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Numero do processo: 19515.001861/2009-80
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Feb 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Sep 14 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 9202-000.183
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à câmara recorrida, para complementação da análise de admissibilidade do Recurso Especial, examinando-se (i) a matéria relativa à preclusão e (ii) o paradigma nº 2403-002.120, indicado para a segunda matéria, com retorno dos autos à relatora, para prosseguimento.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à câmara recorrida, para complementação da análise de admissibilidade do Recurso Especial, examinandose (i) a matéria relativa à preclusão e (ii) o paradigma nº 2403002.120, indicado para a segunda matéria, com retorno dos autos à relatora, para prosseguimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de ação fiscal que originou os seguintes procedimentos: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .0 01 86 1/ 20 09 -8 0 Fl. 347DF CARF MF Processo nº 19515.001861/200980 Resolução nº 9202000.183 CSRFT2 Fl. 348 2 PROCESSO DEBCAD TIPO FASE 19515.001860/200935 37.230.5555 (Emp/SAT) Obrig. Principal Recurso Especial 19515.001861/200980 37.230.5563 (Seg.) Obrig. Principal Recurso Especial 19515.001859/200919 37.230.5547 (AI 68) Obrig. Acessória Recurso Especial 19515.001857/200911 37.205.0190 (AI 34) Obrig. Acessória Recurso Especial 19515.001858/200966 37.205.0204 (AI52) Obrig. Acessória Dívida Ativa Processo não localizado 37.205.0212 (AI59) Obrig. Acessória Processo não localizado 37.205.0182 (AI 30) Obrig. Acessória O presente processo trata do Debcad 37.230.5563, referente às Contribuições Sociais Previdenciárias, não retidas e nem recolhidas, devidas pelos segurados contribuintes individuais, no período de 01/2004 a 12/2004. A ciência da autuação ocorreu em 02/06/2009 (fls. 07) Conforme Relatório Fiscal de fls 82 a 85, os valores a que se refere o Auto de Infração dizem respeito aos levantamentos realizados a título de PLB (Pagamento de Pró Labore) e AUT (Autônomos), uma vez que verificada a retirada de valores pelos sócios da sociedade de advogados sem o respectivo recolhimento das contribuições previdenciárias. As competências 06/2004 a 12/2004 do levantamento AUT (Autônomos) foram transferidas para o Debcad 37.273.6149 (processo nº 16151.000466/201000) para serem parceladas. Em sessão plenária de 13/03/2013, foi julgado o Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2402003.477 (efls. 243 a 257), assim ementado: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 AUTO DE INFRAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA A CARGO DO CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. PRÓLABORE. DECADÊNCIA. Tratase de lançamento efetuado na vigência da Súmula Vinculante n° 8, STF. Nesta linha, tem sido entendimento constante em julgados do Superior Tribunal de Justiça, que nos casos de lançamento em que o sujeito passivo antecipa parte do pagamento da contribuição, aplicase o prazo previsto no § 4º do art. 150 do CTN, ou seja, o prazo de cinco anos passa a contar da ocorrência do fato gerador, uma vez que resta caracterizado o lançamento por homologação. Se, no entanto, o sujeito passivo não efetuar pagamento algum, nada há a ser homologado e, por conseqüência, aplicase o disposto no art. 173 do CTN, em que o prazo de cinco anos passa a ser contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. No caso em tela, tratase do lançamento de contribuições, cujos fatos geradores não são reconhecidos como tal pela empresa, restando claro que, com relação Fl. 348DF CARF MF Processo nº 19515.001861/200980 Resolução nº 9202000.183 CSRFT2 Fl. 349 3 aos mesmos, a recorrente não efetuou qualquer antecipação. Nesse sentido, pela aplicação do art. 173, inciso I do CTN, a decadência alcançaria contribuições correspondentes a fatos geradores ocorridos até 11/2003, como a integralidade do lançamento referese a competências posteriores, não há que se falar em decadência no presente lançamento. LANÇAMENTOS CONTÁBEIS. PRÓLABORE. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. A Lei n° 8.212/91, ao tratar da incidência de contribuições sobre os valores pagos aos contribuintes individuais, é clara quanto à incidência apenas quando configurada a natureza de remuneração. É o caso do prólabore. Todavia, para que assim seja classificado o pagamento, necessário que no balanço contábil da empresa estejam os valores lançados como dispêndio em razão de pagamento de remuneração. No caso em comento, o balanço patrimonial da Recorrente demonstra justamente o contrário. Verifica se que os valores apontados nas contas correntes dos sócios como gastos sofridos pela empresa estão, em sua totalidade, lançados no balanço como sendo parte do ativo circulante realizável a curto prazo. Vale dizer que, o registro desses valores em conta patrimonial (ativo) de curto prazo, embora gere expectativa de realização (recebimento) a curto prazo, não é suficiente para caracterizar prólabore de sócios, pois não transitou em conta de despesa e tem liquidações parciais no curto prazo. Recurso Voluntário Provido em Parte." A decisão foi assim registrada: "Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de decadência, vencidos os conselheiros Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues que aplicavam a regra de decadência no artigo 150, §4º do CTN. No mérito, por voto de qualidade, vencidos os conselheiros Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado e Ronaldo de Lima Macedo, em dar provimento parcial para exclusão dos valores relativos às contas 12.303 e 12.304." O processo foi encaminhado à PGFN em 25/11/2013 (Despacho de Encaminhamento de efls. 982 do processo principal) e, em 19/12/2013, foi interposto o Recurso Especial de efls. 259 a 274 (Despacho de Encaminhamento de efls. 999 do processo principal). O apelo está fundamentado no art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, e suscita as seguintes matérias: preliminar de preclusão, tendo em vista alteração dos argumentos de defesa após a impugnação; e pagamento de prólabore indireto. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, porém examinandose apenas a segunda matéria, conforme despacho de 14/06/2017 (efls. 275 a 279). Em seu apelo, a Fazenda Nacional apresenta os seguintes argumentos: Fl. 349DF CARF MF Processo nº 19515.001861/200980 Resolução nº 9202000.183 CSRFT2 Fl. 350 4 a autoridade fiscal considerou como prólabore, sujeito à incidência de contribuições previdenciárias, os valores pagos e/ou creditados aos sócios gerentes da sociedade, efetivados através de pagamentos diretos ou indiretos na forma de pagamentos de despesas particulares (suas, de familiares e terceiros); de acordo com o relatório fiscal, a empresa desembolsava valores para quitar diversas despesas pessoais dos sócios, tais como o pagamento de despesas com cartão de crédito, veículos, empregados pessoais (motorista, domésticos, fazenda), condomínio, seguro residencial, compras de equipamentos, contas diversas e abatimento de contratos pessoais de mútuo; ademais, realizava transferências bancárias e depósitos nas contas correntes particulares dos sócios, bem como de familiares e de terceiros; em sede de impugnação, defendeu o contribuinte não prosperar a cobrança de contribuição previdenciária sobre os pagamentos feitos aos sócios, direta ou indiretamente, na forma de quitação de despesas particulares, pois tais valores foram debitados de lucros auferidos pela empresa, não se tratando, pois, de remuneração na forma de retirada prólabore; juntou aos autos cópia do Livro Razão Analítico, conta Lucros Acumulados, na tentativa de demonstrar que os valores atribuídos aos sócios referiamse, em sua grande maioria, aos anos anteriores; todavia, a DRJ não aceitou tal argumentação, eis que não fez prova de suas alegações, não comprovando que os valores lançados nas diversas contas (corrente dos sócios e despesas) se originaram da conta Lucros Acumulados; a Contribuinte, então, por ocasião da interposição do Recurso Voluntário, reconheceu o equívoco da explicação anterior e inovou em suas alegações, sustentando que os numerários foram lançados em contas do ativo, como valores a receber dos sócios, não podendo ser considerados como retirada de prólabore; tal argumentação foi acolhida, por maioria de votos, pelo Colegiado a quo, que concluiu que, para que o pagamento realizado pela empresa seja considerado como prólabore, seria necessário que no balanço contábil da empresa os valores estivessem lançados como dispêndio em razão de pagamento de remuneração; todavia, conforme restará demonstrado, tal decisão merece reforma: primeiramente em face da preclusão; ademais, porque o lançamento de despesas diversas dos sócios em contas do ativo, por si só, não afasta a natureza de prólabore dos valores contabilizados, mormente quando a escrituração fiscal não é acompanhada de documentação que comprove o alegado; não é dado ao Contribuinte inovar em suas alegações por ocasião do Recurso Voluntário, já que, em homenagem ao princípio da preclusão e do duplo grau de jurisdição, os argumentos submetidos à primeira instância é que determinam os limites do litígio, ou seja, matérias não impugnadas tornamse definitivas na esfera administrativa, não podendo mais ser levadas ao CARF; logo, a rigor, a argumentação expendida pela Contribuinte em sede de Recurso Voluntário, que diverge totalmente daquela exposta por ocasião da impugnação, não poderia ter sido sequer apreciada pelo Colegiado a quo; Fl. 350DF CARF MF Processo nº 19515.001861/200980 Resolução nº 9202000.183 CSRFT2 Fl. 351 5 todavia, ainda que superada a questão da preclusão, observase que a tese defendida pelo contribuinte e acolhida pela turma a quo não tem o condão de afastar a tributação; ora, é sabido que não é o nome dado a uma rubrica ou a uma conta contábil que define a natureza jurídica real do pagamento efetuado pela empresa aos sócios; no caso concreto observouse que a empresa autuada arcava com o ônus de diversas despesas pessoais dos sócios, o que obviamente representa uma remuneração indireta; não há dúvida de que, quando a empresa paga a despesa pessoal do sócio, este deixa de despender recursos financeiros para a sua quitação, representando um acréscimo patrimonial para si, de sorte que, muito embora não haja um recebimento de pagamento em espécie, ocorre uma substituição no pólo devedor, assumindo a empresa as despesas do sócio; assim sendo, o resultado prático é o mesmo que o pagamento direto: o sócio é beneficiado pela assunção de dívidas por parte da empresa e deixa de despender numerário proveniente do seu patrimônio pessoal, logo é patente a incidência de Contribuições Previdenciárias sobre tais valores despendidos em favor dos sócios, eis que se caracterizam como prólabore indireto; ademais, constatouse a existência de várias transferências bancárias e depósitos destinados aos sócios e familiares, em relação aos quais a Contribuinte alega tratarse de crédito da empresa junto aos sócios, porém não juntou qualquer documento que comprovasse o empréstimo alegado; não tendo se desincumbido do ônus probatório que lhe cabia, correta está a tributação dos repasses efetuados, que também se caracterizam como prólabore; a esse respeito, cabe destacar que a contabilidade só faz prova a favor do contribuinte desde que fundamentada em documentação idônea (outros subsídios) nos termos do art. 226, do Código Civil; todo o lançamento deve estar lastreado na causalidade, de sorte que os registros existentes em contabilidade pressupõem uma fonte formal de sua origem; é a finalidade contábil do controle das mutações patrimoniais que assim determina; no caso concreto, o sujeito passivo não trouxe aos autos qualquer documento que corroborasse a alegação de que os repasses decorreriam da contratação de empréstimo dos sócios junto à empresa; concluise, nesse contexto, que em verdade as operações realizadas objetivaram o pagamento de remuneração disfarçada na forma de contrato de mútuo, sujeitandose, portanto, à tributação; de todo o exposto, resta claro que os valores pagos e/ou creditados aos sócios gerentes da sociedade, efetivados por meio de pagamentos diretos ou indiretos na forma de despesas particulares caracterizamse como prólabore e, nessa condição, sujeitamse à incidência de Contribuições Previdenciárias. Fl. 351DF CARF MF Processo nº 19515.001861/200980 Resolução nº 9202000.183 CSRFT2 Fl. 352 6 Ao final, a Fazenda Nacional pede o conhecimento e provimento do recurso, restabelecendose a integralidade do lançamento. Cientificada do acórdão, do Recurso Especial da Procuradoria e do despacho que lhe deu seguimento em 16/10/2017 (Termo de Ciência por Abertura de Mensagem de efls. 284), a Contribuinte, em 23/10/2017, ofereceu as Contrarrazões de efls. 317 a 324 e interpôs o Recurso Especial de efls. 287 a 297. Em sede de Contrarrazões, a Contribuinte argumenta: Falta de indicação do dispositivo legal objeto de interpretação divergente a Recorrente limitouse a rediscutir a matéria, sem demonstrar a legislação que estaria sendo interpretada de forma divergente, assim não se pode cogitar do conhecimento do apelo, em vista do não atendimento a um dos pressupostos de admissibilidade do Recurso Especial. Imprestabilidade do acórdão paradigma os acórdãos confrontados estão delineados por premissas fáticas distintas, pelo que não se vislumbra a divergência jurisprudencial necessária ao conhecimento do Recurso Especial da Fazenda Nacional; no caso em tela é evidente a falta de similitude fática entre os acórdãos paradigma e recorrido e o conhecimento e eventual provimento do Recurso Especial da Fazenda Nacional consistirá em desvio da finalidade da Câmara Superior de Recursos Fiscais, o que não pode ser admitido; conforme registrado pelo acórdão recorrido os valores objeto de autuação não transitaram em conta de despesa e “tem liquidações parciais no curto prazo”; o que evidencia que a decisão atingida passou antes pela análise minuciosa do balanço da empresa, tanto que comprovouse o “registro de valores a receber dos sócios”, a “obrigação da empresa para com os mesmos sócios” e “liquidações parciais no curto prazo (vide razão contábil fls 879 a 883); por seu turno, os acórdãos trazidos pela recorrente como paradigmas deixam consignado que os valores autuados foram classificados como empréstimos e não houve comprovação de sua quitação; além disso, nos casos dados como paradigmáticos, restou evidenciado que não houve qualquer tipo de liquidação por parte dos sócios, ao contrário do caso ora recorrido, em que foram constatadas liquidações parciais, ou seja, situações fáticas distintas. Do Mérito para repetir, se analisadas as contas contábeis apontadas, se chegará à conclusão de que não se referem os referidos pagamentos a prólabore, na medida em que contabilizados em contas diversas; e não se referem a prólabore, porquanto os sócios, apesar de nos termos do contrato social terem opção da sua retirada, efetivamente, e de comum acordo, nunca exerceram tal opção no exercício fiscalizado; Fl. 352DF CARF MF Processo nº 19515.001861/200980 Resolução nº 9202000.183 CSRFT2 Fl. 353 7 nesse sentido fala mais alto o balanço, que não indica qualquer pagamento de prólabore e, longe do que afirmou a decisão recorrida, faz prova inconteste disso; tais numerários, conforme reconhecido pelo acórdão recorrido, não transitaram pelo resultado do exercício, nem em conta de despesa, sendo integralmente registrados em conta patrimonial, como parte do ativo circulante realizável a curto prazo; portanto, em nada se relacionam com prólabore e não podem ser considerados base de calculo das contribuições sociais devidas. Ao final, a Contribuinte pede o não conhecimento do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, caso assim não se entenda, que lhe seja negado provimento. Ao Recurso Especial da Contribuinte foi dado seguimento, conforme despacho de 17/11/2017 (efls. 329 a 335), admitindose a rediscussão da decadência. Em seu apelo, a Contribuinte apresenta os seguintes argumentos: a decisão recorrida entendeu de analisar o instituto da decadência sob o comando do art. 173, I do CTN, vez que, segundo ali apontado, “não houve recolhimento para os fatos geradores discutidos”, ou seja, para as contribuições lançadas no Auto de Infração; daí concluiu que não foi efetuada “qualquer antecipação”; já as decisões paradigmáticas entenderam pela aplicação do art. 150, § 4º do CTN, independentemente da rubrica exigida no auto de infração, ou seja, o pagamento, ainda que sob outra rubrica, caracteriza a antecipação de pagamento, ao abrigo da Súmula CSRF 99; conforme se comprova da corrente vencida, a recorrente efetivamente realizou recolhimentos de Contribuição Social no período sob discussão, ainda que em outra rubrica, motivo pelo qual não se pode falar em falta de recolhimento: “A DRJ, todavia, ao julgar a defesa administrativa da Recorrente, entendeu aplicável ao caso a regra disposta no art. 173, I, do CTN, que determina a contagem do prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ser efetuado. Neste sentido, negligenciou a DRJ/SP ao deixar de considerar o fato de ter a Recorrente realizado pagamento a menor de contribuições previdenciárias no período fiscalizado. Vale dizer, neste ponto, que os recolhimentos realizados restaram inclusive comprovados mediante GPS apresentadas pela Recorrente às fls. 195/199. Destarte, considerando o que preleciona a legislação vigente e a jurisprudência sobre o tema, necessário o reconhecimento da decadência dos créditos previdenciários referentes ao período de 01/2004 a 05/2004.” (destaques da Contribuinte) considerando que somente em 02/06/2009 foi cientificada a lavratura do Auto de Infração, é de se reconhecer que já haviam transcorrido mais de cinco anos para a constituição do crédito tributário relativamente aos meses de janeiro a maio de 2004, pelo que se impõe a extinção do crédito tributário, tanto no que tange ao suposto pagamento de pró labore, como também em relação ao pagamento de autônomos. Fl. 353DF CARF MF Processo nº 19515.001861/200980 Resolução nº 9202000.183 CSRFT2 Fl. 354 8 Ao final, a Contribuinte pede o conhecimento e provimento do Recurso Especial, reconhecendose a decadência do período de janeiro a maio de 2004. Cientificada do Recurso Especial da Contribuinte e do despacho que lhe deu seguimento em 14/12/2017 (Despacho de Encaminhamento de efls. 1.071 do processo principal), a Fazenda Nacional ofereceu, em 19/12/2017 (Despacho de Encaminhamento de e fls. 1.083 do processo principal), as Contrarrazões de efls. 336 a 346, com os seguintes argumentos: no caso, impende destacar que não se operou lançamento por homologação algum, afinal a contribuinte não antecipou o pagamento do tributo, tendo em vista que não individualizou o fato gerador e não efetuou o recolhimento antecipado da contribuição em comento; aliás, a Contribuinte sequer entendia cabível exigir as contribuições ora lançadas; é por conta disto que se procedeu ao lançamento de ofício da exação, na linha preconizada pelo art. 173, I, do CTN; nessa perspectiva, cumpre enfatizar que o cerne da questão aqui debatida reside na análise da existência de pagamento antecipado de parte da contribuição exigida, cujo reconhecimento tem a aptidão de atrair a incidência do art. 150, § 4.º, do CTN, em não havendo tal antecipação de pagamento, a aplicação do art. 173, I, do CTN é impositiva; ressaltese que não há que se falar em recolhimento das Contribuições Previdenciárias devidas pelo contribuinte como um todo, de modo que qualquer recolhimento efetuado, ainda que não se refira ao objeto do lançamento, possa influir na contagem do prazo decadencial de forma a ensejar a aplicação do art. 150, § 4.º, do CTN, este raciocínio não pode prevalecer, sob pena de fulminar as normas legais de regência e abrir ensanchas para injustiças e inauditas lesões ao Erário; para o exame da ocorrência de pagamento antecipado parcial, para os fins ora colimados, afigurase óbvia a necessidade de se verificar se a Contribuinte pagou parte do débito tributário objeto de cobrança, e não daqueles afetos a outros fatos geradores; no caso em apreço, os valores lançados não foram reconhecidos pela Contribuinte, e tampouco adimplidos parcialmente, sendo forçoso concluir que inexiste pagamento antecipado quanto às contribuições exigidas, devendo ser aplicada na espécie, para fins de contagem da decadência, a regra encartada no art. 173, I, do CTN. Ao final, a Fazenda Nacional pede que seja negado provimento ao Recurso Especial da Contribuinte. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Tratase de Recursos Especiais interpostos pela Fazenda Nacional e pela Contribuinte. Fl. 354DF CARF MF Processo nº 19515.001861/200980 Resolução nº 9202000.183 CSRFT2 Fl. 355 9 O presente processo cuida do Debcad 37.230.5563, referente às Contribuições Sociais Previdenciárias, não retidas e nem recolhidas, devidas pelos segurados contribuintes individuais, no período de 01/2004 a 12/2004. A ciência da autuação ocorreu em 02/06/2009 (fls. 07) Conforme Relatório Fiscal de fls 82 a 85, os valores a que se refere o Auto de Infração dizem respeito aos levantamentos realizados a título de AUT (Autônomos) e PLB (Pagamento de Pró Labore), uma vez que verificada a retirada de valores pelos sócios da sociedade de advogados sem o respectivo recolhimento das Contribuições Previdenciárias. As competências 06/2004 a 12/2004 do levantamento AUT (Autônomos) foram transferidas para o Debcad 37.273.6149 (processo nº 16151.000466/201000) em face de adesão a parcelamento, de sorte que a respectiva exigência tornouse definitiva. Assim, remanescem em litígio a decadência relativa aos períodos de 01 a 05/2004 e, no mérito, os levantamentos PLB (Pagamento de Pró Labore). Quanto ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, este suscita duas matérias, a saber: preliminar de preclusão, tendo em vista alteração dos argumentos de defesa após a impugnação; e pagamento de prólabore indireto. A primeira matéria resta clara no Recurso Especial, conforme se depreende do seguinte trecho: "Anotese que, em atenção à norma regimental, serão apresentados, quanto a cada matéria objeto de insurgência, até duas ementas para a caracterização do dissídio. As razões abaixo elencadas servirão, a um só tempo, para alicerçar a admissibilidade recursal e para fundamentar as razões para modificação do julgado ora recorrido. (...) Em sede de impugnação, defendeu o contribuinte não prosperar a cobrança de contribuição previdenciária sobre os pagamentos feitos aos sócios, direta ou indiretamente, na forma de quitação de despesas particulares, pois tais valores foram debitados de lucros auferidos pela empresa, não se tratando, pois, de remuneração na forma de retirada prólabore. Juntou aos autos cópia do Livro Razão Analítico, conta LUCROS ACUMULADOS, na tentativa de demonstrar que os valores atribuídos aos sócios referiamse, em sua grande maioria, aos anos anteriores. Todavia, a DRJ não aceitou tal argumentação, eis que a documentação juntada pelo contribuinte não fez prova de suas alegação, não comprovando que os valores lançados nas diversas contas (corrente dos sócios e despesas) se originaram da conta Lucros Acumulados. O contribuinte, então, por ocasião da interposição do recurso voluntário, reconheceu o equívoco da explicação anterior e inovou em suas alegações, sustentando que os numerários foram lançados em Fl. 355DF CARF MF Processo nº 19515.001861/200980 Resolução nº 9202000.183 CSRFT2 Fl. 356 10 contas do ativo, como valores a receber dos sócios, não podendo ser considerados como retirada de prólabore. Tal argumentação foi acolhida, por maioria de votos, pelo Colegiado a quo, o qual concluiu que para que o pagamento realizado pela empresa seja considerado como prólabore é 'necessário que no balanço contábil da empresa estejam os valores lançados como dispêndio em razão de pagamento de remuneração'. Todavia, conforme restará demonstrado, tal decisão merece reforma. A um em face da preclusão. A dois porque o lançamento de despesas diversas dos sócios em contas do ativo, por si só, não afasta a natureza de prólabore dos valores contabilizados, mormente quando a escrituração fiscal não é acompanhada de documentação que comprove o alegado. Inicialmente, cumpre destacar que não é dado ao contribuinte inovar em suas alegações por ocasião do recurso voluntário. Com efeito, é sabido que, em homenagem ao princípio da preclusão e do duplo grau de jurisdição, os argumentos submetidos à primeira instância é que determinam os limites do litígio, ou seja, matérias não impugnadas tornamse definitivas na esfera administrativa, não podendo mais ser levadas ao Conselho. Logo, a rigor, a argumentação expendida pelo contribuinte em sede de recurso voluntário, que diverge totalmente daquela exposta por ocasião da impugnação, não poderia ter sido sequer apreciada pelo Colegiado a quo. Todavia, ainda que superada a questão da preclusão, observase que a tese defendida pelo contribuinte e acolhida pela turma a quo não tem o condão de afastar a tributação." Entretanto, compulsandose o Despacho de Admissibilidade do Recurso Especial da Fazenda Nacional (fls. 1.007 a 1.011), constatase que essa matéria não foi objeto de exame. No que tange à segunda matéria suscitada pela Fazenda Nacional pagamento de prólabore indireto em sede de Contrarrazões a Contribuinte suscita o não conhecimento do Recurso Especial, alegando, em síntese: falta de indicação, no Recurso Especial, do dispositivo legal objeto de interpretação divergente; imprestabilidade dos acórdãos paradigmas, que não guardariam similitude fática com o acórdão recorrido. Quanto ao segundo ponto, a Contribuinte argumenta que no acórdão recorrido os valores objeto da autuação não transitaram em conta de despesa e haveria liquidações parciais no curto prazo, o que evidenciaria a análise minuciosa do balanço da empresa, tanto que comprovouse o registro de valores a receber dos sócios, a obrigação da empresa para com os mesmos sócios e liquidações parciais no curto prazo (razão contábil às fls 879 a 883). Os acórdãos paradigmas, por sua vez, teriam consignado que os valores autuados foram classificados como empréstimos e não houve comprovação de sua quitação, restando evidenciado que não houve qualquer tipo de liquidação por parte dos sócios. Fl. 356DF CARF MF Processo nº 19515.001861/200980 Resolução nº 9202000.183 CSRFT2 Fl. 357 11 No que tange a esta segunda matéria, importa salientar que, no Despacho de Admissibilidade do Recurso Especial, somente foi analisado o segundo paradigma, Acórdão nº 240102.544, desprezandose o primeiro, Acórdão nº 2403002.120. Assim, para que as partes não sejam prejudicadas, e no sentido de respeito ao devido processo legal e à ampla defesa, voto por converter o julgamento em diligência à Câmara a quo, para complemento do exame de admissibilidade, no que tange à primeira matéria preclusão bem como quanto ao primeiro paradigma indicado para a segunda matéria Acórdão nº 2403002.120. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 357DF CARF MF
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Numero do processo: 13876.720410/2011-84
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006
DESPESAS MÉDICAS. CONTRIBUINTE CONSTANDO COMO PAGADOR DA DESPESA NO RECIBO. DESNECESSIDADE DE INDICAÇÃO DO BENEFICÁRIO.
Constando o nome do contribuinte no recibo como pagador da despesa médica que deduziu na Declaração de Ajuste Anual, presume-se ser ele o beneficiário da prestação de serviço, salvo prova em contrário.
DESPESAS MEDICAS. INTIMAÇÃO. EFETIVO PAGAMENTO. NÃO COMPROVAÇÃO.
Há de se comprovar, quando regularmente intimado, o efetivo pagamento das despesas com os profissionais da área médica, que pretendeu aproveitar na DIRPF
Numero da decisão: 2402-006.326
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior (relator). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Mauricio Nogueira Righetti.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gregório Rechmann Junior - Relator.
