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Numero do processo: 10860.900383/2008-15
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jan 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/08/2003 a 31/08/2003
MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. TEMPESTIVIDADE. PRESSUPOSTO EXTRÍNSECO DE ADMISSIBILIDADE. INTEMPESTIVIDADE DO RECURSO. NÃO CONHECIMENTO.
A manifestação de inconformidade intempestiva não inaugura a lide, cabendo ao órgão julgador dela não conhecer. Ante este caso, a irresignação contra a decisão recorrida deve ser introduzida por preliminar que apresente fatos que demonstrem a tempestividade, secundada pelas razões de mérito, sem o que não se conhece do recurso voluntário.
Numero da decisão: 3803-004.734
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por ausência de litígio.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/08/2003 a 31/08/2003 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. TEMPESTIVIDADE. PRESSUPOSTO EXTRÍNSECO DE ADMISSIBILIDADE. INTEMPESTIVIDADE DO RECURSO. NÃO CONHECIMENTO. A manifestação de inconformidade intempestiva não inaugura a lide, cabendo ao órgão julgador dela não conhecer. Ante este caso, a irresignação contra a decisão recorrida deve ser introduzida por preliminar que apresente fatos que demonstrem a tempestividade, secundada pelas razões de mérito, sem o que não se conhece do recurso voluntário.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/08/2003 a 31/08/2003 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. TEMPESTIVIDADE. PRESSUPOSTO EXTRÍNSECO DE ADMISSIBILIDADE. INTEMPESTIVIDADE DO RECURSO. NÃO CONHECIMENTO. A manifestação de inconformidade intempestiva não inaugura a lide, cabendo ao órgão julgador dela não conhecer. Ante este caso, a irresignação contra a decisão recorrida deve ser introduzida por preliminar que apresente fatos que demonstrem a tempestividade, secundada pelas razões de mérito, sem o que não se conhece do recurso voluntário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por ausência de litígio. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 0. 90 03 83 /2 00 8- 15 Fl. 49DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/12/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Trata o presente processo de Declaração de Compensação (fls. 1/5), que utiliza crédito de pagamento a maior da Contribuição para o PIS/Pasep, relativa a janeiro de 2003, no valor de R$ 2.789,00, sendo reconhecido o valor de R$ 510,60. e homologado parcialmente o débito compensado. Cientificada da decisão em 5/5/2008, a Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, em 11/6/2008, alegando que: a) no PER/DCOMP informou, equivocadamente, a soma do recolhimento efetuado em três DARF distintos; b) juntamente com este fato tramitam na RFB os processos 1641.000144/200702 e 10860.000052/200175, relativos a valores de PIS e Cofins que não deixaram de ser recolhidos mas foram depositados judicialmente pois questionava a legalidade do recolhimento dos referidos tributos somente sobre o faturamento e não sobre a receita bruta da Empresa. Na mesma data que recebemos os despachos decisórios, recebemos uma intimação e um comunicado onde o comunicado suspendia a cobrança, entendendo que a decisão da RFB tinha sido equivocada. E, os advogados da empresa que cuidam dos casos manifestaramse tempestivamente. Assim sendo, podemos constatar a veracidade dos fatos mediante todas as DCTFs e os Pedidos de Compensação, bem como os Documentos de arrecadação constantes do próprio sistema da RFB. Em julgamento da lide a DRJ/Campinas assim se manifestou: Do conjunto de elementos colhidos nos autos, resta concluir que o Contribuinte foi cientificado do DDE no dia 05/05/2008 (segundafeira) conforme Aviso de Recebimento Digital — AR DIGITAL acostado aos autos. Note que esse documento (AR DIGITAL) é utilizado pelos CORREIOS para indicar a data da ciência/recebimento da correspondência. Contandose o primeiro dia do prazo na terçafeira — 06/05/2008 dia de expediente normal da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Taubaté, temse que o trigésimo dia recai em 04/06/2008 (quartafeira), portanto, o prazo expiraria em 04/06/2008 (quartafeira). Contudo, a Manifestação de Inconformidade foi protocolada em 11/06/2008 (quartafeira), portanto, já vencidos os 30 (trinta) dias de prazo. Isto posto, é de se concluir que o argumento apresentado — OS ADVOGADOS DA EMPRESA QUE CUIDAM DOS CASOS MANIFESTARAMSE TEMPESTIVAMENTE está equivocado e não merece acolhida. A petição apresentada fora do prazo não caracteriza a manifestação de inconformidade, não instaura a fase litigiosa do procedimento e não comporta julgamento de primeira instância, salvo se caracterizada a tempestividade Fl. 50DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/12/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10860.900383/200815 Acórdão n.º 3803004.734 S3TE03 Fl. 50 3 como preliminar, consoante elucida o Ato Declaratório Normativo COSIT n° 15, de 12 de julho de 1996. Nessas condições, não se configura o litígio, relativamente ao indébito questionado, não comportando qualquer análise acerca do direito invocado. Acrescentese que a decisão prolatada no DDE em tela encontrase correta, uma vez que foi utilizado o valor total recolhido no DARF indicado no PER/DCOMP para a compensar parcialmente o débito do Contribuinte. Diante do exposto, o presente voto é n no sentido de NÃO RECEBER a impugnação, POR INTEMPESTIVA. A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Período de apuração: 01/08/2003 a 31/08/2003 IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. ARGUIÇÃO DE TEMPESTIVIDADE. A decisão que julgar impugnação intempestiva com argüição de tempestividade deve limitarse a apreciar a preliminar levantada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Cientificada da decisão em 11 de fevereiro de 2012, sextafeira, irresignada, apresentou recurso voluntário em 12 de abril de 2012, em que desenvolve apenas o argumento de mérito, sustentando a existência do pagamento a maior e o seu direito ao crédito e à compensação. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Belchior Melo de Sousa Relator Como do relato se vê, a justificativa de intempestividade da manifestação de inconformidade está bem tecida pela DRJ/Campinas, e sua conclusão bem assentada de que a defesa apresentada fora do prazo legal não constitui a lide. A decisão foi de não conhecimento, destacadamente por intempestiva a contestação da Contribuinte. Com efeito, uma vez assentada a intempestividade e consequente inexistência de lide, cabia à Recorrente desmontar este fundamento para que pudesse, a seguir, enfrentar o mérito. Tal preliminar – de tempestividade – não consta do recurso voluntário, de sorte a fazer surgir a lide. Sem lide não há processo, do que a irresignação da Contribuinte na forma do que chama de recurso voluntário não preenche os pressupostos de admissibilidade que habilitem o seu conhecimento. Fl. 51DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/12/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 Pelo exposto, voto por não conhecer do recurso. Sala das sessões, 27 de novembro de 2013 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 52DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/12/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 11052.001256/2010-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Nov 20 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1101-000.101
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
MÔNICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), José Ricardo da Silva (vice-presidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Mônica Sionara Schpallir Calijuri e Nara Cristina Takeda Taga.
Nome do relator: MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. (documento assinado digitalmente) MÔNICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), José Ricardo da Silva (vicepresidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Mônica Sionara Schpallir Calijuri e Nara Cristina Takeda Taga. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 52 .0 01 25 6/ 20 10 -2 5 Fl. 572DF CARF MF Impresso em 20/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11052.001256/201025 Resolução nº 1101000.101 S1C1T1 Fl. 573 2 Os responsáveis tributários da GOIÁRIO COMÉRCIO DE REPRESENTAÇÕES DE GÊNEROS ALIMENTÍCIOS LTDA, srs. José Narciso dos Reis e Eduardo Lima dos Reis, recorrem de decisão proferida pela 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal de JulgamentoI no Rio de Janeiro/ RJ que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE a impugnação interposta contra lançamento lavrado em 02/12/2010, exigindo crédito tributário acrescido de multa e juros no valor total de R$ 1.240.601,88 relativos a IRPJ, PIS, CSLL e COFINS. O Termo de Verificação Fiscal (fls. 371375), informa que foi constatada omissão de receitas caracterizada por valores depositados/creditados no anocalendário de 2007 cujas origens não foram comprovadas por documentação hábil e idônea. Os fatos ocorridos foram sinteticamente relatados na decisão da DRJ, que ora transcrevo para relatar os fatos: · o contribuinte foi selecionado pois sua movimentação financeira, de R$9.538.690,40, era incompatível com a Receita Bruta declarada em 2007, de R$ 292.229,32,cuja opção foi pelo Lucro Presumido. · o início da fiscalização foi pelo Edital/DEFIS/RJO nº 133, de 20 de abril de 2010, publicado no DOE em 03 de maio de 2010, já que constatado que a autuada não funcionava no endereço constante de seu CNPJ (Rua do Feijão nº 513, Penha, Rio de Janeiro,CEP: 21.011050)e seus sócios, Claudemir do Nascimento, CPF nº 005.574.33746e Edvaldo Lourenço Coelho, CPF nº 508.371.41753 , não responderam às Intimações feitas. · foi formalizado processo nº 11052.000352/201056 para suspender o CNPJ da autuada, em apenso ao presente. · foram emitidas Requisições de Movimentação Financeira junto ao Banco Safra e Unibanco. · a partir dos extratos bancários apresentados, identificaramse os créditos, sendo expurgados estornos, devoluções, resgates de investimentos e transferência entre contas da própria autuada. · a intimação para comprovar a origem dos depósitos, que somam R$8.916.630,44, foi através da publicação do Edital de Intimação nº 163, de 20 de outubro de 2010, publicado em 28/10/2010, e também intimações para os sócios Claudemir do Nascimento, CPF nº 005.574.33746 e Edvaldo Lourenço Coelho, CPF nº 508.371.41753. · também foi intimado o Sr. José Narciso Brasil dos Reis, CPF: 043.092.43720 já que possui poderes para movimentar as contas Fl. 573DF CARF MF Impresso em 20/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11052.001256/201025 Resolução nº 1101000.101 S1C1T1 Fl. 574 3 correntes, constando nas fichas cadastrais como representante legal da autuada e administrador. · nenhuma das intimações foi atendida, sendo que a intimação do Sr Claudemir do Nascimento retornou após três tentativas. · em decorrência da não apresentação dos livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, e falta de comprovação da origem dos depósitos bancários efetuados nas contas mantidas no Banco Safra e no Unibanco, com fulcro no artigo 529; no inciso III do artigo 530; no artigo 532 e no artigo 537, todos do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto 3.000/99) e no artigo 42 da Lei 9.430/96, procedeuse ao arbitramento do lucro do ano calendário 2007. · a partir da receita apurada, foram apurados o IRPJ CSLL com base no lucro arbitrado, e também o PIS e COFINS, totalizando R$ 1.240.601,88, incluídos os juros de mora e multa de ofício. · Sr. José Narciso Brasil dos Reis, CPF: 043.092.43720, por ser o administrador da empresa durante o período fiscalizado, de a pessoa jurídica fiscalizada não ter sido encontrada em seu domicílio fiscal e de seus sócios e representante legal não terem respondido às intimações, foi responsabilizado pelo crédito tributário, nos termos do artigo 135, III do CTN – Termo de Sujeição Passiva fls. 196/197. · Também foi responsabilizado o Sr. Eduardo Lima dos Reis, CPF.042.807.54799,que apesar de constar na 2ª alteração contratual sua retirada da sociedade,foram apresentados cheques pelo Banco Unibanco cuja assinatura é semelhante a dele – Termo de Sujeição Passiva, fls. 198/199. Em apenso ao presente, consta o processo de nº 11052.000352/201056 para suspender o CNPJ da autuada. Conforme fls. 57 daquele processo, foi publicado no Diário Oficial da União, em 11/04/2001, Ato Declaratório Executivo nº 40, de 6 de abril de 2001, declarando a autuada inapta, por não terem seus representantes legais atendido a intimações para regularização da situação cadastral da empresa. Fl. 574DF CARF MF Impresso em 20/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11052.001256/201025 Resolução nº 1101000.101 S1C1T1 Fl. 575 4 Quanto à ciência do lançamento, consta despacho às fls. 353, com os seguintes esclarecimentos: • O Auto de Infração de IRPJ lavrado foi enviado para os sócios Claudemir do Nascimento, CPF n° 005.574.33746 e Edvaldo Lourenço Coelho, CPF n° 508.371.41753 e responsáveis solidários, Eduardo Lima dos Reis, CPF nº 042.807.54799 e Jose Narciso Brasil Dos Reis, CPF nº 043.092.43720. • O AR do Sr. José Narciso Brasil dos Reis retornou com data de ciência de 15 de dezembro de 2010, enquanto que o AR do Sr. Claudemir do Nascimento retornou com a informação de que o destinatário havia se mudado. • De acordo com as informações do correio, os Srs. Edvaldo Lourenço Coelho e Eduardo Lima dos Reis tiveram ciência, respectivamente, em 09/12/2010 (AR RC163644804BR) e 22/12/2010 (AR RA688008382BR), esclarecendo que os AR não retornaram. • Como a PFN exige o original do Aviso de Recebimento do Auto de Infração para efetivar a inscrição em dívida ativa, em 16 de fevereiro de 2011, enviaram novamente pelo correio o Auto de Infração para o sócio Edvaldo Lourenço Coelho e Eduardo Lima dos Reis, que retornaram com data de ciência em 17/02/2011. Em 10/02/2011, os Srs. José Narciso Brasil dos Reis, CPF nº 043.092.43720, e Eduardo Lima dos Reis, CPF nº 042.807.54799, apresentaram a impugnação, fls. 444/454, arguindo, em síntese, que : a) o único fato apontado pela fiscalização para a responsabilização solidária é a existência de cheques assinados pelos impugnantes José Narciso dos Reis e Eduardo Lima dos Reis, no período imediatamente subseqüente à transferência de cotas da sociedade de suas propriedades; b) no caso do sr. Eduardo Lima dos Reis , a auditora fiscal utilizou a afirmativa “a assinatura de todos os cheques apresentados pelo Unibanco se assemelha à assinatura do Sr. Eduardo Lima dos Reis”; c) transferiram as cotas que possuíam se desligando da administração da empresa, não gerindo os negócios que causaram a movimentação financeira relatada pela fiscalização e os débitos fiscais correspondentes; d) a responsabilização com base no artigo 135, inciso II, do CTN ocorreu ao arrepio da Lei pois os impugnantes não mais faziam parte da sociedade; e) os sócios de direito não foram responsabilizados solidariamente pelos créditos tributários cobrados; f) questionam se a intenção da auditoria foi qualificar os impugnantes como responsáveis por serem administradores ou por serem sócios ocultos da empresa, como faz parecer alguns trechos do TVF; g) que os sócios da empresa devem apresentar a origem dos recursos financeiros listados pela fiscalização e a escrituração comercial, informando que ao deixarem a Fl. 575DF CARF MF Impresso em 20/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11052.001256/201025 Resolução nº 1101000.101 S1C1T1 Fl. 576 5 administração da sociedade não mais possuíam responsabilidade pela escrituração, livros fiscais e documentação correspondente; h) que é necessário comprovar o nexo causal entre o depósito bancário e o fato que representa omissão de rendimento, não se constituindo por si só, fato gerador do imposto de renda; i) que o arbitramento não pode conviver com o lançamento com base em depósitos bancários; j) que a multa de 75% fere os princípios do não confisco, da proporcionalidade e da razoabilidade. Em 11/02/2011, a Goiário Comércio e Representações de Gêneros Alimentícios Ltda apresentou a impugnação (fls. 491505) assinada pelo sr. Edvaldo Lourenço Coelho, com as seguintes argumentações, transcritas do acórdão da DRJ: alega a tempestividade. aduz que os pagamentos não foram considerados na autuação. foram verificadas duas infrações: (1) omissão de receitas com base no artigo 42 da Lei nº 9.430/96 e (2) arbitramento do lucro, com base no artigo 532 do RIR/99. artigo 2o da Portaria SRF nº 180, de 1º de fevereiro de 2001, que estabelece as condições para expedição da RMF, exige que a fiscalização fundamente o pedido de acesso a informações bancárias, permitindo assim que o contribuinte exerça seus direitos constitucionais à ampla defesa e ao contraditório. não constam nos autos os motivos de direito e de fato que fundamentaram a expedição da RMF e, portanto, a quebra do sigilo bancário do autuado; assim, as provas decorrentes desse procedimento são imprestáveis pois decorrem de meios ilícitos; Traz ementa de acórdão do Conselho de Contribuintes. Assim, o lançamento contém vicio insanável. O contribuinte não foi regularmente intimado para fins de atendimento do artigo 42 da Lei nº 9.430/96, visto que a intimação feita pela fiscalização foi nula. A ação fiscal se iniciou pelo "Edital/Defis/RJO n° 133, de 20 de abril de 2010, publicado no DOE em 03 de maio de 2010", já que constatou "que o contribuinte não funcionava no endereço constante de seu CNPJ”, sem, contudo, comprovar o que alega. A impugnante mantém pequena estrutura administrativa no local informado como sede à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), a qual seria perfeitamente capaz de atender às demandas de um procedimento de auditoria fiscal. se a Auditora Fiscal tivesse desenvolvido seu trabalho de auditoria com a profundidade e zelo necessários a toda ação fiscal, teria logrado Fl. 576DF CARF MF Impresso em 20/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11052.001256/201025 Resolução nº 1101000.101 S1C1T1 Fl. 577 6 êxito na intimação pessoal ou até mesmo por via postal, permitindo à impugnante oportunidade de explicar, com detalhes, a origem de cada depósito bancário existente, demonstrando assim que não se trata de caso de omissão de receita. não observou o artigo 23, § 1º, do Decreto n° 70.235/1972, que dispõe que cabe a intimação por via postal quando improfícuo um dos meios previstos, ou seja, intimação pessoal ou por via postal. deve ser reconhecida a nulidade da intimação realizada por meio do Edital/Defis/RJO n° 133, de 20 de abril de 2010, publicado no DOE em 03 de maio de 2010, assim como de todos os atos posteriores e imbricados com a autuação em estudo. Solicitase ao órgão julgador que confirme se os endereços utilizados pela fiscalização para intimação da empresa e de seus sócios correspondem aos endereços informados em suas declarações de rendimentos, já que constatou divergências entre endereços que constam no auto de infração e dos demais termos. intimações de terceiros, alijados dos poderes de administração da sociedade, não satisfaz a condição prevista no artigo 42 da Lei n° 9.430/1996, pois a responsabilidade pela guarda de livros fiscais, documentos e informações bancárias não recai sobre tais pessoas. estranha o fato da fiscalização não ter intimado o contador não havendo intimação válida, deve ser considerado improcedente à autuação, já que não se observou o artigo 42 da Lei n° 9.430/1996. não restou devidamente comprovada a ocorrência de uma das hipóteses previstas na lei para adoção do lucro arbitrado, com base no artigo 530, inciso III do RIR/99. somente quando a fiscalização comprovar que o contribuinte não possui escrituração, recusase a apresentála quando intimado ou possui escrituração imprestável é que poderá efetuar o arbitramento do lucro, o que não ocorreu nos autos. desafiase o órgão julgador a encontrar nos autos do processo as três intimações necessárias para caracterizar a recusa do autuado em disponibilizar sua escrita fiscal, já que (1) pugna a nulidade da intimação realizada por meio do Edital, (2) sóciogerente da empresa não foi intimado a prestar as informações sobre a escrituração comercial para fins de apuração do lucro presumido e (3) eventuais intimações de terceiros, alijados dos poderes de administração da sociedade, não satisfaz a condição prevista no artigo 530, inciso III; a falta de intimação válida à empresa autuada no curso do procedimento fiscal invalida o arbitramento. Alega erro na identificação do sujeito passivo, já que o art. 135, inciso III, do CTN, não trata de hipótese de responsabilidade solidária, mas de responsabilidade pessoal; logo, deveria o lançamento ter sido efetuado apenas contra os terceiros citados A Turma julgadora rejeitou estes argumentos aduzindo que: Fl. 577DF CARF MF Impresso em 20/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11052.001256/201025 Resolução nº 1101000.101 S1C1T1 Fl. 578 7 Destaco o despacho à fl. 520 sobre a data de apresentação da impugnação constante no sistema SIEF. Portanto, foram apresentadas duas impugnações: uma impugnação apresentada por José Narciso Brasil dos Reis e Eduardo Lima dos Reis e a outra por Edvaldo Lourenço Coelho – sócio da autuada. Sobre a tempestividade das impugnações, constou na decisão recorrida que: “Para fins de aferir a tempestividade das impugnações apresentadas, serão consideradas as seguintes ciências, considerando o despacho de fls. 507. • 15/12/2010, para Sr. José Narciso Brasil dos Reis – responsável solidário – AR fls. 429; • 17/02/2011, para Sr. Eduardo Lima dos Reis – responsável solidário – AR fls. 439; • 17/02/2011, para o Sr. Edvaldo Lourenço Coelho – sócio da autuada – AR fls. 440. Logo, concluise que: 1) A impugnação apresentada pelos responsáveis solidários, os Srs. José Narciso Brasil dos Reis, CPF: 043.092.43720, e Eduardo Lima dos Reis, CPF. 042.807.54799, em 10/02/2011, é tempestiva tão somente com relação ao segundo impugnante. De todo modo, como atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72, dela conheço. 2) A impugnação apresentada pela autuada, em 11/02/2011, é tempestiva, e atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim sendo, dela conheço.” A decisão afasta a preliminar de nulidade da intimação arguída pela contribuinte que alegara que o Decreto 70.235/72 determina que cabe ciência pelo edital quando forem improfícuas as tentativas postal e pessoal. · Afirma que não houve erro no lançamento quanto ao sujeito passivo pois a empresa figura como contribuinte, fazendo parte do pólo passivo da obrigação tributária, juntamente com os responsáveis solidários Srs. José Narciso Brasil dos Reis e Eduardo Lima dos Reis, nos termos do artigo 135, inciso III do CTN. · Mantém os impugnantes como responsáveis solidários dos créditos tributários constituídos no lançamento. · Ratifica a autuação com base na presunção legal de omissão de receitas, prevista no artigo 42 da Lei no. 9.430/96, que foi apurada atendendo aos requisitos da legislação que dela trata. · Ratifica também o arbitramento do lucro para determinação dos tributos devidos. Fl. 578DF CARF MF Impresso em 20/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11052.001256/201025 Resolução nº 1101000.101 S1C1T1 Fl. 579 8 · Mantém a multa de ofício de 75%. A ementa do acórdão 1238.069 7a Turma da DRJ/RJ1 de 29 de junho de 2011, transcrevese a seguir: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário:2007 INTIMAÇÃO POR EDITAL Correta a intimação por edital dando ciência do início do procedimento fiscal quando restaram infrutíferas as tentativas pela via postal e pessoal. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA CARACTERIZAÇÃO E ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações resultantes de atos praticados com infração de lei, os mandatários, prepostos, empregados, bem como os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Tal responsabilidade é pessoal, mas não exclusiva, cabendo o lançamento em nome da autuada. REQUISIÇÃO DE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA FUNDAMENTAÇÃO Restou saneado o procedimento para a Requisição da Movimentação Financeira quando consta no Termo de Verificação Fiscal os motivos que fundamentaram o pedido, permitindo à autuada o exercício do direito de defesa. DEPÓSITOS BANCÁRIOS OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A Lei nº 9.430, de 1996, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza lançar o imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. LANÇAMENTO COM BASE EM PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. O lançamento com base em presunção legal transfere o ônus da prova ao contribuinte em relação aos argumentos que tentem descaracterizar a movimentação bancária detectada como receita omitida. ARBITRAMENTO DO LUCRO PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS O lucro deve ser arbitrado quando a autuada não apresenta os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, podendo a base de cálculo ser apurada pela presunção legal de omissão de receitas, prevista no artigo 42 da Lei nº 9.430/96. DECORRÊNCIAS. CSLL PIS COFINS. Aplicase ao lançamento reflexo o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz, em razão da relação de causa e de efeito que os vincula. MULTA DE OFÍCIO. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. Devendo o lançamento obrigatoriamente observar a lei aplicável, que goza de presunção de constitucionalidade, é cabível a aplicação da multa de 75% sendo defeso ao agente público examinar aspectos constitucionais, cuja competência de apreciação é reservada ao poder judiciário. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Fl. 579DF CARF MF Impresso em 20/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11052.001256/201025 Resolução nº 1101000.101 S1C1T1 Fl. 580 9 Cientificados da decisão de primeira instância em 19/04/2012 (fl. 540), os responsáveis tributários José Narciso Brasil dos Reis e Eduardo Lima dos Reis, interpuseram recurso voluntário, tempestivamente, em 15/05/2012 (fls. 547 a 561), no qual reprisam os argumentos apresentados na impugnação, relatados pela DRJ, que por bem retratarem o que consta no recurso voluntário, transcrevo: “ o lançamento arrola José Narciso Brasil dos Reis e Eduardo Lima dos Reis como responsáveis solidários pelo crédito tributário, com fundamento no artigo 135, inciso III do CTN, já que seriam administradores da sociedade fiscalizada. os elementos de prova resumemse a cheques emitidos pela empresa GOIÁRIO COMÉRCIO E REPRESENTAÇÕES DE GÊNEROS ALIMENTÍCIOS LTDA assinados pelos impugnantes no período imediatamente subseqüente à transferência de cotas da sociedade de suas propriedade. há apenas conjecturas, meras ilações, completamente desvinculadas da realidade, e assim pretende imputar responsabilidade tributária solidária a terceiros já completamente desvinculados da gerência da sociedade em foco. transferiram as cotas que possuíam da sociedade GOIÁRIO COMÉRCIO E REPRESENTAÇÕES DE GÊNEROS ALIMENTÍCIOS LTDA, e não geriram os negócios que causaram a movimentação financeira relatada pela fiscalização e os débitos fiscais correspondentes. as intimações dirigidas aos impugnantes no curso da ação fiscal não tinham a mínima chance de êxito, pois desconheciam por completo os detalhes das operações comerciais ocorridas no ano de 2007, bem como a movimentação financeira e a guarda dos livros fiscais. não podem os impugnantes ser responsabilizados por atos comissivos ou omissivos praticados por terceiros. os cheques tratam de operações bancárias desconhecidas completamente pelos impugnantes, ou foram assinados no período de transição da titularidade da empresa e continuaram sendo utilizados, de maneira indevida, pelos novos sócios no período imediatamente subseqüente. Como pode o Fisco assegurar quem administrava a referida sociedade comercial, se não possuía a menor ciência dos detalhes dos atos de gestão praticados no ano de 2007 em relação ao EDUARDO LIMA DOS REIS, o Fisco sequer está convicto de que foi ele realmente quem assinou os cheques citados, pois a Auditora afirma que a assinatura dos cheques apresentados pelo banco APENAS se assemelha à assinatura do Sr. Eduardo Lima dos Reis. questiona porque os sócios de direito não foram arrolados como responsáveis pelo crédito tributário, cabendo a cobrança de quem efetivamente exerceu a administração da sociedade, tratandose de verdadeiro ataque ao princípio da igualdade! Fl. 580DF CARF MF Impresso em 20/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11052.001256/201025 Resolução nº 1101000.101 S1C1T1 Fl. 581 10 a responsabilização dos impugnantes foi decisão “conveniente e oportuna”, ao arrepio do artigo 135, inciso III do CTN, já que não restou comprovado que eram administradores, e sequer faziam mais parte do quadro societário. a fundamentação foi incompleta, pois deveria ter indicado se os impugnantes foram responsabilizados por terem praticado atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. a mera assinatura dos cheques não caracteriza nenhuma das duas hipóteses. restam prejudicados os direitos ao contraditório e à ampla defesa, visto que a imputação da responsabilizada foi feita de forma genérica, sem a necessária especificação da hipótese legal infringida. questiona se a intenção foi qualificar os impugnantes como responsáveis por serem administradores ou por serem sócios ocultos da empresa. se a fiscalização entende que houve interposição de pessoas, caberia o lançamento em nome do sócio oculto, ocorrendo erro de identificação do sujeito passivo, não sendo hipótese de responsabilidade tributária. se a fiscalização considerou que a operação de cessão das cotas da sociedade representou artifício doloso empregado visando livrar os verdadeiros sócios responsáveis pelo não cumprimento das obrigações fiscais deveria ter efetuado o lançamento identificando como sujeitos passivos somente os impugnantes. a intenção do Fisco é qualificar os impugnantes como meros administradores da empresa, é importante destacar ainda que a aplicação do artigo 135, inciso III, do CTN depende da comprovação inequívoca da prática de um ato ilícito pelo terceiro responsabilizado, o que não ocorre com a mera assinatura de cheques. questiona qual foi o ilícito societário praticado pelos impugnantes contra a empresa, caracterizado numa afronta à competência que lhes foi deferida legal, contratual ou estatutariamente. o único fato comprovado foi a assinatura dos impugnantes em cheques emitidos pela empresa no período posterior à saída dos quadros societários, sendo que tal fato não tem o poder de caracterizá los como sóciosgerente da autuada, muito menos configura prática de ato ilícito doloso, e permitir a aplicação do 135 do CTN. quanto ao mérito, cabe ao sócio apresentar a origem dos recursos financeiros, bem como a escrituração comercial. depósitos bancários não constituem fato gerador do imposto de renda, pois não caracterizam disponibilidade econômica de renda e proventos. a Súmula n° 182, do extinto Tribunal Federal de Recursos TFR, restou averbado ser ilegítimo o lançamento arbitrado com base apenas Fl. 581DF CARF MF Impresso em 20/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11052.001256/201025 Resolução nº 1101000.101 S1C1T1 Fl. 582 11 em extratos ou depósitos bancários o arbitramento não convive com lançamento com base em depósitos bancários. a aplicação da multa de ofício de 75% fere os princípios do não confisco, da proporcionalidade e da razoabilidade.” Os recorrentes consignaram que a “Auditora garante que não localizou a empresa, que não teve contato com os sócios de direito, que não teve acesso a documentos comprobatórios das operações comerciais, bem como dos livros fiscais. Destarte, questiona se: como pode o Fisco assegurar quem administrava a referida sociedade comercial, se não possuía a menor ciência dos detalhes dos atos de gestão praticados no ano de 2007”. Aos argumentos já trazidos na impugnação e reprisados no recurso, adicionaram que a DRJ/RJ1 pretendeu aperfeiçoar o lançamento ao consignar no voto que o impugnante José Narciso Brasil dos Reis, além de ser administrador da sociedade, não agiu conforme previsto em lei. Aduzem que tais fatos não constam no Termo de Verificação Fiscal. Relativamente ao sr. Eduardo Lima dos Reis, a DRJ/RJ1, afirma que embora tenha assinado cheques do Banco Unibanco, não consta dos autos do presente processo documento que comprovasse que possuía poderes de administração no anocalendário de 2007. Conclui que “nem a Relatora do voto foi capaz de descobrir se o impugnante foi responsabilizado por ter agido com excesso de poderes ou infração da lei, contrato social ou estatutos”. (grifos no original). Sobre a multa de ofício, acrescenta que a jurisprudência majoritária entende que o princípio da proibição de confisco aplicase tanto aos tributos quanto aos deveres instrumentais ou formais e que o princípio é aplicável a qualquer espécie de multa, seja de mora ou de ofício, uma vez que a natureza jurídica de ambas é a sanção decorrente do descumprimento de deveres jurídicos estabelecidos nas leis fiscais, relativos à obrigação tributária ou aos deveres instrumentais ou formais. Colaciona jurisprudência. Pede que seja reconhecida a inconstitucionalidade da multa de ofício, por representar confisco. Fl. 582DF CARF MF Impresso em 20/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11052.001256/201025 Resolução nº 1101000.101 S1C1T1 Fl. 583 12 Voto Conselheira MÔNICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI. Inicialmente, digase que foi realizada ciência pessoal da decisão da DRJ pelo procurador dos srs. José Narciso Brasil dos Reis e Eduardo Lima dos Reis (ciência à fls. 540 e instrumento de procuração à fl. 542), porém, não consta dos autos que a empresa Goiario Comércio e Repr. de Gêneros Alimentícios Ltda tenha recebido a ciência do acórdão 12 38.069. Face ao exposto, meu voto é para conversão do julgamento em diligência com o retorno do processo à DRJ para dar ciência aos demais contribuintes. Após os procedimentos aplicáveis ao caso, retornese ao CARF para julgamento. (documento assinado digitalmente) MÔNICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI – Relatora Fl. 583DF CARF MF Impresso em 20/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11052.001256/201025 Resolução nº 1101000.101 S1C1T1 Fl. 584 13 Fl. 584DF CARF MF Impresso em 20/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 10945.900853/2012-89
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 28 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Feb 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002
PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO.
A Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins incidem sobre o faturamento, que corresponde à totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, pouco importando qual é a composição destas receitas ou se os impostos indiretos compõem o preço de venda.
INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.630
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. O Conselheiro Sidney Eduardo Stahl votou pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO. A Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins incidem sobre o faturamento, que corresponde à totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, pouco importando qual é a composição destas receitas ou se os impostos indiretos compõem o preço de venda. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. O Conselheiro Sidney Eduardo Stahl votou pelas conclusões. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 90 08 53 /2 01 2- 89 Fl. 65DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 14/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10945.900853/201289 Acórdão n.º 3801002.630 S3TE01 Fl. 66 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 14/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10945.900853/201289 Acórdão n.º 3801002.630 S3TE01 Fl. 67 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Trata o presente processo do Pedido de Restituição – PER nº 42488.81253.091007.1.2.049151 por meio do qual a contribuinte solicita o crédito no valor de R$ 15.947,97, relativo ao DARF de PIS (código de receita 8109), no valor de R$ 15.947,97, recolhido em 28/04/2006. Em 01/08/2012 (Rastreamento nº 029227575) o pedido de restituição foi indeferido, pelo fato de que o DARF discriminado na PER acima identificada estava integralmente utilizado para quitação do débito de PIS do período de apuração de dezembro02, não restando saldo de crédito disponível para o reconhecimento do crédito solicitado. Uma vez cientificada do despacho decisório a contribuinte apresentou em 03/09/2012 a Manifestação de Inconformidade cujo conteúdo é resumido a seguir. Após um breve relato dos fatos, a interessada alega o direito à restituição pleiteada em face do entendimento, adotado em algumas sentenças judiciais, de que o ICMS não integra a base de cálculo do PIS e da Cofins. Sustenta que o ICMS não integra o conceito de faturamento (receita bruta), uma vez que tratase de mero ingresso de recursos, os quais devem ser repassados ao fisco estadual. Argumenta que o Supremo Tribunal Federal STF tem entendido que o valor do ICMS não pode compor a base de cálculo das contribuições (PIS e Cofins) e transcreve, para fundamentar sua tese, parte do voto do ministro relator proferido no RE 2407852/ MG. Diz, também, que a inclusão do ICMS na base dessas contribuições é ilegal, posto que o mesmo não representa riqueza da contribuinte. Diante do exposto, requer a interessada o acolhimento da manifestação para o fim de deferir integralmente o pedido de restituição. Pede adicionalmente, que os valores a serem restituídos sejam acrescidos da taxa Selic. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (PR) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 INCONSTITUCIONALIDADE Fl. 67DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 14/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10945.900853/201289 Acórdão n.º 3801002.630 S3TE01 Fl. 68 4 Não compete à autoridade administrativa apreciar argüições de inconstitucionalidade de norma legitimamente inserida no ordenamento jurídico, cabendo tal controle ao Poder Judiciário. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO NO PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado no PER/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. IMPOSSIBILIDADE. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo da contribuição, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso voluntário apresentado, no qual repisa as razões apresentadas por ocasião da impugnação. É o relatório. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 14/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10945.900853/201289 Acórdão n.º 3801002.630 S3TE01 Fl. 69 5 Voto Conselheiro Relator Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. Conforme asseverado no presente recurso, a questão da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS é objeto do Recurso Extraordinário (RE) nº 240.7852 MG, que não foi ainda julgada até a presente data. Na Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) nº 18, que trata da mesma matéria, o STF reconheceu a repercussão geral da demanda e deferiu medida cautelar para determinar que, até o julgamento final da ação pelo Plenário do STF, juízos e tribunais suspendessem o julgamento dos processos em trâmite que envolviam a aplicação do art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei no 9.718/98. A suspensão dos julgamentos deferida liminarmente foi sucessivamente prorrogada nas sessões plenárias realizadas em 04/02/2009, em 16/09/2009, e, finalmente, em 25/03/2010, quando o Tribunal, pela última vez, prorrogou por mais 180 dias a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. Quanto ao RE nº 240.7852/MG, o mesmo foi também sustado até o julgamento do ADC no 18, já que o Plenário do STF, ao julgar questão de ordem levantada pelo Ministro Marco Aurélio, decidiu que o julgamento da ADC deveria preceder o julgamento do RE em tela, uma vez que a ADC, por tratarse de controle concentrado de constitucionalidade, repercutiria sobre os demais processos relativos à matéria. Por conta da suspensão dos julgamentos determinada pelo STF, os processos envolvendo a mesma matéria, pendentes de serem examinados por este Conselho, ficaram também suspensos, em sintonia com o disposto nos §§ 1º e 2º do artigo 62A1 do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/07/2009, com alterações introduzidas pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, e na Portaria CARF nº 01, de 3/01/2012. Contudo, findo o prazo suspensivo liminarmente concedido pelo STF, tendo em vista não haver nenhuma decisão vigente nesse sentido nos julgamentos que versam sobre a matéria, bem como, com a edição da Portaria MF no 545, de 18 de novembro de 2013, que revogou os parágrafos do aludido artigo, preliminarmente entendo que não há que se falar em sobrestamento dos autos. Isto posto, no mérito, veremos que não assiste razão à recorrente. 1 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 14/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10945.900853/201289 Acórdão n.º 3801002.630 S3TE01 Fl. 70 6 Apesar da recorrente argumentar que o ICMS, por não representar riqueza do contribuinte e sim receita do Erário Estadual, é um ônus fiscal e não faturamento. Esse, porém, referese a uma universalidade, um todo composto pelas receitas da empresa, pouco importando qual é a composição destas receitas ou se os impostos indiretos compõem o preço de venda. A Lei nº 9.718/98, em seu art. 3º, § 2º, I autoriza apenas a exclusão do ICMS “quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário”. Em nenhum momento, porém, autoriza a exclusão do ICMS das próprias vendas. Em relação ao PIS, a Jurisprudência encontravase pacificada, sendo editada a Súmula nº 68 pelo Superior Tribunal de Justiça, abaixo transcrita: Súmula: 68 A PARCELA RELATIVA AO ICM INCLUISE NA BASE DE CALCULO DO PIS. Em relação ao FINSOCIAL, que também tinha por base de cálculo o faturamento, o Superior Tribunal de Justiça editou a Súmula nº 94, que estabelece: Súmula 94. A PARCELA RELATIVA O ICMS INCLUISE NA BASE DE CÁLCULO DO FINSOCIAL. Este também é o entendimento exarado pelo STJ, superada a suspensão liminar dos julgamentos dos processos envolvendo a matéria determinada pelo STF, no âmbito do REsp no 1.127.877SP (transitado em julgado em 20/06/2012), no sentido de que o ICMS integra sim a base de cálculo do PIS e da COFINS, através de decisão monocrática que negou seguimento ao recurso, com base em jurisprudência da citada Corte, conforme excerto abaixo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. OMISSÃO NÃO CONFIGURADA. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. INCLUSÃO DO ICMS. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES. RECURSO ESPECIAL A QUE SE NEGA SEGUIMENTO. A jurisprudência deste Tribunal pacificouse no sentido de que "a parcela relativa ao ICMS deve ser incluída na base de cálculo do PIS e da Cofins, nos termos das Súmulas 68 e 94 do STJ" (AgRg no REsp 1.121.982/RS, 2ª T., Min. Humberto Martins, DJe de 04/02/2011). Nesse sentido, os seguintes julgados: AgRg no Ag 1.069.974/PR, 1ª T., Min. Francisco Falcão, DJe de 02/03/2009; REsp 1.012.877/PR, 2ª T., Min. Mauro Campbell Marques, DJe de 08/02/2011; AgRg no Ag 1.169.099/SP, 2ª T., Min. Herman Benjamin, DJe de 03/02/2011; AgRg no Ag 1.005.267/RS, 1ª T., Min. Benedito Gonçalves, DJe de 02/09/2009. A recorrente alega ainda a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins, inclusive colacionando entendimento expresso no voto do eminente Relator do RE nº 240.7852/MG em julgamento pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Ocorre que as alegações acerca da inconstitucionalidade da legislação tributária não são oponíveis na esfera administrativa, uma vez que sua apreciação foge à alçada da autoridade administrativa de qualquer instância, não dispondo esta de competência legal Fl. 70DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 14/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10945.900853/201289 Acórdão n.º 3801002.630 S3TE01 Fl. 71 7 para examinar hipóteses de violação às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional. Com efeito, a apreciação dessas questões achase reservada ao Poder Judiciário, pelo que qualquer discussão quanto aos aspectos de validade das normas jurídicas deve ser submetida àquele Poder. Portanto, é inócuo suscitar tais alegações na esfera administrativa, pois à autoridade administrativa é vedado desrespeitar textos legais em vigor, sob pena de responsabilidade funcional, sendo defeso a apreciação da matéria por esse órgão julgador. A alegação de inconstitucionalidade de lei também é objeto da abaixo transcrita súmula n° 2 do CARF, de observância obrigatória por parte de seus membros, por força do disposto no art. 72, caput, do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 256/2009: Súmula CARF nº 2 (D.O.U de 22/12/2009, Seção 1) O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária No mais, o julgamento do Recurso Especial (REsp) no 1.127.877SP foi submetido ao rito do artigo 543C do CPC, razão pela qual o entendimento ali expresso deverá ser seguido pelos conselheiros no âmbito do CARF, conforme caput do artigo 62A do Regimento Interno deste Conselho, acima transcrito. Assim, voto por negar provimento ao presente recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Antônio Borges Fl. 71DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 14/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 16327.000014/2006-84
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Feb 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003
PRODUÇÃO DE PROVAS. DILIGÊNCIA. POSSIBILIDADE. JULGAMENTO. O julgador pode determinar a realização de diligência para juntada de elementos que entender necessários para formação de seu convencimento.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
PASSIVO FICTÍCIO. COMPROVAÇÃO. OPERAÇÃO DE BLUE CHIP SWAP. EMPRÉSTIMO COM PESSOA LIGADA. EMPRÉSTIMO EM MOEDA. COMPRA E VENDA DE TÍTULO MOBILIÁRIO. T-BILL. ARGENTINE GLOBAL BONDS. O passivo fictício (contabilização de obrigações inexistentes ou manutenção no passivo de obrigações já pagas) caracteriza presunção legal de omissão de receitas prevista no Decreto-lei n° 1.598/1977. Ao fisco basta provar o fato indiciário para que fique autorizado presumir a omissão de receita. Ao contribuinte cabe comprovar a exigibilidade da obrigação escriturada na sua contabilidade. No caso concreto, tento o fisco se desincumbido de apresentar fatos indiciários contundentes e diretamente relacionados à infração imputada ao contribuinte e tendo o contribuinte apresentado diversos documentos demonstrando a legalidade das operações de empréstimo realizadas com pessoas ligadas, deve ser cancelado o lançamento.
LANÇAMENTOS REFLEXOS. A solução dada ao litígio principal, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica, aplica-se no que couber aos lançamentos decorrentes, quando não houver fatos ou argumentos novos a ensejar conclusão diversa.
Recurso voluntário provido parcialmente. Recurso de ofício desprovido.
Numero da decisão: 1402-001.436
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício e rejeitar a argüição de preclusão das provas produzidas em diligência. Por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário, vencido o Conselheiro Leonardo de Andrade Couto que dava provimento parcial para excluir da exigência apenas os valores referentes aos contratos de mútuo. Os Conselheiros Frederico Augusto Gomes de Alencar, que apresentará declaração de voto, e Fernando Brasil de Oliveira Pinto votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Carlos Pelá - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Carlos Pelá. e Sérgio Bezerra Presta.
Nome do relator: CARLOS PELA
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Recorrida 1ª Turma da DRJ/SPOI ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 PRODUÇÃO DE PROVAS. DILIGÊNCIA. POSSIBILIDADE. JULGAMENTO. O julgador pode determinar a realização de diligência para juntada de elementos que entender necessários para formação de seu convencimento. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ PASSIVO FICTÍCIO. COMPROVAÇÃO. OPERAÇÃO DE BLUE CHIP SWAP. EMPRÉSTIMO COM PESSOA LIGADA. EMPRÉSTIMO EM MOEDA. COMPRA E VENDA DE TÍTULO MOBILIÁRIO. TBILL. ARGENTINE GLOBAL BONDS. O passivo fictício (contabilização de obrigações inexistentes ou manutenção no passivo de obrigações já pagas) caracteriza presunção legal de omissão de receitas prevista no Decretolei n° 1.598/1977. Ao fisco basta provar o fato indiciário para que fique autorizado presumir a omissão de receita. Ao contribuinte cabe comprovar a exigibilidade da obrigação escriturada na sua contabilidade. No caso concreto, tento o fisco se desincumbido de apresentar fatos indiciários contundentes e diretamente relacionados à infração imputada ao contribuinte e tendo o contribuinte apresentado diversos documentos demonstrando a legalidade das operações de empréstimo realizadas com pessoas ligadas, deve ser cancelado o lançamento. LANÇAMENTOS REFLEXOS. A solução dada ao litígio principal, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica, aplicase no que couber aos lançamentos decorrentes, quando não houver fatos ou argumentos novos a ensejar conclusão diversa. Recurso voluntário provido parcialmente. Recurso de ofício desprovido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 00 14 /2 00 6- 84 Fl. 5163DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por FRED ERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, A ssinado digitalmente em 09/01/2014 por CARLOS PELA Processo nº 16327.000014/200684 Acórdão n.º 1402001.436 S1C4T2 Fl. 3 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício e rejeitar a argüição de preclusão das provas produzidas em diligência. Por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário, vencido o Conselheiro Leonardo de Andrade Couto que dava provimento parcial para excluir da exigência apenas os valores referentes aos contratos de mútuo. Os Conselheiros Frederico Augusto Gomes de Alencar, que apresentará declaração de voto, e Fernando Brasil de Oliveira Pinto votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Carlos Pelá Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Carlos Pelá. e Sérgio Bezerra Presta. Relatório DO LANÇAMENTO Tratase de autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS (f1s. 1914/1915, 1918/1919, 1922/1923, 1930/1931, 2119/2123), lavrados contra a empresa Mauriti Administradora de Ativos Ltda. (atual denominação de “GP Investimentos S/C Ltda.”, “Nova Panda S/A” e “GP Administradora de Ativos S/A”, fl. 2317), acrescido de juros de mora, multa qualificada e agravada, referentes a fatos geradores ocorridos nos exercícios de 1999 a 2003, tendo sido a contribuinte notificada em 29/12/2005. Segundo o Termo de Verificação e Constatação Fiscal (fls. 1853/1874 – Vol X), as autuações objeto destes autos são desdobramentos de procedimentos fiscais que objetivaram originalmente atestar a adequação da Recorrente e de suas subsidiárias às normas relativas a preços de transferência e à verificação da regularidade dos juros pagos/creditados a empresas vinculadas. Constatada, durante os procedimentos, a prática do Grupo Garantia (grupo empresarial a que pertence a contribuinte) de criar empresas "de fachada" com o fito de elidir o pagamento de tributos, a fiscalização entendeu por bem analisar todas as empresas de alguma forma envolvidas com suas operações. Foram analisadas aproximadamente 300 empresas entre nacionais e estrangeiras. Fl. 5164DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por FRED ERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, A ssinado digitalmente em 09/01/2014 por CARLOS PELA Processo nº 16327.000014/200684 Acórdão n.º 1402001.436 S1C4T2 Fl. 4 3 Referido trabalho fiscal culminou na lavratura dos autos de infração formalizados pelos processos administrativos fiscais n° 16327.000045/200554 e 16327.000013/200630, contra a empresa Mcom Wireless S/A, bem assim como no presente processo, todos imputando às contribuintes a infração de omissão de receitas, pela manutenção de passivo fictício em sua escrituração. Na ocasião, também foi lavrado contra a Recorrente auto de infração relativo ao IOF, lançamento que foi apartado destes autos e formalizado nos autos do processo n°. 16327.000041/200657. O Termo de Verificação e Constatação Fiscal que fundamenta o presente auto de infração é idêntico àquele que acompanha a autuação formalizada sob n°. 16327.000013/200630, razão pela qual, constam do relatório fiscal, além de fatos praticados pela Recorrente, fatos praticados por Mcom Wireless S/A e diversas outras empresas e pessoas físicas vinculadas ao Grupo Garantia. No caso em análise, discutese a suposta manutenção de passivo fictício, com base em presunção legal de omissão de receitas, nos termos do art. 40 da Lei nº. 9.430/96, em razão da não comprovação efetiva de empréstimos da Recorrente, tomados em moeda estrangeira via contratos de câmbio registrados no Banco Central (Bacen), bem como através de Títulos da Dívida Argentina (Argentine Global Bonds) e da Dívida Americana (TBills), com a Holtz Business Inc. (HOLTZ), empresa sediada nas Ilhas Virgens Britânicas. Ou seja, em resumo, duas foram as operações realizadas pela Recorrente, objeto de questionamento pelo fisco nestes autos: 1) operações de empréstimo em moeda, diretamente por meio de transferência de recursos via Bacen, com fechamento de contrato de câmbio; e 2) operações de compra e venda a prazo envolvendo valores mobiliários (Argentine Global Bonds e TBills). As citadas operações com valores mobiliários consistiam na transferência onerosa (venda a prazo) destes pela empresa HOLTZ para a Recorrente, tendo como contrapartida justamente o passivo contabilizado e questionado pela fiscalização. Ato subseqüente, esses títulos eram vendidos pela Recorrente, com pagamento à vista, a uma terceira empresa no Brasil. Vide abaixo: Fl. 5165DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por FRED ERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, A ssinado digitalmente em 09/01/2014 por CARLOS PELA Processo nº 16327.000014/200684 Acórdão n.º 1402001.436 S1C4T2 Fl. 5 4 Ademais, notese que (i) a HOLTZ é pessoa jurídica vinculada ao grupo empresarial a que pertence a Recorrente (conforme informação que consta do quadro de fl. 1890 “pessoas jurídicas vinculadas exterior”), e (ii) o relatório fiscal não menciona se foram contabilizadas e deduzidas as despesas com juros e variação cambial relacionadas a tais operações. DA IMPUGNAÇÃO Irresignada, a Recorrente apresentou a impugnação de fls. 1942/1998, acompanhada dos documentos de fls. 2005/2233, aduzindo, em síntese, o que segue: 1) Extinção do crédito tributário relativo ao anocalendário de 1999 pela decadência, nos termos do art. 150, §4° do CTN; 2) A autoridade fiscal levantou uma cortina de fumaça consistente na enumeração de uma série de supostas irregularidades, as quais não estão relacionadas com a infração ao final efetivamente imputada à contribuinte (omissão de receita por passivo fictício) e, o que é pior, nem mesmo vinculadas a ela; 3) A contribuinte tem por objeto a participação no capital de outras sociedades; prestação de serviços de consultoria, investimentos e administração de carteiras de títulos e valores mobiliários; aplicação de recursos próprios em operações nos mercados financeiros e de capitais, através de intermediários autorizados pelo Bacen e CVM; serviços de intermediação em operações vinculadas à aplicação de recursos próprios, tais como operações de cobertura (hedge) e outras similares, com vistas à proteção de direitos e obrigações da sociedade contra oscilações de preço ou taxas, sendo nesse contexto que ocorreram os empréstimos considerados como fictícios; 4) A obtenção de recursos era feita junto a empresas localizadas no exterior, por meio de contratos de mútuo envolvendo valores mobiliários ou diretamente com a HOLTZ RECORRENTE ADQUIRENTES DE TÍTULOS NO BRASIL Exterior Brasil 1 4 2 3 1 Compra a prazo de títulos 2 Venda à vista de títulos no mercado interno 3 Disponibilização imediata de reais 4Passivo contabilizado pela Recorrente em favor da HOLTZ Fl. 5166DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por FRED ERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, A ssinado digitalmente em 09/01/2014 por CARLOS PELA Processo nº 16327.000014/200684 Acórdão n.º 1402001.436 S1C4T2 Fl. 6 5 transferência de recursos via Bacen, com fechamento de câmbio ou por meio de transferência internacional de reais ("CC5"); 5) A autuação é inconsistente, pois o autuante considerou que teriam ocorrido somente operações com títulos, quando se observa apenas 2 (duas) operações nessa modalidade, sendo todas as demais realizadas em moeda; 6) As operações envolvendo mútuo em moeda (remessas via Bacen) são comprovadas pelos seguintes documentos que anexa: (i) cópia autenticada dos contratos de mútuo de cada uma das efetivas remessas e respectivas vias originais de suas traduções juramentadas; (ii) cópia autenticada dos “Contrato de Câmbio de Compra Tipo 3 Transferências financeiras do Exterior”, ou do comprovante de transferência internacional de reais (“CC5”), nos quais constam as partes envolvidas (empresa no exterior e a Recorrente) e a instituição financeira autorizada pelo Bacen a intermediar tais operações, sendo possível observar que o valor de cada transação (especificado em moeda estrangeira, bem como a quantia correspondente em reais), coincide com os montantes contabilizados pela Recorrente e a data de liquidação de cada contrato; 7) As duas operações envolvendo valores mobiliários (adquiridos da empresa HOLTZ) são comprovadas pela juntada de (i) cópias autenticadas dos “BOND SALE AND PURCHASE AGREEMENT” (Contrato de Compra e Venda de Letras do Tesouro) e suas respectivas traduções realizadas por tradutor juramentado (vias originais); (ii) cópias de lançamentos contábeis; (iii) cópia do extrato bancário no qual se demonstra o respectivo crédito na conta corrente da fiscalizada; e, (iv) comprovantes de custódia (cópia autenticada do original em inglês e via original da respectiva tradução juramentada), conforme documentos agrupados sob n°. 4 e 7, fls. 2074/2112 Vol XI, sendo que em apenas uma delas não foi possível localizar o certificado de custódia dos títulos; 8) O Termo de Verificação Fiscal é cópia fiel daquele que acompanha o auto de infração lavrado contra a Mcom Wireless S/A (PA 16327.000013/20063), razão pela qual todas as supostas infrações, irregularidades contábeis e gerais consignadas no tópico "III DAS IRREGULARIDADES CONSTATADAS A Da Escrituração" referemse a ela, não merecendo contestação; 9) As operações com valores mobiliários envolviam a Recorrente, a empresa HOLTZ e uma terceira empresa que variava a cada operação, consistindo na denominada operação de “blue ship swap”, mediante a qual estes recursos eram transmitidos à Recorrente por meio de cessões de titularidade de valores mobiliários com grande liquidez e, posteriormente, vendidos a uma terceira empresa no Brasil; 10) O 1º Conselho de Contribuintes já conclui pela licitude das operações de swap realizadas entre empresas do mesmo grupo (1° CC, 1ª C, Acórdão 10193.616); 11) Os contratos de mútuo estão regularmente constituídos e formalizados, não havendo qualquer razão para sua contestação ou desconsideração; 12) Houve erro material em virtude do lançamento em duplicidade do valor de R$ 1.111.476,39, relativo ao mútuo com a empresa HOLTZ, depositado no Banco BBA, em 09/12/1999, contabilizado na conta 2.2.01.02.005 "contas a pagar Holtz" (docs. 13/14), verificada na tabela "apuração da base de cálculo do Imposto de Renda 1999 2000", anexada ao Termo de Verificação fiscal; Fl. 5167DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por FRED ERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, A ssinado digitalmente em 09/01/2014 por CARLOS PELA Processo nº 16327.000014/200684 Acórdão n.º 1402001.436 S1C4T2 Fl. 7 6 13) Houve erro material em virtude da inclusão de valores contabilizados em contas de ativo como passivo fictício, relativamente ao lançamento do dia 05/01/1999, que se refere a uma venda de Argentine Global Bonds, no valor de R$ 485.252,46 e contabilizada na conta de ativo n° 1.1.01.02.001 Itaú, em contrapartida a outra conta de ativo n° 1.1.01.04.030 Argentine Global Bond; e do lançamento relativo a uma venda de TBills realizada em 22.02.1999, no valor de R$ 3.900.000,00 e contabilizada também na conta de ativo n° 1.1.01.02.001 Itaú, em contrapartida a outra conta de ativo n° 1.1.01.04.040 TBill – Notas do Tesouro dos EUA; 14) É descabido o agravamento e a qualificação da multa de ofício; 15) A autoridade fiscal deveria, quando da apuração do tributo a pagar, ter considerado a existência de saldos de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa da CSLL advindos de períodos anteriores, e compensalos, até o limite de 30%, com a base de cálculo do auto de infração; 16) Inaplicabilidade da Taxa Selic. DA DILIGÊNCIA Submetida a impugnação à análise da DRJ/SP1, houve por bem o d. julgador solicitar a realização de diligência (fls. 2242/2244), já que o autor do feito fiscal, em seu relatório fiscal, menciona que “conforme já demonstrado na autuação da MCOM para os anos calendário de 1998 e 1999 os títulos ela dívida Argentina não existem, correndo processo originado na DEFIC, no Ministério Público Federal e na Polícia Federal pela fraude”; e, no entanto, não instrui o feito ou aponta especificamente os elementos de prova que embasam sua autuação. Assim, foi solicitada a realização de diligência para que a DEAIN/São Paulo providenciasse (i) a juntada de cópia da resposta dada pelo governo argentino ao adido tributário brasileiro quanto aos títulos de sua dívida de emissão do dia 02/03/1998; e (ii) para que fossem solicitadas informações ao nosso adido tributário em Washington no sentido de confirmar junto às autoridades norteamericanas a ocorrência da cadeia de alienação dos títulos correspondentes à documentação juntada pela contribuinte. Em manifestação de fls. 3138/3142, o AFRFB responsável pela autuação refutou a necessidade da diligência, sob o fundamento de desnecessidade. Após reiteradas recusas do AFRFB, foi expedido o MPFDiligência 08.1.71.002009000228 (fl. 2290). Em cumprimento à diligência, o AFRFB fez juntar aos autos uma cópia da Nota 342/04, de 13/02/2004, enviada pelo coordenador de títulos públicos do órgão nacional de crédito público do ministério da economia da Argentina ao adido tributário e aduaneiro do Brasil em Buenos Aires (fl. 2291); cópia da tradução juramentada da referida nota (fl. 2292); cópia do pedido de informações solicitadas ao adido tributário e aduaneiro do Brasil em Washington, mediante correio eletrônico (fl. 2293); cópia da resposta enviada pela adidância em Washington, mediante correio eletrônico (fl. 2294/2295); relatório de diligência (fls. 2296/2297). Fl. 5168DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por FRED ERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, A ssinado digitalmente em 09/01/2014 por CARLOS PELA Processo nº 16327.000014/200684 Acórdão n.º 1402001.436 S1C4T2 Fl. 8 7 Cientificada para se pronunciar sobre o relatório de diligência, a contribuinte se manifestou em fls. 2302/2311. DA DECISÃO DA DRJ Encaminhados os autos para a 1ª Turma da DRJ/SP1, esta, por meio do acórdão nº 1623.982 (fls. 2339/2396 – Vol XII), julgou parcialmente procedente a impugnação, para (i) rejeitar a preliminar de decadência; (ii) manter parcialmente o crédito tributário relativo às exigências do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS; (iii) reconhecer a circunstância qualificadora; e (iv) afastar a majorante, reduzindo a multa de ofício de 225% para 150%, nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/12/1999, 31/12/2000, 31/12/2001, 31/12/2002, 31/12/2003 PRODUÇÃO DE PROVAS. DILIGÊNCIA. POSSIBILIDADE. JULGAMENTO. O autuante e o fiscalizado devem apresentar suas provas, respectivamente, no ato da lavratura do auto de infração e na apresentação da impugnação, mas o julgador pode determinar a realização de diligência para juntada de elementos que entender necessários para formação de seu convencimento. NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA. CAPITULAÇÃO LEGAL INCOMPLETA. DESCRIÇÃO DOS FATOS SUFICIENTE. CERCEAMENTO DE DEFESA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. A descrição dos fatos de maneira suficiente para identificar a conduta ilícita atribuída ao fiscalizado a ensejar a exasperação da multa de ofício supre a indicação incompleta do dispositivo legal violado no auto de infração, configurando mera irregularidade e não é causa de nulidade da sanção por cerceamento de defesa. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. O decidido quanto à infração que além de implicar o lançamento de IRPJ provoca os lançamentos da contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) também se aplica a estes outros lançamentos naquilo em que for cabível. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/12/1999, 31/12/2000, 31/12/2001, 31/12/2002, 31/12/2003 LANÇAMENTO. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. PAGAMENTO. FATO GERADOR. FRAUDE. EXERCÍCIO SEGUINTE. A contagem do prazo decadencial em desfavor do Fisco, nas hipóteses de inexistência de pagamento antecipado de tributo, ainda que parcial, ou quando a infração à legislação tributária é praticada com emprego de fraude, iniciase a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o Fl. 5169DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por FRED ERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, A ssinado digitalmente em 09/01/2014 por CARLOS PELA Processo nº 16327.000014/200684 Acórdão n.º 1402001.436 S1C4T2 Fl. 9 8 lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do artigo 173, I do Código Tributário Nacional. MULTA. SIMULAÇÃO. FRAUDE. QUALIFICADORA. Simulação de operações de empréstimos, registradas com o intuito de internar na entidade valores que se encontravam à margem da escrituração, caracteriza fraude, circunstância qualificadora da conduta infracional e agravante da multa de ofício. MULTA DE OFÍCIO. ARQUIVO MAGNÉTICO. RECUSA. ANOCALENDÁRIO DIVERSO. AGRAVAMENTO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. A recusa em apresentar arquivos magnéticos associada ao descumprimento da obrigação tributária principal é causa de agravamento da multa de ofício, cuja base de cálculo é o tributo lançado, razão pela qual os arquivos solicitados devem corresponder ao período sobre o qual ocorreu a exigência tributária e, sendo diverso, cabível apenas a multa regulamentar por descumprimento de obrigação acessória. JUROS DE MORA. CABIMENTO. ATO LEGAL. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA. PODER JUDICIÁRIO. É cabível a exigência de juros moratórios calculados pela taxa Selic, em face de pagamento intempestivo de tributo, conforme expressa determinação em lei, sendo vedado à autoridade administrativa deixar de aplicala, sob alegação de inconstitucionalidade, cujo reconhecimento encontrase na esfera de competência do Poder Judiciário. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Data do fato gerador: 31/12/1999, 31/12/2000, 31/12/2001, 31/12/2002, 31/12/2003 PASSIVO FICTÍCIO. MÚTUO. NUMERÁRIO. INSTRUMENTO CONTRATUAL. INCONSISTÊNCIAS. TBILLS. TITULARIDADE NÃO COMPROVADA. TÍTULOS ARGENTINOS. DATA DE EMISSÃO NÃO CONFIRMADA. Instrumentos contratuais contendo inconsistência em datas, assinaturas, além de não trazerem a qualificação e identificação de seus signatários não são documentos hábeis a amparar operações de empréstimos, assim como não os são títulos da dívida estadunidense “TBills”, cuja titularidade alegada à fiscalizada é duvidosa, ou “Argentine Global Bonds”, cuja data de emissão não foi confirmada pelo governo argentino, circunstância fática que caracteriza a presunção legal de omissão de receitas decorrente de passivo fictício. LANÇAMENTO CONTÁBIL. BASE DE CÁLCULO. DUPLICIDADE. EXCLUSÃO. É devida a exclusão de valor de lançamento contábil computado em duplicidade na base de cálculo dos tributos. Fl. 5170DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por FRED ERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, A ssinado digitalmente em 09/01/2014 por CARLOS PELA Processo nº 16327.000014/200684 Acórdão n.º 1402001.436 S1C4T2 Fl. 10 9 PREJUÍZO FISCAL. PERÍODOS ANTERIORES. COMPENSAÇÃO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. IMPOSSIBILIDADE. Descabe compensar em lançamento de ofício prejuízo fiscal apurado em períodos anteriores, pois a lei somente faculta ao contribuinte o exercício deste benefício fiscal no momento da entrega da declaração e de apuração espontânea do imposto devido. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 31/12/1999, 31/12/2000, 31/12/2001, 31/12/2002, 31/12/2003 BASE DE CÁLCULO NEGATIVA. PERÍODOS ANTERIORES. COMPENSAÇÃO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. IMPOSSIBILIDADE. Descabe compensar em lançamento de ofício base de cálculo negativa apurada em períodos anteriores, pois a lei somente faculta ao contribuinte o exercício deste benefício fiscal no momento da entrega da declaração e de apuração espontânea da contribuição devida. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Data do fato gerador: 31/12/1999, 31/12/2000, 31/12/2001, 31/12/2002, 31/12/2003 FATO GERADOR PERÍODO DE APURAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. A Cofins, cujo dia de fato gerador é o último de mês, incide apenas sobre os valores tributáveis apurados neste próprio mês. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/12/1999, 31/12/2000, 31/12/2001, 31/12/2002, 31/12/2003 FATO GERADOR. PERÍODO DE APURAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. A contribuição para o PIS, cujo dia de fato gerador é o último de mês, incide apenas sobre os valores tributáveis apurados neste próprio mês. Em resumo, a DRJ decidiu que: Preliminarmente, quanto à decadência, aplicase o art. 173, inc. I do CTN, tendo em vista que não houve pagamentos de IRPJ e CSLL no período de 1999. Em relação às exigências de PIS e COFINS exigidas somente para o mês de dezembro de 1999, verificouse a existência de pagamentos, o que levaria à aplicação do art. 150, §4º do CTN; entretanto, o autuante qualificou a conduta como fraudulenta, o que atraiu o art. 173, inc. I do CTN; Quanto ao mérito, caracterizada a infração de presunção de omissão de receitas com base em um passivo cuja exigibilidade não foi comprovada, mantevese Fl. 5171DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por FRED ERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, A ssinado digitalmente em 09/01/2014 por CARLOS PELA Processo nº 16327.000014/200684 Acórdão n.º 1402001.436 S1C4T2 Fl. 11 10 parcialmente o lançamento de IRPJ e CSLL, excluindose da base de cálculo dos referidos tributos somente o valor de lançamento contábil computado em duplicidade; Acerca do lançamento de PIS e COFINS, exigidos com base nos fatos geradores ocorridos nos anoscalendário 1999 a 2003, em razão do fato gerador de referidas contribuições ser mensal e não anual, errou o fiscal ao efetuar o lançamento com a fixação da data de 31 de dezembro como a da ocorrência do fato gerador, como se este fosse anual e não mensal. Conforme quadro de fl. 1875, o autuante discriminou os lançamentos contábeis que comporiam o passivo com base nos empréstimos fictícios e, conseqüentemente, a base de cálculo das contribuições. Ocorre que o autuante efetuou referidos registros para os meses de janeiro, fevereiro, abril, julho, setembro, outubro, novembro e dezembro do anocalendário de 1999. Nos demais anoscalendário, as entradas no passivo foram acusadas nos meses de abril/2000, outubro/2001, abril/2002, abril/2003 e junho/2003. Assim, a base de cálculo tributável do PIS e da COFINS do presente auto de infração correspondeu somente às receitas omitidas em DEZ/1999, tendo sido excluídas as demais parcelas dessas contribuições, que foram lançadas sobre receitas reconhecidas fora do referido período de apuração. Deve ser mantida a multa qualificada, diante da fraude perpetrada; Deve ser afastada a multa agravada, posto que não ocorreu embaraço à fiscalização, já que, de fato, quando fora intimada (em 2005), a Recorrente não estava mais obrigada a apresentar a documentação relativa ao PIS e COFINS dos anoscalendário de 1995 a 1998, períodos já alcançados pela decadência. Descabe compensar em lançamento de ofício prejuízo fiscal apurado em períodos anteriores. Assim, a DRJ retificou a base de cálculo lançada para considerar, tão somente, a compensação de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa de CSLL do próprio período de apuração. DO RECURSO DE OFÍCIO Tendo em vista que o crédito tributário exonerado superou o valor de alçada, a autoridade julgadora interpôs recurso de ofício, nos termos do art. 34 do Decreto 70.235/72. DO RECURSO VOLUNTÁRIO A contribuinte, por sua vez, apresentou recurso voluntário (fls. 2409/2459), no qual alega, em síntese, que: 1) Decadência do crédito tributário relativo ao anocalendário de 1999, nos termos do art. 150, §4° do CTN, tendo em vista a notificação da Recorrente em 29/12/2005. Aduziu que não houve fraude, bem como que a aplicação do prazo decadencial é estipulada em virtude do tipo de lançamento que o tributo está sujeito, e não em razão da falta de pagamento antecipado, situações regidas pelo art. 173 do CTN; 2) A DRJ concretizou ilegal revisão do lançamento relativamente ao PIS e à COFINS correspondentes ao mês de DEZ/1999. Argumenta que, ao lançar tais contribuições como se tivessem fatos geradores anuais, o Sr. AFRFB acabou por não lançar nenhum fato Fl. 5172DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por FRED ERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, A ssinado digitalmente em 09/01/2014 por CARLOS PELA Processo nº 16327.000014/200684 Acórdão n.º 1402001.436 S1C4T2 Fl. 12 11 gerador mensal. Dessa feita, o fato gerador de dezembro não poderia se mantido pela DRJ, simplesmente porque ele sequer fora lançado; 3) Devem ser julgados improcedentes os valores exigidos a título de IRPJ e seus reflexos nos anoscalendário de 1999 a 2003, pois o passivo classificado pela autoridade fiscal como fictício efetivamente existia, como demonstram documentos juntados aos autos por ocasião da impugnação (Vide quadros às fls. 2424, 2425 e 2428 do recurso voluntário); 4) Os documentos anexados aos autos por ocasião da diligência solicitada pela DRJ não podem produzir efeitos no julgamento deste caso, em razão da preclusão configurada, já que as provas destinadas a sustentar os autos de infração deveriam ter sido produzidas quando de sua lavratura, conforme art. 9º do Decreto 70.235/87. Que o princípio da verdade material não justifica tal conduta, pois tal preceito não se aplica a desfavor do contribuinte, ante o caráter plenamente vinculado do lançamento tributário; Acrescenta que, ainda que tais documentos pudessem ser aceitos: Sobre os títulos argentinos: Que o questionamento efetuado pela DRJ ao adido tributário aduaneiro na Argentina referiuse à emissão de títulos públicos pela Argentina em "02/03/1998". Que tal data teria sido indicada porque o contrato de venda e compra dos títulos argentinos (Global Bonds) negociados pela Recorrente (doc. 4 da impugnação) indicava que a emissão destes teria ocorrido em "March 2, 1998". Contudo, tal data foi inadvertidamente feita constar do mencionado contrato, já que, em virtude de um erro de digitação, a data acima indicada foi colocada no lugar da correta, qual seria,"March 12, 1998". Apresenta a prova de que na data de "March 12, 1998" foram emitidos títulos públicos pela Argentina (fl. 2433) e pleiteia que seja reconhecida a falta de assertividade da prova produzida pela Autoridade Fiscal. Sobre os títulos americanos: Que as provas solicitadas pela DRJ não podem ser produzidas conforme afirmado pela adida tributária e aduaneira do Brasil em Washington, o que reforça a higidez das razões de defesa expostas na impugnação. Sobre os empréstimos em moeda: Afirma que a DRJ rejeitou as provas produzidas pela Recorrente sobre os empréstimos em moeda com base, em síntese, nas seguintes alegações: (i) não haveria a indicação correta do endereço da HOLTZ (fls. 2355 e 2358); e (ii) os instrumentos contratuais não apresentariam a indicação correta dos signatários, ou apresentariam diferenças materiais com relação àqueles apresentados durante a fiscalização (fls. 2358/2359). Assim, rebate afirmando, em resumo, que (i) não há norma legal que exija a indicação de endereço da mutuante para a prova da efetividade da operação; e (ii) que a simples assinatura da parte é suficiente para a validade do documento, conforme art. 368 do CPC. Sustenta também que empréstimo é contrato real que se concretiza com a simples entrega dos recursos e que existem diversos documentos nos autos que comprovam os empréstimos, tais como os contratos de câmbio registrados no SISBACEN. 5) É descabida a multa agravada por fraude (150%); Fl. 5173DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por FRED ERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, A ssinado digitalmente em 09/01/2014 por CARLOS PELA Processo nº 16327.000014/200684 Acórdão n.º 1402001.436 S1C4T2 Fl. 13 12 6) A autoridade fiscal deveria ter considerado a existência de saldos de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa da CSLL advindos de períodos anteriores; 7) Não se poderia desconsiderar totalmente o passivo contabilizado pela Recorrente, fazendose necessária a realização de arbitramento. DAS CONTRARRAZÕES A União, por sua vez, apresentou contrarrazões ao recurso voluntário (fls. 2478/2505) aduzindo, em síntese, que: 1) Aplicase o art. 173, inc. I do CTN, tendo em vista que não houve pagamentos de IRPJ e CSLL no período de 1999. Em relação ao PIS e a COFINS de DEZ/1999, verificouse a existência de pagamentos (fl. 2315), o que levaria à aplicação do art. 150, §4º do CTN; entretanto, o autuante qualificou a conduta como fraudulenta, o que atraiu o art. 173, inc. I do CTN; 2) O fulcro da autuação em tela reside na constatação da inexistência de verdadeiras operações de empréstimo e de compra e venda de ativos. Tal inexistência não se fundamenta apenas em questões formais concernentes aos contratos que dariam respaldo às citadas operações, como quer fazer crer a Recorrente, mas numa série de constatações relativas ao funcionamento da autuada. Nesse sentido, cita o fato de a Recorrente possuir o mesmo endereço de outras empresas do Grupo Garantia; 3) Verificase indicativo da simulação engendrada no endereço declarado à administração tributária em que estaria situada a HOLTZ, eis que faltou transparência nos dados, impedindo o ente de ser encontrado, na medida em que foram fornecidos à Administração Tributária apenas o nome da cidade (Road Town) e a ilha do arquipélago (Tortola) em que ela estaria situada. Ressalta que a omissão do endereço da HOLTZ também é verificada nos instrumentos contratuais entabulados com títulos mobiliários (Docs. 4 e 7 da impugnação) e, ainda, naqueles envolvendo empréstimo em dinheiro (Docs. 5, 6, 8, 9, 10, 11, 12 13 e 14 da impugnação), fls. 2358; 4) As operações de empréstimo entre a HOLTZ e a autuada, envolvendo Argentine Global Bonds e TBills, padecem de irregularidades e inconsistências, tendo em vista a inexistência dos Títulos da Dívida Argentina e a não comprovação da titularidade pela autuada dos títulos estadunidenses; 5) Os contratos relativos às operações com Tbills, desacompanhados da prova da transferência da titularidade desses títulos para a autuada, são insuficientes para comprovar a existência do passivo. Para a prova acerca das operações envolvendo tais títulos, seria necessária a apresentação de documento emitido pelo agente de custódia que identificasse a natureza dos títulos adquiridos pela Recorrente, seu número de identificação, a data de emissão e resgate, além de atestar a sua titularidade e alienação pela HOLTZ; 6) Destaca que a Recorrente, sob a alegação de que a imputação fiscal de passivo fictício não guarda relação com a posterior venda dos títulos, não traz aos autos nenhum tipo de prova relativamente a tais alienações; Fl. 5174DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por FRED ERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, A ssinado digitalmente em 09/01/2014 por CARLOS PELA Processo nº 16327.000014/200684 Acórdão n.º 1402001.436 S1C4T2 Fl. 14 13 7) Quanto aos empréstimos em moeda estrangeira, verificouse também a carência na indicação do endereço da HOLTZ, bem como a falta de indicação e qualificação dos signatários, o que impede a constatação da legitimidade dos negócios jurídicos; 8) Afirma que o registro de operações no Bacen é meramente declaratório. Assim, os contratos de câmbio indicam que houve remessa de moeda estrangeira e sua conversão em moeda nacional, mas, por si mesmos, não são suficientes para demonstrar a ocorrência da alegada operação de empréstimo; 9) Deve ser mantida a qualificação da multa de ofício; 10) A DRJ se limitou, uma vez constatado que o lançamento de PIS e COFINS identificara como data dos fatos geradores o dia 31 de dezembro de cada ano, a retirar os excessos na base de cálculo oriundos do cômputo de receitas omitidas em outros meses. A glosa de tais excessos pela DRJ não corresponde a novo ato de lançamento, não havendo que se cogitar de nenhuma nulidade no ajuste feito pela DRJ aos autos de infração de PIS e COFINS. 11) A alegação da Recorrente sobre a necessidade de arbitramento estaria preclusa, por não ter sido suscitada oportunamente na impugnação. Afirma que se, no caso, a única inconsistência encontrada na contabilidade da Recorrente foi a supressão de receitas, tal não pode ser considerada imprestável, sendo suficiente, para o ajuste necessário do lucro, sua adição ao resultado do período. Lembrando, ainda, que o arbitramento do lucro só é admitido em hipóteses excepcionais. É o Relatório. Voto Conselheiro CARLOS PELÁ, Relator Os recursos atendem a todos os pressupostos de admissibilidade. Devem, pois, serem conhecidos. Preclusão da provas produzidas em diligência. O art. 9° do Decreto 70.235/1972 determina que o autor do feito fiscal instrua o lançamento com todos os elementos de prova que o embasam. O mesmo diploma legal, em seu art. 18, confere à autoridade julgadora a prerrogativa de determinar de ofício a realização de diligências, quando as entender necessárias. Nesse passo, é de se ter em mente que o julgador, no exercício de suas funções, pode requerer a realização de diligências para formação de seu convencimento, por força do que determina o princípio da verdade material. No caso concreto, parte das provas que deveriam ter sido produzidas pelo Sr. AFRFB não o foram, mas isso não significa necessariamente que o lançamento estivesse totalmente destituído de provas e que a solicitação de diligência fosse efetivamente prejudicar o contribuinte. Pelo contrário, as informações requisitadas pela diligência determinada pelo Fl. 5175DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por FRED ERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, A ssinado digitalmente em 09/01/2014 por CARLOS PELA Processo nº 16327.000014/200684 Acórdão n.º 1402001.436 S1C4T2 Fl. 15 14 julgador de primeira instância poderiam ter sido extremamente favoráveis à autuada, o que seria determinante no julgamento da lide. Sendo assim, entendo que devem ser considerados na avaliação dos fatos em análise os documentos gerados em função da diligência requerida pelo julgador de primeira instância. Decadência Uma vez que a tipificação da conduta fraudulenta interferirá no exame da decadência, a análise dessa preliminar será sobrestada até a análise das questões de mérito do lançamento. Mérito Do lançamento de IRPJ O julgador de primeira instância fez importantes observações sobre as delimitações da matéria em julgamento e sobre o Termo de Verificação Fiscal que valem à pena ser transcritas: Quanto às irregularidades apontadas no item "A Da Escrituração", contida no item "III DAS IRREGULARIDADES CONSTATADAS", assiste razão à Impugnante ao afirmar que elas são dirigidas exclusivamente à Mcom Wireless S/A. (...). Portanto, as irregularidades constantes do item "A" do capítulo "III" do relatório fiscal são atribuídas exclusivamente à Mcom Wireless S/A, não podendo ser estendidas à Mauriti. De toda maneira, ainda que se entendesse que o fiscal estaria a sugerir que essas mesmas inconsistências se encontrariam presentes também na escrituração da Impugnante, essa alegação estaria desprovida de provas, na medida que o autuante não juntou os lançamentos e documentos contábeis da Mauriti que evidenciassem as mencionadas irregularidades. Entretanto, no item "B Do modus operandi" do Termo de Constatação e Verificação Fiscal, o autuante atribui às empresas do "Grupo Garantia" e às pessoas físicas a ele vinculados, a prática de determinadas irregularidades. Tendo em vista que a Mauriti é uma pessoa jurídica pertencente ao referido conglomerado empresarial, inferese que as acusações também a ela se dirigem, cabendo verificar, assim, se estão comprovadas nos autos. Quanto à alegação de que haveria "fortes indícios de fraude" de que fiscalizada, bem como outras empresas do grupo estariam simulando "vendas de nota" de serviços, o autuante não descreveu os fatos, nem indicou quais os elementos de prova que o levaram a chegar a tal conclusão, razão pela qual não é possível fazer qualquer relação com essa acusação com a presente infração de omissão de receitas, com base em passivo fictício. Fl. 5176DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por FRED ERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, A ssinado digitalmente em 09/01/2014 por CARLOS PELA Processo nº 16327.000014/200684 Acórdão n.º 1402001.436 S1C4T2 Fl. 16 15 Também não descreveu o autuante de que maneira as possíveis irregularidades existentes nas declarações de rendimentos de algumas pessoas físicas, pertencentes ao quadro social da fiscalizada, estariam vinculadas à presente infração de omissão de receitas, motivo pelo qual não podem ser aceitas para fundamentála. Com efeito, como se vê pela decisão de primeira instância, claro está que apenas parte das irregularidades apontadas no relatório fiscal são atribuídas à Recorrente. São elas, em resumo: (1) a prática de criar empresas “de gaveta”, atribuída genericamente ao Grupo Garantia no item "B” do relatório fiscal (B Do modus operandi); e (2) a suposta ilegitimidade das operações de empréstimo realizadas pela Recorrente, item “C” do relatório fiscal (C – Das operações de empréstimo). No que toca à primeira irregularidade apontada, afirma o relatório fiscal que o Grupo Garantia mantinha diversas “empresas de gaveta”, criadas com propósitos variados, dentre os quais, estaria o de simular operações fictas de empréstimos e pagamentos. A partir daí, afirma que várias empresas seriam criadas a cada ano, algumas com CNPJ seqüencial; que algumas teriam uma duração efêmera; que haveria clusters, estrutura que envolve uma ou duas empresas operacionais e as demais prestandose a simular operações fictas de empréstimos e pagamentos; que tais empresas variam o local da sede, havendo várias situadas em um mesmo endereço; que boa parte delas nunca teve nenhum funcionário registrado; que a maior parte delas jamais teve faturamento algum; que os acionistas, contadores e responsáveis da empresa perante a SRF se revezam com bastante freqüência com o intuito de descaracterizar responsabilidades; que boa parte dos sócios dessas empresas seriam pessoas jurídicas domiciliadas no exterior, principalmente em paraísos fiscais. Acrescenta que a Recorrente apesar de possuir funcionários registrados, estaria sediada em endereço compartilhado com diversas outras empresas do Grupo. Pois bem. Sobre esse primeiro ponto assiste razão à Recorrente. O que fez o relatório fiscal foi levantar uma cortina de fumaça consistente na enumeração de uma série de supostas irregularidades, as quais não estão devidamente descritas, comprovadas ou até relacionadas com a infração final efetivamente imputada à Recorrente (omissão de receita por passivo fictício). Assim, a suposta irregularidade praticada pelo Grupo Garantia na criação de empresas “de gaveta” mesmo porque desacompanhadas de documentos comprobatórios suficientes e imputadas genericamente ao Grupo Garantia, sem a devida descrição de como tais condutas estariam diretamente relacionadas à Recorrente e à omissão de receitas autuada – será tomada, tão somente, como mero indício de irregularidades nas operações da Recorrente com suas subsidiárias, quando da análise da matéria efetivamente sub judice nestes autos: a suposta ilegitimidade das operações de empréstimo realizadas pela Recorrente (item 2 indicado acima). Dessa forma, atendonos ao que deve ser decidido, vale transcrever os trechos do relatório fiscal que tratam sobre a principal acusação imputada à Recorrente: C — Das Operações de Empréstimo Fl. 5177DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por FRED ERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, A ssinado digitalmente em 09/01/2014 por CARLOS PELA Processo nº 16327.000014/200684 Acórdão n.º 1402001.436 S1C4T2 Fl. 17 16 O credor da MCOM é sua subsidiária integral VICOM BVI, Inc., sediada nas Ilhas Cayman, e que possui um Capital Social de R$ 0,97. Esta fantástica capacidade de alavancagem financeira deriva de seus empréstimos, basicamente, da GP Investments (fls. ). Já a GP administradora tem como credores a Holtz Business Inc. e a GP Asset Management Ltd., sua subsidiária. As operações de empréstimo realizadas pelos contribuintes MCOM e GP Administradora de Ativos (Mauriti) têm como lastro, basicamente, T Bills e, por vezes, TNotes e Títulos da Dívida Argentina. Entretanto, jamais houve a transação efetiva com estes papéis. Conforme já mencionado, quando da realização destas operações fictas, é debitada uma conta de Aplicações Financeiras e debitada uma conta de Empréstimo. No mesmo momento, é debitado Bancos, pelo depósito efetuado pelo suposto adquirente dos títulos, e creditada a conta de Aplicações Financeiras. Jamais é fechado o câmbio, nem jamais os contribuintes apresentaram qualquer cópia de certificado de troca de custódia dado pelas instituições autorizadas a custodiar tais títulos pelo Governo dos EUA. Conforme já demonstrado na autuação da MCOM para os anos calendário de 1998 e 1999 ( fls. ), os títulos da dívida Argentina não existem, correndo processo, originado pela DEFIC, no Ministério Público Federal e na Polícia Federal pela fraude. Tais operações não apresentam nenhuma razão econômica, não sendo gerado qualquer lucro ou prejuízo. Houvesse simplesmente o interesse em transferir recursos, bastaria fazelo regularmente, com o conhecimento do Banco Central do Brasil. São, de fato, recursos do Grupo no exterior, mantidos á margem da escrituração regular. (...). IV DO AUTO DE INFRAÇÃO Em função das irregularidades encontradas, está sendo lavrado neste ato Auto de Infração de IRPJ, pelo passivo fictício, e de IOF, pela transferência de recursos do exterior sem o correspondente fechamento de câmbio no sistema financeiro nacional. As planilhas de apuração da base de cálculo dos tributos/contribuições estão imediatamente após o encerramento deste Termo. Nenhum dos contribuintes apresenta, efetivamente, prejuízo, posto que fictos os empréstimos. Da atenta leitura verificase novamente que as acusações fiscais estão desacompanhadas de elementos de provas, baseandose exclusivamente nos indícios acima mencionados (de supostas irregularidades praticadas pelo Grupo Garantia na criação de Fl. 5178DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por FRED ERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, A ssinado digitalmente em 09/01/2014 por CARLOS PELA Processo nº 16327.000014/200684 Acórdão n.º 1402001.436 S1C4T2 Fl. 18 17 empresas “de gaveta”) que, como já afirmei, em sua maioria, não tem ligação com a infração imputada à Recorrente. Por essa razão, correto o procedimento do julgador de primeira instância ao solicitar nova diligência para esclarecimento do quanto havia sido afirmado pelo auditor fiscal autuante. Nesse passo é que o Sr. AFRFB fez juntar aos autos uma cópia da Nota 342/04, de 13/02/2004, enviada pelo coordenador de títulos públicos do órgão nacional de crédito público do ministério da economia da Argentina ao adido tributário e aduaneiro do Brasil em Buenos Aires (fl. 2291); cópia da tradução juramentada da referida nota (fl. 2292); cópia do pedido de informações solicitadas ao adido tributário e aduaneiro do Brasil em Washington, mediante correio eletrônico (fl. 2293); cópia da resposta enviada pela adidância em Washington, mediante correio eletrônico (fl. 2294/2295); relatório de diligência (fls. 2296/2297). Com feito, para solução da lide, é de se analisar as provas apresentadas pelo Sr. AFRFB em contrapartida aquelas anexadas pela Recorrente em sua peça impugnatória (fls. 2005/2233) para que se apure a legitimidade dos empréstimos tomados pela Recorrente e do passivo contabilizado. Das operações de compra e venda de títulos a prazo Para justificar as duas operações com valores mobiliários adquiridos da empresa HOLTZ e sua efetividade, a Recorrente anexa: (i) cópias autenticadas dos "Bond Sale and Purchase Agreement" (Contrato de Compra e Venda de Letras do Tesouro) e suas respectivas traduções realizadas por Tradutor Público Juramentado (vias originais); (ii) cópia autenticada do lançamento contábil; (iii) extrato do Itaú, atestando o recebimento do crédito; (iv) tela do Sisbacen atestando o fechamento do câmbio; e (v) para os títulos argentinos, os comprovantes de custódia (cópia autenticada do original em inglês e via original da respectiva tradução juramentada). Vide tabela às fls. 2428 do recurso voluntário na qual a Recorrente relaciona a documentação comprobatória acima citada, juntada na Impugnação, a cada uma das operações cuja respectiva contabilização em passivo foi tratada como passivo fictício pela autoridade fiscal. Títulos Argentinos Em atenção ao questionamento sobre os títulos argentinos, a autoridade fiscal trouxe aos autos a declaração da Secretaria de Finanças do Ministério da Economia da Argentina (fls. 2291/2292), afirmando que não existem Títulos da Dívida Argentina emitidos em 02/03/1998. Fl. 5179DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por FRED ERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, A ssinado digitalmente em 09/01/2014 por CARLOS PELA Processo nº 16327.000014/200684 Acórdão n.º 1402001.436 S1C4T2 Fl. 19 18 Ou seja, a autoridade autuante não fez prova de que os títulos não existiam. O que fez o Sr. AFRFB foi juntar uma declaração da Secretaria de Finanças do Ministério da Economia da Argentina afirmando que na data indicada pela Recorrente como sendo a data da emissão dos títulos argentinos negociados não houve emissão de quaisquer títulos. Em contrapartida, afirma a Recorrente que tal data foi inadvertidamente feita constar do contrato de compra dos títulos argentinos (doc. 4 da impugnação). Esclarece que por um erro de digitação, a data acima indicada foi colocada no lugar da correta, qual seria,"March 12, 1998". Para comprovar o alegado, a Recorrente anexa cópia de extrato do sítio da internet do Ministério da Economia da Argentina (fls. 2433) em que consta claramente a indicação de que foram emitidos títulos da dívida Argentina em 12/03/1998. Nesse contexto, importa salientar que para fins de valoração de provas, não se pode admitir que uma delas seja incondicionalmente preferida ante as demais. É sempre necessário que elas sejam contrapostas, a fim de que se verifique quais fatos efetivamente ocorreram. In casu, a contraposição da declaração ora comentada, à luz da razoável alegação de erro de digitação da data indicada no contrato de venda e compra dos títulos, aliados aos demais elementos de prova trazidos aos autos pela Recorrente (documentos anexados à impugnação: contrato de compra e venda, cópia do lançamento contábil, extrato bancário indicando o fluxo financeiro decorrente da transação, documento de transferência da titularidade dos títulos firmado por seu custodiante e a tela do Sisbacen indicando o fechamento do câmbio), evidenciam que merece razão à Recorrente, estando justificada a contabilização do passivo relacionado a tal operação. Títulos americanos O email recebido da adida tributária e aduaneira do Brasil em Washington (fl. 2294/2295), tem o seguinte teor: “Angelo, Como combinado em nosso contato telefônico, enviolhe a seguir as informações obtidas nos sites do Departamento do Tesouro e do Federal Reserve System e em contatos telefônicos com o Sr. Miguel Browne, Associate Director, Division of Insurance and Research do FED, telefone (202) 898 6789. 1 Informações obtidas com o Sr. Miguel: • os treasuries são vendidos em leilões do Tesouro; • existem de 10 a 20 dealers nos EUA, que após a aquisição dos papéis os negociam livremente no mercado; • a participação de um banco num leilão independe de estar localizado nos EUA ou de ter qualquer registro junto ao Federal Reserve System; • a legislação americana não permite a instalação de filiais de bancos nos EUA. Por isto, se um banco estrangeiro deseja operar, deve abrir um novo banco aqui; • em relação às pesquisas que fiz sobre os bancos objeto desta diligência, as informações contidas no site referemse somente aos bancos instalados no país. Não há qualquer relação com bancos e/ou filiais do exterior; Fl. 5180DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por FRED ERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, A ssinado digitalmente em 09/01/2014 por CARLOS PELA Processo nº 16327.000014/200684 Acórdão n.º 1402001.436 S1C4T2 Fl. 20 19 • o Credit Lyonnais é um banco francês grande, com participação do governo. Os outros dois são alemão e português. 