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Numero do processo: 16561.000120/2007-76
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002
CONHECIMENTO. DIVERGÊNCIA NA INTERPRETAÇÃO DA LEI TRIBUTÁRIA.
Não é admitido recurso especial com relação a acórdão paradigma que analise norma não aplicada pelo acórdão recorrido.
CONHECIMENTO. SIMILITUDE FÁTICA. DIVERGÊNCIA NA INTERPRETAÇÃO DA LEI TRIBUTÁRIA. RECURSO ESPECIAL.
É conhecido recurso especial quanto a acórdão paradigma tratando dos mesmos dispositivos do Decreto nº 70.235/1972, cabendo, no mérito, avaliar se houve ou não devida aplicação destas regras.
PRECLUSÃO. MATÉRIA ENFRENTADA EM IMPUGNAÇÃO.
É negado provimento ao recurso especial quando o tema foi devidamente enfrentado em razões de impugnação, sendo inaplicável a restrição dos artigos 16 e 17, do Decreto nº 70.235/1972.
RECURSO ESPECIAL. PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. PRL. IN 243. INAPLICABILIDADE NO ANO DE 2002.
A Instrução Normativa SRF nº 243, publicada em 13 de novembro de 2002, é obrigatória apenas quanto aos anos subsequentes. Inaplicável, portanto, quanto aos fatos ocorridos no ano de 2002.
Numero da decisão: 9101-003.816
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em dar-lhe provimento. Declarou-se impedida de participar do julgamento a conselheira Viviane Vidal Wagner, substituída pelo conselheiro Nelso Kichel.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente
(assinado digitalmente)
Cristiane Silva Costa- Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Nelso Kichel (suplente convocado, em substituição à Conselheira Viviane Vidal Wagner), Gerson Macedo Guerra, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado) e Adriana Gomes Rego (Presidente).
Nome do relator: CRISTIANE SILVA COSTA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2002 CONHECIMENTO. DIVERGÊNCIA NA INTERPRETAÇÃO DA LEI TRIBUTÁRIA. Não é admitido recurso especial com relação a acórdão paradigma que analise norma não aplicada pelo acórdão recorrido. CONHECIMENTO. SIMILITUDE FÁTICA. DIVERGÊNCIA NA INTERPRETAÇÃO DA LEI TRIBUTÁRIA. RECURSO ESPECIAL. É conhecido recurso especial quanto a acórdão paradigma tratando dos mesmos dispositivos do Decreto nº 70.235/1972, cabendo, no mérito, avaliar se houve ou não devida aplicação destas regras. PRECLUSÃO. MATÉRIA ENFRENTADA EM IMPUGNAÇÃO. É negado provimento ao recurso especial quando o tema foi devidamente enfrentado em razões de impugnação, sendo inaplicável a restrição dos artigos 16 e 17, do Decreto nº 70.235/1972. RECURSO ESPECIAL. PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. PRL. IN 243. INAPLICABILIDADE NO ANO DE 2002. A Instrução Normativa SRF nº 243, publicada em 13 de novembro de 2002, é obrigatória apenas quanto aos anos subsequentes. Inaplicável, portanto, quanto aos fatos ocorridos no ano de 2002.
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DIVERGÊNCIA NA INTERPRETAÇÃO DA LEI TRIBUTÁRIA. Não é admitido recurso especial com relação a acórdão paradigma que analise norma não aplicada pelo acórdão recorrido. CONHECIMENTO. SIMILITUDE FÁTICA. DIVERGÊNCIA NA INTERPRETAÇÃO DA LEI TRIBUTÁRIA. RECURSO ESPECIAL. É conhecido recurso especial quanto a acórdão paradigma tratando dos mesmos dispositivos do Decreto nº 70.235/1972, cabendo, no mérito, avaliar se houve ou não devida aplicação destas regras. PRECLUSÃO. MATÉRIA ENFRENTADA EM IMPUGNAÇÃO. É negado provimento ao recurso especial quando o tema foi devidamente enfrentado em razões de impugnação, sendo inaplicável a restrição dos artigos 16 e 17, do Decreto nº 70.235/1972. RECURSO ESPECIAL. PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. PRL. IN 243. INAPLICABILIDADE NO ANO DE 2002. A Instrução Normativa SRF nº 243, publicada em 13 de novembro de 2002, é obrigatória apenas quanto aos anos subsequentes. Inaplicável, portanto, quanto aos fatos ocorridos no ano de 2002. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 00 01 20 /2 00 7- 76 Fl. 9158DF CARF MF 2 mérito, em darlhe provimento. Declarouse impedida de participar do julgamento a conselheira Viviane Vidal Wagner, substituída pelo conselheiro Nelso Kichel. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Nelso Kichel (suplente convocado, em substituição à Conselheira Viviane Vidal Wagner), Gerson Macedo Guerra, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado) e Adriana Gomes Rego (Presidente). Relatório Tratase de processo originado por auto de infração de IRPJ e CSLL quanto ao ano de 2002, identificandose equívoco na apuração de preços de transferência, com imposição de multa de 75%. (fls. 2264, volume 11, pdf 108). A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo decidiu manter em parte o lançamento (fls. 8.395, volume 42, pdf 3), conforme acórdão do qual se transcreve a ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002, 2003 PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. APURAÇÃO PELA FISCALIZAÇÃO. Sendo os documentos apresentados pela contribuinte insuficientes ou imprestáveis para formar a convicção quanto ao preço de transferência, a fiscalização poderá determinálo com base em outros documentos de que dispuser, aplicando um dos métodos previstos na legislação. PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Sendo prescindível, indeferese a perícia solicitada. Fl. 9159DF CARF MF Processo nº 16561.000120/200776 Acórdão n.º 9101003.816 CSRFT1 Fl. 9.159 3 DESQUALIFICAÇÃO DO MÉTODO PRL20%. AGREGAÇÃO DE VALOR. O método de Preço de Renda menos Lucro (PRL) mediante a utilização da margem de lucro de vinte por cento não pode ser aplicado nas hipóteses em que haja, no País, agregação de valor aos custos dos bens, não configurando, assim, simples processo de revenda dos mesmos. DESQUALIFICAÇÃO DO MÉTODO PIC. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Não logrou o contribuinte êxito em comprovar materialmente cálculos de ajustes segundo o método PIC (Preços Independentes Comparados), correta a sua desqualificação pela fiscalização. DESQUALIFICAÇÃO DO MÉTODO CPL. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Não logrou o contribuinte êxito em comprovar materialmente cálculos de ajustes segundo o método CPL (Custo Produção mais Lucro), correta a sua desqualificação pela fiscalização. CÁLCULO DO PREÇO PRATICADO. ESTOQUE INICIAL. O preço praticado (média ponderada) deve ser utilizado para o cálculo dos ajustes relativos a todas as unidades consumidas no ano, independentemente de haverem sido importadas nesse ano ou em anos anteriores. Desconsiderandose, dessa forma, a segregação efetuada pela fiscalização – em “ajuste do estoque inicial” e “ajuste das importações do ano” – recalculase o ajuste total e exonerase parcialmente a exigência. COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE PREJUÍZOS. EXONERAÇÃO PARCIAL. Exonerandose parcialmente a tributação a título de preços de transferência, exonerase parcialmente a exigência a título de compensação indevida de prejuízos. CSLL. DECORRÊNCIA. O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplica se à tributação dele decorrente. Lançamento procedente em parte. Em síntese, a DRJ entendeu equivocado o lançamento porque “a fiscalização se equivocou ao utilizar o preço praticado do ano anterior para apurar o ajuste do estoque inicial separadamente das importações do período” e “apesar de a impugnante trazer esse argumento apenas com relação aos itens importados de códigos 114483, 128368, 154786, 155253 e 170864 (objeto de desqualificação do método PIC) esse equívoco da fiscalização ocorreu com relação a todos os itens objeto de ajuste, e será considerado nesta decisão” (trecho em conclusão do voto condutor, fls. 8.441, pdf. 48, volume 42). Fl. 9160DF CARF MF 4 Assim, o processo foi julgado pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Primeira Seção deste Conselho, quando foi negado provimento ao recurso de ofício e dado parcial provimento ao recurso voluntário, em acórdão assim ementado (acórdão nº 1402 001.808, fls. 8.558): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002, 2003 PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. APURAÇÃO PELA FISCALIZAÇÃO. Sendo os documentos apresentados pela contribuinte insuficientes ou imprestáveis para formar a convicção quanto ao preço de transferência, a fiscalização poderá determinálo com base em outros documentos de que dispuser, aplicando um dos métodos previstos na legislação. APLICAÇÃO DO MÉTODO PRL20%. REACONDICIONAMENTO/FRACIONAMENTO. POSSIBILIDADE. O método do Preço de Revenda menos Lucro mediante a utilização da margem de lucro de vinte por cento pode ser aplicado nas hipóteses em que haja, no País, simples reacondicioamento em embalagens apropriadas à revenda dos mesmos produtos no Brasil. DESQUALIFICAÇÃO DO MÉTODO PIC. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Não logrou a contribuinte êxito em comprovar materialmente cálculos de ajustes segundo o método PIC (Preços Independentes Comparados), correta a sua desqualificação pela fiscalização. DESQUALIFICAÇÃO DO MÉTODO CPL. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Não logrou a contribuinte êxito em comprovar materialmente cálculos de ajustes segundo o método CPL (Custo de Produção mais Lucro), correta a sua desqualificação pela fiscalização. CÁLCULO DO PREÇO PRATICADO. ESTOQUE INICIAL. O preço praticado (média ponderada) deve ser utilizado para o cálculo dos ajustes relativos a todas as unidades consumidas no ano, independentemente de haverem sido importadas nesse ano ou em anos anteriores. COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE PREJUÍZOS. EXONERAÇÃO PARCIAL. Exonerandose parcialmente a tributação a título de preços de transferência, exonerase parcialmente a exigência a título de compensação indevida de prejuízos. CSLL. DECORRÊNCIA. Fl. 9161DF CARF MF Processo nº 16561.000120/200776 Acórdão n.º 9101003.816 CSRFT1 Fl. 9.160 5 O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplicase à tributação dele decorrente. A Procuradoria, intimada em 09/12/2014 (fls. 8.612), opôs embargos de declaração na mesma data (fls. 8.613), identificando omissões no acórdão, entendendo que haveria preclusão no questionamento de alguns itens importados. Assim, requereu pronunciamento da Turma a quo sobre o artigo 16, II e artigo 17, do Decreto nº 70.235/1972. Os embargos foram admitidos, decidindo o Colegiado a quo por sanar omissão mencionada pela Procuradoria, conforme acórdão nº 1402001.966 (fls. 8.670). A Procuradoria, intimada do acórdão de embargos em 06/01/2016 (fls. 8.676), interpôs recurso especial em 02/02/2016 (fls. 8.677). No recurso alega divergência na interpretação da lei tributária a respeito dos seguintes temas: (i) preclusão, nos termos dos artigos 16, II e 17, do Decreto nº 70.235/1972, apontando como acórdãos paradigmas o de nº 2301003.469 (processo administrativo nº 13864.000511/201093) e 1401000.805 (processo administrativo nº 10218.000512/200769); (ii) nulidade por vício formal, com paradigmas 240100.018 (processo administrativo nº 13971.001934/200716) e 30131.801 (processo administrativo nº 10715.001961/9726). (iii) Aplicação do método PRL 60%, constando os seguintes acórdãos paradigmas: 1301000.451 (processo administrativo nº 16561.000076/2008 85). O Presidente da 4ª Câmara (Conselheiro Rafael Vidal de Araújo) admitiu o recurso especial apenas quanto à primeira matéria (fls. 8.723) No exercício da competência estabelecida no inciso III do art. 18 do Anexo II do RICARF/2015, DOU SEGUIMENTO PARCIAL ao recurso especial da Fazenda Nacional, somente em relação à matéria "impossibilidade de apreciação de matéria não impugnada que não seja de ordem pública", pois sobre tal assunto foi comprovada a alegada divergência de interpretação da legislação tributária. A respeito das outras duas matérias tratadas no recurso especial ("efeitos da constatação de vício formal no lançamento tributário" e "impossibilidade de aplicação do método PRL20 em caso de fracionamento do item importado"), entendo que não foram comprovadas as divergências jurisprudenciais requeridas pelo art. 67 do Anexo II do RICARF/2015, motivo pelo qual é negado seguimento ao recurso especial da Fazenda Nacional em relação a estas partes. Sendo intimada em 08/08/2016 (fls. 8.725), a Procuradoria apresentou agravo na mesma data (fls. 8.726). Fl. 9162DF CARF MF 6 O Presidente da CSRF (fls. 8.732) confirmou a decisão do Presidente de Câmara, negando seguimento às duas matérias acima referidas. A Procuradoria foi regularmente cientificada desta decisão (fls. 8.739). O contribuinte apresentou embargos de declaração em 08/05/2017 (fls. 8.744), alegando omissões e contradição no acórdão do Colegiado de origem. Os embargos não foram admitidos (fls. 8.941). O contribuinte, ainda, apresentou contrarrazões ao recurso especial, pleiteando (fls. 9.055), em síntese: (i) O não conhecimento do recurso especial, na medida em que não haveria similitude fática entre o acórdão recorrido e os paradigmas. Segundo o contribuinte, os paradigmas tratariam de situação em que não houve questionamento de matéria em impugnação, situação distinta da relatada nestes autos. (ii) No mérito, pede a manutenção do acórdão recorrido. O contribuinte, intimado em 08/08/2017 (fls. 8.950), também interpôs recurso especial em 22/08/2017 (fls. 8.953). No recurso, alega divergência na interpretação da lei tributária a respeito de: (i) Impossibilidade de aplicação da IN 243 quanto ao ano de 2002, constando como paradigma o acórdão nº 120100.658 e 9101002.839; (ii) Ilegalidade da IN 243, matéria tratada pelo paradigma nº 1202000.970. O Presidente da 4ª Câmara apenas admitiu o recurso especial do contribuinte quanto à primeira matéria (fls. 9.086). O contribuinte foi intimado quanto a esta decisão em 18/09/2017 (fls. 9.096). A unidade de origem, assim, transferiu os débitos definitivamente julgados para o processo nº 16151.720284/201717 (fls. 9.092). A Procuradoria apresentou contrarrazões ao recurso especial do contribuinte, pedindo seja negado provimento ao recurso. Por fim, o contribuinte pediu preferência no julgamento deste processo (fls. 9.148), diante do valor envolvido É o relatório. Voto Conselheira Cristiane Silva Costa, Relatora Conhecimento Recurso Especial da Procuradoria O recurso especial da Procuradoria foi admitido quanto à matéria preclusão, com relação a ambos os paradigmas indicados (2301003.469 e 1401000.805). Fl. 9163DF CARF MF Processo nº 16561.000120/200776 Acórdão n.