(assinado digitalmente)
Maurício Nogueira Righetti - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
Nome do relator: GREGORIO RECHMANN JUNIOR
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DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO Recorrente HERMELINO DE OLIVEIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006 DESPESAS MÉDICAS. CONTRIBUINTE CONSTANDO COMO PAGADOR DA DESPESA NO RECIBO. DESNECESSIDADE DE INDICAÇÃO DO BENEFICÁRIO. Constando o nome do contribuinte no recibo como pagador da despesa médica que deduziu na Declaração de Ajuste Anual, presumese ser ele o beneficiário da prestação de serviço, salvo prova em contrário. DESPESAS MEDICAS. INTIMAÇÃO. EFETIVO PAGAMENTO. NÃO COMPROVAÇÃO. Há de se comprovar, quando regularmente intimado, o efetivo pagamento das despesas com os profissionais da área médica, que pretendeu aproveitar na DIRPF Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior (relator). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Mauricio Nogueira Righetti. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente. (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 87 6. 72 04 10 /2 01 1- 84 Fl. 115DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Maurício Nogueira Righetti Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Relatório Tratase de recurso voluntário em face da decisão da 3ª Tuma da DRJ/BSB, consubstanciada no Acórdão nº 0359.871, que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão de primeira instância: Para o sujeito passivo em epígrafe foi emitida Notificação de Lançamento do Imposto de Renda da Pessoa Física – IRPF (fls.2631), referente ao exercício 2007, anocalendário 2006, por Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil. Após a revisão da Declaração, foi apurado saldo de imposto a pagar de R$16.764,28, mais multa de ofício e juros de mora. O lançamento acima foi decorrente da seguinte infração: Dedução Indevida de Despesas Médicas. Glosa de R$63.626,56. • pagamento de R$ 46.000,00 para SANTE ASSISTÊNCIA MÉDICA LTDA. Apresentou Nota Fiscal de Prestação de Serviços. Este estabelecimento está cadastrado com CNAE FISCAL 8630503 com Atividade Médica ambulatorial restrita a consultas. Não atestou o efetivo pagamento da despesa, apesar de intimado para tanto; • Glosadas as despesas de R$ 5.720,00, para CELSO CARVALHO FERRARI. O recibo apresentado não esclarece quem foi paciente tratado. Não atestou o efetivo pagamento da despesa, apesar de intimado para tanto; • Glosadas as despesas de R$ 2.600,00 para RUBENS ANTONIO ARANHA FILHO. O recibo apresentado não esclarece quem foi paciente tratado. Não atestou o efetivo pagamento da despesa, apesar de intimado para tanto; • Glosadas as despesas de R$ 7.200,00 para MARIZA HELENA AGOSTINI FONTANA. O recibo apresentado não esclarece quem foi paciente tratado. Não atestou o efetivo pagamento da despesa, apesar de intimado para tanto; • Os recibos não trazem o endereço; • Declarou despesas médicas no valor de R$ 9.985,00 para VERA CRUZ ASSOCIAÇÃO DE SAÚDE. O comprovante anual tem o valor de R$ 8.249,34. Em face do exposto foi glosada a diferença de R$ 1.736,56; Fl. 116DF CARF MF Processo nº 13876.720410/201184 Acórdão n.º 2402006.326 S2C4T2 Fl. 116 3 • Declarou despesas médicas no valor de R$ 420,00 para CECÍLIA AFONSO FERREIRA. Regularmente intimado, não apresentou comprovantes. Enquadramento legal consta da Notificação de Lançamento supracitada. O contribuinte apresenta impugnação, na qual, em síntese, expõe os motivos de fato e de direito que se seguem: Pagou as despesas médicas aos profissionais e à Clínica Sante, na época própria e conforme manda a legislação vigente. Para a Clínica Sante, solicitou a emissão de Nota Fiscal. Todos os pagamentos feitos a Celso Carvalho Ferrari e para a Clínica Sante foram através de cheques. Aos outros profissionais, o pagamento foi feito em dinheiro. Quanto ao fato de o agente fiscal solicitar documentos que comprovem o tratamento, está aguardando os profissionais enviarem a ficha dentária e os prontuários médicos. Não encontrou nenhum artigo ou § que proíba o pagamento em dinheiro e nada que o obrigue a efetuar pagamentos em cheques nominais e guardar cópias. Está indignado pelo motivo de ter que apresentar mais provas, além das que já apresentou. A DRJ julgou improcedente a impugnação do sujeito passivo, tendo concluído, em síntese, que não atestado de forma hábil e idônea o gasto realizado, isto é, não demonstrada inequivocamente a efetiva transferência de recursos, há que manter a glosa. Cientificado dessa decisão, o contribuinte interpôs recurso voluntário de fls. 81/83, por meio do qual reitera o quanto aduzido na impugnação apresentada. É o relatório. Fl. 117DF CARF MF 4 Voto Vencido Conselheiro Gregório Rechmann Junior Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, deve ser conhecido. A Notificação de Lançamento guerreada foi motivada em decorrência da glosa de deduções de despesas médicas. A dedução de despesas médicas e de saúde na declaração de ajuste anual tem como supedâneo legal os seguintes dispositivos do art. 8º da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, abaixo transcritos: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...) § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. Sobre a matéria, assim dispõe o art. 80 do Decreto nº 3.000/1999, in verbis: Fl. 118DF CARF MF Processo nº 13876.720410/201184 Acórdão n.º 2402006.326 S2C4T2 Fl. 117 5 Seção I Despesas Médicas Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas FísicasCPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa JurídicaCNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. § 2º Na hipótese de pagamentos realizados no exterior, a conversão em moeda nacional será feita mediante utilização do valor do dólar dos Estados Unidos da América, fixado para venda pelo Banco Central do Brasil para o último dia útil da primeira quinzena do mês anterior ao do pagamento. § 3º Consideramse despesas médicas os pagamentos relativos à instrução de deficiente físico ou mental, desde que a deficiência seja atestada em laudo médico e o pagamento efetuado a entidades destinadas a deficientes físicos ou mentais. § 4º As despesas de internação em estabelecimento para tratamento geriátrico só poderão ser deduzidas se o referido estabelecimento for qualificado como hospital, nos termos da legislação específica. § 5º As despesas médicas dos alimentandos, quando realizadas pelo alimentante em virtude de cumprimento de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente, poderão ser deduzidas pelo alimentante na determinação da base de cálculo da declaração de rendimentos (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 3º). No caso em análise, vários recibos tiveram a sua glosa motivada por não estar presente no respectivo documento a indicação do beneficiário do serviço. Fl. 119DF CARF MF 6 O exame da documentação acostada pelo recorrente revela em que, com exceção apenas do recebido emitido por Cecília Afonso Ferreira, no valor de R$ 420,00, todos os outros constam, como pessoa que pagou pelas despesas médicas, o Sr. Hermelino de Oliveira, o recorrente. Não trilha bom caminho a intepretação – aparentemente adotada pela fiscalização e corroborada pelo órgão julgador de piso segundo a qual, além do nome da pessoa física que pagou pelo serviço, deveria necessariamente estar consignado o nome do beneficiário. De uma maneira geral, o recibo emitido pelos prestadores de serviço pessoa física é entregue para os pacientes assim que se dá o pagamento do tratamento ou consulta, sem dispor de campo próprio a ser preenchido com a indicação do beneficiário, até mesmo porque, na maioria das vezes, este se confunde com a própria pessoa do paciente. Assim, o nome constante como responsável pelo pagamento deve ser aceito e presumido como sendo o do beneficiário da prestação do serviço a que se refere o recibo, em respeito ao princípio da boa fé que deve reger as relações fiscocontribuinte. Neste sentido, temse entendimento da própria Receita Federal do Brasil sobre o tema, consoante espelha a Solução de Consulta Interna nº 23, de 30 de agosto de 2013, cuja ementa se reproduz abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF. DESPESAS MÉDICAS. IDENTIFICAÇÃO DO BENEFICIÁRIO. São dedutíveis, da base de cálculo do IRPF, as despesas médicas realizadas pelo contribuinte, referentes ao próprio tratamento e de seus dependentes, desde que especificadas e comprovadas mediante documentação hábil e idônea. Na hipótese de o comprovante de pagamento do serviço médico prestado ter sido emitido em nome do contribuinte sem a especificação do beneficiário do serviço, podese presumir que esse foi o próprio contribuinte, exceto quando, a juízo da autoridade fiscal, forem constatados razoáveis indícios de irregularidades. No caso de o serviço médico ter sido prestado a dependente do contribuinte, sem a especificação do beneficiário do serviço no comprovante, essa informação poderá ser prestada por outros meios de prova, inclusive por declaração do profissional ou da empresa emissora do referido documento comprobatório. Dispositivos Legais: Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil (CPC), art. 332; Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995 Outro ponto a ser analisado, diz respeito à aceitação dos recibos apresentados como meio de prova do efetivo pagamentos das despesas médicas, cujas deduções foram glosadas pela fiscalização. É fato, conforme a ciência processual já há muito firmou, que recibos são instrumentos particulares que comprovam a quitação do negócio jurídico, não se consubstanciando em prova inequívoca da realização de um pagamento. Fl. 120DF CARF MF Processo nº 13876.720410/201184 Acórdão n.º 2402006.326 S2C4T2 Fl. 118 7 Apesar disso, devese reconhecer que a própria legislação tributária conferiu a esse tipo de documento o valor de prova do pagamento, consoante disposto no inciso III do § 2º do art. 8º da Lei nº 9.250/95 anotese que um documento de transferência bancária, por exemplo, não possui todos os elementos discriminados na legislação, tais como o endereço do profissional prestador do serviço, ao contrário do recibo, que possui campos de preenchimento adequados para esses fins. Desta sorte, a regra geral é a aceitação de recibos, caso atendidos os seus requisitos formais, motivo pelo qual a exigência de elementos adicionais para a comprovação das despesas médicas deve ser devidamente fundamentada, sob pena de violação do princípio da proteção da boafé e da legítima confiança que norteiam a relação fiscocontribuinte. O acórdão atacado não vislumbrou vícios de forma nos recibos trazidos. Ao contrário, as razões que o julgador de primeiro grau pretendeu trazer, com o devido respeito, não restaram suficientemente claras para infirmar o valor probatório dos recibos apresentados. Vale observar, ainda, que o entendimento que aqui se partilha é o de que é perfeitamente possível que a autoridade julgadora busque, com respaldo nas normas acima mencionadas, elementos adicionais para a formação de sua convicção, porém a decisão que exsurge da análise dessas provas deve ser devida e coerentemente fundamentada, forte no dever geral de motivação das decisões e da proteção à boafé do contribuinte. Neste contexto, passase ao exame de cada uma das glosas de forma individualizada: Ø Despesas de R$ 46.000,00 para SANTE ASSISTÊNCIA MÉDICA LTDA. Motivo da Glosa: * O estabelecimento está cadastrado com CNAE FISCAL 8630503 com Atividade Médica ambulatorial restrita a consultas. O estabelecimento não se enquadra nas normas relativas a estabelecimentos hospitalares editadas pelo Ministério da Saúde; * A Nota Fiscal de Prestação de Serviços número 00000103 de 10/11/2006 tem descrição dos serviços feita de forma genérica como SERVIÇOS MÉDICOS PRESTADOS AO PACIENTE HERMELINO DE OLIVEIRA. Não existe especificação do serviço prestado, qual o valor de diárias, o que consumiu, entre outros. Com vistas a comprovar o seu direito à dedução do montante em análise, o contribuinte trouxe aos autos: (i) nota fiscal eletrônica de serviços emitida pela SANTE ASSISTÊNCIA MÉDICA LTDA, no valor de R$ 46.000,00, com a seguinte discriminação dos serviços: “serviços médicos prestados ao paciente Hermelino de Oliveira” – fls. 5 e 34; (ii) ficha médica; (iii) relatório de enfermagem; (iv) relatório de medicamentos aplicados; (v) avaliação pré operatório; e (vi) termo de consentimento – fls. 35 a 57. Fl. 121DF CARF MF 8 Ademais, no corpo do recurso voluntário apresentado, esclareceu o recorrente que o estabelecimento SANTE ASSISTÊNCIA MÉDICA LTDA possui, em seu Cadastro Nacional das Pessoas Jurídicas, CNAEs secundários (fl. 90), conforme abaixo detalhado: Entendo, assim, que restou devidamente comprovada a realização da despesa em análise, impondose o restabelecimento da respectiva dedução. Ø Despesas de R$ 5.720,00, para CELSO CARVALHO FERRARI. Motivo da Glosa: * O recibo apresentado tem descrição genérica como tratamento odontológico e não esclarece quem foi paciente tratado. Os recibos apresentados carecem do endereço do local onde foram prestados os serviços, não satisfazendo, portanto, às exigências contidas no artigo 80, inciso III do RIR 99. Ao contrário do quanto fundamentado pela fiscalização e convalidado pelo órgão julgador de primeira instância, o contribuinte trouxe aos autos recibo do prestador de serviços contendo o nome, o CPF e o endereço deste (fl. 6). À fl. 64, junta novamente o referido recibo, com a cópia da ficha dentária / orçamento emitido pelo mesmo prestador. Inexistindo, pois, vícios formais no recibo apresentado pelo recorrente, impõese o restabelecimento da respectiva dedução. Ø Despesas de R$ 2.600,00 para RUBENS ANTONIO ARANHA FILHO Motivo da Glosa: * O recibo apresentado tem a descrição genérica como TRAT ODONTOLOGICO e não esclarece quem foi paciente tratado. Os recibos apresentados carecem do endereço do local onde foram prestados os serviços, não satisfazendo, portanto, às exigências contidas no artigo 80, inciso III do RIR 99 Tal como em relação ao caso precedente, ao contrário do quanto fundamentado pela fiscalização e convalidado pelo órgão julgador de primeira instância, o contribuinte trouxe aos autos (fl. 7 e 85) recibo do prestador de serviço com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas – CPF. Fl. 122DF CARF MF Processo nº 13876.720410/201184 Acórdão n.º 2402006.326 S2C4T2 Fl. 119 9 Assim, inexistindo vício formal no documento apresentado, impõese o restabelecimento da dedução glosada pela fiscalização. Ø Despesas de R$ 7.200,00 para MARISA HELENA AGOSTINI FONTANA. Motivo da Glosa: * O recibo apresentado não esclarece quem foi o paciente tratado. Os recibos apresentados carecem do endereço do local onde foram prestados os serviços, não satisfazendo, portanto, às exigências contidas no artigo 80, inciso III do RIR 99. Correta a fiscalização neste particular. O contribuinte apresentou diversos recibos emitidos por Marisa Helena A. Fontana, no valor total de R$ 7.200,00, os quais, entretanto, não atendem integralmente aos requisitos legais, na medida em que não trazem o endereço do beneficiário. Registrese, pela sua importância, que a ausência do endereço foi um dos motivos aduzidos pela fiscalização para promover a glosa dos respectivos valores. Assim, o contribuinte poderia ter sanado essa lacuna com a apresentação da impugnação ou, até mesmo, do recurso voluntário em análise, mas não o fez. Procedente a glosa neste particular. Ø Despesas de R$ 9.985,00 para VERA CRUZ ASSOCIAÇÃO DE SAÚDE. O comprovante anual tem o valor de R$ 8.249,34. Em face do exposto foi glosada a diferença de R$ 1.736,56 No que tange à glosa em voga, o contribuinte, por meio do seu recurso voluntário, reconhece a procedência desta. Ø Despesas de R$ 420,00 para CECÍLIA AFONSO FERREIRA Motivo da Glosa: * Declarou despesas médicas no valor de R$ 420,00 para CECILIA AFONSO FERREIRA. Regularmente intimado, não apresentou os comprovantes. Razão não assiste à fiscalização e, por conseguinte, ao órgão julgador de primeira instância que corroborou o entendimento daquela. De fato, o contribuinte logrou trazer aos autos recibo emitido pelo prestador de serviço contendo todos os requisitos exigidos pela legislação de regência da matéria. Registrese, pela sua importância, que, no recibo em análise, consta como pagador (tomador do serviço, conforme entendimento exposto linhas acima), a Sra. Betânia Binnoto de Oliveira, a qual consta como sua dependente na Declaração de Ajuste Anual. Fl. 123DF CARF MF 10 Assim, considerando que as despesas médicas relativas ao tratamento de dependentes, nos termos da legislação supra transcrita, podem ser levadas à dedução e que o recibo apresentado não contém vícios formais, impõese o afastamento da glosa em questão. Ante o exposto, concluo o voto no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, para fins de restabelecer a dedução de despesas médicas comprovadas pelo contribuinte por meio dos respectivos recibos nos termos acima descritos, no montante de R$ 54.740,00 (cinquenta e quatro mil, setecentos e quarenta reais), conforme abaixo demonstrado: Nome / Razão Social do Beneficiário Valor Glosado (R$) SANTE ASSISTÊNCIA MÉDICA LTDA 46.000,00 CELSO CARVALHO FERRARI 5.720,00 RUBENS ANTONIO ARANHA FILHO 2.600,00 CECILIA AFONSO FERREIRA 420,00 54.740,00 GLOSAS AFASTADAS Por conseguinte, ficam mantidas as seguintes glosas: Nome / Razão Social do Beneficiário Valor Glosado (R$) MARISA HELENA AGOSTINI FONTANA 7.200,00 VERA CRUZ ASSOCIACAO DE SAUDE 1.736,56 8.936,56 GLOSAS MANTIDAS É como voto. (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior Voto Vencedor Mauricio Nogueira Righetti, Redator Designado. Em que pese as muito bem articuladas fundamentação e conclusão do voto condutor, delas ouso discordar. O ponto de discordância resumese, podese assim dizer, à necessidade de o contribuinte comprovar, após regularmente intimado, a transferência do numerário em função das despesas com profissionais da área médica, de que pretendeu se valer por meio de recibos apresentados à Fiscalização. Fl. 124DF CARF MF Processo nº 13876.720410/201184 Acórdão n.º 2402006.326 S2C4T2 Fl. 120 11 Faço registrar as considerações promovidas pela autoridade autuante. Confirase: A base legal para dedução de despesas dessa natureza é a alínea "a" do inciso II do artigo 8º da Lei 9.250/95, que assim estabelece: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (destaquei) § 2º O disposto na alínea a do inciso II: (...) II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; Fl. 125DF CARF MF 12 III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; Vejase, não basta que tenha havido a despesa. É imprescindível que tenha sido efetivamente PAGA pelo contribuinte. De Início, a despesa reputase comprovada por meio da indicação do nome, endereço e nº do CPF de quem recebeu o pagamento, sendo que, por outro lado, a comprovação do efetivo pagamento não se dá, por óbvio e necessariamente, por meio dessa mera indicação. Da leitura do dispositivo encimado, inferese que não basta que haja um pagamento a determinada pessoa, há de se comprovar a natureza da despesas e/ou motivo que deu azo a tal pagamento; da mesma forma, não basta que haja a despesa descrita e evidenciada por meio da indicação do nome, endereço e CPF do profissional que prestou o serviço, há de se comprovar seu efetivo pagamento por parte do contribuinte. Assim, penso que há de se comprovar, quando intimado, o pagamento de despesas dessa natureza, aí entendida a transferência do numerário pelo contribuinte àquele que teria prestado o serviço cuja despesa é dedutível para fins de apuração do IR, sobretudo quando o Fisco, a seu juízo, evidencia a necessidade de que assim seja feito, em função, por exemplo, da ocupação do contribuinte (em regra, profissionais liberais), valores envolvidos (em geral, abaixo do limite de isenção por emitente dos recibos), expressividade das despesas médicas em comparação aos rendimentos tributáveis declarados, tipo das despesas médicas envolvidas (a rigor, com fisioterapeutas, fonoaudiólogos, psicólogos, dentistas, via de regra não cobertos por planos de saúde), dentre outros. Não é por outro motivo que o artigo 73 do Decreto 3.000/99 estabelece que "todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora". Nessa linha, cumpre destacar as observações promovidas pelo acórdão vergastado, no que toca à despesa com a Sante Assistência Médica Ltda, cuja nota fiscal daria conta de seu pagamento em cheque, e à comprovação do efetivo pagamento daquelas despesas, ainda que referidos pagamentos tivessem se dado em espécie. Fl. 126DF CARF MF Processo nº 13876.720410/201184 Acórdão n.º 2402006.326 S2C4T2 Fl. 121 13 Assim sendo, uma vez não atendida a intimação, no sentido de que fosse comprovado o desembolso para pagamento das despesas com aqueles profissionais, tenho que a manutenção do lançamento é um imperativo. Ante o exposto, VOTO no sentido de NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Fl. 127DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.952199/2009-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3401-001.444
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade da RFB analise os documentos anexados ao processo, posteriormente ao início do contencioso, elaborando relatório conclusivo sobre a existência do crédito postulado, vencidos os Cons. Lázaro Antonio de Souza Soares, Mara Cristina Sifuentes e Marcos Roberto da Silva.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Relatório
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade da RFB analise os documentos anexados ao processo, posteriormente ao início do contencioso, elaborando relatório conclusivo sobre a existência do crédito postulado, vencidos os Cons. Lázaro Antonio de Souza Soares, Mara Cristina Sifuentes e Marcos Roberto da Silva. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório 1. Cuida o presente processo de Pedido de Compensação referente a Pagamento Indevido ou a Maior de Cofins, solicitado através do PER/DCOMP. 2. O Interessado foi cientificado, através de Despacho Decisório de que, a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PerDcomp. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada não foi homologada. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 53 74 .9 52 19 9/ 20 09 -2 9 Fl. 433DF CARF MF Processo nº 15374.952199/200929 Resolução nº 3401001.444 S3C4T1 Fl. 3 2 3. O Interessado apresentou Manifestação de Inconformidade, onde afirma que a origem do crédito foi a mudança no critério de apuração das contribuições para o PIS e Cofins do sistema Não Cumulativo para o Cumulativo. A nova sistemática havia sido adotada pois os contratos geradores da receita operacional da empresa foram firmados antes de outubro de 2003. Feita a opção pela "cumulatividade" a empresa apurou créditos, pois ao examinar sua documentação contábil e fiscal constatou recolhimentos efetuados a maior que o devido. 4. Alega que efetuou pagamento a maior, mas que deixou de fazer, em data oportuna, a devida retificação da DCTF, o que resultou na emissão do Despacho Decisório em discussão negando o crédito. Posteriormente, no entanto, efetuou a retificação dessa DCTF, alterando, entre outros, o valor devido. Esse procedimento originou um crédito solicitado, que corresponde ao pagamento efetuado a maior que a contribuição efetivamente devida. 5. Nenhuma demonstrativo/documentação contábil foi anexada à Manifestação de Inconformidade. 6. A DRJ/BHE, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, entendendo que a DCTF retificada após a ciência do despacho decisório não constitui prova nem tem nenhuma força de convencimento e só pode ser considerada como argumento de impugnação, não produzindo efeitos quando reduz débitos que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. 7. Em sua decisão, afirma que no presente caso, o contribuinte não comprova o erro ou a falsidade da declaração entregue. Apenas informa que a origem do crédito foi a mudança no critério de apuração das contribuições para o PIS e Cofins do sistema Não Cumulativo para o Cumulativo, sem contudo apresentar nenhum documento contábil ou fiscal que comprove as suas afirmações. 8. Irresignado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, no qual esclarece ser sociedade concessionária de transmissão de energia elétrica e que, em 19 de dezembro de 2002, celebrou com a UNIÃO, por intermédio da ANEEL, o Contrato de Concessão n° 081/2002, por meio do qual se comprometeu na construção, operação e manutenção das instalações da Linha de Transmissão Uruguaiana/Santa Rosa, pelo prazo de 30 (trinta) anos. 9. Esclarece ainda que, muito embora seja obrigatoriamente contribuinte da COFINS nãocumulativa, uma vez que recolhe o imposto de renda com base no lucro real, na ocasião da compensação todas as suas receitas, que eram decorrentes do contrato de concessão de transmissão de energia elétrica, eram tributadas no regime cumulativo previsto na Lei n° 9.718/98, por força do artigo 10, da Lei n° 10.833/2003. 10. Informa que, muito embora o regime cumulativo fosse a regra aplicável à tributação das suas receitas, por um longo tempo (até novembro de 2005), dúvidas existiam acerca do que exatamente contemplaria a expressão "preço predeterminado", uma das condições estabelecida no citado artigo 10, da Lei n° 10.833/2003, principalmente por conta do art. 2º da Instrução Normativa n° 468, de 08/11/2004, que regulamentava a questão. 11. Frente à insegurança jurídica estabelecida pela norma executiva RFB, a Recorrente se viu compelida a apurar e recolher a COFINS nãocumulativa, calculada sobre suas receitas negociais, por um longo tempo (de 2004 até 2006). No entanto, após a edição da Lei n° 11.196/2005, foi instituído que, para efeitos do disposto nas alíneas b e c, do inciso XI, Fl. 434DF CARF MF Processo nº 15374.952199/200929 Resolução nº 3401001.444 S3C4T1 Fl. 4 3 do art. 10, da Lei n° 10.833/2003, o mero reajuste de preços não descaracteriza a condição de predeterminação do preço. 12. Afirma que a RFB, em 06/07/2006, publicou a Instrução Normativa SRF n° 658/2006, a qual manteve o entendimento de "preço predeterminado", conforme a regra estabelecida no artigo 109, da Lei n° 11.196/2005. Tal ato normativo retroagiu os seus efeitos a partir de 1º de fevereiro de 2004, conforme dispõe o seu inciso I, do artigo 7º. Vale dizer, para os contratos que atendem todas as condições insertas nas alineas "b" e "c", do inciso XI, do artigo 10, da Lei n° 10.833/2003, o regime de apuração da COFINS seria o cumulativo. 13. Portanto, somente depois de restabelecida a segurança jurídica, assegurada pela Lei n° 11.196/2005 e pela Instrução Normativa SRF n° 658/2006, foi que a Recorrente recompôs a base imponível da COFINS, calculada com base no regime cumulativo. 14. Apresentou documentação que alega confirmar seu pleito. 15. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3401001.440, de 27 de agosto de 2018, proferido no julgamento do processo 15374.948190/200913, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3401001.440): "A questão de fato conforme relatado, tem repercussão na dupla forma de apuração, declaração e recolhimento das Contribuições Sociais PIS/PASEP e COFINS, para o período em referência. A regra geral para a Recorrente é a do regime não cumulativo, porém, possuía contratos sujeitos ao regime cumulativo por força da Lei 9.718/98 e art. 10 da Lei nº 10.833/2003. Essa realidade demonstrada pela interessada com a juntada de contratos para os quais a incidência das contribuições se daria no regime cumulativo, não deixou dúvida para o fisco. Dessa forma, a revisão dos valores apurados e declarados fora do regime não apropriado, passou a ser imprescindível, devendo ser corrigido de acordo com o permissivo legal. E foi isso que a Contribuinte fez, retificou a DCTF e o DACON, anexandoos nos autos. O DACON Retificador fez constar em suas fichas de apuração das contribuições, que a totalidade de sua receita para o período de referência se submetia à incidência cumulativa, portanto, passou a ser “zero” o valor para o regime não cumulativo. Juntou, também, no processo, planilha demonstrando as diferenças apuradas das contribuições para o PIS e a COFINS, com impacto no mês de Fl. 435DF CARF MF Processo nº 15374.952199/200929 Resolução nº 3401001.444 S3C4T1 Fl. 5 4 dezembro de 2005, mês de referencia do crédito indicado no PER/DCOMP. Por outro lado, a decisão de piso firmou entendimento na ausência de provas, que o contribuinte não provou o erro em suas declarações, que só a mudança no critério de apuração das contribuições não seria suficiente, necessitaria da juntada de documentos contábeis e fiscais como prova de suas afirmações. Diante dessa posição externada pela DRJ a Recorrente juntou contratos e esclareceu ser sociedade concessionária de transmissão de energia elétrica e que, em 19 de dezembro de 2002, celebrou com a UNIÃO, por intermédio da ANEEL, o Contrato de Concessão n° 081/2002, por meio do qual se comprometeu na construção, operação e manutenção das instalações da Linha de Transmissão Uruguaiana/Santa Rosa, pelo prazo de 30 (trinta) anos. O direito a compensação como forma de extinção de crédito tributário tem amparo legal no art. 156, II do CTN e a IN 900/2008 da RFB, estabelece em seu art. 34 que: Art. 34. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela RFB, ressalvadas as contribuições previdenciárias, cujo procedimento está previsto nos arts. 44 a 48, e as contribuições recolhidas para outras entidades ou fundos. O ponto central da controversa fisco/contribuinte está no fato de ter sido transmitida DACON e DCTF Retificadora em data posterior ao de ciência do Despacho Decisório, o que teria acarretado a perda da espontaneidade. Dessa forma, só a apresentação de DCTF retificadora não seria mais suficiente para atestar a liquidez e certeza do crédito, necessitava o interessado trazer elementos hábeis a desconstituir a confissão do débito que fez na DCTF originalmente transmitida. Entendo que a documentação carreada aos autos demonstra ser suficiente para comprovar o cometimento de erro na informação do valor devido de COFINS para o mês de dezembro/2005, saneado através da transmissão de declarações retificadoras do DACON e DCTF. Dessa forma, não cabe ao CARF suprir deficiência instrutória ainda que em sede de compensação. Assim estabelecem os artigos 10 e 11 da IN RFB nº 903/2008: Art. 10. Os valores informados na DCTF serão objeto de procedimento de auditoria interna. (...) Fl. 436DF CARF MF Processo nº 15374.952199/200929 Resolução nº 3401001.444 S3C4T1 Fl. 6 5 Art. 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. Não podem as autoridades administrativas omitirse de analisar a materialidade dos débitos e créditos em compensação, eis que do contrário comprometem a regularidade do processo administrativo de restituição e compensação de tributos, cuja implicação é a manifesta nulidade nos termos do art. 59, II do PAF (Decreto nº 70.325/1972). O fato relacionado a apresentação de DCTF retificadora em data posterior a emissão de Despacho Decisório, já tem entendimento assentado na jurisprudência deste Conselho. Citase, por exemplo, o julgado da 3ª Turma da CSRF no acórdão nº 9303005.396, de 25/07/2017, que analisando caso semelhante manteve decisão proferida no acórdão da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário. De onde se extrai: “que a DCTF retificadora, nas hipóteses admitidas por lei, tem os mesmos efeitos da original, podendo ser admitida para comprovação da certeza e liquidez do crédito, ainda que transmitida após a prolação do despacho decisório”. Por outro lado “O crédito tributário da Contribuinte e seu direito à restituição/compensação não nascem com a apresentação da DCTF retificadora, mas sim com o pagamento indevido ou a maior”. A administração tributária nos dá orientação sobre o tema, através do Parecer Cosit nº 02/2015,de 28 de agosto de 2015, cuja ementa se deu nos seguintes termos: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Fl. 437DF CARF MF Processo nº 15374.952199/200929 Resolução nº 3401001.444 S3C4T1 Fl. 7 6 Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. (...) A essência dos fatos superam, nesse caso, eventuais erros de conduta formal do contribuinte, devendo prevalecer o princípio da verdade material no processo administrativo, a busca pela aproximação entre a realidade factual e sua representação formal. Ante o exposto, voto em converter o julgamento em diligência para que a unidade da RFB analise os documentos anexados ao processo, posteriormente ao início do contencioso, elaborando relatório conclusivo sobre a existência do crédito postulado. Seja cientificada a recorrente para que esta, se assim lhe convier, manifestese no prazo de 30 dias." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que a unidade da RFB analise os documentos anexados ao processo, posteriormente ao início do contencioso, elaborando relatório conclusivo sobre a existência do crédito postulado. Seja cientificada a recorrente para que esta, se assim lhe convier, manifestese no prazo de 30 dias. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 438DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10932.000290/2007-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Data do fato gerador: 31/03/2002, 30/06/2002, 30/09/2002, 31/12/2002
Ementa:
DECADÊNCIA. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. RECONHECIMENTO DE OFÍCIO.
Por ser matéria de ordem pública, a decadência deve ser declarada a qualquer tempo, inclusive de oficio. Tratando-se de tributos sujeitos ao pagamento por homologação e tendo havido pagamentos nos períodos lançados mantém-se a decisão que reconheceu ter se consumado o prazo decadencial, nos termos do art. 150, § 4° do Código Tributário Nacional.
OMISSÃO DE RECEITAS APURADA COM BASE EM OMISSÃO DE COMPRAS. LEVANTAMENTO QUANTITATIVO POR ESPÉCIE.NAO REALIZADO. INFRAÇÃO -1\1;6n0 CARACTERIZADA.
Para a caracterização da infração imputada incumbiria A. autoridade lançadora demonstrar que a omissão do registro das compras em livros comerciais e/ou fiscais se refletiu quantitativamente no estoque da fiscalizada, de modo a
caracterizar que esses produtos foram revendidos à margem da escrituração fiscal e contábil e apurar o valor das omissões com base nos respectivos pregos médios de venda ou de compra, nos termos dos parágrafos 2° e 3° do art. 286 do RIR/1999.
