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7429118 #
Numero do processo: 19515.001861/2009-80
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Feb 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Sep 14 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 9202-000.183
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à câmara recorrida, para complementação da análise de admissibilidade do Recurso Especial, examinando-se (i) a matéria relativa à preclusão e (ii) o paradigma nº 2403-002.120, indicado para a segunda matéria, com retorno dos autos à relatora, para prosseguimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO

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Especial do Procurador e do Contribuinte  Resolução nº  9202­000.183  –  2ª Turma  Data  26 de fevereiro de 2018  Assunto  DECADÊNCIA ­ PAGAMENTO DE PRÓ­LABORE  Recorrentes  FAZENDA NACIONAL              CALZA E SALLES E ADVOGADOS ASSOCIADOS S/C    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Resolvem  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  converter  o  julgamento do  recurso  em diligência  à câmara recorrida, para complementação da  análise de  admissibilidade do Recurso Especial, examinando­se (i) a matéria relativa à preclusão e (ii) o  paradigma nº 2403­002.120, indicado para a segunda matéria, com retorno dos autos à relatora,  para prosseguimento.   (assinado digitalmente)  Maria Helena Cotta Cardozo ­ Presidente em Exercício e Relatora    Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e  Silva  Vieira,  Patrícia  da  Silva,  Heitor  de  Souza  Lima  Junior,  Ana  Paula  Fernandes,  Mário  Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da  Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).      Relatório  Trata­se de ação fiscal que originou os seguintes procedimentos:       RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .0 01 86 1/ 20 09 -8 0 Fl. 347DF CARF MF Processo nº 19515.001861/2009­80  Resolução nº  9202­000.183  CSRF­T2  Fl. 348          2 PROCESSO  DEBCAD  TIPO  FASE  19515.001860/2009­35  37.230.555­5 (Emp/SAT)  Obrig. Principal  Recurso Especial  19515.001861/2009­80  37.230.556­3 (Seg.)  Obrig. Principal  Recurso Especial  19515.001859/2009­19  37.230.554­7 (AI 68)  Obrig. Acessória  Recurso Especial  19515.001857/2009­11  37.205.019­0 (AI 34)  Obrig. Acessória  Recurso Especial  19515.001858/2009­66  37.205.020­4 (AI­52)  Obrig. Acessória  Dívida Ativa  Processo não localizado  37.205.021­2 (AI­59)  Obrig. Acessória    Processo não localizado  37.205.018­2 (AI 30)  Obrig. Acessória    O presente processo  trata do Debcad 37.230.556­3,  referente às Contribuições  Sociais  Previdenciárias,  não  retidas  e  nem  recolhidas,  devidas  pelos  segurados  contribuintes  individuais, no período de 01/2004 a 12/2004. A ciência da autuação ocorreu em 02/06/2009  (fls. 07)  Conforme Relatório Fiscal de fls 82 a 85, os valores a que se refere o Auto de  Infração  dizem  respeito  aos  levantamentos  realizados  a  título  de  PLB  (Pagamento  de  Pró  Labore)  e AUT  (Autônomos),  uma  vez  que  verificada  a  retirada  de  valores  pelos  sócios  da  sociedade de advogados sem o respectivo recolhimento das contribuições previdenciárias.  As competências 06/2004 a 12/2004 do levantamento AUT (Autônomos) foram  transferidas  para  o  Debcad  37.273.614­9  (processo  nº  16151.000466/2010­00)  para  serem  parceladas.  Em  sessão  plenária  de  13/03/2013,  foi  julgado  o  Recurso  Voluntário,  prolatando­se o Acórdão nº 2402­003.477 (e­fls. 243 a 257), assim ementado:  "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004  AUTO  DE  INFRAÇÃO.  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA  A  CARGO  DO  CONTRIBUINTE  INDIVIDUAL.  PRÓ­LABORE.  DECADÊNCIA.  Trata­se  de  lançamento  efetuado  na  vigência  da  Súmula  Vinculante  n°  8,  STF.  Nesta  linha,  tem  sido  entendimento  constante em julgados do Superior Tribunal de Justiça, que nos casos  de lançamento em que o sujeito passivo antecipa parte do pagamento  da contribuição, aplica­se o prazo previsto no § 4º do art. 150 do CTN,  ou  seja,  o prazo  de  cinco anos  passa  a  contar  da  ocorrência  do  fato  gerador,  uma  vez  que  resta  caracterizado  o  lançamento  por  homologação. Se, no entanto, o sujeito passivo não efetuar pagamento  algum,  nada  há  a  ser  homologado  e,  por  conseqüência,  aplica­se  o  disposto no art. 173 do CTN, em que o prazo de cinco anos passa a ser  contado  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  àquele  em  que  o  lançamento  poderia  ter  sido  efetuado.  No  caso  em  tela,  trata­se  do  lançamento  de  contribuições,  cujos  fatos  geradores  não  são  reconhecidos como tal pela empresa, restando claro que, com relação  Fl. 348DF CARF MF Processo nº 19515.001861/2009­80  Resolução nº  9202­000.183  CSRF­T2  Fl. 349          3 aos  mesmos,  a  recorrente  não  efetuou  qualquer  antecipação.  Nesse  sentido,  pela  aplicação  do  art.  173,  inciso  I  do  CTN,  a  decadência  alcançaria contribuições correspondentes a fatos geradores ocorridos  até  11/2003,  como  a  integralidade  do  lançamento  refere­se  a  competências  posteriores,  não  há  que  se  falar  em  decadência  no  presente lançamento.  LANÇAMENTOS  CONTÁBEIS.  PRÓ­LABORE.  AUSÊNCIA  DE  COMPROVAÇÃO.  A  Lei  n°  8.212/91,  ao  tratar  da  incidência  de  contribuições  sobre  os  valores  pagos  aos  contribuintes  individuais,  é  clara  quanto  à  incidência  apenas  quando  configurada  a  natureza  de  remuneração.  É  o  caso  do  pró­labore.  Todavia,  para  que  assim  seja  classificado  o  pagamento,  necessário  que  no  balanço  contábil  da  empresa  estejam  os  valores  lançados  como  dispêndio  em  razão  de  pagamento  de  remuneração.  No  caso  em  comento,  o  balanço  patrimonial da Recorrente demonstra justamente o contrário. Verifica­ se  que  os  valores  apontados  nas  contas  correntes  dos  sócios  como  gastos  sofridos  pela  empresa  estão,  em  sua  totalidade,  lançados  no  balanço como sendo parte do ativo circulante realizável a curto prazo.  Vale dizer que, o registro desses valores em conta patrimonial (ativo)  de curto prazo, embora gere expectativa de realização (recebimento) a  curto  prazo,  não  é  suficiente  para  caracterizar  pró­labore  de  sócios,  pois não transitou em conta de despesa e tem liquidações parciais no  curto prazo.  Recurso Voluntário Provido em Parte."  A decisão foi assim registrada:  "Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar  a preliminar de decadência, vencidos os conselheiros Thiago Taborda  Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues que aplicavam a regra de  decadência  no  artigo  150,  §4º  do  CTN.  No  mérito,  por  voto  de  qualidade,  vencidos  os  conselheiros  Ana  Maria  Bandeira,  Lourenço  Ferreira  do  Prado  e  Ronaldo  de  Lima  Macedo,  em  dar  provimento  parcial para exclusão dos valores relativos às contas 12.303 e 12.304."  O  processo  foi  encaminhado  à  PGFN  em  25/11/2013  (Despacho  de  Encaminhamento  de  e­fls.  982  do  processo  principal)  e,  em  19/12/2013,  foi  interposto  o  Recurso Especial de e­fls. 259 a 274 (Despacho de Encaminhamento de e­fls. 999 do processo  principal).  O apelo  está  fundamentado no art.  67,  do Anexo  II,  do Regimento  Interno do  CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, e suscita as seguintes matérias:  ­  preliminar  de  preclusão,  tendo  em  vista  alteração  dos  argumentos  de  defesa após a impugnação; e  ­ pagamento de pró­labore indireto.  Ao  Recurso  Especial  foi  dado  seguimento,  porém  examinando­se  apenas  a  segunda matéria, conforme despacho de 14/06/2017 (e­fls. 275 a 279).  Em seu apelo, a Fazenda Nacional apresenta os seguintes argumentos:  Fl. 349DF CARF MF Processo nº 19515.001861/2009­80  Resolução nº  9202­000.183  CSRF­T2  Fl. 350          4 ­  a  autoridade  fiscal  considerou  como  pró­labore,  sujeito  à  incidência  de  contribuições  previdenciárias,  os  valores  pagos  e/ou  creditados  aos  sócios  gerentes  da  sociedade, efetivados através de pagamentos diretos ou  indiretos na forma de pagamentos de  despesas particulares (suas, de familiares e terceiros);  ­ de acordo com o relatório fiscal, a empresa desembolsava valores para quitar  diversas  despesas  pessoais  dos  sócios,  tais  como  o  pagamento  de  despesas  com  cartão  de  crédito,  veículos,  empregados  pessoais  (motorista,  domésticos,  fazenda),  condomínio,  seguro  residencial,  compras de  equipamentos, contas diversas e  abatimento de contratos pessoais de  mútuo; ademais, realizava transferências bancárias e depósitos nas contas correntes particulares  dos sócios, bem como de familiares e de terceiros;  ­ em sede de impugnação, defendeu o contribuinte não prosperar a cobrança de  contribuição previdenciária sobre os pagamentos feitos aos sócios, direta ou indiretamente, na  forma  de  quitação  de  despesas  particulares,  pois  tais  valores  foram  debitados  de  lucros  auferidos pela empresa, não se tratando, pois, de remuneração na forma de retirada pró­labore;  juntou aos  autos  cópia do Livro Razão Analítico,  conta Lucros Acumulados,  na  tentativa de  demonstrar que os valores atribuídos aos sócios referiam­se, em sua grande maioria, aos anos  anteriores;  ­  todavia,  a DRJ não  aceitou  tal  argumentação,  eis  que  não  fez  prova  de  suas  alegações, não comprovando que os valores lançados nas diversas contas (corrente dos sócios e  despesas) se originaram da conta Lucros Acumulados;  ­  a  Contribuinte,  então,  por  ocasião  da  interposição  do  Recurso  Voluntário,  reconheceu o equívoco da explicação anterior e inovou em suas alegações, sustentando que os  numerários  foram  lançados  em  contas  do  ativo,  como  valores  a  receber  dos  sócios,  não  podendo ser considerados como retirada de pró­labore;  ­ tal argumentação foi acolhida, por maioria de votos, pelo Colegiado a quo, que  concluiu que, para que o pagamento realizado pela empresa seja considerado como pró­labore,  seria  necessário  que  no  balanço  contábil  da  empresa  os  valores  estivessem  lançados  como  dispêndio em razão de pagamento de remuneração;  ­  todavia,  conforme  restará  demonstrado,  tal  decisão  merece  reforma:  primeiramente em face da preclusão; ademais, porque o lançamento de despesas diversas dos  sócios  em  contas  do  ativo,  por  si  só,  não  afasta  a  natureza  de  pró­labore  dos  valores  contabilizados, mormente quando a  escrituração  fiscal  não  é  acompanhada de documentação  que comprove o alegado;  ­ não é dado ao Contribuinte inovar em suas alegações por ocasião do Recurso  Voluntário, já que, em homenagem ao princípio da preclusão e do duplo grau de jurisdição, os  argumentos  submetidos  à  primeira  instância  é que  determinam os  limites  do  litígio,  ou  seja,  matérias não impugnadas tornam­se definitivas na esfera administrativa, não podendo mais ser  levadas ao CARF;  ­ logo, a rigor, a argumentação expendida pela Contribuinte em sede de Recurso  Voluntário, que diverge  totalmente daquela exposta por ocasião da  impugnação, não poderia  ter sido sequer apreciada pelo Colegiado a quo;  Fl. 350DF CARF MF Processo nº 19515.001861/2009­80  Resolução nº  9202­000.183  CSRF­T2  Fl. 351          5 ­  todavia,  ainda  que  superada  a  questão  da  preclusão,  observa­se  que  a  tese  defendida  pelo  contribuinte  e  acolhida  pela  turma  a  quo  não  tem  o  condão  de  afastar  a  tributação;  ­ ora, é sabido que não é o nome dado a uma rubrica ou a uma conta contábil  que define a natureza jurídica real do pagamento efetuado pela empresa aos sócios;  ­  no  caso  concreto  observou­se que  a  empresa  autuada  arcava  com o  ônus  de  diversas despesas pessoais dos sócios, o que obviamente representa uma remuneração indireta;  ­ não há dúvida de que, quando a empresa paga a despesa pessoal do sócio, este  deixa  de  despender  recursos  financeiros  para  a  sua  quitação,  representando  um  acréscimo  patrimonial  para  si,  de  sorte que, muito  embora  não haja um  recebimento de pagamento  em  espécie, ocorre uma substituição no pólo devedor, assumindo a empresa as despesas do sócio;  ­ assim sendo, o resultado prático é o mesmo que o pagamento direto: o sócio é  beneficiado  pela  assunção  de  dívidas  por  parte  da  empresa  e  deixa  de  despender  numerário  proveniente  do  seu  patrimônio  pessoal,  logo  é  patente  a  incidência  de  Contribuições  Previdenciárias  sobre  tais  valores  despendidos  em  favor  dos  sócios,  eis  que  se  caracterizam  como pró­labore indireto;  ­  ademais,  constatou­se  a  existência  de  várias  transferências  bancárias  e  depósitos destinados aos sócios e familiares, em relação aos quais a Contribuinte alega tratar­se  de  crédito  da  empresa  junto  aos  sócios,  porém  não  juntou  qualquer  documento  que  comprovasse o empréstimo alegado;  ­  não  tendo  se  desincumbido  do  ônus  probatório  que  lhe  cabia,  correta  está  a  tributação dos repasses efetuados, que também se caracterizam como pró­labore;  ­  a  esse  respeito,  cabe  destacar  que  a  contabilidade  só  faz  prova  a  favor  do  contribuinte desde que fundamentada em documentação idônea (outros subsídios) nos termos  do art. 226, do Código Civil;  ­  todo  o  lançamento  deve  estar  lastreado  na  causalidade,  de  sorte  que  os  registros  existentes  em  contabilidade  pressupõem  uma  fonte  formal  de  sua  origem;  é  a  finalidade contábil do controle das mutações patrimoniais que assim determina;  ­ no caso concreto, o sujeito passivo não trouxe aos autos qualquer documento  que corroborasse a alegação de que os repasses decorreriam da contratação de empréstimo dos  sócios junto à empresa;  ­  conclui­se,  nesse  contexto,  que  em  verdade  as  operações  realizadas  objetivaram  o  pagamento  de  remuneração  disfarçada  na  forma  de  contrato  de  mútuo,  sujeitando­se, portanto, à tributação;  ­ de todo o exposto, resta claro que os valores pagos e/ou creditados aos sócios  gerentes  da  sociedade,  efetivados  por meio  de  pagamentos  diretos  ou  indiretos  na  forma  de  despesas  particulares  caracterizam­se  como  pró­labore  e,  nessa  condição,  sujeitam­se  à  incidência de Contribuições Previdenciárias.  Fl. 351DF CARF MF Processo nº 19515.001861/2009­80  Resolução nº  9202­000.183  CSRF­T2  Fl. 352          6 Ao  final,  a  Fazenda Nacional  pede  o  conhecimento  e  provimento  do  recurso,  restabelecendo­se a integralidade do lançamento.  Cientificada  do  acórdão,  do  Recurso  Especial  da  Procuradoria  e  do  despacho  que lhe deu seguimento em 16/10/2017 (Termo de Ciência por Abertura de Mensagem de e­fls.  284), a Contribuinte, em 23/10/2017, ofereceu as Contrarrazões de e­fls. 317 a 324 e interpôs o  Recurso Especial de e­fls. 287 a 297.  Em sede de Contrarrazões, a Contribuinte argumenta:  Falta de indicação do dispositivo legal objeto de interpretação divergente  ­ a Recorrente limitou­se a rediscutir a matéria, sem demonstrar a legislação que  estaria sendo interpretada de forma divergente, assim não se pode cogitar do conhecimento do  apelo,  em  vista  do  não  atendimento  a  um  dos  pressupostos  de  admissibilidade  do  Recurso  Especial.  Imprestabilidade do acórdão paradigma  ­ os acórdãos confrontados estão delineados por premissas fáticas distintas, pelo  que  não  se  vislumbra  a  divergência  jurisprudencial  necessária  ao  conhecimento  do  Recurso  Especial da Fazenda Nacional;  ­  no  caso  em  tela  é  evidente  a  falta  de  similitude  fática  entre  os  acórdãos  paradigma  e  recorrido  e  o  conhecimento  e  eventual  provimento  do  Recurso  Especial  da  Fazenda Nacional consistirá em desvio da finalidade da Câmara Superior de Recursos Fiscais,  o que não pode ser admitido;  ­ conforme registrado pelo acórdão recorrido os valores objeto de autuação não  transitaram em conta de despesa e “tem liquidações parciais no curto prazo”; o que evidencia  que a decisão atingida passou antes pela análise minuciosa do balanço da empresa,  tanto que  comprovou­se o “registro de valores a receber dos sócios”, a “obrigação da empresa para com  os mesmos sócios” e “liquidações parciais no curto prazo (vide razão contábil fls 879 a 883);  ­ por seu  turno, os acórdãos  trazidos pela  recorrente como paradigmas deixam  consignado  que  os  valores  autuados  foram  classificados  como  empréstimos  e  não  houve  comprovação de sua quitação;  ­ além disso, nos casos dados como paradigmáticos, restou evidenciado que não  houve qualquer tipo de liquidação por parte dos sócios, ao contrário do caso ora recorrido, em  que foram constatadas liquidações parciais, ou seja, situações fáticas distintas.  Do Mérito  ­  para  repetir,  se  analisadas  as  contas  contábeis  apontadas,  se  chegará  à  conclusão  de  que  não  se  referem  os  referidos  pagamentos  a  pró­labore,  na  medida  em  que  contabilizados em contas diversas;  ­  e não se  referem a pró­labore, porquanto os  sócios,  apesar de nos  termos do  contrato  social  terem  opção  da  sua  retirada,  efetivamente,  e  de  comum  acordo,  nunca  exerceram tal opção no exercício fiscalizado;  Fl. 352DF CARF MF Processo nº 19515.001861/2009­80  Resolução nº  9202­000.183  CSRF­T2  Fl. 353          7 ­ nesse sentido fala mais alto o balanço, que não indica qualquer pagamento de  pró­labore e, longe do que afirmou a decisão recorrida, faz prova inconteste disso;  ­ tais numerários, conforme reconhecido pelo acórdão recorrido, não transitaram  pelo  resultado  do  exercício,  nem  em  conta  de  despesa,  sendo  integralmente  registrados  em  conta patrimonial, como parte do ativo circulante realizável a curto prazo; portanto, em nada se  relacionam  com pró­labore  e  não  podem  ser  considerados  base  de  calculo  das  contribuições  sociais devidas.  Ao  final,  a  Contribuinte  pede  o  não  conhecimento  do  Recurso  Especial  interposto  pela  Fazenda  Nacional  e,  caso  assim  não  se  entenda,  que  lhe  seja  negado  provimento.  Ao Recurso Especial da Contribuinte foi dado seguimento, conforme despacho  de 17/11/2017 (e­fls. 329 a 335), admitindo­se a rediscussão da decadência.  Em seu apelo, a Contribuinte apresenta os seguintes argumentos:  ­  a  decisão  recorrida  entendeu  de  analisar  o  instituto  da  decadência  sob  o  comando do art. 173, I do CTN, vez que, segundo ali apontado, “não houve recolhimento para  os fatos geradores discutidos”, ou seja, para as contribuições lançadas no Auto de Infração; daí  concluiu que não foi efetuada “qualquer antecipação”;  ­  já as decisões paradigmáticas entenderam pela aplicação do art. 150, § 4º do  CTN, independentemente da rubrica exigida no auto de infração, ou seja, o pagamento, ainda  que sob outra rubrica, caracteriza a antecipação de pagamento, ao abrigo da Súmula CSRF 99;  ­ conforme se comprova da corrente vencida, a recorrente efetivamente realizou  recolhimentos de Contribuição Social  no período  sob discussão,  ainda que  em outra  rubrica,  motivo pelo qual não se pode falar em falta de recolhimento:  “A  DRJ,  todavia,  ao  julgar  a  defesa  administrativa  da  Recorrente,  entendeu aplicável ao caso a regra disposta no art. 173, I, do CTN, que  determina a  contagem do prazo decadencial a partir do primeiro dia  do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ser efetuado.  Neste sentido, negligenciou a DRJ/SP ao deixar de considerar o fato  de  ter  a  Recorrente  realizado  pagamento  a menor  de  contribuições  previdenciárias no período fiscalizado. Vale dizer, neste ponto, que os  recolhimentos  realizados  restaram  inclusive  comprovados  mediante  GPS apresentadas pela Recorrente às fls. 195/199.  Destarte,  considerando  o  que  preleciona  a  legislação  vigente  e  a  jurisprudência  sobre  o  tema,  necessário  o  reconhecimento  da  decadência  dos  créditos  previdenciários  referentes  ao  período  de  01/2004 a 05/2004.” (destaques da Contribuinte)  ­ considerando que somente em 02/06/2009 foi cientificada a lavratura do Auto  de  Infração,  é  de  se  reconhecer  que  já  haviam  transcorrido  mais  de  cinco  anos  para  a  constituição do crédito tributário relativamente aos meses de janeiro a maio de 2004, pelo que  se  impõe  a  extinção  do  crédito  tributário,  tanto  no  que  tange  ao  suposto  pagamento  de  pró­ labore, como também em relação ao pagamento de autônomos.  Fl. 353DF CARF MF Processo nº 19515.001861/2009­80  Resolução nº  9202­000.183  CSRF­T2  Fl. 354          8 Ao  final,  a  Contribuinte  pede  o  conhecimento  e  provimento  do  Recurso  Especial, reconhecendo­se a decadência do período de janeiro a maio de 2004.  Cientificada  do  Recurso  Especial  da Contribuinte  e  do  despacho  que  lhe  deu  seguimento  em  14/12/2017  (Despacho  de  Encaminhamento  de  e­fls.  1.071  do  processo  principal), a Fazenda Nacional ofereceu, em 19/12/2017 (Despacho de Encaminhamento de e­ fls.  1.083  do  processo  principal),  as  Contrarrazões  de  e­fls.  336  a  346,  com  os  seguintes  argumentos:  ­  no  caso,  impende  destacar  que  não  se  operou  lançamento  por  homologação  algum,  afinal  a  contribuinte  não  antecipou  o  pagamento  do  tributo,  tendo  em  vista  que  não  individualizou  o  fato  gerador  e  não  efetuou  o  recolhimento  antecipado  da  contribuição  em  comento;  ­  aliás,  a  Contribuinte  sequer  entendia  cabível  exigir  as  contribuições  ora  lançadas;  é  por  conta  disto  que  se  procedeu  ao  lançamento  de  ofício  da  exação,  na  linha  preconizada pelo art. 173, I, do CTN;  ­  nessa  perspectiva,  cumpre  enfatizar  que  o  cerne  da  questão  aqui  debatida  reside na análise da existência de pagamento antecipado de parte da contribuição exigida, cujo  reconhecimento  tem  a  aptidão  de  atrair  a  incidência  do  art.  150,  §  4.º,  do  CTN,  em  não  havendo tal antecipação de pagamento, a aplicação do art. 173, I, do CTN é impositiva;  ­  ressalte­se  que  não  há  que  se  falar  em  recolhimento  das  Contribuições  Previdenciárias devidas pelo contribuinte como um todo, de modo que qualquer recolhimento  efetuado, ainda que não se refira ao objeto do lançamento, possa influir na contagem do prazo  decadencial de forma a ensejar a aplicação do art. 150, § 4.º, do CTN, este raciocínio não pode  prevalecer, sob pena de fulminar as normas legais de regência e abrir ensanchas para injustiças  e inauditas lesões ao Erário;  ­ para o exame da ocorrência de pagamento antecipado parcial, para os fins ora  colimados,  afigura­se  óbvia  a  necessidade  de  se  verificar  se  a  Contribuinte  pagou  parte  do  débito tributário objeto de cobrança, e não daqueles afetos a outros fatos geradores;  ­  no  caso  em  apreço,  os  valores  lançados  não  foram  reconhecidos  pela  Contribuinte,  e  tampouco  adimplidos  parcialmente,  sendo  forçoso  concluir  que  inexiste  pagamento antecipado quanto às contribuições exigidas, devendo ser aplicada na espécie, para  fins de contagem da decadência, a regra encartada no art. 173, I, do CTN.  Ao  final,  a  Fazenda  Nacional  pede  que  seja  negado  provimento  ao  Recurso  Especial da Contribuinte.    Voto  Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo ­ Relatora  Trata­se  de  Recursos  Especiais  interpostos  pela  Fazenda  Nacional  e  pela  Contribuinte.  Fl. 354DF CARF MF Processo nº 19515.001861/2009­80  Resolução nº  9202­000.183  CSRF­T2  Fl. 355          9 O presente processo cuida do Debcad 37.230.556­3, referente às Contribuições  Sociais  Previdenciárias,  não  retidas  e  nem  recolhidas,  devidas  pelos  segurados  contribuintes  individuais, no período de 01/2004 a 12/2004. A ciência da autuação ocorreu em 02/06/2009  (fls. 07)  Conforme Relatório Fiscal de fls 82 a 85, os valores a que se refere o Auto de  Infração  dizem  respeito  aos  levantamentos  realizados  a  título  de  AUT  (Autônomos)  e  PLB  (Pagamento  de  Pró  Labore),  uma  vez  que  verificada  a  retirada  de  valores  pelos  sócios  da  sociedade de advogados sem o respectivo recolhimento das Contribuições Previdenciárias.   As  competências  06/2004  a  12/2004  do  levantamento  AUT  (Autônomos)  foram  transferidas  para  o Debcad  37.273.614­9  (processo  nº  16151.000466/2010­00)  em  face de adesão a parcelamento, de  sorte que a respectiva exigência  tornou­se definitiva.  Assim,  remanescem em  litígio  a decadência  relativa  aos períodos de 01  a  05/2004  e,  no  mérito, os levantamentos PLB (Pagamento de Pró Labore).  Quanto ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, este suscita duas  matérias, a saber:  ­  preliminar  de  preclusão,  tendo  em  vista  alteração  dos  argumentos  de  defesa após a impugnação; e  ­ pagamento de pró­labore indireto.  A primeira matéria resta clara no Recurso Especial, conforme se depreende do  seguinte trecho:  "Anote­se  que,  em  atenção  à  norma  regimental,  serão  apresentados,  quanto a cada matéria objeto de insurgência, até duas ementas para a  caracterização do dissídio. As razões abaixo elencadas servirão, a um  só  tempo,  para  alicerçar  a  admissibilidade  recursal  e  para  fundamentar as razões para modificação do julgado ora recorrido.  (...)  Em  sede  de  impugnação,  defendeu  o  contribuinte  não  prosperar  a  cobrança  de  contribuição  previdenciária  sobre  os  pagamentos  feitos  aos sócios, direta ou indiretamente, na forma de quitação de despesas  particulares, pois tais valores foram debitados de lucros auferidos pela  empresa, não se tratando, pois, de remuneração na forma de retirada  pró­labore.  Juntou  aos  autos  cópia  do  Livro  Razão  Analítico,  conta  LUCROS ACUMULADOS, na  tentativa de demonstrar que os valores  atribuídos  aos  sócios  referiam­se,  em  sua  grande  maioria,  aos  anos  anteriores.  Todavia, a DRJ não aceitou tal argumentação, eis que a documentação  juntada  pelo  contribuinte  não  fez  prova  de  suas  alegação,  não  comprovando  que  os  valores  lançados  nas  diversas  contas  (corrente  dos sócios e despesas) se originaram da conta Lucros Acumulados.  O  contribuinte,  então,  por  ocasião  da  interposição  do  recurso  voluntário, reconheceu o equívoco da explicação anterior e inovou em  suas  alegações,  sustentando  que  os  numerários  foram  lançados  em  Fl. 355DF CARF MF Processo nº 19515.001861/2009­80  Resolução nº  9202­000.183  CSRF­T2  Fl. 356          10 contas do ativo,  como valores a  receber dos  sócios,  não podendo  ser  considerados como retirada de pró­labore.  Tal argumentação foi acolhida, por maioria de votos, pelo Colegiado a  quo, o qual concluiu que para que o pagamento realizado pela empresa  seja  considerado  como  pró­labore  é  'necessário  que  no  balanço  contábil  da  empresa  estejam os  valores  lançados  como dispêndio  em  razão de pagamento de remuneração'.  Todavia, conforme restará demonstrado, tal decisão merece reforma. A  um  em  face  da  preclusão.  A  dois  porque  o  lançamento  de  despesas  diversas dos sócios em contas do ativo, por si só, não afasta a natureza  de  pró­labore  dos  valores  contabilizados,  mormente  quando  a  escrituração  fiscal  não  é  acompanhada  de  documentação  que  comprove o alegado.  Inicialmente, cumpre destacar que não é dado ao contribuinte inovar  em suas alegações por ocasião do  recurso  voluntário. Com efeito,  é  sabido  que,  em  homenagem  ao  princípio  da  preclusão  e  do  duplo  grau de jurisdição, os argumentos submetidos à primeira instância é  que  determinam  os  limites  do  litígio,  ou  seja,  matérias  não  impugnadas  tornam­se  definitivas  na  esfera  administrativa,  não  podendo mais ser levadas ao Conselho. Logo, a rigor, a argumentação  expendida pelo contribuinte em sede de recurso voluntário, que diverge  totalmente  daquela  exposta  por  ocasião  da  impugnação,  não  poderia  ter sido sequer apreciada pelo Colegiado a quo.  Todavia, ainda que superada a questão da preclusão, observa­se que a  tese defendida pelo contribuinte e acolhida pela turma a quo não tem o  condão de afastar a tributação."  Entretanto,  compulsando­se  o  Despacho  de  Admissibilidade  do  Recurso  Especial da Fazenda Nacional (fls. 1.007 a 1.011), constata­se que essa matéria não foi objeto  de exame.  No que tange à segunda matéria suscitada pela Fazenda Nacional ­ pagamento  de pró­labore indireto ­ em sede de Contrarrazões a Contribuinte suscita o não conhecimento  do Recurso Especial, alegando, em síntese:  ­  falta  de  indicação,  no  Recurso  Especial,  do  dispositivo  legal  objeto  de  interpretação divergente;  ­  imprestabilidade  dos  acórdãos  paradigmas,  que  não  guardariam  similitude  fática com o acórdão recorrido.  Quanto ao segundo ponto, a Contribuinte argumenta que no acórdão  recorrido  os  valores  objeto  da  autuação  não  transitaram  em  conta  de  despesa  e  haveria  liquidações  parciais no curto prazo, o que evidenciaria a análise minuciosa do balanço da empresa,  tanto  que comprovou­se o registro de valores a receber dos sócios, a obrigação da empresa para com  os mesmos sócios e  liquidações parciais no curto prazo (razão contábil às  fls 879 a 883). Os  acórdãos  paradigmas,  por  sua  vez,  teriam  consignado  que  os  valores  autuados  foram  classificados  como  empréstimos  e  não  houve  comprovação  de  sua  quitação,  restando  evidenciado que não houve qualquer tipo de liquidação por parte dos sócios.  Fl. 356DF CARF MF Processo nº 19515.001861/2009­80  Resolução nº  9202­000.183  CSRF­T2  Fl. 357          11 No  que  tange  a  esta  segunda matéria,  importa  salientar  que,  no Despacho  de  Admissibilidade do Recurso Especial, somente foi analisado o segundo paradigma, Acórdão nº  2401­02.544, desprezando­se o primeiro, Acórdão nº 2403­002.120.   Assim, para que as partes não sejam prejudicadas, e no sentido de respeito ao  devido  processo  legal  e  à  ampla  defesa,  voto  por  converter  o  julgamento  em  diligência  à  Câmara  a  quo,  para  complemento  do  exame  de  admissibilidade,  no  que  tange  à  primeira  matéria ­ preclusão ­ bem como quanto ao primeiro paradigma indicado para a segunda matéria  ­ Acórdão nº 2403­002.120.  (assinado digitalmente)  Maria Helena Cotta Cardozo  Fl. 357DF CARF MF

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7419921 #
Numero do processo: 13876.720410/2011-84
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2006 DESPESAS MÉDICAS. CONTRIBUINTE CONSTANDO COMO PAGADOR DA DESPESA NO RECIBO. DESNECESSIDADE DE INDICAÇÃO DO BENEFICÁRIO. Constando o nome do contribuinte no recibo como pagador da despesa médica que deduziu na Declaração de Ajuste Anual, presume-se ser ele o beneficiário da prestação de serviço, salvo prova em contrário. DESPESAS MEDICAS. INTIMAÇÃO. EFETIVO PAGAMENTO. NÃO COMPROVAÇÃO. Há de se comprovar, quando regularmente intimado, o efetivo pagamento das despesas com os profissionais da área médica, que pretendeu aproveitar na DIRPF
Numero da decisão: 2402-006.326
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior (relator). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Mauricio Nogueira Righetti. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente. (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior - Relator. (assinado digitalmente) Maurício Nogueira Righetti - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
Nome do relator: GREGORIO RECHMANN JUNIOR