º 9101003.816 CSRFT1 Fl. 9.161 7 O contribuinte questiona o conhecimento do recurso quanto a ambos os paradigmas. O primeiro paradigma tem o seguinte contexto fático descrito em seu relatório (2301003.469): Trata se de Auto de Infração de Descumprimento de Obrigação Acessória lavrado em face de TIVIT TERCEIRIZAÇÃO DE PROCESSOS, SERVIÇOS E TECNOLOGIA S/A, por ter a empresa apresentado Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP de forma inexata, incompleta ou omissa, nos dados não correspondentes aos fatos geradores de contribuições previdenciárias, conforme se infere do Relatório Fiscal. Nos termos do Relatório Fiscal, a Recorrente (a) informou código FPAS – Fundo de Previdência e Assistência Social 566, quando deveria ter sido 515; (b) informou código de outras entidades 0099, quando o correto seria 0115; (c) omitiu informação de código e data de transferência dos segurados da incorporada Telefutura Centrais Telefônicas S/A, bem como código e data de movimentação de segurados acidentados com período de afastamento inferior a 15 dias e, por fim, (e) informou erroneamente valores retidos em decorrência de prestações de serviços conforme verificado nas Notas Fiscais de Serviço. Em virtude de ter infringido o art. 32, IV, §§ 3º e 6º da Lei nº 8.212/1991, combinado com o art. 225, IV, § 4º do Decreto nº 3.048/1999, foi aplicada à Recorrente multa no montante de R$ 143.179,00 (cento e quarenta e três mil cento e setenta e nove reais), com fulcro no art. 32, § 6º da Lei nº 8.212/1991 e arts. 284, III e 373, do Decreto nº 3.048/1999. Diante deste panorama, decidiu a Turma no primeiro paradigma (2301 003.469): Preclusão sobre matérias não impugnadas A penalidade decorrente do Auto de Infração recorrido foi aplicada, ainda, em decorrência da omissão de informação de código e data de transferência dos segurados da incorporada Telefutura Centrais Telefônicas S/A, bem como código e data de movimentação de segurados acidentados com período de afastamento inferior a 15 dias e, por fim, de informação errônea dos valores retidos em decorrência de prestações de serviços. Da leitura das razões recursais em apreço, verificase que a Recorrente sequer se defendeu quanto ao mérito da questão acima exposta, já que em nenhum momento faz referência às infrações em apreço, especificadas às fls. 60 do Relatório Fiscal, não se desincumbindo do ônus da prova em contrário do afirmado pela fiscalização. Fl. 9164DF CARF MF 8 Pois bem. A despeito de tal discussão, imperioso trazer a baila o que preconiza o art. 9º, §6º da Portaria nº 520, de 19 de maio de 2004, in verbis: Art. 9º A impugnação mencionará: (...) § 6º Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada. Desta feita, concluise, do acima exposto, que se reputa não impugnada a matéria relacionada ao lançamento que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, o que impede o pronunciamento do julgador administrativo em relação ao conteúdo do feito fiscal com esta matéria relacionado, restando, pois, definitivamente constituído o lançamento na parte em que não foi contestado Com isso, entendo que, no caso em apreço, ocorreu a preclusão consumativa, que é a extinção da faculdade de praticar um determinado ato processual em virtude de já haver ocorrido a oportunidade para tanto, ficando, portanto, o julgador impossibilitado de analisar a questão de mérito, posto que não contestada pela Recorrente. Entendo que não há divergência na interpretação da lei tributária, eis que este primeiro acórdão paradigma trata de norma não analisada nos presentes autos (art. 9º, §6º da Portaria nº 520, de 19 de maio de 2004). Assim, não conheço o recurso especial da Procuradoria quanto ao primeiro paradigma (2301003.469). Passo à análise do segundo paradigma, nº 1401000805, lembrando o que consta de seu relatório: Irresignada com a decisão de primeira instância, a interessada interpôs recurso voluntário a este Conselho, repisando os tópicos trazidos anteriormente na impugnação e complementando em sua defesa da seguinte forma: Que seja anulado o auto de infração em virtude de nulidades formais e materiais envolvendo o MPF conforme exposto nos itens 4 e 5 do recurso. Em resumo, a Recorrente alega que o Mandado de Procedimento Fiscal – MPFC, para o PIS, teria sido expedido a destempo sem darlhe ciência do mesmo obstando assim a espontaneidade prevista no art. 47 da Lei n. 9.43096. Que seja reconhecido o excesso de exação por incluir os impostos que não constitui faturamento, na receita tributável; Que sejam ajustados os créditos considerados na apuração fazendo prevalecer os dados informados nos balancetes atendendose ao disposto no art. 3º da Lei nº 10.637/2002; Por fim, que seja reaberto o prazo de 20(vinte) dias para que o contribuinte pague os valores devidos de PIS/PASEP sem a multa punitiva de 75%. Fl. 9165DF CARF MF Processo nº 16561.000120/200776 Acórdão n.º 9101003.816 CSRFT1 Fl. 9.162 9 Diante deste contexto fático, decidiu a Turma no segundo acórdão paradigma (1401000.805): PRECLUSÃO Conforme relatado a Recorrente somente em fase recursal traz à baila matéria não inaugurada na fase impugnatória, qual seja, requer que seja reconhecido o excesso de exação por incluir os impostos que não constitui faturamento, na receita tributável. Não sendo matéria de ordem pública, a qual a autoridade julgadora poderia apreciála até de oficio, a ausência da instauração de controvérsia na impugnação tem o condão de fazer incidir os efeitos da preclusão administrativa sobre a matéria somente agitada no recurso voluntário, tornando o ponto incontroverso. Essa é a inteligência inclusive do artigo 16, §4°, do Decreto n°70.235/72, verbis(...) Portanto, considero preclusa referida matéria O contribuinte pede não seja conhecido o recurso quanto ao segundo paradigma, pelas razões seguintes: Da leitura das duas ementas dos acórdãos paradigmas, vêse que ambos tratam de casos em que foi reconhecida a preclusão diante da não contestação pelo contribuinte de determinada matéria objeto dos processos discutidos. No entanto, não é essa a situação que se vê nos presentes autos, uma vez que a Recorrida questionou expressamente a desqualificação do método PIC, o que fora, inclusive, ratificado pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção quando do julgamento dos Embargos de Declaração opostos pela própria Fazenda Entendo que o pleito do contribuinte não merece acolhida. Afinal, definir o que foi – ou não – contestado pelo contribuinte é exatamente o mérito do recurso especial, para, interpretando o caso dos autos e dispositivos do Decreto nº 70.235/1972, decidir pela manutenção ou reforma do acórdão recorrido. Assim, conheço o recurso especial com relação ao segundo paradigma (acórdão 1401000.805). Mérito Recurso do Contribuinte – Aplicação da IN 243 no ano de 2002 Adoto as razões da Presidente de Câmara para conhecimento do recurso especial do contribuinte quanto à única matéria admitida (aplicação da IN 243 no ano de 2002), nos termos do artigo 59, §1º, da Lei nº 9.784/1999. Fl. 9166DF CARF MF 10 Esta Turma da CSRF já analisou esta matéria, decidindo no acórdão nº 9101 002.839 – um dos acórdãos identificados como paradigmas pela impossibilidade de aplicação desta Instrução Normativa SRF no ano de 2002: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 EFEITOS DA IN 243/2002 AO PRÓPRIO ANO DE SUA EDIÇÃO. PRINCÍPIOS DA ANTERIORIDADE, IRRETROATIVIDADE E PROTEÇÃO DA CONFIANÇA LEGÍTIMA. A IN 243, editada em 13 de novembro de 2002, apenas passou a surtir efeitos a partir de 2013, em face do necessário respeito aos princípios da anterioridade, irretroatividade e proteção da confiança legítima. Destaco, ainda, manifestação da COSIT em Processo de Consulta também mencionado no acórdão 9101002.839, explicitando inexistir obrigatoriedade na aplicação da IN 243 no ano de 2002 pelo contribuinte: Processo de Consulta n° 2/08 Órgão: Coordenação Geral do Sistema de Tributação COSIT Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica — IRPJ Ementa: PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. PREÇO PARÂMETRO DE INSUMOS IMPORTADOS. Na determinação do preço parâmetro pelo método PRL, com margem de sessenta por cento, na metodologia de cálculo, devese deduzir o valor agregado, ao bem produzido no país, na apuração da margem de lucro de 60%, e, também, do preço líquido de venda na apuração final do preço parâmetro. Esta metodologia deverá ser utilizada a partir do início do ano calendário de 2003 e, opcionalmente, em 2002, pela empresa interessada, em função da publicação de novo procedimento pela Instrução Normativa SRF n° 243, de 2002. A interessada, no entanto, poderseá utilizar, nos anos de 2000, 2001 e, opcionalmente, em 2002 das disposições que constam da Instrução Normativa SRF então vigente (IN SRF n° 32, de 2001), nas quais, não contemplam a retirada do valor agregado na composição final do preço parâmetro pelo método PRL 60%. DISPOSITIVOS LEGAIS: Art. 146 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional (CTN); art. 18 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e § 11 do art. 12 da Instrução Normativa SRF n°243, de 11 de novembro de 2002. OTHONIEL LUCAS DE SOUSA JÚNIOR Coordenador Geral — Substituto (Data da Decisão: 23.01.2008 25.01.2008) Com efeito, até a publicação da Instrução Normativa SRF 243, em 13 de novembro de 2002, , vigia a IN SRF 32, que é interpretada como norma complementar em matéria tributária, em conformidade com o artigo 100, I, do Código Tributário Nacional: Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: Fl. 9167DF CARF MF Processo nº 16561.000120/200776 Acórdão n.º 9101003.816 CSRFT1 Fl. 9.163 11 I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; II as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; III as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; IV os convênios que entre si celebrem a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. A alteração na interpretação da Receita Federal, explicitada pela Instrução Normativa SRF 243, em novembro de 2002, assim, não poderia implicar na aplicação deste novo entendimento quanto aos fatos ocorridos do curso do ano de 2002, no curso deste ano. Apenas quanto aos anoscalendários subsequentes é exigida a aplicaçãoda IN 243, inclusive em respeito ao artigo 146, do Código Tributário Nacional: Art. 146. A modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. Assim, voto por dar provimento ao recurso especial do contribuinte, afastando a aplicação da IN 243 no ano de 2002. Mérito Recurso Especial da Procuradoria Preclusão A preclusão foi enfrentada pelo Colegiado a quo após a apresentação de embargos pela Procuradoria, conforme acórdão 1402.001.966. Destacamse razões do Conselheiro Relator: Entretanto, argumenta a embargante que a contribuinte, em sua impugnação, se limitara a trazer esse argumento apenas com relação aos itens importados de códigos 114483, 128368, 154786, 155253 e 170864 (objeto de desqualificação do método PIC), e a decisão embargada, assim como a decisão recorrida, considerou que o equívoco da fiscalização teria ocorrido em caráter geral, com relação a todos os itens objeto de ajuste. Nessa esteira, a questão levantada pela embargante diz respeito à omissão, no voto condutor do acórdão embargado, assim como no acórdão recorrido, quanto à explicitação dos pressupostos e motivos que fundamentaram a apreciação do tema em caráter geral, já que esse não configuraria matéria de ordem pública e Fl. 9168DF CARF MF 12 tampouco teria sido questionado tempestivamente pelo contribuinte. Com efeito, entendo caber razão à embargante quanto à existência da omissão a ser sanada, pelo que acolho os embargos e passo à análise do seu mérito. (...) Considero que o equívoco cometido pelo Fisco, no caso em análise, diz respeito ao procedimento adotado ao utilizar o preço praticado do ano anterior para apurar o ajuste do estoque inicial separadamente das importações do período. A defesa, por sua vez, questiona tal procedimento em sua impugnação, vejase o excerto da parte da impugnação. “... Além disso, em relação ao ajuste efetuado pela fiscalização, foi utilizado o preço praticado do ano anterior para apurar o ajuste do estoque inicial separadamente das importações do período, sendo que o correto seria utilizar o preço praticado médio em todo cálculo e não apenas para as importações do período. ..." Embora o faça apenas no bojo de seus argumentos para os itens importados. ...” Embora o faça apenas no bojo de seus argumentos para os itens importados de códigos 114483, 128368, 154786, 155253 e 170864 (objeto de desqualificação do método PIC), não entendo que tal questionamento esteja adstrito tãosomente àqueles itens. Há, no caso, uma regra errada que se expressa em vários itens do lançamento. O fato de a defesa ter detectado, e questionado, tal regra apenas em algumas de suas expressões não elide o fato de que a defesa, efetivamente, questionou tal regra. Assim, ao considerar que houve o questionamento tempestivo, por parte da defesa, do procedimento adotado pelo Fisco, considero sanada a omissão aventada pela embargante. Caracterizada a omissão aventada, Voto no sentido de acolher os embargos de declaração para, no mérito, uma vez sanada a omissão, ratificar os termos do acórdão embargado. Em seu recurso especial, a Procuradoria sustenta em seu recurso especial que: A contribuinte questionou o procedimento do Fisco apenas para os itens importados de códigos 114483, 128368, 154786, 155253 e 170864. Contudo, a e. 2ª Turma Ordinária cancelou também o procedimento fiscal voltado para outros itens não impugnados. Portanto, a e. Turma a quo divergiu do entendimento de outras Câmaras do Conselho, que proibiram a apreciação de matéria que não se enquadra como de ordem pública e que não foi tempestivamente e expressamente questionada. Com efeito, preveem os artigos 16 e 17, do Decreto nº 70.235/1972: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) Fl. 9169DF CARF MF Processo nº 16561.000120/200776 Acórdão n.º 9101003.816 CSRFT1 Fl. 9.164 13 III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Com efeito, à ocasião da apresentação de impugnação administrativa, o contribuinte deve expor as razões de sua defesa, restando preclusa a discussão de temas não enfrentados. No entanto, no caso dos autos, o contribuinte apresentou impugnação tratando expressamente do equívoco na apuração do Método PIC – Preços Independentes Comparados em arrazoado de 5 folhas (fls. 2.304 a 2.309, pdf 130, volume 11). Neste arrazoado, um dos fundamentos de defesa (equívoco na apuração do estoque inicial) não tem qualquer referência a produtos, como bem indicado pelo acórdão recorrido: Além disso, em relação ao ajuste efetuado pela fiscalização, foi utilizado o preço praticado do ano anterior para apurar o ajuste do estoque inicial separadamente das importações do período, sendo que o correto seria utilizar o preço praticado médio em todo cálculo e não apenas para as importações do período. Antes disso, o contribuinte também aponta impugna a apuração do Método PIC no lançamento tributário, quando aponta que “a amostragem realizada ... restou prejudicada”. Nesse ponto, menciona os itens importados de códigos 114483, 128368, 154786, 155253 e 170864, verbis: Em relação ao método de preços independentes comparados, a r. Auditora Fiscal concluiu que não foi possível formar convicção quanto ao preço parâmetro apurado pela Impugnante em relação aos produtos (...), pois nesses casos a amostragem realizada supostamente restou prejudicada, uma vez que (....) Ora, com base nos documentos apresentados já é possível constatar que os preços pelos quais os bens são importados não diferem dos preços praticados pelo exportador em operações com terceiros no mercado argentino (...) Assim, entendo que a impugnação administrativa expressamente tratou da apuração do Método PIC, questionando indistintamente o equívoco na apuração do estoque inicial. Portanto, entendo que o acórdão recorrido não merece reparos, razão pela qual nego provimento ao recurso da Procuradoria. Conclusão: Diante de tais razões, concluo por: (i) conhecer do recurso especial do contribuinte, nos termos da decisão do Presidente de Câmara, e lhe dar provimento, devendo ser analisado as repercussões em relação ao saldo de prejuízo pela unidade de origem; Fl. 9170DF CARF MF 14 (ii) conhecer do recurso especial da Procuradoria quanto a um dos paradigmas, no mérito negandolhe provimento. (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Fl. 9171DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10437.721372/2015-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário:2010,2011
OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS. ORIGEM IDENTIFICADA. NÃO COMPROVAÇÃO DE QUE OS RECURSOS PROVÊM DO CONTRATO DE MÚTUO.
Far-se-á o lançamento de ofício fixando os rendimentos tributáveis de acordo com as informações de que se dispuser, quando os esclarecimentos deixarem de ser prestados, forem recusados ou não forem satisfatórios.
IRPF. DEPÓSITO BANCÁRIO DE ORIGEM NÃO COMPROVADA.
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada (Súmula CARF nº 26).
