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Numero do processo: 10840.000221/2010-20
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2009
SIMPLES. ADESÃO. NECESSIDADE DE FORMALIZAÇÃO DA OPÇÃO.
A formalização da Opção ao Simples é requisito indispensável para a adesão ao regime, não bastando apenas o preenchimento de seus requisitos.
Numero da decisão: 1001-000.710
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente.
(assinado digitalmente)
EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente)
Nome do relator: EDUARDO MORGADO RODRIGUES
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2009 SIMPLES. ADESÃO. NECESSIDADE DE FORMALIZAÇÃO DA OPÇÃO. A formalização da Opção ao Simples é requisito indispensável para a adesão ao regime, não bastando apenas o preenchimento de seus requisitos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente)
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ADESÃO. NECESSIDADE DE FORMALIZAÇÃO DA OPÇÃO. A formalização da Opção ao Simples é requisito indispensável para a adesão ao regime, não bastando apenas o preenchimento de seus requisitos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 00 02 21 /2 01 0- 20 Fl. 118DF CARF MF Processo nº 10840.000221/201020 Acórdão n.º 1001000.710 S1C0T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 107 a 113) interposto contra o Acórdão nº 0129.745, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém/PA (fls. 69 a 73), que, por unanimidade, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela ora Recorrente, decisão esta consubstanciada na seguinte ementa: "ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2009 Ementa A opção pelo Simples Nacional darseá por meio da internet, sendo irretratável para todo o anocalendário Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio" Por sua precisão na descrição dos fatos que desembocaram no presente processo, peço licença para adotar e reproduzir os termos do relatório da decisão da DRJ de origem: "Tratase de manifestação inconformidade (fls. 83/87), de 16/06/2014, contra Despacho Decisório (fls. 75/76), de 14/05/2014, ciência em 22/05/2014 (fl. 82), que Indeferiu pedido de inclusão retroativa no Simples Nacional a partir de 01/01/2009 (fls. 01/06). 2. Segundo aquele Despacho Decisório, não consta nenhuma solicitação (pesquisa de fl. 26) de opção pelo Simples Nacional feita durante o ano de 2009. Logo, houve descumprimento do prazo previsto no art 17A da Resolução CGSN n° 004, de 30 de maio de 2007. 3. Inconformado com o indeferimento, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 83/87), de 16/06/2014, em que fundamenta suas razões: a) O Contribuinte fez sua opção pela tributação pelo simples nacional no inicio do ano de 2009 e a solicitação de opção não foi processada pelo sistema, ocorre que recolheu todos os seus impostos pelo simples nacional de acordo com a Lei complementar n° 123/2006 alterada pela Lei complementar n° 128/2008, conforme cópia dos DAS recolhidos em anexo, além disso, não existem restrições que o impeça de optar ou recolher seus impostos pelo simples nacional já que atende todas as exigências da Lei. b) Apresenta jurisprudência do Conselho de Contribuintes, que entenderia que o contribuinte que demonstrasse que tinha intenção de optar, deveria ser enquadrado de oficio retroativamente (decisões com relação à lei anterior)." Fl. 119DF CARF MF Processo nº 10840.000221/201020 Acórdão n.º 1001000.710 S1C0T1 Fl. 4 3 Inconformada com a decisão de primeiro grau que indeferiu a sua Manifestação de Inconformidade, a ora Recorrente apresentou Recurso Voluntário sustentando, em breve síntese, que preenchia os requisitos necessários para a adesão ao regime do SIMPLES, teria efetuado a solicitação de Opção, contudo por um erro de fato ela não teria sido processada regularmente. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Primeiramente, devese estabelecer que é responsabilidade exclusiva de cada contribuinte o controle de seus negócios e o cuidado com o fiel cumprimento de todas as normas tributárias em suas atividades cotidianas. Outrossim, ainda que se acredite na boa fé da Recorrente, é obrigação, deste julgador zelar pela aplicação das normas vigentes, não cabendo a ele abertura de exceções não previstas pela lei, sob pena de descumprimento do princípio maior da legalidade. À época dos fatos, o regime do SIMPLES era regulamentado pela Resolução CGSN nº 04/07. Dentre as regras e requisitos definidos, esta resolução estabelecia o rito formal para o ingresso da pessoa jurídica optante ao regime, conforme se transcreve: Art. 7º A opção pelo Simples Nacional darseá por meio da internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. § 1º A opção de que trata o caput deverá ser realizada no mês de janeiro, até seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do anocalendário da opção, ressalvado o disposto no § 3º deste artigo e observado o disposto no § 3º do art. 21. Desta forma, resta evidente que para a empresa poder apurar seus tributos pelo regime simplificado não bastava apenas preencher os requisitos necessários ao enquadramento, mas também realizar o ato formal de declarar à fiscalização, dentro do prazo estabelecido, a sua opção de forma irretratável. Por sua vez, às fls. 30 dos autos consta extrato do Histórico gerado pelo sistema do Simples Nacional apontando a inexistência de qualquer solicitação realizada pela Recorrente. Fl. 120DF CARF MF Processo nº 10840.000221/201020 Acórdão n.º 1001000.710 S1C0T1 Fl. 5 4 Outrossim, a Contribuinte não traz aos autos qualquer elemento que demonstre a real tentativa de realizar a Opção tempestivamente e/ou qualquer indício que aponte para a eventual ocorrência de erro por parte dos sistemas da administração fazendária. Destarte, não há qualquer subsídio que justifique a inexistência da solicitação formal pela Opção ou a sua dispensa, não sendo possível reconhecer sequer que a Contribuinte efetivamente tentou aderir ao Simples no mês de Janeiro de 2009. Repisase, ainda que tenha demonstrado estar em dia com suas obrigações e ter passado o período inteiro recolhendo seus tributos como se na sistemática do Simples estivesse, tais circunstâncias não servem para suprir a necessidade de efetiva Opção prévia. Desta forma, não há subsídio para que seja reconhecido o direito da Recorrente ao enquadramento retroativo no Simples Nacional. Em face a todo o exposto, VOTO pelo NÃO PROVIMENTO do Recurso Voluntário, com a consequente manutenção da decisão de origem. (assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues Relator Fl. 121DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 17698.720344/2013-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA. STF. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA.
Decisão definitiva de mérito proferida pelo STF na sistemática da repercussão geral, deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
O imposto sobre a renda incidente sobre os rendimentos acumulados recebidos até o ano-calendário de 2009 deve ser apurado com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram tais rendimentos tributáveis, calculado de forma mensal, e não pelo montante global pago extemporaneamente.
Numero da decisão: 2401-005.804
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para determinar, em relação aos rendimentos recebidos acumuladamente, relativos ao ano-calendário 2009, o recálculo do imposto sobre a renda, com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram tais rendimentos tributáveis, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte (regime de competência).
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Relatora e Presidente.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Rayd Santana Ferreira, José Luiz Hentsch Benjamin Pinheiro, Luciana Matos Pereira Barbosa e Matheus Soares Leite.
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2009 RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA. STF. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA. Decisão definitiva de mérito proferida pelo STF na sistemática da repercussão geral, deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. O imposto sobre a renda incidente sobre os rendimentos acumulados recebidos até o ano-calendário de 2009 deve ser apurado com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram tais rendimentos tributáveis, calculado de forma mensal, e não pelo montante global pago extemporaneamente.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para determinar, em relação aos rendimentos recebidos acumuladamente, relativos ao ano-calendário 2009, o recálculo do imposto sobre a renda, com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram tais rendimentos tributáveis, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte (regime de competência). (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Relatora e Presidente. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Rayd Santana Ferreira, José Luiz Hentsch Benjamin Pinheiro, Luciana Matos Pereira Barbosa e Matheus Soares Leite.
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Recorrente ROBERTO RODRIGUES GODINHO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2009 RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA. STF. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA. Decisão definitiva de mérito proferida pelo STF na sistemática da repercussão geral, deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. O imposto sobre a renda incidente sobre os rendimentos acumulados recebidos até o anocalendário de 2009 deve ser apurado com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram tais rendimentos tributáveis, calculado de forma mensal, e não pelo montante global pago extemporaneamente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para determinar, em relação aos rendimentos recebidos acumuladamente, relativos ao anocalendário 2009, o recálculo do imposto sobre a renda, com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram tais rendimentos tributáveis, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte (regime de competência). (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Relatora e Presidente. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 69 8. 72 03 44 /2 01 3- 63 Fl. 311DF CARF MF Processo nº 17698.720344/201363 Acórdão n.º 2401005.804 S2C4T1 Fl. 312 2 Develly Montez (suplente convocada), Rayd Santana Ferreira, José Luiz Hentsch Benjamin Pinheiro, Luciana Matos Pereira Barbosa e Matheus Soares Leite. Relatório Tratase de notificação de lançamento de imposto de renda pessoa física IRPF no valor de R$ 42.470,52, acrescido de multa de ofício e juros de mora (fls. 6/8), resultante de revisão da Declaração de Ajuste Anual DAA correspondente ao exercício de 2010, ano calendário de 2009, em virtude de omissão de rendimentos recebidos pelo contribuinte das fontes pagadoras Despachantes Figurelli Ltda, no valor de R$ 1.247,00 e Bigfer – Indústria e Comércio de Ferragens Ltda, no valor de R$ 4.447,00 (tendo sido considerado o correspondente IRRF no valor de R$ 224,74). Foi também apurada a omissão dos rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente pelo contribuinte em virtude do processo judicial trabalhista nº 00305.922/920, no valor de R$ 175.114,22. Em impugnação apresentada às fls. 2/5, o contribuinte concorda com a omissão de rendimentos apurada relativamente às fontes pagadoras de CNPJ nºs 87.747.168/000143 e 92.534.593/000194. Com relação à omissão de rendimentos apurada no valor de R$ 175.114,22, informa tratarse de importância recebida nos autos da Ação Trabalhista nº 00305.922/962, com Sentença prolatada referente a 83 meses, cujo valor deve ser diluído no período de 01/01/1985 a 28/02/1992, conforme documentos em anexo. Entende que tais valores são isentos. A DRJ/RJ1, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário, conforme acórdão 1262.246 de fls. 195/202, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2010 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. O lançamento é efetuado de ofício quando o contribuinte deixa de informar rendimentos tributáveis recebidos de pessoa jurídica em sua Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Física, implicando redução do imposto devido no ajuste anual. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. FORMA DE TRIBUTAÇÃO. O total dos rendimentos recebidos acumuladamente pela pessoa física, juntamente com juros e atualização monetária, até 31 de dezembro de 2009, estão sujeitos à incidência do IRPF no mês do recebimento ou crédito, nos exatos termos do art do art. 12 da Lei Tributária nº 7.713, de 1988. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Consolidase administrativamente o crédito tributário relativo à matéria não impugnada Fl. 312DF CARF MF Processo nº 17698.720344/201363 Acórdão n.º 2401005.804 S2C4T1 Fl. 313 3 Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado do Acórdão em 13/1/14 (cópia de Aviso de Recebimento AR de fl. 205), o contribuinte apresentou recurso voluntário em 11/2/14, fl. 207, no qual alega que os rendimentos recebidos são isentos, pois deveriam ter sido consideradas as tabelas referentes ao período de 01/01/1985 a 28/02/1992, a que ser referem os rendimentos recebidos acumuladamente em 2009. É o relatório. Voto Conselheira Miriam Denise Xavier, Relatora. ADMISSIBILIDADE O recurso voluntário foi oferecido no prazo legal, assim, deve ser conhecido. INTRODUÇÃO Dentre os diversos fatos geradores que determinaram a lavratura do auto de infração, o sujeito passivo impugnou apenas a parte relativa ao rendimento recebido acumuladamente devido à ação trabalhista. E sobre esta matéria apresentou recurso. RENDIMENTO RECEBIDO EM AÇÃO TRABALHISTA Para o rendimento recebido acumuladamente RRA até anocalendário de 2009, devese observar o disposto na Lei 7.713/98, art. 12, na redação vigente à época do fato gerador: Art. 12. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá, no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos, diminuídos do valor das despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização. Vêse, portanto, que o comando legal vigente à época determinava que o imposto incidiria no mês do recebimento dos valores acumulados, utilizandose as tabelas e alíquotas vigentes na época do recebimento dessas parcelas, independentemente do período que deveriam ter sido adimplidos, adotandose como base de cálculo o montante global pago. Contudo, o STF, no julgamento do Recurso Extraordinário RE nº 614.406/RS, em sede de repercussão geral, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, quanto à sistemática de cálculo para a incidência do imposto sobre os rendimentos recebidos acumuladamente, por violar os princípios da isonomia e da capacidade contributiva. Tal decisão, afastou o regime de caixa, determinando o regime de competência para o cálculo mensal do imposto sobre a renda devido pela pessoa física, com a Fl. 313DF CARF MF Processo nº 17698.720344/201363 Acórdão n.º 2401005.804 S2C4T1 Fl. 314 4 utilização das tabelas progressivas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido pagos. O Regimento Interno do CARF RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9/6/15, com redação dada pela Portaria MF nº 152, de 3/5/16, dispõe que: Art. 62. [...] § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Sendo assim, deve ser adotado por este órgão julgador o entendimento exarado pelo STF e para o cálculo do IRPF incidente sobre os RRA, decorrentes de ação judicial, anocalendário 2009, devese considerar as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram os rendimentos. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por CONHECER do recurso voluntário e, no mérito, DARLHE PROVIMENTO para determinar, em relação aos rendimentos recebidos acumuladamente, relativos ao anocalendário 2009, o recálculo do imposto sobre a renda, com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram tais rendimentos tributáveis, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte (regime de competência). (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Fl. 314DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15463.721993/2016-52
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2014
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DIRF.
A omissão de rendimentos apurada com base em DIRF da fonte pagadora determina a tributação do rendimento omitido.
JURISPRUDÊNCIA. RECURSOS REPETITIVOS E REPERCUSSÃO GERAL.
As decisões desfavoráveis à Fazenda Nacional, se proferidas na forma prevista nos artigos 543-B e 543-C do CPC/1973 ou artigos 1.036 a 1.041 do CPC/2015, vinculam os membros das turmas de julgamento do CARF.
Numero da decisão: 2401-005.798
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Matheus Soares Leite, que davam provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Relatora e Presidente.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Rayd Santana Ferreira, José Luiz Hentsch Benjamin Pinheiro, Luciana Matos Pereira Barbosa e Matheus Soares Leite.
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2014 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DIRF. A omissão de rendimentos apurada com base em DIRF da fonte pagadora determina a tributação do rendimento omitido. JURISPRUDÊNCIA. RECURSOS REPETITIVOS E REPERCUSSÃO GERAL. As decisões desfavoráveis à Fazenda Nacional, se proferidas na forma prevista nos artigos 543-B e 543-C do CPC/1973 ou artigos 1.036 a 1.041 do CPC/2015, vinculam os membros das turmas de julgamento do CARF.
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Recorrente ALEXANDRE DE ARAUJO LESSA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2014 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DIRF. A omissão de rendimentos apurada com base em DIRF da fonte pagadora determina a tributação do rendimento omitido. JURISPRUDÊNCIA. RECURSOS REPETITIVOS E REPERCUSSÃO GERAL. As decisões desfavoráveis à Fazenda Nacional, se proferidas na forma prevista nos artigos 543B e 543C do CPC/1973 ou artigos 1.036 a 1.041 do CPC/2015, vinculam os membros das turmas de julgamento do CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Matheus Soares Leite, que davam provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Relatora e Presidente. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Rayd Santana Ferreira, José Luiz Hentsch Benjamin Pinheiro, Luciana Matos Pereira Barbosa e Matheus Soares Leite. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 46 3. 72 19 93 /2 01 6- 52 Fl. 99DF CARF MF Processo nº 15463.721993/201652 Acórdão n.º 2401005.798 S2C4T1 Fl. 100 2 Relatório Tratase de notificação de lançamento de imposto de renda pessoa física IRPF, fls. 7/10, decorrente de revisão da Declaração de Ajuste Anual (DAA) anocalendário 2014, exercício 2015, que apurou imposto suplementar de R$ 19.234,30, acrescido de juros de mora e multa de ofício, em virtude de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica (Petrobras), decorrentes do trabalho, indevidamente considerados como isentos, no valor de R$ 294.575,83, sujeito à tabela progressiva. Em impugnação apresentada às fls. 3/4, o contribuinte alega que os rendimentos lançados não devem ser tributados, por se tratarem de valores pagos a título de abono pecuniário de férias, de que trata o art. 143 da Consolidação das Leis do Trabalho – CLT e indenização de folgas de embarque, que são isentos. A DRJ/BSA, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário, conforme Acórdão 03074.2527 de fls. 66/71, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2015 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Não tendo sido comprovado pelo contribuinte que os rendimentos lançados como omissos são isentos ou não tributáveis, deve ser mantida a infração apurada. ISENÇÃO. LEGISLAÇÃO. INTERPRETAÇÃO LITERAL. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado do Acórdão em 18/5/17 (documentos de fl. 75), o contribuinte apresentou recurso voluntário em 29/5/17, fls. 79/81, que contém, em síntese: Alega que a Petrobras considerou como rendimento tributável o valor de R$ 225.272,66 referente à indenização de folgas de regime "offshore", após seu desligamento da empresa, conforme contracheque de 08/2014, pois calculou a indenização como se fossem horasextra (que é tributável) ao invés de folgas, que é isento. Por isso foi feito o desconto indevido do imposto de renda. Apesar de solicitado, a Petrobras não retificou a DIRF para indicar tal valor como indenização de folgas. Reconhece que se enganou com relação ao valor de R$ 41.848,22, concordando com o lançamento. Fl. 100DF CARF MF Processo nº 15463.721993/201652 Acórdão n.º 2401005.798 S2C4T1 Fl. 101 3 Aduz que quanto à indenização de folgas o STJ no RESP nº 642872 estabeleceu que: "A impossibilidade do empregado de usufruir desse benefício gera a indenização, porque, negado o direito que deveria ser desfrutado in natura, surge o substitutivo da indenização em pecúnia" [...] Em consequência, não incide imposto de renda sobre essa indenização". Afirma que se for considerada tal verba indenizatória, o valor correto dos rendimentos tributáveis pagos pela Petrobras é de R$ 206.602,93, resultando no valor a ser restituído de R$ 42.715,66. Acrescenta que com base na sua declaração original, recolheu duas cotas de imposto de renda nos valores de R$ 2.404,28 e R$ 2.690,14, os quais solicita a restituição. Requer sejam aceitas suas considerações. É o relatório. Voto Conselheira Miriam Denise Xavier, Relatora. ADMISSIBILIDADE O recurso voluntário foi oferecido no prazo legal, assim, deve ser conhecido. ISENÇÃO Quanto a isenção, assim dispõe o CTN: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: [...] II outorga de isenção; [...] A Lei 7.713/88, no art. 6º, enumera os rendimentos percebidos por pessoas físicas, inclusive provenientes do trabalho, que são isentos. Dentre os vários incisos do referido art. 6º, não há qualquer menção à denominada " indenização de folgas". O recorrente alega que a matéria discutida nos autos foi objeto de decisão pelo STJ que considerou que não incide imposto de renda sobre as "indenizações de folgas". O Regimento Interno do CARF RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9/6/15, com redação dada pela Portaria MF nº 152, de 3/5/16, dispõe que: Art. 62. [...] § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria Fl. 101DF CARF MF Processo nº 15463.721993/201652 Acórdão n.º 2401005.798 S2C4T1 Fl. 102 4 infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No caso, a decisão proferida pelo STJ produz efeitos somente sobre as partes daquele processo, naquele caso concreto, não podendo ser reproduzida pelo CARF, cuja função dos conselheiros está vinculada à lei. Apenas as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo STJ, na sistemática de recursos repetitivos, devem ser adotadas por este órgão julgador. Sendo assim, não havendo lei ou decisão que vincule o CARF, excluindo as "indenizações de folga" da base de incidência do imposto de renda pessoa física, não há como serem acatados os argumentos do contribuinte nesse sentido. Logo, correto o procedimento fiscal que apurou as diferenças de IRPF devidas. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negar lhe provimento. A DRF deverá confirmar se há recolhimentos efetuados pelo contribuinte em DARF relativos ao IRPF anocalendário 2014 que não foram objeto de compensação ou restituição. No caso, tais recolhimentos deverão ser apropriados no presente lançamento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Fl. 102DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.005176/2002-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 1997
COMPENSAÇÃO. AÇÃO JUDICIAL.
Não se homologa a compensação de tributo realizada antes do trânsito em julgado da decisão judicial autorizadora, nos termos do artigo 170-A do Código Tributário Nacional (CTN), aprovado pela Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1.966.
O pagamento de tributo cuja exigibilidade esteja suspensa não gera direito à repetição do indébito enquanto não tiver sido proferida decisão judicial definitiva favorável ao contribuinte.
PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA.
A matéria já suscitada perante o Poder Judiciário não pode ser apreciada na via administrativa.Caracteriza-se a concomitância quando o pedido e a causa de pedir dos processos administrativos e judiciais guardam irrefutável identidade.
AÇÃO JUDICAL. PREVENÇÃO DA DECADÊNCIA.
O crédito tributário deve ser constituído pelo lançamento em razão do dever de oficio e da necessidade de serem resguardados os direitos da Fazenda Nacional contra os efeitos da decadência.
Numero da decisão: 3301-004.823
Decisão:
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira Presidente
(assinado digitalmente)
Liziane Angelotti Meira - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira.
Nome do relator: LIZIANE ANGELOTTI MEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 1997 COMPENSAÇÃO. AÇÃO JUDICIAL. Não se homologa a compensação de tributo realizada antes do trânsito em julgado da decisão judicial autorizadora, nos termos do artigo 170-A do Código Tributário Nacional (CTN), aprovado pela Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1.966. O pagamento de tributo cuja exigibilidade esteja suspensa não gera direito à repetição do indébito enquanto não tiver sido proferida decisão judicial definitiva favorável ao contribuinte. PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. A matéria já suscitada perante o Poder Judiciário não pode ser apreciada na via administrativa.Caracteriza-se a concomitância quando o pedido e a causa de pedir dos processos administrativos e judiciais guardam irrefutável identidade. AÇÃO JUDICAL. PREVENÇÃO DA DECADÊNCIA. O crédito tributário deve ser constituído pelo lançamento em razão do dever de oficio e da necessidade de serem resguardados os direitos da Fazenda Nacional contra os efeitos da decadência.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira.
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Rolim Engenharia Ltda Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 1997 COMPENSAÇÃO. AÇÃO JUDICIAL. Não se homologa a compensação de tributo realizada antes do trânsito em julgado da decisão judicial autorizadora, nos termos do artigo 170A do Código Tributário Nacional (CTN), aprovado pela Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1.966. O pagamento de tributo cuja exigibilidade esteja suspensa não gera direito à repetição do indébito enquanto não tiver sido proferida decisão judicial definitiva favorável ao contribuinte. PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. A matéria já suscitada perante o Poder Judiciário não pode ser apreciada na via administrativa.Caracterizase a concomitância quando o pedido e a causa de pedir dos processos administrativos e judiciais guardam irrefutável identidade. AÇÃO JUDICAL. PREVENÇÃO DA DECADÊNCIA. O crédito tributário deve ser constituído pelo lançamento em razão do dever de oficio e da necessidade de serem resguardados os direitos da Fazenda Nacional contra os efeitos da decadência. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 00 51 76 /2 00 2- 54 Fl. 236DF CARF MF Processo nº 10380.005176/200254 Acórdão n.º 3301004.823 S3C3T1 Fl. 1.462 2 (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório elaborado pela decisão recorrida (fls. 40 e seguintes), abaixo transcrito: Contra o sujeito passivo acima identificado foi lavrado o Auto de Infração da contribuição para o Programa de Integração Social PIS, fls. 07/12, para formalização e cobrança do crédito tributário nele estipulado, no valor total de R$ 44.040,06. O feito fiscal originouse da realização de auditoria interna onde foram constatadas irregularidades nos créditos vinculados informados pelo contribuinte nas DCTFs dos 2°, 3° e 4° trimestres de 1997, tendo em vista que não foi comprovado o crédito decorrente do processo judicial n° 96.00489904, conforme "Anexo I — Demonstrativo dos Créditos Vinculados Não Confirmados" (fls. 09/11). Inconformado com a exigência da qual tomou ciência em 18/03/2002, por meio de Aviso de Recebimento — AR (fl. 36), o contribuinte apresentou impugnação em 16/04/2002 (fls. 01/03), alegando que: a Repartição Fiscal não alocou as compensações autorizadas pelo Poder Judiciário, consoante Medida Liminar em Mandado de Segurança deferida no Processo n° 96.00489904, datada de 26/11/1996; a liminar manda compensar com os próximos recolhimentos do PIS, suspendendo a exigibilidade do crédito tributário a título de PIS até o limite de crédito da empresa, referente aos valores pagos indevidamente a título de PIS, nos moldes dos Decretoslei n°s 2.445/88 e 2449/88; compensou os valores recolhidos indevidamente com o PIS vincendo, restando um saldo a compensar no valor de R$ 64.954,96; acosta aos autos uma cópia do deferimento de medida liminar a qual constam todos os elementos necessários à extinção do crédito tributário; Fl. 237DF CARF MF Processo nº 10380.005176/200254 Acórdão n.º 3301004.823 S3C3T1 Fl. 1.463 3 conclui que os valores lançados no auto de infração já foram devidamente compensados, não persistindo débitos para o ora impugnante. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza julgou improcedente, conforme Acórdão nº 0810.112 48 Turma da DRJ/FOR (fls 40 e seguintes), com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇAO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 1997 Ação Judical. Prevenção da Decadência. O crédito tributário deve ser constituído pelo lançamento em razão do dever de oficio e da necessidade de serem resguardados os direitos da Fazenda Nacional, previnindose contra os efeitos da decadência. Multa. Retroatividade Benigna. Tendo em conta a nova redação dada pelo art. 25 da Lei 11.051, de 2004, ao art. 18 da Lei 10.833, de 2003, em combinação com o art. 106, inciso II, alínea "c", do CTN, cancelase a multa de oficio aplicada. Lançamento Procedente em Parte Foi apresentado Recurso Voluntário (fls. 53 e seguintes), no qual a Recorrente informa que possui acórdão transitado em julgado autorizandoa a utilizar créditos de PIS para compensar os créditos ora glosados e defende que a autuação relativa ao presente processo não pode prosperar diante da decisão judicial. Assim, requer que este CARF autorize expressamente a utilização dos créditos reconhecidos com os débitos glosados, dando total provimento ao Recurso Voluntário para declarar a improcedência do auto de infração ora vergastado É o relatório. Voto Conselheira Liziane Angelotti Meira O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. Sobre o requerimento do contribuinte de autorização da utilização dos créditos reconhecidos com os débitos glosados e de cancelamento do Auto de Infração em face de decisão judicial transitada em julgado a seu favor, cumpre observar que a utilização de crédito ainda pendente de decisão judicial definitiva já encontrava na época vedação no art. 170 do CTN e no art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, os quais transcrevemos: Código Tribuntário Nacional Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade Fl. 238DF CARF MF Processo nº 10380.005176/200254 Acórdão n.º 3301004.823 S3C3T1 Fl. 1.464 4 administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (grifouse) Lei nº 9.430, de 1996 Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (...) § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: (...) II em que o crédito: (...) d) seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado; (grifouse) Ademais, não cabe à instância administrativa manifestarse sobre matéria definitivamente decidida pelo Poder Judiciário, em função da concomitância, conforme determina a Súmula no. 1 do CARF: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Portanto, não cabe no presente processo reconhecer ou autorizar matéria já decidida definitivamente pelo Poder Judiciário. Ademais, mantémse o entendimento da decisão de piso de que o lançamento de ofício deve ser realizado diante de decisão judicial com efeito suspensivo para suspender a mora. Havendo decisão integralmente favorável ao contribuinte, o Auto de Infração deve ser cancelado em decorrência da execução da decisão judicial, não da apreciação administrativa. Diante do exposto, proponho manter integralmente a decisão recorrida e voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Fl. 239DF CARF MF Processo nº 10380.005176/200254 Acórdão n.º 3301004.823 S3C3T1 Fl. 1.465 5 Fl. 240DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.728901/2014-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2012, 2013
RECURSO VOLUNTÁRIO. PRECLUSÃO TEMPORAL.
Transcorrido o prazo legal para interposição de Recurso Voluntário, a não apresentação acarreta a sua preclusão temporal.
Numero da decisão: 1401-002.746
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(assinado digitalmente)
Cláudio de Andrade Camerano - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Livia de Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
Nome do relator: CLAUDIO DE ANDRADE CAMERANO
1.0 = *:*
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente (assinado digitalmente) Cláudio de Andrade Camerano - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Livia de Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
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PRECLUSÃO TEMPORAL. Transcorrido o prazo legal para interposição de Recurso Voluntário, a não apresentação acarreta a sua preclusão temporal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente (assinado digitalmente) Cláudio de Andrade Camerano Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Livia de Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga. Relatório Consta nos autos que o processo foi encaminhado a este órgão colegiado nos seguintes termos: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 89 01 /2 01 4- 43 Fl. 11298DF CARF MF 2 DESPACHO DE ENCAMINHAMENTO Contribuinte apresentou recurso voluntário somente com a solicitação de juntada. Encaminho para providências e eventual julgamento de perempção. Em apertada síntese, e me reportando somente aos documentos que interessam ao deslinde da questão posta, depreendese dos autos que a Contribuinte teria sido cientificado do Acórdão n. 06053.310, de 28/08/2015 proferido pela DRJ/CTA, na data de 04/04/2016, por meio de seu endereço eletrônico (Caixa Postal), conforme termos abaixo reproduzidos: TERMO DE REGISTRO DE MENSAGEM NA CAIXA POSTAL COMUNICADO O destinatário recebeu mensagem com acesso aos documentos relacionados abaixo por meio de sua Caixa Postal na data de 01/04/2016 11:29:38. Acórdão de Impugnação Demonstrativos de Débitos do Processo Intimação de Resultado de Julgamento Informação Fiscal A data da ciência, para fins de prazos processuais, será a data em que o destinatário efetuar consulta à mensagem na sua Caixa Postal ou, não o fazendo, o 15 (décimo quinto) dia após a data de entrega acima informada. TERMO DE CIÊNCIA POR ABERTURA DE MENSAGEM. COMUNICADO O destinatário teve ciência dos documentos relacionados abaixo por meio de sua Caixa Postal na data de 04/04/2016 08:21:35. Data do registro do documento na Caixa Postal: 01/04/2016 11:29:38 Acórdão de Impugnação Demonstrativos de Débitos do Processo Intimação de Resultado de Julgamento Informação Fiscal TERMO DE ABERTURA DE DOCUMENTO COMUNICADO O Contribuinte acessou o teor dos documentos relacionados abaixo na data 15/09/2016 16:39, pela abertura dos arquivos digitais correspondentes no link Processo Digital, no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (Portal eCAC), através da opção Consulta Comunicados/Intimações ou Consulta Processos, os quais já se encontravam disponibilizados desde 01/04/2016. Acórdão de Impugnação Fl. 11299DF CARF MF Processo nº 10580.728901/201443 Acórdão n.º 1401002.746 S1C4T1 Fl. 11.299 3 Demonstrativos de Débitos do Processo Intimação de Resultado de Julgamento Informação Fiscal Encurtando os momentos processuais posteriores, foi emitida carta de cobrança (também para Caixa Postal do Contribuinte), e como não houve resposta foi o processo encaminhado para inscrição em Dívida Ativa, o que foi feito, conforme Termo de Inscrição em Dívida Ativa, acostado aos autos. A Contribuinte ingressou com mandado de segurança, sendo a decisão: "Sob os fundamentos esposados, DEFIRO A LIMINAR, em parte, para declarar nula a decretação de revelia no processo administrativo, restabelecendo o prazo para devida apresentação do recurso administrativo com fulcro no art.5 inciso LV da Constituição Federal, posto que não houve intimação do advogado constituído pelo impetrante na esfera administrativa." As inscrições dos débitos do presente processo foram então devidamente canceladas, ocasião em que a Unidade Origem encaminhou ao Contribuinte a Comunicação SACAT/DRF/LFS N. 265/2017, datada de 21/06/2017: Ref. Acórdão: 06053.310 Pela presente, cientificase o interessado acima qualificado em virtude de decisão em mandado de segurança no curso do processo 3202621.2016.4.01.3300 por meio de cópia em anexo: Acórdão nº 06053.310, emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ). Fica o interessado intimado a pagar, no prazo de 30 (trinta) dias, contados a partir da ciência nos termos da legislação em vigor, os débitos constantes do demonstrativo em anexo, sendo facultado recurso ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) no mesmo prazo. [...] Consta nos autos o Aviso de Recebimento de tal comunicação (em AR Comum): Fl. 11300DF CARF MF 4 Em seguida, consta uma solicitação de juntada de documento aos autos, a pedido do Contribuinte: Fl. 11301DF CARF MF Processo nº 10580.728901/201443 Acórdão n.º 1401002.746 S1C4T1 Fl. 11.300 5 Entretanto, o documento a ser juntado, em 26/07/2017, no caso, o Recurso Voluntário, não está nos autos. Por fim, emitiram uma Carta de Cobrança onde se utilizaram de ciência eletrônica, onde consideraram que a Contribuinte foi cientificada por decurso de prazo. Voto Conselheiro Cláudio de Andrade Camerano Reproduzindo o despacho final que consta nos autos: DESPACHO DE ENCAMINHAMENTO Contribuinte apresentou recurso voluntário somente com a solicitação de juntada. Encaminho para providências e eventual julgamento de perempção. Conforme relatoriado, não há recurso voluntário nos autos, de forma que este colegiado reconhece a perda de prazo para apresentação de Recurso Voluntário. É o Voto. Cláudio de Andrade Camerano (assinado digitalmente) Fl. 11302DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12466.000917/2008-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 10/03/2008
IMPORTAÇÃO. DANO AO ERÁRIO. OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE. PENA DE PERDIMENTO CONVERTIDA EM MULTA.
