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Numero do processo: 10494.000490/2006-97
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE
Ano-calendário: 2002
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE.
INCIDÊNCIA CIDE-COMBUSTÍVEL. GASES LIQUEFEITOS DE PETRÓLEO. BUTANO E PROPANO.
A Lei n° 10.336. de 19 de dezembro de 2001. prevê a incidência da CIDE- combustível sobre o gás liquefeito de petróleo, gênero do qual o propano e o butano são espécies.
DUPLICIDADE DE LANÇAMENTO DO PRESENTE CRÉDITO TRIBUTÁRIO.
A autoridade lançadora confirmou a ocorrência de duplicidade de tributação em relação às operações de importação objeto do presente processo, exceção apenas com os valores tributáveis relativos a quatro importações.
A soma da CIDE DEVIDA referente às quatro Declarações de Importação fica abaixo dos limites de alçada.Ano-calendário: 2000
Numero da decisão: 3302-005.923
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, sem, contudo, atribuir-lhes efeitos infringentes.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente
(assinado digitalmente)
Jorge Lima Abud - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walker Araujo, Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede.
Nome do relator: JORGE LIMA ABUD
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Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado PETRÓLEO BRASILEIRO S/A ¬ PETROBRÁS ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Anocalendário: 2002 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE. INCIDÊNCIA CIDECOMBUSTÍVEL. GASES LIQUEFEITOS DE PETRÓLEO. BUTANO E PROPANO. A Lei n° 10.336. de 19 de dezembro de 2001. prevê a incidência da CIDE combustível sobre o gás liquefeito de petróleo, gênero do qual o propano e o butano são espécies. DUPLICIDADE DE LANÇAMENTO DO PRESENTE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. A autoridade lançadora confirmou a ocorrência de duplicidade de tributação em relação às operações de importação objeto do presente processo, exceção apenas com os valores tributáveis relativos a quatro importações. A soma da CIDE DEVIDA referente às quatro Declarações de Importação fica abaixo dos limites de alçada.Anocalendário: 2000 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, sem, contudo, atribuirlhes efeitos infringentes. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 49 4. 00 04 90 /2 00 6- 97 Fl. 393DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Jorge Lima Abud Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walker Araujo, Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede. Relatório O auto de infração sob julgamento lançou Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide), de que trata o art. 3°, V, da Lei n° 10.336, de 19 de dezembro de 2001, incidente sobre o valor da importação de gás propano e de gás butano, acrescida de juros de mora e multa de oficio, perfazendo, na data da lavratura do Auto de Infração que constituiu o lançamento, o crédito tributário no valor de R$ 39.791.923,03. Aproveitase o RELATÓRIO do Acórdão de Recurso Voluntário. Tratase de retorno de diligência, que teve como origem o auto de infração para o lançamento da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico CIDE Combustíveis. Do auto de infração, fls. 04/18, extraemse as seguintes informações: A autuada foi importadora contumaz de gases liquefeitos de petróleo, classificados na posição 2711 da Nomenclatura Comum do Mercosul — NCM da Tarifa Externa Comum — TEC, até o final do ano de 2005. Entre esses gases, figuram o propano comercial (NCM 2711.12.10) e o butano comercial (NCM 2711.13.10). De janeiro a outubro de 2002, a autuada submeteu a despacho 73.691,539 t de propano e 94.435,164 t de butano, por meio das declarações de importação (DI) discriminadas nas tabelas abaixo, registradas nas datas correspondentes abaixo indicadas. (...) Ocorre que a empresa importadora não promoveu o pagamento da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico, Cide — combustíveis, instituída pela Lei no 10.336 de 19 de dezembro de 2001, e normatizada pelas Instruções Normativas SRF n° 107, de 28 de dezembro de 2001 e no 219, de 10 de outubro de 2002 (atualmente normatizada pela IN SRF n° 422, de 17 de maio de 2004). A contribuinte apresentou, então, impugnação administrativa, fls. 62 e seguintes, onde arguiu em síntese: Fl. 394DF CARF MF Processo nº 10494.000490/200697 Acórdão n.º 3302005.923 S3C3T2 Fl. 3 3 Autuação em duplicidade das DI's, a Impugnante afirma que a maior parte das DIs, destacadas pela autoridade fiscal no auto de infração em referência já foram objeto de autuação em outros autos de infração; No mérito: Afirma que a IN SRF 107/01 não prevê a incidência da CIDE sobre a importação de propano e butano, mas tão somente sobre a importação do GLP e seus derivados, e que a IN SRF 219/02, que expressamente prevê a incidência da CIDE sobre as importações de gases propano e bntano, foi editada em 10 de outubro de 2002, de maneira que a norma não poderia regular os fatos geradores ocorridos anteriormente à sua edição; Sustenta que na Lei n° 10.336/01 não há referência expressa ao propano e ao gás butano em sua forma bruta e que, nos exatos termos do art. 3° da Lei 10.336/01, a única hipótese legal para incidência da CIDE sobre gases faz referência expressa e exaustivamente ao Gás Liquefeito de Petróleo GLP, seja ele derivado de petróleo, gás natural ou nafta; Suscita que também a IN 107/01 não fez referência expressa ao propano e ao butano, restringindose, quanto aos produtos tributados, aos limites impostos vela Lei. Assim, as importações realizadas pela Petrobrás, no período de janeiro a outubro de 2002, foram levadas a cabo sem o recolhimento da CIDE, ante a inegável falta de previsão legal e normativa para tanto; Em 10 de outubro de 2002, ao arrepio de todo o nosso sistema de normas, editou a Instrução Normativa n. 219, prevendo a inclusão dos gases butano e propano brutos liquefeitos no inciso VI do art. 2° da Instrução Normativa n. 107/01 e a IN 219/2002 ato administrativo extrapolou os limites impostos pela Lei 10.336/01, aumentando as hipóteses de incidência da CIDE para importações de gases diversos do GLP, único gás cuja exação da CIDE em sede de importação e comercialização possui amparo legal e que teve efeitos retroativos; Ela faz a diferenciação entre o gás liquefeito de petróleo produto da mistura de gases e o propano e butano gases liquefeitos em forma bruta , o que impede a tributação pela CIDE das operações envolvendo estes dois últimos produtos. O propano e o butano comerciais são produtos bastante purificados, que possuem especificações próprias e são utilizados comumente como combustíveis industriais, aerossóis e maçaricos de corte e solda. Já o GLP constitui uma mistura genérica de hidrocarbonetos C3 e C4 (com 3 e 4 átomos de carbono), que deve atender a uma determinada especificação, cuja utilização principal é como gás de cozinha; Afirma que a própria Nomenclatura Comum do Mercosul diferencia o GLP do propano e do butano; Defende que a disposição legal de incidência da CIDE sobre a importação de gás liquefeito de petróleo, prevista no inciso V do Fl. 395DF CARF MF 4 art. 3°. da Lei 10.336/01 somente autoriza a incidência do tributo sobre o gás liquefeito de petróleo, mais conhecido como GLP, independentemente de ser tal combustível proveniente do petróleo, do gás natural ou da nafta. Conclui que resta inconteste a ilegalidade da disposição contida na Instrução Normativa SRF 219/2002, que amplia os limites da lei e determina a incidência do tributo sobre gases diversos daquele descrito na norma legal; Insurgese contra a retroatividade da Instrução Normativa 219, de 10 de outubro de 2002, por considerar afronta à Constituição Federal; Postula pela observância do Princípio da Legalidade; Afirma que a multa de 75% é inconstitucional e ilegal e que a atualização deve ocorrer pela TR e não pela SELIC; A DRJ/Florianópolis propôs a realização de uma diligência, fls. 171, para verificar o seguinte: Inconformada com a autuação, a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 55 a 75, onde requer, em sede de preliminar, a desconstituição de parcela do crédito tributário neste exigido, haja vista que se referem à operação de importação que já foram objeto de autuação nos processos fiscais n° 10494.001184/2002 44, 10494.001183/200208, 11050.001119/200331 e 11050.001093/200371, cujas cópias dos respectivos autos de infração encontramse juntadas as 101 a 118. Em face do alegado, se faz necessário o retorno dos autos à unidade de preparo a fim de que as doutas autoridades lançadoras verifiquem a veracidade das informações fornecidas pela autuada, tomando, por conseguinte, as medidas legais cabíveis. Sobreveio, então, a seguinte informação, fls. 203: Informo que, após pesquisa no sistema Profisc, fls. 124 a 136, e resposta ao Termo de Diligência Fiscal n° 008/2007, fls. 140 a 150, as únicas declarações de importação (Dl) que constam do processo n° 10494.000490/200697 e que não foram objeto de autuação em outros processos de lançamento em Auto de Infração são as DI 02/05859393, 02/05859482, 02/09070492 e 02/09070662. O restante das DI do referido processo já tinham sido objeto de lançamento nos processos n° 10494.001184/200244, 10494.001183/200208, 11050.001119/200381 e 11050.001093/200371. Tal fato ocorreu por dois problemas: a falta de comunicação de órgãos da própria SRF, onde foram feitos lançamentos por órgãos de despacho, em revisão aduaneira, e não foram informados estes lançamentos a esta Seção de Fiscalização Aduaneira, seção de jurisdição da sociedade; e a falta de informação da própria sociedade empresária que, mesmo tendo ciência que se tratava de uma fiscalização sobre a Cide, com a respectiva identificação das DI em estudo, nada declarou sobre os lançamentos já efetuados. Fl. 396DF CARF MF Processo nº 10494.000490/200697 Acórdão n.º 3302005.923 S3C3T2 Fl. 4 5 A DRJ/Florianópolis proferiu decisão, fls. 205/239, cuja ementa é descrita abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Período de apuração: 04/01/2002 a 30/10/2002 CIDECOMBUSTÍVEIS. IMPORTAÇÃO DE PROPANO E BUTANO BRUTOS LIQUEFEITOS. INCIDÊNCIA. Em estrita observância ao disposto no art. 3°, V, da Lei n° 10.336, de 2001, e no Sistema Harmonizado de Codificação e Classificação de Mercadorias, a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico incide sobre a importação de propano e butano liquefeitos, respectivamente, classificados nos códigos 2711.12.10 e 2711.13.00, da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM). Desta feita, importa salientar que a Instrução Normativa SRF n° 219, de 2002 não criou nova hipótese de incidência tributária nem se caracteriza como ato expressamente interpretativo. NULIDADE. Não há que se falar de nulidade quando a exigência fiscal sustentase em processo instruído com todas as peças indispensáveis e não se vislumbra nos autos que o sujeito passivo tenha sido tolhido no direito que a lei lhe confere para se defender. INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. APRECIAÇÃO. VEDAÇÃO. Não compete à autoridade administrativa manifestarse quanto à inconstitucionalidade ou ilegalidade das leis e demais normas inseridas no ordenamento jurídico, por ser essa prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário. MULTA DE OFICIO. APLICAÇÃO E PERCENTUAL. LEGALIDADE. Aplicável a multa de oficio no lançamento de crédito tributário que deixou de ser recolhido ou declarado e no percentual determinado expressamente em lei. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. Aplicamse juros de mora por percentuais equivalentes à taxa Selic por expressa previsão legal. DUPLICIDADE DE TRIBUTAÇÃO. Valores comprovadamente lançados em duplicidade devem ser cancelados. Fl. 397DF CARF MF 6 FALTA DE RECOLHIMENTO. Constatada a falta ou insuficiência de recolhimento da contribuição no período alcançado pelo auto de infração, é de se manter o lançamento, por força da lei. Com fundamento no art. 2° da Portaria MF n° 375, de 7 de dez/2001, foi interposto recurso de ofício, mas que a partir do advento da Portaria MF n° de fevereiro de 2017, estabeleceu novos limites de alçada. A contribuinte, então, apresentou Recurso Voluntário, fls. 249/270, onde repisou os argumentos da impugnação. Os autos subiram a este Egrégio Tribunal Administrativo, onde houve a conversão do feito em diligência, resolução n° 32020 000.158, Redatora Tatiana Midori Migiyama, para, fls. 338: Intime a recorrente a apresentar quesitos para a providência de laudo de renomada instituição, preferencialmente entidade pública, ou perito credenciado junto à Receita Federal do Brasil, com o intuito de se clarificar: ü Se o gás butano e o gás propano seriam uma espécie de gás liquefeito de petróleo; ou ü Se o gás butano e o gás propano compõem o gás liquefeito de petróleo GLP. Cientifique a fiscalização para se manifestar sobre o resultado da diligência, se houver interesse e caso entenda ser necessário; Vale descrever os acontecimentos no transcorrer da elaboração da diligência solicitada que não teve o resultado almejado: Às fls. 342, a Recorrente vem apresentar os quesitos solicitados na resolução e indicar assistente técnico; Às fls. 348, há uma petição da Recorrente de 27 de novembro de 2015, solicitando prorrogação de prazo e solicitando informações complementares a fim de auxiliar na identificação do comprovante de pagamento; Às fls. 352, há uma petição da Recorrente de 23 de dezembro de 2015, solicitando novamente a designação do perito indicado; Às fls. 355, há um termo de intimação n° 004/2016, de 06 de abril de 2016, solicitando a prova do pagamento do laudo técnico efetuado a fim de que pudesse ser dado andamento à diligência; Às fls. 357, há uma cópia do termo de intimação n° 006/2015, 09 de março de 2015, a respeito da resolução n° 32020000.158, Redatora Tatiana Midori Migiyama; Às fls. 366, há um termo de intimação n° 004/2016, de 13 de abril de 2016, reintimando para apresentação da prova do pagamento do laudo técnico efetuado a fim de que pudesse ser dado andamento à diligência; Fl. 398DF CARF MF Processo nº 10494.000490/200697 Acórdão n.º 3302005.923 S3C3T2 Fl. 5 7 Às fls. 367, há prova da recusa em receber a intimação por parte da Recorrente. A 2a Turma Ordinária, da 3a Câmara, da 3a Seção de Julgamento do CARF, através do Acórdão de Recurso de Ofício e Recurso Voluntário n° 3302‑005.226, por unanimidade de votos, não conheceu do recurso de ofício e, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir os lançamentos referentes à multa de ofício e ao juros de mora. Entendeu a Turma que: ü Quanto ao recurso de ofício, a Portaria MF n° 63, de 09 de fevereiro de 2017, prevê novos limites de alçada; ü Observase que a Lei n° 10.336, de 2001, quando prevê a incidência da CIDE sobre o gás liquefeito de petróleo não coloca a expressão em sentido estrito, logo, observase que desde o advento da lei já há previsão legal para a cobrança do referido tributo sobre ü propano e butano, pois eles são gases liquefeitos do petróleo. O GLP em sentido estrito seria o conhecido gás de cozinha, que é uma mistura do propano e do butano; ü O fato de a IN n° 107, de 28 de dezembro de 2001, não fazer previsão expressa do nome propano e butano não impede a incidência da CIDE combustível sobre os referidos gases liquefeito de petróleo, pois o ato administrativo simplesmente utilizou a terminologia da lei; ü Quando a Secretaria da Receita Federal, em 10 de outubro de 2002, editou a Instrução Normativa n° 219, prevendo a inclusão dos gases butano e propano brutos liquefeitos no inciso VI do art. 2° da Instrução Normativa n° 107/01, não criou qualquer hipótese nova de incidência tributária, por tal motivo, não desrespeita o Princípio da Legalidade Tributária, mas apenas esclareceu com maior detalhes; sendo esta, justamente, a função de uma instrução normativa, que é detalhar os aspectos da legislação, tendo como fim sanar qualquer tipo de dúvida; ü O fato de a IN n° 219, de 2002, ter efeitos retroativos também não afronta o Princípio da Irretroatividade, uma vez que a Lei n° 10.336, de 2001, já prevê a incidência tributária sobre o chamado gás liquefeito de petróleo, a instrução normativa em questão apenas esclareceu possível dúvida que existisse e a incidência tributária é fenômeno que ocorre desde a edição da lei no ano de 2001; ü O fato de a NCM diferenciar não impede a incidência tributária, pois ela é baseada na terminologia gás liquefeito de petróleo; ü O período de autuação é de janeiro a outubro de 2002, neste período, conforme relatado anteriormente, havia a incidência da CIDEcombustíveis, contudo, somente a partir da IN SRF n° 219, de Fl. 399DF CARF MF 8 10 de outubro de 2002, é que a legislação deixou ainda mais especificado com os NCMs, pois a IN SRF n° 107, de 2001, trazia o NCM 2711.19.10. Nesse sentido, deve ser aplicado o artigo 100, parágrafo único, do Código Tributário Nacional, que afasta a imposição de penalidades, cobrança de juros de mora e atualização do valor monetário da base de cálculo, não considerando infracional a conduta do contribuinte. A Procuradoria da Fazenda Nacional ingressou com EMBARGOS DE DECLARAÇÃO em face do Acórdão de Recurso de Ofício e Recurso Voluntário n° 3302‑ 005.226, em razão de obscuridade verificada na decisão. Alegou a Procuradoria da Fazenda Nacional que o valor exonerado pela primeira instância supera o limite definido na Portaria MF nº 63/2017, de R$ 2.500.000,00. Considerando que o valor inicialmente exigido no auto de infração era de R$ 39.791.923,03 e que, após decisão da DRJ, o crédito tributário foi reduzido para R$ 1.154.384,63, temse, s.m.j., que o montante exonerado foi de R$ 38.637.538,40. Nesse contexto, fazse mister que o Colegiado esclareça por qual razão deixou de conhecer o recurso de ofício, dado que o valor exonerado pela DRJ supera o limite de alçada, de R$ 2.500.000,00, estabelecido pela Portaria MF nº 63/2017. Em 21 de maio de 2018, em Despacho de Embargos, a 2a Turma Ordinária, da 3a Câmara, da 3a Seção de Julgamento do CARF, através de seu Presidente, entendeu que a decisão limitouse à transcrição do dispositivo regulamentar do limite de alçada, sem contudo articular suas razões para concluir pela inadmissibilidade do apelo. A falta merece saneamento. Por isso, determinou que fossem encaminhados os autos para nova distribuição no âmbito da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, uma vez que a relatora, Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, não mais compõe os quadros de Conselheira do CARF. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Lima Abud – Relator. 1. DA ADMISSIBILIDADE DO RECURSO Em 21 de maio de 2018, através de Despacho de Admissibilidade de Embargos proferido pela 2a Turma Ordinária, da 3a Câmara, da 3a Seção de Julgamento do CARF, foi admitido o recurso de EMBARGOS DE DECLARAÇÃO para articular as razões do porquê do Recurso de Ofício ser inadmissível. 2. DA TEMPESTIVIDADE Fl. 400DF CARF MF Processo nº 10494.000490/200697 Acórdão n.º 3302005.923 S3C3T2 Fl. 6 9 O Acórdão de Recurso de Ofício e Recurso Voluntário n° 3302005.226, da 2a Turma Ordinária, da 3a Câmara, da 3a Seção de Julgamento do CARF, data de 26 de fevereiro de 2018. Os autos digitais foram encaminhados à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional para ciência da decisão embargada, em 13/03/2018 (folhas 384). Assim sendo, considerandose o prazo estabelecido no § 3° do art. 7° da Portaria MF n° 527, de 9 de novembro de 2010, o recurso, apresentado em 12/04/2018 (fls. 388), é francamente tempestivo. 3. DA OBSCURIDADE O voto condutor da decisão embargada assim se pronunciou (fls. 377): 2. Do Recurso de Ofício Quanto ao recurso de ofício, a Portaria MF n° 63, de 09 de fevereiro de 2017, prevê novos limites de alçada: Portaria MF n° 63, de 2017 Art. 1° O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de oficio sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a RS 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1°O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. § 2° Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. Portanto, não se conhece do recurso de oficio. A decisão limitouse à transcrição do dispositivo regulamentar do limite de alçada, sem contudo articular suas razões para concluir pela inadmissibilidade do apelo. A falta merece saneamento. 4. DO INDEFERIMENTO A resposta ao deslinde dessa demanda é encontrada no início do RELATÓRIO da Resolução n° 3202000.158, de 25 de setembro de 2013, folhas 328 e 329 do processo digital, que transcrevo abaixo: O auto de infração sob julgamento lançou Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide), de que trata o art. 3°, V, da Lei n° 10.336, de 19 de dezembro de 2001, incidente sobre o valor da importação de gás propano e de gás butano, acrescida de juros de mora e multa de oficio, perfazendo, na data da lavratura do Auto de Infração que constituiu o Fl. 401DF CARF MF 10 lançamento, o crédito tributário no valor de R$ 39.791.923,03 (fls. 02 a 15). Inconformada com a autuação, a empresa apresentou impugnação, pedindo que fosse julgado totalmente improcedente a autuação (fls. 62 e ss.). Em face da alegação da autuada, apontando a duplicidade de lançamento do presente crédito tributário, determinouse a realização de diligência para que verificasse sua veracidade, à luz dos documentos trazidos, em cópia, pela autuada (fls. 171 e ss.). Desta feita, a unidade de preparo procedeu à pesquisa junto ao Sistema Sincor, Profisc, Consultapc, Coinfpropc, colacionando suas respectivas telas as fls. 173 e ss., emitindo, em conseqüência, o MPFD no 10.1.54.002007000146, com vista à expedição do Termo de Diligência Fiscal n° 008/2007 (fls. 188), para solicitar da autuada o envio de documentos que comprovassem o pagamento ou qualquer lançamento em Auto de Infração relativo à CIDE relativamente às operações de importação processadas, por meio das DI's n° 02/05859393, 02/05859482, 02/09070492 e 02/09070662. Em resposta, a intimada carreou aos autos os documentos de fls. 190 e ss. Da análise dos referidos documentos, a autoridade lançadora afirma que (sic): "as únicas declarações de importação (DI) que constam do processo n° 10494.000490/200697 e que não foram objeto de autuação em outros processos de lançamento em Auto de Infração são as DI 02/05859393, 02/05859482, 02/09070492 e 02/09070662. Os restante das DI do referido processo já tinham sido objeto de lançamento nos processos n° 10494.001184/200244, 10494.001183/200208, 11050.001119/200381 e 11050.001093/200371". (fl. 203). Conclusos os autos, a DRJ julgou parcialmente procedente o auto de infração (fls. 205 e ss.). De fato, a DRJ anulou os lançamentos que implicavam em duplicidade de cobrança, nas seguintes palavras: De plano, importa tratarmos, por primeiro, das alegações preliminares trazidas pela autuada em sua defesa, sendo que de antemão, abordase a questão relativa a preliminar de duplicidade de lançamento de crédito tributário. Conforme se viu no relatório supra, em atendimento à diligência proposta, a autoridade lançadora confirmou a acusada ocorrência de duplicidade de tributação em relação às operações de importação objeto do presente processo, exceção apenas com os valores tributáveis relativos às importações submetidas a despacho, por meio das Declarações de Importação n° 02/05859393, 02/05859482, 02/09070492 e 02/09070662, posto que, conforme o Fisco observou, as demais importações discriminadas nas planilhas de fls. 08 a 10 já tinham sido objeto de autuação anterior, conforme demonstram os autos dos processos n° 10494.001184/200244, 10494.001183/2002 08, 11050.001119/200381 e 11050.001093/200371. Fl. 402DF CARF MF Processo nº 10494.000490/200697 Acórdão n.º 3302005.923 S3C3T2 Fl. 7 11 Portanto, a parcela do crédito tributário ora exigido que guarda concomitância com retromencionados processos deve ser cancelada, importando, por conseguinte, na redução do crédito tributário exigível para um montante de R$ 1.154.384,63, sendo R$ 468.213,76, a titulo de Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico Cide, R$ 351.160,32, a titulo de multa de oficio de 75%, e R$ 335.010,55, a titulo de juros de mora. Em outras palavras, a lide se restringe às exigências decorrentes das importações realizadas por meio das DI 02/05859393, 02/05859482, 02/09070492 e 02/09070662. (Grifo e negrito nossos) Ø Folhas 11 do processo digital. Ø Folhas 12 do processo digital. Ø Folhas 12 do processo digital. Ø Folhas 13 do processo digital. A soma da CIDE DEVIDA referente às quatro Declarações de Importação fica abaixo dos limites de alçada estabelecidos pela Portaria MF n° 63, de 2017. Com base nas razões acima expostas, acolho os embargos de declaração interpostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional sem efeitos infringentes. Jorge Lima Abud. Fl. 403DF CARF MF 12 Fl. 404DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.008543/2005-30
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/10/2002
SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. OPERAÇÕES COM VEÍCULOS NOVOS. IPI NA BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DO CARF.
Sumula CARF nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. OPERAÇÕES COM VEÍCULOS NOVOS. IPI NA BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO.
As medidas provisórias que introduziram o regime de substituição tributária das contribuições ao PIS e COFINS nas operações com veículos automotores, cuidaram de estabelecer base de cálculo diferenciada para tal regime, correspondente ao preço de venda praticado pelo fabricante, o que mais tarde veio a ser melhor esclarecido pelas Instruções Normativas SRF nº 54/2000 e 247/2002, informando que o IPI faz parte do preço praticado pelas montadoras. Assim, o IPI compõe a base de cálculo da contribuição ao PIS recolhido por substituição tributária nas operações com veículos automotores novos.
DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE.
Não assistindo razão ao contribuinte quanto à existência de direito creditório, incabível a realização de diligência para apurar/confirmar o montante a ser ressarcido.
Numero da decisão: 3302-005.795
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Diego Weis Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), José Renato Pereira de Deus, Raphael Madeira Abad, Walker Araújo.