Numero da decisão: 1302-000.947
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária do primeira
SEÇÃO DE JULGAMENTO, em negar provimento ao recurso de oficio, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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FL 1446 SI-C3T2 FL 1.387 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n" 10932.000290/2007-17 RectirL;o n° 905.962 De Oficio Acórdão n° 1302-00.947 — 3' Camara / 2 Turma Ordinária Sessão de 05 de julho de 2012 Matéria IRPJ-Omissão de Compras Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado FORT HOUSE PRODUTOS MÉDICO HOSPITALARES ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Data do fato gerador: 31/03/2002, 30/06/2002, 30/09/2002, 31/12/2002 Ementa: DECADÊNCIA. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. RECONHECIMENTO DE OFÍCIO. Por ser matéria de ordem pública, a decadência deve ser declarada a qualquer tempo, inclusive de oficio. Tratando-se de tributos sujeitos ao pagamento por homologação e tendo havido pagamentos nos períodos lançados mantém-se a decisão que reconheceu ter se consumado o prazo decadencial, nos termos do art. 150, § 4° do Código Tributário Nacional. OMISSÃO DE RECEITAS APURADA COM BASE EM OMISSÃO DE COMPRAS. LEVANTAMENTO QUANTITATIVO POR ESPÉCIE.NAO REALIZADO. INFRAÇÃO -1\1;6■ 0 CARACTERIZADA. Para a caracterização da infração imputada incumbiria A. autoridade lançadora demonstrar que a omissão do registro das compras em livros comerciais e/ou fiscais se refletiu quantitativamente no estoque da fiscalizada, de modo a caracterizar que esses produtos foram revendidos à margem da escrituração fiscal e contábil e apurar o valor das omissões com base nos respectivos pregos médios de venda ou de compra, nos termos dos parágrafos 2° e 3° do art. 286 do RIR/1999. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3' câmara / 2' turma ordinária do primeira SEÇÃO DE JULGAMENTO, em negar provimento ao recurso de oficio, nos termos do voto do relator. Marcos Rodrigues de Mello - Presidente 1.Jooumenta assinado contorail.; 1».+ ilent:cado riigOinonte oro 24i6912012 por UZ IU vA TO,SNHO MAC; iADO 1fEMA NOri'-117nA SOU7?, Fl. 1458DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2013 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA H. 1447 S1 -C3T2 Fl. 1.388 CARL ML Processo n° 10932.000290/2007-17 Acórdão n.° 1302-00.947 AO, 40" - • L- uiz-Ta—deu Matosinho Machado - Relator ED rTA DO t i: DJJJ-»Oi3 articiparam do presente julgamento, os Conselheiros Marcos Rodrigues de Mello, Eduardo de Andrade, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Paulo Roberto Cortez, Marcio odrigo Frizo e Cristiane Silva Costa. It 241/i);.,,,r) 'do :q intet,rn 24/00,2012 t.op; I.. j',L I RE.'-.1.! 2 0211012012 pc' MOEMA NOC3(J1-Y.iRA SOUZA Fl. 1459DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2013 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CAIZI: NIT FT. 1448 Processo n° 10932.000290/2007-17 S1-C3T2 Acórdão n.° 1302-00.947 Fl. 1.389 Relatório FORT HOUSE PRODUTOS MEDICO HOSPITALARES, já qualificada nestes autos, foi autuada e intimada a recolher crédito tributário no valor total de R$ 8.133.525,28, discriminado no Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo, 11 03. Cientificada dos lançamentos, em 25/06/2007, na pessoa de sua representante legal (cf. 3 a Alteração e Consolidação de Contrato Social, de fls. 741/746), a contribuinte protocolizou a impugnação de fls. 738/740, em 24/07/2007, alegando em sua defesa as razões de fato e de direito sintetizadas no relatório do acórdão recorrido que adoto, in verbis: Após explicitar a fundamentação da autuação e dos documentos de suporte, contesta a afirmação de que a empresa não teria apresentado os esclarecimentos sobre as diferenças apuradas, em suas palavras: • "tivemos três reuniões na sede da empresa onde sempre foi dito ao Sr. Ciro que estaríamos inteiramente A. disposição para esclarecimentos bem como estaria sempre disponível todo e qualquer documento necessário ao andamento da fiscalização"; • "quanto a esclarecimentos das diferenças, essas nunca foram apresentadas de forma clara, apenas dito que havia discrepância entre os dados"; • "diversas vezes informamos ao Sr. Ciro que todas as notas fiscais de venda efetivamente foram tributadas e escrituradas e os valores declarados no IRPJ eram a expressão de verdade"; • "também foi dito ao Sr. Ciro que os LIVROS DE ENTRADAS E SAiDAS DO ICMS estavam em desacordo com a legislação, por conterem erros que vamos demonstrar a seguir"; • "na ocasião, foi dito também que tais livros já haviam sido objeto de lançamento formal emitido pela Secretaria de Fazenda do Estado de São Paulo". Reafirma que não espelham a realidade das operações as informações constantes das planilhas do Anexo I — Receitas 2002 (Livro Registro de Saídas, Livro Apuração de ICMS e Livro Registro de Serviços Prestados) e do Anexo VI — Compras 2002 (Livro Registro de Entradas). Nas palavras da defesa: "3) RECEITAS FATURADAS — VENDAS Conforme Notas Fiscais emitidas e todas disponibilizadas a esta fiscalização demonstramos através da Planilha (anexo IV), as receitas efetivas das operações de vendas a saber: • RECEITAS DE VENDAS DE PRODUTOS R$ 10.123.582,12 • RECEITA DE VENDAS DE SERVIÇOS R$ 210.547,90 (y. n n 2 %::J2-2 dc: 24/02:)01 pc))))...),J)2 )Afii_LJ N4A1()S))\))--)0 MP , C)-;ADC ))))11) ))/ . 1'));(())),' )),) M) ) ))FMA )\ , 02', 1_;EIT;ts SO,;/A Fl. 1460DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2013 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA Dr ('ARI7 ii Fl, 1449 Processo n° 10932.000290/2007-17 Sl-C3T2 Acórdão n.° 1302-00.947 Fl. 1.390 • RECEITA TOTAL R$ 10.334.130,02 • RECEITA CONFORME DIPJ R$ 10.335.530,19 4) COMPRAS DE PRODUTOS Conforme Notas Fiscais recebidas e todas devidamente escrituradas contabilmente, bem como liquidadas junto aos respectivos fornecedores, as operações de compras de mercadorias conforme planilha (anexo V) são: • COMPRAS DE MERCADORIAS R$ 6.793.093,90 • COMPRAS CONFORME D1PJ R$ 5.956.903,10" 5) CONCLUSÃO Diante dos documentos anexos e planilhas que fazem parte integrante desta IMPUGNAÇÃO, fica claro que houve erro grave de interpretação dos documentos manuseados, bem como não houve confrontação dos documentos físicos apresentados com os dados transcritos de forma errônea por nossa empresa. Fica claro que os LIVROS DE ENTRADAS E SAÍDAS não espelham a realidade das operações de compra es venda, também claro que tal documento já foi objeto de verificação e multa formal por parte da Secretaria de Fazenda do Estado de Sao Paulo. De forma alguma o nobre fiscal considerou os demais documentos apresentados, mesmo estes estando em seu poder, apenas limitou-se a considerar os valores totais dos livros de entrada e saída e pior maquilou os CFOP, deixando claramente de excluir os valores de operações adversas as operações de compra e venda, conforme demonstra o anexo VI. Não resta dúvidas do erro técnico, o que torna nulo o Auto de Infração, uma vez demonstrado que todos os valores efetivamente oriundos das operações, que resultam em RECEITAS e DESPESAS, foram escrituradas e tributadas na forma da legislação em vigor". Para amparar as razões de defesa apresentadas, a contribuinte procedeu juntada ao processo das seguintes planilhas assim designadas: 1. ANEXO IV — PLANILHAS DE NOTAS FISCAIS DE VENDAS de fls. 874/1049, nas quais estão arroladas as notas fiscais de venda, por nilmero, cliente, n° do pedido, data da fatura e valor, totalizadas mensalmente, por número total de notas fiscais emitidas e valor total; 2. ANEXO V — PLANILHAS DE NOTAS FISCAIS DE COMPRAS de fls. 1050/1103, nas quais estão arroladas as notas fiscais de compra, por fornecedor identificado pela denominação social, n° da nota fiscal de entrada, data, n° da nota fiscal, n° de parcelas, valor da nota e total a pagar, totalizadas mensalmente por valor; 3. ANEXO VI — PLANILHAS DEMONSTRAÇÕES DAS EXCLUSÕES de fls. 1104/1109, nas quais dos valores mensais e anuais das saídas e das entradas anteriormente demonstrados nos ;sd oq411 MP ;1' 2 221 2 de 24 ,02i2C,ç;1 • '! •,, r1'. 24 , 09[2012 poi' LUZ VIAC. 7012 p01 moE:vit, NOGUE;RA 4 r —12 Fl. 1461DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2013 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA ;Dr CAM MI. 1450 Processo n° 10932.000290/2007-17 SI -C3T2 Acórdão n.° 1302-00.947 Fl. 1.391 anexos IV e V são procedidas exclusões com base no Código Fiscal de Operações e de Prestações — CFOP. A 2' Turma da DRJ em CAMPINAS analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão n°05-31.317, de 09 de novembro de 2010 (fls. 1152/1160), considerou improcedente o lançamento com a seguinte ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/03/2002, 30/06/2002, 30/09/2002, 31/12/2002 Decadência. Pronunciamento de Oficio. Por força do principio da moralidade administrativa, a decadência do direito de efetuar o lançamento, configurando hipótese de extinção da obrigação tributária principal formalizada a destempo, deve ser reconhecida de oficio, independentemente de pedido do interessado. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/03/2002, 30/06/2002, 30/09/2002, 31/12/2002 • Decadência. Lançamento por Homologação. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação e quando efetuado o pagamento antes de qualquer procedimento de oficio, para constituir de oficio o crédito tributário, o Fisco dispõe de 5 (cinco) anos a contar da data de ocorrência do fato gerador. Deve ser cancelada a parte da exigência formalizada a destempo. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Data do fato gerador: 31/03/2002, 30/06/2002, 30/09/2002, 31/12/2002 Omissão de Receita. Falta de Contabilização de Compras. Constatada a ocorrência de compras não contabilizadas, deve o contribuinte ser intimado a comprovar a origem dos recursos utilizados para os pagamentos das referidas compras. Apenas se não comprovada a origem dos recursos é que pode ser efetuado o lançamento por omissão de receitas. Omissão de Receita. Falta de Contabilização de Vendas. válida a imputação de omissão de receitas verificada no confronto entre as notas fiscais emitidas e a escrituração dos livros fiscais (livros Registro de Saídas e de Apuração de 'CMS) e a escrituração comercial e as declarações apresentadas Secretaria da Receita Federal do Brasil - RFB. ao r, ccc rC 2,2(,(. -2 se 2Ii12 0/2001 Auteacado digit firii 24 C22 2 pc impresso em 02/1(201? moEmA Fl. 1462DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2013 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA 1)1 CAR!' Processo n' 10932.000290/2007-17 Acórdão n.° 1302-00.947 FL 1451 S1-C3T2 Fl. 1.392 Os erros porventura ocorridos na escrituração devem ser regularmente comprovados mediante a apresentação de documentação hábil e idônea. Impugnação procedente em parte Crédito tributário mantido em parte. Como a exoneração de credito tributário superou o limite de alçada (R$ 1.000.000,00), a Turma Julgadora recorreu de oficio a este Colegiado com base no art. 34 do Decreto n° 70.235/1972, com as alterações introduzidas pela Lei n° 9.532/1997, e na Portaria MF n' 3/2008. A interessada não apresentou recurso voluntário, conforme despacho de fls. 1377, sendo que o crédito tributário mantido foi transferido para o processo n° 10943.000004/2011-62, conforme informação as fls. 1384. o Relatório. <Pgitalme.nte corlomv,, o 2002 d 2,„"0 8'2 ():31 NrIte er,■ 2412012012 por Lji 0 2012 1 101 11 : NOGUER/4 Fl. 1463DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2013 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA D1 CARE ME El. 1452 Processo n° 10932.000290/2007-17 SI-C3T2 Acórdão n.° 1302-00.947 Fl. 1.393 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, Relator Quanto h. admissibilidade do recurso de oficio, deve-se ressaltar a modificação introduzida pelo art. 1° da Portaria MF n° 3, de 03/01/2008, publicada no DOU de 07/01/2008, a seguir transcrito: Art. 10 0 Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de oficio sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a RS 1.000.000,00 (um milhão de reais). No caso em tela , ao somar os valores correspondentes a tributo e multa exonerados em primeira instância, verifico que superam o limite de um milhão de reais, estabelecido pela norma em referência. Portanto, mesmo com a alteração do limite de alçada, o recurso de oficio permanece cabível, e dele conheço. Quanto ao mérito, aprecio inicialmente a questão da decadência reconhecida de oficio pela turma julgadora de primeira instancia. 1. Da Decadência parcial das contribuições ao Pis/Cofins O acórdão de primeira instância reconheceu de oficio a decadência do lançamento relativo ao Pis e à Cofins referentes aos períodos de apuração encerrados até o mês de maio de 2002. A relatora do acórdão recorrido observou que o sujeito passivo declarou as ditas contribuições em DCTF e efetuou os correspondentes pagamentos mensais. Assim, tratando-se de tributos sujeitos ao pagamento por homologação e tendo havido pagamentos nos períodos citados reconheceu ter se consumado a decadência, nos termos do art. 150, § 4' do Código Tributário Nacional. Fundamentou o seu entendimento no acórdão do Superior Tribunal de Justiça — STJ, em Recurso Repetitivo, prolatado no Recurso Especial n°973.733 - SC (2007/0176994- 0), relatado pelo Ministro Luiz Fux. A jurisprudência predominante entende que a decadência é questão de ordem pública, devendo ser reconhecida inclusive de oficio, conforme acórdão proferidos pelo Superior Tribunal de Justiça, in verbis: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTA' RIO — AGRAVO REGIMENTAL — DECADÊNCIA — LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO (ART. 150, § 4° E 173 DO CTN) — NULIDADE ABSOLUTA — CONHECIMENTO EX OFFICIO — LIMITES DO RECURSO ESPECIAL mentr, a:, ;(4fo,ent(,:. co tcr no n 2, 2(:1:: 2 do 2410',-;i2;')1 : OO oro 24 ICA):2G I 2 por 7t\DEJ MAT OSINFIO MAC, ) em Ü7dP or MOEMA NCGUE Fl. 1464DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2013 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA 1)1 C RF Mr' FL 1453 Processo n° 10932.000290/2007-17 sl-C3T2 Acórdão n.° 1302-00.947 Fl. 1.394 1. 0 prequestionamento é exigência indispensável ao conhecimento do recurso especial, fora do qual não se pode reconhecer sequer as nulidades absolutas. 2. A mais recente posição doutrinária admite sejam reconhecidas nulidades absolutas ex officio, por ser matéria de ordem pública. Assim, se ultrapassado o juízo de conhecimento, por outros fundamentos, abre-se a via do especial (Súmula 456/STF). 3. Hipótese em que se conheceu do recurso especial por violação do art. 161 do CTN, ensejando no seu julgamento o reconhecimento ex officio da decadência. 4. Nas exaçães cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, conta-se o prazo decadencial partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, 5S' 40, do CT1V). Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. Em normais circunstâncias, não se conjugam os dispositivos legais. Precedentes das Turmas de Direito Público e da Primeira Seção. 5. Hipótese dos autos em que não houve pagamentos antecipados, aplicando-se a regra do art. 173, I, do CTN. 6. Crédito tributário fulminado pela decadência, nos termos do art. 156, V do CTN. 7. 0 julgamento do recurso especial com observância as regras técnicas que the são inerentes não importa em negativa de prestação jurisdicional, supressão de instância ou contrariedade a qualquer dispositivo constitucional, inclusive aos princípios do devido processo legal, ampla defesa ou contraditória. 8. Agravo regimental provido para prover em parte o recurso especial e reconhecer, de oficio, a decadência. AgRg no AGRAVO DE INSTRUMENTO N° 939.714 - RS (2007/0194706-8) — Relatora Ministra Eliana Cahnon — .Dje 21/02/2008 PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. DECADÊNCIA. MA TERIA DE ORDEM PÚBLICA. 1. A decadência, por ser matéria de ordem pública, deve ser declarada a qualquer tempo, perante as instâncias ordinárias, até de oficio. Precedentes. 2. Não havendo apreciação pela Corte de apelação sobre a alegada decadência dos créditos tributários cujos fatos geradores remontam ao ano de 1999, cabe o retorno dos autos ao Tribunal de origem a fim de que novo julgamento seja proferido. diwtamie'ne contofm;) en em em 24:09'2012 por LU;/.. F,IATOSU* 02: 1 0»44 1? pm M4)171,,Itt NOGUFIRA SOIZA 1 ) 8 Fl. 1465DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2013 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA DIs CAR!' MI' H. 1454 Processo n° 10932.000290/2007-17 SI -C3T2 Acórdão n.° 1302-00.947 Fl. 1.395 3. Prejudicialidade das demais questães suscitadas. 4. Recurso especial conhecido em parte e provido. RECURSO ESPECIAL N° 1.082.600 - PR (2008/0185333-7) — Relator Ministro Castro Meira— DJe 17/03/200. Ante ao exposto e tendo a decisão recorrida adotado o entendimento exarado no acárddo proferido pelo STJ no REsp. n° 973.733/SC, no âmbito de recursos repetitivos, nos termos do art. 62-A do Regimento Interno do CARF, voto por negar provimento ao recurso de o fie o nesta parte. 2. Da imputação de omissão de receitas apurada com base em omissão de compras. A autoridade fiscal entendeu ter ocorrido omissão de receitas caracterizada pela não contabilização de custos, fundamentando a infração no art. 41 da Lei n° 9.430/1996 e no art. 286 do Regulamento do Imposto de Renda RIR11999 (Decreto n°3.000/1999). A decisão recorrida entendeu que a infração não restou caracterizada, na medida em que a própria autoridade fiscal reconheceu em seu termo de verificação fiscal que não encontrou irregularidades ao verificar, por amostragem, a comprovação da origem dos recursos utilizados no pagamento das compras, conforme excerto do voto abaixo transcrito: No que diz respeito à exigência constituída com fundamento na omissão de receitas por falta de contabilização de compras, o lançamento somente poderia subsistir se o contribuinte não tivesse conseguido comprovar a origem regular dos recursos utilizados nas aquisições. Conforme fez constar a fiscalização do termo de constatação acima transcrito, o contribuinte foi intimado no curso do procedimento (fls. 43) a apresentar a documentação que comprovasse a origem dos recursos utilizados no pagamento de suas compras, e a verificação, por amostragem, da documentação apresentada ndo teria indicado irregularidades. Transcreve-se novamente o excerto mencionada para que não pairem dúvidas: Intimamos o contribuinte a apresentar documentação que comprove a orient dos recursos utilizados para o pagamento de suas compras (lis . 43) e a verificação, por amostragem, da documentação apresentada não indicou irregularidades. Diante dos fatos assim descritos, não pode subsistir a imputação de omissão de receitas, por falta de contabilização de compras, haja vista que a contribuinte teria comprovado a origem dos recursos utilizados, e conforme expressainente consignado, a regularidade fiscal dos recursos assim utilizados — tratar-se-ia de recursos não tributáveis ou de recursos tributáveis oferecidos à tributação. Mais adiante o voto vencedor observa ainda que a auditoria realizada limitou- se ao "simples confronto entre as notas fiscais de compra, a escrituragdo fiscal e a escrituraçao comercial", quando seria necessária uma "auditoria quantitativa nos estoques da empresa", para atender ao dispositivo legal que prevê a apuração de_ceceitas com base em levantamento quantitativo por espécie. Lyoc,e , Ito radc „p6nte cocf-otrne M n 2. 2 -.2 de 24/0512.k1 24!Nt2s.f112 LUZ M,ACÍOSNI - ',0 (2 MOE Fl. 1466DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2013 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA DI-. CAR!? NV 1 !455 Processo n° 10932.000290/2007-17 SI-C3T2 Acórdao n.° 1302-00.947 Fl. 1.396 Não me afigura que seja essencial para a caracterização da hipótese legal invocada para dar suporte ao lançamento que o contribuinte não tenha logrado demonstrar a origem dos recursos utilizados para os pagamentos das compras não escrituradas, como sustenta a decisão recorrida. Tal situação seria indispensável para caracterizar a omissão de receitas apure 0i.. c‘7,rn base na falta de escrituração de pagamentos efetuados, prevista no inc. II do art. 281 do R11{/ 1999. No entanto, entendo que a imputação não pode subsistir pela segunda razão apontada io acórdão recorrido. Como bem observou a decisão recorrida "o valor tributado ex-officio sob tal fundamento decorre da diftrença de compras entre os valores escriturados no Livro Registro de Apuração de ICMS e os valores informados na DIRT, o que não atende aos ditames do dispositivo legal invocado para fundamentar o lançamento. Entendo que, de fato, a autoridade fiscal não se desincumbiu em aprofundar a investigação com vistas a demonstrar a ocorrência de omissão de receitas nos moldes previsto no art. 286 do RIR/99, in verbis: Art. 286. A omissão de receita poderá, tanibéin, ser determinada a partir de levantamento por espécie de quantidade de matérias- primas e produtos intermediários utilizados no processo produtivo da pessoa jurídica (Lei n2 9.430, de 1996, art. 41). § 12 Para os fins deste artigo, apurar-se-á a diferença, positiva ou negativa, entre a soma das quantidades de produtos em estoque no inicio do período com a quantidade de produtos fabricados com as matérias-primas e produtos intermediários utilizados e a soma das quantidades de produtos cuja venda houver sido registrada na escrituração contábil da empresa com as quantidades em estoque, no final do período de apuração, constantes do Livro de Inventário (Lei n 2 9.430, de 1996, art. 41, §12). § 22 Considera-se receita omitida, nesse caso, o valor resultante da multiplicação das diferenças de quantidade de produtos ou de matérias-primas e produtos intermediários pelos respectivos preços médios de venda ou de compra, conforme o caso, em cada período de apuração abrangido pelo levantamento (Lei n2 9.430, de 1996, art. 41, § 22). § 32 Os critérios de apuração de receita omitida de que trata este artigo aplicam-se, também, as empresas comerciais, relativamente as mercadorias adquiridas para revenda (Lei n2 9.430, de 1996, art. 41, § 39. Para a caracterização da infração imputada, seria necessário que a autoridade lançadora demonstrasse que a omissão do registro das compras em livros comerciais e/ou fiscais se refletiu quantitativamente no estoque da fiscalizada, em seu fluxo de entradas e saídas, de modo a caracterizar que esses produtos foram revendidos A margem da escrituração fiscal e contábil e; a partir dos elementos colhidos, apurar o valor das omissões com base nos respectivos preços médios de venda ou de compra, nos moldes previstos nos parágrafos 2° e 3° do art. 286 do RIR/1999. rte o;rn 1P da '9?.420'01 24i0Ç;i2()1 2 por LU17 TAL , fOS'M-,0 f)() IOEMA NOGUdRA SOUt•• Fl. 1467DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2013 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA iD17 CARY' MI H. 1456 Processo n° 10932.000290/2007-17 S I -C3T2 Acórdao n.° 1302-00.947 Fl. 1.397 Ante ao exposto, voto por negar provimento ao recurso de oficio quanto a imputação de omissão de receitas apurada com base em omissão de compras. 2.1 Tributação Reflexa: CSLL, PIS e Cofins Por se constituírem infrações decorrentes e vinculadas, nos termos do § 2° do art. 24 da Lei 9.249/1995, aplica-se integralmente ao lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido, e das contribuições ao PIS e à Cofins, as conclusões relativas ao IRPJ. Assim, nego provimento ao recurso também em relação à CSLL, Pis e 3. Conclusão /77 Pelas razões anter o mente expostas, voto no sentido de negar provimento ao recurso de oficio. Luiz Tadett -Matosinho Machado (..rj Z.200-2 c:f. 24 10e,12CD1 24i0f“2012 MA» SN ';(-) imrre3sc, T, 07'10:20: 2 or MOEM A NOGUIT. SCU7A Fl. 1468DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2013 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA
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Numero do processo: 10830.902147/2009-63
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1999
PER/DCOMP ANTERIOR A 09/06/2005. PRESCRIÇÃO/DECADÊNCIA.
Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente ou declaração de compensação apresentada antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional/decadencial de 10 (dez) anos, contado do fato gerador.
Numero da decisão: 1003-000.221
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para afastar a prescrição/decadência do direito de pleitear a restituição e, conseqüentemente, de efetuar a compensação de débitos com o crédito em questão, determinando o retorno dos autos à unidade de jurisdição da Recorrente para a análise do mérito.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Abelson - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: SERGIO ABELSON
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PRESCRIÇÃO/DECADÊNCIA. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente ou declaração de compensação apresentada antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional/decadencial de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para afastar a prescrição/decadência do direito de pleitear a restituição e, conseqüentemente, de efetuar a compensação de débitos com o crédito em questão, determinando o retorno dos autos à unidade de jurisdição da Recorrente para a análise do mérito. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Abelson Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 21 47 /2 00 9- 63 Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10830.902147/200963 Acórdão n.º 1003000.221 S1C0T3 Fl. 111 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o acórdão de primeira instância (folhas 57/66) que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada contra o despacho decisório à folha 29, que não homologou a compensação, ali mencionada, de crédito correspondente a pagamento indevido ou a maior de Simples Federal, código de receita 6106 (tributo sujeito a lançamento por homologação) , tendo em vista a constatação de que na data da transmissão da DCOMP nº 39187.49290.290405.1.3.045009 já estaria extinto o direito de utilização do crédito por terem se passado mais de cinco anos entre a data de arrecadação do DARF (10/01/2000) e a data de transmissão do PER/DCOMP (29/04/2005). A recorrente, às folhas 72/78, em síntese, alega a decadência não atingiu o direito creditório que fundamentou as referidas compensações, pois o prazo de 5 anos determinado pelo art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005, segundo decisão exarada pelo STF em regime de repercussão geral, no julgamento do RE nº 566.621RS, só se aplica em relação a pleitos formulados depois de 09/06/2005, momento em que a referida lei passou a vigorar. É o relatório. Voto Conselheiro Sérgio Abelson, Relator O Recurso voluntário é tempestivo, portanto dele conheço. Para que haja direito à compensação, a Recorrente deve comprovar, de maneira inequívoca, a liquidez e a certeza do valor pleiteável a título de restituição, no presente caso, de tributo sujeito a lançamento por homologação. Antes, porém, é necessário analisar se houve extinção temporal do direito de pleitear tal restituição. Inicio transcrevendo os artigos do Código Tributário Nacional que regem o assunto: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10830.902147/200963 Acórdão n.º 1003000.221 S1C0T3 Fl. 112 3 o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; II na hipótese do inciso III do artigo 165, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória. Apesar da aparente simplicidade dessas normas, sabese que a discussão sobre o prazo para se pleitear a restituição dos tributos lançados por homologação foi questão tormentosa, que dividiu a doutrina e as jurisprudências administrativa e judicial por tempos. As divergências se iniciam na própria natureza desse prazo, sendo comum as decisões administrativas relacionarem sua perda ao instituto da decadência, e as judiciais, ao da prescrição, questão deixada em aberto nesse voto, por não possuir qualquer relevância com a solução adotada. Tentando resolver esse impasse, a Lei complementar nº 118, de 9 de fevereiro de 2005, trouxe as seguintes determinações: Art. 3o Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1o do art. 150 da referida Lei. Art. 4o Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 3o, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional. Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10830.902147/200963 Acórdão n.º 1003000.221 S1C0T3 Fl. 113 4 Isto é, o novo ato legal buscou fazer interpretação autêntica do art. 168 do CTN, pois determinou sua aplicação a fatos pretéritos por se considerar expressamente interpretativo (art. 106, inciso I do CTN), optando pela primeira solução acima descrita. Diante da inovação legislativa, o STJ concluiu que a nova norma não tinha caráter meramente interpretativo, pois afastava interpretação há muito consolidada, e passou a aplicar a nova regra inicialmente apenas para as ações ajuizadas após a data de vigência da nova lei, em 9 de junho de 2005, mas terminou fixando o entendimento de que o novel regramento se aplica aos pagamentos ocorridos após essa data. Pacificando essa discussão, o Supremo Tribunal Federal – STF, no julgamento do Recurso Extraordinário com Repercussão Geral nº 566.621/RS, em 11 de outubro de 2011, com trânsito em julgado em 17 de novembro de 2011, decidiu pela inconstitucionalidade da segunda parte do art. 4o da Lei complementar nº 118, de 2005, mas definiu que a nova lei poderia ser aplicada para as ações ajuizadas a partir da data de sua vigência, em 9 de junho de 2005, como demonstra a ementa abaixo transcrita: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10830.902147/200963 Acórdão n.º 1003000.221 S1C0T3 Fl. 114 5 jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Em razão de tal decisão, o CARF acabou por adotar tal entendimento mediante Súmula: Súmula CARF nº 91. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Pelo exposto, voto por dar provimento em parte ao recurso voluntário para afastar a prescrição/decadência do direito de pleitear a restituição e, conseqüentemente, de efetuar a compensação de débitos com o crédito em questão, e determinando o retorno dos autos à unidade de jurisdição da Recorrente para a análise do mérito. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Abelson Fl. 114DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.003694/2009-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. OCORRÊNCIA. APLICAÇÃO ARTIGO 150, § 4o, DO CTN. SÚMULA CARF No 99. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA.
O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos REs nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria. In casu, aplicou-se o prazo decadencial insculpido no artigo 150, § 4º, do CTN, eis que restou comprovada a ocorrência de antecipação de pagamento, por tratar-se de salário indireto, tendo a contribuinte efetuado o recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração reconhecida (salário normal), na esteira da jurisprudência consolidada neste Colegiado, consagrada na Súmula CARF no 99. Mais a mais, consta do TEAF e do Relatório Fiscal que no decorrer da ação fiscal a autoridade fazendária examinou Comprovantes de Recolhimento, além de outros documentos, o que nos leva a concluir pela existência de pagamentos parciais realizados pela contribuinte.
EMPRESA DE "MARKETING MULTINÍVEL". RELAÇÃO JURÍDICA DA EMPRESA COM OS DISTRIBUIDORES DE PRODUTOS. RELAÇÃO DE TRABALHO. INEXISTÊNCIA. PAGAMENTOS DE BÔNUS. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.
Não se verifica, no presente caso, que a relação jurídica entre a empresa de "marketing multinível" que fabrica e comercializa produtos com seus distribuidores (compradores) possui natureza de relação de trabalho, muito menos a de emprego. A relação jurídica entre as partes é puramente comercial, inexistindo relação de trabalho.
Entende-se por salário de contribuição, para o segurado contribuinte individual, a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma. Portanto, inexistindo relação de trabalho e por conseqüência, remuneração pelo trabalho, torna-se insustentável a exigência de contribuição previdenciária sobre bônus pagos aos distribuidores (compradores) da empresa fornecedora dos produtos.
Numero da decisão: 2401-005.721
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro e Miriam Denise Xavier que davam provimento parcial ao recurso apenas para declarar a decadência até 08/04.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Luciana Matos Pereira Barbosa e Miriam Denise Xavier.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
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DECADÊNCIA. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. OCORRÊNCIA. APLICAÇÃO ARTIGO 150, § 4o, DO CTN. SÚMULA CARF No 99. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria. In casu, aplicouse o prazo decadencial insculpido no artigo 150, § 4º, do CTN, eis que restou comprovada a ocorrência de antecipação de pagamento, por tratarse de salário indireto, tendo a contribuinte efetuado o recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração reconhecida (salário normal), na esteira da jurisprudência consolidada neste Colegiado, consagrada na Súmula CARF no 99. Mais a mais, consta do TEAF e do Relatório Fiscal que no decorrer da ação fiscal a autoridade fazendária examinou Comprovantes de Recolhimento, além de outros documentos, o que nos leva a concluir pela existência de pagamentos parciais realizados pela contribuinte. EMPRESA DE "MARKETING MULTINÍVEL". RELAÇÃO JURÍDICA DA EMPRESA COM OS DISTRIBUIDORES DE PRODUTOS. RELAÇÃO DE TRABALHO. INEXISTÊNCIA. PAGAMENTOS DE BÔNUS. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Não se verifica, no presente caso, que a relação jurídica entre a empresa de "marketing multinível" que fabrica e comercializa produtos com seus distribuidores (compradores) possui natureza de relação de trabalho, muito AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 36 94 /2 00 9- 10 Fl. 427DF CARF MF 2 menos a de emprego. A relação jurídica entre as partes é puramente comercial, inexistindo relação de trabalho. Entendese por salário de contribuição, para o segurado contribuinte individual, a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma. Portanto, inexistindo relação de trabalho e por conseqüência, remuneração pelo trabalho, tornase insustentável a exigência de contribuição previdenciária sobre bônus pagos aos distribuidores (compradores) da empresa fornecedora dos produtos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro e Miriam Denise Xavier que davam provimento parcial ao recurso apenas para declarar a decadência até 08/04. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Luciana Matos Pereira Barbosa e Miriam Denise Xavier. Relatório Fl. 428DF CARF MF Processo nº 19515.003694/200910 Acórdão n.º 2401005.721 S2C4T1 Fl. 3 3 HERBALIFE INTERNACIONAL DO BRASIL LTDA., contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 14a Turma da DRJ em São Paulo/SP, Acórdão nº 1624.729/2010, às e fls. 255/267, que julgou procedente em parte o lançamento fiscal, concernente às contribuições previdenciárias devidas ao INSS, referente à alíquota de 11%, incidente sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados contribuintes individuais, em relação ao período de 01/2004 a 12/2004, conforme Relatório Fiscal, às fls. 09/12 e demais documentos que instruem o processo, consubstanciado no Auto de Infração abaixo relatado: Conforme depreende do Relatório Fiscal, as remunerações foram pagas a título de rendimentos (lucros de revenda) de distribuidores independentes, também chamados de “Descontos sobre valor de Venda”, mas que, na realidade, são valores pagos a contribuintes individuais, denominados “supervisores” que participam do resultado de vendas de produtos de outros contribuintes individuais, considerados pela empresa como “distribuidores” ou “supervisores” de nível mais baixo. Referido relatório afirma ainda que os contribuintes individuais “distribuidores” cadastramse junto à empresa, por indicação de outro contribuinte individual, “distribuidor ou supervisor”. Aprovado o cadastro, o “distribuidor” só pode adquirir os produtos da empresa através de quem o indicou, “primeiro supervisor qualificado em linha ascendente”, ou seja, ou adquire produtos que já pertencem àquele supervisor” ou da empresa, por intermédio deste. A partir do momento em que o “distribuidor” indica outras pessoas, ele se toma supervisor e passa não somente a adquirir produtos com preço estabelecido pelo seu volume de vendas e de seus indicados “distribuidores”, mas também recebe valores resultantes das vendas destes últimos, seja diretamente, pela diferença entre o valor de aquisição da Herbalife e venda posterior ao “distribuidor” (Lucro no varejo, segundo o plano de vendas e marketing), seja por pagamento direto pela Herbalife quando os produtos forem adquiridos diretamente pelo supervisor de nivel inferior (Lucro no Atacado), sendo estes últimos, os valores considerados na autuação. De acordo com a Fiscalização, os valores pagos aos contribuintes individuais, chamados de “supervisores”, em qualquer nivel em que se encontre, na “pirâmide”, constituem remuneração como contraprestação pelos serviços prestados de venda de produtos para e pela empresa, seja para o consumidor final, seja para “distribuidores”, seja para “supervisores” de nível inferior, e de indicar outras pessoas que venderão produtos e cujos lucros de venda serão repartidos entre a “Herbalife”, seus “supervisores” e distribuidores. Esclarece ainda o Relatório Fiscal que não se deve acolher as alegações da empresa (resposta ao Temo de Intimação n°3) de que essas remunerações teriam sido objeto de análise pela Fiscalização, em período anterior (janeiro a dezembro de 1999), nos termos do Relatório Fiscal da NFLD 35.002.9067, uma vez que, naquela ação fiscal, não foram analisadas as DIRF e DIPJ que serviram de base de dados para o presente lançamento. Alerta também que: "... a única menção aos "Descontos sobre o valor de venda" daquele relatório trata, no item 3.2.2, do valor pago a menor pelo "supervisor" ou "distribuidor" quando adquire os produtos para, com venda por preço maior do que o da aquisição, possa auferir lucro (Lucro Varejo, segundo o plano de vendas e marketing da empresa). Por fim, informa a Fiscalização que foram localizados, na conta contábil “2l1l2.1.08.01.004 Comissões a Pagar”, totais lançados de mesmo valor dos totais dos anexos do Relatório Fiscal e com históricos relativos a pagamento de “comissões”. Fl. 429DF CARF MF 4 A contribuinte, regularmente intimada, apresentou impugnação, requerendo a decretação da improcedência do feito. Por sua vez, a Delegacia Regional de Julgamento em São Paulo/SP entendeu por bem julgar procedente em parte o lançamento, apenas para retificar o crédito de acordo com a documentação ofertada pela contribuinte. Regularmente intimada e inconformada com a Decisão recorrida, a autuada, apresentou Recurso Voluntário, às efls. 273/292, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Após breve relato das fases processuais, bem como dos fatos que permeiam o lançamento, primeiramente aduz sobre a necessidade do julgamento em conjunto da presente demanda com os PAF´s n° 19515.003692/200912 (AI n” 37.160.5113) e 19515003694/2009 10 (Al n” 37.160.5130). De forma preliminar, afirma que as contribuições previdenciárias referentes aos meses janeiro a agosto de 2004 estão cobertas pela decadência, uma vez que os fatos geradores antecederam mais de cinco anos contados retroativamente a 23/09/2009, conseqüentemente qualquer obrigação acessória devida neste período está igualmente fulminada pela decadência. Esclarece ter apurado, recolhido e declarado em GFIP, mês a mês, contribuições previdenciárias sobre os pagamentos a contribuintes individuais por serviços prestados, elaborando tabela para comprovação. Ressalta que neste caso estão presentes todas as condições impostas pelo Parecer PGFN/CAT 1.617/2008 para cômputo do prazo decadencial à luz do artigo 150, § 49, do CTN. Quanto ao mérito, primeiramente versa sobre as características do seu canal de vendas, nos seguintes termos: Egrégio Conselho, o que se deseja aqui é demonstrar que o negócio Herbalife é absolutamente singular e de maneira nenhuma' se amolda a um simples contrato de prestação de serviços. Os distribuidores independentes realmente compram e revendem os produtos que levam a marca da Recorrente. Raros são os que pleiteiam sua devolução e subseqüente ressarcimento e os que o fazem só conseguem se seguirem `a risca as normas e procedimentos da empresa, dentre as quais a de o produto objeto de devolução ainda ostentar qualidade para posterior comercialização. Neste sentido, pedese licença para juntar alguns comprovantes que demonstram o procedimento de recompra de produtos pela Recorrente. O sistema de vendas diretas da Recorrente denominase multinível, posto que os distribuidores independentes não lucram apenas com as revendas a varejo dos produtos adquiridos da empresa, mas também auferem lucros de atacado e, além disso, percebem ganhos denominados royalties e bônus. Todos esses proventos variam de valor dependendo do atingimento de determinados resultados, podendo mesmo não ser pagos a quem, a despeito de ter se dedicado ao negócio Herbalife, não tenha atingido tais resultados. Ademais, é importante pontuar que 0 distribuidor independente em nenhum momento é obrigado a Fl. 430DF CARF MF Processo nº 19515.003694/200910 Acórdão n.