TAXA SELIC. APLICABILIDADE.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.(Súmula CARF nº 4)
Numero da decisão: 2202-004.811
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Júnia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Jorge Henrique Backes (suplente convocado), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado) e Ronnie Soares Anderson (Presidente)
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário:2010,2011 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS. ORIGEM IDENTIFICADA. NÃO COMPROVAÇÃO DE QUE OS RECURSOS PROVÊM DO CONTRATO DE MÚTUO. Far-se-á o lançamento de ofício fixando os rendimentos tributáveis de acordo com as informações de que se dispuser, quando os esclarecimentos deixarem de ser prestados, forem recusados ou não forem satisfatórios. IRPF. DEPÓSITO BANCÁRIO DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada (Súmula CARF nº 26). TAXA SELIC. APLICABILIDADE. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.(Súmula CARF nº 4)
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ORIGEM IDENTIFICADA. NÃO COMPROVAÇÃO DE QUE OS RECURSOS PROVÊM DO CONTRATO DE MÚTUO. Farseá o lançamento de ofício fixando os rendimentos tributáveis de acordo com as informações de que se dispuser, quando os esclarecimentos deixarem de ser prestados, forem recusados ou não forem satisfatórios. IRPF. DEPÓSITO BANCÁRIO DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada (Súmula CARF nº 26). TAXA SELIC. APLICABILIDADE. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.(Súmula CARF nº 4) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 43 7. 72 13 72 /2 01 5- 91 Fl. 405DF CARF MF 2 Ronnie Soares Anderson Presidente. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Jorge Henrique Backes (suplente convocado), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado) e Ronnie Soares Anderson (Presidente) Relatório Tratam os presentes autos de lançamento de ofício (Auto de Infração fls. 221/232), nos termos dos arts. 904 e 926 do Decreto n° 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda RIR/99), em face da apuração das seguintes infrações: a) Omissão de Rendimentos recebidos de pessoas jurídicas; b) Omissão de rendimentos caracterizados por depósitos bancários de origem não comprovada. O contribuinte foi intimado a apresentar documentos e esclarecimentos referentes à movimentação financeira junto aos Bancos BVA S.A. e Bradesco do ano calendário de 2010. Em 25/11/2014, 03/02/2015 e 24/02/2015 o contribuinte, através de seu representante legal, apresentou os extratos bancários mensais da conta 0040388 1, agencia 0103, do Banco Bradesco e da conta 8173601, agência 0004, do Banco BVA S.A. Em 03/03/2015, foi lavrado o Termo de Intimação Fiscal n° 01/2015, intimando o contribuinte a comprovar, mediante apresentação de documentação bancária (comprovantes de depósito bancário, cheques nominais, DOC, etc) e documentação complementar hábil, e idônea (contratos, recibos, contracheques, etc), a origem dos recursos creditadas nas mencionadas contas bancárias. Nesse mesmo documento o contribuinte foi notificado do procedimento do lançamento de oficio, a titulo de omissão de receita ou de rendimento, dos valores cuja origem não fosse comprovada, conforme disposto no artigo 42 da Lei 9.430/96, alterado pelo artigo 4º da lei 9.481/97 e artigo 58 da Lei 10.637/02 e artigos 841, 845 e 926 do Decreto ns 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR/99). Em resposta ao referido termo de intimação, o contribuinte apresentou sucessivos pedidos de prorrogações de prazo (em 07/04/2015, 12/05/2015, 23/0672015 e 14/07/2015) para atendimento dos esclarecimentos formulados. Fl. 406DF CARF MF Processo nº 10437.721372/201591 Acórdão n.º 2202004.811 S2C2T2 Fl. 406 3 Em 22/09/2015, 06/10/2015 e 26/10/2015 o contribuinte, por intermédio de seu representante legal, compareceu a esta Repartição Fiscal para apresentação de documentos e esclarecimentos complementares correspondentes a movimentação financeira ocorrida na conta 8173601, agencia 0004, do Banco BVA S.A. Em 20/10/2015, a fiscalização lavrou Termo de Constatação Fiscal cientificando o contribuinte ora fiscalizado de que os documentos apresentados em 11/08/2015 também subsidiariam a ação fiscal relativamente ao anocalendário de 2010, período incluído em 20/10/2015 Diante da documentação apresentada, a fiscalização concluiu: 1) Quanto ao Banco BVA, conta 81736013 agência 0004: A) "DOC/TED Eletrônico Ever Electric Al C V Ltda, CNPJ 06.104,010/000353” e “DOC/TED Eletrônico Ever.Electric Appliances Industria e, CNPJ 06.194.010/000191": Visando comprovar a origem dos lançamentos efetuados a crédito, na conta 8173601, durante todo o ano de 2011, cujo histórico referese a "DOC/TED Eletrônico Ever Electric Al C V Ltda, CNPJ 06.194.010/000353" e "DOC/TED Eletrônico Ever Electric Appliances Industria e, CNPJ 06.194.010/000191", o contribuinte anexou cópia do "Instrumento Particular de Solução de Mútuos. Cessão de Direitos e Outras Avenças", datado de setembro/2010, celebrado entre as empresas Super Mart Ltda e Ever Electric Appliances Indústria e Comercio de Veículos Ltda, constante de 06 (seis) folhas. Analisando o Instrumento Particular apresentado, constatamos, em resumo, que as partes contratantes eram as empresas Super Mart Ltda, CNPJ 04.683.818/000107 e Ever Electric Appliances Indústria e Comércio de Veículos Ltda, CNPJ 06.194.010/0001 91. Que a empresa Ever Electric tinha a obrigação contratual, dentre outras, de pagar a Super Mart o valor de R$ 24.000.000,00, cm 16 prestações mensais, corrigidas pela SELIC. Que tais prestações deveriam pagas através de depósitos bancários efetuados mensalmente na conta 8173601, agencia 0004, do Banco BVA S/A, conta esta de titularidade pessoal do sócio da empresa Super Mart, Sr. Aroldo Messias Barros da Cunha. Que. excepcionalmente, os pagamentos poderiam ser efetuados pessoalmente junto a empresa Super Mart Ltda, CNPJ 04.683.818/000107, contra recibo. Assim, verificamos que os lançamentos efetuados a crédito na conta 8173601, durante todo o ano de 2011, cujo histórico referese a "DOC/TED Eletrônico Ever Electric Al C V Ltda, CNPJ 06.194.010/000353" e "DOC/TED Eletrônico Ever Electric Appliances Industria e, CNPJ 06.194.010/000191" são compatíveis com o disposto no Instrumento Particular supra citado. B) "RESGATE LCI/LCA Fl. 407DF CARF MF 4 Visando comprovar a origem dos lançamentos efetuados a credito nesta conta, no período de 18/02/2011 a 23/02/2011, cujo histórico referese a "Resgate LCI e LCA", o contribuinte apresentou cópia do extrato mensal, do período de 30/09/2010 a 30/12/2010, do Banco BVA, da conta 8173601, agência 0004, constante de 02 (duas) folhas. Assim, ficou comprovado que a origem dos recursos resgatados das aplicações em LCI e LCA, no período de 18/02/2011 a 23/02/2011, é proveniente de depósitos ocorridos e aplicados nesta conta entre 30/09/2010 e 30/12/2010, adicionado dos respectivos rendimentos. C) "DEPÓSITO DE CHEQUE" 01/03/2011: Concluindo a análise a respeito do Banco BVA, temos a relatar que, em 06/10/2015 o contribuinte, através de seu representante legal, apresentou um email datado de 23/09/2015 enviado pelo SAC Banco BVA <sac@bancobva.com.br, com esclarecimento sobre os valores debitados da conta 8173601, agencia 0004, do Banco BVA S/A abaixo relacionados: Através do Termo de Constatação e Intimação Fiscal n° 04/2015, intimamos o contribuinte a apresentar documentação bancária complementar a fim de comprovar que as operações acima estavam interligadas, sendo que o contribuinte apresentou tais documentos em 26/10/2015. Analisando o extrato da conta, bem como a documentação apresentada pelo contribuinte em 06/10/2015 e 26/10/2015 constatamos que em 23/02/2011 e 28/02/2011 foram emitidos cheques administrativos, tendo como favorecido o próprio contribuinte. Posteriormente, em 01/03/2011, tais cheques foram novamente depositados na conta 8173601, agencia 0004, do Banco BVA S/A. Assim sendo, ficou comprovado que os depósitos ocorridos em 01/03/2011 têm sua origem nos cheques administrativos anteriormente emitidos. 2) Quanto ao Banco Bradesco, conta 00103881, agência 0103 Para alguns créditos efetuados na nesta conta, não foram anexados quaisquer documentos e/ou esclarecimentos a respeito. Tais ocorrências foram listadas no "Demonstrativo de Valores Creditados Não Comprovado 2011 Banco Bradesco, conta corrente 00403881, agência 0103", elaborado por esta fiscalização, com a observação "sem documentos/esclarecimentos". Visando comprovar a origem de diversos lançamentos efetuados a crédito nesta conta, o contribuinte apresentou, em 11/08/2015, 22 (vinte e duas) folhas contendo comprovantes denominados "Segunda Via de Comprovante de Depósito/Transferência" Preliminarmente cabe destacar que tais folhas foram apresentadas como supostamente emitidas pelo Banco Bradesco. Entretanto, verificamos que as informações não estão impressas em papel timbrado do Banco, que não consta nenhuma assinatura do responsável pela emissão de tais informações ou documento oficial do Banco (Oficio, Carta, Comunicação) encaminhando tais folhas. Fl. 408DF CARF MF Processo nº 10437.721372/201591 Acórdão n.º 2202004.811 S2C2T2 Fl. 407 5 Analisando as "Segunda Via de Comprovante de Depósito/Transferência", constatamos que as mesmas não identificam o respectivo remetente de cada recurso. O contribuinte não anexou documentos e/ou esclarecimentos complementares, coincidente em datas e valores, que efetivamente comprovassem a que título tais recursos foram recebidos Assim sendo, tais ocorrências foram listadas no "Demonstrativo de Valores Creditados Não Comprovados 2011 Banco Bradesco, contacorrente 0040388 1, agência 0103", elaborado por esta fiscalização, com a observação "Segunda Via do Depósito/Transferência. 3.2) Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoa Jurídica: Conforme já relatado, o contribuinte apresentou cópia do "Instrumento Particular de Solução de Mútuos, Cessão de Direitos e Outras Avenças", datado de setembro/2010, celebrado entre as empresas Super Mart Ltda e Ever Electric Appliances Indústria e Comercio de Veículos Ltda, constante de 06 (seis) folhas. Analisando o Instrumento Particular apresentado, constatamos, em resumo, que as partes contratantes eram as empresas Super Mart Ltda, CNPJ 04.683.818/000107 e Ever Electric Appliances Indústria e Comércio de Veículos Ltda, CNPJ 06.194.010/0001 91. Que a empresa Ever Electric tinha a obrigação contratual, dentre outras, de pagar a Super Mart o valor de R$ 24.000.000,00, em 16 prestações mensais, corrigidas pela SELIC. Que tais prestações deveriam pagas através de depósitos bancários efetuados mensalmente na conta 8173601. agência 0004, do Banco BVA S/A, conta esta de titularidade pessoal do sócio da empresa Super Mart, Sr. Aroldo Messias Barros da Cunha. Que, excepcionalmente, os pagamentos poderiam ser efetuados pessoalmente junto a empresa Super Mart Ltda, CNPJ 04.683.818/0001 07, contra recibo. Em 18/08/2015, lavramos o Termo de Constatação e Intimação Fiscal n° 03/2015, intimando o contribuinte a apresentar documentação complementar hábil e idônea que pudesse comprovar que os recursos creditados em sua conta pessoal, por força do disposto na cláusula quarta, inciso IV do referido Instrumento Particular, foram devidamente e integralmente repassados a empresa Super Mart Ltda. Em 22/09/2015 o contribuinte apresentou esclarecimento por escrito, datado de 21/09/2015 e assinado pelo próprio contribuinte, informando que os recursos em questão foram depositados em sua conta pessoal tendo em vista que, naquela época, a conta pessoa jurídica estava com problemas, não sendo possível sua utilização. Informou, ainda, que não efetuou as transferências dos recursos para empresa Super Mart Ltda, pois o Banco BVA S.A, faliu e os valores em questão ficaram retidos. As alegações do contribuinte, entretanto, não podem prosperar. O contribuinte não especificou que tipo de problema a conta Fl. 409DF CARF MF 6 pessoa jurídica tinha, nem tão pouco anexou documentos hábeis e idôneos pertinentes. Não anexou documentos referentes aos montantes que foram retidos pelo Banco BVA e em que data tais retenções teriam ocorrido. Consultando o site oficial do Banco Central do Brasil (BACEN), constatamos que a intervenção do BACEN no Banco BVA S/A iniciou em 19/10/2012. Entretanto, os recursos ora questionados foram depositados entre setembro/2010 e novembro/2011, ou seja, bem antes da intervenção. O contribuinte não apresentou documentação hábil e idônea que pudesse comprovar que os recursos em questão foram devidamente e integralmente repassados a empresa Super Mart Ltda nos anocalendário de 2010 e 2011. Ainda, não constam das respectivas Declarações de Ajuste Anual do Imposto de Renda Pessoa Física do contribuinte ora fiscalizado quaisquer lançamentos referentes a operação em questão, a saber: o contribuinte não informou os saldos, em 31/12/2010 e 31/12/2011, da conta 8173601, agência 0004 do Banco BVA, nem das aplicações financeiras a ela vinculadas; o contribuinte não informou o valor dos rendimentos auferidos, durante os anoscalendário de 2010 e 2011, provenientes das aplicações financeiras vinculadas a conta 8173601, agencia 0004 do Banco BVA; o contribuinte não informou quaisquer valores recebidos da empresa Super Mart Ltda, seja a titulo de rendimentos tributáveis (exemplo: rendimentos do trabalho assalariado ou não), rendimentos isentos (exemplo: lucros distribuídos) e/ou dívidas/empréstimos. Adicionalmente, não constam lançados nas Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) da empresa Super Mart Ltda, CNPJ 04.683.818/000107, dos anos calendário de 2010 e 2011, valores compatíveis e condizentes com a operação descrita no Instrumento Particular apresentado. Assim sendo, consideramos que o contribuinte ora fiscalizado foi o real beneficiário de tais recursos, tendo em vista que: 1) aplicou sistematicamente os valores recebidos nos anos calendário de 2010 e 2011 da empresa Ever Electric, em aplicações financeiras, que por sua vez produziram rendimentos, vinculadas a sua conta pessoal 8173255, agencia 0004, do Banco BVA; 2) não comprovou o repasse dos valores recebidos nos anos calendário de 2010 e 2011 para a empresa Super Mart Ltda; Pelo exposto, os lançamentos efetuados a crédito, na conta 8173601, durante os anos de 2010 c 2011, cujo histórico refere se a "DOC/TED Eletrônico Ever Electric Al C V Ltda, CNPJ 06.194.010/000353" e "DOC/TED eletrônico Ever Electric Appliances Industria e, CNPJ 06.194.010/000191" serão Fl. 410DF CARF MF Processo nº 10437.721372/201591 Acórdão n.º 2202004.811 S2C2T2 Fl. 408 7 tributados como Omissão de Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoa Jurídica, com respaldo nos artigos 1º a 3º da Lei 7.713/88 e nos artigos 37, 38 e 45 do Decreto 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda). O contribuinte apresentou impugnação de fls. 238/241, na qual alegou, resumidamente que: a) Os valores não caracterizam, receita ou rendimentos, posto que são de origem do contribuinte e a este retomou; b) os valores pertenciam à empresa Super Marte Ltda, foram escriturados e só não transitaram pela conta da empresa, pois esta possuía impedimentos legais que impossibilitavam abertura de conta corrente em seu nome; c) Como o rendimento pertencia à pessoa jurídica, mesmo que tributável, deveria ser como lucro e não em seu principal; d) apesar do Auditor Fiscal reconhecer que foram depositados dois cheques administrativos os quais saíram e voltaram pelo mesmo instrumento e titularidade, mesmo assim os enquadrou como depósito sem comprovação de origem; A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza negou provimento ao recurso em decisão cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2010, 2011 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS. ORIGEM IDENTIFICADA. NÃO COMPROVAÇÃO DE QUE OS RECURSOS PROVÊM DO CONTRATO DE MÚTUO. Farseá o lançamento de ofício fixando os rendimentos tributáveis de acordo com as informações de que se dispuser, quando os esclarecimentos deixarem de ser prestados, forem recusados ou não forem satisfatórios. OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADOS POR DEPÓSITOS BANCÁRIO DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Caracterizamse como omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantidas junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PEDIDO DE PRODUÇÃO DE PROVAS E OITIVA DE TESTEMUNHA. INDEFERIMENTO. DOCUMENTOS Fl. 411DF CARF MF 8 ANEXADOS AOS AUTOS SUFICIENTES PARA FORMAR A LIVRE CONVICÇÃO DO JULGADOR. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. No que tange ao pedido de apresentação de provas testemunhais, há que se esclarecer que não há previsão legal para este tipo de prova no Processo Administrativo Fiscal, a não ser nas formas de declarações firmadas pelas testemunhas, apresentadas pela defesa, ou na forma de depoimentos tomados pelas autoridades preparadoras, quando entenderem necessárias, no decorrer das investigações, ou atendendo a pedido de diligência dos órgãos julgadores. Cientificado (AR fls. 290) o contribuinte apresentou o Recurso Voluntário de fls. 293/300, no qual reitera as alegações suscitadas. É o relatório Voto Conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora O recurso preenche os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual, dele conheço 1) PRELIMINARES 1.1) DA NULIDADE DO LANÇAMENTO EM RAZÃO DO INDEFERIMENTO DA PROVA PERICIAL, TESTEMUNHAL E DA JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS. O contribuinte alega, novamente, como preliminar a nulidade do lançamento em razão da necessidade de provas periciais e oitivas de testemunha. Tratase de protesto genérico sem qualquer fundamentação. Correto, portanto, seu indeferimento pela decisão recorrida. O artigo 16 do Decreto 70.235/72 não deixa dúvida sobre a necessidade motivação do pedido de perícia. Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; Fl. 412DF CARF MF Processo nº 10437.721372/201591 Acórdão n.º 2202004.811 S2C2T2 Fl. 409 9 II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito (...) § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (grifamos) Da mesma forma, o pedido de realização de produção de prova testemunhal e oitiva de testemunhas carece de motivação, motivo pelo, devem ser igualmente indeferidos. Improcedentes as preliminares suscitadas. 1.2) ILEGALIDADE DA MULTA DE OFÍCIO E DA TAXA SELIC Alega o Recorrente que "a multa não pode ou deve ser arbitrada" e a ilegalidade da taxa SELIC. Não houve qualquer arbitramento da multa. Aliás, não existe previsão de arbitramento de multa. Essas estão taxativamente previstas em lei. Igualmente improcedente a alegação do Recorrente quanto à ilegalidade da taxa SELIC. A aplicação da taxa SELIC aos débitos tributários é matéria pacificada no âmbito deste conselho conforme se verifica pela Súmula 4 abaixo transcrita: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. 2) MÉRITO 2.1) DA ILEGALIDADE DO ARBITRAMENTO DE LUCROS. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO DESTINO DOS VALORES Alega do Recorrente ser ilegal o arbitramento de lucros efetuados com base nos depósitos bancários, bem como o lançamento sem a comprovação do destino dos valores depositados. Em primeiro lugar, é importante registrar que, em momento algum, houve a tributação do lucro, uma vez que tratase de lançamento de imposto de renda pessoa física. Fl. 413DF CARF MF 10 É pacífico que uso de presunções em matéria tributária é admitido, desde que tais presunções sejam relativas, como é o caso da presunção estabelecida no artigo 42 da Lei nº 9.430/96, o qual dispõe: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2° Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$12.000,00 (doze mil Reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$80.000,00 (oitenta mil Reais). §4° Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. A exigência fiscal em exame decorre de expressa previsão legal, pela qual existe uma presunção em favor do Fisco, que fica dispensado de provar o fato que originou a omissão de rendimentos, cabendo ao contribuinte elidir a imputação, comprovando a origem dos recursos. Conforme previsão do art. 42 da Lei nº 9.430/96, é necessário comprovar, individualizadamente, a origem dos recursos, identificandoos como decorrentes de renda já oferecida à tributação ou como rendimentos isentos/não tributáveis. Tratase,portanto, de ônus exclusivo do contribuinte, a quem cabe comprovar, de maneira inequívoca, a origem dos valores que transitaram por sua conta bancária, não sendo bastante alegações e indícios de prova. Ademais, a legitimidade da inversão do ônus da prova, no caso em questão, é matéria que já se encontra sumulada pela jurisprudência do CARF, conforme se constata pela Súmula nº 26 abaixo transcrita: Fl. 414DF CARF MF Processo nº 10437.721372/201591 Acórdão n.º 2202004.811 S2C2T2 Fl. 410 11 Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada 2.2) OMISSÃO DOS VALORES RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA Novamente o Recorrente desenvolve alegações genéricas quanto ao lançamento relativo a omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica. Alega os valores depositados na conta 8176013, agência 0004 do Banco BVA, referiase a um contrato de mútuo comprovado por Instrumento Particular de Solução de Mútuos, Cessão de Direitos e Outras Avenças (fls. 71/76). Todavia, como bem observado pela decisão recorrida, da análide da referida documentação restou comprovado que: · as partes contratantes eram as empresas Super Mart Ltda e Ever Electric Appliances Indústria e Comércio de Veículos Ltda; · a empresa Ever Electric Appliances Indústria e Comércio de Veículos Ltda tinha a obrigação contratual de pagar a empresa Super Mart Ltda o valor de R$ 24.000.000,00, em 16 prestações mensais, corrigidas pela SELIC; · tais prestações deveriam ser pagas através de depósitos bancários efetuados mensalmente na conta 8173601, agencia 0004, do Banco BVA S/A;e, excepcionalmente, os pagamentos poderiam ser efetuados pessoalmente junto à empresa Super Mart Ltda, mediante recibo. · esta conta era de titularidade do sócio da empresa Super Mart, o próprio contribuinte; (...) A defesa ainda alegou que toda a movimentação e lançamentos estavam amparados pelo contrato de mútuo e que embora figurasse duas personalidades jurídicas, os valores foram depositados em nome do contribuinte, uma vez que este era proprietário de uma delas empresas. Disse ainda que cedeu os valores objetos daquele Contrato de Mutuo. Nesse ponto reside o cerne da questão, pois o contrato de Mútuo poderia explicar e resolver a lide. No entanto, como afirmado nos parágrafos acima deste voto, o contribuinte não justificou inúmeras questões que confirmassem suas alegações, vejamos: a) Intimado a explicar porque os rendimentos foram depositados em sua conta particular, o contribuinte limitouse a afirmar que a conta da empresa apresentava problemas. No entanto, dos autos verificase que o impugnante não especifica, nem comprova qual foi o problema que a empresa teria tido e nem tão pouco anexou documentos capazes de provar suas alegações. b) Intimado a explicar por quais razões não fez o repasse para a empresa Super Mart Ltda, a defesa afirmou que o banco havia falido (liquidação da Instituição Financeira). No entanto, nos autos resta demonstrado cabalmente que os depósitos ocorreram Fl. 415DF CARF MF 12 bem antes da intervenção, fato este que ocorreu em 19/10/2012. Cumpre destacar que a defesa não anexou quaisquer documentos que comprovassem o quantum foi retido pelo Banco BVA e em que data tais retenções teriam ocorrido. c) Não foram lançados nas Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) da empresa Super Mart Ltda, dos anoscalendário de 2010 e 2011, valores compatíveis e condizentes com a operação descrita no Instrumento Particular de Solução de Mútuos, Cessão de Direitos e Outras Avencas . Improcedentes, portanto, as alegações do contribuinte. |3) CONCLUSÃO Em face do exposto, rejeito as preliminares e, no mérito, nego provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio. Fl. 416DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18471.002346/2003-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 11 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 1999
GLOSA DE DESPESA LASTREADA EM DOCUMENTO QUE NÃO INDIVIDUALIZA O BENEFICIÁRIO.