Nome do relator: DIEGO WEIS JUNIOR
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H. VEICULOS S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2001 a 31/10/2002 SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. OPERAÇÕES COM VEÍCULOS NOVOS. IPI NA BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DO CARF. Sumula CARF nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. OPERAÇÕES COM VEÍCULOS NOVOS. IPI NA BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO. As medidas provisórias que introduziram o regime de substituição tributária das contribuições ao PIS e COFINS nas operações com veículos automotores, cuidaram de estabelecer base de cálculo diferenciada para tal regime, correspondente ao preço de venda praticado pelo fabricante, o que mais tarde veio a ser melhor esclarecido pelas Instruções Normativas SRF nº 54/2000 e 247/2002, informando que o IPI faz parte do preço praticado pelas montadoras. Assim, o IPI compõe a base de cálculo da contribuição ao PIS recolhido por substituição tributária nas operações com veículos automotores novos. DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. Não assistindo razão ao contribuinte quanto à existência de direito creditório, incabível a realização de diligência para apurar/confirmar o montante a ser ressarcido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, em negarlhe provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 00 85 43 /2 00 5- 30 Fl. 220DF CARF MF Processo nº 10680.008543/200530 Acórdão n.º 3302005.795 S3C3T2 Fl. 220 2 (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) Diego Weis Junior Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), José Renato Pereira de Deus, Raphael Madeira Abad, Walker Araújo. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto contra acórdão da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora / MG. (DRJ/JFA), que julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório do contribuinte, cuja ementa segue transcrita. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2000 (sic) INCONSTITUCIONALIDADE A autoridade administrativa não possui competência para apreciar inconstitucionalidade de lei ou ato normativo. RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO. INOCORRÊNCIA. Ausente na legislação de regência da matéria dispositivo legal ou infralegal que permita a exclusão do IPI da base de cálculo do Pis, não merece reparos o indeferimento do respectivo pedido de restituição. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Na origem foi apresentado pedido de restituição, formulado por Recreio B. H. Veículos S.A., concessionária Volkswagen da região de Belo Horizonte/MG, com fulcro em suposta inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Instrução Normativa nº 54/2000, que disciplina a inclusão do IPI na base de cálculo do PIS e da COFINS nas operações de venda de veículos automotores pela montadora à concessionária. Em síntese o contribuinte alega que após a edição da MP nº 199115/00 (art. 44), com reedições posteriores e conversão na Lei nº 10.485/02 (art. 3º), as contribuições para o PIS e COFINS sobre o comércio varejista de veículos passaram a ser devidas na forma de substituição tributária, mediante recolhimento antecipado pelas montadoras (fabricantes), figurando as concessionárias como substituídas. Fl. 221DF CARF MF Processo nº 10680.008543/200530 Acórdão n.º 3302005.795 S3C3T2 Fl. 221 3 Aduz o contribuinte que a base de cálculo deveria ser o preço de venda do fabricante, sem a inclusão do IPI, o que teria sido erroneamente modificado por meio da IN nº 54, de 19.05.2000, em flagrante afronta ao artigo 150, I, da CF/1988, bem como ao artigo 97, IV, do CTN. Pugna pela restituição de R$ 53.420,18, relativa ao PIS dos meses de 01.2001 a 10.2002. O Despacho Decisório de fls. 120 a 122 que indeferiu o pedido, não reconhecendo o direito creditório, o fez sob a alegação de que as medidas provisórias tem força de lei, não competindo à Receita Federal analisar (in)constitucionalidade de atos normativos, bem como não caber ao SEORT decidir sobre a exclusão do IPI da base de cálculo do PIS e da COFINS. Em sede de manifestação de inconformidade (fls. 125 a 134), a concessionária insurgese contra uma suposta alegação de ilegitimidade que sequer foi ventilada no despacho decisório, defendendo ser ela parte legítima para pleitear a restituição, vez que é quem suporta o ônus da exação. Aduz ainda que não se pode exigir PIS sobre IPI, pede a homologação da "compensação" e que seja declarada a inexistência de "saldo devedor" (sic). Por fim, solicita diligência para conferência dos cálculos caso seja necessário. Preliminarmente, o acórdão recorrido declarou a incompetência da DRJ para avaliar inconstitucionalidade de normas. No mérito, a decisão guerreada aduz que: a) não há que se cotejar a Medida Provisória nº 2.03724/2000 com a Lei nº 9.718/1998, vez que a alteração na referida lei, no que tange ao inciso I, do §2º, do art. 3º, que versa sobre a exclusão do IPI da base do PIS e da COFINS, somente foi alterada pela MPv nº 627/2013, sendo que nem mesmo a MPv 1.99115/2000, mencionada pela contribuinte cuidou de alterar a exclusão do IPI da base de cálculo; b) de acordo com o art. 3º, §2º, I, da Lei nº 9.718/1998, o IPI só se exclui da receita bruta para fins de determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/COFINS quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário (sic). Desta forma, a Volkswagen não paga PIS/COFINS sobre o IPI embutido na receita da concessionária, mas apenas sobre aquele embutido em sua própria receita, não se podendo falar em exclusão do IPI sobre a receita do substituído por falta de previsão legal. Em recurso voluntário, a contribuinte se insurge novamente contra uma alegação de ilegitimidade que não foi ventilada nem no despacho decisório e nem no acórdão recorrido. Aduz que cobrar PIS sobre o IPI contraria a Constituição Federal e que o art. 3º, §2º da Lei nº9.718/1998 autoriza a exclusão. Pede, ao fim, seja declarada a inexistência de saldo devedor e seja homologada a compensação (sic), bem como seja realizada diligência para novo cálculo caso assim se entenda necessário. É o relatório. Fl. 222DF CARF MF Processo nº 10680.008543/200530 Acórdão n.º 3302005.795 S3C3T2 Fl. 222 4 Voto Conselheiro Diego Weis Junior, Relator. O contribuinte tomou ciência do acórdão recorrido em 02.12.2014, tendo protocolado o Recurso Voluntário em 30.12.2014. Assim, é tempestivo o recurso em análise. Impende esclarecer que os pedidos a) e b), formulados pelo contribuinte na peça recursal não se coadunam com a discussão dos autos, vez que tratam de declaração de compensação, enquanto o presente PAF cuida de pedido de restituição. Ademais, o recorrente dedica a maior parte de sua argumentação para afastar suposta alegação de ilegitimidade que sequer foi ventilada, seja no despacho decisório ou seja no acórdão da DRJ/JFA. Por seu turno, a DRJ/JFA, fundou suas razões de decidir no art. 3º da Lei nº 9.718/1998, que determina que a base de cálculo das contribuições ao PIS e a COFINS corresponde à receita bruta da pessoa jurídica, bem como alegou ainda que segundo o inciso I, do §2º do aludido dispositivo, excluise da receita bruta o valor do IPI e o ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário, criando aparente confusão entre a decisão e as razões de decidir. O contribuinte nada disse a esse respeito. Em suma, dissonantes dos autos algumas das razões tanto do recorrente quanto da DRJ. Entretanto, em homenagem ao princípio da verdade material, e buscando cumprir o papel que cabe a este conselho, analisarseão os pedidos do contribuinte com base no que se pode inferir de todo o conjunto fático probatório, no sentido de que pretende ele ver reconhecido direito à restituição do valor do PIS sobre o IPI, embutido no preço por ele pago à montadora quando da aquisição de veículos para revenda. 1 Da suposta inconstitucionalidade da inclusão do IPI na base de cálculo do PIS nas operações de venda de veículos automotores por fabricantes e importadores. Preliminarmente, cumpre esclarecer que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Esse é o teor da Sumula CARF nº 2. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim, não se pode conhecer, no âmbito deste tribunal administrativo, de matérias que envolvam tal tipo de análise. Entretanto, com o único intuito de esclarecer e informar as razões pelas quais não deve prosperar o pedido de restituição formulado pelo contribuinte, imperioso tecer alguns comentários sobre a legislação que instituiu o regime de substituição tributária de PIS e COFINS sobre as operações de compra e venda de veículos automotores. Fl. 223DF CARF MF Processo nº 10680.008543/200530 Acórdão n.º 3302005.795 S3C3T2 Fl. 223 5 A Medida Provisória nº 1.99115/2000 atribuiu aos fabricantes e importadores de veículos, na condição de substitutos tributários, a responsabilidade pela cobrança e recolhimento das contribuições ao PIS e COFINS devidas pelos comerciantes varejistas. Tal medida estabeleceu ainda que a base de cálculo da cobrança por substituição seria o preço de venda praticado pela pessoa jurídica fabricante. Art. 44. As pessoas jurídicas fabricantes e os importadores dos veículos classificados nas posições 8432, 8433, 8701, 8702, 8703, e 8711, e nas subposições 8704.2 e 8704.3, da TIPI, relativamente às vendas que fizerem, ficam obrigadas a cobrar e a recolher, na condição de contribuintes substitutos, a contribuição para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelos comerciantes varejistas. Parágrafo único. Na hipótese de que trata este artigo, as contribuições serão calculadas sobre o preço de venda da pessoa jurídica fabricante. As reedições posteriores da MP 199115/2000 mantiveram a sistemática até a MP 2.15835/2001, que reproduziu o comando supracitado em seu art. 43. Com a edição da Instrução Normativa SRF nº 54, de 19.05.2000, o parágrafo único do art. 44 da medida provisória nº 1.99115/2000 foi regulamentado, passando a dispor expressamente que o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI compõe o preço de venda do fabricante para efeitos da cobrança e arrecadação do PIS e da COFINS por substituição tributária. Art. 3º Para efeito do disposto no artigo anterior, as contribuições serão calculadas com base no preço de venda do fabricante ou importador. § 1º Considerase preço de venda do fabricante ou importador o preço do produto acrescido do valor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI incidente na operação. A IN SRF nº 54/2000 foi revogada pela IN SRF nº247/2002, ainda vigente, permanecendo expressa a disposição de que o IPI deve ser incluído na base de cálculo do PIS substituição tributária, aplicável às operações com veículos automotores realizadas pelos fabricantes ou importadores. Art. 49. A base de cálculo da substituição prevista no art. 5º corresponde ao preço de venda do fabricante ou importador de veículos. § 1º Considerase preço de venda o valor do produto acrescido do IPI incidente na operação. Como é sabido, o regime de substituição tributária consiste em concentrar a arrecadação do tributo em uma etapa da cadeia de comercialização, responsabilizando o contribuinte que a realiza pelo recolhimento devido nas demais etapas, em consonância com o disposto no §7º do art. 150 da CF/1988. Nas operações com veículos automotores, a legislação instituidora do regime de substituição tributária do PIS atribuiu a responsabilidade pela cobrança e recolhimento da Fl. 224DF CARF MF Processo nº 10680.008543/200530 Acórdão n.º 3302005.795 S3C3T2 Fl. 224 6 contribuição aos fabricantes ou importadores, na condição de substitutos, alçando os comerciantes varejistas (concessionárias) à condição de substituídos. Não há dúvidas de que o IPI pago pelas concessionárias às montadoras, quando da aquisição de veículos para revenda, irá compor o custo do veículo a ser revendido e, conseqüentemente, será repassado ao preço praticado na operação de revenda ao consumidor final, compondo, portanto, o faturamento da concessionária. Não fosse o regime de substituição tributária, a base de cálculo sobre a qual a concessionária iria calcular o valor devido para o PIS seria o faturamento obtido, assim entendida a receita auferida com a revenda de veículos automotores, na qual, como já visto, está incluído o valor do IPI pago à concessionária quando da aquisição do veículo revendido. Assim, no regime normal de apuração das contribuições, os comerciantes varejistas têm como base de cálculo o preço de venda de seus produtos aos consumidores finais, no qual estão incluídos todos os custos vinculados ao produto, inclusive o valor do IPI recolhido pelo fabricante. Destarte, por ser a substituição tributária mera antecipação do recolhimento devido em operação futura, não se pode admitir que em razão de tal antecipação ocorra a alteração da regra matriz de composição da base de cálculo, reduzindo o montante devido. Se assim quisesse o legislador da norma instituidora do regime, teria expressamente consignado tal possibilidade. Ademais, não se pode confundir a base de cálculo do PIS e COFINS devidos por substituição tributária, com a base de cálculo das mesmas contribuições quando cobradas fora do regime constitucional de antecipação. Conquanto o IPI não componha a base de cálculo da contribuição devida pelo fabricante de produtos não alcançados pela substituição tributária, como já exposto, uma vez realizada a cobrança desse imposto, ele passa a compor o custo de aquisição da mercadoria, sendo repassado pelo comerciante ao preço de revenda e, conseqüentemente, representa uma parte do valor pago pelo consumidor final, passando a compor, indiretamente, a base de cálculo (receita) das contribuições ao PIS e a COFINS devidas pelos comerciantes varejistas. Por se tratar de antecipação do pagamento cujos fatos geradores ocorrerão posteriormente, deve a base de cálculo da substituição tributária ser a mais aproximada possível daquela que seria utilizada nas etapas que estão sendo substituídas. Nesse sentido, temse que as medidas provisórias que introduziram o regime de substituição tributária das contribuições ao PIS e COFINS nas operações com veículos automotores, cuidaram de estabelecer base de cálculo diferenciada para tal regime, qual seja, o preço de venda praticado pelo fabricante (e não somente a receita por ele auferida). O que mais tarde veio a ser melhor esclarecido pelas Instruções Normativas SRF nº 54/2000 e 247/2002 estabelecendo que o IPI faz parte do preço praticado pelas montadoras. No que tange ao disposto no §2º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998, utilizado pela DRJ/JFA como fundamento para afastar a pretensão da recorrente, urge aclarar que se trata de norma aplicável à apuração normal das contribuições ao PIS e COFINS, não se podendo aplicála indistintamente aos casos especiais, cuja disciplina se dá por lex specialis, tal como a substituição tributária. Fl. 225DF CARF MF Processo nº 10680.008543/200530 Acórdão n.º 3302005.795 S3C3T2 Fl. 225 7 No mesmo sentido decidiu o STJ no julgamento do REsp 665126 SC. TRIBUTÁRIO. PIS. COFINS. REGIME DE SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. FABRICANTES E IMPORTADORES DE VEÍCULOS (SUBSTITUTOS) E COMERCIANTES VAREJISTAS (SUBSTITUÍDOS). BASE DE CÁLCULO. VALORES DEVIDOS A TÍTULO DE IPI DESTACADOS NA NOTA FISCAL. INCLUSÃO NO CONCEITO DE "PREÇO DE VENDA" EX VI DA INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 54/2000. LEGALIDADE. LEI 9.718/98 (ARTIGO 3º, § 2º, I). DEDUÇÕES DA BASE DE CÁLCULO. INAPLICABILIDADE AO CASO CONCRETO. 1. A Instrução Normativa SRF nº 54/2000, revogada pela IN SRF nº 247, de 21.11.2002, dispunha sobre o recolhimento da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas pelos fabricantes (montadoras) e importadores de veículos, na condição de substitutos dos comerciantes varejistas (regime de substituição tributária instituído pela Medida Provisória nº 1.99115/2000, atual MP nº 2.15835/2001, editada antes da Emenda Constitucional nº 32). 2. A base de cálculo das aludidas contribuições, cujos contribuintes de fato são os comerciantes varejistas, é o preço de venda da pessoa jurídica fabricante ou do importador (artigo 44, parágrafo único, da MP 1.991 15/2000, e artigo 3º, caput, da IN SRF 54/2000), sendo certo que o ato normativo impugnado limitouse a definilo como o preço do produto acrescido do valor do IPI incidente na operação. 3. A insurgência especial dirigese ao reconhecimento da ilegalidade do artigo 3º, da Instrução Normativa SRF nº 54/2000, em virtude do disposto no inciso I,do § 2º, do artigo 8º, da Lei n.º 9.718/98, verbis: § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário;"4. A base de cálculo da COFINS e do PIS restou analisada pelo Eg. STF que, na sessão plenária ocorrida em 09 de novembro de 2005, no julgamento dos Recursos Extraordinários n.ºs 357.950/RS, 358.273/RS, 390840/MG, todos da relatoria do Ministro Março Aurélio, e n.º 346.0846/PR, do Ministro Ilmar Galvão, consolidou o entendimento da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo das contribuições destinadas ao PIS e à COFINS, promovida pelo § 1º, do artigo 3º, da Lei n.º 9.718/98, o que implicou na concepção da receita bruta ou faturamento como o que decorra quer da venda de mercadorias, quer da venda de mercadorias e serviços, quer da venda de serviços, não se considerando receita bruta de natureza diversa. 5. Na mesma assentada, afastouse a argüição de inconstitucionalidade do artigo 8º, da Lei n.º 9.718/98, mantendose a higidez das deduções da base de cálculo das contribuições em tela, elencadas em seu § 2º. 6. Deveras, à luz do supracitado dispositivo legal, as"vendas canceladas", os"descontos incondicionais", o"IPI"e Fl. 226DF CARF MF Processo nº 10680.008543/200530 Acórdão n.º 3302005.795 S3C3T2 Fl. 226 8 o"ICMS"cobrado pelo vendedor do bem ou pelo prestador do serviço, na condição de substituto tributário, não integram a base de cálculo da COFINS e da contribuição destinada ao PIS. 7. Entrementes, as informações prestadas pelo órgão local da Secretaria da Receita Federal, coerentemente, elucidam a quaestio iuris:"... o regime de substituição tributária envolve uma presunção de fato gerador. O fato gerador presumido diz respeito às contribuições devidas pela concessionária, não se confundindo, pois, com as contribuições do próprio fabricante, a que alude o art. 3º, § 2º, I, da Lei nº 9.718/98, especialmente no que diz respeito à exclusão do IPI. Este dispositivo trata da base de cálculo usual do PIS e da COFINS vinculada a fato gerador praticado pelo fabricante ou importador, na condição de contribuinte do IPI. Exemplificando: o fabricante, contribuinte do IPI, tem de apurar o que ele fabricante deve a título de PIS e COFINS. Para isso, ele fabricante deve determinar o valor do seu faturamento, que é a base de cálculo dessas contribuições. Ora, por certo que o IPI devido pelo fabricante não poderia ser considerado para fins de determinação do faturamento dele (o valor destacado em nota fiscal é repassado aos cofres públicos), donde a exclusão prevista pelo tal dispositivo da Lei 9.718/98 que, repito, é comando dirigido ao fabricante (contribuinte do IPI). (...) tanto é verdade que o IPI está incluído no preço de venda do fabricante que o legislador teve de expressamente excluílo, para fins de determinar o faturamento do fabricante, pois, de outra forma, estarseia a considerar o IPI destacado na nota fiscal pelo fabricante como se fosse receita dele. Situação totalmente diversa é a apuração do faturamento do revendedor, que não é contribuinte do IPI (não há destaque na nota fiscal). Assim, esqueçamos, por ora, o regime de substituição tributária. Na situação acima proposta (sem substituição), o revendedor de automóveis não tem nem de pensar no IPI, que está embutido no custo da mercadoria e, ademais, será integralmente repassado ao consumidor final. Logo, quando se pergunta qual o faturamento do revendedor (base de cálculo do que ele revendedor deve a título de PIS e COFINS), é obvio que a resposta somente poderá ser o preço de venda do veículo ao consumidor final. Dizer, ou reclamar, que nesse preço está incluído o IPI é algo de tão esclarecedor quanto dizer que nele está incluído o custo do motor do carro e de todas as demais peças que o compõe. Ou seja, não é preciso dizer, É óbvio que todo o custo do produto, somado à margem de lucro do revendedor, integra o seu preço final, pago pelo consumidor. (...) O que parece ocorrer é que existe uma enorme dificuldade, por parte das impetrantes, em perceber a diferença entre as situações, deveras díspares, do fabricante (contribuinte do IPI) e do revendedor (não contribuinte do IPI), para fins de determinar o faturamento (base de cálculo) de cada um deles. (...) Nesse sentido, considerando o disposto no art. 3º, § 1º, I, da Lei 9.718/98, é importante, no caso em tela, ter em mente dois pontos básicos, a saber: 1. Os revendedores varejistas de veículos não são contribuintes de IPI, quer dizer, não destacam o valor do mesmo nas notas fiscais de venda; e 2. A exclusão do valor do IPI prevista no art. 3º, § 1º, I, referese apenas a Fl. 227DF CARF MF Processo nº 10680.008543/200530 Acórdão n.º 3302005.795 S3C3T2 Fl. 227 9 pessoas jurídicas que são contribuintes do IPI, posto que apenas pode ser excluído o valor do IPI quando destacado em separado no documento fiscal."(fls. 71/73). 8. Destarte, a exclusão do IPI da base de cálculo do PIS e da COFINS somente aproveita o contribuinte do aludido imposto (o fabricante), quando da apuração de seu próprio faturamento, a fim de efetuar o recolhimento das contribuições devidas pelo mesmo. 9. Consectariamente, a referida dedução, prevista no artigo 3º, § 2º, I, da Lei 9.718/98, não se aplica aos comerciantes varejistas, não contribuintes do IPI, donde se dessume a legalidade da IN SRF 54/2000. 10. Recurso especial a que se nega provimento. (STJ REsp: 665126 SC 2004/00815763, Relator: Ministro LUIZ FUX, Data de Julgamento: 21/08/2007, T1 PRIMEIRA TURMA, Data de Publicação: DJ 01.10.2007 p. 214) Assim, têmse que a inclusão do IPI na base de cálculo do regime de substituição tributária do PIS e da COFINS nas operações com veículos está em perfeita consonância com a gênese do instituto antecipatório, não cabendo a este tribunal afastar a aplicação dos dispositivos que as instituíram e regulam, principalmente sob o fundamento alegado pelo contribuinte. 2 Do Pedido de Diligência Por não assistir razão à recorrente quanto ao fundamento basilar da existência do direito creditório pleiteado, incabível a realização de diligência que objetiva a conferência/apuração do montante a ser ressarcido, razão pela qual não se acolhe tal pedido. Por todo o exposto, voto por conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Diego Weis Junior Relator Fl. 228DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15563.720327/2013-26
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/2010 a 31/08/2012
COMPENSAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES COM CRÉDITOS INEXISTENTES. INSERÇÃO DE DECLARAÇÃO FALSA NA GFIP. APLICAÇÃO DE MULTA ISOLADA. PROCEDÊNCIA.
O sujeito passivo deve sofrer imposição de multa isolada de 150%, incidente sobre as quantias indevidamente compensadas, quando insere informação falsa na GFIP, declarando créditos decorrentes de recolhimentos de contribuições sem efetivamente desincumbir-se de demonstrar o efetivo recolhimento.
Para a aplicação de multa de 150% prevista no art. 89, §10º da lei 8212/91, necessário que a autoridade fiscal demonstre a efetiva falsidade de declaração, ou seja, a inexistência de direito "líquido e certo" à compensação, sem a necessidade de imputação de dolo, fraude ou mesmo simulação na conduta do contribuinte.
Numero da decisão: 9202-006.954
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente.
(Assinado digitalmente)
PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo.
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/2010 a 31/08/2012 COMPENSAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES COM CRÉDITOS INEXISTENTES. INSERÇÃO DE DECLARAÇÃO FALSA NA GFIP. APLICAÇÃO DE MULTA ISOLADA. PROCEDÊNCIA. O sujeito passivo deve sofrer imposição de multa isolada de 150%, incidente sobre as quantias indevidamente compensadas, quando insere informação falsa na GFIP, declarando créditos decorrentes de recolhimentos de contribuições sem efetivamente desincumbir-se de demonstrar o efetivo recolhimento. Para a aplicação de multa de 150% prevista no art. 89, §10º da lei 8212/91, necessário que a autoridade fiscal demonstre a efetiva falsidade de declaração, ou seja, a inexistência de direito "líquido e certo" à compensação, sem a necessidade de imputação de dolo, fraude ou mesmo simulação na conduta do contribuinte.
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INSERÇÃO DE DECLARAÇÃO FALSA NA GFIP. APLICAÇÃO DE MULTA ISOLADA. PROCEDÊNCIA. O sujeito passivo deve sofrer imposição de multa isolada de 150%, incidente sobre as quantias indevidamente compensadas, quando insere informação falsa na GFIP, declarando créditos decorrentes de recolhimentos de contribuições sem efetivamente desincumbirse de demonstrar o efetivo recolhimento. Para a aplicação de multa de 150% prevista no art. 89, §10º da lei 8212/91, necessário que a autoridade fiscal demonstre a efetiva falsidade de declaração, ou seja, a inexistência de direito "líquido e certo" à compensação, sem a necessidade de imputação de dolo, fraude ou mesmo simulação na conduta do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (Assinado digitalmente) MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente. (Assinado digitalmente) PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 56 3. 72 03 27 /2 01 3- 26 Fl. 1802DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo. Relatório O presente processo teve início com a lavratura de dois autos de infração, DEBCAD 51.010.1356, referente à exigência de contribuições à cargo da Autuada, devidas à Seguridade Social; e DEBCAD 51.010.1364, referente à exigência de multa isolada aplicada em razão de falsidade de declaração apresentada pelo sujeito passivo, quanto aos créditos informados, calculada à taxa de 150% sobre o valor total do débito indevidamente compensado, no período de 03/2011 a 08/2011. O Recurso Especial analisado neste julgamento referese apenas ao DEBCAD 51.010.1364, que formaliza a exigência da multa isolada. O Relatório Fiscal de efls. 1822 assim descreve os fatos que ensejaram a autuação: 3. Da análise da documentação solicitada, verificouse que o contribuinte apresenta divergências entre os valores das remunerações declaradas em GFIP e os constantes das Folhas de Pagamento (competências 10/2010, 12/2010 e 13/2010). 4. Verificouse também que o contribuinte efetuou INDEVIDAMENTE compensação de contribuições previdenciárias, informando em GFIP valores os quais o mesmo não tem o direito previsto em lei, tampouco obteve qualquer autorização judicial para tal, uma vez que não houve propositura de ação judicial com este objetivo. 5. Intimado a prestar esclarecimentos quanto às compensações efetuadas, o contribuinte apresentou o Ofício nº 2127/2010, o qual é o mesmo documento apresentado em 25/11/2010 em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal nº 061/2010 (ambos em anexo), no qual esclarece que o fez, com base, simplesmente, em decisões judiciais que favoreceram terceiros interessados, as quais definiram a incidência de contribuições previdenciárias sobre os pagamentos a título de 1/3 constitucional de férias e sobre horas extras. 6. Verificase que as decisões referentes a 1/3 de férias não são para o Regime Geral de Previdência Social. 7. Registrese que não consta nas Folhas de Pagamento da Prefeitura pagamentos na rubrica Horas Extras. A Contribuinte apresentou impugnação, a qual foi julgada pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis – DRJ/FNS, que considerou procedente o lançamento. (Acórdão efls. 1.246 a 1.259). Fl. 1803DF CARF MF Processo nº 15563.720327/201326 Acórdão n.º 9202006.954 CSRFT2 Fl. 1.792 3 Irresignada, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário o qual foi julgado na Seção do dia 04/10/2017 da 1ª Turma Ordinária, da 3ª Câmara, da 2ª Seção do CARF, que proferiu a decisão, consubstanciada no Acórdão nº 2301005.168 (efls. 1.716 a 1.746), assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/2010 a 31/08/2012 REMUNERAÇÃO DE FÉRIAS, GOZADAS OU INDENIZADAS. ADICIONAL DE FÉRIAS. Diante da moldura constitucional e em razão da amplitude conceitual e legislativa dos conceitos de remuneração e salário de contribuição, nas férias (art. 7°, XVII, da CF, e art. 129 da CLT), temos típicas hipóteses de interrupção do contrato de trabalho, razão pela qual, a despeito de inexistir prestação de serviço, há remuneração e, havendo remuneração paga, devida ou creditada, há incidência de contribuições previdenciárias. O caráter remuneratório dos adicionais de férias, gozadas ou indenizadas, (art. 7°, XVII, da CF) é inequívoco, pois tratamse de conquistas sociais que nada mais representam senão uma retribuição legal pelo trabalho, de sorte que não haveria razão para se negar o seu caráter remuneratório. A incidência de contribuições previdenciárias sobre o 13º salário está prevista expressamente na legislação tributária. (Lei 8.212, de 1991, art. 28, § 7º). RECURSOS REPETITIVOS. SISTEMÁTICA DO ART. 543 DO CPC ANTIGO OU DOS ARTS. 1.036 A 1.041 DO NOVO CPC. VINCULAÇÃO. ART. 62A DO RICARF. DECISÕES NÃO TRANSITADAS EM JULGADO. O STJ, no REsp 1.230.957, julgado na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil (recurso repetitivo), estabeleceu a não incidência de contribuição previdenciária sobre a remuneração (i) nos 15 dias anteriores à concessão de auxíliodoença, (ii) do terço constitucional de férias indenizadas ou gozadas; e (iii) do aviso prévio indenizado. Todavia, a vinculação de Conselheiro ao quanto decidido na sistemática dos recursos repetitivos somente ocorre quanto às decisões definitivas de mérito (art. 62A, do RICARF), o que somente ocorre com o trânsito em julgado das decisões. Em sentido semelhante, são os argumentos contidos na Nota/PGFN/CRJ/N° 640/2014. MULTA ISOLADA. FALSIDADE DE DECLARAÇÃO. A aplicação da multa isolada por falsidade de declaração, prevista pelo art. 89, § 10, da Lei 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei 11.488, de 2007, é necessário que reste caracterizado o dolo, ou seja, a vontade de apresentar declaração falsa. Fl. 1804DF CARF MF 4 A decisão foi assim registrada: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, (a) por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do recurso voluntário, unicamente quanto às matérias ventiladas na impugnação e, na parte conhecida, (b) por maioria de votos lhe dar parcial provimento para cancelar a multa constante do AIOA nº 51.010.1364, referente à exigência de multa isolada aplicada em virtude de falsidade da declaração; vencidos os conselheiros João Maurício Vital e Andrea Brose Adolfo, que negavam a provimento ao recurso voluntário. O processo foi encaminhado à PGFN em 17/10/2017 (Despacho de Encaminhamento, efls. 1.747) que, em 27/11/2017 (Despacho de Encaminhamento de efls. 1.776), interpôs o Recurso Especial de fls. 1.748 a 1.756. O Recurso visa rediscutir a multa isolada, aplicada no caso de inserção de informação falsa em GFIP. Alega a Fazenda Nacional que a multa tem previsão expressa no art. 89, § 10 da Lei nº 8.212/91 c/c o art. 44, I da Lei nº 9.430/96, dispositivos esses que estabelecem a incidência da multa isolada, no percentual de 150%, nos casos de apresentação de declaração falsa com vista à obtenção de compensação indevida. Cita os Acórdãos do CARF nºs. 2403 001.294 e 2301002.736, cujas ementas transcreve e que corroborariam suas alegações. A Fazenda Nacional argumenta que, no caso sob exame, a Contribuinte compensou créditos que “dada a sua natureza controvertida, não cumprem os requisitos legais de liquidez e certeza”. Daí conclui que a compensação pleiteada foi fundada em declaração falsa, configurandose a hipótese prevista no referido § 10, do art. 89, da Lei nº 8.212/91. Reportandose ao art. 97 do CTN, a Fazenda Nacional argumenta que “ao afastar a multa isolada diante da ausência de dolo do agente, o julgador recorrido terminou por criar hipótese de redução de penalidade não prevista em lei...” Intimada do Acórdão nº 2301005.168, do Recurso Especial da Fazenda Nacional e do Despacho que admitiu o REsp da PGFN, em 05/02/2018 (AR, fls. 1.787), o contribuinte não apresentou contrarrazões. Cientificada do Acórdão nº 2301005.168, do Recurso Especial e do Despacho que lhe deu seguimento (Termo de Intimação, efls. 1.785 e AR efls. 1.787, a Contribuinte não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Fl. 1805DF CARF MF Processo nº 15563.720327/201326 Acórdão n.º 9202006.954 CSRFT2 Fl. 1.793 5 Quanto ao mérito, como se depreende do próprio acórdão recorrido, a contribuinte fez compensações de valores alegadamente indevidos de verbas indenizatórias e de direitos creditórios de retenção de Fundo de Participação dos Municípios. O acórdão recorrido considerou indevidas as compensações e manteve as glosas dos valores compensados. Quanto à multa isolada, todavia, o acórdão recorrido considerou indevida a exação sob o fundamento de que o art. 89 da Lei nº 8.212, de 1991 prevê duas possibilidades de penalidades, a multa de mora, limitada a 20%, no caso de ausência de dolo, e a multa isolada, no percentual de 150%, no caso de declaração falsa, caracterizado o dolo, e que, no caso, não se identificou elementos caracterizadores do dolo, conforme o seguinte fragmento do voto condutor do julgado: Verificase que o citado art. 89 carreia dois tratamentos diversos para os casos de compensação indevida, (a) quando não se comprove falsidade na declaração, a incidência de multa de mora, o qual é limitado ao percentual de 20% pelo art. 61 da Lei 9.430, de 1996, por expressa remissão do art. 35 da Lei 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei 11.941, de 2009, e (b) quando se comprove falsidade na declaração, a incidência de multa isolada, no percentual de 150%, face ao disposto no inciso I do caput do art. 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro. Uma vez que ambos os casos tratam de compensação indevida e, não havendo previsão para a aplicação conjunta das duas multas, é evidente que deve existir um critério diferenciador para a aplicação das aludidas multas; a meu juízo, tal critério é a existência, ou não, do dolo de praticar uma declaração falsa. [...] No caso concreto, face à análise do conjunto probatório, não me convenci da existência do dolo; as justificativas apresentadas pela recorrente foram por mim rechaçadas, manteve as glosa das compensações mas penso que a compensação indevida em análise mais provavelmente se deve à falta de assessoramento capacitado do que ao dolo de apresentar declaração falsa. Cumpre, portato, mediante a interpretação do art. 89, da Lei nº 8.212, de 1991, a seguir reproduzido, decidir sobre a(s) multa(s) aplicável(eis) no caso de redução do pagamento de contribuições em GFIP mediante compensação indevida. Reza o art. 89, da lei nº 8.212, de 1991: Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. [...] Fl. 1806DF CARF MF 6 § 4o O valor a ser restituído ou compensado será acrescido de juros obtidos pela aplicação da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, a partir do mês subsequente ao do pagamento indevido ou a maior que o devido até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% (um por cento) relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. [...] § 9o Os valores compensados indevidamente serão exigidos com os acréscimos moratórios de que trata o art. 35 desta Lei. § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caputdo art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. § 11. Aplicase aos processos de restituição das contribuições de que trata este artigo e de reembolso de saláriofamília e salário maternidade o rito previsto no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. § 12. O disposto no § 10 deste artigo não se aplica à compensação efetuada nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Como se vê, o art. 89, caput, da Lei n° 8.212/1991, prevê que as contribuições somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Já o § 9º prevê que sobre o valor da compensação indevida deve incidir os acréscimos moratórios previstos no art. 35 da mesma lei, e que tem a seguinte redação: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. O art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, por sua vez, prescreve: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. Fl. 1807DF CARF MF Processo nº 15563.720327/201326 Acórdão n.º 9202006.954 CSRFT2 Fl. 1.794 7 § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento, e de um por cento no mês de pagamento. Já o § 10, do art. 89, da Lei nº 8.212, de 1991 prevê a incidência da multa prevista no inciso I, do art. 44 da Lei nº 9.430, aplicada em dobro, no caso de declaração falsa. Confirase: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Pois bem, antes de examinar o caso concreto, convém analisar a possibilidade jurídica da incidência cumulativa das multas previstas no § 9º, do art. 89, da Lei nº 8.212, de 1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996 e no § 10 da Lei nº 8.212, de 1991 c/c o art. 44, I, da Lei nº 9.320, de 1.996. Da leitura dos §§ 9º e 10, do art. 89, da Lei nº 8.212, de 1991, constatase facilmente que o primeiro cuida de acréscimos legais pela mora em relação às contribuições que deixaram de ser pagas tempestivamente em decorrência da compensação indevida. Tais acréscimos seriam os mesmos devidos em qualquer circunstância em que houvesse pagamento de tributo a destempo. Já o § 10 referese a uma multa punitiva em razão da prática de apresentar declaração falsa. São duas penalidades distintas para duas infrações distintas: multa de mora pelo pagamento do tributo a destempo e multa punitiva pela apresentação de declaração falsa. Notese que essa situação não se compara à da aplicação da multa moratória em razão do pagamento espontâneo fora do prazo versus a multa de ofício no caso de lançamento de ofício. Tratase aqui de lançamento de ofício, mas não do tributo que deixou de ser pago, posto que este já fora declarado, mas das penalidades. Fique claro também que não se trata no caso de aplicação da penalidade prevista no inciso I, do art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996. O § 10, do art. 89, da Lei 8.212, de 1991 referese a esse dispositivo apenas para determinar o percentual da multa aplicável, vale dizer, apenas diz que a multa deverá ser aplicada no percentual ali mencionado. Poderia, inclusive, apenas ter se referido ao percentual de 75%, sem referirse à Lei nº 9.430, de 1996. Portanto, diferentemente do que concluiu o acórdão recorrido, não é o caso de aplicação de uma ou de outra penalidade, da multa de mora ou da multa isolada, mas de, verificadose que, além da falta de pagamento da contribuição no prazo em razão de compensação indevida situação que enseja a incidência da multa e dos juros de mora – houve a prática de apresentação de declaração falsa, exigirj, em razão desta conduta, também da multa isolada. Superada essa questão cumpre, então, verificar o cabimento, no caso, da multa prevista no § 10, do art. 89, da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 1808DF CARF MF 8 O relatório Fiscal (fls. 18 a 22) assim justifica as glosas das compensações: 3. Da análise da documentação solicitada, verificouse que o contribuinte apresenta divergências entre os valores das remunerações declaradas em GFIP e os constantes das Folhas de Pagamento (competências 10/2010, 12/2010 e 13/2010). 4. Verificouse também que o contribuinte efetuou INDEVIDAMENTE compensação de contribuições previdenciárias, informando em GFIP valores os quais o mesmo não tem o direito previsto em lei, tampouco obteve autorização judicial para tal, uma vez que não houve propositura de ação judicial com este objetivo. 5. Intimado a prestar esclarecimentos quanto às compensações efetuadas, o contribuinte apresentou o Ofício nº 2127/2010, o qual é o mesmo documento apresentado em 25/11/2010 em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal nº 06/2010 (ambos em anexo), no qual esclarece que o fez com base, simplesmente, em decisões judiciais que favorecem terceiros interessados, as quais definiam a não incidência de contribuições previdenciárias sobre os pagamentos a título de 1/3 constitucional de férias e sobre horas extras. 6. Verificase que as decisões referentes ao 1/3 de férias não são para o Regime Geral de Previdência Social. 7. Registrese que não consta nas Folhas de Pagamento da Prefeitura pagamento na rubrica Horas Extras. 8. Observese que a legislação em vigor reza que incide contribuição previdenciária tanto sobre 1/3 de férias quanto sobre as horas extras. 9. Portanto, por falta total de respaldo legal e/ou judicial, a compensação efetivada é, incontestavelmente, indevida, sendo a mesma GLOSADA integralmente. 10. Tais fatos acima descritos caracterizam a falsidade nas declarações apresentadas por meio das GFIPs. Por sua vez, a Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008, vigente à época dos fatos, trazia as seguintes orientações sobre a compensação: Art. 34. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo nacompensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela RFB, ressalvadas as contribuições previdenciárias, cujo procedimento está previsto nos arts. 44 a 48, e as contribuições recolhidas para outras entidades ou fundos. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada pelo sujeito passivo mediante apresentação à RFB da Declaração de Compensação gerada a partir do programa PER/DCOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante a apresentação à RFB do formulário Declaração de Compensação constante do Fl. 1809DF CARF MF Processo nº 15563.720327/201326 Acórdão n.º 9202006.954 CSRFT2 Fl. 1.795 9 Anexo VII, ao qual deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. § 2º A compensação declarada à RFB extingue o crédito tributário, sob condição resolutória da ulterior homologação do procedimento. § 3º Não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1º: I o crédito que: a) seja de terceiros; b) se refira a "créditoprêmio" instituído pelo art. 1º do Decreto Lei nº 491, de 5 de março de 1969; c) se refira a título público; d) seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado; e) não se refira a tributos administrados pela RFB; ou f) tiver como fundamento a alegação de inconstitucionalidade de lei que não tenha sido declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação direta de inconstitucionalidade ou em ação declaratória de constitucionalidade, nem tenha tido sua execução suspensa pelo Senado Federal; [...] XI o crédito que não seja passível de restituição ou de ressarcimento; Como se vê, a Instrução Normativa vedava expressamente a compensação de créditos que não fossem passíveis de restituição ou de ressarcimento, e, no caso, os créditos pleiteados não eram passíveis de restituição ou ressarcimento. Isso não significa que o contribuinte não poderia pleitear a restituição desses créditos. O que não poderia era, sem ter pleiteado a restituição e sem ter o direito reconhecido, lançar mão dos valores para reduzir o valor das contribuições a pagar. Assim, ao pleitear a compensação desses créditos, que, repitase, a Contribuinte sabia indevidas, incorreu sim em prestação de declaração falsa. Declaração falsa é aquela que, conscientemente, não corresponde à verdade. É diferente do erro, do mero engano, em que o agente insere informação inverídica, porém, pensando estar inserindo informação verdadeira. Informar em declaração entregue ao Fisco que detém um crédito passivo de restituição ou ressarcimento quando não tem o reconhecimento de que esse crédito é passível de restituição, configura efetivamente falsidade da declaração. E não cabe, em sede de simples pedido de compensação, analisar o mérito quanto a eventuais questionamentos sobre a incidência dos tributos anteriormente pagos com os quais se pretende subtrair valores a pagar. No pedido de compensação devem ser informados créditos restituíveis, portanto, com direito creditório reconhecido. Se o contribuinte entendia indevidos certos pagamentos, poderia pleitear a restituição mediante procedimento próprio. Fl. 1810DF CARF MF 10 Nesse ponto é importante distinguir a condição de prestar declaração falsa, prevista no § 10 , do art. 89, da lei nº 8.212, de 1991 da exigência de demonstração do evidente intuito de fraude, prevista no § 1º, do art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996. Conforme referido acima, a Lei nº 8.212, de 1991 reportase ao inciso I, do art. 44 da lei nº 9.430, de 1996 apenas para indicar o percentual da multa, logo, também não atrai a aplicação do § 1º do mesmo artigo. Aliás, quisesse o legislador que a multa fosse devida apenas nos casos de evidente intuito de fraude, teria dito isso, ou apenas invocado o § 1º do artigo 44, como vez em relação ao inciso I do mesmo artigo. Portanto, não se cogita aqui de demonstração de evidente intuito de fraude, mas apenas de falsidade de declaração, conforme referido linhas acima. Conclusão Pelo exposto, conheço do Recurso e, no mérito, doulhe provimento, para restabelecer a multa isolada. (Assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator Fl. 1811DF CARF MF
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Numero do processo: 10680.925308/2016-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Sep 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/05/2014
CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-004.933
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10680.926605/2016-40, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente)
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10680.926605/201640, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 92 53 08 /2 01 6- 87 Fl. 272DF CARF MF Processo nº 10680.925308/201687 Acórdão n.º 3301004.933 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo administrativo de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório do tributo por suposto pagamento a maior ou indevido e aproveitar esse crédito com débitos referentes a impostos e contribuições administrados pela RFB. Por meio de Despacho Decisório Eletrônico, a compensação pleiteada não foi homologada, sob o fundamento de que o pagamento indicado no PER/Dcomp teria sido efetuado pela empresa Asyst Internacional Serviços de Informática Ltda., CNPJ nº 05.805.826/000141, mas não teria sido confirmado evento de sucessão entre o declarante e o detentor do crédito. Cientificado da decisão o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade alegando, em síntese, que a empresa Asyst teria sido incorporada pela Algar Tecnologia, a qual teria sofrido cisão, passando a ser controlada pela Algar TI, de modo que o acervo incorporado da Asyst, teria sido incorporado pela Algar TI. O contribuinte argumentou que na sucessão, a empresa sucessora se torna responsável pelas obrigações tributárias e dos direitos inerentes à sucessão. Citou jurisprudência. Alegou que a finalidade da reorganização societária teria sido segregar as atividades de tecnologia da informação, juntando todo acervo em uma única empresa, a Algar TI. Defendeu que a cessão de crédito está demonstrada no Balanço Patrimonial, pela linha “Impostos a Recuperar”. Concluiu, para requerer que a manifestação de inconformidade fosse conhecida e julgada como procedente, a legitimação da sucessão dos direitos e obrigações da Asyst pela Algar TI, a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, a nulidade do despacho decisório, que fosse deferida a realização de perícia contábil e a produção de todos meios de prova admitidos em Direito. A DRJ em Ribeirão Preto (SP) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão nº 14065.514. Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, em que repetiu os argumentos contidos na manifestação de inconformidade e adicionou preliminar de nulidade da decisão de piso, por cerceamento do direito de defesa. Apesar de postulado, a DRJ não teria apreciado o pedido de produção de prova pericial, optando por decidir pela improcedência da defesa, por ausência de prova da liquidez e certeza do crédito pleiteado. É o relatório. Fl. 273DF CARF MF Processo nº 10680.925308/201687 Acórdão n.º 3301004.933 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.919, de 27 de julho de 2018, proferido no julgamento do processo 10680.926605/201640, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.919): "A DRF em Belo Horizonte (MG) não homologou a compensação de créditos da COFINS do período de apuração de novembro de 2014. O Despacho Decisório (fl. 07) informa que o crédito deriva de pagamentos indevidos, porém não o teria homologado, em razão de o detentor do crédito ser a ASYST INTERNACIONAL SERVICOS DE INFORMATICA LTDA.. Não havia registro de que a recorrente seria sucessora da ASYST, no que tange aos créditos da COFINS em questão. Na manifestação de inconformidade, a recorrente apresentou descrição detalhada da reorganização societária implementada no Grupo Algar, que resultou na transferência dos créditos da ASYST para o seu patrimônio. Carreou aos autos os atos societários correspondentes. Informou que os créditos (R$ 148.639,56) integraram o acervo líquido incorporado. E, por fim, pleiteou que fosse realizada perícia contábil, caso os documentos anexados não fossem considerados como suficientes pela DRJ. Em suma, a DRJ, apesar de reconhecer a legitimidade da sucessão, julgou improcedente o pleito, por falta de elementos que comprovassem a efetiva transferência dos créditos para a recorrente. Apontou que o fato de ter sido incorporado o grupo de contas contábeis "Impostos a Recuperar" (R$ 2.160.819,06) não significava, necessariamente, que os créditos em questão (R$ 148.639,56) naquele saldo havia sido computado. Passemos ao recurso voluntário. Inicia, contestando a conclusão da DRJ, acusandoa de cerceamento do direito de defesa, em razão de não ter convertido o julgamento em diligência, para oportunizar a juntada de documentação suplementar, sem que uma justificativa houvesse sido apresentada, conforme determina o art. 28 do Decreto n° 70.235/72. Afasto estes argumentos. Fl. 274DF CARF MF Processo nº 10680.925308/201687 Acórdão n.º 3301004.933 S3C3T1 Fl. 5 4 Primeiro, porque diligências ou perícias não se destinam à produção de provas em favor das partes. E, segundo, porque tampouco foi instruído, os termos do inciso IV do art. 16 do decreto n° 70.235/72 "IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito." No mérito, novamente apresentou detalhada descrição das operações que resultaram na transferência para o seu patrimônio dos créditos da Asyst. Em síntese, a Algar Tecnologia incorporou a Asyst International (proprietária original dos créditos) e a Rhealeza VR. Simultaneamente, a Algar Tecnologia sofreu cisão parcial, com incorporação do acervo líquido cindido na Algar TI (recorrente). Enfatizou que a parcela do patrimônio cindido correspondeu aos acervos líquidos da Asyst e Rhealeza. Com efeito, os respectivos atos societários anexados às defesas, foram assim sintetizados na decisão de piso (fl. 70): "a) Ata da Assembléia Geral Extraordinária da empresa Algar Tecnologia e Consultoria, CNPJ nº 21.246.699/000144, realizada em 2 de julho de 2015, protocolizada em 31/07/2015 na Junta Comercial do Estado de Minas Gerais, através da qual foram deliberados os termos e as condições da incorporação da Asyst Internacional Serviços de Informática Ltda. e Rhealeza Volta Redonda Informática Ltda. pela Algar Tecnologia e Consultoria S/A.; b) Protocolo de Incorporação das sociedades, no qual são firmadas as condições para a incorporação das empresas, datado de 15 de junho de 2015 e Laudo de Avaliação, datado de 02 de julho de 2015, ambos protocolizados na Junta Comercial do Estado de Minas Gerais em 31/07/2015. No Laudo de Avaliação, consta o Balanço Patrimonial em 31/05/2015. c) Ata da reunião dos sócios quotistas realizada em 02 de julho de 2015, registrada na Junta Comercial em 14/09/2015, pela empresa “Acional Serviços de Informática Ltda.” (sic), CNPJ nº 05.805.826/000141, no qual os sócios quotistas aprovaram a incorporação da empresa pela Algar, dando como extinta a sociedade. d) Protocolo de cisão parcial da sociedade Algar Tecnologia e Consultoria S/A com incorporação da parcela cindida na Algar TI Consultoria S/A, datado de 15 de junho de 2015 e protocolizado na Junta Comercial em 31/07/2015. e) Ata da Assembléia Geral Extraordinária realizada pela Algar Tecnologia e Consultoria, em 3 de julho de 2015 (protocolizada na Junta Comercial em 13/08/2015), através da qual foram aprovados o Protocolo de cisão parcial, o laudo de avaliação e a cisão parcial da sociedade. No laudo de Avaliação, consta o Balanço Patrimonial em 31/05/2015." Fl. 275DF CARF MF Processo nº 10680.925308/201687 Acórdão n.º 3301004.933 S3C3T1 Fl. 6 5 Destacou que o saldo do grupo contábil "Impostos a Recuperar", transferido da Algar Tecnologia, de R$ 2.160.819,06, era composto por R$ 282.419,93, originários da Rhealeza, e R$ 1.878.399,13, da Asyst. E concilia os montantes com os atos societários. Trouxe dispositivos legais, doutrina e julgados, fundamentando o direito de a Algar TI aproveitar créditos tributários resultantes de operações de cisão, seguida de incorporação. E, por fim, mais uma vez, pleiteia a realização de diligência, para a juntada do documentos complementares, caso esta turma não se satisfaça com os já apresentados. Restou incontroversa a possibilidade de os contribuintes utilizarem créditos tributários, resultantes das operações societárias em questão, cujo fundamento se encontra nos artigos 227 e 229 da Lei n° 6.404/76. Contudo, concordo com a DRJ. Não é suficiente para comprovar a liquidez e certeza dos créditos, informar que o montante dos créditos (R$ 148.639,56) se encontrava na rubrica "Impostos a Recuperar" (R$ 2.160.819,06), indicada nos atos societários. Relevo, naturalmente, a ausência de detalhes acerca da incorporação da Ayst pela Algar Tecnologia, pois, da leitura dos atos societários, concluise que houve realmente houve uma incorporação, operação por meio da qual extinguese uma pessoa jurídica (incorporada) por meio da transferência de seu acervo líquido (ativos e passivos) para a incorporadora. Contudo, a operação subsequente foi uma cisão parcial, seguida de incorporação, em cujos atos societários não há destaque dos créditos foram transferidos para a recorrente. A recorrente deveria ter trazido aos autos, ao menos, as seguintes informações complementares, para comprovar que era a titular dos créditos: razão contábil da rubrica em que o crédito foi originalmente registrado na escrita da Asyst, devidamente conciliada com demonstrativo da base de cálculo, DCTF e guia de recolhimento, em que ficaria evidenciada a apuração do crédito e sua contabilização; lançamentos contábeis, com os respectivos razões, evidenciando a transferência, por incorporação, dos créditos da Asyst para Algar Tecnologia; e lançamentos contábeis da cisão parcial da Algar Tecnologia e da incorporação do respectivo acervo líquido na Algar TI, evidenciando que os créditos compuseram o patrimônio cindido e em seguida incorporado. E, pelas razões anteriormente apresentadas, também nego o pedido de diligência ou perícia. Concluo, negando provimento ao recurso voluntário. É como voto." Fl. 276DF CARF MF Processo nº 10680.925308/201687 Acórdão n.º 3301004.933 S3C3T1 Fl. 7 6 Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 277DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.674257/2011-59
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 15/07/2002
PIS. BASE DE CÁLCULO. ICMS. EXCLUSÃO.
O Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e a Prestação de Serviços (ICMS) não compõe a base de incidência do PIS e da Cofins.
O Supremo Tribunal Federal (STF), por ocasião do julgamento do Recurso Extraordinário autuado sob o nº 574.706, em sede de repercussão geral, decidiu pela exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições do PIS e da Cofins, o que afasta, de imediato, o anterior entendimento fixado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no Resp 1.144.469/PR, no regime de recursos repetitivos.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3201-004.134
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso. Vencidos os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira e Charles Mayer de Castro Souza, que lhe negavam provimento.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 15/07/2002 PIS. BASE DE CÁLCULO. ICMS. EXCLUSÃO. O Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e a Prestação de Serviços (ICMS) não compõe a base de incidência do PIS e da Cofins. O Supremo Tribunal Federal (STF), por ocasião do julgamento do Recurso Extraordinário autuado sob o nº 574.706, em sede de repercussão geral, decidiu pela exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições do PIS e da Cofins, o que afasta, de imediato, o anterior entendimento fixado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no Resp 1.144.469/PR, no regime de recursos repetitivos. Recurso Voluntário Provido Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso. Vencidos os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira e Charles Mayer de Castro Souza, que lhe negavam provimento. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 67 42 57 /2 01 1- 59 Fl. 151DF CARF MF Processo nº 10880.674257/201159 Acórdão n.º 3201004.134 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de indeferir o Pedido de Restituição de créditos da contribuição para o PIS, decisão essa lastreada na ausência de direito creditório disponível, uma vez que os pagamentos declarados já haviam sido integralmente utilizados na quitação de débitos do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte havia alegado que o crédito pleiteado decorrera da inclusão indevida do ICMS na base de cálculo da contribuição, uma vez que referido imposto não se consubstancia em receita própria, tratandose de valor alheio aos limites constitucionais da incidência da contribuição, já tendo o Supremo Tribunal Federal (STF) sinalizado exatamente nesse sentido, conforme se verifica no julgamento do RE 240.7852/MG. Solicitou, ainda, a realização de perícia capaz de atestar que os valores devidos a título de ICMS compuseram indevidamente a base de cálculo das contribuições, bem como a exatidão do montante a ser restituído. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 06051.827, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, por ser, segundo ela, incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo da contribuição, valor esse integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados. Em seu Recurso Voluntário, o contribuinte requereu o reconhecimento do direito creditório, arguindo o seguinte: (i) a base de cálculo da contribuição é a receita bruta, sendo que apenas os valores correspondentes ao resultado das atividades devem integrála, não alcançando, portanto, o ICMS; (ii) nem sempre o ingresso de capitais ou recursos financeiros na sociedade representa a entrada de receitas, mormente quando apartadas da aquisição do direito patrimonial sobre eles, como ocorre no caso do ICMS, haja vista sua absoluta incapacidade de alterar o patrimônio líquido da sociedade, dado constituirse de um direito do Estado; (iii) o conceito de receita, qualquer que seja a sua fonte de origem (de venda de bens ou serviços, financeiras, etc.), decorre sempre e necessariamente do exercício da atividade empresarial, representando, também, sempre e necessariamente, riqueza nova ingressando ao patrimônio da sociedade empresarial; (iv) o ICMS destacado nas notas fiscais de venda de mercadorias pela Recorrente não consubstancia receita própria, razão pela qual se trata de valor alheio aos Fl. 152DF CARF MF Processo nº 10880.674257/201159 Acórdão n.º 3201004.134 S3C2T1 Fl. 4 3 limites constitucionais da incidência da Contribuição ao PIS e da Cofins, seja de seu critério material, seja de seu critério subjetivo; (v) o Supremo Tribunal Federal, por ocasião do julgamento do Recurso Extraordinário nº 240.7852/MG, decidiu que o ICMS não integra a base de cálculo da Cofins; (vi) ao caso se aplica o contido no art. 26A do Decreto 70.235/1972; (vii) a inconstitucionalidade arguida pode ser enfrentada em âmbito administrativo, em razão da decisão definitiva plenária proferida pelo Supremo Tribunal Federal; (viii) cita jurisprudência dos Tribunais Regionais Federais em seu favor; (ix) a Lei 9.718/1998 e as que lhe sucederam jamais determinaram a inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição ao PIS e da Cofins; (x) uma vez demonstrado ser indevida a inclusão dos valores do ICMS na base de cálculo da Contribuição ao PIS e da Cofins, temse o direito de pleitear a restituição do quantum recolhido indevidamente a este título, respeitado o prazo de 5 (cinco) anos; (xi) necessidade de realização de prova pericial. É o relatório. Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10880.674257/201159 Acórdão n.º 3201004.134 S3C2T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201004.124, de 25/07/2018, proferido no julgamento do processo nº 10880.674237/201188, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.124): Assiste razão à Recorrente. O Supremo Tribunal Federal STF por ocasião do julgamento do Recurso Extraordinário autuado sob o nº 574.706, em sede de repercussão geral, decidiu pela exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições do PIS e da COFINS. Referida decisão possui a seguinte ementa: "RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM REPERCUSSÃO GERAL. EXCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E COFINS. DEFINIÇÃO DE FATURAMENTO. APURAÇÃO ESCRITURAL DO ICMS E REGIME DE NÃO CUMULATIVIDADE. RECURSO PROVIDO. 1. Inviável a apuração do ICMS tomandose cada mercadoria ou serviço e a correspondente cadeia, adotase o sistema de apuração contábil. O montante de ICMS a recolher é apurado mês a mês, considerandose o total de créditos decorrentes de aquisições e o total de débitos gerados nas saídas de mercadorias ou serviços: análise contábil ou escritural do ICMS. 2. A análise jurídica do princípio da não cumulatividade aplicado ao ICMS há de atentar ao disposto no art. 155, § 2º, inc. I, da Constituição da República, cumprindose o princípio da não cumulatividade a cada operação. 3. O regime da não cumulatividade impõe concluir, conquanto se tenha a escrituração da parcela ainda a se compensar do ICMS, não se incluir todo ele na definição de faturamento aproveitado por este Supremo Tribunal Federal. O ICMS não compõe a base de cálculo para incidência do PIS e da COFINS. 3. Se o art. 3º, § 2º, inc. I, in fine, da Lei n. 9.718/1998 excluiu da base de cálculo daquelas contribuições sociais o ICMS transferido integralmente para os Estados, deve ser enfatizado que não há como se excluir a transferência parcial decorrente do regime de não cumulatividade em determinado momento da dinâmica das operações. 4. Recurso provido para excluir o ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS. (RE 574706, Relator(a): Min. CÁRMEN LÚCIA, Tribunal Pleno, julgado em 15/03/2017, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe223 DIVULG 29092017 PUBLIC 02102017) O Supremo Tribunal Federal STF já está a aplicar o entendimento firmado em outros processos, conforme se depreende do julgado adiante colacionado: Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10880.674257/201159 Acórdão n.º 3201004.134 S3C2T1 Fl. 6 5 "COFINS E PIS – BASE DE CÁLCULO – ICMS – EXCLUSÃO. O Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e a Prestação de Serviços – ICMS não compõe a base de incidência do PIS e da COFINS. Precedentes: recurso extraordinário nº 240.785/MG, relator ministro Marco Aurélio, Pleno, acórdão publicado no Diário da Justiça de 8 de outubro de 2014 e recurso extraordinário nº 574.706/PR, julgado sob o ângulo da repercussão geral, relatora ministra Cármen Lúcia, Pleno, acórdão veiculado no Diário da Justiça de 2 de outubro de 2017. REPERCUSSÃO GERAL – ACÓRDÃO – PUBLICAÇÃO – EFEITOS – ARTIGO 1.040 DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. A sistemática prevista no artigo 1.040 do Código de Processo Civil sinaliza, a partir da publicação do acórdão paradigma, a observância do entendimento do Plenário, formalizado sob o ângulo da repercussão geral. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. Descabe a fixação dos honorários recursais previstos no artigo 85, § 11, do Código de Processo Civil de 2015, quando se tratar de recurso formalizado em processo cujo rito os exclua. AGRAVO – MULTA – ARTIGO 1.021, § 4º, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015. Se o agravo é manifestamente inadmissível ou improcedente, impõese a aplicação da multa prevista no § 4º do artigo 1.021 do Código de Processo Civil de 2015, arcando a parte com o ônus decorrente da litigância protelatória."(RE 440787 AgRsegundo, Relator(a):Min. MARCO AURÉLIO, Primeira Turma, julgado em 03/04/2018, PROCESSO ELETRÔNICO DJe098 DIVULG 18052018 PUBLIC 21052018) Com a decisão proferida pela Corte Suprema, não mais prevalece o contido no REsp 1.144.469/PR do Superior Tribunal de Justiça STJ. O entendimento ora esposado encontra amparo no fato de o próprio Superior Tribunal de Justiça STJ não mais estar aplicando o seu antigo posicionamento. A Corte Superior de Justiça, de modo reiterado, está decidindo de acordo com o julgado no RE 574.706. A título ilustrativo, colacionase recentes decisões em tal sentido, verbis: "PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. JUÍZO DE RETRATAÇÃO. ART. 1.040, II, DO CPC/2015. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. RECENTE POSICIONAMENTO DO STF EM REPERCUSSÃO GERAL (RE 574.706/PR). 1. O recurso especial foi interposto na vigência do CPC/1973. Dessa forma, sujeitamse aos requisitos de admissibilidade nele previstos, conforme diretriz contida no Enunciado Administrativo n. 2 do Plenário do STJ. 2. O Plenário do Supremo Tribunal Federal, ao julgar o RE 574.706/PR, em repercussão geral, Relatora Ministra Cármen Lúcia, entendeu que o valor arrecadado a título de ICMS não se incorpora ao patrimônio do contribuinte e, dessa forma, não pode integrar a base de cálculo dessas contribuições, que são destinadas ao financiamento da Seguridade Social. 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos infringentes, para realizar a adequação prevista no art. 1.030, II do CPC/2015." (EDcl no AgRg no REsp 1276424/MG, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 15/05/2018, DJe 21/05/2018) "TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. JULGAMENTO DO TEMA PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL EM REPERCUSSÃO GERAL. JUÍZO DE RETRATAÇÃO PELO PRÓPRIO STJ. ADEQUAÇÃO AO DECIDIDO PELO STF. Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10880.674257/201159 Acórdão n.º 3201004.134 S3C2T1 Fl. 7 6 1. A Jurisprudência pacífica desta Corte de Justiça possuía o entendimento de considerar legal a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, nos termos das Súmulas 68 e 94 do STJ. Posicionamento este ratificado pela Primeira Seção do STJ no julgamento do Resp 1.144.469/PR, processado e julgado como representativo de controvérsia. 2. Ocorre que o Supremo Tribunal Federal, por ocasião da apreciação do RE 574.706RG/PR, com repercussão geral reconhecida, firmou tese contrária à fixada pela Primeira Seção do STJ. 3. Juízo de retratação exercido nestes autos (art. 1.040, II, do CPC/2015), para negar provimento ao apelo nobre da Fazenda Nacional." (REsp 1496603/MG, Rel. Ministro OG FERNANDES, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/04/2018, DJe 25/04/2018) "TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. INCIDÊNCIA DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SUBSTITUTIVA, PREVISTA NA LEI 12.546/2011. JULGAMENTO PELO STF, EM REGIME DE REPERCUSSÃO GERAL. RE 574.706/PR. JUÍZO DE RETRATAÇÃO. ART. 1.040, II, DO CPC/2015. AGRAVO INTERNO PROVIDO, EM JUÍZO DE RETRATAÇÃO, PARA NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL, QUANTO AO TEMA OBJETO DA REPERCUSSÃO GERAL. I. Agravo interno aviado contra decisão que deu provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, contra acórdão que, negando provimento à Apelação e à Remessa Oficial, havia mantido a sentença que concedera o Mandado de Segurança. II. A Segunda Turma do STJ, considerando a jurisprudência pacífica da Corte, quando do julgamento do Recurso Especial interposto, no sentido da incidência do ICMS na base de cálculo da contribuição previdenciária substitutiva, prevista na Lei 12.546/2011, negou provimento ao Agravo interno do contribuinte. III. Entretanto, posteriormente, o Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE 574.706/PR, sob o regime da repercussão geral, firmou a tese de que "o ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da COFINS" (STF, RE 574.706/PR, Rel. Ministra CÁRMEN LÚCIA, TRIBUNAL PLENO, DJe de 02/10/2017), porquanto o valor arrecadado, a título de ICMS, não se incorpora ao patrimônio do contribuinte, e, dessa forma, não pode integrar a base de cálculo do PIS e da COFINS, contribuições destinadas ao financiamento da Seguridade Social. Diante da nova orientação da Suprema Corte, o STJ realinhou o seu posicionamento (STJ, REsp 1.100.739/DF, Rel. Ministro SÉRGIO KUKINA, PRIMEIRA TURMA, DJe de 08/03/2018; AgInt no AgInt no AgRg no AREsp 392.924/SP, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA TURMA, DJe de 06/03/2018). Mutatis mutandis, a mesma lógica deve ser aplicada para a contribuição previdenciária substitutiva, prevista nos arts. 7º e 8º da Lei 12.546/2011, em razão da identidade do fato gerador (receita bruta). Com efeito, "os valores relativos ao ICMS não integram a base de cálculo da Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta CPRB, prevista na Lei n. 12.546/11, porquanto não se incorporam ao patrimônio do contribuinte, é dizer, não caracterizam receita bruta, em observância à axiologia das razões de decidir do RE n. 574.706/PR, julgado em repercussão geral pelo STF, no qual foi proclamada a inconstitucionalidade do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS" Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10880.674257/201159 Acórdão n.º 3201004.134 S3C2T1 Fl. 8 7 (STJ, REsp 1.568.493/RS, Rel. Ministra REGINA HELENA COSTA, PRIMEIRA TURMA, DJe de 23/03/2018). Em igual sentido: STJ, REsp 1.694.357/CE, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA TURMA, DJe de 01/12/2017. IV. Nesse contexto, retornaram os autos por determinação da Vice Presidência do STJ, para fins do disposto no art. 1.040, II, do CPC/2015 , em face do aludido julgado do Supremo Tribunal Federal, em regime de repercussão geral. V. Agravo interno provido, para, em juízo de retratação, previsto no art. 1.040, II, do CPC/2015, negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional." (AgInt no REsp 1592338/SC, Rel. Ministra ASSUSETE MAGALHÃES, SEGUNDA TURMA, julgado em 17/04/2018, DJe 23/04/2018) Neste contexto, não há como negar plena efetividade ao decidido pelo Supremo Tribunal Federal STF, já que o próprio Superior Tribunal de Justiça STJ não mais aplica o entendimento firmado no REsp 1.144.469/PR. O mesmo posicionamento tem sido adotado pelos Tribunais Regionais Federais. Neste sentido: "EXECUÇÃO FISCAL. EMBARGOS. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. EXCLUSÃO DO ICMS. ENTENDIMENTO DO STF. RE 574.706/PR, SOB O RITO DA REPERCUSSÃO GERAL. TEMA 69 STF. Conforme estabelecido pelo STF, no Tema 69, "O ICMS não compõe a base de cálculo para fins de incidência do PIS e da Cofins" (Recurso Extraordinário com repercussão geral nº 574.706)." (TRF4, AC 5004059 55.2015.4.04.7215, SEGUNDA TURMA, Relatora LUCIANE AMARAL CORRÊA MÜNCH, juntado aos autos em 09/07/2018) "TRIBUTÁRIO. EMBARGOS INFRINGENTES. RETRATAÇÃO. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. EXCLUSÃO DO ICMS. ENTENDIMENTO DO STF. RE 574706/PR. TEMA 69 STF. Conforme estabelecido pelo STF, no Tema 69, "O ICMS não compõe a base de cálculo para fins de incidência do PIS e da Cofins" (Recurso Extraordinário com repercussão geral nº 574.706)." (TRF4, EINF 2006.70.00.0284961, PRIMEIRA SEÇÃO, Relator ROGER RAUPP RIOS, D.E. 10/07/2018) "TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO. ICMS. EXCLUSÃO BASE CÁLCULO. PIS E COFINS. SUSPENSÃO. RE 574.706. VINCULAÇÃO. AGRAVO IMPROVIDO. No caso, foram abordadas todas as questões debatidas pela Agravante, tendo sido apreciada a tese de repercussão geral, julgada em definitivo pelo Plenário do STF, que decidiu que "O ICMS não compõe a base de cálculo para fins de incidência do PIS e da COFINS". Cabe destacar que foi reconhecida a repercussão geral do RE 574.706/PR, e julgado o mérito do recurso pelo Plenário do STF, devendo os tribunais decidir no mesmo sentido do entendimento adotado, nos termos do art. 1.040, II do CPC, e incumbindo ao Relator decidir de forma monocrática, como prevê o art. 932 do CPC. Anotese que a diretriz jurisprudencial firmada deve ser observada pelos demais Tribunais, como tem reiteradamente decidido o próprio STF, que, inclusive, tem aplicado a orientação firmada a casos similares. Precedentes. Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10880.674257/201159 Acórdão n.º 3201004.134 S3C2T1 Fl. 9 8 Quanto à alegação de que o feito deve ser sobrestado até a publicação do acordão, resultante do julgamento dos embargos de declaração a serem opostos pela Fazenda Nacional, cabe salientar o que restou consignado na r. decisão combatida de que a decisão proferida pelo STF no RE 574.706, independentemente da pendência de julgamento dos aclaratórios, já tem o condão de refletir sobre as demais ações com fundamento na mesma controvérsia, como no presente caso, devendo, portanto, prevalecer a orientação firmada pela Suprema Corte. Ademais, quanto à eventual insurgência relativa à possibilidade de modulação dos efeitos do julgado, ressaltase não ser possível, nesta fase processual, interromper o curso do feito apenas com base numa expectativa que até o momento não deu sinais de confirmação, dada a longevidade da ação e os efeitos impactantes que o paradigma ocasiona. A regra geral relativa aos recursos extraordinários, julgados com repercussão geral, é a de vinculação dos demais casos ao julgado, sendo que a inobservância da regra deve ser pautada em razões concretas. A tese de repercussão geral fixada foi a de que "O ICMS não compõe a base de cálculo para fins de incidência do PIS e da COFINS". A motivação dos embargos de declaração, embora não tenha sido acolhida, não permite a conclusão de que foram opostos em litigância de máfé ou com manifesto caráter protelatório. As razões recursais não contrapõem os fundamentos do r. decisum a ponto de demonstrar qualquer desacerto, limitandose a reproduzir argumentos os quais visam à rediscussão da matéria nele contida. Negado provimento ao agravo interno." (TRF 3ª Região, QUARTA TURMA, Ap APELAÇÃO CÍVEL 369987 000198616.2017.4.03.6000, Rel. DESEMBARGADORA FEDERAL MÔNICA NOBRE, julgado em 04/07/2018, eDJF3 Judicial 1 DATA:20/07/2018 ) "CONSTITUCIONAL E TRIBUTÁRIO. ICMS. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DA COFINS E DO PIS. ILEGALIDADE. STF. RE 574.706/PR. REPERCUSSÃO GERAL. TEMA 069. COMPENSAÇÃO. SÚMULA Nº 213 DO STJ. SUFICIÊNCIA DA PROVA DA CONDIÇÃO DE CREDORA TRIBUTÁRIA. 1. Ao apreciar o tema no âmbito do RE 574.706/PRRG (Rel. Min. Cármen Lúcia), o E. STF firmou a seguinte tese: "O ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da COFINS." 2. Quanto à análise da compensação tributária em sede mandamental, o próprio C. STJ tem reiterado a aplicação do seu Enunciado 213, limitando, in casu, a prova à simples condição de credora tributária, por não se confundir com os fundamentos adotados no REsp 1.111.164/BA. 3. Apelação a que se dá parcial provimento, concedendose a segurança para determinar a exclusão, relativa à base de cálculo da COFINS e do PIS, da parcela relativa ao ICMS, autorizando a respectiva compensação, observado, contudo, o lustro prescricional (RE 566.621/RS, Rel. Min. Ellen Gracie), na forma da legislação de regência, notadamente com respeito ao disposto no artigo 74 da Lei nº 9.430/96, com a redação que lhe conferiu a Lei nº 10.637/02, artigo 170A do CTN e correção monetária com a incidência da Taxa SELIC, considerando que a presente ação mandamental foi ajuizada em 08/07/2008. 4. Acresçase, por oportuno, que a pendência de análise de modulação dos efeitos, pelo eventual acolhimento dos aclaratórios opostos no referido RE Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10880.674257/201159 Acórdão n.º 3201004.134 S3C2T1 Fl. 10 9 574.706/PR, não tem o condão de atrair o efeito suspensivo aqui perseguido, não merecendo, nesse viés, prosperar o argumento alinhavado pela União Federal nesse exato sentido, AC 2015.61.10.0085860/SP, Relator Desembargador Federal ANDRÉ NABARRETE, decisão de 08/03/2018, D.E. 23/03/2018; EDcl na AMS 2007.61.12.0077639/SP, Relator Desembargador Federal MARCELO SARAIVA, decisão de 26/03/2018, D.E. 05/04/2018, e AMS 2014.61.05.0105413/SP, Relatora Desembargadora Federal MÔNICA NOBRE, Quarta Turma, j. 21/02/2018, D.E. 22/03/2018. 5. Matéria reapreciada, em sede de juízo de retratação, por força do artigo 543B, § 3º, do CPC/73, aplicável à espécie." (TRF 3ª Região, QUARTA TURMA, Ap APELAÇÃO CÍVEL 333152 001626088.2008.4.03.6100, Rel. DESEMBARGADORA FEDERAL MARLI FERREIRA, julgado em 20/06/2018, eDJF3 Judicial 1 DATA:20/07/2018 ) Pertinentes são as palavras da Conselheira Semíramis de Oliveira Duro, em voto proferido no processo 10580.721226/200701 (Acórdão 3301004.355): "Venho sustentando que, para fins de interpretação do § 2° do art. 62 do RICARF, negar a aplicação da decisão do RE n° 574.706 RG, com base no REsp n° 1.144.469/PR (julgado como recurso repetitivo e já transitado em julgado), é uma falácia. É uma falácia, porquanto o próprio STJ já alterou seu posicionamento para reconhecer que o ICMS não integra a base de cálculo da contribuição para o PIS e COFINS, afastando a aplicação do REsp 1.144.469/PR, em virtude da decisão do STF, como se observa nas decisões citadas abaixo: (...) Por conseguinte, estando o acórdão do RE n° 574.706 RG desprovido de causa suspensiva, deve ser imediatamente aplicado. Defendo que tal situação se coaduna com a condição de “decisão definitiva de mérito”, para fins de aplicação do art. 62, § 2° do RICARF." Cito, ainda: "Os órgãos do Estado são entes sem vida, sem inteligência e sem sentimento; são dirigidos por gestores que assumem o compromisso constitucional de respeitar os princípios democráticos, dentre os quais o efetivo cumprimento das decisões judiciais. De outra forma, não faz sentido o próprio governo, integrante do sistema, desrespeitar as leis. A Fazenda Pública e os órgãos públicos de maneira geral, por não terem vida, não se sensibilizam com os fatos que ocorrem em seu derredor, diferentemente do que acontece com seus agentes políticos ou administrativos." (CARDOSO, Antonio Pessoa. Cumprimento das leis Estado deve ser referência de valores do Direito. Revista Consultor Jurídico, 25 de junho de 2011, 7h41) Um órgão administrativo de julgamento não aplicar o decidido em sede de repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal STF quando até mesmo o Superior Tribunal de Justiça STJ já não mais aplica o seu entendimento em sentido diverso é verdadeira afronta ao julgado pela mais Alta Corte do país. Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10880.674257/201159 Acórdão n.º 3201004.134 S3C2T1 Fl. 11 10 Sobre a inteira e imediata aplicação do decidido pelo Supremo Tribunal Federal STF, o Superior Tribunal de Justiça STJ assim decidiu: "TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. RECENTE POSICIONAMENTO DO STF EM REPERCUSSÃO GERAL (RE 574.706/PR). AGRAVO INTERNO DA FAZENDA NACIONAL DESPROVIDO. 1. O Plenário do Supremo Tribunal Federal, ao julgar o RE 574.706/PR, em repercussão geral, Relatora Ministra CÁRMEN LÚCIA, entendeu que o valor arrecadado a título de ICMS não se incorpora ao patrimônio do Contribuinte e, dessa forma, não pode integrar a base de cálculo dessas contribuições, que são destinadas ao financiamento da Seguridade Social. 2. A existência de precedente firmado sob o regime de repercussão geral pelo Plenário do STF autoriza o imediato julgamento dos processos com o mesmo objeto, independentemente do trânsito em julgado do paradigma. Precedentes: RE 1.006.958 AgREDED, Rel. Min. DIAS TOFFOLI, Dje 18.9/2017; ARE 909.527/RSAgR, Rel Min. LUIZ FUX, DJe de 30.5.2016. 3. Agravo Interno da Fazenda Nacional desprovido." (AgInt no AREsp 282.685/CE, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 08/02/2018, DJe 27/02/2018) (nosso destaque) Do voto, destaco: "3. No mais, o Supremo Tribunal Federal fixou entendimento de que a existência de precedente sob o regime de repercussão geral firmado pelo Plenário daquela Corte autoriza o imediato julgamento dos processos com o mesmo objeto, independentemente do trânsito em julgado do paradigma (RE 1.006.958 AgREDED, Rel. Min. DIAS TOFFOLI, Dje 18.9/2017; ARE 909.527/RSAgR, Rel Min. LUIZ FUX, DJe de 30.5.2016.)" Por fim, ressalto que esta Turma, em sua atual composição, decidiu por maioria de votos, em dar provimento a recurso do contribuinte, em processo no qual este relator foi designado para redigir o voto vencedor. Aludida decisão apresenta a seguinte ementa: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2005 a 28/02/2005, 01/06/2005 a 30/11/2005, 01/03/2006 a 30/11/2006 MPF. AUSÊNCIA DE NULIDADE. Rejeitase a preliminar de nulidade quando nos autos está comprovado que a fiscalização cumpriu todos os requisitos legais pertinentes ao MPF, não tendo o contribuinte demonstrado nenhuma irregularidade capaz de invalidar o lançamento. O Mandado de Procedimento Fiscal MPF é instrumento de controle administrativo e de informação ao contribuinte. Eventuais omissões ou incorreções do MPF não são causa de nulidade do auto de infração. APROPRIAÇÃO INDEVIDA DE CRÉDITOS. GLOSA. Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10880.674257/201159 Acórdão n.º 3201004.134 S3C2T1 Fl. 12 11 Correta a glosa de valores indevidamente incluídos no cômputo da base de cálculo dos créditos da nãocumulatividade, ressalvandose os valores glosados não comprovados pela fiscalização e os lançados com evidente lapso material. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. DEPRECIAÇÃO ACELERADA. OPÇÃO A apropriação de crédito das contribuições mediante despesas com depreciação de bens calculadas de forma acelerada, na razão 1/48, nos termos do § 14, art. 3º da Lei 10.637/02 é opcional, o que significava impossibilidade de apropriação concomitante à regra do inciso III, do § 1ª do indigitado artigo. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. DEPRECIAÇÃO ACELERADA. LEI Nº 11.051/2004 Imprescindível a comprovação do atendimento aos requisitos legais para o benefício fiscal da apuração da depreciação acelerada de que trata da Lei nº 11.051/2004. COFINS E PIS BASE DE CÁLCULO ICMS EXCLUSÃO. O Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e a Prestação de Serviços ICMS não compõe a base de incidência do PIS e da COFINS. O Supremo Tribunal Federal STF por ocasião do julgamento do Recurso Extraordinário autuado sob o nº 574.706, em sede de repercussão geral, decidiu pela exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições do PIS e da COFINS, o que afasta, de imediato, o anterior entendimento fixado pelo Superior Tribunal de Justiça STJ no Resp 1.144.469/PR, no regime de recursos repetitivos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2005 a 2 COFINS. LANÇAMENTO DECORRENTE DA MESMA MATÉRIA FÁTICA. Aplicase ao lançamento da Contribuição para a Cofins o decidido em relação ao PIS lançado a partir da mesma matéria fática." (Processo nº 10530.004513/200811; Acórdão nº 3201003.725; Relator Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira; sessão de 24/05/2018) Cito, ainda, decisão proferida por voto de desempate, que acolheu o pedido de restituição formulado pelo contribuinte: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/08/2010 a 31/08/2010 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS E COFINS. DEFINIÇÃO DE FATURAMENTO. APURAÇÃO ESCRITURAL DO ICMS E REGIME DE NÃO CUMULATIVIDADE. Comprovado tratarse de crédito tributário restrito ao PIS/Pasep apurado e recolhido sobre base de cálculo sem a exclusão do ICMS é de se reconhecer o direito à restituição do crédito pleiteado." (Processo nº Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10880.674257/201159 Acórdão n.º 3201004.134 S3C2T1 Fl. 13 12 10935.906300/201259; Acórdão nº 3001000.113; Relator Conselheiro Cássio Schappo; sessão de 24/01/2018) Diante do exposto, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário para excluir o ICMS da base de cálculo do PIS, em plena consonância ao decidido pelo Supremo Tribunal Federal STF, no Recurso Extraordinário nº 574.706 e em conformidade com o que tem adotado o Superior Tribunal de Justiça STJ, devendo a unidade de origem verificar a correção dos valores apresentados pela Recorrente em seus pedidos. Importa registrar que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu dar provimento ao Recurso Voluntário para excluir o ICMS da base de cálculo da contribuição para o PIS, em plena consonância ao decidido pelo Supremo Tribunal Federal STF, no Recurso Extraordinário nº 574.706, e em conformidade com o que tem adotado o Superior Tribunal de Justiça STJ, devendo a unidade de origem verificar a correção dos valores apresentados pela Recorrente em seus pedidos. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 162DF CARF MF
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Numero do processo: 16004.720480/2013-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS
Ano-calendário: 2009, 2010
NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO.
