Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,224)
- Segunda Câmara (27,799)
- Primeira Câmara (25,084)
- Segunda Turma Ordinária d (17,395)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,074)
- Primeira Turma Ordinária (15,860)
- Primeira Turma Ordinária (15,855)
- Primeira Turma Ordinária (15,831)
- Segunda Turma Ordinária d (15,688)
- Segunda Turma Ordinária d (14,225)
- Primeira Turma Ordinária (12,958)
- Primeira Turma Ordinária (12,272)
- Segunda Turma Ordinária d (12,235)
- Quarta Câmara (11,513)
- Primeira Turma Ordinária (11,304)
- Quarta Câmara (83,955)
- Terceira Câmara (66,335)
- Segunda Câmara (54,592)
- Primeira Câmara (19,126)
- 3ª SEÇÃO (16,074)
- 2ª SEÇÃO (11,242)
- 1ª SEÇÃO (6,788)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (122,260)
- Segunda Seção de Julgamen (113,023)
- Primeira Seção de Julgame (75,502)
- Primeiro Conselho de Cont (49,051)
- Segundo Conselho de Contr (48,910)
- Câmara Superior de Recurs (37,700)
- Terceiro Conselho de Cont (25,965)
- IPI- processos NT - ressa (5,006)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,057)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,860)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,242)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,099)
- IRPJ - restituição e comp (2,087)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,641)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,197)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,619)
- HELCIO LAFETA REIS (3,510)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- ROSALDO TREVISAN (3,210)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,899)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,625)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,605)
- WILDERSON BOTTO (2,588)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,074)
- 2021 (35,828)
- 2019 (30,958)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,914)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,465)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,086)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,176)
- 2010 (18,058)
- 2008 (17,077)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,838)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
- 2007 (13,020)
Numero do processo: 10183.723735/2011-29
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Sep 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 31/08/2007 a 31/12/2008
PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE. PRINCÍPIO DA AMPLA DEFESA. CONTRADITÓRIO. DEVIDO PROCESSO LEGAL. NÃO VIOLAÇÃO.
Não se vislumbra o desrespeito aos princípios listados, ademais, em conformidade com a Súmula CARF nº 2: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária".
ARTIGO 40, LEI Nº 10.865, DE 2004. APLICABILIDADE.
As receitas, que deixaram de compor a base de cálculo, originando o lançamento por parte da fiscalização, são as receitas de frete cujo sujeito passivo é a Recorrente, portanto, mantém-se a aplicação do artigo 40, § 6º-A, da Lei nº 10.865/2004, não merecendo prosperar a argumentação da Recorrente.
IN SRF Nº 595, DE 2005. ADE. APLICAÇÃO.
A pessoa jurídica ser preponderantemente exportadora é condição sine qua non para a obtenção do benefício da suspensão e tal condição será comprovada por meio do Ato Declaratório Executivo, previsto no artigo 6º, da IN SRF nº 595, de 2005.
MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO.
O artigo 44, da Lei nº 9.430/1996, prevê a aplicação da multa de 75% no caso dos lançamentos de ofício.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 31/08/2007 a 31/12/2008
PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE. PRINCÍPIO DA AMPLA DEFESA. CONTRADITÓRIO. DEVIDO PROCESSO LEGAL. NÃO VIOLAÇÃO.
Não se vislumbra o desrespeito aos princípios listados, ademais, em conformidade com a Súmula CARF nº 2: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária".
ARTIGO 40, LEI Nº 10.865, DE 2004. APLICABILIDADE.
As receitas, que deixaram de compor a base de cálculo, originando o lançamento por parte da fiscalização, são as receitas de frete cujo sujeito passivo é a Recorrente, portanto, mantém-se a aplicação do artigo 40, § 6º-A, da Lei nº 10.865/2004, não merecendo prosperar a argumentação da Recorrente.
IN SRF Nº 595, DE 2005. ADE. APLICAÇÃO.
A pessoa jurídica ser preponderantemente exportadora é condição sine qua non para a obtenção do benefício da suspensão e tal condição será comprovada por meio do Ato Declaratório Executivo, previsto no artigo 6º, da IN SRF nº 595, de 2005.
MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO.
O artigo 44, da Lei nº 9.430/1996, prevê a aplicação da multa de 75% no caso dos lançamentos de ofício.
Numero da decisão: 3302-004.658
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para excluir os lançamentos de todas operações com a Louis Dreyfuss Comodities Agroindustrial Ltda e das operações com a AWB Brasil S/A, a partir de 21.07.2008.
(assinatura digital)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente
(assinatura digital)
Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza -Relatora
Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, José Renato Pereira de Deus, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araujo.
Nome do relator: SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201708
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 31/08/2007 a 31/12/2008 PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE. PRINCÍPIO DA AMPLA DEFESA. CONTRADITÓRIO. DEVIDO PROCESSO LEGAL. NÃO VIOLAÇÃO. Não se vislumbra o desrespeito aos princípios listados, ademais, em conformidade com a Súmula CARF nº 2: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". ARTIGO 40, LEI Nº 10.865, DE 2004. APLICABILIDADE. As receitas, que deixaram de compor a base de cálculo, originando o lançamento por parte da fiscalização, são as receitas de frete cujo sujeito passivo é a Recorrente, portanto, mantém-se a aplicação do artigo 40, § 6º-A, da Lei nº 10.865/2004, não merecendo prosperar a argumentação da Recorrente. IN SRF Nº 595, DE 2005. ADE. APLICAÇÃO. A pessoa jurídica ser preponderantemente exportadora é condição sine qua non para a obtenção do benefício da suspensão e tal condição será comprovada por meio do Ato Declaratório Executivo, previsto no artigo 6º, da IN SRF nº 595, de 2005. MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO. O artigo 44, da Lei nº 9.430/1996, prevê a aplicação da multa de 75% no caso dos lançamentos de ofício. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 31/08/2007 a 31/12/2008 PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE. PRINCÍPIO DA AMPLA DEFESA. CONTRADITÓRIO. DEVIDO PROCESSO LEGAL. NÃO VIOLAÇÃO. Não se vislumbra o desrespeito aos princípios listados, ademais, em conformidade com a Súmula CARF nº 2: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". ARTIGO 40, LEI Nº 10.865, DE 2004. APLICABILIDADE. As receitas, que deixaram de compor a base de cálculo, originando o lançamento por parte da fiscalização, são as receitas de frete cujo sujeito passivo é a Recorrente, portanto, mantém-se a aplicação do artigo 40, § 6º-A, da Lei nº 10.865/2004, não merecendo prosperar a argumentação da Recorrente. IN SRF Nº 595, DE 2005. ADE. APLICAÇÃO. A pessoa jurídica ser preponderantemente exportadora é condição sine qua non para a obtenção do benefício da suspensão e tal condição será comprovada por meio do Ato Declaratório Executivo, previsto no artigo 6º, da IN SRF nº 595, de 2005. MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO. O artigo 44, da Lei nº 9.430/1996, prevê a aplicação da multa de 75% no caso dos lançamentos de ofício.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Sep 12 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10183.723735/2011-29
anomes_publicacao_s : 201709
conteudo_id_s : 5767800
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Sep 12 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3302-004.658
nome_arquivo_s : Decisao_10183723735201129.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA
nome_arquivo_pdf_s : 10183723735201129_5767800.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para excluir os lançamentos de todas operações com a Louis Dreyfuss Comodities Agroindustrial Ltda e das operações com a AWB Brasil S/A, a partir de 21.07.2008. (assinatura digital) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente (assinatura digital) Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza -Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, José Renato Pereira de Deus, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araujo.
dt_sessao_tdt : Tue Aug 29 00:00:00 UTC 2017
id : 6926375
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:06:04 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049469112549376
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1738; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10183.723735/201129 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302004.658 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 29 de agosto de 2017 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO PIS/COFINS Recorrente TRANSPORTADORA ROMA LOGÍSTICA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 31/08/2007 a 31/12/2008 PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE. PRINCÍPIO DA AMPLA DEFESA. CONTRADITÓRIO. DEVIDO PROCESSO LEGAL. NÃO VIOLAÇÃO. Não se vislumbra o desrespeito aos princípios listados, ademais, em conformidade com a Súmula CARF nº 2: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". ARTIGO 40, LEI Nº 10.865, DE 2004. APLICABILIDADE. As receitas, que deixaram de compor a base de cálculo, originando o lançamento por parte da fiscalização, são as receitas de frete cujo sujeito passivo é a Recorrente, portanto, mantémse a aplicação do artigo 40, § 6ºA, da Lei nº 10.865/2004, não merecendo prosperar a argumentação da Recorrente. IN SRF Nº 595, DE 2005. ADE. APLICAÇÃO. A pessoa jurídica ser preponderantemente exportadora é condição sine qua non para a obtenção do benefício da suspensão e tal condição será comprovada por meio do Ato Declaratório Executivo, previsto no artigo 6º, da IN SRF nº 595, de 2005. MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO. O artigo 44, da Lei nº 9.430/1996, prevê a aplicação da multa de 75% no caso dos lançamentos de ofício. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 31/08/2007 a 31/12/2008 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 72 37 35 /2 01 1- 29 Fl. 607DF CARF MF 2 PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE. PRINCÍPIO DA AMPLA DEFESA. CONTRADITÓRIO. DEVIDO PROCESSO LEGAL. NÃO VIOLAÇÃO. Não se vislumbra o desrespeito aos princípios listados, ademais, em conformidade com a Súmula CARF nº 2: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". ARTIGO 40, LEI Nº 10.865, DE 2004. APLICABILIDADE. As receitas, que deixaram de compor a base de cálculo, originando o lançamento por parte da fiscalização, são as receitas de frete cujo sujeito passivo é a Recorrente, portanto, mantémse a aplicação do artigo 40, § 6ºA, da Lei nº 10.865/2004, não merecendo prosperar a argumentação da Recorrente. IN SRF Nº 595, DE 2005. ADE. APLICAÇÃO. A pessoa jurídica ser preponderantemente exportadora é condição sine qua non para a obtenção do benefício da suspensão e tal condição será comprovada por meio do Ato Declaratório Executivo, previsto no artigo 6º, da IN SRF nº 595, de 2005. MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO. O artigo 44, da Lei nº 9.430/1996, prevê a aplicação da multa de 75% no caso dos lançamentos de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para excluir os lançamentos de todas operações com a Louis Dreyfuss Comodities Agroindustrial Ltda e das operações com a AWB Brasil S/A, a partir de 21.07.2008. (assinatura digital) Paulo Guilherme Déroulède Presidente (assinatura digital) Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, José Renato Pereira de Deus, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araujo. Relatório Por bem transcrever os fatos, adotase o relatório da DRJ/Campo Grande, fls. Fl. 608DF CARF MF Processo nº 10183.723735/201129 Acórdão n.º 3302004.658 S3C3T2 Fl. 3 3 554/5561: Foram lavrados autos de infração de PIS e COFINS dos anos calendário de 2007 e 2008, no valor total de R$ 10.843.906,78, conforme descrição dos fatos e enquadramento legal de fls. 04 a 27. A autoridade fiscal efetuou o lançamento de ofício em face apuração incorreta a menor da COFINS e do PIS não cumulativos, ocasionada pela exclusão indevida da base de cálculo do PIS e COFINS de receitas de empresas tomadoras de serviços que não possuíam ADE, Ato Declaratório Executivo, que as considerasse como “preponderantemente exportadoras”, ou mesmo tendo esse ADE não cumprissem as normas para a concessão do benefício. O fato de as empresas tomadoras de serviços não possuírem o Ato Declaratório Executivo como “Preponderantemente Exportadora”, não permite, segundo a autoridade fiscal, que as receitas dela decorrentes sejam excluídas da base de cálculo do PIS e da COFINS sob o argumento de que os bens transportados se destine à exportação. O contribuinte apresentou sua impugnação, alegando em síntese o seguinte: a) Que diante das diversas redações que vigeram em diversos períodos, do § 6ºA do artigo 40 da lei 10.865/2004, o termo “pessoa jurídica preponderantemente exportadora”, introduzida pela MP 428 de 13.05.2008 somente passou a ter eficácia noventa dias após a publicação da norma, em face ao princípio da anterioridade nonagesimal, o que significa dizer que deve ser respeitado o interstício de noventa dias após a publicação da lei que houver instituído ou modificado as regras que impliquem gravames ao contribuinte, para que passem a ter eficácia, transcrevendo o artigo 195 da CF e inciso I letras “a” a “c”, e § 6º desse mesmo artigo, além de decisões judiciais; b) O acima exposto significa dizer que a regra não incidiu em todo o período de autuação, mas, somente a partir de 13.08.2008; c) Após transcrever o artigo 40 da lei 10.865/2004 com seus parágrafos, afirma que o conceito de “pessoa jurídica preponderantemente exportadora” previsto no § 1º tem a finalidade de atender prescrições do “caput”, que, por sua vez emana uma regra ao vendedor de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem, e, nesse caso, se o adquirente for pessoa jurídica “preponderantemente exportadora”, incidem as regras de suspensão de PIS e COFINS para o vendedor, e, por sua vez o § 5º prevê a aplicação de penalidade ao adquirente que der destinação diversa de exportação aos produtos adquiridos com suspensão da incidência do PIS/COFINS, e, em tais casos o adquirente é que 1 Todas as páginas, referenciadas no voto, correspondem ao eprocesso. Fl. 609DF CARF MF 4 está obrigado a recolher as contribuições não pagas ao fornecedor acrescidas de juros e multa de mora, ou de ofício; d) Dos dispositivos em análise, evidenciase que essas regras não são dirigidas ao prestador do serviço de frete, cujos comandos normativos estão insertos no § 6ºA e seguintes do artigo 40 da lei 10.865/2004. O § 6ºA desse artigo estende o benefício da suspensão das contribuições às receitas de frete, sem, no entanto, impor obediência às condições e termos da instrução normativa 595 que foi editada em 27.12.2005, antes, portanto, da vigência das normas que estenderam os citados benefícios fiscais aos serviços de frete estabelecidos pela SRF, sem qualquer penalidade, como o faz para o adquirente (§§ 4º e 5º), tratando apenas da suspensão; e) Ainda, o § 8º estende a suspensão da incidência desses tributos para a hipótese de frete de produtos vendidos à empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação, a qual não precisa, necessariamente, ter a condição de pessoa jurídica preponderantemente exportadora, sendo que a única exigência é a destinação de exportação; f) Muitas das transações realizadas pelo impugnante subsumem se a essa norma, conforme foi esclarecido às fls. dos autos, em que pretende demonstrar as remessas com o fim específico de exportação, e essas informações não foram desqualificadas pela autoridade fiscal que, ao contrário, no caso das empresas Multigrain S/A e Imcopa Imp. Exp. E Ind. De Óleos S/A foram todas aceitas; g) Disso conclui, que, ainda que não haja apresentação do ADE, o qual, segundo o fisco, comprovaria que os serviços de frete foram prestados para pessoa jurídica preponderantemente exportadora a empresa demonstrou que as tomadoras de serviços são empresas comerciais exportadoras, e que, a mercadoria teve destinação específica para exportação, nos termos do que dispões o § 8º do artigo 40 da lei 10.865/2004, ficando patente que faz jus ao benefício da suspensão da incidência do PIS/COFINS; h) A instrução normativa 595/2005 não regulamenta a suspensão do PIS e da COFINS sobre as receitas oriundas da prestação de serviços de frete, que sejam eles contratados por pessoa jurídica preponderantemente exportadora ou por empresa comercial exportadora. i) O expediente encaminhado pela empresa AWB Brasil Trading S/A e juntado aos autos fls. 239, no qual confirma que é possuidora do ADE, mas que, os serviços prestados pela impugnante não estariam em consonância com a IN 595, ou seja, foram faturados integralmente, deve motivar o fisco a excluir da base de cálculo da presente autuação as receitas oriundas de frete prestado à AWB uma vez que a empresa confirma que é detentora do ADE, pois, caso contrário a autuante estaria contradizendo seus próprios argumentos; j) Além de todas as alegações ora apresentadas, importante deixar registrado que, além das empresas MULTIGRAIN e IMCOPA, possuem ADE AWB BRASIL TRADING S/A, LOUIS Fl. 610DF CARF MF Processo nº 10183.723735/201129 Acórdão n.º 3302004.658 S3C3T2 Fl. 4 5 DREYFUSS COMMODITIES AGROINDUSTRIAL LTDA e NOBLE BRASIL LTDA., cabendo acrescentar que o § 1º do artigo 6º da IN 595/2005 prescreve que o ADE referido no “caput” será emitido para o nº do CNPJ matriz e aplicase a todos os estabelecimentos da requerente; k) Que é cabível no presente caso, a redução da multa de ofício aplicada de forma exorbitante de 75%, discorrendo longamente sobre o princípio do não confisco previsto no inciso IV do artigo 150 da Constituição Federal, transcrevendo ementas do STF, requerendo a redução da multa de ofício para 20%; l) Requer a juntada posterior de documentos em face do volume exagerado desses documentos, que ilustram os argumentos expostos; m) Requer ainda perícia contábil indicando o assistente técnico e quesitos. Sobreveio, então, o acórdão da DRJ/Campo Grande, cuja ementa é transcrita abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2007, 2008 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEIS. MULTA DE OFÍCIO. A análise de inconstitucionalidade de leis não pode ser efetuada em sede administrativa, conforme normas vigentes. FRETE INTERNO DE PRODUTO A SER EXPORTADO. Para não incidir a contribuição sobre as receitas de transportadoras decorrentes de frete interno de produto a ser exportado, bem como de frete de suas matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, é necessário que se comprove que o exportador é habilitado junto à Receita Federal como pessoa jurídica preponderantemente exportadora e que se comprove o atendimento aos prérequisitos estabelecidos na legislação vigente. AUTUAÇÃO REFLEXA. PIS. Ao se definir a matéria tributável na autuação da COFINS, o mesmo resultado é estendido à autuação reflexa do PIS, face à relação de causa e efeito existente. A contribuinte, então, irresignada, apresentou recurso voluntário, repisando os argumentos da impugnação. É o relatório. Fl. 611DF CARF MF 6 Voto Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Relatora. 1. Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado de modo tempestivo, a ciência do acórdão ocorreu em 28 de junho de 2013, fls. 567, e o recurso foi protocolado em 25 de julho de 2013, fls. 572. Tratase, portanto, de recurso tempestivo e de matéria que pertence a este colegiado. 2. Do mérito 2.1. Do princípio da anterioridade A Recorrente argumenta, com fundamento no Princípio da Anterioridade, realizando uma interpretação sistemática que a redação do artigo 40, § 6ºA, da Lei nº 10.865/2004, em sua redação original, introduzido pela Lei nº 11.488/2007, ou seja, antes da alteração pela Medida Provisória n º 428/2008, não vislumbrava a expressão "pessoa jurídica preponderantemente exportadora" e tenta mediante a aplicação do referido princípio que o termo inicial para a exigência da condição "preponderantemente exportadora" deve ser a data de 13 de maio de 2008. Tal argumentação não reflete a realidade fática, vale transcrever abaixo a redação original do artigo 40, da Lei nº 10.865/2004 e a prevista na Lei nº 11.488/2007, que alterou o artigo 40, da Lei nº 10.865/2004: Lei nº 10.865/2004 Art. 40. A incidência da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS ficará suspensa no caso de venda de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem destinados a pessoa jurídica preponderantemente exportadora. (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) Lei nº 11.488/2007 Art. 31. Os arts. 8° e 40 da Lei n° 10.865, de 30 de abril de 2004, passam a vigorar com a seguinte redação: (...) "Art. 40. ............................... § 6ºA A suspensão de que trata este artigo alcança as receitas relativas ao frete contratado no mercado interno para o transporte rodoviário dentro do território nacional de: I matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos na forma deste artigo; e II produtos destinados à exportação pela pessoa jurídica preponderantemente exportadora. Fl. 612DF CARF MF Processo nº 10183.723735/201129 Acórdão n.º 3302004.658 S3C3T2 Fl. 5 7 § 7º Para fins do disposto no inciso II do § 6°A deste artigo, o frete deverá referirse ao transporte dos produtos até o ponto de saída do território nacional. § 8º O disposto no inciso II do § 6°A deste artigo aplicase também na hipótese de vendas a empresa comercial exportadora, com fim específico de exportação. (grifos não constam no original) § 9º Deverá constar da nota fiscal a indicação de que o produto transportado destinase à exportação ou à formação de lote com a finalidade de exportação, condição a ser comprovada mediante o Registro de Exportação RE." (NR) (grifos não constam no original) É bem verdade que no §6ºA, do artigo 40, da Lei nº 10.865/2004, não se encontrava, na redação original, a expressão "pessoa jurídica preponderantemente exportadora", mas no artigo 40, caput, que, por sua vez, disciplina todos os parágrafos do referido artigo, observase que a suspensão está relacionada às operações com a pessoa jurídica preponderantemente exportadora, logo, esta situação se apresenta como condição sine qua non para a obtenção do benefício da suspensão. No mesmo sentido, foi a decisão da DRJ/Campo Grande, fls. 557: A aplicação do princípio da anterioridade nonagesimal que o contribuinte entende deva ser aplicado ao caso, na forma do § 6º do artigo 195 da CF, não pode ser entendida dessa forma, considerando que “caput” do artigo 40 já previa que a suspensão do PIS/COFINS estava condicionada a que a venda de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem fossem destinados a pessoa jurídica preponderantemente exportadora, não tendo qualquer lógica que o frete dessas mercadorias não seguissem esse mesmo critério, e, portanto, o parágrafo 6º do artigo 40 da lei 10.865/2004 alterado em 2008 pela MP 428 tem o claro objetivo interpretativo não tendo criado ou modificado tributo, pois, a situação já estava implícita no artigo 40 e seus parágrafos da lei l0.865/2004; Por tal fundamentação, rejeitase a argumentação da Recorrente. 2.2. Artigo 40, da Lei nº 10.865/2004 A Recorrente argumenta que as contribuições sociais não incidem sobre as receitas decorrentes de exportação. Isso implica dizer que os tributos: PIS e COFINS não incidem sobre os serviços de frete de produtos destinados à exportação, ademais, suscita que, in verbis, fls. 583: No caso em tela, o recorrente não teria emitido o documento com a observação de que a venda foi realizada com a suspensão da incidência dos tributos PIS/COFINS e para EXPORTAÇÃO, se o destino fosse outro. Fl. 613DF CARF MF 8 Até mesmo porque, essas informações, constantes dos CTRCs, impediriam (como impedem) os tomadores dos serviços de aproveitar o crédito do PIS/COFINS não cumulativos oriundo dessas transações. Continua demonstrando que o ônus de provar, que os fretes não foram feitos com fim de exportação por empresas preponderantemente exportadoras, seria da fiscalização e não da Recorrente, que o fisco deveria ter diligenciado junto às empresas tomadoras. Ademais, argumenta que não é justo que a Recorrente seja penalizada por atos praticados pelas empresas tomadoras dos serviços, uma vez que acataram a contratação dos serviços com a suspensão da incidência do PIS/COFINS, porque a mercadoria era destinada à exportação. Suscita, ainda, que as penalidades previstas no artigo 40, da Lei n° 10.865/2004, são dirigidas ao adquirente, e não ao vendedor e ao prestador de serviços de frete. Antes de adentrar na análise da penalidade propriamente dita, importante transcrever legislação processual, que orienta sobre o ônus da prova: Lei nº 13.105/2015 Código de Processo Civil Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. No caso em análise, caberia à Recorrente demonstrar que prestou serviços de fretes às empresas preponderantemente exportadoras com o fim específico de exportação. Pela análise das provas, colacionadas à impugnação, fls. 306/545, observase que a Recorrente juntou relatórios de viagens sistemas de transporte que nada provam. Logo, houve deficiência na produção probatória por parte da Recorrente. Quanto à argumentação de que as penalidades devem recair sobre a adquirente, tal alegação é falaciosa, ora, a partir da análise do auto de infração, fls. 6, constata se que há insuficiência de recolhimento da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS sobre a base de cálculo dos serviços de frete, em atendimento ao artigo 40, § 6ºA, da Lei nº 10.685/2004, observase que: Lei nº 10.685/2004 Art. 40. A incidência da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS ficará suspensa no caso de venda de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem destinados a pessoa jurídica preponderantemente exportadora. (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) (...) § 6oA. A suspensão de que trata este artigo alcança as receitas de frete, bem como as receitas auferidas pelo operador de transporte multimodal, relativas a frete contratado pela pessoa jurídica preponderantemente exportadora no mercado interno para o transporte dentro do território nacional de: (Redação dada pela Lei nº 11.774, de 2008) Fl. 614DF CARF MF Processo nº 10183.723735/201129 Acórdão n.º 3302004.658 S3C3T2 Fl. 6 9 I matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos na forma deste artigo; e (Incluído pela Lei nº 11.488, de 2007) II produtos destinados à exportação pela pessoa jurídica preponderantemente exportadora. (Incluído pela Lei nº 11.488, de 2007) (grifos não constam no original) No caso, não se trata da suspensão das receitas das tomadoras ou adquirentes, mas o auto de infração se circunscreve às receitas de frete, base de cálculo da obrigação tributária em questão, que, por sua vez, tem como sujeito passivo da relação jurídica tributária, a Recorrente, Transportadora Roma Logística Ltda. Logo, as receitas que deixaram de compor a base de cálculo, originando o lançamento por parte da fiscalização, são as receitas de frete cujo sujeito passivo é a Recorrente, portanto, mantémse a aplicação do artigo 40, § 6ºA, da Lei nº 10.865/2004, não merecendo prosperar a argumentação da Recorrente. 2.3. Instrução Normativa SRF nº 595, de 27 de dezembro de 2005 A Recorrente alega que a IN SRF nº 595, de 2005, não se aplica ao seu caso, pois alega que não há um dispositivo sequer, no bojo da referida Instrução Normativa, que prescreva qualquer comando normativo dirigido às empresas prestadoras de serviço de frete. Que o ADE Ato Declaratório Executivo não deve ser exigido e, caso seja, em um pedido sucessivo, a Recorrente pleiteia que a fiscalização reconheça a suspensão para os seguintes tomadores de serviço: AWB Brasil Trading S/A, Louis Dreyfuss Commodities Agroindustrial Ltda. e Noble Brasil Ltda. Voltase novamente à legislação, anteriormente analisada: Lei nº 10.865/2004 Art. 40. A incidência da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS ficará suspensa no caso de venda de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem destinados a pessoa jurídica preponderantemente exportadora. (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) (...) § 6oA. A suspensão de que trata este artigo alcança as receitas de frete, bem como as receitas auferidas pelo operador de transporte multimodal, relativas a frete contratado pela pessoa jurídica preponderantemente exportadora no mercado interno para o transporte dentro do território nacional de: (Redação dada pela Lei nº 11.774, de 2008) I matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos na forma deste artigo; e (Incluído pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 615DF CARF MF 10 II produtos destinados à exportação pela pessoa jurídica preponderantemente exportadora. (Incluído pela Lei nº 11.488, de 2007) (grifos não constam no original) Em um exercício de hermenêutica, observase que a suspensão em relação às receitas de frete alcança o contrato realizado com pessoa jurídica preponderantemente exportadora. Conforme, exposto anteriormente, ser pessoa jurídica preponderantemente exportadora é condição sine qua non para a obtenção do benefício em questão no que concerne às receitas de frete. Ora, para que a empresa comprove que é preponderantemente exportadora, a fim de aferir validade legal à sua condição, é que surge a IN SRF nº 595, de 2005, que prevê a habilitação no sistema. Portanto, quando o prestador de serviço de frete contrata com uma empresa e, para que o primeiro seja alcançando pelo benefício tributário da suspensão em suas receitas, ele tem que ter demonstrado que a contratante possui a condição de preponderantemente exportadora, condição que será comprovada por meio do Ato Declaratório Executivo, previsto no artigo 6º, da IN SRF nº 595, de 2005. Logo, a previsão normativa é no sentido de que o contrato de serviço de prestação de serviço de frete seja realizado com uma empresa preponderantemente exportadora, que, por sua vez, comprovará tal situação, apresentando o Ato Declaratório Executivo. No caso em análise, o período de apuração é de 31 de julho de 2007 a 31 de dezembro de 2008. A empresa foi autuada em relação às seguintes empresas, que em consulta ao sítio eletrônico da Secretaria da Receita Federal2, há uma lista das pessoas jurídicas habilitadas ao regime de suspensão da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidentes sobre as receitas de vendas de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos por pessoa jurídica preponderantemente exportadora, conforme a Instrução Normativa SRF nº 595/2005: Empresa Data da publicação do ADE AWB BRASIL S/A 21.07.2008 LOUIS DREYFUSS COMODITIES AGROINDUSTRIAL LTDA 24.07.2007 NOBLE BRASIL LTDA 06.07.2010 Em relação às operações com a Louis Dreyfuss Comodities Agroindustrial Ltda, que tem o ADE desde 24.07.2007, os lançamentos devem ser excluídos, pois ela se enquadrava na condição de preponderamente exportadora durante o período de autuação. Já em relação à AWB Brasil S/A, os operações devem ser excluídas a partir de 21.07.2008 e no que concerne à Noble Brasil Ltda devem ser mantidas. 2.4. Da multa de ofício A Recorrente alega que há inaplicabilidade na multa imposta de 75% sobre o valor do tributo supostamente devido, discorrendo sobre a posição doutrinária a respeito da referida multa e alegando violação ao princípio do não confisco e pleiteia que ela seja de 20% sobre o valor do tributo exigido. 2 Disponível em: <http://idg.receita.fazenda.gov.br/acessorapido/legislacao/pessoasjuridicashabilitadase coabilitadas/relacaodaspjsin5952005.pdf>, acesso em: 29 ago. de 2017. Fl. 616DF CARF MF Processo nº 10183.723735/201129 Acórdão n.º 3302004.658 S3C3T2 Fl. 7 11 Tal argumentação não merece prosperar, a legislação é clara, quando preceitua no artigo 44, da Lei nº 9.430/1996, que: Lei nº 9.430/1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; No caso em análise, houve lançamento de ofício por parte da fiscalização. Ademais, não se pode analisar constitucionalidade de leis sob pena de violação da Súmula CARF nº 2: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". Pelo exposto, rejeitase a argumentação. 2.5. Dos princípios constitucionais do devido processo legal, da ampla defesa e do contraditório A Recorrente alega que houve violação dos princípios constitucionais do devido processo legal, da ampla defesa e do contraditório, pois não foi deferida a perícia pela DRJ/Campo Grande. No caso em análise, observase que não há necessidade de realização de perícia para a elucidação da lide, sendo de livre convencimento do julgador, vide legislação abaixo: Decreto nº 70.235/1972 Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Ela alega que deveria ter sido realizado perícia sobre o CTRC Conhecimento de Transporte Rodoviário de Cargas. Ocorre que, pela análise das provas, colacionadas à impugnação, fls. 306/545, observase que a Recorrente juntou relatórios de viagens sistemas de transporte que nada provam. Portanto, rejeitamse os argumentos de violação de princípios constitucionais. Ademais, ao CARF não é permitida a análise de constitucionalidade de leis, sob pena de violação da Súmula CARF nº 2: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". 3. Conclusão Por todo o exposto, conheço do recurso voluntário e concedo provimento parcial para excluir os lançamentos das operações com a Louis Dreyfuss Comodities Fl. 617DF CARF MF 12 Agroindustrial Ltda e das operações com a AWB Brasil S/A, com esta última empresa somente a partir de 21.07.2008. Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza Fl. 618DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10665.900858/2012-58
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/03/2008
RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO. INTEMPESTIVO.