Não havendo a individualização do beneficiário, nos termos do 304 do RIR, é correta a glosa da despesa.
IRRF. PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO.
Sendo incerto o beneficiário do pagamento, nos termos do art. 674 do RIR, é correto o lançamento do IRRF.
Numero da decisão: 1302-000.418
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: Eduardo de Andrade
1.0 = *:*
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conteudo_txt : Metadados => date: 2010-12-27T23:18:01Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; pdf:docinfo:title: Microsoft Word - 2400262_0.doc; xmp:CreatorTool: PScript5.dll Version 5.2; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dc:creator: e_processo; dcterms:created: 2010-12-27T23:18:01Z; Last-Modified: 2010-12-27T23:18:01Z; dcterms:modified: 2010-12-27T23:18:01Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; title: Microsoft Word - 2400262_0.doc; xmpMM:DocumentID: uuid:3b5a6bf7-b67e-44c1-bbf3-71d1dd420fea; Last-Save-Date: 2010-12-27T23:18:01Z; pdf:docinfo:creator_tool: PScript5.dll Version 5.2; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2010-12-27T23:18:01Z; meta:save-date: 2010-12-27T23:18:01Z; pdf:encrypted: true; dc:title: Microsoft Word - 2400262_0.doc; modified: 2010-12-27T23:18:01Z; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: e_processo; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: e_processo; meta:author: e_processo; meta:creation-date: 2010-12-27T23:18:01Z; created: 2010-12-27T23:18:01Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2010-12-27T23:18:01Z; pdf:charsPerPage: 1510; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; Author: e_processo; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2010-12-27T23:18:01Z | Conteúdo => S1-C3T2 Fl. 206 1 205 S1-C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18471.002346/2003-12 Recurso nº 166.096 Voluntário Acórdão nº 1302-00.418 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 11 de novembro de 2010 Matéria IRPJ - GLOSA DE DESPESAS Recorrente PATRIMOVEL CONSULTORIA IMOBILIARIA S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 1999 GLOSA DE DESPESA LASTREADA EM DOCUMENTO QUE NÃO INDIVIDUALIZA O BENEFICIÁRIO. Não havendo a individualização do beneficiário, nos termos do 304 do RIR, é correta a glosa da despesa. IRRF. PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. Sendo incerto o beneficiário do pagamento, nos termos do art. 674 do RIR, é correto o lançamento do IRRF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) MARCOS RODRIGUES DE MELLO - Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO DE ANDRADE - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Rodrigues de Mello (presidente da turma), Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira (vice-presidente), Fl. 1DF CARF MF Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.1018.16533.BXWJ. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 2 Wilson Fernandes Guimarães, Daniel Salgueiro da Silva, Eduardo de Andrade e Guilherme Polastri Gomes da Silva. Relatório Por bem descrever os eventos ocorridos até o momento de seu relato, adoto o relatório produzido na DRJ. Trata o processo do auto de infração, com ciência em 03/10/2003, referente ao ano- calendário de 1999, através do qual é exigido da interessada o imposto sobre a renda de pessoa jurídica - IRPJ, no valor de R$ 11.924,66 (fls. 91/95), acrescido da multa de 75% e encargos moratórios. A exação de IRPJ teve como motivo as seguintes constatações, tendo como base o Termo de Verificação Fiscal, fls. 139/104, e a descrição do Auto de Infração: 1) Custos, Despesas Operacionais e Encargos não necessários. Conforme item 3 do Termo de Verificação, a interessada, depois de cientificada da Intimação Fiscal n° 04, apresentou como justificativa do lançamento da despesa de R$ 24.000,00 na Conta 51422-5 - Serv. Prof. P. Jurídica, a nota fiscal de n° 001, emitida em 05/10/1999 pela empresa CLEAN A. P. Participações LTDA-CNPJ. 72.421.829/0001-79, a título de "comissão pela venda de imóvel da Av, das Américas, n º 4.441". Entretanto, a interessada é a compradora do imóvel, cujo proprietário era o Banco Santander Meridional S.A., que deveria ter arcado com a despesa. Portanto, efetuou-se o lançamento decorrente de glosa de despesa por ser desnecessária à atividade da empresa. O enquadramento legal: art. 249, inciso I, 251 e § único, 299, 300 do RIR/99. 2)Pagamentos a Beneficiário Não Identificado. Conforme item 1 do Termo de Verificação, depois de cientificada do Termo de Intimação n° 01 e do Termo de Intimação n° 04, a interessada deixou de justificar as despesas contabilizadas, tendo apresentado comprovantes de pagamento supostamente efetuados a Raul de Vasconcellos ou Raul de Vasconcelos, sem informação de CPF e tampouco retenção de Imposto de Renda na Fonte. Desta forma, se sujeita a glosa do valor das despesas contabilizadas, bem como ao pagamento do Imposto de Renda, neste caso, sendo considerado o valor da despesa como "valor líquido pago a beneficiário não identificado". O enquadramento legal: art. 249, inciso I, 251 e § único, 299, 304 do RIR/99. 3) Depreciação de Bens do Ativo Imobilizado — Excesso em função do bem. Conforme item 4 do Termo de Verificação, depois de cientificada do Termo de Intimação Fiscal n° 01, no qual era solicitada a apresentar os documentos de aquisição que dessem respaldo ao registro, em 01/01/1999, na conta 13202-0 - Veículos, do valor de RS 92.304,46, a interessada logrou apresentar somente dois documentos, de valor de R$ 34.000,000 e R$ 7,618,36, totalizando R$ 41.618,36. Desta forma, deixou a interessada de comprovar registro de valor igual a R$ 50.686,10 (54,91% do total). No decorrer do ano-calendário de 1999, ocorreu somente um registro na Conta 51712,7 - Despesas com Depreciação de Veículos, em 31/12/1999, no valor de RS 6.153,64. Em conseqüência, se sujeita à glosa de RS 3.378,96 (54,91% de RS 6.153,64) da despesa contabilizada. O enquadramento legal: art. 249, inciso I, 251 e § único, 299, 305 do RIR/99. Fl. 2DF CARF MF Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.1018.16533.BXWJ. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 18471.002346/2003-12 Acórdão n.º 1302-00.418 S1-C3T2 Fl. 207 3 Em conseqüência, foi lavrado o auto de infração exigindo-lhe a CSLL no valor de R$ 5,329,82, acrescida de juros de mora e multa de oficio de 75%, fls. 96/100. O enquadramento legal: art. 2 o e §§ da Lei n° 7.689/88, art. 19 da Lei n° 9.249/95, art. 1º da Lei n° 9.316/96 e art. 38 da Lei n° 9.430/96; art. 6 o da MP n° 1.858/99 e reedições. Também foi lavrado auto de infração para cobrança do Imposto de Renda Retido na Fonte, no valor de RS 10.941,36, acrescida de juros de mora e multa de ofício de 75%, fls. 101/104. A exação decorre da constatação de pagamento a pessoa física sem a retenção do imposto, conforme o item 2 do Termo de Verificação Fiscal, fls. 89/91. Inconformada, a interessada ingressou com a impugnação relativa ao IRPJ, em 31/10/2003, de fls. 111/129, alegando, em síntese: Requer a nulidade do lançamento pois entende que foi indevido, abusivo e arbitrário. Afirma que havia farta documentação apresentada, e que não caberia a glosa de despesa. Afirma que houve inversão ônus da prova pelo fisco, transferindo-o ao sujeito passivo, embora sabendo que tal exação era de legitimidade no mínimo duvidosa. Alega também o cerceamento de defesa, pela impropriedade técnica da exação, indo de encontro ao CTN, ao Decreto 70.235/72 e IN SRF n° 94/97. 4)Quanto ao mérito, traz os seguintes argumentos. 4.1 ) Glosa de despesas - Pagamento a Beneficiário não Identificado. O auto do procedimento não levou a bom termo a auditoria, pois deixou de verificar dentre as 6 (seis) pessoas físicas se alguma delas havia recebido os valores em referência, deixando de esgotar o processo probatório, pois se trata de urna tarefa plausível. Caberia ao agente do Fisco a prova de que o pagamento não foi efetuado e que o serviço na foi prestado. Portanto, a imposição do Fisco é desprovida de algum elemento probante, decorrendo de meras presunções não amparadas na legislação. Como o fisco não comprovou que os pagamentos não foram efetuados e que os serviços não foram prestados, há que ser cancelada a exação. 4.2) Glosa de despesa - Comissão - Corretagem. A glosa decorre da afirmação do Fisco de que o pagamento da comissão pela venda é obrigação do vendedor. Entretanto, é uma premissa inaceitável e sem respaldo legal, posto que não há lei que determine a quem cabe pagar a comissão nesse tipo de negócio. Como prevalece o Princípio da Autonomia da Vontade, a comissão tanto pode ser paga ao intermediário pelo comprador, pelo vendedor ou, eventualmente, por ambos. Logo, o Fisco invadiu, sem base legal, o campo restrito à vontade das partes e determinou quem deve pagar a comissão na relação jurídica em comento, Aduz que nos artigos 722 a 729 do Código Civil, que trata da Corretagem, em nenhum deles se vê fixada a obrigação de pagamento da corretagem como atribuição única e exclusiva do vendedor do bem jurídico. Argumenta que talvez houve erro material constante no texto da nota fiscal "... comissão pela venda do imóvel", uma vez que a impugnante é a compradora, mas que não seria motivo para macular a real relação jurídica entre as partes, que ajustaram que, se a Clean A. P. Participações viabilizasse o negócio, receberia da interessada o valor da comissão de R$ 24.000,00. Portanto, não procede a desqualificação da despesa efetuada, visto que esta poderia ser efetuada pelo comprador e era necessária a seu objetivo. 4.3- Glosa de Depreciação - Depreciação Acumulada de Veículos Fl. 3DF CARF MF Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.1018.16533.BXWJ. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 4 É descabida a glosa efetuada, já que se acha fundamentada em um simples exercício matemático, pois competiria ao Fisco verificar, contabilmente, sobre que bens foi calculada a depreciação que alcançou a cifra de R$ 6.153,64. Ressalta que poderia lançar depreciação de 20%, que calculado sobre o valor aceito como comprovado de RS 41.618,36, teria o direito a depreciar R$ 8.323,67. Este fato, por si só, já seria mais que suficiente para recomendar um detido exame do cálculo da depreciação, antes de estabelecer meros percentuais para efeito da exação. A 7ª Turma da DRJ/RJOI, em sessão de julgamento, decidiu, por unanimidade, rejeitar as preliminares, e, no mérito, julgar parcialmente procedentes os lançamentos, com supedâneo nos seguintes fundamentos: - o auto de infração obedece aos termos do art. 142 do CTN, e não infringe os termos do art. 59 do Decreto nº 70.235/72. Assim, não há nulidade por cerceamento; - não comprovada a prestação de serviços que deu causa ao pagamento a “Raul Vasconcelos” ou “Raul Vasconcellos”, é correta a glosa do valor e o lançamento do IRRF por pagamento a beneficiário não identificado; - a legislação não obriga o vendedor a pagar a comissão sobre a compra e venda de imóvel, prevalecendo o princípio da autonomia das vontades. Assim, descabe alegação de que a despesa de R$ 24.000,00, relativa à comissão de vendas, paga à Clean A. P. Participações (que intermediou as negociações) não é necessária, porque teria ela figurado como compradora, devendo o lançamento ser cancelado, neste ponto; - de acordo com o art. 311 do RIR e IN SRF nº 162/98, os veículos poderiam ser depreciados à razão de 20% ao ano, totalizando R$ 11.039,45. Desta forma, a glosa de despesa de depreciação de veículos no valor de R$ 6.153,64 é descabida, porque menor que o valor permitido, calculado com base na legislação vigente. Irresignado, o recorrente interpôs Recurso Voluntário a este Conselho, alegando, em síntese, que: - foi comprovado, através de recibos idôneos, embora emitidos pela própria recorrente, que houve o pagamento correspondente à prestação dos serviços e que eles foram efetivamente realizados; - o pagamento identificou o beneficiário. O auditor poderia tê-lo intimado a comprovar a prestação do serviço, pois estava na posse do recibo. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo de Andrade, Relator. O recurso é tempestivo, e portanto, dele conheço. Fl. 4DF CARF MF Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.1018.16533.BXWJ. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 18471.002346/2003-12 Acórdão n.º 1302-00.418 S1-C3T2 Fl. 208 5 A fiscalização intimou o recorrente a apresentar os documentos que deram embasamento aos registros efetuados nas contas 51418-7 (gastos div) e 51421-7 (serv. Prest. PJ). Em resposta, a recorrente apresentou recibos de pagamento, os quais demonstravam que o pagamento era feito, ora a Raul Vasconcelos, ora a Raul Vasconcellos. O auditor-fiscal apurou que existem 5 homônimos “Raul Vasconcellos”, e apenas um “Raul Vasconcelos”, o qual consta com CPF cancelado por omissão. Assim, de primeiro, não procede a afirmativa da recorrente que o auditor poderia ter intimado o beneficiário para dele obter a confirmação do serviço, uma vez que pela multiplicidade de homônimos, era ele incerto. A aposição do CPF do beneficiário é medida que permite identificar e individualizar o beneficiário, devendo constar dos recibos de pagamento a pessoa física. Como bem observou o auditor, não foi também feita a retenção na fonte do pagamento, o que impossibilita a confirmação do pagamento junto à sua declaração de rendimentos. Desta forma, entendo correto o lançamento que efetuou a glosa, por não estar individualizado o beneficiário do pagamento, nos termos do art. 304 do RIR/99. Mesmo entendimento se aplica ao lançamento do IRRF por ocorrência de pagamento a beneficiário não identificado (art. 674, RIR/99). Assim, voto para negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo-se o quanto decidido na DRJ. Sala das Sessões, 11 de novembro de 2010. (assinado digitalmente) Eduardo de Andrade - Relator Fl. 5DF CARF MF Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.1018.16533.BXWJ. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por EDUARDO DE ANDRADE em 27/12/2010 21:17:22. Documento autenticado digitalmente por EDUARDO DE ANDRADE em 27/12/2010. Documento assinado digitalmente por: MARCOS RODRIGUES DE MELLO em 30/12/2010 e EDUARDO DE ANDRADE em 27/12/2010. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 08/10/2018. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP08.1018.16533.BXWJ Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 15E9772E0DA64FDB985DFB92733DAA612034FD41 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 18471.002346/2003-12. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 12571.000036/2010-88
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3301-000.747
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, para que o processo seja encaminhado à repartição de origem onde deverá aguardar até que seja proferida a decisão no processo nº 12571.000200/2010-57, que deverá ser juntada, em cópia de seu inteiro teor, nestes autos.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Valcir Gassen - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, para que o processo seja encaminhado à repartição de origem onde deverá aguardar até que seja proferida a decisão no processo nº 12571.000200/201057, que deverá ser juntada, em cópia de seu inteiro teor, nestes autos. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Valcir Gassen Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP de créditos de PIS/Pasep mercado interno e exportação, apurados no regime de incidência nãocumulativa, com base no art. 3º, §1º da Lei nº 10.637/2002. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 25 71 .0 00 03 6/ 20 10 -8 8 Fl. 476DF CARF MF Processo nº 12571.000036/201088 Resolução nº 3301000.747 S3C3T1 Fl. 476 2 Cabe ressaltar a existência dos Processos nºs. 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000, que tratam dos Autos de Infração de PIS/Pasep e Cofins, respectivamente, lançados em decorrência da análise do direito creditório promovida nos créditos das referidas contribuições dos anos de 2003 a 2007. Além da glosa dos créditos, foi verificado que, em diversos períodos de apuração, ocorreu a não tributação de algumas receitas pelo Contribuinte, motivo pelo qual lhe restou saldo devedor da contribuição a pagar, sendo, então, lavrados os dois Autos de Infração citados. No âmbito dos Processos nºs. 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000, proferiuse as Resoluções nº 3301000.520 e 3301000.521, respectivamente. Nestas resoluções decidiuse por converter os julgamentos em diligências para fins de juntada de processos vinculados, processos esses, inclusive o presente, em que se estão sendo analisados os créditos de PIS/Pasep e Cofins (PER/DCOMPs) e que deram ensejo aos autos de infração constantes dos processos referidos. No cumprimento da Resolução nº 3301000.520 assim constou do Despacho de Encaminhamento: DESPACHO DE ENCAMINHAMENTO Devolvamse os presentes autos ao Conselheiro Valcir Gassen, para prosseguimento, informando que os processos 12571.000024/2010 53, 12571.000025/201006, 12571.000026/201042, 12571.000027/201097, 12571.000028/201031, 12571.000029/201086, 12571.000030/201019, 12571.000031/201055, 12571.000032/201008, 12571.000033/201044, 12571.000034/201099, 12571.000035/201033, 12571.000036/201088, 12571.000037/201022, 12571.000038/201077, 12571.000039/201011, 12571.000040/201046, 12571.000041/201091, 13931.000368/200874, 13931.000948/200861, 13931.000949/200814, 13931.000950/200831, 13931.000951/200885, 13931.000952/200820, 13931.000953/200874, 13931.000954/200819, 13931.000955/200863, 13931.000956/200816 e 13931.000957/200852, que tratam da análise de créditos de PIS (PER/DECOMPs) e que deram ensejo ao auto de que trata este processo foram distribuídos ao referido Conselheiro, em cumprimento à determinação constante da Resolução 3301000.520, de 28/9/2017. É o relatório. Voto Conselheiro Valcir Gassen Relator Quando da análise dos autos para julgamento dos Processos nºs. 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000, distribuídos a este relator, constatouse que os dois processos referemse a autos de infração, o primeiro no que tange a contribuição ao PIS e o segundo diz respeito a Cofins, e que existiam outros processos vinculados a estes e que Fl. 477DF CARF MF Processo nº 12571.000036/201088 Resolução nº 3301000.747 S3C3T1 Fl. 477 3 tratam de pedidos de restituição e de compensação (PER/DCOMP) de PIS e Cofins mercado interno e exportação apurados no regime de incidência nãocumulativa. Em pesquisa realizada no eprocesso verificouse que esses processos vinculados aos autos de infração encontravamse distribuídos em fases distintas. Por intermédio das Resoluções nº 3301000.520 e 3301000.521, proferidas nos Processos nºs. 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000, os processos vinculados foram reunidos e distribuídos a este Conselheiro prevento. Assim, entendo que foram atendidas as Resoluções nº 3301000.520 e 3301 000.521. Verificando os processos de PER/Dcomps, constatase que o Auto de Infração alcança todos os períodos de apuração dos PER/Dcomps vinculados, sendo que a solução do litígio no processo do lançamento alcança os processos de ressarcimento/compensação vinculados. Assim, voto pela conversão do julgamento em diligência, para que o presente processo seja encaminhado à repartição de origem, onde deverá aguardar até que seja proferida a decisão definitiva no processo nº 12571.000200/201057, que deverá ser juntada, em cópia de seu inteiro teor, neste processo. (assinado digitalmente) Valcir Gassen Fl. 478DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12571.000007/2010-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3301-000.708
