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Numero do processo: 10569.000381/2010-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2006
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA.
Não ocorre a nulidade do auto de infração quando forem observadas as disposições do artigo 142 do Código Tributário Nacional e os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal.
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Não configura cerceamento do direito de defesa a formulação de cobrança motivada com base em omissão de receitas caracterizada com base nos extratos bancários.
SIMPLES. DIFERENÇA ENTRE OS VALORES ESCRITURADOS E OS DECLARADOS. CARACTERIZAÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS.
Caracteriza-se como omissão de receitas a diferença apurada entre os valores escriturados e os valores declarados ao fisco federal.
ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA.
A apreciação de argumentos de inconstitucionalidade resta prejudicada na esfera administrativa, conforme Súmula CARF n° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
SIMPLES. OMISSÃO DE RECEITA. FALTA E/OU INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO.
Verificada a falta ou insuficiência de recolhimento, é cabível o lançamento de ofício da diferença dos tributos que deixaram de ser recolhidos na sistemática do Simples, com alíquotas ajustadas, se aplicável.
MULTA DE OFÍCIO DE 75%. CABIMENTO.
A multa de ofício de 75% está prevista em lei, razão pela qual deve ser exigida.
Numero da decisão: 1201-002.346
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, , por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luis Henrique Marotti Toselli - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa, Ester Marques Lins de Sousa (Presidente) e Bárbara Santos Guedes (suplente convocada para impedimentos de conselheiros).
Nome do relator: LUIS HENRIQUE MAROTTI TOSELLI
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2006 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Não ocorre a nulidade do auto de infração quando forem observadas as disposições do artigo 142 do Código Tributário Nacional e os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não configura cerceamento do direito de defesa a formulação de cobrança motivada com base em omissão de receitas caracterizada com base nos extratos bancários. SIMPLES. DIFERENÇA ENTRE OS VALORES ESCRITURADOS E OS DECLARADOS. CARACTERIZAÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS. Caracteriza-se como omissão de receitas a diferença apurada entre os valores escriturados e os valores declarados ao fisco federal. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. A apreciação de argumentos de inconstitucionalidade resta prejudicada na esfera administrativa, conforme Súmula CARF n° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. SIMPLES. OMISSÃO DE RECEITA. FALTA E/OU INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. Verificada a falta ou insuficiência de recolhimento, é cabível o lançamento de ofício da diferença dos tributos que deixaram de ser recolhidos na sistemática do Simples, com alíquotas ajustadas, se aplicável. MULTA DE OFÍCIO DE 75%. CABIMENTO. A multa de ofício de 75% está prevista em lei, razão pela qual deve ser exigida.
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INOCORRÊNCIA. Não ocorre a nulidade do auto de infração quando forem observadas as disposições do artigo 142 do Código Tributário Nacional e os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não configura cerceamento do direito de defesa a formulação de cobrança motivada com base em omissão de receitas caracterizada com base nos extratos bancários. SIMPLES. DIFERENÇA ENTRE OS VALORES ESCRITURADOS E OS DECLARADOS. CARACTERIZAÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS. Caracterizase como omissão de receitas a diferença apurada entre os valores escriturados e os valores declarados ao fisco federal. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. A apreciação de argumentos de inconstitucionalidade resta prejudicada na esfera administrativa, conforme Súmula CARF n° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. SIMPLES. OMISSÃO DE RECEITA. FALTA E/OU INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. Verificada a falta ou insuficiência de recolhimento, é cabível o lançamento de ofício da diferença dos tributos que deixaram de ser recolhidos na sistemática do Simples, com alíquotas ajustadas, se aplicável. MULTA DE OFÍCIO DE 75%. CABIMENTO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 56 9. 00 03 81 /2 01 0- 35 Fl. 613DF CARF MF 2 A multa de ofício de 75% está prevista em lei, razão pela qual deve ser exigida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, , por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa, Ester Marques Lins de Sousa (Presidente) e Bárbara Santos Guedes (suplente convocada para impedimentos de conselheiros). Relatório Tratase de processo administrativo decorrente de Autos de Infração que exigem tributos que deixaram de ser recolhidos na sistemática do Simples (fls. 214/261), referentes ao anocalendário de 2006, em razão da apuração de omissão de receitas. De acordo com o Relatório de Ação Fiscal (fls. 189/193), a auditoria fiscal descreve o que concluiu: a) A escrituração foi solicitada desde o inicio da fiscalização, na data de 06/11/2009, sendo que o livro razão só foi apresentado em 25/08/2010, ou seja, quase 10 meses após solicitado. b) Conforme verificado por esta fiscalização, as contas contábeis "1.1.01.02.01 (315) — Banco do Brasil S/A" e 11 1.1.01.02.05 (343) — Banco Itau S/A expressam a real movimentação bancária do contribuinte, de acordo com os extratos referentes as contas correntes n° 11.1368, agência n° 15644, no Banco do Brasil S/A e n° 28.6632, agência n° 0563, no Banco Itau S/A, apresentados pelo contribuinte à fiscalização. c) Através dos Termos de Intimação n°s 04, 05 e 06, anteriormente citados, esta fiscalização relacionou individualmente os depósitos das contas bancárias do contribuinte (já excluídos aqueles que não representaram ingressos de recursos — resgate de aplicações, transferências, estornos, etc.), os quais totalizaram o montante de R$ 1.576.856,05 ( R$ 1.357.255,71 — anexos 1 e 2 + R$ 219.600,34 — anexo 3). Observar que o contribuinte, apesar de reiteradamente intimado, não apresentou qualquer documento Fl. 614DF CARF MF Processo nº 10569.000381/201035 Acórdão n.º 1201002.346 S1C2T1 Fl. 3 3 que comprovasse a origem destes valores. Entretanto, em sua escrituração, posteriormente apresentada, o contribuinte considerou esses valores como vendas de mercadorias. d) O contribuinte escriturou ainda o total de vendas em espécie, no valor de R$ 218.537,76, na conta "1.1.01.01.01(301) — Caixa" (fls. 122/128). Considerandose a atividade comercial da empresa, este valor está perfeitamente compatível. e) Assim se somarmos o total das vendas em espécie, escriturados na conta "1.1.01.01.01(301) — Caixa" (R$ 218.537,76), que não transitou pelas contas bancárias do contribuinte, com o total de depósitos nas contas bancárias do contribuinte (R$ 1.576.856,05), relacionados pela fiscalização conforme item "c" acima, chegamos ao montante de R$ 1.795.393,81, que corresponde a 99,8 % do valor de receita escriturado pelo contribuinte na conta "3.1.01.04.01 (1071) — Vendas de Mercadorias Estabelecimento Único". Por todo o exposto, concluímos que não há qualquer divergência entre os elementos apresentados pelo contribuinte à fiscalização, inclusive sua escrituração. 002 — INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO Tendo em vista que a receita bruta declarada pelo contribuinte em sua DSPJ 2007 foi inferior a base de cálculo mensal apurada por esta fiscalização, as alíquotas aplicadas mensalmente pela empresa sobre esta receita bruta declarada foram inferiores as alíquotas reais devidas, acarretando, portanto, um saldo mensal a recolher de impostos e contribuições devidas. A empresa apresentou defesa tempestiva (fls. 274/299). Pede perícia e alega, em síntese, que o procedimento fiscal é eivado de nulidade; não há motivação e fundamentação legal apropriados; tratase de autuação por presunção e arbitramento indevidos; depósito bancário não tipifica receita; há afronta a garantias e princípios constitucionais; e a multa de ofício é confiscatória. Em Sessão de 10 de Maio de 2013, a 9a Turma de Julgamento da DRJ/RJ1, por unanimidade de votos, julgou a defesa integralmente improcedente por meio de Acórdão de fls. 487/495 que restou assim ementado: OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM ORIGEM COMPROVADA. Caso o interessado deixe de comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos seus depósitos bancários, os mesmos serão tratados como receita omitida, em virtude de presunção legal. Fl. 615DF CARF MF 4 Cientificado da decisão de piso em 22/05/2014 (fls. 566), o contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 569/598), reiterando os argumentos de defesa. É o relatório. Voto Conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende os requisitos de admissibilidade. Dele, portanto, conheço. Nulidade Da leitura do recurso voluntário, notase que a Recorrente basicamente se concentrou em argumentos de nulidade da autuação, sob os argumentos de ocorrência de cerceamento de direito de defesa e ausência de motivação e indicação inadequada da fundamentação legal da autuação. Razão, porém, não lhe assiste. Do ponto de vista do processo administrativo fiscal federal, dispõem os artigos 10º e 59, ambos do Decreto nº 70.235/72, que: “Artigo 10 O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula”. “Artigo 59 São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa”. Fl. 616DF CARF MF Processo nº 10569.000381/201035 Acórdão n.º 1201002.346 S1C2T1 Fl. 4 5 Não verifico, nesse caso concreto, qualquer nulidade formal ocasionada pela inobservância do disposto no art. 10º acima, bem como não se faz presente nenhuma das nulidades previstas no art. 59. O Auto de Infração foi emitido com observância de seus requisitos formais e essenciais, como prescreve o artigo 142 do Código Tributário Nacional, verbis: “Artigo 142 Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional”. A fiscalização, após instauração de regular procedimento fiscalizatório, identificou depósitos bancários correspondentes à receitas de vendas, mas que indevidamente deixaram de ser incluídas na base de cálculo. Ou seja, o fisco conseguiu demonstrar que a Recorrente omitiu receitas na sua DIPJ, razão pela qual corretamente cobrou de ofício os tributos devidos. Inconstitucionalidade Atinente aos princípios e garantias considerados violados pela Recorrente, assim como o dito caráter confiscatório e desproporcional da multa de ofício, matérias esta notoriamente de cunho constitucional, cumpre ressaltar que, de acordo com a Súmula CARF n° 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária. Em nosso sistema jurídico as leis gozam da presunção de constitucionalidade, sendo impróprio acusar de confiscatória ou desproporcional a sanção em exame, matéria esta cuja apreciação cabe tão somente ao Poder Judiciário. Carece ao presente Julgador, portanto, competência para enfrentar o mérito dos argumentos de cunho constitucional invocados Da multa de ofício de 75% Fl. 617DF CARF MF 6 Quanto à incidência da multa de ofício no percentual de 75%, dispõe o artigo 44, I, da Lei nº 9.430/96: “Artigo 44 Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata.” No presente caso, uma vez que a fiscalização apurou diferença de tributo pago a menor, exigiu também a correspondente multa de ofício, no percentual de 150%, posteriormente reduzido para 75% como determina a lei. A multa de ofício de 75%, portanto, possui previsão legal e foi devidamente aplicada na hipótese dos autos. Conclusão Pelo exposto, NEGO PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO. É como voto. Luis Henrique Marotti Toselli Fl. 618DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.004131/2007-79
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
CONHECIMENTO. RECURSO ESPECIAL.
Tendo sido demonstrada a divergência na interpretação da lei tributária, é conhecido o recurso especial.
GLOSA DE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTO ECONÔMICO. DESPESA DESNECESSÁRIA.
A falta de comprovação do fundamento econômico capaz de justificar a aquisição de ações por valor muito superior ao normal configura mera liberalidade e autoriza a qualificação das despesas relativas ao ágio como desnecessárias e, por decorrência, indedutíveis na apuração do lucro real.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. DECORRÊNCIA.
Tratando-se de tributação reflexa decorrente de irregularidades apuradas no âmbito do Imposto sobre a Renda, constantes de único processo, aplicam-se à CSLL, por relação de causa e efeito, os mesmos fundamentos do lançamento primário.
Numero da decisão: 9101-003.607
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa (relatora), Luís Flávio Neto, Gerson Macedo Guerra e José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado), que lhe negaram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Viviane Vidal Wagner.
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Cristiane Silva Costa - Relatora
(assinado digitalmente)
Viviane Vidal Wagner - Redatora Designada
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio Franco Corrêa, Cristiane Silva Costa, Viviane Vidal Wagner, Luis Flávio Neto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto (suplente convocado), Gerson Macedo Guerra, José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado) e Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício). Ausente, justificadamente, o conselheiro André Mendes Moura, substituído pelo conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: CRISTIANE SILVA COSTA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004 CONHECIMENTO. RECURSO ESPECIAL. Tendo sido demonstrada a divergência na interpretação da lei tributária, é conhecido o recurso especial. GLOSA DE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTO ECONÔMICO. DESPESA DESNECESSÁRIA. A falta de comprovação do fundamento econômico capaz de justificar a aquisição de ações por valor muito superior ao normal configura mera liberalidade e autoriza a qualificação das despesas relativas ao ágio como desnecessárias e, por decorrência, indedutíveis na apuração do lucro real. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2004 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. DECORRÊNCIA. Tratando-se de tributação reflexa decorrente de irregularidades apuradas no âmbito do Imposto sobre a Renda, constantes de único processo, aplicam-se à CSLL, por relação de causa e efeito, os mesmos fundamentos do lançamento primário.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa (relatora), Luís Flávio Neto, Gerson Macedo Guerra e José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado), que lhe negaram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Viviane Vidal Wagner. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa - Relatora (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner - Redatora Designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio Franco Corrêa, Cristiane Silva Costa, Viviane Vidal Wagner, Luis Flávio Neto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto (suplente convocado), Gerson Macedo Guerra, José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado) e Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício). Ausente, justificadamente, o conselheiro André Mendes Moura, substituído pelo conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
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RECURSO ESPECIAL. Tendo sido demonstrada a divergência na interpretação da lei tributária, é conhecido o recurso especial. GLOSA DE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTO ECONÔMICO. DESPESA DESNECESSÁRIA. A falta de comprovação do fundamento econômico capaz de justificar a aquisição de ações por valor muito superior ao normal configura mera liberalidade e autoriza a qualificação das despesas relativas ao ágio como desnecessárias e, por decorrência, indedutíveis na apuração do lucro real. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. DECORRÊNCIA. Tratandose de tributação reflexa decorrente de irregularidades apuradas no âmbito do Imposto sobre a Renda, constantes de único processo, aplicamse à CSLL, por relação de causa e efeito, os mesmos fundamentos do lançamento primário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa (relatora), Luís Flávio Neto, Gerson Macedo Guerra e José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado), que lhe negaram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Viviane Vidal Wagner. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 41 31 /2 00 7- 79 Fl. 1307DF CARF MF Processo nº 19515.004131/200779 Acórdão n.º 9101003.607 CSRFT1 Fl. 4.563 2 (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Relatora (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Redatora Designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio Franco Corrêa, Cristiane Silva Costa, Viviane Vidal Wagner, Luis Flávio Neto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto (suplente convocado), Gerson Macedo Guerra, José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado) e Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício). Ausente, justificadamente, o conselheiro André Mendes Moura, substituído pelo conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Relatório Tratase de processo originado pela lavratura de Autos de Infração de IRPJ e CSLL quanto ao ano de 2004, com imposição de multa de 75% sobre o crédito tributário, relacionada a amortização de ágio; além de multa isolada sobre estimativas mensais. Ressaltese trecho do Termo de Verificação Fiscal (fls. 840, volume 5) 2.1. DA NÃO COMPROVAÇÃO DA NECESSIDADE DAS DESPESAS: Determina o artigo 13, III da Lei nº 9.249/95 (...) 2. No mesmo sentido, dispõe os, abaixo reproduzidos, artigos 299, 300 e 324 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000/99, que são dedutíveis apenas as despesas necessárias às atividades da empresa (...) 3. Está claro no mencionado "Contrato de Subscrição" que a CAMIL HOLDINGS, a GARIAL e a RICE eram empresas recém constituídas para participar da operação. O instrumento previa a capitalização da GARIAL pela ARFEI e a capitalização da CAMIL HOLDINGS pela GARIAL, através da transferência das Fl. 1308DF CARF MF Processo nº 19515.004131/200779 Acórdão n.º 9101003.607 CSRFT1 Fl. 4.564 3 ações representando metade do capital social da CAMIL ALIMENTOS e dos direitos de preferência na aquisição de outras ações do capital desta, bem como o repasse de tais direitos para a RICE. Também previa a capitalização da CAMIL HOLDINGS pelo Grupo TCW, a capitalização da RICE pela CAMIL HOLDINGS e a capitalização da CAMIL ALIMENTOS pela RICE, todas no montante de US$ 31 milhões. 4. Também estava previsto no contrato que, logo após a capitalização da CAMIL ALIMENTOS, a RICE iria adquirir a participação societária desta em poder da COOPERATIVA, "dependendo da obtenção dos financiamentos necessários no Brasil" (fl. 243). É claro que a RICE, empresa criada única e exclusivamente para participar da operação, não tinha recursos para a referida aquisição, haja vista que o valor recebido do exterior a titulo de capitalização foi imediatamente reinvestido na subscrição de novas ações da CAMIL ALIMENTOS com ágio. 5. Para contornar esse "empecilho", foi criado o esquema dos mútuos entre a própria CAMIL ALIMENTOS e a PALMEIRA e entre esta e a RICE, ambos no valor exato da venda da citada participação societária (R$ 25.305.000,00), com vencimento em 365 dias e sem incidência de juros ou correção monetária. 6. A PALMEIRA foi extinta em setembro de 1999, com sua incorporação à CAMIL ALIMENTOS, sem terem sido registradas alterações contratuais no período. Contudo, no ato de sua incorporação, ficou evidenciado que a empresa era controlada de fato pela RICE, sua única acionista. 7. Os livros e documentos contábeis e fiscais e as DIPJs (fls. 282 a 547) demonstram que a RICE e a PALMEIRA, enquanto existiram, realizaram apenas atos relativos reestruturação societária da CAMIL ALIMENTOS. Não realizaram nenhuma operação com empresas diferentes daquelas envolvidas no processo. Nunca auferiram receitas nem tiveram empregados ou funcionários. Não compraram ou alugaram imóveis para o desempenho de suas atribuições. Nem, ao menos, adquiriram móveis e utensílios para realização de atividades básicas. Também nunca recolheram impostos ou contribuições federais. 8. Praticamente todas as transações executadas no processo de reestruturação societária eram contratualmente previstas, de forma que não houve independência entre as partes nem comutatividade. Tratase de operações seqüenciais totalmente interdependentes, acertadas por entes interligados. 9. A CAMIL HOLDINGS poderia ter efetuado seu investimento diretamente na CAMIL ALIMENTOS. Ou poderia comprar os cinqüenta por cento do capital social dela diretamente da COOPERATIVA. Contudo, preferiu realizar tais operações de forma indireta através da recémconstituída RICE. 10. Se executasse as operações diretamente, sem a intermediária RICE, não se formaria o ágio na subscrição de novas ações nem Fl. 1309DF CARF MF Processo nº 19515.004131/200779 Acórdão n.º 9101003.607 CSRFT1 Fl. 4.565 4 o ágio gerado na aquisição das ações em poder da COOPERATIVA. 11. Ao ser questionada, a CAMIL ALIMENTOS não soube explicar porque a investidora preferiu agir através da RICE em vez de agir diretamente. Tampouco, conseguiu comprovar que era necessário, para o desempenho de suas atividades, que as operações fossem executadas da forma como foram. 12. A contribuinte também não conseguiu comprovar a necessidade das despesas que a RICE despendeu na subscrição de ações com ágio. Embora tivesse a opção de comprar diretamente da COOPERATIVA as ações da coligada CAMIL ALIMENTOS, a RICE preferiu subscrever e integralizar novas ações de seu capital, pagando valores bem mais elevados por ação integralizada. 13. Da mesma forma, não conseguiu a fiscalizada comprovar a necessidade, para a execução de suas atividades, do empréstimo que fez à PALMEIRA sem cobrar juros ou exigir garantias. Concluise, portanto, que a contribuinte assim agiu por mera liberalidade. 14. É óbvio que, se a CAMIL ALIMENTOS não tivesse efetuado esse empréstimo, a RICE não teria recursos para adquirir as ações em poder da COOPERATIVA e a reestruturação societária não poderia ser executada da forma como foi planejada. 