Insumos, para fins de creditamento da contribuição social não cumulativa, são todos aqueles bens e serviços que são pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, ainda que sejam neles empregados indiretamente.
DESPESAS COM SERVIÇOS PORTUÁRIOS DIVERSOS. NÃO SUBSUNÇÃO AO CONCEITO DE INSUMOS. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL PARA REDITAMENTO.
A jurisprudência majoritária do CARF sustenta que o conceito de insumos, no âmbito das contribuições não cumulativas, pressupõe a relação de pertinência entre os gastos com bens e serviços e o limite espaço-temporal do processo produtivo. Em outras palavras, não podem ser considerados insumos aqueles bens ou serviços que venham a ser consumidos antes de iniciado o processo ou depois que ele tenha se consumado. Despesas portuárias não se subsumem ao conceito de insumos para fins de creditamento das contribuições não-cumulativas, uma vez que tais gastos,
inconfundíveis com os gastos com frete e armazenagem nas operações de comercialização para os quais há expressa previsão normativa para seu creditamento, são atinentes a serviços ocorridos após o fim do ciclo de produção, não gerando, portanto, direito a crédito.
FRETE ENTRE ESTABELECIMENTOS. PRODUTOS ACABADOS. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
Por ausência de previsão legal, as despesas com transporte de produtos acabados entre estabelecimentos do próprio contribuinte não geram direito ao crédito das contribuições sociais não cumulativas.
Numero da decisão: 3302-005.648
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Walker Araújo, José Renato Pereira de Deus, Diego Weis Jr e Raphael Madeira Abad que davam provimento parcial para reconhecer o creditamento sobre despesas de movimentação do açúcar para o navio. Designado o Conselheiro Vinícius Guimarães para redigir o voto vencedor
Nome do relator: Walker Araujo
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Ano-calendário: 2009, 2010 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos, para fins de creditamento da contribuição social não cumulativa, são todos aqueles bens e serviços que são pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, ainda que sejam neles empregados indiretamente. DESPESAS COM SERVIÇOS PORTUÁRIOS DIVERSOS. NÃO SUBSUNÇÃO AO CONCEITO DE INSUMOS. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL PARA REDITAMENTO. A jurisprudência majoritária do CARF sustenta que o conceito de insumos, no âmbito das contribuições não cumulativas, pressupõe a relação de pertinência entre os gastos com bens e serviços e o limite espaço-temporal do processo produtivo. Em outras palavras, não podem ser considerados insumos aqueles bens ou serviços que venham a ser consumidos antes de iniciado o processo ou depois que ele tenha se consumado. Despesas portuárias não se subsumem ao conceito de insumos para fins de creditamento das contribuições não-cumulativas, uma vez que tais gastos, inconfundíveis com os gastos com frete e armazenagem nas operações de comercialização para os quais há expressa previsão normativa para seu creditamento, são atinentes a serviços ocorridos após o fim do ciclo de produção, não gerando, portanto, direito a crédito. FRETE ENTRE ESTABELECIMENTOS. PRODUTOS ACABADOS. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Por ausência de previsão legal, as despesas com transporte de produtos acabados entre estabelecimentos do próprio contribuinte não geram direito ao crédito das contribuições sociais não cumulativas.
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CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos, para fins de creditamento da contribuição social não cumulativa, são todos aqueles bens e serviços que são pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, ainda que sejam neles empregados indiretamente. DESPESAS COM SERVIÇOS PORTUÁRIOS DIVERSOS. NÃO SUBSUNÇÃO AO CONCEITO DE INSUMOS. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL PARA CREDITAMENTO. A jurisprudência majoritária do CARF sustenta que o conceito de insumos, no âmbito das contribuições nãocumulativas, pressupõe a relação de pertinência entre os gastos com bens e serviços e o limite espaçotemporal do processo produtivo. Em outras palavras, não podem ser considerados insumos aqueles bens ou serviços que venham a ser consumidos antes de iniciado o processo ou depois que ele tenha se consumado. Despesas portuárias não se subsumem ao conceito de insumos para fins de creditamento das contribuições nãocumulativas, uma vez que tais gastos, inconfundíveis com os gastos com frete e armazenagem nas operações de comercialização para os quais há expressa previsão normativa para seu creditamento , são atinentes a serviços ocorridos após o fim do ciclo de produção, não gerando, portanto, direito a crédito. FRETE ENTRE ESTABELECIMENTOS. PRODUTOS ACABADOS. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Por ausência de previsão legal, as despesas com transporte de produtos acabados entre estabelecimentos do próprio contribuinte não geram direito ao crédito das contribuições sociais não cumulativas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 72 04 80 /2 01 3- 51 Fl. 7929DF CARF MF Documento de 19 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP12.0918.13175.JUR0. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16004.720480/201351 Acórdão n.º 3302005.648 S3C3T2 Fl. 7.930 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Walker Araújo, José Renato Pereira de Deus, Diego Weis Jr e Raphael Madeira Abad que davam provimento parcial para reconhecer o creditamento sobre despesas de movimentação do açúcar para o navio. Designado o Conselheiro Vinícius Guimarães para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator. (assinado digitalmente) Vinícius Guimarães Redator designado. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), Fenelon Moscoso de Almeida, Vinícius Guimarães (suplente convocado), Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Júnior. Relatório Por bom retratar a realidade dos fatos, adoto e transcrevo o relatório da decisão de piso de fls. 7.8507.870: Tratase de exigência fiscal relativa à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e à contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) formalizada nos autos de infração de fls. 7.722/7.737 (a numeração tem como referência a versão digitalizada dos autos eprocesso). O feito, relativo aos anoscalendário de 2009 e 2010, constituiu crédito tributário na cifra de R$ 1.414.330,89 incluídos principal, multa de ofício e juros de mora. A autuação decorre de auditoria fiscal que teve como foco de investigação a apuração de créditos do regime não cumulativo sobre dispêndios com fretes internos e serviços de movimentação de açúcar. As constatações relatadas pela fiscalização se desdobraram em dois autos de infração que tramitam em processos distintos: o presente, cujo crédito tributário foi lançado com a imposição da multa de ofício e o de nº 16004.720497/201317, também julgado nessa sessão, relativo ao crédito cuja exigibilidade foi suspensa por decisão judicial. Fl. 7930DF CARF MF Documento de 19 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP12.0918.13175.JUR0. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16004.720480/201351 Acórdão n.º 3302005.648 S3C3T2 Fl. 7.931 3 No Termo de Verificação Fiscal de fls. 7.694/7.721, a autoridade detalha os motivos do lançamento que a seguir vão resumidos. A pessoa jurídica fiscalizada Virgolino de Oliveira S/A Açúcar e Álcool tem como objeto societário a fabricação e comércio de açúcar e álcool e demais derivados da canadeaçúcar. É entidade cooperada da Copersucar (Cooperativa de Produtores de Canade Açúcar do Estado de São Paulo). A relação entre as usinas cooperadas e a Copersucar em relação ao PIS/Cofins está regulada na Instrução Normativa SRF nº 635, de 2006. A norma prevê a apropriação pelas usinas cooperadas, dos créditos gerados pela cooperativa nos termos dos artigos 3º da Lei nº 10.637, de 2002, 3º da Lei nº 10.833, de 2003 e dos art. 8º e 15 da Lei nº 10.925, de 2004, podendo os créditos servir como desconto dos débitos de PIS e de Cofins apurados nos termos do art. 66 da Lei nº 9.430, de 1996. Nessa sistemática de apuração de PIS/Cofins, as usinas cooperadas informam mensalmente seus créditos próprios à Copersucar e esta última rateia os seus créditos entre as usinas cooperadas. A Copersucar recolhe, como responsável, o PIS e a Cofins devida pelas usinas cooperadas, conforme disposto no art. 3º da IN SRF nº 635, de 2006. Como a Copersucar se enquadra como cooperativa de produção uma vez que comercializa a produção de açúcar e álcool das usinas cooperadas, ela apura alguns créditos de PIS/Cofins referentes às despesas de armazenagem e movimentação, corantes e fretes, os quais são rateados entre as usinas cooperadas. A fiscalizada foi intimada a apresentar a documentação relativa aos créditos gerados pela Copersucar e apropriados por ela própria como usina cooperada e a esclarecer alguns pontos relacionados aos créditos gerados pela cooperativa com referência às despesas com armazenagem e frete. Trabalho paralelo teve curso na própria Copersucar, que foi intimada a colocar à disposição da auditoria fiscal os papéis relacionados às despesas de serviços descritos como frete. Atendendo ao pleito fiscal, a cooperativa também informou ser beneficiária de decisão judicial proferida em sede de Mandado de Segurança com relação ao direito de apurar créditos não cumulativos de PIS e de Cofins sobre fretes no transporte interno. Informa o Termo ainda que a Copersucar também formulou Consulta à Receita Federal sobre a mesma matéria tratada na ação de Mandado de Segurança, tendo sido cientificada de que a SRRF 8ª Região decidiu desfavoravelmente a sua pretensão. O Termo de Verificação passa então a identificar as infrações constatadas no curso da fiscalização. Analisa, primeiro, os créditos apurados pela Copersucar e rateados entre as usinas cooperadas sobre as despesas com movimentação de açúcar. O inciso IX, art. 3º das Leis nº 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003, restringe o creditamento das despesas incorridas nas operações de venda apenas ao frete e àquelas relacionadas à armazenagem. Não há previsão de apuração de crédito sobre dispêndios com movimentação de mercadorias, no caso, aquelas envolvidas no embarque de açúcar no navio. A autoridade autuante relata a forma como identificou, por meio das notas fiscais emitidas pela empresa Cia Auxiliar de Armazéns Gerais (do grupo Copersucar), os Fl. 7931DF CARF MF Documento de 19 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP12.0918.13175.JUR0. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16004.720480/201351 Acórdão n.º 3302005.648 S3C3T2 Fl. 7.932 4 valores de movimentação e embarque de açúcar, alvo de glosa por falta de previsão legal quanto à possibilidade de creditamento. O Termo de Verificação detalha como alcançou os valores dos créditos de PIS e de Cofins a serem glosados com relação às despesas com movimentação de mercadorias rateadas pela Copersucar entre as usinas cooperadas. Planilhas de fls. 7.700/7.701 descriminam as glosas. No cálculo dos valores a serem levados ao auto de infração, prossegue a auditoria, foram considerados os saldos de créditos da nãocumulatividade detidos pela fiscalizada. Tabela iniciada à fl. 7.702 expõe os montantes que devem ser constituídos de ofício em razão de insuficiências de saldo de créditos não cumulativos para enfrentar as glosas efetivadas no procedimento fiscal. O lançamento correspondente corresponde à matéria tratada no auto de infração em exame. O relato da auditoria continua com os comentários sobre os créditos apurados sobre as despesas com fretes internos, relativos ao transporte do açúcar entre a usina produtora e o entreposto portuário. Nos termos do já citado inciso IX do artigo 3º das Leis nº 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003, somente as despesas de frete relacionadas às operações de venda permitem a apuração de créditos não cumulativos. Todavia, a Copersucar calculou e rateou para a fiscalizada créditos com origem em despesas sobre fretes internos, não relacionados a operações de venda. A fiscalização aponta que a produção das usinas cooperadas fica disponibilizada para a Copersucar nas unidades de produção. Ou seja, a Copersucar possui em cada uma das usinas cooperadas (inclusive na fiscalizada) unidades filiais, nas quais estão estocados o açúcar e o etanol produzidos. Assim, toda a produção das cooperadas fica sob poder da Copersucar, que determina para quem e como deve ser comercializada essa produção. Nesse contexto, os fretes referemse ao transporte das filiais produtoras da Copersucar para a unidade filial da mesma em Santos SP, que, em momento posterior efetua a exportação. A previsão legal mencionada não alcança os fretes de mercadorias acabadas entre estabelecimentos do mesmo grupo. No caso em análise, é este o fato sobre o qual a Copersucar gera créditos e repassa à fiscalizada. Lembra que Copersucar formulou Consulta dirigida à Receita Federal, indagando sobre a possibilidade de apurar créditos sobre os referidos fretes, tendo obtido resposta negativa, conforme Solução de Consulta n° 296 SRRF08/DISIT. A decisão judicial favorável obtida pela cooperativa sobre a matéria, por meio do Mandado de Segurança (processo n° 002081228.2010.4.03.6100), prossegue o Termo, ainda pende de decisão definitiva o que impede a fiscalizada de utilizar esses créditos nos DACON. Essa situação justifica a glosa. O relato segue com a apresentação dos critérios usados pela auditoria na determinação dos valores a serem glosados a titulo de créditos sobre fretes internos. Demonstrativo de fls. 7.718/7.719 identifica mensalmente as glosas. O documento ao final esclarece que, após as glosas de créditos de PIS e de Cofins relativos às despesas com movimentação de mercadorias, foram zerados os saldos de créditos originalmente declarados no DACON. Assim, os valores a serem lançados de PIS e de Cofins como consequência das glosas dos créditos sobre os Fl. 7932DF CARF MF Documento de 19 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP12.0918.13175.JUR0. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16004.720480/201351 Acórdão n.º 3302005.648 S3C3T2 Fl. 7.933 5 fretes internos correspondem aos próprios valores glosados, já que não havia mais saldos de créditos passíveis de aproveitamento. Porém, arremata, diante da medida judicial que protege a contribuinte quanto à apuração de créditos não cumulativos sobre as despesas com fretes internos, a constituição do crédito correspondente se dará sem a imposição da multa de ofício ficando o crédito com sua exigibilidade suspensa. O lançamento correspondente corresponde à matéria tratada no auto de infração que integra o processo administrativo nº 16004.720497/201317, também julgado nessa sessão. Notificada do lançamento em 19/09/2013, em 18/10/2013 a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 7.758/7.811, alegando em síntese e fundamentalmente que: a) impugnação única deve servir ao presente processo e ao de nº 16004.720497/201317 (referente ao lançamento do crédito decorrente da glosa de créditos apurados sobre as despesas relacionadas aos fretes internos) em razão da coincidência da matéria, do sujeito passivo e dos motivos da autuação; b) a impugnante se creditou dos valores de créditos de PIS e COFINS repassados pela Copersucar, a título de rateio dos bens e das despesas com serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; tais valores, somados aos créditos próprios apurados como usina cooperada, foram utilizados nas respectivas DACON; c) a fiscalização considerou que a Impugnante teria se apropriado indevidamente de créditos decorrentes de despesas pagas pela Copersucar à Cia. Auxiliar de Armazéns Gerais, decorrentes da prestação de serviços de embarque de açúcar no Porto de Santos, valendose, para tanto, de uma interpretação negativa da literal disposição das normas de regência; a auditoria também glosou créditos calculados sobre as despesas com frete sob o argumento de que apenas os fretes nas aquisições de insumos e os relacionados às operações de venda permitem a apuração de créditos da nãocumulatividade; d) o auto de infração é viciado porque embasa o feito no inciso IX da Lei nº 10.637, de 2002, dispositivo que não guarda relação com a apuração de créditos não cumulativos de PIS e de Cofins sobre despesas com frete interno (intercompany) e movimentação de açúcar (embarque nos navios), em desrespeito ao art. 142 do CTN; há também o desvirtuamento do conceito de insumo, já que as rubricas alvo da glosa constituemse em despesas essenciais ao cumprimento dos objetivos da entidade; e) o lançamento em foco desrespeita ordem judicial que garante à autora, a Copersucar, repassar para a cooperada os créditos sobre os fretes; é ainda incabível o entendimento da auditoria de que a ação não teria eficácia imediata tendo em vista ainda pender de decisão definitiva; isto porque ao caso não se aplica o art. 170A do CTN já que não se trata de compensação de direito de crédito que exige o trânsito em julgado de decisão que considere indevida determinada exação; f) dentre as atividades operacionais da Impugnante está a de industrialização e comercialização de açúcar, configurandose imperativo que disponha de meios operacionais e logísticos suficientes para permitir a realização completa do seu negócio de exportação, aí incluídos despesas de frete (dos galpões localizados em suas usinas cooperadas até os armazéns do entreposto portuário para fins de exportação dos seus produtos) e, ao fim, do embarque do açúcar para os navios de exportação (despesas denominadas nas notas fiscais como "Movimentação", Fl. 7933DF CARF MF Documento de 19 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP12.0918.13175.JUR0. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16004.720480/201351 Acórdão n.º 3302005.648 S3C3T2 Fl. 7.934 6 "Serviços de Operação Portuária", "Transbordo de Carga", "Segundo Giro" e "Ad Valorem"); g) a atividade de exportação do açúcar, em regime de 'pool’ envolve, em território nacional, uma série de operações necessárias que envolvem o transporte, recebimento, descarga rodoviária e/ou ferroviária, armazenagem e elevação/embarque do açúcar nos navios; parte dessas tarefas é realizada pela Cia Auxiliar de Armazéns Gerais, a mando da Copersucar; pela realização desse conjunto de serviços, a Copersucar remunera a Cia Auxiliar de Armazéns Gerais, e, posteriormente, rateia as despesas relativas a esses serviços com as empresas cooperadas, suas fornecedoras, dentre as quais se encontra a Impugnante. h) notase, assim, a absoluta essencialidade dos desembolsos realizados pela Impugnante para que possa auferir receitas no desempenho de sua atividade exportação/venda cooperada, pois apenas mediante o transporte, recebimento no porto, armazenagem (para formação de lotes para exportação) e embarque do açúcar nos navios, e o transporte até o destinatário final (o que pressupõe a movimentação da mercadoria no porto) é que se torna possível realizar a operação de exportação; i) embora o dispositivo legal de que se valeu a fiscalização para fundamentar a autuação objeto do presente processo administrativo (artigo 3°, inciso IX da Leis n° 10.833/03, extensível a contribuição ao PIS/Pasep) faça menção expressa às despesas com armazenagem, há, no inciso II do referido artigo 3° das Leis n° 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003, previsão mais ampla, que autoriza os contribuintes a tomarem créditos de PIS e Cofins calculados sobre despesas com "bens e serviços, utilizados como insumos na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes"; j) o desenho constitucional do regime da nãocumulatividade impõe à Administração Pública o reconhecimento dos créditos de PIS e Cofins aproveitados pela impugnante; as rubricas questionadas no procedimento se caracterizam como serviços imprescindíveis para a realização de sua atividade empresarial; a restrição interpretativa ao conceito de insumo emprestado da legislação do IPI pela Receita Federal do Brasil vai na contramão da próprio legislação das contribuições; o IPI é tributo que incide sobre o consumo de bens; PIS e Cofins são contribuições que incidem sobre a receita; assim, o conceito de valor agregado afeto ao IPI não se aplica para o PIS e Cofins; o conceito de insumo deve ser entendido de modo mais amplo, na linha do conceito aplicável ao imposto sobre a renda, como defende a doutrina e transparece na jurisprudência; nessa medida todas as despesas cujos créditos forma glosados integram a matriz de insumos da fiscalizada e são geradoras de crédito no regime não cumulativo; k) os valores pagos à Companhia Auxiliar de Armazéns Gerais, responsável pelo conjunto de atividades que envolvem a movimentação, o manuseio e a armazenagem do açúcar no porto até o embarque nos navios contratados navios, correspondem a despesas diretamente relacionados à cadeia produtiva da Impugnante; sem tais serviços, não haveria a conclusão do ciclo comercial da autuada; l) os valores glosados pela fiscalização não se referem a fretes entre estabelecimentos de uma mesma empresa desvinculados de qualquer operação de venda; o frete relativo às transferências do açúcar para exportação somente é depositado em entreposto portuário para o fim de compor o lote de exportação, mas o açúcar já sai da Unidade Cooperada Produtora com a exclusiva finalidade de ser embarcado para o exterior ou seja, estritamente atrelado a uma operação de venda; Fl. 7934DF CARF MF Documento de 19 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP12.0918.13175.JUR0. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16004.720480/201351 Acórdão n.º 3302005.648 S3C3T2 Fl. 7.935 7 seria impossível à Impugnante exportar seu produto (açúcar) em dinâmica diversa daquela verificada no procedimento (estocagem da produção nas usinas para posterior transporte aos armazéns gerais da empresa COPERSUCAR que promove a venda no mercado internacional); a produção açucareira já sai diretamente da Unidade Produtora para o estabelecimento portuário apto a proceder às operações portuárias; de acordo com os procedimentos de praxe e de lei que regem a matéria; tendo em vista a particularidade da mercadoria é impossível a transferência direta da Unidade Produtora para os compartimentos do navio (mero transbordo de carga em operação de transporte midtimodal); m) ainda que a fiscalização entenda que o frete interno não tenha sido contemplado pelo comando emergente do inciso IX, do artigo 3o, da Lei n° 10.833, de 2003, tais dispêndios nada mais são do que despesas suportadas pela Impugnante para a consecução de sua atividade fim, que, na espécie, é a venda do açúcar ao mercado externo; tanto assim é que o Poder Judiciário reconheceu, na ação mandamental movida pela Copersucar, que o custo dos valores despendidos a título de frete no transporte entre estabelecimentos da impetrante ou entre o impetrante e armazéns gerais e alfandegários, podem ser creditados, visto, que no caso em tela, constituem ônus suportado pelo impetrante; Em 07 de março de 2014, a impugnação apresentada pela Recorrente foi, por unanimidade de votos, julgada improcedente, nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2009, 2010 LANÇAMENTO. AUTO DE INFRAÇÃO. INCLUSÃO DE DISPOSITIVO NÃO RELACIONADO À INFRAÇÃO. DESCRIÇÃO CORRETA DOS FATOS. NULIDADE POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. Não é nulo o lançamento, que, a despeito de haver mencionado dispositivo legal não relacionado à situação descrita nos autos, também inclui o dispositivo legal de regência dos fatos bem como descreve com detalhes a infração e a impugnação revela que o contribuinte exerceu amplamente seu direito de defesa. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2009, 2010 CRÉDITOS CALCULADOS SOBRE MOVIMENTAÇÃO DE PRODUTOS NO ARMAZÉM OU EMBARQUE. IMPOSSIBILIDADE. GLOSA. Os custos e despesas incorridos com movimentação de mercadorias no armazém ou no embarque, não geram créditos no regime da nãocumulatividade. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2009, 2010 CRÉDITOS CALCULADOS SOBRE MOVIMENTAÇÃO DE PRODUTOS NO ARMAZÉM OU EMBARQUE. IMPOSSIBILIDADE. GLOSA. Os custos e despesas incorridos com movimentação de mercadorias no armazém ou no embarque, não geram créditos no regime da nãocumulatividade. Fl. 7935DF CARF MF Documento de 19 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP12.0918.13175.JUR0. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16004.720480/201351 Acórdão n.º 3302005.648 S3C3T2 Fl. 7.936 8 Ciente da decisão em 04.04.2014 (fls. 7.879), a Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 06.05.2014 (fls. 7.8827.917), reproduzindo, em síntese, os argumentos apresentados em sede impugnatória. É relatório. Voto Vencido Conselheiro Walker Araujo Relator I Tempestividade A Recorrente foi intimada da decisão de piso em 04.04.2014 (fls.7.879) e protocolou Recurso Voluntário em 06.05.2014 (fls.7.8827.917) dentro do prazo de 30 (trinta) dias previsto no artigo 33, do Decreto 70.235/721. Desta forma, considerando que o recurso preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. II Preliminar II. 1 Nulidade do Auto de Infração A recorrente entende que o ato administrativo seria nulo por ter a fiscalização relacionado na base legal o inciso IX da Lei nº 10.637/20022, dispositivo que não guarda relação com os glosados créditos apurados sobre despesas de movimentação do açúcar e fretes desvinculados das operações de venda. A decisão recorrida afastou as pretensões da Recorrente com base nos seguintes fundamentos: Observou a contribuinte com razão que o dispositivo não se relaciona ao objeto das glosas. Porém, esse equívoco da fiscalização em nada modifica a validade formal do lançamento. Vejase que as referências ao dispositivo acima transcrito vêm sempre acompanhadas (fls. 7.697 e 7.714) também de alusões ao art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, esse sim, dispositivo relacionado à situação relatada pelo fiscal. No mais, observase que a descrição do objeto da glosa está bem detalhada nos autos possibilitando o pleno exercício do direito de defesa por parte da impugnante que de fato, demonstrou na impugnação ter pleno conhecimento das razões da autuação. De acordo com a decisão recorrida. 1 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. 2 Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º, a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: IX energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007) Fl. 7936DF CARF MF Documento de 19 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP12.0918.13175.JUR0. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16004.720480/201351 Acórdão n.º 3302005.648 S3C3T2 Fl. 7.937 9 Isto porque, o fato de parte da capitulação utilizada pela fiscalização estar incorreta, não se presta para anular o Auto de Infração quando a descrição dos fatos permite ao contribuinte pleno conhecimento dos motivos que ensejaram o lançamento fiscal. Neste sentido, destaco alguns trechos do relatório fiscal que apresentam os fatos e fundamentos que ensejaram o lançamento fiscal: (...) Portanto, entendo que o erro em parte da capitulação anteriormente noticiado, não é suficiente para ensejar qualquer declaração de nulidade do Auto de Infração. III. Mérito III.1 Conceito de Insumos para Fins de Creditamento Antes de enfrentar a questão tratada neste tópico, mister tecer alguns comentários legislativos do PIS e da COFINS no regime nãocumulativo. Fl. 7937DF CARF MF Documento de 19 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP12.0918.13175.JUR0. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16004.720480/201351 Acórdão n.º 3302005.648 S3C3T2 Fl. 7.938 10 Em 29 de agosto de 2002, por meio da Medida Provisória nº 66, houve uma significativa modificação no modo de tributação do PIS quer, de acordo com referida norma, tornouse nãocumulativo. A MP 66 foi, posteriormente, convertida na Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, a qual vem disciplinando o regime da nãocumulatividade do PIS/COFINS. Já em 30 de outubro de 2003, foi editada a Medida Provisória nº 135, convertida na Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, constituindo o texto básico do regime não cumulativo para a COFINS. No mesmo exercício de 2003, temos o advento da Emenda Constitucional nº 42, de 9 dezembro de 2003, a qual alterou o artigo 195, da Constituição Federal, para incluir, dentre outros, o parágrafo 12, o qual dispõe que "a lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b e ; e IV do caput, serão nãocumulativos." No que concerne ao sistema de créditos, o aproveitamento se encontra disposto nos artigos 3º, das Leis nº s 10.637/2002 e 10.833/2003, prevendo que os custos e despesas auferidas pela pessoa jurídica em seu processo produtivo serão passíveis de créditos, senão vejamos: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Regulamento) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III (VETADO) IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) Fl. 7938DF CARF MF Documento de 19 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP12.0918.13175.JUR0. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16004.720480/201351 Acórdão n.º 3302005.648 S3C3T2 Fl. 7.939 11 VII edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mãodeobra, tenha sido suportado pela locatária; VIII bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei. IX energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) É de se ver, que a legislação infraconstitucional permitiu os créditos de insumos, sem impor qualquer restrição, ou seja, adquirindo bens ou serviços que sejam utilizados (direta ou indiretamente) na prestação de serviços ou produção e fabricação de bens ou produtos, é possível, computar créditos para o abatimentos das contribuições. Ressaltase, por oportuno, que eventual restrição ao aproveitamento de créditos de insumos surgiu com o advento da Lei nº 10.865/2004, que trouxe a vedação de créditos no valor pago pela mão de obra de pessoa física, bem como na hipótese de bens e serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota zero, isentos ou não tributados. Posto isto, é necessário perquirir o conceito de insumo para fins de verificar se as despesas glosadas pela fiscalização dão direito a crédito Como se vê na decisão de piso, foi adotado pela autoridade fiscal como critério para definição de insumos as Instruções Normativas nºs 247/2002 e 404/2004, podendose concluir que a Receita Federal do Brasil aplicou a definição de insumo da legislação do IPI, o que já me adianto pela total discordância deste critério, pois entendo que se tratam de tributos de materialidades completamente distintas. Referidas IN´s, mitigaram a nãocumulativa da contribuição ao PIS e da COFINS, porquanto criaram diversos óbices e restrições na apuração dos créditos instituídos pelas Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. Notadamente no que se refere ao conceito de insumos, não se pode deixar de mencionar os ensinamentos de Natanael Martins3, a saber: "o conceito de insumo, contemplado na sistemática nãocumulativa do PIS/COFINS está relacionado ao fato de determinado bem ou serviço ter sido utilizado, ainda que de forma indireta, na atividade de fabricação do produto ou com a finalidade de prestar determinado serviço. 3 O conceito de insumos na Sistemática NãoCumulativa do PIS e da COFINS. IN PISCOFINS Questões Polêmicas. São Paulo: Quartier, 2005, p 2007. Fl. 7939DF CARF MF Documento de 19 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP12.0918.13175.JUR0. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16004.720480/201351 Acórdão n.º 3302005.648 S3C3T2 Fl. 7.940 12 Assim sendo, a toda evidência, o conceito de insumo pode se ajustar a todo consumo de bens ou serviços que se caracterize como custo segundo a teoria contábil, visto que necessários ao processo fabril ou de prestação de serviços como um todo". Com efeito, insumo4 é a complexidade de bens e serviços aplicados na produção ou fabricação de bens, sem os quais não seria possível a obtenção do produto final e acabado com características próprias, divididos entre insumos diretos e insumos indiretos, conforme expõe a Solução de Divergência COSIT nº 12, de 24.10.2007: É de se notar, que o termo "insumo" não poder ser utilizado de maneira restrita, como fez a fiscalização no caso em comento, considerando que tal procedimento vai de encontro com o princípio da nãocumulatividade. Destarte, os dispêndios direitos ou indiretos incorridos na produção ou prestação de serviços devem ser considerados como insumos e, consequentemente, serem computados na determinação dos créditos de PIS/COFINS. Nesse sentido, vale destacar o atual posicionamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais no sentido de não adotar, para fins de aproveitamento de créditos de PIS/COFINS, a interpretação restrita veiculada pelas IN´s nºs 247/2002 e 404/2004, conforme denotase da ementa do v. acórdão nº 3403002.656: ASSUNTO:CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração:01/04/2004 a 30/06/2004 Ementa: PEDIDOS DE RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos processos referentes a pedidos de compensação ou ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. ANÁLISE ADMINISTRATIVA DE CONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO. SÚMULA CARF N. 