É assegurado ao Contribuinte a interposição de Recurso Voluntário no prazo de 30 (trinta) dias a contar da data da ciência da decisão recorrida, após esse prazo legal considera-se intempestivo o recurso.
Recurso Voluntário não conhecido.
Numero da decisão: 3301-003.890
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso Voluntário, por ser intempestivo.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas, José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201706
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/03/2008 RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO. INTEMPESTIVO. É assegurado ao Contribuinte a interposição de Recurso Voluntário no prazo de 30 (trinta) dias a contar da data da ciência da decisão recorrida, após esse prazo legal considera-se intempestivo o recurso. Recurso Voluntário não conhecido.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Aug 03 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10665.900858/2012-58
anomes_publicacao_s : 201708
conteudo_id_s : 5750938
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Aug 03 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3301-003.890
nome_arquivo_s : Decisao_10665900858201258.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
nome_arquivo_pdf_s : 10665900858201258_5750938.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso Voluntário, por ser intempestivo. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas, José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
dt_sessao_tdt : Thu Jun 29 00:00:00 UTC 2017
id : 6877634
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:04:06 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049469142958080
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1849; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 2 1 1 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10665.900858/201258 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3301003.890 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 29 de junho de 2017 Matéria COMPENSAÇÃO. PIS/COFINS. Recorrente DISTRIBUIDORA AMARAL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/03/2008 RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO. INTEMPESTIVO. É assegurado ao Contribuinte a interposição de Recurso Voluntário no prazo de 30 (trinta) dias a contar da data da ciência da decisão recorrida, após esse prazo legal considerase intempestivo o recurso. Recurso Voluntário não conhecido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso Voluntário, por ser intempestivo. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas, José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte contra decisão consubstanciada no Acórdão nº 02045.465, que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo Contribuinte, para não reconhecer o direito creditório postulado e não homologar a compensação em litígio. O Despacho Decisório proferido pela unidade de origem não homologou a compensação declarada em PER/DCOMP pela contribuinte acima qualificada, sob o fundamento de que, a partir das características do DARF descrito no PerDcomp, foram AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 90 08 58 /2 01 2- 58 Fl. 125DF CARF MF Processo nº 10665.900858/201258 Acórdão n.º 3301003.890 S3C3T1 Fl. 3 2 localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PerDcomp. Inconformada com a não homologação de sua compensação, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade, tempestivamente, conforme relatado na decisão recorrida, alegando, em síntese, o seguinte: verificase pelos documentos anexos, que foi realizada a apuração pelo regime não cumulativo no que atine ao mês em questão por meio do Dacon, porém segundo se apurou no Dacon retificador o valor do débito nãocumulativo devido seria inferior ao efetivamente recolhido, resultando um saldo a ser compensado no PerDcomp; deve ser esclarecido que, na época própria, o contribuinte realizou a devida retificação em anexo, porém, em virtude de alteração ocorrida na própria legislação que resultou na mudança de versões, tanto do Dacon quanto na DCTF, a retificação foi transmitida, gerando assim o débito constante do Despacho Decisório; contudo, a falha no sistema em deixar de transmitir a devida retificação não pode conduzir a que seja violado o princípio constitucional da nãocumulatividade, ainda que posteriormente demonstrada, de forma cabal e inequívoca, a existência do crédito que se pretende compensar; Requerendo, ainda, o acolhimento da manifestação de inconformidade para o fim de determinar o cancelamento do débito constante do presente processo. Tendo em vista a negativa do Acórdão da 2ª Turma da DRJ/BHE, que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo Contribuinte, este ingressou com Recurso Voluntário visando reformar a referida decisão. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.883, de 29 de junho de 2017, proferido no julgamento do processo 10665.900851/201236, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.883): "O Recurso Voluntário, de 22 de agosto de 2013, interposto pelo Contribuinte, em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 0245.458, de 25 de junho de 2013, é intempestivo, logo não atende um pressuposto legal de admissibilidade, motivo pelo qual não deve ser conhecido. Fl. 126DF CARF MF Processo nº 10665.900858/201258 Acórdão n.º 3301003.890 S3C3T1 Fl. 4 3 O prazo para que seja interposto o Recurso Voluntário contra as decisões das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento é de 30 dias a partir da ciência da referida decisão. Observase no presente processo que a Decisão recorrida foi proferida em 25 de junho de 2013 e o Contribuinte tomou ciência da decisão recorrida em 09 de julho de 2013 como se depreende da leitura do Termo de Abertura de Documento (fls. 95): TERMO DE ABERTURA DE DOCUMENTO O Contribuinte tomou conhecimento do teor dos documentos relacionados abaixo, na data 09/07/2013 8:14h, pela abertura dos arquivos correspondentes no link Processo Digital, no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (Portal eCAC) através da opção Consulta Comunicados/Intimações. Acórdão de Manifestação de Inconformidade Contribuinte: 21.759.758/000188 DISTRIBUIDORA AMARAL LTDA (ou seu Representante Legal) DATA DE EMISSÃO : 09/07/2013 Já às fls. 96 apurase no Termo de Ciência por Decurso de Prazo que essa ciência por decurso de prazo ocorreu em 19 de julho de 2013: TERMO DE CIÊNCIA POR DECURSO DE PRAZO Foi dada ciência, ao Contribuinte, dos documentos relacionados abaixo, por decurso de prazo de 15 dias a contar da disponibilização destes documentos através da Caixa Postal, Modulo eCAC do Site da Receita Federal. Data da disponibilização na Caixa Postal: 04/07/2013 Data da ciência por decurso de prazo: 19/07/2013 Acórdão de Manifestação de Inconformidade DATA DE EMISSÃO : 20/07/2013 Constatase assim que Contribuinte tomou ciência da decisão recorrida em 09 de julho de 2013 como se depreende da leitura do Termo de Abertura de Documento e pelo Termo de Ciência por Decurso de Prazo que essa ciência ocorreu em 19 de julho de 2013. Assim, no melhor dos quadros, o prazo final para interpor o recurso seria em 20 de agosto de 2013, e que só ocorreu em 22 de agosto de 2013. Para bem ilustrar o ocorrido cito abaixo imagem do Recurso Voluntário do Contribuinte com o devido protocolo da Analista Tributário Glêucia Felipe Santiago, matrícula 012.91476 (fls. 107): Fl. 127DF CARF MF Processo nº 10665.900858/201258 Acórdão n.º 3301003.890 S3C3T1 Fl. 5 4 Portanto, de acordo com a legislação vigente e os autos do processo, voto em não conhecer do Recurso Voluntário por ser intempestivo." Da mesma forma que no caso do paradigma, no presente processo o recurso voluntário foi apresentado em 22/08/2013, e a data da ciência da decisão da DRJ, por decurso de prazo, também ocorreu em 19/07/2013. Comprovado está que também nestes autos o recurso voluntário foi apresentado após o prazo de 30 dias, portanto, intempestivamente. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, não conheço do Recurso Voluntário, por ser intempestivo. assinado digitalmente Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 128DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.900258/2013-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 13/09/2012
RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO.
Para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez. No presente caso, não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009.
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3301-003.683
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201706
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 13/09/2012 RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO. Para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez. No presente caso, não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009. Recurso Voluntário negado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10830.900258/2013-11
anomes_publicacao_s : 201708
conteudo_id_s : 5758108
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3301-003.683
nome_arquivo_s : Decisao_10830900258201311.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
nome_arquivo_pdf_s : 10830900258201311_5758108.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas.
dt_sessao_tdt : Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
id : 6894237
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:05:06 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049469182803968
conteudo_txt : Metadados => date: 2017-08-11T17:39:59Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: pdfsam-console (Ver. 2.4.0e); access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2017-08-11T17:39:59Z; Last-Modified: 2017-08-11T17:39:59Z; dcterms:modified: 2017-08-11T17:39:59Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2017-08-11T17:39:59Z; pdf:docinfo:creator_tool: pdfsam-console (Ver. 2.4.0e); access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2017-08-11T17:39:59Z; meta:save-date: 2017-08-11T17:39:59Z; pdf:encrypted: true; modified: 2017-08-11T17:39:59Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2017-08-11T17:39:59Z; created: 2017-08-11T17:39:59Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; Creation-Date: 2017-08-11T17:39:59Z; pdf:charsPerPage: 1798; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2017-08-11T17:39:59Z | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 2 1 1 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.900258/201311 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3301003.683 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 27 de junho de 2017 Matéria Restituição. Ausência de certeza e liquidez do crédito pleiteado. Recorrente FUNDAÇÃO DE DESENVOLVIMENTO DA UNICAMP FUNCAMP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 13/09/2012 RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO. Para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez. No presente caso, não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009. Recurso Voluntário negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas. Relatório Tratase de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório eletrônico que indeferiu Pedido de Restituição Eletrônico PER referente a alegado crédito de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 02 58 /2 01 3- 11 Fl. 172DF CARF MF Processo nº 10830.900258/201311 Acórdão n.º 3301003.683 S3C3T1 Fl. 3 2 pagamento indevido ou a maior efetuado por meio do DARF, código de receita 8301 (PIS – Folha de Pagamento). Segundo o Despacho Decisório, o DARF informado no PER foi integralmente utilizado na quitação do respectivo débito, não restando crédito disponível para restituição. Em sua manifestação de inconformidade a interessada argumentou, em resumo, que o pagamento indevido decorre de sua condição de imune às contribuições sociais, nos termos dos art. 150, inciso VI, alínea “c”, art. 195, § 7º, c/c art. 205, art. 6º, art. 203, inciso III, art. 145, § 1º, art. 146, II, todos da Constituição Federal, e do art. 14 do CTN. Discorre sobre sua condição de imune. Requer que seja declarada como Entidade Beneficente de Assistência Social. Ao analisar o caso, a DRJ em Juiz de Fora (MG), entendeu por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 09051.717, com base primordialmente nos seguintes fundamentos: (i) a imunidade das contribuições sociais está sujeita às exigências estabelecidas pela Lei 12.101/2009; (ii) a Recorrente não possui CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social); (iii) o PIS não está abrangido pela imunidade estabelecida no art. 195, § 7º da Constituição Federal; e (iv) a Recorrente está sujeita ao PIS sobre a Folha de Salários e não sobre o Faturamento. Intimado da decisão e insatisfeito com o seu conteúdo, o contribuinte interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário através do qual alegou, resumidamente: (i) que o STF já teria pacificado seu entendimento quanto à submissão do PIS à imunidade tributária das contribuições previdenciárias fixada pelo art. 195, parágrafo 7º da Constituição Federal, conforme acórdão proferido no RE 636.941/RS, que teve repercussão geral reconhecida; (ii) que a Recorrente atende a todos os requisitos da Lei 12.101/2009 para fins de usufruto da imunidade, conforme comprovado no pedido de emissão do CEBAS protocolizado (trata sobre cada um dos requisitos); (iii) que a emissão do CEBAS é um ato administrativo vinculado, constituindo obrigação legal uma vez constatado o atendimento dos requisitos legais para gozo da imunidade; (iv) que a emissão do CEBAS tem caráter declaratório, sendolhe conferidos efeitos retroativos. Requer, ao final, que seja dado provimento ao seu recurso, para fins de deferir o pedido de restituição, por se tratar de instituição imune às contribuições previdenciárias. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.674, de 27 de junho de 2017, proferido no julgamento do processo 10830.900254/201333, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.674): Fl. 173DF CARF MF Processo nº 10830.900258/201311 Acórdão n.º 3301003.683 S3C3T1 Fl. 4 3 "O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Consoante acima narrado, tratase de Pedido de Restituição Eletrônico PER nº 23871.62072.130912.1.2.040241 referente a alegado crédito de pagamento indevido ou a maior da contribuição previdenciária sobre a folha de salários a cargo do empregador, efetuado por meio do DARF no valor original de R$ 42.011,75. Como é cediço, para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez, cuja comprovação deve ser efetuada pelo contribuinte. No caso concreto ora analisado, portanto, há de se verificar se o crédito tributário alegado pelo contribuinte encontrase revestido de tais características, sem as quais o pleito não pode ser deferido. Alega o contribuinte que o seu pleito decorre do seu direito seria líquido e certo ao gozo da imunidade. A DRJ, por seu turno, entendeu de forma diversa, conforme se extrai da passagem do voto a seguir transcrita: A imunidade relativa às pessoas jurídicas que prestam assistência social está prevista nos seguintes dispositivos constitucionais: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: [...] VI instituir impostos sobre:(Vide Emenda Constitucional nº 3, de 1993) a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros; b) templos de qualquer culto; c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei; d) livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão. [...] Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: [...] § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. A imunidade prevista no artigo 150 acima transcrito é especifica para impostos não abrangendo às contribuições sociais. Portanto, não alcança o PIS/PASEP –Folha de Salários. A imunidade prevista no artigo 195, § 7º, é específica para contribuições para seguridade social e depende da caracterização da entidade como beneficente Fl. 174DF CARF MF Processo nº 10830.900258/201311 Acórdão n.º 3301003.683 S3C3T1 Fl. 5 4 de assistência social que atenda às exigências estabelecidas em lei, entre elas a certificação de que trata a Lei 12.101/2009, conforme dispositivos transcritos a seguir: Art. 1o A certificação das entidades beneficentes de assistência social e a isenção de contribuições para a seguridade social serão concedidas às pessoas III do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, quanto às entidades de assistência social. (...) Art. 29. A entidade beneficente certificada na forma do Capítulo II fará jus à isenção do pagamento das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, desde que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos (grifo não original) Com base nos atos acima transcritos, que vinculam este colegiado de 1ª instância administrativa, a contribuinte, por não ser detentora do certificado de entidade beneficente de assistência social, não faz jus à imunidade prevista no artigo 195, § 7º, da CF/88, por descumprir exigência contida em lei. Com lastro no artigo 21 supra, não compete à RFB decidir sobre a concessão de certificados de entidade beneficente de assistência social, não tendo força vinculante as decisões judiciais e o posicionamento da doutrina mencionados pela defesa. De modo que, o pedido, para que seja declarada como Entidade Beneficente da Assistência Social, com força substitutiva do registro e da certificação de que trata o art. 21 da Lei nº 12.101/2009, não pode ser atendido no âmbito desse colegiado. A contribuinte impetrou o mandado de segurança nº 2007.61.05.0129681, junto à 2ª Vara Federal de Campinas, que atualmente tramita no TRF 3º Região, com sentença proferida reconhecendo o direito à imunidade prevista no art. 195, 7º, da CF/88, no tocante à Cofins, desde que cumpridos os requisitos do art. 14 do CTN e os deveres instrumentais acessórios estabelecidos pela legislação fiscal. Portanto, mantida a exigência do certificado de entidade beneficente de assistência social para gozo da imunidade prevista no artigo 195, 7º, da CF/88. Concordo com a conclusão a que chegou a DRJ no trecho acima, por entender que não restou comprovada a certeza e liquidez do crédito pleiteado pelo contribuinte. Embora a Recorrente tenha protocolizado pedido de emissão do CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social) desde 18/12/2013, é certo que este pedido ainda não foi deferido, encontrandose atualmente na situação de "encaminhado". E sendo esta emissão um requisito essencial ao gozo da imunidade pleiteada, nos termos do que determina a Lei nº 12.101/2009, não há como se entender que o crédito tributário objeto da presente demanda seja líquido e certo. Notese que o art. 29 da referida lei dispõe que fará jus à isenção a entidade beneficente certificada. Ademais, como bem destacou a DRJ em sua decisão, a análise quanto ao atendimento dos requisitos dispostos na Lei n. 12.101/2009 e a consequente concessão do Fl. 175DF CARF MF Processo nº 10830.900258/201311 Acórdão n.º 3301003.683 S3C3T1 Fl. 6 5 CEBAS não é de competência da Receita Federal do Brasil, ou mesmo deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Nesse contexto, ainda que o ato administrativo de concessão do CEBAS seja plenamente vinculado, e que os seus efeitos sejam declaratórios, conferindolhe aplicação retroativa, tais fatores não afastam a necessidade de que haja a análise quanto a tal pleito por parte da autoridade competente. Sendo assim, não há como se deferir o pleito do contribuinte de restituição apresentado, por faltarlhe certeza e liquidez. De outro norte, importante ainda que se analise o segundo fundamento da decisão recorrida, que assim dispôs: Ainda que a contribuinte fosse detentora de tal certificado, o entendimento da administração tributária é que o PIS/PASEP não está abrangido pelo artigo 195 da Carta Magna, sendo devido o seu recolhimento na forma da lei. No caso vertente, o crédito pretendido decorre de pagamento de PIS/PASEP – Folha de Salários. Cabe, então, observar o disposto no art. 13 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001: Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: I templos de qualquer culto; II partidos políticos; III instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, a que se refere o art. 15 da Lei no 9.532, de 1997; V sindicatos, federações e confederações; VI serviços sociais autônomos, criados ou autorizados por lei; VII conselhos de fiscalização de profissões regulamentadas; jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos, reconhecidas como entidades beneficentes de assistência social com a finalidade de prestação de serviços nas áreas de assistência social, saúde ou educação, e que atendam ao disposto nesta Lei. (...) Art. 21. A análise e decisão dos requerimentos de concessão ou de renovação dos certificados das entidades beneficentes de assistência social serão apreciadas no âmbito dos seguintes Ministérios: I da Saúde, quanto às entidades da área de saúde; II da Educação, quanto às entidades educacionais; e VIII fundações de direito privado e fundações públicas instituídas ou mantidas pelo Poder Público; IX condomínios de proprietários de imóveis residenciais ou comerciais; e Fl. 176DF CARF MF Processo nº 10830.900258/201311 Acórdão n.º 3301003.683 S3C3T1 Fl. 7 6 X a Organização das Cooperativas Brasileiras OCB e as Organizações Estaduais de Cooperativas previstas no art. 105 e seu § 1o da Lei no 5.764, de 16 de dezembro de 1971. [...].” [Grifei]. Por sua vez, os mencionados arts. 12 e 15 da Lei nº 9.532, de 1997, assim dispõem1: Art. 12. Para efeito do disposto no art. 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição, considerase imune a instituição de educação ou de assistência social que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos. (Vide artigos 1º e 2º da Mpv 2.18949, de 2001) (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º Não estão abrangidos pela imunidade os rendimentos e ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável. § 2º Para o gozo da imunidade, as instituições a que se refere este artigo, estão obrigadas a atender aos seguintes requisitos: [...] Art. 15. Consideramse isentas as instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º A isenção a que se refere este artigo aplicase, exclusivamente, em relação ao imposto de renda da pessoa jurídica e à contribuição social sobre o lucro líquido, observado o disposto no parágrafo subseqüente. [...] § 3º Às instituições isentas aplicamse as disposições do art. 12, § 2°, alíneas "a" a "e" e § 3° e dos arts. 13 e 14. Nesse sentido, o Decreto nº 4.527, de 17 de dezembro de 2002, ao regulamentar a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado em geral, assim dispõe: Art. 9º São contribuintes do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários as seguintes entidades (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 13): [...] III instituições de educação e de assistência social que preencham as condições e requisitos do art. 12 da Lei nº 9.532, de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, que preencham as condições e requisitos do art. 15 da Lei nº 9.532, de 1997; [...] Fl. 177DF CARF MF Processo nº 10830.900258/201311 Acórdão n.º 3301003.683 S3C3T1 Fl. 8 7 Art. 46. As entidades relacionadas no art. 9º deste Decreto (Constituição Federal, art. 195, § 7º , e Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 13, art. 14, inciso X, e art. 17): I não contribuem para o PIS/Pasep incidente sobre o faturamento; e [...] Art. 50. A base de cálculo do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários mensal, das entidades relacionadas no art. 9º, corresponde à remuneração paga, devida ou creditada a empregados. [...].” [Grifei]. Portanto, considerando as normas legais supracitadas e que a contribuinte se declara imune em razão da atividade por ela exercida (atividades de apoio à educação – exceto caixas escolares), não há incidência da contribuição para o PIS/Pasep sobre o faturamento. Entretanto, é devida a contribuição para o PIS/Pasep calculada sobre a folha de salários, conforme definido no art. 13 da MP nº 2.15835, de 2001, independentemente de sua imunidade decorrer do disposto no artigo 150 ou 195 da CF/88. Assim, diante da ausência de certeza do crédito pleiteado, voto por considerar improcedente a manifestação de inconformidade, ratificando o Despacho Decisório que indeferiu a restituição pretendida. Sobre este ponto, o contribuinte alegou em seu recurso voluntário que o STF já pacificou seu entendimento quanto à submissão do PIS à imunidade tributária das contribuições previdenciárias fixada pelo art. 195, parágrafo 7º da Constituição Federal, conforme acórdão proferido no RE 636.941/RS, publicado em 04/04/2014, que teve repercussão geral reconhecida. Da análise do referido julgado, extraise que o STF chegou à seguinte conclusão: A pessoa jurídica para fazer jus à imunidade do art. 195, § 7º, CF/88, com relação às contribuições sociais, deve atender aos requisitos previstos nos artigos 9º e 14, do CTN, bem como no art. 55, da Lei nº 8.212/91, alterada pelas Lei nº 9.732/98 e Lei nº 12.101/2009, nos pontos onde não tiveram sua vigência suspensa liminarmente pelo STF nos autos da ADIN 2.2085. As entidades beneficentes de assistência social, como consequência, não se submetem ao regime tributário disposto no art. 2º, II, da Lei nº 9.715/98, e no art. 13, IV, da MP nº 2.15835/2001, aplicáveis somente àquelas outras entidades (instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos) que não preencherem os requisitos do art. 55, da Lei nº 8.212/91, ou da legislação superveniente sobre a matéria, posto não abarcadas pela imunidade constitucional. A inaplicabilidade do art. 2º, II, da Lei nº 9.715/98, e do art. 13, IV, da MP º 2.15835/2001, às entidades que preenchem os requisitos do art. 55 da Lei nº 8.212/91, e legislação superveniente, não decorre do vício da inconstitucionalidade desses dispositivos legais, mas da imunidade em relação à contribuição ao PIS como técnica de interpretação conforme à Constituição. Fl. 178DF CARF MF Processo nº 10830.900258/201311 Acórdão n.º 3301003.683 S3C3T1 Fl. 9 8 Ou seja, o STF concluiu que as entidades beneficentes de assistência social não se submetem ao regime tributário disposto no art. 13, IV da MP n. 2.15835/2001, por fazerem jus à imunidade do art. 150, § 7º, da CF/88. E como restou conferida à tese ali assentada repercussão geral e eficácia erga omnes e ex tunc, tal entendimento deverá ser observado por este Conselho, por força do que dispõe o Regimento Interno deste Conselho, in verbis: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B ou 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), na forma disciplinada pela Administração Tributária; b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) (...). § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverãoser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Com base no entendimento do STF expresso no RE 636.941/RS, há de se reconhecer, portanto, a insubsistência da conclusão constante da decisão recorrida no sentido de seria "devida a contribuição para o PIS/Pasep calculada sobre a folha de salários, conforme definido no art. 13 da MP nº 2.15835, de 2001, independentemente de sua imunidade decorrer do disposto no artigo 150 ou 195 da CF/88". Contudo, para que se possa concluir pela aplicação do julgado do STF ao caso vertente, seria necessário verificar se a Recorrente se enquadra como entidade beneficente de assistência social e se atende os requisitos legais dispostos na legislação pertinente. Ocorre que, consoante anteriormente apontado, o pedido de concessão da CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social), um dos requisitos para o gozo da imunidade, ainda não foi deferido pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário, a Fl. 179DF CARF MF Processo nº 10830.900258/201311 Acórdão n.º 3301003.683 S3C3T1 Fl. 10 9 quem compete analisar o atendimento dos requisitos dispostos na legislação pertinente (art. 14 do CTN, art. 55, da Lei nº 8.212/91, alterada pelas Lei nº 9.732/98, e Lei nº 12.101/2009). É válido destacar, inclusive, que o STF, ao julgar o RE 636.941/RS tratou expressamente desta certificação, concluindo que "a definição dos limites objetivos ou materiais, bem como dos aspectos subjetivos ou formais, atende aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade". É o que se infere da passagem a seguir transcrita, extraída do voto do Ministro Luiz Fux, relator do mencionado RE: Pela análise da legislação, percebese que se tem consagrado requisitos específicos mais rígidos para o reconhecimento da imunidade das entidades de assistência social (art. 195, § 7º, CF/88), se comparados com os critérios para a fruição da imunidade dos impostos (art. 150, VI, c, CF/88). Ilustrativamente, menciono aqueles exigidos para a emissão do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social – CEBAS, veiculados originariamente pelo art. 55 da Lei nº 8.212/91, ora regulados pela Lei nº 12. 101/2009. A definição dos limites objetivos ou materiais, bem como dos aspectos subjetivos ou formais, atende aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade, não implicando significativa restrição do alcance do dispositivo interpretado, qual seja, o conceito de imunidade, e de redução das garantias dos contribuintes. Com efeito, a jurisprudência da Suprema Corte indicia a possibilidade de lei ordinária regulamentar os requisitos e normas sobre a constituição e o funcionamento das entidades de educação ou assistência (aspectos subjetivos ou formais). Diante do acima exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, mantendo o indeferimento do pedido de restituição, conforme fundamentos acima expostos, em razão da não comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário, mantendo o indeferimento do pedido de restituição, conforme fundamentos acima expostos, em razão da não comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 180DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11040.901548/2009-65
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Aug 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2002
RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO FISCAL. COMPROVAÇÃO CERTA E LÍQUIDA DO INDÉBITO. NÃO CONFIGURAÇÃO.