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1589; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C4T2  Fl. 115          1 114  S2­C4T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  13876.720410/2011­84  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2402­006.326  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  03 de julho de 2018  Matéria  IRPF. DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO  Recorrente  HERMELINO DE OLIVEIRA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Ano­calendário: 2006  DESPESAS  MÉDICAS.  CONTRIBUINTE  CONSTANDO  COMO  PAGADOR  DA  DESPESA  NO  RECIBO.  DESNECESSIDADE  DE  INDICAÇÃO DO BENEFICÁRIO.  Constando  o  nome  do  contribuinte  no  recibo  como  pagador  da  despesa  médica  que  deduziu  na  Declaração  de  Ajuste  Anual,  presume­se  ser  ele  o  beneficiário da prestação de serviço, salvo prova em contrário.  DESPESAS  MEDICAS.  INTIMAÇÃO.  EFETIVO  PAGAMENTO.  NÃO  COMPROVAÇÃO.  Há de se comprovar, quando regularmente intimado, o efetivo pagamento das  despesas  com os  profissionais  da  área médica,  que  pretendeu  aproveitar  na  DIRPF       Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.    Acordam  os  membros  do  colegiado,  pelo  voto  de  qualidade,  em  negar  provimento  ao  recurso  voluntário. Vencidos  os  Conselheiros  João Victor Ribeiro Aldinucci,  Jamed Abdul  Nasser  Feitoza,  Renata  Toratti  Cassini  e Gregorio  Rechmann  Junior  (relator).  Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Mauricio Nogueira Righetti.    (assinado digitalmente)  Mário Pereira de Pinho Filho ­ Presidente.      (assinado digitalmente)  Gregório Rechmann Junior ­ Relator.         AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 87 6. 72 04 10 /2 01 1- 84 Fl. 115DF CARF MF     2 (assinado digitalmente)  Maurício Nogueira Righetti ­ Redator designado.    Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mário Pereira de Pinho  Filho,  Mauricio  Nogueira  Righetti,  João  Victor  Ribeiro  Aldinucci,  Denny  Medeiros  da  Silveira,  Jamed  Abdul  Nasser  Feitoza,  Luis  Henrique  Dias  Lima,  Renata  Toratti  Cassini  e  Gregorio Rechmann Junior.    Relatório  Trata­se  de  recurso  voluntário  em  face  da  decisão  da  3ª  Tuma  da  DRJ/BSB,  consubstanciada no Acórdão nº 03­59.871, que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo  sujeito passivo.    Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão de primeira instância:    Para  o  sujeito  passivo  em  epígrafe  foi  emitida  Notificação  de  Lançamento  do  Imposto  de  Renda  da  Pessoa  Física  –  IRPF  (fls.26­31),  referente  ao  exercício  2007,  ano­calendário  2006,  por  Auditor  Fiscal  da  Receita  Federal  do  Brasil.  Após  a  revisão  da  Declaração,  foi  apurado  saldo  de  imposto  a  pagar  de  R$16.764,28, mais multa de ofício e juros de mora.    O lançamento acima foi decorrente da seguinte infração:    Dedução Indevida de Despesas Médicas. Glosa de R$63.626,56.    •  pagamento  de  R$  46.000,00  para  SANTE  ASSISTÊNCIA  MÉDICA  LTDA.  Apresentou  Nota  Fiscal  de  Prestação  de  Serviços.  Este  estabelecimento  está  cadastrado  com CNAE FISCAL  8630­5­03  com Atividade Médica  ambulatorial  restrita  a  consultas.  Não  atestou  o  efetivo  pagamento  da  despesa,  apesar  de  intimado para tanto;    • Glosadas as despesas de R$ 5.720,00, para CELSO CARVALHO FERRARI. O  recibo apresentado não esclarece quem foi paciente tratado. Não atestou o efetivo  pagamento da despesa, apesar de intimado para tanto;    •  Glosadas  as  despesas  de  R$  2.600,00  para  RUBENS  ANTONIO  ARANHA  FILHO.  O  recibo  apresentado  não  esclarece  quem  foi  paciente  tratado.  Não  atestou o efetivo pagamento da despesa, apesar de intimado para tanto;    •  Glosadas  as  despesas  de  R$  7.200,00  para  MARIZA  HELENA  AGOSTINI  FONTANA. O recibo apresentado não esclarece quem foi paciente tratado. Não  atestou o efetivo pagamento da despesa, apesar de intimado para tanto;    • Os recibos não trazem o endereço;    •  Declarou  despesas  médicas  no  valor  de  R$  9.985,00  para  VERA  CRUZ  ASSOCIAÇÃO DE  SAÚDE. O  comprovante  anual  tem  o  valor  de R$  8.249,34.  Em face do exposto foi glosada a diferença de R$ 1.736,56;    Fl. 116DF CARF MF Processo nº 13876.720410/2011­84  Acórdão n.º 2402­006.326  S2­C4T2  Fl. 116          3 •  Declarou  despesas  médicas  no  valor  de  R$  420,00  para  CECÍLIA  AFONSO  FERREIRA. Regularmente intimado, não apresentou comprovantes.    Enquadramento legal consta da Notificação de Lançamento supracitada.    O contribuinte apresenta  impugnação, na qual,  em síntese, expõe os motivos de  fato e de direito que se seguem:    Pagou as despesas médicas aos profissionais e à Clínica Sante, na época própria  e conforme manda a legislação vigente.    Para a Clínica Sante, solicitou a emissão de Nota Fiscal. Todos os pagamentos  feitos a Celso Carvalho Ferrari e para a Clínica Sante foram através de cheques.  Aos outros profissionais, o pagamento foi feito em dinheiro.    Quanto  ao  fato  de  o  agente  fiscal  solicitar  documentos  que  comprovem  o  tratamento,  está  aguardando  os  profissionais  enviarem  a  ficha  dentária  e  os  prontuários médicos. Não encontrou nenhum artigo ou § que proíba o pagamento  em dinheiro e nada que o obrigue a efetuar pagamentos em cheques nominais e  guardar cópias.    Está  indignado pelo motivo de  ter que apresentar mais provas, além das que  já  apresentou.    A DRJ  julgou  improcedente  a  impugnação  do  sujeito  passivo,  tendo  concluído,  em síntese, que não atestado de  forma hábil e  idônea o gasto realizado,  isto é, não demonstrada  inequivocamente a efetiva transferência de recursos, há que manter a glosa.    Cientificado  dessa  decisão,  o  contribuinte  interpôs  recurso  voluntário  de  fls.  81/83, por meio do qual reitera o quanto aduzido na impugnação apresentada.    É o relatório.  Fl. 117DF CARF MF     4   Voto Vencido  Conselheiro Gregório Rechmann Junior ­ Relator    O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade. Portanto,  deve ser conhecido.    A Notificação de Lançamento guerreada foi motivada em decorrência da glosa de  deduções de despesas médicas.    A  dedução  de  despesas  médicas  e  de  saúde  na  declaração  de  ajuste  anual  tem  como supedâneo  legal os seguintes dispositivos do art. 8º da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de  1995, abaixo transcritos:    Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no ano­calendário será a diferença  entre as somas:  I  ­  de  todos  os  rendimentos  percebidos  durante  o  ano­calendário,  exceto  os  isentos, os não­tributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à  tributação definitiva;  II ­ das deduções relativas:  a)  aos  pagamentos  efetuados,  no  ano­calendário,  a  médicos,  dentistas,  psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais,  bem  como  as  despesas  com  exames  laboratoriais,  serviços  radiológicos,  aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias;  (...)  § 2º O disposto na alínea a do inciso II:  I  ­  aplica­se,  também,  aos  pagamentos  efetuados  a  empresas  domiciliadas  no  País,  destinados  à  cobertura  de  despesas  com  hospitalização,  médicas  e  odontológicas,  bem como a  entidades que assegurem direito de atendimento ou  ressarcimento de despesas da mesma natureza;  II ­ restringe­se aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio  tratamento e ao de seus dependentes;  III  ­  limita­se  a  pagamentos  especificados  e  comprovados,  com  indicação  do  nome, endereço e número de  inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas  ­ CPF  ou no Cadastro Geral de Contribuintes ­ CGC de quem os recebeu, podendo, na  falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi  efetuado o pagamento;  IV ­ não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou  cobertas por contrato de seguro;  V  ­  no  caso  de  despesas  com  aparelhos  ortopédicos  e  próteses  ortopédicas  e  dentárias, exige­se a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome  do beneficiário.    Sobre a matéria, assim dispõe o art. 80 do Decreto nº 3.000/1999, in verbis:    Fl. 118DF CARF MF Processo nº 13876.720410/2011­84  Acórdão n.º 2402­006.326  S2­C4T2  Fl. 117          5 Seção I  Despesas Médicas  Art.  80.  Na  declaração  de  rendimentos  poderão  ser  deduzidos  os  pagamentos  efetuados,  no  ano­calendário,  a  médicos,  dentistas,  psicólogos,  fisioterapeutas,  fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com  exames  laboratoriais,  serviços  radiológicos,  aparelhos  ortopédicos  e  próteses  ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a").    § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º):    I  ­  aplica­se,  também,  aos  pagamentos  efetuados  a  empresas  domiciliadas  no  País,  destinados  à  cobertura  de  despesas  com  hospitalização,  médicas  e  odontológicas,  bem como a  entidades que assegurem direito de atendimento ou  ressarcimento de despesas da mesma natureza;  II ­ restringe­se aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio  tratamento e ao de seus dependentes;  III  ­  limita­se  a  pagamentos  especificados  e  comprovados,  com  indicação  do  nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas­CPF ou  no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica­CNPJ de quem os  recebeu, podendo,  na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi  efetuado o pagamento;  IV ­ não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou  cobertas por contrato de seguro;  V  ­  no  caso  de  despesas  com  aparelhos  ortopédicos  e  próteses  ortopédicas  e  dentárias, exige­se a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome  do beneficiário.    § 2º Na hipótese de pagamentos  realizados no  exterior,  a  conversão em moeda  nacional será feita mediante utilização do valor do dólar dos Estados Unidos da  América, fixado para venda pelo Banco Central do Brasil para o último dia útil  da primeira quinzena do mês anterior ao do pagamento.  §  3º  Consideram­se  despesas  médicas  os  pagamentos  relativos  à  instrução  de  deficiente físico ou mental, desde que a deficiência seja atestada em laudo médico  e o pagamento efetuado a entidades destinadas a deficientes físicos ou mentais.  § 4º As despesas de internação em estabelecimento para tratamento geriátrico só  poderão  ser  deduzidas  se  o  referido  estabelecimento  for  qualificado  como  hospital, nos termos da legislação específica.  § 5º As despesas médicas dos alimentandos, quando realizadas pelo alimentante  em  virtude  de  cumprimento  de  decisão  judicial  ou  de  acordo  homologado  judicialmente, poderão ser deduzidas pelo alimentante na determinação da base  de cálculo da declaração de rendimentos (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 3º).    No  caso  em  análise,  vários  recibos  tiveram  a  sua  glosa motivada  por  não  estar  presente no respectivo documento a indicação do beneficiário do serviço.    Fl. 119DF CARF MF     6 O exame da documentação acostada pelo recorrente revela em que, com exceção  apenas  do  recebido  emitido  por Cecília Afonso  Ferreira,  no  valor  de R$ 420,00,  todos  os  outros  constam, como pessoa que pagou pelas despesas médicas, o Sr. Hermelino de Oliveira, o recorrente.  Não  trilha  bom  caminho  a  intepretação  –  aparentemente  adotada  pela  fiscalização  e  corroborada  pelo  órgão  julgador  de  piso  ­  segundo  a  qual,  além  do  nome  da  pessoa  física  que  pagou  pelo  serviço, deveria necessariamente estar consignado o nome do beneficiário.    De uma maneira geral, o recibo emitido pelos prestadores de serviço pessoa física  é entregue para os pacientes assim que se dá o pagamento do tratamento ou consulta, sem dispor de  campo próprio a ser preenchido com a indicação do beneficiário, até mesmo porque, na maioria das  vezes, este se confunde com a própria pessoa do paciente.    Assim,  o  nome  constante  como  responsável  pelo  pagamento  deve  ser  aceito  e  presumido  como  sendo  o  do  beneficiário  da  prestação  do  serviço  a  que  se  refere  o  recibo,  em  respeito ao princípio da boa fé que deve reger as relações fisco­contribuinte.    Neste sentido, tem­se entendimento da própria Receita Federal do Brasil sobre o  tema, consoante espelha a Solução de Consulta Interna nº 23, de 30 de agosto de 2013, cuja ementa  se reproduz abaixo:    ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  A  RENDA  DE  PESSOA  FÍSICA  –  IRPF.  DESPESAS MÉDICAS. IDENTIFICAÇÃO DO BENEFICIÁRIO.    São dedutíveis, da base de cálculo do IRPF, as despesas médicas realizadas pelo  contribuinte, referentes ao próprio  tratamento e de seus dependentes, desde que  especificadas e comprovadas mediante documentação hábil e idônea.    Na hipótese de o comprovante de pagamento do serviço médico prestado ter sido  emitido em nome do contribuinte sem a especificação do beneficiário do serviço,  pode­se presumir que esse foi o próprio contribuinte, exceto quando, a juízo da  autoridade fiscal, forem constatados razoáveis indícios de irregularidades.    No caso de o serviço médico ter sido prestado a dependente do contribuinte, sem  a  especificação  do  beneficiário  do  serviço  no  comprovante,  essa  informação  poderá  ser  prestada  por  outros  meios  de  prova,  inclusive  por  declaração  do  profissional ou da empresa emissora do referido documento comprobatório.    Dispositivos Legais: Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 ­ Código de Processo  Civil (CPC), art. 332; Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995    Outro  ponto  a  ser  analisado,  diz  respeito  à  aceitação  dos  recibos  apresentados  como meio de prova do efetivo pagamentos das despesas médicas, cujas deduções foram glosadas  pela fiscalização.    É  fato,  conforme  a  ciência  processual  já  há  muito  firmou,  que  recibos  são  instrumentos particulares que comprovam a quitação do negócio jurídico, não se consubstanciando  em prova inequívoca da realização de um pagamento.    Fl. 120DF CARF MF Processo nº 13876.720410/2011­84  Acórdão n.º 2402­006.326  S2­C4T2  Fl. 118          7 Apesar  disso,  deve­se  reconhecer  que  a  própria  legislação  tributária  conferiu  a  esse tipo de documento o valor de prova do pagamento, consoante disposto no inciso III do § 2º do  art. 8º da Lei nº 9.250/95 ­ anote­se que um documento de transferência bancária, por exemplo, não  possui  todos  os  elementos  discriminados  na  legislação,  tais  como  o  endereço  do  profissional  prestador do serviço, ao contrário do recibo, que possui campos de preenchimento adequados para  esses fins.    Desta  sorte,  a  regra  geral  é  a  aceitação  de  recibos,  caso  atendidos  os  seus  requisitos formais, motivo pelo qual a exigência de elementos adicionais para a comprovação das  despesas  médicas  deve  ser  devidamente  fundamentada,  sob  pena  de  violação  do  princípio  da  proteção da boa­fé e da legítima confiança que norteiam a relação fisco­contribuinte.    O  acórdão  atacado  não  vislumbrou  vícios  de  forma  nos  recibos  trazidos.  Ao  contrário, as  razões que o  julgador de primeiro grau pretendeu  trazer, com o devido respeito, não  restaram suficientemente claras para infirmar o valor probatório dos recibos apresentados.    Vale  observar,  ainda,  que  o  entendimento  que  aqui  se  partilha  é  o  de  que  é  perfeitamente  possível  que  a  autoridade  julgadora  busque,  com  respaldo  nas  normas  acima  mencionadas, elementos adicionais para a formação de sua convicção, porém a decisão que exsurge  da  análise  dessas  provas  deve  ser devida  e  coerentemente  fundamentada,  forte no  dever geral  de  motivação das decisões e da proteção à boa­fé do contribuinte.    Neste  contexto,  passa­se  ao  exame  de  cada  uma  das  glosas  de  forma  individualizada:    Ø Despesas de R$ 46.000,00 para SANTE ASSISTÊNCIA MÉDICA LTDA.    Motivo da Glosa:    *  O  estabelecimento  está  cadastrado  com  CNAE  FISCAL  8630­5­03  com  Atividade Médica ambulatorial restrita a consultas. O estabelecimento não se enquadra nas normas  relativas a estabelecimentos hospitalares editadas pelo Ministério da Saúde;    * A Nota Fiscal de Prestação de Serviços número 00000103 de 10/11/2006  tem  descrição  dos  serviços  feita  de  forma  genérica  como  SERVIÇOS MÉDICOS  PRESTADOS AO  PACIENTE HERMELINO DE OLIVEIRA. Não existe especificação do serviço prestado, qual o  valor de diárias, o que consumiu, entre outros.    Com  vistas  a  comprovar  o  seu  direito  à  dedução  do  montante  em  análise,  o  contribuinte  trouxe  aos  autos:  (i)  nota  fiscal  eletrônica  de  serviços  emitida  pela  SANTE  ASSISTÊNCIA MÉDICA  LTDA,  no  valor  de  R$  46.000,00,  com  a  seguinte  discriminação  dos  serviços: “serviços médicos prestados ao paciente Hermelino de Oliveira” –  fls. 5 e 34;  (ii)  ficha  médica; (iii) relatório de enfermagem; (iv) relatório de medicamentos aplicados; (v) avaliação pré­ operatório; e (vi) termo de consentimento – fls. 35 a 57.    Fl. 121DF CARF MF     8 Ademais, no corpo do recurso voluntário apresentado, esclareceu o recorrente que  o estabelecimento SANTE ASSISTÊNCIA MÉDICA LTDA possui, em seu Cadastro Nacional das  Pessoas Jurídicas, CNAEs secundários (fl. 90), conforme abaixo detalhado:        Entendo, assim, que restou devidamente comprovada a realização da despesa em  análise, impondo­se o restabelecimento da respectiva dedução.    Ø Despesas de R$ 5.720,00, para CELSO CARVALHO FERRARI.    Motivo da Glosa:    * O  recibo  apresentado  tem descrição  genérica  como  tratamento odontológico  e  não  esclarece  quem  foi  paciente  tratado.  Os  recibos  apresentados  carecem  do  endereço  do  local  onde foram prestados os serviços, não satisfazendo, portanto, às exigências contidas no artigo 80,  inciso III do RIR 99.    Ao contrário do quanto fundamentado pela fiscalização e convalidado pelo órgão  julgador  de  primeira  instância,  o  contribuinte  trouxe  aos  autos  recibo  do  prestador  de  serviços  contendo o nome, o CPF e o endereço deste (fl. 6). À fl. 64, junta novamente o referido recibo, com  a cópia da ficha dentária / orçamento emitido pelo mesmo prestador.    Inexistindo, pois, vícios formais no recibo apresentado pelo recorrente, impõe­se o  restabelecimento da respectiva dedução.    Ø Despesas de R$ 2.600,00 para RUBENS ANTONIO ARANHA FILHO    Motivo da Glosa:    * O recibo apresentado tem a descrição genérica como TRAT ODONTOLOGICO  e não esclarece quem foi paciente tratado. Os recibos apresentados carecem do endereço do  local  onde foram prestados os serviços, não satisfazendo, portanto, às exigências contidas no artigo 80,  inciso III do RIR 99    Tal  como  em  relação ao  caso precedente,  ao  contrário do quanto  fundamentado  pela fiscalização e convalidado pelo órgão julgador de primeira instância, o contribuinte trouxe aos  autos  (fl.  7  e  85)  recibo  do  prestador de  serviço  com  indicação  do  nome,  endereço  e  número  de  inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas – CPF.    Fl. 122DF CARF MF Processo nº 13876.720410/2011­84  Acórdão n.º 2402­006.326  S2­C4T2  Fl. 119          9 Assim,  inexistindo  vício  formal  no  documento  apresentado,  impõe­se  o  restabelecimento da dedução glosada pela fiscalização.    Ø Despesas de R$ 7.200,00 para MARISA HELENA AGOSTINI FONTANA.    Motivo da Glosa:    *  O  recibo  apresentado  não  esclarece  quem  foi  o  paciente  tratado.  Os  recibos  apresentados  carecem  do  endereço  do  local  onde  foram  prestados  os  serviços,  não  satisfazendo,  portanto, às exigências contidas no artigo 80, inciso III do RIR 99.    Correta a fiscalização neste particular. O contribuinte apresentou diversos recibos  emitidos  por Marisa Helena A.  Fontana,  no  valor  total  de R$ 7.200,00,  os  quais,  entretanto,  não  atendem  integralmente  aos  requisitos  legais,  na  medida  em  que  não  trazem  o  endereço  do  beneficiário.    Registre­se, pela sua importância, que a ausência do endereço foi um dos motivos  aduzidos  pela  fiscalização  para  promover  a  glosa  dos  respectivos  valores.  Assim,  o  contribuinte  poderia  ter  sanado  essa  lacuna  com  a  apresentação  da  impugnação  ou,  até  mesmo,  do  recurso  voluntário em análise, mas não o fez.    Procedente a glosa neste particular.    Ø Despesas de R$ 9.985,00 para VERA CRUZ ASSOCIAÇÃO DE SAÚDE. O  comprovante  anual  tem  o  valor  de  R$  8.249,34.  Em  face  do  exposto  foi  glosada a diferença de R$ 1.736,56    No que tange à glosa em voga, o contribuinte, por meio do seu recurso voluntário,  reconhece a procedência desta.    Ø Despesas de R$ 420,00 para CECÍLIA AFONSO FERREIRA    Motivo da Glosa:    *  Declarou  despesas médicas  no  valor  de R$  420,00  para  CECILIA AFONSO  FERREIRA. Regularmente intimado, não apresentou os comprovantes.    Razão não assiste à fiscalização e, por conseguinte, ao órgão julgador de primeira  instância que corroborou o entendimento daquela.    De  fato,  o  contribuinte  logrou  trazer  aos  autos  recibo  emitido  pelo  prestador  de  serviço contendo todos os requisitos exigidos pela legislação de regência da matéria.    Registre­se, pela sua importância, que, no recibo em análise, consta como pagador  (tomador  do  serviço,  conforme  entendimento  exposto  linhas  acima),  a  Sra.  Betânia  Binnoto  de  Oliveira, a qual consta como sua dependente na Declaração de Ajuste Anual.  Fl. 123DF CARF MF     10   Assim,  considerando  que  as  despesas  médicas  relativas  ao  tratamento  de  dependentes, nos termos da legislação supra transcrita, podem ser levadas à dedução e que o recibo  apresentado não contém vícios formais, impõe­se o afastamento da glosa em questão.    Ante o exposto, concluo o voto no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao  recurso  voluntário,  para  fins  de  restabelecer  a  dedução  de  despesas  médicas  comprovadas  pelo  contribuinte  por  meio  dos  respectivos  recibos  nos  termos  acima  descritos,  no  montante  de  R$  54.740,00 (cinquenta e quatro mil, setecentos e quarenta reais), conforme abaixo demonstrado:      Nome / Razão Social do Beneficiário Valor Glosado  (R$) SANTE ASSISTÊNCIA MÉDICA LTDA 46.000,00              CELSO CARVALHO FERRARI 5.720,00                 RUBENS ANTONIO ARANHA FILHO 2.600,00                 CECILIA AFONSO FERREIRA 420,00                    54.740,00              GLOSAS AFASTADAS     Por conseguinte, ficam mantidas as seguintes glosas:    Nome / Razão Social do Beneficiário Valor Glosado  (R$) MARISA HELENA AGOSTINI FONTANA 7.200,00                 VERA CRUZ ASSOCIACAO DE SAUDE 1.736,56                 8.936,56                 GLOSAS MANTIDAS     É como voto.    (assinado digitalmente)  Gregório Rechmann Junior Voto Vencedor  Mauricio Nogueira Righetti, Redator Designado.  Em que pese  as muito bem articuladas  fundamentação e  conclusão do voto  condutor, delas ouso discordar.  O ponto de discordância resume­se, pode­se assim dizer, à necessidade de o  contribuinte comprovar, após regularmente intimado, a transferência do numerário em função  das despesas com profissionais da área médica, de que pretendeu se valer por meio de recibos  apresentados à Fiscalização.  Fl. 124DF CARF MF Processo nº 13876.720410/2011­84  Acórdão n.º 2402­006.326  S2­C4T2  Fl. 120          11 Faço  registrar  as  considerações  promovidas  pela  autoridade  autuante.  Confira­se:        A base legal para dedução de despesas dessa natureza é a alínea "a" do inciso  II do artigo 8º da Lei 9.250/95, que assim estabelece:    a)  aos  pagamentos  efetuados,  no  ano­calendário,  a  médicos,  dentistas,  psicólogos,  fisioterapeutas,  fonoaudiólogos,  terapeutas  ocupacionais  e  hospitais,  bem  como  as  despesas  com  exames  laboratoriais,  serviços  radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas  e dentárias; (destaquei)  § 2º O disposto na alínea a do inciso II:  (...)  II  ­  restringe­se  aos  pagamentos  efetuados  pelo  contribuinte,  relativos ao próprio  tratamento e ao de  seus  dependentes;   Fl. 125DF CARF MF     12 III  ­  limita­se a pagamentos especificados e comprovados,  com  indicação  do  nome,  endereço  e  número  de  inscrição  no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral  de  Contribuintes  CGC  de  quem  os  recebeu,  podendo,  na  falta  de  documentação,  ser  feita  indicação  do  cheque  nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento;    Veja­se,  não basta que  tenha havido  a despesa. É  imprescindível que  tenha  sido efetivamente PAGA pelo contribuinte.  De Início, a despesa reputa­se comprovada por meio da indicação do nome,  endereço  e  nº  do  CPF  de  quem  recebeu  o  pagamento,  sendo  que,  por  outro  lado,  a  comprovação  do  efetivo  pagamento  não  se  dá,  por  óbvio  e  necessariamente,  por meio  dessa  mera indicação.  Da  leitura  do  dispositivo  encimado,  infere­se  que  não  basta  que  haja  um  pagamento a determinada pessoa, há de se comprovar a natureza da despesas e/ou motivo que  deu azo a tal pagamento; da mesma forma, não basta que haja a despesa descrita e evidenciada  por meio da indicação do nome, endereço e CPF do profissional que prestou o serviço, há de se  comprovar seu efetivo pagamento por parte do contribuinte.  Assim,  penso  que  há  de  se  comprovar,  quando  intimado,  o  pagamento  de  despesas dessa natureza, aí entendida a transferência do numerário pelo contribuinte àquele que  teria prestado o serviço cuja despesa é dedutível para fins de apuração do IR, sobretudo quando  o Fisco, a seu juízo, evidencia a necessidade de que assim seja feito, em função, por exemplo,  da  ocupação  do  contribuinte  (em  regra,  profissionais  liberais),  valores  envolvidos  (em geral,  abaixo do limite de isenção por emitente dos recibos), expressividade das despesas médicas em  comparação aos  rendimentos  tributáveis declarados,  tipo das despesas médicas envolvidas  (a  rigor, com fisioterapeutas, fonoaudiólogos, psicólogos, dentistas, via de regra não cobertos por  planos de saúde), dentre outros.   Não é por outro motivo que o artigo 73 do Decreto 3.000/99 estabelece que  "todas  as  deduções  estão  sujeitas  a  comprovação  ou  justificação,  a  juízo  da  autoridade  lançadora".  Nessa  linha,  cumpre  destacar  as  observações  promovidas  pelo  acórdão  vergastado, no que toca à despesa com a Sante Assistência Médica Ltda, cuja nota fiscal daria  conta de seu pagamento em cheque, e à comprovação do efetivo pagamento daquelas despesas,  ainda que referidos pagamentos tivessem se dado em espécie.     Fl. 126DF CARF MF Processo nº 13876.720410/2011­84  Acórdão n.º 2402­006.326  S2­C4T2  Fl. 121          13   Assim  sendo,  uma  vez  não  atendida  a  intimação,  no  sentido  de  que  fosse  comprovado o desembolso para pagamento das despesas com aqueles profissionais, tenho que  a manutenção do lançamento é um imperativo.   Ante o exposto, VOTO no sentido de NEGAR provimento ao recurso.  (assinado digitalmente)  Mauricio Nogueira Righetti                  Fl. 127DF CARF MF

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Numero do processo: 15374.952199/2009-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3401-001.444
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade da RFB analise os documentos anexados ao processo, posteriormente ao início do contencioso, elaborando relatório conclusivo sobre a existência do crédito postulado, vencidos os Cons. Lázaro Antonio de Souza Soares, Mara Cristina Sifuentes e Marcos Roberto da Silva. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN

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3401­001.444  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária  Data  27 de agosto de 2018  Assunto  PIS/COFINS ­ COMPENSAÇÃO  Recorrente  STE ­ SUL TRANSMISSORA DE ENERGIA S.A.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Resolvem  os  membros  do  colegiado,  por  maioria  de  votos,  em  converter  o  julgamento  em  diligência,  para  que  a  unidade  da  RFB  analise  os  documentos  anexados  ao  processo,  posteriormente  ao  início  do  contencioso,  elaborando  relatório  conclusivo  sobre  a  existência  do  crédito  postulado,  vencidos  os  Cons.  Lázaro  Antonio  de  Souza  Soares,  Mara  Cristina Sifuentes e Marcos Roberto da Silva.  (assinado digitalmente)  Rosaldo Trevisan ­ Presidente e Relator  Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes,  Tiago  Guerra  Machado,  Marcos  Roberto  da  Silva  (suplente  convocado),  André  Henrique  Lemos,  Lázaro  Antonio  Souza  Soares,  Cássio  Schappo,  Leonardo  Ogassawara  de  Araújo  Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente).     Relatório  1. Cuida o presente processo de Pedido de Compensação referente a Pagamento  Indevido ou a Maior de Cofins, solicitado através do PER/DCOMP.  2. O Interessado foi cientificado, através de Despacho Decisório de que, a partir  das  características  do DARF  discriminado  no  PER/DCOMP,  foram  localizados  um  ou mais  pagamentos  integralmente  utilizados  para  quitação  de  débitos  do  contribuinte,  não  restando  crédito disponível para compensação dos débitos informados no PerDcomp. Assim, diante da  inexistência de crédito, a compensação declarada não foi homologada.     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 53 74 .9 52 19 9/ 20 09 -2 9 Fl. 433DF CARF MF Processo nº 15374.952199/2009­29  Resolução nº  3401­001.444  S3­C4T1  Fl. 3            2 3. O Interessado apresentou Manifestação de Inconformidade, onde afirma que a  origem do crédito foi a mudança no critério de apuração das contribuições para o PIS e Cofins  do sistema Não Cumulativo para o Cumulativo. A nova sistemática havia sido adotada pois os  contratos  geradores  da  receita  operacional  da  empresa  foram  firmados  antes  de  outubro  de  2003.  Feita  a opção  pela  "cumulatividade"  a  empresa  apurou  créditos,  pois  ao  examinar  sua  documentação contábil e fiscal constatou recolhimentos efetuados a maior que o devido.  4. Alega que  efetuou pagamento a maior, mas que deixou de  fazer, em data  oportuna,  a  devida  retificação  da  DCTF,  o  que  resultou  na  emissão  do  Despacho  Decisório  em  discussão  negando  o  crédito.  Posteriormente,  no  entanto,  efetuou  a  retificação  dessa  DCTF,  alterando,  entre  outros,  o  valor  devido.  Esse  procedimento  originou  um  crédito  solicitado,  que  corresponde  ao  pagamento  efetuado  a  maior  que  a  contribuição efetivamente devida.  5. Nenhuma demonstrativo/documentação contábil  foi anexada à Manifestação  de Inconformidade.  6. A DRJ/BHE, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação  de  Inconformidade, entendendo que a DCTF retificada após  a  ciência do despacho decisório  não constitui prova nem tem nenhuma força de convencimento e só pode ser considerada como  argumento  de  impugnação,  não  produzindo  efeitos  quando  reduz  débitos  que  tenham  sido  objeto de exame em procedimento de fiscalização.  7. Em sua decisão, afirma que no presente caso, o contribuinte não comprova o  erro  ou  a  falsidade  da  declaração  entregue.  Apenas  informa  que  a  origem  do  crédito  foi  a  mudança  no  critério  de  apuração  das  contribuições  para  o  PIS  e  Cofins  do  sistema  Não  Cumulativo para o Cumulativo, sem contudo apresentar nenhum documento contábil ou fiscal  que comprove as suas afirmações.  8. Irresignado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, no qual esclarece ser  sociedade concessionária de transmissão de energia elétrica e que, em 19 de dezembro de 2002,  celebrou com a UNIÃO, por intermédio da ANEEL, o Contrato de Concessão n° 081/2002, por  meio do qual se comprometeu na construção, operação e manutenção das instalações da Linha  de Transmissão Uruguaiana/Santa Rosa, pelo prazo de 30 (trinta) anos.  9.  Esclarece  ainda  que,  muito  embora  seja  obrigatoriamente  contribuinte  da  COFINS não­cumulativa, uma vez que recolhe o imposto de renda com base no lucro real, na  ocasião  da  compensação  todas  as  suas  receitas,  que  eram  decorrentes  do  contrato  de  concessão de transmissão de energia elétrica, eram tributadas no regime cumulativo previsto na  Lei n° 9.718/98, por força do artigo 10, da Lei n° 10.833/2003.  10.  Informa que, muito  embora o  regime cumulativo  fosse  a  regra  aplicável  à  tributação  das  suas  receitas,  por um  longo  tempo  (até  novembro  de  2005),  dúvidas  existiam  acerca  do  que  exatamente  contemplaria  a  expressão  "preço  predeterminado",  uma  das  condições estabelecida no citado artigo 10, da Lei n° 10.833/2003, principalmente por conta do  art. 2º da Instrução Normativa n° 468, de 08/11/2004, que regulamentava a questão.  11.  Frente  à  insegurança  jurídica  estabelecida  pela  norma  executiva  RFB,  a  Recorrente se viu compelida a apurar e recolher a COFINS não­cumulativa, calculada sobre  suas receitas negociais, por um longo tempo (de 2004 até 2006). No entanto, após a edição da  Lei n° 11.196/2005, foi instituído que, para efeitos do disposto nas alíneas b e c, do inciso XI,  Fl. 434DF CARF MF Processo nº 15374.952199/2009­29  Resolução nº  3401­001.444  S3­C4T1  Fl. 4            3 do art. 10, da Lei n° 10.833/2003, o mero reajuste de preços não descaracteriza a condição de  predeterminação do preço.  12. Afirma que a RFB, em 06/07/2006, publicou a Instrução Normativa SRF n°  658/2006,  a  qual  manteve  o  entendimento  de  "preço  predeterminado",  conforme  a  regra  estabelecida no artigo 109, da Lei n° 11.196/2005. Tal ato normativo retroagiu os seus efeitos a  partir de 1º de fevereiro de 2004, conforme dispõe o seu inciso I, do artigo 7º. Vale dizer, para  os contratos que atendem  todas as  condições  insertas nas alineas  "b"  e  "c", do  inciso XI, do  artigo 10, da Lei n° 10.833/2003, o regime de apuração da COFINS seria o cumulativo.  13. Portanto,  somente depois de restabelecida  a  segurança  jurídica,  assegurada  pela Lei n° 11.196/2005 e pela  Instrução Normativa SRF n° 658/2006,  foi  que  a Recorrente  recompôs a base imponível da COFINS, calculada com base no regime cumulativo.  14. Apresentou documentação que alega confirmar seu pleito.  15. É o relatório.  Voto  Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de  junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido na Resolução 3401­001.440,  de  27  de  agosto  de  2018,  proferido  no  julgamento  do  processo  15374.948190/2009­13,  paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.  Transcrevem­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  os  entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3401­001.440):  "A  questão  de  fato  conforme  relatado,  tem  repercussão  na  dupla  forma  de  apuração,  declaração  e  recolhimento  das  Contribuições  Sociais  PIS/PASEP  e  COFINS,  para  o  período  em  referência.  A  regra  geral  para  a  Recorrente  é  a  do  regime  não  cumulativo,  porém,  possuía  contratos  sujeitos  ao  regime  cumulativo  por força da Lei 9.718/98 e art. 10 da Lei nº 10.833/2003.  Essa realidade demonstrada pela interessada com a juntada de  contratos  para  os  quais  a  incidência  das  contribuições  se  daria  no  regime  cumulativo,  não  deixou  dúvida  para  o  fisco.  Dessa  forma,  a  revisão  dos  valores  apurados  e  declarados  fora  do  regime  não  apropriado,  passou  a  ser  imprescindível,  devendo  ser  corrigido  de  acordo  com  o  permissivo  legal.  E  foi  isso  que  a  Contribuinte  fez,  retificou a DCTF e o DACON, anexando­os nos autos.   O DACON Retificador fez constar em suas fichas de apuração  das  contribuições,  que  a  totalidade  de  sua  receita  para  o  período  de  referência se submetia à incidência cumulativa, portanto, passou a ser  “zero”  o  valor  para  o  regime  não  cumulativo.  Juntou,  também,  no  processo,  planilha  demonstrando  as  diferenças  apuradas  das  contribuições  para  o  PIS  e  a  COFINS,  com  impacto  no  mês  de  Fl. 435DF CARF MF Processo nº 15374.952199/2009­29  Resolução nº  3401­001.444  S3­C4T1  Fl. 5            4 dezembro  de  2005,  mês  de  referencia  do  crédito  indicado  no  PER/DCOMP.   Por  outro  lado,  a  decisão  de  piso  firmou  entendimento  na  ausência  de  provas,  que  o  contribuinte  não  provou  o  erro  em  suas  declarações,  que  só  a  mudança  no  critério  de  apuração  das  contribuições  não  seria  suficiente,  necessitaria  da  juntada  de  documentos contábeis e fiscais como prova de suas afirmações.  Diante dessa posição externada pela DRJ a Recorrente juntou  contratos e esclareceu ser sociedade concessionária de transmissão de  energia  elétrica  e  que,  em  19  de  dezembro  de  2002,  celebrou  com  a  UNIÃO,  por  intermédio  da  ANEEL,  o  Contrato  de  Concessão  n°  081/2002, por meio do qual se comprometeu na construção, operação e  manutenção  das  instalações  da  Linha  de  Transmissão  Uruguaiana/Santa Rosa, pelo prazo de 30 (trinta) anos.  O  direito  a  compensação  como  forma  de  extinção  de  crédito  tributário tem amparo legal no art. 156, II do CTN e a IN 900/2008 da  RFB, estabelece em seu art. 34 que:  Art.  34.  O  sujeito  passivo  que  apurar  crédito,  inclusive  o  reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo  a  tributo  administrado pela RFB, passível de  restituição ou de  ressarcimento,  poderá  utilizá­lo  na  compensação  de  débitos  próprios,  vencidos  ou  vincendos,  relativos  a  tributos  administrados  pela  RFB,  ressalvadas  as  contribuições  previdenciárias, cujo procedimento está previsto nos arts. 44 a  48,  e  as  contribuições  recolhidas  para  outras  entidades  ou  fundos.  O ponto central da controversa fisco/contribuinte está no  fato  de  ter  sido  transmitida  DACON  e  DCTF  Retificadora  em  data posterior ao de ciência do Despacho Decisório, o que teria  acarretado  a  perda  da  espontaneidade.  Dessa  forma,  só  a  apresentação  de  DCTF  retificadora  não  seria  mais  suficiente  para  atestar  a  liquidez  e  certeza  do  crédito,  necessitava  o  interessado  trazer  elementos  hábeis  a  desconstituir  a  confissão  do débito que fez na DCTF originalmente transmitida.   Entendo  que  a  documentação  carreada  aos  autos  demonstra ser suficiente para comprovar o cometimento de erro  na  informação  do  valor  devido  de  COFINS  para  o  mês  de  dezembro/2005,  saneado através da  transmissão de declarações  retificadoras do DACON e DCTF.   Dessa  forma,  não  cabe  ao  CARF  suprir  deficiência  instrutória  ainda  que  em  sede  de  compensação.  Assim  estabelecem os artigos 10 e 11 da IN RFB nº 903/2008:   Art.  10.  Os  valores  informados  na  DCTF  serão  objeto  de  procedimento de auditoria interna.  (...)  Fl. 436DF CARF MF Processo nº 15374.952199/2009­29  Resolução nº  3401­001.444  S3­C4T1  Fl. 6            5 Art. 11. A alteração das  informações prestadas em DCTF será  efetuada  mediante  apresentação  de  DCTF  retificadora,  elaborada  com  observância  das  mesmas  normas  estabelecidas  para a declaração retificada.  § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração  originariamente  apresentada,  substituindo­a  integralmente,  e  servirá  para  declarar  novos  débitos,  aumentar  ou  reduzir  os  valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração  nos créditos vinculados.  Não  podem  as  autoridades  administrativas  omitir­se  de  analisar a materialidade dos débitos e créditos em compensação,  eis  que  do  contrário  comprometem  a  regularidade  do  processo  administrativo  de  restituição  e  compensação  de  tributos,  cuja  implicação  é  a manifesta  nulidade  nos  termos  do  art.  59,  II  do  PAF (Decreto nº 70.325/1972).  O  fato  relacionado  a  apresentação  de  DCTF  retificadora  em  data posterior a emissão de Despacho Decisório, já tem entendimento  assentado  na  jurisprudência  deste  Conselho.  Cita­se,  por  exemplo,  o  julgado  da  3ª  Turma  da  CSRF  no  acórdão  nº  9303­005.396,  de  25/07/2017,  que  analisando  caso  semelhante  manteve  decisão  proferida no acórdão da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção  de  Julgamento,  no  sentido  de  dar  parcial  provimento  ao  recurso  voluntário. De onde se extrai: “que a DCTF retificadora, nas hipóteses  admitidas  por  lei,  tem  os  mesmos  efeitos  da  original,  podendo  ser  admitida para comprovação da certeza e liquidez do crédito, ainda que  transmitida após a prolação do despacho decisório”. Por outro lado “O  crédito  tributário  da  Contribuinte  e  seu  direito  à  restituição/compensação  não  nascem  com  a  apresentação  da  DCTF  retificadora, mas sim com o pagamento indevido ou a maior”.   A  administração  tributária  nos  dá  orientação  sobre  o  tema,  através  do  Parecer  Cosit  nº  02/2015,de  28  de  agosto  de  2015,  cuja  ementa se deu nos seguintes termos:  NORMAS  GERAIS  DE  DIREITO  TRIBUTÁRIO.  RETIFICAÇÃO  DA  DCTF  DEPOIS  DA  TRANSMISSÃO  DO  PER/DCOMP  E  CIÊNCIA  DO  DESPACHO  DECISÓRIO.  POSSIBILIDADE.  IMPRESCINDIBILIDADE  DA  RETIFICAÇÃO  DA  DCTF  PARA  COMPROVAÇÃO  DO  PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR.  As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora  – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado  em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de  PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações  prestadas  à  RFB  em  outras  declarações,  tais  como  DIPJ  e  Dacon, por  força do disposto no§ 6º do art.  9º  da  IN RFB nº  1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência  da  autoridade  fiscal  para  analisar  outras  questões  ou  documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário.  Fl. 437DF CARF MF Processo nº 15374.952199/2009­29  Resolução nº  3401­001.444  S3­C4T1  Fl. 7            6 Não há  impedimento  para  que  a DCTF  seja  retificada  depois  de  apresentado  o  PER/DCOMP  que  utiliza  como  crédito  pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que  a  retificação  se  dê  depois  do  indeferimento  do  pedido  ou  da  não  homologação  da  compensação,  respeitadas  as  restrições  impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010.  Retificada  a  DCTF  depois  do  despacho  decisório,  e  apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra  o  indeferimento  do  PER  ou  contra  a  não  homologação  da  DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se  refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório  implique  o  deferimento  integral  daquele  crédito  (ou  homologação  integral  da  DCOMP),  cabe  à  DRF  assim  proceder.  Caso  haja  questão  de  direito  a  ser  decidida  ou  a  revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo  decidir  a  lide,  sem  prejuízo  de  renúncia  à  instância  administrativa por parte do sujeito passivo.  (...)  A  essência  dos  fatos  superam,  nesse  caso,  eventuais  erros  de  conduta  formal  do  contribuinte,  devendo  prevalecer  o  princípio  da  verdade  material  no  processo  administrativo,  a  busca  pela  aproximação entre a realidade factual e sua representação formal.  Ante o exposto, voto em converter o julgamento em diligência  para  que  a  unidade  da  RFB  analise  os  documentos  anexados  ao  processo,  posteriormente  ao  início  do  contencioso,  elaborando  relatório conclusivo sobre a existência do crédito postulado.   Seja  cientificada  a  recorrente  para  que  esta,  se  assim  lhe  convier, manifeste­se no prazo de 30 dias."  Importa  registrar  que  nos  autos  ora  em  apreço,  a  situação  fática  e  jurídica  encontra correspondência com a verificada no paradigma, de  tal  sorte que o entendimento  lá  esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado.  Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por  converter  o  julgamento  em  diligência,  para  que  a  unidade  da  RFB  analise  os  documentos  anexados  ao  processo,  posteriormente  ao  início  do  contencioso,  elaborando  relatório  conclusivo sobre a existência do crédito postulado.  Seja cientificada a  recorrente para que esta, se assim lhe convier, manifeste­se  no prazo de 30 dias.  (assinado digitalmente)  Rosaldo Trevisan  Fl. 438DF CARF MF

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Numero do processo: 10932.000290/2007-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Data do fato gerador: 31/03/2002, 30/06/2002, 30/09/2002, 31/12/2002 Ementa: DECADÊNCIA. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. RECONHECIMENTO DE OFÍCIO. Por ser matéria de ordem pública, a decadência deve ser declarada a qualquer tempo, inclusive de oficio. Tratando-se de tributos sujeitos ao pagamento por homologação e tendo havido pagamentos nos períodos lançados mantém-se a decisão que reconheceu ter se consumado o prazo decadencial, nos termos do art. 150, § 4° do Código Tributário Nacional. OMISSÃO DE RECEITAS APURADA COM BASE EM OMISSÃO DE COMPRAS. LEVANTAMENTO QUANTITATIVO POR ESPÉCIE.NAO REALIZADO. INFRAÇÃO -1\1;6n0 CARACTERIZADA. Para a caracterização da infração imputada incumbiria A. autoridade lançadora demonstrar que a omissão do registro das compras em livros comerciais e/ou fiscais se refletiu quantitativamente no estoque da fiscalizada, de modo a caracterizar que esses produtos foram revendidos à margem da escrituração fiscal e contábil e apurar o valor das omissões com base nos respectivos pregos médios de venda ou de compra, nos termos dos parágrafos 2° e 3° do art. 286 do RIR/1999.
Numero da decisão: 1302-000.947
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária do primeira SEÇÃO DE JULGAMENTO, em negar provimento ao recurso de oficio, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO

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FL 1446 SI-C3T2 FL 1.387 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n" 10932.000290/2007-17 RectirL;o n° 905.962 De Oficio Acórdão n° 1302-00.947 — 3' Camara / 2 Turma Ordinária Sessão de 05 de julho de 2012 Matéria IRPJ-Omissão de Compras Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado FORT HOUSE PRODUTOS MÉDICO HOSPITALARES ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Data do fato gerador: 31/03/2002, 30/06/2002, 30/09/2002, 31/12/2002 Ementa: DECADÊNCIA. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. RECONHECIMENTO DE OFÍCIO. Por ser matéria de ordem pública, a decadência deve ser declarada a qualquer tempo, inclusive de oficio. Tratando-se de tributos sujeitos ao pagamento por homologação e tendo havido pagamentos nos períodos lançados mantém-se a decisão que reconheceu ter se consumado o prazo decadencial, nos termos do art. 150, § 4° do Código Tributário Nacional. OMISSÃO DE RECEITAS APURADA COM BASE EM OMISSÃO DE COMPRAS. LEVANTAMENTO QUANTITATIVO POR ESPÉCIE.NAO REALIZADO. INFRAÇÃO -1\1;6■ 0 CARACTERIZADA. Para a caracterização da infração imputada incumbiria A. autoridade lançadora demonstrar que a omissão do registro das compras em livros comerciais e/ou fiscais se refletiu quantitativamente no estoque da fiscalizada, de modo a caracterizar que esses produtos foram revendidos à margem da escrituração fiscal e contábil e apurar o valor das omissões com base nos respectivos pregos médios de venda ou de compra, nos termos dos parágrafos 2° e 3° do art. 286 do RIR/1999. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3' câmara / 2' turma ordinária do primeira SEÇÃO DE JULGAMENTO, em negar provimento ao recurso de oficio, nos termos do voto do relator. Marcos Rodrigues de Mello - Presidente 1.Jooumenta assinado contorail.; 1».+ ilent:cado riigOinonte oro 24i6912012 por UZ IU vA TO,SNHO MAC; iADO 1fEMA NOri'-117nA SOU7?, Fl. 1458DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2013 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA H. 1447 S1 -C3T2 Fl. 1.388 CARL ML Processo n° 10932.000290/2007-17 Acórdão n.° 1302-00.947 AO, 40" - • L- uiz-Ta—deu Matosinho Machado - Relator ED rTA DO t i: DJJJ-»Oi3 articiparam do presente julgamento, os Conselheiros Marcos Rodrigues de Mello, Eduardo de Andrade, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Paulo Roberto Cortez, Marcio odrigo Frizo e Cristiane Silva Costa. It 241/i);.,,,r) 'do :q intet,rn 24/00,2012 t.op; I.. j',L I RE.'-.1.! 2 0211012012 pc' MOEMA NOC3(J1-Y.iRA SOUZA Fl. 1459DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2013 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CAIZI: NIT FT. 1448 Processo n° 10932.000290/2007-17 S1-C3T2 Acórdão n.° 1302-00.947 Fl. 1.389 Relatório FORT HOUSE PRODUTOS MEDICO HOSPITALARES, já qualificada nestes autos, foi autuada e intimada a recolher crédito tributário no valor total de R$ 8.133.525,28, discriminado no Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo, 11 03. Cientificada dos lançamentos, em 25/06/2007, na pessoa de sua representante legal (cf. 3 a Alteração e Consolidação de Contrato Social, de fls. 741/746), a contribuinte protocolizou a impugnação de fls. 738/740, em 24/07/2007, alegando em sua defesa as razões de fato e de direito sintetizadas no relatório do acórdão recorrido que adoto, in verbis: Após explicitar a fundamentação da autuação e dos documentos de suporte, contesta a afirmação de que a empresa não teria apresentado os esclarecimentos sobre as diferenças apuradas, em suas palavras: • "tivemos três reuniões na sede da empresa onde sempre foi dito ao Sr. Ciro que estaríamos inteiramente A. disposição para esclarecimentos bem como estaria sempre disponível todo e qualquer documento necessário ao andamento da fiscalização"; • "quanto a esclarecimentos das diferenças, essas nunca foram apresentadas de forma clara, apenas dito que havia discrepância entre os dados"; • "diversas vezes informamos ao Sr. Ciro que todas as notas fiscais de venda efetivamente foram tributadas e escrituradas e os valores declarados no IRPJ eram a expressão de verdade"; • "também foi dito ao Sr. Ciro que os LIVROS DE ENTRADAS E SAiDAS DO ICMS estavam em desacordo com a legislação, por conterem erros que vamos demonstrar a seguir"; • "na ocasião, foi dito também que tais livros já haviam sido objeto de lançamento formal emitido pela Secretaria de Fazenda do Estado de São Paulo". Reafirma que não espelham a realidade das operações as informações constantes das planilhas do Anexo I — Receitas 2002 (Livro Registro de Saídas, Livro Apuração de ICMS e Livro Registro de Serviços Prestados) e do Anexo VI — Compras 2002 (Livro Registro de Entradas). Nas palavras da defesa: "3) RECEITAS FATURADAS — VENDAS Conforme Notas Fiscais emitidas e todas disponibilizadas a esta fiscalização demonstramos através da Planilha (anexo IV), as receitas efetivas das operações de vendas a saber: • RECEITAS DE VENDAS DE PRODUTOS R$ 10.123.582,12 • RECEITA DE VENDAS DE SERVIÇOS R$ 210.547,90 (y. n n 2 %::J2-2 dc: 24/02:)01 pc))))...),J)2 )Afii_LJ N4A1()S))\))--)0 MP , C)-;ADC ))))11) ))/ . 1'));(())),' )),) M) ) ))FMA )\ , 02', 1_;EIT;ts SO,;/A Fl. 1460DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2013 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA Dr ('ARI7 ii Fl, 1449 Processo n° 10932.000290/2007-17 Sl-C3T2 Acórdão n.° 1302-00.947 Fl. 1.390 • RECEITA TOTAL R$ 10.334.130,02 • RECEITA CONFORME DIPJ R$ 10.335.530,19 4) COMPRAS DE PRODUTOS Conforme Notas Fiscais recebidas e todas devidamente escrituradas contabilmente, bem como liquidadas junto aos respectivos fornecedores, as operações de compras de mercadorias conforme planilha (anexo V) são: • COMPRAS DE MERCADORIAS R$ 6.793.093,90 • COMPRAS CONFORME D1PJ R$ 5.956.903,10" 5) CONCLUSÃO Diante dos documentos anexos e planilhas que fazem parte integrante desta IMPUGNAÇÃO, fica claro que houve erro grave de interpretação dos documentos manuseados, bem como não houve confrontação dos documentos físicos apresentados com os dados transcritos de forma errônea por nossa empresa. Fica claro que os LIVROS DE ENTRADAS E SAÍDAS não espelham a realidade das operações de compra es venda, também claro que tal documento já foi objeto de verificação e multa formal por parte da Secretaria de Fazenda do Estado de Sao Paulo. De forma alguma o nobre fiscal considerou os demais documentos apresentados, mesmo estes estando em seu poder, apenas limitou-se a considerar os valores totais dos livros de entrada e saída e pior maquilou os CFOP, deixando claramente de excluir os valores de operações adversas as operações de compra e venda, conforme demonstra o anexo VI. Não resta dúvidas do erro técnico, o que torna nulo o Auto de Infração, uma vez demonstrado que todos os valores efetivamente oriundos das operações, que resultam em RECEITAS e DESPESAS, foram escrituradas e tributadas na forma da legislação em vigor". Para amparar as razões de defesa apresentadas, a contribuinte procedeu juntada ao processo das seguintes planilhas assim designadas: 1. ANEXO IV — PLANILHAS DE NOTAS FISCAIS DE VENDAS de fls. 874/1049, nas quais estão arroladas as notas fiscais de venda, por nilmero, cliente, n° do pedido, data da fatura e valor, totalizadas mensalmente, por número total de notas fiscais emitidas e valor total; 2. ANEXO V — PLANILHAS DE NOTAS FISCAIS DE COMPRAS de fls. 1050/1103, nas quais estão arroladas as notas fiscais de compra, por fornecedor identificado pela denominação social, n° da nota fiscal de entrada, data, n° da nota fiscal, n° de parcelas, valor da nota e total a pagar, totalizadas mensalmente por valor; 3. ANEXO VI — PLANILHAS DEMONSTRAÇÕES DAS EXCLUSÕES de fls. 1104/1109, nas quais dos valores mensais e anuais das saídas e das entradas anteriormente demonstrados nos ;sd oq411 MP ;1' 2 221 2 de 24 ,02i2C,ç;1 • '! •,, r1'. 24 , 09[2012 poi' LUZ VIAC. 7012 p01 moE:vit, NOGUE;RA 4 r —12 Fl. 1461DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2013 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA ;Dr CAM MI. 1450 Processo n° 10932.000290/2007-17 SI -C3T2 Acórdão n.° 1302-00.947 Fl. 1.391 anexos IV e V são procedidas exclusões com base no Código Fiscal de Operações e de Prestações — CFOP. A 2' Turma da DRJ em CAMPINAS analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão n°05-31.317, de 09 de novembro de 2010 (fls. 1152/1160), considerou improcedente o lançamento com a seguinte ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/03/2002, 30/06/2002, 30/09/2002, 31/12/2002 Decadência. Pronunciamento de Oficio. Por força do principio da moralidade administrativa, a decadência do direito de efetuar o lançamento, configurando hipótese de extinção da obrigação tributária principal formalizada a destempo, deve ser reconhecida de oficio, independentemente de pedido do interessado. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/03/2002, 30/06/2002, 30/09/2002, 31/12/2002 • Decadência. Lançamento por Homologação. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação e quando efetuado o pagamento antes de qualquer procedimento de oficio, para constituir de oficio o crédito tributário, o Fisco dispõe de 5 (cinco) anos a contar da data de ocorrência do fato gerador. Deve ser cancelada a parte da exigência formalizada a destempo. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Data do fato gerador: 31/03/2002, 30/06/2002, 30/09/2002, 31/12/2002 Omissão de Receita. Falta de Contabilização de Compras. Constatada a ocorrência de compras não contabilizadas, deve o contribuinte ser intimado a comprovar a origem dos recursos utilizados para os pagamentos das referidas compras. Apenas se não comprovada a origem dos recursos é que pode ser efetuado o lançamento por omissão de receitas. Omissão de Receita. Falta de Contabilização de Vendas. válida a imputação de omissão de receitas verificada no confronto entre as notas fiscais emitidas e a escrituração dos livros fiscais (livros Registro de Saídas e de Apuração de 'CMS) e a escrituração comercial e as declarações apresentadas Secretaria da Receita Federal do Brasil - RFB. ao r, ccc rC 2,2(,(. -2 se 2Ii12 0/2001 Auteacado digit firii 24 C22 2 pc impresso em 02/1(201? moEmA Fl. 1462DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2013 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA 1)1 CAR!' Processo n' 10932.000290/2007-17 Acórdão n.° 1302-00.947 FL 1451 S1-C3T2 Fl. 1.392 Os erros porventura ocorridos na escrituração devem ser regularmente comprovados mediante a apresentação de documentação hábil e idônea. Impugnação procedente em parte Crédito tributário mantido em parte. Como a exoneração de credito tributário superou o limite de alçada (R$ 1.000.000,00), a Turma Julgadora recorreu de oficio a este Colegiado com base no art. 34 do Decreto n° 70.235/1972, com as alterações introduzidas pela Lei n° 9.532/1997, e na Portaria MF n' 3/2008. A interessada não apresentou recurso voluntário, conforme despacho de fls. 1377, sendo que o crédito tributário mantido foi transferido para o processo n° 10943.000004/2011-62, conforme informação as fls. 1384. o Relatório. <Pgitalme.nte corlomv,, o 2002 d 2,„"0 8'2 ():31 NrIte er,■ 2412012012 por Lji 0 2012 1 101 11 : NOGUER/4 Fl. 1463DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2013 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA D1 CARE ME El. 1452 Processo n° 10932.000290/2007-17 SI-C3T2 Acórdão n.° 1302-00.947 Fl. 1.393 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, Relator Quanto h. admissibilidade do recurso de oficio, deve-se ressaltar a modificação introduzida pelo art. 1° da Portaria MF n° 3, de 03/01/2008, publicada no DOU de 07/01/2008, a seguir transcrito: Art. 10 0 Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de oficio sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a RS 1.000.000,00 (um milhão de reais). No caso em tela , ao somar os valores correspondentes a tributo e multa exonerados em primeira instância, verifico que superam o limite de um milhão de reais, estabelecido pela norma em referência. Portanto, mesmo com a alteração do limite de alçada, o recurso de oficio permanece cabível, e dele conheço. Quanto ao mérito, aprecio inicialmente a questão da decadência reconhecida de oficio pela turma julgadora de primeira instancia. 1. Da Decadência parcial das contribuições ao Pis/Cofins O acórdão de primeira instância reconheceu de oficio a decadência do lançamento relativo ao Pis e à Cofins referentes aos períodos de apuração encerrados até o mês de maio de 2002. A relatora do acórdão recorrido observou que o sujeito passivo declarou as ditas contribuições em DCTF e efetuou os correspondentes pagamentos mensais. Assim, tratando-se de tributos sujeitos ao pagamento por homologação e tendo havido pagamentos nos períodos citados reconheceu ter se consumado a decadência, nos termos do art. 150, § 4' do Código Tributário Nacional. Fundamentou o seu entendimento no acórdão do Superior Tribunal de Justiça — STJ, em Recurso Repetitivo, prolatado no Recurso Especial n°973.733 - SC (2007/0176994- 0), relatado pelo Ministro Luiz Fux. A jurisprudência predominante entende que a decadência é questão de ordem pública, devendo ser reconhecida inclusive de oficio, conforme acórdão proferidos pelo Superior Tribunal de Justiça, in verbis: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTA' RIO — AGRAVO REGIMENTAL — DECADÊNCIA — LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO (ART. 150, § 4° E 173 DO CTN) — NULIDADE ABSOLUTA — CONHECIMENTO EX OFFICIO — LIMITES DO RECURSO ESPECIAL mentr, a:, ;(4fo,ent(,:. co tcr no n 2, 2(:1:: 2 do 2410',-;i2;')1 : OO oro 24 ICA):2G I 2 por 7t\DEJ MAT OSINFIO MAC, ) em Ü7dP or MOEMA NCGUE Fl. 1464DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2013 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA 1)1 C RF Mr' FL 1453 Processo n° 10932.000290/2007-17 sl-C3T2 Acórdão n.° 1302-00.947 Fl. 1.394 1. 0 prequestionamento é exigência indispensável ao conhecimento do recurso especial, fora do qual não se pode reconhecer sequer as nulidades absolutas. 2. A mais recente posição doutrinária admite sejam reconhecidas nulidades absolutas ex officio, por ser matéria de ordem pública. Assim, se ultrapassado o juízo de conhecimento, por outros fundamentos, abre-se a via do especial (Súmula 456/STF). 3. Hipótese em que se conheceu do recurso especial por violação do art. 161 do CTN, ensejando no seu julgamento o reconhecimento ex officio da decadência. 4. Nas exaçães cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, conta-se o prazo decadencial partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, 5S' 40, do CT1V). Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. Em normais circunstâncias, não se conjugam os dispositivos legais. Precedentes das Turmas de Direito Público e da Primeira Seção. 5. Hipótese dos autos em que não houve pagamentos antecipados, aplicando-se a regra do art. 173, I, do CTN. 6. Crédito tributário fulminado pela decadência, nos termos do art. 156, V do CTN. 7. 0 julgamento do recurso especial com observância as regras técnicas que the são inerentes não importa em negativa de prestação jurisdicional, supressão de instância ou contrariedade a qualquer dispositivo constitucional, inclusive aos princípios do devido processo legal, ampla defesa ou contraditória. 8. Agravo regimental provido para prover em parte o recurso especial e reconhecer, de oficio, a decadência. AgRg no AGRAVO DE INSTRUMENTO N° 939.714 - RS (2007/0194706-8) — Relatora Ministra Eliana Cahnon — .Dje 21/02/2008 PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. DECADÊNCIA. MA TERIA DE ORDEM PÚBLICA. 1. A decadência, por ser matéria de ordem pública, deve ser declarada a qualquer tempo, perante as instâncias ordinárias, até de oficio. Precedentes. 2. Não havendo apreciação pela Corte de apelação sobre a alegada decadência dos créditos tributários cujos fatos geradores remontam ao ano de 1999, cabe o retorno dos autos ao Tribunal de origem a fim de que novo julgamento seja proferido. diwtamie'ne contofm;) en em em 24:09'2012 por LU;/.. F,IATOSU* 02: 1 0»44 1? pm M4)171,,Itt NOGUFIRA SOIZA 1 ) 8 Fl. 1465DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2013 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA DIs CAR!' MI' H. 1454 Processo n° 10932.000290/2007-17 SI -C3T2 Acórdão n.° 1302-00.947 Fl. 1.395 3. Prejudicialidade das demais questães suscitadas. 4. Recurso especial conhecido em parte e provido. RECURSO ESPECIAL N° 1.082.600 - PR (2008/0185333-7) — Relator Ministro Castro Meira— DJe 17/03/200. Ante ao exposto e tendo a decisão recorrida adotado o entendimento exarado no acárddo proferido pelo STJ no REsp. n° 973.733/SC, no âmbito de recursos repetitivos, nos termos do art. 62-A do Regimento Interno do CARF, voto por negar provimento ao recurso de o fie o nesta parte. 2. Da imputação de omissão de receitas apurada com base em omissão de compras. A autoridade fiscal entendeu ter ocorrido omissão de receitas caracterizada pela não contabilização de custos, fundamentando a infração no art. 41 da Lei n° 9.430/1996 e no art. 286 do Regulamento do Imposto de Renda RIR11999 (Decreto n°3.000/1999). A decisão recorrida entendeu que a infração não restou caracterizada, na medida em que a própria autoridade fiscal reconheceu em seu termo de verificação fiscal que não encontrou irregularidades ao verificar, por amostragem, a comprovação da origem dos recursos utilizados no pagamento das compras, conforme excerto do voto abaixo transcrito: No que diz respeito à exigência constituída com fundamento na omissão de receitas por falta de contabilização de compras, o lançamento somente poderia subsistir se o contribuinte não tivesse conseguido comprovar a origem regular dos recursos utilizados nas aquisições. Conforme fez constar a fiscalização do termo de constatação acima transcrito, o contribuinte foi intimado no curso do procedimento (fls. 43) a apresentar a documentação que comprovasse a origem dos recursos utilizados no pagamento de suas compras, e a verificação, por amostragem, da documentação apresentada ndo teria indicado irregularidades. Transcreve-se novamente o excerto mencionada para que não pairem dúvidas: Intimamos o contribuinte a apresentar documentação que comprove a orient dos recursos utilizados para o pagamento de suas compras (lis . 43) e a verificação, por amostragem, da documentação apresentada não indicou irregularidades. Diante dos fatos assim descritos, não pode subsistir a imputação de omissão de receitas, por falta de contabilização de compras, haja vista que a contribuinte teria comprovado a origem dos recursos utilizados, e conforme expressainente consignado, a regularidade fiscal dos recursos assim utilizados — tratar-se-ia de recursos não tributáveis ou de recursos tributáveis oferecidos à tributação. Mais adiante o voto vencedor observa ainda que a auditoria realizada limitou- se ao "simples confronto entre as notas fiscais de compra, a escrituragdo fiscal e a escrituraçao comercial", quando seria necessária uma "auditoria quantitativa nos estoques da empresa", para atender ao dispositivo legal que prevê a apuração de_ceceitas com base em levantamento quantitativo por espécie. Lyoc,e , Ito radc „p6nte cocf-otrne M n 2. 2 -.2 de 24/0512.k1 24!Nt2s.f112 LUZ M,ACÍOSNI - ',0 (2 MOE Fl. 1466DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2013 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA DI-. CAR!? NV 1 !455 Processo n° 10932.000290/2007-17 SI-C3T2 Acórdao n.° 1302-00.947 Fl. 1.396 Não me afigura que seja essencial para a caracterização da hipótese legal invocada para dar suporte ao lançamento que o contribuinte não tenha logrado demonstrar a origem dos recursos utilizados para os pagamentos das compras não escrituradas, como sustenta a decisão recorrida. Tal situação seria indispensável para caracterizar a omissão de receitas apure 0i.. c‘7,rn base na falta de escrituração de pagamentos efetuados, prevista no inc. II do art. 281 do R11{/ 1999. No entanto, entendo que a imputação não pode subsistir pela segunda razão apontada io acórdão recorrido. Como bem observou a decisão recorrida "o valor tributado ex-officio sob tal fundamento decorre da diftrença de compras entre os valores escriturados no Livro Registro de Apuração de ICMS e os valores informados na DIRT, o que não atende aos ditames do dispositivo legal invocado para fundamentar o lançamento. Entendo que, de fato, a autoridade fiscal não se desincumbiu em aprofundar a investigação com vistas a demonstrar a ocorrência de omissão de receitas nos moldes previsto no art. 286 do RIR/99, in verbis: Art. 286. A omissão de receita poderá, tanibéin, ser determinada a partir de levantamento por espécie de quantidade de matérias- primas e produtos intermediários utilizados no processo produtivo da pessoa jurídica (Lei n2 9.430, de 1996, art. 41). § 12 Para os fins deste artigo, apurar-se-á a diferença, positiva ou negativa, entre a soma das quantidades de produtos em estoque no inicio do período com a quantidade de produtos fabricados com as matérias-primas e produtos intermediários utilizados e a soma das quantidades de produtos cuja venda houver sido registrada na escrituração contábil da empresa com as quantidades em estoque, no final do período de apuração, constantes do Livro de Inventário (Lei n 2 9.430, de 1996, art. 41, §12). § 22 Considera-se receita omitida, nesse caso, o valor resultante da multiplicação das diferenças de quantidade de produtos ou de matérias-primas e produtos intermediários pelos respectivos preços médios de venda ou de compra, conforme o caso, em cada período de apuração abrangido pelo levantamento (Lei n2 9.430, de 1996, art. 41, § 22). § 32 Os critérios de apuração de receita omitida de que trata este artigo aplicam-se, também, as empresas comerciais, relativamente as mercadorias adquiridas para revenda (Lei n2 9.430, de 1996, art. 41, § 39. Para a caracterização da infração imputada, seria necessário que a autoridade lançadora demonstrasse que a omissão do registro das compras em livros comerciais e/ou fiscais se refletiu quantitativamente no estoque da fiscalizada, em seu fluxo de entradas e saídas, de modo a caracterizar que esses produtos foram revendidos A margem da escrituração fiscal e contábil e; a partir dos elementos colhidos, apurar o valor das omissões com base nos respectivos preços médios de venda ou de compra, nos moldes previstos nos parágrafos 2° e 3° do art. 286 do RIR/1999. rte o;rn 1P da '9?.420'01 24i0Ç;i2()1 2 por LU17 TAL , fOS'M-,0 f)() IOEMA NOGUdRA SOUt•• Fl. 1467DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2013 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA iD17 CARY' MI H. 1456 Processo n° 10932.000290/2007-17 S I -C3T2 Acórdao n.° 1302-00.947 Fl. 1.397 Ante ao exposto, voto por negar provimento ao recurso de oficio quanto a imputação de omissão de receitas apurada com base em omissão de compras. 2.1 Tributação Reflexa: CSLL, PIS e Cofins Por se constituírem infrações decorrentes e vinculadas, nos termos do § 2° do art. 24 da Lei 9.249/1995, aplica-se integralmente ao lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido, e das contribuições ao PIS e à Cofins, as conclusões relativas ao IRPJ. Assim, nego provimento ao recurso também em relação à CSLL, Pis e 3. Conclusão /77 Pelas razões anter o mente expostas, voto no sentido de negar provimento ao recurso de oficio. Luiz Tadett -Matosinho Machado (..rj Z.200-2 c:f. 24 10e,12CD1 24i0f“2012 MA» SN ';(-) imrre3sc, T, 07'10:20: 2 or MOEM A NOGUIT. SCU7A Fl. 1468DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2013 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA

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Numero do processo: 10830.902147/2009-63
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1999 PER/DCOMP ANTERIOR A 09/06/2005. PRESCRIÇÃO/DECADÊNCIA. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente ou declaração de compensação apresentada antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional/decadencial de 10 (dez) anos, contado do fato gerador.
Numero da decisão: 1003-000.221
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para afastar a prescrição/decadência do direito de pleitear a restituição e, conseqüentemente, de efetuar a compensação de débitos com o crédito em questão, determinando o retorno dos autos à unidade de jurisdição da Recorrente para a análise do mérito. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Abelson - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: SERGIO ABELSON

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sujeito  a  lançamento  por  homologação,  aplica­se  o  prazo  prescricional/decadencial de 10 (dez) anos, contado do fato gerador.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  provimento  parcial  ao  recurso,  para  afastar  a  prescrição/decadência  do  direito  de  pleitear  a  restituição  e,  conseqüentemente,  de  efetuar  a  compensação  de  débitos  com  o  crédito  em  questão, determinando o retorno dos autos à unidade de jurisdição da Recorrente para a análise  do mérito.  (assinado digitalmente)  Carmen Ferreira Saraiva – Presidente  (assinado digitalmente)  Sérgio Abelson ­ Relator   Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros:  Sérgio  Abelson,  Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).         AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 21 47 /2 00 9- 63 Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10830.902147/2009­63  Acórdão n.º 1003­000.221  S1­C0T3  Fl. 111          2 Relatório  Trata­se de Recurso Voluntário contra o acórdão de primeira instância (folhas  57/66)  que  julgou  improcedente  a  manifestação  de  inconformidade  apresentada  contra  o  despacho decisório à folha 29, que não homologou a compensação, ali mencionada, de crédito  correspondente a pagamento indevido ou a maior de Simples Federal, código de receita 6106  (tributo sujeito a lançamento por homologação) , tendo em vista a constatação de que na data  da transmissão da DCOMP nº 39187.49290.290405.1.3.04­5009 já estaria extinto o direito de  utilização do crédito por terem se passado mais de cinco anos entre a data de arrecadação do  DARF (10/01/2000) e a data de transmissão do PER/DCOMP (29/04/2005).  A  recorrente,  às  folhas  72/78,  em síntese,  alega  a decadência não  atingiu o  direito  creditório  que  fundamentou  as  referidas  compensações,  pois  o  prazo  de  5  anos  determinado pelo art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005, segundo decisão exarada pelo STF  em regime de repercussão geral, no julgamento do RE nº 566.621­RS, só se aplica em relação a  pleitos formulados depois de 09/06/2005, momento em que a referida lei passou a vigorar.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Sérgio Abelson, Relator  O Recurso voluntário é tempestivo, portanto dele conheço.  Para  que  haja  direito  à  compensação,  a  Recorrente  deve  comprovar,  de  maneira inequívoca, a liquidez e a certeza do valor pleiteável a título de restituição, no presente  caso, de tributo sujeito a lançamento por homologação. Antes, porém, é necessário analisar se  houve extinção temporal do direito de pleitear tal restituição.  Inicio  transcrevendo os  artigos do Código Tributário Nacional que  regem o  assunto:  Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos  tributos  cuja  legislação  atribua  ao  sujeito  passivo  o  dever  de  antecipar  o  pagamento  sem  prévio  exame  da  autoridade  administrativa, opera­se pelo ato em que a referida autoridade,  tomando  conhecimento  da  atividade  assim  exercida  pelo  obrigado, expressamente a homologa.  §  1º  O  pagamento  antecipado  pelo  obrigado  nos  termos  deste  artigo  extingue  o  crédito,  sob  condição  resolutória  da  ulterior  homologação ao lançamento.  (...)  § 4º Se a  lei  não fixar prazo a homologação,  será ele de cinco  anos,  a  contar  da  ocorrência  do  fato  gerador;  expirado  esse  prazo  sem  que  a  Fazenda  Pública  se  tenha  pronunciado,  considera­se homologado o lançamento e definitivamente extinto  Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10830.902147/2009­63  Acórdão n.º 1003­000.221  S1­C0T3  Fl. 112          3 o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou  simulação.  Art.  165.  O  sujeito  passivo  tem  direito,  independentemente  de  prévio  protesto,  à  restituição  total  ou  parcial  do  tributo,  seja  qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto  no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos:  I  cobrança  ou  pagamento  espontâneo  de  tributo  indevido  ou  maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou  da  natureza  ou  circunstâncias  materiais  do  fato  gerador  efetivamente ocorrido;  II  erro  na  edificação  do  sujeito  passivo,  na  determinação  da  alíquota  aplicável,  no  cálculo  do  montante  do  débito  ou  na  elaboração  ou  conferência  de  qualquer  documento  relativo  ao  pagamento;  III  reforma,  anulação,  revogação  ou  rescisão  de  decisão  condenatória.  Art.  168. O  direito  de  pleitear  a  restituição  extingue­se  com  o  decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados:  I  nas  hipótese  dos  incisos  I  e  II  do  artigo  165,  da  data  da  extinção do crédito tributário;  II  na  hipótese  do  inciso  III  do  artigo  165,  da  data  em  que  se  tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado  a  decisão  judicial  que  tenha  reformado,  anulado,  revogado  ou  rescindido a decisão condenatória.  Apesar  da  aparente  simplicidade  dessas  normas,  sabe­se  que  a  discussão  sobre o prazo para se pleitear a restituição dos tributos lançados por homologação foi questão  tormentosa, que dividiu a doutrina e as jurisprudências administrativa e judicial por tempos.  As divergências se iniciam na própria natureza desse prazo, sendo comum as  decisões administrativas relacionarem sua perda ao instituto da decadência, e as judiciais, ao da  prescrição, questão deixada em aberto nesse voto, por não possuir qualquer relevância com a  solução adotada.  Tentando resolver esse impasse, a Lei complementar nº 118, de 9 de fevereiro  de 2005, trouxe as seguintes determinações:  Art. 3o Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei  no  5.172,  de  25  de  outubro  de  1966  –  Código  Tributário  Nacional,  a  extinção  do  crédito  tributário  ocorre,  no  caso  de  tributo  sujeito a  lançamento por homologação, no momento do  pagamento antecipado de que trata o § 1o do art. 150 da referida  Lei.  Art. 4o Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua  publicação, observado, quanto ao art. 3o, o disposto no art. 106,  inciso  I,  da  Lei  no  5.172,  de  25  de  outubro  de  1966  –  Código  Tributário Nacional.  Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10830.902147/2009­63  Acórdão n.º 1003­000.221  S1­C0T3  Fl. 113          4 Isto  é,  o novo  ato  legal  buscou  fazer  interpretação autêntica do  art.  168  do  CTN,  pois  determinou  sua  aplicação  a  fatos  pretéritos  por  se  considerar  expressamente  interpretativo (art. 106, inciso I do CTN), optando pela primeira solução acima descrita.  Diante da  inovação  legislativa, o STJ concluiu que a nova norma não  tinha  caráter meramente interpretativo, pois afastava interpretação há muito consolidada, e passou a  aplicar  a  nova  regra  inicialmente  apenas  para  as  ações  ajuizadas  após  a  data  de  vigência  da  nova  lei,  em  9  de  junho  de  2005,  mas  terminou  fixando  o  entendimento  de  que  o  novel  regramento se aplica aos pagamentos ocorridos após essa data.  Pacificando  essa  discussão,  o  Supremo  Tribunal  Federal  –  STF,  no  julgamento  do  Recurso  Extraordinário  com  Repercussão  Geral  nº  566.621/RS,  em  11  de  outubro  de  2011,  com  trânsito  em  julgado  em  17  de  novembro  de  2011,  decidiu  pela  inconstitucionalidade da segunda parte do art. 4o da Lei complementar nº 118, de 2005, mas  definiu  que  a  nova  lei  poderia  ser  aplicada  para  as  ações  ajuizadas  a  partir  da  data  de  sua  vigência, em 9 de junho de 2005, como demonstra a ementa abaixo transcrita:  DIREITO  TRIBUTÁRIO  –  LEI  INTERPRETATIVA  –  APLICAÇÃO  RETROATIVA  DA  LEI  COMPLEMENTAR  Nº  118/2005  –  DESCABIMENTO  –  VIOLAÇÃO  À  SEGURANÇA  JURÍDICA  –  NECESSIDADE  DE  OBSERVÂNCIA  DA  VACACIO  LEGIS  –  APLICAÇÃO  DO  PRAZO  REDUZIDO  PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS  PROCESSOS  AJUIZADOS  A  PARTIR  DE  9  DE  JUNHO  DE  2005.  Quando  do  advento  da  LC  118/05,  estava  consolidada  a  orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os  tributos  sujeitos  a  lançamento  por  homologação,  o  prazo  para  repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados  do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos  arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN.  A  LC  118/05,  embora  tenha  se  autoproclamado  interpretativa,  implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos  contados  do  fato  gerador  para  5  anos  contados  do  pagamento  indevido.  Lei  supostamente  interpretativa  que,  em  verdade,  inova  no  mundo jurídico deve ser considerada como lei nova.  Inocorrência  de  violação  à  autonomia  e  independência  dos  Poderes,  porquanto  a  lei  expressamente  interpretativa  também  se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à  sua natureza, validade e aplicação.  A  aplicação  retroativa  de  novo  e  reduzido  prazo  para  a  repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por  lei  nova,  fulminando,  de  imediato,  pretensões  deduzidas  tempestivamente  à  luz  do  prazo  então  aplicável,  bem  como  a  aplicação  imediata  às  pretensões  pendentes  de  ajuizamento  quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra  de  transição,  implicam  ofensa  ao  princípio  da  segurança  Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10830.902147/2009­63  Acórdão n.º 1003­000.221  S1­C0T3  Fl. 114          5 jurídica  em  seus  conteúdos  de  proteção  da  confiança  e  de  garantia do acesso à Justiça.  Afastando­se as aplicações inconstitucionais e resguardando­se,  no mais,  a  eficácia da norma, permite­se a aplicação do prazo  reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis,  conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado  445 da Súmula do Tribunal.  O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes  não  apenas  que  tomassem  ciência do  novo  prazo, mas  também  que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos.  Inaplicabilidade  do  art.  2.028  do  Código  Civil,  pois,  não  havendo  lacuna  na  LC  118/08,  que  pretendeu  a  aplicação  do  novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação  por  analogia.  Além  disso,  não  se  trata  de  lei  geral,  tampouco  impede iniciativa legislativa em contrário.  Reconhecida  a  inconstitucionalidade  art.  4º,  segunda  parte,  da  LC 118/05, considerando­se válida a aplicação do novo prazo de  5  anos  tão­somente  às  ações  ajuizadas  após  o  decurso  da  vacatio  legis  de  120  dias,  ou  seja,  a  partir  de  9  de  junho  de  2005.  Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados.  Recurso extraordinário desprovido.  Em  razão  de  tal  decisão,  o  CARF  acabou  por  adotar  tal  entendimento  mediante Súmula:  Súmula  CARF  nº  91.  Ao  pedido  de  restituição  pleiteado  administrativamente  antes  de  9  de  junho  de  2005,  no  caso  de  tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica­se o prazo  prescricional  de  10  (dez)  anos,  contado  do  fato  gerador.  (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU  de 08/06/2018).  Pelo  exposto,  voto por  dar provimento  em parte  ao  recurso voluntário para  afastar  a  prescrição/decadência  do  direito  de  pleitear  a  restituição  e,  conseqüentemente,  de  efetuar  a  compensação  de  débitos  com  o  crédito  em  questão,  e  determinando  o  retorno  dos  autos à unidade de jurisdição da Recorrente para a análise do mérito.  É como voto.  (assinado digitalmente)  Sérgio Abelson                Fl. 114DF CARF MF

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Numero do processo: 19515.003694/2009-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. OCORRÊNCIA. APLICAÇÃO ARTIGO 150, § 4o, DO CTN. SÚMULA CARF No 99. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria. In casu, aplicou-se o prazo decadencial insculpido no artigo 150, § 4º, do CTN, eis que restou comprovada a ocorrência de antecipação de pagamento, por tratar-se de salário indireto, tendo a contribuinte efetuado o recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração reconhecida (salário normal), na esteira da jurisprudência consolidada neste Colegiado, consagrada na Súmula CARF no 99. Mais a mais, consta do TEAF e do Relatório Fiscal que no decorrer da ação fiscal a autoridade fazendária examinou Comprovantes de Recolhimento, além de outros documentos, o que nos leva a concluir pela existência de pagamentos parciais realizados pela contribuinte. EMPRESA DE "MARKETING MULTINÍVEL". RELAÇÃO JURÍDICA DA EMPRESA COM OS DISTRIBUIDORES DE PRODUTOS. RELAÇÃO DE TRABALHO. INEXISTÊNCIA. PAGAMENTOS DE BÔNUS. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Não se verifica, no presente caso, que a relação jurídica entre a empresa de "marketing multinível" que fabrica e comercializa produtos com seus distribuidores (compradores) possui natureza de relação de trabalho, muito menos a de emprego. A relação jurídica entre as partes é puramente comercial, inexistindo relação de trabalho. Entende-se por salário de contribuição, para o segurado contribuinte individual, a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma. Portanto, inexistindo relação de trabalho e por conseqüência, remuneração pelo trabalho, torna-se insustentável a exigência de contribuição previdenciária sobre bônus pagos aos distribuidores (compradores) da empresa fornecedora dos produtos.
Numero da decisão: 2401-005.721
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro e Miriam Denise Xavier que davam provimento parcial ao recurso apenas para declarar a decadência até 08/04. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Luciana Matos Pereira Barbosa e Miriam Denise Xavier.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA

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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. OCORRÊNCIA. APLICAÇÃO ARTIGO 150, § 4o, DO CTN. SÚMULA CARF No 99. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria. In casu, aplicou-se o prazo decadencial insculpido no artigo 150, § 4º, do CTN, eis que restou comprovada a ocorrência de antecipação de pagamento, por tratar-se de salário indireto, tendo a contribuinte efetuado o recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração reconhecida (salário normal), na esteira da jurisprudência consolidada neste Colegiado, consagrada na Súmula CARF no 99. Mais a mais, consta do TEAF e do Relatório Fiscal que no decorrer da ação fiscal a autoridade fazendária examinou Comprovantes de Recolhimento, além de outros documentos, o que nos leva a concluir pela existência de pagamentos parciais realizados pela contribuinte. EMPRESA DE "MARKETING MULTINÍVEL". RELAÇÃO JURÍDICA DA EMPRESA COM OS DISTRIBUIDORES DE PRODUTOS. RELAÇÃO DE TRABALHO. INEXISTÊNCIA. PAGAMENTOS DE BÔNUS. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Não se verifica, no presente caso, que a relação jurídica entre a empresa de "marketing multinível" que fabrica e comercializa produtos com seus distribuidores (compradores) possui natureza de relação de trabalho, muito menos a de emprego. A relação jurídica entre as partes é puramente comercial, inexistindo relação de trabalho. Entende-se por salário de contribuição, para o segurado contribuinte individual, a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma. Portanto, inexistindo relação de trabalho e por conseqüência, remuneração pelo trabalho, torna-se insustentável a exigência de contribuição previdenciária sobre bônus pagos aos distribuidores (compradores) da empresa fornecedora dos produtos.

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro e Miriam Denise Xavier que davam provimento parcial ao recurso apenas para declarar a decadência até 08/04. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Luciana Matos Pereira Barbosa e Miriam Denise Xavier.