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. Filiome ao entendimento deste CARF que tem aceitado os créditos relativos a bens e serviços utilizados como insumos que são pertinentes e necessários ao processo 4 INSUMO. Economia Política. 1. Despesas e investimentos que contribuem para um resultado ou para obtenção de uma mercadoria ou produto até o consumo final. 2. É tudo aquilo que entre (input), em contraposição ao produto (output), que é o que sai. 3. Tratase de combinação de fatores de produção, diretos (matériaprima) e indiretos (mãodeobra, energia, tributos), que entrem na elaboração de certa quantidade de bens e serviços”. DINIZ, Maria Helena. Dicionário Jurídico. v.2. Saraiva: São Paulo, 1998, p.870. Fl. 7940DF CARF MF Documento de 19 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP12.0918.13175.JUR0. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16004.720480/201351 Acórdão n.º 3302005.648 S3C3T2 Fl. 7.941 13 produtivo ou à prestação de serviços, ainda que neles sejam empregados indiretamente, conforme ilustra a ementa abaixo do Acórdão nº 3403003.052, julgado em 23/07/2014, por voto condutor do Relator Conselheiro Alexandre Kern: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 DIREITO DE CRÉDITO. PROVA INSUFICIENTE. Em se tratando de controvérsia originada de pedido de ressarcimento de saldos credores, compete ao contribuinte o ônus da prova quanto à existência e à dimensão do direito alegado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos, para fins de creditamento da Contribuição Social não cumulativa, são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade empresária, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. (...) Feito estas considerações, na qual manifesto entendimento contrário aos critérios adotados pela autoridade fiscal, passo agora analisar as glosas expressamente contestadas no recurso voluntário que dizem respeito a: (i) fretes internos; (ii) despesas relativas à movimentação do açúcar para o navio. III.1.a Fretes Internos Nos termos do relatório fiscal de fls. 7.6947.721, a fiscalização glosou os créditos da Recorrente com base nos seguintes fundamentos: Para entender a natureza dos fretes internos, cabe esclarecer que a produção das usinas cooperadas fica disponinilizada para a COPERSUCAR nas unidades de produção. Ou seja, a COPERSUCAR possui em cada uma das usinas cooperadas (inclusive na fiscalizada) unidade filias, nas quais estão estocados o açúcar e o etanol produzidos. Dessa forma, toda a produção das cooperadas fica sob poder da COPERSUCAR, que determina para quem e como deve ser comercializada essa produção. Nesse contexto, em regra, tais fretes referemse ao transporte da produção das filiais da COPERSUCAR para a unidade filial da mesma em Santos SP , para que esta, posteriormente, efetue a exportação. Há ainda alguns fretes de transporte das unidades filiais da COPERSUCAR para os amrazéns de estocagem, conforme cópias das notas fiscais juntadas (por amostragem) às fls.4.4764.496. Fl. 7941DF CARF MF Documento de 19 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP12.0918.13175.JUR0. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16004.720480/201351 Acórdão n.º 3302005.648 S3C3T2 Fl. 7.942 14 Conforme já ressaltamos, o inciso IX do artigo 3º das leis 10.637/2002 e 10.833/2003 dispõe que a pessoa jurídica poderá descontar créditos relativos a frete na operação de venda. Destarte, a previsão legal não abrange os fretes de mercadorias acabadas entre os estabelecimentos do mesmo grupo. No caso em análise, é este o fato sobre o qual a COPERSUCAR gera créditos e repassa à fiscalizada. Ainda que a COPERSUCAR possa argumentar que a transferência de mercadorias acabadas entre seus próprios estabelecimentos seja operação que represente etapa essencial às suas atividades, não encontra respaldo em lei, isto porque somente há previsão para o crédito relativo a frete na aquisição de insumos e frete nas operações de venda. Por sua vez, a Recorrente alega, em síntese, que dentre as suas atividades operacionais da está a de industrialização e comercialização de açúcar, configurandose imperativo que disponha de meios operacionais e logísticos suficientes para permitir a realização completa do seu negócio de exportação, aí incluídos despesas de frete (dos galpões localizados em suas usinas cooperadas até os armazéns do entreposto portuário para fins de exportação dos seus produtos) No presente caso, entendo que referidas despesas de transportes não se caracterizam como frete nas operações de venda, passível de creditamento, mais mera despesa de transporte de produto acabado entre o estabelecimento produtor e o centro de distribuição. Como cediço, as normas de regência permitem o creditamento das contribuições não cumulativas i) sobre o frete pago quando o serviço de transporte quando utilizado como insumo na prestação de serviço ou na produção de um bem destinado à venda, com base no inciso II do art. 3° das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03; e ii) sobre o frete na operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor, conforme os arts. 3º, IX e 15, II da Lei n° 10.833/03. Há também direito ao crédito sobre despesas com fretes pagos a pessoas jurídicas quando o custo do serviço, suportado pelo adquirente, é apropriado ao custo de aquisição de um bem utilizado como insumo ou de um bem para revenda; bem como de fretes pagos a pessoa jurídica para transporte de insumos ou produtos inacabados entre estabelecimentos, dentro do contexto do processo produtivo da pessoa jurídica. Entretanto, o transporte de produto acabado, tais como os fretes indicados pela recorrente neste tópico, entre a industria e o Porto para formação de lote de exportação em recintos alfandegados, que não se refere ao transporte do produto vendido entre o estabelecimento do produtor e o do adquirente, não se enquadra em qualquer dessas hipóteses permissivas de creditamento acima mencionadas. Portanto, entendo que deve ser mantida a glosa relativa aos serviços de transportes discutidos neste tópico. III.1.b Despesas relativas à movimentação do açúcar para o navio Neste ponto a fiscalização glosou os créditos da recorrente, por entender que as despesas de movimentação do açúcar exportado (embarque do açucar nos navios), não são Fl. 7942DF CARF MF Documento de 19 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP12.0918.13175.JUR0. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16004.720480/201351 Acórdão n.º 3302005.648 S3C3T2 Fl. 7.943 15 passíveis de creditamento por total ausência de permissivo legal que autorize o desconto de créditos. Por sua vez, a Recorrente, em síntese, alegou que a atuação da prestadora de serviços portuários relativo a movimentação do açúcar para os compartimentos, consiste em etapa indissociável do transporte da mercadoria, razão pela qual é de se tratar a despesa como parcela do custo do transporte. Em relação a este tema, este Relator já se posicionou favoravelmente ao direito do contribuinte nos seguintes termos5: Considerando a operação realizada pela Recorrente, e pelo fato dela ter especificado os dispêndios com referidos serviços, entendo que estes são absolutamente necessários ao processo que resulta na atividade econômica desenvolvida pelo contribuinte, não podendo, a pessoa jurídica prescindir desses serviços, não sendo eles opcionais, nem atividademeio e tampouco despesa administrativa. Este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, nas hipóteses relativas aos gastos com estes serviços tem entendido que integram o custo dos bens, e o direito do crédito é assegurado no art. 3º da e da lei 10.833/03, senão vejamos: (cfr. Processo nº 15586.001201/201048, Recurso nº Voluntário, Acórdão nº 3301002.061, 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Sessão de 25 de setembro de 2013: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 DILIGÊNCIA. Rejeitase o pedido de diligência que o julgador considerar prescindível ao deslinde do litígio. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/09/2008 CUSTOS DE PRODUÇÃO. CRÉDITOS. Os custos incorridos com serviços de desestiva/produção (descarregamento, movimentação, acondicionamento e armazenagem das matériasprimas no armazém alfandengado), geram créditos dedutíveis da contribuição apurada sobre o faturamento mensal e/ ou passíveis de ressarcimento. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. SALDO TRIMESTRAL. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. De acordo com o art. 3º, § 4º, da Lei nº 10.833, de 2003, o crédito de um determinado mês pode ser utilizado nos meses subsequentes, e o fato da Lei nº 11.116/2005, autorizar o ressarcimento do saldo de créditos somente no término do trimestre, não quer dizer que não poderão ser aproveitados créditos apurados em outros trimestres. Recurso Voluntário Provido (Processo nº 15586.001201/201048, Recurso nº Voluntário, Acórdão nº 3301002.061, 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Sessão de 25 de setembro de 2013) 5 Acórdão: 3302003.199 Processo 11624.720020/201311 Sessão 17 de maio de 2016. Fl. 7943DF CARF MF Documento de 19 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP12.0918.13175.JUR0. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16004.720480/201351 Acórdão n.º 3302005.648 S3C3T2 Fl. 7.944 16 Por este motivo, entendo que há de ser reconhecido o direito da Recorrente ao crédito de PIS/COFINS incidente nesta operação. Neste cenário, considerando que referidos serviços são absolutamente necessários ao processo que resulta na atividade econômica desenvolvida pela Recorrente, entendo que a glosa deve ser totalmente revertida. IV Conclusão Diante do exposto, afasto a preliminar de nulidade e, no mérito, dou parcial provimento ao recurso voluntário para reverter a glosa das despesas de movimentação do açúcar para o navio. É como voto. (assinado digitalmente) Walker Araujo Voto Vencedor Conselheiro Vinícius Guimarães, redator designado. Com o devido respeito aos argumentos do ilustre relator, divirjo de seu entendimento quanto à possibilidade de creditamento de PIS/COFINS, no regime não cumulativo, com relação às despesas portuárias diversas, em especial, no presente caso, os gastos com movimentação e embarque de açúcar. Em seu voto, o i. relator assinala que os referidos dispêndios seriam necessários ao processo produtivo atinente à atividade econômica da recorrente, afigurandose como passíveis de creditamento das contribuições nãocumulativas. Distanciome de tal entendimento pelas razões a seguir expostas. Inicialmente, importa recordar que, no tocante ao conceito de insumos aplicável às contribuições nãocumulativas, a jurisprudência recente do CARF tem afastado a interpretação restritiva consolidada no âmbito do IPI e rejeitado a aplicação do amplo conceito de insumos consagrado na legislação do Imposto sobre a Renda. Nesse contexto, afastando as correntes doutrinárias tradicionais, a jurisprudência majoritária do CARF tem assentado, de forma acertada, que o conceito de insumos, no âmbito do PIS/COFINS nãocumulativos, pressupõe que os bens ou serviços sejam consumidos durante o processo produtivo (ou de prestação de serviços) e dentro de seu espaço, salvo expressas disposições legais, como é o caso das despesas com frete e armazenagem nas operações de comercialização, as quais se dão após o término do processo produtivo, mas geram direito a crédito de PIS/COFINS por inequívoca previsão normativa: art. 3º, inciso IX, e art. 15, inciso II, ambos da Lei 10.833/03. A jurisprudência atual do CARF se orienta, portanto, no sentido de vincular, de forma estrita, o conceito de insumos à relação de pertinência da despesa incorrida com o limite espaçotemporal do processo produtivo (ou de prestação de serviços). Fl. 7944DF CARF MF Documento de 19 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP12.0918.13175.JUR0. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16004.720480/201351 Acórdão n.º 3302005.648 S3C3T2 Fl. 7.945 17 Na esteira de tal entendimento, os excertos da ementa e do voto vencedor do Acórdão nº 9303002.659, Processo nº 13204.000070/200455, sessão de 14/11/2013, da Câmara Superior de Recursos Fiscais, transcritos abaixo, sublinham a necessidade de pertinência entre o gasto ao qual se busca aplicar o conceito de insumos e a duração do processo produtivo (grifei algumas partes): EMENTA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/06/2004 a 30/06/2004 COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. Este colegiado fixou o entendimento de que a legislação do IPI que define, no âmbito daquele imposto, o que são matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem não se presta à definição de insumo no âmbito do PIS e da COFINS nãocumulativos, definição que tampouco deve ser buscada na legislação oriunda do imposto de renda. A corrente majoritária sustenta que insumos são todos os itens, inclusive serviços, consumidos durante o processo produtivo sem a necessidade de contato físico com o produto em elaboração. Mas apenas se enquadra como tal aquilo que se consuma durante a produção e em razão dessa produção. Assim, nada que se consuma antes de iniciado o processo ou depois que ele se tenha acabado é insumo, assim como também não são insumos bens e serviços que beneficiarão a empresa ao longo de vários ciclos produtivos, os quais devem ser depreciados ou amortizados; é a correspondente despesa de depreciação ou amortização, quando expressamente autorizada, que gera direito de crédito. Recurso Especial do Procurador Negado e Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte. VOTO CONDUTOR (...) Para uma primeira corrente, que se formou concomitantemente à que a Fazenda mais uma vez pretende seja aplicada, e em antítese a ela, a demarcação deviase buscar nas normas atinentes ao imposto sobre a renda, equiparandose, assim, a expressão a tudo que fosse despendido, de forma necessária, seja como custo ou despesa. Essa posição também já se encontra superada, entendendo a maioria que nem tudo que é despendido, ainda que contabilmente até possa ser registrado como custo ou despesa, é verdadeiramente consumido no processo. Essa posição majoritária, portanto, acentua a necessidade de que o consumo ocorra durante a produção, isto é, que o bem (ou serviço) seja consumido enquanto perdura o processo produtivo, entendido este, obviamente, em sentido amplo para englobar até mesmo a “produção” de serviços. Afastam se, em conseqüência, os gastos ocorridos antes ou depois de iniciado aquele processo por mais que possam ser necessários à produção. E por esse mesmo critério também têm de ser rejeitados aqueles dispêndios em bens e serviços que produzirão efeito ao longo de diversos ciclos produtivos. Tais desembolsos ocorrem, no mais das vezes, em obras ou bens permanentes, hipótese em que devem, pela própria contabilidade, ser ativados. Deles apenas as correspondentes despesas de depreciação ou amortização podem ser Fl. 7945DF CARF MF Documento de 19 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP12.0918.13175.JUR0. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16004.720480/201351 Acórdão n.º 3302005.648 S3C3T2 Fl. 7.946 18 deduzidas como créditos, mas apenas nas restritivas condições demarcadas pela própria norma legal específica. (...) Vale, por fim, o registro de que a própria lei expressamente autorizou o direito de crédito com relação a algumas despesas que ocorrem após o fim do processo (frete do produto final, armazenagem) ou relativas a gastos que beneficiam mais de um ciclo produtivo (depreciações e amortizações). Sua inclusão explícita confirma que em tais casos de insumos propriamente não se trata, sendo imprescindível a expressa referência no texto legal. Essa posição majoritária, portanto, acentua a necessidade de que o consumo ocorra durante a produção, isto é, que o bem (ou serviço) seja consumido enquanto perdura o processo produtivo, entendido este, obviamente, em sentido amplo para englobar até mesmo a “produção” de serviços. Afastam se, em conseqüência, os gastos ocorridos antes ou depois de iniciado aquele processo por mais que possam ser necessários à produção. Pela leitura dos excertos, podese observar que o conceito de insumos exige o consumo de bens ou serviços durante o processo produtivo, excluindose, de tal conceito, as despesas incorridas antes ou depois do processo produtivo salvo exceções legais explícitas. Ou seja, os bens ou serviços consumidos enquanto perdurar o processo produtivo são considerados insumos, enquanto que os gastos ocorridos antes ou depois de iniciado o processo produtivo, "por mais que possam ser necessários à produção", não se enquadram no conceito de insumos. Filiome ao conceito de insumos acima esposado. Não basta que a despesa seja necessária ao processo produtivo: é fundamental que ela seja incorrida dentro do limite espaço temporal do processo produtivo (ou de prestação de serviços). Tendo em vista tal conceito de insumos e voltando ao caso concreto, há que se concluir que gastos portuários, como é o caso dos serviços de movimentação e embarque de açúcar, ainda que, eventualmente, possam se mostrar necessários à atividade econômica da pessoa jurídica, como bem pontuou o i. relator, não podem ser considerados insumos, uma vez que constituem despesas incorridas após o processo produtivo. De fato, os referidos dispêndios ocorrem após o período de duração do processo produtivo, não guardando a fundamental e necessária relação de pertinência com a produção, razão pela qual não se aplica a eles o conceito de insumos para fins de creditamento de PIS/COFINS nãocumulativos. Há que se ressaltar, por fim, que os citados gastos aduaneiros não podem ser confundidos com os gastos com armazenagem ou transporte (frete), uma vez que correspondem, evidentemente, a categorias ontologicamente distintas, resultando daí tratamentos jurídicos distintos no que concerne à possibilidade de crédito de PIS/COFINS: enquanto despesas com armazenagem e frete podem, sob certas condições, gerar direito ao crédito de PIS/COFINS, por expressa previsão legal, os gastos com serviços portuários dos produtos acabados não dão direito a crédito, uma vez que 1) não representam insumos e 2) não há norma tributária prevendo seu creditamento. Fl. 7946DF CARF MF Documento de 19 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP12.0918.13175.JUR0. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16004.720480/201351 Acórdão n.º 3302005.648 S3C3T2 Fl. 7.947 19 Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento à pretensão da recorrente quanto à possibilidade de creditamento das despesas com serviços portuários diversos movimentação e embarque de açúcar. (assinado digitalmente) Vinícius Guimarães Fl. 7947DF CARF MF Documento de 19 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP12.0918.13175.JUR0. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por WALKER ARAUJO em 23/08/2018 14:38:00. Documento autenticado digitalmente por WALKER ARAUJO em 23/08/2018. Documento assinado digitalmente por: PAULO GUILHERME DEROULEDE em 31/08/2018, VINICIUS GUIMARAES em 24/08/2018 e WALKER ARAUJO em 23/08/2018. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 12/09/2018. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP12.0918.13175.JUR0 Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha2: B10A8ED0029E60E85FC2367C59791E9003A0B6CC8DF166E7C23F6F367EC4C788 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 16004.720480/2013-51. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 16227.000010/2009-77
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/2001 a 30/11/2001
NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. FATOS GERADORES APURADOS EM GFIP. LANÇAMENTO POR SUPOSIÇÃO. INOCORRÊNCIA.
Não se configura como lançamento fundado em suposições aquele cujos fatos geradores houveram-se por apurados diretamente das informações assentadas nas GFIP apresentadas pela empresa, elaboradas sob o domínio, comando e responsabilidade do próprio sujeito passivo, circunstância que torna despicienda a discriminação pormenorizada dos fatos jurígenos tributários no corpo do Relatório Fiscal, eis que são do inteiro conhecimento do Contribuinte, fulgurando as informações nele consignadas como bastante e suficiente para fazer prova do fato afirmado.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - CONFRONTO GFIP X GPS.
Uma vez constatada a diferença entre o valor declarado em GFIP e o recolhido através de GPS, é dever da autoridade fiscal promover o lançamento do crédito para apurar as diferenças declaradas e não recolhidas.
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. INCOMPETÊNCIA.
É vedado aos membros das turmas de julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Súmula CARF nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
JUROS. TAXA SELIC. LEGITIMIDADE.
Súmula CARF n° 04: A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
JUROS. TAXA SELIC. LEGITIMIDADE. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL E SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA.
É legítima a cobrança dos encargos legais em percentuais estabelecidos de acordo com a própria legislação, bem como também é legítima a cobrança dos juros com a utilização da taxa Selic no seu cálculo, conforme Súmula n° 04 do CARF e posicionamento do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça, sob o rito da repercussão geral (RE 582.461/SP) e dos recursos repetitivos (REsp 879.844/MG).
MULTA. MP 449/08. LEI 11.941/09. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Em face do disposto no art. 57 da Lei n° 11.941, de 2009, a eventual aplicação de penalidade mais benéfica deve observar o regramento traçado em portaria conjunta da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional e da Secretaria da Receita Federal do Brasil, no caso a Portaria Conjunta PGFN/RFB n° 14, de 2009.
Numero da decisão: 2401-005.667
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Matheus Soares Leite (relator), Andréa Viana Arrais Egypto, Rayd Santana Ferreira e Thiago Duca Amoni (suplente convocado), que davam provimento parcial ao recurso para que a multa fosse limitada a 20%. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Matheus Soares Leite Relator
(assinado digitalmente)
José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Thiago Duca Amoni (suplente convocado), Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente). Ausente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: MATHEUS SOARES LEITE
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. FATOS GERADORES APURADOS EM GFIP. LANÇAMENTO POR SUPOSIÇÃO. INOCORRÊNCIA. Não se configura como lançamento fundado em suposições aquele cujos fatos geradores houveramse por apurados diretamente das informações assentadas nas GFIP apresentadas pela empresa, elaboradas sob o domínio, comando e responsabilidade do próprio sujeito passivo, circunstância que torna despicienda a discriminação pormenorizada dos fatos jurígenos tributários no corpo do Relatório Fiscal, eis que são do inteiro conhecimento do Contribuinte, fulgurando as informações nele consignadas como bastante e suficiente para fazer prova do fato afirmado. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO CONFRONTO GFIP X GPS. Uma vez constatada a diferença entre o valor declarado em GFIP e o recolhido através de GPS, é dever da autoridade fiscal promover o lançamento do crédito para apurar as diferenças declaradas e não recolhidas. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. INCOMPETÊNCIA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 22 7. 00 00 10 /2 00 9- 77 Fl. 204DF CARF MF Processo nº 16227.000010/200977 Acórdão n.º 2401005.667 S2C4T1 Fl. 205 2 É vedado aos membros das turmas de julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Súmula CARF nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. JUROS. TAXA SELIC. LEGITIMIDADE. Súmula CARF n° 04: A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. JUROS. TAXA SELIC. LEGITIMIDADE. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL E SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. É legítima a cobrança dos encargos legais em percentuais estabelecidos de acordo com a própria legislação, bem como também é legítima a cobrança dos juros com a utilização da taxa Selic no seu cálculo, conforme Súmula n° 04 do CARF e posicionamento do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça, sob o rito da repercussão geral (RE 582.461/SP) e dos recursos repetitivos (REsp 879.844/MG). MULTA. MP 449/08. LEI 11.941/09. RETROATIVIDADE BENIGNA. Em face do disposto no art. 57 da Lei n° 11.941, de 2009, a eventual aplicação de penalidade mais benéfica deve observar o regramento traçado em portaria conjunta da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional e da Secretaria da Receita Federal do Brasil, no caso a Portaria Conjunta PGFN/RFB n° 14, de 2009. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Matheus Soares Leite (relator), Andréa Viana Arrais Egypto, Rayd Santana Ferreira e Thiago Duca Amoni (suplente convocado), que davam provimento parcial ao recurso para que a multa fosse limitada a 20%. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Matheus Soares Leite – Relator (assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro – Redator Designado Fl. 205DF CARF MF Processo nº 16227.000010/200977 Acórdão n.º 2401005.667 S2C4T1 Fl. 206 3 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Thiago Duca Amoni (suplente convocado), Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente). Ausente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa. Relatório Tratase de crédito tributário decorrente de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD n° 35.359.5009, cujo fato gerador tem origem nos pagamentos e ou créditos mensais efetuados a segurados empregados em Folha de Pagamento, em rubricas que integram o salário de contribuição, retidas de segurados empregados e não recolhidas à Seguridade Social, no total de R$ 194.993,37 (cento e noventa e quatro mil, novecentos e noventa e três reais e trinta e sete centavos), consolidado em 27/02/2002. Os documentos examinados durante a ação fiscal foram: (a) Comprovantes de Recolhimentos – GPS e (b) Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP/SEFIP – período 09/2001; 10/2001 e 11/2001. O contribuinte foi cientificado do lançamento em epígrafe no dia 19/06/2002, conforme certidão de fl. 57 dos autos e, dentro do prazo regulamentar, interpôs impugnação, colacionando, em síntese, as seguintes alegações de defesa: (a) De plano a presente autuação deve ser anulada, por total falta de amparo jurídico, na medida em que o Sr. Auditor Fiscal da Previdência Social não partiu de qualquer indício materialmente comprovado para a conclusão encontrada. (b) Sendo a atividade tributária do Estado vinculada à lei, e sendo o ato do lançamento um meio para a satisfação plena da arrecadação tributária, não pode o Estado, no afã de satisfazer sua pretensão arrecadadora, utilizarse do método indutivo de tributação, na medida em que este não tem qualquer amparo legal. Ademais, a vinculação do lançamento vem expressamente fixada em lei, conforme termos do artigo 142 do CTN. (c) Não havendo qualquer comprovação pelo Fisco, da ocorrência do fato tributável, não há que se falar em ônus da prova do contribuinte, porquanto para o direito, o fato não provado não é fato, e, assim sendo, nada há a ser desconstituído. (d) De qualquer sorte, se o Douto Julgador Administrativo entender a favor da parte contrária, a autora amparada legalmente pela Lei n° 9.250/95 e Instruções Normativas n° 21/97 e 73/97, possui créditos de outros tributos federais que poderão ser compensados com o suposto débito constante na NFLD em referência. (e) A sanção somente teria espaço nas hipóteses em que não houver o adimplemento de qualquer obrigação. (f) Do exame da legislação previdenciária, verificase que além de penalizar o contribuinte inadimplente, com a cobrança de multa, e se ver indenizada pela aplicação de correção monetária, a administração pública ainda pretende auferir ganho de capital, como se Fl. 206DF CARF MF Processo nº 16227.000010/200977 Acórdão n.º 2401005.667 S2C4T1 Fl. 207 4 investidora de mercado financeiro fosse, ao compelir o contribuinte ao pagamento de juros, e o que é pior, juros acumulados, em razão da Taxa de Custódia – SELIC, que penaliza duplamente o contribuinte. (g) Mesmo que fosse devia a importância exigida pelo Fisco Previdenciário, a título de tributo, o valor da sanção praticamente o supera, o que, além de configurarse extorsivo numa economia estável, acaba por impedir ou inviabilizar eventual pagamento, na medida em que expungiria o contribuinte de parcela significativa de seu patrimônio, se não de sua totalidade. (h) A Taxa de Juros Selic, foi criada pela Lei n° 8.981/95 para regular as operações do Sistema Financeiro e por se tratar de lei ordinária, é inaplicável aos tributos, tendo em vista que o artigo 163 da Constituição Federal é claro e expresso ao determinar que a Lei Complementar disporá sobre a normatização do Sistema Financeiro. (i) Frisese que a Taxa de Juros Selic não é composta apenas de juros moratórios, mas incorpora, também, percentual equivalente à correção monetária no período de sua apuração, destarte, sua cumulação com a correção monetária ou outro índice como a TR é ilegal por ocorrer bis in idem. (j) Ao final, requer a procedência da defesa, com o consequente arquivamento do processo administrativo e a anulação da NFLD em referência. Caso não seja este o entendimento, requer nova fiscalização, tendo em vista que o contribuinte possui pedido de compensação referentes a débitos cobrados pelo INSS com créditos de outros tributos. À fl. 60, consta despacho proferido pelo Serviço de Análise de Defesas e Recursos, solicitando a baixa dos autos em diligência para a juntada dos documentos: TIAF, TIAD e TEAF. À fl. 61, consta despacho proferido pela Gerência Executiva do INSS de Osasco, informando o seguinte: Conforme consta, a empresa acima identificada procedeu ao pedido de parcelamento formalizandose a competente LDC para o débito da parte patronal. A referida LDC foi devidamente assinada e encaminhada ao setor de cobrança. Constatada a existência de débito referente à parte de segurados nas competências 09/2001; 10/2001 e 11/2001, foi notificada a apresentar as competentes GPSs. Considerando que não foi comprovado o recolhimento foi lavrada a NFLD Notificação Fiscal de Lançamento de Débito n°. 35.358.5009, com base em documento denominado GEFIP, motivo ensejador da não juntada de TIAF, TIAD e TEAF. Ao Sr. Chefe da Seção de Fiscalização. Posteriormente, sobreveio a DecisãoNotificação n° 21.028/00073/2003 (fls. 62/69), proferida pelo Instituto Nacional do Seguro Social de Osasco/SP, que julgou Fl. 207DF CARF MF Processo nº 16227.000010/200977 Acórdão n.º 2401005.667 S2C4T1 Fl. 208 5 procedente o lançamento fiscal, rejeitando as preliminares suscitadas na impugnação, além de declarar o contribuinte devedor à Seguridade Social do crédito previdenciário de R$ 194.993,37, consolidado em 27/02/2002. Nesse sentido, cumpre repisar que a decisão a quo exarou os seguintes motivos e que delimitam o objeto do debate recursal: (a) Preliminarmente, ante a manifestação da impugnante de que a autuação deve ser anulada, pois não amparada em lei, ressaltamos que o lançamento está amparado no inciso I do artigo 30 da Lei n° 8.212/91. (b) Em face da argumentação de que foi utilizado método indutivo para levantamento das contribuições lançadas em NFLD, lembramos que de acordo com o relatório fiscal de fls. 11/12, foram informados os documentos utilizados para levantamento do mencionado débito, a saber: GFIP e GPS, e ainda, que o documento GFIP se constitui de valores declarados pelo contribuinte, não assistindo, portanto, razão ao mesmo quando afirma que o AFPS utilizouse de presunção para tal levantamento. Vale observar o texto do Decreto n° 2.803/98 que regulamenta o art. 32 da Lei n° 8.212/91. (c) Sendo assim, a NFLD em comento seguiu todos os passos para sua correta formação, conforme determina o art. 142 do Código Tributário Nacional, quais sejam: (a) constatação do fato gerador cominado na lei; (b) caracterização da obrigação; (c) apuração do montante da base de cálculo; (d) fixação da alíquota aplicável à espécie; (e) determinação da exação devida – valor original da obrigação; (f) definição do sujeito passivo da obrigação; e (g) lavratura do termo correspondente, acompanhado de relatório discriminativo das parcelas mensais, tudo conforme a legislação. Portanto, e de acordo com o exposto, inadmissível a afirmação de que foi utilizado método indutivo não amparado em lei. (d) Com relação às alegações da impetrante de serem ilegais os acréscimos moratórios e o uso da taxa Selic para correção dos tributos fiscais, tal aplicação é decorrente de leis que se encontravam em vigor na época do fato gerador (art. 3°, da Lei n° 8.218/91; arts. 58 e 61, da Lei n° 8.383/91; arts. 3° e 4°, da Lei n° 8.620/93; art. 13, da Lei n° 9.065/95; art. 84, da Lei n° 8.981/95; art. 34, da Lei n° 8.212/91). (e) As Leis mencionadas disciplinam e determinam a aplicação dos juros moratórios e a aplicação da taxa SELIC para o cálculo de contribuições previdenciárias recolhidas fora do prazo, portanto, não procede a alegação da empresa, uma vez que a utilização de acréscimos moratórios e a taxa SELIC, estão embasadas em legislação federal. O contribuinte, por sua vez, inconformado com a decisão prolatada e procurando demonstrar a improcedência do lançamento, interpôs Recurso Voluntário (fls. 78/81), apresentando, em síntese, os seguintes argumentos: (a) Preliminarmente, a empresa peticionária esclarece que aforou mandado de segurança perante a Justiça Comum Federal, com o objetivo de elidir a iníqua obrigação disposta no artigo 306 do Decreto n° 3.048/99, que vincula o seguimento ou conhecimento de recurso interposto em processo de discussão de crédito previdenciário à comprovação do depósito de 30% do valor discutido, motivo pelo qual, pede o seguimento do apelo recursal enquanto a Justiça examinar a impetração sob exame. Fl. 208DF CARF MF Processo nº 16227.000010/200977 Acórdão n.