A comprovação deficiente do indébito fiscal ao qual se deseja compensar ou ter restituído não pode fundamentar tais direitos. Somente o direito creditório comprovado de forma certa e líquida dará ensejo a compensação e/ou restituição do indébito fiscal.
Numero da decisão: 1402-002.638
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente).
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201706
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2002 RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO FISCAL. COMPROVAÇÃO CERTA E LÍQUIDA DO INDÉBITO. NÃO CONFIGURAÇÃO. A comprovação deficiente do indébito fiscal ao qual se deseja compensar ou ter restituído não pode fundamentar tais direitos. Somente o direito creditório comprovado de forma certa e líquida dará ensejo a compensação e/ou restituição do indébito fiscal.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Aug 11 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 11040.901548/2009-65
anomes_publicacao_s : 201708
conteudo_id_s : 5756951
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Aug 11 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1402-002.638
nome_arquivo_s : Decisao_11040901548200965.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : LEONARDO DE ANDRADE COUTO
nome_arquivo_pdf_s : 11040901548200965_5756951.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente).
dt_sessao_tdt : Thu Jun 22 00:00:00 UTC 2017
id : 6886998
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:04:48 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049469207969792
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1406; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 2 1 1 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11040.901548/200965 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1402002.638 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 22 de junho de 2017 Matéria IRPJ/CSLL RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO Recorrente FRIGORÍFICO MIRAMAR LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2002 RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO FISCAL. COMPROVAÇÃO CERTA E LÍQUIDA DO INDÉBITO. NÃO CONFIGURAÇÃO. A comprovação deficiente do indébito fiscal ao qual se deseja compensar ou ter restituído não pode fundamentar tais direitos. Somente o direito creditório comprovado de forma certa e líquida dará ensejo a compensação e/ou restituição do indébito fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 04 0. 90 15 48 /2 00 9- 65 Fl. 56DF CARF MF Processo nº 11040.901548/200965 Acórdão n.º 1402002.638 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de manifestação de inconformidade contra despacho decisório da DRF que não reconheceu direito creditório de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), não homologando as compensações com base no valor pretendido. A interessada apresentou PER/Dcomp informando disponibilidade de crédito em seu favor, derivada do pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal de CSLL, efetuado por Darf. A contribuinte foi regularmente cientificada da decisão da DRF e apresentou tempestivamente manifestação de inconformidade. A contribuinte alega a existência de pagamento a maior do tributo. Sustenta que as divergências foram devidas a erro no preenchimento da DCTF: as informações de recolhimentos de IRPJ e CSLL não foram relacionadas no trimestre de sua competência e sim em outro trimestre. Acrescenta que a DIPJ também não relacionou, equivocadamente, os pagamentos por estimativa. Reconhece que haveria que se retificar a DCTF e DIPJ. A manifestação de inconformidade restou julgada improcedente, não lhe reconhecendo o direito creditório. Essencialmente, o contribuinte não teria apresentado provas do erro alegado e admitido pelo contribuinte, na forma dos arts. 15 e 16, § 4°, do Decreto 70.235/72, posto que o Darf foi utilizado inicialmente para quitar débito, em princípio devido até que se provasse o contrário , de estimativa. Inconformada com tal entendimento, interpôs Recurso Voluntário a este Conselho alegando, principalmente com base no Princípio da Verdade Material, que o equívoco do contribuinte não pode resultar na supressão de seu direito creditório, e que não há amparo legal para a negativa de seu pleito. Não foram apresentadas Contrarrazões pela PGFN. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo de Andrade Couto, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402002.628, de 22.06.2017, proferido no julgamento do Processo nº 1040.900104/200911, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402002.628): O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual, dele conheço. Por inexistir preliminares, passo a análise de mérito. Fl. 57DF CARF MF Processo nº 11040.901548/200965 Acórdão n.º 1402002.638 S1C4T2 Fl. 4 3 MÉRITO Ainda que o contribuinte não tenha explicitado em seu Recurso, considerando que recolhe IRPJ e CSLL por estimativa mensal, concluise que apure tais tributos pelo lucro real anual. Nos termos do art. 10 da IN SRF nº 460/2004 e art. 10, da IN SRF nº 600/2005, “a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período.” Ou seja, durante a vigência de ambas as instruções normativas, não era permitido, mesmo por PER/DCOMP, utilizarse diretamente de créditos decorrentes de pagamento com DARF em valores indevidos ou maior do que o devido. Essa situação perdurou até o advento da IN RFB 900/2008, que revogou a IN SRF 600/2005 e não trouxe, em seu bojo, a vedação contida na instrução normativa revogada, de tal forma que, a partir de sua vigência, poderia o contribuinte optar em realizar, de imediato, a compensação de DARF pago a título de IRPJ ou CSLL por estimativa de forma indevida ou maior do que a devida e/ou, a seu critério, aguardar o ajuste na DIPJ, de tal forma que os valores recolhidos a maior compusessem o seu saldo negativo de IRPJ ou CSLL. As instruções normativas posteriores – IN RFB 1.300/2012 e alterações posteriores, que tratam da compensação, mantiveram a possibilidade inaugurada com o advento da IN RFB 900/2008. Para por fim a quaisquer dúvidas, foi expedida a Solução de Consulta Interna nº 19 COSIT, que pacificou o seguinte entendimento: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. Caracterizase como indébito de estimativa inclusive o pagamento a maior ou indevido efetuado a este título após o encerramento do período de apuração, seja pela quitação do débito de estimativa de dezembro dentro do prazo de vencimento, seja pelo pagamento em atraso da estimativa devida referente a qualquer mês do período, realizado em ano posterior ao do período da estimativa apurada, mesmo na hipótese de a restituição ter sido solicitada ou a compensação declarada na vigência das IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005. Fl. 58DF CARF MF Processo nº 11040.901548/200965 Acórdão n.º 1402002.638 S1C4T2 Fl. 5 4 A nova interpretação dada pelo art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, aplicase inclusive aos PER/DCOMP retificadores apresentados a partir de 1º de janeiro de 2009, relativos a PER/DCOMP originais transmitidos durante o período de vigência da IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005, desde que estes se encontrem pendentes de decisão administrativa. Dispositivos Legais: Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, arts. 2º e 74; IN SRF nº 460, de 18 de outubro de 2004; IN SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005; IN RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008. Fixada a premissa que o contribuinte poderia apresentar PER/DCOMP em razão de pagamento indevido ou maior do que o devido de IRPJ ou CSLL por estimativa, passase a análise de certeza e liquidez dos créditos. A DRF responsável pela análise do PER/DCOMP e emissão do despacho decisório respectivo não questionou a existência do DARF e o seu recolhimento. Apontou, contudo, que o referido DARF teria sido integralmente utilizado para o pagamento da própria estimativa informada como devida e, desta forma, não haveria saldo para a compensação pleiteada pelo contribuinte ou, em alguns casos, reconheceu o pagamento a maior, homologando a compensação até o limite do crédito confirmado. O contribuinte reconhece, notadamente em sua impugnação, que cometeu erros nas informações prestadas em DCTF, embora não esclareça quais, bem como que não informou, nem em DCTF, nem em DIPJ, os recolhimentos das estimativas. Não é possível, à míngua de provas, especular qual seria o erro do contribuinte nas informações prestadas em DCTF. Contudo, a informação de que não teria informado, em DIPJ, os recolhimentos das estimativas, denota que é possível que mesmo no ajuste anual não tenha apurado os saldos negativos de IRPJ e CSLL que faria jus, os quais seriam, nos termos da legislação, passíveis de compensação com quaisquer tributos administrados pela Receita Federal do Brasil, exceto previdenciários. Mesmo com a decisão da DRJ em mãos, o que possibilitou a apresentação de recurso voluntário dirigido a este Conselho, o contribuinte não apresentou documentos que pudessem dar a este Julgador elementos para aferir se, de fato, ele possui créditos líquidos e certos passíveis de compensação que pudessem justificar uma mudança no teor da decisão recorrida. Não foi apresentado, por exemplo, uma memória de cálculo com a apuração mensal das estimativas devidas, correlacionadas com os DARF’s pagos e, ao final do período de apuração, o fechamento do valor devido a título de IRPJ e CSLL, em linha com a DIPJ apresentada, para que se pudesse aferir que as estimativas recolhidas durante o ano pudessem ser em valor maior do que os tributos devidos e, assim, verificar a existência de saldo negativo passível de compensação. Desta forma, como não foi possível aferir a liquidez e certeza dos créditos oferecidos à compensação, pressuposto para a homologação (art. 170, CTN), pela inexistência de documentos Fl. 59DF CARF MF Processo nº 11040.901548/200965 Acórdão n.º 1402002.638 S1C4T2 Fl. 6 5 que pudessem comprovar o quanto alegado pelo contribuinte, nego provimento ao recurso voluntário, mantendo a decisão de primeira instância e a não homologação das compensações declaradas. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Fl. 60DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19740.000051/2008-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003
PROVA. REVALORAÇÃO. LEGITIMIDADE. DEVOLUÇÃO AMPLA.
No que pese a decisão de primeira instância ser favorável ao sujeito passivo, se diante da nova apreciação das provas em segunda instância restar evidente que as condutas do contribuinte foram no sentido oposto do que prevê a legislação fiscal, é dever e não faculdade do novo julgador decidir pela reconstituição do lançamento, ainda mais diante de realização de diligência da delegacia de origem reforçando a necessidade da revisão. O recurso de oficio devolve toda a matéria para o Colegiado "ad quem", o que legitima ainda mais o reexame do conteúdo probatório contido no processo.
Numero da decisão: 1402-002.602
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso de ofício para restabelecer a base tributável do IRPJ e da CSLL no montante de R$ 131.151,16 para o 3º trimestre de 2003 e R$ 9.969.510,59, para o 4º trimestre de 2003; e restabelecer a base tributável do PIS e da Cofins nos meses de setembro, outubro, novembro e dezembro de 2003 nos valores de R$ 131.151,16; R$ 491.592,22; R$ 2.287.958,51 e R$ 7.189.959,86 respectivamente.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Demetrius Nichele Macei - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente).
Nome do relator: DEMETRIUS NICHELE MACEI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201706
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2003 PROVA. REVALORAÇÃO. LEGITIMIDADE. DEVOLUÇÃO AMPLA. No que pese a decisão de primeira instância ser favorável ao sujeito passivo, se diante da nova apreciação das provas em segunda instância restar evidente que as condutas do contribuinte foram no sentido oposto do que prevê a legislação fiscal, é dever e não faculdade do novo julgador decidir pela reconstituição do lançamento, ainda mais diante de realização de diligência da delegacia de origem reforçando a necessidade da revisão. O recurso de oficio devolve toda a matéria para o Colegiado "ad quem", o que legitima ainda mais o reexame do conteúdo probatório contido no processo.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Aug 03 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 19740.000051/2008-61
anomes_publicacao_s : 201708
conteudo_id_s : 5750923
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Aug 03 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1402-002.602
nome_arquivo_s : Decisao_19740000051200861.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : DEMETRIUS NICHELE MACEI
nome_arquivo_pdf_s : 19740000051200861_5750923.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso de ofício para restabelecer a base tributável do IRPJ e da CSLL no montante de R$ 131.151,16 para o 3º trimestre de 2003 e R$ 9.969.510,59, para o 4º trimestre de 2003; e restabelecer a base tributável do PIS e da Cofins nos meses de setembro, outubro, novembro e dezembro de 2003 nos valores de R$ 131.151,16; R$ 491.592,22; R$ 2.287.958,51 e R$ 7.189.959,86 respectivamente. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente. (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente).