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2401­005.721  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  11 de setembro de 2018  Matéria  CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Recorrente  HERBALIFE INTERNATIONAL DO BRASIL LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004  CONTRIBUIÇÕES  PREVIDENCIÁRIAS.  DECADÊNCIA.  OBRIGAÇÃO  PRINCIPAL.  ANTECIPAÇÃO  DE  PAGAMENTO.  OCORRÊNCIA.  APLICAÇÃO  ARTIGO  150,  §  4o,  DO  CTN.  SÚMULA  CARF  No  99.  OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA.  O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05  (cinco)  anos,  nos  termos  dos  dispositivos  legais  constantes  do  Código  Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do  artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos  RE’s  nºs  556664,  559882  e  560626,  oportunidade  em  que  fora  aprovada  Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria. In casu, aplicou­se o prazo  decadencial  insculpido  no  artigo  150,  §  4º,  do  CTN,  eis  que  restou  comprovada  a  ocorrência  de  antecipação  de  pagamento,  por  tratar­se  de  salário  indireto,  tendo  a  contribuinte  efetuado  o  recolhimento  das  contribuições  previdenciárias  incidentes  sobre  a  remuneração  reconhecida  (salário  normal),  na  esteira  da  jurisprudência  consolidada  neste  Colegiado,  consagrada  na  Súmula  CARF  no  99.  Mais  a  mais,  consta  do  TEAF  e  do  Relatório  Fiscal  que  no  decorrer  da  ação  fiscal  a  autoridade  fazendária  examinou Comprovantes de Recolhimento, além de outros documentos, o que  nos  leva  a  concluir  pela  existência  de  pagamentos  parciais  realizados  pela  contribuinte.  EMPRESA  DE  "MARKETING  MULTINÍVEL".  RELAÇÃO  JURÍDICA  DA EMPRESA COM OS DISTRIBUIDORES DE PRODUTOS. RELAÇÃO  DE  TRABALHO.  INEXISTÊNCIA.  PAGAMENTOS  DE  BÔNUS.  NÃO  CARACTERIZAÇÃO  DE  SALÁRIO  DE  CONTRIBUIÇÃO.  NÃO  INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.  Não se verifica, no presente caso, que a relação  jurídica entre a empresa de  "marketing  multinível"  que  fabrica  e  comercializa  produtos  com  seus  distribuidores  (compradores)  possui  natureza  de  relação  de  trabalho, muito     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 36 94 /2 00 9- 10 Fl. 427DF CARF MF   2 menos  a  de  emprego.  A  relação  jurídica  entre  as  partes  é  puramente  comercial, inexistindo relação de trabalho.  Entende­se  por  salário  de  contribuição,  para  o  segurado  contribuinte  individual,  a  remuneração  auferida  em  uma  ou  mais  empresas,  assim  entendida  a  totalidade  dos  rendimentos  pagos  a  qualquer  título,  durante  o  mês,  destinados  a  retribuir  o  trabalho,  qualquer  que  seja  a  sua  forma.  Portanto,  inexistindo  relação  de  trabalho  e  por  conseqüência,  remuneração  pelo  trabalho,  torna­se  insustentável  a  exigência  de  contribuição  previdenciária  sobre  bônus  pagos  aos  distribuidores  (compradores)  da  empresa fornecedora dos produtos.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao  recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, José Luís  Hentsch Benjamin Pinheiro e Miriam Denise Xavier que davam provimento parcial ao recurso  apenas para declarar a decadência até 08/04.        (assinado digitalmente)  Miriam Denise Xavier ­ Presidente        (assinado digitalmente)  Rayd Santana Ferreira ­ Relator         Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess,  Andrea  Viana Arrais  Egypto,  Francisco  Ricardo  Gouveia  Coutinho,  Rayd  Santana  Ferreira,  Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Luciana Matos Pereira Barbosa e  Miriam Denise Xavier.    Relatório  Fl. 428DF CARF MF Processo nº 19515.003694/2009­10  Acórdão n.º 2401­005.721  S2­C4T1  Fl. 3          3 HERBALIFE INTERNACIONAL DO BRASIL LTDA., contribuinte, pessoa  jurídica de direito privado,  já qualificada nos autos do processo em referência,  recorre a este  Conselho da decisão da 14a Turma da DRJ em São Paulo/SP, Acórdão nº 16­24.729/2010, às e­ fls. 255/267, que julgou procedente em parte o lançamento fiscal, concernente às contribuições  previdenciárias devidas ao INSS, referente à alíquota de 11%, incidente sobre as remunerações  pagas, devidas ou creditadas aos segurados contribuintes individuais, em relação ao período de  01/2004 a 12/2004, conforme Relatório Fiscal, às fls. 09/12 e demais documentos que instruem  o processo, consubstanciado no Auto de Infração abaixo relatado:  Conforme  depreende  do  Relatório  Fiscal,  as  remunerações  foram  pagas  a  título de rendimentos (lucros de revenda) de distribuidores independentes,  também chamados  de “Descontos sobre valor de Venda”, mas que, na realidade, são valores pagos a contribuintes  individuais, denominados “supervisores” que participam do resultado de vendas de produtos de  outros  contribuintes  individuais,  considerados  pela  empresa  como  “distribuidores”  ou  “supervisores” de nível mais baixo.  Referido  relatório  afirma  ainda  que  os  contribuintes  individuais  “distribuidores” cadastram­se junto à empresa, por indicação de outro contribuinte individual,  “distribuidor  ou  supervisor”.  Aprovado  o  cadastro,  o  “distribuidor”  só  pode  adquirir  os  produtos  da  empresa  através  de  quem  o  indicou,  “primeiro  supervisor  qualificado  em  linha  ascendente”, ou seja, ou adquire produtos que já pertencem àquele supervisor” ou da empresa,  por intermédio deste. A partir do momento em que o “distribuidor” indica outras pessoas, ele  se  toma supervisor e passa não somente a adquirir produtos com preço estabelecido pelo seu  volume de vendas e de seus indicados “distribuidores”, mas também recebe valores resultantes  das  vendas  destes  últimos,  seja  diretamente,  pela  diferença  entre  o  valor  de  aquisição  da  Herbalife e venda posterior ao “distribuidor” (Lucro no varejo, segundo o plano de vendas e  marketing),  seja  por  pagamento  direto  pela  Herbalife  quando  os  produtos  forem  adquiridos  diretamente  pelo  supervisor  de  nivel  inferior  (Lucro  no  Atacado),  sendo  estes  últimos,  os  valores considerados na autuação.  De acordo com a Fiscalização, os valores pagos aos contribuintes individuais,  chamados de “supervisores”, em qualquer nivel em que se encontre, na “pirâmide”, constituem  remuneração como contraprestação pelos serviços prestados de venda de produtos para e pela  empresa, seja para o consumidor final, seja para “distribuidores”, seja para “supervisores” de  nível inferior, e de indicar outras pessoas que venderão produtos e cujos lucros de venda serão  repartidos entre a “Herbalife”, seus “supervisores” e distribuidores.  Esclarece  ainda o Relatório Fiscal que não se deve acolher  as  alegações da  empresa (resposta ao Temo de Intimação n°3) de que essas remunerações teriam sido objeto de  análise  pela  Fiscalização,  em  período  anterior  (janeiro  a  dezembro  de  1999),  nos  termos  do  Relatório  Fiscal  da  NFLD  35.002.906­7,  uma  vez  que,  naquela  ação  fiscal,  não  foram  analisadas as DIRF e DIPJ que serviram de base de dados para o presente lançamento. Alerta  também que: "... a única menção aos "Descontos  sobre o valor de venda" daquele relatório  trata,  no  item  3.2.2,  do  valor  pago  a  menor  pelo  "supervisor"  ou  "distribuidor"  quando  adquire os produtos para, com venda por preço maior do que o da aquisição, possa auferir  lucro (Lucro Varejo, segundo o plano de vendas e marketing da empresa).  Por  fim,  informa  a  Fiscalização  que  foram  localizados,  na  conta  contábil  “2l1l­2.1.08.01.004­ Comissões a Pagar”, totais lançados de mesmo valor dos totais dos anexos  do Relatório Fiscal e com históricos relativos a pagamento de “comissões”.  Fl. 429DF CARF MF   4 A contribuinte, regularmente intimada, apresentou impugnação, requerendo a  decretação da improcedência do feito.  Por sua vez, a Delegacia Regional de Julgamento em São Paulo/SP entendeu  por  bem  julgar procedente  em parte o  lançamento,  apenas  para  retificar  o  crédito  de  acordo  com a documentação ofertada pela contribuinte.  Regularmente intimada e inconformada com a Decisão recorrida, a autuada,  apresentou Recurso Voluntário, às e­fls. 273/292, procurando demonstrar sua  improcedência,  desenvolvendo em síntese as seguintes razões:  Após breve relato das fases processuais, bem como dos fatos que permeiam o  lançamento, primeiramente aduz sobre a necessidade do  julgamento em conjunto da presente  demanda com os PAF´s n° 19515.003692/2009­12 (AI n” 37.160.511­3) e 19515003694/2009­ 10 (Al n” 37.160.513­0).  De forma preliminar,  afirma que as contribuições previdenciárias  referentes  aos  meses  janeiro  a  agosto  de  2004  estão  cobertas  pela  decadência,  uma  vez  que  os  fatos  geradores  antecederam  mais  de  cinco  anos  contados  retroativamente  a  23/09/2009,  conseqüentemente  qualquer  obrigação  acessória  devida  neste  período  está  igualmente  fulminada pela decadência.  Esclarece  ter  apurado,  recolhido  e  declarado  em  GFIP,  mês  a  mês,  contribuições  previdenciárias  sobre  os  pagamentos  a  contribuintes  individuais  por  serviços  prestados, elaborando tabela para comprovação.  Ressalta  que  neste  caso  estão  presentes  todas  as  condições  impostas  pelo  Parecer PGFN/CAT 1.617/2008 para cômputo do prazo decadencial à luz do artigo 150, § 49,  do CTN.  Quanto ao mérito, primeiramente versa sobre as características do seu canal  de vendas, nos seguintes termos:  Egrégio  Conselho,  o  que  se  deseja  aqui  é  demonstrar  que  o  negócio  Herbalife  é  absolutamente  singular  e  de  maneira  nenhuma'  se  amolda  a  um  simples  contrato  de  prestação  de  serviços. Os distribuidores  independentes realmente compram e  revendem os produtos que levam a marca da Recorrente. Raros  são os que pleiteiam sua devolução e subseqüente ressarcimento  e os que o fazem só conseguem se seguirem `a risca as normas e  procedimentos da empresa, dentre as quais a de o produto objeto  de  devolução  ainda  ostentar  qualidade  para  posterior  comercialização.  Neste  sentido,  pede­se  licença  para  juntar  alguns  comprovantes  que  demonstram  o  procedimento  de  recompra de produtos pela Recorrente.   O  sistema  de  vendas  diretas  da  Recorrente  denomina­se  multinível, posto que os distribuidores independentes não lucram  apenas  com  as  revendas  a  varejo  dos  produtos  adquiridos  da  empresa, mas também auferem lucros de atacado e, além disso,  percebem  ganhos  denominados  royalties  e  bônus.  Todos  esses  proventos  variam  de  valor  dependendo  do  atingimento  de  determinados resultados, podendo mesmo não ser pagos a quem,  a  despeito  de  ter  se  dedicado  ao  negócio Herbalife,  não  tenha  atingido  tais  resultados.  Ademais,  é  importante  pontuar  que  0  distribuidor  independente  em  nenhum  momento  é  obrigado  a  Fl. 430DF CARF MF Processo nº 19515.003694/2009­10  Acórdão n.º 2401­005.721  S2­C4T1  Fl. 4          5 comprar  os  produtos  da  Recorrente  ou  a  dedicar­se  ao  seu  negócio  Herbalife,  tanto  menos  a  trabalhar  ”x”  ou  ”y"  horas  por mês.  Se  ele  simplesmente  nada  fizer,  continuará  sendo  um  distribuidor  independente  até  o  fim  do  período  de  validade  de  seu contrato. Se resolver desistir do negócio, poderá devolver os  produtos que adquiriu. Como está dito na página 35 do Plano de  Vendas & Marketing e Normas de Conduta, “A oportunidade de  ser um Distribuidor Independente é inteiramente voluntária  Nota­se, portanto, que o distribuidor independente não trabalha  para a Recorrente. Ele é seu parceiro comercial. Ele compra os  produtos  da  Recorrente  e  os  revende  no  mercado,  a  consumidores  finais.  Os  produtos  portanto,  passam  a  ser  do  distribuidor e, portanto, é impossível que, em se tratando de bens  próprios, haja prestação de serviços de venda a terceiros. como  equivocadamente se grafou no AIIM.  Explicita sobre o lucro no varejo e no atacado, tem­se que o lucro no varejo  decorre da compra do produto por um preço inferior ao sugerido para a venda ao consumidor  final,  ou  seja  trata­se  de  um  desconto  dado  ao  distribuidor  que  varia  de  25%  a  50%,  equivocando­se a autuação ao afirmar que o lucro advém da venda a outro distribuidor.  Quanto  ao  lucro  no  atacado,  tem­se  que  um  distribuidor  que  esteja  qualificado  para  obter  um  desconto  superior  ao  de  um  distribuidor  que  esteja  em  sua  linha  descendente pode comprar o produto da Impugnante e revendê­lo ao distribuidor descendente,  auferindo  o  lucro  de  uma  revenda  no  atacado,  situação  que  também  ocorre  quando  o  distribuidor  na  linha descendente  adquire o  produto  diretamente  da  empresa; Nesse  ponto,  a  recorrente demonstra por meio de  tabelas  como  são distribuídos  os percentuais de vendas:  a  Herbalife  fica  sempre com 50%, enquanto que os outros 50% são  repassados ao distribuidor  que  fez  a  compra  diretamente  da Herbalife,  o  qual,  por  falta  de  qualificação,  deve  repassar  parte  desse  percentual  aos  distribuidores  de  sua  linha  ascendente.  Portanto,  trata­se,  se  verdadeiros  ganhos  comerciais  e  não  de  ganhos  decorrentes  de  contraprestação  por  serviços  prestados.  Afirma  que  a  própria  fiscalização  admitiu  tratar  o  lucro  no  atacado  de  repartição de ganhos obtidos com a venda de produtos da recorrente.  Alega  não  poder  chamar  de  serviço  uma  atividade  de  compra,  revenda  e  rateio de lucros, não havendo que se falar que os distribuidores prestam serviços de indicação  de outras pessoas que serão distribuidores, para posterior repartição dos lucros entre Herbalife  distribuidores e supervisores. Ou seja, fica evidente que o recebimento de lucro no atacado não  está diretamente ligado a qualquer esforço que esse distribuidor realize em prol da contribuinte,  mas  sim,  e  exclusivamente,  ao  atingimento  dos  objetivos  necessários  à  qualificação  desse  distribuidor como apto a receber os tais lucros no atacado.  Arrazoa que nem todo pagamento efetuado por pessoa jurídica a pessoa física  decorre de prestação de serviço. Nesse sentido, cita doutrina e art. 195, inciso I, alínea “a”, da  Constituição Federal. Aduz que a fiscalização incorreu em erro na autuação, visto que não há  incidência de contribuição previdenciária sem que ocorra remuneração por serviços, e por isso  o Auto de Infração é improcedente.  Fl. 431DF CARF MF   6 Esclarece  a diferença  entre os  lucros  no  atacado  (rebates  de desconto)  e  as  remunerações  por  serviços,  tece­se  breves  linhas  sobre  os  demais  valores  pagos  pela  Recorrente aos distribuidores independentes que a tanto se qualificam. É que a Recorrente paga  valores denominados royalties e bônus aos distribuidores independentes. Sobre tais rubricas, a  Recorrente não só retém a contribuição previdenciária dos distribuidores como recolhe a parte  da  empresa,  declarando  tudo  em  GFIP,  em  DIP]  e  em  DIRF,  como  aliás  mencionou  o  respeitável acórdão recorrido, em seu item 4.12., todavia em flagrante confusão com os lucros  no atacado, referidos anteriormente.  Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para decretar a  decadência  do  Auto  de  Infração,  tornando­o  sem  efeito  e,  no  mérito,  a  sua  absoluta  improcedência.  Não houve apresentação de contrarrazões.  É o relatório.    Voto             Conselheiro Rayd Santana Ferreira ­ Relator  Presente  o  pressuposto  de  admissibilidade,  por  ser  tempestivo,  conheço  do  recurso e passo ao exame das alegações recursais.  PRELIMINARES  JULGAMENTO EM CONJUNTO  Aduz sobre a necessidade do  julgamento em conjunto da presente demanda  com os PAF´s "irmãos".  Entendo  superada  tal  alegação,  posto  que  os  processos  encontram­se  apensados e serão julgados na mesma sessão.  DA DECADÊNCIA  A  contribuinte  firma  que  as  contribuições  previdenciárias  referentes  aos  meses janeiro a agosto de 2004 estão cobertas pela decadência, uma vez que os fatos geradores  antecederam  mais  de  cinco  anos  contados  retroativamente  a  23/09/2009,  conseqüentemente  qualquer obrigação acessória devida neste período está igualmente fulminada pela decadência.  Esclarece  ter  apurado,  recolhido  e  declarado  em  GFIP,  mês  a  mês,  contribuições  previdenciárias  sobre  os  pagamentos  a  contribuintes  individuais  por  serviços  prestados, elaborando tabela para comprovação.  Ressalta  que  neste  caso  estão  presentes  todas  as  condições  impostas  pelo  Parecer PGFN/CAT 1.617/2008 para cômputo do prazo decadencial à luz do artigo 150, § 49,  do CTN.  Fl. 432DF CARF MF Processo nº 19515.003694/2009­10  Acórdão n.º 2401­005.721  S2­C4T1  Fl. 5          7 Em  decorrência  do  julgamento  dos  Recursos  Extraordinários  n°  556.664,  559.882,  559.943  e  560.626  o  Supremo  Tribunal  Federal  editou  a  Súmula Vinculante  nº  8,  publicada no D.O.U. de 20/06/2008, nos seguintes termos:  São  inconstitucionais o parágrafo único do art.  5° do Decreto­ Lei  n°  1.569/77  e  os  artigos  45  e  46  da  Lei  n°  8.212/91,  que  tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.  De acordo com a Lei 11.417/2006, após o Supremo Tribunal Federal editar  enunciado  de  súmula,  esta  terá  efeito  vinculante  em  relação  aos  demais  órgãos  do  Poder  Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal,  a partir de sua publicação na imprensa oficial. Assim, a nova súmula alcança todos os créditos  pendentes de pagamento e constituídos após o lapso temporal de cinco anos.  Indispensável  ao  deslinde  da  controvérsia,  mister  se  faz  elucidar,  resumidamente,  as  espécies  de  lançamento  tributário  que  nosso  ordenamento  jurídico  contempla, como segue.  Primeiramente  destaca­se  o  lançamento  de  ofício  ou  direto,  previsto  no  artigo  149  do  CTN,  onde  o  fisco  toma  a  iniciativa  de  sua  prática,  por  razões  inerentes  a  natureza  do  tributo  ou  quando  o  contribuinte  deixa  de  cumprir  suas  obrigações  legais.  Já  o  lançamento por declaração ou misto, contemplado no artigo 147 do mesmo Diploma Legal,  é  aquele  em que o  contribuinte  toma a  iniciativa do procedimento,  ofertando  sua declaração  tributária, colaborando ativamente. Ao fim, o lançamento por homologação, inscrito no artigo  150 do Códex Tributário, em que o contribuinte presta as informações, calcula o tributo devido  e  promove  o  pagamento,  ficando  sujeito  a  eventual  homologação  por  parte  das  autoridades  fazendárias.  Dessa  forma,  estando  as  Contribuições  Previdenciárias  sujeitas  ao  lançamento por homologação, defende parte dos julgadores e doutrinadores que a decadência a  ser aplicada seria aquela constante do artigo 150, § 4º, do CTN, levando­se em consideração a  natureza  do  tributo  atribuída  por  lei,  independentemente  da  ocorrência  de  pagamento,  entendimento compartilhado por este conselheiro.  Ou seja, a regra para os tributos submetidos ao lançamento por homologação  é o  artigo 150, § 4º, do Código Tributário, o qual  somente não prevalecerá nas hipóteses de  ocorrência de dolo,  fraude ou  conluio,  o que  ensejaria o deslocamento do prazo decadencial  para o artigo 173, inciso I, do mesmo Diploma Legal.  Não é demais lembrar que o lançamento por homologação não se caracteriza  tão  somente  pelo  pagamento.  Ao  contrário,  trata­se,  em  verdade,  de  um  procedimento  complexo, constituído de vários atos independentes, culminando com o pagamento ou não.  Observe­se, pois, que a ausência de pagamento não desnatura o  lançamento  por homologação, especialmente quando a sujeição dos tributos àquele lançamento é conferida  por  lei.  E,  esta,  em  momento  algum  afirma  que  assim  o  é  tão  somente  quando  houver  pagamento.  Não fosse assim, o que se diria quando o contribuinte apura prejuízos e não  tem nada a recolher, ou mesmo quando encontra­se beneficiado por isenções e/ou imunidades,  onde,  em  que  pese  haver  o  dever  de  elaborar  declarações  pertinentes,  informando  os  fatos  geradores dos tributos dentre outras obrigações tributárias, deixa de promover o pagamento do  tributo em razão de uma benesse fiscal?  Fl. 433DF CARF MF   8 Cabe ao Fisco, porém, no decorrer do prazo de 05 (cinco) anos, contados do  fato  gerador  do  tributo,  nos  termos  do  artigo  150,  §  4º,  do  CTN,  proceder  à  análise  das  informações  prestadas  pelo  contribuinte  homologando­as  ou  não,  quando  inexistir  concordância. Neste último caso, promover o lançamento de ofício da importância que apurar  devida.  Aliás, como afirmado alhures, a regra nos tributos sujeitos ao lançamento por  homologação  é  o  prazo  decadencial  insculpido  no  artigo  150,  §  4º,  do  CTN,  o  qual  dispôs  expressamente  os  casos  em  que  referido  prazo  deslocar­se­á  para  o  artigo  173,  inciso  I,  na  ocorrência de dolo, fraude ou simulação comprovados. Somente nessas hipóteses a legislação  específica  contempla  a  aplicação  de  outro  prazo  decadencial,  afastando­se  a  regra  do  artigo  150,  §  4º.  Como  se  constata,  a  toda  evidência,  a  contagem  do  lapso  temporal  em  comento  independe de pagamento.  Ou  seja,  comprovando­se  que o  contribuinte  deixou  efetuar  o  recolhimento  dos tributos devidos e/ou promover o auto­lançamento com dolo, utilizando­se de instrumentos  ardilosos (fraude e/ou simulação), o prazo decadencial será aquele inscrito no artigo 173, inciso  I, do CTN. Afora essa situação, não se cogita na aplicação daquele dispositivo legal. É o que se  extrai da perfunctória leitura das normas legais que regulamentam o tema.  Por  outro  lado,  alguns  julgadores  e  doutrinadores  entendem  que  somente  aplicar­se­ia  o  artigo  150,  §  4º,  do CTN quando  comprovada  a  ocorrência  de  recolhimentos  relativamente  ao  fato  gerador  lançado,  seja  qual  for  o  valor.  Em  outras  palavras,  a  homologação dependeria de antecipação de pagamento para  se caracterizar,  e a  sua ausência  daria  ensejo  ao  lançamento  de  ofício,  com  observância  do  prazo  decadencial  do  artigo  173,  inciso I.  Ressalta­se, ainda, o entendimento de outra parte dos juristas, suscitando que  o artigo 150, 4º, do Código Tributário Nacional, prevalecerá quando o contribuinte promover  qualquer ato  tendente  a apuração da base de cálculo do  tributo devido,  seja pelo pagamento,  escrituração contábil, declaração do imposto em documento próprio, etc. Melhor elucidando, o  contribuinte deverá adotar algum procedimento com o fito de apurar o tributo para que pudesse  se cogitar em “homologação”.  Afora  posicionamento  pessoal  a  propósito  da matéria,  por  entender  que  as  Contribuições Sociais Previdenciárias deve observância ao prazo decadencial do artigo 150, §  4°,  do  Códex  Tributário,  independentemente  de  antecipação  de  pagamento,  salvo  quando  comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o certo é que a partir da alteração do  Regimento  Interno  do  CARF  (artigo  62­A),  introduzida  pela  Portaria  MF  nº  586/2010,  os  julgadores  deste  Colegiado  estão  obrigados  a  “reproduzir”  as  decisões  do  STJ  tomadas  por  recurso  repetitivo,  razão  pela  qual  deixaremos  de  abordar  aludida  discussão,  mantendo  o  entendimento que a aplicação do dispositivo legal retro depende da existência de recolhimentos  do mesmo  tributo  no  período  objeto  do  lançamento,  na  forma  decidida  por  aquele  Tribunal  Superior nos autos do Resp n° 973.733/SC, assim ementado:  PROCESSUAL  CIVIL.  RECURSO  ESPECIAL  REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO  CPC.  TRIBUTÁRIO.  TRIBUTO  SUJEITO  A  LANÇAMENTO  POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.  INEXISTÊNCIA  DE  PAGAMENTO  ANTECIPADO.  DECADÊNCIA  DO  DIREITO  DE  O  FISCO  CONSTITUIR  O  CRÉDITO  TRIBUTÁRIO.  TERMO  INICIAL.  ARTIGO  173,  I,  DO  CTN.  APLICAÇÃO  CUMULATIVA  DOS  PRAZOS  PREVISTOS  NOS  ARTIGOS  150,  §  4º,  e  173,  do  CTN.  IMPOSSIBILIDADE.  Fl. 434DF CARF MF Processo nº 19515.003694/2009­10  Acórdão n.º 2401­005.721  S2­C4T1  Fl. 6          9 1.  O  prazo  decadencial  qüinqüenal  para  o  Fisco  constituir  o  crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia  do  exercício  seguinte  àquele  em  que  o  lançamento  poderia  ter  sido  efetuado,  nos  casos  em  que  a  lei  não  prevê  o  pagamento  antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o  mesmo  inocorre,  sem  a  constatação  de  dolo,  fraude  ou  simulação  do  contribuinte,  inexistindo  declaração  prévia  do  débito  (Precedentes  da Primeira  Seção: Resp  766.050/PR, Rel.  Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg  nos  EREsp  216.758/SP,  Rel.  Ministro  Teori  Albino  Zavascki,  julgado  em  22.03.2006,  DJ  10.04.2006;  e  EREsp  276.142/SP,  Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005).  2.  É  que  a  decadência  ou  caducidade,  no  âmbito  do  Direito  Tributário,  importa  no  perecimento  do  direito  potestativo  de  o  Fisco  constituir  o  crédito  tributário  pelo  lançamento,  e,  consoante  doutrina  abalizada,  encontrase  regulada  por  cinco  regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra  da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos  ao  lançamento  de  ofício,  ou  nos  casos  dos  tributos  sujeitos  ao  lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o  pagamento  antecipado  (Eurico  Marcos  Diniz  de  Santi,  "Decadência  e  Prescrição  no  Direito  Tributário",  3ª  ed.,  Max  Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210).  3.  O  dies  a  quo  do  prazo  qüinqüenal  da  aludida  regra  decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo  certo  que  o  "primeiro  dia  do  exercício  seguinte  àquele  em  que  o  lançamento  poderia  ter  sido  efetuado"  corresponde,  iniludivelmente,  ao  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  à  ocorrência  do  fato  imponível,  ainda  que  se  trate  de  tributos  sujeitos  a  lançamento  por  homologação,  revelandose  inadmissível  a  aplicação  cumulativa/concorrente  dos  prazos  previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante  a  configuração  de  desarrazoado  prazo  decadencial  decenal  (Alberto  Xavier,  "Do  Lançamento  no  Direito  Tributário  Brasileiro",  3ª  ed.,  Ed.  Forense,  Rio  de  Janeiro,  2005,  págs.  91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed.,  Ed.  Saraiva,  2004,  págs.  396/400;  e  Eurico  Marcos  Diniz  de  Santi,  "Decadência  e Prescrição  no Direito Tributário",  3ª  ed.,  Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199).  5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuida­se de tributo  sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege  de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não  restou  adimplida  pelo  contribuinte,  no  que  concerne  aos  fatos  imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro  de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos  deu­se em 26.03.2001.  6.  Destarte,  revelam­se  caducos  os  créditos  tributários  executados,  tendo  em  vista  o  decurso  do  prazo  decadencial  qüinqüenal  para  que  o  Fisco  efetuasse  o  lançamento  de  ofício  substitutivo.  7.  Recurso  especial  desprovido.  Acórdão  submetido  ao  regime  do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.  Fl. 435DF CARF MF   10 Na esteira desse raciocínio, uma vez delimitado pelo STJ e, bem assim, pelo  Regimento  Interno  do  CARF  que  nos  lançamentos  por  homologação  a  antecipação  de  pagamento é  indispensável à aplicação do  instituto da decadência, nos  cabe  tão somente nos  quedar a aludida conclusão e constatar ou não a sua ocorrência.  Entrementes,  a controvérsia em relação a  referido  tema encontra­se distante  de  remansoso  desfecho,  se  fixando  agora  em  determinar  o  que  pode  ser  considerado  como  antecipação de pagamento das contribuições, sobretudo em face das diversas modalidades e/ou  procedimentos adotados por ocasião do lançamento fiscal.  Para afastar qualquer dúvida a esse  respeito  foi editada a Súmula CARF n°  99, que assim dispõe:  Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150,  § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza  pagamento  antecipado  o  recolhimento,  ainda  que  parcial,  do  valor  considerado  como  devido  pelo  contribuinte  na  competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo  que  não  tenha  sido  incluída,  na  base  de  cálculo  deste  recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida  no auto de infração.  Essa súmula é de observância obrigatória, nos  termos do “caput” do art. 72  do Regimento Interno do CARF, inserto no Anexo II da Portaria MF n.º 343, de 09/06/2015.  Em  suma,  despiciendas  maiores  elucubrações  a  propósito  da matéria,  uma  vez  que  a  simples  análise  dos  autos  nos  leva  a  concluir  pela  existência  de  antecipação  de  pagamento,  por  trata­se  de  contribuições  incidentes  sobre  as  remunerações  pagas  ou  creditadas  aos  segurados  contribuintes  individuais  não  constantes  nas  GPS  e  GFIP,  portanto,  diferenças  de  contribuições,  eis  que  a  contribuinte  promoveu  o  recolhimento  das  contribuições  incidentes  sobre  a  remuneração  reconhecida  (salário  normal),  fato  relevante para a aplicação do instituto, nos termos da decisão do STJ acima ementada, a  qual estamos obrigados a observar.  Mais  a  mais,  como  se  extrai  do  Relatório  Fiscal  do  Auto  de  Infração,  no  decorrer da ação fiscal a autoridade fazendária examinou as Guias de Recolhimento do Fundo  de Garantia do  tempo de Serviço e Informações à Previdência Social  ­ GFIP e às Guias da  Previdência  Social  ­  GPS,  além  de  outros  documentos,  o  que  nos  leva  a  concluir  pela  existência de pagamentos parciais realizados pela contribuinte.  Assim, é de manter a ordem legal no sentido de adotar o prazo decadencial  inscrito no artigo 150, § 4o, do Código Tributário Nacional, em face do  recolhimento parcial  das contribuições previdenciárias em relação ao período ora debatido.  Por  clareza  ao  debate,  para  aqueles  que  entendem  que  o  pagamento  antecipado  deve  guardar  relação  com  o  fato  gerador,  ou  seja,  recolhimento  referente  a  contribuinte  individual.  Vale  explicitar  que  nos  autos  não  a  documentação  probatório  específica quanto a esta rubrica. No entanto, durante todo o procedimento fiscal a contribuinte  ventila  essa  afirmação,  sendo que  em nenhum momento  a  fiscalização  contesta. Assim,  fato  incontroverso.   Ademais,  a  própria  autoridade  julgadora  de  primeira  instância  afirma  a  existência de pagamento em relação aos contribuintes individuais, in verbis:  Fl. 436DF CARF MF Processo nº 19515.003694/2009­10  Acórdão n.º 2401­005.721  S2­C4T1  Fl. 7          11 4.29. Observou­se que os valores que constam na coluna “INSS  PAGO”,  da  planilha  apresentada  pela  Impugnante,  equivalem  aos  que  ela  informa  como  devidos  pelos  contribuintes  individuais,  nas  GFIP,  conforme  relatório  “Demonstrativo  da  Composição da Base de Cálculo ­DCBC”.  4.30.  Assim,  verificada  a  necessidade  de  retificar  os  créditos,  que somados aos já declarados em GFIP encontram­se acima do  limite  máximo,  construiu­se  a  planilha  “Retificação  das  Contribuições  dos  Contribuintes  Individuais”  (fls.  196/277),  cabendo esclarecer que, nela, foram individualizados apenas os  contribuintes individuais que se enquadram na situação descrita,  bem  como  esclarecer  que:  a)  a  coluna  “GFIP”  demonstra  os  valores  declarados  nas  GFIP;  b)  a  coluna  “AI”  informa  os  valores  lançados  no  Auto  de  Infração;  c)  a  coluna  “GFIP+LANÇ”  indica a  soma dos valores das colunas citadas  nos  itens  anteriores;  d)  a  coluna  “V.  EXCL.  AI”,  informa  os  valores que devem ser excluídos do lançamento, por excederem  aos limites máximos de R$ 264,00 (competências 01 a O4/2004)  e R$ 275,95 (competências 05/2004 a 12/2004).  Destarte,  tendo  a  fiscalização  constituído  o  crédito  previdenciário  em  23/09/2009, com a devida ciência da contribuinte constante do AR (fl. 72), a exigência fiscal  resta parcialmente fulminada pela decadência,  relativamente aos  fatos geradores ocorridos no  período anteriores a competência 09/2004 (Setembro/2004), ou seja, de 01/2004 a 08/2004, os  quais se encontram fora do prazo decadencial inscrito no dispositivo legal supra, impondo seja  decretada a improcedência parcial do feito.  MÉRITO  NEGÓCIO  HERBALIFE  ­  LUCRO  NO  ATACADO  ­  MARKETING  MULTINÍVEL  Primeiramente  cabe  esclarece  quais  as  vertentes  sobre  a  resolução  do  lançamento, são elas:  se as atividades desempenhadas pelos consultores configuram­se  como prestação de serviços à Herbalife, estamos diante de uma  hipótese  de  incidência  tributária,  onde  o  “lucro  no  atacado”  pago  a  eles  constitui  remuneração,  fato  gerador  das  contribuições  sociais  previdenciárias,  com  razão  a  autoridade  lançadora; ou  caso  se  conclua  ser  mera  relação mercantil,  ganho  comercial,  estaríamos  fora  da  hipótese  de  incidência  das  contribuições,  conforme defendido pela contribuinte.  A  recorrente,  rebatendo  as  contribuições  aqui  exigidas,  expôs  todo  o  funcionamento de seu canal de vendas ("negócio herbalife"), diferenciando todas as "operações  da cadeia" e,  enfatizando sempre que a  relação entre ela e os consultores  independentes é,  e  sempre foi, comercial (de compra e revenda).  Explicita que a receita líquida da recorrente se resume a 50% (cinqüenta por  cento) de todas as vendas efetuadas. Tal receita jamais oscila, não importando se o produto é  vendido (i) pela própria contribuinte para o consultor varejista ou atacadista ou (ii) em nome da  Recorrente, mas para o consultor atacadista. Ressalte­se, nesse sentido que, quando a venda é  Fl. 437DF CARF MF   12 efetuada em nome da Recorrente, mas em prol do consultor atacadista, a recorrente repassa a  quem de direito, de acordo com o seu plano de marketing, o valor sobressalente à sua receita  líquida própria. Justamente por isso, em todos os noventa e um países em que a Recorrente tem  atividades,  inclusive no Brasil,  os  valores  referentes  às  vendas  efetuadas  em  seu  nome, mas  para o consultor independente, são contabilizados como redução de receita, não como despesa.  Isto porque, de fato, trata­se de verdadeira receita de terceiros que a Recorrente repassa a quem  de direito.   Explica  que  o  ganhos  comerciais  são  o  “lucro  no  varejo”  e  o  “lucro  no  atacado”,  que  são  caracterizados  por  descontos  outorgados  pela  Herbalife  ao  consultor,  transcrevendo trechos do Manual para explicar como esses ganhos são obtidos.  Ressalta que apesar de o “lucro no  atacado”  envolver  repasse  financeiro  ao  consultor, feito pela Herbalife, ele configura ganho comercial baseado em desconto.  Assevera  que  os  ganhos  decorrentes  de  serviços,  denominados  royalties  e  bônus, decorrentes “das atividades de captação, desenvolvimento, treinamento e motivação das  equipes  de  vendas”,  dependem  da  qualificação  e  têm  correlação  direta  com  os  volumes  de  venda, que servem de base para o cálculo dos próprios ganhos.  Arrazoa  que  o  consultor  ao  assinar  o  contrato  e  se  tornar  um  consultor  independente,  constrói  um  verdadeiro  negócio  para  si  e  para  sua  família,  acostando  aditamentos  contratuais  para  demonstrar  a  transferência  do  negócio  Herbalife  a  sucessores  familiares dos Consultores.   Expõe  que o  consultor  qualificado  ao  desconto  pode  comprar  o  produto  da  Herbalife e revender aos seus consultores descendentes com o desconto que estes  têm direito  de  adquirir  (geralmente,  menor  que  o  da  ascendente),  ou  pode  permitir  que  eles  comprem  diretamente  da  Herbalife  com  o  desconto  menor,  e  esta  devolve  ao  consultor  ascendente  a  diferença do desconto que caberia a ele, sob a forma de ganho, por isso, “o lucro no atacado” é  também denominado “desconto remanescente”.  Argumenta  que  a  indicação  de  outras  pessoas,  nem  o  volume  de  vendas  efetuado por estas, qualificam o consultor que as indicou para níveis maiores de desconto.  Acrescenta  que  se  trata  de  ganho  comercial,  que  pode  ser  auferido  sem  qualquer repasse de valores pela recorrente, nos casos em que o consultor descendente compra  diretamente do consultor ascendente. Dessa forma, afirma que há equívoco da fiscalização ao  relatar que “lucro no atacado” são valores pagos aos distribuidores em função do volume de  vendas, e, portanto, não há prestação de serviço pelo consultor quer seja para qualificação ao  nível maior de desconto, quer seja para percepção do “lucro no atacado”,  inclusive porque, o  consultor precisa manter anualmente a qualificação que lhe permite auferir esses ganhos, senão  retorna  ao status que seu volume de pontos alcançar, podendo  inclusive  ser ultrapassado por  um consultor que estava abaixo dele na organização, evidenciando que a percepção do “lucro  no atacado” não tem a ver com a indicação de pessoas para sua equipe.  Arrazoa que nem todo pagamento efetuado por pessoa jurídica a pessoa física  decorre de prestação de serviço. Nesse sentido, cita doutrina e art. 195, inciso I, alínea “a”, da  Constituição Federal. Aduz que a fiscalização incorreu em erro na autuação, visto que não há  incidência de contribuição previdenciária sem que ocorra remuneração por serviços, e por isso  o Auto de Infração é improcedente.  Insurge­se quanto a fundamentação da decisão de piso com base Estatuto do  Vendedor Direto,  constante do  site da Associação Brasileira de Vendas Diretas  (‚ABEVD‛),  norma  orientativa,  não  restritiva,  e  que,  quando  refletida  na  prática  de  cada  uma  de  suas  associadas,  admite  particularidades.  E,  se  bem  se  compreendeu  os  tipos  de  receita  auferidos  pelos  consultores  dependentes  da  Recorrente,  expostos  no  item  16  e  seguintes  desta  peça,  Fl. 438DF CARF MF Processo nº 19515.003694/2009­10  Acórdão n.º 2401­005.721  S2­C4T1  Fl. 8          13 notar­se­á que a estrutura de ganhos da Recorrente situa­se exatamente dentro dos patamares  sugeridos pela norma da ABEVD utilizada pela ilustre Relatoria, na modalidade multinível: os  ganhos comerciais (lucros no atacado e no varejo) decorrem da venda dos produtos e os ganhos  remuneratórios (royalties e bônus) decorrem da captação, treinamento, motivação e retenção de  outros consultores independentes.   Deveras, a autoridade Julgadora utilizou de norma que não se aplica ao caso  concreto,  uma vez  que,  além de  ser  genérica,  trata  da  contraprestação  pelo  agenciamento  de  novos  consultores,  que,  como  já  se  viu,  é  remunerado  pela Recorrente  por meio  de bônus  e  royalties.   Aduz não ser possível prosperar o entendimento da autoridade Julgadora de  ‚que os valores pagos a título de ‘lucro no atacado’ aos consultores independentes decorrem da  prestação de serviços de venda, e de divulgação dos produtos da empresa‛, uma vez que: (i) a  lógica do lucro no atacado é exatamente inversa. Isso é, não há prestação de serviços de venda  ou divulgação de produtos do  consultor  em prol da Recorrente. Na  realidade,  a  atividade de  Recorrente que é em prol dos consultores independentes.   Ademais,  também não  prospera  o  entendimento  da  autoridade  julgadora  de  que o  lucro no  atacado  seria um  "plus ao  serviço prestado pelo  consultor de nível  superior,  como forma de que este atraia mais consultores a sua rede de vendas, e por fim aumente as  vendas da própria Herbalife,  (...) apenas revenderia seus produtos aos consultores, uma vez  que  obteria  o  mesmo  percentual  de  desconto.(...)  A  pr{tica  do  ‘lucro  por  atacado’  abre  caminho para que a Herbalife venda diretamente a consultores da linha descendente de um  consultor  independente,  incentivando­os  a  atrair  mais  pessoas  à  rede,  e  aumentarem  seu  volume de compras diretamente da Herbalife".  Afirma  que  não  existe  o  interesse  do  consultor  em  linha  ascendente  de  fomentar as  compras dos consultores em  linha descente,  a  fim de garantir a  sua qualificação  para auferir o lucro no atacado, por toda sistemática da empresa na requalificação anual.  Explicita que o lucro no atacado não possui natureza remuneratória. Trata­se  de um ganho comercial do consultor independente a ele repassado pela Recorrente. Por assim  ser, não pode tal rubrica sofrer a incidência de contribuição previdenciária   Argumenta  que  embora  o  consultor  não  esteja  obrigado  a  se  dedicar  ao  negócio  Herbalife  e  trabalhar  determinadas  horas  por  dia,  aqueles  que  evoluem  na  escala  e  obtêm lucro no atacado, acabam se dedicando e prestando serviços com habitualidade. Aponta  que  pessoas  naturais  que  assim  exercem  sua  atividade  comercial,  com  intuito  de  lucro  são  equiparadas a pessoas jurídicas para fins fiscais, conforme art. 150, § 1o, II, do Regulamento  do Imposto de Renda. Nesse sentido, transcreve jurisprudência do Conselho Administrativo de  Recursos Fiscais (CARF).  A situação ora em debate, se encaixa no sistema de compensação multinível  (marketing  multinível/marketing  de  rede),  que  se  trata  de  uma  estratégia  empresarial  de  distribuição de bens e serviços, onde a divulgação dos produtos se dá pela indicação “boca a  boca”  feita  por  distribuidores  independentes.  Por  esse  trabalho,  tais  distribuidores  recebem  bônus,  que  seriam utilizados nas milionárias  campanhas de propaganda  tradicional. Além da  indicação  dos  produtos,  os  distribuidores  poderão  indicar  outros  distribuidores  e,  assim,  construir  uma  organização  de  escoamento  de  produtos  com  possibilidades  de  ganhos  ilimitados.  Fl. 439DF CARF MF   14 Antes  mesmo  de  se  adentrar  ao  mérito  da  questão,  cumpre  trazer  à  baila  alguns  apontamentos  acerca  da  matéria  (marketing  multinível),  por  não  estarmos  tão  habituados ao tema.  O marketing multinível  também  tratado, às vezes, como marketing de  rede,  teve origem nos EUA, nos idos dos anos 1940. Desde então, passou por vários ciclos, adaptou­ se a diferentes momentos da economia mundial e se espalhou por diversos países. No Brasil, há  vários  modelos  de  negócios  já  consolidados  baseados  nesse  formato  e  hoje  é  a  atividade  profissional principal (em alguns casos, a única) de muita gente.  Os negócios do tipo multinível baseiam o seu sistema de comercialização em  dois pilares fundamentais: a venda direta e a criação de uma rede. A venda direta consiste  em  ir  diretamente  aos  consumidores  para  oferecer  e  vender  os  produtos  ou  serviços  da  empresa, de uma forma pessoal ou através do uso da Internet. Enquanto a criação de uma rede  consiste  em convidar outras  pessoas para que participem como Distribuidores  Independentes  na empresa de multinível, na qual estás associado. Se aceitarem entrar na empresa, passarão a  formar  parte  da  rede  e  vai  ganhar  uma  vantagem  por  cada  venda  feita  pelos  distribuidores  recrutados.  Vale  esclarecer  ainda,  que  não  podemos  confundir  o  MMN  (marketing  multinível)  com  as  pirâmides.  A  primeira  é  uma  atividade  legalizada,  baseada  na  comercialização  de  produtos  e  serviços,  baseando­se  em  princípios  e  fundamentos  éticos  e  legais  e  pode  gerar  bons  rendimentos  aos  parceiros,  dependendo,  é  claro,  dos  resultados  de  cada um. Já as pirâmides financeiras são negócios totalmente distintos do marketing multinível.  Elas são esquemas ilegais de movimentação financeira.   Portanto, estamos diante de um negócio legal.  Feitas às considerações encimadas, passamos a expor o nosso entendimento.  Apesar de estarmos falando de uma matéria não usual, esta  já foi apreciada  por este Egrégio Conselho, pela 1º Turma Ordinária da 3º Câmara da 2º Seção de Julgamento,  em sessão de 06 de novembro de 2014, acórdão de nº 2301­004.218. Por oportuno, transcreve­ se  o  voto  do  ilustre  Relator  Wilson  Antonio  de  Souza  Correa,  no  tocante  a  matéria  aqui  discutida:    DA  INEXISTÊNCIA DE  VÍNCULO DE  TRABALHO ENTRE A  RECORRENTE E SEUS DISTRIBUIDORES E COMPRADORES  DE SEUS PRODUTOS   Em  síntese  a  Recorrente  diz  que  faz  parte  do  grupo  FLP  – Forever Living Products, que por sua vez fabrica e comercializa  produtos  de  saúde  e  outros  do  gênero.  E,  como  integrante  do  grupo FLP atua na área de vendas diretas e utiliza um ‘Plano de  Marketing Único’, que  incentiva e apóia a compra e o uso dos  seus produtos através de uma rede de compradores.  Explica que a  rede de compradores  funciona com indicação de  outros  compradores,  sendo assim: A  é  comprador  e  indique B,  para  que  indique  C  e  assim  sucessivamente,  sendo  que  o  primeiro,  ou  seja,  A,  recebe  sobre  as  suas  compras  na  FLP  e  sobre as compras dos indicados sucessivamente,  formando uma  rede,  onde  quem  é  o  primeiro  recebe  mais,  já  que  todas  as  compras a ele serão contabilizadas.  Neste  planejamento  todos  os  compradores  para  comprarem  e  venderem mais têm que realizar mais indicação de compradores  e  fazer  um  trabalho  forte  de  marketing,  sendo  que  a  tarefa  Fl. 440DF CARF MF Processo nº 19515.003694/2009­10  Acórdão n.º 2401­005.721  S2­C4T1  Fl. 9          15 principal  não  é  o  marketing  sim  a  venda,  para  eles,  distribuidores, sendo que o primeiro é um mero instrumento para  realização  do  segundo,  razão  pela  qual  se  revela  impróprio  o  entendimento da decisão de piso ao comparar este procedimento  com a venda direta que aduz o estatuto do vendedor.  Desta forma, explicita, os valores pagos aos distribuidores pela  Recorrente  não  se  refere  a  venda,  mas  sim  a  compra  por  ele  realizada,  não  esquecendo  cada  qual  pertencer  a  uma  rede  de  compradores  o  que  possibilita  a  variação  de  ganhos,  ou  seja,  quanto  mais  distribuidores  ele  tiver,  mais  ele  terá  de  bonificação.  Assim, poderemos resumir o ponto nodal da questão, pois para a  Fiscalização  os  valores  pagos  aos  prestadores  de  serviços  têm  como base as vendas por eles realizadas e para a Defendente os  valores  pagos  têm  como  base  as  compras  realizadas  por  seus  contratantes/compradores.  É  como  se  ela  estivesse  bonificando  os seus compradores, ou seja, quanto mais compra, mais recebe  bônus e ela é paga por seus distribuidores para gerir este ‘Plano  de Marketing Único’, ainda que seja 1 real ao mês.  O contrato apresentado nos autos não deixa dúvida quanto a sua  literalidade de que a prestadora de  serviço é a Recorrente que  também é remunerada, ainda que seja 1 real por mês. E onde ela  ganha nesta transação comercial? Na venda do produto por ela  produzido e no marketing gratuito do seu produto.  Para  a  Recorrente  não  há  legislação  que  tribute  a  operação  acima  e  não  pode  a  fiscalização,  por  analogia  enquadrar  os  distribuidores como contribuintes individuais.  Aduz  também a Recorrente que os prêmios distribuídos por ela  não  podem  ser  considerados  como  pagamento  de  contraprestação de serviço, isto porque os valores que transitam  pelo patrimônio dela a título de VAR, são devolvidos na forma de  prêmio.  Registro  minhas  reverências  ao  projeto  elaborado  pela  Recorrente,  eis  que  de  fato  ele  não  contraria  nenhuma  legislação, mas o tenho como desfigurado pelo simples fato de os  distribuidores  não  serem  distribuidores  e  sim  vendedores,  conforme  o  Estatuto  do  vendedor  que  o  conceitua  como  uma  pessoa que participa do sistema de distribuição de uma empresa  de  venda  direta.  Podendo  ser  agente  comercial  independente,  contratado  por  empreitada,  revendedor  ou  distribuidor  independente,  representante  empregado  ou  por  conta  própria,  franqueado ou similar.  Assim, não vejo razão à Recorrente, também neste quesito.  DO ERRO NA DETERMINAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DAS  CONTRIBUIÇÕES LANÇADAS – BONIFICAÇÕES   A  Recorrente  alega  que  a  base  de  cálculo  utilizada  pela  Fiscalização está equivocada, eis que a sua operação realizada  pelo seu Plano de Marketing Único é diferenciado de uma rede  de  vendedores/distribuidores,  pois  o  vendedor  que  se  encontra  Fl. 441DF CARF MF   16 no  topo  da  lista  é  beneficiado  por  compras  indireta  de  outros  distribuidores/compradores/vendedores.  Como  dito  acima,  o  planejamento  foi  elaborado  e  se  admitíssemos  o  projeto  estaríamos  diante  de  distribuidores  conforme  consta  no  contrato  e  não  vendedores,  conforme  é  a  realidade fática.  Sendo considerados vendedores a operação cai na vala comum e  neste  sentido  a  base  de  cálculo  acompanha  a  regra  geral,  havendo como base as vendas realizadas como um todo.  Entretanto, quando  trata das BONIFICAÇÕES, onde  informa a  Fiscalização  que  observou  divergências  entre  os  valores  declarados na DIRF como rendimento do  trabalho sem vínculo  empregatício  e  os  informados  na  GFIP  da  Recorrente,  sendo  incluindo  na  base  da  cálculo  do  lançamento,  o  que  julgo  indevido,  eis  que  ausente  a  comprovação  de  fato  gerador  que  possa justificar.  Veja,  a  bonificação  declarada  e  que  não  consta  na DIRF  não  representa  um  fato  ou  conjunto  de  fatos  a  que  o  legislador  vincula o nascimento da obrigação jurídica de pagar um tributo  determinado.  Alguns  doutrinadores  do  direito  tributário  propõem  distinguir  fato  descrito  na  hipótese  legal  (hipótese  de  incidência)  e  fato  imponível.  Nesse  sentido,  a  definição  de  Geraldo  Ataliba  é  precisa:  "Tal  é  a  razão  pela  qual  sempre  distinguirmos  estas  duas  coisas,  denominando  hipótese  de  incidência  ao  conceito  legal  (descrição  legal, hipotética de um fato, estado de fato, ou  conjunto  de  circunstâncias  de  fato)  e  fato  imponível,  efetivamente  acontecido  num  determinado  tempo  ou  local,  configurando rigorosamente a hipótese de incidência".  O  Código  Tributário  Nacional  do  Brasil  (CTN)  utiliza  a  expressão  fato gerador  tanto no momento que se  refere ao que  Geraldo Ataliba chamou de hipótese de incidência tanto quanto  ao  fato  imponível,  deixando  para  que  o  intérprete  da  norma  reconheça o  significado referido segundo o  contexto em que se  encontra. O CTN faz menção ao fato gerador nos artigos 114 e  115. De acordo com o texto do artigo 114 do CTN, fato gerador  da  obrigação  principal  é  a  hipótese  definida  em  lei  como  necessária  e  suficiente  para  o  surgimento  da  obrigação  tributária.  Por  sua  vez,  o  artigo  115  diz  que  fato  gerador  da  obrigação  acessória  é  a  hipótese  que,  na  forma  da  legislação  aplicável,  impõe  a  prática  ou  a  abstenção  de  ato  que  não  configure  obrigação principal.  Nesta  seara,  vejo  que  as  bonificações  não estão  rigorosamente  incluídas  em hipótese de  incidência,  razão pela qual  excluo do  lançamento, conforme requerido pelo Recorrente.  Com razão em parte.    Face  a  isto,  a  conclusão  do  ilustre  Relator,  consoante  voto  parcialmente  acima transcrito, foi no sentido de, naquele caso, dar parcial provimento ao recurso voluntário  para  "reconhecer  que  não  deve  compor  a  base  de  cálculo  as  bonificações  pagas  ao  Fl. 442DF CARF MF Processo nº 19515.003694/2009­10  Acórdão n.º 2401­005.721  S2­C4T1  Fl. 10          17 vendedores/empregados por ausência de comprovação do fato gerador", decisão esta que foi  acompanhada por unanimidade pelos demais Conselheiros daquela Colenda Turma.  Com  a  devida  vênia  ao  entendimento  exarado  pelo  ilustre Conselheiro  Wilson Antonio de Souza Correa, venho discordar que há uma relação de  trabalho, ou  até mesmo de emprego, pois os chamados "Consultores"/"Distribuidores" não podem ser  considerados  como  "Vendedores",  o  que  daria  ensejo  a  incidência  de  contribuição  previdenciária,  considerando­os  como  contribuintes  individuais,  ou  ainda,  como  empregados.  Nesse sentido, em 16 de fevereiro de 2016, quando da apreciação do processo  nº 16832.000057/201036, o qual sobreveio o acórdão nº 2402­004.992, a 2º Turma Ordinária  da  4º  Câmara  da  2º  Seção  de  Julgamento  deste  Conselho,  com  a  relatoria  do  Conselheiro  Natanael  Vieira  dos  Santos,  acordaram  por  unanimidade  em  dar  provimento  ao  recurso  voluntário, por compreenderem que não há que se falar em exigibilidade da contribuição social  previdenciária porque as  "bonificações", não  têm como contrapartida prestação de  serviços à  recorrente por Distribuidores/Vendedores de produto por ela fornecidos. Vejamos a ementa:    Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias   Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005   SALÁRIO  DE  CONTRIBUIÇÃO.  SEGURADOS  CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS.  Entende­se  por  salário  de  contribuição  dos  segurados  contribuintes  individuais  a  remuneração  por  eles  auferida  em  uma ou mais empresas ou pelo exercício de suas atividades por  conta própria.  A empresa é obrigada a recolher, nos prazos definidos em lei, as  contribuições  previdenciárias  a  seu  cargo,  incidentes  sobre  as  remunerações  pagas,  devidas  ou  creditadas,  a  qualquer  título,  aos segurados contribuintes individuais a seu serviço.  CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PRINCÍPIO DA  PRIMAZIA  DA  REALIDADE.  APLICÁVEL  À  RELAÇÃO  PREVIDENCIÁRIA Assim como na relação trabalhista, também  na relação previdenciária é aplicável o princípio da primazia da  realidade,  segundo  o  qual,  a  verdade  dos  fatos  impera  sobre  qualquer contrato formal, ou seja, caso haja conflito entre o que  está  escrito  e  o  que  ocorre  de  fato,  prevalece  o  que  ocorre  de  fato,  de  sorte  que  sua  realização  no  âmbito  tributário  ocorre  com  a  aplicação  do  princípio  da  verdade  material,  o  qual  permite  que  no  processo  administrativo  o  julgador  busque  a  verdade,  ainda  que,  para  isso,  tenha  que  se  valer  de  outros  elementos além daqueles trazidos aos autos pelos interessados.  Recurso Voluntário Provido.    Analisando  a  operação  comercial  da  recorrente,  me  filio  ao  entendimento  acima, pela não incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores pagos a título de  "lucros no atacado" aos "consultores" dos produtos da recorrente.  Fl. 443DF CARF MF   18 Verifica­se  que  na  modelagem  de  negócio  da  contribuinte,  conforme  demonstrado pelo Relatório Fiscal e pelos instrumentos contratuais acostados aos autos, é que  os consultores autorizados adquirem produtos com desconto da recorrente para  revendê­los e  parte do valor, como obrigação da recorrente com os seus consultores, são repassados a estes,  em conformidade com os critérios estabelecidos.  Explico.  Ao  atingir  determinado  nível  de  qualificação,  o  consultor  independente  se  torna um verdadeiro atacadista. A Recorrente, por sua vez, conhecedora das limitações destes  consultores  independentes  que  não  possuem  estrutura  logística  ­  estrutura  básica  para  a  correta  armazenagem  dos  produtos  (que,  no  caso  da  Recorrente,  por  se  tratar  de  produtos  alimentícios, exige maiores cuidados), veículo para fazer o transporte de quantidades maiores,  contrato  com  transportadora,  dentre  outros  –  e  financeira  – disponibilidade  de  caixa  para  comprar, armazenar e transportar o produto até o consumidor final ­, para operacionalizar sua  atividade  comercial,  a  Recorrente  toma  para  si  tais  responsabilidades  e  garante  o  ganho  comercial advindo da operação de venda para o consultor independente.   Trata­se  de  verdadeira  reserva  de mercado,  assegurada  pela Recorrente,  e  concretizada pelo repasse do lucro no atacado para o consultor para tanto qualificado. Com  isso,  a  peticionante  garante  que o  consultor qualificado  para  auferir  lucro  no  atacado  não  se  oponha à aquisição do produto diretamente a ela, o que poderia facilmente ocorrer se não lhe  fosse  dada  a  garantia  de  que  seu  ganho  seria mantido. Nessa  esteira,  a  Recorrente  assegura  também  que:  (i)  não  haverá  falta  de  produto  no  mercado,  por  conta  de  eventual  indisponibilidade de caixa de algum consultor; (ii) os produtos ficarão armazenados de maneira  correta  e  conforme  exigido  pela  legislação  pertinente;  (iii)  os  produtos  chegarão  ao  destino  com rapidez e segurança; (iv) os lucros no atacado serão repassados no prazo correto e a quem  de direito, quando há mais de um consultor beneficiado pela mesma operação de venda. E, o  ponto mais importante para a saúde do ‚negócio Herbalife, assegura tratativas pacíficas entre a  empresa e seus consultores, evitando atritos comerciais.   Entendo, portanto, que  a  relação  jurídica entre a  contribuinte, uma empresa  de "marketing multinível", que fabrica e comercializa produtos de nutrição, controle de peso,  entre outros do gênero, com seus consultores não possui natureza de relação de trabalho, muito  menos a de emprego.  A  relação  jurídica  entre  as  partes,  no  que  concerne  o  lucro  no  atacado,  é  puramente comercial, inexistindo relação de trabalho.  Neste  sentido,  como  muito  bem  destacou  o  ilustre  Conselheiro  Natanael  Vieira dos Santos,  no  voto  do  acórdão  nº  2402­004.992,  que  peço  vênia  para  substanciar  os  fundamentos já expostos, senão vejamos:    (...)  não  somente  pelo  que  se  plasma  nos  instrumentos  analisados, mas  também  pela  realidade  dos  fatos,  apenas  para  argumentar,  sabe­se  que,  assim  como  na  relação  trabalhista,  também  na  relação  previdenciária  é  aplicável  o  princípio  da  primazia da realidade, de  forma que o que vale é a ocorrência  real dos  fatos  e não o que  está  escrito. Assim, mesmo que não  fossem textualmente compreendidos os  instrumentos envolvidos,  dado ao que não se constata nenhuma prestação de serviço dos  beneficiários  dos  bônus  para  a  recorrente,  tomando­se  por  fundamento o princípio da primazia da realidade, não há o que  se  falar  em  ocorrência  do  fato  gerador  da  contribuição  social  previdenciária ora exigida.  Fl. 444DF CARF MF Processo nº 19515.003694/2009­10  Acórdão n.º 2401­005.721  S2­C4T1  Fl. 11          19 Com supedâneo nesse princípio significa dizer: mesmo que fosse  considerada  a  existência  de  uma  relação  prestacional  entre  a  empresa e os beneficiados  (compradores e vendedores), mesmo  assim,  reitere­se,  o  referido  bônus  daquela  relação  não  decorreria, uma vez que os ditos pagamentos consubstanciam­se  ou  decorrem  de  mera  devolução  de  valores  colocados  sob  a  guarda  e/ou  administração  da  recorrente  pelos  distribuidores  autorizados.  Do  até  aqui  apontado,  o  que  se  constata  dos  autos  é  a  inocorrência do fato gerador das contribuições ora exigidas, eis  que em momento algum se verificou o pagamento por prestação  de  serviço  remunerado  pelos  segurados,  razão  pela  qual  não  deve  subsistir  o  lançamento  em  análise,  de  sorte  que  não  há  caracterização  da  ocorrência  da  situação  fática  da  obrigação  tributária.    Ora,  entende­se  por  salário  de  contribuição,  para  o  segurado  contribuinte  individual, a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos  rendimentos pagos a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer  que  seja  a  sua  forma.  Portanto,  inexistindo  relação  de  trabalho  e  por  conseqüência,  remuneração  para  retribuir  o  trabalho,  torna­se  insustentável  a  exigência  de  contribuição  previdenciária  sobre  o  "lucro  no  atacado"  pago  aos  consultores  (compradores)  da  empresa  fornecedora dos produtos.  Assim, no presente caso, não há que se falar em exigibilidade da contribuição  social  previdenciária  porque  os  valores  pagos,  como  já  demonstrado,  não  têm  como  contrapartida prestação de serviços  a  recorrente por Consultores/Vendedores de produtos por  ela fornecidos. Tratando­se de uma relação puramente mercantil.  Por todo o exposto, estando o Auto de Infração, sub examine, em dissonância  com as normas  legais que  regulamentam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER  DO RECURSO VOLUNTÁRIO para decretar a decadência relativamente aos fatos geradores  ocorridos no período anteriores a competência 09/2004 (Setembro/2004), ou seja, de 01/2004  a  08/2004 e,  no mérito, DAR­LHE PROVIMENTO,  pelas  razões  de  fato  e  de  direito  acima  esposadas.  É como voto.  (assinado digitalmente)  Rayd Santana Ferreira                              Fl. 445DF CARF MF