Considera-se dano ao Erário à ocultação do real sujeito passivo na operação de importação, infração punível com a pena de perdimento, que é convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro, caso as mercadorias não sejam localizadas ou tenham sido consumidas.
MEIOS DE PROVA. PROVA INDICIÁRIA.
A prova de infração fiscal pode realizar-se por todos os meios admitidos em Direito, podendo ser direta ou indireta, assim conceituada aquela que se apóia em conjunto de indícios capazes de demonstrar a ocorrência da infração e de fundamentar o convencimento do julgador, sendo, outro ssim, livre a convicção do julgador.
Numero da decisão: 3302-005.784
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Fenelon Moscoso de Almeida - Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
Jorge Lima Abud - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Walker Araujo, Vinicius Guimaraes, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Fenelon Moscoso de Almeida. Ausente justificadamente o conselheiro Paulo Guilherme Déroulède.
Nome do relator: JORGE LIMA ABUD
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 10/03/2008 IMPORTAÇÃO. DANO AO ERÁRIO. OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE. PENA DE PERDIMENTO CONVERTIDA EM MULTA. Considera-se dano ao Erário à ocultação do real sujeito passivo na operação de importação, infração punível com a pena de perdimento, que é convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro, caso as mercadorias não sejam localizadas ou tenham sido consumidas. MEIOS DE PROVA. PROVA INDICIÁRIA. A prova de infração fiscal pode realizar-se por todos os meios admitidos em Direito, podendo ser direta ou indireta, assim conceituada aquela que se apóia em conjunto de indícios capazes de demonstrar a ocorrência da infração e de fundamentar o convencimento do julgador, sendo, outro ssim, livre a convicção do julgador.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Fenelon Moscoso de Almeida - Presidente Substituto (assinado digitalmente) Jorge Lima Abud - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Walker Araujo, Vinicius Guimaraes, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Fenelon Moscoso de Almeida. Ausente justificadamente o conselheiro Paulo Guilherme Déroulède.
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DANO AO ERÁRIO. OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE. PENA DE PERDIMENTO CONVERTIDA EM MULTA. Considerase dano ao Erário à ocultação do real sujeito passivo na operação de importação, infração punível com a pena de perdimento, que é convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro, caso as mercadorias não sejam localizadas ou tenham sido consumidas. MEIOS DE PROVA. PROVA INDICIÁRIA. A prova de infração fiscal pode realizarse por todos os meios admitidos em Direito, podendo ser direta ou indireta, assim conceituada aquela que se apóia em conjunto de indícios capazes de demonstrar a ocorrência da infração e de fundamentar o convencimento do julgador, sendo, outro ssim, livre a convicção do julgador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Fenelon Moscoso de Almeida Presidente Substituto (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 00 09 17 /2 00 8- 81 Fl. 5967DF CARF MF 2 Jorge Lima Abud Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Walker Araujo, Vinicius Guimaraes, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Fenelon Moscoso de Almeida. Ausente justificadamente o conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. Relatório Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em 10/03/2008, formalizando a exigência de multa equivalente ao valor aduaneiro (100%) no valor de R$ 6.057.665,00, pelos fatos descritos a seguir. Conforme documentos em anexo (anexos 01), inicialmente recebemos correspondência da Delegacia da Receita Federal no Chuí, onde a mesma nos comunica que apurou irregularidades em operações de comércio exterior realizada pela fiscalizada. Tais irregularidades caracterizavamse em importações realizadas em valores bem superiores aos limites permitidos para a empresa e em pagamentos irrisórios de imposto de renda em relação ao expressivo volume de importações. Também foi detectada incompatibilidade econômico financeira da empresa para realizar as operações de comércio exterior registradas em nossa base de dados. Em sua correspondência, aquela delegacia nos propõe que seja revisada a habilitação da empresa no RADAR, bem como nos propõe a inclusão da mesma em procedimento especial. Posteriormente, recebemos EMAIL da Inspetoria da Receita Federal em Florianópolis informandonos que ao se analisar duas Declarações de Importações (Dls) registradas pela auditada naquela inspetoria, e por meio de consultas efetuadas no sistema RADAR, foram identificados indícios de prática de irregularidades nas referidas operações, em especial de interposição fraudulenta. Em uma das importações, observouse a existência de etiquetas com o CNPJ da empresa Kinsberg Comércio Importação e Exportação de Tecidos LTDA, a qual encontravase com o seu CNPJ suspenso em virtude de prática de irregularidades em operações de comércio exterior. Em consultado sistema RADAR, a Inspetoria de Florianópolis verificou que .a empresa Kinsberg Comércio Importação e Exportação de Tecidos LTDA possuía uma série de registros de procedimentos especiais abertos, inclusive relativos a prática de ocultação do verdadeiro adquirente das . mercadorias importadas, sendo mencionadas, ainda, importações de produtos cujas marcas têm como representante no Brasil a empresa DASLU. Pelas irregularidades apuradas, a Inspetoria de Florianópolis nos propôs que a empresa fosse incluída em procedimento especial. Cabe ressaltar que a empresa Kinsberg foi declarada inapta ao final do procedimento especial, conforme documento em anexo. Também recebemos da Alfândega do Rio de Janeiro correspondência com proposta de inclusão da empresa em procedimento especial em virtude das seguintes razões: (a) empresa com sede em Vitória/ES; (b) sócios da empresa domiciliados em São Paulo; (c) Declaração do Imposto de Renda dos sócios incompatível com o aumento de capital registrado em 2005 (o capital social saltou de R$ 60.000,00 para R$ 1.560.000,00); (d) falta de capacidade econômicofinanceira da empresa para realizar as operações de comércio exterior registradas em nossa base de dados; (e) indícios de interposição fraudulenta nas operações de comércio exterior realizadas. Fl. 5968DF CARF MF Processo nº 12466.000917/200881 Acórdão n.º 3302005.784 S3C3T2 Fl. 3 3 Conforme determinado pelo Sr. Chefe do Serviço de Fiscalização Aduaneira (SEFIA) da Alfândega do Porto de Vitória, e conforme relatório em anexo, no mês de fevereiro/06 realizamos diligência na empresa, onde foi detectada a falta de capacidade econômicofinanceira da mesma para a realizar as suas operações de comércio exterior, bem como foi detectado que a fiscalizada havia ultrapassado o limite de importações previsto em nossa base de dados. Na referida diligência, após examinarmos as Declarações do Imposto de Renda dos sócios, também foi constatada a falta de capacidade financeira dos sócios para a integralização do Capital Social de R$ 1.500.000,00. Desta forma, propusemos que a empresa fosse incluída em procedimento especial com base na IN/SRF n2 228/02 (art. 1B) e com base na IN/SRF n2 455/04 (art. 14). Acatada a proposta, no dia 11 de maio de 2006 iniciamos o procedimento especial na empresa, conforme MPF e Termo de Início de Fiscalização em anexo (anexos 02). Após recebermos os documentos, iniciamos a análise econômica da auditada. Nessa análise, verificamos nos contratos sociais, que em 28 de março de 2005 houve uma alteração contratual, passando o Capital Social de R$ 60.000,00 para R$ 1.560.000,00 com integralização de R$ 800.000,00 oriundos da conta “Lucros Acumulados e R$ 700.000,00 para ser integralizado pelos sócios no prazo de 24 (vinte e quatro) meses. Posteriormente, em 25 de agosto de 2005, nova alteração contratual foi realizada, passando o Capital Social de R$ 1.560.000,00 para R$ 3.000.000,00 sendo que a diferença (R$ 1.440.000,00) seria integralizada pelos sócios em 05 (cinco) parcelas. Entretanto, ao analisarmos as contas representativas do Patrimônio Líquido (anexos 03), verificamos que a conta referente à distribuição de lucros aos sócios possuía, além dos pagamentos referentes às distribuições de lucros, vários outros registros referentes a outros pagamentos, tais como: (a) pagamento de empréstimos aos sócios; (b) adiantamentos aos sócios; (c) adiantamentos a empregados; (d) pagamento de despesas a terceiros; (e) pagamento de 13a salário. Notamos, também, que os lançamentos referentes à integralização do Capital Social por parte dos sócios, realizados no dia 30 de novembro de 2005, no valor total de R$ 740.000,00, não ocorreu, já que o registro contábil utilizado debita a conta referente a distribuição de lucros e credita a conta referente a capital a realizar. Tal lançamento, na verdade, é um artifício contábil não significando, portanto, o ingresso de recursos monetários na empresa. Desta forma, no quadro abaixo apresentado, o referido valor (R$ 740.000,00) não foi considerado para apuração dos valores do Patrimônio Líquido. Conforme se verifica, é total a falta de capacidade econômica da empresa para realizar as operações de comércio exterior registradas em nossa base de dados. Analisandose o Balanço Patrimonial e o Balancete de Verificação, não localizamos nenhuma conta que indicasse a existência de empréstimos obtidos pela empresa para que a mesma pudesse realizar as expressivas importações evidenciadas no demonstrativo acima. Ainda analisandose as referidas peças contábeis, observamos que não existia a conta fornecedores (indicativo de compras a prazo). Entretanto, notamos a existência no passivo da conta Câmbio Exterior Próprio com a realização de expressivos pagamentos. Desta forma, ficou caracterizada a falta de capacidade econômica da fiscalizada para a realização das operações de comércio exterior registradas em nossa base de dados; Conforme determina o artigo 27 da Lei 10.637 de 30 de dezembro de 2002, “A operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro presumese por conta e ordem deste, para fins de aplicação do disposto nos arts. 77 a 81 da Medida Provisória na 2.15835, de 24 de agosto de 2001". Entretanto, a empresa utilizouse da simulação, já que em todas as operações de comércio exterior ela registrou as importações como se fossem próprias e emitiu nota fiscal de saída de vendas. Tal simulação foi utilizada Fl. 5969DF CARF MF 4 com a finalidade de usufruir o benefício fiscal proporcionado pelo Estado do Espírito Santo, por ser empresa atacadista, conforme documento em anexo (anexos 14), e por realizar operações interestaduais. Tal benefício fiscal caracterizase por um crédito presumido de 11% (onze por cento). A existência de tal simulação provoca danos ao Erário Estadual onde estão localizados os reais adquirentes das mercadorias, já que os reais adquirentes poderão creditar se de 12% (doze por cento) do ICMS ao darem entrada nas mercadorias em seus estabelecimentos e a fiscalizada, ao final, pagará somente 1% (um por cento) de ICMS ao Estado do Espírito Santo, em virtude do benefício fiscal citado. A Gama Comercial Importadora e Exportadora Ltda, ao registrar as importações como se fossem próprias, burla a legislação e aufere vantagens indevidas, as quais também são usufruídas pelos reais adquirentes das mercadorias importadas. A utilização de tal simulação contraria a Constituição Federal, já que a mesma dispõe em seu artigo 155, § 2a, inciso IX, alínea "a”, que o ICMS devido na entrada de mercadoria procedente do exterior cabe ao Estado em que estiver situado o estabelecimento destinatário da mercadoria. Assim, chegase à conclusão de que o estabelecimento principal ou matriz da Gama Comercial Importadora e Exportadora Ltda está localizado na cidade de São Paulo, pois, como se verifica por meio das Declarações de Imposto de Renda dos sócios (anexos 14), os mesmos sempre residiram naquela cidade. Durante o curso da fiscalização, também percebemos que daquela cidade são emanadas as ordens e instruções dos sócios para que sejam realizadas as operações da fiscalizada, administrandoa, assim, diretamente de São Paulo. Esquadrinhandose a nossa base de dados de 01/01/04 até 31/12/06, capturase que todas as mercadorias importadas foram desembaraçadas em recintos alfandegados situados fora do Estado do Espírito Santo, conforme se verifica no demonstrativo “RECINTOS DE DESEMBARAÇOS” (anexos 14). Por fim, cabe destacar que, embora a fiscalizada esteja cadastrada junto à Secretaria de Estado de Fazenda do Espírito Santo como empresa atacadista, ela nunca possuiu no Espírito Santo um galpão para estocagem de mercadorias, conforme se verifica nos contratos sociais. Assim sendo, vêse que, ao se nomear a cidade de Vitória/ES como sede da empresa, tal postura foi mais uma simulação maquinada para se obter os benefícios fiscais proporcionados pelo Estado do Espírito Santo. Ou seja, na presente fiscalização os reais adquirentes das mercadorias importadas são contribuintes do IPI. Assim sendo, a fiscalizada ao simular que ela é a adquirente das mercadorias importadas, deixando de registrar as operações como por conta e ordem, descaracteriza os reais adquirentes das mercadorias importadas da condição de equiparados a estabelecimento industrial, fazendo com que os mesmos deixem de ser contribuintes do IPI. Desta forma, o valor do IPI recolhido pela fiscalizada é bem menor do que aquele que deveria ser recolhido pelos reais adquirentes das mercadorias importadas, já que, ao simular a emissão da nota fiscal de venda, a fiscalizada a emite por um valor que é praticamente igual àquele constante na nota fiscal de entrada, quando o valor real do IPI a ser recolhido seria aquele que incidiría sobre o valor total da operação de venda das mercadorias realizadas pelos reais adquirentes aos seus clientes finais. Em sendo optante do SIMPLES, o contribuinte não poderá se apropriar de créditos relativos ao IPI. Conforme se pode observar nos documentos ora abojados que foram extraídos de nossa base de dados (anexos 14), existem diversas empresas participantes do SIMPLES que utilizaram a fiscalizada para realizar as suas importações. Assim, os valores do IPI creditados pela fiscalizada, em relação às importações de tais empresas, é mais um dano provocado à União. Fl. 5970DF CARF MF Processo nº 12466.000917/200881 Acórdão n.º 3302005.784 S3C3T2 Fl. 4 5 Por fim, também se verifica que a simulação adotada pela fiscalizada causa dano ao Erário Federal na apuração do PIS/PASEP e da COFINS incidentes na importação. Pela Lei Nfl 10.865 de 30/04/04, as empresas tributadas pelo Lucro Real poderão creditarse do valor recolhido na importação referente a tais contribuições, abatendo tal valor quando da apuração do PIS/PASEP e da COFINS incidentes sobre a receita bruta apurada na venda de produtos no mercado interno. A recuperação do PIS/PASEP e da COFINS incidentes na importação, entretanto, não poderá ser utilizada pelas empresas tributadas pelo Lucro Presumido e pelo SIMPLES. Conforme se pode observar no documento citado no item anterior, existem diversas empresas que são tributadas pelo Lucro Presumido e pelo SIMPLES que utilizaram a fiscalizada para realizar as suas importações. Assim, os valores do PIS/PASEP e da COFINS creditados pela fiscalizada, em relação às importações de tais empresas, é mais um dano provocado ao Erário Federal. Por tudo que foi exposto, fica caracterizado o dano ao Erário, já que a Gama Comercial Importadora e Exportadora Ltda não é a real adquirente das mercadorias importadas, devendose, assim, ser aplicado o disposto no artigo 23, inciso V (e seus parágrafos) do DecretoLei 1.455 de 07 de abril de 1976, com as modificações introduzidas pela Lei 10.637 de 30 de dezembro de 2002 (conversão da Medida Provisória N°. 66 de 29 de agosto de 2002). Cientificadas, a contribuinte Gama Comercial importadora e Exportadora Ltda e a devedora solidária Menta & Mellow Comercial Ltda apresentaram impugnação, alegando, em síntese: Gama Comercial Importadora c Exportadora Ltda fls. 1.131 a 1.137, acompanhada dos documentos de fls. 1.138 a 1.176. ü Que em 11 de maio de 2006, iniciouse contra a impugnante o procedimento especial de fiscalização previsto na IN 228/02; ü Que, utilizandose de seu direito de defesa previsto na própria IN, apresentou contraposição, rechaçando tudo que fora levantado pelo Auditor Fiscal; ü Que no dia 7 de janeiro/2008, através do comunicado SECAT/ALF/PORTO VITÓRIA N° 001, chegou ao conhecimento da impugnante o despacho do Sr. Inspetor a respeito do Parecer n° 991/07, o qual expressamente declarou ser aquela representação totalmente insubsistente tomandoa nula; ü Que os autos de infração não estavam numerados, dificultando a identificação de cada um deles no comprot e que não contavam com a assinatura do chefe do setor responsável, conforme previsto no art. 11 do Decreto n° 70.235/72; ü Que através da decisão exarada no Parecer n° 991/07, acabouse com a possibilidade de prosperar qualquer infração porventura levantada por tal relatório; Requer, por fim, seja o auto de infração declarado nulo e insubsistente, bem como seja determinada a anulação das respectivas Representações Penais. Fl. 5971DF CARF MF 6 A empresa Menta & Mellow Comercial Ltda fls. 1.177 a 1.202, acompanhada dos documentos de fls. 1.205 a 1.245. ü Que as conclusões da autoridade fiscal defluem todas de presunções baseadas cm supostos indícios, inexistindo qualquer prova do quanto por ela alegado; ü Que o auditor fiscal é incompetente para aplicar pena de perdimento; ü Que a defendente é parte ilegítima para figurar como devedora solidária do crédito tributário; ü Que a relação da defendente com a atuada é de compra e venda; ü Que a existência de arras confirmatórias do negócio (também conhecidas como “sinal”), vale dizer, de adiantamento, por uma das partes, da prestação que é devida no negócio, é perfeitamente admissível em nosso ordenamento e não pode ser usada como fundamento para a descaracterização das intenções das partes; ü Que inexiste qualquer indicio que autorize o agente fiscalizador a falar em simulação, atribuindo a defendente a falsa qualificação de “real adquirente das mercadorias”; ü Anexa cópia do Acórdão 0710.547 TTurma da DRJ/Florianópolis, fls. 1.225/1.245, onde a defendente foi excluída do pólo passivo naquele processo administrativo fiscal; ü Que o auto de infração em debate tem como base um relatório fiscal que, em entendimento da própria fiscalização da Alfândega do Porto de Vitória, não é capaz de comprovar qualquer irregularidade que supostamente tenha praticado a autuada; ü Que para atribuir responsabilidade a defendente se levou em conta o fato de a documentação contábil da autuada apresentar indícios de irregularidades; ü Que a documentação existente, atestando a operação de compra e venda entre a autuada e a defendente, foi simplesmente desconsiderada por alegada incoerência de dados registrados pela autuada; ü Que o agente fiscal, para sustentar seu posicionamento, valeuse da presunção legal estabelecida no art. 27 da Lei n° 10.637/2002. No entanto, no caso em tela, houve apenas parcial adiantamento de recursos por parte da defendente, cuja finalidade foi simplesmente a de garantir o negócio realizado e não financiar a importação. Requer, diante do exposto, a nulidade do auto de infração por evidente falta de fundamentação e nítido descompasso com a verdade real dos fatos. Não sendo hipótese de nulidade, requer seja o mesmo julgado improcedente cm razão da inexistência de infração imputada à empresa. Fl. 5972DF CARF MF Processo nº 12466.000917/200881 Acórdão n.º 3302005.784 S3C3T2 Fl. 5 7 Em 19 de setembro de 2008, através do Acórdão n° 0714.077, a 2a Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Florianópolis (SC), por maioria de votos, considerou procedente o lançamento, mantendo o crédito tributário exigido. Entendeu a Turma que: ü O Auto de Infração foi lavrado por servidor competente e não ocorreu a hipótese de cerceamento do direito de defesa. Se a autoridade administrativa cumpriu todos os preceitos da legislação em vigor, constando a perfeita descrição do fato e os dispositivos legais infringidos, como se verifica nos autos, não procede o argumento de que o Auto de Infração constante no processo é nulo; ü Quanto à alegação de descumprimento de requisito estabelecido no art. 11 do PAF (assinatura do Chefe do Órgão), mister se faz esclarecer que o lançamento em tela foi formalizado por meio de auto de infração (art. 10 do referido Decreto) e não por notificação de lançamento; ü Importante registrar, por oportuno, que a apuração dos fatos e as provas concernentes ao presente processo são autônomas em relação àquelas que embasaram o Parecer n° 991/07 elaborado pelo SEORT/ALFÂNDEGA/PORTO DE VITÓRIA; ü Compulsando as peças que compõem o processo, verificase que a autoridade fiscal carreou aos autos elementos que indicam uma ocultação do real adquirente; ü Por sua vez, a empresa Menta & Mellow Comercial Ltda baseou sua defesa no argumento de que o lançamento estaria assentado em meras suposições, desprovidas de qualquer comprovação material ou mesmo que o ocorrido se referiu a equívoco na contabilidade da empresa importadora (Gama); ü É importante ressaltar que, ainda que os referidos elementos apresentem um caráter de prova indireta, é inequívoca a necessidade de que a interessada, ao contraditar, demonstre não ser a real importadora das mercadorias em questão através das razões e provas que possuir; ü Quanto a empresa Gama Comercial Importadora e Exportadora Ltda, esta construiu sua defesa argüindo a nulidade do auto de infração por inobservância ao art. 11 do Decreto n° 70.235/72 (assinatura do Chefe do Órgão) e no entendimento de que não seria possível a presente autuação em razão da conclusão do Parecer SEORT/ALF/Porto de Vitória n° 991/07 que tomou sem efeito a representação para a caracterização da declaração de inaptidão, temas estes já tratados anteriormente; ü Da análise da legislação sobre o tema em tela, acima transcrita, concluise que a mercadoria importada nas condições previstas no Fl. 5973DF CARF MF 8 inciso V do artigo 23 do DecretoLei n° 1.455/76 caracteriza a infração de “dano ao erário”, sendo a mesma punida com a pena de perdimento que será convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria quando esta não for localizada ou se a mesma for consumida; ü Configurase a interposição fraudulenta toda vez que uma pessoa, física ou jurídica, apresentase como responsável por uma operação que não realizou, se inteipondo entre determinada parte (no caso o fisco) e outra (no caso, o verdadeiro sujeito passivo responsável pela promoção da entrada da mercadoria no Território Nacional); ü Assim, comprovada a ocorrência da interposição fraudulenta, resta configurado o dano ao Erário. A empresa GAMA SERVICOS E NEGOCIOS LTDA foi cientificada da Decisão da Delegacia Regional de Julgamento, via Aviso de Recebimento, em 09/10/2008 (folhas 2.528). A empresa MENTA & MELLOW COMERCIAL LTDA foi cientificada da Decisão da Delegacia Regional de Julgamento, via Aviso de Recebimento, em 13/10/2008 (folhas 2.534). Contra o acórdão recorrido, a empresa Gama Comercial Importadora e Exportadora Ltda. interpôs recurso voluntário, em 07/11/2008 (folhas 2.537) defendendo especialmente que: ü A decisão seria nula por ter alterado o critério jurídico do lançamento; que acusou a empresa de ter insuficiência de recursos, e não de ocultação do real adquirente; ü Seria nulo o lançamento por tese se baseado em Relatório tornado insubsistente pelo Parecer n° 991/07 elaborado pelo SEORT/Alfândega/Porto de Vitória, referendado pelo Inspetor da Alfândega, não tendo havido motivação para contrapor as conclusões deste; ü Não houve interposição fraudulenta ou ocultação de adquirente. A empresa Menta & Mellow Comercial Ltda interpôs Recurso Voluntário em 11/11/2008 (folhas 2.867). Foi alegado que: ü Da inexistência do dano ao erário público; ü A Recorrente agiu com boa fé no exercício de suas atividades; ü Da invalidade de lançamento fiscal escorado em presunção simples; ü Da incompetência do Auditor Fiscal da Receita Federal para aplicar pena de perdimento; Fl. 5974DF CARF MF Processo nº 12466.000917/200881 Acórdão n.º 3302005.784 S3C3T2 Fl. 6 9 ü Da ilegitimidade de parte em virtude da inexistência de solidariedade passiva; ü Da Violação ao Princípio da Busca da Verdade Material. Em 25 de fevereiro de 2014, a ilustre Turma do CARF decidiu, através da Resolução n° 3202000.190, converter o julgamento em diligência, para que a autoridade preparadora: 1. juntada aos autos a cópia integral do Processo de n° 12466.000172/200770, especialmente a documentação de fls. 1.287 a 1.680 deste, onde consta os contratos de câmbio que comprovariam a capacidade econômica da recorrente, Gama Comercial Importadora e Exportadora Ltda., de acordo com o Parecer n° 991/07; 2. intimada a unidade preparadora para analisar se a documentação de fls. 1.287 a 1.680 do Processo de n° 12466.000172/200770, onde consta os contratos de câmbio a que alude a conta contábil "Câmbio Exterior Próprio", comprovariam ou não a capacidade econômica da recorrente, Gama Comercial Importadora e Exportadora Ltda. Ao fim da instrução processual, as Recorrentes deverão ser intimadas para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias sobre os documentos juntados aos autos em decorrência da diligência. A fiscalização juntou informação fiscal de folhas 5.942 a 5.944 do processo digital. A empresa GAMA SERVICOS E NEGOCIOS LTDA tomou ciência por via eletrônica em 27/01/2015 (folhas 5.948). A empresa MENTA & MELLOW COMERCIAL LTDA tomou ciência por via eletrônica em 27/01/2015 (folhas 5.962). A empresa GAMA SERVICOS E NEGOCIOS LTDA se manifestou de folhas 5.952 a 5.959 do processo digital. A empresa MENTA & MELLOW COMERCIAL LTDA não se manifestou. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Lima Abud – Relator. Da admissibilidade. Fl. 5975DF CARF MF 10 Por conter matéria desta E. Turma da 3a Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte, considerando que: Ø A empresa GAMA SERVICOS E NEGOCIOS LTDA foi cientificada da Decisão da Delegacia Regional de Julgamento, via Aviso de Recebimento, em 09/10/2008 (folhas 2.528); Ø A empresa MENTA & MELLOW COMERCIAL LTDA foi cientificada da Decisão da Delegacia Regional de Julgamento, via Aviso de Recebimento, em 13/10/2008 (folhas 2.534). Contra o acórdão recorrido, a empresa Gama Comercial Importadora e Exportadora Ltda. interpôs recurso voluntário, em 07/11/2008. A empresa Menta & Mellow Comercial Ltda interpôs Recurso Voluntário em 11/11/2008 (folhas 2.867). Os recurso são tempestivos. Da controvérsia. No caso em questão, a discussão se cinge aos seguintes pontos: a) A decisão seria nula por ter alterado o critério jurídico do lançamento; que acusou a empresa de ter insuficiência de recursos, e não de ocultação do real adquirente; b) Seria nulo o lançamento por tese se baseado em Relatório tornado insubsistente pelo Parecer n° 991/07 elaborado pelo SEORT/Alfândega/Porto de Vitória, referendado pelo Inspetor da Alfândega, não tendo havido motivação para contrapor as conclusões deste; c) Não houve interposição fraudulenta ou ocultação de adquirente; d) Aplicação do princípio da retroatividade benigna, tal como articulado no Voto Vencido do acórdão recorrido. Das Preliminares. ALTERAÇÃO DO CRITÉRIO DO LANÇAMENTO Após transcrever o artigo 142 do Código Tributário Nacional, o Recorrente empresa Gama Comercial alega às folhas 06 do seu Recurso Voluntário: No caso, foi formulada uma exigência, segundo determinado critério através de todo o procedimento de lançamento, posteriormente, no momento do julgamento o conteúdo do lançamento, especificamente a matéria tributável, foi modificado sem que houvesse motivação para isso. Todo o procedimento fiscalizatório ocorreu no sentido de se comprovar a utilização pela recorrente de recursos de terceiros nas operações de comércio exterior, consequentemente toda sua Fl. 5976DF CARF MF Processo nº 12466.000917/200881 Acórdão n.º 3302005.784 S3C3T2 Fl. 7 11 defesa foi no sentido de se comprovar que nunca se utilizou de recursos de terceiros para subsidiar suas atividades, em seguida o Auditor, encarregado de analisar o procedimento da representação fiscal elaborou o parecer conclusivo. Parecer SEORT 991/07. no sentido de que não houve a utilização de recursos de terceiros nas operações da recorrente. (Grifos próprios do original) Mais adiante, às folhas 07 do seu Recurso Voluntário, a empresa Gama Comercial alega: Houve total afronta ao devido processo legal, nulificando assim seu ato, porquanto lavrou o Auto de Infração após o Parecer conclusivo n° 991/07 (SEORT), no qual julgou pela insubsistência dos motivos ensejadores da Representação Fiscal para Fins de Inaptidão, em cujo parecer constatouse a regularidade das operações realizadas pela recorrente e de que não houve a utilização de recursos de terceiros nas importações realizadas. Ademais, no Auto de Infração, não se verificou qualquer apontamento do I. Auditor Fiscal do SEFIA que indicasse que a recorrente não seria a real adquirente das mercadorias, haja vista que todo o procedimento de fiscalização foi no sentido de se comprovar, ou não, a utilização de recursos próprios na importação. O auto de infração é vago, pois o fiscal que o lavrou não o fundamenta correta e claramente, apenas apensa seu relatório conclusivo que foi considerado nulo pelo Inspetor o qual tentava comprovar que a requerente não possuia recursos próprios e a decisão advinda da Delegacia de Julgamento muda totalmente a descrição dos fatos para emitir seu Acórdão dizendo agora que se trata de ocultacão do real adquirente. E, convenhase, tal fato é muito relevante, pois muda totalmente a situação de interposição fraudulenta que foi tachada à recorrente. (Grifos próprios do original) O pleito da impugnante quer obstaculizar os efeitos da presente ação fiscal sob a alegação de que a empresa importadora já havia sido submetida a um procedimento especial de fiscalização anterior, com base na mesma Instrução Normativa n° 228/02. O argumento esposado pelo impugnante deliberadamente confunde (ou ignora) o objeto da presente ação fiscal com os efeitos próprios da Instrução Normativa n° 228/02. Para aclarar e delimitar os contornos do objeto da presente ação fiscal e dos efeitos próprios da Instrução Normativa n° 228/02, passase a discorrer sobre esse último. ❉ Os efeitos próprios da Instrução Normativa n° 228/02 Fl. 5977DF CARF MF 12 O procedimento especial de fiscalização bastante utilizado pela Receita Federal do Brasil está assim previsto: ❖ Instrução Normativa SRF n° 228/02. Art. 1º As empresas que revelarem indícios de incompatibilidade entre os volumes transacionados no comércio exterior e a capacidade econômica e financeira evidenciada ficarão sujeitas a procedimento especial de fiscalização, nos termos desta Instrução Normativa. § 1º O procedimento especial a que se refere o caput visa a identificar e coibir a ação fraudulenta de interpostas pessoas em operações de comércio exterior, como meio de dificultar a verificação da origem dos recursos aplicados, ou dos responsáveis por infração à legislação em vigor. § 2º No caso de importação realizada por conta e ordem de terceiro, conforme disciplinado na legislação específica, o controle de que trata o caput será realizado considerando as operações e a capacidade econômica e financeira do terceiro, adquirente da mercadoria. (...) Da Aplicação do Procedimento Especial Art. 3º Cabe ao titular da unidade da SRF de fiscalização aduaneira com jurisdição sobre o domicílio fiscal do estabelecimento matriz da empresa determinar o início da ação fiscalizadora, mediante expedição de Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Parágrafo único. Considerados a conveniência da administração e os recursos disponíveis, o Superintendente Regional da Receita Federal poderá designar outra unidade da região fiscal para conduzir o procedimento especial previsto nesta Instrução Normativa. (...) Art. 7º Enquanto não comprovada a origem lícita, a disponibilidade e a efetiva transferência, se for o caso, dos recursos necessários à prática das operações, bem assim a condição de real adquirente ou vendedor, o desembaraço ou a entrega das mercadorias na importação fica condicionado à prestação de garantia, até a conclusão do procedimento especial. Destacase que o procedimento especial de fiscalização disciplinado na IN SRF n° 228/02 tem por foco a EMPRESA, sendo aplicado sobre a matriz da empresa fiscalizada. A unidade da Receita Federal do Brasil responsável pelo desenvolvimento deste procedimento é aquela que tenha jurisdição sobre a cidade na qual se localize a matriz da empresa. O fato que propicia o implemento do procedimento especial de fiscalização disciplinado pela Instrução Normativa n° 228/02 são indícios de incompatibilidade entre os volumes transacionados no comércio exterior e a capacidade econômica e financeira da empresa importadora, consoante o estipulado em seu artigo 1º. Por conseguinte, caso detectados esses indícios, serão implementados efeitos próprios da Instrução Normativa n° 228/02, tal qual estipulado em seu artigo 7º: · a partir do momento em que é iniciado o procedimento da IN SRF n° 228/02, todas as mercadorias posteriormente importadas pela empresa sujeita ao procedimento, EM TODO O TERRITÓRIO NACIONAL, serão retidas pela Receita Federal do Brasil; Fl. 5978DF CARF MF Processo nº 12466.000917/200881 Acórdão n.º 3302005.784 S3C3T2 Fl. 8 13 · o desembaraço ou a entrega das mercadorias na importação fica condicionado à prestação de garantia, até a conclusão do procedimento especial. Portanto, os efeitos próprios da Instrução Normativa n° 228/02 são procedimentos atinentes ao desembaraço aduaneiro, cuja competência pelo seu implemento em última análise cabe ao Sr. Inspetor de Alfândega. Toda e qualquer mercadoria importada antes da instauração do procedimento, mas ainda não desembaraçada e entregue à empresa, será retida. Caso a empresa deseje desembaraçar alguma Declaração de Importação, poderá fazêlo mediante prestação de garantia. A seguir o quadro comparativo entre os mencionados procedimentos especiais: ❉ O objeto do presente Auto de Infração O objeto do presente Auto de Infração não diz respeito à procedimentos atinentes ao desembaraço aduaneiro entrega das mercadorias na importação condicionada à prestação de garantia –. O objeto do presente Auto de Infração diz respeito à: · constatação pela fiscalização de uma conduta ilícita por parte do importador – a não comprovação da origem, disponibilidade e transferência de recursos empregados na importação – conduta tipificada no §2º, do artigo 23 do Decreto Lei n° 1.455/76; · aplicação de uma sanção – a multa equivalente ao valor aduaneiro (100% do V.A.) em substituição à pena de perdimento (§3º, do artigo 23 do Decreto Lei n° 1.455/76 ) Fl. 5979DF CARF MF 14 Percebam o seguinte: · o objeto do procedimento especial de fiscalização estipulado na Instrução Normativa n° 228/02 é a incompatibilidade entre os volumes transacionados no comércio exterior e a capacidade econômica e financeira da empresa importadora; · o objeto tanto da presente ação fiscal quanto da declaração de inaptidão da inscrição da pessoa jurídica no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas – CNPJ é a não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados nas operações de importação. Portanto, são fatos dispares que põe por terra a argumentação esposada na impugnação. No mais, há que se ressaltar a distinção de competências entre os procedimentos, a saber: a) Instauração do procedimento especial de fiscalização com base na Instrução Normativa n° 228/02, cuja competência fica a cargo do Sr. Inspetor de Alfândega; b) No caso de mercadoria desembaraçada consumida, revendida ou não localizada, o lançamento da multa equivalente ao valor aduaneiro (100% do V.A.), e uma vez esse lançamento impugnado a competência para o seu julgamento fica a cargo da Delegacia Regional de Julgamento; e c) A declaração de inaptidão da inscrição da pessoa jurídica no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas – CNPJ, com base no §1º Fl. 5980DF CARF MF Processo nº 12466.000917/200881 Acórdão n.