dt_sessao_tdt : Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
id : 6877619
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:04:05 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049469211115520
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1820; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 1.152 1 1.151 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19740.000051/200861 Recurso nº De Ofício Acórdão nº 1402002.602 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 20 de junho de 2017 Matéria IRPJ OMISSÃO DE RECEITA Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado EURO DIST. DE TIT. e VALORES. MOBILIÁRIOS S/A (em liquidação) ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 PROVA. REVALORAÇÃO. LEGITIMIDADE. DEVOLUÇÃO AMPLA. No que pese a decisão de primeira instância ser favorável ao sujeito passivo, se diante da nova apreciação das provas em segunda instância restar evidente que as condutas do contribuinte foram no sentido oposto do que prevê a legislação fiscal, é dever e não faculdade do novo julgador decidir pela reconstituição do lançamento, ainda mais diante de realização de diligência da delegacia de origem reforçando a necessidade da revisão. O recurso de oficio devolve toda a matéria para o Colegiado "ad quem", o que legitima ainda mais o reexame do conteúdo probatório contido no processo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso de ofício para restabelecer a base tributável do IRPJ e da CSLL no montante de R$ 131.151,16 para o 3º trimestre de 2003 e R$ 9.969.510,59, para o 4º trimestre de 2003; e restabelecer a base tributável do PIS e da Cofins nos meses de setembro, outubro, novembro e dezembro de 2003 nos valores de R$ 131.151,16; R$ 491.592,22; R$ 2.287.958,51 e R$ 7.189.959,86 respectivamente. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 74 0. 00 00 51 /2 00 8- 61 Fl. 1152DF CARF MF 2 Demetrius Nichele Macei Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Fl. 1153DF CARF MF Processo nº 19740.000051/200861 Acórdão n.º 1402002.602 S1C4T2 Fl. 1.153 3 Relatório Adoto a seguir, integralmente, o relatório do Acórdão de Impugnação nº 12 20.460, julgado pela 2ª Turma da DRJ/RJOI, em 14 de agosto de 2008. "Questionamse exigência de oficio do imposto de renda de pessoa jurídica, R$ 2.584.864,03, fls. 215, do PIS, R$ 67.518,44, fls. 220, da COFINS, R$ 415.498,23, fls. 225 e da Contribuição Social s/ o Lucro Líquido, R$ 934.871,04, fls. 230, relativamente aos meses calendário de setembro a dezembro de 2003, acrescidos de penalidade de ofício qualificada (150%), e juros moratórios SELIC. 2.Fundamentaram as exações omissões de receita, assim considerados os valores recebidos por agenciamento, mediante contrato entre o contribuinte, ex TURFA DTVM, e DILLON DTVM, intermediária em operações de compra e venda de títulos públicos, fls. 208. 2.1.De acordo com a fiscalização, caso as operações tivessem ocorrido por conta e ordem de outros comitentes, clientes da EURO, estes figurariam como comitentes e beneficiários dos TED, emitidos por conta e ordem da DILLON, na liquidação de cada operação. 2.1.1.Segundo a mesma fiscalização, o contribuinte não apresentou os documentos que lhes foram solicitados porque não logrou comprovar a contabilização e/ou sua destinação aos beneficiários finais das receitas obtidas nas operações realizadas por intermédio da DILLON, embora toda a documentação tenha indicado como beneficiária dos ganhos obtidos a EURO DTVM., fls. 208. 3.Intimado e reintimado, o sujeito passivo alegou que, fls. 394, por força de Comissão Parlamentar de Inquérito Mista (CPIM), e investigação conduzida pelo Ministério Público Federal (MPF), conforme certidão de 23.05.2007, fls. 367, do mesmo MPF, grande parte dà documentação não se encontrava disponível. 4.Em resposta a oficio encaminhado pela DEINF, em 06.07.2007, o MPF informa que os livros contábeis não se encontram acautelados na unidade, fls. 362. 5.Como fundamento da penalidade qualificada a fiscalização alegou impedimento ao conhecimento da ocorrência do fato gerador originário dos créditos tributários objetos destes autos, fls. 211. 6.Cientificado das exigências em 03.03.2008, fls. 203, o sujeito passivo contra elas se insurge com a impugnação de fls. 335/340 e documentação que foi anexada, inclusive 18 conjuntos relacionados aos valores considerados receitas omitidas, integrantes do Termo de Verificação fiscal, fls .407, através dos quais alega, em síntese: 6.1. trataremse de operações de conta alheia e que os valores efetivamente recebidos de comissões na intermediação dos negócios apresentados e encaminhados pela UP2 Fl. 1154DF CARF MF 4 — Assessoria e Serviços Ltda., foram oferecidos à tributação, conforme DIPJ do período, art. 36 da Lei n° 9.748/99; 6.1.2. os documentos juntados comprovam que os valores recebidos pela requerente da DILLON DTVM S/A, deduzida a comissão, eram de titularidde jurídica UP2 Assessoria e Serviços Ltda. Tais valores foram repassados a pesssoas indicadas por esta através de correspondências. 6.3 Em cada conjunto há: a) carta da UP2 indicando o valor da comissão devida a EURO e os reais beneficiários dos rendimentos produzidos na operação; b) as transferências bancárias (TED) efetuadas pela impugnante em favor dos beneficiários indicados pela UP2, e c) os DARF's do IRFONTE sobre o montante pago a UP2 a título de mediação e apresentação de negócios, conforme art. 651, I do RIR/99. 7. Finalmente, quanto à penalidade qualificada, alega que a simples não apresentação de escrituração contábil não pode ser considerada conduta dolosa. Mesmo porque sua ausência não evita a imposição tributária através do arbitramento de resultados." Passo, agora, a complementar o relatório acima colacionado. Em 1ª instância as alegações da fiscalizada prosperaram e o lançamento foi julgado improcedente, motivo pelo qual cabe, neste momento, a análise apenas do Recurso de Ofício e não de Recurso Voluntário. Conheçase a ementa desta decisão: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2003 PRESSUPOSTOS DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Ante a documentada verdade factual insustentável exigência tributária estribada na presunção de sua imaterialidade. Em virtude do julgamento favorável ao contribuinte, a DRJ recorreu de ofício a este Conselho. Não há contrarrazões por parte da PGFN. Em janeiro/16 esta turma propôs, em Resolução, a conversão do julgamento em diligência, à vista de duas realidades, uma envolvendo a empresa DILLON DTVM, que foi objeto da fiscalização e outra, envolvendo a empresa UP2 Assessoria e Serviços Ltda., que só veio à lume por ocasião da impugnação aos autos de infração lavrados, nos documentos apresentados pela EURO DTVM, anexos à impugnação. Desta forma, os autos baixaram em diligência e retornaram com a adição dos documentos de fls. 967 a 1.117 e a manifestação fiscal de fls. 1.118 a 1.148. A Fiscalização, para a consecução das diligências solicitadas, encaminhou correspondência aos beneficiários indicados pela UP2. Fl. 1155DF CARF MF Processo nº 19740.000051/200861 Acórdão n.º 1402002.602 S1C4T2 Fl. 1.154 5 Às fls. 980 e seguintes, o advogado Sylvio Augusto Regalla Júnior, OAB/RJ 102.238, bem como o Sr. Jaime Nader Canha, Administrador Judicial, informaram a existência de sentença de declaração da falência da Recorrente e a impossibilidade de responder aos questionamentos formulados para cumprimento da diligência. A partir da fl. 985 até a fl. 1102, estão os termos de intimação fiscal formalizados pela Fiscalização, endereçados aos beneficiários indicados pela UP2, bem como as respostas desses beneficiários ou o retorno da correspondência sem entrega, por não terem sido localizados os destinatários no endereço informado. Por fim, entre as fls. 1118 e 1148, a Fiscalização apresenta o seu Relatório de Diligência Fiscal. É o relatório. Fl. 1156DF CARF MF 6 Voto Conselheiro Demetrius Nichele Macei Relator O recurso de ofício atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual, dele conheço. Conforme relatado, existem duas realidades apresentadas pelo Contribuinte no presente processo. A primeira envolve a empresa DILLON DTVM, com quem manteve contrato de intermediação de compra e venda de valores mobiliários. De posse desta informação a fiscalização procedeu diligencias e, com base em ampla investigação também realizada nesta empresa, lavrou o presente Auto de Infração. A segunda realidade envolve a empresa UP2 Assessoria e Serviços Ltda. (CNPJ 04.926.252|000105), que surge somente na fase de impugnação do Auto de Infração, com quem o sujeito passivo teria celebrado Consórcio de Participação, Apresentação e Encaminhamento de Negócios (fls. 469 e seg.). Ao informar esta segunda realidade, o sujeito passivo juntou 18 (dezoito) cartas da UP2 solicitando o pagamento por conta e ordem a diversas pessoas físicas e jurídicas, e para cada carta, um conjunto de documentos contendo – especialmente – os comprovantes de TED bancários para cada uma dessas pessoas físicas e jurídicas mencionadas. À vista dos documentos apresentados, a DRJ/RJOI, através de sua 2ª Turma, concluiu que “conforme o atesta a própria fiscalização, esta dispunha dos elementos necessários à apuração das operações entre a DILLON DTVM S/A e o contribuinte, não havendo quaisquer indícios de fraude, dolo ou simulação nos contratos nos quais, aliás, se ampararam os lançamentos”, julgou que “a sustentabilidade factual dos atos declaratórios e peças acusatórias objetos desta lide carecem de fundamento material, declarando “improcedentes os lançamentos”. Contudo, examinando os documentos que suportaram a improcedência do Auto, mesmo por amostragem, notouse a existência de divergências e inconsistências, ao meu ver, relevantes. Em primeiro lugar, não há no processo notícia de que houve qualquer diligencia na UP2, tão pouco em relação as diversas pessoas físicas e jurídicas mencionadas nas cartas e nas operações bancarias. Aliás, consultando a Certidão de Regularidade Fiscal da UP2, verificase que a mesma foi considerada INAPTA e baixada de ofício com base no art. 54 da Lei 11.941/2009, justamente no final do exercício da lavratura do Auto de Infração (dez 2008). Examinando as transferências bancárias (TED) do sujeito passivo para as pessoas indicadas pela UP2 também há inconsistências. Por exemplo, nas fls. 634, o CNPJ indicado na TED enviada ao ESCRITORIO JURIDICO AVERPACH consta como inválido no sistema da Receita Federal, o mesmo acontece com os CPF's indicados nas TED supostamente enviadas aos Sr. GUILHERMO M BERENGUA e SERGIO MONTEIRO, nos docs. de fls. 760 e 519, respectivamente. Fl. 1157DF CARF MF Processo nº 19740.000051/200861 Acórdão n.º 1402002.602 S1C4T2 Fl. 1.155 7 No documento de fls. 757 é possível constatar que o CNPJ constante na TED se refere a razão social diversa daquela indicada pelo sujeito passivo. Em muitos casos também, o valor da TED não confere com o valor indicado na carta da UP2 e, consequentemente, do auto de infração. Isso acontece, por exemplo, nos documentos de fls. 484, 485, 496, 503, 517 e vários outros em que os valores são sempre superiores. Nesses TED's há mera indicação lateral manuscrita, de pessoa não identificada, referindo que o excedente se trata simplesmente de “outra operação”, sem esclarecer quais outras operações seriam essas, por meio de documentos que razoavelmente suportem a afirmação. Finalmente, o relatório integrante do auto de infração, conforme acima relatado, dá notícia de que o procedimento teve origem em oficio do BACEN, decorrente de investigação de irregularidade tramitada naquele órgão em relação ao Contribuinte. Contudo, tal oficio não foi encontrado nos autos, tão pouco há notícia de qual foi a conclusão do procedimento lá ocorrido, o que, em minha opinião, pode ser relevante para este processo, especialmente em relação as pessoas mencionadas aqui. Quanto a isso, observo que o sujeito passivo foi também convocado para esclarecimentos junto a Comissão Parlamentar de Inquérito dos Correios, que ele mesmo usa como justificativa pela não apresentação da documentação solicitada pela Receita Federal na fase procedimental. Por tudo isso, especialmente pela falta de investigação mais detalhada quanto aos documentos e informações trazidos pelo Contribuinte em sede de Impugnação, esta Turma acolheu meu voto pela conversão deste julgamento em diligencia (fls. 957/961), para que a Unidade de Origem verificasse: a) a consistência dos documentos trazidos pelo contribuinte em sede de impugnação administrativa, notadamente os comprovantes bancários e informações fiscais deles decorrentes (nomes citados, CNPJs, CPFs etc); b) a existência e regularidade da empresa UP2 à época da ocorrência dos fatos geradores, notadamente as informações contábeis e fiscais relacionadas aos pagamentos feitos por sua conta e ordem, em relação ao sujeito passivo e demais pessoas mencionadas pelo Contribuinte, no anocalendário de 2003. c) poderá ainda a autoridade fiscal apresentar esclarecimentos que julgar úteis e necessários para a melhor análise dos fatos. d) ao final do procedimento, deverá a autoridade fiscalizadora cientificar o sujeito passivo do resultado da diligencia para que, querendo, se manifeste em 30 (trinta) dias, com fundamento no artigo 35, parágrafo único, do Decreto 7.574|2011. Examinando o relatório de diligência produzido, restou evidenciado que vários beneficiários apontados pelo contribuinte como beneficiários das transferências determinadas pela UP2 não reconheciam ter recebido os valores apontados em planilha pelo contribuinte (fls. 972 a 979). Apenas para ilustrar, considerando os “beneficiários” que receberam a intimação da Fiscalização e a responderam, às fls. 991 e seguintes, a Televisão Tibagi Ltda Fl. 1158DF CARF MF 8 informou que não recebeu qualquer depósito, direta ou indiretamente originário da Euro DTVM; da mesma forma, Enio José da Silva, às fls. 1059 e seguintes, informa que desconhece a Euro DTVM, assim como a UP2, que nunca recebeu transferência bancária originária dessas empresas e que nunca fez aplicações financeiras por compra e venda de títulos públicos ou privados; Berkana Travel Tours Ltda, às fls. 1036 e seguintes, informa que não logrou êxito em encontrar, em seus arquivos, indícios de que a Euro DTVM tenha realizado depósito em seu favor na conta corrente indicada pela fiscalização. Da mesma forma, há “beneficiário” que reconhece a titularidade da conta corrente informada, que informam a realização de operação cambial, mas desconhecem a Euro DTVM ou a UP2, como o caso de Tania Baars de Miranda, conforme documento de fls. 1092 e seguintes; outro “beneficiário” reconhece a conta, informa ter recebido alguns valores do exterior, destinados a seu companheiro, mas que o devolveu, uma vez que o valor teria sido transferido equivocadamente, uma vez que a intenção era um depósito de US$ 200,00 (duzentos dólares americanos) e, em verdade, foi realizado o depósito de US$ 20.000,00 (vinte mil dólares americanos), como é o caso de Cléria Ferreira dos Santos, conforme documentos de fls. 1079 e seguintes. Além dessas situações pitorescas, muitas das intimações não foram recebidas pelos destinatários, uma vez que não foi encontrado o endereço (documentos de fls. 1020 a 1030, referentes a três supostos beneficiários); outras foram entregues nos endereços, mas os beneficiários não retornaram para a Fiscalização. Merece destaque, ainda, a situação da empresa Morro dos Anjos LLF Agropecuária EIRELI EPP, CNPJ 05.170.070/000101, beneficiária de diversas transferências conforme informação da UP2 (fls. 987 e seguintes). A Fiscalização, diligenciando os comprovantes de envio de TED, constatou que apenas um, no importe de R$ 1.634.504,00, de 26.11.2003, tinha a autenticação bancária. Intimada a prestar as informações para a Fiscalização, respondeu que o sócio, Sr. Lucio Bolonha Funaro encontravase em prisão preventiva em Brasília e, por ser uma EIRELI, não foi possível prestar quaisquer esclarecimentos. De se observar que a referida empresa era a beneficiária de 50% do total de valores utilizados como base de cálculo da tributação no auto de infração impugnado, conforme atestou o i. agente fiscal em seu Relatório (fls. 1125), parte final. Por fim, a fiscalização, em seu Relatório, buscou informações acerca das demais pessoas jurídicas apontadas como beneficiárias dos repasses da Euro DTVM, por determinação da UP2. Em todas confirmou a inexistência de informação das mesmas como beneficiárias nas DIRF’s pesquisadas. Pesquisou, ainda, empresas que tinham sido beneficiárias de valores determinados pela UP2, constatando, em todos os casos, que os CNPJs em questão ou estavam baixados ou inaptos. A conclusão que se pode ter, a partir das informações e documentos anexados em razão da Diligência no presente feito é que as transferências realizadas pela Euro DTVM, por solicitação da UP2, não ocorreram de fato. No entanto, alguns dos “beneficiários”, em resposta às intimações, reconheceram as operações e, salvo melhor juízo, não há como desconsiderar a assunção desses recebimentos por parte deles. Por estas razões, encaminho meu voto no sentido de reconhecer apenas a realização de operações pela Euro DTVM, por determinação da UP2, para os beneficiários que reconheceram terem recebido os valores informados, a saber: Fl. 1159DF CARF MF Processo nº 19740.000051/200861 Acórdão n.º 1402002.602 S1C4T2 Fl. 1.156 9 J C Carvalho Construções Ltda. – ME, CNPJ 30.190.482/000150 – R$ 33.745,50; Agência de Viagens e Turismo Clássico Ltda – ME, CNPJ 27.187.848/000128 – R$ 88.500,00; Tecnoeste Máquinas e Equipamentos Ltda., CNPJ 03.795.465/000174 – R$ 52.400,00; Elmo José dos Santos, CPF 411.934.23791 – R$ 43.710,00; e, Eron Mattos, CPF 109.362.62753 – R$ 50.438,90 e R$ 18.000,00. Quanto às demais operações, tendo em vista a falta de resposta por parte dos beneficiários intimados ou a negativa de realização das operações informadas, reformo a r. decisão de primeira instância, mantendo os créditos tributários respectivos, nos moldes do auto de infração. Mantenho, por fim, a decisão de piso em relação à multa qualificada imposta pela Fiscalização, uma vez que, mesmo o contribuinte não tendo respondido e apresentado todos os documentos solicitados no decorrer da fiscalização, seria possível, mesmo na falta desses elementos, a fiscalização lavrar a autuação, como de fato o fez. Ademais, conforme já decidido reiteradamente por este Conselho, a mera omissão de receitas não caracteriza, por si só, a qualificação da multa de ofício. Ante ao exposto, dou parcial provimento ao recurso de ofício, para restabelecer a base tributável do auto de infração, no montante total de R$ 10.100.661,75, sendo: IRPJ/CSLL R$ 9.969.510,59 relativo ao 4o. trimestre/2003, e; R$ 131.151,16 relativo ao 3o. trimestre/2003, nos termos da fundamentação. PIS/COFINS a totalidade das bases tributáveis dos meses de outubro/2003 e novembro/2003, ou seja: R$ 491.592,22 e 2.287.958,51, respectivamente; bem como o montante de R$ 131.151,16 relativo ao mês de setembro/2003, e; R$ 7.189.959,86 relativo ao mês de dezembro/2003. É o voto. (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei Fl. 1160DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10410.003341/2004-09
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2001
DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO.
Apresentados os documentos comprobatórios nos termos da legislação, deve ser restabelecida a dedução das despesas médicas com o titular e com os seus dependentes.
DIRF. INFORMAÇÃO FONTE PAGADORA. VALIDADE.
Tendo sido trazida informação aos autos, durante procedimento de diligência, especificada e discriminada com base em registros da fonte pagadora, entendo que não bastaria à contribuinte alegar que o valor recebido fora diverso mas de fato, para ilidir a pretensão do Fisco, comprovar qual seria o valor correto.
Numero da decisão: 2202-003.943
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para: a) afastar a glosa de dedução de despesas médicas no valor de R$ 7.100,00; e b) excluir da infração de omissão de rendimentos o valor de R$ 1.616,58, reconhecendo o valor de R$ 1.711,96 como o total do imposto de renda retido na fonte, vencido o Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto, que dava provimento parcial ao recurso em maior extensão. Foi designado o Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Dilson Jatahy Fonseca Neto - Relator.
(assinado digitalmente)
Márcio Henrique Sales Parada - Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto.
Nome do relator: DILSON JATAHY FONSECA NETO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201706
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2001 DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. Apresentados os documentos comprobatórios nos termos da legislação, deve ser restabelecida a dedução das despesas médicas com o titular e com os seus dependentes. DIRF. INFORMAÇÃO FONTE PAGADORA. VALIDADE. Tendo sido trazida informação aos autos, durante procedimento de diligência, especificada e discriminada com base em registros da fonte pagadora, entendo que não bastaria à contribuinte alegar que o valor recebido fora diverso mas de fato, para ilidir a pretensão do Fisco, comprovar qual seria o valor correto.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Aug 03 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10410.003341/2004-09
anomes_publicacao_s : 201708
conteudo_id_s : 5751045
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Aug 03 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 2202-003.943
nome_arquivo_s : Decisao_10410003341200409.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : DILSON JATAHY FONSECA NETO
nome_arquivo_pdf_s : 10410003341200409_5751045.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para: a) afastar a glosa de dedução de despesas médicas no valor de R$ 7.100,00; e b) excluir da infração de omissão de rendimentos o valor de R$ 1.616,58, reconhecendo o valor de R$ 1.711,96 como o total do imposto de renda retido na fonte, vencido o Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto, que dava provimento parcial ao recurso em maior extensão. Foi designado o Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente. (assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto - Relator. (assinado digitalmente) Márcio Henrique Sales Parada - Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto.
dt_sessao_tdt : Wed Jun 07 00:00:00 UTC 2017
id : 6877741
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:04:11 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049469224747008
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1739; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 284 1 283 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10410.003341/200409 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202003.943 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 07 de junho de 2017 Matéria IRPF Recorrente MARIA GESSE COSTA MOREIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2001 DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. Apresentados os documentos comprobatórios nos termos da legislação, deve ser restabelecida a dedução das despesas médicas com o titular e com os seus dependentes. DIRF. INFORMAÇÃO FONTE PAGADORA. VALIDADE. Tendo sido trazida informação aos autos, durante procedimento de diligência, especificada e discriminada com base em registros da fonte pagadora, entendo que não bastaria à contribuinte alegar que o valor recebido fora diverso mas de fato, para ilidir a pretensão do Fisco, comprovar qual seria o valor correto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para: a) afastar a glosa de dedução de despesas médicas no valor de R$ 7.100,00; e b) excluir da infração de omissão de rendimentos o valor de R$ 1.616,58, reconhecendo o valor de R$ 1.711,96 como o total do imposto de renda retido na fonte, vencido o Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto, que dava provimento parcial ao recurso em maior extensão. Foi designado o Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 00 33 41 /2 00 4- 09 Fl. 284DF CARF MF 2 Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator. (assinado digitalmente) Márcio Henrique Sales Parada Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto. Relatório Tratase, em breves linhas, de auto de infração lavrado em desfavor da Contribuinte para constituir crédito de IRPF. Intimada, ela apresentou Impugnação, que foi julgada parcialmente procedente. Ainda inconformada, interpôs Recurso Voluntário, que levou à conversão dos autos em diligência. Realizada esta, retornam os autos para continuidade do julgamento. Em 25/05/2004 foi formalizado Auto de Infração (fls. 7/14) para constitui IRPF suplementar em função da identificação de: · Omissão de parte dos rendimentos recebidos da pessoa jurídica Petróleo Brasileiro S.A. PETROBRÁS, decorrente de parte trabalho com vínculo empregatício e parte de trabalho sem vínculo empregatício; · Dedução indevida com dependentes em virtude do contribuinte ter sido intimado a apresentar documentação que comprovasse a dependência e o mesmo não compareceu à SRF para prestar esclarecimentos; · Dedução indevida a título de despesas médicas em virtude do contribuinte ter sido intimado a apresentar documentação que comprovasse a dedução e o mesmo não compareceu à SRF para prestar esclarecimentos; e · Dedução indevida do imposto não prevista na legislação. Intimada do lançamento em 09/07/2004 (fl. 26), a Contribuinte apresentou Impugnação em 09/08/2004 (fls. 2/4 e docs. anexos fls. 5/6). pelo acórdão DRJ nº 1121.171, de 13/12/2007 (fls. 63/72), que julgou o lançamento procedente em parte, e restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2001 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS Devem compor a base de cálculo do imposto de renda apurado na declaração de ajuste anual todos os rendimentos tributáveis recebidos pelo contribuinte no curso to anocalendário. Fl. 285DF CARF MF Processo nº 10410.003341/200409 Acórdão n.º 2202003.943 S2C2T2 Fl. 285 3 DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. DESPESAS MÉDICAS. São dedutíveis, para fins de apuração da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, apenas as despesas médicas realizadas com o contribuinte ou com os dependentes relacionados na declaração de ajuste anual, que forem comprovadas mediante documentação hábil e idônea. GLOSA DE DEDUÇÃO DE DEPENDENTES. MATÉRIA NÃO CONTESTADA. Reputase não impugnada a matéria, quando o contribuinte não contesta a infração em sua peça defensória. GLOSA DE REDUÇÃO DE IMPOSTO A TÍTULO DE INCENTIVO. MATÉRIA NÃO CONTESTADA. Reputase não impugnada a matéria, quando o contribuinte não contesta a infração em sua peça defensória. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2001 SALDO DO IMPOSTO A PAGAR DECLARADO. Deve ser excluído do crédito tributário apurado o valor do saldo do imposto a pagar declarado pelo contribuinte. Lançamento Procedente em Parte. Intimada em 11/01/2008 (fl. 77), a Contribuinte protocolou Recurso Voluntário em 31/01/2008 (fls. 78/83 e docs. anexos fls. 84/110), argumentando, em síntese: · Que, apresentou documentação idônea e hábil a comprovar as despesas médicas; · Que há erro de cálculo no acórdão recorrido, especificamente no tocante aos rendimentos recebidos da PETROBRÁS; e · Que a Lei nº 11.488/2007 impede a aplicação da multa de ofício de 75%, limitando apenas à cobrança da multa moratória de no máximo 20%. Chegando ao CARF, foi proferida a Resolução nº 220200.155 (fls. 204/209), de 11/04/2011, determinando a conversão em diligência para que a Petrobrás prestasse esclarecimento de fatos. Intimada, a empresa prestou informações (fls. 227/228 e docs. anexos fls. 224/225 e 229/242). Intimada da diligência em 16/05/2016 (fl. 245), a Contribuinte protocolou Manifestação em 25/05/2016 (fls. 246/254 e docs. anexos fls. 255/276). As fls. 112/203 são repetição com algumas falhas das fls. 01/111. É o relatório. Fl. 286DF CARF MF 4 Voto Vencido Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator Dispositivo: O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. Despesas médicas: No auto de infração, a autoridade lançadora afirmou, apenas, que: "Dedução indevida a título de despesas médicas em virtude do contribuinte ter sido intimado a apresentar documentação que comprovasse a dedução e o mesmo não compareceu à SRF para prestar esclarecimentos dedução mantida: Golden Cross." fl. 12 No "Demonstrativo das Alterações na Declaração de Ajuste Anual", ficou consignado que o valor original da dedução de despesas médicas era de R$ 12.294,27, tendo sido reduzido para R$ 3.850,85. Diante da identificação dessa infração, a Contribuinte alegou que apresentou, em sede de impugnação, documentação hábil e idônea a comprovar as despesas médicas, razão pela qual pleiteia o afastamento dessas glosas. Analisando a questão, a DRJ afirmou que: "Em relação ao recibo de fls. 20 [fl. 22 do eprocesso], emitido pela Sra. Eliete P. Cândido, psicóloga, no valor de R$ 7.000,00, datado de 28/12/2001, e com indicação de endereço, verificase que o referido documento contém os requisitos básicos previstos no inciso III do §2º do art. 8º da Lei nº 9.250/1995, acima transcrito. No entanto, por força do disposto no §3º do art. 11 do Decreto Lei nº 5.844/1943 (art. 73 do Decreto nº 3.000/1999, Regulamento do Imposto de Renda), outros elementos devem ser apresentados pelo contribuinte, a fim de justificar a dedução pleiteada em sua declaração, quando necessário à comprovação da verdade material: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora. No caso em tela, face ao elevado valor despendido, R$ 7.000,00, pago no dia 28/12/2001, entendo ser necessário, além do elemento formal recibo que a comprovação da dedução seja efetuada por meio de outros elementos: (i) prova da efetividade do pagamento, pelo desembolso por parte da contribuinte, e pelo recebimento por parte da profissional, por meio de cheque ou de transferência bancárias, por exemplo; e (ii) prova da efetiva prestação dos serviços." fl. 70; Fl. 287DF CARF MF Processo nº 10410.003341/200409 Acórdão n.º 2202003.943 S2C2T2 Fl. 286 5 Em outras palavras, a autoridade lançadora admite que o recibo preenche os requisitos legais e não lhe contesta a idoneidade. Compulsando ainda mais os autos, percebese que na intimação ocorrida durante a fiscalização (fl. 44) a autoridade fiscalizadora pediu, simplesmente, para apresentar "comprovantes de despesas médicas". Não consta ali exigência de comprovação da forma como foi efetuado o pagamento, mas apenas a comprovação da despesa. Ora, resta claro que a autoridade julgadora de 1ª instância inovou, estabelecendo critério novo, não insculpido no auto de infração. O que é mais, percebese que se for acrescentado esse valor de R$ 7.000,00 ao montante já aceito pela autoridade lançadora, alcançase o montante de despesas médicas dedutíveis de R$ 10.850,85, ainda aquém do valor declarado pela Contribuinte em sua DIRPF. Nesse sentido, é necessário dar reformar a decisão recorrida, admitindo como comprovada a despesa de R$ 7.000,00. No tocante à despesa de R$ 100,00, referente ao pagamento a um Sr. Josefino Fagundes da Silva (fl. 22), a autoridade julgadora esclareceu que não poderia ser aceito, vez que o documento não demonstra qual foi a atividade desempenhada pelo emissor do recibo. Para sanar esse problema, a Contribuinte juntou novamente o recibo em sede de Recurso Voluntário, acompanhado dessa vez por receituário médico (fls. 93/94). Registro que, nos termos do art. 16, §4º, 'c', do Decreto nº 70.235/1972, deve ser aceita a prova apresentada após a impugnação quando se destine a contrapor razões trazidas posteriormente aos autos. Comparando ambos os documentos, percebese que têm a mesma data, constando o nome do mesmo profissional com o mesmo número de registro no CRM e assinaturas que parecem iguais. Portanto, ante a a apresentação de recibo indicando o valor da despesa, bem como de outro documento comprobatório da atividade realizada, entendo que restou comprovada a despesa médica. Registrase que a Contribuinte trouxe aos autos recibos de um "Lar São Domingos" (fls. 96/98). Contudo, percebese que os documentos afirmam tratarse de pagamento referente a doação, razão pela qual não podem ser aceitos como comprovação de despesas médicas. Em suma, entendo que restou comprovadas despesas médicas no importe de R$ 7.100,00. Do rendimento pago pela Petrobrás: Com base na DIRF apresentadas pelas fontes pagadoras (fl. 224), a autoridade lançadora concluiu que a Contribuinte recebeu o valor de R$ 21.429,38, com retenção na fonte de R$ 1.934,19, da Petrobrás. Essa informação foi ratificada pela DRJ. Por sua vez, a Contribuinte defende que o lançamento e o acórdão recorrido erraram em relação ao valor pago pela empresa, sendo que o correto seria R$ 14.859,60 e Fl. 288DF CARF MF 6 retenção na fonte de R$ 1.374,00. Buscando comprovar suas alegações, juntou aos autos Declaração fornecida pela própria fonte pagadora (fl. 191). Observando a divergência de informações entre a DIRF transmitida pela empresa e a Declaração de Rendimentos entregue pela empresa à Recorrente, e por essa juntada aos autos, este e.CARF já converteu o julgamento em diligência exatamente para que a fonte pagadora esclareça os fatos. Em resposta à intimação durante a diligência, a fonte pagadora afirmou que: "A busca pelos documentos em nossos arquivos indicou que os relatórios de pagamentos mensais para o ano de 2001, totalizam R$ 19.812,80 em rendimentos tributáveis e R$ 1.711,96 em IRRF. Destacamos que esses pagamentos eram tratados em um processo manual de uma folha de pagamento complementar, para pagamento de pensão por decisão judicial. Sendo assim, alguma falha nos procedimentos manuais devem ter gerado os valores diferentes apresentados nos comprovantes de rendimentos elaborados anteriormente. Os relatórios mensais estão no CD anexo." fl. 227 Efetivamente, impressas as informações constantes no CD (fls. 231/242), percebese que foi pago o valor de R$ 1.616,58 entre janeiro e outubro, de R$ 1.926,96 em novembro e R$ 1.720,04 em dezembro, totalizando o valor de R$ 19.812,80 citado pela empresa. Em sua manifestação, a Contribuinte contestou a informação prestada pela empresa. Anotou que a documentação juntada é mero relatório interno, não tendo condão de comprovar o efetivo pagamento de quaisquer valores. Mais, informou (mas não comprovou) que protocolou perante a instituição financeira solicitação de fornecimento dos extratos bancários para comprovar a verdade material. Pois bem. A verdade é que, nos termos o art. 9º do Decreto nº 70.235/1972, em sua redação vigente à época dos fatos e do lançamento, Art. 9º A exigência de crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal e a aplicação de penalidade isolada serão formalizadas em autos de infração ou notificação de lançamento, distintos para cada imposto, contribuição ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. Percebese que a mudança realizada pela Lei nº 11.941/2009 não alterou o sentido da norma, Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. Fl. 289DF CARF MF Processo nº 10410.003341/200409 Acórdão n.