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7481038 #
Numero do processo: 10783.914071/2012-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2008 LUCRO PRESUMIDO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS HOSPITALARES. Comprovado que a interessada, optante pelo lucro presumido, atende aos requisitos previstos na legislação para ser considerada prestadora de serviços hospitalares, pode aplicar, para efeito de determinação da base de cálculo da CSLL, o percentual de 12%. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2008 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO. Estando correta a determinação da base de cálculo do tributo, reconhece-se o direito creditório pleiteado pelo contribuinte.
Numero da decisão: 1201-002.571
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA

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1201­002.571  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  21 de setembro de 2018  Matéria  RESTITUIÇÃO  Recorrente  NEOCARE CUIDADOS INTENSIVOS E INTEGRADOS EM  NEONATOLOGIA S/S LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO ­ CSLL  Ano­calendário: 2008  LUCRO PRESUMIDO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS HOSPITALARES.  Comprovado  que  a  interessada,  optante  pelo  lucro  presumido,  atende  aos  requisitos previstos na legislação para ser considerada prestadora de serviços  hospitalares, pode aplicar, para efeito de determinação da base de cálculo da  CSLL, o percentual de 12%.  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Ano­calendário: 2008  PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO.  Estando correta a determinação da base de cálculo do tributo, reconhece­se o  direito creditório pleiteado pelo contribuinte.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.  (assinado digitalmente)  Ester Marques Lins de Sousa ­ Presidente e Relatora    Participaram da sessão de  julgamento os conselheiros: Eva Maria Los,  José  Carlos  de  Assis  Guimarães,  Luis  Henrique Marotti  Toselli,  Rafael  Gasparello  Lima,  Gisele     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 91 40 71 /2 01 2- 27 Fl. 215DF CARF MF Processo nº 10783.914071/2012­27  Acórdão n.º 1201­002.571  S1­C2T1  Fl. 3          2 Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar  e Ester Marques Lins  de Sousa  (Presidente).  Ausente, justificadamente, o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado.      Relatório  Trata o presente processo de Pedido de Restituição de pagamento indevido de  CSLL.  Pelo Despacho Decisório, o crédito não foi reconhecido e a compensação não  foi  homologada  em  face  de  o  pagamento  informado  estar  integralmente  utilizado  para  a  quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição.  Protocolada  a  Manifestação  de  Inconformidade,  foi  julgada  improcedente,  pelo fundamento de que a contribuinte não preenchia os  requisitos para caracterizar­se como  prestadora  de  serviços  hospitalares,  nos  termos  de  consulta  por  ela  mesmo  formulada  à  Superintendência  da  Receita  Federal  da  7ª  Região  Fiscal  tendo  em  vista  a  adoção  dos  percentuais  de  8%  e  12%  para  fins  de  presunção  do  lucro  tributável  pelo  IRPJ  e  CSLL,  respectivamente,  e  não  32%  como  adotado  originariamente,  o  que  gerou  o  recolhimento  indevido.  Foi manejado o Recurso Voluntário no qual é alegado preliminarmente que a  decisão  de  primeira  instância  é  nula,  uma  vez  não  ter  sido  enfrentada  a  questão  meritória  trazida no despacho decisório.  Se superada a preliminar, argúi a recorrente que preenche os requisitos para  ser considerada como prestadora de serviços hospitalares, nos termos da legislação de regência  da matéria, conforme apontam os fatos devidamente comprovados nos autos mediante a farta  documentação apresentada. Colaciona jurisprudência.  É o relatório.      Voto             Conselheira Ester Marques Lins de Sousa ­ Relatora   O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF  343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido no Acórdão nº  1201­002.556,  de  21/09/2018,  proferido  no  julgamento  do Processo nº  10783.912343/2012­ 54, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado.  Fl. 216DF CARF MF Processo nº 10783.914071/2012­27  Acórdão n.º 1201­002.571  S1­C2T1  Fl. 4          3 Transcreve­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  o  entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201­002.556):  "Admissibilidade.  O  recurso  voluntário  é  tempestivo  e  atende  aos  demais  pressupostos de admissibilidade, dele devendo­se conhecer.  Nulidade da decisão de primeira instância.  É arguida a nulidade da decisão de primeira instância por  não ter sido enfrentada a questão meritória trazida no despacho  decisório, qual seja, o pagamento informado estar integralmente  utilizado  para  a  quitação  de  débitos  do  contribuinte,  não  restando crédito disponível para restituição.  Ocorre que  essa  utilização  deu­se  em  face  do  percentual  de Lucro Presumido aplicado à receita, inicialmente 32% como  informou a própria recorrente e não 8% (IRPJ) ou 12% (CSLL)  como é o pretendido. E essa é exatamente a  fundamentação da  manifestação  de  inconformidade  e,  por  óbvio,  foi  a  matéria  tratada na decisão de piso.  Vê­se pois que, embora a decisão não tenha se detido em  específico  no  fato  de  que  o  pagamento  foi  totalmente  utilizado  para a quitação de débitos, essa conclusão é facilmente extraída  da  fundamentação,  em que é analisada  toda a questão  relativa  ao  percentual  de  Lucro  Presumido  aplicável  em  face  da  atividade da recorrente: se 32%, como considerado na decisão,  o pagamento foi totalmente utilizado para a quitação do quanto  devido  pela  contribuinte,  não  restando  assim  nenhum  saldo  a  restituir.  Rejeita­se a preliminar.  Mérito.  Argúi  a  recorrente  que  é  prestadora  de  serviços  hospitalares, incidindo pois a exceção prevista na alínea "a", do  inciso III, do § 1º, do artigo 15, da Lei nº 9.249/95:  Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será  determinada mediante  a  aplicação  do  percentual  de  oito  por  cento  sobre  a  receita  bruta  auferida  mensalmente,  observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei n° 8.981, de  20 de janeiro de 1995.  §  1o  Nas  seguintes  atividades,  o  percentual  de  que  trata  este artigo será de:  [...]  III ­ trinta e dois por cento, para as atividades de:  a)  prestação  de  serviços  em  geral,  exceto  a  de  serviços  hospitalares e de auxílio diagnóstico e  terapia, patologia  clínica,  imagenologia,  anatomia  patológica  e  Fl. 217DF CARF MF Processo nº 10783.914071/2012­27  Acórdão n.º 1201­002.571  S1­C2T1  Fl. 5          4 citopatologia,  medicina  nuclear  e  análises  e  patologias  clínicas,  desde  que  a  prestadora  destes  serviços  seja  organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda  às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária ­  ANVISA. (Destaque acrescido)  Traz extenso arrazoado em que justifica o enquadramento  de  sua  atividade  como  de  prestação  de  serviços  hospitalares,  anexando  documentos. Colaciona  também  jurisprudência  nesse  sentido.  Junto  com  a  manifestação  de  inconformidade,  veio  a  Solução  de  Consulta  nº  09/2008,  emitida  pela  DISIT  da  Superintendência da Receita Federal  da 7ª Região Fiscal,  base  da decisão de piso.  Ao final dessa Solução de Consulta, são discriminados os  requisitos cumulativos para que a contribuinte seja considerada  como prestadora de serviços hospitalares, fazendo jus então aos  percentuais  de  Lucro Presumido  de  8%  (IRPJ)  e  12%  (CSLL).  Tais requisitos  foram analisados individualmente na decisão de  piso.  O primeiro requisito é o desempenho de atividade prevista  no inciso I, alínea "c", do artigo 27 da IN SRF nº 480, de 15 de  dezembro  de  2004:  “prestação  de  atendimento  de  assistência  à  saúde em regime de internação”.  Conforme a decisão de primeira instância, segundo o que  consta  no  Cadastro  Nacional  de  Estabelecimentos  de  Saúde  –  CNES:  "...  ali  está  registrado  que  a  interessada  presta  atendimento de internação, dispondo de nove leitos.  Além  disso,  presta  serviços  de  apoio  ao  diagnóstico  e  terapia,  pois  dispõe  de  equipamentos  para  diagnóstico  por imagem ( raio x – fl. 81) e serviço de diagnóstico por  anatomia patológica ou citopatológica (...).  Por  estas  razões,  concluo  que  a  interessada  atende  o  primeiro requisito estatuído na Solução de Consulta nº 9.  Quanto  ao  segundo  requisito,  assim  está  registrado  no  voto condutor da decisão de piso:  O  segundo  requisito  estabelecido  pela  Solução  de  Consulta nº 9, da DISIT/7ª RF, de 30 de janeiro de 2.008,  assim dispõe:  “b) prestar os serviços em ambientes desenvolvidos de  acordo com a Parte II Programação Físico Funcional  dos  Estabelecimentos  de  Saúde,  item  3  Dimensionamento,  Quantificação  e  Instalações  Prediais  dos  Ambientes,  da  RDC  nº  50,  de  2002,  da  Anvisa, com a alteração introduzida pela RDC nº 307,  de 14 de novembro de 2002, e pela RDC nº 189, de 18  Fl. 218DF CARF MF Processo nº 10783.914071/2012­27  Acórdão n.º 1201­002.571  S1­C2T1  Fl. 6          5 de julho de 2003, cuja comprovação deve ser feita por  meio  de  documento  competente  expedido  pela  vigilância sanitária estadual ou municipal; e”  [...]  Como esclarece o contribuinte, a empresa está situada em  endereço próprio, no meio andar do 7º andar do prédio do  Centro  Hospitalar  Granmater,  o  que  se  encontra  ratificado pelo OF/SESA/GEVS/NVS/CHEFIA/N ° 634, de  23  de  setembro  de  2008,  da  Secretaria  de  Saúde  do  Espírito Santo que informa (...):  “A empresa NEOCARE CUIDADOS INTENSIVOS EM  NEONATOLOGIA S/S LTDA, CNPJ 03.826.269/0001­ 10,  está  na  área  do  CENTRO  HOSPITALAR  GRANMATER,  CNPJ  03.691.392/0001­70,  fazendo  parte do seu Projeto Arquitetônico, aprovado conforme  o  "Programa  Físico  Funcional  dos  Estabelecimentos  de  Saúde"  e  de"Dimensionamento  Quantificação  e  Instalações  Prediais  dos  Ambientes",  estando  apta  conforme  legislação  em  vigor.  Portanto,  seu  licenciamento  faz  parte  do  conjunto  do  Centro  Hospitalar Granmater.”  Deste  modo,  em  23  de  setembro  de  2008,  estava  apta  a  exercer suas atividades.  Sucede  que  o  pedido  formulado  refere­se  ao  ano  calendário de 2.006.  Então, há que  se  ver  se o Hospitalar Granmater,  onde a  empresa funciona, atendia os requisitos estabelecidos pela  Vigilância Sanitária, ..., quanto ao período em exame:    Entendeu  o  então  relator  que,  como  a  licença,  no  ano­ calendário 2006, não abrangeu todo o ano, mas um período de  sete meses, esse requisito não restaria preenchido.  Contudo, o que se poderia concluir quanto a essa questão  seria,  no máximo,  que,  nos meses  em que  não  havia  a  licença,  não  teria  havido  o  preenchimento  do  referido  requisito.  No  entanto,  essa  conclusão  não  pode  ser  aceita,  pois  não  poderia  haver a aplicação de sistemáticas diversas de apuração do lucro  para fins do IRPJ e da CSLL em um só ano, nem tampouco a de  que  haveria  uma  extensão  do  não  preenchimento  do  requisito  para todo o ano de 2006. Como visto também, as licenças foram  válidas por um período de sete meses, o que corresponde a mais  da metade do ano.  Fl. 219DF CARF MF Processo nº 10783.914071/2012­27  Acórdão n.º 1201­002.571  S1­C2T1  Fl. 7          6 Portanto, quanto ao segundo requisito, conclui­se que ele  foi preenchido.  No  que  respeita  ao  terceiro  requisito,  consta  do  multicitado voto:  Passo  ao  exame  do  terceiro  requisito  estabelecido  pela  Solução  de  Consulta  nº  9,  da  DISIT/7  ª  RF,  de  30  de  janeiro de 2.008, que determina:  “c) ser empresário ou pessoa jurídica constituída sob  a  forma de sociedade empresária, nos termos do Ato  Declaratório Interpretativo (ADI) SRF nº 18, de 23 de  outubro de 2003, e do Novo Código Civil.”  A  fim  de  examinar  a  matéria,  transcrevemos  parte  da  ementa contida na Solução de Consulta nº 9:  “PRESTADOR  DE  SERVIÇOS  HOSPITALARES.  PERCENTUAL  DE  LUCRO  PRESUMIDO.  REQUISITOS.  Considera­se prestador de serviços hospitalares, sobre  cuja  receita  caberá  a aplicação do  percentual  de  8%  (oito  por  cento),  para  fins  de  determinação  do  lucro  presumido, o estabelecimento assistencial de saúde que  atender  cumulativamente  aos  seguintes  requisitos  previstos no art. 27 da IN SRF nº 480, de 2004, com a  alteração introduzida pelo art. 1º da IN SRF nº 539, de  2005:  (...)  c)  tratar­se  de  empresário  ou  de  pessoa  jurídica  constituída sob a  forma de sociedade empresária, nos  termos  do  Novo  Código  Civil,  reunindo  fatores  de  produção  e  circulação,  com  profissionalismo  e  economicidade,  e  valendo­se  de  profissionais  não  só  para o desenvolvimento das atividades auxiliares mas  também para o exercício da atividade­fim.”(grifei)  Esta matéria também foi tratada pela Solução de Consulta  DISIT nº 252, de 13 de setembro de 2.005, da 9ª Região Fiscal,  parcialmente transcrita:  “14.  À  vista  do  exposto,  conclui­se  que,  para  fins  de  definição  dos  percentuais  de  presunção  a  serem  utilizados na apuração das bases de cálculo do IRPJ e  da CSLL,  constitui  prestação de  serviços hospitalares  a  atividade  exercida  nos  ramos  de  imagenologia,  ginecologia e obstetrícia, desde que a contribuinte seja  constituída  de  fato  e  de  forma  como  sociedade  empresária,  o  que  pressupõe  a  existência:  (i)  de  estrutura física própria, na conformidade do art. 27, §  1º, da IN SRF nº 480, de 2004, cf.  redação dada pelo  art. 1º da IN SRF nº 539, de 2005; e (ii) de empregados  Fl. 220DF CARF MF Processo nº 10783.914071/2012­27  Acórdão n.º 1201­002.571  S1­C2T1  Fl. 8          7 com  competência  técnica  para  realizar  sua  atividade  fim sem a necessidade de atuação dos sócios.”(grifei)  Segundo o  que  consta  ...,  a  empresa  não  possui médicos  (profissionais  SUS)  e  possui  20  profissionais  não  SUS.  Tais informações não elucidam se há médicos contratados  pela empresa.  De acordo com os contratos  sociais  ..., no ano de 2.006,  as sócias da empresa eram Cíntia Ginaid de Souza e Circe  Ginaid de Souza, ambas médicas.  Do exame dos documentos anexos aos autos não há como  se inferir que a empresa possua profissionais contratados  para  o  desenvolvimento  de  suas  atividades  fim,  sem  a  necessidade  de  atuação  dos  sócios,  restando  incomprovado  o  atendimento  ao  terceiro  requisito  estabelecido pela Solução de Consulta nº 9.  Não  há  dúvidas  de  que  a  recorrente  é  pessoa  jurídica  constituída sob a forma de sociedade empresária.  A  questão  levantada  é  a  de  que  não  se  pode  saber  se  a  empresa  possuía  "profissionais  contratados  para  o  desenvolvimento  de  suas  atividades  fins,  sem  a  necessidade  de  atuação dos sócios".  Em  que  pese  a  fragilidade  da  questão  relacionada  à  atuação dos sócios, uma vez que pode existir uma sociedade com  sócios que sejam profissionais habilitados em número suficiente  para a prestação do serviço a que se destina a empresa, não é  crível  que  uma  prestadora  de  serviços  de  UTI  neonatal,  localizada  no  prédio  de  um  hospital,  com  vários  leitos,  não  disponha  de  profissionais  médicos,  além  dos  sócios,  para  a  prestação dos  serviços. É quase  certo  que  haja  a prestação  de  serviços de médicos que também o fazem para o próprio hospital  em que se insere fisicamente a recorrente, ou que tenha havido a  contratação  de  profissionais  por  meio  também  de  pessoas  jurídicas.  Assim,  aqui  também  há  que  se  entender  preenchido  o  requisito.  Por fim, no que tange ao quarto requisito, assim registrou  o relator no voto condutor da decisão recorrida:  Por fim, o quarto requisito estabelecido pela Solução  de  Consulta  nº  9,  da DISIT/7ª  RF,  de  30  de  janeiro  de  2.008, determina:  “d)  que  os  estabelecimentos  hospitalares  (em  regime de atendimento de urgência ou não),  sigam  os  dispositivos  emanados  no  ADI  nº  19  de  10/12/2007,  aqui  para  efeito  de  cálculo  do  percentual  reduzido  de  IRPJ,  a  ser  utilizado  por  empresas  prestadoras  de  tais  serviços,  nas  Fl. 221DF CARF MF Processo nº 10783.914071/2012­27  Acórdão n.º 1201­002.571  S1­C2T1  Fl. 9          8 condições  previstas  nas  leis  e  dispositivos  sobre  o  assunto.”  Tendo  em  vista  a  citação  do  ADI  nº  19  de  10/12/2007, segue a transcrição do dispositivo:  “Artigo  Único.  Para  efeito  de  enquadramento  no  conceito  de  serviços  hospitalares,  a  que  se  refere  o  art. 15, § 1º, inciso III, alínea "a'', da Lei nº 9.249, de  26  de  dezembro  de  1995  ,  os  estabelecimentos  assistenciais  de  saúde  devem  dispor  de  estrutura  material  e  de  pessoal  destinada  a  atender  a  internação de pacientes, garantir atendimento básico  de  diagnóstico  e  tratamento,  com  equipe  clínica  organizada  e  com  prova  de  admissão  e  assistência  permanente  prestada  por  médicos,  possuir  serviços  de  enfermagem  e  atendimento  terapêutico  direto  ao  paciente,  durante  24  horas,  com  disponibilidade  de  serviços  de  laboratório  e  radiologia,  serviços  de  cirurgia  e/ou  parto,  bem  como  registros  médicos  organizados  para  a  rápida  observação  e  acompanhamento dos casos.  Parágrafo único. São também considerados serviços  hospitalares  os  serviços  pré­hospitalares,  prestados  na  área  de  urgência,  realizados  por  meio  de  UTI  móvel,  instaladas  em  ambulâncias  de  suporte  avançado  (Tipo  "D")  ou  em  aeronave  de  suporte  médico  (Tipo  "E"),  bem  como  os  serviços  de  emergências  médicas,  realizados  por  meio  de  UTI  móvel,  instaladas  em  ambulâncias  classificadas  nos  Tipos  "A",  "B",  "C"  e  "F",  que  possuam médicos  e  equipamentos  que  possibilitem  oferecer  ao  paciente  suporte avançado de vida.”  Nos autos não há provas suficientes para comprovar  que  a  empresa  disponha  de  “estrutura  material  e  de  pessoal  destinada  a  atender  a  internação  de  pacientes,  garantir atendimento básico de diagnóstico e tratamento,  com equipe clínica organizada e com prova de admissão  e  assistência  permanente  prestada  por  médicos,  possuir  serviços de enfermagem e atendimento terapêutico direto  ao  paciente,  durante  24  horas,  com  disponibilidade  de  serviços de laboratório e radiologia, serviços de cirurgia  e/ou  parto,  bem  como  registros  médicos  organizados  para  a  rápida  observação  e  acompanhamento  dos  casos”.  Portanto,  o  quarto  requisito  estatuído  pela  Solução  de  Consulta  nº  9,  da  DISIT/7ª  RF,  restou  incomprovado.  Mais uma vez,  frise­se, a recorrente é uma prestadora de  serviços de UTI neonatal que funciona fisicamente no prédio de  um hospital. Não há dúvida quanto a possuir estrutura material  e  de  pessoal  (quanto  a  esta  última  veja­se  comentário  ao  requisito anterior) destinada a atender a internação de pacientes  Fl. 222DF CARF MF Processo nº 10783.914071/2012­27  Acórdão n.º 1201­002.571  S1­C2T1  Fl. 10          9 (as  notas  fiscais  constantes  dos  autos  confirmam  esse  tipo  de  serviço)  com  assistência  permanente  durante  vinte  e  quatro  horas,  com  disponibilidade  de  serviços  de  radiologia  e  laboratório.  Portanto, cumprido também o quarto e último requisito.  Conclusão.  Em  face  do  exposto,  voto  por  conhecer  do  recurso  voluntário para, no mérito, DAR­LHE provimento."  Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática  prevista  nos  §§  1º,  2º  e  3º  do  art.  47,  do  Anexo  II,  do  RICARF,  voto  por  dar  provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito.  (assinado digitalmente)   Ester Marques Lins de Sousa                                Fl. 223DF CARF MF

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Numero do processo: 10980.721075/2014-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2010 a 30/09/2012 MULTA ISOLADA. PEDIDOS DE RESSARCIMENTO INDEFERIDOS. REVOGAÇÃO DOS § 15 e 16 DA LEI Nº 9.430/196. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. Em cumprimento ao art. 106, inciso II, "a" do CTN, tratando-se de ato não definitivamente julgado, a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, quando deixe de defini-lo como infração. No caso dos autos, a superveniência de dispositivo legal que deixa de definir como infração uma das hipóteses fáticas descritas no lançamento (aquela decorrente dos parágrafos 15 e 16 do art. 74 da Lei nº 9.430/96, revogados pela Lei nº 13.137/2015) impõe o cancelamento da multa aplicada. Recurso de Ofício Negado. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. AQUISIÇÕES DE MATÉRIAS-PRIMAS NÃO TRIBUTADAS, ISENTAS E SUJEITAS A ALÍQUOTA ZERO. MENÇÃO, NO ACÓRDÃO QUE MANTEVE A SENTENÇA, A INSUMOS. ADEQUADA INTERPRETAÇÃO DA COISA JULGADA. Tratando a ação judicial apenas do direito de crédito decorrente da aquisição de matérias-primas não tributadas, isentas e de alíquota zero, a menção, sem a força de dispositivo, no acórdão que julgou a remessa de ofício e a apelação a “insumos” não estende os limites da coisa julgada para além do que foi objeto da petição inicial. IPI. CREDITAMENTO. INSUMOS GENÉRICOS. IMPOSSIBILIDADE. NECESSIDADE DE CONSUMO DE FORMA IMEDIATA E INTEGRAL. Descabe direito ao creditamento do IPI por expressa vedação legal do art. 226, I, do RIPI/2010. Ademais, os estabelecimentos industriais (e os que lhes são equiparados), entre outras hipóteses, podem creditar-se do imposto relativo a matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindo-se aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos de forma imediata e integral durante o processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente. Precedente do STJ, REsp 1.0755.08/SC (recurso representativo de controvérsia). CRÉDITO. APROVEITAMENTO. OPTANTES DO SIMPLES NACIONAL E FEDERAL. IMPOSSIBILIDADE. É vedado o aproveitamento de crédito do IPI relativamente a aquisições de empresas optantes do Simples. COISA JULGADA. DESCONSTITUIÇÃO DE DECISÃO TRANSITADA EM JULGADO. PARECER PGFN N° 492/2011. EFEITOS. Os efeitos desconstitutivos sobre as decisões judiciais transitadas em julgado não são automáticos, por imperativo constitucional da coisa julgada, que atinge em último grau, a realização do princípio da segurança jurídica. A desconstituição da decisão transitada em julgado se dá apenas por meio da ação rescisória. Ilegitimidade do Parecer PGFN n° 492/2011 para fazer cessar a decisão individual e concreta transitada em julgado a favor do contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3301-005.085
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. Votaram pelas conclusões no recurso voluntário os Conselheiros Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini e Winderley Morais Pereira. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro - Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: Relator

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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2010 a 30/09/2012 MULTA ISOLADA. PEDIDOS DE RESSARCIMENTO INDEFERIDOS. REVOGAÇÃO DOS § 15 e 16 DA LEI Nº 9.430/196. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. Em cumprimento ao art. 106, inciso II, "a" do CTN, tratando-se de ato não definitivamente julgado, a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, quando deixe de defini-lo como infração. No caso dos autos, a superveniência de dispositivo legal que deixa de definir como infração uma das hipóteses fáticas descritas no lançamento (aquela decorrente dos parágrafos 15 e 16 do art. 74 da Lei nº 9.430/96, revogados pela Lei nº 13.137/2015) impõe o cancelamento da multa aplicada. Recurso de Ofício Negado. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. AQUISIÇÕES DE MATÉRIAS-PRIMAS NÃO TRIBUTADAS, ISENTAS E SUJEITAS A ALÍQUOTA ZERO. MENÇÃO, NO ACÓRDÃO QUE MANTEVE A SENTENÇA, A INSUMOS. ADEQUADA INTERPRETAÇÃO DA COISA JULGADA. Tratando a ação judicial apenas do direito de crédito decorrente da aquisição de matérias-primas não tributadas, isentas e de alíquota zero, a menção, sem a força de dispositivo, no acórdão que julgou a remessa de ofício e a apelação a “insumos” não estende os limites da coisa julgada para além do que foi objeto da petição inicial. IPI. CREDITAMENTO. INSUMOS GENÉRICOS. IMPOSSIBILIDADE. NECESSIDADE DE CONSUMO DE FORMA IMEDIATA E INTEGRAL. Descabe direito ao creditamento do IPI por expressa vedação legal do art. 226, I, do RIPI/2010. Ademais, os estabelecimentos industriais (e os que lhes são equiparados), entre outras hipóteses, podem creditar-se do imposto relativo a matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindo-se aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos de forma imediata e integral durante o processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente. Precedente do STJ, REsp 1.0755.08/SC (recurso representativo de controvérsia). CRÉDITO. APROVEITAMENTO. OPTANTES DO SIMPLES NACIONAL E FEDERAL. IMPOSSIBILIDADE. É vedado o aproveitamento de crédito do IPI relativamente a aquisições de empresas optantes do Simples. COISA JULGADA. DESCONSTITUIÇÃO DE DECISÃO TRANSITADA EM JULGADO. PARECER PGFN N° 492/2011. EFEITOS. Os efeitos desconstitutivos sobre as decisões judiciais transitadas em julgado não são automáticos, por imperativo constitucional da coisa julgada, que atinge em último grau, a realização do princípio da segurança jurídica. A desconstituição da decisão transitada em julgado se dá apenas por meio da ação rescisória. Ilegitimidade do Parecer PGFN n° 492/2011 para fazer cessar a decisão individual e concreta transitada em julgado a favor do contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte.

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. Votaram pelas conclusões no recurso voluntário os Conselheiros Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini e Winderley Morais Pereira. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro - Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro.

