ativo quando da ciência do termo de verificação fiscal. No mais, tendo decorrido anos do direito de crédito, é aplicável a atualização dos créditos pela SELIC, o que desde logo se requer em execução da parte incontroversa do Despacho Decisório, inclusive. Caso esse Conselho entenda necessário, que se baixe o processo em diligência para as devidas regularizações, de forma a se aproveitar o procedimento em questão, trazendo maior eficiência, economia, razoabilidade nos atos da administração pública, considerando ainda parte integrante destes autos, os procedimentos n° 10845.720753/200901 e 15983.720078/201247. De qualquer forma, estão documentalmente comprovadas a operação e as alegações acima, ficando ao dispor do órgão julgador todos os documentos, inclusive notas fiscais já examinadas pela fiscalização, para eventuais diligências. Requer sejam admitidos todos os meios de provas, incluindo diligências e juntada de novos documentos que privilegiem a verdade material. Protesta a RECORRENTE pela realização de sustentação oral durante a sessão de julgamento do presente Recurso, nos termos regimentais. Para tanto, Fl. 1680DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN 6 requer seja notificada com antecedência da data, hora e local da sessão de julgamento. Nestes termos, Pede deferimento. Santos, 7 de maio de 2013. O presente processo foi distribuído ao relator, em 07/03/2014, para que fosse julgado em conjunto com os processos nºs 15987.000230/200936, 15987.000231/200981 e 15987.000232/200925, na forma prevista no § 7º do art. 49 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 – RI/CARF, com as alterações introduzidas pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010–DOU de 22.12.2010. O processo administrativo correspondente foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração digitalmente estabelecida. É o Relatório. Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 1425 a 1476 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJ/CPS3ª Turma nº 0540.466, de 3 de abril de 2013. Pedido de liberação imediata do valor do crédito incontroverso. O Despacho Decisório DRF/STS nº 21/2012 deferiu parcialmente o pedido, homologando as compensações até o limite do crédito reconhecido, fls. 488/499, conforme despacho de fls. 1273, quedando plenamente satisfeito o pedido de liberação da parcela incontroversa. Preliminar de nulidade da decisão recorrida É recorrente, nos recursos da espécie, a arguição de nulidade, por cerceamento do direito de defesa, de decisão de primeira instância que vai de encontro aos interesses do recorrente. A decisão da ínclita 3ª Turma da DRJ em Campinas é hígida e enfrentou a Manifestação de Inconformidade sob o ponto de vista que lhe pareceu mais apropriado. Aqui, cabe ressaltar que o livre convencimento do julgador permite seja uma decisão amparada em apenas um fundamento, contanto que este seja considerado suficiente ao deslinde da questão. Não está o órgão julgador obrigado a apreciar, de per si, todas alegações levantadas. O que não deve, o julgador, sob pena de cerceamento do direito de defesa, é deixar de considerar fato ou circunstância reputada imprescindível à sua decisão. Fl. 1681DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 15987.000238/200901 Acórdão n.º 3403002.967 S3C4T3 Fl. 1.679 7 No sentido de que o julgador não está obrigado a analisar todas as questões suscitadas, cabe mencionar a decisão monocrática proferida em 10/11/2005 pelo Min. do STJ Francisco Galvão, no Recurso Especial nº 792.497. Observese: Como é de sabença geral, o julgador não está obrigado a discorrer sobre todos os regramentos legais ou todos os argumentos alavancados pelas partes. As proposições poderão ou não ser explicitamente dissecadas pelo magistrado, que só estará obrigado a examinar a contenda nos limites da demanda, fundamentando o seu proceder de acordo com o seu livre convencimento, baseado nos aspectos pertinentes à hipótese sub judice e com a legislação que entender aplicável ao caso concreto. Neste sentido, confiramse os seguintes julgados, verbis: "RECURSO ESPECIAL. IMÓVEL FUNCIONAL ADMINISTRADO PELA SECRETARIA DA ADMINISTRAÇÃO FEDERAL DA PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA SAF. OCUPAÇÃO POR SERVIDOR PÚBLICO MILITAR. ALIENAÇÃO. POSSIBILIDADE. ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO. INOCORRÊNCIA. PRECEDENTES DO STF E STJ. 1. Não ocorre violação do art. 535, do CPC, quando o acórdão recorrido não denota qualquer omissão, contradição ou obscuridade no referente à tutela prestada, uma vez que o julgador não se obriga a examinar todas e quaisquer argumentações trazidas pelos litigantes a juízo, senão aquelas necessárias e suficientes ao deslinde da controvérsia. 2. É passível de alienação o imóvel funcional que, à época de edição da Lei 8.025/90, era administrado pela Secretaria da Administração Federal da Presidência da República – SAF, ainda que ocupado fosse por servidores militares, não se aplicando ao caso a vedação inscrita no art. 1º, § 2º, I, desta norma. 3. Precedentes: REsp 61.999/DF, REsp 155.259/DF, REsp 76.493/DF, REsp 59.119/DF, RMS 21.769/DF (STF). 4. Recurso Especial parcialmente conhecido e, nessa parte, provido" (REsp nº 394.768/DF, Relator Ministro JOSÉ DELGADO, DJ de 01/07/2002, pág. 00247). "RECURSO ESPECIAL TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL ART. 535, I E II, DO CPC EMBARGOS DE DECLARAÇÃO OMISSÃO. 1 Inexiste violação ao art. 535, I e II, do CPC, se o Tribunal a quo, de forma clara e precisa, pronunciouse acerca dos fundamentos suficientes à prestação jurisdicional invocada. 2 Agravo improvido" (AGREsp n.º 109.122/PR, Relator Ministro CASTRO MEIRA, DJ de 08/09/2003, p. 00263). Fl. 1682DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN 8 Ante o exposto, NEGO SEGUIMENTO ao presente recurso especial, com fulcro no art. 557, caput, do Código de Processo Civil. Rejeito a preliminar. Mérito – glosa dos créditos amparados em notas fiscais infirmadas nas operações “Tempo de Colheita”, “Broca” e “Robusta” O argumento recursal fundamental é o de que jamais participou das fraudes apontadas nessas operações e que nunca obteve vantagens econômicas em decorrências das práticas ilícitas, sempre adquirindo o café a preço de mercado. Diz ter pesquisado sempre a situação da empresa vendedora no CNPJ e SINTEGRA. Lembra, além disso, que o mercado de compra e venda de café é complexo e que as suas peculiaridades não foram consideradas nas conclusões alcançadas ao fim das citadas operações. Assim, não seria possível afirmar que necessariamente as pessoas jurídicas que emitiram as notas fiscais examinadas sejam de fachada. Ainda, entende que eventuais fraudes verificadas em determinados elos da cadeia comercial do café não podem ser estendidas para os demais atores sem prova inconteste, o que não ocorreria nos autos. A propósito da propalada boa fé da recorrente, digase liminar e definitivamente que, em face da objetividade das infrações tributárias, é desnecessário perquirir a intenção do agente. Dito de outra forma, a despeito do amplo conjunto probatório formado nos autos do processo 15983.720078/201247, reproduzido, em parte, na decisão recorrida, que evidencia que Outspan, não só sabia, como participava ativamente do esquema fraudulento2, é irrelevante para o deslinde do presente litígio saber se a recorrente estava envolvida ou não no esquema revelado pelas sobreditas operações. Para tanto, basta que se ateste, no curso deste processo administrativo, que as notas fiscais que ampararam a tomada de crédito são idôneas para esse fim ou não. A culpa da recorrente é objeto do processocrime no qual ela foi denunciada. O fato é que, na extensa e profunda auditoria levada a cabo, segregaramse do pedido de ressarcimento formulado pela Outspan todas as notas fiscais emitidas por pessoas jurídicas comprovadamente interpostas com o fito de “inchálo”, admitindose tão somente as notas fiscais idôneas. A quantidade de empresas "laranja" explica a magnitude da glosa: Columbia Comércio de Café Ltda.; L & L Com. Exp. De Café Ltda.; Do Grão Com. E Exp. E Imp. Ltda.; Nova Brasília Com. De Café Ltda.; J. C. Bins; Café Brasile Com. E Exp. Ltda.; G. H. Moschem; V. Munaldi ME; Miranda Com. Imp. e Exp. de Café Ltda.; F. G. Comissária Ltda.; W.R. da Silva; Reicafé Com. de Café; R. Araújo Mercantil CAFECOL; M. C. da Silva Brasil Blend; Cafeeira Arruda; Ypiranga Com. de Café; P. A. de Cristo; Acádia Comércio Ltda.; V. & F. Comercial; C. Dario ME; GB. Armazéns; Enseada Com. de Café; Luciano Giubert Alves Café; Conara; Ceiba Com. Imp.; Roma Com. de Café e Sacaria; Café Arabilon; WG de Azevedo Brasil Coffee; Do Norte Café; Aracê Mercantil; Agrosanto Comércio de Cereais; Cafeeira JJ.; Cafeeira São José; Canaã Café; Meriades Distr. Ind. e Com. de Alimentos; BR 2 Cito apenas a título exemplicativo, muito de longe de esgotar todos os elementos existentes, a prova testemunhal dos depoimentos de Paulo Zache, Luiz Fernandes Alvarenga, Renato Mielke, Gabriel Francisco Krohling, Marcelo Fausto Tamanini, entre outros; e documental, como a confirmação de pedido nº 6/00, de 05/01/2007, da Case de Café Corretora, e a planilha de fls. 19773 do processo 15983.720078/201247, elaborada pela recorrente, que demonstra o total controle que mantinha sobre seus fornecedores pessoas físicas, sobre os vendedores (empresas "laranjas" noteiras) e qual a origem do café fornecido. Fl. 1683DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 15987.000238/200901 Acórdão n.º 3403002.967 S3C4T3 Fl. 1.680 9 Armazéns Gerais; Continental Trading Ltda.; Caparão Com. de Cereais; Comercial de Café e Cereais Ilha Bela Ltda. A propósito, esta Turma Recursal já analisou a simulação perpetrada por JC Bins Cafeeira Colatina Ltda., MC da Silva Brasil Blend, Do Grão, L&L, Café Brasile, Giubert Café, Reicafé, WG de Azevedo, Ypiranga, entre outras pessoas jurídicas, por ocasião do recurso voluntário interposto nos autos do processo 10783.724858/201118. Na oportunidade, o Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz, no voto condutor do Acórdão nº 3403002.635, de 24 de novembro de 2013, entendeu restar escancarado que ao menos duas dessas pessoa jurídicas (JC Bins e MC da Silva) eram laranjas , cuja própria constituição seria simulada. Quanto às demais, embora não houvesse indício de vício de vontade na sua constituição, a simulação residiria apenas nos próprios contratos de compra e venda que celebravam. As empresas prestavamse ao serviço de troca de notas: recebiam a nota fiscal de produtor, e emitiam nota fiscal de venda à recorrente. O Conselheiro Marcos ainda sublinha que essas empresas... “...nada compravam, nada vendiam, não tinham estrutura pessoal, operacional e física nenhuma para operar no “comércio atacadista de café”; não tinham estoque, armazéns, funcionários. Nada.” Contra essas glosas o recorrente tergiversa. Insurgese contra retroação de declarações de inaptidão de empresas, que lista. A propósito, a ineficácia de documentos fiscais emitidos por pessoa jurídica inexistente de fato tem previsão na Portaria MF nº 187, de 26 de abril 19933 e no art. 824 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, diploma que instituiu também (art. 815) a Declaração de 3 Portaria MF nº 187, de 1993 Art. 3º Com base no procedimento administrativo a que se refere o art. 1º e mediante Ato Declaratório do Secretário da Receita Federal, publicado no Diário Oficial da União, será declarado ineficaz, para todos os efeitos tributários, o documento emitido em nome de pessoa jurídica que: I não exista de fato e de direito; ou II apesar de constituída formalmente, não possua existência de fato; ou III esteja desativada, extinta ou baixada no órgão competente. Parágrafo único. O Ato de que trata este artigo, quando referente a pessoa jurídica mencionada nos incisos II e III, deverá declarar a data a partir da qual são considerados tributariamente ineficazes os documentos por ela emitidos, bem como o cancelamento da correspondente inscrição no Cadastro Geral de Contribuintes do Ministério da Fazenda. Art. 4º Sempre que, no decorrer de ação fiscal, forem encontrados documentos emitidos em nome das pessoas jurídicas referidas no art. 3º, o contribuinte sob fiscalização deverá ser intimado para comprovar o efetivo pagamento e recebimento dos bens, direitos, mercadorias ou da prestação dos serviços, sob pena de: I ter glosados os custos e as despesas decorrentes do pagamento não comprovado; II ter glosado o crédito fiscal originário de documento inidôneo; e III ter lançado o crédito tributário relativo ao imposto de renda na fonte incidente sobre pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado. 4 Lei nº 9.430, de 1996, art. 82. Além das demais hipóteses de inidoneidade de documentos previstos na legislação, não produzirá efeitos tributários em favor de terceiros interessados, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no Cadastro Geral de Contribuintes tenha sido considerada ou declarada inapta. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica aos casos em que o adquirente de bens, direitos e mercadorias ou o tomador de serviços comprovarem a efetivação do pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos e mercadorias ou utilização dos serviços. 5 Lei nº 9.430, de 1996, art. 81. Poderá, ainda, ser declarada inapta, nos termos e condições definidos em ato do Ministro da Fazenda, a inscrição da pessoa jurídica que deixar de apresentar a declaração anual de imposto de Fl. 1684DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN 10 Inaptidão de Pessoa Jurídica. No período de apuração de interesse, 01/01/2007 a 31/03/2007, vigia a Instrução Normativa RFB nº 568, de 8 de setembro de 2005 (mais tarde revogada pela Instrução Normativa RFB nº 748, de 28 de junho de 2007 DOU de 2.7.2007), que, em sintonia com a Lei e a Portaria MF recém mencionadas, assim dispunha (negrito na transcrição): IN SRF 568, de 2007 Da Situação Cadastral Inapta Art. 34. Será declarada inapta a inscrição no CNPJ de entidade: I – omissa contumaz: a que, embora obrigada, tenha deixado de apresentar, por cinco ou mais exercícios consecutivos, DIPJ, Declaração de Inatividade ou Declaração Simplificada das Pessoas Jurídicas Simples, e, intimada, não tenha regularizado sua situação no prazo de sessenta dias, contado da data da publicação da intimação; II – omissa e não localizada: a que, embora obrigada, tenha deixado de apresentar as declarações referidas no inciso I, em um ou mais exercícios e, cumulativamente, não tenha sido localizada no endereço informado à RFB; III – inexistente de fato; IV – que não efetue a comprovação da origem, da disponibilidade e da efetiva transferência, se for o caso, dos recursos empregados em operações de comércio exterior, na forma prevista em lei. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica à pessoa jurídica domiciliada no exterior. Quanto à inexistência de fato de pessoa jurídica, a INRFB nº 568, de 2005, estabelece que: Da Pessoa Jurídica Inexistente de Fato Art. 41. Será considerada inexistente de fato a pessoa jurídica que: I – não disponha de patrimônio e capacidade operacional necessários à realização de seu objeto; II – não for localizada no endereço informado à RFB, bem assim não forem localizados os integrantes de seu QSA, o responsável perante o CNPJ e seu preposto; III – tenha cedido seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de terceiros, com vistas ao acobertamento de seus reais beneficiários; IV – se encontre com as atividades paralisadas, salvo quando enquadrada nas situações a que se referem os incisos I, II e V do caput do art. 33. renda em um ou mais exercícios e não for localizada no endereço informado à Secretaria da Receita Federal, bem como daquela que não exista de fato. Fl. 1685DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 15987.000238/200901 Acórdão n.º 3403002.967 S3C4T3 Fl. 1.681 11 Parágrafo único. Na hipótese deste artigo, o procedimento administrativo de declaração de inaptidão será iniciado por representação formulada por AFRFB, consubstanciada com elementos que evidenciem qualquer das pendências ou situações referidas. Ainda, a INRFB nº 568, de 2005, estabelece que é presumidamente inidôneo, não produzindo efeitos tributários em favor de terceiros, o documento emitido por pessoa jurídica declarada inapta. O § 3º do seu art. 48 dispõe sobre os efeitos temporais da declaração de inidoneidade dos documentos: Art. 48. Será considerado inidôneo, não produzindo efeitos tributários em favor de terceiro interessado, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no CNPJ haja sido declarada inapta. § 1º Os valores constantes do documento de que trata o caput não poderão ser: I – deduzidos como custo ou despesa, na determinação da base de cálculo do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); II – deduzidos na determinação da base de cálculo do Imposto de Renda das Pessoas Físicas (IRPF); III – utilizados como crédito do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e das Contribuições para o PIS/Pasep e para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) não cumulativos; e IV – utilizados para justificar qualquer outra dedução, abatimento, redução, compensação ou exclusão relativa aos tributos administrados pela RFB. § 2º Considerase terceiro interessado, para os fins deste artigo, a pessoa física ou entidade beneficiária do documento. § 3º O disposto neste artigo aplicarseá em relação aos documentos emitidos: I – a partir da data da publicação do ADE a que se refere: a) o art. 37, no caso de pessoa jurídica omissa contumaz; b) o art. 39, no caso de pessoa jurídica omissa e não localizada. II – a partir da data desde a qual esteja caracterizada a situação prevista no inciso III do art. 41; III – na hipótese dos incisos I, II e IV do art. 41, desde a paralisação das atividades da pessoa jurídica ou desde a sua constituição, se ela jamais houver exercido atividade; e Fl. 1686DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN 12 V – na hipótese de pessoa jurídica com irregularidade em operações de comércio exterior, desde a data de ocorrência do fato. § 4º A inidoneidade de documentos em virtude de inscrição declarada inapta não exclui as demais formas de inidoneidade de documentos previstas na legislação, nem legitima os emitidos anteriormente às datas referidas no § 3º. § 5º O disposto no § 1º não se aplica aos casos em que o terceiro interessado, adquirente de bens, direitos e mercadorias, ou o tomador de serviços, comprovar o pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos ou mercadorias ou a utilização dos serviços. § 6º A entidade que não efetuar a comprovação de que trata o § 5º sujeitarseá ao pagamento do IRRF na forma do art. 61 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, calculado sobre o valor pago constante dos documentos. Portanto, quanto ao efeito temporal objetado pelo recorrente, frisese que, no caso de créditos por compras a fornecedores pessoas jurídicas inexistentes de fato, segundo a IN vigente, a inidoneidade dos documentos retroage à data da constituição das mesmas, não havendo falar portanto em vedação à retroação dos efeitos da inidoneidade. Sustenta, também, a recorrente que os fornecedores mantinham cadastro ativo no CNPJ, e cita em seu favor o entendimento do E. STJ consolidado no REsp n 1.148.444, segundo o qual “a boa fé do adquirente em relação às notas fiscais declaradas inidôneas após a celebração do negócio jurídico (que fora efetivamente realizado), uma vez caracterizada, legitima o aproveitamento dos créditos de ICMS”. A propósito desse argumento, retomo aqui as pertinentes observações do Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz, quando analisouo em caso que envolvia os mesmos fornecedores: “Há um abismo de diferença entre a situação destes autos e a do precedente jurisprudencial mencionado. O que disse o STJ é que o contribuinte não pode ser prejudicado pela eventual e desconhecida inidoneidade de terceiro com quem contrata de boafé. A leitura do julgado revela que o tribunal condiciona o aproveitamento do crédito à demonstração de que a compra venda efetivamente se realizou, justamente para alhear de seus comandos a hipótese de simulação. Aqui, as aquisições junto às empresas JC Bins e MC Silva não se amoldam à hipótese julgada já porque não se trata de negócio com terceiros, como se viu. E as demais aquisições tampouco, agora porque não houve entre as partes compra e venda efetiva. O REsp nº 1.148.444, enfim, consolida entendimento diametralmente contrário ao que favoreceria a recorrente. Importante salientar que a Fiscalização deferiu o crédito presumido, quando foi o caso, reconhecendo o negócio jurídico subjacente. Fl. 1687DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 15987.000238/200901 Acórdão n.