15. Foi muita estranha a justificativa apresentada pela fiscalizada quando intimada a comprovar a necessidade das incorporações da RICE e da PALMEIRA. Como poderiam as incorporações de empresas que não possuíam investimentos (exceto o investimento da RICE na própria CAMIL ALIMENTOS), recursos ou bens e não exerciam atividade alguma, promover, como alegou a contribuinte, economia de esforços, investimentos ou recursos financeiros para a incorporadora? Para as atividades da CAMIL a reunido das três empresas em uma só não traria vantagem nenhuma, eis que as incorporadas nada lhe acrescentariam. As incorporações eram, portanto, totalmente desnecessárias para a fiscalizada. 16. Em vez de apresentar documentos e elementos que comprovassem a necessidade dos atos praticados e das elevadas despesas despendidas, a CAMIL informou apenas que as operações realizadas foram comutativas e decorreram de contratos em que efetivamente houve prestação das partes envolvidas. 17. Todos os elementos de prova reunidos no curso da fiscalização demonstram que as despesas com ágio na subscrição e aquisição de ações do capital social da CAMIL ALIMENTOS não eram necessárias para as atividades da RICE nem para a execução das atividades da fiscalizada. 2.2 DA ADIÇÃO DAS DESPESAS NÃO NECESSÁRIAS Fl. 1310DF CARF MF Processo nº 19515.004131/200779 Acórdão n.º 9101003.607 CSRFT1 Fl. 4.566 5 Os artigos 249 e 251 do RIR199 estabelecem: (...) 2. Por todo o exposto no presente termo, glosamos as despesas referentes A amortização do ágio referente A subscrição e aquisição de ações do capital social da auditada nos períodos em que foram deduzidas na apuração do lucro real — os anos bases 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 e 2004. (...) 4. Assim sendo, foram adicionados ao lucro real de cada período de apuração os valores seguintes (fls. 6 a 8): (...) 2004 O contribuinte apresentou Impugnação Administrativa, decidindo a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo pela manutenção integral do lançamento, conforme acórdão do qual se destaca ementa (fls. 954, volume 5, pdf 141): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 GLOSA DE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. AUSÊNCIA DA COMPROVAÇÃO DO FUNDAMENTO ECONÔMICO. INDEDUTIBILIDADE. Em que pese a lei permitir a dedução de amortização de ágio absorvido em incorporação, não restou comprovado pelo contribuinte o fato econômico que justificou a anterior aquisição de suas ações pela empresa incorporada com ágio assaz elevado, o que autoriza considerar tal despesa desnecessária e, por conseguinte, indedutivel para fins de apuração do lucro real. MULTA ISOLADA. ENCERRAMENTO PERÍODO DE APURAÇÃO. CABIMENTO. A multa isolada legalmente estatuída em face da ausência de recolhimento por estimativa pode ser regularmente exigida após o encerramento do respectivo período de apuração, vez que não se confunde com a multa de oficio incidente sobre a ausência de recolhimento do imposto apurado no ajuste anual. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2004 LANÇAMENTO BASEADO NO MESMO SUPORTE FÁTICO DO IRPJ. A ocorrência de eventos que impactam, ao mesmo tempo, a apuração de vários tributos impõe a constituição dos respectivos créditos tributários, sendo que a decisão quanto à ocorrência desses eventos repercute na decisão de todos os tributos a eles vinculados. MULTA ISOLADA. ENCERRAMENTO PERÍODO DE APURAÇÃO. CABIMENTO. Fl. 1311DF CARF MF Processo nº 19515.004131/200779 Acórdão n.º 9101003.607 CSRFT1 Fl. 4.567 6 A multa isolada legalmente estatuída em face da ausência de recolhimento por estimativa pode ser regularmente exigida após o encerramento do respectivo período de apuração, vez que não se confunde com a multa de , oficio incidente sobre a ausência de recolhimento do imposto apurado n o ajuste anual. Em recurso voluntário (fls. 980, volume 5, pdf 167), o contribuinte alega: (i) nulidade da decisão da DRJ por modificação do enquadramento legal; (ii) legitimidade da amortização do ágio; (iii) insubsistência da multa isolada, calculada sobre estimativas mensais. A 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Primeira Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais deu provimento ao recurso voluntário, em acórdão cuja ementa se reproduz a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. DEDUTIBILIDADE. A pessoa jurídica que, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, absorver patrimônio de outra que dela detenha participação societária adquirida com ágio, poderá amortizar o valor do ágio, cujo fundamento seja o de expectativa de rentabilidade futura, nos balanços correspondentes de apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração.(arts. 7° e 8° da Lei 9.532/97). A premissa utilizada pela fiscalização quanto à glosa do ágio como despesa não se sustenta quando aponta o artigo 13, inciso III, da Lei n° 9.430/96, visto a existência de regra específica que tratou a dedutibilidade do ágio. Os laudos não contestados pela Fazenda e a ausência de apontamento de dolo na operação não permite que o ágio apurado sobre rentabilidade futura e deduzido pelo contribuinte para fins de dedução da base de cálculo do IRPJ e da CSLL seja glosado pela Receita Federal. Devese ter em mente que as operações tributárias e societárias (planejamentos tributários) fundadas em negócios jurídicos indiretos não configura simulação, dissimulação ou evasão fiscal, ainda mais quando se tem uma operação aberta, transparente, mesmo com a utilização de empresa veículo. CSLL. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Aplicação reflexa dos fundamentos tratados no IRPJ. Cancelamento da cobrança em razão da legalidade quanto à dedução do ágio. MULTA ISOLADA. INSUSTENTABILIDADE E CONCOMITÂCIA. Insustentabilidade em razão da inexistência de falta de pagamento de IRPJ pelo regime de estimativa, visto que a dedutibilidade da despesa do ágio foi acolhida. Aplicação da Fl. 1312DF CARF MF Processo nº 19515.004131/200779 Acórdão n.º 9101003.607 CSRFT1 Fl. 4.568 7 teoria da consunção em razão da concomitância com a multa de ofício. Os autos foram remetidos à Procuradoria em 26/06/2012 (fls. 1123), que interpôs recurso especial em 07/08/2012 (fls. 1.124), no qual alega divergência na interpretação da lei tributária a respeito dos artigos 7º e 8º, da Lei nº 9.532/1997, constando como paradigma o acórdão 140100.584. O Presidente da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento deu seguimento ao recurso especial, em decisão da qual se reproduz trecho a seguir: Em seu recurso especial, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional alega divergência de interpretação da legislação tributária quanto à dedutibilidade de despesa de amortização de ágio No que toca à admissibilidade do recurso, a PGFN desenvolve os seguintes argumentos: há nítida divergência entre o acórdão recorrido e o acórdão ora adotado como paradigma, proferido pela Primeira Turma da Quarta Câmara da Primeira Seção de Julgamento do CARF (Acórdão nº 140100.584) (...) Vêse que o acórdão recorrido e o paradigma trataram da mesma contribuinte e das mesmas operações societárias que geraram o ágio glosado pela fiscalização. A única diferença é que o acórdão recorrido trata da glosa da despesa de amortização de ágio no anocalendário de 2004, enquanto que o acórdão paradigma abrange os anoscalendário de 1999 a 2003. O acórdão recorrido entendeu que a premissa utilizada pela fiscalização quanto à glosa do ágio como despesa não se sustenta quando aponta o artigo 13, inciso III, da Lei n° 9.430/96; e que se não há simulação e a natureza jurídica do ágio não foi contestada, sendo apenas tomada como despesa indedutível por suposta ausência de fundamento econômico e esse fundamento está no laudo, não há como manter o lançamento fiscal sob essas premissas. Já o acórdão paradigma entendeu que a ausência de comprovação do fato econômico que justificasse a anterior aquisição das ações, pela pessoa jurídica incorporada, com ágio elevado, autorizava considerar desnecessária a mesma despesa e, por conseguinte, indedutível para fins de apuração do lucro real. Diante da mesma contribuinte e das mesmas operações societárias, realmente houve decisões divergentes no que toda à dedutibilidade da despesa de amortização de ágio. Conclui Fl. 1313DF CARF MF Processo nº 19515.004131/200779 Acórdão n.º 9101003.607 CSRFT1 Fl. 4.569 8 Atendidos os pressupostos de tempestividade e legitimidade, e tendo sido comprovada a divergência de interpretação da legislação tributária, nos termos acima examinados, DOU SEGUIMENTO ao recurso especial da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional. Em 04/03/2016 o contribuinte foi intimado quanto ao acórdão do recurso voluntário, recurso especial e sua admissibilidade (fls. 1165), apresentando contrarrazões ao recurso, em 14/03/2016, nas quais alega: (i) Equívoco na interpretação da decisão recorrida pela Procuradoria, pois “a decisão recorrida jamais sustentou que a lei autoriza a dedutibilidade de ágio criado e sem fundamento econômico. Ao revés, a decisão sustentou que foi plenamente comprovado o fundamento econômico por meio do laudo juntado pela Recorrida” (trecho das contrarrazões ao recurso, fls. 1180); (ii) A legitimidade das operações societárias e da formação do ágio e a necessidade de manutenção do acórdão recorrido; (iii) Haveria preclusão quanto à multa isolada sobre estimativas mensais (relacionadas a 2004), por não ter sido apresentado recurso especial a esse respeito. Em 28/05/2018 o contribuinte apresentou razões complementares, reiterando as razoes anteriormente apresentadas, como também apresentado dois documentos, demonstrativo da efetiva rentabilidade alcançada com o negócio jurídico analisado nos autos e Parecer elaborado pela Apsis. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Cristiane Silva Costa, Relatora Conhecimento O recurso especial da Procuradoria é tempestivo, tendo sido indicado um acórdão paradigma: 140100.584. O contribuinte não questiona o conhecimento do recurso especial. Adoto, assim, as razões do Presidente de Câmara para conhecimento do recurso especial. Dedutibilidade do ágio Fl. 1314DF CARF MF Processo nº 19515.004131/200779 Acórdão n.º 9101003.607 CSRFT1 Fl. 4.570 9 O Termo de Verificação Fiscal, em síntese, entendeu pela necessidade de adição da amortização do ágio, por se tratar de despesa desnecessária, interpretando fundamentalmente o artigo 13, III, da Lei 9249 e artigo 299, do RIR/99 (fls. 840, volume 5). Lembro, inicialmente, o teor dos principais dispositivos da legislação federal mencionados como fundamento do Auto de Infração: Lei 9.249/1995: Art. 13. Para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, são vedadas as seguintes deduções, independentemente do disposto no art. 47 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964: III de despesas de depreciação, amortização, manutenção, reparo, conservação, impostos, taxas, seguros e quaisquer outros gastos com bens móveis ou imóveis, exceto se intrinsecamente relacionados com a produção ou comercialização dos bens e serviços; RIR/1999 Art. 249. Na determinação do lucro real, serão adicionados ao lucro líquido do período de apuração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º, § 2º): I os custos, despesas, encargos, perdas, provisões, participações e quaisquer outros valores deduzidos na apuração do lucro líquido que, de acordo com este Decreto, não sejam dedutíveis na determinação do lucro real; II os resultados, rendimentos, receitas e quaisquer outros valores não incluídos na apuração do lucro líquido que, de acordo com este Decreto, devam ser computados na determinação do lucro real. Art. 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47). § 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 1º). § 2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 2º). § 3º O disposto neste artigo aplicase também às gratificações pagas aos empregados, seja qual for a designação que tiverem. Pondero que o TVF faz menção genérica ao artigo 7º, III, da Lei nº 9.532/1997: Fl. 1315DF CARF MF Processo nº 19515.004131/200779 Acórdão n.º 9101003.607 CSRFT1 Fl. 4.571 10 3. Já a Lei n° 9.532/97, artigo 7°, inciso III, assim dispõe: "Art. 7° A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do Decretolei n.° 1.598, de 26 de dezembro de 1977: III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea `b' do 5S' 2° do art. 20 do Decretolei n° 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes a apuração de lucro real, levantados em até dez anoscalendários subseqüentes à incorporação, fusão ou cisão, à razão de 1/60 (um sessenta avos), no máximo, para cada mês do período de apuração;" 4 Não obstante isso, no tópico “Do direito e da base legal” referese apenas aos artigos 13, III, da 9.249/1995 e dispositivos do RIR que tratam da adição de despesa desnecessária (artigos 299, 300, 324), subdividindo o tópico em dois subtópicos “2.1. da não comprovação da necessidade de despesa” e “2.2. da adição das despesas não necessárias”. Nesse panorama, decidiu a Turma Ordinária em acórdão recorrido, conforme voto do Relator, acompanhado pela maioria do Colegiado: O certo é que errou também a autoridade autuante, na medida em que deixou de trazer como fundamento do lançamento a questão dos artigos 7° e 8° da Lei n° 9.430/96. Como o objeto do lançamento fiscal foi a indedutibilidade da despesa do ágio; provando que tal despesa seria dedutível, é certo dar provimento ao apelo do contribuinte quanto ao mérito. (...) Em meu entender, a despeito da decisão da DRJ ter extrapolado os limites do lançamento, já corrigido nesse acórdão, podemos constatar que não houve em nenhum momento prejuízo à defesa, pelo contrário, reforça a sua tese, pois a empresa apresentou ao Sr. Auditor Fiscal o laudo que demonstra o fundamento econômico do ágio, qual seja o valor da rentabilidade futura da empresa, que não foi questionado e muito menos comentado. (...) Assim, investigaremos a questão da dedutibilidade do ágio, como despesa e as operações societárias adotadas pela Recorrente para fins de apuração do ágio. O ponto a ser investigado está ligado à restruturação societária da empresa e seus reflexos e questionamentos. Pelos argumentos do contribuinte a reestruturação societária foi feita porque a Cooperativa, sócia detentora de 50% da Camil, se encontrava em meio a problemas financeiros que inviabilizava o poder de reestruturação e decisão da empresa. Fl. 1316DF CARF MF Processo nº 19515.004131/200779 Acórdão n.º 9101003.607 CSRFT1 Fl. 4.572 11 Assim, num primeiro momento podemos afirmar que as alterações societárias ocorridas visava excluir a Cooperativa do negócio, profissionalizar a empresa e centralizar a administração apenas num grupo econômico é plausível, em razão dos resultados atuais da empresa no mercado, sendo inclusive apurado e cobrado pela fiscalização ganho de capital na transação da venda de ações da cooperativa, o que reforçaria ainda mais a justificativa do ágio apurado na ponta final na empresa Recorrente, pois as operações foram consideradas independentes e possíveis de serem realizadas (...) Outro ponto está na criação uma empresa utilizada na apuração do ágio para fins de aproveitamento pela empresa autuada e fundada na economia fiscal, que em meu ver, não se trata de ilegalidade dada a inexistência da Lei Complementar n° 104/2001, que necessita ainda de regulamentação. Verdade é que a Rice foi constituída com a finalidade específica de gerar ágio, pautada em rentabilidade futura, possibilitando inclusive operações financeiras com o exterior. Assim, originaramse recursos financeiros, além de empréstimos com a empresa Palmeira, valores esses vindos do exterior para fins de investimentos, sendo que ambas as empresas (Rice e Palmeira) foram incorporadas pela Camil. Nesse aspecto, se pagou o ágio com dinheiro vindo do exterior. (...) Contudo, não vislumbro que tais atos sejam ilícitos e simulados. Vejo que estamos diante de planejamento tributário lícito e fundado em operações indiretas que buscou através do planejamento fiscal economia tributária respaldada em autorização legal em relação a dedutibilidade do ágio. É notório nos autos que o contribuinte não esconde se tratar de uma empresa com fins específicos. Tal operação societária desde o início teve seus objetivos e impactos fiscais reconhecidos, como o ocorrido no caso da atuação da Cooperativa, permitindo afirmar que estamos diante de uma operação transparente de aproveitamento de ágio, pautada em laudo não contestado com metodologia apropriada e não questionada, atestado por parecer, constituído sob o fundamento do artigo 7°, inciso III, da Lei n° 9.532/97. No caso em apreço em nenhum momento o laudo sequer foi questionado e a natureza jurídica do ágio, muito menos, e também não há simulação, visto que o próprio relatório fiscal atesta essa inexistência. (...) A fiscalização agiu de forma equivocada no momento em que adotou as regras genéricas de dedutibilidade para avaliar o ágio como despesa, pois o ágio possui tratamento de dedutibilidade específica, não sendo Fl. 1317DF CARF MF Processo nº 19515.004131/200779 Acórdão n.º 9101003.607 CSRFT1 Fl. 4.573 12 inserido no artigo 13, inciso III, da Lei n° 9.249/95 e artigos 249, inciso I, 251, 299, 300 e 324 do RIR/99. Portanto, é incontestável, sob o ponto de vista do direito, que a despesa do ágio fundada em valor da rentabilidade com base em previsão de resultados futuros é dedutível das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, nos termos do artigo 7°, inciso III, da Lei n° 9.532/97. (...) Portanto, se não há simulação e a natureza jurídica do ágio não foi contestada, sendo apenas tomada como despesa indedutível por suposta ausência de fundamento econômico e esse fundamento está no laudo, não vejo como manter no sistema jurídico o lançamento fiscal sob essas premissas. A declaração de voto (vencido) do exConselheiro Marcelo Cuba Neto também trata da inadequação do artigo 13, III, da Lei n. 9.249 para justificar o lançamento tributário. Não obstante isso, manifestou entendimento sobre a inexistência de nulidade do lançamento ou da decisão da DRJ, em especial diante da fundamentação pelo artigo 299 e do conhecimento dos fatos pelo contribuinte: Quanto a isso há que se dizer que embora o enquadramento legal da infração contido tanto no auto (fl. 894) como no TVF (fls. 926/927) faça menção ao citado art. 13, III, da Lei nº 9.249/95, o fato é que em nenhum momento, tanto no auto como no TVF, o fiscal afirma que a glosa tenha se dado em razão de uma suposta falta de relação intrínseca entre a despesa com amortização do ágio e as operações de produção ou comercialização de bens e serviços. Ao contrário, a autoridade insiste ao longo de todo o TVF que a razão da glosa na amortização do ágio advém do fato, incontestável, de que a participação de 50% no capital de Camil poderia ter sido adquirida por um valor inferior àquele decorrente do conjunto de negócios jurídicos levados a efeito pelas partes. (...) Conforme jurisprudência pacífica deste Conselho, o erro no enquadramento legal da infração não é causa de nulidade do lançamento quando, pela correta descrição dos fatos, seja possível compreender a acusação fiscal. E essa é justamente, a hipótese que se vislumbra nos presentes autos. Também não deve prosperar a alegação de nulidade da decisão de primeiro grau, uma vez que, ao contrário do alegado pela recorrente, não houve inovação. Assim, apurase que o Colegiado entendeu que o artigo 7º, III, da 9.532/1995 efetivamente não fundamentava – expressamente o Auto de Infração mas que o enfrentamento deste dispositivo legal pela DRJ não configuraria inovação do lançamento. Tanto assim que o voto vencedor, do Relator, avalia o Auto de Infração à luz do artigo 7º, III, da 9.532, para concluir pela dedutibilidade da despesa com amortização do ágio. Fl. 1318DF CARF MF Processo nº 19515.004131/200779 Acórdão n.º 9101003.607 CSRFT1 Fl. 4.574 13 Com efeito, o lançamento tributário referese à aquisição de participação societária (na Camil Alimentos) com a utilização de empresas recém criadas (Camil Holdings, Garial e Rice): 3. Está claro no mencionado "Contrato de Subscrição" que a CAMIL HOLDINGS, a GARIAL e a RICE eram empresas recém constituídas para participar da operação. O instrumento previa a capitalização da GARIAL pela ARFEI e a capitalização da CAMIL HOLDINGS pela GARIAL, através da transferência das ações representando metade do capital social da CAMIL ALIMENTOS e dos direitos de preferência na aquisição de outras ações do capital desta, bem como o repasse de tais direitos para a RICE. Também previa a capitalização da CAMIL HOLDINGS pelo Grupo TCW, a capitalização da RICE pela CAMIL HOLDINGS e a capitalização da CAMIL ALIMENTOS pela RICE, todas no montante de US$ 31 milhões. 4. Também estava previsto no contrato que, logo após a capitalização da CAMIL ALIMENTOS, a RICE iria adquirir a participação societária desta em poder da COOPERATIVA, "dependendo da obtenção dos financiamentos necessários no Brasil" (fl. 243). É claro que a RICE, empresa criada única e exclusivamente para participar da operação, não tinha recursos para a referida aquisição, haja vista que o valor recebido do exterior a titulo de capitalização foi imediatamente reinvestido na subscrição de novas ações da CAMIL ALIMENTOS com ágio. Diante disso, tratarei no presente voto da possibilidade de surgimento de ágio com a utilização de holding de investimento, denominada informalmente de "empresa veículo", à luz do citado artigo 7º, da Lei nº 9.532/1997, dispositivo aplicado expressamente pelo acórdão recorrido, como também tratado pela Procuradoria em seu recurso especial. Lembro o teor do artigo 7º, da Lei nº 9.532/1997: Art. 7º A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977: (Vide Medida Provisória nº 135, de 30.10.2003) I deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "a" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; II deverá registrar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "c" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, em contrapartida a conta de ativo permanente, não sujeita a amortização; III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2° do art. 20 do Decretolei n° 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, Fl. 1319DF CARF MF Processo nº 19515.004131/200779 Acórdão n.