º 3302005.784 S3C3T2 Fl. 9 15 do artigo 81 da Lei n° 9.430/96, cuja competência fica a cargo do Delegado da Receita Federal do Brasil da circunscrição da Matriz da empresa. O caso em análise diz respeito ao item (2) competência para o julgamento da multa equivalente ao valor aduaneiro (100% do V.A.) a cargo da Delegacia Regional de Julgamento. Assim como o julgamento no âmbito da Delegacia Regional de Julgamento não interfere nos demais procedimentos, a recíproca é verdadeira, pois se tratam de competências distintas. O próprio Acórdão de Impugnação comunga com esse entendimento, ao afirmar que: Importante registrar, por oportuno, que a apuração dos fatos e as provas concernentes ao presente processo são autônomas em relação àquelas que embasaram o Parecer n° 991/07 elaborado pelo SEORT/ALFÂNDEGA/PORTO DE VITÓRIA; Um breve comentário a respeito da declaração de inaptidão da inscrição da pessoa jurídica no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas – CNPJ: este Relator advoga que se trata de um ato discricionário, onde o Delegado da Receita Federal do Brasil da circunscrição da Matriz da empresa possui uma margem para avaliar as consequências e efeitos do ato, mesmo porque o legislador não estabeleceu quaisquer parâmetros. Uma empresa que possui um número pequeno de operações de importação sem compravação da origens dos recursos e instalações, ainda que parcas, e com empregados deve ter um tratamento diverso daquela que não comprove qualquer origem de suas operações de importação e não possua nenhuma estrutura e sem empregados. O que se quer enfatizar é que a declaração de inaptidão da inscrição da pessoa jurídica no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas – CNPJ necessita de um critério, uma dosagem, que só a partir da análise da realidade constatada será possível se auferir. Feito esse adendo, a exigência da multa equivalente ao valor aduaneiro (100%), a partir da incidência do §2° c/c §3° do artigo 23 do Decreto Lei n° 1.455/76, tem por gênese o Lançamento Vinculado por parte da autoridade fiscal e se submete ao rito do Procedimento Administrativo Fiscal, Decreto n° 70.235/72. Portanto, são esferas distintas e independentes, não podendo a decisão de uma interferir na outra, porque possuem critérios de avaliação distintos quanto aos seus resultados. NECESSIDADE DE REABERTURA DE PRAZO PARA DEFESA DIANTE DA MODIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO AUSÊNCIA CERCEAMENTO DE DEFESA É alegado às folhas 08 e 09 do Recurso Voluntário pela empresa Gama Comercial: Em respeito aos princípios do contraditório, da motivação, da ampla defesa, do devido processo legal e da segurança jurídica, Fl. 5981DF CARF MF 16 eventual mudança de motivação do ato de lançamento inicial DEVE impor o reconhecimento de ofício da nufídade do Lançamento ou do Auto de Infração, demandando obrigatória lavratura de NOVA Notificação de Lançamento ou de Auto de Infração, observando os prazos decadendais e o direito de defesa; nunca a correção. A fase de julgamento examinada somente a legalidade do lançamento tributário, especialmente sobre a relação de pertinência entre os elementos contidos na Notificação de Lançamento ou no Auto de Infração, a situação fática concreta atribuível ao sujeito passivo e o seu embasamento jurídico, por meio da observância dos preceitos constitucionais e legais. Não há que se confundirem as funções administrativa (lavratura da Notificação de Lançamento ou do Auto de Infração) e executiva (diligências e providências pertinentes à retificação da Notificação de Lançamento ou do Auto de Infração), com a função de julgamento (Decisão acerca da legitimidade do lançamento tributário). Aos órgãos de julgamento compete a função de decidir a lide processual administrativa, já que sua competência é haurida pelo art 5, incisos LV e LV1, ao passo que a da autoridade lançadora tem fundamento no art 142 do CTN e no poder/dever de tributação constitucional. Assim, a autoridade administrativa ou mantem a Notificação de Lançamento ou o Auto de Infração (de forma total ou parcial) ou decretando a respectiva insubsistência e inerente cancelamento dos débitos fiscais. Para discorrer sobre a questão levantada, é mister responder a duas indagações: 1. Qual a exigência discutida no presente Auto de Infração? 2. Qual o seu fato gerador? A resposta a essas duas singelas questões demonstram a absoluta incongruência da argumentação esposada na impugnação, bem como da jurisprudência administrativa por ela transcrita. A exigência discutida no presente Auto de Infração é a multa equivalente ao valor aduaneiro (§3º, do artigo 23 do Decreto Lei n° 1.455/76) decorrente da substituição da pena de perdimento por dano ao Erário, em função da prática de interposição fraudulenta de terceiros ( inciso V, §2º do artigo 23 do Decreto Lei n° 1.455/76). E então se segue a outra questão: qual o fato gerador da pena de perdimento ou da multa equivalente ao valor aduaneiro? E a resposta categórica salta aos olhos: Não há o que se falar em fato gerador para pena de perdimento ou multa equivalente ao valor aduaneiro, porque a exigência discutida, embora proveniente de um lançamento, na sua gênese está presente um ato ilícito aduaneiro, enquanto que o fato gerador é uma atividade lícita reveladora de riqueza. Fl. 5982DF CARF MF Processo nº 12466.000917/200881 Acórdão n.º 3302005.784 S3C3T2 Fl. 10 17 A pena de perdimento, pautada no artigo 23 do DecretoLei nº 1.455/76, não possui natureza tributária. Sua finalidade é dispare da arrecadação de tributos. A aplicação da pena de perdimento tem por propósito a vedação que determinadas mercadorias cheguem ao mercado interno, seja pelo modo ilícito que ocorreu a sua importação, seja pela própria natureza da mercadoria importada de circulação proibida. A natureza jurídica da pena de perdimento é de sanção da espécie administrativa, proveniente do exercício do poder de polícia pela fiscalização aduaneira O conceito de tributo, esculpido no artigo 3º do Código Tributário Nacional, assim determina: Art. 3º Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada. (Grifo Nosso) O fato gerador é o instituto responsável pela natureza jurídica específica do tributo, a luz do caput do artigo 4º do Código Tributário Nacional. Fato gerador necessariamente possui natureza dispare de ato ilícito. Fl. 5983DF CARF MF 18 Dar tratamento tributário a pena de perdimento oriunda de ato ilícito (dano ao Erário) é subverter o próprio conceito lapidar de tributo atribuído pelo artigo 3º do Código Tributário Nacional. Muitos se pegam na letra do artigo 96 do Código Tributário Nacional para dar uma conotação de infração tributária à pena de perdimento. Tributo não advém de prática de ato ilícito. Tributo não é sanção. Tributo não possui sua gênese a partir da violação do direito de alguém; não possui natureza de reparação. A gênese de um tributo é um fato gerador, jamais um ato ilícito que acarreta a aplicação da pena de perdimento. Entendese que não observar essa interpretação é violar o rigor conceitual do artigo 3º do Código Tributário Nacional ao definir tributo: ... que não constitua sanção de ato ilícito. Pena de perdimento decorre de ato ilícito, logo não pode ter tratamento de tributo. A similaridade reside que ambas as condutas são tipificadas, portanto definidas em Lei. A mesma Lei que elege a conduta dita seus efeitos caso praticada por um sujeito de direito. Contudo, ao se negar a distinção da natureza jurídica entre a incidência da multa equivalente ao valor aduaneiro (100% do V.A.) em substituição à pena de perdimento e de tributo, sem ao menos atentar para suas respectivas gêneses, deturpase conceitos cristalizados que o legislador quis separar: · A gênese da relação jurídico tributária é uma conduta comissiva, uma PRÁTICA LEGAL e incentivada do ponto de vista sócio econômico, na medida em que é um fato revelador de riqueza, que o Estado legitimamente se apropria de um quinhão; · A gênese da pena de perdimento é uma conduta que pode ser tanto omissiva quanto comissiva e possui natureza jurídica de ato ilícito. Uma PRÁTICA REPUDIADA do ponto de vista jurídico, que o legislador entendeu por bem NÃO TOLERAR. A relação jurídico tributária, cujo objeto é o tributo, por gênese um ato lícito, definido em Lei como fato gerador. A multa equivalente ao valor aduaneiro, exigida no presente Auto de Infração, tem por gênese um ato ilícito cuja a sanção é a pena de perdimento. Fl. 5984DF CARF MF Processo nº 12466.000917/200881 Acórdão n.º 3302005.784 S3C3T2 Fl. 11 19 As consequências dessa distinção são bem palpáveis quanto aos efeitos jurídicos: Para complementar a exposição, transcrevese os artigos 94 e 95 do Decreto Lei n° 37/66: Art.94 Constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que importe inobservância, por parte da pessoa natural ou jurídica, de norma estabelecida neste DecretoLei, no seu regulamento ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completálos. § 1º O regulamento e demais atos administrativos não poderão estabelecer ou disciplinar obrigação, nem definir infração ou cominar penalidade que estejam autorizadas ou previstas em lei. § 2º Salvo disposição expressa em contrário, a responsabilidade por infração independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Art.95 Respondem pela infração: I conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie; (...) V conjunta ou isoladamente, o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) Fl. 5985DF CARF MF 20 VI conjunta ou isoladamente, o encomendante predeterminado que adquire mercadoria de procedência estrangeira de pessoa jurídica importadora. (Incluído pela Lei nº 11.281, de 2006) (Grifo e negrito nossos) Esse arrazoado tem por objetivo demonstrar a incongruência da argumentação analisada, por invocar fundamentos próprios do Código Tributário Nacional. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO PARA MODIFICAR O LANÇAMENTO É alegado às folhas 13 do Recurso Voluntário da empresa Gama Comercial: No Auto de Infração constou que a penalidade foi aplicada à recorrente em razão da conclusão do I. Auditor Fiscal ao término do procedimento especial de fiscalização previsto náV IN/SRF n° 228/02, o qual resultou na proposta de Representação para Fins de Inaptidão do CNPJ da empresa. FRISESE que o enquadramento utilizado pelo I. Auditor Fiscal na lavratura do Auto de Infração decorreu de meras ilações, as quais foram todas refutadas pela recorrente por ocasião da apresentação da contraposição, inclusive sendo apreciada pela autoridade competente, qual analisou toda a defesa e os documentos apresentados sendo que, ao final, concluiu através do Parecer n° 991/07 (SEORT), que não ocorreu as irregularidades apontadas pelo I. Auditor Fiscal, razão pela qual julgou pela insubsistência daquelas alegações que motivaram o ato. Portanto, concluise, que o I. Auditor Fiscal CONDENOU a recorrente contrariamente ao resultado final daquele processo administrativo, o qual foi devidamente apreciado pela autoridade competente para tal. Ou seja, o auto de Infração jamais podería ter sido lavrado haja vista que os motivos que ensejaram aquela autuação foram julgados INSUBSISTENTES pelo Inspetor da Alfândega do Porto de Vitória, que tomou NULA toda a atuação realizada pelo I. Auditor Fiscal no procedimento especial de fiscalização. (Grifos próprios do original) Boa parte da argumentação apresentada já foi analisada em tópicos anteriores. A argumentação referente ao Parecer 991/07 SEORT se confunde com o mérito e lá será analisada. Do Mérito. O EXERCÍCIO DOS CONTROLES ADUANEIROS Para a instauração de Ação Fiscal há a necessidade de se selecionar a empresa a ser fiscalizada. Para que as chances de acerto na escolha da empresa a ser fiscalizada sejam maiores, é recomendável que a seleção se realize a partir de algumas das seguintes fontes: ● Representações Externas Fundamentadas Fl. 5986DF CARF MF Processo nº 12466.000917/200881 Acórdão n.º 3302005.784 S3C3T2 Fl. 12 21 Devem ser valorizadas as representações externas que já tragam os elementos indiciários que as fundamentem. Não devem ser confundidas com as demandas externas requisitórias, às quais devem ser encaminhadas para a fiscalização sem passar por crivo de seleção, passando apenas por eventual complementação. ● Representações Internas Geralmente, são representações de alta qualidade, elaboradas por servidores da RFB. Normalmente já vêm instruídas com os elementos indiciários. Costumam ser oriundas da Habilitação, da Fiscalização em zona secundária ou do Despacho Aduaneiro. ● Seleção Interna É o emprego de técnicas de cruzamento de informações fiscais e aduaneiras visando identificar um conjunto de empresas que possuam maior probabilidade de estar atuando como interposta pessoa. A seguir temos uma representação dos sistemas de informações disponibilizados pelas diferentes instâncias do controle aduaneiro durante as operações de importação, os quais acumulam informações que podem ser utilizadas na seleção interna: Além das informações obtidas durante o controle aduaneiro, temos várias outras que são oriundas dos sistemas de fiscalização e arrecadação de tributos internõsr Estas podem ser conjugadas com as informações de origem aduaneira, potencializando um aumento da qualidade e efetividade da seleção interna. A seleção interna na área da Interposição Fraudulenta normalmente considera diversos aspectos de uma empresa como a sua regularidade fiscal, rendimentos dos seus sócios, número de funcionários, etc., sendo considerado um trabalho de certa complexidade. Fl. 5987DF CARF MF 22 Normalmente não utiliza qualquer informação externa como denúncias ou representações, apenas informações contidas nos bancos de dados da RFB; visando a análise dos principais componentes de risco, tais como: · Logística: tipo de mercadoria, embalagem, rota, via de transporte, país de procedência; · Relativa à Transação Comercial: país de aquisição, forma de pagamento, marca x origem. · Componente Relativa à Qualidade dos Importadores · Estrutural: Condições financeiras para a realização das operações, sócios com conhecimento do negócio, condições financeiras e patrimoniais compatíveis; · Comportamental: Relacionada ao histórico de indícios ou infrações aduaneiras, tributárias, administrativas, penais. · Componente Relativa à Qualidade dos Terceiros Intervenientes; · Estrutural: Localização do domicílio em comparação à área de atuação; · Comportamental: Relacionada ao histórico de envolvimento com infrações aduaneiras, tributárias, administrativas, penais, ou indícios. A ausência de informação sobre o adquirente ou o encomendante do bem importado no registro da Declaração de Importação, prejudica o exercício efetivo dos órgãos responsáveis pelos controles aduaneiros. O CONCEITO DE INTERPOSIÇÃO EM OPERAÇÃO DE IMPORTAÇÃO A função da sólida construção jurisprudencial é fornecer critérios precisos para a equânime e indistinta aplicação da Lei. O dicionário eletrônico Houaiss, fornece uma definição precisa da locução interposição, que se adéqua ao contexto aqui a ser evidenciado: ato ou efeito de interpor(se) Locuções i. de pessoa jur substituição intencional por terceiro, num processo simulatório, do verdadeiro interessado num ato jurídico. Fonte: (http://houaiss.uol.com.br/busca?palavra=interposi%25C3%25A7%25C3%25A3o, em 01/08/15) A expressão “interposição fraudulenta” foi cunhada pela primeira vez em nosso Sistema Jurídico na Medida Provisória n° 66/2002. Para colher o exato alcance que pretendeu dar o legislador à citada expressão é necessário comparar termos semelhantes e seus respectivos significados. Fl. 5988DF CARF MF Processo nº 12466.000917/200881 Acórdão n.º 3302005.784 S3C3T2 Fl. 13 23 Aurélio Buarque de Holanda conceitua “interposição de pessoa” como “simulação que consiste em ocultar o verdadeiro interessado num ato jurídico, fazendo aparecer um terceiro em seu lugar”. No Vocabulário Jurídico, De Plácido e Silva, definese interposição como meterse de permeio, colocarse entre. É a intervenção de uma pessoa em negócio alheio, por ordem de seu dono ou a mandado dele. A pessoa interposta, com o fito de cumprir ou realizar aquilo que o ordenante ou mandante não pode fazer, é colocada ou posta entre este e um terceiro. A interposta pessoa nada mais é que aquela que executa um ato jurídico ou uma série de atos jurídicos, a mando ou ordem de alguém. O ato jurídico, objeto da presente análise, é justamente a operação de importação maculada pela prática de interposição fraudulenta de terceiros. Portanto, um ilícito aduaneiro. O ato de se interpor em operação de importação, pressupõe necessariamente a existência de dois participes: 1. O importador ➞ aquele que se apresenta às autoridades aduaneiras como responsável pela nacionalização da mercadoria. Importador é aquele que promove a entrada do bem no território nacional. Há dois pressupostos básicos para se caracterizar o importador: a) deve estar devidamente HABILITADO no Sistema SiscomexRADAR; b) é aquele que efetua o registro da Declaração de Importação em seu nome. 2. O sujeito passivo oculto (ou responsável pela operação de importação) ➞ aquele que se vale do importador para obter a nacionalização da mercadoria à margem dos órgãos responsáveis pelos controles aduaneiros. O sujeito passivo oculto é aquele que não pode ou não quer promover a operação de importação em seu próprio nome. Por isso se vale outro ( o importador ) para obter produto importado no mercado interno. Fl. 5989DF CARF MF 24 É de se frisar que é perfeitamente possível, à luz da legislação aplicável, que terceiro utilize o importador para obter produto importado no mercado interno. A legislação prevê duas formas de identificar o terceiro (REAL COMPRADOR no mercado interno ) responsável pela importação: I. modalidade de "importação por conta e ordem de terceiros"; e II. modalidade de "importação por encomenda". Não se valendo dessas duas modalidades de importação, fica caracterizada a seguinte situação: Ø o REAL COMPRADOR no mercado interno (sujeito passivo oculto) obtém a nacionalização do bem importado, por intermédio do importador interposto, sem a adoção formas previstas na legislação aplicável, permanecendo à margem dos órgãos responsáveis pelos controles aduaneiros. Fl. 5990DF CARF MF Processo nº 12466.000917/200881 Acórdão n.º 3302005.784 S3C3T2 Fl. 14 25 ❉ A normatização do conceito de interposição fraudulenta de terceiros em operações de importação. Coube ao artigo 59 da Lei n° 10.637/02, normatizar o conceito de interposição fictícia de pessoas para a área aduaneira, denominandoo de interposição fraudulenta de terceiros. O referido artigo alterou a redação do artigo 23, do DecretoLei nº 1.455, de 07 de Abril de 1976, que define as infrações que causam dano ao Erário, acrescentandolhe o inciso V, além de quatro novos parágrafos. ❖ Decreto Lei n° 1.455/76: Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: (...) V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 1o O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 2o Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 3o As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) § 4o O disposto no § 3o não impede a apreensão da mercadoria nos casos previstos no inciso I ou quando for proibida sua importação, consumo ou circulação no território nacional.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) Deve ser feita uma observação. No inciso V, do artigo 23 do Decreto Lei n° 1.455/76, o legislador trata da mesma forma as seguintes expressões: I. sujeito passivo oculto aquele que importa o bem através de um importador interposto; II. real comprador aquele que adquire o bem importado através de importador interposto no mercado interno; e III. responsável pela operação (importação) aquele que mesmo não adquirido o bem importado no mercado interno, exerce o "Domínio do Fato" sobre a operação de importação. Essas expressões ao serem usadas pelo legislador como sinônimas, retratam a mesma pessoa: o terceiro no mercado interno (dentro do território nacional) que se vale de um importador interposto para obter a nacionalização de um bem, à margem dos órgãos responsáveis pelos controles aduaneiros. Fl. 5991DF CARF MF 26 ❉ Formas de constatação da existência do sujeito passivo oculto Existem, a princípio, duas formas de constatação da existência do sujeito passivo oculto: · Por AÇÃO DIRETA – A fiscalização evidencia a existência e identifica o sujeito passivo oculto a partir de duas situações: 1. Verificação de que a fonte dos recursos aplicados na operação de comércio exterior advém de terceiro; ou 2. Verificação que terceiro foi de fato o responsável pela operação em comércio exterior (possuiu/exerceu o “domínio do fato” sobre a transação), sendo o importador um instrumento para obter o bem importado. Em ambos os casos, o terceiro deveria se identificar aos órgãos responsáveis pelos controles aduaneiros e assim não procedeu. · Por AÇÃO INDIRETA – O fisco não identifica o sujeito passivo oculto. Contudo, o ato omissivo do importador, em não comprovar a origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados, autoriza a fiscalização a presumir que terceiro (não identificado) financia a operação em comércio exterior. Essa é a mesma conclusão da lição de Deiab Junior e Nepomuceno (2008), ao se referirem às inovações trazidas à baila pela alteração do artigo 23 do Decreto Lei n° 1.455/76: a) apenou com perdimento a mercadoria de origem estrangeira, na importação ou na exportação, quando constatada a ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros, e; b) criou a presunção legal de interposição fraudulenta de terceiros em operações de comércio exterior, quando não comprovada a origem, disponibilidade e a transferência, dos recursos empregados em tais transações. DEIAB JUNIOR, Remy; NEPOMUCENO, Bruno Carvalho. Interposição fraudulenta de terceiros em operações de comércio exterior perpetradas por pessoas físicas. Jus Navigandi, Teresina, ano 13, n. 1794, 30 maio 2008 . Disponível em: <http://jus.com.br/revista/texto/11329>. Acesso em: 16 dez. 2012. Portanto, há duas formas de constatação da prática de interposição fraudulenta de terceiros: 1. Prática efetiva da interposição fraudulenta de terceiros (Ocultação) – Conduta infracional tipificada no inciso V do artigo 23 do Decreto Lei n° 1.455/76 – É a constatação da ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável através de fraude ou simulação. Sua inspiração vem da norma geral antielisiva do Parágrafo Único do artigo 116 do CTN, que pode estar relacionada ou não com a legislação que Fl. 5992DF CARF MF Processo nº 12466.000917/200881 Acórdão n.º 3302005.784 S3C3T2 Fl. 15 27 cuida do crime relacionado à ordem tributário e a “lavagem de dinheiro”, responsável por municiar a fiscalização para o combate da interposição fictícia de pessoas em operações de comércio exterior, o que implica na necessidade de comprovação, mediante a demonstração por parte da fiscalização, de quem é de fato o real sujeito passivo beneficiado. Aplicação do processo conhecido como “follow the money”. 2. Prática presumida da interposição fraudulenta de terceiros – Conduta infracional tipificada no §2° do artigo 23 do Decreto Lei n° 1.455/76 – Advém de uma presunção legal, o que acarreta ao importador/exportador a necessidade comprovar a origem, disponibilidade e a transferência, dos recursos empregados em operações de comércio exterior. Sua inspiração vem não só da norma geral antielisiva já citada, como também do artigo 1º da Lei nº 9.613/98 e municia a fiscalização com um mecanismo de controle para coibir a prática, pelo sujeito ocultado, do crime relacionado à “lavagem de dinheiro” por sucessivas operações internacionais, podendo estar relacionado com outras irregularidades tributárias, como por exemplo, fraude no preço/valor declarado (sub ou superfaturamento). O artigo 11 da IN SRF n° 228/2002 contempla essa formatação de constatação da prática de interposição fraudulenta de terceiros e determina seus respectivos efeitos, substanciados no artigo 23 do Decreto Lei n° 1.455/76, artigo 33 da Lei n° 11.488/2007 e no artigo 81 da Lei n° 9.430/96: ° Artigo 11 da IN SRF n° 228/2002: Art. 11. Concluído o procedimento especial, aplicarseá a pena de perdimento das mercadorias objeto das operações correspondentes, nos termos do art. 23, V do Decretolei nº 1.455, de 7 de abril de 1976, na hipótese de: http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/an exoOutros.action?idArquivoBinario=0 I ocultação do verdadeiro responsável pelas operações, caso descaracterizada a condição de real adquirente ou vendedor das mercadorias; II interposição fraudulenta, nos termos do § 2º do art. 23 do Decretolei nº 1.455, de 1976, com a redação dada pela Medida Provisória nº 66, de 29 de agosto de 2002, em decorrência da não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados, inclusive na hipótese do art. 10. § 1º Na hipótese prevista no inciso I do caput, será aplicada, além da pena de perdimento das mercadorias, a multa de que trata o art. 33 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007. http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/an exoOutros.action?idArquivoBinario=0(Redação dada Fl. 5993DF CARF MF 28 pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1678, de 22 de dezembro de 2016) § 2º Na hipótese prevista no inciso II do caput, além da aplicação da pena de perdimento das mercadorias, será instaurado procedimento para declaração de inaptidão da inscrição da empresa no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ). http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/an exoOutros.action?idArquivoBinario=0 (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1678, de 22 de dezembro de 2016) § 3º A hipótese prevista no inciso I do caput contempla a ocultação de encomendante predeterminado. http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/an exoOutros.action?idArquivoBinario=0 (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1678, de 22 de dezembro de 2016) ❉ Inftações decorrentes de cada prática de interposição fraudulenta de terceiros A prática EFETIVA da interposição fraudulenta de terceiros implica em duas infrações: ¨ Uma infração tipificada no inciso V, do artigo 23, do Decreto Lei 1.455/76, punível com a aplicação da pena de perdimento, tendo por destinatário o real adquirente da mercadoria e conseguinte conversão em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria no caso de que não seja localizada ou que tenha sido consumida. Uma infração imprópria que pode ser cometida por qualquer um na condição de REAL COMPRADOR em coautoria com o importador interposto. ¨ Outra infração tipificada no caput do artigo 33 da Lei 11.488/2007, punível com a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais), tendo por destinatário a pessoa jurídica que cedeu seu nome. Uma infração própria, já que para cometêla o agente deve ter a condição de ser importador devidamente habilitado no SISCOMEX. A prática PRESUMIDA da interposição fraudulenta de terceiros também implica em duas infrações: ¨ Uma infração tipificada no §2º, do artigo 23, do Decreto Lei n° 1.455/76, punível com a aplicação da pena de perdimento e conseguinte conversão em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria no caso de que não seja localizada ou que tenha sido consumida, tendo por destinatário o importador de direito (INTERPOSTO), em razão da não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na importação. Uma infração própria, já que para cometêla o agente Fl. 5994DF CARF MF Processo nº 12466.000917/200881 Acórdão n.º 3302005.784 S3C3T2 Fl. 16 29 deve ter a condição de ser importador devidamente habilitado no SISCOMEX. ¨ Outra infração tipificada no artigo 81, §1º, da Lei nº 9.430/96, que determina a declaração de inaptidão da inscrição da pessoa jurídica no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas – CNPJ, que não comprove a origem, a disponibilidade e a efetiva transferência, se for o caso, dos recursos empregados em operações de comércio exterior. Coadunase para essa constatação, o seguinte artigo: ¹ Artigo 99 do DecretoLei nº 37/66: Art.99 Apurandose, no mesmo processo, a prática de duas ou mais infrações pela mesma pessoa natural ou jurídica, aplicamse cumulativamente, no grau correspondente, quando for o caso, as penas a elas cominadas, se as infrações não forem idênticas. (Grifo e Negrito Nossos) ❉ Do ônus probatório A depender da forma de constatação da existência do sujeito passivo oculto, o ônus probatório irá oscilar: Ø Na prática efetiva o ônus probatório é da fiscalização: Cabe à ação fiscal reunir os elementos que indicam a ocorrência da interposição fraudulenta de terceiros entre o importador interposto e o sujeito passivo oculto. Ø Na prática presumida o ônus probatório é do importador: Cabe ao importador a comprovação da origem, disponibilidade e transferência de recursos empregados Fl. 5995DF CARF MF 30 na importação, na forma do §2º, do artigo 23 do Decreto Lei n° 1.455/76. ❉ A caracterização da infração O núcleo da infração da prática de interposição fraudulenta de terceiros é o USO DE INTERPOSTA PESSOA em operação de comércio exterior com o propósito de ACOBERTAR o sujeito passivo oculto. A partir disso são detectadas duas espécies da mesma infração: · Infração 1: O uso de interpostas pessoas como instrumento (meio) para acobertar a identificação do responsável pela importação (OCULTAÇÃO) por infração contra o sistema tributário nacional (FRAUDES FISCAIS/SIMULAÇÃO). · Infração 2: O uso de interpostas pessoas como instrumento (meio) para acobertar a identificação do responsável pela importação (OCULTAÇÃO) por infração contra o sistema financeiro nacional (LAVAGEM DE DINHEIRO/SIMULAÇÃO). Nesse diapasão, há três formas de se caracterizar a prática de interposição fraudulenta de terceiros: 1. A PARTIR DA NÃO IDENTIFICAÇÃO DA ORIGEM DOS RECURSOS APLICADOS A administração aduaneira deve estar atenta à movimentação de recursos financeiros de origem desconhecida ou não comprovada associada ao uso de interposta pessoa em operação de comércio exterior. 2. A PARTIR DA IDENTIFICAÇÃO DO RESPONSÁVEL DE INFRAÇÃO CONTRA O SISTEMA TRIBUTÁRIO NACIONAL A Lei nº 8.137, de 1990, define crimes contra a ordem tributária, econômica e contra as relações de consumo. Nesse contexto, a legislação objetivou não só evitar as fraudes fiscais, como também dar maior efetividade na cobrança de tributos buscando identificar o verdadeiro sujeito passivo da obrigação tributária. 3. A PARTIR DA IDENTIFICAÇÃO DO RESPONSÁVEL PELA INFRAÇÃO CONTRA O SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL A Lei nº 9.613, de 1998, dispõe sobre os crimes de "lavagem" ou ocultação de bens, direitos e valores, bem como sobre a prevenção da utilização do sistema financeiro. Portanto, tem se também como finalidade não cuidar da questão puramente tributária, mas coibir crimes de "lavagem" ou ocultação de bens, direitos e valores. Na prática as três causas se mesclam, e assim existe a hipótese de haver infrações entrelaçadas, mas sempre com o USO DE INTERPOSTA PESSOA COMO INSTRUMENTO (MEIO) PARA DIFICULTAR A IDENTIFICAÇÃO do sujeito passivo oculto. Fl. 5996DF CARF MF Processo nº 12466.000917/200881 Acórdão n.º 3302005.784 S3C3T2 Fl. 17 31 ❉ A sanção prevista A legislação apenou a prática de interposição fraudulenta de terceiros com o perdimento da mercadoria de origem estrangeira. A nova redação do § 3º, do artigo 23, do DecretoLei nº 1.455/76, dada pela Lei nº 12.350/10, substituiu a redação originariamente dada pela Medida Provisória n° 66/2002, em 29 de agosto de 2002, e estipulou a seguinte alternância de procedimentos – ritos: · Pena de perdimento ➞ se a mercadoria em situação irregular for apreendida pela fiscalização ( rito aplicado: artigo 27 do Decreto Lei n° 1.455/76 ); ou · Multa equivalente ao valor aduaneiro (100% do valor aduaneiro) ➞ se a mercadoria passível de perdimento não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida ( rito aplicado: Decreto n° 7.574/2011). Estáse assim diante de uma alternância de ritos procedimentais, a depender da retenção ou não da mercadoria passível de perdimento. É de se enfatizar o seguinte: ainda que a multa equivalente ao valor aduaneiro receba a designação de “crédito tributário”, por ser advinda de um lançamento, isso não altera a natureza jurídica da prática de interposição fraudulenta de terceiros: um ato ilícito passível de sanção (pena de perdimento ou multa equivalente ao valor aduaneiro). ▣ A PRÁTICA EFETIVA DE INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS A demonstração da prática efetiva de interposição fraudulenta de terceiros engloba três pontos: 1. Identificação do importador interposto e do sujeito passivo oculto; 2. Constatação do liame entre o importador interposto e o sujeito passivo oculto; 3. Demonstração da FRAUDE ou SIMULAÇÃO. ❉ A identificação do importador interposto e do sujeito passivo oculto Salientase que esse é o primeiro passo ou o pressuposto básico e necessário para a caracterização da prática efetiva, mas longe de ser o suficiente. Como dito, o ato de se interpor em operação de importação, pressupõe necessariamente a existência de dois participes. Na demonstração da prática efetiva, a fiscalização tem o dever de identificar tanto o importador interposto como o sujeito passivo oculto. Fl. 5997DF CARF MF 32 A fiscalização deve também evidenciar que o sujeito passivo oculto se valeu do importador interposto para obter produto importado no mercado interno. Portanto, é indispensável a demonstração pela fiscalização da revenda do produto importado no mercado interno entre os dois participes, ou a revenda do importador a alheio ( MERO COMPRADOR) sob a determinação do sujeito passivo oculto. A caracterização da prática efetiva de interposição fraudulenta de terceiros pode ocorrer através de diversos elementos, tais como: · a destinação integral e imediata das mercadorias importadas; · o conhecimento prévio ao registro da DI do destinatário das mercadorias importadas; · rotulagem das mercadorias importadas com sinais de identificação do adquirente (logotipo, marcas etc.); · especificidade das mercadorias que são importadas para um único adquirente, ou conjunto restrito de adquirentes, de tal forma que a importação não poderia ser realizada para posterior comercialização no mercado interno. Atualmente, duas formas de “terceirização” das operações de comércio exterior são reconhecidas e reguladas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB): · A importação por conta e ordem uma empresa (a adquirente), interessada em uma determinada mercadoria, contrata uma prestadora de serviços (a importadora por conta e ordem) para que esta, utilizando os recursos originários da contratante. providencie, entre outros, o despacho de importação da mercadoria em nome da empresa adquirente; · A importação por encomenda uma empresa (a encomendante predeterminada), interessada em uma certa mercadoria, contrata Fl. 5998DF CARF MF Processo nº 12466.000917/200881 Acórdão n.º 3302005.784 S3C3T2 Fl. 18 33 uma outra empresa (a importadora) para que esta, com seus próprios recursos, providencie a importação dessa mercadoria e a revenda posteriormente para a empresa encomendante. A escolha entre importar mercadoria estrangeira por conta própria ou por meio de um intermediário, contratado para esse fim, é livre e perfeitamente legal, seja esse intermediário um prestador de serviço ou um revendedor. Entretanto, tanto o importador quanto o adquirente ou encomendante. conforme o caso, devem observar o tratamento tributário específico dessas operações e alguns cuidados especiais, a fim de não serem autuados ou, até mesmo, que as mercadorias sejam apreendidas. Para que uma operação de importação por encomenda ou importação por conta e ordem seja realizada de forma perfeitamente regular, é necessário, antes de tudo, que tanto as empresas encomendantes e adquirentes quanto a empresa importadora estejam habilitadas para operar no Siscomex, nos termos da legislação respectiva. Além de habilitação de todos os intervenientes (encomendante, adquirente e importador), nas operações de importação terceirizadas, é necessário apresentar, à unidade da RFB com jurisdição para fiscalização aduaneira sobre o estabelecimento matriz da encomendante ou adquirente, cópia do contrato firmado entre as empresas (encomendante ou adquirente e importadora), caracterizando a natureza de sua vinculação, a fim de que a contratante e a contratada sejam vinculadas no Siscomex. pelo prazo ou operações previstos no contrato. A fim de promover o despacho aduaneiro das mercadorias importadas, conforme determina o art. 3o, da IN SRF n° 634/06 e o art. 3o, da IN SRF n° 225/02, ao elaborar a Declaração de Importação, o importador, pessoa jurídica contratada, deve informar que não se trata de uma operação por conta própria, indicando, em campo próprio na ficha “importador” da DI, o número de inscrição do encomendante ou do adquirente no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ). A falta de indicação do encomendante ou adquirente na Declaração de Importação, bem como a ausência de habilitação de alguma das partes no Siscomex e a ausência de vinculação do contrato na Receita Federal caracterizam a situação de ocultação do Fl. 5999DF CARF MF 34 sujeito passivo ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, punível com a pena de perdimento das mercadorias (art. 23 V, do Decretolei n° 1.455/76 com a redação dada pela Lei n° 10.637/02). ❉ Das modalidades de Importação Não há propriamente uma definição normatizada e, portanto, estanque do que vem a ser a importação direta. Poderseia esboçar aqui uma definição sob o sério risco de fazêla incompleta ou até mesmo imperfeita e assim confundir mais do que auxiliar. Por isso, tomase o caminho mais fácil e seguro. Se tanto a Importação por “conta e ordem” como a Importação por “encomenda” possuem definições precisas dadas pela Lei e se apenas existem três modalidades e possibilidades de importação no Brasil, valese do critério da complementaridade para se estabelecer que aquilo que não for Importação por “conta e ordem” e Importação por “encomenda” será, portanto, uma importação direta. É mister que se compreenda um ponto chave na consolidação da legislação de combate a interposição fraudulenta de terceiros em operações de comércio exterior e que servirá para o adequado deslinde do caso ora em análise: O artigo 27 da Lei n° 10.637/02 e a IN SRF nº 225, de 18 de outubro de 2002 – responsáveis pela definição, previsão e regulamentação da modalidade de Importação por “conta e ordem” – assim como o artigo 11 da Lei nº 11.281/2006 e a IN SRF nº 634/2006 responsáveis pela definição, previsão e regulamentação da modalidade de Importação por “encomenda” não criam qualquer conduta infracional. O que elas regulamentam, simplesmente, são formas permissivas de atuação de empresa interposta na importação. Assim, temos que inicialmente o artigo 27 da Lei n° 10.637/02 (modalidade de Importação por “conta e ordem”) e posteriormente o artigo 11 da Lei n° 11.281/06 (modalidade de Importação por “encomenda”) criam formas permissivas do uso do importador interposto. Caracterizada a prática de qualquer uma dessas duas modalidades de Importação, sem a adoção dos respectivos procedimentos previstos para a adequada identificação do adquirente ou do encomendante no mercado interno, resta configurada a ocultação do sujeito passivo (real beneficiário da importação) pelo importador interposto. ❉ A identificação do liame entre o importador interposto e o sujeito passivo oculto Para a seguinte indagação: existe a possibilidade da prática de interposta pessoa (importador interposto) em operações de importação frente à legislação brasileira? A resposta é SIM: Ø seja através da Importação por “conta e ordem”; ou Ø seja através da Importação por “encomenda”. Portanto, o passo subsquente ao da identificação do importador interposto e do sujeito passivo oculto é a demonstração por parte da fiscalização de que: Fl. 6000DF CARF MF Processo nº 12466.000917/200881 Acórdão n.