º 2401005.667 S2C4T1 Fl. 209 6 (b) A auditoria fiscal não contemplou a estrita necessidade legal de autuar apenas posteriormente a uma ampla investigação e valoração dos fatos, ante o princípio da verdade material, o que não ocorreu, posto que se baseou, àquela autoridade, em meros documentos declaratórios, mas que não comprovam a veracidade do comprovado. (c) O escrito no documento particular prova o conteúdo, mas não a fidedignidade dos fatos nele contidos (CPC, artigo 368, parágrafo único). (d) A Taxa Selic penaliza duplamente a recorrente, sendo certo que só poderia ter sido instituída mediante a edição de Lei Complementar, jamais de Lei Ordinária. Inclusive, na forma em que se encontra, da autuação deve ser afastada a incidência da atualização SELIC, seja porque contrária ao artigo 163 da Constituição, seja porque sua aplicação equivale ao estabelecimento de sanção iníqua, o que também fere o dispositivo da Constituição, artigo 5°, inciso XLVIII. Ao final, a recorrente pleiteou a reforma da decisão de piso, no sentido de julgar insubsistente o lançamento procedido pela Auditoria Fiscal, consubstanciado na anulação da indevida NFLD 35.3585009, de 27/02/2002. Às fls. 93/100, consta cópia do Mandado de Segurança impetrado pelo contribuinte, a fim de que garantir o direito de recorrer administrativamente sem a efetuação do depósito prévio, correspondente a 30% da exigência fiscal, em favor da Previdência Social, por força do Decreto n° 70.235/72. Às fls. 106/108, consta despacho proferido pela Gerência Executiva do INSS em Osasco, Seção de Análise de Defesas e Recursos, determinando a remessa à Procuradoria para prosseguimento, considerando que a empresa não apresentou o recolhimento de 30% do valor do débito, conforme determina o art. 126, da Lei n/ 8.213/91, na redação dada pela Lei n° 9.639/98, além de que as alegações da empresa não teriam trazido nenhum fato novo capaz de modificar o lançamento. Às fls. 119/120, consta Pedido de Reconsideração em face da decisão proferida pela Gerência Executiva do INSS em Osasco, que negou seguimento apresentado em 04/09/2003, sob o fundamento de que a empresa não apresentou o recolhimento de 30% do valor do débito, conforme determina o art. 26, da Lei n° 9.639/98. À fl. 122, consta despacho proferido pela Gerência Executiva do INSS em Osasco, Seção de Análise de Defesas e Recursos, negando o Pedido de Reconsideração apresentado pelo contribuinte. Às fls. 158/159, consta Certidão atestando a inscrição do débito em dívida ativa. Às fls. 163/168, consta petição do contribuinte informando a concessão da ordem pleiteada no Mandado de Segurança, assegurando o direito de interpor recurso administrativo sem o prévio depósito de 30% do débito em discussão e cópia da decisão proferida. À fl. 173, consta despacho do Serviço de Controle e Acompanhamento Tributário (SECAT) da Receita Federal do Brasil, encaminhando o processo à Procuradoria da Fl. 209DF CARF MF Processo nº 16227.000010/200977 Acórdão n.º 2401005.667 S2C4T1 Fl. 210 7 Fazenda Nacional para que fosse procedida a devolução do crédito tributário n° 35.358.5008 para a fase administrativa, em razão da concessão da ordem no mandado de segurança. À fl. 176, consta despacho da Procuradoria da Fazenda Nacional determinando o cancelamento da inscrição por decisão judicial, proferida nos autos do MS n° 2003.61.00.0226480 e o retorno à fase administrativa. Em seguida, os autos foram remetidos a este Conselho para apreciação e julgamento do Recurso Voluntário. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Matheus Soares Leite – Relator 1. Considerações iniciais. O julgador administrativo deve fundamentar suas decisões com a indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos que a motivam (art. 50 da Lei n° 9.784/99), observando, dentre outros, os princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência (art. 2° da Lei n° 9.784/99). O dever de motivação oportuniza a concretização dos princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório (art. 5º, LV, da CR/88), abrindo aos interessados a possibilidade de contestar a legalidade do entendimento adotado, mediante a apresentação de razões possivelmente desconsideradas pela autoridade na prolação do decisum. Para a solução do litígio tributário, deve o julgador delimitar, claramente, a controvérsia posta à sua apreciação, restringindo sua atuação apenas a um território contextualmente demarcado. Os limites são fixados, por um lado, pela pretensão do Fisco e, por outro lado, pela resistência do contribuinte, que culminam com a prolação de uma decisão de primeira instância, objeto de revisão na instância recursal. Dessa forma, se a decisão de 1ª instância apresenta motivos expressos para refutar as alegações trazidas pelo contribuinte, a lida fica adstrita a essa motivação. Para solucionar a lide posta, o julgador se vale do livre convencimento motivado, resguardado pelos artigos 29 e 31 do Decreto n° 70.235/72. Assim, não é obrigado a manifestar sobre todas as alegações das partes, nem a se ater aos fundamentos indicados por elas ou a responder, um a um, a todos os seus argumentos, quando possui motivos suficientes para fundamentar a decisão. Cabe a ele decidir a questão de acordo com o seu livre convencimento, utilizandose dos fatos, das provas, da jurisprudência, dos aspectos pertinentes ao tema e da legislação que entender aplicável ao caso concreto. Caso a recorrente discorde da decisão proferida por este Colegiado, pode, ainda: (a) opor embargos de declaração no caso de “obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a Fl. 210DF CARF MF Processo nº 16227.000010/200977 Acórdão n.º 2401005.667 S2C4T1 Fl. 211 8 turma” (art. 65 do RICARF); ou (b) interpor Recurso Especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais, desde que demonstre a existência de decisão de outra Câmara, Turma de Câmara, Turma Especial ou a própria CSRF que dê a à lei tributária interpretação divergente (art. 67 do RICARF). 2. Juízo de Admissibilidade. O Recurso Voluntário é tempestivo, conforme certidão de fls. 102 e vislumbro a presença dos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n° 70.235/72. Portanto, dele tomo conhecimento. 3. Preliminar. 3.1. Da alegada ausência de comprovação do fato gerador (art. 142 do CTN). Preliminarmente, alega a recorrente que o lançamento em questão foi baseado em indícios frágeis da prática da suposta infração, sem elementos de prova que indicassem, de modo cabal, a prática de suposta retenção irregular de contribuições devidas. Nesse sentido, a autoridade fiscal não teria observado a necessidade legal de autuar apenas posteriormente a uma ampla investigação e valoração dos fatos, ante o princípio da verdade material, tendo se baseado apenas em meros documentos declaratórios. É certo que a constituição do crédito tributário, por meio do lançamento de ofício, como atividade administrativa vinculada, exige do Fisco a observância da legislação de regência, a fim de constatar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível (art. 142 do CTN). A não observância da legislação que rege o lançamento fiscal ou a falta de seus requisitos, tem como consequência a nulidade do ato administrativo, sob pena de perpetuar indevidamente cerceamento do direito de defesa. Contudo, entendo que não assiste razão à recorrente, estando hígida a exigência em epígrafe, não havendo que se falar em prejuízo à ampla defesa. Pois bem. Cabe ressaltar que o lançamento em questão diz respeito às Contribuições Sociais devidas à Seguridade Social e não recolhidas, correspondente à parte dos Segurados empregados, retida em folha de pagamento, com origem na diferença constatada mediante o confronto entre os valores declarados pela própria recorrente em GFIP e aqueles efetivamente recolhidos à Previdência Social por meio de GPS. Vale destacar que, conforme consta no § 1°, do art. 225, do Decreto n° 3.048/99 (Regulamento da Previdência Social), as informações prestadas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social constituirseão em termo de confissão de dívida, na hipótese do nãorecolhimento. Ademais, o § 4°, do art. 225, do mesmo diploma legal determina que “o preenchimento, as informações prestadas e a entrega da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social são de inteira responsabilidade da empresa”. Ora, tendo sido os fatos geradores apurados diretamente a partir das Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social, documentos esses representativos de confissão de dívida, apresentados pelo sujeito passivo à fiscalização, elaborados sob o seu Fl. 211DF CARF MF Processo nº 16227.000010/200977 Acórdão n.º 2401005.667 S2C4T1 Fl. 212 9 domínio e responsabilidade, e confeccionados sob seu comando e orientação, não procede a alegação recursal de que não existiriam provas, mas apenas suposições, no que diz respeito à ocorrência dos fatos geradores apurados. Portanto, o contribuinte confessou que deve à Previdência Social e não comprovou o pagamento da totalidade do valor que reconheceu como devido. Ao alegar que cabe ao fisco a demonstração irrefutável da ocorrência do fato, buscar transferir o ônus de provar que o valor por ela confessado está equivocado para a fiscalização da Previdência Social, o que não se sustenta. Decerto, incumbe ao autor o ônus de comprovar os fatos constitutivos do Direito por si alegado, e à parte adversa, a prova de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Nesse sentido, a fiscalização comprovou, mediante documentação idônea, elaborada sob a responsabilidade e domínio da própria Recorrente, que foi feito o pagamento a segurados empregados de remuneração referentes às competências 09/2001, 10/2001 e 11/2001, cujas contribuições previdenciárias destes decorrentes não foram integralmente recolhidas à Seguridade Social. Caberia à recorrente, por exemplo, comprovar que teria se equivocado no preenchimento da GFIP ou da GPS, e proceder à sua retificação, consoante a legislação que rege a matéria, ônus esse que não se desincumbiu, não sendo possível afastar a fidedignidade do conteúdo da NFLD em debate. No presente caso, autoridade agiu em conformidade com os dispositivos legais que disciplinam o lançamento, discriminando no Anexo “Fundamentos Legais do Débito – FLD” (fl. 10/11) os dispositivos legais aplicáveis ao caso, além de descrever no “Relatório Fiscal” (fls. 13/14) os fatos geradores das contribuições, bem como os documentos que serviram de base e para a apuração das contribuições devidas, cujos valores estão demonstrados no “Discriminativo Analítico de Débito – DAD” (fls. 08) e “Discriminativo Sintético do Débito – DSD” (fls. 06), além de mencionar os valores dos acréscimos legais a título de Juros e Multa, com a correspondente fundamentação legal. Assim, entendo que não há que se falar em prejuízo ao exercício da ampla defesa, pois os valores lançados, com base em documento de confissão de dívida, estão devidamente demonstrados, sendo que o “Discriminativo Analítico de Débito – DAD” (fls. 08), indica por competência o quanto foi apurado, os recolhimentos considerados, e a diferença existente entre os valores recolhidos e os efetivamente devidos. Constatado que não foi procedido o recolhimento das contribuições devidas, e considerando as disposições legais que atribuem prerrogativa de arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas na Legislação Previdenciária, e à fiscalização a obrigação legal de verificar se as contribuições devidas estão sendo realizadas em conformidade com o ali estabelecido, não pode o agente fiscal se furtar ao cumprimento do legalmente estabelecido, sob pena de responsabilidade, de conformidade com o art. 142, parágrafo único, do Código Tributário Nacional. Como bem assentado pela decisão de piso, a NFLD em comento seguiu todos os passos para sua correta formação, conorme determina o art. 142 do Código Tributário Nacional, quais sejam: (a) constatação do fato gerador cominado na lei; (b) caracterização da Fl. 212DF CARF MF Processo nº 16227.000010/200977 Acórdão n.º 2401005.667 S2C4T1 Fl. 213 10 obrigação; (c) apuração do montante da base de cálculo; (d) fixação da alíquota aplicável à espécie; (e) determinação da exação devida – valor original da obrigação; (f) definição do sujeito passivo da obrigação; e (g) lavratura do termo correspondente, acompanhado de relatório discriminativo das parcelas mensais, tudo conforme a legislçaão. Dessa forma, não procede o argumento de que a fiscalização não demonstrou a origem da infração e a existência do débito, já que os valores devidos à Previdência Social foram confessados pela própria recorrente por meio de instrumento próprio, ou seja, GFIP, e a diferença apurada no abatimento GFIP x GPS ensejou a lavratura da NFLD em tela. A recorrente não se desincumbiu do ônus de elidir o lançamento tributário em epígrafe, não logrando acostar aos autos qualquer indício de prova material idônea e apta a desconstituir o presente crédito tributário que, ao meu ver, está perfeitamente hígido. 4. Mérito. 4.1. Da aplicação da taxa SELIC para o cálculo de contribuições previdenciárias. Prossegue a recorrente, alegando que a aplicação da Taxa SELIC seria inconstitucional, e, ainda, acabaria por penalizar duplamente o contribuinte, sendo certo que só poderia ter sido instituída mediante a edição de Lei Complementar, jamais de Lei Ordinária. Inclusive, a atualização pela SELIC, no seu entendimento, seria contrária ao artigo 163 da Constituição, seja porque sua aplicação equivaleria ao estabelecimento de sanção iníqua, o que também feriria o dispositivo da Constituição, artigo 5°, inciso XLVIII. Inicialmente, oportuno observar que já está sumulado o entendimento segundo o qual falece competência a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Tratase, ainda, de mandamento previsto no art. 26A, do Decreto n° 70.235/72: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 5o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 213DF CARF MF Processo nº 16227.000010/200977 Acórdão n.º 2401005.667 S2C4T1 Fl. 214 11 I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) A proibição consta, ainda, no art. 62, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria n° 343/2015, in verbis: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) c) Dispensa legal de constituição ou Ato Declaratório da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; d) Parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, nos termos dos arts. 40 e 41 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; e Fl. 214DF CARF MF Processo nº 16227.000010/200977 Acórdão n.º 2401005.667 S2C4T1 Fl. 215 12 e) Súmula da AdvocaciaGeral da União, nos termos do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993. (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Temse, pois, que não é da competência funcional do órgão julgador administrativo a apreciação de alegações de ilegalidade ou inconstitucionalidade da legislação vigente. A declaração de inconstitucionalidade/ilegalidade de leis ou a ilegalidade de atos administrativos é prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário, outorgada pela própria Constituição Federal, falecendo competência a esta autoridade julgadora, salvo nas hipóteses expressamente excepcionadas no parágrafo primeiro do art. 62 do Anexo II, do RICARF, bem como no art. 26A, do Decreto n° 70.235/72, não sendo essa a situação em questão. Portanto, não assiste razão ao contribuinte. Cumpre lembrar, ainda, que a utilização da Taxa SELIC para atualizações e correções dos débitos apurados está prevista no art. 34, da Lei n° 8.212/91, sendo que sua incidência sobre débitos tributários já foi pacificada, conforme Súmula n° 04, do CARF, in verbis: Súmula CARF nº 4. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Ademais, sobre a utilização da SELIC no cálculo dos juros de mora, o Supremo Tribunal Federal e o Superior Tribunal de Justiça, sob o rito da repercussão geral (art. 543B do CPC) e dos recursos repetitivos (art. 543C do CPC), já pacificaram o entendimento no sentido da constitucionalidade e da legalidade da aplicação da Taxa Selic aos débitos tributários (STF, Tribunal Pleno, RE 582.461/SP, Rel. Min. GILMAR MENDES, DJ de 18/05/2011 e STJ, Primeira Seção, REsp 879.844/MG, Rel. Min. LUIZ FUX, DJ de 25/11/2009). E, conforme determina o § 2º do art. 62 do Anexo II do atual Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, a interpretação adotada deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria Fl. 215DF CARF MF Processo nº 16227.000010/200977 Acórdão n.º 2401005.667 S2C4T1 Fl. 216 13 infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Por essas razões, afasto a pretensão recursal a respeito da impossibilidade de aplicação da Taxa SELIC para o cálculo das contribuições previdenciárias recolhidas fora do prazo. 4.2. Retroatividade benéfica em matéria de penalidade (art. 106, II, “c”, do CTN). Tendo em vista que o Recurso Voluntário (fls. 78/81), foi protocolizado em setembro de 2003, e a multa fora aplicada em observância ao art. 35, II e III, da Lei n° 8.212/91, na redação dada pela Lei n° 9.876/99, entendo que deva ser reconhecido, de ofício, e por força do art. 106, II, “c”, do Código Tributário Nacional, o recálculo da multa de mora aplicada, com base na redação do art. 35 da Lei n° 8.212/99 dada pela Lei n° 11.941/09 c/c art. 61 da Lei n° 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei n° 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento. É ver os dispositivos supracitados, na redação anterior e na redação atualmente vigente: LEI N° 8.212/99 COM REDAÇÃO ANTERIOR À LEI N° 11.941/09 Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) quatro por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; b) sete por cento, no mês seguinte; c) dez por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Fl. 216DF CARF MF Processo nº 16227.000010/200977 Acórdão n.º 2401005.667 S2C4T1 Fl. 217 14 II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) doze por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) quinze por cento, após o 15º dia do recebimento da notificação; c) vinte por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) vinte e cinco por cento, após o 15º dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) trinta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; b) trinta e cinco por cento, se houve parcelamento; c) quarenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; d) cinqüenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito Fl. 217DF CARF MF Processo nº 16227.000010/200977 Acórdão n.º 2401005.667 S2C4T1 Fl. 218 15 não foi objeto de parcelamento (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (grifo nosso) LEI N° 8.212/99 COM REDAÇÃO DADA PELA LEI N° 11.941/09 Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (grifo nosso) LEI N° 9.430/96 Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Medida Provisória nº 1.725, de 1998) (Vide Lei nº 9.716, de 1998) (grifo nosso) Esclareço que na legislação anterior inexistia a multa de ofício, em decorrência do lançamento de ofício, existindo tão somente a multa de mora, em decorrência no atraso do recolhimento, independentemente de o lançamento ter sido efetuado de ofício ou não. A punição do art. 35 da referida lei apenas se relacionava com demora no pagamento, sendo mensurada de acordo com o momento em que houvesse o recolhimento. Fl. 218DF CARF MF Processo nº 16227.000010/200977 Acórdão n.º 2401005.667 S2C4T1 Fl. 219 16 Com o advento da MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, os §§ 1° a 4° do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 foram revogados, tendo sido dada nova redação ao caput do art. 35, que limitou a multa de mora ao patamar de 20% (vinte por cento), ante a exigência de se aplicarem as disposições do artigo 61 da Lei nº 9.430/96. Dessa forma, entendo que a comparação da multa de mora com a multa prevista no artigo 35A da Lei nº 8.212/91 c/c art. 44, I da Lei nº 8.212/1996 não se sustenta, eis que o dispositivo trata de multa de ofício, que não existia na legislação à época do lançamento. A anterior multa de mora somente pode ser comparada com penalidades que tenha a mesma razão de existir, qual seja, o atraso no pagamento das contribuições. Assim, se a mora era punida com multa moratória, com a alteração da legislação só é possível a aplicação da nova multa moratória, prevista no caput do artigo 35 da Lei n° 8.212/91 que remete ao art. 61 da Lei nº 9.430/96, independentemente se o contribuinte declarou o débito em GFIP ou não. Esse entendimento possui eco, ainda, na jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça que, em diversas oportunidades, decidiu pela aplicabilidade do limite de 20% (vinte por cento) previsto no art. 35 da Lei n° 8.212/91 c/c as disposições do art. 61 da Lei n° 9.430/96, em obediência ao art. 106, II, do CTN: RECURSO ESPECIAL Nº 1.689.832 SP (2017/01922940) RELATOR : MINISTRO MAURO CAMPBELL MARQUES RECORRENTE : MACK COLOR ETIQUETAS ADESIVAS LTDA ADVOGADO : LUIZ GUILHERME GOMES PRIMOS SP118747 RECORRIDO : FAZENDA NACIONAL PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. ENUNCIADO ADMINISTRATIVO N. 2/STJ. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. MULTA. NORMA TRIBUTÁRIA SUPERVENIENTE DE CARÁTER PUNITIVO, PORÉM MAIS BENIGNA. ART. 106 DO CTN. RETROATIVIDADE. RECURSO ESPECIAL PROVIDO. DECISÃO (...) I Consoante o decidido pelo Plenário desta Corte na sessão realizada em 09.03.2016, o regime recursal será determinado pela data da publicação do provimento jurisdicional impugnado. Assim sendo, in casu, aplicase o Código de Processo Civil de 1973. II In casu, controvertese acerca do percentual de multa moratória aplicável ao lançamento de ofício após a alteração do art. 35 da Lei n. 8.212/91 pela Lei n. 11.941/09 que, ao incluir o art. 35A naquele diploma normativo, determinou a observância do parâmetro mais gravoso do art. 44 da Lei n. 9.430/96, qual seja, de 75% (setenta e cinco por cento). III Esta Corte possui entendimento segundo o qual deve ser observado o percentual original da multa moratória previsto no art. 35 da Lei n. 8.212/91, porquanto as ulteriores disposições do art. 35A cominam penalidade mais severa, autorizando a aplicação do preceito anterior, mais benéfico, a teor do disposto no art. 106, II, c, do CTN. Precedentes. IV Recurso Especial provido. (REsp 1585929/SP, Rel. Ministra REGINA HELENA COSTA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 19/04/2016, DJe 26/04/2016) Diante do exposto, com base no art. 932, V, do CPC/2015 c/c o art. 255, § 4º, III, do RISTJ e a Súmula 568/STJ, dou provimento ao recurso especial, nos termos da fundamentação. Publiquese. Fl. 219DF CARF MF Processo nº 16227.000010/200977 Acórdão n.º 2401005.667 S2C4T1 Fl. 220 17 Intimemse. Brasília (DF), 1º de fevereiro de 2018. MINISTRO MAURO CAMPBELL MARQUES Relator (STJ REsp: 1689832 SP 2017/01922940, Relator: Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, Data de Publicação: DJ 06/02/2018) RECURSO ESPECIAL Nº 1.473.004 PR (2014/01957156) RELATOR : MINISTRO OG FERNANDES RECORRENTE : FAZENDA NACIONAL ADVOGADO : PROCURADORIA GERAL DA FAZENDA NACIONAL PR000000O RECORRIDO : LATICINIOS CAMPO MOURÃO LTDA ME ADVOGADO : JOAQUIM QUIRINO MENDES PR034184 DECISÃO Vistos, etc. (...) No que diz respeito à aplicação retroativa da legislação tributária mais benéfica, melhor sorte não socorre a Fazenda Nacional, pois o art. 35A da Lei n. 8.212/1991, prevendo nova sistemática de aplicação de multas, tem origem na Lei n. 11.941/2009. Desse modo, aplicase a legislação vigente na época em que os fatos geradores ocorreram, nos termos do art. 144, bem como a penalidade mais benéfica em relação a atos não definitivamente julgados, conforme orientação normativa constante do art. 106, II, c, todos do CTN: Art. 106. A lei aplica se a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. [...] Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. (...) PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. EMBARGOS À EXECUÇÃO. REDUÇÃO DA MULTA. RETROATIVIDADE DA LEI MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DO ART. 106 DO CTN. APLICABILIDADE. VIOLAÇÃO AOS ARTS. 128, 460, 512 E 515 DO CPC. INOCORRÊNCIA. PRECEDENTES STJ. 1. É pacífico o entendimento desta Corte no sentido de que, tratandose de execução não definitivamente julgada, aplicase o disposto no art. 106 do CTN, que permite a redução da multa prevista na lei mais nova, por ser mais benéfico ao contribuinte mesmo a fatos anteriores à legislação aplicada. 2. Não configura julgamento extra petita a redução de multa, de ofício, com base em lei mais benéfica ao contribuinte, em processo no qual se discute a nulidade do débito fiscal. Precedentes do STJ. 3. Agravo Regimental não provido. (AgRg no Ag 1.026.499/SP, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 20/8/2009, DJe 31/8/2009). Ante o exposto, com fulcro no art. 932, IV, do CPC/2015, c/c o art. 255, § 4º, II, do RISTJ e a Súmula 568/STJ, nego provimento ao recurso especial. Publiquese. Intimemse. Brasília (DF), 18 de outubro de 2017. Ministro Og Fernandes Relator (STJ REsp: 1473004 PR 2014/01957156, Relator: Ministro OG FERNANDES, Data de Publicação: DJ 20/10/2017) Fl. 220DF CARF MF Processo nº 16227.000010/200977 Acórdão n.º 2401005.667 S2C4T1 Fl. 221 18 RECURSO ESPECIAL Nº 1.686.484 SP (2017/01782875) RELATORA: MINISTRA REGINA HELENA COSTA RECORRENTE : BRASMANCO INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA ADVOGADO : JOSÉ RAIMUNDO DE ARAÚJO DINIZ SP060608 RECORRIDO : FAZENDA NACIONAL INTERES. : RICAHRD CHENG TSU FU INTERES. : KUN TU LEE INTERES. : HSIEH HSIEN LIANG DECISÃO Vistos. (...) O art. 35A da Lei n. 8.212/91, prevendo nova sistemática de aplicação de multas, tem origem na Lei n. 11.941/09. Desse modo, considerando que os fatos são pretéritos a 2009, aplicase a legislação vigente à época em que os fatos geradores ocorreram, nos termos do art. 144, bem como a penalidade mais benéfica em relação a atos não definitivamente julgados, conforme orientação normativa constante do art. 106, II, 'c', todos do CTN (REsp 1452527/RS, Rel. Min. Og Fernandes, Segunda Turma, julgado em 07/05/2015, DJe 10/06/2015). 3. Agravo interno não provido. (AgInt no AREsp 941.577/SP, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 18/10/2016, DJe 25/10/2016) Isto posto, com fundamento no art. 557, § 1ºA, do Código de Processo Civil, DOU PROVIMENTO ao Recurso Especial, para fixar o percentual da multa moratória em 20% (vinte por cento). Publiquese. Intimese. Brasília (DF), 09 de outubro de 2017. MINISTRA REGINA HELENA COSTA Relatora (STJ REsp: 1686484 SP 2017/01782875, Relator: Ministra REGINA HELENA COSTA, Data de Publicação: DJ 18/10/2017) PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. PREMISSA EQUIVOCADA. SÚMULA 284/STF. INAPLICABILIDADE. TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. COBRANÇA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. MULTA. REDUÇÃO PARA 20%. ART. 35 DA LEI N. 8.212/91 E ART. 106, II, C, DO CTN. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO MAIS BENÉFICA. PRECEDENTES. HONORÁRIOS. CABIMENTO. 1. Tratandose de ato não definitivamente julgado, aplicase a lei mais benéfica ao contribuinte, para redução de multa, conforme dispõe o art. 106, inciso II, alínea c, do CTN. 2. O art. 35 da Lei n. 8.212/91 foi alterado pela Lei n. 11.941/09, devendo o novo percentual aplicável à multa seguir o patamar de 20% que, sendo mais propícia ao contribuinte, deve ser a ele aplicado, por se tratar de lei mais benéfica, cuja retroação é autorizada com base no art. 106, II, do CTN. 3. Precedentes: AgRg no AREsp 185.324/SP, Rel. Min. Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 27.8.2012; AgRg no REsp 1216186/RS, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 16/5/2011; REsp 1117701/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 19/10/2009. 4. O art. 35 da Lei n. 8.212/91, com a redação anterior à Lei n. 11.940/09, não distingue a aplicação da multa em decorrência da sua forma de constituição (de ofício ou por homologação), hipótese prevista tão somente com o advento da Lei n. 11.940/09, que introduziu o art. 35A à Lei de Custeio da Seguridade Social, restringindo sua incidência aos casos ocorridos após sua vigência, sob pena de retroação. 5. É firme o entendimento no sentido de que a procedência do incidente de exceção de pré Fl. 221DF CARF MF Processo nº 16227.000010/200977 Acórdão n.º 2401005.667 S2C4T1 Fl. 222 19 executividade, ainda que resulte apenas na extinção parcial da execução fiscal ou redução de seu valor, acarreta a condenação na verba honorária. Precedentes. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos. (STJ EDcl no AgRg no REsp: 1275297 SC 2011/02091671, Relator: Ministro HUMBERTO MARTINS, Data de Julgamento: 03/12/2013, T2 SEGUNDA TURMA, Data de Publicação: DJe 10/12/2013) Ante o exposto, voto no sentido de determinar, de ofício, o recálculo da multa de mora aplicada, com base na redação do art. 35 da Lei n° 8.212/99 dada pela Lei n° 11.941/09 c/c art. 61 da Lei n° 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei n° 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento, por força da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, “c”, do CTN. Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário para, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, para determinar, de ofício, o recálculo da multa de mora aplicada, com base na redação do art. 35 da Lei n° 8.212/99 dada pela Lei n° 11.941/09 c/c art. 61 da Lei n° 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei n° 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento, por força da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, “c”, do CTN. É como voto. (assinado digitalmente) Matheus Soares Leite Voto Vencedor Conselheiro José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro – Redator Designado Divirjo tão somente por considerar que, em face do disposto no art. 57 da Lei n° 11.941, de 2009, a apreciação do cabimento ou não de aplicação de penalidade mais benéfica deve observar a Portaria Conjunta PGFN/RFB n° 14, de 2009, e ser realizada apenas no momento do pagamento, do parcelamento ou do ajuizamento da execução. Logo, voto por conhecer e negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Fl. 222DF CARF MF
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Numero do processo: 11543.001298/2005-77
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/09/1992 a 31/05/1995
INDÉBITO. TRIBUTO. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO. OCORRÊNCIA.
O direito de o contribuinte pleitear indébitos decorrentes de pagamentos indevidos e/ou a maior de tributo sujeito a lançamento por homologação, inclusive contribuição social, cujo pedido foi protocolado até a data de 8 de junho de 2005, prescreve em 10 (dez) anos contados dos respectivos fatos geradores; assim, ocorreu a decadência para os fatos geradores ocorridos até 31/05/2005, incorrendo para os demais.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/06/1995 a 31/08/1997
BASE DE CÁLCULO. COMERCIAL IMPORTADORA.
A base de cálculo da contribuição devida pelas empresas comerciais importadoras e exportadoras é o faturamento mensal, assim entendido, o total de suas receitas operacionais decorrentes da revenda de mercadorias importadas no mercado interno e da prestação de serviços de intermediação na importação por conta e ordem de terceiros.
INDÉBITO TRIBUTÁRIO. REPETIÇÃO. CERTEZA/LIQUIDEZ. PROVAS.
A certeza e liquidez de crédito financeiro decorrente de pagamentos indevidos e/ ou a maior, objeto de pedido de restituição, devem ser provadas pelo requerente, mediante a apresentação de documentos fiscais e contábeis que deram origem ao indébito pleiteado.