º 3403002.967 S3C4T3 Fl. 1.682 13 A recorrente não logrou convencerme de que as glosas procedidas pelas DRF/Santos – uma sequer – foram improcedentes. Por essa razão, julgoas corretas, ratifico a decisão recorrida e nego provimento ao recurso quanto a essa matéria. Mérito – glosa dos créditos por aquisições de mercadorias não oneradas pela contribuição social não cumulativa No curso do procedimento fiscal, verificouse que, entre os fornecedores da Outspan, figuravam diversas sociedades cooperativas de produtores rurais. Intimadas a respeito da natureza de suas operações e dos procedimentos adotados na apuração das contribuições, especificamente com relação às operações que deram origem aos créditos pleiteados pelo recorrente, inclusive a esclarecer se exerceram cumulativamente as atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial6, apurouse que (fls. 19927 e seguintes do processo administrativo apensado nº 15983.720078/201247) algumas cooperativas revenderam produtos adquiridos de cooperados e valeramse da faculdade de excluir da base de cálculo os valores a eles repassados, ao amparo do inc. I do art. 15 da MP nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001. Outras informaram que venderam toda a sua produção com “suspensão do PIS e COFINS”. Nestes dois casos,não se admitiu o creditamento. Um terceiro grupo de cooperativas informou que pequena parte pequena de suas vendas provinha de mercadorias adquiridas a não cooperados, mas que, nada obstante, excluíam da base de cálculo os repasses efetuados a seus cooperados, caso em que a Fiscalização admitiu a tomada de crédito segundo um rateio de receitas, apurado a partir da análise do DACON respectivo, consolidação no demonstrativo “Análise das Cooperativas” com o percentual dos valores aproveitáveis de diversas cooperativas fornecedoras da Outspan (fls. 20015/20016 do processo administrativo apensado nº 15983.720078/201247). A base da contestação dirigida pela interessada contra a glosa dos créditos referente aos bens adquiridos de sociedades cooperativas diz respeito ao fato de que o mencionado art. 3º, §2º da Lei nº 10.637, de 2002, não se aplicaria ao café, já que este é um bem sujeito à incidência das contribuições. Assim, ainda que a legislação autorize a exclusão, pelas cooperativas, dos valores repassados aos associados, decorrente da comercialização, no mercado interno, de produtos por eles entregues à cooperativa, isto não impediria a apropriação de créditos pelos adquirentes já que a legislação não cogita de isenção ou imunidade das cooperativas. Diz ainda que a suspensão de PIS e Cofins praticada por algumas cooperativas não se aplicava às operações de venda de café por força do que diz o art. 9º, §1º, II, da Lei nº 10.925, de 2004. Aduz que as notas fiscais de cooperativas nas quais houve suspensão de PIS e Cofins tratavase de operações nas quais as sociedades cooperativas procederam à redução do grão de acordo com os tipos da classificação oficial, não sendo aplicável, assim, a possibilidade de suspensão de PIS e Cofins prevista no caput do art. 9º da Lei nº 10.925, de 2004, e consequentemente, incabível a glosa do crédito sobre as correspondentes aquisições. A afirmação recursal de que o café é um bem sujeito à incidência do PIS é uma impropriedade. As contribuições sociais não incidem sobre o valor dos bens, mas sobre o faturamento, entendido como tal o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica. A contrario 6 As respostas estão às fls. 19.539 e seguintes do processo administrativo nº 15983.720078/201247. Os dados referentes a cada uma das cooperativas que forneceram grãos à interessada estão consolidados na tabela de fls. 20015 e 20016. Fl. 1688DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN 14 sensu, não incidem sobre receita não auferida. É o caso do produto das vendas de café adquirido aos cooperados, que é a eles repassado e, consequentemente, excluído da base de cálculo da contribuição apurada pela cooperativa. Ora, nessas condições, o preço de venda do café não foi onerado pela exação, razão pela qual não enseja direito a crédito da contribuição. Tomar crédito sem ter pagado a contribuição, em franco enriquecimento ilícito, as evidências do processo demonstram, muito agradaria ao recorrente, mas é repudiado por todo o ordenamento jurídico pátrio. Quanto à alegação de erro na emissão de notas fiscais com suspensão por cooperativas que de alguma forma beneficiaram o grão, a insurgência recursal, mais uma vez, é inespecífica e omitiuse em denunciar em quais casos o trabalho fiscal mereceria reparos. Compulsandose a planilha de fls. fls. 20015 e 20016 do processo 15983.720078/201247, anexo ao presente, constato que o Fiscalização foi minuciosa, detalhando, cooperativa por cooperativa, fornecedoras da recorrente, quais executavam o beneficiamento excepcionado no art. 9º, §1º, II, da Lei nº 10.925, de 2004, e, simultaneamente, excluíam de sua base de cálculo, o valor das receitas repassados aos cooperados, caso em que o creditamento não foi admitido, muito embora não fosse caso de suspensão. Omitindose a recorrente em infirmar especificamente esse levantamento, que considerou a condição de cada cooperativa fornecedora individualmente para decidir sobre a admissibilidade da tomada de crédito, tenho o com correto. Mérito – atualização monetária ao valor do ressarcimento Por fim, o aproveitamento de créditos não enseja atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores, a teor do art. 13 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, aplicável ao caso pela norma de remissão do art. 15 da mesma Lei. Conclusão Em face do exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala de sessões, em 27 de maio de 2014 Fl. 1689DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 10580.911873/2009-66
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Dec 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do Fato Gerador: 30/06/2005
PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA.
O contribuinte, a despeito ausência de retificação da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Ausentes estes pressupostos, não cabe a homologação da extinção do débito confessado em PER/Dcomp.
Recurso Voluntário Negado.
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 3802-003.746
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: SOLON SEHN
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PROMAT Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do Fato Gerador: 30/06/2005 PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito ausência de retificação da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Ausentes estes pressupostos, não cabe a homologação da extinção do débito confessado em PER/Dcomp. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 91 18 73 /2 00 9- 66 Fl. 80DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 8° Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo (São Paulo I)/SP, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, assentada nos fundamentos resumidos na ementa seguinte: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/06/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência e suficiência do crédito postulado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. O interessado apresentou o PER/Dcomp (Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação), sem retificar a Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais). Tal fato fez com que o pagamento continuasse atrelado à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação. A DRJ manteve a não homologação, porque, apesar da retificação da Dctf após o despacho decisório, não houve comprovação, por meio de documentação hábil, idônea e suficiente, do erro no preenchimento da declaração. O Recorrente, nas razões de fls. 61 e ss., alega que a existência de decisão judicial seria suficiente para comprovar do crédito objeto da compensação. Após reproduzir parte da decisão liminar, confirmada em sentença, sustenta que esta teria reconhecido o direito dos substituídos processuais dentre os quais o Recorrente de compensar todos os valores indevidamente recolhidos à título de PIS/Pasep e de Cofins sobre a receita de medicamentos, nos termos da Lei nº 10.147/2000. Pleiteia, assim, o recebimento do recurso voluntário e o seu integral provimento. É o relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn O sujeito passivo teve ciência da decisão no dia 13/02/2014 (fls. 67), interpondo recurso tempestivo em 14/02/2014 (fls. 69). Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do Decreto no 70.235/1972, o recurso pode ser conhecido. A compensação, consoante destacado, não foi homologada porque o Recorrente transmitiu o PER/Dcomp sem a retificação da Dctf. Em circunstâncias dessa natureza, ao contrário do que entendeu a decisão recorrida, a Turma tem interpretado que o Fl. 81DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10580.911873/200966 Acórdão n.º 3802003.746 S3TE02 Fl. 81 3 contribuinte, por força do princípio da verdade material, tem direito à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado. Nesse sentido, cumpre destacar os seguintes julgados da Turma: PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS A INSCRIÇÃO DO DÉBITO EM DÍVIDA ATIVA DA UNIÃO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado (art. 12, § 3o, da Instrução Normativa SRF nº. 583/2005, vigente à época da transmissão das DCTF’s retificadoras). A retificação, porém, não produz efeitos quando o débito já foi enviado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em Dívida Ativa. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. (CARF. 3ª S. 2ª T.E.Acórdão nº 380201.078. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 27/07/2012). PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. ENTREGA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. REDUÇÃO DO DÉBITO ORIGINAL. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DO ERRO. OBRIGATORIEDADE. Uma vez iniciado o processo de compensação, a redução do valor débito informada na DCTF retificadora, entregue após a emissão e ciência do Despacho Decisório, somente será admitida, para fim de comprovação da origem do crédito compensado, se ficar provado nos autos, por meio de documentação idônea e suficiente, a origem do erro de apuração do débito retificado, o que não ocorreu nos presentes autos. [...] Recurso Voluntário Negado. (CARF. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.290. Rel. Conselheiro José Fernandes do Nascimento. S. 25/09/2012). COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DECORRENTES DE RETIFICAÇÃO DE DCTF DEPOIS DE PROFERIDO DESPACHO DECISÓRIO NÃO HOMOLOGANDO PER/DECOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO ORIGINAL. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos Fl. 82DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Uma vez intimada da não homologação de seu pedido de compensação, a interessada somente poderá reduzir débito declarado em DCTF se apresentar prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no seu preenchimento. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento. (CARF. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 3802001.593. Rel. Conselheiro Francisco José Barroso Rios. S. 27/02/2013). PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROLAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. APRESENTAÇÃO DA PROVA DO CRÉDITO APÓS DECISÃO DA DRJ. HIPÓTESE PREVISTA NO ART. 16, § 4º, “C”, DO DECRETO Nº 70.235/1972. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. A prova do crédito tributário indébito, quando destinada a contrapor razões posteriormente trazidas aos autos, pode ser apresentada após a decisão da DRJ, por força do princípio da verdade material e do disposto no art. 16, § 4º, “c”, do Decreto nº 70.235/1972. Havendo prova do crédito, a compensação deve ser homologada, a despeito da retificação a posteriori da Dctf. Recurso Voluntário Provido Direito Creditório Reconhecido. (CARF. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.005. Rel. Solon Sehn. S. 22/05/2012). PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova contábil da existência do crédito compensado. A simples retificação após o despacho decisório não autoriza a homologação da compensação do crédito tributário. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. (CARF. S3TE02. Acórdão nº 380201.112. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 27/07/2012). COMPENSAÇÃO. REQUISITOS FORMAIS. AUSÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DA DCTF. IMPOSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO PELO CONTRIBUINTE APÓS DECORRIDOS Fl. 83DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10580.911873/200966 Acórdão n.º 3802003.746 S3TE02 Fl. 82 5 CINCO ANOS DA EXTINÇÃO DO CRÉDITO. EXCEPCIONALIDADE DE ACEITAÇÃO PELO CARF. A retificação de DCTF constitui requisito formal do contribuinte, ao efetuar pedido de compensação com base em créditos decorrentes de retificação de documentos de cunho declaratório (DACON, DIPJ, dentre outros). Assim, a ausência de apresentação da DCTF retificadora é causa para negação do crédito pleiteado. Todavia, excepcionalmente se permite a compensação caso o contribuinte demonstre que a retificação só foi apontada como não efetuada após o decurso dos cinco anos contados da extinção do crédito, sendo certo que a negativa importaria em situação excepcional de restrição formal à verdade material, contrassenso à própria finalidade do processo administrativo tributário. Recurso voluntário provido. Direito creditório reconhecido. (CARF. S3TE02. Acórdão nº 3802001.642. Rel. Conselheiro Bruno Macedo Curi. S. 28/02/2013) No presente caso, o Recorrente limitouse a retificar a Dctf, sem apresentar qualquer prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. A simples afirmação de que existiria decisão judicial reconhecendo suposto direito de crédito – formulada apenas por ocasião da interposição do recurso voluntário e omitida no campo dos “dados inicias” do PER/Dcomp– é insuficiente para a reforma da decisão recorrida, quando não demonstrada documentalmente a efetiva liquidez e certeza do direito creditório. Na data da transmissão dos PER/Dcomps, vigorava a Instrução Normativa RFB nº 600/2005, que, como se sabe, exige a prévia habilitação do crédito como requisito indispensável para a transmissão válida de pedido de compensação lastreado em decisão judicial: Art. 51. Na hipótese de crédito reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, a Declaração de Compensação, o Pedido Eletrônico de Restituição e o Pedido Eletrônico de Ressarcimento, gerados a partir do Programa PER/DCOMP, somente serão recepcionados pela SRF após prévia habilitação do crédito pela Delegacia da Receita Federal (DRF), Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária (Derat) ou Delegacia Especial de Instituições Financeiras (Deinf) com jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo. § 1º A habilitação de que trata o caput será obtida mediante pedido do sujeito passivo, formalizado em processo administrativo instruído com: I – o formulário Pedido de Habilitação de Crédito Reconhecido por Decisão Judicial Transitada em Julgado, constante do Anexo V desta Instrução Normativa, devidamente preenchido; II – a certidão de inteiro teor do processo expedida pela Justiça Federal; Fl. 84DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 III – a cópia do contrato social ou do estatuto da pessoa jurídica acompanhada, conforme o caso, da última alteração contratual em que houve mudança da administração ou da ata da assembléia que elegeu a diretoria; IV – cópia dos atos correspondentes aos eventos de cisão, incorporação ou fusão, se for o caso; V – a cópia do documento comprobatório da representação legal e do documento de identidade do representante, na hipótese de pedido de habilitação do crédito formulado por representante legal do sujeito passivo; e VI – a procuração conferida por instrumento público ou particular e cópia do documento de identidade do outorgado, na hipótese de pedido de habilitação formulado por mandatário do sujeito passivo. O Recorrente, além de omitir a suposta existência de decisão judicial na manifestação de inconformidade, sequer fez indicação deste fato nos “dados iniciais” do PER/Dcomp, preenchendo negativamente o campo “crédito oriundo de ação judicial”. Tal fato além de induzir em erro a autoridade julgadora a quo inviabiliza o reconhecimento da homologação, uma vez que o PER/Dcomp, para produzir os seus efeitos jurídicos próprios, pressupõe a correta identificação do crédito, inclusive e principalmente no tocante ao fato de ser decorrente de suposta decisão judicial. Com efeito, devese ter presente que a Lei nº 10.637/2002, ao alterar o art. 74 da Lei nº 9.430/1996, promoveu a unificação do regime de compensação, extinguindo as compensações realizadas na Dctf, na escrituração contábil e a condicionada ao deferimento de pedido administrativo. Tais modalidades foram substituídas pela autocompensação, que – ao lado da compensação deofício e ressaltadas as contribuições para a seguridade social compensadas na Gfip (Guia de Recolhimento do Fgts e Informações à Previdência Social) é aplicável aos tributos administrados pela Receita Federal. No regime da autocompensação, a extinção do crédito tributário ocorre por iniciativa do sujeito passivo, mediante entrega de declaração contendo informações relativas aos créditos e aos débitos compensados, que, por sua vez, fica sujeita à posterior homologação pela autoridade competente no prazo de até cinco anos: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002). § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) Fl. 85DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10580.911873/200966 Acórdão n.º 3802003.746 S3TE02 Fl. 83 7 A declaração do sujeito passivo denominada PER/Dcomp revestese de especial importância no mundo jurídico, porquanto representa a formalização em linguagem competente da extinção do crédito tributário e do débito da Fazenda Nacional. Tratase, consoante destaca Paulo de Barros Carvalho, do veículo introdutor da norma individual e concreta que positiva o fato jurídico extintivo: O fato extintivo da compensação será positivado por norma individual e concreta que promova o encontro das relações, extinguindoas no quantum em que se equivalerem. Os sujeitos habilitados a expedir a norma individual e concreta da compensação, formalizando o mencionado ‘encontro de contas’, são a autoridade administrativa e a autoridade judiciária. Há hipóteses em que a lei autoriza ao próprio particular a efetivação da compensação tributária. Esta, todavia, somente é utilizada quando o ato do particular for homologado pela Administração, de maneira tácita ou expressa. Dito de outro modo, o aplicarse da norma de compensação gera a extinção do crédito tributário e do débito do Fisco. Mas, para que esta se concretize, necessário o relato em linguagem competente não apenas das relações que se pretende compensar, mas também do fato da compensação. Apenas se descrito no antecedente de norma individual e concreta irradiará os efeitos previstos no consequente normativo, operandose extinção dos vínculos obrigacionais. (CARVALHO, Paulo de Barros. Direito tributário, linguagem e método. 2. ed. São Paulo: Noeses, 2008, p. 480481). Em razão disso, para produzir os seus efeitos jurídicos próprios, a PER/Dcomp pressupõe a correta identificação do crédito e dos respectivos débitos compensados. Do contrário, não há como se aperfeiçoar juridicamente o encontro de contas entre as relações jurídicas obrigacionais. Portanto, nada justifica a reforma da decisão recorrida, porque não foi identificada corretamente a origem do crédito nem demonstrada a sua liquidez e certeza. Votase pelo conhecimento e integral desprovimento do recurso. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 86DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 Fl. 87DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 13811.000076/2001-21
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Dec 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2000
DIREITO CREDITÓRIO. SALDO NEGATIVO DE CSLL. LIQUIDEZ E CERTEZA. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, autorizar a compensação de débitos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública.
Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional.
O ônus da prova de fato constitutivo do direito creditório alegado é do autor do pedido.
Incumbe, destarte, ao contribuinte a demonstração, acompanhada das provas hábeis e idôneas da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas, apuradas, sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA TÉCNICA, PROTESTO GENÉRICO DE PRODUÇÃO DE PROVAS. PEDIDO REJEITADO.
A diligência ou perícia não é meio próprio para comprovação de fato que possa ser feita mediante a mera apresentação ou juntada de documentos, cuja guarda e conservação compete ao contribuinte.
O indeferimento do pedido de diligência para produção de provas documentais cujo ônus probatório é do contribuinte, e quando restar evidenciado que ele poderia acostar ou juntar aos autos se de fato tais provas existissem, não configura cerceamento do direito de defesa.
A perícia técnica não é meio de prova para comprovação de fato que possa ser feito mediante a mera apresentação ou juntada de documentos cuja guarda e conservação compete à contribuinte, mas sim para esclarecimento de pontos duvidosos que exijam conhecimentos especializados. Por se tratar de prova especial, subordinada os requisitos específicos, a perícia só pode ser admitida, pelo Julgador, quando a apuração do fato litigioso não se puder fazer pelos meios ordinários de convencimento. Somente haverá perícia, portanto, quando o exame do fato probando depender de conhecimentos técnicos ou especiais e essa prova, ainda, tiver utilidade, diante dos elementos disponíveis para exame.
Indefere-se o pedido genérico para produção posterior de provas, diligência/perícia técnica, quando desnecessários para resolução da lide e quando formulado em desacordo com o art. 16, IV, § 4°, do Decreto n° 70.235/72.
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO - DCOMP. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA.
Apresentada a declaração retificadora da declaração de compensação, o termo inicial da contagem do prazo de cinco anos para homologação será a data da apresentação da declaração de compensação retificadora.