º 2202003.943 S2C2T2 Fl. 287 7 Em outras palavras, cabe à autoridade lançadora, quando da formalização do auto de infração, instruílo com provas hábeis e idôneas a comprovar a ocorrência da infração constatada. O levantamento dessas provas será realizado ao longo da fiscalização. A fiscalização é, conforme o entendimento que já se consolidou nesse e.CARF, um procedimento inquisitorial, podendo a autoridade fiscalizadora realizar os atos investigatórios que entender necessários, desde que incluídos no âmbito da legalidade e da sua competência. In casu, entendeu a fiscalização ser suficiente intimar a Contribuinte uma vez (fl. 44) intimação essa feita por correio e sem informação quanto à data ou à efetividade da entrega da intimação (fl. 45) a apresentar comprovantes dos rendimentos tributáveis e contratos de prestação de serviços e recibos. A falta de resposta durante a fiscalização não gera, nessas hipóteses, presunção em desfavor da Contribuinte, diferentemente da hipótese da omissão de rendimento caracterizada por depósitos bancários. Ainda que a Contribuinte não tenha ou não tivesse apresentado qualquer resposta durante a fiscalização, a autoridade lançadora poderia ter aprofundado sua investigação, circularizando a investigação e intimando as fontes pagadoras a informar como, quando e quanto foi o valor pago a essa Contribuinte. Aceitou, entretanto, como suficiente o confronto entre a DIRPF e a DIRF, dando maior valor a esta do que àquela. Instaurado o processo administrativo fiscal pela Impugnação, abrese o verdadeiro contraditório, passando a se exigir que a Contribuinte comprove suas alegações ou, em caso de silêncio, admitase como verdadeiro o quanto lançado. Nesse momento, a Contribuinte já trouxe "Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte", elaborado pela fonte pagadora (fl. 15). Ora, essa informação, prestada pela própria fonte pagadora, contradiz aquela constante na DIRF (fl. 61). Registrase que a única informação encontrada nos autos referente à DIRF é o "Resumo do Beneficiário" (fl. 61/62), extraído do sistema da Receita Federal em 21/11/2007, no qual consta que a fonte pagadora informou por meio de DIRF Retificadora, entregue em 22/08/2007, ter pago o valor de R$ 21.429,38. Não foram encontrados nos autos a documentação utilizada quando do lançamento, 2004. Havendo desencontro de informações, qual o valor recebido, aquele constante na declaração apresentada pela fonte pagadora à Contribuinte, ou aquele apresentado ao Fisco? Em caso de dúvidas, qual informação vale? A quem cabe o ônus de provar, ao fisco que imputa uma infração sem o benefício da presunção ou ao Contribuinte, que deve se defender? Pareceme suficiente, ao Contribuinte, demonstrar a inverdade ou, ao menos, a insegurança da documentação apresentada pela autoridade lançadora. In casu, tendo este e.CARF já convertido o julgamento em diligência, a fonte pagadora informou ter pago um valor de R$ 19.812,80, diferente e menor do que aquele registrado na DIRF. Portanto, a habilidade da DIRF de comprovar o rendimento está posta em dúvida. Tampouco pode ser aceito como se comprovado fosse, então, o rendimento no valor de R$ 19.812,80. Efetivamente, as informações prestadas pela fonte pagadora se Fl. 290DF CARF MF 8 baseiam tão somente em seus dados internos, registrando o seu dever de pagar, mas não que houve o efetivo pagamento. Em suma, ante à não comprovação da ocorrência da infração, entendo que ser necessário afastar essa infração, reduzindo o valor do rendimento pago para aquele declarado pela Contribuinte. Da multa de ofício: Argumenta a Contribuinte, ainda, pela inaplicabilidade da multa de ofício. Explica que a Lei nº 11.488/2007 revogou a aplicabilidade da multa do art. 44, da Lei nº 9.430/1996. A verdade é que a referida Lei nº 11.488/2007 alterou a redação do art. 44 da Lei nº 9.430/1996, afastando algumas das suas hipóteses, mas não a revogou integralmente. Efetivamente, ficou revogada, e.g., a multa de ofício isolada quando do pagamento em atraso sem o acréscimo da multa moratória, o que levou, inclusive, à consolidação da Súmula CARF nº 74. Contudo, a multa de ofício de 75%, nos casos em que declaração inexata foi mantida, como se observa da comparação da redação original e da redação alterada: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; e I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Enfim, tal argumento não pode prevalecer. Dispositivo: Diante de tudo quanto exposto, voto por dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, afastando a glosa das despesas médicas em relação a R$ 7.100,00, devidamente comprovados, e reduzindo o rendimento em relação à Petrobrás de R$ 21.429,38 para R$ 14.859,60. (assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator Voto Vencedor Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada Redator designado. Fl. 291DF CARF MF Processo nº 10410.003341/200409 Acórdão n.º 2202003.943 S2C2T2 Fl. 288 9 A par das considerações muito bem efetuadas pelo ilustre Relator, Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto, peço licença para divergir pontualmente de seu voto no tópico que alude ao "rendimento pago pela Petrobrás", pelas razões a seguir expostas. De acordo com o Decreto nº 70.235, de 1972, que estabelece as normas para o processo administrativo fiscal, a impugnação da exigência, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, instaura a fase litigiosa do procedimento (arts. 14 e 15). Como registrou em seu voto o Relator, a contribuinte foi intimada previamente (fl. 44) a apresentar os comprovantes de rendimentos tributáveis. Ao longo da fase litigiosa, acima descrita, teve a oportunidade de ampla defesa, nada lhe sendo cerceado. Enfim, foram observados os princípios da ampla defesa, do contraditório e da verdade material, este quando o CARF converteu o julgamento em diligência para que a fonte pagadora esclarecesse os reais valores pagos e o imposto retido. Vejamos que a fonte, neste caso, não tem interesse no tributo que ora se exige da contribuinte. O litígio está posto entre a RFB e a contribuinte. O Relator registrou ainda que a contribuinte "informou (mas não comprovou) que protocolou perante a instituição financeira solicitação de fornecimento dos extratos bancários para comprovar a verdade material". Poderia ter apresentado os extratos, para que se verificasse, ao longo daquele ano, quais valores efetivamente foram depositados pela fonte pagadora em suas contas correntes. Em conclusão, não concordo que haja, no caso, "incerteza" quanto ao lançamento, uma vez que a contribuinte não demonstra onde estaria o "erro" da fonte ao afirmar que (transcrevo do voto do Relator): "A busca pelos documentos em nossos arquivos indicou que os relatórios de pagamentos mensais para o ano de 2001, totalizam R$ 19.812,80 em rendimentos tributáveis e R$ 1.711,96 em IRRF. Destacamos que esses pagamentos eram tratados em um processo manual de uma folha de pagamento complementar, para pagamento de pensão por decisão judicial. Sendo assim, alguma falha nos procedimentos manuais devem ter gerado os valores diferentes apresentados nos comprovantes de rendimentos elaborados anteriormente. Os relatórios mensais estão no CD anexo." fl. 227 Tendo sido trazida esta informação aos autos, entendo que não bastaria à contribuinte alegar que "não recebi esse valor" mas de fato, para ilidir a pretensão do Fisco, comprovar qual seria o valor correto. Porque sendo assim, nenhuma DIRF, entregue por nenhuma fonte, que sempre é baseada naquilo que a empresa registra internamente, teria valor, bastando ao contribuinte alegar que não recebeu. Não se poderia, é verdade, agravar a exigência, caso a fonte estivesse reconhecendo que pagara um valor maior ao informado na DIRF, mas, neste caso, o valor está sendo corrigido para menor. Fl. 292DF CARF MF 10 CONCLUSÃO Em conclusão, concordo totalmente com as disposições do voto do ilustre Relator no que diz respeito às despesas médicas e aplicação da multa de ofício e, divergindo, VOTO no sentido de que seja excluída da infração relativa à omissão de rendimentos recebidos da Petrobrás o valor de R$ 1.616,58 (resultante da operação R$ 21.429,38 menos 19.812,80), reconhecendose ainda o valor de R$ 1.711,96, como o total do imposto de renda retido na fonte. (assinado digitalmente) Marcio Henrique Sales Parada Fl. 293DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10314.001550/2008-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 10 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3402-001.034
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201708
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Oct 10 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10314.001550/2008-21
anomes_publicacao_s : 201710
conteudo_id_s : 5785374
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Oct 10 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3402-001.034
nome_arquivo_s : Decisao_10314001550200821.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
nome_arquivo_pdf_s : 10314001550200821_5785374.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
dt_sessao_tdt : Tue Aug 29 00:00:00 UTC 2017
id : 6973228
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:07:28 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049469234184192
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1574; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 531 1 530 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10314.001550/200821 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3402001.034 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 29 de agosto de 2017 Assunto Diligência Recorrente BASF POLIURETANOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento em São Paulo I que julgou improcedente a impugnação da contribuinte, mediante o Acórdão nº 16048.113 11 ª Turma da DRJ/SP1, de 27 de junho de 2013, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/11/2003 a 01/12/2007 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. O produto com denominação comercial LUPRANAT MM 103 classificase na NCM 3824.9089. RECLASSIFICAÇÃO FISCAL. COMPROVAÇÃO. Mantémse a reclassificação fiscal realizada com base em Laudo Técnico que RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 14 .0 01 55 0/ 20 08 -2 1 Fl. 532DF CARF MF Processo nº 10314.001550/200821 Resolução nº 3402001.034 S3C4T2 Fl. 532 2 contenha elementos suficientes para comprovar que o produto examinado se enquadra, inequivocamente, no código tarifário determinado pela autoridade lançadora. QUESTIONAMENTO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO. A inconstitucionalidade da legislação tributária não é matéria jurídica oponível na esfera administrativa. Precedente do Col. Primeiro Conselho de Contribuintes. PROVA PERICIAL. INDEFERIMENTO. Evidenciada a desnecessidade de realização de novas provas periciais, vez que convicto o julgador de sua posição diante dos elementos já presentes nos autos, cabível o indeferimento de pedido de nova perícia, sem caracterizarse cerceamento de defesa. MULTA DE OFÍCIO. Pelo não pagamento dos tributos devidos na data estabelecida pela legislação de regência, cabível a multa de oficio, por tipificar a hipótese do art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96. JUROS DE MORA TAXA SELIC. Legítima a exigência de juros de mora com base na equivalente à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, por força do disposto no artigo 61, § 3º da Lei nº 9.430/96. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Versa o processo sobre autos de infração para exigências de Imposto sobre a Importação (II), IPI, Cofinsimportação, PIS/Pasepimportação, multas de ofício, multa proporcional de 1% do valor aduaneiro por classificação incorreta (art. 84, I da Medida Provisória nº 2.15835/2001) e juros de mora, decorrentes de reclassificação fiscal da mercadorias importadas mediante várias Declarações de Importação. Em procedimento de revisão aduaneira, com base nos laudos nº 0979.02, emitido pelo Laboratório Nacional de Análises Luiz Angerami (PAF 10314.003000/200251) e nº 0459.01, exarado pelo Laboratório de Análises Funcamp (PAF 11128.004419/200371), ambos elaborados a partir de amostras coletadas do produto em análise, constatou a fiscalização que o produto importado LUPRANAT MM103 é uma MISTURA DE REAÇÃO contendo 4,4'diisocianato de difenilmetano e um derivado de 4,4'diisocianato de difenilmetano com grupamentos uretonimine. Segundo a fiscalização, os produtos resultantes de misturas de reação de um mesmo composto orgânico não apresentam entre si uma relação percentual constante para seus elementos, o que os impede de serem considerados como compostos orgânicos de constituição química definida, condição imposta pelo item A das Considerações Gerais das NESH referentes ao Capitulo 29 da TEC para ali serem enquadrados. Também acrescenta que a composição do produto importado em nada se confunde com mistura de diferentes isômeros do MDI, que seria uma mistura do isômero específico 4,4' com outras configurações espaciais, em que a definição química de isômeros imporia que todas as moléculas contivessem as mesmas espécies e os mesmos átomos, diferindo apenas na estrutura molecular ou no arranjo desses átomos no espaço. Assim, entendeu a fiscalização por afastada a possibilidade de enquadramento do produto no Capitulo 29 da TEC, como pretendia o importador, de acordo com a RGI/SH nº 1, tendo em vista que o produto importado, embora à base de um composto orgânico, não é um composto de constituição química definida e nem tampouco uma mistura de isômeros de um Fl. 533DF CARF MF Processo nº 10314.001550/200821 Resolução nº 3402001.034 S3C4T2 Fl. 533 3 mesmo composto e menos ainda segue acompanhado apenas daqueles elementos permitidos na Nota 1. Desta forma, concluiu, que, sendo o LUPRANAT MM103 um produto químico não compreendido nos Capítulos 30 a 37, ele se classificaria residualmente no Capitulo 38 da TEC, como um produto diverso das industrias químicas. Não se enquadrando em nenhuma posição desde a 3801 ate a 3823, seu enquadramento restaria na posição 3824 da TEC ("Produtos químicos... não especificados nem compreendidos em outras posições). A interessada impugnou a autuação, alegando, em essência, que: a) O produto importado, o “LUPRANAT MM103", é uma mistura de isômeros do 4,4 — diisocianato de difenilmetano, com fórmula geral C15H10N2O2, conforme consta expressamente do parecer técnico do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT). O fato de ser uma mistura não descaracteriza a posição por ele adotada, conforme Nota Explicativa 1b do Capítulo 29; muito menos corrobora com a desclassificação pretendida pelo Fisco, que se mostra evidentemente ineficaz. b) A classificação tarifária empregada pela fiscalização é residual subsidiária, sendo que, de acordo com o que determina a própria TEC, a posição mais especifica permanece sobre a genérica, sendo forçoso reconhecer que a classificação adotada pelo impugnante é a correta. c) A classificação do produto já foi objeto de outro procedimento administrativo, com decisão favorável aos interesses do ora impugnante, processo nº 11128.003916/9898. d) As multas de ofícios sobre os tributos não deve ser mantida, ante o disposto no ADN 13/02, uma vez tendo o produto foi corretamente descrito e não se podendo atribuir máfé ou dolo à impugnante. e) Também a multa por classificação incorreta deve ser exonerada, vez que a mercadoria importada não foi classificada incorretamente, consoante sustenta no mérito em sua defesa, bem com que a referida multa não poderia ter sido instituída por intermédio de medidas provisórias. f) Com relação a multa de ofício sobre o IPI, entende que a situação em baila não se enquadra em nenhum dos casos elencados pelo artigo 80 da Lei 4.502/64, com as alterações da Lei n. 9.430/96, uma vez que não se pode pretender ter a Impugnante agido com dolo, ou cometido infração qualificada, apenas por entender estar o produto inserido em outra classificação fiscal, tendo, por conseguinte, recolhido o imposto conforme a alíquota por ela determinada. g) A lei que instituiu a cobrança das contribuições sociais sobre a importação é inconstitucional. h) Por fim, sustenta a impossibilidade da cobrança dos juros de mora durante a suspensão da exigibilidade do crédito tributário e a inconstitucionalidade do cálculo dos juros pela taxa SELIC. A Delegacia de Julgamento em São Paulo não acatou as razões de defesa da impugnante, sob os seguintes fundamentos: Podem ser inclusas no capítulo 29 tanto a substância pura, como as misturas de seus isômeros. Ocorre que, conforme verificado acima, o laudo constatou a presença de isômeros e também de trímeros e oligômeros. A mistura de isômeros não descaracteriza a substância do capítulo 29, por expressa disposição das NESH. O mesmo não ocorre como regra com a mistura de polímeros, com diferentes graus de polimerização. Nesse segundo caso, devese atender à regra pela qual as substâncias devem ser formadas por um tipo apenas de molécula. Como os diferentes graus de polimerização estão necessariamente associados a moléculas distintas, notadamente no tamanho, não se pode afirmar que uma mistura de polímeros seja um composto de constituição química definida, dentro do conceito das NESH. Apesar das moléculas desses polímeros terem um elemento intrínseco comum, o monômero simples, de fato, extrinsecamente Fl. 534DF CARF MF Processo nº 10314.001550/200821 Resolução nº 3402001.034 S3C4T2 Fl. 534 4 elas são moléculas diferentes. Além disso, a molécula do monômero apresentará diagrama estrutural distinto da molécula do polímero, pelo simples fato de serem de fato moléculas distintas. O código utilizado pela fiscalização, ou seja, o 3824.90.89 encontra respaldo nos elementos de prova constantes dos autos, por não haver código mais específico para o produto em questão, uma vez que, conforme já visto, não se enquadra no capítulo 29. Reputase correta, por conseguinte, a classificação fiscal adotada pela Autoridade Aduaneira. Entendese cabível a aplicação da referida multa de ofício, tendo em vista que o momento do recolhimento dos tributos devidos é o do registro da declaração de importação. Portanto, ocorreu o descumprimento desse comando legal, pois o tributo não teve seu pagamento efetuado na data prevista na legislação de regência. Às instâncias administrativas, pelo caráter vinculado de sua atuação, não é dada a atribuição de apreciar questões relacionadas com a constitucionalidade de qualquer ato legal. Cientificada da decisão de primeira instância em 06/08/2013, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 02/09/203, alegando, em síntese: I PRELIMINARMENTE a) DA TEMPESTIVIDADE (...) b) DO CERCEAMENTO DE DEFESA (...) Por esse exato motivo figura como cerceamento de defesa a impossibilidade de produção de prova pericial química, uma vez que esta é essencial para a comprovação de todos os fatos alegados pela recorrente. Desta sorte, não deve prosperar a decisão ora guerreada, tendo em vista que a mesma, afronta diretamente garantias constitucionalmente asseguradas, motivo pelo qual, pleiteiase desde já pela reforma do mesmo, baixandose os autos em diligência. (...) III DO DIREITO (...) a) DO PRODUTO IMPORTADO E DA SUA CORRETA CLASSIFICAÇÃO FISCAL (NCM 2929.1090) (...) Deste modo Nobres Julgadores, pelo fato de o produto em questão se tratar de uma mistura de isômeros de isocianatos, não existe a menor possibilidade de enquadramento em posição diversa da adotada pela recorrente, posto que o produto "LUPRANAT MM 103" se encaixa perfeitamente no Capítulo 29, mais especificamente na posição "Outros isocianatos", qual seja a 2929.10.90. Por conseguinte, completamente despida de qualquer fundamento a tese que embasou e ensejou a lavratura do Auto de Infração e a decisão ora guerreada posto que, estabelece a Tarifa Externa Comum TEC para a descabida classificação genérica pretendida pelo Fisco, 3824.90.89: (...) Temse desse modo que a decisão recorrida merece reforma haja vista que a posição pretendida pelo Fisco e completamente residual e subsidiária, só se aplicando, destarte, aos produtos que não possuem posição mais especifica na tabela. Fl. 535DF CARF MF Processo nº 10314.001550/200821 Resolução nº 3402001.034 S3C4T2 Fl. 535 5 De acordo ao quanto determina a própria TEC, a posição mais específica prevalece sobre a genérica, sendo forçoso reconhecer que a adoção adotada pela Recorrente é a correta sendo inadmissível a pretensa desclassificação. (...) Deste modo, importa destacar que a classificação do produto em questão, qual seja, o Lupranat MM 103, já foi objeto de outro procedimento administrativo, com decisão favorável aos interesses da ora recorrente (Processo n° 11128.003916/9898, decisão esta a qual se pede vênia para transcrever a ementa: (...) Deste modo Nobres Julgadores, resta refutada a decisão recorrida no tocante as diferenças de II e IPI e Multa Proporcional, haja vista que restou devidamente comprovada a correção do procedimento adotado pela recorrente ao classificar o Produto LUPRANAT MM 103 sob o Código da TEC n° 2929.10.90, de modo que, caso não sejam acolhida a tese preliminar de cerceamento de defesa, que seja reformada a decisão recorrida e conseqüentemente seja desconstituído ao crédito tributário em debate. b) O PRINCÍPIO DO ATO VINCULADO (...) Como exaustivamente exposto, o produto em questão jamais poderia ser classificado na NCM adotada pela autoridade fiscal (NCM 3824.9089) e ao proceder deste modo a fiscalização afrontou o princípio do ato vinculado, plasmado no art. 142 CTN, corolário do princípio da estrita legalidade dos atos públicos existente no art. 5o da Carta Magna. Nesta esteira, é que merece ser integralmente desconstituído o lançamento em questão, o que desde logo se requer. c) DA MULTA DO IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO (...) Assim sendo, é incabível o argumento trazido pela Autoridade Julgadora, onde é aduzido que "... é cabível a aplicação da referida multa de ofício, tendo em vista que o momento do recolhimento dos tributos devidos é o do registro da declaração de importação", desconsiderandose que se aplica ao caso o ADN COSIT 10/97, revogado pelo ADI 13/2002. (...) d) DA MULTA PELA CLASSIFICAÇÃO ERRÔNEA Também impossível manterse a multa aplicada com base no artigo 84 da Medida Provisória 215835/01 c/c artigos 53 e 65, inciso IV da Medida Provisória 135/03, tendo em conta que a mercadoria importada não foi classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria. Muito pelo contrário. Na forma do quanto demonstrado nesta peça, a recorrente tem amparo técnico e decisão proferida pelo Egrégio Conselho de Contribuintes em seu favor, que sustenta a classificação fiscal por si apontada, de tal sorte a não caracterizarse a situação prevista no indigitado dispositivo. Ademais disso, multa deste tipo jamais poderia ter sido instituída por intermédio de medidas provisórias, tendo em vista que ausentes se mostram os caracteres de relevância e urgência constitucionalmente Fl. 536DF CARF MF Processo nº 10314.001550/200821 Resolução nº 3402001.034 S3C4T2 Fl. 536 6 exigidos para que determinada matéria seja tratada diretamente pelo Poder Executivo. Em face deste quadro, ainda teratológica possibilidade de manutenção da desclassificação tarifária procedida, impossível a manutenção da multa, tendo em conta que o veículo legislativo adotado não é válido. e) DA MULTA DO IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS Reza o artigo 80 da Lei 4.502/84, com as alterações da Lei nº 9.430/96: (...) Ocorre, entretanto, que a situação em baila não se enquadra em nenhum dos casos elencados pelo artigo retro, uma vez que não se pode pretender ter a Recorrente agido com dolo, ou cometido infração qualificada, apenas por entender estar o produto inserido em outra classificação fiscal, tendo, por conseguinte, recolhido o imposto conforme a alíquota por ela determinada. (...) f) DA MULTA DAS CONSTRIBUIÇÕES PIS/PASEP IMPORTAÇÃO E COFINS IMPORTAÇÃO. (...) Ainda que Vossa Senhoria, mesmo diante dos relevantes fatos expostos, não entenda pela insubsistência do auto, o que se admite apenas ad argumentadum, as multas aplicadas com base legal no artigo 19 da Lei 10.865/04, que reporta ao artigo 44, inciso I da Lei 9.430/96, não deve também ser mantida, ante o disposto no ADN 13/02, cujo trecho pede se vênia para transcrever: (...) g) DOS JUROS DE MORA (...) No caso em tela, impossível a incidência de juros de mora por não haver obrigação em atraso e, assim sendo, a Recorrente não está em mora com o FISCO. (...) Nesse sentido, sabedores de que a exigibilidade do crédito tributário surge apenas e tão somente com o lançamento definitivo, somente nesse momento podese imputar o fenômeno dos juros de mora. (...) O crédito tributário que tem sua exigibilidade suspensa do início do procedimento administrativo até decisão final irrecorrível, não faz o contribuinte ficar em mora com o FISCO. Como no caso em tela ocorre com a Recorrente. (...) É o relatório. VOTO Atendidos aos requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento do recurso voluntário. Entende a contribuinte que a classificação fiscal do produto LUPRANAT MM103 seria no código NCM 2929.10.90, em conformidade com composição dada pelo Fl. 537DF CARF MF Processo nº 10314.001550/200821 Resolução nº 3402001.034 S3C4T2 Fl. 537 7 Parecer Técnico do Instituto de Pesquisas Tecnológicas IPT1 e com a Nota 1b) da NESH do Capítulo 29, que assim dispõe: 1. Ressalvadas as disposições em contrário, as posições do presente Capítulo apenas compreendem: (...) b) As misturas de isômeros de um mesmo composto orgânico (mesmo que contenham impurezas), com exclusão das misturas de isômeros (exceto estereoisômeros) dos hidrocarbonetos acíclicos, saturados ou não (Capítulo 27); (...) De outra parte, o julgador de primeira instância rejeitou a tese da impugnante de que o produto seria uma simples mistura de isômeros. 2 Não obstante as conclusões obtidas pelo julgador a quo e pela autoridade fiscal dos resultados do laudos, no entender desta Relatora, leiga em química, carecem os autos de um pronunciamento técnico específico acerca da possibilidade de que o produto importado seja definido como uma mistura de isômeros de um mesmo composto orgânico (mesmo contendo impurezas), que não seja uma mistura de isômeros (exceto estereoisômeros) dos hidrocarbonetos acíclicos, saturados ou não. 1 "De acordo com as análises efetuadas, a amostra não possui uma constituição química definida pois, provavelmente, é constituída de uma mistura de isômeros de diisocianatos de difenilmetano, de fórmula gerai C15H10N2O2, a qual não está definida em nenhuma posição específica. Como se trata de uma mistura de isocianatos cíclicos, ela deve ser classificada, de acordo com a Tarifa Externa Comum TEC, na posição 2929.10.90." 2 (...) Logo, podem ser inclusas no capítulo 29 tanto a substância pura, como as misturas de seus isômeros. Ocorre que, conforme verificado acima, o laudo constatou a presença de isômeros e também de trímeros e oligômeros. (...) O trímero nada mais é que um polímero com 3 unidades monoméricas. Observando o conceito de “compostos de constituição química definida”, conforme transcrito acima, devese atentar para alguns pontos. Primeiramente, a substância deve ser constituída de “uma espécie molecular”. Dessa forma, não se incluem aqui, regra geral, substâncias constituídas de 2 ou mais espécies moleculares distintas. A expressão “cuja composição é definida por uma relação constante entre seus elementos” está se referindo à espécie molecular única. O que se faz aqui é uma referência a uma propriedade geral das moléculas, que é a de apresentarem uma proporção definida entre seus elementos químicos constitutivos (carbono, hidrogênio, oxigênio etc.). Além disso, deve tal molécula poder “ser representada por um diagrama estrutural único”. Logo, conceito de “compostos de constituição química definida” assentase essencialmente, em regra, na análise das moléculas que compõem a substância em questão. A substância, conforme se depreende do laudo, é formada por ao menos 4 moléculas distintas, quais sejam: (...) Verificouse acima que a mistura de isômeros não descaracteriza a substância do capítulo 29, por expressa disposição das NESH. O mesmo não ocorre como regra com a mistura de polímeros, com diferentes graus de polimerização. Nesse segundo caso, devese atender à regra acima transcrita, pela qual as substâncias devem ser formadas por um tipo apenas de molécula. Como os diferentes graus de polimerização estão necessariamente associados a moléculas distintas, notadamente no tamanho, não se pode afirmar que uma mistura de polímeros seja um composto de constituição química definida, dentro do conceito das NESH. Apesar das moléculas desses polímeros terem um elemento intrínseco comum, o monômero simples, de fato, extrinsecamente elas são moléculas diferentes. Além disso, a molécula do monômero apresentará diagrama estrutural distinto da molécula do polímero, pelo simples fato de serem de fato moléculas distintas. (...) Fl. 538DF CARF MF Processo nº 10314.001550/200821 Resolução nº 3402001.034 S3C4T2 Fl. 538 8 Sobre os laudos ou pareceres no processo administrativo fiscal, assim dispõe o art. 30 do Decreto nº 70.235/72: Art. 30. Os laudos ou pareceres do Laboratório Nacional de Análises, do Instituto Nacional de Tecnologia e de outros órgãos federais congêneres serão adotados nos aspectos técnicos de sua competência, salvo se comprovada a improcedência desses laudos ou pareceres. § 1° Não se considera como aspecto técnico a classificação fiscal de produtos. § 2º A existência no processo de laudos ou pareceres técnicos não impede a autoridade julgadora de solicitar outros a qualquer dos órgãos referidos neste artigo. § 3º Atribuirseá eficácia aos laudos e pareceres técnicos sobre produtos, exarados em outros processos administrativos fiscais e transladados mediante certidão de inteiro teor ou cópia fiel, nos seguintes casos: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) quando tratarem de produtos originários do mesmo fabricante, com igual denominação, marca e especificação; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) (...)[negritei] Nessa esteira, em referência ao princípio da verdade material, e com fundamento no art. 18 do Decreto nº 70.235/72, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para determinar à Alfândega do Porto de Santos o que se segue: a) Solicitar a elaboração de Laudo Técnico Complementar com esclarecimentos acerca da possibilidade de o produto importado seja definido como uma mistura de isômeros de um mesmo composto orgânico (mesmo contendo impurezas), que não seja uma mistura de isômeros (exceto estereoisômeros) dos hidrocarbonetos acíclicos, saturados ou não. b) Manifestarse em Relatório Conclusivo acerca do Laudo Técnico Complementar acima e sua eventual potencialidade de modificar integral ou parcialmente a autuação, acrescentando outras informações que entender relevantes à solução da lide. c) Cientifique a recorrente desta Resolução, dos demais documentos juntados e do Relatório Conclusivo, concedendolhe o prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, nos termos do art. 35 do Decreto nº 7.574/2011. d) Por fim, após decorrido o prazo de manifestação da interessada, devolva os autos a este Colegiado para prosseguimento. É como voto. (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Fl. 539DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18470.732107/2012-91
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2011
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. MOMENTO DA TRIBUTAÇÃO.