º 2401005.721 S2C4T1 Fl. 4 5 comprar os produtos da Recorrente ou a dedicarse ao seu negócio Herbalife, tanto menos a trabalhar ”x” ou ”y" horas por mês. Se ele simplesmente nada fizer, continuará sendo um distribuidor independente até o fim do período de validade de seu contrato. Se resolver desistir do negócio, poderá devolver os produtos que adquiriu. Como está dito na página 35 do Plano de Vendas & Marketing e Normas de Conduta, “A oportunidade de ser um Distribuidor Independente é inteiramente voluntária Notase, portanto, que o distribuidor independente não trabalha para a Recorrente. Ele é seu parceiro comercial. Ele compra os produtos da Recorrente e os revende no mercado, a consumidores finais. Os produtos portanto, passam a ser do distribuidor e, portanto, é impossível que, em se tratando de bens próprios, haja prestação de serviços de venda a terceiros. como equivocadamente se grafou no AIIM. Explicita sobre o lucro no varejo e no atacado, temse que o lucro no varejo decorre da compra do produto por um preço inferior ao sugerido para a venda ao consumidor final, ou seja tratase de um desconto dado ao distribuidor que varia de 25% a 50%, equivocandose a autuação ao afirmar que o lucro advém da venda a outro distribuidor. Quanto ao lucro no atacado, temse que um distribuidor que esteja qualificado para obter um desconto superior ao de um distribuidor que esteja em sua linha descendente pode comprar o produto da Impugnante e revendêlo ao distribuidor descendente, auferindo o lucro de uma revenda no atacado, situação que também ocorre quando o distribuidor na linha descendente adquire o produto diretamente da empresa; Nesse ponto, a recorrente demonstra por meio de tabelas como são distribuídos os percentuais de vendas: a Herbalife fica sempre com 50%, enquanto que os outros 50% são repassados ao distribuidor que fez a compra diretamente da Herbalife, o qual, por falta de qualificação, deve repassar parte desse percentual aos distribuidores de sua linha ascendente. Portanto, tratase, se verdadeiros ganhos comerciais e não de ganhos decorrentes de contraprestação por serviços prestados. Afirma que a própria fiscalização admitiu tratar o lucro no atacado de repartição de ganhos obtidos com a venda de produtos da recorrente. Alega não poder chamar de serviço uma atividade de compra, revenda e rateio de lucros, não havendo que se falar que os distribuidores prestam serviços de indicação de outras pessoas que serão distribuidores, para posterior repartição dos lucros entre Herbalife distribuidores e supervisores. Ou seja, fica evidente que o recebimento de lucro no atacado não está diretamente ligado a qualquer esforço que esse distribuidor realize em prol da contribuinte, mas sim, e exclusivamente, ao atingimento dos objetivos necessários à qualificação desse distribuidor como apto a receber os tais lucros no atacado. Arrazoa que nem todo pagamento efetuado por pessoa jurídica a pessoa física decorre de prestação de serviço. Nesse sentido, cita doutrina e art. 195, inciso I, alínea “a”, da Constituição Federal. Aduz que a fiscalização incorreu em erro na autuação, visto que não há incidência de contribuição previdenciária sem que ocorra remuneração por serviços, e por isso o Auto de Infração é improcedente. Fl. 431DF CARF MF 6 Esclarece a diferença entre os lucros no atacado (rebates de desconto) e as remunerações por serviços, tecese breves linhas sobre os demais valores pagos pela Recorrente aos distribuidores independentes que a tanto se qualificam. É que a Recorrente paga valores denominados royalties e bônus aos distribuidores independentes. Sobre tais rubricas, a Recorrente não só retém a contribuição previdenciária dos distribuidores como recolhe a parte da empresa, declarando tudo em GFIP, em DIP] e em DIRF, como aliás mencionou o respeitável acórdão recorrido, em seu item 4.12., todavia em flagrante confusão com os lucros no atacado, referidos anteriormente. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para decretar a decadência do Auto de Infração, tornandoo sem efeito e, no mérito, a sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. PRELIMINARES JULGAMENTO EM CONJUNTO Aduz sobre a necessidade do julgamento em conjunto da presente demanda com os PAF´s "irmãos". Entendo superada tal alegação, posto que os processos encontramse apensados e serão julgados na mesma sessão. DA DECADÊNCIA A contribuinte firma que as contribuições previdenciárias referentes aos meses janeiro a agosto de 2004 estão cobertas pela decadência, uma vez que os fatos geradores antecederam mais de cinco anos contados retroativamente a 23/09/2009, conseqüentemente qualquer obrigação acessória devida neste período está igualmente fulminada pela decadência. Esclarece ter apurado, recolhido e declarado em GFIP, mês a mês, contribuições previdenciárias sobre os pagamentos a contribuintes individuais por serviços prestados, elaborando tabela para comprovação. Ressalta que neste caso estão presentes todas as condições impostas pelo Parecer PGFN/CAT 1.617/2008 para cômputo do prazo decadencial à luz do artigo 150, § 49, do CTN. Fl. 432DF CARF MF Processo nº 19515.003694/200910 Acórdão n.º 2401005.721 S2C4T1 Fl. 5 7 Em decorrência do julgamento dos Recursos Extraordinários n° 556.664, 559.882, 559.943 e 560.626 o Supremo Tribunal Federal editou a Súmula Vinculante nº 8, publicada no D.O.U. de 20/06/2008, nos seguintes termos: São inconstitucionais o parágrafo único do art. 5° do Decreto Lei n° 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. De acordo com a Lei 11.417/2006, após o Supremo Tribunal Federal editar enunciado de súmula, esta terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, a partir de sua publicação na imprensa oficial. Assim, a nova súmula alcança todos os créditos pendentes de pagamento e constituídos após o lapso temporal de cinco anos. Indispensável ao deslinde da controvérsia, mister se faz elucidar, resumidamente, as espécies de lançamento tributário que nosso ordenamento jurídico contempla, como segue. Primeiramente destacase o lançamento de ofício ou direto, previsto no artigo 149 do CTN, onde o fisco toma a iniciativa de sua prática, por razões inerentes a natureza do tributo ou quando o contribuinte deixa de cumprir suas obrigações legais. Já o lançamento por declaração ou misto, contemplado no artigo 147 do mesmo Diploma Legal, é aquele em que o contribuinte toma a iniciativa do procedimento, ofertando sua declaração tributária, colaborando ativamente. Ao fim, o lançamento por homologação, inscrito no artigo 150 do Códex Tributário, em que o contribuinte presta as informações, calcula o tributo devido e promove o pagamento, ficando sujeito a eventual homologação por parte das autoridades fazendárias. Dessa forma, estando as Contribuições Previdenciárias sujeitas ao lançamento por homologação, defende parte dos julgadores e doutrinadores que a decadência a ser aplicada seria aquela constante do artigo 150, § 4º, do CTN, levandose em consideração a natureza do tributo atribuída por lei, independentemente da ocorrência de pagamento, entendimento compartilhado por este conselheiro. Ou seja, a regra para os tributos submetidos ao lançamento por homologação é o artigo 150, § 4º, do Código Tributário, o qual somente não prevalecerá nas hipóteses de ocorrência de dolo, fraude ou conluio, o que ensejaria o deslocamento do prazo decadencial para o artigo 173, inciso I, do mesmo Diploma Legal. Não é demais lembrar que o lançamento por homologação não se caracteriza tão somente pelo pagamento. Ao contrário, tratase, em verdade, de um procedimento complexo, constituído de vários atos independentes, culminando com o pagamento ou não. Observese, pois, que a ausência de pagamento não desnatura o lançamento por homologação, especialmente quando a sujeição dos tributos àquele lançamento é conferida por lei. E, esta, em momento algum afirma que assim o é tão somente quando houver pagamento. Não fosse assim, o que se diria quando o contribuinte apura prejuízos e não tem nada a recolher, ou mesmo quando encontrase beneficiado por isenções e/ou imunidades, onde, em que pese haver o dever de elaborar declarações pertinentes, informando os fatos geradores dos tributos dentre outras obrigações tributárias, deixa de promover o pagamento do tributo em razão de uma benesse fiscal? Fl. 433DF CARF MF 8 Cabe ao Fisco, porém, no decorrer do prazo de 05 (cinco) anos, contados do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, do CTN, proceder à análise das informações prestadas pelo contribuinte homologandoas ou não, quando inexistir concordância. Neste último caso, promover o lançamento de ofício da importância que apurar devida. Aliás, como afirmado alhures, a regra nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação é o prazo decadencial insculpido no artigo 150, § 4º, do CTN, o qual dispôs expressamente os casos em que referido prazo deslocarseá para o artigo 173, inciso I, na ocorrência de dolo, fraude ou simulação comprovados. Somente nessas hipóteses a legislação específica contempla a aplicação de outro prazo decadencial, afastandose a regra do artigo 150, § 4º. Como se constata, a toda evidência, a contagem do lapso temporal em comento independe de pagamento. Ou seja, comprovandose que o contribuinte deixou efetuar o recolhimento dos tributos devidos e/ou promover o autolançamento com dolo, utilizandose de instrumentos ardilosos (fraude e/ou simulação), o prazo decadencial será aquele inscrito no artigo 173, inciso I, do CTN. Afora essa situação, não se cogita na aplicação daquele dispositivo legal. É o que se extrai da perfunctória leitura das normas legais que regulamentam o tema. Por outro lado, alguns julgadores e doutrinadores entendem que somente aplicarseia o artigo 150, § 4º, do CTN quando comprovada a ocorrência de recolhimentos relativamente ao fato gerador lançado, seja qual for o valor. Em outras palavras, a homologação dependeria de antecipação de pagamento para se caracterizar, e a sua ausência daria ensejo ao lançamento de ofício, com observância do prazo decadencial do artigo 173, inciso I. Ressaltase, ainda, o entendimento de outra parte dos juristas, suscitando que o artigo 150, 4º, do Código Tributário Nacional, prevalecerá quando o contribuinte promover qualquer ato tendente a apuração da base de cálculo do tributo devido, seja pelo pagamento, escrituração contábil, declaração do imposto em documento próprio, etc. Melhor elucidando, o contribuinte deverá adotar algum procedimento com o fito de apurar o tributo para que pudesse se cogitar em “homologação”. Afora posicionamento pessoal a propósito da matéria, por entender que as Contribuições Sociais Previdenciárias deve observância ao prazo decadencial do artigo 150, § 4°, do Códex Tributário, independentemente de antecipação de pagamento, salvo quando comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o certo é que a partir da alteração do Regimento Interno do CARF (artigo 62A), introduzida pela Portaria MF nº 586/2010, os julgadores deste Colegiado estão obrigados a “reproduzir” as decisões do STJ tomadas por recurso repetitivo, razão pela qual deixaremos de abordar aludida discussão, mantendo o entendimento que a aplicação do dispositivo legal retro depende da existência de recolhimentos do mesmo tributo no período objeto do lançamento, na forma decidida por aquele Tribunal Superior nos autos do Resp n° 973.733/SC, assim ementado: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 434DF CARF MF Processo nº 19515.003694/200910 Acórdão n.º 2401005.721 S2C4T1 Fl. 6 9 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Fl. 435DF CARF MF 10 Na esteira desse raciocínio, uma vez delimitado pelo STJ e, bem assim, pelo Regimento Interno do CARF que nos lançamentos por homologação a antecipação de pagamento é indispensável à aplicação do instituto da decadência, nos cabe tão somente nos quedar a aludida conclusão e constatar ou não a sua ocorrência. Entrementes, a controvérsia em relação a referido tema encontrase distante de remansoso desfecho, se fixando agora em determinar o que pode ser considerado como antecipação de pagamento das contribuições, sobretudo em face das diversas modalidades e/ou procedimentos adotados por ocasião do lançamento fiscal. Para afastar qualquer dúvida a esse respeito foi editada a Súmula CARF n° 99, que assim dispõe: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Essa súmula é de observância obrigatória, nos termos do “caput” do art. 72 do Regimento Interno do CARF, inserto no Anexo II da Portaria MF n.º 343, de 09/06/2015. Em suma, despiciendas maiores elucubrações a propósito da matéria, uma vez que a simples análise dos autos nos leva a concluir pela existência de antecipação de pagamento, por tratase de contribuições incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas aos segurados contribuintes individuais não constantes nas GPS e GFIP, portanto, diferenças de contribuições, eis que a contribuinte promoveu o recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração reconhecida (salário normal), fato relevante para a aplicação do instituto, nos termos da decisão do STJ acima ementada, a qual estamos obrigados a observar. Mais a mais, como se extrai do Relatório Fiscal do Auto de Infração, no decorrer da ação fiscal a autoridade fazendária examinou as Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP e às Guias da Previdência Social GPS, além de outros documentos, o que nos leva a concluir pela existência de pagamentos parciais realizados pela contribuinte. Assim, é de manter a ordem legal no sentido de adotar o prazo decadencial inscrito no artigo 150, § 4o, do Código Tributário Nacional, em face do recolhimento parcial das contribuições previdenciárias em relação ao período ora debatido. Por clareza ao debate, para aqueles que entendem que o pagamento antecipado deve guardar relação com o fato gerador, ou seja, recolhimento referente a contribuinte individual. Vale explicitar que nos autos não a documentação probatório específica quanto a esta rubrica. No entanto, durante todo o procedimento fiscal a contribuinte ventila essa afirmação, sendo que em nenhum momento a fiscalização contesta. Assim, fato incontroverso. Ademais, a própria autoridade julgadora de primeira instância afirma a existência de pagamento em relação aos contribuintes individuais, in verbis: Fl. 436DF CARF MF Processo nº 19515.003694/200910 Acórdão n.º 2401005.721 S2C4T1 Fl. 7 11 4.29. Observouse que os valores que constam na coluna “INSS PAGO”, da planilha apresentada pela Impugnante, equivalem aos que ela informa como devidos pelos contribuintes individuais, nas GFIP, conforme relatório “Demonstrativo da Composição da Base de Cálculo DCBC”. 4.30. Assim, verificada a necessidade de retificar os créditos, que somados aos já declarados em GFIP encontramse acima do limite máximo, construiuse a planilha “Retificação das Contribuições dos Contribuintes Individuais” (fls. 196/277), cabendo esclarecer que, nela, foram individualizados apenas os contribuintes individuais que se enquadram na situação descrita, bem como esclarecer que: a) a coluna “GFIP” demonstra os valores declarados nas GFIP; b) a coluna “AI” informa os valores lançados no Auto de Infração; c) a coluna “GFIP+LANÇ” indica a soma dos valores das colunas citadas nos itens anteriores; d) a coluna “V. EXCL. AI”, informa os valores que devem ser excluídos do lançamento, por excederem aos limites máximos de R$ 264,00 (competências 01 a O4/2004) e R$ 275,95 (competências 05/2004 a 12/2004). Destarte, tendo a fiscalização constituído o crédito previdenciário em 23/09/2009, com a devida ciência da contribuinte constante do AR (fl. 72), a exigência fiscal resta parcialmente fulminada pela decadência, relativamente aos fatos geradores ocorridos no período anteriores a competência 09/2004 (Setembro/2004), ou seja, de 01/2004 a 08/2004, os quais se encontram fora do prazo decadencial inscrito no dispositivo legal supra, impondo seja decretada a improcedência parcial do feito. MÉRITO NEGÓCIO HERBALIFE LUCRO NO ATACADO MARKETING MULTINÍVEL Primeiramente cabe esclarece quais as vertentes sobre a resolução do lançamento, são elas: se as atividades desempenhadas pelos consultores configuramse como prestação de serviços à Herbalife, estamos diante de uma hipótese de incidência tributária, onde o “lucro no atacado” pago a eles constitui remuneração, fato gerador das contribuições sociais previdenciárias, com razão a autoridade lançadora; ou caso se conclua ser mera relação mercantil, ganho comercial, estaríamos fora da hipótese de incidência das contribuições, conforme defendido pela contribuinte. A recorrente, rebatendo as contribuições aqui exigidas, expôs todo o funcionamento de seu canal de vendas ("negócio herbalife"), diferenciando todas as "operações da cadeia" e, enfatizando sempre que a relação entre ela e os consultores independentes é, e sempre foi, comercial (de compra e revenda). Explicita que a receita líquida da recorrente se resume a 50% (cinqüenta por cento) de todas as vendas efetuadas. Tal receita jamais oscila, não importando se o produto é vendido (i) pela própria contribuinte para o consultor varejista ou atacadista ou (ii) em nome da Recorrente, mas para o consultor atacadista. Ressaltese, nesse sentido que, quando a venda é Fl. 437DF CARF MF 12 efetuada em nome da Recorrente, mas em prol do consultor atacadista, a recorrente repassa a quem de direito, de acordo com o seu plano de marketing, o valor sobressalente à sua receita líquida própria. Justamente por isso, em todos os noventa e um países em que a Recorrente tem atividades, inclusive no Brasil, os valores referentes às vendas efetuadas em seu nome, mas para o consultor independente, são contabilizados como redução de receita, não como despesa. Isto porque, de fato, tratase de verdadeira receita de terceiros que a Recorrente repassa a quem de direito. Explica que o ganhos comerciais são o “lucro no varejo” e o “lucro no atacado”, que são caracterizados por descontos outorgados pela Herbalife ao consultor, transcrevendo trechos do Manual para explicar como esses ganhos são obtidos. Ressalta que apesar de o “lucro no atacado” envolver repasse financeiro ao consultor, feito pela Herbalife, ele configura ganho comercial baseado em desconto. Assevera que os ganhos decorrentes de serviços, denominados royalties e bônus, decorrentes “das atividades de captação, desenvolvimento, treinamento e motivação das equipes de vendas”, dependem da qualificação e têm correlação direta com os volumes de venda, que servem de base para o cálculo dos próprios ganhos. Arrazoa que o consultor ao assinar o contrato e se tornar um consultor independente, constrói um verdadeiro negócio para si e para sua família, acostando aditamentos contratuais para demonstrar a transferência do negócio Herbalife a sucessores familiares dos Consultores. Expõe que o consultor qualificado ao desconto pode comprar o produto da Herbalife e revender aos seus consultores descendentes com o desconto que estes têm direito de adquirir (geralmente, menor que o da ascendente), ou pode permitir que eles comprem diretamente da Herbalife com o desconto menor, e esta devolve ao consultor ascendente a diferença do desconto que caberia a ele, sob a forma de ganho, por isso, “o lucro no atacado” é também denominado “desconto remanescente”. Argumenta que a indicação de outras pessoas, nem o volume de vendas efetuado por estas, qualificam o consultor que as indicou para níveis maiores de desconto. Acrescenta que se trata de ganho comercial, que pode ser auferido sem qualquer repasse de valores pela recorrente, nos casos em que o consultor descendente compra diretamente do consultor ascendente. Dessa forma, afirma que há equívoco da fiscalização ao relatar que “lucro no atacado” são valores pagos aos distribuidores em função do volume de vendas, e, portanto, não há prestação de serviço pelo consultor quer seja para qualificação ao nível maior de desconto, quer seja para percepção do “lucro no atacado”, inclusive porque, o consultor precisa manter anualmente a qualificação que lhe permite auferir esses ganhos, senão retorna ao status que seu volume de pontos alcançar, podendo inclusive ser ultrapassado por um consultor que estava abaixo dele na organização, evidenciando que a percepção do “lucro no atacado” não tem a ver com a indicação de pessoas para sua equipe. Arrazoa que nem todo pagamento efetuado por pessoa jurídica a pessoa física decorre de prestação de serviço. Nesse sentido, cita doutrina e art. 195, inciso I, alínea “a”, da Constituição Federal. Aduz que a fiscalização incorreu em erro na autuação, visto que não há incidência de contribuição previdenciária sem que ocorra remuneração por serviços, e por isso o Auto de Infração é improcedente. Insurgese quanto a fundamentação da decisão de piso com base Estatuto do Vendedor Direto, constante do site da Associação Brasileira de Vendas Diretas (‚ABEVD‛), norma orientativa, não restritiva, e que, quando refletida na prática de cada uma de suas associadas, admite particularidades. E, se bem se compreendeu os tipos de receita auferidos pelos consultores dependentes da Recorrente, expostos no item 16 e seguintes desta peça, Fl. 438DF CARF MF Processo nº 19515.003694/200910 Acórdão n.º 2401005.721 S2C4T1 Fl. 8 13 notarseá que a estrutura de ganhos da Recorrente situase exatamente dentro dos patamares sugeridos pela norma da ABEVD utilizada pela ilustre Relatoria, na modalidade multinível: os ganhos comerciais (lucros no atacado e no varejo) decorrem da venda dos produtos e os ganhos remuneratórios (royalties e bônus) decorrem da captação, treinamento, motivação e retenção de outros consultores independentes. Deveras, a autoridade Julgadora utilizou de norma que não se aplica ao caso concreto, uma vez que, além de ser genérica, trata da contraprestação pelo agenciamento de novos consultores, que, como já se viu, é remunerado pela Recorrente por meio de bônus e royalties. Aduz não ser possível prosperar o entendimento da autoridade Julgadora de ‚que os valores pagos a título de ‘lucro no atacado’ aos consultores independentes decorrem da prestação de serviços de venda, e de divulgação dos produtos da empresa‛, uma vez que: (i) a lógica do lucro no atacado é exatamente inversa. Isso é, não há prestação de serviços de venda ou divulgação de produtos do consultor em prol da Recorrente. Na realidade, a atividade de Recorrente que é em prol dos consultores independentes. Ademais, também não prospera o entendimento da autoridade julgadora de que o lucro no atacado seria um "plus ao serviço prestado pelo consultor de nível superior, como forma de que este atraia mais consultores a sua rede de vendas, e por fim aumente as vendas da própria Herbalife, (...) apenas revenderia seus produtos aos consultores, uma vez que obteria o mesmo percentual de desconto.(...) A pr{tica do ‘lucro por atacado’ abre caminho para que a Herbalife venda diretamente a consultores da linha descendente de um consultor independente, incentivandoos a atrair mais pessoas à rede, e aumentarem seu volume de compras diretamente da Herbalife". Afirma que não existe o interesse do consultor em linha ascendente de fomentar as compras dos consultores em linha descente, a fim de garantir a sua qualificação para auferir o lucro no atacado, por toda sistemática da empresa na requalificação anual. Explicita que o lucro no atacado não possui natureza remuneratória. Tratase de um ganho comercial do consultor independente a ele repassado pela Recorrente. Por assim ser, não pode tal rubrica sofrer a incidência de contribuição previdenciária Argumenta que embora o consultor não esteja obrigado a se dedicar ao negócio Herbalife e trabalhar determinadas horas por dia, aqueles que evoluem na escala e obtêm lucro no atacado, acabam se dedicando e prestando serviços com habitualidade. Aponta que pessoas naturais que assim exercem sua atividade comercial, com intuito de lucro são equiparadas a pessoas jurídicas para fins fiscais, conforme art. 150, § 1o, II, do Regulamento do Imposto de Renda. Nesse sentido, transcreve jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). A situação ora em debate, se encaixa no sistema de compensação multinível (marketing multinível/marketing de rede), que se trata de uma estratégia empresarial de distribuição de bens e serviços, onde a divulgação dos produtos se dá pela indicação “boca a boca” feita por distribuidores independentes. Por esse trabalho, tais distribuidores recebem bônus, que seriam utilizados nas milionárias campanhas de propaganda tradicional. Além da indicação dos produtos, os distribuidores poderão indicar outros distribuidores e, assim, construir uma organização de escoamento de produtos com possibilidades de ganhos ilimitados. Fl. 439DF CARF MF 14 Antes mesmo de se adentrar ao mérito da questão, cumpre trazer à baila alguns apontamentos acerca da matéria (marketing multinível), por não estarmos tão habituados ao tema. O marketing multinível também tratado, às vezes, como marketing de rede, teve origem nos EUA, nos idos dos anos 1940. Desde então, passou por vários ciclos, adaptou se a diferentes momentos da economia mundial e se espalhou por diversos países. No Brasil, há vários modelos de negócios já consolidados baseados nesse formato e hoje é a atividade profissional principal (em alguns casos, a única) de muita gente. Os negócios do tipo multinível baseiam o seu sistema de comercialização em dois pilares fundamentais: a venda direta e a criação de uma rede. A venda direta consiste em ir diretamente aos consumidores para oferecer e vender os produtos ou serviços da empresa, de uma forma pessoal ou através do uso da Internet. Enquanto a criação de uma rede consiste em convidar outras pessoas para que participem como Distribuidores Independentes na empresa de multinível, na qual estás associado. Se aceitarem entrar na empresa, passarão a formar parte da rede e vai ganhar uma vantagem por cada venda feita pelos distribuidores recrutados. Vale esclarecer ainda, que não podemos confundir o MMN (marketing multinível) com as pirâmides. A primeira é uma atividade legalizada, baseada na comercialização de produtos e serviços, baseandose em princípios e fundamentos éticos e legais e pode gerar bons rendimentos aos parceiros, dependendo, é claro, dos resultados de cada um. Já as pirâmides financeiras são negócios totalmente distintos do marketing multinível. Elas são esquemas ilegais de movimentação financeira. Portanto, estamos diante de um negócio legal. Feitas às considerações encimadas, passamos a expor o nosso entendimento. Apesar de estarmos falando de uma matéria não usual, esta já foi apreciada por este Egrégio Conselho, pela 1º Turma Ordinária da 3º Câmara da 2º Seção de Julgamento, em sessão de 06 de novembro de 2014, acórdão de nº 2301004.218. Por oportuno, transcreve se o voto do ilustre Relator Wilson Antonio de Souza Correa, no tocante a matéria aqui discutida: DA INEXISTÊNCIA DE VÍNCULO DE TRABALHO ENTRE A RECORRENTE E SEUS DISTRIBUIDORES E COMPRADORES DE SEUS PRODUTOS Em síntese a Recorrente diz que faz parte do grupo FLP – Forever Living Products, que por sua vez fabrica e comercializa produtos de saúde e outros do gênero. E, como integrante do grupo FLP atua na área de vendas diretas e utiliza um ‘Plano de Marketing Único’, que incentiva e apóia a compra e o uso dos seus produtos através de uma rede de compradores. Explica que a rede de compradores funciona com indicação de outros compradores, sendo assim: A é comprador e indique B, para que indique C e assim sucessivamente, sendo que o primeiro, ou seja, A, recebe sobre as suas compras na FLP e sobre as compras dos indicados sucessivamente, formando uma rede, onde quem é o primeiro recebe mais, já que todas as compras a ele serão contabilizadas. Neste planejamento todos os compradores para comprarem e venderem mais têm que realizar mais indicação de compradores e fazer um trabalho forte de marketing, sendo que a tarefa Fl. 440DF CARF MF Processo nº 19515.003694/200910 Acórdão n.º 2401005.721 S2C4T1 Fl. 9 15 principal não é o marketing sim a venda, para eles, distribuidores, sendo que o primeiro é um mero instrumento para realização do segundo, razão pela qual se revela impróprio o entendimento da decisão de piso ao comparar este procedimento com a venda direta que aduz o estatuto do vendedor. Desta forma, explicita, os valores pagos aos distribuidores pela Recorrente não se refere a venda, mas sim a compra por ele realizada, não esquecendo cada qual pertencer a uma rede de compradores o que possibilita a variação de ganhos, ou seja, quanto mais distribuidores ele tiver, mais ele terá de bonificação. Assim, poderemos resumir o ponto nodal da questão, pois para a Fiscalização os valores pagos aos prestadores de serviços têm como base as vendas por eles realizadas e para a Defendente os valores pagos têm como base as compras realizadas por seus contratantes/compradores. É como se ela estivesse bonificando os seus compradores, ou seja, quanto mais compra, mais recebe bônus e ela é paga por seus distribuidores para gerir este ‘Plano de Marketing Único’, ainda que seja 1 real ao mês. O contrato apresentado nos autos não deixa dúvida quanto a sua literalidade de que a prestadora de serviço é a Recorrente que também é remunerada, ainda que seja 1 real por mês. E onde ela ganha nesta transação comercial? Na venda do produto por ela produzido e no marketing gratuito do seu produto. Para a Recorrente não há legislação que tribute a operação acima e não pode a fiscalização, por analogia enquadrar os distribuidores como contribuintes individuais. Aduz também a Recorrente que os prêmios distribuídos por ela não podem ser considerados como pagamento de contraprestação de serviço, isto porque os valores que transitam pelo patrimônio dela a título de VAR, são devolvidos na forma de prêmio. Registro minhas reverências ao projeto elaborado pela Recorrente, eis que de fato ele não contraria nenhuma legislação, mas o tenho como desfigurado pelo simples fato de os distribuidores não serem distribuidores e sim vendedores, conforme o Estatuto do vendedor que o conceitua como uma pessoa que participa do sistema de distribuição de uma empresa de venda direta. Podendo ser agente comercial independente, contratado por empreitada, revendedor ou distribuidor independente, representante empregado ou por conta própria, franqueado ou similar. Assim, não vejo razão à Recorrente, também neste quesito. DO ERRO NA DETERMINAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES LANÇADAS – BONIFICAÇÕES A Recorrente alega que a base de cálculo utilizada pela Fiscalização está equivocada, eis que a sua operação realizada pelo seu Plano de Marketing Único é diferenciado de uma rede de vendedores/distribuidores, pois o vendedor que se encontra Fl. 441DF CARF MF 16 no topo da lista é beneficiado por compras indireta de outros distribuidores/compradores/vendedores. Como dito acima, o planejamento foi elaborado e se admitíssemos o projeto estaríamos diante de distribuidores conforme consta no contrato e não vendedores, conforme é a realidade fática. Sendo considerados vendedores a operação cai na vala comum e neste sentido a base de cálculo acompanha a regra geral, havendo como base as vendas realizadas como um todo. Entretanto, quando trata das BONIFICAÇÕES, onde informa a Fiscalização que observou divergências entre os valores declarados na DIRF como rendimento do trabalho sem vínculo empregatício e os informados na GFIP da Recorrente, sendo incluindo na base da cálculo do lançamento, o que julgo indevido, eis que ausente a comprovação de fato gerador que possa justificar. Veja, a bonificação declarada e que não consta na DIRF não representa um fato ou conjunto de fatos a que o legislador vincula o nascimento da obrigação jurídica de pagar um tributo determinado. Alguns doutrinadores do direito tributário propõem distinguir fato descrito na hipótese legal (hipótese de incidência) e fato imponível. Nesse sentido, a definição de Geraldo Ataliba é precisa: "Tal é a razão pela qual sempre distinguirmos estas duas coisas, denominando hipótese de incidência ao conceito legal (descrição legal, hipotética de um fato, estado de fato, ou conjunto de circunstâncias de fato) e fato imponível, efetivamente acontecido num determinado tempo ou local, configurando rigorosamente a hipótese de incidência". O Código Tributário Nacional do Brasil (CTN) utiliza a expressão fato gerador tanto no momento que se refere ao que Geraldo Ataliba chamou de hipótese de incidência tanto quanto ao fato imponível, deixando para que o intérprete da norma reconheça o significado referido segundo o contexto em que se encontra. O CTN faz menção ao fato gerador nos artigos 114 e 115. De acordo com o texto do artigo 114 do CTN, fato gerador da obrigação principal é a hipótese definida em lei como necessária e suficiente para o surgimento da obrigação tributária. Por sua vez, o artigo 115 diz que fato gerador da obrigação acessória é a hipótese que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. Nesta seara, vejo que as bonificações não estão rigorosamente incluídas em hipótese de incidência, razão pela qual excluo do lançamento, conforme requerido pelo Recorrente. Com razão em parte. Face a isto, a conclusão do ilustre Relator, consoante voto parcialmente acima transcrito, foi no sentido de, naquele caso, dar parcial provimento ao recurso voluntário para "reconhecer que não deve compor a base de cálculo as bonificações pagas ao Fl. 442DF CARF MF Processo nº 19515.003694/200910 Acórdão n.º 2401005.721 S2C4T1 Fl. 10 17 vendedores/empregados por ausência de comprovação do fato gerador", decisão esta que foi acompanhada por unanimidade pelos demais Conselheiros daquela Colenda Turma. Com a devida vênia ao entendimento exarado pelo ilustre Conselheiro Wilson Antonio de Souza Correa, venho discordar que há uma relação de trabalho, ou até mesmo de emprego, pois os chamados "Consultores"/"Distribuidores" não podem ser considerados como "Vendedores", o que daria ensejo a incidência de contribuição previdenciária, considerandoos como contribuintes individuais, ou ainda, como empregados. Nesse sentido, em 16 de fevereiro de 2016, quando da apreciação do processo nº 16832.000057/201036, o qual sobreveio o acórdão nº 2402004.992, a 2º Turma Ordinária da 4º Câmara da 2º Seção de Julgamento deste Conselho, com a relatoria do Conselheiro Natanael Vieira dos Santos, acordaram por unanimidade em dar provimento ao recurso voluntário, por compreenderem que não há que se falar em exigibilidade da contribuição social previdenciária porque as "bonificações", não têm como contrapartida prestação de serviços à recorrente por Distribuidores/Vendedores de produto por ela fornecidos. Vejamos a ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. SEGURADOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. Entendese por salário de contribuição dos segurados contribuintes individuais a remuneração por eles auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de suas atividades por conta própria. A empresa é obrigada a recolher, nos prazos definidos em lei, as contribuições previdenciárias a seu cargo, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados contribuintes individuais a seu serviço. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PRINCÍPIO DA PRIMAZIA DA REALIDADE. APLICÁVEL À RELAÇÃO PREVIDENCIÁRIA Assim como na relação trabalhista, também na relação previdenciária é aplicável o princípio da primazia da realidade, segundo o qual, a verdade dos fatos impera sobre qualquer contrato formal, ou seja, caso haja conflito entre o que está escrito e o que ocorre de fato, prevalece o que ocorre de fato, de sorte que sua realização no âmbito tributário ocorre com a aplicação do princípio da verdade material, o qual permite que no processo administrativo o julgador busque a verdade, ainda que, para isso, tenha que se valer de outros elementos além daqueles trazidos aos autos pelos interessados. Recurso Voluntário Provido. Analisando a operação comercial da recorrente, me filio ao entendimento acima, pela não incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores pagos a título de "lucros no atacado" aos "consultores" dos produtos da recorrente. Fl. 443DF CARF MF 18 Verificase que na modelagem de negócio da contribuinte, conforme demonstrado pelo Relatório Fiscal e pelos instrumentos contratuais acostados aos autos, é que os consultores autorizados adquirem produtos com desconto da recorrente para revendêlos e parte do valor, como obrigação da recorrente com os seus consultores, são repassados a estes, em conformidade com os critérios estabelecidos. Explico. Ao atingir determinado nível de qualificação, o consultor independente se torna um verdadeiro atacadista. A Recorrente, por sua vez, conhecedora das limitações destes consultores independentes que não possuem estrutura logística estrutura básica para a correta armazenagem dos produtos (que, no caso da Recorrente, por se tratar de produtos alimentícios, exige maiores cuidados), veículo para fazer o transporte de quantidades maiores, contrato com transportadora, dentre outros – e financeira – disponibilidade de caixa para comprar, armazenar e transportar o produto até o consumidor final , para operacionalizar sua atividade comercial, a Recorrente toma para si tais responsabilidades e garante o ganho comercial advindo da operação de venda para o consultor independente. Tratase de verdadeira reserva de mercado, assegurada pela Recorrente, e concretizada pelo repasse do lucro no atacado para o consultor para tanto qualificado. Com isso, a peticionante garante que o consultor qualificado para auferir lucro no atacado não se oponha à aquisição do produto diretamente a ela, o que poderia facilmente ocorrer se não lhe fosse dada a garantia de que seu ganho seria mantido. Nessa esteira, a Recorrente assegura também que: (i) não haverá falta de produto no mercado, por conta de eventual indisponibilidade de caixa de algum consultor; (ii) os produtos ficarão armazenados de maneira correta e conforme exigido pela legislação pertinente; (iii) os produtos chegarão ao destino com rapidez e segurança; (iv) os lucros no atacado serão repassados no prazo correto e a quem de direito, quando há mais de um consultor beneficiado pela mesma operação de venda. E, o ponto mais importante para a saúde do ‚negócio Herbalife, assegura tratativas pacíficas entre a empresa e seus consultores, evitando atritos comerciais. Entendo, portanto, que a relação jurídica entre a contribuinte, uma empresa de "marketing multinível", que fabrica e comercializa produtos de nutrição, controle de peso, entre outros do gênero, com seus consultores não possui natureza de relação de trabalho, muito menos a de emprego. A relação jurídica entre as partes, no que concerne o lucro no atacado, é puramente comercial, inexistindo relação de trabalho. Neste sentido, como muito bem destacou o ilustre Conselheiro Natanael Vieira dos Santos, no voto do acórdão nº 2402004.992, que peço vênia para substanciar os fundamentos já expostos, senão vejamos: (...) não somente pelo que se plasma nos instrumentos analisados, mas também pela realidade dos fatos, apenas para argumentar, sabese que, assim como na relação trabalhista, também na relação previdenciária é aplicável o princípio da primazia da realidade, de forma que o que vale é a ocorrência real dos fatos e não o que está escrito. Assim, mesmo que não fossem textualmente compreendidos os instrumentos envolvidos, dado ao que não se constata nenhuma prestação de serviço dos beneficiários dos bônus para a recorrente, tomandose por fundamento o princípio da primazia da realidade, não há o que se falar em ocorrência do fato gerador da contribuição social previdenciária ora exigida. Fl. 444DF CARF MF Processo nº 19515.003694/200910 Acórdão n.º 2401005.721 S2C4T1 Fl. 11 19 Com supedâneo nesse princípio significa dizer: mesmo que fosse considerada a existência de uma relação prestacional entre a empresa e os beneficiados (compradores e vendedores), mesmo assim, reiterese, o referido bônus daquela relação não decorreria, uma vez que os ditos pagamentos consubstanciamse ou decorrem de mera devolução de valores colocados sob a guarda e/ou administração da recorrente pelos distribuidores autorizados. Do até aqui apontado, o que se constata dos autos é a inocorrência do fato gerador das contribuições ora exigidas, eis que em momento algum se verificou o pagamento por prestação de serviço remunerado pelos segurados, razão pela qual não deve subsistir o lançamento em análise, de sorte que não há caracterização da ocorrência da situação fática da obrigação tributária. Ora, entendese por salário de contribuição, para o segurado contribuinte individual, a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma. Portanto, inexistindo relação de trabalho e por conseqüência, remuneração para retribuir o trabalho, tornase insustentável a exigência de contribuição previdenciária sobre o "lucro no atacado" pago aos consultores (compradores) da empresa fornecedora dos produtos. Assim, no presente caso, não há que se falar em exigibilidade da contribuição social previdenciária porque os valores pagos, como já demonstrado, não têm como contrapartida prestação de serviços a recorrente por Consultores/Vendedores de produtos por ela fornecidos. Tratandose de uma relação puramente mercantil. Por todo o exposto, estando o Auto de Infração, sub examine, em dissonância com as normas legais que regulamentam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO para decretar a decadência relativamente aos fatos geradores ocorridos no período anteriores a competência 09/2004 (Setembro/2004), ou seja, de 01/2004 a 08/2004 e, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Fl. 445DF CARF MF
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Numero do processo: 10783.914071/2012-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2008
LUCRO PRESUMIDO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS HOSPITALARES.