DCOMP RETIFICADORA. INSTRUMENTO DE CONFISSÃO DE DÍVIDA. DÍVIDA CONFESSADA. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA.
Não há necessidade de lançamento de ofício para constituição do crédito tributário em relação aos débitos confessados na declaração de compensação/retificadora e não extintos pela não homologação da compensação informada.
Numero da decisão: 1802-002.336
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(documento assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Luís Roberto Bueloni Santos Ferreira.
Nome do relator: NELSO KICHEL
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2000 DIREITO CREDITÓRIO. SALDO NEGATIVO DE CSLL. LIQUIDEZ E CERTEZA. FALTA DE COMPROVAÇÃO. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, autorizar a compensação de débitos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. O ônus da prova de fato constitutivo do direito creditório alegado é do autor do pedido. Incumbe, destarte, ao contribuinte a demonstração, acompanhada das provas hábeis e idôneas da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas, apuradas, sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA TÉCNICA, PROTESTO GENÉRICO DE PRODUÇÃO DE PROVAS. PEDIDO REJEITADO. A diligência ou perícia não é meio próprio para comprovação de fato que possa ser feita mediante a mera apresentação ou juntada de documentos, cuja guarda e conservação compete ao contribuinte. O indeferimento do pedido de diligência para produção de provas documentais cujo ônus probatório é do contribuinte, e quando restar evidenciado que ele poderia acostar ou juntar aos autos se de fato tais provas existissem, não configura cerceamento do direito de defesa. A perícia técnica não é meio de prova para comprovação de fato que possa ser feito mediante a mera apresentação ou juntada de documentos cuja guarda e conservação compete à contribuinte, mas sim para esclarecimento de pontos duvidosos que exijam conhecimentos especializados. Por se tratar de prova especial, subordinada os requisitos específicos, a perícia só pode ser admitida, pelo Julgador, quando a apuração do fato litigioso não se puder fazer pelos meios ordinários de convencimento. Somente haverá perícia, portanto, quando o exame do fato probando depender de conhecimentos técnicos ou especiais e essa prova, ainda, tiver utilidade, diante dos elementos disponíveis para exame. Indefere-se o pedido genérico para produção posterior de provas, diligência/perícia técnica, quando desnecessários para resolução da lide e quando formulado em desacordo com o art. 16, IV, § 4°, do Decreto n° 70.235/72. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO - DCOMP. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA. Apresentada a declaração retificadora da declaração de compensação, o termo inicial da contagem do prazo de cinco anos para homologação será a data da apresentação da declaração de compensação retificadora. DCOMP RETIFICADORA. INSTRUMENTO DE CONFISSÃO DE DÍVIDA. DÍVIDA CONFESSADA. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. Não há necessidade de lançamento de ofício para constituição do crédito tributário em relação aos débitos confessados na declaração de compensação/retificadora e não extintos pela não homologação da compensação informada.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2000 DIREITO CREDITÓRIO. SALDO NEGATIVO DE CSLL. LIQUIDEZ E CERTEZA. FALTA DE COMPROVAÇÃO. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, autorizar a compensação de débitos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. O ônus da prova de fato constitutivo do direito creditório alegado é do autor do pedido. Incumbe, destarte, ao contribuinte a demonstração, acompanhada das provas hábeis e idôneas da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas, apuradas, sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA TÉCNICA, PROTESTO GENÉRICO DE PRODUÇÃO DE PROVAS. PEDIDO REJEITADO. A diligência ou perícia não é meio próprio para comprovação de fato que possa ser feita mediante a mera apresentação ou juntada de documentos, cuja guarda e conservação compete ao contribuinte. O indeferimento do pedido de diligência para produção de provas documentais cujo ônus probatório é do contribuinte, e quando restar evidenciado que ele poderia acostar ou juntar aos autos se de fato tais provas existissem, não configura cerceamento do direito de defesa. A perícia técnica não é meio de prova para comprovação de fato que possa ser feito mediante a mera apresentação ou juntada de documentos cuja guarda e conservação compete à contribuinte, mas sim para esclarecimento de pontos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 1. 00 00 76 /2 00 1- 21 Fl. 287DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 13811.000076/200121 Acórdão n.º 1802002.336 S1TE02 Fl. 287 2 duvidosos que exijam conhecimentos especializados. Por se tratar de prova especial, subordinada os requisitos específicos, a perícia só pode ser admitida, pelo Julgador, quando a apuração do fato litigioso não se puder fazer pelos meios ordinários de convencimento. Somente haverá perícia, portanto, quando o exame do fato probando depender de conhecimentos técnicos ou especiais e essa prova, ainda, tiver utilidade, diante dos elementos disponíveis para exame. Indeferese o pedido genérico para produção posterior de provas, diligência/perícia técnica, quando desnecessários para resolução da lide e quando formulado em desacordo com o art. 16, IV, § 4°, do Decreto n° 70.235/72. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DCOMP. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA. Apresentada a declaração retificadora da declaração de compensação, o termo inicial da contagem do prazo de cinco anos para homologação será a data da apresentação da declaração de compensação retificadora. DCOMP RETIFICADORA. INSTRUMENTO DE CONFISSÃO DE DÍVIDA. DÍVIDA CONFESSADA. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. Não há necessidade de lançamento de ofício para constituição do crédito tributário em relação aos débitos confessados na declaração de compensação/retificadora e não extintos pela não homologação da compensação informada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Presidente. Fl. 288DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 13811.000076/200121 Acórdão n.º 1802002.336 S1TE02 Fl. 288 3 (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Luís Roberto Bueloni Santos Ferreira. Fl. 289DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 13811.000076/200121 Acórdão n.º 1802002.336 S1TE02 Fl. 289 4 Relatório Cuidam os autos do Recurso Voluntário de efls.232/245 contra decisão da 4ª Turma da DRJ/São Paulo I (efls. 204/226) que julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente. Quanto aos fatos, consta que: em 15/01/2001, a Contribuinte protocolizou o pedido de restituição do saldo negativo da CSLL do anocalendário 2000, no valor de R$ 2.204.676,41, para utilização em futuras compensações (efls. 02, 43 e 09), ajustado, posteriormente, para o montante de R$ 2.177.566,66, gerando os autos do presente processo; na sequência, a Contribuinte protocolou pedidos de compensação e, ainda, apresentou DCOMP utilizando, sempre, crédito relativo ao citado saldo negativo da CSLL do anocalendário 2000 para saldar os seguintes débitos: Processo/DCOMP Data do Protocolo Débitos compensados Total de débitos 13811.000076/200121 (*) 13/12/2002 Cofins (PA nov/2002) 1.082.237,06 13804.009121/200283 (*) 13/12/2002 PIS 1.547.480,61 33631.73609.130608.1.3.03 13/06/2008 IOF 22.749,16 4640 (efls. 105/108). 31865.66470.150708.1.3.03 15/07/2008 IOF 46.084,32 0034 (efls. 101/104) TOTAL 2.698.551,15 Obs: (i) Em 13/12/2002, a Declaração de Compensação do débito da Cofins de R$ 1.500.000,00 do PA novembro/2002 foi protocolada nos autos do processo nº 13804.009122/200228, utilizando crédito da CSLL relativo a pedido de restituição/ressarcimento objeto do processo nº 13804.000929/200203 (efls. 32/33). Entretanto, em 25/12/2005, a Contribuinte acostou aos autos do citado processo 13804.009122/200828 pedido de substituição da referida Declaração de Compensação, mediante apresentação de DCOMP retificadora, com a seguinte justificativa: “ Ressaltese, porém, que esta retificação originase da necessidade de desmembrar o valor compensado de R$ 1.500.000,00 referente a COFINS (períodobase novembro/2002), em dois processos (pedido de restituição), sendo R$ 417.762,94 pedido de restituição nº 13804.000929/200203 e R$ 1.082.237,06 pedido de restituição 13811.000076/200121.” (efls. 35/43). Termo de Juntada dessas peças aos presentes autos, em 09/02/2009 (efls. 51/53). (ii) Os autos do referido processo nº 13804.009121/200283 estão apensados aos presentes, conforme Termo de Juntada por Apensação, de 16/02/2009 (efl. 52); tratam de compensação do débito da Contribuição para o PIS, DCOMP protocolada em 13/12/2002. A Contribuinte anexou, aos autos do referido processo apensado, entre outros documentos, retificadora da citada DCOMP, alterando a Fl. 290DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 13811.000076/200121 Acórdão n.º 1802002.336 S1TE02 Fl. 290 5 origem do crédito do processo n º 13804.000929/200203 para o presente processo, conforme relatório constante do Despacho Decisório (efls. 109/116). (iii) Incorporação da Contribuinte (CAGIL CITRUS LTDA) pela CARGILL AGRÍCOLA S/A, em 02/04/2001 – telas da situação cadastral (efls. 73/74). em 23/07/2010, a Derat/São Paulo, por Despacho Decisório (efls. 139/146), reconheceu, em parte, o crédito pleiteado a título de saldo negativo da CSLL do ano calendário 2000, ou seja: a) que diversamente do pleiteado pela Contribuinte, o saldo negativo da CSLL do anocalendário 2000 não seria de R$ 2.177.566,66, mas apenas o montante de R$ 1.629.479,74; b) que, desse valor do saldo negativo da CSLL do anocalendário 2000, restou disponível apenas R$ 1.460.579,87 (valor original), pois: a pessoa jurídica incorporadora (CARGILL AGRÍCOLA S/A) já havia utilizado crédito de R$ 168.918,87 (valor original) – a título de saldo negativo da CSLL do anocalendário 2000 – para compensação, sem processo, do débito da CSLL estimativa mensal do PA agosto/2002 de R$ 216.918,10 (o despacho decisório convalidou essa compensação direta); c) que, sendo assim, as compensações vinculadas aos processos (principal e apensado) e as compensações objeto dos PER/DCOMP, também objeto deste processo, foram homologadas até o limite do crédito reconhecido (disponível); d) que a diferença de crédito pleiteado de R$ 548.086,32 (valor original) restou não reconhecida pelo despacho decisório, pois referese a CSLL estimativa mensal não quitada relativa (não foi quitado o valor, não gera crédito): PA junho/2000, no valor R$ 185.517,18; PA julho/2000, no valor R$ 362.569,14; Ciente do despacho decisório em 17/08/2010, por via postal AR (efl. 118), a Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade em 16/09/2010 (efls. 119/131), juntando ainda documentos (efls. 132/186), cujas razões, em síntese, estão apresentadas no relatório da decisão recorrida e que transcrevo, nessa parte (efls. 209/212): (...) 4. O contribuinte teve ciência do Despacho Decisório e dele recorreu a esta DRJ, em 16/09/2010, por meio de seus advogados (fls. 120 a 125), nos seguintes termos, sinteticamente (fls. 109 a 120): I DOS FATOS 4.1.Tratase de pedido de restituição de SNCSLL no valor inicial deR$ 2.204.676,41, e ajustado posteriormente para R$ 2.177.566,06, referente a pagamentos efetuados a maior a título Fl. 291DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 13811.000076/200121 Acórdão n.º 1802002.336 S1TE02 Fl. 291 6 de CSLL durante o AC de 2000. Posteriormente, a Recorrente apresentou seguidos pedidos de compensação. 4.2.Foi reconhecido direito creditório de apenas R$1.460.579,87 (não foi reconhecido o montante de R$548.086,32). É mister que o montante total da restituição pleiteada seja deferida e o total das compensações homologadas, como se demonstrará a seguir. II PRELIMINARMENTE II.l DA DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO 4.3. Os prazos decadenciais são veiculados por meras leis ordinárias. Todavia, no que se refere aos decadenciais em matéria tributária, o art. 146 da Constituição Federal determina que cabe à lei complementar. Conforme o Código Tributário (que tem status de lei complementar), a decadência ocorre no prazo de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, como a CSLL (§ 4o do artigo 150, do CTN). 4.4. Conforme disposto no Despacho Decisório, a Recorrente protocolou pedidos de compensações de débitos com SNCSLL do AC 2000 de acordo com a tabela a seguir: Processo/DCOMP Data do Protocolo Débitos compensados Total de débitos 13811.000076/200121 13/12/2002 COFINS 1.082.237,06 13804.009121/200283 13/12/2002 PIS 1.547.480,61 33631.73609.130608.1.3.03 4640 13/06/2008 lOF 22.749,16 31865.66470.150708.1.3.03 0034 15/07/2008 lOF 46.084,32 4.5.No que tange aos pedidos de compensações n° 13811.000076/200121 e 13804.009121/200283, protocolados em 13/12/2002, é evidente que o Fisco carece de amparo legal para não homologar tais compensações e, conseqüentemente, exigir o pagamento dos supostos débitos em 17/08/2010, visto que ocorreu o decurso do prazo decadencial de cinco anos, nos termos do artigo 150, §4°, do CTN. Traz jurisprudência em socorro de sua tese. 4.6.Sendo assim, resta claro que, em relação aos pedidos de compensações n°13811.000076/200121 e 13804.009121/2002 83, cujos valores totalizaram R$2.629.717,67 ocorreu a homologação tácita do Fisco, extinguindo o referido crédito tributário em virtude da decadência, nos termos do artigo 156, V, do CTN. III DO DIREITO 4.7. O montante pleiteado, no valor de R$2.177.566,06, eqüivale à totalidade do SNCSLL AC 2000, originado dos seguintes pagamentos (valores em Real): Fl. 292DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 13811.000076/200121 Acórdão n.º 1802002.336 S1TE02 Fl. 292 7 Pedido de compensação de crédito com débito de terceiro (doc. 04) 749.332,71 DARF para pagamento da CSLL de março de 2000 (doc. 05) 101.917,24 DARF para pagamento da CSLL de abril de 2000 (doc. 06) 380.574,75 DARF para pagamento da CSLL de julho de 2000 (doc. 07) 215.148,50 DARF para pagamento da CSLL de agosto de 2000 (doc. 08) 215.148,50 Pagamento da CSLL de junho 2000 mediante compensação com crédito CSLL AC 1999 185.517,18 Pagamento da CSLL de julho 2000 mediante compensação com crédito CSLL AC 1999 362.569,14 Pagamento da CSLL de agosto 2000 realizada a maior (40.063,40) 2.170.144,62 4.8. A Autoridade Fiscal reconheceu o valor de R$1.662.121,70 que, após compensação da estimativa de agosto de 2002 de CSLL, no valor de R$168.899.87, e da compensação da CSLL devida no AC 2000, no valor de R$32.641,96, o saldo do crédito correspondia a R$ 1.460.579,87. 4.9. Assim, houve glosa de R$ 548.086,32, assim composto: 4.9.1. R$185.517,18 => referente à compensação do débito de CSLL dc junho de 2000 com o crédito de CSLL apurado no AC de 1999; 4.9.2. R$362.569,14 => referente à compensação do débito de CSLL de julho de 2000 com o crédito de CSLL apurado no AC de 1999. 4.10. Ocorre que as alegações do Fisco não devem prosperar, pois as estimativas de CSLL referentes aos meses de junho e julho de 2000 foram quitadas por meio dc compensação, com SNCSLL AC 1999 (artigo 14, IN 21/97: as compensações podiam ser efetuadas independentemente de requerimento do contribuinte). 4.11. Para comprovar a efetividade da compensação realizada, bem como o direito que lhe assistia neste sentido, a Recorrente pede vênia para protestar pela posterior juntada da DIPJ AC 1999. 4.12. No que tange à alegação de que a Recorrente compensou sem processo a estimativa de agosto de 2002 de CSLL no valor de R$ 216.918,10 com o saldo negativo de 2000 (fl. 44), e que posteriormente informou que o crédito se referia à empresa incorporada cujo crédito foi analisado neste processo, cabe ressaltar que isto de fato ocorreu. (...) 4.13.Sendo assim, é de pleno direito da Recorrente o integral reconhecimentodo crédito decorrente do SNCSLL paga a maior no AC 2000, com sua conseqüente homologação da integralidade das compensações realizadas. Fl. 293DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 13811.000076/200121 Acórdão n.º 1802002.336 S1TE02 Fl. 293 8 IV – DO PEDIDO Diante do exposto, requer: (i) reconhecimento da extinção dos débitos de PIS e COFINS, devidamente compensados com o SNCSLL de R$2.629.717,67 em virtude da decadência; (ii) o reconhecimento integral do direito creditório (R$2.177.566,06) e a homologação integral das compensações. Protesta ainda pela posterior juntada da DIPJ do AC 1999, a fim de comprovar a origem do SNCSLL AC 1999, no montante de R$548.086,32. (...) A 4ª Turma da DRJ/São Paulo I, enfrentando as questões suscitadas pela Contribuinte, julgou a manifestação de inconformidade improcedente, conforme Acórdão de 29/02/2012 (efls. 204/226), cuja ementa transcrevo a seguir: (...) Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2000 CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. O contribuinte tem direito a restituição e/ou compensação do tributo pago indevidamente, desde que faça prova de possuir crédito líquido e certo contra a Fazenda Pública. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2000 DIREITO CREDITÓRIO. CSLL. Não tendo sido apurado crédito líquido e certo em favor do contribuinte, referente à CSLL apurada no AC 2000, em valor diferente do já reconhecido pela Autoridade Administrativa, mantémse a decisão recorrida. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido (...) Inconformada com esse decisum do qual tomou ciência em 28/05/2012 (efls. 230/231 e 246), apresentou Recurso Voluntário em 25/06/2014 (efls. 232/244), reiterando, em suma, as mesmas razões, as mesmas matérias, já suscitadas na primeira instância constantes da manifestação de inconformidade e já resumidas anteriormente, neste relatório. E acrescentou que: a) os débitos de estimativa mensal da CSLL dos PA junho/2000 e julho/2000 foram quitados por compensação direta na escrituração com utilização de crédito, ou seja, Fl. 294DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 13811.000076/200121 Acórdão n.º 1802002.336 S1TE02 Fl. 294 9 saldo negativo da CSLL do anocalendário 1999, conforme IN SRF 21/1997, art. 14, vigente na época; b) que, nesse sentido, os autos devem ser baixados para diligência, a fim de que seja constatado pela Fiscalização da RFB, através da escrituração contábil e documentos, que as antecipações de junho e julho/2000 foram quitadas pela empresa Cargill Citrus Ltda, através de compensações efetuadas em sua escrituração com saldo negativo da CSLL do ano calendário 1999; c) que ocorreu homologação tácita/decadência. Por fim, a Recorrente arrematou, in verbis: (...) Diante do acima exposto, a Recorrente requer o recebimento, o conhecimento e o provimento do presente recurso, com o conseqüente reconhecimento da extinção do crédito tributário relativo à Contribuição ao PIS e da COFINS devidamente compensados com o saldo negativo de CSLL e que correspondem ao montante de R$ 2.629.717,67, em virtude da decadência, nos termos do artigo 156, V do Código Tributário Nacional. Requer a Recorrente, o reconhecimento do integral direito creditório contra a Fazenda Nacional na importância de R$ 2.177.566,06, referente ao saldo credor de CSLL apurado em 31/12/2000, com a devida incidência de juros da taxa referencial SELIC, nos termos dos artigos 72 e 73 da IN/RFB n° 900/08, bem como a homologação integral das compensações realizadas com o referido crédito de CSLL, julgandose, assim, integralmente procedente o pedido de restituição de CSLL pago a maior. Por fim, protesta a Recorrente pela posterior juntada dos documentos contábeis que comprovam a compensação efetuada pela Cargill Citrus Ltda, das antecipações de CSLL devidas nos meses de junho e julho de 2000, com saldo negativo apurado no ano de 1999 (...) É o relatório. Fl. 295DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 13811.000076/200121 Acórdão n.