As diferenças decorrentes de verbas previdenciárias, ainda que recebidas acumuladamente pelo contribuinte, devem ser tributadas pelo imposto sobre a renda com a aplicação das tabelas progressivas vigentes à época da aquisição dos rendimentos (meses em que foram apurados os rendimentos percebidos a menor), ou seja, de acordo com o regime de competência, consoante decidido pelo STF no âmbito do RE 614.406/RS.
Numero da decisão: 9202-005.639
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva (relatora), Ana Paula Fernandes, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos- Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Patrícia da Silva- Relatora.
(assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior - Redator designado.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (Suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201707
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2011 RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. MOMENTO DA TRIBUTAÇÃO. As diferenças decorrentes de verbas previdenciárias, ainda que recebidas acumuladamente pelo contribuinte, devem ser tributadas pelo imposto sobre a renda com a aplicação das tabelas progressivas vigentes à época da aquisição dos rendimentos (meses em que foram apurados os rendimentos percebidos a menor), ou seja, de acordo com o regime de competência, consoante decidido pelo STF no âmbito do RE 614.406/RS.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Wed Oct 11 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 18470.732107/2012-91
anomes_publicacao_s : 201710
conteudo_id_s : 5786460
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Oct 11 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 9202-005.639
nome_arquivo_s : Decisao_18470732107201291.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : PATRICIA DA SILVA
nome_arquivo_pdf_s : 18470732107201291_5786460.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva (relatora), Ana Paula Fernandes, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos- Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva- Relatora. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior - Redator designado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (Suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
dt_sessao_tdt : Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2017
id : 6975658
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:07:32 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049469254107136
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1662; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 149 1 148 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 18470.732107/201291 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202005.639 – 2ª Turma Sessão de 26 de julho de 2017 Matéria IRPF Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado JOSE MURI RODRIGUES ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2011 RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. MOMENTO DA TRIBUTAÇÃO. As diferenças decorrentes de verbas previdenciárias, ainda que recebidas acumuladamente pelo contribuinte, devem ser tributadas pelo imposto sobre a renda com a aplicação das tabelas progressivas vigentes à época da aquisição dos rendimentos (meses em que foram apurados os rendimentos percebidos a menor), ou seja, de acordo com o regime de competência, consoante decidido pelo STF no âmbito do RE 614.406/RS. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva (relatora), Ana Paula Fernandes, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Relatora. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Redator designado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 0. 73 21 07 /2 01 2- 91 Fl. 149DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (Suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Relatório Em sessão plenária de 10/03/2016, foi julgado o recurso voluntário em epígrafe, proferindose a decisão consubstanciada no Acórdão nº 2202003.276 (fls. 94 a 98), assim ementado: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2011 IRPF. RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE. APLICAÇÃO DE ALÍQUOTAS VIGENTES A ÉPOCA EM QUE OS VALORES DEVERIAM TER SIDO ADIMPLIDOS, O RE 614.406/RS, julgado sob o rito do art. 543B do CPC, consolidou o entendimento de que a aplicação irrestrita do regime previsto na norma do art. 12 da Lei nº 7.713/88 implica em tratamento desigual aos contribuintes.Assim, ainda que seja aplicado o regime de caixa aos rendimentos recebidos acumuladamente pelas pessoas físicas, o dimensionamento da obrigação tributária deve observar o critério quantitativo (base de cálculo e alíquota) dos anos calendários em que os valores deveriam ter sido recebidos, sob pena de violação aos princípios constitucionais da isonomia, da capacidade contributiva e da proporcionalidade. O art. 62, §2º do Regimento Interno do CARF torna obrigatória a aplicação deste entendimento. Recurso Voluntário Provido" O processo foi encaminhado à PGFN em 04/04/2016 (Despacho de Encaminhamento de fls. 99), e devolvido, tempestivamente, com o Recurso Especial de fls 100 a 105, em 12/04/2016, com base no art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015. O recurso da Fazenda Nacional visa rediscutir a manutenção do lançamento relativo a omissão de rendimentos recebidos acumuladamente, determinandose tão somente o recálculo do Imposto de Renda com base nas tabelas progressivas da época em que os rendimentos deveriam ter sido pagos Na origem decorre de procedimento de revisão de Declaração de Ajuste Anual 2011, ano calendário 2010 no qual foi apurado omissão de rendimentos no valor de R$ 313.887,40 que resultou em um imposto suplementar no valor de R$ 69.664,55. Confrontando o valor dos Rendimentos recebidos de pessoas jurídicas declarados pelo Contribuinte com o valor dos rendimentos informados pelas fontes pagadoras em Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte (Dirf), constatouse omissão de Fl. 150DF CARF MF Processo nº 18470.732107/201291 Acórdão n.º 9202005.639 CSRFT2 Fl. 150 3 redimentos sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ 313.887,40. Na apuração do imposto devido foi compensado o Imposto de Renda Retido (IRRF) no valor de R$ 9.416,62. Em sua impugnação o contribuinte alegou que, por existir a opção do lançamento ser feito em Rendimentos Tributáveis de Pessoa Jurídica Recebidos Acumuladamente, a utilizou. Foram juntados documentos. A Delegacia da Receita Federal do Brasil no Rio de Janeiro lavrou o Termo Circunstanciado (fls. 39/43), no qual registrou que: a) os rendimentos considerados omitidos oriundos da fonte pagadora Banco do Brasil são provenientes do processo judicial nº 2001.51.01.5382251 da 38ª Vara Federal do Rio de Janeiro; b) Indeferiu o pedido constante da Impugnação para que o rendimento fosse considerado como Rendimento Recebido Acumuladamente, pois o contribuinte não teria declarado tal rendimento nem como rendimentos tributáveis nem como rendimentos sujeitos à tributação exclusiva e, nos termos do artigo 832 do RIR/99, a retificação da declaração somente é permitida antes de incidado o processo de lançamento de ofício. O contribuinte foi cientificado da mencionada decisão em 25/10/2012 (fls. 35) e apresentou impugnação em 22/11/2012(fls.2). A Delegacia Regional de Julgamento julgou improcedente a a Impugnação, conforme ementa abaixo transcrita: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano calendário: 2010 Ementa: RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGRA DE TRANSIÇÃO PARA O ANO CALENDÁRIO DE 2010. TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVA NA FONTE. OPÇÃO DO CONTRIBUINTE. Os rendimentos recebidos acumuladamente, no período compreendido entre 01 de janeiro de 2010 e 20 de dezembro de 2010, decorrentes de aposentadoria, pensão, transferência para a reserva remunerada ou reforma, pagos pela Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos municípios, e os provenientes do trabalho, inclusive aqueles oriundos de decisões das Justiças do Trabalho, Federal, Estaduais e do Distrito Federal, relativos a anos calendários anteriores ao do recebimento, que não foram tributados exclusivamente na fonte, poderão sêlo mediante a opção, do contribuinte, pela forma de tributação "Exclusiva na fonte" quando do preenchimento da declaração de ajuste anual do imposto. Impugnação Improcedente Fl. 151DF CARF MF 4 Crédito Tributário Mantido Em seu voto a DRJ ressalta que, ao consultar o portal DIRF, constatou que o Branco do Brasil apresentou DIRF Retificadora, em 25/02/2015, no qual declarou rendimento bruto no valor de 313.887,40 e um imposto retido no montante de R$ 9.416,62. De acordo com a DRJ, o Recorrente tinha a faculdade de oferecer à tributação seus rendimentos recebidos acumuladamente na nova sistemática, mediante ajuste específico na declaração anual. No entanto, como essa faculdade não foi exercida no momento oportuno, o sujeito passivo estaria impedido de exercêla e, por essa razão, considerou correto o procedimento da autoridade lançadora no sentido de tributar os rendimentos recebidos acumuladamente com base no art. 12 da Lei nº 7.713/88. Diante do julgado, visa a Fazenda Nacional rever o recorrido e cientificado o contribuinte apresenta contrarrazões pugnando pela manutenção do acórdão a quo. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Patrícia da Silva Relatora Na interposição do presente recurso, entendo cumpridos todos os pressupostos de admissibilidade. Importante pressuposto para o deslinde da presente questão é a Aplicação do art. 62A do Regimento Interno do CARF, verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Isso porque a constitucionalidade da utilização do art. 12 da Lei nº 7.713/88 para a cobrança do IRPF incidente sobre rendimentos recebidos de forma acumulada – através da aplicação da alíquota vigente no momento do pagamento sobre o total recebido – teve sua repercussão geral admitida pelo STF no âmbito do RE nº 614.406/RS. O Recurso Extraordinário acima referido teve seu julgamento encerrado em 09/12/14, através de decisão que negou provimento ao Recurso da União, chancelando o acórdão proferido pelo TRF da 4ª Região (TRF4, Corte Especial, ARGINC 2002.72.05.0004340, Relator Desembargador Federal Álvaro Eduardo Junqueira), que Fl. 152DF CARF MF Processo nº 18470.732107/201291 Acórdão n.º 9202005.639 CSRFT2 Fl. 151 5 através da técnica da inconstitucionalidade sem redução de texto, entendeu que o critério correto ao dimensionamento da obrigação tributária em questão deve observar a capacidade contributiva (base de cálculo) de cada exercício, bem como as respectivas alíquotas. O Regimento Interno desse Conselho, em seu artigo 62, acima transcrito (caput), torna compulsória a aplicação do entendimento sufragado pelo STF. Outrossim, o recurso especial deve ser analisado a partir dos critérios fixados pela Corte Constitucional, de onde exsurge a importância do esclarecimento da sua ratio decidendi, frente ao que entendo absolutamente irrepreensíveis os dispositivos e justificações constantes do Voto Vencedor consubstanciado no acórdão 280200.713, da lavra do ilustre Conselheiro Rafael Pandolfo, que adoto como razão de decidir: 1.2 A decisão proferida pelo STF no RE nº 614.406/RS A decisão proferida pelo Supremo, que manteve a declaração de inconstitucionalidade, sem redução de texto do art. 12 da Lei nº 7.713/88, reconhecida pelo TRF da 4ª Região, foi assentada no fundamento de qua ainda que seja aplicado o regime de caixa aos rendimentos recebidos acumuladamente pelas pessoas físicas (nascimento da obrigação tributária), é necessário, sob pena de violação aos princípios constitucionais da isonomia, da capacidade contributiva e da proporcionalidade, que o dimensionamento da obrigação tributária observe o critério quantitativo (base de cálculo e alíquota) dos anoscalendários em que os valores deveriam ter sido recebidos, e não o foram. O julgamento recebeu a seguinte ementa: IMPOSTO DE RENDA – PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES – ALÍQUOTA. A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos. (RE 614406, Relator(a): Min. ROSA WEBER, Relator(a) p/ Acórdão: Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 23/10/2014, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe233 DIVULG 26112014 PUBLIC 27 112014) A supracitada decisão1, nos termos do voto da Ministra Carmen Lúcia, consolidou o entendimento de que a aplicação irrestrita do regime previsto na norma do art. 12 da Lei nº 7.713/88 implica em tratamento desigual aos contribuintes. Segundo a decisão, não é juridicamente crível que os contribuintes que receberam a renda em atraso paguem um montante maior de IR – uma vez que calculado sobre o total acumulado , enquanto os contribuintes que receberam as verbas devidas em dias sejam isentos ou suportem carga inferior de imposto. Ressaltou ainda a Ministra que a aplicação dada pela Fiscalização ao art. 12 da Lei nº 7.713/88 viola os princípios da capacidade contributiva, pois a incidência do imposto de renda deve considerar as alíquotas vigentes na data em que verba Fl. 153DF CARF MF 6 decorrente dos rendimentos recebidos acumuladamente deveria ter sido paga. Abaixo, transcrevo trechos do voto da Ministra Carmen Lúcia: 19. No presente caso, a retenção do imposto de renda pelo regime de caixa afronta o princípio constitucional da isonomia, pois outros segurados/contribuintes com o mesmo direito receberia tratamento díspares. Como destacado pelos Ministros Marco Aurélio e Dias Toffoli, não se pode imputar ao Recorrido a responsabilidade pelo atraso no pagamento de proventos, sob pena de premiar e incentivar o Fisco no retardamento injustificado no cumprimento de suas obrigações legais. Ademais, a efetivação do direito do contribuinte/segurado, pela via judiciária, conforme ocorrido, passa também pelo restabelecimento da situação jurídica quo ante, o que pressupõe a aplicação das corretas alíquotas. À luz dos princípios da isonomia e da capacidade contributiva, significa dizer que a incidência do imposto de renda deve considerar as datas e as alíquotas vigentes na data em que essa verba deveria ter sido paga (disponibilidade jurídica, como advertido pelo Ministro Marco Aurélio), observada a renda auferida no mês pelo segurado. Disso resulta não ser razoável, tampouco proporcional, a incidência da alíquota máxima sobre o valor global pago fora do prazo, como se dá na espécie examida. (Voto Vista Ministra Carmen Lúcia, p. 22. RE 614406, Relator(a): Min. ROSA WEBER, Relator(a) p/ Acórdão: Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 23/10/2014, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe233 DIVULG 26112014 PUBLIC 27112014) A decisão proferida pelo STF confirmou a decisão que utilizou como técnica a inconstitucionalidade sem redução de texto. Atuando no campo semântico da norma, a ferramenta exclui do seu raio deôntico determinado significado. Sendo assim, é inválido (inconstitucional) todo e qualquer ato administrativo que tiver por fundamento a interpretação do art. 12 da Lei n° 7.713/88 infirmada pelo STF. Segundo a Corte, a validade do crédito tributário prescinde da aplicação da base de cálculo e alíquotas vigentes à época em que foram sonegados ao contribuinte os rendimentos posteriormente por si recebidos – de forma acumuluda. 2. Efeitos da decisão do STF sobre o crédito tributário O crédito tributário debatido no presente recurso foi apurado através da aplicação das alíquotas vigentes no anocalendário do pagamento acumulado dos rendimentos sonegados ao contribuinte, em virtude de decisão judicial trabalhista. Esse pagamento se deu ao longo de 2007 e 2008, e dizia respeito a diferenças que deixaram de ser pagas ao contribuinte em 1994. A alíquota aplicada ao presente caso (27,5%), teve como fundamento legal o art. 1º da Lei nº 11.482/07 e incidiu sobre uma base de cálculo acumulada de R$ 187.546,28. Fl. 154DF CARF MF Processo nº 18470.732107/201291 Acórdão n.º 9202005.639 CSRFT2 Fl. 152 7 Ocorre que o lançamento foi amparado na intepretação jurídica do art. 12 da Lei nº 7.713/88 que foi fulminada pelo STF. Como consequência utilizou bases de cálculo, alíquotas e fundamentos legais distintos daqueles que deveria ter utilizado, de acordo com o Supremo. O lançamento, portanto, é nulo, como entendeu essa turma em recente julgamento relatado pela Ilustre conselheira Dayse Fernandes Leite: RENDIMENTO RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL. EQUÍVOCO NA APLICAÇÃO DA LEI QUE AFETOU SUBSTANCIALMENTE O LANÇAMENTO. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR PARA REFAZER O LANÇAMENTO. CANCELAMENTO DA EXIGÊNCIA. Ao adotar outra interpretação do dispositivo legal, o lançamento empregou critério jurídico equivocado, o que o afetou substancialmente, pois prejudicou a quantificação da base de cálculo, a identificação das alíquotas aplicáveis e o valor do tributo devido, caracterizandose um vício material a invalidá lo. Não compete ao órgão de julgamento refazer o lançamento com outros critérios jurídicos, as tão somente afastar a exigência indevida. (CARF. 2ª Seção de Julgamento, 2ª Câmara, 2 ª Turma Ordinária. Ac: 2202002.725. Rel. Conselheira Dayse Fernandes Leite. Julg.: 12/08/14). Grifo nosso. A nulidade é insanável e não caberia ao CARF refazer o lançamento, substituindo a administração na eleição do fundamento jurídico, alíquota e base de cálculo aplicáveis. A necessidade de substituição desses elementos implica cabalmente na invalidade do lançamento, uma vez que, a teor do art. 2º, parágrafo único, VII e art. 50, ambos da Lei nº 9.784/99, e do art. 10, IV, do Decreto nº 70.235/73, é imprescindível a indicação dos fundamentos de fato e de direito que dão fundamento ao lançamento. Em suma, a modificação do lançamento não pode ser efetuada em sede de julgamento de recurso voluntário, pois o recalculo da obrigação tributária com base em novas alíquotas, implica alteração do critério jurídico que serviu de fundamento ao lançamento, conforme entendimento já adotado por essa Turma: Assunto: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Anocalendário: 2004 MUDANÇA DE MOTIVOS DETERMINANTES. NULIDADE DO ACÓRDÃO DE IMPUGNAÇÃO. A motivação constitui o fundamento do lançamento tributário, ato administrativo vinculado. A adoção, pela decisão recorrida, Fl. 155DF CARF MF 8 de fundamento distinto do utilizado pelo auto de infração (infirmado pelo contribuinte), visando à manutenção da relação tributária, revelase inconciliável com o estado democrático de direito. Recurso voluntário provido (CARF. 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Segunda Sessão. Acórdão nº 220201.548. Rel. Rafael Pandolfo. Julg. em 18/01/12.) No âmbito infralegal, a competência para realização do lançamento é estipulada pelos arts. 241 e 243 do Regimento Interno da Receita Federal do Brasil Portaria MF nº 203, de 14 de maio de 2012. Art. 241. Às Divisões de Orientação e Análise Tributária Diort, aos Serviços de Orientação e Análise Tributária Seort e às Seções de Orientação e Análise Tributária Saort competem as atividades de orientação e análise tributária, e em especial: V realizar diligências e proceder ao lançamento do crédito tributário, no âmbito de suas competências; Art. 243. Às Divisões de Controle e Acompanhamento Tributário Dicat, aos Serviços de Controle e Acompanhamento Tributário Secat e às Seções de Controle eAcompanhamento Tributário Sacat competem as atividades de controle e acompanhamento tributário e, em especial: IX realizar diligências e proceder o lançamento do crédito tributário, no âmbito de suas competências.(grifo nosso) Em outras palavras, cabe às autoridades eleitas pelos supracitados dispositivos a verificação do fato gerador e a quantificação da obrigação tributária que será atribuída ao contribuinte, com base nos critérios jurídicos indicados no lançamento (CTN, art. 142). A contrario sensu, o CARF não é competente para refazer o lançamento quando alterados os critérios jurídicos utilizados pela autoridade lançadora, porquanto não há lei que assim estipule. A função deste Conselho é definida pelo art. 1º do seu Regimento Interno Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009: Art. 1º O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), órgão colegiado, paritário, integrante da estrutura do Ministério da Fazenda, tem por finalidade julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância, bem como os recursos de natureza especial, que versem sobrea aplicação da legislação referente a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Esse entendimento está cristalizado na jurisprudência desta Turma: Assunto: Imposto de Renda Pessoa Física –IRPF Fl. 156DF CARF MF Processo nº 18470.732107/201291 Acórdão n.º 9202005.639 CSRFT2 Fl. 153 9 Ano calendário: 2002. ERRO ESCUSÁVEL. EXCLUSÃO DA MULTA DE OFÍCIO. Depreendese dos autos que omissão de valores na Declaração de Ajuste Anual da recorrente é fruto de falta de informações prestadas pela Fonte Pagadora, em evidente descumprimento ao disposto no art. 941 do Decreto 3.000/99. INCOMPETÊNCIA DA DRJ PARA LANÇAR MULTA. A DRJ não possui competência para modificar o fundamento do lançamento, pois seu papel é corrigir o lançamento, não refazê lo a partir de esteio inaugural. (CARF. 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Segunda Sessão. Acórdão nº 2202002.289. Relator Conselheiro Rafael Pandolfo. Julgado em 17/04/13) Diante do exposto, NEGO PROVIMENTO ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Fl. 157DF CARF MF 10 Voto Vencedor Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Redator designado Com a devida vênia ao posicionamento esposado pela Relatora, ouso discordar no que diz respeito à existência de vício material no lançamento e/ou de utilização de critério jurídico equivocado, que levassem à necessidade de desconstituição integral do lançamento, na forma proposta pelo Colegiado recorrido. Sem dúvida, reconhecese aqui, em linha com o recorrido, que a matéria sob litígio foi objeto de análise recente pelo STF, no âmbito do RE 614.406/RS, objeto de trânsito em julgado em 11/12/2014, feito que teve sua repercussão geral previamente reconhecida (em 20 de outubro de 2010), obedecida assim a sistemática prevista no art. 543B do Código de Processo Civil vigente. Obrigatória, assim, a observância, por parte dos Conselheiros deste CARF dos ditames do Acórdão prolatado por aquela Suprema Corte em 23/10/2014, a partir de previsão regimental contida no art. 62, §2o. do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF no. 343, de 09 de junho de 2015. Reportandome a este último julgado vinculante, noto, porém, que, ali, se acordou, por maioria de votos, em manter a decisão de piso do TRF4 acerca da inconstitucionalidade do art. 12 da Lei no. 7.713, de 1988, devendo ocorrer, na forma ali determinada, a "incidência mensal para o cálculo do imposto de renda correspondente à tabela progressiva vigente no período mensal em que apurado o rendimento percebido a menor regime de competência (...)", afastandose assim o regime de caixa. Todavia, de se ressaltar aqui também que em nenhum momento se cogita, no Acórdão, de eventual cancelamento integral de lançamentos cuja apuração do imposto devido tenha sido feita obedecendo o art. 12 da referida Lei no. 7.713, de 1988, notese, diploma plenamente vigente na época em que efetuado o lançamento sob análise, o qual, ainda, em meu entendimento, guarda, assim, plena observância ao disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional, não se estando destarte, diante de utilização de critério jurídico equivocado ou vício material no lançamento efetuado. A propósito, de se notar que os dispositivos legais que embasaram o lançamento constantes de efl. 9, em nenhum momento foram objeto de declaração de inconstitucionalidade ou de decisão em sede de recurso repetitivo de caráter definitivo que pudesse lhes afastar a aplicação ao caso in concretu. Deflui daquela decisão da Suprema Corte, em meu entendimento, inclusive, o pleno reconhecimento do surgimento da obrigação tributária que aqui se discute, ainda que em montante diverso daquele apurado quando do lançamento, o qual, repitase, obedeceu os estritos ditames da legalidade à época da ação fiscal realizada. Da leitura do inteiro teor do decisum do STF, é notório que, ainda que se tenha rejeitado o surgimento da obrigação tributária somente no momento do recebimento financeiro pela pessoa física, o que a faria mais gravosa, entendese, ali, inequivocamente, que se mantém incólume a obrigação tributária oriunda do recebimento dos valores acumulados pelo contribuinte pessoa física, mas agora a ser calculada em momento pretérito, quando o contribuinte fez jus à percepção dos rendimentos, de forma, assim, a restarem respeitados os princípios da capacidade contributiva e isonomia. Fl. 158DF CARF MF Processo nº 18470.732107/201291 Acórdão n.º 9202005.639 CSRFT2 Fl. 154 11 Assim, com a devida vênia ao posicionamento esposado por alguns membros deste Conselho, entendo que, a esta altura, ao se defender a exoneração integral do lançamento, se estaria, inclusive, a contrariar as razões de decidir que embasam o decisum vinculante, no qual, reitero, em nenhum momento, notese, se cogita da inexistência da obrigação tributária/incidência do Imposto sobre a Renda decorrente da percepção de rendimentos tributáveis de forma acumulada. Se, por um lado, manterse a tributação na forma do referido art. 12 da Lei no. 7.713, de 1988, conforme decidido de forma definitiva pelo STF, violaria a isonomia no que tange aos que receberam as verbas devidas "em dia" e ali recolheram os tributos devidos, exonerar o lançamento por completo a esta altura significaria estabelecer tratamento anti isonômico (também em relação aos que também receberam em dia e recolheram devidamente seus impostos), mas em favor daqueles que foram autuados e nada recolheram ou recolheram valores muito inferiores aos devidos, o que deve, em meu entendimento, também se rechaçar. Assim, diante de tais motivos, voto no sentido de dar provimento ao Recurso da Fazenda Nacional, no sentido de determinar a retificação do montante do crédito tributário com a aplicação tanto das tabelas progressivas como das alíquotas vigentes à época da aquisição dos rendimentos (meses em que foram apurados os rendimentos percebidos a menor), ou seja, de acordo com o regime de competência. É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Fl. 159DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11070.001720/2008-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 31 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 25 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3402-001.038
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Acompanhou o julgamento o Dr. Rafael Lima Marques, OAB nº 46.693 (RS).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201708
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Sep 25 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 11070.001720/2008-41
anomes_publicacao_s : 201709
conteudo_id_s : 5777337
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Sep 28 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3402-001.038
nome_arquivo_s : Decisao_11070001720200841.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : WALDIR NAVARRO BEZERRA
nome_arquivo_pdf_s : 11070001720200841_5777337.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Acompanhou o julgamento o Dr. Rafael Lima Marques, OAB nº 46.693 (RS).