Comprovado que a interessada, optante pelo lucro presumido, atende aos requisitos previstos na legislação para ser considerada prestadora de serviços hospitalares, pode aplicar, para efeito de determinação da base de cálculo da CSLL, o percentual de 12%.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2008
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO.
Estando correta a determinação da base de cálculo do tributo, reconhece-se o direito creditório pleiteado pelo contribuinte.
Numero da decisão: 1201-002.571
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS HOSPITALARES. Comprovado que a interessada, optante pelo lucro presumido, atende aos requisitos previstos na legislação para ser considerada prestadora de serviços hospitalares, pode aplicar, para efeito de determinação da base de cálculo da CSLL, o percentual de 12%. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO. Estando correta a determinação da base de cálculo do tributo, reconhecese o direito creditório pleiteado pelo contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Gisele AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 91 40 71 /2 01 2- 27 Fl. 215DF CARF MF Processo nº 10783.914071/201227 Acórdão n.º 1201002.571 S1C2T1 Fl. 3 2 Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado. Relatório Trata o presente processo de Pedido de Restituição de pagamento indevido de CSLL. Pelo Despacho Decisório, o crédito não foi reconhecido e a compensação não foi homologada em face de o pagamento informado estar integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Protocolada a Manifestação de Inconformidade, foi julgada improcedente, pelo fundamento de que a contribuinte não preenchia os requisitos para caracterizarse como prestadora de serviços hospitalares, nos termos de consulta por ela mesmo formulada à Superintendência da Receita Federal da 7ª Região Fiscal tendo em vista a adoção dos percentuais de 8% e 12% para fins de presunção do lucro tributável pelo IRPJ e CSLL, respectivamente, e não 32% como adotado originariamente, o que gerou o recolhimento indevido. Foi manejado o Recurso Voluntário no qual é alegado preliminarmente que a decisão de primeira instância é nula, uma vez não ter sido enfrentada a questão meritória trazida no despacho decisório. Se superada a preliminar, argúi a recorrente que preenche os requisitos para ser considerada como prestadora de serviços hospitalares, nos termos da legislação de regência da matéria, conforme apontam os fatos devidamente comprovados nos autos mediante a farta documentação apresentada. Colaciona jurisprudência. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa Relatora O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201002.556, de 21/09/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10783.912343/2012 54, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Fl. 216DF CARF MF Processo nº 10783.914071/201227 Acórdão n.º 1201002.571 S1C2T1 Fl. 4 3 Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201002.556): "Admissibilidade. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, dele devendose conhecer. Nulidade da decisão de primeira instância. É arguida a nulidade da decisão de primeira instância por não ter sido enfrentada a questão meritória trazida no despacho decisório, qual seja, o pagamento informado estar integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Ocorre que essa utilização deuse em face do percentual de Lucro Presumido aplicado à receita, inicialmente 32% como informou a própria recorrente e não 8% (IRPJ) ou 12% (CSLL) como é o pretendido. E essa é exatamente a fundamentação da manifestação de inconformidade e, por óbvio, foi a matéria tratada na decisão de piso. Vêse pois que, embora a decisão não tenha se detido em específico no fato de que o pagamento foi totalmente utilizado para a quitação de débitos, essa conclusão é facilmente extraída da fundamentação, em que é analisada toda a questão relativa ao percentual de Lucro Presumido aplicável em face da atividade da recorrente: se 32%, como considerado na decisão, o pagamento foi totalmente utilizado para a quitação do quanto devido pela contribuinte, não restando assim nenhum saldo a restituir. Rejeitase a preliminar. Mérito. Argúi a recorrente que é prestadora de serviços hospitalares, incidindo pois a exceção prevista na alínea "a", do inciso III, do § 1º, do artigo 15, da Lei nº 9.249/95: Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995. § 1o Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: [...] III trinta e dois por cento, para as atividades de: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e Fl. 217DF CARF MF Processo nº 10783.914071/201227 Acórdão n.º 1201002.571 S1C2T1 Fl. 5 4 citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária ANVISA. (Destaque acrescido) Traz extenso arrazoado em que justifica o enquadramento de sua atividade como de prestação de serviços hospitalares, anexando documentos. Colaciona também jurisprudência nesse sentido. Junto com a manifestação de inconformidade, veio a Solução de Consulta nº 09/2008, emitida pela DISIT da Superintendência da Receita Federal da 7ª Região Fiscal, base da decisão de piso. Ao final dessa Solução de Consulta, são discriminados os requisitos cumulativos para que a contribuinte seja considerada como prestadora de serviços hospitalares, fazendo jus então aos percentuais de Lucro Presumido de 8% (IRPJ) e 12% (CSLL). Tais requisitos foram analisados individualmente na decisão de piso. O primeiro requisito é o desempenho de atividade prevista no inciso I, alínea "c", do artigo 27 da IN SRF nº 480, de 15 de dezembro de 2004: “prestação de atendimento de assistência à saúde em regime de internação”. Conforme a decisão de primeira instância, segundo o que consta no Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde – CNES: "... ali está registrado que a interessada presta atendimento de internação, dispondo de nove leitos. Além disso, presta serviços de apoio ao diagnóstico e terapia, pois dispõe de equipamentos para diagnóstico por imagem ( raio x – fl. 81) e serviço de diagnóstico por anatomia patológica ou citopatológica (...). Por estas razões, concluo que a interessada atende o primeiro requisito estatuído na Solução de Consulta nº 9. Quanto ao segundo requisito, assim está registrado no voto condutor da decisão de piso: O segundo requisito estabelecido pela Solução de Consulta nº 9, da DISIT/7ª RF, de 30 de janeiro de 2.008, assim dispõe: “b) prestar os serviços em ambientes desenvolvidos de acordo com a Parte II Programação Físico Funcional dos Estabelecimentos de Saúde, item 3 Dimensionamento, Quantificação e Instalações Prediais dos Ambientes, da RDC nº 50, de 2002, da Anvisa, com a alteração introduzida pela RDC nº 307, de 14 de novembro de 2002, e pela RDC nº 189, de 18 Fl. 218DF CARF MF Processo nº 10783.914071/201227 Acórdão n.º 1201002.571 S1C2T1 Fl. 6 5 de julho de 2003, cuja comprovação deve ser feita por meio de documento competente expedido pela vigilância sanitária estadual ou municipal; e” [...] Como esclarece o contribuinte, a empresa está situada em endereço próprio, no meio andar do 7º andar do prédio do Centro Hospitalar Granmater, o que se encontra ratificado pelo OF/SESA/GEVS/NVS/CHEFIA/N ° 634, de 23 de setembro de 2008, da Secretaria de Saúde do Espírito Santo que informa (...): “A empresa NEOCARE CUIDADOS INTENSIVOS EM NEONATOLOGIA S/S LTDA, CNPJ 03.826.269/0001 10, está na área do CENTRO HOSPITALAR GRANMATER, CNPJ 03.691.392/000170, fazendo parte do seu Projeto Arquitetônico, aprovado conforme o "Programa Físico Funcional dos Estabelecimentos de Saúde" e de"Dimensionamento Quantificação e Instalações Prediais dos Ambientes", estando apta conforme legislação em vigor. Portanto, seu licenciamento faz parte do conjunto do Centro Hospitalar Granmater.” Deste modo, em 23 de setembro de 2008, estava apta a exercer suas atividades. Sucede que o pedido formulado referese ao ano calendário de 2.006. Então, há que se ver se o Hospitalar Granmater, onde a empresa funciona, atendia os requisitos estabelecidos pela Vigilância Sanitária, ..., quanto ao período em exame: Entendeu o então relator que, como a licença, no ano calendário 2006, não abrangeu todo o ano, mas um período de sete meses, esse requisito não restaria preenchido. Contudo, o que se poderia concluir quanto a essa questão seria, no máximo, que, nos meses em que não havia a licença, não teria havido o preenchimento do referido requisito. No entanto, essa conclusão não pode ser aceita, pois não poderia haver a aplicação de sistemáticas diversas de apuração do lucro para fins do IRPJ e da CSLL em um só ano, nem tampouco a de que haveria uma extensão do não preenchimento do requisito para todo o ano de 2006. Como visto também, as licenças foram válidas por um período de sete meses, o que corresponde a mais da metade do ano. Fl. 219DF CARF MF Processo nº 10783.914071/201227 Acórdão n.º 1201002.571 S1C2T1 Fl. 7 6 Portanto, quanto ao segundo requisito, concluise que ele foi preenchido. No que respeita ao terceiro requisito, consta do multicitado voto: Passo ao exame do terceiro requisito estabelecido pela Solução de Consulta nº 9, da DISIT/7 ª RF, de 30 de janeiro de 2.008, que determina: “c) ser empresário ou pessoa jurídica constituída sob a forma de sociedade empresária, nos termos do Ato Declaratório Interpretativo (ADI) SRF nº 18, de 23 de outubro de 2003, e do Novo Código Civil.” A fim de examinar a matéria, transcrevemos parte da ementa contida na Solução de Consulta nº 9: “PRESTADOR DE SERVIÇOS HOSPITALARES. PERCENTUAL DE LUCRO PRESUMIDO. REQUISITOS. Considerase prestador de serviços hospitalares, sobre cuja receita caberá a aplicação do percentual de 8% (oito por cento), para fins de determinação do lucro presumido, o estabelecimento assistencial de saúde que atender cumulativamente aos seguintes requisitos previstos no art. 27 da IN SRF nº 480, de 2004, com a alteração introduzida pelo art. 1º da IN SRF nº 539, de 2005: (...) c) tratarse de empresário ou de pessoa jurídica constituída sob a forma de sociedade empresária, nos termos do Novo Código Civil, reunindo fatores de produção e circulação, com profissionalismo e economicidade, e valendose de profissionais não só para o desenvolvimento das atividades auxiliares mas também para o exercício da atividadefim.”(grifei) Esta matéria também foi tratada pela Solução de Consulta DISIT nº 252, de 13 de setembro de 2.005, da 9ª Região Fiscal, parcialmente transcrita: “14. À vista do exposto, concluise que, para fins de definição dos percentuais de presunção a serem utilizados na apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, constitui prestação de serviços hospitalares a atividade exercida nos ramos de imagenologia, ginecologia e obstetrícia, desde que a contribuinte seja constituída de fato e de forma como sociedade empresária, o que pressupõe a existência: (i) de estrutura física própria, na conformidade do art. 27, § 1º, da IN SRF nº 480, de 2004, cf. redação dada pelo art. 1º da IN SRF nº 539, de 2005; e (ii) de empregados Fl. 220DF CARF MF Processo nº 10783.914071/201227 Acórdão n.º 1201002.571 S1C2T1 Fl. 8 7 com competência técnica para realizar sua atividade fim sem a necessidade de atuação dos sócios.”(grifei) Segundo o que consta ..., a empresa não possui médicos (profissionais SUS) e possui 20 profissionais não SUS. Tais informações não elucidam se há médicos contratados pela empresa. De acordo com os contratos sociais ..., no ano de 2.006, as sócias da empresa eram Cíntia Ginaid de Souza e Circe Ginaid de Souza, ambas médicas. Do exame dos documentos anexos aos autos não há como se inferir que a empresa possua profissionais contratados para o desenvolvimento de suas atividades fim, sem a necessidade de atuação dos sócios, restando incomprovado o atendimento ao terceiro requisito estabelecido pela Solução de Consulta nº 9. Não há dúvidas de que a recorrente é pessoa jurídica constituída sob a forma de sociedade empresária. A questão levantada é a de que não se pode saber se a empresa possuía "profissionais contratados para o desenvolvimento de suas atividades fins, sem a necessidade de atuação dos sócios". Em que pese a fragilidade da questão relacionada à atuação dos sócios, uma vez que pode existir uma sociedade com sócios que sejam profissionais habilitados em número suficiente para a prestação do serviço a que se destina a empresa, não é crível que uma prestadora de serviços de UTI neonatal, localizada no prédio de um hospital, com vários leitos, não disponha de profissionais médicos, além dos sócios, para a prestação dos serviços. É quase certo que haja a prestação de serviços de médicos que também o fazem para o próprio hospital em que se insere fisicamente a recorrente, ou que tenha havido a contratação de profissionais por meio também de pessoas jurídicas. Assim, aqui também há que se entender preenchido o requisito. Por fim, no que tange ao quarto requisito, assim registrou o relator no voto condutor da decisão recorrida: Por fim, o quarto requisito estabelecido pela Solução de Consulta nº 9, da DISIT/7ª RF, de 30 de janeiro de 2.008, determina: “d) que os estabelecimentos hospitalares (em regime de atendimento de urgência ou não), sigam os dispositivos emanados no ADI nº 19 de 10/12/2007, aqui para efeito de cálculo do percentual reduzido de IRPJ, a ser utilizado por empresas prestadoras de tais serviços, nas Fl. 221DF CARF MF Processo nº 10783.914071/201227 Acórdão n.º 1201002.571 S1C2T1 Fl. 9 8 condições previstas nas leis e dispositivos sobre o assunto.” Tendo em vista a citação do ADI nº 19 de 10/12/2007, segue a transcrição do dispositivo: “Artigo Único. Para efeito de enquadramento no conceito de serviços hospitalares, a que se refere o art. 15, § 1º, inciso III, alínea "a'', da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 , os estabelecimentos assistenciais de saúde devem dispor de estrutura material e de pessoal destinada a atender a internação de pacientes, garantir atendimento básico de diagnóstico e tratamento, com equipe clínica organizada e com prova de admissão e assistência permanente prestada por médicos, possuir serviços de enfermagem e atendimento terapêutico direto ao paciente, durante 24 horas, com disponibilidade de serviços de laboratório e radiologia, serviços de cirurgia e/ou parto, bem como registros médicos organizados para a rápida observação e acompanhamento dos casos. Parágrafo único. São também considerados serviços hospitalares os serviços préhospitalares, prestados na área de urgência, realizados por meio de UTI móvel, instaladas em ambulâncias de suporte avançado (Tipo "D") ou em aeronave de suporte médico (Tipo "E"), bem como os serviços de emergências médicas, realizados por meio de UTI móvel, instaladas em ambulâncias classificadas nos Tipos "A", "B", "C" e "F", que possuam médicos e equipamentos que possibilitem oferecer ao paciente suporte avançado de vida.” Nos autos não há provas suficientes para comprovar que a empresa disponha de “estrutura material e de pessoal destinada a atender a internação de pacientes, garantir atendimento básico de diagnóstico e tratamento, com equipe clínica organizada e com prova de admissão e assistência permanente prestada por médicos, possuir serviços de enfermagem e atendimento terapêutico direto ao paciente, durante 24 horas, com disponibilidade de serviços de laboratório e radiologia, serviços de cirurgia e/ou parto, bem como registros médicos organizados para a rápida observação e acompanhamento dos casos”. Portanto, o quarto requisito estatuído pela Solução de Consulta nº 9, da DISIT/7ª RF, restou incomprovado. Mais uma vez, frisese, a recorrente é uma prestadora de serviços de UTI neonatal que funciona fisicamente no prédio de um hospital. Não há dúvida quanto a possuir estrutura material e de pessoal (quanto a esta última vejase comentário ao requisito anterior) destinada a atender a internação de pacientes Fl. 222DF CARF MF Processo nº 10783.914071/201227 Acórdão n.º 1201002.571 S1C2T1 Fl. 10 9 (as notas fiscais constantes dos autos confirmam esse tipo de serviço) com assistência permanente durante vinte e quatro horas, com disponibilidade de serviços de radiologia e laboratório. Portanto, cumprido também o quarto e último requisito. Conclusão. Em face do exposto, voto por conhecer do recurso voluntário para, no mérito, DARLHE provimento." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 223DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.721075/2014-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2010 a 30/09/2012
MULTA ISOLADA. PEDIDOS DE RESSARCIMENTO INDEFERIDOS. REVOGAÇÃO DOS § 15 e 16 DA LEI Nº 9.430/196. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA.
Em cumprimento ao art. 106, inciso II, "a" do CTN, tratando-se de ato não definitivamente julgado, a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, quando deixe de defini-lo como infração. No caso dos autos, a superveniência de dispositivo legal que deixa de definir como infração uma das hipóteses fáticas descritas no lançamento (aquela decorrente dos parágrafos 15 e 16 do art. 74 da Lei nº 9.430/96, revogados pela Lei nº 13.137/2015) impõe o cancelamento da multa aplicada.
Recurso de Ofício Negado.
DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. AQUISIÇÕES DE MATÉRIAS-PRIMAS NÃO TRIBUTADAS, ISENTAS E SUJEITAS A ALÍQUOTA ZERO. MENÇÃO, NO ACÓRDÃO QUE MANTEVE A SENTENÇA, A INSUMOS. ADEQUADA INTERPRETAÇÃO DA COISA JULGADA.
Tratando a ação judicial apenas do direito de crédito decorrente da aquisição de matérias-primas não tributadas, isentas e de alíquota zero, a menção, sem a força de dispositivo, no acórdão que julgou a remessa de ofício e a apelação a insumos não estende os limites da coisa julgada para além do que foi objeto da petição inicial.
IPI. CREDITAMENTO. INSUMOS GENÉRICOS. IMPOSSIBILIDADE. NECESSIDADE DE CONSUMO DE FORMA IMEDIATA E INTEGRAL.
Descabe direito ao creditamento do IPI por expressa vedação legal do art. 226, I, do RIPI/2010. Ademais, os estabelecimentos industriais (e os que lhes são equiparados), entre outras hipóteses, podem creditar-se do imposto relativo a matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindo-se aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos de forma imediata e integral durante o processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente. Precedente do STJ, REsp 1.0755.08/SC (recurso representativo de controvérsia).
CRÉDITO. APROVEITAMENTO. OPTANTES DO SIMPLES NACIONAL E FEDERAL. IMPOSSIBILIDADE.
É vedado o aproveitamento de crédito do IPI relativamente a aquisições de empresas optantes do Simples.
COISA JULGADA. DESCONSTITUIÇÃO DE DECISÃO TRANSITADA EM JULGADO. PARECER PGFN N° 492/2011. EFEITOS.
Os efeitos desconstitutivos sobre as decisões judiciais transitadas em julgado não são automáticos, por imperativo constitucional da coisa julgada, que atinge em último grau, a realização do princípio da segurança jurídica. A desconstituição da decisão transitada em julgado se dá apenas por meio da ação rescisória. Ilegitimidade do Parecer PGFN n° 492/2011 para fazer cessar a decisão individual e concreta transitada em julgado a favor do contribuinte.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3301-005.085
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. Votaram pelas conclusões no recurso voluntário os Conselheiros Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini e Winderley Morais Pereira.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora
Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: Relator
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FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2010 a 30/09/2012 MULTA ISOLADA. PEDIDOS DE RESSARCIMENTO INDEFERIDOS. REVOGAÇÃO DOS § 15 e 16 DA LEI Nº 9.430/196. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. Em cumprimento ao art. 106, inciso II, "a" do CTN, tratandose de ato não definitivamente julgado, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, quando deixe de definilo como infração. No caso dos autos, a superveniência de dispositivo legal que deixa de definir como infração uma das hipóteses fáticas descritas no lançamento (aquela decorrente dos parágrafos 15 e 16 do art. 74 da Lei nº 9.430/96, revogados pela Lei nº 13.137/2015) impõe o cancelamento da multa aplicada. Recurso de Ofício Negado. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. AQUISIÇÕES DE MATÉRIASPRIMAS NÃO TRIBUTADAS, ISENTAS E SUJEITAS A ALÍQUOTA ZERO. MENÇÃO, NO ACÓRDÃO QUE MANTEVE A SENTENÇA, A INSUMOS. ADEQUADA INTERPRETAÇÃO DA COISA JULGADA. Tratando a ação judicial apenas do direito de crédito decorrente da aquisição de matériasprimas não tributadas, isentas e de alíquota zero, a menção, sem a força de dispositivo, no acórdão que julgou a remessa de ofício e a apelação a “insumos” não estende os limites da coisa julgada para além do que foi objeto da petição inicial. IPI. CREDITAMENTO. INSUMOS GENÉRICOS. IMPOSSIBILIDADE. NECESSIDADE DE CONSUMO DE FORMA IMEDIATA E INTEGRAL. Descabe direito ao creditamento do IPI por expressa vedação legal do art. 226, I, do RIPI/2010. Ademais, os estabelecimentos industriais (e os que lhes são equiparados), entre outras hipóteses, podem creditarse do imposto AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 10 75 /2 01 4- 07 Fl. 2474DF CARF MF Processo nº 10980.721075/201407 Acórdão n.º 3301005.085 S3C3T1 Fl. 2.475 2 relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos de forma imediata e integral durante o processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente. Precedente do STJ, REsp 1.0755.08/SC (recurso representativo de controvérsia). CRÉDITO. APROVEITAMENTO. OPTANTES DO SIMPLES NACIONAL E FEDERAL. IMPOSSIBILIDADE. É vedado o aproveitamento de crédito do IPI relativamente a aquisições de empresas optantes do Simples. COISA JULGADA. DESCONSTITUIÇÃO DE DECISÃO TRANSITADA EM JULGADO. PARECER PGFN N° 492/2011. EFEITOS. Os efeitos desconstitutivos sobre as decisões judiciais transitadas em julgado não são automáticos, por imperativo constitucional da coisa julgada, que atinge em último grau, a realização do princípio da segurança jurídica. A desconstituição da decisão transitada em julgado se dá apenas por meio da ação rescisória. Ilegitimidade do Parecer PGFN n° 492/2011 para fazer cessar a decisão individual e concreta transitada em julgado a favor do contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. Votaram pelas conclusões no recurso voluntário os Conselheiros Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini e Winderley Morais Pereira. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida: Fl. 2475DF CARF MF Processo nº 10980.721075/201407 Acórdão n.º 3301005.085 S3C3T1 Fl. 2.476 3 Tratase de glosa de crédito de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), formalizada no Auto de Infração de fls. 1942/1955, referente aos períodos de apuração de janeiro de 2010 a setembro de 2012, sendo um total de crédito glosado de R$ 9.172.009,54, e Auto de Infração de Multa Regulamentar, fls. 1956/1960, que exige o recolhimento de R$ 4.105.610,79. Consta no Termo de Verificação Fiscal, fls. 1911/1940: A empresa é cadastrada sob o CNAE 2823200: Fabricação de máquinas e aparelhos de refrigeração e ventilação para uso industrial e comercial, peças e acessórios. (...) Da análise das operações efetuadas pelo contribuinte, dos arquivos magnéticos, livros e documentos fiscais, bem como informações prestadas, constatamos que o contribuinte incorreu em irregularidades que resultaram em GLOSA DE CRÉDITOS DE IPI. As irregularidades são decorrentes de valores apropriados em vista do Mandado de Segurança, Processo n° 98.00232931, que trata do direito aos créditos de IPI sobre aquisição de matériasprimas isentas, não tributadas ou reduzidas à alíquota zero empregadas na fabricação de produtos tributados. As glosas efetuadas foram divididas em dois períodos, os quais serão tratados separadamente nos itens 1 e 2: Item 1. De janeiro de 2010 até 26/05/2011: neste período foram glosados os créditos que extrapolaram o direito garantido na ação judicial, isto é, ou não são considerados matériasprimas, ou houve a utilização em duplicidade de uma mesma nota fiscal de entrada, etc. Os créditos referentes a este período, informados na planilha apresentada pela empresa como créditos do MS, foram analisados individualmente. Item 2. De 27/05/2011 até 30/09/2012: todas as apropriações de crédito baseados no MS Processo n° 98.00232931 foram glosadas integralmente a partir de 27/05/2011, conforme determina o Parecer PGFN/CRJ n° 492/2011. (...) A empresa apresentou Pedidos Eletrônicos de Ressarcimento de Créditos de IPI relativos ao período fiscalizado. Conforme exposto, parte dos créditos de IPI objeto dos Pedidos de Ressarcimento foi glosada por ser indevida. Tendo em vista a publicação da Lei 12.249, em 14 de junho de 2010, a multa foi aplicada aos pedidos de ressarcimento entregues a partir desta data. Fl. 2476DF CARF MF Processo nº 10980.721075/201407 Acórdão n.º 3301005.085 S3C3T1 Fl. 2.477 4 Assim, demonstramos abaixo os Pedidos de Ressarcimento de Crédito de IPI entregues pelo contribuinte com respectiva data de transmissão, valores indevidos e respectivos valores da multa cujo percentual é de 50 % sobre o valor indevido. Valor total da multa: R$ 4.105.610,79. Regularmente intimada, com ciência através do Domicilio Tributário Eletrônico em 10 de maio de 2014, fl. 1964, a interessada apresentou, em 26 de maio de 2014, a impugnação de fls. 1968/2004. Preliminarmente a impugnante alega a boafé do contribuinte que, mesmo diante de pedidos excessivos por parte da Auditora Fiscal, apresentou tudo o que foi requisitado. Argumenta, posteriormente, com base no Princípio da Efetividade da Administração Pública, sobre o demora do curso da Ação Fiscal. Sobre a decisão transitada em julgado e da segurança jurídica do Mandado de Segurança Processo n° 98.00232931: Preliminarmente, a Ilma. Auditora, visando amparar sua autuação, interpreta de forma restritiva, o Acórdão do E. TRF da 4ª Região, excluindo o direito da Empresa Autuada em utilizarse dos insumos adquiridos sob o regime de Isenção, Não Tributação e/ou sujeitos à Alíquota Zero. Importante salientar, novamente, que não cabe a Ilma. Auditora esclarecer, revisar, concluir o conteúdo da decisão em questão, muito menos tecer lições jurídicas e/ou dar parecer final quanto aos mandamentos da decisão, pois resta claro o que foi deferido no acórdão em questão. Apresenta a Certidão Explicativa expedida pela Justiça FederalSeção Judiciária do Paraná: CERTIDÃO EXPLICATIVA N° 079/2005 "CERTIFICO e dou fé a pedido da parte interessada, que por este juízo e Secretaria da Vara Ambiental, Agrária e Residual, Circunscrição Judiciária de Curitiba, Capital do Estado do Paraná, tramitou os autos de Mandado de Segurança n° 98.00232931, distribuído em 15/10/1998, impetrado por GELOPAR REFRIGERAÇÃO PARANAENSE LTDA. (CNPJ 75.109.074/0001 60), contra o DELEGADO DA RECEITA FEDERAL CURITIBA, tendo como objeto o pedido de liminar visando assegurar o direito ao crédito, a título de imposto sobre Produtos Industrializados IPI, relativo às aquisições de insumos isentos, nãotributados, ou reduzidos à alíquota zero, empregados, na fabricação de produtos tributados, com a aplicação da mesma alíquota utilizada, na operação tributada, tudo atualizado. Certifico, que a liminar foi deferida, autorizando a impetrante, a utilização dos créditos (presumido), relativos às aquisições de mercadorias isentas, e suspendendo, em consequência, a exigibilidade do tributo, na medida das forças do referido crédito, face ao princípio constitucional da nãocumulatividade. A sentença monocrática foi de procedência, tendo sido mantida pelo E. Tribunal de Justiça, o qual transitou em julgado em 11 de setembro de 2002. Certifico, finalmente, que os presentes autos encontramse arquivados desde 08 de abril de 2003, sem manifestação das partes em relação à baixa dos autos. Curitiba, 27 de abril de 2005. Eu Abinadabe Carneiro, Diretor de Secretaria, em exercício, a digitei e subscrevo, xxxxxxxxx" (negritouse) Em seguida, traz a Certidão Narratória Extraída da Ação Rescisória Interposta pela União (esta restou novamente derrotada) Emitida pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região: Fl. 2477DF CARF MF Processo nº 10980.721075/201407 Acórdão n.º 3301005.085 S3C3T1 Fl. 2.478 5 EXECUÇÃO CONTRA A FAZENDA PÚBLICA N° 2003.04.01.004107 3/PR CERTIDÃO NARRATÓRIA Certifico, para os devidos fins, a pedido da parte interessada, que tramita perante a 1ª SEÇÃO do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, a EXECUÇÃO CONTRA A FAZENDA PÚBLICA n° 2003.04.01.0041073/PR, processo originário n° 98.00.232931 da 11ª Vara Federal de Curitiba/PR, em que figuram como exequente GELOPAR REFRIGERAÇÃO PARANAENSE LTDA e como executada a UNIÃO FEDERAL (FAZENDA NACIONAL), Relatora a Desembargadora Federal LUCIANE AMARAL CORRÊA MÜNCH. Certifico, também, que a execução originouse de Ação Rescisória ajuizada pela União Federal contra GELOPAR REFRIGERAÇÃO PARANAENSE LTDA., com fundamento no art. 485, V, do CPC, visando desconstituir acórdão proferido pela 1ª Turma deste Regional, nos autos do Mandado de Segurança n.° 1999.04.01.079847 6/PR que, por unanimidade, negou provimento à apelação e à remessa oficial. Certifico ainda, que, citada a parte ré, esta ofereceu contestação. Encerrada a instrução, o Ministério Público Federal opinou pela improcedência da ação rescisória. Certifico, mais, que a 1ª Seção do Tribunal Regional Federal da 4° Região, por unanimidade, julgou improcedente a ação rescisória em cuja ementa se lê "TRIBUTÁRIO. AÇÃO RESCISÓRIA. CRÉDITO DE IPI RECONHECIDO JUDICIALMENTE, DECORRENTE DE INSUMOS ISENTOS, NÃO TRIBUTADOS OU REDUZIDOS À ALÍQUOTA ZERO. INCIDÊNCIA DE CORREÇÃO MONETÁRIA E PRAZO PRESCRICIONAL APLICÁVEL INEXISTÊNCIA DE DISCUSSÃO CONSTITUCIONAL ACERCA DA MATÉRIA OBJETO DA AÇÃO RESCISÓRIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA 343 DO STF. A alegação de afronta a literal dispositivo de lei, relativamente ao prazo prescricional e à correção monetária de crédito presumido de IPI reconhecido judicialmente, pertinente à aquisição de insumos isentos, não tributados ou tributados à alíquota zero, não comporta discussão de matéria constitucional, fazendo incidir a Súmula n° 343 do STF ("Não cabe ação rescisória por ofensa a literal disposição de lei, quando a decisão rescindenda se tiver baseado em texto legal de interpretação controvertida nos tribunais."). ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, decide a Egrégia 1ª Seção do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, por unanimidade, julgar improcedente a ação rescisória, nos termos do relatório, votos e notas taquigráficas que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. Porto Alegre, 07 de maio de 2009". Da referida decisão foram opostos embargos de declaração pela União Federal (Fazenda Nacional), os quais, por unanimidade, foram acolhidos em parte, tãosomente para fins de prequestionamento. A União interpôs recursos especial e extraordinário, os quais foram inadmitidos. Das decisões que inadmitiram os recursos foram interpostos agravos perante o STJ e o STF. No STJ o Ministro Relator deu provimento ao agravo de instrumento e, perante o STF foi negado seguimento ao recurso. Julgado o Recurso Especial no egrégio Superior Tribunal de Justiça, a Segunda Turma daquela Corte, por unanimidade, negou provimento. Desta última decisão, foram opostos embargos de declaração, os quais foram rejeitados, por unanimidade. Certifico, além disso, que o v. acórdão transitou em julgado em 04/07/2013. Certifico, por fim, que os autos do referido processo encontramse em Secretaria aguardando o pagamento da Requisição relativa aos honorários advocatícios. O referido é verdade e dou fé. Alega que não cabe à Fiscalização rediscutir a prestação jurisdicional já favorável a impugnante, em outras palavras, à reapreciação da autoridade administrativa de matéria transitada em julgado nos autos de n° 98.00232931, sendo tal conduta equivocada, ilegal e abusiva, ofendendo a coisa julgada, Cláusula Pétrea da Constituição Federal/88. Fl. 2478DF CARF MF Processo nº 10980.721075/201407 Acórdão n.