2 Informações obtidas nos sites: • não são designadas instituições financeiras para vender papeis do Tesouro. Estes estão disponíveis por intermédio de bancos e corretoras; • os interessados em títulos do Tesouro podem adquirilos nos leilões diretamente com o Tesouro ou por meio de intermediários como instituições financeiras e corretoras. Podem ainda adquirilos no próprio mercado; • nem o Departamento do Tesouro nem o Federal Reserve Bank possuem informações sobre os proprietários de títulos que são custodiados junto às instituições financeiras intermediárias. Diferentemente dos títulos adquiridos diretamente com o Tesouro. No entanto, as informações relativas a proprietários de títulos estão sujeitas a sigilo; • como em qualquer transação financeira, os adquirentes de títulos devem ser cautelosos na escolha do custodiante de seus títulos. 3 Sites com as informações mencionadas no item anterior; • http://www.treasurydirect.gov/ Aberta esta página, ver os seguintes itens: • Learn about Treasury Billls, Notes... • Learn how to purchase Treasury securities • Get information about Treasuries Securities • Find out how Treasuries auctions work • Get information on statutes and regulations. Ao clicar neste item, em seguida clique Commercial BookEntry Regulation (Trades) • no rodapé da página clicar Fredom of Information Act Pesquise ainda no search a frase: How marketable Securities Work. Ao abrir entre em Institutional How Marketable... Em decorrência do levantamento acima, entendo não ser possível obter as informações solicitadas. Com relação à suspeita de conluio entre os bancos e o fiscalizado, sugeriria contatar a Corin sobre a possibilidade de enviar correspondência as sedes dos bancos na França, Alemanha e Portugal.” Da atenta leitura é possível concluir que as informações solicitadas pela diligência fiscal não puderam ser obtidas. Desta feita, a autuação fiscal não apresenta qualquer prova de que as transações com estes papéis não ocorreram, justificando a desconsideração das operações na imputação genérica de simulação às atividades do Grupo Garantia e acrescentando, tão somente, afirmações no sentido de que (i) em tais operações jamais é fechado o câmbio, e (ii) que não foram apresentadas quaisquer cópias do certificado de troca de custódia dado pelas instituições autorizadas a custodiar tais títulos pelo governo dos EUA. Por outro lado, a Recorrente apresentou diversos documentos que combatem as alegações fiscais (documentos anexados à impugnação: contrato de compra e venda, cópia Fl. 5181DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por FRED ERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, A ssinado digitalmente em 09/01/2014 por CARLOS PELA Processo nº 16327.000014/200684 Acórdão n.º 1402001.436 S1C4T2 Fl. 21 20 do lançamento contábil, extrato bancário indicando o fluxo financeiro decorrente da transação e a tela do Sisbacen indicando o fechamento do câmbio), com exceção do documento de transferência da titularidade dos títulos firmado por seu custodiante. A decisão de primeira instância manteve a autuação justamente em razão da ausência desse documento emitido pelo agente custodiante do título mobiliário e por supostas irregularidades formais nos documentos apresentados, vejamos: O mútuo vinculado ao "TBill" também não pode ser aceito. Os instrumentos particulares, agrupados no "Doc. 7" (fl. 2093/2112), não são suficientes para demonstrar a efetividade da operação de mútuo. O instrumento contratual n° 6.249.1/38847/1, que formalizaria a compra do título por Holtz Business Inc. de BBACreditanstalt Bank Limited, traz a assinatura dos representantes da vendedora, mas em relação à compradora, constam apenas assinaturas, sem a identificação e qualificação de quem as teria lançado, tirando a possibilidade, assim, de se verificar a legitimidade ou autenticidade do negócio jurídico (fl. 2106). Ademais, é de se estranhar que, ao lado das assinaturas de Holtz Business Inc., conste um carimbo com os dizeres "MUNDOSTAR S/A FIRMAS", registrada no sistema CNPJ como "holding de instituições nãofinanceiras", situada no Uruguai (fls. 2316), e que, do que consta dos autos, não é parte no negócio de venda do “TBill”. Já o instrumento de venda do "TBill" de Holtz Business Inc. para a Mauriti (17. 2l 14) contém apenas as assinaturas daqueles que seriam seus representantes, mas não traz seus nomes ou qualilïeação, impossibilitando, também, verificar a legitimidade da operação negocial nele descrita. Assim, carece ao contribuinte um documento hábil a demonstrar a efetividade cia operação de empréstimo vinculada ao "TBill", ou seja, um documento emitido pelo agente custodiante do título mobiliário, em que restasse claramente identificado seus titulares, mas que, conforme admitido pela Impugnante, não foi localizado e juntado aos autos. Os TBills são ativos escriturais mantidos em conta de depósito, em nome de seus titulares, em instituições financeiras autorizadas. A negociação desses ativos em mercado de balcão é possível, mas só produz os efeitos transmissivos pretendidos quando registrada junto à instituição custodiante. Daí a necessidade de a contribuinte fazer prova da existência dos ativos, bem assim como da transferência de sua titularidade. Entretanto, antes disso, caberia ao Sr. AFRFB apresentar provas do fato indiciário, definido na lei como necessário e suficiente ao estabelecimento da presunção, o que entendo não ter acontecido. O fato indiciário imputado genericamente ao Grupo Garantia (de criar empresas “de fachada”) não prevalece em contraposição aos documentos anexados pela Recorrente (documentos anexados à impugnação: contrato de compra e venda, cópia do Fl. 5182DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por FRED ERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, A ssinado digitalmente em 09/01/2014 por CARLOS PELA Processo nº 16327.000014/200684 Acórdão n.º 1402001.436 S1C4T2 Fl. 22 21 lançamento contábil, extrato bancário indicando o fluxo financeiro decorrente da transação e a tela do Sisbacen indicando o fechamento do câmbio), ainda que ela não tenha apresentado o documento do custodiante atestando a transferência da titularidade dos títulos. Em regra, ao fisco incumbe o ônus de provar o fato constitutivo do seu direito, e ao contribuinte o de provar a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo daquele direito. Contudo, no caso das presunções legais, invertese o ônus da prova, de sorte que ao fisco incumbe apenas provar o fato indiciário, definido na lei como necessário e suficiente ao estabelecimento da presunção, enquanto que ao contribuinte se transfere o ônus de provar que o fato presumido pela lei não aconteceu em seu caso particular. Nesse contexto, ainda que se trate de presunção legal, cabe ao fisco a prova do fato indiciário, que deve ser apresentada objetivamente robusta. Só após esse dever fiscal é que o ônus dá prova em contrário é repassado ao contribuinte. A presunção criada pelo legislador no art. 40 da Lei 9.430/96 serve unicamente para mitigar o dever de prova do fisco quanto à ocorrência da omissão de receitas, mas não chega a ponto de certificar a ocorrência do fato gerador, mormente quando a Recorrente anexa diversos documentos que indicam a efetiva ocorrência das operações. Nesse contexto, é de ser notar, ainda, que, ao contrário do afirmado pela decisão recorrida, as supostas irregularidades formais relativas a tais documentos não poderiam chegar a ponto de retirar das operações a sua natureza. Para justificar a suposta ilegitimidade das operações, o julgador a quo invoca supostas irregularidades formais nos documentos apresentados pela Recorrente relativos às operações em moeda e aquelas envolvendo títulos americanos, tais como (i) a omissão do endereço da HOLTZ nos documentos, (ii) a falta de apresentação dos documentos constitutivos da HOLTZ que permitissem identificar quem eram seus representantes signatários dos contratos, (iii) falta de qualificação e identificação dos signatários dos docs. 8 a 14 da impugnação. Contudo, as exigências apontadas não prosperam, pois carecem de embasamento legal, não sendo capazes de tornar imprestáveis os documentos anexados pela Recorrente. Na verdade, não merece qualquer apoio, por ausência de sustentação jurídica, a compreensão desenvolvida pelo fisco, pois a este não é dado, pelo nosso ordenamento pátrio, desconsiderar, sem apoio em lei, negócios jurídicos firmados por contribuintes. Conforme bem pontuado pela Recorrente, o Código de Processo Civil, em seu art. 585, que trata dos títulos executivos, não faz exigência da qualificação das partes para a validade do negócio jurídico celebrado. Pelo contrário, deixa claro que apenas a assinatura das partes envolvidas é necessária para a formação do título executivo consistente em documento particular. Além disso, o art. 368 do Código de Processo Civil confirma a suficiência da assinatura para a validade do documento quando assim dispõe: Fl. 5183DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por FRED ERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, A ssinado digitalmente em 09/01/2014 por CARLOS PELA Processo nº 16327.000014/200684 Acórdão n.º 1402001.436 S1C4T2 Fl. 23 22 Art. 368. As declarações constantes do documento particular, escrito e assinado, ou somente assinado, presumemse verdadeiras em relação ao signatário. Também merece razão a Recorrente quando afirma que, caso tivesse o Sr. AFRFB enfrentado alguma dúvida acerca da autenticidade das assinaturas apostas nos documentos examinados, deveria, ele mesmo ter demonstrado isso e demonstrado porque seriam inválidas. Noutras palavras, uma vez provada a efetividade das operações com documentos particulares produzido de acordo com a lei de regência, eventual questionamento quanto à sua autenticidade demandaria prova por parte do fisco, o que não ocorreu no presente caso. Nesse sentido já decidiu este Conselho: PRESUNÇÃO LEGAL OMISSÃO DE RECEITAS – DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DE ORIGEM não se aplica a presunção legal estabelecida no artigo 42 da Lei 9.430/1996 quando o sujeito passivo indica a origem dos recursos em sua contabilidade e o Fisco não logra desconstituir tais registros, bem como não afasta definitivamente a capacidade probatória dos documentos apresentado para tal mister pela recorrente. REGISTROS CONTÁBEIS – VALOR PROBANTE a contabilidade faz prova em favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentação hábil, cabendo à autoridade administrativa a prova da inveracidade dos fatos registrados, salvo quando a lei atribua ao contribuinte a produção da prova daqueles. Recurso Voluntário Provido. (1° CC, 1ª Câmara, Acórdão 10196.402, DOU em 04.03.2008) Com efeito, não há que se admitir a desconsideração de eventos contabilmente registrados (obrigações escrituradas no passivo) com base em alegações absolutamente desprovidas de qualquer fundamento probatório. Para que o fisco possa reputar o passivo como fictício, deve proceder a investigação minimamente aprofundada e colher provas nesse sentido que amparem suas conclusões. Das operações de empréstimo em moeda estrangeira A prova dessas operações foi produzida, já na impugnação, mediante a apresentação dos seguintes tipos de documentos: (i) cópia autenticada dos contratos de mútuo relativos a cada uma das efetivas remessas e respectivas vias originais de suas traduções juramentadas; e (ii) cópia autenticada dos "Contrato de Câmbio de Compra Tipo 3 Transferências Financeiras do Exterior", ou do comprovante de transferência internacional de reais ("CC5"), nos quais constam as partes envolvidas (empresa no exterior e a Recorrente) e a instituição financeira devidamente autorizadas pelo BACEN a intermediar tais operações. Além de informações já citadas é possível observar o valor da cada transação (especificado em Fl. 5184DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por FRED ERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, A ssinado digitalmente em 09/01/2014 por CARLOS PELA Processo nº 16327.000014/200684 Acórdão n.º 1402001.436 S1C4T2 Fl. 24 23 moeda estrangeira, bem como a quantia correspondente em Reais), coincidente com os montantes contabilizados pela Recorrente e a data de liquidação de cada contrato. Vide tabela às fls. 2424/2425 do recurso voluntário na qual a Recorrente relaciona a documentação comprobatória acima citada, juntada na impugnação, a cada uma das operações cuja respectiva contabilização em passivo foi tratada como passivo fictício pela autoridade fiscal. Devese notar, desde logo, que os contratos de câmbio indicam que a natureza da operação é a de "empréstimo" código 605075009890 empréstimo resid. BR, ou 700165009590 – empréstimo resid. BR emp. direto). Além disso, com relação aos empréstimos comprovados pelos docs. 9, 11, 12 e 13 da impugnação, a Recorrente esclarece que recebeu os recursos correspondentes no exterior, assim, os extratos bancários apresentados fazem prova bastante do recebimento dos montantes mutuados. Quanto ao empréstimo atinente ao doc. 15 da impugnação, afirma a Recorrente que o mesmo se deu no Brasil, em moeda nacional, razão pela qual o comprovante de depósito, condizente, em valor e data com o contrato de empréstimo, faz prova cabal da efetividade da transação. Os demais documentos apresentados pela Recorrente relacionamse a remessas do exterior, a título de empréstimo. Para tais operações a Recorrente apresentou os contratos de câmbio sempre indicando a natureza da operação “empréstimo” , que entendo serem suficientes para comprovar que houve a efetiva entrega de recursos a título de mútuo, e que, portanto, o passivo contabilizado deve ser tido como existente. Em contraposição a tudo quanto exposto e anexado aos autos pela Recorrente, é de se notar, como fartamente exposto acima, que o lançamento fiscal não apresentou quaisquer elementos de prova ou argumentos contundentes para a desconstituição das operações. Nada do que foi dito pelo Sr. agente fiscal autuante, a meu ver, é capaz de afastar a certeza que os documentos anexados pela Recorrente demonstram. Nesse passo, vale lembrar que o relatório fiscal sequer menciona ou tece qualquer observação sobre os empréstimos tomados pela Recorrente em moeda estrangeira, limitandose a atacar as operações realizadas pela Recorrente envolvendo valores mobiliários (Argentine Global Bonds e TBills). Dessa forma, sublinho novamente, está muito claro que o Sr. AFRFB não apresentou provas do fato indiciário, definido na lei como necessário e suficiente ao estabelecimento da presunção. As imputações genéricas de suposta simulação nas operações do Grupo Garantia não possuem força probante maior que a dos documentos apresentados pela Recorrente. A constatação de que a Recorrente está estabelecida em local onde funcionam diversas empresas, por si só, não desqualifica a natureza das operações por ela realizadas. Lembrando, que as supostas irregularidades dos documentos apresentados pela Recorrente, como já afirmado acima, são desprovidas de embasamento legal. Fl. 5185DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por FRED ERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, A ssinado digitalmente em 09/01/2014 por CARLOS PELA Processo nº 16327.000014/200684 Acórdão n.º 1402001.436 S1C4T2 Fl. 25 24 Portanto, concluindo minha análise, uma vez que houve a efetiva disponibilização de recursos à Recorrente, está justificada a contabilização do passivo ora questionado. Adicionalmente, gostaria de acrescentar algumas importantes observações a respeito do trabalho fiscal. Para tanto, trago à colação os termos do acórdão nº. 1402001.274, proferido por esta 4ª Câmara, 2ª Turma Ordinária, na ocasião do julgamento do processo nº. 16327.000013/200630 (lavrado contra a Mcom Wireless S/A), que compartilha o mesmo Termo de Verificação Fiscal deste processo: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1997, 2000, 2001 e 2002 (...). Recurso de ofício negado. IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. PASSIVO COM CONTRATOS DE MÚTUO E COM TBILL’S. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO. EXAME DA PROVA NO CASO CONCRETO. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. A autoridade fiscal lavrou auto de infração exigindo IRPJ, CSLL, PIS e Cofins em relação aos valores correspondentes aos contratos de mútuo e transações com Tbill’s, partindo da premissa de que se tratavam de lucros, do caixa 2, que anteriormente tinham sido enviados ao exterior. Foi por esta razão que considerou a integralidade de tais valores como lucro e não como receita. Contudo, da análise da prova, incluindo a data de constituição da empresa, os locais de funcionamento da autuada, o número de funcionários, os bens do ativo, as despesas contabilizadas, a forma de pagamento destas, a movimentação financeira contida nos extratos bancários, bem como os detalhes envolvendo as subseqüentes vendas dos TBill’s, com prova material o crédito de tais valores em conta bancária da recorrente, sem que exista qualquer elemento de prova de que, em algum momento do passado, pudesse indicar atividade operacional capaz de gerar tamanha grandeza de receita e de lucro, levando ainda em consideração os contratos e demais provas carreadas aos autos pela recorrente, a conclusão a que chego é que a premissa da qual partiu a autoridade fiscal não se sustenta, decorrendo de tal fato, e das demais questões analisadas no voto, a insubsistência do lançamento, tornandose desnecessário a análise dos demais pontos articulados no recurso voluntário. Recurso Voluntário Provido. Facilitando a memória dos fatos, transcrevo, ainda, alguns trechos do voto do Ilustre Conselheiro Relator Moisés Giacomelli Nunes da Silva: Da prova analisada até aqui, tendo por norte o objeto social da Companhia, o local onde esta funcionava, o número de funcionários e a movimentação identificada nos extratos bancários, não é possível afirmar que a empresa exercia alguma atividade operacional diversa do seu objeto social, qual seja, participar do capital social de outras empresas. Fl. 5186DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por FRED ERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, A ssinado digitalmente em 09/01/2014 por CARLOS PELA Processo nº 16327.000014/200684 Acórdão n.º 1402001.436 S1C4T2 Fl. 26 25 (...) A autoridade fiscal embasou seu lançamento a partir da premissa de que os recursos repatriados para o Brasil eram oriundos do Caixa 2 da atividade operacional da empresa e que haviam, no passado, sido remetidos ao exterior. Para conferir algum grau de credibilidade a esta premissa é necessário que, ao menos, se identifique a existência de atividade empresarial capaz de gerar o Caixa 2. O que não se pode dizer é que se tratava de uma empresa de fachada, que não tinha funcionários, que funcionava em uma simples sala, que não tinha atividades negociais, mas que ao mesmo tempo, em passado não identificado, teria remetido ao exterior, fruto de suas atividades, o valor correspondente a quatrocentos milhões de dólares. Considerando que a produção de bens e serviços, ainda que omitidos da fiscalização, pressupõe estrutura que conte com funcionários, sede, despesas de telefone, insumos, dentre outras, para conferir credibilidade à premissa de que partiu fiscalização ao menos teríamos que demonstrar, em algum momento no passado, que houve atividade negocial, inerente à produção de bens e serviços, onde estas supostas receitas foram geradas. No período fiscalizado, 2000 a 2002, do que apurei dos autos, a empresa pagava despesas, tais como viagens, advogados, telefone, a partir de suas contas bancárias. Ainda nos casos de receita omitida, o dia a dia dos fatos nos mostra que quem assim age no presente tinha procedimento semelhante no passado. No entanto, não há nos autos um único elemento de prova que pudesse indicar, ainda que de forma tênue, que no passado a empresa gerou a suposta receita enviada ao exterior. (...) Desta forma, a premissa da autoridade fiscal de que os valores objeto dos contratos são oriundos de receita de Caixa 2, anteriormente enviada ao exterior, não encontra nenhum elemento de prova. A autoridade fiscal partiu de premissa, como se fosse fato verdadeiro, e a partir daí tirou suas conclusões. Contudo, não provado o fato que serviu de base à premissa, não se sustenta a conclusão dele extraída. (...) A análise da prova dos autos quanto à efetiva entrega dos recursos, no que diz respeito à materialidade das operações, não deixa a menor dúvida da existência dos mesmos. Na verdade, isto sequer foi questionado pela autoridade fiscal, pois esta, como fiz referência na primeira parte deste voto, reconhece o efetivo ingresso dos recursos, só que, sem qualquer prova, partiu da premissa de que tais valores eram decorrentes do "repatriamento" de lucros indevidamente remetidos ao exterior, em data anterior, decorrente de Caixa 2 da empresa. (...) A autoridade fiscal não adotou o procedimento referido no parágrafo anterior porque partiu de uma premissa de que todos os valores registrados nos contratos eram decorrentes de lucros que, no passado, teriam sido enviados ao exterior. Contudo, tal premissa não encontra qualquer demonstração nos autos. Para Fl. 5187DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por FRED ERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, A ssinado digitalmente em 09/01/2014 por CARLOS PELA Processo nº 16327.000014/200684 Acórdão n.º 1402001.436 S1C4T2 Fl. 27 26 que se possa presumir que uma empresa tenha obtido lucro é necessário demonstrar que esta, ao menos, tinha atividade operacional na época em que o suposto lucro fora apurado. Não é possível dizer que a empresa não tem funcionários, não tem atividade operacional, que é empresa de gaveta, mas que ao mesmo tempo gerou lucro de 400 milhões de dólares. (...) Em resumo, a autoridade fiscal lavrou auto de infração exigindo IRPJ, CSLL, PIS e Cofins em relação aos valores correspondentes aos contratos de mútuo e transações com T bill’s, partindo da premissa de que se tratavam de lucros, do caixa 2, que anteriormente tinham sido enviados ao exterior. Foi por esta razão que considerou a integralidade de tais valores como lucro e não como receita. Contudo, da análise da prova, incluindo a data de constituição da empresa, os locais de funcionamento da autuada, o número de funcionários, os bens do ativo, as despesas contabilizadas e a forma de pagamento destas, a movimentação financeira contida nos extratos bancários, bem como os detalhes envolvendo as subseqüentes vendas dos TBill’s, com prova material do crédito de tais valores em conta bancária, sem que exista qualquer elemento de prova de que, em algum momento do passado, pudesse indicar atividade operacional capaz de gerar tamanha grandeza de receita e de lucro, levando ainda em consideração os contratos e demais provas carreadas aos autos pela recorrente, a conclusão a que chego é que a premissa da qual partiu a autoridade fiscal não se sustenta, decorrendo de tal fato e das demais questões analisadas no voto, a insubsistência do lançamento, tornando se desnecessário a análise dos demais pontos articulados no recurso. Os trechos transcritos chamam a atenção para mais um ponto até então não explorado nesse voto, que é a questão de o Sr. AFRFB ter realizado tais lançamentos partindo da premissa de que os recursos envolvidos operações de empréstimo seriam oriundos de caixa 2, anteriormente enviados ao exterior. É possível perceber a premissa adotada pelo Sr. AFRFB, na medida em que ele afirma que “para os dois contribuintes com operações de empréstimo com coligadas no exterior (MCOM e GP Administradora), a análise de tais operações revelou serem tais empréstimos fictícios, servindo apenas e tão somente a dar fôros de legimitidade à internação de recursos mantidos á margem da escrituração” (fl. 1856). Portanto, também aqui importa observar, na linha do que expôs o voto do relator Moisés Giacomelli Nunes da Silva, que, para que tal premissa fosse válida, o Sr. Agente fiscal deveria ter apresentado, no mínimo, indícios de que no passado a Recorrente teria remetido ao exterior tais receitas de caixa 2, o que não aconteceu. De fato, a premissa adotada pelo Sr. AFRFB mostrase totalmente contraditória na medida em que afirma, ao mesmo tempo, que a empresa é de gaveta e que teria gerado todo o lucro correspondente ao valor dos empréstimos. Destarte, considerando as provas dos autos, também aqui não é possível afirmar que a empresa exercia alguma atividade operacional diversa do seu objeto social, qual Fl. 5188DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por FRED ERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, A ssinado digitalmente em 09/01/2014 por CARLOS PELA Processo nº 16327.000014/200684 Acórdão n.º 1402001.436 S1C4T2 Fl. 28 27 seja, participar do capital social de outras empresas, possuindo qualquer atividade operacional que a possibilitasse auferir tamanha receita e lucro supostamente enviados para o exterior no passado. Por tudo isso, e agora sim finalizando, (i) ante a ausência de comprovação, pelo fisco, de que o passivo questionado seria fictício ou de que a Recorrente teria no passado gerado e enviado tais recursos para o exterior, fatos base que autorizariam a presunção, e (ii) ante as provas fartamente produzidas pela Recorrente, entendo que deve ser afastada a presunção de omissão de receita e, consequentemente, a incidência do IRPJ sobre elas. A solução dada ao litígio principal relativo ao IRPJ, aplicase aos lançamentos decorrentes, posto que não existem fatos ou argumentos a ensejar conclusão diversa. Deixo de analisar as questões específicas relacionadas à (i) qualificação e agravamento da multa de ofício, (ii) decadência, (iii) revisão dos lançamentos em duplicidade, (iv) revisão do lançamento de PIS e COFINS, (v) compensação de saldos de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa da CSLL, e (vi) necessidade de arbitramento, advindos de períodos anteriores, suscitadas em recurso voluntário e recurso de ofício, posto que desnecessárias ao deslinde da controvérsia. Isso posto, voto no sentido de negar provimento ao recurso de ofício, recusar a argüição de preclusão das provas produzidas em diligência e dar provimento ao recurso voluntário para cancelar o lançamento em sua integralidade. (assinado digitalmente) Carlos Pelá Fl. 5189DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por FRED ERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, A ssinado digitalmente em 09/01/2014 por CARLOS PELA Processo nº 16327.000014/200684 Acórdão n.º 1402001.436 S1C4T2 Fl. 29 28 Declaração de Voto Conforme registrado no dispositivo deste acórdão, em relação ao recurso voluntário o Conselheiro Leonardo de Andrade Couto restou vencido, sendo que Eu e o Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto acompanhamos o i. Relator pelas conclusões. Fazse necessário, então, esta declaração de voto para registrar os nossos próprios fundamentos para cancelar a exigência. O auto de infração para exigência de IRPJ e Reflexos está calcada na presunção legal de omissão de receitas, em face do “passivo fictício” pelos seguintes fundamentos (Termo de Verificação fiscal, fls. 1.853/1.867, verbis): “(...) As operações de empréstimos supostamente tomados pela MCOM e pela GP Administradora (atual Mauriti) eram feitas a débito de Aplicações Financeiras e, no mesmo instante, era feito o crédito a Aplicações Financeiras com débito a Bancos pela suposta venda de tais títulos. Em diligência feita junto a um dos compradores de tais títulos em 1999, constatou esta fiscalização que tais operações, além de terem sido feitas à margem da escrita comercial e fiscal do terceiro adquirente, já haviam sido alvo de fiscalização por parte da DEFIC, onde foi constatada a inexistência dos títulos que supostamente teriam lastreado a operação, além de tais operações já serem objeto de inquérito junto ao Departamento de Polícia Federal. Além disto, os recursos assim recebidos eram quase que imediatamente repassados às subsidiárias da MCOM (Mobilcom e Mcomcast) na forma de AFAC Adiantamento para Futuro Aumento de Capital ou eram efetuados pagamentos a supostos prestadores de serviços. O mesmo mecanismo ocorria nas referidas subsidiárias. Em função de tal sistemática, e havendo fortes indícios de fraude, em dezembro de 2004 foram emitidos RIMFs para os principais Bancos da MCOM e da Mcomcast, onde, entre outras informações, foram requisitadas as cópias de todos os documentos a débito ou a crédito das contas mantidas nas instituições de valor igualou superior a R$5.000,00. A resposta da maior parte dos Bancos diligenciados, conforme veremos, foi entregue a destempo e de forma incompleta. Em 30/12/04, ainda sem o recebimento das informações requisitadas às instituições financeiras, foi a MCOM autuada, tendo sido lavrado Auto de Infração para os anoscalendário de 1998 (não decaído, pelos indícios de fraude) e 1999, com desclassificação da escrita e agravamento da multa. Em outubro de 2005 foram diligenciados Bancos de todos os contribuintes sob fiscalização, com os mesmos critérios das diligências anteriores. Também estes não foram, em sua maior parte, entregues completa e tempestivamente. Em 17/02/05, recebeu esta fiscalização dossie (sic) da DEFIC, em virtude de ter sido aberta diligência por aquele órgão, por provocação da DRF de Sorocaba, para a MCOM. Tal processo está sendo devolvido, com a anexação do presente Auto de Infração e de representação de fiscalização de IRPJ para os mesmos períodos analisados em preços de transferência. Fl. 5190DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por FRED ERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, A ssinado digitalmente em 09/01/2014 por CARLOS PELA Processo nº 16327.000014/200684 Acórdão n.º 1402001.436 S1C4T2 Fl. 30 29 Concentrouse esta fiscalização em dois pontos: na análise das operações de empréstimos externos e no modus operandi do Grupo Garantia, em função das participações societárias, sempre geradoras de prejuízo. A análise das operações dos contribuintes GP Investimentos, Mobilcom e Mcomcast revelou não terem estes efetuados operações de crédito com o exterior, pelo que estão sendo encerradas suas fiscalizações como sem resultado para a fiscalização "IRPJ Preços de Transferência Juros". Não obstante, tais empresas, além da MCOM e da GP Administradora, estão sendo representadas à DEFIC por manifestas infrações à legislação de Imposto de Renda e pelos crimes contra a ordem tributária. Para os dois contribuintes com operações de empréstimo com coligadas no exterior (MCOM e GP Administradora), a análise de tais operações revelou serem tais empréstimos fictícios, servindo apenas e tão somente a dar foros de legimitidade à internação de recursos mantidos à margem da escrituração. Preveniuse a jurisdição e estão sendo autuados por infração à legislação do Imposto de Renda. Na análise das operações dos Grupos Garantia, dentre outras inúmeras irregularidades, constatouse serem criadas empresas "de fachada"por empregados do Grupo para o recebimento de salários, destarte elidindo o pagamento de IRPF. Em função disto, foram autuados os Srs. Marcelo Meth e Rogério A. dos Santos, sócios na "empresa" Soldo Serviços de Contabilidade S/C Ltda., Contadores das empresas do Grupo, por paradigmáticos. Outras há, cabendo mencionar, exemplificativamente, o Sr. Marcelo Amar, que criou sua "empresa" Maga Gestão e Planejamento Ltda. em sociedade com o senhor seu pai, sendo pago principalmente pela Mcomcast. Restou por encerrar a fiscalização do contribuinte Comcast, único dos fiscalizadas cujos empréstimos com o exterior estão suportados por efetivo fechamento de câmbio. Considerando que conforme veremos todas as operações das empresas do cluster MCOM (Comcast, Mcomcast e Mobilcom) estarem interligadas, este Termo de Constatação e Verificação Fiscal é idêntico para a MCOM e para a GP Administradora, sendo que ambas tem, por este Termo, suas fiscalizações de preços de transferência encerradas. Verificarseá, ademais, como praticamente todas as empresas do Grupo Garantia apresentam demonstrativos financeiros e, por conseguinte, DIRPJs que não são mais que obras de ficção. Cabe a ressalva de que tudo o que esta fiscalização mencionar como sendo ilícito, ilegal, fraudulento, doloso, crime contra a ordem tributária, etc., deve ser lido como "indícios de", ficando a cargo do Ministério Público Federal o ulterior oferecimento de denúncia crime, se entender que as provas coligidas suportam tal providência. II DAS VERIFICAÇÕES EFETUADAS Constatado, ao final de 2004, a prática do Grupo Garantia de criar empresas "de fachada" com o fito de elidir o pagamento de tributos, entendeu esta fiscalização de analisar todas as empresas de alguma forma envolvidas com suas operações. Assim, as principais verificações efetuadas foram: Fl. 5191DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por FRED ERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, A ssinado digitalmente em 09/01/2014 por CARLOS PELA Processo nº 16327.000014/200684 Acórdão n.