º 9101003.607 CSRFT1 Fl. 4.575 14 à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; (Redação dada pela Lei nº 9.718, de 1998) (...) § 1º O valor registrado na forma do inciso I integrará o custo do bem ou direito para efeito de apuração de ganho ou perda de capital e de depreciação, amortização ou exaustão. § 2º Se o bem que deu causa ao ágio ou deságio não houver sido transferido, na hipótese de cisão, para o patrimônio da sucessora, esta deverá registrar: a) o ágio, em conta de ativo diferido, para amortização na forma prevista no inciso III; b) o deságio, em conta de receita diferida, para amortização na forma prevista no inciso IV. § 3º O valor registrado na forma do inciso II do caput: a) será considerado custo de aquisição, para efeito de apuração de ganho ou perda de capital na alienação do direito que lhe deu causa ou na sua transferência para sócio ou acionista, na hipótese de devolução de capital; b) poderá ser deduzido como perda, no encerramento das atividades da empresa, se comprovada, nessa data, a inexistência do fundo de comércio ou do intangível que lhe deu causa. § 4º Na hipótese da alínea "b" do parágrafo anterior, a posterior utilização econômica do fundo de comércio ou intangível sujeitará a pessoa física ou jurídica usuária ao pagamento dos tributos e contribuições que deixaram de ser pagos, acrescidos de juros de mora e multa, calculados de conformidade com a legislação vigente. § 5º O valor que servir de base de cálculo dos tributos e contribuições a que se refere o parágrafo anterior poderá ser registrado em conta do ativo, como custo do direito. E a previsão do artigo 8º, da Lei nº 9.532/1997, verbis: Art. 8º O disposto no artigo anterior aplicase, inclusive, quando: a) o investimento não for, obrigatoriamente, avaliado pelo valor de patrimônio líquido; b) a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária. Em comentários aos citados dispositivos legais, Marcos Vinicius Neder e Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira tratam da possibilidade de holding e incorporação reversa, sem prejuízo do reconhecimento do ágio dedutível: Fl. 1320DF CARF MF Processo nº 19515.004131/200779 Acórdão n.º 9101003.607 CSRFT1 Fl. 4.576 15 A Lei nº 9.532/1997 expressamente veio a permitir a dedução do ágio, no caso da "incorporação reversa", algo que não estava claro na legislação anterior. Ou seja, o ágio passou a ser dedutível também no momento em que a investida incorpora a investidora. Tratase, claramente, da incorporação da investidora direta. Essa permissão expressa que autoriza deduzir o ágio na "incorporação reversa" teve como objetivo estimular o interesse da iniciativa privada na aquisição de participação societária em empresas públicas em fase de privatização. (...)" A Lei não proibiu o aproveitamento do ágio no caso de incorporação de empresas holdings, constituídas pelos controladores indiretos com o propósito de adquirir, consolidar e gerir a participação na empresa investida. Não apenas isso não foi proibido como foi expressamente autorizado, na medida em que a Lei permitiu a dedução do ágio no caso da incorporação reversa pela empresa investida na empresa que nela detém a participação acionária e estimulou os processos de privatização (...) A norma tributária, ao conceder o incentivo tributário de aproveitamento do ágio na Lei 9.532/1997, não fez restrição ao uso de holdings, muito pelo contrário as incentivou, como comentamos anteriormente, inclusive ao permitir a dedução do ágio na incorporação reversa. Assim, a mera existência da Instrução CVM 349/2001, que dispõe sobre o tratamento contábil do ágio na incorporação reversa de holdings em empresas de capital aberto, e a existência dos procedimentos contábeis nela sugeridos não afetam em nada a possibilidade de dedução do ágio na incorporação reversa da holding. (...) A Lei não restringiu a apuração ou a dedução fiscal de ágio quando a empresa incorporada, adquirente do investimento, fosse empresa pura de holding, ou quando a empresa tivesse recebido recursos de seu sócio ou acionista em aumento de capital, ou ainda quando tivesse recebido a participação acionária em subscrição de ações de sua emissão. Logo, o tratamento de todas essas hipóteses, quando da incorporação reversa da holding Y, é alcançado, de forma equivalente, pela Lei" (Análise do Tratamento Contábil e Fiscal do Ágio em Estrutura de Aquisição ou Titularidade de Sociedades quanto há a Interposição de Holding, in Controvérsias JurídicoContábeis, 4ª Volume, São Paulo, Dialética, 2013, fls. 161, 162 e 179). Adoto as razões do acórdão recorrido, acima colacionado, para confirmar a legitimidade do ágio tratado nos autos, sem que se vislumbre artificialidade na criação das empresas acima citadas (Camil Holdings, Garial e Rice), como tampouco na aquisição de participação societária pela RICE, a despeito de esta necessitar de empréstimo mencionado no TVF. Na origem, o ágio é legitimo, tendo partes independentes, dispêndio e expectativa de rentabilidade futura. A forma societária utilizada pelo contribuinte não impede a dedutibilidade assegurada por lei. Pondero, ainda, que é usual que holdings de investimento tenham aportes efetuados por empresas do grupo, ou empréstimos assegurados Fl. 1321DF CARF MF Processo nº 19515.004131/200779 Acórdão n.º 9101003.607 CSRFT1 Fl. 4.577 16 pelas empresas operacionais, sem que estes fatos deslegitimem as operações societárias e os efeitos fiscais destas. Lembro que o artigo 20, do Decreto nº 1.598/1976 tinha a seguinte redação ao tempo dos fatos tratados nestes autos, regulando o desdobramento do custo de aquisição em ágio por rentabilidade futura: Art. 20 – O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em: I – valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo 21; e II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o número I. § 1º O valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento. § 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico: a) valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; b) valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; c) fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. § 3º O lançamento com os fundamentos de que tratam as letras a e b do § 2º deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração. Consta do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto nº 3.000/1999) reprodução da disposição legal em seu artigo 385, verbis: Art. 385. O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20): I valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo seguinte; e II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o inciso anterior. § 1º O valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 1º). Fl. 1322DF CARF MF Processo nº 19515.004131/200779 Acórdão n.º 9101003.607 CSRFT1 Fl. 4.578 17 § 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 2º): I valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; II valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; III fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. Ao tratar do ágio sobre expectativa de rentabilidade futura, o artigo 20, do Decreto nº 1.598/1976 como também sua reprodução no RIR/99 tratam indistintamente das hipóteses de aquisição da participação, sem qualquer restrição. Ressalto que o artigo 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997, ao tratar da confusão patrimonial como condição da amortização do ágio não tem qualquer referência ao "investidor original". A exigência legal é de investimento adquirido com ágio, que poderá ser deduzido quando houver a confusão patrimonial pela empresa que detenha o investimento adquirido, ou mesmo pela própria investida caso ocorra incorporação reversa. Por fim, entendo que o lançamento tributário não questionou expressamente o laudo apresentado à fiscalização. O voto vencedor do acórdão também é claro sobre não ter sido questionado o laudo do contribuinte pela fiscalização: Entendo que o contribuinte tem total razão quando alega que a DRJ confirmou o lançamento fiscal sobre outro fundamento, não sendo aquele trazido pelo Auditor Fiscal, inovando nos autos, na medida em que o laudo trazido pela empresa (que se trata do fundamento econômico do ágio) sob rentabilidade futura, em nenhum momento foi questionado pela autoridade lançadora, que teve oportunidade para tanto, conforme se constata às fls. 548 e seguintes dos autos (documento juntado antes do relatório fiscal). (...) Portanto, o que remanesce nesse processo a ser julgado, após superada a questão da DRJ ter inovado nos autos, são: a) a dedutibilidade do ágio para fins de apuração do IRPJ e da CSLL pela empresa incorporadora, sem questionar a natureza do ágio, visto que se trata de rentabilidade futura em razão da ausência de questionamentos do laudo pela fiscalização, e se esse ágio é ou não considerado uma despesa dedutível; e (...) No caso em apreço em nenhum momento o laudo sequer foi questionado, e a natureza jurídica do ágio, muito menos, e também não há simulação, visto que o próprio relatório fiscal atesta essa inexistência. Diante disso, voto por negar provimento ao recurso especial da Procuradoria. Fl. 1323DF CARF MF Processo nº 19515.004131/200779 Acórdão n.º 9101003.607 CSRFT1 Fl. 4.579 18 Conclusão Pelas razões expostas, voto por conhecer o recurso especial da Procuradoria. No mérito, voto por negar provimento ao recurso especial, mantendo o acórdão recorrido. (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Voto Vencedor Conselheira Viviane Vidal Wagner, Redatora designada Sem prejuízo dos argumentos apresentados pela ilustre relatora, peço vênia para divergir quanto à sua opinião, pois vislumbro solução jurídica distinta para o caso em tela. Como visto, tratase de autuações de IRPJ e CSLL decorrentes da glosa de despesas de amortização de ágio que foram consideradas desnecessárias pela autoridade fiscal. Por outro lado, durante todo o processo o contribuinte procurou demonstrar que as operações de reorganização societária empreendidas pela Camil Alimentos S/A, em conformidade com o "Contrato de Subscrição" e o "Contrato de Compra e Venda de Ações" representaram negócios jurídicos lícitos, perfeitos e acabados, com propósito negocial econômico e empresarial legítimo. Destaco que tive a oportunidade de participar e presidir o julgamento da mesma matéria e contribuinte formalizado no processo nº 19515.003259/200472, relativo à dedução do ágio efetuado nos anoscalendário entre 1999 e 2003, que ensejou o acórdão 1401 00.584 (1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara), no qual foi negado provimento ao recurso voluntário ante a constatação da desnecessidade das despesas incorridas. Tendo em vista que o presente processo cuida das despesas amortizadas no anocalendário subsequente (2004), apresentarei neste voto os fundamentos para a manutenção da autuação fiscal, na esteira do entendimento já esposado naquela oportunidade. No que se refere à desnecessidade das despesas oriundas das operações realizadas pelo contribuinte, convém destacar que este, já ao tempo da fiscalização, não apresentou argumentos e provas suficientes para a comprovação do caminho trilhado, como evidenciam as respostas aos questionamentos formulados pela autoridade fiscal (fls. 850/851). A título de exemplo, convém reproduzir a primeira resposta aos esclarecimentos solicitados pela fiscalização: "Em atenção às indagações formuladas no Termo de Intimação em referência, tempestivamente, vem, a empresa CAMIL Fl. 1324DF CARF MF Processo nº 19515.004131/200779 Acórdão n.º 9101003.607 CSRFT1 Fl. 4.580 19 ALIMENTOS SA, tecer as informações requeridas, logo abaixo da transcrição dos quesitos, conforme segue: I Informar por que a CAMIL HOLDINGS LLC no ano de 1998, em vez de fazer seu investimento diretamente na CAMIL ALIMENTOS S/A., preferiu fazêlo indiretamente através da RICE S/A. ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕES. Deve ser comprovada a necessidade de a operação ter sido efetuada desta forma: Resposta 1 Cumpre referenciar que a indagação formulada no Termo de Intimação não pode ser respondida pela Camil Alimentos S/A, diante da ausência de elementos a precisar a motivação da operação realizada. A Camil Alimentos S/A possui as informações que estão subscritas nos documentos societários já em poder dessa r. Fiscalização e ali encontramse os elementos necessários a demonstrar e justificar a operação. Supõe a Camil Alimentos S/A que o investimento na RICE S/A ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕES ocorreu por decisão do acionista desta. (grifouse) Verificase que o próprio interessado teve dificuldade em apresentar a motivação e o substrato econômico da operação. Nesse contexto, vale destacar que nas respostas seguintes a empresa apenas afirma que os negócios jurídicos foram "comutativos e independentes". A ausência de fundamentos para o reconhecimento do ágio, na forma em este foi produzido, levou a autoridade fiscal a concluir, acertadamente, pela sua indedutibilidade, nos seguintes termos (TVF fls. 853/854): A CAMIL HOLDINGS poderia ter efetuado seu investimento diretamente na CAMIL ALIMENTOS. Ou poderia comprar os cinqüenta por cento do capital social dela diretamente da COOPERATIVA. Contudo, preferiu realizar tais operações de forma indireta através da recémconstituída RICE. Se executasse as operações diretamente, sem a intermediária RICE, não se formaria o ágio na subscrição de novas ações nem o ágio gerado na aquisição das ações em poder da COOPERATIVA. Ao ser questionada, a CAMIL ALIMENTOS não soube explicar porque a investidora preferiu agir através da RICE em vez de agir diretamente. Tampouco, conseguiu comprovar que era necessário, para o desempenho de suas atividades, que as operações fossem executadas da forma como foram. A contribuinte também não conseguiu comprovar a necessidade das despesas que a RICE despendeu na subscrição de ações com ágio. Embora tivesse a opção de comprar diretamente da COOPERATIVA as ações da coligada CAMIL ALIMENTOS, a RICE preferiu subscrever e integralizar novas ações de seu capital, pagando valores bem mais elevados por ação integralizada. Fl. 1325DF CARF MF Processo nº 19515.004131/200779 Acórdão n.º 9101003.607 CSRFT1 Fl. 4.581 20 Da mesma forma, não conseguiu a fiscalizada comprovar a necessidade, para a execução de suas atividades, do empréstimo que fez à PALMEIRA sem cobrar juros ou exigir garantias. Concluise, portanto, que a contribuinte assim agiu por mera liberalidade. É óbvio que, se a CAMIL ALIMENTOS não tivesse efetuado esse empréstimo, a RICE não teria recursos para adquirir as ações em poder da COOPERATIVA e a reestruturação societária não poderia ser executada da forma como foi planejada. Foi muita estranha a justificativa apresentada pela fiscalizada quando intimada a comprovar a necessidade das incorporações da RICE e da PALMEIRA. Como poderiam as incorporações de empresas que não possuíam investimentos (exceto o investimento da RICE na própria CAMIL ALIMENTOS), recursos ou bens e não exerciam atividade alguma, promover, como alegou a contribuinte, economia de esforços, investimentos ou recursos financeiros para a incorporadora? Para as atividades da CAMIL a reunião das três empresas em uma só não traria vantagem nenhuma, eis que as incorporadas nada lhe acrescentariam. As incorporações eram, portanto, totalmente desnecessárias para a fiscalizada. Em vez de apresentar documentos e elementos que comprovassem a necessidade dos atos praticados e das elevadas despesas despendidas, a CAMIL informou apenas que as operações realizadas foram comutativas e decorreram de contratos em que efetivamente houve prestação das partes envolvidas. Todos os elementos de prova reunidos no curso da fiscalização demonstram que as despesas com ágio na subscrição e aquisição de ações do capital social da CAMIL ALIMENTOS não eram necessárias para as atividades da RICE nem para a execução das atividades da fiscalizada. (grifouse) A análise dos autos nos permite concluir que o resultado desejado pelas partes sempre foi a aquisição, pelo fundo de investimento TCW, da participação de 50% que a Cooperativa detinha no capital da Camil Alimentos S/A. Constatase que tal propósito poderia ser obtido pelo fundo TCW com a simples celebração de um negócio jurídico, representado pela compra e venda das ações respectivas, ao valor unitário de R$ 4,40. Contudo, em vez de adotarem uma solução única, direta e transparente, as partes realizaram diversos negócios jurídicos que, ao cabo, resultaram na aquisição pelo fundo TCW da mesma participação de 50% desejada no capital da CAMIL, só que pelo valor de R$ 10,91 por ação. Como bem destacado pelo exconselheiro Marcelo Cuba Neto na declaração de voto anexa ao acórdão recorrido, a desnecessidade das despesas se mostra patente quando se constata que a Rice S/A empresa que foi criada apenas para a realização das operações Fl. 1326DF CARF MF Processo nº 19515.004131/200779 Acórdão n.º 9101003.607 CSRFT1 Fl. 4.582 21 questionadas, com posterior extinção por incorporação adquiriu ações da CAMIL em duas oportunidades: a) primeiro, em 22/12/1998, pelo valor de R$ 10,91 por ação, mediante aumento de capital de Camil, conforme Ata de Assembléia Geral Extraordinária de fls. 104/106; b) segundo, em 24/12/1998, apenas dois dias depois da aquisição acima mencionada, pelo valor de R$ 4,40 por ação, quando adquiriu a participação societária que a Cooperativa detinha junto à Camil (fl. 409). Digno de nota ainda é o fato, também não contestado pela defesa, de que do total do aumento no capital de Camil, no valor de R$ 46.690.084,00, verificado entre o início e o término dos negócios jurídicos sob exame, apenas R$ 12.050.000,00 referem se a dinheiro que efetivamente serviu a esse propósito. Na forma e na sequência em que foram realizadas as transações, parte daquele aumento de capital, no valor de R$ 25.305.000,00, serviu para que a Camil pagasse a Cooperativa pela compra, por Rice, das ações da própria Camil. Só isso já reduziria o ágio de R$ 29.610.678,00 para R$ 4.305.678,00. Assim, não há como discordar da fiscalização quando esta afirma que a aquisição de 50% do capital da CAMIL pelo valor de R$ 10,91 por ação constitui mera liberalidade, cuja contrapartida óbvia é a desnecessidade das despesas relativas ao ágio, pois a mesma operação poderia ser feita diretamente com a Cooperativa, pelo valor de R$ 4,40. Ademais, inexiste qualquer argumento econômico ou de mercado para a variação observada no preço das ações no intervalo de apenas dois dias. E disso também decorre o fato de que, independentemente de qualquer apreciação relativa ao laudo apresentado pelo contribuinte, o valor de aquisição poderia ser de R$ 4,40, razão suficiente para a manutenção dos lançamentos efetuados a título de IRPJ e CSLL, objeto do recurso fazendário, visto que o preço pago a maior caracteriza mera liberalidade, sendo desnecessária a despesa com a amortização desse ágio. A simples menção, no bojo do racional desenvolvido pela fiscalização, ao art.13, III, da Lei nº 9.249/95, em nada desqualifica os argumentos formulados ou invalida as conclusões adotadas. De se notar que a autoridade fiscal utilizou, além do citado art.13, diversos outros dispositivos do Regulamento do Imposto de Renda, como os arts. 299, 300 e 324 (TVF fls. 851/852). Com efeito, a legislação de regência (art. 299 do Decreto nº 3.000/99), indicada pela autoridade fiscal, assim estabelece o conceito de despesas necessárias: Art.299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47). §1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, §1º). Fl. 1327DF CARF MF Processo nº 19515.004131/200779 Acórdão n.º 9101003.607 CSRFT1 Fl. 4.583 22 §2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, §2º). §3º O disposto neste artigo aplicase também às gratificações pagas aos empregados, seja qual for a designação que tiverem. (grifamos) Entendo correta a capitulação legal indicada pela fiscalização, posto que em nenhum momento a autoridade afirma que a glosa tenha ocorrido pela falta de relação entre as despesas com amortização do ágio e as operações de produção ou comercialização de bens e serviços, pois resta evidente que o fundamento da autuação foi a desnecessidade de se adquirir a participação de 50% no capital da CAMIL pelo sobrepreço resultante de todos os negócios jurídicos praticados. Ademais, é certo que "a amortização, a qual se submete o ágio para o seu aproveitamento, constituise em espécie de gênero despesa, e, naturalmente, encontrase submetida ao regramento geral das despesas disposto no art. 299 do RIR/99, submetendose aos testes de necessidade, usualidade e normalidade" (Acórdão nº 9101.002301, de 06/04/2016). Descabe, portanto, o argumento de defesa relacionado à suposta ocorrência de nulidade ou inovação de fundamentos no processo, pois na medida em que a aquisição das ações, nos moldes praticados, ensejou ágio calcado em mera liberalidade, as despesas em nada contribuíram para a manutenção das fontes produtoras, como exige a legislação. Salta aos olhos a ausência de qualquer fundamento econômico capaz de abonar o ágio, circunstância que o próprio contribuinte não conseguiu esclarecer durante os trabalhos de fiscalização, como já demonstrado. Nada justifica que em apenas dois dias as ações pudessem apresentar uma diferença de valor tão grande, sem qualquer relação com as cotações de mercado ou a expectativa de rentabilidade futura, sendo forçoso concluir pelo acerto das conclusões fiscais, com a glosa das despesas relativas ao ágio, por desnecessárias. Ante o exposto, voto por conhecer do recurso fazendário e, no mérito, por darlhe provimento. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Fl. 1328DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10314.728505/2014-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO ESPECÍFICA. FALHA DO ENQUADRAMENTO LEGAL. CERCEAMENTO DE DEFESA.
Ainda que bem descritos os fatos, faz-se necessário que o auto de infração indique claramente e com precisão os fundamentos legais que conduziram à sua lavratura, não podendo fazê-lo de maneira genérica ou com vagueza, sob pena de se inviabilizar o direito de defesa. Inteligência que deflui dos arts. 3º e 142, parágrafo único, da Lei nº 5.172/1966 (CTN), do art. 10 do Decreto nº 70.235/1972, do art. 50 da Lei nº 9.784/1999, e do inciso II do art. 489 da Lei nº 13.105/2015 (CPC).
Numero da decisão: 3401-005.299
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, entendendo ter havido cerceamento do direito de defesa na autuação, vencidos os Cons. Mara Cristina Sifuentes, Marcos Roberto da Silva e Lázaro Antonio Souza Soares.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO ESPECÍFICA. FALHA DO ENQUADRAMENTO LEGAL. CERCEAMENTO DE DEFESA. Ainda que bem descritos os fatos, faz-se necessário que o auto de infração indique claramente e com precisão os fundamentos legais que conduziram à sua lavratura, não podendo fazê-lo de maneira genérica ou com vagueza, sob pena de se inviabilizar o direito de defesa. Inteligência que deflui dos arts. 3º e 142, parágrafo único, da Lei nº 5.172/1966 (CTN), do art. 10 do Decreto nº 70.235/1972, do art. 50 da Lei nº 9.784/1999, e do inciso II do art. 489 da Lei nº 13.105/2015 (CPC).