º 3302005.784 S3C3T2 Fl. 19 35 Ø a modalidade de importação “direta” eleita pelo importador oculta uma modalidade de "importação por conta e ordem de terceiros"; ou Ø a modalidade de importação “direta” eleita pelo importador oculta uma modalidade de "importação por encomenda". Em outros termos: justamente para não identificar o REAL COMPRADOR no mercado interno do produto importado, foi eleita a modalidade de importação “direta”. ❉ identificação da modalidade de "importação por conta e ordem de terceiros" Para uma adequada análise, partese do conceito normativo da importação por conta e ordem de terceiros: · Disciplinada pelos artigos 80, 81 da Medida Provisória n° 2.158/0135 e artigo 29 da Medida Provisória n° 66/2002, regulamentada pela Instrução Normativa SRF nº 225, de 18 de outubro de 2002, com definição jurídica dada pelo artigo 27 da Lei n° 10.637/02: Art. 27. A operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro presumese por conta e ordem deste, para fins de aplicação do disposto nos arts. 77 a 81 da Medida Provisória n° 2.15835, de 24 de agosto de 2001. Fl. 6001DF CARF MF 36 O artigo transcrito autoriza a seguinte presunção: denominar de importação por conta e ordem de terceiros a importação realizada mediante utilização de recursos de terceiros. Assim, se a operação de importação é adimplida (fechamento do câmbio) com recursos de terceiro, a modalidade de importação a ser reconhecida será a importação por conta e ordem de terceiros, na forma do artigo 27 da Lei n° 10.637/02. O fluxograma nos auxiliará na visualização do contexto: ❉ Identificação da modalidade de importação “por encomenda” Para uma adequada análise, partese do conceito normativo da importação por encomenda: · Disciplinada pelo artigo 11 da Lei 11.281/06 e regulamentada pela Instrução Normativa SRF nº 634, de 24 de março de 2006, com definição jurídica dada pelo artigo 11 da Lei n° 11.281/06: Art. 11. A importação promovida por pessoa jurídica importadora que adquire mercadorias no exterior para revenda a encomendante predeterminado não configura importação por conta e ordem de terceiros. Como dito, na redação do inciso V, do artigo 23 do Decreto Lei n° 1.455/76, o legislador se valeu de três expressões análogas: I. sujeito passivo oculto; II. real comprador; e III. responsável pela importação. Fl. 6002DF CARF MF Processo nº 12466.000917/200881 Acórdão n.º 3302005.784 S3C3T2 Fl. 20 37 Usase uma outra expressão com o mesmo significado para explorar adequadamente o conceito de importação por encomenda: “PESSOA PREDETERMINADA”. A nova expressão tem o seu propósito porque vem a retratar uma faceta específica e determinante para a identificação da modalidade de "importação por encomenda" : A tomada de risco. Se na modalidade de "importação por conta e ordem de terceiros" a regra de ouro é entender a gênese do recurso e sua consequencia no financiamento da operação de importação, na modalidade de "importação por encomenda" a regra de ouro é identificar se o importador correu risco quanto à revenda do produto importado no mercado interno. Há que se comente um detalhe de suma importância: A bem dizer, o critério tomada de risco também pode e deve ser usado para caracterizar a modalidade de "importação por conta e ordem de terceiros", pois se entende que a tomada de risco de revenda das mercadorias importadas no mercado interno é uma característica essencial da importação direta. Isso porque: Ø na Importação por “conta e ordem” no momento da nacionalização – registro da Declaração de Importação – já existe no mercado interno comprador certo (ADQUIRENTE); e Ø na Importação por “encomenda” no momento da nacionalização – registro da Declaração de Importação – já existe no mercado interno comprador certo (ENCOMENDANTE). Portanto, é perfeitamente possível ver em um Auto de Infração o uso do critério tomada de risco conjugado com o repasse de recursos para evidenciar uma importação por conta e ordem de terceiros. Contudo, é o repasse de recursos a característica essencial daquela modalidade de importação. Na importação por encomenda, dado o seu conceito normativo inexiste qualquer repasse de recursos. Por isso, que o critério tomada de risco passa a ser relevante em sua caracterização. Tomase por base um quadrinho usado comumente para retratar a modalidade de importação direta: Fl. 6003DF CARF MF 38 Ø O importador adquire a mercadoria no mercado externo com recursos próprios e a revende no mercado interno para comprador indeterminado. Um outro quadrinho auxiliará a compreensão do conceito de PESSOA PREDETERMINADA: Ø O importador adquire a mercadoria no mercado externo com recursos próprios e a revende no mercado interno para comprador determinado (REAL COMPRADOR). A pessoa predeterminada é o comprador de bem importado definido antes da data do registro da Declaração de Importação. Como dito, a tomada de risco de revenda das mercadorias é uma característica essencial da importação direta, enquanto que na Importação por “conta e ordem” e na Importação por “encomenda” no momento da nacionalização – registro da Declaração de Importação – já existe no mercado interno comprador certo (REAL COMPRADOR). Em uma operação de venda casada, como a promovida por uma interposta pessoa em operações de importação este risco é inexistente, já que toda operação de compra e venda foi previamente arranjada e seus termos são bem conhecidos no momento em que o importador promove o despacho aduaneiro das mercadorias. Fl. 6004DF CARF MF Processo nº 12466.000917/200881 Acórdão n.º 3302005.784 S3C3T2 Fl. 21 39 Essa premissa decorre de modo direto e imperioso do objetivo traçado pela Receita Federal do Brasil em pretender possuir controle absoluto sobre o destino de todas as mercadorias importadas por empresas nacionais. Aquele que é destinatário de bem importado, já conhecido no momento do registro da respectiva Declaração de Importação, deve ser necessariamente informado aos órgãos responsáveis pelos controles aduaneiros na forma da IN SRF nº 225/02 para a modalidade de Importação por “conta e ordem” e da IN SRF nº 634/2006 para a modalidade de Importação por “encomenda” , sob o risco de configuração da prática de interposição fraudulenta de terceiros e conduta tendente a burlar os controles aduaneiros. O registro da Declaração de Importação é o marco eleito para identificar a PESSOA PREDETERMINADA, pois: 1. É o aspecto temporal que define o momento da entrada do bem no território aduaneiro; 2. É o instante de nacionalização do bem possível de ser precisado; 3. Antes desse instante a legislação pátria não tem qualquer efeito sobre o bem importado; 4. Só com o registro da Declaração de Importação é que se reúne toda a gama de informações suficientes para atender os requisitos exigidos pelas Instruções Normativas citadas. E ainda se acrescenta: Antes do ingresso da mercadoria no território nacional o bem é completamente alienígena ao ordenamento jurídico pátrio. Quem comprou, porque comprou, quando comprou, como pagou são questões por ora estranhas à fiscalização aduaneira, até mesmo porque a mercadoria pode vir a ter outro destino que não o Brasil. A ação da fiscalização aduaneira brasileira, com relação à mercadoria importada, só tem sentido a partir do seu ingresso no País. Esse momento a legislação precisa muito bem, inclusive em termos de minutos e até segundos: é o registro da Declaração de Importação. A partir desse instante é que o bem passa a ter relevância ao ordenamento jurídico pátrio, em particular à ação da fiscalização aduaneira da Receita Federal do Brasil. Para poder exercer sua expertise e verificar a regularidade da importação e assim atender a premissa de possuir controle absoluto sobre o destino de todas as mercadorias importadas por empresas nacionais, no momento do registro da Declaração de Importação o importador tem o dever de informar esse fato à fiscalização aduaneira através da adoção da modalidade de Importação por “conta e ordem” ou modalidade de Importação por “encomenda” a depender da forma de financiamento da importação. Se no momento do registro da Declaração de Importação a mercadoria tem destino certo no mercado interno – PESSOA PREDETERMINADA – é dever do importador expor esse fato, sob pena de burla aos órgãos responsáveis pelos controles aduaneiros. Fl. 6005DF CARF MF 40 E nesse contexto, é inegável que o importador age como interposta pessoa, pois a mercadoria apenas transpassa por ele. Por vezes sequer adentra ao seu estabelecimento comercial. Uma questão que é comumente suscitada é a alegação de que para se caracterizar a modalidade de "importação por encomenda" é necessário que o encomendante participe da transação comercial com o fornecedor estrangeiro. O legislador contemplou essa situação nos §§ 3º e 4º, do inciso I, do artigo 112 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n° 6.759/2009: § 3o A importação promovida por pessoa jurídica importadora que adquire mercadorias no exterior para revenda a encomendante predeterminado não configura importação por conta e ordem de terceiros (Lei no 11.281, de 2006, art. 11, caput). § 4o Considerase promovida na forma do § 3o a importação realizada com recursos próprios da pessoa jurídica importadora, participando ou não o encomendante das operações comerciais relativas à aquisição dos produtos no exterior (Lei no 11.281, de 2006, art. 11, § 3o, com a redação dada pela Lei nº 11.452, de 2007, art. 18). (grifo e negrito nossos) Portanto, a participação do encomendante das operações comerciais relativas à aquisição dos produtos no exterior é irrelevante para a caracterização da modalidade de "importação por encomenda". ❉ Identificação do responsável pela importação. Está aqui diante de um terceiro modo de identificação do liame entre o importador interposto e o sujeito passivo oculto, à margem da modalidade de importação praticada: reconhecer quem foi o responsável pela importação. Fl. 6006DF CARF MF Processo nº 12466.000917/200881 Acórdão n.º 3302005.784 S3C3T2 Fl. 22 41 Um adendo se faz necessário: como já dito, usualmente, a fiscalização identifica a prática efetiva de interposição fraudulenta de terceiros pela desconstituição da modalidade de importação direta adotada pelo importador com a consequente caracterização da modalidade de "importação por conta e ordem de terceiros" ou de “por encomenda”. Todavia, há um outro modo de demonstrar esse liame, à margem de qualquer demonstração de repasse de recursos e/ou tomada de risco. É demonstrar que o responsável pela importação utilizou o importador interposto como um longa manus. É uma outra ótica da fiscalização reconhecer a prática efetiva da interposição fraudulenta de terceiros dissociada do critério da capacidade econômica: o REAL COMPRADOR no mercado interno seria identificado como sendo aquele que detém o “Domínio do Fato”. Um outro modo de compreender (identificar) o responsável pela importação é através da seguinte constatação: sem a sua vontade a importação não aconteceria. Percebam uma nova variante da prática de interposição fraudulenta de terceiros: Quem exerce o “domínio do fato” pode vir a ser ou não o destinatário dos produtos importados no mercado interno. A mercadoria transacionada PODE SEQUER passa por ele assim como o dinheiro referente à transação. Ainda assim, é ele que determina todas as coordenadas do importador. Portanto, é tido como o responsável pela importação. IMPORTANTE: Se não for constatado o liame entre os assim denominados “importador interposto” e “sujeito passivo oculto”, aquele que a fiscalização a priori identificou como REAL COMPRADOR no mercado interno perde essa qualificação e passa a ser tratado como um “MERO COMPRADOR”, não cabendo assim qualquer tipificação da conduta no inciso V, do artigo 23 do Decreto Lei n° 1.455/76. Fl. 6007DF CARF MF 42 ❉ Demonstração da FRAUDE ou SIMULAÇÃO. Como visto, o significado de “interpor”, verbo transitivo, é "pôr entre". Já a fraude representa todo artifício empregado com o fim de enganar uma pessoa e causarlhe prejuízo. Destarte, tomando como base o simples significado das palavras, é possível concluir que interposição fraudulenta é a situação fática em que determinado ente fica numa posição de "intermediário" (importador ostensivo) com o objetivo de esconder outro agente (adquirente ou encomendante), causando prejuízo ao erário ou dificultando os controles administrativos das Aduanas. Embora a fraude já esteja perfeitamente caracterizada, nos termos do art. 72 da Lei nº 4.502/1964, cumpre ainda atentar que o bem jurídico protegido pela norma contida no art. 83, inciso I, da Lei nº 4.502/1964, com a redação dada pelo art. 1º, alteração 2ª, do Decreto lei nº 400, de 30 de dezembro de 1968, não é unicamente o Erário, mas a norma visa essencialmente resguardar o controle aduaneiro e proteger a economia nacional, que se vêem afetados pela importação fraudulenta e pela entrada clandestina de mercadorias no País. Nesse passo é possível discernir entre a fraude tributária stricto sensu e a fraude aduaneira que abrange, além dos aspectos estritamente fiscais atinentes àquela, também os extrafiscais, próprios do controle aduaneiro. Nesse sentido, fraude aduaneira não se restringe à fraude exclusivamente tributária. Assim, em matéria aduaneira, a fraude assume uma feição própria, de modo que o termo “importação fraudulenta” transcende a conduta dolosa de tãosomente evitar ou reduzir o pagamento de tributo, não se restringindo à “fraude”, tal como conceituada no art. 72 da Lei nº 4.502/1964, de feição estritamente tributária. Envolve também as ações dolosas empreendidas para burlar os controles aduaneiros, com o intuito de lograr benefícios ilicitamente, com p. ex., obter vantagens cambias, remeter divisas irregularmente etc. Em tais situações, pode ocasionalmente não haver insuficiência ou falta de recolhimento de impostos, porém não se há de negar a caracterização da importação como fraudulenta, porquanto resta evidente a ação dolosa em ilidir o controle aduaneiro para fruição de vantagens ilícitas em detrimento da economia nacional, bens jurídicos que a norma visa assegurar. Então, em relação a operações aduaneiras, seria um contrasenso exigir que a fraude se caracterizasse unicamente pela falta ou insuficiência de pagamento dos impostos incidentes na importação. No ordenamento jurídico encontramos exemplos dessa acepção, em que a importação fraudulenta não necessariamente implica supressão ou redução do imposto devido. É o caso art. 23 do DecretoLei nº 1.455, de 7 de abril de 1976, com redação dada pelo art. 59 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 (DOU 31/12/2002), que pune uma espécie de importação fraudulenta, caracterizada pela ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros, mesmo não havendo repercussão no recolhimento do imposto. Assim, “importação fraudulenta” significa importação com fraude ao controle aduaneiro, mitigandose a feição estritamente tributária de “reduzir ou evitar o pagamento do imposto” ocorrendo nos casos em que a falsificação ou a adulteração de documentos acarrete dano ao citado controle, mesmo que não haja repercussão no tratamento tributário. Fl. 6008DF CARF MF Processo nº 12466.000917/200881 Acórdão n.º 3302005.784 S3C3T2 Fl. 23 43 A propósito observese o lúcido ensinamento de ROOSEVELT BALDOMIR SOSA: "consiste a falsidade documental, em matéria aduaneira, em elaborar documento falso, ou alterálo total ou parcialmente de modo a iludir o controle administrativo. Também se conhece a falsidade ideológica, que é quando o documento se mostra verdadeiro, mas não expressa a verdade” (Comentário à lei aduaneira: Regulamento Aduaneiro, São Paulo: Aduaneiras, 1993, vol. III, p. 187) . A prática efetiva de interposição fraudulenta de terceiros, tipificada no inciso V, do artigo 23 do Decreto Lei n° 1.455/76. é uma conduta que o legislador entendeu por bem não tolerar, dado o seu RISCO POTENCIAL. O quadro abaixo indica as três etapas para a consumação da infração, de acordo com a prática efetiva. Para tanto, transcrevese trecho do Termo de Verificação Fiscal, às folhas 19 e 20 do processo digital: Por tudo que foi exposto até o presente momento, verificase que a contabilidade não está espelhando com fidedignidade as operações realizadas pela empresa e assim, pelo que foi até aqui relatado, há fortes indícios de que a fiscalizada não é a real adquirente das mercadorias importadas e que ocorria, portanto, a interposição de pessoas. Desta forma, mantivemos a continuidade da fiscalização e através de uma amostragem significativa, emitimos os Termos de Intimação Fiscal Ns 02, Ns 03, e Na 04, a fim de verificarmos a origem e a finalidade dos recursos monetários que ingressaram na empresa (anexos 09). Fl. 6009DF CARF MF 44 Após terem transcorrido mais de dois meses para atender as intimações, a empresa nos forneceu os documentos solicitados. Analisandose os documentos que nos foram enviados, verificamos que a fiscalizada enviounos somente 01 (um) contrato que foi assinado com um de seus “clientes”. Neste contrato verificase que a auditada não é a real adquirente das mercadorias, pois no mesmo é contratado que as operações_só serão realizadas mediante adiantamento de recursos monetários (anexos 10). De posse dos documentos, e em virtude da enorme quantidade de dados a serem verificados, inicialmente, utilizandose os “Compact Disc” (CDs) enviados pela empresa, criamos o Demonstrativo das Notas Fiscais Emitidas (anexos 12). Os dados constantes neste demonstrativo foram obtidos nos dados informados pela empresa na relação de notas fiscais (anexos 05) e na relação de identificação dos recursos monetários recebidos (anexos 11), os quais foram entregues, também, em “CD”. Analisandose o referido demonstrativo, concluímos que as informações prestadas pela fiscalizada não correspondiam à realidade. Em nossa análise constatamos as seguintes ocorrências: depósitos realizados em data anterior a de emissão das notas fiscais de saídas, caracterizando, assim, adiantamentos; valores depositados superiores aos valores totais constantes nas notas fiscais de saídas; valores depositados inferiores aos valores totais constantes nas notas fiscais de saídas; valores depositados em datas bem posteriores à data de emissão das notas fiscais de saídas (há casos em que a diferença de data é superior a um ano); um mesmo depósito referindose a notas fiscais de saídas emitidas em datas bem diferentes; informação de que os depósitos referiamse à devolução de cheques; Notas fiscais informadas nas planilhas de identificação dos recursos monetários recebidos não localizadas nas planilhas de notas fiscais. f) O conjunto de fatos apurados levounos a emitir o Termo de Intimação Fiscal Nfi 05 (anexos 13) para verificarmos os dados constantes nas notas fiscais de saídas. Ao examinarmos as notas fiscais de saídas, verificamos que todas as notas que constam no Demonstrativo das Notas Fiscais Emitidas foram emitidas como vendas a vista e não como vendas a prazo, como informado anteriormente pela empresa. Desta forma, nas informações prestadas, verificase que os depósitos realizados em parcelas para diversas notas fiscais são comprovações de que as informações prestadas não correspondem à realidade dos recursos monetários recebidos pela fiscalizada. Além destes fatos, observamos outros, os quais nos levaram a fazer correções Fl. 6010DF CARF MF Processo nº 12466.000917/200881 Acórdão n.º 3302005.784 S3C3T2 Fl. 24 45 no Demonstrativo das Notas Fiscais Emitidas elaborados pela fiscalização. Assim sendo, de posse do referido demonstrativo e de posse das notas fiscais, construímos ò Demonstrativo do Saldo Bancário (onde é demonstrado o saldo bancário da empresa nas datas especificadas), o Demonstrativo dos Valores Excluídos (onde é demonstrado os valores que não foram considerados no fluxo financeiro e o motivo da exclusão) e o Demonstrativo do Fluxo Financeiro (onde é demonstrado o real saldo de recursos monetários da empresa disponíveis para pagamento das despesas aduaneiras realizadas). No Demonstrativo do Fluxo Financeiro, fica demonstrada a total falta de capacidade financeira da empresa para realizar as operações de comércio exterior no período fiscalizado (anexos 13). Cabe destacar que quando foi gerado o Demonstrativo dos Valores Excluídos, todos os valores que foram creditados na conta “Obrigações Diversas”, e que foram debitados na conta “Bancos" como depósitos, não foram considerados como recursos monetários da empresa, já que, em contabilidade, a essência deve prevalecer sobre a forma e, assim, neste caso, não fica caracterizado que a empresa assumiu uma obrigação de pagamento de algo. Tais registros contábeis caracterizam que a empresa assumiu a obrigação de uma prestação de serviço por ter recebido recursos monetários de terceiros, caracterizando, desta forma, que tais recebimentos de recursos monetários são, na realidade, adiantamentos realizados pelos reais adquirentes das mercadorias importadas pela fiscalizada. Portanto, em planilhas anexas ao Auto de Infração, a fiscalização identificou como origem dos recursos empregados nas operações de importação, clientes da empresa Gama Comercial no mercado interno, o que caracteriza modalidade de importação por "conta e ordem". Como a figura do adquirente não aparece na Declaração de Importação, isso implica em burla aos controles aduaneiros e por conseguinte prática efetiva de interposição fraudulenta de terceiros, conduta infracional tipificada no inciso V, do artigo 23 do Decreto Lei n° 1.455/76. É alegado às folhas 16 do Recurso Voluntário pela empresa Gama Comercial: Infeliz foi o procedimento do I. Auditor Fiscal do SEFIA, pois em momento algum deixou claro no Auto de Infração qual o dispositivo legal a recorrente infringiu, somente apontou os artigos que amparam o seu relatório final do procedimento especial de fiscalização da IN/SRF n° 228/02, como se não soubesse o andamento final daquele processo que estava arquivado, já nulo, então utilizou esse Relatório para embasar o auto de infração, contrariando as ordens do Inspetor, o que demonstrou a total MÁ FÉ do I. Auditor Fiscal do SEFIA já manifestada inicialmente, quando ao invés de enviar uma intimação solicitando todos os documentos, foi solicitando aos poucos, para que a fiscalização perdurasse no tempo. Fl. 6011DF CARF MF 46 A Decisão proferida no referido Processo Fiscal emitida pelo SEORT da IRF/Vitória foi muito dara quando julgou insubsistente o Relatório e todas as irregularidades apontadas pelo I. Auditor Fiscal e, por consequência, anulando a acusação que a recorrente não teria utilizado recursos próprios para sua atividade. Através dessa Decisão da autoridade competente, acabouse com a possibilidade de prosperar qualquer infração porventura levantada por tal relatório. E é isso que consta claramente do Parecer n° 991/07 e que deixa claro em diversas passagens de seu teor, como o do primeiro parágrafo da página 17: “A representação não merece prosperar, pois a ausência da comprovação acima citada trazida pela fiscalização, capaz de fundamentar suas conclusões, faz subsistir incólume o entendimento firmado no presente parecer”. Mais adiante, o Recorrente apresenta trecho do Parecer n° 991/07: “Ademais, inexiste comprovação de que o contribuinte tenha utilizado algum meio fraudulento objetivando burlar os encargos tributários, de modo que se afigura exorbitante a decretação de inaptidão do CNPJ da mesma”. “0 princípio da segurança jurídica consubstanciase na necessidade e adequação dos meios empregados para que atinja os desideratos que a lei almeja. In casu, não se configurando a interposição fraudulenta, bem como havendo possibilidade da determinação de providência extremamente gravosa ao contribuinte, novamente menciono que se afiguraria demasiada a pena imposta”. “Desta forma, do quanto foi exposto, ressalvandose as vênias cabíveis, e considerando que os fatos levantados pela fiscalização não configuram irregularidades previstas na legislação para caracterização da declaração de inaptidão, manifesto entendimento de que deva ser acolhido o pleito sobre a ins0ubsistência da representação, tomandoa sem efeito, haja vista as razões expendidas no presente parecer”. “Todavia, não se pode conceber, em pleno Estado Democrático de Direito, como suficiente para ensejará imposição de qualquer penalidade, mesmo a mais branda, a inexistência de teto da empresa representada, não só pela efetiva demonstração de sua existência, mas também pela comprovação da origem dos recursos que agora se demonstra”. (Grifos próprios do original) São necessárias as seguintes considerações: 1. Em momento algum o Parecer n° 991/07 SEORT aborda a questão da demonstração do trinômio origem, disponibilizados e transferência de recursos empregados nas operações de importação; 2. O Parecer n° 991/07 SEORT aborda a questão da declaração de inaptidão da inscrição da pessoa jurídica no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas – CNPJ, o que foge por completo do escopo da Fl. 6012DF CARF MF Processo nº 12466.000917/200881 Acórdão n.º 3302005.784 S3C3T2 Fl. 25 47 prática efetiva de interposição fraudulenta de terceiros, tipificada no inciso V, do artigo 23 do Decreto Lei n° 1.455/76; 3. Sem querer invadir seara alheia, respeitando os motivos e fundamentos veiculados, mas parece claro, pelo menos para este Relator, que a declaração de inaptidão da inscrição da pessoa jurídica no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas – CNPJ foi denegada justamente porque se identificou a origem dos recursos empregados nas operações de importação, como sendo de terceiro identificado, o que implica em outra sanção. Portanto, o Parecer n° 991/07 SEORT, ponto basilar da defesa da Recorrente empresa Gama Comercial, não tem substância para ilidir a ocorrência da prática efetiva de interposição fraudulenta de terceiros. Da empresa Menta & Mellow Comercial Ltda. Foi identificada pela fiscalização como sendo a origem dos recursos empregados nas operações de importação praticadas pela empresa Gama Comercial e adquirente das mercadorias no mercado interno, o que implica sua condição de REAL COMPRADOR. São encontradas provas de transferências de recursos da empresa Menta & Mellow Comercial Ltda (REAL COMPRADORA) para à empresa Gama Comercial (importador interposto) às seguintes folhas: Ø 1881 do processo digital; Ø 1883 do processo digital; Ø 1887 do processo digital; Ø 1889 do processo digital; Ø 1891 do processo digital; Ø 1893 do processo digital; Ø 1895 do processo digital; Ø 1897 do processo digital; Ø 1899 do processo digital; Ø 1905 do processo digital; Ø 1907 do processo digital; Ø 1909 do processo digital; Ø 1911 do processo digital; Fl. 6013DF CARF MF 48 Ø 1913 do processo digital; Ø 1915 do processo digital; Ø 1917 do processo digital; Ø 1919 do processo digital; Ø 1933 do processo digital; Ø 1935 do processo digital; Ø 1939 do processo digital; Ø 1941 do processo digital; Ø 1943 do processo digital; Ø 1945 do processo digital; Ø 1949 do processo digital; Ø 1959 do processo digital; Ø 1963 do processo digital; Ø 1975 do processo digital; Ø 1979 do processo digital; Ø 1991 do processo digital; Ø 1993 do processo digital; Ø 1995 do processo digital; Ø 1997 do processo digital; Ø 1999 do processo digital; Ø 2001 do processo digital; Ø 2003 do processo digital. Esse quadro afasta a alegação da empresa Menta & Mellow Comercial Ltda de ilegitimidade passiva, pois sabia que estava adquirindo produto importado no mercado interno, na condição de ADQUIRENTE / REAL COMPRADOR – sem estar habilitada para tanto. ¨ O DANO AO ERÁRIO No caso em análise, o bem jurídico tutelado é o controle aduaneiro e esse controle foi violado, mediante a prática de fraude ou simulação tendente a burlar a Administração Aduaneira. Fl. 6014DF CARF MF Processo nº 12466.000917/200881 Acórdão n.º 3302005.784 S3C3T2 Fl. 26 49 Por serem os Imposto de Importação e de Exportação tributos com caráter extrafiscal, o dano ao Erário não se relaciona apenas a questão de “quanto de tributo deixou de ser recolhido”. Até mesmo porque, pela própria natureza da fraude e simulação proporciona vantagens de outra natureza. Mas mesmo assim, podem vir a serem detectadas vantagens irregulares relacionadas a nãoincidência de impostos e contribuições decorrentes da prática de interposição fraudulenta de terceiros, muito embora não se mostrem imprescindíveis para configurar o dano ao Erário. Para esclarecer o assunto, listase algumas dessas vantagens que podem ser auferidas indevidamente pela prática da interposição fraudulenta de terceiros: Burlar os controles de habilitação para operar no comércio exterior: Para que uma pessoa, física ou jurídica, possa operar no comércio exterior, é necessário que a Receita Federal lhe conceda uma habilitação para acesso ao Siscomex – Sistema Integrado de Comércio Exterior. A pessoa deve possuir Radar. Procedimentos relacionados a essa habilitação estão previstos em atos normativos que estabelecem uma série de verificações fiscais atinentes à avaliação da capacidade operacionaleconômicofinanceira da empresa e ao confronto entre as informações prestadas no requerimento e aquelas constantes na base de dados da Receita Federal (auditoria preventiva). Foi citado, em mais de uma oportunidade, que na interposição fraudulenta de terceiros aquele que não possui capacidade contributiva está intencionalmente exercendo o papel daquele que a possui, com o firme propósito de burla dos controles aduaneiros e fugir da exação tributária. Mesmo que se alegue que a exação tributária foi paga pela interposta pessoa, portanto o Erário não deixou de efetuar o recolhimento que lhe cabia, a burla dos controles aduaneiros ocorreu, pois não é o real importador que se apresenta perante à fiscalização com o seu nome no despacho aduaneiro. A burla aos controles aduaneiros pode causar: • impedir que uma determinada empresa (adquirente) seja submetida ao procedimento de habilitação; • impedir a equiparação, do real adquirente, à condição de estabelecimento industrial, contribuinte do IPI; • impedir a aplicação das restrições e determinações previstas na legislação de "valor aduaneiro" e de "preços de transferência"; . • impedir o conhecimento da verdadeira origem dos recursos; • impedir atribuir ao adquirente a condição de responsável solidário pelos tributos incidentes na importação; • impedir o devido registro contábil da propriedade dos bens, incluindo a composição de custos destes bens; Fl. 6015DF CARF MF 50 • propiciar o aproveitamento indevido de incentivos fiscais estaduais (ICMS), a chamada "guerra fiscal' entre os Estados da federação que, muitas vezes, apenas fomenta a criação , ou simulação de enpresas com o fim único de se obter tais vantagens; • impedir o efetivo controle aduaneiro e fiscal; No caso específico da modalidade Importação por “conta e ordem” ainda podem ser listadas as seguintes burlas aos controles aduaneiros: · A não vinculação do adquirente ao Importação por “conta e ordem”, no Siscomex, via Declaração de Importação; · A não apresentação do adquirente, para fins da vinculação, de requerimento à unidade aduaneira da Receita Federal do Brasil com jurisdição sobre o seu estabelecimento matriz, indicando: I nome empresarial e número de inscrição do importador no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ); e II – apresentação de cópia do contrato firmado entre as partes para a prestação dos serviços. · A não habilitação do adquirente no RADAR; · A não informação pelo Importação por “conta e ordem", do número de inscrição do adquirente no CNPJ em campo próprio da Declaração de Importação; · A exigência de garantia para autorização da entrega ou desembaraço aduaneiro de mercadorias, por parte do adquirente quando o valor das importações for incompatível com o capital social ou patrimônio líquido deste; E ainda traz outros efeitos: Blindar o patrimônio do real adquirente/encomendante: No caso de eventual lançamento tributário decorrente das operações, o real importador se beneficia de certa “imunidade” no âmbito patrimonial (cobrança de tributos e multa) e penal (conduta criminosa), uma vez que, aos olhos do Fisco, somente é conhecida a identidade da interposta pessoa. Fl. 6016DF CARF MF Processo nº 12466.000917/200881 Acórdão n.º 3302005.784 S3C3T2 Fl. 27 51 Quebra da cadeia de incidência do IPI: Por ordenamento constitucional, o IPI é um tributo de incidência nãocumulativa, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores (art. 153, § 3º, inciso II, da CF/88). O importador de mercadoria estrangeira é estabelecimento equiparado a industrial, consoante o artigo 13 da Lei 13.281/06. Desse modo, a saída de mercadoria do estabelecimento equiparado a industrial, mesmo quando a importação não tenha sido realizada diretamente por ele, constitui fato gerador do IPI, sendo efetivamente devido o valor do imposto em razão da diferença entre o preço de entrada e o preço de saída, pelo princípio da nãocumulatividade, conforme artigo 35 do Decreto nº 7.212/10 (RIPI). Ao não se apresentar à Receita Federal como importador de mercadorias importadas, o real adquirente intenta afastar sua condição de contribuinte (por equiparação) do IPI pela saída do produto de seu estabelecimento. Sonegação de PIS/PASEP e COFINS nãocumulativos: Em uma importação por intermédio de terceiros, o importador é contribuinte do PIS/PASEP e COFINS não cumulativos sobre a receita bruta auferida (no caso da importação por encomenda) ou sobre o valor dos serviços prestados (no caso de importação por conta e ordem), consoante o artigo 12 do Decreto nº 4.524/02. Lavagem de dinheiro e ocultação de bens e valores: Por lavagem de dinheiro entendese o procedimento utilizado para disfarçar a origem de bens e valores obtidos ilegalmente. No caso da ocultação mediante fraude ou simulação, abrese brecha para a utilização de recursos de origem desconhecida no pagamento das importações. Fruição indevida pelo importador oculto ( adquirente ) do benefício do ICMS. Esse ponto em destaque ganha abrupta relevância quando a interposta pessoa se localiza em Estado da Federação que proporciona benefícios fiscais relacionados a incidência do ICMS. Fl. 6017DF CARF MF 52 Um instrumento que a princípio teria fins de elisão fiscal, ao ser combinado com a prática efetiva da interposição fraudulenta de terceiros, via modalidade de Importação por “conta e ordem" não declarada, assume contornos de elusão fiscal. Aquele que seria em princípio instrumento para fomentar a atividade econômica de um Estado da Federação, passa a ser usado de modo ilícito ao ser combinado com a prática efetiva da interposição fraudulenta de terceiros em operações de comércio exterior. Para legitimar a sanção, basta a certificação do fato infracional, independente da existência de culpa, demonstração de boafé e ocorrência de efetivo dano ao Erário público. Este também parecer ser o entendimento da colenda jurisprudência, conforme a seguinte ementa de decisão emanada pela terceira turma do TRF da 4º Região, referente ao processo 2001.72.08.0023793/SC a respeito da natureza do dano ao erário: ADMINISTRATIVO. PENA DE PERDIMENTO. LESÃO AO ERÁRIO. ART. 136 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. Como a responsabilidade decorrente da violação à legislação tributária é objetiva, o dano ao erário deve ser entendido como de natureza meramente potencial, sob pena de se incentivar a fraude fiscal com a aparência de inocência, dada a dificuldade de se apurar o elemento subjetivo em cada caso concreto. Neste mesmo sentido: Origem: TRIBUNAL QUARTA REGIÃO Processo: 96.04.005111 UF: PR Orgão Julgador: PRIMEIRA TURMA Ementa PENA DE PERDIMENTO. DEL37/66. O DEL37/66 não foi revogado pela Constituição Federal pois, o dano causado ao erário público previsto no ART153, PAR11 da Carta Magna, não exige o prejuízo decorrente da exportação sem pagamento de tributos ou mesmo a exportação proibida, bastando configurarse uma situação vedada pela lei, fato que se assemelha ao crime de perigo previsto na lei penal.” Agreguese ainda outro julgado do mesmo Tribunal, na Apelação em Mandado deSegurança nº 2001.72.03.0009910/SC (grifouse): "Devese ter presente que dano ao erário não se configura unicamente pelo nãorecolhimento de tributos. Em matéria de controle aduaneiro, a questão não se limita aos aspectos tributários, pois a atividade alfandegária ultrapassa em muito a mera questão tributária. "... não é certo considerar o Direito Aduaneiro como um ramo do Direito Fiscal. É, sim, ramo independente que com aquele não se confunde, pois não lida apenas com o fenômeno impositivo, mas sobretudo com a complexa e variada gama de fenômenos que caracterizam o Fl. 6018DF CARF MF Processo nº 12466.000917/200881 Acórdão n.