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3301­005.085  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  30 de agosto de 2018  Matéria  IPI CREDITAMENTO DE MATÉRIA­PRIMA DESONERADA  Recorrentes  GELOPAR REFRIGERAÇÃO PARANAENSE LTDA.              FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS ­ IPI  Período de apuração: 01/01/2010 a 30/09/2012  MULTA  ISOLADA.  PEDIDOS  DE  RESSARCIMENTO  INDEFERIDOS.  REVOGAÇÃO  DOS  §  15  e  16  DA  LEI  Nº  9.430/196.  PRINCÍPIO  DA  RETROATIVIDADE BENIGNA.   Em cumprimento ao art. 106,  inciso  II,  "a" do CTN,  tratando­se de ato não  definitivamente julgado, a lei aplica­se a ato ou fato pretérito, quando deixe  de  defini­lo  como  infração.  No  caso  dos  autos,  a  superveniência  de  dispositivo legal que deixa de definir como infração uma das hipóteses fáticas  descritas no lançamento (aquela decorrente dos parágrafos 15 e 16 do art. 74  da  Lei  nº  9.430/96,  revogados  pela  Lei  nº  13.137/2015)  impõe  o  cancelamento da multa aplicada.  Recurso de Ofício Negado.   DECISÃO  JUDICIAL TRANSITADA EM  JULGADO. AQUISIÇÕES DE  MATÉRIAS­PRIMAS  NÃO  TRIBUTADAS,  ISENTAS  E  SUJEITAS  A  ALÍQUOTA  ZERO.  MENÇÃO,  NO  ACÓRDÃO  QUE  MANTEVE  A  SENTENÇA, A INSUMOS. ADEQUADA INTERPRETAÇÃO DA COISA  JULGADA.  Tratando a ação judicial apenas do direito de crédito decorrente da aquisição  de matérias­primas não tributadas, isentas e de alíquota zero, a menção, sem a  força de dispositivo, no acórdão que julgou a remessa de ofício e a apelação a  “insumos” não estende os limites da coisa julgada para além do que foi objeto  da petição inicial.  IPI.  CREDITAMENTO.  INSUMOS  GENÉRICOS.  IMPOSSIBILIDADE.  NECESSIDADE DE CONSUMO DE FORMA IMEDIATA E INTEGRAL.  Descabe  direito  ao  creditamento  do  IPI  por  expressa  vedação  legal  do  art.  226, I, do RIPI/2010. Ademais, os estabelecimentos industriais (e os que lhes  são  equiparados),  entre  outras  hipóteses,  podem  creditar­se  do  imposto     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 10 75 /2 01 4- 07 Fl. 2474DF CARF MF Processo nº 10980.721075/2014­07  Acórdão n.º 3301­005.085  S3­C3T1  Fl. 2.475          2 relativo a matérias­primas, produtos intermediários e material de embalagem,  adquiridos  para  emprego  na  industrialização  de  produtos  tributados,  incluindo­se aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem  consumidos  de  forma  imediata  e  integral  durante  o  processo  de  industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente.  Precedente  do  STJ,  REsp  1.0755.08/SC  (recurso  representativo  de  controvérsia).  CRÉDITO.  APROVEITAMENTO.  OPTANTES  DO  SIMPLES  NACIONAL E FEDERAL. IMPOSSIBILIDADE.   É vedado o  aproveitamento de crédito do  IPI  relativamente  a aquisições  de  empresas optantes do Simples.  COISA  JULGADA. DESCONSTITUIÇÃO DE DECISÃO TRANSITADA  EM JULGADO. PARECER PGFN N° 492/2011. EFEITOS.   Os efeitos desconstitutivos sobre as decisões judiciais transitadas em julgado  não  são  automáticos,  por  imperativo  constitucional  da  coisa  julgada,  que  atinge  em  último  grau,  a  realização  do  princípio  da  segurança  jurídica.  A  desconstituição  da  decisão  transitada  em  julgado  se  dá  apenas  por meio  da  ação rescisória. Ilegitimidade do Parecer PGFN n° 492/2011 para fazer cessar  a decisão individual e concreta transitada em julgado a favor do contribuinte.  Recurso Voluntário Provido em Parte.       Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso de ofício e dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do  relatório  e  do  voto  que  integram  o  presente  julgado.  Votaram  pelas  conclusões  no  recurso  voluntário os Conselheiros Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho,  Ari Vendramini e Winderley Morais Pereira.  (assinado digitalmente)  Winderley Morais Pereira ­ Presidente  (assinado digitalmente)  Semíramis de Oliveira Duro ­ Relatora  Participaram  da  presente  sessão  de  julgamento  os  Conselheiros Winderley  Morais  Pereira  (Presidente),  Marcelo  Costa  Marques  d'Oliveira,  Valcir  Gassen,  Liziane  Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Salvador Cândido  Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro.    Relatório  Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida:  Fl. 2475DF CARF MF Processo nº 10980.721075/2014­07  Acórdão n.º 3301­005.085  S3­C3T1  Fl. 2.476          3   Trata­se de glosa de crédito de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI),  formalizada  no  Auto  de  Infração  de  fls.  1942/1955,  referente  aos  períodos  de  apuração de janeiro de 2010 a setembro de 2012, sendo um total de crédito glosado  de R$ 9.172.009,54, e Auto de Infração de Multa Regulamentar, fls. 1956/1960, que  exige o recolhimento de R$ 4.105.610,79.  Consta no Termo de Verificação Fiscal, fls. 1911/1940:  A empresa  é  cadastrada sob o CNAE 2823­2­00: Fabricação de máquinas  e  aparelhos  de  refrigeração  e  ventilação  para  uso  industrial  e  comercial,  peças  e  acessórios.  (...)  Da  análise  das  operações  efetuadas  pelo  contribuinte,  dos  arquivos  magnéticos,  livros  e  documentos  fiscais,  bem  como  informações  prestadas,  constatamos  que  o  contribuinte  incorreu  em  irregularidades  que  resultaram  em  GLOSA DE CRÉDITOS DE IPI.  As  irregularidades  são  decorrentes  de  valores  apropriados  em  vista  do  Mandado de Segurança, Processo n° 98.0023293­1, que trata do direito aos créditos  de  IPI  sobre  aquisição  de  matérias­primas  isentas,  não  tributadas  ou  reduzidas  à  alíquota zero empregadas na fabricação de produtos tributados. As glosas efetuadas  foram divididas em dois períodos, os quais serão tratados separadamente nos itens 1  e 2:  Item 1. De janeiro de 2010 até 26/05/2011: neste período foram glosados os  créditos  que  extrapolaram  o  direito  garantido  na  ação  judicial,  isto  é,  ou  não  são  considerados matérias­primas, ou houve a utilização em duplicidade de uma mesma  nota  fiscal  de  entrada,  etc.  Os  créditos  referentes  a  este  período,  informados  na  planilha  apresentada  pela  empresa  como  créditos  do  MS,  foram  analisados  individualmente.  Item  2.  De  27/05/2011  até  30/09/2012:  todas  as  apropriações  de  crédito  baseados no MS ­ Processo n° 98.0023293­1 foram glosadas integralmente a partir  de 27/05/2011, conforme determina o Parecer PGFN/CRJ n° 492/2011.  (...)  A empresa apresentou Pedidos Eletrônicos de Ressarcimento de Créditos de  IPI  relativos  ao  período  fiscalizado.  Conforme  exposto,  parte  dos  créditos  de  IPI  objeto dos Pedidos de Ressarcimento foi glosada por ser indevida.    Tendo em vista a publicação da Lei 12.249, em 14 de junho de 2010, a multa  foi aplicada aos pedidos de ressarcimento entregues a partir desta data.  Fl. 2476DF CARF MF Processo nº 10980.721075/2014­07  Acórdão n.º 3301­005.085  S3­C3T1  Fl. 2.477          4 Assim, demonstramos abaixo os Pedidos de Ressarcimento de Crédito de IPI  entregues pelo contribuinte com respectiva data de transmissão, valores indevidos e  respectivos valores da multa cujo percentual é de 50 % sobre o valor indevido. Valor  total da multa: R$ 4.105.610,79.  Regularmente  intimada,  com  ciência  através  do  Domicilio  Tributário  Eletrônico em 10 de maio de 2014, fl. 1964, a interessada apresentou, em 26 de maio  de 2014, a impugnação de fls. 1968/2004.  Preliminarmente  a  impugnante  alega  a  boa­fé  do  contribuinte  que,  mesmo  diante de pedidos excessivos por parte da Auditora Fiscal, apresentou tudo o que foi  requisitado.  Argumenta,  posteriormente,  com  base  no  Princípio  da  Efetividade  da  Administração Pública, sobre o demora do curso da Ação Fiscal.  Sobre a decisão transitada em julgado e da segurança jurídica do Mandado de  Segurança ­ Processo n° 98.0023293­1:  Preliminarmente, a  Ilma. Auditora, visando amparar sua autuação,  interpreta  de  forma  restritiva,  o  Acórdão  do  E.  TRF  da  4ª  Região,  excluindo  o  direito  da  Empresa Autuada  em utilizar­se dos  insumos adquiridos  sob o  regime de  Isenção,  Não Tributação e/ou sujeitos à Alíquota Zero.   Importante  salientar,  novamente,  que  não  cabe  a  Ilma.  Auditora  esclarecer,  revisar,  concluir  o  conteúdo  da  decisão  em  questão,  muito  menos  tecer  lições  jurídicas e/ou dar parecer final quanto aos mandamentos da decisão, pois resta claro  o que foi deferido no acórdão em questão.  Apresenta  a  Certidão  Explicativa  expedida  pela  Justiça  Federal­Seção  Judiciária do Paraná:  CERTIDÃO EXPLICATIVA N° 079/2005  "CERTIFICO e  dou  fé  a  pedido  da parte  interessada, que por  este  juízo  e Secretaria da Vara Ambiental, Agrária e  Residual,  Circunscrição  Judiciária  de  Curitiba,  Capital  do  Estado  do  Paraná,  tramitou  os  autos  de  Mandado  de  Segurança  n°  98.0023293­1,  distribuído  em  15/10/1998, impetrado por GELOPAR REFRIGERAÇÃO PARANAENSE LTDA.  (CNPJ  75.109.074/0001­  60),  contra  o  DELEGADO  DA  RECEITA  FEDERAL  CURITIBA, tendo como objeto o pedido de liminar visando assegurar o direito ao  crédito,  a  título  de  imposto  sobre  Produtos  Industrializados  ­  IPI,  relativo  às  aquisições  de  insumos  isentos,  não­tributados,  ou  reduzidos  à  alíquota  zero,  empregados,  na  fabricação  de  produtos  tributados,  com  a  aplicação  da  mesma  alíquota utilizada, na operação tributada, tudo atualizado. Certifico, que a liminar foi  deferida, autorizando a impetrante, a utilização dos créditos (presumido), relativos às  aquisições de mercadorias isentas, e suspendendo, em consequência, a exigibilidade  do tributo, na medida das forças do referido crédito, face ao princípio constitucional  da  não­cumulatividade.  A  sentença  monocrática  foi  de  procedência,  tendo  sido  mantida pelo E. Tribunal de Justiça, o qual transitou em julgado em 11 de setembro  de  2002.  Certifico,  finalmente,  que  os  presentes  autos  encontram­se  arquivados  desde  08  de  abril  de  2003,  sem  manifestação  das  partes  em  relação  à  baixa  dos  autos. Curitiba, 27 de abril de 2005. Eu Abinadabe Carneiro, Diretor de Secretaria,  em exercício, a digitei e subscrevo, ­x­x­x­x­x­x­x­x­x­" (negritou­se)  Em seguida, traz a Certidão Narratória Extraída da Ação Rescisória Interposta  pela  União  (esta  restou  novamente  derrotada)  Emitida  pelo  Tribunal  Regional  Federal da 4ª Região:  Fl. 2477DF CARF MF Processo nº 10980.721075/2014­07  Acórdão n.º 3301­005.085  S3­C3T1  Fl. 2.478          5 EXECUÇÃO  CONTRA  A  FAZENDA  PÚBLICA  N°  2003.04.01.004107­  3/PR CERTIDÃO NARRATÓRIA  Certifico,  para  os  devidos  fins,  a  pedido  da  parte  interessada,  que  tramita  perante  a  1ª  SEÇÃO  do  Tribunal  Regional  Federal  da  4ª  Região,  a  EXECUÇÃO  CONTRA  A  FAZENDA  PÚBLICA  n°  2003.04.01.004107­3/PR,  processo  originário  n°  98.00.23293­1  da  11ª Vara  Federal  de Curitiba/PR,  em  que  figuram  como  exequente  GELOPAR  REFRIGERAÇÃO  PARANAENSE  LTDA  e  como  executada  a  UNIÃO  FEDERAL  (FAZENDA  NACIONAL),  Relatora  a  Desembargadora  Federal  LUCIANE  AMARAL  CORRÊA  MÜNCH.  Certifico,  também,  que  a  execução  originou­se  de  Ação  Rescisória  ajuizada  pela  União  Federal  contra  GELOPAR  REFRIGERAÇÃO  PARANAENSE  LTDA.,  com  fundamento no art. 485, V, do CPC, visando desconstituir acórdão proferido pela 1ª  Turma deste Regional, nos autos do Mandado de Segurança n.° 1999.04.01.079847­ 6/PR  que,  por  unanimidade,  negou  provimento  à  apelação  e  à  remessa  oficial.  Certifico  ainda,  que,  citada  a  parte  ré,  esta  ofereceu  contestação.  Encerrada  a  instrução,  o  Ministério  Público  Federal  opinou  pela  improcedência  da  ação  rescisória. Certifico, mais,  que  a  1ª  Seção  do  Tribunal  Regional  Federal  da  4°  Região, por unanimidade, julgou improcedente a ação rescisória em cuja ementa se  lê  "TRIBUTÁRIO.  AÇÃO  RESCISÓRIA.  CRÉDITO  DE  IPI  RECONHECIDO  JUDICIALMENTE,  DECORRENTE  DE  INSUMOS  ISENTOS,  NÃO  TRIBUTADOS  OU  REDUZIDOS  À  ALÍQUOTA  ZERO.  INCIDÊNCIA  DE  CORREÇÃO  MONETÁRIA  E  PRAZO  PRESCRICIONAL  APLICÁVEL  INEXISTÊNCIA  DE  DISCUSSÃO  CONSTITUCIONAL  ACERCA  DA  MATÉRIA OBJETO DA AÇÃO RESCISÓRIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA 343  DO STF. A alegação de afronta a  literal dispositivo de  lei,  relativamente ao prazo  prescricional  e  à  correção  monetária  de  crédito  presumido  de  IPI  reconhecido  judicialmente,  pertinente  à  aquisição  de  insumos  isentos,  não  tributados  ou  tributados  à  alíquota  zero,  não  comporta  discussão  de  matéria  constitucional,  fazendo  incidir  a  Súmula n°  343  do STF  ("Não  cabe  ação  rescisória  por  ofensa  a  literal  disposição  de  lei,  quando  a  decisão  rescindenda  se  tiver  baseado  em  texto  legal de interpretação controvertida nos tribunais."). ACÓRDÃO Vistos e relatados  estes  autos  em  que  são  partes  as  acima  indicadas, decide  a Egrégia  1ª  Seção  do  Tribunal Regional Federal  da 4ª Região, por unanimidade,  julgar  improcedente a  ação  rescisória,  nos  termos  do  relatório,  votos  e  notas  taquigráficas  que  ficam  fazendo parte integrante do presente julgado. Porto Alegre, 07 de maio de 2009". Da  referida decisão foram opostos embargos de declaração pela União Federal (Fazenda  Nacional), os quais, por unanimidade,  foram acolhidos em parte,  tão­somente para  fins de prequestionamento. A União  interpôs recursos especial e extraordinário, os  quais  foram  inadmitidos.  Das  decisões  que  inadmitiram  os  recursos  foram  interpostos  agravos  perante  o  STJ  e  o  STF.  No  STJ  o  Ministro  Relator  deu  provimento  ao  agravo  de  instrumento  e,  perante  o STF  foi  negado  seguimento  ao  recurso.  Julgado  o  Recurso  Especial  no  egrégio  Superior  Tribunal  de  Justiça,  a  Segunda Turma daquela Corte, por unanimidade, negou provimento. Desta última  decisão,  foram  opostos  embargos  de  declaração,  os  quais  foram  rejeitados,  por  unanimidade.  Certifico,  além  disso,  que  o  v.  acórdão  transitou  em  julgado  em  04/07/2013. Certifico, por fim, que os autos do referido processo encontram­se em  Secretaria  aguardando  o  pagamento  da  Requisição  relativa  aos  honorários  advocatícios. O referido é verdade e dou fé.  Alega  que  não  cabe  à  Fiscalização  rediscutir  a  prestação  jurisdicional  já  favorável  a  impugnante,  em  outras  palavras,  à  reapreciação  da  autoridade  administrativa  de  matéria  transitada  em  julgado  nos  autos  de  n°  98.0023293­1,  sendo tal conduta equivocada, ilegal e abusiva, ofendendo a coisa julgada, Cláusula  Pétrea da Constituição Federal/88.  Fl. 2478DF CARF MF Processo nº 10980.721075/2014­07  Acórdão n.º 3301­005.085  S3­C3T1  Fl. 2.479          6 Aduz  que  Procuradoria  da  Fazenda  Nacional  na  Ação  Rescisória  nº  2003.04.01.004107­3/PR, utiliza a expressão “insumo”, que confirma sua aceitação  quanto ao conteúdo do julgado.  Ademais, afirma ter efetuado o Pedido de Habilitação de Crédito Reconhecido  por Decisão Judicial  transitada em julgado, em 22 de agosto de 2005, Processo n°  10980.009289/2005­11,  sendo  este homologado pelo Delegado da Receita Federal  em  Curitiba,  em  12  de  setembro  de  2005.  Neste  processo,  afirma  ainda  a  impugnante, foi aceita a metodologia de cálculo utilizada na formação da alíquota do  crédito,  ou  seja,  na  mesma  base/alíquota  dos  produtos  tributados,  conforme  a  decisão judicial.  Passa  a  discorrer,  então,  sobre  as  glosas  efetuadas  e  sua  falta  de  fundamentação legal. Afirma, não haver dúvidas quanto ao que  restou deferido no  pronunciamento  judicial  e  sobre  a  alíquota  a  ser  utilizada  no  cálculo  dos  créditos  sobre  as  aquisições  de  matérias  primas  isentas,  não  tributadas  ou  tributadas  a  alíquota  zero  e  cita  novamente,  a  decisão  do  processo  administrativo  10980.009289/2005­11.  Insurge­se  contra  a glosa de  créditos decorrentes de aquisições de  empresas  do  Simples.  Afirma  que  a  Lei  nº  123/2006  foi  editada  posteriormente  à  coisa  julgada; e que a própria lei faz menção à possibilidade de utilização de créditos nas  aquisições de mercadorias de empresas inscritas no simples.  Sobre a glosa dos créditos de Energia Elétrica, cita acórdão do STJ.  Sustenta  que  a  energia  elétrica  pode  ser  um  veículo  de  modificação  da  matéria­prima, que pode ser a provocadora de efeitos químicos ou físicos que atuem  no  processo  industrial.  Ressalta,  ainda,  que  a  energia  elétrica  está  classificada  na  NCM 2716.00.00 como NT.  Acerca  do  material  intermediário  e  embalagens,  afirma  estarem,  referidos  créditos, sob a égide da coisa julgada.  Com relação ao material de uso e consumo e material de segurança, sustenta  haver  erro  da  Fiscalização,  porquanto,  afirma:  “o  conceito  de  insumo  não  está  limitado  aos  bens  e  serviços  utilizados  “diretamente”  nas  atividades  da  empresa,  pois, nessa hipótese, o crédito estaria limitado às matérias­primas, aos materiais de  embalagem  e  aos  produtos  intermediários  (aqueles  consumidos  no  processo  produtivo)”.  Afirma  ainda,  que  Leis  n°  10.637/2002  e  10.833/2003  preveem  o  crédito  sobre  combustíveis  e  lubrificantes,  os  quais,  na  maioria  das  vezes,  são  materiais auxiliares ou intermediários.  Posteriormente, concorda com os glosa efetuada nos créditos constatados pela  Fiscalização como em duplicidade, porém discorda da multa aplicada.  Cita haver erro da Fiscalização:  Ao contrário do afirmado, a nota de devolução de n° 111.576 no valor de R$  239.414,2013, não é datada de 30/06/2013, mas sim de 30/06/2012 (doc. em anexo),  existindo  claro  erro  material  na  presente  glosa.  A  presente  fiscalização  teve  seu  início  em  11  de  março  de  2013,  sendo  assim  quando  a  mesma  foi  emitida  em  30/06/2012  a  empresa  não  estava  sob  fiscalização  caracterizando  assim  flagrante  espontaneidade da contribuinte, demonstrado pois que referida glosa é insubsistente  devendo ser revista de plano por este emérito julgador, por ser tratar de erro material  da presente fiscalização.  Fl. 2479DF CARF MF Processo nº 10980.721075/2014­07  Acórdão n.º 3301­005.085  S3­C3T1  Fl. 2.480          7 Sobre  a  multa  regulamentar,  afirma  ser  inconstitucional,  ilegal  e  ter  efeito  confiscatório.  Traz  ainda,  que  a  mesma  é  objeto  de  Ação  Direta  de  Inconstitucionalidade (ADI 4905) ajuizada no Supremo Tribunal Federal (STF), pela  Confederação Nacional da Indústria (CNI).  Apresenta, após, seus argumentos em relação ao Parecer PGFN nº 492/2011 e  afirma:  Importante salientar que no caso em tela o direito perseguido pela recorrente  foi  alcançado,  ou  seja,  restou  declarada  a  época  a  inconstitucionalidade  quanto  à  vedação  imposta de se utilizar dos créditos das aquisições de insumos  isentos, não  tributados ou  sujeitos  a  alíquota  zero,  decisão  esta  transitada  em  julgado em 2002  (certidão em anexo).  A União interpôs Ação Rescisória em face desta decisão, contudo novamente  não  logrou  êxito,  tendo  esta  ação  transitada  em  julgado  em  2012  (certidão  em  anexo).  Sendo  assim,  como  agora  via  mero  parecer  da  Procuradoria,  mencionada  compensação  poderia  ser  glosada  sem  desaguarmos  em  um  abismo  jurídico,  para  não falar em absurdo jurídico.  Conforme  exposto,  nota­se  o  esforço  do  Parecer  n°  492/2011  em  dar  uma  elasticidade  diferente  às  relações  jurídicas  tributárias  de  natureza  continuativa,  buscando  trazer  um  efeito  diverso  do  preconizado  pelo  legislador,  em  flagrante  desrespeito à coisa julgada, notadamente quando se previu no CPC, art. 471:  Carreia aos autos algumas decisões judiciais.  E por fim requer:  Diante  de  todo  o  exposto  e  pelo  mais  que  possa  ser  suprido  pelo  vosso  conhecimento, requer­se:  a. Que o presente Recurso seja recebido e processado, eis que tempestivo;  b.  Requer­se  ainda,  que  o  presente  recurso  seja  provido  para  declarar  a  insubsistência de todo auto de infração objeto do presente recurso, haja vista  todas  as irregularidades acima expostas, em especial:  b.l.  Pela  ofensa  direta  a  coisa  julgada,  haja  vista  a  interpretação  diversa  adotada  pela  ilma.  Auditora,  a  qual  restringe  o  direito  adquirido  da  Contribuinte  concedido nos seguintes moldes:  (...) Segurança  concedida, para o  efeito de  autorizar,  a partir  do  trânsito  em  julgado,  a  utilização  dos  créditos,  a  título  de  IPI,  decorrentes  das  entradas  de  insumos,  atualizados,  segundo  os  índices  oficiais,  com  os  débitos  futuros,  deste  imposto,  incidente,  sobre  saídas dos respectivos produtos industrializados  (afinal a  legislação  ordinária,  e  o  próprio  regulamento  do  IPI,  admitem  a  transferência  dos  saldos credores excedentes, para o período seguinte).  Remessa  Oficial,  e  Apelação  de  Impetrada  conhecidas,  e  improvisas.  (...)  (vide certidões acimas transcritas e ora colecionadas).  b.2. Pela Incongruência da média de alíquota imposta pela fiscalização;  b.3. Pela irregular glosa e afastamento da espontaneidade do contribuinte da  compensação item 5.9;  Fl. 2480DF CARF MF Processo nº 10980.721075/2014­07  Acórdão n.º 3301­005.085  S3­C3T1  Fl. 2.481          8 b.4. Pela ilegalidade, inconstitucionalidade e consequente inaplicabilidade do  Parecer n° 492/2011;  b.5.  Pela  inconstitucionalidade  e  consequente  inaplicabilidade  da  multa  regulamentar ora aplicada, excluindo­a definitivamente;  b.6. Pela insubsistência dos demais itens glosados, conforme acima exposto.  Alternativamente,  em  caso  de  eventual manutenção  de  algum  item  do Auto  Infracional atacado, o que não se admite, nem mesmo por hipótese, seja reduzida a  multa aplicada pela Auditora, ao patamar mínimo legal, haja vista a flagrante boa­fé  demonstrada  pelo  contribuinte  durante  toda  a  realização  da  auditoria,  além  do  evidente caráter confiscatório que a multa aplicada produz.  O pleito  foi  julgado  procedente  em parte,  pela  3ª Turma da DRJ/BEL,  nos  termos do acórdão n° 01­30.326, cuja ementa transcreve­se:  CRÉDITO. INSUMOS.  Somente geram direito ao crédito do imposto os materiais que se  enquadrem no conceito jurídico de insumo, ou seja, aqueles que  se desgastem ou sejam consumidos mediante contato físico direto  com o produto em fabricação.  RELAÇÃO  FÁTICO­JURÍDICA  NOVA.  OFENSA  À  COISA  JULGADA. NÃO­OCORRÊNCIA.  Por  ter  sobrevindo  modificação  no  estado  de  direito  que  acarretou o surgimento de uma nova relação jurídico tributária,  não mais  subsistia  a  coisa  julgada material  como  cristalização  do que fora decidido em momento pretérito.  DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO.  A  decisão  judicial  transitada  em  julgado  tem  força  de  lei  nos  limites da lide e das questões decididas.  LANÇAMENTO  DE  MULTA  REGULAMENTAR.  FATO  GERADOR.  MOTIVAÇÃO  INCOMPLETA.  VÍCIO  FORMAL.  NULIDADE.  É  nulo  o  lançamento  efetuado  em  desconformidade  com  as  disposições  legais  e  normativas  que  prescrevem  o  dever  de  motivação  e  ferindo  o  direito  à  ampla  defesa  do  contribuinte,  restando caracterizado vício formal insanável.  Impugnação Procedente em Parte   Crédito Tributário Mantido em Parte  Nessa  decisão,  a  DRJ  julgou  procedente  em  parte  a  impugnação,  para  cancelar o lançamento da Multa Regulamentar, e­fls. 1956/1960 e para rever a glosa do período  de apuração de 31 de maio de 2012, para R$ 245.223,45. Manteve a glosa de crédito de IPI dos  demais períodos de apuração, formalizada no Auto de Infração de e­fls. 1942/1955.  Fl. 2481DF CARF MF Processo nº 10980.721075/2014­07  Acórdão n.º 3301­005.085  S3­C3T1  Fl. 2.482          9 Regularmente  cientificado  do  Acórdão  proferido,  o  contribuinte,  tempestivamente, protocolizou o Recurso Voluntário, no qual, basicamente, reproduz as razões  de defesa constantes em sua peça impugnatória. Ao final requer:  a. Que  o  presente Recurso  seja  recebido  e processado,  eis  que  tempestivo;  b.  Requer­se  ainda,  que  o  presente  recurso  seja  provido  para  declarar  a  insubsistência  de  todo  auto  de  infração  objeto  do  presente  recurso,  haja  vista  todas  as  irregularidades  acima  expostas, em especial:   b.1.  Pela  ofensa  direta  a  coisa  julgada,  haja  vista  a  interpretação  diversa  adotada  pela  Ilma.  Auditora,  a  qual  restringe  o  direito  adquirido  da  Contribuinte  concedido  nos  moldes do Acórdão do TRF da 4ª Região transitado em julgado:   (...) Segurança concedida, para o efeito de autorizar, a partir do  trânsito  em  julgado,  a  utilização  dos  créditos,  a  título  de  IPI,  decorrentes  das  entradas de  insumos,  atualizados,  segundo os  índices  oficiais,  com  os  débitos  futuros,  deste  imposto,  incidente,  sobre  saídas  dos  respectivos  produtos  industrializados  (afinal  a  legislação  ordinária,  e  o  próprio  regulamento  do  IPI,  admitem  a  transferência  dos  saldos  credores excedentes, para o período seguinte). Remessa Oficial,  e  Apelação  de  Impetrada  conhecidas,  e  improvisas.  (...)  (vide  certidões acima transcritas e ora colecionadas).   b.2.  Pela  Incongruência  da  média  de  alíquota  imposta  pela  fiscalização;   b.3.  Pela  ilegalidade,  inconstitucionalidade  e  consequente  inaplicabilidade do Parecer nº 492/2011;  b.4.  Pela  insubsistência  dos  demais  itens  glosados,  conforme  acima exposto.  É o relatório.     Voto             Conselheira Semíramis de Oliveira Duro, Relatora  Os  recursos  de  ofício  e  voluntário  reúnem  os  pressupostos  legais  de  interposição, deles, portanto, tomo conhecimento.   RECURSO DE OFÍCIO  A DRJ  considerou  nulo  o  lançamento  de  multa  regulamentar  por  vício  na  motivação. A argumentação foi a seguinte:    Fl. 2482DF CARF MF Processo nº 10980.721075/2014­07  Acórdão n.º 3301­005.085  S3­C3T1  Fl. 2.483          10 O Auto de Infração referente à multa regulamentar, fls. 1956/1960, que exige  o  recolhimento  de  R$  4.105.610,79,  traz  no  campo  “enquadramento  legal”  a  seguinte  informação: art.  74,  §§ 15  e 16, da Lei n° 9.430/96,  com a  redação dada  pelo art. 62 da Lei nº 12.249/2010.  De início, deve­se ressaltar que a Medida Provisória nº 656, de 7 de outubro  de 2014, revogou o enquadramento legal da multa regulamentar, conforme segue a  transcrição:  Art. 56. Ficam revogados:  I ­ imediatamente, os arts. 44 a 53 da Lei nº 4.380, de 21 de agosto de 1964, o  art. 28 da Lei nº 10.150, de 21 de dezembro de 2000, e os §§ 15 e 16 do art. 74 da  Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; e   Vejamos, porém, o que determinava o art. 74, §§ 15 e 16, da Lei n° 9.430/96,  com a redação dada pelo art. 62 da Lei nº 12.249/2010, in verbis:  Art.  74.  O  sujeito  passivo  que  apurar  crédito,  inclusive  os  judiciais  com  trânsito em julgado,  relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria  da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá­lo na  compensação  de  débitos  próprios  relativos  a  quaisquer  tributos  e  contribuições  administrados por aquele Órgão.  ...  § 15. Será aplicada multa isolada de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor  do crédito objeto de pedido de ressarcimento indeferido ou indevido. (Incluído pela  Lei nº 12.249, de 2010)  § 16. O percentual da multa de que trata o § 15 será de 100% (cem por cento)  na  hipótese  de  ressarcimento  obtido  com  falsidade  no  pedido  apresentado  pelo  sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 12.249, de 2010)  O que se depreende facilmente da leitura do citado §15, do art. 74, da Lei n°  9.430/96, que determinava que a multa isolada de 50% seria aplicada sobre o valor  do crédito objeto do pedido de ressarcimento indeferido ou indevido. Enfim, o que  configurava  a  tipicidade  da  infração  é  o  pedido  de  ressarcimento  indeferido  ou  indevido.  De  plano,  constata­se,  facilmente,  que  os  Pedidos  de  Ressarcimentos  de  Crédito  de  IPI,  referentes  ao  período  de  apuração  do  1º  trimestre  de  2010  ao  4º  trimestre  de  2011  e  3º  trimestre  de  2012,  relacionados  no  Termo  de  Verificação  Fiscal,  fl.  1940,  considerados  como  base  de  cálculo  para  a Multa  Regulamentar,  somente  foram  considerados  indevidos  através  dos  Despachos  Decisórios  Eletrônicos, emitidos pelo Sistema de Controle de Créditos em 04 de junho de 2014,  sendo  a  ciência  do  contribuinte  em  18  de  junho  de  2014.  O  Pedidos  de  Ressarcimentos de Crédito de IPI, referente ao período de apuração do 1º trimestre  de  2012  teve o Despacho Decisório Eletrônico  emitido  em 07 de  agosto de 2014,  sendo a ciência em 18 de agosto de 2014. Quanto ao Pedido de Ressarcimento de  Crédito de  IPI  relativo ao 2º  trimestre de 2012, em consulta aos  sistemas da SRF,  não consta Despacho Decisório emitido.  Logo, somente restaria caracterizada a tipicidade do §15, do art. 74, da Lei n°  9.430/96,  após  a  ciência  dos  Despachos  Decisórios  de  análise  dos  Pedidos  de  Ressarcimentos de crédito de IPI, e como visto, esta somente ocorreu após a ciência  Fl. 2483DF CARF MF Processo nº 10980.721075/2014­07  Acórdão n.º 3301­005.085  S3­C3T1  Fl. 2.484          11 do lançamento do Auto de Infração, ora em questão, que ocorreu em 10 de maio de  2014.  A verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente e a  determinação da matéria  tributável  possuem o  sentido de dar motivação ao  ato de  constituir o crédito tributário pelo lançamento, ou seja, dizem respeito ao elemento  (requisito) motivo do ato.  Diante  dos  fatos  cabe  salientar  que  a  Administração  Pública,  atendendo  ao  princípio  da  legalidade  e  exercendo  o  controle  do  lançamento  tributário,  tem  o  dever­poder  de  reexaminar  os  seus  atos,  podendo  anulá­los  ou  revogá­los,  nos  termos do art. 53 da Lei n° 9.784/99, que regula o processo administrativo no âmbito  da  Administração  Pública  Federal,  aplicado  subsidiariamente  ao  Processo  Administrativo Fiscal (PAF), e da Súmula 473 do Supremo Tribunal Federal, (...)  (...)  A  administração  deve,  portanto,  demonstrar  que  o  seu  ato  está  em  conformidade  com  as  prescrições  legais,  de  modo  a  permitir  o  conhecimento  e  controle  dos  motivos  que  a  levaram  a  praticá­lo,  não  o  fazendo,  mister  se  faz  o  reconhecimento da nulidade.  A  multa  isolada  foi  aplicada  em  virtude  do  ressarcimento  indeferido  ou  indevido,  cujo  enquadramento  estava  nos  parágrafos  15  e  16  do  art.  74  da  Lei  nº  9.430/96,  introduzido pelo art. 62 c/c o art. 139, inciso I, alínea "d" da Lei nº 12.249/10.  Contudo, os parágrafos 15 e 16 foram revogados pela Lei nº 13.137/2015, art.  27, II:  Lei nº 13.137, de 19 de junho de 2015  Art. 27. Ficam revogados:  II ­ os §§ 15 e 16 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro  de 1996;  Assim, a Lei nº 13.137/2015 retirou a validade dessa multa, o que demanda a  sua exclusão do lançamento, em face do disposto no art. 106, II, “a” do CTN:  Art. 106. A lei aplica­se a ato ou fato pretérito:  I ­ em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa,  excluída  a  aplicação de  penalidade  à  infração dos dispositivos  interpretados;   II ­ tratando­se de ato não definitivamente julgado:   a) quando deixe de defini­lo como infração;   b)  quando  deixe  de  tratá­lo  como  contrário  a  qualquer  exigência  de  ação  ou  omissão,  desde  que  não  tenha  sido  fraudulento  e  não  tenha  implicado  em  falta  de  pagamento  de  tributo;   c)  quando  lhe  comine penalidade menos  severa que a prevista  na lei vigente ao tempo da sua prática.  Fl. 2484DF CARF MF Processo nº 10980.721075/2014­07  Acórdão n.º 3301­005.085  S3­C3T1  Fl. 2.485          12 Dessa forma, correta a exoneração da multa regulamentar.  O segundo ponto objeto do recurso de ofício é a revisão da glosa do período  de  apuração  31  de maio  de  2012  para R$  245.223,45.  Porém,  entendo  que  foi  corretamente  executada pela DRJ. Confira­se as razões:  Argumenta o impugnante que emitiu a Nota Fiscal de Devolução  nº 111.576, para ajuste de crédito de IPI efetuado a maior, antes  de iniciado o procedimento fiscal.  Na  análise  dos  autos,  observa­se  que  o  impugnante  emitiu  a  Nota Fiscal nº 10757,  fl. 1014, em 31 de maio de 2012, para o  crédito presumido do IPI ref. ao período de 26 de abril de 2012  a 25 de maio de 2012, no valor de R$ 484.638,22.  A Nota Fiscal de Devolução nº 111.576, à  fl.  2195,  foi  emitida  em  30  de  junho  de  2012,  no  valor  de  R$  239.414,77,  para  estornar  o  crédito  presumido  de  IPI  creditado  a  maior  no  período de 26 de abril de 2012 a 25 de maio de 2012. No Livro  de  Registro  de  Apuração  de  IPI,  à  fl.  614,  consta  à  devida  escrituração da Nota Fiscal.  O início do procedimento fiscal deu­se em 11 de março de 2013,  AR à fl. 5, portanto, assiste razão à impugnante.  Trata­se de questão devidamente comprovada documentalmente, logo não há  reparos a serem feitos na decisão de piso.  RECURSO VOLUNTÁRIO  Trata­se de glosa de créditos de  IPI, decorrentes de valores apropriados  em  vista do Mandado de Segurança, Processo n° 98.0023293­1, que trata do direito aos créditos de  IPI  sobre  aquisição  de  matérias­primas  isentas,  não  tributadas  ou  reduzidas  à  alíquota  zero  empregadas na fabricação de produtos tributados.   As glosas efetuadas foram divididas em dois períodos:  ***  De  janeiro  de  2010  até  26/05/2011:  neste  período  foram  glosados  os  créditos que extrapolaram o direito garantido na ação judicial, isto é, ou não são considerados  matérias­primas, ou houve a utilização em duplicidade de uma mesma nota fiscal de entrada,  etc.  Os  créditos  referentes  a  este  período,  informados  na  planilha  apresentada  pela  empresa  como créditos do MS, foram analisados individualmente.  *** De 27/05/2011 até 30/09/2012: todas as apropriações de crédito baseados  na  ação  judicial  foram glosadas  integralmente a  partir  de 27/05/2011,  conforme determina o  Parecer PGFN/CRJ n° 492/2011.  O contribuinte atua no ramo de fabricação e comercialização de máquinas e  aparelhos de refrigeração para uso industrial e comercial.    I. Período de janeiro de 2010 a 26/05/2011 – Ofensa à coisa julgada material    Fl. 2485DF CARF MF Processo nº 10980.721075/2014­07  Acórdão n.º 3301­005.085  S3­C3T1  Fl. 2.486          13 Alega a Recorrente que, por força do mandado de segurança, tem direito ao  creditamento dos insumos isentos, não tributados ou reduzidos a alíquota zero e não apenas de  matérias­primas isentas.   Por  sua  vez,  a  fiscalização  entendeu  que  o  mandamus  tratou  apenas  de  matérias­primas. Assim, insumo é gênero ao passo que matéria­prima é espécie.   Dessa  forma,  a  ação  judicial  não  abarcaria  o  creditamento  sobre  produto  intermediário, material de embalagem, energia elétrica, combustível, aquisição de material de  segurança etc. desonerados.  Observe­se a seguir o teor das peças processuais da referida ação.  O pedido na petição inicial foi:  (...)  2  ­  Seja  concedida  a  liminar  da  segurança  pretendida,  com  fundamento no art. 151 ­ IV do CTN, para o fim de suspender a  exigibilidade  do  Imposto  Sobre  Produtos  Industrializados,  que  em  função  do  não  estorno  dos  créditos  relativos  aos  produtos  com aplicação de "alíquota zero, isentos e não tributados".  3  ­  Seja  concedida  a  SEGURANÇA,  de  sorte  que  fique,  definitivamente, assegurado à Impetrante, o direito de creditar­ se  do  IPI,  nas  aquisições  de  matérias­primas  "isentas",  "não  tributadas"  ou  reduzidas  a  ''alíquota  zero",  reconhecendo­se  inclusive o direito ao crédito extemporâneo respectivo,  tudo em  obediência  ao  princípio  constitucional  da  não­cumulatividade,  consagrado pela atual Constituição no seu artigo 153, parágrafo  3°, inciso II.  4  ­  Requer  ainda  seja  concedida  juntamente  com  a  SEGURANÇA  o  direito  à  aplicação  da  CORREÇÃO  MONETÁRIA,  como  devidos  expurgos  inflacionários,  sobre  os  créditos fiscais pretéritos, não aproveitados na época própria.  A liminar concedida em primeira instância assim se referiu ao pedido:  Pelo exposto, concedo a segurança para assegurar à impetrante  o direito de lançar o crédito presumido de IPI não recolhido em  aquisições de matéria­prima isenta, não tributada ou submetida  à  alíquota  zero,  corrigido monetariamente.  Ressalvo  ao  Fisco,  todavia,  o  poder­dever  de  fiscalizar  e,  caso  constate  alguma  irregularidade  na  escrita  fiscal  da  impetrante,  autuar  e  lançar  eventuais créditos.  O relator do acórdão no TRF da 4ª Região, Apelação n° 1999.04.01.079847­ 6, em seu relatório fez constar:  O  objeto  da  presente  ação  mandamental  tem  a  ver,  com  a  possibilidade de crédito, a título de IPI, relativo às entradas, no  estabelecimento  industrial,  de  matéria  prima  não­tributada,  isenta, ou tributada à alíquota zero, para efeito de abatimento do  Fl. 2486DF CARF MF Processo nº 10980.721075/2014­07  Acórdão n.º 3301­005.085  S3­C3T1  Fl. 2.487          14 débito,  decorrente  das  saídas  dos  respectivos  produtos  manufaturados. Isto significa reconhecer que o crédito, oriundo  de operações anteriores isentas, não tributadas, ou tributadas à  alíquota zero, é presumido, e tem fundamento legal, no princípio  constitucional  da  não­cumulatividade.  O  argumento  contrário  prende­se  ao  fato  de  nada  desembolsou,  por  ocasião  da  aquisição das mercadorias, elas são beneficiadas, pela liberação  tarifária.  Ao final de seu voto, prescreveu (e­fl. 3316):  Certamente,  que  a Autoridade Fazendária  disporá  do  prazo  de  05 (cinco) anos, para aferir a exatidão da escrita fiscal. E mais,  não existe um direito genérico, à obtenção de certidão negativa  de débito, tampouco, fica impedida, a autoridade competente, de  proceder  as  inscrições,  no  CADIN,  ou  em  outro  órgão  de  informações.  Tudo  depende  da  situação  concreta  do  contribuinte, em dado momento histórico.  Resumindo, a segurança é concedida, em parte, para o efeito de  autorizar,  a  partir  do  trânsito  em  julgado,  a  utilização  dos  créditos,  a  título  de  IPI,  decorrentes  das  entradas  de  insumos,  atualizados,  segundo  índices  oficiais,  com  os  débitos  futuros,  deste  imposto,  incidente,  sobre  as  saídas  dos  respectivos  produtos  industrializados  (afinal,  a  legislação  ordinária,  e  o  próprio regulamento do IPI, admitem a transferência dos saldos  credores  excedentes,  para  os  períodos  seguintes).  A  Decisão  Singular  bem  dispôs  sobre  todos  os  temas,  merecendo  ser  mantida.  Segurança  Concedida.  Ante  o  Exposto,  Conheço  da  Remessa  Oficial,  e  da  Apelação  da  Impetrada,  negando  provimento, nos termos da fundamentação.  Por sua vez, o dispositivo constante do acórdão foi o seguinte:  Vistos  e  relatados  estes  autos  em  que  são  partes  as  acima  indicadas,  decide  a  Egrégia  Primeira  Turma  do  Tribunal  Regional  Federal  da  4ª  Região,  por  unanimidade,  negar  provimento  à  apelação  e  à  remessa  oficial,  nos  termos  do  relatório  e  notas  taquigráficas  que  ficam  fazendo  parte  integrante do presente julgado.  Contudo, na ementa constou:  CONSTITUCIONAL  TRIBUTÁRIO.  PRINCÍPIO  DA  NÃO  CUMULATIVIDADE.  IMPOSTO  SOBRE  PRODUTOS  INDUSTRIALIZADOS  (IPI).  INSUMOS  ADQUIRIDOS  À  TARIFA ZERO OU LIVRE TARIFA. DIREITO AO CRÉDITO.  ADMISSÃO.   O art.  49 do Código Tributário Nacional  (CTN) manda que,  na  base  de  cálculo  do  IPI,  se  deduza,  do  valor  do  produto  acabado,  a  ser  tributado,  o  “quanto”  do  mesmo  imposto  suportado, pelas matérias­primas, utilizadas, pelo fabricante.  Assim,  o  IPI  incide,  apenas,  sobre  o  valor  acrescido.  Na  hipótese  de  insumos  isentos  não  sejam  tributados,  ou  Fl. 2487DF CARF MF Processo nº 10980.721075/2014­07  Acórdão n.º 3301­005.085  S3­C3T1  Fl. 2.488          15 tributados à alíquota zero, a conclusão é a mesma, desde que  as  saídas  sejam  tributadas,  como  corolário  lógico,  da  aplicação do princípio constitucional da não­cumulatividade.  Pois,  o  objetivo  é  impedir  que  ao  final  do  ciclo  (produção,  distribuição, consumo), o valor do imposto ultrapasse na soma  total, a alíquota máxima prevista  em lei.  Segurança concedida,  para  o  efeito  de  autorizar,  a  partir  do  trânsito  em  julgado,  a  utilização dos créditos, a título de IPI, decorrentes das entradas  de insumos, atualizados,  segundo os  índices oficiais, com os  débitos  futuros,  deste  imposto,  incidente,  sobre  saídas  dos  respectivos  produtos  industrializados  (afinal  a  legislação  ordinária,  e  o  próprio  regulamento  do  IPI,  admitem  a  transferência dos saldos credores excedentes, para o período  seguinte).  Remessa  Oficial,  e  Apelação  de  Impetrada  conhecidas, e improvidas.    Por sua vez, o relatório do acórdão da ação rescisória descreveu:  Trata­se de Ação Rescisória ajuizada pela União Federal contra  GELOPAR  ...,  com fundamento no art. 485, V do CPC visando  desconstituir  acórdão  proferido  pela  1ª  Turma  deste  Regional,  nos autos do mandado de segurança ..., que reconheceu o direito  aos  créditos  de  IPI  relativos  a  aquisições  de  matérias­primas  isentas, não tributadas ou tributadas à alíquota zero...  Por fim, o acórdão da ação rescisória estampou:    TRF  4ª  Região  ­  AÇÃO  RESCISÓRIA  Nº  2003.04.01.004107­ 3/PR   TRIBUTÁRIO.  AÇÃO  RESCISÓRIA.  CRÉDITO  DE  IPI  RECONHECIDO  JUDICIALMENTE,  DECORRENTE  DE  INSUMOS  ISENTOS, NÃO TRIBUTADOS OU REDUZIDOS À  ALÍQUOTA  ZERO.  INCIDÊNCIA  DE  CORREÇÃO  MONETÁRIA  E  PRAZO  PRESCRICIONAL  APLICÁVEL.  INEXISTÊNCIA DE DISCUSSÃO CONSTITUCIONAL ACERCA  DA MATÉRIA OBJETO DA AÇÃO RESCISÓRIA. APLICAÇÃO  DA SÚMULA 343 DO STF.   A alegação de afronta a  literal dispositivo de lei, relativamente  ao  prazo  prescricional  e  à  correção  monetária  de  crédito  presumido  de  IPI  reconhecido  judicialmente,  pertinente  à  aquisição  de  insumos  isentos,  não  tributados  ou  tributados  à  alíquota  zero,  não  comporta  discussão  de  matéria  constitucional,  fazendo  incidir  a  Súmula  nº.  343  do  STF  ("Não  cabe  ação  rescisória  por  ofensa  a  literal  disposição  de  lei,  quando a decisão rescindenda se tiver baseado em texto legal de  interpretação controvertida nos tribunais.").  Assim, a fiscalização e a decisão de piso apontam a “incongruência” entre o  pedido do autor por “matérias­primas” e o termo “insumos” na decisão do TRF 4ª Região.  Fl. 2488DF CARF MF Processo nº 10980.721075/2014­07  Acórdão n.º 3301­005.085  S3­C3T1  Fl. 2.489          16 Diante disso, sustenta o contribuinte que:  Se  existe  ou  não  incongruência  no  Julgado,  não  é  de  competência  da  esfera  administrativa  decidir,  revisar  e/ou  interpretar a decisão em questão, pois não há espaço, momento  ou  autorização  para  tanto,  pois  se  houve  decisão  “Ultra  ou  Extra  Petita”,  haveria  que,  em  momento  oportuno,  a  Douta  Procuradoria  da  Fazenda  Nacional,  ter  manejado  medida  judicial própria, visando sanear a decisão em questão, no intuito  de limitar o Direito da Impetrante, se não o fez, não será agora  que  haverá  legalidade  para  a  interpretação  restritiva  imposta  pela  Auditora  em  seu  auto  de  infração,  sob  pena  de  ofensa  a  coisa julgada, pois estando a prestação jurisdicional cumprida e  acabada, esta  só seria modificável em presença de contradição  na forma do Art. 353, inc. I – CPC. Sendo assim não existe mais  espaço  e/ou  possibilidade  para  a  infundada  tentativa  da  Ilma.  