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, para que o processo seja encaminhado à repartição de origem onde deverá aguardar até que seja proferida a decisão no processo nº 12571.000201/2010-00, que deverá ser juntada, em cópia de seu inteiro teor, nestes autos.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Valcir Gassen - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, para que o processo seja encaminhado à repartição de origem onde deverá aguardar até que seja proferida a decisão no processo nº 12571.000201/201000, que deverá ser juntada, em cópia de seu inteiro teor, nestes autos. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Valcir Gassen Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP de créditos de COFINS mercado interno e exportação, apurados no regime de incidência nãocumulativa, com base no art. 3º, §1º da Lei nº 10.833/2003. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 25 71 .0 00 00 7/ 20 10 -1 6 Fl. 183DF CARF MF Processo nº 12571.000007/201016 Resolução nº 3301000.708 S3C3T1 Fl. 184 2 Cabe ressaltar a existência dos Processos nºs. 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000, que tratam dos Autos de Infração de PIS/Pasep e Cofins, respectivamente, lançados em decorrência da análise do direito creditório promovida nos créditos das referidas contribuições dos anos de 2003 a 2007. Além da glosa dos créditos, foi verificado que, em diversos períodos de apuração, ocorreu a não tributação de algumas receitas pelo Contribuinte, motivo pelo qual lhe restou saldo devedor da contribuição a pagar, sendo, então, lavrados os dois Autos de Infração citados. No âmbito dos Processos nºs. 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000, proferiuse as Resoluções nº 3301000.520 e 3301000.521, respectivamente. Nestas resoluções decidiuse por converter os julgamentos em diligências para fins de juntada de processos vinculados, processos esses, inclusive o presente, em que se estão sendo analisados os créditos de PIS/Pasep e Cofins (PER/DCOMPs) e que deram ensejo aos autos de infração constantes dos processos referidos. No cumprimento da Resolução nº 3301000.521 assim constou do Despacho de Encaminhamento: DESPACHO DE ENCAMINHAMENTO Devolvamse os presentes autos ao Conselheiro Valcir Gassen, para prosseguimento, informando que os processos 12571.000006/2010 71, 12571.000007/201016, 12571.000008/201061, 12571.000009/201013, 12571.000010/201030, 12571.000011/201084, 12571.000012/201029, 12571.000013/201073, 12571.000014/201018, 12571.000015/201062, 12571.000016/201015, 12571.000017/201051, 12571.000018/201004, 12571.000019/201041, 12571.000020/201075, 12571.000021/201010, 12571.000022/201064, 12571.000023/201017, 13931.000367/200820, 13931.000936/200837, 13931.000938/200826, 13931.000941/200840, 13931.000943/200839, 13931.000944/200883, 13931.000945/200828, e 13931.000947/200817, que tratam da análise de créditos de Cofins (PER/DECOMPs) e que deram ensejo ao auto de que trata este processo foram distribuídos ao referido Conselheiro, em cumprimento à determinação constante da Resolução 3301000.521, de 28/9/2017. É o relatório. Voto Conselheiro Valcir Gassen Relator Quando da análise dos autos para julgamento dos Processos nºs. 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000, distribuídos a este relator, constatouse que os dois processos referemse a autos de infração, o primeiro no que tange a contribuição ao PIS e o segundo diz respeito a Cofins, e que existiam outros processos vinculados a estes e que tratam de pedidos de restituição e de compensação (PER/DCOMP) de PIS e Cofins Exportação apurados no regime de incidência nãocumulativa. Fl. 184DF CARF MF Processo nº 12571.000007/201016 Resolução nº 3301000.708 S3C3T1 Fl. 185 3 Em pesquisa realizada no eprocesso verificouse que esses processos vinculados aos autos de infração encontravamse distribuídos em fases distintas. Por intermédio das Resoluções nº 3301000.520 e 3301000.521, proferidas nos Processos nºs. 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000, os processos vinculados foram reunidos e distribuídos a este Conselheiro prevento. Assim entendo que foram atendidas as Resoluções nº 3301000.520 e 3301 000.521. Verificando os processos de PER/Dcomps, constatase que o Auto de Infração alcança todos os períodos de apuração dos PER/Dcomps vinculados, sendo que a solução do litígio no processo do lançamento alcança os processos de ressarcimento/compensação vinculados. Assim, voto pela conversão do julgamento em diligência, para que o presente processo seja encaminhado à repartição de origem, onde deverá aguardar até que seja proferida a decisão definitiva no processo nº 12571.000201/201000, que deverá ser juntada, em cópia de seu inteiro teor, neste processo. (assinado digitalmente) Valcir Gassen Fl. 185DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12571.720398/2012-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO.
Os embargos de declaração são cabíveis quando houver omissão no acórdão.
NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. ERRO MATERIAL. ART. 19 DA LEI Nº 10.522/2007.
É nula a decisão de primeira instância que revisa o ato administrativo de lançamento, com o objetivo de sanar erro material existente na constituição do crédito tributário. O artigo 19 da Lei nº 10.522/2007 é inaplicável à hipótese dos autos.
Numero da decisão: 1201-002.317
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração. Ausentes justificadamente a conselheira Ester Marques Lins de Sousa e Luis Fabiano Alves Penteado, substituídos respectivamente pelos conselheiros Lizandro Rodrigues de Sousa e Breno do Carmo Moreira Vieira.
(assinado digitalmente)
EVA MARIA LOS - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
RAFAEL GASPARELLO LIMA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los (presidente em exercício), José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado) e Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado). Ausentes justificadamente a conselheira Ester Marques Lins de Sousa e o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: RAFAEL GASPARELLO LIMA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. Os embargos de declaração são cabíveis quando houver omissão no acórdão. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. ERRO MATERIAL. ART. 19 DA LEI Nº 10.522/2007. É nula a decisão de primeira instância que revisa o ato administrativo de lançamento, com o objetivo de sanar erro material existente na constituição do crédito tributário. O artigo 19 da Lei nº 10.522/2007 é inaplicável à hipótese dos autos.
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. Os embargos de declaração são cabíveis quando houver omissão no acórdão. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. ERRO MATERIAL. ART. 19 DA LEI Nº 10.522/2007. É nula a decisão de primeira instância que revisa o ato administrativo de lançamento, com o objetivo de sanar erro material existente na constituição do crédito tributário. O artigo 19 da Lei nº 10.522/2007 é inaplicável à hipótese dos autos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração. Ausentes justificadamente a conselheira Ester Marques Lins de Sousa e Luis Fabiano Alves Penteado, substituídos respectivamente pelos conselheiros Lizandro Rodrigues de Sousa e Breno do Carmo Moreira Vieira. (assinado digitalmente) EVA MARIA LOS Presidente em exercício. (assinado digitalmente) RAFAEL GASPARELLO LIMA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los (presidente em exercício), José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado) e Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 57 1. 72 03 98 /2 01 2- 51 Fl. 22029DF CARF MF 2 convocado). Ausentes justificadamente a conselheira Ester Marques Lins de Sousa e o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado. Relatório Tratase de Embargos de Declaração, argumentando a Fazenda Nacional, ora Embargante, uma omissão no acórdão nº 1103001.139, ementado abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. ERRO MATERIAL. É nula a decisão de primeira instância que revisa o ato administrativo de lançamento, com o objetivo de sanar erro material existente na constituição do crédito tributário. A Embargante expõe que o acórdão proferido pela outrora 3ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção, resumidamente, concluiu que "a autoridade julgadora não poderia de ofício, modificar o trabalho fiscal", incorrendo em omissão, quando não justificado o afastamento do artigo 19, § 7º, da Lei nº 10.522/2002. Ressalta a Fazenda Nacional "que não se pretende aqui, com a presente peça, alterar o entendimento do acórdão ora embargado. O que se busca é a manifestação do C. Colegiado sobre esse ponto." Por fim, a Embargante requer "o conhecimento e o provimento do presente recurso, para que esta e. Câmara justifique o afastamento do art. 19, § 7º da Lei nº 10.522/2002, fato que correspondeu à verdadeira declaração de inconstitucionalidade por meio indireto." Considerando a modificação da composição desta Turma, mediante novo sorteio, fui designado relator. A admissibilidade dos Embargos de Declaração foi proferida em despacho nos autos, neste momento, sobrevindo a sua apreciação pelo presente colegiado. É o relatório. Voto Conselheiro Rafael Gasparello Lima, Relator Os Embargos de Declaração são tempestivos, com admissibilidade reconhecida, portanto, deles tomo conhecimento. Inicialmente, ressalvase que o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, mediante sua Súmula nº 2, delimita que "não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". Entretanto, o acórdão recorrido não declarou a inconstitucionalidade do artigo 19, § 7º, da Lei nº 10.522/2002, ainda que pela via indireta, como sugere a Embargante. Fl. 22030DF CARF MF Processo nº 12571.720398/201251 Acórdão n.º 1201002.317 S1C2T1 Fl. 22.030 3 O artigo 19, § 7º, da Lei nº 10.522/2002, viabiliza a revisão de ofício do crédito tributário pela autoridade lançadora, quando houver declaração de inconstitucionalidade pelo Egrégio Supremo Tribunal Federal (artigo 19, inciso IV, da Lei nº 10.522/2002) ou de ilegalidade pelo Colendo Superior Tribunal de Justiça (artigo 19, inciso V, da Lei nº 10.522/2002): Art. 19. Fica a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional autorizada a não contestar, a não interpor recurso ou a desistir do que tenha sido interposto, desde que inexista outro fundamento relevante, na hipótese de a decisão versar sobre: (...) IV matérias decididas de modo desfavorável à Fazenda Nacional pelo Supremo Tribunal Federal, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) V matérias decididas de modo desfavorável à Fazenda Nacional pelo Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos art. 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil, com exceção daquelas que ainda possam ser objeto de apreciação pelo Supremo Tribunal Federal. (...) § 7o Na hipótese de créditos tributários já constituídos, a autoridade lançadora deverá rever de ofício o lançamento, para efeito de alterar total ou parcialmente o crédito tributário, conforme o caso, após manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional nos casos dos incisos IV e V do caput. Primeiramente, esclarecese que tal dispositivo normativo não admitiu a "reformatio in pejus", quando da revisão do lançamento. Diversamente, o artigo 19, § 7º, da Lei nº 10.522/2007, impõe a revisão do lançamento favorável ao contribuinte, anulando o ato administrativo de constituição do crédito tributário em virtude do posicionamento contrário do Supremo Tribunal Federal com efeito de repercussão geral (artigo 543B do Código de Processo Civil/1973) ou do Superior Tribunal de Justiça geral com efeito repetitivo (artigo 543C do Código de Processo Civil/1973). Logo, o artigo 19, § 7º, da Lei nº 10.522/2002, corresponde a um instrumento eficaz de autotutela do Estado, evitando o ônus de um prescindível contencioso administrativo ou judicial. O artigo 145 do Código Tributário Nacional, excepcionalmente, autoriza modificação do lançamento tributário de ofício, enquanto o artigo 149 do mesmo Estatuto limita as hipóteses suscetíveis da revisão: Art. 145. O lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo só pode ser alterado em virtude de: (...) III iniciativa de ofício da autoridade administrativa, nos casos previstos no artigo 149. Fl. 22031DF CARF MF 4 Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: I quando a lei assim o determine; II quando a declaração não seja prestada, por quem de direito, no prazo e na forma da legislação tributária; III quando a pessoa legalmente obrigada, embora tenha prestado declaração nos termos do inciso anterior, deixe de atender, no prazo e na forma da legislação tributária, a pedido de esclarecimento formulado pela autoridade administrativa, recusese a prestálo ou não o preste satisfatoriamente, a juízo daquela autoridade; IV quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória; V quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte; VI quando se comprove ação ou omissão do sujeito passivo, ou de terceiro legalmente obrigado, que dê lugar à aplicação de penalidade pecuniária; VII quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; VIII quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior; IX quando se comprove que, no lançamento anterior, ocorreu fraude ou falta funcional da autoridade que o efetuou, ou omissão, pela mesma autoridade, de ato ou formalidade especial. Parágrafo único. A revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública. O acórdão embargado, explicitamente, concluiu pela existência erro material no lançamento tributário, sendo assim, insanável, consoante a seguinte exposição: Decidiu o v. acórdão recorrido ser possível, juridicamente, a apurar omissão de receitas praticadas por empresas comerciais, mediante levantamento por espécie das quantidades das mercadorias adquiridas para revenda. Restou ainda consignado que, na dicção do art. 3º da Lei nº 5.172, de 25/10/1966, o tributo há que ser cobrado mediante atividade administrativa plenamente vinculada. Significa dizer que, o servidor fiscal não dispõe do poder discricionário de estabelecer critérios alternativos àqueles expressamente previstos na lei. Com efeito, existindo um critério fixado expressamente no texto legal – multiplicação do quantitativo da diferença pelo preço médio de custo ou de venda – não lhe é dado criar critério distinto, ainda que, em um primeiro momento, conte com a aquiescência do contribuinte. Fl. 22032DF CARF MF Processo nº 12571.720398/201251 Acórdão n.º 1201002.317 S1C2T1 Fl. 22.031 5 Porém, por não entender justo o critério material adotado para a apuração do crédito tributário, a autoridade julgadora modificou o lançamento de ofício firmado pela autoridade fiscal: “Ocorre que o contencioso administrativo constitui mecanismo de controle da legalidade do lançamento. E em assim sendo, o provimento a ser dado consiste em dizer se o lançamento se harmoniza – ou não – à norma legal. E neste caso concreto, com respeito aos valores lançados quando desconhecidos o preço médio de custo ou de venda, não vejo como declarar que o critério criado pela fiscalização presta vassalagem à norma legal. Em virtude desse entendimento, foi exarado o despacho de diligência de fls. 20.958, determinando a feitura de planilhas contendo apenas as omissões de compras e as omissões de vendas cujos custo médio e preço médio de venda foi possível apurar, respectivamente. Em atendimento, foi elaborada a planilha de fls. 20.96021.250denominada ‘Levantamento Quantitativo de Estoques em 31/12/2007 – Omissão de Receitas por Omissão de Compras – Valoração pelo Custo Médio de Aquisição’, que totaliza a importância de R$ 1.453.308,39, e a planilha de fls. 21.42821.860 denominada ‘Levantamento Quantitativo de Estoques em 31/12/2007 – Omissão de Receitas por Omissão de Vendas – Valoradas pelo Preço Médio de Venda’, que totaliza a importância de R$ 12.899.209,02. As omissões de receitas correspondentes ao somatório das diferenças nas entradas e nas saídas apuradas nessas novas planilhas, que observam o critério legal ao considerar apenas os preços médios determinam a redução da base imponível conforme cálculo adiante demonstrado: (...)” Destacamos. Assim, a autoridade julgadora, reconhecendo o erro de direito do ato administrativo de lançamento, modificou, de ofício, o trabalho fiscal. (...) Presente, portanto, o erro de direito no lançamento administrativo, era vedado ao v. acórdão recorrido revisálo, com a finalidade de sanarlhe o vício. Manoel Antonio Gadelha Dias, expresidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda, explana que o vício substancial compreende a determinação da matéria tributável e o cálculo do tributo: “À luz do Código Tributário Nacional, fonte de direito material nacional, e do Decreto nº 70.235/1972, fonte de direito formal de Fl. 22033DF CARF MF 6 âmbito restrito à União, entendemos que os requisitos do lançamento podem ser divididos em dois grandes grupos: 1º) o dos requisitos fundamentais ou estruturais; e 2º) o dos requisitos complementares ou formais. Se o defeito no lançamento disser respeito a requisito fundamental, estaremos diante de vício substancial ou vício essencial, que macula o lançamento, ferindo o de morte, pois impede a concretização da formalização do vínculo obrigacional entre o sujeito ativo e o sujeito passivo. Os requisitos fundamentais são aqueles intrínsecos ao lançamento e dizem respeito à própria conceituação do lançamento insculpida no art. 142 do CTN, qual seja a valoração jurídica do fato jurídico tributário pela autoridade competente, mediante a verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação, a determinação da matéria tributável, o cálculo do tributo e a identificação do sujeito passivo. (....) Já se o vício estiver presente no que denominamos de requisitos complementares do lançamento, ou seja, naqueles que devem compor a linguagem para a comunicação jurídica, consistente na notificação ao sujeito passivo, estaremos falando de vício formal. Os requisitos complementares ou formais são aqueles exigidos por lei para o momento da edição do ato, por isso são denominados requisitos extrínsecos ao lançamento. O vício formal no lançamento tributário. in Direito Tributário e processo administrativo aplicados. TÔRRES, Heleno Taveira, QUEIROZ, Mary Elbe, FEITOSA, Raymundo Juliano (Coords.). São Paulo: Quartier Latin, 2005. pp. 345346. (grifei) O acórdão nº 3202000.633, relatado pelo Ilmo. Conselheiro, Luís Eduardo Garrossini Barbieri, distingue o vício formal e o vício material, opinando que o erro no critério quantitativo é substancial: Questão relevante que precisa ser enfrentada, neste ponto, consiste em saber se o lançamento deve ser declarado nulo por vício formal ou material. O ato administrativo tem a seguinte estrutura lógica (a partir da linha preconizada por Celso Antônio Bandeira de Mello e Fabiana Del Padre Tomé): (i) elementos: forma, motivação e conteúdo; (ii) pressupostos: agente competente, motivo, formalidades procedimentais, finalidade e causa. Nesse momento, para o deslinde do presente litígio, interessados analisar os elementos que compõem o ato de lançamento. A “forma” referese ao suporte físico. Os atos administrativos devem revestirse de formas próprias para se expressarem validamente (Hely Lopes Meirelles). Na esfera federal, os requisitos formais que devem ser observados estão prescritos nos artigos 10º e 11 do Decreto nº 70.235/72 (denominados “auto de infração” e “notificação de lançamento”, respectivamente). Fl. 22034DF CARF MF Processo nº 12571.720398/201251 Acórdão n.º 1201002.317 S1C2T1 Fl. 22.032 7 A “motivação” está relacionada com a descrição dos pressupostos de fato (“motivo”). O Fisco deve demonstrar (e provar!) que a situação fática enquadrouse perfeitamente no pressuposto de direito (dispositivo legal) que serve de fundamento ao ato administrativo. Em outras palavras, devese demonstrar que houve a subsunção do fato à norma, que o evento do mundo fenomênico, relatado na linguagem competente – fato jurídico, enquadrase na situação na hipótese de incidência tributária (antecedente da norma), dando ensejo ao fato jurídicotributário (consequente da norma). Por fim, o “conteúdo” tem relação com o efeito imediato produzido pelo ato administrativo do lançamento, qual seja fazer “nascer” a obrigação tributária, de modo a estabelecer vínculo jurídico entre o Fisco e o particular, onde o primeiro (sujeito ativo) tem o direito subjetivo de receber o tributo (prestação pecuniária) e o segundo (sujeito passivo) o dever de pagálo. Desse modo, podemos dizer que o lançamento introduz (daí afirmarse tratar de “veículo introdutor”) uma norma individual e concreta no ordenamento jurídico, instaurando relação jurídicotributária prevista no consequente da norma geral e abstrata (a regramatriz de incidência tributária). Muito bem. A anulação de um lançamento, por vício formal, decorre do descumprimento de alguma formalidade necessária para a exteriorização ao ato (requisitos do artigo 10º do PAF, por exemplo), ou de irregularidade observadas durante o seu processo de formação (fase do procedimento fiscal), ou até mesmo, o não atendimento aos requisitos concernentes à publicidade do ato (ciência). De outro lado, a nulidade de um lançamento, por vício material, decorre de um descompasso na aplicação da regramatriz de incidência tributária, seja no antecedente da norma (“motivação”), seja em seu consequente (“conteúdo”).Na linha preconizada por Paulo de Barros Carvalho (Direito Tributário, Linguagem e Método, 1ª edição, p. 585), a regramatriz de incidência pode ser explicada com base no seguinte esquema lógico: na hipótese/antecedente “haveremos de encontrar um critério material (comportamento de uma pessoa), condicionado no tempo (critério pessoal) e no espaço (critério espacial)”. No consequente “depararemos com um critério pessoal (sujeito ativo e sujeito passivo) e um critério quantitativo (base de cálculo e alíquota)”. (...) Assim, há vício material sempre que na formação ou declaração da vontade, traduzida no ato administrativo, for detectada uma desconformidade entre os critérios prescritos na regramatriz de incidência e aqueles informados na aplicação da norma individual e concreta inserida pelo Fisco. Em síntese, vêse nulidade do lançamento administrativo original, configurando hipótese diversa do artigo 19, § 7º, da Lei nº 10.522/2007, impossibilitando o saneamento pelo acórdão nº 0639.869, prolatado pela Colenda 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Curitiba (DRJ/CTA). Fl. 22035DF CARF MF 8 Por fim, o crédito tributário data do anocalendário de 2007, no entanto, o parágrafo sétimo foi introduzido no artigo 19 da Lei nº 10.522/2007, quando da promulgação da Lei nº 12.844, publicada em 19 de julho de 2013. Isto posto, REJEITO os Embargos de Declaração. (assinado digitalmente) Rafael Gasparello Lima Relator Fl. 22036DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.900615/2009-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Ano-calendário: 2004
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO RECLAMADO RELATIVO A CSRF. INCOMPETÊNCIA MATERIAL DAS TURMAS DA TERCEIRA SEÇÃO DO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS. RECURSO NÃO CONHECIDO. ENVIO DOS AUTOS PARA A PRIMEIRA SEÇÃO DESTE CARF.