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ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO ESPECÍFICA. FALHA DO ENQUADRAMENTO LEGAL. CERCEAMENTO DE DEFESA. Ainda que bem descritos os fatos, fazse necessário que o auto de infração indique claramente e com precisão os fundamentos legais que conduziram à sua lavratura, não podendo fazêlo de maneira genérica ou com vagueza, sob pena de se inviabilizar o direito de defesa. Inteligência que deflui dos arts. 3º e 142, parágrafo único, da Lei nº 5.172/1966 (CTN), do art. 10 do Decreto nº 70.235/1972, do art. 50 da Lei nº 9.784/1999, e do inciso II do art. 489 da Lei nº 13.105/2015 (CPC). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, entendendo ter havido cerceamento do direito de defesa na autuação, vencidos os Cons. Mara Cristina Sifuentes, Marcos Roberto da Silva e Lázaro Antonio Souza Soares. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 72 85 05 /2 01 4- 66 Fl. 933DF CARF MF Processo nº 10314.728505/201466 Acórdão n.º 3401005.299 S3C4T1 Fl. 934 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (VicePresidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório 1. Tratase de auto de infração, situado às fls. 145 a 148, lavrado com o objetivo de formalizar a cobrança de/em razão da falta de recolhimento de Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou Relativas a Títulos ou Valores Mobiliários – IOF, incidente sobre Contas Correntes de Mútuos entre empresas ligadas, referente ao período de apuração compreendido entre 01/01/2010 e 31/12/2010, acrescido de multa de ofício de 75% e juros, totalizando, assim, o valor histórico de R$ 7.222.544,48. 2. A contribuinte, intimada em 24/11/2014, apresentou, em 23/12/2014, a impugnação, situada às fls. 516 a 548, na qual argumentou, em síntese: (i) é nulo o lançamento fiscal por falta de motivação posto que não há uma linha sequer com a indicação da razão pela qual o ilustre fiscal entendeu que os lançamentos relativos às contas contábeis 1.1.4 CONTA CORRENTE COM CONSORCIADAS, relacionadas à participação da Impugnante em consórcios, como o próprio nome das conta já indica, teriam natureza diversa, de mútuo financeiro; (ii) as contas contábeis indicadas pela fiscalização, 1.1.4 CONTA CORRENTE COM CONSORCIADAS, referemse exclusivamente a operações com consórcio, sendo que os aportes feitos pela consorciadas no âmbito do consórcio em nada se assemelham a operação de crédito" ou a "mútuo financeiro", tendo ao contrário a natureza de custos que serão incorridos no desenvolvimento das obras de construção civil para as quais foi constituído o consórcio; (iii) as operações com consorciadas não correspondem a movimentações financeiras, mas a despesas incorridas e devidamente escrituradas necessárias à manutenção da atividade da impugnante, constituindose, pois, em despesas operacionais dedutíveis para fins de apuração do IRPJ e da CSL. Com efeito, para executar obras civis necessárias à implantação de uma usina hidroelétrica no rio Madeira em Porto VelhoRO, as empresas CONSTRUTORA NORBERTO ODEBRECHT S/A E ANDRADE GUTIERREZ S/A formaram, nos termos dos art. 278 e 279 da Lei da S/A, um consórcio, conforme contrato de constituição de consórcio, denominado CONSÓRCIO SANTO ANTÔNIO CIVIL; (iv) em razão de reorganização societária, as partes entenderam conveniente que a impugnante ODEBRECHT SERVIÇOS E PARTICIPAÇÕES S/A passasse a integrar o referido consórcio, entendimento formalizado por meio de Termo Aditivo, às fls. 437441, que obedece ao disposto na Instrução Normativa RFB n° 1.199, de 2011,e Solução de Consulta n° 175, de 20/11/2002. Nesse sentido, anexa nos autos documentação contábil – extratos bancários, cópias do livro razão e notas fiscais, que visam esclarecer os aportes realizados pela interessada aos fornecedores do Consórcio Santo Antônio; (v) tais transferências, ao contrário do que entendeu a autoridade fiscal, possui natureza de custos incorridos no desenvolvimento das obras para as quais o consórcio foi constituído. Não haveria, pois mútuo financeiro; dado que as operações efetivamente realizadas não se coadunam com o conceito de mútuo estatuído pelos art. 586587 do Código Civil, segundo o qual o mútuo envolve a translação de domínio ao mutuário, que fica obrigado a devolver coisa da mesma espécie em quantidade determinada ao mutuante; (vi) ainda que se admitisse, por absurdo e apenas para argumentar, que as contas contábeis indicadas "apresentaram movimentação financeira, recebendo e efetuando depósitos em contas correntes bancárias de Fl. 934DF CARF MF Processo nº 10314.728505/201466 Acórdão n.º 3401005.299 S3C4T1 Fl. 935 3 coligadas e consorciadas", estarseia diante de um contrato de contacorrente contábil, e não de contrato de mútuo, o que do mesmo modo não autoriza a incidência de IOF; (vii) ser descabido o agravamento da multa aplicado pelo ilustre Fiscal por absoluta falta de tipicidade na conduta da Impugnante, já que não comprovada a recusa no cumprimento com vistas a atrapalhar ou impedir a fiscalização; bem como não há amparo na legislação para a exigência de juros de mora sobre a multa de oficio. 3. Em 28/04/2016 a 00ª Turma da Delegacia Regional do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ) proferiu o Acórdão DRJ nº 0000.000, situado às fls. 917 a 927, de relatoria da AuditoraFiscal Irina Homem de Mello Morais, que entendeu, por unanimidade de votos, julgar procedente a impugnação, exonerando o crédito tributário exigido, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Anocalendário: 2010 MÚTUO FINANCEIRO. DESCARACTERIZAÇÃO O dispêndio efetuado pela fiscalizada em razão de contrato de consórcio regularmente celebrado na forma estabelecida pela Lei nº 6.404, de 16 de dezembro de 1976 Lei das S/A, não configura mútuo financeiro. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado 4. Diante da exoneração do crédito tributário, o acórdão foi submetido à apreciação deste Conselho por recurso de ofício, de acordo com o art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações introduzidas pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de1997, e art. 1º da Portaria do Ministério da Fazenda nº 3, de 3 de janeiro de 2008. 5. A contribuinte, intimada da decisão em 31/05/2016, pela abertura dos arquivos correspondentes no link Processo Digital, no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (Portal eCAC), por meio da opção "Consulta Comunicados/Intimações", em conformidade com o termo de ciência situado à fl. 930. É o Relatório. Voto Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Relator Fl. 935DF CARF MF Processo nº 10314.728505/201466 Acórdão n.º 3401005.299 S3C4T1 Fl. 936 4 6. O recurso de ofício preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. 7. A recorrente tem por objeto social a participação em outras sociedades que explorem negócios de engenharia, montagem, instalações industriais e elétricas, construções etc., bem como exploração direta de tais negócios, sendo comum se associar a outras companhias em consórcio para a execução de projetos ou empreendimentos de grande porte. Para a autoridade fiscal, a conta contábil 1.1.4 (Conta corrente com consorciadas) caracterizariam, na verdade, mútuo financeiro ensejador da incidência de IOF nos termos da Lei nº 6.306/2007, tendo aplicado, ainda, multa de ofício agravada em 50% por ter a recorrida deixado de atender intimações ou as atendido com atraso, o que caracterizaria embaraço à fiscalização. 8. De fato, não há sequer uma única linha no lançamento que explique o salto lógico erigido pela autoridade fiscal no sentido de explicar as razões pelas quais os lançamentos contábeis realizados na prefalada conta deveriam ser considerados como mútuos financeiros: na verdade, grande parte do termo de constatação fiscal envida esforços para justificar o agravamento da multa de ofício, e apenas uma breve passagem se dedica a justificar o lançamento em que pese o texto referir a "acrescer" conceitos e determinações legais, sobre este particular, ou seja, o principal cobrado, apenas estas são as considerações realizadas, que podem ser resumidas no seguinte trecho: "as contas correntes de consorciadas abaixo relacionadas apresentaram movimentação financeira, recebendo e efetuando depósitos em contas correntes bancárias de coligadas e consorciadas". 9. Não se controverte sequer a respeito da natureza de consorciadas, mas, pelo contrário, afirmase que, por envolverem movimentação financeira consistente em receber e efetuar depósitos em contas correntes de coligadas e consorciadas, tratase de operação de crédito sujeita ao IO/Crédito previsto no art. 13 da Lei nº 9.779/1999. 10. O que possibilita, ademais, indagarse a respeito de outra sorte de deficiência de fundamentação positiva, uma vez que tal dispositivo se volta a coarctar apenas a "mútuo" a multiplicidade de eventos econômicos passíveis de serem considerados como "crédito", implicando, a bem da verdade, e com algum esforço, a suposição de que a autoridade fiscal tenha considerado tais movimentações como empréstimos: Fl. 936DF CARF MF Processo nº 10314.728505/201466 Acórdão n.º 3401005.299 S3C4T1 Fl. 937 5 11. De fato, a fundamentação franciscana do auto quanto ao principal tema tratado no lançamento acaba por dificultar a própria defesa, uma vez que não há clareza sobre o percurso racional que culminou com o lançamento: (i) se o IOF incide sobre transações relativas a consórcios previstas na Lei nº 6.404/1976, (ii) sobre quaisquer movimentações financeiras entre empresas ligadas, ou ainda (iii) se aplica o art. 13 (aplicável a mútuo) por analogia com relação à operação praticada pela contribuinte com as consorciadas, ou ainda (iv) se desconsidera os contratos de consórcio, por reputálos simulados, para enxergar, na verdade, Fl. 937DF CARF MF Processo nº 10314.728505/201466 Acórdão n.º 3401005.299 S3C4T1 Fl. 938 6 uma operação de mútuo. Tais considerações nos levam a concluir pela nulidade do auto de infração lavrado, em virtude de preterição do direito de defesa prevista no inciso II do art. 59 do Decreto nº 70.235/1972. 12. Tal ocorre porque a deficiência de fundamentação é causa de nulidade de lançamento por vício material, e padece de erro de motivação aquele lançamento que não se revista dos requisitos obrigatórios dos atos administrativos, entre os quais se encontra o dever de fundamentação, o que implica nulidade, como ocorre no caso corrente, em que o lançamento não dedica sequer uma linha para indicar as razões do lançamento, restando à contribuinte apenas tecer suas razões de defesa baseada em hipóteses ou possibilidades. 13. Neste sentido, o Acórdão CARF nº 3401003.751, proferido em sessão de 26/04/2017, de minha relatoria, cuja ementa abaixo se transcreve: Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/01/2009 a 31/08/2009 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO ESPECÍFICA. FALHA DO ENQUADRAMENTO LEGAL. CERCEAMENTO DE DEFESA. Ainda que bem descritos os fatos, fazse necessário que o auto de infração indique claramente e com precisão os fundamentos legais que conduziram à sua lavratura, não podendo fazêlo de maneira genérica ou com vagueza, sob pena de se inviabilizar o direito de defesa. Arts. 3º e 142, parágrafo único da Lei nº 5.172/1966 (CTN), art. 10 do Decreto nº 70.235/1970 e art. 50 da Lei nº 9.784/1999, do inciso II do art. 489 da Lei nº 13.105/2015 (CPC). 14. O dever de fundamentar transparece no art. 10º do Decreto nº 70.235/1970 como elemento indissociável da decisão. Por sua vez, o art. 50 da Lei nº 9.784/1999, determina que os atos administrativos deverão ser motivados, com a indicação não apenas dos fatos, como também dos fundamentos jurídicos, devendo a motivação ser "explícita, clara e congruente". Em nenhum momento se encontra clareza ou congruência na argumentação em apreço, pois desconhecidos, em absoluto, os caminhos de direito trilhados pela autoridade fiscal para alcançar o trecho dispositivo. Neste sentido, deve ser aplicado o teor da Súmula nº 473 do Supremo Tribunal Federal, editada em 03/12/1969, com o seguinte teor: "a Administração pode anular seus próprios atos quando eivados de vícios que os tornem ilegais, porque deles não se originam direitos". 15. Neste sentido também a Lei nº 13.105/2015 que, no inciso II do art. 489, dispõe como elemento essencial da decisão não apenas as questões de fato, como também as de direito, pois duas faces da etapa de fundamentação. Acrescese à preocupação do legislador com as razões do decidir o § 1º cujo preceptivo normativo considera não fundamentada a disposição que: (i) limitarse à indicação, à reprodução ou à paráfrase de ato normativo, sem explicar sua relação com a causa ou a questão decidida; (ii) empregar conceitos jurídicos indeterminados, sem explicar o motivo concreto de sua incidência no caso; e (iii) invocar motivos que se prestariam a justificar qualquer outra decisão. Fl. 938DF CARF MF Processo nº 10314.728505/201466 Acórdão n.º 3401005.299 S3C4T1 Fl. 939 7 16. A prefalada omissão, digase, não poderá ser colmatada pelas subseqüentes instâncias da Administração, pois tal expediente implicaria não apenas alteração, mas verdadeira criação de critério jurídico manu propria. Deve a decisão, antes de resolver o mérito, delimitálo: indicar de maneira objetiva quais temas são devolvidos à sua cognição. No presente caso, diante de tal deficiência de fundamentação, tal tarefa simplesmente não se faz possível. 17. Assim, voto por negar provimento ao recurso de ofício para anular o auto de infração lavrado em virtude de preterição e cerceamento do direito de defesa. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator Fl. 939DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10882.900306/2009-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2004
COMPENSAÇÃO. TRANSFORMAÇÃO DO PLEITO ORIGINAL BASEADO EM PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR EM OUTRO, COM FUNDAMENTO NO SALDO NEGATIVO DO PERÍODO. POSSIBILIDADE.
Reconhece-se a possibilidade de transformar o pleito do contribuinte, baseado em pagamento indevido ou a maior de estimativa, em outro, com fundamento no saldo negativo do período, mas sem homologar a compensação por ausência de análise da sua liquidez pela unidade de origem, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação.
Numero da decisão: 1301-003.317
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para reconhecer a possibilidade de transformar o seu pleito, baseado em pagamento indevido ou a maior de estimativa, em outro, com fundamento no saldo negativo do período, mas sem homologar a compensação por ausência de análise da sua liquidez pela unidade de origem, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação, oportunizando ao contribuinte a possibilidade de apresentação de documentos, esclarecimentos e retificações das declarações apresentadas.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Roberto Silva Junior, Jose Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para reconhecer a possibilidade de transformar o seu pleito, baseado em pagamento indevido ou a maior de estimativa, em outro, com fundamento no saldo negativo do período, mas sem homologar a compensação por ausência de análise da sua liquidez pela unidade de origem, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação, oportunizando ao contribuinte a possibilidade de apresentação de documentos, esclarecimentos e retificações das declarações apresentadas. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Roberto Silva Junior, Jose Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
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TRANSFORMAÇÃO DO PLEITO ORIGINAL BASEADO EM PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR EM OUTRO, COM FUNDAMENTO NO SALDO NEGATIVO DO PERÍODO. POSSIBILIDADE. Reconhecese a possibilidade de transformar o pleito do contribuinte, baseado em pagamento indevido ou a maior de estimativa, em outro, com fundamento no saldo negativo do período, mas sem homologar a compensação por ausência de análise da sua liquidez pela unidade de origem, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para reconhecer a possibilidade de transformar o seu pleito, baseado em pagamento indevido ou a maior de estimativa, em outro, com fundamento no saldo negativo do período, mas sem homologar a compensação por ausência de análise da sua liquidez pela unidade de origem, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação, oportunizando ao contribuinte a possibilidade de apresentação de documentos, esclarecimentos e retificações das declarações apresentadas. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Roberto Silva Junior, Jose Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 03 06 /2 00 9- 80 Fl. 358DF CARF MF Processo nº 10882.900306/200980 Acórdão n.º 1301003.317 S1C3T1 Fl. 3 2 Morishita Yamamoto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte acima identificado contra o acórdão proferido pela DRJ, que, ao apreciar a Manifestação de Inconformidade apresentada, entendeu, por unanimidade de votos, considerála improcedente, não reconhecendo o direito creditório e não homologando a compensação declarada. Tratase de Dcomp que visou a compensar crédito original decorrente de pagamento indevido/maior a título estimativa de IRPJ, no período especificado. Referida compensação não foi homologada, via Despacho Decisório eletrônico, à razão de que, dadas as características do Darf discriminado naquela Dcomp, localizouse pagamento integralmente utilizado para quitação de débitos, não restando crédito disponível para compensação do débito nela declarado. Na manifestação de inconformidade, é aduzido em síntese que recolheu DARF no valor total da estimativa e só utilizou parte deste, gerando assim saldo credor. Naquela oportunidade, a r.turma julgadora entendeu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade apresentada. Ciente do acórdão recorrido, e com ele inconformado, a recorrente apresentou, tempestivamente, recurso voluntário, através de representante legal, pugnando pelo provimento, onde apresenta argumentos que serão a seguir analisados. É o relatório. Fl. 359DF CARF MF Processo nº 10882.900306/200980 Acórdão n.º 1301003.317 S1C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.316, de 16/08/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10882.900305/2009 35, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301003.316): O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos regimentais de admissibilidade, portanto, dele conheço. Da Análise do Recurso Voluntário Tratase originalmente de pleito compensatório de direito creditório proveniente de suposto recolhimento indevido ou a maior, no período de apuração especificado, relativo à estimativa de IRPJ, apresentado via Dcomp. Nos termos da decisão recorrida, foi afastada a hipótese de pagamento indevido ou a maior, aduzindo que o valor do recolhimento realizado (via DARF) encontravase vinculado à estimativa devida, e que o procedimento de retificar DCTF, em data posterior ao despacho decisório, não teria suporte na legislação pertinente, considerando como correta a informação constante na DCTF original. Entendeuse ainda não ser possível, naquela fase processual, transformar o pleito do contribuinte, baseado em pagamento indevido ou a maior de estimativa, em outro, com fundamento no saldo negativo do período, e que não foram trazidos provas que desse guarida ao eventual erro cometido pelo contribuinte na apuração do crédito que afirma ser titular. Assim, com base nesses argumentos, julgouse improcedente a impugnação apresentada. Pois bem. Tenho adotado o entendimento de que no caso de divergência entre a DIPJ e DCOMP ou outra declaração da mesma espécie, deve a autoridade prolatora do despacho decisório, anteriormente a esta decisão, proceder a intimação do contribuinte para retificar uma das declarações, de modo que a exigência prevista no artigo 170 do CTN, no que se refere à exigência de certeza e liquidez do direito creditório apresentado, Fl. 360DF CARF MF Processo nº 10882.900306/200980 Acórdão n.º 1301003.317 S1C3T1 Fl. 5 4 não seja desnaturado para impedir a apreciação material do pleito formulado pelo contribuinte. Entendo não ser legítimo afastarse uma declaração de compensação ao fundamento puramente formal de que não se teria correspondência entre os saldos negativos indicados em distintos documentos, cabendo à Fiscalização, na hipótese de divergência de informações provenientes de outras declarações, ao menos, questionar a divergência existente, e proceder a intimação do contribuinte para retificar uma ou mais das declarações apresentadas. Compulsando os autos, não encontro comprovação de que o contribuinte fora intimado para proceder a retificação de quaisquer das declarações, antes do despacho decisório. Ora, se de um lado, indeferese o pedido de restituição/compensação porque foram alocadas automaticamente a débitos que constaram da DCTF, sem facultar ao contribuinte oportunidade para esclarecer a sua conduta, por outro lado, impedese que o contribuinte possa cancelar a Perdcomp, ou mesmo adequála de forma devida, de forma fosse comprovado o efetivo crédito. Consciente desse problema, a Administração Tributária modificou os Despachos Decisórios emitidos eletronicamente e o seu procedimento, pois atualmente, ao verificar a inconsistência das Per/Dcomp com as informações registradas nos sistemas do fisco, antes de emitir o despacho denegatório, intima o contribuinte para esclarecimentos. Se o contribuinte não responder à intimação fiscal, o Despacho é emitido, porém faculta ao contribuinte, no prazo regulamentar, retificar as declarações entregues ao fisco para a compatibilização dos dados – DIPJ, DCTF e a própria Per/Dcomp. Por outro lado, de fato, o direito creditório apresentado não é oriundo de pagamento a maior das estimativas, e sim, em tese, proveniente de saldo negativo. Aliás, a própria decisão recorrida chegou a essa conclusão, deixando de proceder com as verificações necessárias, com o escopo de confirmar a liquidez e certeza do suposto direito creditório de fato reclamado, por entender que naquela fase processual, não seria mais possível a transformação da origem do crédito pleiteado. Vejase que o valor do crédito apresentado corresponde ao valor do saldo negativo declarado nas DIPJs apresentadas, seja na original ou na retificadora. Embora em situação anteriores, apreciando fatos semelhantes, tenha adotado o entendimento de converter o julgamento em diligência, para oportunizar ao contribuinte retificar as declarações apresentadas e apresentar provas da liquidez e certeza do direito creditório pleiteado, nas ricas e sempre oportunas discussões no colegiado, alterei meu entendimento para reconhecer parte do pedido, evitandose, com isso, eventuais alegações de supressão de instâncias. Fl. 361DF CARF MF Processo nº 10882.900306/200980 Acórdão n.º 1301003.317 S1C3T1 Fl. 6 5 Ante o exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso do contribuinte, para reconhecer a possibilidade de transformar o seu pleito, baseado em pagamento indevido ou a maior de estimativa, em outro, com fundamento no saldo negativo do período, mas sem homologar a compensação por ausência de análise da sua liquidez pela unidade de origem, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação, oportunizando ao contribuinte a possibilidade de apresentação de documentos, esclarecimentos e retificações das declarações apresentadas. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário para reconhecer a possibilidade de transformar o seu pleito, baseado em pagamento indevido ou a maior de estimativa, em outro, com fundamento no saldo negativo do período, mas sem homologar a compensação por ausência de análise da sua liquidez pela unidade de origem, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação, oportunizando ao contribuinte a possibilidade de apresentação de documentos, esclarecimentos e retificações das declarações apresentadas, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 362DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11075.001921/2008-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3201-001.344