º 1802002.336 S1TE02 Fl. 295 10 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator. O Recurso Voluntário, por ser tempestivo e atender aos demais requisitos de admissibilidade, merece ser apreciado. Logo, dele conheço. Conforme relatado, a Contribuinte reivindicou a restituição/aproveitamento do suposto crédito, ou seja, saldo negativo da CSLL do anocalendário 2000 de R$ 2.177.566,66 (valor original); utilizou respectivo valor para quitação dos débitos de exações fiscais adminstradadas pela RFB, consoante compensações informadas, já citadas no relatório. Entretanto, o Despacho Decisório da Derat/São Paulo (efls. 139/146), que primeiro conheceu do pleito, deferiu parcialmente o direito creditório a título de saldo negativo da CSLL do anocalendário 2000, no valor R$ 1.629.479,74 (valor original), e respectiva atualização pela SELIC. A diferença de R$ 548.086,32 (valor original), de suposto saldo negativo da CSLL do anocalendário 2000, restou não reconhecida, pois corresponde a crédito alegado e não comprovado, ou seja, a Contribuinte não comprovou que quitara as estimativas mensais da CSLL, abaixo, para aproveitálas como crédito (dedução da contribuição apurada, para gerar o saldo negativo): a) PA junho/2000, no valor de R$ 185.517,18 (valor original); b) PA julho/2000, no valor de R$ 362.569,14 (valor original). Portanto, o objeto das razões do recurso é esse alegado crédito (diferença) que restou não reconhecido pelo despacho decisório e pela decisão a quo. Nesta instância recursal, a Recorrente pediu, em suas razões, a reforma da decisão recorrida, alegando, em síntese: quanto ao crédito não reconhecido pela instância a quo: que as estimativas mensais da CLLL dos PA junho/2000 e julho/2000 teriam sido, sim, quitadas por compensação direta na escrituração contábil/fiscal, mediante utilização de crédito (saldo negativo da CSLL do anocalendário 1999), nos termos do art. 14 da IN SRF 21/97; que, existindo dúvida, sejam os autos baixados em diligência, a fim de que seja constatado pela Fiscalização da RFB, através da escrituração contábil/fiscal e documentos, que as antecipações de junho e julho/2000 foram quitadas pela empresa Cargill Citrus Ltda, através de compensações efetuadas em sua escrituração com saldo negativo da CSLL do ano calendário 1999; Fl. 296DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 13811.000076/200121 Acórdão n.º 1802002.336 S1TE02 Fl. 296 11 que, também, protestou pela juntada posterior de documentos contábeis que comprovariam a compensação direta na escrituração das estimativas mensais da CSLL de junho e julho/2000. Homologação tácita/decadência: que, caso não reste comprovado o crédito pleiteado, seja declarada a ocorrência da homologação tácita das compensações para efeito de extinção dos débitos da Cofins e da Contribuição para o PIS, protocoladas em 13/12/2002 (processos n°13811.000076/200121 e 13804.009121/200283), na parte ainda não homologadas pela insuficiência do direito creditório (transcurso de lapso temporal superior a cinco anos entre a protocolização das DCOMP e a ciência do despacho decisório); que ocorreu a decadência desses débitos (Cofins e PIS), informados nas DCOMP não homologadas/que esses débitos foram constituídos pelo despacho decisório, quando já havia expirado o prazo de cinco a partir da ocorrência do fato gerador. A irresignação da Recorrente não merece prosperar. CRÉDITO PLEITEADO. SALDO NEGATIVO DA CSLL. ANO CALENDÁRIO 2000. LIQUIDEZ E CERTEZA. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO PLEITEADO E INDEFERIDO PELA DECISÃO RECORRIDA A Recorrente não comprovou nos autos que tivesse quitado validamente as estimativas mensais da CSLL dos PA junho e julho/2000. Logo, apurada a CSLL (no encerramento do anocalendário 2000), incabível a dedução de estimativas mensais não adimplidas. A Contribuinte alegou que as estimativas mensais da CSLL desses períodos de apuração teriam sido objeto de compensação direta na escrituração da empresa com saldo negativo da CSLL do anocalendário 1999, com fulcro no art. 14 da IN SRF 21/97, vigente na época, que assim tratava da matéria: Art. 14. Os créditos decorrentes de pagamento indevido, ou a maior que o devido, de tributos e contribuições da mesma espécie e destinação constitucional, inclusive quando resultantes de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, poderão ser utilizados, mediante compensação, para pagamento de débitos da própria pessoa jurídica, correspondentes a períodos subseqüentes, desde que não apurados em procedimento de ofício, independentemente de requerimento. Sem dúvida, o art. 14 da IN SRF 21/97, com base no art. 66 da Lei 8.383/91, permitia, na época de sua vigência, a compensação direta na escrituração contábil/fiscal entre tributos de mesma espécie, desde que fosse informada tal compensação na respectiva DCTF do período de apuração do débito e fosse informada, também, na DCTF a origem do crédito utilizado nessa compensação direta. Nesse sentido, é pacífico o entendimento da jurisprudência administrativa dete Conselho, cabendo citar, a título ilustrativo, os seguintes precedentes: Fl. 297DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 13811.000076/200121 Acórdão n.º 1802002.336 S1TE02 Fl. 297 12 COMPENSAÇÃO FORMALIZADA EM DCTF. CRÉDITO RECONHECIDO EM AÇÃO JUDICIAL. HOMOLOGAÇÃO. DCTF. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO. Apenas a partir da edição da IN SRF n° 323/2003, que adicionou o parágrafo 6° ao art. 21 da IN SRF n° 210/2002, passou a ser exigida a apresentação de Declaração de Compensação para a realização da compensação entre tributos da mesma espécie. Antes disso, a compensação poderia ser concretizada diretamente na DCTF. (...) (Acórdão 3403–002647, sessão de 27/11/2013, Relator Ivan Allegretti). DCTF. EXTINÇÃO POR PAGAMENTO. RECOLHIMENTO NÃO LOCALIZADO. ERRO DE PREENCHIMENTO. COMPENSAÇÃO REALIZADA DIRETAMENTE NA ESCRITA. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Constatado erro no preenchimento da DCTF e comprovandose que a extinção do crédito tributário se deu mediante compensação realizada diretamente na escrituração contábil do contribuinte na vigência do art. 66 da Lei n° 8.383, de 1991, cancelase o crédito tributário constituído de ofício. (Acórdão1402001.532, sessão de 04/12/2013, Relator Fernando Brasil de Oliveira Pinto). DCOMP. COMPENSAÇÃO. DARF INEXISTENTE. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO. Tendo o contribuinte informado DARF inexistente e, intimado pela RFB, não atende à intimação, há que se ratificar a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação declarada.COMPENSAÇÃO REALIZADA ANTES DA VIGÊNCIA DA IN SRF N° 210/2002. LANÇAMENTO CONTÁBIL. FALTA DE COMPROVAÇÃO. A mingua de prova de que a compensação alegada foi devidamente efetuada e regularmente lançada na contabilidade da Recorrente, à época em que ocorreu, não há como prosperar tal alegação. COMPENSAÇÃO. DCTF É INSERVÍVEL PARA DECLARAR. A partir da vigência da IN SRF n° 210/2002, a comunicação à RFB das compensações realizadas pelos contribuinte passou a ser feita exclusivamente através da "Declaração de Compensação" instituída por esse normativo. A DCTF não é instrumento para tal. DCTF. ERRO DE PREENCHIMENTO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Não apresentado a escrita contábil, e a documentação que lhe deu suporte, que justifique a alteração dos valores declarados na DCTF, não há como alterar os valores declarados originalmente.(Acórdão 3302002.631, sessão de 29/05/2014, Relator Walber José da Silva). AUDITORIA INTERNA DE DCTF. COMPENSAÇÕES NÃO CONFIRMADAS. Não se admite compensações justificadas por um processo judicial distinto daquele em que a Contribuinte inicialmente pretendia realizálas, e cuja decisão lhe foi desfavorável. O decidido no outro processo não convalida, por si só, as compensações de débitos de CSLL na forma de uma auto compensação, realizada direta e internamente pela própria Fl. 298DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 13811.000076/200121 Acórdão n.º 1802002.336 S1TE02 Fl. 298 13 interessada, eis que a decisão judicial não teve essa abrangência. Cabível a exigência dos débitos cuja compensação não restou comprovada.(...) (Acórdão 1802002.290, sessão de 27/08/2014, Relator José de Oliveira Ferraz Corrêa) Como demonstrado pelos precedentes de jurisprudência deste CARF, a compensação direta na escrituração contábil/fiscal, na vigência da IN SRF 21/97, somente era válida ou consideravase formalizada, se informada na DCTF, com indicação, inclusive, da origem do crédito utilizado, para que o fisco pudesse verificar a liquidez e certeza desse crédito. Nos presentes autos, a Recorrente, inclusive nesta instância recursal de julgamento, apenas alegou que efetuou a compensação direta na escrituração contábil dos débitos das estimativas mensais da CSLL (PA junho/2000 e julho/2000), porém não juntou aos autos cópia da escrituração contábil/fiscal. A matéria já foi enfrentada no mérito, de forma adequada, pela decisão recorrida, conforme voto condutor, cuja fundamentação transcrevo (efls. 222/225), in verbis: (...) 11. Quanto ao mérito, observase que o litígio se circunscreve: (i) às estimativas de junho (R$185.517,18) e julho (R$362.569,14) não consideradas no Despacho Decisório;(...) 11.1. Estimativas de junho e julho. 11.1.1.A Recorrente afirma que, em relação a junho/2000, foi compensada a CSLL calculada por estimativa, no valor de R$185.517,18, com SNCSLL AC 1999, em época na qual não havia necessidade de ser informada à RFB. Para comprovar a efetividade da compensação realizada, bem como o direito que lhe assistia neste sentido, a Recorrente protesta pela posterior juntada da DIPJ AC 1999. 11.1.1.1. No entanto, verificase que a Recorrente não informou em DCTF nenhum débito de CSLL, relativo a junho/2000. Evidentemente que o que a DIPJ/2000 poderia indicar é a apuração de SNCSLL AC 1999, mas não que o mesmo tenha sido utilizado para compensar o débito que sequer foi informado em DCTF (o SNCSLL AC 1999 será analisado a seguir). 11.1.2.Em relação a julho/2000, na DCTF foi informado débito de CSLL no montante de R$215.148,50, pago mediante DARF. Tal pagamento foi confirmado e considerado no Despacho Decisório. 11.1.2.1 Entretanto, a Recorrente afirma que além do pagamento, compensou o montante de R$362.569,14 com SNCSLL AC 1999. 11.1.2.2 Como já abordado, o ônus da prova do direito alegado é do contribuinte. Nesse ponto, importa enfatizar que o contribuinte não trouxe documentos de prova que servissem de supedâneo as suas alegações. (...) Fl. 299DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 13811.000076/200121 Acórdão n.º 1802002.336 S1TE02 Fl. 299 14 11.1.2.4. Adicionalmente, esclareçase que cabia ao contribuinte instruir a Impugnação/Manifestação de Inconformidade com todos os documentos de prova, a teor do disposto nos artigos 15, caput, e 16, § 4o, do Decreto n° 70.235/72, aplicável ao caso (...) 11.1.2.5. Portanto, a prova documental deve ser apresentada juntamente com a Manifestação de Inconformidade, "precluindo o direito do Recorrente fazêlo em outro momento processual", sendo ônus do interessado juntar aos autos os elementos de prova que possui. Assim, concluise que as alegações da empresa informadas neste item não estão comprovadas. 11.1.2.6. Mas não é só. 11.1.2.7.Observase que a utilização do SNCSLL (e a do SNIRPJ)referente ao AC 1999 foi objeto do processo 13811.000263/0071, em que pleiteada acompensação de débitos, todos relativos aos códigos 8109 e 2172 (PIS e COFINS). 11.1.2.8.Tal processo foi analisado pela Terceira Turma desta DRJ SP 1, que exarou o Acórdão 1612.642, em 07/03/2007, que deferiu em parte a solicitação, (...) 11.1.2.9.Consulta ao Sistema SINCOR/PROFISC indica que o crédito reconhecido foi integralmente utilizado para compensar os débitos indicados nas respectivas DCOMP (no total de 23), tendo sido suficiente para quitar 20 débitos, um parcialmente, restando dois débitos em aberto (fls. 183 a 187). (...) 11.1.2.11. Portanto, forçoso concluir que, além de não provadas as compensações relativas a junho e julho/2000, também não restou crédito decorrente do SNCSLL AC 1999 a ser nelas utilizado, razão pela qual há que se manter o SNCSLL AC 2000 apurado no Despacho Decisório, no montante de R$1.629.479,74. (...) Como visto, a Contribuinte não informou nas respectivas DCTF as parcelas dos débitos das estimativas mensais da CSLL dos citados PA bem como as alegadas compensações diretas na escrituração. Ainda, como narrado na transcrição acima, sequer havia saldo negativo da CSLL do anocalendário 1999 disponível para ser utilizado nas alegadas compensações diretas. Logo, não há que se falar em compensação direta na escrituração, pois não foram preenchidas as formalidades legais. Ademais, cabe frisar que no processo administrativo de restituição de crédito e de compensação tributária, a Contribuinte é autora do pleito. O ônus probatório do direito alegado pedido de crédito contra a Fazenda Nacional – é do autor do pedido. Fl. 300DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 13811.000076/200121 Acórdão n.º 1802002.336 S1TE02 Fl. 300 15 Ou seja: cabe ao autor, ao peticionar, comprovar o fato constitutivo do direito que alega ter contra o Fisco, bem a liquidez e certeza do crédito utilizado na compensação em face do art. 170 do Código Tributário Nacional. A propósito, quanto ao ônus da prova, dispõe o art. 333, I, do Código de processso Civil Brasileiro – CPC: "Art. 333. O ônus da prova incumbe: 1 ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – (...) Quanto ao momento da produção das provas, dipõem os artigos 15 e 16 do Decreto n° 70.235, de 1972: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: I – (....) II – (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (...) No caso, a Recorrente compareceu aos autos em várias oportunidades (impugnação, recurso), mas não produziu prova de suas alegações quanto ao crédito reclamado, em nenhuma dessas oportunidades que se manifestou nos autos. Por outro lado, a Contribuinte pediu a realização de diligência fiscal/perícia técnica para verificação pela Fiscalização de sua escrituração contábil/fiscal e protestou, genericamente, pela juntada posterior de prova da escrituração contábil. Incabível, no caso, a realização de diligência/perícia técnica na escrituração da empresa, pois bastava a Recorrente juntar cópia de prova documental (cópia da sua escrituração contábil/fiscal); porém, não o fez. Como já dito, o ônus probatório do crédito alegado contra a Fazenda Nacional é da Contribuinte. Diligência/perícia contábil não se presta para produzir prova cujo ônus probatório é da Recorrente. Nesse sentido, é o entendimento jurisprudencial deste CARF. Aproveito para trazer à colação, os seguintes precedentes: PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. DESCABIMENTO. Descabe o pedido de diligência quando presentes nos autos todos os elementos necessários para que a autoridade julgadora forme sua convicção. Por outro lado, as perícias devem limitar Fl. 301DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 13811.000076/200121 Acórdão n.º 1802002.336 S1TE02 Fl. 301 16 se ao aprofundamento de investigações sobre o conteúdo de provas já incluídas no processo, ou à confrontação de dois ou mais elementos de prova também incluídos nos autos, não podendo ser utilizadas para reabrir, por via indireta, a ação fiscal. Assim, a perícia técnica destinase a subsidiar a formação da convicção do julgador, limitandose ao aprofundamento de questões sobre provas e elementos incluídos nos autos não podendo ser utilizada para suprir o descumprimento de uma obrigação prevista na legislação. (Acórdão CARF n° 2202.000.747, Sessão de 20/09/2010). PEDIDO DE DILIGÊNCIA/PERÍCIA — A diligência ou perícia não é meio próprio para comprovação de fato que possa ser feita mediante a mera apresentação ou juntada de documentos, cuja guarda e conservação compete à contribuinte, mas sim para esclarecimento de pontos duvidosos que exijam conhecimentos especializados. Tendo a decisão devidamente apreciado o pedido formulado, motivadamente, sendo considerada prescindível, incabível a argüição de nulidade da decisão proferida.(Acordão CC n° 10708.709, Sessão de 17/08/2006). DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. Descabe qualquer pedido de diligência estando presentes nos autos todos os elementos necessários para que a autoridade julgadora forme sua convicção, não podendo este servir para suprir a omissão do contribuinte na produção de provas que ele tinha a obrigação de trazer aos autos.(Acórdão CC n° 10617.219, Sessão de 18/12/2008). PEDIDO DE PERÍCIA TÉCNICA CONTÁBIL. MEIO DE PROVA. DESNECESSÁRIO. INDEFERIMENTO. O pedido de perícia técnica para obter informações que, por integrarem a escrituração, poderiam ter sido apresentadas por iniciativa do sujeito passivo demonstra intenção protelatória e não caracteriza cerceamento do direito de defesa quando indeferido.A autoridade julgadora é livre para formar sua convicção, podendo deferir perícias quando entendêlas necessárias, ou indeferir as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, sem que isto configure preterição do direito de defesa. Por se tratar de prova especial, subordinada os requisitos específicos, a perícia só pode ser admitida, pelo Julgador, quando a apuração do fato litigioso não se puder fazer pelos meios ordinários de convencimento. Somente haverá perícia, portanto, quando o exame do fato probando depender de conhecimentos técnicos ou especiais e essa prova, ainda, tiver utilidade, diante dos elementos disponíveis para exame.(Acórdão CARFn° 1802.000661, Sessão de 03/11/2010). NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. REJEIÇÃO DO PEDIDO DE REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIA FISCAL. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO. PRELIMINAR REJEITADA. O indeferimento do pedido de diligência para produção de provas cujo ônus probatório é do contribuinte, e quando restar Fl. 302DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 13811.000076/200121 Acórdão n.º 1802002.336 S1TE02 Fl. 302 17 evidenciado que ele poderia acostar ou juntar aos autos se de fato existissem, não configura cerceamento do direito de defesa. Ainda, não configura cerceamento do direito de defesa o indeferimento do pedido de diligência considerado desnecessário, prescindível à resolução da lide e quando formulado sem atendimento aos requisitos do art. 16 do Decreto n° 70.235/72. (Acórdão CARF n° 1802001.320, Sessão de 07/08/2012, Relator Nelso Kichel). Incabível, ainda, o protesto genérico para produção de provas no processo administrativo tributário. PRODUÇÃO DE PROVA. PROTESTO GENÉRICO. INDEFERIMENTO. Indeferese o mero protesto genérico para produção posterior de provas e/ou perícia, quando não enquadrado nas hipóteses do art. 16, § 4º, do Decreto 70.235/72. (Acórdão CARF 280100.982, sessão de 24/09/2010, Relator Antonio de Pádua Athayde Magalhães). DECISÃO RECORRIDA. REJEIÇÃO DE PROTESTO GENÉRICO DE PRODUÇÃO DE PROVAS. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO. PRELIMINAR DE NULIDADE REJEITADA Indeferese o pedido genérico para produção posterior de provas e/ou perícia quando desnecessários para resolução da lide e quando formulado em desacordo com o art. 16, IV, § 4°, do Decreto n° 70.235/72. Não constitui cerceamento do direito de defesa o indeferimento do pedido de diligência/perícia contábil considerado desnecessário, prescindível e formulado sem atendimento aos requisitos do art. 16, IV e § 4°, do Decreto n° 70.235/72. A perícia técnica não é meio de prova para comprovação de fato que possa ser feito mediante a mera apresentação ou juntada de documentos cuja guarda e conservação compete à contribuinte, mas sim para esclarecimento de pontos duvidosos que exijam conhecimentos especializados. Tendo a decisão de primeira instância rejeitado, de forma fundamentada, a desnecessidade ou prescindibilidade de realização de perícia técnica na escrituração contábil para a resolução da lide, incabível a arguição de nulidade da decisão proferida. (Acórdão CARF 1802001872, sessão de 09/10/2013, Relator Nelso Kichel). PROTESTO GENÉRICO PELA PRODUÇÃO DE PROVAS. PEDIDO REJEITADO. Indeferese o pedido genérico para produção posterior de provas e/ou perícia quando desnecessários para resolução da lide e quando formulado em desacordo com o art. 16, § 4°, do Decreto n° 70.235/72. (Acórdão CARFn° 1802001.339, Sessão de 08/08/2012, Relator Nelso Kichel). Como demonstrado, não há reparo a fazer na decisão a quo. Portanto, deve mantida a decisão recorrida. Fl. 303DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 13811.000076/200121 Acórdão n.º 1802002.336 S1TE02 Fl. 303 18 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO – DCOMP. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA. A Recorrente alegou que teria decorrido lapso temporal superior a cinco anos entre a data de protocolização dos Pedidos de Compensação, de 13/12/2002 (de débitos da Cofins e da Contribuição para o PIS processos n°13811.000076/200121 e 13804.009121/200283 ) e a ciência do despacho decisório; que teria ocorrido homologação tácita, bem como decadência dos débitos compensados. Aqui, também não tem razão a Recorrente. Conforme já restou consignado no relatório, as DCOMP de 13/12/2002 foram objeto de declaração retificadora. Senão vejamos: Quanto à DCOMP objeto deste processo: que 13/12/2002, a Declaração de Compensação do débito da Cofins de R$ 1.500.000,00 do PA novembro/2002 foi protocolada nos autos do processo nº 13804.009122/200228, utilizando crédito da CSLL relativo a pedido de restituição/ressarcimento objeto do processo nº 13804.000929/200203 (efls. 32/33). que, entretanto, em 23/12/2005, a Contribuinte acostou aos autos do citado processo 13804.009122/200828 pedido de substituição da referida Declaração de Compensação, mediante apresentação de DCOMP retificadora, com a seguinte justificativa: “ Ressaltese, porém, que esta retificação originase da necessidade de desmembrar o valor compensado de R$ 1.500.000,00 referente a COFINS (períodobase novembro/2002), em dois processos (pedido de restituição), sendo R$ 417.762,94 pedido de restituição nº 13804.000929/200203 e R$ 1.082.237,06 pedido de restituição 13811.000076/200121.” (efls. 35/43). Termo de Juntada dessas peças aos presentes autos, em 09/02/2009 (efls. 51/53). Quanto à DCOMP objeto do processo em apenso: 13804.009121/200183: que os autos do referido processo nº 13804.009121/200283 estão apensados aos presentes, conforme Termo de Juntada por Apensação, de 16/02/2009 (efl. 52); que tratam de compensação do débito da Contribuição para o PIS, DCOMP protocolada em 13/12/2002; que a Contribuinte anexou aos autos do referido processo apensado, entre outros documentos, retificadora da citada DCOMP protocolizada em 23/12/2005, alterando a origem do crédito do processo n º 13804.000929/200203 para o presente processo, conforme relatório constante do Despacho Decisório (efls. 109/116). Ora, como é cediço, o fisco tem cinco anos para analisar a compensação informada, a partir da protocolização da DCOMP retificadora, sob pena de homologação tácita. Fl. 304DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 13811.000076/200121 Acórdão n.º 1802002.336 S1TE02 Fl. 304 19 No caso, não transcorreu lapso temporal suficiente para a ocorrência de homologação tácita, pois a Contribuinte tomou ciência Despacho Decisório em 17/08/2010, por via postal AR (efl. 118). Ademais, como razão decidir, ainda adoto os fundamentos do voto condutor da decisão a quo que enfrentou, adequadamente, a questão suscitada da homologação tácita/decadência (efls.213/222 ), in verbis: (...) 8. Por sua vez, a Recorrente pugna: (i) preliminarmente, pela decadência, visto que, no que tange aos pedidos de compensações n° 13811.000076/200121 e 13804.009121/2002 83, protocolados em 13/12/2002, é evidente que o Fisco carece de amparo tegal para não homologar tais compensações e, conseqüentemente, exigir o pagamento dos supostos débitos em 17/08/2010, visto que ocorreu o decurso do prazo decadencial de cinco anos (artigo 150, §4°, do CTN). (...) 9. Inicialmente, é oportuno estabelecer algumas considerações, que deverão balizar o presente julgamento. (...) 9.2. O débito apresentado em DCTF, por expressa disposição legal (§§ 1o e 2o do art. 5º do Decretolei n° 2.124, de 13/06/1984 c/c art. 4o da IN SRF n° 126, de 30/10/1998, c/c § 1o do art. 8o da Instrução Normativa SRF n° 255, de 11/12/2002 e § 1o do art. 9o da IN SRF n° 482, de 21/12/2004), constitui confissão de dívida e, portanto, instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário. (...) 9.2.1. Desse modo, (...) os tributos informados em DCTF são objeto de imediata confissão de dívida, dispensandose o lançamento de ofício para a constituição dos respectivos créditos tributários. 9.2.2. Frisese, por pertinência, que a jurisprudência pátria reconhece a suficiência da DCTF para a inscrição dos créditos tributários nela declarados em dívida ativa, com a conseqüente ação de execução fiscal, (...) 9.3. Importa reproduzir o que vem estabelecido no artigo 74 da Lei n° 9.430, de .7/12/1996 (alterado pelos artigos 49 da MP n° 66, de 30/08/2002, convertida na Lei n° 10.637, de 30/12/2002, e 17 da MP 135, de 31/10/2003, convertida na Lei n° 10.833, de 30/12/2003), que assim dispõe: "Art. 74. (...) § 4º Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de Fl. 305DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 13811.000076/200121 Acórdão n.º 1802002.336 S1TE02 Fl. 305 20 compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo. § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. § 6° A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. (Incluído pela Lei n° 10.833, de 2003) " (grifei). 9.3.1. Portanto, temse que: (i) os pedidos de compensação pendentes serão considerados Declaração de Compensação (DCOMP); e (ii) a DCOMP entregue constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos não homologados (indevidamente compensados). (...) 9.5. Outro ponto importante a distinguir diz respeito ao "lançamento" e a "pedido de compensação" (DCOMP). 9.5.1. Lançamento é ato administrativo vinculado, declaratório da obrigação tributária e constitutivo do crédito tributário. Ele é o modo por meio do qual a Fazenda constitui o crédito, permitindo que venha a ser cobrado do sujeito passivo. (...) 9.5.4. Situação distinta é a referente aos casos em que o contribuinte pleiteia a análise de pedido seu (no caso, de repetição de indébito/compensação). 9.5.4.1.Assim, embora a Fazenda Pública possa identificar a ocorrência de fato gerador, se transcorridos os prazos referidos no subitem 9.5.3. não mais poderá efetuar o lançamento; já em relação ao pedido de restituição/compensação, terá que verificar a existência de crédito líquido e certo do contribuinte e se manifestar antes do prazo previsto no § 5o do art. 74 da Lei n° 9.430/96. (...) 9.5.4.5. Assim, há que se notar que não estamos a falar de lançamento, mas em provar, o contribuinte, a titularidade do direito líquido e certo que pleiteia. Portanto, a ele compete a guarda e manutenção da documentação pertinente ao direito alegado, enquanto não transitar em julgado a decisão administrativa correspondente. (...) 10. Em relação à preliminar de decadência do direito da RFB vir a exigir o pagamento dos supostos débitos informados em 2002, somente em 17/08/2010, visto que ocorreu o decurso do Fl. 306DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 13811.000076/200121 Acórdão n.º 1802002.336 S1TE02 Fl. 306 21 prazo decadencial de cinco anos (artigo 150, §4°, do CTN), observase que não há como se concordar com tal argumento. 10.1.Primeiro porque, como resta claro, a RFB não está a lançar nenhum crédito tributário, mas a cobrar valores de débitos confessados em DCOMP e/ou DCTF que, como visto, representam confissão de dívida que não tiveram suas compensações homologadas. 10.2.Segundo porque, como já informado nos subitens 3.2. e 3.5., em 23/12/2005 houve pedido de alteração do crédito relativo às DCOMP em que solicitadas as compensações dos débitos de R$1.082.237,06 (código 2172; período de apuração nov/2002) e de R$1.547.480,61 (código 8109; período de apuração nov/2002), controladas nos processos 13811.000076/200121 e 13804.009121/200283, respectivamente. 10.2.1. Neste ponto, releva notar o que vem disposto na IN SRF n° 460, de 18/10/2004 (vigente à época da retificação das DCOMP): "Art. 59. Admitida a retificação da Declaração de Compensação, o termo inicial da contagem do prazo previsto no § 2º do art. 29 será a data da apresentação da Declaração de Compensação retificadora. (...) Art. 29. A autoridade da SRF que nãohomologar a compensação cientificará o sujeito passivo e inlimáloá a efetuar, no prazo de trinta dias, contados da ciência do despacho de nãohomologação. o pagamento dos débitos indevidamente compensados. (...) § 2º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de cinco anos, contados da data da entrega da Declaração de Compensação." (grifei). 10.2.2. Portanto, o único prazo a considerar, em relação à decadência (homologação tácita) é o previsto no § 5o do art. 74 da Lei n° 9.430/96 (subitem 9.3) reproduzido no § 2o da IN SRF 460/2004. 10.2.3. Assim, tendo as retificações sido efetuadas em 23/12/2005, e a ciência do Despacho Decisório ocorrido em 17/08/2010, não ocorreu a homologação tácita pleiteada pela Recorrente. (...) Assim, os débitos da Cofins e da Contribuição para o PIS do PA novembro/2002, que restaram não extintos por compensação não homologada por falta de crédito, estão sendo exigidos pelo fato das declarações de compensação retificadoras, que substituíram as declarações de compensação primitivas, terem natureza de instrumento de confissão de dívida., aptas para formalização de execução da dívida, no caso de inadimplemento ou resistência para cumprimento voluntário da obrigação tributária. Logo, não Fl. 307DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 13811.000076/200121 Acórdão n.º 1802002.336 S1TE02 Fl. 307 22 há que se falar em decadência de dívida confessada pelo sujeito passivo, quanto às contribuições (PIS e Cofins) do período de apuração novembro/2002. Por tudo que foi exposto, voto para NEGAR provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 308DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por NELSO KICHEL
score : 1.0
Numero do processo: 10510.001856/2003-57
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Sep 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Feb 02 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1998
LANÇAMENTO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO FÁTICA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. CANCELAMENTO DO AUTO DE INFRAÇÃO.
Deve ser cancelado o auto de infração quando a motivação do lançamento (proc jud não comprova) não se mostrou verdadeira, notadamente em face do conteúdo fático-probatório trazido aos autos.
RECURSO ESPECIAL DO PROCURADOR NEGADO.
Numero da decisão: 9303-003.125
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Especial. Ausente momentaneamente o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres.
(assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Nanci Gama, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo (Substituta convocada), Antonio Carlos Atulim (Substituto convocado), Fabiola Cassiano Keramidas (Substituta convocada), Maria Teresa Martínez López e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado BANESTES S/A ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1998 LANÇAMENTO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO FÁTICA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. CANCELAMENTO DO AUTO DE INFRAÇÃO. Deve ser cancelado o auto de infração quando a motivação do lançamento (“proc jud não comprova”) não se mostrou verdadeira, notadamente em face do conteúdo fáticoprobatório trazido aos autos. RECURSO ESPECIAL DO PROCURADOR NEGADO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Especial. Ausente momentaneamente o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres. (assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Nanci Gama, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Ana AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 00 18 56 /2 00 3- 57 Fl. 343DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/10/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 Clarissa Masuko dos Santos Araújo (Substituta convocada), Antonio Carlos Atulim (Substituto convocado), Fabiola Cassiano Keramidas (Substituta convocada), Maria Teresa Martínez López e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela PGFN contra acórdão que deu provimento ao Recurso Voluntário, conforme ementa abaixo transcrita: Relatora: Fabiola Cassiano Keramidas Acórdão: 3302 01.273 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 1998 DECADÊNCIA LEI Nº 8212/91 INAPLICABILIDADE SÚMULA Nº 8 DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL O prazo para constituição das contribuições sociais, incluindo as previdenciárias, é de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador. Inteligência da Súmula Vinculante nº 8 do Supremo Tribunal Federal: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. AUTO DE INFRAÇÃO ELETRÔNICO PROCESSO JUDICIAL NÃO COMPROVADO O Auto de Infração lavrado eletronicamente em virtude da não localização, pelo sistema da Secretaria da Receita Federal, dos processos judiciais que deram ensejo ao não recolhimento do tributo ou mesmo da guia DARF de pagamento, deve ser cancelado se o contribuinte comprovar a falsidade destas premissas. Caso a fiscalização, após constatada a efetiva existência do processo, ainda pretenda constituir os créditos, agora por razão diversa: falta de autorização judicial, para fim de evitar a decadência de valores, etc; deve iniciar mandado de procedimento fiscal e elaborar novo auto de infração, com outro fundamento. Inclusive, se for apenas para evitar a decadência, não haverá a incidência de multa. Não compete ao julgador alterar o fundamento do auto de infração para fim de regularizá lo e manter a exigência, tal competência é privativa da autoridade administrativa fiscalizadora. Recurso de Ofício Negado.O Auto de Infração foi lavrado em decorrência de revisão interna de DCTF, relativo à Cofins fins de suspensão da exigibilidade dos débitos declarados, conforme se vê do "Anexo I Demonstrativo dos Créditos Vinculados Não Confirmados", da coluna "ocorrência", que consigna “proc.jud. não comprovado”. lrresignada, Fl. 344DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/10/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10510.001856/200357 Acórdão n.º 9303003.125 CSRFT3 Fl. 714 3 a contribuinte apresentou impugnação, alegando, em preliminar, que o auto de infração é nulo por não conter a descrição dos fatos, apoiando o pleito em acórdãos dos Conselhos de Contribuintes. A PGFN argumenta que não houve alteração na motivação do lançamento e, mesmo que houvesse, qualquer novo fundamento suscitado pelo contribuinte não teria o condão de modificar a situação prática verificada no processo administrativo, pois o lançamento é uma imposição legal. Em resumo, nas contrarazões, a empresa repisa seus argumentos do recurso Voluntário, pugnando pela nulidade do lançamento, quer por desatendimento dos requisitos essenciais previstos no art. 10º do Decreto n° 70.235/72. É o relatório Voto O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e deve ser admitido. Incontroverso o fato de que houve erro na descrição dos fatos que ensejou o lançamento. O processo judicial informado na DCTF, ao contrário do informado no auto de infração existia e assegurava o direito à realização das compensações efetuadas. O lançamento decorre da suposta inexistência de processo judicial informado como justificativa para a suspensão da exigibilidade dos débitos quitados por compensação autorizada em sede de tutela antecipada. Com efeito, no presente caso, houve inovação na matéria que foi objeto de apreciação nos autos. Foi trazida uma matéria jurídica não presente originariamente. Esse fato traz um inaceitável cerceamento ao direito de defesa. O contribuinte se defende dos fatos e não do direito. Assim, se houvesse mera modificação da fundamentação legal, não haveria que se falar em nulidade do lançamento, o que não ocorreu na presente lide. A descrição incorreta do fato motivador do lançamento ofendeu o art. 10ª, inciso III, do Decreto n° 70.235/72, que regula o Processo Administrativo Fiscal, verbis: "Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: III a descrição do fato; " (destaquei) Ao não descrever de forma correta o fato que ensejou a autuação, o Fisco deixou, também, de especificar corretamente a matéria tributável, de cuja essência se consubstanciaria o motivo do lançamento. A descrição correta dos fatos formam a motivação do lançamento, que significa a descrição dos motivos que ensejam o lançamento, que é responsável pela Fl. 345DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/10/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 materialização da obrigação tributária, tornandose possível identificar os sujeitos da obrigação e quantificar o crédito. Com efeito, a motivação é um requisito formal do ato administrativo, que é o lançamento. Um vício de motivação não poderá ser sanado no decorrer do processo administrativo tributário, não restando outra alternativa, senão a nulidade do ato ( auto de infração). A lei processual tributária (Dec. 70.235/72 e Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011) é bem clara ao trazer como requisito do lançamento a descrição dos fatos. De fato houve uma afronta à legislação tributária e processual tributária que deve ensejar a anulação do auto de infração nos exatos termos do acórdão recorrido. Examinando situação semelhante a esta, a eminente Conselheira Maria Teresa Martinez López assim se manifestou (Acórdão nº 20217.721, de 25/05/2006): "A ausência desses elementos ou de algum deles, inquestionavelmente, dá causa à nulidade do lançamento por defeito de estrutura e não apenas por um vício formal, caracterizado, pela inobservância de uma formalidade exterior ou extrínseca necessária para a correta configuração desse ato jurídico. É lícito concluir que as investigações intentadas no sentido de determinar, aferir, precisar o fato que se pretendeu tributar anteriormente, revelamse incompatíveis com os estreitos limites dos procedimentos reservados ao saneamento do vício formal. Sob o pretexto de corrigir o vício formal detectado no auto de infração, não pode. Fisco intimar o contribuinte para apresentar informações, esclarecimentos, documentos etc. tendentes a apurar a matéria tributável. Se tais providências forem necessárias, significa que a obrigação tributária não estava definida e o vício apurado não seria apenas deforma, mas, sim, de estrutura ou da essência do ato praticado. Destarte, por meio da descrição dos fatos, revelamse os motivos que levaram à autuação. Não é necessário que a descrição seja extensa, bastando que se articule de modo preciso os elementos de fato e de direito que levaram o auditor ao convencimento de que a infração deve ser imputada à contribuinte. Ainda acerca da impossibilidade de aperfeiçoamento do lançamento, cabe acrescentar colação os acórdãos abaixo: "Acórdão n° 10320.074 (Rec. 118.581), sessão de 19/8/99. Ementa: É vedado à Autoridade Julgadora o aperfeiçoamento do lançamento em face da previsão legal atribuindo tal atividade à Autoridade Lançadora. Publicado no DOU de 8/10/99 n° 194E. Acórdão n° 10320.754 (Rec. 125.219), sessão de 17/10/01 (DOU de 12/12/01). Ementa: (.) IRPJ Inovação quanto ao Fl. 346DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/10/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10510.001856/200357 Acórdão n.º 9303003.125 CSRFT3 Fl. 715 5 Lançamento no Ato Decisório da Delegacia da Receita Federal de Julgamento Impossibilidade. 0 deverpoder de decidir conferido ao Delegado da Receita Federal de Julgamento está adstrito aos termos do lançamento efetuado pela autoridade fiscal, não lhe cabendo aperfeiçoálo ou transformálo de qualquer forma, sob pena de transposição de sua competência legal. CSSL Erro na Apuração da Base de cálculo Impossibilidade de Aperfeiçoamento por este órgão Julgador. Não tendo a autoridade lançadora obedecido aos preceitos legais para a fixação da base de cálculo da contribuição, não cabe a este órgão aperfeiçoar o lançamento, mas apenas afastar a exigência, diante do erro ocorrido. (.) Recurso conhecido e provido em parte. Acórdão n° 10706.463 (Rec. 127.319), sessão de 7/11/01. Ementa:Processo Administrativo Fiscal Auto de Infração. Não deve subsistir o Auto de Infra cão que não contenha exigências tributárias, nem mesmo relativas à redução no estoque de prejuízos a compensar. Se houve erro em sua lavratura não cabe ao órgão julgador o seu aperfeiçoamento." Do exposto, voto pelo não provimento do presente recurso, mantendose, na íntegra, a decisão do colegiado a quo. Rodrigo da Costa Possas Relator Fl. 347DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/10/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 10920.902873/2008-96
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2005
ERRO FORMAL - PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL - PREVALÊNCIA.