dt_sessao_tdt : Thu Aug 31 00:00:00 UTC 2017
id : 6946958
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:06:41 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049469284515840
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1539; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 933 1 932 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11070.001720/200841 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3402001.038 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 31 de agosto de 2017 Assunto COFINS AUTO DE INFRAÇÃO Recorrente UNIMED NOROESTE/RS SOCIEDADE COOPERATIVA DE SERVIÇOS MÉDICOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Acompanhou o julgamento o Dr. Rafael Lima Marques, OAB nº 46.693 (RS). Relatório Contra a empresa UNIMED NOROESTE/RS SOCIEDADE COOPERATIVA DE SERVIÇOS MÉDICOS LTDA Cooperativa, doravante denominada de UNIMED, foi lavrado Auto de Infração formalizando a exigência de COFINS, com intimação para recolhimento do valor de R$ 468.094,79, referente a fatos geradores entre 31/10/2003 e 31/12/2004. Esse valor (principal)foi acrescido de juros moratórios. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 70 .0 01 72 0/ 20 08 -4 1 Fl. 933DF CARF MF Processo nº 11070.001720/200841 Resolução nº 3402001.038 S3C4T2 Fl. 934 2 O crédito tributário encontravase com a exigibilidade suspensa por força de decisão judicial, proferida pelo STJ, nos autos dos processos nºs 2001.71.10.0008467 e 92.00108008 (art. 151, incisos II e IV do CTN). De acordo com as decisões proferidas em sede do mandado de segurança, constatase que o contribuinte obteve provimento judicial favorável, junto ao STJ, reconhecendo o direito à isenção da COFINS sobre os atos tipicamente cooperativos, quais sejam: àqueles correspondentes à atividade fim das cooperativas. Cientificado do Auto de Infração, a contribuinte protocolizou impugnação, defendendo a nulidade do lançamento, devido a imprecisão da autuação e de seu relatório, que teria impedido a cooperativa de exercer plenamente seu direito de defesa. No mérito, caso não acolhida a nulidade do lançamento, a contribuinte pediu que fosse reconhecida a decadência dos créditos tributários anteriores a outubro de 2003, além da improcedência total do lançamento, por ter violado o ato cooperativo e alargado indevidamente a base de cálculo da contribuição lançada, conforme defendido pela cooperativa em ações judiciais, relacionadas no Termo de Constatação das autuações. Pediu, ainda, que fossem afastados os juros de mora, tendo em vista a suspensão da exigibilidade, por decisão judicial, do crédito tributário lançado. Sustenta, por fim, que, independente da tese quanto ao conceito de ato cooperativo e de faturamento, o lançamento incluiu valores na base de cálculo da exação, cuja exclusão seria autorizada pelo art. 3º, § 9º, da Lei nº 9.718/98. Ressaltou a Recorrente, que o citado tema não é discutido judicialmente, pedindo a realização de diligência para comprovar tal fato se necessário. Apreciando a impugnação, a DRJ em Porto Alegre (RS), em 18/07/2012, emitiu o Acórdão nº 1039.687, que julgou improcedente as alegações. Cientificado da decisão acima destacada, a recorrente apresentou recurso voluntário, pedindo a nulidade do acórdão recorrido, porque apreciou genericamente e sem fundamentação o argumento da cooperativa, de que a exclusão da base de cálculo, permitida pelo art. 3º, § 9º, da Lei nº 9.718/98, e o conceito de receita bruta, previsto no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, não seriam objeto de discussão judicial e, portanto, deveriam ser conhecidas pela DRJ, ante a ausência de concomitância de discussão da matéria. No mérito, a recorrente defendeu a reforma do julgado, pois teria violado o art. 3º, § 9º, da Lei nº 9.718/98, e mantido indevida tributação de receitas que não constituiriam faturamento da cooperativa (para a recorrente, o faturamento da sociedade cooperativa se resume a sua taxa de administração e os resultados não repassados aos seus associados), levandose em conta a declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, proferida pelo STF. Os autos foram, então, encaminhados para este CARF, para apreciação do recurso. Em 25/03/2014, a 2ª TO, da 2ª Câmara, da 3ª Sejul, prolatou o Acórdão nº 3202 001.115 (fls. 824/830), concluindo o seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2004 Fl. 934DF CARF MF Processo nº 11070.001720/200841 Resolução nº 3402001.038 S3C4T2 Fl. 935 3 CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA PARCIAL. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. DEVOLUÇÃO DOS AUTOS PARA A DRJ DAR CONTINUIDADE AO JULGAMENTO. Afastada a concomitância, anteriormente reconhecida,cabe o enfrentamento das questões pela instância a quo, onde restar não comprovada a simultaneidade das discussões, para que não sobre venha supressão de instância. Preliminar rejeitada. Recurso voluntário provido em parte. E conclui com o seguinte dispositivo (fl. 830): "(...) Forte nessas razões, voto para DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, anulando o acórdão recorrido e determinando o retorno dos autos à instância a quo, para que esta se pronuncie quanto às questões (art. 3º, § 9º, da Lei nº 9.718/98), em que não ficou evidenciada a opção pela via judicial, proferindo novo julgamento." (Grifei). Em 16/05/2014, o processo foi encaminhado à DRJ/POA, para o atendimento no disposto do Acórdão do CARF acima referenciado (fl. 836). Devolvido o processo à DRJ/POA, foram os autos analisados. Em 24/06/2014 emitiuse pedido de diligência para, em especial, efetuarse novas verificações/análises quanto à questão das deduções permitidas às operadoras de planos de saúde, que tiveram por fundamento o art. 3º, § 9º com seus incisos, da Lei nº 9.718, de 1998, e que, no entendimento do CARF, não se encontravam sob discussão judicial. Em atendimento a diligencia, o Órgão preparador anexou documentos e a Informação Fiscal de fls. 858 a 862. Cientificada a Recorrente apresentou nova impugnação onde em síntese, elaborou as seguintes razões: • a diligência realizada demonstra que, com exceção dos custos assistenciais decorrentes dos atendimentos realizados aos beneficiários de outras operadoras, a fiscalização aceitou os demais. Os custos assistenciais decorrentes de atendimentos de beneficiários de planos de saúde de outras operadoras deverão ser excluídos, ficando na base de cálculo, apenas as receitas próprias da operadora (diferença entre o valor gasto pela Unimed e o valor recebido de outra operadora, por conta da transferência de responsabilidade). Este valor (diferença), a Unimed inclui na base de cálculo e realiza o depósito judicial da COFINS, no processo citado na autuação; • foram mantidas glosas ao arrepio da Lei. Ela determina que o total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindose neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida, podem ser abatidos da base de cálculo; • o valor depositado, a título de COFINS, no processo judicial não foi considerado pela fiscalização, que tributou duas vezes a mesma grandeza econômica. Ocorre que já foi depositado, juntamente com outros valores do Ato Principal, este valor Fl. 935DF CARF MF Processo nº 11070.001720/200841 Resolução nº 3402001.038 S3C4T2 Fl. 936 4 remanescente, considerados todos os custos assistenciais de usuários de outras operadoras, mantida a tributação apenas sobre a receita da Unimed; • pede seja considerada a integralidade da disposição legal e, via de consequência, autorizada a exclusão total dos custos assistenciais, inclusive os de beneficiários de outras operadoras. Os argumentos aduzidos pelo sujeito passivo, foram parcialmente acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme ementa do Acórdão abaixo transcrito: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2004 CARF. DECISÃO ANULADA. INEXISTÊNCIA DE CONCOMITÂNCIA. NOVO JULGAMENTO. Tendo o CARF entendido pela inexistência de concomitância quanto as deduções do art. 3º, § 9º, da Lei nº 9.718, de 1998, e anulado a decisão de primeira instância, procedese a novo julgamento com o enfrentamento das questões propostas na impugnação. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. Comprovado que o sujeito passivo tomou conhecimento pormenorizado da fundamentação fática e legal do lançamento e que lhe foi oferecido prazo para defesa, não há como prosperar a tese de nulidade por cerceamento do contraditório e da ampla defesa. PAF. CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL. A proposição de ação judicial, antes ou após o início da ação fiscal, importa na renuncia de discutir a matéria objeto da ação judicial na esfera administrativa, uma vez que as decisões judiciais se sobrepõem às administrativas, sendo analisados apenas os aspectos do lançamento não abrangidos pela ação mandamental. REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIA. PEDIDO GENÉRICO. Considerase não formulado pedido genérico de diligência, por desatender a dispositivo legal que requer indicação de quesitos sobre matéria objeto de discordância. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2004 JUROS DE MORA. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INCIDÊNCIA. Os juros de mora são cabíveis seja qual for o motivo determinante da falta, ainda que o crédito tributário esteja com a exigibilidade suspensa. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Em resumo, a decisão recorrida não conhece da impugnação na parte levada ao crivo do Poder Judiciário, declarando a definitividade da discussão na esfera administrativa, rejeita a preliminar de nulidade argüida e julga a Impugnação procedente em parte, nos termos Fl. 936DF CARF MF Processo nº 11070.001720/200841 Resolução nº 3402001.038 S3C4T2 Fl. 937 5 do relatório e voto. Do total de R$ 468.094,79 lançado, foi excluído R$ 408.307,38, ficando um saldo remanescente de R$ 59.787,41, conforme quadro demonstrativo à fl. 888. Em 24/11/2014 (cópia do AR Correios à fl. 890), a Recorrente foi devidamente cientificada da decisão e não se conformando, em 17/12/2014 (fl. 892), apresentou o recurso voluntário de fls. 892/897, onde argumenta em síntese, que: aduz que na origem, realizada diligência, foram acatadas as deduções das indenizações dos eventos praticados pelos usuários da própria recorrente, sendo negado, por outro lado, o direito à exclusão dos pagamentos feitos por conta de atendimento de beneficiários de outras operadoras. Ou seja, a decisão cumpre parcialmente o art. 3º, §9º, da Lei nº 9.718/98, embora a tese jurídica tenha sido acolhida, em face da inclusão do §9ºA no §3º do art. 3º, pela Lei nº12.873/13; a tese foi acolhida, sendo que a decisão merece reparos apenas por não excluir a totalidade dos valores lançados, em relação aos custos com usuários de outras operadoras. Os custos assistenciais decorrentes dos atendimentos de beneficiários de planos de saúde de outras operadoras deverão ser excluídos, ficando, apenas, na base de cálculo, as receitas próprias da operadora (diferença entre o valor gasto pela Unimed e o valor recebido de outra operadora, por conta da transferência de responsabilidade); este valor (diferença), a Recorrente inclui na base de cálculo e realiza o depósito judicial da COFINS, no processo citado na autuação. Afirma que o valor do débito remanescente é exatamente 3% da receita de atendimentos de outras operadoras, classificada como ato cooperativo principal; em vista disto, a contribuinte elaborou PLANILHA (como elemento de prova) demonstrando que a autuação segue tributando os valores gastos com atendimento de beneficiários de outras operadoras, bem como, em acréscimo, tributa duas vezes essa mesma grandeza econômica; requer Diligência diante da necessidade de conferência dos valores mantidos na autuação, que decorrem dos custos com atendimentos de beneficiários de usuários de outras operadoras, bem porque houve dupla tributação sobre o mesmo valor (da taxa de administração, em face da tributação desta receita de intercâmbio), entende seja necessária uma diligência específica para comprovação destas irregularidades no auto de infração. Em face do exposto, postula o acolhimento integral do recurso, com o cancelamento da exigência fiscal, em sua integralidade. Alternativamente, a realização de uma diligência, com a finalidade específica de enfrentar o ponto colocado neste recurso. (receitas de intercâmbio menos os custos com atendimentos destes beneficiários, e conseqüente tributação do resultado destas operações, de forma duplicada). Os autos foram, então, foram remetidos ao CARF e distribuídos para este Conselheiro dar prosseguimento ao julgamento do Recurso. É o Relatório. Fl. 937DF CARF MF Processo nº 11070.001720/200841 Resolução nº 3402001.038 S3C4T2 Fl. 938 6 Voto / Resolução Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator. 1. Da admissibilidade dos recursos O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. 2. Objeto da lide Os procedimentos que redundaram nas exigências constantes do respectivo Auto de Infração, bem como os fatos apontados como determinantes para o lançamento, cingemse aos valores deduzidos pela empresa da base de cálculo da COFINS com base no inciso III, do §9º do art. 3º da Lei n° 9.718/98, relativos aos períodos de apuração (PA) 10/2003 a 12/2004, que foram glosados integralmente pelo Fisco. Já os valores devidos a título de COFINS sobre os atos cooperativos próprios (ACP) foram lançados de ofício, com exigibilidade suspensa. A concomitância verificada entre Processo Administrativo e Judicial, já se encontra superada pela decisão a quo, e não foi objeto de contestação pela Recorrente em seu recurso interposto. 3. Das deduções do art. 3º, § 9º, da Lei nº 9.718, de 1998 Trata a matéria nestes autos de glosa de deduções da base de cálculo utilizada pela empresa relativo a custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde despesas médicas, hospitalares e de laboratório incluindose nestes custos decorrentes de beneficiários da própria operadora UNIMED e os decorrentes de beneficiários de outras operadoras intercâmbios entre UNIMED. A Lei nº 9.718, de 1998, com as alterações introduzidas pela MP nº 2.15835, de 2001, que disciplinou a sistemática de apuração cumulativa do PIS/COFINS para as operadoras de planos de assistência à saúde (arts. 2º e 3º, §§ 1º, 2º e 9º). Em razão de discussões relativas à interpretação do inciso III do § 9º do art. 3º, a RFB, mediante SC Cosit nº 23, de 2011, a RFB se posicionou no sentido de que as operadoras de planos de assistência à saúde não poderiam deduzir da base de cálculo das contribuições as despesas e custos operacionais relacionados com os atendimentos médicos realizados em seus próprios beneficiários (clientes). No entanto, a Lei nº 9.718, de 1998, foi alterada pela Lei nº 12.873, de 2013, que incluiu o § 9ºA, com objetivo de esclarecer acerca da interpretação do inciso III do § 9º do art. 3º. Vejase: Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. (Vide art. 15 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) (Vide arts. 49 e 98 da MP nº 627, de 11 de novembro de 2013) (...) § 9º Na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, as operadoras de planos de assistência à saúde poderão deduzir: (Incluído pela Medida Provisória no 2.15835, de 2001) Fl. 938DF CARF MF Processo nº 11070.001720/200841 Resolução nº 3402001.038 S3C4T2 Fl. 939 7 (...) III o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades. (Incluído pela Medida Provisória no 2.15835, de 2001) § 9ºA. Para efeito de interpretação, o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos de que trata o inciso III do § 9º entendese o total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindose neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida. (Redação dada pela Lei nº 12.873, de 24 de outubro de 2013) (os grifos não constam do original) Grifei. Desta forma, com a publicação da Lei nº 12.873, de 2013, que acrescentou o §9ºA, restou pacificada qualquer divergência quanto à interpretação do inciso III do §9º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998. Ou seja, restou autorizado às operadoras de planos de saúde deduzirem a totalidade dos custos assistenciais decorrentes não somente dos serviços médicos prestados aos beneficiários de outras operadoras, mas também aos utilizados pelos seus próprios beneficiários. Não bastasse o texto do enfocado §9ºA já deixar expresso que a regra ali disposta tem caráter interpretativo, o art. 8ºA, da Lei nº 9.718/98 (também incluído pelo art. 19, da Lei nº 12.873/2013), ao fazer remissão a este parágrafo, deixa mais uma vez claro que o sobredito dispositivo constitui “norma de interpretação”. "Art. 8ºA. Fica elevada para 4% (quatro por cento) a alíquota da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS devida pelas pessoas jurídicas referidas no § 9º do art. 3º desta lei, observada a norma de interpretação do § 9ºA, produzindo efeitos a partir de 1º (primeiro) dia do 4º (quarto) mês subseqüente ao da publicação da lei decorrente da conversão da Medida Provisória n° 619, de 6 de junho de 2013, exclusivamente quanto à alíquota". Tratandose, pois, de norma interpretativa, ela deve ser retroativamente aplicada, em função do que preceitua o inciso I, do art. 106, do CTN, por ser mais benéfica ao contribuinte, na medida em que proporciona exclusão da base de cálculo das contribuições mais ampla que a definida na interpretação da RFB. E em sendo possível a exclusão das despesas próprias da base de cálculo do PIS e da COFINS, não subsistiria mais a diferença apurada pela fiscalização no valor a pagar das contribuições. Dentro desse contexto, a decisão a quo, concordou que com a inserção do novo dispositivo legal (§9ºA, ao art. 3º da Lei nº 9.718/98), tornaram a interpretação dada pela fiscalização superada. Vejase a conclusão do voto condutor (fl. 883): "(...) De ver, ainda, que a autoridade fiscal, durante a auditoria e na formalização do lançamento tributário, se valeu de interpretação de lei que, apesar de então vigente, acabou sendo superada por posterior dispositivo legal de caráter interpretativo. A superveniência legal expressamente estabelece seu caráter interpretativo, o que, a teor do inciso I do art. 106 do CTN, lhe dá efeito retroativo. Muito embora a autoridade fiscal tenha se valido de referenciais legais (ato legal e ato administrativo, por exemplo) que estavam efetivamente em vigor à época da fiscalização e de sua conclusão, tais referenciais, com a posterior inserção do § 9ºA ao artigo específico da Lei nº 9.718, de 1998, tornaram a interpretação dada superada, donde inválido tudo quanto foi produzido em face do manejo de tais referenciais (...). Fl. 939DF CARF MF Processo nº 11070.001720/200841 Resolução nº 3402001.038 S3C4T2 Fl. 940 8 "(...) Diante deste quadro, impõese o cancelamento do lançamento, na parcela alcançada pelo critério jurídico incorreto, devendose afastar a exigência da COFINS relativa à glosa dos valores das deduções à base de cálculo das contribuições, contabilizados nas contas indicadas pela Fiscalização (ver demonstrativo ao final deste Voto)". Observase que na Informação Fiscal elaborada pela DRF/Santo Ãngelo/RS, quando da diligência solicitada pela DRJ/POA, a fiscalização elaborou os seguintes demonstrativos: "1 Detalhamento das Receitas e Custos (fls. 846/851) e 2 Demonstrativo de Ajustes das Glosas Lançadas de Ofício" (fl. 844), indicando que "(...) No quadro abaixo, estão demonstrados os valores lançados originalmente no auto de infração, os ajustes efetuados por força da nova interpretação inserida pelo § 9ºA, do art. 3º da Lei nº 9.718/98, e o débito remanescente mantido no auto". Nesta tabela de fl. 861/862, a Fiscalização apresenta um resumo demonstrativo mensal, informando que do total de R$ 468.094,79 lançado, foi excluído R$ 408.307,38, ficando um saldo remanescente de R$ 59.787,41. Essa mesma tabela foi reproduzida pela DRJ em sua decisão à fl. 888. Por outro lado, a Recorrente, argumenta que na diligência realizada, foram acatadas as deduções das indenizações dos eventos praticados pelos usuários da própria Recorrente, sendo negado, por outro lado, o direito à exclusão dos pagamentos feitos por conta de atendimento de beneficiários de outras operadoras. Ou seja, entende que a decisão cumpre parcialmente o art. 3º, §9º, da Lei nº 9.718/98, embora a tese jurídica tenha sido acolhida, em face da inclusão do §9ºA no art. 3º, pela Lei nº 12.873/13. Destaca em seu recurso que, (...) Os custos assistenciais decorrentes dos atendimentos de beneficiários de planos de saúde de outras operadoras deverão ser excluídos, ficando, apenas, na base de cálculo, as receitas próprias da operadora (diferença entre o valor gasto pela Unimed e o valor recebido de outra operadora, por conta da transferência de responsabilidade). Afirma que este valor (diferença), a Recorrente inclui na base de cálculo e realiza o depósito judicial da COFINS, no processo citado na autuação. E, que o valor do débito remanescente é exatamente 3% da receita de atendimentos de outras operadoras, classificada como ato cooperativo principal. Em vista disto, a Recorrente elaborou uma PLANILHA demonstrando que o Fisco segue tributando os valores gastos com atendimento de beneficiários de outras operadoras, bem como, em acréscimo, tributa duas vezes essa mesma grandeza econômica. Alega que em vista disto, o presente feito envolve uma questão de ajuste matemático, não apreciação de teses jurídicas. Deste modo, visando propiciar a ampla oportunidade para a Recorrente esclarecer e comprovar os fatos alegados, em atendimento aos princípios da verdade material, da ampla defesa e do contraditório, entendo que o presente julgamento deve ser convertido em diligência. Em face do acima exposto, nos termos dos artigos 18 e 29 do Decreto n° 70.235, de 1972, proponho a realização de diligência para que a autoridade fiscal da DRF Santo Ângelo/RS, proceda à análise da documentação (tomando por base a PLANILHA Fl. 940DF CARF MF Processo nº 11070.001720/200841 Resolução nº 3402001.038 S3C4T2 Fl. 941 9 demonstrativa de fls. 898/899), apresentada pela Recorrente em seu Recurso Voluntário, bem como intime a interessada para apresentar outros documentos e/ou esclarecimentos que entenda necessários, a critério da fiscalização, com vistas a esclarecer e comprovar o que segue: (i) em face da inclusão do §9ºA no art. 3º da Lei nº 9.718/98, pelo art. 19 da Lei nº 12.873/13: a) apurar a veracidade da afirmação da Recorrente de que a autuação (saldo remanescente) segue tributando os valores gastos com atendimento de beneficiários de outras operadoras, bem como, em acréscimo, tributa duas vezes essa mesma grandeza econômica, conforme consta da PLANILHA demonstrativa de fls. 898/899 (receitas de intercâmbio menos os custos com atendimentos destes beneficiários, e conseqüente tributação do resultado destas operações, de forma duplicada), em resumo, para quantificação pelo Auditor Fiscal autuante, da repercussão da interpretação legal fixada pelo §9ºA, art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, acrescido à redação original pelo artigo 19 da Lei nº 12.873, de 2013, sobre os valores exigidos no lançamento; e b) se confirma a alegação de que este valor (diferença remanescente no lançamento), a Recorrente inclui na base de cálculo e realiza o depósito judicial da COFINS, no processo citado nos autos (afirma que o valor do débito remanescente é exatamente 3% da receita de atendimentos de outras operadoras, classificada como ato cooperativo principal). (ii) Desta forma, os autos devem retornar à repartição de origem Delegacia da Receita Federal em Santo Ângelo (RS), para realização da diligência solicitada. (iii) Ao término dos trabalhos, a autoridade fiscal, deverá elaborar Relatório Conclusivo sobre os fatos apurados na diligência, inclusive manifestandose sobre a alegada existência da cobrança em duplicidade e da realização do depósitos judiciais em comento. Encerrada a instrução processual a Interessada deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, antes da devolução do processo para julgamento. É como voto. (assinatura digital) Waldir Navarro Bezerra Fl. 941DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10920.001583/2009-12
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Sep 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 30/04/2004 a 31/12/2006
COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. NÃO INCLUSÃO.