º 3302005.784 S3C3T2 Fl. 28 53 comércio internacional,tanto do ponto de vista da regulação quanto do controle estatal exercido” (ob. cit., p.52). - A QUEBRA DA CADEIA DO IPI – A INFRAÇÃO AO SISTEMA TRIBUTÁRIO Quando da publicação da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, foi estabelecida a equiparação à industrial de todo importador que promovesse a nacionalização de um determinado bem: Art. 4° Equiparamse a estabelecimento produtor, para todos os efeitos desta Lei: I os importadores e os arrematantes de produtos de procedência estrangeira; Essa equiparação atribui ao importador a obrigação de recolhimento do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) não apenas na importação, mas também na revenda/saída dos produtos importados ao mercado interno, bem como a obrigação de escriturar livros fiscais e de cumprir com as demais obrigações acessórias, ainda que o mesmo desenvolva atividade meramente comercial e que as mercadorias importadas não sejam submetidas a nenhum processo produtivo. Com o advento do uso da empresa interposta em operação de comércio exterior, percebeuse a necessidade de se estender essa mesma equiparação para a figura do adquirente que se vale de um intermediário (empresa interposta) para realizar suas importações. O artigo 79 da MP 2.158/2001 cuidou dessa previsão: Art. 79. Equiparamse a estabelecimento industrial os estabelecimentos, atacadistas ou varejistas, que adquirirem produtos de procedência estrangeira, importados por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. O artigo 13 da Lei nº 11.281/06 estendeu também essa condição ao encomendante: Art. 13. Equiparamse a estabelecimento industrial os estabelecimentos, atacadistas ou varejistas, que adquirirem produtos de procedência estrangeira, importados por encomenda ou por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. A partir desta nova previsão legal, a utilização de empresa interposta em operações de comércio exterior sem a adoção de uma das duas modalidades (Importação por “conta e ordem" ou Importação por “encomenda”), implica também na não observância de: o Uma obrigação tributária principal Em relação a omitir sua condição de equiparado à industrial; o Uma obrigação tributária acessória Por não realizar a escrituração do IPI. Quando uma empresa opta por uma modalidade de importação deve estar atenta não só às diferenças de custo, mas também aos diferentes efeitos e obrigações tributárias a que estão sujeitas, não só na esfera federal, mas também no âmbito estadual. Fl. 6019DF CARF MF 54 Entretanto, algumas empresas levam em consideração apenas a diferença de custos e obrigações acessórias na hora de optar entre modalidades regulamentadas pela RFB e uma outra modalidade "alternativa", sem se preocupar com as obrigações tributárias a que estão sujeitas para atuarem no comércio exterior. Algumas "economias tributárias" almejadas são inaceitáveis por agredirem a legislação em vigor. Tanto o importador quanto o adquirente de mercadoria importada por encomenda ou por sua conta e ordem são estabelecimentos equiparados a industrial. ❖ Decreto N° 7.212/2010. Art. 9° Equiparamse a estabelecimento industrial: I os estabelecimentos importadores de produtos de procedência estrangeira, que derem saída a esses produtos (Lei n° 4.502, de 1964, art. 4°, inciso I); (...) IX os estabelecimentos, atacadistas ou varejistas, que adquirirem produtos de procedência estrangeira, importados por encomenda ou por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora (Medida Provisória n° 2.15835, de 2001, art. 79, e Lei no 11.281, de 20 de fevereiro de 2006, art. 13);. A saída da mercadoria dos estabelecimentos equiparados a industrial é fato gerador do imposto, sendo devido o IPI. Assim, se uma empresa contratar uma importadora para registrar uma operação de importação "por encomenda" ou "por conta e ordem", será contribuinte do IPI e estará sujeita a recolher o imposto e ao cumprimento das obrigações acessórias (escrituração dos livros exigidos pelo RIPI, destaque do IPI nas notas fiscais, e outras). Porém, se o verdadeiro importador, o real adquirente ou encomendante se ocultar do Fisco, uma "empresa de fachada" figurará na declaração de importação e será equiparado a estabelecimento industrial e contribuinte do IPI. Após a nacionalização das mercadorias, a "empresa de fachada" acatará as ordens do verdadeiro responsável pela operação e "venderá" (remeterá) as mercadorias a quem ele determinar. Assim, o verdadeiro destinatário final das mercadorias de procedência estrangeira, fugirá da equiparação à indústria, dissimulando a condição de contribuinte do IPI. Exemplificando as perdas de arrecadação, pela quebra da cadeia de incidência do IPI, decorrentes de uma das possíveis simulações acima citadas, tomese duas situações em que a empresa "A" decide importar uma mercadoria com o valor aduaneiro de R$ 1.000,00 e vendêlo no mercado interno com uma margem de lucro de 150%. Na situação 1, a empresa "A" registra a importação como operação por conta própria. Na situação 2, a empresa A contrata a operação a um importador de fachada, a fim de ocultar sua situação como real importador. Para simplificar o exemplo, a alíquota do IPI é 20% e não existem outras despesas na importação: Fl. 6020DF CARF MF Processo nº 12466.000917/200881 Acórdão n.º 3302005.784 S3C3T2 Fl. 29 55 Além disso, a correta incidência do IPI sobre a mercadoria estrangeira equipara a carga tributária do produto importado ao produto nacional. Com a sonegação do IPI, a concorrência desleal do produto importado aumenta os obstáculos ao crescimento da indústria nacional. A pratica de interposição fraudulenta de pessoas possibilita a quebra da cadeia do IPI. com a consequente sonegação daquele tributo. Não se trata do IPI vinculado à importação, este é recolhido automaticamente no ato de registro da DI. Tratase do IPI que incide em etapa posterior ao desembaraço aduaneiro, IPI incidente sobre o lucro agregado na fase comercial posterior ao desembaraço. O seguinte esquema mostra as etapas da operação: o A empresa interposta registra importação de mercadorias a preços irrisórios no mercado exterior e recolhe IPI proporcional em função do valor aduaneiro vinculado IPI vinculado à importação; o Dá saída da mercadoria (venda) a outra empresa (sujeito passivo oculto) com destaque de IPI na nota fiscal (a recolher). IPI calculado com base em um lucro agregado nesta etapa, lucro geralmente insignificante; o Por ser insignificante o valor agregado — a importadora (empresa interposta) recolhe o IPI referente ao valor agregado por ser importadora, portanto, equiparada legalmente a industrial; o O sujeito passivo oculto (controlador de fato das operações) dá saída da mercadoria aos seus clientes com lucro comercial real ao agrega valores significativos à operação. É um risco potencial que o legislador quis evitar. O sujeito passivo oculto ao não se apresentar aos órgãos responsáveis pelos controles aduaneiros por não adotar uma das modalidades de Importação permissivas para o uso de empresa interposta em operação de comércio exterior, esquivase de assumir sua posição na cadeia do Imposto sobre Produtos Industrializados, tal qual determina a legislação. Há uma cisma por parte dos causídicos que militam na área aduaneira em querer atrelar infrações passíveis de pena de perdimento (artigo 105 do DecretoLei nº 37/66 e artigo 23 do DecretoLei nº 1.455/76) com a exigência da constatação de recolhimento de Fl. 6021DF CARF MF 56 tributos a menor. E a indagação natural que se segue a essa ilação é a seguinte: De que ordem deve ser essa sonegação para justificar a pena de perdimento: mil, cem, dez reais, ou até mesmo, um real? Ou em outros termos, se assim preferirem, vinte, dez, cinco, ou até mesmo, um por cento da base de cálculo? Ou tomando a licença de levar esse mesmo raciocínio ao seu extremo: Um único centavo sonegado, já que é a menor fração da moeda, justificaria a aplicação da pena de perdimento? Com base no que e em que? Em exame aos dispositivos citados (artigo 105 do DecretoLei nº 37/66 e artigo 23 do DecretoLei nº 1.455/76), é cristalino que o legislador não se ocupou em estabelecer tal discriminem. E isso reside no fato de que a área aduaneira tem por escopo outros interesses que não a exigência tributária. Dada que a função da fiscalização aduaneira tem por natureza o exercício do Poder de Polícia, sua função precípua é a repressão de CONDUTAS consideradas nocivas pelo legislador. Em exame analítico aos incisos dos dois artigos, percebese que o legislador se deteve no assunto do recolhimento dos tributos aduaneiros em apenas dois incisos do artigo 105 do DecretoLei nº 37/66, a saber: Art.105 Aplicase a pena de perda da mercadoria: (...) IX estrangeira, encontrada ao abandono, desacompanhada de prova de pagamento dos tributos aduaneiros, salvo as do art.58; (...) XI estrangeira, já desembaraçada e cujos tributos aduaneiros tenham sido pagos apenas em parte, mediante artifício doloso; (Grifo Nosso) Essa constatação é muito salutar para a presente análise, pois revela que quando o legislador quer atrelar a aplicação da pena de perdimento à ausência ou o pagamento parcial dos tributos incidentes no despacho aduaneiro, assim o faz. Os demais incisos de ambos os artigos (artigo 105 do DecretoLei nº 37/66 e artigo 23 do DecretoLei nº 1.455/76) dizem respeito à CONDUTAS, que o legislador entendeu por bem denominálas de “dano ao Erário”, inclusive no que tange à prática de interposição fraudulenta de terceiros em operações de comércio exterior. Portanto, esse discriminem da ausência ou pagamento parcial dos tributos não se denota na redação do inciso V, do artigo 23, do DecretoLei nº 1.455/76. Quando a fiscalização se refere à “Quebra da Cadeia do IPI", o faz com propriedade no seguinte sentido: A empresa deliberadamente não assumiu sua condição de equiparado à industrial, conforme determina a legislação aplicável. Querer que a fiscalização apure quanto deixou de ser arrecadado, se é que isso aconteceu, é uma atribuição que o legislador ao estabelecer a tipificação da infração de ocultação do sujeito passivo em operações de comércio exterior não lhe conferiu. A FRUIÇÃO DO BENEFÍCIO DO ICMS POR EMPRESA INTERPOSTA. Aquele que seria em princípio um instrumento voltado para fomentar a atividade econômica de um Estado da Federação, passa a ser usado de modo ilícito ao ser Fl. 6022DF CARF MF Processo nº 12466.000917/200881 Acórdão n.º 3302005.784 S3C3T2 Fl. 30 57 combinado com a prática efetiva da interposição fraudulenta de terceiros em operações de comércio exterior, conforme a seguinte descrição: o A empresa age como interposta pessoa em operações de comércio exterior; o A empresa interposta se apresenta aos controles aduaneiros da Receita Federal do Brasil como importador de direito; o A empresa interposta oferta o benefício do ICMS que é lhe conferido pela legislação do Estado aos seus clientes espalhados pelo território nacional; o Ao agir assim, encobre esses clientes que por força de Lei deveriam ser apresentados aos controles aduaneiros como intervenientes do comércio exterior na condição de adquirentes/encomendantes da mercadoria importada. o Em proveito da política fiscal do Estado que exonera / mitiga o ICMS, a empresa interposta consegue oferecer bens importados no mercado interno com preços inferiores aos preços normalmente praticados, propiciando aos seu cliente (sujeito passivo oculto) uma condição ímpar, deflagrando assim prática nociva à ao princípio da livre concorrência e ao princípio da isonomia; o Aquele que deveria ser o gozo de dois direitos inicialmente legítimos (fruição do benefício do ICMS e o direto de importar) ao serem combinados, sem a estrita observância da legislação pertinente a modalidade de Importação por “conta e ordem” ou por “encomenda”, assume um contorno nocivo por propiciar uma vantagem não estendida aos demais importadores; o Destarte, tanto a empresa interposta como o sujeito passivo oculto gozam de vantagens indevidas ao combinarem sinergias: enquanto que empresa interposta (importador) se credita do ICMS, o sujeito passivo oculto (cliente) obtém a mercadoria importada no mercado interno a preços vantajosos, uma condição que é inacessível a quem se submete à legislação; Assim, devese reprimir o potencial nocivo dessa vantagem diferencial decorrente da fruição do benefício do ICMS conferido pela legislação Estadual e o uso de empresa interposta em operações de comércio exterior, que passa a ofertála pais a fora como uma vitrine em um balcão de negócios. A Lei Complementar nº 87/96 (Lei Kandir), no artigo 11, inciso I, alínea d), estabelece que: Art. 11. O local da operação ou da prestação, para os efeitos da cobrança do imposto e definição do estabelecimento responsável, é: I tratandose de mercadoria ou bem: Fl. 6023DF CARF MF 58 (...) d) importado do exterior, o do estabelecimento onde ocorrer a entrada física. (Grifo Nosso) Se o estabelecimento daquele que promove a importação pela modalidade “direta” está situado em unidade da federação que fornece benefício da fruição do ICMS (crédito fictício), está evidenciado um recolhimento de ICMS a menor na importação, configurando assim uma vantagem indevida através da prática de interposição fraudulenta de terceiros, o que deve ser reprimido pela Receita Federal do Brasil. Esse crédito fictício fornecido pelo Estado de origem não entra no cômputo da do redutor da alíquota interestadual. Um exemplo é esclarecedor: Estado A tem alíquota de ICMS de 12%, ao passo que Estado B tem alíquota de ICMS de 18%. O Estado A fornece benefício da fruição do ICMS para as empresas importadoras que ali se instalarem, através de crédito fictício de 9%. Portanto, o importador só suportará a incidência da alíquota de 3%. Contudo, ao se remeter a mercadoria ao Estado B ( que tem alíquota de ICMS de 18% ), o diferencial da alíquota interestadual incidirá sobre 12% e não sobre a alíquota de 3% efetivamente pagos. Portanto, para o Estado B (de destino) o diferencial da alíquota interestadual a incidir será apenas de 6% (18 – 12) e não de 15% (18 3) como deveria. É um risco potencial que o legislador também quis evitar. É a famigerada guerra fiscal, trazendo efeitos nocivos aos princípios da capacidade econômica, da isonomia e da livre concorrência que a repressão à prática de interposição fraudulenta de terceiros visa combater. INCOMPATIBILIDADE ENTRE OPTANTE DO SIMPLES E CONTRIBUINTE DO IPI. Em sendo optante do SIMPLES, o contribuinte não poderá se apropriar de créditos relativos ao IPI. Conforme se pode observar nos documentos ora abojados que foram extraídos de nossa base de dados (anexos 14), existem diversas empresas participantes do SIMPLES que utilizaram a fiscalizada para realizar as suas importações. Assim, os valores do IPI creditados pela fiscalizada, em relação às importações de tais empresas, é mais um dano provocado à União. - DA BOA FÉ ALEGADA Oportuno agora se faz trazer comentários a respeito do alegado quanto à boa fé: É imprescindível para a análise a transcrição do artigo 136 do Código Tributário Nacional: Responsabilidade por Infrações Fl. 6024DF CARF MF Processo nº 12466.000917/200881 Acórdão n.º 3302005.784 S3C3T2 Fl. 31 59 Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Esse artigo possui o seu correspondente no DecretoLei n° 37/66: Art.94 Constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que importe inobservância, por parte da pessoa natural ou jurídica, de norma estabelecida neste DecretoLei, no seu regulamento ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completálos. § 1º O regulamento e demais atos administrativos não poderão estabelecer ou disciplinar obrigação, nem definir infração ou cominar penalidade que estejam autorizadas ou previstas em lei. § 2º Salvo disposição expressa em contrário, a responsabilidade por infração independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. O artigo 136 do Código Tributário Nacional é taxativo no sentido de que a responsabilidade tributária é objetiva. O §2º, do artigo 94 do Decreto Lei n° 37/66, também é taxativo no sentido de que a responsabilidade por infração aduaneira é objetiva. Assim, ainda agindo de boafé, cercado das cautelas de praxe, com razões suficientes para acreditar que está praticando um ato em conformidade com o direito, ainda que ignore o fato de seu ato ou de seus representantes estar em descompasso com a legislação, o Impugnante não pode se furtar de sua responsabilidade. O Código Tributário Nacional, ao preceituar a aplicação de sanção por infrações tributárias, utiliza a expressão “independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato”. Linha absolutamente idêntica é adotada pelo DecretoLei n° 37/66. Ambos ordenamentos desconsideram a intenção do agente ou responsável como pressuposto para a aplicação da devida punição, bem como dispensa a comprovação dos efeitos e extensão dos danos à Fazenda Pública. A boa fé alegada, ainda que preponderante, por força dos artigos transcritos, não tem o condão de afastar a responsabilidade por infrações da legislação tributária. Assim, o legislador ao consagrar a responsabilidade objetiva por atos infracionais, dispensa a Fazenda Pública de perquirir fatos comprovadores da presença do dolo ou da culpa e elementos de materialidade efetiva para aplicar a sanção correspondente. A responsabilidade objetiva garante de forma mais eficaz a coercibilidade do sistema punitivo tributário. De outro modo, a atividade de fiscalização se inviabilizaria se a cada infração tivesse que se provar que o contribuinte não autorizou determinada operação por negligência, imperícia ou imprudência. Para legitimar a sanção, basta a certificação do fato infracional, independente da existência de culpa, demonstração de boafé e ocorrência de efetivo dano ao Erário público. - A INFRAÇÃO POR “CESSÃO DE NOME” Fl. 6025DF CARF MF 60 A infração por “cessão de nome” surge como uma consequencia da prática efetiva da interposição fraudulenta de terceiros. Ceder seu nome, mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seu real beneficiário, ficando sujeita a multa tipificada no caput do artigo 33 da Lei 11.488/2007: Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). (Grifo e negrito nossos) Chamase a atenção para a expressão utilizada pelo legislador "com vistas", o que denota que a conduta infracional tipificada pelo artigo 33 da Lei n° 11.488/2007 dispensa resultado, sendo uma infração de conduta. Uma vez caracterizada a prática efetiva de interposição fraudulenta de terceiros, com fulcro no inciso V, do artigo 23 do Decreto Lei n° 1.455/76, o importador interposto incorre também em infração por "cessão de nome". COAUTORIA DO IMPORTADOR NA PRÁTICA EFETIVA DE INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS A questão que perdura é: Por ser a infração tipificada no inciso V, do artigo 23, do Decreto Lei 1.455/76, uma infração imprópria, o importador de direito (INTERPOSTO) responde juntamente com o importador de fato pela multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria? Bernardo Alves da Silva Júnior, Procurador da Fazenda Nacional em Brasília, em magistral explanação, vem proporcionar precisa e robusta contribuição quanto à adequada hermenêutica: NÃO É ILEGAL ACUMULAR PENALIDADES POR FRAUDE Enorme controvérsia fervilha nos órgãos judiciais e administrativos competentes para dirimir contendas Fl. 6026DF CARF MF Processo nº 12466.000917/200881 Acórdão n.º 3302005.784 S3C3T2 Fl. 32 61 tributárias acerca da aplicação das multas previstas no artigo 23, inciso V, parágrafo 3º do Decretolei 1.455/1976, e artigo 33 da Lei 11.488/2007, que prevêem infrações derivadas da interposição fraudulenta de terceiros em operações de comércio exterior. O cerne da discussão atine aos efeitos oriundos do art. 33 da Lei 11.488/2007, notadamente no que tange à interposição fraudulenta de terceiros materializada pela conduta de cessão do nome para o acobertamento dos reais intervenientes em operação de importação, a qual também é regulada pelo art. 23, inciso V, parágrafos 1º e 3º do DecretoLei 1.455/1976. Segundo o Decretolei 1.455/1976, no seu art. 23, inciso V (incluído pela Lei 10.637, de 30/12/2002), a ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, gera a penalidade de perdimento das mercadorias, convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, caso esta não tenha sido localizada ou haja sido consumida. A seu turno, o art. 33 da Lei 11.488/2007 consigna a aplicação de multa, no montante de 10% do valor da operação, à pessoa jurídica que ceder seu nome para a realização de negócios de comércio exterior em que se acoberte os reais intervenientes ou beneficiários, vedada a penalidade de inaptidão de CNPJ. Muitas são as perspectivas adotadas para a solução da suposta colisão entre as citadas regras. No âmbito administrativo e em alguns juízos, ecoa com bastante força a tese de que a diferença das infrações tipificadas nos dispositivos legais apontados reside no fato de que a Lei 11.488/2007 dirigese ao importador ou exportador ostensivo, aquele que cede o seu nome, enquanto o Decretolei 1.455/1976 tem por objetivo sancionar o sujeito oculto, verdadeiro responsável pela operação. Para essa corrente, o importador ou exportador ostensivo deixou de se submeter à multa prescrita no Decretolei 1.455/1976 por força de derrogação pela lei posterior, de modo que referido agente a partir de então deve se submeter apenas à multa de 10% sobre o valor da operação acobertada, proibindose a declaração da inaptidão de seu CNPJ. Essa é a posição consolidada pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo, 2ª Turma (Acórdão 1725849, de 17/07/2008). Recentemente, todavia, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, examinando a fundo a questão, trilhou caminho diverso no seu enfrentamento. Em 24 de maio de Fl. 6027DF CARF MF 62 2010, as 1ª e 2ª Turmas da 1ª Câmara da 3ª Seção do CARF deram provimento a recursos de ofício para restabelecer lançamentos fiscais nos valores de mais de R$ 42 milhões e R$ 27 milhões, respectivamente (processos 10314.010132/200744 e 10314.013716/200691), ao entendimento de que mesmo após o advento da Lei 11.488/2007 o importador ostensivo deve responder pela multa substitutiva do perdimento de mercadoria prevista no art. 23, inciso V, parágrafos 1º e 3º do Decretolei 1.455/1976. O novo entendimento perfilhado pelo CARF nos parece inteiramente acertado e condizente com os regramentos legais imponíveis. Em que pese a celeuma que rodeia o tema, a sua detida análise revela que não houve derrogação do art. 23, inciso V do Decretolei 1.455/1976, sendo certo que tal regra convive harmonicamente com a disposição do art. 33 da Lei 11.488/2007, de maneira a permitir a aplicação de ambas as multas ao importador ostensivo que mediante a cessão do seu nome em operação de comércio exterior oculta, em ação fraudulenta, o real adquirente. Com efeito, a escorreita leitura do art. 33 da Lei 11.488/2007, pautada nas perspectivas literal, histórica, teleológica e sistemática, evidencia que o único efeito desse comando legal foi o de empreender a substituição da penalidade de inaptidão do CNPJ pela de multa de 10% sobre o valor da operação acobertada para os importadores que cedessem seu nome para acobertar o real interveniente em operação de comércio exterior. Referida norma não faz nenhuma alusão à pena de perdimento de mercadoria prescrita no Decretolei 1.455/1976. Razões de política fiscal levaram o legislador a extirpar a penalidade de inaptidão do CNPJ, até então prevista no art. 81 da Lei 9.430/1996 c/c art. 34, inciso III e 41, inciso III, da Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal 568/2005, porque se afigurava desproporcional e infenso à Economia considerarse inexistente de fato grandes empresas de intermediação em operações no comércio exterior — Trading Companies — que viessem a cometer a infração de ceder seu nome para ocultar o real adquirente em importações. Essa penalidade culminava, em verdade, com a própria aniquilação das atividades da pessoa jurídica, pelo que se reputou mais adequado imputar, em substituição, a sanção de multa. Assim, de sua parte, o art. 23, inciso V, parágrafos 1º e 3º do Decretolei 1.455/1976 continua a sancionar o agente que oculta o verdadeiro adquirente em importação, ainda que mediante a cessão de seu nome, sendolhe aplicável a pena de perdimento da mercadoria ou multa substitutiva. Fl. 6028DF CARF MF Processo nº 12466.000917/200881 Acórdão n.º 3302005.784 S3C3T2 Fl. 33 63 Antes da Lei 11.488/2007, a conduta de ceder o nome para acobertar o real interveniente em importação gerava duas penalidades: o perdimento da mercadoria ou multa substitutiva e a inaptidão de CNPJ. Agora, à luz das normas vigentes, temse como consequência da indigitada conduta a aplicação de multa de 10% no lugar da inaptidão do CNPJ, sem prejuízo do perdimento da mercadoria. A aplicação de duas ou mais penalidades em decorrência de uma única conduta não encontra nenhum óbice no ordenamento jurídico pátrio. Isso porque o ato de ceder o nome para acobertar o real adquirente em importação tem o condão de configurar o cometimento de duas infrações, previstas no art. 23, inciso V, do Decretolei 1.455 e no art. 33 da Lei 11.488, em circunstância similar ao concurso formal de infrações estampado no art. 70 do Código Penal. E a cada infração corresponde uma penalidade. O próprio art. 99 do Decretolei 37/1966 contempla a aplicação cumulativa das penas correspondentes à prática de duas ou mais infrações. É relevante destacar que as infrações em comento são distintas, notadamente porque tutelam bens jurídicos diversos. O art. 23, inciso V, do Decretolei 1.455/1976 visa a proteger o regime de controle aduaneiro e o patrimônio da União, ao passo que o art. 33 da Lei 11.488/2007 resguarda a higidez do Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas, sancionando o mau uso da inscrição no CNPJ pelas empresas. Aqui, importa relembrar que a multa de 10% sobre o valor da operação acobertada veio substituir a inaptidão de CNPJ, e apesar da modificação do consequente normativo, o suposto normativo e o seu objeto jurídico mantiveramse inalterados. Essa constatação da diversidade de objetos jurídicos, aliás, é suficiente para afastar qualquer alegação da ocorrência de bis in idem, na esteira do que vêm decidindo iterativamente os tribunais superiores. A concepção de que as sanções ora analisadas podem ser aplicadas cumulativamente foi cristalizada no art. 727, parágrafo 3º, do Decreto 6.759/2009, que trata do Regulamento Aduaneiro, no qual se consignou expressamente que a multa de 10% do valor da operação à pessoa jurídica que ceder seu nome não prejudica a pena de perdimento das mercadorias importadas ou exportadas. O Tribunal Regional Federal da 4ª Região também tem esposado essa mesma intelecção (AMS 200572080051666, Otávio Roberto Pamplona, TRF4 – 2ª Turma, 01/08/2007). Fl. 6029DF CARF MF 64 As normas em cotejo não se chocam, mas sim se complementam na defesa dos bens jurídicos que visam a proteger, de modo que ambas vigoram sem qualquer prejuízo à sua aplicação. Ou seja, mesmo após o advento da Lei 11.488/2007, o importador ostensivo continua a sujeitarse à pena de perdimento da mercadoria ou a correlata multa substitutiva. A nosso juízo, o novo entendimento sufragado pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais retrata a mais escorreita exegese da matéria. Assim, firme nas considerações ora alinhavadas, forçoso é concluir que o importador que ceder seu nome para acobertamento de terceiros em operação de comércio exterior deverá responder tanto pela multa substitutiva prevista no art. 23, inciso V, parágrafo 3º, do Decretolei 1.455/1976 como pela multa do art. 33 da Lei 11.488/2007, até mesmo em atenção ao que dispõe o art. 95, incisos I, V e VI do Decretolei 37/1966. (in: www.jurisite.com.br/textosjuridicos/texto332.html Neste mesmo sentido, posicionouse o TRF4 APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA: AMS 5166 SC 2005.72.08.0051666, Dilação Probatória. Interposição Fraudulenta. Ocultação do Verdadeiro Importador. Pena de Perdimento das Mercadorias. Dados Gerais Processo: AMS 5166 SC 2005.72.08.0051666 Relator(a): OTÁVIO ROBERTO PAMPLONA Julgamento: 03/07/2007 Órgão Julgador: SEGUNDA TURMA Publicação: D.E. 01/08/2007 Ementa TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. DILAÇÃO PROBATÓRIA. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. OCULTAÇÃO DO VERDADEIRO IMPORTADOR. PENA DE PERDIMENTO DAS MERCADORIAS. LEGALIDADE. ARTIGO 33 DA LEI Nº 11.488, DE 15 DE JUNHO DE 2007. NÃO REVOGAÇÃO DA PENA DE PERDIMENTO PREVISTA NO ARTIGO 23 DO DECRETOLEI Nº 1.455, DE 1976. AUSÊNCIA DE DIREITO LÍQUIDO E CERTO. 1. A alegada violação a direito líquido e certo deve estar demonstrada de plano, mediante prova préconstituída (artigo 8º da Lei nº. 1.533/51), sendo descabida a utilização do mandado de segurança para o fim de desconstituir ato administrativo, que goza da presunção de Fl. 6030DF CARF MF Processo nº 12466.000917/200881 Acórdão n.º 3302005.784 S3C3T2 Fl. 34 65 legitimidade e veracidade, mediante alegações de fato que demandem dilação probatória. 2. O auto de infração, que redundou na aplicação da pena de perdimento, está devidamente fundamentado, encontrando lastro nos documentos produzidos no procedimento administrativo, que dão conta de que a impetrante, de fato, promoveu a importação em favor de terceiro, sem o observância das regras pertinentes. 3. Da mesma forma, o arbitramento feito pela autoridade fiscal, no que concerne aos valores dos bens internalizados, demonstra que houve subfaturamento, não se desincumbindo a autuada de demonstrar, a contento, que as conclusões da autoridade fiscal estão equivocadas. 4. A existência de outras imperfeições formais na documentação que amparou a importação, aliada ao subfaturamento, são indicativos de que a operação, em princípio, está eivada de irregularidades. A prova produzida pela impetrante, por sua vez, apresentouse frágil para afastar a presunção de legitimidade do ato apontado como coator. 5. O artigo 33 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, não tem o condão de afastar a pena de perdimento, porquanto não implicou em revogação do artigo 23 do DL nº 1.455/76, com a redação dada pela Lei nº 10.637/2002. Isso porque, a pena de perdimento atinge, em verdade, o real adquirente da mercadoria, sujeito oculto da operação de importação. A pena de multa de 10% sobre a operação, prevista no referido dispositivo legal, revelase como pena pessoal da empresa que, cedendo seu nome, faz a importação, em nome próprio, para terceiros. O parágrafo único do aludido artigo, por sua vez, estatui que "à hipótese prevista no caput deste artigo não se aplica o disposto no art. 81 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996". Essa complementação legal, constante do parágrafo único, abona o entendimento de que não houve a revogação da pena de perdimento para a hipótese retratada nos autos. Antes o confirma, porquanto exclui, expressamente, apenas a possibilidade da aplicação da sanção de inaptidão do CNPJ. Quanto às demais penas, permanecem incólumes, havendo a previsão, agora também, da pena pecuniária, nos termos do caput do aludido preceptivo legal. 6. A discussão acerca da sanção de declaração de inaptidão do CNPJ não pode ser enfrentada nesta segurança, pois o auto de infração impugnado não aplicou referida pena. A decisão que declarou a inaptidão do CNPJ Fl. 6031DF CARF MF 66 foi proferida por outra autoridade, em outro procedimento, o qual, aliás, é objeto de ação ordinária que tramita na 1ª Região. 7. Denegação da segurança mantida. Improvimento da apelação. Nesse sentido, citase o artigo 99 do DecretoLei nº 37/66: Art.99 Apurandose, no mesmo processo, a prática de duas ou mais infrações pela mesma pessoa natural ou jurídica, aplicamse cumulativamente, no grau correspondente, quando for o caso, as penas a elas cominadas, se as infrações não forem idênticas. (Grifo e negrito nossos) São portanto duas condutas infracionais distintas, afetando bens jurídicos tutelados dispares: ¨ Art. 33 da Lei 11.488/2007: Infração própria cometida apenas pelo importador de direito (INTERPOSTO), em razão de sua habilitação no Siscomex, por ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários. O parágrafo único do referido artigo é explicito em determinar que sua aplicação vem a inibir a declaração de inaptidão do CNPJ do importador/exportador de direito (ou ostensivo), decorrente da previsão feita pelo §1º, do artigo 81 da Lei nº 9430/96, não fazendo referência à qualquer outro artigo. A conduta tipificada do importador de direito (INTERPOSTO) é de “ceder o nome” agindo em descompasso em relação à higidez do Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas. ¨ Art. 23, inciso V, do Decreto Lei 1.455/76: Infração imprópria cometida tanto pelo importador de direito (INTERPOSTO) como pelo importador de fato (REAL COMPRADOR) em coautoria. A conduta tipificada do importador de direito (INTERPOSTO) é de “prática de interposição fraudulenta de terceiros em operações de comércio exterior”, agindo em descompasso em relação aos controles aduaneiros. Encontrase apoio nas palavras de Luiz Flávio Gomes para se conceituar o instituto da coautoria: Ocorre coautoria (no Direito penal) quando várias pessoas participam da execução do crime, realizando ou não o verbo núcleo do tipo. Todos os coautores, entretanto, possuem o codomínio do fato. Todos praticam fato próprio. Enquanto o coautor participa de fato próprio, o partícipe contribui para fato alheio. Três são os requisitos da coautoria: Fl. 6032DF CARF MF Processo nº 12466.000917/200881 Acórdão n.º 3302005.784 S3C3T2 Fl. 35 67 1) pluralidade de condutas; 2) relevância causal e jurídica de cada uma; 3) vínculo subjetivo entre os coautores (ou pelo menos de um dos coautores, com anuência ainda que tácita do outro ou dos outros coautores). A coautoria, como se vê, conta com uma parte objetiva (concretização do fato) e outra subjetiva (acordo explícito ou tácito entre os agentes). http://jus.com.br/revista/texto/8120/conceitodeco autoriaemdireitopenal#ixzz1qoR4I4u3 Fazendo a transposição do conceito acima elucidado para a infração de interposição fraudulenta em operação de comércio exterior, temos: 1) pluralidade de condutas: a interposição fraudulenta é composta pela conduta do importador de fato (ocultado) e pela conduta do importador de direito (ocultador). Uma conduta complementa a outra. Logo ambos percorrem o fato típico da infração. 2) relevância causal e jurídica de cada uma: o importador de direito (ocultador) registra a Declaração de Importação em seu nome com recursos oriundos do importador de fato (ocultado) ou sob sua determinação. A relação entre os dois agentes é clara e cristalina com flagrante intenção de burlar os controles aduaneiros. 3) vínculo subjetivo entre os coautores: existe o liame subjetivo que liga o importador de fato (ocultado) ao importador de direito (ocultador) na clara intenção de auferir proveitos em descumprir a legislação aduaneira. É certa a exigência de que todo e qualquer importador se cadastre junto ao Siscomex (Sistema Radar) para que a Receita Federal do Brasil possa exercer um controle direto sobre suas atividades de modo a garantir, entre outros, a lisura da concorrência no mercado interno, inclusive o adquirente e o encomendante. Sabese que muitas organizações usam a figura do importador interposto para não auferir o lucro contábil e assim burlar a fiscalização no pagamento de impostos e contribuições decorrentes tanto do lucro quanto do faturamento. O vínculo que liga tanto o importador de fato ao importador de direito é justamente a consecução dessa prática visando fugir dos controles aduaneiros. O artigo 95, inciso I, do DecretoLei n° 37/66, assim determina: Art.95 Respondem pela infração: I conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie; (Grifo e negrito próprios do impugnante) Pelo exposto, o importador de direito – importador interposto e o importador de fato – sujeito passivo oculto CONCORREM para a prática efetiva de interposição fraudulenta de terceiros, pois: Fl. 6033DF CARF MF 68 Assim, entendese que, mesmo com o advento do artigo 33 da Lei n° 11.488/2007, a infração do inciso V, do artigo 23, do DecretoLei n° 1.455/76 é imputável tanto ao importador de direito (INTERPOSTO) como ao importador de fato (OCULTO) em coautoria, , no que tange à cobrança da multa proporcional ao valor aduaneiro. Por fim, o próprio § 3º, do artigo 727, do Regulamento Aduaneiro – Decreto 6.759/2009 endossa esse entendimento. Art. 727. Aplicase a multa de dez por cento do valor da operação à pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas ao acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários (Lei no 11.488, de 2007, art. 33, caput). (...) § 3o A multa de que trata este artigo não prejudica a aplicação da pena de perdimento às mercadorias importadas ou exportadas. (grifo e negrito nossos) Portanto, a incidência da multa do artigo 33 da Lei nº 11.488/07 não exclui a aplicação da pena de perdimento e consequentemente a multa equivalente ao valor aduaneiro. Diante de tudo que foi exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso do Contribuinte. É como voto. Jorge Lima Abud. Fl. 6034DF CARF MF Processo nº 12466.000917/200881 Acórdão n.º 3302005.784 S3C3T2 Fl. 36 69 Fl. 6035DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10930.904075/2013-47
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2010
MATÉRIA NÃO EXPRESSAMENTE CONTESTADA. PRECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO.