Auditora em fazê­lo neste momento.  Se  a  Ilustríssima  Desembargadora  deferiu  o  creditamento  de  todas as operações anteriores – vide fls. 02 do Acórdão, ou seja,  crédito  das  entradas  dos  Insumos  isentos,  não  tributados  ou  tributados  a  alíquota  zero,  foi  no  intuito  de  contemplar  o  Princípio  da  Não­Cumulatividade,  ou  seja,  restou  deferido  o  direito ao crédito de todos os Insumos adquiridos anteriormente  ao processo de industrialização em homenagem ao Princípio da  Não­Cumulatividade.  Até  mesmo  porque  o  conceito  de  INSUMOS tornou­se muito vago, haja vista que Receita Federal  do Brasil,  vem  distorcendo  o  conceito  de  insumos  ao  longo  do  tempo,  em  clara  tentativa  de  inibir  o  direito  de  IPI  dos  contribuintes, além de seu afã arrecadatório.   Conforme  exposto,  resta  clara  a  tentativa  da  fiscalização  de  rever  e/ou  rediscutir  a  prestação  jurisdicional  já  favorável  a  Recorrente,  em outras  palavras,  à  reapreciação  da  autoridade  administrativa de matéria transitada em julgado nos autos de nº  98.0023293­1,  sendo  tal  conduta  equivocada,  ilegal  e  abusiva,  ofendendo a coisa julgada.  Entendo que a  interpretação feita pela  fiscalização não foi  restritiva, apenas  coerente  com  o  teor  do  julgado.  Isso  porque  o  objeto  do  pedido  judicial  versa,  única  e  exclusivamente, sobre o direito de creditar­se do IPI nas aquisições de matérias­primas isentas,  não  tributadas  ou  reduzidas  à  alíquota  zero,  e  não  na  totalidade  dos  insumos  adquiridos  conforme  argumenta  a  empresa. A  página  inicial  e  a  descrição  dos  fatos,  na  petição  inicial,  retira qualquer obscuridade:  Fl. 2489DF CARF MF Processo nº 10980.721075/2014­07  Acórdão n.º 3301­005.085  S3­C3T1  Fl. 2.490          17         Nesse  sentido,  esta  1ª  Turma  já  decidiu,  em  processos  de  titularidade  da  Gelopar, acórdãos n° 3301­004.177, 3301­004.176 e 3301­004.175:  Fl. 2490DF CARF MF Processo nº 10980.721075/2014­07  Acórdão n.º 3301­005.085  S3­C3T1  Fl. 2.491          18 DECISÃO  JUDICIAL  TRANSITADA  EM  JULGADO.  AQUISIÇÕES  DE  MATÉRIAS­PRIMAS  NÃO  TRIBUTADAS,  ISENTAS  E  SUJEITAS  A  ALÍQUOTA  ZERO.  MENÇÃO,  NO  ACÓRDÃO  QUE  MANTEVE  A  SENTENÇA,  A  INSUMOS.  ADEQUADA  INTERPRETAÇÃO  DA  COISA  JULGADA.  Tratando a ação judicial apenas do direito de crédito decorrente  da  aquisição  de  matérias­primas  não  tributadas,  isentas  e  de  alíquota zero, a menção, sem a força de dispositivo, no acórdão  que  julgou  a  remessa  de  ofício  e  a  apelação  a  “insumos”  não  estende os limites da coisa julgada para além do que foi objeto  da petição inicial.  Portanto, entendo que as glosas efetuadas em relação a dispêndios outros que  não as matérias­primas isentas, não ofendeu a coisa julgada.    Glosa dos créditos decorrentes de aquisições que não são matérias­primas     Tratam­se dos itens descritos nas e­fls. 1930­1934.  Neste tópico, defende a Recorrente que o crédito encontra­se sob a égide da  coisa  julgada,  restando,  assim,  novamente  a  flagrante  insubsistência  da  presente  glosa/autuação, sob pena de ofensa a coisa julgada, não necessitando maiores esclarecimentos  sobre o tema.  Como dito acima, a coisa julgada do mandado de segurança refere­se apenas  às matérias­primas.   Por outro  lado, observa­se nas citadas páginas que o contribuinte não  teceu  grandes  esforços  em  cooperar  com  a  fiscalização  na  correta  classificação  dos  dispêndios  em  matérias­primas, material de embalagem ou produtos intermediários.   Consta que até mesmo de saídas com suspensão creditou­se o contribuinte.  Da alíquota a ser utilizada no cálculo dos créditos sobre as aquisições de matérias­primas  isentas, não tributadas ou com alíquota zero  A empresa aduz que a metodologia de cálculo a ser utilizada na formação da  alíquota do  crédito  em discussão  é a mesma base/alíquota dos produtos com saída  tributada.  Assim, sustenta que para fins de compor a alíquota média de compensação, a decisão judicial  determinou  que  fossem  utilizadas  as mesmas  alíquotas  utilizadas,  na  operação  tributada.  Portanto, ao realizar a média das alíquotas para  fins de cálculos, utilizou apenas as alíquotas  tributadas.  Todavia,  na  visão  da  fiscalização  devem  ser  consideradas  também  as  mercadorias desoneradas para o cálculo da média.  A  decisão  judicial  quanto  às  alíquotas  a  serem  usadas  para  calcular  o  montante de crédito a ser compensado dispôs:    (...) tendo como objeto o pedido de liminar visando assegurar o  direito  ao  crédito,  a  título  de  imposto  sobre  Produtos  Industrializados – IPI, relativo às aquisições de insumos isentos,  Fl. 2491DF CARF MF Processo nº 10980.721075/2014­07  Acórdão n.º 3301­005.085  S3­C3T1  Fl. 2.492          19 não­tributados,  ou  reduzidos  à  alíquota  zero,  empregados,  na  fabricação de produtos tributados, com a aplicação da mesma  alíquota utilizada, na operação tributada, tudo atualizado.   Entendo  restar o  procedimento  da  fiscalização  correto,  porquanto  na média  que  atende  à  decisão  judicial  deve  ser  considerado  no  cálculo  os  produtos  desonerados  vendidos pela Recorrente, uma vez que eles  também incorporam as matérias­primas sobre as  quais o contribuinte tem direito de creditamento assegurado pela ação judicial.  Glosa de créditos das aquisições de empresas do SIMPLES   A vedação ao creditamento em relação a aquisições de empresas optantes do  Simples está expressa na Lei Complementar n° 123/2006, art. 23 e também no Regulamento do  IPI: art. 118, 166 do RIPI/2002 e art. 178 e 228 do RIPI/2010. Os estabelecimentos optantes do  Simples não podem efetuar a transferência de créditos relativos ao imposto, o que inclui o seu  destaque em nota fiscal, para aproveitamento do adquirente contribuinte do IPI.  Glosa de creditamento de energia elétrica, aquisição do material de proteção e segurança  dos empregados, material de uso e consumo  Quanto  ao  crédito  de  energia  elétrica,  aduz  a  empresa  que  é  devido  seu  creditamento como insumo, pois está diretamente vinculada ao processo de produção, variando  seu consumo com o próprio ritmo de fabricação do produto industrial.  Já para as aquisições de material de uso e consumo e material de proteção e  segurança, sustenta que o conceito de insumo não está limitado aos bens e serviços utilizados  “diretamente”  nas  atividades  da  empresa,  pois,  nessa  hipótese,  o  crédito  estaria  limitado  às  matérias­primas,  aos  materiais  de  embalagem  e  aos  produtos  intermediários  (aqueles  consumidos  no  processo  produtivo).  Além  disso,  as  próprias  Leis  nº  10.637/2002  e  10.833/2003  preveem,  também,  o  crédito  sobre  combustíveis  e  lubrificantes,  os  quais,  na  maioria das vezes, são materiais auxiliares ou intermediários.  Não há razão no argumento, pois nem todo produto consumido no processo  de industrialização pode ser considerado como insumo, sem que isso implique em violação ao  princípio da não­cumulatividade.  Os estabelecimentos industriais (e os que lhes são equiparados), entre outras  hipóteses, podem creditar­se do imposto relativo a matérias­primas, produtos intermediários e  material  de  embalagem,  adquiridos  para  emprego na  industrialização  de  produtos  tributados,  incluindo­se  aqueles  que,  embora  não  se  integrando  ao  novo produto,  forem  consumidos  no  processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente.   Assim, o aproveitamento do crédito de IPI dos insumos que não integram o  produto  pressupõe  o  consumo  de  forma  imediata  e  integral  durante  o  processo  de  industrialização, e ainda que o bem não esteja compreendido no ativo permanente da empresa.  Observe­se  o  teor  do  REsp  n°  1.0755.08/SC,  Rel.  Min.  Luiz  Fux,  DJ  13/10/2009, julgado na sistemática dos recursos repetitivos:  PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO  DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543­C, DO CPC. TRIBUTÁRIO.  IPI.  CREDITAMENTO.  AQUISIÇÃO  DE  BENS  DESTINADOS  Fl. 2492DF CARF MF Processo nº 10980.721075/2014­07  Acórdão n.º 3301­005.085  S3­C3T1  Fl. 2.493          20 AO  ATIVO  IMOBILIZADO  E  AO  USO  E  CONSUMO.  IMPOSSIBILIDADE.  RATIO  ESSENDI  DOS  DECRETOS  4.544/2002 E 2.637/98.  1. A  aquisição  de  bens  que  integram o  ativo  permanente  da  empresa  ou  de  insumos  que  não  se  incorporam  ao  produto  final  ou  cujo  desgaste  não  ocorra  de  forma imediata e integral durante o processo de industrialização  não gera direito a creditamento de IPI, consoante a ratio essendi  do  artigo  164,  I,  do  Decreto  4.544/2002  (Precedentes  das  Turmas  de  Direito  Público:  AgRg  no  REsp  1.082.522/SP,  Rel.  Ministro  Humberto  Martins,  Segunda  Turma,  julgado  em  16.12.2008, DJe 04.02.2009; AgRg no REsp 1.063.630/RJ, Rel.  Ministro  Francisco  Falcão,  Primeira  Turma,  julgado  em  16.09.2008,  DJe  29.09.2008;  REsp  886.249/SC,  Rel.  Ministro  Luiz  Fux,  Primeira  Turma,  julgado  em  18.09.2007,  DJ  15.10.2007;  REsp  608.181/SC,  Rel.  Ministro  Teori  Albino  Zavascki,  Primeira  Turma,  julgado  em  06.10.2005,  DJ  27.03.2006; e REsp 497.187/SC, Rel. Ministro Franciulli Netto,  Segunda Turma, julgado em 17.06.2003, DJ 08.09.2003).   2. Deveras, o artigo 164, I, do Decreto 4.544/2002 (assim como  o artigo 147, I, do revogado Decreto 2.637/98), determina que os  estabelecimentos  industriais  (e  os  que  lhes  são  equiparados),  entre outras hipóteses, podem creditar­se do  imposto relativo a  matérias­primas,  produtos  intermediários  e  material  de  embalagem,  adquiridos  para  emprego  na  industrialização  de  produtos  tributados,  incluindo­se  "aqueles  que,  embora  não  se  integrando ao novo produto,  forem consumidos no processo de  industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo  permanente".   3. In casu, consoante assente na instância ordinária, cuida­se de  estabelecimento  industrial  que  adquire  produtos  "que  não  são  consumidos  no  processo  de  industrialização  (...), mas  que  são  componentes  do  maquinário  (bem  do  ativo  permanente)  que  sofrem o desgaste indireto no processo produtivo e cujo preço já  integra a planilha de custos do produto  final",  razão pela qual  não há direito ao creditamento do IPI.   4.  Recurso  especial  desprovido.  Acórdão  submetido  ao  regime  do artigo 543­C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.  A decisão do REsp nº 1.075.508, representativo de controvérsia, vincula este  colegiado, de acordo com a prescrição do art. 62, §2º do RICARF (Portaria n° 343/2015).    Aplicação do parecer PGFN n° 492  A  autoridade  fiscal  glosou  o  crédito  das  aquisições  de  matérias­primas  desoneradas, efetuadas após a publicação do Parecer PGFN n° 492/2011, período de apuração  de 27 de maio de 2011 a 30 de setembro de 2012, em razão da cessação da eficácia da decisão  tributária transitada em julgado, face ao advento de precedente objetivo e definitivo do STF em  sentido contrário à possibilidade de creditamento (RE n° 353.657; 370.682 e RE nº 566.819).   Fl. 2493DF CARF MF Processo nº 10980.721075/2014­07  Acórdão n.º 3301­005.085  S3­C3T1  Fl. 2.494          21 Sustentou a fiscalização a aplicação do referido parecer, já que o documento  estabeleceu que a eficácia da coisa julgada inicial não mais se distende para o tempo futuro e  sem  fim,  devendo  cessar  imediatamente,  independentemente  de  rescisão  ou  anulação,  se  lhe  sobrevém pronunciamento do STF que  com ela posteriormente  colide. Confira­se  trechos  do  Parecer:  Parecer PGFN/CRJ n° 492/2011  Decisão  transitada  em  julgado  que  disciplina  relação  jurídica  tributária  continuativa.  Modificação  dos  suportes  fático/jurídico.  Limites  objetivos  da  coisa  julgada.  Superveniência  de  precedente  objetivo/definitivo  do  STF.  Cessação  automática  da  eficácia  vinculante  da  decisão  tributária  transitada  em  julgado.  Possibilidade  de  voltar  a  cobrar  o  tributo,  ou  de  deixar  de  pagá­lo,  em  relação  a  fatos  geradores futuros.  1. A alteração das circunstâncias fáticas ou  jurídicas existentes  ao tempo da prolação de decisão judicial voltada à disciplina de  uma  dada  relação  jurídica  tributária  de  trato  sucessivo  faz  surgir uma relação jurídica tributária nova, que, por isso, não é  alcançada  pelos  limites  objetivos  que  balizam  a  eficácia  vinculante da referida decisão  judicial. Daí por que se diz que,  alteradas  as  circunstâncias  fáticas  ou  jurídicas  existentes  à  época  da  prolação  da  decisão,  esta  naturalmente  deixa  de  produzir efeitos vinculantes, dali para frente, dada a sua natural  inaptidão de alcançar a nova relação jurídica tributária.  2. Possuem força para, com o seu advento, impactar ou alterar o  sistema  jurídico  vigente,  por  serem  dotados  dos  atributos  da  definitividade  e  objetividade,  os  seguintes  precedentes  do  STF:  (i)  todos  os  formados  em  controle  concentrado  de  constitucionalidade,  independentemente  da  época  em  que  prolatados;  (ii) quando posteriores a 3 de maio de 2007, aqueles  formados  em sede de controle difuso de constitucionalidade, seguidos, ou  não,  de  Resolução  Senatorial,  desde  que,  nesse  último  caso,  tenham  resultado  de  julgamento  realizado  nos  moldes  do  art.  543­B  do  CPC;  (iii)  quando  anteriores  a  3  de  maio  de  2007,  aqueles  formados  em  sede  de  controle  difuso  de  constitucionalidade, seguidos, ou não, de Resolução Senatorial,  desde que, nesse último caso, tenham sido oriundos do Plenário  do  STF  e  confirmados  em  julgados  posteriores  da  Suprema  Corte.  3.  Os  precedentes  objetivos  e  definitivos  do  STF  constituem  circunstância  jurídica  nova,  apta  a  fazer  cessar,  prospectivamente,  eficácia  vinculante  das  anteriores  decisões  tributárias transitadas em julgado que lhes forem contrárias.  4.  A  cessação  da  eficácia  vinculante  da  decisão  tributária  transitada em julgado opera­se automaticamente, de modo que:  (i) quando se der a  favor do Fisco, este pode voltar a cobrar o  tributo, tido por inconstitucional na anterior decisão, em relação  Fl. 2494DF CARF MF Processo nº 10980.721075/2014­07  Acórdão n.º 3301­005.085  S3­C3T1  Fl. 2.495          22 aos  fatos  geradores  praticados  dali  para  frente,  sem  que  necessite  de  prévia  autorização  judicial  nesse  sentido;  (ii)  quando se der a favor do contribuinte­autor, este pode deixar de  recolher  o  tributo,  tido  por  constitucional  na  decisão  anterior,  em relação aos fatos geradores praticados dali para frente, sem  que necessite de prévia autorização judicial nesse sentido.  5.Face aos princípios da segurança jurídica, da não surpresa e  da  proteção  à  confiança,  bem  como  por  força  do  art.  146  do  CTN, nas hipóteses  em que o advento do precedente objetivo  e  definitivo  do  STF  e  a  consequente  cessação  da  eficácia  da  decisão  tributária  transitada  em  julgado  sejam  pretéritos  ao  presente Parecer, a publicação deste configura o marco inicial a  partir do qual o Fisco  retoma o direito de  cobrar o  tributo  em  relação aos fatos geradores praticados pelo contribuinte­autor.  (...)  74.  É  legítimo  se  afirmar,  portanto,  que  a  data  do  trânsito  em  julgado do acórdão do STF configura, ao menos como regra, o  termo  a  quo  para  o  exercício  dos  direitos  acima  referidos.  Entretanto,  essa  regra  comporta  exceção  no  que  tange,  especificamente,  ao  direito  de  que  dispõe  o  Fisco  de  voltar  a  exigir, do contribuinte­autor, o  tributo antes  tido por  inexigível  pela  coisa  julgada  que  lhe  favorecia.  Assim,  em  algumas  situações  específicas  adiante  expostas,  por  razões  ligadas  ao  relevante  princípio  da  segurança  jurídica,  com  os  seus  corolários em matéria  tributária, a  saber,  os princípios da não  surpresa  e  da  proteção  da  confiança,  não  há  como  considerar  que  a  data  do  trânsito  em  julgado  do  acórdão  proferido  pelo  STF configura o marco a partir do qual o Fisco possui o direito  de efetuar a cobrança do correspondente tributo, relativo a todos  os  fatos  geradores  praticados  pelo  contribuinte­autor  desde  então.  75.  Para  que  bem  se  compreenda  quais  são  essas  situações  específicas,  e  o  porquê  da  necessidade  de  se  excepcioná­las,  basta  pensar  na  hipótese,  que  bem  as  exemplifica,  em  que  um  dado  contribuinte  tenha  deixado  de  efetuar  o  pagamento  de  determinado tributo por reputar que assim estava autorizado em  razão  de  coisa  julgada  formada,  a  seu  favor,  considerando  inexistente a  correspondente  relação  jurídica  tributária,  apesar  de esse não pagamento ter se dado quando já existia precedente  objetivo  e definitivo do STF em sentido  contrário ao  sufragado  na coisa julgada, proferido e transitado em julgado em momento  anterior à aprovação e publicação do presente Parecer. E mais:  mesmo  com  o  advento  desse  precedente  da  Suprema  Corte,  favorável  à Fazenda Nacional  –  que,  segundo aqui  se  entende,  fez cessar a eficácia vinculante da decisão tributária transitada  em  julgado  e,  portanto,  legitimaria  a  cobrança  do  tributo  relativo  aos  fatos  geradores  ocorridos  a  partir  de  então  ­,  o  Fisco  quedou­se  inerte  durante  anos,  não  efetuando  as  correspondentes exigências tributárias.  Fl. 2495DF CARF MF Processo nº 10980.721075/2014­07  Acórdão n.º 3301­005.085  S3­C3T1  Fl. 2.496          23 76.  Note­se  que,  na  hipótese  acima  aventada,  o  contribuinte­ autor deixou de pagar o tributo por considerar que assim estava  respaldado  por  coisa  julgada,  e  o  Fisco,  mesmo  diante  do  precedente  do  STF,  não  efetuou  as  correspondentes  exigências  tributárias,  numa  postura  omissiva  que,  de  certo  modo,  demonstrou a sua adesão ao comportamento do contribuinte. Em  hipóteses  desse  jaez  –  em  que  (i)  a  cessação  da  eficácia  da  decisão  tributária  transitada  em  julgado,  face  ao  advento  de  precedente  objetivo  e  definitivo  do  STF,  ocorreu  em  momento  anterior à publicação deste parecer e (ii) não houve lançamento  em  relação  aos  fatos  geradores  ocorridos  após  o  advento  do  precedente do STF ­, não há como legitimamente pretender que,  agora,  com  o  entendimento  esposado  neste  Parecer,  possa  o  Fisco  exigir,  do  contribuinte­autor,  o  tributo  relativo  a  todos  esses fatos geradores passados (por óbvio, desde que ocorridos  há menos de 5 anos).  77. Essa nova exigência, relativa aos fatos geradores anteriores  ao  presente  Parecer,  tendo  como  marco  inicial  a  data,  no  passado,  do  advento  da  decisão  do  STF,  além  de  causar  ao  contribuinte­autor  surpresa  que  não  parece  compatível  com  a  segurança jurídica e a confiança que devem iluminar as relações  travadas entre o Fisco e os contribuintes, também representaria  ofensa direta ao disposto no art. 146 do CTN, segundo o qual “a  modificação  introduzida,  de  ofício  ou  em  consequência  de  decisão  administrativa  ou  judicial,  nos  critérios  jurídicos  adotados  pela  autoridade  administrativa  no  exercício  do  lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo  sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à  sua  introdução”.  Esse  dispositivo  legal,  cuja  essência  claramente  se  inspira  nos  já  invocados  princípios  da  não  surpresa  e  da  proteção  da  confiança,  veda  que  novos  critérios  jurídicos introduzidos pela Administração Pública Tributária em  sua  atividade  de  lançar  atinja  fatos  geradores  ocorridos  em  momento anterior à sua introdução, o que parece impedir que o  entendimento  contido  no  presente  Parecer  –  que,  inequivocadamente, configura um novo critério jurídico relativo  a  lançamento  tributário  –  aplique­se  às  situações  que  lhe  são  pretéritas.  78. Assim, tendo em conta o princípio da segurança jurídica e os  seus  consectários  princípios  da  não  surpresa  e  da  proteção  à  confiança, bem como por força do que prevê o art. 146 do CTN,  entende­se,  aqui,  que  naquelas  específicas  hipóteses  em  que  a  cessação  da  eficácia  da  decisão  tributária  transitada  em  julgado, em face do advento de precedente objetivo e definitivo  do STF em sentido contrário ao nela sufragado, tenha ocorrido  em momento anterior à publicação deste parecer, e tendo havido  inércia dos agentes fazendários, o termo a quo para o exercício,  pelo Fisco, do direito de voltar a exigir, do contribuinte­autor, o  tributo em questão é a data da publicação deste parecer, o que  significa dizer que apenas os fatos geradores praticados a partir  deste instante poderão ser objeto de lançamento.  Fl. 2496DF CARF MF Processo nº 10980.721075/2014­07  Acórdão n.º 3301­005.085  S3­C3T1  Fl. 2.497          24 79. Em outras palavras: este parecer não retroage para alcançar  aqueles fatos geradores pretéritos, que mesmo sendo capazes, à  luz  do  entendimento  ora  defendido,  de  fazer  nascer  obrigações  tributárias,  não  foram,  até  o  presente  momento,  objeto  de  lançamento.  Por  óbvio,  se  nas  situações  pretéritas  o  Fisco  já  tiver  adotado  o  entendimento  ora  defendido,  efetuando  a  cobrança  relativa  aos  fatos  geradores  ocorridos  desde  a  cessação  da  eficácia  da  decisão  tributária  transitada  em  julgado,  em  relação  a  essas  situações  pretéritas  o  critério  jurídico contido no presente Parecer não poderá ser considerado  “novo”, o que afasta a aplicação do princípio da não surpresa e  do  art.  146  do CTN;  esses  lançamentos,  portanto,  deverão  ser  mantidos.  80.  Afora  essas  situações  específicas,  que  se  caracterizam,  primordialmente, por serem pretéritas a este Parecer, em todas  as demais deve  incidir a  regra  referida mais acima,  segundo o  qual  o  termo  a  quo  para  o  exercício  do  direito  conferido  ao  Fisco  de  voltar  a  exigir,  do  contribuinte­autor,  o  tributo  antes  tido  como  inexigível  pela  coisa  julgada  que  lhe  favorecia  é  a  data do trânsito em julgado do acórdão proferido pelo STF.  (...)  Síntese do exposto  99.  Eis  a  síntese  das  principais  considerações/conclusões  expostas ao longo do presente Parecer:  (i)  a  alteração  nos  suportes  fático  ou  jurídico  existentes  ao  tempo  da  prolação  de  decisão  judicial  voltada  à  disciplina  de  relações jurídicas tributárias continuativas faz cessar, dali para  frente,  a  eficácia  vinculante  dela  emergente  em  razão  do  seu  trânsito em julgado;  (ii) possuem força para, com o seu advento, impactar ou alterar  o sistema  jurídico vigente, precisamente por serem dotados dos  atributos  da  definitividade  e  objetividade,  os  seguintes  precedentes  do  STF:  (i)  todos  os  formados  em  controle  concentrado  de  constitucionalidade,  independentemente  da  época em que prolatados; (ii) quando posteriores a 3 de maio de  2007,  aqueles  formados  em  sede  de  controle  difuso  de  constitucionalidade, seguidos, ou não, de Resolução Senatorial,  desde  que,  nesse  último  caso,  tenham  resultado  de  julgamento  realizado  nos  moldes  do  art.  543­B  do  CPC;  (iii)  quando  anteriores  a  3  de maio  de  2007,  aqueles  formados  em  sede  de  controle  difuso  de  constitucionalidade,  seguidos,  ou  não,  de  Resolução Senatorial, desde que, nesse último caso, tenham sido  oriundos do Plenário do STF e sejam confirmados em julgados  posteriores da Suprema Corte.  (iii)  o  advento  de  precedente  objetivo  e  definitivo  do  STF  configura  circunstância  jurídica  nova  apta  a  fazer  cessar  a  eficácia  vinculante  das  anteriores  decisões  tributárias  transitadas em julgado que lhe forem contrárias;  Fl. 2497DF CARF MF Processo nº 10980.721075/2014­07  Acórdão n.º 3301­005.085  S3­C3T1  Fl. 2.498          25 (iv) como a cessação da eficácia da decisão tributária transitada  em julgado é automática, com o advento do precedente objetivo  e definitivo do STF, quando no sentido da constitucionalidade da  lei  tributária,  o  Fisco  retoma  o  direito  de  cobrar  o  tributo  em  relação aos fatos geradores ocorridos daí para frente, sem que,  para tanto, necessite ajuizar ação judicial; por outro lado, com o  advento do precedente objetivo  e definitivo do STF, quando no  sentido da inconstitucionalidade da lei tributária, o contribuinte­ autor  deixa  de  estar  obrigado  ao  recolhimento  do  tributo,  em  relação aos fatos geradores praticados dali para frente, sem que,  para tanto, necessite ajuizar ação judicial;  (v) em regra, o termo a quo para o exercício do direito conferido  ao contribuinte­autor de deixar de pagar o tributo antes tido por  constitucional  pela  coisa  julgada,  ou  conferido  ao  Fisco  de  voltar  a  cobrar  o  tributo  antes  tido  por  inconstitucional  pela  coisa  julgada,  é  a  data  do  trânsito  em  julgado  do  acórdão  proferido pelo STF. Excepciona­se essa regra, no que  tange ao  direito  do  Fisco  de  voltar  a  cobrar,  naquelas  específicas  hipóteses  em  que  a  cessação  da  eficácia  da  decisão  tributária  transitada  em  julgado  tenha  ocorrido  em  momento  anterior  à  publicação  deste  Parecer,  e  tenha  havido  inércia  dos  agentes  fazendários quanto à cobrança; nessas hipóteses, o termo a quo  do direito conferido ao Fisco de voltar a exigir, do contribuinte­ autor, o tributo em questão, é a publicação do presente Parecer.  No  Diário  Oficial  da  União  de  26/05/2011,  foi  publicado  o  Despacho  do  Ministro da Fazenda nos seguintes termos:    Aprovo  o PARECER PGFN/CRJ/Nº  492/2011,  30  de março  de  2011,  da  Procuradoria­Geral  da  Fazenda  Nacional,  que  concluiu que:  i) quando sobrevier precedente objetivo e definitivo do STF em  sentido  favorável ao Fisco, este pode voltar a cobrar o  tributo,  tido  por  inconstitucional  em  anterior  decisão  tributária  transitada  em  julgado,  em  relação  aos  fatos  geradores  praticados  dali  para  frente,  sem  que  necessite  de  prévia  autorização  judicial  nesse  sentido;  ii)  quando  sobrevier  precedente objetivo e definitivo do STF em sentido favorável ao  contribuinte­autor,  este  pode  deixar  de  recolher  o  tributo,  tido  por  constitucional  em anterior decisão  tributária  transitada em  julgado,  em  relação  aos  fatos  geradores  praticados  dali  para  frente,  sem  que  necessite  de  prévia  autorização  judicial  nesse  sentido.[...]  Daí a fiscalização concluiu o seguinte:  No contexto da Ação Judicial impetrada pela empresa Gelopar,  conforme  discorrido  anteriormente,  a  empresa  obteve  judicialmente,  nos  autos  do  MS  n°  98.0023293­1  provimento  favorável  acerca  do  creditamento  de  IPI  nas  aquisições  de  matéria­prima  isenta,  não  tributada  ou  submetida  à  alíquota  zero.  Fl. 2498DF CARF MF Processo nº 10980.721075/2014­07  Acórdão n.º 3301­005.085  S3­C3T1  Fl. 2.499          26 Porém, a jurisprudência do STF inverteu­se completamente, e o  posicionamento atual da Suprema Corte  é pela  impossibilidade  do creditamento do IPI, pelo contribuinte, nestas circunstâncias  (matéria­prima isenta, não tributada ou sujeita à alíquota zero).  Tendo  em  conta  que  o  entendimento  sufragado  pelo  judiciário  nos autos n° 98.00.23293­1 está superado, e considerando o teor  do Parecer  PGFN 492/2011,  que  trata  da  cessação,  nos  casos  em  que  especifica,  das  decisões  judiciais  contrarias  à  posição  atual do STF, resta claro que a empresa GELOPAR não faz mais  jus  ao  benefício  que  lhe  fora  garantido,  devendo  a  Receita  constituir  o  crédito  tributário  relativo  aos  fatos  geradores  praticados pelo contribuinte após publicação deste parecer.  Conforme  detalhado  no  item  “c”  do  Parecer  a  cessação  de  eficácia  vinculante  da  decisão  transitada  em  julgado  é  automática  e  independe  de  prévio  reconhecimento  judicial.  Assim,  foram  glosados  todos  os  créditos  de  IPI  decorrentes  da  ação  judicial  (MS  n°  98.00.23293­1),  que  foram  apropriados  pela empresa a partir de 27/05/2011 até setembro/2012 (período  abrangido por esta fiscalização).  Entendo  que  a  coisa  julgada  do  n°  98.00.23293­1  deve  ser  preservada.  Explico.  Ao  tratar  o  art.  5º, XXXVI,  da CF/88,  dos  direitos  e  garantias  individuais,  asseverando  que  “a  lei  não  prejudicará  o  direito  adquirido,  o  ato  jurídico  perfeito  e  a  coisa  julgada”,  a expressão “a  lei” não se  limita ao seu sentido estrito, mas  sim se  refere a  toda  e  qualquer  norma  jurídica,  inclusive  a  norma  individual  e  concreta,  que  é  a  decisão  judicial  transitada em julgado.  É por meio da coisa julgada que se verifica a materialização do princípio da  segurança  jurídica,  uma  vez  que  de  forma  definitiva  estabiliza  as  relações  conflituosas,  conferindo a certeza do direito.  O  respeito  à coisa  julgada como garantia da segurança e certeza do direito,  bem como da própria ordem democrática,  já  foi  objeto de manifestação pelo STF, no RE n°  592.912 AgR/RS, DJ 22/11/2012:  RECURSO  EXTRAORDINÁRIO  ­  COISA  JULGADA  EM  SENTIDO  MATERIAL  ­  INDISCUTIBILIDADE,  IMUTABILIDADE  E  COERCIBILIDADE:  ATRIBUTOS  ESPECIAIS QUE QUALIFICAM OS EFEITOS RESULTANTES  DO  COMANDO  SENTENCIAL  ­  PROTEÇÃO  CONSTITUCIONAL  QUE  AMPARA  E  PRESERVA  A  AUTORIDADE  DA  COISA  JULGADA  ­  EXIGÊNCIA  DE  CERTEZA  E  DE  SEGURANÇA  JURÍDICAS  ­  VALORES  FUNDAMENTAIS  INERENTES AO ESTADO DEMOCRÁTICO  DE  DIREITO  ­  EFICÁCIA  PRECLUSIVA  DA  “RES  JUDICATA”  ­  “TANTUM  JUDICATUM  QUANTUM  DISPUTATUM VEL DISPUTARI DEBEBAT ­ CONSEQUENTE  IMPOSSIBILIDADE DE REDISCUSSÃO DE CONTROVÉRSIA  JÁ APRECIADA EM DECISÃO TRANSITADA EM JULGADO,  AINDA  QUE  PROFERIDA  EM  CONFRONTO  COM  A  Fl. 2499DF CARF MF Processo nº 10980.721075/2014­07  Acórdão n.º 3301­005.085  S3­C3T1  Fl. 2.500          27 JURISPRUDÊNCIA  PREDOMINANTE  NO  SUPREMO  TRIBUNAL  FEDERAL  ­  A  QUESTÃO  DO  ALCANCE  DO  PARÁGRAFO ÚNICO DO ART. 741 DO CPC  ­ MAGISTÉRIO  DA DOUTRINA  ­  RECURSO DE AGRAVO  IMPROVIDO.  ­ A  sentença  de  mérito  transitada  em  julgado  só  pode  ser  desconstituída  mediante  ajuizamento  de  específica  ação  autônoma  de  impugnação  (ação  rescisória)  que  haja  sido  proposta na fluência do prazo decadencial previsto em lei, pois,  com o exaurimento de referido lapso temporal, estar­se­á diante  da  coisa  soberanamente  julgada,  insuscetível  de  ulterior  modificação, ainda que o ato sentencial encontre fundamento em  legislação  que,  em  momento  posterior,  tenha  sido  declarada  inconstitucional  pelo  Supremo  Tribunal  Federal,  quer  em  sede  de  controle  abstrato,  quer  no  âmbito  de  fiscalização  incidental  de  constitucionalidade.  ­  A  superveniência  de  decisão  do  Supremo  Tribunal  Federal,  declaratória  de  inconstitucionalidade  de  diploma  normativo  utilizado  como  fundamento  do  título  judicial  questionado,  ainda  que  impregnada  de  eficácia  “ex  tunc”  ­  como  sucede,  ordinariamente,  com  os  julgamentos  proferidos  em  sede  de  fiscalização concentrada (RTJ 87/758 ­ RTJ 164/506­509 ­ RTJ  201/765)  ­,  não  se  revela  apta,  só  por  si,  a  desconstituir  a  autoridade  da  coisa  julgada,  que  traduz,  em  nosso  sistema  jurídico,  limite  insuperável  à  força  retroativa  resultante  dos  pronunciamentos  que  emanam,  “in  abstracto”,  da  Suprema  Corte.  Doutrina.  Precedentes.  ­  O  significado  do  instituto  da  coisa  julgada material  como  expressão  da  própria  supremacia  do  ordenamento  constitucional  e  como  elemento  inerente  à  existência do Estado Democrático de Direito.  Ressalte­se que a via para eventual desconstituição da coisa julgada é aquela  prescrita pelo ordenamento, a ação rescisória, cujo prazo decadencial é de dois anos para seu  ingresso.  Por  conseguinte,  não  é  possível  rever  uma  decisão,  quando  já  não  caiba  a  ação  rescisória.   Frise­se que o próprio STF, no citado RE n° 592.912 AgR/RS, assegura que a  superveniência de decisão do STF, declaratória de inconstitucionalidade de diploma normativo  utilizado  como  fundamento  do  título  judicial  questionado,  ainda  que  impregnada  de  eficácia  “ex tunc”, não é apta, por si só, para desconstituir a autoridade da coisa julgada. Nesse sentido,  importa transcrever o voto do Ministro Celso de Mello no RE n° 592.912 AgR/RS:  Vê­se, a partir das considerações que venho de expor, que não se  revela  processualmente  ortodoxo  nem  juridicamente  adequado,  muito  menos  constitucionalmente  lícito,  pretender­se  o  reconhecimento da inexigibilidade de título judicial, sob pretexto  de que a sentença transitada em julgado fundamentou­se em lei  declarada  inconstitucional  pelo  Supremo  Tribunal  Federal.  É  que,  em ocorrendo  tal  situação,  a  sentença  de mérito  tornada  irrecorrível  em  face  do  trânsito  em  julgado  só  pode  ser  desconstituída  mediante  ajuizamento  de  uma  específica  ação  autônoma  de  impugnação  (ação  rescisória),  desde  que  utilizada,  pelo  interessado,  no  prazo  decadencial  definido  em  lei, pois, esgotado referido lapso temporal, estar­se­á diante da  coisa soberanamente  julgada, que se  revela, a partir de então,  Fl. 2500DF CARF MF Processo nº 10980.721075/2014­07  Acórdão n.º 3301­005.085  S3­C3T1  Fl. 2.501          28 insuscetível de modificação ulterior, ainda que haja sobrevindo  julgamento  do  Supremo  Tribunal  Federal  declaratório  de  inconstitucionalidade  da  própria  lei  em  que  baseado  o  título  judicial exequendo...  (...)  Em  suma:  a  decisão  do  Supremo  Tribunal  Federal  que  haja  declarado inconstitucional determinado diploma legislativo em  que se apóie o ato sentencial transitado em julgado, ainda que  impregnada  de  eficácia  “ex  tunc”,  como  sucede  com  os  julgamentos  proferidos  em  sede  de  fiscalização  concentrada  (RTJ 87/758 – RTJ 164/506­509 – RTJ 201/765), detém­se ante  a  autoridade  da  coisa  julgada,  que  traduz,  nesse  contexto,  limite  insuperável  à  força  retroativa  resultante  dos  pronunciamentos  que  emanam,  “in  abstracto”,  da  Suprema  Corte.  A  jurisprudência  do  STF  assentou  a  invulnerabilidade  da  coisa  julgada  em  sentido material,  enfatizando que sentenças  transitadas em  julgado, mesmo  inconstitucionais,  somente  poderão  ser  invalidadas mediante  utilização  de meio  instrumental  adequado,  a  ação  rescisória, a exemplo do RE 328.812/AM:  Embargos  de  Declaração  em  Recurso  Extraordinário.  2.  Julgamento  remetido  ao  Plenário  pela  Segunda  Turma.  Conhecimento. 3. É possível ao Plenário apreciar embargos de  declaração  opostos  contra  acórdão  prolatado  por  órgão  fracionário,  quando  o  processo  foi  remetido  pela  Turma  originalmente competente. Maioria. 4. Ação Rescisória. Matéria  constitucional.  Inaplicabilidade  da  Súmula  343/STF.  5.  A  manutenção  de  decisões  das  instâncias  ordinárias  divergentes  da interpretação adotada pelo STF revela­se afrontosa à força  normativa  da  Constituição  e  ao  princípio  da  máxima  efetividade  da  norma  constitucional.  6.  Cabe  ação  rescisória  por  ofensa  à  literal  disposição  constitucional,  ainda  que  a  decisão  rescindenda  tenha  se  baseado  em  interpretação  controvertida  ou  seja  anterior  à  orientação  fixada  pelo  Supremo  Tribunal  Federal.  7.  Embargos  de  Declaração  rejeitados, mantida a conclusão da Segunda Turma para que o  Tribunal a quo aprecie a ação rescisória.  Confira­se trecho do voto do Ministro Gilmar Mendes, no RE 328.812/AM:  Ora, se ao Supremo Tribunal Federal compete, precipuamente, a  guarda da Constituição Federal, é certo que a sua interpretação  do  texto  constitucional  deve  ser  acompanhada  pelos  demais  Tribunais,  em  decorrência  do  efeito  definitivo  absoluto  outorgado  à  sua  decisão. Não  se  pode  diminuir  a  eficácia  das  decisões  do  Supremo  Tribunal  Federal  com  a  manutenção  de  decisões  divergentes.  Assim,  se  somente  por  meio  do  controle  difuso  de  constitucionalidade,  portanto,  amos  após  as  questões  terem  sido  decididas  pelos  Tribunais  ordinários,  é  que  o  Supremo  Tribunal  Federal  veio  a  apreciá­las,  é  a  ação  rescisória, com fundamento em violação de literal disposição de  lei,  instrumento  adequado  para  a  superação  de  decisão  divergente.  Fl. 2501DF CARF MF Processo nº 10980.721075/2014­07  Acórdão n.º 3301­005.085  S3­C3T1  Fl. 2.502          29 Por sua vez, o STJ instado a se manifestar sobre a possibilidade de cobrança  de  tributo  do  contribuinte,  que  tenha  decisão  judicial  transitada  em  julgado  declarando  a  inconstitucionalidade  material  da  exação,  após  o  STF  manifestar­se  em  sentido  contrário  à  coisa julgada, também asseverou que o fato de o STF posteriormente manifestar­se em sentido  oposto  à  decisão  judicial  transitada  em  julgado  em  nada  pode  alterar  a  relação  jurídica  estabilizada pela coisa julgada.  Trata­se  do  REsp  n°  1.118.893  ­  MG,  DJ  06/04/2011,  julgado  sob  a  sistemática de recurso representativo de controvérsia. A decisão foi assim ementada:  CONSTITUCIONAL.  TRIBUTÁRIO.  PROCESSUAL  CIVIL.  RECURSO  ESPECIAL  REPRESENTATIVO  DE  CONTROVÉRSIA.  RITO  DO  ART.  543­C  DO  CPC.  CONTRIBUIÇÃO SOCIAL  SOBRE O LUCRO –  CSLL. COISA  JULGADA.  DECLARAÇÃO  DE  INCONSTITUCIONALIDADE  DA  LEI  7.689/88  E  DE  INEXISTÊNCIA  DE  RELAÇÃO  JURÍDICO­TRIBUTÁRIA.  SÚMULA  239/STF.  ALCANCE.  OFENSA  AOS  ARTS.  467  E  471,  CAPUT,  DO  CPC  CARACTERIZADA.  DIVERGÊNCIA  JURISPRUDENCIAL  CONFIGURADA. PRECEDENTES DA PRIMEIRA SEÇÃO DO  STJ.  RECURSO  ESPECIAL  CONHECIDO  E  PROVIDO.  1.  Discute­se  a  possibilidade  de  cobrança  da Contribuição  Social  sobre  o  Lucro  –  CSLL  do  contribuinte  que  tem  a  seu  favor  decisão  judicial  transitada  em  julgado  declarando  a  inconstitucionalidade  formal  e  material  da  exação  conforme  concebida  pela  Lei  7.689/88,  assim  como  a  inexistência  de  relação  jurídica  material  a  seu  recolhimento.  2.  O  Supremo  Tribunal  Federal,  reafirmando  entendimento  já  adotado  em  processo  de  controle  difuso,  e  encerrando  uma  discussão  conduzida ao Poder Judiciário há longa data, manifestou­se, ao  julgar ação direta de  inconstitucionalidade, pela adequação da  Lei  7.689/88,  que  instituiu  a  CSLL,  ao  texto  constitucional,  à  exceção  do  disposto  no  art.  8º,  por  ofensa  ao  princípio  da  irretroatividade  das  leis,  e  no  art.  9º,  em  razão  da  incompatibilidade com os arts. 195 da Constituição Federal e 56  do  Ato  das  Disposições  Constitucionais  Transitórias  –  ADCT  (ADI  15/DF,  Rel.  Min.  SEPÚLVEDA  PERTENCE,  Tribunal  Pleno, DJ 31/8/07).  3. O fato de  o Supremo Tribunal Federal  posteriormente  manifestar­se  em  sentido  oposto  à  decisão  judicial  transitada em julgado em nada pode alterar a relação  jurídica  estabilizada  pela  coisa  julgada,  sob  pena  de  negar  validade  ao  próprio  controle  difuso  de  constitucionalidade.  4.  Declarada  a  inexistência  de  relação  jurídico­tributária  entre  o  contribuinte  e  o  fisco,  mediante  declaração  de  inconstitucionalidade  da  Lei  7.689/88,  que  instituiu  a  CSLL,  afasta­se  a  possibilidade  de  sua  cobrança  com  base  nesse  diploma  legal,  ainda  não  revogado  ou  modificado  em  sua  essência.  5.  "Afirmada  a  inconstitucionalidade  material  da  cobrança  da  CSLL,  não  tem  aplicação  o  enunciado  nº  239  da  Súmula  do  Supremo  Tribunal  Federal,  segundo  o  qual  a  "Decisão  que  declara  indevida  a  cobrança  do  imposto  em  determinado  exercício  não  faz  coisa  julgada  em  relação  aos  posteriores"  (AgRg no AgRg nos EREsp 885.763/GO, Rel. Min.  HAMILTON  CARVALHIDO,  Primeira  Seção,  DJ  24/2/10).  6.  Fl. 2502DF CARF MF Processo nº 10980.721075/2014­07  Acórdão n.º 3301­005.085  S3­C3T1  Fl. 2.503          30 Segundo  um  dos  precedentes  que  deram  origem  à  Súmula  239/STF,  em  matéria  tributária,  a  parte  não  pode  invocar  a  existência  de  coisa  julgada  no  tocante  a  exercícios  posteriores  quando,  por  exemplo,  a  tutela  jurisdicional  obtida  houver  impedido  a  cobrança  de  tributo  em  relação  a  determinado  período, já transcorrido, ou houver anulado débito fiscal. Se for  declarada a  inconstitucionalidade da lei  instituidora do  tributo,  não  há  falar  na  restrição  em  tela  (Embargos  no  Agravo  de  Petição 11.227, Rel. Min. CASTRO NUNES, Tribunal Pleno, DJ  10/2/45). 7. "As Leis 7.856/89 e 8.034/90, a LC 70/91 e as Leis  8.383/91 e 8.541/92 apenas modificaram a alíquota e a base de  cálculo  da  contribuição  instituída  pela  Lei  7.689/88,  ou  dispuseram  sobre  a  forma  de  pagamento,  alterações  que  não  criaram nova relação jurídico­tributária. Por isso, está impedido  o Fisco de cobrar a exação relativamente aos exercícios de 1991  e 1992 em respeito à coisa julgada material" (REsp 731.250/PE,  Rel. Min.  ELIANA CALMON,  Segunda  Turma, DJ  30/4/07).  8.  Recurso  especial  conhecido  e  provido.  Acórdão  sujeito  ao  regime  do  art.  543­C  do  Código  de  Processo  Civil  e  da  Resolução 8/STJ.  Em  suma,  os  efeitos  desconstitutivos  sobre  as  decisões  judiciais  transitadas  em julgado não são automáticos, por imperativo constitucional da coisa julgada, que atinge em  último  grau,  a  realização  do  princípio  da  segurança  jurídica.  A  desconstituição  da  decisão  transitada em julgado se dá apenas por meio da ação rescisória.   Não basta  a mudança  de  entendimento  de  um  tema  (constitucionalidade  ou  inconstitucionalidade de lei) pelo STF, para de forma automática, rescindir decisões transitadas  em  julgado. Dito  de  outra  forma,  não  há  como  se  desconsiderar  os  efeitos  da  coisa  julgada  diante  da  decisão  exarada  em  sentido  contrário  pelo  Plenário  do  STF,  sem  qualquer  manifestação do próprio Poder Judiciário.  Consta  nos  autos  que  houve  a  propositura  da  ação  rescisória  n°  2003.04.01.004107­3  pela  Fazenda  Nacional,  visando  à  desconstituição  da  coisa  julgada  do  citado mandamus. Ocorre que não logrou êxito na desconstituição. E ainda, a ação rescisória  transitou em julgado em 2012.   É  ilegítimo  o  Parecer  PGFN  n°  492/2011  para  fazer  cessar  a  decisão  individual e concreta transitada em julgado a favor do contribuinte.  Diante  disso,  o  comando  do mandado  de  segurança  deve  ser  aplicado,  sob  pena de violação da coisa julgada.   Logo,  dou  provimento  parcial  ao  recurso  voluntário  para  admitir  o  creditamento de matérias­primas desoneradas no período de 27/05/2011 até 30/09/2012.  Registro,  que  em  sessão  de  julgamento,  neste  tópico,  votaram  pelas  conclusões  os  Conselheiros  Liziane  Angelotti  Meira,  Antonio  Carlos  da  Costa  Cavalcanti  Filho, Ari Vendramini e Winderley Morais Pereira, porquanto entendem que o Parecer PGFN  n° 492/11 é vinculante. Todavia, afastam a aplicação do referido Parecer neste caso concreto,  por considerarem que a posição do STF (RE n° 353.657; 370.682 e RE nº 566.819) foi firmada  após a decisão do mandado de segurança.   Fl. 2503DF CARF MF Processo nº 10980.721075/2014­07  Acórdão n.º 3301­005.085  S3­C3T1  Fl. 2.504          31 Conclusão  Do exposto, voto por negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento  parcial ao recurso voluntário.  (assinado digitalmente)  Semíramis de Oliveira Duro ­ Relatora                                Fl. 2504DF CARF MF