Embora a DCTF seja o documento válido para constituir o crédito tributário, se o contribuinte demonstra que as informações nela constantes estão erradas, pois foram por ele prestadas equivocadamente, deve ser observado o princípio da verdade material, afastando quaisquer atos da autoridade fiscal que tenham se baseado em informações equivocadas.
Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 3302-002.744
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Vencidos os conselheiros Paulo Guilherme Déroulède e Maria da Conceição Arnaldo Jacó, que negavam provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(assinado digitalmente)
FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS - Relatora.
EDITADO EM: 23/10/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède, Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 ERRO FORMAL PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL PREVALÊNCIA. Embora a DCTF seja o documento válido para constituir o crédito tributário, se o contribuinte demonstra que as informações nela constantes estão erradas, pois foram por ele prestadas equivocadamente, deve ser observado o princípio da verdade material, afastando quaisquer atos da autoridade fiscal que tenham se baseado em informações equivocadas. Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Vencidos os conselheiros Paulo Guilherme Déroulède e Maria da Conceição Arnaldo Jacó, que negavam provimento ao recurso. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora. EDITADO EM: 23/10/2014 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 90 28 73 /2 00 8- 96 Fl. 91DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 31/1 0/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède, Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de Declaração de Compensação – Dcomp – não homologada em razão de não ter sido localizado o crédito indicado pelo contribuinte. Conforme o relato da decisão de primeira instância administrativa: “Em análise da compensação intentada, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joinville/SC decidiu não homologála (Despacho Decisório A. folha 10), em razão de que o valor recolhido via DARF, indicado como fonte do crédito contra a Fazenda Nacional, já havia sido integralmente utilizado para o pagamento de débito da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos valores informados no PER/DCOMP. O Despacho Decisório foi proferido em 12/08/2008, e a DCTF Retificada em 15/09/2008. Ainda, conforme o relato: Inconformada com a não homologação de sua compensação, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade, na qual alega que equivocouse ao preencher a DCTF e, portanto, apresentou retificadora em 15 de setembro de 2008 demonstrando a existência de crédito.” – destacamos Especificamente, o contribuinte alegou em sua manifestação de inconformidade: “Através da análise dos fatos e documentos que ensejaram o Despacho Decisório, verificouse que o equivoco aconteceu no momento do preenchimento da DCTF, pois no periodo de apuração do do COFINS de 04/2004, não havia pagamento a ser realizado, pois conforme a DIPJ de 2005 ano calendário 2004 a COFINS apresentava SALDO CREDOR no valor de R$ 12.119,02. Sendo assim o pagamento efetuado a titulo de COFINS ref. 04/2004, no valor de R$ 3.057,35, deve ser considerado como pagamento indevido, pois fica claro através da análise do cálculo do imposto de que o débito realmente não existiu. E que o que realmente aconteceu foi o equivoco no preenchimento da DCTF onde o escriturário de posse da guia paga, acabou por informar na DCTF o referido débito, bem como seu devido pagamento.” – trecho da manifestação de inconformidade destaquei Fl. 92DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 31/1 0/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10920.902873/200896 Acórdão n.º 3302002.744 S3C3T2 Fl. 11 3 Após analisar os esclarecimentos prestados pela Recorrente, a 4a Turma da DRJ/FNS proferiu o acórdão no 0726.174, por meio do qual manteve o indeferimento da compensação, conforme ementa: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 COMPENSAÇÃO. INDÉBITO ASSOCIADO A ERRO EM VALOR DECLARADO EM DCTF. REQUISITO PARA HOMOLOGAÇÃO. Nos casos em que a existência do indébito incluído em declaração de compensação está associada à alegação de que o valor declarado em DCTF e recolhido é indevido, s6 se pode homologar tal compensação, independentemente de eventuais outras verificações, nos casos em que o contribuinte, previamente à apresentação da DCOMP, retifica regularmente a DCTF. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Credit6rio Não Reconhecido.” A decisão de primeira instância registrou: “Por óbvio que não se está aqui a afirmar que o crédito contra a Fazenda Nacional existe ou não existe, dado que não é isto que importa para o caso concreto que aqui se tem. O que se afirma, e isto sim, é que só a partir da retificação da DCTF é que a contribuinte passou a ter crédito contra a Fazenda devidamente conformado na forma da lei. Assim, a retificação já efetuada pode produzir efeitos em relação a DCOMP) apresentada posteriormente a esta retificação, mas não para validar compensações anteriores. De se dizer que débitos anteriores, não adimplidos no prazo legal, podem ser incluídos em DCOMP, mas neste caso, por óbvio, tais débitos deverão ser declarados com a devida adição da multa e dos juros de mora legalmente previstos (aliás, está aqui mais uma razão para a impossibilidade de validação retroativa da compensação: como s6 posteriormente A data de vencimento do tributo e A data de prolação do Despacho Decisório é que houve retificação da DCTF, estarseia permitindo, com a validação retroativa, o adimplemento a destempo da obrigação tributária, sem o acréscimo da penalidade e encargos legais previstos).” destaquei Irresignada, a Recorrente interpôs recurso voluntário por meio do qual reiterou as razões trazidas na Impugnação, argumentando ainda que a retificação da DCTF pode ser realizada a qualquer tempo e que não há fundamento legal para não se aceitar a retificação da DCTF. É o relatório. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 31/1 0/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 4 Voto Conselheira FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Da análise dos autos verificase que a DCTF, mesmo após retificada, indica a existência de saldo credor de contribuição de Cofins. Informa a Recorrente ter saldo credor de COFINS, em virtude de pagamento a maior. Vale notar que em momento algum do processo a autoridade fiscal questionou as informações da Recorrente. A abordagem da DRJ foi estritamente no sentido de que a simples retificação de DCTF não seria suficiente para a constituição do crédito tributário porque o “momento” da compensação foi anterior. Pois bem, muito embora tenha razão a DRJ ao afirmar que a simples retificação de DCTF e/ou DIPJ não é suficiente para comprovar a existência do crédito tributário, fato é que se o contribuinte comprova que há um erro na DCTF e procede à retificação das informações, constitui outro valor como devido, o que não pode ser desconsiderado. Vale dizer, o processo administrativo tributário, regido pelo princípio da verdade material, não permite análise rasa de documentos, tampouco a prevalência de declarações equivocadas, uma vez que se constate que os fatos se deram de forma distinta daquilo que foi declarado. Assim, mero erro formal do contribuinte, consubstanciando erro nas informações prestadas em declarações obrigatórias não prevalece, quando comprovada a verdade dos fatos. A jurisprudência deste Tribunal corrobora este entendimento, tendo cancelado diversos lançamentos quando comprovada a ocorrência de mero erro formal, por equivoco do contribuinte na prestação de informações em suas declarações. Destaco: “AUDITORIA DE DCTF. ERRO DE FATO. COMPROVAÇÃO. No caso de lançamento decorrente de auditoria interna de DCTF, estando demonstrado nos autos que o valor recolhido pelo sujeito passivo a título de IRPJ corresponde ao informado na DIPJ, é de se admitir como incorreto o valor divergente informado pelo contribuinte na DCTF.(...)” (CARF 1ª Seção, 2ª Turma da 4ª Câmara, Acórdão 140200.189) “(...) AUTO DE INFRAÇÃO. EXIGÊNCIA EM DUPLICIDADE. FORMALIDADE PRINCÍPIOS DA VERDADE MATERIAL E DA MORALIDADE ADMINISTRATIVA. CANCELAMENTO. De se cancelar a exigência fundada em erro formal cometido pelo sujeito passivo, que, embora não corrigido mediante a entrega de DCTF retificadora antes do inicio do procedimento fiscal, teve sua comprovação demonstrada nos autos de maneira a evidenciar a duplicidade de lançamento. Prestígio dos princípios da verdade material e da moralidade administrativa em detrimento de formalidade dispensável diante das Fl. 94DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 31/1 0/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10920.902873/200896 Acórdão n.º 3302002.744 S3C3T2 Fl. 12 5 circunstâncias.(...)” (CARF 3ª Seção, 1ª Turma da 4ª Câmara, Acórdão 340100.891) “(...) AUTO DE INFRAÇÃO. EXIGÊNCIA EM DUPLICIDADE. FORMALIDADE PRINCÍPIOS DA VERDADE MATERIAL E DA MORALIDADE ADMINISTRATIVA. CANCELAMENTO. De se cancelar a exigência fundada em erro formal cometido pelo sujeito passivo, que, embora não corrigido mediante a entrega de DCTF retificadora antes do inicio do procedimento fiscal, teve sua comprovação demonstrada nos autos de maneira a evidenciar a duplicidade de lançamento. Prestígio dos princípios da verdade material e da moralidade administrativa em detrimento de formalidade dispensável diante das circunstâncias. (...)” (CARF – 3ª Seção – 1ª Turma da 4ª Câmara, Acórdão 340100.891) “(...) IRPJ ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração, deve a verdade material prevalecer sobre a formal, e exigido o valor efetivamente devido conforme o lucro real. Recurso provido.” (1º Conselho de Contribuintes, 8ª Câmara, Acórdão 10808.689) “(...) VALOR DA TERRA NUA. DITR ERRO NO PREENCHIMENTO Constatado erro no preenchimento da DITR, a autoridade administrativa deve rever o lançamento, para adequálo aos elementos fáticos reais. Havendo erro no Valor da Terra Nua declarado e inexistindo nos autos elementos que permitam a manutenção da base de cálculo do tributo, adotase o valor fixado na IN pertinente. Embargos de declaração da Fazenda Nacional acolhidos.Recurso especial da Fazenda Nacional negado.” (CSRF, 3ª Turma, Acórdão CSRF/0304.471) Em observância a tais princípios, uma vez constatado que houve erro nas informações prestadas pelo contribuinte, de se considerar a verdade dos fatos, ainda que elas sejam diversas das informações em que se baseou o Fisco na execução de seus atos – seja na lavratura de um auto de infração, ou, como no presente caso, na não homologação de uma compensação. Ademais, imperioso esclarecer que não há impedimento legal para que a retificação da DCTF seja realizada posteriormente ao pedido de compensação. O procedimento da Recorrente é legal. As retificações da obrigações acessórias podem ser realizadas no prazo de 5 anos, sendo impedidas apenas se o contribuinte estiver sob procedimento de fiscalização. Ressaltando, contudo, que esta decisão não significa a homologação da compensação pleiteada, uma vez que o crédito tem de ser avaliado pela autoridade administrativa competente. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 31/1 0/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 6 Ante o exposto, conheço do presente para DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário da Recorrente, para reconhecer o direito ao procedimento de compensação mesmo que a DCTF tenha sido retificada após o despacho decisório, ficando ressalvado à fiscalização a apuração da existência e do quantum do crédito tributário pleiteado. É como voto, (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Fl. 96DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 31/1 0/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
score : 1.0
Numero do processo: 13786.720055/2011-52
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Dec 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
ISENÇÃO POR MOLÉSTIA GRAVE.
A isenção do imposto de renda decorrente de moléstia grave somente abrange rendimentos de aposentadoria, reforma ou pensão e deve ser comprovada, mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.
Não preenchidos cumulativamente os requisitos exigidos pela lei, os rendimentos devem ser oferecidos à tributação.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2801-003.899
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin Presidente.
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Flavio Araujo Rodrigues Torres, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2010 ISENÇÃO POR MOLÉSTIA GRAVE. A isenção do imposto de renda decorrente de moléstia grave somente abrange rendimentos de aposentadoria, reforma ou pensão e deve ser comprovada, mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Não preenchidos cumulativamente os requisitos exigidos pela lei, os rendimentos devem ser oferecidos à tributação. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Flavio Araujo Rodrigues Torres, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
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A isenção do imposto de renda decorrente de moléstia grave somente abrange rendimentos de aposentadoria, reforma ou pensão e deve ser comprovada, mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Não preenchidos cumulativamente os requisitos exigidos pela lei, os rendimentos devem ser oferecidos à tributação. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Presidente. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Flavio Araujo Rodrigues Torres, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 78 6. 72 00 55 /2 01 1- 52 Fl. 51DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 09/ 12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 13786.720055/201152 Acórdão n.º 2801003.899 S2TE01 Fl. 52 2 Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 2a Turma da DRJ/RJ2 (Fls. 22), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Versa o presente processo sobre a Notificação de Lançamento de fls.10/14, relativo ao anocalendário 2009, para cobrança do crédito tributário de R$ 12.813,43. * omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, no valor de R$49.392,00 da fonte pagadora Miracema Câmara Municipal. O enquadramento legal encontrase às fls.12 e 14. Inconformado o interessado ingressou com a impugnação de fls.02/03, alegando que: 1. foi acometido de cardiopatia grave (CID X I20.0), conforme declaração de avaliação médicopericial, realizada na Unidade Executiva de Perícia Médica de Miracema – RJ, em 14/09/2006, cuja cópia segue em anexo; 2. para corroborar seu argumento, está juntando à presente peça defensória, o Relatório Cirúrgico expedido pelo Hospital de Clínicas de Niterói, onde estão relatados os procedimentos realizados; 3. a partir de setembro de 2006, passou a ser beneficiado pelo art. 6º, inciso XIV, da Lei nº7.713, de 22 de dezembro de 1988, referendada pela Lei nº9.250, de 26 de dezembro de 1995, artigo 30, parágrafo 2º, por ser portador de moléstia grave e porque seus rendimentos de aposentadoria, recebidos do INSS e da Câmara Municipal de Miracema, passaram a ser isentos e não tributáveis; 4. acredita que a Câmara Municipal de Miracema tenha apresentado a Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF) de forma incorreta; 5. para comprovar que não houve informação indevida em sua declaração de ajuste/2010, apresentada em 16/04/2010, está acostando ao presente os comprovantes de rendimentos recebidos pelo INSS (R$ 15.981,46) e pela Câmara Municipal de Miracema ( R$ 49.392,00); 6. diante do exposto, não concorda com a Notificação de Lançamento. Passo adiante, a 2ª Turma da DRJ/RJ2 entendeu por bem julgar a impugnação improcedente, em decisão que restou assim ementada: Fl. 52DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 09/ 12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 13786.720055/201152 Acórdão n.º 2801003.899 S2TE01 Fl. 53 3 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. MOLÉSTIA GRAVE. Para serem isentos do imposto de renda pessoa física, os rendimentos deverão necessariamente ser provenientes de pensão, aposentadoria ou reforma, assim como deve estar comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, que o interessado é portador de uma das moléstias apontadas na legislação de regência. Cientificado em 27/02/2012 (Fls. 29), o Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 28/03/2012 (fls. 30 a 34), argumentando em síntese: (...) Ao examinar na Agencia local do INSS o processo de n°. 4208 02956629, constatou que houve falha técnica, não na expressão física da pericia, mas, na citação do código relativo à doença que provocou o pedido de Isenção; Assim é que, o médico que atestou o estado de saúde do paciente/contribuinte, mesmo afirmando que seu paciente WILLER ROQUE MONTEIRO, era portador de CARDIOPATIA GRAVE (DOENÇA CORONARIANA), naturalmente, por descuido, codificou de forma inadequada a doença que constatara, pois, a codificou com o CID 1.20.0, quando deveria apontar o CID 1.25.5; O código CID 1.20.0 referese à enfermidade Angina Instável, o que não fora anotado nem falado na ocasião do pedido e nem acontece agora; Seguindo o atestado de seu colega, o perito médico do INSS, incorreu no mesmo erro técnico, pois, enquadrou o paciente que examinava na Lei n°. 7.713, de 22/09/1988, em seu artigo 6o, Inciso XIV referendado pela Lei n°. 9.250, de 26/12/1995, Artigo 30, parágrafo 2, mas ele, o Perito, copiando do medico assistente, também codificou a doença com o CID 1.20.0, Código inadequado, face à doença sofrida pelo paciente contribuinte (CARDIOPATIA GRAVE); Contudo, a enfermidade sofrida pelo paciente/contribuinte era mesmo aquela afirmada pelo médico JOSE DE ALENCAR BARROS HIGINO CRMRJ 52277/69 CARDIOPATIA GRAVE, tanto que a cirurgia recomendada foi realizada e o médico cirurgião especializado, Dr. Mário Ricardo Amar, CRM 52457114, em seu relatório cirúrgico, afirmou, em duas oportunidades, a existência de LESÃO GRAVE OSTIAL ; Alem do mais, nos exames a que fora submetido, (comprovantes em anexo), inclusive o Laudo da Cirurgia, foi constatado no paciente a situação de CARDIOPATIA GRAVE, e, nesta situação, ele vive ainda hoje sob efeitos de medicamentos especiais, realização de exercidos físicos e dieta alimentar. Não pode subir escadas rampas ou morros, porque se atrapalha com Fl. 53DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 09/ 12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 13786.720055/201152 Acórdão n.º 2801003.899 S2TE01 Fl. 54 4 dificuldades na respiração, passa por disritmia cardíaca e descontrole da pressão arterial; Não pode, pois, o paciente/contribuinte ser penalizado, agora, porque dois médicos o que o assiste e o Perito da Previdência Social, concluíram e escreveram certo seus respectivos trabalhos, mas, INADVERTIDAMENTE anotaram, de forma inadequada, a codificação completamente diferente do que constataram, quando anotaram o CID 1.20.0, onde deveriam ter apontado o CID 1.25.5; Escreveram Cardiopatia Grave e anotaram o Código de Angina Instável; Agora, o médico assistente JOSE DE ALENCAR BARROS HIGINO CREMERJ 52.277691 corrigiu o engano cometido no Atestado apresentado ao Setor de Perícia do INSS em 08/09/2006: (...) O médico assistente reconheceu o engano e apresentou em manuscrito a sua posição no caso, face ao ocorrido; Quanto ao médico perito, este não se pronunciou ainda, embora o segurado/contribuinte, fazendo valer o seu direito de justiça, após vários contatos diretos, pediu uma solução, apresentando, agora ao Setor de Pericia Médica do INSS, um requerimento formal apelando por um esclarecimento (cópia anexa); É de todo lamentável o descuido do médico assistente e do Médico Perito, e não será o paciente/contribuinte que pagará pelo mal feito, para cuja ocorrência não contribuiu ou não teve participação; Urge, pois, uma correção para o código CID 1.25.5 (CARDIOPATIA GRAVE); No tocante à exigência do Artigo 30 da Lei n° . 9.250, de 26/12/1995, deve ser entendido que o paciente/contribuinte foi isentado do Imposto de Renda, mediante Laudo Pericial emitido por serviço medico oficial da União (Pericia Médica do INSS) e aceita por parecer emitido pela Procuradora da Câmara Municipal de Miracema, cujo parecer acompanha este recurso; (...) Sabese que o Imposto sobre a renda é um imposto justo, mas não é justo, Ilustríssimos Senhores Julgadores, deixarem de corrigir um erro técnico do médico assistente e do Perito, justificando para tanto, as recomendações constantes do Código Tributário Nacional que segundo a Ilustre relatora proibe interpretações de modo diferente do que está escrito; (...) Anexou em conjunto: Fl. 54DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 09/ 12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 13786.720055/201152 Acórdão n.º 2801003.899 S2TE01 Fl. 55 5 • CÓPIA DA INTIMAÇÃO; • CÓPIA DA IDENTIDADE E CPF; • CÓPIA DO LAUDO DE PROCEDIMENTO HEMODINAMICO DO HOSPITAL SÃO JOSE DO AVAI; • CÓPIA DO ATESTADO MEDICO EMITIDO EM 08/09/2006; • CÓPIA DA SOLICITAÇÃO DA CIRURGIA; • CÓPIA DO RELATÓRIO CIRÚRGICO; • CÓPIA DO ATESTADO DE RETIFICAÇÃO DO CID, EMITIDO PELO MÉDICO ASSISTENTE; • CÓPIA DO PARECER JURÍDICO DA CAMARA MUNICIPAL (05 FLS.); • CÓPIA DO REQUERIMENTO PARA PERÍCIA MEDICA, COM PEDIDO DE REVISÃO NO LAUDO MEDICO EXPEDIDO EM 14/09/2006. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. De início verifico que a matéria em litígio restringese aos rendimentos pagos pela Câmara Municipal de Miracema ao longo do anocalendário de 2009, exercício 2010. Sustenta o contribuinte que faria jus a concessão de isenção por ser aposentado e portador de cardiopatia grave. Como bem descrito no Acórdão recorrido, a isenção por moléstia grave encontrase regulamentada pela Lei n° 7.713/1988, em seu artigo 6°, incisos XIV e XXI, com a redação dada pela Lei n° 11.052, de 29 de dezembro de 2004, nos termos abaixo: "Art. 6° XIV — os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina Fl. 55DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 09/ 12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 13786.720055/201152 Acórdão n.