Numero da decisão: 9303-007.045
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, e Jorge Olmiro Lock Freire, que não conheceram do recurso. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em negar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Tatiana Midori Migiyama.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, e Jorge Olmiro Lock Freire, que não conheceram do recurso. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em negar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Tatiana Midori Migiyama. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/1992 a 31/05/1995 INDÉBITO. TRIBUTO. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO. OCORRÊNCIA. O direito de o contribuinte pleitear indébitos decorrentes de pagamentos indevidos e/ou a maior de tributo sujeito a lançamento por homologação, inclusive contribuição social, cujo pedido foi protocolado até a data de 8 de junho de 2005, prescreve em 10 (dez) anos contados dos respectivos fatos geradores; assim, ocorreu a decadência para os fatos geradores ocorridos até 31/05/2005, incorrendo para os demais. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/1995 a 31/08/1997 BASE DE CÁLCULO. COMERCIAL IMPORTADORA. A base de cálculo da contribuição devida pelas empresas comerciais importadoras e exportadoras é o faturamento mensal, assim entendido, o total de suas receitas operacionais decorrentes da revenda de mercadorias importadas no mercado interno e da prestação de serviços de intermediação na importação por conta e ordem de terceiros. INDÉBITO TRIBUTÁRIO. REPETIÇÃO. CERTEZA/LIQUIDEZ. PROVAS. A certeza e liquidez de crédito financeiro decorrente de pagamentos indevidos e/ ou a maior, objeto de pedido de restituição, devem ser provadas pelo requerente, mediante a apresentação de documentos fiscais e contábeis que deram origem ao indébito pleiteado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 54 3. 00 12 98 /2 00 5- 77 Fl. 513DF CARF MF Processo nº 11543.001298/200577 Acórdão n.º 9303007.045 CSRFT3 Fl. 514 2 Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, e Jorge Olmiro Lock Freire, que não conheceram do recurso. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em negarlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Tatiana Midori Migiyama. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de Recurso Especial apresentado tempestivamente pelo contribuinte contra o acórdão nº 3403002.020, de 23/04/2013, proferido pela 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. O Colegiado da Câmara Baixa, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte. nos termos da seguinte ementa: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/09/1992 a 31/08/1997 BASE DE CÁLCULO. EMPRESA IMPORTADORA FUNDAPIANA. Antes de agosto de 2001 não existia regra diferenciada de incidência do PIS e da Cofins para as empresas importadoras, nas operações de importação por conta e ordem de terceiros. Recurso Voluntário Negado" Inconformado com essa decisão, o contribuinte interpôs embargos de declaração, alegando omissões. Contudo, analisados os embargos, estes foram rejeitados pelo Presidente da 4ª Câmara, nos termos do despacho Admissibilidade de Embargos de Declaração às fls. 432e/436e. Ainda irresignado, apresentou Recurso Especial, requerendo a reforma do acórdão recorrido a fim de que seja deferido seu pedido de restituição, alegando, em síntese, que realizou importações por conta e ordem de terceiros, e, equivocadamente, calculou e recolheu a contribuição para o PIS sobre os valores das mercadorias importadas e repassadas para os seus clientes, quando, de fato, deveria ter calculado e recolhido sobre as receitas de prestação dos serviços da intermediação. Sustentou ainda que, antes do advento da MP nº 2.15835/2001, art. 81, a base de cálculo da contribuição era a receita auferida com a intermediação e não das mercadorias importadas. Esse também é o entendimento esposado no Parecer PGFN nº 1.316/2001 e na Nota Cosit nº 163/2001. Fl. 514DF CARF MF Processo nº 11543.001298/200577 Acórdão n.º 9303007.045 CSRFT3 Fl. 515 3 Por meio do despacho às fls. 483e/486e, o Presidente da Quarta Câmara deu seguimento ao recurso especial do contribuinte. Intimado do recurso especial do contribuinte e do despacho de sua admissibilidade, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões, defendendo a manutenção do acórdão recorrido, sob o argumento de que, ao contrário do alegado por ele, de fato, em relação às receitas tributadas, não houve prestação de serviços de intermediação e sim a importação e revenda de mercadorias para terceiros, conforme demonstrado na decisão de primeira instância. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O recurso apresentado atende aos pressupostos de admissibilidade e deve ser conhecido. Inicialmente, ressalto que a análise e manifestação sobre as alegações, quanto à MP nº 2.15838/2001, ficaram prejudicadas, pelo fato de que, no período de apuração dos indébitos reclamados (setembro/1992 a agosto/1997), esse diploma legal não existia. Remanesce todavia a análise, em relação aos indébitos reclamados, decorrentes dos recolhimentos correspondentes aos fatos geradores ocorridos a partir de 30/06/1995 até 31/08/1997. No entanto, conforme será demonstrado a seguir, tantos os indébitos atingidos pela prescrição como os não atingidos são incertos e ilíquidos. Ao contrário do entendimento do contribuinte, os valores recolhidos por ele, a titulo de PIS, eram devidos e não constituem indébitos. A legislação tributária que trata da contribuição para o PIS, vigente no período, objeto do pedido de restituição, assim dispunha: Lei Complementar (LC) nº 7, de 1970: "Art. 1.º É instituído, na forma prevista nesta Lei, o Programa de Integração Social, destinado a promover a integração do empregado na vida e no desenvolvimento das empresas. § 1º Para os fins desta Lei, entendese por empresa a pessoa jurídica, nos termos da legislação do Imposto de Renda, e por empregado todo aquele assim definido pela Legislação Trabalhista. (...). Art. 2º O Programa de que trata o artigo anterior será executado mediante Fundo de Participação, constituído por depósitos efetuados pelas empresas na Caixa Econômica Federal. Fl. 515DF CARF MF Processo nº 11543.001298/200577 Acórdão n.º 9303007.045 CSRFT3 Fl. 516 4 (...). Art. 3º O Fundo de Participação será constituído por duas parcelas: (...). b) a segunda, com recursos próprios da empresa, calculados com base no faturamento, como segue: (...)." Lei nº 9.718, de 1998: "Art. 2º As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica.(Vide Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) (...). § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; II as reversões de provisões operacionais e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita; (...); IV a receita decorrente da venda de bens do ativo permanente. (...)." De acordo com todos esses diplomas legais, a base de cálculo da contribuição para o PIS cumulativo é o faturamento mensal da pessoa jurídica, inclusive de comercial importadora, assim entendido o total de suas receitas operacionais decorrentes da venda/revenda de mercadorias importadas e da prestação de serviços. O contribuinte alega que os valores das importações efetuadas por conta e ordem de terceiros não integram seu faturamento e, consequentemente, a base de cálculo do Fl. 516DF CARF MF Processo nº 11543.001298/200577 Acórdão n.º 9303007.045 CSRFT3 Fl. 517 5 PIS cumulativo. Assim, a contribuição calculada e paga sobre tais valores foi indevida, constituindo indébito passível de repetição. Nos pedidos de restituição de indébitos tributários o ônus de provar a certeza e liquidez dos valores reclamados é do requerente. No presente caso, o contribuinte, em momento algum, demonstrou e provou, mediante demonstrativos, documentos fiscais (notas fiscais e livros de Registro de Entradas de Mercadorias, de Registro de Saídas de Mercadorias e de Apuração do ICMS) e contábeis (Razão e/ ou Diário) que os valores das contribuições pagas e reclamadas como indébitos foram apurados sobre os valores de mercadorias importadas por conta e ordem de terceiros. Em todas as fases de seus recursos, as provas apresentadas se limitaram às planilhas às fls. 21e/24e, às cópias dos DARF às fls. 25e/119e, da nota fiscal de entrada de mercadoria nº 017705 às fls. 198e, da nota fiscal de venda de mercadoria às fls. 200e. As planilhas e as cópias dos DARF desacompanhadas dos documentos fiscais e contábeis que lhes deram origem não comprovam os indébitos alegados e pleiteados. Já as cópias das notas fiscais fazem provas contra o contribuinte. A nota fiscal de entrada registra e comprova a compra de mercadoria para comercialização, ou seja, para revenda, sendo que a nota fiscal de venda comprova a venda de mercadoria adquirida com esse fim. Nenhuma nota fiscal de prestação de serviço, ou seja, de intermediação na importação de mercadorias por conta e ordem de terceiros, foi apresentada. Além disto, o extrato "CONSULTA DECLARAÇÕES IRPJ" às fls. 203e, do exercício de 1996, registra Receitas da Revenda de Mercadorias, no valor de R$1.137.024.374,91 (um bilhão cento e trinta e sete milhões vinte e quatro mil trezentos e setenta e quatro reais e noventa e um centavos), para o ano calendário de 1995, e de R$0,00 (zero reais) de prestação de serviços. Contudo, o contribuinte pleiteou indébitos para aquele ano calendário, no valor de R$7.273.689,13 (sete milhões duzentos e setenta e três mil seiscentos e oitenta e nove reais e treze centavos). Ora, se não houve receitas de prestação de serviços, para aquele ano calendário, os valores recolhidos foram apurados somente sobre receitas de revendas de mercadorias. Somente estes fatos são suficientes para comprovar que no ano calendário de 1995 não houve pagamentos a maior e/ ou indevidos, tendo em vista que foram apurados sobre as receitas de revenda de mercada, nos termos dos diplomas legais citados e transcritos anteriormente, LC nº 7, de 1970, e Lei nº 9.718, de 1998. Caberia ao contribuinte ter apresentado demonstrativo do cálculo das contribuições pagas a maior e/ ou indevidamente e o demonstrativo das contribuições devidas sobre as receitas de prestação de serviços de intermediação de importações de mercadorias por conta e ordem de terceiros, acompanhados dos respectivos documentos fiscais e contábeis e, principalmente, dos livros fiscais citados anteriormente, comprovando os indébitos reclamados e suas certezas e liquidezes. Contudo, nada disto foi apresentado. Com relação a provas, a Lei nº 13.105, de 16/3/2015 (Novo Código de Processo Civil), assim dispõe: “Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; [...].” Fl. 517DF CARF MF Processo nº 11543.001298/200577 Acórdão n.º 9303007.045 CSRFT3 Fl. 518 6 Também, a Lei nº 9.784, de 29/1/1999, que regulamenta o processo administrativo, determina: “Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei.” Assim, demonstrado que, na data de protocolo do pedido de restituição, o direito de o contribuinte pleitear os indébitos decorrentes dos fatos geradores ocorridos mensalmente, a partir de 31/09/1995 ate 31/05/1995, encontravase prescrito pelo decurso do prazo de 10 (dez) anos contados das datas dos respectivos fatos geradores, e para os demais fatos geradores, 31/06/1998 a 31/08/1997, a certeza e liquidez dos valores pleiteados não foram demonstradas e comprovadas, mediante documentos fiscais e contábeis, não há que se falar em indébitos tributos e muito menos repetição de valores. Ante o exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso especial do contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 518DF CARF MF Processo nº 11543.001298/200577 Acórdão n.º 9303007.045 CSRFT3 Fl. 519 7 Fl. 519DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11686.000370/2008-67
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 31/07/2004 a 30/09/2004
NÃO CONHECIMENTO. RECURSO ESPECIAL.
Não se conhece de recurso especial quando o acórdão recorrido assenta-se em dois fundamentos autônomos e a parte traz divergência jurisprudencial somente com relação a um deles. Assim, o recurso especial não pode ser conhecido quanto à possibilidade de apresentação de provas posteriormente à impugnação.
INSUMOS. FRETES PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS.
Os valores decorrentes da contratação de fretes de produtos acabados entre estabelecimentos da própria empresa geram direito aos créditos das contribuições para o PIS e para a COFINS na sistemática não-cumulativa, pois são essenciais ao processo produtivo da Recorrente e se constituem em despesas na operação de vendas. O direito ao crédito encontra amparo, ainda, no art. 3º, inciso IX, da Lei nº 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei nº 10.637/02, que contemplam a expressão "frete na operação de venda".
Numero da decisão: 9303-007.102
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, apenas quanto ao direito de crédito das contribuições sobre fretes contratados na transferência de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma empresa e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe negaram provimento. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Demes Brito e Rodrigo da Costa Pôssas.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 31/07/2004 a 30/09/2004 NÃO CONHECIMENTO. RECURSO ESPECIAL. Não se conhece de recurso especial quando o acórdão recorrido assenta-se em dois fundamentos autônomos e a parte traz divergência jurisprudencial somente com relação a um deles. Assim, o recurso especial não pode ser conhecido quanto à possibilidade de apresentação de provas posteriormente à impugnação. INSUMOS. FRETES PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. Os valores decorrentes da contratação de fretes de produtos acabados entre estabelecimentos da própria empresa geram direito aos créditos das contribuições para o PIS e para a COFINS na sistemática não-cumulativa, pois são essenciais ao processo produtivo da Recorrente e se constituem em despesas na operação de vendas. O direito ao crédito encontra amparo, ainda, no art. 3º, inciso IX, da Lei nº 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei nº 10.637/02, que contemplam a expressão "frete na operação de venda".
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CRÉDITO. FRETE DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. Recorrente YARA BRASIL FERTILIZANTES S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 31/07/2004 a 30/09/2004 NÃO CONHECIMENTO. RECURSO ESPECIAL. Não se conhece de recurso especial quando o acórdão recorrido assentase em dois fundamentos autônomos e a parte traz divergência jurisprudencial somente com relação a um deles. Assim, o recurso especial não pode ser conhecido quanto à possibilidade de apresentação de provas posteriormente à impugnação. INSUMOS. FRETES PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. Os valores decorrentes da contratação de fretes de produtos acabados entre estabelecimentos da própria empresa geram direito aos créditos das contribuições para o PIS e para a COFINS na sistemática nãocumulativa, pois são essenciais ao processo produtivo da Recorrente e se constituem em despesas na operação de vendas. O direito ao crédito encontra amparo, ainda, no art. 3º, inciso IX, da Lei nº 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei nº 10.637/02, que contemplam a expressão "frete na operação de venda". Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, apenas quanto ao direito de crédito das contribuições sobre fretes contratados na transferência de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma empresa e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidos os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe negaram provimento. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Demes Brito e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 68 6. 00 03 70 /2 00 8- 67 Fl. 548DF CARF MF Processo nº 11686.000370/200867 Acórdão n.º 9303007.102 CSRFT3 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Contribuinte YARA BRASIL FERTILIZANTES S.A. com fulcro nos artigos 64, inciso II e 67, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, buscando a reforma do Acórdão nº 3403002.005, proferido pela 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF. Na parte de interesse ao presente julgamento, o colegiado a quo não reconheceu o direito de aproveitamento de créditos da contribuição sobre despesas com fretes para transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa. A Contribuinte interpôs recurso especial alegando divergência jurisprudencial quanto a três matérias: (a) aproveitamento de créditos de PIS e COFINS não cumulativos sobre fretes entre unidades da própria empresa de produtos acabados; (b) aplicação do entendimento mais favorável ao Contribuinte, nos termos do art. 112 do Código Tributário Nacional CTN; e (c) realização de diligência e possibilidade de juntada de novos documentos e elaboração de laudo técnico após a apresentação do recurso em primeira instância. Para comprovar o dissenso, colacionou como paradigmas os seguintes acórdãos, respectivamente: (a) 3401002.075 e 340203.148; (b) 3302002.930; e (c) 3402002.906. No primeiro exame de admissibilidade foi dado seguimento parcial ao recurso, tão somente quanto à possibilidade de aproveitamento de créditos de PIS e COFINS sobre fretes de produtos acabados entre unidades da empresa, consoante despacho de admissibilidade do então Presidente da Quarta Câmara da Terceira Seção de Julgamento. Com a interposição de agravo pelo Sujeito Passivo, também foi dado seguimento ao tema relativo à possibilidade de apresentação de provas após o recurso à primeira instância, tudo nos termos do despacho do Presidente da Terceira Turma da CSRF, que acolheu o agravo nessa parte. Portanto, as matérias suscitadas no recurso especial da Contribuinte, que foram admitidas e serão objeto de análise por este Colegiado, referemse à possibilidade de aproveitamento de créditos de PIS e COFINS decorrentes de fretes de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa e à apresentação de provas após o recurso à primeira instância. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o Relatório. Fl. 549DF CARF MF Processo nº 11686.000370/200867 Acórdão n.º 9303007.102 CSRFT3 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303007.070, de 11/07/2018, proferido no julgamento do processo 11080.002375/200924, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303007.070): "Admissibilidade O recurso especial de divergência interposto pela contribuinte YARA BRASIL FERTILIZANTES S.A. é tempestivo, restando analisarse o atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. As matérias enfrentadas pela Recorrente em sede de apelo especial são referentes à: (a) possibilidade de apresentação de provas após o recurso na primeira instância; e (b) o reconhecimento do direito aos créditos de PIS e COFINS nãocumulativos oriundos de fretes entre estabelecimentos da mesma empresa, tendo sido admitida a discussão apenas em relação aos produtos acabados. 1. Apresentação de provas Para análise da admissibilidade do recurso especial quanto ao pleito de apresentação de provas após o recurso na primeira instância, importa trazer breve retrospecto da lide. A contenda administrativa originouse de pedido de ressarcimento de saldo credor acumulado da contribuição para o PIS/Pasep nãocumulativo, do segundo e terceiro trimestres de 2007, em razão da sua atividade exportadora. Em procedimento fiscal efetuado para confirmação da existência dos referidos créditos, a Autoridade Fiscal concluiu ser parcialmente procedente o pleito, pois (a) teria havido a transferência onerosa a terceiros de créditos de ICMS acumulados na escrita fiscal, sem oferecimento dos valores recebidos à tributação; e (b) a Contribuinte apropriouse de créditos sobre os dispêndios da contratação de frete entre estabelecimentos da própria empresa, com inobservância do art. 3º, inciso IX, da Lei nº 10.833/03, que concede o direito ao crédito somente com relação ao frete pago na operação de venda. A conclusão da Fiscalização pela glosa parcial do pedido de restituição restou formalizada por meio de despacho decisório (fl. 26), contra o qual se insurgiu a empresa por meio de manifestação de inconformidade (fls. 36 a 55), esclarecendo que: não houve transferência onerosa de créditos de ICMS a terceiros, mas sim é beneficiária de contrato celebrado com a Secretaria da Fazenda do Rio Grande do Sul, tendo incentivo fiscal estadual Fl. 550DF CARF MF Processo nº 11686.000370/200867 Acórdão n.º 9303007.102 CSRFT3 Fl. 5 4 consistente no crédito presumido equivalente a 75% (setenta e cinco por cento) do valor do imposto incidente sobre as operações interestaduais envolvendo fertilizantes de fabricação própria; além disso, colacionando aos autos planilha demonstrativa, sustentou serem as remessas realizadas entre seus diversos estabelecimentos do País, em sua imensa maioria, de produtos semielaborados, com processo industrial concluído na unidade de destino, sendo que há apenas uma pequena parcela de transferência de produtos acabados. Defende a existência ao crédito nas duas hipóteses de frete. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente, nos termos do Acórdão nº 1025.008 2ª Turma da DRJ/POA, de 30 de abril de 2010 (fls. 72 a 75), ensejando a interposição de recurso voluntário (fls. 78 a 101). Na sessão de 03 de junho de 2011, o julgamento do recurso foi convertido em solicitação de diligência ao órgão de origem, consoante Resolução nº 3403000.208 (fls. 199 a 202), solicitando que: (a) trouxesse aos autos elementos documentais, dentre aqueles já colhidos no momento do procedimento fiscal, para comprovar a existência e os montantes das supostas operações de cessão de créditos de ICMS a terceiros; e (b) informasse sobre a possibilidade de segregar, dentre os fretes contratados pela Recorrente para transporte de itens entre suas próprias unidades, aqueles que tinham por objeto a remessa de produtos acabados e aqueles que envolveram itens em fabricação. Após a determinação da diligência, o processo assim se desenrolou: [...] Em resposta à diligência, o órgão de origem elaborou “Termo de Comunicação e Ciência”, por meio do qual (i) diz não ser possível segregar os fretes contratados pela recorrente conforme solicitado pelo CARF e (ii) afirma que, em verdade, não houve cessão de créditos de ICMS a terceiros, mas sim – como reclamara a recorrente – apropriação de crédito presumido deste imposto. Intimado deste despacho, o recorrente manifestase, trazendo aos autos planilhas demonstrativas dos fretes de matériasprimas e de produtos acabados. Por sua vez, o órgão de origem elabora o “Termo de Comunicação e Ciência 2”, através do qual, em síntese, reitera que as planilhas inicialmente fornecidas pelo recorrente não eram capazes de segregar os fretes, porém aquelas trazidas aos autos apenas após a diligência o fazem. Conclui, por fim, que a contratação de frete para transporte de itens entre unidades do próprio sujeito passivo (seja de matériasprimas, embalagens ou produtos acabados) não gera direito ao crédito do tributo, por ausência de previsão legal. Intimado deste segundo Termo de Comunicação, a recorrente novamente manifesta se para argumentar que a eventual manutenção do despacho decisório com fundamento em suposta sujeição da subvenção recebida à tributação importaria inadmissível modificação da acusação fiscal – construída sob a premissa de que a recorrente cedera créditos de ICMS – com prejuízo ao direito de defesa e ao contraditório. [...] (grifouse) Retornados os autos ao CARF para análise do recurso voluntário, foi proferido o Acórdão nº 3403001.994 (fls. 289 a 297) proferido pela 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, em 21 de março de 2013, ora recorrido, que lhe deu parcial provimento apenas para afastar a glosa dos créditos de PIS nãocumulativo sobre os valores decorrentes das transferências onerosas de créditos de ICMS a terceiros. Por outro lado, indeferiu os pedidos da Recorrente quanto à pretensão de créditos decorrentes da contratação de frete para transporte de itens entre unidades do próprio Sujeito Passivo, seja de matériasprimas e de materiais de embalagem, seja de produtos acabados, sob Fl. 551DF CARF MF Processo nº 11686.000370/200867 Acórdão n.º 9303007.102 CSRFT3 Fl. 6 5 dois fundamentos: (a) com as provas constantes nos autos quando determinada a realização de diligência não era possível desmembrar do total de fretes, aqueles que tivessem por objeto o transporte de itens em fabricação; e (b) as planilhas unilateralmente formuladas pelos contribuintes não são meios aptos a demonstrar a invalidade de glosas efetuadas. Para clareza da assertiva, extraise trecho do acórdão recorrido que trata da matéria: [...] Dito isso, remanesce pendente a análise do direito à apropriação de créditos da contribuição ao PIS, na hipótese de fretes realizados entre estabelecimentos da própria pessoa jurídica recorrente para transporte seja de matériasprimas e de materiais de embalagem, seja de produtos acabados. Quando da conversão do julgamento em diligência, esta Turma expressamente consignou que a medida não se prestaria “a corrigir a incompetência da parte a quem a lei atribui o ônus da prova”, determinando que o órgão de origem se limitasse a juntar aos autos “via impressa dos elementos documentais, dentre aqueles já obtidos junto à recorrente no curso da fiscalização”, capazes de segregar do total de fretes em questão, aqueles que tivessem por objeto o transporte de itens ainda em fabricação. Pois em resposta à diligência, o órgão de origem foi assertivo em afirmar que as provas até então coligidas aos autos não lhe permitiam proceder ao desmembramento. E a separação, a meu ver, seria fundamental à melhor aplicação ao caso do disposto nas Leis nº. 10.637/02 e 10.833/03. E por que? Porque na sistemática da nãocumulatividade do PIS e da COFINS, os dispêndios da pessoa jurídica com a contratação de frete pode se situar em três diferentes posições: (a) se na operação de venda, constituirá hipótese específica de creditamento, referida pelo art. 3º, inciso IX; (b) se associado à compra de matériasprimas, materiais de embalagem ou produtos intermediários, integrará o custo de aquisição e, por este motivo, dará direito de crédito em razão do previsto no artigo 3o, inciso I; e (c) finalmente, se respeitar ao trânsito de produtos inacabados entre unidades fabris do próprio contribuinte, será catalogável como custo de produção (RIR, art. 290) e, portanto, como insumo para os fins do inciso II do mesmo artigo 3º. De seu turno, o transporte de produtos acabados entre estabelecimentos do contribuinte somente do ponto de vista logístico ou geográfico pode ser compreendido como etapa da futura operação de venda. Juridicamente falando não o é e, a meu ver, não se enquadra dentre as hipóteses legais em que o creditamento é concedido. Afirma a origem que, dos documentos constantes dos autos até a interposição do voluntário não lhe é possível fazer a segregação em comento. E mesmo que admitíssemos aqui o exame do material extemporaneamente trazido pela recorrente, já na oportunidade em que se manifestou sobre o relatório da diligência, a ele não se pode atribuir valor probatório. Tratase, com efeito, de uma planilha gerencial, unilateralmente confeccionada e sem comprovação de respaldarse em documentos ou na escrita contábil da pessoa jurídica. Portanto, dois fundamentos alicerçam a conclusão de que deve ser mantida a glosa sobre os créditos de PIS referentes aos fretes contratados entre os estabelecimentos do recorrente: (i) havia expressa vedação à formalização de novas provas, cabendo o contribuinte têlas trazido desde a manifestação de inconformidade, o que – frisese – não foi feito e (ii) planilhas unilateralmente formuladas pelos contribuintes não são meios aptos a demonstrar a invalidade de glosas efetuadas. Por todo o exposto, voto pelo provimento parcial do recurso voluntário para reconhecer a insubsistência das glosas efetuadas na origem com fundamento na não Fl. 552DF CARF MF Processo nº 11686.000370/200867 Acórdão n.º 9303007.102 CSRFT3 Fl. 7 6 sujeição ao tributo de valores supostamente auferidos em razão da cessão de saldos de ICMS a terceiros e, nesta parte, deferir o ressarcimento pretendido. [...] Da fundamentação do acórdão recorrido, depreendese que foram dois os argumentos utilizados para o indeferimento do pedido de juntada de provas após o recurso em primeira instância: (a) a impossibilidade de juntada de novas provas; e (b) ainda que fossem admitidas, as planilhas produzidas unilateralmente pela Contribuinte e juntadas aos autos não têm valor probatório. Tratase de dois argumentos autônomos e cada um deles suficiente, por si só, para manutenção da decisão proferida pelo Colegiado a quo. A Recorrente, por sua vez, ao se insurgir quanto à juntada de provas, enfrentou e comprovou a divergência jurisprudencial tão somente com relação ao primeiro argumento: a (im)possibilidade de juntada de provas após o recurso em primeira instância. No acórdão paradigma nº 3402002.906 a discussão centrase nesse argumento, tanto que naquele caso houve a determinação de realização de diligência semelhante ao caso dos autos que culminou com a elaboração de um Laudo Técnico. Havendo dois fundamentos autônomos e não sendo atacados os dois, não deve ter prosseguimento o recurso especial com relação a essa matéria. Nesse sentido, é a Súmula nº 283 do Supremo Tribunal Federal: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a decisão recorrida assenta em mais de um fundamento suficiente e o recurso não abrange todos eles". Portanto, não se conhece do recurso especial da Contribuinte com relação a essa matéria. 2 Do Direito ao Crédito de PIS e COFINS nãocumulativos de Produtos Acabados Com relação ao direito ao crédito de PIS e COFINS nãocumulativos decorrentes da contratação de fretes de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma empresa, temse que a divergência foi devidamente comprovada, devendo ter prosseguimento o apelo especial. A priori, explicitase o conceito de insumos adotado no presente voto, para posteriormente adentrarse à análise dos itens individualmente. A sistemática da nãocumulatividade para as contribuições do PIS e da COFINS foi instituída, respectivamente, pela Medida Provisória nº 66/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002 (PIS) e pela Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003 (COFINS). Em ambos os diplomas legais, o art. 3º, inciso II, autorizase a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda.1 1 Lei nº 10.637/2002 (PIS). Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; [...]. Lei nº 10.8332003 (COFINS). Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...]II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto Fl. 553DF CARF MF Processo nº 11686.000370/200867 Acórdão n.º 9303007.102 CSRFT3 Fl. 8 7 O princípio da nãocumulatividade das contribuições sociais foi também estabelecido no §12º, do art. 195 da Constituição Federal, por meio da Emenda Constitucional nº 42/2003, consignandose a definição por lei dos setores de atividade econômica para os quais as contribuições sociais dos incisos I, b; e IV do caput, dentre elas o PIS e a COFINS. 2 A disposição constitucional deixou a cargo do legislador ordinário a regulamentação da sistemática da nãocumulatividade do PIS e da COFINS. Por meio das Instruções Normativas nºs 247/02 (com redação da Instrução Normativa nº 358/2003) (art. 66) e 404/04 (art. 8º), a Secretaria da Receita Federal trouxe a sua interpretação dos insumos passíveis de creditamento pelo PIS e pela COFINS. A definição de insumos adotada pelos mencionados atos normativos é excessivamente restritiva, assemelhandose ao conceito de insumos utilizado para utilização dos créditos do IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados, estabelecido no art. 226 do Decreto nº 7.212/2010 (RIPI). As Instruções Normativas nºs 247/2002 e 404/2004, ao admitirem o creditamento apenas quando o insumo for efetivamente incorporado ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, aproximandose da legislação do IPI que traz critério demasiadamente restritivo, extrapolaram as disposições da legislação hierarquicamente superior no ordenamento jurídico, a saber, as Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, e contrariaram frontalmente a finalidade da sistemática da nãocumulatividade das contribuições do PIS e da COFINS. Patente, portanto, a ilegalidade dos referidos atos normativos. Nessa senda, entendese igualmente impróprio para conceituar insumos adotarse o parâmetro estabelecido na legislação do IRPJ Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, pois demasiadamente amplo. Pelo raciocínio estabelecido a partir da leitura dos artigos 290 e 299 do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99), poderseia enquadrar como insumo todo e qualquer custo da pessoa jurídica com o consumo de bens ou serviços integrantes do processo de fabricação ou da prestação de serviços como um todo. Em Declaração de Voto apresentada nos autos do processo administrativo nº 13053.000211/200672, em sede de julgamento de recurso especial pelo Colegiado da 3ª Turma da CSRF, o ilustre Conselheiro Gileno Gurjão Barreto assim se manifestou: [...] permaneço não compartilhando do entendimento pela possibilidade de utilização isolada da legislação do IR para alcançar a definição de "insumos" pretendida. Reconheço, no entanto, que o raciocínio é auxiliar, é instrumento que pode ser utilizado para dirimir controvérsias mais estritas. Isso porque a utilização da legislação do IRPJ alargaria sobremaneira o conceito de "insumos" ao equiparálo ao conceito contábil de "custos e despesas operacionais" que abarca todos os custos e despesas que contribuem para a atividade de uma empresa (não apenas a sua produção), o que distorceria a interpretação da legislação ao ponto de tornála inócua e em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; [...] 2 Constituição Federal de 1988. Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: [...] b) a receita ou o faturamento; [...] IV do importador de bens ou serviços do exterior, ou de quem a lei a ele equiparar. [...]§ 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão nãocumulativas. (grifouse) Fl. 554DF CARF MF Processo nº 11686.000370/200867 Acórdão n.º 9303007.102 CSRFT3 Fl. 9 8 de resultar em indesejável esvaziamento da função social dos tributos, passando a desonerar não o produto, mas sim o produtor, subjetivamente. As Despesas Operacionais são aquelas necessárias não apenas para produzir os bens, mas também para vender os produtos, administrar a empresa e financiar as operações. Enfim, são todas as despesas que contribuem para a manutenção da atividade operacional da empresa. Não que elas não possam ser passíveis de creditamento, mas tem que atender ao critério da essencialidade. [...] Estabelece o Código Tributário Nacional que a segunda forma de integração da lei prevista no art. 108, II, do CTN são os Princípios Gerais de Direito Tributário. Na exposição de motivos da Medida Provisória n. 66/2002, in verbis, afirmase que “O modelo ora proposto traduz demanda pela modernização do sistema tributário brasileiro sem, entretanto, pôr em risco o equilíbrio das contas públicas, na estrita observância da Lei de Responsabilidade Fiscal. Com efeito, constitui premissa básica do modelo a manutenção da carga tributária correspondente ao que hoje se arrecada em virtude da cobrança do PIS/Pasep.” Assim sendo, o conceito de "insumos", portanto, muito embora não possa ser o mesmo utilizado pela legislação do IPI, pelas razões já exploradas, também não pode atingir o alargamento proposto pela utilização de conceitos diversos contidos na legislação do IR. Ultrapassados os argumentos para a não adoção dos critérios da legislação do IPI nem do IRPJ, necessário estabelecerse o critério a ser utilizado para a conceituação de insumos. Diante do entendimento consolidado deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, inclusive no âmbito desta Câmara Superior de Recursos Fiscais, o conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, inciso II da Lei 10.833/2003, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade. Referido critério traduz uma posição "intermediária" construída pelo CARF, na qual, para definir insumos, buscase a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a atividade realizada pelo Contribuinte. Conceito mais elaborado de insumo, construído a partir da jurisprudência do próprio CARF e norteador dos julgamentos dos processos, no referido órgão, foi consignado no Acórdão nº 9303003.069, resultante de julgamento da CSRF em 13 de agosto de 2014: [...] Portanto, "insumo" para fins de creditamento do PIS e da COFINS não cumulativos, partindo de uma interpretação histórica, sistemática e teleológica das próprias normas instituidoras de tais tributos (Lei no. 10.637/2002 e 10.833/2003), deve ser entendido como todo custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja destinado à venda, e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo. Nessa linha relacional, para se verificar se determinado bem ou serviço prestado pode ser caracterizado como insumo para fins de creditamento do PIS e da COFINS, impende analisar se há: pertinência ao processo produtivo (aquisição do bem ou serviço especificamente para utilização na prestação do serviço ou na produção, ou, ao menos, para Fl. 555DF CARF MF Processo nº 11686.000370/200867 Acórdão n.º 9303007.102 CSRFT3 Fl. 10 9 tornálo viável); essencialidade ao processo produtivo (produção ou prestação de serviço depende diretamente daquela aquisição) e possibilidade de emprego indireto no processo de produção (prescindível o consumo do bem ou a prestação de serviço em contato direto com o bem produzido). Portanto, para que determinado bem ou prestação de serviço seja considerado insumo gerador de crédito de PIS e COFINS, imprescindível a sua essencialidade ao processo produtivo ou prestação de serviço, direta ou indiretamente, bem como haja a respectiva prova. Não é diferente a posição predominante no Superior Tribunal de Justiça, o qual reconhece, para a definição do conceito de insumo, critério amplo/próprio em função da receita, a partir da análise da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo ou à prestação do serviço. O entendimento está refletido no voto do Ministro Relator Mauro Campbell Marques ao julgar o recurso especial nº 1.246.317MG, sintetizado na ementa: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃOCUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações Fl. 556DF CARF MF Processo nº 11686.000370/200867 Acórdão n.º 9303007.102 CSRFT3 Fl. 11 10 se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido. (REsp 1246317/MG, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/05/2015, DJe 29/06/2015) (grifouse) Portanto, são insumos, para efeitos do art. 3º, II da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, II da Lei nº 10.833/2003, todos os bens e serviços pertinentes ao processo produtivo e à prestação de serviços, ou ao menos que os viabilizem, podendo ser empregados direta ou indiretamente, e cuja subtração implica a impossibilidade de realização do processo produtivo e da prestação do serviço, objetando ou comprometendo a qualidade da própria atividade da pessoa jurídica. Ainda, no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, o tema foi recentemente julgado pela sistemática dos recursos repetitivos nos autos do recurso especial nº 1.221.170 PR, no sentido de reconhecer a ilegalidade das Instruções Normativas SRF nºs 247/2002 e 404/2004 e aplicação de critério da essencialidade ou relevância para o processo produtivo na conceituação de insumo para os créditos de PIS e COFINS no regime nãocumulativo. Até a presente data da sessão de julgamento desse processo não houve o trânsito em julgado do acórdão do recurso especial nº 1.221.170PR pela sistemática dos recursos repetitivos, pois pendente de julgamento de embargos de declaração interpostos pela Fazenda Nacional. Fazse a ressalva do entendimento desta Conselheira, que não é o da maioria do Colegiado, que conforme previsão contida no art. 62, §2º do RICARF aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, os conselheiros já estão obrigados a reproduzir referida decisão. Assim, os valores decorrentes da contratação de fretes de produtos acabados entre estabelecimentos da própria empresa geram direito aos créditos das contribuições para o PIS e para a COFINS na sistemática nãocumulativa, pois são essenciais ao processo produtivo da Recorrente e se constituem em despesas na operação de vendas. O direito ao crédito encontra amparo no art. 3º, inciso IX, da Lei nº 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei nº 10.637/02, que contemplam a expressão "frete na operação de venda". No caso dos autos, conforme afirmado pela Contribuinte e não contestado pela Fiscalização, está consolidado que os fretes entre os estabelecimentos da empresa são de matériaprima e uma pequena parte de produtos acabados, defendendo serem ambos passíveis de créditos, em consonância com o acórdão colacionado como paradigma (nºs 3401002.075 e 340203.148). A partir da descrição da atividade da Recorrente na peça do apelo especial, é possível chegarse a melhor compreensão quanto à essencialidade/pertinência do frete entre estabelecimentos, tanto de matériasprimas quanto de produtos acabados, para o seu processo produtivo. Reproduzemse os argumentos constantes às fls. 385 a 387, in verbis: [...] Vejase que no caso em comento os fretes praticados durante o processo produtivo são os seguintes: Fl. 557DF CARF MF Processo nº 11686.000370/200867 Acórdão n.º 9303007.102 CSRFT3 Fl. 12 11 1.Frete com a aquisição de matériaprima para fabricar fertilizantes (exemplo nitrogênio, fósforo e potássio); 2. Remessa para industrialização da matériaprima; 3. Frete do produto até outro estabelecimento da Recorrente para armazenagem e venda final. Ou seja, os produtos da Recorrente como condição para bem desempenharem sua função, são higroscópicos e, portanto, com absorção de umidade apresentam perda de suas plenas qualidades em período relativamente curto (cerca de 18 a 24 meses), não sendo adequado armazenálos por longo tempo. Por isso, é possível afirmar que, tal como ocorre no acórdão paradigma, o caso da Recorrente possui peculiaridades que fazem com que o seu processo produtivo não termine na fábrica, mas somente quando o produto industrializado acabado é entregue ao produtor rural, destinatário final, em condições aptas para uso na lavoura. Para minimizar a deterioração na qualidade e para evitar problemas de segurança no transporte, devese prestar atenção tanto às propriedades iniciais do fertilizante quanto aos procedimentos corretos de manuseio do fertilizante. O manuseio e o transporte correto do fertilizante devem ser baseados nas condições climáticas, no tipo de fertilizante e na forma como é expedido (granel ou sacos): [...] No caso em tela, a Recorrente possui sede em Porto Alegre e unidades em vários Estados da federação, existindo em determinados casos (embora muito menos usual do que a remessa de matéria prima) a remessa de produtos acabados destinados à venda. Isso é fácil de compreender: a unidade de Porto Alegre, por exemplo, pode ter em estoque determinado produto vendido pela unidade de Imperatriz, no interior do Maranhão. A fim de atender à demanda que lhe foi encaminhada, não se deve exigir que a empresa produza, no Maranhão, o fertilizante de que já dispõe estocado no Rio Grande do Sul, já que, como narrado linhas acima, o fertilizante se deteriora rapidamente com o passar do tempo, devendo sempre ser comercializado o produto que se encontra há mais tempo em estoque. Mas ao transportar a mercadoria até suas unidades pelo país, a contribuinte gasta um considerável montante em frete. Porém, se os bens transportados já estão destinados à venda, esse frete também deve estar sujeito aos créditos de PIS e de COFINS previstos nos artigos 3º, IX e 15, II da Lei nº 10.833/03, pois há apenas um deslocamento do trajeto que seria realizado originalmente, caso o produto saísse do estabelecimento industrial de Porto Alegre e fosse transferido diretamente ao comprador. [...] Nesse sentido, esse 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais proferiu os Acórdãos nºs 9303004.673, de 16 de fevereiro de 2017, de relatoria da nobre Conselheira Érika Costa Camargos Autran; e 9303005.156, de 17 de maio de 2017, cuja relatoria foi da ilustre Conselheira Tatiana Midori Migiyama. Os julgados foram assim ementados: Acórdão n.º 9303004.673 Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 28/02/2005 DECADÊNCIA. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que Fl. 558DF CARF MF Processo nº 11686.000370/200867 Acórdão n.º 9303007.102 CSRFT3 Fl. 13 12 o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação, ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/03/2005 a 31/12/2005 CREDITAMENTO DECORRENTE DA AQUISIÇÃO DE INSUMOS. POSSIBILIDADE, INDEPENDENTEMENTE DO RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO PELOS FORNECEDORES, MAS DESDE QUE COMPROVADO O PAGAMENTO DAS TRANSAÇÕES E A CORRESPONDENTE ENTREGA DAS MERCADORIAS. Realidade em que as aquisições do sujeito passivo estão sujeitas à apuração de crédito básico pela aquisição de insumos previsto no artigo 3°, inciso II, da Lei n° 10.637/02. Direito o qual deverá ser reconhecido uma vez evidenciado nos autos, independentemente do recolhimento da contribuição por parte dos fornecedores, a anotação, no corpo das notas fiscais de entrada, de que as correspondentes operações estão sujeitas à incidência do PIS e da COFINS. associado à comprovação do pagamento das transações e da entrega das mercadorias, o que afasta as conseqüências decorrentes da eventual inidoneidade dos fornecedores. nos termos do artigo 82 da Lei n° 9.430/96. CRÉDITOS BÁSICOS. DESPESAS COM FRETES. As despesas com fretes para transporte de produtos em elaboração e, ou produtos acabados entre estabelecimentos do contribuinte, pagas e/ ou creditadas a pessoas jurídicas, mediante conhecimento de transporte ou de notas fiscais de prestação de serviços, geram créditos básicos de PIS, passiveis de dedução da contribuição devida e/ ou de ressarcimento/compensação. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/03/2005 a 31/12/2005 CREDITAMENTO DECORRENTE DA AQUISIÇÃO DE INSUMOS. POSSIBILIDADE, INDEPENDENTEMENTE DO RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO PELOS FORNECEDORES, MAS DESDE QUE COMPROVADO O PAGAMENTO DAS TRANSAÇÕES E A CORRESPONDENTE ENTREGA DAS MERCADORIAS. Realidade em que as aquisições do sujeito passivo estão sujeitas à apuração de crédito básico pela aquisição de insumos previsto no artigo 3°, inciso II, da Lei n° 10.637/02. Direito o qual deverá ser reconhecido uma vez evidenciado nos autos, independentemente do recolhimento da contribuição por parte dos fornecedores, a anotação, no corpo das notas fiscais de entrada, de que as correspondentes operações estão sujeitas à incidência do PIS e da COFINS. associado à comprovação do pagamento das transações e da entrega das mercadorias, o que afasta as conseqüências decorrentes da eventual inidoneidade dos fornecedores. nos termos do artigo 82 da Lei n° 9.430/96. CRÉDITOS BÁSICOS. DESPESAS COM FRETES. As despesas com fretes para transporte de produtos em elaboração e, ou produtos acabados entre estabelecimentos do contribuinte, pagas e/ ou creditadas a pessoas jurídicas, mediante conhecimento de transporte ou de notas fiscais de prestação de serviços, geram créditos básicos de Cofins, a partir da competência de fevereiro de 2004, passiveis de dedução da contribuição devida e/ ou de ressarcimento/compensação. Recurso Especial do Procurador negado Fl. 559DF CARF MF Processo nº 11686.000370/200867 Acórdão n.º 9303007.102 CSRFT3 Fl. 14 13 Recurso Especial do Contribuinte negado Acórdão n.º 9303005.156 Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2008 a 30/09/2008 CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. Cabe a constituição de crédito de PIS/Pasep sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo. Não obstante à observância do critério da essencialidade, é de se considerar ainda tal possibilidade, invocando o art. 3º, inciso IX, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei 10.637/02 eis que a inteligência desses dispositivos considera para a r. constituição de crédito os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda quais sejam, os fretes na operação” de venda. O que, por conseguinte, cabe refletir que tal entendimento se harmoniza com a intenção do legislador ao trazer o termo frete na operação de venda”, e não “frete de venda” quando impôs dispositivo tratando da constituição de crédito das r. contribuições. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE MATÉRIASPRIMAS ENTRE ESTABELECIMENTOS Os fretes na transferência de matériasprimas entre estabelecimentos, essenciais para a atividade do sujeito passivo, eis que vinculados com as etapas de industrialização do produto e seu objeto social, devem ser enquadrados como insumos, nos termos do art. 3º, inciso II, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso II, da Lei 10.637/02. Cabe ainda refletir que tais custos nada diferem daqueles relacionados às máquinas de esteiras que levam a matériaprima de um lado para o outro na fábrica para a continuidade da produção/industrialização/beneficiamento de determinada mercadoria/produto. PIS. COFINS. CRÉDITO. NÃO CUMULATIVIDADE. FRETES NA AQUISIÇÃO DE INSUMOS TRIBUTADOS COM ALÍQUOTA ZERO OU ADQUIRIDOS COM SUSPENSÃO DO PIS E DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para aproveitamento dos créditos sobre os serviços de fretes utilizados na aquisição de insumos não onerados pelas contribuições ao PIS e a Cofins. (grifouse) Pela argumentação exposta, há de ser reformado o acórdão recorrido e reconhecido o direito ao crédito com relação às despesas de frete de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa. 3 Dispositivo Diante do exposto, o Recurso Especial da Contribuinte é conhecido somente em parte quanto à possibilidade de creditamento de PIS nãocumulativo na contratação de frete de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma empresa, e, no mérito, dáse provimento ao recurso para ser reconhecido o direito ao crédito de PIS nãocumulativo das despesas de frete de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa." Fl. 560DF CARF MF Processo nº 11686.000370/200867 Acórdão n.º 9303007.102 CSRFT3 Fl. 15 14 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial do contribuinte foi conhecido em parte e, na parte conhecida, o colegiado deulhe provimento para reconhecer o direito ao crédito da contribuição sobre as despesas com frete de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 561DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.002044/2004-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2001 a 30/06/2002, 01/10/2002 a 31/03/2004
IMUNIDADE. ART. 195, §7° DA CF/88. ENTIDADES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. FEDERAÇÃO ESPORTIVA DE FUTEBOL. IMPOSSIBILIDADE.