A matéria não expressamente contestada na manifestação de inconformidade deve, dada sua inovação, ser considerada preclusa quando apresentada tão somente em sede de recurso voluntário, impossibilitando seu conhecimento pelo colegiado ad quem.
Numero da decisão: 3001-000.515
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Francisco Martins Leite Cavalcante e Marcos Roberto da Silva.
Nome do relator: ORLANDO RUTIGLIANI BERRI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2010 MATÉRIA NÃO EXPRESSAMENTE CONTESTADA. PRECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO. A matéria não expressamente contestada na manifestação de inconformidade deve, dada sua inovação, ser considerada preclusa quando apresentada tão somente em sede de recurso voluntário, impossibilitando seu conhecimento pelo colegiado ad quem. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Francisco Martins Leite Cavalcante e Marcos Roberto da Silva. Relatório Cuidase de recurso voluntário (efls. 70 a 93) interposto em face do Acórdão 0262.068, da 2ª Turma Delegacia da Receita Federal do Brasil em Belo Horizonte (MG) DRJ/BHE (efls. 61 a 64), que, em sessão de julgamento realizada em 11.11.2014, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, por conseguinte, não reconheceu o direito creditório nela pleiteado. Da ementa da decisão de 1ª instância AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 40 75 /2 01 3- 47 Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10930.904075/201347 Acórdão n.º 3001000.515 S3C0T1 Fl. 97 2 A 2ª Turma da DRJ/BHE, ao indeferir a solicitação contida na manifestação de inconformidade, exarou o já citado acórdão, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2010 CRÉDITO DISPONÍVEL PARA COMPENSAÇÃO. O crédito disponível para compensação no PER/DCOMP é o valor original do pagamento comprovadamente indevido subtraído das parcelas desse mesmo pagamento já utilizadas em compensações anteriores. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Dos fatos Por bem sintetizar os fatos, adotase o relatório encartado no acórdão recorrido, que segue transcrito, verbis: Relatório DESPACHO DECISÓRIO O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório com número de rastreamento 74900085, emitido eletronicamente em 13/01/2014, referente ao PER/DCOMP nº 21315.85928.300813.1.3.045054. O PerDcomp foi transmitido com o objetivo de compensar o(s) débito(s) nele discriminado(s) com crédito de COFINS, Código de Receita 5856, no valor de R$ 15.121,11, decorrente de recolhimento com Darf efetuado em 24/09/2010. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do Darf discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas parcialmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da insuficiência de crédito, a compensação foi HOMOLOGADA PARCIALMENTE. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE O interessado apresentou manifestação de inconformidade, alegando que efetuou pagamento indevido no valor de R$ 15.121,11, que este crédito não havia sido integralmente Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10930.904075/201347 Acórdão n.º 3001000.515 S3C0T1 Fl. 98 3 utilizado e que a compensação foi feita nos moldes legais e nos limites do crédito apurado. Do recurso voluntário Não se conformando com a decisão a quo, o contribuinte, por meio do presente recurso voluntário, aduz que a mesma, no que toca aos aspectos material e legal, merece ser reformada, primeiro porque a RFB, ao homologar seu direito em compensar os valores em testilha, não atentouse quanto à incidência dos juros e da correção monetária que tinha direito; segundo porque o acórdão recorrido, ao não aplicar a taxa Selic sobre o valor pago a maior quando do seu recolhimento, nega vigência ao parágrafo 4º do artigo 39 da Lei nº 9.259, de 1995 e ao artigo 83 da IN RFB nº 1.300, de 20.11.2012, uma vez que ambas as normas autorizam a incidência de juros equivalente a taxa Selic aos valores passíveis de restituição ou compensação, sob pena de, ao assim não proceder, desrespeitar o princípio constitucional da isonomia, uma vez que à Fazenda Nacional é assegurado o direito de cobrança de seus créditos com a aplicação da referida taxa. Por fim, requer seja reconhecido o direito ao aproveitamento integral do crédito. É o relatório. Voto Conselheiro Orlando Rutigliani Berri, Relator Da tempestividade O recorrente foi cientificado do acórdão vergastado em 05.06.2015 (sexta feira), quando, então, recebe o Aviso de Recebimento AR contendo a Intimação nº 716/2015 (efls. 68/69). Em 30.05.2015 (terçafeira) protocola, perante a CAC/DRFLondrina, o presente recurso voluntário, conforme depreendese do carimbo aposto na "folha de rosto" da referida petição. Na hipótese dos autos, em face da legislação processual aplicável (Decreto 70.235 de 1972) e do disposto no Ricarf/2015, termo ad quem para a apresentação do recurso voluntário era 07.07.2015 (terçafeira). Portanto, o recurso voluntário é tempestivo, contudo, pelas razões logo adiante deduzidas, não será conhecido. Do contexto fático Compulsando o Despacho Decisório nº de rastreamento 074900085, emitido em 13.01.2014, evidenciase que a autoridade competente da unidade fiscal de jurisdição do contribuinte DRF/Londrina, esclareceu que o exame do direito creditório pleiteado limitouse ao "crédito original na data de transmissão", informado no Per/Dcomp 21315.85928.300813.1.3.045054, no valor de R$ 15.121,11, ocasião em que reconheceu a importância de R$ 7.021,29, igualmente considerando tão somente o valor do crédito original, na medida em que, a partir das características do Darf nele discriminado, o respectivo Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10930.904075/201347 Acórdão n.º 3001000.515 S3C0T1 Fl. 99 4 pagamento foi localizado; porém, advertiu que parte dele já tinha sido utilizado para quitação de débitos do contribuinte declarados no Per/Dcomp 06167.27245.280112.1.3.048619 (R$ 8.099,82), razão pela qual o saldo disponível, no montante de R$ 7.021,29, foi insuficiente para compensação da totalidade dos débitos informados no presente Per/Dcomp. Por seu turno, a decisão vergastada atentou para o fato de na manifestação de inconformidade apresentada, o contribuinte, ao contestar os termos do despacho decisório, limitouse a apresentar objeções genéricas, alegando, tão somente, "que efetuou pagamento indevido no valor de R$ 15.121,11, que este crédito não havia sido integralmente utilizado e que a compensação foi feita nos moldes legais e nos limites do crédito apurado". Do voto condutor do acórdão recorrido colhese, quanto ao tema tratado no parágrafo acima, o que segue, verbis: (...) CRÉDITO DISPONÍVEL PARA COMPENSAÇÃO. As razões de defesa ficam, em parte, prejudicadas, porque o despacho contestado já reconhece pagamento indevido ou a maior efetuado por meio do DARF identificado no PER/DCOMP em questão. A razão da não homologação contestada é a insuficiência do pagamento a maior, considerando sua utilização em PER/DCOMP anteriores. Nos PER/DCOMP, há o campo intitulado “Crédito Original na Data da Transmissão”. Conforme instruções de preenchimento do programa gerador do PER/DCOMP, o valor a ser informado nesse campo é o valor do pagamento indevido ou a maior subtraído das parcelas desse mesmo pagamento já utilizadas em compensações anteriores. Quando nenhuma parcela do pagamento indevido ou a maior tiver sido restituída ou utilizada em compensação anterior, ou seja, no primeiro PER/DCOMP em que o crédito for utilizado, o valor informado no campo "Crédito Original na Data da Transmissão" será igual ao do campo “Valor Original do Crédito Inicial”. A cada novo PER/DCOMP que utiliza o mesmo pagamento, o valor do campo "Crédito Original na Data da Transmissão" deve ser menor do que o do PER/DCOMP anterior. Portanto, na análise da compensação em litígio, não se pode desconsiderar as compensações anteriores que utilizam o mesmo DARF, salvo as canceladas e as não homologadas. O despacho decisório discrimina as parcelas do crédito original utilizado em compensações anteriores. Na manifestação de inconformidade, o interessado se omite quanto a esses dados. De acordo com o art. 17 do Dec. nº 70.235, de 1972, considera se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante (Redação dada pelo art. 67 da Lei nº 9.532 de 1997). (g.n.) (...) Fl. 99DF CARF MF Processo nº 10930.904075/201347 Acórdão n.º 3001000.515 S3C0T1 Fl. 100 5 Assiste razão ao colegiado a quo quando assenta, no voto condutor do acórdão recorrido, que o recorrente omitese quanto aos valores discriminados no despacho decisório discrimina, relativamente às parcelas do crédito original utilizado em compensações anteriores, uma vez que, ao assim proceder, revela que na espécie em trato não houve contestação e, por conseguinte, deve tal circunstância processual ser tratada como matéria não impugnada. Perscrutando o recurso voluntário evidenciase que o contribuinte, mais uma vez vem discutir os termos pelos quais a DRF/Londrina, ao emitir o Despacho Decisório nº de rastreamento 074900085, homologou em parte a compensação. Desta feita, inovando ainda mais, para solicitar a aplicação da taxa Selic sobre o valor recolhido por meio do Darf identificado no Per/Dcomp 21315.85928.300813.1.3.045054, cujo direito creditório o despacho decisório contestado já havia reconhecido como tratandose de pagamento indevido ou a maior, mas que parcela deste crédito original fora utilizada para compensação anterior à declarada, no Per/Dcomp 06167.27245.280112.1.3.048619. Do Juízo de Admissibilidade Reafirmando, assiste razão à decisão recorrida quando concluiu pela inexistência de contestação do crédito original empregado na compensação de parte dos débitos declarados pelo contribuinte no Per/Dcomp 21315.85928.300813.1.3.045054, posto que não foi objeto de contestação em sede de manifestação de inconformidade, uma vez que, repitase, limitouse a alegar genericamente "que efetuou pagamento indevido no valor de R$ 15.121,11, que este crédito não havia sido integralmente utilizado e que a compensação foi feita nos moldes legais e nos limites do crédito apurado", portanto, ainda mais insuscetíveis de conhecimento em grau recursal, quando, por via tortuosa, implementa outros e novos argumentos. Relembrando, a peça impugnatória, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, instaura a fase litigiosa do procedimento; considerandose, por conseguinte, não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo sujeito passivo, pois apenas a regular contestação é capaz de atrair o poder dever do Estado de fazer a prestação jurisdicional, dirimindo a controvérsia iniciada, in casu, com a homologação parcial da compensação declarada no respectivo Per/Dcomp, mas efetivamente instaurada com a apresentação da sua peça contestatória. É o que impõe o Decreto nº 70.235, de 06.03.1972, verbis: (...) Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10930.904075/201347 Acórdão n.º 3001000.515 S3C0T1 Fl. 101 6 Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (...) Em reforço, convém transcrever os excertos do Código de Processo Civil (CPC) Lei nº 13.105, de 16.03.2015, que discorre sobre a matéria, verbis: (...) Art. 141. O juiz decidirá o mérito nos limites propostos pelas partes, sendolhe vedado conhecer de questões não suscitadas a cujo respeito a lei exige iniciativa da parte. (...) Art. 223. Decorrido o prazo, extinguese o direito de praticar ou de emendar o ato processual, independentemente de declaração judicial, ficando assegurado, porém, à parte provar que não o realizou por justa causa. (...) Art. 329. O autor poderá: I até a citação, aditar ou alterar o pedido ou a causa de pedir, independentemente de consentimento do réu; II até o saneamento do processo, aditar ou alterar o pedido e a causa de pedir, com consentimento do réu, assegurado o contraditório mediante a possibilidade de manifestação deste no prazo mínimo de 15 (quinze) dias, facultado o requerimento de prova suplementar. Parágrafo único. Aplicase o disposto neste artigo à reconvenção e à respectiva causa de pedir. (...) Art. 492. É vedado ao juiz proferir decisão de natureza diversa da pedida, bem como condenar a parte em quantidade superior ou em objeto diverso do que lhe foi demandado. Parágrafo único. A decisão deve ser certa, ainda que resolva relação jurídica condicional. (...) Justamente em função da falta de expressa e concreta contestação dos termos que fundamentaram o reconhecimento parcial do direito creditório pleiteado que agiu com correção o colegiado a quo 2ª Turma da DRJ/BHE ao concluir prejudicada a matéria que o contribuinte, de forma inusitada e inovadora, busca suscitar, desta feita, em sede de recurso voluntário, posto que seu conhecimento representaria o aviltamento do princípio constitucional do duplo grau de jurisdição. Fl. 101DF CARF MF Processo nº 10930.904075/201347 Acórdão n.º 3001000.515 S3C0T1 Fl. 102 7 Neste ponto cabe pontuar também que as regras legais que tratam da preclusão são imprescindíveis ao devido processo legal. Portanto, plenamente compatíveis com o princípio da ampla defesa e do contraditório. Por fim, não é demais realçar que o caso destes autos trata de inovação defensiva recursal, uma vez que o recorrente apresenta, como visto, argumentos não trazidos em sua petição inaugural, o que, por si só, já é suficiente para evidenciar sua preclusão consumativa. Da conclusão Ante o exposto, com base nos fundamentos acima expendidos e na legislação de regência, encaminho meu voto pela preclusão da matéria apresentada, razão pela qual proponho o não conhecimento do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Fl. 102DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10725.903155/2009-24
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPENSAÇÃO SEM PROCESSO. INADMISSIBILIDADE
A partir da vigência da Medida Provisória nº 66, de 29/08/2002, convertida na Lei nº 10.637, de 30/12/2002, a compensação sem processo, entre tributos e contribuições de mesma espécie e destinação constitucional, nos termos do art. 66, caput e §1º da Lei nº 8.383, de 30/12/1991, tornou-se inadmissível ante a novel redação conferida ao art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996.
COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. CRÉDITO PROVENIENTE DA APURAÇÃO DE SALDO NEGATIVO DA CSLL. DECURSO DE PRAZO FIXADO PELA NORMA DE REGÊNCIA.
O lapso temporal conferido para o exercício do direito de compensação mediante utilização de crédito proveniente de saldo negativo da CSLL, encerra-se com decurso do prazo de 5 (cinco) anos contados da data de encerramento do período de apuração correspondente, a teor do preceito expresso no art. 168, inciso I do Código Tributário Nacional (CTN) à luz da interpretação dada pelo art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005.
INEFICÁCIA DA RETIFICAÇÃO DA DCTF TRANSMITIDA APÓS O DECURSO DO PRAZO DECADENCIAL ESTABELECIDO PELA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. ALTERAÇÃO DAS VINCULAÇÕES INFORMADAS EM RELAÇÃO À ESTIMATIVA MENSAL CONFESSADA. COMPENSAÇÃO SEM PROCESSO INFORMADA EXTEMPORANEAMENTE.
Para efeitos de determinação da pertinência do crédito declarado, constitui-se ineficaz a DCTF retificadora transmitida após o decurso do prazo decadencial estabelecido pela legislação tributária, mormente quando as alterações levadas a efeito pelo sujeito passivo apresentam-se desacompanhadas de material probatório competente que demonstre cabalmente a ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração.
Ainda que alegada a realização da compensação sob a égide art. 66, caput e §1º da Lei nº 8.383, de 30/12/1991, revela-se necessária a comprovação da validade e existência das novas vinculações informadas na DCTF retificadora e da efetividade da compensação na data de vencimento da estimativa mensal associada ao crédito reivindicado.
Numero da decisão: 1402-003.353
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente.
(assinado digitalmente)
Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marco Rogério Borges, Caio César Nader Quintella, Sergio Abelson (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Leonam Rocha de Medeiros (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
Nome do relator: LUCAS BEVILACQUA CABIANCA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2010 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPENSAÇÃO SEM PROCESSO. INADMISSIBILIDADE A partir da vigência da Medida Provisória nº 66, de 29/08/2002, convertida na Lei nº 10.637, de 30/12/2002, a compensação sem processo, entre tributos e contribuições de mesma espécie e destinação constitucional, nos termos do art. 66, caput e §1º da Lei nº 8.383, de 30/12/1991, tornou-se inadmissível ante a novel redação conferida ao art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996. COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. CRÉDITO PROVENIENTE DA APURAÇÃO DE SALDO NEGATIVO DA CSLL. DECURSO DE PRAZO FIXADO PELA NORMA DE REGÊNCIA. O lapso temporal conferido para o exercício do direito de compensação mediante utilização de crédito proveniente de saldo negativo da CSLL, encerra-se com decurso do prazo de 5 (cinco) anos contados da data de encerramento do período de apuração correspondente, a teor do preceito expresso no art. 168, inciso I do Código Tributário Nacional (CTN) à luz da interpretação dada pelo art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005. INEFICÁCIA DA RETIFICAÇÃO DA DCTF TRANSMITIDA APÓS O DECURSO DO PRAZO DECADENCIAL ESTABELECIDO PELA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. ALTERAÇÃO DAS VINCULAÇÕES INFORMADAS EM RELAÇÃO À ESTIMATIVA MENSAL CONFESSADA. COMPENSAÇÃO SEM PROCESSO INFORMADA EXTEMPORANEAMENTE. Para efeitos de determinação da pertinência do crédito declarado, constitui-se ineficaz a DCTF retificadora transmitida após o decurso do prazo decadencial estabelecido pela legislação tributária, mormente quando as alterações levadas a efeito pelo sujeito passivo apresentam-se desacompanhadas de material probatório competente que demonstre cabalmente a ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração. Ainda que alegada a realização da compensação sob a égide art. 66, caput e §1º da Lei nº 8.383, de 30/12/1991, revela-se necessária a comprovação da validade e existência das novas vinculações informadas na DCTF retificadora e da efetividade da compensação na data de vencimento da estimativa mensal associada ao crédito reivindicado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente. (assinado digitalmente) Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marco Rogério Borges, Caio César Nader Quintella, Sergio Abelson (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Leonam Rocha de Medeiros (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPENSAÇÃO SEM PROCESSO. INADMISSIBILIDADE A partir da vigência da Medida Provisória nº 66, de 29/08/2002, convertida na Lei nº 10.637, de 30/12/2002, a compensação sem processo, entre tributos e contribuições de mesma espécie e destinação constitucional, nos termos do art. 66, caput e §1º da Lei nº 8.383, de 30/12/1991, tornouse inadmissível ante a novel redação conferida ao art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996. COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. CRÉDITO PROVENIENTE DA APURAÇÃO DE SALDO NEGATIVO DA CSLL. DECURSO DE PRAZO FIXADO PELA NORMA DE REGÊNCIA. O lapso temporal conferido para o exercício do direito de compensação mediante utilização de crédito proveniente de saldo negativo da CSLL, encerrase com decurso do prazo de 5 (cinco) anos contados da data de encerramento do período de apuração correspondente, a teor do preceito expresso no art. 168, inciso I do Código Tributário Nacional (CTN) à luz da interpretação dada pelo art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005. INEFICÁCIA DA RETIFICAÇÃO DA DCTF TRANSMITIDA APÓS O DECURSO DO PRAZO DECADENCIAL ESTABELECIDO PELA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. ALTERAÇÃO DAS VINCULAÇÕES INFORMADAS EM RELAÇÃO À ESTIMATIVA MENSAL CONFESSADA. COMPENSAÇÃO SEM PROCESSO INFORMADA EXTEMPORANEAMENTE. Para efeitos de determinação da pertinência do crédito declarado, constituise ineficaz a DCTF retificadora transmitida após o decurso do prazo decadencial estabelecido pela legislação tributária, mormente quando as alterações levadas a efeito pelo sujeito passivo apresentamse desacompanhadas de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 72 5. 90 31 55 /2 00 9- 24 Fl. 55DF CARF MF 2 material probatório competente que demonstre cabalmente a ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração. Ainda que alegada a realização da compensação sob a égide art. 66, caput e §1º da Lei nº 8.383, de 30/12/1991, revelase necessária a comprovação da validade e existência das novas vinculações informadas na DCTF retificadora e da efetividade da compensação na data de vencimento da estimativa mensal associada ao crédito reivindicado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente. (assinado digitalmente) Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marco Rogério Borges, Caio César Nader Quintella, Sergio Abelson (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Leonam Rocha de Medeiros (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente). Relatório Trata o presente feito de Recurso Voluntário interposto em face do r. despacho decisório proferido pela DRJ que não homologou a compensação, por entender que a DCTFRetificadora foi apresentada extemporaneamente. Aduz em síntese a Recorrente a nulidade do despacho decisório por ausência de fundamentação e cerceamento de defesa. Segundo a Recorrente, o despacho decisório se limitou a apontar que a compensação não seria homologada porque a partir das características do DARF discriminado na DCOMP, o sistema da RFB localizou um ou mais pagamentos que serviram para a quitação de débitos do próprio contribuinte. Ocorre que ao tempo do julgamento já teria sido transmitida DCTF retificadora que deixou de ser considerada. Segundo a recorrente: Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10725.903155/200924 Acórdão n.º 1402003.353 S1C4T2 Fl. 1.112 3 Invoca ainda a ampla defesa e o contraditório para legitimar seu pleito. Explica que no mérito o crédito decorre do recolhimento a maior de IRPJ n regime de apuração do lucro presumido quando aplicou erroneamente o percentual de presunção de 32%, invés do percentual de 8% adequado para rendimentos oriundos de serviços hospitalares. Afirma que apresentou DCOMPretificadoras para corrigir dados da DCOMP original, não para transmitir DCOMP com créditos supostamente prescritos. Afirma que não há prazo fixado em lei para retificar suas declarações, não sendo aplicável o art. 150, §4º do CTN como parâmetro. Sustenta que divergência entre DCTFretificadora e DIPJ não pode ser visto como impedimento para a compensação, tratandose tão somente de obstáculo de natureza formal. O que gera o crédito para o é a efetivação do pagamento indevido e não as informações prestadas por DCTF e/ou DIPJ. Por fim, acrescenta que: Conclui sustentando que aplicase ao caso a tese do 5 +5, consolidada no julgamento do RESP nº 1002932/SP, com efeito repetitivo. É o relatório. Voto Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira relator 1. DA ADMISSIBILIDADE: Fl. 57DF CARF MF 4 O Recurso é tempestivo e interposto por parte competente, posto que o admito. 2. DO MÉRITO Conforme bem apontou o Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar, ao proferir o acórdão 1402001.976: De acordo com as normas introduzidas no ordenamento jurídico conferiuse nova redação ao art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, passando a exigir a apresentação de Declaração de Compensação (PER/DCOMP) com a finalidade de tornar eficaz o exercício da compensação de débitos tributários com eventual indébito tributário apurado pelo contribuinte, inclusive em relação a tributos e contribuições de mesma natureza. Assim sendo, a entrega da PER/DCOMP instituiuse como premissa para a determinação da extinção do crédito tributário mediante compensação. Diante disso, a partir da vigência do referido dispositivo legal, a compensação sem processo, entre tributos e contribuições de mesma espécie e destinação constitucional, formulada em consonância com o art. 66, caput e §1º da Lei nº 8.383, de 30/12/1991, e nos termos da antiga redação do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, regulamentada na Instrução Normativa SRF nº 21, de 1997, tornouse inadmissível para cumprimento do novel regime de compensação introduzido no sistema tributário. Sendo assim, não merece qualquer reparo as conclusões firmadas pela autoridade administrativa responsável pela análise das DCOMP eletrônicas, visto que, por este aspecto, plenamente legítima a delimitação de reconhecimento do direito creditório levada a efeito no despacho decisório A jurisprudência consolidada desta turma segue no sentido de que é possível a compensação de débitos tributários via PER/DCOMP quando transmitida DCTF retificadora desde que exista prova inequívoca do crédito apontado. Esse também foi o entendimento adotado pela Receita Federal quando emitiu o Parecer Normativo COSIT nº 2 de 2015: Assunto. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não Fl. 58DF CARF MF Processo nº 10725.903155/200924 Acórdão n.º 1402003.353 S1C4T2 Fl. 1.113 5 homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/nãohomologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Dispositivos Legais. arts. 147, 150, 165 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); arts. 348 e 353 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil (CPC); art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984; art. 18 da MP nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001; arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010; Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012; Parecer Normativo RFB nº 8, de 3 de setembro de 2014. eprocesso 11170.720001/201442 Se de um lado é incontroversa a possibilidade de se retificar a DCTF após a transmissão da PER/DCOMP, o mesmo não se pode afirmar quando a retificação é posterior ao prazo decadencial. O art. 168 do CTN dispõe que “O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário. De sua parte o art. 165 do CTN dispõe: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em Fl. 59DF CARF MF 6 face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido. Por entender que a decadência objetiva a pacificação das relações sociais deve atingir tanto a possibilidade de o fisco lançar como de o contribuinte aproveitar dos créditos, através de compensação. Nessa toada, adiro ao precedente desta turma nos autos do processo administrativo nº 16306.000011/201075 em que se decidiu : DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPENSAÇÃO SEM PROCESSO. INADMISSIBILIDADE A partir da vigência da Medida Provisória nº 66, de 29/08/2002, convertida na Lei nº 10.637, de 30/12/2002, a compensação sem processo, entre tributos e contribuições de mesma espécie e destinação constitucional, nos termos do art. 66, caput e §1º da Lei nº 8.383, de 30/12/1991, tornouse inadmissível ante a novel redação conferida ao art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996. COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. CRÉDITO PROVENIENTE DA APURAÇÃO DE SALDO NEGATIVO DA CSLL. DECURSO DE PRAZO FIXADO PELA NORMA DE REGÊNCIA. O lapso temporal conferido para o exercício do direito de compensação mediante utilização de crédito proveniente de saldo negativo da CSLL, encerrase com decurso do prazo de 5 (cinco) anos contados da data de encerramento do período de apuração correspondente, a teor do preceito expresso no art. 168, inciso I do Código Tributário Nacional (CTN) à luz da interpretação dada pelo art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005. INEFICÁCIA DA RETIFICAÇÃO DA DCTF TRANSMITIDA APÓS O DECURSO DO PRAZO DECADENCIAL ESTABELECIDO PELA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. ALTERAÇÃO DAS VINCULAÇÕES INFORMADAS EM RELAÇÃO À ESTIMATIVA MENSAL CONFESSADA. COMPENSAÇÃO SEM PROCESSO INFORMADA EXTEMPORANEAMENTE. Para efeitos de determinação da pertinência do crédito declarado, constituise ineficaz a DCTF retificadora transmitida após o decurso do prazo decadencial estabelecido pela legislação tributária, mormente quando as alterações levadas a efeito pelo sujeito passivo apresentamse desacompanhadas de material probatório competente que demonstre cabalmente a ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração. Ainda que alegada a realização da compensação sob a égide art. 66, caput e §1º da Lei nº 8.383, de 30/12/1991, revelase necessária a comprovação da validade e existência das novas vinculações informadas na DCTF retificadora e da efetividade da compensação na data de vencimento da estimativa mensal associada ao crédito reivindicado. Referido precedente é aplicável ao caso concreto. A recorrente apresentou DCTF extemporânea, mas não comprovou cabalmente o pagamento a maior, restringindose a apontar que aplicou o percentual de presunção inadequado sem apresentar as provas do erro ou que fazia jus ao referido percentual, em linha com as exigências da legislação tributária. Esses motivos são o suficiente para além de manter a decisão recorrida no mérito, afastar a nulidade suscitada pela Recorrente em sede preliminar. 3. CONCLUSÃO: Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10725.903155/200924 Acórdão n.º 1402003.353 S1C4T2 Fl. 1.114 7 Por todo o exposto, voto pela manutenção da decisão recorrida. É como voto. Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Fl. 61DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10510.900320/2006-69
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2001
RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. TRIBUTO PAGO E CRÉDITO EXTINTO. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PAGAMENTO INDEVIDO. INEXISTÊNCIA.