º 1402001.436 S1C4T2 Fl. 31 30 1. CNPJ: a partir dos contribuintes originalmente sob fiscalização, foram analisados os dados constantes do sistema CNPJ para suas empresas subsidiárias, acionistas, incorporadas ou incorporadoras. Foram analisadas aproximadamente 250 empresas nacionais do ( ou relacionadas ao ) Grupo Garantia, 30 do exterior, além de aproximadamente 30 fornecedores da Mcomcast, em um total de mais de 300 verificações. Foram verificadas as seguintes telas: • dados cadastrais; • sucedida/sucessora; • sócios; • filiais; • situação fiscal; • DIRPJs apresentadas; • histórico. 2. DIRPJ: originalmente, pretendia esta fiscalização analisar as DIRPJ de todas as empresas envolvidas, a partir de 1995, inclusive (primeiro ano em que o sistema da SRF permite ver as fichas completas das Declarações) até 31/12/04. Em função do tempo disponível, tal não foi possível. Entretanto, além das DIRPJ dos contribuintes sob fiscalização, várias outras empresas foram analisadas sob este aspecto, em um total de mais de 1.000 DIRPJs, posto que foram analisadas também as DIRPJs canceladas por vezes, há a DIRPJ retificadora da retificadora além de aproximadamente 50 de fornecedores da Mcomcast. A planilha "controle de verificações DIRPJ", em anexo, evidencia as DIRPJs analisadas, sendo que o número "1" representa estas. Na mesma planilha constam as datas de criação e extinção de cada uma das empresas, conforme as mesmas DIRPJs ( as datas por vezes não coincidem com as constantes do sistema CNPJ). As áreas hachuradas, constantes nesta e em outras planilhas que serão apresentas (sic), servem para deixar evidenciado o período em que a empresa não existia; 3. consolidação das DIRPJs: da mesma forma que em relação às DIRPJs, era intenção desta fiscalização fazer uma consolidação das fichas das DIRPJs para os períodos analisados de todas as empresas, o que requer ajustes de ano para ano, dadas as alterações na forma de apresentação das fichas determinada pela SRF. Da mesma forma, o tempo não o permitiu. Entretanto, além dos contribuintes sob fiscalização, logrou esta fiscalização concluir a consolidação para várias delas. As seguintes fichas das DIRPJs foram consolidadas: ∙ Custos (quando cabível); ∙ Despesas Operacionais; ∙ Demonstração do Resultado; ∙ Demonstração do Lucro Real; ∙ Ativo; ∙ Pasivo; (sic) ∙ Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados; Fl. 5192DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por FRED ERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, A ssinado digitalmente em 09/01/2014 por CARLOS PELA Processo nº 16327.000014/200684 Acórdão n.º 1402001.436 S1C4T2 Fl. 32 31 ∙ Identificação dos Sócios; ∙ Participação Permanente em Controladas ou Coligadas; ∙ Outras Informações; ∙ COFINS (quando cabível); 4. endereços: a partir das DIRPJs, foram levantados os endereços das empresas do Grupo (doravante, fica subentendido que os levantamentos efetuados estão incompletos (sic)). A anexa planilha "pessoas jurídicas vinculadas por endereço" na qual foram ocultas diversas linhas e colunas demonstra a localização das empresas de 1995 a 2004; 5.representantes legais: a partir de 1995, foram levantados, pelas DIRPJs, os representantes legais dos contribuintes sob fiscalização e das demais empresas. A planilha também com linhas e colunas ocultas anexa, "pessoas jurídicas vinculadas representante legal DIRPJ", e das 440 DIRPJs para as quais chegou a ser feito tal levantamento, os principais responsáveis pelas empresas, até 2004; 6. Contador: o mesmo levantamento do ítem (sic) anterior foi feito em relação aos Contadores, conforme a planilha anexa "pessoas jurídicas vinculadas Contador DIRPJ", onde se verifica terem sido levantadas 435 DIRPJs para os dez anos considerados; 7. número de funcionários: foi efetuado um levantamento, a partir das DIRPJs, do número de funcionários declarados pelas empresas em 31/12 de cada ano, obtida a partir da ficha "Outras Informações", que informa o número de funcionários no início e no fim do período de apuração. Como tal informação só passou a ser exigida a partir do anocalendário de 2000, foram considerados, para os anos anteriores a 1999, como tendo "zero" funcionários aquelas empresas que tivessem informado "zero" de "Despesas de Salários" na ficha de "Despesas Operacionais". Para as que informaram tais despesas, foi colocado "?" na planilha "controle de verificações número de funcionários em 31/l2/xx", anexa, sendo que, quando algum campo de ano das empresas ali apresentadas está em branco, é porque não houve tempo para esta verificação; 8. empresas no exterior: além das empresas vinculadas no exterior, possuidoras de CNPJ, conforme mencionado no ítem (sic) "1", acima, foram levantadas as empresas que de alguma forma se relacionam como acionistas, subsidiárias, emprestadoras de recursos, etc. com o Grupo. Tal levantamento, demonstrado na planilha "pessoas jurídicas vinculadas exterior", anexa, revela a existência de quase 70 empresas, sendo a maior parte localizada nas British Virgin Islands e nos EUA. A planilha evidencia também a maior parte dos vínculos, além de para as que tem (sic) CNPJ o representante legal. Além destas constam também 12 empresas das quais é sócio o Sr. Jorge Paulo Lemann. Tal fato será adiante comentado; 9. subsidiárias: foram verificadas, dentre as empresas do Grupo, quais as que possuiam (sic) subsidiárias, conforme suas DIRPJs. Tal verificação está demonstrada na anexa planilha "pessoas jurídicas vinculadas holdings e outras atividades número de subsidiárias", onde os campos em branco indicam que não foi feita a verificação para aquele exercício. Tal planilha não está em ordem numérica de CNPJ, mas por atividade desenvolvida; Fl. 5193DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por FRED ERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, A ssinado digitalmente em 09/01/2014 por CARLOS PELA Processo nº 16327.000014/200684 Acórdão n.º 1402001.436 S1C4T2 Fl. 33 32 10. faturamento: da mesma forma que acima, foi verificado o faturamento anual das empresas do Grupo. O faturamento considerado é o constante da linha "Receita Líquida das Atividades", e está demonstrado na planilha "pessoas jurídicas vinculadas empresas com faturamento (Receita Líquida das Atividades)", em anexo; 11.empréstimos do exterior: foram verificadas a origem e a natureza dos empréstimos externos, seus documentos de suporte, etc; 12. Bancos: foram diligenciados os principais Bancos dos contribuintes sob fiscalização, tendolhes sido intimado apresentar extratos, cópias de todos os documentos, a débito e a crédito de qualquer natureza de valor igualou superior a R$5.000,00, pessoas autorizadas a movimentar as contas, cópias de contratos de câmbio, etc., desde a criação das empresas até 31/12/04; 13. arquivos magnéticos: foram os contribuintes intimados a apresentar seus arquivos magnéticos na forma da IN nº 86/01 e do Ato Declaratório Executivo COFIS nº 15/01, desde a criação da empresa até 31/12/04; 14. composição das DIRPJs: foram os contribuintes sob fiscalização intimados a apresentar a composição das DIRPJs, discriminando as contas e os saldos respectivos que foram incluídos em cada linha das fichas; 15. outras verificações: no curso da ação fiscal foram requeridas outras informações, tais como mútuos com pessoas físicas e jurídicas vinculadas, demonstração do cálculo dos juros pagos/creditados ou recebidos/debitados, etc . III DAS IRREGULARIDADES CONSTATADAS A Da Escrituração Os contribuintes sob fiscalização revelam o mais absoluto desprezo pela boa técnica contábil, incorrerem em erros crassos de escrituração, e apresentam informações falsas à SRF. Quanto à escrituração do Livro Diário, os seguintes comentários, em relação à MCOM, são aplicáveis: 1. de janeiro de 1997 a abril de 2002, a MCOM utilizouse dos Livros Diário Auxiliar do Contas a Pagar e Diário Auxiliar do Caixa e Bancos; 2. os artigos 204 (do Decreto nº 1.041/94) e 258 (do Decreto nº 3.000/99), que tratam do Livro Diário, determinam, ambos em seu § 4º, que tais Livros auxiliares contenham termos de abertura e encerramento e sejam autenticados no Registro de Comércio.A MCOM nunca autenticou nenhum de seus Diários Auxiliares; 3. O § 1º dos artigos supracitados admite a utilização de tais Livros Auxiliares na hipótese de operações numerosas ou realizadas fora da sede. Nenhum desses pressupostos ocorria no caso da MCOM; 4. a quase totalidade dos lançamentos do Diário Geral (o único autenticado) davase no último dia do mês, e tinha como histórico ‘REF MOVTO DO CONTAS A PAGAR DE...(último dia do mês)’ ou ‘REF. MOVTO CX.BC DE ... (último dia do mês)’. O § 2º dos artigos acima determina que o transporte dos totais mensais dos Livros Auxiliares para o Livro Diário deva ser feita referência às páginas em que as operações se encontram lançadas nos Livros Auxiliares (mais uma vez mencionando que estes devem estar registrados). No caso da MCOM, os lançamentos não eram um só (totalizadores) mas vários, e jamais foi feita qualquer referência à página dos Fl. 5194DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por FRED ERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, A ssinado digitalmente em 09/01/2014 por CARLOS PELA Processo nº 16327.000014/200684 Acórdão n.º 1402001.436 S1C4T2 Fl. 34 33 registros auxiliares, além do fato de que os lançamentos contábeis (todos) não eram numericamente identificados; 5. apesar de possuir escrituração em meio magnético, a MCOM não possui – ou não quis fornecer à fiscalização – os Livros Diário Auxiliar do Contas a Pagar e Diário Auxiliar do Caixa e Bancos em meio magnético. 6. os Livros Diário Auxiliar do Contas a Pagar de 1998, 2000 e 2001 tem como cabeçalho em todas as sua folhas: "Diário Auxiliar do Contas a Pagar (Normal). Talvez haja o "Anormal" ... ; 7. nos Balancetes mensais e Balanços escriturados nos Livros Diário de 1996 e 1997 o total do Ativo não é igual ao do Passivo. Exemplificativamente, estão anexas as folhas 68, 69 e 70 do Diário Geral de 1997, com os saldos de junho; 8. na alteração do Plano de Contas, de abril para maio de 2002, os saldos a débito e a crédito finais de abril não coincidem com os iniciais de maio, conforme planilhas "mudança de Plano de Contas 2002 apuração das diferenças entre os saldos de contas saldos devedores/credores" anexas. A contabilização do ágio pago nos investimentos nas subsidiárias também não segue as regras contábeis e fiscais, pois: 1. os supostos empréstimos recebidos do exterior são transferidos para suas subsidiárias, sendo contabilizadas tais transferências na forma de "AFAC Adiantamento para Futuro Aumento de Capital"; 2. quando do aumento de capital, normalmente a contabilização não segue as regras contábeis, sendo o valor consignado na conta de adiantamento integralmente contabilizado como investimento, não se considerando o que seria o ágio pago; 3. imediatamente após o aumento de capital, é contabilizado o resultado de equivalência patrimonial, gerando prejuízo; 4. tais operações aumento de capital são por vezes realizadas no dia 1 º de janeiro ou 31 de dezembro; B Do modus operandi O Grupo Garantia cria diversas empresas com o fito de elidir o pagamento de tributos pela utilização de abuso de forma e simulação. Em linhas gerais, a maior parte das empresas do Grupo Garantia são empresas "de gaveta". São criadas várias ao mesmo tempo com o propósito de: ∙ simular a legitimidade das operações fictas (empréstimos e pagamentos), argumento usado pelos contribuintes em suas impugnações a Autos de Infração sofridos; ∙ dificultar a rastreabilidade dos recursos; ∙ internar recursos previamente enviados ao exterior; ∙ efetuar pagamentos a sócios (lucros) e funcionários (salários); ∙ permitir a geração de "Caixa 2" pela criação de prejuízos fictícios, seja nas empresas "operacionais", seja nas "de gaveta"; Fl. 5195DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por FRED ERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, A ssinado digitalmente em 09/01/2014 por CARLOS PELA Processo nº 16327.000014/200684 Acórdão n.º 1402001.436 S1C4T2 Fl. 35 34 ∙ transferir recursos aos sócios pelas alterações de controle acionário; ∙ facilitar a entrada de recursos oriundos de "Caixa 2" levados ao exterior; ∙ facilitar, pelo grande número de empresas, sua extinção por incorporação (raras vezes por extinção voluntária), destarte eliminando seus "rastros". Os principais elementos caracterizadores do abuso de forma e da simulação são: 1. há mais de dez anos o Grupo Garantia cria várias empresas por ano, sendo que algumas chegam a ter o CNPJ sequencial, conforme se pode constatar da planilha "controle de verificações DIRPJ"; 2. o gráfico "Duração início (s/operacionais)", em anexo, permite melhor visualizar tal prática. Verificase que algumas tem efêmera duração (um ou poucos meses); 3. grosso modo, podese dizer que, de cada dez empresas, nove são "de gaveta". Temse a impressão de que são criadas a maioria como holdings sem nenhuma destinação específica, passando a ser utilizadas de acordo com as conveniências do momento, quando alteram o nome e o objeto social. A anexa planilha "pessoas jurídicas vinculadas valterações de nomes e atividades" permite melhor visualizar o fato. Esta planilha apresenta também, para as S/ As, as alterações de abertura e fechamento do Capital; 4. o Grupo Garantia aparenta trabalhar em clusters onde' há uma ou duas empresas operacionais, as demais prestandose aos propósitos mencionados acima. Assim, teríamos o cluster CDMA (Playcenter, HopiHari), Multicanal (NET/GP Participações), CSFB/Garantia, etc., sendo que todos estes clusters possuem empresas ligadas no exterior; 5. tais empresas variam o local da sede, havendo várias situadas em um mesmo endereço (por vezes, uma pequena sala ou conjunto). Tal fato está evidenciado pela planilha "pessoas jurídicas vinculadas por endereço". Observese que, além de não terem sido levantados os endereços de todas as empresas, certamente estarão faltando algumas que devem estar "dormentes", à espera de sua "utilização". A análise dos endereços constantes das DIRPJs revela, por exemplo, que, em 2003, para as empresas sediadas à Av. Brig. Faria Lima, 2.927, 6º and., cj. 62 (um pequeno conjunto) a Mcomcast "ocupava" a "sala 1", enquanto a Southinvest a "sala 35"; 6. boa parte delas nunca teve nenhum funcionário registrado, conforme evidenciado pela planilha "controle de verificações número de funcionários em 31/12/xx". Esperase que até uma holding tenha pelo menos um officeboy ou uma secretária, além de alguém que tenha a atribuição de limpar as instalações. O que se observa, entretanto, é que a grande maioria das mesmas, mesmo quando tendo por objeto social "outros serviços" ou "outras telecomunicações" também não possuem nem nunca possuiram (sic) funcionário algum. Este é o caso em relação ao cluster MCOM (Mobilcom, Mcomcast e subsidiárias), onde nenhuma das 21 subsidiárias jamais teve nenhum funcionário; 7. a maior parte das empresas jamais teve faturamento algum, ainda que fossem holdings, conforme se verifica na planilha "pessoas jurídicas vinculadas empresas com faturamento (Receita Líquida das Atividades)". Como acima, este é o Fl. 5196DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por FRED ERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, A ssinado digitalmente em 09/01/2014 por CARLOS PELA Processo nº 16327.000014/200684 Acórdão n.º 1402001.436 S1C4T2 Fl. 36 35 caso em relação ao cluster MCOM, onde nem a MCOM nem nenhuma das 21 subsidiárias jamais teve nenhum faturamento; 8. os responsáveis perante a SRF e os contadores também mudam, mas se revezam na administração e na contabilidade das empresas, com o intuito de descaracterizar as responsabilidades. Como exemplo, a própria MCOM apresentou uma DIRPJ, em 2002, retificando o responsável e o Contador na DIRPJ de 1996. Tais fatos são visualizados nas. planilhas "pessoas jurídicas vinculadas representante legal DIRPJ" e "pessoas jurídicas vinculadas Contador DIRPJ"; 9. os acionistas das empresas também mudam com o passar do tempo. Tal fato pode ser observado, para as empresas para as quais foi elaborado o DIRPJ comparativo, ao se examinar a ficha "Identificação dos Sócios". Da mesma forma, tal fato pode ser analisado também pela leitura da ficha "Participação Permanente em Coligada ou Controlada". Exemplo da utilização deste expediente é a MCOM, da qual não se consegue determinar quais os acionistas em seus primeiros anos, pelos sucessivos cancelamentos em seus Livros Registro de Ações Nominativas e Transferência de Ações Nominativas (fls.), além de term (sic) sido "extraviados" (sic) seus Livros Presença de Acionistas e Atas de Reuniões do Conselho de Administração; 10. boa parte dos sócios são pessoas jurídicas domiciliadas no exterior, principalmente nas British Virgin Islands e nos EUA, em Willmington, Estado do Delaware, conforme planilha "pessoas jurídicas vinculadas exterior”; 11.os representantes (procuradores) destas empresas são pessoas ligadas ao Grupo; 12. praticamente todas as empresas apresentam uma "vida útil", após o que são incorporadas por outras do próprio Grupo ou meramente extintas. Este é o caso da MCOM e suas subsidiárias. O gráfico "Duração extinção (s/operacionais)" e a planilha "pessoas jurídicas vinculadas incorporações", ambos em anexo, permitem melhor visualizar o fato; No caso da GP Investimentos Ltda., que não possui empréstimos externos, mas presta serviços, há fortes indícios de fraude. Em primeiro lugar, os serviços prestados ao exterior o são para empresas vinculadas. Entretanto, não há, nestas operações, fechamento de câmbio. Em virtude de não ter esta fiscalização recebido, até o momento, os comprovantes dos Bancos diligenciados, não tem como determinar quem são os efetivos depositantes. Não obstante, em sendo recursos vindo do exterior, caberia a incidência de IOF. Em segundo lugar, os serviços prestados às (poucas) empresas locais apresentam evidências de serem meras "vendas de nota", ou seja, notas de favor. Prestações de serviços foram feitas, p. ex., a empresas dos Grupos Pão de Açúcar e Vicunha. O mesmo ocorre com a GP Administradora de Ativos, que só presta serviços a empresas do Grupo. Conforme já mencionado, a existência de várias empresas prestase, entre outras coisas, a transferir recursos para os sócios ( reais e ocultos ). Assim é que o Sr. Jorge Paulo Lemann apresentou, em sua DIRPF referente ao ano calendário de 2004, entre seus bens, ações das empresas: ∙ Santa Aparecida Participações S/A, CNPJ 07.234.772/000137; Fl. 5197DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por FRED ERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, A ssinado digitalmente em 09/01/2014 por CARLOS PELA Processo nº 16327.000014/200684 Acórdão n.º 1402001.436 S1C4T2 Fl. 37 36 ∙ Santa Luzia Participações S/A, CNPJ 07.235.256/000127; ∙ Santa Catarina Participações S/A, CNPJ 07.232.236/000100; ∙ Santa Mônica Participações S/A, CNPJ 07.232.203/000152. Ocorre que tais empresas constam, no sistema CNPJ, como tendo sido criadas em 31/01/05. Em 2004, o total dos bens e direitos declarados pelo Sr. Jorge Paulo Lemann montou a R$ 524.720.901,90. Entretanto, em matéria da revista Forbes de março deste ano, sobre os (691) bilionários do mundo, o Sr. Lemann aparece como detentor de uma fortuna de US$ 2,6 bilhões, o que, ao câmbio de R$ 2,6544 de 31/12/04, representa R$ 6,9 bilhões. Já o Sr. Marcel Hermann Tel1es, também sócio das quatro empresas acima pela sua DIRPJ, aparece na mesma reportagem como detentor de US$ 1,3 bilhões (R$ 3,45 bilhões ), tendo declarado, para o mesmo ano, um total de R$ 276.631.841,81 em bens e direitos. O Sr. Carlos Alberto da Veiga Sicupira, igualmente sócios das referidas empresas, também aparece na reportagem mencionada como possuidor de um patrimônio de US$ 1,1 bilhões, equivalentes a R$ 2,9 bilhões, tendo declarado bens, e direitos que totalizam R$ 203.243.268,12. C Das Operações de Empréstimo O credor da MCOM é sua subsidiária integral MCOM BVI, Inc., sediada nas Ilhas Cayman, e que possui um Capital Social de R$0,97. Esta fantástica capacidade de alavancagem financeira deriva de seus empréstimos, basicamente, da GP Investments (fls.). Já a GP administradora tem como credores a Holtz Business Inc. e a GP Asset Management Ltd., sua subsidiária. As operações de empréstimo realizadas pelos contribuintes MCOM e GP Administradora de Ativos (Mauriti) tem como lastro, basicamente, TBills e, por vezes, TNotes e Títulos da Dívida Argentina. Entretanto, jamais houve a transação efetiva com estes papéis. Conforme já mencionado, quando da realização destas operações fictas, é debitada uma conta de Aplicações Financeiras e debitada uma conta de Empréstimo. No mesmo momento, é debitado Bancos, pelo depósito efetuado pelo suposto adquirente dos títulos, e creditada a conta de Aplicações Financeiras. Jamais é fechado o câmbio, nem jamais os contribuintes apresentaram qualquer cópia de certificado de troca de custódia dado pelas instituições autorizadas a custodiar tais títulos pelo Governo dos EUA. Conforme já demonstrado na autuação da MCOM para os anoscalendário de 1998 e 1999 (fls. ), os títulos da dívida Argentina não existem, correndo processo, originado pela DEFIC, no Ministério Público Federal e na Polícia Federal pela fraude. Tais operações não apresentam nenhuma razão econômica, não sendo gerado qualquer lucro ou prejuízo. Houvesse simplesmente o interesse em transferir recursos, bastaria fazelo (sic) regularmente, com o conhecimento do Banco Centrar do Brasil. São, de fato, recursos do Grupo no exterior, mantidos à margem da escrituração regular. (...)”. Fl. 5198DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por FRED ERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, A ssinado digitalmente em 09/01/2014 por CARLOS PELA Processo nº 16327.000014/200684 Acórdão n.º 1402001.436 S1C4T2 Fl. 38 37 Pois bem, as razões deste julgador já foram explicitadas por ocasião do julgamento nesta Turma (Acórdão nº 1402001.274, de 4 de dezembro de 2012) do processo nº 16327.000013/200630, cujos fundamentos de autuação são idênticos aos do presente caso, acima transcritos. Tais fundamentos, especialmente aqueles cujas sentenças apresentamse grifadas, autorizam concluir que o passivo contabilizado pela defendente é inexistente desde a sua origem, ou seja, a autuada não realizou qualquer operação comercial que implicasse em obtenção de receitas próprias. Em verdade a empresa serviu de meio “legal” e formal para remessa de recursos ao exterior e viceversa, sem a incidência dos tributos que realmente deveriam incidir sobre tais valores. Ora, à luz do art. 3º do Código Tributário Nacional, tributo não é sanção de ato ilícito ou operações irregulares . Além disso, a constituição do crédito tributário, mediante lançamento de oficio é ato vinculado e regrado (art. 142 do CTN). Estou plenamente convencido de que a autuada não auferiu receitas, já que se trata de empresa de fachada. Nessa esteira, forçoso concluirse que é absolutamente imprópria a autuação na forma que foi feita. O correto seria exigir o Imposto de Renda na Fonte sobre as remessas de recurso (pagamentos), tal qual ocorreu no processo 19515.004945/200380, objeto do acórdão 102111.124, caso BOMBRIL, do qual foi relator o i. Conselheiro Antonio Praga. E mais: caberia responsabilizar solidariamente os efetivos responsáveis por essas remessas (pagamentos) visando garantir a cobrança dos tributos devidos. Diante do erro na forma tributação, formei convencimento de que todas as exigências devam mesmo ser canceladas, pelo que nego provimento ao recurso de oficio e dou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Fl. 5199DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por FRED ERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, A ssinado digitalmente em 09/01/2014 por CARLOS PELA
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Numero do processo: 10680.910812/2010-97
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 30 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Feb 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO-HOMOLOGADA.
A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.795
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2004 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO-HOMOLOGADA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Recurso Voluntário Negado
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ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 08 12 /2 01 0- 97 Fl. 39DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 18/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10680.910812/201097 Acórdão n.º 3801002.795 S3TE01 Fl. 40 2 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório nº rastreamento 880511400 emitido eletronicamente em 06/09/10, fls. 9, referente ao PER/DCOMP nº 01930.66270.250107.1.3.047089 (doc. de fls. 1518). A Declaração de Compensação gerada pelo programa PER/DCOMP foi transmitida com o objetivo de ter reconhecido o direito creditório correspondente a COFINS – Código de Receita 2172, no valor original na data de transmissão de R$2.738,11, representado por Darf recolhido em 12/05/04 e de compensar o(s) débito(s) discriminado(s) no referido PER/DCOMP. De acordo com o Despacho Decisório a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresenta manifestação de inconformidade (fl. 2), alegando que no período de 30/04/2004 o valor do imposto, código 2172 foi informado indevidamente através da DCTF de 13/08/2004; que o mesmo foi recolhido em 12/05/2004 no valor de R$ 3501,42; que posteriormente apurouse o valor correto de R$ 763,31, originando o crédito; que naquela época o contador não retificou a DCTF; que a empresa tentou retificar a DCTF, mas não obteve êxito. Requer a reavaliação do Despacho Decisório. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Ano calendário: 2004 Fl. 40DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 18/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10680.910812/201097 Acórdão n.º 3801002.795 S3TE01 Fl. 41 3 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso voluntário apresentado, no qual, alega, em síntese, que: A Recorrente após verificação analítica em sua escrita fiscal percebeu que havia recolhido a maior valores devidos a título de contribuição para Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS. Em momento algum do feito foi questionado pela Recorrida a existência do crédito, sua origem e legalidade. As decisões foram tomadas apenas com base no descumprimento de obrigação acessória.; ausência de retificação da DCTF não retira do contribuinte o direito ao crédito, ele existe, e, em momento algum foi questionado. A apropriação de créditos extemporâneos das contribuições ao Pis e a Cofins não pressupõe a retificação de obrigações acessórias e tampouco a observância do princípio jurídico contábil da competência, o que implica afirmar que o entendimento adotado no r. acórdão não encontra respaldo legal. É o Relatório. Fl. 41DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 18/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10680.910812/201097 Acórdão n.º 3801002.795 S3TE01 Fl. 42 4 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. A recorrente sustenta que o seu direito creditório decorre da apuração da COFINS, do período de apuração de 30/04/2004, que teria sido paga a maior. Alega ainda que efetuou erroneamente o lançamento referente à esse débito na respectiva DCTF. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial e o acórdão de primeira instância, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos em DCTF e não teriam sido demonstradas a liquidez e a certeza dos indébitos. Por certo, na sistemática da análise dos PERDCOMPs de pagamento indevido ou a maior, na qual é feito um batimento entre o pagamento informado como indevido e sua situação no conta corrente – disponível ou não, não se está analisando efetivamente o mérito da questão, cuja análise somente será viável a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. A alegação de erro na apuração dos débitos que teriam dado ensejo ao crédito de pagamento indevido ou a maior não foi acompanhada na peça impugnatória da retificação da respectiva DCTF, instrumento de confissão de dívida, que a princípio estaria na esfera de responsabilidade do contribuinte. O entendimento predominante deste Colegiado é no sentido da prevalência da verdade material, sendo que a falta de apresentação de DCTF retificadora, por se tratar de prova indiciária, não excluiria o direito da recorrente à repetição do indébito, nos termos do art. 165 do CTN, caso acompanhado de documentos comprobatórios, o que inclusive poderia acarretar em eventual retificação de ofício. No entanto, o Recorrente não trouxe aos autos elementos suficientes para comprovar a origem do seu crédito ou que se pudesse ao menos considerar como prova indiciária. Não apresentou nenhuma prova do seu direito creditório, em especial, a escrituração fiscal e contábil do período de apuração em que se pleiteou o crédito. Se limitou, tãosomente, a argumentar que houve um erro de fato no preenchimento da DCTF original e que, por isso, faz jus ao reconhecimento do crédito. Para que se possa superar a questão de eventual erro de fato e analisar efetivamente o mérito da questão, deveriam estar presentes nos autos os elementos comprobatórios que pudéssemos considerar no mínimo como indícios de prova dos créditos alegados e necessários para que o julgador possa aferir a pertinência do crédito declarado, o que não se verifica no caso em tela. Fl. 42DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 18/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10680.910812/201097 Acórdão n.º 3801002.795 S3TE01 Fl. 43 5 No mais, considerandose que as informações prestadas na DCTF situamse na esfera de responsabilidade do próprio contribuinte, cabe a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso I. Assim, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, falta ao crédito indicado pelo contribuinte certeza e liquidez, que são indispensáveis para a compensação pleiteada. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, para NÃO HOMOLOGAR o pedido de compensação. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 43DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 18/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 11516.002108/2003-02
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Nov 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/07/1998, 31/08/1998
NORMAS PROCESSUAIS - RECURSO ESPECIAL - DECADÊNCIA - CSLL -
Uma vez que o STF declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91, tendo editado, a respeito, em 12.06.08, a Súmula Vinculante nº 8, não deve ser dado seguimento a recurso fundado no descumprimento daquela norma.