º 3301005.085 S3C3T1 Fl. 2.479 6 Aduz que Procuradoria da Fazenda Nacional na Ação Rescisória nº 2003.04.01.0041073/PR, utiliza a expressão “insumo”, que confirma sua aceitação quanto ao conteúdo do julgado. Ademais, afirma ter efetuado o Pedido de Habilitação de Crédito Reconhecido por Decisão Judicial transitada em julgado, em 22 de agosto de 2005, Processo n° 10980.009289/200511, sendo este homologado pelo Delegado da Receita Federal em Curitiba, em 12 de setembro de 2005. Neste processo, afirma ainda a impugnante, foi aceita a metodologia de cálculo utilizada na formação da alíquota do crédito, ou seja, na mesma base/alíquota dos produtos tributados, conforme a decisão judicial. Passa a discorrer, então, sobre as glosas efetuadas e sua falta de fundamentação legal. Afirma, não haver dúvidas quanto ao que restou deferido no pronunciamento judicial e sobre a alíquota a ser utilizada no cálculo dos créditos sobre as aquisições de matérias primas isentas, não tributadas ou tributadas a alíquota zero e cita novamente, a decisão do processo administrativo 10980.009289/200511. Insurgese contra a glosa de créditos decorrentes de aquisições de empresas do Simples. Afirma que a Lei nº 123/2006 foi editada posteriormente à coisa julgada; e que a própria lei faz menção à possibilidade de utilização de créditos nas aquisições de mercadorias de empresas inscritas no simples. Sobre a glosa dos créditos de Energia Elétrica, cita acórdão do STJ. Sustenta que a energia elétrica pode ser um veículo de modificação da matériaprima, que pode ser a provocadora de efeitos químicos ou físicos que atuem no processo industrial. Ressalta, ainda, que a energia elétrica está classificada na NCM 2716.00.00 como NT. Acerca do material intermediário e embalagens, afirma estarem, referidos créditos, sob a égide da coisa julgada. Com relação ao material de uso e consumo e material de segurança, sustenta haver erro da Fiscalização, porquanto, afirma: “o conceito de insumo não está limitado aos bens e serviços utilizados “diretamente” nas atividades da empresa, pois, nessa hipótese, o crédito estaria limitado às matériasprimas, aos materiais de embalagem e aos produtos intermediários (aqueles consumidos no processo produtivo)”. Afirma ainda, que Leis n° 10.637/2002 e 10.833/2003 preveem o crédito sobre combustíveis e lubrificantes, os quais, na maioria das vezes, são materiais auxiliares ou intermediários. Posteriormente, concorda com os glosa efetuada nos créditos constatados pela Fiscalização como em duplicidade, porém discorda da multa aplicada. Cita haver erro da Fiscalização: Ao contrário do afirmado, a nota de devolução de n° 111.576 no valor de R$ 239.414,2013, não é datada de 30/06/2013, mas sim de 30/06/2012 (doc. em anexo), existindo claro erro material na presente glosa. A presente fiscalização teve seu início em 11 de março de 2013, sendo assim quando a mesma foi emitida em 30/06/2012 a empresa não estava sob fiscalização caracterizando assim flagrante espontaneidade da contribuinte, demonstrado pois que referida glosa é insubsistente devendo ser revista de plano por este emérito julgador, por ser tratar de erro material da presente fiscalização. Fl. 2479DF CARF MF Processo nº 10980.721075/201407 Acórdão n.º 3301005.085 S3C3T1 Fl. 2.480 7 Sobre a multa regulamentar, afirma ser inconstitucional, ilegal e ter efeito confiscatório. Traz ainda, que a mesma é objeto de Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI 4905) ajuizada no Supremo Tribunal Federal (STF), pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Apresenta, após, seus argumentos em relação ao Parecer PGFN nº 492/2011 e afirma: Importante salientar que no caso em tela o direito perseguido pela recorrente foi alcançado, ou seja, restou declarada a época a inconstitucionalidade quanto à vedação imposta de se utilizar dos créditos das aquisições de insumos isentos, não tributados ou sujeitos a alíquota zero, decisão esta transitada em julgado em 2002 (certidão em anexo). A União interpôs Ação Rescisória em face desta decisão, contudo novamente não logrou êxito, tendo esta ação transitada em julgado em 2012 (certidão em anexo). Sendo assim, como agora via mero parecer da Procuradoria, mencionada compensação poderia ser glosada sem desaguarmos em um abismo jurídico, para não falar em absurdo jurídico. Conforme exposto, notase o esforço do Parecer n° 492/2011 em dar uma elasticidade diferente às relações jurídicas tributárias de natureza continuativa, buscando trazer um efeito diverso do preconizado pelo legislador, em flagrante desrespeito à coisa julgada, notadamente quando se previu no CPC, art. 471: Carreia aos autos algumas decisões judiciais. E por fim requer: Diante de todo o exposto e pelo mais que possa ser suprido pelo vosso conhecimento, requerse: a. Que o presente Recurso seja recebido e processado, eis que tempestivo; b. Requerse ainda, que o presente recurso seja provido para declarar a insubsistência de todo auto de infração objeto do presente recurso, haja vista todas as irregularidades acima expostas, em especial: b.l. Pela ofensa direta a coisa julgada, haja vista a interpretação diversa adotada pela ilma. Auditora, a qual restringe o direito adquirido da Contribuinte concedido nos seguintes moldes: (...) Segurança concedida, para o efeito de autorizar, a partir do trânsito em julgado, a utilização dos créditos, a título de IPI, decorrentes das entradas de insumos, atualizados, segundo os índices oficiais, com os débitos futuros, deste imposto, incidente, sobre saídas dos respectivos produtos industrializados (afinal a legislação ordinária, e o próprio regulamento do IPI, admitem a transferência dos saldos credores excedentes, para o período seguinte). Remessa Oficial, e Apelação de Impetrada conhecidas, e improvisas. (...) (vide certidões acimas transcritas e ora colecionadas). b.2. Pela Incongruência da média de alíquota imposta pela fiscalização; b.3. Pela irregular glosa e afastamento da espontaneidade do contribuinte da compensação item 5.9; Fl. 2480DF CARF MF Processo nº 10980.721075/201407 Acórdão n.º 3301005.085 S3C3T1 Fl. 2.481 8 b.4. Pela ilegalidade, inconstitucionalidade e consequente inaplicabilidade do Parecer n° 492/2011; b.5. Pela inconstitucionalidade e consequente inaplicabilidade da multa regulamentar ora aplicada, excluindoa definitivamente; b.6. Pela insubsistência dos demais itens glosados, conforme acima exposto. Alternativamente, em caso de eventual manutenção de algum item do Auto Infracional atacado, o que não se admite, nem mesmo por hipótese, seja reduzida a multa aplicada pela Auditora, ao patamar mínimo legal, haja vista a flagrante boafé demonstrada pelo contribuinte durante toda a realização da auditoria, além do evidente caráter confiscatório que a multa aplicada produz. O pleito foi julgado procedente em parte, pela 3ª Turma da DRJ/BEL, nos termos do acórdão n° 0130.326, cuja ementa transcrevese: CRÉDITO. INSUMOS. Somente geram direito ao crédito do imposto os materiais que se enquadrem no conceito jurídico de insumo, ou seja, aqueles que se desgastem ou sejam consumidos mediante contato físico direto com o produto em fabricação. RELAÇÃO FÁTICOJURÍDICA NOVA. OFENSA À COISA JULGADA. NÃOOCORRÊNCIA. Por ter sobrevindo modificação no estado de direito que acarretou o surgimento de uma nova relação jurídico tributária, não mais subsistia a coisa julgada material como cristalização do que fora decidido em momento pretérito. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. A decisão judicial transitada em julgado tem força de lei nos limites da lide e das questões decididas. LANÇAMENTO DE MULTA REGULAMENTAR. FATO GERADOR. MOTIVAÇÃO INCOMPLETA. VÍCIO FORMAL. NULIDADE. É nulo o lançamento efetuado em desconformidade com as disposições legais e normativas que prescrevem o dever de motivação e ferindo o direito à ampla defesa do contribuinte, restando caracterizado vício formal insanável. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Nessa decisão, a DRJ julgou procedente em parte a impugnação, para cancelar o lançamento da Multa Regulamentar, efls. 1956/1960 e para rever a glosa do período de apuração de 31 de maio de 2012, para R$ 245.223,45. Manteve a glosa de crédito de IPI dos demais períodos de apuração, formalizada no Auto de Infração de efls. 1942/1955. Fl. 2481DF CARF MF Processo nº 10980.721075/201407 Acórdão n.º 3301005.085 S3C3T1 Fl. 2.482 9 Regularmente cientificado do Acórdão proferido, o contribuinte, tempestivamente, protocolizou o Recurso Voluntário, no qual, basicamente, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. Ao final requer: a. Que o presente Recurso seja recebido e processado, eis que tempestivo; b. Requerse ainda, que o presente recurso seja provido para declarar a insubsistência de todo auto de infração objeto do presente recurso, haja vista todas as irregularidades acima expostas, em especial: b.1. Pela ofensa direta a coisa julgada, haja vista a interpretação diversa adotada pela Ilma. Auditora, a qual restringe o direito adquirido da Contribuinte concedido nos moldes do Acórdão do TRF da 4ª Região transitado em julgado: (...) Segurança concedida, para o efeito de autorizar, a partir do trânsito em julgado, a utilização dos créditos, a título de IPI, decorrentes das entradas de insumos, atualizados, segundo os índices oficiais, com os débitos futuros, deste imposto, incidente, sobre saídas dos respectivos produtos industrializados (afinal a legislação ordinária, e o próprio regulamento do IPI, admitem a transferência dos saldos credores excedentes, para o período seguinte). Remessa Oficial, e Apelação de Impetrada conhecidas, e improvisas. (...) (vide certidões acima transcritas e ora colecionadas). b.2. Pela Incongruência da média de alíquota imposta pela fiscalização; b.3. Pela ilegalidade, inconstitucionalidade e consequente inaplicabilidade do Parecer nº 492/2011; b.4. Pela insubsistência dos demais itens glosados, conforme acima exposto. É o relatório. Voto Conselheira Semíramis de Oliveira Duro, Relatora Os recursos de ofício e voluntário reúnem os pressupostos legais de interposição, deles, portanto, tomo conhecimento. RECURSO DE OFÍCIO A DRJ considerou nulo o lançamento de multa regulamentar por vício na motivação. A argumentação foi a seguinte: Fl. 2482DF CARF MF Processo nº 10980.721075/201407 Acórdão n.º 3301005.085 S3C3T1 Fl. 2.483 10 O Auto de Infração referente à multa regulamentar, fls. 1956/1960, que exige o recolhimento de R$ 4.105.610,79, traz no campo “enquadramento legal” a seguinte informação: art. 74, §§ 15 e 16, da Lei n° 9.430/96, com a redação dada pelo art. 62 da Lei nº 12.249/2010. De início, devese ressaltar que a Medida Provisória nº 656, de 7 de outubro de 2014, revogou o enquadramento legal da multa regulamentar, conforme segue a transcrição: Art. 56. Ficam revogados: I imediatamente, os arts. 44 a 53 da Lei nº 4.380, de 21 de agosto de 1964, o art. 28 da Lei nº 10.150, de 21 de dezembro de 2000, e os §§ 15 e 16 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; e Vejamos, porém, o que determinava o art. 74, §§ 15 e 16, da Lei n° 9.430/96, com a redação dada pelo art. 62 da Lei nº 12.249/2010, in verbis: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. ... § 15. Será aplicada multa isolada de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do crédito objeto de pedido de ressarcimento indeferido ou indevido. (Incluído pela Lei nº 12.249, de 2010) § 16. O percentual da multa de que trata o § 15 será de 100% (cem por cento) na hipótese de ressarcimento obtido com falsidade no pedido apresentado pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 12.249, de 2010) O que se depreende facilmente da leitura do citado §15, do art. 74, da Lei n° 9.430/96, que determinava que a multa isolada de 50% seria aplicada sobre o valor do crédito objeto do pedido de ressarcimento indeferido ou indevido. Enfim, o que configurava a tipicidade da infração é o pedido de ressarcimento indeferido ou indevido. De plano, constatase, facilmente, que os Pedidos de Ressarcimentos de Crédito de IPI, referentes ao período de apuração do 1º trimestre de 2010 ao 4º trimestre de 2011 e 3º trimestre de 2012, relacionados no Termo de Verificação Fiscal, fl. 1940, considerados como base de cálculo para a Multa Regulamentar, somente foram considerados indevidos através dos Despachos Decisórios Eletrônicos, emitidos pelo Sistema de Controle de Créditos em 04 de junho de 2014, sendo a ciência do contribuinte em 18 de junho de 2014. O Pedidos de Ressarcimentos de Crédito de IPI, referente ao período de apuração do 1º trimestre de 2012 teve o Despacho Decisório Eletrônico emitido em 07 de agosto de 2014, sendo a ciência em 18 de agosto de 2014. Quanto ao Pedido de Ressarcimento de Crédito de IPI relativo ao 2º trimestre de 2012, em consulta aos sistemas da SRF, não consta Despacho Decisório emitido. Logo, somente restaria caracterizada a tipicidade do §15, do art. 74, da Lei n° 9.430/96, após a ciência dos Despachos Decisórios de análise dos Pedidos de Ressarcimentos de crédito de IPI, e como visto, esta somente ocorreu após a ciência Fl. 2483DF CARF MF Processo nº 10980.721075/201407 Acórdão n.º 3301005.085 S3C3T1 Fl. 2.484 11 do lançamento do Auto de Infração, ora em questão, que ocorreu em 10 de maio de 2014. A verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente e a determinação da matéria tributável possuem o sentido de dar motivação ao ato de constituir o crédito tributário pelo lançamento, ou seja, dizem respeito ao elemento (requisito) motivo do ato. Diante dos fatos cabe salientar que a Administração Pública, atendendo ao princípio da legalidade e exercendo o controle do lançamento tributário, tem o deverpoder de reexaminar os seus atos, podendo anulálos ou revogálos, nos termos do art. 53 da Lei n° 9.784/99, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, aplicado subsidiariamente ao Processo Administrativo Fiscal (PAF), e da Súmula 473 do Supremo Tribunal Federal, (...) (...) A administração deve, portanto, demonstrar que o seu ato está em conformidade com as prescrições legais, de modo a permitir o conhecimento e controle dos motivos que a levaram a praticálo, não o fazendo, mister se faz o reconhecimento da nulidade. A multa isolada foi aplicada em virtude do ressarcimento indeferido ou indevido, cujo enquadramento estava nos parágrafos 15 e 16 do art. 74 da Lei nº 9.430/96, introduzido pelo art. 62 c/c o art. 139, inciso I, alínea "d" da Lei nº 12.249/10. Contudo, os parágrafos 15 e 16 foram revogados pela Lei nº 13.137/2015, art. 27, II: Lei nº 13.137, de 19 de junho de 2015 Art. 27. Ficam revogados: II os §§ 15 e 16 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; Assim, a Lei nº 13.137/2015 retirou a validade dessa multa, o que demanda a sua exclusão do lançamento, em face do disposto no art. 106, II, “a” do CTN: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Fl. 2484DF CARF MF Processo nº 10980.721075/201407 Acórdão n.º 3301005.085 S3C3T1 Fl. 2.485 12 Dessa forma, correta a exoneração da multa regulamentar. O segundo ponto objeto do recurso de ofício é a revisão da glosa do período de apuração 31 de maio de 2012 para R$ 245.223,45. Porém, entendo que foi corretamente executada pela DRJ. Confirase as razões: Argumenta o impugnante que emitiu a Nota Fiscal de Devolução nº 111.576, para ajuste de crédito de IPI efetuado a maior, antes de iniciado o procedimento fiscal. Na análise dos autos, observase que o impugnante emitiu a Nota Fiscal nº 10757, fl. 1014, em 31 de maio de 2012, para o crédito presumido do IPI ref. ao período de 26 de abril de 2012 a 25 de maio de 2012, no valor de R$ 484.638,22. A Nota Fiscal de Devolução nº 111.576, à fl. 2195, foi emitida em 30 de junho de 2012, no valor de R$ 239.414,77, para estornar o crédito presumido de IPI creditado a maior no período de 26 de abril de 2012 a 25 de maio de 2012. No Livro de Registro de Apuração de IPI, à fl. 614, consta à devida escrituração da Nota Fiscal. O início do procedimento fiscal deuse em 11 de março de 2013, AR à fl. 5, portanto, assiste razão à impugnante. Tratase de questão devidamente comprovada documentalmente, logo não há reparos a serem feitos na decisão de piso. RECURSO VOLUNTÁRIO Tratase de glosa de créditos de IPI, decorrentes de valores apropriados em vista do Mandado de Segurança, Processo n° 98.00232931, que trata do direito aos créditos de IPI sobre aquisição de matériasprimas isentas, não tributadas ou reduzidas à alíquota zero empregadas na fabricação de produtos tributados. As glosas efetuadas foram divididas em dois períodos: *** De janeiro de 2010 até 26/05/2011: neste período foram glosados os créditos que extrapolaram o direito garantido na ação judicial, isto é, ou não são considerados matériasprimas, ou houve a utilização em duplicidade de uma mesma nota fiscal de entrada, etc. Os créditos referentes a este período, informados na planilha apresentada pela empresa como créditos do MS, foram analisados individualmente. *** De 27/05/2011 até 30/09/2012: todas as apropriações de crédito baseados na ação judicial foram glosadas integralmente a partir de 27/05/2011, conforme determina o Parecer PGFN/CRJ n° 492/2011. O contribuinte atua no ramo de fabricação e comercialização de máquinas e aparelhos de refrigeração para uso industrial e comercial. I. Período de janeiro de 2010 a 26/05/2011 – Ofensa à coisa julgada material Fl. 2485DF CARF MF Processo nº 10980.721075/201407 Acórdão n.º 3301005.085 S3C3T1 Fl. 2.486 13 Alega a Recorrente que, por força do mandado de segurança, tem direito ao creditamento dos insumos isentos, não tributados ou reduzidos a alíquota zero e não apenas de matériasprimas isentas. Por sua vez, a fiscalização entendeu que o mandamus tratou apenas de matériasprimas. Assim, insumo é gênero ao passo que matériaprima é espécie. Dessa forma, a ação judicial não abarcaria o creditamento sobre produto intermediário, material de embalagem, energia elétrica, combustível, aquisição de material de segurança etc. desonerados. Observese a seguir o teor das peças processuais da referida ação. O pedido na petição inicial foi: (...) 2 Seja concedida a liminar da segurança pretendida, com fundamento no art. 151 IV do CTN, para o fim de suspender a exigibilidade do Imposto Sobre Produtos Industrializados, que em função do não estorno dos créditos relativos aos produtos com aplicação de "alíquota zero, isentos e não tributados". 3 Seja concedida a SEGURANÇA, de sorte que fique, definitivamente, assegurado à Impetrante, o direito de creditar se do IPI, nas aquisições de matériasprimas "isentas", "não tributadas" ou reduzidas a ''alíquota zero", reconhecendose inclusive o direito ao crédito extemporâneo respectivo, tudo em obediência ao princípio constitucional da nãocumulatividade, consagrado pela atual Constituição no seu artigo 153, parágrafo 3°, inciso II. 4 Requer ainda seja concedida juntamente com a SEGURANÇA o direito à aplicação da CORREÇÃO MONETÁRIA, como devidos expurgos inflacionários, sobre os créditos fiscais pretéritos, não aproveitados na época própria. A liminar concedida em primeira instância assim se referiu ao pedido: Pelo exposto, concedo a segurança para assegurar à impetrante o direito de lançar o crédito presumido de IPI não recolhido em aquisições de matériaprima isenta, não tributada ou submetida à alíquota zero, corrigido monetariamente. Ressalvo ao Fisco, todavia, o poderdever de fiscalizar e, caso constate alguma irregularidade na escrita fiscal da impetrante, autuar e lançar eventuais créditos. O relator do acórdão no TRF da 4ª Região, Apelação n° 1999.04.01.079847 6, em seu relatório fez constar: O objeto da presente ação mandamental tem a ver, com a possibilidade de crédito, a título de IPI, relativo às entradas, no estabelecimento industrial, de matéria prima nãotributada, isenta, ou tributada à alíquota zero, para efeito de abatimento do Fl. 2486DF CARF MF Processo nº 10980.721075/201407 Acórdão n.º 3301005.085 S3C3T1 Fl. 2.487 14 débito, decorrente das saídas dos respectivos produtos manufaturados. Isto significa reconhecer que o crédito, oriundo de operações anteriores isentas, não tributadas, ou tributadas à alíquota zero, é presumido, e tem fundamento legal, no princípio constitucional da nãocumulatividade. O argumento contrário prendese ao fato de nada desembolsou, por ocasião da aquisição das mercadorias, elas são beneficiadas, pela liberação tarifária. Ao final de seu voto, prescreveu (efl. 3316): Certamente, que a Autoridade Fazendária disporá do prazo de 05 (cinco) anos, para aferir a exatidão da escrita fiscal. E mais, não existe um direito genérico, à obtenção de certidão negativa de débito, tampouco, fica impedida, a autoridade competente, de proceder as inscrições, no CADIN, ou em outro órgão de informações. Tudo depende da situação concreta do contribuinte, em dado momento histórico. Resumindo, a segurança é concedida, em parte, para o efeito de autorizar, a partir do trânsito em julgado, a utilização dos créditos, a título de IPI, decorrentes das entradas de insumos, atualizados, segundo índices oficiais, com os débitos futuros, deste imposto, incidente, sobre as saídas dos respectivos produtos industrializados (afinal, a legislação ordinária, e o próprio regulamento do IPI, admitem a transferência dos saldos credores excedentes, para os períodos seguintes). A Decisão Singular bem dispôs sobre todos os temas, merecendo ser mantida. Segurança Concedida. Ante o Exposto, Conheço da Remessa Oficial, e da Apelação da Impetrada, negando provimento, nos termos da fundamentação. Por sua vez, o dispositivo constante do acórdão foi o seguinte: Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, decide a Egrégia Primeira Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, por unanimidade, negar provimento à apelação e à remessa oficial, nos termos do relatório e notas taquigráficas que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. Contudo, na ementa constou: CONSTITUCIONAL TRIBUTÁRIO. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI). INSUMOS ADQUIRIDOS À TARIFA ZERO OU LIVRE TARIFA. DIREITO AO CRÉDITO. ADMISSÃO. O art. 49 do Código Tributário Nacional (CTN) manda que, na base de cálculo do IPI, se deduza, do valor do produto acabado, a ser tributado, o “quanto” do mesmo imposto suportado, pelas matériasprimas, utilizadas, pelo fabricante. Assim, o IPI incide, apenas, sobre o valor acrescido. Na hipótese de insumos isentos não sejam tributados, ou Fl. 2487DF CARF MF Processo nº 10980.721075/201407 Acórdão n.º 3301005.085 S3C3T1 Fl. 2.488 15 tributados à alíquota zero, a conclusão é a mesma, desde que as saídas sejam tributadas, como corolário lógico, da aplicação do princípio constitucional da nãocumulatividade. Pois, o objetivo é impedir que ao final do ciclo (produção, distribuição, consumo), o valor do imposto ultrapasse na soma total, a alíquota máxima prevista em lei. Segurança concedida, para o efeito de autorizar, a partir do trânsito em julgado, a utilização dos créditos, a título de IPI, decorrentes das entradas de insumos, atualizados, segundo os índices oficiais, com os débitos futuros, deste imposto, incidente, sobre saídas dos respectivos produtos industrializados (afinal a legislação ordinária, e o próprio regulamento do IPI, admitem a transferência dos saldos credores excedentes, para o período seguinte). Remessa Oficial, e Apelação de Impetrada conhecidas, e improvidas. Por sua vez, o relatório do acórdão da ação rescisória descreveu: Tratase de Ação Rescisória ajuizada pela União Federal contra GELOPAR ..., com fundamento no art. 485, V do CPC visando desconstituir acórdão proferido pela 1ª Turma deste Regional, nos autos do mandado de segurança ..., que reconheceu o direito aos créditos de IPI relativos a aquisições de matériasprimas isentas, não tributadas ou tributadas à alíquota zero... Por fim, o acórdão da ação rescisória estampou: TRF 4ª Região AÇÃO RESCISÓRIA Nº 2003.04.01.004107 3/PR TRIBUTÁRIO. AÇÃO RESCISÓRIA. CRÉDITO DE IPI RECONHECIDO JUDICIALMENTE, DECORRENTE DE INSUMOS ISENTOS, NÃO TRIBUTADOS OU REDUZIDOS À ALÍQUOTA ZERO. INCIDÊNCIA DE CORREÇÃO MONETÁRIA E PRAZO PRESCRICIONAL APLICÁVEL. INEXISTÊNCIA DE DISCUSSÃO CONSTITUCIONAL ACERCA DA MATÉRIA OBJETO DA AÇÃO RESCISÓRIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA 343 DO STF. A alegação de afronta a literal dispositivo de lei, relativamente ao prazo prescricional e à correção monetária de crédito presumido de IPI reconhecido judicialmente, pertinente à aquisição de insumos isentos, não tributados ou tributados à alíquota zero, não comporta discussão de matéria constitucional, fazendo incidir a Súmula nº. 343 do STF ("Não cabe ação rescisória por ofensa a literal disposição de lei, quando a decisão rescindenda se tiver baseado em texto legal de interpretação controvertida nos tribunais."). Assim, a fiscalização e a decisão de piso apontam a “incongruência” entre o pedido do autor por “matériasprimas” e o termo “insumos” na decisão do TRF 4ª Região. Fl. 2488DF CARF MF Processo nº 10980.721075/201407 Acórdão n.º 3301005.085 S3C3T1 Fl. 2.489 16 Diante disso, sustenta o contribuinte que: Se existe ou não incongruência no Julgado, não é de competência da esfera administrativa decidir, revisar e/ou interpretar a decisão em questão, pois não há espaço, momento ou autorização para tanto, pois se houve decisão “Ultra ou Extra Petita”, haveria que, em momento oportuno, a Douta Procuradoria da Fazenda Nacional, ter manejado medida judicial própria, visando sanear a decisão em questão, no intuito de limitar o Direito da Impetrante, se não o fez, não será agora que haverá legalidade para a interpretação restritiva imposta pela Auditora em seu auto de infração, sob pena de ofensa a coisa julgada, pois estando a prestação jurisdicional cumprida e acabada, esta só seria modificável em presença de contradição na forma do Art. 353, inc. I – CPC. Sendo assim não existe mais espaço e/ou possibilidade para a infundada tentativa da Ilma. Auditora em fazêlo neste momento. Se a Ilustríssima Desembargadora deferiu o creditamento de todas as operações anteriores – vide fls. 02 do Acórdão, ou seja, crédito das entradas dos Insumos isentos, não tributados ou tributados a alíquota zero, foi no intuito de contemplar o Princípio da NãoCumulatividade, ou seja, restou deferido o direito ao crédito de todos os Insumos adquiridos anteriormente ao processo de industrialização em homenagem ao Princípio da NãoCumulatividade. Até mesmo porque o conceito de INSUMOS tornouse muito vago, haja vista que Receita Federal do Brasil, vem distorcendo o conceito de insumos ao longo do tempo, em clara tentativa de inibir o direito de IPI dos contribuintes, além de seu afã arrecadatório. Conforme exposto, resta clara a tentativa da fiscalização de rever e/ou rediscutir a prestação jurisdicional já favorável a Recorrente, em outras palavras, à reapreciação da autoridade administrativa de matéria transitada em julgado nos autos de nº 98.00232931, sendo tal conduta equivocada, ilegal e abusiva, ofendendo a coisa julgada. Entendo que a interpretação feita pela fiscalização não foi restritiva, apenas coerente com o teor do julgado. Isso porque o objeto do pedido judicial versa, única e exclusivamente, sobre o direito de creditarse do IPI nas aquisições de matériasprimas isentas, não tributadas ou reduzidas à alíquota zero, e não na totalidade dos insumos adquiridos conforme argumenta a empresa. A página inicial e a descrição dos fatos, na petição inicial, retira qualquer obscuridade: Fl. 2489DF CARF MF Processo nº 10980.721075/201407 Acórdão n.º 3301005.085 S3C3T1 Fl. 2.490 17 Nesse sentido, esta 1ª Turma já decidiu, em processos de titularidade da Gelopar, acórdãos n° 3301004.177, 3301004.176 e 3301004.175: Fl. 2490DF CARF MF Processo nº 10980.721075/201407 Acórdão n.º 3301005.085 S3C3T1 Fl. 2.491 18 DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. AQUISIÇÕES DE MATÉRIASPRIMAS NÃO TRIBUTADAS, ISENTAS E SUJEITAS A ALÍQUOTA ZERO. MENÇÃO, NO ACÓRDÃO QUE MANTEVE A SENTENÇA, A INSUMOS. ADEQUADA INTERPRETAÇÃO DA COISA JULGADA. Tratando a ação judicial apenas do direito de crédito decorrente da aquisição de matériasprimas não tributadas, isentas e de alíquota zero, a menção, sem a força de dispositivo, no acórdão que julgou a remessa de ofício e a apelação a “insumos” não estende os limites da coisa julgada para além do que foi objeto da petição inicial. Portanto, entendo que as glosas efetuadas em relação a dispêndios outros que não as matériasprimas isentas, não ofendeu a coisa julgada. Glosa dos créditos decorrentes de aquisições que não são matériasprimas Tratamse dos itens descritos nas efls. 19301934. Neste tópico, defende a Recorrente que o crédito encontrase sob a égide da coisa julgada, restando, assim, novamente a flagrante insubsistência da presente glosa/autuação, sob pena de ofensa a coisa julgada, não necessitando maiores esclarecimentos sobre o tema. Como dito acima, a coisa julgada do mandado de segurança referese apenas às matériasprimas. Por outro lado, observase nas citadas páginas que o contribuinte não teceu grandes esforços em cooperar com a fiscalização na correta classificação dos dispêndios em matériasprimas, material de embalagem ou produtos intermediários. Consta que até mesmo de saídas com suspensão creditouse o contribuinte. Da alíquota a ser utilizada no cálculo dos créditos sobre as aquisições de matériasprimas isentas, não tributadas ou com alíquota zero A empresa aduz que a metodologia de cálculo a ser utilizada na formação da alíquota do crédito em discussão é a mesma base/alíquota dos produtos com saída tributada. Assim, sustenta que para fins de compor a alíquota média de compensação, a decisão judicial determinou que fossem utilizadas as mesmas alíquotas utilizadas, na operação tributada. Portanto, ao realizar a média das alíquotas para fins de cálculos, utilizou apenas as alíquotas tributadas. Todavia, na visão da fiscalização devem ser consideradas também as mercadorias desoneradas para o cálculo da média. A decisão judicial quanto às alíquotas a serem usadas para calcular o montante de crédito a ser compensado dispôs: (...) tendo como objeto o pedido de liminar visando assegurar o direito ao crédito, a título de imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, relativo às aquisições de insumos isentos, Fl. 2491DF CARF MF Processo nº 10980.721075/201407 Acórdão n.º 3301005.085 S3C3T1 Fl. 2.492 19 nãotributados, ou reduzidos à alíquota zero, empregados, na fabricação de produtos tributados, com a aplicação da mesma alíquota utilizada, na operação tributada, tudo atualizado. Entendo restar o procedimento da fiscalização correto, porquanto na média que atende à decisão judicial deve ser considerado no cálculo os produtos desonerados vendidos pela Recorrente, uma vez que eles também incorporam as matériasprimas sobre as quais o contribuinte tem direito de creditamento assegurado pela ação judicial. Glosa de créditos das aquisições de empresas do SIMPLES A vedação ao creditamento em relação a aquisições de empresas optantes do Simples está expressa na Lei Complementar n° 123/2006, art. 23 e também no Regulamento do IPI: art. 118, 166 do RIPI/2002 e art. 178 e 228 do RIPI/2010. Os estabelecimentos optantes do Simples não podem efetuar a transferência de créditos relativos ao imposto, o que inclui o seu destaque em nota fiscal, para aproveitamento do adquirente contribuinte do IPI. Glosa de creditamento de energia elétrica, aquisição do material de proteção e segurança dos empregados, material de uso e consumo Quanto ao crédito de energia elétrica, aduz a empresa que é devido seu creditamento como insumo, pois está diretamente vinculada ao processo de produção, variando seu consumo com o próprio ritmo de fabricação do produto industrial. Já para as aquisições de material de uso e consumo e material de proteção e segurança, sustenta que o conceito de insumo não está limitado aos bens e serviços utilizados “diretamente” nas atividades da empresa, pois, nessa hipótese, o crédito estaria limitado às matériasprimas, aos materiais de embalagem e aos produtos intermediários (aqueles consumidos no processo produtivo). Além disso, as próprias Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 preveem, também, o crédito sobre combustíveis e lubrificantes, os quais, na maioria das vezes, são materiais auxiliares ou intermediários. Não há razão no argumento, pois nem todo produto consumido no processo de industrialização pode ser considerado como insumo, sem que isso implique em violação ao princípio da nãocumulatividade. Os estabelecimentos industriais (e os que lhes são equiparados), entre outras hipóteses, podem creditarse do imposto relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente. Assim, o aproveitamento do crédito de IPI dos insumos que não integram o produto pressupõe o consumo de forma imediata e integral durante o processo de industrialização, e ainda que o bem não esteja compreendido no ativo permanente da empresa. Observese o teor do REsp n° 1.0755.08/SC, Rel. Min. Luiz Fux, DJ 13/10/2009, julgado na sistemática dos recursos repetitivos: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. CREDITAMENTO. AQUISIÇÃO DE BENS DESTINADOS Fl. 2492DF CARF MF Processo nº 10980.721075/201407 Acórdão n.º 3301005.085 S3C3T1 Fl. 2.493 20 AO ATIVO IMOBILIZADO E AO USO E CONSUMO. IMPOSSIBILIDADE. RATIO ESSENDI DOS DECRETOS 4.544/2002 E 2.637/98. 