Descabe a restituição de valor já pago e que serviu para a extinção perfeita e regular de crédito tributário, ainda que, posteriormente, o contribuinte apresente declaração retificadora desvinculando o referido pagamento, pois, até o limite do valor retificado, essa alteração não caracteriza pagamento indevido para fins de restituição ou compensação.
Numero da decisão: 9101-003.659
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em reconhecer a independência do presente processo em relação aos processos 10510.900339/2006-13, 10510.900324/2006-47 e 10510.900344/2006-18. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Luis Flávio Neto.
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Viviane Vidal Wagner - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio Franco Correa, Cristiane Silva Costa, Viviane Vidal Wagner, Luís Flávio Neto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei e Rafael Vidal De Araújo. Ausente, justificadamente, o conselheiro André Mendes de Moura, substituído pelo conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: VIVIANE VIDAL WAGNER
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2001 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. TRIBUTO PAGO E CRÉDITO EXTINTO. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PAGAMENTO INDEVIDO. INEXISTÊNCIA. Descabe a restituição de valor já pago e que serviu para a extinção perfeita e regular de crédito tributário, ainda que, posteriormente, o contribuinte apresente declaração retificadora desvinculando o referido pagamento, pois, até o limite do valor retificado, essa alteração não caracteriza pagamento indevido para fins de restituição ou compensação.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em reconhecer a independência do presente processo em relação aos processos 10510.900339/2006-13, 10510.900324/2006-47 e 10510.900344/2006-18. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Luis Flávio Neto. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio Franco Correa, Cristiane Silva Costa, Viviane Vidal Wagner, Luís Flávio Neto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei e Rafael Vidal De Araújo. Ausente, justificadamente, o conselheiro André Mendes de Moura, substituído pelo conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1531; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 2 1 1 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10510.900320/200669 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9101003.659 – 1ª Turma Sessão de 4 de julho de 2018 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente BANCO DO ESTADO DE SERGIPE S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2001 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. TRIBUTO PAGO E CRÉDITO EXTINTO. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PAGAMENTO INDEVIDO. INEXISTÊNCIA. Descabe a restituição de valor já pago e que serviu para a extinção perfeita e regular de crédito tributário, ainda que, posteriormente, o contribuinte apresente declaração retificadora desvinculando o referido pagamento, pois, até o limite do valor retificado, essa alteração não caracteriza pagamento indevido para fins de restituição ou compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em reconhecer a independência do presente processo em relação aos processos 10510.900339/200613, 10510.900324/200647 e 10510.900344/200618. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Luis Flávio Neto. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Presidente em exercício (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 90 03 20 /2 00 6- 69 Fl. 240DF CARF MF Processo nº 10510.900320/200669 Acórdão n.º 9101003.659 CSRFT1 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio Franco Correa, Cristiane Silva Costa, Viviane Vidal Wagner, Luís Flávio Neto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei e Rafael Vidal De Araújo. Ausente, justificadamente, o conselheiro André Mendes de Moura, substituído pelo conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pelo contribuinte BANESE Banco do Estado de Sergipe S/A em face da decisão proferida no Acórdão nº 1101000.125 (efls. 122 e segs.), pela 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da Primeira Seção, na sessão de 18 de junho de 2009, pela qual o Colegiado, por maioria de votos, negou provimento ao recurso voluntário. O processo analisa o direito creditório do interessado, que foi parcialmente reconhecido no montante de R$ 179.899,68 (conforme Dcomp de fls. 3 a 5), cuja origem foi o pagamento a maior da estimativa da CSLL do período de apuração de abril de 2001, compensado, até este limite, com o débito do Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ) do período de apuração de abril de 2003, no valor original de R$ 78.774,30. Conquanto o contribuinte alegue ter um crédito de R$ 218.826,95, a Delegacia da Receita Federal de origem, ao analisar o pedido, reconheceu apenas parcialmente o valor pleiteado, por força dos seguintes argumentos: Em consonância com os dados acima, realmente, houve pagamento a maior da estimativa da CSLL de abril/2001, porém, equivocase o contribuinte ao vincular uma DCOMP ao débito apurado na DCTF retificadora, para com isso pleitear a devolução total do pagamento efetuado por ocasião da DCTF original, quando o procedimento correto seria manter a vinculação do recolhimento em DARF ao débito apurado na retificadora e pleitear a devolução da diferença, no valor de R$ 179.899,68; Restituir todo o valor recolhido em DARF implica, na prática, a troca do pagamento em DARF pelo crédito apresentado na DCOMP n° 17269.22817.240903.1.3.040840, transformando, com isso, um pagamento a maior em pagamento indevido; Resta evidente que o contribuinte somente faz jus ao crédito de R$ 179.899,68, sendo totalmente descabida, por ausência de dispositivo legal que a autorize, a devolução integral do pagamento reivindicado, pois o art. 165 do Código Tributário Nacional (CTN) prevê apenas a restituição total ou parcial do pagamento, não a sua permuta por outro tipo de crédito. Com a ciência da decisão, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, na qual relatou a origem do crédito e defendeu que devem prevalecer as Fl. 241DF CARF MF Processo nº 10510.900320/200669 Acórdão n.º 9101003.659 CSRFT1 Fl. 4 3 informações constantes das declarações retificadoras do período (DCTF e DIPJ), para que seja reconhecido o montante integral postulado. A DRJ/Salvador julgou improcedente a manifestação de conformidade, considerando inadmissível o reconhecimento integral do crédito, por entender que no momento em que o contribuinte apresentou a DCTF retificadora o débito nela declarado já se encontrava extinto mediante o pagamento de R$ 218.826,95, anteriormente efetuado. Irresignado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, em que repisou os argumentos já formulados. Na sessão de 18 de junho de 2009, a 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da Primeira Seção negou provimento ao recurso interposto, em decisão assim ementada: CSLL COMPENSAÇÃO INDÉBITO TRIBUTÁRIO O pagamento, modalidade de extinção do crédito tributário, pode se revelar indevido ou a maior que o devido e, como tal, passível de restituição total ou parcialmente. Na hipótese de pagamento a maior que o devido a expressão do excesso aflora tão logo atingida a satisfação do valor integral do crédito tributário. Reputamse indébitos fiscais o excesso apurado e eventuais adimplementos que sucedem a liquidação, inclusive aqueles efetuados a conta de compensação tributária. O sujeito passivo não detém poder de administrar a ordem dos pagamentos, substituindo os segundos pelo primeiro, e com isso objetivar a repetição daquele que originariamente solveu o débito, pois não se concebe renascimento da obrigação regularmente extinta. Foi interposto recurso especial (fls. 154 e ss.) em que o contribuinte defende a possibilidade de uma DCTF retificadora servir não apenas para alterar o valor dos débitos nela declarados, mas também para vincular novos créditos para sua extinção, em substituição às formas de pagamento originalmente declaradas na DCTF original. Aduz que as informações prestadas na DCTF original foram substituídas em sua integralidade, de modo que o valor de R$ 38.927,27 constituído na DCTF Retificadora deve ser interpretado como um novo débito, que foi extinto mediante outra compensação (objeto do processo nº 10510.900339/200613). Por fim, alega que a decisão recorrida não possui amparo legal e ofende o princípio da moralidade administrativa. O recurso especial foi admitido por meio do despacho de fls. 225 e ss. Por seu turno, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões (fls. 231), em que pugna pela manutenção da decisão recorrida, por entender que não há que se falar em indébito para restituição, posto que o valor de R$ 38.927,27 era devido e foi integralmente quitado. Fl. 242DF CARF MF Processo nº 10510.900320/200669 Acórdão n.º 9101003.659 CSRFT1 Fl. 5 4 É o relatório. Voto Conselheira Viviane Vidal Wagner, Relatora O recurso especial do contribuinte foi admitido, conforme despacho de fls. 225 e ss., por ter atendido aos requisitos para seguimento do dissenso jurisprudencial, relativo à possibilidade de a retificação da DCTF ensejar, além da alteração dos valores declarados, a vinculação de novos créditos para sua extinção, em substituição às formas de pagamento anteriormente declaradas na DCTF original. Nesse contexto, conheço do recurso especial do contribuinte, ratificando os termos do referido despacho de admissibilidade. Quanto ao mérito, a questão central do autos em que o contribuinte pretende o reconhecimento integral do direito creditório referente ao pagamento de CSLL a título de estimativa no período de abril de 2001, diz respeito à possibilidade de se reconhecer o recálculo efetuado pelo contribuinte e considerálo, como este deseja, como débito tributário novo por força da DCTF retificadora apresentada. Em outras palavras, o objeto da restituição pleiteada é o reconhecimento de determinado valor, a título de crédito, que foi, originalmente, objeto de quitação na modalidade pagamento (art. 156, inciso I, do CTN) e que, posteriormente, a partir da entrega de DCTF retificadora, foi alterado em valor e em modalidade de quitação (para compensação, nos termos do art. 156, inciso II, do CTN). Apesar de a mesma sistemática ter sido adotada pela Recorrente nos processos de nºs 10510.900320/200669, 10510.900324/200647, 10510.900339/200613, 10510.900344/200618 e 10510.900317/200645, todos distribuídos a esta relatora, verificase que inexiste prejudicialidade entre eles. Muito embora a Recorrente sustente seu direito de apresentar declarações retificadoras para alterar as informações de débitos e créditos como bem entender, a Administração Tributária considerou as declarações retificadoras entregues pela Recorrente, de sorte que não foi este o fundamento para o indeferimento do direito creditório. Com efeito, verificase, a partir do que foi apurado ao longo do processo, que inexiste valor a ser restituído ou compensado. A matéria em discussão objetiva saber se o contribuinte tem direito à restituição integral do valor de R$ 218.825,95 (ref. à CSLL de abril de 2001) ou apenas à diferença entre o que foi pago por estimativa naquele período e o valor apurado como devido ao final do exercício, visto que o interessado retificou a DCTF para alterar o valor da estimativa do mês de abril de 2001 para R$ 38.927,27, vinculando este débito com outro crédito via DCOMP no processo nº 10510.900344/200618. Fl. 243DF CARF MF Processo nº 10510.900320/200669 Acórdão n.º 9101003.659 CSRFT1 Fl. 6 5 Cabe referir que, embora a Recorrente manifestese no sentido de que "o DARF recolhido em 31 de maio de 2001 no valor de R$ 218.826,95 NUNCA foi utilizado para fins de quitar o valor da estimativa da CSLL de abril/2001, DEVENDO SER CONSIDERADO PAGAMENTO A MAIOR QUE 0 DEVIDO NOS TERMOS DA LEGISLAÇÃO VIGENTE, cabendo à Recorrente a sua integral restituição, operacionalizada através das compensações realizadas" (fls. 107 original com destaque) e que o valor da estimativa de abril/2001 teria sido quitado em parte com pagamento de R$ 100.250,00 e parte com outra compensação, não é o que se verifica dos autos. Dos documentos de fls. 2 a 9 do presente processo verificase que consta da DCTF original o valor de R$ 218.826,95 declarado como débito de CSLL do período de abril/2001 e vinculado ao DARF pago em 31/05/2001 no mesmo exato valor. Em seguida, consta a DCTF retificadora com o valor de R$ 38.927,27 declarado como débito de CSLL de abril/2001 e vinculado a uma DCOMP (objeto do processo nº 10510.900344/200618). Assim, serão considerados na presente análise apenas os valores e vinculações informados nas DCTF original e retificadora referentes ao débito de CSLL de abril de 2001 (fls.2 a 6). É certo que, dentre as modalidades de extinção do crédito tributário encontramse tanto o pagamento quanto a compensação, nos termos do art. 156, incisos I e II do Código Tributário Nacional, respectivamente. Mais à frente, o mesmo estatuto jurídico disciplina o direito à restituição, incluindo o pagamento indevido ou maior que o devido, nos seguintes termos: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; (destacamos) Sobre a compensação, cumpre destacar que essa modalidade de extinção do crédito tributário pressupõe a liquidez e certeza do crédito, a teor do disposto no art. 170 do CTN: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. A compensação em análise ainda deve observar as seguintes regras dispostas no art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, vigentes à época da entrega da DCOMP: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e Fl. 244DF CARF MF Processo nº 10510.900320/200669 Acórdão n.º 9101003.659 CSRFT1 Fl. 7 6 contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) [...] Consoante o caput do art. 74 acima transcrito, somente pode ser utilizado, na compensação de débito próprio de tributos administrados pela RFB, o crédito apurado pelo sujeito passivo que for "passível de restituição ou de ressarcimento". Sobre a possibilidade de restituição ou compensação de valor pago a maior ou indevidamente a título de estimativa, é de se reconhecer o caráter interpretativo do art. 11 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro 2008, que retirou a restrição anteriormente existente em relação aos indébitos decorrentes de estimativas, sendo aplicável aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. Nesse sentido, cabe referir o voto vencedor do Acórdão CARF nº 1101 00.330, da lavra da exConselheira Edeli Pereira Bessa, da 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção, julgado em 9 de julho de 2010, que dispõs: ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. Somente são dedutíveis do IRPJ apurado no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subsequente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB nº 900/2008. Considerando o ônus probatório, para ter direito à restituição do crédito e utilizálo em compensação, cumpre ao interessado demonstrar a ocorrência de pagamento indevido ou a maior. Assim, não se trata aqui de desconsiderar o direito da Recorrente de apresentar uma DCTF retificadora para alterar o valor do débito. Mas o que interessa para a solução do litígio referente à pretendida restituição integral do pagamento é a demonstração de que o montante integral do pagamento, via DARF, realizado em 31/05/2001, caracterizase como pagamento indevido ou maior do que o devido, nos termos do art.165, inciso I, do CTN. A possibilidade de criação de um indébito pela simples alteração na modalidade de quitação, quando se declara que o valor devido não é X, mas Y, não parece conforme ao ordenamento jurídico acima exposto, o qual pressupõe que o crédito a ser utilizado na compensação deve ser líquido e certo. A certeza, nesse caso, deve ser pautada em fundamentos fáticos e jurídicos sólidos, o que não se verifica no caso de se declarar que se Fl. 245DF CARF MF Processo nº 10510.900320/200669 Acórdão n.º 9101003.659 CSRFT1 Fl. 8 7 deve um tributo referente a determinado período de apuração ao mesmo tempo em que se pleiteia um indébito referente ao mesmo tributo e período de apuração. Podese afirmar, assim, que descabe a restituição de valor já pago e que serviu para a extinção perfeita e regular de crédito tributário, ainda que, posteriormente, o contribuinte apresente declaração retificadora desvinculando o referido pagamento, pois, até o limite do valor retificado, essa alteração não caracteriza pagamento indevido para fins de restituição ou compensação. Com isso, o valor recolhido inicialmente serviu para extinguir, nos termos do art. 156 do Código Tributário Nacional CTN, o crédito tributário declarado na DCTF retificadora, mostrandose descabida a pretensão da Recorrente de aproveitar como indébito o que não era indébito. Com efeito, verificase, a partir do que foi apurado ao longo do processo, que inexiste valor a ser restituído ou compensado. Nesse contexto, não merece reparos a decisão recorrida, que negou provimento ao recurso do contribuinte, nos seguintes termos: Mostrase equivocada a tese trazida nas razões recursais de que o débito de estimativa da CSLL do mês de abril de 2001, originariamente declarada pelo valor de R$ 218.826,95, ao ser mitigada para a importância de R$ 38.927,27 mediante DCTF retificadora, passou a constituir um NOVO débito (expressão utilizada pela Recorrente), pois o que se modificou foi tão somente sua expressão quantitativa, o quantum debeatur, é dizer, a dívida não perdeu sua natureza. Uma vez definitivado o quantum da dívida sua extinção ocorre por diversas modalidades, assim expressamente previstas no artigo 156 do Código Tributário Nacional (CTN). São elas: o pagamento, compensação, transação, remissão, prescrição e decadência, conversão do depósito em renda, homologação do pagamento antecipado (artigo 150 e seus §§ 1° e 4°), decisão administrativa irreformável e decisão judicial passada em julgado. Especificamente quanto ao pagamento este se afigura indevido quando realizado com erro na identificação do sujeito passivo, imputado para liquidação diversa daquele tributo originariamente apurado (imposto de renda ao invés de territorial rural, v.g.), realizado com base em lei que venha ser expungida da ordem jurídica, etc. Já o pagamento maior que o devido ocorre quando, mantidas a perfeita identificação do sujeito passivo e natureza da dívida, se realiza em monta superior àquela resultante da aplicação da alíquota aplicável sobre a base de cálculo prevista na norma de regência (CTN, artigo 165) ou que diga respeito a parcela cuja lei de exigência tenha a eficácia recusada pelo Poder Judiciário ou afastada por Resolução do Senado da República, a exemplo da majoração da alíquota do FINSOCIAL (Lei n° 7.738, de Fl. 246DF CARF MF Processo nº 10510.900320/200669 Acórdão n.º 9101003.659 CSRFT1 Fl. 9 8 1989), o alargamento da base de cálculo do PIS e COFINS (Lei n° 9.718, de 1998), etc. Na hipótese de pagamento a maior que o devido a questão se resume à apuração do excesso recolhido, uma vez que o adimplemento se deu, via de regra, em uma única vez. Se assim não for, isto é, acaso o débito tenha sido pago em parcelas ou em duplicidade a ordem cronológica dos pagamentos se impõe, amortizandose a obrigação à medida em que ingressados os recursos nos cofres públicos, até integral liquidação, caracterizando excesso o que sobrevier a este evento. Há que se ter em mente, pois, que a extinção da obrigação tributária é o marco regulatório na cadeia sucessiva. Acrescentese que eventual cobrança em duplicidade do valor declarado como débito em outra Dcomp é afastada pela autoridade fiscal que analisou o processo na Delegacia da Receita Federal do Brasil, ratificada pela decisão colegiada de primeira instância (DRJ), conforme transcrições abaixo, que integram o presente julgado. Do Despacho decisório DRF/AJU nº 471, de 18/06/2007 (fls.1618 do vol.1), se extrai: Como se vê, resta evidente que o contribuinte somente faz jus ao crédito de R$ 179.899,68. sendo totalmente descabida, por ausência de dispositivo legal que autorize, a devolução integral do pagamento reinvindicado. Conforme está transcrito alhures, o CTN prevê apenas a restituição total ou parcial do pagamento, não a sua permuta por outro tipo de crédito. Por fim, cabe assinalar que em contrapartida ao reconhecimetno parcial do crédito pleiteado, não deverá ser cobrada a parcela do débito objeto da DCOMP nº 17269.22817.240903.1.3.04 0840. (grifouse) Do Acórdão nº 1514.151, da 2ª Turma da DRJ/SDR, de 09/11/2007 (fls.60 65 do vol.1), se extrai: Também, cabe ratificar a afirmação contida no Despacho Decisório da DRJ / AJU no sentido de que em contrapartida ao reconhecimento parcial do crédito pleiteado, não deverá ser cobrado o débito objeto da DCOMP 17269.22817.240903. 1.3.040840 por já se encontrar extinto por pagamento. (grifou se) Igualmente não prospera o argumento da Recorrente acerca de qualquer ofensa a princípios constitucionais, pois as decisões proferidas nos autos atenderam, como visto, aos preceitos normativos que regem a matéria. Ante o exposto, voto por CONHECER o recurso especial do Contribuinte e, no mérito, por NEGARLHE provimento. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Fl. 247DF CARF MF Processo nº 10510.900320/200669 Acórdão n.º 9101003.659 CSRFT1 Fl. 10 9 Fl. 248DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.726844/2016-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/2011 a 30/11/2011, 01/03/2012 a 31/03/2012, 01/05/2013 a 31/05/2013, 01/11/2012 a 31/01/2013, 01/03/2013 a 31/03/2013, 01/07/2013 a 31/07/2013
NÃO APRESENTAÇÃO DE NOVAS RAZÕES DE DEFESA PERANTE A SEGUNDA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. CONFIRMAÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA.
Não tendo sido apresentadas novas razões de defesa perante a segunda instância administrativa, adota-se a decisão recorrida, mediante transcrição de seu inteiro teor. § 3º do art. 57 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 RICARF.
GLOSA DE COMPENSAÇÃO. AÇÃO SEM TRÂNSITO EM JULGADO DA SENTENÇA.
Só existe direito creditório compensável se for líquido e certo. Um crédito declarado em GFIP e não comprovado carece de liquidez e certeza.
Não havendo o trânsito em julgado da ação, não há também o direito do contribuinte em efetuar tais compensações.
MULTA ISOLADA. DIREITO LIQUIDO E CERTO. FALSIDADE NA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO EM GFIP.
Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual de 150% do valor da glosa da compensação.
Falsa é a declaração sobre um fato que não corresponde à realidade ou que não é compatível com o que se esperava fosse colocado
SUJEIÇÃO PASSIVA
A compensação recorrente de valores que não existem ou de valores que não são líquidos e certos configuram a hipótese prevista no artigo 135, III do CTN.
Numero da decisão: 2301-005.522
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e no mérito, negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
João Bellini Júnior - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Antonio Sávio Nastureles - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Maurício Vital, Wesley Rocha, Antonio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Júnior (Presidente).
Nome do relator: ANTONIO SAVIO NASTURELES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e no mérito, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) João Bellini Júnior - Presidente. (Assinado digitalmente) Antonio Sávio Nastureles - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Maurício Vital, Wesley Rocha, Antonio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Júnior (Presidente).