Numero da decisão: 9101-001.499
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade dos votos, NÃO CONHECER do recurso.
(documento assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos
Presidente Substituto
(documento assinado digitalmente)
Valmir Sandri
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente Substituto), Mário Sérgio Fernandes Barroso (suplente convocado), José Ricardo da Silva, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Junior, Viviane Vidal Wagner (suplente convocada), Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, Karem Jureidini Dias e Meigan Sack Rodrigues.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas - demais presunções legais
Nome do relator: VALMIR SANDRI
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/07/1998, 31/08/1998 NORMAS PROCESSUAIS - RECURSO ESPECIAL - DECADÊNCIA - CSLL - Uma vez que o STF declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91, tendo editado, a respeito, em 12.06.08, a Súmula Vinculante nº 8, não deve ser dado seguimento a recurso fundado no descumprimento daquela norma.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade dos votos, NÃO CONHECER do recurso. (documento assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente Substituto (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente Substituto), Mário Sérgio Fernandes Barroso (suplente convocado), José Ricardo da Silva, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Junior, Viviane Vidal Wagner (suplente convocada), Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, Karem Jureidini Dias e Meigan Sack Rodrigues.
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Numero do processo: 19515.001659/2010-91
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jan 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2005 a 30/11/2008
PROGRAMA DE INCENTIVO. PAGAMENTO COM CARTÃO PREMIAÇÃO. REMUNERAÇÃO INDIRETA
É assente na jurisprudência deste Conselho que as verbas pagas através de cartões de premiação integram o salário de contribuição por força do art. 28 da Lei n. 8.212/91, sendo correto o auto de infração que considerou a ausência de recolhimento de tributo sobre tais verbas.
MULTA. RECÁLCULO. MP 449/08. LEI 11.941/09. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Antes do advento da Lei 11.941/09, não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento - a mora. No que diz respeito à multa de mora aplicada até 12/2008, com base no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que o artigo 106 do CTN determina a aplicação do princípio da retroatividade benigna, impõe-se o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-002.366
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Marcelo Magalhães Peixoto - Relator
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Freitas de Souza Costa e Jhonatas Ribeiro da Silva.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/2005 a 30/11/2008 PROGRAMA DE INCENTIVO. PAGAMENTO COM CARTÃO PREMIAÇÃO. REMUNERAÇÃO INDIRETA É assente na jurisprudência deste Conselho que as verbas pagas através de cartões de premiação integram o salário de contribuição por força do art. 28 da Lei n. 8.212/91, sendo correto o auto de infração que considerou a ausência de recolhimento de tributo sobre tais verbas. MULTA. RECÁLCULO. MP 449/08. LEI 11.941/09. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Antes do advento da Lei 11.941/09, não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento - a mora. No que diz respeito à multa de mora aplicada até 12/2008, com base no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que o artigo 106 do CTN determina a aplicação do princípio da retroatividade benigna, impõe-se o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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PAGAMENTO COM CARTÃO PREMIAÇÃO. REMUNERAÇÃO INDIRETA É assente na jurisprudência deste Conselho que as verbas pagas através de cartões de premiação integram o salário de contribuição por força do art. 28 da Lei n. 8.212/91, sendo correto o auto de infração que considerou a ausência de recolhimento de tributo sobre tais verbas. MULTA. RECÁLCULO. MP 449/08. LEI 11.941/09. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Antes do advento da Lei 11.941/09, não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento a mora. No que diz respeito à multa de mora aplicada até 12/2008, com base no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que o artigo 106 do CTN determina a aplicação do princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 16 59 /2 01 0- 91 Fl. 690DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Freitas de Souza Costa e Jhonatas Ribeiro da Silva. Fl. 691DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 19515.001659/201091 Acórdão n.º 2403002.366 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Auto de Infração DEBCAD 37.174.6124, cuja notificação ocorreu em 02/08/2010, lavrado em face de INFINITI MARKETING DE INCENTIVO E FIDELIZAÇÃO LTDA E OUTROS, no valor de R$ 34.400,76 (trinta e quatro mil quatrocentos reais e setenta e seis centavos), para cobrança de contribuições destinadas a Terceiros: FNDE, INCRA, SESC, SENAC e SEBRAE. Nos autos consta Termo de Constatação Fiscal nas fls. 311/366, com vasta narrativa acerca do procedimento inquisitório, narrando os termos lavrados, as manifestações, as solicitações ao Ministério Público Federal e ao Judiciário, as remunerações omitidas, os lançamentos contábeis efetuados, dentre outros. Nos itens 255 a 282, em especial, 276 a 278, consta a informação de que o contribuinte informou nas GFIP alíquotas de RAT erradas, em razão de ter adotado o FPAS e CNAE incorretos para sua atividade, no período de agosto a novembro de 2008, gerando, portanto, imissão de contribuições de GIILRAT, SEBRAE e de SESC, o que gerou a lavratura do presente auto. O Relatório Fiscal do Auto de Infração, fls. 371/373, fazem apenas referência ao Termo de Constatação Fiscal acima informado, descrevendo os demais Debcads lavrados e os documentos que compõe o auto. O Discriminativo de Débito – DD, fl. 08/14, traduz os seguintes levantamentos: LEV: EM – REMUN EMPREGADOS FORA DA GFIP Remuneração paga em 2006 a segurados empregados, não declarada em GFIP, apurada na escrituração contábil e no arquivo digital: "Premiações 2006.zip" fornecido pela empresa, conforme discriminação nos arquivos digitais PLAN12.pdf (demonstração da remuneração) e PLAN15.pdf (cálculo da contribuição de empregados); (multa: 24,00%); LEV: 13 – DECIMO TERCEIRO EM FOLHA PGTO – Décimo Terceiro Salário não declarado em GFIP, apurado a partir da folha de pagamento em meio papel apresentada a Fiscalização; (multa: 75,00%) LEV: AE – AFER INDIR REMUN EMPREGADOS Remuneração de empregados não declarada em GFIP, para o período de 01/2007 a 11/2008, calculada por aferição indireta, em razão da nãoapresentação de documentos e informações e da apresentação deficiente de documentos; (multa: 24,00%) LEV: SB – CONTR SEBRAE OMITIDA DA GFIP Contribuição para o SEBRAE omitida da GFIP nas competências 08/2008 a 11/2008 em razão da adoção incorreta do FPAS 566 e código de terceiros 99, quando o correto seria FPAS 515 e código de terceiros 115. Fl. 692DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 LEV: SN – CONTRIB SENAC OMITIDA DA GFIP Contribuição para o SENAC omitida da GFIP nas competências 08/2008 a 11/2008 em razão da adoção incorreta do FPAS 566 e código de terceiros 99, quando o correto seria FPAS 515 e código de terceiros 115. Foram arrolados como devedores solidários: Leandro Capozzielli, FINANCOB COBRACA EMPRESARIAL S/C LTDA.; FINANZIARIA COBRANCAS LTDA, FINANCORP PARTICIPACOES S/A, ORANGE SOLUCOES INTEGRADAS S/A, LF INVESTIMENTOS E CONSULTORIA LTDA, FINANCRED PROMOTORA DE VENDAS LTDA e DO IT COMUNICACAO E MARKETING LTDA. As empresas, segundo o auditor fiscal, constituem grupo econômico e o sóciogerente da principal autuada, teria incorrido no disposto no art. 135 e inciso III do CTN. DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com o lançamento, os sujeitos passivos contestaram o presente Auto de Infração por meio do instrumento de fls. 393/416. DA DECISÃO DA DRJ Após analisar os argumentos da Recorrente, a 14ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo/SP – DRJ/SP1, prolatou o Acórdão 16 45.064, de fls. 469/491, mantendo procedente o lançamento, conforme ementa que abaixo se transcreve, verbis: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/01/2006 a 30/11/2008 AUTO DE INFRAÇÃO. FORMALIDADES LEGAIS. SUBSUNÇÃO DOS FATOS À HIPÓTESE NORMATIVA. O Auto de Infração encontrase revestido das formalidades legais, tendo sido lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, apresentando, assim, adequada motivação jurídica e fática, bem como os pressupostos de liquidez e certeza, podendo ser exigidos nos termos da Lei. Constatado que os fatos descritos se amoldam à norma legal indicada, deve o Fisco proceder ao lançamento, eis que esta é atividade vinculada e obrigatória. LEGALIDADE. CONSTITUCIONALIDADE. A declaração de inconstitucionalidade de lei ou atos normativos federais, bem como de ilegalidade destes últimos, é prerrogativa outorgada pela Constituição Federal ao Poder Judiciário. CONTRIBUIÇÕES DESTINADAS A TERCEIROS. Em decorrência dos artigos 2º e 3º da Lei nº 11.457/2007 são legítimas as contribuições destinadas a Terceiras Entidades incidentes sobre o salário de contribuição definido pelo art. 28 da Lei 8.212/91 SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. DA HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. EXCLUSÕES LEGAIS. Fl. 693DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 19515.001659/201091 Acórdão n.º 2403002.366 S2C4T3 Fl. 4 5 Considerase Saláriodecontribuição a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas e os ganhos habituais sob a forma de utilidades. Art. 28 da Lei 8.212/91. Por força do mandamento constitucional, a Lei nº 8.212 de 24.07.1991, em sua redação original e, em seu artigo 28, inciso I, incluiu o salário utilidade no conceito de salário de contribuição. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte DO RECURSO Inconformada, a empresa interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário de fls. 498/521, requerendo a reforma do Acórdão, com os seguintes argumentos, em suma, a ausência de habitualidade no pagamento e, portanto, não se caracterizando como verba salarial, a ausência de provas e a confiscatoriedade da multa. É o relatório. Fl. 694DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator DA TEMPESTIVIDADE De acordo com o documento de fl., temse que o recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DO MÉRITO A base de cálculo das contribuições previdenciárias está contida no art. 28, da Lei n. 8.212/91, ou seja, o salário de contribuição, verbis: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. Observase que a definição de salário de contribuição tanto para o empregado quanto para o contribuinte individual é um tanto quanto abrangente, ampla, não importando, via de regra, a forma e a que título foi paga, devida ou creditada. No entanto há exceções contidas no §9, do mesmo artigo. Elas compreendem quatro grupos principais: a) pagamentos com caráter indenizatório; b) ressarcimentos de despesas; c) ferramentas de trabalho; e d) retribuições provenientes de terceiros. A parcela a título de prêmio, da forma pela qual foi paga in casu, não se encaixa em qualquer das modalidades de exceção elencadas na norma supracitada. A matéria já foi objeto de diversos julgamentos anteriores por este conselho, conforme se verifica dos acórdãos: 230101.625 — 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária, 19 de agosto de 2010, 280300.163 — 3ª Turma Especial, 09 de julho de 2010, 230101.878 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, 15 de março de 2011, 2401001.796 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, 14 de abril de 2011 e 230102.065 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, 12 de maio de 2011. Segue abaixo um dos arestos informados para ilustrar o entendimento do colegiado: REMUNERAÇÃO INDIRETA. SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. CARTÃO PRÊMIO. Fl. 695DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 19515.001659/201091 Acórdão n.º 2403002.366 S2C4T3 Fl. 5 7 Valores pagos indiretamente a empregados e contribuintes individuais por intermédio de prêmio/plano de incentivo são considerados salários de contribuições para a Previdência Social, nos termos do art. 28, incisos I e III, da Lei n. 8.212/91. O pagamento de prêmio/plano de incentivo ao empregado por empresas que não se revistam da qualidade de empregador, mas com o consentimento deste, aproveitando a relação de emprego e as oportunidades daí advindas, integra o salário de contribuição. CRÉDITO TRIBUTÁRIO LEGALMENTE CONSTITUÍDO. ART. 142 DO CTN. Crédito tributário deve estar revestido das formalidades legais do art. 142 e § único, e arts, 97 e 114, todos do CIN. A declaração de inconstitucionalidade de lei é prerrogativa outorgada pela Constituição Federal ao Poder Judiciário. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido. (Acórdão 280300.163 — 3ª Turma Especial, 09 de julho de 2010) Ademais, a parcela é destinada à contraprestação ao trabalho uma vez que se trata de remuneração indireta, pois sabendo o funcionário de que caso alcance aquela meta que faz parte de suas atividades laborativas, será credor daquela parcela. O objeto já foi discutido inclusive pelo Superior Tribunal de Justiça, conforme: PET 6243/SP, Eliana Calmon, REsp 863.244/SP, Min Luiz Fux e REsp 735.866/PE, Min. Teori Albino Zavascki. Não se trata aqui de reembolso de despesas, conforme tenta afirmar a recorrente, uma vez que a recorrente não conseguiu provas suas alegações, uma vez que, inclusive, a empresa deixou de prestar as informações necessárias, assim como os documentos, requisitados pelo Auditor Fiscal, que se valeu da via da aferição indireta, art. 33, parágrafo 3º da Lei 8.212/91, para realizar o lançamento. Segundo o Termo de Constatação Fiscal, fls.339/394, a empresa se valeu do sistema de premiação que vendia às suas clientes e emitiu notas fiscais de serviço contra si mesma, por ‘campanhas promocionais’ que teria realizado para si própria. Foi verificado em arquivo digital, cópias escaneadas da maior parte das notas fiscais em que emitente e sacado/tomador de serviço são a mesma pessoa, ou seja, a Infiniti Marketing de Incentivo e Fidelização Ltda. Narra ainda o fiscal, na fl. 345, item 53 que a contribuinte vinha pagando expressivas remunerações a empregados e contribuintes individuais através de cartões de premiação, sem declarar tais remunerações em GFIP, sem informálas em folha de pagamento e sem tributálas. Ademais, conforme item 131, a fiscalização percebeu que os “brindes” pagos consistiam em carregamentos de cartões de crédito de aceitação geral no comércio, que os beneficiários podiam gastar como bem entendessem. Fl. 696DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 8 Chegouse a perceber, inclusive, (item 152), que na contabilidade da empresa, haviam supostos pagamentos realizados a pessoas jurídicas, quando na verdade, seriam remunerações pagas em contraprestação ao trabalho. As afirmações das empresas são incapazes de infirmar as imputações do fiscal, tentando a recorrente se desincumbir de seu ônus probatório, conforme o art. 333 do CPC. DOS CONTRATOS DE MÚTUO APRESENTADOS Outrossim, com relação aos valores supostamente pagos a título de contrato de mútuo para o sócio Leandro Capozzielli e para a empresa Finanziaria, também administrada por ele, a empresa foi intimada a apresentar justificativas e documentos e quedouse silente, não os apresentando, tendo apenas apresentados posteriormente, contratos de mútuo que não estão corroborados pela escrituração contábil apresentada. A empresa chegou inclusive a alegar sigilo bancário para responder ao TIF de 04/05/2010, para apresentação de documentos relativos a planilha Contratos de Mútuo na Escrituração Contábil de abril a dezembro de 2007, com a comprovação da origem dos saldos credores iniciais, documentos que embasariam os lançamentos a crédito e os extratos bancários dos bancos, informados nas contrapartidas, comprovando o efetivo depósito dos valores lançados a crédito nas contas. Prejudicando, sobremaneira, a manutenção da forma apresentada. Todos os fatos podem ser analisados a partir dos itens 154 a 201 do Termo de Constatação Fiscal. Haja vista o exposto, a empresa não foi capaz de apresentar provas que corroborassem com sua tese e com os contratos de mútuo apresentados, não sendo possível vislumbrar outra solução que não a concordância com as alegações do relatório, no estado em que se encontra o processo. DA AFERIÇÃO INDIRETA A partir da análise dos autos, vêse que a empresa deixou de prestar as informações necessárias ao fiscal, à respeito dos fatos que ensejaram os levantamentos ora exigidos. Tal omissão motivou, inclusive a autuação por descumprimento de obrigação acessória no DEBCAD 37.174.6159 e DEBCAD 37.174.6140. Tais fatos obstaculizaram a fiscalização, o que deu azo ao lançamento pela via do art. 33, parágrafo 3º da Lei 8.212/91, in verbis: Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 1o É prerrogativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil, por intermédio dos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil, o exame da contabilidade das empresas, ficando obrigados a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados o segurado e os terceiros responsáveis pelo recolhimento das contribuições previdenciárias e das Fl. 697DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 19515.001659/201091 Acórdão n.º 2403002.366 S2C4T3 Fl. 6 9 contribuições devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2o A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Além dos fatos acima, outros justificam a utilização da aferição indireta, conforme os itens 04, 06, 08, 09, 14, 34, 46/53, 68, 99, 106, 119, integrante do Termo de Constatação Fiscal. Por tanto, não merece guarida a afirmativa de que seria necessária a perícia, bem como por não haver qualquer nulidade no procedimento. DAS MULTAS APLICADAS No que se referem às multas de mora e de ofício aplicadas, mister se faz tecer alguns comentários. Primeiramente, com relação ao fato de as multas serem supostamente confiscatórias, não serão os argumentos analisados, haja vista a Súmula CARF n. 02. A MP nº 449, convertida na Lei nº 11.941/09, que deu nova redação aos arts. 32 e 35 e incluiu os arts. 32A e 35A na Lei nº 8.212/91, trouxe mudanças em relação à multa aplicada no caso de contribuição previdenciária. Assim dispunha o art. 35 da Lei nº 8.212/91 antes da MP nº 449, in verbis: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: Fl. 698DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 10 a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (sem destaques no original) Verificase, portanto, que antes da MP nº 449 não havia multa de ofício. Havia apenas multa de mora em duas modalidades: a uma decorrente do pagamento em atraso, desde que de forma espontânea a duas decorrente da notificação fiscal de lançamento, conforme previsto nos incisos I e II, respectivamente, do art. 35 da Lei nº 8.212/91, então vigente. Nesse sentido dispõe a hodierna doutrina (Contribuições Previdenciárias à luz da jurisprudência do CARF – Conselho Administrativo de Recursos Fiscais / Elias Sampaio Freire, Marcelo Magalhães Peixoto (coordenadores). – Julio César Vieira Gomes (autor) – São Paulo: MP Ed., 2012. Pág. 94), in verbis: “De fato, a multa inserida como acréscimo legal nos lançamentos tinha natureza moratória – era punido o atraso no pagamento das contribuições previdenciárias, independentemente de a cobrança ser decorrente do procedimento de ofício. Mesmo que o contribuinte não tivesse realizado qualquer pagamento espontâneo, sendo, portanto, necessária a constituição do crédito tributário por meio do lançamento, ainda assim a multa era de mora. (...) Não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento – a mora.” (com destaque no original) Com o advento da MP nº 449, que passou a vigorar a partir 04/12/2008, data da sua publicação, e posteriormente convertida na Lei nº 11.941/09, foi dada nova redação ao art. 35 e incluído o art. 35A na Lei nº 8.212/91, in verbis: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). (sem destaques no original) Fl. 699DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 19515.001659/201091 Acórdão n.º 2403002.366 S2C4T3 Fl. 7 11 Nesse momento surgiu a multa de ofício em relação à contribuição previdenciária, até então inexistente, conforme destacado alhures. Logo, tendo em vista que o lançamento se reporta à data da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 144 do CTN, temse que, em relação aos fatos geradores ocorridos antes de 12/2008, data da MP nº 449, aplicase apenas a multa de mora. Já em relação aos fatos geradores ocorridos após 12/2008, aplicase apenas a multa de ofício. Contudo, no que diz respeito à multa de mora aplicada até 12/2008, com base no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que o artigo 106 do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, cominelhe penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna. Impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento. DOS SOLIDÁRIOS – DO GRUPO ECONÔMICO Apesar de não ter sido matéria impugnada pelas recorrentes, passase à sua análise para que não se deixe lacunas. A partir das informações constantes nos itens 308 a 310 do Termo de Constatação Fiscal, além de toda a sua narrativa, temse que as empresas constituem grupo econômico e respondem solidariamente pelas contribuições ante a patente confusão patrimonial entre elas e a prática de atos constantes no art. 135 do CTN. CONCLUSÃO Do exposto, voto pelo provimento parcial do recurso para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Marcelo Magalhães Peixoto. Fl. 700DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10820.001756/2006-70
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Nov 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2001
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EXISTÊNCIA DE OMISSÃO. AUSÊNCIA DE ALTERAÇÃO NO RESULTADO DO JULGAMNETO. RERRATIFICAÇÃO DO ACÓRDÃO.
Constatada a existência de omissão no acórdão embargado, devem ser acolhidos os embargos de declaração de forma a sanar o vício apontado.
Não havendo alteração do resultado do julgamento proferido no acórdão embargado, este deve ser rerratificado.
Embargos de Declaração Acolhidos.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2801-003.222
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, acolher os embargos de declaração e rerratificar o Acórdão n° 2801-002.767, sem alteração do resultado do julgamento. Vencidos os Conselheiros Marcelo Vasconcelos de Almeida, Marcio Henrique Sales Parada e José Valdemir da Silva, que acolhiam os embargos de declaração para alterar o resultado do julgamento, considerando intempestiva a impugnação.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente em exercício e Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Luiz Cláudio Farina Ventrilho, José Valdemir da Silva e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2001 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EXISTÊNCIA DE OMISSÃO. AUSÊNCIA DE ALTERAÇÃO NO RESULTADO DO JULGAMNETO. RERRATIFICAÇÃO DO ACÓRDÃO. Constatada a existência de omissão no acórdão embargado, devem ser acolhidos os embargos de declaração de forma a sanar o vício apontado. Não havendo alteração do resultado do julgamento proferido no acórdão embargado, este deve ser rerratificado. Embargos de Declaração Acolhidos. Recurso Voluntário Provido.
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EXISTÊNCIA DE OMISSÃO. AUSÊNCIA DE ALTERAÇÃO NO RESULTADO DO JULGAMNETO. RERRATIFICAÇÃO DO ACÓRDÃO. Constatada a existência de omissão no acórdão embargado, devem ser acolhidos os embargos de declaração de forma a sanar o vício apontado. Não havendo alteração do resultado do julgamento proferido no acórdão embargado, este deve ser rerratificado. Embargos de Declaração Acolhidos. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, acolher os embargos de declaração e rerratificar o Acórdão n° 2801002.767, sem alteração do resultado do julgamento. Vencidos os Conselheiros Marcelo Vasconcelos de Almeida, Marcio Henrique Sales Parada e José Valdemir da Silva, que acolhiam os embargos de declaração para alterar o resultado do julgamento, considerando intempestiva a impugnação. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente em exercício e Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Luiz Cláudio Farina Ventrilho, José Valdemir da Silva e Marcio Henrique Sales Parada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 0. 00 17 56 /2 00 6- 70 Fl. 145DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/09/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10820.001756/200670 Acórdão n.º 2801003.222 S2TE01 Fl. 146 2 Relatório Tratase de embargos de declaração, opostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 2801002.767, proferido em 18 de outubro de 2012 pela Primeira Turma Especial da Segunda Seção de Julgamento do CARF, que foi assim ementado: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CABIMENTO. Serão cabíveis Embargos de Declaração sempre que a decisão embargada albergar em seu bojo alguma espécie de omissão, contradição e/ou obscuridade. IMPUGNAÇÃO. TEMPESTIVIDADE. EFEITOS. Afastada a preliminar de intempestividade da impugnação, os autos devem retornar à instância a quo para que se pronuncie em relação ao mérito, assegurandose, assim, o direito do sujeito passivo ao duplo grau de jurisdição do contencioso administrativo fiscal. Embargos Acolhidos. Insurgese a embargante, questionando o entendimento do acórdão recorrido que aplicou fundamentação supostamente embasada em "orientações internas da RFB" em absoluta contradição com o Decreto n° 70.235/72, que regula o processo administrativo tributário federal. Os embargos foram admitidos somente para suprir a omissão concernente à questão da contagem do prazo para oferta da peça impugnatória à luz do Decreto 70.235/72. É o Relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. Os embargos são tempestivos e atendem às demais condições de admissibilidade, portanto merecem ser conhecidos. Cuida o presente processo de auto de infração que diz respeito a Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), por meio do qual se exige do sujeito passivo acima identificado o montante de R$ 42.045,65, referente ao exercício de 2001. A 7ª Turma da DRJ São Paulo II/SP, conforme acórdão de fls. 87/101, não conheceu da impugnação apresentada por têla considerado intempestiva. Apresentado o Recurso Voluntário de fls. 107/111, o processo veio a ser julgado pela 1ª Turma Especial/2ª Seção de Julgamento/CARF, em 18/08/2009, consoante Acórdão de n° 280100.204, fls. 113/115, que acabou por ratificar a intempestividade da impugnação. Fl. 146DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/09/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10820.001756/200670 Acórdão n.º 2801003.222 S2TE01 Fl. 147 3 Os autos retornaram à DRF de origem para as providências decorrentes. Nesta ocasião, conforme se vê do documento de fl. 119, constatouse que o vencimento da multa lançada era 09/10/2006 (fls. 27), portanto, conforme orientações internas da RFB, essa seria a data limite para a apresentação da impugnação, o que afastaria a intempestividade apontada no acórdão de primeira instância e mudaria o encaminhamento dado no voto condutor do Acórdão de n° 280100.204. Diante do exposto, o Relator do referido acórdão interpôs embargos por entender que o Colegiado deveria se pronunciar acerca desses fatos. Os embargos, então, foram acolhidos para retificar a decisão embargada (Acórdão de n° 280100.204, de 18/08/2009) de modo a afastar a preliminar de intempestividade da impugnação, determinando o retorno dos autos para que a instância a quo se pronunciasse quanto ao mérito. Entretanto, verificouse, posteriormente, que o presente processo constou da pauta de 19 de setembro de 2012 como sendo Recurso Voluntário, quando na realidade se trata de embargos declaratórios interpostos pelo Conselheiro Julio Cezar Relator que apreciou o processo que foi objeto do acórdão embargado, e assim (como embargos) foi julgado pela Turma. Diante do equívoco ocorrido na publicação da pauta e em respeito aos princípios da publicidade e do direito à ampla defesa, esta Relatora interpôs embargos para que pudesse ser saneada a referida questão. Os embargos, então, foram acolhidos para ratificar a decisão embargada (Acórdão de n° 2801002.687, de 19/09/2012) de modo a afastar a preliminar de intempestividade da impugnação, determinando o retorno dos autos para que a instância a quo se pronunciasse quanto ao mérito. A Procuradoria da Fazenda Nacional, nos embargos de declaração interpostos contra o Acórdão nº 2801002.767, questiona o entendimento do acórdão recorrido que aplicou fundamentação supostamente embasada em "orientações internas da RFB" em absoluta contradição com o Decreto n° 70.235/72, que regula o processo administrativo tributário federal. A embargante requer seja conhecido e provido o presente recurso para que esta Turma se manifeste sobre a aplicação do art. 15 do Decreto 70.235/72 para fins de contagem do prazo para oferta da peça impugnatória, assim como se pronuncie sobre a contagem do trintídio legal à luz da data de intimação informada pelo contribuinte em sua peça impugnatória (29/08/2006, fls. 2 dos autos) e o efetivo protocolo (29/09/2006). No presente caso, é forçoso reconhecer que, em relação à contagem do prazo para oferta da peça impugnatória à luz do Decreto 70.235/72, não há qualquer menção no acórdão recorrido. O Decreto nº 70.235/72 regula o Processo Administrativo Tributário no âmbito Federal e é o principal diploma legal que cuida de norma processual referente aos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Como é cediço, o prazo para apresentação da impugnação é determinado pelo art. 15 do Decreto nº 70.235, de 1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), verbis: Fl. 147DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/09/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10820.001756/200670 Acórdão n.º 2801003.222 S2TE01 Fl. 148 4 Art. 15 – A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. O referido decreto, em seu art. 23, estabelece, com relação à intimação, que, verbis: Art. 23. Farseá a intimação: ......................................................................................................... .......... II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) ......................................................................................................... .......... § 2º Considerase feita a intimação: ......................................................................................................... .......... II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) De acordo com os autos, o contribuinte foi cientificado do lançamento em 25/08/2006 (fl. 25), tendo, portanto, até o dia 26/09/2006 para apresentar eventual impugnação. Referida impugnação, ao que consta, só foi apresentada em 29/09/2006 (fl. 01), ou seja, após o prazo legal. Ocorre, contudo, que, a DRF de origem verificou que o vencimento da multa lançada era 09/10/2006 (fls. 27), bem como que essa seria a data limite para a apresentação da impugnação, tendo em vista as orientações internas da RFB. O Parecer MF/SRF/COSIT/COTIR/DITIR nº 26, de 09 de abril de 1997, ao tratar de situação semelhante conclui que, in verbis: Considerando que o art. 11, inciso II, do Decreto nº 70.235/72, fixa prazo único para pagamento ou impugnação do débito tributário, há que prevalecer, para os efeitos de se considerar tempestiva a impugnação, o prazo expressamente pré estabelecido no DARF, se superior a trinta dias. Sobre o assunto, aliás, o Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda também já se manifestou, verbis: PRAZOS TEMPESTIVIDADE A impugnação apresentada fora do prazo previsto no art. 15 do Decreto n° 70.235/72 não tem o condão de instaurar o litígio, mas, admitese, no caso de Fl. 148DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/09/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10820.001756/200670 Acórdão n.º 2801003.222 S2TE01 Fl. 149 5 lançamento suplementar, sua apresentação até o vencimento da obrigação correspondente, dadas as peculiaridades em sua emissão. Entretanto, após o vencimento consignado no documento, não se pode acolher a petição impugnatória. (3ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, Ac. 103.19099, Unânime, sessão de 10/12/1997) Assim, considerando que a impugnação foi apresentada antes de 09/10/2006, entendese correto o entendimento da DRF de Araçatuba (fl. 119) que a considerou tempestiva. Conseqüentemente, dela se toma conhecimento Diante do exposto, voto no sentido de acolher os embargos de declaração e rerratificar o Acórdão n° º 2801002.767, sem alteração do resultado do julgamento. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 149DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/09/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN
score : 1.0
Numero do processo: 13609.001621/2010-93
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INTEMPESTIVIDADE DA IMPUGNAÇÃO DO CONTRIBUINTE. IMPUGNAÇÃO DO COOBRIGADO QUE VERSA SOMENTE SOBRE RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. PRECLUSÃO.