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Tatiana Josefovicz Belisário - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinado digitalmente) Tatiana Josefovicz Belisário Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado pelo Contribuinte em face do acórdão nº 0736.019, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (SC), que assim relatou o feito: Tratase de autos de infração para cobrança de Imposto de Importação II, Importo sobre Produtos Industrializados vinculado a importação IPI, e diferença de contribuições para Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público – PIS/PASEP e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS incidentes na importação, além dos devidos acréscimos legais, e multa RE SO LU Çà O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 75 .0 01 92 1/ 20 08 -0 6 Fl. 230DF CARF MF Processo nº 11075.001921/200806 Resolução nº 3201001.344 S3C2T1 Fl. 231 2 de 1% decorrente de reclassificação de mercadorias, além de multa de R$ 500,00 pela não apresentação de romaneio referente as importações cursada por meio das declarações de importação (DI) n° 08/1235902 4 e 08/12589615, registradas em 12 e 15/08/2008, nos seguintes valores lançados: II e acréscimos: R$ 24.953,67; IPI vinculado a importação: R$ 12.405,54; COFINS incidente na importação e acréscimos: R$ 857,83; PIS/PASEP incidente na importação e acréscimos: R$ 186,25; e Multas de 1% sobre o valor aduaneiro, no valor de total de R$ 1.010,47. multa de R$ 500,00 pela não apresentação de romaneio ou packing list na isntrução de declaração aduaneira Segundo a fiscalização: A empresa Taranto Comercial Importadora e Exportadora Ltda, CNPJ 02.156.423/000120 registrou as DI's 08/12359024 e 08/12589615 em 12 e 15/08/2008, respectivamente, para importação de diversos tipos de juntas, conforme descrito nas Declaração de Importação anexas. As mercadorias em questão (itens 3, 9, 11 e 14 da adição 001 da DI 08/1235902 4 e 3, 4, 5, 6, 7 e 12 da adição 001 da DI 08/12589615) são conjuntos de juntas de tampa de válvulas e jogos de juntas do carter e foram classificadas na NCM 4504.90.00 ("CORTIÇA AGLOMERADA (COM OU SEM AGLUTINANTES) E SUAS OBRAS. OUTRAS"). Sobre tal classificação incidiriam 10% de II, 0% de IPI, 1,65% de PIS, 7,6% de Cofins e 18% de ICMS. Durante a execução dos despachos, foram retiradas amostras das mercadorias e foi verificado que, na verdade, tratase de jogos de juntas sortidas, tendo em vistaque contêm mais de uma junta e apresentam materiais constitutivos diversos (cortiça e borracha). Sendo assim a classificação que corresponde a mercadoria é 8484.90.00 ("JUNTAS METALOPLASTICAS; JOGOS OU SORTIDOS DE JUNTAS DE COMPOSIÇÕES DIFERENTES, APRESENTADOS EM BOLSAS, ENVELOPES OU EMBALAGENS SEMELHANTES; JUNTAS DE VEDAÇÃO"). Sobre a NCM 8484.90.00 incidiriam 16% de II, 12% de IPI, 1,65% de PIS, 7,6% de Cofins e 18% de ICMS. A fiscalização apresenta seus argumentos legais e de interpretação do Sistema Harmonizado de Designação e Codificação de Mercadorias (SH) para justificar que a classificação informada pelo importador estava incorreta . A TARANTO pugna nos seguintes termos: Questiona a interpretação dadas as regras do SH pela fiscalização para classificar o jogo de juntas na posição 8484. Fl. 231DF CARF MF Processo nº 11075.001921/200806 Resolução nº 3201001.344 S3C2T1 Fl. 232 3 Apresenta sua interpretação e argumentos, pelos quais entende que houve erro da fiscalização na leitura das regras do SH, pois: “Ora, o texto da posição 8484, É EXCLUDENTE, pois, reza que não se enquadram juntas cuja constituição seja de um único tipo de material, ou seja, reza juntas de composições diferentes, todavia, o caso das mercadorias em análise se trata de um todo composto de cortiça. ” Protesta pela não desclassificação do Certificado de Origem, conforme IN SRF nº 149/2002 e decisões administrativas que apresenta para defender sua tese, mesmo em tendo ocorrido reclassificação do produto, pois entende que o alegado erro seria apenas “mero erro formal”. Protesta pela nulidade do auto de infração, por ausência de indicação legal dos fundamentos para autuação por erro de classificação fiscal. Alega outros vícios do lançamento, apresentando os fundamentos legais que entende aplicáveis Apresenta argumentos pela não aplicação da multa de 75% com, base no ADI SRF nº 13, de 10 de setembro de 2002. Contesta a aplicação da multa de 1%, em razão de que não teria informado a classificação fiscal incorreta do produto importado. Após exame da Impugnação apresentada pelo Contribuinte, a DRJ proferiu acórdão dispensado de ementa, de acordo com a Portaria SRF nº 1.364, de 10 de novembro de 2004, mantendo parcialmente o crédito tributário exigido apenas para excluir o valor lançado a título de Imposto de Importação "por aplicação da preferência tarifária, em razão da não desconsideração do certificado de origem do produto importado". Não houve interposição de Recurso de Ofício quanto a crédito tributário exonerado. Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário reiterando os argumentos de defesa apresentados quanto ao crédito tributário mantido. Após os autos foram remetidos a este CARF e a mim distribuídos por sorteio. É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário Relatora Conforme relatado, trata o feito, em síntese, de reclassificação fiscal de mercadorias importadas pela Recorrente por meio das DI's nº 08/12359024 e 08/12589615. A Recorrente informou a importação de conjuntos de juntas de tampa de válvulas e jogos de juntas do carter e as classificou na NCM 4504.90.00 ("CORTIÇA AGLOMERADA (COM OU SEM AGLUTINANTES) E SUAS OBRAS. OUTRAS"). Fl. 232DF CARF MF Processo nº 11075.001921/200806 Resolução nº 3201001.344 S3C2T1 Fl. 233 4 Mediante o exame de amostras das mercadorias, a Fiscalização entendeu tratar se de jogos de juntas sortidas, tendo em vistaque contêm mais de uma junta e apresentam materiais constitutivos diversos (cortiça e borracha). Com isso, reclassificou a mercadoria para a NCM 8484.90.00 ("JUNTAS METALOPLASTICAS; JOGOS OU SORTIDOS DE JUNTAS DE COMPOSIÇÕES DIFERENTES, APRESENTADOS EM BOLSAS, ENVELOPES OU EMBALAGENS SEMELHANTES; JUNTAS DE VEDAÇÃO"). O Recorrente, em seu mérito, questiona a reclassificação levada a efeito. Para melhor compreensão, transcrevo os NCM da classificação controvertida: Classificação do contribuinte Classificação da Fiscalização NCM 4504.90.00 ("CORTIÇA AGLOMERADA (COM OU SEM AGLUTINANTES) E SUAS OBRAS. OUTRAS") NCM 8484.90.00 ("JUNTAS METALOPLASTICAS; JOGOS OU SORTIDOS DE JUNTAS DE COMPOSIÇÕES DIFERENTES, APRESENTADOS EM BOLSAS, ENVELOPES OU EMBALAGENS SEMELHANTES; JUNTAS DE VEDAÇÃO") IX Madeira, carvão vegetal e obras de madeira; cortiça e suas obras; obras de espataria ou cestaria 45 Cortiça e suas obras 4504 Cortiça aglomerada (com ou sem aglutinantes) e suas obras 4504.90.00 Outras XVI Máquinas e aparelhos, material elétrico, e suas partes; aparelhos de gravação ou de reprodução de som, aparelhos de gravação ou de reprodução de imagens e de som em televisão, e suas partes e acessórios 84 Reatores nucleares, caldeiras, máquinas, aparelhos e instrumentos mecânicos, e suas partes 8484 Juntas metaloplásticas; jogos ou sortidos de juntas de composições diferentes, apresentados em bolsas, envelopes ou embalagens semelhantes; juntas de vedação mecânicas (selos mecânicos) 8484.90.00 Outros De acordo com o Relatório Fiscal, os produtos importados consistem em "conjuntos de juntas de tampa de válvulas e jogos de juntas do carter", utilizados na indústria automotiva. Na verificação física das mercadorias, realizada durante a execução dos despachos de importação, entendeuse tratar de juntas sortidas (pois contêm mais de uma junta) constituídas de cortiça e borracha. Assim, aplicando o texto da posição 8484, o produto foi reclassificado (fl. 5): Transcrevo texto da posição 8484: "B. JOGOS OU SORTIDOS DE JUNTAS Este grupo compreende, desde que constituídos por juntas de composições diferentes, os jogos ou sortidos de juntas de quaisquer tipos (discos, anilhas, etc.), e de quaisquer matérias (cortiça aglomerada, couro, borracha, tecido, cartão, amianto, etc.), apresentadas em bolsas, envelopes, caixas ou embalagens semelhantes. Fl. 233DF CARF MF Processo nº 11075.001921/200806 Resolução nº 3201001.344 S3C2T1 Fl. 234 5 Para se incluírem aqui, os jogos ou sortidos devem conter, pelo menos, duas juntas de matérias diferentes. Assim, uma bolsa, um envelope, uma caixa, etc., contendo, por exemplo, cinco juntas de cartão não se classifica nesta posição, mas sim na posição 48.23; pelo contrario, se este jogo contiver também uma junta de borracha, ele se classifica na presente posição." Fica claro pelo texto acima que a classificação correta para a mercadoria em questão (juntas de diferentes tipos de material) é na posição 8484. O acórdão Recorrido, asseverando a reclassificação fiscal realizada, afirma: O que se verifica é que o produto importado tratase de um SORTIDO DE JUNTAS, formado por 1 peça de cortiça e 02 peças de borracha, logo, como se observa, o produto em comento se apresenta nas condições indicadas no “grupo B)” da nota acima citada, pois se trata de sortido de juntas compostas de matéria, cortiça aglomerada e outra de borracha, logo, seguem se classificam como “sortido de juntas”. (...) A conclusão é reforçada pela análise da imagem do produto (fls. 48/49) formado por três peças (junta de cortiça e meia lua e colo, ambos de borracha) e do laudo cuja descrição do produto concorda a TARANTO, na sua pugna, as fls. 198: "Em qualquer caso, de que material, cada parte da junta, ou juntas, é feita. 350960 Junta: CORTIÇA COM BORRACHA, COM REFORÇO DE TELA (FIBRAS); Extremidades: BORRACHA; 220410 Junta: CORTIÇA COM BORRACHA; Colo + meia lua: BORRACHA; 550911 Junta do Carter: CORTIÇA COM BORRACHA; Extremidades: BORRACHA. (grifei).” O Recorrente, a seu turno, contesta a reclassificação, por afirmar que as juntas são constituídas de um único material, que seria a cortiça. Em sua defesa, apresenta acórdãos proferidos pela própria DRF de Florianópolis entendendo pela classificação fiscal utilizada pelo contribuinte, em hipóteses nas quais as juntas examinadas eram compostas exclusivamente de cortiça. Ou seja, de um lado temse a Fiscalização afirmando que os produtos eram compostos de cortiça + borracha e, de outro, a Recorrente defendendo que a composição é integralmente de cortiça. Pois bem. A descrição dos itens importados apresentados nas DIs mencionam que se tratam de juntas "Juntas de cortiça aglomerada (aglutinantes a base de borracha)" (fls. 35/37 e 58/60). Vejase que a descrição apresentada pelo contribuinte é convalidada pelo texto da NCM adotada: "4504 Cortiça aglomerada (com ou sem aglutinantes) e suas obras" . Fl. 234DF CARF MF Processo nº 11075.001921/200806 Resolução nº 3201001.344 S3C2T1 Fl. 235 6 Assim, ao que parece, a borracha existente no produto é utilizada como aglutinante, o que não afasta a classificação do item como integralmente formado de cortiça. E, no que diz respeito à descrição dos itens em DI, o próprio acórdão proferido pela DRJ chancela a sua correção ao afastar a multa por descrição incorreta da mercadoria: Conforme se pode inferir, em análise do certificado de origem (fls. 50) entregue conforme as normas previstas na legislação em vigor, o produto importado ali descrito é”JUNTAS DE CORCHO GOMA”, que em uma livre tradução1 para língua portuguesa deve ser entendida como “JUNTAS DE CORTIÇA BORRACHA”, informandose, em tal documento, a sua classificação no código NCM 4504.90.00, Assim, podese concluir que o certificado de origem identifica corretamente as mercadorias como sendo juntas de cortiça e borracha. Logo, devese ter como pressuposto a correta descrição das mercadorias importadas. O acórdão recorrido menciona supostas fotos dos produtos de fls. 48/49 e laudo de fls. 198. Contudo, em cuidados exame dos autos, não se identifica a juntada de quaisquer fotos ou laudos relativos aos produtos. A ausência de tais elementos dificulta sobremaneira o exame do feito, uma vez que não se tem como saber se a "borracha" existente nas juntas constituem mero aglomerante da cortiça tal como consta na descrição das mercadorias ou se se trata da existência de uma peça de borracha distinta de uma peça de cortiça ("formado por 1 peça de cortiça e 02 peças de borracha"), tal como afirma o acórdão da DRJ. Em pesquisa realizada na internet, verificase que os produtos "Junta Tampa de Válvulas" e "Juntas do Carter", que são exatamente os produtos descritos nas DIs, podem ou ser apresentados em peça única, ou em formato de jogo de peças apresentados em sacos ou envelopes, a depender do modelo do veículo em que será utilizada. Logo, também desse modo não há como saber, sem a existência de fotos ou laudos descritivos das mercadorias, se estas são apresentadas de modo único (cortiça com aglomerante de borracha) ou na forma de conjunto (uma peça de cortiça e duas de borracha). Pelo exposto, reputo necessário solicitar à Autoridade Preparadora que junte aos autos cópias relativas ao procedimento de verificação física realizado relativamente às Declarações de Importação n° 08/1235902 4 e 08/12589615, onde constem os elementos técnicos necessários para a correta identificação do produto, notadamente fotos e laudos, tais como mencionados no acórdão proferido pela DRJ. É como voto. Tatiana Josefovicz Belisário Fl. 235DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15521.000080/2009-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 19 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ
Ano-calendário: 2002
Ementa:
INCONSTITUCIONALIDADE.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
IRPJ. LUCRO PRESUMIDO. EMPRESA DE TRABALHO TEMPORÁRIO. BASE DE CÁLCULO.
Nos termos da Lei 6.019/1974 e respectivo regulamento, a empresa de trabalho temporário é a empregadora dos trabalhadores temporários e devedora dos respectivos salários, e não a tomadora.
Desse modo, integra sua receita bruta, para efeitos das contribuições sociais administradas pela Secretaria da Receita Federal, o valor total do preço contratado com a tomadora da mão-de-obra, sem quaisquer abatimentos.
DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO.
Na hipótese de ocorrência de dolo, fraude ou simulação, inicia-se
a contagem do prazo de decadência do direito de a Fazenda Nacional formalizar a exigência tributária no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. APLICABILIDADE.
O fisco, ao constatar que, mesmo após a ciência de consulta formulada pelo próprio contribuinte, a apuração do lucro permanece inalterada, sem que tenha havido qualquer modificação pelo mesmo no cômputo da receita bruta a ser declarada e das diferenças dos tributos e contribuições não recolhidos, além de também ter-se verificado a ocorrência de notas calçadas, perfeita se torna a aplicação da multa qualificada de 150%.
Numero da decisão: 1302-000.741
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: MARCOS RODRIGUES DE MELLO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2002 Ementa: INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. IRPJ. LUCRO PRESUMIDO. EMPRESA DE TRABALHO TEMPORÁRIO. BASE DE CÁLCULO. Nos termos da Lei 6.019/1974 e respectivo regulamento, a empresa de trabalho temporário é a empregadora dos trabalhadores temporários e devedora dos respectivos salários, e não a tomadora. Desse modo, integra sua receita bruta, para efeitos das contribuições sociais administradas pela Secretaria da Receita Federal, o valor total do preço contratado com a tomadora da mãodeobra, sem quaisquer abatimentos. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. Na hipótese de ocorrência de dolo, fraude ou simulação, iniciase a contagem do prazo de decadência do direito de a Fazenda Nacional formalizar a exigência tributária no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. APLICABILIDADE. O fisco, ao constatar que, mesmo após a ciência de consulta formulada pelo próprio contribuinte, a apuração do lucro permanece inalterada, sem que tenha havido qualquer modificação pelo mesmo no cômputo da receita bruta a ser declarada e das diferenças dos tributos e contribuições não recolhidos, além de também terse verificado a ocorrência de notas calçadas, perfeita se torna a aplicação da multa qualificada de 150%. Fl. 1963DF CARF MF Impresso em 23/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 23/03 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 15521.000080/200938 Acórdão n.º 1302000.741 S1C3T2 Fl. 2 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Marcos Rodrigues de Mello relator designado ad hoc e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Rodrigues de Mello, Wilson Fernandes Guimarães, Daniel Salgueiro da Silva, Eduardo de Andrade, Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira e Irineu Bianchi Relatório Fl. 1964DF CARF MF Impresso em 23/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 23/03 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 15521.000080/200938 Acórdão n.º 1302000.741 S1C3T2 Fl. 3 3 Contra a contribuinte interessada foram lavrados os autos de infração de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ (fls. 1.571/1.578) e os decorrentes de Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS (fls. 1.586/1.593), de Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – Cofins (fls. 1.594/1.601) e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL (fls. 1.579/1.585), relativamente a fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2004, formalizando crédito tributário no valor total de R$ 2.061.963,46 (fls. 01), inclusos multa e juros de mora. Transcrevese, a seguir, excerto do Termo de Verificação Fiscal de fls. 1.606/1.617: A partir das informações constantes dos sistemas internos da Receita Federal, foram identificados os contribuintes que efetuaram pagamentos à empresa interessada e que efetuaram retenções de tributos com informação em DIRF; Com base nessas informações, foram os mesmos circularizados e intimados a apresentar cópias das notas fiscais emitidas pela interessada; Em 10/09/2008 foi lavrado o Termo de Continuação de Procedimento Fiscal nº 45/2008 (fls. 1.524), do qual foi dada ciência ao sócio Cícero Ruchid Drummond, filho da sócia gerente Geysa Mara que faleceu em 14/05/2008 (fls. 1.558) e que lhe sucedeu na sociedade MAPEL (interessada), embora informalmente, haja vista não ter havido ainda alteração contratual; A partir dos talonários de notas fiscais da fiscalizada (Anexo I), a fiscalização constatou que a empresa de fato oferecia à tributação apenas uma fração de seu faturamento total, o que confirmou a desconfiança da Divisão de Tributação/DISIT/07, que levou ao encaminhamento do processo de consulta à DRF/CAMPOS; Era a seguinte a lógica da fiscalizada: por se tratar de empresa do ramo de atividade de fornecimento de mãodeobra, efetiva e temporária, regida pela Lei nº 6.019/1974, o valor dos salários dos empregados era reembolsado pela contratante à contratada (MAPEL), valor esse que era acrescido de uma taxa administrativa. Portanto, entendia a fiscalizada que só deveria recolher PIS, COFINS e CSLL sobre o valor da taxa e não sobre os salários reembolsados; A partir das notas fiscais emitidas pela MAPEL, o fisco elaborou um demonstrativo de notas fiscais emitidas e valores a tributar (fls. 1.527/1.544), que reproduz os campos constantes das notas fiscais, trazendo, inclusive, um campo denominado “valor tributável”, significativamente menor do que o valor total da nota fiscal. O referido demonstrativo constituiu o Anexo Único ao Termo de Intimação Fiscal (fls. 1.526), o qual solicitava à fiscalizada a justificativa para as diferenças apuradas pelo fisco em relação à base de cálculo utilizada pelo contribuintes para o cálculo dos tributos e contribuições; Fl. 1965DF CARF MF Impresso em 23/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 23/03 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 15521.000080/200938 Acórdão n.º 1302000.741 S1C3T2 Fl. 4 4 Em 29/06/2009, a empresa fiscalizada protocolizou resposta (fls. 1545/1557), argumentando que não seria devida a incidência de tributação sobre rubricas que não aquelas que lhe remuneravam efetivamente, a saber, a sua taxa de comissão; Argumentara que os gastos por conta de outrem e que deveriam ser recuperados, do ponto de vista contábil, deveriam ser considerados como ativos e não como despesas e ainda aduzira que o reembolso de valores gastos por conta de terceiros não se constitui em aumento patrimonial e, portanto, não pode ser reconhecido como receita, do mesmo modo que o gasto original não pode ser reconhecido como redução patrimonial (despesa) e sim como ativo; Entende o fisco que o valor total contratado com a tomadora da mãodeobra significa o preço do serviço prestado e, como tal, integra a receita bruta da empresa fiscalizada; Ressaltase que não obstante ter o fisco intimado a interessada a justificar as diferenças apuradas relativas à base de cálculo de IRPJ e contribuições, não foram esses valores efetivamente tributados por meio do auto de infração; A partir da receita bruta apurada, realizouse a compensação dos valores retidos desses tributos e contribuições, bem como dos valores desses tributos informados em DCTF como a pagar; Quanto à compensação dos valores retidos, cabe uma informação importante: a escrituração da fiscalizada relativa às suas receitas e retenções sobre elas incidentes mostrouse bastante compatível com a realidade, particularmente com o Livro Razão; O Anexo I, que consiste no demonstrativo de receitas escrituradas de serviços, ilustra que a empresa fiscalizada apesar de ter formulado consulta sobre a possibilidade de ser tributada apenas sobre o valor da taxa administrativa, e mais, de efetivamente ter oferecido à tributação apenas uma pequena fração de suas receitas, sempre esteve ciente de que suas receitas de prestação de serviços englobavam toda a sua receita, inclusive os reembolsos de salários, pois como se pode constatar, sua receita de serviços escriturada no Razão (fls. 399), coincide fielmente com a receita bruta apurada pelo fisco a partir dos valores das notas fiscais, 1ª coluna da tabela do Anexo IV (fls. 1570) do auto de infração; O Anexo III (fls. 1568/1569), também demonstra a compatibilidade da escrituração com os valores retidos pelos clientes da MAPEL e informados em DIRF. Como se pode constatar, os valores informados em DIRF relativos às retenções de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS apresentamse compatíveis com os valores escriturados no Livro Razão. A diferença se dá por conta de contribuintes que eventualmente deixaram de informar a retenção em DIRF, apesar de terem efetuado a mesma. Fl. 1966DF CARF MF Impresso em 23/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 23/03 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 15521.000080/200938 Acórdão n.º 1302000.741 S1C3T2 Fl. 5 5 Importante destacar que tal compatibilidade de valores retidos não se aplica aos valores das retenções de PIS e COFINS informados na DIPJ, como se constata neste mesmo anexo III, os quais não guardam qualquer correlação com a realidade. Por este motivo, os valores compensados a título de PIS, COFINS, além de IRPJ e CSLL foram extraídos a partir das contas do Livro Razão; Entendeu o fisco que as infrações apuradas desencadeariam, em tese, conduta que tipificaria crime contra a ordem tributária, conforme Lei nº 8.137/1990 (artigo 1º e 2º); A empresa fiscalizada ofereceu à tributação valores inferiores às receitas auferidas, tendo a mesma escriturado como receitas o valor total das notas fiscais por ela emitidas, como evidenciado do confronto do Anexo I com o Anexo IV do auto de infração. Dessa forma, a fiscalizada prestou, em tese, declaração falsa, obtendo, inclusive, supressão/redução de tributo; Reforçando tal entendimento, constatouse também a emissão de NOTAS FISCAIS CALÇADAS, conforme descrito na tabela abaixo. Nota fiscal Data Cliente 1326 01/01/2004 BSM ENGENHARIA LTDA. 1332 02/01/2004 MODEC – SERV. PETRÓLEO DO BRASIL LTDA. 1337 05/01/2004 FMC TECHNOLOGIES DO BRASIL LTDA. 1338 09/01/2004 STOLT OFFSHORE LTDA. 1355 26/01/2004 TUBOSCOPE VETCO DO BRASIL EQUIPAMENTOS E SERVIÇOS LTDA. 1364 26/01/2004 SCHLUMBERGER SERVIÇOS DE PETRÓLEO LTDA. 1498 14/04/2004 SCHLUMBERGER SERVIÇOS DE PETRÓLEO LTDA. 1555 14/05/2004 SCHLUMBERGER SERVIÇOS DE PETRÓLEO LTDA. 1675 14/07/2004 SCHLUMBERGER SERVIÇOS DE PETRÓLEO LTDA. 1737 16/08/2004 SCHLUMBERGER SERVIÇOS DE PETRÓLEO LTDA. 1865 14/10/2004 SCHLUMBERGER SERVIÇOS DE Fl. 1967DF CARF MF Impresso em 23/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 23/03 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 15521.000080/200938 Acórdão n.