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Numero do processo: 11516.003474/2006-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO E CONTRADIÇÃO. Ao constatar que a Embargante logrou êxito em demonstrar, objetivamente, a omissão e a contradição no texto do v. acórdão, os Embargos de Declaração devem ser admitidos. No caso dos autos, foram verificadas omissões e contradições entre o relatório e o voto condutor do v. acórdão embargado, hipótese em que se deve acolher os Embargos de Declaração nos termos do art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), eis que os embargos visam a sanar as omissões, contradições ou obscuridades verificadas entre a decisão (parte dispositiva do acórdão) e os seus respectivos fundamentos ou, ainda, as omissões da Turma acerca de ponto sobre o qual deveria haver-se pronunciado.
Numero da decisão: 1402-003.352
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer e acolher os Embargos de Declaração, com efeitos infringentes, para reconhecer o crédito no montante de R$ 2.672,16 e homologar a compensação até o limite deste valor reconhecido. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone – Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Sergio Abelson (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Leonam Rocha de Medeiros (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone.
Nome do relator: LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES

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1402­003.352  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  15 de agosto de 2018  Matéria  IRPJ  Embargante  BANCO DO ESTADO DE SANTA CATARINA S.A.   Interessado  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Ano­calendário: 2003  EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO E CONTRADIÇÃO.  Ao constatar que a Embargante logrou êxito em demonstrar, objetivamente, a  omissão e a contradição no texto do v. acórdão, os Embargos de Declaração  devem ser admitidos.   No  caso  dos  autos,  foram  verificadas  omissões  e  contradições  entre  o  relatório  e  o  voto  condutor  do  v.  acórdão  embargado,  hipótese  em  que  se  deve acolher os Embargos de Declaração nos termos do art. 65 do Anexo II  do  Regimento  Interno  do  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  (RICARF), eis que os embargos visam a sanar as omissões, contradições ou  obscuridades verificadas entre a decisão  (parte dispositiva do acórdão) e os  seus  respectivos  fundamentos  ou,  ainda,  as  omissões  da  Turma  acerca  de  ponto sobre o qual deveria haver­se pronunciado.       Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  conhecer  e  acolher  os  Embargos  de  Declaração,  com  efeitos  infringentes,  para  reconhecer  o  crédito  no  montante de R$ 2.672,16 e homologar a compensação até o limite deste valor reconhecido.     (assinado digitalmente)   Paulo Mateus Ciccone – Presidente.     (assinado digitalmente)  Leonardo Luis Pagano Gonçalves ­ Relator.       AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 34 74 /2 00 6- 13 Fl. 223DF CARF MF     2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges,  Caio  Cesar  Nader  Quintella,  Sergio  Abelson  (Suplente  Convocado),  Leonardo  Luis  Pagano  Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Leonam Rocha de Medeiros  (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone.  Fl. 224DF CARF MF Processo nº 11516.003474/2006­13  Acórdão n.º 1402­003.352  S1­C4T2  Fl. 224          3     Relatório  A  contribuinte  opôs  Embargos  de  Declaração  visando  sanar  omissão  e  contradição  no  v.  acórdão  embargado,  proferido  por  esta  C.  2  Turma Ordinária  ao  julgar  o  Recurso Voluntário da Embargante.   O r. despacho que admitiu os Embargos de Declaração resumiu a omissão e a  contradição do v. acórdão nos seguintes termos:    [...]  Aduz  a  Embargante  que  a  decisão  incorreu  em  omissão  e  contradição, nos seguintes termos:   A  decisão  colegiada  não  enfrentou  a  matéria  suscitada  pelo  Embargante  por  ocasião  de  sua  manifestação  à  informação  fiscal n.º 715/2015, qual seja, a discordância da empresa acerca  da divergência alegada pela RFB entre os valores declarados na  DCOMP  e  as  retenções  efetivamente  comprovadas  acerca  do  CNPJ  nº  00.394.460/0058­87  Receita  Federal,  na  importância  de R$ 3.163,43.   Com  efeito,  de  maneira  transversa,  o  CARF  cuidou  apenas  de  apontar, data venia, equivocadamente, que a referida parcela de  crédito  do  ano  de  2002  não  faria  parte  da Dcomp,  e  que  não  caberia utilizar­se de créditos de períodos anteriores, quando em  verdade,  a  manifestação  à  informação  fiscal  nº  715/2015  abordou  o  tema  e  comprovou  o  crédito  (conforme  documento  anexo  ao processo  em epígrafe),  tendo  inclusive  o  relatório  do  presente acórdão confirmado essas informações, apesar do voto  condutor, ora embargado, não tratar da matéria.   Ressalta­se  que  o  equívoco  acima  é  observado  pelo  fato  de  o  CARF  ter  considerado  exclusivamente  as  informações  da  RFB  quanto à retenção na fonte feita pelo CNPJ 29.979.036/0001­40,  quando deveria abranger, também, o crédito vinculado ao CNPJ  00.394.460/0058­87,  o  qual  foi  efetivamente  impugnado  pela  empresa para ver reconhecido seu direito de R$ 43.282,34, ante  o reconhecido pelo Fisco no valor de R$ 40.636,64.   Assim,  verifica­se  a  omissão  na  decisão,  vez  que  a  matéria  relacionada  ao  CNPJ  00.394.460/0058­87  não  foi  objeto  de  análise,  hipótese  na  qual  o  direito  creditório  ­  apesar  de  comprovado  e  confirmado  pela  própria  RFB  no  processo  administrativo nº 11516.003475/2006­68 ­ foi desconsiderado no  presente acórdão.   (...)   Fl. 225DF CARF MF     4 Vislumbra­se,  data  venia,  ainda,  contradição  no  aludido  acórdão,  na medida  em  que  o  voto  destaca  que,  da  análise  da  resposta à diligência, a recorrente não tem no ano­calendário de  2003 crédito a mais para cobrir a parte não reconhecida e não  homologada.   Ocorre  que  o  §  6º  da  informação  fiscal  DIORT/DRF  (fls.  138/140) diz que a parcela correspondente ao IRPJ, na DIRF da  fonte  pagadora,  é  suficiente  a  amparar  a  dedução  usada  na  Dcomp relativa àquela fonte pagadora.   Também  se  vislumbra  contradição  no  que  se  refere  ao  fato  de  que  o  saldo  negativo  de  IRPJ  seria  suficiente  para  autorizar  a  compensação pleiteada, levando em conta que o crédito de saldo  negativo de IRPJ 2003, de R$ 1.951.066,35, seria suficiente para  homologação  integral  das  Dcomp  n.º  10056.11285.140104.1.3.02­2952 e 33929.28168.150104.1.3.02­ 7010.   Apresentados  os  argumentos  dos  embargos,  passamos  à  análise.   O contribuinte teve ciência da decisão em 17 de novembro de  2017  (sexta­feira),  conforme  AR  de  fls.  214,  e  apresentou  embargos em 24 de novembro de 2017, dentro do prazo legal,  razão pela qual estes devem ser considerados tempestivos.   Em  relação  à  omissão  suscitada,  diz  a  Embargante  que  o  Acórdão  não  enfrentou  a  matéria  impugnada  pela  manifestação  que  contestou  o  relatório  de  diligência,  consubstanciado  na  Informação  Fiscal  n.º  715/2015,  da  DIORT/BSB (fls. 138 e seguintes).   Naquela peça processual a interessada defendeu a existência  de  crédito  para  suportar  a  compensação  pleiteada,  nos  seguintes termos:   Preliminarmente, cabe registrar que a solicitação de diligência  demandada  por  esse  CARF  dirigiu­se  a  demonstração  da  existência  de  IRRF  referente  ao  CNPJ:  29.979.036/0001­40,  declarados na DIRF do ano­base de 2003, capaz de suplantar o  saldo  negativo  não  homologado  pela  DRJ/FNS,  alertando­se,  inclusive, sobre a possibilidade de enriquecimento sem causa da  Fazenda  Nacional,  caso  assim  não  o  fizesse.  E  neste  ponto,  a  Informação  Fiscal  foi  categórica  ao  confirmar  a  existência  de  tributos  retidos  na  fonte  no  montante  de  R$  654.817,03,  ano­ base  2003,  código  de  receita  6188,  sendo  o  IRPJ  apurado  no  valor de R$ 222.916,44, que é muito mais do que suficiente para  amparar o valor de R$ 895,63 (item 6 do Anexo 1).   Todavia,  nada  obstante  restou  desconsiderada  as  informações  confirmadas na DIRF da fonte pagadora diante da ausência de  comprovante  de  retenção  emitido  pelo  INSS,  em  total  e  latente  contradição  com  o  entendimento  manifestado  pela  DRJ/FNS,  quando  procedeu  a  apreciação  da  manifestação  de  inconformidade apresentada (Anexo 2).   Fl. 226DF CARF MF Processo nº 11516.003474/2006­13  Acórdão n.º 1402­003.352  S1­C4T2  Fl. 225          5 Naquela  oportunidade,  a DRJ/FNS,  ao  fundamentar  o  acórdão  n°  07­25.925,  e  ao  dispor  sobre  a  validade  probatória  para  comprovação  das  retenções,  expressamente  declarou  ser  "a  DIRF o único comprovante hábil a ser acatado com o fim de se  comprovar a retenção" (Anexo 2).   Ocorre,  contudo,  que  constitui  dever  da  fonte  pagadora  dos  rendimentos  no  fornecimento  do  comprovante  anual  de  rendimentos  e  retenções  na  fonte  ao  beneficiário  dos  rendimentos,  ao  teor  dos  arts.  2o  e  7o da  IN  SRF  n°  119/2000.  Desse modo, não há como negar que os  valores declarados na  DIRF  da  fonte  da  pagadora  são  suficientes  a  comprovar  o  crédito  de  IRRF  utilizado  pela  empresa,  a  quem  caberá,  do  mesmo modo, providenciar a emissão do comprovante anual de  retenção  ao  beneficiário  dos  rendimentos  indicados  na  DIRF,  tudo em sintonia com a legislação de regência.   Por outro giro, porém não de menor importância, vale destacar  que  a  diferença  apontada  na  Informação  Fiscal  em  relação  à  retenção no valor de R$ 2.645,70 (item 4 ­ Anexo 2) foi objeto de  discussão no processo n° 11516.003475/2006­68, cujo crédito de  saldo  negativo  refere­se  ao  ano  de  2002.  Para  este  período,  embora se tenha apurado o crédito de IRRF (2,40%) no valor de  R$ 41.537,77,  compensou­se  somente  o  valor  de R$ 38.402,34,  restando a parcela remanescente (R$ 3.136,43) que foi integrada  ao crédito de IRRF apurado para o ano de 2003, no valor de R$  40.145,73,  conforme  demonstrado  no  comprovante  das  tarifas  pagas  emitido  pela  própria  RFB  ­  exercícios  de  2002  e  2003  (Anexo 3).   O voto condutor, bastante sucinto quanto aos fatos, apreciou  o resultado da diligência e assim se manifestou (verbis):   Da  análise  da  resposta  a  diligência,  nota­se  que  a  Recorrente  não tem no ano­calendário de 2003 crédito a mais para cobrir a  parte não reconhecida e não homologada.   O  valor  remanescente  se  refere  ao  ano­calendário  2002  e  não  pode  ser  somada  a  este  processo  em  epígrafe,  eis  que  não  faz  parte da DCOMP e não se pode admitir inovação ao pedido de  compensação nesta fase do processo.  Sendo  assim,  entendo  que  não  se  pode  somar  o  crédito  remanescente em outro processo, de outro ano­calendário e que  não  foi  apontado  na  DCOMP,  a  presente  compensação  em  epígrafe.   Em  relação  a  alegação  de  revisão  de  ofício  da  r.  decisão  recorrida,  entendo que  tal  pleito não  se  enquadra devidamente  ao  caso  dos  autos,  eis  que  todas  as  alegações  da  Recorrente  foram  devidamente  analisada  nos  autos  e  o  crédito  que  restou  devidamente comprovado nos autos foi reconhecido.   Não consta nos autos a situação narrada pela Recorrente em seu  Recurso  Voluntário  de  que  apesar  de  o  credito  estar  Fl. 227DF CARF MF     6 devidamente  comprovado  nos  autos  por  meio  de  documentos,  este não foi reconhecido e foi indevidamente cobrado.   Ou  seja,  não  pude  constar  nos  autos  tal  alegação/situação  apontada pela Recorrente em seu recurso e, por tal motivo, não  procede.   A  leitura  do  voto,  cuja  manifestação  acerca  do  mérito  foi  integralmente  reproduzida  acima,  realmente  nos  leva  a  concluir que há dúvidas quanto aos fundamentos da decisão,  posto  que  as  alegações  da  interessada  não  foram  pontualmente  rechaçadas  nem  tampouco  foram  transcritos  trechos do resultado da diligência, que analisou os créditos e  apresentou suas considerações.   Nesse  contexto,  não  está  clara  a  construção  do  racional  desenvolvido  para  não  reconhecer  o  direito  creditório  pleiteado,  pois  o  voto  condutor  não  detalhou  os  fatos  e  os  cálculos mencionados no próprio relatório do Acórdão.   Assim, parece­me que assiste razão à Embargante e se mostra  saudável  e  necessária  a  providência  de  integrar  a  decisão  recorrida,  para  que  sejam  apresentados  elementos  aptos  a  demonstrar as conclusões expressas na decisão, visto que as  matérias suscitadas pela Embargante foram objeto do recurso  voluntário por ela apresentado (fls. 93 e seguintes) e também  constam  da  manifestação  de  discordância  produzida  em  resposta  ao  relatório  da  diligência,  até  porque,  como  demonstrado  naquele  parecer,  a  solicitação  feita  mediante  resolução  do  colegiado  fora  apenas  parcial,  embora  o  contexto  fático  tenha  sido  integralmente  abordado  pela  delegacia de origem.   Como  a  matéria  em  litígio  nos  autos  versa  sobre  questões  fáticas e apuração de créditos decorrentes de retenções, tanto  assim  que  ensejou,  num  primeiro momento,  a  conversão  do  julgamento  em  diligência,  penso  que  os  esclarecimentos  requisitados  pela  interessada  permitirão  a  adequada  percepção do alcance do que restou decidido, raciocínio que  também  se  aplica  à  contradição  apontada,  pois  o  voto  entendeu que não havia créditos para 2003, enquanto que o §  6o  do  relatório  de  diligência  expressamente  atesta  que  os  créditos do período seriam suficientes.   Veja­se  como  exemplo  a  afirmativa  contida  no  bojo  no  voto  condutor  no  sentido  de  que  :  “..O  valor  remanescente  se  refere ao ano­calendário 2002 e não pode ser somada a este  processo em epígrafe, eis que não faz parte da DCOMP e não  se  pode  admitir  inovação  ao  pedido  de  compensação  nesta  fase do processo...”   Na  verdade,  o  valor  em  discussão  faz  sim  parte  da  Dcomp  pois está lá indicado o IRRF sob o código 6188 para o CNPJ  29.979.036/0001­40 no montante de R$ 43.282,34; tendo sido  acatado o valor de R$ 40.636,64.  [...]  Fl. 228DF CARF MF Processo nº 11516.003474/2006­13  Acórdão n.º 1402­003.352  S1­C4T2  Fl. 226          7   De  resto,  para  resumir  a  controvérsia,  adoto  o  relatório  da  Resolução  proferida nos autos, que abaixo transcrevo:    Tratam os presentes autos de não homologação de compensação  cujo  crédito  está  em  saldo  negativo  de  Imposto  de  Renda  da  Pessoa Jurídica (IRPJ) oriundo de pagamentos de estimativas e  de  Imposto  de  Renda  Retido  na  Fonte  (IRRF)  supostamente  suportados pelo contribuinte no ano­calendário de 2003.  Por bem descrever os fatos que antecedem à análise do presente  Recurso Voluntário, adoto o Relatório proferido pela 3a Turma  da DRJ/FNS, através do Acórdão n° 0725.625, constante às efls.  84/85:  Trata  o  presente  processo  de Declarações  de Compensação —  Dcomp, que utilizam como crédito o saldo negativo de  Imposto  de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, do ano­calendário de 2003.  No Despacho Decisório de f. 41 a 45, consta que a fiscalização  apurou direito  creditório no montante  de R$ 1.724.293,00,  ao  passo  que  o  saldo  negativo  solicitado  na  Dcomp  é  de  R$  1.726.938,70.  Deste  modo,  foi  declarada  a  homologação  da  Dcomp  n°  10056.11285.140104.1.3.022952,  e  a  homologação  parcial  da  Dcomp  n°  33929.28168.150104.1.3.027010,  permanecendo em aberto débito da importância de R$2.672,16.  A fiscalização revela que (f. 43/44):  O  saldo  negativo  solicitado  na  DCOMP,  R$  1.726.938,70  (fl.  03),  confere  com  o  apurado  na  DIPJ  (fl.  26).  As  retenções  detalhadas  na  DCOMP  conferem  com  o  informado  no  ajuste  anual  na  DIPJ.  As  retenções  na  fonte  informadas  na  DIPJ/DCOMP  não  conferem,  contudo,  com  as Declarações  de  Imposto  de  Renda  Retido  na  Fonte  (DIRF)  apresentadas  pelas  fontes pagadoras dos rendimentos auferidos.  [...]Assim,  pela  Intimação  SAORT  n°  2006288,  fls.  32/33,  solicitou­se ao contribuinte a apresentação dos comprovantes de  rendimentos  e  retenções  na  fonte  do  ano­calendário  2003.  em  resposta, o contribuinte apresentou os documentos de fls. 34/35.  [...]Foram  aceitos  os  comprovantes  que  contém  os  dados  prescritos pelas normas que regulam a matéria e que tratam do  mesmo ano­calendário que o saldo negativo usado na DCOMP.  Foram  também  consideradas  as  retenções  que,  apesar  de  não  comprovadas  pelo  contribuinte,  encontram  confirmação  nas  DIRF  entregues  pelas  fontes  pagadoras.  As  tabelas  a  seguir  indicam as  retenções  informadas na DCOMP e aquelas aceitas  como dedutíveis do imposto devido.    Fl. 229DF CARF MF     8     Observações:  (1) Os valores constantes do comprovante de rendimentos de fl.  35 apresentado pelo contribuinte conferem com a DIRF (fl. 36).  As retenções confirmadas no código 6188 têm o montante de R$  119.379,11,  assim  a  parcela  correspondente  ao  IRPJ  é  R$  40.636,64,  valor  inferior  ao  indicado  na  DCOMP  (R$  43.282,34).  [...]  Irresignada, a contribuinte encaminhou a manifestação de  inconformidade  de  f.  61  a  65,  na  qual  faz  referência  a  outros processos e, em relação ao presente processo, alega  que (f. 63):  RECEITA  FEDERAL:  Parte  dos  valores  compensados  como  sendo  2003  referem­se  a  valores  retidos  em  2002.  Conforme  demonstrado na planilha "Comprovante das Tarifas pagas pela  Receita", o total dos valores retidos em 2002 e 2003 confere com  o total dos valores compensados em 2002 e 2003.  Documentos anexados: De 320 a 237  Senhor julgador, são estes, em síntese, os pontos de discordância  apontados nesta Manifestação de Inconformidade:  a) Não concordamos com a não homologação das compensações  de  imposto  retido  na  fonte,  visto  que  os  valores  compensados  foram  efetivamente  retidos,  apesar  de  haver  divergências  de  datas entre o que  foi  informado em nossas declarações e o que  foi informado pelas fontes pagadoras.  À f. 64, acrescenta o seguinte:  Documentos anexados:  Planilha  "Comprovante  das  Tarifas  pagas  pela  Receita"  Planilha  "Impostos  Retidos  na  Fonte  a  Compensar"  Consulta  Histórica  de  Pagamentos  —  SISBACEN  (A  diferença  entre  o  "Valor Liberação" e o "Valor Ajuste" é o valor da retenção).  Demonstrativo  dos  Pagamentos  e  Arrecadações  de  Tributos  Federais.  Naquela  oportunidade,  a  nobre  turma  julgadora  entendeu  pela  total  improcedência  da  Manifestação  de  Inconformidade, conforme sintetiza a seguinte Ementa (efls  83):  Fl. 230DF CARF MF Processo nº 11516.003474/2006­13  Acórdão n.º 1402­003.352  S1­C4T2  Fl. 227          9 ASSUNTO:  IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE  IRRF  Ano­calendário: 2003  RETENÇÃO. COMPROVAÇÃO. UTILIZAÇÃO. REQUISITO.  O  imposto  retido  na  fonte  sobre  rendimentos  ou  ganhos  de  capital,  submetidos  à  tributação  ao  final  do  período  de  apuração,  poderá  ser  compensado  na  declaração  de  pessoa  jurídica,  se  o  contribuinte  possuir  comprovante  da  retenção  emitido em seu nome pela  fonte pagadora, ou outros elementos  de provas hábeis a demonstrar que sofreu o ônus da retenção  Manifestação de Inconformidade Improcedente  Direito Creditório Não Reconhecido  Intimada  do  Acórdão  em  07/05/2012  (efls  92),  apresentou  Recurso Voluntário  em  06/06/2012  (efls.  93/101),  alegando  em  apertada  síntese  que  o  crédito  que  possui  é  até  superior  ao  pleiteado  na  DCOMP,  requerendo  a  revisão  de  ofício  do  lançamento tributário, prezando pela verdade material.    A Resolução converteu o julgamento do recurso em diligência nos seguintes  termos:    Como se extrai do relatório, os presentes autos versam sobre a  legitimidade e existência do saldo negativo de Imposto de Renda  da Pessoa Jurídica – IRPJ, do ano­calendário de 2003.  As  DCOMP  10056.11285.140104.1.3.022952  e  33929.28168.150104.1.3.02  –  7010  noticiam  que  o  crédito  correspondente  ao  saldo  negativo  do  período  é  de  R$  1.726.938,70.  Referido  saldo,  conforme  consta  na DCOMP  apresentada  pelo  contribuinte,  é  decorrente  de  imposto  de  renda  retido  na  fonte  por terceiros, no montante de R$ 62.284,05, e pelas estimativas  de  janeiro,  fevereiro  e  março  de  2003,  no  montante  de  R$  1.664.654,65.  Para  comprovação  do  saldo  negativo  pleiteado,  a  autoridade  fiscal  intimou  o  contribuinte  a  apresentar  os  comprovantes  de  rendimento, trazido aos autos às efls. 37/40.  Houve o reconhecimento do saldo negativo de R$ 1.724.293,00,  pela liquidação das estimativas dos meses de janeiro, fevereiro e  março de 2003, e pelo reconhecimento parcial das retenções na  fonte, conforme consta do Despacho Decisório (efls 45):  Foram aceitos os comprovantes que contêm os dados prescritos  pelas  normas  que  regulam  a  matéria  e  que  tratam  do  mesmo  Fl. 231DF CARF MF     10 ano­calendário que o saldo negativo usado na DCOMP. Foram  também  consideradas  as  retenções  que,  apesar  de  não  comprovadas  pelo  contribuinte,  encontram  confirmação  nas  DIRF entregues pelas fontes pagadoras.  As tabelas a seguir indicam as retenções informadas na DCOMP  e aquelas aceitas como dedutíveis do imposto devido.      Observações:  (1) Os valores constantes do comprovante de rendimentos de fl.  35 apresentado pelo contribuinte conferem com a DIRF (fl. 36).   As retenções confirmadas no código 6188 têm o montante de R$  119.379,11,  assim  a  parcela  correspondente  ao  IRPJ  é  R$  40.636,64,  valor  inferior  ao  indicado  na  DCOMP  (R$  43.282,34).  (2)  O  comprovante  de  fl.  34  tem  período  de  apuração  (ano­ calendário 2002) diverso daquele a que  se  refere a declaração  em análise  (ano­calendário 2003). Entretanto, a DIRF de fl. 28  apresenta  retenções  em  valor  suficiente  para  comprovação  da  dedução utilizada na DCOMP.  (3) A DIRF de fl. 37 contém retenções suficientes para amparar  as  deduções  usadas  na DCOMP  (R$  895,63)  referentes  a  essa  fonte pagadora.  Como  se  observa,  a  autoridade  julgadora  analisou  o  limite  do  direito creditório dos 03 (três) cedentes, com base no constante  na DCOMP.  Especificamente  quanto  ao  CNPJ  29.979.036/000140,  porém,  identifica­se que o valor do  tributo retido na  fonte é superior a  R$ 895,63 – parte relativa ao IRPJ. Neste sentido, o contribuinte  argumenta (efls 97/98):  Considerando o exposto nos itens acima, afere­se que no ano de  2003 foi efetivamente retido na fonte o valor de R$ 1.297.278,83,  sendo R$ 286.411,70 de IRPJ, conforme quadro abaixo:  Quadro 2  [...]  Logo, tem­se confirmada a existência de saldo negativo de IRPJ  2003,  no  valor  de  R$  1.951.066,35,  que  é  inclusive  muito  superior  ao  já  declarado  pelo  Recorrente,  no  valor  de  R$  224.127,65, conforme se depreende do quadro a seguir:  Fl. 232DF CARF MF Processo nº 11516.003474/2006­13  Acórdão n.º 1402­003.352  S1­C4T2  Fl. 228          11 Quadro 3  [...]  Em decorrência disso, o crédito de saldo negativo de IRPJ 2003,  de R$ 1.951.066,35,  é mais que  suficiente para a homologação  integral  das  declarações  de  compensação  n°  10056.11285.140104.1.3.022952  e  33929.28168.150104.1.3.027010  apresentadas,  ao  teor  do  demonstrativo abaixo relacionado:  [...]  Diante  destes  fatores,  deve­se  analisar  se  o  tributo  retido  na fonte concernente ao CNPJ 29.979.036/000140 na DIRF  do  ano­calendário  de  2003,  é  ou  não  superior  aos  R$  895,63 pleiteados e homologados pela autoridade fiscal.  Por  merecida  análise  dessa  questão,  sob  pena  de  enriquecimento  ilícito  da  Fazenda  Nacional,  converto  o  julgamento em diligência para que a Unidade de Origem,  através de relatório circunstanciado demonstre se o crédito  relativo  ao  IRPJ  deste  CNPJ  (29.979.036/000140)  é  superior aos R$ 895,63 já consolidados, e caso positivo, se  o saldo remanescente não utilizado é suficiente para suprir  o saldo não homologado destes autos.  Do  relatório  proferido  pela  autoridade,  deverá  ser  intimado  o  contribuinte  para  que  exerça  o  contraditório,  caso desejar.  Após  a  diligência  e  o  prazo  para  manifestação  do  contribuinte, retornem­se os autos para julgamento.    Em  seguida  veio  a  Informação  Fiscal  da  DIORT/DRF  ­  Brasília  de  fls.  138/140 com o seguinte texto:    Trata­se de pedido de diligência do Conselho Administrativo de  Recursos Fiscais  (Carf)  (fls.  126/132) “para que a Unidade de  Origem,  através  de  relatório  circunstanciado  demonstre  se  o  crédito  relativo  ao  IRPJ  deste  CNPJ  (29.979.036/0001­40)  é  superior  aos  R$  895,63  já  consolidados,  e  caso  positivo,  se  o  saldo remanescente não utilizado é suficiente para suprir o saldo  não homologado destes autos”.  2. Para melhor compreender o pedido de diligência do Carf, faz­ se necessária uma síntese do presente processo.  3.  Em  14/01/2004  e  15/01/2004,  a  Interessada  transmitiu  as  declarações  de  compensação  (Dcomp)  10056.11285.140104.1.3.02­2952 e 33929.28168.150104.1.3.02­  Fl. 233DF CARF MF     12 7010  (fls.  4/15),  respectivamente,  visando  compensar  débitos  diversos  com  pretenso  crédito  de  saldo  negativo  de  IRPJ,  no  montante  original  de  R$  1.726.938,70,  relativo  ao  ano­ calendário de 2003.  4. Do direito creditório pleiteado, foi reconhecido o valor de R$  1.724.293,00,  não  tendo  sido  comprovada  a  diferença, motivo  do  presente  litígio.  A Dcomp  33929.28168.150104.1.3.02­7010  foi  homologada  parcialmente  (vide  despacho  decisório  de  fls.  44/48),  em  razão  de  divergências  de  retenções  na  fonte  informadas pela Interessada, conforme demonstrado na tabela  a seguir.  Tabela 1        5. Embora a diferença não comprovada de retenção na fonte diz  respeito  à  fonte  pagadora  nº  1,  na  tabela  1,  o  Carf  solicita  diligência  no  sentido  de  averiguar  se  o  valor  do  tributo  retido  pela  fonte  pagadora  nº  3  (CNPJ  nº  29.979.036/0001­40)  é  superior  ao  valor  de  R$  895,63  já  consolidado.  Em  caso  positivo, verificar se o saldo remanescente não utilizado, isto é,  não declarado na Dcomp em referência, é suficiente para suprir  o valor não homologado na presente compensação.  6.  Em  consulta  à  Dirf  da  fonte  pagadora  de  CNPJ  nº  29.979.036/0001­40  (fls.  137),  disponível  nos  sistemas  informatizados  da  RFB,  observou­se  a  existência  de  tributos  retidos  na  fonte  no  montante  de  R$  654.817,03,  no  ano­ calendário  de  2003,  no  código  de  receita  6188.  A  parcela  correspondente ao IRPJ é de R$ 222.916,44, valor este suficiente  para amparar a dedução usada na Dcomp (R$ 895,63) referente  a tal fonte pagadora.  7.  Entretanto,  é  preciso  observar  que  se  trata  de  informação  confirmada unicamente na Dirf entregue pela fonte pagadora. A  legislação que trata do assunto (arts. 942 e 943 do Regulamento  do Imposto de Renda), e que permite ao contribuinte compensar  o imposto retido na fonte, dispõe claramente ao determinar que  tal compensação somente poderá ser realizada se o contribuinte  possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte  pagadora.  8. O único comprovante de retenção emitido pela fonte pagadora  de  CNPJ  nº  29.979.036/0001­40  encontra­se  em  fls.  71  dos  autos,  demonstrando que o  valor  retido  foi  de R$ 2.630,90,  no  ano­calendário  de  2003,  o  que  equivale  a  uma  parcela  correspondente ao IRPJ de R$ 895,63.  Fl. 234DF CARF MF Processo nº 11516.003474/2006­13  Acórdão n.º 1402­003.352  S1­C4T2  Fl. 229          13 9.  Assim  sendo,  em  resposta  à  diligência  solicitada  pelo  Carf,  pode­se afirmar que inexiste saldo remanescente do valor retido  na fonte pelo CNPJ nº 29.979.036/0001­40 no ano­calendário de  2003 e que o valor retido é suficiente apenas para suprir o valor  homologado na presente compensação.  10. Pelo exposto, propõe­se:  a) o encaminhamento do processo à Equipe de Apoio desta Diort  para dar ciência desta informação à Interessada;  b) a reabertura de prazo de 30 (trinta) dias, contados da ciência  desta, para manifestação, se assim o desejar;  c)  após  o  prazo  citado  acima,  o  retorno  do  processo  ao  Carf  para a continuidade do julgamento.    Em  seguida,  a  Recorrente  se  manifestou  sobre  a  diligência  feita  (fls.  420/474),  alegando que não concorda com a resposta da diligência,  eis que  tem o crédito no  importe  de  R$  3.136,43  do  ano­calendário  de  2002,  confirmado  nos  autos  do  processo  11516.003475/2006­68,  montante  superior  ao  não  reconhecido  e  não  homologado  neste  processo de R$ 2.672,16.  Sendo  assim,  entende  que  se  está  se  cobrando  da  Recorrente  mais  do  que  deve, resultando em enriquecimento ilícito do Poder Público.     É o relatório.                         Fl. 235DF CARF MF     14 Voto               Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves ­ Relator    O  Embargos  Declaratório  são  tempestivos  e  foi  interposto  por  signatário  devidamente legitimado, motivos pelos quais deve ser conheço.  O processo em epígrafe trata de pedido de compensação de saldo negativo de  IRPJ, composto por pagamentos de estimativas e Imposto Retido na Fonte ­ IRRF, suportado  pela Recorrente no ano­calendário de 2003, visando quitar débitos de IRPJ.   No Despacho Decisório de fls. 41/45, consta que a fiscalização apurou direito  creditório no montante de R$ 1.724.293,00, ao passo que o saldo negativo solicitado na Dcomp  é  de  R$  1.726.938,70.  Deste  modo,  foi  declarada  a  homologação  da  Dcomp  n°  10056.11285.140104.1.3.022952,  e  a  homologação  parcial  da  Dcomp  n°  33929.28168.150104.1.3.027010,  permanecendo  em  aberto  débito  da  importância  de  R$2.672,16.   Referido saldo, conforme consta na DCOMP apresentada pelo contribuinte, é  decorrente de imposto de renda retido na fonte por terceiros, no montante de R$ 62.284,05, e  pelas estimativas de janeiro, fevereiro e março de 2003, no montante de R$ 1.664.654,65.  O saldo negativo de R$ 1.724.293,00 que foi reconhecido, é relativo ao valor  das estimativas liquidadas dos meses de janeiro, fevereiro e março de 2003, e ao valor parcial  das retenções na fonte no valor de R$ 59.638.35, conforme consta do Despacho Decisório (fls  45).  A parcela não reconhecida do IRRF, se refere a fonte retentora/pagadora com  CNPJ  00.394.460/0058­87,  sendo  que  a  Recorrente  indicou  na  DCOMP  o  valor  de  R$  43.282,34 e a fiscalização reconheceu o valor de R$ 40.636,64.  Vejamos a parte do r. Despacho Decisório que tratou deste ponto:     Fl. 236DF CARF MF Processo nº 11516.003474/2006­13  Acórdão n.º 1402­003.352  S1­C4T2  Fl. 230          15 Foram aceitos os comprovantes que contêm os dados prescritos  pelas  normas  que  regulam  a  matéria  e  que  tratam  do  mesmo  ano­calendário que o saldo negativo usado na DCOMP.  Foram  também  consideradas  as  retenções  que,  apesar  de  não  comprovadas  pelo  contribuinte,  encontram  confirmação  nas  DIRF  entregues  pelas  fontes  pagadoras.  As  tabelas  a  seguir  indicam as  retenções  informadas na DCOMP e aquelas aceitas  como dedutiveis do imposto devido.        Observações:  (1) Os valores constantes do comprovante de rendimentos de fl.  35 apresentado pelo contribuinte conferem com a DIRF (fl. 36).  As retenções confirmadas no código 6188 têm o montante de R$  119.379,11,  assim  a  parcela  correspondente  ao  IRPJ  é  R$  40.636,64,  valor  inferior  ao  indicado  na  DCOMP  (R$  43.282,34).  (2)  0  comprovante  de  fl.  34  tem  período  de  apuração  (ano­ calendário 2002) diverso daquele a que  se  refere a declaração  em análise  (ano­calendário 2003). Entretanto, a DIRF de fl. 28  apresenta  retenções  em  valor  suficiente  para  comprovação  da  dedução utilizada na DCOMP.  (3) A DIRF de fl. 37 contém retenções suficientes para amparar  as  deduções  usadas  na DCOMP  (R$  895,63)  referentes  a  essa  fonte pagadora.  As  retenções  na  fonte  comprovadas  totalizam R$  59.638,35,  as  estimativas  pagas  tem  o  valor  de  R$  1.664.654,65.  Como  o  imposto  devido  apurado no  ajuste  anual  foi  igual  a  zero,  esses  valores  converteram­se  em  saldo  negativo  de  IRPJ  de  R$  1.724.293,00.  Verificou­se  que  as  DCOMP  foram  transmitidas  dentro do prazo de vencimento dos débitos nelas compensados,  devendo,  portanto,  esses  débitos  serem  compensados  sem  acréscimos. Os extratos de fls. 38/40 demonstram a alocação do  crédito apurado aos débitos indicados como pagos. As tabelas a  seguir indicam o resultado das vinculações.    Fl. 237DF CARF MF     16     Ao analisar a resposta da diligência consubstanciado na Informação Fiscal n.º  715/2015, da DIORT/BSB (fls. 138 e seguintes) consta a confirmação da fiscalização de que  existe crédito de  IRRF suficiente para compensar com o valor do saldo negativo que não foi  reconhecido  pela  r.  Despacho  Decisório  no  importe  de  R$  2.672,16.  Vejamos  a  parte  que  indica tal afirmativa.     Trata­se de pedido de diligência do Conselho Administrativo de  Recursos Fiscais  (Carf)  (fls.  126/132) “para que a Unidade de  Origem,  através  de  relatório  circunstanciado  demonstre  se  o  crédito  relativo  ao  IRPJ  deste  CNPJ  (29.979.036/0001­40)  é  superior  aos  R$  895,63  já  consolidados,  e  caso  positivo,  se  o  saldo remanescente não utilizado é suficiente para suprir o saldo  não homologado destes autos”.  2. Para melhor compreender o pedido de diligência do Carf, faz­ se necessária uma síntese do presente processo.  3.  Em  14/01/2004  e  15/01/2004,  a  Interessada  transmitiu  as  declarações  de  compensação  (Dcomp)  10056.11285.140104.1.3.02­2952 e 33929.28168.150104.1.3.02­  7010  (fls.  4/15),  respectivamente,  visando  compensar  débitos  diversos  com  pretenso  crédito  de  saldo  negativo  de  IRPJ,  no  montante  original  de  R$  1.726.938,70,  relativo  ao  ano­ calendário de 2003.  4. Do direito creditório pleiteado, foi reconhecido o valor de R$  1.724.293,00, não tendo sido comprovada a diferença, motivo do  presente  litígio.  A  Dcomp  33929.28168.150104.1.3.02­7010  foi  homologada  parcialmente  (vide  despacho  decisório  de  fls.  44/48),  em  razão  de  divergências  de  retenções  na  fonte  informadas pela Interessada, conforme demonstrado na tabela a  seguir.    Fl. 238DF CARF MF Processo nº 11516.003474/2006­13  Acórdão n.º 1402­003.352  S1­C4T2  Fl. 231          17     5. Embora a diferença não comprovada de retenção na fonte diz  respeito  à  fonte  pagadora  nº  1,  na  tabela  1,  o  Carf  solicita  diligência  no  sentido  de  averiguar  se  o  valor  do  tributo  retido  pela  fonte  pagadora  nº  3  (CNPJ  nº  29.979.036/0001­40)  é  superior  ao  valor  de  R$  895,63  já  consolidado.  Em  caso  positivo, verificar se o saldo remanescente não utilizado, isto é,  não declarado na Dcomp em referência, é suficiente para suprir  o valor não homologado na presente compensação.  6.  Em  consulta  à  Dirf  da  fonte  pagadora  de  CNPJ  nº  29.979.036/0001­40  (fls.  137),  disponível  nos  sistemas  informatizados  da  RFB,  observou­se  a  existência  de  tributos  retidos  na  fonte  no  montante  de  R$  654.817,03,  no  ano­ calendário  de  2003,  no  código  de  receita  6188.  A  parcela  correspondente  ao  IRPJ  é  de  R$  222.916,44,  valor  este  suficiente  para  amparar  a  dedução  usada  na  Dcomp  (R$  895,63) referente a tal fonte pagadora.    O  v.  acórdão  embargado  foi  omisso  em  relação  aos  fundamentos  da  Informação Fiscal acima colacionado, sendo que da leitura do trecho supra descrito e elaborado  em  resposta  a  diligência  de  fls.  138/140,  depreende­se  que  a  fiscalização  confirmou  que  na  DIRF da fonte pagadora/retentora de CNPJ 29.979.036/0001­40 existe crédito a mais passível  de  suportar  o  IRRF  não  reconhecido  no  r.  Despacho Decisório  no  importe  de R$  2.672,16,  devendo  assim,  ser  reformado  o  v.  acórdão  embargado,  para  reconhecer  o  montante  acima  indicado e homologar a compensação pleiteada na DCOMP 33929.28168.150104.1.3.02­7010  até o limite deste crédito reconhecido.   O  não  reconhecimento  do  valor  de  R$  2.672,16  se  deu  pelo  fato  de  a  fiscalização  não  se  contentar  apenas  com  as  informações  contidas  na DIRF,  entendendo  ser  necessário  que  a  fonte  pagadora/retentora,  no  caso  o  INSS,  apresentasse  comprovante  de  retenção ou de rendimentos.  Fl. 239DF CARF MF     18 No meu  entender  tal  raciocínio  da  fiscalização  não  é  o mais  adequado,  eis  que prejudicar o direito ao crédito da Recorrente devido a omissão e  inércia de terceiros  (no  caso a fonte retentora/pagadora do IRRF) não me parece jurídico. Ademais, a DIRF comprova  o  recolhimento  de  IRRF  superior  ao  montante  de  crédito  utilizado  de  R$  895,63,  restando  crédito mais do que suficiente para arcar com o valor não reconhecido de R$ 2.672,16.   Sendo  assim,  reconheço  o montante  de  R$  2.672,16  relativo  ao  IRRF  que  compõe  o  crédito  de  saldo  negativo  e  homologo  a  compensação  até  o  limite  do  crédito  reconhecido.   Pelo exposto e por tudo que consta processado nos autos, conheço e acolho  os Embargos de Declaração, com efeitos  infringentes, para reconhecer o crédito no montante  de R$ 2. 672,16 e homologar a compensação até o limite deste valor reconhecido.   É como voto.      (assina digitalmente)  Leonardo Luis Pagano Gonçalves.                              Fl. 240DF CARF MF

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7480975 #
Numero do processo: 10930.907122/2011-42
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 26 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3402-001.444
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência, nos termos do voto do relator. Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Ávila (suplente convocado).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1948; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C4T2  Fl. 145          1 144  S3­C4T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10930.907122/2011­42  Recurso nº            Voluntário  Resolução nº  3402­001.444  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária  Data  26 de setembro de 2018  Assunto  SOLICITAÇÃO DE DILIGÊNCIA  Recorrente  MOINHO GLOBO ALIMENTOS S/A  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Resolvem  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  converter  o  julgamento do Recurso em diligência, nos termos do voto do relator.  Waldir Navarro Bezerra ­ Presidente e Relator  (assinado digitalmente)  Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra,  Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa  de Sá Pittondo Deligne,  Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira  de Ávila  (suplente  convocado)  e  Cynthia  Elena  de  Campos.  Ausente  justificadamente  a  Conselheira  Thais  De  Laurentiis  Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Ávila (suplente convocado).  Relatório  Trata  o  presente  processo  de  recurso  voluntário  contra  o  indeferimento  de  manifestação de inconformidade postulada ante o não reconhecimento de pedido de restituição  de contribuição (PIS/Cofins) formulado pela recorrente.  A restituição foi indeferida porque o crédito pleiteado encontrava­se totalmente  alocado a débito declarado pelo contribuinte.  Na manifestação apresentada, a interessada afirma que o § 1º do art. 3º da Lei nº  9.718,  de  1998  teve  a  sua  inconstitucionalidade  declarada  pelo  STF.  Salienta  que  a  manifestação  contida  no  despacho  decisório  decorre  de  informação  prestada  em  DCTF  nos  anos de 2000 a 2004, ou seja, consoante previsão legal então vigente. Acredita que a conclusão  deve ser a de procedência do pedido, afinal, nos termos das decisões existentes as receitas não     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 30 .9 07 12 2/ 20 11 -4 2 Fl. 151DF CARF MF Processo nº 10930.907122/2011­42  Resolução nº  3402­001.444  S3­C4T2  Fl. 146          2 operacionais  devem  ser  excluídas  das  bases  de  cálculo  do  PIS  e  da Cofins.  Salienta  que  as  declarações prestadas  anteriormente devem ser  revistas  e diz que para ocorrer o deferimento  bastará  à  Autoridade  Julgadora  proceder  à  análise  das  DCTF  apresentadas,  tendo  por  base  planilha anexada à manifestação.  Aduz,  adicionalmente,  que  a  discussão  principal  contida  no  processo  diz  respeito  à  matéria  de  direito,  “devendo  o  órgão  julgador  apreciar  a  procedência  da  tese”,  intimando a contribuinte a provar o direito mediante prova documental.  A impugnação acima aludida foi julgada parcialmente procedente pela DRJ, que  não reconheceu o direito creditório face a ausência de sua comprovação.  Cientificado desta decisão o contribuinte interpôs o presente recurso voluntário,  onde alega que a decisão proferida pela DRJ teria alterado o critério jurídico do despacho de  indeferimento atacado, o que implicaria a nulidade da decisão proferida, bem como apresenta  documentos fiscais que atestariam a validade do seu crédito.  É o relatório.  Resolução  Conselheiro Waldir Navarro Bezerra  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo  II do RICARF, aprovado pela Portaria MF  343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido na Resolução  3402­001.422,  de  26  de  setembro  de  2018,  proferido  no  julgamento  do  processo  10930.907066/2011­46, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.  Transcrevem­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  os  entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402­001.422):  "5. Conforme  se  observa dos  autos,  em despacho  eletrônico  de  fls.  05/06,  o  crédito  vindicado  pelo  contribuinte  foi  indeferido  ao  fundamento que:  (...).  A  partir  das  características  do  DARF  discriminado  no  PER/DCOMP  acima  identificado,  foram  localizados  um  ou  mais  pagamentos  abaixo  relacionados,  mas  integralmente  utilizados  para  quitação  de  débitos  do  contribuinte,  não  restando crédito disponível para restituição.  (...).  6.  Todavia,  já  em  sede  de  julgamento  de  manifestação  de  inconformidade,  o  acórdão  ora  atacado  entendeu  por  manter  o  indeferimento, mas agora sob o seguinte fundamento:  (...).  No caso, como a  contribuinte nada apresentou no  sentido  de  efetivamente  comprovar  que  na  composição  da  base  de  Fl. 152DF CARF MF Processo nº 10930.907122/2011­42  Resolução nº  3402­001.444  S3­C4T2  Fl. 147          3 cálculo  da  contribuição  relativa  ao  aludido  período  de  apuração  estavam  incluídas  receitas  compreendidas  no  alargamento  da  base  de  cálculo,  não  há  como  reconhecer  o  direito creditório buscado.  Em assim sendo, dada a ausência de provas sobre a liquidez e  certeza do direito creditório pleiteado, entende­se que devem  ser mantidos em todos os seus termos o Despacho Decisório  contestado  que,  aliás,  está  fundamentado  em  informação  prestada  pela  própria  contribuinte  em  DCTF  constante  dos  sistemas controlados pela RFB.  (...) (grifos constantes no original).  7.  Diante  deste  quadro,  o  contribuinte  apresentou  os  documentos  fiscais  de  fls.  fls.  84/118,  os  quais  compreendem  guias  DARF, livro razão e planilhas, que atestariam que o crédito vindicado  é  realmente  decorrente  do  inconstitucional  alargamento  da  base  de  cálculo  do  PIS  e  da  COFINS  veiculado  pela  lei  n.  9.718/98  e  rechaçado pelo STF no âmbito do julgamento do RE n. 585.235.  8. Percebe­se, portanto, que diante dos fatos aqui expostos e  dos documentos acostados nos autos, é possível vislumbrar que de fato  o contribuinte possui um crédito em seu favor. Logo, levando ainda em  consideração  que  no  âmbito  do  processo  administrativo  vigora  o  princípio  da  verdade  material1,  e,  ainda,  com  especial  respeito  aos  valores da eficiência e da moralidade, que devem conformar as ações  da  Administração  Pública,  é  salutar  que  o  presente  caso  seja  convertido em julgamento para que:  ·  a  unidade  preparadora,  com  base  nos  documentos  acostados nos autos, bem como outros que venha a solicitar junto ao  contribuinte,  analise  se  de  fato  o  crédito  vindicado pelo  contribuinte  decorre  do  indevido  pagamento  de  PIS  e  COFINS  sobre  receitas  financeiras e, em caso positivo, detalhe analiticamente o impacto de tal  crédito para o pedido formulado pelo contribuinte.  9.  Elaborado  o  sobredito  relatório  fiscal,  o  contribuinte  deverá ser intimado para, facultativamente, se manifestar a respeito em  30 (trinta) dias, exatamente como prescreve o parágrafo único do art.  35 do Decreto n. 7.574/2011.  10. É a resolução."  Importante  frisar  que  as  situações  fática  e  jurídica  presentes  no  processo  paradigma  encontram  correspondência  nos  autos  ora  em  análise. Desta  forma,  os  elementos                                                              1 "Registre­se, desde já, que este importante valor normativo não se assemelha a uma ferramenta mágica, como  pretendem alguns,  e,  por  óbvio,  não  tem  a  aptidão  de  "validar" preclusões  e  atecnias,  nem de  transformar  tais  defeitos em um processo administrativo "regular". Este  tipo de  interpretação a  respeito do princípio da verdade  material só se presta a apequenar esta importante norma. Assim, quando se fala em verdade material o que se quer  exprimir é a possibilidade de reconstruir a relação jurídica de direito material conflituosa por intermédio de uma  metodologia jurídica mais flexível, ou seja, menos apegada à forma, o que se dá pelas características peculiares do  direito  material  vindicado  processualmente,  i.e.,  pela  sua  contextualização."  (RIBEIRO,  Diego  Diniz.  O  CPC/2015 e seus reflexos no processo administrativo tributário. In: Paulo de Barros Carvalho, Priscila de Souza.  (Orgs.). Racionalização do sistema tributário. São Paulo: Noeses, 2017, p. 219­240.).  Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10930.907122/2011­42  Resolução nº  3402­001.444  S3­C4T2  Fl. 148          4 que  justificaram  a  conversão  do  julgamento  em  diligência  no  caso  do  paradigma  também  a  justificam no presente caso.  Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por  converter o julgamento em diligência, para que:  ·  a  unidade preparadora,  com base nos  documentos  acostados nos  autos, bem  como outros que venha a solicitar junto ao contribuinte, analise se de fato o  crédito  vindicado  pelo  contribuinte  decorre  do  indevido  pagamento  de  PIS  e  COFINS sobre receitas financeiras e, em caso positivo, detalhe analiticamente o  impacto de tal crédito para o pedido formulado pelo contribuinte.  Elaborado o sobredito  relatório  fiscal, o contribuinte deverá ser  intimado para,  facultativamente,  se manifestar  a  respeito  em  30  (trinta)  dias,  exatamente  como  prescreve  o  parágrafo único do art. 35 do Decreto n. 7.574/2011.     (assinado digitalmente)  Waldir Navarro Bezerra  Fl. 154DF CARF MF

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