O direito correspondente ao crédito presumido instituído pela Lei nº 9.363, de 1996, não se constitui em receita do contribuinte e, portanto não é tributável pela Cofins no regime da não cumulatividade.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 30/04/2004 a 31/12/2006
PIS. NÃO CUMULATIVIDADE. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. NÃO INCLUSÃO.
O direito correspondente ao crédito presumido instituído pela Lei nº 9.363, de 1996, não se constitui em receita do contribuinte e, portanto não é tributável pelo PIS no regime da não cumulatividade.
Numero da decisão: 9303-005.495
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal (relator) e Rodrigo da Costa Pôssas, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas (suplente convocado).
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201708
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 30/04/2004 a 31/12/2006 COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. NÃO INCLUSÃO. O direito correspondente ao crédito presumido instituído pela Lei nº 9.363, de 1996, não se constitui em receita do contribuinte e, portanto não é tributável pela Cofins no regime da não cumulatividade. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 30/04/2004 a 31/12/2006 PIS. NÃO CUMULATIVIDADE. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. NÃO INCLUSÃO. O direito correspondente ao crédito presumido instituído pela Lei nº 9.363, de 1996, não se constitui em receita do contribuinte e, portanto não é tributável pelo PIS no regime da não cumulatividade.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Tue Sep 19 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10920.001583/2009-12
anomes_publicacao_s : 201709
conteudo_id_s : 5771043
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Sep 19 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 9303-005.495
nome_arquivo_s : Decisao_10920001583200912.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
nome_arquivo_pdf_s : 10920001583200912_5771043.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal (relator) e Rodrigo da Costa Pôssas, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas (suplente convocado). (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal - Relator (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas - Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
dt_sessao_tdt : Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2017
id : 6934200
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:06:17 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049469290807296
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1713; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10920.001583/200912 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303005.495 – 3ª Turma Sessão de 15 de agosto de 2017 Matéria PIS. COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. BASE DE CÁLCULO. AUTO DE INFRAÇÃO Recorrente TERMOTÉCNICA LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 30/04/2004 a 31/12/2006 COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. NÃO INCLUSÃO. O direito correspondente ao crédito presumido instituído pela Lei nº 9.363, de 1996, não se constitui em receita do contribuinte e, portanto não é tributável pela Cofins no regime da não cumulatividade. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 30/04/2004 a 31/12/2006 PIS. NÃO CUMULATIVIDADE. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. NÃO INCLUSÃO. O direito correspondente ao crédito presumido instituído pela Lei nº 9.363, de 1996, não se constitui em receita do contribuinte e, portanto não é tributável pelo PIS no regime da não cumulatividade. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal (relator) e Rodrigo da Costa Pôssas, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas (suplente convocado). (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 15 83 /2 00 9- 12 Fl. 498DF CARF MF Processo nº 10920.001583/200912 Acórdão n.º 9303005.495 CSRFT3 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de recurso especial (fls. e442 a 469) interposto pelo sujeito passivo com fulcro no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais– RI CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, em face do acórdão nº 3302002.962, de 26 de fevereiro de 2016, fls. e371 a 378, cuja ementa abaixo transcrevo: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins Período de apuração: 30/04/2004 a 31/12/2006 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. O crédito presumido de IPI sobre a aquisição de insumos não tributados, do qual a empresa é beneficiária por força de tutela judicial, representa ganho que se insere no conceito de receita, sujeitandose à incidência nãocumulativa da contribuição. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. SÚMULA CARF N° 2. EXCEÇÕES PREVISTAS NOS ARTIGOS 62 E 62A DO ANEXO II DO RICARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, ressalvadas as hipóteses previstas nos artigos 62 e 62A do Anexo II do RICARF. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 30/04/2004 a 31/12/2006 Fl. 499DF CARF MF Processo nº 10920.001583/200912 Acórdão n.º 9303005.495 CSRFT3 Fl. 4 3 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. O crédito presumido de IPI sobre a aquisição de insumos não tributados, do qual a empresa é beneficiária por força de tutela judicial, representa ganho que se insere no conceito de receita, sujeitandose à incidência nãocumulativa da contribuição. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. SÚMULA CARF N° 2. EXCEÇÕES PREVISTAS NOS ARTIGOS 62 E 62A DO ANEXO II DO RICARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, ressalvadas as hipóteses previstas nos artigos 62 e 62A do Anexo II do RICARF Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. Em rápida síntese, cuidase de Autos de Infração para formalização da determinação e da exigência de créditos tributários referentes à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins e Contribuição para o PIS/Pasep, decorrentes da constatação de que o recorrente teria excluído da base de cálculo da contribuição não cumulativa o valor do ressarcimento de crédito presumido do IPI auferido no período. Referido crédito presumido é decorrente de decisão judicial favorável ao contribuinte que autorizou o aproveitamento de créditos presumidos de IPI sobre a aquisição de insumos sem incidência do tributo (isentos, NT e alíquota zero). O Acórdão recorrido assentou que o benefício fiscal calculado, por força de autorização judicial, sobre o valor de aquisição de insumos não tributados, representa ganho que se insere no conceito de receita, sujeitandose à incidência nãocumulativa da contribuição. O sujeito passivo suscita divergência jurisprudencial quanto à natureza dessa rubrica [redução de custos X receita] e quanto à conseqüente tributabilidade no regime não cumulativo. O recurso foi admitido pelo Despacho nº 330000.533, de 10 de dezembro de 2013, fls. e316 a 318. Fl. 500DF CARF MF Processo nº 10920.001583/200912 Acórdão n.º 9303005.495 CSRFT3 Fl. 5 4 A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões (fls. e587 a 496), insistindo na tese de que o crédito presumido de IPI constitui receita sujeita à incidência de PIS/Cofins não cumulativos. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Relator O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dele tomo conhecimento e passo a decidir. Não há preliminares a respeito da admissibilidade do recurso especial a serem apreciadas. Tratase da inclusão ou não do crédito presumido de IPI na base de cálculo do PIS e da Cofins nãocumulativas. Esta matéria é muito polêmica no âmbito do direito tributário e na esfera de julgamento administrativo. O contribuinte defende que esses ingressos na verdade seriam redutores de custos e não se consubstanciam em receitas, daí a impossibilidade de sua tributação pelo PIS e pela Cofins no regime não cumulativo. Compreendo os argumentos expostos pelo contribuinte e pelos acórdãos paradigmas, porém tenho entendimento diverso, ou seja, que há a incidência do PIS e da Cofins sobre os valores recebidos a título de crédito presumido do IPI. Transcrevo abaixo a legislação que trata do assunto: Lei nº 10.833, de 29/12/2003: Art. 1° A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. §1° Para eleito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. Fl. 501DF CARF MF Processo nº 10920.001583/200912 Acórdão n.º 9303005.495 CSRFT3 Fl. 6 5 §2º A base de cálculo da contribuição é o valor do ,faturamento, conforme definido no caput §3º Não integram a base de cálculo u que se refere este artigo as receitas: I isentas ou não alcançadas pela incidência da contribuição ou sujeitas à aliquota O (zero); II nãooperacionais, decorrentes da venda de ativo permanente; III auferidas pela pessoa jurídica revendedora, na revenda de mercadorias em relação às quais a contribuição seja exigida da empresa vendedora, na condição de substituta tributária; IV de venda de álcool para fins carburantes; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) V referentes a: a) vendas canceladas e aos descontos incondicionais concedidos; b) reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio liquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição que tenham sido computados como receita. Lei nº 10.637/2002: Art. 1º A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. (...) § 3º Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: I decorrentes de saídas isentas da contribuição ou sujeitas à alíquota zero; II (VETADO) III auferidas pela pessoa jurídica revendedora, na revenda de mercadorias em relação às quais a contribuição seja exigida da empresa vendedora, na condição de substituta tributária; Fl. 502DF CARF MF Processo nº 10920.001583/200912 Acórdão n.º 9303005.495 CSRFT3 Fl. 7 6 IV de venda de álcool para fins carburantes; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) V referentes a: a) vendas canceladas e aos descontos incondicionais concedidos; b) reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita. (...) De acordo com os dispositivos legais acima transcritos, as contribuições ao PIS e à Cofins incidem sobre o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independente de sua denominação ou classificação contábil, ou seja, todas as receitas auferidas pela pessoa jurídica, com exceção das exclusões previstas na própria lei. Considerando que não há nenhuma exclusão específica relativa ao crédito presumido do IPI, a única hipótese de não incidência seria a consideração de que estes ingressos de recursos não teriam a denominação de receita. Entendo que o crédito presumido de IPI tem a característica de receita, assim entendida no sentido amplo estabelecido pela lei, pois o vocábulo receita, sem qualquer tipo de especificação, corresponde a todo ingresso que se integra positivamente ao patrimônio de uma entidade, provocando um aumento no seu ativo sem um correspondente aumento no passivo, o que é justamente o caso do crédito presumido do IPI decorrente de provimento judicial, de que trata o presente processo. Peço vênia para me socorrer também nos valiosos ensinamentos do eminente Conselheiro Sólon Sehn no artigo denominado “Crédito Presumido de IPI e a Base de Cálculo de PIS e Cofins” publicado no volume 2 do livro “PIS e cofins à luz da Jurisprudência do CARF, fls. 519/537. Ressalto que esse mesmo artigo foi citado no acórdão recorrido, porém com referência a esse relator, pois eu já havia incluídoo por ocasião do voto proferido no Acórdão de minha relatoria, 3301002.395. Segue excertos do citado artigo: (...) Não há qualquer impedimento à cobrança do tributo no regime não cumulativo, uma vez que a recuperação de custos integra a receita bruta da empresa. Afinal, se o conceito de receita compreende o acréscimo patrimonial líquido, não há motivos Fl. 503DF CARF MF Processo nº 10920.001583/200912 Acórdão n.º 9303005.495 CSRFT3 Fl. 8 7 para afastar de seu âmbito de significação o incremento resultante do recebimento do crédito presumido do IPI. O patrimônio compreende não só os bens, mas os direitos de crédito e todas as demais relações jurídicas de conteúdo econômico titularizadas pelo sujeito de direitos. Por conseguinte, a receita pode ser auferida não apenas mediante recebimento de dinheiro, mas pela aquisição de qualquer direito susceptível de apreciação pecuniária. Por outro lado, embora a Lei nº 9.363/1996 faça referência a “ressarcimento”, devese ter presente que não se trata propriamente de uma indenização. A concessão do crédito constitui uma liberalidade, um ato unilateral do Poder Público, que não se confunde com as obrigações derivadas da responsabilidade extracontratual. Tampouco se trata de reembolso, porque este pressupõe a recomposição do patrimônio devida em razão de uma despesa realizada por conta e ordem de outrem. (...) Os créditos presumidos são benefícios fiscais concedidos unilateralmente pelo Poder Público, podendo apresentar natureza de subvenção de custeio (v.g. crédito presumido do IPI para ressarcimento de contribuições previsto na Lei nº 9.363/1996) ou de subvenção para investimentos (v.g. crédito presumido para incentivos da Lei nº 9.826/1999). No primeiro caso, as subvenções integram o resultado da pessoa jurídica e, nessa condição, têm natureza de receita bruta do sujeito passivo. Portanto, devem ser incluídas na base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins, desde que se trate de contribuinte submetido ao regime não cumulativo... (...) As conclusões acima expostas, apesar de terem sido analisadas sob o âmbito do crédito presumido de que trata a Lei nº 9.363/96, são perfeitamente aplicáveis a qualquer tipo de crédito presumido ou ficto, ou seja, aplicamse também ao crédito presumido apurado em face de determinação judicial, como vem a ocorrer no presente processo. Tanto é verdade que o próprio contribuinte, neste recurso especial, apresentou acórdãos paradigmas relativos ao crédito presumido de que trata referida lei. Enfim, avalizo o entendimento consubstanciado no Acórdão recorrido, da relatoria do ilustre Conselheiro Paulo Guilherme Deroulede, o qual transcrevo parcialmente abaixo: Como mencionado pelo acórdão recorrido, a NBC T 19.30, norma brasileira de contabilidade aprovada pelo Conselho Federal de Contabilidade, dispõe que Fl. 504DF CARF MF Processo nº 10920.001583/200912 Acórdão n.º 9303005.495 CSRFT3 Fl. 9 8 Receita é o ingresso bruto de benefícios econômicos durante o período proveniente das atividades ordinárias da entidade que resultam no aumento do seu patrimônio líquido, exceto as contribuições dos proprietários. O Pronunciamento Técnico CPC 30 do Comitê de Pronunciamentos Contábeis assim define receita: Objetivo A receita é definida no Pronunciamento Conceitual Básico Estrutura Conceitual para a Elaboração e Apresentação das Demonstrações Contábeis como aumento nos benefícios econômicos durante o período contábil sob a forma de entrada de recursos ou aumento de ativos ou diminuição de passivos que resultam em aumentos do patrimônio líquido da entidade e que não sejam provenientes de aporte de recursos dos proprietários da entidade. As receitas englobam tanto as receitas propriamente ditas como os ganhos. A receita surge no curso das atividades ordinárias da entidade e é designada por uma variedade de nomes, tais como vendas, honorários, juros, dividendos e royalties. O objetivo deste Pronunciamento é estabelecer o tratamento contábil de receitas provenientes de certos tipos de transações e eventos. A questão primordial na contabilização da receita é determinar quando reconhecêla. A receita é reconhecida quando for provável que benefícios econômicos futuros fluam para a entidade e esses benefícios possam ser confiavelmente mensurados. Este Pronunciamento identifica as circunstâncias em que esses critérios são satisfeitos e, por isso, a receita deve ser reconhecida. Ele também fornece orientação prática sobre a aplicação desses critérios. Conceitualmente, receita é o ingresso econômico representado por um aumento de ativo ou diminuição de passivo que resultam em aumentos de patrimônio líquido e que não sejam provenientes de aporte de recursos dos proprietários da entidade. As Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003 ainda determinam que a incidência independe da denominação ou classificação contábil. De acordo com a norma de incidência do PIS e da Cofins nãocumulativa, esta contribuição incide sobre o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independente de sua denominação ou classificação contábil, ou seja, todas as receitas auferidas pela pessoa jurídica, com exceção das exclusões previstas na própria lei. Uma vez que não há nenhuma exclusão específica relativa ao crédito presumido do IPI, a única hipótese de não incidência seria a consideração de que estes ingressos de recursos não teriam a denominação de receita, o que se afasta com base nas razões Fl. 505DF CARF MF Processo nº 10920.001583/200912 Acórdão n.º 9303005.495 CSRFT3 Fl. 10 9 expostas anteriormente de que teriam a natureza de receita em seu sentido amplo de que trata a legislação de incidência do PIS e da Cofins já alinhavada. Quando a norma quis excluir alguma receita de seu campo de incidência o fez expressamente, como a exemplo das receitas decorrentes de subvenções para investimento, as quais tem conteúdo semelhante ou parecido com o crédito presumido de IPI. Note que no caso a Lei 10.833, afirma expressamente de que se tratam de receitas, porém excluemnas da base de cálculo das contribuições: Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, com a incidência não cumulativa, incide sobre o total das receitas auferidas no mês pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (...) § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: (...) IX de subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos, concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos e de doações feitas pelo poder público; (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Especial apresentado pelo contribuinte. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 506DF CARF MF Processo nº 10920.001583/200912 Acórdão n.º 9303005.495 CSRFT3 Fl. 11 10 Voto Vencedor Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Redator designado. Com o devido respeito ao voto do relator, mas meu entendimento sobre a matéria é diferente. É incontroverso que a contribuinte tem direito aos créditos presumidos de IPI na aquisição de insumos nãotributados, em decorrência de decisão judicial transitada em julgado. Os acórdãos paradigmas tratam o crédito presumido de IPI como rubrica de redução de custos, ao invés de receita. No caso do acórdão recorrido, a rubrica tratada não é exatamente o crédito presumido de IPI, mas crédito de IPI por decisão judicial, incidente sobre aquisições de insumos a alíquota zero, isentos ou não tributados. Entendo que tais rubricas são diferentes. Entretanto, o próprio acórdão recorrido, no voto condutor, para desenvolver sua argumentação, inclui decisões do Carf acerca de crédito presumido de IPI, atribuindolhes, desse modo, analogia suficiente para compor sua fundamentação. Portanto, voto pelo conhecimento do recurso. No mérito, entendo que o crédito presumido previsto na Lei nº 9.363/96 não representa receita nova. É uma importância para corrigir o custo. O motivo da existência do crédito decorre dos insumos utilizados no processo de produção, em cujo preço foram acrescidos os valores do PIS e COFINS, cumulativamente, os quais devem ser devolvidos ao industrialexportador. A exigência do Fisco centrase no argumento de que a Lei nº 9.718/98 ampliou a base de cálculo de ambas as contribuições, constituindo regra a inclusão de qualquer receita auferida, inclusive os valores em questão, considerados como outras receitas operacionais, e exceção apenas as exclusões expressamente previstas na Lei. Assevera que, apesar de o crédito instituído pela Lei nº 9.363/96 ter como objetivo o ressarcimento do PIS e Fl. 507DF CARF MF Processo nº 10920.001583/200912 Acórdão n.º 9303005.495 CSRFT3 Fl. 12 11 da COFINS incidentes sobre matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem aplicados em produtos exportados, o ressarcimento em si é meramente presumido, não havendo como assemelhálo a uma restituição de tributos, porque não houve pagamento indevido de PIS e COFINS. Conclui afirmando que o crédito é receita nova, decorrente de benefício concedido, e não recuperação de custos. Em relação ao crédito presumido, o legislador, dentro da máxima econômica de que 'não se exportam tributos, buscou dar incentivo às exportações, ressarcindo as contribuições de PIS e COFINS, embutidas no preço das matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos pelo fabricante para a industrialização de produtos exportados, concebendo um benefício fiscal consubstanciado no crédito presumido de IPI, para ser lançado na escrita fiscal contra o próprio IPI. Ou seja, o produtorexportador se apropria de créditos do IPI que serão descontados, na conta gráfica da empresa, dos valores devidos a título de IPI. Entretanto, a seguir a dicção da Lei, o incentivo não se direciona precipuamente ao imposto em comento, senão que o intento primeiro foi exonerar o pagamento das exações previstas nas Leis Complementares nº 7 e 8/70 e 70/91. Daí que a perspectiva adotada pelo criador da norma não pode ser distorcida de modo a colocar na base de cálculo do PIS e da COFINS importâncias que derivam, em última análise, da dispensa do pagamento das próprias contribuições. Isso implicaria diminuir o benefício fiscal, fazendo com que a desoneração pretendida ocorra de forma parcial. Do ponto de vista econômicofinanceiro e contábil, o incentivo instituído pela Lei nº 9.363/96, na verdade, não constitui receita, mas um valor retificador de custo. O que efetivamente gera o crédito presumido são os insumos comprados pelo industrial, em cujo preço foram adicionados os valores do PIS e COFINS, de forma cumulativa. Se a legislação oferecesse a esses tributos o mesmo tratamento jurídico dado ao IPI, a conta de insumos refletiria apenas o custo efetivo da matériaprima, produtos intermediários e materiais de embalagem, pois dele seriam expungidas as contribuições ao PIS e à COFINS, cujos valores seriam lançados na conta contábil pertinente, para posterior recuperação. Fl. 508DF CARF MF Processo nº 10920.001583/200912 Acórdão n.º 9303005.495 CSRFT3 Fl. 13 12 Logo, ainda que o PIS e a COFINS a recuperar constituíssem um direito da empresa contra o Fisco, não representam ingresso de receita, seja na acepção contábil, seja na econômicofinanceira. Cumpre assinalar que esse raciocínio fundase na teleologia da norma inserta na Lei nº 9.363/96, uma vez que não há que falar, obviamente, em nãocumulatividade de PIS e COFINS, antes do advento da Lei nº 10.637/2002. Há que terse em vista a finalidade a ser atingida pelo incentivo às exportações. Se o crédito presumido receber o mesmo tratamento jurídico de rendimentos obtidos em aplicações financeiras, por exemplo, a empresa, na prática, pagará PIS e COFINS sobre os insumos consumidos no processo de industrialização, os quais são a causa da existência do crédito. Concordo que o crédito presumido não se equipara a restituição de tributos, mas também não entendo que seja equiparado a uma receita de venda, para fins contábeis e tributários. Na análise contábil, se a aquisição do insumo utilizado na industrialização de produtos exportados não estivesse onerada de PIS e COFINS, o valor lançado à conta de "Estoque de MatériaPrima" estaria livre de tributos e, conseqüentemente, o valor apurado na conta "Custo dos Produtos Vendidos" seria menor. Melhor explicando, o valor do crédito presumido apurado, dentro do mês de competência a que se referem as exportações, não transitaria por conta de resultado a título de receita, mas sim como recuperação de custo, creditandose o valor do crédito presumido apurado na conta "Custo dos Produtos Vendidos" e debitandose na conta "IPI a recuperar". Lançamento: IPI a Recuperar a Custo dos Produtos Vendidos Supondose, no entanto, que os contribuintes devessem incluir na base de cálculo do PIS e da COFINS sobre o faturamento o valor do crédito presumido em questão, então, estarseia pagando PIS e COFINS sobre insumos aplicados no processo industrial de fabricação dos produtos exportados, quando foi justamente esta a razão da criação deste crédito: desonerar o custo de produção dos produtos exportados. De qualquer modo, o referido crédito presumido é ressarcimento de custo e ressarcimento de custo não é receita. Desse modo, se o objetivo da norma é desonerar as Fl. 509DF CARF MF Processo nº 10920.001583/200912 Acórdão n.º 9303005.495 CSRFT3 Fl. 14 13 exportações, é irracional qualquer pretensão de exigir tais contribuições justamente sobre o benefício fiscal instituído para incentivar tais operações. O acórdão recorrido também traz que as próprias Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, ao disporem no §3º sobre as receitas que integram a base de cálculo, conferem natureza de receita às reversões de provisões e às recuperações de crédito baixados como perda, que foram expressamente excluídas da base, indicando a abrangência da definição de receita e a necessidade de a lei definir expressamente as exclusões. Também não concordo com tais argumentos, pois só haveria sentido que as Leis citadas previssem expressamente a exclusão do crédito presumido do conceito de receita se, em algum momento de todo o histórico normativo sobre o tema, as normas tivessem o considerado como receita, o que não me parece ter ocorrido. Diante do exposto voto por dar provimento ao recurso especial da contribuinte. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 510DF CARF MF
score : 1.0