A assistência social se volta a auxílio de necessitados, é amparo estatal ou privado de natureza humanitária aos reconhecidamente carentes, garantia da dignidade da pessoa humana em seus aspectos sociais. Entretanto, as finalidades institucionais de Federação Esportiva (art. 217, CF /88), embora de elevado interesse social, não são equiparáveis às instituições de assistência social, eis que ausentes os traços axiológicos da assistência social prescritos nos art. 6° e 203, CF/88.
BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO §1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718/1998. FATURAMENTO. RECEITA OPERACIONAL.
Entende-se por faturamento, para fins de construção da base de cálculo da COFINS, o somatório das receitas oriundas da atividade operacional da pessoa jurídica, ou seja, aquelas decorrentes da prática das operações típicas previstas no seu objeto social. As receitas financeiras e ganho de capital não compõem o faturamento de Federação Esportiva.
ENTIDADE SEM FINS LUCRATIVOS. ISENÇÃO. ART. 14, X, DA MP N° 2.158-35/01. RECEITAS CONTRAPRESTACIONAIS. FEDERAÇÕES ESPORTIVAS.
A isenção prevista no art. 14, X, da Medida Provisória n° 2.158-35/2001 atinge as receitas relativas às atividades finalísticas da Federação Esportiva, inclusive, as de caráter contraprestacional.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3301-004.845
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora
Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
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ART. 195, §7° DA CF/88. ENTIDADES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. FEDERAÇÃO ESPORTIVA DE FUTEBOL. IMPOSSIBILIDADE. A assistência social se volta a auxílio de necessitados, é amparo estatal ou privado de natureza humanitária aos reconhecidamente carentes, garantia da dignidade da pessoa humana em seus aspectos sociais. Entretanto, as finalidades institucionais de Federação Esportiva (art. 217, CF /88), embora de elevado interesse social, não são equiparáveis às instituições de assistência social, eis que ausentes os traços axiológicos da assistência social prescritos nos art. 6° e 203, CF/88. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO §1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718/1998. FATURAMENTO. RECEITA OPERACIONAL. Entendese por faturamento, para fins de construção da base de cálculo da COFINS, o somatório das receitas oriundas da atividade operacional da pessoa jurídica, ou seja, aquelas decorrentes da prática das operações típicas previstas no seu objeto social. As receitas financeiras e ganho de capital não compõem o faturamento de Federação Esportiva. ENTIDADE SEM FINS LUCRATIVOS. ISENÇÃO. ART. 14, X, DA MP N° 2.15835/01. RECEITAS CONTRAPRESTACIONAIS. FEDERAÇÕES ESPORTIVAS. A isenção prevista no art. 14, X, da Medida Provisória n° 2.15835/2001 atinge as receitas relativas às atividades finalísticas da Federação Esportiva, inclusive, as de caráter contraprestacional. Recurso Voluntário Provido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 20 44 /2 00 4- 34 Fl. 315DF CARF MF Processo nº 19515.002044/200434 Acórdão n.º 3301004.845 S3C3T1 Fl. 316 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Tratase de Auto de Infração, de efls. 65 a 75, lavrado contra o contribuinte em epígrafe, em decorrência da diferença apurada entre o valor escriturado e o declarado/pago da COFINS, no total de R$1.126.549,59, referente aos fatos geradores ocorridos nos meses 01/2001 a 06/2002 e 10/2002 a 03/2004, incluídos principal, multa de oficio e juros de mora calculados até 31/08/2004. Na descrição dos fatos do Auto de Infração, efl. 73, consta que, durante o procedimento de verificações obrigatórias, foram constatadas, nos períodos de apuração de jan./01 a mar./04 (exceto nos períodos de jul./02 a set./02), divergências entre o valor da COFINS devido e o valor escriturado, declarado e/ou pago, conforme consta do Termo de Verificação Fiscal e seu anexo. A motivação da autuação está descrita no Termo de Verificação Fiscal, efls. 61/64, nesses termos: a) A Entidade é pessoa jurídica sem fins lucrativos (art. 2° do Estatuto Social) que, em que pese a suspensão do benefício fiscal da isenção, para os anos 1997 a 2000, goza, no presente momento, "ex lege", dos benefícios da isenção fiscal previstos pela Lei 9.532/97, no que respeita aos anoscalendário 2001 a 2004. b) O disposto no inciso X, do art. 14, da MP 2.15835/01, estabelece isenção para as entidades referidas no art. 13 (do mesmo diploma legal), referidos a seguir: Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, al/quota de um por cento, pelas seguintes entidades: (...) IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, cientifico e as associações, a que se refere o art. 15 da Lei no 9.532, de 1997; Fl. 316DF CARF MF Processo nº 19515.002044/200434 Acórdão n.º 3301004.845 S3C3T1 Fl. 317 3 (...) Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1 0 de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: (...) X relativas ás atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13. c) O parágrafo 2° do art. 47, da Instrução Normativa 247/02, definiu o que se entende por "receitas derivadas das atividades próprias" das associações sem fins lucrativos: Art. 47. As entidades relacionadas no art. 90 desta Instrução Normativa: II são isentas da Cofins em relação cis receitas derivadas de suas atividades próprias. (...) §2° Consideramse receitas derivadas das atividades próprias somente aquelas decorrentes de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por lei, assembléia ou estatuto, recebidas de associados ou mantenedores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao seu custeio e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais. (grifado) Art. 9°. São contribuintes do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários as seguintes entidades: (...) IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, cientifico e as associações, que preencham as condições e requisitos do art. 15 da Lei no 9,532, de 1997; (grifado) d) Dessa forma, excluídas as receitas próprias, as demais receitas estão fora do campo de isenção legal, e são, portanto, tributáveis. e) No exame dos balancetes mensais apresentados pelo Contribuinte, relativos à movimentação contábil de jan./01 a mar./04, foram identificadas como tributáveis as receitas constantes das seguintes contas do Razão: f) No período abrangido pelas Verificações Obrigatórias (jan./01 a mar./04), constatouse que foram informados em DCTF valores de COFINS para os períodos de apuração de jul. a set./02 (DCTF do 3° trimestre/02); como esses valores, a serem deduzidos na apuração da COFINS, excedem aos valores devidos, não haverá lançamento de ofício de COFINS para os períodos de apuração de jul./02 a set./02. 9) No período abrangido pelas Verificações Obrigatórias (jan./01 a mar./04), não foram encontrados recolhimentos, na pesquisa feita no sistema SINAL 08, para o código 2172; Fl. 317DF CARF MF Processo nº 19515.002044/200434 Acórdão n.º 3301004.845 S3C3T1 Fl. 318 4 Considerados os critérios e dados acima descritos, elaborouse planilha anexa, denominada DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DA BASE DE CALCULO DA COFINS VERIFICAÇÕES OBRIGATÓRIAS, na qual se apuraram os valores a tributar da COFINS. Em impugnação, a Entidade alegou: 1) não prospera o procedimento fiscal lavrado contra a Entidade, relativo aos anos de 2001 a 2004, por encontrarse ela ao abrigo da imunidade do art. 195, § 7°, da Constituição Federal e Lei Complementar 70/91, art. 6°, III; 2) deve ser observado que o preceptivo do artigo 217 da Constituição erige a prática de esportes como um direito da pessoa, por isso, o desporto encontrase inserido na Carta Magna, no Título VIII "Da Ordem Social"; 3) ad argumentandum tantum, ainda que a Entidade não estivesse amparada pela imunidade, não poderia ser tributada em relação aos valores das contas 46120 (receitas financeiras) e 46510 (receitas diversas), por se tratarem de receitas derivadas das atividades próprias da Entidade, sendo, portanto, parcelas isentas; 4) as "receitas financeiras" decorrem de empréstimos a clubes filiados, taxa de administração (com base no Estatuto), descontos obtidos, bem como aplicações financeiras propriamente ditas, sendo que, assistir e socorrer os clubes filiados está dentro das finalidades sociais da Federação; 5) as "receitas diversas" referemse à taxa de inspeções e vistorias de estádios e reembolso de seguro, cujas atividades e cobrança estão em sintonia com as finalidades da Entidade e autorizadas pelo seu Estatuto; 6) é ilegal e inconstitucional a utilização da taxa Selic como juros moratórios. A 4ª Turma da DRJ/RJOII, negou provimento à impugnação, acórdão n° 13 19.085, com decisão assim ementada: IMUNIDADE. ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. NÃOAPLICAÇÃO. Pelas atividades desempenhadas, as federações esportivas, ainda que sem fins lucrativos, não se confundem com as entidades beneficentes de assistência social, não se lhes aplicando o benefício constitucional a essas restrito. RECEITAS DE ATIVIDADES DE NATUREZA ECONÔMICO FINANCEIRA. FEDERAÇÕES ESPORTIVAS. INCIDÊNCIA. A isenção prevista na Medida Provisória n° 2.15835, de 2001, atinge tãosomente as receitas relativas as atividades próprias, não incluindo as receitas de atividades de natureza econômico financeira auferidas pelas federações esportivas. Em seu recurso voluntário, a Entidade reitera os fundamentos de sua impugnação; declara que é imune e que todas as suas receitas se subsumem à isenção do art. 14, X da MP n° 2.15835. Fl. 318DF CARF MF Processo nº 19515.002044/200434 Acórdão n.º 3301004.845 S3C3T1 Fl. 319 5 É o relatório. Voto Conselheira Semíramis de Oliveira Duro, Relatora O recurso voluntário atende aos pressupostos legais de interposição, devendo ser conhecido. Imunidade tributária das entidades de assistência social Entende a Recorrente que se enquadra no conceito de entidade de “assistência social”, por isso está sujeita à imunidade tributária do art. 195, §7° da CF/88: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. A assistência social tem como fundamento os art. 6° e 203 da CF/88: Art. 6º São direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o transporte, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição. Art. 203. A assistência social será prestada a quem dela necessitar, independentemente de contribuição à seguridade social, e tem por objetivos: I a proteção à família, à maternidade, à infância, à adolescência e à velhice; II o amparo às crianças e adolescentes carentes; III a promoção da integração ao mercado de trabalho; IV a habilitação e reabilitação das pessoas portadoras de deficiência e a promoção de sua integração à vida comunitária; V a garantia de um salário mínimo de benefício mensal à pessoa portadora de deficiência e ao idoso que comprovem não possuir meios de prover à própria manutenção ou de têla provida por sua família, conforme dispuser a lei. Fl. 319DF CARF MF Processo nº 19515.002044/200434 Acórdão n.º 3301004.845 S3C3T1 Fl. 320 6 Registrese que, nos termos do disposto no art. 3° da Lei nº 8.742/93, consideramse entidades e organizações de assistência social aquelas que prestam, sem fins lucrativos, atendimento e assessoramento aos beneficiários, conforme o art. 203, da CF/88. Observese os art. 1° e 2° do Estatuto da Federação Paulista de Futebol, que dispõem sobre suas finalidades desportivas: Art. 1º. A Federação Paulista de Futebol (FPF), doravante denominada, simplesmente, Federação, fundada em 11 de fevereiro de 1935, com sede e foro na Capital do Estado de São Paulo, é uma associação civil de direito privado, sem fins lucrativos, de finalidades desportivas, com personalidade jurídica e patrimônio próprios, gozando, nos termos do artigo 217, inciso I, da Constituição Federal, de autonomia administrativa, quanto à sua organização e funcionamento, e se rege pelas normas legais no País e adotando as regras desportivas fixadas pela FIFA e pela CBF. Art. 2º. A Federação, que funcionará por tempo indeterminado e exercerá as suas atividades segundo o disposto neste Estatuto e leis acessórias, tem por fim: a) dirigir o futebol no Estado de São Paulo, incentivando a sua difusão e aperfeiçoamento; b) promover a realização de campeonatos, torneios e competições de futebol; c) incrementar a cultura física, intelectual, moral e cívica dos desportistas, especialmente da juventude; d) contribuir para o progresso material e técnico das associações filiadas, que constituem a base da organização desportiva nacional. Sem dúvida a sua finalidade se coaduna com o prescrito pelo art. 217 da CF/88: Art. 217. É dever do Estado fomentar práticas desportivas formais e nãoformais, como direito de cada um, observados: I a autonomia das entidades desportivas dirigentes e associações, quanto a sua organização e funcionamento; II a destinação de recursos públicos para a promoção prioritária do desporto educacional e, em casos específicos, para a do desporto de alto rendimento; III o tratamento diferenciado para o desporto profissional e o não profissional; IV a proteção e o incentivo às manifestações desportivas de criação nacional. Dispõe a Lei n° 9.615/1.998, que institui as normas gerais sobre desporto, em seu art. 4º, § 2º que: Fl. 320DF CARF MF Processo nº 19515.002044/200434 Acórdão n.º 3301004.845 S3C3T1 Fl. 321 7 § 2° A organização desportiva do País, fundada na liberdade de associação, integra o patrimônio cultural brasileiro e é considerada de elevado interesse social, inclusive para os fins do disposto nos incisos I e III do art. 5° da Lei Complementar n. 75, de 20 de maio de 1993. Como visto acima, a assistência social se volta ao auxílio de necessitados, é amparo estatal ou privado de natureza humanitária aos reconhecidamente carentes, que não se confunde com a concessão de benefício previdenciário. A assistência social é garantia da dignidade da pessoa em seus aspectos sociais. Por sua vez, as finalidades institucionais da Federação Paulista de Futebol são de elevado interesse social, contudo não são equiparáveis às instituições de assistência social, eis que ausentes os traços axiológicos da assistência social prescritos no supracitado art. 203 da CF/88. Por essa razão, deve ser indeferido o seu pleito de reconhecimento de imunidade para fins de cancelamento do referido auto de infração. Por fim, restam prejudicados seus argumentos de cumprimento dos art. 9° e 14 do CTN, uma vez que não se está diante de entidade imune. Nulidade do auto de infração por violação ao disposto no art. 32 da Lei n° 9.430/96 Sustenta a Recorrente a nulidade de todo o procedimento fiscal, em virtude da inobservância do art. 32 da Lei n° 9.430/96, que dispõe sobre o procedimento de “suspensão da imunidade e da isenção”: Art. 32. A suspensão da imunidade tributária, em virtude de falta de observância de requisitos legais, deve ser procedida de conformidade com o disposto neste artigo. 1º Constatado que entidade beneficiária de imunidade de tributos federais de que trata a alínea c do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal não está observando requisito ou condição previsto nos arts. 9º, § 1º, e 14, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, a fiscalização tributária expedirá notificação fiscal, na qual relatará os fatos que determinam a suspensão do benefício, indicando inclusive a data da ocorrência da infração. § 2º A entidade poderá, no prazo de trinta dias da ciência da notificação, apresentar as alegações e provas que entender necessárias. § 3º O Delegado ou Inspetor da Receita Federal decidirá sobre a procedência das alegações, expedindo o ato declaratório suspensivo do benefício, no caso de improcedência, dando, de sua decisão, ciência à entidade. § 4º Será igualmente expedido o ato suspensivo se decorrido o prazo previsto no § 2º sem qualquer manifestação da parte interessada. Fl. 321DF CARF MF Processo nº 19515.002044/200434 Acórdão n.º 3301004.845 S3C3T1 Fl. 322 8 § 5º A suspensão da imunidade terá como termo inicial a data da prática da infração. § 6º Efetivada a suspensão da imunidade: I a entidade interessada poderá, no prazo de trinta dias da ciência, apresentar impugnação ao ato declaratório, a qual será objeto de decisão pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento competente; II a fiscalização de tributos federais lavrará auto de infração, se for o caso. § 7º A impugnação relativa à suspensão da imunidade obedecerá às demais normas reguladoras do processo administrativo fiscal. § 8º A impugnação e o recurso apresentados pela entidade não terão efeito suspensivo em relação ao ato declaratório contestado. § 9º Caso seja lavrado auto de infração, as impugnações contra o ato declaratório e contra a exigência de crédito tributário serão reunidas em um único processo, para serem decididas simultaneamente. § 10. Os procedimentos estabelecidos neste artigo aplicamse, também, às hipóteses de suspensão de isenções condicionadas, quando a entidade beneficiária estiver descumprindo as condições ou requisitos impostos pela legislação de regência. (...) Entendo não haver nulidade, porquanto a acusação fiscal teve como base a glosa de isenção das receitas em virtude do caráter contraprestacional, que escaparam da definição adotada pela fiscalização de “receita própria”, para fins do benefício fiscal do art. 14, X, da MP n° 215835/2001. Não houve a desconsideração do caráter não lucrativo e da isenção das demais receitas da Recorrente. Portanto, afasto tal alegação, por considerar não estar o procedimento fiscal eivado de nulidade. Natureza das contas contábeis autuadas 46510, 46120 e 46520 Na interpretação do art. 14, X da MP, entendeu a fiscalização e o voto condutor da DRJ que seriam receitas de atividades próprias das instituições a que se refere o art. 12 da Lei nº 9.532/97, apenas as receitas decorrentes de contribuições, doações e subvenções por elas recebidas, bem como mensalidades ou anuidades pagas por seus associados, destinadas à manutenção da instituição e consecução de seus objetivos sociais, sem caráter contraprestacional. Foi aplicado o art. 47, da Instrução Normativa n° 247/2002: Fl. 322DF CARF MF Processo nº 19515.002044/200434 Acórdão n.º 3301004.845 S3C3T1 Fl. 323 9 Art. 47. As entidades relacionadas no art. 9º desta Instrução Normativa: I – não contribuem para o PIS/Pasep incidente sobre o faturamento; e II – são isentas da Cofins em relação às receitas derivadas de suas atividades próprias. (...) § 2º Consideramse receitas derivadas das atividades próprias somente aquelas decorrentes de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por lei, assembléia ou estatuto, recebidas de associados ou mantenedores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao seu custeio e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais. Por outro lado, a fiscalização também atendeu ao comando do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98, aduzindo que se sujeitam à incidência da COFINS, as demais receitas da Recorrente, excetuadas aquelas consideradas como “receitas próprias”, conforme o conceito da Instrução Normativa supracitada. Diante disso, foram tributadas pela COFINS, as receitas das contas contábeis n° 46510, 46120 e 46520. A revisão dos dois pontos será feita a seguir. Isenção do art. 14, X, da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001 Prescreve o art. 14, X da MP n° 2.15835: Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1° de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: (...) X relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13. Por sua vez, o art. 13 do mesmo veículo normativo dispõe: Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, cientifico e as associações, a que se refere o art. 15 da Lei no 9.532, de 1997. Na interpretação do conceito de “receitas próprias”, o STJ, no julgamento do REsp 1.353.111 RS, DJ 18/12/2015, na sistemática de recurso repetitivo, transitado em julgado desde 02/03/2016, entendeu que a receita da atividade própria, objeto da isenção da Cofins prevista no art. 14, X, c/c art. 13, III, da MP nº 2.15835/2001, alcança as receitas Fl. 323DF CARF MF Processo nº 19515.002044/200434 Acórdão n.º 3301004.845 S3C3T1 Fl. 324 10 obtidas em contraprestação de serviços educacionais prestados pelas entidades de educação sem fins lucrativos a que se refere o art. 12 da Lei nº 9.532, de 1997, ou seja, as mensalidades. Quer isso significar que o parágrafo §2º do art. 47 da IN 247/2002 ofende o inciso X do art. 14 da MP n° 2.15835/01, ao excluir do conceito de "receitas relativas às atividades próprias das entidades", as contraprestações pelos serviços próprios de educação, que são as mensalidades escolares recebidas de alunos. Vejase o teor do julgado: REsp 1.353.111 – RS PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. COFINS. CONCEITO DE RECEITAS RELATIVAS ÀS ATIVIDADES PRÓPRIAS DAS ENTIDADES SEM FINS LUCRATIVOS PARA FINS DE GOZO DA ISENÇÃO PREVISTA NO ART. 14, X, DA MP N. 2.15835/2001. ILEGALIDADE DO ART. 47, II E § 2º, DA INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF N. 247/2002. SOCIEDADE CIVIL EDUCACIONAL OU DE CARÁTER CULTURAL E CIENTÍFICO. MENSALIDADES DE ALUNOS. 1. A questão central dos autos se refere ao exame da isenção da COFINS, contida no art. 14, X, da Medida Provisória n. 1.858/99 (atual MP n. 2.15835/2001), relativa às entidades sem fins lucrativos, a fim de verificar se abrange as mensalidades pagas pelos alunos de instituição de ensino como contraprestação desses serviços educacionais. O presente recurso representativo da controvérsia não discute quaisquer outras receitas que não as mensalidades, não havendo que se falar em receitas decorrentes de aplicações financeiras ou decorrentes de mercadorias e serviços outros (vg. estacionamentos pagos, lanchonetes, aluguel ou taxa cobrada pela utilização de salões, auditórios, quadras, campos esportivos, dependências e instalações, venda de ingressos para eventos promovidos pela entidade, receitas de formaturas, excursões, etc.) prestados por essas entidades que não sejam exclusivamente os de educação. 2. O parágrafo § 2º do art. 47 da IN 247/2002 da Secretaria da Receita Federal ofende o inciso X do art. 14 da MP n° 2.158 35/01 ao excluir do conceito de "receitas relativas às atividades próprias das entidades", as contraprestações pelos serviços próprios de educação, que são as mensalidades escolares recebidas de alunos. 3. Isto porque a entidade de ensino tem por finalidade precípua a prestação de serviços educacionais. Tratase da sua razão de existir, do núcleo de suas atividades, do próprio serviço para o qual foi instituída, na expressão dos artigos 12 e 15 da Lei n.º 9.532/97. Nessa toada, não há como compreender que as receitas auferidas nessa condição (mensalidades dos alunos) não sejam aquelas decorrentes de "atividades próprias da entidade", conforme o exige a isenção estabelecida no art. 14, X, da Medida Provisória n. 1.858/99 (atual MP n. 2.15835/2001). Sendo assim, é flagrante a ilicitude do art. 47, §2º, da IN/SRF n. Fl. 324DF CARF MF Processo nº 19515.002044/200434 Acórdão n.º 3301004.845 S3C3T1 Fl. 325 11 247/2002, nessa extensão. 4. Precedentes do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF (...) 6. Tese julgada para efeito do art. 543C, do CPC: as receitas auferidas a título de mensalidades dos alunos de instituições de ensino sem fins lucrativos são decorrentes de "atividades próprias da entidade" , conforme o exige a isenção estabelecida no art. 14, X, da Medida Provisória n. 1.858/99 (atual MP n. 2.15835/2001), sendo flagrante a ilicitude do art. 47, §2º, da IN/SRF n. 247/2002, nessa extensão. 7. Recurso especial não provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. Entendo que tal raciocínio se aplica ao presente caso, porquanto na conta contábil n° 46.510 “RECEITAS DIVERSAS”, constam escrituradas receitas de contraprestação entre a Federação e os Clubes, conta contábil que comporta a recuperação de despesas e as inspeções e vistorias de estádios, ou seja, despesas administrativas relacionadas aos serviços prestados pela Federação, conforme a tabela de taxas administrativas e tabela de “reembolso de despesas administrativas” (disciplinados pelos atos normativos da Presidência, Resolução e Circular, efls. 179190). Ademais, no Estatuto da Federação Paulista de Futebol, art. 73, são listadas as receitas estatutárias abaixo: Art. 72 Constituem receitas da FEDERAÇÃO: a) emolumentos de filiação e permanência, ou de inscrição de contratos de atletas profissionais, transferências de atletas, licença pra competições internacionais, despesas de comunicação e outros, inclusive os relativos a processos de recursos; b) reembolso de gastos efetuados no interesse de associação na cessão e transferência de contrato de atleta profissional; c) emolumentos pela prestação de serviços, nos processos de transferência internacional de atleta profissional; d) multas e indenizações; e) anuidades; f) rendas provenientes da locação de bens móveis ou imóveis; g) auxílios, subvenções ou doações não sujeitas a encargos; h) arrecadação de percentual incidente sobre a renda bruta das competições, campeonatos ou torneios organizados pela FEDERAÇÃO, na forma disposta no art. 76 e seus Parágrafos, deste Estatuto; i) rendas das partidas realizadas pela seleção paulista de futebol; j) rendas resultantes das aplicações de bens patrimoniais; Fl. 325DF CARF MF Processo nº 19515.002044/200434 Acórdão n.º 3301004.845 S3C3T1 Fl. 326 12 k) rendas provenientes de patrocínios e da exploração da denominação da FEDERAÇÃO e de seus símbolos; I) as rendas resultantes de televisionamento, filmagem, internet e qualquer outro meio de transmissão de competições organizadas pela FEDERAÇÃO; m) qualquer renda eventual; n) rendas resultantes de exploração e/ou a prestação de serviços relativos aos direitos de imagem e demais direitos das entidades de prática desportiva, inclusive os direitos de que trata o artigo 42 da Lei 9615/98, que disputarem campeonatos organizados pela FEDERAÇÃO, em âmbito nacional e internacional; o) emolumentos e correção monetária, por serviços prestados às entidades de prática desportiva, quando houver antecipações de receitas. Observase que o Estatuto dispõe que fazem parte da receita da Federação, os reembolsos e taxas cobradas pelas atividade da Federação em prol dos associados. Por conseguinte, entendo que a conta contábil n° 46.510 “RECEITAS DIVERSAS” referese a receitas próprias da Federação, motivo pelo qual deve ser cancelada a autuação. Alargamento da base de cálculo da COFINS – RE n° 585.235/MG RG – Exclusão da base de cálculo da COFINS das Receitas Financeiras e de Ganho de Capital Resta pacificado no STF o entendimento sobre a inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98. O alcance do termo faturamento abarcando a atividade estatutária restou assente no RE nº 585.235/MG, no qual se reconheceu a repercussão geral do tema concernente ao alargamento da base de cálculo do PIS prevista no §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, reafirmando a jurisprudência consolidada pelo STF: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ DE 1º.9.2006; REs nº 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006). Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98. No voto, o Ministro Cezar Peluso consignou: O recurso extraordinário está submetido ao regime de repercussão geral e versa sobre tema cuja jurisprudência é consolidada nesta Corte, qual seja, a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando, assim, a noção de faturamento pressuposta na redação original do art. 195, I, b, da Fl. 326DF CARF MF Processo nº 19515.002044/200434 Acórdão n.º 3301004.845 S3C3T1 Fl. 327 13 Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais... Logo, apenas o faturamento decorrente das atividades finalísticas (não se podendo incluir outras receitas) pode ser tributado pela COFINS. Diante disso, considerando que a conta autuada n° 46520 referese a ganhos de capital na venda do imóvel na Av. Brigadeiro Luiz Antonio, deve ser excluída da base de cálculo da COFINS. Outrossim, a conta autuada n° 46120 referese a “RECEITAS FINANCEIRAS”, também deve ser excluída da base de cálculo. Assim, as receitas financeiras e ganho de capital não podem compor a base de cálculo da COFINS. Em suma, a tributação sobre as “receitas próprias”, incluídas as contraprestacionais são isentas, nos termos do art. 14, X da Medida Provisória n° 2.158 35/2001, ao passo que a exclusão das receitas financeiras e ganho de capital se dá com base na inconstitucionalidade do alargamento a base de cálculo da COFINS pelo art. 3º, §1º, da Lei n.º 9.718/1998. Conclusão Por todo o exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Fl. 327DF CARF MF
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