º 2801003.899 S2TE01 Fl. 56 6 especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma” Acerca do tema, o Decreto nº 3.000/99 (RIR), em seu artigo 39, inciso XXXIII, bem como o §4º do mesmo artigo, assim dispõe: “Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIV, Lei nº 8.541, de 1992, art. 47, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 30, § 2º); A partir do anocalendário de 1996, devese aplicar, para o reconhecimento de isenções, as disposições, sobre o assunto, trazidas pela Lei n° 9.250, de 26/12/1995, in verbis: Art. 30 — A partir de 1° de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6" da Lei n" 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei n° 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios."(g.n) De acordo com o texto legal, depreendese que há dois requisitos cumulativos indispensáveis à concessão da isenção. Um reportase à natureza dos valores recebidos, que devem ser proventos de aposentadoria, ou reforma, ou pensão, e o outro relacionase com a existência da moléstia tipificada no texto legal, atestada por laudo de serviço médico oficial. Após a análise dos documentos apresentados não restam dúvidas de que os proventos recebidos eram de aposentadoria(fls. 8 e 9). Resta então analisar se, à época dos fatos, o contribuinte era portador de moléstia grave tipificada no texto legal, atestada por laudo médico oficial. Neste ponto o voto do relator do acórdão recorrido estabeleceu que; in verbis: “Ab initio”, cabe esclarecer que o interessado acostou aos autos o laudo pericial de fl. 05, exarado pelo Instituto Nacional do Seguro Social (Gerenciamento de Benefício por Incapacidade – Campos dos Goytacazes/RJ), que assevera que o autuado apresenta a moléstia discriminada na Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde ( CID X I20.0), que corresponde à moléstia “ angina instável”. Fl. 56DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 09/ 12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 13786.720055/201152 Acórdão n.º 2801003.899 S2TE01 Fl. 57 7 Frisese, no entanto, que a supracitada moléstia não se encontra discriminada entre aquelas discriminadas no artigo 6º, incisos XIV e XXI , da Lei nº 7.713/1988, com a redação dada pela Lei nº 11.052, de 29 de dezembro de 2004. Cabe ressaltar que, de acordo com o estabelecido na Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional), a interpretação da legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção deve ser literal. Não há como interpretar de modo diferente o assunto. É que a isenção deve ser tida como regra de direito excepcional, sendo vedado ao intérprete a utilização de interpretação extensiva ou de integração analógica, em se tratando de favorecimento tributário. Verificase que por ocasião de seu recurso o contribuinte, na tentativa de fazer prova da moléstia grave tipificada em texto legal anexa às fls. 40 declaração assinada por José de Alencar Barros Higino – CRM. 32.27769, onde referido médico ratifica o código da CID utilizado em laudo anterior; modificandoa de CID I.20.0 para CID I.25.5, sendo este relativo a cardiopatia grave, a qual seria hábil para gerar a isenção pretendida. Ocorre que, o referido documento foi emitido por médico particular e não pertencente ao mesmo médico que lavrou o laudo oficial proveniente do INSS e como tal não se mostra hábil a comprovar o suposto equívoco na capitulação da CID. Desta feita é forçoso reconhecer que a declaração apresentada não pode ser entendida como um laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Desta feita o recorrente não anexou laudo médico oficial, no qual se vislumbre que o mesmo à época do fato gerador já era portador de moléstia cardiopatia grave, presente entre aquelas discriminadas no artigo 6º, incisos XIV e XXI , da Lei nº 7.713/1988, com a redação dada pela Lei nº 11.052, de 29 de dezembro de 2004. Deste modo, entendo que o recorrente não logrou êxito em provar que, no ano base 2009, era portador de cardiopatia grave que desse direito a isenção. Não tendo, portanto, direito à mesma. Ante tudo acima exposto, e o que consta nos autos, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 57DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 09/ 12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 13786.720055/201152 Acórdão n.º 2801003.899 S2TE01 Fl. 58 8 Fl. 58DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 09/ 12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN
score : 1.0
Numero do processo: 15504.002909/2008-64
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jan 07 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Exercício: 2000, 2001, 2003, 2002, 2004
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO ENTRE EMENTA, FUNDAMENTAÇÃO E ACÓRDÃO POR ERRO DE DIGITAÇÃO. RETIFICAÇÃO.
Apontado erro na locução da Ementa da decisão, comparando-se com a fundamentação do voto e seu dispositivo. Necessidade de correção.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL.
Em face da inconstitucionalidade declarada do art. 45 da Lei n. 8.212/1991 pelo Supremo Tribunal Federal diversas vezes, inclusive na forma da Súmula Vinculante n. 08, o prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados da data da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, ou do art. 173, ambos do Código Tributário Nacional, conforme o modalidade de lançamento.
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NÃO APRECIADA PELO CARF, ART. 62, DO REGIMENTO INTERNO.
O CARF não pode afastar a aplicação de decreto ou lei sob alegação de inconstitucionalidade, salvo nas estritas hipóteses do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
AUTO DE INFRAÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO COMPLETA DO FATO E SUAS FONTES. NULIDADE POR VÍCIO MATERIAL.
Fulcro nos artigos 33, da Lei n. 8.212/1991, qualquer lançamento de crédito tributário deve conter todos os motivos fáticos e legais, bem como descrição precisa dos fatos ocorridos e suas fontes para apuração do crédito tributário, sob pena de nulidade por vício material obedecendo ao art. 142 do CTN.
PREVIDENCIÁRIO. ABONO DE FÉRIAS ESTABELECIDO EM CONVENÇÃO COLETIVA, E CONCEDIDO AOS FUNCIONARIOS COM FALTAS INJUSTICADAS. NÃO DESNATURA A NATUREZA DA VERBA. VERBA NÃO TRIBUTÁVEL.
O não pagamento de abono de férias previstas em convensão coletiva nos casos de faltas injustificadas, não desnatura da natureza não retributiva, logo sofre incidência de contribuição previdenciária.
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. ALIMENTAÇÃO FORNECIDA PELO EMPREGADOR. PAGAMENTO IN NATURA. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. INSCRIÇÃO NO PAT. DESNECESSIDADE. VERBA NÃO TRIBUTÁVEL.
O auxílio-alimentação in natura não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não possuir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador - PAT.
DEIXAR DE APRESENTAR GFIP OU COM INFORMAÇÕES INCORRETAS OU OMISSAS. OBRIGAÇÃO INSTRUMENTAL. MEDIDA PROVISÓRIA 449/2008. RETROATIVIDAE BENÍGNA.
A sanção por deixar de apresentar GFIP ou apresentar com informações incorretas ou omissas, com base em fatos geradores anteriores à MP n. 449/2008, em razão do princípio da retroatividade benigna (art. 106, do CTN), deve ser observada com o previsto no artigo 32-A, I, da Lei n. 8.212/1991, com a redação da Lei n. 11.941/2009, desde a multa aplicada no caso concreto seja mais favorável ao contribuinte em relação à aplicação do art. 32, IV, §5º da Lei n. 8.212/1991, com redação anterior à Medida Provisória n. 449/2008, sendo vedada a comparação conjunta com os artigos 35 e 35-A, da mesma lei.
Embargos Declaratórios Acolhidos.
Recurso Voluntário Provido em Parte - Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2803-002.894
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, nos termos do voto do relator, integralizando a decisão anterior, para ajustar a ementa da decisão da seguinte parte, para retificar onde lê-se "não desnatura da natureza não retributiva, logo sofre incidência de contribuição previdenciária" deve ser lido "não desnatura da natureza não retributiva, logo não sofre incidência contribuição previdenciária".
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Gustavo Vettorato - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato (vice-presidente), Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior.
Nome do relator: GUSTAVO VETTORATO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Exercício: 2000, 2001, 2003, 2002, 2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO ENTRE EMENTA, FUNDAMENTAÇÃO E ACÓRDÃO POR ERRO DE DIGITAÇÃO. RETIFICAÇÃO. Apontado erro na locução da Ementa da decisão, comparando-se com a fundamentação do voto e seu dispositivo. Necessidade de correção. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. Em face da inconstitucionalidade declarada do art. 45 da Lei n. 8.212/1991 pelo Supremo Tribunal Federal diversas vezes, inclusive na forma da Súmula Vinculante n. 08, o prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados da data da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, ou do art. 173, ambos do Código Tributário Nacional, conforme o modalidade de lançamento. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NÃO APRECIADA PELO CARF, ART. 62, DO REGIMENTO INTERNO. O CARF não pode afastar a aplicação de decreto ou lei sob alegação de inconstitucionalidade, salvo nas estritas hipóteses do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. AUTO DE INFRAÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO COMPLETA DO FATO E SUAS FONTES. NULIDADE POR VÍCIO MATERIAL. Fulcro nos artigos 33, da Lei n. 8.212/1991, qualquer lançamento de crédito tributário deve conter todos os motivos fáticos e legais, bem como descrição precisa dos fatos ocorridos e suas fontes para apuração do crédito tributário, sob pena de nulidade por vício material obedecendo ao art. 142 do CTN. PREVIDENCIÁRIO. ABONO DE FÉRIAS ESTABELECIDO EM CONVENÇÃO COLETIVA, E CONCEDIDO AOS FUNCIONARIOS COM FALTAS INJUSTICADAS. NÃO DESNATURA A NATUREZA DA VERBA. VERBA NÃO TRIBUTÁVEL. O não pagamento de abono de férias previstas em convensão coletiva nos casos de faltas injustificadas, não desnatura da natureza não retributiva, logo sofre incidência de contribuição previdenciária. PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. ALIMENTAÇÃO FORNECIDA PELO EMPREGADOR. PAGAMENTO IN NATURA. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. INSCRIÇÃO NO PAT. DESNECESSIDADE. VERBA NÃO TRIBUTÁVEL. O auxílio-alimentação in natura não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não possuir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador - PAT. DEIXAR DE APRESENTAR GFIP OU COM INFORMAÇÕES INCORRETAS OU OMISSAS. OBRIGAÇÃO INSTRUMENTAL. MEDIDA PROVISÓRIA 449/2008. RETROATIVIDAE BENÍGNA. A sanção por deixar de apresentar GFIP ou apresentar com informações incorretas ou omissas, com base em fatos geradores anteriores à MP n. 449/2008, em razão do princípio da retroatividade benigna (art. 106, do CTN), deve ser observada com o previsto no artigo 32-A, I, da Lei n. 8.212/1991, com a redação da Lei n. 11.941/2009, desde a multa aplicada no caso concreto seja mais favorável ao contribuinte em relação à aplicação do art. 32, IV, §5º da Lei n. 8.212/1991, com redação anterior à Medida Provisória n. 449/2008, sendo vedada a comparação conjunta com os artigos 35 e 35-A, da mesma lei. Embargos Declaratórios Acolhidos. Recurso Voluntário Provido em Parte - Crédito Tributário Mantido em Parte
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CONTRADIÇÃO ENTRE EMENTA, FUNDAMENTAÇÃO E ACÓRDÃO POR ERRO DE DIGITAÇÃO. RETIFICAÇÃO. Apontado erro na locução da Ementa da decisão, comparandose com a fundamentação do voto e seu dispositivo. Necessidade de correção. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. Em face da inconstitucionalidade declarada do art. 45 da Lei n. 8.212/1991 pelo Supremo Tribunal Federal diversas vezes, inclusive na forma da Súmula Vinculante n. 08, o prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados da data da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, ou do art. 173, ambos do Código Tributário Nacional, conforme o modalidade de lançamento. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NÃO APRECIADA PELO CARF, ART. 62, DO REGIMENTO INTERNO. O CARF não pode afastar a aplicação de decreto ou lei sob alegação de inconstitucionalidade, salvo nas estritas hipóteses do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. AUTO DE INFRAÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO COMPLETA DO FATO E SUAS FONTES. NULIDADE POR VÍCIO MATERIAL. Fulcro nos artigos 33, da Lei n. 8.212/1991, qualquer lançamento de crédito tributário deve conter todos os motivos fáticos e legais, bem como descrição precisa dos fatos ocorridos e suas fontes para apuração do crédito tributário, sob pena de nulidade por vício material obedecendo ao art. 142 do CTN. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 00 29 09 /2 00 8- 64 Fl. 193DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/12/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 25/12/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15504.002909/200864 Acórdão n.º 2803002.894 S2TE03 Fl. 192 2 PREVIDENCIÁRIO. ABONO DE FÉRIAS ESTABELECIDO EM CONVENÇÃO COLETIVA, E CONCEDIDO AOS FUNCIONARIOS COM FALTAS INJUSTICADAS. NÃO DESNATURA A NATUREZA DA VERBA. VERBA NÃO TRIBUTÁVEL. O não pagamento de abono de férias previstas em convensão coletiva nos casos de faltas injustificadas, não desnatura da natureza não retributiva, logo sofre incidência de contribuição previdenciária. PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. ALIMENTAÇÃO FORNECIDA PELO EMPREGADOR. PAGAMENTO IN NATURA. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. INSCRIÇÃO NO PAT. DESNECESSIDADE. VERBA NÃO TRIBUTÁVEL. O auxílioalimentação in natura não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não possuir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. DEIXAR DE APRESENTAR GFIP OU COM INFORMAÇÕES INCORRETAS OU OMISSAS. OBRIGAÇÃO INSTRUMENTAL. MEDIDA PROVISÓRIA 449/2008. RETROATIVIDAE BENÍGNA. A sanção por deixar de apresentar GFIP ou apresentar com informações incorretas ou omissas, com base em fatos geradores anteriores à MP n. 449/2008, em razão do princípio da retroatividade benigna (art. 106, do CTN), deve ser observada com o previsto no artigo 32A, I, da Lei n. 8.212/1991, com a redação da Lei n. 11.941/2009, desde a multa aplicada no caso concreto seja mais favorável ao contribuinte em relação à aplicação do art. 32, IV, §5º da Lei n. 8.212/1991, com redação anterior à Medida Provisória n. 449/2008, sendo vedada a comparação conjunta com os artigos 35 e 35A, da mesma lei. Embargos Declaratórios Acolhidos. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, nos termos do voto do relator, integralizando a decisão anterior, para ajustar a ementa da decisão da seguinte parte, para retificar onde lêse "não desnatura da natureza não retributiva, logo sofre incidência de contribuição previdenciária" deve ser lido "não desnatura da natureza não retributiva, logo não sofre incidência contribuição previdenciária". (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado digitalmente) Gustavo Vettorato Relator. Fl. 194DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/12/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 25/12/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15504.002909/200864 Acórdão n.º 2803002.894 S2TE03 Fl. 193 3 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato (vicepresidente), Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior. Fl. 195DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/12/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 25/12/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15504.002909/200864 Acórdão n.º 2803002.894 S2TE03 Fl. 194 4 Relatório O presente Recurso Voluntário foi interposto contra decisão a quo, que manteve o crédito tributário oriundo da aplicação de multa por descumprimento do disposto no art. 32, IV, da Lei n. 8.2121991, por ter deixado de informar em GFIP a título de "remuneração" os valores pagos a titulo de ajuda de custo (04 e 05/2002), abono de férias (06/2001, 06/2002, 07/2002, 09/2002, 10/2002, 07/2003 a 10/2003, 05/2004, 08/2004 a 12/2004, 04/2005, 06/2005, 08/2005, 10/2005 a 12/2005), alimentação (01/1999 a 12/2005) e "valores pagos a Cooperativa de Trabalho", o valor bruto das notas fiscais emitidas pela UNIMED, relativo aos serviço prestado pelos cooperados (09/2000 a 12/2005). Aplicouse a multa do art. 32, par. 5o., da Lei n. 8.2121991. A ciência do auto de infração inaugural foi em 08.06.2006 (fls. 01). Da decisão houve apresentação de recurso voluntário, veio à presente turma especial para seu julgamento, após alterações de competência do antigo Conselho de Contribuintes. Em resumo, apresentou os seguintes argumentos: Competência do antigo Conselho de Recursos da Previdencia Social (CRPS) para apreciar a ilegalidade e inconstitucionalidade de dispositivos legais. Os valores pagos ao empregado Ronaldo José de Moraes a título de Ajuda de Custos não poderiam ser consideradas verbas salariais porque foram pagas para fins de viagem a serviço, não ultrapassam 50% do salário pago (art. 457 da CLT), bem como a fiscalização e o julgamento a quo apenas assim o considerou por ter sido pago em dois meses seguidos. Os valores pagos a título de abono de férias, previstos em convenção coletiva do trabalho (art. 144, da CLT), não podeiram ser objeto de incidência tributária, em razão de não representarem remuneração (retribuição ao trabalho), bem como tal não incidencia também estaria prevista no art. 28, par. 9o, da Lei n. 8.2121991. O pagamento à cooperativas de tabalho (ex. Unimed) não pode ser objeto de incidência de contribuições previdenciárias na forma do art. 22, IV, da Lei n. 8.212, com redação da Lei n. 9.876/1999, em razão de inconstitucionalidade da disposição legal em face do art. 195, I da CF/1988. Quanto aos pagamentos feitos a título de auxílio alimentação (tiquete alimentação e pagamento de valores a fornecedores de alimentos/refeição) não podem ser considerados como fatos geradores tributários, pois a empresa se inscreveu no PAT (Programa de Alimentação ao Trabalhador) em 03.05.2006, quando postou a sua inscrição. Bem como, indiferentemente da inscrição o valor tem clara finalidade de benefício coletivo, e indenizatório, logo não teria finalidade remuneratória. Por final, discorre sobre a devida interpretação das isenções, para requerer a procedência da impugnação e cancelamento do lançamento. Fl. 196DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/12/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 25/12/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15504.002909/200864 Acórdão n.º 2803002.894 S2TE03 Fl. 195 5 O julgamento desta turma foi no seguinte sentido: I por unanimidade, em declarar a extinção dos créditos lançados com base aos períodos anteriores a 11/2000, inclusive esta e a competência 13/2000, em razão da ocorrência do lapso decadencial. II por maioria, em decretar o cancelamento do lançamento e créditos, em razão de vício material e improcedência, no que tange os lançamentos com base nos levantamentos a título de ajuda de custo (levantamento AJ), auxílio alimentação (levantamento ALG) in natura (tíquete alimentação, fornecimento de alimentos e refeições) e abono de férias (levantamento ABF). Vencidos os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima e Eduardo de Oliveira quanto à rubrica ajuda de custo (levantamento AJ) e Helton Carlos Praia de Lima e Oseas Coimbra Junior quanto à rubrica abono de férias (levantamento ABF). III por unanimidade, para os créditos remanescentes (levantamento COP) não decadentes, a aplicação da sanção seja regida pela multa estabelecida no artigo 32A, I, da Lei n. 8.212/1991, com a redação da Lei n. 11.941/2009, desde que mais favorável ao contribuinte em relação à aplicação do art. 32, IV, §5º, da Lei n. 8.212/1991, com redação anterior à Medida Provisória n. 449/2008, não devendo ser realizada comparação com o art.35A, da Lei n. 8212/1991, com a redação a partir da Medida Provisória n. 449/2008. A Procuradoria da Fazenda Nacional embargou em razão de contradição a seguinte parte da ementa: PREVIDENCIÁRIO. ABONO DE FÉRIAS ESTABELECIDO EM CONVENÇÃO COLETIVA, E CONCEDIDO AOS FUNCIONÁRIOS COM FALTAS INJUSTICADAS. NÃO DESNATURA A NATUREZA DA VERBA. VERBA NÃO TRIBUTÁVEL. O não pagamento de abono de férias previstas em convensão coletiva nos casos de faltas injustificadas, não desnatura da natureza não retributiva, logo sofre incidência de contribuição previdenciária. Com a seguinte parte da fundamentação do voto condutor: IV Os valores pagos a título de abono de férias, previstos em convenção coletiva do trabalho (art. 144, da CLT), não poderiam ser objeto de incidência tributária, em razão de não representarem remuneração (retribuição ao trabalho), bem como tal nãoincidência também estaria prevista no art. 28, par. 9o, da Lei n. 8.2121991. Argumentos da Recorrente que merecem acolhimento. Para sanar tal possível contradição, retornou os autos para retificação e integração. Esse é o relatório. Fl. 197DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/12/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 25/12/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15504.002909/200864 Acórdão n.º 2803002.894 S2TE03 Fl. 196 6 Voto Conselheiro Gustavo Vettorato Relator Os embargos são tempestivo, preenchido os requisitos de admissibilidade, assim devem o mesmo ser conhecido. Efetivamente, houve o equívoco da não inclusão na ementa da expressão “não” antes de “sofre incidência”, o que pode tornar sem sentido a ementa, e talvez contraditório o voto e o acórdão em comparação com a mesma. Assim, deve ser ajustada a ementa para harmonizar com o voto condutor e a decisão tomada pela turma. Isso posto, voto para acolher os embargos declaratórios, integralizando a decisão anterior, para ajustar a ementa da decisão da seguinte parte, para retificar onde lêse “não desnatura da natureza não retributiva, logo sofre incidência de contribuição previdenciária” deve ser lido “não desnatura da natureza não retributiva, logo não sofre incidência contribuição previdenciária”. É como voto. (Assinado digitalmente) Gustavo Vettorato Relator Fl. 198DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/12/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 25/12/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 11020.912299/2012-77
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do Fato Gerador: 31/08/2008
PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA.