À Terceira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, não compete analisar recursos relativos a pedidos de compensação em que o crédito aduzido seja relativo a CSRF (retenção em fonte da CSLL/COFINS/PIS), uma vez que a matéria é da competência da Primeira Seção do mesmo Conselho, para onde os autos deverão ser movimentados para apreciação da lide.
Numero da decisão: 3802-003.422
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por falta de competência material para exame da lide, devendo os autos ser movimentados para a Primeira Seção deste Conselho, a quem compete o julgamento do feito.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: Solon Sehn
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CRÉDITO RECLAMADO RELATIVO A CSRF. INCOMPETÊNCIA MATERIAL DAS TURMAS DA TERCEIRA SEÇÃO DO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS. RECURSO NÃO CONHECIDO. ENVIO DOS AUTOS PARA A PRIMEIRA SEÇÃO DESTE CARF. À Terceira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, não compete analisar recursos relativos a pedidos de compensação em que o crédito aduzido seja relativo a CSRF (retenção em fonte da CSLL/COFINS/PIS), uma vez que a matéria é da competência da Primeira Seção do mesmo Conselho, para onde os autos deverão ser movimentados para apreciação da lide. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por falta de competência material para exame da lide, devendo os autos ser movimentados para a Primeira Seção deste Conselho, a quem compete o julgamento do feito. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 06 15 /2 00 9- 31 Fl. 88DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I – SP (fls. 32/35), que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, com base nos fundamentos resumidos na ementa seguinte: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Data do fato gerador: 23/02/2005 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Afastada a nulidade por ficar evidenciada a inocorrência de preterição do direito de defesa haja vista que o despacho decisório consigna de forma clara e concisa o motivo da não homologação da compensação. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR.PAGAMENTO UTILIZADO PARA QUITAR DÉBITO DECLARADO EM DCTF. RETIFICAÇÃO. DESCABIMENTO. Considerase confissão de dívida o débito declarado em DCTF, descabendo à autoridade administrativa a sua retificação de ofício mormente se o contribuinte não comprova a existência do erro material alegado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em 15/12/2012, o Recorrente foi cientificada da decisão (ciência eletrônica fl. 39). Nas razões apresentadas em seu recurso voluntário protocolado em 10/01/2013 (fls. 41/46), alega ter recolhido indevidamente valores referente a CSRF (retenção em fonte da CSLL/COFINS/PIS), nos pagamentos efetuados a outras pessoas jurídicas prestadoras de serviços, argumentando que, na época, existiam algumas situações em que dos prestadores de serviços eram dispensados ou não exigida a referida retenção. Pelo que se vê, o recorrente supra qualificado, entregou por via eletrônica a Declaração de Compensação de fls. 15/20 (PER/DCOMP nº 38530.28345.090605.1.7.04 0364), na qual declara a compensação de pretenso crédito de pagamento indevido ou a maior de RETENÇÃO de CONTRIBUIÇÕES PAGAMENTO DE PJ a PJ DIR PRIV CSLL/ COFINS/PIS CSRF (cód. receita 5952), relativo ao período de apuração encerrado em 03/04/2004. É o que basta, no presente momento, para a análise restrita a ser feita por este colegiado. Fl. 89DF CARF MF Processo nº 16327.900615/200931 Acórdão n.º 3802003.422 S3TE02 Fl. 89 3 É o Relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra Conforme relatado, constatase que o processo em epígrafe diz respeito a pedido de compensação cujo crédito em que se alicerça a interessada é relativo a alegado recolhimento a maior de RETENÇÃO de CONTRIBUIÇÕES sobre PAGAMENTO DE PJ a PJ DIR PRIV CSLL/ COFINS/PIS, denominada CSRF (cód. receita 5952), relativo ao período de apuração encerrado em 03/04/2004. De acordo com o artigo 7°, § 1º e § 3º, Inciso I, combinado com o art. 2º, inciso II e VII, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (aprovado pela Portaria MF no 256, de 22/06/2009) – RICARF, temos que: Art. 7º... § 1º A competência para o julgamento de recurso em processo administrativo de compensação é definida pelo crédito alegado, inclusive quando houver lançamento de crédito tributário de matéria que se inclua na especialização de outra Câmara ou Seção” (grifei). § 3º Na hipótese do § 1º, quando o crédito alegado envolver mais de um tributo com competência de diferentes Seções, a competência para julgamento será: ( Incluído pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010 ). I Da Primeira Seção de Julgamento, se envolver crédito alegado de competência dessa Seção e das demais; ( Incluído pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010 ). No caso presente, o assunto em debate se enquadra na hipótese de que trata o inciso II e VII do artigo 2o do Anexo II do RICARF: Art. 2º À Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: I – ...; II Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); VII tributos, empréstimos compulsórios e matéria correlata não incluídos na competência julgadora das demais Seções. Esta Terceira Seção do CARF, portanto, não pode se manifestar sobre o mérito do litígio, uma vez que a competência para o seu exame é da Primeira Seção deste Conselho, como demonstrado. Da Conclusão Fl. 90DF CARF MF 4 Por todo o exposto, e considerando a falta de competência material desta Terceira Seção do CARF para o exame da contenda, voto para não conhecer do recurso voluntário interposto pela interessada, devendo os autos ser encaminhados à Primeira Seção deste Conselho, a quem compete o julgamento do feito. Sala de Sessões, em 20/08/2014. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator Fl. 91DF CARF MF
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Numero do processo: 10280.722965/2009-58
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Sep 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004,2005
MULTA ISOLADA. FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS.
O não recolhimento ou o recolhimento a menor de estimativas mensais sujeita a pessoa jurídica optante pela sistemática do lucro real anual à multa de ofício isolada estabelecida no artigo 44, inciso II, b, da Lei nº 9.430/1996, ainda que encerrado o ano-calendário.
Numero da decisão: 9101-003.642
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no me´rito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Lui´s Fla´vio Neto (relator) e Cristiane Silva Costa, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Demetrius Nichele Macei.
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Arau´jo - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Luís Flávio Neto - Relator.
(assinado digitalmente)
Demetrius Nichele Macei - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Fla´vio Franco Corre^a, Cristiane Silva Costa, Viviane Vidal Wagner, Luis Fla´vio Neto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto (suplente convocado), Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei, Rafael Vidal de Arau´jo (Presidente em Exerci´cio). Ausente, justificadamente, o conselheiro Andre´ Mendes Moura, substitui´do pelo conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: LUIS FLAVIO NETO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2004,2005 MULTA ISOLADA. FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS. O não recolhimento ou o recolhimento a menor de estimativas mensais sujeita a pessoa jurídica optante pela sistemática do lucro real anual à multa de ofício isolada estabelecida no artigo 44, inciso II, b, da Lei nº 9.430/1996, ainda que encerrado o ano-calendário.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no me´rito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Lui´s Fla´vio Neto (relator) e Cristiane Silva Costa, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Demetrius Nichele Macei. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Arau´jo - Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Luís Flávio Neto - Relator. (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei - Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Fla´vio Franco Corre^a, Cristiane Silva Costa, Viviane Vidal Wagner, Luis Fla´vio Neto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto (suplente convocado), Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei, Rafael Vidal de Arau´jo (Presidente em Exerci´cio). Ausente, justificadamente, o conselheiro Andre´ Mendes Moura, substitui´do pelo conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1452; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 434 1 433 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10280.722965/200958 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9101003.642 – 1ª Turma Sessão de 03 de julho de 2018 Matéria Multas Recorrente FAZENDA NACIONAL Recorrida COMPANHIA DE HABITACAO DO ESTADO DO PARÁ ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004,2005 MULTA ISOLADA. FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS. O não recolhimento ou o recolhimento a menor de estimativas mensais sujeita a pessoa jurídica optante pela sistemática do lucro real anual à multa de ofício isolada estabelecida no artigo 44, inciso II, “b”, da Lei nº 9.430/1996, ainda que encerrado o anocalendário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto (relator) e Cristiane Silva Costa, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Demetrius Nichele Macei. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Luís Flávio Neto Relator. (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei Redator designado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 29 65 /2 00 9- 58 Fl. 434DF CARF MF Processo nº 10280.722965/200958 Acórdão n.º 9101003.642 CSRFT1 Fl. 435 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Flávio Franco Corrêa, Cristiane Silva Costa, Viviane Vidal Wagner, Luis Flávio Neto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto (suplente convocado), Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei, Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício). Ausente, justificadamente, o conselheiro André Mendes Moura, substituído pelo conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Fl. 435DF CARF MF Processo nº 10280.722965/200958 Acórdão n.º 9101003.642 CSRFT1 Fl. 436 3 Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional (doravante “PFN” ou “recorrente”), em que é parte COMPANHIA DE HABITACAO DO ESTADO DO PARÁ (doravante “contribuinte” ou “recorrida”), em face do acórdão nº 1301001.308 (doravante “acórdão a quo” ou “acórdão recorrido”), proferido pela 1a Turma Ordinária, 3a Câmara desta 1a Seção (doravante “Turma a quo”). O recurso especial versa sobre a aplicação da multa isolada decorrente de suposta insuficiência de recolhimento da estimativa mensal, em que a autuação fiscal ocorreu após o encerramento do respectivo anocalendário. A decisão restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005 MULTA ISOLADA. FALTA DE PAGAMENTO DA ESTIMATIVA MENSAL. DESCABIMENTO. Entendendose o recolhimento de estimativas mensais no caso das empresas tributadas com base no lucro real , como simples antecipação do montante devido ao final do exercício, a ausência do seu recolhimento somente importa em atuação sancionável quando verificada ainda dentro do exercício correspondente. Encerrado este, deve então ser apurada a existência de lucro e/ou prejuízo, nascendo aí obrigação nova que substitui, por completo, aquela anteriormente existente. Sendo assim, após o encerramento do exercício, descabe falar em lançamento pelo não recolhimento do principal ou mesmo da apontada multa de ofício, sobretudo ante a verificação de que, naquele exercício, a contribuinte sequer apurou lucro. A PFN interpôs recurso especial, arguindo divergência de interpretação, requerendo o restabelecimento da multa isolada (efls. 400 e seg.). O referido recurso especial foi admitido por despacho (efls. 415 e seg.). O contribuinte apresentou contrarrazões ao recurso especial, em que alega que o acórdão recorrido teria aplicado Súmulas do CARF, razão pela qual seria insubsistente, bem como deveria ser julgado improvido em seu mérito (efls. 428 e seg.). Concluise, com isso, o relatório. Fl. 436DF CARF MF Processo nº 10280.722965/200958 Acórdão n.º 9101003.642 CSRFT1 Fl. 437 4 Voto Vencido Conselheiro Luís Flávio Neto, Relator. Compreendo que o despacho de admissibilidade bem analisou o cumprimento dos requisitos para a interposição do recurso especial de divergência interposto, razão pela qual não merece reparo, adotandose neste voto os seus fundamentos. Conhecimento. Em sede de contrarrazões, alega o contribuinte que o acórdão recorrido teria aplicado as Súmulas CARF n. 14 e 25, razão pela qual não poderia ser objeto de recurso especial. Não obstante, as referidas súmulas tratam da qualificação de multa de ofício em 150%, o que é matéria diversa e estranha àquela decidida no acórdão a quo e objeto do recurso especial interposto pela PFN. Compreendo que o despacho de admissibilidade bem analisou o cumprimento dos requisitos para a interposição do recurso especial de divergência interposto, razão pela qual não merece reparo, adotandose neste voto os seus fundamentos. Mérito. O presente caso exige que se compreenda a hipótese de incidência da multa isolada por ausência de recolhimento de estimativas mensais de IRPJ e CSL. Compreendo que o acórdão recorrido não merece reparos. É importante observar o quanto disposto pela Súmula CARF n. 82: “Após o encerramento do anocalendário, é incabível lançamento de ofício de IRPJ ou CSLL para exigir estimativas não recolhidas.” Ocorre que a multa (acessório) segue por esse mesmo caminho do tributo (principal). Após o fim do exercício fiscal sem o recolhimento da referida estimativa mensal, nem esta e nem a corresponde penalidade seriam cabíveis, devendo a fiscalização exigir o recolhimento do efetivo tributo (IRPJ e CSL) por ventura devido e não recolhido a seu tempo, com a multa cabível em razão desse atraso (qualificada, se for o caso). Após esse marco temporal, o bem jurídico em questão (estimativas mensais) deixa de ser exigível, bem como a corresponde penalidade que busca garantir a seu cumprimento espontâneo pelo contribuinte também não é mais exigida pelo legislador. Assim como os respectivos tributos, as regras que impõem sanções pelo não recolhimento destes apresentam em suas hipóteses de incidência critérios materiais, espaciais e temporais. No caso da multa isolada ora em exame, o seu critério temporal está adstrito ao exercício fiscal em que uma determinada estimativa deveria ser apurada e recolhida pelo contribuinte e não o tenha sido. Apenas na hipótese da fiscalização exigir estimativas não apuradas e recolhidas no curso do exercício fiscal (até o dia 31.12) é que seria cabível a imposição da correspondente multa isolada. Fl. 437DF CARF MF Processo nº 10280.722965/200958 Acórdão n.º 9101003.642 CSRFT1 Fl. 438 5 Merecem destaque algumas decisões proferidas por esta CSRF, que igualmente compreenderam inaplicável aludida multa isolada após o encerramento do ano calendário: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 MULTA ISOLADA FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA O artigo 44 da Lei nº 9.430/96 preceitua que a multa de ofício deve ser calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo, materialidade que não se confunde com o valor calculado sob base estimada ao longo do ano. O tributo devido pelo contribuinte surge quando é o lucro apurado em 31 de dezembro de cada ano. Improcede a aplicação de penalidade pelo nãorecolhimento de estimativa quando a fiscalização apura, após o encerramento do exercício, valor de estimativas superior ao imposto apurado em sua escrita fiscal ao final do exercício. APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA NA ESTIMATIVA Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de ofício pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do anocalendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. (Acórdão n. 0105.875, de 25.06.2008) Recurso especial negado. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Período de apuração: 2001 MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA. O artigo 44 da Lei IV 9.430/96 preceitua que a multa de oficio deve ser calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo, materialidade que não se confunde com o valor calculado sob base estimada ao longo do ano. O tributo devido pelo contribuinte surge quando é o lucro apurado em 31 de dezembro de cada ano. Improcede a aplicação de penalidade pelo não recolhimento de estimativa quando a fiscalização apura, após o encerramento do exercício, valor e estimativas superior ao imposto apurado em sua escrita fiscal ao final do exercício. (Acórdão n. 9101000.575, de 18.05.2010) Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2004, 2005 MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA. O artigo 44 da Lei n° 9.430/96 preceitua que a multa de oficio deve ser calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo, materialidade que não se confunde com o valor calculado sobre base estimada ao longo do ano. A jurisprudência da CSRF consolidouse no sentido de que não cabe a aplicação da multa isolada após o encerramento do período. Ante esse entendimento, não se sustenta a decisão que mantém a exigência da multa sobre o valor total das estimativas não recolhidas. (Acórdão n. 9101001.547, de 22.01.2013) Fl. 438DF CARF MF Processo nº 10280.722965/200958 Acórdão n.º 9101003.642 CSRFT1 Fl. 439 6 Por todo o exposto, voto por conhecer o recurso especial interposto pela PFN e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Luís Flávio Neto Fl. 439DF CARF MF Processo nº 10280.722965/200958 Acórdão n.