1. A aquisição de bens que integram o ativo permanente da empresa ou de insumos que não se incorporam ao produto final ou cujo desgaste não ocorra de forma imediata e integral durante o processo de industrialização não gera direito a creditamento de IPI, consoante a ratio essendi do artigo 164, I, do Decreto 4.544/2002 (Precedentes das Turmas de Direito Público: AgRg no REsp 1.082.522/SP, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 16.12.2008, DJe 04.02.2009; AgRg no REsp 1.063.630/RJ, Rel. Ministro Francisco Falcão, Primeira Turma, julgado em 16.09.2008, DJe 29.09.2008; REsp 886.249/SC, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 18.09.2007, DJ 15.10.2007; REsp 608.181/SC, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 06.10.2005, DJ 27.03.2006; e REsp 497.187/SC, Rel. Ministro Franciulli Netto, Segunda Turma, julgado em 17.06.2003, DJ 08.09.2003). 2. Deveras, o artigo 164, I, do Decreto 4.544/2002 (assim como o artigo 147, I, do revogado Decreto 2.637/98), determina que os estabelecimentos industriais (e os que lhes são equiparados), entre outras hipóteses, podem creditarse do imposto relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose "aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente". 3. In casu, consoante assente na instância ordinária, cuidase de estabelecimento industrial que adquire produtos "que não são consumidos no processo de industrialização (...), mas que são componentes do maquinário (bem do ativo permanente) que sofrem o desgaste indireto no processo produtivo e cujo preço já integra a planilha de custos do produto final", razão pela qual não há direito ao creditamento do IPI. 4. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. A decisão do REsp nº 1.075.508, representativo de controvérsia, vincula este colegiado, de acordo com a prescrição do art. 62, §2º do RICARF (Portaria n° 343/2015). Aplicação do parecer PGFN n° 492 A autoridade fiscal glosou o crédito das aquisições de matériasprimas desoneradas, efetuadas após a publicação do Parecer PGFN n° 492/2011, período de apuração de 27 de maio de 2011 a 30 de setembro de 2012, em razão da cessação da eficácia da decisão tributária transitada em julgado, face ao advento de precedente objetivo e definitivo do STF em sentido contrário à possibilidade de creditamento (RE n° 353.657; 370.682 e RE nº 566.819). Fl. 2493DF CARF MF Processo nº 10980.721075/201407 Acórdão n.º 3301005.085 S3C3T1 Fl. 2.494 21 Sustentou a fiscalização a aplicação do referido parecer, já que o documento estabeleceu que a eficácia da coisa julgada inicial não mais se distende para o tempo futuro e sem fim, devendo cessar imediatamente, independentemente de rescisão ou anulação, se lhe sobrevém pronunciamento do STF que com ela posteriormente colide. Confirase trechos do Parecer: Parecer PGFN/CRJ n° 492/2011 Decisão transitada em julgado que disciplina relação jurídica tributária continuativa. Modificação dos suportes fático/jurídico. Limites objetivos da coisa julgada. Superveniência de precedente objetivo/definitivo do STF. Cessação automática da eficácia vinculante da decisão tributária transitada em julgado. Possibilidade de voltar a cobrar o tributo, ou de deixar de pagálo, em relação a fatos geradores futuros. 1. A alteração das circunstâncias fáticas ou jurídicas existentes ao tempo da prolação de decisão judicial voltada à disciplina de uma dada relação jurídica tributária de trato sucessivo faz surgir uma relação jurídica tributária nova, que, por isso, não é alcançada pelos limites objetivos que balizam a eficácia vinculante da referida decisão judicial. Daí por que se diz que, alteradas as circunstâncias fáticas ou jurídicas existentes à época da prolação da decisão, esta naturalmente deixa de produzir efeitos vinculantes, dali para frente, dada a sua natural inaptidão de alcançar a nova relação jurídica tributária. 2. Possuem força para, com o seu advento, impactar ou alterar o sistema jurídico vigente, por serem dotados dos atributos da definitividade e objetividade, os seguintes precedentes do STF: (i) todos os formados em controle concentrado de constitucionalidade, independentemente da época em que prolatados; (ii) quando posteriores a 3 de maio de 2007, aqueles formados em sede de controle difuso de constitucionalidade, seguidos, ou não, de Resolução Senatorial, desde que, nesse último caso, tenham resultado de julgamento realizado nos moldes do art. 543B do CPC; (iii) quando anteriores a 3 de maio de 2007, aqueles formados em sede de controle difuso de constitucionalidade, seguidos, ou não, de Resolução Senatorial, desde que, nesse último caso, tenham sido oriundos do Plenário do STF e confirmados em julgados posteriores da Suprema Corte. 3. Os precedentes objetivos e definitivos do STF constituem circunstância jurídica nova, apta a fazer cessar, prospectivamente, eficácia vinculante das anteriores decisões tributárias transitadas em julgado que lhes forem contrárias. 4. A cessação da eficácia vinculante da decisão tributária transitada em julgado operase automaticamente, de modo que: (i) quando se der a favor do Fisco, este pode voltar a cobrar o tributo, tido por inconstitucional na anterior decisão, em relação Fl. 2494DF CARF MF Processo nº 10980.721075/201407 Acórdão n.º 3301005.085 S3C3T1 Fl. 2.495 22 aos fatos geradores praticados dali para frente, sem que necessite de prévia autorização judicial nesse sentido; (ii) quando se der a favor do contribuinteautor, este pode deixar de recolher o tributo, tido por constitucional na decisão anterior, em relação aos fatos geradores praticados dali para frente, sem que necessite de prévia autorização judicial nesse sentido. 5.Face aos princípios da segurança jurídica, da não surpresa e da proteção à confiança, bem como por força do art. 146 do CTN, nas hipóteses em que o advento do precedente objetivo e definitivo do STF e a consequente cessação da eficácia da decisão tributária transitada em julgado sejam pretéritos ao presente Parecer, a publicação deste configura o marco inicial a partir do qual o Fisco retoma o direito de cobrar o tributo em relação aos fatos geradores praticados pelo contribuinteautor. (...) 74. É legítimo se afirmar, portanto, que a data do trânsito em julgado do acórdão do STF configura, ao menos como regra, o termo a quo para o exercício dos direitos acima referidos. Entretanto, essa regra comporta exceção no que tange, especificamente, ao direito de que dispõe o Fisco de voltar a exigir, do contribuinteautor, o tributo antes tido por inexigível pela coisa julgada que lhe favorecia. Assim, em algumas situações específicas adiante expostas, por razões ligadas ao relevante princípio da segurança jurídica, com os seus corolários em matéria tributária, a saber, os princípios da não surpresa e da proteção da confiança, não há como considerar que a data do trânsito em julgado do acórdão proferido pelo STF configura o marco a partir do qual o Fisco possui o direito de efetuar a cobrança do correspondente tributo, relativo a todos os fatos geradores praticados pelo contribuinteautor desde então. 75. Para que bem se compreenda quais são essas situações específicas, e o porquê da necessidade de se excepcionálas, basta pensar na hipótese, que bem as exemplifica, em que um dado contribuinte tenha deixado de efetuar o pagamento de determinado tributo por reputar que assim estava autorizado em razão de coisa julgada formada, a seu favor, considerando inexistente a correspondente relação jurídica tributária, apesar de esse não pagamento ter se dado quando já existia precedente objetivo e definitivo do STF em sentido contrário ao sufragado na coisa julgada, proferido e transitado em julgado em momento anterior à aprovação e publicação do presente Parecer. E mais: mesmo com o advento desse precedente da Suprema Corte, favorável à Fazenda Nacional – que, segundo aqui se entende, fez cessar a eficácia vinculante da decisão tributária transitada em julgado e, portanto, legitimaria a cobrança do tributo relativo aos fatos geradores ocorridos a partir de então , o Fisco quedouse inerte durante anos, não efetuando as correspondentes exigências tributárias. Fl. 2495DF CARF MF Processo nº 10980.721075/201407 Acórdão n.º 3301005.085 S3C3T1 Fl. 2.496 23 76. Notese que, na hipótese acima aventada, o contribuinte autor deixou de pagar o tributo por considerar que assim estava respaldado por coisa julgada, e o Fisco, mesmo diante do precedente do STF, não efetuou as correspondentes exigências tributárias, numa postura omissiva que, de certo modo, demonstrou a sua adesão ao comportamento do contribuinte. Em hipóteses desse jaez – em que (i) a cessação da eficácia da decisão tributária transitada em julgado, face ao advento de precedente objetivo e definitivo do STF, ocorreu em momento anterior à publicação deste parecer e (ii) não houve lançamento em relação aos fatos geradores ocorridos após o advento do precedente do STF , não há como legitimamente pretender que, agora, com o entendimento esposado neste Parecer, possa o Fisco exigir, do contribuinteautor, o tributo relativo a todos esses fatos geradores passados (por óbvio, desde que ocorridos há menos de 5 anos). 77. Essa nova exigência, relativa aos fatos geradores anteriores ao presente Parecer, tendo como marco inicial a data, no passado, do advento da decisão do STF, além de causar ao contribuinteautor surpresa que não parece compatível com a segurança jurídica e a confiança que devem iluminar as relações travadas entre o Fisco e os contribuintes, também representaria ofensa direta ao disposto no art. 146 do CTN, segundo o qual “a modificação introduzida, de ofício ou em consequência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução”. Esse dispositivo legal, cuja essência claramente se inspira nos já invocados princípios da não surpresa e da proteção da confiança, veda que novos critérios jurídicos introduzidos pela Administração Pública Tributária em sua atividade de lançar atinja fatos geradores ocorridos em momento anterior à sua introdução, o que parece impedir que o entendimento contido no presente Parecer – que, inequivocadamente, configura um novo critério jurídico relativo a lançamento tributário – apliquese às situações que lhe são pretéritas. 78. Assim, tendo em conta o princípio da segurança jurídica e os seus consectários princípios da não surpresa e da proteção à confiança, bem como por força do que prevê o art. 146 do CTN, entendese, aqui, que naquelas específicas hipóteses em que a cessação da eficácia da decisão tributária transitada em julgado, em face do advento de precedente objetivo e definitivo do STF em sentido contrário ao nela sufragado, tenha ocorrido em momento anterior à publicação deste parecer, e tendo havido inércia dos agentes fazendários, o termo a quo para o exercício, pelo Fisco, do direito de voltar a exigir, do contribuinteautor, o tributo em questão é a data da publicação deste parecer, o que significa dizer que apenas os fatos geradores praticados a partir deste instante poderão ser objeto de lançamento. Fl. 2496DF CARF MF Processo nº 10980.721075/201407 Acórdão n.º 3301005.085 S3C3T1 Fl. 2.497 24 79. Em outras palavras: este parecer não retroage para alcançar aqueles fatos geradores pretéritos, que mesmo sendo capazes, à luz do entendimento ora defendido, de fazer nascer obrigações tributárias, não foram, até o presente momento, objeto de lançamento. Por óbvio, se nas situações pretéritas o Fisco já tiver adotado o entendimento ora defendido, efetuando a cobrança relativa aos fatos geradores ocorridos desde a cessação da eficácia da decisão tributária transitada em julgado, em relação a essas situações pretéritas o critério jurídico contido no presente Parecer não poderá ser considerado “novo”, o que afasta a aplicação do princípio da não surpresa e do art. 146 do CTN; esses lançamentos, portanto, deverão ser mantidos. 80. Afora essas situações específicas, que se caracterizam, primordialmente, por serem pretéritas a este Parecer, em todas as demais deve incidir a regra referida mais acima, segundo o qual o termo a quo para o exercício do direito conferido ao Fisco de voltar a exigir, do contribuinteautor, o tributo antes tido como inexigível pela coisa julgada que lhe favorecia é a data do trânsito em julgado do acórdão proferido pelo STF. (...) Síntese do exposto 99. Eis a síntese das principais considerações/conclusões expostas ao longo do presente Parecer: (i) a alteração nos suportes fático ou jurídico existentes ao tempo da prolação de decisão judicial voltada à disciplina de relações jurídicas tributárias continuativas faz cessar, dali para frente, a eficácia vinculante dela emergente em razão do seu trânsito em julgado; (ii) possuem força para, com o seu advento, impactar ou alterar o sistema jurídico vigente, precisamente por serem dotados dos atributos da definitividade e objetividade, os seguintes precedentes do STF: (i) todos os formados em controle concentrado de constitucionalidade, independentemente da época em que prolatados; (ii) quando posteriores a 3 de maio de 2007, aqueles formados em sede de controle difuso de constitucionalidade, seguidos, ou não, de Resolução Senatorial, desde que, nesse último caso, tenham resultado de julgamento realizado nos moldes do art. 543B do CPC; (iii) quando anteriores a 3 de maio de 2007, aqueles formados em sede de controle difuso de constitucionalidade, seguidos, ou não, de Resolução Senatorial, desde que, nesse último caso, tenham sido oriundos do Plenário do STF e sejam confirmados em julgados posteriores da Suprema Corte. (iii) o advento de precedente objetivo e definitivo do STF configura circunstância jurídica nova apta a fazer cessar a eficácia vinculante das anteriores decisões tributárias transitadas em julgado que lhe forem contrárias; Fl. 2497DF CARF MF Processo nº 10980.721075/201407 Acórdão n.º 3301005.085 S3C3T1 Fl. 2.498 25 (iv) como a cessação da eficácia da decisão tributária transitada em julgado é automática, com o advento do precedente objetivo e definitivo do STF, quando no sentido da constitucionalidade da lei tributária, o Fisco retoma o direito de cobrar o tributo em relação aos fatos geradores ocorridos daí para frente, sem que, para tanto, necessite ajuizar ação judicial; por outro lado, com o advento do precedente objetivo e definitivo do STF, quando no sentido da inconstitucionalidade da lei tributária, o contribuinte autor deixa de estar obrigado ao recolhimento do tributo, em relação aos fatos geradores praticados dali para frente, sem que, para tanto, necessite ajuizar ação judicial; (v) em regra, o termo a quo para o exercício do direito conferido ao contribuinteautor de deixar de pagar o tributo antes tido por constitucional pela coisa julgada, ou conferido ao Fisco de voltar a cobrar o tributo antes tido por inconstitucional pela coisa julgada, é a data do trânsito em julgado do acórdão proferido pelo STF. Excepcionase essa regra, no que tange ao direito do Fisco de voltar a cobrar, naquelas específicas hipóteses em que a cessação da eficácia da decisão tributária transitada em julgado tenha ocorrido em momento anterior à publicação deste Parecer, e tenha havido inércia dos agentes fazendários quanto à cobrança; nessas hipóteses, o termo a quo do direito conferido ao Fisco de voltar a exigir, do contribuinte autor, o tributo em questão, é a publicação do presente Parecer. No Diário Oficial da União de 26/05/2011, foi publicado o Despacho do Ministro da Fazenda nos seguintes termos: Aprovo o PARECER PGFN/CRJ/Nº 492/2011, 30 de março de 2011, da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, que concluiu que: i) quando sobrevier precedente objetivo e definitivo do STF em sentido favorável ao Fisco, este pode voltar a cobrar o tributo, tido por inconstitucional em anterior decisão tributária transitada em julgado, em relação aos fatos geradores praticados dali para frente, sem que necessite de prévia autorização judicial nesse sentido; ii) quando sobrevier precedente objetivo e definitivo do STF em sentido favorável ao contribuinteautor, este pode deixar de recolher o tributo, tido por constitucional em anterior decisão tributária transitada em julgado, em relação aos fatos geradores praticados dali para frente, sem que necessite de prévia autorização judicial nesse sentido.[...] Daí a fiscalização concluiu o seguinte: No contexto da Ação Judicial impetrada pela empresa Gelopar, conforme discorrido anteriormente, a empresa obteve judicialmente, nos autos do MS n° 98.00232931 provimento favorável acerca do creditamento de IPI nas aquisições de matériaprima isenta, não tributada ou submetida à alíquota zero. Fl. 2498DF CARF MF Processo nº 10980.721075/201407 Acórdão n.º 3301005.085 S3C3T1 Fl. 2.499 26 Porém, a jurisprudência do STF inverteuse completamente, e o posicionamento atual da Suprema Corte é pela impossibilidade do creditamento do IPI, pelo contribuinte, nestas circunstâncias (matériaprima isenta, não tributada ou sujeita à alíquota zero). Tendo em conta que o entendimento sufragado pelo judiciário nos autos n° 98.00.232931 está superado, e considerando o teor do Parecer PGFN 492/2011, que trata da cessação, nos casos em que especifica, das decisões judiciais contrarias à posição atual do STF, resta claro que a empresa GELOPAR não faz mais jus ao benefício que lhe fora garantido, devendo a Receita constituir o crédito tributário relativo aos fatos geradores praticados pelo contribuinte após publicação deste parecer. Conforme detalhado no item “c” do Parecer a cessação de eficácia vinculante da decisão transitada em julgado é automática e independe de prévio reconhecimento judicial. Assim, foram glosados todos os créditos de IPI decorrentes da ação judicial (MS n° 98.00.232931), que foram apropriados pela empresa a partir de 27/05/2011 até setembro/2012 (período abrangido por esta fiscalização). Entendo que a coisa julgada do n° 98.00.232931 deve ser preservada. Explico. Ao tratar o art. 5º, XXXVI, da CF/88, dos direitos e garantias individuais, asseverando que “a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada”, a expressão “a lei” não se limita ao seu sentido estrito, mas sim se refere a toda e qualquer norma jurídica, inclusive a norma individual e concreta, que é a decisão judicial transitada em julgado. É por meio da coisa julgada que se verifica a materialização do princípio da segurança jurídica, uma vez que de forma definitiva estabiliza as relações conflituosas, conferindo a certeza do direito. O respeito à coisa julgada como garantia da segurança e certeza do direito, bem como da própria ordem democrática, já foi objeto de manifestação pelo STF, no RE n° 592.912 AgR/RS, DJ 22/11/2012: RECURSO EXTRAORDINÁRIO COISA JULGADA EM SENTIDO MATERIAL INDISCUTIBILIDADE, IMUTABILIDADE E COERCIBILIDADE: ATRIBUTOS ESPECIAIS QUE QUALIFICAM OS EFEITOS RESULTANTES DO COMANDO SENTENCIAL PROTEÇÃO CONSTITUCIONAL QUE AMPARA E PRESERVA A AUTORIDADE DA COISA JULGADA EXIGÊNCIA DE CERTEZA E DE SEGURANÇA JURÍDICAS VALORES FUNDAMENTAIS INERENTES AO ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO EFICÁCIA PRECLUSIVA DA “RES JUDICATA” “TANTUM JUDICATUM QUANTUM DISPUTATUM VEL DISPUTARI DEBEBAT CONSEQUENTE IMPOSSIBILIDADE DE REDISCUSSÃO DE CONTROVÉRSIA JÁ APRECIADA EM DECISÃO TRANSITADA EM JULGADO, AINDA QUE PROFERIDA EM CONFRONTO COM A Fl. 2499DF CARF MF Processo nº 10980.721075/201407 Acórdão n.º 3301005.085 S3C3T1 Fl. 2.500 27 JURISPRUDÊNCIA PREDOMINANTE NO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL A QUESTÃO DO ALCANCE DO PARÁGRAFO ÚNICO DO ART. 741 DO CPC MAGISTÉRIO DA DOUTRINA RECURSO DE AGRAVO IMPROVIDO. A sentença de mérito transitada em julgado só pode ser desconstituída mediante ajuizamento de específica ação autônoma de impugnação (ação rescisória) que haja sido proposta na fluência do prazo decadencial previsto em lei, pois, com o exaurimento de referido lapso temporal, estarseá diante da coisa soberanamente julgada, insuscetível de ulterior modificação, ainda que o ato sentencial encontre fundamento em legislação que, em momento posterior, tenha sido declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, quer em sede de controle abstrato, quer no âmbito de fiscalização incidental de constitucionalidade. A superveniência de decisão do Supremo Tribunal Federal, declaratória de inconstitucionalidade de diploma normativo utilizado como fundamento do título judicial questionado, ainda que impregnada de eficácia “ex tunc” como sucede, ordinariamente, com os julgamentos proferidos em sede de fiscalização concentrada (RTJ 87/758 RTJ 164/506509 RTJ 201/765) , não se revela apta, só por si, a desconstituir a autoridade da coisa julgada, que traduz, em nosso sistema jurídico, limite insuperável à força retroativa resultante dos pronunciamentos que emanam, “in abstracto”, da Suprema Corte. Doutrina. Precedentes. O significado do instituto da coisa julgada material como expressão da própria supremacia do ordenamento constitucional e como elemento inerente à existência do Estado Democrático de Direito. Ressaltese que a via para eventual desconstituição da coisa julgada é aquela prescrita pelo ordenamento, a ação rescisória, cujo prazo decadencial é de dois anos para seu ingresso. Por conseguinte, não é possível rever uma decisão, quando já não caiba a ação rescisória. Frisese que o próprio STF, no citado RE n° 592.912 AgR/RS, assegura que a superveniência de decisão do STF, declaratória de inconstitucionalidade de diploma normativo utilizado como fundamento do título judicial questionado, ainda que impregnada de eficácia “ex tunc”, não é apta, por si só, para desconstituir a autoridade da coisa julgada. Nesse sentido, importa transcrever o voto do Ministro Celso de Mello no RE n° 592.912 AgR/RS: Vêse, a partir das considerações que venho de expor, que não se revela processualmente ortodoxo nem juridicamente adequado, muito menos constitucionalmente lícito, pretenderse o reconhecimento da inexigibilidade de título judicial, sob pretexto de que a sentença transitada em julgado fundamentouse em lei declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. É que, em ocorrendo tal situação, a sentença de mérito tornada irrecorrível em face do trânsito em julgado só pode ser desconstituída mediante ajuizamento de uma específica ação autônoma de impugnação (ação rescisória), desde que utilizada, pelo interessado, no prazo decadencial definido em lei, pois, esgotado referido lapso temporal, estarseá diante da coisa soberanamente julgada, que se revela, a partir de então, Fl. 2500DF CARF MF Processo nº 10980.721075/201407 Acórdão n.º 3301005.085 S3C3T1 Fl. 2.501 28 insuscetível de modificação ulterior, ainda que haja sobrevindo julgamento do Supremo Tribunal Federal declaratório de inconstitucionalidade da própria lei em que baseado o título judicial exequendo... (...) Em suma: a decisão do Supremo Tribunal Federal que haja declarado inconstitucional determinado diploma legislativo em que se apóie o ato sentencial transitado em julgado, ainda que impregnada de eficácia “ex tunc”, como sucede com os julgamentos proferidos em sede de fiscalização concentrada (RTJ 87/758 – RTJ 164/506509 – RTJ 201/765), detémse ante a autoridade da coisa julgada, que traduz, nesse contexto, limite insuperável à força retroativa resultante dos pronunciamentos que emanam, “in abstracto”, da Suprema Corte. A jurisprudência do STF assentou a invulnerabilidade da coisa julgada em sentido material, enfatizando que sentenças transitadas em julgado, mesmo inconstitucionais, somente poderão ser invalidadas mediante utilização de meio instrumental adequado, a ação rescisória, a exemplo do RE 328.812/AM: Embargos de Declaração em Recurso Extraordinário. 2. Julgamento remetido ao Plenário pela Segunda Turma. Conhecimento. 3. É possível ao Plenário apreciar embargos de declaração opostos contra acórdão prolatado por órgão fracionário, quando o processo foi remetido pela Turma originalmente competente. Maioria. 4. Ação Rescisória. Matéria constitucional. Inaplicabilidade da Súmula 343/STF. 5. A manutenção de decisões das instâncias ordinárias divergentes da interpretação adotada pelo STF revelase afrontosa à força normativa da Constituição e ao princípio da máxima efetividade da norma constitucional. 6. Cabe ação rescisória por ofensa à literal disposição constitucional, ainda que a decisão rescindenda tenha se baseado em interpretação controvertida ou seja anterior à orientação fixada pelo Supremo Tribunal Federal. 7. Embargos de Declaração rejeitados, mantida a conclusão da Segunda Turma para que o Tribunal a quo aprecie a ação rescisória. Confirase trecho do voto do Ministro Gilmar Mendes, no RE 328.812/AM: Ora, se ao Supremo Tribunal Federal compete, precipuamente, a guarda da Constituição Federal, é certo que a sua interpretação do texto constitucional deve ser acompanhada pelos demais Tribunais, em decorrência do efeito definitivo absoluto outorgado à sua decisão. Não se pode diminuir a eficácia das decisões do Supremo Tribunal Federal com a manutenção de decisões divergentes. Assim, se somente por meio do controle difuso de constitucionalidade, portanto, amos após as questões terem sido decididas pelos Tribunais ordinários, é que o Supremo Tribunal Federal veio a apreciálas, é a ação rescisória, com fundamento em violação de literal disposição de lei, instrumento adequado para a superação de decisão divergente. Fl. 2501DF CARF MF Processo nº 10980.721075/201407 Acórdão n.º 3301005.085 S3C3T1 Fl. 2.502 29 Por sua vez, o STJ instado a se manifestar sobre a possibilidade de cobrança de tributo do contribuinte, que tenha decisão judicial transitada em julgado declarando a inconstitucionalidade material da exação, após o STF manifestarse em sentido contrário à coisa julgada, também asseverou que o fato de o STF posteriormente manifestarse em sentido oposto à decisão judicial transitada em julgado em nada pode alterar a relação jurídica estabilizada pela coisa julgada. Tratase do REsp n° 1.118.893 MG, DJ 06/04/2011, julgado sob a sistemática de recurso representativo de controvérsia. A decisão foi assim ementada: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. RITO DO ART. 543C DO CPC. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO – CSLL. COISA JULGADA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI 7.689/88 E DE INEXISTÊNCIA DE RELAÇÃO JURÍDICOTRIBUTÁRIA. SÚMULA 239/STF. ALCANCE. OFENSA AOS ARTS. 467 E 471, CAPUT, DO CPC CARACTERIZADA. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL CONFIGURADA. PRECEDENTES DA PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. RECURSO ESPECIAL CONHECIDO E PROVIDO. 1. Discutese a possibilidade de cobrança da Contribuição Social sobre o Lucro – CSLL do contribuinte que tem a seu favor decisão judicial transitada em julgado declarando a inconstitucionalidade formal e material da exação conforme concebida pela Lei 7.689/88, assim como a inexistência de relação jurídica material a seu recolhimento. 2. O Supremo Tribunal Federal, reafirmando entendimento já adotado em processo de controle difuso, e encerrando uma discussão conduzida ao Poder Judiciário há longa data, manifestouse, ao julgar ação direta de inconstitucionalidade, pela adequação da Lei 7.689/88, que instituiu a CSLL, ao texto constitucional, à exceção do disposto no art. 8º, por ofensa ao princípio da irretroatividade das leis, e no art. 9º, em razão da incompatibilidade com os arts. 195 da Constituição Federal e 56 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias – ADCT (ADI 15/DF, Rel. Min. SEPÚLVEDA PERTENCE, Tribunal Pleno, DJ 31/8/07). 3. O fato de o Supremo Tribunal Federal posteriormente manifestarse em sentido oposto à decisão judicial transitada em julgado em nada pode alterar a relação jurídica estabilizada pela coisa julgada, sob pena de negar validade ao próprio controle difuso de constitucionalidade. 4. Declarada a inexistência de relação jurídicotributária entre o contribuinte e o fisco, mediante declaração de inconstitucionalidade da Lei 7.689/88, que instituiu a CSLL, afastase a possibilidade de sua cobrança com base nesse diploma legal, ainda não revogado ou modificado em sua essência. 5. "Afirmada a inconstitucionalidade material da cobrança da CSLL, não tem aplicação o enunciado nº 239 da Súmula do Supremo Tribunal Federal, segundo o qual a "Decisão que declara indevida a cobrança do imposto em determinado exercício não faz coisa julgada em relação aos posteriores" (AgRg no AgRg nos EREsp 885.763/GO, Rel. Min. HAMILTON CARVALHIDO, Primeira Seção, DJ 24/2/10). 6. Fl. 2502DF CARF MF Processo nº 10980.721075/201407 Acórdão n.º 3301005.085 S3C3T1 Fl. 2.503 30 Segundo um dos precedentes que deram origem à Súmula 239/STF, em matéria tributária, a parte não pode invocar a existência de coisa julgada no tocante a exercícios posteriores quando, por exemplo, a tutela jurisdicional obtida houver impedido a cobrança de tributo em relação a determinado período, já transcorrido, ou houver anulado débito fiscal. Se for declarada a inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo, não há falar na restrição em tela (Embargos no Agravo de Petição 11.227, Rel. Min. CASTRO NUNES, Tribunal Pleno, DJ 10/2/45). 7. "As Leis 7.856/89 e 8.034/90, a LC 70/91 e as Leis 8.383/91 e 8.541/92 apenas modificaram a alíquota e a base de cálculo da contribuição instituída pela Lei 7.689/88, ou dispuseram sobre a forma de pagamento, alterações que não criaram nova relação jurídicotributária. Por isso, está impedido o Fisco de cobrar a exação relativamente aos exercícios de 1991 e 1992 em respeito à coisa julgada material" (REsp 731.250/PE, Rel. Min. ELIANA CALMON, Segunda Turma, DJ 30/4/07). 8. Recurso especial conhecido e provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil e da Resolução 8/STJ. Em suma, os efeitos desconstitutivos sobre as decisões judiciais transitadas em julgado não são automáticos, por imperativo constitucional da coisa julgada, que atinge em último grau, a realização do princípio da segurança jurídica. A desconstituição da decisão transitada em julgado se dá apenas por meio da ação rescisória. Não basta a mudança de entendimento de um tema (constitucionalidade ou inconstitucionalidade de lei) pelo STF, para de forma automática, rescindir decisões transitadas em julgado. Dito de outra forma, não há como se desconsiderar os efeitos da coisa julgada diante da decisão exarada em sentido contrário pelo Plenário do STF, sem qualquer manifestação do próprio Poder Judiciário. Consta nos autos que houve a propositura da ação rescisória n° 2003.04.01.0041073 pela Fazenda Nacional, visando à desconstituição da coisa julgada do citado mandamus. Ocorre que não logrou êxito na desconstituição. E ainda, a ação rescisória transitou em julgado em 2012. É ilegítimo o Parecer PGFN n° 492/2011 para fazer cessar a decisão individual e concreta transitada em julgado a favor do contribuinte. Diante disso, o comando do mandado de segurança deve ser aplicado, sob pena de violação da coisa julgada. Logo, dou provimento parcial ao recurso voluntário para admitir o creditamento de matériasprimas desoneradas no período de 27/05/2011 até 30/09/2012. Registro, que em sessão de julgamento, neste tópico, votaram pelas conclusões os Conselheiros Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini e Winderley Morais Pereira, porquanto entendem que o Parecer PGFN n° 492/11 é vinculante. Todavia, afastam a aplicação do referido Parecer neste caso concreto, por considerarem que a posição do STF (RE n° 353.657; 370.682 e RE nº 566.819) foi firmada após a decisão do mandado de segurança. Fl. 2503DF CARF MF Processo nº 10980.721075/201407 Acórdão n.º 3301005.085 S3C3T1 Fl. 2.504 31 Conclusão Do exposto, voto por negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento parcial ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Fl. 2504DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.003474/2006-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2003
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO E CONTRADIÇÃO.
Ao constatar que a Embargante logrou êxito em demonstrar, objetivamente, a omissão e a contradição no texto do v. acórdão, os Embargos de Declaração devem ser admitidos.
No caso dos autos, foram verificadas omissões e contradições entre o relatório e o voto condutor do v. acórdão embargado, hipótese em que se deve acolher os Embargos de Declaração nos termos do art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), eis que os embargos visam a sanar as omissões, contradições ou obscuridades verificadas entre a decisão (parte dispositiva do acórdão) e os seus respectivos fundamentos ou, ainda, as omissões da Turma acerca de ponto sobre o qual deveria haver-se pronunciado.
Numero da decisão: 1402-003.352
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer e acolher os Embargos de Declaração, com efeitos infringentes, para reconhecer o crédito no montante de R$ 2.672,16 e homologar a compensação até o limite deste valor reconhecido.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Luis Pagano Gonçalves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Sergio Abelson (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Leonam Rocha de Medeiros (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone.