O contencioso administrativo instaurase com a impugnação, sendo que eventual petição, apresentada fora do prazo, não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade, como preliminar.
A ausência de impugnação tempestiva não permite o conhecimento de eventual recurso voluntário interposto.
Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na instância a quo. Não se conhece do item do recurso quando este pretende alargar os limites do litígio já consolidado, sendo defeso tratar de matéria não discutida na impugnação, exceto matérias de ordem pública, que não é o caso dos autos.
SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA.
Respondem solidariamente pelo crédito tributário as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal.
Numero da decisão: 1402-001.501
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância, não conhecer do recurso quanto às matérias preclusas e negar provimento na parte conhecida, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente
FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2005, 2006, 2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INTEMPESTIVIDADE DA IMPUGNAÇÃO DO CONTRIBUINTE. IMPUGNAÇÃO DO COOBRIGADO QUE VERSA SOMENTE SOBRE RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. PRECLUSÃO. O contencioso administrativo instaurase com a impugnação, sendo que eventual petição, apresentada fora do prazo, não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade, como preliminar. A ausência de impugnação tempestiva não permite o conhecimento de eventual recurso voluntário interposto. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na instância a quo. Não se conhece do item do recurso quando este pretende alargar os limites do litígio já consolidado, sendo defeso tratar de matéria não discutida na impugnação, exceto matérias de ordem pública, que não é o caso dos autos. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. Respondem solidariamente pelo crédito tributário as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal.
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INTEMPESTIVIDADE DA IMPUGNAÇÃO DO CONTRIBUINTE. IMPUGNAÇÃO DO COOBRIGADO QUE VERSA SOMENTE SOBRE RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. PRECLUSÃO. O contencioso administrativo instaurase com a impugnação, sendo que eventual petição, apresentada fora do prazo, não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade, como preliminar. A ausência de impugnação tempestiva não permite o conhecimento de eventual recurso voluntário interposto. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na instância a quo. Não se conhece do item do recurso quando este pretende alargar os limites do litígio já consolidado, sendo defeso tratar de matéria não discutida na impugnação, exceto matérias de ordem pública, que não é o caso dos autos. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. Respondem solidariamente pelo crédito tributário as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância, não conhecer do recurso quanto às AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 9. 00 16 21 /2 01 0- 93 Fl. 866DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 16/11/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13609.001621/201093 Acórdão n.º 1402001.502 S1C4T2 Fl. 867 2 matérias preclusas e negar provimento na parte conhecida, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 867DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 16/11/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13609.001621/201093 Acórdão n.º 1402001.502 S1C4T2 Fl. 868 3 Relatório Por bem refletir o litígio, adoto o relatório da decisão recorrida, complementandoo em relação aos recursos voluntários interpostos: Mediante o processo em epígrafe, composto de dois volumes e três anexos, foram lavrados os autos de infração Imposto de Renda da Pessoa Jurídica Simples e, por decorrência, a Contribuição para o PIS/Pasep Simples, Contribuição social s/Lucro Líquido – Simples, Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – Simples e Contribuição para Seguridade Social – INSS Simples fls. (167/270) referentes aos anoscalendário2005, 2006 e 2007, com a seguinte descrição: “001 – OMISSÃO DE RECEITAS Valor apurado conforme Relatório de Auditoria Fiscal em anexo, o qual é parte integrante do presente auto de infração. 002 – INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO Insuficiência de valor recolhido apurada conforme Relatório de Auditoria Fiscal em anexo.” Foi ainda lavrado o “TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA”, de fls. 155, do qual se transcreve literalmente o seguinte trecho: “No exercício da função de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, imputo a responsabilidade solidária, ao Sr. CLÉBIO BAHIA DE VASCONCELOS JUNIOR, CPF 260.612.95634, pelo crédito tributário apurado em nome do contribuinte VANESSA LANZA DE OLIVEIRA ME, CNPJ 04.189.993/00142. Para preservar os interesses da Fazenda Nacional e, conforme demonstrado no Termo de Verificação Fiscal, em anexo, qualifico o Sr. CLÉBIO BAHIA DE VASCONCELOS JUNIOR, CPF 260.612.95634, nos termos dos artigos 121, inciso II e 124, inciso I da Lei 5.172/66 (Código Tributário Nacional), como SOLIDARIAMENTE RESPONSÁVEL pelo crédito tributário constituído, cientificandoo das obrigações resultantes.” Apresentase também às fls. 157 “TERMO DE ARROLAMENTO DE BENS E DIREITOS”, quando o Sr. Clébio Bahia Vasconcelos Júnior foi cientificado das determinações legais pertinentes ao arrolamento dos bens e direitos constantes da relação de fls. 158. O Relatório de Auditoria Fiscal, de fls. 159/166, apresenta detalhado histórico dos procedimentos de fiscalização, do qual se transcreve literalmente o seguinte trecho: Fl. 868DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 16/11/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13609.001621/201093 Acórdão n.º 1402001.502 S1C4T2 Fl. 869 4 “No dia 09/07/2010 foram emitidos para a SICAFE PRODUTOS SIDERURGICOS LTDA e ICAL ENERGÉTICA LTDA os TERMOS DE DILIGÊNCIA FISCAL/SOLICITAÇÃO DE DOCUMENTOS, solicitando: . Apresentar as notas fiscais de entrada com os comprovantes de pagamentos ORIGINAIS efetuados para a empresa VANESSA LANZA DE OLIVEIRA ME, CNPJ 04.189.993/000142, nos anos de 2005, 2006 e 2007. . Apresentar uma relação com os valores e número das notas fiscais de entrada da empresa VANESSA LANZA DE OLIVEIRA ME, CNPJ 04.189.993/000142, no ano de 2007. . Informar a natureza do valor de R$ 751.450,78 pagos à empresa VANESSA LANZA DE OLIVEIRA ME, CNPJ 04.189.993/000142, no ano de 2007 e apresentar a documentação que comprove esta transação. Em resposta aos termos de diligência as empresas apresentaram a documentação solicitada pela fiscalização e que comprovam o faturamento obtido por VANESSA LANZA DE OLIVEIRA ME. A fiscalizada não apresentou resposta ao Termo de Intimação Fiscal nº 01. De posse das notas fiscais, dos recibos de pagamento e da procuração emitida pela proprietária da empresa VANESSA LANZA DE OLIVEIRA ME, verificase que houve omissão de rendimentos nas declarações apresentadas à RFB e que o Sr. CLÉBIO BAHIA DE VASCONCELOS JUNIOR, CPF 260.612.95634, é quem representa a empresa e é a assinatura dele que consta nos recibos de pagamento da SICAFE PRODUTOS SIDERURGICOS LTDA e o depósito bancário da ICAL ENERGÉTICA LTDA foram realizados em sua conta corrente. De posse destas informações a fiscalização intimou a empresa VANESSA LANZA DE OLIVEIRA ME e o Sr. CLÉBIO BAHIA DE VASCONCELOS JUNIOR através dos Termos de Intimação Fiscal nº 02 e do Termo de Diligência Fiscal/Solicitação de Documentos, respectivamente. Estes termos informaram dos documentos obtidos nas empresas SICAFE PRODUTOS SIDERURGICOS LTDA e ICAL ENERGÉTICA LTDA e solicitaram a manifestação sobre o motivo dos valores recebidos não estarem informados à RFB e da realização dos pagamentos para o Sr. CLÉBIO BAHIA DE VASCONCELOS JUNIOR. A empresa não apresentou resposta à fiscalização e o Sr. CLÉBIO BAHIA DE VASCONCELOS JUNIOR limitouse a apresentar a seguinte resposta: “Em relação ao referido termo de diligência fiscal, tenho a manifestar o seguinte: Fl. 869DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 16/11/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13609.001621/201093 Acórdão n.º 1402001.502 S1C4T2 Fl. 870 5 Que além de procurador, sou esposo da titular da empresa VANESSA LANZA DE OLIVEIRA, conforme se poderá comprovar pela inscrição de firma individual e certidão de casamento. 2 – Na qualidade de procurador recebo os créditos e também realizo o pagamento dos débitos da empresa, tais como fornecedores, folha de funcionários, etc., sendo esta a razão dos valores referentes ao faturamento estarem sendo pagos ou depositados em minha conta. (...)” Segue abaixo um demonstrativo com os valores das receitas obtidas pela fiscalizada com base nas informações repassadas pelas empresas SICAFE PRODUTOS SIDERURGICOS LTDA e ICAL ENERGÉTICA LTDA.” Nas folhas seguintes, a fiscalização relaciona as datas de lançamento, notas fiscais e respectivos valores, para cada anocalendário (2005, 2006 e 2007) informados pela SICAFE PRODUTOS SIDERÚRGICOS LTDA e para o ano calendário de 2007, informados pela ICAL ENERGÉTICA LTDA. Por entender presentes os requisitos de evidente intuito de fraude e sonegação, a fiscalização aplicou a multa de 150%, prevista no artigo 44, inciso II, da Lei 9.430/96, registrando ainda: “O contribuinte apresentou Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica – SIMPLES informando faturamento para o anocalendário de 2005, 2006 e 2007 de 143.581,00, 260.000,00 e 0,00 respectivamente. Neste mesmo período foi apurado pela fiscalização que o faturamento para o período 2º ao 4º trimestre de 2005, 2006 e 1º semestre de 2007 foi de 1.440.793,90, 2.208.839,40 e 840.843,50, respectivamente. Ressaltese ainda, que os recebimentos eram depositados ou realizados pessoalmente ao Sr CLÉBIO BAHIA DE VASCONCELOS JUNIOR, procurador da empresa.” Assim, a fiscalização procedeu ao lançamento dos valores não declarados conforme demonstrativo de fls. 166/167, quando foram deduzidos dos valores apurados o valor informado à RFB mediante a declaração simplificada referenciada. No que diz respeito à responsabilidade tributária, a fiscalização registra: “Durante a realização da fiscalização foi constatado que a assinatura das notas fiscais avulsas de produtor rural e os recibos de pagamentos eram assinados pelo Sr. CLÉBIO BAHIA DE VASCONCELOS JUNIOR e que as transferências bancárias, também, eram realizadas na conta do mesmo. Foi verificado, ainda, que o Sr. CLÉBIO BAHIA DE VASCONCELOS JUNIOR possui uma procuração da empresa VANESSA LANZA DE OLIVEIRA ME dando a ele poderes amplos e irrestritos. Esta procuração é assinada por VANESSA LANZA DE OLIVEIRA, que segundo declaração do Sr. Clébio, é sua esposa.” Fl. 870DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 16/11/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13609.001621/201093 Acórdão n.º 1402001.502 S1C4T2 Fl. 871 6 Diante destes fatos, a fiscalização lavrou os termos de sujeição passiva solidária e arrolamento de bens e direitos de fls. 155 a 158. 1 DA IMPUGNAÇÃO APRESENTADA PELA PESSOA JURÍDICA Às fls. 288/297, a empresa menciona no tópico I o arrolamento dos bens e no tópico II apresenta histórico dos procedimentos fiscais. Dos demais tópicos extraemse os seguintes argumentos. III) Das Razões impugnatórias Entende importante e indispensável apresentar esclarecimentos sobre as atividades desenvolvidas pela empresa. Afirma que “As atividades da ora impugnante resumemse em prestação de serviços de exploração florestal de madeira de eucalipto, e carvoejamento da mesma, e, em alguns casos transporte do carvão, em propriedades das empresas contratantes.” Afirma que foram firmados contratos de compra e venda de madeira com as empresas Sicafe e Ical, pelo valor equivalente a 40% do preço de comercialização do carvão produzido e a razão de R$40,00 por metro cúbico, respectivamente. Afirma ainda que “Importante esclarecer que das duas empresas envolvidas, Sicafe e Ical, apenas a primeira é consumidora do carvão vegetal, já que ´a única que produz ferro gusa. Por outro lado, o carvão produzido pela Impugnante para a Ical no período objeto da ação fiscal, foi vendido pela Ical para a Sicafe, motivo de todas notas fiscais terem sido emitidas pela Sicafe, já que o carvão foi por ela consumido, sendo, portanto, ali descarregado. (...) Desta forma, parte das notas fiscais emitidas pela Sicafe, aquelas que não têm desconto de 40%(quarenta por cento) referemse a vendas de carvão vegetal efetuadas pela Ical para Sicafe, e não vendas da Impugnante, donde referidas receitas não representarem renda de empresa Vanessa Lanza de Oliveira – ME, como se demonstrará ao longo da presente impugnação.” IV) PRELIMINARMENTE Da Nulidade do Lançamento de Ofício Contra a Ora impugnante. Cerceamento de Defesa. Neste tópico, entende que “Dessa forma no caso dos autos, deveria o Fisco antes de efetuar o pretenso lançamento, declarar a exclusão da empresa Impugnante da condição de microempresa, propiciandolhe a oportunidade de defesa nos termos da legislação, procedimento que não observado, caracteriza flagrante cerceamento de defesa, máxime, considerando Fl. 871DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 16/11/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13609.001621/201093 Acórdão n.º 1402001.502 S1C4T2 Fl. 872 7 que a acusação fiscal é de omissão de receitas, donde, a nulidade dos autos de infração lavrados.” V) Do Mérito A) Da inexistência de Omissão de Receitas – Inaplicabilidade do art. 24 da Lei 9.249/95. Entende que a situação dos autos, conceituada pelo fisco como omissão de receitas, indicando que os valores oferecidos à tributação são significativamente inferiores aos valores efetivamente auferidos, não encontra respaldo na norma de regência. Entende que os casos de omissão de receitas são única e exclusivamente aqueles relacionados no Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto 3.000/99, tais como saldo credor de caixa, manutenção no passivo de obrigações pagas, falta de comprovação do passivo, falta de emissão de notas fiscais, etc. Entende que ocorreu “simplesmente um equívoco no procedimento das Declarações do Simples, que não pode ser considerando como omissão de receitas, por falta de previsão legal. Em resumo, defende que a falta de escrituração de notas fiscais ou a sua escrituração sem o registro nas declarações apresentadas à administração tributária não se constituem em omissão de receitas e, portanto, conclui que os valores das operações efetuadas não podem ser objeto de lançamento. B) Ilegalidade da Receita Bruta Mensal Adotada para Efeito de Constituição do Suposto Crédito Tributário. Afirma que a Ical quando intimada a prestar informações, só o fez em relação ao ano de 2007, porque a intimação restringiuse àquele ano. Destaca: “Contudo, ela teve participação direta nas operações questionadas relativas aos anos de 2005 e 2006, pois, contratou a Impugnante para fabricação de carvão em sua propriedade, conforme contrato, vendendoo à Sicafe Produtos Siderúrgicos Ltda, onde o carvão foi diretamente entregue. Como já esclarecido anteriormente todas as notas fiscais de entrada emitidas pela Sicafe, sem desconto de 40%(quarenta por cento) referente carvão vegetal produzido nas Fazendas do Tronco e Fazenda Morrinhos, foi vendido para a Sicafe pela Ical e não pela Impugnante. O carvão era entregue diretamente para a Sicafe, pois lá era consumido, mas apesar da Nota Fiscal de entrada ter sido emitida pelo total em nome da Impugnante como remetente, a Impugnante só recebeu a parte que lhe tocava nos termos do contrato, já que a outra parte foi repassada diretamente para a vendedora Ical, pela compradora Sicafe.” C) Da Multa Agravada de 150% Injuricidade Fl. 872DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 16/11/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13609.001621/201093 Acórdão n.º 1402001.502 S1C4T2 Fl. 873 8 Transcrevendo ementas de decisões administrativas, conclui que a aplicação da multa agravada não se sustenta por não ter havido falta de entrega de declaração, não ter sido apurada omissão de receitas, não houve falta de atendimento às intimações, a documentação solicitada foi apresentada, a situação não se enquadra nas disposições do art. 71 da Lei 4.502/64, não ocorreu qualquer ação ou omissão dolosa e o procedimento fiscal utilizouse de documentação fiscal emitida e apresentada pela própria Impugnante. D) Autos de infração referentes aos demais tributos Solicita que os argumentos apresentados sejam estendidos aos demais tributos objetos do lançamento. VI) Dos pedidos Reitera a pretensão de nulidade do feito fiscal, e, se ultrapassada, no mérito, propugna pelo cancelamento dos autos de infração. 2 DA IMPUGNAÇÃO APRESENTADA PELO SR. CLÉBIO BAHIA DE VASCONCELOS JUNIOR Contestando a sua indicação como devedor solidário, o Senhor CLÉBIO BAHIA DE VASCONCELOS JUNIOR apresenta a impugnação de fls. 280/286, registrando no preâmbulo: “Clébio Bahia de Vasconcelos Junior, residente na Rua Maceió, nº 116, Apto 201, Bairro Canaan, Sete Lagoas, MG, CPF nº 260.612.95634, tendo sido intimado na condição de responsável solidário por auto de infração lavrado, contra a ME Vanessa Lanza de Oliveira, vem, no prazo e forma legal, com fulcro no artigo 5º. Inciso LV da CF, artigos 9.º, II e 58, cc. Art. 69 da Lei 9.784/99, e art. 174 da Portaria MF 95/2007, apresentar Impugnação contra o referido Termo de Sujeição Passiva, pelos motivos e razões seguintes:” No tópico I) Do Direito de Apresentação da Presente Impugnação, afirma: “A Lei 9.784/99 ao tratar dos legitimados no processo administrativo arrola em seu art. 9º. II, dentre os demais, aqueles que, sem terem iniciado o processo têm direitos ou interesses que possam ser afetados pela decisão a ser adotada, arrematando em seu artigo 58 que têm legitimidade passiva pra interpor recurso administrativo aqueles cujos direitos ou interesses forem indiretamente afetados pela decisão recorrida. (...) Com efeito, se na realização do lançamento a autoridade administrativa imputa a suposta obrigação tributária não apenas ao contribuinte de direito, mas, também a terceiros, como in casu, a legitimação do ora Impugnante para apresentação desse recurso administrativo, é inconteste, pois, só assim, poderá exercer plenamente seu direito ao contraditório e à ampla defesa.” Fl. 873DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 16/11/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13609.001621/201093 Acórdão n.º 1402001.502 S1C4T2 Fl. 874 9 No tópico II) Da motivação Fiscal para lavratura do Termo de Sujeição Passiva Solidária contra o Ora Impugnante, transcreve trechos do Relatório de Auditoria Fiscal e sua resposta à intimação fiscal, a saber: “Em relação ao referido termo de diligência fiscal, tenho a manifestar o seguinte: 1) Que além de procurador sou esposo da titular da empresa Vanessa Lanza de Oliveira, conforme se poderá comprovar pela inscrição de firma individual e certidão de casamento. 2) Na qualidade de procurador recebo os créditos e também realizo o pagamento dos débitos da empresa, tais como fornecedores, folha de funcionário etc., sendo esta a razão dos valores referentes ao faturamento estarem sendo pagos ou depositados em minha conta” E arremata “Com base unicamente nesses fatos, concluiu o Fisco pela lavratura de Termo de Responsabilidade contra o Impugnante, procedimento, data maxima venia, absurdo e manifestamente injurídico.” No tópico III) Da não participação do Impugnante do Quadro Social da empresa autuada, afirma nos trechos abaixo literalmente transcritos, que “O impugnante nega de forma peremptória e veemente qualquer participação nas operações realizadas pela empresa autuada, já que nunca participou sob qualquer aspecto de seu quadro social, não podendo, por conseguinte, ser colocado, como sujeito passivo solidário por suposto crédito tributário contra ela constituído. Demais disso, não aponta o Relatório Fiscal que foi para sua residência enviado, qualquer prova capaz de sustentar a pretensão fiscal., A própria fiscalização, informa que o único motivo para lavratura do Termo de Responsabilidade Solidária, foi o fato de que o impugnante tinha procuração para receber créditos e efetuar pagamentos de despesas, fato confirmado por ele próprio. Contudo esses fatos não podem ser considerados para a determinação de obtenção de suposta vantagem relacionada ao fato gerador, como supõe a fiscalização.” Citando o artigo 150, I, da Constituição Federal, o artigo 142 do CTN e o artigo 332 do Código de Processo Civil, entende que a conclusão fiscal está estribada em mera suspeita, que a fiscalização deveria iniciar um processo de identificação dos elementos capazes de fazer prova da acusação por força do princípio da estrita legalidade e da motivação. Enfim, conclui que não se encontra cabalmente provada a sua participação na gerência da empresa. Depois de transcrever o artigo 128 do Código Tributário Nacional, destaca: Fl. 874DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 16/11/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13609.001621/201093 Acórdão n.º 1402001.502 S1C4T2 Fl. 875 10 “Como se vê, na linha do entendimento jurisprudencial pacificado, há necessidade de que o administrador ou responsável tenha gerido a empresa no período em que ocorreram os fatos geradores da obrigação tributária, gestão esta, que deverá ser comprovada materialmente demonstrandose que o mesmo participou de todas operações de compra e venda de mercadorias, recebeu lucros e dividendos, e ainda, que seu patrimônio tenha aumentado, justificando, e comprovando, em consequência, a acusação fiscal. No caso dos autos, essa comprovação não existe, sob nenhuma forma, máxime, considerando que o Impugnante nunca compôs o quadro social da empresa fiscalizada, donde, impossível se falar em Responsabilidade Passiva Solidária. Demais disso, a responsabilidade tributária não é matéria de livre criação e alteração pelo legislador, infraconstitucional. A Constituição Federal de 1988 estabelece, implícita ou explicitamente, limitações às quais a produção normativa inferior relativa ao tema está adstrita.” Finaliza sua peça recursal, com o item IV) Do Pedido: “A vista do exposto, requer seja julgada procedente a impugnação, para excluir o Impugnante do pólo passivo da relação jurídica. Protesta provar o alegado por todos os meios de prova em direito permitidas, inclusive, juntada de novos documentos.” A turma julgadora de primeira instância não conheceu da impugnação apresentada pelo contribuinte por ser considerada intempestiva. Em relação à impugnação apresentada pelo coobrigado, julgaramna improcedente. A ementa do acórdão ficou assim redigida: TEMPESTIVIDADE Expirado o prazo de trinta dias para impugnação, deve ser declarada a revelia, sendo que eventual petição, apresentada fora do prazo, não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade, como preliminar. Desta forma, a autoridade julgadora encontrase impedida de apreciar impugnação apresentada depois de transcorrido o prazo regulamentar definido em lei. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. No desempenho das atividades de verificação da regularidade do cumprimento das obrigações tributárias principais e acessórias pelo contribuinte, e de formalização dos créditos tributários daí decorrentes, os agentes fiscais têm uma atuação estritamente vinculada à Lei. Verificada a ocorrência de infração à legislação tributária, por dever de ofício, esses agentes públicos devem proceder à formalização da exigência dos tributos, acréscimos legais e penalidades aplicáveis. Sujeição Passiva Solidária Respondem solidariamente pelo crédito tributário as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da Fl. 875DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 16/11/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13609.001621/201093 Acórdão n.º 1402001.502 S1C4T2 Fl. 876 11 obrigação principal. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes às obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2005, 2006, 2007 Matéria não impugnada. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada. O contribuinte foi cientificado da decisão em 29 de abril de 2011 (fl. 344 e 395). O coobrigado foi intimado em 03 de junho de 2011 (fl. 396397). Em 11 de maio de 2011 foi apresentado recurso voluntário subscrito tanto pelo contribuinte quanto pelo coobrigado (fls. 398414). Além de reforçar os argumentos utilizados em ambas as impugnações, alegam que: a decisão recorrida é nula por não enfrentar a impugnação do contribuinte; como ambas as impugnações foram protocoladas na mesma data, tratam do mesmo processo, e, inclusive, o julgamento foi realizado em um só acórdão, necessariamente a impugnação do contribuinte também foi apresentada tempestivamente; o acórdão recorrido, ainda que somente na ementa, adentrou no mérito da autuação; como a petição apresentada pelo contribuinte foi recebida pela unidade preparadora como impugnação, e não foi declarada sua intempestividade, não competiria mais à DRJ analisar tais requisitos, conforme dispõe o art. 21, § 2º, do Decreto nº 70.235, de 1972. É o Relatório. Fl. 876DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 16/11/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13609.001621/201093 Acórdão n.º 1402001.502 S1C4T2 Fl. 877 12 Voto O contribuinte foi cientificado da decisão de primeira instância em 29 de abril de 2011. O coobrigado foi intimado em 06 de junho de 2011. Foi protocolado um único recurso voluntário em 11 de maio de 2011, subscrito pelo contribuinte e pelo coobrigado. Contados da data de ciência do contribuinte, o recurso é tempestivo. Considerandose que o coobrigado somente foi intimado em 06 de junho de 2011, portanto, em data posterior à apresentação do recurso, o recurso poderia ser considerado extemporâneo. Contudo, com base no princípio do informalismo moderado um dos pilares rege o processo administrativo fiscal , entendo que o recurso do coobrigado deve ser considerado tempestivo. Preenchidos os demais requisitos, tomo conhecimento do recurso, exceto quanto às matérias alcançadas pela preclusão, conforme se abordará a seguir. Da intempestividade da impugnação do contribuinte e seus efeitos Compulsando os autos, constatase que o contribuinte tomou ciência dos autos de infração em 14 de dezembro de 2010, uma terçafeira (fl. 301), apresentando impugnação em 14 de janeiro de 2011, uma sextafeira (fls. 319328). O início da contagem do prazo de 30 dias para apresentação de impugnação do contribuinte se deu em 15 de dezembro de 2010, sendo que o trigésimo e último dia para sua interposição foi em 13 de janeiro de 2011. Logo, a impugnação do contribuinte é, inexoravelmente, intempestiva. A autoridade a quo examinou muito bem a questão, chamando a atenção para pontos cruciais, transcritos a seguir: No documento de fls. 288 [ fl. 319, numeração eletrônica], a empresa afirma: “(...) vem, no prazo e forma regulamentares, apresentar impugnação contra o referido lançamento pelos motivos e razões seguintes:” Apresenta suas razões de defesa, conforme relatado acima. Não há em outra linha do documento de fls. 288/297 [fls. 319328], qualquer referência à tempestividade. Não apresenta qualquer argumento ou motivo pelo qual entenda ser sua impugnação tempestiva. Simplesmente consigna “no prazo e forma regulamentares” de forma absolutamente isolada e automática, por ser prática dos interessados em geral assim apresentar as impugnações. Desta forma, concluo não estar formalmente caracterizada ou suscitada a tempestividade, como preliminar. Considerando que a competência da Delegacia da Receita Federal de Julgamento para examinar impugnação ou manifestação de inconformidade somente se Fl. 877DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 16/11/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13609.001621/201093 Acórdão n.º 1402001.502 S1C4T2 Fl. 878 13 estabelece após a instauração da fase litigiosa, e que a tempestividade não foi caracterizada ou suscitada, a impugnação não deve ser conhecida. A questão não mereceria maiores debates caso a impugnação apresentada tempestivamente pelo coobrigado adentrasse no mérito do lançamento. Contudo, assim não o fez, limitandose a questionar a responsabilidade tributária que lhe foi imputada. Nesse cenário, considerase litigiosa somente a matéria atinente à responsabilidade do coobrigado, precluindose o direito de se questionar questões ligadas à correição da constituição do crédito tributário. A preclusão é matéria de lei e seus efeitos ocorrem independentemente de pronunciamento da autoridade administrativa. No caso dos autos, a declaração de preclusão emanada na decisão recorrida possui efeitos meramente declaratórios, pois a preclusão se deu no momento em que o contribuinte deixou de apresentar tempestivamente a impugnação e o coobrigado, embora a apresentando de forma tempestiva, deixou de questionar legalidade do crédito tributário constituído. Tais conclusões advém do disposto no art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, verbis: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Da ausência de impugnação a uma ou mais infrações decorre a exigibilidade imediata do crédito tributário correspondente, conforme dispõe o § 1º do art. 21 do Decreto nº 70.235, de 1972, transcrito a seguir: Art. 21. Não sendo cumprida nem impugnada a exigência, a autoridade preparadora declarará a revelia, permanecendo o processo no órgão preparador, pelo prazo de trinta dias, para cobrança amigável. § 1º No caso de impugnação parcial, não cumprida a exigência relativa à parte não litigiosa do crédito, o órgão preparador, antes da remessa dos autos a julgamento, providenciará a formação de autos apartados para a imediata cobrança da parte não contestada, consignando essa circunstância no processo original. Convém ressaltar que o Decreto nº 7.574, de 2011, que regulamenta o processo de determinação e exigência de créditos tributários da União, em seu art. 56, além de reforçar que somente a impugnação tempestiva instaura a fase litigiosa do procedimento (caput e § 2º), em seus §§ 3º e 4º dispõe sobre as autuações com pluralidade de sujeitos passivos. Por oportuno, transcrevese os dispositivos citados: Art. 56. A impugnação, formalizada por escrito, instruída com os documentos em que se fundamentar e apresentada em unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil com jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo, bem como, remetida por via postal, no prazo de trinta dias, contados da data da ciência da intimação da exigência, instaura a fase litigiosa do procedimento (Decreto no 70.235, de 1972, arts. 14 e 15). Fl. 878DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 16/11/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13609.001621/201093 Acórdão n.