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CONFIRMAÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA. Não tendo sido apresentadas novas razões de defesa perante a segunda instância administrativa, adotase a decisão recorrida, mediante transcrição de seu inteiro teor. § 3º do art. 57 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 RICARF. GLOSA DE COMPENSAÇÃO. AÇÃO SEM TRÂNSITO EM JULGADO DA SENTENÇA. Só existe direito creditório compensável se for líquido e certo. Um crédito declarado em GFIP e não comprovado carece de liquidez e certeza. Não havendo o trânsito em julgado da ação, não há também o direito do contribuinte em efetuar tais compensações. MULTA ISOLADA. DIREITO LIQUIDO E CERTO. FALSIDADE NA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO EM GFIP. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual de 150% do valor da glosa da compensação. Falsa é a declaração sobre um fato que não corresponde à realidade ou que não é compatível com o que se esperava fosse colocado SUJEIÇÃO PASSIVA AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 72 68 44 /2 01 6- 45 Fl. 6444DF CARF MF 2 A compensação recorrente de valores que não existem ou de valores que não são líquidos e certos configuram a hipótese prevista no artigo 135, III do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e no mérito, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) João Bellini Júnior Presidente. (Assinado digitalmente) Antonio Sávio Nastureles Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Maurício Vital, Wesley Rocha, Antonio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Júnior (Presidente). Relatório 1. Tratase de julgar recursos voluntários (efls 6306/6341; efls 6376/6389; e de efls 6410/6441) interpostos em face do Acórdão nº 09061.468 (efls 6277/6292), prolatado pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora que julgou improcedente impugnação apresentada em face dos autosdeinfração referente a Multa Isolada por compensação com falsidade na declaração, mediante inserção de créditos inexistentes ou insuficientes a título de contribuição para a Seguridade Social apurados no período de 09/2006 a 06/2008 e compensados com os débitos da mesma contribuição de 09/2011 a 05/2013, conforme declarado na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP. 2. Esclareçase que as razões trazidas nos recursos voluntários do contribuinte (efls 6306/6341) e dos responsáveis solidários (efls 6376/6389 e de efls 6410/6441), com poucas exceções, são idênticas àquelas que constam nas peças impugnatórias, motivo que nos leva a transcrever o relatório da decisão de primeira instância, suficiente para a compreensão do contexto do litígio. Relatório1 Tratase o presente processo no valor de R$ 39.229.493,47 (trinta e nove milhoes, duzentos e vinte e nove mil, quatrocentos e noventa e tres reais e quarenta e 1 Acórdão 09061.468, efls 6278. Fl. 6445DF CARF MF Processo nº 10880.726844/201645 Acórdão n.º 2301005.522 S2C3T1 Fl. 6.445 3 sete centavos) referente a Multa Isolada por compensação com falsidade na declaração, mediante inserção de créditos inexistentes ou insuficientes a título de contribuição para a Seguridade Social apurados no período de 09/2006 a 06/2008 e compensados com os débitos da mesma contribuição de 09/2011 a 05/2013, conforme declarado na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP. A autoridade lançadora incluiu como responsáveis solidários da obrigação tributária os sócio administradores da autuada no período da infração, de 01/11/2011 a 31/07/2013, Sr. JOSÉ JACOBSON NETO, CPF 643.171.53815 e (2) BERARDINO ANTONIO FANGANIELLO, CPF 033.467.06834, por força do disposto no art. 135, inciso III, do Código Tributário Nacional. Segundo o relatório fiscal o contribuinte foi regularmente intimado e não atendeu a intimação, informou que uma outra ação fiscal estava em andamento e que, por tal motivo, não apresentaria nenhum documento e solicitou a suspensão do procedimento até a conclusão da outra ação. Informou haver grande volume de documentos para ser apresentado em curto espaço de tempo mas não solicitou dilação de prazo. A autoridade lançadora informa que em uma reunião agendada com o contribuinte foi esclarecido que apesar de ser período coincidente em parte com a outra ação fiscal os procedimentos são distintos e o escopo das fiscalizações são diferentes, e que foi informado pelo procurador da empresa que o sujeito passivo possui ação judicial onde se discute a incidência da contribuição previdenciária sobre os valores pagos a título de Horas Extras e Adicional Constitucional de Férias nos processos 2010.61.04.0086271 (2a Vara), 2010.61.05.0149101 (4» Vara), e 2010.61.00.0212149 (11ª Vara). 2 O procurador da empresa, segundo relatório fiscal, informou não dispor do memorial de cálculo, mas afirma que o crédito apurado tem origem nos pagamentos efetuados no ano de 2005. Contudo, não apresentou nenhuma decisão judicial para amparar as compensações realizadas, nem exibiu o controle financeiro de apuração e aproveitamento do suposto crédito. Disse mais, que, apesar de ter conhecimento da prescrição dos créditos solicitados, esse instituto não os afetou, haja vista estarem amparados pelo questionamento judicial. Após citar dispositivo do CTN a autoridade lançadora diz: Desta forma, os pagamentos efetivados pelo sujeito passivo aos cofres públicos que se refira a tributo, objeto de contestação judicial, somente poderão ser compensados, nos termos do Código Tributário Nacional, após o trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. Portanto, é defeso ao contribuinte a compensação de tributo ainda carente de decisão definitiva. A autuada não apresentou qualquer elemento de prova de constituição dos créditos aproveitados, nesse sentido, inclusive, a depor contra sua própria pretensão, estão as GFIP por ela enviadas em que se verifica a inconsistência do crédito pretendido. Ressaltese que a fiscalização cuidou de apurar os dados sobre a última declaração exportada e não cancelada. Intimada, mediante procedimento eletrônico, a indicar a origem dos créditos, a requerente indicou o período de 09/2006 a 06/2008. Todavia, no período de 2 Acórdão 09061.468, efls 6279. Fl. 6446DF CARF MF 4 aquisição dos créditos, verificase relevante diferença entre o montante dos créditos disponíveis nos meses indicados e os valores compensados. Tratase de utilização de saldo de crédito inexistente, portanto, incapaz de extinguir o crédito tributário regularmente constituído na declaração apresentada (GFIP). Destarte, restou comprovada a máfé da conduta do sujeito passivo ao arriscarse a lançar mão de créditos, por ele sabido inexistentes, talvez apostando na inércia do poder fiscalizatório da Administração Fazendária. Após o relatado a autoridade lançadora disserta sobre os dispositivos que fundamentam a aplicação da multa isolada e completa: 5.3. Verificase a prática reiterada de entrega de declaração de compensação de créditos inexistentes, pois o período de compensação estendeuse de 07/11/2011 a 11/07/2013, envolvendo um total de 53 (cinquenta e três) declarações. Esta conduta configura abuso de direito, caracterizado pela inserção de dados falsos, relativos a crédito de contribuição previdenciária na GFIP. Frisase que a autuada praticou os atos reiteradamente por vários meses e em momentos diversos, fatos que comprovam, portanto, a intenção clara do sujeito passivo em falsificar e fraudar o pagamento da contribuição previdenciária. Informa que pela intenção do contribuinte de iludir a autoridade fazendária, configurouse em tese, o Crime Contra a Ordem Tributária, conforme lei 8.137/90 e devido a isto foi lavrada a competente Representação Fiscal Para fins Penais. 3 Da Sujeição Passiva Diz a autoridade lançadora: 7.5 Foi lavrado o presente Auto de Infração em nome do sujeito passivo (empresa), que abrange a infração de compensação indevida e consequente Multa Isolada por Compensação Indevida, relativo ao descumprimento das obrigações principais e tem por objetivo identificar a natureza e a origem das contribuições previdenciárias apuradas e devidas pelo contribuinte em epígrafe, bem como explicar a metodologia que se adotou no levantamento dessas, proporcionando ao contribuinte o exercício do direito constitucional da ampla defesa e do contraditório. 7.6 Conforme já, exaustivamente demonstrado neste relatório, bem como no AI e seus anexos que acompanham este termo, a empresa GP GUARDA PATRIMONIAL DE SÃO PAULO LTDA, através de seu representante legal (sóciosadministradores), acima identificados, infringiu a legislação tributária e, em tese, a legislação penal, quando efetuou compensações sem o respectivo suporte legal, declarando nas GFIP relacionadas, no campo "Compensação Valor Compensado", valores a compensar de retenção não comprovada, com a clara intenção de iludir a administração fazendária. 7.7 Pelas razões expostas, o sócioadministrador é solidariamente responsável com seu patrimônio particular pelos créditos devidos pelo sujeito passivo, referente ao período 07/11/2011 a 11/07/2013, na forma do art. 135 do CTN interpretado pelo Parecer PGFN/CRJ/CAT/n° 55/2009. A contribuinte foi cientificada através de sua caixa postal eletrônica, tendo dois documentos emitidos e postados pelo auditor responsável, sendo que após a 3 Acórdão 09061.468, efls 6280. Fl. 6447DF CARF MF Processo nº 10880.726844/201645 Acórdão n.º 2301005.522 S2C3T1 Fl. 6.446 5 análise constatouse que a data correta de consideração da ciência do contribuinte é 28/06/2016, conforme folha 5982 do processo. A interessada apresentou impugnação em 12/07/2016. Abaixo segue síntese das alegações: Preliminarmente suscita a duplicidade do lançamento em virtude de outro procedimento fiscal no período de 01 a 12/2011 que resultou processo n°10830.727919/201510 no valor atualizado de R$28.297.723,69. Alega que o procedimento de lançamento da glosa da compensação está equivocado por não atender ao disposto no art.25 da lei 11.457/2007 que "unificou a Receita Federal do Brasil e excluiu a compensação previdenciária do rito adotado pela Lei 9.430 e Decreto 70.235". Ressalta que a habilitação dos créditos decorrentes de ação judicial ainda não foi normatizada, neste sentido cita o Parecer 11 Cosit de 19/02/2014. Em relação a multa isolada diz que não pode prosperar visto que tem créditos a compensar regularmente informado em GFIP e que o Crédito da multa isolada foi constituído como reflexo da glosa da compensação do processo 10830.723962/2016 97 devendo o mesmo ser julgado em conjunto com tal processo. Diz: 4 "Fica claro ainda a incompentência quanto ao agente que praticou o ato posto que o auto de infração deveria ser feita na forma de NOTIFICAÇÃO pelo titular da Unidade da Receita Federal do Brasil, o seu Delegado e jamais por auditor fiscal sem essa titularidade." Alega caráter confiscatório da Multa Isolada e diz que esta matéria já foi decidida pelo STF inclusive com repercussão geral e que deve ser obedecido pela Receita Federal do Brasil e pelo CARF, assim cita a Lei n°12.844/13 e o Recurso Extraordinário 582.461/SP Acusa que o Relatório Fiscal é confuso e que no processo não há nenhum elemento que norteie o entendimento das planilhas e o valor apurado como compensação indevida. Ressalta que por ser empresa prestadora de serviços de vigilância tem retenção de contribuição social em todas as notas fiscais emitidas pela prestação de serviço e que tal retenção é tratada como substituição tributária, como já decidido pelo STJ e que nesta seara o sujeito passivo da obrigação tributária é o substituto na obrigação, conforme a lei determina, cita ainda a decisão no Recurso Especial 1.036.375/SP do STF. Desta forma, está convicto de que a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Campinas não poderia ter procedido ao lançamento na forma apresentada. Transcreve artigos (224 e 302) do Regimento Interno da RFB aprovado pela Portaria MP 203 de 14/05/2012 e afirma: Ocorreu, portanto, a NULIDADE prevista no artigo 42 do Decreto 7.574 de 29/09/2011 pela ausência de autorização escrita para revisão de lançamento fiscal anterior e também em relação ao artigo 59, I d o Decreto 70.235 (são 4 Acórdão 09061.468, efls 6281. Fl. 6448DF CARF MF 6 nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente) e também artigo 12 do Decreto 7.574 de 29/09/2011. A não homologação de compensação informada em GFIP é ato privativo de DELEGADO DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL, não sendo possível o referido procedimento ser de autoria de auditor fiscal integrante do quadro da referida unidade, mas apenas do chefe da unidade, não cabendo sequer designação, é ato privativo. Alega ainda que o MPF emitido para o procedimento fiscal tem o escopo FISCALIZAÇÃO e de acordo com a portaria 3014/2011 nos casos de revisão interna de declaração não será emitido tal documento. Ressalta que o lançamento é nulo por ter desobedecido as formalidades para sua feitura e que neste caso é vício formal. Identifica erroneamente do que se trata o processo (multa isolada e não lançamento referente aos valores não recolhidos da contribuições patronais) e a seguir ressalta que a informação no relatório fiscal da autoridade lançadora, de que as compensações foram feitas e que a empresa não comprovou a existência de tais créditos, carece de fundamento uma vez que o lançamento foi na verdade na forma de arbitramento. Alega que não foi verificado o faturamento contabilizado, aplicada alíquota de 11% e comparado com os valores informados em GFIP, que possuía os créditos devidamente contabilizados de retenções ainda não utilizadas em períodos anteriores à nova sistemática de compensações trazidas pela lei 11.941/2009 e que a planilha de retenções não foi devidamente confrontada com os registros contábeis, não foi confrontada com as notas fiscais, ainda que por amostragem. 5 Afirma que: Ademais, o Impugnante tem também direito a compensação decorrente de liminares concedidas em Mandados de Segurança que autorizaram a referida compensação em razão de recolhimento sobre verbas consideradas como não integrantes do salário de contribuição. Transcreve por competência os valores que originaram o processo ora analisado e ressalta que o lançamento sequer nomeia os estabelecimentos onde ocorreu a compensação não homologada, não faz alusão às retenções de 11% nas notas fiscais e deixa de considerar que a impugnante possui créditos tributários decorrentes de autorização de compensação nos processos 201061040086271, 2a Vara Federal São Paulo, 201061050149101 4a Vara Federal de São Paulo e 201061000212149 11a Vara Federal de São Paulo e afirma que todos os documentos foram apresentados durante a ação fiscal. Alega a inexistência da fundamentação legal do débito e reafirma ser a retenção de 11% substituição tributária conforme Parecer PGFN/CAT 135/2009 e 2793/2009 e diz: Pelo referido parecer, empresas submetidas à retenção de 11% sobre o faturamento estariam isentas da contribuição previdenciária, posto que a retenção seria forma substitutiva da contribuição devida por prestadores de serviço com cessão de mão de obra. Como toda a prestação de serviços do IMPUGNANTE tem retenção de 11% discriminada na Nota Fiscal de Prestação de Serviços, ocorreu a substituição tributária, que passa a ser dos tomadores de serviço. 5 Acórdão 09061.468, efls 6282. Fl. 6449DF CARF MF Processo nº 10880.726844/201645 Acórdão n.º 2301005.522 S2C3T1 Fl. 6.447 7 Afirma que os fatos narrados no relatório fiscal não são verdadeiros pois informou ao auditor a natureza da compensação, apresentando documentação comprobatória do seu direito, tendo direito a créditos decorrentes de compensação não efetuada de retenções anteriores. Diz: Ocorre, portanto, que não tendo a IMPUGNANTE utilizado referidos créditos nos anos anteriores, o fez nas competências a partir de 2010 devem os mesmos serem considerados válidos. Com o advento da MP 449 convertida na Lei 11.941 de 27 de maio de 2009, as sobras de retenção deverão ser alocadas em todos os estabelecimentos, sendo que os valores não utilizados deverão ser considerados para as competências seguintes. Este saldo em favor do IMPUGNANTE FOI devidamente informado em GFIP, podendo ser utilizado inclusive em relação ao décimo terceiro salário. Alega confisco em relação a aplicação da multa moratória e requer a retificação dos valores aplicados com relação à multa de mora, no que tange à redução de 50% em todo o período. 6 Cita a Súmula CARF n° 52 que dispõe que somente os tributos objeto de compensação indevida formalizada em pedido de compensação ou Declaração de Compensação apresentada até 31/10/2003, quando não exigíveis a partir de DCTF ensejam o lançamento de ofício Alega que por ser a GFIP confissão de dívida o que se discute é apenas a compensação havida que não pode ser atacada via auto de infração de ofício, mas homologação ou não homologação do direito creditório. Ressalta que há conflito no relatório fiscal alegando: Ao mesmo tempo que aponta no item 1 a natureza do Débito como contribuições patronais à Seguridade social devidas pela empresa, incidente sobre o total das remunerações pagas, deixa de informar o salário de contribuição, a apuração das contribuições, o valor devida a título de segurados, o valor devido a t 'titulo de contribuição ao GILRAT. Não informa as bases de cálculo. Não apura as contribuições, conforme está estabelecido no Mandado de Procedimento Fiscal. Ora, se não apurou é porquanto homologou os valores lançados em GFIP como salário de contribuição. Tendo homologado a informação dos fatos geradores em GFIP, não resta qualquer outro ato a ser praticado por auditor fiscal da Delegacia Jurisdicionante conforme a PORTARIA MF 203 (DOU 17/05/2012.... Informa novamente que tem créditos a compensar de retenção de 11% do tomador do serviço e que o relatório fiscal não aponta sequer intimação ao Representante Legal do Contribuinte para se manifestar sobre a natureza da compensação, que os termos são vagos e que não justificam o lançamento e que não existe prova de que ela (a impugnante0 não tinha sobra de retenções de 11% para utilização em GFIP e que além das sobras ainda detêm créditos decorrentes de decisão judicial nos processos que tramitam perante o TRF da 3a Região, números 000862743.2010.4.03.6104, 001491079.2010.4.03.6105, 0021214 12.2010.4.03.6100. 6 Acórdão 09061.468, efls 6283. Fl. 6450DF CARF MF 8 Alega que tais processos possuem decisões autorizando as compensações e que assim o auto de infração deveria ter sido emitido com EXIGIBILIDADE SUSPENSA e sem aplicação da multa. Ao final pede o reconhecimento da nulidade do lançamento pela incompetência do auditor fiscal que procedeu a notificação, o acatamento do Parecer da PGFN/CAT N°466/2014 que conclui que a retenção de 11% nas notas fiscais de prestação de serviços é hipótese clara de substituição tributária, que seja acatado seu direito de proceder a compensação de créditos válidos referente as retenções e que seja acatada a impugnação dandolhe provimento para o fim de alcançarse declaração de manifesta insubsistência da autuação, por ser medida de direito e da mais lídima. Das impugnações dos responsáveis solidários JOSÉ JACOBSON NETO/BERARDINO ANTONIO FANGANIELLO Alegam que jamais poderiam figurar como coresponsáveis pelo suposto débito, conforme arbitrariamente e ilegalmente lançado no aludido auto de infração, uma vez que não existem razões para o lançamento fiscal incluílos como tal, haja vista não serem eles sujeitos passivos da obrigação tributária. 7 Ressaltam que o auto de infração referese a compensação de contribuições previdenciárias declaras em GFIP e que a legislação determina como sujeito passivo o próprio empregador. Assim, somente a empresa estaria inicialmente obrigada ao cumprimento desta obrigação tributária e conseqüentemente pelo auto de infração, as outras hipóteses onde os sócios e procuradores poderiam ser responsabilizados estão previstas nos artigos 134 e 135 do CTN e não ocorreram no presente caso. Alegam que não existem razões para imputação desta responsabilidade sendo este ato totalmente ilegal e arbitrário e: "A IMPUGNANTE encontrase em plenas condições de saldar a dívida nestes autos exigida, não está tentando se esquivar de suas obrigações legais, e nenhum ato foi praticado com abuso de poder ou infração ao disposto no estatuto social da companhia." Colacionam julgados e alega que a Lei 11.941/2009 revogou o artigo 13 da lei 8.620/93, indo ao encontro do entendimento do STJ, que somente em caso de dolo ou culpa, ou seja a hipótese prevista no inciso III do artigo 135 do CTN os sócios poderiam ser responsabilizados, sendo que a auditoria fiscal não produziu qualquer prova da ocorrência da hipótese legal. Diz: Não houve por parte da auditoria fiscal a prova da existência de abuso, fraude de caráter penal, sonegação, uso de testasdeferro, condutas dolosas, etc. O fisco não conseguiu provar a ocorrência de qualquer elemento do artigo 135 do CTN, aplicando tese de responsabilidade subjetiva, culpa presumida. ... A auditoria fiscal não detalha onde, como e quando ocorreu a hipótese de excesso de poderes ou infração de lei, posto que a não entrega de GFIP ou entrega de GFIP sem a informação de todos os fatos geradores de obrigação previdenciária é apenas uma obrigação acessória, que gerou um auto de 7 Acórdão 09061.468, efls 6284. Fl. 6451DF CARF MF Processo nº 10880.726844/201645 Acórdão n.º 2301005.522 S2C3T1 Fl. 6.448 9 infração que sequer foi incluído entre os débitos com sujeição passiva solidária. Assim, alegam que não havendo comprovação da prática dos atos com excesso de poderes, infração de lei, contrato social ou estatuto a responsabilidade solidária de ambos deve ser afastada. Neste sentido cita acórdão do STF em julgamento do RE 562.276 que decide na mesma linha por ele defendida. Faz considerações acerca da inexistência do ARROLAMENTO DE BENS dos responsáveis, citando o parágrafo 4° do artigo 2° da IN 1171 de 07 de julho de 2011 e conclui que sendo o patrimônio do contribuinte suficiente para satisfação do crédito tributário, a sujeição passiva solidária é imprópria, mesmo antes do juízo de sua admissibilidade. Na impugnação do Sr. Berardino, ele alega ainda, que de acordo com a Súmula 435 do STJ, onde redireciona a execução fiscal para o sócio gerente em caso de dissolução irregular da empresa que deixar de funcionar em seu domicílio sem as devidas comunicações aos órgãos competentes, e analisando o art.134, VII do CTN, não há responsabilidade solidária plena . Alega que além de subsidiária essa responsabilidade (do art. 134 do CTN), o sócio só responde pelo crédito tributário devido pela pessoa jurídica presente os requisitos de liquidação de sociedade de pessoas, ou, impossibilidade de exigência do tributo do contribuinte e/ou atos que intervierem ou pelas omissões de que foram responsáveis. 8 Ressalta que a responsabilidade solidária não pode ser deduzida de um ato de terceiro, esta deve ser interpretada dentro do sistema jurídico como um todo. Continua alegando que a Sumula 435 STJ está embasada no art.135, III do CTN, e: A exemplo do artigo antecedente, aqui, também, afastada se acha a responsabilidade objetiva. a responsabilidade, neste caso, que é pessoal e não solidária, surge apenas de atos comissivos, ou seja, dos atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos de que resultem créditos tributários. Exemplo: contrabando ou descaminho; exploração de atividade não prevista no contrato social etc. A falta de pagamento de tributo declarado, como no caso presente, freqüentemente confundida com a hipótese de infração legal de que cuida o dispositivo sob comento, não enseja a responsabilidade solidária do sócio ou administrador, porque não configura infração legal da qual resultou o tributo. Nesse sentido, aliás, é a súmula 430 do STJ editada recentemente. Durante as impugnações, ambos reiteram todos os demais argumentos contidos na impugnação da empresa autuada. Pedem a improcedência do auto de infração e da responsabilidade solidária, nos termos das razões apresentadas e pela decisão do STF no julgamento do RE562.276/PR em que foi adotado o procedimento do artigo 543B do CPC, REPERCUSSÃO GERAL, de entendimento também obrigatório pelo CARF; E por fim, dizem que o fisco não comprovou a ocorrência da hipótese do artigo 135 do CTN e que não o fazendo descumpriu os termos da Portaria PGFN 180 de 25 de fevereiro de 2010. 8 Acórdão 09061.468, efls 6285. Fl. 6452DF CARF MF 10 Pedem finalmente que sejam julgados em conjunto todos os lançamentos ocorridos na ação fiscal em curso. (termina aqui a transcrição do relatório inserto no Acórdão nº 09061.468) 3. Os acréscimos possíveis de se divisar no recurso voluntário interposto pelo contribuinte podem ser sintetizados como se segue: 3.1. Sustenta não ter sido observado o rito da compensação indevida previsto na Solução de Solução de Consulta nº 03 Cosit (efls 6335/6338) e pede nulidade da autuação. 3.2. Inconformismo quanto à aplicação da multa isolada de 150% com base na incorreta declaração da GFIP (efls 6338/6339) É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Sávio Nastureles 4. Os recursos voluntários são tempestivos e atendem aos demais requisitos de admissibilidade, portanto deles conheço, tanto o interposto pelo contribuinte (efls 6306/6341), como os recursos protocolados pelos responsáveis solidários (efls 6376/6389 e de efls 6410/6441). RREECCUURRSSOO VVOOLLUUNNTTÁÁRRIIOO DDOO CCOONNTTRRIIBBUUIINNTTEE 5. Como visto, parte substancial da peça recursal interposta pelo contribuinte repete as mesmas argumentações, suscita as mesmas questões e formula os mesmos pedidos constantes na peça impugnatória. 5.1. Há uma aparente inovação, no que respeita às alegações relatadas no subitem 3.1 que se traduz em mero reforço das mesmas questões de cunho procedimental trazidas na impugnação e já muito bem analisadas pela decisão de primeira instância, não havendo nenhum equívoco ou prejuízo as averiguações levadas a cabo pelo procedimento fiscal que culminou na lavratura do autodeinfração ora questionado. 5.2. No que respeita à alegação trazida no subitem 3.2, não há de prosperar, em vista da de ter sido configurada a falsidade na declaração apresentada, como muito bem analisado pela decisão de primeira instância. 9 Também não há de se considerar esta parte diferenciada da peça recursal como novas razões. 5.3. Com respeito às razões recursais que reputamos idênticas à da peça impugnatória, serão abordadas no item 8 infra do presente voto, à luz do Regimento Interno do CARF. RREECCUURRSSOO VVOOLLUUNNTTÁÁRRIIOO DDOOSS RREESSPPOONNSSÁÁVVEEIISS TTRRIIBBUUTTÁÁRRIIOOSS.. 6. As peças recursais apresentadas pelos responsáveis tributários são absolutamente idênticas às peças impugnatórias de cada um deles. Também aplicável o dispositivo do Regimento Interno do CARF a que se refere o item subseqüente. 9 Acórdão 09061.468, efls 6290/6291. Fl. 6453DF CARF MF Processo nº 10880.726844/201645 Acórdão n.º 2301005.522 S2C3T1 Fl. 6.449 11 RRIICCAARRFF:: AARRTTIIGGOO 5577 §§ 33ºº 7. De acordo com o disposto no § 3º do art. 57 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 – RICARF, não tendo sido apresentadas perante a segunda instância administrativa novas razões de defesa tanto pelo Contribuinte, e nem pelo Responsável Tributário, adoto os fundamentos da decisão recorrida, mediante transcrição do inteiro teor de seu voto condutor: Voto10 A impugnação é tempestiva por isto dela tomase conhecimento. Primeiramente a impugnante alega "bis in idem" em relação ao período do procedimento fiscal, em análise verificouse que as competências coincidentes são 09 e 13/2011, entretanto somente a competência 09/2011 deste processo é conflitante, uma vez que neste processo e no processo 10830.7272919/201510 há valor glosado de compensação e que gerou a multa isolada. 11 Verificando a GFIP e o processo citado chegase à conclusão que o valor ora lançado de R$17.946,57 corresponde, na verdade, a glosa de valores compensados no campo "Compensações", da GFIP e equivalem a compensações de valores diferentes da retenção de 11%. Já no outro processo citado pela impugnante a glosa efetivamente se refere à compensação de valores retidos e lançados no campo "Retenção" da GFIP, portanto, não se trata de "bis in idem", pois são compensações de origens diferentes. Quanto à nova fiscalização no mesmo período que a impugnante alega não ser possível sem autorização expressa do Delegado da unidade, importa esclarecer que tal autorização foi dada através do MPF n°08.1.90.00201402445 conforme informado pela autoridade lançadora na folha 06 do Relatório Fiscal. Em relação à Nulidade suscitada por falta de competência da autoridade lançadora, há que se esclarecer que a atividade de lançamento é competência privativa da autoridade administrativa de acordo com o art.142 do CTN. Estudo da Unafisco define muito claramente a autoridade administrativa a saber: Este é o artigo, no meu entender, que define quem é a "Autoridade Administrativa" a qual possui o poderdever de constituição do crédito tributário mediante o lançamento. A função de confiança que é exercida pelos Delegados das Unidades da SRF, apesar de ser um Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil AFRFB o ocupante, tal não possui esta atribuição de lançamento do crédito tributário e nenhuma outra que seja atribuição fim da SRF, pois estas são desempenhadas pelos servidores detentores de atribuições específicas e privativas. Se ele não possui esta atribuição, não é portanto, a "Autoridade Administrativa" a que se refere o CTN e demais legislações. Há ainda que mencionar que, de acordo com o CTN, delimita o início da fiscalização é o Termo de Início de Fiscalização lavrado pela autoridade administrativa e não o MPF que é o emitido pelo delegado da unidade. 10 Acórdão 09061.468, efls 6287. 11 Acórdão 09061.468, efls 6286. Fl. 6454DF CARF MF 12 Sendo assim, a autoridade administrativa com competência de lançamento tributário previsto no CTN é o Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, não restando desta forma qualquer dúvida acerca da afirmação incorreta da impugnante. No que diz respeito a compensação e posterior glosa, a impugnante cita em sua peça impugnatória a lei 11.457/2007 para solidificar seu entendimento de que o procedimento está equivocado, pois bem, o instituto da compensação é previsto e normatizado na legislação previdenciária no art.89 da Lei 8212/91, art.56 a 59 da IN 1300/2012 e no art.66 da lei 8383/91, abaixo transcritos: Lei 8383/91 Art. 66. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos, contribuições federais, inclusive previdenciárias, e receitas patrimoniais, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a período subseqüente. (Redação dada pela Lei n° 9.069, de 29.6.1995) (Vide Lei n° 9.250, de 1995) (grifei) § 1° A compensação só poderá ser efetuada entre tributos, contribuições e receitas da mesma espécie. (Redação dada pela Lei n° 9.069, de 29.6.1995) § 2° É facultado ao contribuinte optar pelo pedido de restituição. (Redação dada pela Lei n° 9.069, de 29.6.1995) § 3° A compensação ou restituição será efetuada pelo valor do tributo ou contribuição ou receita corrigido monetariamente com base na variação da UFIR. (Redação dada pela Lei n° 9.069, de 29.6.1995) § 4° As Secretarias da Receita Federal e do Patrimônio da União e o Instituto Nacional do Seguro Social INSS expedirão as instruções necessárias ao cumprimento do disposto neste artigo. (Redação dada pela Lei n° 9.069, de 29.6.1995) Lei 8212/91 Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. (Redação dada pela Lei n° 11.941, de 2009). (grifei) § 1o (Revogado). (Redação dada pela Lei n° 11.941, de 2009). § 2o (Revogado). (Redação dada pela Lei n° 11.941, de 2009). § 3o (Revogado). (Redação dada pela Lei n° 11.941, de 2009). § 4o O valor a ser restituído ou compensado será acrescido de juros obtidos pela aplicação da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, a partir do mês subsequente ao do pagamento indevido ou a maior que o devido até o mês anterior ao da compensação ou restituição e Fl. 6455DF CARF MF Processo nº 10880.726844/201645 Acórdão n.º 2301005.522 S2C3T1 Fl. 6.450 13 de 1% (um por cento) relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. (Redação dada pela Lei n° 11.941, de 2009). § 5o (Revogado). (Redação dada pela Lei n° 11.941, de 2009). § 6o (Revogado). (Redação dada pela Lei n° 11.941, de 2009). § 7o (Revogado). (Redação dada pela Lei n° 11.941, de 2009). § 8o Verificada a existência de débito em nome do sujeito passivo, o valor da restituição será utilizado para extinguilo, total ou parcialmente, mediante compensação. (Incluído pela Lei n° 11.196, de 2005). § 9o Os valores compensados indevidamente serão exigidos com os acréscimos moratórios de que trata o art. 35 desta Lei. (Incluído pela Lei n° 11.941, de 2009). § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Incluído pela Lei n° 11.941, de 2009). (grifos nosso) IN/RFB 1300/2012 Art. 56. O sujeito passivo que apurar crédito relativo às contribuições previdenciárias previstas nas alíneas "a" a "d" do inciso I do parágrafo único do art. 1°, passível de restituição ou de reembolso, inclusive o crédito relativo à Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta (CPRB), poderá utilizálo na compensação de contribuições previdenciárias correspondentes a períodos subsequentes. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB n° 1529, de 18 de dezembro de 2014) § 1° Para efetuar a compensação o sujeito passivo deverá estar em situação regular relativa aos créditos constituídos por meio de auto de infração ou notificação de lançamento, aos parcelados e aos débitos declarados, considerando todos os seus estabelecimentos e obras de construção civil, ressalvados os débitos cuja exigibilidade esteja suspensa. § 2° O crédito decorrente de pagamento ou de recolhimento indevido poderá ser utilizado entre os estabelecimentos da empresa, exceto obras de construção civil, para compensação com contribuições previdenciárias devidas. § 3° Caso haja pagamento indevido relativo a obra de construção civil encerrada ou sem atividade, a compensação poderá ser realizada pelo estabelecimento responsável pelo faturamento da obra. § 4°A compensação poderá ser realizada com as contribuições incidentes sobre o décimo terceiro salário. § 5°A empresa ou equiparada poderá efetuar a compensação de valor descontado indevidamente de sujeito passivo e efetivamente recolhido, desde que seja precedida do ressarcimento ao sujeito passivo. Fl. 6456DF CARF MF 14 § 6 ° É vedada a compensação de contribuições previdenciárias com o valor recolhido indevidamente para o Simples Nacional, instituído pela Lei Complementar n° 123, de 2006, e o Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples), instituído pela Lei n° 9.317, de 5 de dezembro de 1996. § 7°A compensação deve ser informada em GFIP na competência de sua efetivação, observado o disposto no § 8°. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB n° 1529, de 18 de dezembro de 2014) § 8°A compensação de débitos da CPRB com os créditos de que trata o caput será efetuada por meio do programa PER/DCOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante a apresentação à RFB do formulário constante do Anexo VII desta Instrução Normativa, ao qual deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório, e observará o disposto no parágrafo único do art. 26 da Lei n° 11.457, de 16 de março de 2007. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB n° 1557, de 31 de março de 2015) Art. 57. No caso de compensação indevida, o sujeito passivo deverá recolher o valor indevidamente compensado, acrescido de juros e multa de mora devidos. Parágrafo único. Caso a compensação indevida decorra de informação incorreta em GFIP, deverá ser apresentada declaração retificadora. Art. 58. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei n°9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. Art. 59. É vedada a compensação, pelo sujeito passivo, das contribuições destinadas a outras entidades ou fundos. A compensação é feita quando se tem o direito líquido e certo dos créditos a serem compensados, a impugnante alega ter decisão judicial favorável e que podia fazer tais compensações, bem como que possui créditos de retenções efetuadas pela prestação de serviço. 12 Primeiramente, em relação a liquidez e certeza só existe direito creditório compensável se for líquido e certo. Um crédito oriundo de um pagamento tido como indevido por tese jurídica bastante contestada judicialmente não é líquido e certo. Só haverá liquidez e certeza depois do trânsito em julgado da respectiva ação judicial ou depois que a Fazenda Pública reconhecer o crédito administrativamente. Quanto a decisões judiciais o CTN em seu art.170A veda a compensação de créditos referentes a ações ainda não transitadas em julgado. A saber: Art.170A É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. (grifos não constam do original) No mesmo sentido, o art. 74 da Lei n° 9.430/96: 12 Acórdão 09061.468, efls 6289. Fl. 6457DF CARF MF Processo nº 10880.726844/201645 Acórdão n.º 2301005.522 S2C3T1 Fl. 6.451 15 Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei n° 10.637, de 2002) (grifos não constam do original) É cabível ainda ressaltar que, os processos judiciais informados pela impugnante continuam sem o trânsito em julgado e que nas decisões dos três processos constam: Diante do exposto, julgo PARCIALMENTE PROCEDENTE o pedido formulado na petição incial. PROCEDENTE para excluir da base de cálculo da contribuição previdenciária as verbas referentes ao terço constitucional de férias. IMPROCEDENTE quanto à exclusão das horas extras da base de cálculo. A impetrante poderá realizar a compensação administrativa, após o transito em julgado, dos valores pagos nos últimos 5 (cinco) anos (período de 10/2005 a 10/2010). A resolução do mérito dáse nos termos do artigo 269, inciso I do Código de Processo Civil. (grifos nosso) Assim, ainda que as decisões lhe dessem o direito aos valores compensados e que as ações tivessem transitado em julgado, o que não aconteceu, não constam nos autos documentos comprobatórios do direito creditório, o despacho decisório emitido foi claro ao conceder a contribuinte o direito a restituição dos valores que lhe foram retidos (o que por si só já responde a alegação da impugnante de que os valores retidos não foram considerados) e glosar os valores que o contribuinte não apresentou provas, nem naquela época e nem fez juntar a presente impugnação, não lhe assistindo desta forma razão. 13 Assim, alegações por parte da impugnante sem documentos comprobatórios, são alegações inócuas não tendo assim o condão de alterar a decisão proferida no Despacho Decisório emitido. Quanto a multa isolada, que é o objeto deste processo, a realidade jurídica da recorrente era a não existência de créditos líquidos e certos, como dito anteriormente. Ao declarar que os possuía, declarou fato falso, fato diverso da realidade jurídica. Fez declaração contendo informação diversa da que se esperava, uma vez que se esperava que só declarasse a compensação de créditos líquidos e certos. O que pode ser comprovado pela compensação de valores discutidos judicialmente e que não foi autorizada a compensação pela justiça. Assim o art.89, da Lei 8212/91 diz: Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. (Redação dada pela Lei n° 11.941, de 2009). 13 Acórdão 09061.468, efls 6290. Fl. 6458DF CARF MF 16 § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Incluído pela Lei n° 11.941, de 2009). Falsa é a declaração sobre um fato que não corresponde à realidade ou que não é compatível com o que se esperava fosse colocado. O que se esperava de um crédito que o contribuinte utiliza para compensar créditos tributários da União? Esperase aquilo que o CTN exige: que seja líquido e certo, ou seja, que o contribuinte tenha o direito, que o valor compensado corresponda ao realmente pago e que seja aquele reconhecidamente pago incorretamente. 14 A falsidade na declaração feita pelo contribuinte em meu entendimento foi comprovada e devido a isto é cabível a multa isolada no montante de 150% como prevê o §10° do art.89 da lei 812/91, não tendo desta forma o julgador administrativo que é vinculado à lei vigente e às normas regulamentares, deixar de aplicála por efeito de confisco como requer a impugnante. A respeito das alegações da contribuinte acerca do relatório fiscal, as bases de cálculo do lançamento foram retiradas das GFIPs da empresa, quando a autoridade lançadora informa que o lançamento referese ao não recolhimento das contribuições entendese na verdade que o não recolhimento provem da glosa de compensação declarada indevidamente em GFIP e que originou uma redução incorreta do valor a recolher de contribuição social à época da declaração, a glosa da compensação tem o condão de restaurar o valor correto que devia ter sido recolhido. Outra consideração é que consta no processo, folhas 16/17, a planilha demonstrativa dos valores que foram glosados e que serviram de base de cálculo para o lançamento da multa isolada, identificando o CNPJ do estabelecimento, competência, valor compensado e o excedente e a própria impugnação demonstra a compreensão dos fatos, sendo assim não cabe guarida as alegações da contribuinte. 15 No que diz respeito às multas aplicadas, fazse necessário ressaltar que, ao contrário do que informado pelo impugnante, estas respeitaram integralmente o que dispõe o art. 89 da Lei 8.212/1991, na redação da Lei 11.941/2009, ou seja, o lançamento da glosa sofreu multa de 20% (art. 89, §9°) e a multa isolada foi aplicada à razão de 150% (art. 89, §10). Da mesma maneira, não há contradição no fato do Relatório Fiscal citar os artigos 20 a 22 da Lei 8.212/1991 e remitir ao art. 89 da mesma lei. Reparase que no Relatório Fiscal também há citação do art. 89. Ambos relatórios, na verdade, tratamse de documentos complementares nos termos do art. 486 da Instrução Normativa RFB 971/2009. Não há que se falar também em confisco, no que diz respeito às multas aplicadas. A uma, porque se tratam das exatas determinações do art. 89 da Lei 8.212/1991. A duas, porque, em sede administrativa, é vedado o afastamento de lei ou ato normativo em vigor ao argumento de inconstitucionalidade (art. 59, Decreto 7.574/2011). Salientese, nesse ponto, que não há notícia de que alguma decisão em repercussão geral tomada pelo STF tenha alterado ou impedido a aplicação do citado art. 89. Conforme dispõe a Portaria Conjunta PGFN/RFB 1/2014, para que a RFB 14 Acórdão 09061.468, efls 6290. 15 Acórdão 09061.468, efls 6291. Fl. 6459DF CARF MF Processo nº 10880.726844/201645 Acórdão n.º 2301005.522 S2C3T1 Fl. 6.452 17 seja vinculada à esse tipo de decisão, é necessário que a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) a oficie, o que não consta ter sido efetuado. Quanto ao Parecer PGFN/CAT n°466/2014 que trata sobre o assunto da retenção, no Despacho Decisório, a autoridade fiscal aceitou e homologou as retenções declaradas e posteriormente compensadas em GFIP, não sendo necessário desta forma mudança de entendimento, uma vez que foram aceitas as compensações desta matéria. Em relação a Súmula 52 do CARF, a compensação aqui tratada não é formalizada através de pedido de compensação PERD/COMP, as contribuições previdenciárias possui rito próprio para sua compensação como anteriormente descrito e não carece de autorização para que seja efetuada. Há ainda que reiterar que a impugnante afirma, exaustivamente, ser ela prestadora de serviços e que devido a isto possui créditos de retenção de 11% sofridas, tendo direito compensatório em qualquer estabelecimento conforme legislação. Pois bem, o que se discute neste processo é a multa isolada decorrente de glosa de compensação de valores declarados em GFIP e NÃO COMPROVADOS pelo contribuinte, como dito anteriormente não basta declarar em GFIP valores a compensar há que se COMPROVAR O DIREITO CREDITÓRIO, isto a impugnante não fez quando da análise da compensação e nem o fez agora. Quanto a responsabilidade solidária dos Sócios, as alegações não merecem guarida, uma vez que, a compensação recorrente de valores que não existem ou de valores que não são líquidos e certos configuram a hipótese prevista no artigo 135 do CTN. O conjunto dos elementos probantes descritos no Relatório Fiscal firma a convicção de que houve sim a prática de conduta dolosa dos representantes da empresa em autorizar a compensação de valores com pleno conhecimento da falta de permissão, haja vista a decisão judicial onde, além de só decidir parcialmente o pedido, condicionou a compensação ao trânsito em julgado da ação. Fato ignorado pelos representantes legais da empresa. 16 Regular, portanto, a imputação da responsabilidade solidária dos sócios administradores à luz do art. 135 inciso III do CTN. Por todo o exposto, votamos pela improcedência da impugnação da empresa autuada e dos responsáveis solidários e pela manutenção do crédito tributário. (término da transcrição do voto inserto no Acórdão nº 09061.468 ) CCOONNCCLLUUSSÃÃOO 8. Concordando integralmente com os termos da decisão de primeira instância administrativa, VOTO por CONHECER dos recursos voluntários para rejeitar as preliminares e no mérito, NEGARLHES PROVIMENTO. (Assinado digitalmente) 16 Acórdão 09061.468, efls 6291/6292. Fl. 6460DF CARF MF 18 Antonio Sávio Nastureles Relator Fl. 6461DF CARF MF
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