º 1302000.741 S1C3T2 Fl. 6 6 PETRÓLEO LTDA. 1918 17/11/2004 SCHLUMBERGER SERVIÇOS DE PETRÓLEO LTDA. Em face da ocorrência, em tese, de crime, o marco inicial da decadência tributária é deslocado do artigo 150, § 4º para o inciso I do artigo 173 do CTN, ou seja, para o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Dessa forma, tornase possível o lançamento dos tributos devidos no primeiro trimestre do anocalendário de 2004 que deslocado para a regra do art. 173, I tem como marco inicial o primeiro dia de 2005, sendo o prazo fatal o dia 31/12/2009. Devidamente cientificada em 03/07/2009, a interessada apresentou, em 03/08/2009, impugnação (fls. 1621/1637), alegando, em síntese, o que se segue: a) Quanto à sucessão da sócia da empresa, Sra. Geysa, já falecida, esta não ocorrera, já que seu filho, Sr. Cícero não é sócio da empresa e sim empregado; b) A decadência, por operarse através do artigo 150, § 4º do CTN, já que o lançamento que se discute tem a natureza homologatória, já haveria ocorrido para os fatos geradores ocorridos no período entre 01/01/2004 e 03/07/2004, já que a ciência da interessada ocorrera apenas em 03/07/2009; c) No que toca ao mérito da autuação, possui a empresa por atribuição o pagamento de verbas remuneratórias dos trabalhadores (salários, 13º salários, férias e outros), de responsabilidade de terceirosclientes, recebendo pela gestão destes pagamentos um preço administrativo (ou comissão), incidente sobre o “quantum” remunerado à mãode obra contratada; d) Assim, o valor efetivamente percebido, a título de preço administrativo (honorários, comissão, ou outra denominação) é o que foi considerado pela empresa contribuinte como base de cálculo para o IRPJ, CSLL, PIS e COFINS; e) A contribuinte presta serviços de fornecimento de mãodeobra temporária, que consiste em colocar à disposição de outras empresas, temporariamente, trabalhadores, devidamente qualificados e assistidos, tudo em conformidade com a Lei nº 6.019/1974; f) Os valores gastos por conta de outrem e que devam ser recuperados são considerados como ativos e não Fl. 1968DF CARF MF Impresso em 23/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 23/03 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 15521.000080/200938 Acórdão n.º 1302000.741 S1C3T2 Fl. 7 7 devem ser reconhecidos como despesa, a menos que sua perda possa ser considerada provável; g) Isso é o mais natural, pois se uma empresa efetua gastos com serviços de contabilidade, departamento jurídico, recursos humanos e administrativos gerais, que irão beneficiar terceiros – ainda que outros do mesmo grupo econômico , nada mais correto do que reconhecer tais gastos como “contas a receber” e nunca como despesas; h) A contribuinte é mera intermediária entre a contratante e o contratado (empregado locado na contratante), que, como dito, recebe apenas uma taxa de administração pelos serviços de intermediação; i) Nos casos em que ocorrem, tão somente, o reembolso dos gastos incorridos, sem qualquer margem adicional, há que se reconhecer que não estará havendo qualquer acréscimo patrimonial que deva ser tributado; j) O reembolso de valores gastos por conta de terceiros não se constitui em aumento patrimonial e, portanto, não pode ser reconhecido como receita, do mesmo modo que o gasto original não pode ser reconhecido como redução patrimonial (despesa) e sim como ativo; k) Somente podem ser considerados como receitas os ingressos de recursos que resultem de transações próprias, sendo absolutamente equivocado que se incluam dentre as receitas quaisquer importâncias recebidas em nome de terceiros, conforme o pronunciamento nº 14 do IBRACON; l) A matéria em questão guarda estreita relação com o Princípio da Capacidade Contributiva e da Proporcionalidade, bem como da vedação ao confisco; m) Entende, portanto, que o total das entradas de valores não podem ser contabilizadas, tão somente, como receita, pois devese levar em conta os valores pagos por seus clientes, neles incluídas as remunerações dos trabalhos subcontratados; n) Devese a exação recair sobre os valores correspondentes ao percentual fixado e recebido pela empresacontribuinte a título de taxa de Fl. 1969DF CARF MF Impresso em 23/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 23/03 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 15521.000080/200938 Acórdão n.º 1302000.741 S1C3T2 Fl. 8 8 administração pelos serviços prestados à empresa contratada; A DRJ decidiu: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 PESSOA JURÍDICA. FALECIMENTO DO SÓCIO GERENTE. CONTINUIDADE DA EMPRESA. POSSIBILIDADE. O falecimento ou a interdição de sócio não é causa determinante da nulidade do lançamento. Se a empresa não estivesse funcionando, por falta de administrador, seria o caso de se requerer que o juiz nomeasse administrador provisório, hipótese em que caberia a este impugnar o lançamento. Contudo, tal providência sequer se torna necessária quando a empresa prossegue com sua administração, através da sua outra sócia, que também consta formalmente do contrato social. IRPJ. LUCRO PRESUMIDO. EMPRESA DE TRABALHO TEMPORÁRIO. BASE DE CÁLCULO. Nos termos da Lei 6.019/1974 e respectivo regulamento, a empresa de trabalho temporário é a empregadora dos trabalhadores temporários e devedora dos respectivos salários, e não a tomadora. Desse modo, integra sua receita bruta, para efeitos das contribuições sociais administradas pela Secretaria da Receita Federal, o valor total do preço contratado com a tomadora da mãodeobra, sem quaisquer abatimentos. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE/ILEGALIDADE EM SEDE ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. À autoridade administrativa falece competência para apreciar a inconstitucionalidade/ilegalidade da norma, cujo comando legal encontrase plenamente em vigor. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. Na hipótese de ocorrência de dolo, fraude ou simulação, iniciase a contagem do prazo de decadência do direito de a Fazenda Nacional formalizar a exigência tributária no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Mesmo para aquelas contribuições que possuem apuração mensal, incorrendo a hipótese de contagem do prazo decadencial conforme o artigo 173, inciso I do CTN, não há que se falar em decadência, quando o marco inicial é o primeiro dia do exercício seguinte, contandose, a partir daí, cinco anos para a constituição do respectivo crédito tributário. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. APLICABILIDADE. Fl. 1970DF CARF MF Impresso em 23/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 23/03 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 15521.000080/200938 Acórdão n.º 1302000.741 S1C3T2 Fl. 9 9 O fisco, ao constatar que, mesmo após a ciência de consulta formulada pelo próprio contribuinte, a apuração do lucro permanece inalterada, sem que tenha havido qualquer modificação pelo mesmo no cômputo da receita bruta a ser declarada e das diferenças dos tributos e contribuições não recolhidos, além de também terse verificado a ocorrência de notas calçadas, perfeita se torna a aplicação da multa qualificada de 150%. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2004 LANÇAMENTO REFLEXO. Aplicase aos lançamentos reflexos o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz, em razão da relação de causa e de efeito que os vincula. A recorrente tomou ciência do acórdão em 09/12/2009 e apresentou recurso em 07/01/2009. Em seu recurso reitera os argumentos da impugnação e, especialmente: que teria ocorrido decadência, pois a ciência do lançamento se deu em 03/07/2009, estando decaídos os lançamentos em relação aos fatos geradores ocorridos at 03/07/2004; no mérito, a empresa exerce atividades de fornecimento de mão de obra temporária, ou seja, é mera intermediaria entre seu clientecontratante e o trabalhador; recebendo um preço administrativo incidente sobre o quantum remunerado à mão de obra contratada; que não caberia a multa de ofício, pela violação de princípios constitucionais Voto Fl. 1971DF CARF MF Impresso em 23/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 23/03 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 15521.000080/200938 Acórdão n.º 1302000.741 S1C3T2 Fl. 10 10 O recurso é tempestivo e deve ser conhecido. Não tenho reparo a fazer ao decidido em 1ª instância. Em primeiro lugar analiso a alegação de decadência. Como bem descrito no acórdão recorrido, em caso de demonstração da ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial não é regido pelo art. 150 do CTN, mas sim pelo art. 173, I, que estabelece que a contagem do prazo decadencial se inicia no 1º dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ser efetivado. Como o lançamento se refere a fatos geradores ocorrido em 2004, o início do prazo se dá em 01/01/2005 e o prazo para o lançamento se extingue em 31/12/2009. Tendo sido a ciência do lançamento em 03/07/2009, não há de se falar em decadência. Quanto à ocorrência de dolo, também ensejadora da qualificação da multa de ofício para 150%, entendo que está cristalina não somente no fato da recorrente submeter à tributação apenas parcela de suas receitas, mas, em especial, por ter a fiscalização demonstrado a utilização de notas calçadas pela recorrente, conforme se pode verificar no trecho abaixo do acórdão recorrido: Quanto à multa de ofício qualificada de 150%, a interessada nada trouxe para contrapôla. Também, entendo que nem teria como, já que mesmo diante da consulta formulada por ela própria em 24/03/2004 (fls. 06), onde, mesmo ciente de que estaria incorrendo em erro, ao computar as receitas apenas pela taxa de agenciamento, continuou a proceder da mesma forma, fechando os olhos para as orientações recebidas pelo órgão consultor da administração, além de ter sido constatado que foram escrituradas a menor as notas fiscais, cuja correspondência, através da circularização realizada pelo fisco, verificouse inexistir, conforme tabela abaixo, não há como deixar de acatar o entendimento fiscal, devendo ser mantida, in casu, a qualificação da multa de ofício então efetuada nos autos de infração em apreço. Fl. 1972DF CARF MF Impresso em 23/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 23/03 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 15521.000080/200938 Acórdão n.º 1302000.741 S1C3T2 Fl. 11 11 Ora, se já ficava evidente o dolo no fato da recorrente, após ter sido informada pelo órgão competente que teria declarar o total de suas receitas, ainda assim manteve o comportamento contrário a legislação de regência, a utilização de notas calçadas evidencia o comportamento antijurídico da recorrente e não deixa qualquer dúvida de que este comportamento não decorre de erro escusável, mas da vontade consciente de atingir o resultado de sonegar tributos. Portanto, sendo correta a aplicação da multa qualificada, não resta dúvida de que o prazo decadencial será regido pelo art. 173, I do CTN, não tendo ocorrido decadência no caso dos autos. Quanto ao mérito, não assiste melhor sorte à recorrente. Acompanho, neste ponto o decidido em 1ª instância: No tocante à alegação de que os valores gastos por conta de outrem e que devam ser recuperados seriam considerados ativos e não despesas, vale dizer que não há qualquer vínculo contratual entre o trabalhador e a tomadora da mãodeobra. Nota fiscal Data Cliente Valor da 1ª Via (cliente) Valor da 2ª via (talonário) 1326 01/01/2004 BSM ENGENHARIA LTDA. 498,96 98,96 1332 02/01/2004 MODEC – SERV. PETRÓLEO DO BRASIL LTDA. 1.900,00 500,00 1337 05/01/2004 FMC TECHNOLOGIES DO BRASIL LTDA. 3.030,53 330,53 1338 09/01/2004 STOLT OFFSHORE LTDA. 1.688,90 388,90 1355 26/01/2004 TUBOSCOPE VETCO DO BRASIL EQUIPAMENTOS E SERVIÇOS LTDA. 1.000,00 100,00 1364 26/01/2004 SCHLUMBERGER SERVIÇOS DE PETRÓLEO LTDA. 499,00 99,00 1498 14/04/2004 SCHLUMBERGER SERVIÇOS DE PETRÓLEO LTDA. 12.766,13 2.766,13 1555 14/05/2004 SCHLUMBERGER SERVIÇOS DE PETRÓLEO LTDA. 13.278,24 3.278,24 1675 14/07/2004 SCHLUMBERGER SERVIÇOS DE PETRÓLEO LTDA. 15.022,85 1.519,04 1737 16/08/2004 SCHLUMBERGER SERVIÇOS DE PETRÓLEO LTDA. 9.859,66 1.859,66 1865 14/10/2004 SCHLUMBERGER SERVIÇOS DE PETRÓLEO LTDA. 9.436,94 2.436,94 1918 17/11/2004 SCHLUMBERGER SERVIÇOS DE PETRÓLEO LTDA. 9.945,96 2.945,96 Fl. 1973DF CARF MF Impresso em 23/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 23/03 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 15521.000080/200938 Acórdão n.º 1302000.741 S1C3T2 Fl. 12 12 Esta última celebra contrato, não com o trabalhador, mas com a empresa de trabalho temporário. Isto encontrase estabelecido na lei regencial que especialmente regula tal matéria. Além disso, ressaltase mais uma vez que a empresa de trabalho temporário não é uma mera agência de empregos ou intermediadora de um contrato de trabalho entre terceiros. É ela verdadeira empregadora e deve possuir capacidade econômica para suportar os encargos salariais decorrentes. Desse modo, os salários têm como devedora a empresa interessada e não a tomadora, sendo certo que a interessada é quem deve comprovar, junto às autoridades administrativas, o cumprimento dos encargos trabalhistas e previdenciários em relação aos trabalhadores temporários, tal qual exposto no diploma legal já citado (Decreto nº 73.841/1974). Neste sentido, para que não haja qualquer dúvida acerca das receitas que deveriam ter sido computadas pela interessada na apuração do lucro presumido para o anocalendário de 2004, o valor dos salários também compõe o preço do serviço prestado, assim como o custo de uma mercadoria é parcela significativa do preço de venda. O que a interessada pleiteia é justamente considerar como receita própria determinada parte que consiste em custo, com o que não se pode concordar, diante de toda a legislação aqui trazida e que traceja de modo acentuado todo o procedimento que envolve este tipo de negócio, razão pela qual correto se encontra o Fisco ao exigir as diferenças apuradas a título de receitas auferidas e não oferecidas à tributação, conforme o disposto na peça fiscal. Ora, nas empresas tributadas pelo lucro presumido,não há a possibilidade de excluir das receitas os valores de suas despesas para depois aplicar o percentual de presunção. Isso somente seria possível no caso da empresa ser optante do lucro real, o que não é o caso dos autos. Quanto às alegações de inconstitucionalidade, aplico a súmula CARF abaixo transcrita: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Diante de todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. Fl. 1974DF CARF MF Impresso em 23/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 23/03 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 15521.000080/200938 Acórdão n.º 1302000.741 S1C3T2 Fl. 13 13 Fl. 1975DF CARF MF Impresso em 23/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 23/03 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO
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Numero do processo: 15578.000142/2010-90
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
NÃO CUMULATIVIDADE. DIREITO DE CREDITAMENTO. INSUMOS. CORRETAGEM
Na sistemática de apuração não cumulativa da Cofins, a possibilidade de creditamento, na modalidade aquisição de insumos, deve ser apurada tendo em conta o produto destinado à venda ou o serviço prestado ao público externo pela pessoa jurídica. No caso, os gastos com corretagem referem-se à operação essencial para a atividade realizada, de revenda de café de diversas variedades e procedências.
Numero da decisão: 9303-007.291
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencido o conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire (relator), que lhe deu provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Declarou-se impedido de participar do julgamento o conselheiro Demes Brito, substituído pela conselheira Semíramis de Oliveira Duno.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício.
(Assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Relator.
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Redator designado.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Semiramis de Oliveira Duro (suplente convocada) e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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DIREITO DE CREDITAMENTO. INSUMOS. CORRETAGEM Na sistemática de apuração não cumulativa da Cofins, a possibilidade de creditamento, na modalidade aquisição de insumos, deve ser apurada tendo em conta o produto destinado à venda ou o serviço prestado ao público externo pela pessoa jurídica. No caso, os gastos com corretagem referemse à operação essencial para a atividade realizada, de revenda de café de diversas variedades e procedências. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencido o conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire (relator), que lhe deu provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Declarouse impedido de participar do julgamento o conselheiro Demes Brito, substituído pela conselheira Semíramis de Oliveira Duno. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício. (Assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 57 8. 00 01 42 /2 01 0- 90 Fl. 18081DF CARF MF 2 (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Redator designado. Participaram do presente julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Semiramis de Oliveira Duro (suplente convocada) e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). Relatório Tratase de recurso especial da Fazenda Nacional (fls. 17851/17861), admitido pelo despacho de fls. 17863/17865, e do contribuinte (fls. 17920/17935), o qual teve seu processamento denegado pelo despacho de fls. 18043/18046, contra o Acórdão nº 3301 003.099 (fls. 17830/17849), proferido em 28/09/2016, que deu provimento parcial ao recurso voluntário seguintes termos: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para cancelar as glosas realizadas na aquisição de cooperativas agropecuárias com exceção dos casos em que haja Nota Fiscal com suspensão de PIS e Cofins; para admitir a utilização do crédito presumido para compensação com outros tributos e contribuições e/ou ressarcimento em dinheiro. Por maioria de votos em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para restabelecer o direito ao crédito correspondente ao valor da corretagem de compra, vencidos os Conselheiros Marcelo Costa e Marcelo Giovani; Por unanimidade de votos em negar provimento ao Recurso Voluntário, para manter a glosa dos créditos integrais relativos às aquisições das empresas denominadas "pseudoatacadistas" e nas demais matérias. A Fazenda em seu Especial, pede, em suma, a reforma do recorrido "no ponto em que reconheceu o direito creditório em razão de despesas de corretagem na compra de café em grão pela contribuinte". Em suas contrarrazões (fls. 17877/17892), o sujeito passivo pugna pela improcedência do recurso fazendário. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire Relator Conheço do recurso da Fazenda nos termos em que foi admitido. Fl. 18082DF CARF MF Processo nº 15578.000142/201090 Acórdão n.º 9303007.291 CSRFT3 Fl. 18.082 3 Emerge do relatado que a matéria trazida ao nosso conhecimento cingese à definirmos se despesas de corretagem podem ser consideradas como crédito no âmbito da apuração nãocumulativa de COFINS. Em relação à sistemática de incidência nãocumulativa da Cofins, a legislação estabelece quais custos, despesas ou encargos dão direito à apuração de crédito na aquisição. Esse crédito apurado é descontado do valor dos débitos das contribuições apurados sobre o faturamento mensalmente. Portanto, para fins de determinação da base de cálculo dos créditos passíveis de dedução, devem ser observadas as regras e definições contidas na legislação específica aplicável. Para o deslinde dessa questão, cabe aqui transcrever o art. 3.º, II, da Lei nº 10.833/2003: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Desta forma, observase que há condições impostas para o aproveitamento dos créditos da Cofins gerados por insumos, não podendo o termo “insumo” ser interpretado como todo e qualquer serviço que gera despesa necessária para as atividades da empresa, mas, tãosomente, aqueles serviços que, adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País, sejam efetivamente “aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto” fornecido pelo interessado, ou, se for o caso, “aplicados ou consumidos na prestação do serviço” oferecido pela empresa. Em consequência, podese facilmente concluir que a glosa efetuada pela autoridade fiscal em relação às despesas com corretagem encontrase em consonância com a legislação aplicável. Tais valores, embora representem despesa necessária à empresa, não geram crédito a descontar, uma vez que se aplicam à etapa anterior ao processo produtivo, não se enquadrando, portanto, na definição legal de insumos passíveis de gerar crédito da Cofins. Registrese ainda que como a apropriação desse crédito resulta em redução da contribuição devida, equivalendo a uma renúncia de receita, deve se obedecer ao comando do art. 111 do Código Tributário Nacional (CTN), que obriga à interpretação literal da legislação que trata dessa matéria, sendo vedada a extensão da norma a casos nela não previstos. CONCLUSÃO Em face do exposto, dou provimento ao recurso da Fazenda no sentido que despesas de corretagem não geram direito a creditamento para fins de apuração da COFINS. É como voto. Fl. 18083DF CARF MF 4 (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Voto Vencedor Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Redator designado Com a devida vênia, divirjo do voto do i. relator neste processo. Ainda que, em tese, acompanhe o pensamento do i. relator quanto à impossibilidade de creditamento da Cofins sobre valores pagos a título de comissão de corretagem, para deslinde do caso, entendo ser necessária a análise da verba à luz da atividade específica desempenhada pela recorrida. Assim, considerando a essencialidade da mercadoria ou serviço utilizado no obtenção do produto ou serviço final, chego a distinta conclusão final em relação a ele. Esclareçase que a matéria em litígio é a definição de critérios para identificação de insumos que gerem crédito da não cumulatividade da Cofins. Uma vez conhecido o recurso, cabe ao julgador aplicar o critério jurídico que entender pertinente ao deslinde da questão posta. Tenho entendimento consoante com a legislação do PIS e da Cofins, ao ver os insumos como bens e serviços passíveis de geração de créditos que devem estar diretamente vinculados ao bem vendido. Diferente é o critério consoante a legislação do IRPJ, utilizado por aqueles que pretendem ver a geração de créditos por todos bens serviços necessários à produção, que, apesar de essenciais, somente de forma mediata levam à composição do produto. Busco arrimo para esta inteligência nos critérios explanados na Solução de Divergência COSIT nº 7 de 23/08/20161, da qual se extrai: 24.No outro extremo das conclusões, verificase que não são considerados insumo, para fins de creditamento no regime da não cumulatividade das contribuições, bens e serviços que mantenham relação indireta ou mediata com a produção de bem destinado à venda ou com a prestação de serviço ao público externo, tais como bens e serviços utilizados na produção da matériaprima a ser consumida na industrialização de bem destinado à venda (insumo do insumo), utilizados em atividades intermediárias da pessoa jurídica, como administração, limpeza, vigilância, etc. 25.Certamente, diversos e plausíveis são os motivos que justificam a adoção desse entendimento restritivo acerca do conceito de insumos para fins de creditamento da não cumulatividade das contribuições em tela. 26.Em primeiro lugar, devese destacar que o legislador estabeleceu um rol específico e detalhado de hipóteses de creditamento no âmbito do regime da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins (art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, e art. 15 da 1 http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?visao=anotado&idAto=78047 Fl. 18084DF CARF MF Processo nº 15578.000142/201090 Acórdão n.º 9303007.291 CSRFT3 Fl. 18.083 5 Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004). Esse fato é evidente e mostrase muito significativo se efetuada uma comparação entre o rol específico e detalhado de hipóteses de creditamento estabelecido pela legislação das contribuições e a definição genérica de despesas dedutíveis estabelecida pela legislação do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ) (art. 47 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964). 