Nome do relator: LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO E CONTRADIÇÃO. Ao constatar que a Embargante logrou êxito em demonstrar, objetivamente, a omissão e a contradição no texto do v. acórdão, os Embargos de Declaração devem ser admitidos. No caso dos autos, foram verificadas omissões e contradições entre o relatório e o voto condutor do v. acórdão embargado, hipótese em que se deve acolher os Embargos de Declaração nos termos do art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), eis que os embargos visam a sanar as omissões, contradições ou obscuridades verificadas entre a decisão (parte dispositiva do acórdão) e os seus respectivos fundamentos ou, ainda, as omissões da Turma acerca de ponto sobre o qual deveria haver-se pronunciado.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO E CONTRADIÇÃO. Ao constatar que a Embargante logrou êxito em demonstrar, objetivamente, a omissão e a contradição no texto do v. acórdão, os Embargos de Declaração devem ser admitidos. No caso dos autos, foram verificadas omissões e contradições entre o relatório e o voto condutor do v. acórdão embargado, hipótese em que se deve acolher os Embargos de Declaração nos termos do art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), eis que os embargos visam a sanar as omissões, contradições ou obscuridades verificadas entre a decisão (parte dispositiva do acórdão) e os seus respectivos fundamentos ou, ainda, as omissões da Turma acerca de ponto sobre o qual deveria haverse pronunciado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer e acolher os Embargos de Declaração, com efeitos infringentes, para reconhecer o crédito no montante de R$ 2.672,16 e homologar a compensação até o limite deste valor reconhecido. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone – Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 34 74 /2 00 6- 13 Fl. 223DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Sergio Abelson (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Leonam Rocha de Medeiros (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone. Fl. 224DF CARF MF Processo nº 11516.003474/200613 Acórdão n.º 1402003.352 S1C4T2 Fl. 224 3 Relatório A contribuinte opôs Embargos de Declaração visando sanar omissão e contradição no v. acórdão embargado, proferido por esta C. 2 Turma Ordinária ao julgar o Recurso Voluntário da Embargante. O r. despacho que admitiu os Embargos de Declaração resumiu a omissão e a contradição do v. acórdão nos seguintes termos: [...] Aduz a Embargante que a decisão incorreu em omissão e contradição, nos seguintes termos: A decisão colegiada não enfrentou a matéria suscitada pelo Embargante por ocasião de sua manifestação à informação fiscal n.º 715/2015, qual seja, a discordância da empresa acerca da divergência alegada pela RFB entre os valores declarados na DCOMP e as retenções efetivamente comprovadas acerca do CNPJ nº 00.394.460/005887 Receita Federal, na importância de R$ 3.163,43. Com efeito, de maneira transversa, o CARF cuidou apenas de apontar, data venia, equivocadamente, que a referida parcela de crédito do ano de 2002 não faria parte da Dcomp, e que não caberia utilizarse de créditos de períodos anteriores, quando em verdade, a manifestação à informação fiscal nº 715/2015 abordou o tema e comprovou o crédito (conforme documento anexo ao processo em epígrafe), tendo inclusive o relatório do presente acórdão confirmado essas informações, apesar do voto condutor, ora embargado, não tratar da matéria. Ressaltase que o equívoco acima é observado pelo fato de o CARF ter considerado exclusivamente as informações da RFB quanto à retenção na fonte feita pelo CNPJ 29.979.036/000140, quando deveria abranger, também, o crédito vinculado ao CNPJ 00.394.460/005887, o qual foi efetivamente impugnado pela empresa para ver reconhecido seu direito de R$ 43.282,34, ante o reconhecido pelo Fisco no valor de R$ 40.636,64. Assim, verificase a omissão na decisão, vez que a matéria relacionada ao CNPJ 00.394.460/005887 não foi objeto de análise, hipótese na qual o direito creditório apesar de comprovado e confirmado pela própria RFB no processo administrativo nº 11516.003475/200668 foi desconsiderado no presente acórdão. (...) Fl. 225DF CARF MF 4 Vislumbrase, data venia, ainda, contradição no aludido acórdão, na medida em que o voto destaca que, da análise da resposta à diligência, a recorrente não tem no anocalendário de 2003 crédito a mais para cobrir a parte não reconhecida e não homologada. Ocorre que o § 6º da informação fiscal DIORT/DRF (fls. 138/140) diz que a parcela correspondente ao IRPJ, na DIRF da fonte pagadora, é suficiente a amparar a dedução usada na Dcomp relativa àquela fonte pagadora. Também se vislumbra contradição no que se refere ao fato de que o saldo negativo de IRPJ seria suficiente para autorizar a compensação pleiteada, levando em conta que o crédito de saldo negativo de IRPJ 2003, de R$ 1.951.066,35, seria suficiente para homologação integral das Dcomp n.º 10056.11285.140104.1.3.022952 e 33929.28168.150104.1.3.02 7010. Apresentados os argumentos dos embargos, passamos à análise. O contribuinte teve ciência da decisão em 17 de novembro de 2017 (sextafeira), conforme AR de fls. 214, e apresentou embargos em 24 de novembro de 2017, dentro do prazo legal, razão pela qual estes devem ser considerados tempestivos. Em relação à omissão suscitada, diz a Embargante que o Acórdão não enfrentou a matéria impugnada pela manifestação que contestou o relatório de diligência, consubstanciado na Informação Fiscal n.º 715/2015, da DIORT/BSB (fls. 138 e seguintes). Naquela peça processual a interessada defendeu a existência de crédito para suportar a compensação pleiteada, nos seguintes termos: Preliminarmente, cabe registrar que a solicitação de diligência demandada por esse CARF dirigiuse a demonstração da existência de IRRF referente ao CNPJ: 29.979.036/000140, declarados na DIRF do anobase de 2003, capaz de suplantar o saldo negativo não homologado pela DRJ/FNS, alertandose, inclusive, sobre a possibilidade de enriquecimento sem causa da Fazenda Nacional, caso assim não o fizesse. E neste ponto, a Informação Fiscal foi categórica ao confirmar a existência de tributos retidos na fonte no montante de R$ 654.817,03, ano base 2003, código de receita 6188, sendo o IRPJ apurado no valor de R$ 222.916,44, que é muito mais do que suficiente para amparar o valor de R$ 895,63 (item 6 do Anexo 1). Todavia, nada obstante restou desconsiderada as informações confirmadas na DIRF da fonte pagadora diante da ausência de comprovante de retenção emitido pelo INSS, em total e latente contradição com o entendimento manifestado pela DRJ/FNS, quando procedeu a apreciação da manifestação de inconformidade apresentada (Anexo 2). Fl. 226DF CARF MF Processo nº 11516.003474/200613 Acórdão n.º 1402003.352 S1C4T2 Fl. 225 5 Naquela oportunidade, a DRJ/FNS, ao fundamentar o acórdão n° 0725.925, e ao dispor sobre a validade probatória para comprovação das retenções, expressamente declarou ser "a DIRF o único comprovante hábil a ser acatado com o fim de se comprovar a retenção" (Anexo 2). Ocorre, contudo, que constitui dever da fonte pagadora dos rendimentos no fornecimento do comprovante anual de rendimentos e retenções na fonte ao beneficiário dos rendimentos, ao teor dos arts. 2o e 7o da IN SRF n° 119/2000. Desse modo, não há como negar que os valores declarados na DIRF da fonte da pagadora são suficientes a comprovar o crédito de IRRF utilizado pela empresa, a quem caberá, do mesmo modo, providenciar a emissão do comprovante anual de retenção ao beneficiário dos rendimentos indicados na DIRF, tudo em sintonia com a legislação de regência. Por outro giro, porém não de menor importância, vale destacar que a diferença apontada na Informação Fiscal em relação à retenção no valor de R$ 2.645,70 (item 4 Anexo 2) foi objeto de discussão no processo n° 11516.003475/200668, cujo crédito de saldo negativo referese ao ano de 2002. Para este período, embora se tenha apurado o crédito de IRRF (2,40%) no valor de R$ 41.537,77, compensouse somente o valor de R$ 38.402,34, restando a parcela remanescente (R$ 3.136,43) que foi integrada ao crédito de IRRF apurado para o ano de 2003, no valor de R$ 40.145,73, conforme demonstrado no comprovante das tarifas pagas emitido pela própria RFB exercícios de 2002 e 2003 (Anexo 3). O voto condutor, bastante sucinto quanto aos fatos, apreciou o resultado da diligência e assim se manifestou (verbis): Da análise da resposta a diligência, notase que a Recorrente não tem no anocalendário de 2003 crédito a mais para cobrir a parte não reconhecida e não homologada. O valor remanescente se refere ao anocalendário 2002 e não pode ser somada a este processo em epígrafe, eis que não faz parte da DCOMP e não se pode admitir inovação ao pedido de compensação nesta fase do processo. Sendo assim, entendo que não se pode somar o crédito remanescente em outro processo, de outro anocalendário e que não foi apontado na DCOMP, a presente compensação em epígrafe. Em relação a alegação de revisão de ofício da r. decisão recorrida, entendo que tal pleito não se enquadra devidamente ao caso dos autos, eis que todas as alegações da Recorrente foram devidamente analisada nos autos e o crédito que restou devidamente comprovado nos autos foi reconhecido. Não consta nos autos a situação narrada pela Recorrente em seu Recurso Voluntário de que apesar de o credito estar Fl. 227DF CARF MF 6 devidamente comprovado nos autos por meio de documentos, este não foi reconhecido e foi indevidamente cobrado. Ou seja, não pude constar nos autos tal alegação/situação apontada pela Recorrente em seu recurso e, por tal motivo, não procede. A leitura do voto, cuja manifestação acerca do mérito foi integralmente reproduzida acima, realmente nos leva a concluir que há dúvidas quanto aos fundamentos da decisão, posto que as alegações da interessada não foram pontualmente rechaçadas nem tampouco foram transcritos trechos do resultado da diligência, que analisou os créditos e apresentou suas considerações. Nesse contexto, não está clara a construção do racional desenvolvido para não reconhecer o direito creditório pleiteado, pois o voto condutor não detalhou os fatos e os cálculos mencionados no próprio relatório do Acórdão. Assim, pareceme que assiste razão à Embargante e se mostra saudável e necessária a providência de integrar a decisão recorrida, para que sejam apresentados elementos aptos a demonstrar as conclusões expressas na decisão, visto que as matérias suscitadas pela Embargante foram objeto do recurso voluntário por ela apresentado (fls. 93 e seguintes) e também constam da manifestação de discordância produzida em resposta ao relatório da diligência, até porque, como demonstrado naquele parecer, a solicitação feita mediante resolução do colegiado fora apenas parcial, embora o contexto fático tenha sido integralmente abordado pela delegacia de origem. Como a matéria em litígio nos autos versa sobre questões fáticas e apuração de créditos decorrentes de retenções, tanto assim que ensejou, num primeiro momento, a conversão do julgamento em diligência, penso que os esclarecimentos requisitados pela interessada permitirão a adequada percepção do alcance do que restou decidido, raciocínio que também se aplica à contradição apontada, pois o voto entendeu que não havia créditos para 2003, enquanto que o § 6o do relatório de diligência expressamente atesta que os créditos do período seriam suficientes. Vejase como exemplo a afirmativa contida no bojo no voto condutor no sentido de que : “..O valor remanescente se refere ao anocalendário 2002 e não pode ser somada a este processo em epígrafe, eis que não faz parte da DCOMP e não se pode admitir inovação ao pedido de compensação nesta fase do processo...” Na verdade, o valor em discussão faz sim parte da Dcomp pois está lá indicado o IRRF sob o código 6188 para o CNPJ 29.979.036/000140 no montante de R$ 43.282,34; tendo sido acatado o valor de R$ 40.636,64. [...] Fl. 228DF CARF MF Processo nº 11516.003474/200613 Acórdão n.º 1402003.352 S1C4T2 Fl. 226 7 De resto, para resumir a controvérsia, adoto o relatório da Resolução proferida nos autos, que abaixo transcrevo: Tratam os presentes autos de não homologação de compensação cujo crédito está em saldo negativo de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) oriundo de pagamentos de estimativas e de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) supostamente suportados pelo contribuinte no anocalendário de 2003. Por bem descrever os fatos que antecedem à análise do presente Recurso Voluntário, adoto o Relatório proferido pela 3a Turma da DRJ/FNS, através do Acórdão n° 0725.625, constante às efls. 84/85: Trata o presente processo de Declarações de Compensação — Dcomp, que utilizam como crédito o saldo negativo de Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, do anocalendário de 2003. No Despacho Decisório de f. 41 a 45, consta que a fiscalização apurou direito creditório no montante de R$ 1.724.293,00, ao passo que o saldo negativo solicitado na Dcomp é de R$ 1.726.938,70. Deste modo, foi declarada a homologação da Dcomp n° 10056.11285.140104.1.3.022952, e a homologação parcial da Dcomp n° 33929.28168.150104.1.3.027010, permanecendo em aberto débito da importância de R$2.672,16. A fiscalização revela que (f. 43/44): O saldo negativo solicitado na DCOMP, R$ 1.726.938,70 (fl. 03), confere com o apurado na DIPJ (fl. 26). As retenções detalhadas na DCOMP conferem com o informado no ajuste anual na DIPJ. As retenções na fonte informadas na DIPJ/DCOMP não conferem, contudo, com as Declarações de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF) apresentadas pelas fontes pagadoras dos rendimentos auferidos. [...]Assim, pela Intimação SAORT n° 2006288, fls. 32/33, solicitouse ao contribuinte a apresentação dos comprovantes de rendimentos e retenções na fonte do anocalendário 2003. em resposta, o contribuinte apresentou os documentos de fls. 34/35. [...]Foram aceitos os comprovantes que contém os dados prescritos pelas normas que regulam a matéria e que tratam do mesmo anocalendário que o saldo negativo usado na DCOMP. Foram também consideradas as retenções que, apesar de não comprovadas pelo contribuinte, encontram confirmação nas DIRF entregues pelas fontes pagadoras. As tabelas a seguir indicam as retenções informadas na DCOMP e aquelas aceitas como dedutíveis do imposto devido. Fl. 229DF CARF MF 8 Observações: (1) Os valores constantes do comprovante de rendimentos de fl. 35 apresentado pelo contribuinte conferem com a DIRF (fl. 36). As retenções confirmadas no código 6188 têm o montante de R$ 119.379,11, assim a parcela correspondente ao IRPJ é R$ 40.636,64, valor inferior ao indicado na DCOMP (R$ 43.282,34). [...] Irresignada, a contribuinte encaminhou a manifestação de inconformidade de f. 61 a 65, na qual faz referência a outros processos e, em relação ao presente processo, alega que (f. 63): RECEITA FEDERAL: Parte dos valores compensados como sendo 2003 referemse a valores retidos em 2002. Conforme demonstrado na planilha "Comprovante das Tarifas pagas pela Receita", o total dos valores retidos em 2002 e 2003 confere com o total dos valores compensados em 2002 e 2003. Documentos anexados: De 320 a 237 Senhor julgador, são estes, em síntese, os pontos de discordância apontados nesta Manifestação de Inconformidade: a) Não concordamos com a não homologação das compensações de imposto retido na fonte, visto que os valores compensados foram efetivamente retidos, apesar de haver divergências de datas entre o que foi informado em nossas declarações e o que foi informado pelas fontes pagadoras. À f. 64, acrescenta o seguinte: Documentos anexados: Planilha "Comprovante das Tarifas pagas pela Receita" Planilha "Impostos Retidos na Fonte a Compensar" Consulta Histórica de Pagamentos — SISBACEN (A diferença entre o "Valor Liberação" e o "Valor Ajuste" é o valor da retenção). Demonstrativo dos Pagamentos e Arrecadações de Tributos Federais. Naquela oportunidade, a nobre turma julgadora entendeu pela total improcedência da Manifestação de Inconformidade, conforme sintetiza a seguinte Ementa (efls 83): Fl. 230DF CARF MF Processo nº 11516.003474/200613 Acórdão n.º 1402003.352 S1C4T2 Fl. 227 9 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2003 RETENÇÃO. COMPROVAÇÃO. UTILIZAÇÃO. REQUISITO. O imposto retido na fonte sobre rendimentos ou ganhos de capital, submetidos à tributação ao final do período de apuração, poderá ser compensado na declaração de pessoa jurídica, se o contribuinte possuir comprovante da retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora, ou outros elementos de provas hábeis a demonstrar que sofreu o ônus da retenção Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Intimada do Acórdão em 07/05/2012 (efls 92), apresentou Recurso Voluntário em 06/06/2012 (efls. 93/101), alegando em apertada síntese que o crédito que possui é até superior ao pleiteado na DCOMP, requerendo a revisão de ofício do lançamento tributário, prezando pela verdade material. A Resolução converteu o julgamento do recurso em diligência nos seguintes termos: Como se extrai do relatório, os presentes autos versam sobre a legitimidade e existência do saldo negativo de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ, do anocalendário de 2003. As DCOMP 10056.11285.140104.1.3.022952 e 33929.28168.150104.1.3.02 – 7010 noticiam que o crédito correspondente ao saldo negativo do período é de R$ 1.726.938,70. Referido saldo, conforme consta na DCOMP apresentada pelo contribuinte, é decorrente de imposto de renda retido na fonte por terceiros, no montante de R$ 62.284,05, e pelas estimativas de janeiro, fevereiro e março de 2003, no montante de R$ 1.664.654,65. Para comprovação do saldo negativo pleiteado, a autoridade fiscal intimou o contribuinte a apresentar os comprovantes de rendimento, trazido aos autos às efls. 37/40. Houve o reconhecimento do saldo negativo de R$ 1.724.293,00, pela liquidação das estimativas dos meses de janeiro, fevereiro e março de 2003, e pelo reconhecimento parcial das retenções na fonte, conforme consta do Despacho Decisório (efls 45): Foram aceitos os comprovantes que contêm os dados prescritos pelas normas que regulam a matéria e que tratam do mesmo Fl. 231DF CARF MF 10 anocalendário que o saldo negativo usado na DCOMP. Foram também consideradas as retenções que, apesar de não comprovadas pelo contribuinte, encontram confirmação nas DIRF entregues pelas fontes pagadoras. As tabelas a seguir indicam as retenções informadas na DCOMP e aquelas aceitas como dedutíveis do imposto devido. Observações: (1) Os valores constantes do comprovante de rendimentos de fl. 35 apresentado pelo contribuinte conferem com a DIRF (fl. 36). As retenções confirmadas no código 6188 têm o montante de R$ 119.379,11, assim a parcela correspondente ao IRPJ é R$ 40.636,64, valor inferior ao indicado na DCOMP (R$ 43.282,34). (2) O comprovante de fl. 34 tem período de apuração (ano calendário 2002) diverso daquele a que se refere a declaração em análise (anocalendário 2003). Entretanto, a DIRF de fl. 28 apresenta retenções em valor suficiente para comprovação da dedução utilizada na DCOMP. (3) A DIRF de fl. 37 contém retenções suficientes para amparar as deduções usadas na DCOMP (R$ 895,63) referentes a essa fonte pagadora. Como se observa, a autoridade julgadora analisou o limite do direito creditório dos 03 (três) cedentes, com base no constante na DCOMP. Especificamente quanto ao CNPJ 29.979.036/000140, porém, identificase que o valor do tributo retido na fonte é superior a R$ 895,63 – parte relativa ao IRPJ. Neste sentido, o contribuinte argumenta (efls 97/98): Considerando o exposto nos itens acima, aferese que no ano de 2003 foi efetivamente retido na fonte o valor de R$ 1.297.278,83, sendo R$ 286.411,70 de IRPJ, conforme quadro abaixo: Quadro 2 [...] Logo, temse confirmada a existência de saldo negativo de IRPJ 2003, no valor de R$ 1.951.066,35, que é inclusive muito superior ao já declarado pelo Recorrente, no valor de R$ 224.127,65, conforme se depreende do quadro a seguir: Fl. 232DF CARF MF Processo nº 11516.003474/200613 Acórdão n.º 1402003.352 S1C4T2 Fl. 228 11 Quadro 3 [...] Em decorrência disso, o crédito de saldo negativo de IRPJ 2003, de R$ 1.951.066,35, é mais que suficiente para a homologação integral das declarações de compensação n° 10056.11285.140104.1.3.022952 e 33929.28168.150104.1.3.027010 apresentadas, ao teor do demonstrativo abaixo relacionado: [...] Diante destes fatores, devese analisar se o tributo retido na fonte concernente ao CNPJ 29.979.036/000140 na DIRF do anocalendário de 2003, é ou não superior aos R$ 895,63 pleiteados e homologados pela autoridade fiscal. Por merecida análise dessa questão, sob pena de enriquecimento ilícito da Fazenda Nacional, converto o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem, através de relatório circunstanciado demonstre se o crédito relativo ao IRPJ deste CNPJ (29.979.036/000140) é superior aos R$ 895,63 já consolidados, e caso positivo, se o saldo remanescente não utilizado é suficiente para suprir o saldo não homologado destes autos. Do relatório proferido pela autoridade, deverá ser intimado o contribuinte para que exerça o contraditório, caso desejar. Após a diligência e o prazo para manifestação do contribuinte, retornemse os autos para julgamento. Em seguida veio a Informação Fiscal da DIORT/DRF Brasília de fls. 138/140 com o seguinte texto: Tratase de pedido de diligência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) (fls. 126/132) “para que a Unidade de Origem, através de relatório circunstanciado demonstre se o crédito relativo ao IRPJ deste CNPJ (29.979.036/000140) é superior aos R$ 895,63 já consolidados, e caso positivo, se o saldo remanescente não utilizado é suficiente para suprir o saldo não homologado destes autos”. 2. Para melhor compreender o pedido de diligência do Carf, faz se necessária uma síntese do presente processo. 3. Em 14/01/2004 e 15/01/2004, a Interessada transmitiu as declarações de compensação (Dcomp) 10056.11285.140104.1.3.022952 e 33929.28168.150104.1.3.02 Fl. 233DF CARF MF 12 7010 (fls. 4/15), respectivamente, visando compensar débitos diversos com pretenso crédito de saldo negativo de IRPJ, no montante original de R$ 1.726.938,70, relativo ao ano calendário de 2003. 4. Do direito creditório pleiteado, foi reconhecido o valor de R$ 1.724.293,00, não tendo sido comprovada a diferença, motivo do presente litígio. A Dcomp 33929.28168.150104.1.3.027010 foi homologada parcialmente (vide despacho decisório de fls. 44/48), em razão de divergências de retenções na fonte informadas pela Interessada, conforme demonstrado na tabela a seguir. Tabela 1 5. Embora a diferença não comprovada de retenção na fonte diz respeito à fonte pagadora nº 1, na tabela 1, o Carf solicita diligência no sentido de averiguar se o valor do tributo retido pela fonte pagadora nº 3 (CNPJ nº 29.979.036/000140) é superior ao valor de R$ 895,63 já consolidado. Em caso positivo, verificar se o saldo remanescente não utilizado, isto é, não declarado na Dcomp em referência, é suficiente para suprir o valor não homologado na presente compensação. 6. Em consulta à Dirf da fonte pagadora de CNPJ nº 29.979.036/000140 (fls. 137), disponível nos sistemas informatizados da RFB, observouse a existência de tributos retidos na fonte no montante de R$ 654.817,03, no ano calendário de 2003, no código de receita 6188. A parcela correspondente ao IRPJ é de R$ 222.916,44, valor este suficiente para amparar a dedução usada na Dcomp (R$ 895,63) referente a tal fonte pagadora. 7. Entretanto, é preciso observar que se trata de informação confirmada unicamente na Dirf entregue pela fonte pagadora. A legislação que trata do assunto (arts. 942 e 943 do Regulamento do Imposto de Renda), e que permite ao contribuinte compensar o imposto retido na fonte, dispõe claramente ao determinar que tal compensação somente poderá ser realizada se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora. 8. O único comprovante de retenção emitido pela fonte pagadora de CNPJ nº 29.979.036/000140 encontrase em fls. 71 dos autos, demonstrando que o valor retido foi de R$ 2.630,90, no anocalendário de 2003, o que equivale a uma parcela correspondente ao IRPJ de R$ 895,63. Fl. 234DF CARF MF Processo nº 11516.003474/200613 Acórdão n.º 1402003.352 S1C4T2 Fl. 229 13 9. Assim sendo, em resposta à diligência solicitada pelo Carf, podese afirmar que inexiste saldo remanescente do valor retido na fonte pelo CNPJ nº 29.979.036/000140 no anocalendário de 2003 e que o valor retido é suficiente apenas para suprir o valor homologado na presente compensação. 10. Pelo exposto, propõese: a) o encaminhamento do processo à Equipe de Apoio desta Diort para dar ciência desta informação à Interessada; b) a reabertura de prazo de 30 (trinta) dias, contados da ciência desta, para manifestação, se assim o desejar; c) após o prazo citado acima, o retorno do processo ao Carf para a continuidade do julgamento. Em seguida, a Recorrente se manifestou sobre a diligência feita (fls. 420/474), alegando que não concorda com a resposta da diligência, eis que tem o crédito no importe de R$ 3.136,43 do anocalendário de 2002, confirmado nos autos do processo 11516.003475/200668, montante superior ao não reconhecido e não homologado neste processo de R$ 2.672,16. Sendo assim, entende que se está se cobrando da Recorrente mais do que deve, resultando em enriquecimento ilícito do Poder Público. É o relatório. Fl. 235DF CARF MF 14 Voto Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator O Embargos Declaratório são tempestivos e foi interposto por signatário devidamente legitimado, motivos pelos quais deve ser conheço. O processo em epígrafe trata de pedido de compensação de saldo negativo de IRPJ, composto por pagamentos de estimativas e Imposto Retido na Fonte IRRF, suportado pela Recorrente no anocalendário de 2003, visando quitar débitos de IRPJ. No Despacho Decisório de fls. 41/45, consta que a fiscalização apurou direito creditório no montante de R$ 1.724.293,00, ao passo que o saldo negativo solicitado na Dcomp é de R$ 1.726.938,70. Deste modo, foi declarada a homologação da Dcomp n° 10056.11285.140104.1.3.022952, e a homologação parcial da Dcomp n° 33929.28168.150104.1.3.027010, permanecendo em aberto débito da importância de R$2.672,16. Referido saldo, conforme consta na DCOMP apresentada pelo contribuinte, é decorrente de imposto de renda retido na fonte por terceiros, no montante de R$ 62.284,05, e pelas estimativas de janeiro, fevereiro e março de 2003, no montante de R$ 1.664.654,65. O saldo negativo de R$ 1.724.293,00 que foi reconhecido, é relativo ao valor das estimativas liquidadas dos meses de janeiro, fevereiro e março de 2003, e ao valor parcial das retenções na fonte no valor de R$ 59.638.35, conforme consta do Despacho Decisório (fls 45). A parcela não reconhecida do IRRF, se refere a fonte retentora/pagadora com CNPJ 00.394.460/005887, sendo que a Recorrente indicou na DCOMP o valor de R$ 43.282,34 e a fiscalização reconheceu o valor de R$ 40.636,64. Vejamos a parte do r. Despacho Decisório que tratou deste ponto: Fl. 236DF CARF MF Processo nº 11516.003474/200613 Acórdão n.º 1402003.352 S1C4T2 Fl. 230 15 Foram aceitos os comprovantes que contêm os dados prescritos pelas normas que regulam a matéria e que tratam do mesmo anocalendário que o saldo negativo usado na DCOMP. Foram também consideradas as retenções que, apesar de não comprovadas pelo contribuinte, encontram confirmação nas DIRF entregues pelas fontes pagadoras. As tabelas a seguir indicam as retenções informadas na DCOMP e aquelas aceitas como dedutiveis do imposto devido. Observações: (1) Os valores constantes do comprovante de rendimentos de fl. 35 apresentado pelo contribuinte conferem com a DIRF (fl. 36). As retenções confirmadas no código 6188 têm o montante de R$ 119.379,11, assim a parcela correspondente ao IRPJ é R$ 40.636,64, valor inferior ao indicado na DCOMP (R$ 43.282,34). (2) 0 comprovante de fl. 34 tem período de apuração (ano calendário 2002) diverso daquele a que se refere a declaração em análise (anocalendário 2003). Entretanto, a DIRF de fl. 28 apresenta retenções em valor suficiente para comprovação da dedução utilizada na DCOMP. (3) A DIRF de fl. 37 contém retenções suficientes para amparar as deduções usadas na DCOMP (R$ 895,63) referentes a essa fonte pagadora. As retenções na fonte comprovadas totalizam R$ 59.638,35, as estimativas pagas tem o valor de R$ 1.664.654,65. Como o imposto devido apurado no ajuste anual foi igual a zero, esses valores converteramse em saldo negativo de IRPJ de R$ 1.724.293,00. Verificouse que as DCOMP foram transmitidas dentro do prazo de vencimento dos débitos nelas compensados, devendo, portanto, esses débitos serem compensados sem acréscimos. Os extratos de fls. 38/40 demonstram a alocação do crédito apurado aos débitos indicados como pagos. As tabelas a seguir indicam o resultado das vinculações. Fl. 237DF CARF MF 16 Ao analisar a resposta da diligência consubstanciado na Informação Fiscal n.º 715/2015, da DIORT/BSB (fls. 138 e seguintes) consta a confirmação da fiscalização de que existe crédito de IRRF suficiente para compensar com o valor do saldo negativo que não foi reconhecido pela r. Despacho Decisório no importe de R$ 2.672,16. Vejamos a parte que indica tal afirmativa. Tratase de pedido de diligência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) (fls. 126/132) “para que a Unidade de Origem, através de relatório circunstanciado demonstre se o crédito relativo ao IRPJ deste CNPJ (29.979.036/000140) é superior aos R$ 895,63 já consolidados, e caso positivo, se o saldo remanescente não utilizado é suficiente para suprir o saldo não homologado destes autos”. 2. Para melhor compreender o pedido de diligência do Carf, faz se necessária uma síntese do presente processo. 3. Em 14/01/2004 e 15/01/2004, a Interessada transmitiu as declarações de compensação (Dcomp) 10056.11285.140104.1.3.022952 e 33929.28168.150104.1.3.02 7010 (fls. 4/15), respectivamente, visando compensar débitos diversos com pretenso crédito de saldo negativo de IRPJ, no montante original de R$ 1.726.938,70, relativo ao ano calendário de 2003. 4. Do direito creditório pleiteado, foi reconhecido o valor de R$ 1.724.293,00, não tendo sido comprovada a diferença, motivo do presente litígio. A Dcomp 33929.28168.150104.1.3.027010 foi homologada parcialmente (vide despacho decisório de fls. 44/48), em razão de divergências de retenções na fonte informadas pela Interessada, conforme demonstrado na tabela a seguir. Fl. 238DF CARF MF Processo nº 11516.003474/200613 Acórdão n.º 1402003.352 S1C4T2 Fl. 231 17 5. Embora a diferença não comprovada de retenção na fonte diz respeito à fonte pagadora nº 1, na tabela 1, o Carf solicita diligência no sentido de averiguar se o valor do tributo retido pela fonte pagadora nº 3 (CNPJ nº 29.979.036/000140) é superior ao valor de R$ 895,63 já consolidado. Em caso positivo, verificar se o saldo remanescente não utilizado, isto é, não declarado na Dcomp em referência, é suficiente para suprir o valor não homologado na presente compensação. 6. Em consulta à Dirf da fonte pagadora de CNPJ nº 29.979.036/000140 (fls. 137), disponível nos sistemas informatizados da RFB, observouse a existência de tributos retidos na fonte no montante de R$ 654.817,03, no ano calendário de 2003, no código de receita 6188. A parcela correspondente ao IRPJ é de R$ 222.916,44, valor este suficiente para amparar a dedução usada na Dcomp (R$ 895,63) referente a tal fonte pagadora. O v. acórdão embargado foi omisso em relação aos fundamentos da Informação Fiscal acima colacionado, sendo que da leitura do trecho supra descrito e elaborado em resposta a diligência de fls. 138/140, depreendese que a fiscalização confirmou que na DIRF da fonte pagadora/retentora de CNPJ 29.979.036/000140 existe crédito a mais passível de suportar o IRRF não reconhecido no r. Despacho Decisório no importe de R$ 2.672,16, devendo assim, ser reformado o v. acórdão embargado, para reconhecer o montante acima indicado e homologar a compensação pleiteada na DCOMP 33929.28168.150104.1.3.027010 até o limite deste crédito reconhecido. O não reconhecimento do valor de R$ 2.672,16 se deu pelo fato de a fiscalização não se contentar apenas com as informações contidas na DIRF, entendendo ser necessário que a fonte pagadora/retentora, no caso o INSS, apresentasse comprovante de retenção ou de rendimentos. Fl. 239DF CARF MF 18 No meu entender tal raciocínio da fiscalização não é o mais adequado, eis que prejudicar o direito ao crédito da Recorrente devido a omissão e inércia de terceiros (no caso a fonte retentora/pagadora do IRRF) não me parece jurídico. Ademais, a DIRF comprova o recolhimento de IRRF superior ao montante de crédito utilizado de R$ 895,63, restando crédito mais do que suficiente para arcar com o valor não reconhecido de R$ 2.672,16. Sendo assim, reconheço o montante de R$ 2.672,16 relativo ao IRRF que compõe o crédito de saldo negativo e homologo a compensação até o limite do crédito reconhecido. Pelo exposto e por tudo que consta processado nos autos, conheço e acolho os Embargos de Declaração, com efeitos infringentes, para reconhecer o crédito no montante de R$ 2. 672,16 e homologar a compensação até o limite deste valor reconhecido. É como voto. (assina digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves. Fl. 240DF CARF MF
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Numero do processo: 10930.907122/2011-42
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 26 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3402-001.444
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Ávila (suplente convocado).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência, nos termos do voto do relator. Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Ávila (suplente convocado). Relatório Trata o presente processo de recurso voluntário contra o indeferimento de manifestação de inconformidade postulada ante o não reconhecimento de pedido de restituição de contribuição (PIS/Cofins) formulado pela recorrente. A restituição foi indeferida porque o crédito pleiteado encontravase totalmente alocado a débito declarado pelo contribuinte. Na manifestação apresentada, a interessada afirma que o § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998 teve a sua inconstitucionalidade declarada pelo STF. Salienta que a manifestação contida no despacho decisório decorre de informação prestada em DCTF nos anos de 2000 a 2004, ou seja, consoante previsão legal então vigente. Acredita que a conclusão deve ser a de procedência do pedido, afinal, nos termos das decisões existentes as receitas não RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 30 .9 07 12 2/ 20 11 -4 2 Fl. 151DF CARF MF Processo nº 10930.907122/201142 Resolução nº 3402001.444 S3C4T2 Fl. 146 2 operacionais devem ser excluídas das bases de cálculo do PIS e da Cofins. Salienta que as declarações prestadas anteriormente devem ser revistas e diz que para ocorrer o deferimento bastará à Autoridade Julgadora proceder à análise das DCTF apresentadas, tendo por base planilha anexada à manifestação. Aduz, adicionalmente, que a discussão principal contida no processo diz respeito à matéria de direito, “devendo o órgão julgador apreciar a procedência da tese”, intimando a contribuinte a provar o direito mediante prova documental. A impugnação acima aludida foi julgada parcialmente procedente pela DRJ, que não reconheceu o direito creditório face a ausência de sua comprovação. Cientificado desta decisão o contribuinte interpôs o presente recurso voluntário, onde alega que a decisão proferida pela DRJ teria alterado o critério jurídico do despacho de indeferimento atacado, o que implicaria a nulidade da decisão proferida, bem como apresenta documentos fiscais que atestariam a validade do seu crédito. É o relatório. Resolução Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3402001.422, de 26 de setembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10930.907066/201146, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402001.422): "5. Conforme se observa dos autos, em despacho eletrônico de fls. 05/06, o crédito vindicado pelo contribuinte foi indeferido ao fundamento que: (...). A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. (...). 6. Todavia, já em sede de julgamento de manifestação de inconformidade, o acórdão ora atacado entendeu por manter o indeferimento, mas agora sob o seguinte fundamento: (...). No caso, como a contribuinte nada apresentou no sentido de efetivamente comprovar que na composição da base de Fl. 152DF CARF MF Processo nº 10930.907122/201142 Resolução nº 3402001.444 S3C4T2 Fl. 147 3 cálculo da contribuição relativa ao aludido período de apuração estavam incluídas receitas compreendidas no alargamento da base de cálculo, não há como reconhecer o direito creditório buscado. Em assim sendo, dada a ausência de provas sobre a liquidez e certeza do direito creditório pleiteado, entendese que devem ser mantidos em todos os seus termos o Despacho Decisório contestado que, aliás, está fundamentado em informação prestada pela própria contribuinte em DCTF constante dos sistemas controlados pela RFB. (...) (grifos constantes no original). 7. Diante deste quadro, o contribuinte apresentou os documentos fiscais de fls. fls. 84/118, os quais compreendem guias DARF, livro razão e planilhas, que atestariam que o crédito vindicado é realmente decorrente do inconstitucional alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS veiculado pela lei n. 9.718/98 e rechaçado pelo STF no âmbito do julgamento do RE n. 585.235. 8. Percebese, portanto, que diante dos fatos aqui expostos e dos documentos acostados nos autos, é possível vislumbrar que de fato o contribuinte possui um crédito em seu favor. Logo, levando ainda em consideração que no âmbito do processo administrativo vigora o princípio da verdade material1, e, ainda, com especial respeito aos valores da eficiência e da moralidade, que devem conformar as ações da Administração Pública, é salutar que o presente caso seja convertido em julgamento para que: · a unidade preparadora, com base nos documentos acostados nos autos, bem como outros que venha a solicitar junto ao contribuinte, analise se de fato o crédito vindicado pelo contribuinte decorre do indevido pagamento de PIS e COFINS sobre receitas financeiras e, em caso positivo, detalhe analiticamente o impacto de tal crédito para o pedido formulado pelo contribuinte. 9. Elaborado o sobredito relatório fiscal, o contribuinte deverá ser intimado para, facultativamente, se manifestar a respeito em 30 (trinta) dias, exatamente como prescreve o parágrafo único do art. 35 do Decreto n. 7.574/2011. 10. É a resolução." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos 1 "Registrese, desde já, que este importante valor normativo não se assemelha a uma ferramenta mágica, como pretendem alguns, e, por óbvio, não tem a aptidão de "validar" preclusões e atecnias, nem de transformar tais defeitos em um processo administrativo "regular". Este tipo de interpretação a respeito do princípio da verdade material só se presta a apequenar esta importante norma. Assim, quando se fala em verdade material o que se quer exprimir é a possibilidade de reconstruir a relação jurídica de direito material conflituosa por intermédio de uma metodologia jurídica mais flexível, ou seja, menos apegada à forma, o que se dá pelas características peculiares do direito material vindicado processualmente, i.e., pela sua contextualização." (RIBEIRO, Diego Diniz. O CPC/2015 e seus reflexos no processo administrativo tributário. In: Paulo de Barros Carvalho, Priscila de Souza. (Orgs.). Racionalização do sistema tributário. São Paulo: Noeses, 2017, p. 219240.). Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10930.907122/201142 Resolução nº 3402001.444 S3C4T2 Fl. 148 4 que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que: · a unidade preparadora, com base nos documentos acostados nos autos, bem como outros que venha a solicitar junto ao contribuinte, analise se de fato o crédito vindicado pelo contribuinte decorre do indevido pagamento de PIS e COFINS sobre receitas financeiras e, em caso positivo, detalhe analiticamente o impacto de tal crédito para o pedido formulado pelo contribuinte. Elaborado o sobredito relatório fiscal, o contribuinte deverá ser intimado para, facultativamente, se manifestar a respeito em 30 (trinta) dias, exatamente como prescreve o parágrafo único do art. 35 do Decreto n. 7.574/2011. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 154DF CARF MF
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