O contribuinte, a despeito da ausência de retificação da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Ausentes estes pressupostos, não cabe a homologação da extinção do débito confessado em PER/Dcomp.
Recurso Voluntário Negado.
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 3802-003.778
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: SOLON SEHN
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
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RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da ausência de retificação da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Ausentes estes pressupostos, não cabe a homologação da extinção do débito confessado em PER/Dcomp. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 91 22 99 /2 01 2- 77 Fl. 85DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 2° Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte/MG, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, assentada nos fundamentos resumidos na ementa seguinte: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/08/2008 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO. Não há previsão legal para retificação de DCOMP por meio de manifestação de inconformidade. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência e suficiência do crédito postulado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. O interessado apresentou o PER/Dcomp (Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação), identificando, em tese, incorretamente o valor do crédito. O valor do crédito original informado não era suficiente para a quitação o débito, já que teria sido integralmente utilizado em outros débitos. Apesar de afirmar o erro, não retificou a Per/Dcomp, supostamente por não ter conseguido fazêlo em razão da superveniência de decisão administrativa. A DRJ manteve a não homologação, porque não houve comprovação, por meio de documentação hábil, idônea e suficiente, do erro no preenchimento da declaração. A Recorrente, nas razões de fls. 60 e ss., alega que teria tentado retificar o PER/Dcomp, corrigindo o valor original do crédito inicial, do crédito acumulado e do saldo do crédito original. Porém, devido à superveniência do despacho decisório, não conseguiu transmitir a retificação. Sustenta ter direito à retificação, bem como a veracidade do direito de crédito. Apresenta como prova do direito de crédito: “a) INCONFORMIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO; b) PERDCOMP ORIGINAL transmitida; c) PERDCOMP RETIFICADORA não transmitida por motivo de impedimento acima identificado; d) Comprovante de Arrecadação; e) Última alteração Contratual; f) Procuração; d) Cópias C.I. Responsável Legal e do Procurador”. Pleiteia, assim, o recebimento do recurso voluntário e o seu integral provimento. É o relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn Fl. 86DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 11020.912299/201277 Acórdão n.º 3802003.778 S3TE02 Fl. 86 3 O sujeito passivo teve ciência da decisão no dia 04/11/2013 (fls. 57), interpondo recurso tempestivo em 29/11/2013 (fls. 60). Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do Decreto no 70.235/1972, o recurso pode ser conhecido. A compensação, consoante destacado, não foi homologada porque o Recorrente transmitiu o PER/Dcomp sem a retificação da Dctf. Em circunstâncias dessa natureza, ao contrário do que entendeu a decisão recorrida, a Turma tem interpretado que o contribuinte, por força do princípio da verdade material, tem direito à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado. Nesse sentido, cumpre destacar os seguintes julgados da Turma: PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS A INSCRIÇÃO DO DÉBITO EM DÍVIDA ATIVA DA UNIÃO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado (art. 12, § 3o, da Instrução Normativa SRF nº. 583/2005, vigente à época da transmissão das DCTF’s retificadoras). A retificação, porém, não produz efeitos quando o débito já foi enviado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em Dívida Ativa. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. (CARF. 3ª S. 2ª T.E.Acórdão nº 380201.078. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 27/07/2012). PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. ENTREGA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. REDUÇÃO DO DÉBITO ORIGINAL. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DO ERRO. OBRIGATORIEDADE. Uma vez iniciado o processo de compensação, a redução do valor débito informada na DCTF retificadora, entregue após a emissão e ciência do Despacho Decisório, somente será admitida, para fim de comprovação da origem do crédito compensado, se ficar provado nos autos, por meio de documentação idônea e suficiente, a origem do erro de apuração do débito retificado, o que não ocorreu nos presentes autos. [...] Recurso Voluntário Negado. (CARF. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.290. Rel. Conselheiro José Fernandes do Nascimento. S. 25/09/2012). COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DECORRENTES DE RETIFICAÇÃO DE DCTF DEPOIS DE PROFERIDO DESPACHO DECISÓRIO NÃO HOMOLOGANDO PER/DECOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE ERRO Fl. 87DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO ORIGINAL. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Uma vez intimada da não homologação de seu pedido de compensação, a interessada somente poderá reduzir débito declarado em DCTF se apresentar prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no seu preenchimento. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento. (CARF. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 3802001.593. Rel. Conselheiro Francisco José Barroso Rios. S. 27/02/2013). PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROLAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. APRESENTAÇÃO DA PROVA DO CRÉDITO APÓS DECISÃO DA DRJ. HIPÓTESE PREVISTA NO ART. 16, § 4º, “C”, DO DECRETO Nº 70.235/1972. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. A prova do crédito tributário indébito, quando destinada a contrapor razões posteriormente trazidas aos autos, pode ser apresentada após a decisão da DRJ, por força do princípio da verdade material e do disposto no art. 16, § 4º, “c”, do Decreto nº 70.235/1972. Havendo prova do crédito, a compensação deve ser homologada, a despeito da retificação a posteriori da Dctf. Recurso Voluntário Provido Direito Creditório Reconhecido. (CARF. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.005. Rel. Solon Sehn. S. 22/05/2012). PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova contábil da existência do crédito compensado. A simples retificação após o despacho decisório não autoriza a homologação da compensação do crédito tributário. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Fl. 88DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 11020.912299/201277 Acórdão n.º 3802003.778 S3TE02 Fl. 87 5 (CARF. S3TE02. Acórdão nº 380201.112. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 27/07/2012). COMPENSAÇÃO. REQUISITOS FORMAIS. AUSÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DA DCTF. IMPOSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO PELO CONTRIBUINTE APÓS DECORRIDOS CINCO ANOS DA EXTINÇÃO DO CRÉDITO. EXCEPCIONALIDADE DE ACEITAÇÃO PELO CARF. A retificação de DCTF constitui requisito formal do contribuinte, ao efetuar pedido de compensação com base em créditos decorrentes de retificação de documentos de cunho declaratório (DACON, DIPJ, dentre outros). Assim, a ausência de apresentação da DCTF retificadora é causa para negação do crédito pleiteado. Todavia, excepcionalmente se permite a compensação caso o contribuinte demonstre que a retificação só foi apontada como não efetuada após o decurso dos cinco anos contados da extinção do crédito, sendo certo que a negativa importaria em situação excepcional de restrição formal à verdade material, contrassenso à própria finalidade do processo administrativo tributário. Recurso voluntário provido. Direito creditório reconhecido. (CARF. S3TE02. Acórdão nº 3802001.642. Rel. Conselheiro Bruno Macedo Curi. S. 28/02/2013) No presente caso, o Recorrente limitouse a apresentar como prova da “veracidade” do crédito: “a) INCONFORMIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO; b) PERDCOMP ORIGINAL transmitida; c) PERDCOMP RETIFICADORA não transmitida por motivo de impedimento acima identificado; d) Comprovante de Arrecadação; e) Última alteração Contratual; f) Procuração; d) Cópias C.I. Responsável Legal e do Procurador”. Tais documentos, contudo, são insuficientes para demonstrar a liquidez e a certeza do direito de crédito, porque apenas veiculam a insurgência do Recorrente em face do despacho decisório (item “a”), comprovam o preenchimento do PER/Dcomp retificado (item “b” e “c”), a regularidade da representação do Recorrente (itens “e”, “f” e “d”), bem como o pagamento do Darf (itens “d”). Estão distantes, como se vê, de qualquer relação de pertinência com a prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Votase pelo conhecimento e integral desprovimento do recurso. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 89DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 Fl. 90DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 10850.906016/2011-31
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jan 08 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/08/1999 a 31/08/1999
ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE.
A contribuição instituída pela Lei nº 9.718/1998 incide sobre o faturamento da pessoa jurídica, não alcançando as demais receitas auferidas. O Supremo Tribunal Federal (STF) já decidiu pela inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da contribuição instituído anteriormente à Emenda Constitucional nº 20/1998.
Numero da decisão: 3803-006.760
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para reconhecer o direito creditório.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Paulo Renato Mothes de Moraes e Jacques Maurício F. Veloso de Melo.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/08/1999 a 31/08/1999 ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE. A contribuição instituída pela Lei nº 9.718/1998 incide sobre o faturamento da pessoa jurídica, não alcançando as demais receitas auferidas. O Supremo Tribunal Federal (STF) já decidiu pela inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da contribuição instituído anteriormente à Emenda Constitucional nº 20/1998.
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APLICAÇÃO NO CARF. As decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática da repercussão geral deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/08/1999 a 31/08/1999 ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE. A contribuição instituída pela Lei nº 9.718/1998 incide sobre o faturamento da pessoa jurídica, não alcançando as demais receitas auferidas. O Supremo Tribunal Federal (STF) já decidiu pela inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da contribuição instituído anteriormente à Emenda Constitucional nº 20/1998. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para reconhecer o direito creditório. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 90 60 16 /2 01 1- 31 Fl. 466DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 17/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.906016/201131 Acórdão n.º 3803006.760 S3TE03 Fl. 467 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Paulo Renato Mothes de Moraes e Jacques Maurício F. Veloso de Melo. Relatório Tratase de retorno dos autos da repartição de origem com os resultados da diligência determinada por esta 3ª Turma Especial quando da apreciação do Recurso Voluntário interposto para se contrapor à decisão da DRJ Ribeirão Preto/SP que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada em decorrência do não reconhecimento do direito creditório pleiteado por meio de Pedido Eletrônico de Restituição (PER), pelo fato de que o pagamento informado já havia sido integralmente utilizado na quitação de débitos da titularidade do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu a plena restituição, alegando tratarse de indébito decorrente da inconstitucionalidade já declarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998, dispositivo esse que promovera o alargamento da base de cálculo da contribuição para além do faturamento. A DRJ Ribeirão Preto/SP não reconheceu o direito creditório, considerando a inexistência de saldo credor, a inocorrência de retificação da DCTF, a ausência de efeitos erga omnes da decisão do STF e a falta de prova do alegado recolhimento a maior. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário e requereu o reconhecimento do direito à plena restituição da contribuição calculada sobre receitas estranhas ao conceito de faturamento, argüindo que a retificação de declaração não podia se sobrepor ao direito substantivo, direito esse devidamente comprovado por meio de documentação idônea, e que as decisões de inconstitucionalidade proferidas em sessão plenária do Supremo Tribunal Federal deviam ser observadas pelo Fisco. Ao apreciar o Recurso Voluntário, esta 3ª Turma Especial decidiu por converter o julgamento em diligência à repartição de origem para que a autoridade administrativa auditasse a escrituração contábilfiscal da pessoa jurídica, assim como os documentos fiscais que a lastreiam, com vistas a se apurarem o faturamento e as demais receitas auferidas no período, bem como a contribuição devida, tendose em conta a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da contribuição. Cumprida a diligência, concluiu a repartição de origem que as receitas escrituradas pelo Recorrente não eram decorrentes da venda de mercadorias e/ou da prestação de serviços, tratandose, em sua totalidade, de receitas de origem financeira, receitas essas estranhas ao objeto social da pessoa jurídica. Ressaltou a autoridade administrativa que caso o crédito objeto do presente Pedido de Restituição (PER) viesse a ser deferido, deverseia considerar que ele já havia sido parcialmente utilizado na Declaração de Compensação (DCOMP) nº 20834.27442.281108.1.3.041101, conforme demonstrava o cálculo efetuado no Sistema de Apoio Operacional (SAPO). Foi apensado ao presente o processo nº 10850.906250/201169, que cuida da Declaração de Compensação do respectivo crédito. Fl. 467DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 17/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.906016/201131 Acórdão n.º 3803006.760 S3TE03 Fl. 468 3 Cientificado dos resultados da diligência, o Recorrente destacou o reconhecimento do crédito pela própria Fiscalização, o que, segundo ele, viabilizava a homologação da compensação declarada. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme acima relatado, controvertese nos autos acerca do pedido de restituição e de declaração de compensação relativos à contribuição apurada sobre receitas que extrapolam o conceito de faturamento, com fundamento na inconstitucionalidade declarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) do alargamento da base de cálculo promovido pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. A referida inconstitucionalidade foi proferida pelo STF1 em julgamento definitivo submetido à sistemática da repercussão geral (art. 543B do Código de Processo Civil CPC), cujo teor deve ser, obrigatoriamente, observado por este Colegiado, por força do contido no art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF. A Lei n° 9.718, decorrente da conversão da Medida Provisória nº 1.724, de 29 de outubro de 1998, foi publicada em novembro de 1998, quando vigia a redação original do art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, em que se previa apenas o faturamento como hipótese de incidência da contribuição social, não constando a possibilidade de alcançar outras receitas auferidas pela pessoa jurídica, o que veio a ocorrer somente em dezembro do mesmo ano por meio da Emenda Constitucional n° 20. De acordo com o entendimento do STF2, o alargamento posterior da base de cálculo das contribuições de “faturamento” para “receita e faturamento”, operada por meio da Emenda Constitucional n° 20/1998, não teve o condão de convalidar legislação anterior que previa a incidência da Cofins e da Contribuição para o PIS sobre a totalidade das receitas da pessoa jurídica. Não se pode olvidar que o termo faturamento referese ao somatório das receitas decorrentes de vendas de mercadorias ou serviços, conforme se depreende do contido no art. 2° da Lei Complementar n° 70, de 1970, in verbis: Art. 2° A contribuição de que trata o artigo anterior será de dois por cento e incidirá sobre o faturamento mensal, assim 1 Em 27 de novembro de 2008, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, no âmbito do Recurso Extraordinário nº 585.235, cujo mérito da repercussão geral foi julgado em 10 de setembro de 2008, pela inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, cujo teor passou, desde então, a vincular os demais órgãos judiciais e o CARF. 2 REs nº 585.235, 346.084, 357.950, 358.273, 390.840, dentre outros. Fl. 468DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 17/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.906016/201131 Acórdão n.º 3803006.760 S3TE03 Fl. 469 4 considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. (grifei) Parágrafo único. Não integra a receita de que trata este artigo, para efeito de determinação da base de cálculo da contribuição, o valor: a) do imposto sobre produtos industrializados, quando destacado em separado no documento fiscal; b) das vendas canceladas, das devolvidas e dos descontos a qualquer título concedidos incondicionalmente. O fato de o Supremo Tribunal Federal ter considerado o conceito de faturamento equivalente ao de “receita bruta” não pode ser interpretado como dilatação autorizada do alcance de tais institutos, pois o termo “receita bruta” foi considerado como coincidente com o de faturamento, ou seja, a totalidade das receitas provenientes da venda de mercadorias e serviços. A possibilidade de se tributarem outras receitas somente passou a vigorar após a vigência da Emenda Constitucional n° 20, de 1998, quando se incluiu, dentre as hipóteses de fatos geradores das contribuições sociais, a “receita” genericamente considerada. Dessa forma, por força do contido no art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, que estipula que as decisões definitivas do STF proferidas na sistemática da repercussão geral devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento de recursos no âmbito do CARF, concluise pelo direito do contribuinte de obter a restituição de recolhimentos relativos à contribuição apurada sobre as receitas não abrangidas pelo conceito de faturamento. Tendo a repartição de origem confirmado, em sede de diligência, que a totalidade do valor do crédito pleiteado neste processo decorria da apuração da contribuição sobre receitas financeiras, receitas essas estranhas ao objeto social da pessoa jurídica, temse por comprovado o direito creditório pleiteado. Destaquese que referido crédito já foi parcialmente utilizado na Declaração de Compensação identificada na planilha de cálculo efetuado no Sistema de Apoio Operacional (fls. 398 a 400), declaração essa controvertida no âmbito do processo administrativo nº 10850.906250/201169, processo esse apensado ao presente. Diante do exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso, para reconhecer o direito creditório decorrente da inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da contribuição promovido pela art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 469DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 17/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.906016/201131 Acórdão n.º 3803006.760 S3TE03 Fl. 470 5 Fl. 470DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 17/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS
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