27.Com base nessa inconteste diferença de técnicas legislativas adotadas nas legislação dos tributos citados acima, resta clara a correspondente diferença de objetivos/pretensões do legislador. Enquanto na legislação do IRPJ se pretendeu permitir a dedutibilidade de todas as despesas necessárias à atividade da empresa, na legislação da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins se pretendeu permitir o creditamento apenas em relação a específicos e determinados dispêndios da pessoa jurídica. 28.Outro fato importante a ser considerado é que a legislação das contribuições, de um lado, estabelece como base de cálculo das contribuições no regime de apuração não cumulativa o valor total das receitas auferidas no mês pelo sujeito passivo tomadas como um todo, independentemente das operações que ocasionaram o ingresso de receitas, salvo exclusões legais (arts. 1º e 2º da Lei nº 10.637, de 2002, e arts. 1º e 2º da Lei nº 10.833, de 2003), e, de outro lado, de maneira oposta, a mesma legislação discrimina especificamente bens, serviços e operações em relação aos quais se permite a apuração de créditos, em preterição à permissão genérica de creditamento em relação a custos e despesas incorridos na atividade econômica do sujeito passivo (art. 3o da Lei no 10.637, de 2002, art. 3o da Lei no 10.833, de 2003, e art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004). 29.Diante disso, resta claro que as hipóteses de creditamento das contribuições devem ser entendidas como taxativas e não devem ser interpretadas de forma a permitir creditamento amplo e irrestrito, pois essa interpretação tornaria absolutamente sem efeito o rol de hipóteses de creditamento estabelecido pela legislação. 30.Demais disso, a permissão ampla e irrestrita de creditamento em relação a todos os gastos necessários às atividades da pessoa jurídica, como se insumos fossem, acabaria por subverter a base de incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins estabelecida constitucionalmente, desvirtuandoa da receita (Constituição Federal, art. 195, caput, inciso I, alínea “b”) para o lucro, o que se mostra absolutamente incompatível com a base de incidência prevista na Constituição Federal. 31.Ainda perquirindo os fundamentos da adoção de entendimento restritivo sobre os insumos que geram crédito na legislação das contribuições, cumpre analisar o rol de hipóteses de creditamento estabelecido pelo art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e pelo art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003. Fl. 18085DF CARF MF 6 32.Conforme se observa, dentre todas as hipóteses de creditamento estabelecidas, apenas duas albergam dispêndios necessária e diretamente atrelados à atividade de produção e prestação de serviços, quais sejam aquisição de insumos e aquisição ou fabricação de bens incorporados ao ativo imobilizado, bem assim apenas duas relativas a dispêndios necessária e diretamente atrelados à revenda de bens, quais sejam a aquisição de bens para revenda e a armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda. 33.Com efeito, insumos e bens do ativo imobilizado são utilizados nas atividades finalísticas da pessoa jurídica e participam direta, específica e inafastavelmente do processo de produção de bens e da prestação de serviços, como também bens para revenda e frete na venda participam igualmente da revenda de bens, e suas influências nos respectivos processos econômicos podem ser imediatamente percebidas. 34.Diferentemente, todas as demais hipóteses de creditamento abrangem dispêndios que, conquanto necessários ao desenvolvimento das atividades da pessoa jurídica, podem relacionarse indiretamente com a atividade de produção de bens e prestação de serviços ou revenda de bens, pois também são utilizados em áreas intermediárias da atividade da pessoa jurídica. Exemplificativamente citamse: energia elétrica e térmica; aluguéis de prédios e máquinas; arrendamento mercantil; depreciação ou aquisição de edificações e de benfeitorias em imóveis; e valetransporte, valerefeição ou vale alimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados. 35.Deveras, tais dispêndios decorrem da utilização pela pessoa jurídica de bens e serviços necessários à manutenção de todo seu funcionamento ou mesmo de sua existência e não especificamente à produção de bens e prestação de serviço ou à revenda de bens. 36.Daí, resta evidente que não se pretendeu abarcar no conceito de insumo todos os dispêndios da pessoa jurídica incorridos no desenvolvimento de suas atividades, mas apenas aqueles direta e imediatamente relacionados com a produção de bens destinados à venda ou a prestação de serviços. 37.Se o termo insumo tivesse sido utilizado em acepção ampliativa, para abarcar todos os gastos necessários ao funcionamento da pessoa jurídica, todas as hipóteses de creditamento estabelecidas no art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e no art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, constituiriam redundância, pleonasmo, letra morta, já que poderiam ser aglomeradas no conceito ampliativo de insumo. 38.Ademais, a adoção desse conceito ampliativo de insumo geraria uma incoerência sistemática decorrente do fato de o inciso II do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e o inciso II do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, concederem créditos apenas em relação aos insumos utilizados nas atividades de produção de bens e de prestação de serviços e não concederem créditos aos insumos utilizados na atividade de revenda de bens. Com efeito, Fl. 18086DF CARF MF Processo nº 15578.000142/201090 Acórdão n.º 9303007.291 CSRFT3 Fl. 18.084 7 se adotado esse conceito ampliativo de insumo, não parece existir qualquer fundamento para excluir as pessoas jurídicas comerciais do direito a apuração desse crédito. 39.Já a interpretação restritiva do conceito de insumo adotada nesta Solução de Divergência tem o condão de explicar o motivo da exclusão da atividade comercial do direito de creditamento em relação à aquisição de insumos feita pelos citados dispositivos. Eis que, considerandose insumos apenas os bens e serviços diretamente relacionados à atividade de produção de bens e de prestação de serviços, no caso da revenda de bens esses insumos são exatamente os bens para revenda, armazenagem e frete na operação de venda, a cuja aquisição a legislação conferiu expressamente direito de creditamento, no inciso I do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e nos incisos I e IX do art. 3º, c/c art. 15, da Lei nº 10.833, de 2003. 40.Destarte, devese reconhecer que o termo insumo consignado no inciso II do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e no inciso II do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de 2003, foi utilizado em sua acepção restritiva, para alcançar apenas bens e serviços direta e imediatamente relacionados com a produção de bens destinados à venda ou com a prestação de serviços a terceiros. (Grifos do original) O tratamento acima justifica a posição abaixo transcrita: 14. Analisandose detalhadamente as regras constantes dos atos transcritos acima e das decisões da RFB acerca da matéria, podese asseverar, em termos mais explícitos, que somente geram direito à apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a aquisição de insumos utilizados ou consumidos na produção de bens que sejam destinados à venda e de serviços prestados a terceiros, e que, para este fim, somente podem ser considerados insumo: a) bens que: a.1) sejam objeto de processos produtivos que culminam diretamente na produção do bem destinado à venda (matéria prima); a.2) sejam fornecidos na prestação de serviços pelo prestador ao tomador do serviço; a.3) que vertam sua utilidade diretamente sobre o bem em produção ou sobre o bem ou pessoa beneficiados pela prestação de serviço (tais como produto intermediário, material de embalagem, material de limpeza, material de pintura, etc); ou a.4) sejam consumidos em máquinas, equipamentos ou veículos que promovem a produção de bem ou a prestação de serviço, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado da pessoa jurídica (tais como combustíveis, moldes, peças de reposição, etc); Fl. 18087DF CARF MF 8 b) serviços que vertem sua utilidade diretamente na produção de bens ou na prestação de serviços, o que geralmente ocorre: b.1) pela aplicação do serviço sobre o bem ou pessoa beneficiados pela prestação de serviço; b.2) pela prestação paralela de serviços que reunidos formam a prestação de serviço final disponibilizada ao público externo (como subcontratação de serviços, etc); c) serviços de manutenção de máquinas, equipamentos ou veículos utilizados diretamente na produção de bens ou na prestação de serviços. (Negritei.) Em resumo, entendo que, para reconhecimento do crédito, são necessárias as seguintes características (cumulativamente): (a) ser gasto necessário ao processo, (b) estar diretamente relacionado ao produto vendido e (c) não ser classificável como ativo imobilizado. A Procuradoria da Fazenda Nacional afirma que a corretagem não integra as atividades de beneficiamento, rebeneficiamento, comercialização interna e exportação de café, sendo ela apenas uma forma de intermediação, concedendo uma comodidade aos agentes econômicos ao facilitar a o fechamento de negócios; não seria essencial à operação, apenas conveniente. Contudo, há que se apreciar a atividade econômica cafeeira dentro de sua própria lógica de mercado. Nesse mercado, o negócio sem a corretagem seria o mesmo que realizar a operação de compra e venda de insumos sem a participação de interveniente responsável pelo frete do insumo até o estabelecimento do comprador: possível, mas economicamente incerta. Se há necessidade de operação eficaz na atividade, a atuação dos corretores passa a ser essencial, sob pena de haver demora ou dificuldades tais que inviabilizem a operação economicamente falando. Observese a atividade da empresa, conforme resposta ao termo de intimação Fiscal nº 001 (efl. 194, item I, 6), oferecida no documento de efls. 205 e 206: A natureza da atividade econômica exercida pela Unicafé Cia de Comércio Exterior é o comércio atacadista de café em grãos cru. A empresa realiza por conta própria e de terceiros as operações descritas no art. 8o, § 6o da Lei 10.925/04, vejamos o mencionado dispositivo legal: Art. 8º (...) § 6° Para os efeitos do caput deste artigo, considera se produção, em relação aos produtos classificados no código 09.01 da NCM, o exercício cumulativo das atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor fblendt ou separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial (sublinhas do original) Por fim, completando a resposta de forma mais abrangente e detalhada a empresa executa diversas operações da seguinte Fl. 18088DF CARF MF Processo nº 15578.000142/201090 Acórdão n.º 9303007.291 CSRFT3 Fl. 18.085 9 forma: A Unicafé adquire cafés de diversos tipos e de variados fornecedores, pessoas físicas e jurídicas. Ao ingressar esses produtos em suas dependências, acondicionados em sacas ou Big Bags, o café é pesado. As sacas são furadas para retirada de amostras dos lotes/pilhas. As amostras são numeradas. Em ato subseqüente seguem para o escritório para prova e identificação de tipo, bebida e conferência da mercadoria comprada. Depois o café é submetido a um processo de rebenefiamento para retirada de impurezas e grãos com defeitos. Posteriormente o café é separado por peneiras e tipos o que permite a seleção dos grãos por tamanho. Em ato contínuo, os levados para ventilação, aqui ocorre a separação dos cafés mais leves chamados escolhas (brocados, malgranados e conchas). Por último, cada tipo de café é separado por cor, realizada por processamento eletrônico, por meio de células fotoelétricas, retirada dos grãos verdes, pretos, dentre outros, permitindo a retirada dos grãos verdes, pretos, dentre outros. (Negritei.) Penso que a busca de diversos tipos de cafés entre produtores, pessoas físicas, jurídicas e cooperativas, poderia ser realizada pela empresa, assim como a realização do frete do café até seu estabelecimento, mas, pelo próprio histórico da atividade de exportação de café nunca o é. Esse mercado se estabeleceu com base na atuação dos corretores que são conhecedores das distintas espécies de grãos e de quem são os produtores destes. Esse tipo de atuação é essencial à atividade da contribuinte. Caso não houvesse a participação desses corretores a própria empresa teria que obter pessoal especializado para essa atividade e, em se tratando de operação de revenda, os custos correspondentes teriam a mesma natureza do frete nesse tipo de operação, conforme inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833 de 29/12/2003. Ou seja, a identificação dos fornecedores de cada tipo de grão, associado às características físicas destes, tais como aroma e sabor são essenciais a formação dos lotes de venda e mesmo dos blends destinados ao beneficiamento e à revenda. A atividade do corretor na busca do produto com as características necessárias ao produto a ser adquirido para revenda é análoga a do corretor de imóveis que sabe as características do imóvel que seu cliente busca e sabe onde se encontram esses produtos. Prosseguindo essa analogia, não admitir que se deduza a despesa de corretagem na apuração do ganho de capital quando da venda do imóvel com sua participação, sob a alegação de que essa venda poderia ser realizada sem qualquer intermediário, não afasta a essencialidade da atividade para o bom resultado do negócio. Entendase aqui "bom resultado", como encontrar a mercadoria na qualidade e no tempo adequado à realização dos negócios. Dessarte, voto pelo desprovimento do recurso especial de divergência da Procuradoria da Fazenda Nacional para que se mantenha o acórdão recorrido. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 18089DF CARF MF 10 Fl. 18090DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.726655/2016-48
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2012
AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA. SUPRESSÃO DA MATÉRIA.
A falta de apresentação de alegações específicas dos termos da decisão, acórdão de impugnação, não enseja a apreciação das razões recursais, ficando excluída a matéria do litígio.
PENSÃO ALIMENTÍCIA. FUNDAMENTOS DA RECUSA. COMPROVAÇÃO.
Com apresentação de documentos comprovando a incapacidade ao trabalho e ao sustento das irmãs, fundamento da recusa, fica restabelecida a dedução de pensão alimentícia.
Numero da decisão: 2001-000.652
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente e Relator
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: JORGE HENRIQUE BACKES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2012 AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA. SUPRESSÃO DA MATÉRIA. A falta de apresentação de alegações específicas dos termos da decisão, acórdão de impugnação, não enseja a apreciação das razões recursais, ficando excluída a matéria do litígio. PENSÃO ALIMENTÍCIA. FUNDAMENTOS DA RECUSA. COMPROVAÇÃO. Com apresentação de documentos comprovando a incapacidade ao trabalho e ao sustento das irmãs, fundamento da recusa, fica restabelecida a dedução de pensão alimentícia.
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SUPRESSÃO DA MATÉRIA. A falta de apresentação de alegações específicas dos termos da decisão, acórdão de impugnação, não enseja a apreciação das razões recursais, ficando excluída a matéria do litígio. PENSÃO ALIMENTÍCIA. FUNDAMENTOS DA RECUSA. COMPROVAÇÃO. Com apresentação de documentos comprovando a incapacidade ao trabalho e ao sustento das irmãs, fundamento da recusa, fica restabelecida a dedução de pensão alimentícia. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente e Relator Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 66 55 /2 01 6- 48 Fl. 91DF CARF MF 2 Relatório Trata o presente processo sobre exigência de Imposto de Renda da Pessoa Física – IRPF, pensão alimentícia, mediante notificação de lançamento. O Recurso Voluntário foi apresentado pelo relator para a Turma, assim como os documentos do lançamento, da impugnação e do acórdão de impugnação, e demais documentos que embasaram o voto do relator. Nem todos destaques não constam desse relatório, pois estão disponíveis no processo. A infração foi assim descrita no acórdão de impugnação: De acordo com a descrição dos fatos e enquadramento legal foi apurada a seguinte infração: Dedução Indevida de Pensão Judicial e/ou por Escritura Pública, no valor de R$ 48.216,92, em que para a fiscalização, conforme documentação apresentada, tratase de ACORDO DE OFERTA DE ALIMENTOS. A autoridade fiscal observou que o percentual dos vencimentos repassados diretamente aos Alimentandos, voluntariamente, a título de oferta de alimentos, não são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda, nos termos da legislação tributária. O acórdão de impugnação assim dispôs: Os artigos 1.696 e 1.698 do Código Civil prescrevem, com clareza meridiana, que o direito à prestação de alimentos é recíproco entre pais e filhos, e extensivo a todos os ascendentes, recaindo a obrigação nos mais próximos em grau, uns em falta de outros, somente se o parente, que deve alimentos em primeiro lugar, não estiver em condições de suportar totalmente o encargo, serão chamados a concorrer os de grau imediato; sendo várias as pessoas obrigadas a prestar alimentos, todas devem concorrer na proporção dos respectivos recursos, e, intentada ação contra uma delas, poderão as demais ser chamadas a integrar a lide. Para que eventuais repasses financeiros às irmãs Vera e Zulmira pudessem ser classificados como pensão alimentícia para fins de dedução do imposto de renda, necessário seria que ficasse comprovada, além da falta de condições de serem providas pelos genitores ou eventuais descendentes, nos termos do artigo 1.697 do Código Civil, a incapacidade para o trabalho, conforme prescrito no artigo 1.695 do Código Civil. Cumpre enfatizar que o ônus da prova para a dedução de pensão alimentícia é da contribuinte e, como no presente caso, a mesma não trouxe aos autos documentos que comprovassem a incapacidade para o trabalho de suas irmãs, os repasses financeiros devem ser considerados, conseqüentemente, como mera liberalidade. Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10166.726655/201648 Acórdão n.º 2001000.652 S2C0T1 Fl. 3 3 O recurso voluntário traz documentos em relação as duas irmãs que sustenta. Vera Ignes apresenta nefropatia com síndrome nefrótica, com perda de visão total, olho direito, e 2% de visão no olho esquerdo. Incapaz ao trabalho desde 1999. Documento fl. 79. Zulmira Alexandrina é idosa dependente de acompanhamento para AVD (atividades de vida diária) sob acompanhamento médico com visitas domiciliares, e está restrita ao leito, fl . 82. Voto Conselheiro Jorge Henrique Backes, Relator Verificada a tempestividade do recurso voluntário, dele conheço e passo à sua análise. Tratase de discussão sobre pensão alimentícia, nessa matéria só foi objeto do recurso a dedução da pensão às irmãs. Outras matérias não foram recorridas ou já declaradas matéria não impugnada. A legislação do imposto de renda, em especial o Regulamento do Imposto de Renda (Dec. nº 3.000/99, Artigos 77 e 78) e a Lei nº 9.250/95, Art. 4º, inciso II, determina que o direito às deduções realizadas diretamente na base de cálculo deste imposto está condicionado a requisitos e limitações expressamente previstos e nas formas previstas. Assim, a mencionada legislação permite a dedução de pensão alimentícia judicial da base de cálculo do IRPF, conforme abaixo: Art.78. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida a importância paga a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais (Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso II). De acordo com o artigo supramencionado, o direito à dedução de valores pagos a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família está condicionado à comprovação de dois requisitos: 1) existência de decisão judicial, acordo homologado judicialmente ou escritura pública que obrigue o recorrente a prover alimentos; e 2) ocorrência do efetivo pagamento. A pensão alimentícia é um instituto jurídico do direito privado no qual necessariamente participa a autoridade judicial, seja em processo litigioso ou por sentença homologatória de acordo entre os interessados. As ajudas financeiras em geral originadas da solidariedade entre as pessoas, ainda que entre parentes e amigos, em pese o elevado e louvável grau de altruísmo, não se caracterizam como pensão alimentícia quando lhes faltam a intervenção judicial. Somente nesses casos se pode falar em liberalidade, o que não é o caso aqui sob exame. Melhor dizendo, não existe pensão alimentícia por liberalidade. Ou é pensão alimentícia ou é liberalidade. Valores pagos nos limites da sentença judicial proferida na ação própria de alimentos nunca será uma liberalidade. Da mesma forma que qualquer ajuda financeira que não seja em ação de alimentos nunca será uma pensão alimentícia. Fl. 93DF CARF MF 4 A prestação de alimentos é disciplina em nosso Código Civil: Art. 1.696. O direito à prestação de alimentos é recíproco entre pais e filhos, e extensivo a todos os ascendentes, recaindo a obrigação nos mais próximos em grau, uns em falta de outros. ... Art. 1.706. Os alimentos provisionais serão fixados pelo juiz, nos termos da lei processual. Uma vez que reconhecidos como pensão alimentícia pela autoridade judiciária, os valores comprovadamente pagos ao alimentando estão sujeitos à dedução legal, sendo vedada a alteração da definição para fins de se atribuir competência tributária, conforme dispõe o artigo 110 do CTN: Art. 110. A lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias. Repetimos o fundamento para a recusa apresentado pelo acórdão de impugnação: Para que eventuais repasses financeiros às irmãs Vera e Zulmira pudessem ser classificados como pensão alimentícia para fins de dedução do imposto de renda, necessário seria que ficasse comprovada, além da falta de condições de serem providas pelos genitores ou eventuais descendentes, nos termos do artigo 1.697 do Código Civil, a incapacidade para o trabalho, conforme prescrito no artigo 1.695 do Código Civil. A contribuite apresentou as provas dessa situação: Vera Ignes apresenta nefropatia com síndrome nefrótica, com perda de visão total, olho direito, e 2% de visão no olho esquerdo. Incapaz ao trabalho desde 1999, documento fl. 79. Zulmira Alexandrina é idosa, dependente de acompanhamento para AVD (atividades de vida diária), sob acompanhamento médico com visitas domiciliares, e está restrita ao leito, fl . 82. Assim, entendo que assiste razão ao recorrente e deve ser mantida a dedução de pensão alimentícia de R$ 21.216,92 e R$ 9.000,00, referente às irmãs Maria Inês e Zulmira. Não foram apresentadas razões sobre a glosa da dedução da pensão dos filhos. A falta de apresentação de alegações específicas dos termos da decisão, não enseja a apreciação das razões recursais, ficando excluída a matéria do litígio. Conclusão Em razão do exposto, voto por excluir do litígio a glosa da pensão dos filhos, matéria não recorrida, e dar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Relator Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10166.726655/201648 Acórdão n.º 2001000.652 S2C0T1 Fl. 4 5 Fl. 95DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13605.000388/2007-66
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
IRPF. DEDUÇÕES DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS EM NOME DE TERCEIROS. AUSÊNCIA DE LAUDOS, FICHAS E EXAMES MÉDICOS. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
As quantias pagas decorrentes de despesas médicas são dedutíveis, desde que obedecidos os requisitos e limites legais. Recibos médicos em nome de terceiros, a ausência de laudos, do endereço do prestador de serviços. Não comprovação da efetiva prestação de serviços em benefício do contribuinte ou de seus dependentes.
Numero da decisão: 2202-004.474
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso, para excluir do lançamento os valores relativos aos pagamentos ao PASA - Plano de Assistência a Saúde do Aposentado, vencidos os conselheiros Júnia Roberta Gouveia Sampaio (relatora), Martin da Silva Gesto e Dilson Jatahy Fonseca Neto, que lhe deram provimento integral. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Waltir de Carvalho.
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Junia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora
(Assinado digitalmente)
Waltir de Carvalho - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Reginaldo Paixão Emos e Ronnie Soares Anderson. Ausente, justificadamente, a Conselheira Rosy Adriane Silva Dias. Ausente, justificadamente, a Conselheira Rosy Adriane Silva Dias.