º 9101003.642 CSRFT1 Fl. 440 7 Voto Vencedor Conselheiro Demetrius Nichele Macei Redator designado Com a devida vênia, ouso discordar do i. Conselheiro Relator somente no tocante à exigência de multa isolada em razão da falta de recolhimento de estimativas. O i. Conselheiro Relator consignou em seu voto que a cobrança das estimativas, bem como a imposição da multa isolada pelo não recolhimento de estimativas deve respeitar o critério temporal do exercício fiscal em que as estimativas não foram apuradas e recolhidas, ou seja, até o dia 31 de dezembro seria possível autuar o contribuinte pela ausência de recolhimento das estimativas mensais; ultrapassado tal marco temporal, a cobrança tornarseia inválida, tanto do principal (tributo devido), quanto do acessório (penalidade). Deixo consignado que, em meu ver, seja antes ou após o ano de 2007, o entendimento da Súmula CARF 105 deve prevalecer, ou seja: mesmo com a alteração legislativa perpetrada por meio da lei 11.488/2007 (abaixo detalhada) Ocorre que na discussão do julgamento deste caso concreto, surgiu o tema da aplicação da Súmula 82, que não entendo ser aplicável, no presente caso, que se refere a proibição do lançamento de ofício de IRPJ e CSLL para exigir estimativas não recolhidas após o encerramento do anocalendário, posto que tal súmula se destina a tolher o lançamento de ofício da estimativa em si, e não a penalidade pelo descumprimento desta obrigação, qual seja, deixar de efetuar o recolhimento mensal das estimativas. Portanto, em virtude dessa discussão, e apenas por isso, entendi por bem me curvar ao entendimento desta Turma Superior para acolher os argumentos da PGFN. A obrigação tributária inserese na teoria geral das obrigações e contém seus principais elementos: Credor (Sujeito Ativo), Devedor (Sujeito Passivo), Objeto (prestação de dar pagar tributo, fazer..., não fazer...) etc. Ocorre que o nascimento da obrigação tributária se dá de forma distinta. Enquanto a civil nasce pela vontade das partes, a tributária é ex lege, nasce do fenômeno da subsunção. Também a formalização da obrigação é diferente daquela do direito civil: enquanto uma decorre, substancialmente, do contrato a tributária decorre do lançamento. Por fim, aproximando agora do caso concreto, também não me parece acertado comparar a obrigação acessória do direito civil à "acessória" do direito tributário. A expressão legislativa não foi a mais feliz neste caso, pois enquanto a obrigação acessória do direito privado extinguese juntamente com a principal, o mesmo não ocorre com a tributária. A locução do Código Tributário Nacional aclara que as obrigações principal e acessória têm fatos geradores diversos. Enquanto a primeira é a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência, a segunda é qualquer situação que, na forma da Fl. 440DF CARF MF Processo nº 10280.722965/200958 Acórdão n.º 9101003.642 CSRFT1 Fl. 441 8 legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. Não é a toa, aliás, que a melhor doutrina ao tratar das "obrigações acessórias" prefere referirse à "obrigações instrumentais" visto que estas tem como objetivo o controle da fiscalização quanto aos cumprimento da principal. É bem verdade que, ao definir o sujeito passivo como contribuinte ou responsável o legislador não previu, por exemplo, as situações de mera retenção, o que causa certa confusão no aplicador da lei ao definir a sujeição passiva nos casos de ausência de retenção na fonte em nome de terceiro. A mesma confusão se dá, no meu entendimento, na multa pela falta de recolhimento da estimativa mensal, quanto ao aspecto da mera antecipação do tributo IRPJ/CSSL, que neste particular tem natureza acessória na sua acepção mais estrita, ou seja: o fato de não antecipar é que está sob discussão, posto que a obrigação de pagar será objeto de lançamento de ofício (quando o mesmo ocorra após o final do exercício) com base no ajuste anual do imposto, e não com base no valor da estimativa. Em outras palavras: mesmo que não haja imposto a pagar relativamente ao ano calendário, o contribuinte submetese ao regime de estimativas, que prevê sua antecipação independentemente de, no futuro, haver tributo ou saldo negativo do imposto. Nesta medida, entendo devida a multa isolada pelo descumprimento desta obrigação de antecipação, não se confundindo com a exigência da estimativa em si que, no caso concreto, não faria sentido, posto que já encerrado o ano calendário respectivo. Obviamente que, se a estimativa em si não era devida ao tempo dos fatos, não será devida a multa, o que não me parece ser o caso. Ademais, quando o sujeito passivo escolhe aderir ao regime das estimativas acaba indiretamente se comprometendo a auxiliar a União quanto às suas despesas incorridas no curso do exercício fiscal correspondente ao pagamento das estimativas, como apontou a PGFN, nas suas contrarrazões. Ademais, quando o sujeito passivo escolhe aderir ao regime das estimativas acaba indiretamente se comprometendo a auxiliar a União quanto às despesas incorridas no curso do exercício fiscal correspondente ao pagamento das estimativas, como apontou a PGFN, nas suas razões. Diante do exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso Especial da Procuradoria. É o voto. (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei Fl. 441DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.910741/2008-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 15/11/1999
DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. AUSÊNCIA DE PROVA.
O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado.
DILIGÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE
Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, em especial, quando o contribuinte não colaciona aos autos nenhuma prova ou indício do seu direito.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-004.112
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, (Presidente), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 15/11/1999 DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. AUSÊNCIA DE PROVA. O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado. DILIGÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, em especial, quando o contribuinte não colaciona aos autos nenhuma prova ou indício do seu direito. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, (Presidente), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1671; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.910741/200851 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3201004.112 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de julho de 2018 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente FARGON ENGENHARIA E INDÚSTRIA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/11/1999 DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. AUSÊNCIA DE PROVA. O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado. DILIGÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, em especial, quando o contribuinte não colaciona aos autos nenhuma prova ou indício do seu direito. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, (Presidente), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 07 41 /2 00 8- 51 Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10880.910741/200851 Acórdão n.º 3201004.112 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório FARGON ENGENHARIA E INDÚSTRIA LTDA. apresentou Declaração de Compensação (DCOMP) relativa a pagamento a maior da contribuição (Cofins/PIS), declaração essa que restou não homologada pela repartição de origem. Cientificado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu a anulação do despacho decisório, ou sua reforma, bem como a realização de diligência para se comprovar o direito creditório, alegando que recolhera aos cofres públicos valores superiores aos efetivamente devidos, pois desconsiderara os termos do art. 3º, inciso III, § 2º da Lei nº 9.718/1998. Arguiu, também, que o Fisco concluíra pela inexistência do crédito sem ao menos solicitar qualquer documento capaz de comprovar ou não a existência e suficiência do valor compensado. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, por meio do acórdão nº 16 031.902, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, em razão da não comprovação da liquidez e certeza do crédito pleiteado, afastandose o pedido de realização de diligência por falta de apresentação de qualquer documento indicativo do direito alegado. Cientificado da decisão da DRJ, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário de forma hábil e tempestiva, repisando os mesmos argumentos de defesa, destacandose os seguintes argumentos: (i) a Delegacia de Julgamento invocou a ausência da prova de liquidez e certeza dos créditos para rejeitar a manifestação de inconformidade, sendo que, se tivesse ocorrido a intimação para se demonstrar o crédito, o Fisco teria tido acesso às planilhas de apuração e poderia ter verificado a regularidade do encontro de contas efetuado; (ii) enquanto não for realizada a efetiva mensuração dos créditos utilizados é precipitada qualquer consideração a respeito da existência ou não de créditos passíveis de compensação; (iii) se a autoridade responsável pelo exame da declaração de compensação tivesse cumprido o dever de fiscalizar a existência do crédito declarado e não simplesmente glosado mecanicamente o encontro de contas teria verificado que o Requerente é legitimo credor da União Federal; e (iv) não se permitiu a produção de provas necessárias e, com base nessa decisão, julgouse pela improcedência por falta de provas. É o relatório. Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10880.910741/200851 Acórdão n.º 3201004.112 S3C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201004.096, de 25/07/2018, proferido no julgamento do processo 10880.910725/200869, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.096): No caso em apreço há a imperiosa necessidade de se comprovar a existência do direito creditório de modo inconteste, o que, pela análise dos elementos probatórios não ocorreu. Da decisão recorrida temse: "No caso em apreço, o Contribuinte declarou em débito de COFINS e apontou um documento de arrecadação como origem do crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte foi realizada também de forma eletrônica, tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que não foi localizado o pagamento indicado no PER/DCOMP como origem do crédito. De fato, tal constatação decorre da não localização do DARF indicado pelo Contribuinte no PER/DCOMP nos sistemas da Secretaria da Receita Federal. Observase que antes do Despacho Decisório, de 12/08/2008, o Contribuinte foi informado da não localização do DARF e intimado, em 15/12/2006 conforme A.R., às fls. 07, a verificar e conferir os dados da ficha DARF informados no PER/DCOMP com os dados do DARF original, bem como a sanar as irregularidades apontadas, tendolhe sido informado na mesma oportunidade que a consequência da falta de saneamento no prazo poderia acarretar o indeferimento/não homologação do PER/DCOMP em análise. Portanto, ao contrário do alega a Manifestante, foi lhe dado a oportunidade para comprovar ou não a existência e suficiência do crédito compensado. No entanto, antes da ciência do despacho decisório, o interessado conservouse silente e inerte no tocante à integralidade das informações declaradas perante a RFB, as quais acabaram servindo de parâmetro para a continuidade da análise da matéria e respaldando a referida decisão administrativa. Pelo exposto, resta devidamente demonstrado que não procede o argumento da requerente de que recolheu aos cofres públicos tributos superiores aos efetivamente devidos por não ter considerado os termos do § 2º, do inciso III, do artigo 3º, da lei 9.718/98, quando apurou a base de Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10880.910741/200851 Acórdão n.º 3201004.112 S3C2T1 Fl. 5 4 cálculo das contribuições do PIS/COFINS, para o período de apuração constante neste PER/DCOMP, pois o contribuinte não conseguiu comprovar a existência do alegado indébito neste período, ou seja, o DARF supra mencionado que poderia demonstrar que de fato teria ocorrido "o pagamento indevido ou a maior" gerandolhe crédito, não foi localizado, e a empresa quando intimada a sanar tal irregularidade não se manifestou, e consequentemente, a compensação declarada não foi homologada. Cabe observar ainda que, mesmo se o referido DARF tivesse sido localizado, o art. 170 do CTN fixa como pressuposto para que possa ser feito o encontro de contas com a Fazenda Nacional: que os créditos estejam revestidos de liquidez e certeza comprovada pela demonstração do quantum recolhido indevidamente, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, consistente na escrituração contábil/fiscal do contribuinte, a comprovar a efetiva natureza da operação, a ocorrência do fato gerador do tributo, a base de cálculo e a alíquota aplicável, para o fim de se conferir a existência e o valor do indébito tributário. No entanto, a interessada não trouxe aos autos documentos que pudessem vir a comprovar a apuração incorreta nas bases de cálculo do COFINS, para o período em que alega o direito creditório, motivo pelo qual não se operaria, mesmo nesta hipótese, a liquidez e certeza desses pretensos créditos." Temse, então, que a decisão recorrida julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório em face de a recorrente, não ter comprovado a existência e liquidez do crédito apontado, mesmo tendo sido oportunizada a produção de prova. Não logrou êxito a recorrente em desconstituir o fundamento decisório através de prova apta para tanto. Mesmo em sede recursal não trouxe a recorrente qualquer elemento de prova válido a confirmar suas alegações. Devese levar em consideração que a necessidade de liquidez e certeza dos créditos é condição imperiosa, para que se proceda a compensação de valores. Não é devida a autorização de compensação quando os créditos estão pendentes de certeza e liquidez. Nos processos administrativos que tratam de restituição/compensação ou ressarcimento de créditos tributários, é atribuição do sujeito passivo a demonstração da efetiva existência do indébito. Nesses casos, quando a DRF nega o pedido de compensação/restituição/ressarcimento que aponta para a inexistência ou insuficiência de crédito, cabe ao manifestante, caso queira contestar a decisão a ele desfavorável, cumprir o ônus que a legislação lhe atribui, trazendo ao contraditório os elementos de prova que demonstrem a existência do crédito. Documentos comprobatórios são os que possibilitam aferir, de forma inequívoca, a origem e a quantificação do crédito, visto que, sem tal comprovação, o pedido de repetição fica prejudicado. Humberto Teodoro Júnior sobre a prova ensine que: "Não há um dever de provar, nem à parte contrária assiste o direito de exigir a prova do adversário. Há um simples ônus, de modo que o litigante assume o risco de perder a causa se não provar os fatos alegados Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10880.910741/200851 Acórdão n.º 3201004.112 S3C2T1 Fl. 6 5 dos quais depende a existência de um direito subjetivo que pretende resguardar através da tutela jurisdicional. Isto porque, segundo máxima antiga, fato alegado e não provado é o mesmo que fato inexistente.” (Humberto Teodoro Junior, in Curso de Direito Processual Civil, 41ª ed., v. I, p. 387) A própria recorrente confessa que não trouxe elementos probatórios aos autos para confirmar sua pretensão, tanto que, solicita a realização de diligências. Ocorre que, conforme já referido, sequer indícios do seu direito foram colacionados ao processo administrativo, razão pela qual não há como se converter o julgamento em diligência. Sobre a necessidade de se provar o direito creditório em pedidos de restituição ou compensação, é uníssona a jurisprudência deste Colegiado, conforme precedentes a seguir elencados: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do Fato Gerador: 20/06/2006 COFINS. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. AUSÊNCIA DE PROVA. Não se reconhece o direito à repetição do indébito quando o contribuinte, sobre quem recai o ônus probandi, não traz aos autos nenhuma prova de que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazêlo, não se justificando, portanto, o pedido de diligência para produção de provas. COFINS IMPORTAÇÃO SERVIÇOS. PER. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. Recurso Voluntário Negado." (Processo 10930.903684/201206; Acórdão 3402003.651; Relator Conselheiro Antônio Carlos Atulim; Sessão de 13/12/2016) "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 31/01/2008 CRÉDITO NÃO RECONHECIDO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. O pagamento indevido, assim como a certeza e liquidez do crédito, precisam ser comprovados pelo contribuinte nos casos de solicitações de restituições e/ou compensações. Fundamento: Art. 170 do Código Tributário Nacional e Art. 16 do Decreto 70.235/72." (Processo 10865.905444/201269; Acórdão 3201002.880; Relator Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima; sessão de 27/06/2017) "Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 30/06/2011 Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10880.910741/200851 Acórdão n.º 3201004.112 S3C2T1 Fl. 7 6 DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado.Recurvo Voluntário Negado." (Processo 10805.900727/201318; Acórdão 3201003.103; Relator Conselheiro Marcelo Giovani Vieira; sessão de 30/08/2017) "Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2005 DIREITO CREDITÓRIO. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado. Correta decisão que julgou improcedente a manifestação de inconformidade por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito está integral e validamente alocado para a quitação de outro débito está integral e validamente alocado para a quitação de outro débito." (Processo nº 11080.930940/201160; Acórdão 3201003.499; Relator Conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade; Sessão de 01/03/2018) Ademais, a Recorrente, em casos análogos, teve seus recursos julgados improcedentes conforme decisões a seguir transcritas: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 20/10/2005 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. Compete ao contribuinte à apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal e de documentos hábeis e idôneos à comprovação do alegado sob pena de acatamento do ato administrativo realizado, em momento processual previsto em lei. DILIGÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis." (Processo Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10880.910741/200851 Acórdão n.º 3201004.112 S3C2T1 Fl. 8 7 nº 10880.950624/200821; Acórdão 3803003.786; Relator Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira; sessão de 29/11/2012) "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 20/10/2005 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. Compete ao contribuinte à apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal e de documentos hábeis e idôneos à comprovação do alegado sob pena de acatamento do ato administrativo realizado, em momento processual previsto em lei. DILIGÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis." (Processo nº 10880.950622/200831; Acórdão 3803003.785; Relator Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira; sessão de 29/11/2012) Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário interposto. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Contribuição para o PIS. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 84DF CARF MF
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Numero do processo: 10970.000335/2008-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003
AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA.
Constatada a identidade de objeto, não pode a autoridade administrativa manifestar-se acerca de matéria submetida ao crivo do Poder Judiciário.
MULTA DE OFÍCIO. INCONSTITUCIONALIDADE.
Descabe a apreciação, no julgamento administrativo, de aspectos relacionados à inconstitucionalidade da multa de oficio exigida com amparo em lei vigente.
Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003
FALTA DE LANÇAMENTO.AÇÃO JUDICIAL.
Devem ser objeto de lançamento de oficio os valores do IPI apurados pela fiscalização relativos às vendas de emulsões asfálticas (produto tributado), que não foram destacados nas notas fiscais de saídas nem declarados, deduzidos os créditos básicos cuja legitimidade foi comprovada. E, na ausência de medida judicial que implique a suspensão da exigibilidade, nos termos do artigo 151 do CTN, exigível a multa de oficio.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003
DECADÊNCIA.