º 1402001.502 S1C4T2 Fl. 879 14 [...] § 2o Eventual petição, apresentada fora do prazo, não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade, como preliminar. § 3o No caso de pluralidade de sujeitos passivos, caracterizados na formalização da exigência, todos deverão ser cientificados do auto de infração ou da notificação de lançamento, com abertura de prazo para que cada um deles apresente impugnação. § 4o Na hipótese do § 3o, o prazo para impugnação é contado, para cada sujeito passivo, a partir da data em que cada um deles tiver sido cientificado do lançamento. [grifo nosso] Portanto, não havendo impugnação contra a exigência do crédito tributário, este passou a ser exigível imediatamente do contribuinte, mas não do coobrigado em face da tempestividade da impugnação e do recurso voluntário. A esse respeito, a Portaria RFB nº 2.284, de 2010, tratando a questão de forma absolutamente lógica, muito bem aborda as consequências da ausência de impugnação, ou de impugnações versando única e exclusivamente sobre a responsabilidade tributária: Art. 7 º A impugnação tempestiva apresentada por um dos autuados suspende a exigibilidade do crédito tributário em relação aos demais. § 1 º O disposto neste artigo não se aplica na hipótese em que a impugnação versar exclusivamente sobre o vínculo de responsabilidade, caso em que só produzirá efeitos em relação ao impugnante. [...] § 3 º No caso de impugnação quanto ao crédito tributário e quanto ao vínculo da responsabilidade e, posteriormente, recurso voluntário apenas no tocante ao vínculo, a exigência quanto ao crédito tributário tornase definitiva para os demais autuados que não recorreram. [grifo nosso] Nesse sentido, correta a decisão de primeira instância ao não analisar o mérito da autuação, não caracterizando, portanto, qualquer nulidade, em especial quanto ao cerceamento do direito de defesa. Como consequência, não merece conhecimento a matéria aventada em sede de recurso voluntário que não tenha sido objeto de impugnação, operando a constituição definitiva do crédito tributário relativo a tal matéria. Da responsabilidade tributária do coobrigado Clébio Bahia de Vasconcelos Junior Conforme já explanado, o recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade quanto à análise da responsabilidade tributária Fl. 879DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 16/11/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13609.001621/201093 Acórdão n.º 1402001.502 S1C4T2 Fl. 880 15 atribuída ao senhor Clébio Bahia de Vasconcelos Junior. Com tais ressalvas, dele, portanto, tomo conhecimento. Alguns fatos apontados pelo Fisco são incontroversos, como se pode observar de manifestação do próprio coobrigado em usa impugnação (fls. 313314): Do Relatório de Auditoria Fiscal, lavrado contra a empresa Vanessa Lanza de Oliveira – ME, remetido ao ora impugnante colhese as seguintes colocações: “fls.165vDurante a realização da fiscalização foi constatado que a assinatura das notas fiscais avulsas de produtor rural e os recibos de pagamentos eram assinados pelo Sr. CLÉBIO BAHIA DE VASCONCELOS JUNIOR e que as transferências bancárias, também, eram realizadas na conta do mesmo. Foi verificado, ainda, que o Sr. CLÉBIO BAHIA DE VASCONCELOS JUNIOR possui uma procuração da empresa VANESSA LANZA DE OLIVEIRA ME dando a ele poderes amplos e irrestritos. Esta procuração é assinada por VANESSA LANZA DE OLIVEIRA, que segundo declaração do Sr. Clébio, é sua esposa.” E conclui o ilustre autuante, em seguida(fls. 165v): “desta forma imputamos a responsabilidade solidária, ao Sr. Clébio Bahia de Vasconcelos Junior. Conforme demonstrado acima, o mesmo obtém vantagem financeira relacionada ao fato gerador, portanto, é beneficiário e exerce a gerência da empresa através de procuração”. Já às fls. 160, o Sr. Clébio Bahia de Vasconcelos Junior, atendendo intimação para esclarecimentos, sobre os fatos, informou: “Em relação ao referido termo de diligência fiscal, tenho a manifestar o seguinte: 1) Que além de procurador sou esposo da titular da empresa Vanessa Lanza de Oliveira, conforme se poderá comprovar pela inscrição de firma individual e certidão de casamento. 2) Na qualidade de procurador recebo os créditos e também realizo o pagamento dos débitos da empresa, tais como fornecedores, folha de funcionário etc., sendo esta a razão dos valores referentes ao faturamento estarem sendo pagos ou depositados em minha conta” Com base unicamente nesses fatos, concluiu o Fisco pela lavratura de Termo de Responsabilidade contra o Impugnante, procedimento, data máxima vênia, absurdo e manifestamente injurídico.” Vêse, assim, que o próprio coobrigado reconhece a ocorrência dos seguintes fatos: é procurador da empresa, com plenos poderes, mediante procuração de fls. 173, outorgada por sua esposa, Sra. Vanessa Lanza de Oliveira, CPF 546.487.93668, Fl. 880DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 16/11/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13609.001621/201093 Acórdão n.º 1402001.502 S1C4T2 Fl. 881 16 empresário individual (“firma individual”) Vanessa Lanza de Oliveira, CNPJ 04.189.993/0001 42; recebe créditos; realiza pagamentos, tais como fornecedores, funcionários, etc. os valores referentes ao faturamento eram depositados em sua conta corrente, pessoa física. As conclusões da autoridade a quo sobre tais fatos muito bem demonstram a correição de imputação de responsabilidade tributária ao ora Recorrente. Transcrevoas a seguir: Portanto, estes não são os “únicos” fatos. São os fatos. Determinantes e comprobatórios de que jamais a Sr. Vanessa Lanza de Oliveira exerceu qualquer ato gerencial na empresa que leva o seu nome. Ao contrário, provado está que todas, absolutamente todas as decisões, recebimento de valores, pagamentos, assinaturas de contratos, etc, eram realizados pelo impugnante. E mais: as receitas auferidas pela empresa eram depositadas em sua conta corrente. Não transitavam pela conta da empresa, muito menos pela conta da Sra. Vanessa. A utilização destes valores era decisão isolada do Sr. Clébio. Desta maneira, não resta qualquer dúvida de que a gerência integral da empresa era exercida única e exclusivamente pelo impugnante, como ele próprio afirma na resposta à intimação e confirma na impugnação. No que diz respeito ao argumento expresso no tópico III) Da não participação do Impugnante do Quadro Social da empresa autuada, o próprio impugnante oferece contraargumentos ao afirmar que: “Por outro lado, adargumentandum as pessoas jurídicas têm existência distinta, ou seja, têm personalidade que lhes possibilita ser sujeito de direitos e obrigações no mundo jurídico. Em outras palavras, a sociedade empresária é a pessoa responsável pelo cumprimento das obrigações que contraiu, pelo fato de que a regra é a diferenciação de personalidade entre membros e sociedade. Não obstante isso, o Código Tributário Nacional, em seu artigo 128, estabelece parâmetros ao veicular a possibilidade de responsabilização de terceiros pela extinção do crédito tributário quando diz que: Art. 128 Sem prejuízo do disposto neste capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação.” Fl. 881DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 16/11/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13609.001621/201093 Acórdão n.º 1402001.502 S1C4T2 Fl. 882 17 Percebese facilmente da leitura do art. 128 do CTN que o legislador está autorizado a atribuir a responsabilidade pelo pagamento do tributo a terceiros. Todavia, desde que estes estejam vinculados ao fato gerador da suposta obrigação, fato não provado nos autos, máxime, considerando que o Impugnante nunca participou do quadro social da empresa fiscalizada. Na verdade, as seguintes ideias precisam ser apreendidas para que se compreenda em que casos é possível atribuir responsabilidade tributária a alguém. Primeiramente, o contribuinte é quem deve suportar o ônus pelo pagamento do tributo, já que é este quem revela capacidade contributiva ao praticar o respectivo fato gerador. Segundo, o terceiro apenas pode ser responsabilizado quando tenha alguma relação com o fato gerador ou seja, no caso dos autos, tenha participado financeiramente das operações indicadas pela fiscalização, prova esta inexistente na documentação remetida ao ora Impugnante já que suas atividades autorizadas por procuração, relevam que o mesmo recebendo créditos e efetuando pagamentos de despesas desempenha simples atividades burocráticas inerentes a um funcionário de confiança.” Nesse cenário, restou evidente que o coobrigado estava à frente da empresa, não só gerenciandoa plenamente, como também movimentando recursos dela em sua conta corrente, recursos esses que jamais transitaram pela contabilidade da empresa, conforme demonstrado e provado pela Fiscalização. Incorre em equívoco o Recorrente ao concluir que não poderia ser responsabilizado pelo fato de nunca ter participado do quadro social da empresa. O Código Tributário Nacional (CTN), em seu art. 121, parágrafo único, classifica a figura do sujeito passivo da obrigação tributária em duas modalidades: o contribuinte e o responsável; o art. 124 trata da solidariedade e o 135 contempla a possibilidade de responsabilizar terceiros pelo crédito tributário devido pela jurídica, conforme dispositivos transcritos a seguir: Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz se: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Fl. 882DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 16/11/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13609.001621/201093 Acórdão n.º 1402001.502 S1C4T2 Fl. 883 18 Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: (...) II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado.” O argumento do Recorrente quanto à possibilidade de se atribuir responsabilidade pelo pagamento do tributo a terceiros “desde que estes estejam vinculados ao fato gerador da suposta obrigação” está correto e é justamente o que demonstra o acerto da Fiscalização em responsabilizálo. Conforme já salientado, o Recorrente era responsável pelas compras e vendas da empresa, recebimentos, pagamentos, dava quitação e assinava contratos e movimentava os recursos da empresa em sua própria conta corrente participou da própria ocorrência do fato gerador. Resta caracterizado, portanto, o interesse comum de que trata o artigo 124, I, do CTN, não se confundindo com o interesse econômico, mas sim com questão relacionada à prática do fato gerador. Embora a Fiscalização não tenha enquadrado a responsabilidade também no art. 135, III, do CTN, as provas coligidas, e o próprio teor do recurso em análise, corroboram com a responsabilização atribuída ao Recorrente. A respeito dos demais pontos abordados em recurso, em nada alteram o panorama já exposto, posto que restou caracterizada a solidariedade de que trata o art. 124, I, do CTN. Conclusão Ante o exposto, voto por não conhece do recurso quanto às matérias preclusas (legalidade da constituição do crédito tributário), rejeitar a arguição de nulidade da decisão recorrida, e, no mérito, negar provimento ao recurso. Fernando Brasil de Oliveira Pinto Relator Fl. 883DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 16/11/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13609.001621/201093 Acórdão n.º 1402001.502 S1C4T2 Fl. 884 19 Fl. 884DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 16/11/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 10980.009214/2008-74
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Nov 25 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
DEDUÇÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA - PRECLUSÃO.
Resta preclusa a matéria questionada apenas na fase recursal, não debatida na primeira instância e considerada como tal não-impugnada na decisão recorrida.
DEDUÇÃO. PREVIDÊNCIA PRIVADA.
Quando a fiscalização glosa a dedução com previdência privada unicamente em razão de apresentação de documento que identifique o beneficiário do plano, cabe ao contribuinte a apresentação de documento contendo a identificação correta do beneficiário sob pena de se manter tal glosa.
DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS. INDÍCIO DE INIDONEIDADE. COMPROVAÇÃO EFETIVO PAGAMENTO. POSSIBILIDADE.
Recibos emitidos por profissionais da área de saúde com observância aos requisitos legais são documentos hábeis para comprovar dedução de despesas médicas, salvo quando comprovada nos autos a existência de indícios veementes de que os serviços consignados nos recibos não foram de fato executados ou o pagamento não foi efetuado.
Preliminar Rejeitada.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2801-003.103
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Marcelo Vasconcelos de Almeida, Márcio Henrique Sales Parada, José Valdemir da Silva, Eivanice Canário da Silva e Tânia Mara Paschoalin.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin Presidente em exercício.
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Márcio Henrique Sales Parada e Eivanice Canário da Silva.
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006 DEDUÇÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA - PRECLUSÃO. Resta preclusa a matéria questionada apenas na fase recursal, não debatida na primeira instância e considerada como tal não-impugnada na decisão recorrida. DEDUÇÃO. PREVIDÊNCIA PRIVADA. Quando a fiscalização glosa a dedução com previdência privada unicamente em razão de apresentação de documento que identifique o beneficiário do plano, cabe ao contribuinte a apresentação de documento contendo a identificação correta do beneficiário sob pena de se manter tal glosa. DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS. INDÍCIO DE INIDONEIDADE. COMPROVAÇÃO EFETIVO PAGAMENTO. POSSIBILIDADE. Recibos emitidos por profissionais da área de saúde com observância aos requisitos legais são documentos hábeis para comprovar dedução de despesas médicas, salvo quando comprovada nos autos a existência de indícios veementes de que os serviços consignados nos recibos não foram de fato executados ou o pagamento não foi efetuado. Preliminar Rejeitada. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Marcelo Vasconcelos de Almeida, Márcio Henrique Sales Parada, José Valdemir da Silva, Eivanice Canário da Silva e Tânia Mara Paschoalin. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente em exercício. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Márcio Henrique Sales Parada e Eivanice Canário da Silva.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2179; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE01 Fl. 96 1 95 S2TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.009214/200874 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2801003.103 – 1ª Turma Especial Sessão de 16 de julho de 2013 Matéria IRPF Recorrente MERI IONICE MAFRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 DEDUÇÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA PRECLUSÃO. Resta preclusa a matéria questionada apenas na fase recursal, não debatida na primeira instância e considerada como tal nãoimpugnada na decisão recorrida. DEDUÇÃO. PREVIDÊNCIA PRIVADA. Quando a fiscalização glosa a dedução com previdência privada unicamente em razão de apresentação de documento que identifique o beneficiário do plano, cabe ao contribuinte a apresentação de documento contendo a identificação correta do beneficiário sob pena de se manter tal glosa. DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS. INDÍCIO DE INIDONEIDADE. COMPROVAÇÃO EFETIVO PAGAMENTO. POSSIBILIDADE. Recibos emitidos por profissionais da área de saúde com observância aos requisitos legais são documentos hábeis para comprovar dedução de despesas médicas, salvo quando comprovada nos autos a existência de indícios veementes de que os serviços consignados nos recibos não foram de fato executados ou o pagamento não foi efetuado. Preliminar Rejeitada. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Marcelo Vasconcelos de Almeida, Márcio Henrique Sales Parada, José Valdemir da Silva, Eivanice Canário da Silva e Tânia Mara Paschoalin. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 92 14 /2 00 8- 74 Fl. 105DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 05/ 11/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10980.009214/200874 Acórdão n.º 2801003.103 S2TE01 Fl. 97 2 Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Presidente em exercício. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Márcio Henrique Sales Parada e Eivanice Canário da Silva. Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 4a Turma da DRJ/CTA (Fls. 65), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Trata o presente processo de Notificação de Lançamento de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, às fls. 08/13, lavrada em face da revisão da declaração de ajuste anual do exercício de 2006, anocalendário de 2005, que exige R$ 6.064,03 de imposto suplementar, R$ 4.548,02 de multa de ofício de 75%, e encargos legais. Consoante descrição dos fatos do Auto de Infração às fls. 10/13, foram constatadas: deduções indevidas de: (a) previdência privada (R$ 5.900,00) por falta de comprovação do beneficiário; (b) dependente que apresentou declaração em separado (R$ 1.404,00); (c) despesas de instrução (R$ 2.198,00) relativas a não dependente e; (d) despesas médicas, no valor de R$ 12.549,02, sendo: por falta de comprovação do efetivo pagamento as despesas havidas com Romano A R T Junior (R$ 1.600,00) e Regina E G Lopes (R$ 2.960,00); por falta de especificação profissional ou conselho de classe de Chang F Yang (R$ 60,00); e R$ 7.929,02 da Unimed por falta de especificação dos beneficiários e respectivos valores. Cientificada em 03/06/2008 (fl. 51), a interessada apresentou, em 27/06/2008, a impugnação de fls. 02/05, instruída com os documentos de fls. 06/33, onde, após breve relato dos fatos, argumenta que inobstante os esclarecimentos prestados foi surpreendida em 16/06/2008, com a Notificação de Lançamento que lhe exigiu o crédito tributário ora reclamado. Argumenta que as glosas das despesas médicas não podem prosperar, eis que realizadas e por ela pagas, conforme documentos apresentados à autoridade lançadora e agora reapresentados, no caso, R$ 1.600,00 relativos a Romano A R T Junior, R$ 2.960,00 à Regina E G Lopes, R$ 60,00 a Chang F Yang e R$ Fl. 106DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 05/ 11/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10980.009214/200874 Acórdão n.º 2801003.103 S2TE01 Fl. 98 3 7.929,02 à Unimed. Aduz que diversos pagamentos foram efetuados em moeda corrente, conforme relatório minucioso e detalhado que reapresenta. Elabora demonstrativo, onde apura saldo de imposto devido de R$ 5.097,17, que deduzidos do IRRF (R$ 1.133,21) e do saldo de imposto a pagar declarado (R$ 3.963,96), restaria apenas R$ 990,55 de imposto suplementar a ser recolhido. Por fim, requer o acolhimento das suas razões e a improcedência da exigência imposta. Solicitouse a diligência de fl. 52, atendida pela juntada dos documentos de fls. 53/63. Passo adiante, a 4ª Turma da DRJ/CTA entendeu por bem julgar a impugnação procedente em parte, em decisão que restou assim ementada: MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. DEPENDENTE. DESPESA DE INSTRUÇÃO. Considerase nãoimpugnada a matéria não contestada ou com a qual a contribuinte concorda expressamente. DEDUÇÃO. PREVIDÊNCIA PRIVADA. COMPROVAÇÃO. Mantémse a glosa da dedução da contribuição à previdência privada, quando os pagamentos não restarem comprovados por documentação hábil e idônea. DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. PLANO DE SAÚDE PRÓPRIO. COMPROVAÇÃO. Comprovado o direito à dedução de despesas havidas com o plano de saúde próprio, cabe proceder ao ajuste correspondente no lançamento. DESPESAS MÉDICAS. EFETIVO DESEMBOLSO PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual está sempre vinculada à comprovação prevista em lei e restringese aos pagamentos efetuados pelos contribuintes, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, podendo ser exigida a demonstração do efetivo desembolso e prestação dos serviços, que não se considera suprida pela apresentação de relação de supostos saques Cientificada em 16/08/2011 (Fls. 75), a Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 09/09/2011 (fls. 76 a 79), argumentando em síntese: (...) 2.2. – A Declaração do IRPF da recorrente foi RETIFICADA justamente para excluir os dependentes no valor de 1.404,00, e as despesas de instrução no valor de R$ 2.198,00, apurandose o VALOR TRIBUTÁVEL DE R$38.841,35, enquanto quer na RETIFICADA, a BASE DE CÁLCULO APURADA fora de Fl. 107DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 05/ 11/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10980.009214/200874 Acórdão n.º 2801003.103 S2TE01 Fl. 99 4 R$35.239,35, conforme comprovase pelas cópias juntados aos autos. 2.3. – Desta forma, a impugnação às glosas, foram efetuadas pela recorrente com base na Declaração RETIFICADORA, e ao que faz transparecer, a decisão da 4ª T. baseouse na DIRPPF RETIFICADA entregue em 28/04/2006, sob o recibo nº.26.57.77.94.0496, na qual havia sido apurado o IRPF de R$2.973,41. (...) 3.3 – Ora, quando da solicitação de esclarecimentos pela Auditoria, foi apresentadolhe justamente o Informe de Rendimentos fornecido pela Icatu Hartford, o qual serviu de base para lançamento da declaração de ajuste, sendo este, o único documento legal exigido pelo RIR e pelas normas emanadas da SRF para dedução dos pagamentos efetuados a título de previdência privada. 3.4. – Para corroborar o ora alegado, a recorrente junta ao presente, mais uma vez, o referido Informe de Rendimentos, inobstante já constar dos autos do processo administrativo, eis que anexado `impugnação. (...) 3.6. – Portanto, a dedução efetuada a título de pagamento à previdência privada, está respaldada em documento idôneo e legítimo previsto na legislação, e tem como beneficiária a recorrente, não havendo assim, qualquer procedência para a sua glosa, uma vez que atendida as exigências legais, devendo pois, ser reformada a decisão. (...) IV. DAS DESPESAS MÉDICAS. EFETIVO DESEMBOLSO PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO (...) 4.2. – Todavia, não tem qualquer procedência a alegação de que não foram comprovadas, eis que, não só foram, apresentadas através do Termo de Esclarecimentos quando solicitados pela Auditora Fiscal, como também, foram devidamente anexados à Impugnação. 4.3. – Tratamse de despesas efetuadas e pagas pela recorrente, conforme os recibos acostados aos autos, devidamente identificados pelos médicos e nominados em favor da recorrente. (...) 4.7. – Por fim, cumpre esclarecer que, quando da revisão fiscal pela despesa a este título, no valor de R$1.272,00, não havendo Fl. 108DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 05/ 11/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10980.009214/200874 Acórdão n.º 2801003.103 S2TE01 Fl. 100 5 motivo e fundamento para não acatar o saldo restante, eis que, todos os pagamentos foram comprovados. (...) 5.1. – Quanto às diferenças do IRPF atinente às despesas não impugnadas, no valor de R$ 990,55, a recorrente informa que foi objeto de pedido de parcelamento, de acordo com as cópias em anexo, tendo recolhido a 1ª parcela em 30/08/2011, conforme depreendese do DARF ora acostado. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. Preliminarmente, a Recorrente contesta a parte da decisão da DRJ que considerou não impugnada a parte relativa a deduções com o dependente Leancarlo, no valor de R$1404,00, e respectiva despesa de instrução, no valor de R$ 2.198,00. Segundo a contribuinte houve sim a contestação desta glosa e informa que Declaração Retificadora, entregue antes do início dos procedimentos fiscais, teria excluído tais valores das deduções com dependente e correspondente despesas com instrução. Compulsando os autos, percebo que a contribuinte realmente não contesta tais deduções. Chegando, inclusive a apresentar cálculos Para melhor ilustrar, a recorrente anexa ainda ao presente, cópia da Decl. de Ajuste Anual do IR/PF do ano calendário sub exame, como se retificadora fosse, onde demonstrase os seguintes resultados: (pág 04 dos autos) Penso que tal argumento “como se retificadora fosse” se deve ao fato de que a Declaração Retificadora, constante na página 41 dos autos, informa o mesmo valor de dedução com dependente e despesas com instrução apresentado na Declaração Original. Deste modo, correto foi o entendimento da DRJ em considerar tal matéria não impugnada. Não impugnada a matéria não há como dela tomar conhecimento em sede recursal. Ademais, ressaltase que a fase recursal tem como fundamento o princípio do duplo grau de cognição, o qual atende ao princípio da ampla defesa. Nas palavras de JAMES MARINS: Fl. 109DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 05/ 11/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10980.009214/200874 Acórdão n.º 2801003.103 S2TE01 Fl. 101 6 “A idéia de revisão recursal dos julgamentos administrativos ou judiciais atende a necessidades de qualidade e segurança da prestação estatal julgadora e é imperativo jurídico expresso no art. 5º, LV, da CF/88. Representa, o direito a recurso, manifestação axiomática do direito à ampla defesa. Denominase de “hierárquico” o recurso que submete a revisão da decisão a órgão julgador, monocrático ou colegiado, de hierarquia superior, competente para reapreciação e rejulgamento da lide fiscal. (Direito processual tributário brasileiro: administrativo e judicial. 4. ed. São Paulo: Dialética, 2005. Pg. 196)”. Da afirmação acima é possível compreender que o recurso tem como objetivo a revisão da decisão da DRJ. Dentro deste enfoque, fica estabelecida limitação ao Recorrente, no sentido de possuir prazo específico para alegar toda a defesa que entenda necessária, de modo que, passada esta fase depois de iniciado o processo administrativo, o Recorrente não pode, no recurso, alegar matéria não impugnada. Caso contrário, terse ia a análise inicial de defesa na fase recursal, o que causaria enorme contradição, pois não haveria quem analisasse em fase de recurso os argumentos levantados apenas em etapa recursal. Este colegiado até tem entendido que a aplicação do princípio da preclusão não pode ser levado às últimas conseqüências, por força do princípio da verdade material; contudo tal entendimento tem sido aplicado quanto a preclusão da apresentação de provas, e não quanto a preclusão de matéria não impugnada. Quanto a dedução com previdência privada, percebo que a fiscalização glosou tal despesas unicamente em razão da falta de apresentação de documentos que identificassem o beneficiário; in verbis: Glosa por falta de documentos comprobatórios que identifique o beneficiário.(pág.10 dos autos) Dentro deste contexto, a contribuinte tratou de anexar os documentos de folhas 16 a 18 dos autos; que, segundo a mesma, a indicariam como beneficiária. Ocorre que o documento que trata do plano PGBL, considerado dedutível, realmente não indica o beneficiário do plano de previdência privada. Desde modo, permanece a falta de comprovação de ser a contribuinte beneficiária do plano de previdência privada; não saneando a contribuinte a única falha apontada pela autoridade lançadora. Quanto as glosas das despesas médicas, verifico que resta em litígio as despesas com os profissionais A R T Junior, no valor de R$ 1.600,00, Regina E G Lopes, no valor de R$ 2.960,00, todos por falta de comprovação do efetivo desembolso coincidente em data e valores, com o profissional Chang F Yang R$ 60,00, por falta de especificação profissional, e com Unimed, no valor de R$ 5.477,60, por falta de identificação dos beneficiários e respectivos valores. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 05/ 11/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10980.009214/200874 Acórdão n.º 2801003.103 S2TE01 Fl. 102 7 Como se observa, parte do litígio trata de comprovação de despesas médicas em que a autoridade fiscal fundamenta na insuficiência dos recibos, sem vinculação do pagamento como forma de comprovação do pagamento, exigindo que, quando restar dúvida quanto à idoneidade do documento, essas condições devam ser comprovadas por outros meios, cumulativamente com o fato de a contribuinte não ter comprovado o efetivo pagamento de despesas médicas com diversos profissionais, apesar de ter sido regularmente intimada. Por sua vez, a contribuinte afirma que a apresentação dos recibos é suficiente para o afastamento das glosas e que apresentou para a fiscalização relação dos pagamentos realizados com cheques próprios, com comprovantes anexados. Em casos desta natureza, tenho o entendimento de que, a princípio, os recibos emitidos por profissionais legalmente habilitados que atendam às formalidade legais são hábeis a comprovar as deduções pleiteadas, mas, em havendo fortes indícios de que a documentação é inidônea, existe o direitodever de o fisco intimar a contribuinte a comprovar o efetivo desembolso e prestação do serviço. Assim, a decisão sobre a dedutibilidade ou não da despesa médica merece análise caso a caso, consoante os elementos trazidos aos autos, tanto pelo fisco como pelo contribuinte, os quais serão decisivos para a formação da livre convicção do julgador. Tomo como ponto de partida a imputação feita no lançamento e nela vejo apontamento de indícios em desfavor dos documentos apresentados pela recorrente. De fato, a DRJ tratou de salientar que: “...além de haver similitude de preenchimento e grafia nos grupos de recibos (fls. 21/22 e 23/25), o que sugere a forte possibilidade de terem sido emitidos conjuntamente, com dados aleatórios, haja vista a existência de recibo emitido sem indicação do ano (fl. 22) e outros datados no feriado de Corpus Christie (26/05/2005 fl. 24), sábado de aleluia (26/03/2005 – fl. 23) e sábado (27/08/2005 – fl. 25), não sendo crível que as partes comprometessem seus dias de descanso semanal ou feriados para o mero adimplemento financeiro.”( página 69 dos autos) Há ainda nos autos a a evidência de que a contribuinte, apesar de possuir plano de saúde da Unimed, realizou despesas médicas correspondentes a aproximadamente vinte e nove por cento dos seus rendimentos. Logo, entendo há nos autos elementos que permitam a fiscalização afastar a idoneidade dos documentos apresentados pela contribuinte para fazer jus às deduções pleiteadas e exigir a comprovação dos efetivos pagamentos. Portanto, como não constam nos autos provas dos efetivos pagamentos, tais como cheques ou extratos bancários, as glosas devem ser mantidas. Quanto as demais despesas médicas que não se foi exigido o efetivo pagamento, adoto integralmente o entendimento da DRJ, que assim se manifestou: Fl. 111DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 05/ 11/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10980.009214/200874 Acórdão n.º 2801003.103 S2TE01 Fl. 103 8 “Assim, de pronto, não há como acolher as despesas havidas com o plano de saúde da Unimed referentes aos beneficiários Leancarlo Mafra Camargo, CPF 009.657.26983 (R$ 1.803,04) e Nilza de Lourdes Tavares, CPF 098.668.33968 (R$ 3.674,56), conforme fls. 59 e 63, por não se tratarem de dependentes da interessada, posto que ambos apresentaram declaração própria em modelo simplificado, configurandose como contribuintes autônomos, não podendo, portanto, figurar como seus dependentes” (página 68 dos autos) “Quanto aos serviços de acupuntura prestados por Chang Fang Yang, no valor de R$ 60,00, a interessada não apresenta qualquer documento que supra as faltas apontadas no recibo à fl. 26 e que ensejaram a recusa da despesa, no caso, a especificação profissional do prestador dos serviços e o respectivo número de registro no conselho de classe. Salientese, por pertinente, que o alegado tratamento de acupuntura, não encontra embasamento legal para a dedução como despesa médica, uma vez que esta atividade não está prevista especificamente dentre as despesas dedutíveis. Em verdade, a acupuntura, enquanto mera prática terapêutica, não sendo inerente e restrita às atividades profissionais elencadas no art. 80 do RIR/1999, não encontra, por si só, respaldo para ser admitida como “despesa médica” dedutível na apuração da base de cálculo do imposto sobre a renda.” (página 69 dos autos) Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por rejeitar a preliminar suscitada, e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 112DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 05/ 11/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN
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