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2003 IRPF. DEDUÇÕES DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS EM NOME DE TERCEIROS. AUSÊNCIA DE LAUDOS, FICHAS E EXAMES MÉDICOS. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. As quantias pagas decorrentes de despesas médicas são dedutíveis, desde que obedecidos os requisitos e limites legais. Recibos médicos em nome de terceiros, a ausência de laudos, do endereço do prestador de serviços. Não comprovação da efetiva prestação de serviços em benefício do contribuinte ou de seus dependentes.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1680; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 74 1 73 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13605.000388/200766 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202004.474 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 05 de junho de 2018 Matéria IRPF DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS Recorrente ANTÔNIO CARLOS RIBEIRO MOREIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 IRPF. DEDUÇÕES DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS EM NOME DE TERCEIROS. AUSÊNCIA DE LAUDOS, FICHAS E EXAMES MÉDICOS. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. As quantias pagas decorrentes de despesas médicas são dedutíveis, desde que obedecidos os requisitos e limites legais. Recibos médicos em nome de terceiros, a ausência de laudos, do endereço do prestador de serviços. Não comprovação da efetiva prestação de serviços em benefício do contribuinte ou de seus dependentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso, para excluir do lançamento os valores relativos aos pagamentos ao PASA Plano de Assistência a Saúde do Aposentado, vencidos os conselheiros Júnia Roberta Gouveia Sampaio (relatora), Martin da Silva Gesto e Dilson Jatahy Fonseca Neto, que lhe deram provimento integral. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Waltir de Carvalho. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente. (Assinado digitalmente) Junia Roberta Gouveia Sampaio Relatora (Assinado digitalmente) Waltir de Carvalho Redator designado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 5. 00 03 88 /2 00 7- 66 Fl. 74DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Reginaldo Paixão Emos e Ronnie Soares Anderson. Ausente, justificadamente, a Conselheira Rosy Adriane Silva Dias. Ausente, justificadamente, a Conselheira Rosy Adriane Silva Dias. Relatório Tratase de lançamento decorrente de procedimento de revisão interna da Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física DIRPF, referente ao exercício de 2003, ano calendário 2002, tendo em vista a dedução indevida de despesas médicas. De acordo com a descrição dos fatos e enquadramento legal (fls. 07) a autoridade fiscal, entendeu por bem glosar as seguintes despesas médicas: "O contribuinte intimado apresentou documentação visando comprovar despesas médicas declaradas. Da análise dos documentos apresentados a fiscalização vislumbrou a necessidade de comprovação do efetivo pagamento aos profissionais Fabiana de Alvarenga e Flavia Duarte Corrêa. Para tanto, intimou o contribuinte, em 13/10/2006, a apresentar os comprovantes dos efetivos pagamentos. (...) Em resposta à intimação, o contribuinte entregou extratos bancários do período de janeiro à dezembro de 2002. Da análise destes documentos, verificase que a movimentação financeira do contribuinte não continha cheques que justificassem os pagamentos efetuados, haja vista se tratar de valores elevados. Por outro lado, efetua saques com cartão no valor de R$ 1.000,00 cada, no início e final do mês, e também saques com os valores baixos neste intervalo. Os recibos apresentados são totos com datas próximas do final de mês e nenhum coincidente com os saques apresentados. Os saques jusitificam apenas os pagamentos à psicóloga Flávia Duarte Correa, razão pela qual procedemos a glosa das despesas coma a outra psicóloga Fabiana de Alvarenga Ferrari no valor de R$ 9.360,00 por falta de comprovação de pagamento. Procedemos ainda a glosa de R$ 1.218,94 referente a parcela não dedutível do PASA Plano de Assistência a Saúde. O contribuinte apresentou impugnação, alegando, em síntese (fls. 03): Fl. 75DF CARF MF Processo nº 13605.000388/200766 Acórdão n.º 2202004.474 S2C2T2 Fl. 75 3 a) que apresentou à fiscalização “extrato bancário (Banco do Brasil S/A), referente ao ano base 2002, exercício 2003, que após analisados foram glosados os pagamentos realizados em moeda corrente à psicóloga. Fabiana de Alvarenga Ferrari”. b) Que após analise dos extratos, fez feito fluxo de caixa referente aos saques realizados durante o ano. Que referido fluxo de caixa comprovaria o saldo e retiradas para o adimplemento das despesas. Os pagamentos endereçados aos psicólogos seriam realizados em espécie, imediatamente após as sessões de atendimento. c) Que não apenas as despesas médicas, mas grande parte do dispêndio necessário à manutenção residencial e familiar era feita com pagamentos em espécie, sendo que os poucos cheques emitidos pelo Recorrente seriam destinados a compras parceladas. d) Em relação ao PASA, alega que teria ocorrido erro por parte da fiscalização tributária, uma vez o valor não foi lançado como despesa dedutível; e) Juntou documentação a fim de corroborar/fundamentar suas alegações, sendo ela composta por: fluxo de caixa (fls. 04/05); Auto de Infração (fls. 06/07). A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) negou provimento à Impugnação (fls. 31), em decisão cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 DESPESAS MÉDICAS. GLOSAS DE DEDUÇÕES Havendo questionamento da Autoridade Fiscal, somente serão restabelecidas as deduções das despesas médicas quando comprovada a efetiva prestação dos serviços e a vinculação do pagamento ao serviço prestado. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado, o contribuinte apresentou o Recurso Voluntário (fls. 38/68), no qual requer a juntada, em fase recursal, dos seguintes documentos: a) Fluxo de caixa (fls. 41/42); b) Recibos de despesas médicas (fls. 43/46); c) Comprovante de despesas e não dedutíveis (fls. 47/48); d) Extratos bancários (fls. 49/61); e) Cópia de entrega da declaração de Imposto de Renda (fls. 62/68); É o relatório Voto Vencido Fl. 76DF CARF MF 4 Conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Relatora O recurso preenche os pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. A dedução tributária dos gastos incorridos com despesas médicas é tratada pelo art. 8º da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, in verbis: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...) § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. (grifamos) A decisão recorrida manteve a glosa das despesas médicas efetuadas com base nos seguintes fundamentos: A autoridade lançadora, às fls. 06, na Descrição dos Fatos e Enquadramento legal, informa que o contribuinte foi intimado e apresentou documentação visando comprovar despesas médicas declaradas. Da análise dos documentos apresentados, a fiscalização vislumbrou a necessidade de maior comprovação do efetivo pagamento às profissionais Fabiana de Alvarenga e Flávia Duarte Correa. Para tanto, intimou o contribuinte em Fl. 77DF CARF MF Processo nº 13605.000388/200766 Acórdão n.º 2202004.474 S2C2T2 Fl. 76 5 13/10/2006 a apresentar os comprovantes dos efetivos pagamentos. Em resposta à precitada intimação, o contribuinte entregou extratos bancários do período de janeiro a dezembro de 2002. Da análise destes documentos verificouse que a movimentação financeira não continha cheques que justificassem os pagamentos efetuados, haja vista tratarse de valores elevados. Foram justificados os pagamentos efetuados à psicóloga Flávia Duarte Correa, sendo glosadas as despesas com a outra psicóloga Fabiana de Alvarenga Ferrari no valor de R$9.360,00, por falta de comprovação de pagamento. A fiscalização procedeu ainda a glosa de R$1.218,14, referente a parcela não dedutível do PASA – Plano de Assistência a Saúde, conforme comprovante apresentado. Pelo exposto, constatase os comprovantes trazidos pelo sujeito passivo, relativos à psicóloga Fabiana de Alvarenga Ferrari, quando intimado, foram examinados pela autoridade fiscalizadora que não os considerou aptos a amparar as deduções pleiteadas. Assim, caberia ao sujeito passivo, em face da glosa efetuada, apresentar documentos outros que comprovassem a efetiva prestação de serviço e o efetivo pagamento das despesas médicas. O demonstrativo de fluxo de caixa, apresentado isoladamente, não é suficiente para que sejam restabelecidas as deduções de despesas médicas glosadas pela fiscalização. Ressaltase que o impugnante não carreou aos autos nem mesmo os recibos e os extratos bancários apresentados anteriormente. Importante frisar que à Autoridade Fiscal compete investigar, diligenciar, demonstrar e provar a ocorrência ou não do fato tributário, observando os princípios do devido processo legal, da verdade material, do contraditório e da ampla defesa. Ao sujeito passivo, cabe, por meio de documentos que demonstrem a efetividade do direito alegado, apresentar provas hábeis e suficientes para afastar a imputação da irregularidade apontada. No caso, foi dada ao contribuinte a oportunidade para apresentar os comprovantes das despesas médicas juntamente com a comprovação do efetivo pagamento das mesmas, que não o fez nem antes da autuação, nem ao apresentar a impugnação. Da mesma forma, com relação à glosa referente à parcela não dedutível do Plano de Assistência a Saúde, o contribuinte alega engano do fiscal ao glosar valor que supostamente já teria declarado como parcela não dedutível. Entretanto, não traz aos autos o comprovante de pagamento do plano de saúde que poderia esclarecer se ocorreu o referido engano. Intimado da referida decisão, a Contribuinte, juntou, em fase recursal, os seguintes documentos: Fl. 78DF CARF MF 6 a) Fluxo de caixa (fls. 41/42); b) Recibos (fls. 44/46) c) Comprovante de pagamento ao PASA (fls. 48); d) Extratos do Banco do Brasil (fls. 50/61) e) Copia da declaração de IRPF e recibo de entrega (fls 63/67) O artigo 16 § 4º do Decreto 70.235/72 determina que "a prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Todavia, esse Conselho, em razão do princípio do formalismo moderado, aplicável aos processos administrativos, tem admitido a juntada de provas em fase recursal como se verifica pelas ementas abaixo transcritas: "IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AUTUAÇÃO POR DEDUÇÃO INDEVIDA DE IMPOSTO RETIDO NA FONTE. COMPROVAÇÃO IDÔNEA EM FASE RECURSAL. ADMITIDA EM HOMENAGEM AO PRINCÍPIO DO FORMALISMO MODERADO. Comprovada idoneamente, por demonstrativos de pagamentos de rendimentos, a retenção de imposto na fonte, ainda que em fase recursal, são de se admitir os comprovantes apresentados a destempo, com fundamento no princípio do formalismo moderado, não subsistindo o lançamento quanto aeste aspecto. Recurso provido" (Ac 2802001.637, 2ª Turma Especial, 2ª Seção, Sessão 18/04/2012) "PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. O art. 16 do Decreto n. 70.235/72 deve ser interpretado com temperamento em decorrência dos demais princípios que informam o processo administrativo fiscal, especialmente instrumentalidade das formas e formalismo moderado. O controle da legalidade do ato de lançamento e busca da “verdade material” alçada como princípio pela jurisprudência dessa Corte impõem flexibilidade na interpretação de regras relativas à instrução da causa, tanto no tocante à iniciativa quanto ao momento da produção da prova. Recurso voluntário provido para anular decisão de primeira instância." (Ac 1102 000.859, 1ª Câmara/2ª Turma Ordinária, 1ª Seção, Sessão 09/04/2013) "PEDIDO DE RESTITUIÇÃO / DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRECLUSÃO. APRESENTAÇÃO DE NOVAS PROVAS NO RECURSO VOLUNTÁRIO. POSSIBILIDADE. O art. 16 do Decreto n. 70.235/72, que determina que a prova documental deva ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de se fazêlo em outro momento processual, deve ser interpretado com temperamento em decorrência dos demais princípios que informam o processo administrativo fiscal, tais como o formalismo moderado e a busca da “verdade material”. Fl. 79DF CARF MF Processo nº 13605.000388/200766 Acórdão n.º 2202004.474 S2C2T2 Fl. 77 7 A apresentação de provas após a decisão de primeira instância, no caso, é resultado da marcha natural do processo, pois, não tendo a decisão de piso considerado suficientes os documentos apresentados pelo contribuinte para a comprovação do seu direito creditório, trouxe ele novas provas, em sede de recurso, para reforçar o seu direito". (Ac 1102001.148, 1ª Câmara/2ª Turma Ordinária, 1ª Seção, Sessão 29/04/2014). Tendo em vista a documentação juntada ao recurso voluntário entendo que as despesas médicas encontramse comprovadas. Isso porque, os recibos médico são emitidos no final de cada mês e correspondem aos valores de R$ 720,00 e R$ 900,00. Por outro lado, os extratos bancários comprovam o saque de valores correspondente à R$ 1.000,00 que ocorriam sempre no final do mês. É verdade que tais saques não foram efetuados nas datas exatas dos recibos, mas em datas próximas. Consta como beneficiária dos serviços a sua dependente Maria Glória Gil Moreira (fls. 66). Além disso, a DIRPF juntada aos autos (fls. 66) comprova que o valor pagao ao PASA Plano de Assistência a Saúde do Aposentado de fato não constou como despesas dedutível. Em face do exposto, dou provimento ao Recurso Voluntário. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Voto Vencedor Conselheiro Waltir de Carvalho, Redator Designado. Peço vênia à Ilustre Relatora, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, para dela divergir quanto ao restabelecimento da dedução das despesas médicas relativas à profissional Fabiana de Alvarenga Ferrari, no valor de R$ 9.360,00, pelas razões que passo a expor. No presente caso, a Autoridade Fiscal Autuante julgou ser necessária a comprovação do efetivo pagamento à profissional Fabiana de Alvarenga para a convalidação das despesas médicas declaradas e deduzidas em nome dessa profissional, conforme se vê no Relatório Fiscal, novamente abaixo reproduzido: "O contribuinte intimado apresentou documentação visando comprovar despesas médicas declaradas. Da análise dos documentos apresentados a fiscalização vislumbrou a necessidade de comprovação do efetivo pagamento aos profissionais Fabiana de Alvarenga e Flavia Duarte Corrêa. Para tanto, intimou o contribuinte, em 13/10/2006, a apresentar os comprovantes dos efetivos pagamentos. (...) Em resposta à intimação, o contribuinte entregou extratos bancários do período de janeiro à dezembro de 2002. Da análise destes documentos, verificase que a movimentação financeira Fl. 80DF CARF MF 8 do contribuinte não continha cheques que justificassem os pagamentos efetuados, haja vista se tratar de valores elevados. Por outro lado, efetua saques com cartão no valor de R$ 1.000,00 cada, no início e final do mês, e também saques com os valores baixos neste intervalo. Os recibos apresentados são todos com datas próximas do final de mês e nenhum coincidente com os saques apresentados. Os saques jusitificam apenas os pagamentos à psicóloga Flávia Duarte Correa, razão pela qual procedemos a glosa das despesas coma a outra psicóloga Fabiana de Alvarenga Ferrari no valor de R$ 9.360,00 por falta de comprovação de pagamento. (...)" A DRJ julgou a impugnação improcedente, mantendo a glosa das despesas declaradas como pagas à profissional Fabiana de Alvarenga Ferrari devido à não apresentação de documentos que comprovassem a efetiva prestação dos serviços e o efetivo pagamento dessas despesas. Em seu recurso, o Contribuinte repisa os argumentos levados à primeira instância: os pagamentos das referidas despesas foram feitos em dinheiro vivo e apresenta recibos, extratos de conta bancária para o período fiscalizado e uma planilha intitulada "Fluxo de Caixa", onde constam os saques feitos nessa conta bancária e indicações de pagamentos à profissional médica. Argumenta que o referido fluxo de caixa comprovaria que dispunha de saldo suficiente para fazer frente às despesas médicas glosadas, despesas estas todas pagas em espécie. Sobre o tema, este Conselheiro entende que as despesas médicas efetuadas pelo contribuinte em seu nome e no nome de seus dependentes podem ser deduzidas da base de cálculo do imposto de renda desde que esteja suficientemente comprovada a sua ocorrência, comprovação esta que, conforme a situação específica do caso em análise, pode demandar, além da apresentação dos recibos emitidos pelos profissionais, também a comprovação do efetivo pagamento. No caso em tela, em vista dos valores relativamente elevados, a Fiscalização solicitou a comprovação dos pagamentos correspondentes às despesas declaradas como pagas a Fabiana de Alvarenga Ferrari. O Recorrente, agora em sede de Recurso Voluntário, apresentou, além dos recibos, um planilha por ele elaborada intitulada "Fluxo de Caixa", planilha esta que, ainda que acompanhada de extratos bancários, revelase insuficiente para se fazer a necessária comprovação da realização dos pagamentos. Ainda que tal planilha sempre apresente saldo positivo de valores, não é possível concluir que os valores sacados da conta bancária destinaramse tãosomente às finalidades ali indicadas, o que inviabiliza a sua utilidade para a comprovação requerida. Em caso semelhante, o Ilmo. Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos decidiu no mesmo sentido, como se pode ver no excerto do voto proferido no Acórdão nº 9202 005.461, de 23/05/2017: Acórdão nº 9202005.461: Voto: "Acerca do assunto, entendo que as despesas médicas dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda restringemse aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio Fl. 81DF CARF MF Processo nº 13605.000388/200766 Acórdão n.º 2202004.474 S2C2T2 Fl. 78 9 tratamento e ao de seus dependentes, e se limitam, sim, a serviços comprovadamente realizados quando objeto de indagação pela autoridade fiscal, a partir de dúvida razoável, bem como a pagamentos especificados e comprovados. Nesse sentido, é oportuno, conferir o estabelecido na Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, que traz essas condições para dedução desse tipo de despesa: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: (...). II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no ano calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...). § 2º O disposto na alínea “a” do inciso II: (...). II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III – limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; Complementando a necessidade dessa comprovação, o Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, Regulamento do Imposto de Renda, RIR/1999, em seu art. 73, dispõe que (a) as deduções estão sujeitas à comprovação e (b) deduções exageradas poderão ser glosadas inclusive sem audiência do contribuinte, conforme a seguir reproduzido: Art.73. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, §3º). §1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Por certo, a legislação, em regra, estabelece a apresentação de recibos como forma de comprovação das despesas médicas, a teor do que dispõe o art. 80, § 1º, III, do RIR/1999, mas não restringe a ação fiscal apenas a esse exame. Em uma visão sistêmica da legislação tributária, verificase, inclusive, que a indicação do cheque nominativo, apesar de conter muito menos informação que o recibo, é também eleito como meio de prova, evidenciando a força probante da efetiva comprovação do pagamento. Portanto, em vista do exposto, podemos concluir que a dedução de despesas médicas na declaração do contribuinte está, sim, Fl. 82DF CARF MF 10 condicionada ao preenchimento de alguns requisitos legais: (a) a prestação de serviço tendo como beneficiário o declarante ou seu dependente, e (b) que o pagamento tenha se realizado pelo próprio contribuinte. Todavia, havendo qualquer dúvida em um desses requisitos, é não só direito mas também dever da Fiscalização exigir provas adicionais ou da efetividade do serviço, e/ou do beneficiário deste e/ou do pagamento efetuado. E é dever do contribuinte apresentar comprovação ou justificação idônea no caso de tal exigência, sob pena de ter suas deduções não admitidas pela autoridade fiscal. Entendo que a conclusão acima esteja alicerçada no art.73 do RIR/99, já transcrito. Dessarte, concluo que o acórdão recorrido esteve correto ao acatar o entendimento da instância de piso." Conclusão: Destarte, pelos fundamentos acima expostos, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário no que se refere ao restabelecimento da dedução das despesas médicas relativas à profissional Fabiana de Alvarenga Ferrari, no valor de R$ 9.360,00. (assinado digitalmente) Waltir de Carvalho Redator Designado Fl. 83DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.001862/2006-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001
DESPESAS DEDUTÍVEIS. COMPROVAÇÃO.
Cancela-se a glosa das despesas, cuja documentação comprobatória foi apresentada pela defesa, no curso do processo.
Numero da decisão: 1302-003.002
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Rogério Aparecido Gil - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: ROGERIO APARECIDO GIL
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1405; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 2 1 1 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.001862/200681 Recurso nº De Ofício Acórdão nº 1302003.002 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 14 de agosto de 2018 Matéria DESPESAS. DEDUTIBILIDADE. COMPROVAÇÃO INCOMPLETA Recorrente DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL DE JULGAMENTO EM SÃO PAULO (SP) Interessado CARREFOUR COMÉRCIO E INDÚSTRIA LTDA. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 DESPESAS DEDUTÍVEIS. COMPROVAÇÃO. Cancelase a glosa das despesas, cuja documentação comprobatória foi apresentada pela defesa, no curso do processo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 18 62 /2 00 6- 81 Fl. 10632DF CARF MF Processo nº 19515.001862/200681 Acórdão n.º 1302003.002 S1C3T2 Fl. 3 2 Tratase de recurso voluntário interposto face ao Acórdão nº 1663.083, de 10/11/2014, da 7ª Turma da DRJ em São Paulo, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte a Impugnação, registrandose a seguinte ementa: ASSINTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 DESPESAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Devem ser glosadas as despesas escrituradas em relação às quais a contribuinte, apesar de intimada, não apresenta documentação hábil à sua comprovação. Cancelase a glosa das despesas, cuja documentação comprobatória foi apresentada pela defesa, no curso do processo. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS DE PERÍODOS ANTERIORES. CONDIÇÕES. A compensação de prejuízos de períodos anteriores somente se aplica às pessoas jurídicas que mantiverem os livros e documentos, exigidos pela legislação fiscal, comprobatórios do montante do prejuízo fiscal utilizado para compensação. Na ausência de comprovação do prejuízo contábil, apurado com base em balanço patrimonial e demonstração de resultado do período, não se pode admitir a compensação de prejuízo fiscal dele decorrente, ainda que escriturado no Livro da Apuração do Lucro Real Lalur. ASSINTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2001 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL. Na medida em que a exigência reflexa tem por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do imposto de renda, a decisão de mérito prolatada naquele constitui prejulgado na decisão do auto de infração decorrente. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Diante da exoneração de crédito tributário superior a R$2.500.000,00 (Portaria MF. nº 63, de 09/02/2017), a DRJ interpôs Recurso de Ofício ao CARF, em cumprimento às disposições do art. 34 do Dec. n° 70.235. de 6 de março de 1972. e alterações introduzidas pela Lei n° 9.532. de 10 de dezembro de l997. As glosadas de despesas operacionais por falta de comprovação, referemse ao ano calendário 2001 (TVF, fls. 449/462) e resultaram em infrações relativas ao IRPJ (fls. 485/492) e à CSLL (fls. 493/499). Por meio dos Autos de Infração, de 12/09/2006, DEFIS SP, constituise crédito tributário no montante de R$14.450.157.20, incluídos o principal, a multa de ofício de 75% e os juros de mora devidos até a data da lavratura. Devido à elevada quantidade de documentos juntados pela recorrente e não devidamente apreciados pela fiscalização a 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção de Fl. 10633DF CARF MF Processo nº 19515.001862/200681 Acórdão n.º 1302003.002 S1C3T2 Fl. 4 3 Julgamento (Acórdão nº 140200346, de 15/12/2010, fls. 4127/4134) anulou a decisão de primeira instância, por ausência de motivação para decidir e determinou a realização à DRF a realização de diligência. Os autos foram baixados à DRF, porém a autoridade fiscal responsável pela fiscalização não cumpriu as providências designadas pelo Carf. Não obstante, a DRJ realizou detalhado e criterioso trabalho de análise individualizada dos documentos e informações apresentados pela recorrente, resultando nos seguintes quadros resumo demonstrativos (fls. 10528/10529): Fl. 10634DF CARF MF Processo nº 19515.001862/200681 Acórdão n.º 1302003.002 S1C3T2 Fl. 5 4 Em relação aos débitos mantidos em litígio, a recorrente requereu a desistência (parcial) do recurso voluntário (fl. 10622, em 23/11/2017), para que os respectivos valores, certificados pela DRJ e indicados no segundo quadro resumo retro reproduzido, fossem incluídos no Programa Especial de Regularização Tributária (PERT), conforme IN RFB nº 1.711, de 16/06/2018. A DRF promoveu a transferência de tais débitos para o Proc. 19679 720.073/201812, em 17/01/2018 (Termo de Transferência de Crédito Tributária, fls. 10625), em cumprimento ao Despacho CARF s/nº, de 12/12/2017 (fls. 10623), conforme quadro abaixo: Dessa forma, remanesceram nestes autos, somente os valores reconhecidos como sendo direitos creditórios da recorrente, indicados no terceiro quadro resumo retro reproduzido, os quais foram objeto do recurso de ofício, sob julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Rogério Aparecido Gil Relator Fl. 10635DF CARF MF Processo nº 19515.001862/200681 Acórdão n.º 1302003.002 S1C3T2 Fl. 6 5 O valor do crédito exonerado ultrapassa o limite de R$2.500.000,00 (Portaria MF. nº 63, de 09/02/2017), portanto conheço o Recurso de Ofício interposto pela DRJ em cumprimento às disposições do art. 34 do Dec. n° 70.235. de 6 de março de 1972. e alterações introduzidas pela Lei n° 9.532. de 10 de dezembro de l997. O acórdão da DRJ registrou detalhado e criterioso trabalho realizado pelo i. Relator, em que analisou individualmente os documentos e informações, com base nos quais a recorrente demonstrou seu direito creditório. Ressaltouse que, a recorrente foi intimada três vezes (08/08/2005. 13/04/2006 e 10/08/2006) para apresentar documentos e prestar informações necessárias à comprovação das despesas selecionadas pela fiscalização. Para consolidar o trabalho, a DRJ elaborou as planilhas de fls. 10411/10523, nas quais foram indicados os valores em relação aos quais considerouse comprovado pela recorrente tratarse de efetivas despesas dedutíveis. Comprovouse, também, despesas de transportes, relacionadas nas planilhas de fls. 10424/10427 Ana Renata Transportes; fls. 1427/1428 Sued Logística Nacional Ltda.; fls. 1428/1430 e 10443 Expresso Maranata Ltda.; fls.1431 Kadima Transportes e Turismo Ltda.; fls. 1431, 10443, 10445 Transmaroni Transportes Brasil Rodoviários Ltda; fls. 10436 Granero Transportes Ltda.; fls. 10437/10438; fls. 10441 Transporte, Comércio e Representações Ltda. Transfinal. Recusaramse documentos rasurados e despesas com fretes indicadas somente por meio de documentos emitidos pela recorrente. Assim, à vista dos registros analíticos do voto condutor, certificados em suportes documentais apresentados pela recorrente, concluise que não há motivo de fato ou de direito que possa justificar a reforma do acórdão recorrido, no que diz respeito aos créditos exonerados, os quais foram resumidos e consolidados no quadro abaixo reproduzido: Sendo assim, voto por negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Fl. 10636DF CARF MF Processo nº 19515.001862/200681 Acórdão n.º 1302003.002 S1C3T2 Fl. 7 6 Fl. 10637DF CARF MF
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