Se a contribuinte não promoveu o confronto de débitos com os créditos do imposto, por não haver escriturado nem débitos nem créditos, não há que se falar em recolhimento ("pagamento antecipado"), o que implica a aplicação do prazo estabelecido pelo art. 173, I, do CTN, em detrimento daquele disposto no art. 150, § 4°, do mesmo diploma legal.
Numero da decisão: 3301-004.871
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Declarou-se impedido de participar do julgamento o conselheiro Winderley Morais Pereira, substituído pelo conselheiro Vinicius Guimarães. Presidiu a turma durante o julgamento o conselheiro Antônio Carlos da Costa Cavalcanti FIlho.
(assinado digitalmente)
Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho (presidente substituto)
(assinado digitalmente)
Liziane Angelotti Meira - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Vinicius Guimarães .Winderley Morais Pereira declarou impedimento.
Nome do relator: LIZIANE ANGELOTTI MEIRA
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CONCOMITÂNCIA. Constatada a identidade de objeto, não pode a autoridade administrativa manifestarse acerca de matéria submetida ao crivo do Poder Judiciário. MULTA DE OFÍCIO. INCONSTITUCIONALIDADE. Descabe a apreciação, no julgamento administrativo, de aspectos relacionados à inconstitucionalidade da multa de oficio exigida com amparo em lei vigente. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003 FALTA DE LANÇAMENTO.AÇÃO JUDICIAL. Devem ser objeto de lançamento de oficio os valores do IPI apurados pela fiscalização relativos às vendas de emulsões asfálticas (produto tributado), que não foram destacados nas notas fiscais de saídas nem declarados, deduzidos os créditos básicos cuja legitimidade foi comprovada. E, na ausência de medida judicial que implique a suspensão da exigibilidade, nos termos do artigo 151 do CTN, exigível a multa de oficio. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003 DECADÊNCIA. Se a contribuinte não promoveu o confronto de débitos com os créditos do imposto, por não haver escriturado nem débitos nem créditos, não há que se falar em recolhimento ("pagamento antecipado"), o que implica a aplicação do prazo estabelecido pelo art. 173, I, do CTN, em detrimento daquele disposto no art. 150, § 4°, do mesmo diploma legal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 0. 00 03 35 /2 00 8- 70 Fl. 546DF CARF MF Processo nº 10970.000335/200870 Acórdão n.º 3301004.871 S3C3T1 Fl. 547 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Declarouse impedido de participar do julgamento o conselheiro Winderley Morais Pereira, substituído pelo conselheiro Vinicius Guimarães. Presidiu a turma durante o julgamento o conselheiro Antônio Carlos da Costa Cavalcanti FIlho. (assinado digitalmente) Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho (presidente substituto) (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Vinicius Guimarães .Winderley Morais Pereira declarou impedimento. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório elaborado pela decisão recorrida (fls. 448/454), abaixo transcrito: Tratase de Auto de Infração lavrado em decorrência da constatação de falta de recolhimento do IPI, por ter a empresa deixado de destacar o imposto nas vendas de emulsões asfálticas, produto classificado sob o código 2715.0000, sujeito à alíquota da 5% na TIPI, conforme relatado pelos auditores no Termo de Verificação Fiscal de fls. 28 a 34. Os valores do IPI que deixaram de ser destacados foram levantados segundo relação de notas fiscais de fls. 38 a 54, que, após reconstituição da escrita fiscal (fls. 55/56), resultaram nos valores exigidos na presente autuação (11s. 15 a 19). A empresa ajuizou a Ação Declaratória Ordinária, processo 2006.34.00.01192504, com pedido de antecipação de tutela, visando obter a declaração de que os produtos asfálticos que industrializa, dentre eles as emulsões asfálticas objeto desta autuação, não se sujeitam ao IPI em virtude de seu enquadramento no conceito de derivados de petróleo, o que os tomaria abrangidos pela imunidade de que trata o art. 155, § 3°, da Constituição Federal de 1988. A mencionada ação ordinária Fl. 547DF CARF MF Processo nº 10970.000335/200870 Acórdão n.º 3301004.871 S3C3T1 Fl. 548 3 tramita perante a Justiça Federal, Seção Judiciária do Distrito Federal (cópias de peças às fls. 77 a 81), sem sentença de primeiro grau até a presente data, segundo consulta processual de fls. 432/434. Quanto à antecipação da tutela pretendida pela autora, o pedido foi denegado em juízo de primeiro e de segundo graus (a autora interpôs agravo contra a decisão singular que denegou a antecipação da tutela, denegação confirmada pelo Tribunal da 1a Região — fl. 435). Em 03/10/2008 a requerente protocolou a impugnação de fls. 265 a 294 discordando do lançamento efetuado nos seguintes termos, resumidamente: 1. os lançamentos relativos aos fatos geradores ocorridos antes de setembro de 2003 foram atingidos pela decadência, no termos do art. 150, § 40, do CTN; 2. os produtos que industrializa conceituamse como derivados de petróleo, estando albergados pela imunidade conferida pelo art. 155, § 3°, da Constituição Federal; 3. diante da equivocada constatação dos débitos do imposto, a fiscalização desconsiderou os créditos apurados quando das aquisições de insumos; 4. requereu a realização de perícia para comprovação de que as emulsões asfálticas produzidas são derivados de petróleo, nomeando perito e apresentando quesitos; 5. finalizou sua defesa alegando que a multa de oficio aplicada possui caráter confiscatório. Analisada a manifestação de inconformidade, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG), julgou improcedente, conforme Acórdão nº 09 26.131 3a Turma da DRJ/JFA (fls . 448/454), com a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003 AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. Constatada a identidade de objeto, não pode a autoridade administrativa manifestarse acerca de matéria submetida ao crivo do Poder Judiciário. MULTA DE OFÍCIO. INCONSTITUCIONALIDADE. Descabe a apreciação, no julgamento administrativo, de aspectos relacionados à inconstitucionalidade da multa de oficio exigida com amparo em lei vigente. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003 FALTA DE LANÇAMENTO.AÇÃO JUDICIAL. Fl. 548DF CARF MF Processo nº 10970.000335/200870 Acórdão n.º 3301004.871 S3C3T1 Fl. 549 4 Devem ser objeto de lançamento de oficio os valores do IPI apurados pela fiscalização relativos às vendas de emulsões asfálticas (produto tributado), que não foram destacados nas notas fiscais de saídas nem declarados, deduzidos os créditos básicos cuja legitimidade foi comprovada. E, na ausência de medida judicial que implique a suspensão da exigibilidade, nos termos do artigo 151 do CTN, exigível a multa de oficio. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2003 a 31/08/2003 DECADÊNCIA. Se a contribuinte não promoveu o confronto de débitos com os créditos do imposto, por não haver escriturado nem débitos nem créditos, não há que se falar em recolhimento ("pagamento antecipado"), o que implica a aplicação do prazo estabelecido pelo art. 173, I, do CTN, em detrimento daquele disposto no art. 150, § 4°, do mesmo diploma legal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Foi apresentado Recurso Voluntário às fls. 462/507, no qual se alegou, em síntese: · nulidade do auto de infração por desconsideração das vendas para entrega futura e por cobrança em duplicidade; · decadência dos períodos anteriores a setembro de 2003; · imunidade do derivado de petróleo e defende que essa matéria, apesar de estar no Judiciário, também deve ser conhecida pela Corte Administrativa, com base nos princípios do contraditório e da ampla defesa; · a necessidade da manutenção do crédito apurado decorrente da aquisição de insumo; · a possibilidade de acúmulo e compensação de créditos de IPI surgidos na aquisição de insumos desonerados; · a não aplicação da multa de ofício ao presente caso e também o caráter confiscatório desssa multa; A Recorrente solicitou ainda perícia para comprovar o enquadramento dos produtos asfálticos como derivados de petróleo. É o relatório. Voto Conselheira Liziane Angelotti Meira Fl. 549DF CARF MF Processo nº 10970.000335/200870 Acórdão n.º 3301004.871 S3C3T1 Fl. 550 5 O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. A Recorrente alegou nulidade do auto de infração por desconsideração das vendas para entrega futura e por cobrança em duplicidade. No entanto, conforme se verificou na decisão recorrida, a alegação não deve prosperar. Vejamos os itens 4.2, 5 e 5.1 do Termo de Verificação Fiscal (fl. 35 e seguintes): 4.2. GLOSA DE CRÉDITOS UTILIZADOS EM DUPLICIDADE Em relação às notas fiscais de saída de emulsões asfálticas emitidas, pelo estabelecimento fiscalizado em 2000, 2001 e 2002, foi lavrado pelo fisco, em 30/06/2004, o auto de infração constante do processo administrativo fiscal n° 10675.002281/200498. Conforme a planilha "Demonstrativo de reconstituição da escrita fiscal" que subsidiou a lavratura daquele auto de infração (fls. 258 a 262), foram apropriados os créditos de IPI constantes nas notas fiscais de entrada de insumos (emulsificantes), reduzindo os valores dos débitos apurados pelo fisco. Tais notas fiscais deram entrada no estabelecimento de janeiro de 2000 a dezembro de 2002. Entretanto, conforme consta no Anexo I deste Termo, a fiscalizada apropriou extemporaneamente em sua escrita fiscal, no 3° decêndio de setembro de 2003, valores referentes aos créditos do período de 01/04/1999 a 29/08/2003 no valor de R$ 81.778,53. Deste valor, R$ 48.246,45 referemse a notas fiscais cujos insumos ingressaram no estabelecimento nos anos 2002 a 2003. Verificamos que tais notas fiscais são as mesmas notas fiscais apropriadas no auto de infração acima referido. Assim, configurase apropriação de créditos em duplicidade, devendo ser glosada a apropriação extemporânea no 3° decêndio de setembro de 2003, no valor de R$ 48.246,45. O valor glosado foi transposto para a planilha "Demonstrativo de reconstituição da escrita fiscal" e depois para o Auto de Infração, conforme será detalhado nos itens a seguir. (...) 5. DA RECOMPOSIÇÃO DA ESCRITA DO CONTRIBUINTE Quando verificadas infrações durante a fiscalização (no caso, notas fiscais sem lançamento de IPI e glosas de créditos) é necessária, para cálculo do valor a ser lançado, a reconstituição da escrita fiscal do contribuinte, de forma a apurar/confrontar corretamente os créditos e débitos e verificar a existência de saldos devedores a serem exigidos em Auto de Infração. A recomposição da escrita fiscal, decêndio a decêndio, consta na planilha "Demonstrativo da reconstituição da escrita fiscal", fls. Fl. 550DF CARF MF Processo nº 10970.000335/200870 Acórdão n.º 3301004.871 S3C3T1 Fl. 551 6 55 a 56. São esclarecidos a seguir os procedimentos adotados para elaboração de tal planilha. Os créditos, débitos e saldos da escrita fiscal foram transcritos do LAIPI da fiscalizada (cópias nas fls. 102 a 211) para a planilha "Demonstrativo dos saldos da escrita fiscal (antes da reconstituição)", fls. 51 a 59, . Os débitos e créditos foram transpostos para as colunas "Dados do Livro do IPI — Créditos e Débitos escriturados", da planilha de reconstituição. Ressaltese que não foram transpostos para tais planilhas o valor do estorno de créditos referente à PERDCOMP transmitida em 14/10/2003, pois o deferimento ou indeferimento do ressarcimento pleiteado depende da reconstituição e, portanto, não deve nela interferir. Caso seja apurado valor a ser ressarcido, deve ser feita nova recomposição com a inserção do respectivo valor (o que, como se verá em item abaixo, não é o caso do presente processo). Os valores das infrações apuradas (itens 4.1 e 4.2, acima) foram transcritos, decêndio a decêndio, para a coluna "Dados da fiscalização — soma demonstr. débitos apurados". Notese que o valor total dos débitos apurados pelo fisco é R$ 418.287,37, sendo R$ 370.040,92 referentes ao IPI não lançado em notas fiscais e R$ 48.246,45 referentes à glosa de créditos apropriados em duplicidade. Na coluna "Outros créditos/outros débitos" foram transcritos os dados informados pelo fisco na planilha "Demonstrativo de dados apurados", fls. 59 a 60 . Tais valores referemse à realocação, para o decêndio apropriado, dos créditos de IPI a que a fiscalizada faz jus no período de janeiro a agosto de 2003 e foram lançados como créditos extemporâneos no 3° decêndio de setembro de 2003. Tais créditos, no valor total de R$ 14.841,03, constam nas notas fiscais listadas no anexo I deste Termo, com data de entrada entre janeiro e agosto de 2003. Assim, em procedimento benéfico ao sujeito passivo por evitar incidência de juros de mora, o crédito constante do 3° decêndio de agosto de 2003 foi subtraído em R$ 14.841,03. e o mesmo valor foi distribuído nos decêndios anteriores em que foram registradas na escrituração da empresa as entradas das notas fiscais. Efetuada a reconstituição da escrita fiscal, foram apurados os saldos constantes na coluna "Saldo de escrita reconstituído do PA", cuja análise subsidiará o lançamento de IPI e o indeferimento do pedido de ressarcimento, conforme itens 6 e 7, a seguir. 5.1. DO CRÉDITO EXTEMPORÂNEO LANÇADO NO LAIPI NO 3° DECÊNDIO DE SETEMBRO DE 2003 Tornase interessante, para garantir a clareza do lançamento fiscal, sintetizar que o valor de R$ 81.778,53 creditado extemporaneamente pela fiscalizada, constante nas notas fiscais listadas no Anexo I deste Termo, teve o seguinte tratamento na reconstituição da escrita fiscal: Fl. 551DF CARF MF Processo nº 10970.000335/200870 Acórdão n.º 3301004.871 S3C3T1 Fl. 552 7 notas fiscais com data de entrada em 1999, IPI no valor de R$ 18.691,05: mantidas como crédito extemporâneo, no próprio 3° decêndio de setembro de 2003; notas fiscais com data de entrada entre 2000 e 2002, IPI no valor de R$ 48.246,45: glosadas pelo fisco, em razão de aproveitamento em duplicidade, conforme item 4.2, acima; notas fiscais com data de entrada em 2003, IPI no valor de R$ 14.841,03: redistribuídas para os decêndios em que ocorreu a efetiva entrada, conforme planilha "Demonstrativo de dados apurados", fls. 59 a 60 . Portanto, verificase do que consta dos itens 4.2, 5 e 5.1 do Termo de Verificação Fiscal e do Demonstrativo de Reconstituição da Escrita Fiscal que os auditores tiveram o cuidado de apurar os créditos a que a contribuinte fazia jus. A única desconsideração de créditos neste lançamento foi abordada no item 4.2 do Termo de Verificação, a qual decorreu de utilização em duplicidade de uma parcela do montante escriturado no terceiro decêndio de setembro de 2003, parcela que já havia sido utilizada pela fiscalização para amortizar débitos do imposto no lançamento formalizado por intermédio do processo 10675.002281/200498 (Auto de Infração). Dessa forma, concluise que houve um ajuste para evitar a utilização em duplicidade, e, consequentemente, deve ser mantida a decisão recorrida neste aspecto. Assevera, a Recorrente, que os períodos compreendidos entre janeiro de 2003 e o primeiro decêndio de setembro de 2003 não podem ser objeto de lançamento de oficio, pois foram atingidos pela decadência, de acordo com a disposição do artigo 150, § 4°, do CTN. Contudo, o pagamento antecipado é fundamental para caracterizar a modalidade do lançamento por homologação. No presente caso, não houve destaque nem escrituração das vendas promovidas pela Recorrente, não houve, consequentemente, recolhimento do imposto, o que, conforme concluiuse na decisão recorrida, tornou inaplicável o prazo estabelecido pelo art. 150 § 4°, do CTN. Dessa forma, na mesma esteira da decisão recorrida, concluise que ao presente caso aplicase o prazo decadencial previsto no art. 173, I, do CTN e, consequentemente, não se caracterizou a decadência alegada pela Recorrente. Em relação à defendida imunidade do derivado de petróleo, corroborase o entendimento da decisão recorrida de que há identidade de objeto nos processos administrativo e judicial . Assim, não se pode tratar aqui do mérito levado ao Judiciário, pois, conforme a Súmula nº 1 do CARF, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. No que concerne à invocada necessidade da manutenção do crédito apurado decorrente da aquisição de insumo, cabe retomar os itens do Termo de Verificação Fiscal e do Demonstrativo de Reconstituição da Escrita Fiscal. Verificouse que a Fiscalização teve o cuidado de apurar os créditos a que a contribuinte fazia jus. A única desconsideração de Fl. 552DF CARF MF Processo nº 10970.000335/200870 Acórdão n.º 3301004.871 S3C3T1 Fl. 553 8 créditos neste lançamento foi abordada no item 4.2 do Termo de Verificação (fl. 32), desconsideração essa que decorreu de utilização em duplicidade de uma parcela do montante escriturado no terceiro decêndio de setembro de 2003, parcela que já havia sido utilizada pela fiscalização para amortizar débitos do imposto no lançamento formalizado por intermédio do processo 10675.002281/200498 (Auto de Infração). Dessarte, conforme concluise na decisão recorrida, não houve glosa de qualquer montante dos créditos escriturados pela empresa, apenas um ajuste para evitar a utilização em duplicidade. Sobre a alegada possibilidade de acúmulo e compensação de créditos de IPI surgidos na aquisição de insumos desonerados, mister consignar que essa matéria concerne à própria legitimidade da desoneraçãoimunidade, matéria submetida ao Poder Judiciário e que, portanto, não pode ser analisada neste Tribunal. Sobre a multa de ofício, conforme consta da decisão recorrida, a Recorrente não obteve antecipação da tutela para o pedido formulado por intermédio da Ação Declaratória ajuizada (processo 2006.34.00.0192504), o que significa dizer que a falta de destaque do IPI nas vendas de emulsões asfálticas promovidas pela fiscalizada não estava amparada por medida judicial. Em consequência, o lançamento do imposto não destacado foi efetuado, corretamente, com a imposição da multa de oficio, diante da inexistência de qualquer das condições suspensivas da exigibilidade do crédito tributário previstas no art. 151 do CTN. Sobre o caráter confiscatório da multa de ofício, cumpre destacar que a multa foi aplicada na forma e nos percentual previsto na Lei e, conforme a Súmula no 2 do CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Dessarte, mantémse, por seus próprios fundamentos, o entendimento constante da decisão recorrida. Diante do exposto, proponho manter integralmente a decisão recorrida e voto por não conhecer em parte e na parte conhecida negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Fl. 553DF CARF MF
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